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                  <text>Biblioteca pública Benedito Leite, um campo para a ilustração e
para enriquecer a alma

Maria de Fatima Almeida Braga (UFMA) - mfabraga@gmail.com
Resumo:
O texto refaz um pouco a trajetória da Biblioteca Pública Benedito Leite, sediada no Maranhão
e instituída com a finalidade de proporcionar uma nova oportunidade ao incremento da
instrução e do saber. Resulta de pesquisa bibliográfica, contemplando-se especialmente
autores maranhenses e de pesquisa documental através dos jornais Farol Maranhense,
Chronica Maranhense e Echo do Norte, destacando-se o primeiro pela ampla divulgação e
incentivo à criação da biblioteca. Abordam-se os principais esforços e ações desenvolvidos
para criação e instalação da biblioteca pública, ou livraria pública como era denominada no
início. Descrevem-se acontecimentos que impulsionaram momentos de apogeu e declínio,
tentativas de revitalização da instituição e salvaguarda de seu acervo. Conclui apresentando a
biblioteca pública como forte aliada da boa educação e da liberdade dos povos e estimuladora
de debates sociais e disseminação de ideias.
Palavras-chave: Biblioteca pública. Maranhão. Século XIX.
Área temática: Bibliotecas Públicas

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Biblioteca pública Benedito Leite, um campo para a ilustração e para enriquecer a
alma

Resumo:
O texto refaz um pouco a trajetória da Biblioteca Pública Benedito Leite,
sediada no Maranhão e instituída com a finalidade de proporcionar uma nova
oportunidade ao incremento da instrução e do saber. Resulta de pesquisa
bibliográfica, contemplando-se especialmente autores maranhenses e de pesquisa
documental através dos jornais Farol Maranhense, Chronica Maranhense e Echo do
Norte, destacando-se o primeiro pela ampla divulgação e incentivo à criação da
biblioteca. Abordam-se os principais esforços e ações desenvolvidos para criação e
instalação da biblioteca pública, ou livraria pública como era denominada no início.
Descrevem-se acontecimentos que impulsionaram momentos de apogeu e declínio,
tentativas de revitalização da instituição e salvaguarda de seu acervo. Conclui
apresentando a biblioteca pública como forte aliada da boa educação e da liberdade
dos povos e estimuladora de debates sociais e disseminação de ideias.
Palavras-chave: Biblioteca pública. Maranhão. Século XIX.
Área Temática IV: Bibliotecas Públicas.

1 INTRODUÇÃO

O século XIX nos desvela um Brasil pleno de momentos de ebulição, com
mudanças políticas, econômicas, educacionais, sociais e culturais, que por certo
alteraram os usos e costumes da sociedade brasileira. O Maranhão não ficou à
margem desse processo. A partir do segundo quartel do oitocentos, teve seu espaço
afetado por acontecimentos capazes de tirá-lo do estado letárgico em que se
encontrava, uma vez que aderiu à Revolução do Porto e à Independência, teve de
administrar revoltas, fazer mudanças na sua economia de base e, com garbo, se
projetou no aspecto intelectual.
Nos primeiros anos do Império, o Maranhão foi agraciado com a expansão
das tipografias, criação de novos jornais de conteúdo mais liberal, a fundação da
Biblioteca Pública, expansão da educação através da criação do Liceu Maranhense.
Essa mudança cultural, além de estimular um fazer pedagógico, incentivou livreiros
e boticários a intensificar o comércio de livros e os tipógrafos a empreender esforços
para o aumento da produção de jornais, livros e outros impressos. Assim, no
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primeira metade do século XIX, o Maranhão já contava com um “considerável”
comércio de livros e diversificação das práticas de leitura. As instituições mediadoras
da leitura, entretanto, só começaram a aparecer efetivamente no Maranhão, a partir
da criação da Biblioteca Pública Benedito Leite, em 1829, mas aberta ao público
somente em 1831, cujos fragmentos de sua história serão desvelados no decorrer
deste artigo.
2 A GÊNESE DO PROJETO

A Biblioteca Pública Benedito Leite é fruto do projeto de lei elaborado e
apresentado pelo membro do Conselho Geral da Província, Dr. Antônio Pedro da
Costa Ferreira1, em 08 de junho de 1826. Ao apresentar sua proposta, segundo
Marques (1970, p. 109), Costa Ferreira
[...] lamentou o avultado cabedal que se tem gasto, desde a nossa feliz
Independência, em delírios e projetos de sangue, e admirou-se de não se ter
empregado um ceitil em livros, e nem sequer nos elementares para a
instrução das escolas maranhenses, pelo que indicava a criação nesta cidade
de uma biblioteca pública, destinando-se uma prestação anual da oitava parte
das rendas das sobras da Província para a compra de livros.

