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                  <text>Breve histórico da Biblioteconomia brasileira: formação do
profissional.

Neilia Barros Ferreira de Almeida (Nethis/Fiocruz) - neilia.barros@gmail.com
Sofia Galvão Baptista (UnB) - sofiag@unb.br
Resumo:
Apresenta um breve histórico do ensino de Biblioteconomia no Brasil com ênfase nos
currículos. Descreve as principais diferenças entre as primeiras escolas de Biblioteconomia no
Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo). Mostra que o curso ministrado no Rio de Janeiro pela
Biblioteca Nacional tinha forte característica humanística e era voltada para os funcionários
da instituição, enquanto o curso paulista adotava os aspectos técnicos norte-americanos e era
direcionada para os funcionários da biblioteca como também professores e funcionários de
outras instituições. Aborda que a padronização do ensino surgiu por meio dos Currículos
Mínimos de 1962 e de 1982 e apresenta o descontentamento da classe acadêmica com a
quantidade de disciplinas. Expõe as Diretrizes Curriculares Nacionais específicas para o
ensino de Biblioteconomia e descreve a importância delas para a construção de currículos
direcionados as demandas e as particularidades de cada região.
Palavras-chave: História da Biblioteconomia no Brasil. Ensino de Biblioteconomia. Formação
do bibliotecário. Profissional da informação
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Breve histórico da Biblioteconomia brasileira: formação do profissional.

Resumo:
Apresenta um breve histórico do ensino de Biblioteconomia no Brasil com ênfase
nos currículos. Descreve as principais diferenças entre as primeiras escolas de
Biblioteconomia no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo). Mostra que o curso
ministrado no Rio de Janeiro pela Biblioteca Nacional tinha forte característica
humanística e era voltada para os funcionários da instituição, enquanto o curso
paulista adotava os aspectos técnicos norte-americanos e era direcionada para os
funcionários da biblioteca como também professores e funcionários de outras
instituições. Aborda que a padronização do ensino surgiu por meio dos Currículos
Mínimos de 1962 e de 1982 e apresenta o descontentamento da classe acadêmica
com a quantidade de disciplinas. Expõe as Diretrizes Curriculares Nacionais
específicas para o ensino de Biblioteconomia e descreve a importância delas para a
construção de currículos direcionados as demandas e as particularidades de cada
região.
Palavras-chave: História da Biblioteconomia no Brasil. Ensino de Biblioteconomia.
Formação do bibliotecário. Profissional da informação.
Área Temática: Temática II - Transcompetências: diferenciais dos usuários e do
profissional da informação.

1 INTRODUÇÃO

A primeira biblioteca brasileira surgiu dentro de uma instituição de ensino dos
Jesuítas no Brasil Colonial. Naquele período, todo acesso ao conhecimento laico era
controlado pela Igreja, situação que favoreceu a criação da primeira biblioteca do
país no Colégio da Bahia (1568) e também as atividades de um bibliotecário.
(SOUSA, 2010?; FONSECA, 1979).
No Brasil, o primeiro bibliotecário foi o jesuíta português Antônio Gonçalves
em 1604 na biblioteca do Colégio da Bahia (FONSECA, 1979). Naquele período e
até o início do século XX não havia cursos de formação de bibliotecários no Brasil. o
primeiro curso de Biblioteconomia foi criado apenas em 1911 na Biblioteca Nacional.
Este artigo apresenta uma revisão bibliográfica sobre a história da
Biblioteconomia brasileira entre 1911 e 2012. Descreve as principais características
dos primeiros cursos na Biblioteca Nacional (1911) e no Mackenzie College (1929).
Em seguida, expõe a padronização das disciplinas por meio dos Currículos Mínimos
e aborda o contexto das Diretrizes Curriculares para o ensino de Biblioteconomia.

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O objetivo deste texto é apresentar os fatos históricos do desenvolvimento do
ensino de Biblioteconomia no Brasil.

