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                  <text>Da argila à Amazon: mudanças das formas de registro, leitura e
acesso à informação e a questão da portabilidade

Maria Cristina Szarota Barrios (MPSP) - mcsbarrios@yahoo.com.br
Mariana Granado de Souza Queiroz (USP) - marianagsqueiroz@yahoo.com.br
Resumo:
O presente trabalho, através de revisão e análise de literatura, tem por objetivo expor e
apresentar as mudanças pelas quais passaram os formatos de registro de informações, e por
consequência, as modificações decorrentes nas formas de leitura. E como um fator inerente e
importante à temática, a portabilidade é também alvo de estudo ao longo deste artigo.
O livro, como portador de informação, vem sofrendo alterações em seu formato ao longo dos
anos, desde os tabletes de argila até os formatos atuais, como e-readers (electronics readers
ou leitores eletrônicos), e-books (electronics books ou livros eletrônicos) e o papel eletrônico.
Os gestuais e as práticas sociais atrelados à leitura também sofrem alterações em decorrência
das mudanças no suporte informacional.
A portabilidade, fator intrínseco e característico dos formatos de registro de informação,
igualmente foi e vem sofrendo alterações com as mudanças de formatos de registro de
informação, que há tempos convencionou-se chamar de livro. Tais mudanças possibilitaram,
nos dias atuais, que as pessoas possam adquirir uma grande diversidade e quantidade de
livros eletrônicos em livrarias virtuais como a Amazon e, mais do que isso, levem consigo essa
gama de possibilidades de leitura em seus bolsos, carregadas em um aparelho de leitura, como
o e-reader (electronic reader ou leitor eletrônico). Seguindo essa tendência, as bibliotecas têm
buscado oferecer aos seus usuários a nova alternativa de portabilidade da informação
representada pelos e-books.
Palavras-chave: Leitura. portabilidade. publicações eletrônicas.livros.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Da argila à Amazon: mudanças das formas de registro, leitura e acesso à
informação e a questão da portabilidade

Resumo:
O presente trabalho, através de revisão e análise de literatura, tem por
objetivo expor e apresentar as mudanças pelas quais passaram os formatos de
registro de informações, e por consequência, as modificações decorrentes nas
formas de leitura. E como um fator inerente e importante à temática, a portabilidade
é também alvo de estudo ao longo deste artigo.
O livro, como portador de informação, vem sofrendo alterações em seu
formato ao longo dos anos, desde os tabletes de argila até os formatos atuais, como
e-readers (electronics readers ou leitores eletrônicos), e-books (electronics books ou
livros eletrônicos) e o papel eletrônico. Os gestuais e as práticas sociais atrelados à
leitura também sofrem alterações em decorrência das mudanças no suporte
informacional.
A portabilidade, fator intrínseco e característico dos formatos de registro de
informação, igualmente foi e vem sofrendo alterações com as mudanças de formatos
de registro de informação, que há tempos convencionou-se chamar de livro. Tais
mudanças possibilitaram, nos dias atuais, que as pessoas possam adquirir uma
grande diversidade e quantidade de livros eletrônicos em livrarias virtuais como a
Amazon e, mais do que isso, levem consigo essa gama de possibilidades de leitura
em seus bolsos, carregadas em um aparelho de leitura, como o e-reader (electronic
reader ou leitor eletrônico). Seguindo essa tendência, as bibliotecas têm buscado
oferecer aos seus usuários a nova alternativa de portabilidade da informação
representada pelos e-books.
Palavras-chave: Leitura. Portabilidade. Publicações eletrônicas. Livros.
Área Temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1. INTRODUÇÃO

As diversas mudanças nos formatos de registro de informação decorrem de
um processo que vem ocorrendo há centenas de anos. O livro, vislumbrado como
suporte informacional, pode ser considerado como um dos mais antigos meios de
registro de informação. Ao longo de milhares de anos, o livro passou por diversas
mudanças em seu formato: tabletes de argila, rolo (volumen), códice (codex),
incunábulos, in folio, até a criação dos e-readers (electronics readers ou leitores

