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                  <text>As origens das práticas de Gestão da Informação: as quatro
gerações de uso da informação nos modos de produção

Paulo de Castro Gonçalves (ALMG) - paulosalate@gmail.com
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG) - casal@eci.ufmg.br
Resumo:
No contexto da Ciência da Informação, encontram-se estudos sobre a Gestão da Informação
orientada para a organização e uso da informação nas empresas. Atualmente, há poucos
estudos que definam claramente o nascimento da prática da informação nos primeiros modos
de produção. O objetivo da pesquisa é traçar as origens históricas das práticas de Gestão da
Informação nas organizações. A metodologia empregada é estritamente teórica, desenvolvida
com base na pesquisa das principais fontes da área e, também, de áreas correlatas. A primeira
parte é orientada a sugerir um objeto para a Gestão da Informação, de modo a tornar possível
identificar as suas origens práticas. A segunda parte é orientada a investigar as origens
históricas das formas de uso e apropriação da informação pelas empresas, desde as primeiras
formas de produção até o aparecimento da Sociedade da Informação. A pesquisa permitiu a
identificação de possíveis linhas de pensamentos distintas de entendimento da Gestão da
Informação ou tentativas de resposta a esse suposto objeto, denominadas, de modo mais
genérico, de quatro gerações de uso da informação pelos modos de produção.
Palavras-chave: Ciência da Informação. Gestão da Informação. Gestão do Conhecimento.
Epistemologia.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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07 a 10 de julho de 2013

As origens das práticas de Gestão da Informação: as quadro gerações de uso
da informação nos modos de produção

Resumo: No contexto da Ciência da Informação, encontram-se estudos sobre a
Gestão da Informação orientada para a organização e uso da informação nas
empresas. Atualmente, há poucos estudos que definam claramente o nascimento da
prática da informação nos primeiros modos de produção. O objetivo da pesquisa é
traçar as origens históricas das práticas de Gestão da Informação nas organizações.
A metodologia empregada é estritamente teórica, desenvolvida com base na
pesquisa das principais fontes da área e, também, de áreas correlatas. A primeira
parte é orientada a sugerir um objeto para a Gestão da Informação, de modo a
tornar possível identificar as suas origens práticas. A segunda parte é orientada a
investigar as origens históricas das formas de uso e apropriação da informação
pelas empresas, desde as primeiras formas de produção até o aparecimento da
Sociedade da Informação. A pesquisa permitiu a identificação de possíveis linhas de
pensamentos distintas de entendimento da Gestão da Informação ou tentativas de
resposta a esse suposto objeto, denominadas, de modo mais genérico, de quatro
gerações de uso da informação pelos modos de produção.
Palavras-chave: Ciência da Informação. Gestão da Informação. Gestão do
Conhecimento. Epistemologia.
Área Temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do
profissional da informação.

1 INTRODUÇÃO

De uma maneira mais consensual, considera-se que a Ciência da Informação
(CI) nasceu a partir da inquietação com a rápida expansão dos registros científicos,
incitada pelo enorme financiamento governamental durante a Guerra-fria, que
conduziu à gênese de uma ‘nova’ área de investigação para enfrentar o problema do
crescimento, organização e disseminação do conhecimento registrado. Atualmente,
acredita-se que essa ciência encontra-se em permanente evolução, atingida pelo
imperativo tecnológico, pelo crescimento da Sociedade da Informação e, finalmente,
pelas mudanças de suas relações interdisciplinares. Dentro da CI, encontram-se
estudos sobre a Gestão da Informação (GI), que advertem para sua importância,
especialmente para a organização e uso dessa informação nas empresas.
A GI, tal como a CI, também se consolidou em meados do século XX,
contudo, a data de seu nascimento é um pouco imprecisa. Davenport (1998, p. 9) é
um dos primeiros a identificá-la, afirmando que o campo veio ganhar mais destaque
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em 1986, após uma empresa nomear o seu setor de marketing, como Consultoria
em Administração da Informação. Entretanto, Barbosa (2008, p. 6) parte do
entendimento de que a moderna GI nasceu a partir dos trabalhos de Paul Otlet,
principalmente depois do livro Traité de documentation, publicado em 1934.
Alvarenga Neto (2008, p. 42) já defende que a GI teve sua origem no
Gerenciamento de Recursos Informacionais (GRI), de Robert Taylor, em 1960. Para
ele, a GRI detinha duas abordagens, uma tecnológica e outra integrativa, de modo a
funcionar

