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                  <text>A produtividade científica do curso de Biblioteconomia da
Universidade Federal de Goiás (UFG): um estudo bibliométrico a
partir do currículo Lattes

Maria de Fátima Lopes Gomes (UFG) - brazefatima@gmail.com
João de Melo Maricato (UFG) - jmmaricato@gmail.com
Resumo:
Este estudo tem como objetivo analisar a produção científica dos docentes do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no período de 2006 a 2012. O
método utilizado foi o estudo bibliométrico, visando compreender a produtividade dos
docentes ao longo do período. Os materiais colhidos para análise foram artigos, livros e
capítulos de livros publicados, trabalhos apresentados em anais de congresso e apresentações
de trabalho. A busca foi realizada por meio das informações disponíveis nos currículos Lattes
dos professores/pesquisadores. Os dados coletados foram inseridos numa planilha do software
Excel, viabilizando a construção do banco de dados para subsidiar análise dos gráficos e
tabelas. Com a análise dos dados, constatou-se que os professores/pesquisadores do curso de
biblioteconomia têm divulgado os resultados de suas pesquisas principalmente em eventos
científicos (35% do total de trabalhos). Constatou-se, também, conforme preconiza Lotka, que
há certa concentração na produção científica em um número pequeno de autores. A
publicação de artigos científicos publicados em periódicos foi de 16% do total da produção,
sendo a opção por trabalhos realizados em colaboração a modalidade preferida (61%). O
periódico Perspectivas em Ciência da Informação foi o preferido para a divulgação dos
trabalhos dos professores/pesquisadores do curso.
Palavras-chave: Produção científica. Bibliometria. Currículo Lattes. Curso de biblioteconomia
da UFG.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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A produtividade científica do curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal de Goiás (UFG): um estudo bibliométrico a partir do currículo Lattes
Maria de Fatima Lopes Gomes1
João de Melo Maricato 2

Resumo
Este estudo tem como objetivo analisar a produção científica dos docentes do curso
de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no período de 2006 a
2012. O método utilizado foi o estudo bibliométrico, visando compreender a
produtividade dos docentes ao longo do período. Os materiais colhidos para análise
foram artigos, livros e capítulos de livros publicados, trabalhos apresentados em
anais de congresso e apresentações de trabalho. A busca foi realizada por meio das
informações disponíveis nos currículos Lattes dos professores/pesquisadores. Os
dados coletados foram inseridos numa planilha do software Excel, viabilizando a
construção do banco de dados para subsidiar análise dos gráficos e tabelas. Com a
análise dos dados, constatou-se que os professores/pesquisadores do curso de
biblioteconomia têm divulgado os resultados de suas pesquisas principalmente em
eventos científicos (35% do total de trabalhos). Constatou-se, também, conforme
preconiza Lotka, que há certa concentração na produção científica em um número
pequeno de autores. A publicação de artigos científicos publicados em periódicos foi
de 16% do total da produção, sendo a opção por trabalhos realizados em
colaboração a modalidade preferida (61%). O periódico Perspectivas em Ciência da
Informação foi o preferido para a divulgação dos trabalhos dos
professores/pesquisadores do curso.
Palavras-chave: Produção científica. Bibliometria. Currículo Lattes. Curso de
biblioteconomia da UFG.
TEMÁTICA II – Formação dos profissionais da informação.

1 INTRODUÇÃO
A bibliometria surgiu no início do século passado e se tornou uma aplicação
crescente nos estudos e avaliações das atividades de produção e comunicação
científica. Ela é um campo de estudo, fortemente ligado à área da biblioteconomia e
ciência da informação, que tem como um dos objetivos aplicar métodos estatísticos
e matemáticos para analisar a comunicação escrita de uma determinada área,
criando indicadores e índices de produção e disseminação do conhecimento
1

Bacharelando em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Faculdade de Informação e
Comunicação (FIC). E-mail: brazefatima@gmail.com.
2
Doutor em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo (USP), Professor na Universidade Federal
de Goiás (UFG), Faculdade de Informação e Comunicação (FIC). Laboratório de Estudos Métricos da Informação
(LEMI). E-mail: jmmaricato@gmail.com.

