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                  <text>Biblioteconomia e Empregabilidade no Contexto de Rondonópolis,
Mato Grosso

Orestina Mariana Lopes Siqueira Oliveira (Instituição - a informar) - mariana_pollynny@hotmail.
Edileusa Regina Pena da Silva (UFMT) - edileusapena@hotmail.com
Oluzimere Pena da Silva Pena Silva (UFMT) - oluzim@yahoo.com.br
Thais Caroline Souza Silva (UFMT) - pena.edileusaregina@gmail.com
Resumo:
Avalia as expectativas dos alunos concluintes do curso de Biblioteconomia, do Instituto de
Ciências Humanas e Sociais (ICHS), do Campus de Rondonópolis, da Universidade Federal de
Mato Grosso
(UFMT), para determinar o perfil dos formandos (as) e as possibilidades de oportunidades
para o bibliotecário no mercado de trabalho, às vésperas da conclusão do curso, que
contemplem a
diversidade dos aspectos de sua formação acadêmica. A avaliação indicou poucas áreas
preferenciais para atuação dos bibliotecários, além de preocupação com o baixo salário e
expectativa
negativa em relação ao mercado de trabalho em Rondonópolis, município de Mato Grosso,
distante
210 km da capital cuiabana. Este estudo detectou que ainda é incipiente a procura por este
profissional e a contratação de bibliotecários no município, principalmente por meio de
Concurso Público. O curso de Biblioteconomia da UFMT formou agora em 2012 sua 10ª.
turma. Foi criado no Campus de Rondonópolis, em 2000, pela UFMT. São aproximadamente
vinte e cinco formandos por ano, sendo que alguns deles estão migrando para outras cidades,
estados e regiões, que valorizam a
profissão de bibliotecário.
Palavras-chave: Biblioteconomia, Perfil do Bibliotecário e Empregabilidade
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�BIBLIOTECONOMA E EMPREGABILIDADE NO CONTEXTO DE
RONDONÓPOLIS, MATO GROSSO
RESUMO
Avalia as expectativas dos alunos concluintes do curso de Biblioteconomia, do Instituto de Ciências
Humanas e Sociais (ICHS), do Campus de Rondonópolis, da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), para determinar o perfil dos formandos (as) e as possibilidades de oportunidades para o
bibliotecário no mercado de trabalho, às vésperas da conclusão do curso, que contemplem a
diversidade dos aspectos de sua formação acadêmica. A avaliação indicou poucas áreas
preferenciais para atuação dos bibliotecários, além de preocupação com o baixo salário e expectativa
negativa em relação ao mercado de trabalho em Rondonópolis, município de Mato Grosso, distante
210 km da capital cuiabana. Este estudo detectou que ainda é incipiente a procura por este
profissional e a contratação de bibliotecários no município, principalmente por meio de Concurso
Público. O curso de Biblioteconomia da UFMT formou agora em 2012 sua 10ª. turma. Foi criado no
Campus de Rondonópolis, em 2000, pela UFMT. São aproximadamente vinte e cinco formandos por
ano, sendo que alguns deles estão migrando para outras cidades, estados e regiões, que valorizam a
profissão de bibliotecário.
Palavras-chave: Biblioteconomia. Empregabilidade. Perfil do bibliotecário. Rondonópolis – MT.
Universidade Federal de Mato Grosso.
Área Temática 2: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação.

1 INTRODUÇÃO
A sociedade evolui conforme as tendências e reestrutura-se às novas formas
de produção, diversificando as atividades e remodelando conceitos tradicionais e
atitudes resistentes às mudanças que transformam definitivamente o comportamento
humano e profissional, especialmente na área de Biblioteconomia, objeto deste
estudo acadêmico-científico.
Neste cenário, inserem-se os trabalhos com a “informação” em uma
perspectiva neocapitalista, adotando status de insumo produtivo, no qual:
As mudanças de paradigmas nas atividades relacionadas à informação podem ser
vistas com ameaça ou questionamentos, que invariavelmente, aliadas às novas
tecnologias da informação, redefinem não só seus suportes, mas também sua
comunicação e transferência provando mudanças culturais, sociológicas e
econômicas (CUNHA; SILVA; KILL, 2007).

