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                  <text>Conectando: um estudo de caso do uso das mídias digitais sociais
pela Biblioteca de São Paulo

Soraia Herrador Costa Lima de Souza (SENAC e Estácio) - soraia.lima@gmail.com
Resumo:
Na Era da Informação, usuários e bibliotecas públicas tentam adaptar-se aos novos
paradigmas. Este trabalho aborda o uso das mídias digitais sociais como ferramenta para
promover o engajamento e o aumento de visitação nos ambientes físicos das bibliotecas
públicas. Para tanto, foi realizado um estudo de caso que teve como objeto a Biblioteca de São
Paulo. Por meio de ferramentas específicas de métricas na Internet e de entrevistas, foi
analisado o impacto da utilização das mídias sociais digitais no número de visitantes de sua
unidade física e de seu site.
Palavras-chave: Bibliotecas públicas. Mídias sociais; usuários.
Área temática: Bibliotecas Públicas

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil,, 07 a 10 de julho de 2013

Conectando: um estudo de caso do uso das mídias digitais sociais pela
Biblioteca de São Paulo
Resumo: Na Era da Informação, usuários e bibliotecas públicas tentam adaptar-se
aos novos paradigmas. Este trabalho aborda o uso das mídias digitais sociais como
ferramenta para promover o engajamento e o aumento de visitação nos ambientes
físicos das bibliotecas públicas. Para tanto, foi realizado um estudo de caso que teve
como objeto a Biblioteca de São Paulo. Por meio de ferramentas específicas de
métricas na Internet e de entrevistas, foi analisado o impacto da utilização das
mídias sociais digitais no número de visitantes de sua unidade física e de seu site.
Palavras-chave: Bibliotecas públicas. Mídias sociais; usuários.
Área temática: Temática IV: Bibliotecas Públicas
1. Introdução
De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online, o número de
brasileiros com acesso à Internet foi de 83,4 milhões no segundo trimestre de 2012.
Além disso, o Brasil é o segundo no mundo em número de usuários no Facebook,
atrás apenas dos Estados Unidos.
Percebe-se, assim, que a Internet e as mídias sociais estão se popularizando
cada vez mais no País. No entanto, essa popularização não está restrita aos
usuários comuns. Pessoas jurídicas e outros tipos de instituições já perceberam as
possibilidades proporcionadas pelo ambiente virtual e começaram a usar ambos em
seu cotidiano.
As Bibliotecas Públicas não escaparam dessa realidade. Reflexo muitas
vezes do que acontece na sociedade, essas bibliotecas devem se adaptar aos
novos tempos, nos quais os visitantes vão além das unidades físicas. Apoiando-se
no ambiente virtual e, adotando nele a denominação usuário, eles percorrem os
diversos caminhos oferecidos pela Internet, indo além do mero recebimento de
informações. Atualmente, eles também produzem conteúdo, o que lança outro
desafio a quem lida com a Ciência da Informação: o papel de curador de um
ambiente em fase contínua de desenvolvimento.
Assim, é preciso entender os diferentes aspectos que compõem atualmente a
realidade das Bibliotecas Públicas para verificar qual é o melhor caminho para o uso
das mídias digitais sociais por essas instituições.
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2. Materiais e métodos
Com o intuito de compreender como as mídias digitais sociais podem ser e
estão sendo adotadas pelas bibliotecas públicas, optou-se por um estudo de caso
sobre o uso destas mídias (bem como de algumas de suas ferramentas, tais como
as redes sociais) para verificar como tais redes de relacionamento e comunicação
estão sendo utilizadas no cotidiano dessas instituições.
A instituição selecionada foi a Biblioteca de São Paulo, com base em dois
critérios: localização geográfica (capital paulista) e pelo número de recursos digitais
que ela utiliza, tais como e-mails, página eletrônica e contas em redes sociais
diversas. Além do acompanhamento desses recursos e de visitas ao ambiente físico
da biblioteca durante os meses de agosto e setembro de 2012, foi percebida a
necessidade de compreender os critérios que nortearam as escolhas das mídias
sociais digitais e do planejamento estratégico de comunicação com o usuário.
Assim, a pesquisa também envolveu uma entrevista realizada por e-mail com
a analista de Internet e Redes Sociais da instituição, Denise Trolezi, em 28 de
setembro de 2012. A analista apresentou as métricas detectadas no site da
instituição durante o período de agosto de 2011 a setembro de 2012 por meio da
ferramenta Google Analytics, as quais ajudaram a perceber as características das
inserções de conteúdo feitas nessas mídias digitais.
Em paralelo, também foi adotado como procedimento metodológico a
elaboração e aplicação de um questionário para a realização de uma pesquisa
quantitativa sobre o assunto em questão: o uso de mídias digitais sociais em
bibliotecas públicas. Em seu descritivo, o documento era apresentado da seguinte
forma: “O intuito desta pesquisa é verificar de que maneira o uso das redes sociais
colabora para a presença física de pessoas em bibliotecas”.
O questionário foi formulado utilizando como ferramenta online o Google Docs
e enviado tanto por correio eletrônico e como pela rede social Facebook para 200
pessoas. Não era necessária a identificação dos respondentes. Foram elaboradas
14 perguntas, sendo 13 de múltipla escolha e apenas uma dissertativa, as quais são
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mencionadas abaixo:
a) Qual é a sua idade?
b) Gênero?
c) Qual é o seu grau de escolaridade?
d) Com que frequência você vai a bibliotecas?
e) Que tipos de bibliotecas você frequenta?
f) Você utiliza bibliotecas virtuais para fazer suas pesquisas?
g) Além de livros tradicionais, quais são as outras fontes de informação que
utiliza?
h) O uso de mídias digitais (Twitter, Facebook, Orkut etc.) é um bom recurso
para aumentar a frequência física de usuários?
i) Em sua opinião, quais seriam as mídias sociais digitais (Facebook, Twitter,
Orkut etc.) mais indicadas para promover ações para aumentar a frequência física
dos usuários nessas instituições?
j) Que tipo de ações seriam interessantes para engajar o usuário de modo a
aumentar sua presença nas bibliotecas?
k) Você conhece pessoalmente a Biblioteca de São Paulo?
l)