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eletrônicos), e-books (electronics books ou livros eletrônicos), também podendo ser
citado o papel eletrônico.
Assim, pode ser interpretada como uma evolução a forma de apresentação do
“novo” livro hoje, conhecido como e-book. Todas as modificações no formato do que
costumamos denominar livro causaram também alterações nos modos de leitura
realizados nos diferentes suportes. Consequentemente, a portabilidade dos meios
de registro de informação se alterou. Por um longo período, o livro foi e ainda é
considerado com um meio portador de informação manuseável e portátil, mas com
capacidade limitada de armazenamento informacional.
Atualmente, pode-se carregar uma verdadeira biblioteca no bolso, pois livros,
em sua versão digital, são armazenados em um aparelho e-reader, tendo sido
comprados em livrarias virtuais como a Amazon. Ao mesmo tempo, as bibliotecas
buscam adquirir e-books e oferecer esse novo formato portátil do livro para seus
usuários.
A forma de comunicação escrita e seu estudo têm sua importância derivada
do impacto que a escrita trouxe à humanidade. Pela escrita, a humanidade
conquistou um amplo alcance em temos de desenvolvimento do saber e do
conhecimento. Como demonstraram Carboni (2010) e Battles (2003), com a
ampliação do acesso às informações registradas decorrentes da imprensa, a mente
humana liberou-se de guardar informações, possibilitando novas formas de
aprendizado e comunicação, antes baseados na oralidade e nas habilidades
mnemônicas.
Desta forma, o presente trabalho tem por objeto de estudo as mudanças
pelos quais o livro tem passado ao longo dos milhares de anos, e seus efeitos na
leitura, bem como no impacto causado na portabilidade do conteúdo, este derivado
das inovações ocorridas nos suportes para acondicionamento, transporte e acesso à
informação. Este trabalho foi elaborado utilizando a metodologia de levantamento
bibliográfico e análise da literatura encontrada.
2. REGISTRO, LEITURA E ACESSO À INFORMAÇÃO AO LONGO DO TEMPO

Devido à importância da escrita (registro da informação) e leitura (incluindo os
gestuais de leitura e as práticas sociais atreladas) esses temas são amplamente
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debatidos (DARTON, 2010). De acordo com as mudanças que geraram maiores
impactos, podem ser definidas três revoluções da escrita e leitura: a adoção do
códice, a invenção da tipografia e a expansão da internet.
Cabe lembrar, como Darton (2010) ressalta, que o estudo da leitura se dá
pelos atos externos, como folhear, anotar, ler em voz alta, realizar anotações
marginais ou em cadernos (livros de lugares-comuns). Porém, deve-se ter
consciência de que o estudo do hábito da leitura em processamento cerebral é algo
menos passível de análise.
Na

sequência,

são

abordadas

com

maior

profundidade

as

três

supramencionadas revoluções da escrita e da leitura.
2.1 Tabuinhas de argila, Volumen e Codex
Relata Báez (2006) que os primeiros “livros” da humanidade apareceram na
região da Suméria, Mesopotâmia (hoje sul do Iraque), entre os leitos dos rios Tigre e
Eufrates, há aproximadamente 3500 anos. Eram feitos de tabletes de argila, a qual a
era aquecida até adquirir condição própria para a escrita. Por serem pesados, muitas
vezes era necessário que duas pessoas participassem de sua composição: um
segurava o tablete e o outro redigia. O texto começava no canto superior direito e a
direção da escrita seguia, ainda que nem sempre, uma orientação vertical. As placas
de uma mesma obra eram reunidas num único bloco, com uma identificação.
O autor Chartier (1999) explica que os livros na Antiguidade tinham o formato
de rolo. Eram chamados de kilindros (pois os rolos eram guardados em cilindros)
pelos gregos. Já os romanos chamaram esse formato de volumen, de onde derivou
o atual termo volume. Os rolos eram feitos utilizando-se por material o papiro
(AVERBUG, 2012; BATTLES, 2003; BELO, 2008; CHARTIER, 1999).

