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                  <text>Acesso aberto ao conhecimento científico e as métricas
informacionais: metainscrições científicas para identificar a
organização intelectual em periódicos científicos

Alexandre Ribas Semeler (UFRGS) - alexandre.semeler@ufrgs.br
Veleida Ana Blank (UFRGS) - veleida.blank@ufrgs.br
Helen Beatriz Frota Rozados (UFRGS) - hrozados@gmail.com
Resumo:
Aborda os conceitos fundamentais sobre o acesso aberto ao conhecimento científico e as
métricas informacionais. Propõe a análise métrica e visual da informação. Enfatiza a
utilização da co-word analysis, conjuntamente aos métodos de visualização da informação,
para o trato de metadados de publicações científicas Open Acess (OA). Sugere a hipótese
teórica: metadados de publicações científicas OA, de maneira semelhante aos artigos
científicos, contêm informações textuais sobre determinado conteúdo científico (autor,
instituição, títulos de artigos, resumos, palavras-chave, datas etc.) e, por essa razão, são
consideradas metainscrições científicas portadoras de dados sobre as relações simbólicas e
representam a organização intelectual do conteúdo científico dessas publicações. Conclui pela
necessidade de se desenvolver uma metodologia alternativa para a análise métrica de
publicações, principalmente para aquelas que estejam fora do núcleo ISI Thomson Scientific e
que adotam a iniciativa de acesso aberto.
Palavras-chave: Acesso aberto. Periódicos científicos. Métricas de informacão. Metadados.
Co-word analysis.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Acesso aberto ao conhecimento científico e as métricas informacionais:
metainscrições científicas para identificar a organização intelectual em periódicos
científicos

Resumo:
Aborda os conceitos fundamentais sobre o acesso aberto ao conhecimento científico e as
métricas informacionais. Propõe a análise métrica e visual da informação. Enfatiza a
utilização da co-word analysis, conjuntamente aos métodos de visualização da informação,
para o trato de metadados de publicações científicas Open Acess (OA). Sugere a hipótese
teórica: metadados de publicações científicas OA, de maneira semelhante aos artigos
científicos, contêm informações textuais sobre determinado conteúdo científico (autor,
instituição, títulos de artigos, resumos, palavras-chave, datas etc.) e, por essa razão, são
consideradas metainscrições científicas portadoras de dados sobre as relações simbólicas e
representam a organização intelectual do conteúdo científico dessas publicações. Conclui pela
necessidade de se desenvolver uma metodologia alternativa para a análise métrica de
publicações, principalmente para aquelas que estejam fora do núcleo ISI Thomson Scientific e
que adotam a iniciativa de acesso aberto.
Palavras-chave: Acesso aberto. Periódicos científicos. Métricas de informacão. Metadados.
Co-word analysis.
Área Temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a
frente

1 INTRODUÇÃO

Os periódicos de acesso aberto e os repositórios institucionais amplificam e oferecem
maior visibilidade para a Comunicação Científica na web. Estes consolidam um importante
sistema de publicações fundamentadas no acesso aberto ao conhecimento científico. Talvez
seja possível assegurar que o movimento Open Access (OA) revolucionou os processos
comunicativos que envolvem o trabalho com informação científica em meio digital.
Sistemas de gerenciamento de informação científica, como Open Journal System
(OJS)1, representam, de maneira ampla e significativa, a estrutura tecnológica que dá suporte
à produção, à comunicação e ao uso de periódicos científicos OA na Internet. Uma série de
portais de acesso aberto a revistas científicas já foi implantado no País como os do IBICIT, da
UNB, da UFRGS, da UFSC, da UEL entre outros. Assim, percebe-se que no Brasil e no
mundo o OJS é amplamente utilizado. No entanto, apesar de diversas universidades e
instituições científicas adotarem a ferramenta para gerenciar seus periódicos científicos OA,
1

Software open source de gerenciamento e publicação de revistas eletrônicas foi desenvolvido e é disponibilizado pelo Public
Knowledge Project (PKP), fundado por John Willinsky, da Faculty of Education at the University of British Columbia desde 1998.
A tradução para o português do Brasil é responsabilidade do IBICT e recebe o nome de Sistema Eletrônico de Editoração de
Revistas (SEER).