1

�O mercado de trabalho vem se transformando para o profissional bibliotecário
rapidamente

com

o

surgimento

das

novas

tecnologias

de

tratamento,

armazenamento e recuperação da informação. A informação passou a ser insumo de
valor essencial, além de principal bem de consumo da Economia Informacional do
Brasil e de outros países. Portanto, ampliando às frentes de atuação do bibliotecário.
Por esta razão, este artigo investigou as expectativas dos discentes
concluintes do curso de Biblioteconomia, da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), do Campus de
Rondonópolis, em relação ao mercado de trabalho na cidade mato-grossense.
Especialmente porque após 13 anos de existência formalizada do curso de
Biblioteconomia, em Rondonópolis. E, apesar de todas as iniciativas de gestores,
coordenadores e professores do curso, em expor para a sociedade local,
empresariado e autoridades políticas as vantagens da contratação do bibliotecário,
até o momento nenhuma ação efetiva foi concretizada, a exemplo de abertura de
edital para Concurso Público para bibliotecário, especialmente em unidades
escolares municipais e estaduais.
Como demonstra noticiário do jornal local, o A Tribuna, em uma das tentativas
dos dirigentes e professores da área de Biblioteconomia de conseguir o intento de
inserção do bibliotecário no mercado de trabalho de Rondonópolis (MT), publicado
no site do jornal: www.atribunamt.com.br, em 31 de outubro de 2012.
Figura 1 - vereadores apoiam reivindicações de biblioteconomistas

Fonte: Disponível no site do Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

2

�BIBLIOTECONOMISTAS DE RONDONÓPOLIS
VEREADORES DA CÂMARA MUNICIPAL

SE

REUNIRAM

COM

OS

Biblioteconomistas de Rondonópolis se reuniram na tarde de ontem (30), com os
vereadores da Câmara Municipal e apresentaram a necessidade da criação do
cargo para os profissionais atuarem na rede municipal. O representante da
coordenação do curso de Biblioteconomia do campus local da Universidade Federal
de Mato Grosso (UFMT), professor Alexandre Gusmão, argumentou que a rede
municipal de ensino não possui bibliotecários com curso superior e apesar da
sinalização positiva da secretária municipal de Educação, Marilda Rufino, até o
momento não houve contratação e os estagiários não recebem acompanhamento de
pessoas formadas. Alexandre expôs que além de acompanhar os estagiários, o
bibliotecário tem a função de manter ordem nas bibliotecas das escolas, facilitar aos
alunos o acesso aos livros, manter atualizada as referências e exemplares das
instituições e principalmente estimular e executar projetos de incentivo a leitura. O
presidente da Casa de Leis, vereador Hélio Roberto Pichioni (PR), informou que a
criação dos cargos é de competência do Poder Executivo, mas, que irá se reunir na
manhã desta quarta-feira (31), com o prefeito Ananias Filho, para expor as
reivindicações e procurar uma solução para o pedido da categoria. Segundo o
presidente da Casa de Leis, os biblioteconomistas foram convidados a participar da
reunião com o Chefe do Executivo Municipal.

Visando um melhor entendimento sobre as questões ligadas às oportunidades
mercadológicas para o bibliotecário na cidade de Rondonópolis, em Mato Grosso, a
pesquisa se aprofunda em função das próprias expectativas dos alunos, das
carências dos profissionais bibliotecários, tanto em bibliotecas das redes municipais,
estaduais, quanto nos setores industriais, ressaltando a importância do bibliotecário
nas áreas da economia brasileira. Outra intenção política municipal foi publicada no
referido jornal supracitado, mas, até o momento, em 13 anos de existência do curso
todos os investimentos e benefícios continuam apenas em papel.
Publicado em 01 de novembro de 2012
COMISSÃO DEVE ANALISAR PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE VAGAS
A proposta do prefeito Ananias Filho (PR) para realizar um concurso público no
município, ainda este ano, deve ser discutida na manhã de hoje, por uma comissão
formada pelos vereadores Milton Mutum (PR), Reginaldo dos Santos (PPS),
Lourisvaldo Manoel de Oliveira (PMDB) e Olímpio Alvis (PR), além de dois
representantes do prefeito eleito Percival Muniz, representantes do Sindicato dos
Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispmur) e do prefeito Ananias
Filho. [...] A proposta deve entrar em votação na sessão do dia 7 de novembro. O
vereador Reginaldo dos Santos que já havia apresentado uma indicação ao então
prefeito Zé do Pátio (PMDB) para a realização do concurso, destacou que a
participação do Sispmur será importante na reunião de hoje. O concurso prevê a
criação de 1.025 vagas e mais 1.025 que ficarão como cadastro para diversas áreas,
incluindo o de bibliotecário que foi incluída no processo a pedido dos professores do
curso de Biblioteconomia da UFMT. A maioria das vagas está concentrada na área
de saúde. Apenas para o cargo de psicólogo, por exemplo, são 20 vagas
disponíveis. O prefeito Ananias Filho já anunciou a intenção de realizar as provas
para os concursos ainda neste ano, mas a convocação dos aprovados deve ficar a
cargo do prefeito eleito Percival Muniz.