Este era

enrolado a uma vareta (de madeira ou marfim) para criar o rolo que seria usado na
escrita, de modo que podia ser utilizado somente um lado do papiro para a escrita.
Devido à concorrência existente entre a Biblioteca de Alexandria (cidade
situada no Egito) e a de Pérgamo (na Ásia Menor), Ptolomeu Epifanes proibiu a
exportação do papiro à Pérgamo, a fim de limitar o crescimento da biblioteca de
Pérgamo. Porém, isso não gerou o efeito esperado, mas a substituição do papiro por
outro material, o pergaminho (nome originário da região que o deu origem) por
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decisão de Eumenes II. Tal substituição ocorreu para que não houvesse uma
paralisação do trabalho de copistas contratados para atender as encomendas da
biblioteca (BATTLES, 2003).
O número de trabalhadores envolvidos na produção do pergaminho cresceu
ao longo do tempo, e tal grupo gerou corporações de pergaminheiros (BATTLES,
2003; SIMÕES, 2008).
Além de mais barato que o papiro, o pergaminho tem diversas vantagens tais
como facilidade de dobrar e costurar. Ele ainda permite a escrita em ambos os lados
e a prática do palimpsesto (apagar o conteúdo mediante lavagem ou raspagem e
escrever novamente sobre a mesma superfície, geralmente nas linhas intermediárias
ao primeiro texto ou em sentido transversal), configurando-se desta forma como um
material econômico devido à sua propriedade de reaproveitamento (BATTLES,
2003; SIMÕES, 2008).
Com essas vantagens o pergaminho foi considerado um ótimo substituto não
apenas dos rolos em papiro, como também das tábuas de argila ou ainda das
tábuas retangulares de madeira revestidas com cera (AVERBURG, 2012).
Entretanto, foi destas últimas que a tecnologia de unir as folhas de pergaminhos foi
adaptada. As folhas, assim como as tabuletas, eram unidas por um cordão formando
um bloco, daí a origem do formato de códice (codex) para os livros em substituição
aos rolos (BATTLES, 2003; SIMÕES, 2008).
O códice é econômico em comparação ao volumen, uma vez que é inserto
texto em ambos os lados de cada folha, ou seja, se faz uso de uma quantidade
menor de material para alocar uma mesma quantidade de informação (AVERBURG,
2012). A utilização do códice permitiu que novas práticas de leitura se efetivassem.
Com o rolo era impossível ler e tomar nota ao mesmo tempo, motivo pelo qual
alguém deveria ler o texto em voz alta enquanto outra pessoa tomava nota. Com o
códice houve em uma generalização da prática da leitura silenciosa, que muitas
vezes se dava em ambiente escolástico (BATTLES, 2003; SIMÕES, 2008).
No códice foram introduzidos itens como índice e paginação, que tornaram
possível ao leitor guiar-se com facilidade rumo aos trechos desejados. Também foi
facilitado o ato de manipular o livro para comparar os diversos trechos da obra. No
rolo era incômodo encontrar uma determinada passagem no meio de uma obra, pois
era preciso desenrolá-lo até identificar o trecho desejado e depois enrolá-lo de novo.
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Há também, por fim, a liberação das mãos para tomar notas aumentando desta
forma a capacidade interativa do leitor com aquilo o que ele lê. Além disso, o códice
mostrava-se mais fácil de armazenar e proteger, de transportar e de consultar
(BATTLES, 2003; BELO, 2008; CHARTIER, 1999; SIMÕES, 2008).
Assim o aparecimento do codex é para muitos autores a primeira das
revoluções na história da escrita e da leitura.
2.2 A Imprensa de Gutenberg