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até o momento são poucos os trabalhos que abordam o uso desse sistema de publicações
aliado às perspectivas dos estudos métricos.
Os estudos métricos e visuais da informação buscam compreender as atividades
exercidas por pesquisadores de universidades, institutos, laboratórios e/ou outras instituições
científicas. Sendo assim, no que tange à justificativa de trabalho operacional busca-se, com
este estudo, a proposição de novos serviços bibliotecários por meio da prática de métricas
informacionais a respeito da pesquisa científica.
Nesse contexto, ressalta-se a co-word analysis, uma técnica métrica utilizada para
analisar a ocorrência de palavras em textos; contudo, no estudo esta técnica é proposta para
analisar metadados de periódicos científicos. Acredita-se que os campos de metadados como
títulos, resumos e palavras-chave são importantes para identificação temática de tendências de
pesquisa em publicações científicas OA. Isso, porque eles são inseridos pelos próprios autores
no momento da submissão através do OJS tornando-se operadores de ligação entre os autores.
Assim, se esses metadados representarem uma coleção, como os textos completos dos artigos,
podem ser analisados e medidos para detectar as associações constantes entre os conceitos que
delineiam determinadas áreas temáticas, campos ou disciplinas científicas.
Por esse fato, sugere-se a hipótese de que a co-word analysis possa ser utilizada como
uma estratégia de análise de conteúdo em metadados de publicações científicas OA e não só
para os artigos dessas publicações. Seguindo esse rumo, o objetivo geral do estudo
apresentado nesse artigo é levantar fundamentos teóricos para circunscrever a análise métrica
e visual de metadados de informação científica, disponível em publicações de acesso aberto,
com vistas a incentivar o desenvolvimento de metodologia alternativa própria para análise
métrica de publicações científicas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
A fim de introduzir questões-base sobre o movimento de acesso aberto ao
conhecimento científico e as métricas, este ensaio aborda conceitos a respeito de publicações
científicas AO e metadados.
A

seguir

abordam-se,

resumidamente,

as

métricas

informacionais

(Biblio/Ciento/Info/Webometria), associadas aos métodos de visualização da informação em
rede, com atenção especial ao método métrico da co-word analysis, que busca compreender o
processo de coleta, extração e representação visual da informação textual que compõe
metadados de publicações OA.

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2.1 ACESSO ABERTO Á INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E METADADOS
O acesso livre à informação científica revela-se como uma nova tendência de estudos
para Comunicação Científica. Inúmeras iniciativas consolidam as preocupações da
comunidade científica com a filosofia open, ou seja, em direção ao uso de ferramentas,
estratégias e metodologias para o desenvolvimento de aplicações de computador (software
livre), arquivos abertos (open archive) e acesso aberto (open access). Essas novas iniciativas
surgiram com a Internet e atualmente são muito influentes no que se refere aos recentes
processos da Comunicação Científica (MUELLER, 2006).
O movimento de acesso aberto (open access) representa uma tendência atual dos
estudos sobre a Comunicação Científica e surge como uma alternativa para divulgação e
amplificação da visibilidade das publicações na web, revelando-se com um novo e fértil
campo de estudos para pesquisas métricas.
Uma publicação científica OA define-se pela capacidade de estar disponível online, de
forma gratuita e livre de direitos autorais ou restrições de licenciamento. O conceito de acesso
aberto foi desenvolvido ao longo de três conferências: Budapeste, em 2001, Bethesda, em
2003 e em Berlim, em 2003. Nesses eventos, definiu-se que publicações OA são toda
literatura disponibilizada de forma livre pela Internet e que essas devem permitir a qualquer
utilizador ler, fazer download, copiar, distribuir e imprimir completamente o seu conteúdo. O
objetivo do movimento OA é remover as barreiras entre todos os usos legítimos da literatura
acadêmica (MUELLER, 2006, SUBER, 2004, BRKOVI, 2011, CRAWFORD, 2011).
Os principais veículos de comunicação e distribuição de publicações OA são as
revistas científicas e os repositórios de acesso livre. Esses veículos podem ser classificados
segundo duas vias: green route e gold route. Esses caminhos ou vias representam os tipos
possíveis para sistemas de publicações OA (JEFFERY, 2006, HARNAD, 2009).
As estratégias da green route, ou via verde, propõem que universidades, institutos de
pesquisa e outras instituições de cunho científico ou tecnológico criem seus próprios
repositórios com o propósito de armazenar e dar maior visibilidade para a produção científica
de seus pesquisadores. Nas palavras de Leite (2009, p. 17), “[…] a via verde significa o sinal
verde dos editores científicos para o arquivamento da produção científica pelos autores em
repositórios digitais.” Já a gold route propõe aos editores científicos a criação e/ou conversão
das revistas científicas comerciais para revistas científicas de acesso livre. Conforme Leite