Você

conhece

a

página

eletrônica

da

Biblioteca

e

São

Paulo

(www.bibliotecadesaopaulo.org.br)?
m) A Biblioteca de São Paulo já possui contas em algumas mídias sociais,
como Facebook, Twitter e Flickr. Você já viu/participou de alguma dessas contas da
Biblioteca de São Paulo?
n) Além de contas nas mídias sociais Facebook, Twitter e Flickr, em quais
outras mídias você acha que a Biblioteca de São Paulo deveria ter conta? Justifique
a sua resposta.
O questionário ficou disponível no Google Docs de novembro de 2012 a
janeiro de 2013 e teve um total de 73 respondentes, ou seja, 36,5% da amostragem
total.
A entrevista, somada às informações obtidas pelas métricas das mídias
digitais e aos dados conseguidos por meio dos questionários, forneceu a base
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prática necessária para que houvesse uma melhor percepção dos procedimentos
comunicacionais da Biblioteca de São Paulo. E, em seguida, tal base foi analisada
tendo como parâmetro o embasamento teórico mencionado nos próximos
subtópicos.
2.1. Bibliotecas públicas
As novas tecnologias em paralelo à popularização do ambiente virtual
ampliaram a ideia de biblioteca. Segundo Ferreira (1999), se antes as bibliotecas
eram concebidas como um local onde poderiam ser guardados livros, atualmente o
conceito vai além, de modo a suprir demandas sociais e culturais específicas do
século XXI.
Tais demandas já haviam sido identificadas antes mesmo do entrar de um
novo século. Em 1994, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (UNESCO), em cooperação com a Federação Internacional das
Associações de Bibliotecários e de Bibliotecas (IFLA), elaborou um manifesto sobre
a Biblioteca Pública, o qual define a Biblioteca Pública como um lugar de informação
que permite o acesso ao conhecimento e à informação de todos os gêneros. O
documento ainda ressalta as missões das Bibliotecas Públicas, a saber:
criar e fortalecer hábitos de leitura nas crianças,
desde a primeira infância; apoiar a educação
individual e a autoformação, assim como a educação
formal a todos os níveis; oferecer possibilidades de
um criativo desenvolvimento pessoal; estimular a
imaginação e criatividade das crianças e jovens;
promover o conhecimento sobre a herança cultural, o
apreço pelas artes e pelas realizações e inovações
científicas; facilitar o acesso às diferentes formas de
expressão cultural das manifestações artísticas;
fomentar o diálogo intercultural e, em especial, a
diversidade cultural; apoiar a tradição oral; assegurar
o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação
à comunidade; proporcionar serviços de informação
adequados às empresas locais, associações e grupos
de interesse; facilitar o desenvolvimento da
capacidade de utilizar a informação e a informática;
apoiar, participar e, se necessário, criar programas e
atividades de alfabetização para os diferentes grupos
éticos. (Manifesto da Biblioteca Pública, UNESCO,
1994).

