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                  <text>A competência em informação como diferencial competitivo para
os profissionais de informação no contexto da sociedade
informacional

Clemilton Luís Bassetto (FIB) - profbassetto@gmail.com
Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP) - rbelluzzo@gmail.com
Resumo:
Busca-se oferecer subsídios baseados em pesquisa teórica e exploratória contextualizando a
sociedade contemporânea e seus impactos nas organizações e, por consequência, em seus
colaboradores. Abordagens são apresentadas com o objetivo de oferecer contribuição ao
profissional da informação e seu posicionamento perante os acontecimentos inerentes ao seu
contexto social incorporado ao exercício de atividade produtiva. Ressalta-se a necessidade de
aquisição e/ou desenvolvimento de habilidades no acesso e uso da informação considerando o
contexto da sociedade contemporânea e sua inter-relação com as organizações em rede.
Palavras-chave: Competência em Informação. Construção de Conhecimento. Redes de
Conhecimento.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

A competência em informação como diferencial competitivo para os
profissionais de informação no contexto da sociedade informacional

Resumo:
Busca-se oferecer subsídios baseados em pesquisa teórica e exploratória
contextualizando a sociedade contemporânea e seus impactos nas organizações e,
por consequência, em seus colaboradores. Abordagens são apresentadas com o
objetivo de oferecer contribuição ao profissional da informação e seu
posicionamento perante os acontecimentos inerentes ao seu contexto social
incorporado ao exercício de atividade produtiva. Ressalta-se a necessidade de
aquisição e/ou desenvolvimento de habilidades no acesso e uso da informação
considerando o contexto da sociedade contemporânea e sua inter-relação com as
organizações em rede.
Palavras-chave: Competência em Informação. Construção de Conhecimento.
Redes de Conhecimento.
Área Temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação.

1. INTRODUÇÃO
A

sociedade

contemporânea

tem

evidenciado

uma

sucessão

de

transformações acarretadas pelas inovações tecnológicas advindas após a Década
de 90, com a explosão da Internet e o consequente aumento do fluxo de
informações. Essas mudanças provocaram impactos na forma de gestão das
organizações e as obriga a gerenciar não somente os seus bens tangíveis, mas
também bens intangíveis, como o conhecimento. Além disso, com a mesma
intensidade, as relações entre clientes, fornecedores e colaboradores estão cada
vez mais exigentes e as organizações sentem a necessidade de intensificar a
atenção constante na busca e definição de técnicas e métodos eficientes de gestão
para se manterem competitivas no mercado em que atuam. Nesse cenário, as
tecnologias de informação aliadas às ferramentas de comunicação permitiram,
segundo Castells (2005), a integração do mundo em redes globais através da
aplicação e

utilização

de

recursos

tecnológicos

e

conhecimento

para a

transformação social e constituição da Sociedade da Informação. O modelo de
sociedade defendido pelo autor reflete a integração de ações apoiadas pelas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) e favorecidas pela constituição de
redes de conhecimento que potencializam e aumentam o poder de reação em

