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                  <text>A evolução dos suportes de informação e sua acessibilidade pelos
deficientes visuais

Isabela Correa Ribeiro Alves (UFES) - ribeiroisabela26@yahoo.com.br
Lucileide Andrade de Lima do Nascimento (UFES) - lucileidelima@gmail.com
Eugenia Magna Broseguini Keys (Ales) - ebroseguini@gmail.com
Christian Cleyton Silva (Ufes) - christian@buteri.com.br
Resumo:
Discorre sobre a evolução dos suportes de informação e sua acessibilidade pelos deficientes
visuais. Analisa o processo evolutivo dos suportes mediadores que possibilitam o acesso à
informação pelos deficientes visuais. Demonstra através de revisão de literatura como os
novos suportes informacionais possibilitam e potencializam o acesso à informação pelos
deficientes visuais. Utiliza o grupo focal em amostra constituída de deficientes usuários do
Centro de Apoio Pedagógico (CAP) como método para analisar a condição do deficiente visual
(como se sente) e a sua relação com as tecnologias assistivas. Conclui que as tecnologias vêm
abrindo novos caminhos e que o deficiente vem se adaptando muito bem a esses novos rumos.
Palavras-chave: Suportes de informação. Deficientes visuais. Acessibilidade.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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07 a 10 de julho de 2013

A evolução dos suportes de informação e sua acessibilidade
pelos deficientes visuais

Resumo:
Discorre sobre a evolução dos suportes de informação e sua acessibilidade pelos
deficientes visuais. Analisa o processo evolutivo dos suportes mediadores que
possibilitam o acesso à informação pelos deficientes visuais. Demonstra através de
revisão de literatura como os novos suportes informacionais possibilitam e
potencializam o acesso à informação pelos deficientes visuais. Utiliza o grupo focal
em amostra constituída de deficientes usuários do Centro de Apoio Pedagógico
(CAP) como método para analisar a condição do deficiente visual (como se sente) e
a sua relação com as tecnologias assistivas. Conclui que as tecnologias vêm abrindo
novos caminhos e que o deficiente vem se adaptando muito bem a esses novos
rumos.
Palavras-chave: Suportes de informação. Deficientes visuais. Acessibilidade.
Abstract:
Discusses the evolution of information support and accessibility for the visually
impaired. Examines the evolutionary process of the supports mediators that enable
access to information by the blind. Demonstrates through literature review how new
media informational enable and enhance access to information by the blind. Use the
focus group in a sample consisting of disabled users of the Center for Educational
Support (CAP) as a method for analyzing the condition of the visually impaired (how
you feel) and its relationship with assistive technologies. Concludes that technologies
have opened new paths and the poor has been adapting very well to these new
directions.
Keywords: Media information. Visually impaired. Accessibility.
Área temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente.
1 INTRODUÇÃO

O tema abordado é de grande relevância para os deficientes visuais serem
vistos pela sociedade: a análise do ponto de vista histórico, do cotidiano dos
deficientes visuais ao longo dos tempos. O recorte desse cotidiano refere-se às
práticas ligadas ao uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC’s),
assistivas ou não.
Do ponto de vista histórico, para melhor compreender as questões cotidianas
podemos distinguir duas épocas: a época pré-brailliana, antes de 1837 e a época
brailliana. Antes não tiveram acesso a educação, ao trabalho, a criação e ao lazer.
Hoje, sabe-se que foram experimentados vários processos de leitura,
contudo, infrutíferos. As tábuas enceradas, para representar letras em baixo e alto-

