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                  <text>Avaliação de repositórios institucionais: o Brasil no ranking
webométrico

Rafael Antunes dos Santos (UFRGS) - rderafa@gmail.com
Roberto Carlos Cardoso (UFRGS) - rderoberto@yahoo.com.br
Resumo:
Este trabalho destaca o estado atual de repositórios institucionais de acesso aberto brasileiros
relacionados no topo do ranking webométrico mundial dos repositórios (Ranking Web of
Repositories). Apresenta aspectos teóricos acerca dos repositórios
institucionais, da webometria e do desenvolvimento e adoção de indicadores para avaliações
baseadas em métricas do conteúdo de repositórios. Apresenta o Ranking Web of Repositories
a partir da descrição dos seus principais indicadores: tamanho, files rich, scholar e
visibilidade. Apresenta os dados de classificação dos repositórios
brasileiros na 12ª edição do Ranking Web of Repositories e confere alguns
comentários acerca dos resultados. Conclui ao sugerir que, se o desempenho de um RI na web
está abaixo da posição esperada, as autoridades universitárias deveriam reconsiderar as suas
políticas, na perspectiva de aumentarem o volume e a qualidade de seus depósitos, e
consequentemente, da produção científica publicada através de repositórios institucionais.
Palavras-chave: Repositórios institucionais. Webometria. Indicadores.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Avaliação de repositórios institucionais: o Brasil no ranking webométrico
Resumo:
Este trabalho destaca o estado atual de repositórios institucionais de acesso aberto
brasileiros relacionados no topo do ranking webométrico mundial dos repositórios
(Ranking Web of Repositories). Apresenta aspectos teóricos acerca dos repositórios
institucionais, da webometria e do desenvolvimento e adoção de indicadores para
avaliações baseadas em métricas do conteúdo de repositórios. Apresenta o Ranking
Web of Repositories a partir da descrição dos seus principais indicadores: tamanho,
files rich, scholar e visibilidade. Apresenta os dados de classificação dos repositórios
brasileiros na 12ª edição do Ranking Web of Repositories e confere alguns
comentários acerca dos resultados. Conclui ao sugerir que, se o desempenho de um
RI na web está abaixo da posição esperada, as autoridades universitárias deveriam
reconsiderar as suas políticas, na perspectiva de aumentarem o volume e a
qualidade de seus depósitos, e consequentemente, da produção científica publicada
através de repositórios institucionais.
Palavras-chave: Repositórios institucionais. Webometria. Indicadores.
Área Temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente
1 INTRODUÇÃO
Conhecidos como a green road das iniciativas open access (METZ; SEADLE,
2012; LEITE, 2009), os repositórios institucionais (RI) estabelecem um novo
parâmetro em termos de avaliação da produção acadêmica em relação ao formato
tradicional do periódico científico. O Brasil é um dos países que desenvolvem
esforços no cenário internacional do movimento do acesso aberto, inclusive com a
tentativa, através de projeto de lei (PL1120/2007), de implementar o depósito
obrigatório dos resultados científicos de universidades e centros de pesquisas em
repositórios instituídos para esse fim. O projeto, no entanto, está arquivado desde o
início de 2012. Esta proposição do Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (BRASIL,
2007) suscita o debate sobre o papel que o Brasil desempenha no referente às
iniciativas open access envolvendo repositórios institucionais e a importância da
definição de políticas.
Estudos métricos de informação, em especial a cientometria, têm privilegiado
a análise da pesquisa a partir de bases de dados centralizadas comerciais de alta
funcionalidade, mas de âmbito restrito (ARMBRUSTER, 2008). Shintaku, Robredo e
Baptista (2011, p. 313) destacam que os “[...] repositórios institucionais facilitam o
acesso à produção intelectual [e fazem] parte do fluxo da comunicação científica”.

