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                  <text>Uso do Compendium para mapear o conhecimento dos alunos das
disciplinas fundamentais do curso de Biblioteconomia

Nelma Camêlo Araujo (UFAL) - nelmatai2000@yahoo.com.br
Resumo:
Os mapas visuais de conhecimento são uma ferramenta significativa para uso no aprendizado
e tem como característica considerar os aspectos cognitivos de seus usuários, levando em
conta a teoria da Psicologia Cognitiva. Esse trabalho foi desenvolvido tendo como objetivo
mapear os conhecimentos dos alunos do Curso de Biblioteconomia da UFAL que cursam
disciplinas básicas, denominadas disciplinas do núcleo duro da área. Para tal, foi selecionada
como amostra os dois monitores das disciplinas de Representação Descritiva I e II e a
Temática I e II; a ferramenta utilizada foi o software Compendium. Para a construção do
mapa de cada monitor foram dispostos temas das disciplinas, tais como indexação e resumo.
Os resultados demonstram que os alunos, mesmo tendo cursado com êxito essas disciplinas,
tiveram mapas diferentes, e que um sobressaiu mais que o outro. Mapear antecipadamente o
conhecimento cognitivo dos alunos é essencial para usar uma metodologia mais adequada
para o aprendizado, e o Compendium é uma ferramenta que deve ser aproveitada para mapear
os conhecimentos dos alunos
Palavras-chave: Cartografia Cognitiva. Compendium. Biblioteconomia
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Uso do Compendium para mapear o conhecimento dos alunos das disciplinas
fundamentais do curso de Biblioteconomia

Resumo

Os mapas visuais de conhecimento são uma ferramenta significativa para uso no
aprendizado e tem como característica considerar os aspectos cognitivos de seus
usuários, levando em conta a teoria da Psicologia Cognitiva. Esse trabalho foi
desenvolvido tendo como objetivo mapear os conhecimentos dos alunos do Curso
de Biblioteconomia da UFAL que cursam disciplinas básicas, denominadas
disciplinas do núcleo duro da área. Para tal, foi selecionada como amostra os dois
monitores das disciplinas de Representação Descritiva I e II e a Temática I e II; a
ferramenta utilizada foi o software Compendium. Para a construção do mapa de
cada monitor foram dispostos temas das disciplinas, tais como indexação e resumo.
Os resultados demonstram que os alunos, mesmo tendo cursado com êxito essas
disciplinas, tiveram mapas diferentes, e que um sobressaiu mais que o outro.
Mapear antecipadamente o conhecimento cognitivo dos alunos é essencial para
usar uma metodologia mais adequada para o aprendizado, e o Compendium é uma
ferramenta que deve ser aproveitada para mapear os conhecimentos dos alunos.
Palavras-chaves: Cartografia Cognitiva. Compendium. Biblioteconomia.

Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 INTRODUÇÃO

A informação está presente em todas as atividades da sociedade atual como um
recurso que agrega sentido ao fazer do homem. As tecnologias da comunicação e
informação (TIC) são o ferramental necessário, representando um desafio, que faz
necessitar de novos perfis profissionais para gerenciar centros e serviços de
informação.
Para

McLuhan, (2007), na década de 1960, quando emergem os novos

recursos informacionais mediados por máquinas, a automação, termo utilizado na
época, tem seus aspectos positivos e negativos, mas destaca como um dos
aspectos positivos a relação entre as pessoas e a aproximação de suas tarefas.
Assim, tem-se uma visão de redes e do desenvolvimento de aprendizagem.

