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                  <text>O ensino da disciplina de arquitetura de informação: uma
aplicação da técnica de card sorting

Maria Irene Da Fonseca e Sá (UFRJ) - mariairene@facc.ufrj.br
Resumo:
O trabalho apresenta a metodologia de ensino usada na disciplina de Arquitetura de
Informação do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade
Federal do Rio de Janeiro. Com o objetivo de ensinar aos futuros bibliotecários o que é a
arquitetura de informação, é utilizada a técnica de card sorting durante o curso. A técnica de
card sorting, utilizada para entender como os usuários agrupam as informações de acordo com
suas relações de característica e significância, está dentro do escopo de aprendizado do
bibliotecário. O foco do bibliotecário deixou de ser somente o suporte (o livro) para abranger o
acesso à informação (ou seja, a informação em todos os tipos de suporte). Assim, a informação
na internet é um grande nicho para estes profissionais, principalmente com relação ao
tratamento e organização da informação em web sites. Organizar a informação, o fluxo de
navegação de um web site, trabalhar a hierarquia e categorização da informação na web são
algumas das atividades exercidas pelo arquiteto de informação, o novo profissional que surge
para fazer o que o bibliotecário faz em centros de informação. De forma a contextualizar o
processo de ensino da disciplina, são discutidos os conceitos de arquitetura de informação e
usabilidade, assim como é apresentada a técnica de card sorting.
Palavras-chave: Arquitetura de informação. Usabilidade. Card sorting. Metodologia de
ensino.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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O ensino da disciplina de arquitetura de informação: uma aplicação da técnica
de card sorting

Resumo:
O trabalho apresenta a metodologia de ensino usada na disciplina de Arquitetura de
Informação do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com o objetivo de ensinar aos futuros
bibliotecários o que é a arquitetura de informação, é utilizada a técnica de card
sorting durante o curso. A técnica de card sorting, utilizada para entender como os
usuários agrupam as informações de acordo com suas relações de característica e
significância, está dentro do escopo de aprendizado do bibliotecário. O foco do
bibliotecário deixou de ser somente o suporte (o livro) para abranger o acesso à
informação (ou seja, a informação em todos os tipos de suporte). Assim, a
informação na internet é um grande nicho para estes profissionais, principalmente
com relação ao tratamento e organização da informação em web sites. Organizar a
informação, o fluxo de navegação de um web site, trabalhar a hierarquia e
categorização da informação na web são algumas das atividades exercidas pelo
arquiteto de informação, o novo profissional que surge para fazer o que o
bibliotecário faz em centros de informação. De forma a contextualizar o processo de
ensino da disciplina, são discutidos os conceitos de arquitetura de informação e
usabilidade, assim como é apresentada a técnica de card sorting.
Palavras-chave: Arquitetura de informação. Usabilidade. Card sorting. Metodologia
de ensino.
Área Temática: II- Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional
da informação

1 INTRODUÇÃO
O cenário internacional da ciência e tecnologia vem mudando de forma
acelerada. O Brasil iniciou sua caminhada para o desenvolvimento de Ciência e
Tecnologia (C&amp;T) nos anos 60. Desde então, o mundo tem vivido várias ondas na
apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Neste cenário ocorre a explosão informacional.
Existe um tsunami de dados que bate sobre as praias do mundo civilizado.
É um maremoto crescente de dados desconexos formado por bits e bytes,
vindo em uma forma desorganizada, descontrolada, incoerente e cacofônica
(WURMAN, 1997).