Tipos móveis, e a própria impressão, existiam antes da invenção de Johhanes
Gutenberg. A inovação do inventor alemão foi aprimorar a impressão por caracteres
móveis, inventando a prensa tipográfica (BURKE, 2003).
Com a invenção da tipografia, realizada por Gutenberg, a circulação do livro
ganhou outros limites, saindo do uso restrito de determinados círculos (mosteiros,
nobres e pessoas que pudessem ter acesso a um livro com custo alto). De acordo
com Belo (2008), Burke (2003), Carboni (2010), Darton (2010), Oliveira (2012) e
Simões (2008), a imprensa disseminou e ampliou o acesso à informação e à
transmissão de conhecimento em uma escala nunca antes vista. A conservação do
livro também foi facilitada pelo fato de haver maior número de cópias, além da
possibilidade de se reproduzir novamente a obra de uma forma mais fácil, menos
lenta e de menor custo. O baixo custo se deve ao fato de o custo da produção ficar
diluído nas quantidades de cópias produzidas.
Belo (2008), Carboni (2010) e Darton (2010) afirmam ainda que a tipografia
causou uma alteração não apenas dos modos de ler, mas também da própria
percepção. Essas mudanças qualitativas resultaram em novos formatos, novas
maneiras de trabalhar com paginação, novos métodos de organizar as matérias,
assim como novos tipos de livros como gramáticas, dicionários e catálogos.
Segundo Carboni (2010) e Burke (2003) a imprensa padronizou a escrita, pois já não
haveria diferenças entre edições de diferentes copistas. Com a padronização, a
imagem das letras e das palavras impressas abriu caminho para ampliação do
pensamento abstrato, pois se pode imaginar a palavra, bem como construções
linguísticas, sem que fossem atreladas somente ao som. A cultura ocidental, aos
poucos, se desvencilhou da oralidade.
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Os incunábulos desse período sofreram uma alteração física, pois seu
tamanho e peso diminuíram consideravelmente. De acordo com Lévy (2010), os
livros da Idade Média eram enormes e deveriam estar acorrentados nas bibliotecas,
e sua leitura era feita em voz alta no atril. Por meio de uma mudança na dobradura o
livro adquiriu o formato in octavo e tornou-se portátil, o que facilitou sua difusão de
modo maciço (LÉVY, 2010). Darton (2010) esclarece que a impressão em oitavo era
pequena o suficiente para que o livro pudesse ser segurado nas mãos
confortavelmente, além de possuir a elegância que uma nascente sociedade de
consumo demandava.
Os autores Chartier (1999) e Darton (2010) esclarecem que o processo de
substituição da imprensa pelas formas anteriores foi lento. As cópias manuscritas
não foram abandonadas tão logo se começou a imprimir com o uso da prensa. Havia
resistência ao novo modelo de reprodução, e por essa razão os primeiros livros
impressos tentavam reproduzir feições típicas das obras manuscritas, como os
caracteres confeccionados nesse tipo de formato.
Este é o período em que os monopólios do saber começam a ser diluídos. E a
aprendizagem sofre uma profunda alteração, visto que antes da invenção da
imprensa o ensino era fundamentalmente mnemônico (os indivíduos aprendiam pela
repetição) e a memorização de passagens era demonstração de prodígio intelectual.
Com a imprensa, a memória fica liberta e, de modo progressivo e inexorável, há um
declive da importância e relevância da memória repetitiva (CARBONI, 2010). Os
tratados sobre mnemônica, que eram frequentes na Idade Média, começam a perder
prestígio (DARTON, 2010).
O livro é uma instituição que a cultura pós-Gutenberg confiou a tarefa de
armazenar e fazer circular todo o conhecimento, representando uma forma de
socialização, transmitindo os valores comunitários e econômicos e identidades
grupais e individuais (BURKE, 2003, CARBONI, 2010). Devido ao impacto na
difusão da informação e na padronização da escrita, a invenção da prensa
tipográfica é considerada uma segunda revolução da escrita e leitura.

2.3 Livro digital

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Atualmente, há quem acredite que a palavra escrita vive momentos de crise e
profetize o desaparecimento do livro (CARBONI, 2010; DARTON, 2010; FURTADO,
2006; OLIVEIRA, 2012). Essa crise nada mais é do que a substituição de uma forma
de cultura, em declínio, por outra forma emergente. Trata-se da mudança da página
para a tela do computador ou outros leitores de arquivos. O computador e afins
passam a ser o que é o livro: transmissor de conhecimentos.
Mas, além disso, o computador e seus correlatos ainda podem afetar o livro
de duas maneiras distintas: a primeira se trata da simples reprodução de livros
impressos no meio eletrônico e apresentados na tela; e a segunda se trata da total
liberdade para modificar radicalmente o texto, transformando-o. Essa liberdade de
criação e edição não implica, entretanto, no fim do livro, mas na dispersão multilinear
do hipertexto. (CHARTIER, 1999; DARTON, 2010).
Chartier (1999) afirma que a inscrição do texto na tela do computador cria
uma distribuição, organização e estruturação do texto diferente de todas as
experiências anteriores, desde o leitor da Antiguidade acostumado ao uso do rolo,
até os leitores medievais, modernos e contemporâneos, acostumados ao livro
manuscrito ou impresso, cuja leitura se estrutura a partir de cadernos, folhas e
páginas.
Há uma revolução em curso das estruturas do suporte material do escrito e
nas maneiras de ler (CHARTIER 1999). Suas evidências são encontradas nas
possibilidades proporcionadas pelo formato digital, como o fluxo sequencial do texto,
a continuidade e indefinição precisa das fronteiras, a possibilidade do leitor de
embaralhar, entrecruzar ou reunir textos no mesmo documento. A revolução do texto
digital se relaciona diretamente com a necessidade atual de fazer uso de um grande
número de possibilidades de criação e edição.