3

�Diante

das

indagações

apresentadas,

nos

questionamos

se

seria

desinteresse dos políticos rondonopolitanos, do Poder Legislativo, ou talvez a
possível falta de engajamento da gestão diretiva da universidade e do campus de
Rondonópolis com os setores públicos e privados desta cidade, demonstrando a
importância da contratação do bibliotecário no exercício profissional de funções
específicas da área da Biblioteconomia e Ciência da Informação? Qual seria a
melhor solução para gerar oportunidades para esses futuros bibliotecários?
Quando foi realizada a sessão da Câmara Municipal de Rondonópolis e as
professoras do curso de Biblioteconomia presente ao evento observou o
desinteresse dos políticos para resolver tal situação, elas resolveram protestar por
meio de artigo de opinião, nas páginas A2, do jornal A Tribuna. São elas: Edileusa
Regina Pena da Silva e Mariza Inês da Silva Pinheiro. O artigo é intitulado “Memória
Mofada” e está disponível no site: www.atribunamt.com.br, onde poderá ser feita a
leitura integral do artigo de opinião Foi publicado em 03 de outubro de 2012, nas
páginas impressas A2 e por meio eletrônico na Opinião do Leitor. Obteve 11
comentários.
Assim, como objetivo geral, essa pesquisa pretende conhecer as expectativas
dos discentes-concluintes em relação aos diversos fatores de formação acadêmica e
a inserção desses formandos no mercado de trabalho, conhecendo as áreas
preferenciais para atuação e se a cidade de Rondonópolis está preparada para
receber os 29 bibliotecários, formandos do ano letivo de 2012, quer seja, no mundo
do Agronegócio ou em unidades escolares e inúmeros setores informacionais,
carentes de pessoal especializado na seleção, organização, administração,
armazenamento, disseminação, tratamento e transformação de dados e informação
em conhecimento potencial, essencial ao desenvolvimento da instituição, em
particular, e da sociedade informacional como um todo.
De forma mais específica foi possível: verificar as expectativas do alunoconcluinte em relação ao mercado de trabalho em Rondonópolis; averiguando a
satisfação dos formandos em questão à empregabilidade e condições técnicas
específicas para atuação na área de sua preferência; também foi possível mapear
em quais unidades de informação os futuros bibliotecários pretendem exercer suas
competências e habilidades informacionais, adquiridas no curso, a partir de

4

�atividades curriculares, extracurriculares e estágios, desde o sétimo semestre do
curso.
Diante do exposto, nossa preocupação maior recaiu na análise da grade
curricular do curso de Biblioteconomia, observando se as disciplinas propostas
contribuem efetivamente para a formação do aluno em bibliotecário.
Assim investigamos as iniciativas em relação à empregabilidade na cidade de
Rondonópolis, por meio de convênio da UFMT com diversos setores públicos e
privados, inicialmente em formato de Estagio Supervisionado I e II.
Posteriormente, por meio de políticas públicas que privilegiem a contratação
desses profissionais, especialmente pela realização de concurso público para esta
área, possibilitando o pleno exercício das competências e habilidades bibliotecárias,
especialmente dos nativos de Rondonópolis, que estão sendo obrigados a migrar
para outros cantos do país em busca de trabalho e de reconhecimento profissional
como bibliotecário.
Do nosso ponto de vista, foi possível determinar pelas expectativas dos
alunos do 4º ano, em questão ao mercado de trabalho, que, estes, se deparam com
uma realidade diferenciada daquela encontrada em sala de aula. Além do que, não
parece ser comum encontrar artigo abordando a temática empregabilidade.
Portanto, eis a importância de se adentrar no universo dos acadêmicos, com
um olhar voltado para a ampliação de vagas no mercado de trabalho para o
bibliotecário em Rondonópolis, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso,
no campus da referida cidade.
Segundo Figueiredo e Souza (2007, p. 10-31):
A literatura da área nos traz informações relevantes acerca do perfil e da formação
do profissional bibliotecário, diante às exigências do mercado econômico e
tecnológico contemporâneo de dimensões continentais, bem como, sobre as
possibilidades de atuação para este profissional. No entanto, pouco nos apresenta
sobre a real empregabilidade do profissional bibliotecário, ou seja, onde e como eles
estão atuando.

