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                  <text>A Gestão de periódicos eletrônicos na Biblioteca de Ciências
Biomédicas da FIOCRUZ

Mônica Garcia (Fiocruz) - mgarcia@icict.fiocruz.br
Fátima Duarte de Almeida (FIOCRUZ) - fduarte@icict.fiocruz.br
Rejane Ramos Machado (Fiocruz/Icict) - rejane@icict.fiocruz.br
Resumo:
Com a transição dos periódicos impressos para os eletrônicos a partir da década de 90 as
grandes instituições tiveram que se debruçar na discussão deste novo modelo. Neste sentido,
o objetivo deste trabalho é fazer uma análise da situação atual que a Biblioteca de Ciências
Biomédicas da Fiocruz vem enfrentando na transição dos periódicos impressos para os
eletrônicos, trazendo a preocupação da Instituição com a garantia de acesso aos títulos após o
cancelamento das assinaturas. Para esta análise foi pesquisada a política das quatro editoras
com maior número de títulos assinados pela Biblioteca e apresentado um estudo de uso dos
periódicos adquiridos por compra no formato impresso. Os resultados indicam a necessidade
de formulação de uma política institucional que aponte caminhos aos questionamentos atuais
em relação ao acesso perpétuo, preservação digital, direito autoral e disponibilização de
material eletrônico.
Palavras-chave: Periódico eletrônico. Assinatura de periódico. Acesso online. Preservação
digital. Repositório digital.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

A Gestão de periódicos eletrônicos na
Biblioteca de Ciências Biomédicas da FIOCRUZ

Resumo:
Com a transição dos periódicos impressos para os eletrônicos a partir da década de
90 as grandes instituições tiveram que se debruçar na discussão deste novo modelo.
Neste sentido, o objetivo deste trabalho é fazer uma análise da situação atual que a
Biblioteca de Ciências Biomédicas da Fiocruz vem enfrentando na transição dos
periódicos impressos para os eletrônicos, trazendo a preocupação da Instituição
com a garantia de acesso aos títulos após o cancelamento das assinaturas. Para
esta análise foi pesquisada a política das quatro editoras com maior número de
títulos assinados pela Biblioteca e apresentado um estudo de uso dos periódicos
adquiridos por compra no formato impresso. Os resultados indicam a necessidade
de formulação de uma política institucional que aponte caminhos aos
questionamentos atuais em relação ao acesso perpétuo, preservação digital, direito
autoral e disponibilização de material eletrônico.
Palavras-chaves: Periódico eletrônico. Assinatura de periódico. Acesso online.
Preservação digital. Repositório digital.
Área temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente.

1.

INTRODUÇÃO
A partir dos anos 90 iniciou-se uma nova etapa para os periódicos científicos

no mundo, com o processo de transição dos periódicos no formato impresso para a
versão eletrônica. As grandes instituições tiveram que se debruçar na discussão
deste novo modelo. Como preservar o material digital? Como garantir o acesso
perpétuo a coleção assinada eletronicamente? Como disponibilizar para a
comunidade científica este material?

A partir destas indagações viu-se a

necessidade de entender este processo de transição.
A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sempre priorizou o financiamento de
periódicos científicos, garantindo pleno suporte para o desenvolvimento das
pesquisas da Instituição. Em vista disso, a FIOCRUZ desempenha um papel
importante no suporte às instituições de ensino e de pesquisa no que concerne aos
serviços que presta aos usuários destas instituições, principalmente na década de
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90 com a crise da renovação dos periódicos. Atualmente a FIOCRUZ mantém 971
títulos de periódicos científicos internacionais.
Este trabalho tem como premissa analisar a transição dos periódicos
científicos nos dois formatos - eletrônico e impresso a partir da coleção de periódicos
internacionais correntes assinados pela Biblioteca de Ciências Biomédicas da
FIOCRUZ. Para construção deste cenário efetuou-se a análise desses periódicos
em relação ao tempo de existência do título, ao uso da coleção, à forma de
aquisição e aos formatos disponíveis no período de 2009 a 2012.
A partir do levantamento de fontes documentais foram identificados os
periódicos assinados pela Biblioteca e a sua disponibilização nos portais de
informação. Seguido de identificação no site de editores, a existência de política
referente ao acesso e preservação do formato eletrônico.
2.

