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                  <text>A formação do bibliotecário como agente social na construção de
uma identidade eco-cidadã.

Suzete Moeda Mattos (UNIRIO) - suzetemoeda@yahoo.com.br
Sandra Borges Badini Borges Badini (UFF) - sandrabadini@ig.com.br
Resumo:
No Brasil, a implementação de políticas sociais e ambientais é muito recente e ainda se
baseiam em paradigmas ultrapassados da cultura brasileira sobre o assunto. As Bibliotecas no
país têm lidado com a educação de modo independente às questões políticas, ideológicas,
sociais e ambientais, tão evidente em seus objetivos intrínsecos, priorizando questões
puramente técnicas. O presente estudo tem como objeto a formação do bibliotecário a partir
de seu papel pedagógico e de agente social e da consequente conscientização da sua atuação
nestas questões. Para tal, as diretrizes curriculares publicadas pelo MEC e as estruturas
curriculares dos Cursos de Biblioteconomia das Universidades Federais serão utilizadas como
fontes. O estudo será delimitado a partir dos anos de 1980 até os dias de hoje. A metodologia
utilizada será de análise de conteúdo seguida de uma pesquisa de campo junto aos alunos de
final de curso de duas universidades federais. Como método de análise será utilizado à lógica
dos conjuntos Fuzzy. As bases teóricas utilizadas foram os pensamentos de Paulo Freire,
Martin Bubber, Moacyr Gadotti, Hijuchi e Azevedo.
Palavras-chave: Formação profissional do bibliotecário. Educação ambiental.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis,
SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

A formação do bibliotecário como agente social na construção de uma
identidade eco-cidadã.
RESUMO:
No Brasil, a implementação de políticas sociais e ambientais é muito recente e
ainda se baseiam em paradigmas ultrapassados da cultura brasileira sobre o
assunto. As Bibliotecas no país têm lidado com a educação de modo independente
às questões políticas, ideológicas, sociais e ambientais, tão evidente em seus
objetivos intrínsecos, priorizando questões puramente técnicas. O presente estudo
tem como objeto a formação do bibliotecário a partir de seu papel pedagógico e de
agente social e da consequente conscientização da sua atuação nestas questões.
Para tal, as diretrizes curriculares publicadas pelo MEC e as estruturas curriculares
dos Cursos de Biblioteconomia das Universidades Federais serão utilizadas como
fontes. O estudo será delimitado a partir dos anos de 1980 até os dias de hoje. A
metodologia utilizada será de análise de conteúdo seguida de uma pesquisa de
campo junto aos alunos de final de curso de duas universidades federais. Como
método de análise será utilizado à lógica dos conjuntos Fuzzy. As bases teóricas
utilizadas foram os pensamentos de Paulo Freire, Martin Bubber, Moacyr Gadotti,
Hijuchi e Azevedo.
Palavras-chave: Formação profissional do bibliotecário. Educação ambiental.
Educação e Biblioteconomia.
Área Temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho é o resultado de uma pesquisa sobre Educação Ambiental,
em que se vai investigar, descrever e analisar os currículos de graduação em
Biblioteconomia em relação às práticas educativas em sustentabilidade ambiental.
Para efeito desta análise, além do exame minucioso das grades curriculares serão
tomados como referências alunos formando de duas escolas de Biblioteconomia e
Documentação em duas universidades federais brasileiras e especialistas da área.
As práticas educativas em relação à sustentabilidade nos cursos de
graduação da área não têm sido observadas com frequência. Contudo, o que se
verifica é que tais práticas podem ser alcançadas e de forma emergencial. Uma
revisão mais sistemática da literatura aponta a quase inexistência de trabalhos que
abordem o problema.
1

