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                  <text>Educação e diversidade cultural: a Lei Federal 10.639/03 e os
acervos de bibliotecas escolares do município de São José - SC

Graziela dos Santos Lima (UDESC) - graziela.dsl@gmail.com
Paulino de Jesus Francisco Cardoso (UDESC) - paulino.cardoso@gmail.com
Resumo:
O presente artigo busca compreender o papel das bibliotecas escolares do município de São
José, através de estudos de acervos, que servem como instrumento de disseminação de uma
cultura de diversidade e promoção de igualdade, de acordo com as Diretrizes Curriculares
Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de Cultura e História
Afro-Brasileira e Africana. Das 24 (vinte quatro) escolas municipais, foram pesquisadas 2
(duas), consideradas modelo no município de São José. A pesquisa é de caráter qualitativo,
quantitativo e descritivo e utiliza como instrumento de coleta de dados um questionário.
Percebemos, a partir desta pesquisa, um distanciamento entre as propostas da Lei e das
Diretrizes e o que se encontra disponível em acervos de bibliotecas escolares, por mais que o
município tenha envidado esforços na implementação
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Educação. Lei Federal 10.639/03.
Área temática: Bibliotecas Escolares

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Educação e diversidade cultural: a Lei Federal 10.639/03 e os acervos de
bibliotecas escolares do município de São José - SC
Resumo:
O presente artigo busca compreender o papel das bibliotecas escolares do município
de São José, através de estudos de acervos, que servem como instrumento de
disseminação de uma cultura de diversidade e promoção de igualdade, de acordo
com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações ÉtnicoRaciais e Ensino de Cultura e História Afro-Brasileira e Africana. Das 24 (vinte
quatro) escolas municipais, foram pesquisadas 2 (duas), consideradas modelo no
município de São José. A pesquisa é de caráter qualitativo, quantitativo e descritivo
e utiliza como instrumento de coleta de dados um questionário. Percebemos, a partir
desta pesquisa, um distanciamento entre as propostas da Lei e das Diretrizes e o
que se encontra disponível em acervos de bibliotecas escolares, por mais que o
município tenha envidado esforços na implementação.
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Educação. Lei Federal 10.639/03.
Área Temática: Bibliotecas Escolares.
1 INTRODUÇÃO
O presente artigo é resultado da pesquisa realizada para o trabalho de
conclusão de curso, intitulado Educação e Diversidade Cultural: a Lei Federal
10.639/03 e os acervos das Bibliotecas Escolares do Município de São José, e fruto
de minhas atividades enquanto estudante do Curso de Biblioteconomia, habilitação
Gestão da Informação, vinculada ao Centro de Ciências Humanas e da Educação,
em especial ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de
Santa Catarina (NEAB-UDESC). Tem por objetivo, compreender o papel das
bibliotecas escolares, por meio de estudos de acervos, como instrumento de
disseminação de uma cultura de diversidade e promoção de igualdade, de acordo
com a Lei Federal 10.639/03 e o parecer CNE 003/04 que instituiu as Diretrizes
Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História
e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas redes oficiais de ensino.
Sem dúvida, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, na
conjuntura da consolidação democrática, as diferentes agências públicas passaram
a ser questionadas quanto ao modo como dialogavam com cidadãos e cidadãs.
Como diria Charles Taylor, filósofo canadense, radicado nos Estados Unidos da
América, em sua reflexão sobre o sentido de multiculturalismo e as diversas lutas de
grupos minoritários nos países ocidentais, as pessoas em situação de desvantagem

