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                  <text>A aprendizagem continuada de bibliotecários que atuam no estado
do Piauí: reflexões sobre um processo em construção

Francisca Das Chagas Viana (UESPI) - fcvianathe@hotmail.com
Franceli Mariano de Moura (UESPI) - francelimm@hotmail.com
Denizete Lima de Mesquita (SESC) - denilima@hotmail.com
Maria Auzenir dos Santos Sousa (FAEPI) - auzenirss@hotmail.com
Resumo:
Analisa o processo de aprendizagem continuada dos bibliotecários que atuam no Estado do
Piauí. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde a população pesquisada foi a de
bibliotecários que atuam no Estado e estão registrados no Conselho Regional de
Biblioteconomia – CRB 3.Foram enviados 92 questionários via correio eletrônico para
profissionais atuantes em 10 municípios piauienses, sendo devolvidos 22 questionários
respondidos. Os resultados revelaram que há mais profissionais trabalhando em bibliotecas
universitárias na capital, sendo alguns deles originados de outros estados, a explicação para
esse fato é a de que o início da graduação em biblioteconomia no Piauí datar de 2003. Sobre
os cursos realizados por eles há presença das modalidades de Educação a distância (EAD) e
presencial. Entre os benefícios da formação continuada os ganhos profissionais foram citados
em maior escala: melhor desempenho profissional e inserção e permanência no mercado de
trabalho, sendo poucas as falas que denotaram os ganhos pessoais. Os fatores que influenciam
na efetivação desse processo são para os pesquisados: inexistência de cursos de
pós-graduação, cursos e treinamentos, custos dos cursos em EAD e dificuldades financeiras. A
maioria considera que a responsabilidade pela formação continuada deve ser compartilhada.
Entende-se a partir desse estudo que o processo de aprendizagem está ocorrendo ainda de
forma tímida dadas algumas dificuldades, que podem ser sanadas com parcerias entre
profissionais, Associação dos Bibliotecários do Piauí - ABEPI e os Conselhos no fomento de
cursos diversos e eventos científicos na modalidades presencial e a distância em áreas de
interesse desse público.
Palavras-chave: Aprendizagem continuada. Formação continuada. Bibliotecários – Piauí.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

A aprendizagem continuada de bibliotecários que atuam no estado do Piauí:
reflexões sobre um processo em construção
Resumo
Analisa o processo de aprendizagem continuada dos bibliotecários que atuam no
Estado do Piauí. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde a população
pesquisada foi a de bibliotecários que atuam no Estado e estão registrados no
Conselho Regional de Biblioteconomia – CRB 3. Foram enviados 92 questionários
via correio eletrônico para profissionais atuantes em 10 municípios piauienses,
sendo devolvidos 22 questionários respondidos. Os resultados revelaram que há
mais profissionais trabalhando em bibliotecas universitárias na capital, sendo alguns
deles originados de outros estados, a explicação para esse fato é a de que o início
da graduação em biblioteconomia no Piauí datar de 2003. Sobre os cursos
realizados por eles há presença das modalidades de Educação a distância (EAD) e
presencial. Entre os benefícios da formação continuada os ganhos profissionais
foram citados em maior escala: melhor desempenho profissional e inserção e
permanência no mercado de trabalho, sendo poucas as falas que denotaram os
ganhos pessoais. Os fatores que influenciam na efetivação desse processo são para
os pesquisados: inexistência de cursos de pós-graduação, cursos e treinamentos,
custos dos cursos em EAD e dificuldades financeiras. A maioria considera que a
responsabilidade pela formação continuada deve ser compartilhada. Entende-se a
partir desse estudo que o processo de aprendizagem está ocorrendo ainda de forma
tímida dadas algumas dificuldades, que podem ser sanadas com parcerias entre
profissionais, Associação dos Bibliotecários do Piauí - ABEPI e os Conselhos no
fomento de cursos diversos e eventos científicos na modalidades presencial e a
distância em áreas de interesse desse público.
Palavras - chave: Aprendizagem continuada. Formação continuada. Bibliotecários –
Piauí.
Área temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação.

