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                  <text>A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DIGITAL NA PRÁTICA
DOCENTE POR MEIO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL

Roberta MORAES DE BEM (UFSC) - robertadebem@yahoo.com.br
Luiza da Silva Kleinubing (UDESC) - luizask@yahoo.com.br
Resumo:
A competência informacional é muito presente na vida dos alunos, porém na atualidade sua
relevância está também associada à prática docente. A disponibilização crescente de recursos
de tecnologia da informação digital apresenta a necessidade de aptidão para lidar com essas
ferramentas. Por meio de revisão de literatura pretende-se levantar discussão acerca da
relação entre ciência e tecnologia da informação digital da prática docente por meio da
competência informacional. Verifica-se que a educação tem-se se modificado no sentido do
aprimoramento, de forma que o educador precisa se atualizar para proporcionar ao aluno um
ensino com qualidade que acompanhe o desenvolvimento da ciência. A competência
informacional pode ser desenvolvida por meio da educação continuada, contribuindo para a
melhoria da prática docente.
Palavras-chave: Tecnologia da informação digital. Competência informacional.
temática: Tecnologias de Informação e Comunicação

Área

Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

A tecnologia da informação digital na prática docente por meio da competência
informacional
RESUMO
A competência informacional é muito presente na vida dos alunos, porém na
atualidade sua relevância está também associada à prática docente. A
disponibilização crescente de recursos de tecnologia da informação digital apresenta
a necessidade de aptidão para lidar com essas ferramentas. Por meio de revisão de
literatura pretende-se levantar discussão acerca da relação entre ciência e
tecnologia da informação digital da prática docente por meio da competência
informacional. Verifica-se que a educação tem-se se modificado no sentido do
aprimoramento, de forma que o educador precisa se atualizar para proporcionar ao
aluno um ensino com qualidade que acompanhe o desenvolvimento da ciência. A
competência informacional pode ser desenvolvida por meio da educação
continuada, contribuindo para a melhoria da prática docente.
Palavras-chave: Tecnologia da informação digital. Competência informacional.
Área temática: Tecnologias de Informação e Comunicação
1 INTRODUÇÃO
Este artigo tem a proposta de apresentar, por meio de revisão de literatura,
um levantamento e discussão acerca da relação entre ciência e tecnologia da
informação digital na prática docente por meio da competência informacional no
processo de produção e disseminação do conhecimento.
Professores e alunos têm de aprender a trabalhar com as novas tecnologias
da informação necessárias para sua formação profissional; utilizá-las não como um
simples dispositivo técnico, mas como um recurso pedagógico que potencializa,
agrega plasticidade, dinamiza o processo aprendizagem. O desafio não é simples,
requer quebra de paradigmas, alterações nas relações de poder, de autoridade entre
professor e aluno, ou seja, que docentes e alunos se preparem para lidar com um
outro universo de ensino/aprendizagem.
Desta forma, será apresentada a evolução, tendências e os paradigmas
informacionais presentes na ciência e a tecnologia da informação digital. Na
sequencia uma abordagem sobre a relação entre ciência e tecnologia da informação
digital na prática docente por meio da competência informacional no processo de
produção e disseminação do conhecimento. Concluindo com os processos e
técnicas de apropriação da informação e de percepções no contexto digital.

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2 EVOLUÇÃO, TENDÊNCIAS E OS PARADIGMAS INFORMACIONAIS DA
CIÊNCIA E A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DIGITAL
Em função da revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da
informação, a partir do século XX, a sociedade vem se remodelando em ritmo
acelerado. Embora não determine a tecnologia, a sociedade pode sufocar seu
desenvolvimento principalmente por intermédio do Estado. Ou então, também pela
intervenção estatal, a sociedade pode entrar num processo acelerado de
modernização tecnológica capaz de mudar o destino das economias, do poder
militar e do bem-estar social em poucos anos. A habilidade ou inabilidade de as
sociedades dominarem a tecnologia e, em especial, aquelas tecnologias que são
estrategicamente decisivas em cada período histórico, traça seu destino a ponto de
podermos dizer que, embora não determine a evolução histórica e a transformação
social, a tecnologia (ou sua falta) incorpora a capacidade de transformação das
sociedades, bem como os usos que as sociedades, sempre em um processo
conflituoso, decidem dar ao seu potencial tecnológico (CASTELLS, 1999).
As novas tecnologias da informação digital estão integrando o mundo em
redes globais, estabelecendo assim, a partir da comunicação mediada pelos
computadores, as comunidades virtuais.
Além disso, o processo atual de transformação tecnológica expande-se
exponencialmente em razão de sua capacidade de criar uma interface entre campos
tecnológicos mediante uma linguagem digital comum na qual a informação é gerada,
armazenada, recuperada, processada e transmitida.
Para Castells (1999) o que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a
centralidade