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O Manifesto vem para mostrar parâmetros sobre princípios que devem
nortear as ações das bibliotecas públicas em todo o mundo, inclusive no Brasil. Ele
serve como uma bússola, mostrando o caminho ideal a ser percorrido por essas
instituições. E nesse percurso, surgem ferramentas facilitadoras para a promoção
desses ideais propostos. O ambiente virtual é um dos facilitadores mencionados, o
que proporciona não apenas a consolidação dos conceitos apresentados no
Manifesto, como também para ajudar na fomentação da Biblioteca 2.0.
São muitas as teorias que definem o que vem a ser uma Biblioteca 2.0, mas,
a princípio, pode-se afirmar que ela possui pelo menos quatro elementos essenciais:
é centrada no usuário; oferece experiências multimídias, é socialmente rica e é
comunitariamente inovadora (MANESS, 2007, p. 48). Tais elementos ajudam a
caracterizar a Biblioteca 2.0 e, em paralelo, colaboram com a consolidação dos
parâmetros propostos pelo Manifesto. E como o ser humano é um dos principais
pontos apontados pelo Manifesto e também na Biblioteca 2.0, é importante entender
a questão do usuário neste contexto.
2.2. A questão do usuário
Nesse novo ambiente, o virtual, as denominações emissor-receptor cedem
espaço ao conceito de usuário, através do qual ele é o sujeito da ação e reação das
informações transmitidas. Vale lembrar que na primeira fase da Internet comercial,
nas décadas de 1980 e 1990, o ciberespaço ainda era algo restrito a poucas
pessoas. A interatividade estava limitada ao conceito de navegabilidade e de escolha
dos conteúdos, ou seja, ficava restrita à leitura não linear que os hipertextos1
proporcionavam nos seus hiperlinks. Os usuários, bem como os arquitetos de

1

5

O conceito de hipertexto, segundo Primo e Recuero (2005), já faz parte da sociedade há muitos
anos e pode ser classificado pelo conceito de gerações. A primeira geração está intrinsecamente
ligada ao ambiente impresso e pode ser exemplificada com as enciclopédias. A segunda geração,
por sua vez, é representada pelos sites fechados que não permitem a interação direta do público,
no sentido de este último poder interferir no conteúdo. A terceira geração é aquela em que os
usuários interagem com o conteúdo de forma plena e tem como principal ícone os hipertextos
cooperativos, como os weblogs e sites que utilizam a linguagem Wiki.