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passaram

a

defender

o

reconhecimento

público

de

suas

diferenças

e

1

desigualdades .
É neste contexto, que a Educação se torna uma grande arena de debates em
torno do reconhecimento de uma infinidade de identidades (sexuais, etárias, raciais,
étnicas, entre outras)2. Durante anos o Brasil foi representado como um país
mestiço, formado por um cadinho de raças e culturas, com seus inúmeros heróis.
Uma nação em que os cidadãos vivem em harmonia e paz. No entanto esses
padrões nacionais são incapazes de representar a multiplicidade de sujeitos
constitutivos da nação, conforme depreendemos de lutas feministas e antirracistas
que têm dificuldades em se identificar com os varões da pátria, como Duque de
Caxias, Marechal Deodoro ou D. Pedro II3.
Quando pensamos a situação das bibliotecas em geral e, as bibliotecas
escolares em particular, vemos que há muito a ser feito. Estranha-nos que a Rede
Estadual de Educação de Santa Catarina, uma das unidades mais ricas da
federação, não possua um único bibliotecário/a nas suas mais de mil e quinhentas
escolas, visto a inexistência do cargo de bibliotecário escolar. As escolas, bem
como, as bibliotecas escolares atendem um público diversificado, sendo que as
pessoas que usufruem do espaço e dos materiais disponíveis para consulta são
oriundas de diferentes povos e culturas.
As escolas, em especial as escolas de redes públicas de ensino, malgrado os
esforços para modificá-las, ainda estão comprometidas, de um modo geral, com
projetos institucionais que supervalorizam experiências culturais ocidentais e são
pouco permeáveis às práticas culturais e estratégias de sobrevivência dos grupos
subalternos4.

Assim, como acontece em sala de aula, nos materiais didáticos,

colocando em pauta os livros didáticos principalmente, as bibliotecas escolares têm
a representação da cultura e história eurocêntrica.
As Leis Federais nº 10.639/03 e 11.645/08, assim como as Diretrizes
Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de
1

TAYLOR, Charles. El multiculturalismo y La política Del reconocimento. Cidade Del México:
Fondo de Cultura Economica, 1993
2
MACLAREM, Peter. O multiculturalismo crítico. São Paulo: Cortez, 1995
3
CARDOSO, Paulino J F. Políticas Culturais na Educação: pensando o currículo, a formação de
professores e o Multiculturalismo. In: I Simpósio Internacional de Educação e IV Fórum Nacional de
Educação, 1, 2007, Torres/RS. Anais... Torres: ULBRA, 2007
4
Para essa discussão ver o excelente livro de MIGNOLO, Walter. Histórias Locais / Projetos
Globais: Colonialidade, Saberes Subalternos e Pensamento Liminar. Belo Horizonte: Editora Ufmg,
2003, 505 p.

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História e Cultura Afro-brasileira e Africana do Conselho Nacional de Educação,
sinalizam para a institucionalização de uma política de diversidade cultural na
Educação

e

servem

de

estímulo

para

repensar

os

espaços

escolares,

particularmente, a biblioteca escolar.
O município de São José foi escolhido pelas facilidades logísticas para
execução da pesquisa, devido a um acordo de cooperação entre a UDESC e
Prefeitura e, a existência na Secretaria Municipal de Educação de um Programa
Municipal de Diversidade Étnica na Educação, sob coordenação da Profa. Janaina
Amorim da Silva, pesquisadora associada do NEAB-UDESC, egressa de graduação
e mestrado na UDESC.
Esperamos colaborar com a Prefeitura Municipal de São José nos seus
esforços de implementação de políticas de diversidade cultural na Educação e,
principalmente, contribuir para dar visibilidade à importância da biblioteca escolar no
suporte a estratégias de promoção da diversidade cultural e étnico-racial no
ambiente escolar.

2

DIVERSIDADE

ÉTNICO-RACIAL

NA

EDUCAÇÃO

E

BIBLIOTECAS

ESCOLARAES: APONTAMENTOS

Diferentes estudos têm sido realizados sobre bibliotecas escolares, no que
tange a gestão nas respectivas escolas de determinados municípios. De um modo
geral, têm focado sua análise na avaliação de acervo, nos estudos de usuários, na
ação cultural, na bibliotecária(o) escolar, a importância para a comunidade, entre
outras atividades.
Os resultados, nem sempre são contundentes no que se refere a Biblioteca
escolar como espaço de ensino/aprendizagem, formadora de cidadãos e cidadãs
conscientes e críticos (IFLA/UNESCO, 2005).
Ainda vislumbramos bibliotecas sem o/a profissional da informação, limitando
a disseminação de conhecimento a partir dos acervos disponíveis para consulta,
suportes a alunos e alunas, professores/as, bem como a comunidade com o objetivo
de satisfazer necessidades de pesquisa.
Poucas são os estudos realizados nos acervos escolares que envolvem a
implementação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08 e as Diretrizes Curriculares
para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura

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Africana e Indígena.
A Lei 10.639, sancionada em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, consiste na obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana nas redes
oficiais de ensino. E até o presente momento, ainda são poucas as fontes
relacionadas com a temática africana e afro-brasileira nos acervos das bibliotecas
escolares.
Vale lembrar que a referida resultou de esforços do Movimento Negro e seus
aliados no combate às desigualdades raciais na educação brasileira. Desse modo,
parece fundamental articular a existência da norma legal ao necessário
entendimento das trajetórias da educação, em especial, a educação das populações
afro-brasileiras e suas dificuldades de legitimação enquanto sujeitos históricos e
culturais.