3. PORTABILIDADE DA INFORMAÇÃO E LEITURA

É notável que as diferenças de portabilidade resultem das mudanças
ocorridas nos suportes informacionais. Assim, ao longo do tempo, os suportes
tornaram-se cada vez mais portáteis, resultado de desenvolvimentos que
aumentaram a capacidade de comportar e carregar mais informação em menos
espaço e com menor peso, facilitando assim o transporte do suporte.
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3.1 Das tabuinhas de argila ao papel eletrônico

Os tabletes (ou tabuinhas) de argila podem ser considerados como as mais
antigas formas de registro da informação, vislumbrados como o primórdio do livro
tradicional no formato que hoje conhecemos. No entanto, Averbug (2012) informa
que os tabletes não tinham capacidade de suportar grandes volumes de textos, além
de possuírem problemas tanto na fluidez quanto na continuidade dos textos nelas
inscritas. Para a autora, os aspectos da fluidez e da continuidade textuais passaram
a ser mais desenvolvidos com o surgimento do rolo de papiro (volumen).
Apesar disso, lentamente o volumen passou a ser substituído pelo códice
(folhas de pergaminho unidas, formando um conjunto de cadernos costurados e
encadernados), pois além de ter baixo custo, fácil produção e obtenção de matériaprima, o códice (codex) era mais fácil de montar e manusear, acessível, leve e
portátil, mas sua portabilidade era menor com relação aos livros atuais (SIMÕES,
2008; AVERBUG, 2012; BELO, 2008). Já o livro de fato surgiu com o uso do papel e
a invenção da imprensa, de modo que esse suporte passou a ser menor e ainda
mais portátil e, tendo em vista que os textos impressos são mais acessíveis do que
os manuscritos, a impressão proporcionou difusão e acesso à informação, além de
possibilitar uma nova forma de leitura, em silêncio e solitária (BENÍCIO; SILVA,
2005; CARBONI, 2010; LÉVY, 2010).
O livro impresso é ainda muito aceito e utilizado porque agrega fatores
positivos, tais como: mobilidade e de fácil manuseio; disponibilidade para
apropriação pessoal e empréstimo; folheável e consultável; durável e compacto;
facilidade de fazer anotações e marcações em suas páginas, não necessita de
dispositivo para sua leitura, sendo que esta pode ocorrer praticamente em qualquer
condição ambiental e de iluminação; interface que facilita a relação do texto com a
escrita e a leitura (LÉVY, 2010; FURTADO, 2006; MCKINLEY, 1998).
Para Lévy (2010), foi a junção de tamanho e massa bem baixos que
ocasionaram a popularização do livro, da mesma forma como hoje ocorre com os
computadores. Tal ideia é verdadeira, observando-se os dispositivos hoje existentes
para a leitura digital, tais como telefone celular, smartphone, computador de mesa e
portátil (netbook, notebook, ultrabook), e-reader e tablet (SOUZA; TORRES;
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AMARAL, 2011; OLIVEIRA, 2012). Nessa direção decorre o surgimento do papel
eletrônico que, na exposição de Simões (2008), não gera luz na tela do dispositivo e,
por consumir pouca energia, faz uso de baterias pequenas e leves, gerando a
portabilidade dos aparelhos que fizerem uso dessa tecnologia. A empresa E Ink tem
desenvolvido uma tecnologia chamada Radio Paper (papel rádio), constituída de um
papel eletrônico flexível, enrolado em um suporte (cujo formato assemelha-se ao
antigo rolo de papiro), que faz uso de cores de alta resolução e cuja atualização dos
dados é automática, possível devido à comunicação e rede de dados sem cabo
(SIMÕES, 2008; FARBIARZ; NOJIMA, 2003).
As empresas Centro de Pesquisa da Xerox, em Palo Alto, e Laboratório de
Mídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT) vêm desenvolvendo em
paralelo a tecnologia do papel eletrônico, que não emite luz, podendo ser lido em
qualquer luminosidade, além de ser possibilitar leveza e portabilidade aos
equipamentos em que for utilizado, pois seu baixo consumo de energia permite o
uso de baterias pequenas e leves (FARBIARZ; NOJIMA, 2003; SIMÕES, 2008). Por
sua vez, as empresas E Ink e Toppan Printing Company, do Japão, expuseram em
maio de 2001 um protótipo de tela que faz uso de tinta eletrônica colorida, com a
expectativa de uso de mais de 4 mil cores (FARBIARZ; NOJIMA, 2003).
3.2 Internet, e-books e e-readers