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(2009, p. 7), "[...] a via dourada significa o acesso aberto promovido nos próprios periódicos
científicos, de modo que os artigos científicos possam ser disseminados sem restrições de
acesso ou uso."
Ao complementar, Crawford (2011, p. 15, tradução nossa) expande a definição de
publicações OA explicando que "[...] contribuições open access incluem também os resultados
originais de pesquisas científicas, dados brutos e metadados […]”. Nessa afirmação, o autor
indica o termo metadados como uma perspectiva de estudos, isso porque o intercâmbio da
informação científica em ambas as vias definidas como veículos de comunicação para
publicações OA se dá por meio de metadados.
O protocolo de metadados utilizado pelo Open Journal System é o Open Archives
Initiative Protocol for Metadata Harvesting (PMH-OAI), padrão de interoperabilidade e
coleta de metadados que busca alcançar o princípio da interoperabilidade entre metadados de
sistemas digitais de publicações científicas OA. No âmbito tecnológico, esse protocolo
estabelece os princípios e as técnicas para integração de arquivos abertos. Ele é fruto de um
encontro dos representantes de organizações que gerenciam serviços de arquivos abertos
(eprints) realizado em Santa Fé, Novo México, em 1999 (CAPLAN, 2003).
Entende-se por Harvesting – coleta de metadados – a extração de descrições de
documentos em rede. Geralmente, os documentos em revistas científicas ou em repositórios
de acesso livre são acompanhados de informações auxiliares que vão além do pesquisador, do
tempo e do lugar em que o experimento foi conduzido. Esta informação auxiliar constitui o
que esse estudo entende por metadados, ou seja, um conjunto de dados sobre pesquisas
científicas que podem estar acoplados, embutidos ou diretamente associados às publicações
digitais em bases de dados (CAPLAN, 2003).
Metadados de publicações científicas OA são um dos focos temáticos deste ensaio.
Neste sentido, surge a hipótese de que os metadados oriundos de publicações científicas OA
podem gerar dados sobre as pesquisas realizadas por uma comunidade científica em
particular. Dessa forma, o próximo tópico pretende clarificar o conceito de metadados, com
base na hipótese de que metadados podem servir de corpus para a análise métrica e visual em
publicações científicas OA.
Ao definir o termo metadados, Caplan (2003, p. 10, tradução nossa) argumenta que
“[...] o termo refere-se a todos os dados utilizados para auxiliar na identificação, descrição e
localização de recursos eletrônicos em rede [...]”. A autora (2003, p. 14, tradução nossa)
explica que “[...] o prefixo meta é comumente usado para significar algo sobre algo, por
exemplo, uma metalinguagem usada para descrever outra linguagem [...]”. São informações