�Foi a partir de experiências em bibliotecas universitárias e de atividades
de sala de aula nos cursos de graduação em Biblioteconomia, há aproximadamente
25 anos, que se optou estudar este assunto, arriscando caminhos que pudessem
mudar esta realidade - os alunos dos cursos de graduação em Biblioteconomia não
estão sendo despertados para a Responsabilidade Social que a Biblioteca tem
como um espaço de formação de consciência cidadã e cuidados com o ambiente.
A dificuldade em representar idéias, pensamentos, necessidades e
desejos por meio da comunicação de problemas ambientais que assolam todo o
planeta, de forma coerente, harmoniosa e consistente, impossibilita a inserção
plena dos profissionais de biblioteconomia no mundo real como agentes de
formação e transformação social.
Identificar o que se passa no mundo acadêmico, procurar levantar as
possíveis causas do problema e propor caminhos para mudança de cultura
ambiental nos cursos de graduação em Biblioteconomia das universidades federais
brasileiras foi o que inspirou toda a trajetória deste estudo.
Segundo Higuchi e Azevedo (2004, passim):
“Os problemas ambientais vivenciados atualmente exigem que a
sociedade reveja e repensem as bases de sustentação do
planeta. Nesse contexto a educação ambiental se constitui um
elemento promotor de mudanças de comportamentos visando à
formação de uma nova cidadania ambiental. A educação
ambiental deve ser desenvolvida a partir de múltiplas
experiências teórico-metodológicas, em diversos níveis de
abrangência, que transcendam as fronteiras do interesse
individual superficial e atinjam o âmbito político coletivo.
Qualquer programa que insira no seu bojo a relação
pessoa/ambiente deve estar preocupado com os objetivos e
metas estabelecidas não perdendo de vista a pessoa inserida
num contexto social específico.”
Nota-se que essa situação não se restringe apenas ao Brasil, mas ocorre
também nos países de Primeiro Mundo, onde o acesso à educação ambiental é
rotineiro na política de educação. Lá, como aqui, as dificuldades existem.
O problema, considerado relevante, foi sendo definido passo a passo;
porém, sem dúvida, já existiam impressões de experiências passadas quando ele
aflorou pela primeira vez.

2

�Tem-se observado que o uso mais eficiente dos recursos informativos,
como a utilização de bibliotecas, como agente de transformação e consciência
cidadã cuja análise é imprescindível ao entendimento do problema, ocorre mesmo
de forma incipiente. Optou-se assim, analisar as diretrizes curriculares e o elenco
de disciplinas de duas escolas de Biblioteconomia de Universidades Federais do
Estado do Rio de janeiro além de levantar a postura adotada pelos alunos de final
de curso em relação à educação ambiental. Ambas as escolas são cuidadosas na
elaboração de seus projetos pedagógicos e na orientação acadêmica. Mesmo
assim, foi percebida e comprovada a ausência de preocupação em relação à
questão ambiental como prática acadêmica.
Este estudo tem como objetivo, portanto, apontar caminhos que levem a
um entendimento maior do problema e a um provável modelo de solução através
do desenvolvimento de uma metodologia apropriada que suporte a dimensão do
problema.
Como fundamentação teórica foram utilizadas as concepções básicas
sobre Educação pensadas por Paulo Freire, Moacyr Gadotti, Martin Buber, Higuchi
e Azevedo em busca de uma prática que instrumentalize gestores e professores a
atuarem no universo da sala de aula nos cursos de Biblioteconomia como agentes
de mudança, objetivando a Responsabilidade Social das bibliotecas através da
formação de profissionais éticos e responsáveis com o meio ambiente além do
histórico-político da formação das universidades brasileiras.
Como metodologia, optou-se pela análise de conteúdo e pesquisa de
campo, buscando levantar fatores/atributos que pudessem facilitar a compreensão
da questão. A partir daí, com o auxílio de uma base teórica capaz de suportar a
amplitude e dimensão do problema, serão desenvolvidas as atividades de coleta de
dados retrospectiva, por meio de análise de conteúdo dos currículos dos cursos de
Biblioteconomia além de uma pesquisa de campo junto aos alunos de graduação
em final de curso e professores.
Com os fatores levantados, será possível elaborar um instrumento capaz
de construir um modelo provável de solução, por meio de consultas a especialistas
ligados à questão formulada.
Em relação à coleta e análises dos dados serão utilizados, como base
teórica, os conceitos da teoria dos conjuntos Fuzzy, uma ferramenta capaz de
3

