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                  <text>Tecnologias aplicadas à catalogação: a utilização de folhas de
estilo XSLT na conversão de registros bibliográficos do PHL para o
Formato MARC 21

Fabrício Silva Assumpção (UNESP) - assumpcao.f@gmail.com
Plácida L. V. Amorim da Costa Santos (UNESP) - placida@marilia.unesp.br
Resumo:
O Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos tem possibilitado o intercâmbio de registros no
contexto nacional e internacional. No entanto, existem sistemas de gerenciamento de
bibliotecas que não utilizam esse formato, ao invés disso utilizam formatos próprios, o que
desfavorece a participação das bibliotecas em programas de catalogação cooperativa e pode
resultar em retrabalho durante a migração entre diferentes sistemas. Um sistema que não
permite a exportação dos registros no Formato MARC 21 é o Personal Home Library (PHL),
amplamente utilizado no Brasil. Considerando esse cenário, objetiva-se elaborar um
instrumento para a conversão dos registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros
no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos. A partir da revisão de literatura decide-se
que o instrumento para a conversão seria uma folha de estilo de transformação construída
com a linguagem XSLT. Para a elaboração da folha de estilo realiza-se o mapeamento do
Formato PHL e do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos. Como considerações finais
destaca-se que o instrumento elaborado oferece às bibliotecas usuárias do PHL uma
alternativa viável para a conversão de seus registros bibliográficos.
Palavras-chave: Conversão de registros bibliográficos. Formato MARC 21 para Dados
Bibliográficos. Folha de estilo XSLT. Catalogação descritiva. Personal Home
Library
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Tecnologias aplicadas à catalogação: a utilização de folhas de estilo XSLT na
conversão de registros bibliográficos do PHL para o Formato MARC 211

Resumo:
O Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos tem possibilitado o intercâmbio de
registros no contexto nacional e internacional. No entanto, existem sistemas de
gerenciamento de bibliotecas que não utilizam esse formato, ao invés disso utilizam
formatos próprios, o que desfavorece a participação das bibliotecas em programas
de catalogação cooperativa e pode resultar em retrabalho durante a migração entre
diferentes sistemas. Um sistema que não permite a exportação dos registros no
Formato MARC 21 é o Personal Home Library (PHL), amplamente utilizado no
Brasil. Considerando esse cenário, objetiva-se elaborar um instrumento para a
conversão dos registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros no Formato
MARC 21 para Dados Bibliográficos. A partir da revisão de literatura decide-se que o
instrumento para a conversão seria uma folha de estilo de transformação construída
com a linguagem XSLT. Para a elaboração da folha de estilo realiza-se o
mapeamento do Formato PHL e do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos.
Como considerações finais destaca-se que o instrumento elaborado oferece às
bibliotecas usuárias do PHL uma alternativa viável para a conversão de seus
registros bibliográficos.
Palavras-chave: Conversão de registros bibliográficos. Formato MARC 21 para
Dados Bibliográficos. Folha de estilo XSLT. Catalogação descritiva. Personal Home
Library (PHL).
Área Temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo à frente.

1 INTRODUÇÃO

O Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos tem sido utilizado
internacionalmente no intercâmbio de registros bibliográficos. Nascidos no início da
automação das unidades de informação, os Formatos MARC e seus derivados são
um dos resultados do uso estratégico das tecnologias em prol do processo de
catalogação (PEREIRA; SANTOS, 1998, p. 124).
Para Moreno e Brascher (2007, p. 14), a necessidade de intercâmbio de
registros de forma padronizada, o planejamento e a implantação da catalogação
cooperativa para redução de custos e de retrabalhos foram impulsionados com os
Formatos MARC. Alves (2010, p. 33) relaciona a ampla utilização dos formatos
MARC a certa consonância existente entre esses formatos e as regras de

1

Estudo realizado com o financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES).