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relevo, as placas de argila, na qual tentavam desenhar letras em relevo, de nós
dados em cordas, fundindo letras em metal, recortando em papel grosso todas as
letras, espetando alfinetes em almofadas, tentando desenhar as letras do alfabeto,
pequenos pregos em placas perfuradas. (RODRIGUES, 2007).
As letras deste alfabeto são desenhadas e, por vezes, caprichosamente,
tornando este processo muito moroso e difícil, já que implicava que o cego, para
apreender os contornos duma letra, necessitasse ziguezaguear, com o dedo, o que
lhe provocava grande desorientação, e bastante incômodo, pois não lhe
proporcionava imediatamente uma noção global e de conjunto.
Em 1819, começaram as mudanças com Barbier de la Serre, que apresentou
um sistema combinado de doze pontos, dispostos em duas filas verticais de seis
símbolos, que tinham valor fonético e não valor ortográfico (RAIMONDI, 2007).
A complexidade dos caracteres, as suas grandes dimensões, a dificuldade de
conhecê-los ao primeiro contato e de lê-los sem ziguezaguear com o dedo através
das linhas, os princípios fonéticos e não ortográficos em que assentavam, faziam
com que este fosse um sistema pouco prático, pouco eficiente e de baixa eficácia,
bastante lento, sem grandes resultados, e também pouco expedito.
A época brailliana foi marcada com a criação do alfabeto Braille um sistema
constituído por seis pontos justapostos, dispostos em duas filas verticais de 3
pontos. Com estes, constrói-se todo o alfabeto de escrita e de leitura para os cegos,
criado por Louis Braille (RAIMONDI, 2007). O surgimento da escrita Braille tornou a
escrita disponível, abrindo novos horizontes e favorecendo o desenvolvimento
intelectual, profissional e social para os que tiveram acesso a esse recurso.
A História nos instigou a seguir um percurso investigativo para responder:
Como a evolução dos suportes informacionais contribui para a recuperação de
informações úteis ao cotidiano de vida dos deficientes visuais?
O estudo se propôs analisar o processo evolutivo dos suportes mediadores
que possibilitam o acesso à informação pelos deficientes visuais. Para realizar a
análise, outras etapas descritas foram desenvolvidas através dos seguintes objetivos
específicos: a) Apresentar como os suportes informacionais evoluíram ao longo do
tempo; b) Demonstrar como os novos suportes informacionais possibilitam o acesso
à informação pelos deficientes visuais; c) Relatar como o deficiente visual se sente e
como é a sua relação com as novas tecnologias assistivas.

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2 DEFICIÊNCIA VISUAL E ACESSIBILIDADE

Na época medieval os cegos eram lançados a própria sorte devido as más
condições de sobrevivência. Tanto que, em lugares cuja condição era melhor, os
cegos não precisavam ser eliminados. E mesmo nas sociedades de classes préburguesas, os cegos continuavam sendo suprimidos, mesmo em condições de
sobrevivência favoráveis. No escravismo, eram excluídos, pois não eram
considerados úteis para o Estado.
Os cegos da classe explorada só deixaram de ser eliminados, quando eles
começaram a atuar junto à política, tornando-se úteis para o Estado.
Com o surgimento do feudalismo, o homem deixou de pertencer a outro
homem, e, portanto não podiam mais ser eliminados.
Inicialmente os membros de ambas as classes eram igualmente eliminados
e isso se dava porque não tinham condições de desempenhar as funções
que lhes eram destinadas, já que os exploradores deveriam atuar nas
guerras, enquanto os explorados deveriam prover a sobrevivência de todas
as classes (PÁDUA; BORGES, 2005, p. 4).

Com resistências até os dias atuais, surge no século XX o movimento de
inclusão social, que ainda que inibido, traz avanços significantes na oportunidade de
inserção nos espaços sociais (PÁDUA; BORGES, 2005, p. 4-5).
E é nesse contexto de inclusão social que surge a necessidade de
acessibilidade como “[...] possibilidade de alcance aos espaços físicos, à
informação, aos instrumentos de trabalho e estudo, aos produtos e serviços diz
respeito à qualidade de vida de todas as pessoas” (MELO, 2008b, p. 30).
A publicação Mídia e Deficiência (BRASÍLIA, 2003) aponta seis quesitos
apoiados pela tecnologia que designam se determinada sociedade é acessível: não
haver barreiras arquitetônicas, em ambiente físico até o transporte coletivo ou
individual; não existir barreiras na comunicação entre a pessoa e a escrita ou virtual;
não existir barreiras metodológicas, no trabalho, no estudo, ou na educação dos
filhos; deve haver instrumentos e ferramentas de trabalho e lazer; não haver
barreiras ocultas em regras, normas ou políticas públicas; e é que nessa sociedade
não deve haver discriminações ou preconceitos.
A Organização Mundial de Saúde apresenta três conceitos para deficiência:
impedimento, deficiência e incapacidade. Define impedimento como “[...] alguma