A internet, a grande rede mundial de computadores, é o maior símbolo desta
explosão informacional que vivemos. Conectando tudo e todos, esta rede é o meio
de comunicação que mais rápido se expande na história e impregna-se na vida da
nossa sociedade contemporânea. A velocidade de crescimento do número de web

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sites é surpreendente! Bombardeada por incontáveis jornais, artigos, e-mails,
relatórios, filmes e web sites a mente humana não consegue absorver toda a
informação hoje necessária à sobrevivência de qualquer trabalhador.
Este excesso de informação pode gerar confusão e ansiedade no ser
humano. Para combater este sentimento de ansiedade, Richard Wurman criou , em
1976, um novo objeto de estudo chamado de arquitetura de informação. Seu
objetivo é organizar a informação de forma que seus usuários possam encontrar a
informação que necessitam de forma simples e rápida, e também, possam assimilála com facilidade, atingindo seus objetivos. A arquitetura de informação proposta por
Wurman começou baseada na mídia impressa, principalmente na produção de
guias, mapas e atlas. Porém uma área em que a arquitetura de informação está
encontrando um vasto campo para exploração é a organização da informação em
web sites.
Dentre os diversos tipos de problemas que podem afetar a usabilidade de um
web site, muitos estão relacionados com a organização das informações por ele
oferecidas. Falhas na organização dificultam a utilização de um web site porque
provoca nos seus usuários confusão, frustração ou até mesmo a ira.
Parte dos fracassos dos empreendimentos da web pode ser atribuída à
desconsideração das necessidades, dos objetivos e das características dos
usários – como já tiveram oportunidade de demonstrar autores da área de
ergodesign e Interação Humano-Computador (IHC).
Ergodesigners acreditam que os sites têm baixa usabilidade porque
desconsideram princípios básicos relacionados ao usuário – para eles, o
elemento central dos sistemas interativos.
Quando o seu concorrente está a apenas um clique de distância, o sucesso
do empreendimento online depende da clareza e da simplicidade com que o
usuário inicia e completa a sua tarefa. Isso significa dizer que o preço de
ignorar o elemento humano nos sistemas interativos pode ser alto demais
(AGNER, 2009).

Rosenfeld e Morville (2002) citam a incapacidade de encontrar uma
informação como um dos fatores que mais desagradam os usuários. Já em 2001,
pesquisas do Nielsen Norman Group apontavam que 27% das causas de insucesso
das vendas de um web site de comércio eletrônico se deviam ao usuário
simplesmente não conseguir encontrar o item que procurava. Agner (2009) faz
referência ao mesmo problema:
Para Nielsen, a web não atingiu adequadamente seus objetivos ainda.
Durante a “primeira onda” das pontocom, o design insatisfatório de
interfaces acarretou uma série de custos para as companhias online. Os
principais eram:
. Perda de aproximadamente 50% das vendas, já que os clientes não
conseguiam encontrar os produtos ou informações (um problema de
arquitetura da informação e ergodesign);

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. O resultado negativo da primeira visita ao site gerava a perda de 40% dos
clientes, em uma segunda visita (um problema de marketing) (AGNER,
2009).

Em meados dos anos 90, com o crescimento explosivo da web, surgiram as
primeiras tentativas de aplicar os conceitos de arquitetura de informação ao design
de web sites. Louis Rosenfeld e Peter Morville foram os pioneiros. Fundaram a
primeira empresa a trabalhar exclusivamente com Arquitetura de Informação na web
(Argus Associates) e lançaram o primeiro livro sobre o assunto (Information
Architecture for WWW). Logo diversas agências web começaram a adotar a
Arquitetura de Informação como uma disciplina essencial para o design de web sites,
surgindo um novo profissional no mundo da internet, o arquiteto de informação.
O arquiteto de informação seria o individuo com a missão de organizar
padrões dos dados e de transformar o que é complexo ou confuso em algo
mais claro.
Esse cara – o arquiteto de informação- seria a pessoa que mapeia
determinada informação e nos disponibiliza o mapa, de modo a que todos
possamos criar nossos caminhos próprios em direção ao conhecimento
(AGNER, 2009).