HISTÓRICO DA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA BIBLIOTECA DE

CIÊNCIAS BIOMÉDICAS
A história da Biblioteca de Ciências Biomédicas se inicia em 1900, juntamente
com a criação do Instituto Soroterápico Federal. Alarmado pelo surgimento, em
1899, de casos de Peste Bubônica em Santos, o governo federal resolve criar
laboratórios para abastecer as cidades com soros e vacinas. Assim é criado em São
Paulo o Instituto Butantã, e no Rio de Janeiro, então capital federal, o Instituto
Soroterápico sob a direção do Barão de Pedro Afonso. Logo depois Oswaldo Cruz é
escolhido para dirigir a parte técnica do instituto, que começa a funcionar em 25 de
março de 1900, e começa a produção das primeiras vacinas seis meses após
(STEPAN, 1976, p. 76). Em 1903 Oswaldo Cruz é nomeado para a direção do
Instituto Soroterápico Federal (BENCHIMOL, 1990, p. 18). Em 1907 o instituto passa
a se chamar Instituto de Patologia Experimental e em 1908 adota a denominação
Instituto Oswaldo Cruz, passando a ser, no início do século XX, a principal instituição
científica brasileira na área das Ciências Biomédicas (BENCHIMOL, 1990, p. 25),
com um programa visando o treinamento e à formação de pesquisadores, que para

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Oswaldo Cruz era considerado indispensável ao desenvolvimento científico. Atrelada
à criação do instituto, nasce a biblioteca.
A Biblioteca de Ciências Biomédicas do Instituto de Comunicação e
Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz,
conhecida inicialmente como Biblioteca de Manguinhos traz na sua bagagem uma
experiência de 110 anos. Surgiu em 1902 com a chegada dos primeiros livros ao
Instituto Soroterápico Federal. Eram exemplares de uma variedade de produções
impressas, sobretudo da Europa, desde raridades dos séculos anteriores a revistas
que traziam as mais recentes descobertas científicas. A Biblioteca é marcada pela
atenção dispensada por Oswaldo Cruz, que se dedicava pessoalmente às atividades
ali desempenhadas. Ele próprio selecionava os artigos mais importantes e escolhia o
nome daquele pesquisador que deveria ler e resumir o texto para futuras
apresentações, surgindo a tradicional “Mesa de Quarta-Feira”, local onde os
pesquisadores discutiam, uma vez por semana, os artigos mais interessantes e
atuais que chegavam à biblioteca. Num episódio de ameaças de corte no
orçamento, Oswaldo Cruz proferiu a célebre frase: ‘Corte-se até a verba para a
alimentação, mas não se sacrifique a Biblioteca’. (BUSTAMANTE, 1958, p. 11).
Desde o início da criação da biblioteca, a coleção de periódicos já assumia
um lugar de destaque na formação de seu acervo, evidenciando sua importância
como canal de comunicação formal na comunidade científica e contribuindo para o
avanço da ciência.
Inicialmente o acervo de periódicos foi formado por títulos impressos na
Europa, muitos deles vindos de coleções particulares dos pesquisadores da
instituição. Destacavam-se as publicações em língua estrangeira, principalmente em
francês e alemã, na área de microbiologia, parasitologia, zoologia, entomologia e
botânica. Inicialmente existiam cerca de 98 periódicos, no início do século XX
somavam 421 títulos. Na década de 40, o acervo já contava com cerca de 2.600
títulos, pulando para 4.300 títulos nos anos 50 e 7.000 nos anos 90.

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Atualmente o acervo de periódicos contém com 7410 títulos e cerca de
790.709 fascículos, dentre eles Obras Raras, títulos impressos e eletrônicos.
Algumas destas coleções são únicas no país, fazendo com que a Biblioteca seja um
referencial para o subsidio da pesquisa científica em âmbito nacional. A Biblioteca
de Ciências Biomédicas está inserida na Rede de Bibliotecas Fiocruz, que conta
com nove bibliotecas, sendo dentre elas a que mais adquire títulos internacionais
através de compra:
Biblioteca da Saúde da Mulher e da Criança (BSMC); Biblioteca de Saúde
Pública (BSP); Casa de Oswaldo Cruz (COC); Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz
(CPqGM); Cento de Pesquisa Leônidas e Maria Diane (CPqAM); Centro de
Pesquisa René Racho (CPqRR); Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
(EPSJV); Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde (INCQS).
Gráfico 1: Total de assinaturas por bibliotecas

EPSJV
CPQRR
INCQS

2
7
16
35
39
69
74

2
6
18
32
39
69
74

2
6
17
32
39
69
74

206

204

200

636

626

609

COC
CPQAM
CPQGM
BSMC
BSP
BCB

2010

2011

2012

Fonte: as autoras
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3.