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perda ou anormalidade das funções ou daestrutura anatômica, fisiológica ou
psicológica do corpo humano.” Define deficiência como “[...] alguma restrição ou
perda, resultante do impedimento, para desenvolver habilidades consideradas
normais para o ser humano.” E incapacidade como “[...] uma desvantagem
individual, resultante do impedimentoou da deficiência, que limita ou impede o
cumprimento oudesempenho de um papel social, dependendo da idade, sexo e
fatores sociais e culturais” (DEFICIÊNCIA, 2002, p. 23).
No Brasil, o grau de deficiência visual, quando a percepção visual é igual ou
menor que 0,05 no melhor olho e com a melhor correção óptica é considerado
cegueira; e quando a percepção visual variar entre 0,3 e 0,05 no melhor olho e com
a melhor correção óptica é considerado baixa visão (BRASIL, 1999). Mas, É difícil
definir baixa visão, pois, o comprometimento da visão varia de acordo com fatores
como percepção da luz até a redução do campo visual. Em alguns casos, podemos
perceber um movimento involuntário e rápido, o que compromete ainda mais a
acuidade e aumenta o cansaço durante a leitura.

3 ASPECTOS LEGAIS DA ACESSIBILIDADE

Foi promulgada em 1993, pela Assembléia Geral da ONU a Resolução nº
48/96, que trouxe avanços quanto a igualdade de oportunidades no ensino. Em
1994, a Declaração de Salamanca promoveu a busca por alternativas que
ajudassem a cumprir a Resolução nº 48/96, provocou o debate para se adequar a
educação básica brasileira às novas demandas. E as conquistas legais forma
ampliadas a partir do momento que se tinha acesso a educação superior.
Baseado da norma NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), o Ministério da Educação (MEC) regulamentou a existência de infraestrutura
adequada, em equipamentos e serviços aos alunos com algum tipo de deficiência
nas Instituições de Ensino Superior (IES). Estabelecendo para os deficientes visuais
compromisso formal das IES, que no caso de ser solicitado, e até que o aluno
conclua o curso deve ter sala equipada com máquina de datilografia Braille; sistema
de síntese de voz; gravador e fotocopiadora que amplie textos; software de
ampliação de tela; equipamentos para ampliação de textos e atendimento ao aluno
com visão subnormal; lupas; réguas de leitura; impressora Braille e scanner
acoplados a computador. Além de adotar um plano de aquisição gradual de acervo

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bibliográfico em Braille e de fitas sonoras (BRASIL, 2003). Além de, trabalhar com a
educação inclusiva investindo em manuais e cartilhas que ajudam professores,
alunos e funcionários na inclusão dos alunos deficientes (BRASIL, 2007).
Quanto ao acesso a documentos, a Lei de direitos autorais (Lei nº 9.610, de
1998), assegura que não constitui ofensa aos direitos autorais o acesso a “[...] obras
literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de deficientes visuais, sempre
que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou outro
procedimento em qualquer suporte para esses destinatários” (BRASIL, 1998, p. 9).
É direito de todos o acesso as condições básicas de sobrevivência tais como
educação, saúde, lazer, cultura, trabalho, convivência social.
Os Ministérios desenvolvem políticas de acessibilidade para o deficiente
visual. O Ministério da Saúde por meio da Política Nacional de Saúde da Pessoa
com Deficiência, têm como diretrizes a “Promoção da qualidade de vida, assistência
integral à saúde, ampliação e fortalecimento dos mecanismos de informação [...]”
(BRASIL, 2002). O Ministério das Cidades, o Programa Brasileiro de Acessibilidade
Urbana, o Brasil Acessível, que trata do projetos: Porta a Porta e o Calçada Cidadã
(BRASIL, [200-a]). O Ministério dos Transportes oferece o programa Passe Livre,
que garante gratuidade nos transportes coletivos (BRASIL, [200-b]). Em 1991, foi
promulgado a lei de Contratação de Deficientes nas Empresas e sobre os Planos de
Benefícios da Previdência, pelo Ministério da Previdência Social (BRASIL, 1991). E
a garantia da aposentadoria por invalidez no caso de comprovada a incapacidade
para o trabalho (BRASIL, 2009). Os demais Ministérios seguem as Resoluções, Leis
e Portarias já existentes.
Essas conquistas são frutos do empenho da sociedade civil organizada, para
promover o acesso igualitário aos bens e serviços públicos. As novas tecnologias
têm ajudado muito nessas conquistas (PUPO, 2008, p. 63). Mas, não se pode cruzar
os braços, pois [...] A legislação brasileira é bem estruturada e avançada, mas na
prática há várias dificuldades [...] entre tantos obstáculos, acabam desembocando
na questão orçamentária das instituições que se propõem a ser acessíveis e
inclusivas (PUPO, 2008, p. 65.). E a necessidade de conscientização da sociedade é
constante.