Como tudo que é novo, a arquitetura de informação ainda tem muito por fazer.
Ainda existem poucos livros que consolidam seus fundamentos, poucos trabalhos
acadêmicos e poucos casos que medem os retornos de seus investimentos. Mas a
cada dia ela vem se mostrando como uma ferramenta essencial para o design de
qualquer site. Uma ferramenta que ajuda o usuário a encontrar a informação certa
na hora certa e sobreviver ao tsunami que o afoga todos os dias.
Nesse sentido surge a questão: Como capacitar o bibliotecário para trabalhar
com arquitetura de informação no desenvolvimento de web sites?
Este trabalho tem por objetivo discutir o conceito de Arquitetura de Informação
e apresentar o método de Card Sorting, que é uma ferramenta para avaliação da
usabilidade de web sites, como uma facilidade na metodologia de ensino da
disciplina “Arquitetura de Informação” no curso de Biblioteconomia e Gestão de
Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
2 DESENVOLVIMENTO
Podemos considerar que o campo da arquitetura de informação ainda está
em seus estágios primários de definição, por isso há debates para identificar o seu
escopo. Segundo Macedo (2005), temos que:
O termo “arquitetura da informação”, como registra a literatura, foi utilizado
pela primeira vez pelo arquiteto Richard Saul Wurman em 1976, que o
definia como a “ciência e a arte de criar instruções para espaços

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organizados”. Wurman encarava o problema da busca, organização e
apresentação da informação como análogo aos problemas da arquitetura de
construções que irão servir às necessidades de seus moradores, pois o
arquiteto precisa levantar essas necessidades, organizá-las em um padrão
coerente que determine sua natureza e suas interações, e projetar uma
construção que as satisfaça.

Wurman (1997) definiu arquiteto de informação como o individuo capaz de
organizar padrões inerentes aos dados, tornando clara sua complexidade; capaz de
criar estruturas ou desenhos de informações que permitam aos outros encontrarem
seus caminhos pessoais para o conhecimento; e capaz de estabelecer princípios
sistêmicos, estruturais e ordenados para fazer algo funcionar. Bailey (2003), por sua
vez, define arquitetura de informação como “a arte e a ciência de estruturar e
organizar sistemas de informação com vistas a auxiliar as pessoas a atingirem seus
objetivos” e os arquitetos de informação seriam os profissionais responsáveis por
organizar conteúdos e projetar sistemas de navegação com o objetivo de facilitar o
acesso e a gestão da informação.
No que diz respeito às inter-relações de arquitetura de informação com outras
disciplinas, Agner (2009) nos fala:
[...] a arquitetura de informação (AI) deve ser encarada como um termo
“guarda-chuva”, sob o qual coexistem várias outras autodenominações de
profissionais e de pesquisadores. O campo de AI está em seus estágios
primários de definição e atualmente há debates para identificar qual deverá
ser o seu escopo, no século 21.
Questiona-se se a arquitetura de informação deveria ser vista somente
como atividade de um único profissional ou como processo (caracterizado
pelo esforço de colaboração de diversas pessoas e disciplinas).

Neste círculo de discussão, conclui-se que existe a oportunidade de se poder
contribuir para a definição dessa nova e instigante atividade, emblemática do século
21. Outras importantes contribuições podem ser apresentadas: West (2001) cita que
“arquitetura de informação é a prática de projetar a infra–estrutura de web sites,
especialmente a sua navegação”, Dijck (2003) dá a sua contribuição ao tema,
citando que “O principal trabalho de um arquiteto de informação é organizar a
informação de um web site para que seus usuários possam encontrar coisas e
alcançar seus objetivos.” e Toub (2000) reforça o conceito, dizendo que: “Arquitetura
de informação é a arte e a ciência de estruturar e organizar ambientes de informação
para ajudar as pessoas a satisfazerem suas necessidades de informação de forma
efetiva.”
Portanto, refletindo sobre os conceitos apresentados, podemos concluir que
conhecer os usuários, suas necessidades, hábitos, comportamentos e experiências
são fundamentais para elaborar a arquitetura de informação de web sites, mas não