EVOLUÇÃO DOS PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
Segundo Garvey, a comunicação científica é a troca de informações entre

membros da comunidade científica, incluindo atividades associadas à produção,
disseminação e uso da informação, desde a idéia inicial a ser pesquisada até seus
resultados (GARVEY, 1979). Ela tem a função de dar continuidade ao conhecimento
científico, possibilitando a disseminação desse conhecimento para que sirva de base
a outras pesquisas.
Inicialmente, a comunicação científica era feita através de cartas e atas, que
trocadas pelos pesquisadores, informavam os avanços em cada área. Essa troca de
informações foi se intensificando, e essa interação entre os cientistas resultou na
criação das primeiras sociedades científicas, como a Royal Society, em 1662
(MEADOWS, 2000). Desta maneira, essa comunicação começou a se formalizar,
tornando necessária a criação de um novo canal de comunicação que
sistematizasse a divulgação dessas pesquisas científicas e contribuísse para o
avanço da ciência, pois até então não havia um centro que se responsabilizasse
pela transmissão dessas publicações, o que fazia com que muitos trabalhos
deixassem de ser conhecidos por outros cientistas.
Essa necessidade se concretiza em meados do século XVII com a
publicação, em 1665, dos dois primeiros periódicos científicos: o Journal des
Sçavans, em Paris, e o Philosophical Transactions of London, em Londres,
representando um marco histórico na comunicação científica. Segundo Stumpf
(1998) “o Journal des Sçavans e o Philosophical Transaction contribuíram como
modelos

distintos

para

a

literatura

científica:

o

primeiro

influenciou

o

desenvolvimento das revistas dedicadas à ciência geral, sem comprometimento com
a área específica, e o segundo se tornou modelo das publicações das sociedades
científicas, que apareceram em grande número na Europa, durante o século XVIII”
(p. 10).
Embora tenham sido criadas com conteúdos e intenções diferentes
(MEADOWS, 2000), estas publicações foram utilizadas para o registro dos achados
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dos cientistas em formato impresso, potencializando a possibilidade de divulgação
científica e servindo de modelo para inúmeras outras publicações editadas por
comunidades científicas européias (MEADOWS, 2000; BOARINI, 2004). Essa
publicação, criada pelas sociedades científicas, tem um papel importantíssimo na
disseminação da literatura científica, por seu caráter de publicação regular,
proporcionando divulgação rápida e garantida dos resultados de um número maior
de pesquisas que, se tomadas separadamente, não teriam grande significação, mas
que, ao serem reunidas umas às outras, são capazes de estimular novos trabalhos e
promover avanços científicos, segundo Ziman (1968).
No século XVIII os periódicos científicos espalham-se por toda a Europa como
principais veículos de comunicação científica, aumentando significativamente o
número de títulos até então existentes. As publicações passam a se tornar mais
especializadas, voltadas para áreas específicas do conhecimento, como, por
exemplo, a física e química, publicando os Annales de Chimie et de Physique (Paris,
1789) e Annalen der Physik (Leipzig, 1790). Em 1709 é introduzido o conceito de
copyright (Schauder, 1994). Nesse período surge também a revisão por pares (peer
reviews), sendo o Medical Essays and Observations by a Society in Edinburg, em
1713, o primeiro periódico a utilizar este conceito, cuja revisão abrangia instruções
para colaboradores e autores e indicava um possível retorno ao autor para revisão.
No século XIX acontece um grande aumento na produção de artigos
científicos, que aliado a entrada de editoras comerciais no circuito científico, gera um
aumento significativo de periódicos. No século XX, principalmente após a Segunda
Guerra Mundial, o aumento de descobertas, invenções e inovações científicas e
tecnológicas divulgadas através da publicação de artigos científicos gera o processo
conhecido como explosão documental, elevando o número de periódicos científicos
para mais de um milhão de títulos. A partir daí emergem as grandes alterações e se
desenvolvem as novas tendências em termos de suporte, acesso e armazenamento
da informação que abriram as portas ao surgimento da Sociedade da Informação.
Iniciou-se um novo modo de divulgação dos achados científicos, que de certa forma
coadunava-se com o anseio da comunidade de acessar os conteúdos dessas
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publicações de forma mais rápida, surgindo então o periódico eletrônico. Esse novo
formato se desenvolveu em etapas.
Inicialmente o texto impresso e o eletrônico eram iguais e mais tarde houve
um acoplamento de ferramentas de busca e serviços de alerta no periódico
eletrônico, gerando modificações no modo de produção desse novo formato, além
de outros recursos de interatividade com o leitor. Nos dias atuais, o formato
eletrônico de publicação científica se tornou obrigatório e generalizado por
apresentar uma relação de custo / benefício mais favorável quando comparada à
versão impressa. Além disso, mais rapidez na produção, distribuição e acesso. O
que se caracteriza como desvantagem do novo formato é o custo dos equipamentos
e as questões de conexão e a velocidade de acesso, bem como, as políticas,
normas e procedimentos de disponibilização. (COUTINHO e MACHADO, 2011).
4.