de

conhecimentos

e

informação,

mas

a

aplicação

desses

conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimentos e de
dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de
realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso.
Como consequência da revolução tecnológica, destaca-se o paradigma da
tecnologia da informação, no qual para Freeman (1988) apud Castells (1999):
Um paradigma tecnológico é um agrupamento de inovações técnicas,
organizacionais e administrativas inter-relacionadas cujas vantagens devem
ser descobertas não apenas em uma nova gama de produtos e sistemas,
mas também e sobretudo na dinâmica da estrutura dos custos relativos de
todos os possíveis insumos para a produção. A mudança contemporânea
de paradigma pode ser vista como uma transferência de uma tecnologia

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baseada principalmente em insumos baratos de energia para uma outra que
se baseia predominantemente em insumos baratos de informação derivados
do avanço da tecnologia em microeletrônica e telecomunicações.

Nesse contexto, destacam-se os aspectos centrais do paradigma da
informação que para Castells (1999) representam a base material da sociedade da
informação:
a) a primeira característica do novo paradigma é que a informação é sua
matéria-prima: são tecnologias para agir sobre a informação, não apenas
informação para agir sobre a tecnologia.
b) o segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas
tecnologias. Como a informação é uma parte integral de toda atividade
humana, todos os processos de nossa existência individual e coletiva são
diretamente afetados pelas novas tecnologias.
c) a terceira característica refere-se à lógica de redes em qualquer sistema ou
conjunto de relações, usando essas novas tecnologias da informação. A
morfologia da rede parece estar bem-adaptada à crescente complexidade de
interação e aos modelos imprevisíveis do desenvolvimento derivado do poder
criativo dessa interação. Essa configuração topológica, a rede, pode ser
implementada materialmente em todos os tipos de processos e organizações
graças a recentes tecnologias da informação.
d) em quarto lugar está a flexibilidade, a sua capacidade de reconfiguração,
um aspecto decisivo em uma sociedade caracterizada por constante
mudança e fluidez organizacional.
e) uma quinta característica dessa revolução tecnológica é a crescente
convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente
integrado, no qual trajetórias tecnológicas antigas ficam literalmente
impossíveis de se distinguir em separado. O atual processo de convergência
entre diferentes campos tecnológicos no paradigma da informação resulta de
sua lógica compartilhada na geração da informação. O paradigma da
tecnologia da informação não evolui para seu fechamento como um sistema,
mas rumo à abertura como uma rede de acessos múltiplos.
Diante do exposto, verificamos que a emergência de um novo paradigma
tecnológico organizado em torno de novas tecnologias da informação digital, mais
flexíveis e poderosas, possibilita que a informação se torne o produto do processo
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produtivo e estabeleça infinitas conexões sobre todos os domínios da atividade
humana.
A revolução da tecnologia da informação teve também forte influência sobre o
modo que acessamos, lemos e entendemos a informação. Segundo Levacov (1998)
estamos vivendo atualmente no final da Era do Impresso e existem duas razões
para isso: a overdose de informação disponível e as novas tecnologias eletrônicas
que aceleram a mudança, criando um novo suporte e uma nova linguagem. O
computador representa não apenas revolução, mas também evolução: após a
transição do cursivo para o impresso, assiste-se agora a passagem do impresso
para o digital.
Em decorrência deste cenário, é preciso preparar a sociedade como um todo
para enfrentar e tomar partido das tendências de transformações que as novas
tecnologias ocasionaram. Para Werthein (2000) é desejável promover a sociedade
da informação porque o novo paradigma oferece a perspectiva de avanços
significativos para a vida individual e coletiva, elevando o patamar dos
conhecimentos gerados e utilizados na sociedade, oferecendo o estímulo para
constante aprendizagem e mudança, facilitando a salvaguarda da diversidade e
deslocando o eixo da atividade econômica em direção mais condizente com o
respeito ao meio ambiente.
Almeida (2005) considera que as novas tecnologias de informação digital e
comunicação geram mudanças no horizonte cultural e cognitivo das pessoas,
ressignificando termos como “conhecimento” e “verdade”; para Postman (1994, p.
22) apud Almeida (2005):
[...] elas alteram hábitos de pensamento profundamente enraizados, que
dão a uma cultura seu senso de como é o mundo - um senso do que é a
ordem natural das coisas, do que é sensato, do que é necessário, do que é
inevitável, do que é real.