2 ENSINO: AS PRIMEIRAS ESCOLAS

2.1 Rio de Janeiro

O ensino de Biblioteconomia surgiu a partir do Decreto 8.835 de 11 de Julho
de 1911 que estabeleceu a criação do primeiro Curso de Biblioteconomia na
Biblioteca Nacional. Este fato ocorreu por meio do esforço e empenho de Manuel
Cícero Peregrino da Silva, diretor da Biblioteca Nacional. No entanto, as aulas só
começaram em abril de 1915 por causa da desistência dos inscritos (RUSSO, 1966;
CASTRO, 2000).
A forma de admissão do primeiro curso foi por exame que se compunha de
prova escrita de português e provas orais de geografia, literatura, história universal e
de línguas: francês, inglês e latim. Em síntese, era pré-requisito para ser bibliotecário
possuir cultura geral. Contudo, naquela ocasião, estavam dispensados os
candidatos admitidos anteriormente em escolas superiores ou aqueles aprovados
para a carreira de bibliotecário (CASTRO, 2000).
O curso da Biblioteca Nacional parou de funcionar em 1923 devido às
mudanças instituídas em regulamento do Museu Histórico Nacional que estabelecia
a criação do Curso Technico. Esse curso buscava formar profissionais para atuar na
Biblioteca Nacional e no Arquivo Nacional. Essas mudanças não ocorreram e as
atividades do curso de Biblioteconomia foram encerradas, voltando as suas
atividades em 1931 (CASTRO, 2000).
O ensino da Biblioteca Nacional era influenciado pela escola francesa École
de Chartes com forte característica humanística e voltada para os funcionários
daquela biblioteca.

2.2 São Paulo

O segundo curso criado em São Paulo em 1929 no Mackenzie College
recebeu influência americana tecnicista da Columbia University. O curso chamava-

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se “Curso Elementar de Biblioteconomia” e foi orientado pela bibliotecária americana
Dorothy Muriel Gedds Gropp. Na época, este curso era voltado para os funcionários
da biblioteca, professores e bibliotecários de outras instituições. (CASTRO, 2000).
Em 1936, com a criação do Curso de Biblioteconomia do Departamento de
Cultura da Prefeitura de São Paulo por Rubens Borba de Moraes o curso do
Mackenzie College encerrou suas atividades. No entanto, em 1939 por questões
políticas a prefeitura de São Paulo cancelou a subvenção dado ao curso, mas
Rubens Borba de Moraes encontrou apoio na Escola Livre de Sociologia e Política
de São Paulo onde ali reinstalou o curso em maio de 1940. (RUSSO, 1966;
CASTRO, 2000).
Russo (1966) enfatiza que Rubens Borba de Moraes e Adelpha Silva
Figueiredo implantaram uma biblioteconomia inovadora, fazendo da Biblioteca
Municipal de São Paulo um laboratório onde treinaram muitas gerações de
bibliotecários a serviço da coletividade.

2.3 Rio de Janeiro versus São Paulo

Nos primeiros anos de criação as escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo
foram guiadas por diferentes visões. A primeira mantinha suas raízes humanísticas
enquanto a segunda era basicamente técnica. De tal forma, que os bibliotecários
formados por uma determinada escola passavam a defender a abordagem tecnicista
ou humanística de acordo com a escola de formação. Tanto que Castro (2000,
p.103) afirma que “a polêmica entre Rio e São Paulo foi marcante” quanto às
questões técnicas da área.
No entanto, com a americanização do país e as exigências do mercado de
trabalho a Biblioteca Nacional em 1944 modificou seu currículo com o acréscimo de
disciplinas técnicas tais como: Catalogação, Classificação, Bibliografia e Referência
(CASTRO, 2000). Mas não deixou de lado sua influência humanística.
O ensino de Biblioteconomia no Rio de Janeiro e São Paulo apresentavam
diferenças desde a influência a controvérsias nas práticas técnicas e nas disciplinas
escolares (CASTRO, 2000). Como pode ser observado no quadro a seguir:

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Quadro 1 - Disciplinas escolares: Rio de Janeiro (BN) e São Paulo.