CENÁRIO DOS PERIÓDICOS QUANTO À AQUISIÇÃO, FORMATO E USO
No que diz respeito a aquisição e formato dos periódicos constantes do

acervo da Biblioteca de Ciências Biomédicas da Fiocruz foi traçado um cenário
tendo por base os anos de 2010 a 2012, dando continuidade a estudo anterior feito
com dados de 2009. Para esse trabalho o universo será os periódicos internacionais
adquiridos por compra, pelo fato de uso dos recursos com alto custo e pela
quantidade de títulos constantes deste acervo. No período de 2010 a 2012 foram
adquiridos 636, 629 e 609 títulos, dispostos nos formatos abaixo descritos.
Quadro 1: Formato dos periódicos 2010-2012
2010

2011

2012

impresso

471

469

395

print/online

153

159

197

online

7

8

17

636

626

609

Fonte: as autoras
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COUTINHO e MACHADO, 2011 mencionam que: ”o número de títulos com
acesso somente na forma impressa em 2010 diminuiu em relação a 2009, que foi de
482 títulos, o que quer dizer que alguns títulos passaram a ter acesso nos dois
formatos (print +online) ou mesmo somente no formato eletrônico (online)”. O quadro
acima demonstra a constante diminuição de aquisição dos títulos com formato
impresso, em detrimento do formato print / online e somente online que aumenta
gradativamente.
É uma tendência dos editores disponibilizar cada vez mais títulos no formato
somente eletrônico. Segundo Coutinho e Machado (2011), é o objetivo dos editores
mesmo que ainda mantenham o “formato impresso, estão utilizando fortemente a
mídia eletrônica na divulgação de seus periódicos”. Hawkins (2007) menciona que
alguns editores estão tentando diferentes formas de pagamento na renovação de
assinaturas. Essa política de aquisição hoje está em fase de ruptura do modelo de
formato tradicional, em vista disso, emerge a necessidade de reformulação dessa
política na nova realidade.
Não apenas deve-se ter a preocupação com a disponibilização e preservação
deste documento, mas também com a criação de uma política de aquisição. Como
visto anteriormente cada vez mais os periódicos estão disponíveis no formato
impresso / eletrônico e somente eletrônico. Desta forma é importante verificar qual a
melhor opção entre as várias possibilidades de assinatura do periódico eletrônico:
apenas aquisição no formato eletrônico, assinatura combinada do periódico
impresso e eletrônico sem custo adicional, assinatura combinada do periódico
impresso e eletrônico com acréscimo de preço, ou acesso gratuito ao periódico
eletrônico. Outro ponto extremamente importante é em relação ao acesso aos
fascículos pagos, caso haja interrupção da assinatura, ou seja, o direito de
permanência do acesso ao que foi pago durante o período acordado.
Na questão do uso como a Internet cada vez mais possibilita a condições de
disponibilidade e de acesso às publicações. Essa alternativa como forma de
divulgação cientifica cria uma dualidade de formato nos repositórios. Cabe ressaltar

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que estudo feito por Tenopir (2005) consta que a área onde as publicações no
formato impresso são as mais lidas é a área médica.
No estudo de uso dos periódicos impressos da biblioteca no período de 2010
a 2012, a partir de relatório gerado no software Aleph, têm-se como resultado 562
títulos em 2010, 468 títulos em 2011 e 393 títulos em 2012. Em 2011 a biblioteca
cancelou assinaturas de títulos no formato online, por questões de clausula do
contrato vigente, que não prevê a aquisição nesse tipo de formato.
Entretanto, para 2013 como alternativa para atender a demanda dos usuários
para os títulos oferecidos apenas no formato eletrônico será feito um novo contrato
para aquisição de 31 títulos. O critério para a aquisição destes títulos foi a partir da
avaliação de uso tanto na sede da Biblioteca quanto no Portal Capes, para aqueles
títulos que estão disponíveis.
Segundo informações coletadas com as editoras dos acessos ao Portal
Capes foram registrados 5475 acessos aos títulos a partir do IP Fiocruz para os
títulos que passaram para o formato somente eletrônico.
De acordo com o mencionado acima, cabe aqui uma reflexão sobre as formas
de se fazer estudo de uso dos periódicos disponíveis somente em formato
eletrônico. Deve-se pactuar em contrato um serviço de estatística das editoras,
assim como utilizar ferramentas que ofereçam estatística de uso que assegure na
decisão de renovação de assinatura, já que muitas vezes o usuário utiliza a
biblioteca de forma eletrônica. No formato impresso o Aleph fornece os relatórios
necessários.
Atualmente

