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                  <text>EXPOSIÇÃO: SAUDADES DE MARIA CLENE CARDOSO DE
ALMEDA, MÃE DA ACEROLA NO BRASIL

Josefa Martins da Conceição (UFRPE) - cmartins3012@gmail.com
Resumo:
Relato da nossa experiência enquanto curadora da Exposição “Maria Celene, engenheira
agrônoma, professora, acadêmica e mãe da acerola no Brasil”, homenagem in memoriam que
revela a vida e a obra dessa pioneira da Agronomia pernambucana, destacando sua ousadia ao
trazer em 1958, para Pernambuco, sementes da acerola – fruto originário das Antilhas.
Inicialmente, destinada a divulgar essa pioneira na comunidade acadêmica, essa exposição
passou a ter como público-alvo as crianças das escolas circunvizinhas do campus de Dois
Irmãos no Recife. Além das ações de inclusão social e de extensão universitária promovidas,
revela a parceria que ocorre entre o Núcleo do Conhecimento da Biblioteca Central, a
Assessoria de Assuntos Comunitários da Reitoria e o Curso de Bacharelado em Gastronomia
desta Universidade numa salutar de troca de saberes e ações dos profissionais envolvidos
nesse espaço interativo capaz de cativar e transmitir às crianças visitantes a importância
histórica e a vida dos cientistas da UFRPE como instrumento de transformação da realidade
social.
Palavras-chave: Memória; Acerola; Inclusão social
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

EXPOSIÇÃO: SAUDADES DE MARIA CLENE CARDOSO DE ALMEDA, MÃE DA
ACEROLA NO BRASIL

1 INTRODUÇÃO

A história dessa Exposição tem origem em 07 de setembro de 2012, época
marcada pela presença das Moiras ao cortarem o fio do destino da Engenheira
Agrônoma e Acadêmica Emérita da Academia Pernambucana de Ciência
Agronômica – APCA, a Professora Maria Celene Cardoso de Almeda. Referência de
seus pares e na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), esse triste
fato nos incentivou a organizar, no Núcleo do Conhecimento Prof. João Baptista
Oliveira dos Santos da Biblioteca Central, uma homenagem em formato de
Exposição In Memoriam àquela que, conosco, conviveu quase que semanalmente
desde o ano de 2006.
Em nossa prática bibliotecária, a curadoria dessa exposição se conjuga a
outros projetos do nosso cotidiano através dos quais promovemos a rememoração,
a inserção social e a extensão universitária, tais como: “Roda da Memória”, “Mesa
Redonda Gênero no Mundo Rural Contemporâneo” e “No Tear Imaginário da
Memória”. Trazemos ao conhecimento dos nossos pares da Ciência da Informação a
experiência desse trabalho muldisciplinar desenvolvido no Núcleo do Conhecimento,
que envolve parceiros multidisciplinares. Nessa polissemia, o ato do tornar o
conhecimento acessível às mentes infanto-juvenis das escolas públicas do entorno
da UFRPE no campus de Dois Irmãos, no Recife, fortalece o conceito da
universidade além das fronteiras. Sobre essa proposta institucional, Chauí (2003)
afirma que a universidade não pode fugir dos desafios de ampliar o acesso e
democratizar seus espaços de internos. Portanto, essa nossa ação afirmativa é
fundamental para criar a diversidade no ambiente da UFRPE. Através dela, Alfa e
Ômega se fazem presentes.

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2 MATERIAIS E MÉTODOS

Garimpar a memória dessa pioneira da Agronomia pernambucana tem se
constituído um texto costurado pelos ecos de um passado recente. Portuguesa,
nasceu na Cidade de Aveiro no ano de 1926. Veio para o Brasil ainda criança.
Ousada e corajosa, optou pela Agronomia. Profissão não recomendada na época às
mulheres, o Curso de Agronomia era um nicho masculino. Única mulher da turma
composta por 40 alunos. Pós-Graduada em Educação e Extensão Agropecuária.
Especialista em Fruticultura. Professora da UFRPE. Diretora da Escola de Economia
Doméstica da UFRPE. Técnica da Secretaria de Agricultura de Pernambuco.
A exposição é composta por documentos impressos, pessoais, fotográficos e
honrarias outorgadas à Profa. Maria Celene. Infelizmente, a grande cheia que se
abateu sobre a Cidade do Recife, em 1975, destruiu a maioria dos seus álbuns de
fotografias, deixando um espaço em aberto nas imagens que retratavam momentos
inesquecíveis guardados na lembrança que agora se foi, Martins (2012).
Destacamos as informações sobre a acerola – a cereja das Antilhas que trouxe de
Porto Rico no ano de 1958, quando participou de Curso patrocinado pelo IICA. Na
recepção de encerramento, despertou a curiosidade da Profa. Maria Celene uma
pequena fruta que, pela primeira vez, teve a oportunidade de conhecer: a
ACEROLA, ou CEREJA DAS ANTILHAS. Nome científico: Malpighia Glabra L..
Em seu regresso, trouxe 298 sementes dessa fruta rica em vitamina C.
Semeadas no campo experimental do Departamento de Agronomia da UFRPE,
apenas 09 germinaram. No início dos anos 80, a Pró-Reitoria de Atividades de
Extensão da UFRPE, liderada pelo Prof. Dr. Espedito Meira Couceiro coordenou a
“Campanha Nacional de Difusão da Acerola”, apoiada pela Rede Globo através do
Programa Globo Rural. Divulgada, a acerola passou a ser cultivada em todo o
território nacional. Naquela ocasião, a história da chegada dessa fruta ao Brasil
através de Pernambuco, pelas mãos da Profa. Maria Celene, tornou-se de domínio
público e a Profa. Maria Celene passou a ser convidada para entrevistas e palestras
em diversos eventos, recebendo o título de introdutora dessa fruta rica em vitamina
C no Brasil. Passando a ser carinhosamente conhecida como “A mãe da acerola no
Brasil”. A acerola é uma fruta originária das Antilhas, da América Central e do norte
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da América do Sul, produzida por um arbusto da família da malpighiáceas (Malpighia
glaba), o qual mede pouco mais de 2 metros de altura e apresenta-se

