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                  <text>Utilização de e-books em bibliotecas universitárias da área médica.
Aline Trierweiler de Sousa (UFRGS) - aline.trierweiler@hotmail.com
Samile Andréa de Souza Vanz (UFRGS / DCI) - samilevanz@terra.com.br
Resumo:
Apresenta estudo acerca do uso de e-books da base de dados AccessMedicine, do grupo
editorial McGraw-Hill, pelos acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Federal de
Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Possui abordagem quantitativa, utiliza amostra
de 60 estudantes e questionário como instrumento de coleta de dados. Apresenta as vantagens
percebidas na utilização dos e-books; estimula as unidades de informação a estarem atentas
aos recursos eletrônicos e contribui para o aumento de estudos brasileiros sobre a utilização
de livros eletrônicos em bibliotecas universitárias. Conclui que os livros são fontes de
informação imprescindíveis para o ensino da Medicina e que suas versões eletrônicas são bem
aceitas pelos alunos desse curso na UFCSPA. Ainda, comprova que a AccessMedicine, de um
modo geral, tem sido fonte de informação relevante para os estudantes da UFCSPA. Por fim,
sugere que os resultados sejam utilizados para melhorar o acesso a AccessMedicine pela
Biblioteca da UFCSPA.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Medicina. Livro eletrônico. AccessMedicine.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

UTILIZAÇÃO DE E-BOOKS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA ÁREA
MÉDICA
1 INTRODUÇÃO
O uso de livros eletrônicos por usuários das bibliotecas universitárias
brasileiras ainda é um tema pouco explorado na literatura nacional. Os e-books
se alinham às demandas atuais das bibliotecas no que diz respeito à agilidade
na edição e acesso, bem como pela facilidade de uso. Neste sentido, este
trabalho apresenta uma proposta de estudo acerca do uso de e-books da base
de dados AccessMedicine, do grupo editorial McGraw-Hill, pelos usuários da
Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo - alunos do Curso de Medicina da
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A referida universidade surgiu na capital gaúcha no ano de 1961 e
oferece a comunidade 10 cursos de graduação, além de diversos cursos de
pós-graduação stricto e lato senso (UFCSPA, c2009-2012a). A Biblioteca Paulo
Lacerda de Azevedo, por sua vez, surgiu em 1962 e participa em atividades de
pesquisa, ensino e extensão, por meio da prestação de serviços de informação
especializada em Ciências da Saúde (UFCSPA, c2009-2012b). A partir da
experiência de trabalho na Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo durante o
período de estágio obrigatório do curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), identificou-se a necessidade de
levantamento do uso dos e-books da AccessMedicine, devido ao alto
investimento feito pela instituição para assinatura da base de dados. O objetivo
da pesquisa é analisar a utilização de e-books disponíveis na base Access
Medicine pelos estudantes matriculados no Curso de Medicina da UFCSPA no
primeiro semestre de 2013. Pretendeu-se investigar a relação estabelecida
entre os alunos, os livros impressos, os eletrônicos em geral e os oferecidos
pela AccessMedicine, apontando as principais aplicações quanto ao uso e
dificuldades identificadas pelos usuários e sugestões para a melhoria do
serviço.
Os resultados poderão ser utilizados por todas as bibliotecas que se
interessarem em incorporar esse recurso ao seu acervo, em especial, para as
que pretendem firmar assinatura de bases de dados que provém o acesso ao
e-book e para as bibliotecas que contemplam acervo das Ciências da Saúde.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

O art. 52 da Lei 9.349, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece
as diretrizes e bases para a educação nacional, define as universidades como:
“[...] instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de
nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber
humano [...].” Essas instituições influenciaram o destino de toda a civilização,
impactando, inclusive, no destino dos livros, uma vez que, viabilizaram a
democratização

