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                  <text>Bibliotecas temática da cidade de São Paulo
Beatriz Cristiane de Araújo (USP) - bca_araujo@yahoo.com.br
Resumo:
Artigo baseado no referencial teórico do trabalho de conclusão de curso defendido em 2012,
na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O artigo apresenta
conceitos de imagem e identidade da biblioteca pública com base principalmente em autores
da área de Biblioteconomia. Descreve o projeto Bibliotecas Temáticas da cidade de São Paulo.
Discute se as bibliotecas temáticas representam uma mudança na imagem e na identidade das
bibliotecas públicas paulistanas. Possui trechos das entrevistas realizadas com três
coordenadores que participaram do projeto de tematização das bibliotecas municipais
paulistanas: Marlon Florian (coordenador de Programação), Zenita Monteiro (coordenadora do
Sistema Municipal de Bibliotecas) e Durvalina Soares (coordenadora da biblioteca Viriato
Correa, temática em Literatura Fantástica). Conclui que as bibliotecas temáticas contribuíram
para a melhoria dos serviços prestados pelas bibliotecas municipais e com isso colaboram para
uma possível transformação na imagem e na identidade das bibliotecas públicas da cidade de
São Paulo.
Palavras-chave: Biblioteca pública. Biblioteca temática. Imagem da biblioteca pública.
Identidade da biblioteca pública. Imagem do bibliotecário.
Área temática: Bibliotecas Públicas

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�Bibliotecas temáticas da cidade de São Paulo: a questão da imagem e da
identidade das bibliotecas públicas

RESUMO: Artigo baseado no referencial teórico do trabalho de conclusão de curso
defendido em 2012, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo. O artigo apresenta conceitos de imagem e identidade da biblioteca pública com
base principalmente em autores da área de Biblioteconomia. Descreve o projeto
Bibliotecas Temáticas da cidade de São Paulo. Discute se as bibliotecas temáticas
representam uma mudança na imagem e na identidade das bibliotecas públicas
paulistanas. Possui trechos das entrevistas realizadas com três coordenadores que
participaram do projeto de tematização das bibliotecas municipais paulistanas: Marlon
Florian (coordenador de Programação), Zenita Monteiro (coordenadora do Sistema
Municipal de Bibliotecas) e Durvalina Soares (coordenadora da biblioteca Viriato
Correa, temática em Literatura Fantástica). Conclui que as bibliotecas temáticas
contribuíram para a melhoria dos serviços prestados pelas bibliotecas municipais e com
isso colaboram para uma possível transformação na imagem e na identidade das
bibliotecas públicas da cidade de São Paulo.
PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca pública. Biblioteca temática. Imagem da biblioteca
pública. Identidade da biblioteca pública. Imagem do bibliotecário.
ÁREA TEMÁTICA: Temática IV: Bibliotecas Públicas

1.

INTRODUÇÃO

A mudança de política para as bibliotecas públicas da cidade de São Paulo
transformou algumas bibliotecas públicas de acervo geral em bibliotecas temáticas, a
partir de 2006 quando foi inaugurada a biblioteca Alceu Amoroso Lima, temática em
Poesia. Neste sentido transformou-as em bibliotecas “especializadas”, mas mantendo
algumas características das bibliotecas públicas convencionais. Do ponto de vista
administrativo, as bibliotecas temáticas continuam sendo públicas, isto é, administradas
pelo poder público, abertas gratuitamente a todo cidadão e mantendo um acervo geral,
além do acervo temático. Isso as torna do ponto de vista conceitual, em biblioteca
“híbrida”.