�Esses avanços tecnológicos, o uso de ferramentas para o desenvolvimento
da aprendizagem, por exemplo, têm trazido muitas contribuições, reflexões e
desafios para a educação. Nesse aspecto, dentre as muitas vertentes para se
trabalhar esses avanços, depara-se com os recursos ofertados por meio das TIC e
da própria web. Esses recursos se manifestam por intermédio de algumas
ferramentas que possibilitam o ensino-aprendizagem considerando os aspectos
cognitivos do aluno.
Para Coll e Monero (2010) as TIC têm como principio a possibilidade de
utilizar sistemas simbólicos para representar informações e consequentemente
disseminá-las.
No desenvolvimento da aprendizagem, alguns pesquisadores (COLL e
MONEREO e outros, 2010) vêm utilizando ferramentas tecnológicas e princípios da
psicologia cognitiva para melhorar a aquisição de conhecimento por parte do aluno.
No entendimento de Okada (2009), o grande impasse para a construção de
um aprendizado “sob medida” para o aluno é mapear seu conhecimento cognitivo;
após esse mapeamento é possível determinar qual a metodologia mais adequada no
desenvolvimento do aprendizado. Sendo assim, percebe-se a preocupação em
alguns docentes em possibilitar através dos recursos tecnológicos um aprendizado
baseado nos aspectos cognitivos dos discentes.
Essa prática pode ser compreendida como inovadora, e visa despertar no
meio acadêmico a inserção de novas formas metodológicas para o desenvolvimento
da aprendizagem, que podem ser trabalhadas e utilizadas no ensino superior.
Mapear o conhecimento dos alunos deveria ser parte da metodologia aplicada
em disciplinas que exigem uma boa dose de concentração do aluno e também um
grau alto de observação, porém se usarmos apenas as aplicações formais podemos
cometer alguns erros nesse mapeamento.
As disciplinas essenciais do Curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL) exigem dos alunos leitura minuciosa de publicações,
interpretação e extração dos elementos significativos para posterior recuperação das
informações contidas nesses documentos. Estas atividades têm entre outras
finalidades atender à demanda de usuários das mais variadas Unidades de
Informação.
A maioria dos professores que ministra essas disciplinas encontra
dificuldades em possibilitar ao aluno um aprendizado eficaz. Uma das dificuldades

�encontradas reside na formação desse aluno, uma vez que a bagagem de leitura de
muitos desses é muito inconsistente ao se considerar entre outros fatores a
precariedade do ensino fundamental e médio em muitas escolas no Brasil.
Contudo, no currículo do curso de Biblioteconomia da UFAL, essas disciplinas
são uma das bases do denominado “núcleo duro”1 da área, isto é, se o aluno não for
bem instrumentalizado na mesma ele poderá apresentar dificuldades no seu domínio
e comprometer, desse modo, a recuperação da informação nos ambientes em que
poderá atuar profissionalmente.
Na área de pesquisa em Ciência da Informação, cuja subárea de
Biblioteconomia esta inserida, as pesquisas sobre o assunto estão voltadas ao
estabelecimento de melhores práticas para o aprendizado. Nesse sentido, vale-se
da utilização de formulários e do desenvolvimento de sistemas de rastreamento de
informações nos textos, sob a denominação na área da Ciência da Computação de
Data Mining, que se entende como mineração de dados.
Os alunos que estudam as disciplinas denominadas Análise da Informação,
Representação Descritiva e Temática, necessitam de um grau de concentração e
observação além do que os dispensados nas outras disciplinas, pois a construção
do conhecimento e a disseminação da informação para outras áreas depende de
um excelente aprendizado nessas disciplinas.
Como objetivo geral, a pesquisa preocupou-se em: aplicar o software
Compendium como forma de mapear o conhecimento dos alunos que atuam nas
disciplinas básicas do curso de biblioteconomia com a finalidade de melhoria das
práticas metodológicas de ensino. E como objetivos específicos foram estabelecidos
os seguintes passos: a) estabelecer critérios para avaliar o grau de conhecimento
dos alunos no uso do Compendium; b) identificar as dificuldades dos alunos no uso
do Compendium e, c) identificar o conhecimento dos alunos sobre o tema abordado
na elaboração de mapas.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

1

Pode ser entendida como o conjunto de disciplinas que dão sustentação à área de Biblioteconomia. Segundo Barros (2009)
apud Oliveira (2011, p. 118) O “núcleo duro” da Biblioteconomia moderna restringe-se às disciplinas técnicas (notadamente
organização, classificação, catalogação e indexação.)