do

conhecimento,

beneficiando

sua

veiculação

e

disseminação, por meio da circulação de materiais bibliográficos (MARTINS,
2002). Atreladas a elas, surgem às bibliotecas universitárias, relevantes canais
de comunicação de textos científicos (MEADOWS, 1999) e instrumentos
fundamentais para a educação e a atualização profissional (MONFASANI;
CURZEL, 2006).
Diante desse universo das instituições de ensino superior, surgem
as demandas e necessidades informacionais oriundas do público que as
frequenta. Monfasani e Curzel (2006) caracterizam esse público como
estudantes, professores e investigadores, tratando-os como um grupo que
apresenta características em comum, como a idade e as áreas de estudo
similares. Quanto ao uso da informação, Le Coadic (2004) afirma que a
utilização de um objeto de estudo deve ser empregada para que a necessidade
de informação seja sanada, permitindo que esse objeto seja modificado ao
originar novas informações. Milanesi (2002) lembra que os livros e as revistas
são tão importantes, nesse cenário, que as instituições de ensino superior só
têm autorização para funcionar se houver acervo suficiente dessas obras para
os seus alunos. A literatura atualizada é fundamental para esse tipo de
biblioteca, uma vez que elas atendem alunos de pós-graduação e
pesquisadores.
Na pesquisa desenvolvida por Cogdill e Moore (1997), realizada com
acadêmicos do 1º ano de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, 45%
dos participantes disse ter consultado livros didáticos para indicar o diagnóstico
e o provável tratamento para quadros clínicos apresentados em sala de aula,
comprovando a relevância desse tipo de documento, principalmente para as
séries iniciais do curso. Ao contrário do que se observa, por exemplo, com

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clínicos mais experientes, que costumam consultar os colegas para encontrar
soluções. Por meio da pesquisa de Mueller (2005), pode–se perceber que os
livros são documentos bastante significativos, quando se tem o interesse em
estender um assunto, justamente por não estipular um número máximo de
páginas, como ocorre com os artigos científicos, por exemplo. No caso da
Medicina, eles são bastante representativos dando suporte pedagógico ao
ensino, sobretudo nas disciplinas introdutórias.
Nesse sentido, os livros didáticos de medicina são bastante visados
por grandes grupos editoriais. Nos últimos anos, tem se visto uma grande
mobilização em relação à criação e divulgação desse material em meio
eletrônico. Dourado e Oddone (2010, p. 3) afirmam que os e-books surgem
alicerçados “[. . .] nas tecnologias informacionais como nova forma de registro
de informações, promovendo mudanças quanto ao acesso e ao uso dos
suportes informacionais.” Alonso Arévalo, Gordón García e Gomes Diaz (2011)
e Bottentuit Júnior e Coutinho (2007), apresentam vantagens e desvantagens
dos e-books. Dentre as vantagens: permitem o acesso remoto a informação;
incluem textos enriquecidos com diversos recursos; aplicam ferramentas que
beneficiam a acessibilidade; apresentam facilidade em baixá-los da internet;
atingem uma esfera grande de pessoas quanto a edição, divulgação e acesso;
otimizam o espaço físico da biblioteca; possibilitam que um vasto número de
títulos sejam armazenados em um único dispositivo. Dentre as desvantagens:
permitem uma leitura mais lenta e cansativa; apresentam grande quantidade de
informações mal estruturadas; possuem pouca quantidade de exemplares em
determinadas áreas do saber; são frágeis; necessitam de dispositivo de leitura;
apresentam variedade de formatos e requerimentos técnicos necessários a
cada nova versão de hardware e software. Alonso Arévalo, Gordón García e
Gomes Diaz (2011) afirmam que a inserção de bibliotecas no contexto
eletrônico tem aumentado a competitividade entre elas, uma vez que fazem
com que as unidades procurem ofertar, cada vez mais, produtos e serviços
inovadores a seus usuários.
No Brasil, a temática dos e-books ainda é pouco abordada em
estudos que os relacionam as bibliotecas. Por outro lado, com base na
pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, publicada no primeiro semestre de
2012, observa-se que há uma abertura com relação à utilização desse suporte

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por parte dos brasileiros. A “projeção de uso”, abordada no questionário,
mostra que os índices entre quem pretende utilizar mais livros impressos (37%)
e quem pretende utilizar mais os eletrônicos (34%) são próximos. Além disso,
fica evidente que as universidades apresentam forte influência sobre os
usuários desse recurso, uma vez que 43% dos respondentes afirmou estar
cursando ou já ter cursado o Ensino Superior. Porém, há poucos estudos no
país que abordam o uso dos livros eletrônicos, o que impede a compreensão
de como o usuário se relaciona com esses suportes e, portanto, dificulta a
adoção de ações que possam difundir o acesso aos e-books.