A proposta foi aprovada somente em 29 de setembro de 1829, na gestão do
presidente da província Cândido José Araújo Viana, que solicitou ao Imperador os
recursos financeiros necessários para o estabelecimento da obra, os quais não
foram autorizados alegando-se limites orçamentários. Diante do indeferimento dos
recursos pelo governo imperial, o presidente da província anunciou a necessidade
de criação de uma biblioteca pública, durante o discurso proferido no dia 1 de
dezembro de 1829, quando da instalação do Conselho Geral da Província
Seriaõ eficazes providencias a prol da Instrucçaõ os estabelecimentos de
um ou dous Collegios de Estudos Menores, de uma Biblioteca publica. Para
esta, posto que das circiunstancias dos Cofres Nacionaes não permittão a
applicaçaõ de alguns fundos, pode muito contribuir a generosidade dos
Habitantes da Provincia. A este fim adoptou-se o meio de uma subscripçaõ
voluntária de cuja direcçaõ se encarregou a Camara Municipal desta Cidade
composta de Cidadãos de reconhecido patriotismo.
(FAROL

1

Antônio Pedro Costa Ferreira foi proprietário de terras em Alcântara, sua cidade natal e em São
Bento. Formou-se bacharel em lei por Coimbra. Foi conselheiro geral e presidente da província do
Maranhão, deputado geral e senador do Império. Como parlamentar propôs a criação de cadeiras
no ensino primário, a biblioteca pública e um hospital para hansenianos. Como presidente da
província (1835-1836) sancionou as leis para criação da Tesouraria da Província, da Polícia Rural,
do corpo de Polícia e a organização da Secretaria do Governo. Foi agraciado com o título de oficial
da Imperial Ordem do Cruzeiro (1841) e de barão do Pindaré (1854). Cf. Coutinho (2005) e Lima,
2008.
2

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MARANHENSE, n. 146, 1 dez. 1829).2

Imediatamente, a Câmara nomeou dois membros, Raimundo Correia de Faria
e João Gualberto da Costa, para angariarem os recursos através de subscrição
popular e voluntária, encabeçada, principalmente, pelos intelectuais da época.
Entretanto, dificuldades foram encontradas para viabilizar o processo, como
destacado no relatório do Conselho geral publicado no Farol Maranhense (n. 168, 16
fev. 1830)
A Bibliotheca publica é um meio de facilidade para a instrucçaõ; mas o
Conselho vê com sentimento a falta de fundos para tão útil estabelecimento,
ao mesmo tempo que não tem visto fazer-se effectiva a subscripção
projectada para tão útil fim.

Ao tomar conhecimento das dificuldades para a implantação da Biblioteca
Pública Provincial, o redator do jornal Farol Maranhense, José Cândido de Moraes,
convencido do poder de alcance desse veículo de comunicação, colocou-o à
disposição da administração do presidente da província, a fim de melhor viabilizar a
subscrição popular e conseguir um maior número de adesão. As chamadas para
subscrição de certa forma foram correspondidas, pois José Cândido publicou nas
edições de número 265 a 293, relação nominal dos subscritores, informando o valor
ofertado e a quantidade de livros doados.
Alguns esforços foram empreendidos para que a biblioteca fosse inaugurada
no dia 25 de março de 1831. Nesse sentido, o tesoureiro responsável para a
arrecadação de verbas e livros avisava, através de nota publicada no Farol
Maranhense (n. 268, 1 fev. 1831) que a partir daquela data daria início à cobrança
das quantias e livros oferecidos em prol da criação da biblioteca.
Dentre as doações de livros para formação do acervo da biblioteca, mister se
faz destacar a significativa quantidade de 316 obras doadas pelo seu idealizador
Antônio Pedro da Costa Ferreira, à época deputado da província do Maranhão,
como se pode constatar no reclame publicado no Farol Maranhense (n. 284, 19 mar.
1831):
Antes de partir o nosso digno deputado fez uma oferta à Câmara Municipal de
3163 volumes para a Biblioteca Pública; obras escolhidas e de reconhecida
utilidade formam esta coleção. Pudesse este exemplo ser seguido por
pessoas que estão nas mesmas circunstâncias de fazerem ofertas
semelhantes, mas que o não fizeram, talvez pelo pouco em que tem a
instrução pública, e o derramamento das luzes no nosso país.
2
3

As citações extraídas dos jornais conservam a ortografia da época.
Há divergências quanto à quantidade de livros doados por Costa Ferreira. Coutinho (2005) contou
315, o Farol Maranhense (1831) 316 e Moraes, (1973) 300.
3

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No dia 03 de maio de 1831, ainda sob a administração do presidente Cândido
José de Araújo Viana, a sociedade maranhense recebia sua primeira biblioteca
pública, com a honra de ser a segunda província a possuir uma instituição dessa
envergadura, pois a primeira foi merecidamente criada na Bahia. O Farol
Maranhense (n. 289, 3 maio 1831) anunciou o acontecimento dizendo que o dia 3 de
maio foi uma data significativa para o Brasil todo e,
O nosso bom Presidente, o Sr. Araujo Vianna, em honra a tão glorioso dia,
fez os exforços possíveis para abrir a Biblioteca Publica que há muito
estava projectada, e o conseguiu ajudado dos esforços da Camara
Municipal, ainda que com os poucos volumes, que athé agora se tem
podido obter. [...] O Sr. Araujo Vianna [...] tem dado impulso a instrucção
publica, quanto em si está bem convencido que d’ahi é que hade vir todos
os bens do Brasil.