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científico e técnico. Em 1934 por Otlet, no seu Traité de Documentation, considera a
bibliometria aplicável a “todos os estudos que tentam quantificar os processos de
comunicação escrita”. (PRITCHARD, 1969, apud GUEDES, BORSCHIVER, p. 3).
A bibliometria tem como pano de fundo teórico, diversas leis. Dentre as mais
conhecidas, estão a Lei de Lotka (produtividade de autores), Lei de Bradford
(dispersão de periódicos) e Lei de Zipf (frequência de ocorrência de palavras). Como
a presente pesquisa mantém relações com as leis de Lokta e Bradford, considera-se
relevante discorrer, mesmo que brevemente, sobre estas.
A Lei de Lotka (produtividade de autores), de 1926, foi construída a partir de
estudos sobre a produtividade de cientistas, com a contagem de autores presentes
no Chemical Abstracts, entre 1909 e 1916. Essa lei constata, basicamente, que
alguns pesquisadores publicam muito e muitos publicam pouco. (ARAÚJO, 2006,
p.13).
A Lei de Bradford (dispersão de periódicos), de 1934, foi criada com o objetivo
de descobrir a extensão na qual artigos de um assunto científico específico ocorriam
em periódicos, estudando-se a distribuição dos mesmos em termos de variáveis de
proximidade ou de afastamento temático. Essa lei foi muito útil em aplicações
práticas em bibliotecas, como o estudo do uso de coleções para auxiliar na decisão
quanto à aquisição, descarte, encadernação, depósito, utilização de verba e
planejamento de sistema. (ARAÚJO, 2006, p.14).
A aplicação da bibliometria e da cientometria (sua disciplina irmã) pode trazer
compreensões sobre o desenvolvimento de uma área do conhecimento nos mais
diversos âmbitos, quer sejam geográficos, temáticos, documentais, etc. Além dos
desenvolvimentos teóricos sobre o desenvolvimento de indicadores e índices, suas
dinâmicas e validades do ponto de vista científico, a bibliometria possui um forte
apelo gerencial.
Assim, o planejamento de atividades científicas tem motivado a construção de
inúmeros estudos. Uma das relevantes aplicações é o uso dos seus métodos e
técnicas com intuito de planejar as atividades de cursos de graduação e pósgraduação, por meio da avaliação da produção científica do corpo docente a estes
vinculados.

A

presente

pesquisa

insere-se

nessa

perspectiva

ao

buscar

compreender a produção científica de professores no contexto da biblioteconomia.
Produção
científica
é
toda
a
produção
documental,
independentemente do suporte (papel ou meio magnético), sobre um

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determinado assunto de interesse de uma comunidade científica
específica, que contribua para o desenvolvimento da ciência e para a
abertura de novos horizontes de pesquisa. (LOURENÇO, 1997, p.
52).

Barreto (1981) realizou um estudo sobre as pesquisas nas escolas de
biblioteconomia do Brasil, com o objetivo de “identificar os presumíveis componentes
institucionais e individuais capazes de afetar a pesquisa docente; avaliar e analisar
os elementos individuais que podem interferir na produção científica; dimensionar a
cooperação entre as escolas e o estímulo proporcionado ao professor.” (BARRETO,
1981, p. 1-2). A autora chegou à conclusão que os professores de Biblioteconomia
ainda não estão voltados para a pesquisa, por diversos fatores:
Falta de incentivos institucionais; falta de verbas específicas para a
pesquisa; ausência de recursos documentários regulares para
atender às necessidades acadêmicas docentes; aspectos
relacionados com a dedicação parcial; envolvimento dos professores
com atividades administrativas na escola. Segundo a opinião dos
docentes, os desequilíbrios regionais e a ausência de publicações
especializadas na área, para divulgação de seus trabalhos e/ou
ideias, podem interferir na cooperação entre os cursos. (BARRETO,
1981, p.13).