1

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catalogação, nas palavras da autora,
é importante destacar que o formato passou a ser amplamente
utilizado pela comunidade biblioteconômica por refletir a lógica de
descrição contemplada nas estruturas descritivas dos códigos de
catalogação, possibilitando, dessa forma, uma facilidade na
importação e exportação de dados bibliográficos.

No Brasil, o suporte a importação e a exportação de registros no Formato
MARC 21 para Dados Bibliográficos tem sido uma característica buscada nos
sistemas de gerenciamento de bibliotecas (CAFÉ; SANTOS; MACEDO, 2001;
CÔRTE et al., 1999). No entanto, diversos desses sistemas ainda não satisfazem
esse requisito, ao invés disso utilizam formatos próprios, o que interfere nas
possibilidades de intercâmbio e de migração dos registros.
A impossibilidade de intercambiar registros desfavorece a participação das
bibliotecas em programas de catalogação cooperativa. Ao passo que a
impossibilidade de migração dos registros ocasiona em retrabalho durante a
mudança de sistema de gerenciamento de bibliotecas.
Um sistema de gerenciamento de bibliotecas que não possibilita a exportação
dos registros bibliográficos no Formatos MARC 21 para Dados Bibliográficos é o
Personal Home Library (PHL)2. Segundo dados de 02 de março de 2013, o PHL é
utilizado em 3180 bibliotecas (NOSSOS CLIENTES, 2013) e o PHL.netopac,
catálogo coletivo de algumas das instituições que utilizam o PHL, conta com
5.467.589 registros bibliográficos (PHL.NETOPAC, 2013).
Partindo desse cenário, o problema que conduziu à realização deste estudo
foi: como converter os registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros no
Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos?
Diante desse problema, definiu-se como objetivo elaborar um instrumento
para a conversão dos registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros no
Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos.
Em razão de seu objetivo, as implicações da realização deste estudo são de
natureza acadêmica e profissional. As implicações acadêmicas decorrem de suas
contribuições à investigação sobre a conversão de registros, os formatos de
intercâmbio, a interoperabilidade no âmbito das bibliotecas e, de modo geral, sobre a
aplicação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em benefício das
atividades de catalogação.

2

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As implicações de natureza profissional concentram-se principalmente no fato
de que o instrumento elaborado neste estudo está disponível gratuitamente na Web,
podendo ser utilizado por qualquer instituição que deseje converter os registros
bibliográficos exportados pelo PHL em registros no Formato MARC 21.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Para a revisão de literatura sobre a conversão de registros, o Formato MARC
21 para Dados Bibliográficos, o Formato PHL, a XML e a XSLT foram realizados
levantamentos bibliográficos em bases de dados nacionais e internacionais, em
catálogos de bibliotecas e em ferramentas de busca não especializadas. Foram
selecionados documentos nos idiomas português, inglês e espanhol, sem restrições
cronológicas ou tipológicas.
O mapeamento do Formato PHL e do Formato MARC 21 para Dados
Bibliográficos foi realizado com base no Manual do PHL 8.2 (OLIVEIRA, 2011) e na
documentação oficial provida pela Library of Congress (2012).
Para a elaboração da folha de estilo foi utilizada a versão 2.0 da XSLT (W3C,
2007) e o software Oxygen XML Editor, versão 13.2. Para testar a folha de estilo e
converter os registros MARCXML em registros codificados com a ISO 2709, foi
utilizado MarcEdit, versão 5.9, aplicativo disponível gratuitamente. Os testes da folha
da folhas de estilo foram realizados com registros bibliográficos criados
especificamente para este fim e com registros coletados do PHL.netopac (2013).