�O referencial teórico foi construído a luz das áreas de educação, psicologia
cognitiva, tecnologia na educação e em relatos literários do uso do software de
mapeamento Compendium.
No âmbito do aprendizado à luz da Psicologia Cognitiva destaca-se
principalmente a visão de como o aluno percebe as imagens externas na construção
das suas imagens internas, ou seja, a leitura do que ele vê para a construção de
seus conhecimentos. Nesse sentido, faz-se necessário essa área de estudo que
denomina-se Psicologia Cognitiva, sendo ela:
o ramo na psicologia que trata do modo como os indivíduos
percebem, aprendem, lembram e representam as informações que a
realidade fornece. A psicologia cognitiva abrange como principais
objetos de estudo a percepção, o pensamento e a memória,
procurando explicar como o ser humano percebe o mundo e como
utiliza-se do conhecimento para desenvolver diversas funções
cognitivas como: falar, raciocinar, resolver situações-problema,
memorizar, entre outras (VESCE, 2008, p.1).

Assim, a aprendizagem é um processo em construção, proporcionando uma
postura ativa entre educador e educando, possibilitando a criação de conhecimento
independente de uma estrutura pré-estabelecida.
Nessa perspectiva, para Vicari et al (2003, p. 200) os indivíduos resolvem
problemas e tomam decisões em espaços em que a informação é parcial (não
completa) ou está na aproximação (não exata). Sendo assim, têm-se tentado, em
consonância com os mesmos autores, “emular essa capacidade em agentes
inteligentes, mas para problemas formulados com informação parcial ou aproximada
pode-se obter apenas soluções aproximadas, ou seja, com incerteza. Portanto,
torna-se necessário dispor de formas para lidar com a incerteza.”
Esses autores apresentam um modelo de plataforma para “Construção de
Ambientes de Aprendizagem” com o objetivo de capacitar o aluno em um
aprendizado mais independente e, desse modo, o professor pode atuar como um
organizador de tarefas de aprendizagem.
Aprender é mais que absorver informações, e se faz necessária uma
interação na aprendizagem que pode depender das características cognitivas
individuais do aluno. Nesse aspecto, baseando-se na perspectiva cognitiva
construtivista de forma geral, educar consiste “em provocar o desequilíbrio na mente
do educando, de maneira compatível com seu nível de desenvolvimento, de modo

�que, ao procurar o reequilíbrio, ele se reestruture cognitivamente

e aprenda”

(VIDOTTI; VIEIRA, 2004, p. 37).
Organizar o que o aluno percebe do seu mundo externo na construção de seu
conhecimento interno implica, principalmente, na capacidade de assimilação das
informações repassadas e de seus esquemas e estruturas cognitivas, procurando
restaurar o equilíbrio entre ambos. A busca por se manter esse equilíbrio é
constituída de ações coordenadas, em estrutura de conjunto, capazes de compensar
perturbações externas por meio de mecanismos reguladores internos.
Diante disso, os sistemas de representação visual apresentam uma busca
constante de equilíbrio das estruturas cognitivas do aluno e sua formação de
conhecimento, podendo ser denominado como assimilação. Nessa orientação, a
assimilação da aprendizagem pode ser definida, de acordo com Piaget (1973, p.13),
como:
A integração de estruturas prévias, que podem permanecer
invariáveis ou são mais ou menos modificadas por essa própria
integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto
é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova
situação. A assimilação, definida assim em termos funcionais gerais,
desempenha um papel necessário em todo o conhecimento.