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são suficientes. É necessário também entender as características do conteúdo que
será apresentado (volume, formato, tipos, estrutura, governança, dinamismo, etc.) e
as especificidades do contexto de uso (objetivo do web site, cultura e política da
empresa, ambiente de uso, restrições tecnológicas, recursos humanos etc.). As três
dimensões, usuário – conteúdo – contexto e suas interdependências, são únicas
para cada web site e o papel do arquiteto é justamente conseguir balanceá–las, para
que a informação certa seja acessada pela pessoa certa no momento certo
(ROSENFELD; MORVILLE, 2002).
Segundo o arquiteto Wurman, informação deveria ser aquilo que leva à
compreensão. O grande volume de informações disponíveis e a forma como são
estruturadas e apresentadas ao público tornam grande parte delas inúteis.

A

confusão entre transmitir dados e criar mensagens com significado pode ter tido sua
origem na atenção demasiada dada aos computadores (máquinas) e na pouca
atenção dada aos usuários (seres humanos). Isso nos aponta para problemas da
usabilidade da interação humano–computador, conforme Agner (2009) nos diz:
As incompatibilidades que geram problemas para o usuário devem-se ao
desconhecimento da tarefa, do modo operatório e das estratégias de
resolução de problemas do ser humano.
A visão simplificadora que reduz os sistemas interativos somente a
hardware e software – ou seja, a objetos e ferramentas – deixa os designers
no nível superficial dos problemas, impedindo mergulhos profundos.

A ISO 9241-11 (1998) define usabilidade como a “capacidade de um produto
ser usado por usuários específicos para atingir objetivos específicos com eficácia,
eficiência e satisfação em um contexto específico de uso.” Assim, segundo Dias
(2007):
A usabilidade pode ser considerada uma qualidade de uso, isto é, qualidade
de interação entre usuário e sistema, que depende das características tanto
do sistema quanto do usuário. Em outras palavras, o mesmo sistema pode
ser excelente para algumas pessoas e inadequado ou inaceitável para
outras.

Segundo Nielsen (1993), os atributos da usabilidade são cinco: facilidade de
aprendizagem, eficiência de uso, facilidade de memorização, baixa taxa de erros e
satisfação subjetiva.
Neste contexto, surgem os testes de usabilidade com a função de realizar a
avaliação dos sistemas. Segundo Dias (2007):
A avaliação da usabilidade pode ser realizada em qualquer fase do
desenvolvimento de sistemas interativos: na fase inicial, serve para
identificar parâmetros ou elementos a serem implementados no sistema; na
fase intermediária, é útil na validação ou refinamento do projeto; e na fase
final, assegura que o sistema atende aos objetivos e necessidades dos
usuários. Entretanto, para que não seja necessária uma total reformulação

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do sistema depois de finalizado, em função de problemas detectados em
avaliações de usabilidade, recomenda-se que essas avaliações sejam
realizadas pelo menos a partir da fase de refinamento ou validação do
projeto.

E conforme Winchler e Pimenta (2002):
Os métodos de avaliação de usabilidade disponíveis podem ser
classificados, em um primeiro momento, como métodos de inspeção de
usabilidade e testes empíricos com a participação de usuários. Métodos de
inspeção caracterizam-se por empregarem especialistas em interface que a
utilizam em busca de possíveis problemas de usabilidade. Como exemplo
cita-se a avaliação heurística. Os métodos com a participação de usuários
caracterizam-se pelo uso de questionários ou observação direta ou indireta
de usuários durante a utilização da interface, como fonte de informações
que possam levar à identificação de problemas. Como exemplos destes
métodos podem ser citados ensaios de interação (ou teste com usuário),
questionários e análise de arquivos de log, entre outros. Outros métodos
que envolvem usuários como, por exemplo, focus group e classificação de
cartões (card sorting), também são utilizados para descobrir como os
usuários organizam as informações do domínio de problema, quais suas
expectativas e necessidades com relação à interface.