José Cândido de Moraes utilizou as páginas do jornal Farol Maranhense (n.
295, 6 maio, 1831) para noticiar, elogiar e incentivar a concretização e continuidade
do projeto que incrementaria a instrução e o saber na província do Maranhão. E
assim se expressou:
Abriu-se finalmente a Biblioteca Pública e ela é sem dúvida a produção do
patriotismo maranhense! Quem mais susceptível de obrar grandes ações? [...]
Eis pois maranhenses, o passado é passado: está a Biblioteca aberta e com
os livros que se compraram contando dois mil volumes até hoje. Abriu-se com
ela um vasto campo para a vossa ilustração, dela pode dimanar um n. infinito
de delícias;
[...] Aquele pois dentre vós que não poder concorrer para o aumento daquele
estabelecimento, concorra para a sua glória, instruindo-se, enriquecendo a
sua alma, para por meio dos conhecimentos colocar-se ou antes exceder o
nível daqueles a quem o acaso fez subir a fruição de grandes comodidades.

A Biblioteca Pública Provincial, portanto, foi fruto do esforço de elementos
isolados da sociedade, que lutaram para fazer vingar a ideia da Livraria Pública, cuja
subscrição foi acatada pelo Governo e levada a efeito pela Câmara Municipal, no
âmbito da capital e, fora dela, pelos juízes de paz das comarcas. Tal esforço obteve
o reconhecimento de Gonçalves Dias quando esteve no Maranhão, incumbido por D.
Pedro II, para inventariar todos os documentos concernentes à história do País. Em
seu relatório datado de 10 de julho de 1851, delineou a situação em que encontrou
as repartições públicas, bibliotecas e arquivos de mosteiros, resultado das visitas
que fizera às províncias. Ao se reportar à biblioteca pública do Maranhão relatou
sucintamente sobre o processo de criação, com destaque especial à corajosa
determinação do presidente Cândido José Araújo Viana em
[...] formar o seu núcleo com obras, que recebesse em donativo dos
particulares, ou comprando-as com as quantias, porque outros
subscrevessem [...]. Os cofres provinciais concorreram também, mas
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escassamente, e montou-se a biblioteca maranhense. Muitos dos particulares
concorreram com obras de valor e somas de dinheiro, enquanto outros,
disfarçando a sua má vontade, remeteram volumes traçados e estragados a
ponto de que para não danificarem os outros, um dos últimos presidentes
ordenou que fossem lançados à praia. (DIAS, 1973, p. 246).

A Biblioteca Pública Benedito Leite foi Instalada, inicialmente, na parte
superior do Convento do Carmo, situado na Rua do Egito, em São Luís do
Maranhão, sob a direção do padre Antônio Bernardo da Encarnação e Silva,
nomeado como bibliotecário público. Dois funcionários foram designados para
compor o quadro de pessoal da biblioteca, Alexandre de Moraes Rego, no cargo de
guarda e um servente. Foram esses funcionários que estabeleceram o primeiro
Regulamento da Biblioteca determinando horário de funcionamento e as condições
para admissão de pessoas.

3 O CAMINHO SE FEZ AO CAMINHAR

Durante os dois primeiros anos as despesas da biblioteca ficaram a cargo da
dotação municipal. A partir de 1832 teve a verba de 1:000$000 do orçamento do
Império. Em 1835 pode-se constatar que ela passou a ser mantida pela província do
Maranhão com a dotação orçamentária de 2:000$000, conforme se pode constatar
no orçamento da província publicado no Echo do Norte, do dia 30 de maio daquele
ano, em cujo art. 5º estabelecia o valor destinado àquela casa de cultura para cobrir
os salários do diretor da biblioteca e dos funcionários, um guarda e um servente e
compra de livros.
No orçamento da Província para o período de julho de 1836 a junho de 1837,
foi destinada a mesma dotação para a biblioteca no valor de 2:000$000, para fazer
jus às mesmas despesas de 1835. Entretanto, algumas outras iniciativas estavam
sendo tomadas para aumentar o acervo da biblioteca, pois, após a rubrica destinada
a biblioteca constava a seguinte informação:
O produto de subscripção de que trata o Decreto de 5 de Setembro de 1832
será também applicado para compra de livros, devendo as Câmaras
Municipaes reetter trimestralmete a Thesouraria da Provincia o que arrecadar.
(ECHO DO NORTE, v. 3, n. 18, p. 275, 10 set. 1836).