4 O CEGO E A RELAÇÃO COM AS NOVAS TECNOLOGIAS

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Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da explosão bibliográfica, a
tecnologia apoiou o aparecimento de novos suportes informacionais, não só quanto
aos processos de armazenamento, mas da recuperação, que consiste em identificar
diversos documentos sobre determinado assunto de interesse (RAMALHO, 1993).
Quem se atreveria a pensar, há trinta anos, que os cegos seriam capazes de
utilizar a informática e as novas tecnologias? Pois isso hoje é uma realidade: muitos
utilizam o computador no trabalho, nos estudos e no lazer. Hoje em dia uma grande
parte tem acesso à Internet, usam correio eletrônico. As novas tecnologias
trouxeram progressos e melhorias à transcrição de livros impressos em tinta para
Braille. Por meio de scanner, é possível transportar a informação existente no livro
para o computador, utilizando um leitor de écran, permitindo que todos os deficientes
visuais possam ler esse livro. Também é possível fazer o download de um arquivo e
lê-lo por meio de um sintetizador de voz.
Hoje o mundo se comunicada por meio da tecnologia, e a questão é: todos
têm acesso a essas novas tecnologias? Existe a preocupação em fornecer algo que
possa ser usado por todos, inclusive deficientes? Em algum momento essas
empresas fazem uma simples pesquisa para saber se existe alguma necessidade
que possa ser sanada? Chegam ao mercado uma variedade de dispositivos
eletrônicos e digitais que se proliferam sem se preocupar em considerar a
diversidade de usuários que irão comprar o mesmo produto. O movimento de
inclusão tem oportunizado o acesso ao mercado de trabalho e instituições de ensino,
ainda assim, constatamos os problemas em acessar as novas tecnologias.
Os computadores, players, celulares e outros dispositivos eletrônicos
proliferam com a produção e oferta de modelos cada vez mais simples,
compactos, sofisticados e atraentes. Esses produtos, no entanto, não são
plenamente acessíveis porque são projetados e desenvolvidos a partir de
uma concepção referenciada em elementos e atributos que desconsideram
a diversidade dos usuários, no que diz respeito às características físicas,
sensoriais ou mentais dentre outras particularidades. Os bens de consumo,
os meios de comunicação, os ambientes reais e virtuais deveriam ser
projetados para atender de forma ampla e irrestrita a todos ou quase todos
os indivíduos, independente da idade ou habilidades individuais (BRASIL,
2007, p. 52).

Para

que

esse

quadro

mude,

torna-se

necessário

não

apenas

a

implementação de políticas de inclusão digital, mas também de inclusão social. Pois,
transpostas essas barreiras, o deficiente pode preservar sua individualidade
dependendo cada vez menos da boa vontade de outras pessoas.

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5 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS