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Nota-se que, para efeito dos estudos métricos de informação, a representatividade
dos repositórios possui uma dimensão única e requer uma avaliação baseada em
indicadores.
Em outro contexto, a webometria, como campo de estudos infométricos na
web (INGWERSEN; BJÖRNEBORN, 2004), tem promovido estudos dedicados à
compreensão da construção e do uso de informações na internet. Nesse sentido, o
Ranking Web of Repositories é um produto metodológico dessa natureza. Criado em
2008, a partir dos estudos sobre webometria do Cybermetrics Lab1 envolvendo a
análise de grandes portais universitários e posteriormente os repositórios das
mesmas, o Ranking tornou-se, com o passar dos anos, uma referência básica para
perceber a visibilidade de repositórios científicos na web.
Aguillo et al. (2010) indicam que experimentos como o Ranking Web of
Repositories buscam, através da análise webométrica, promover as iniciativas de
acesso aberto que apóiam o uso de repositórios para fins de avaliação científica. O
empreendimento utiliza motores de busca como intermediários para extrair
informações quantitativas sobre os conteúdos da web. Os autores justificam, ainda,
que “[…] o Cybermetrics Lab decidiu focar os repositórios das universidades para
descrever e comparar o sucesso do OAI no setor acadêmico” (AGUILLO et al., 2010,
p. 479, tradução nossa).
2 REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
O movimento de acesso aberto à informação científica impõe aos padrões da
ciência um novo paradigma nos processos de produção, disseminação e uso das
publicações, além da avaliação da comunicação entre cientistas e instituições de
pesquisa (CARDOSO et al., 2010). Os repositórios institucionais, juntamente com os
periódicos eletrônicos de acesso aberto são parte estruturante deste novo
paradigma. Hélio Kuramoto, ao prefaciar o livro de Leite (2009, p. 9) afirma que “[...]
o desenvolvimento de um RI não depende apenas de fatores tecnológicos, mas
principalmente de fatores relacionados à interoperabilidade humana”.

1

O Laboratório de Cibermetria pertence ao CSIC (Consejo Superior de Investigaciones
Científicas) que está administrativamente ligado ao Ministério de Ciência y Tecnologia do
governo espanhol. Disponível em: &lt;http://www.csic.es&gt;. Acesso em: 20 mar. 2013.	&#13;  
2

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Grande parte dos autores identificados com a temática dos RI, confirmam que
a principal tarefa de gestão destas tecnologias é estimular a comunidade
institucional a depositar a sua produção científica (CHALHUB, 2012; LEITE, 2009;
SAYÃO et al., 2009). Assim como Leite (2009, p. 78) destacamos que “[...] o sucesso
dos RI vai além da obrigatoriedade do depósito [...] é essencial que a comunidade
‘compre’ a ideia do RI e passe a incorporar os pressupostos do acesso aberto”.
No entanto, as motivações para o compartilhamento open access das
publicações nos RI encontram uma preocupação dos autores em relação ao direito
de serem reconhecidos e citados de forma adequada (ARMBRUSTER, 2008). Essa
preocupação encontra estreita relação com a visibilidade da literatura depositada em
RI. Ao analisar o movimento de acesso aberto a partir da competitividade entre os
autores e das diferenças entre ciência predominante e ciência periférica, Guedón
(2010, p. 57) sinaliza que “[...] devem existir regras para que a concorrência ocorra
com tranquilidade e ser estabelecidas ferramentas para avaliar seus resultados”.
Os repositórios têm nos autores e leitores os principais atores para que o uso
seja satisfatório. É preciso pensar nas estratégias de planejamento e marketing, nas
estratégias de povoamento dos RI (aquisição de conteúdos) e nos mandatos de
autoarquivamento, que constituem uma extensão do publish or perish, pelo fato de
que “[...] os pesquisadores são promovidos e obtêm financiamento com base no
desempenho de pesquisa, no qual o impacto (a citação) constitui um importante
indicador” (LEITE, 2009, p. 88). O acesso aberto, nesse sentido, significa a
disponibilização na web dos textos completos para leitura, download, cópia,
distribuição, impressão, busca, criação de links e captura para indexação garantidas
a todo e qualquer usuário que esteja conectado à internet, de forma livre e pública
(LEITE, 2009). Segundo Weitzel (2006) os RI funcionam como provedores de dados,
possibilitando a coleta integrada dos metadados por ferramentas de busca comuns,
como o Google e o Google Scholar.
A tradição teórica dos estudos sobre a mensuração da informação tem
colocado em evidência uma série de metodologias que encontram respaldo em uma
tendência da comunicação científica que vê como necessária a adoção de políticas
de acesso aberto para divulgação de informações oriundas de investigações
científicas, principalmente se estas são patrocinadas com recursos públicos.