�Antes da tematização, as bibliotecas públicas de São Paulo tinham acervo
padronizado, que abrangia principalmente assuntos do ensino médio para atender as
pesquisas dos escolares, deixando a biblioteca pública com características de biblioteca
escolar. Somente a parte do acervo em literatura era diversificada, transmitindo a
imagem de mero depósito de livros e não do espaço de convivência e exercício da
cidadania que a biblioteca pública idealmente é.
A biblioteca pública é ausente para grande parte da população brasileira.
Pesquisa feita em 2009, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que 21% dos
municípios brasileiros não têm bibliotecas públicas (FUNDAÇAO GETÚLIO VARGAS,
2009). No entanto, essa situação pode ser ainda mais grave se for considerado que não
há uma regra para estabelecer o que é biblioteca pública no Brasil, como acervo
mínimo, variedade documental ou serviços básicos que devem ser oferecidos
(MILANESI, 1986, p. 16). Desta forma, a biblioteca pública na realidade brasileira pode
assumir diversas faces para a população.
A opinião pública sobre as bibliotecas é divergente, por um lado reconhece-se a
importância social da instituição, mas ao mesmo tempo sem a ela dar a devida
assistência. A imagem de local paupérrimo, com livros velhos e serviços burocráticos,
não deixa transparecer no cotidiano o que ela é idealmente: um repositório de saberes
acumulados que pode responder e solucionar anseios e dúvidas.
Desta forma, as bibliotecas públicas, mesmo que tenham inegável importância
para o desenvolvimento da sociedade brasileira, ainda não conseguiram consolidar a
sua identidade como outros tipos de bibliotecas (biblioteca escolar, universitária, de
museu) e instituições (escolas, universidades, prefeitura), nem melhorar sua imagem
para atrair mais a atenção do público. Por isso, faz-se necessário um estudo sobre
estes aspectos: imagem e identidade da biblioteca pública, a partir da do projeto das
Bibliotecas Temáticas municipais de São Paulo. E a partir deste estudo elaborar de
estratégias

que

melhorem

a

relação

biblioteca

pública

versus

usuários/sociedade/opinião pública.
2.

IMAGEM DA BIBLIOTECA PÚBLICA: DE DEPÓSITO DE LIVROS A
INVISIBILIDADE SOCIAL

�Segundo Poyares, imagem é “(...) aquela representação simplificada que emerge
na mente, como síntese de uma ou várias sensações ou percepções” (POYARES,
1998, p. 87) e da “(...) coincidência de formas destas projeções, em diversos indivíduos,
resulta a imagem pública (POYARES, 1998, p.88). O autor explica que a imagem,
apesar de ser um produto da interação com o ambiente, é uma experiência sempre
individual; alega ele que a imagem individual não chega a falsificar deliberadamente o
ambiente externo, “(...) mas a experiência de um observador não coincide nunca,
íntegra e exatamente, com a de outro” (POYARES, 1998, p. 88).
Nesse sentido, a imagem pode ser entendida como uma composição
psicossocial, pois é construída tanto na interação com o ambiente (social) quanto nas
experiências anteriores do indivíduo (psicológica). E a formação da imagem pública é
resultado da projeção de elementos coincidentes nas percepções das imagens
individuais.
Para Bernardino e Suaiden a biblioteca pública constrói sua imagem
organizacional ao oferecer seus serviços e produtos, mas a imagem é formada
principalmente pela projeção destes sobre a comunidade atendida. A projeção dos
serviços e produtos da biblioteca pública para a comunidade, por sua vez, seria
resultado da auto-percepção da própria biblioteca e de sua estrutura tecnológica e
comercial (BERNARDINO, SUAIDEN, 2011, p.133). Segundo esses mesmos autores, a
imagem da biblioteca seria construída na mente do público pela sua percepção da
realidade e vivências anteriores. (BERNARDINO; SUAIDEN, 2011, p. 132)
A imagem da biblioteca pública afeta os serviços prestados, pois para Milanesi
“(...) um bom serviço de informação começa pela compreensão que a sociedade tem
dele” (MILANESI, 2002, p. 105). Para Bernardino e Suaiden, há uma oscilação na
imagem da biblioteca pública que varia entre favorável e desfavorável conforme a
situação. Mas por outro lado, os autores também reconhecem que, apesar das
limitações à biblioteca pública, esta tem valor socialmente, como instituição democrática
a serviço da informação e da cultura (BERNARDINO; SUAIDEN, 2011, p.139-140).
Sobre o problema do atendimento ao público, Russo aponta falta de qualificação

