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                  <text>Disseminação seletiva de materiais de informação: uma perspectiva
de utilização de sistemas de recomendação

Andre Luiz de Souza Britto (UFRJ / ANP) - andrebritto.ufrj@gmail.com
Resumo:
Trata da possibilidade de utilização dos sistemas de recomendação com perspectiva da
evolução do serviço de disseminação seletiva da informação. Os sistemas de recomendação
são amplamente utilizados no comércio eletrônico por empresas como a Amazon.com. Estes
sistemas, devido a sua arquitetura lógica possibilita a identificação do perfil do usuário e da
memória de busca fator que é limitado quando se utiliza a sindicação de conteúdos. Os
sistemas de recomendação congregam tanto aspectos previamente cadastrados quanto o
monitoramento e o acompanhamento da evolução de cada usuário.
Palavras-chave: Informação. Sistemas de Recomendação. Disseminação Seletiva.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Disseminação seletiva de materiais de informação: uma perspectiva de
utilização de sistemas de recomendação

Resumo:

Trata da possibilidade de utilização dos sistemas de recomendação com
perspectiva da evolução do serviço de disseminação seletiva da informação. Os
sistemas de recomendação são amplamente utilizados no comércio eletrônico por
empresas como a Amazon.com. Estes sistemas, devido a sua arquitetura lógica
possibilita a identificação do perfil do usuário e da memória de busca fator que é
limitado quando se utiliza a sindicação de conteúdos. Os sistemas de
recomendação congregam tanto aspectos previamente cadastrados quanto o
monitoramento e o acompanhamento da evolução de cada usuário.

Palavras-chave: Informação. Sistemas de Recomendação. Disseminação Seletiva.
Área Temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo
a frente.
1 INTRODUÇÃO

A dificuldade em administrar tamanha quantidade de itens informacionais, do
constante aumento de publicação e da ineficiência do controle desta produção
intelectual. Com o surgimento de novas mídias e da evolução da Internet, a
produção de conteúdo passou a ser registrada e disponibilizada em diferentes
tipos de suporte e de formatos. Por meio de ferramentas que disponibilizaram
realizar por algum tempo o acompanhamento e certo controle de novas
publicações em ambiente virtual. No entanto, o fator qualidade não é uma
constante nestes materiais encaminhados aos usuários, uma vez que não são
analisados ou contextualizados de sua importância, principalmente em provedores

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de conteúdo. Neste contexto, os sistemas de recomendação por fazerem uso de
estratégias bem definidas e múltiplas entradas de dados podem ser utilizados
possibilitando melhor qualidade da disseminação seletiva da informação.