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que se encontram acopladas, embutidas ou diretamente associadas na maioria dos objetos
digitais. Servem para descrição, administração e mapeamento da estrutura e do conteúdo
desses objetos digitais. São similares, por exemplo, a um catálogo de fichas de uma biblioteca
(CAPLAN, 2003, MOORE; MOREAU, 2001).
Metadados são, muitas vezes, definidos como dados sobre dados ou informação sobre
informação, então, metadados científicos são dados sobre as ciências. Os tipos de metadados
são três: metadados descritivos, aqueles que descrevem um recurso para fins como a
descoberta e a identificação; metadados estruturais, que indicam como objetos são compostos
e colocados juntos; e metadados administrativos, que provêm informações de auxílio para
gerenciar recursos sobre a gestão técnica, de direitos e de preservação de metadados
(CAPLAN, 2003, NISO, 2004).
Um grande número de propostas de padronização de metadados tem sido desenvolvido
em âmbito internacional: FGDC (Federal Geographic Data Committee), IMS (Instructional
Management Systems), LOM – IEEE (Learning Object Meta data), VRA (Visual Resources
Association), entre outros. Diferentes comunidades e domínios do conhecimento propõem
diferentes padrões de metadados com a intenção de fornecer orientações quanto à estrutura e
ao conteúdo de grandes massas de dados em áreas específicas do conhecimento. O Dublin
Core é um padrão de metadados utilizado para descrever publicações científicas open access,
composto por 15 elementos, planejado para facilitar a descrição de recursos eletrônicos
(CAPLAN, 2003, ZENG; QIN, 2008),
Segundo o protocolo Harvesting, os metadados de publicações científicas OA adotam
as especificações Dublin Core, por isso são fonte essencial para a avaliação métrica. Teorizase, na sequencia, sobre o conceito de análise métrica da informação fundamentado na
Bibliometria, Cientometria, Infometria e Webometria. No entanto, ressalta-se que o objetivo
aqui não é discutir tais áreas em si, mas introduzi-las como fundamentos teóricos
indispensáveis para análise métrica de informação, contida em metadados científicos.

2.2 MÉTRICAS DA INFORMAÇÃO

Podemos compreender a análise métrica da informação como um princípio que tem
como base a medição da informação segundo ferramentas, métodos e técnicas provenientes da
Bibliometria, da Cientometria, da Infometria e da Webometria. Conforme explica GonzálesSae (2005, p. 32), “[...] todas têm funções semelhantes, mas, ao mesmo tempo, cada uma

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delas se propõe medir a difusão do conhecimento científico e o fluxo da informação sob
enfoques diferentes”.
A Bibliometria preocupa-se em quantificar os processos de comunicação escrita,
conforme a natureza e a evolução das disciplinas, no que essas se refletem na literatura
científica. A Cientometria aplica as mesmas técnicas, mas se restringe a analisar a atividade
de produtividade intelectual de pesquisadores, busca identificar as leis que regem as ciências
com o uso de ferramentas especificas como, por exemplo, os mapas das ciências. Essa métrica
procura compreender os limites, as variações e as relações de influência que existem em uma
comunidade

científica

(GONZÁLES-SAE,

2005,

FARIA,

2005,

VANTI,

2007,

ALVARADO, 2007).
A Infometria propõe-se a estudar a informação em qualquer formato, seja ela científica
ou não. O escopo da investigação infométrica é mais abrangente do que aqueles feitos pela
Cientometria e pela Bibliometria, pois pesquisa as modalidades de produção, comunicação e
uso de informação em comunidades acadêmicas e não acadêmicas (GONZÁLES-SAE, 2005,
FARIA, 2005, VANTI, 2007, ALVARADO, 2007).
Desse modo, a Infometria fundamenta-se na combinação de técnicas de recuperação
da informação e na medição dos fluxos informacionais em bases de dados. A última, uma área
em constante expansão, configura a Webometria a qual comporta os estudos sobre os aspectos
quantitativos da construção e do uso dos recursos de informação, estruturas e tecnologias na
web, utilizando enfoques bibliométricos e infométricos para análise de informação
(GONZÁLES-SAE, 2005, FARIA, 2005, VANTI, 2007, ALVARADO, 2007).
As principais atividades de investigação sobre a análise métrica da informação em
publicações científicas são originadas de métodos cientométricos fundados na Bibliometria.
Por exemplo, duas medidas básicas da Bibliometria: frequência e coocorrência podem ser
utilizadas para o desenvolvimento de indicadores quantitativos sobre ciência e tecnologia.
A definição de frequência pode ser compreendida pela constância na qual as palavraschave de uma coleção de documentos aparecem juntas. Ela é usada como medida-base para
representar a coocorrência. Os agrupamentos sucessivos das palavras por meio da
quantificação da sua frequência permitem a visualização da coocorrência (NEFF; CORLEY,
2009).
Esses agrupamentos de frequência podem assumir diversos níveis de agregação.
Explica Leydesdorff (2001, p. 14, tradução nossa) que "[...] as palavras organizam os textos,
artigos científicos os periódicos, periódicos os diretórios de periódicos, cientistas compõem
grupos de pesquisa, grupos de pesquisa às comunidades [...]" e assim, sucessivamente. Pode-