Desta forma, o método card sorting é usado para tentar identificar e adequar
(ou aproximar) a estrutura de navegação em um sistema interativo ao modelo mental
do usuário. Atualmente, com o desenvolvimento da disciplina de arquitetura de
informação, o método card sorting tem sido bastante utilizado em empresas de maior
porte e também em pequenos desenvolvedores. É muito usado porque é simples e
barato, envolve os usuários e eficaz (os resultados são bastante positivos).
Segundo Agner (2009), card sorting
É uma técnica bastante empregada para gerar informações sobre os
modelos mentais dos usuários a respeito dos espaços de informação, que
nos ajuda a estruturar sites e outros produtos. O seu objetivo é verificar se a
arquitetura dos sites faz sentido sob o ponto de vista dos usuários, já que
nem sempre o que parece óbvio para os projetistas é óbvio para os
usuários. A técnica é rápida, barata e confiável, e serve de base para gerar
estruturas, menus, navegação e taxonomias (um nome bonito para as
hierarquias dos itens de informação).

O método consiste de cartões de papel escritos a partir de uma lista não
ordenada de idéias ou de outros itens, uma pequena sala tranqüila, um pesquisador
e um grupo de usuários — é só o que se faz necessário para a aplicação. O card
sorting é um excelente método para elucidar questões de organização, formação e
rotulagem de grupos de informação (abordagem bottom-up). A técnica de card
sorting consiste em solicitar ao grupo de usuários para organizar os cartões por
grupos. Se o grupo de participantes for representativo da população alvo, então os
resultados do card sorting podem ser usados para definir a estrutura de navegação
do web site, uma vez que refletem a estrutura que os usuários esperam encontrar
quando esses itens lhes são apresentados, ou seja, esta técnica permite identificar e
delinear a arquitetura de informação e a navegação de uma aplicação ou web site.

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Assim, o card sorting é uma técnica usada por arquitetos de informação para
descobrir como o usuário classifica determinada informação em sua mente. Agner
(2009) diz:
Card sorting também pode ser chamado de classificação (ou categorização)
de cartões. Categorizar, ou classificar, é agrupar entidades (objetos, idéias,
ações) por semelhança. Categorizar é um mecanismo cognitivo natural que
empresta uma ordem ao mundo físico e social a que o indivíduo pertence,
simplificando a interação com este mundo.

O card sorting aberto é quando se faz uso dos cartões de categoria em
branco e se permite que o usuário escreva o que quiser.
O ensino da disciplina de arquitetura de informação, no curso de
Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da UFRJ, está prevista de
forma a dar subsídios para que os futuros bibliotecários estejam também
capacitados a trabalhar como arquitetos de informação. A metodologia que vem
sendo praticada no ensino dessa disciplina faz uso da técnica card sorting. O
desenvolvimento do ensino da disciplina é realizado da seguinte forma:
a) a turma é dividida em grupos;
b) os grupos são avisados que representam pró-reitorias de uma universidade
e que deverão apresentar propostas de conteúdo para o desenvolvimento
do web site dessa universidade (assunto que eles conhecem, pois estão na
universidade há três anos e são usuários do web site da UFRJ);
c) os grupos são rotulados de acordo com a pró-reitoria que representarão
(graduação, pós-graduação, extensão, planejamento, pessoal, financeira,
etc.);
d) são distribuídos cartões, em branco, para os grupos (é usado o card sorting
aberto);
e) os grupos são convidados a discutir que informações de sua pró-reitoria
deveriam estar disponíveis no site da universidade (geralmente consomem
em torno de duas horas nessa atividade);
f) após as discussões em cada grupo, os alunos usam os cartões para
representar o conteúdo informacional da pró-reitoria que representam;
g) fazendo uso do quadro da sala de aula e dos cartões cada grupo apresenta
sua pró-reitoria e sua proposta de conteúdo para o site (em geral, esta
atividade gasta em torno de duas horas);
h) com os cartões colados no quadro inicia-se a discussão. Os alunos
percebem a duplicação de informações, a falta de outras (é comum não