3 CONVERSÃO DE REGISTROS: CONVERSÃO RETROSPECTIVA E
REUTILIZAÇÃO DE METADADOS
Sobre a conversão de registros, a literatura apresenta estudos e relatos que
podem ser classificados em dois principais tipos: a conversão retrospectiva e a
reutilização de metadados (repurposing metadata).
A conversão retrospectiva envolve a inserção dos dados de registros
analógicos, de modo geral presentes em fichas catalográficas, em registros digitais
processáveis por aplicativos (ASENSI ARTIGA; RODRÍGUEZ MUÑOZ, 2001;
OLIVEIRA et al., 1998). Segundo Bowman (2007, p. 331), a conversão retrospectiva
2

Disponível em: &lt;http://www.elysio.com.br&gt;. Acesso em: 25 fev. 2013.

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tem acompanhado a catalogação desde o início da automação de bibliotecas, o que
ocorreu a partir da década de 1960 com a criação do Formato MARC e dos formatos
dele derivados.
Para a realização da conversão retrospectiva podem ser adotados diversos
métodos. Um método frequentemente descrito na literatura é a importação de
registros a partir de bases de dados externas à instituição que deseja realizar a
conversão. São realizadas consultas a essas bases de dados para saber se
dispõem de registros digitais correspondentes aos registros analógicos da
instituição. Os registros correspondentes são, então, importados para uma base de
dados local, onde são realizadas as modificações necessárias para sua adequação
às necessidades da instituição (BOWMAN, 2007; DARKO-AMPEM, 2006; OLIVEIRA
et al., 1998).
Outros métodos para a conversão retrospectiva envolvem a inserção direta
dos dados em registros digitais, ou seja, sem que haja a importação a partir de uma
base de dados externa (PEREZ; LIMA, 2002), e a captura dos dados de fichas
catalográficas por meio do Optical Character Recognition (OCR) (reconhecimento
ótico de caracteres) (BOWMAN, 2007; ZAFALON, 2012). Sobre os diferentes
métodos para a conversão retrospectiva, Oliveira et al. (1998) destacam que
A escolha de um método eficaz que seja adequado às características
e necessidades das bibliotecas e que assegure a conversão de
catálogos manuais para informatizados, com prazos de execução
razoáveis, custo baixo e garantindo a qualidade das informações,
são critérios que devem prevalecer na definição de um modelo de
conversão retrospectiva.

Devido à ampla utilização de sistemas de gerenciamento de bibliotecas e
outros aplicativos para o gerenciamento, o armazenamento e/ou a disseminação de
recursos informacionais, por exemplo, os repositórios, a literatura sobre conversão
passou a preocupar-se não somente com a conversão retrospectiva (do analógico
para o digital), mas também com a conversão dos registros já presentes no ambiente
digital.
Em alguns casos, esses sistemas (sistemas de gerenciamento de bibliotecas,
repositórios, sistemas para bibliotecas digitais, etc.) utilizam formatos ou padrões
diversificados para a importação e a exportação de registros, o que faz com que seja
necessário converter os registros exportados em um sistema antes de importá-los
em outro (ASENSI ARTIGA; RODRÍGUEZ MUÑOZ, 2001; RUDIĆ; SURLA, 2009).
Esse tipo de conversão tem sido chamado de reutilização de metadados e sua