A abordagem piagetiana a respeito da teoria cognitiva de aprendizado baseiase na construção do conhecimento do individuo diante da sua realidade; ou seja, a
assimilação de um fato externo tem que ser vivenciada pelo individuo. Desse modo,
a aprendizagem não pode ser alicerçada em fatos e objetos fictícios, o individuo
necessita presenciar e perceber seu objeto de conhecimento, para que a
representação visual seja desenvolvida mentalmente.
A abordagem de Psicologia Cognitiva, baseada na busca, tratamento e uso
da informação, percorre uma área do conhecimento denominada Ciência da
Informação, que a Biblioteconomia, a Arquivologia e a Museologia estão inseridas
como subáreas. Essa interlocução, ou melhor, essa interdisciplinaridade permite
consolidar estudos de aprendizagem nas diversas áreas do conhecimento, conforme
afirma Vesce (2008, p.9)
Existem algumas áreas de conhecimento relacionadas à psicologia
cognitiva, como: a inteligência humana, a inteligência artificial, a
representação do conhecimento, a construção de conceitos, a
atenção, a percepção visual e auditiva, a linguagem, o
reconhecimento de modelos, o esquecimento e a lembrança, a
ciência da computação, entre outras (grifo nosso).

�Assim, entende-se que a Biblioteconomia está inserida nesse contexto, pois
as disciplinas essenciais à essa área abordam exatamente os domínios
concernentes à representação do conhecimento e da informação.

2.1 TIC na Educação

As TIC têm papel preponderante no cotidiano dos indivíduos, das instituições
e dos países, estabelecendo novos modelos de comunicação e de organização da
informação. Para Dowbor (2011, p. 11), o grande desafio no uso das TIC na
educação não está apenas ao uso de hardware ou software; pois como o mesmo
autor acentua, “é a própria concepção do ensino que tem que repensar os seus
caminhos”.
O autor citado defende as novas possibilidades educacionais desenvolvidas à
luz das TIC, enfatizando a necessidade dos educadores repensarem suas práticas
pedagógicas no desenvolvimento da aprendizagem (DOWBOR, 2011). Desse modo,
a tecnologia apresenta contribuições para orientar o desenvolvimento humano, uma
vez que trabalha na área de desenvolvimento proximal de cada pessoa por
intermédio da internalização daquelas habilidades cognitivas que são requisitadas
pelos sistemas de ferramentas que correspondem a cada momento histórico
(LALUEZA; CRESPO; CAMPS, 2010).
A literatura destaca que as TIC são utilizadas no desenvolvimento
educacional baseada em três eixos: a comunicação, a Psicologia da Aprendizagem
e a teoria sistêmica. Nessa direção, para a comunicação, as TIC favorecem a
disseminação de conteúdos informacionais, sejam visuais, textuais ou sonoros,
facilitando o acesso, o uso e a recuperação das mensagens. Sendo assim, o aluno
influencia e é influenciado pelas práticas no desenvolvimento da aprendizagem.
O aprendizado ocorre quando o aluno passa a conhecer e a
transformar sua realidade, adaptando-a a seus esquemas de
assimilação e procedendo às suas reconstruções. Assim, os
esquemas de pensamento passam a ser ampliados a todo instante,
pois novos elementos são permanentemente incorporados a uma
espécie de "rede de esquemas". A construção de competências
corresponde, portanto, à construção dos esquemas mentais que irão
mobilizar os conhecimentos, as emoções e o fazer, sendo
reutilizados de forma criativa em novas situações e, portanto,
ampliados. (GIL, 2005, p.8)

�As TIC na área de educação têm oportunizado uso de técnicas em meio
eletrônico como estímulo ao desenvolvimento no aprendizado. A exemplo tem-se o
e-learning, as comunidades de aprendizagem, os mapas de cognição, softwares que
possibilitam mapear o conhecimento do aluno, games, dentre outras possibilidades.
O uso das TIC não está relacionada apenas ao domínio no uso de hardware,
mas também

aos recursos desenvolvidos pelo homem na construção de uma

sociedade mais igualitária, mesmo que hoje essa realidade esteja cada vez mais
distante.
De acordo com Mercado (2002, p.5) a incorporação da tecnologia no
aprendizado pode contribuir na relação direta do ensino no ambiente “escola” e o
aprendizado no ambiente externo à “escola”:
A qualidade da educação, geralmente centrada nas inovações
curriculares e didáticas, não pode se colocar à margem dos recursos
disponíveis para levar adiante as reformas e inovações em matéria
educativa, nem das formas de gestão que possibilitam sua
implantação. A incorporação das novas tecnologias como conteúdos
básicos comuns é um elemento que pode contribuir para uma maior
vinculação entre os contextos de ensino e as culturas que se
desenvolvem fora do ambiente escolar (2002, p.5).

