<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="2213" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/2213?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-08T08:01:30-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="1295">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/8/2213/1323-1336-1-PB.pdf</src>
      <authentication>49f7694ea8e323a4d111a506efe06da8</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="27097">
                  <text>Adequação do Dublin Core ao AACR2: o caso da Biblioteca Digital
da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais

Paulo de Castro Gonçalves (ALMG) - paulosalate@gmail.com
Cristina Machado Leão (ALMG) - crisleao51@gmail.com
Márcia Milton Vianna (ALMG) - marciamilton@eci.ufmg.br
Resumo:
A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais construiu sua biblioteca digital com o
objetivo de garantir o acesso às informações sobre a atuação do legislativo mineiro. Para a
implementação da biblioteca digital foi adotado o AACR2, o formato Dublin Core e o software
Dspace. A primeira parte apresenta uma revisão de literatura que discute a adequação das
iniciativas internacionais de estudo da adaptação do AACR2 ao formato Dublin Core,
principalmente por meio da solução DCAP. Já a segunda parte trata da própria experiência da
Biblioteca Digital da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na adequação do formato Dublin
Core à descrição do AACR2. A terceira parte discorre sobre as customizações necessárias ao
Dspace para receber os novos campos do Dublin Core. As considerações finais apresentam a
preocupação de que as adaptações não impossibilitem o Controle Bibliográfico Universal, por
meio do acompanhamento atento ao esforço de adoção do DCAP.
Palavras-chave: Biblioteca digital. Formato de intercâmbio bibliográfico. Dublin Core.
AACR2. Dspace.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

Adequação do Dublin Core ao AACR2: o caso da Biblioteca Digital da
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Resumo: A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais construiu sua
biblioteca digital com o objetivo de garantir o acesso às informações sobre a atuação
do legislativo mineiro. Para a implementação da biblioteca digital, foi adotado o
AACR2, o formato Dublin Core e o software Dspace. A primeira parte apresenta uma
revisão de literatura que discute a adequação das iniciativas internacionais de
estudo da adaptação do AACR2 ao formato Dublin Core, principalmente por meio da
solução DCAP. Já a segunda parte, trata da própria experiência da Biblioteca Digital
da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na adequação do formato Dublin Core à
descrição do AACR2. A terceira parte discorre sobre as customizações necessárias
ao Dspace para receber os novos campos do Dublin Core. As considerações finais
apresentam a preocupação de que as adaptações não impossibilitem o Controle
Bibliográfico Universal, por meio do acompanhamento atento ao esforço de adoção
do DCAP.
Palavras-chave: Biblioteca digital; Formato de intercâmbio bibliográfico; Dublin
Core; AACR2; Dspace.
Área Temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo
à frente.
1 INTRODUÇÃO
A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) exerce a
representação política da sociedade, por meio do cumprimento de suas funções
constitucionais, destacando-se legislar e fiscalizar a atuação do poder executivo e
dos diversos órgãos estaduais, no exercício da administração pública. Com o
objetivo de garantir o acesso às informações políticas e legislativas, de modo a
colaborar para o atendimento das demandas informacionais dos parlamentares,
corpo técnico e dos cidadãos mineiros, a ALMG desenvolveu a Biblioteca Digital da
ALMG, que disponibilizará, pela rede, publicações editadas pela, para ou sobre a
instituição. A implementação da biblioteca digital obrigou a inúmeras tomadas de
decisões. A gestão garantiu sua dinamicidade, de modo a construir uma arquitetura
preparada

para

fornecer

informação

aos

usuários,

tal

como

permitiu

a

compatibilização com as iniciativas internacionais de convergência, pré-requisito do
Controle Bibliográfico Universal (CBU). Visando garantir uma estrutura consistente,
foi adotado o software Dspace, como gerenciador das publicações digitais. A
1