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS: entendendo as nuances de um processo

O mundo moderno tem causado uma revolução no cotidiano de várias
profissões, os desafios impostos pelas novas formas de comunicação e interação,as
informações tornam-se obsoletas em curto espaço de tempo e os conceitos e
práticas formuladas durante e após a graduação passam a exigir novas formas de
fazer o cotidiano, de pensar do profissional.

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A aprendizagem contínua é pressuposto essencial para o bibliotecário
reconhecer as limitações de seu conhecimento, é um exercício inteligente na luta
diária tanto em âmbito profissional quanto pessoal.
As oportunidades nesse tipo de investimento são muitas, hoje é possível ao
bibliotecário através do avanço nas formas e ferramentas de comunicação, acessar
cursos e eventos através da educação a distância, escritos científicos da área
dispostos em bases de dados ou anais de eventos, assistir a videoconferências, etc.
Dessa forma intencionamos compreender a seguinte questão: como se
configura o processo de aprendizagem, educação ou formação continuada dos
bibliotecários que atuam no estado do Piauí? A intenção foi a da obtenção de
informações que pudessem incitar as reflexões acerca do processo considerando os
ganhos profissional e pessoal. Não se trata apenas de um levantamento de dados,
as informações prestadas foram analisadas sob as condicionantes do discurso dos
sujeitos confrontados com as teorias estudadas sobre a temática. Para tanto
buscamos conhecer o perfil de formação desses profissionais verificando as
ferramentas utilizadas durante o processo, identificando as concepções desses
atores a respeito do assunto e buscando verificar possíveis demandas e/ou
dificuldades envoltas na “escalada” para a educação continuada dos bibliotecários
que atuam no Piauí.
A literatura da área pode ter nesse, mais um instrumento de conhecimento e
os bibliotecários mais uma fonte para reflexão, considerando as margens de erro e a
ausência de verdade absoluta que configura a ciência. Espera-se contribuir com a
biblioteconomia piauiense no que diz respeito a aquisição de benefícios posteriores
advindo da pesquisa como sugestões de parcerias para investimentos de instituições
acadêmicas e profissionais em cursos, treinamentos e eventos junto a categoria no
Piauí. As discussões aqui propostas podem ser ampliadas e/ou adaptada para
outros estados que tenham por interesse investigar o referido processo, respeitando
as peculiaridades, cultura e estrutura de cada região e categoria profissional.
Algumas questões surgem como hipóteses investigativas para o caso da
educação continuada dos bibliotecários piauienses, a saber: se a inexistência de
cursos de pós-graduação voltados para a área da biblioteconomia ou ciência da
informação, se a questão salarial, dificuldades de deslocamento, baixa incidência de

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instituições que fomentem cursos de qualificação e/ou eventos científicos na áreas,
impedem esses profissionais de participarem de cursos e eventos científicos a
distância ou presencial, em outros estados e no Piauí?
A temática da Aprendizagem/formação continuada já foi inserida no cenário
de pesquisas da área como em estudos elaborados por Prosdócimo e Ohira (2000),
Miranda e Solino (2006), Crespo, Rodrigues e Miranda (2006), Rozados (2007)
Barros (2007), Madureira e Vilarinho (2010), Tabosa e Aguiar (2011), entre outros.

1.1 A teoria do processo de aprendizagem continuada

Compreendemos que os sujeitos precisam aprender ao longo da vida e que,
quando participamos de eventos científicos, de cursos, quando fazemos a leitura de
livros, artigos científicos etc., aprendemos a compreender melhor o mundo em que
vivemos e podemos exercitar nosso senso crítico.
Esse processo também acarretará melhorias no desempenho profissional
uma vez que lidando com informações multidisciplinares, com várias vertentes
tecnológicas e das variações de comunicação e de espaços de informação e cultura
vigentes os bibliotecários necessitam conhecer e dominar algumas técnicas para a
organização e disseminação da informação. Prosdócimo, Ohira (2000) relatam que
as mudanças tecnológicas e a globalização são fatores que contribuíram para a
necessidade da formação continuada, pois através desta os bibliotecários
desenvolverão habilidades e competências não adquiridas na graduação e que
serão imprescindíveis para e execução de suas atribuições cotidianas.
Na visão de Pereira, Rodrigues (2002 apud CRESPO; RODRIGUES;
MIRANDA, 2006, p. 3) a educação continuada não deve ser considerada apenas um
treinamento ou atualização, mas, sim, um acompanhamento das alterações na
sociedade e dos avanços tecnológicos proporcionando desenvolvimento profissional
contínuo. Afinal, "[...] a educação contínua tem como objetivo desenvolvimento
individual e, em uma visão mais ampla, é parte do sistema educacional global e uma
forma de desenvolvimento integral do individuo e da sociedade" (ZANAGA, 1989
apud CRESPO; RODRIGUES; MIRANDA, 2006, p. 3).