As observações de alguns autores na área de educação sugerem que o uso
das TIC é um processo gradual e depende claramente dos objetivos para seu uso. A
melhoria e a eficiência da utilização das TIC na educação dependem de um domínio
maior nessa nova metodologia por parte dos professores e dos projetos
educacionais para que se faça necessário o uso dessas tecnologias.

2.2 Compendium

Mapas cognitivos são descritos na literatura como modelos mentais abstratos
e complexos que representam imagens que as pessoas percebem ao seu entorno.
Esses modelos podem ser modelos mentais representados por meio de mapas
cognitivos sendo

interfaces fundamentais para representar o conhecimento das

pessoas.
Em qualquer área do conhecimento, os mapas cognitivos desenvolvidos em
meio computacional têm auxiliado a elaborar com mais precisão mapas de
conhecimentos de indivíduos e de grupos de indivíduos. Esses mapas são
considerados como representações visuais do conhecimento.

�O interesse pelo estudo dos sistemas de representação visual do
conhecimento surge, inicialmente, no marco da Psicologia Cognitiva
e está fundamentado na idéia de que as imagens externas podem
afetar a representação interna do conhecimento. [...] Entre as
pesquisas dirigidas a estudar os efeitos das representações visuais
na compreensão e no raciocínio, destaca-se a teoria cognitiva da
aprendizagem multimídia, proposta por Mayer (1997, 2001)” (COLL,
ENGEL, BUSTOS, 2010, p.229)

O Compendium é um software que tem como objetivo mapear o
conhecimento visual da pessoa, gerenciando as conexões entre informações e
ideias. O software foi desenvolvido pela Knowledge Media Institutev e dispõe de
poucas restrições sobre a forma de como pode ser organizado o material disponível;
embora muitos tenham encontrado suporte para um trabalho estruturado, seguindo
uma metodologia ou técnica de modelagem. O interesse principal no uso do
Compendium está em visualizar as ligações entre pessoas, ideias e informações em
vários níveis, em discussões e debates, mapeameando quais as habilidades são
necessárias para fazê-lo de forma participativa, de forma que envolva todas as
partes interessadas. (COMPENDIUM INSTITUTE, tradução nossa)
O Compendium dispõe de recursos para armazenar arquivos de diversos formatos,
pois utiliza linguagem Java, dispondo de recursos gráficos para ilustrar as ações dos usuários,
como setas, imagens, cores e mobilidade. O software dispõe de ícones que representam
informações, que são auto explicativos, porém escritos em inglês. O usuário do software pode
salvar seu projeto, podendo trabalhar com ele em momentos diferentes, porém se o usuário
salvar o projeto em um computador, só poderá continuar o projeto naquele computador em
que o gravou inicialmente.
No Compendium o ícone ponto de interrogação significa o problema inicial, e a lâmpada
está relacionada as associações do problema, o usuário pode construir seu mapa utilizando os
recursos de armazenagem sobre o problema inicial e as associações criadas por ele.
O software pode ser utilizado individualmente ou em grupo. No uso individual, o
Compendium serve para criar associações de um projeto que necessita ser organizado de
acordo com as diversas opções sobre o assunto, como fotos, artigos, e-book, gráficos, link,
dentre outros. Para o uso em grupo, o Compendium é utilizado como forma de diálogo, ou
seja, é dado um tema e duas ou mais pessoas vão criando um mapa único, interagindo com os
diversos recursos e formatos, assim a avaliação é realizada visando perceber quem contribuiu

�mais na construção do mapa e como foi a troca de informações no grupo, numa percepção
voltada para o sensemaking (fazendo sentido).
Para Coll, Engel e Bustos (2010, p. 241), o Compendium
abrange um conjunto de ferramentas baseadas em sistemas de
hipertextos para apoiar o trabalho grupal, a fim de melhorar a
comunicação entre comunidades dispersas que abordam problemas
mal estruturados, integrando os recursos documentais gerados e
proporcionados pelos participantes em uma memória grupal
reutilizável.