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informação e projeto, ainda tentavam entender como este universo que era o
ciberespaço2 poderia ser explorado.
A desterritorialidade típica do ambiente virtual e amplamente descrita por Lévy
(1999) ajudou a quebrar paradigmas. Os usuários interagem cada vez mais e não
querem mais apenas receber informações. Querem produzir conteúdos, querem
participar, querem ter o poder de escolha.
A Web 2.03 veio justamente para aumentar a capacidade dos usuários de
interagir com o ciberespaço. É a partir desse novo conceito que eles escolhem a
forma como vão conduzir a navegabilidade, interferem de forma ainda mais direta
em textos, imagens e no projeto de páginas. Isso porque, nesta nova etapa da Era
da Informação, o participar é tão (ou mais) importante quanto o fazer.
Os hipertextos sempre foram ferramentas que, ao contrário dos textos
lineares, permitiam aos leitores uma maior facilidade em termos de desconstrução
textual para uma construção de sentido. Isso significa que, enquanto em textos
lineares os leitores têm que seguir a linha de raciocínio proposta pelo autor para que
seja entendido mais próximo quanto possível da ideia central do texto elaborado, no
hipertexto a não linearidade permite que o autor proponha uma variedade de
fragmentos de informação e caminhos a serem trilhados, passando ao leitor a
responsabilidade não apenas de construção do sentido, mas também de construção
textual, uma vez que, ao escolher a forma como quer interagir com o texto, esse
mesmo leitor pode ser caracterizado como um coautor. (ECO, 2002)
Tal processo de construção e desconstrução tanto textual quanto de sentido já
pode ser realizado logo na segunda geração de hipertextos. A diferença é que, na
terceira geração, essa prática é algo possível e fundamental para que a cooperação
entre os usuários aconteça. Inicialmente a linguagem Wiki e dos weblogs, foi a
principal ferramenta para os usuários explorarem os hipertextos cooperativos. No
entanto, a partir do final da década de 1990, começa a popularização das
denominadas mídias sociais.

22

Para Lévy (1999), ciberespaço é o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos
computadores e das memórias dos computadores.
3
A Web 2.0 é um termo que surgiu por meio de uma série de conferências realizadas a partir de
outubro de 2004, pela O’Reilly Media e pela MediaLive International e remetia ao conceito comum em
informática quando algo tema a sua versão atualizada.

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2.3. Mídias sociais
Os veículos impressos (jornais e revistas), o rádio e a televisão ficaram
caracterizados como mídias que promoviam uma interação um para muitos, ou seja,
a mensagem era transmitida, mas em raras ocasiões aquele que recebia a
mensagem podia interagir com o conteúdo emitido, e principalmente em tempo real.
Tratava-se de uma via de mão única.
O advento da Internet e a popularização das tecnologias digitais (sobretudo
dos computadores) criaram o ambiente ideal para o desenvolvimento e surgimento
de novas mídias, as quais têm mudado a forma como as mídias tradicionais
abordam seu conteúdo e como elas devem responder a essas inovações em termos
de estrutura e conteúdo. (STRAUBHAAR, LAROSE e DAVENPORT, 2010)
É uma nova era, na qual veículos analógicos e digitais têm que adaptar seus
formatos se quiserem sobreviver. Um dos meios encontrados pela mídia para
superar esse desafio foi o que Jenkins (2008) denominou como convergência
tecnológica, que inclui distribuição de conteúdos em plataformas múltiplas,
cooperação entre mercados midiáticos diferentes, bem como movimento migratório
entre os meios de comunicação.
A convergência tecnológica não aconteceu de maneira instantânea. Ela foi um
reflexo da sociedade atual, a qual, de acordo com Castells (2002), é a sociedade em
rede, em que expressões culturais são mediadas por redes eletrônicas, as quais
interagem com (e por meio do) público através de diferentes códigos e valores, os
quais estão inclusos em hipertextos digitais e audiovisuais.
Ademais, como mencionado, o público não é mais o mesmo. Ele interage,
comenta, toca. Para atender esse novo público, a mídia teve que desenvolver
veículos especiais que pudessem fornecer a informação que eles precisassem a
qualquer momento, em qualquer lugar.
Os veículos digitais foram um dos instrumentos encontrados para suprir essa
demanda. Kolodzy (2006) explica que a mídia digital é capaz de suprir as
necessidades da sociedade digital porque pode fornecer informação de maneira
rápida e em qualquer lugar que o usuário queira. Este fenômeno tecnológico pode
ser explicado pela teoria do hiperciclo, elaborado por Gartner Inc. (1995), que é uma
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representação gráfica da maturidade, adoção e aplicação social de uma tecnologia
específica, cujas fases podem ser explicadas da seguinte forma: na primeira, que
pode ser descrita como gatilho tecnológico (Technology Trigger), algo estimula a
atenção do mercado e da mídia; isso pode ser um produto, por exemplo. Na
seguinte, denominada pico das expectativas infladas (Peak of inflated expectations),
a publicidade cria muita expectativa e entusiasmo sobre a tecnologia, mas ainda há
alguns problemas com ela. A fase posterior, que, em tradução livre, é o processo de
desilusão, acontece quando a mídia para de olhar com tanta empolgação para a
tecnologia e ela torna-se comum. A fase denominada processo de esclarecimento
(Trough enlightenment) é quando alguns negócios começam para testar a tecnologia
com o propósito de entendê-la e desenvolver produtos ligados a ela. A última,
conhecida como platô de produtividade (Plateau of productivity), acontece quando a
tecnologia evolui e estabiliza.
Todavia, a mídia não precisa ser apenas digital para que essa cooperação,
essa interação aconteça. Ela deve ser antes de tudo, uma mídia social, uma vez que
este tipo de mídia “está finalmente tornando pública a informação, oferecendo-a
para quem quiser acessar, consumir, manipular e distribuir do jeito que bem
entender”. (ASSIS, 2009, p. 13)
Ainda segundo Assis (2009), a mídia social é colaborativa, sob demanda e
convergente, o que faz com que o digital e o social caminhem juntos. No entanto,
tamanho poder de interação proporcionado por essas mídias pode levar a um
problema de excesso de informações, uma vez que se torna preciso uma seleção do
que é ou não relevante aos usuários, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Sob
esse aspecto, entra em evidência o papel da Ciência da Informação como forma de
fornecer o embasamento necessário para um conceito fundamental na Era da
Informação: a curadoria.
3. Resultados finais
Com o objetivo de observar na prática como os conceitos de Biblioteca
Pública, Biblioteca 2.0, usuário, mídias sociais e curadoria são aplicados, foi feito um
estudo de caso utilizando-se a Biblioteca de São Paulo como objeto analisado. Além
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do embasamento teórico, foi usado como procedimento metodológico uma entrevista
feita por meio de e-mail em setembro de 2012 com a analista de Internet e Redes
Sociais da instituição, Denise Trolezi, e também foi elaborado e aplicado um
questionário, o qual foi enviado para 200 pessoas por meio da mídia social
Facebook e por correio eletrônico, entre os meses de novembro de 2012 e janeiro
de 2013.
A Biblioteca de São Paulo (BSP) está localizada na zona norte da capital
paulista. Ela foi inaugurada em oito de fevereiro de 2010 pela Secretaria de Estado
da Cultura e tem ações específicas voltadas para o público infantil, juvenil e adulto.
Entre os destaques da instituição estão seu acervo digital, composto por acessos a
diferentes bibliotecas virtuais e por links para o download de livros, bem como a
disponibilização de 90 computadores com acesso gratuito do usuário à Internet, e
artigos multimídia, como DVDs. O quadro 1 mostra o perfil da BSP em 2011:
Quadro 1 – A Biblioteca de São Paulo em números