3 METODOLOGIA

Trata-se de pesquisa quantitativa, cujo corpus é composto por
alunos matriculados no Curso de Medicina da UFCSPA, divididos em dois
estratos: 268 alunos do grupo 1 (alunos de 1º a 3º série) e 258 alunos do
grupo 2 (alunos de 4º a 6º série). A amostra de 60 alunos (30 alunos de cada
estrato) foi escolhida por conveniência e levou em consideração o tempo
destinado para a sua realização, para tratamento dos dados e análise dos
mesmos. O instrumento de coleta de dados empregado é um questionário
composto por 11 perguntas fechadas e 2 abertas. A aplicação do instrumento
foi feita na Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo, da UFCSPA, no mês de abril
de 2013. Depois de coletadas, as respostas foram analisadas no software
Microsoft Excel 2010.
4 RESULTADOS
Nessa sessão são apresentados os dados coletados com o
questionário, que contemplou três eixos: a caracterização dos estudantes, o
uso de livros eletrônicos em geral e, por fim, a visibilidade e o uso da
AccessMedicine. Conforme definido na metodologia, a amostra foi dividida em
dois grupos: grupo 1, composto por alunos de 1ª a 3ª série e grupo 2,
integrado por discentes de 4ª a 6ª série. De modo mais detalhado, o percentual
de alunos por série foi o seguinte: 13,33% da 1ª série; 18,33% da 2ª; 18,33%
da 3ª série; 33,33% da 4ª série, 11,67% da 5ª série e 5% da 6ª série. Conforme
esses dados, os alunos da 5ª e 6ª série foram menos representativos na

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amostra. São alunos do chamado internato, etapa em que os estudos são
voltados para a prática no ambiente hospitalar, e por isso, eles costumam ir
pouco a UFCSPA.
Com relação ao idioma, os acadêmicos se mostram mais
familiarizados com o inglês, língua padrão da AccessMedicine, que foi marcado
por absolutamente todos os participantes, seguido do espanhol, alemão,
italiano, francês, além de japonês, hebraico e esperanto (preenchidos na opção
“Outro. Qual?”). Tal afirmação se confirma com a ausência de respostas para a
alternativa “idioma” na pergunta (nº 14) que analisou os principais obstáculos
encontrados pelos utilizadores da AccessMedicine.
Ao questionar os respondentes acerca dos canais de informação
utilizados para realizar suas atividades acadêmicas, 96,67% disseram ter
preferência por livros. As anotações de aula ficaram em segundo lugar na
preferência (80%), seguido da internet (70%), professores da UFCSPA
(53,33%), periódicos (48,33%), colegas da UFCSPA (38,33%), Google e bases
de dados (33,33%). As obras de referência e os jornais diários tiveram pouca
incidência nas respostas, assim como a opção “Outro. Qual?”, que foi marcada
por apenas dois respondentes, cujas respostas foram e-books e Up to date.
Esses dados demonstram que para os acadêmicos, além dos canais formais,
os canais de comunicação informais são fontes de informação relevantes no
momento em que realizam seus estudos.
Com relação ao uso de livros eletrônicos em geral, confrontou-se o
uso de artigos eletrônicos com o uso de e-books conforme tabela a seguir:
Tabela 1 – Utilização de artigos eletrônicos versus livros eletrônicos
Utiliza livros eletrônicos nos estudos
Acessa artigos eletrônicos

Não

%

Sim

%

Total geral

%

Não

6

10

13

21,67

19

31,67

Sim

6

10

35

58,33

41

68,33

Total geral

12

20

48

80

60

100

Fonte: Dados extraídos da pesquisa.

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Com relação ao tipo de documento, 68,33% dos alunos acessam
artigos eletrônicos, em conjunto com 80% dos que consultam livros eletrônicos.
A não utilização de artigos corresponde a 31,67%, que se agregam aos 20% de
não utilizadores de e-books. Sendo assim, pode-se considerar que o fato de
haver tradição no acesso de artigos científicos disponíveis eletronicamente
incentive o uso dos e-books, considerando que os artigos eletrônicos ocupam
um espaço importante na academia há mais tempo do que os livros em formato
eletrônico.