ANO
1915

1931

1944

1962

RIO DE JANEIRO (BN)
Bibliografia
Paleografia e Diplomática
Referência
Bibliografia
Paleografia e Diplomática
História da Literatura
Iconografia e Cartografia

ANO
1929

Organização e Administração de
Bibliotecas
Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
História do Livro e das
Bibliotecas
História da Literatura (aplicada à
Bibliografia)
Noções de Paleografia
Técnica de Referência
Bibliografia Geral
Catalogação e Classificação
Organização e Administração de
Bibliotecas
História do Livro e das
Bibliotecas
Organização e técnicas de
Documentação
Literatura e Bibliografia Literária
Introdução á Cultura Histórica e
Sociológica
Reprodução de Documentos
Paleografia
Introdução à Cultura Filosófica e
Artística

1943-1959

1941-1942

1960-1961

SÃO PAULO
Catalogação
Classificação
Organização de Bibliotecas
Catalogação
Classificação
Bibliografia
História do Livro
Organização de Bibliotecas
Catalogação
Classificação
Bibliografia
Organização de Bibliotecas
História do Livro e
Paleografia

Catalogação
Classificação
Referência e Bibliografia
História do Livro
Paleografia
Organização e
Administração de
Bibliotecas
Seleção de Livros
Introdução à Cultura
Artística
Introdução à Cultura
Filosófica
Introdução às Ciências
Sociais
Documentação

Fonte: CASTRO, 2000, p. 105

A partir do Quadro 1 é possível observar que até o ano de 1942 as escolas
apresentavam disciplinas totalmente diferentes, com exceção, ao ensino de
bibliografia que se tornou comum aos dois cursos a partir do ensino na Escola Livre
de Sociologia e Política de São Paulo.
Para Castro (2000) as diferenças significativas deixaram de existir a partir de
1944 entre os saberes ministrados em São Paulo e Rio de Janeiro, no entanto, o
autor acredita que supostamente devia haver outras diferenças nas práticas e no
modo de ensinar entre os dois estados.

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Em 1962 a Biblioteconomia foi elevada a status de profissão de nível superior.
Nesta época, de acordo com Fonseca (1979) já havia outros cursos além dos
expostos até aqui, como o: Curso de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade
Católica – Campinas (1945); Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (1947); Curso de Biblioteconomia do Departamento de
Documentação e Cultura do Recife (1948); Curso de Biblioteconomia em Minas
Gerais (1950); Curso de Biblioteconomia em Pernambuco (1950); Curso de
Biblioteconomia

da

Universidade

Federal

do

Paraná

(1952);

Curso

de

Biblioteconomia em Manaus (1955) e o Curso de Biblioteconomia de São Carlos –
SP (1959).
Almeida (2012, p. 50) verificou por meio da análise dos relatos de Fonseca
(1979) e Castro (2000), “que com o passar dos anos, tanto a prática como o ensino
da Biblioteconomia foram deixando de lado o aspecto erudito e assimilando a
vertente tecnicista dos Estados Unidos”.

3 CURRÍCULO MÍNIMO

A padronização das disciplinas ministradas nas escolas deu-se por meio do
primeiro Currículo Mínimo em 1962 que surgiu a partir da obrigatoriedade dos
diplomas de Biblioteconomia serem registrados na Diretoria de Ensino Superior do
Ministério da Educação e Cultura. A obrigatoriedade foi estabelecida pela Lei
4.084/62 que dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. Para
conhecimento desta lei, a seguir é exposto um pequeno trecho.
Do Exercício da Profissão de Bibliotecário e das suas atribuições
Art 1º A designação profissional de Bibliotecário [...] é privativa dos
bacharéis em Biblioteconomia, de conformidade com as leis em vigor.
Art 2º O exercício da profissão de Bibliotecário, em qualquer de seus ramos,
só será permitido:
a) aos Bacharéis em Biblioteconomia, portadores de diplomas expedidos
por Escolas de Biblioteconomia de nível superior, oficiais, equiparadas, ou
oficialmente reconhecidas;
b) aos Bibliotecários portadores de diplomas de instituições estrangeiras
que apresentem os seus diplomas revalidados no Brasil, de acordo com a
legislação vigente. (BRASIL, 1962).