Christ (1991) investigou as questões que podem afetar as pesquisas na área
da Biblioteconomia em nove instituições envolvidas com pós-graduação stricto
sensu. A autora argumenta que são vários fatores que dificultam as pesquisas,
sendo que o principal era a inexistência de fundos específicos para a pesquisa na
instituição e a burocracia externa dos órgãos financiadores. Ao ouvir a opinião dos
pesquisadores sobre o que os motivou a realizar pesquisas, apesar das barreiras,
foram relatados os seguintes: curiosidade científica; desafio profissional/autosatisfação; melhoria das condições sócio-econômicas do país e promoção
profissional/carreira acadêmica. (CHRIST, 1991, apud OHIRA, 1998, p. 70).
A aplicação da bibliometria confere, segundo Bufrem e Prates (2005), a “[...]
possibilidade de conhecer, pelo estudo das publicações, o desenvolvimento de área
determinada da ciência, em âmbito geográfico específico, com recortes relativos a
temáticas, materiais ou períodos específicos.” (BUFREM, PRATES, 2005).
Diversas são as atividades científicas e técnicas desempenhadas por
professores (ensino, pesquisa, extensão e gestão), bem como, são variadas as
produções e variáveis passíveis de serem analisadas, as quais variam dependendo
dos objetivos de uma pesquisa bibliométrica ou cientométrica. Na presente, analisase a produção de artigos, apresentação de trabalhos em eventos e livros publicados,
bem como as redes de colaboração dos autores e co-autores de artigos.

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Diante do exposto, o presente estudo objetiva compreender, por meio de
métodos e técnicas bibliométricas, a dinâmica da produção científica dos docentes
do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no período
entre 2006 e 2012, subsidiando o planejamento e a gestão de suas carreiras, bem
como ações gerenciais no contexto do curso.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A coleta de dados foi realizada por meio do currículo dos professores do
curso de Biblioteconomia da UFG, disponibilizados na Plataforma Lattes, limitado ao
período entre 2006 e 2012. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica e
descritiva. Optou-se pelo emprego de métodos e técnicas bibliométricas para a
mensuração e análise da produção científica.
Ao delimitar o âmbito geográfico da investigação (FACOMB, UFG), o primeiro
passo foi fazer uma busca online do currículo dos professores do curso de
Biblioteconomia, na Plataforma Lattes. De posse desses dados, foi possível verificar
que alguns docentes mantinham sua página, na Plataforma Lattes, desatualizada.
Diante disso, foi enviado um e-mail para cada um deles solicitando a atualização, no
entanto, constatou-se que nem todos os currículos foram atualizados.
A coleta foi realizada no período entre janeiro a fevereiro de 2013. Os dados
foram inseridos em uma planilha do software Excel para a construção de um banco
de dados padronizado, com intuito de gerar os gráficos e tabelas para a análise e
interpretação dos indicadores.
Para se ter a dimensão da importância das atividades da universidade e de
suas produções científicas, considera-se relevante citar um trecho do documento
Relatório de Gestão da Universidade Federal de Goiás (2009),
A Universidade Federal de Goiás (UFG) tem contribuído para a
inserção, diversificando, ampliando e aprimorando as suas atividades
acadêmicas, no que se refere à oferta de novos cursos de graduação
e pós-graduação, e principalmente nas áreas de pesquisa e
inovação. Em 2009, os pesquisadores da UFG foram responsáveis
pela publicação de 3.628 textos científicos em periódicos científicos
indexados, livros, capítulos de livros e de trabalhos completos
publicados em anais de congresso. A UFG contabilizou, em 2010,
250 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq e um expressivo
número de 1.649 projetos de pesquisa em andamento na instituição.
Ressalte-se ainda o fato de que, em 2009, a UFG passou a contar
com 91 bolsistas de produtividade no CNPq, número que representa
um crescimento de aproximadamente 200% em relação ao ano de

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2006. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, Relatório de Gestão,
2009, p. 7, Proad - UFG).