como

uma

espécie

de

caminho

convergente

para

problemas

informacionais.
Partindo dessa pontuação, coloca-se como problema e questão de pesquisa:
quais as origens práticas da GI e sua evolução, até os dias atuais?
Esse estudo faz-se relevante, primeiramente, pois são poucos os trabalhos
que abordam a questão da origem da prática da GI. Parte-se do pressuposto que,
para melhor entender o porquê de um fato, é imprescindível conhecer sua gênese,
ou seja, o motivo de sua concepção, o que levou à sua construção e o que
demandou seu surgimento. Todo fato nasce para atender a uma necessidade
pontual e conhecer essa razão é primordial para apreender o próprio fato. Conhecer
a origem de algo induz a um entendimento melhor desse ‘algo’, como seus focos,
suas prioridades, sua evolução e porque se comporta de uma determinada maneira
e não de outra. Como diria Kuhn (2006) toda teoria nasce para esclarecer um
fenômeno natural ou factual.
O objetivo principal da pesquisa é: traçar as origens históricas das práticas de
GI e GC nos modos de produção. Para o detalhamento do objetivo geral, é
imprescindível delinear, mesmo que minimamente, o enquadramento epistemológico
da GI. Apenas, através desse entendimento epistemológico, admissível por meio de
um objeto, ainda que precário, seria plausível deliberar, com maior lucidez, seu
aparecimento, enquanto prática e, posteriormente, sua teorização. Para tanto, é
necessário alcançar os seguintes objetivos específicos: apontar as origens orais e
organizacionais das práticas informacionais, nos primeiros modos de produção; e
mapear as origens práticas de criação de informação e conhecimento, nos primeiros
modos de produção até a empresa moderna.
A proposta de pesquisa é estritamente teórica, desenvolvida com base na
bibliografia produzida na CI e áreas correlatas, de forma a responder o problema e
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alcançar os objetivos apontados. Por meio dessa observação foi possível apresentar
uma proposta de gerações de entendimento da GI, ou seja, linhas de pesquisa que
procuram responder ao seu objeto, sendo elas: primeira geração, transmissão oral
de conhecimento, antecessora do conhecimento registrado; segunda geração,
organização dos registros do conhecimento, datada do surgimento das primeiras
bibliotecas universitárias, particulares e especializadas; terceira geração, criação de
informação estratégica, dos modelos gerenciais até a automação das empresas; e
quarta geração, gestão do conhecimento, quando o foco tornou-se gerir – criar,
organizar e transmitir – o conhecimento.