Como se percebe, os desafios da sociedade da informação são inúmeros e
incluem desde os de caráter técnico e econômico, cultural, social e legal, até os de
natureza psicológica e filosófica. Werthein (2000) relata que alguns autores, como
Leal (1996) chegam a formular os desafios éticos da sociedade da informação em
termos de uma múltipla perda: perda de qualificação, associada à automação e
desemprego; de comunicação interpessoal e grupal, transformada pelas novas
tecnologias ou mesmo destruída por elas; de privacidade, pela invasão de nosso
espaço individual e efeitos da violência visual e poluição acústica; de controle sobre
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a vida pessoal e o mundo circundante e do sentido da identidade, associado à
profunda intimidação pela crescente complexidade tecnológica. Já Brook e Boal
(1995) apud Werthein (2000) dedicam-se a examinar estratégias de resistência para,
como um novo “luddismo”, lutar contra os aspectos perniciosos da tecnologia virtual
acusada de disseminar na sociedade a utilização de um simulacro de
relacionamento como substituto de interações face a face e contra a alegada
usurpação pelo capital do direito de definir a espécie de automação que desqualifica
trabalhadores, amplia o controle gerencial sobre o trabalho, intensifica as atividades
e corrói a solidariedade.
Werthein (2000) explica que algumas das preocupações acima têm sido
transformadas com o avanço do novo paradigma, incluindo as ações dos
movimentos

sociais

em

reação

às

implicações

consideradas

socialmente

inaceitáveis. O desemprego tecnológico e a desqualificação do trabalho, por
exemplo, tendem a ser contrabalançados pelo próprio aprofundamento das
transformações do paradigma, o que inclui uma reestruturação sistêmica do
emprego e a requalificação dos trabalhadores. Em alguns outros casos, como a
perda da privacidade, a sociedade tem-se mobilizado para promover o que Leal
(1996) identifica como o “comportamento normal responsável”, inclusive por meio de
legislação adequada para proteger os direitos do cidadão na era digital. A perda do
sentimento de controle sobre a própria vida e a perda da identidade são temas que
continuam preocupantes e que estão ainda por merecer estratégias eficientes de
intervenção.
Uma questão ética do novo paradigma não discutida por analistas como Leal,
Brook e Boal diz respeito ao aprofundamento de desigualdades sociais, desta vez,
sobre o eixo do acesso à informação. O ritmo do avanço tecnológico no alvorecer do
novo paradigma tem sido, sob qualquer ótica, extraordinário. O ritmo de expansão
da Internet no mundo levou apenas um terço do tempo que precisou o rádio para
atingir uma audiência de 50 milhões de pessoas (QUÉAU, 1999 apud WERTHEIN,
2000).
Essa explosão se explica por meio do grande fascínio da tecnologia da
informação, que para Valle (1996) se dá por tornar acessíveis produtos e serviços de
elevado conteúdo tecnológico, assimilados com relativa facilidade pelo usuário, mas