3

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3 WEBOMETRIA
Detendo-se na análise estatística da comunicação científica, com ênfase nos
aspectos relacionados à web, a webometria é uma evolução de métricas
informacionais consagradas na biblioteconomia e na ciência da informação. Com
origem no uso de métodos infométricos na world wide web, o termo foi utilizado pela
primeira vez em 1997, em artigo dos autores Almind e Ingwersen (SHINTAKU;
ROBREDO; BAPTISTA, 2011; VANTI, 2005; INGWERSEN; BJÖRNEBORN, 2004).
No Brasil, o tema é recente, sendo que até 2011, apenas três teses de doutorado
foram defendidas em universidades nacionais2. O tema foi abordado pela primeira
vez em 2002, pela pesquisadora Nádia Aurora Peres Vanti, em artigo publicado no
periódico Ciência da Informação.
A webometria, segundo Thelwall (2009), trata de questões relativas à
construção e uso de recursos na web. Para este autor, as metodologias
webométricas compreendem quatro áreas principais de pesquisa, sendo estas
relacionadas ao conteúdo, ao uso, à estrutura e à tecnologia podendo envolver
qualquer aspecto da web. Apesar de nova (apenas quinze anos), a preocupação
com os métodos webométricos já inclui como foco tradicional o estudo dos links
como fonte para a investigação do relacionamento entre nós (domínios, sites e
páginas) e conexões, além das matrizes resultantes dos cruzamentos entre os
dados (VANTI, 2005). Em referência a Ingwersen e Björneborn (2004) os links
podem ser classificados de acordo com seus padrões de relacionamento: inlinks,
outlinks, selflinks, interlinks e co-links. Essa terminologia é inclusive recomendada
pelos autores. Thelwall (2009) ainda analisa as relações dos links como estruturas
semelhantes às citações (sitations). Essa analogia é comumente designada como
Fator de Impacto Web (FIW).
Entretanto, a constante evolução das tecnologias de comunicação e
informação (TIC’s), a característica dinâmica das páginas web e as restrições à web
visível interferem nos procedimentos dedicados a análise de links, como afirma um
dos principais pesquisadores brasileiros na área, ao se referir ao panorama atual de

2

Dados de Shintaku, Robredo e Baptista (2011, p. 319) recuperados na Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT).
4

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ferramentas de busca e suas tendências de comercialização para buscas
especializadas:
[…] a webometria vivencia hoje um cenário de crise e novos desafios
diante das restrições de acesso a informação impostos pelos
mecanismos de busca, colocando em cheque tradicionais análises
de hiperlinks e iniciando um debate crucial entre os pesquisadores:
como trabalhar e obter daqui para frente dados webométricos?
(GOUVEIA, 2012, p. 1).

