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                  <text>Midiateca: uma nova terminologia ou um conceito ampliado de
biblioteca?

Raimunda Ramos Marinho (ufma) - dbibrai@ufma.br
Lilia de Jesus Silva Pereira (UFMA) - liahlight@yahoo.com.br
Liliane de Jesus Silva Pereira (UFMA) - nanelait@yahoo.com.br
Resumo:
O estudo se propõe a identificar a utilização do termo ‘Midiateca’, para denominar instituições
historicamente conhecidas como ‘Biblioteca’, mudança esta que já faz parte da realidade de
países como França, República de Angola e até mesmo o Brasil. Discute se é apenas mais uma
terminologia, ou se vem a ser um conceito mais ampliado do termo Biblioteca. O estudo foi de
caráter exploratório utilizando referencial bibliográfico acerca da temática, a fim de contribuir
com os estudos sobre a relação existente entre os temas: Biblioteca e Midiateca. Cita as
características da Biblioteca e da Midiateca, enfatizando as semelhanças e diferenças das
mesmas. Compartilha as experiências da Biblioteca Parque de Manguinhos e as Bibliotecas da
Indústria do Conhecimento, que apesar de não adotarem a denominação, midiateca, muito têm
em comum com estas. Conclui que tal termo passou a ser utilizado porque reflete de maneira
mais significativa os diferentes tipos de documentos que começaram a fazer parte do acervo
das bibliotecas, pois a própria etimologia da palavra biblioteca, significa “caixa de livros” e
exclui as outras formas de registro da informação, dando ênfase apenas aos livros.
Palavras-chave: Biblioteca. Midiateca. Biblioteca Parque de Manguinhos. Biblioteca da
Indústria do Conhecimento.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Midiateca: uma nova terminologia ou um conceito ampliado de biblioteca?

Resumo:
O estudo se propõe a identificar a utilização do termo ‘Midiateca’, para denominar
instituições historicamente conhecidas como ‘Biblioteca’, mudança esta que já faz
parte da realidade de países como França, República de Angola e até mesmo o
Brasil. Discute se é apenas mais uma terminologia, ou se vem a ser um conceito
mais ampliado do termo Biblioteca. O estudo foi de caráter exploratório utilizando
referencial bibliográfico acerca da temática, a fim de contribuir com os estudos sobre
a relação existente entre os temas: Biblioteca e Midiateca. Cita as características da
Biblioteca e da Midiateca, enfatizando as semelhanças e diferenças das mesmas.
Compartilha as experiências da Biblioteca Parque de Manguinhos e as Bibliotecas
da Indústria do Conhecimento, que apesar de não adotarem a denominação,
midiateca, muito têm em comum com estas. Conclui que tal termo passou a ser
utilizado porque reflete de maneira mais significativa os diferentes tipos de
documentos que começaram a fazer parte do acervo das bibliotecas, pois a própria
etimologia da palavra biblioteca, significa “caixa de livros” e exclui as outras formas
de registro da informação, dando ênfase apenas aos livros.
Palavras-chave: Biblioteca. Midiateca. Biblioteca Parque de Manguinhos. Biblioteca