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cuja concepção é extremamente complexa, fruto da aplicação intensiva do saber
científico em coisas que tornam mais prática e prazerosa a existência humana.
As novas TIC oferecem, de fato, a possibilidade não só de tratar em um
mesmo suporte informático o som, os textos, os dados, os gráficos e as imagens,
mas também de suprimir o fator distância, criando assim um novo dimensionamento
espacial (CEPAL, 1992 apud BIANCHETTI, 2001).
As tecnologias digitais estão aí e a condição para continuar coetâneo ao
tempo-espaço em que cada um vive é aderir, apropriar-se, fazer uso individual e
coletivo dessas criações humanas que representam as possibilidades de domínio de
quantidades de informações jamais pensadas e de novas formas de cruzá-las e
ampliar sua utilização. (BIANCHETTI, 2001).
Para Menestrina (2008) “a relação ciência, tecnologia e sociedade procura ser
uma construção coletiva que leva as marcas do tempo, do espaço e das relações
que a constituem”.
Podemos perceber que as pessoas são diretamente afetadas pelas
tecnologias. Essa observação está clara quando Morin (1998) apud Menestrina
(2008) afirma que, “a tecnologia produzida pela ciência modifica a sociedade da
mesma forma que a sociedade tecnologizada transforma a ciência”.
Diante do exposto, percebemos que a tecnologia da informação digital
influencia todos os processos científicos e a sociedade em geral. É necessário que
os indivíduos dinamizem sua forma de viver, desenvolvendo novas práticas em
substituição às anteriores, concorrendo, assim, para a formação de uma consciência
maior sobre o uso da ciência e tecnologia em nossa sociedade. Essa consciência
deve existir também no processo educacional, só assim a tecnologia da informação
digital não se limitará a armazenar a informação, mas irá promovê-la e divulgá-la no
sentido de favorecer a produção do conhecimento.

2.1 A RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DIGITAL
NA PRÁTICA DOCENTE POR MEIO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL E
PRODUÇÃO E DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO
As tecnologias podem desempenhar um papel de extrema importância no
processo de desenvolvimento educacional. No entanto, é importante resolver como
utilizá-las de forma que facilite uma efetiva aceleração do processo em direção a
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educação para todos, ao longo da vida, com qualidade e garantia de diversidade.
Cabe também que, para atingir suas metas, a sociedade decida qual a composição
do conjunto de tecnologias educacionais deve ser mobilizada (WERTHEIN, 2000).
É preciso alcançar a ação educativa com vistas ao encontro de alternativas
para as dificuldades que afligem o ser humano e a sociedade. Os procedimentos
desencadeados pela criatividade poderão oferecer pistas e prover soluções. Criar é
entrar em contato com o meio e reorganizá-lo dando-lhe novas formas. A
criatividade é uma forma de comunicar-se consigo mesmo, que implica na relação
harmoniosa com o meio ambiente e com o absoluto (MENESTRINA, 2008).
É nesse contexto que a educação deve estar inserida, pois o ensino que não
propicia a criatividade limita a capacidade humana, condenando o estudante à
estagnação, produzindo a falência da própria instituição. Em contraponto, o ensino
deve desenvolver as potencialidades do aluno tornando-o mais confiante e capaz
para interferir de maneira criativa no contexto em que está inserido.
Neste contexto, de acordo com Figueiredo (1984) apud Menestrina (2008,
p.31), para se promover um ambiente criativo em sala de aula é necessário:
oportunizar ao estudante conhecimentos em várias áreas; propiciar
situações em que os educandos: discordem, proponham alternativas,
analisem criticamente os fatos, proponham novos assuntos, reflitam etc;
permitir aos educandos tempo para pensarem e desenvolverem suas idéias;
construir um espaço de consideração e aceitação recíproca, onde os
acadêmicos vivenciem experiências, aprendam uns com os outros, com o
docente e também independentemente; Incentivar os educandos à
habilidade de refletir, descobrir e extrapolar conseqüências para episódios
imaginários; desenvolver a capacidade de refletir em termos de
possibilidade e não de probabilidades; estimular a vontade de arriscar, de
experimentar e manejar artefatos e idéias e de trabalhar, livre das
advertências de avaliação ou ponderações críticas; valorizar o trabalho do
estudante, apresentando pontos de destaque e tomando cuidado no sentido
de não fazer comentários desabonadores, por parte dos outros alunos e
mesmo do professor; encorajar os alunos a reverem, reescreverem,
redefinirem, reavaliarem, apresentarem e defenderem suas idéias originais;
desenvolver trabalhos com pessoas de diferentes grupos, não só com as
pessoas conhecidas.