�capturar informações sujeitas a incertezas, levá-las para um formato numérico e
inferir sobre conclusões aproximadas que servem para a eficaz tomada de
decisões. Finalmente, o princípio de Pareto será usado para aperfeiçoar recursos
durante o planejamento da solução do problema.
Tal questão, segundo demonstra a experiência acadêmica, sugere uma
abordagem que envolva a interação professor/aluno não contemplado na literatura,
além da utilização da teoria dos conjuntos Fuzzy como ferramenta de análise.

2 QUADRO TEÓRICO

O compromisso da escola na formação do sujeito social tem ficado
comprometido quando o seu corpo docente não tem consciência de seu papel
social, político e pedagógico.
Martin Buber, por meio do método dialógico, propôs o estabelecimento de
princípios e ações que poderão contribuir para a formação e desempenho do
professor em sala de aula: “A comunidade não é, para Buber, apenas fundada na
instrumentalidade, interesses e poderes. Ela é o lugar do diálogo e dos encontros,
[...] como o horizonte maior de possibilidade de suas relações.” (BARTHOLO, p.8)
Para Buber, a relação pedagógica é dialógica. O educador é o “filtro” entre o mundo
e o educando; para ele quem ensina é o mundo.
Para a relação educador/educando, três elementos são fundamentais:
confiança, presença e amizade. A educação só se efetivará quando estiver em
relação com o mundo (quem ensina é o mundo). Na verdade o que importa não é
lidar com as diferentes visões de mundo, mas sim lidar com o mundo: relação
vivida x relação concebida. “A minha concepção de mundo pode me ajudar nisso,
se ela me ajudar a manter o meu amor com relação a este mundo tão desperto e
forte, de forma que eu não fique cansado de aprender aquilo que tem que ser
aprendido." (BUBER1 apud BARTHOLO, p.8).
Segundo o pensamento de Buber, a relação pedagógica só acontece
através da relação com o mundo (e não da concepção de mundo). É primordial em
Educação a fidelidade aos fatos, pois a infidelidade impede a visão das coisas. Não

1

BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Cortez e Moraes, 1977.

4

�se trata de se ter a verdade, mas sim de construir coisas a partir da verdade. Não
se dominam os fatos, vive-se.
O trabalho educativo reúne grupos diversos a serviço dos fatos, e esses
grupos se constituem numa grande comunidade, que se caracteriza não por reunir
idênticos, mas sim diferentes.
Entretanto, o trabalho educativo não é uma questão de tolerância, de
pseudocompreensão formal construída em base minimalista. Trata-se, sim, de
conhecer a relação verdadeira que o outro tem, de interação vivida. Não se trata de
apagar as diferenças, mas de um reconhecimento comunitário de realidade comum
e de responsabilidade.
Deste modo, a Pedagogia precisa oferecer a cada grupo aquilo de que
ele necessita para a sua concepção de mundo, e que ele não pode se dar, mas sim
receber do outro (do diverso, do diferente). Trata-se do saber vivido, vivenciado em
relação ao mundo e às outras pessoas.
O trabalho pedagógico ajuda a enraizar a concepção de mundo no
mundo, o que significa abrir o acesso ao mundo, e também conduzir à realidade, à
realização. O educador deve ser fiel aos fatos, independente de sua concepção de
mundo, de sua ideologia.
Buber, em “Eu e Tu”, fundamenta a relação humana a partir do diálogo.
A relação de alteridade “eu e tu”, assim como “eu e isso”, são dois modos de
existência pessoal nos quais o ser humano, ao longo de sua vida, tem a liberdade
e a responsabilidade para viver.
A práxis do professor é um fazer pedagógico, ele é um educador
responsável pela formação social e intelectual do sujeito. Sob este prisma, para
Buber o professor atua como um “intérprete” entre o mundo e o seu aluno. A função
de intérprete exige do professor um autoconhecimento e um conhecimento da
realidade do aluno, o que propicia uma maior habilidade para lidar com as
diferenças.
O reconhecimento da realidade, interesses e responsabilidades comuns
favorecem uma relação de diálogo, de encontro. O professor não deve impor suas
concepções, sua ideologia, muito pelo contrário, ele deve ser fiel aos fatos, não ver
seu semelhante como alguém que se modela, se manipula, mas sim como alguém
que tem vivências e experiências próprias. “[...] na medida em que não somos de
5