algumas

bibliotecas

já

possuem

coleções

eletrônicas

disponibilizadas, via acesso remoto, através de um portal que reúne todo o acervo
eletrônico da biblioteca, facilitando a geração de estatísticas de uso desse material.
5.

POLÍTICA DOS EDITORES EM RELAÇÃO AO ACESSO ONLINE DOS

PRIÓDICOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS

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As facilidades oferecidas pelas novas tecnologias que possibilitaram uma
disseminação rápida e eficiente e também a acessibilidade aos periódicos
eletrônicos também trouxeram uma preocupação pela preservação digital destes
documentos.
São variadas as políticas das editoras científicas em relação a disponibilidade
do acesso após o cancelamento de uma assinatura.
Conforme citado anteriormente, a Biblioteca de Ciências Biomédicas possui
um grande acervo de periódicos impressos, alguns com acesso também ao
eletrônico. Porém, desde 2009, o número de periódicos disponíveis apenas no
formato eletrônico vem aumentando. Coleções que a instituição adquire desde o
primeiro fascículo passaram ao formato apenas eletrônico, como por exemplo,
Journal biological chemistry da American Society Biochemistry and Molecular
Biology, cuja coleção da Biblioteca começa em 1905.
A FIOCRUZ por ser uma Instituição de Ensino Superior dá acesso via seu
endereço IP ao Portal de Periódicos Capes. Porém, essa facilidade não pode ser
considerada como um fator decisivo para a não manutenção das assinaturas de
coleções na forma impressa, especialmente aquelas já existentes há muito tempo na
Biblioteca, tais como Lancet desde 1832 e JAMA desde 1833.
Na revisão das normas e procedimentos do direito de acesso após
interrupção da assinatura não estão disponíveis nos sites dos editores ou não são
claros e transferem todo e qualquer risco ao assinante. Desta forma, realizou-se
pesquisa através de questionamento junto aos representantes das editoras e
também pelas duas agências fornecedoras dos periódicos para identificar as
respectivas políticas de direito de uso das quatro editoras com maior número de
títulos assinados pela Biblioteca.
As editoras são:


Elsevier (com 139 títulos);

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

Wiley-Blackwell (85);



Springer (66);



Taylor &amp; Francis (20).
Quanto às políticas dessas editoras, constam as seguintes descrições sobre

as condições de acesso:


Elsevier – o acesso perpétuo gratuito aos conteúdos dos periódicos
desde que a assinatura do Science Direct esteja habilitada. No caso de
cancelamento da base Science Direct, oferece cópia do conteúdo
assinado em mídias gratuitamente. Em outros casos, o acesso aos
downloads é pago.



Wiley-Blackwell - acesso perpétuo ao conteúdo assinado sem
nenhuma taxa de manutenção e/ou obrigatoriedade em manter a
renovação.



Springer E-Only – modelo de acesso aos títulos Springer somente no
formato eletrônico, com direito a seu acesso contínuo garantido,
através do Springerlink e com aquisição do seu conteúdo digital
(backup físico) incluído. Esse acesso contínuo através do Springerlink
é oferecido sem custo adicional, desde que a instituição mantenha um
contrato ativo com a editora. Caso contrário, a instituição tem uma
carência de dois anos. Após esse período, caso a instituição queira
continuar acessando através do Springerlink, será oferecido esse
acesso por meio do pagamento de uma taxa de US$645.



Taylor &amp; Francis - disponibiliza ao assinante o acesso online completo
do período assinado - por exemplo, ano-calendário 2012 - e anos
anteriores (backfiles). Encerrando o ano, encerra a assinatura, e
conseqüentemente o acesso.