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cadeia no contexto da economia informacional. Do mesmo modo, desenvolvem-se, e
com cada vez mais significância, as redes organizacionais, que permitem a troca e
compartilhamento de informação e conhecimento dentro das organizações através
das relações formais e informais existentes entre os colaboradores.
De acordo com Marteleto (2010) informação, conhecimento e redes
organizacionais são conceitos transversais presentes em diferentes domínios da
sociedade atual, envolvendo as mídias e os campos sociais na ambiência das
comunidades profissionais. Para essa autora, o intercâmbio, o fluxo, o uso e a
apropriação de informações dependem, por sua vez, da capacidade de pessoas,
grupos e organizações de se associarem para o aprendizado, o compartilhamento, a
mobilização e a ação coletiva voltada para a inovação e o desenvolvimento. Assim, o
estímulo à colaboração mútua entre os atores da organização através da análise das
redes organizacionais, de acordo com Población, Mugnaini e Ramos (2009),
representam as redes sociais organizadas em instituições ou organizações com
objetivos comuns, ou seja, visam ao desenvolvimento de ações de troca ou ao
compartilhamento de informações em plataformas digitais interativas, envolvendo a
utilização das TIC para conquista de melhores resultados em projetos específicos
dentro da organização.
Essa é uma nova estrutura que se mostra como alternativa interessante
nesse contexto, destacando-se a questão dos novos requisitos de qualificação e
competência de acesso e uso da informação de forma inteligente para a construção
do conhecimento individual e corporativo. Nessa nova ambiência organizacional,
portanto, evidencia-se a importância da competência em informação, área
considerada de grande relevância no cenário internacional e que no Brasil ainda
carece de estudos e pesquisas mais aprofundados no âmbito empresarial para a
formação de uma base teórica.
O propósito deste artigo é oferecer um recorte do estudo realizado na
dissertação de Mestrado em Ciência da Informação (UNESP-Marília) e propor a
discussão de assunto que faz parte de um cotidiano que merece atenção. Busca-se
levar à reflexão sobre o desenvolvimento profissional e de competências voltados
para a pesquisa e novas condutas e técnicas aplicadas à gestão empresarial,
facilitando e oferecendo apoio à estruturação de informações. Em decorrência,
salienta-se a necessidade premente de desenvolver habilidades de acesso e uso da
informação para a construção do conhecimento corporativo nas organizações,

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porém, de forma consistente e estruturada, necessária e compatível com as
estruturas das redes organizacionais, apoiando a sua análise e estudo.

2. REFERÊNCIAL TEÓRICO
A sociedade contemporânea apresenta-se com características de natureza
vária. Destaca-se a existência da globalização, a partir do processo de
internacionalização da economia mundial, sendo que a Década de 80 trouxe consigo
uma nova história, com a revolução da informática e das comunicações, o que
possibilitou um redimensionamento das noções de espaço-tempo mediante o uso
das tecnologias de informação e comunicação, gerando a capacidade de articulação
entre o global e o local e de funcionamento em tempo real e em escala planetária.
Embora um panorama de mudanças tenha existido sempre, atualmente esse
contexto é muito mais tangível, qualquer que seja o ângulo sob o qual se
concentrem a percepção e análise tanto de um simples observador quanto de um
atento pesquisador. As mudanças ocorrem no plano das ideias, de sua manifestação
e do comportamento individual e coletivo, fugindo dos parâmetros que nortearam a
sociedade, ao sucederem-se as gerações.
Essa conjuntura atual tem influência direta e indireta na economia mundial, o
que tem levado autores como Castells (2005) a afirmar que a economia, na segunda
metade do Século XX, passou de um modelo de produção industrial para outro
baseado na informação, trazendo consigo diversas implicações sociais, políticas,
culturais e educacionais. Assim, na sociedade atual, em que o mundo perde
fronteiras sob o ponto de vista macroeconômico, emerge uma preocupação com a
questão da informação e sua circulação de forma livre e dinâmica. De maneira geral,
esta nova realidade é representada por amplas e efetivas interações de informações
entre os diversos países, setores de atuação e empresas. Estar atento a este
processo

seguramente

consolidará

vantagem

competitiva

interessante

às

organizações que se inserem nesse cenário social.
Mas, o que se entende por organizações que se acham inseridas nesse
contexto social de mudanças, em que a produtividade e o crescimento econômico
passaram a depender mais da qualidade da ciência, da tecnologia, da informação e
da gestão, do que do aumento quantitativo de capital e trabalho como ocorria em
décadas anteriores? Para elucidação dessa questão, recorre-se à contextualização