Diante

desta

preocupação,

o

atual

tema

ressalta

a

questão

da

empregabilidade no município de Rondonópolis, para o bibliotecário. Cidade, esta,
considerada a terceira mais importante do Estado de Mato Grosso, na questão de

5

�desenvolvimento econômico e populacional, perdendo apenas para a capital matogrossense, e a vizinha de Cuiabá, Várzea Grande.
Como bem explicou as professoras-doutoras Edileusa Regina Pena da Silva e
Mariza Inês da Silva Pinheiro (2012):
Todavia, restritas são as situações, em nosso Brasil continental, em que estes
centros de Referencia da Informação, do Conhecimento e da Memória assumem-se
como dinamizadores socioculturais, procurando participar do desenvolvimento
humano, regional e global, além de trabalhar por um mundo melhor, onde o ser
humano seja mais livre, mais informado e de fato cidadão. (Disponível em:
http://www.atribunamt.com.br/?p=111208)

Para as autoras supracitadas, é fundamental e imprescindível que os futuros
gestores municipais e brasileiros valorizem os centros de informação que são, mais
especificamente, as bibliotecas públicas e escolares, os museus e arquivos
municipais, pois, muitos desses, se encontram apagados, sem vida, esquecidos,
justamente, porque o poder público não investe em profissionais especializados e,
tão pouco em infraestrutura.
A história e o tempo vêm nos mostrando que os centros de informação que não
investirem em preservação de seu patrimônio cultural, informacional, objetal e em
novas tecnologias de comunicação, mas, sobretudo, em seu recurso humano,
buscando novos saberes, novas competências e novas práticas bibliotecárias,
arquivistas e museológicas, estarão limitados ao recolhimento, guarda e exposição
do patrimônio público. Diante do exposto, a questão primordial é saber como o fazer
biblioteconômico, museólogos e arquivistas podem, efetivamente, se constituírem
em instrumentos capazes de equacionar ações para a promoção do bem público e
do saber humano. (Disponível em: http://www.atribunamt.com.br/?p=111208)

2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 BIBLIOTECONOMIA EM MATO GROSSO
O curso de Biblioteconomia foi criado pela Universidade Federal de Mato
Grosso, em 1999, porém, começou a funcionar no ano de 2000, no Campus de
Rondonópolis. A primeira turma concluiu o curso no ano letivo de 2003. Tem como
missão formar profissionais dotados de visão interdisciplinar, que sejam capazes de
contribuir para o desenvolvimento, tanto das ciências quanto das tecnologias.
Anualmente abre 40 vagas no Sistema Unificado de Seleção - SISU e funciona no

6

�período noturno, com aproximadamente 150 discentes matriculados e uma carga
horária total de 2.625 horas.
A Biblioteconomia é uma área do conhecimento bastante jovem no comparativo com
outros campos do saber. Sob o titulo de terceiro curso no mundo, em 1911, na sede
da Biblioteca Nacional Fluminense, criou-se o primeiro curso de Biblioteconomia
brasileira e que se tornaria o marco histórico da profissão no país. Manoel Cícero
Peregrino era o diretor da Biblioteca Nacional da época e hoje é aclamado como o
pioneiro nas técnicas de planejamento bibliográfico no Brasil (OLIVEIRA, 2009).