Para o exercício de 1º de julho de 1839 ao ultimo dia de junho de 1840 foi
fixada a mesma quantia para a Biblioteca Publica, porém estabelecia rubricas para
as despesas: 1:130$ réis destinados para custear os vencimentos dos empregados,
assegurado o valor de cem mil réis de gratificação que passaria a ser paga ao
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contínuo, ficando este obrigado a fazer todo o serviço da casa. O restante, 870$ réis
seriam investidos em compras e consertos de livros, e outros objetos, totalizando
2:000$000 (CHRONICA MARANHENSE, n. 60, p. 1, 13 ago.1838).
Nos primeiros anos de sua existência, o entusiasmo pela “Livraria Pública”,
como

era

designada

por

muitos,

favoreceu

uma

relativa

prosperidade,

principalmente depois que Costa Ferreira, grande entusiasta de sua criação e
funcionamento, assumiu o governo da província, em 1835. Nesse ano a instituição já
contava com um acervo de 3.376 volumes.
Na história da Biblioteca Pública Benedito Leite, um fato inusitado ocorrido na
administração Vicente Tomaz Pires de Figueiredo Camargo, merece ser destacado,
pois, o material de leitura colocado à disposição dos poucos leitores – uma pequena
elite letrada – nos parece, tinha um controle velado pelo então presidente da
província. O discurso proferido por ocasião da abertura da Assembleia Legislativa
Provincial do Maranhão, no dia 3 de maio de 1838, publicado na Chronica
Maranhense (n. 37-40, p. 3-4, 28 maio, 1838), nos faz entender assim, visto que em
sua fala sobre o item Instrução Pública, incluiu sua avaliação sobre o acervo e
funcionamento da biblioteca pública. Sem indicar as bases em que se apoiava,
afirmou que o considerável número de obras que formavam o acervo da biblioteca,
poucas podiam ser consideradas de boa qualidade e recomendadas para educação
dos jovens, especialmente voltada aos princípios religiosos e assim contribuir na
formação de homens bons e probos. Como a biblioteca funcionava contígua ao
Liceu Maranhense e servia como auxiliar para as aulas nele ministradas, o
presidente temia que os jovens tivessem acesso às obras por ele condenadas,
podendo inclusive incentivar a corrupção, segundo o seu ponto de vista. Fiel às suas
convicções solicitou à Assembleia nomear uma comissão para expurgar os livros
ímpios e imorais. Pelo visto a maioria dos que se encontravam na biblioteca.
A repercussão sobre o item da Instrução Pública em que demonstrou um total
desconhecimento ou preconceito sobre os clássicos em evidência na época e que
são verdadeiras relíquias na contemporaneidade, despertou a ira dos intelectuais.
No editorial publicado na Chronica Maranhense, o autor, que acreditamos tratar-se
de João Lisboa, redator, proprietário do jornal e um dos publicitas maranhense de
maior destaque em erudição, declara-se indignado com a postura monárquica e
ignorante do presidente ao sugerir a queima da maior parte dos livros da biblioteca,
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por considerá-los imorais, ímpios, venenosos. Tal postura de Vicente Camargo,
segundo o autor, demonstra que, além de nunca os ter lido, era incapaz de
compreendê-los, portanto, aquilo não passava de proposta inquisicional, cuja
ignorância propõe a destruição das obras de Voltaire, Rousseau, d’Alembert,
Diderot, Tracy e talvez a Enciclopédia. E acrescenta:
Na classe dos imorais quererá por acaso compreender alguns livros da Bíblia,
os de Ovídio, os contos de La Fontaine e Bocage, o nono canto dos Lusíades
e outros cheio de imagens lúbricas e profanas. Não sabe S. Exª que estas
obras, e outras muitas de igual natureza, se acham presentemente nas
principais bibliotecas do mundo, e até nas do Papa? Deverão as obras do
gênio, e resultado de ímprobos estudos, ser condenados ao fogo porque
aprouve ao Sr. Camargo em sua sabedoria e erudição qualificá-los de ímpios
e imorais? E o mais notável é que a única razão para apresentar esta odiosa
proposta é que as aulas públicas estão apresentadas no mesmo edifício que
a biblioteca, sendo assim fácil contaminarem-se as almas noviças dos
estudantes com a peste dos maus livros! E por conseqüência fogueiras e
algoses por unico remédio! Não ocorreu ao Sr. Camargo que podia facilmente
vedar a comunicação de certos livros aos rapazes de uma determinada
idade? Não ficavam assim prevenidos todos os perigos que fizeram prever S.
Exc.? Quererá o nosso virtuoso administrador que a biblioteca fique reduzida
a alguns bacamartes de abstrusa theologia, e ao seu eloquente relatório?
(CHRONICA MARANHENSE, n. 37-40, p. 3-4, 28 maio, 1838)