A produção científica dos docentes do curso de biblioteconomia da UFG está,
na presente pesquisa, dividida em artigos, livros organizados, capítulos de livros,
trabalhos apresentados em anais de eventos e apresentação de trabalhos. A seguir,
são apresentadas algumas definições sobre essas produções, segundo apresentado
na ABNT 6023 de 2002:
Monografia: Item não seriado, isto é, item completo, constituído de uma só parte, ou
que se pretende completar em um número preestabelecido de partes separadas.
Monografia no todo: Inclui livro e/ou folheto (manual, guia, catálogo, enciclopédia,
dicionário etc.) e trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, entre outros).
Parte de monografia: Inclui capítulo, volume, fragmento e outras partes de uma
obra, com autor(es) e/ou título próprios.
Capítulo, seção ou parte: Divisão de um documento, numerado ou não.
Publicação periódica: Publicação em qualquer tipo de suporte, editada em
unidades físicas sucessivas, com designações numéricas e/ou cronológicas e
destinada a ser continuada indefinidamente. Inclui a coleção como um todo,
fascículo ou número de revista, número de jornal, caderno etc. na íntegra, e a
matéria existente em um número, volume ou fascículo de periódico (artigos
científicos de revistas, editoriais, matérias jornalísticas, seções, reportagens etc.).
Publicação periódica como um todo: A referência de toda a coleção de um título
de periódico é utilizada em listas de referências e catálogos de obras preparados por
livreiros, bibliotecas ou editoras.
Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc: Inclui partes de publicações periódicas
(volumes, fascículos, números especiais e suplementos, com título próprio),
comunicações, editorial, entrevistas, recensões, reportagens, resenhas e outros.
Evento como um todo: Inclui o conjunto dos documentos reunidos num produto
final do próprio evento (atas, anais, resultados, proceedings, entre outras
denominações). (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS – ABNT
6023, 2002).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

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3.1 A produção do curso e sua evolução

No curso de Biblioteconomia da UFG há 16 docentes vinculados atuando,
principalmente nos cursos de Graduação de Biblioteconomia e de Gestão da
Informação. Estes devem cumprir um conjunto de atividades exigidas pela
universidade (ensino, pesquisa, extensão e gestão), conforme a resolução
CONSUNI Nº 21/2009.
Observando o conjunto da produção do curso de Biblioteconomia (soma de
todas as produções dos 16 docentes), observa-se o total de 200 produções ao longo
do período de 2006 a 2012. Assim, a média de produção por professor/pesquisador
é de, aproximadamente, 12,5 produções.
Constata-se que o principal meio utilizado para a divulgação dos trabalhos
produzidos são os anais de eventos (35%), seguido da apresentação de trabalho
(32%) e a publicação de artigos em periódicos científicos (16%). A produção gerada
pelos professores e suas tipologias, são representadas no Gráfico 1.
Gráfico 1 – Tipos de trabalhos produzidos pelos professores do curso de Biblioteconomia da UFG
(2006-2012).

Fonte: dados da pesquisa

Alguns trabalhos que se dedicaram a estudar a produção científica de
docentes, cursos, departamentos, etc., sob o enfoque bibliométrico e cientométrico
também podem ser vislumbrados. Como é o caso de Santilone et al (2012), elas
fizeram um mapeamento entre várias universidades sobre a produção científica dos

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docentes na área da Ciência da Informação, no período de 2000 a 2009. Santilone
et al (2012), recorreram ao Currículo Lattes disponibilizado pelo Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em seu trabalho observou-se
que, das 9 universidades investigadas, em 6 delas, os docentes publicaram mais em
Anais de Congresso e nas outras 3, utilizaram a publicação em periódicos. Segundo
Santilone et al (2012), na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, existem
mais revistas científicas que eventos na área. E, de acordo com sua pesquisa, na
literatura da área da saúde, tem-se a indicação que o veículo de comunicação
preferido por docentes de Pós-Graduação são os Artigos em Periódicos, segundo
estudos de Cardoso (2009), Fernandes (2009) e Funaro (2010). (SANTILONE et al,
2012, p. 97).
De acordo com Meadows (1999), nas áreas de ciência, tecnologia e medicina
publicam-se mais artigos em periódicos, enquanto que, para as áreas de ciências
sociais e humanidades são os livros. (MEADOWS, 1999).
Mas, mesmo com essa afirmação por parte de Meadows, constata-se que
pode sofrer variações nas escolhas dos meios de divulgação dos trabalhos
resultantes de pesquisas, conforme se deu nos estudos feitos por Santilone et al
(2012). O mesmo pôde ser observado no âmbito da Faculdade de Comunicação e
Biblioteconomia – FACOMB, da Universidade Federal de Goiás, em que a maioria
das publicações, 35%, foi feita em anais de congresso e o percentual de publicações
de livros foi de 2%.
A evolução de cada uma das produções científicas geradas pelo conjunto de
professores do curso de biblioteconomia da UFG pode ser observada no Gráfico 2.
Gráfico 2 – Evolução anual das produções científicas geradas pelos professores do curso de
Biblioteconomia da UFG (2006-2012)