da Indústria do Conhecimento.
Área Temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 Introdução
As bibliotecas não são indiferentes aos impactos sociais e culturais
ocasionados pelas tecnologias de comunicação e informação, devido a isso
passaram por inúmeras transformações: no conceito, nas funções, nos serviços e no
tipo de acervo que disponibiliza e hoje vai além do livro impresso, agregando em seu
acervo diferentes tipos de mídias que vão das tradicionais as mais contemporâneas,
e todas essas transformações refletem a realidade de cada época.
Nesse processo evolutivo, as bibliotecas foram se diversificando, seja por
causa do tipo de material que reúnem, seja por causa do tipo de usuário a que
atendem. Quanto ao tipo de material, existem bibliotecas apenas de periódicos
(hemerotecas), de filmes (filmotecas ou cinematecas), de partituras musicais, de
textos em braile, de discos (discotecas), de vídeos (videotecas) de materiais
didáticos, de gibis (gibitecas). Quanto aos usuários, há bibliotecas públicas (abertas
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aos membros de uma comunidade em geral), bibliotecas escolares e universitárias
(para estudantes e professores), bibliotecas especializadas (para estudiosos e
pesquisadores) e bibliotecas especiais (para grupos especiais de usuários)
(BRIQUET DE LEMOS, 2005).
O surgimento de novos e diferentes tipos de suportes da informação deu
origem a um novo termo, ou um novo conceito de biblioteca, a saber: Midiateca. O
que merece destaque é que tal termologia vem sendo usada para denominar
instituições historicamente conhecidas como: bibliotecas.
Midiateca é um termo que vem sendo intensamente utilizado, e em alguns
lugares como a França e na República de Angola, ele já exerce a total centralidade,
visto que as suas bibliotecas públicas, mudaram de nome e agora são chamadas de
midiatecas. No Brasil também encontramos algumas instituições que adotam tal
terminologia, como a midiateca da Pontifíca Universidade Católica do Rio de
Janeiro- PUC-RJ.
Dessa forma, a proposta deste trabalho é evidenciar o novo modelo de
biblioteca ou a evolução desta, partindo da problemática: é uma nova terminologia
ou um conceito ampliado de biblioteca? É a evolução da biblioteca tradicional? Já
faz parte da nossa realidade?
Tal pesquisa surgiu, a partir de um trabalho de conclusão de curso, Silva
(2011), no qual o principal objetivo era verificar o que vinha sendo produzido pelos
estudantes de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão, constatou-se
que muitas temáticas já tinham sido bastante exploradas, enquanto outras foram
esquecidas, dentre as quais: Midiateca.