�dos atendentes e falta de padrões de atendimento. Para a autora há “(...) falta de
obediência aos padrões de trabalho e atendimento ao público, o que constitui uma das
razões dos maus serviços prestados à coletividade; falta de pessoal qualificado nas
bibliotecas.” (RUSSO, 1974, p.4). Desta forma, para Russo, a ausência de atendimento
adequado nas bibliotecas públicas é um fator que contribui negativamente para os
serviços prestados, para a imagem da biblioteca e do bibliotecário. Ainda que nem
sempre os atendentes sejam bibliotecários, quem está à frente do balcão da biblioteca
é normalmente entendido como tal pelos usuários e pela população em geral; portanto,
se o usuário é bem ou mal atendido, de ambas as formas a imagem do profissional
bibliotecário será afetada, positiva ou negativamente.
A imagem negativa das bibliotecas não é um fator isolado, que se restringe
somente a essa instituição, mas o estereótipo do profissional bibliotecário está
profundamente ligado à compreensão de biblioteca pública. Para Almeida Junior,
bibliotecário e biblioteca integram-se no mesmo estereótipo negativo. (ALMEIDA
JUNIOR, 1995, p. 2)
Almeida Junior realça ainda as más experiências que cercam o imaginário
popular e, infelizmente, também a realidade, desta vez sobre a biblioteca escolar como
local de clausura e castigo para o aluno. (ALMEIDA JUNIOR, 1992, p. 29)
Miranda atenta que as bibliotecas públicas têm a missão idealmente de ter uma
imagem marcante, singular e positiva na sociedade, mas que esta lamentavelmente não
é a opinião que o público tem dela, devido a vários fatores. Alguns destes fatores são
de responsabilidade da própria biblioteca que não sabe como “vender o seu produto” e
fixar a sua imagem, outros estão a cargo do Estado, que quase nunca oferece recursos
suficientes para promover melhorias na estrutura da biblioteca. (MIRANDA, 1978, p. 74)
A imagem da biblioteca pública ainda é marcada pela invisibilidade social, pela
sombra, perante outras instituições da municipalidade, bem como pela imagem
pejorativa de local paupérrimo e burocratizado, pela distorção como biblioteca escolar e
lugar infantilizado.
Quando a imagem da biblioteca é “positiva”, as descrições a sugerem quase
sempre como uma instituição cheia de sacralidade e elitismo, o que não era no princípio

�a função da biblioteca, pois a criação de bibliotecas visaria justamente promover o
contrário, a divulgação dos saberes e a popularização dos conhecimentos. Portanto, há
um hiato entre o que a biblioteca pública deveria ser e o que ela é na realidade.
3.

IDENTIDADE DA BIBLIOTECA PÚBLICA: A CRISE DE IDENTIDADE DA
BIBLIOTECA PÚBLICA DEVIDO À AUSÊNCIA DA BIBLIOTECA ESCOLAR

Segundo o dicionário de comunicação organizado por Ciro Marcondes Filho, o
conceito de identidade é mais bem definido como o conjunto de diferenças que
caracteriza algo ou alguém (MARCONDES FILHO, 2009, p. 174)
Milanesi considera que o uso indevido da biblioteca pública como biblioteca
escolar deixou seu papel confuso e sem uma definição clara, provocando uma crise de
identidade da biblioteca pública (MILANESI, 1986, p. 13).
Segundo os princípios e diretrizes para bibliotecas públicas, elaborada pela
Fundação Biblioteca Nacional as mesmas caracterizam-se por: 1) destinar-se a toda
coletividade, ao contrário das outras que têm funções mais específicas; 2) possuir todo
tipo de material, sem restrições de assuntos; 3) ser subvencionada pelo poder público,
seja federal, estadual ou municipal. (FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, 2000, p.
18).
Oliveira (1994) define quatro características imprescindíveis da biblioteca pública:
possuir público indistinto, atuar em espaço geográfico específico, ser mantida por
recursos públicos e ser uma instituição de uso não compulsório (OLIVEIRA, 1994, p.
13). A autora afirma que as ações do Governo foram insuficientes para despertar o
gosto pela leitura, bem como para integrar a biblioteca nas comunidades; isto, porque
as bibliotecas continuavam sendo utilizadas apenas para a distribuição de livros. Os
títulos distribuídos eram padronizados, pois constituíam principalmente livros didáticos e
literatura brasileira. A proposta de trabalho do Instituto Nacional do Livro relegava as
bibliotecas públicas ao papel apenas de repositório das publicações compradas, sem
pensar na mediação ou em como estes acervos chegariam aos diferentes contextos
brasileiros. (OLIVEIRA, 1994, p. 148)