Com a necessidade de revisão dos procedimentos para recuperação de
dados para análises webométricas, autores como Aguillo et al. (2010) já observavam
as dificuldades relatadas acima, e apostaram no uso do método webométrico
centrado no link para avaliação de publicações open access estruturadas no
conceito de autoarquivamento. A verificação do impacto e da visibilidade em RI é um
exemplo concreto da validade da analogia entre citações e sitations. Além disso, os
repositórios podem fornecer, a partir da disponibilização dos seus metadados, um
volume rico de informações para mensurar a qualidade e a presença das instituições
acadêmicas na web. Como citado anteriormente, para a webometria, os repositórios
institucionais constituem um paradigma devido à natureza aberta dos dados
necessários nas avaliações, em contraposição ao modelo de acesso tradicional dos
bancos de dados, e em contraposição às restrições dos mecanismos de buscas.
4 INDICADORES
Os estudos métricos de informação permitem o mapeamento da ciência a
partir de indicadores que avaliam a produtividade dos autores, instituições e áreas
do conhecimento em canais de comunicação científica e que são necessários ao
planejamento e à gestão da ciência e da tecnologia, em contextos pré-determinados
no espaço e no tempo. Um indicador configura-se como ferramenta de mensuração,
utilizada para levantar aspectos quantitativos e/ou qualitativos de um determinado
fenômeno, com vistas à avaliação e a subsidiar a tomada de decisão (ROZADOS,
2004). Os autores Aguado-Lopéz, Rogel-Salazar e Becerril-García (2010, p. 217)
agrupam os indicadores em dois blocos: “[...] aqueles que analisam as atividades em
si e aqueles que identificam as relações”. Os primeiros indicam o volume e o impacto
5

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das atividades de pesquisa e os segundos estudam os laços e interações entre
pesquisadores e campos de estudo. Apesar dos indicadores não refletirem
efetivamente todas as nuances das atividades científicas, eles permitem a
identificação de alguns elementos a partir das medições.
No terreno das publicações open access, particularmente na relação com os
repositórios, a inclusão de indicadores não-tradicionais revelam a evolução e a
adequação webométrica para os RI (SHINTAKU; ROBREDO; BAPTISTA, 2011).
Aguillo et al. (2010, p. 477, tradução nossa) afirmam que os indicadores “[...] não só
afetam favoravelmente a visibilidade dos trabalhos, mas abrem a avaliação da
investigação a metodologias mais centradas no usuário”.
Os indicadores para repositórios, muitas vezes, são coincidentes com os
indicadores

webométricos,

mas

devido

às

suas

características,

permitem

escalonamentos diferentes, como adverte Thomas (2007). Este autor divide os
indicadores de um RI em quatro grupos: para avaliar o desempenho das aquisições
de conteúdo, o desempenho das recuperações, além dos desempenhos de uso e
impacto. Para Aguado-Lopéz, Rogel-Salazar e Becerril-García (2010, p. 213), “[...]
interessa estudar a forma como são construídos os indicadores [...], que são
adotados por agências governamentais e pelas próprias comunidades científicas”.
Destacam ainda que todo indicador é uma abstração conceitual e devido a isso
declaram a necessidade de traçar uma crítica epistemológica à construção dos
mesmos. Armbruster (2008) sintetiza que uma das funções dos RI é disseminar a
produção acadêmica institucional e a função dos indicadores é avaliar as
características e resultados desta disseminação.
Embora muitos repositórios publiquem extensos relatórios sobre visitas,
visitantes e downloads, os dados não podem ser comparados e combinados pois os
conceitos medidos não são os mesmos. O alinhamento conceitual das perspectivas
webométricas a um universo de aplicações open access, como os repositórios, ainda
é incipiente na literatura. Pesquisadores como Mayr (2006), Aguillo et al. (2010) e
Cullen e Chawner (2011) idealizam a necessidade de implantação de grupos de
indicadores para análises webométricas que envolvem o diagnóstico de RI com
bases no uso (visitas, downloads), na atividade (depósitos pelos autores, cobertura
dos assuntos) e na visibilidade relacionadas (citações e linkagens). Como adverte
Aguillo et al. (2010), hoje, não há nenhuma fonte universal para muitos destes
6