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Fonte: dados da pesquisa

Observa-se que a produção científica oscilou ao longo do período. A
apresentação de trabalhos teve no ano de 2008 os maiores números de produções
(17), havendo, de maneira geral, uma tendência de queda na produção de artigos.
Porém, um tipo de produção com quantitativos importantes ao longo do período e
com tendência de crescimento foi a apresentação de trabalhos em anais de eventos
científicos. Os capítulos de livros atingiram seu ápice em 2010, com 7 capítulos
publicados, mas voltaram a cair em 2011 e 2012. Os artigos mantiveram uma média
de 4 publicados por ano, ao longo do período analisado. Pelo gráfico percebe-se,
claramente, que houve uma queda vertiginosa entre 2009 e 2010, na produção
científica dos docentes do curso de Biblioteconomia, havendo retomada na produção
a partir do ano de 2011.

3.2 A produção científica individual dos docentes

A produção científica pelos professores do curso de biblioteconomia da UFG
é apresentada individualmente no Gráfico 3. Esse gráfico representa a produção
total do pesquisador, independentemente da sua tipologia. Portanto, estão incluídos
o total de artigos, livros organizados, capítulos de livros publicados, trabalhos
apresentados em eventos e a apresentação de trabalhos.
Gráfico 3 – Produção científica individual dos professores/pesquisadores do curso de biblioteconomia
da UFG (2006-2012)

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Fonte: dados da pesquisa

O autor 1 foi o docente que mais produziu trabalhos, (45) ao longo do período.
Logo em seguida, vem o autor 2, com 28 trabalhos; o autor 3, com 25; o autor 4,
com 21; os autores 5 e 6, com 14 trabalhos, cada um; o autor 7, com 10; o autor 8,
com 9; os autores 9 e 10, com 8 trabalhos, cada um; o autor 11, com 7; o autor 12,
com 6; o autor 13, com 4; e o autor 14, com apenas 1 trabalho. Não foram
identificados trabalhos publicados pelos autores 15 e 16, no período de 2006 a 2012.
Cabe salientar, no entanto, que nem todos os currículos foram atualizados pelos
professores.
Cada tipo de produção científica tem sua importância e o seu valor. Quando
se faz a avaliação da produção científica de pesquisadores, considera-se importante
observar a tipologia da produção científica. No período de 2006 a 2012, a produção
de literatura branca, livros (4), capítulos de livros (25) e artigos (26), perfizeram um
total de 55 documentos (33%) produzidos. Já a literatura cinzenta, apresentações de
trabalhos (54) e trabalhos publicados em anais (59), corresponde a 67% da
produção.
Diante do exposto, apresenta-se no Quadro 1 a produção científica gerada
pelos professores do curso de biblioteconomia e suas tipologias documentais. Do
total de 16 professores, constata-se que 9 possuem artigos publicados em revistas

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científicas. Os professores com maior quantidade de artigos publicados no período
foram o autor 1, com 7artigos e os autores 5 e 10, com 5 artigos cada um, no
período de 2006 a 2012. A partir dessas constatações, considera-se relevante citar
Mueller (2007):
Estudos têm mostrado que, tradicionalmente, as Ciências Naturais e
Exatas dão preferência ao artigo científico, as Engenharias e
Tecnologias preferem os encontros científicos e, portanto os anais e
proceedings desses encontros são canais importantes para essas
áreas, e as Ciências Sociais se utilizam tanto de artigos quanto de
livros e capítulos de livros. No entanto, por motivos diversos, o artigo
científico vem aumentando de importância em todas as áreas.
(MUELLER, p. 133).