A interdisciplinaridade também é um fator fundamental no processo de ensino
e aprendizagem, pois tem como propósito introduzir na produção do conhecimento e
na educação uma visão de globalidade entre: o homem e o mundo, a teoria e a
prática, o sujeito e o objeto, a objetividade e a subjetividade, os fundamentos
técnico-científicos e os métodos de implementação. Refere-se a uma nova
concepção de saber, caracterizado pela interdependência, intercâmbio com outros

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saberes, procurando resguardar a conexão entre os conhecimentos de maneira
significativa e relevante (GIORDANI, 2000 apud MENESTRINA, 2008).
Diante disso, percebemos que a ciência e a tecnologia devem trabalhar
integradas e estar presente na consciência dos docentes. No entanto, há inúmeras
barreiras, como as citadas a seguir, que prejudicam essa questão: a formação
disciplinar dos docentes colide com a perspectiva interdisciplinar presente na
concepção

de

ciência

e

tecnologia;

carência

de

resultados

visivelmente

convincentes quanto ao emprego das tecnologias; incertezas que geram nos
professores; inexistência de materiais didático-pedagógicos a serem utilizados;
resistência à utilização de novos materiais, por parte dos professores; falta de
intimidade dos docentes com as novas tecnologias atitude conservadora dominante
nos sistemas educacionais; falta de investimento das instituições de ensino em
ciência e tecnologia.
Essas barreiras precisam ser superadas para o aumento da qualidade do
ensino e a formação de profissionais que atendam as exigências do mundo atual.
Menestrina (2008) considera que não basta apenas a preocupação com a
Tecnologia e a Ciência, é necessário que as propostas de aprendizagem sejam
pautadas na forma de como fazer uso destas e suas implicações sociais. Neste
sentido, o ensino deveria pautar-se na construção da identidade e na autonomia dos
educandos, levando-os a compreenderem os problemas sociais mais prementes de
forma crítica e criativa e não em conteúdos fragmentados que preparem para um
futuro incerto e distanciados da vida cotidiana. Portanto, deve fazer parte de todas
as disciplinas e da postura do professor.
O ensino deve utilizar a contextualização em sala de aula para que a
aprendizagem seja facilitada em função do conteúdo estar situado no contexto e
experiências do estudante. Assim, o aluno será conduzido para a busca de
curiosidade, para o desenvolvimento do espírito investigativo, para uma atitude
questionadora e transformadora a fim de solucionar os problemas encontrados.
Menestrina (2008) argumenta que, o objetivo do ensino deve ser o de
oportunizar uma atitude crítica e criativa, onde haja articulação entre os
conhecimentos

e

contextos,

baseados

em

situações

reais,

estabelecidos

coletivamente em sala de aula e em todos os ambientes de aprendizagem e
relacionados às consequências do desenvolvimento científico-tecnológico.
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Cruz (2008) destaca a importância da necessidade de se saber processar
informação, mesmo porque ela, por si, não implique conhecimento, importa mais a
capacidade reflexiva e crítica que o indivíduo é capaz de desenvolver ante o
conteúdo que ela traz. Informação, sem uma mente que a analise, que a reflita, que
a compreenda e que a use adequadamente, é inútil para o crescimento intelectivo do
sujeito. A capacidade reflexiva do aluno é elemento essencial para o discernimento
do conhecimento, já que é ela que o torna capaz de interpretar, comparar, ponderar
e integrar as informações.
Traduzido de Information literacy, o termo competência informacional foi
cunhado pelo bibliotecário Paul Zurkowski, nos Estados Unidos da América, na
década dos anos de 1970, para designar habilidades ligadas ao uso da informação
eletrônica (CAMPELLO, 2003). Campello e Abreu (2005, p. 179) relatam a descrição
sobre competência informacional apresentada em um relatório da American Library
Association – ALA em 1989:
Para ser competente em informação a pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade para
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação. Para produzir esse tipo
de cidadania é necessário que escolas e faculdades compreendam o
conceito de competência informacional e o integrem em seus programas de
ensino e que desempenhem um papel de liderança preparando indivíduos
e instituições para aproveitarem as oportunidades inerentes à sociedade da
informação. Em última análise, pessoas que têm competência
informacional são aquelas que aprenderam a aprender. Essas pessoas
sabem como aprender porque sabem como a informação está organizada,
como encontrar informação e como usar informação, de tal forma que
outros possam aprender com elas.