Frequência de sócios

321.083

Aquisições

2.250

Obras do acervo

32.404

Atividades e oficinas realizadas (abril 603
a dezembro de 2011)
Sócios

40.497

Empréstimos

81.743

Fonte: Biblioteca de São Paulo. Disponível em: &lt;http://www.bibliotecadesaopaulo.org.br&gt;. Acesso em:
12 dez. 2012)

Os números mostram que há interesse por parte dos cidadãos paulistas em
usufruir do espaço para adquirir conhecimento. Ademais, as ações realizadas pela
BSP denotam uma preocupação com o público e a comunidade, atendendo aos
parâmetros apresentados pelo Manifesto da Biblioteca Pública da UNESCO. No
entanto, ela não investe apenas em ações no ambiente físico da biblioteca. A
Biblioteca de São Paulo percebeu no ambiente virtual uma oportunidade de expandir
sua área de atuação, e, assim, ampliar o acesso ao conhecimento, bem como
disseminar ações que já estavam dando certo no ambiente físico. Assim, para
atender a essa nova demanda e para permitir comentários e interação com mídias
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sociais, o antigo site da BSP foi reestruturado, sendo que a versão atual está no ar
desde agosto de 2011, como explica Denise Trolezi.
A proposta do site era proporcionar uma experiência
online tão agradável quanto a presencial no espaço
físico da biblioteca: claro, colorido, aconchegante,
contemporâneo. A atualização é frequente, com média
de três posts diários. A linguagem é coloquial, como
nas redes sociais; na primeira pessoa quando o texto
é assinado ou assumindo que a biblioteca é o autor.
Os conteúdos e fotos têm como focos o sócio, o
visitante, o livro, a equipe, entre outros. A utilização da
plataforma WordPress, que possui uma interface
agradável e fácil de editar, está sintonizada com a
política da biblioteca de facilitar o acesso às leituras e
tecnologias. Foram planejadas oficinas e vivências
para criar, gerir e administrar blogs, de forma a
estimular o compartilhamento de conteúdos e
aumentar a interação entre BSP, sócios e visitantes. 4