No estágio atual de tecnologia, o suporte papel é apenas uma das formas de
veiculação da informação. Hoje, encontramos suportes impresso, áudio, digital,
visual, hipertextual e muitos outros. Também surgem nesse contexto as chamadas
tecnologias assistivas, que [...] é todo e qualquer recurso utilizado para proporcionar
melhor acesso e em consequência aumentar a independência e inclusão do
deficiente (BERSCH, 2008). Sua finalidade é facilitar o uso desses meios de leitura.
Melo, Costa e Soares (2008a, p. 94-103) dão exemplos de algumas
tecnologias assistivas que auxiliam o deficiente visual no uso do computador:
ampliadores de tela, que ampliam o conteúdo apresentado na tela do computador,
facilitando seu uso por pessoas com baixa visão; leitores de tela com síntese de voz,
que traduzem as informações textuais contidas no computador através de um
sintetizador de voz; linhas Braille, que são “[...] dispositivos de saída composto por
fileira(s) de células Braille eletrônicas [...]”, essas fileiras vão traduzir o texto para o
Braille, a partir daí poderá ser lido através de leitores de tela; impressoras Braille,
elas imprimem no papel adequado à tecnologia o texto em Braille; e software que
digitalizam imagens e convertem para a grafia Braille. Podemos mencionar como
exemplos de leitores de tela os programas Virtual Vision, Jaws, e Dosvox.
O Virtual Vision foi concebido em 1997, através de uma parceria entre o
Banco Bradesco, que necessitava de um aplicativo para uso de seus clientes e
funcionários, a Scopus e a MicroPower, e foi lançado em 1998, permitindo que o
usuário interaja com os próprios aplicativos do Windows, bastando inserir o CD no
computador, e seguir as instruções que são faladas através de um sintetizador de
voz, porém depois de ser instalado, o programa exige que o computador seja
reiniciado a cada trinta minutos, podendo ser testado sem registro durante um mês e
funciona com os sistemas operacionais Windows 95, 98 e Milenium, e também com
os pacotes Office 97 e 2000, lembrando que para ser usado, é necessário que a
tecla Num Lock esteja acionada, pois todo o seu controle é feito pelo teclado
numérico (MICROPOWER, 2011-2012?).
O programa Jaws foi fabricado e é atualizado constantemente pela empresa
Norte Americana Henter-Joyce, do grupo Freedom Scientific. Uma das suas
qualidades é permitir a execução em diversas versões do Windows, e apesar de ser
americano, possui vozes sintetizadas em nove idiomas, inclusive para o português

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do Brasil. O lado negativo é o preço, é o leitor de tela mais caro do mercado, mas é
o mais utilizado por deficientes visuais no exterior. Sua instalação, assim como a do
Virtual Vision, é falada passo a passo e seu modo de demonstração dura apenas
quarenta minutos, depois o computador deve ser reiniciado.
O Dosvox, uma iniciativa do Núcleo de Computação Eletrônica da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ), que apesar de ser gratuito, ao
contrário do Virtual Vision, o Jawns, seu assistente de instalação não é falado,
necessitando de outro leitor de tela, ou alguém que enxergue. Seu ambiente de
trabalho é muito parecido com o ambiente do Windows, com jogos, com editor de
texto Edivox, calculadora e navegador de internet. O projeto Dosvox, foi iniciado em
1993 na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pelo aluno de informática Marcelo
Pimentel. A primeira versão do sistema Dosvox era constituída por: um gerenciador
do sistema, um programa que ajudava a aprender as posições das teclas, um editor
de textos, um gerenciador de arquivos e discos e um programa impressor de textos.
Como tecnologia assistiva, também podemos citar o sistema Talks, que é um
leitor de ecrã que permite ao deficiente visual acessar todas as funcionalidades do
aparelho celular, dando total liberdade para o deficiente fazer uma simples ligação
telefônica até mandar e receber mensagens de texto, saber quem ligou durante uma
ausência e definir toques especiais (TIFLOTECNIA, [20-?]).

6 METODOLOGIA

Este trabalho consistiu de pesquisa com enfoque qualitativo. Utilizou
entrevistas em grupo como ferramenta de apoio metodológico junto aos deficientes
visuais usuários do Centro de Apoio Pedagógico para o deficiente visual (CAP), no
município de Vitória (ES).
Na entrevista foi usado o método de grupo focal, com função exploratória para
coletar dados. Este método também pode ser conceituado como uma técnica de
pesquisa que para coletar dados, se utiliza da discussão de um grupo sob
determinado assunto (LEITÃO, 2005). Bordagus, considerado pioneiro nessa área
de pesquisa percebeu, durante pesquisa realizada em uma escola que, as ideias
obtidas durante a discussão de grupo eram muito mais ricas que as entrevistas
individuais (LEITÃO, 2005).