muito

ramificado.
Figuras 1 e 2 – Árvores da Acerola adultas que fazem parte do campo experimental da
UFRPE, campus de Dois Irmãos, Recife, PE.

Fonte: Fotografias de Conceição Martins, 2012.

Neste contexto diverso, interconectado e em mudança, quanto mais troca de
informações houver, melhor. Pensando dessa forma, organizamos a Exposição e
nesses encontros de gerações, observamos que impera a emoção do brilho do olhar
dessas crianças e jovens. A curiosidade dos seus questionamentos e atenção às
nossas respostas, o novo conhecimento adquirido e por que não dizer - a
reeducação alimentar, nos incentiva. Percebemos a alegria desse público infantojuvenil ao conhecer a história dessa Pioneira e dessa fruta que “imaginavam” ser
brasileira. Saborear a diversificada culinária feita à base da acerola tem sido o ápice
das visitas dessas escolas públicas do entorno da UFRPE à mencionada exposição.
Figuras 3, 4 e 5 – Banner, fotografia e parte dos documentos que compõem a Exposição.

Fonte: Fotografias Conceição Martins, 2008 e 2012.

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3 RESULTADOS PARCIAIS
Planejar, buscar parceiros e organizar a logística dessa curadoria tem sido,
para nós, uma ação afirmativa, cuja construção busca abrir os portões da
Universidade às crianças e jovens das comunidades carentes as quais, em sua
maior parte, nunca frequentaram o ambiente de uma biblioteca universitária e
desconhecem a história e os cientistas da UFRPE – instituição na qual poderão vir a
estudar no futuro. Contatadas, imediatamente aceitaram nosso convite. Estão
visitando a Exposição, a Escola Lions Parnamirim, a Escola Peixinho Dourado e a
Escola Tia Nice; todas da comunidade do Sítio São Bráz. Para o segundo
semestre/2013, nos visitarão as Escolas: Escola Mundo Esperança, localizada no
Sítio dos Pintos, e da Escola Sociólogo Gilberto Freyre, localizada no Córrego da
Fortuna. Nas visitas à exposição, as crianças e jovens das turmas do ensino
fundamental e do ensino médio são recebidas pela equipe multidisciplinar sob a
nossa coordenação, com a participação da Socióloga e Assessora de Assuntos
Comunitários da Reitoria que faz a mediação junto aos líderes comunitários, e com
uma docente do Curso de Bacharelado em Gastronomia, cujo papel é informar os
valores nutritivos e a importância da acerola na alimentação.
É nesta perspectiva que, segundo Camargo (2002), esta exposição, como
instituição de memória, coloca-se na tarefa de registrar os significados simbólicos
atribuídos aos objetos do acervo em questão, comunicando esta memória
institucional de forma lúdica e significativa a essas crianças e jovens, promovendo a
inserção social e a extensão universitária. Que, conosco, Ceres, Clio, Mnemósine e
Calipso continuem esse contagiante diálogo entre a universidade e a sociedade.
REFERÊNCIAS
CAMARGO, Haroldo Leitão. Patrimônio Histórico Cultural. São Paulo: Aleph, 2002.
CHAUÍ, Marilena. A universidade pública sob nova perspectiva. Revista Brasileira de
Educação: São Paulo. nº 24. set/out/nov/dez, 2003. p. 6-15.
MARTINS, C. Saudade de uma pioneira da agronomia pernambucana, saudade da mãe
da
acerola
no
Brasil.
Disponível
em:
http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/edicaoimpressa/arquivos/2012/09/17_09
_2012/0069.html. Acesso: 03/04/2013.
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