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se dizer que essas agregações representam possíveis unidades de análise para um estudo sobre
coocorrências cientométricas fundamentadas na frequência.
Geralmente, a frequência de coocorrência de uma palavra em um, dois ou mais textos
indica as relações entre eles. A frequência de uma única palavra em vários textos pode
resultar na construção de redes de palavras que relacionam os seus autores em níveis
sociocognitivos (KOSTOFF, 2003).
Já a co-word analysis é uma das técnicas de análise cientométrica, fundamentada na
frequência da coocorrência de palavras em textos científicos, conforme será explanado.

2.3 CO-WORD ANALYSIS

A co-word analysis possui suas origens na linguística, na lexicografia e na linguística
computacional. Os primeiros estudos foram sobre a coocorrência de palavras em textos não
científicos, bem como seus significados e as razões para duas palavras coocorrem no mesmo
contexto. Ressalta-se que o interesse da linguística computacional centrou-se na recuperação
de informação, na lexicografia mediada por computador e em modelos de armazenamento da
linguagem (KOSTOFF, 2003).
Os primeiros estudos sobre a co-word analysis foram úteis para mostrar as relações
entre as palavras e os termos que podem ser extraídos e quantificados em um texto. No
entanto, não foram aplicados para avaliar as tendências de pesquisa ou para gerar subsídios de
apoio a políticas de investigação científica. Assim, deixam de lado o potencial da co-word
analysis em identificar as tendências de pesquisa em grandes massas de informação textual
científica, pois nada impede que se considere a produção científica como um gênero literário
específico e se aplique a co-word analysis a ele (KOSTOFF, 2003).
A primeira vez em que a co-word analysis foi utilizada para avaliação da pesquisa
científica foi na proposta feita por Michael Collon junto ao Centre de Sociologie de
L'Innovation na École Nationale Supérieure des Mines de Paris, em 1983. O autor acreditava
que, por meio do método de co-word analysis, seria possível identificar redes e estudar sua
evolução com base na análise de documentos. Seu objeto de estudo foram as palavras-chave
de artigos científicos. O autor não limita o uso da técnica apenas às publicações científicas.
Nesse trabalho, Collon não analisou os textos científicos, mas as palavras-chave desses,
realizando, assim, uma das primeiras experiências com metadados de publicações científicas
(CALLON; COURTIAL; WILLIAM, 1983).