É fato inconteste que a área, na qual se insere a Biblioteconomia tem tido
inúmeras perspectivas nestes últimos anos, estando a exigir do atual profissional de
informação, atitudes e comportamentos mais evoluídos e dinâmicos diante a nova
sociedade, por se depararem com um mercado contemporâneo. Além disso, o curso
de Biblioteconomia da UFMT é o único em Rondonópolis.
O objetivo é formar bibliotecários capacitados para atuarem na catalogação,
classificação, conservação, disseminação da informação, organização, tratamento e
armazenamento da informação registrada em quaisquer tipos de suportes físicos,
desde materiais impressos ou sistemas eletrônicos, no caso das redes sociais
(Facebook, Twitter, MSN, Orkut).
Neste sentido, os bibliotecários devem estar imbuídos do compromisso com a
gestão da informação e com consciência do seu papel social na eliminação de
barreiras de acesso à informação, seja de natureza política, tecnológica, econômica
educacional, cultural e recreativa. De forma dinâmica, voltado aos anseios e
interesses da comunidade, contribuindo para solução de problemas sociais.
Kruel et al afirmam o seguinte sobre a expressão de ‘’Mercado de Trabalho’’:
Mercado de trabalho pode ser definido como o conjunto de relações existentes em
dados momentos, entre compradores e vendedores de trabalho. A oferta se constitui
na quantidade de força de trabalho ou mão de obra que se apresenta disponível em
um determinado período de tempo. A procura é a quantidade de trabalho que, no
decorrer deste mesmo período de tempo, está disponível (2000, p. 2-3).

Já, Bandeira e Ohira (2000, p. 12) esclarecem que:
Os estudos prospectivos sobre o mercado e o melhor conhecimento do perfil do
profissional de biblioteconomia e ciência da informação , que os empregadores
exigirão, deveriam fazer partes das atividades regulares das escolas de
biblioteconomia , assim como das associações de classe, para poder, através de
uma formação adequada, garantir ao profissional brasileiro da informação, o espaço
que lhe corresponde numa sociedade em rápida evolução.

7

�2.2 O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO
Na concepção de TARGINO, (2000, p.63), o próprio termo já responde,
profissão, do latim profissione, remete ao efeito de professar, significando
declaração ou confissão pública, de uma crença, sentimento, opinião, ou modo de
ser, conduzindo à concepção ampla de atividade ou ocupação especializada, que
requer investimento qualificado e formação educacional e profissional.
A Classificação Brasileira de Ocupações - CBO, instituída por portaria
ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002, tem por finalidade a identificação das
ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros
administrativos e domiciliares. Segundo a CBO, o bibliotecário figura junto ao
Documentalista, e aos Analistas de Informações, referendados como profissionais da
informação, sendo que:
Disponibilizam informação em qualquer suporte, gerenciam unidades como
biblioteca, centro de documentação, centros de informação e correlatos, além de
redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos
informacionais, disseminam a informação com o objetivo de facilitar o acesso e
geração do conhecimento, desenvolvem estudos e pesquisas, realizam difusão
cultural, desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviço de assessoria e
consultoria. (CBO, 2002)

Diante de tantas facetas no mundo do trabalho, na área de educação, na área
de informação, se torna imprescindível uma postura das Instituições de Ensino
Superior (IFES), no que diz respeito à avaliação de seus cursos, e na adaptação
desses à realidade predominante do mercado de trabalho, tornando seus egressos
os mais empregáveis possíveis, não apenas no que diz respeito à qualificação
formal, mas também e principalmente no saber-fazer.
Para Valentim (2000, p. 22),
A formação do bibliotecário supõe o desenvolvimento de determinadas
competências e habilidades e o domínio dos conteúdos da Biblioteconomia. Além de
preparados para enfrentar com proficiência e criatividade os problemas de sua
prática profissional, produzir conhecimentos, refletir criticamente sobre a realidade
que os envolvem buscar aprimoramento contínuo e observar padrões éticos de
conduta, os egressos dos referidos cursos deverão ser capazes de atuar junto às
instituições e serviços que demandam intervenções de natureza e alcance variados:
bibliotecas, centros de documentação ou informação, centros culturais, serviços ou
redes de informação, órgãos do patrimônio cultural etc. Contudo, o que podemos
ressaltar e que os profissionais têm que buscar é sempre inovar, dominar novas
situações e diversificados ambientes.