2 O OBJETO E AS QUATRO GERAÇÕES DA GI
Com vistas a esclarecer a origem prática das formas de manejo da
informação pelos modos de produção, é necessário, inicialmente definir, mesmo que
minimamente, o objeto da GI. Como uma prática de investigação, que de fato é,
deve, obrigatoriamente, contar com um objeto de investigação, que dê norte a suas
pesquisas. Embora a GI e a GC sejam consideradas distintas, para efeito do
desenho de um objeto de pesquisa que seja comum, considerar-se-ão as duas como
sendo, para esse fim específico, dotadas de um mesmo significado teórico. Para a
caracterização do possível objeto da GI ou GC, seria necessária uma vasta
investigação literária. Contudo, por ausência de espaço e propósito, utilizar-se-á
apenas uma metodologia ou um modelo científico já constituído.
Para Moraes (2002), o objeto de pesquisa é o questionamento do
pesquisador, é o conhecimento do sujeito com lacunas; e é o objeto que orienta a
área no sentido de apreender um novo saber, fazer ou forma de ser. Para identificar
um objeto, primeiro é preciso delimitar um segmento no discurso e os paradigmas
serão orientados a solucionar problemas específicos desse segmento, pois o
pesquisador somente os deslumbra por meio de seus próprios olhos. O autor
menciona, ainda, que o objeto de uma área específica só torna-se concreto, quando
são definidas, com exatidão, as fronteiras dessa área, ou seja, por meio da
delimitação do objeto de pesquisa. Isso implica em afastar uma parte de um todo
maior, implica em fragmentação. Contudo, concebendo-se que a realidade e os
fenômenos como um todo são integradores e complexos, identificar essa
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fragmentação torna-se sempre problemático. No entanto, a demarcação é essencial
para que os temas focalizados tenham efetivamente sentido e validade contextual.
Além disso, essa gradativa delimitação e explicitação de um conteúdo de
pesquisa são garantias de que o pesquisador está aproximando-se da resposta do
objeto. Desse modo, sugere-se que o objetivo de uma pesquisa é compreender seu
objeto, muito embora a construção desse objeto nunca se conclua de fato. González
de Gómez (2001, p. 7) também afirma que o objeto precisa ser demarcado,
delimitado, de modo a tornar mais evidente suas fronteiras.
A maioria dos pesquisadores defende que o objeto de estudo da GI ou GC é a
própria informação e o próprio conhecimento no contexto organizacional, e essa é,
de certo modo, a vertente usada por esse ensaio. Buscando-se respaldo referencial,
podem ser citados os principais autores da GI ou GC. Para Alvarenga Neto (2005, p.
18):
A GC deve ser aqui compreendida como o conjunto de atividades
voltadas para a promoção do conhecimento organizacional,
possibilitando que as organizações e seus colaboradores possam
sempre se utilizar das melhores informações e dos melhores
conhecimentos disponíveis, com vistas ao alcance dos objetivos
organizacionais e maximização da competitividade.

Para Choo (2003), a GI também se refere à promoção da informação e
conhecimento no contexto organizacional. Entretanto, ele determina, de modo mais
restrito, a empresa como sendo orientada para o conhecimento apenas ou em busca
do conhecimento, apesar de seu modelo estratégico considerar informação a
conversão do conhecimento e seu uso:
Em um primeiro nível, a organização do conhecimento é aquela que
possui informações e conhecimentos que a tornam bem informada e
capaz de percepção e discernimento. Num nível mais profundo, a
organização do conhecimento possui informações e conhecimentos que
lhe conferem uma vantagem, permitindo-lhe agir com inteligência,
criatividade e, ocasionalmente, com esperteza (CHOO, 2003, p. 17).

Barbosa (2008) resume e sacramenta a discussão em torno do consenso
desse entendimento do objeto da GI, ao assumir que:

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Peter Drucker, Ikujiro Nonaka, Hirotaka Takeuchi, Thomas Stewart,
Thomas Davenport, e Larry Prusak, procuram focalizar a questão do
conhecimento dentro de contextos organizacionais. Em seu conjunto, a
mensagem desses autores é clara: a informação e o conhecimento se
transformam, cada vez mais, em importantes fatores de transformações
econômicas e sociais (BARBOSA, 2008, p. 4).

A visão preliminar desse objeto da GI esconde, por demasia, a complexidade
teórica, política e pragmática dessa tentativa de caracterização. Apesar disso,
considerando como a delimitação do objeto – a informação e o conhecimento no
contexto organizacional – pode-se atribuir a ela um caráter ‘disciplinar’ por natureza,
que teria como possível objeto de estudo: Como a informação e o conhecimento
articulam-se nas organizações? Como ocorre o manejo da informação e do
conhecimento no contexto organizacional? E quais as melhores formas de gerir a
informação e o conhecimento nos modos de produção?
De certa maneira, pela abordagem de alguns trabalhos científicos, como a de
Pinheiro (1991), a delimitação do objeto da GI poderia ser restrita a ‘organizar’ ou
‘tratar’ a informação no contexto organizacional. Esses trabalhos advêm de autores
principalmente ligados à CI, que entendem a GI como meio de tratamento da
informação. Contudo, outros trabalhos surgiram, com o intuito de ampliar essa visão,
principalmente a abordagem que defende a GC. Por essas razões, o objeto da GI
não se delimita a ‘organizar’ ou ‘tratar’ a informação, no contexto empresarial. Muito
pelo contrário, os principais conceitos de GI e GC que se consolidaram na literatura
foram aqueles que propunham um olhar global para a informação e o conhecimento,
interdisciplinar por natureza e que se articulava em todas as esferas da organização.
Embora os primeiros estudos estivessem orientados à ‘gerência’ da informação e
conhecimento, o que induziria a um controle, mais próximo das correntes teóricas da
TO, a medida em que os estudos foram intensificando-se, o caráter interdisciplinar
começou a sobressair-se, principalmente porque o próprio conceito permeava a
informação e conhecimento em contextos múltiplos e fruto de investigação e atuação
de profissionais diversos. Por esse motivo, por exemplo, as pesquisas em GI e GC
consolidaram-se tanto na Biblioteconomia e CI como na TO.