�Pelo tipo de acervo que era distribuído às bibliotecas públicas – literatura
brasileira e livros didáticos de 1º e 2º graus – é possível perceber a imagem que faziam
dela os organismos governamentais: até mesmo nas instâncias estatais a biblioteca
pública era tratada como biblioteca escolar. Os livros deveriam chegar aos alunos, mas
como não havia bibliotecas escolares, as bibliotecas públicas faziam a função destas,
mesclando seus serviços, sua identidade e sua imagem. Porém, as bibliotecas públicas
acabavam perdendo suas características de atender a um público indistinto e de
instituição de uso não compulsório, uma vez que os estudantes eram usuários
claramente identificáveis e procuravam os serviços da biblioteca por exigência de
pesquisar como tarefa de casa.
Para Oliveira (1994) aconteceu nos anos 1970, a consolidação da biblioteca
pública como biblioteca escolar, com o estabelecimento da Lei 5692/71, que definia a
reforma no ensino e instituía a pesquisa como método obrigatório de ensino.
(OLIVEIRA, 1994, p. 107)
Milanesi afirma que a princípio o estabelecimento da pesquisa como tarefa
didática obrigatória seria benéfica para as bibliotecas públicas, pois esta justificaria a
necessidade da biblioteca na escola ou de mais investimentos para as bibliotecas
públicas. (MILANESI, 1986, p. 107)
Esperava-se que a Lei de reforma do ensino trouxesse benefícios para a
biblioteca pública, pois se aguardava investimentos para as bibliotecas públicas ou a
criação de bibliotecas escolares em número suficiente. Porém, não foi o que aconteceu:
as bibliotecas públicas continuaram relegadas de investimentos dos setores da
Educação, mesmo com a responsabilidade de atender aos escolares, e as bibliotecas
escolares continuaram inexistentes.
Ao tratar da qualidade dos serviços oferecidos aos estudantes em bibliotecas
públicas, Macedo constata que o atendimento aos estudantes é falho devido às
deficiências de estrutura das bibliotecas públicas, pois faltam funcionários para exercer
a mediação adequada com os estudantes e acervo apropriado, como também há falta
de envolvimento da biblioteca com a política pedagógica da escola, da qual a biblioteca
pública não faz parte no planejamento. (MACEDO, 1976, p. 161)

�As informações levantadas pela pesquisa da FGV em 2009 divulgaram que os
usuários ainda utilizam o acervo principalmente para a pesquisa escolar: 65% dos
usuários frequentam a biblioteca para pesquisa estudantil (FUNDAÇÃO GETÚLIO
VARGAS, 2009). Estes dados evidenciam a ausência de bibliotecas nas escolas, fato
que persiste como um obstáculo para as bibliotecas públicas brasileiras e também para
os setores da Educação.
Almeida Junior afirma que a rotina paulatina de atender usuários escolares
transformou o serviço que era para ser o cumprimento de obrigação em assimilação. A
biblioteca pública passou a ter uma identidade limitada ao que ela era no cotidiano,
atendia aos escolares, portanto era identificada como biblioteca escolar. O autor afirma
que como a grande maioria dos usuários das bibliotecas públicas exigia dela um tipo de
atuação e de acervo, seria desastroso não atender a este demanda, porque isso
causaria a extinção das mesmas, que ficariam ser ter como justificar o aporte de
verbas. (ALMEIDA JÚNIOR, 1992, p. 25)
O atendimento à demanda escolar abrigou as bibliotecas a reverem seus
serviços e sua política de aquisição. Houve uma crise de identidade da biblioteca
pública que se viu cumprindo funções de outro tipo de biblioteca, sendo suporte a
escolas, mas sem o contato com o plano político pedagógico, atendendo ao ensino
formal sem o respaldo dos órgãos de Educação e com acervo despreparado, o que
prejudicava a qualidade das pesquisas.
O atendimento escolar tornou-se um problema quando a biblioteca pública
passou a assumir essa responsabilidade sozinha, sem diálogo com as escolas e
professores para saber seus temas de ensino, sem o apoio financeiro dos órgãos de
Educação do Governo e com uma enorme quantidade de estudantes para atender. As
bibliotecas públicas se encontravam diante de uma situação-problema, que não
estavam preparadas para dar conta. As bibliotecas não contavam com acervo
adequado, nem pessoal suficientemente preparado para lidar com as pesquisas
escolares.
A Lei 5692 de 1971, que reforma o ensino no Brasil, previa a instituição da
pesquisa escolar como método obrigatório para o aprendizado. Essa Lei trouxe duas