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aparecer biblioteca e seus serviços) e principalmente, observam como o
conteúdo do web site está organizado por departamentos, refletindo o
organograma da universidade;
i) a partir da constatação de que o esquema proposto não está adequado
para os potenciais usuários do web site, inicia-se o processo de
classificação das informações, ou categorização (processo longo e com
muitas discussões);
j) em algum momento ocorre o consenso sobre a classificação do conteúdo e
então começa outra atividade complexa: como rotular (que termos usar, de
forma que o usuário possa navegar de forma clara e simples);
k) finalmente, em algum momento, chega-se a uma estrutura de informação
para o desenvolvimento do web site da universidade e os alunos aprendem,
na prática, o que é arquitetura da informação em web sites.
Garret (2003), em seu livro The Elements of User Experience, fala do projeto
de desenvolvimento de web sites, enfatizando que o projeto deve partir da
estratégia, onde são definidos o público que utilizará o web site e o que este público
quer fazer com este e neste web site, ou seja, é necessário responder às perguntas:
para quem e para que. Depois vem o escopo, onde são listadas as características e
funcionalidades que o site deverá conter para atender às necessidades do público
ao efetuar suas tarefas.

O terceiro plano é a estrutura, campo de atuação da

disciplina arquitetura de informação. Depois vem o esqueleto, quando começam as
definições da interface , mas ainda sem uma estética definida. E por fim vem a
superfície, onde é então definida a aparência dos elementos do web site. Os alunos
da disciplina de Arquitetura da Informação da UFRJ aprendem tudo isso praticando
com a técnica de card sorting.
Durante o curso, os alunos são apresentados a ferramentas livres de
desenvolvimento de web sites e é requisitado, como trabalho final da disciplina, a
construção de um web site. Os grupos mais uma vez se reúnem e discutem sobre a
arquitetura de informação do site que irão desenvolver.

3 CONCLUSÃO

Como o foco da disciplina arquitetura de informação está no conteúdo, ela
tem uma grande relação com a área de Biblioteconomia. Fala-se de classificação, de

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categorização, de padronização, de vocabulário controlado, thesaurus, itens muito
conhecidos por bibliotecários, gerentes de conteúdo e cientistas da informação.
A técnica card sorting é excelente para validar a organização da informação e
a nomenclatura utilizada para itens. Contribui para o desenvolvimento de pacotes
de informação, elucidando o modelo mental dos usuários na questão do
relacionamento entre informações. Tem o mérito também de ajudar na definição de
nomenclaturas. Assim, a técnica de card sorting, utilizada para entender como os
usuários agrupam as informações de acordo com suas relações de característica e
significância, está dentro do escopo de aprendizado do bibliotecário. Os alunos,
futuros bibliotecários, já em seu último ano de universidade, aprendem fazendo! As
aulas são alegres e os alunos muito participativos.
Um resultado significativo do método usado no aprendizado da disciplina é
representado pela qualidade dos trabalhos finais que os alunos apresentam ao final
da disciplina. Eles desenvolvem web sites muito interessantes sob a ótica de
usabilidade. No entanto, o principal resultado é a inserção de alguns formandos no
mercado de trabalho, como arquitetos de informação.
O foco do bibliotecário deixou de ser somente o suporte (o livro) para
abranger o acesso à informação (ou seja, a informação em todos os tipos de
suporte). Assim, a informação na internet é um grande nicho para estes
profissionais, principalmente com relação ao tratamento e organização da
informação em web sites, ator importante na grande rede.
Segundo Rosenfeld (2002), co–autor do best–seller “Information Architecture
for the World Wide Web”, a “Arquitetura de Informação é a arte e a ciência de
organizar, estruturar e categorizar a informação para torná–la mais fácil de encontrar
e de controlar”. Essa definição encaixa–se perfeitamente no papel e na função do
bibliotecário. Essas questões fazem parte da rotina de trabalho de um bibliotecário:
trabalhar com hierarquia, categorização, fluxo da informação, facilidade de uso e
acesso à informação. O bibliotecário, além desses conhecimentos precisa estar
informado sobre as tecnologias disponíveis.
Além da estruturação, organização e categorização da informação, o arquiteto
de informação lida também com questões de usabilidade e cognição, taxonomia,
tesauros e vocabulário controlado. Ter um site na internet com muito conteúdo
significa ter que organizar e categorizar muita informação e isso é o que o
bibliotecário vem fazendo há tempos.