Esses dados reforçam a conclusão de Alonso Arévalo, Cordón

García e Gómez Díaz (2011) de que há predisposição, no meio acadêmico,
para a utilização de e-books e que existe uma relação entre revistas eletrônicas
e livros eletrônicos, sendo evidenciado que em instituições onde os alunos
costumam acessar revistas eletrônicas, os e-books também costumam ser
consultados.
Embora a taxa de universitários que afirmaram utilizar livros
eletrônicos em seus estudos tenha sido alta, quando questionados sobre a
preferência de suporte ainda prevalece a preferência pelo formato tradicional,
conforme gráfico a seguir:
Gráfico 1 – Preferência de suporte

Fonte: dados extraídos da pesquisa.

Como se observa no gráfico, a opção “ambos” recebeu um número
significativo de respostas, comprovando que os e-books têm se tornado uma
realidade entre os acadêmicos de Medicina da UFCSPA. Como se sabe, para
que sejam utilizados é necessário dispor de equipamentos que possibilitem a
leitura dessas obras. A tabela abaixo relaciona os universitários que afirmam
utilizar livros eletrônicos e os que dispõem de equipamento de leitura móvel.

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Tabela 2 – Equipamentos de leitura móvel versus utilização de e-books
Possui
equipamento
móvel de leitura

Utiliza livros eletrônicos nos estudos

%

Não

%

Sim

%

Total
geral

Não

6

10

18

30

24

40

Sim

5

8,33

30

50

35

58,33

Não respondeu

1

1,67

-

-

1

1,67

Total geral

12

20

48

80

60

100

Fonte: dados extraídos da pesquisa.

Na pesquisa realizada na UFCSPA, 40% dos participantes não
possuem equipamento de leitura móvel e 80% afirmam utilizar e-books para
estudar, ou seja, para uma parcela dos alunos de Medicina da UFCSPA a
ausência de equipamento móvel de leitura não os impede de utilizar as obras
eletrônicas, supondo que as lêem em computadores. Esses dados opõem-se
aos apresentados na pesquisa de Bottentuit e Coutinho (2007), onde 49% dos
respondentes consideraram a falta de um suporte para a leitura de e-books
como o maior obstáculo para acessá-lo.
Todavia, o número de universitários que possuem equipamentos de
leitura (58,33%), possivelmente tenha influenciado na aceitação de e-books,
cuja taxa de utilização ficou em 80%, enquanto os não adeptos da mídia
somam 20%. Dentre os equipamentos de leitura móvel foram citados: tablet,
smartphone, iPad, iPhone, celular, telefone, notebook, laptop e e-reader.
Quando questionados sobre de que maneira têm acesso aos ebooks: 81,67% dos respondentes disseram baixar gratuitamente pela internet;
53,33% disseram acessar as bases de e-books assinadas pela UFCSPA;
16,67% afirmaram pagar para fazer download da internet; e apenas 5%
compram de livrarias.
Quanto ao uso da AccessMedicine, observam-se os seguintes
resultados:
Gráfico 2 – Uso da AccessMedicine

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Fonte: dados extraídos da pesquisa.

Conforme o gráfico evidenciou-se que o índice de pessoas que
conhecem e utilizam a base de dados equivale ao número das que afirmaram
não conhecê-la, ambas as respostas representaram 45% da amostra. O
número de discentes que disse conhecer, mas nunca ter utilizado a
AccessMedicine foi pequeno, apenas 8 (33%). De um modo geral, esses dados
demonstram que a referida base de dados é reconhecida pelos graduandos da
Medicina da UFCSPA e é representativa para eles. Com o intuito de analisar a
incidência de utilização da base os resultados foram especificados entre os
diferentes estratos:
Tabela 3 – Uso da AccessMedicine entre os estratos de alunos
Grupo
Conhece/Utiliza a AccessMedicine

Grupo 1

%

Grupo 2

%

Total
geral

%

Sim, conheço e costumo utilizar

10

16,67

17

28,33

27

45

Sim, conheço, mas nunca utilizei

1

1,67

4

6,67

5

8,33

Não conheço

19

31,67

8

13,33

27

45

Não respondeu

-

-

1

1,67

1

1,67

Total geral

30

50

30

50

60

100

Fonte: dados extraídos da pesquisa.