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Macedo (1985 apud MIRANDA ; SOLINO, 2006, p. 386) define a educação
continuada como um processo começado pelo individuo na infância e continuado
durante toda sua vida, ou seja, é um processo permanente de educação.
De acordo com Crespo, Rodrigues e Miranda (2006) historicamente a
educação continuada de bibliotecários no Brasil teve um fortalecimento da
abordagem teórica a partir da década de 80 com alguns trabalhos de Figueiredo
(1987; 1991; 1993). Segundo Cunha, Silva e Meneses (2000) citados nos trabalhos
de (CRESPO; RODRIGUES; MIRANDA, 2006) e (ROZADOS, 2007, p. 4) essa
categoria teve seu primeiro curso formal de educação continuada organizada pelo
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), na época,
Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) em 1956. Vale destacar
ainda a pós-graduação (stricto sensu) em Biblioteconomia e Ciência da informação
na década de 70. Além do primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia na
década de 50 em Recife e do primeiro Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU) em 1978 em Niterói – RJ.
As tipologias que caracterizam esse processo de aprendizagem contínua são
descrita por Miranda; Solino (2006, p. 386) das seguintes maneiras:
Participação em seminários, congressos, conferências ou ciclos de
debates; leitura de trabalhos de congressos publicados em anais, livros e
periódicos especializados nacionais e estrangeiros; cursos [...]; programas
de pós-graduação; estudos individuais e em grupos; [...] participação em
grupos de discussão. [...] cursos de educação à distância, permitida pela
facilidade de rapidez no desenvolvimento das redes de computadores,
pertinente aos progressos das telecomunicações

2 METODOLOGIA

Para o desenvolvimento da pesquisa, inicialmente fez-se um levantamento
referencial do tema abordado, em seguida elaborou-se um instrumento de coleta de
dados. A abordagem adotada é a qualitativa, uma vez que a pesquisa visa analisar o
processo de educação ou comumente chamada formação continuada de
bibliotecários abordando o espaço subjetivo dos sujeitos através da observação do
discurso de cada um, sem, contudo desprezar o aspecto quantitativo dos dados
coletados, uma vez que estes também serão de importância impar para o alcance
dos objetivos pretendidos. Optou-se pela abordagem qualitativa que segundo

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Marconi; Lakatos (2011, p.269) esse método “Fornece análise mais detalhada sobre
as investigações, hábitos, atitudes, tendências de comportamento, etc.".
Para a coleta dos dados, utilizou-se como instrumento um questionário
semiaberto, elaborado com 13 perguntas, sendo 06 fechadas 07 abertas. A opção
por questionário semiaberto visa abordar de forma mais concisa a opinião dos
pesquisados, tendo em vista que estas propiciam um enriquecimento da analise do
tema em questão. A primeira parte do questionário refere-se aos dados pessoais e a
segunda a formação dos sujeitos da pesquisa.