Miranda (2004) define competência informacional como o conjunto das
competências profissionais, organizacionais e competências-chave que possam
estar ligados ao perfil de um profissional da informação ou de uma atividade
baseada intensivamente em informação, como é o caso dos docentes. Ainda para a
autora (p. 118):
Essa competência pode ser expressa pela expertise em lidar com o ciclo
informacional, com as tecnologias da informação e com os contextos
informacionais. A competência informacional mobilizada em situações de
trabalho pode ser vista como um dos requisitos do perfil profissional
necessário para trabalhar com a informação, não importando o tipo de
profissional ou de atividade. É uma competência que perpassa processos
de negócio, processos gerenciais e processos técnicos diversos, bem
como diferentes partes de uma mesma organização ou atividade. Seria
desejável que as competências informacionais fizessem parte do rol de
competências dos mais variados profissionais, atividades e organizações.

A competência informacional é associada à exaustão de habilidades que se
considera essencial para se sobreviver na sociedade da informação, que são:
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habilidade de solucionar problemas, de aprender independentemente, de aprender
ao longo de toda a vida, de aprender a aprender, de questionamento, de
pensamento lógico (CAMPELLO, 2003).
A interação entre a educação e as novas tecnologias de comunicação e
informação favorece a ação pedagógica colaborativa. Professores e alunos
construindo juntos novos mundos de significações e cabe ao professor
ajudar na aprendizagem de conteúdos e de ser um elo para uma
compreensão maior da vida. Mas, o grande desafio desta interação é
despertar a curiosidade do próprio professor e motivar os alunos a continuar
aprendendo quando não estão em sala de aula (DELCIN, 2005, p.68).

Assim, educar nesse novo paradigma da ciência e da tecnologia da
informação digital requer um conjunto de habilidades e esforços, que fazem parte da
competência informacional com a finalidade de formar estudantes capazes de
inserir-se e dialogar com este novo contexto informacional e tecnológico. Para que
haja diálogo de fato, ou seja, comunicação, é imprescindível que o indivíduo, neste
caso docente e/ou estudante, se aproprie da informação e que a mesma represente
significado para estes.
Cruz (2008) lembra que a forma tradicional de conhecimento presente nas
escolas centrava-se na figura do professor, sendo este tratado como o “dono do
saber”. Hoje, percebemos mudanças nesse cenário. Na era da informação, o espaço
de saber do docente foi dando lugar ao de mediador e problematizador do aprender:
ele passou a ser visto como aquele que desafia os alunos, mostrando-lhes, entre as
várias possibilidades de aprendizagem, caminhos que poderão ser percorridos.
2.2 PROCESSOS E TÉCNICAS DE APROPRIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E DE
PERCEPÇÕES NO CONTEXTO DIGITAL
Belkin e Robertson (1976) apud Buckland (1991) limitam informação aquilo
que está intencionalmente dito: “informação compreende no mínimo duas pessoas:
uma que fala (fala, escreve, imprime, assinala) e outra que escuta, lê, assiste. O
autor cita também Wersig (1979) que adota uma visão limitada de informação como
sendo derivada de três fontes: a) “gerada internamente” pelo esforço mental; b)
“adquirida pela percepção pura” do fenômeno; e c) “adquirida pela comunicação”.
A partir disto, podemos considerar que o processo de apropriação da
informação deve ser analisado do ponto de vista da ciência cognitiva. Segundo
Johnson-Laird (1988) apud Saracevic (1995) “o objetivo da ciência cognitiva é
explicar como a mente funciona”.
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O progresso em tecnologia da informação altera o processo de criar e utilizar
informação. Muitas informações em sistemas de informação têm sido processadas,
codificadas, interpretadas, resumidas, por fim, transformadas. Segundo Buckland
(1991) muitas definições têm sido propostas para “informação”. Um importante uso
de informação é denotar conhecimento comunicado, outro é denotar o processo de
informação. No entanto, para que o fenômeno “da comunicação do conhecimento”
ocorra de fato, é imprescindível que o indivíduo se aproprie da informação e que a
mesma represente significado para este. Para Barreto (2006):
A apropriação da informação, fim fundamental de um processo de
conhecimento, revela um ritual de interação entre um sujeito e uma
determinada estrutura de informação, que gera (no sujeito) uma modificação
em suas condições de entendimento e de saber acumulado; a apropriação
representa um conjunto de atos voluntários, pelo qual o indivíduo reelabora o
seu mundo modificando seu universo de conteúdos. É uma criação em
convivência com suas cognições prévias e com sua percepção; é um inicio de
algo que nunca iniciou antes e que resultará sempre em uma modificação como
consequência do processo, ainda que possa ocorrer uma volta e permanência
ao seu estado inicial de saber.