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

descrição bibliográfica ficou condicionada ao Código de Catalogação Anglo
Americano1 (AACR2), muito embora exista um acompanhamento contínuo ao
Recurso: Descrição e Acesso2 (RDA). O padrão de metadados escolhido foi o
projeto Iniciativa de Metadados Dublin Core 3 (DCMI), que permite a descrição
padronizada de publicações digitais. Contudo, para que as regras do AACR2
pudessem ser compatibilizadas com o DCMI, foram realizadas algumas adaptações
no formato. Essas mudanças, implementadas para viabilizar o funcionamento da
Biblioteca Digital da ALMG, são alvo deste relato de caso.
2 A DESCRIÇÃO E AS PUBLICAÇÕES ELETRÔNICAS
A metodologia de descrição das publicações digitais da ALMG teve como
base dois pressupostos que já vêm sendo abordados na literatura especializada, há
algum tempo. O primeiro deles foi que, embora o advento do computador tenha
proporcionado aos catálogos maior facilidade para as pesquisas, as regras ainda
retratam uma realidade de buscas, por meio de entradas organizadas em ordem
alfabética, com limitação do número de entradas e citações. Outro ponto refere-se
ao movimento pela simplificação da catalogação, corrente que vem ganhando força,
por meio da Iniciativa de Arquivos Abertos 4 (OAI) e do autoarquivamento, que
defende a descentralização da catalogação, incentivando o próprio autor a descrever
sua publicação nos catálogos e repositórios digitais. O principal objetivo da iniciativa
foi possibilitar a criação de catálogos coletivos, bastante plausível na realidade
virtual. E, para que isso aconteça, é necessário que as bibliotecas criem formas de
compatibilizar seus formatos de descrição.
A esse respeito, Coyle e Hillmann (2007) atentam para o fato de que o
AACR2 foi publicado na véspera do que foram, sem dúvida, as mudanças
tecnológicas mais importantes desde a imprensa: o computador e a rede eletrônica.
As regras do AACR2 foram escritas em um momento em que o catálogo da
biblioteca ainda era o de fichas. Entretanto, foram publicadas quando as bibliotecas
já estavam substituindo as fichas pelos bancos de dados eletrônicos. O Catálogo
1

Tradução do inglês: Anglo-American Cataloguing Rules, Second Edition.
Tradução do inglês: Resource Description and Access.
3
Tradução do inglês: Dublin Core Metadata Iniciative.
4
Tradução do inglês: Open Archives Initiative.
2

2

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

Online de Acesso Público5 (OPAC), essencialmente um catálogo em ficha, ganhou
sua versão em formato de base de dados, transformando-se, rapidamente, no
principal meio de conectar os usuários aos acervos das bibliotecas: “os registros
estão disponíveis em formato MARC6 ou Dublin Core, respeitam as regras do
AACR2, embora seja possível encontrar registros pré-AACR2” (CHAHBENDERIAN;
MIGUEZ, 2009, p. 4, nossa tradução). O catálogo deixou de ser apenas um arranjo
alfabético de títulos, autores e assuntos, evoluindo para um instrumento que
possibilitava ao usuário realizar buscas combinadas e em qualquer campo.
Thomas (2001) destacou a importância de se repensar a forma de acesso à
informação e ao conhecimento. De acordo com ela, o AACR2 deveria ser explorado
de modo a fornecer os valores e os princípios básicos da organização do
conhecimento

registrado.

O

modelo

Requisito

Funcional

para

Registros

Bibliográficos7 (FRBR), da Federação Internacional das Associações e Instituições
Bibliotecárias8 (IFLA), veio contribuir, substancialmente, para essa compreensão. O
desafio é conservar algumas regras do passado e abandonar regras que se
mostram restritivas em relação ao acesso, de forma a adaptá-las às novas
tecnologias. Gorman (1989) sugeriu uma abordagem para a descrição de
publicações por meio de uma evolução do AACR2, de modo a ser contemplado no
DCMI, gerando buscas por meio de palavras-chave.
De acordo com Coyle e Baker (2009), um conjunto de metadados quase
nunca consegue ser aplicado a todas as bibliotecas. Essa necessidade de
adequação gera uma proliferação de formatos, mesmo em bibliotecas que têm
necessidades em comum. Tendo em vista essa realidade, o DCMI concebeu o Perfil
de Aplicação Dublin Core9 (DCAP), definindo registros de metadados para atender a
necessidades específicas e proporcionando interoperabilidade semântica com outras
aplicações, com base em vocabulários e modelos globalmente definidos. Para os
autores, o DCAP é uma construção genérica, que permite a concepção de registros
de metadados que não requerem o uso de termos de metadados definidos pelo
DCMI. Ele possibilita cobrir regras muito complexas, como, por exemplo, as regras
do AACR2.
5