Observa-se que cada editora possui política diferenciada quanto à garantia do
acesso após o cancelamento da assinatura dos títulos eletrônicos, gerando uma

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dificuldade para a gestão das assinaturas, que necessita de uma política única de
aquisição que abarque os variados contratos com as editoras.
Segundo Stemper (2006), se as Bibliotecas não estabelecerem cláusulas
contratuais que garantam o acesso perpétuo, correm o risco de perderem o acesso
a tudo que foi assinado quando no término da assinatura.

6.

CONCLUSÃO
Como mencionado em estudo anterior, aqui é mais uma vez constatado a

necessidade emergencial de se criar mecanismos para garantir a preservação do
que foi construído por Oswaldo Cruz sem medir esforços. Os avanços tecnológicos
que trazem tanta facilidade de uso também criam novos desafios para as bibliotecas
que precisam repensar toda a sua política de aquisição de periódicos. É necessário
implementar novas formas de estatísticas que contemplem o uso de periódicos
impressos e eletrônicos, para que esses dados sirvam de subsídio para avaliação da
coleção de periódicos nesse novo cenário, que pode caminhar para uma falta de
continuidade de acesso, segundo as clausulas implícitas nos contratos.
Embora a análise realizada tenha focado poucos editores, estes representam
um grande número de periódicos assinados, cerca de 310 periódicos dos 609
assinados. Mediante o que foi constatado, a inquietação permanece no que
concerne à política dos editores referente ao acesso posterior ao cancelamento da
assinatura. Falta de clareza e omissões persistem nas normas contidas nos sites.
Desta forma, deve-se exigir que nos contratos constem clausulas das necessidades
da Instituição e o estabelecimento de garantias após o cancelamento da assinatura.
Em vista disso, e dando continuidade paralelamente a este estudo, o ICICT /
Fiocruz criou uma comissão de gestão de acervos que hoje está na fase de
contratação de um consultor para contribuir na formulação desta política institucional
para gestão de acervo que aborde todos os questionamentos atuais em relação ao
acesso perpétuo, preservação digital, direito autoral e disponibilização de material
eletrônico.

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REFERÊNCIAS
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48, p. 1-50, 1950.
BENCHIMOL, J. L. (Org.). Manguinhos do sonho a vida: a ciência na Belle
Époque. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.
BOARINI, M. L. Consultoria e legitimação da ciência. Psicologia em estudo,
Maringá, v. 9, n. 3, p. 329-330, 2004.
BORTOLETTO, M. E.; SANT’ANNA, M. A. A história e o acervo das obras raras da
Biblioteca de Manguinhos. História, ciências, saúde – Manguinhos, Rio de
Janeiro, v. 9, n. 1, p.187-203, 2002.
BUSTAMANTE, E. M. de. As bibliotecas especializadas como fontes de
orientação na pesquisa científica. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz, 1958.
BRASIL. COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL
SUPERIOR. O Portal Brasileiro de Informação Científica: CAPES. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br&gt;. Acesso em: 9 nov. 2009.
COUTINHO, E.; MACHADO, R. Acesso as publicações eletrônicas e seus impacto
nas bibliotecas. InCid, v. 2, n. 2, p. 178-188, 2011.
ELSEVIER. Elsevier website privacy policy. Disponível em:
&lt;www.info.sciverse.com/sciencedirect/buying/policies/post&gt;. Acesso em: 12 jul.
2012.
GARVEY, W. D. Communication the essence of science. Oxford: Pergamon,
1979.
GOMES, M. J. A Comunicação científica e o acesso livre ao conhecimento.
EDUCAM, 2010. Disponível em:&lt;http://repositorio.ul.pt/handle/10451/5705&gt; Acesso
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HAWKINS, D. T. Unintende consequences: the Charleston Conference. Information
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Com a transição dos periódicos impressos para os eletrônicos a partir da década de 90 as grandes instituições tiveram que se debruçar na discussão deste novo modelo. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é fazer uma análise da situação atual que a Biblioteca de Ciências Biomédicas da Fiocruz vem enfrentando na transição dos periódicos impressos para os eletrônicos, trazendo a preocupação da Instituição com a garantia de acesso aos títulos após o cancelamento das assinaturas. Para esta análise foi pesquisada a política das quatro editoras com maior número de títulos assinados pela Biblioteca e apresentado um estudo de uso dos periódicos adquiridos por compra no formato impresso. Os resultados indicam a necessidade de formulação de uma política institucional que aponte caminhos aos questionamentos atuais em relação ao acesso perpétuo, preservação digital, direito autoral e disponibilização de material eletrônico. </text>
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