Para que o receptor valide a informação acessada, ele deve apropriar-se da
informação. Não é suficiente que a mensagem seja intencionalmente planejada para
o acesso. O conteúdo deve atingir espaços semânticos compatíveis e harmoniosos
para a sua compreensão e aceitação (BARRETO, 2006).
A evolução das tecnologias da informação digital trouxe reais modificações
relacionadas ao tempo de acesso, a disponibilidade dos espaços de conteúdo,
característica de interatividade e interconectividade. Para Barreto (2006) estas
transformações estabeleceram um novo relacionamento entre o gerador, o receptor
e a informação e estas são as mudanças, que em sua essência, ficarão para
sempre.
Diante do novo contexto digital, podemos perceber que a estrutura de
informação apresenta significativas mudanças. Segundo Barreto (2006):
A velocidade e modalidade de acesso à informação modificam nossa
sensibilidade e competência cognitiva. A convergência digital inseriu um
excesso de imagem e som na estrutura de informação. A assimilação da
informação sofrerá a influência da incidência de um mundo de imagens préfabricadas.

Le Coadic (1996) conceitua essa nova estrutura da informação, como
“informação digital”, isto é, o conhecimento comunicado a um ser consciente por
meio de uma mensagem (signos), inscrita sobre um suporte digital (sinais digitais e
ópticos).

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Embora, possa se intuir que o conhecimento apropriado via as tecnologias da
informação digital seja mais fácil e mais amplo, considerando um mesmo tema, cabe
nos questionar em que nível os professores utilizam as ferramentas disponíveis na
prática docente e na produção e disseminação do conhecimento?
Para lidar com esses novos instrumentos de suporte é necessária uma
apropriação diferenciada. A esta aptidão chamamos de letramento digital, ou
fluência digital que Barreto (2007) conceitua como “a competência do receptor em
interatuar com os instrumentos de hardware e aplicativos de software necessários
para receber, decodificar e apropriar uma informação em meio digital”.
O autor complementa que a assimilação da informação digital exige, do
receptor, uma decodificação dupla ou em dois estágios; em um primeiro estágio há
que se acessar e decodificar o conteúdo em meio digital e em uma segunda etapa,
válida para qualquer informação, a apropriação cognitiva do conteúdo. Ser
digitalmente fluente envolve não apenas saber como usar as ferramentas
tecnológicas, mas também saber como construir coisas significativas com estas
ferramentas.
A partir de pesquisa realizada por Barreto (2007), verifica-se que a fluência
digital não está relacionada, somente, com o saber fazer algumas atividades de
tecnologia da informação digital. É um conjunto de competências formadas por
conhecimentos, atitudes e habilidades técnicas. No quadro 1, mostramos uma
indicação do conteúdo, definidas pelo autor, destas três condições que compõem a
fluência digital:
Conhecimentos
-Práticas de informação
-Usuários de
informação
-Sistemas e informação
-Computadores suas
redes
-Organização da
informação digital
Internet, Web e Redes
de colaboração
-Visualização da
informação digital
-A tecnologia da
informação
-Mudança social e
econômica

Habilidades
Atitudes
-Informação e gestão de acervo -Motivação para a tecnologia da
informação
-Softwares e aplicativos
-Percepção da importância dos
-Sistemas operacionais
documentos digitais
-Processador de texto
-Segurança para operar um
-Planilhas
computador e redes
-Gráficos e edição de imagens
-Iniciativa para promover o acesso
-Usar a web
na rede
-Montar e gerenciar um site
-Confiabilidade para coordenar redes
-Usar programa de busca na
colaborativas
web
-Flexibilidade na competência digital
-Ler manual técnico sobre TI
-Ética para atuar em redes de
-Enviar e receber arquivos
compartilhamento
-Compactar e descompactar
-Cooperação e comunicação
arquivos
-Diplomacia
-Gerenciar segurança de um
-Discrição
computador
-Empatia
-Ler na língua inglesa
Quadro 1 – Indicação do conteúdo das condições que compõem a fluência digital