3 BIBLIOTECA ESCOLAR E A LEI FEDERAL 10.639/03

Contemporaneamente, formadora de cidadãos e cidadãs desde os anos
iniciais, a biblioteca escolar, de acordo com o projeto político pedagógico de cada
escola, tem a missão de proporcionar informações e ideias fundamentais para
sermos bem sucedidos na sociedade atual, “baseado na informação e no
conhecimento

[...]

desenvolve[ndo]

nos

estudantes

competências

para

a

aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, permitindo-lhes
tornarem-se cidadãos responsáveis” (UNESCO, 2005).
Segundo a Antunes (1986), a biblioteca escolar é um processo de ensino
aprendizagem interagindo com a sala de aula, estimulando a criatividade e a
produção do conhecimento. Elo entre a escola e aluno e professores deve,
[...] fornecer informações relevantes aos seus usuários no momento que são
solicitadas, quando a biblioteca conhece as necessidades de seus usuários
deve preparar-se para obter informações que poderão vir a serem
relevantes a estes usuários. (MARTINS, 2006, p 21)

Para que as informações sejam relevantes aos seus usuários é necessário
que o acervo esteja atualizado, diversificado e integrado ao projeto político
pedagógico da escola, constituindo instrumento de pesquisa para professores e
alunos.

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Além de ser um espaço para leitura e aquisição de conhecimento, a biblioteca
escolar serve de entretenimento de compartilhamento de novas experiências, local
de informação sobre diversos assuntos de diferentes fontes, tais como: impressa ou
eletrônica, mídias, palestras, exposições, dentre outras atividades (MELLO, 2011).
Porém, poucos assuntos relacionados à diversidade cultural têm sido expostos nas
bibliotecas escolares, invisibilizando culturas, priorizando uma única, hegemônica,
eurocêntrica.
Desde que a Lei Federal n.º 10.639/03 foi sancionada, pouco tem sido feito
para adquirir literaturas que discutam ao longo dos anos a contribuição da população
negra e de seus antepassados na construção e formação da sociedade brasileira,
alem de trilhar rumo a uma sociedade democrática, justa e igualitária (BRASIL,
2004).
A referida lei, segundo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade (2005, p. 23) determina a “revisão dos currículos a fim de adequá-los à
Lei e qualificação dos professores e seu constante aperfeiçoamento pedagógico”.
Além dos currículos escolares, o projeto político pedagógico bem como os acervos
das bibliotecas escolares deve adequar-se às Diretrizes para a Educação das
Relações Étnico-raciais e para o ensino de história e cultura africana.
Alguns suportes informacionais também reforçam o mito da democracia racial
com o intuito de reproduzir aos alunos/as que no Brasil não há conflitos raciais.
A história brasileira por muitos anos manteve em seus livros didáticos a
ideia cujo sentido era fazer professores e estudantes acreditarem que
somos originários de uma mistura harmônica de ‘raças’. Até uns bons
cinquenta anos atrás nossos manuais informavam que brancos (europeus),
negros (africanos) e indígenas (nativos) deram origem à raça brasileira de
maneira pacífica e tranquila, sem grandes conflitos, ou seja, um encontro
amistoso. (LEITE, 2007, p.19)

Portanto, a necessidade de verificar acervos de bibliotecas escolares e seus
procedimentos de seleção, aquisição dos materiais que fazem parte da vida do
aluno e da aluna, contribuindo na elaboração de um acervo voltado para a
diversidade étnico-racial e cultural, não apenas para a cultura hegemônica. Os
acervos não devem ser excludentes, pois no ambiente escolar existem diferentes
crianças de com culturas e identidades plurais, que desejam ser reconhecidas entre
os livros, sejam estes literários ou não, presentes em acervos das bibliotecas
escolares.