2 Concepção e modelos de midiatecas: da teoria à prática
Midiateca é um termo que vem sendo utilizado para evidenciar um novo tipo
de biblioteca é utilizado principalmente nos Estados Unidos, França, Portugal e na
República de Angola, essa denominação vem marcar o caráter inovador da
biblioteca, devido à inserção de novos suportes informacionais, tais como: DVDs,
vídeos, discos ópticos, dentre outros.
É um termo de origem francês e começou a ser utilizado em meados dos
anos 70, Lucianni (2008) aponta dois grandes episódios que marcaram o uso do
termo. O primeiro diz respeito a uma mudança de nome, da Biblioteca Pública, que
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era: Associação de Desenvolvimento das Bibliotecas Públicas, para Associação de
Desenvolvimento das Bibliotecas Públicas de Mídias.
Já o segundo episódio foi uma decisão política, da Câmara Municipal da
Cidade de Metz, que está localizada no nordeste da França e é a capital da cidade
de Lorena, pois eles acreditavam que a mudança de nome de biblioteca para
midiateca descartaria a imagem de poeira atribuída a muitas bibliotecas francesas.
Antes dessa mudança de nome, a situação geral das bibliotecas na França
era relativamente atrasada em relação à frequência e uso, correspondente aos
padrões anglo-americanos de Biblioteca Pública, e os motivos que ocasionaram tal
situação, foram segundo Lucianni (2008): a forma de armazenar o acervo, que o
tornava inacessível e os materiais disponíveis eram para um público exclusivo como
intelectuais, estudantes e professores. Dessa forma, o acervo era incapaz de
responder as necessidades informacionais de todas as pessoas.
Diante dessa realidade, foi realizado um movimento que envolveu
bibliotecários e lideres nacionais da cultura, em uma tentativa de modificar a
situação das bibliotecas públicas francesas, a decisão final foi: desenvolver um novo
conceito de biblioteca moderna. Para desenvolver este novo conceito de biblioteca,
a primeira atitude a ser tomada foi a mudança de nome de biblioteca para midiateca.
Segundo Lucianni (2008) o termo “biblioteca” era uma desvantagem, visto que
na imaginação coletiva francesa o termo era associado a um lugar fechado,
empoeirado e intimidador. Era, portanto, difícil de explicar para a população que uma
biblioteca pode ser um local frequentado por todos. Ainda segundo o autor, o termo
midiateca passou a ser utilizado para indicar o novo tipo de biblioteca pública
contemporânea.
Essa nova biblioteca teria como característica principal, o enfoque nos
diferentes suportes da informação, o livro deixou de ser o centro das atenções e a
mesma passou a incluir diferentes suportes em seu acervo. A inserção de novos
suportes informacionais modificou o conceito e também sua denominação, assim
como lhe atribuiu novas funções. Hoje a biblioteca não deve ser relacionada a um
lugar de “recolha”, depósito de livros e sim um local que disponibiliza todas as
formas possíveis de informação.
A ideia de midiateca se desenvolveu quando os conteúdos audiovisuais
ganharam a mesma importância dada aos livros, como transmissores de informação
e conhecimento e assim passaram a ocupar um espaço dentro da biblioteca.
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Inicialmente o termo foi concebido para designar um espaço dentro da biblioteca,
onde segundo Cairo (2007) se oferecia acesso à informação digital e acesso à
Internet. Podemos observar que a midiateca surgiu timidamente, e hoje o termo
passou a designar não só um espaço dentro de uma biblioteca, e sim um edifício
inteiro, como a Midiateca do Sendai, Midiateca do Itaú Cultural, Midiateca PUC RJ, e
as Midiatecas da República de Angola.
O uso do termo midiateca nos Estados Unidos, onde os sistemas
bibliotecários são bem mais desenvolvidos que os da França, mantiveram o nome
biblioteca, mas com o decorrer do tempo, como salienta Lucianni (2008) passaram a
usar um termo composto “biblioteca multimídia”, o mesmo autor afirma ainda que tal
termo está diretamente ligado ao crescimento de um tipo específico de material
diferente do livro: o audiovisual.
Os audiovisuais ou multimeios não há ainda uma terminologia padronizada
para nos referirmos a esses tipos de materiais, são os principais responsáveis pelas
mudanças ocorridas, no conceito, na denominação e no aumento de funções da
biblioteca e precisamente não serão os únicos. O surgimento de novos e diferentes
tipos de suportes da informação deu origem ao conceito de midiateca que na visão
de Briquet de Lemos (2005, p.116) “[...] é uma instituição voltada para reunião,
organização e uso dos chamados multimeios, como fitas de vídeo, fitas sonoras,
cederrons, discos compactos e filmes”.
Muitos são os conceitos que tentam definir o que seria uma midiateca, mas a
literatura científica relacionada à temática é escassa, principalmente na literatura
científica brasileira, se fizermos uma busca no Google utilizando o termo “midiateca”
encontraremos aproximadamente 197.000 mil resultados, mas uma mínima parcela
se constitui em artigo científico. Nessa busca encontramos um artigo de Nesterov
(1991), cujo título é: em direção à midiateca, onde o mesmo autor defende a tese de
que a midiateca é a biblioteca do século XXI. Ele destaca que ao aparecer à
concepção de meio, surgiu o termo midiateca, o meio seria em si não somente o
texto, mas também a fala, a música, desenhos, fotos, cinema, vídeo e outros
materiais como a base eletrônica digital do computador.
Para Labayen (1986, p.3) a palavra midiateca “[...] deriva da palavra ‘medios’
que por sua vez, seria meios de comunicação social”, ele destaca ainda que o
confronto da utilização dos termos midiateca ou biblioteca, iniciou-se no momento
em que o livro se viu ‘obrigado’ a dividir a sua função mensageira com outras
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tecnologias informacionais, assim como a acumulação de diversas mídias em um só
lugar.
Nesterov (1999) destaca que as bibliotecas modernas bem equipadas
tecnicamente e já com acúmulo de vídeos e audiogravações começaram a chamarse midiatecas e também enfatiza que é preciso haver uma estrutura de
computadores bem desenvolvida, ao invés de alguns computadores isolados, para
fazer com que a biblioteca evolua para a midiateca.
A transformação das bibliotecas em midiatecas na França, que serviu de
modelo para muitos países, tinha duas metas como mostra Lucianni (2008)
diversificar a oferta e ampliar a frequência dos usuários, esta ocorreria não só
através das novas mídias, mas também através da concepção e organização de
diferentes espaços dentro da biblioteca. O mesmo autor destaca ainda que não foi
apenas uma mudança de nome, mas sim uma mudança nos serviços.