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necessidade estende-se ainda mais devido à diversidade de padrões internacionais,
nacionais e locais (WOODLEY, 2008).
Para Woodley (2008, p. 6), o processo de reutilização de metadados
compreende um largo conjunto de atividades: converter ou transformar registros de
um padrão de metadados para outro, migrar de um padrão legado para outro,
integrar registros criados de acordo com diferentes padrões e coletar ou agregar
registros criados utilizando um padrão compartilhado pela comunidade ou diversos
padrões. A autora aponta também que uma das razões que pode levar à
necessidade desse tipo de conversão é a atualização para um novo sistema de
gerenciamento de bibliotecas que utilize padrões diferentes dos utilizados pelo
sistema anterior.
Na literatura são encontrados relatos e estudos sobre a reutilização de
metadados tanto no contexto dos catálogos dos sistemas de gerenciamento de
bibliotecas, quanto em outros ambientes informacionais, tais como os repositórios
institucionais. Averkamp e Lee (2009) apresentam um workflow para a reutilização
dos metadados de teses e de dissertações, oriundos da base de dados ProQuest
UMI Dissertation Publishing, na criação de registros para inserção em um repositório
institucional e em um catálogo de biblioteca.
Keenan (2010) relata a reutilização de registros Dublin Core da base de
dados U.S. Congressional Serial Set, 1817-1994 para a criação de registros no
Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos, visando à inserção desses em um
catálogo de biblioteca. Essa base de dados oferece aos seus assinantes os registros
em Dublin Core sem qualquer custo adicional, ao passo que vende seus registros no
Formato MARC 21. A reutilização dos metadados nesse caso resultou em uma
significativa redução dos custos, se comparada à compra dos registros já no
Formato MARC 21.3
Na literatura brasileira são encontrados estudos e relatos sobre a conversão
retrospectiva (DIAS, 1999; PEREZ; LIMA, 2002; ZAFALON, 2012) e a reutilização de
metadados (RAPOSO; OLIVEIRA; SHINOTSUKA, 1985; BOICA; OLIVEIRA, 2008;
MURAKAMI, 2012). Este trabalho, por objetivar a elaboração de um instrumento
para a conversão dos registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros no
3

Segundo Keenan (2010), o custo estimado para a compra e a inserção dos registros seria
de US$ 25.669,71, enquanto que o custo da reutilização foi de US$ 1.129,05, incluindo o
tempo gasto no planejamento, na pesquisa e no desenvolvimento de scripts.

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Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos, lida com a conversão dos registros já
presentes em ambientes digitais, portanto é classificado como um estudo sobre a
reutilização de metadados. O percurso teórico que conduziu à realização de seu
objetivo é apresentado na seção seguinte.

4 FOLHAS DE ESTILO XSLT COMO INSTRUMENTOS PARA A CONVERSÃO
DE REGISTROS
A partir dos estudos e dos relatos sobre a reutilização de metadados
observados na literatura, nota-se a necessidade inicial do conhecimento acerca do
formato de origem (formato em que estão os registros a serem convertidos) e de
destino (formato para o qual os registros serão convertidos). Esta seção apresenta
brevemente o Formato PHL e o Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos, além
do percurso teórico que conduziu à elaboração do instrumento para a conversão dos
registros de um formato para outro.
O Formato PHL é adotado no sistema de gerenciamento de bibliotecas
Personal Home Library (PHL). Seus campos são identificados por etiquetas
constituídas de três dígitos numéricos, possuem rótulos textuais e estão descritos no
manual que acompanha o sistema PHL (OLIVEIRA, 2011).
O Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos é um dos cinco formatos que
integram a Família MARC 21. Os Formatos MARC 21 derivam dos primeiros
formatos criados na década de 1960 pela Library of Congress (LC) para o
intercâmbio de dados no âmbito das bibliotecas.
Um registro no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos é composto de
conteúdo, designação do conteúdo e estrutura. O conteúdo consiste nos dados
presentes no registro (título, nomes dos autores, assuntos, números de
classificação, data de publicação, etc.); a designação do conteúdo são as etiquetas
dos campos e os códigos de subcampos (100, 245, 245$a, 245$b, 300$a, etc.); e a
estrutura é a codificação que torna o registro processável por aplicativos (LIBRARY
OF CONGRESS, 1996).
Tradicionalmente, a codificação utilizada nos registros MARC 21 é aquela
definida na norma Information and documentation – Format for information exchange
(Informação e documentação – Formato para intercâmbio de informações) (ISO
2709). O desenvolvimento das tecnologias de informática trouxe outras formas para