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No entanto, os especialistas advertem que a expressão mais codificada da pesquisa
científica é o texto em artigos científicos, pois eles contêm informações relevantes sobre
diversos aspectos da organização da pesquisa, fornecendo aos estudos da ciência uma
ferramenta promissora de investigação no cruzamento de diferentes dimensões analíticas (DE
BELLIS, 2009).
A co-word analysis fundamenta-se na coocorrência e envolve uma série de etapas no
que tange a sua operacionalização. Para De Bellis (2009, p. 143, tradução nossa), são três:
“[…] extração, classificação e agrupamento e visualização da co-word […]”. Já para Yang;
Wu; Cui (2011, p. 660, tradução nossa), são cinco as etapas necessárias para realização da coword analysis quando se pretende a visualização da informação “[…] coleta de literaturas,
[…] extração de dados, […] processamento de dados, […] análise de dados, […] visualização
dos resultados […]”. Mesmo não concordando com o número de etapas para realização da coword analysis, os autores consolidam os procedimentos necessários para utilização da técnica.
Assim, as etapas de operacionalização da co-word analysis podem ser descritas,
inicialmente, como: extração, proposta por De Bellis, que circunscreve as duas primeiras
etapas propostas por Yang, Wu e Cui (2011), coleta de literaturas e extração de dados.
Segundo De Bellis (2009, p. 143, tradução nossa), “[...] dado um corpus de texto,
normalmente um conjunto de documentos científicos, a frequência de coocorrência de todos
os pares de palavras significativas deve ser extraída e calculada.” Ou seja, nesse momento da
co-word analysis, são realizadas pesquisas e coletas de dados sobre literatura científica. A
coleta de dados exige que se extraia um grupo de palavras representativas como objeto de
estudo. A extração gera informação quantitativa sobre os padrões de frequência dos pares de
palavras.
Durante esse processo, surge a necessidade de normalizar os dados coletados.
Chamada por De Bellis (2009) de classificação, esta fase compreende o que Yang, Wu e Cui
(2011) denominam de processamento e análise dos dados. A classificação, nesse contexto,
consolida-se por meio do processamento e da análise de dados. Conforme explica De Bellis
(2009, p. 144, tradução nossa), “[…] uma vez que todos os pares de palavras forem contados,
os valores dispostos em uma matriz simétrica de coocorrência, uma variedade de
manipulações pode ser feita […]”. A multiplicidade de análises que podem ser aplicadas
exige que se definam critérios de classificação para o uso das palavras, por exemplo:
classificação, inclusão, proximidade e equivalência. Esses critérios definem a força relativa
entre as ligações de coocorrência das palavras. No caso mais geral, determinam a hierarquia

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dos problemas de pesquisa e as áreas que potencialmente crescem em um domínio científico
representado na coleção analisada (DE BELLIS, 2009, YANG; WU ; CUI, 2011).
Existem muitos métodos de visualização da informação que podem ser aplicados na
co-word analysis. Os três métodos de visualização mais utilizados são os seguintes: cluster
tree, strategy diagram, social network maps. Esses três métodos possuem características
próprias. O primeiro, cluster tree, mostra as estruturas de um assunto. A strategy diagram
revela a importância de temas tópico na estrutura. E a social network maps é utilizada para
interpretar o relacionamento interno entre os temas. A integração dos resultados de
visualização de diferentes métodos pode auxiliar na obtenção dos resultados de pesquisas
cientométricas (YANG; WU; CUI, 2011).
A combinação entre as métricas e os métodos de visualização da informação
consolidam uma boa estratégia para elaboração dos resultados de uma pesquisa cientométrica
a respeito de metadados em publicações científicos OA.

2.4 ANÁLISE VISUAL DA INFORMAÇÃO

A visualização da informação é a forma pela qual se pode representar a informação de
maneira gráfica ou visual. Seu propósito é facilitar a assimilação e o entendimento da
informação. Surge da necessidade de se assimilarem grandes quantidades de informação. É
tarefa do comunicador que deve transformar dados abstratos em mensagens visíveis. As
ferramentas mais comuns para aplicação e o uso prático de tal técnica de representação são os
mapas conceituais e os diagramas de rede (PINTO et al., 2009).
A visualização da informação é de natureza interdisciplinar e envolve a Computação
Gráfica, a Geografia e a Ciência da Informação, possui um grande potencial para melhorar a
forma de acesso, processamento e gerenciamento de grandes quantidades de informação.
Sendo assim, o papel dessa técnica é o de reduzir os dados a um único ambiente,
simplificando a análise destes. Dentre as ferramentas utilizadas por esse tipo de representação
estão os mapas das ciências (BÖRNER; CHEN, 2002).
Nas palavras de Börner (2010, p. 8, tradução nossa), “[...] os mapas das ciências têm
guiado nossa busca por conhecimento, permitindo-nos visualizar os resultados científicos,
auxiliando na navegação, na compreensão e na comunicação das mudanças ocorridas nas
ciências e na tecnologia.” As representações visuais dos resultados de análises cientométricas
constituem a cienciografia.