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Temos percebido que a escola, bem como os materiais informacionais,
principalmente livros didáticos e literaturas, teêm produzido e fortalecido o racismo
por meio de imagens e escritas tendenciosas. Cavalheiro afirma:
Ao reproduzir e disseminar ideologias e conceitos que desvalorizam o grupo
negro, o sistema educacional garante as crianças e aos adolescentes
negros um tipo de tratamento que dificulta e até mesmo chega a impedir a
sua permanência na escola e/ou o sucesso escolar. (CAVALHEIRO, 2005
p.68)

O fato da não permanecia de crianças negras no espaço escolar, entre outros
fatores, envolve a não identificação com as imagens apresentadas em materiais
didáticos e para-didáticos. Com a disseminação ideológica da democracia racial,
estereótipos e preconceitos são fortalecidos pelas mais diversas instituições sociais,
em especial a escola. Segundo Cavalheiro,
[...] o sistema educacional brasileiro, da mesma forma as demais instituições
sociais, está repleta de práticas racistas, discriminatórias e preconceituosas,
o que, gera em muitos momentos, um cotidiano escolar prejudicial para o
desenvolvimento emocional e cognitivo de todas as crianças e
adolescentes, em especial às consideradas diferentes [...] (CAVALHEIRO,
2005, p. 68).

4 METODOLOGIA

O município de São José possui 24 (vinte quatro) escolas municipais, dessas,
foram selecionadas 2 (duas), consideradas modelo, por atender um número
expressivo de alunos(as): o Colégio Municipal Maria Luiza de Melo e o Centro
Educacional Municipal Professora Maria Luiza Iracema Martins de Andrade, para
fazer análise conforme o objetivo da pesquisa. Os sujeitos de pesquisa serão:
responsável da biblioteca escolar professore/as, diretor/a e secretário/o de políticas
de promoção de igualdade racial do município. Com base no objetivo geral, a
pesquisa tem enfoque qualitativo, quantitativo e descritivo, compreendendo
qualitativo enquanto “um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a
descrever e a decodificar componentes de um sistema complexo de significados”
(NEVES, 1996, p. 01).
Para as análises de abordagem qualitativa serão utilizados como instrumento
de coleta de dados os questionários. Conforme Cervo e Bervian (2002, p. 48),

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[...] questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita
medir com melhor exatidão o que se deseja. Em geral, a palavra
questionário refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma
fórmula que o próprio informante preenche. Assim, qualquer pessoa que
preencheu um pedido de trabalho teve a experiência de responder a um
questionário. Ele contém um conjunto de questões, todas logicamente
relacionadas com problema central.

A abordagem quantitativa quantifica dados em torno de resultados obtidos.
Segundo Goldenberg,
A interação da pesquisa quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador
faça um cruzamento de suas conclusões de modo a ter maior confiança que
seus dados não são produto de um procedimento específico ou de alguma
situação particular. Ele não se limita ao que pode ser coletado em uma
entrevista: pode entrevista repetidamente, pode aplicar questionários, pode
investigar diferentes questões em diferentes ocasiões, pode utilizar fontes
documentais e dados estatísticos. (GOLDENBERG, 2004, p. 62)

A abordagem descritiva, segundo o Gil, tem como desígnio “primordial a
descrição das características de determinada população ou fenômeno” (GIL, 2008,
p.45).
Os dados da pesquisa serão explícitos em forma de categorização para
melhor entendimento, visto que várias respostas diferentes correspondem a uma
mesma pergunta geradora.

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

As escolas serão representadas pelas letras A e B para facilitar a
interpretação dos dados. Escola A - Colégio Municipal Maria Luiza de Melo; escola B
- Centro Educacional Municipal Professora Maria Iracema Martins de Andrade.
5.1 Conhecimento e importância da Lei Federal 10.639/03 e das Diretrizes
Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

Quadro 1:Conhecimento da Lei Federal nº10.639/03:
Indicadores
Escola A
Gestores (as)
Razoável
Professores (as) Razoável (Prof. de Português)
Razoável (Prof. de Artes)
Pleno (Prof. de História)
Mínimo (Prof. de Geografia)

Escola B
Razoável
Razoável (Prof. de
Português)
Razoável (Prof. de
História)