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indicadores e uma primeira geração de medidas de repositórios de acesso aberto é
necessária. Além disso, inúmeros estudos têm sido realizados para mensurar a
relação entre o aumento das taxas de citação da literatura e sua disponibilidade em
ambientes de acesso aberto3.
5 RANKING WEB OF REPOSITORIES
Em meados do mês de janeiro de 2013, a equipe do Cybermetrics Lab
divulgou a 12ª edição do Ranking Web de Repositórios, que tem mantido certa
regularidade de publicação desde o segundo semestre de 2008. O objetivo
fundamental é melhorar a visibilidade dos RI e empreender a divulgação das boas
práticas de publicação open access. Os critérios para que universidades ou centros
de pesquisa possam submeter seus repositórios à análise referem-se à necessidade
destes possuírem coleções essencialmente de trabalhos científicos recentes e
possuírem um domínio ou subdomínio web próprio. O ranking empreende três
distintas formas de visualização dos resultados: uma que inclui apenas repositórios
institucionais, uma que inclui tanto RI quanto repositórios temáticos (principal) e uma
terceira, denominada Portais, e que, segundo a equipe do Laboratório de
Cibermetria, são muito difíceis de classificar e estão temporariamente excluídas do
ranking principal.
Este artigo trabalha apenas com a classificação sobre os repositórios
institucionais localizados até a posição 100 (Top 100), além dos RI classificados nos
rankings por indicadores isolados. No final deste trabalho, está relacionada a
classificação dos RI brasileiros no ranking principal (Anexo A). O laboratório de
Cibermetria também apresenta opções de visualização dos posicionamentos por
continente, por país e por blocos de países, como por exemplo, o bloco dos países
conhecidos como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No entanto, o
Laboratório não disponibiliza os dados brutos da análise webométrica diretamente
nos rankings que publica, tampouco expõe o histórico das avaliações anteriores,
mas demonstra uma postura aberta para as solicitações de acesso caracterizadas
3

Um destes exemplos é o CiteSeer (Scientific Literature Digital Library and Search Engine).
“Trata-se de um motor de busca que coleta e reúne metadados de um grande numero de
RI, permitindo buscas integradas [...] e fornecendo métricas de avaliação do impacto de
pesquisas” (SAYÃO et al., 2009, p. 18).
7

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com pesquisas científicas e outros interesses de natureza acadêmica. Este trabalho
limita-se a analisar somente os dados da classificação em si mesma.
A tabela 1 mostra a ocorrência do número de repositórios por país, sendo que
26 (vinte e seis) aparecem na classificação:
Tabela 1 – Quantidade de repositórios por país
País
Quantidade
Estados Unidos
20
Alemanha
9
Espanha
9
Holanda
8
Grã-Bretanha
5
Indonésia
5
Austrália
4
Japão
4
África do Sul
3
Brasil
3
Canadá
3
França
3
Suécia
3
Suíça
3
Taiwan
3
Venezuela
3
Bélgica
2
Finlândia
2
4
Outros (8)
1
TOTAL
100
Fonte: adaptado de Ranking (2013)

O

Ranking

Web

of

Repositories

baseia-se

em

quatro

indicadores

independentes que contribuem, cada qual com seu peso, para o cálculo do indicador
predominante, conforme a seguir, adaptado de Aguillo et al. (2010) e atualizado
conforme a seção “Metodologia” do site (RANKING, 2013). Os quatro indicadores
(rankings), apesar dos pesos diferentes, mantém uma relação 1:1 entre a atividade
(tamanho) e o impacto (visibilidade).
a) Tamanho: número de páginas recuperadas no Google (10%);
b) Visibilidade: raiz quadrada do número total de backlinks multiplicados pelo
número de domínios web originários5 (50%);
c) Scholar: número de artigos publicados entre os 5 (cinco) anos anteriores
(2008 a 2012), recuperados na base da dados do Google Acadêmico
(30%).
4
5