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Com o objetivo de fornecer subsídios para elaboração e interpretação de mapas das
ciências, a cienciografia funciona como ferramenta para visualização das relações e múltiplas
perspectivas de uma comunidade científica. Por meio de seis etapas é possível elaborar um
cienciograma: obtenção de dados, definição da unidade de estudo (autores, instituições ou
palavras-chave), seleção das medidas de análise, cálculo de similaridade entre as unidades
(correlação de dados), reordenação das unidades de análise e visualização gráfica para análise
e interpretação (PINTO et al., 2009).
O mapeamento das relações existentes em um campo de pesquisa científica pode ser
realizado por meio de análise quantitativa sobre a ocorrência de dados textuais ou de registros
bibliográficos sobre determinada produção científica. A base para o mapeamento semântico
expressa-se com a elaboração de matrizes de coocorrências de palavras.
Assim, conclui-se que um mapa da ciência é uma representação espacial das relações
entre disciplinas, campos, especialidades, artigos e/ou autores, fornecendo a descrição da
estrutura intelectual de uma área de pesquisa, pois facilita a busca e a recuperação de
informações em grandes conjuntos de dados (DE BELLIS, 2008).
Nesse sentido, surge a necessidade do desenvolvimento de um aparato metodológico
para tratar do processo de elaboração e interpretação de dados visuais gerados por meio do
mapeamento cientométrico.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse texto foram elencados alguns dos conceitos fundamentais para o acesso aberto
ao conhecimento científico e as métricas informacionais: publicações OA, metadados, análise
métrica e visual da informação, enfatizando-se a co-word analysis em conjunto com os
métodos de visualização da informação em metadados de publicações científicas OA.
Pelo estudo de tais conceitos e técnicas chega-se a seguinte hipótese teórica:
metadados de publicações científicas OA, de maneira semelhante aos artigos científicos,
contêm informações textuais sobre determinado conteúdo científico (autor, instituição, títulos
de

artigos,

resumos,

palavras-chave,

datas

etc.)

e,

por

essa

razão,

são

metainscrições científicas. Essas informações, como as palavras inscritas nos artigos
científicos, são portadoras de dados sobre as relações simbólicas e representam a organização
intelectual do conteúdo científico dessas publicações.
Diferentemente do texto completo de um artigo científico, um arquivo de metadados
em uma base de dados representa um conjunto de fragmentos de vários textos científicos,

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como os títulos, os resumos e as palavras-chave. Essas informações são dados fragmentados
sobre o conhecimento registrado por uma comunidade de autores e instituições de pesquisa
em uma base de dados. Além de trazerem consigo uma coletividade de dados sobre o saber
científico, os metadados tratam de informações a respeito do plano da recuperação, do
processamento, da preservação e da gestão de informação científica em meio digital. Nas
palavras de Caplan (2003, p. 76) “[...] são um conjunto de informação estruturada sobre
recursos de informação em qualquer mídia ou formato”. Eles são o objeto de estudo ideal
para a coleta e a análise cientométrica.
Atualmente, os metadados de referência e os serviços de citação utilizados para análise
métrica de publicações científicas são extraídos de grandes bases de dados como a do Institute
for Scientific Information (ISI)2. A maioria dos indicadores cientométricos (fator de impacto
de periódicos, citações, cocitações etc.) é oriunda de metodologias métricas que fazem uso
dessa base de dados ou de outras de origem proprietária – como a SCOPUS. Mueller postula
que (2006, p. 30) o ISI praticamente é “[…] a única fonte universalmente ‘legitimada’ […]
para estabelecer não apenas os dados de citação e indicadores, mas também as fórmulas
utilizadas para calcular tais indicadores.”.
Essa prática torna necessária a proposição de soluções alternativas para a análise
cientométrica de publicações, principalmente para aquelas que estejam fora do núcleo ISI
Thomson Scientific e adotem a iniciativa de acesso aberto. Tal constatação revela a da
proposição de um método para a avaliação métrica e visual de metadados de publicações
científicas OA que utilizem o Open Journal System (OJS). Acredita-se que a investigação
métrica aplicada ao estudo de publicações OA poderá fornecer novos meios para avaliar,
prever e analisar o conhecimento científico armazenado em periódicos científicos e
repositórios institucionais de acesso livre.
Assim, cabe buscar aplicações práticas para tais conceitos. Em um entendimento
amplo, sugere-se o desenvolvimento de uma metodologia para análise métrica e visual de
informação científica em publicações de acesso aberto. A investida metodológica deverá
partir em direção à identificação de tendências temáticas contidas em metadados de
publicações científicas OA. Por meio da exploração de softwares específicos, deverá buscar
ferramentas e recursos tecnológicos que propiciem a pesquisa quantitativa e a representação
visual de informações contidas em metadados.
Conclui-se, portanto, que é preciso desenvolver um método que busque a
instrumentação das etapas da extração e coleta de metadados; normalização dos dados do