2 INFORMAÇÃO COMO FATOR ECONÔMICO DE PRODUÇÃO

Desde década de 80, a informação passou a figurar como o principal fator de
produção de produtos e serviços em decorrência da evolução na estrutura
produtiva das organizações. Estas passaram a identificar como necessidade a
produção, o registro e a difusão do conhecimento por meio de processos de
comunicação.
DRUCKER (2012, p.11) pontua que a partir deste momento “a informação é,
acima de tudo, um princípio de economia.” Neste sentido, STEWART (1998, p.6)
afirma que “surge a economia da nova Era da Informação (EI), cujas fontes
fundamentais de riqueza são o conhecimento e a comunicação, e não os recursos
naturais ou o trabalho físico.”. Para LASTRES (1999, p.75) a “informação e o
conhecimento, ao assumir papel ainda mais importante e estratégico na nova
ordem econômica estabelecida, transformam-se em fontes de maior produtividade
e de crescimento econômico”. A informação, por ser subsídio estratégico para as
organizações, o processo de seleção de fontes de informação igualmente teve a
sua importância ressaltada em decorrência deste novo paradigma.
Tendo como perspectiva os fatores correlacionados: o valor, a necessidade, o
uso potencial de determinada informação podemos então, compor um determinado
acervo para atender as demandas informacionais de uma comunidade de usuários.
Neste sentido, cabe uma previa avaliação de cada um destes fatores para verificar
os seguintes aspectos elencados por DIAS e PIRES (2004, p.22): “qualidade e
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adequação da literatura publicada, obsolescência, mudanças de interesses dos
usuários e otimização de recursos financeiros investidos.”. Esta avaliação deve ser
realizada antes da formação de um acervo de materiais de informação, para
direcionar o processo de seleção.
No sentido de manter um estoque com um volume administrável, STEWART
(1998, p.23) fez a seguinte observação onde enfatizava que a utilização de
“informações precisas, em tempo real, substituem os estoques.”. Esta observação
realizada por Stewart se referia aos estoques das grandes indústrias que
movimentavam grandes quantidades de matérias, sendo totalmente dependentes de
sua estratégia logística. Pode-se trazer esta observação para o contexto da
formação do acervo, onde quanto mais precisas forem as informações menor será a
necessidade de incorporar novos itens. Neste contexto, DRUCKER (2012, p.11)
descreve que quanto “menos dados forem necessários, melhor a informação. E um
excesso de informação, isto é, qualquer quantidade acima do que é realmente
necessário, leva um blecaute. Em vez de nos enriquecer, nos empobrece.”. Desta
forma, estocar indiscriminadamente todos os tipos de materiais com o intuito de
atender uma comunidade de usuários, poderá em verdade comprometer a qualidade
de todo o acervo, dispersando as fontes de informação potencialmente úteis em
meio a informações inúteis.

3 DISSEMINAÇÃO SELETIVA E RECOMENDAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A disseminação seletiva da informação tem basicamente por objetivo
encaminhar itens informacionais conforme o prévio registro de interesse de um
determinado usuário. Desta forma, tradicionalmente são foram utilizadas

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ferramentas para realizar a sindicação de conteúdo1 para prover uma
disseminação seletiva da informação baseada em um perfil cadastrado.
O processo de disseminação seletiva da informação é dependente
essencialmente da disponibilidade e da qualidade da correta coleta de dados do
perfil do usuário e da identificação das áreas e temas de interesse. Já o processo
de recomendação se utiliza além dos parâmetros anteriores de adicionalmente: da
disponibilidade dos catálogos com novas publicações, do contato com Autores,
Editores, Editoras e Livrarias; do acesso a listas de intercâmbio de publicações de
outras Unidades de Informação Congêneres; da sugestão de Usuários; da opinião
de Especialistas; da avaliação e validação do Gestor do Acervo; da avaliação e da
validação do Comitê de Usuários.

3.1 SISTEMAS DE RECOMENDAÇÃO
. A Web possui um papel importante não apenas como via de publicidade de
serviços e produtos, mas também na criação, produção e disseminação de
conteúdos informacionais. Com a utilização de novas tecnologias para o
monitoramento, filtragem e a recuperação de conteúdo com o objetivo de
recomendar serviço e produtos para determinados usuários conforme foi delineado
seu perfil, suas preferências e necessidades. Neste contexto, os Sistemas de
Recomendação promovem a localização de um item, produto ou serviço que
potencialmente atenderá a um determinado usuário. Contudo, estas recomendações
estão diretamente ligadas à forma de como a coleta de informações é realizada e

1

A sindicação de conteúdo é realizada por meio do Really Simple Sindication (RSS) mediante ao
cadastro em sites e portais provedores de conteúdo, que conforme a escolha das áreas e dos temas
de interesse que serão enviadas conforme forem publicadas e, ou disponibilizadas.
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utilizada para prover a indicação de conteúdo neste universo em constante
crescimento da publicação, produção e oferta de itens.