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a codificação de registros, dentre elas o MARCXML, uma linguagem de marcação
construída para a codificação de registros MARC com a XML (LIBRARY OF
CONGRESS, 2011).
Os registros no Formato PHL também são compostos de conteúdo,
designação do conteúdo e estrutura, podendo ser codificados de diversas formas,
dentre elas com a XML.
Observa-se, assim, que os registros a serem convertidos, registros no
Formato PHL, e os registros desejados, registros no Formato MARC 21 para Dados
Bibliográficos, compartilham algumas características, dentre essas o fato de que
podem estar codificados com a XML. Relacionadas à XML, estão tecnologias que
servem a distintos propósitos, dentre eles à transformação de documentos XML.
A Extensible Markup Language (XML) (Linguagem de Marcação Extensível) é
uma tecnologia amplamente utilizada e conhecida pelos profissionais da Ciência da
Computação. Diferentemente do que diz seu nome, a XML não é uma linguagem de
marcação, mas sim um conjunto de restrições sobre as quais podem ser construídas
linguagens de marcação (RAY, 2001, p. 2).
Uma linguagem de marcação, por sua vez, é “um conjunto de símbolos que
pode ser colocado no texto de um documento para demarcar e rotular as partes
desse documento” (RAY, 2001, p. 2) ou um conjunto de convenções utilizadas para
a codificação de textos, sendo que essas convenções devem especificar quais
marcas são permitidas, quais são exigidas, como se deve fazer distinção entre as
marcas e o texto e qual o significado da marcação (ALMEIDA, 2002, p. 6).
Um documento XML criado com uma linguagem de marcação pode ser
transformado para que fique de acordo com outra linguagem de marcação. Essa
transformação ocorre por meio de folhas de estilo de transformação criadas com a
linguagem Extensible Stylesheet Language for Transformation (XSLT) (Linguagem
Extensível para Folhas de Estilo de Transformação), tecnologia desenvolvida para
estender as possibilidade de uso da XML. De modo geral, uma folha de estilo XSLT
é um documento XML contendo regras que indicam aos processadores de
transformação (aplicativos que realizam a transformação) o que fazer com as partes
de um documento XML para deixá-lo de acordo com outra linguagem de marcação
(RAY, 2001).
Diante das possibilidades que oferecem para a transformação de documentos
XML, as folhas de estilo XSLT têm sido utilizadas na conversão de registros (KEITH,

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2004; KURTH; RUDDY; RUPP, 2004; RUDIĆ; SURLA, 2009; KEENAN, 2010).
Sobre essa utilização, Keith (2004, p. 124-125) destaca que, embora a XSLT não
disponha de todas as características e do controle presente em uma linguagem de
programação como a Java, é bastante surpreendente o que pode ser realizado com
ela.
Ainda segundo o autor, transformar documentos XML utilizando folhas de
estilo XSLT traz diversos benefícios: as folhas de estilo podem ser facilmente
modificadas nos editores de texto mais simples, sem que haja a necessidade de
software específico para isso, e os profissionais que atuam em bibliotecas e que não
são programadores podem ser capazes de realizar modificações em folhas de estilo
requerendo pouco auxílio de profissionais da Ciência da Computação (KEITH, 2004).
Kurth, Ruddy e Rupp (2004, p. 158) destacam que as habilidades necessárias
para a criação e a modificação de folhas de estilo XSLT podem ser rapidamente
adquiridas pelos profissionais que atuam em bibliotecas, o que é entendido como
uma vantagem para a utilização dessa tecnologia como um instrumento para a
conversão de registros.
Considerando o exposto sobre a viabilidade da XSLT na conversão de
registros, no presente estudo optou-se pelo uso de uma folha de estilo XSLT como
instrumento para a conversão dos registros bibliográficos do PHL. A elaboração
dessa folha de estilo é descrita na seção seguinte.

5 ELABORAÇÃO DA FOLHA DE ESTILO XSLT PARA A CONVERSÃO DE
REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS DO PHL
A partir da opção pelo uso de uma folha de estilo XSLT, o processo de
conversão dos registros bibliográficos do PHL compreendeu três principais etapas:
(a) a folha de estilo contendo as regras para a transformação dos registros do PHL
em registros no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos é elaborada e inserida
no processador de transformação; (b) os registros do PHL são exportados em XML e
inseridos no processador de transformação; e (c) o processador de transformação
executa as regras da folha de estilo e cria um documento XML contendo os registros
no Formato MARC 21 seguindo a linguagem de marcação MARCXML. Essas etapas
estão representadas pela Figura 1.