Gonçalves Dias informa, em seu relatório de 1851, que lhe fora relatado a
ordem de um presidente para descartar muitas obras importantes. Após tomar
conhecimento dessa impetuosa decisão e constatar que muitas outras de igual
importância se encontravam em estado deteriorado, sugere providências no sentido
de compensar os vários crimes contra o acervo cultural. Conforme informações
prestadas pelo bibliotecário público Trajano Cândido dos Reis a Gonçalves Dias, à
época, a instituição contava com 3.341 livros dos quais 2.691 em bom estado de
conservação, 575 em estado sofrível, e 75 inteiramente mutilados. Além disso, fazia
parte do acervo dois globos terrestre e celeste e uma esfera armilar, vários objetos
de

história

natural,

arrumados

em três

estantes,

uma

carta

geográfica,

compreendendo as províncias das Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do
Norte e Ceará, e outra da província do Maranhão.
Ao identificar que a última compra de livros deu-se através de míseros 200
réis autorizados pelo presidente da província Antônio Joaquim Álvares do Amaral,
durante o ano em que governou a província (1848), Gonçalves Dias sugere
providências no sentido de destinar recursos para renovação do acervo e para cobrir
estragos oriundos de traças, por exemplo. Caso nenhuma providência fosse tomada
nesse sentido, a biblioteca do Maranhão estaria fadada não tão somente a uma
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situação estacionária, mas também ao desaparecimento dos seus volumes das
estantes e, em pouco tempo, restaria apenas a lembrança da ideia de biblioteca
(DIAS, 1973).
Outras medidas importantes são apresentadas pelo ilustre Gonçalves Dias,
destacando-se a necessidade de melhoria das instalações físicas e maior empenho
em adquirir e organizar um acervo com livros e impressos relativos à província.
Destacou a importância de preservação de algumas obras existentes no acervo que
só poderiam ser encontradas nos grandes mercados da Europa, ou em mãos dos
bibliófilos curiosos, como as de Claude de Abbeville, as do padre Ivres d'Evreux, a
Relação Sumária das coisas do Maranhão, além de um manuscrito sobre a história
do Maranhão.
Quando se refere ao acervo de jornais maranhenses, cuja formação teria se
iniciado há pouco tempo, Gonçalves Dias demonstra preocupação na preservação
da memória maranhense e aconselha reunir a coleção de O Censor Maranhense
(1825-1830) e da Chronica Maranhense (1839-1840). Segundo ele, essa tarefa não
seria fácil em relação ao primeiro, pois tinha conhecimento de que somente alguns
curiosos possuíam exemplares do jornal. Sabiamente adverte que a ideia de
colecionar jornais implica tanto na possibilidade da perda da coleção por falta de
recursos para encaderná-los, quanto na obrigatoriedade de recolher e arquivar todos
e quaisquer papéis que saíssem da imprensa em forma de jornal. Mas isso era
preferível
[...] à incúria ou ao capricho de algum potentado, que tivesse o poder de banir
de tais depósitos a folha ou papel, que lhe fosse desairoso. Conta-se de um
presidente, que visitando aquela repartição, e deparando com os números de
um jornal, que se publicava contra a sua administração, não pôde conter o
seu despeito, e deixando-se arrastar a um ato menos digno da sua posição os
atirara a praça de uma das janelas do edifício. Verdade é que se não pode
obstar, nem que os jornalistas hostilizem aos presidentes, nem que os
presidentes se façam justiça por suas próprias mãos. (DIAS, 1973, p. 247).

O total abandono e descaso para com a biblioteca pública maranhense foram
motivos de grandes prejuízos para a memória escrita sob a sua guarda.
Sensibilizado, Joaquim Serra tentou revitalizá-la, encaminhando projeto ao Conselho
da Província, em 1865, no qual sugeriu a sua vinculação ao Instituto Literário
Maranhense, entidade recém-fundada em São Luís, o que ocorreu em 1866. À
época, contava com 1.931 volumes e, destes, somente 984 puderam ser
recuperados pelo Instituto, contudo, ela obteve grandes ganhos com essa
transferência, pois
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[...] o zelo dos dirigentes daquela notável sociedade resultou na incorporação
de peças que até hoje, não obstante extravios e descaminhos, enriquecem o
seu acervo, como as doações de Alexandre Teófilo de Carvalho Leal, Antônio
Rêgo, viúvas de Gonçalves Dias e Teixeira Mendes, irmãos do Dr. Caetano
Cândido Cantanhede e outras várias, merecendo especial referência a que
fez Antônio Henriques Leal, de livros e coleções dos seguintes jornais: O
Conciliador, O Censor, Estrela do Norte, Argos da lei, Crônica Maranhense, O
Farol, O Brasileiro, Eco do Norte e alguns mais que integram, ainda hoje, a
sua importante coleção de jornais maranhenses. (MORAES, 1973, p. 21, grifo
do autor).