3.1.1 Filtragem de informações
O controle das fases de recuperação e da disseminação é um elemento
chave de um eficiente sistema de recomendação, possibilitando o acesso a uma
informação relevante para o usuário. Neste sentido, para obter um resultado com
resultado potencialmente relevante o sistema de recomendação faz uso de três tipos
de informações:
a. informações dos itens (detalhamento descritivo dos conteúdos dos itens
recomendados);
b. informações do usuário (detalhamento sobre o perfil e suas preferências);
c. informações transacionais (detalhamento de todo o histórico de itens
recomendados, a avaliação positiva ou negativa do item recomendado em
relação as expectativas do usuário).
LOPES (2007, p.24) destaca que as “fontes de informações utilizadas no nível
de representação determinam o tipo de abordagem adotada”. Neste contexto,
existem três tipos de filtragens e cada uma destas utilizada determinados tipos
informação para realizar a recomendação, desta forma temos:
a. baseada em conteúdo (informações de itens e informações dos usuários);
b. colaborativa (informações transacionais e informações dos usuários);
c. híbrida (informações dos itens, informações transacionais e informações dos
usuários).

3.1.1.1 Filtragem baseada em conteúdo

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A recomendação de serviços e produtos deve ocorrer de forma automatizada,
podendo ser baseada em um tipo de filtragem por conteúdo. Este tipo de filtragem
utiliza a combinação entre os interesses de um usuário com as características, o
histórico de aquisições e as visualizações dos serviços e produtos. A relevância
desta convergência entre interesses e itens ofertados tende a atingir melhor
percentual conforme o volume e qualidade de dados coletados pelo monitoramento
e pelos dados inseridos no cadastramento do usuário.
Figura 1: Recomendação por conteúdo

.
Fonte: Saraiva (loja virtual), 2012.

Este tipo de filtragem baseada em conteúdo é largamente utilizada em sites
de comércio eletrônico tais como a loja virtual da livraria Saraiva, conforme ilustrado
na figura anterior que demonstra a recomendação por conteúdo.
3.1.1.2 – Filtragem colaborativa

Este tipo de filtragem não depende exclusivamente de uma análise de
determinado conteúdo, mas sim da troca de experiência ou percepção sobre um
serviço ou produto, desta forma a opinião de um pode influenciar na escolha dos
outros usuários. Esta filtragem colaborativa é potencializada quanto maior for o
número de avaliações forem realizadas simulando uma inteligência coletiva a
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respeito da qualidade de um item. Com a utilização da filtragem colaborativa, cada
usuário pontua conforme sua expectativa ou experiência com o serviço ou produto
recomendando ou não a aquisição por outros. Como exemplo de recomendação por
filtragem colaborativa, em que os usuários ranquearam com quatro estrelas em uma
escala onde cinco representa o maior grau de satisfação e atendimento as
necessidades, conforme podemos observar na figura a seguir.
Figura 2: Recomendação por filtragem colaborativa.

Fonte: Amazon (loja virtual), 2012.

Se pode notar nesta figura a quantidade de clientes que participaram da avaliação
do item é representada pelo número de “customer reviews”, que até o momento
ranqueia este produto em determinado nível de satisfação. Esta avaliação é
dinâmica, e permanecerá com este grau até que outros usuários participarem desta
avaliação e a atribuam avaliações que mudem ou reafirmem esta avaliação.

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3.1.1.3 – Filtragem híbrida

Com o intuito de dirimir as limitações referentes à filtragem por conteúdo e a
colaborativa foram realizadas tentativas de integrar por meio da construção de uma
filtragem híbrida, de forma a melhor atender as expectativas e necessidades dos
usuários. Assim, LOPES (2007, p.27) esquematiza algumas características
presentes na filtragem híbrida tais como: “(i) descoberta de novos relacionamentos
entre usuários; (ii) recomendação de itens diretamente relacionados ao histórico; (iii)
bons resultados para usuários incomuns; (iv) precisão independente do número de
usuários.”, conforme podemos observar na figura a seguir.
Figura 3: Filtragem híbrida.

Fonte:LOPES (2007, p.27)

Com estes aspectos é possível obter um nível de qualidade em
recomendação melhor em relação à utilização de cada filtragem individualmente. Por
utilizarem diferentes fontes de informação correlaciona informações sobre os perfis
dos usuários e a descrição dos serviços e produtos disponíveis.