2.1 População e amostra

A população pesquisada foram os bibliotecários atuantes no Estado do Piauí,
e que estão habilitados legalmente para o exercício da profissão, ou seja, que
possuem registro no Conselho Regional de Biblioteconomia, 3ª Região - CRB 3. Da
relação recebida, verificou-se que no Piauí há 115 profissionais registrados.
Do total de bibliotecários registrados, foram enviados 92 questionários via email, utilizou-se esta ferramenta para que o alcance da pesquisa viesse a abranger o
maior número possível de municípios, deste total enviados, houve o retorno de 27
questionários, dentre os quais constatou-se que cinco respondentes não estão
atuando na área, sendo necessário a sua exclusão da pesquisa, em virtude de o
foco da pesquisa ser o de bibliotecário em exercício, restando 22 para análise.
O número de municípios abrangidos pelo envio de questionários foram os 10
selecionados de acordo com levantamento informal que revelou a presença de
profissionais atuantes em Teresina, Urucuí, Piripiri, Angical, São Raimundo Nonato,
Parnaíba, Paulistana, Picos, Floriano, Corrente, no entanto os resultados
demonstram um quadro geral de participação de apenas 02 municípios, sendo um
deles a capital do estado.
3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Para a coleta dos dados referentes ao tema proposto, analisou-se os 22
questionários recebidos. Inicialmente tabulou-se os dados de acordo com a divisão

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do questionário, e em seguida foram analisados e comentados, comparando-os com
a literatura utilizada para o embasamento teórico. Os dados levantados estão assim
organizados.
Na primeira etapa buscou-se identificar dados pessoais relativos aos sujeitos
da pesquisa, sendo constatado o seguinte: dos 22 sujeitos pesquisados, verificou-se
que a grande maioria pertence ao sexo feminino (16), enquanto que apenas 06 são
do sexo masculino, em relação à idade estes possuem faixa etária entre 24 e 62
anos (questões 01 e 02). Já na segunda etapa coletamos informações sobre a
formação acadêmica e espaço de atuação destes profissionais.
Inicialmente perguntou-se há quanto tempo o pesquisado havia concluído a
graduação (questão 3), como resposta, observou-se que há profissionais que são
recém formados (08 meses), assim como profissionais que já concluíram a
graduação há 37 anos.
Em decorrência do curso de biblioteconomia ser recente no Estado (10 anos)
observou-se que vieram profissionais de outros estados para o Piauí. Por esse
motivo buscou-se identificar na questão (04) a instituição e estado onde graduou-se:
Universidade de Brasília - Brasília (01), Universidade Federal do Maranhão Maranhão (01), Universidade Federal do Ceará - Ceará (02) e Universidade Estadual
do Piauí - Piauí (17).

5%

5%

10%
UESPI - 17
UFMA - 01
UNB -01
UFC - 02
80%

O questionamento seguinte (05) teve como objetivo descobrir qual tipo de
instituição e município que estes profissionais estão atuando. Assim, foram
revelados que a grande maioria atua em bibliotecas universitárias da cidade de
Teresina - PI, fato este que pode ser justificado pela grande quantidade de
Instituições de Ensino Superior na capital e a exigência destes profissionais em

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bibliotecas desse tipo como critério avaliativo pelo Ministério da Educação para o
reconhecimento dos cursos de graduação e pós-graduação. As instituições citadas,
estão assim distribuídas Biblioteca pública (02) a; Biblioteca Universitária (11);
Biblioteca escolar (01); Biblioteca Especializada (06); Outros (01) – docência, e,
Biblioteca Multidisciplinar (01) - Biblioteca da Rede Federal de Educação
Tecnológica. Dentre os municípios citados, Teresina (21) e Paulistana (01).
Ao indagarmos sobre a atual formação dos pesquisados (questão 06), obtevese a seguinte resposta.

9%

0%
32%
Graduado (a) -07
Especialista - 13
Mestre - 02
Doutor(a) - 0

59%

Os dados acima mostram que há uma tendência dos bibliotecários piauienses
buscarem a qualificação profissional, uma vez que 59% dos respondentes citou
possuir especialização.
Na questão (07), houve a preocupação em averiguar dentre aqueles que não
possuem pós-graduação, quais os motivos que os impedem de fazê-la. Como
respostas obteve-se que dentre os 07 que possuem apenas a graduação, os
principais motivos foram a falta de oferta de cursos nas áreas de biblioteconomia e
ciência da informação e a falta de recursos financeiros.
Ainda referente aos 68% que possuem pós-graduação (59% especialistas e
9% mestres), indagou-se qual área do conhecimento, instituição e modalidade de
ensino realizaram a pós-graduação (questão 8). A partir das respostas, detectou-se
que em relação a área do conhecimento não há uma tendência a seguir uma linha
especifica dentro da biblioteconomia, uma vez que

foram citados cursos em

diversas áreas tais como: Biblioteconomia, Educação Profissional de Jovens e
Adultos, Letras, Gestão de pessoas, Docência do ensino superior,