O Currículo de 1962 apresentava dois grandes grupos, um de conteúdo
cultural e humanístico e o outro com assuntos técnicos (MUELLER, 1988). No
entanto, para Russo (1966) muitas escolas não ficaram satisfeitas com o Currículo
Mínimo, pois consideravam excessivo o número de matérias culturais.

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Embora o currículo tenha sido elaborado por um grupo de professores a
proposta inicial foi alterada pelo Conselho Federal de Educação (CFE), talvez este
seja um dos motivos que tenha ocasionado o descontentamento dos professores da
área. Almeida (2012, p 71) entende que
Esse fato pode estar relacionado às mudanças feitas pelo CFE nas
propostas apresentadas pelas Comissões formadas, em sua maioria, por
professores consagrados da literatura biblioteconômica. Entende-se o
descontentamento da classe, pois, pressupõe-se que os professores de
Biblioteconomia sejam os mais preparados para apontar diretrizes de ensino
na área e prognosticar o seu futuro, uma vez que, como especialistas da
área, conhecem os pontos fortes e fracos do ensino, bem como as
demandas e necessidades da região onde atuam.

As mudanças nas escolas começaram a partir de 1963, entretanto, elas não
se limitavam a oferecer as disciplinas obrigatórias, incluindo em seus currículos
plenos outras disciplinas. Com o passar dos anos, Mueller (1988) observou que as
disciplinas culturais eram demasiadamente amplas ocasionando em geral um
conhecimento superficial e pouco significativo, frustrando a intenção da formação
humanística.
No decorrer dos anos, existiu a necessidade de atualização do currículo e em
1982 o Conselho Federal de Educação, em parceria com a Associação Brasileira de
Escolas de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD) e professores de diversos
cursos de Biblioteconomia, estabeleceu o 2º Currículo Mínimo de Biblioteconomia
com matérias divididas em três grupos: matérias de fundamentação geral, matérias
instrumentais e matérias de formação profissional.
Muller (1988, p.75) destaca que Acadêmicos da área criaram uma proposta e
que o Conselho Federal de Educação não seguiu as orientações à risca, como
apresenta o fragmento abaixo
Na exposição de motivos apresentada ao MEC/CFE para mudança de
currículo mínimo para os cursos de Biblioteconomia, em documento datado
de 1981, que tinha a proposta elaborada por uma comissão de professores,
transparecem as restrições no currículo vigente (de 1982) e as expectativas
depositadas naquela proposta.
[...]
O currículo então vigente (de 1982), na opinião dos autores da proposta,
representava uma barreira, especialmente, para as escolas de menores
recursos.

Ao comparar o currículo de 1962 com currículo elaborado em 1982 percebeuse que havia mais semelhanças do que diferenças, embora também existisse
acréscimo de conteúdo. Constata-se isto por meio do Quadro 2, as linhas com cor

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são as disciplinas que constam nos dois currículos, embora apresentem diferenças
de nomenclatura os assuntos abordados são equivalentes.
Quadro 2 - Equivalência entre matérias do Currículo Mínimo de 1962 e do Currículo Mínimo de 1982
Currículo Mínimo de 1962

1. Introdução aos estudos históricos e
sociais
2. História da arte
3. Evolução do pensamento filosófico e
científico
4. História da literatura

5. Documentação
6. História do Livro e das Bibliotecas

7. Catalogação e classificação
8. Bibliografia e referência
9. Organização e administração de
bibliotecas
10. Paleografia

Currículo Mínimo de 1982
Matérias de Formação Geral
1. Comunicação
2. Aspectos sociais, políticos e
econômicos do Brasil contemporâneo
3. História da Cultura

Matérias Instrumentais
4. Lógica
5. Língua portuguesa e literatura da
língua portuguesa
6. Língua estrangeira moderna
7. Métodos e técnicas de pesquisa
Matérias de Formação Profissional
8. Informação aplicada à Biblioteconomia
9. Produção dos registros do
conhecimento
10. Formação e desenvolvimento de
coleções
11. Controle bibliográfico dos registros do
conhecimento
12. Disseminação da informação
13. Administração d
e bibliotecas

Fonte: MUELLER, 1988, p. 75

A intenção do currículo de 1982 era abandonar a ênfase na aquisição de
habilidades em técnicas específicas, reforçando o entendimento dos objetivos que
tais técnicas teriam. Pretendeu-se neste currículo permitir a atualização de
conteúdos ao longo dos anos utilizando uma designação mais amplas para as
disciplinas (MUELLER, 1988). Mas assim como o currículo de 1962 o de 1982 não
agradou por completo a classe acadêmica.