Tais mudanças na página eletrônica da instituição inseriram a Biblioteca de
São Paulo no perfil esperado pela Biblioteca 2.0, a qual é centralizada no usuário. A
atualização é frequente, com uma média de três postagens diárias. Ademais, o novo
site apresenta uma boa média de visitação, com 1.383 acessos diários e 42.184
visitas mensais5, sendo que as áreas mais acessadas da página são a home
(responsável por 48,78% do total), catálogo (9,80%), programação (4,82%) e BSP e
você (1,79%), o que mostra a vontade do usuário em interagir e pesquisar por conta
própria as informações que necessita6.
Além do acesso direto à página, outro aspecto interessante é que muitos
usuários tomam conhecimento do site da BSP por meio de diferentes sites ou blogs.
Entre as fontes de referência mais utilizadas de acordo com o Google Analytics
estão

Livros

e

afins

(https://livroseafins.com),

(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada),
(http://www.brainstorm9.com.br),
Superinteressante
4
5

6

10

Update

Ilustrada
Brainstorm9

or

Die

(http://super.abril.com.br),

(http://www.updateordie.com),
Catraca

Livre

Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012.
Números fornecidos por Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012. Os
dados foram obtidos por meio da ferramenta gratuita Google Analytics entre agosto de 2011 e
setembro de 2012.
Números fornecidos por Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012. Os
dados foram obtidos por meio da ferramenta gratuita Google Analytics.

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(http://catracalivre.folha.uol.com.br), Revista Cult (http://revistacult.uol.com.br/home),
Não me culpem pelo aspecto sinistro (http://www.almirdefreitas.com.br/blog). Esse
tipo de ação ajuda não apenas na divulgação da página, como também no
ranqueamento da mesma nos buscadores, sobretudo no Google.
Todavia, a atualização do site não foi a única mudança. A criação de contas
em mídias sociais foi outra estratégia adotada em agosto de 2011, como explica
Denise Trolezi.
Além de garantir mais meios de divulgação dos
programas da biblioteca e de levar mais visitantes ao
site, as redes sociais permitem estreitar o
relacionamento com os clientes (sócios, no caso da
biblioteca).
As redes sociais funcionam como canais de
atendimento ao cliente. É o SAC 2.0. É muito mais
provável que os sócios entrem em contato por meio
dessas redes do que por meio de comentários no site
ou de preenchimento de formulário de contato, por
exemplo7.

Assim, foram criadas contas nas redes sociais Facebook, Twitter, YouTube,
Flickr e Pinterest, e, conforme pôde ser percebido pela entrevista, procura-se mais
prestar serviços de curadoria e de atendimento do que necessariamente fomentar o
conhecimento de uma forma direta. Ademais, explica o fato que essas mesmas
mídias sociais acarretaram em um aumento mínimo de visitação no site, uma vez
que o Facebook e o Twitter geram por volta de 1.300 visitas por mês 8.
Verifica-se, dessa maneira, o uso das mídias sociais como uma isca, um
atrativo para que o usuário procure saber mais sobre o site da instituição ou até
mesmo sobre a unidade física da Biblioteca de São Paulo.
Ciente de que nem todos estão habilitados ou têm
tempo para digerir textos densos, a ideia do
compartilhamento do conhecimento da BSP está
baseada na ideia de “pílulas”, que instiguem o usuário
a buscar mais informações sobre determinada obra ou
autor. (…) Seguindo esse raciocínio, procura-se
sempre publicar trechos de obras ou poemas como
iscas para atrair leitores. Na maior parte das vezes,
7
8

11

Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012.
Número fornecido por Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012. Os
dados foram obtidos por meio da ferramenta gratuita Google Analytics entre agosto de 2011 e
setembro de 2012.