�forma alguma o outro, ou seja, não podemos estar no outro, dado que não
podemos vivenciar suas vivências, o outro é livre.” (BUBER2 apud MARLIN, 1980,
p. 116)
A Pedagogia tem tentado contribuir para a solução do problema do
respeito ao meio ambiente. Neste trabalho utilizou-se como base epistemológica
uma Pedagogia Libertadora, capaz de gerar no educando um senso de autonomia
e a capacidade de criação. Entendida desta maneira, a Educação deixa de ser
reprodução e obediência, para ser transformação e criação. E, para se conseguir
tudo isso, é necessário mudar, perturbar a ordem vigente: fazer progredir alguém
significa provocar mudanças. Paulo Freire chegou a pensar a Educação como um
ato de desobediência e de desordens. Desordens a uma ordem dada, uma préordem, e é por essa razão que a Educação perturba e incomoda.
É nessa dialética ordem/desordem que se opera o ato educativo, o
crescimento das pessoas. Os educadores falharam muitas vezes porque
confundiram educação com obediência. “Educar é fazer ato de sujeito, é
problematizar o mundo em que vivemos para superar suas contradições,
comprometer-se com esse mundo para recriá-lo constantemente. Não é consumir
idéias, nem obedecer.” (GADOTTI, 1994, p. 90).
Falar em Educação significa vivê-la, a começar pela própria formação
educacional do professor. Uma transmissão de conhecimentos apenas doada vira o
que Freire chama de “supermercado de idéias”. A pesquisa é essencial a todos os
docentes e alunos. A pesquisa aqui tem um sentido maior, de busca, de procura,
de constante inquietação e de dúvida. Um educador que transmite sempre o
mesmo conteúdo demonstra que parou de buscar novos conteúdos, aceitando
verdades prontas, adquiridas e pré-fabricadas. Portanto, é fundamental, no trabalho
pedagógico, a atenção para a pesquisa e para a autonomia do aluno. O que é
simplesmente doado não é devidamente incorporado; ao contrário, a conquista
individual, a descoberta do conhecimento, ela sim, pertence ao seu autor e nada e
nem ninguém conseguirá apagar de sua consciência. É preciso mudar a postura de
doação de saberes. É importante que o professor seja um educador e duvide de
sua prática, porque só a partir da dúvida redirecionará o seu olhar com vista à
mudança.
2

BUBER, Martin. La vie em dialogue. Paris: Edition Montaigne, [ca.1970].