�diferentes vertentes. Por um lado, esperava-se que com o maior uso das bibliotecas por
parte dos estudantes, as autoridades governamentais e a opinião pública em geral
dessem mais importância à atuação das bibliotecas públicas.
Por outro lado, houve um uso além das capacidades das bibliotecas públicas por
parte dos estudantes, o que sobrecarregou as bibliotecas, que tiveram que improvisar o
atendimento, sem suporte dos órgãos da Educação, contando quase sempre somente
com os já escassos recursos dos órgãos governamentais ligados à Cultura.
Os acervos deveriam ser voltados para a variedade de assuntos e gostos
presentes na comunidade, mas na prática só tinham utilidade se servissem para suprir
as necessidades de informação dos estudantes. Por terem que substituir as bibliotecas
escolares, não sobrou quase nenhum tempo ou recurso para o investimento em outros
públicos que não os estudantes. A biblioteca pública perdeu a condição de reflexão do
seu papel na sociedade, tendo que se mascarar de biblioteca escolar.
4.

BIBLIOTECAS TEMÁTICAS E O PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO DAS
BIBLIOTECS MUNICIPAIS DE SÃO PAULO

As bibliotecas temáticas são bibliotecas públicas que, além do acervo comum
a todas as unidades da rede, colocam à disposição da população um acervo específico
e oferecem uma ampla programação cultural sobre um determinado tema. A escolha é
feita de acordo com a história e a vocação de cada biblioteca. Para simplificar os
atributos das bibliotecas contempladas pelo projeto do SMB, abaixo está um quadro
que resume a história e as características das bibliotecas temáticas (ver quadro 1).
Entre 2006 e 2009 foram inauguradas oito bibliotecas, sendo Poesia, Cultura Popular,
Contos de Fada, Música, Cinema, Ciências, Literatura Fantástica e Meio Ambiente1.
Segundo Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de
Bibliotecas (SMB), as bibliotecas temáticas surgiram do projeto de requalificação das

1

BIBLIOTECAS
Temáticas
de
São
Paulo.
Disponível
em:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/programas_projetos/bibliotecas_tem
aticas/. Acesso em: 28 jul. 2012.

�bibliotecas públicas municipais. O projeto foi idealizado em 2005, pelo secretário
municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. A possível inspiração para as bibliotecas
temáticas são as bibliotecas especializadas francesas – bibliothéques spécilizés. Paris
conta com 58 bibliotecas municipais, dentre as quais 11 são especializadas 2. Porém, as
bibliotecas francesas diferem das brasileiras por possuírem exclusivamente o acervo
especializado. Já as bibliotecas paulistanas possuem duplo acervo, o temático e o
geral, comum a todas as demais bibliotecas.
Marlon Florian, coordenador de programação do SMB, e Zenita narram o
mesmo episódio que aconteceu na inauguração da Biblioteca Roberto Santos, temática
de cinema. A princípio, a tematização foi recebida com desconfiança e revolta pelos
usuários antigos. Diante das melhorias na biblioteca, alguns usuários pensaram que a
Prefeitura tivesse vendido o prédio, pois não acreditaram que ela pudesse ter ficado tão
bonita após a reforma tendo sido feita pela mesma. E em um segundo momento, a
revolta dos usuários foi com o acervo, pois acharam que com a tematização a coleção
passaria a ser exclusivamente sobre cinema. Os usuários precisaram ser esclarecidos
sobre o que significava a biblioteca temática em cinema, pois a população ganharia
mais um acervo e serviços com a tematização, sem perder os serviços anteriores.
Por esse episódio, é possível constatar que as bibliotecas municipais de São
Paulo, como afirmam vários autores citados (ALMEIDA JUNIOR, 1992; BERNARDINO
e SUAIDEN, 2011; LEMOS, 1979; MILANESI, 1986; MIRANDA,1978; RUSSO, 1973)
possuem uma imagem negativa perante o público, devido a anos de precariedade nos
serviços prestados. Pode-se verificar que, assim como o bibliotecário padece com a
imagem negativa de funcionário público, a biblioteca também é subestimada por ser
uma instituição pública e municipal.
Por causa desse episódio também, Marlon afirma que percebeu a confusão
que poderia acontecer se não houvesse cuidado com a divulgação correta do acervo e
serviços das bibliotecas temáticas e diz que ainda estão procurando uma forma de
deixar claro para o público a abrangência do acervo e serviços oferecidos das
2