Para Benício e Silva (2005), o surgimento da internet decorre da evolução dos
suportes informacionais, possibilitando o surgimento das bibliotecas “sem paredes”,
sem muros, fronteiras ou barreiras geográficas, realizando o ideal da biblioteca
universal (BENÍCIO; SILVA, 2005; ROSETTO, 1997). Na concepção de Rosetto
(1997), essa tipologia de biblioteca continuará a cumprir seu papel, qual seja
preservar e difundir todas as espécies de documentos, em todos os suportes.
Tendo em vista que a existência de e-books e materiais digitais é uma
realidade, possibilitando a pesquisa independente da localização física, é importante
salientar que as bibliotecas digitais e virtuais não devem substituir as bibliotecas
físicas, mas devem favorecer o acesso à leitura, informação e conhecimento
existentes (PINHEIRO, 2012; SERRA, 2012).
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O uso cada vez mais amplo da internet ocasiona uma disponibilidade
crescente de informação e documentos digitais, criando assim a possibilidade de
acesso à população a diversos tipos de materiais, conduzindo a novos suportes do
texto escrito e proporcionando diversificadas opções de leitura (PINHEIRO, 2012;
MCKINLEY, 1998; ROSETTO, 1997; SIMÕES, 2008). Na visão de Rosetto (1997),
esse cenário demonstra uma revolução maior do que a ocorrida com a imprensa de
Gutenberg, pois a modificação abrange a forma, estrutura e reprodução textuais.
A disseminação dos conteúdos eletrônicos, em especial dos livros eletrônicos,
deu-se em meados da década de 1990, e desde então vem ocorrendo o
desenvolvimento da leitura e das potencialidades desse (FURTADO, 2002;
FURTADO, 2006). Segundo Farbiartz e Nojima (2003), o e-book reader possibilita o
acesso a diferentes tipos de textos, livros e documentos, ampliando assim o acesso
à leitura.
O termo e-book, em simples definição, é o conteúdo de um livro em formato
eletrônico, sendo seu conteúdo gerado em formato digital ou decorrendo da
digitalização de um livro em formato impresso (FURTADO, 2006; BENÍCIO; SILVA,
2005). Furtado (2006) entende que se vive em um momento de transição, no qual
documentos digitais são gerados e uma grande quantidade de documentos é
digitalizada, mas em ambos os casos há fidelidade ao papel. Já na concepção de
Simões (2008), o termo “livro eletrônico” retrata uma metáfora, tendo em vista
que seu nome deriva, de fato, do conteúdo desse material, e não de seu suporte.
Para Simões (2008), os dispositivos para a leitura dos e-books, comumente
chamados de e-readers, foram desenvolvidos na tentativa de imitar o livro impresso,
no que diz respeito ao seu transporte e praticidade. Desse modo, os ereaders buscam imitar a forma do livro tradicional, proporcionando uma leitura similar
ao livro, mas com a vantagem de que suas telas, diferente do papel, podem ser
apagadas e utilizadas muitas vezes (SIMÕES, 2008). Além disso, conforme Simões
(2008) e Silva e Silva (2011), os e-readers possuem: alta definição; ferramentas
como busca por palavras e controle de luminosidade; conforto visual; grande
armazenagem de títulos e portabilidade.