6

�Apesar da história repressiva da educação brasileira, o homem por
natureza é o ser da busca de ser mais, e como pode auto-refletir pode descobrir-se
como inacabado, em constante busca. Sendo assim, fica clara a impossibilidade de
sua paralisação. Ele está sempre em movimento, relativizando o saber e a
ignorância.
A criação do homem advém exatamente da sua in-conclusão. A
Educação é mais autêntica, à medida que desenvolve o ímpeto da criação. Ela
deve ser desinibidora e não restritiva.
De maneira geral, a Educação ainda permanece vertical: o professor
ainda detém todo o saber e ensina a ignorantes; detém todo o acesso ao
conhecimento, e o educando fica no lugar de quem aguarda, pois quase sempre é
alijado do processo de busca; isto forma o que Freire (1981, p. 38) chama de
“consciência bancária”.
“O educando recebe, passivamente, os conhecimentos, formando
um depósito do educado. Educa-se para arquivar o que se
deposita. Mas o curioso é que o arquivado é o próprio homem,
que perde assim o seu poder de criar, se faz menos homem, é
uma peça. O destino do homem deve ser criar e transformar o
mundo, sendo o sujeito de sua ação. A consciência bancária
pensa que quanto mais se dá, mais se sabe, mas a experiência
revela que com este mesmo sistema só se formam indivíduos
medíocres, porque não há estímulo para a criação.” (ibid, p. 38).
É função do professor/educador a crítica da sua prática, da teoria que
preconiza essa prática, uma reciclando a outra num movimento contínuo. Seu
referencial teórico confronta-se com a capacidade do educando, que, na sua
elaboração, confronta a prática do educador. Segundo Gadotti (op cit, p. 80), “o
educando não é um ser sem teoria e o educador um ser teórico. Ambos são
intelectuais. Trazer para o educando a análise pronta,

acabada, constitui uma

verdadeira fraude. É necessário, para haver o ato educativo,

que o educando

tenha a visão global do processo, e que ela seja elaborada conjuntamente. O não
fazer simplesmente pelo outro e sim com o outro muda a relação pedagógica na
sala de aula.” Quanto a isso, Grogan proclama: “É dever de o professor tornar-se
inútil.” (1995, p. 15).
Tendo em vista as exigências do mundo atual, o aumento dos encargos
do professor, das bibliotecas, ou mesmo das universidades em geral, das quais se
espera que preencham todas as insuficiências da nossa sociedade [?], a dúvida
7

�pode ser mais benéfica ainda e libertadora, encaminhando as pessoas a
perseguirem o essencial para, a partir dele, priorizarem outros fatores. “A dúvida
orienta para onde está o importante, quem merece em primeiro lugar atenção,
disponibilidade e decisão: o que podemos negligenciar e inversamente onde não
podemos ceder.” (GADOTTI, op cit, p. 19).
Para que isso aconteça, é preciso que este profissional esteja consciente
da dinâmica relacional e que inclua a dúvida no seu fazer diário, possibilitando a
concretização da verdadeira mudança. Para o autor (ibid, p. 19), “[...] na dúvida o
homem tem a passagem para a consciência crítica ou simplesmente a consciência
[...]”.
Para finalizar, deseja-se para essas pessoas - professores e alunos - a
liberdade de ser, de romper com o estabelecido, de refletir e intervir, dentro do
possível, na realidade que os cerca. Com conhecimentos necessários, com
sensibilidade e vontade política, com elevado espírito educativo, com uma
formação que transcenda os limites da técnica incluindo uma formação, sobretudo
mais humana, acredita-se que os professores consigam ajudar os alunos a ser
donos de sua criação, ser sujeitos e não objetos no processo ensino-aprendizagem.
A solução dos problemas ambientais que assolam o nosso planeta deixa de ser
meramente técnica e normativa e passa a ser uma atividade essencialmente de
criação,de prazer e responsabilidade.

3 METODOLOGIA
No procedimento

metodológico do presente estudo, pretende-se

identificar possíveis omissões na grade curricular de disciplinas que não
contemplem conteúdos sociais, humanistas e pedagógicos, especialmente,
abordagens sobre desenvolvimento sustentável, nos Cursos de Biblioteconomia
selecionados, colaborando para o agravamento da falta de consciência ambiental
a partir de experiências vividas com alunos de graduação de duas universidades
brasileiras.
Tentando apreender a realidade em foco, será utilizado o método da
pesquisa de campo, por ser o mais adequado à natureza do estudo. No primeiro
momento, o que se tem são indagações, pontos de partida e alguma teoria.
Com as observações antecedentes registradas em fichas de anotações
8

�e uma base teórica multidisciplinar, poderão ser levantados os possíveis fatores,
causas do problema. Com este levantamento, será possível elaborar um
questionário - instrumento de coleta de dados - dirigido aos alunos de final de
curso.