3 TRANSMISSÃO ORAL DO CONHECIMENTO

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Parte-se do pressuposto que a prática do conhecimento esteve presente,
considerando o objeto a apropriação e uso do conhecimento nas organizações,
desde os primórdios das formas de produção. Desde a antiguidade, delineando a
invenção da roda como o ponto de partida para o nascimento dos meios de
produção, até o século VIII d.C., o regime de produção esteve limitado a artesãos e
à mão de obra intensiva e não qualificada, principalmente a mais direcionada à
agricultura. Pode-se indagar que o conhecimento era base para construção dos
pilares dessa produção, desde o manifesto da vontade de venda e a necessidade de
negociação com outros artesãos, até a relação de aprendizado entre artesão e
discípulo. Pode-se suscitar que o conhecimento sempre percorreu e se manifestou
nos modos de produção, desde a primeira forma de produção direcionada a
coletividade, que não o próprio consumo.
É importante ficar claro que se parte do pressuposto da existência de
transmissão de conhecimento na antiguidade, entretanto não se considera a
existência da noção de ‘gestão’, menos ainda uma área de estudos dedicada a esse
fim. Na verdade, nem ‘gestão’ nem ‘conhecimento’ eram problemas colocados à
época, tal como objetos de reflexão reconhecidos como tais. Não havia, ainda,
sequer uma mentalidade de ‘gestão’. Todas as manifestações de conhecimento da
humanidade, sob a ótica dos modos de produção, até a consolidação das primeiras
teorias da CI, TI e TO, que se iniciam no final do século XIX e início do século XX,
são absolutamente práticas, portanto, menos sistemáticas e mais intuitivas, e que,
de forma alguma, tratam de reflexões ou abstrações.
Ela nasceria junto com os primeiros modos de produção da sociedade ao qual
se conhece, dando suporte, sobretudo, à produção agrícola das sociedades
egípcias, grega e romana, e, depois, às relações de trabalho entre os mestres e
aprendizes no renascimento das cidades no século XI. A transmissão oral de
conhecimento se daria pela comunicação oral, informal, por meio da oralidade. Ela
ocorria porque as formas de escrita ainda não estavam estruturadas, ou então,
grande parte dos indivíduos que detinham os modos de produção ainda não sabia
ler ou escrever. Ela funcionou eficientemente em uma época em que o
conhecimento e o domínio do conhecimento a respeito do modo de produção eram
pequenos e simplistas demais, que demandassem qualquer fórmula mais
aprofundada de tratamento. O responsável pelo modo de produção dominava
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sozinho todo o processo e todo conhecimento a respeito de seu ofício. Partindo dos
pressupostos históricos de Childe (1947), acredita-se que o conhecimento oral,
nessa época, era transmitido de três formas: natural, imposição e apropriação.
A primeira, de forma natural, ocorria tanto através dos descendentes nas
sociedades antigas, o que garantia que as formas de plantio e as práticas de
agricultura continuassem e evoluíssem através das gerações, como, também,
através da relação mestre/aprendiz na produção artesanal dos primeiros burgos,
conforme pode ser comprovado pela citação de Martins:
Com o passar do tempo nasceriam as associações entre trabalhadores
artesãos, que adotaram diferentes denominações nas várias regiões
onde se formaram, conhecidas entre nós como corporações de ofícios
ou guildas. Este novo sentido atribuído às associações urbanas não se
manteve, por sua vez, estático. Elas representavam os interesses dos
mestres de ofícios mais destacados e garantiam a permanência de um
relativo poder onde o mestre atuava. Aprendizes e artesãos simples,
cujo deslocamento entre ofícios era algo raro e restrito, mantinham-se
sob a esfera de controle daqueles que, de alguma forma, detinham o
monopólio do conhecimento, do ensino, da profissionalização e a
prerrogativa de comercializarem as obras executadas em suas oficinas
(MARTINS, 2007, p. 11-12).