BIBLIOTHÈQUES
Municipales
de
Prêt
et
http://bibliotheque.equipement.paris.fr/. Acesso em: 02. Jun. 2012.

Spécialisés.

Disponível

em:

�bibliotecas temáticas. Para ele as bibliotecas temáticas também tem um quê de centro
cultural, porque suas funções ultrapassam as funções de uma biblioteca pública
tradicional. E Durvalina Soares, coordenadora da biblioteca de Literatura Fantástica é
preciso pensar na biblioteca pública para o jovem do século XXI.
5.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A requalificação das bibliotecas públicas era a proposta principal do projeto de
tematização do SMB. Considera-se que este objetivo foi atingido, pois houve
investimentos para melhorias na estrutura física, acervo e nos recursos humanos. A
tematização trouxe mais qualidade no atendimento, nas ações culturais, no espaço
físico e nas coleções das bibliotecas inclusas no projeto.
Apesar de as bibliotecas temáticas não terem surgido com o intuito explicito de
mudar a imagem negativa das bibliotecas públicas paulistanas, a tematização teve
como consequência também a melhoria da imagem das bibliotecas municipais. Isso
pode ser notado pelo caso relatado por Marlon Florian e Zenita Monteiro, em que
usuários ficaram surpresos e até desconfiados com as bibliotecas tematizadas.
O projeto de tematização também não tinha o objetivo de resgatar a identidade
inerente da biblioteca pública, mas acredita-se a tematização oferece novos caminhos
para pensar o papel e os serviços da biblioteca no século XXI.
As bibliotecas temáticas têm como pontos fortes, para sua identidade como
instituição, o acervo temático, a ambientação singular e a programação cultural
especializada. Estes fatores facilitam, por exemplo, a promoção do espaço como centro
de convivência da comunidade.
A maior dificuldade constatada nas bibliotecas temáticas é que ainda não
conseguiram transmitir a mensagem ao público de que elas são bibliotecas híbridas,
sendo ao mesmo tempo a biblioteca pública clássica, com um acervo geral, mas
também um centro de referência temático, com um acervo especializado em uma área
da ciência ou da cultura.
Pelas informações obtidas chega-se a conclusão de que o projeto de

�requalificação elaborado pelo SMB foi positivo para a imagem e a identidade das
bibliotecas públicas da cidade de São Paulo. Porém, para que haja mudança na
imagem ainda negativa das bibliotecas é preciso continuidade dos investimentos
públicos, sem interrupção a cada novo mandato, pois as bibliotecas só poderão romper
com o estigma negativo quando de fato oferecerem continuamente serviços de
qualidade para a população. Ainda se fazem necessários também novos estudos para
avaliação e otimização das atividades desenvolvidas nas bibliotecas temáticas e na
rede de bibliotecas como um todo.
Conclui-se que as bibliotecas temáticas ajudam a imprimir uma imagem mais
marcante as unidades, pois lhes atribuem novas características, renovando suas
identidades como instituição cultural, além de deixar mais clara suas histórias de
identificação com os bairros de origem e com o público visado.

�Quadro 1 - Bibliotecas temáticas
Biblioteca (Tema)

Motivação para o tema

Atividades temáticas

Alceu Amoroso Lima
(Poesia)

Bairro ocupado por grande
população ligada a artes e a
música.

Apresentações musicais, encontros com escritores, exposições, leituras
dramáticas, oficinas de escrita e literatura, rodas de leitura e saraus.

Belmonte
(Cultura Popular)

Adjacência com região de
migrantes de várias regiões
do Brasil.