O grupo 2, de acordo com as

respostas do questionário, utiliza

mais a AccessMedicine (tendo 28,33% de utilizadores) do que o grupo 1 (que
teve 16,67% de respostas). Ainda, do grupo 1 apenas 1,67% disse conhecer a

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base, mas não a utilizar, no grupo 2 6,67% dos respondentes marcaram essa
alternativa. Como se imaginava, os alunos das séries iniciais (grupo 1) são os
que menos conhecem a base, 31,67% deles afirmaram não a conhecer,
enquanto os alunos da metade do curso em diante (grupo 2) foram
representados por 13,33% dos respondentes que afirmaram não a utilizar.
Na tentativa de contribuir para a análise do uso da AccessMedicine
na Biblioteca da UFCSPA emitiu-se relatório de acesso aos livros eletrônicos
disponíveis na base e de empréstimos dos títulos em versão impressa. Dos 71
títulos oferecidos eletronicamente, apenas 31 são também encontrados em
versão impressa em português e/ou em inglês na biblioteca da UFCSPA. De
um modo geral, nota-se que os livros não foram muito consultados em ambas
as versões, considerando que os relatórios referem-se ao período de 26 de
junho de 2012 a 27 de março de 2013. Todavia, ao estabelecer o comparativo
entre os formatos, verifica-se que as edições eletrônicas foram mais
consultadas do que as impressas.
Para avaliar a visibilidade da AccessMedicine pelos universitários da
UFCSPA foi questionado de que maneira os alunos conheceram a base. No
gráfico abaixo são mostrados os resultados:
Gráfico 3 – Divulgação da AccessMedicine na UFCSPA

Fonte: dados extraídos da pesquisa.

Entre os 45% de respondentes que afirmaram conhecer a base,
21,67% disseram ter ficado sabendo da assinatura por meio de colegas,
16,67% tiveram conhecimento pelo blog e redes sociais da biblioteca, os

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cartazes foram importantes para 10% dos respondentes e os professores foram
pouco participativos na divulgação, esse último dado é visto também no estudo
de Bottentuit Júnior e Coutinho (2007), onde grande parte dos respondentes
afirmou que os professores não costumam indicar e-books nas referências
bibliográficas utilizadas em suas aulas.

Na opção “Outro. Qual?”, apareceram

como respostas: aviso no laboratório de informática, por meio de uma das
bibliotecárias, pela biblioteca, por meio da pesquisa e casualmente em
pesquisa para realizar trabalho.
A aplicação do questionário acabou exercendo também a função de
divulgar a base para os alunos que não a conheciam (45%). No momento da
abordagem, para que respondessem ao questionário, muitos estudantes
perguntavam se a pesquisa referia-se a Evolution  base de e-books da
editora Elsevier que passa por processo de assinatura na UFCSPA 
mostrando que ela possui grande visibilidade entre os acadêmicos. Muitos
deles, inclusive, apontavam para o banner da Evolution exposto na unidade de
informação, evidenciando que esse tipo de exposição é bastante positiva
porque contempla um número grande de usuários. Como a AccessMedicine
não possui esse material na biblioteca, fica como sugestão a sua aquisição,
para que também possa ser vista por um grande número de alunos, fazendo
aumentar o seu índice de utilização.
A maioria dos usuários da AccessMedicine que responderam ao
questionário disseram fazer uso dela esporadicamente, como mostra a tabela a
seguir. O restante (6,67%) corresponde ao número de discentes que a
acessam quinzenalmente e aos que a acessaram uma única vez; 3,33%
realizam acesso diário e mensal.
Tabela 4 – Frequência de acesso a AccessMedicine
Frequência de
Número de
acesso
respostas
Diariamente
2
Quinzenalmente
4
Mensalmente
2
Esporadicamente
13
Acessei uma única vez
4
Não conhece/utiliza a
30
base
Não respondeu
5

%
3,33
6,67
3,33
21,67
6,67
50
8,33

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60
Fonte: dados extraídos da pesquisa.