Tradução de: Online Public Access Catalog.
Tradução de: Machine Readable Cataloging.
7
Tradução de: Functional Requirements for Bibliographic Records.
8
Tradução de: International Federation of Library Associations.
9
Tradução de: Dublin Core Application Profiles
6

3

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

Muito embora grande parte da comunidade internacional faça uso do AACR2,
a complexidade da descrição e o próprio estabelecimento de níveis de catalogação
levaram os bibliotecários a eleger formatos de intercâmbios distintos para construir
seus catálogos ou mesmo criar e rejeitar metadados diferentes dentro do mesmo
formato, gerando o total descontrole, realidade que afastava o sonhado controle
bibliográfico.
Os catalogadores viram-se em um grande impasse, nesse momento.
Começaram a perceber que a mera utilização dos formatos de intercâmbio não
estava aproximando os catálogos online da realidade cooperativa, mas os
afastando, pela ausência de regras pré-estabelecidas, que garantissem a unidade
de descrição. Assim o autoarquivamento perdia força e a OAI começava a recorrer
aos bibliotecários, para chegar ao consenso com relação aos formatos e as regras.
Paralelamente a esses problemas, Madison (1999) defendia que o FRBR
seria uma ferramenta útil na possibilidade de acesso ampliado aos sistemas de
conteúdo. Dois anos antes, em 1997, ela apresentou, na 63ª. Conferência Geral da
IFLA, o relatório final do FRBR, um marco na catalogação contemporânea. De
acordo com Mey e Silveira (2009), o FRBR visava proporcionar um quadro
estruturado e definido para relacionar os dados catalográficos às necessidades dos
usuários.
Em 2005, a Comissão Executiva Conjunta 10 do AACR abandonou o projeto de
lançamento do AACR3 e deu início ao RDA, instrumento que surgiu com o objetivo
de uniformizar as regras de catalogação, principalmente no que se refere às
publicações eletrônicas e à produção de regras mais simples e objetivas do que as
estabelecidas pelo AARC2. O RDA deu início às fases de testes na Biblioteca do
Congresso11 Americano, em 2013. Outra mudança importante na concepção do RDA
foi sua orientação à catalogação cooperativa, em sintonia com as teorias de Paul
Otlet e Henry La Fontaine, priorizando principalmente o CBU.

10
11

Tradução de: The Joint Steering Committee.
Tradução de: Library of Congress.

4

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

3 ADEQUAÇÃO DO DCMI ÀS NORMAS DO AACR2 NA ALMG
Buscando garantir uma estrutura consolidada, foi selecionado o software
Dspace para a administração da biblioteca digital. Para a descrição bibliográfica,
ficou decidido que seria adotado o AACR2, embora, em bases de dados de
bibliotecas digitais, pareça não existir essa preocupação com a padronização da
catalogação. O padrão de metadados escolhido foi o DCMI já disponível no
momento da instalação do Dspace. Contudo, para que as regras do AACR2
pudessem ser compatibilizadas com o DCMI, algumas adaptações foram propostas
ao padrão, de modo que o mesmo pudesse atender às regras para a descrição.
A primeira decisão tomada foi em relação aos pontos de acesso. Por padrão,
o Dspace permite o ponto de acesso por título, autor e assunto. Decidiu-se abolir a
diferença entre ponto de acesso principal e pontos de acesso secundários, visto que
o próprio formato DCMI já induzia essa ausência. A catalogação das publicações
digitais ficou condicionada, assim, a oito áreas de descrição, sem a preocupação de
criação de pontos de acesso.
Para a primeira área, a de título e indicação de responsabilidade, ficou
acertado o uso dos campos de título principal, título equivalente, título coletivo e
título alternativo. Para os títulos em outros idiomas, como ocorre em periódicos
científicos, foi criado um campo específico. A indicação de responsabilidade,
desmembrada da de título pela flexibilidade do formato, foi dividida por função na
obra. A área de detalhes específicos do material foi adotada apenas para a
identificação do tipo do material. A área de edição não foi contemplada no formato
DCMI e decidiu-se por criar o campo edição. Entende-se que, mesmo as
publicações eletrônicas, carecem de indicação de edição, tradição essa não apenas
das publicações impressas.
A área seguinte foi a de publicação e distribuição, na qual foram mantidos os
metadados do próprio DCMI para editora e data. Com relação à data, decidiu-se por
utilizar apenas a de publicação, uma vez que não seriam incluídos documentos não
publicados formalmente. Decidiu-se, também, incluir o local de publicação. A área de
descrição física não possui correspondente no DCMI e resolveu-se não fazer uso
dessa informação, entendendo que esses dados podem ser facilmente constatados
pelos usuários que terão o acesso direto ao documento. A área seguinte, série, não
5