A aplicação desse software pode contribuir para a melhoria no desenvolvimento
de uma metodologia mais adequada ao aprendizado dos alunos nas disciplinas básicas do
Curso de Biblioteconomia, como dito anteriormente, uma vez que esse mapeamento de ideias
e informações são o cerne do aprendizado nessa área, sendo necessário um maior grau de
concentração e observação.
3 METODOLOGIA
A natureza da pesquisa é aplicada, tendo em vista que busca proporcionar a
geração de conhecimentos específicos sobre uma prática pedagógica no contexto
do curso de Biblioteconomia. Também se caracteriza como descritiva na medida em
que irá procurar compreender e descrever os fenômenos de uma determinada
população. (SILVA e MENEZES, 2001).
Sob o ponto de vista dos objetivos, a pesquisa é qualitativa, pois se
desenvolve numa situação natural; é rica em dados descritivos, possui um plano
flexível e focaliza a realidade de forma complexa e num determinado contexto,
além do ambiente natural ser a fonte direta para a coleta de dados.
Neste estudo trabalhamos com os alunos das seguintes disciplinas essenciais do Curso
de Biblioteconomia da UFAL: Representação Descritiva I e II, Represerntação Temática I e II e
Analise da Informação I e II. Essas seis disciplinas são distribuidas no segundo e terceiro ano
do Curso, todas com carga horária de 60 h, com quatro horas-aula semanais, sendo uma parte
teórica e outra prática. A parte prática é a que mais demanda carga horária. Atualmente, somos
três os professores que se revesam para ministrar essas disciplinas; portanto, os três ministram
as seis disciplinas.
As classes foram compostas com turmas de mais ou menos 25 a 35 alunos, pois,
dependendo do desempenho deles, existe muita retenção nessas disciplinas. Assim, a
população da pesquisa poderá variar de 150 a 210.

�Para a execução dessa primeira etapa, foram selecionados os monitores que
representam as disiciplinas de Representação Descritiva I e II e as Disciplinas de Temática I e
II.
O software Compendium foi instalado em um primeiro momento no computador do
professor, instalado no laboratório de informática do Curso de Biblioteconomia. Após o contato
dos alunos com a ferramenta e seu devido aprendizado, foi disponibilizado o software em duas
máquinas distintas, pois cada mapa tem um projeto definido no Compendium.
Na pesquisa utilizamos o Compendium individualmente, pois o objetivo foi perceber
qual o grau de conhecimento de cada aluno.

3.1 Coleta de Dados
Foram apresentadas aos monitores informações sobre linguagem documentária,
incluindo indexação e resumo. Após a apresentação do software aos alunos, foi elaborado
uma agenda para acompanhamento do aprendizado destes no uso da ferramenta e, após o
domínio do software, foi elaborado um cronograma diferenciado para cada um, de forma que
pudessem construir seus mapas sem consultas entre si.
A primeira fase, aprendizado dos alunos no uso da ferramenta, foi a mais demorada,
sendo necessário mais de duas semanas, pois o software é todo escrito na língua inglesa,
assim a dificuldade linguistica foi o primeiro obstáculo, o segundo obstáculo foi o domínio da
estrutura do software e como se dava a construção dos mapas.
Nas duas fases os alunos tiveram pouca orientação, apenas a básica para que eles
pudessem perseguir os objetivos traçados pela pesquisa. A orientação foi realizada, quando da
instalação do software nas máquimas do laboratório de informática do Curso de
Biblioteconomia, para que os alunos pudessem acompanhar a estrutura do software e
entender como poderiam construir seus projetos de acordo com o propósito da pesquisa.
Para análise das dificuldades encontradas para elaboração do mapa e os
conhecimentos adquiridos ao longo das disciplinas, utillizou-se como parâmetro os seguintes
termos das disciplinas,: indexação e resumo.
Para que a integridade da pesquisa fosse preservada, os alunos foram identificados
como aluno 1 e aluno 2.
Após os alunos terem superado todas as dificuldades iniciais eles construiram seus
mapas, conforme figura 1 e 2.