3.3 Livros e leitura: tradicional x digital
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Apesar de muitos aparatos tecnológicos terem sido incorporados na vida da
maioria das pessoas, a leitura de documentos digitais em meios eletrônicos não é
uma prática disseminada. Pode-se dizer, inclusive, que há ainda uma grande
rejeição a essa nova forma de leitura. Os livros eletrônicos atuais, por exemplo,
conservam a estrutura existente nos livros impressos (FURTADO, 2006).
Na visão de Farbiarz e Nojima (2003), há dificuldades de aceitação dos livros
digitais por parte do público leitor. Afinal, “a mediação tecnológica é basicamente
estranha ao mundo do livro.” (FURTADO, 2006, p. 89). Essa não aceitação de um
novo formato de leitura pode até ser considerada natural, pois há muitos anos a
leitura é realizada da mesma forma, no livro impresso.
O livro tradicional é durável e compacto; folheável e consultável; leve e
flexível; a leitura no papel é confortável, podendo ser realizada em quase todas as
condições ambientais e de iluminação (MCKINLEY, 1998; BELO, 2008; FURTADO,
2006, FARBIARZ; NOJIMA, 2003).
Por outro lado, os leitores digitais têm sido desenvolvidos para cada vez mais
se assemelharem aos livros impressos, além do fato de os textos digitais
apresentarem muitas possibilidades e vantagens, como: grande capacidade de
armazenamento; reutilização; portabilidade; uso simultâneo; grande aliado para
disseminação da informação, da comunicação e do acesso e democratização da
leitura (FARBIARZ; NOJIMA, 2003; MCKINLEY, 1998; ROSETTO, 1997; FURTADO,
2006, SILVA; SILVA, 2011).
Assim, textos em suportes digitais, materializados em equipamentos de
informática como computadores e e-readers não devem ser vistos como opositores
do livro e da leitura, justamente por serem fontes de informação em formato digital,
caracterizadas como livros, periódicos, documentos, entre outras (AVERBUG,
2012; FURTADO, 2006; BELO, 2008; FARBIARZ; NOJIMA, 2003). Por outro lado, o
fato de materiais digitais serem mutáveis e pouco permanentes, apesar de também
serem fáceis de circular e móveis, pode gerar desconfiança e falta de confiabilidade
de seu conteúdo nas pessoas (SIMÕES, 2008; FURTADO, 2002).
Apesar de ter sido por várias vezes anunciada a “morte” ou o
desaparecimento do livro impresso com o surgimento do livro digital, tendo em vista
que tal fato vem acrescentar às possibilidades decorrentes do impresso, o mais
provável é que ambos os formatos, impresso e digital, coexistirão ainda por um
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longo tempo (LAUFER, 2008; FURTADO, 2002; SILVA; SILVA, 2011; FURTADO,
2006).
Desse modo, a leitura digital tem se tornado cada vez mais uma realidade
presente no dia a dia. Sua presença, portanto, ilustra a inexorável mudança nos
meios e modos digitais contemporâneos. No entanto, de forma alguma isso significa
que os livros tradicionais serão sumariamente trocados pelos digitais, mas sua
substituição, se de fato isso um dia ocorrer, será lenta e gradual, e por longo tempo
o livro e a leitura tradicionais coexistirão ao lado dos digitais.
Nesse contexto, a portabilidade é um fator de grande importância, pois implica
em uma maior quantidade e volume de informação em um suporte de menor espaço
e peso. Como consequência, a tendência atual é de que as livrarias e bibliotecas
tradicionais se adaptem ao novo cenário de conteúdos digitais.
Com o advento do livro eletrônico, surgiram na internet as livrarias virtuais.
Nelas, o leitor pode selecionar diversos títulos ao mesmo tempo, comprá-los sem
sair de casa e receber suas aquisições imediatamente em seu dispositivo eletrônico,
podendo assim montar uma coleção de e-books e carregá-la para onde quiser
(SIMÕES, 2008). Uma das mais famosas livrarias virtuais é a Amazon, que iniciou
suas atividades em 1995 e somente entrou em operação no Brasil no final de 2012
(SHATZKIN, 2012).
Uma problemática envolvida na aquisição dos e-books está justamente na
existência do DRM (Digital Rights Management). Trata-se de um sistema de
proteção de direitos autorais das obras em formato digital, utilizado para que sejam
repassados os direitos autorais a quem é devido, utilizando tecnologia de proteção
das obras, de modo que se pode controlar o uso e até mesmo restringir diversas
atividades da obra, como cópia ou impressão por parte do leitor (FARBIATZ;
NOJIMA, 2003; FURTADO, 2006; CARBONI, 2009). Porém, com a atual prática de
inserção de DRM, pessoas e bibliotecas também têm seus direitos violados, uma
vez que muitas ações corriqueiras, como impressões de páginas, podem ser
bloqueadas. Portanto, a forma de proteger contra violações os bens culturais por
meio de DRM não foi ainda solucionada por completo (DOCTOROW, 2012).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Como foi anteriormente exposto, a evolução dos suportes levou, em cada
estágio, à ampliação do acesso à produção escrita; alterou hábitos de leitura e
estudo; mudou características da comunicação (de essencialmente oral para
fortalecimento da comunicação escrita); ocasionou modificações na forma de pensar
(antes mais baseada na oralidade e passando a ser mais abstrato); libertou a mente
humana da necessidade de reter o máximo de informações. Apesar de a cada
revolução da escrita e leitura a quantidade de informação produzida ter crescido, é
também maior a liberdade de não precisar reter na mente, pois a informação está
alocada externamente, nos mais variados suportes.
Outro ponto importantíssimo apresentado no trabalho é a evolução da
capacidade de armazenamento e da portabilidade de informação. As tábuas de
madeira/argila são exemplo do baixo grau de armazenamento e, consequentemente,
de uma baixa quantidade de texto que pode ser transportada no suporte se
comparado com o códice, diferença que se torna brutal quando se compara às
novas tecnologias, como os e-readers. Logo, a capacidade de armazenamento está
estreitamente ligada à capacidade de portabilidade.
Assim como nos diversos momentos da história da escrita, da leitura e do
livro, as mudanças que se verificam atualmente no suporte da produção escrita da
humanidade são irrevogáveis, o que não significa que não haverá coexistência com
outras formas de acondicionamento da palavra escrita, como o impresso. Assumir
que os novos suportes são permanentes e constituem uma nova realidade favorece
uma adaptação mais rápida, aproveitando todos os benefícios da tecnologia.