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Figura 1 – Conversão dos registros bibliográficos do PHL utilizando uma folha de estilo XSLT

Fonte: Elaborada pelo autor

Para a elaboração da folha de estilo foi necessário o mapeamento do formato
de origem e de destino. O mapeamento é um procedimento necessário à conversão
de registros, uma vez que resulta em um “mapa” representando os relacionamentos,
as equivalências e as lacunas entre os formatos (ST. PIERRE, LAPLANT, 1998;
KURTH; RUDDY; RUPP, 2004; WOODLEY, 2008). Para a conversão dos registros
bibliográficos, os campos do Formato PHL foram estudados e buscaram-se seus
correspondentes entre os campos, os indicadores e os subcampos do Formato
MARC 21 para Dados Bibliográficos. O Quadro 1 apresenta um fragmento do mapa
resultante desse mapeamento.
Quadro 1 – Fragmento do mapa do Formato PHL e do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos

Formato PHL
Etiqueta
Campo
M, A
003
Classificação

Nível

M, A

003

Classificação

M, A

008

Meio Eletrônico

M

016

Autor

M

016

Autor

M
M
M, A
M, A
M, A

018
020
035
040
040

Título
Total de Páginas
ISSN
Idiomas do Texto
Idiomas do Texto

Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos
Campo i1 i2 Etiqueta
Campo: subcampo
080
# #
a
Classificação Decimal Universal:
Número de classificação
082
0 4
a
Classificação Decimal de Dewey:
Número de classificação
856
4 0
u
Localização e acesso eletrônico:
Uniform Resource Identifier (URI)
100
1 #
a
Ponto de acesso principal - Nome
pessoal: Nome pessoal
700
1 #
a
Ponto de acesso secundário Nome pessoal: Nome pessoal
245
1 0
a
Indicação de título: Título
300
# #
a
Descrição física: Extensão
022
# #
a
ISSN: ISSN
008
- - /35-37 Informações gerais: Idioma
041
# #
a
Código do idioma: Código do
idioma do texto ou do som

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M

062

Editora

260

#

#

b

M

063

Edição

250

#

#

a

M, A

064

Data de Publicação

260

#

#

c

M, A

066

260

#

#

a

M, A

069

Cidade de
Publicação
ISBN

020

#

#

a

Publicação, distribuição: Nome do
publicador, distribuidor, etc.
Indicação de edição: Indicação de
edição
Publicação, distribuição: Data de
publicação, distribuição, etc.
Publicação, distribuição: Local de
publicação, distribuição, etc.
ISBN: ISBN

Fonte: Elaborado pelo autor
Legenda: M – nível monográfico; A – nível analítico; i1 – primeiro indicador; i2 – segundo
indicador; # - indicador em branco.

Com base nos relacionamentos identificados durante o mapeamento e
indicados no mapa, foi elaborada a folha de estilo XSLT. Para essa elaboração
foram necessários conhecimentos básicos e avançados sobre folhas de estilo. Esses
conhecimentos, por sua vez, podem ser obtidos tanto por profissionais da Ciência da
Computação quanto por bibliotecários por meio de livros, artigos e tutoriais sobre
XSLT e, de modo geral, sobre XML.
A título de exemplificação, a Figura 2 apresenta algumas regras de
transformação extraídas da folha de estilo elaborada neste estudo.
Figura 2 – Fragmento da folha de estilo XSLT