4 DIRETRIZES CURRICULARES

Com a padronização dos conteúdos pelo Currículo Mínimo de 1962 e o de
1982 surgiram entre os acadêmicos, descontentamentos com a quantidade de
disciplinas e com o caráter ora muito técnico e ora demasiadamente humanístico dos

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conteúdos estabelecidos (RUSSO, 1966; MACEDO, 1963; SOUZA, 1990). No
entanto, as escolas eram obrigadas a ministrarem aquele mínimo de disciplinas
impostas.
Na década de 1990 a educação nacional passou por um momento de
mudanças com a criação da Lei 9.394/1996 que estabeleceu as Diretrizes e Bases
da Educação Nacional. Esta lei assegurou às universidades autonomia para: criar,
organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior; fixar
os currículos dos seus cursos e programas, observando as diretrizes gerais
pertinentes e também estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa
científica, produção artística e atividades de extensão entre outras atribuições.
(BRASIL, 1996).
As

Diretrizes

Curriculares

Nacionais

específicas

para

o

ensino

de

Biblioteconomia foram estabelecidas em 2001 por meio do Parecer CNE/CES
492/2001 do Conselho Nacional de Educação/Câmara Superior de Educação. Esse
documento definiu o perfil dos formandos da área, enumerou as competências e
habilidades necessárias ao egresso direcionando o conteúdo curricular. O Parecer
estabeleceu a importância de estágios, atividades complementares, avaliação
institucional e da estrutura do curso.
De acordo com as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Biblioteconomia
(BRASIL, 2001), a formação do bibliotecário deve proporcionar ao aluno:
[...] o desenvolvimento de determinadas competências e habilidades e o
domínio dos conteúdos da Biblioteconomia. Além de preparados para
enfrentar com proficiência e criatividade os problemas de sua prática
profissional, produzir e difundir conhecimentos, refletir criticamente sobre a
realidade que os envolve, buscar aprimoramento contínuo e observar
padrões éticos de conduta [...].

O parecer enumerou e dividiu as competências e habilidades necessárias a
formação do bibliotecário, com o intuito de direcionar os conteúdos dos cursos. As
competências foram divididas em gerais e específicas.
Competências gerais:
Gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los;
Formular e executar políticas institucionais;
Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos;
Utilizar racionalmente os recursos disponíveis;
Desenvolver e utilizar novas tecnologias;
Traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades nas
respectivas áreas de atuação;

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Desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir,
assessorar, prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e
pareceres;
Responder a demandas sociais de informação produzidas pelas
transformações
tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo
(BRASIL, 2001, p.32).

Competências específicas:
Interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da
informação, em todo e qualquer ambiente;
Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos
de informação;
Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza;
Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante
a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento,
armazenamento e difusão da informação;
Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso
da informação (BRASIL, 2001, p. 32-33).

Para Almeida (2012) as diretrizes possibilitam que cada Instituição de Ensino
Superior estabeleça os mecanismos de interação do aluno com o mercado de
trabalho por meio de estágios e atividades complementares.
Os conteúdos dos cursos devem ser distribuídos em conteúdos de formação
geral e específica. Para executar ou obter essa lista de atividades é necessário que
o egresso tenha um misto de competências informacionais e individuais.
As diretrizes são a base para a organização dos cursos e proporcionam
liberdade às Instituições de Ensino Superior para definir, pelo menos a metade da
carga horária mínima de cada curso segundo suas especificidades (GUIMARÃES,
2002). Foi partir delas que os cursos de graduação em Biblioteconomia passaram a
buscar um perfil profissional de natureza mais interdisciplinar (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2002).
Para Rodrigues (2002) uma vantagem das diretrizes é a possibilidade dos
cursos organizarem seus projetos pedagógicos de acordo com a realidade social de
cada região e direcionar o profissional para combater os problemas de sua prática,
produzir e disseminar conhecimentos de maneira a refletir criticamente sobre a
realidade que o envolve.
Enquanto se observava críticas entre os docentes em relação à quantidade
de disciplinas dos Currículos Mínimos, Almeida (2012) verificou que a visão dos
professores em relação às Diretrizes Curriculares é positiva, pois para eles as
diretrizes trouxeram maior autonomia e flexibilidade para as escolas atenderem às
particularidades de cada região.