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              <text>O presente trabalho, através de revisão e análise de literatura, tem por objetivo expor e apresentar as mudanças pelas quais passaram os formatos de registro de informações, e por consequência, as modificações decorrentes nas formas de leitura. E como um fator inerente e importante à temática, a portabilidade é também alvo de estudo ao longo deste artigo.O livro, como portador de informação, vem sofrendo alterações em seu formato ao longo dos anos, desde os tabletes de argila até os formatos atuais, como e-readers (electronics readers ou leitores eletrônicos), e-books (electronics books ou livros eletrônicos) e o papel eletrônico. Os gestuais e as práticas sociais atrelados à leitura também sofrem alterações em decorrência das mudanças no suporte informacional.A portabilidade, fator intrínseco e característico dos formatos de registro de informação, igualmente foi e vem sofrendo alterações com as mudanças de formatos de registro de informação, que há tempos convencionou-se chamar de livro. Tais mudanças possibilitaram, nos dias atuais, que as pessoas possam adquirir uma grande diversidade e quantidade de livros eletrônicos em livrarias virtuais como a Amazon e, mais do que isso, levem consigo essa gama de possibilidades de leitura em seus bolsos, carregadas em um aparelho de leitura, como o e-reader (electronic reader ou leitor eletrônico). Seguindo essa tendência, as bibliotecas têm buscado oferecer aos seus usuários a nova alternativa de portabilidade da informação representada pelos e-books. </text>
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