8

�3 METODOLOGIA DA PESQUISA
Este artigo científico foi produzido a partir de revisão literária sobre
Informação, Conhecimento e Mercado de Trabalho, com o intuito de entender quais
são as expectativas dos alunos de Biblioteconomia em relação à empregabilidade na
área de sua formação acadêmica.
Em um segundo momento, realizou-se coleta de dados, juntos aos formandos
do curso de Biblioteconomia, da Universidade Federal de Mato Grosso, do campus
de Rondonópolis. O universo da pesquisa são os concluintes da Biblioteconomia.
O estudo compreende-se como uma pesquisa exploratória, de cunho
quantitativo, mas, essencialmente qualitativo. Para a coleta de dados foi elaborado
um questionário pré-teste semiaberto, contento 14 questões.
O objetivo principal do questionário foi traçar o perfil desses discentes
concluintes. De forma mais específica, investigar as instituições onde atuam os
concluintes-estagiários e as atividades que desenvolvem. Procuramos também
acolher sugestões e criticas, quanto à formação acadêmica pela Universidade
Federal de Mato Grosso, em Rondonópolis.

ANÁLISE DOS RESULTADOS
Após a tabulação dos dados pode-se evidenciar que a maioria dos
concluintes de curso de Biblioteconomia continua sendo mulheres com um
percentual de 89,5% e, consequentemente, os pesquisados masculinos constituem-se em apenas 10,5%.
Tabela 1 - Sexo
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Com os dados expostos acima temos que: o curso de Biblioteconomia da
UFMT, em Rondonópolis, há doze anos em funcionamento, continua basicamente
com o mesmo perfil de ingressos, especialmente na questão relacionada ao sexo.
Quanto à faixa etária, se pode perceber que há oscilações do público-alvo.
9

�Explicamos: a primeira turma deste curso teve como predominância ingressos, em
idades mais avançadas (adultos); hoje, percebe-se a tendência para um público
mais jovem, buscando áreas de Ciências Humanas e Sociais.
Especialmente àquelas que formam profissionais para atuar no mercado
informacional e tecnológico, no qual, as exigências tecnológicas são requeridas em
maior ênfase. Eis os dados apresentados a seguir:
Tabela 2 - Faixa etária no início da graduação
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

No quesito de atividades acadêmicas, foi visível que dentre as preferidas com
um percentual relevante de 78,9% estão à participação, como ouvintes, em
congresso/eventos. Quanto ao projeto de pesquisa, observou-se uma resistência
dos entrevistados (15,8%). Com o mesmo percentual de 15,8% dos entrevistados
integraram-se em projetos de extensão; 26,3% foram participantes de projeto de
monitoria, e a área de menos interesse pareceu ao longo da pesquisa ser o de
organização de eventos com apenas 5,3%. Este dado estatístico ultrapassa a
sequencia de 100%, porque os entrevistados tiveram a oportunidade de responder
mais de uma alternativa.
Tabela 3 - Participação em atividades acadêmicas durante a graduação
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Os discentes demonstram preferência às praticidades das palestras, ou das
viagens de estudo, visitando bibliotecas e demais Centros de Informação a e
volverem em projetos e eventos acadêmico-científicos na própria instituição. Sendo
que assistindo levariam a aprendizagem transmitida pelas experiências de outros
profissionais da área, bem como, as consequências destas escolhas seria os alunos
não terem uma desenvoltura e agilidade para coordenar e desenvolver eventos de
tal porte. Para este primeiro ano letivo de 2013, a coordenação e os professores do
curso diante dos dados desta pesquisa já pensam em incentivar os alunos à

10

�elaboração de eventos acadêmicos e produção de artigos científicos, visando ao
enriquecimento do currículo acadêmico e profissional dos futuros bibliotecários.
Quando questionados sobre a relevância das atividades acadêmicas para a
inserção no mercado de trabalho 63,1% dos respondentes afirmaram que contribui
muito; já, 5,3% responderam que não percebem uma contribuição efetiva destes
tipos de eventos acadêmicos. Outros 26,3% disseram que contribuiu pouco e 5,3%
assinalaram a opção de contribuição integralmente.
Tabela 4 – Importância da contribuição na participação acadêmica
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Em relação à situação de empregabilidade, independente da área de atuação,
15,8% dos entrevistados se encontrava trabalhando de carteira assinada, ao mesmo
tempo em que, concluíam sua graduação em Biblioteconomia. Já, 47,3%
responderam estar em emprego temporário e 4,8% são proprietários de algum
empreendimento ou microempresa. 5,3 % já são concursados em áreas diversas. O
dado mais surpreendente é dos desempregados (21,5%), apostando todas as
oportunidades na conclusão do curso. Já, um percentual de 5,3% estão
exclusivamente estudando para (concurso e pós-graduação), também apostando na
graduação que estão concluindo.
Tabela 5 - Situação de empregabilidade (independente da área de atuação)

Fonte: Pesquisa direta, 2013.