Observa-se no Quadro 1 que alguns docentes do curso de Biblioteconomia da
UFG, não apresentaram produção científica desde 2006. Nota-se que dentre os
docentes que produzem cientificamente, em sua maioria, tiveram trabalhos
publicados em anais de eventos (68 no total). Livros organizados publicados ficaram
em último lugar, com apenas 3 ocorrências.
QUADRO 1- Produção científica dos docentes em cada uma das tipologias (2006-2012)
Capítulos de
Apres.
Docente
Artigos
Livros Org.
livros
Trab. Anais Trab
Total
AUTOR 1

7

3

8

18

9

45

AUTOR 2

0

0

4

13

11

28

AUTOR 3

4

0

2

9

10

25

AUTOR 4

4

0

4

4

9

21

AUTOR 5

5

0

3

5

1

14

AUTOR 6

0

0

6

2

6

14

AUTOR 7

1

0

2

3

4

10

AUTOR 8

1

0

0

4

4

9

AUTOR 9

0

0

0

3

5

8

AUTOR 10

5

0

1

1

1

8

AUTOR 11

2

0

0

2

3

7

AUTOR 12

0

0

0

2

4

6

AUTOR 13

1

0

0

2

1

4

AUTOR 14

0

0

1

0

0

1

AUTOR 15

0

0

0

0

0

0

AUTOR 16

0

0

0

0

0

0

Total
30
Fonte: dados da pesquisa

3

31

68

68

200

Conforme argumentados por Barreto (1981), vários são os fatores que podem
levar à falta da produção científica por parte dos docentes. Tanto pode ser falta de

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incentivos institucionais, verbas como pode ser, também, envolvimento dos
professores nas áreas administrativas da universidade.

3.3 Periódicos utilizados para a veiculação dos trabalhos

Publicar em revistas científicas pode ser uma alternativa. Ferreira (2010),
disse que “o periódico científico é um canal de comunicação confiável, de
periodicidade seriada e de publicação mais dinâmica do que a de um livro”. O
cientista deve escolher um bom periódico, para ter certeza que seus trabalhos
alcançarão visibilidade. Para buscar informações sobre a qualidade da revista, há
algumas formas interessantes. Uma delas é observar o fator de impacto medido
pelo Institute for Scientific Information (ISI). No Brasil, o sistema de avaliação
utilizado para periódicos é o Qualis, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES), que também é uma boa alternativa. O Qualis é um
sistema que avalia anualmente os artigos e eventos por áreas. Os periódicos, ou
revistas científicas, são publicações seriadas, nos quais vários autores publicam o
resultado de suas pesquisas, sob a coordenação dos coordenadores. Ferreira
(2010), afirma ainda que:
Para a realidade brasileira, o QUALIS da CAPES e o formato de
avaliação por estratos é a melhor maneira de analisar a qualidade na
revista para a qual se pretende publicar e publicar em revistas
nacionais, embora mal visto por alguns cientistas, valoriza nossos
pesquisadores e traz visibilidade e credibilidade para estes, pois
serão respeitados pelos seus pares, terão seus trabalhos citados e o
reconhecimento surgirá, transcendendo as barreiras geográficas.
(FERREIRA, 2010).

No gráfico abaixo, a relação dos periódicos utilizados pelos docentes de
biblioteconomia da UFG. Em pesquisa futura, pode-se averiguar o QUALIS onde os
pesquisadores publicaram seus artigos.
Gráfico 4 – Periódicos utilizados pelos docentes para a veiculação de suas pesquisas (2006-2012)

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Fonte: dados da pesquisa

Pelo gráfico, pode se observar que a revista mais utilizada foi Perspectivas
em Ciência da Informação.