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

sofreu acréscimo de novos elementos. Decidiu-se usar apenas dois qualificadores,
um para série e outro para relação com outros documentos.
A tabela, abaixo, resume as adaptações feitas para implantação da Biblioteca
Digital da ALMG, em relação às áreas da Descrição Bibliográfica Internacional
Normalizada12 (ISBD) e às áreas do AACR2.
Tabela 1 – Adaptação do AACR2 ao DCMI
Áreas das ISBDs

Campos do AACR2

Campos DCMI

Área de título e indicação de
responsabilidade

Título principal
Título equivalente
Título alternativo
Título uniforme
Indicação de
responsabilidade

dc.title
dc.title.equivalent
dc.title.translate
dc.title.alternative
dc.title.uniform
dc.contributor.advisor
dc.contributor.author
dc.contributor.compiler
dc.contributor.coordinator
dc.contributor.editor
dc.contributor.funder
dc.contributor.illustrator
dc.contributor.machine
dc.contributor.organization
dc.contributor.organizator
dc.contributor.other
dc.contributor.reviewer
dc.contributor.sponsor
dc.contributor.translater

Área de outros detalhes
específicos do material

Tipo

dc.type

Área de edição

Edição

Área de publicação e distribuição

Local
Editora
Data

dc.publisher.place
dc.publisher
dc.date.issued

Área de descrição física

Extensão
Dimensões
Material adicional

Não usado

Área de série

Série

dc.relation.ispartofseries
dc.relation.isformatof

Área de notas

Resumo
Sumário
Notas de Conteúdo
Resumo em língua
estrangeira

dc.description.abstract
dc.description.summary
dc.description.tableofcontents
dc.description.translated

Área de número normalizado

Número de ISBN
Número de ISSN
Outros números
normalizados

dc.identifier.isbn
dc.identifier.issn
dc.identifier.other

dc.edc.edition

Fonte: Elaborado pelos autores

12

Tradução de: International Standard Bibliographic Description.

6

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

A área de notas também não sofreu modificação, permanecendo os
elementos e qualificadores propostos pelo DCMI. A área de números normalizados
foi outra que não sofreu alteração. Entre os campos previstos para assunto no
DCMI, foi utilizado apenas o campo assunto principal: dc.subject.
Outros detalhes específicos do DCMI foram mantidos, como, por exemplo, a
língua das publicações, que, no AACR2, não é elemento da descrição. Sabe-se que
tais modificações podem ser apenas transitórias, pois é imperativo aguardar o
lançamento oficial do RDA e sua concretização como novo modelo de descrição
bibliográfica. Provavelmente, o próprio DCMI sofra alterações, mesmo sendo já
usado para a descrição de conteúdos de páginas Web e articulado com as
recomendações do FRBR. A principal ruptura com o AACR2 foi a opção por não
trabalhar com a noção de ponto de acesso principal e secundário, uma vez que o
Dspace alimenta os pontos de acesso título, assunto e autor, por meio da utilização
dos próprios campos da descrição.
4 ADEQUAÇÃO DO DSPACE AO DCMI
Durante o projeto de criação da Biblioteca Digital da ALMG, foi definido um
grupo interdisciplinar, composto por funcionários das áreas de biblioteconomia e
tecnologia da informação. Esse grupo analisou alguns softwares disponíveis no
mercado para o gerenciamento de repositórios digitais. A ALMG já utilizava o
sistema Pergamum para administração de sua biblioteca física. A ideia de utilizá-lo
foi levantada, entretanto, esse aplicativo tem a finalidade específica de trabalhar
como uma "biblioteca eletrônica", não possuindo características de gerenciamento
de uma biblioteca digital.
Foram, ainda, analisados os softwares Greenstone, o Sistema de Publicação
Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE) e o Dspace. O Dspace, software
desenvolvido em conjunto pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e pela
empresa Hewlett-Packard (HP), foi, então, escolhido por ser gratuito, possuir código
aberto e adotar padrões internacionais, além de ser amplamente utilizado em todo o
mundo, inclusive no Brasil. Essas características permitem economia de recursos e
maior possibilidade de integração com outras bibliotecas digitais. A ALMG foi