Logo após outro questionário será elaborado e

especialistas de atividades profissionais

endereçado aos

diversas, visando modelar, através de

suas respostas, o grau de importância dos fatores identificados em relação ao
problema, utilizando os conceitos da teoria dos conjuntos Fuzzy. Todos deverão
atuar ou já atuaram profissionalmente em universidades. A escolha dos
especialistas deverá ser pelo envolvimento que todos devam ter, de alguma forma,
com a questão formulada por este estudo.
Quanto ao registro dos dados, tomando por base os fatores significativos,
deverá ser descrito, de forma cursiva, as considerações de cada especialista, além
dos dados quantitativos.
3.1 Sujeito
Para fim de amostragem, serão selecionados aleatoriamente 200 alunos
de graduação de duas universidades federais em final de curso de Biblioteconomia.
3.2 Instrumentos
Como instrumentos da pesquisa serão utilizados fichas de anotações; e
um questionário de entrevistas aos alunos e aos especialistas onde constará o
levantamento dos fatores (variáveis linguísticas) levantados anteriormente,
endereçado aos especialistas.
3.3 Procedimentos
Serão desenvolvidos no estudo os seguintes procedimentos:
1 passo: Revisão da literatura;
2 passo: Seleção dos currículos de duas escolas de Biblioteconomias e análise de
seus conteúdos em relação ao problema;
3º Passo: Seleção dos alunos de turmas de final de curso de graduação em
Biblioteconomia das duas universidades federais selecionadas, ambas
localizadas no Estado do Rio de Janeiro e o levantamento da situação
em que esses alunos se encontram em relação ao problema;

9

�5 passo: Elaboração do instrumento de coleta de dados endereçados aos
especialistas;
6 passo: Coleta dos dados;
7º passo: Análise dos dados.
Quanto à elaboração do instrumento de coleta de dados endereçados
aos especialistas e à metodologia de análise dos dados coletados, optou-se pela
teoria dos conjuntos Fuzzy e pelo princípio de Pareto.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É importante lembrar, contudo, que, por sua própria natureza, o trabalho
científico está sempre sujeito a uma revisão, dependendo do lugar em que ele se
inscreve quem o escreve e quem o interpreta.
Em primeiro lugar, a partir da experiência com trabalho de referência nas
bibliotecas universitárias durante 25 anos e de orientação de alunos em cursos de
biblioteconomia em duas universidades do Estado do Rio de Janeiro, pôde-se
perceber a falta de orientação dos futuros profissionais de biblioteconomia em
relação à questão ambiental que assola o planeta.
Em segundo lugar, a partir de uma revisão da literatura e de uma
metodologia capaz de dar suporte a pesquisa visando identificar, levantar e sugerir a
inclusão de práticas pedagógicas necessárias à formação acadêmica dessas
pessoas, possível identificarem algumas causas do problema.
De uma forma empírica pode-se arriscar que práticas pedagógicas não
têm sido

priorizadas até os dias de hoje nos cursos de graduação em

Biblioteconomia das universidades brasileiras.
A partir da análise de conteúdo e de observação direta do fenômeno
associados à metodologia dos conjuntos Fuzzy este estudo pretende levantar e
responder possíveis causas do problema ( variáveis linguísticas).
A partir daí se poderá construir um instrumento, dirigido aos especialistas,
com o qual será possível identificar e mensurar os aspectos críticos desta questão.
As análises permitirão concluir quais aspectos estarão contribuindo sobremaneira
para o acirramento do problema.
10