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5 CONCLUSÃO

O texto mostrou que o ensino de Biblioteconomia passou por diversas etapas,
em especial: as diferenças dos conteúdos ministrados no Rio de Janeiro e em São
Paulo no início do século XX; a padronização dos currículos na década de 1960 e a
autonomia curricular advinda com as Diretrizes Curriculares.
É importante conhecer o processo de desenvolvimento curricular da
biblioteconomia no Brasil, pois Muller (2004) entende que todo profissional deve ter
conhecimento

do

processo

histórico

e

evolutivo

de

sua

profissão

e

consequentemente do processo de formação profissional ao longo dos anos,
propiciando um entendimento do seu presente e uma programação do futuro.
Observou-se na literatura que os Currículos Mínimos não agradaram a todos
os acadêmicos, considerando as diferentes demandas sociais e as particularidades
de cada localidade em que os cursos se encontravam (e ainda se encontram).
Com o surgimento das Diretrizes Curriculares as Instituições de Ensino
Superior passaram a ter mais flexibilidade na formação dos currículos. O que
possibilitou que as escolas adequassem ainda mais seus cursos as demandas da
sociedade fato que aumentou a aceitabilidade das diretrizes no meio acadêmico.
As Diretrizes foram aceitas pelos acadêmicos, pois indicam as competências
e as atribuições que o bibliotecário dever ter ao sair do curso, oferecendo liberdade
para as escolas construírem seus currículos direcionados a atender as demandas
regionais.
Desta forma, é possível observar que o Currículo de biblioteconomia vem
evoluindo com o passar dos anos. No entanto, é necessário atenção constante em
especial de docentes e discentes da área, para que os cursos formem bibliotecários
competentes nas atividades relacionadas à organização, tratamento, disseminação,
promoção e acesso à informação como também bibliotecários conscientes da
importância da profissão na sociedade.

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013
RODRIGUES, M. E. F. A pesquisa como principio educativo na formação do
profissional da informação. In: VALENTIM, Marta Ligia Pomim (org.). Formação do
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1966. 357p.
SOUSA, Rainer. Jesuítas. Mundo Educação, [S.l], [2010?]. Disponível em:
&lt;http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/jesuitas.htm&gt; Acesso em 20
jan. 2011.
SOUZA, Francisco das Chagas de. O ensino da Biblioteconomia no contexto
brasileiro. Florianópolis: Ed. UFSC, 1990. 116 p.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Breve histórico da Biblioteconomia brasileira: formação do profissional.</text>
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              <text>Sofia Galvão Baptista</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Apresenta um breve histórico do ensino de Biblioteconomia no Brasil com ênfase nos currículos. Descreve as principais diferenças entre as primeiras escolas de Biblioteconomia no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo). Mostra que o curso ministrado no Rio de Janeiro pela Biblioteca Nacional tinha forte característica humanística e era voltada para os funcionários da instituição, enquanto o curso paulista adotava os aspectos técnicos norte-americanos e era direcionada para os funcionários da biblioteca como também professores e funcionários de outras instituições.  Aborda que a padronização do ensino surgiu por meio dos Currículos Mínimos de 1962 e de 1982 e apresenta o descontentamento da classe acadêmica com a quantidade de disciplinas. Expõe as Diretrizes Curriculares Nacionais específicas para o ensino de Biblioteconomia e descreve a importância delas para a construção de currículos direcionados as demandas e as particularidades de cada região.</text>
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