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                  <text>Gênero e mediação da informação nas bibliotecas públicas
Larissa Akabochi de Carvalho (USP) - larissakabochi@yahoo.com.br
Giulia Crippa (ECA/USP) - giuliac@ffclrp.usp.br
Resumo:
O profissional da informação deve atuar nas instituições, como as bibliotecas públicas, ciente
de que a produção do conhecimento não é neutra, mas demarcada por questões de gênero.
Deste modo, enquanto profissional que lida com a circulação e apropriação de materiais
produzidos dentro de uma lógica patriarcal, espera-se que a sua atuação de mediador se paute
na diferença sexual para o acesso ao conhecimento público. O conceito de diferença, por sua
vez, pode ser confundido com os conceitos de diversidade ou igualdade de gênero. Assim, este
trabalho propõe uma nova maneira de se lidar com a mediação da informação, nas bibliotecas
públicas, a partir do conceito de diferença cultural presente nos Estudos Culturais,
relacionando com os conceitos de diferença sexual e diferença de gênero.
Palavras-chave: Gênero. Mediação da Informação. Bibliotecas Públicas. Estudos Culturais.
Área temática: Bibliotecas Públicas

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Gênero e mediação da informação nas bibliotecas públicas

1 INTRODUÇÃO
A partir do conceito de diferença cultural presente nos Estudos Culturais,
relacionando com os conceitos de diferença sexual e diferença de gênero, este
trabalho propõe, com base no artigo de Crippa (2011), uma nova maneira de se lidar
com a mediação da informação nas bibliotecas públicas. Acredita-se que o
profissional da informação deve atuar, nestas instituições, ciente de que a produção
do conhecimento não é neutra, mas demarcada por questões de gênero. Deste
modo, enquanto profissional que lida com a circulação e apropriação de materiais
produzidos dentro de uma lógica patriarcal, espera-se que a sua atuação de
mediador se paute na diferença sexual para o acesso ao conhecimento público.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
Segundo Dalmonte (2002), os Estudos Culturais tiveram sua origem em
Birminghan, na Inglaterra, no início dos anos 60. Mais precisamente, eles surgiram
através do Center for Contemporary Cultural Studies (CCCS) e “muitas das melhores
contribuições do Centro foram proporcionadas por estudos que mostram como
gênero e raça são definidos culturalmente, de modo a colocar em desvantagem as
mulheres e os grupos minoritários” (ALMEIDA, 2008, p. 7). Conceitos como
diferença cultural e diferença sexual, deste modo, podem ser relacionados.
Bhabha (1998, p. 63) distingue o conceito de diferença do conceito de
diversidade. Para ele, a diversidade cultural trata a cultura como um objeto empírico,
reconhecendo conteúdos e costumes culturais pré-estabelecidos. A diferença
cultural, por sua vez, constitui-se como um processo de significação que permite
diferentes afirmações da cultura e sobre a cultura.
O Manifesto sobre Bibliotecas Públicas da IFLA/UNESCO (1994), por outro
lado, afirma que deve-se garantir a igualdade de acesso a todas as bibliotecas
públicas, sem distinção de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua ou
condição social. Muitos artigos relacionados às bibliotecas públicas, no âmbito da
Ciência da Informação, citam este trecho do manifesto. Entre eles, o de Cunha
(2003); Ferreira (2006); Barreto, Paradella e Assis (2008); Bernardino e Suaiden
(2011) e Basilio (2011). Mas, o conceito de igualdade também pode ser confundido

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com o de diferença. Segundo Scott (2005), a igualdade não é a ausência ou a
eliminação da diferença e sim o reconhecimento da diferença e a decisão de ignorála ou não. Para Crippa (2011), um modelo de biblioteca que gera e circula
informação pensada e moldada por uma estrutura patriarcal, faz acreditar que a sua
integração atribui à instituição uma validade universal. “Da diferença interiorizada,
fonte de discriminação, se realiza o apagamento da diferença” (CRIPPA, 2011, p. 8).

3 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Historicamente, o espaço público foi dominado por homens, enquanto que o
privado e doméstico ficava a cargo das mulheres. A narrativa histórica tradicional
reservou-lhes pouco espaço, justamente na medida em que privilegiou a cena
pública – a política, a guerra – onde elas pouco apareciam. Assim, a memória
feminina constituiu-se como uma memória do privado, voltada para o íntimo e para a
família, lugares que elas foram delegadas, de certa forma, por convenção e posição
(PERROT, 2005, p. 33).
Segundo Navarro (1995, p. 13), houve um silêncio na literatura produzida por
mulheres porque esta foi sempre considerada “feminina”, ou seja, inferior e
preocupada somente com problemas domésticos ou íntimos e, por isso, não merecia
ser colocada na mesma posição da literatura produzida por homens, cujo
envolvimento com questões “importantes”, isto é, com a política, história e economia
foi sempre assumida sem discussão. O resultado disso é que editores ansiosos por
publicar obras escritas por homens não se dispunham a fazer o mesmo com
mulheres romancistas. Nesse sentido, este trabalho propõe uma reflexão sobre a
mediação da informação realizada por “mulheres que não cedem à tentação de
transmitir a negação de si próprias para realizar uma assimilação ao mundo
patriarcal, ou a negação desse mesmo mundo, perdendo-se na fantasia de mundos
imaginários” (CRIPPA, 2011, p. 11 e 12).

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Acredita-se que a não neutralidade ou imparcialidade do profissional da
informação (Almeida Jr., 2009) e a passagem para um estado mais satisfatório,
através da sua ação de intermediário (Davallon, 2007), devem ser acompanhadas
por uma atuação que considere a diferença sexual para o acesso ao conhecimento,

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visto que “o público não é vazio, carrega suas identidades de gênero, que coloca na
sua interpretação da informação como construção do conhecimento” (CRIPPA, 2011,
p. 15). A igualdade de acesso às bibliotecas públicas não será suficiente na medida
em que elas continuarem moldadas pela produção, circulação e apropriação
desigual de gênero, bem como por um falso discurso da neutralidade pública. Esta
igualdade, por sua vez, deve considerar as diferenças e não ignorá-las. A questão da
diferença sexual no interior das instituições, como as bibliotecas públicas, é muito
importante para que não se reproduza o discurso patriarcal que silencia a produção
do conhecimento pelas mulheres.

REFERÊNCIAS
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