Bibliotecas

médicas, Bibliotecas agrícolas, Administração e gerencia de bibliotecas, Tecnologia

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da informação, Formação de leitores, Gerenciamento em tecnologia de informação e
comunicação, Ciência da informação. Sobre as instituições de ensino verificou-se :
UFPI, UFMG, IFPI, BIREME, EMBRAPA, UNB, UFRJ, UFC, ARQUIVO NACIONAL RJ, e Faculdade Integrada de Jacarepaguá – FIJ. Esta instituição foi citada por 05
respondentes que fizeram sua pós-graduação na modalidade à distancia.
Sobre a modalidade de ensino, constatou-se que a grande maioria realizou a
pós na modalidade presencial (10), e apenas 05 na modalidade de educação a
distancia. Esse fato carece de algumas considerações: o fato de a EAD no Brasil
ainda ser vista por muitos como de qualidade inferior, a valorização da modalidade
presencial que caracteriza o contato face a face e as dificuldades de muitos em lidar
com tecnologias variadas.
Na questão (09) foi perguntado se o pesquisado já havia participado ou está
participando de algum curso ou treinamento na modalidade de Educação a distância
(EAD). Foram disponibilizadas as seguintes alternativas: ( ) sim, já participei
sim, estou participando

( )

( ) não

Nota-se que metade dos pesquisados já participaram ou estão participando de
algum curso em EAD (50%) e que os motivos para participação relacionados pelos
respondentes denotam a importância no aprimoramento e qualificação da profissão.
Enquanto que a outra parcela não participou de nenhum curso nesta modalidade
devido à falta de cursos na área, problemas financeiros e desmotivação.
Na sequencia (item 9.1) solicitamos aos pesquisados que participaram ou
estão participando dessas atividades em EAD, que fornecesse o nome do curso e
instituição onde as realizou. Foram relacionados os seguintes cursos: Uso das TIC’s
para o ensino na educação – UESPI, Gestão de documentos e arquivística – IFPI e
Novo Acordo Ortográfico: teoria e prática - ILB – Senado Federal, MBA em Gestão o
Conhecimento – FACINTER, Docência do ensino superior – FIJ, Biblioteconomia –
FIJ, PROJETOS CULTURAIS – FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, Excelência em
atendimento e Nova Ortografia Brasileira – Instituto Legislativo Brasileiro e Tutoria
em EAD pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Piauí.
Verifica-se que os cursos escolhidos pelos profissionais pesquisados
abrangem desde áreas específicas da biblioteconomia e áreas afins, isso devido ao
interesse e foco de cada profissional. Dessa forma Crespo; Rodrigues; Miranda

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(2006, p. 6) salientam que “Toda informação de interesse do profissional é válida [...].
Deve, isto sim, contemplar a área de interesse ou a lacuna a ser sanada pelo
profissional para um melhor desempenho das suas funções.”
Outro quesito relacionado a questão 9, foi abordado. Nesse momento
pedimos que eles justificassem a escolha por esse tipo de ensino. Os motivos para a
escolha do curso em EAD foram decisivos, segundo os pesquisados, a partir do
momento em que há carência de cursos e treinamentos na área na modalidade
presencial no Estado. Foram eles: Flexibilidade de horário, comodidade, relação
direta com área de formação e facilidade de organizar horários, a única forma de
fazer uma pós-graduação, falta de tempo, pois é um curso que pode ser feito de
acordo com a sua disponibilidade, pode ser acessado de casa ou do trabalho, enfim
para quem quer aprender e se atualizar constantemente é uma boa opção.
Aos sujeitos que responderam nunca ter participado de um curso em EAD,
solicitamos a justificativa (item 9.2). Metade dos sujeitos pesquisados apontou
barreiras como: baixa oferta de cursos na área, falta de interesse, ainda não
encontrou um curso do interesse, falta de oportunidade, foco na preparação para
concursos, os cursos de interesse com custos altos; falta de emprego que resulta na
dependência financeira dos pais não tendo como fazer uma pós-graduação, a não
identificação com cursos em EAD, tendo preferência por cursos presenciais (troca
de experiência face a face), falta de planejamento.
Sobre o processo de formação continuada/atualização, nos últimos 12 meses
você (questão 10), destacou 4 opções de respostas para a escolha dos
respondentes e obteve as seguintes informações.