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Responsável. de
Biblioteca

Razoável (Res. de biblioteca 1)
Razoável (Res. de biblioteca 3)
Desconheço (Res. de biblioteca
2)

Quadro 2: Importância da Lei Federal nº10.639/03
Indicadores
Escola A
Gestores (as)
Muito importante
Professores (as) Muito importante
Responsáveis de Muito importante
Bibliotecas
Percebe-se,

Pleno (Prof. dos anos
iniciais)
Razoável (Res. de
biblioteca)

nos

quadros

Escola B
Muito importante
Muito importante
Muito importante

apresentados

acima,

que

gestores(as),

professores(as) e responsáveis de biblioteca, tanto da escola A quanto da Escola B,
possuem razoável ou pouco conhecimento em relação à Lei Federal 10.639/03 e às
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais,
porém todos(as) assinalam a importância da temática nas redes de ensino. A Lei
Federal 10.630/03 está em vigência desde 2003, porém a implementação nas redes
de ensino demanda ações e conhecimentos para aplicação em sala de aula que
nem sempre são alcançados. Sabemos que o processo é longo, requerendo
também, parcerias com governo federal, estadual e municipal, juntamente com
movimentos sociais e Núcleos e Estudos Afro-Brasileiros e correlatos. Trata-se de
responsabilidades

em

diferentes

níveis/instâncias

de

atuação,

envolvendo

professores(as), escolas, poder público e sociedade civil, exigindo que a
obrigatoriedade do ensino torne-se efetiva. Faz-se necessário implementar a
temática evitando que seja abordada só em datas comemorativas:
[...] cabe aos conselhos de Educação dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios aclimatar tais diretrizes, dentro do regime de colaboração e da
autonomia de entes federativos, a seus respectivos sistemas, dando ênfase
à importância de os planejamentos valorizarem, sem omitir outras regiões, a
participação dos afrodescendentes, do período escravista aos nossos dias,
na sociedade, economia, política, cultura da região e da localidade;
definindo medidas urgentes para formação de professores; incentivando o
desenvolvimento de pesquisas bem como envolvimento comunitário
(BRASIL, 2004).

Desde o seu surgimento, várias publicações têm sido produzidas e veiculadas
por meio de sites do governo federal, periódicos, dentre outros suportes, trazendo à

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tona conhecimentos em torno da Lei e suas diretrizes. Sabemos que a Lei Federal
10.639/03, como qualquer outra, tem suas lacunas, mas isso não implica
impedimentos na sua obrigatoriedade e implementação. As brechas se referem,
segundo Sales Augusto (2005, p.33), a qualificação docente e as metas para o
cumprimento da lei não se encontram expressas na legislação, fazendo entender
que a responsabilidade concentra-se toda sobre professores(as).
Nos espaços escolares, em especial, nas disciplinas em que são abordadas
trajetórias históricas de determinadas culturas, pouco se fala das culturas de
africanos(as) e seus descendentes. Alguns(mas) professores(as) que discutem o
assunto em suas aulas, muitas vezes, disseminam pensamentos e conhecimentos
eurocentrados, arraigados por estereótipos negativos, inferiorizando culturas e
saberes. Muito da visão equivocada destes profissionais decorre da formação
eurocêntrica experimentada ao longo de sua trajetória escolar.

De forma geral, o sistema educacional está estruturado de um modo mais
conservador do que transformador, perpetuando o status quo da sociedade
e os preconceitos de classe, gênero e de raça, legitimando as classes
sociais e as ideologias sexistas e racistas (PEREIRA, 2010, p. 310).

Pautados(as) na teoria da democracia racial, muitos(as) professores(as) não
percebem que

enfatizando essa visão, perpetuam a ideia de que somos todos

iguais, mestiços, tema pautado quando da construção de uma identidade nacional
popular que englobasse a diversidade do povo brasileiro (RIBEIRO; VICENTE 2008,
p. 34).
É uma corrente ideológica que pretende negar a desigualdade racial entre
brancos e negros no Brasil como fruto do racismo, afirmando que existe
entre estes dois grupos raciais uma situação de igualdade de oportunidade
e de tratamento. Esse mito pretende, de um lado, negar a discriminação
racial contra os negros no Brasil, e de outro lado, perpetuar estereótipos,
preconceitos e discriminação construídos sobre esse grupo racial . (GOMES,
2005, p. 57).