Sob os auspícios do Instituto, a biblioteca passou a funcionar com um acervo
de 2.234 livros, devidamente encadernados e em condições de uso. No entanto, seis
anos depois, em 1872, o Instituto Literário Maranhense foi extinto e a biblioteca
passou para o controle da Sociedade Onze de Agosto – sociedade promotora da
Instrução Pública,4 criada em 1870, também por subscrição popular.
Com essa nova vinculação, a biblioteca mereceu tratamento especial por
parte dos dirigentes que a instalaram em seu salão de honra e ofereceram-lhe boas
condições de funcionamento, tanto no que se refere às instalações físicas, visto que
o prédio era nobre e grandioso5, quanto aos equipamentos para guarda de todas as
peças de seu acervo. No entanto, sem condições de subsistência, a Sociedade
Onze de Agosto foi extinta e seu prédio foi entregue ao Governo Provincial, que
determinou fosse ele ocupado pela Assembleia Provincial, a qual funcionava nas
dependências da Cúria Metropolitana, contígua à Sé da Catedral, para onde a
biblioteca foi transferida. Observamos que houve, simplesmente, uma troca de
posições entre as duas instituições em que uma saiu beneficiada e a outra, com os
mais sérios prejuízos, pois a partir daí registra-se nova dilapidação do acervo da
biblioteca. A esse respeito, Fernandes (1929) faz uma ligeira, mas profunda crítica,
ao insinuar que um edifício de tal envergadura como aquele era muito para sediar a
biblioteca, porém não era demais para um Parlamento.
Fato é que a mudança para a Sé da Catedral acarretou novos e incontáveis
prejuízos ao patrimônio cultural da biblioteca. Conforme nos conta Fernandes (1929,
p. 335), no relatório do comendador Themístocles Aranha, designado para emitir
parecer sobre as providências de salvação do acervo, consta que a transferência
deste para a Sé da Catedral foi um espetáculo contristador para a sociedade ligada
à cultura e para a preservação da memória escrita, pois,
4

5

Também chamada Escola Onze de Agosto – tinha por objetivo principal oferecer cursos noturnos às
classes menos abastadas de São Luís.
Até pouco tempo foi sede da Assembleia Legislativa do Estado.
9

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Os carregadores dos livros muitas vezes deixavam os caixões nas portas das
quitandas, e, enquanto faziam suas libações, o moleque que passava
subtraía um volume para distrair-se ou vender mais adiante. As ruas
comprehendidas entre os dois edifícios, o que era despojado dos livros e o
que os recebia, ficavam alastradas de estampas, mapas, jornais e folhas de
livros.

Como essa mudança não foi bem vinda para os administradores da Sé da
Catedral, nova transferência da biblioteca foi realizada, voltando ao prédio do
Convento do Carmo, local em que funcionou quando de sua instalação. Embora se
declarassem a favor, nenhuma providência foi efetivada pela administração do
Convento para dotar as instalações de condições favoráveis ao acondicionamento
do acervo. Segundo Fernandes (1829, p. 336), no relatório do comendador
Themístocles, consta que essa mudança foi ainda mais precipitada do que a
anterior, pois as salas que deveriam receber os livros, mais pareciam quartos e nem
sequer tinham pintura e piso condizentes. Os livros ficaram amontoados nessas
“salas” impróprias até que, alertado a respeito da situação, o governo da província
autorizou a reforma das instalações, mas as verbas não foram suficientes e o
serviço foi paralisado. Considerado um “homem de linha”, o zeloso comendador
Themístocles, em uma passagem de seu relatório, condena as instalações a serem
reformadas e adverte: “O estado desta obra, e o que virá a ser, mesmo depois de
concluída, não se descreve, só vendo-se. Por melhor que seja preparada, não
passará de dois quartos baixos, escuros e sem ventilação.” (FERNANDES, 1829, p.
336). Sugeriu, portanto, que o inspetor da Instrução Pública fosse fazer uma visita
ao local a fim de comprovar o descaso para com a instituição.
Em suas investidas para salvar o acervo da biblioteca e sabedor de que o
prédio onde funcionava a Sociedade Onze de Agosto ainda não teria sofrido as
reformas necessárias e adequadas ao funcionamento do Parlamento, Themístocles
sugeriu à Assembleia Provincial a aquisição de um prédio próprio para a biblioteca e,
enquanto isso não ocorresse que a retornasse para o prédio da Sociedade, de onde,
segundo ele, nunca deveria ter saído. Vislumbrou, entretanto, que tal sugestão
poderia não ser acatada sob a alegação de falta de verba no orçamento provincial,
motivo que o fez adiantar outra alternativa: que o acervo da biblioteca fosse
entregue à Inspetoria da Instrução Pública. Foi acatada a segunda alternativa e, a 04
de abril de 1883, a biblioteca foi reaberta, no próprio Convento do Carmo, com os
restos dos 3.842 volumes. O percurso da história expressa que, durante os quase
dez anos em que a Biblioteca ficou entregue à Inspetoria da Instrução Pública e
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funcionando no Convento do Carmo, seu acervo sofreu uma acentuada baixa, pois
em 1892, ao ser transferida para a rua Afonso Pena, não ultrapassava 500
exemplares (FERNANDES, 1929).
Embora ocorressem os vários períodos de abandono e ruínas, não faltaram
esforços para reerguê-la à sua condição de principal casa de cultura, até que,
finalmente, em 1895, foi determinada a reorganização da Biblioteca, graças à Lei
oriunda de projeto apresentado por Benedito Leite, ao Congresso Legislativo do
Estado. O prof. Ribeiro do Amaral, encarregado, em caráter provisório, de cuidar da
Biblioteca, não mediu esforços para sua reorganização. Desencadeou um trabalho
de aumento do acervo, através de doações da sociedade civil, conseguindo
substanciais ofertas como a de Benedito Leite, que doou 341 volumes. Desenvolveu
intensa atividade na transferência do acervo para o prédio da rua da Paz, onde hoje
funciona a Academia Maranhense de Letras (MORAES, 1973).
Já em sede apropriada e com mobiliário adequado para funcionamento, foi
reaberta ao público no ano de 1898 sob a direção de Antônio Lobo6, em cuja
administração teve uma das fases mais brilhantes de sua existência. Fernandes
(1929) enaltece o ilustre Diretor da Biblioteca, como um homem de uma mentalidade
vigorosa, possuidor de sólida cultura e dinamicidade, o que favoreceu seu trabalho
de estímulo às letras, aos jovens da sociedade. Em sua administração, a Biblioteca
recebeu um novo impulso, com aquisição de novos livros, a organização de um
catálogo sistemático e, consequentemente, a frequência diurna e noturna se
intensificou.
Logo se tornou o centro de referência da cultura e do conhecimento e o ponto
de encontro de jornalistas, professores e intelectuais militantes. Sediou importantes
conferências da Universidade Popular do Maranhão – movimento de cunho literário
surgido em 1909, composto por figuras proeminentes da época –, e foi palco de
movimentos fundadores de importantes entidades como a Oficina dos Novos, a
6