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REFERÊNCIAS
AGNER, Luiz. Ergodesign e arquitetura da informação: trabalhando com o
usuário. Rio de Janeiro: Quartet, 2ª Ed. 2009.
BAILEY, Samantha. Information architecture: a brief introduction. Disponível em:
&lt;http://aifia.org/tools/download/Bailey-IAIntro.pdf&gt;. Acesso em: 13 jul 2011.
DIAS, Claudia. Usabilidade na WEB: criando portais mais acessíveis. Rio de
Janeiro: Alta Books, 2ª Ed. 2007.
DIJCK, P. Information Architecture for Designers. RotoVision, 2003.
GARRETT, Jesse James. The Elements of user Experience: User–Centers
Design for the Web. Indianapolis: Indiana, 2ª Ed. 2003.
ISO 9241-11. Ergonomic requirements for office work with visual display
terminals: Guidance on Usability. 1998.
MACEDO, Flávia Lacerda Oliveira. Arquitetura da Informação: aspectos
epistemológicos, científicos e práticos. Brasília: CID/UnB, 2005. (Dissertação de
Mestrado).
MORVILLE, Peter; ROSENFELD, Louis. Information Architecture for the World
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NIELSEN, J. Usability engineering. Boston, MA: Academic Press, 1993.
Nielsen Norman Group. Disponível em: &lt; http://www.nngroup.com/reports/&gt;. Acesso
em: 13 jul 2011.
ROSENFELD, L. &amp; MORVILLE, P. Information Architecture for the Word Wide
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TOUB, S. Evaluating Information Architecture: A practical guide to assessing
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WINCHLER, Marco; PIMENTA, Marcelo Soares. Avaliação de Usabilidade de
Sites Web. Disponível em: &lt; http://www.funtec.org.ar/usabilidadsitiosweb.pdf&gt;.
Acesso em 14 jul 2011.
WURMAN, Richard Saul. Ansiedade de Informação. São Paulo: Cultura Editores
Associados; 2003.
WURMAN, Richard Saul. Information Architects. Nova Iorque: Graphis Inc., 1997.

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                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
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                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>O ensino da disciplina de arquitetura de informação: uma aplicação da técnica de card sorting</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Relato de Experiência</text>
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          <name>Description</name>
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              <text>O trabalho apresenta a metodologia de ensino usada na disciplina de Arquitetura de Informação do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com o objetivo de ensinar aos futuros bibliotecários o que é a arquitetura de informação, é utilizada a técnica de card sorting durante o curso. A técnica de card sorting, utilizada para entender como os usuários agrupam as informações de acordo com suas relações de característica e significância, está dentro do escopo de aprendizado do bibliotecário. O foco do bibliotecário deixou de ser somente o suporte (o livro) para abranger o acesso à informação (ou seja, a informação em todos os tipos de suporte). Assim, a informação na internet é um grande nicho para estes profissionais, principalmente com relação ao tratamento e organização da informação em web sites. Organizar a informação, o fluxo de navegação de um web site, trabalhar a hierarquia e categorização da informação na web são algumas das atividades exercidas pelo arquiteto de informação, o novo profissional que surge para fazer o que o bibliotecário faz em centros de informação. De forma a contextualizar o processo de ensino da disciplina, são discutidos os conceitos de arquitetura de informação e usabilidade, assim como é apresentada a técnica de card sorting.</text>
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