7

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

também influenciada pelo Senado Federal, outro órgão legislativo que já utilizava o
Dspace.
A ALMG preferiu adotar a interface eXtensible Markup Language User
Interface (XMLUI) do Dspace, também chamada Manakin, apesar da maioria das
bibliotecas digitais nacionais, à época, estarem utilizando a Java Server Pages User
Interface (JSPUI). O Manakin é amplamente customizável, introduz uma interface
modular baseada em camadas e permite configurações visuais distintas para cada
coleção. O XMLUI utiliza o termo “tema” para designar a camada na qual são
realizadas configurações visuais do software. Foi, então, desenvolvido um novo
tema, de nome ALMG, baseado no padrão “Reference” do Manakin. O tema ALMG
sofreu customizações para que seu layout ficasse alinhado aos padrões gráficos e à
identidade visual da ALMG. Para essa customização gráfica, houve a necessidade
de somar ao grupo profissionais da área de comunicação.
A alteração nos metadados do DCMI é bastante simples no Dspace, sendo
possível executá-la diretamente pela interface gráfica. Novos campos foram criados
para garantir a compatibilidade com o AACR2. Já a adaptação das telas para
submissão e visualização dos itens, demandou alteração em arquivos XML e XSL.
Apesar de não ser uma configuração mandatória, a ALMG preferiu adquirir um
registro no Corporation for National Research Initiatives 13 (CNRI). O Dspace usa o
handle, o sistema de identificação do CNRI, que faz a atribuição, gestão e resolução
de identificadores persistentes para cada item digital. O fluxo de submissão também
foi modificado. A ordem e a organização dos metadados na submissão dos itens
foram alteradas, de forma que os campos ficassem agrupados e ordenados de
acordo com a definição demonstrada na Tabela 1, com as áreas separadas em
páginas diferentes.
Apesar de não existirem indícios evidentes que o Dspace tenha suporte para
o DCAP, a ALMG conseguiu, através de customizações simples no software, criar
sua biblioteca digital com os novos metadados sugeridos ao DCMI, compatibilizados
com as regras do AACR2. De acordo com Chaudhri et al (2010), é possível que o
Dspace proporcione características de Entidade-Relacionamento mais sofisticadas
do que as necessárias para o DCAP. Para eles, esses novos sistemas de
repositórios e bibliotecas digitais mostram falta de interesse na execução dos
13

Para maiores informações, consultar: http://www.handle.net

8

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

DCAPs. Outro problema que eles apontam é o fato de que os benefícios que podem
ser derivados dos DCAPs não foram suficientemente demonstrados para justificar o
esforço de implementação pelos desenvolvedores.
De acordo com The DSpace Developer Team (2012, p. 23), não consta
nenhuma indicação de implementação do DCAP. Contudo, com a implementação do
RDA pela Biblioteca do Congresso americano o futuro das ferramentas que
garantem a catalogação atualmente está em suspenso. À medida que essas novas
tendências da catalogação se firmarem, provavelmente os formatos também
acompanharão essa tendência. Tanto o DCMI quanto o DCAP são ferramentas
importantes para uso internacional, de forma a garantir a catalogação na Web e a
criação de catálogos coletivos.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O relato abordou que a implementação da biblioteca digital obrigou inúmeras
tomadas de decisões. Entre elas, pode-se citar a utilização do AACR2, a adoção do
formato DCMI e a escolha do sistema Dspace. Essas decisões garantiram
dinamicidade à biblioteca digital, de modo a construir uma arquitetura preparada
para fornecer informação aos seus usuários, tal como permitiu a compatibilização
com as iniciativas internacionais de convergência, pré-requisito do CBU.
O artigo enfatizou as preocupações que levaram à escolha do software
Dspace como gerenciador das publicações digitais, considerando a economia de
recursos e a maior possibilidade de integração com outras bibliotecas digitais. Entre
suas características principais, estão o direcionamento para repositório institucional
de preservação a longo prazo e as funcionalidades de pesquisa, navegação,
customização e visualização dos metadados. A utilização do Dspace pelo Senado
também foi determinante para sua escolha.
Por fim, foi abordado o padrão de metadados DCMI, escolhido para compor a
Biblioteca Digital da ALMG. Como o DCMI foi desenvolvido para ser de simples
utilização, foi necessário um esforço de compatibilização com as regras do AACR2,
que geraram adaptações ao formato, principalmente a criação de novos campos. Foi
abordado, também, o acompanhamento atento ao esforço da DCMI pela adoção do
DCAP, de modo a eliminar as barreiras criadas pelas adaptações dos formatos e
9