100

Os motivos que mais influenciam os estudantes a acessarem a
AccessMedicine são: em primeiro lugar, a redação de trabalhos acadêmicos,
com 36,67% de respostas; em segundo lugar, o estudo de conteúdos
ministrados em sala de aula, marcado por 23,33% dos respondentes; em
terceiro lugar, o preparo para provas, conforme 21,67% dos discentes; em
quarto lugar, a realização de trabalhos de pesquisa vinculados a grupos de
pesquisa da UFCSPA; em quinto e sexto lugares, as opções “estudar para
concursos” e “realizar leituras não científicas”, receberam 1,67% de respostas
cada. Portanto, nota-se que o uso da AccessMedicine é aplicado, por grande
parte dos alunos, para solucionar dúvidas decorrentes do aprendizado em sala
de aula, constituindo-se como recurso didático.
O questionário confirmou a dúvida que se tinha com relação às
dificuldades encontradas pelos usuários para acessar, ou durante o acesso, a
AccessMedicine. A instalação do Proxy apareceu consideravelmente dentre as
respostas, totalizando 25% de pessoas que tem ou tiveram dificuldades em
instalá-lo. Embora 88,3% dos alunos tenham afirmado, na Pesquisa de Opinião
(UFCSPA, 2012a) realizada na Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo, que
possuem computadores em casa, é preciso que a instalação do Proxy seja
efetuada de forma satisfatória para que o acesso se concretize, caso contrário,
os discentes não poderão consultar a AccessMedicine, e também a todas as
outras

bases

de

dados

oferecidas

pela

biblioteca

da

UFCSPA

(AccessPharmacy, Evolution e Up to date) .
Sabe-se que as bases de dados contemplam um número grande de
informações que muitas vezes pode se mostrar como ponto negativo ao
usuário, caso ele não tenha domínio da ferramenta e do idioma. Nesse sentido,
as alternativas “dificuldade de encontrar o que realmente lhe interessa”,
“excesso de informações”, “dificuldade de operar a base” e “tempo” refletem
alguns dos possíveis obstáculos.
Gráfico 4 – Dificuldades de acesso a AccessMedicine

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Fonte: dados extraídos da pesquisa.

Na UFCSPA, 15% dos graduandos responderem que essa é uma
dificuldade atrelada à base, associado a isso 1,67% afirmou que o excesso de
informação e a dificuldade de operar a base também são obstáculos. Esses
problemas podem ser minimizados com o oferecimento de treinamentos, que
visam capacitar os usuários para utilizarem os recursos informacionais, de
modo que obtenham um resultado satisfatório e, portanto, consigam sanar suas
necessidades de informação. Outros 8,33% disseram que o tempo para acesso
dificulta a sua interação com o sistema.
As duas últimas perguntas do questionário solicitou que os alunos
participassem com sugestões, críticas, observações acerca da AccessMedicine
e sugestões de horários e locais para a realização de treinamentos que
pudessem auxiliá-los no uso do recurso. Nessas questões, ficou clara a
necessidade de melhor divulgar o recurso e de realizar treinamentos, uma vez
que mais da metade (34) respondeu a pergunta referente à educação de
usuário.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir desse trabalho é possível afirmar que os e-books têm
adquirido cada vez mais espaço nas instituições de ensino superior,
contrariando a hipótese inicial de que os livros eletrônicos eram utilizados de
maneira tímida se comparado a outros recursos. As universidades costumam
ser grandes incentivadoras desse suporte, tendem a adquiri-los e propagá-los
entre a sua comunidade e assim fazem crescer o número de adeptos. As
editoras, por sua vez, entendem que, nesse cenário as obras científicas são