�Pode-se arriscar dizer que os investimentos que os governantes vêm
fazendo na área de Educação Ambiental, nas três esferas (Federal, Estadual e
Municipal), são insuficientes. Os governos, em sua maioria, não veem a Educação
Ambiental como algo que realmente mereça atenção. Isso tem se verificado, há
algum tempo, nos orçamentos públicos destinados à Educação em geral. Uma das
consequências dessa realidade foi

o desinteresse dos jovens pela carreira do

magistério; as chamadas licenciaturas ficaram esvaziadas, criando, assim, muita
dificuldade para a rede escolar compor seus quadros funcionais nos dias de hoje.
Nota-se que, no passado recente, o professor de escola pública era prestigiado,
porque a carreira docente era socialmente valorizada e bem remunerada.
Atualmente nossos jovens não a veem mais assim,

desistindo de seguir o

magistério do ensino fundamental e médio como atividade profissional porque os
salários dos professores foram aviltados e a carreira não oferece nenhuma
segurança, inclusive do ponto de vista físico.
A questão que envolve a atividade docente, incluindo suas condições de
trabalho e formação, deve ser considerada como o ponto crucial a ser atacado na
solução do problema. Portanto, é fundamental que se intervenha na formação
profissional e nas condições de trabalho dos professores, rumo a uma mudança.
Definitivamente, a Educação brasileira precisa ser revista. A grande oportunidade é
esta, quando se discute, no âmbito da esfera Federal, a Reforma do Ensino
Superior.
Pensar por pensar a Educação no Brasil não basta. Todos sabem o que
falta: é fazer acontecer. Os educadores, autores ilustres como Paulo Freire, Moacyr
Gadotti, Florestan Fernandes e Anísio Teixeira, já apontaram o caminho, agora só
falta vontade política, um projeto consistente, em que todos os envolvidos no
processo acreditem em resultados; falta administrar estrategicamente, traçando
cenários, sem perder de vista uma ação participativa dos governantes. Mas, para
isso acontecer, é preciso que todos tenham um único objetivo, o de fazer acontecer
pequenas mudanças de cada vez, rumo a uma Educação mais efetiva, na qual não
se precisem buscar artifícios para fazer com que as minorias deste país tenham
acesso às universidades, por não disporem de uma Educação pública básica com
qualidade. É preciso resgatar o elo perdido da Educação fundamental brasileira e
parar de sucatear as universidades públicas, ainda com qualidade, graças a pessoas
11

�abnegadas, como por exemplo, os professores universitários. É possível sentir que
os governantes estão percorrendo caminhos sinuosos e tortuosos. Criar artifícios
disfuncionais ao acesso às universidades públicas, pelo simples fato de a Educação
fundamental agonizar, não resolve o problema da Educação e da discriminação, mas
geram outros. Deve-se encarar esse desafio, o de resgatar a Educação fundamental
digna para todos. E, a Educação Ambiental definitivamente deve estar inserida nos
currículos dos cursos em todos os níveis de escolaridades deste país. É possível,
basta querer e fazer acontecer.
Outra questão que merece destaque é a crise de autoridade que permeia
algumas instituições brasileiras. Se a escola, bem como os seus dirigentes, não
representam mais modelos a serem seguidos, como é que o aluno de hoje poderá
construir sua identidade e respeitar o meio ambiente a partir de uma realidade que
não é respeitada pelos seus dirigentes.
Com tudo isso se acredita que milagres aconteçam. O que precisa ser
implementado nas escolas é a sistematização de práticas pedagógicas que
favoreçam o desenvolvimento de uma consciência eco-cidadã.
Há a necessidade e a importância de incluirmos práticas pedagógicas
evidenciando o controle dos recursos naturais nas atividades docentes em todos os
níveis de atuação,

e que priorizem as experiências do alunado visando o

desenvolvimento de suas habilidades e competências para a preservação
promovendo o desenvolvimento sustentável.
Além de a questão política

ser muito importante para a solução do

problema, outros fatores irão ser evidenciados. Acredita-se que a escolha do método
de análise dos conjuntos Fuzzy poderá ajudar responder essa questão.
Pode-se já concluir que o desempenho do professor universitário está
relacionado com uma formação pouco humanista, incapaz de instrumentalizar o
seu alunado. A busca de teorias que possibilitem a compreensão das relações
sociais com o meio ambiente deve constar na formação do professor.
Essas são as considerações finais a que se pode chegar até o momento.
Na verdade, não se podem dar respostas definitivas, visto que o estudo ainda está
por ser concluído.