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na qual Child (2012, p.9) amplia e atualiza o conceito de organização, afirmando
que: a organização visa oferecer um conjunto de estruturas, a partir das quais os
processos necessários para o desenvolvimento efetivo de uma atividade coletiva
podem ser realizados [...] no futuro, teremos que nos basear menos na
“organização” como uma referência, e mais no “ato de organizar” como um
processo. E, continua mencionando que: [...] as estruturas se concentram em regras
e papéis formais articulando conhecimento adquirido no passado, enquanto que hoje
precisamos de processos inovadores e adaptáveis, baseados em comunicação
intensa e no compartilhamento do conhecimento entre as pessoas.
Nesse contexto, em meio a essa economia informacional, certamente a
informação é um elemento natural nas organizações contemporâneas. Segundo
Valentim (2010, p.13) “[...] as organizações possuem distintos ambientes
organizacionais, constituídos por fluxos de informação que perpassam todas as
atividades, tarefas, tomada de decisão, ou seja, a ação do indivíduo no contexto do
trabalho”. Para essa autora, “[...] os fluxos de informação ou fluxos informacionais se
constituem em elemento fundamental dos ambientes informacionais, de tal forma
que não há ambiente informacional sem haver fluxos de informação e vice-versa”
(p.13).
Evidencia-se, portanto, a necessidade de compreensão dos fatores
integrantes das organizações baseadas em informação e conhecimento onde
Miranda (1993, p. 229), afirma que as organizações estão racionalizando suas
estruturas e simplificando organogramas, tendo em vista que “[...] hoje, o trabalho é
feito por especialistas, que são responsáveis únicos pelos trabalhos que executam e
que, trabalhando em equipe, precisam desenvolver normas e procedimentos comuns
para os diversos departamentos, em sincronia”. Esse novo modelo de organização
baseada em informação e conhecimento, apresentado por Miranda (1993),
demonstra o novo perfil do profissional. Menciona que ele deve apenas conhecer as
estratégias comuns para execução do trabalho e apresentar maior responsabilidade
individual e autodisciplina nas relações interpessoais e hierárquicas. Assim, esse
modelo de organização deve ser estruturado em torno de metas e objetivos claros
para que cada colaborador possa exercer autocontrole e autocrítica, fazendo com
que entendam quais são as necessidades de informação para melhor desempenho
de suas funções e ampliação dos seus próprios conhecimentos. Ele deve ser capaz
de identificar suas necessidades de informação para: a) saber o que está fazendo; b)

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capacitar-se para decidir sobre o que deveria estar fazendo e c) avaliar o que ele
vem fazendo até então. Tal procedimento faz com que a informação esteja a serviço
dos resultados e não dos procedimentos, sendo deve ser responsável pela
informação que administra. Diante desse desafio, Miranda (1993, p. 230) afirma
também que “[...] as organizações só aprendem se as pessoas aprendem. Mas,
desenvolvimento individual não é garantia do desenvolvimento institucional, a menos
que existam condições para um aprendizado coletivo”.
Segundo Child (2012), o novo modelo organizacional prioriza a atuação
coletiva que depende da aceitação de todos de uma cultura comum da organização
que “[...] é administrada e não imposta pelos níveis superiores” (p.65) e visa
corresponder às necessidades organizacionais de adaptação e inovação. Desse
modo, em síntese, é possível perceber que a nova abordagem tende a se
apresentar e estruturar como organizações virtuais ou organizações em rede.
2.1 A organização em rede
É latente o esforço para compreender todo o espectro que envolve a
sociedade contemporânea, inserida em contexto de economia informacional. Assim,
foi proposto por Castells (2005) que as redes se constituem em um novo modus
operandi da sociedade e que a difusão lógica de redes modifica de forma
substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência,
poder e cultura. Portanto, as reflexões aqui realizadas indicam que a nova economia
está organizada em torno de redes globais de capital, gerenciamento e informação,
cujo acesso a know-how tecnológico é vital para a produtividade e competitividade.
Diante do contexto da informação no ambiente organizacional emerge o termo
redes organizacionais que, segundo os autores Población, Mugnaini e Ramos
(2009), representam as redes sociais organizadas em instituições ou organizações
com objetivos comuns, ou seja, visam ao desenvolvimento de ações de troca ou ao
compartilhamento de informações em plataformas digitais interativas, envolvendo a
utilização das TIC para conquista de melhores resultados em projetos específicos
dentro da organização. Em decorrência, as organizações devem reposicionar-se
para manter e conquistar novos clientes, que não necessariamente são presenciais.
A evolução das relações de negócio apresenta-se cada vez mais de forma virtual do
que presencial. Os clientes estão mais bem informados, autônomos e, dessa forma,

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mais exigentes. Daí a importância das chamadas redes sociais organizacionais,
que, segundo Sveiby (1998), são as relações firmadas pelos indivíduos dentro da
organização.