A segunda, por meio da imposição, era utilizada, sobretudo pelas sociedades
mais estruturadas e com formas de cultivo e produção mais elaboradas, quando
conquistavam uma tribo ou outra sociedade.
A terceira, por meio da apropriação, ocorria quando a sociedade ou tribo
conquistada possuía ou estava mais avançada sob algum aspecto do modo de
produção, de forma que os conquistadores poderiam apropriar-se do conhecimento
dos conquistados, de modo a alterar as formas de manejo de produção e adaptarse. Childe (1947) defende que essa prática de apropriação de conhecimento era
muito comum no império romano, que governou o mundo do século VI a.C., até o
século VI d.C.
Os primeiros modos de produção da sociedade utilizavam-se de uma
quantidade pequena de conhecimento registrado, comparados com outras épocas.
Isso induz a acreditar que não havia, portanto, complexas formas de tratamento
desse conhecimento. Ao passo que os modos de produção ganhavam contornos
evolutivos, tal como a própria estruturação das relações de comércio da sociedade,
a quantidade de conhecimento registrado aumentava e seu aprendizado demandava
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mais tempo, mais dedicação e mais esforço. Isso permite indagar que, à medida que
a sociedade e seus modos de produção evoluíam, a coleção de informações crescia
e as bibliotecas surgiam para organizar esse conhecimento.

4 ORGANIZAÇÃO DOS REGISTROS DO CONHECIMENTO

A segunda geração, a organização dos registros do conhecimento, nasceria,
também, antes da teorização da GI, com o aparecimento das primeiras obras
registradas, com o objetivo de subsidiar os modos de produção. Entretanto, seu
marco inicial poderia ser datado da evolução provocada pela própria alteração da
conjuntura da sociedade. As relações de comércio intensificaram-se e tornaram-se
complexas com o aparecimento das instituições financeiras, das companhias de
comércio, com a valorização do capital comercial, etc., o que levou à multiplicação
de obras registradas. Alia-se a isso, o aparecimento da imprensa.
Com a expansão marítima, sobretudo, eram necessários conhecimentos
avançados e estruturados para a concretização de uma nova rota de comércio para
as Índias. Assim, de acordo com Zurara (1942) aparecem as primeiras bibliotecas
especializadas, voltadas para organizar a informação dos modos de produção.
Villalta (1988) acredita que as bibliotecas particulares e universitárias também
tiveram uma participação importante, principalmente no suporte às primeiras
profissões, como direito, medicina, religião e artes. Dentro dessa conjuntura, a
informação tornou-se importante e vital para essa nova sociedade, mercantil e
capitalista, principalmente a informação impressa e formal, de fácil transmissão e
assimilação.
O foco tornou-se a seleção de fontes de informação para uso e a organização
da informação garantia o acesso a essas fontes. As bibliotecas, desse modo,
passaram a dar suporte à criação de outros conhecimentos e à própria expansão da
sociedade. Impulsionaram, também, a revolução industrial, garantindo os avanços
tecnológicos necessários para a mecanização da manufatura. O nascimento da
Biblioteconomia favoreceu o desenvolvimento das práticas de bibliotecas, assim
como os serviços por elas prestados para a indústria. Esse estudo do conhecimento,
motivado pelas bibliotecas especializadas, para entender o contexto industrial,
poderia ser denominado de ‘Paradigma Documental’. Com o surgimento da
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Documentação e da CI, as vertentes mais atreladas à Biblioteconomia humanista e
erudita deram lugar a uma Biblioteconomia tecnicista e positivista. Com a introdução
da informática, sobretudo, as bibliotecas passaram a ganhar mais destaque nas
empresas, sendo importante destacar que as atuais pesquisas apontam a
organização dos registros do conhecimento como a mais importante prática de GI.