Áustria, Colômbia, Dinamarca, Malásia, Noruega, Portugal, Estônia e Ucrânia.
Informações extraídas dos softwares MagesticSEO e Ahrefs.
8

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d) Files Rich: contagem da diversidade de formatos de arquivos recuperados
no Google6 (10%);
6 RESULTADOS BRASILEIROS
O fato de RI brasileiros estarem representados em um ranking internacional
de repositórios que reflete as melhores práticas para o auto-depósito de publicações
científicas é significativo para compreender que, apesar do potencial promissor dos
repositórios institucionais para melhorar a comunicação acadêmica, este modo de
partilha do conhecimento ainda não é tão difundido em países em desenvolvimento
em relação aos países desenvolvidos. A relação entre crescimento científico e
crescimento econômico nas nações é novamente visível, ao menos teoricamente.
De um universo de 1567 (mil quinhentos e sessenta e sete) RI de todo o mundo, o
Brasil apresenta somente 38 (trinta e oito) do total de repositórios avaliados, ou
2,4%. Apenas três universidades brasileiras aparecem no Top 100 dos repositórios:
a Universidade de São Paulo (USP), com a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD)7; a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e seu
repositório LUME8 e o repositório institucional da Universidade de Brasília (UNB)9,
conforme é ilustrado na tabela 2:
Tabela 2 – Classificação dos repositórios brasileiros

Instituição
USP
UFRGS
UNB
1

Top 100
3
20
100

T1
69
99
83

V2
8
66
310

FR3
13
12
140

S4
2
15
58

Tamanho
Visibilidade
3
Files Rich
4
Scholar
Fonte: adaptado de Ranking (2013)
2

6

Até 2010, o Cybermetrics Lab incluía apenas a contagem dos arquivos com extensão de
formato .pdf recuperados no Google e no Yahoo. No entanto, outros formatos podem ser
utilizados nos repositórios. Arquivos ricos (files rich) referem-se às extensões de formato
de arquivos .pdf, .doc, .docx, .ppt, .pptx, .ps, .eps e .rtf. O indicador conhecido como pdf foi
substituído pelo indicador files rich. Documentos em HTML ou linguagens de marcação
web similares são atribuídos ao indicador de tamanho (AGUILLO, 2010).
7
Disponível em: &lt;http://www.teses.usp.br&gt;.
8
Disponível em: &lt;http://www.lume.ufrgs.br&gt;.
9
Disponível em: &lt;http://repositorio.bce.unb.br&gt;.
9

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Destaque para os repositórios da USP (BDTD) e da UFRGS (LUME), que
mantém posições no Top 100 em todos os indicadores, com resultados importantes,
principalmente se consideramos a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
USP como o terceiro melhor repositório listado entre aqueles da categoria
institucional. Em relação ao índice Scholar, que mede os resultados a partir do
resultado de uma busca que leva em consideração os cinco anos anteriores de
produção científica, o resultado da BDTD sobe para a segunda posição.
Nos rankings por indicadores isolados outras três universidades constam nas
classificações dos Top 100 individuais: o repositório institucional da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC)10, e as Bibliotecas Digitais de Teses e
Dissertações da Universidade Federal do Paraná (UFPR)11 e da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp)12. A tabela 3 ilustra os desempenhos das seis
universidades brasileiras nos quatro indicadores do Ranking Web of Repositories
separadamente e limitados pelo Top 100:
Tabela 3 – Classificação dos repositórios brasileiros nos indicadores isolados
Top 100 – USP [3] / UFRGS [20] / UNB [100]
Top 200 – UFPR [114] / UFSC [194]
Top 300 – Unicamp [280]

Tamanho

Visibilidade

Files Rich

Scholar

Posição

Instituição

Posição

Instituição

Posição

Instituição

Posição

Instituição

69
70
83
89
99

USP
UFSC
UNB
UFPR
UFRGS

8
66

USP
UFRGS

12
13
53

UFRGS
USP
UFSC

2
15*
20
46
58
100

USP
UFRGS
UFSC
Unicamp
UNB
UFPR

* Empatado com a Università degli Studi di Milano e University of California.