26%

23%
A
B
C
D

14%
37%

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A. ( ) participou de cursos, treinamentos ou capacitação na área de
biblioteconomia, documentação ou ciência da informação;
B. (

) Fez leituras de livros, periódicos científicos e trabalhos apresentados em

eventos;
C. (

) Participou de eventos científicos da área (congressos, simpósios,

seminários) em outros estados;
D. (

) Participou de eventos, palestras ou cursos na área, realizados no estado

do Piauí
Importante observar que dos 100% dos pesquisados apenas 37% revelou ter
utilizado instrumentos para leitura nos últimos 12 meses. É um fato interessante se
considerarmos que na atualidade o acesso à informação científica encontra-se
facilitado pelas bases e portais de pesquisa. A compra de livros na área de
biblioteconomia no estado sofre o entrave da não oferta, no entanto, as compras
virtuais em sites de livrarias, editoras ou organismos da área

podem ser um

facilitador para essa aquisição.
Podemos observar que todos os respondentes têm conscientização da
importância da formação continuada, tanto que todos marcaram uma ou mais
opções, embora notemos que a maioria deles optou pela atualização que envolve
menos custo e de mais fácil acesso, opção B. Essa análise contribui com o
profissional da informação colocado por Crespo; Rodrigues; Miranda (2006 apud
ROZADOS, 2007, p. 4):
[...] a investir em seu aperfeiçoamento contínuo, seja este aperfeiçoamento
pela via da educação continuada e/ou por aprendizado autônomo; por sua
capacidade de articular e aprofundar conhecimentos que respondam às
demandas do setor produtivo, ou por sua capacidade de transferir para o
trabalho sua vivência profissional e sociocultural.

Na questão (11), de natureza subjetiva optamos por não fazer uso de palavras
sugestivas como: qual a importância ou você acha importante? O questionamento foi
o seguinte: Qual sua opinião sobre a formação continuada para o bibliotecário?
Dessa forma suas falas poderiam revelar suas impressões a respeito do processo.
Nesse quesito a qualificação profissional foi apontada pela maioria dos
respondentes como ponto chave, as falam denotam explicita ou implicitamente isso
quando apontam elementos como: atualização profissional, melhor aceitação no

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mercado de trabalho, melhor prestação de serviços, adequação às necessidades do
mercado, deve está “antenado” com os acontecimentos da área, aprovação em
concursos públicos. Os ganhos profissionais preponderaram em relação aos ganhos
pessoais oferecidos pela aprendizagem continuada, ganhos que vão além da
certificação profissional e do bom desempenho da função, esse é o reflexo da
sociedade que vivemos, onde o mercado dita as formas de viver e trabalhar.
Alguns declararam que essa formação é necessária para a reciclagem de
velhos assuntos e a apreensão de novos; que a oferta de cursos ainda é pequena,
embora já tenha se expandido bastante; que a informação tem novos formatos e
meios de divulgação; que a biblioteconomia sofre influencia de novas tecnologias;
que esses profissionais precisam viajar para fazer cursos melhores fora do estado e
muitos disponíveis estão aquém das reais necessidades profissionais.
Na sequencia (questão 12) a abordagem e alternativas foram as seguintes:
Você

considera que o

processo de educação

responsabilidade: ( ) Do bibliotecário

continuada

deve

ser de

( ) da instituição onde trabalha

( ) de

ambos.
Os resultados demonstraram que a maioria dos respondentes (17) considera
que a responsabilidade pelo processo de educação continuada é de ambos. Essa
análise é fortalecida pela teoria de Crespo; Rodrigues; Miranda (2006, p. 9):
O ideal é que a oportunidades de atualização possam partir tanto do
individuo, particularmente interessado em um crescimento e aprimoramento
de suas funções, enquanto especialistas de informação, quanto da
instituição que, de acordo com as suas necessidades e avaliações,
busquem melhorar seus desempenhos.