3 Biblioteca ou midiateca: uma nova terminologia

com um novo conceito de

biblioteca?
A midiateca e a biblioteca estão intimamente relacionadas e uma não deve
excluir a outra, pois aquela não surgiu do “nada”, e encontra-se historicamente
ligada a biblioteca como ressalta Cairo (2007, p.1) “a biblioteca deu origem a
midiateca, à medida que aquela foi incorporando e adaptando novos espaços para
entrada de computadores [...] como terminais para consulta de informações”.
O Memorando da República de Angola (2010, p.6) discorre sobre o projeto
Rede de Midiateca de Angola-ReMA, que tem como objetivo implantar vinte e cinco
midiatecas em todo território nacional angolano, e já conta com seis unidades em
funcionamento, a saber: a midiateca de Benguela, Huambo, Luanda, Lugano,
Saurino e Soyo. Tal projeto tem o intuito de acompanhar os avanços da sociedade
da informação, para o memorando:
[...] grande parte das midiatecas que hoje vemos não tenha sido criada de
raiz, mas sim fruto das bibliotecas já existentes, perante a reconhecida e
inevitável necessidade de adaptação e acompanhamento do tecnológico
que foi se afirmando nas sociedades atuais.

Atualmente a biblioteca do futuro agora é denominada por muitos autores
como Midiateca, tal termo vem sendo amplamente utilizado em países como França,
Alemanha, Áustria, Holanda, Espanha, Portugal e nos países de língua oficial
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portuguesa segundo o Portal Rede de Mediatecas de Angola1.
De acordo com o Portal Rede de Mediatecas de Angola (2012) o conceito de
midiateca é de origem francesa, surgiu nos anos 70/80 do século passado, no auge
da história moderna das bibliotecas francesas, quando os conteúdos audiovisuais
(documentos sonoros e registros em vídeo) passaram a ter a mesma importância
cultural que os livros, sendo uma maneira de diversificar oferta e conquistar novos
usuários.
3.1 Semelhanças e diferenças existentes entre uma biblioteca e uma midiateca
No quadro 1 podemos observar as características marcantes nas duas
instituições, no que corresponde ao conceito, função, acervo, público e horário de
funcionamento.
Quadro 1- Comparação entre a biblioteca e midiateca com base na literatura
BIBLIOTECA
MIDIATECA
CONCEITO
Espaço de pesquisa e estudo.
Espaço de pesquisa,
estudo, encontro e,
sobretudo de lazer.
FUNÇÃO
Preservar e garantir a
Preservar e garantir a
democratização do
democratização do
conhecimento.
conhecimento e o
acesso às novas
tecnologias.
ACERVO
O livro exerce a centralidade
O acervo é constituído
total no acervo.
em sua maior parte de
multimídia.
PÚBLICO
Público tradicional: estudantes e
Público diversificado
pesquisadores.
atraído pelas novas
tecnologias.
HORÁRIO DE
Geralmente estão abertas de
Há uma flexibilidade de
FUNCIONAMENTO
segunda a sexta-feira.
horários e algumas
funcionam também nos
fins de semana.
Fonte: Elaborado pela autora

O conceito diz respeito à visão tradicional de um cidadão comum. Devido a
essa visão tradicional a biblioteca é descrita por muitas pessoas como um local de
pesquisa e estudo, um local onde nós podemos nos dirigir quando precisamos fazer
algum trabalho acadêmico ou escolar, já a midiateca é vista como um local que vai
além de um espaço para estudo e pesquisa, mas sim um lugar de lazer, encontro e
de ócio, um lugar onde se pode ir apenas para passear.
_______________________
1