Ressalta-se

que,

atualmente,

novos

elementos

estão

sendo

incorporados a esse conceito: a Internet e a disseminação da informação (UGARTE,
2009), criando-se comunidades essencialmente virtuais. Assim, este autor ainda
considera imprescindível que essa nova ambiência nas organizações seja capaz de
gerar a interação e a colaboração de forma mais espontânea, de modo que o
intercâmbio de informações flua naturalmente para a construção do conhecimento.
Portanto, menciona que a forma como esse produto final de relações é administrado
é que vai determinar o sucesso do gerenciamento do conhecimento organizacional.
Diante desse esforço organizacional, é importante que os usuários dessas
informações tenham capacidades específicas para aproveitar todas as facilidades
proporcionadas pela imensa quantidade de informações recebidas diariamente,
como defende Morin (1999, p.68), quando afirma que: “aprender não é somente
adquirir um savor-faire (saber fazer), mas também saber como fazer para adquirir
saber; pode ser a aquisição de informações [...]”. No entanto, tradicionalmente, a
disponibilização da informação ainda está de certa forma distanciada da nova
realidade social vivenciada, considerando-se que existem barreiras culturais e
socioeconômicas, que precisam ser gerenciadas até mesmo em termos de políticas
públicas para se criar facilidades de acesso e uso da informação, em especial no
contexto nacional. Vale lembrar a existência do Decreto 7.724, de 16 de maio de
2012, da Presidência da República, que regulamenta a Lei 12.527, de 18 de
novembro de 2011, sobre os procedimentos para garantia de acesso à informação.
Aliando-se a essa situação, é importante salientar a importância não só da grande
quantidade de informações recebidas diariamente, sendo via e-mail, jornal impresso,
revistas, periódicos eletrônicos, como também a forma com que são absorvidas e o
impacto exercido em todos os campos da sociedade moderna. Esse é também outro
desafio induzido pela dinâmica imposta em decorrência do fluxo atual de
informações que circulam no ambiente organizacional. Isso porque provoca
indagações emergentes em relação aos mecanismos formais e informais de
localização, organização, validação e circulação da informação nas organizações.
Há a necessidade de se lançar mão de novos princípios de gerenciamento
para atender adequadamente aos objetivos dos usuários e melhorar in continuum a
relação entre cliente e fornecedor. Tal é o pensamento defendido por Choo (2006,

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p.70), quando afirma que “[...] o valor da informação reside no relacionamento que o
usuário constrói entre si mesmo e determinada informação. Assim, a informação só
é útil quando o usuário lhe infunde significado”. De qualquer forma, esse é o
ambiente em que as organizações estão inseridas e, nesse contexto, Castells (2005)
afirma que a relação entre produtividade, competitividade e a economia forjaram o
caminho para a definição da estrutura e a dinâmica de um novo modelo econômico:
a Economia Informacional, mencionando que é informacional por que a
produtividade e competitividade das unidades ou agentes nessa economia estão
dependendo de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente à
informação baseada em conhecimento, estando organizados em escala global
mediante rede de conexões. Todas as transformações ou tendências criam novos
desafios em quaisquer campos da atividade de negócios ou da ciência. Desse
modo, vale lembrar aqui as afirmações de Valentim (2007, p.9) sobre as
organizações e sua ambiência na atualidade: “vivenciam uma era político-econômica
extremamente competitiva, consequência da economia globalizada [...]