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7 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

O grupo era constituído por uma mulher e cinco homens, levando em
consideração a faixa etária, escolaridade e disponibilidade, as idades variaram entre
21 e 56 anos, a escolaridade variaram desde o ensino fundamental incompleto até o
doutoramento, e as características da deficiência visual variou desde a cegueira até
baixa visão.
A identidade dos participantes foi preservada e utilizamos nomes fictícios para
ilustrar o perfil dos participantes. Isaque, aposentado, 42 anos, possui baixa visão
devido a Retinose Pigmentar; Renata, estudante, 21 anos, possui baixa visão ao
Descolamento de retina, enxerga luzes e vultos; Jairo, professor de Língua
Portuguesa, 48 anos, nasceu cego; Adalberto, aposentado, 56 anos, devido um
acidente de trabalho ficou cego; Júlio, aposentado, 46 anos, possui baixa visão
devido a Retinose Pigmentar e Marcelo, doutorando em Biologia Animal, 30 anos,
possui baixa visão devido a Retinose Pigmentar.

8 ESTRUTURAÇÃO DA ENTREVISTA

Antes de realizarmos a entrevista, foi elaborado um Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido, que foi assinado pelos participantes, após tomarem ciência dos
procedimentos e implicações quanto à participação na pesquisa proposta. Além de
um roteiro com as principais questões norteadoras da entrevista, que facilitou a
conduação do tema e alcance dos objetivos.
O grupo de pesquisa foi composto por três graduandos e uma professora do
Departamento de Biblioteconomia.
O ambiente utilizado foi o auditório do CAP, os entrevistados estavam
sentados confortavelmente em círculo, e o momento foi de descontração.

9 ANÁLISE DOS DADOS

Inicialmente a pesquisadora questionou os participantes sobre: Considerando
as necessidades cotidianas ligadas a educação e as necessidades de comunicar,
perguntamos: O que é ser deficiente visual para lidar/enfrentar estas dificuldades? E
como as chamadas tecnologias assistivas te ajudam com essas dificuldades?

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“Pra mim é um pouco complicado, porque eu realmente não vejo nada. Mas
eu ainda consigo fazer muita coisa [...]. Não é fácil ser cego [...]. Não é o
que eu gostaria de ser. Principalmente pra uma pessoa que trabalhou até os
45 anos no volante de um carro” (Adalberto).
“Eu ainda tenho a sensação que é ser um ser a parte, alguém diferente. Se
você vai a uma palestra, por exemplo, e se você é o único deficiente visual
o palestrante não vai lembrar de você. Hoje a tecnologia possibilita que a
gente se vire bem, atende bastante as nossas necessidades, mas ainda
assim eu acho que as tecnologias que permitem essa adaptabilidade estão
sempre atrasadas” (Marcelo).

A partir das respostas obtidas, percebemos que a maioria não está satisfeita
com sua situação. Percebe-se que o fato de depender de alguém os incomoda
muito. Na verdade, parece que dependência é o aspecto que mais os incomoda.
Em seguida os participantes responderam sobre: Que tarefas/atividades você
realiza de forma mais eficiente com a ajuda de tecnologias assistivas? E você acha
que estas tecnologias te ajudam significativamente?
Meus trabalhos de faculdade [...] escrever, imprimir, acessar a internet para
pesquisar. [...] Só que, por exemplo, [...] tem sites que eu não consigo entrar
[...] O sistema é falho (Renata).
De modo geral, no dia-a-dia tenho trabalhado de forma satisfatória com
computador preparando as atividades que na aula eu trabalho com os meus
alunos, preparando apostilas, preparando exercícios, as atividades [...]
Acesso com frequência o correio eletrônico, faço pesquisa pela internet [...]
E isso é bastante comum hoje (Jairo).
“Eu utilizo muito pra leitura. [...] leio correio eletrônico” (Julio).
Quanto às redes sociais: “Pra trabalhar com leitor de tela é horrível [numa
rede social]. Eu não consigo achar os links, ele fala tudo o que tem na tela
de uma vez só, e são vários links, parece que cada dia que eu abro [a
página] está tudo diferente. Então assim [...] é um negócio muito complicado
pra mim. Tem dias [...] está mais fácil usar, tem dias que não” (Marcelo).