&lt;!-- International Standard Book Number (ISBN) (MARC 020) - ISBN (PHL 069) --&gt;
&lt;xsl:if test="$bibliographicLevel = 'm'"&gt;
&lt;xsl:for-each select="v069"&gt;
&lt;marc:datafield tag="020" ind1=" " ind2=" "&gt;
&lt;marc:subfield code="a"&gt;
&lt;xsl:value-of select="."/&gt;
&lt;/marc:subfield&gt;
&lt;/marc:datafield&gt;
&lt;/xsl:for-each&gt;
&lt;/xsl:if&gt;
&lt;!-- Indicação de edição (MARC 250) - Edição (PHL 063) --&gt;
&lt;xsl:if test="$bibliographicLevel = 'm' and v063"&gt;
&lt;marc:datafield tag="250" ind1=" " ind2=" "&gt;
&lt;marc:subfield code="a"&gt;
&lt;xsl:value-of select="v063"/&gt;
&lt;/marc:subfield&gt;
&lt;/marc:datafield&gt;
&lt;/xsl:if&gt;
Fonte: Elaborada pelo autor

As regras de transformação da Figura 2 referem-se, respectivamente, aos

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ISBNs e à indicação de edição. A primeira regra diz: se o nível do registro PHL for
monográfico (representado pela letra m), para cada ocorrência do campo 069, crie
um campo 020 do MARC 21 com os indicadores (ind1 e ind2) em branco; crie dentro
deste campo o subcampo $a e insira nele o conteúdo do campo 069 do PHL. A
segunda regra diz: se o nível do registro PHL for monográfico e o registro possuir o
campo 063, crie o campo 250 do MARC 21 com os indicadores em branco; crie
dentro deste campo o subcampo $a e insira nele o conteúdo do campo 063 do PHL.
Para cada registro do PHL presente no documento de entrada, o processador
de transformação percorre as regras da folha de estilo, executando-as quando
aplicáveis.
Durante e após a elaboração da folha de estilo, foram realizados testes de
conversão visando a verificar a adequação dos registros resultantes no que diz
respeito ao MARCXML, aos campos, aos indicadores e aos subcampos do Formato
MARC 21 para Dados Bibliográficos e ao conteúdo dos registros, evitando, assim, a
criação de registros inválidos e assegurando uma mínima perda de dados.

6 INSTRUÇÕES PARA A UTILIZAÇÃO DA FOLHA DE ESTILO NA
CONVERSÃO DE REGISTROS DO PHL
Para a conversão de registros bibliográficos do PHL utilizando a folha de
estilo elaborada neste estudo, foi redigido um manual contendo instruções
detalhadas dos passos a serem seguidos. Esses passos são: exportação dos
registros bibliográficos do PHL em XML por meio da interface de exportação do PHL;
instalação do MarcEdit; inserção da folha de estilo no MarcEdit; e conversão. Esse
manual, assim como a folha de estilo, está disponível gratuitamente na Web4.
A conversão dos registros com a folha de estilo elaborada neste estudo
resulta em registros MARC 21 codificados com a XML (MARCXML). No entanto, em
alguns casos, o sistema que utilizará os registros convertidos não faz a importação a
partir de MARCXML, apenas a partir de ISO 2709. Nesses casos é necessário que
os registros MARCXML sejam convertidos para ISO 2709, o que pode também ser
realizado no MarcEdit. As instruções para essa conversão também estão descritas
no manual.

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Disponível em: &lt;http://fabricioassumpcao.com/conversao-de-phl-para-marc-21&gt;.