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013.

permitir a customização dos mesmos, com o objetivo de melhor retratar as
especificidades de cada biblioteca e, ainda, não impossibilitar o CBU.
REFERÊNCIAS
CHAHBENDERIAN, E. ; MIGUEZ, L. Catalogación cooperativa en la Biblioteca de la
Universidad de San Andrés: la experiencia con OCLC y NACO. Encuentro Nacional
de Catalogadores, 2., 2009, Buenos Aires. Anais... Buenos Aires: Biblioteca
Nacional de la República Argentina, 2009. p. 1-16.
CHAUDHRI, T. Towards a Toolkit for Implementing Application Profiles.
Ariadne: Web Magazine for Information Professionals, Bath: UKOLN, n. 62, online,
jan. 2010. Disponível em: &lt; http://www.ariadne.ac.uk/issue62/chaudhri-et-al/&gt;.
Acesso em: 23 mar. 2013.
COYLE, K. ; BAKER, T. Guidelines for Dublin Core Application Profiles. 2009.
Disponível em: &lt;http://dublincore.org/documents/2009/05/18/profile-guidelines/&gt;.
Acesso em: 01 fev. 2013.
COYLE, K. ; HILLMANN, D. Resource Description and Access (RDA): cataloging
rules for the 20th Century. D-Lib Magazine, Virginia : Corporation for National
Research Initiatives, n. 1/2, v. 13, online, Jan./Feb. 2007.
GORMAN, M. The Concise Aacr2 1988 Revision. 2nd ed. Chicago: American
Library Association, 1989. 161 p.
MADISON, O. M. A. Utilizing the FRBR framework in designing user-focused digital
content and access systems, Library Resources and Technical Services, v. 50, n.
1, p. 10-15, Jan. 2006. Disponível em: &lt; http://works.bepress.com/olivia-madison/1&gt;.
Acesso em: 23 mar. 2013.
MEY, E. S. A. ; SILVEIRA, N. C. Catalogação no plural. Brasília, DF: Briquet de
Lemos / Livros, 2009. ix, 217 p.
THE DSPACE DEVELOPER TEAM. DSpace 3.x: documentation. 2012. Disponível
em: &lt;https://wiki.duraspace.org/display/DSDOC3x&gt;. Acesso em: 23 mar. 2013.
THOMAS, S. E. The Catalog as portal to the Internet. In: ____. Proceedings of the
Bicentennial Conference on Bibliographic Control for the New Millennium.
Washington: Library of Congress, Cataloging Distribution Service, 2001. 574 p.
Disponível em: &lt;http://www.loc.gov/catdir/bibcontrol/thomas_paper.html&gt;. Acesso
em: 27 fev. 2013.

10

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="8">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7176">
                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7177">
                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7178">
                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8556">
                <text>Florianópolis/SC</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27088">
              <text>Adequação do Dublin Core ao AACR2: o caso da Biblioteca Digital da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27089">
              <text>Paulo de Castro Gonçalves</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="27090">
              <text>Cristina Machado Leão</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="27091">
              <text>Márcia Milton Vianna</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27092">
              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27093">
              <text>FEBAB</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27094">
              <text>2013</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="27096">
              <text>A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais construiu sua biblioteca digital com o objetivo de garantir o acesso às informações sobre a atuação do legislativo mineiro. Para a implementação da biblioteca digital foi adotado o AACR2, o formato Dublin Core e o software Dspace. A primeira parte apresenta uma revisão de literatura que discute a adequação das iniciativas internacionais de estudo da adaptação do AACR2 ao formato Dublin Core, principalmente por meio da solução DCAP. Já a segunda parte trata da própria experiência da Biblioteca Digital da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na adequação do formato Dublin Core à descrição do AACR2. A terceira parte discorre sobre as customizações necessárias ao Dspace para receber os novos campos do Dublin Core. As considerações finais apresentam a preocupação de que as adaptações não impossibilitem o Controle Bibliográfico Universal, por meio do acompanhamento atento ao esforço de adoção do DCAP.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="66176">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="2">
      <name>cbbd2013</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