Página criada para divulgar informações sobre a implantação da Rede de Mediatecas na República
de Angola. Disponível em:&lt;http// www.mediateca.ao&gt;. Acesso em: 15 dez. 2012.
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As duas possuem a mesma função que é preservar e democratizar a
informação e conhecimento, mas a midiateca apresenta um diferencial, à medida
que disponibiliza o acesso ao conhecimento através de diferentes suportes e
tecnologias da informação e se propõe a ensinar os usuários a utilizar tais
tecnologias, permitindo assim a inclusão digital dos mesmos.
Atualmente, as bibliotecas de maneira geral não são formadas apenas por
livros, em quase todas nós podemos encontrar um acervo de multimídia, entretanto,
o que chama atenção é que dificilmente esse acervo é utilizado, pois quando um
usuário busca uma informação só lhe é apresentado o livro impresso. Nas
midiatecas o acervo é constituído em sua maior parte de multimídias, e este exerce
a centralidade total, e encontra-se a disposição do usuário e deve ser
frequentemente utilizado.
Os usuários das bibliotecas públicas se constituem principalmente de
pesquisadores e estudantes, o público estudantil vai até a biblioteca enquanto está
estudando e dificilmente continuam a frequentá-las depois que se formam, essa
afirmação é baseada na pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro (2011) em
relação perfil dos usuários que frequentam uma biblioteca, como mostra o gráfico 2,
onde a maior parcela que frequenta a biblioteca são de estudantes.
Gráfico 2- Perfil dos usuários que frequentam biblioteca

Fonte: Instituto Pró- Livro (2011)

A maioria dos usuários em potencial, não se sente atraído pelas bibliotecas,
devido a centralidade que o livro impresso exerce nessas instituições, o que dificulta
a entrada de outras mídias e se reflete na falta de serviços inovadores. A midiateca
vem para quebrar este paradigma oferecendo informação em diferentes suportes, e
atraindo um público diversificado através das novas tecnologias de informação e da
sua flexibilidade de horários, pois estão abertas durante o fim de semana, onde os

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trabalhadores que só têm o tempo livre nesses dias poderão ser um usuário em
potencial.
O projeto da República de Angola está se tornando uma referência a nível
internacional, pois muitos são os lugares que possuem instituições semelhantes às
midiatecas, podem até usar outro nome, mas as características de uma instituição
centralizada em suportes multimídia prevalecem, como exemplos temos a Biblioteca
Parque de Manguinhos e as bibliotecas da Indústria do Conhecimento do Serviço
Social da Indústria (SESI).
3.2 Exemplos de bibliotecas com o conceito de midiateca no Brasil
A Biblioteca Parque de Manguinhos está localizada na região periférica do Rio
de Janeiro, na comunidade de Manguinhos, essa comunidade foi escolhida para
instalação da primeira biblioteca parque do Brasil, foi inaugurada em abril de 2010,
onde antes funcionava uma antiga Divisão de Armamentos do Exército, e segundo
Aranha (2010, p.1) “Manguinhos passou a possuir a maior concentração de
equipamentos culturais da cidade, só de acervo, são 25 mil livros, 3 milhões de
músicas em arquivos de MP3, 900 filmes em DVDs e diversos brinquedos”.
A Biblioteca Parque de Manguinhos é a segunda inaugurada no Brasil com
uma proposta diferenciada, cuja preocupação é oferecer à população um espaço
confortável, livre, sem preconceitos literários e que seja principalmente uma opção
de lazer. A primeira é a Biblioteca de São Paulo, onde antes era o Complexo
Penitenciário do Carandiru.
Manguinhos é fruto de experiências que deram certo, como destaca Aranha
(2010, p.1) “[...] para definir o modelo de biblioteca que seria instalada em
Manguinhos, foram visitadas diversas experiências realizadas em países com
políticas fortes de livro e leitura, principalmente França, Chile e Colômbia [...]”.
Na Biblioteca Parque de Manguinhos pode-se acessar livremente as estantes
de livros e a Internet, ver filmes, ouvir música, participar das inúmeras atividades
culturais ou solicitar o empréstimos de livros e filmes.
A Biblioteca Parque de Manguinhos encontra-se dividida da seguinte forma:
Ludoteca; Filmoteca; Sala de Leitura para portadores de deficiência visuais; Acervo
digital de música; Cine Teatro; Cafeteria; Acesso gratuito à Internet; Sala Meu Bairro
(para que os usuários façam reuniões da comunidade).