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muito requeridas e, por isso, providenciam a elaboração de produtos que
atendam as necessidades de informação dos membros que integram essas
instituições e alia essas necessidades aos fatores que hoje em dia são
primordiais para os diversos públicos: o tempo e o deslocamento.
Os livros eletrônicos apresentam uma série de elementos que
favorecem as instituições que os adquirem e os usuários que os utilizam. A sua
publicação é ágil e sua propagação é rápida, diminuindo os riscos do uso de
informações desatualizadas; são acessados de qualquer lugar, sem que haja
necessidade do usuário se dirigir a um local específico; não requerem
processamentos técnicos longos, no máximo, a descrição ou importação dos
dados; não despendem espaço físico, pois se encontram em meio virtual;
oferecem mecanismos que favorecem a leitura, como aumento da fonte e
alteração de contraste. Mas, para que contribuam para enriquecer os produtos
oferecidos pelas bibliotecas é necessário que se pense em como serão
recebidos, se os equipamentos da instituição são adequados, se a internet ou a
rede está apta a comportá-los. Além disso, pode-se perceber que a divulgação
é uma ferramenta de extrema importância para que se tenha uso significativo,
podendo-se justificar a sua assinatura.
Nesse estudo, a representatividade dos livros didáticos para os
acadêmicos da instituição foi evidente. Quase a totalidade da amostra, afirmou
consultar livros para sanar necessidades resultantes de suas atividades
acadêmicas. Esses dados ajudam a compreender porque as editoras têm se
preocupado em criar e oferecer recursos eletrônicos, de acesso a livros, para
esses estudantes. O uso de e-books foi expressivo entre a amostra,
comprovando que eles têm sido reconhecidos no meio acadêmico, porém, os
livros impressos ainda detêm a preferência dos estudantes. Todavia, ao
comparar os relatórios de empréstimo de impressos e de acessos a
AccessMedicine, comprova-se que os livros disponíveis na base foram mais
consultados do que suas versões impressas emprestadas.
Embora o índice de alunos que disseram utilizar e-books e,
especialmente a AccessMedicine, tenha de certa forma surpreendido, o
número de adeptos pode e deve aumentar. Para tanto, algumas sugestões
foram expressas pelos próprios alunos e/ou pela autora, como: a necessidade
de expandir a divulgação da AccessMedicine, a começar pela obtenção de um

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

banner da base, para que fique exposto na biblioteca, como ocorre com a Evolution; a AccessMedicine pode ser mais divulgada também nas páginas
criadas pela biblioteca no facebook, twitter e blog (a impressão que se tem é
que

a

base

E-volution,

da

Elsevier,

é

mais divulgada

do

que

a

AccessMedicine); os computadores da unidade de informação, disponíveis
para o público, precisam ser melhores para que todos os recursos eletrônicos
obtidos pela UFCSPA tenham um bom desempenho no decorrer de sua
utilização e, assim, sejam cada vez mais consultados pela comunidade
acadêmica também no ambiente da biblioteca; seria oportuno realizar
treinamentos com relação a AccessMedicine, tendo em vista que em torno da
metade dos participantes responderam a questão referente aos treinamentos,
demonstrando que essa necessidade existe, permitindo instruir os usuários
quanto ao uso dos produtos, servindo também para promover a base entre a
comunidade acadêmica, podendo-se realizá-los no início do ano letivo, ao se
adquirir um novo recurso, ao detectar que os usuários apresentam muitas
dificuldades em relação ao seu uso ou sempre que solicitado pela comunidade.
Diante do exposto ao longo do trabalho, é possível afirmar que o
investimento na AccessMedicine têm sido positivo, na medida em que os
usuários tem demonstrado que fazem uso dela e dos livros eletrônicos,
estimulando

a

instituição

para

que

continuem

estudando

propostas,

promovendo outros produtos nessa linha e realizando melhorias para o seu
suporte.

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&lt;http://www.ufcspa.edu.br/biblioteca/sobre.html&gt;. Acesso em: 01 set. 2012.

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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Utilização de e-books em bibliotecas universitárias da área médica.</text>
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              <text>Aline Trierweiler de Sousa</text>
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              <text>Samile Andréa de Souza Vanz</text>
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              <text>Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente - Trabalho científico</text>
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              <text>Apresenta estudo acerca do uso de e-books da base de dados AccessMedicine, do grupo editorial McGraw-Hill, pelos acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Possui abordagem quantitativa, utiliza amostra de 60 estudantes e questionário como instrumento de coleta de dados. Apresenta as vantagens percebidas na utilização dos e-books; estimula as unidades de informação a estarem atentas aos recursos eletrônicos e contribui para o aumento de estudos brasileiros sobre a utilização de livros eletrônicos em bibliotecas universitárias. Conclui que os livros são fontes de informação imprescindíveis para o ensino da Medicina e que suas versões eletrônicas são bem aceitas pelos alunos desse curso na UFCSPA. Ainda, comprova que a AccessMedicine, de um modo geral, tem sido fonte de informação relevante para os estudantes da UFCSPA. Por fim, sugere que os resultados sejam utilizados para melhorar o acesso a AccessMedicine pela Biblioteca da UFCSPA. </text>
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