Apresentações musicais, teatrais e de dança, cursos, debates, exposições,
lançamentos de livros, oficinas, palestras, rodas de leitura,saraus.

Hans Christian
Andersen
(Contos de Fadas)

Já desenvolvia atividades
voltadas ao público infantojuvenil.

Contação de histórias, visita monitorada para grupos escolares e curso para
formação contadores de história.

Cassiano Ricardo
(Música)

[Não encontrado]

Cursos de linguagem e expressão musical, shows de música popular.

Roberto Santos
(Cinema)

Existência do Cineclube 16
mm.

Seções de filmes para crianças e adultos. Mostra temáticas de filmes.
Cursos de cinema Encontros com Literatura no Cinema. . Encontros no
cinema. Cineclub16mm.

Mário Schenberg
(Ciências)

Proximidade com a Estação
Ciências.

Exposições do acervo temático, aulas de xadrez, oficinas de ciências,
apresentações teatrais sobre ciências, palestras e encontros com autores de
áreas científicas e exibição de filmes e documentários sobre ciências.

Viriato Corrêa
(Literatura
Fantástica)

A biblioteca era ponto de
encontro de jogadores de
RPG.

Mostra de filmes, palestras, encontros com autor, contação de histórias,
apresentações, teatro, jogos de RPG. Fantástica Jornada Noite Adentro.
Fantasticon e Sessão CineFantasy.

Raul Bopp
(Meio Ambiente)

Biblioteca localizada dentro
de parque ambiental da
Aclimação.

Debates. Encontros. Exibição de documentários. Oficinas, exposições.
Semana temática do meio ambiente.

�6.

REFERÊNCIAS

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confrontos. São Paulo: ECA / USP, 1992. Dissertação (Mestrado) – Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1992.
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BIBLIOTECAS
Temáticas
de
São
Paulo.
Disponível
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http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/programas_projeto
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BIBLIOTHÈQUES Municipales de Prêt
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Disponível

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Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento de Processos Técnicos, 2000.
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Disponível em: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2010/05/microsoftpowerpoint-fgv-ap-minc-completa79.pdf. Acesso em: 11 jun. 2012.
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MACEDO, Neusa Dias de. Biblioteca pública: re-exame de seus objetivos e o
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MARCONDES FILHO, Ciro (org.). Dicionário da comunicação. São Paulo: Paulus,
2009.
MILANESI, Luís. Biblioteca. Cotia: Ateliê Editorial, 2002.
______. Ordenar para desordenar: centro de cultura e bibliotecas públicas. São Paulo:
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MIRANDA, Antonio. A missão da biblioteca pública no Brasil. Revista de
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�OLIVEIRA, Zita Catarina Prates de. A biblioteca “fora do tempo”: políticas
governamentais de bibliotecas públicas no Brasil (1937-1989). São Paulo: PPGCOM /
ECA/ USP, 1994. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São
Paulo, 1994.
POYARES, Walter. Imagem pública: glórias para uns, ruína para outros. São Paulo:
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RUSSO, Laura Garcia Moreno. Bibliotecas públicas municipais do estado de São
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Públicas, 1974).

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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          <name>Title</name>
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              <text>Artigo baseado no referencial teórico do trabalho de conclusão de curso defendido em 2012, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O artigo apresenta conceitos de imagem e identidade da biblioteca pública com base principalmente em autores da área de Biblioteconomia. Descreve o projeto Bibliotecas Temáticas da cidade de São Paulo. Discute se as bibliotecas temáticas representam uma mudança na imagem e na identidade das bibliotecas públicas paulistanas. Possui trechos das entrevistas realizadas com três coordenadores que participaram do projeto de tematização das bibliotecas municipais paulistanas: Marlon Florian (coordenador de Programação), Zenita Monteiro (coordenadora do  Sistema Municipal de Bibliotecas) e Durvalina Soares (coordenadora da biblioteca Viriato Correa, temática em Literatura Fantástica). Conclui que as bibliotecas temáticas contribuíram para a melhoria dos serviços prestados pelas bibliotecas municipais e com isso colaboram para uma possível transformação na imagem e na identidade das bibliotecas públicas da cidade de São Paulo.</text>
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