5 CRIAÇÃO DE INFORMAÇÃO ESTRATÉGICA PARA A TOMADA DE DECISÃO

A terceira geração, a criação de informação estratégica para a tomada de
decisão, nasceria pela apropriação da GI pela TO e pela TI. Isso ocorreria,
sobretudo, na década de 1970, quando uma crise mundial de energia atingiu
profundamente as indústrias ocidentais, levando à expansão dos segmentos
automobilísticos orientais. Chiavenato (2004) chama atenção que as organizações
do oriente apostavam em um modelo capitalista denominado, na época, de
capitalismo social, e, hoje, chamado de organizações do conhecimento. As
indústrias japonesas, principalmente, estavam mais afastadas do modelo fordista de
negócios, apostando em uma produção em baixa escala e mais personalizada, o
que as conduziu à superação da crise. Tal acontecimento desencadeou uma
transformação nos modelos de produção ocidentais, levando as organizações a
demandarem um tipo de informação específica, que proporcionaria melhor o
entendimento

de

seus

consumidores,

concorrentes,

mercados

e

próprios

colaboradores.
Como essa informação não poderia ser adquirida pelas bibliotecas de fontes
externas, era necessário que a própria empresa a criasse. Dessa conjuntura
nasceram os modelos gerenciais e os sistemas de informação, com a promessa de
criarem informação estratégica para dar ao gerente suporte para a tomada de
decisão. Essa mudança de valores, na indústria, de acordo com Castells (1999), vai
ao encontro com a nova estruturação da sociedade, mais voltada para a informação.
E, essa informação era substancialmente explícita, caracterizada, sobretudo, pelo
uso do artefato físico. No entanto, parte dos modelos gerenciais acabou revelandose apenas uma moda, motivado, principalmente, pelo distanciamento com os
objetivos estratégicos da empresa. Esse movimento teórico da TO, em busca da
elaboração desses modelos, poderia ser denominado de ‘Paradigma Operacional’.
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As pesquisas da TI pela conversão da trindade informacional, via automação,
induziriam a um ‘Paradigma Tecnológico’, como resposta ao objeto informação no
contexto organizacional. Davenport (1998) direciona sua pesquisa à crítica ao
‘Paradigma Tecnológico’, buscando um entendimento que articulasse a criação de
informação estratégica à organização dos registros do conhecimento. O fruto dessa
articulação poderia ser chamado de ‘Paradigma Ecológico’.

6 A GESTÃO DO CONHECIMENTO

A quarta geração, a gestão do conhecimento, nasceria, também, no âmbito da
TO. Ela surgiria da preocupação com o conhecimento que reside na mente dos
colaboradores, conhecimento esse implícito, pessoal e tácito, e que poderia conduzir
a empresa a inovações. O conhecimento pessoal, entretanto, acabou ganhando
maiores proporções na literatura, não se restringindo apenas à geração de
inovações, mas revelando-se importante, também, para o contínuo de atividades e
rotinas. Para essa geração, o conhecimento implícito e tácito seria o foco principal,
pois seria a garantia do correto funcionamento das rotinas, resolução de problemas
pontuais e, principalmente, garantia de inovação à empresa.
Todavia,