As atividades realizadas são: trabalhos de faculdade; acessar internet para
pesquisa; trabalhar usando o computador preparando material didático para seus
alunos; correio eletrônico; leitura; e uso independente do celular. Apesar de
admitirem que as novas tecnologias os ajudam, a maioria sente que há muito a
melhorar. Principalmente na área da comunicação e engenharia desses meios.
Quanto as dificuldades em obter informação, foi perguntado: Qual sua maior
dificuldade do dia-a-dia quanto ao uso de tecnologias como: computador, celular e
outros aparelhos?
Pra ler [usar] um controle é meio difícil (Isaque).

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Em casa eu não tenho dificuldade, a minha maior dificuldade mais é fora.
Hoje, por exemplo, se a gente precisar de uma Lan House, a gente não tem
condições, lá não tem uma tecnologia pra atender a gente. (Julio).
Eu acho que é a questão de bancos. Tem até um episódio na minha vida
que eu fui até o banco, fui tirar um dinheiro, fui sozinha, levei meu fone, fui
toda preparada pra utilizar o caixa adaptado. Chegando lá [...] botei o fone e
nada, não saia som. Eu chamei o segurança, e ele disse que ia falar com o
pessoal lá dentro do banco. Eu fiquei esperando um tempão e me disseram
que estava quebrado. E foi um transtorno, porque tem dois caixas
adaptados na agência e estavam os dois quebrados. Cheguei em casa
frustrada, tive que pedir ajuda de alguém que enxerga e voltar até o banco
para poder tirar o dinheiro (Renata).
[...] Um banco hoje, por exemplo, com tanta tecnologia, a gente não
consegue usar um caixa eletrônico (Julio).
A minha dificuldade maior, eu acredito que seja de muitas pessoas, é
quando nossa ferramenta nos deixa na mão. Ou seja, nós usamos o
computador com retorno sonoro, se der algum problema na placa de som,
ou no software encarregado de transformar em sons as letras, a informação
aí... [se perde/ não tem acesso]. Aconteceu que, por exemplo, eu, na
semana passada, por algum motivo, pra mim ainda desconhecido o
computador ficou mudo, e aí [...] eu fico sem computador (Jairo).

As respostas obtidas indicaram que as maiores dificuldades de referem a ler e
utilizar o controle remoto da TV; uso da internet em Lan House; uso do caixa
eletrônico em bancos; e as falhas nos dispositivos de som que mediam o uso do
computador. Mais uma vez, a questão da dependência é muito marcante.
Percebemos que suas maiores dificuldades estão fora de casa, no uso de recursos
que para os videntes é extremamente simples, mas para um deficiente pode se
tornar uma maratona.
Quanto ao acesso efetivo as tecnologias, foi perguntado: Que novas tecnologias
vocês utilizam cotidianamente? E quais delas vocês tem acesso em casa?
E em casa eu quase não utilizo o Braille, [...] eu prefiro usar o computador.
[...]eu aprendi o Braille, mas não comprei nenhum material, só utilizo aqui
mesmo. O computar pra mim é muito mais simples porque eu já tinha o
costume (Renata).
Eu uso muito a calculadora, no meu aparelho [celular] (Adalberto).
Eu tenho meu kit básico em casa. Que é a lupa eletrônica, o scanner, e o
leitor de tela, e isso ajuda em boa parte das minhas tarefas. [...] Eu só tenho
tecnologia dentro de casa. [...] Eu só uso o Braille no CAP ou pra ler algo do
CAP, ou mesmo pra ler a caixa de um remédio (Marcelo)
Eu utilizo o computador, o DOSVOX, o NVDA, o Braille eu utilizo mais em
sala de aula do que em casa porque eu preciso acompanhar a apostila que
meus alunos tem (Jairo).

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07 a 10 de julho de 2013

O celular é a tecnologia que eu mais uso. Eu gosto muito de mexer no meu
celular usando o Talks, eu entro na Internet (Renata).
Em casa eu uso DOSVOX, que é o que eu aprendi um pouco mais, tenho o
NVDA instalado no meu computador, mas eu não utilizo muito porque eu
ainda não domino bem [...], e eu utilizo o Braille, o Braille eu utilizo o dia em
inteiro, na escola e em casa lendo e estudando. [Para escrever em Braille]
eu utilizo a reglete, [porque] infelizmente uma tecnologia que é a máquina, é
muito caro pra gente ter acesso, então a gente usa a reglete (Julio).