de

consumidores mais exigentes [...]”. Essa autora ainda menciona que é possível
encontrar menção para a importância da compreensão da organização como um
núcleo da sociedade, no sentido de que ela congrega pessoas, sustenta a
economia, gera empregos, profissionaliza e especializa a atuação dos indivíduos.
Isso permite que influencie a cultura, a educação e a própria sociedade. Além disso,
enfatiza que a informação e o conhecimento têm papel fundamental nos ambientes
corporativos, uma vez que todas as atividades desenvolvidas desde o planejamento
até a execução das ações planejadas, assim como as tomadas de decisão, são
apoiadas sempre em dados, informação e conhecimento. Assim, é necessário a
composição de um corpo de colaboradores dotados de capacidade para analisar
criticamente informações que possam contribuir para a construção do conhecimento
e que tenham uma flexibilidade para vislumbrar e discutir a multidiversidade
decorrente de ideias, experiências e habilidades desenvolvidas. Isso requer o
desenvolvimento de novas competências individuais e coletivas.
Por sua vez, entende-se ser necessário oferecer alinhamento de conceitos e
termos, sendo importante distinguir entre qualificação e competência para
construção de senso comum e, por isso, reporta-se à Zarifian (2003, p. 37), quando
menciona que “a qualificação é uma construção social cujo objeto é qualificar os
indivíduos assalariados, tanto do ponto de vista do modo de apreciação da relação,

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mantida no que se espera deles (seu “trabalho”), quanto do ponto de vista da
hierarquia na escala dos estatutos sociais e dos salários”. Enquanto que a “[...]
Competência é a faculdade de mobilizar redes de atores em volta das mesmas
situações, de compartilhar desafios, de assumir áreas de responsabilidade”
(ZARIFIAN, 2003, p.137).
Dessa forma, pode-se entender que competência é a condição de
responsabilidade assumida por um indivíduo ou grupo em determinada situação
profissional

e

que

atinge

resultados

esperados,

acatando

postura

de

responsabilidade e autonomia pela ação, avaliando situações, calculando e
assumindo riscos.
No tocante às organizações, a questão da competência tem sido mencionada
por diferentes autores. Dentre eles, destacam-se Quinn, Anderson e Filkestein
(2000), ao afirmarem que o verdadeiro profissional domina um agregado de
conhecimentos sistematizados em determinada disciplina, os quais devem ser
atualizados constantemente. Porém, esses autores também mencionam que a vasta
quantia de informações, conhecimentos e inovações produzidos de maneira cada
vez mais rápida, aliados ao ambiente global atual de incerteza e turbulências
diversas, podem dificultar, de alguma maneira, a atualização que sugerem,
necessitando um monitoramento sistemático e acompanhamento do conhecimento
que é produzido na organização, além de compreender e separar o conhecimento
existente do conhecimento necessário para a realização de suas tarefas e para a
melhoria dos resultados das organizações.
Não é difícil, portanto, a percepção de que a competência é algo que está
intimamente ligado ao conhecimento humano, à consequente experiência e as
relações adquiridas em um contexto social, sendo que todos esses elementos
convergem em ações desenvolvidas igualmente no ambiente das organizações. É
importante ressaltar que essas competências envolvem: acesso, uso, recuperação,
interpretação da informação e de conteúdos em plataformas digitais e em rede, com
o fim de controlar, antecipar problemas, bem como comunicar as necessidades
decorrentes, respondendo de forma eficiente a um ambiente em constante mutação.
Portanto, é necessário mais do que um conhecimento de base, sendo importantes
as técnicas para explorar, fazer conexões e dar utilidade prática à informação
veiculada na sociedade. Em decorrência, surge a necessidade do desenvolvimento
da competência em informação.