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3.2 Cadastramento e identificação de perfil
No processo de disseminação seletiva da informação, tradicionalmente todo o
conteúdo depende do cadastramento de perfis e que os dados cadastrais estejam
atualizados e devidamente registrados. Há uma necessidade de manutenção
periódica e da realização de novos estudos da comunidade de usuários para corrigir
eventuais e naturais mudanças.
Nos sistemas de recomendação não há necessidade de monitorar os perfis
anteriormente cadastrados ou mesmo de realizar periodicamente novos estudos
sobre a comunidade de usuários. Neste contexto, possuindo ou não um cadastro
prévio ou mesmo com a natural evolução da preferencia sobre temas e áreas por
parte dos pesquisadores e especialistas. O perfil é delineado e aperfeiçoado
conforme a utilização do sistema que possibilita realizar adequações dos parâmetros
e do próprio perfil do usuário por meio das estratégias de filtragem de informação.
Figura 4 Identificação do usuário.

Fonte: Autor, 2012.

A utilização de um mesmo dispositivo de acesso a Internet possibilita por
meio do armazenamento dos cookies, da identificação prévia por meio de acesso
identificado ou pelo histórico de buscas e acessos a páginas.

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3.3 Histórico de Resultados e Memória de Busca
Na utilização da ferramenta de sindicação de conteúdos, como dado
remanescente do processo se tem o histórico de pacotes de itens encaminhados a
um determinado usuário ou grupos de usuários. Este histórico permite obter o
controle do que foi ou não enviado e qual o período que esta operação ocorreu. No
sistema de recomendação, além da utilização do histórico de resultados são
utilizados adicionalmente os dados referentes a memória de busca realizados em
determinado dispositivo com acesso a Internet. A memória de busca é o registro de
todas as buscas de termos realizadas no sistema durante um determinado período e
possibilita entre outros aspectos analisar o comportamento do usuário.

4 CONSIDERAÇÕES
A disseminação seletiva da informação depende essencialmente do
cadastramento e da atualização dos dados em um perfil para que sejam
encaminhados itens informacionais de interesse. Este processo depende realização
periódica de estudos da comunidade de usuários, sendo inviáveis a médio e em
longo prazo em decorrência da escassez de recursos financeiros e humanos.
No sistema de recomendação o perfil registrado, é reprocessado redefinindo
as necessidades referentes à área de conhecimento e as decorrentes evoluções nas
pesquisas e estudos do usuário. A utilização das memórias de busca possibilita o
acompanhamento desta evolução referente às atuais necessidades do usuário.

REFERÊNCIAS

CAZELLA, S. C. Aplicando a Relevância da Opinião de Usuários em Sistemas
de Recomendação para Pesquisadores. 2006. 180f. Tese (Programa de Pós10

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Graduação em Computação) – Instituto de Informática, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre.
____________; NUNES, M. A. S. N.; REATEGUI, E. B. A Ciência da Opinião:
Estado da arte em Sistemas de Recomendação. In: XXX Congresso da SBC, 2010,
Belo Horizonte.

DIAS, M. M. K.; PIRES, D. Formação e desenvolvimento de coleções de serviços de
informação. São Carlos: Ed. UFSCar, 2003.
DRUCKER, Peter. Tecnologia, administração e sociedade. Tradução Bruno
Alexander e Luiz Otávio Talu. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 191 p.
LASTRES, Helena M. M. Informação e conhecimento na nova ordem mundial. Ci.
Inf., v.28, n.1, Brasília, DF. jan. 1999. p. 72-78. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v28n1/28n1a09.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr. 2012.
LOPES, Giseli Rabello; OLIVEIRA, José Palazzo Moreira de. SOUTO, Maria
Aparecida Martins (orientadores) Sistema de Recomendação para bibliotecas
digitais sob a perspectiva da Web Semântica. Porto Alegre, 2007. Dissertação
apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciência da
Computação.
STEWART, Thomaz A. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das
empresas. Tradução Ana Beatriz Rodrigues; Priscilla Martins Celeste. –18. reimpr.
Rio de Janeiro: Elsevier, 1998.
VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação. - 3.ed. Brasília,
DF: Briquet de Lemos, 2010.

11

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