�Figura 1 - Mapa do aluno 1

Fonte: Compendium
De acordo com o mapa, pode-se perceber que esse aluno usou todas as opções que o
Compendium disponibiliza, partindo do termo indexação e resumo, ele criou relações com
outros termos , e demais objetos, como livro (na ferramenta de estudo), uma norma da ABNT
em PDF, e no quesito leitura ele disponibilizou um artigo.
O aluno 1 fez as associações corretas, relacionando as palavras estabeleciadas e as
outras da área, como processamento, biblioteconomia, especificidade, exausttividade,
palavras-chave, politicas de indexação.
A declaração do aluno também corrobora para essa avaliação, conforme registrada
abaixo:
A estrutura do mapa foi elaborada de forma aleatória, onde a construção dos meus
pensamentos se deu de forma espontânea, sem ajuda de nenhum material que pudesse servir de base
na criação de algum item exposto no mapa. A partir de um item exposto, fui construindo outro
intimamente ligado ao primeiro e assim sucessivamente até o término do mapa. A utilização das
ferramentas do software me deu condições de agregar valores aos itens, caracterizá-los, bem como
promover a visualização de alguns itens, e para tanto, a internet colaborou no sentido de oferecer um
maior suporte e reforço às minhas ideias, destacando assim o sentido das palavras através de fotos e
texto. A execução do trabalho se deu em quatro etapas: a adaptação ao software, a exposição de
pensamentos, a utilização da internet no que tange a consulta de elementos para incrementar o mapa, e
a organização estética do mesmo para a entrega definitiva.

No mapa do aluno 2, conforme figura 2, percebe-se que ele não utilizou muitos recursos
disponiveis no sotware, diferentemente do aluno 1.

�Ele começou com o problema “tratamento temático” e não relacionou os ítens a esse
problema, e inverteu o sentido, tendo a lâmpada indexação no centro do projeto, sem agregar
outros formatos no seu construto.
O interessante nesse mapa foi a quantidade de anotações que ele deixou registrada
sobre o assunto, que podem ser identificadas no ícone anotações, e nos arquivos em word.
Figura 2 – Mapa do aluno 2

Fonte: Compendium.
O aluno 2 deu o seguinte depoimento sobre o uso do Compendium:
A estrutura do mapa foi realizada de modo com que não houvesse arrodeio aos meus
pensamentos, foram introduzidos na construção elementos textuais vistos em sala de aula para uma
melhor compreensão do assunto. Ser direto e objetivo é uma característica pessoal, o que proporciona
maior facilidade na hora da obtenção de resultados.

De acordo com os mapas criados pelos alunos, e após analisar a correspondência do
percurso que eles realizaram na construção do conhecimento sobre os temas Indexação e
Resumo, pode-se concluir que o experimento foi positivo, pois duas situações foram
reforçadas: a) o aprendizado sobre o mesmo tema depende dos aspectos cognitivos de cada
um; b) a troca de informações e a construção do conhecimento tem que ser compartilhada.
A forma que cada um começou a construção do mapa também é relevante, o aluno 1
entendeu o problema partindo dos termos estabelecidos, indexação e resumo, e o aluno 2
entendeu esses termos como sendo o percurso natural; ou seja, não foi um problema,
fazendo parte de outras associações.
Outro dado que pode ser constatado nos mapas dos alunos foi que o aluno 2 valorizou
mais o construto baseado em textos, anotações e artigos, já o aluno 1 usou de vários recursos