esse

conhecimento

caracterizou-se

pela

dificuldade

de

armazenamento e manipulação em nível explícito. Quando o colaborador desligavase da empresa, levava consigo todos esses conhecimentos considerados
específicos e particulares pelos executivos. Em vista disso, esses conhecimentos
atualmente são valiosos e precisam permanecer na empresa, independente do
colaborador. Isso induz a acreditar que, antes, na era industrial, o funcionário não
precisava de conhecimentos complexos para executar sua atividade. Depois da crise
de 1970 e do surgimento do capitalismo social, a regra era apostar no colaborador e
nos conhecimentos que ele poderia ofertar. De acordo com Barreto (1998) agora, a
preocupação é que esse conhecimento seja independente do funcionário, ou seja,
que ele possa ser explicitado e, em seguida, armazenado para uso por toda a
empresa.
Como esse conhecimento é dificilmente gerado de forma espontânea, os
teóricos da quarta geração desenvolveram modelos e teorias, com o intuito de
garantir a externalização desse conhecimento e sua difusão entre os membros da
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empresa. Atualmente, a maioria dos teóricos entende a GC como resposta ao objeto
da GI, ou seja, a melhor maneira de gerenciar a informação dentro da empresa.
Nonaka e Takeuchi (1997) foram os pioneiros, sugerindo o que seria um ‘Paradigma
Cognitivo’ para entender o conhecimento; Choo (2003) já recomenda um ‘Paradigma
Estratégico’, entendendo o conhecimento como insumo estratégico; Von Krogh,
Ichijo e Nonaka (2001) apontam um ‘Paradigma Cultural’, por entenderem que o
conhecimento só pode manifestar-se em um contexto culturalmente capacitante; e
Alvarenga Neto (2005) propõe um ‘Paradigma Processual’, por defender que a
gestão de qualquer conhecimento é um processo que vai do estratégico, passando
pelo tácito, resultando no operacional.
A Tabela 1 apresenta todas as gerações, sendo elas: a transmissão oral de
conhecimento, a organização dos registros do conhecimento, a criação de
informação estratégica e a gestão do conhecimento. Todas as quatro gerações são
contextualizadas com os focos principais, suas áreas de origem, as teorias capitais e
os marcos iniciais.
TABELA 1 - As quatro supostas gerações da Gestão da Informação

Geração

Focos

Áreas

Teorias

Data inicial

Primeira geração:
Transmissão Oral da
Informação

Oralidade

Não
possui

Não possui

Primeiros modos
de produção

Segunda geração:
Práticas de
Organização dos Registros organização
do Conhecimento

CI

Paradigma
documental

Expansão
marítima

Terceira geração: Criação
de
Informação Estratégica
para
a Tomada de Decisão

TO e TI

Paradigma
operacional
Paradigma
tecnológico
Paradigma
ecológico

Revolução
industrial

TO e CI

Paradigma
cognitivo
Paradigma
estratégico
Paradigma
cultural
Paradigma
processual

Sociedade da
Informação

Criação de
Informação

Quarta geração: Gestão do Criação,
Conhecimento
organização e
transmissão de
Conhecimento

Fonte: Elaborado pelo autor.