Fonte: adaptado de Ranking (2013).

Na concepção do Ranking Web of Repositories, o valor adotado para a
classificação do repositório está na relação “menor é melhor” (RANKING, 2013).
Assim, percebe-se nas colocações por ranking isolado, os seguintes resultados:
a) As classificações no indicador visibilidade elevaram o status da USP e da
UFRGS a manter seus repositórios entre os 20 (vinte) melhores no Top
Institucional;
10

Disponível em: &lt;http://repositorio.ufsc.br&gt;.
Disponível em: &lt;http://dspace.c3sl.ufpr.br&gt;.
12
Disponível em: &lt;http://www.bibliotecadigital.unicamp.br&gt;.
11

10

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b) considerando os 5 anos anteriores da avaliação (Scholar), os resultados
brasileiros foram melhores se comparados ao ano corrente nas
ferramentas de busca comerciais (Google);
c) 5% dos maiores repositórios institucionais do mundo são brasileiros;
d) As posições ocupadas pela Unicamp, pela UFSC e pela UFPR nos
indicadores, prioritariamente o Scholar, não foram suficientes para figurar
seus respectivos repositórios no Top 100 Institucional.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos dados obtidos no Ranking Web of Repositories e na literatura
analisada, há algumas conclusões importantes que podem ser tomadas. O acesso
aberto iniciou para facilitar o acesso à comunicação científica, restrita principalmente
pelos editores e pelos recursos financeiros limitados das instituições de pesquisa e
universidades. A partir de uma absorção lenta, o crescimento das bases
institucionais de acesso aberto contribuíram para a evolução do movimento. Às
instituições do topo do ranking, como pioneiras em pesquisas de alto impacto e
elevado rigor científico, espera-se, que continuem a partilhar da sua produção
científica, especialmente em benefício dos países em desenvolvimento.
No Brasil, o movimento open access não foi totalmente defendido pelas
universidades, inclusive pelas listadas no ranking, onde os pesquisadores,
provavelmente, têm bem estabelecidas suas rotinas de publicação em periódicos de
prestígio e ver pouco benefício em métodos alternativos de acesso ao mesmo
material. Cullen e Chawner (2011) também afirmam que o conceito de repositório
institucional não atraiu a comunidade acadêmica que pretendia-se beneficiar. Se o
desempenho de um RI na web está abaixo da posição esperada, as autoridades
universitárias deveriam reconsiderar as suas políticas, na perspectiva de
aumentarem o volume e a qualidade de seus depósitos, e consequentemente, da
produção científica publicada através de repositórios institucionais.
Como evidenciado na página web do Ranking (2013), o Laboratório de
Cibermetria explica que um dos argumentos mais utilizados a favor de depositar os
documentos em um repositório é garantir a preservação dos direitos das instituições
que pagam as pesquisas realizadas pelos autores de tais documentos.
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No entanto, nota-se que a avaliação webométrica divulgada pelo
empreendimento não fornece detalhes suficientes para entender a importância e a
contribuição relativa de cada repositório no panorama de discussões sobre o
movimento do acesso aberto. As bibliotecas são percebidas como os locais
apropriados para a gestão de repositórios institucionais. A correta aplicação de
metadados, a compreensão de questões de direitos autorais e mandatos de acesso
aberto mais flexíveis são considerados fundamentais para uma implementação bem
sucedida. Como tal, os bibliotecários estão em uma posição ideal para atuar como
agentes de mudança na promoção e visibilidade dos repositórios além das fronteiras
das instituições em que são lotados.
No geral, pode-se dizer, que os repositórios institucionais brasileiros
possuem destaques isolados no cenário de avaliação do Top 100 do Ranking Web
of Repositories. Uma participação mais dedicada das universidades brasileiras é
importante para a evolução das iniciativas em território nacional e para a própria
visibilidade da produção acadêmica das instituições. É interessante identificar os
fatores que podem contribuir para este fenômeno.