�para construir seu projeto, e-book, Power Point (apresentações em sala de aula), links da
internet (relacionados às ciências humanas), dentre outros.
Assim, a partir das diferenças visuais no mapa de cada aluno, e de acordo com o
depoimento deles, pode-se afirmar que o aprendizado se deu de forma diferente sobre o
mesmo assunto.
Para Ainsworth (2006) apud Coll, Engel e Bustos (2010, p. 230) a representação visual
do conhecimento usando software como Compendium auxiliam no aprendizado “porque
ajudam a integrar informações de várias fontes com diferentes níveis de abstração (signos,
ícones, etc.) e diferentes formatos (gráficos, tabelas, desenhos, textos, diagrama, etc.)”
Portanto, o uso da ferramenta Compendium possibilitou em um curto espaço de tempo
essas analises, sendo o seu aproveitamento muito relevante.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo foi feita a análise dos mapas de conhecimentos de dois alunos das
disciplinas fundamentais do curso de Biblioteconomia aplicando o Compendium, uma vez que
este software é uma ferramenta que possibilita, a partir do desenvolvimento dos mapas,
considerar os aspectos cognitivos de quem os elabora, tanto na sua aplicação quanto se os
resultados atingiram os objetivos propostos.
Os alunos participantes do estudo demonstraram interesse na ferramenta, mesmo no
inicio tendo dificuldades com relação ao idioma e à estrutura do software. Mas sendo algo
novo, despertou o interesse de ambos, mesmo que o segundo aluno tenha sido mais
pragmático na construção do seu mapa. Porém, isso não é motivo para concluir que esse ou
aquele aluno tenha mais ou menos interesse nas disciplinas e sim que devido ao seus
aspectos cognitivos a aprendizagem deles são diferentes.
Outro ponto importante é que o uso do Compendium depende da infraestrutura do
curso, necessitando de equipamentos de informática que possibilitem a compra ou o uso livre
do software, pois para cada projeto se faz necessário o desenvolvimento individual, ou seja,
para cada aluno é necessário um equipamento. Assim, dependendo do número de alunos por
disciplina e dependendo dos equipamentos disponiveis nem todos terão oportunidade de
participar da construção de seus mapas de conhecimento.

Referências

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considerações para a prática educacional . Psicología Reflexao e Crítica. Porto
Alegre, año/vol. 12, número 002, 1999. Universidad Federal do Rio Grande do Sul.
Disponivel em:
&lt;http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/html/188/18812208/18812208.html&gt; Acesso em:
25 nov 2011
COLL, César; ENGEL, Anna; BUSTOS, Alfonso. Os ambientes virtuais de
aprendizagem baseados na representação visual do conhecimento. In: COLL,
César; MONERO, Carles. Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com
as tecnologías da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010, p.226244.
COLL, César; MONERO, Carles. Educação e aprendizagem no século XXI: novas
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COMPENDIM INSTITUTE. About Compendium. Disponível em:
http://compendium.open.ac.uk/institute/about.htm Acesso em: 12 dez.2012
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Uso do Compendium para mapear o conhecimento dos alunos das disciplinas fundamentais do curso de Biblioteconomia</text>
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              <text>Os mapas visuais de conhecimento são uma ferramenta significativa para uso no aprendizado e tem como característica considerar os aspectos cognitivos de seus usuários, levando em conta a teoria da Psicologia Cognitiva. Esse trabalho foi desenvolvido tendo como objetivo mapear os conhecimentos dos alunos do Curso de Biblioteconomia da UFAL que cursam disciplinas básicas, denominadas disciplinas do núcleo duro da área. Para tal, foi selecionada como amostra os dois monitores das disciplinas de Representação Descritiva I e II e a Temática I e II;  a ferramenta utilizada foi o software Compendium. Para a construção do mapa de cada monitor foram dispostos temas das disciplinas, tais como indexação e resumo. Os resultados demonstram que os alunos, mesmo tendo cursado com êxito essas disciplinas, tiveram mapas diferentes, e que um sobressaiu mais que o outro. Mapear antecipadamente o conhecimento cognitivo dos alunos é essencial para usar uma metodologia mais adequada para o aprendizado, e o Compendium é uma ferramenta que deve ser aproveitada para mapear os conhecimentos dos alunos</text>
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