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Dessa forma Meyer (2012, p. 2) enfatiza que “a proposta da biblioteca é
incentivar e promover o gosto pela leitura, e ela vê outras mídias não como
concorrentes, mas como auxiliares para a formação de leitores”.
A Indústria do Conhecimento do SESI é outro exemplo de biblioteca onde sua
centralidade não está totalmente no livro impresso, e por isso suas bibliotecas são
denominadas como centros de multimeios, onde a preocupação maior é a
disponibilização de informação em todas as formas possíveis de mídias.
A Indústria do Conhecimento do SESI é um projeto lançado em 2006, em uma
parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e de parceiros locais, para
promover o acesso à informação e cultura, para população de municípios com baixo
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O projeto baseia-se, segundo o Documento Técnico (2007) no Community
Multimedia Centres - CMC apoiados pela UNESCO, que combina estratégias
convencionais de acesso à informação, como é o caso de texto impresso, com
imagens e textos digitalizados e o acesso à Internet.
Crispim (2009, p. 209) destaca que além dos 3 mil títulos de livros a biblioteca
conta com “[...] DVDs de filmes de diversos gêneros desde ficção até documentários
e assinaturas de revistas e jornais [...] ”. Aponta ainda que o objetivo é facilitar o
acesso às diferentes formas de expressão cultural e oferecer possibilidades de
desenvolvimento pessoal.
A partir do que foi apresentado, podemos afirma que tanto as bibliotecas da
Indústria do Conhecimento do SESI, quanto a Biblioteca Parque de Manguinhos,
apontam um novo conceito de biblioteca, que muito lembra o que a midiateca
representa nos locais onde ela está inserida, pois todas tentam reunir tudo em um só
lugar, assim como apresentam uma estrutura de bem- estar, com uma infraestrutura
completa no que corresponde as mais novas tecnologias, elas também têm prazer
na inovação e estão orientadas para o futuro, apresentam também o acervo
composto por diversas mídias e a prestação de serviços sempre inovadores.
E esses são os fatores de sucesso, segundo Raumel (2012) diretor de uma
premiada biblioteca alemã, a Biblioteca Pública de Biberach.

4 Conclusão
A proposta inicial do estudo era identificar o porquê da frequente utilização do
termo midiateca, para se referir a instituições historicamente conhecida como
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biblioteca, constatou-se que tal termo passou a ser utilizado porque reflete de forma
mais abrangente os tipos de documentos que começaram a fazer parte do acervo
das bibliotecas, a saber: os audiovisuais, pois a própria etimologia da palavra
biblioteca, significa “caixa de livros” e exclui as outras formas de registro da
informação, dando ênfase apenas aos livros, enquanto que o termo midiateca
abrange em sua etimologia: “meios de comunicação”, dessa forma percebemos que
o termo se refere a todas as formas de registro da informação.
O termo passou a ser utilizado para representar um novo conceito de
biblioteca, pois para a maioria das pessoas, a palavra biblioteca representa um local
empoeirado e é apenas um depósito de livros, onde se vai para estudar, enquanto
que o conceito de midiateca representa um local com diversas mídias informacionais
que vai além dos livros impressos, e onde se pode ter acesso às mais novas
tecnologias, e é um local de encontro, estudo, pesquisa, e principalmente de lazer.
Ela tem um diferencial, que é tentar conquistar um público diversificado que vai além
dos estudantes, e isso só é possível devido a sua flexibilidade nos horários de
funcionamento, visto que está com as portas abertas também no fim de semana.
Podemos destacar que as duas, tanto midiateca quanto a biblioteca, são uma
única instituição, mas a biblioteca precisou ganhar uma denominação nova, para
“provar” que evoluiu e que acompanhou as mudanças da sociedade, entretanto, isso
não é a primeira vez que ocorre, pois a mesma também é conhecida como: unidade
de informação, centro de documentação, entre outros, tudo para se dissociar da
imagem de livros empoeirados na estante.
O conceito de midiateca já é uma realidade, a exemplo das bibliotecas que
foram citadas neste trabalho, a Biblioteca Parque de Manguinhos e as bibliotecas da
Indústria do Conhecimento do SESI, podem até não usar a terminologia ‘midiateca’,
mas toda a estrutura de acervo, dinâmica de funcionamento corresponde a esse
modelo de biblioteca do futuro.