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2.2 Competência em Informação
Para os autores Belluzzo, Kobayashi e Feres (2004, p.87), competência em
informação é o “[...] conjunto de comportamentos, habilidades e ações que envolvem
o acesso e uso da informação de forma inteligente, tendo em vista a necessidade da
construção do conhecimento e a intervenção na realidade social”. Esse conceito
demonstra a complexidade do termo em referência à proposta de análise da
capacidade do indivíduo na formação do seu intelecto profissional e mostra a
relevância do pleno entendimento dos termos aqui apresentados, sendo adotado
como parâmetro norteador para este artigo.
De forma mais ampla, Belluzzo (2003) entende que a competência em
informação é uma área de estudos e de práticas que trata das habilidades para
reconhecer quando existe a necessidade de se buscar a informação, estar em
condições de identificá-la, localizá-la e utilizá-la efetivamente na produção do novo
conhecimento, integrando a compreensão e uso de tecnologias e a capacidade de
resolver problemas com responsabilidade, ética e legalidade. Tais habilidades
indicam a necessidade da existência de colaboradores nas organizações em rede
que estejam empenhados e busquem desenvolver as capacidades implícitas à sua
participação no processo de construção do conhecimento individual e corporativo.
O novo contexto informacional e tecnológico da sociedade contemporânea
apresenta mais complexidade e exige novas habilidades de acesso e uso da
informação, que para Barry (1997) podem ser divididas em estágios sequenciais de
formular e analisar a necessidade; identificar e avaliar as fontes; localizar recursos
individuais; examinar, selecionar e rejeitar fontes; pesquisar dados nas fontes,
registrar e armazenar informações; interpretar, analisar, sintetizar e avaliar a
informação recuperada; apresentar e comunicar o resultado do trabalho; avaliar
criticamente o que foi obtido.
No contexto organizacional, espera-se dos colaboradores, que sejam
competentes em informação, a fim de que as tarefas sejam executadas com altos
padrões de excelência e que os resultados superem as expectativas. Para tanto, há
que se criar condições favoráveis para que, entre os pares, possa existir uma cultura
do apoio, compartilhamento e suporte em atividades, tendo em vista a necessidade
do estímulo à socialização, como defende Rios (2001, p.33), ao afirmar que “[...] o
trabalho é, na verdade, a essência do homem. E a ideia do trabalho não se separa

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da ideia da sociedade, na medida em que é com os outros que o homem trabalha e
cria a cultura”. Portanto, ser competente em informação traduz mais do que
simplesmente reconhecer e saber aplicar conceitos e técnicas na organização e
utilização de fontes de informação. Representa a capacidade de flexibilidade e
adaptação frente às constantes e incessantes mudanças pelas quais passam a
sociedade, ainda mais se for analisado todo o potencial existente nas organizações
quando se deparam com a necessidade de diretrizes e política de compartilhamento
do conhecimento.
Nesse contexto apresentado, emerge a possibilidade do desenvolvimento de
competências e, em especial, da competência em informação para a potencialização
do conhecimento através da utilização do poder das redes sociais organizacionais,
que permitem a interação entre os colaboradores para troca de experiências e
compartilhamento do seu intelecto por meio da formação das comunidades em rede.
Segundo Cavalcanti; Nepomuceno (2007, p 46), “[...] comunidades em rede
são grupos de pessoas que acessam o mesmo ambiente virtual, que fornecem
informações de forma voluntária, permitindo assim gerar conhecimento coletivo”.
Para os autores, existem dois tipos de comunidades em rede: Articuladas – em que
há uma participação regular, voluntária, efetiva e consciente e Desarticuladas – em
que há uma participação irregular, involuntária, pouco efetiva e inconsciente.
Por outro lado, para os colaboradores é importante perceberem que devem
participar de algum tipo de comunidade como forma de “estar incluído” na realidade
do grupo ao qual pertence e absorver de forma mais amena as pressões exercidas
pelo meio em que se encontra. Além disso, tem importância que essa forma de
“estar incluído” está relacionada diretamente à competência em informação
desenvolvida.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Para o alcance dos objetivos deste trabalho, utilizou-se como percurso
metodológico a pesquisa de natureza teórica e exploratória, que se dedica segundo
Demo (2000, p.20) a “reconstruir teoria, conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, em
termos imediatos, aprimorar fundamentos teóricos”.

Além disso, desenvolveu-se

estudo de caso junto ao Escritório Regional do SEBRAE-SP, apoiado na técnica da
análise de conteúdo de Bardin (2010) para as análises dos resultados. Para tanto,

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foi efetuada uma entrevista estruturada com 23 colaboradores desse universo
organizacional (consultores e analistas), dadas as suas responsabilidades e sua
atuação no atendimento ao cliente. O propósito foi identificar o seu perfil e
comportamento em relação à busca e uso da informação para a construção do
conhecimento corporativo e sua aplicabilidade ao atendimento ao cliente, enquanto
área estratégica da organização em estudo.