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Fonte: Barreto (2007)

Estes conhecimentos, atitudes e habilidades são indicativos e não inclusivos.
Barreto (2007) indica como sendo os formadores do letramento digital e se
configuram, com a maior ou menor participação de um dos elementos em três níveis
de fluência digital:
a) nível operacional autônomo, com predominância pelo exercício das
habilidades; a competência é de racionalidade fortemente técnica.
b) nível operacional empresarial, onde convivem as habilidades e as atitudes; a
competência é determinada por uma racionalidade técnica contextual.
c) nível gerencial onde a competência é determinada para uma harmonização
de todos os elementos: conhecimento, atitudes e habilidades.
Todos os meios desde o alfabeto fonético ao computador são extensões do
homem causando, em seu desenvolvimento, uma profunda transformação em seu
agir e no seu contexto de vivência. O homem pré-histórico ou tribal existia em
harmonia com seus sentidos e percebia o mundo igualmente, seja através da
audição, do cheiro, do toque, da visão e do paladar. Mas as inovações tecnológicas
são extensões das habilidades humanas e nesse sentido alteraram todo este
equilíbrio perceptivo. Uma alteração que ao mesmo tempo reformatou a sociedade
que criou a tecnologia (BARRETO, 2007).
Cabe verificarmos se novas estratégias de ensino e aprendizagem estão
sendo implementadas para o uso das novas tecnologias da informação no campo da
educação. Com a internet, alunos e professores devem introduzir formas diferentes
de lidar com a informação e com o conhecimento.
Assim, conforme apresentado por Cruz (2008), ensinar ou aprender, na era
da informação, exige mudanças nos paradigmas de ensino. O importante é utilizar
as tecnologias de forma que nos ajudem a aprender, levando-nos a transformar
informação em conhecimento e, mais ainda, em sabedoria, pois a interligação
permite aperfeiçoar o pensamento reflexivo como instrumento de emancipação
humana.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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07 a 10 de julho de 2013

O ensino no Brasil mudou de contexto nos últimos tempos, dentre os motivos
está à necessidade de utilizar as tecnologias existentes e a crescente demanda por
profissionais altamente qualificados. Nesse sentido, há a necessidade de se
repensar as filosofias que embasam os cursos, a fim de que estejam aptos a
desenvolverem de forma mais adequada o raciocínio, a autonomia, o pensamento
crítico e a iniciativa, preparando os futuros profissionais para a resolução de
problemas.
Vivemos num grande paradigma informacional, no qual presenciamos
atualmente o excesso informacional disponível na rede, no entanto muitas delas têm
credibilidade duvidosa. Assim, aponta-se a importância de refletir sobre as
informações que se acessam, deixando de atuar somente na superficialidade
É necessário que os professores evoluam suas práticas docentes, inserindo
as tecnologias de informação digital no processo de ensino e aprendizagem. Para
isso, os docentes devem desenvolver a competência informacional.
Pode-se constatar que o educador, principal ator para se promover uma
educação de qualidade, têm que desenvolver novas e aprimorar competências para
a busca, a geração, o processamento e a disseminação eficaz da informação. No
entanto, apesar da competência informacional poder ser desenvolvida, por meio de
formação continuada, o docente tem que estar predisposto, acreditar e utilizar a
competência informacional para melhorar sua prática docente.
.
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              <text>A competência informacional é muito presente na vida dos alunos, porém na atualidade sua relevância está também associada à prática docente. A disponibilização crescente de recursos de tecnologia da informação digital apresenta a necessidade de aptidão para lidar com essas ferramentas. Por meio de revisão de literatura pretende-se levantar discussão acerca da relação entre ciência e tecnologia da informação digital da prática docente por meio da competência informacional. Verifica-se que a educação tem-se se modificado no sentido do aprimoramento, de forma que o educador precisa se atualizar para proporcionar ao aluno um ensino com qualidade que acompanhe o desenvolvimento da ciência. A competência informacional pode ser desenvolvida por meio da educação continuada, contribuindo para a melhoria da prática docente.</text>
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