Apenas pode-se dizer que o alunado não deve ser um mero

espectador do processo, mas, um partícipe de situações práticas, discursivas, que
12

�possibilitem a sua relação com o mundo. Para que essa relação seja estabelecida,
é necessário que o professor, por sua vez desenvolva uma escuta capaz de colocálo no lugar de sujeito.
Cabe ao professor tornar-se companheiro, sem que com isso interrompa
o processo de criação e conscientização de seu alunado. Mas, para isso, ele
precisa estar preparado e fazer seu trabalho de forma competente. É necessário
resgatar o prestígio da docência, a começar pelo ensino fundamental e médio. Uma
Escola não se constrói com mesas e cadeiras se constroem com professores e
alunos, em interação.
Em face de toda essa problemática e no intuito de oferecer subsídios à
reflexão e possibilitar, mais adiante, uma provável intervenção na práxis do
professor, sugere-se que o currículo dos cursos de licenciatura seja composto não
apenas pelas disciplinas pedagógicas tradicionais, mas também por outras
disciplinas, que possam acrescentar uma visão da necessidade de práticas
sistematizadas sobre a questão da preservação do meio ambiente.
5 REFERÊNCIAS
BARTHOLO, Roberto. O diálogo do céu com a terra; Martin Buber, presença e
palavra. s.n.t. 12f. (Palestra do ciclo “Grandes Pensadores Judeus”, promovido pelo
museu Judaico e realizado na UERJ em 18.05.1994).
BUBER, Martin. Eu e tu. São Paulo: Cortez e Moraes, 1977.
DUBOIS, D., PRADE, H., Operation on fuzzy numbers, International Journal of
Systems Science, v. 9, pp. 613-626, 1978.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
GADOTTI, Moacyr. Educação e poder: introdução à pedagogia do conflito. 5. ed.
São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1984.
HIGUCHI, M. I. G. ; AZEVEDO, G. C. de. Educação como processo na construção
da cidadania ambiental. Revista brasileira de educação ambiental, Brasília, DF, v.
1, n. 0, p. 63-70, nov., 2004. (Rede brasileira de educação ambiental)
MALIN, Betty. A questão da percepção do “outro” à luz da fenomenologia de
Edmund Husserl. 1980. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Universidade Federal
do Rio de Janeiro, 1980.
PARETO, Vilfredo, 1848-1923. Sociological writings. Totowa, N.J.: Rowman and
Littlefield, 1966.
PEDRYCZ, W., GOMIDE, F., An Introduction to Fuzzy Sets. Analysis and Design,
London, England, 1998.
ROSS, T.J. Fuzzy Logic with Engineering Applications. New York Cox L and Morris
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RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São
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13

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A formação do bibliotecário como agente social na construção de uma identidade eco-cidadã.</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>No Brasil, a implementação de políticas sociais e ambientais é muito recente e ainda se baseiam em paradigmas ultrapassados da cultura brasileira sobre o assunto.  As Bibliotecas no país têm lidado com a educação de modo independente às questões políticas, ideológicas, sociais e ambientais, tão evidente em seus objetivos intrínsecos, priorizando questões puramente técnicas. O presente estudo tem como objeto a formação do bibliotecário a partir de seu papel pedagógico e de agente social e da  consequente conscientização da sua atuação nestas questões. Para tal, as diretrizes curriculares publicadas pelo MEC e as estruturas curriculares dos Cursos de Biblioteconomia das Universidades Federais serão utilizadas como fontes. O estudo será delimitado a partir dos anos de 1980 até os dias de hoje. A metodologia utilizada será de análise de conteúdo seguida de uma pesquisa de campo junto aos alunos de final de curso de duas universidades federais.  Como método de análise será utilizado à lógica dos conjuntos Fuzzy. As bases teóricas utilizadas foram os pensamentos de Paulo Freire, Martin Bubber, Moacyr Gadotti, Hijuchi e Azevedo.</text>
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