O respondente A relatou que “O querer aprender é algo pessoal e
intrasferível que somente a pessoa pode fazer por si, mas a instituição deve oferecer
condições para que a pessoa participe”, corroborando com o respondente A, o outro
respondente B citou que “De todos os envolvidos e interessados. As instituições têm
que ser provocadas. O bibliotecário entra mostrando a oferta do mercado em cursos,
justifica a necessidade e as vantagens dele se atualizar utilizando aquela
oportunidade [...]”. Nesse sentido Valente; Mazzone; Baranauskas (2007, p. 57)
ressalta que a "Aprendizagem ao longo da vida significa que se uma pessoa deseja
aprender, por alguma razão, ela poderá fazê-lo, independentemente do lugar ou

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quando isto ocorre".
A etapa final do trabalho (questão 13 - figura abaixo) versou sobre os
incentivos recebidos para a efetivação da formação continuada. Nesse espaço o
respondente poderia optar por uma ou mais alternativas considerando que foram
abordadas algumas modalidades comumente citadas nas teorias sobre o assunto. O
conjunto dos aspectos citados revelou que a maioria dos pesquisados (58%) não
recebe incentivos financeiros da instituição onde atua mas em contrapartida são
liberados do trabalho para participarem de eventos científicos em outros estados. Os
que recebem incentivos financeiros para investimento em eventos científicos em
outros estados e para a educação a distância somam 36%.
A análise desse resultado pode configurar fatores como: carência de recursos
financeiros do bibliotecário, por outro remete-nos às falas de alguns sujeitos A e B da
questão anterior sobre as motivações para aprender serem intransferíveis e sobre a
provocação que deve surgir do profissional para a instituição onde trabalha. Algumas
questão ficam para análise: Será que a proatividade nesses casos não resultaria em
benefícios para esse profissional? As instituições tem a obrigação de conhecer
eventos, cursos etc. oferecidos pela área de biblioteconomia ou o bibliotecário deve
apresentá-los aos gestores dessa instituição enfocando as vantagens advindas para
o profissional e para a organização? Por fim em apresentando vantagens esses
custos não podem ser compartilhados?

12%

24%
A
B
C
6%

D

58%

A. (

) Recebo incentivo financeiro e liberação do trabalho para participar de

eventos científicos (congressos, seminários), cursos etc. em outros estados
B. ( ) Não recebo nenhum tipo de incentivo da instituição onde trabalho, por
isso não participo de cursos, treinamentos e eventos científicos em outros

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estados
C. (

) Não recebo incentivo financeiro mas sou liberado do trabalho para

participar de eventos científicos (congressos, seminários), cursos etc. em
outros estados
D. (

) Recebo incentivos financeiros para fazer cursos e treinamentos na

modalidade de educação a distância
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise do discurso dos 22 sujeitos respondentes, infere-se que a
aprendizagem ou formação continuada é vista por todos eles como necessário para
o bom desempenho profissional. Alguns elementos foram melhor posicionados em
relação a outros no que diz respeito aos benefícios advindos desse tipo de
formação, no entanto poucos foram as falas que revelaram que essa aprendizagem
pode trazer benefícios múltiplos a pessoa enquanto sujeito que pode - através dos
conhecimentos e experiências compartilhadas nesses momentos- aprender a
aprender constantemente.
Percebe-se a partir de alguns dados coletados que a configuração do
aprendizagem continuada de bibliotecários que atuam no estado do Piauí ainda
carece de investimentos pessoais e institucionais, a quase inexistência de
atividades que dêem prosseguimento a graduação é um fato considerável e carece
de reflexões, isso porque esses profissionais precisam deslocar-se para outros para
fazer pós graduação. Observamos que alguns fatores podem ser limitadores dessa
participação como os fatores Individuais (falta de interesse, tempo, cursos
ofertados que não interessam ao bibliotecário e limitações financeiras) e os fatores
Institucionais: (dificuldade em obter dispensa para ausentar-se do trabalho;
escassez de incentivos institucional ou financeiro para o profissional participar de
eventos e cursos; desconhecimento da instituição dessa necessidade de investir na
formação do profissional.)
Entende-se a partir desse estudo que algumas dificuldades podem ser
sanadas com parcerias entre profissionais, Associação dos bibliotecários do Piauí ABEPI, Conselho Regional e Federal de Biblioteconomia colaborarem para o