A importância da Lei se dá por meio do reconhecimento da trajetória de luta,
resistência e enfretamento ao racismo que as populações negras passaram ao longo
do tempo e, por meio da Lei Federal 10.639/03, tenta-se combater as mazelas
deixadas pelo período de colonização e ciêntificização da ideia de raça embasada
nas características físicas e nos códigos culturais.

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5.2 Disciplina e capacitação
Quadro 3: Abordagem da temática africana e afro-brasileira nas disciplinas
Indicadores
Escola A
Escola B
Gestores (as) Língua Portuguesa/literatura;
Língua
História;
Portuguesa/literatura;
Geografia;
Geografia.
Artes.
A temática aparece em
A temática aparece em eventos
eventos culturais
culturais e atividades pedagógicas
Professores
Português: Sim, em datas
História: Sim, História
(as)
comemorativas;
do Brasil colonial e
Geografia: Sim, eventos culturais; imperial;
Artes: Sim, outros (trabalhos
Português: Não;
manuais que abordam a temática). Anos iniciais: Sim,
História: Sim, História do Brasil
História do Brasil
colonial e imperial e outro:
colonial e imperial.
Trabalha com História da África.
Quadro 4: Capacitação de gestores(as) e professores(as)
Indicadores
Gestores (as)
Responsável
biblioteca (R)

Escola A
Escola B
Sim: 3 vezes por ano
Sim: 1 vez por ano
de R1 e R2 responderam sim, Não participou.
mas não informaram em
qual formação.
R3, não participou de
nenhuma.

No que concerne a Lei Federal nº 10.639/03, as principais disciplinas que
devem abordar a temática africana e afro-brasileira são Literatura, História, em
especial a história do Brasil e Artes, devido aos aspectos histórico-culturais
presentes nas obras. Mas nada impede que outras disciplinas abordem conteúdos
relativos às suas áreas, a exemplo da matemática, por meio de jogos matemáticos, a
Mancala.
Conforme as respostas assinaladas no quadro anterior, professores(as), tanto
da escola A quanto da B, dizem abordar nas suas disciplinas a temática africana e
afro-brasileira. Mas, muitos assinalam que a abordagem se dá apenas em dias
comemorativos.
O cumprimento da Lei 10.639/03 em São José iniciou em 2007 por solicitação
da Secretaria Municipal de Educação, com um pequeno grupo de professores(as) de
História da rede, pensando na elaboração de uma proposta de formação continuada
contemplando história africana e afro-brasileira. A demanda e iniciativa culminaram

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em novembro daquele ano uma Mesa Redonda no Centro Educacional Municipal
Antônio Francisco Machado, com cerca de 200 participantes entre professores(as) e
alunos(as) da rede municipal do ensino fundamental, EJA e da Universidade de São
José - USJ.
Em 2008, a temática das relações étnico-raciais foi incorporada à estrutura da
Secretaria Municipal de Educação com a criação do Programa da Diversidade
Étnico-Racial. Inúmeras atividades foram realizadas em conjunto com as unidades
escolares. Também foram distribuídos, em todas as unidades educacionais,
educação infantil e fundamental, diversos CDs, DVDs, textos para todas as áreas do
conhecimento e livros de literatura e formação.
Em 2010, o Prefeito Djalma Vando Berger assinou o termo de adesão ao
Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial - FIPPIR, com a
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, estabelecendo
parceria para a construção e implementação de um conjunto de ações que
beneficiem a comunidade afrodescendente de São José. Naquele ano, o Programa
Municipal coordenou o eixo temático da Diversidade, do Plano Municipal de
Educação elaborando propostas em conjunto com a sociedade civil e demais
instituições governamentais.
Em 2011, a Secretaria Municipal de Educação instituiu oficialmente, através
de portaria, o Setor de Educação das Relações Étnico-Raciais fazendo parte da
estrutura organizacional da Secretaria. Dentre as funções do respectivo setor estão:
o acompanhamento às unidades educacionais municipais, garantindo o cumprimento
das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08 nos planejamentos escolares, PPP e
outros instrumentos educacionais; elaboração e análise de materiais didáticopedagógicos específicos das Relações Étnico-Raciais e organização da formação
continuada sobre Educação das Relações Étnico-Raciais aos professores de todos
os níveis e modalidades de ensino.
No mesmo ano, foi oferecida formação continuada específica em Educação
das Relações Étnico-Raciais no período de março a novembro, aberta ao público em
geral, sendo, juntamente com essa formação, realizadas outras: Formação
Continuada de Diversidade na Educação Infantil. Além da formação realizada pela
secretaria,

o

Núcleo

de

Estudos

Afro-Brasileiros

(NEAB-UDESC)

vem

desenvolvendo desde 2003, formação continuada de professores(as) na modalidade
presencial e semipresencial. Com o intuito de atingir maior número de