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7 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A GI é considerada, atualmente, uma técnica utilizada para alcançar a GC no
âmbito organizacional, e considera-se que ela se consolidou em meados do século
XX. Contudo, ao estudar a evolução das práticas de informação, ao longo da história
dos primeiros modos de produção até a Sociedade da Informação, foi possível iniciar
alguns questionamentos acerca desse entendimento. Nesse sentido, o tema
suscitou reflexões acerca da hipótese de que os primeiros modos de produção da
humanidade dependiam de informação e conhecimento para sua consolidação e
desenvolvimento. O ensaio provocou, também, a reflexão a respeito do papel da
biblioteca na organização e arranjo dos primeiros registros do conhecimento
utilizados pelos modos de produção. Para tal, foi necessário sugerir um suposto
objeto de estudo da GI ou GC, com o intuito de mapear, ao longo de uma evolução
história e teórica, os primeiros apontamentos em busca de resolver os problemas
práticos dessa, então, nova área.
Uma vez sugerido o objeto, foi possível iniciar uma excursão histórica ao
longo das práticas dos modos de produção da sociedade e identificar a evolução do
entendimento do que seria a própria GI, ou melhor, do entendimento de qual seria a
melhor resposta ao objeto da GI, o que, consequentemente, permitiria, também, o
deslumbramento de sua origem prática. Foi possível sugerir que os primeiros modos
de produção da sociedade utilizavam a oralidade como forma de transmissão do
conhecimento. Ao passo que a sociedade e as formas de comércio tornaram-se
complexas, o conhecimento e a informação necessários para os modos de produção
cresceram em quantidade, principalmente com a invenção da imprensa, sendo vital
a construção de uma lógica e sistemática de organização, para tratar e disseminar
essa informação. Com a revolução informacional e a crise energética na década de
1970, tornou-se imprescindível que a própria empresa criasse sua informação para a
tomada de decisão. Atualmente, com a nova conjuntura da sociedade, orientada
para a informação, é primordial o uso do conhecimento, principalmente o pessoal,
para todas as práticas de negócios das empresas.
Como lembra França (2005), os objetos não são manifestações naturais, nem
recortes de leis intrínsecas, mas construídos e dispostos pelo olhar do pesquisador.
E, ainda, por mais que os recortes de datas sejam imprecisos, pois a constituição de
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fatos se dá de forma evolutiva, o delineamento histórico da articulação da
informação nos primeiros meios de produção até os dias atuais mostrou-se valioso,
por colaborar ao esclarecimento do estado da arte presente e do porquê da estrutura
da própria concepção da GI. Inclusive para iniciar questionamentos acercas de
novos entendimentos, como, por exemplo, não seria a criação de uma associação
específica de bibliotecas especializadas um apontamento para o nascimento de uma
teoria que queira estudar o fenômeno da informação dentro da empresa? A
pesquisa, assim, acabou não resultando na busca de datas precisas para as
origens, mas em gerações de entendimento das mesmas. Esse excursionismo
histórico foi importante, também, à CI, por reforçar o papel da instituição ‘biblioteca’
na organização da informação dos modos de produção contemporâneos, além de
assinalar sua ausência nos atuais estudos em GI. Essa ausência pode ser maléfica
ao avanço do campo, pois se acredita que a instituição biblioteca esteve atrelada,
durante grande parte da história, às práticas de informação dos modos de produção.
Assim, a pesquisa conduziu à identificação, mais do que a definição de datas
pontuais de origens, de possíveis linhas de pensamentos distintas de entendimento
da GI ou tentativas de resposta a esse suposto objeto, que aqui podem ser
denominadas, de modo mais genérico, de as quatro gerações da GI. Essas
gerações são resultado da pesquisa ora realizada, apresentadas de forma ainda
preliminar. Elas são frutos do caminho percorrido dessa investigação e buscam a
sistematização de todo o percurso histórico. Pesquisas próximas podem ser
realizadas de modo a articular essas gerações com os principais ‘paradigmas’
teóricos da GI. Acredita-se que muitas de suas teorias – advindas de seus principais
pesquisadores: Davenport, Nonaka, Choo, Alvarenga Neto – possam ser agrupadas
nessas supostas gerações de entendimento do que seria a GI, ou melhor, gerações
que teriam a função básica de tentar responder ao seu objeto. Isso porque, estimase que essas hipotéticas gerações de tentativas de resposta ao objeto estão
profundamente influenciadas pela história e evolução dos modos de produção.
Essas gerações apontariam para a transmissão oral de conhecimento, a
organização dos registros do conhecimento, a criação de informação estratégica e a
gestão do conhecimento. Contudo, apesar do período histórico ser o delineador, não
haveria uma substituição das práticas, pois cada ciclo temporal não se fecharia no
advento do outro.
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Todas essas sugeridas gerações seriam representativas do contexto
empresarial contemporâneo, nada obstante, em cada momento da história, a
sociedade elegeu seu melhor representante.

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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>No contexto da Ciência da Informação, encontram-se estudos sobre a Gestão da Informação orientada para a organização e uso da informação nas empresas. Atualmente, há poucos estudos que definam claramente o nascimento da prática da informação nos primeiros modos de produção. O objetivo da pesquisa é traçar as origens históricas das práticas de Gestão da Informação nas organizações. A metodologia empregada é estritamente teórica, desenvolvida com base na pesquisa das principais fontes da área e, também, de áreas correlatas. A primeira parte é orientada a sugerir um objeto para a Gestão da Informação, de modo a tornar possível identificar as suas origens práticas. A segunda parte é orientada a investigar as origens históricas das formas de uso e apropriação da informação pelas empresas, desde as primeiras formas de produção até o aparecimento da Sociedade da Informação. A pesquisa permitiu a identificação de possíveis linhas de pensamentos distintas de entendimento da Gestão da Informação ou tentativas de resposta a esse suposto objeto, denominadas, de modo mais genérico, de quatro gerações de uso da informação pelos modos de produção.</text>
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