4. RESULTADOS

Dentre os resultados deste estudo exploratório e de natureza teórica, oferecese como principal contribuição uma descrição entre os tipos de comunidade em rede
apresentados por Cavalcanti; Nepomuceno (2007) com as adaptações efetuadas em
articulação ao Modelo Circular de Pesquisa (LOERTSCHER, 2003) e apresentadas
na Figura 1.
Figura 1 - Usuário com uma comunidade em rede bem articulada
USUÁRIO COMPETENTE EM INFORMAÇÃO INSERIDO EM UMA COMUNIDADE DE REDE E BEM ARTICULADA
10-Velocidade de
mudanças, decorrendo a
capacidade de discernir
entre como se
desenvolvem as
atividades e como seria o
ideal, comparando o novo
valor agregado,
contradições e outras
características da
organiação

9-Ampliação da
capacidade de
coleta de dados,
mediante a definição
de fontes e de
estratégias de
busca adequada
às necessidades
de informação

8-Tempo escasso,
envolvendo a capacidade
de análise e síntese para
avaliar criticamente e
oferecer resposta ágil e
efetiva

1-Encontro regular com
grupo do mesmo
interesse/necessidades de
informação

COMUNIDADE
EM REDE

2-Necessidade de
informação/questões e
indagações

3-Filtragem do que é
relevante, buscando
e avaliando
criticamente a
informação e as
fontes

USUÁRIO
COMPETENTE EM
INFORMAÇÃO

7-Análise rápida
dos dados
coletados,
requerendo
resposta ágil e
conhecimento
construído para
a tomada de
decisões

5-Trabalho colaborativo a
distância, permitindo
compartilhar dados e
informações e
conhecimento
corporativo

6-Globalização-trabalhos
descentralizados,
necessitando buscar a
informação em diferentes
meios e fontes e exigindo
novas descobertas e
escolhas

Fonte: Adaptado de Cavalcante; Nepomuceno (2007).

4-Excesso de
informações, requerendo
síntese e conclusão
baseada no conhecimento

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Considerando os conceitos iniciais defendidos por Cavalcante e
Nepomuceno (2007), quando alguém participa de uma comunidade em rede bem
articulada, ações cotidianas na organização, tais como a escassez de tempo, o
excesso de informações, a exigência por realização de trabalhos descentralizados, a
contínua necessidade de especialização e a grande velocidade com que as
mudanças ocorrem, demandam ações e reações constantes e imediatas dos
colaboradores que, na comunidade em rede, podem ser “melhor digeridas” em
função da possibilidade de se realizar o trabalho colaborativo à distância, o que se
demonstra na Figura 1, em um amplo leque de ações em colaboração e
participativas (ciclo de 10 etapas). Assim, relações em grupo do mesmo interesse
amplia a capacidade de coleta de dados e aumenta o poder de filtrar o que relevante
para a rede e permite análise mais eficiente das informações coletadas. É importante
salientar a presença de cultura e clima favoráveis à construção do conhecimento
corporativo, trazendo inovação e efetividade para a organização e seu mercado. Em
outro extremo, a Figura 2 demonstra a fragilidade e as pressões que podem afetar
um colaborador que, mesmo competente em informação ou que esteja inserido em
um ambiente propício, mas que não atua com compartilhamento e não participa de
comunidade em rede, torna-se uma ilha de excelência, isolando-se do contexto
social das organizações que atuam em rede.
Figura 2 - Efeitos da inexistência de uma comunidade em rede
USUÁRIO COMPETENTE EM INFORMAÇÃO SEM COMUNIDADE EM REDE
5 -Velocidade de
mudanças,
decorrendo a
capacidade de
discernir entre como
se desenvolvem as
atividades e como
seria o ideal,
comparando o novo
valor agregado,
contradições e
outras
características da
organiação

4 -Tempo escasso,
envolvendo a capacidade de
análise e síntese para avaliar
criticamente e oferecer
resposta ágil e efetiva

1 Necessidade de
informação/questões
e indagações

USUÁRIO
COMPETENTE EM
INFORMAÇÃO

3 -Globalização-trabalhos
descentralizados, necessitando buscar a
informação em diferentes meios e fontes e
exigindo novas descobertas e escolhas

2 Excesso de
informações, requerendo
síntese e conclusão
baseada no
conhecimento

Fonte: Adaptado de Cavalcanti; Nepomuceno (2007).