O maranhense Antônio Francisco Leal Lobo (1870-1916), professor, jornalista e escritor, destacouse nesta última profissão como ensaísta, poeta, romancista e tradutor. Como funcionário público,
exerceu além de outros cargos o de diretor da Biblioteca Pública Benedito Leite e do Liceu
Maranhense. Juntamente com outros intelectuais fundou, em 10 de agosto de 1908, a Academia
Maranhense de Letras. Entre suas obras encontram-se Os Novos Atenienses, obra considerada
fundadora da crítica e teoria literária maranhense, em que Antônio Lobo analisa o renascimento da
cultura e da literatura maranhense, procurando registrar e resgatar o momento literário de então. Em
virtude de perseguições políticas, Antônio Lobo, moralmente traumatizado, no último ano de sua
existência, recolheu-se a sua residência e, na madrugada de 24 de junho de 1916, enforcou-se com
uma corrente (ANTÔNIO..., 2005).
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Sociedade Cívica das Datas Nacionais e a Academia Maranhense de Letras.
Foi na administração de Antônio Lobo que várias personalidades de grande
envergadura intelectual visitaram a Biblioteca e deixaram registradas suas
impressões, a exemplo do que escreveu Coelho Neto, um dos grandes nomes da
literatura de ficção:
Esta é a grande colméia.
Aqui, nos seus alvéolos, vivem as abelhas que trazem da grande flora do Espírito
Humano o mel sápido da inspiração e a cera da Sabedoria.
Distila o mel dourado das estrofes e os conceitos, feitos da cera casta que é a matéria
prima dos círios, dão luz ao altar do mundo, onde o Pensamento é o Deus uno, forte,
criador, eviterno.
Guarda, Aristeu, às abelhas serenas e aos que te pedirem mel ou cera, vai
prodigamente dando, que, assim, praticas a mais meiga e salutar das misericórdias,
qual é a de consolar e esclarecer os espíritos.
Maranhão, 15 de julho de 1899
Coelho Neto. (FERNANDES, 1929, p. 339).