A renda mensal dos entrevistados em sua maioria de 68,4% ainda é muita
baixa, em torno de um a dois salários mínimos. Já, 10,5% dos pesquisados recebem
atualmente cerca de dois a quatro salários mínimos; e, apenas uma pessoa (5,3 %)
disse ganhar menos de um salário mínimo. E, 15,8% não responderam a esta
questão. Podemos observar que os futuros bibliotecários ainda em sua maioria são
provenientes de classes menos favorecidas economicamente.
Tabela 6 - Renda mensal dos entrevistados

Fonte: Pesquisa direta, 2013.

11

�Quando argumentados sobre as unidades de informações que estão
estagiando, 26,3% responderam estar na Educação Pública e 5,3% na Educação
Privada e em outros locais (Prefeitura e bibliotecas) também o percentual de 42,1%.
21,0% não responderam.
Tabela 7 - Unidade de informação que está atuando
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

As principais atividades desenvolvidas na área são: preparar o material para
circulação (21,1%); indexação, classificação e catalogação (26,3%); referente à
educação de usuários e empréstimos obtivemos, respectivamente, um percentual de
21,3% e, quanto à referência (5,3%). No que se refere à questão de recursos
humanos, normatização, seleção e aquisição nenhum aluno teve interesse por atuar
nessas unidades informação. E, 4,7% não responderam.
Tabela 8 – Atividades acadêmicas durante a graduação
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Questionados, ainda, sobre as possíveis dificuldades e realizar as atividades
bibliotecárias nas unidades de informação de sua preferência, estes sujeitos
pesquisados responderam que não encontram dificuldades na execução de suas
tarefas, nas quais são: aquisição e seleção de material, preparo do material para
circulação entres outras atividades, 10,5% disseram que sim e 42,10% afirmaram
que obtiveram nenhuma dificuldade e 47,4% não responderam.
Tabela 9 - Dificuldade para exercer a função
Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Por fim, os participantes disseram ter frustrações quanto à desvalorização do
profissional bibliotecário com um percentual de 42,1%. Em relação ao salário o
percentual de insatisfação é de 26,3%. Quanto à falta de concurso público (10,5%) e
5,3% sentem a falta de oportunidade no mercado de trabalho em Rondonópolis.
Optaram por não responder a pesquisa um percentual de 15,8%.
12

�Tabela 10 – Frustações com a Biblioteconomia

Fonte: Pesquisa direta, 2013.

Ao final do questionário, é possível inferir que quanto às expectativas de
empregabilidade após a conclusão de Biblioteconomia 42,1% responderam querer
atuar na área e outros 42,1% desejam iniciar uma especialização. (10,5%) almejam
um concurso público. Atuar em biblioteca jurídica (2,6%). Outros desejam apenas
obter o certificado (2,7%).
Tabela 11 - Expectativas de empregabilidade

Fonte: Pesquisa direta, 2013.

REFERÊNCIAS
BANDEIRA, Gabrielle Pereira; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Quem é o bibliotecário
em exercício no Estado de Santa Catarina; Mercado de trabalho. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19, 2000. Porto Alegre.
Anais...Porto Alegre: Associação Rio-Grandessense de Bibliotecários, 2000.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupação.
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Avalia as expectativas dos alunos concluintes do curso de Biblioteconomia, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), do Campus de Rondonópolis, da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), para determinar o perfil dos formandos (as) e as possibilidades de oportunidades para o bibliotecário no mercado de trabalho, às vésperas da conclusão do curso, que contemplem adiversidade dos aspectos de sua formação acadêmica. A avaliação indicou poucas áreaspreferenciais para atuação dos bibliotecários, além de preocupação com o baixo salário e expectativanegativa em relação ao mercado de trabalho em Rondonópolis, município de Mato Grosso, distante210 km da capital cuiabana. Este estudo detectou que ainda é incipiente a procura por esteprofissional e a contratação de bibliotecários no município, principalmente por meio de Concurso Público. O curso de Biblioteconomia da UFMT formou agora em 2012 sua 10ª. turma. Foi criado no Campus de Rondonópolis, em 2000, pela UFMT. São aproximadamente vinte e cinco formandos por ano, sendo que alguns deles estão migrando para outras cidades, estados e regiões, que valorizam aprofissão de bibliotecário.</text>
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