MediaLibrary: a new terminology or concept expanded library?

Abstract: The study aims to identify the use of the term 'Media Library', to name
institutions historically known as 'Library', a change that is already part of the reality
of countries like France, Angola and even Brazil. Discuss whether it is just another
terminology, or becomes a more expanded concept of the term Library. The study
was exploratory using bibliographic references about the topic in order to contribute
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to studies on the relationship between the themes: Library and Media Library. Cites
the characteristics of the Library and Media Library, emphasizing the similarities and
differences of the same. Shares the experiences of Library Park Manguinhos
Libraries and Industry Knowledge, which although not adopt the name, media library,
have much in common with these. We conclude that this term was used because it
reflects most significantly the different types of documents that became part of the
collection of libraries, because the etymology of the word library means "box of
books" and excludes other forms of record information, emphasizing only those
books.
Keywords: Library. MediaLibrary. Library Park Manguinhos. Industry Knowledge
Library.

REFERÊNCIAS

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http://dialnet.unirioja.es/servlet/autor?codigo=268351&gt; Acesso em: 25 jan. 2013.
LUCIANI, Luca. Dalla Biblioteca alla Mediateca: scenari di educazioni ai media con
un progetto territoriale. 2008. 325 f. Tese (Doutorado em Ciência da Educação)Universidade de Pádua, Itália, 2008. Disponível em:
&lt;http//paduaresearch.cab.unipd.it/945/&gt;. Acesso em: 25 ago. 2012.
MEYER, Tadeu. As novas bibliotecas. 2012. Disponível
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NESTEROV, Anatoly V. Em direção à midiateca. Ciência da Informação, v. 20, n. 2,
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RAUMEL, Frank. Os fatores de sucesso de uma premiada Biblioteca Pública
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&lt;http://www.slideshare.net/crb8sp/apresentao-da-palestra-os-fatores-de-sucesso-deuma-premiada-biblioteca-alema&gt;. Acesso em: 27 jan. 2013.
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O estudo se propõe a identificar a utilização do termo ‘Midiateca’, para denominar instituições historicamente conhecidas como ‘Biblioteca’, mudança esta que já faz parte da realidade de países como França, República de Angola e até mesmo o Brasil. Discute se é apenas mais uma terminologia, ou se vem a ser um conceito mais ampliado do termo Biblioteca. O estudo foi de caráter exploratório utilizando referencial bibliográfico acerca da temática, a fim de contribuir com os estudos sobre a relação existente entre os temas: Biblioteca e Midiateca. Cita as características da Biblioteca e da Midiateca, enfatizando as semelhanças e diferenças das mesmas. Compartilha as experiências da Biblioteca Parque de Manguinhos e as Bibliotecas da Indústria do Conhecimento, que apesar de não adotarem a denominação, midiateca, muito têm em comum com estas. Conclui que tal termo passou a ser utilizado porque reflete de maneira mais significativa os diferentes tipos de documentos que começaram a fazer parte do acervo das bibliotecas, pois a própria etimologia da palavra biblioteca, significa “caixa de livros” e exclui as outras formas de registro da informação, dando ênfase apenas aos livros. </text>
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