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ANEXO A
Ranking das repositórios institucionais brasileiros no ranking principal
Repositório
1
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
2
LUME
3
Repositório Institucional
4
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
5
Repositório Institucional
6
ALICE
7
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
8
Maxwell
9
Biblioteca Digital de Monografias de Graduação e Especialização
10 Repositório Institucional
11 Repositório Acadêmico de Biblioteconomia Ciência da Informação
12 Repositório Institucional
13 Acervo Digital
14 Repositório Institucional
15 Repositório Institucional
16 Repositório Institucional
17 Repositório Institucional
18 Index do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
19 Biblioteca Virtual sobre Corrupção
20 ROCA
21 Repositório Institucional da Rede CEDES / Min. do Esporte
22 Repositório Institucional
23 Biblioteca Digital da Produção Intelectual
24 Repositório Institucional
25 RIUT
26 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
27 Repositório Institucional
28 Repositório Institucional
29 Repositório Institucional
30 Repositório de Publicações Científicas
31 Repositório Institucional
32 ARGO
33 Produção Científica
34 Repositório Institucional
35 Institutional Repository University of the Jequitinhonha and Mucuri
36 Repositório Institucional
37 Biblioteca Digital
38 Repositório Institucional
Fonte: adaptado de Ranking (2013).

Instituição
USP
UFRGS
UNB
UFPR
UFSC
Embrapa
Unicamp
PUC-Rio
UNB
UFBA
RABCI
CUB-DF
UNESP
FIOCRUZ
UFCE
UFPA
FURG
CBPF
CGU
UTF-PR
CEDES
UFRN
USP
UEPG
UTF-PR
UFMA
UMSCS
INT
IBICT
UFMA
CTI Renato Archer
UFPE
UEL
UFES
UFGO
UE Maringá
UFSE

®
8
27
111
123
206
247
294
313
317
486
668
679
725
725
778
798
813
915
1100
1154
1155
1158
1213
1221
1227
1227
1243
1267
1321
1335
1342
1369
1390
1415
1420
1452
1529
1648
14

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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Florianópolis/SC</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
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            <elementText elementTextId="27706">
              <text>Avaliação de repositórios institucionais: o Brasil no ranking webométrico</text>
            </elementText>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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            <elementText elementTextId="27707">
              <text>Rafael Antunes dos Santos</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="27708">
              <text>Roberto Carlos Cardoso</text>
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        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
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        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <elementText elementTextId="27710">
              <text>FEBAB</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <elementText elementTextId="27711">
              <text>2013</text>
            </elementText>
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        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27713">
              <text>Este trabalho destaca o estado atual de repositórios institucionais de acesso aberto brasileiros relacionados no topo do ranking webométrico mundial dos repositórios (Ranking Web of Repositories). Apresenta aspectos teóricos acerca dos repositórios institucionais, da webometria e do desenvolvimento e adoção de indicadores para avaliações baseadas em métricas do conteúdo de repositórios. Apresenta o Ranking Web of Repositories a partir da descrição dos seus principais indicadores: tamanho, files rich, scholar e visibilidade. Apresenta os dados de classificação dos repositórios brasileiros na 12ª edição do Ranking Web of Repositories e confere alguns comentários acerca dos resultados. Conclui ao sugerir que, se o desempenho de um RI na web está abaixo da posição esperada, as autoridades universitárias deveriam reconsiderar as suas políticas, na perspectiva de aumentarem o volume e a qualidade de seus depósitos, e consequentemente, da produção científica publicada através de repositórios institucionais.</text>
            </elementText>
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        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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            <elementText elementTextId="66239">
              <text>pt</text>
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      <name>cbbd2013</name>
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