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OJS; elaboração de lista de palavras; análise da frequência de palavras; análise das
coocorrências de palavras; criação de matrizes de coocorrência; elaboração de representações
visuais – mapas de redes; e, por fim, interpretação dos resultados.
No entanto, não cabe aqui desenvolver tal método, mas sim alertar para sua
importância e lançar a ideia para seu desenvolvimento em estudos na área.
OPEN ACCESS TO SCIENTIFIC KNOWLEDGE AND INFORMATIONAL
METRICS: meta-scientific inscriptions to identify the intellectual organization in
scientific journals
Abstract: It addresses the basic concepts of open access to scientific knowledge and
informational metrics. It proposes a metric and visual analysis of the information. Emphasizes
the use of co-word analysis, together with information visualization methods for the treatment
of metadata of Open Access (OA) scientific publications. Suggests a theoretical hypothesis:
metadata of OA scientific publications, similar to scientific articles, contain textual
information about a particular scientific content (author, institution, article titles, abstracts,
keywords, dates etc..) and, therefore, are considered meta-inscriptions carrying scientific data
about the symbolic relationships and represent the intellectual organization of the scientific
content of these publications. Concludes with the need to develop an alternative methodology
for metric analysis of publications, particularly those who are outside the core ISI Thomson
Scientific and adopt open access initiative.
Keywords: Open access. Scientific journals. Metrics information. Metadata. Co-word
analysis.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
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                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
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            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Acesso aberto ao conhecimento científico e as métricas informacionais: metainscrições científicas para identificar a organização intelectual em periódicos científicos</text>
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              <text>Alexandre Ribas Semeler</text>
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              <text>Veleida Ana Blank</text>
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              <text>Helen Beatriz Frota Rozados</text>
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          <name>Coverage</name>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Aborda os conceitos fundamentais sobre o acesso aberto ao conhecimento científico e as métricas informacionais. Propõe a análise métrica e visual da informação. Enfatiza  a utilização da co-word analysis, conjuntamente aos métodos de visualização da informação, para o trato de metadados de publicações científicas Open Acess (OA). Sugere a hipótese teórica: metadados de publicações científicas OA, de maneira semelhante aos artigos científicos, contêm informações textuais sobre determinado conteúdo científico (autor, instituição, títulos de artigos, resumos, palavras-chave, datas etc.) e, por essa razão, são consideradas metainscrições científicas portadoras de dados sobre as relações simbólicas e representam a organização intelectual do conteúdo científico dessas publicações. Conclui pela necessidade de se desenvolver uma metodologia alternativa para a análise métrica de publicações, principalmente para aquelas que estejam fora do núcleo ISI Thomson Scientific e que adotam a iniciativa de acesso aberto.</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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      <name>cbbd2013</name>
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