Ela é uma publicação quadrimestral da Escola de

Ciência da Informação da UFMG. Divulga relatos de pesquisa, estudos teóricos,
revisões de literatura, relatos de experiências, traduções e resenhas em Ciência da
Informação, Biblioteconomia e áreas afins. Os trabalhos submetidos a essa revista e
na maioria das outras citadas no gráfico, são encaminhados aos membros dos
Conselhos Editorial e Consultivo, que decidem sobre sua aceitação ou recusa, sem
conhecimento da autoria. As recomendações sobre os trabalhos variam de acordo
com os periódicos. Trata-se de um periódico com QUALIS A1, a maior qualificação,
segundo a CAPES.
Grafico 5 – Tipologia dos autores

Fonte: dados da pesquisa

Com relação a modalidade de publicação dos artigos, é possível verificar
que, apenas 39% dos artigos são de autoria única, e 61% dos artigos são assinados
por 2 ou mais autores (Gráfico 5). Santilone et al(2012), afirma que outro fator

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07 a 10 de julho de 2013

importante no desenvolvimento da pesquisa científica é a colaboração entre os
pares, ou seja, “os autores que vão assinar o trabalho que será divulgado para a
comunidade científica”. (SANTILONE et al, 2012, p. 87). E Santilone et al(2012),
ainda diz que não importa como o autor é incluído no trabalho, pode ser como autor,
co-autor, etc., “a produção científica se torna objeto de análise de cursos de pósgraduação e avaliação docente, entre outras”, adotando o famoso preceito publish or
perish (publicar ou perecer), tornando-se absolutamente necessário publicar. O que
acaba por se tornar pressão no mundo acadêmico. (SANTILONE et al, 2012, p. 87).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos dados coletados no Portal Lattes podem não ser fieis à
realidade, devido à falta de dados atuais de alguns professores. No Currículo Lattes
fica registrada toda a produção científica deles, mas para isso, precisa-se que os
docentes atualizem sua página, diariamente, a cada feito, o que não é
necessariamente feito por todos. Mesmo assim, a pesquisa traz informações
pertinentes ao entendimento da produção cientifica dos docentes do curso de
biblioteconomia da UFG. Os números obtidos através das técnicas bibliométricas,
possibilitaram a geração de indicadores relevantes, os quais puderam auxiliar no
entendimento da dinâmica da produção científica dos docentes, permitindo uma
leitura bastante aproximada da realidade.
De maneira geral, apenas 7 professores produzem com uma certa frequência.
Pelos dados obtidos, o interesse maior foi para trabalhos apresentados em anais de
congresso.
Com tudo isso, conclui-se que pode haver fortes indícios de desestímulo
profissional como a deficiência dos recursos materiais e condições gerais de
trabalho, ou, e o que é mais desanimador, a possibilidade de haver acomodação.
Tem que haver uma real necessidade de se estimular a produção científica entre os
docentes. Alves (1987), afirma que:
A publicação, suporte básico do processo de comunicação da
produção científica e cultural, transforma-se em força motriz, na
medida em que é recuperada e divulgada, impulsionando o
desenvolvimento intelectual e realimentando o ciclo de geração de
conhecimento. (ALVES, 1987, p. 149, apud OHIRA, 1998, p.1)

REFERÊNCIAS

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A produtividade científica do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG): um estudo bibliométrico a partir do currículo Lattes</text>
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              <text>Maria de Fátima Lopes Gomes</text>
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              <text>João de Melo Maricato</text>
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              <text>Este estudo tem como objetivo analisar a produção científica dos docentes do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no período de 2006 a 2012. O método utilizado foi o estudo bibliométrico, visando compreender a produtividade dos docentes ao longo do período. Os materiais colhidos para análise foram artigos, livros e capítulos de livros publicados, trabalhos apresentados em anais de congresso e apresentações de trabalho. A busca foi realizada por meio das informações disponíveis nos currículos Lattes dos professores/pesquisadores. Os dados coletados foram inseridos numa planilha do software Excel, viabilizando a construção do banco de dados para subsidiar análise dos gráficos e tabelas. Com a análise dos dados, constatou-se que os professores/pesquisadores do curso de biblioteconomia têm divulgado os resultados de suas pesquisas principalmente em eventos científicos (35% do total de trabalhos). Constatou-se, também, conforme preconiza Lotka, que há certa concentração na produção científica em um número pequeno de autores. A publicação de artigos científicos publicados em periódicos foi de 16% do total da produção, sendo a opção por trabalhos realizados em colaboração a modalidade preferida (61%). O periódico Perspectivas em Ciência da Informação foi o preferido para a divulgação dos trabalhos dos professores/pesquisadores do curso. </text>
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