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esse tipo de publicação está relacionado a atividades
com autores realizadas na biblioteca ou associado a
datas que marcam o nascimento ou morte de
escritores9.

4. Considerações finais
Na Era da Informação, a produção de conteúdo não está limitada aos polos
tradicionais de produção e disseminação de informação e conhecimento. Qualquer
usuário munido de um dispositivo com acesso à Internet e uma conta em uma mídia
digital social pode receber e divulgar informações.
Essa mudança não está restrita ao ambiente doméstico. Diversas instituições
já estão atentando para o perfil estabelecido pela Web 2.0 e tentam adequar-se a tal
realidade. É o caso das bibliotecas públicas, que não apenas devem procurar seguir
os parâmetros propostos pelo Manifesto da Biblioteca Pública da UNESCO, bem
como buscam adaptar-se ao conceito da Biblioteca 2.0.
Em meio a tantas características novas, as bibliotecas públicas tentam
desenvolver estratégias adequadas para o uso das mídias sociais. É o caso da
Biblioteca de São Paulo, que reestruturou seu site e criou contas em diferentes
redes sociais para divulgar seus serviços e esclarecer dúvidas de seus
usuários/sócios. Embora não tenha apresentado em termos numéricos grandes
alterações em termos de visitação da página e da própria unidade física da
instituição, a medida adotada pelos responsáveis pela ação vai ao encontro de uma
pesquisa elaborada pela autora, corroborando a estratégia escolhida.
Ao todo foram 73 respondentes, os quais não precisaram se identificar, sendo
a maioria (63%) do sexo feminino. Grande parte possuía nível de escolaridade
elevado, uma vez que 45% eram estudantes de pós-graduação, 27% tinham curso
superior completo, 16% possuíam pós-graduação completa e 11% ainda estão
cursando o ensino superior. Esse nível, no entanto, não reflete na frequência com
que eles vão até uma biblioteca física; a maioria deles (38%) respondeu não usar
este tipo de biblioteca para obter informações. Ainda segundo a pesquisa, a baixa
frequência não é privilégio do ambiente físico, já que 64% dos inquiridos afirmaram
não utilizar bibliotecas virtuais para seus estudos.
9

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Denise Trolezi em entrevista à autora em 28 de setembro de 2012.

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Embora esses dados mostrem que as bibliotecas não fazem parte do
cotidiano de pesquisa dos inquiridos, eles revelaram que as ações adotadas pela
equipe responsável pelo ambiente virtual da BSP seriam as mesmas que eles
escolheriam, ou seja, as mídias sociais funcionando não necessariamente como
uma ferramenta de divulgação de conhecimento, mas sim de consolidação dos
serviços oferecidos pelas unidades físicas das bibliotecas públicas.
Mesmo sendo essas ações que permeiam o senso comum, as mídias digitais
sociais vêm para fomentar ainda mais a produção e disseminação de conhecimento,
e interação, fortalecendo redes sociais, sejam elas físicas ou virtuais. Utilizar essas
mídias como mera plataforma de divulgação limita seu campo de ação e impede que
elas colaborem, inclusive, como forma de curadoria em tempos de excesso de
informação. É preciso explorar melhor o potencial dessas ferramentas para que
usuário e bibliotecas públicas possam aproveitar os recursos disponíveis no
ambiente virtual.
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              <text>Conectando: um estudo de caso do uso das mídias digitais sociais pela Biblioteca de São Paulo</text>
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              <text>Na Era da Informação, usuários e bibliotecas públicas tentam adaptar-se aos novos paradigmas. Este trabalho aborda o uso das mídias digitais sociais como ferramenta para promover o engajamento e o aumento de visitação nos ambientes físicos das bibliotecas públicas. Para tanto, foi realizado um estudo de caso que teve como objeto a Biblioteca de São Paulo. Por meio de ferramentas específicas de métricas na Internet e de entrevistas, foi analisado o impacto da utilização das mídias sociais digitais no número de visitantes de sua unidade física e de seu site.</text>
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