As respostas obtidas explicitaram o uso dos seguintes artefatos: computador;
Celular; Scanner e lupa eletrônica; Leitores de tela; Sistema Talks; e Sistema Braille.
É percebido que o sistema Braille está ficando ultrapassado, usado apenas para
alfabetização ou como apoio dentro das escolas especializadas.
E por último, foi perguntado aos participantes: Você depende de alguma
tecnologia especificamente para conseguir resolver suas necessidades de estudo e
trabalho?
Eu dependo muito do meu celular, não posso largar dele porque eu
dependo dele pra tudo (Julio).
Eu não dependo muito do computador, eu posso me virar sem ele. Mas pra
leitura eu preciso muito do Braille. Inclusive hoje, os remédio já vem escrito
em Braille [na lateral da caixa do remédio], hoje você chega no
supermercado já tem uma grande quantidade de mercadorias que já tem a
inscrição (sic) em Braille (Julio).
Meu computador com o leitor de tela, meu scanner, minha lupa, o
Talks[risos]. O Talks eu não dependo tanto dele, mas que ajuda pra
caramba ajuda (Marcelo).

As respostas obtidas mostraram que dependem de alguma tecnologia em
algum momento, principalmente de: computador; celular; scanner; lupa; leitores de
tela, mas todos dependem de alguma tecnologia.

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desenvolvemos uma pesquisa para investigar como a evolução dos suportes
informacionais tem contribuido para a recuperação da informação sob a ótica dos
deficientes visuais. As falas apontam que as tecnologias abriram novas
possibilidades de acesso a educação, ao trabalho, ao lazer e a convivência social,
mas, ainda não é o suficiente para tornar-los totalmente independentes. As
limitações são muitas ainda, as barreiras arquitetônicas, atitudinais e tecnológicas os
impedem de participarem plenamente na sociedade.

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É possível dizer que quem tem acesso a essas tecnologias é um
independente dependente, pois ele não depende de alguém para fazer suas
atividades, desde que esteja num local devidamente preparado e adaptado, só que
esses locais não são fáceis de encontrar. Viveriam melhor se as tecnologias
utilizadas estivessem ao alcance de suas mãos e ouvidos em todos os ambientes
que frequentam, pois não adianta ter acesso em casa, se nos espaços públicos de
convivência, o acesso é limitado ou não existe. Necessitam de ter a confiança de
sair às ruas e resolver seus próprios problemas, serem realmente independentes.
Não bastam medidas puramente paliativas. Acreditamos que esta pesquisa
evidenciou não apenas para as bibliotecas, mas para a comunidade em geral, os
anseios, desejos e expectativas por parte dos deficientes visuais servindo como um
guia para auxilar na melhoria das condições de recuperação da informação, seja
para o trabalho, o estudo, o uso de espaços públicos coletivos ou mesmo seu
próprio lazer. A informação é um direito de todos e é necessário um maior
investimento público e privado para a democratização do acesso.

REFERÊNCIAS
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Especializado em Desenvolvimento Infantil, 2008. Disponível em:
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7.853, de 24 de outubro de 1989. Dispõe sobre a Política Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20
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BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a
legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 19 fev. 1998.

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              <text>Discorre sobre a evolução dos suportes de informação e sua acessibilidade pelos deficientes visuais. Analisa o processo evolutivo dos suportes mediadores que possibilitam o acesso à informação pelos deficientes visuais. Demonstra através de revisão de literatura como os novos suportes informacionais possibilitam e potencializam o acesso à informação pelos deficientes visuais. Utiliza o grupo focal em amostra constituída de deficientes usuários do Centro de Apoio Pedagógico (CAP) como método para analisar a condição do deficiente visual (como se sente) e a sua relação com as tecnologias assistivas. Conclui que as tecnologias vêm abrindo novos caminhos e que o deficiente vem se adaptando muito bem a esses novos rumos.</text>
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