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Os princípios defendidos por Cavalcanti; Nepomuceno (2007) e demonstrados
pela Figura 1, com as adaptações que foram possíveis serem efetuadas em
articulação com o Modelo Circular de Pesquisa (LOERTSCHER, 2003), pode-se
perceber que o ambiente organizacional em rede (Figura 1) propicia mais condições
de acesso e uso da informação e a construção do conhecimento corporativo com
base na cooperação e compartilhamento. Criam-se processos/atividades alternativos
de até 10 etapas, enquanto que o usuário competente em informação que não se
integra em redes organizacionais, a despeito da competência instalada, consegue
efetuar apenas um ciclo de 5 etapas nos processos/atividades (Figura 2). Além
disso, enfrenta, certamente, todas as pressões existentes na sociedade moderna,
que são impactadas diretamente sobre o usuário de forma incisiva e incessante,
fazendo com que ele trate e ofereça, de maneira solitária, as respostas necessárias
à sobrevivência neste ambiente competitivo e exigente. Isso pode trazer problemas
no seu desempenho organizacional, uma vez que os resultados dependem da
percepção, análise e construção de conhecimento a partir de um único modelo
mental do usuário em foco, podendo envolver unicamente suas crenças, valores,
pensamentos e sentimentos, até mesmo de forma inconsciente, e que ele assume
como sendo verdadeiros em suas respostas.
Com este modelo proposto não se pretende esgotar essa temática e sim,
apresentar um passo inicial para reflexão e a provável mobilização para se projetar
novos estudos e pesquisas com esse foco.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo fundamentou-se em revisão bibliográfica e documental para
análise seletiva do estado da arte sobre as organizações na sociedade
contemporânea, competência nas organizações e competência em informação. Além
disso, também permitiu a transposição e aplicação de princípios envolvendo
especialmente o tema - competência em informação para o acesso e uso de
informação e sua contribuição para a construção de conhecimento corporativo
envolvendo as redes de conhecimento. Vale lembrar que, em decorrência das
características marcantes de mudanças sociais em curso, há novas exigências de
competências para o cidadão e o trabalhador, destacando-se a Competência em
Informação, principalmente no que se refere às estruturas organizacionais em rede.

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Reconhece-se que há uma emergência de redes sociais e, em especial as redes
organizacionais, no contexto da sociedade contemporânea e, nesse contexto, a
formação das redes pode ser considerada uma realidade de importância a ser
estudada e ainda requer formação de base teórica no contexto da Ciência da
Informação no que tange às competências nas organizações, e, em especial, da
competência em informação, face ao cenário e espectro que caracterizam as
mudanças ágeis na sociedade contemporânea.
Considerando que a questão da competência em informação e o
conhecimento corporativo decorrente de redes organizacionais é uma área
emergente no Brasil, não será demais recomendar novos estudos e pesquisas que
possam contribuir com o aprofundamento e agregação de valor necessário à melhor
compreensão e aplicação dessas temáticas, sob a ótica da Ciência da Informação.

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A competência em informação como diferencial competitivo para os profissionais de informação no contexto da sociedade informacional</text>
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              <text>Clemilton Luís Bassetto</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Busca-se oferecer subsídios baseados em pesquisa teórica e exploratória contextualizando a sociedade contemporânea e seus impactos nas organizações e, por consequência, em seus colaboradores. Abordagens são apresentadas com o objetivo de oferecer contribuição ao profissional da informação e seu posicionamento perante os acontecimentos inerentes ao seu contexto social incorporado ao exercício de atividade produtiva. Ressalta-se a necessidade de aquisição e/ou desenvolvimento de habilidades no acesso e uso da informação considerando o contexto da sociedade contemporânea e sua inter-relação com as organizações em rede. </text>
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