No entanto, a fase gloriosa da biblioteca, sob a direção de Antônio Lobo,
durou somente até 1910. A partir de então, outras mudanças precipitadas ocorreram
e o acervo continuou sendo dilapidado com grande prejuízo à memória cultural.
Permaneceu neste estado de abandono de 1914 até 1927, quando o Governador
Magalhães de Almeida, ao constatar a precariedade em que ela se encontrava
autorizou o seu retorno para o prédio da Rua da Paz, onde permaneceu até a
construção de sua sede própria.
Após várias peregrinações e à custa de muitos sacrifícios e trabalho, em 1951
ganhou sua sede própria, 33 anos depois da aprovação da Lei nº 816 de 24 de
agosto de 1918, que autorizou a construção de um prédio para a Biblioteca. Em
1958, através do Decreto 1.316, sua denominação foi alterada para Biblioteca
Pública Benedito Leite, em uma justa homenagem ao ilustre político maranhense
Benedito Pereira Leite que propôs sua reorganização.
Há anos carecendo de reformas, em 2009 o prédio da Biblioteca Pública
Benedito Leite foi interditado pela Defesa Civil, de forma intempestiva, em virtude do
comprometimento da estrutura física. Mais uma vez, a instituição foi instalada em um
local provisório, até que a reforma do prédio se conclua, o que está previsto para os
primeiros meses de 2013.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história da Biblioteca Pública Benedito Leite não foge à regra das
concepções filosóficas das bibliotecas públicas brasileiras: objetivos idealísticos
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concebidos e orientados para uma elite cultural; indefinição dos governos em
assumir e incorporar essas instituições e a própria dificuldade em despojar-se das
vestimentas ideais e encontrar objetivos reais à luz da realidade atual.
Constata-se, entretanto, que apesar dos intempéries apresentados na história
da Biblioteca Pública Benedito Leite ela não só sobreviveu como também não foi
suficiente para cobrir a “gula” de leitura dos ludovicenses. A partir dela surgiram
novas instituições mediadoras de leitura como as sociedades literárias, os gabinetes
de leitura, as bibliotecas populares ou particulares, que foram, de fato, verdadeiros
baluartes da boa educação e da liberdade dos povos. Sem dúvida estes
contribuíram, sobremaneira, para estimular debates sociais e disseminação de
ideias que contribuíram e contribuem até hoje, nas feições de uma população que se
sente atraída pelos diversos tipos de práticas de leituras.
Considerando não só o conceito, mas também, a importância de alguns tipos
de mediações, convém dizer que, em São Luís, a intensa utilização das práticas de
leitura foram mediadas, também, através das artes como a música, a pintura e o
teatro que serviram para delinear uma sociedade com peculiar formação crítica,
mesmo levando em conta as distâncias que separavam o Maranhão, da capital do
Império.

REFERÊNCIAS

ANTÔNIO Lobo &amp; os novos atenienses. Guesa Errante, São Luís, ano 2, n. 55, 30 nov.
2005. Suplemento cultural e literário JP, p. 395. Disponível em:
&lt;http://www.guesaerrante.com.br/2005/11/30/Pagina395.htm&gt;. Acesso em: 14 abr. 2011.
CHRONICA MARANHENSE. São Luís: Typ. I. J. Ferreira, 1838-1840. Bissemanal.
COUTINHO, Mílson. Fidalgos e barões: uma história da nobiliarquia luso-maranhense. São
Luís: Instituto Geia, 2005. p. 274-281.
DIAS, Antonio Gonçalves. Exames nos arquivos dos mosteiros e das repartições públicas
para coleção de documentos históricos relativos ao Maranhão. Revista de Biblioteconomia
de Brasília, Brasília, DF, v. 1, n. 2, p. 241-250, jul./dez. 1973.
ECHO DO NORTE. São Luís: Typ. I. J. Ferreira, 1834-1836. Bissemanal.
FAROL MARANHENSE. São Luís: Typ. Nacional, 1827-1833. Bissemanal.
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FERNANDES, H. C. Bibliotecas. In: ______. Administradores maranhenses: 1822-1929.
São Luís: Imprensa Oficial, 1929.
LIMA, Carlos de. História do Maranhão: a Monarquia. 2. ed. rev. amp. São Luís: Inst. Geia,
2008.
MARQUES, César Augusto. Dicionário histórico-geográfico da província do Maranhão.
Rio de Janeiro: Fon-Fon e Seleta, 1970.
MORAES, Jomar. Guia histórico da Biblioteca Pública Benedito Leite. São Luís:
Fundação Cultural do Maranhão, 1973.

14

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              <text>O texto refaz um pouco a trajetória da Biblioteca Pública Benedito Leite, sediada no Maranhão e instituída com a finalidade de proporcionar uma nova oportunidade ao incremento da instrução e do saber. Resulta de pesquisa bibliográfica, contemplando-se especialmente autores maranhenses e de pesquisa documental através dos jornais Farol Maranhense, Chronica Maranhense e Echo do Norte, destacando-se o primeiro pela ampla divulgação e incentivo à criação da biblioteca. Abordam-se os principais esforços e ações desenvolvidos para criação e instalação da biblioteca pública, ou livraria pública como era denominada no início. Descrevem-se acontecimentos que impulsionaram momentos de apogeu e declínio, tentativas de revitalização da instituição e salvaguarda de seu acervo. Conclui apresentando a biblioteca pública como forte aliada da boa educação e da liberdade dos povos e estimuladora de debates sociais e disseminação de ideias.</text>
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