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fomento de cursos, treinamentos e eventos científicos na modalidades presencial e
a distância nas área.
Quanto á desmotivação do profissional para aprender é algo que perpassa o
plano institucional, é algo bem maior, é fundamento humano que inicia com a tenra
idade e que pode ser fortalecida ao longo da vida. Nesse sentido não há formulas
que orientem uma vez que trata-se de um processo inerente ao ser humano.
Defendemos que a aprendizagem, formação ou educação de todos os
bibliotecários seja mais que um processo de evolução de carreira, mais que um
título, mas que certificação e mais que um requisito para a inserção ou manutenção
de postos no mercado de trabalho competitivo e voraz que ora se apresenta,
acreditamos num processo que possa resultar em ganhos pessoais intransferíveis
capazes de fazer do bibliotecário um ser pensante e crítico.
Os investimentos em formação para além da vida profissional não podem ser
mensurados, o diálogo, o compartilhamento de informações, as relações e as
culturas vividas em discussões com os pares em eventos científicos, em cursos,
treinamentos em quaisquer modalidades, são imensuráveis. A aprendizagem
contínua traz para a vida profissional a compreensão de mundos diferentes, de
culturas, processos, técnicas e tecnologia de uma gama variada
REFERÊNCIAS
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continuada dos profissionais da informação. Revista Brasileira de Biblioteconomia
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A aprendizagem continuada de bibliotecários que atuam no estado do Piauí: reflexões sobre um processo em construção</text>
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              <text>Francisca Das Chagas Viana</text>
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              <text>Franceli Mariano de Moura</text>
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              <text>Denizete Lima de Mesquita</text>
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              <text>Maria Auzenir dos Santos Sousa</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Analisa o processo de aprendizagem continuada dos bibliotecários que atuam no Estado do Piauí. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde a população pesquisada foi a de bibliotecários que atuam no Estado e estão registrados no Conselho Regional de Biblioteconomia – CRB 3.Foram enviados 92 questionários via correio eletrônico para profissionais atuantes em 10 municípios piauienses, sendo devolvidos 22 questionários respondidos. Os resultados revelaram que há mais profissionais trabalhando em bibliotecas universitárias na capital, sendo alguns deles originados de outros estados, a explicação para esse fato é a de que o início da  graduação em biblioteconomia no Piauí datar de 2003. Sobre os cursos realizados por eles há presença das modalidades de Educação a distância (EAD)  e  presencial. Entre os benefícios da formação continuada os ganhos profissionais foram citados em maior escala: melhor desempenho profissional e inserção e permanência no mercado de trabalho, sendo poucas as falas que denotaram os ganhos pessoais. Os fatores que influenciam na efetivação desse processo são para os pesquisados: inexistência de cursos de pós-graduação, cursos e treinamentos, custos dos cursos em EAD e dificuldades financeiras. A maioria considera que a responsabilidade pela formação continuada deve ser compartilhada. Entende-se a partir desse estudo que o processo de aprendizagem está ocorrendo ainda de forma tímida dadas algumas dificuldades, que podem ser sanadas com parcerias entre profissionais, Associação dos Bibliotecários do Piauí - ABEPI e os Conselhos no fomento de cursos diversos e eventos científicos na modalidades presencial e a distância em áreas de interesse desse público.</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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      <name>cbbd2013</name>
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