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A necessidade de converter registros muitas vezes tem causado retrabalho no
ambiente das bibliotecas. Para suprir tal necessidade, a catalogação tem feito uso
das tecnologias no decorrer de sua história, sendo hoje encontrados diversos
métodos e instrumentos tecnológicos para esse fim.
O instrumento elaborado neste estudo – uma folha de estilo XSLT – oferece
às bibliotecas usuárias do Personal Home Library (PHL) uma alternativa viável para
a conversão de seus registros bibliográficos para o Formato MARC 21 para Dados
Bibliográficos, visando a atender seus mais distintos propósitos, dentre eles a
participação em programas de catalogação cooperativa e a migração entre sistemas
de gerenciamento de bibliotecas.
Sem esse instrumento ou qualquer outro que desempenhasse sua função, a
conversão dos registros bibliográficos do PHL ficaria limitada e condicionada à
tarefas como a digitação ou a cópia dos dados para planilhas MARC 21, tarefas
essas que, dependendo do número de registros a ser convertido e da disponibilidade
de profissionais qualificados, demandariam muito tempo.
Sobre a folha de estilo elaborada neste estudo, considera-se que ela permite
a realização da conversão em um período de tempo relativamente curto e que, por já
estar elaborada, as bibliotecas que optarem por sua utilização não terão de investir
tempo em sua elaboração, sendo essa etapa, portanto, de custo zero para essas
bibliotecas.
A partir da revisão de literatura e da experiência obtida na realização deste
estudo, podem ser traçadas algumas considerações acerca da elaboração de folhas
de estilo para a conversão de registros.
Primeiramente, dentre os fatores que influem sobre o tempo demandado na
elaboração de uma folha de estilo estão a complexidade dos formatos de origem e
de destino, incluindo o número de campos/subcampos, a especificidade e o nível de
granularidade dos formatos, e o quão mínima é a perda de dados tolerada. Entendese também que, ao considerar o tempo demandado em sua elaboração, deve ser
levado em conta o número de registros a ser convertido com uma folha de estilo, de
modo a melhor ponderar sobre a relação custo-benefício.
Dada as diferenças entre os formatos de origem e de destino, após a
conversão, pode ser necessário completar ou modificar os registros convertidos. O

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que deve ser levado em conta pelas bibliotecas em seus planos para conversão.
Nota-se também que a perda de dados durante a conversão relaciona-se às
diferenças entre os formatos, ao nível de exaustividade do mapeamento e ao
conhecimento das possibilidades oferecidas pela XSLT.
Apesar de os bibliotecários terem capacidade para aprender a elaborar ou a
editar folhas de estilo XSLT, não se pretende atribuir a esse profissional tal encargo.
O que se pretende, no entanto, é que os bibliotecários conheçam as tecnologias
existentes de modo que possam utilizá-las, com ou sem o intermédio de terceiros,
em prol de suas atividades.
Por fim, independentemente do tipo e/ou do método utilizado, entende-se que
a conversão de registros no contexto das bibliotecas significa, acima de tudo, evitar
o retrabalho, ou seja, evitar que um recurso informacional já catalogado precise ser
catalogado novamente. Evitar o retrabalho, por conseguinte, implica na redução dos
custos com a catalogação e do tempo gasto na disponibilização dos registros aos
usuários, que, por sua vez, têm o catálogo e seus registros como um dos principais
meios de acesso à informação contida nos recursos informacionais que integram as
coleções das bibliotecas.

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              <text>Tecnologias aplicadas à catalogação: a utilização de folhas de estilo XSLT na conversão de registros bibliográficos do PHL para o Formato MARC 21</text>
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          <name>Publisher</name>
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              <text>O Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos tem possibilitado o intercâmbio de registros no contexto nacional e internacional. No entanto, existem sistemas de gerenciamento de bibliotecas que não utilizam esse formato, ao invés disso utilizam formatos próprios, o que desfavorece a participação das bibliotecas em programas de catalogação cooperativa e pode resultar em retrabalho durante a migração entre diferentes sistemas. Um sistema que não permite a exportação dos registros no Formato MARC 21 é o Personal Home Library (PHL), amplamente utilizado no Brasil. Considerando esse cenário, objetiva-se elaborar um instrumento para a conversão dos registros bibliográficos exportados pelo PHL em registros no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos. A partir da revisão de literatura decide-se que o instrumento para a conversão seria uma folha de estilo de transformação construída com a linguagem XSLT. Para a elaboração da folha de estilo realiza-se o mapeamento do Formato PHL e do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos. Como considerações finais destaca-se que o instrumento elaborado oferece às bibliotecas usuárias do PHL uma alternativa viável para a conversão de seus registros bibliográficos.</text>
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