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professores(as) no estado de Santa Catarina, as formações direcionadas a temática,
em 2007 tornaram-se a distância, com uma parte das atividades no formato
presencial.
No ano passado, bem como este ano de 2012, obteve-se um número recorde
de inscrições, de professores (as) da rede pública de ensino, nos cursos oferecidos
a distância pelo NEAB. São eles: História da África e das Populações de Origem
africana na Diáspora; História dos Índios no Brasil e Formando para a Educação das
Relações Étnico-raciais.
Quadro 5: Fontes de informações relacionada com a temática Africana e Afrobrasileira
Indicadores
Escola A
Escola B
Gestores (as)
Livro didático;
Livro;
Literatura;
Livro didático;
Revista.
Literatura;
DVD.
Professores (as) Português: Literatura; DVD; História:
Livro;
Revista.
Literatura; Revista.
Geografia: Livro didático; Português: Livro; Livro
Literatura.
Didático;
Literatura;
História: Livro; Livro didático; DVD; Revista.
Literatura; DVD; CD; Revista.
Anos iniciais: Livro
Artes: desconhece as fontes didático; Revista.
de informação relacionada
com a temática.
Tanto gestores(as) quanto professores(as) afirmam ter nas bibliotecas das
escolas fontes relacionadas com a temática africana e afro-brasileira, na sua grande
maioria livros didáticos e literatura. Ao verificar o acervo da biblioteca da escola A,
foram localizados quatro livros relacionados com a temática, comparando com a lista
de abaixo que a secretaria disponibilizou para as escolas.
Livros encontrados na lista enviada pela Secretaria de Educação de São José
sobre a temática e afro-brasileira: Navios negreiros; O planalto e a estepe; Contos e
lendas Afro-brasileiros: a criação do mundo; O tesouro do quilombo; Zumbi; O
segredo das tranças e outras histórias africanas; Agbalá; Tumbu; Uma rede para
iemanjá; Mãe África: mitos, lendas e fábulas e contos; Sundjata o príncipe leão;
Lendas de Exu; Questão de pele: contos sobre o preconceito racial; A cor de cada
um; Nina África: contos de uma África menina para ninar gente de todas as idades;
Contos africanos dos países de língua portuguesa; Quilombo Orun Aiê; Omo-oba:

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação
– Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013
histórias de princesas; A menina e o tambor; O príncipe medroso e outros contos
africanos; Palmares a luta pela liberdade, Chuva de manga, Aya de Ypougon:uma
outras visão de África, Diversidade, espaço e relação étnicorraciais: o negro na
geografia do Brasil e Malungos na escola: questões sobre cultura afrodescendentes
e educação. Sendo que os únicos encontrados nas estantes, foram os quatro
últimos.
Na biblioteca da escola B, foram encontrados dois livros de literatura, sendo
um deles “Escrava Isaura” na versão adaptada para novos leitores; um livro especial
para a Educação de Jovens e Adultos e dois paradidáticos destinados aos(às)
professores(as).
Do mesmo modo que professores(as) e gestores(as) da escola A assinalaram
possuir mais literaturas e livros didáticos, a escola B também respondeu desta
maneira. Salientamos que a Secretaria Municipal de Educação de São José
distribuiu os mesmos livros que foram encontrados na listagem da Biblioteca da
escola da A na B também, sendo esta iniciativa desenvolvida nas escolas do
município. Porém, ao analisar o acervo e o livro de registro da escola B, foi
encontrado somente recorte de jornal falando sobre racismo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebemos que nas bibliotecas escolares, em sua grande maioria, há
lacunas quanto aos assuntos pertinentes a ela. Por mais que a Lei 12.244/10,
referente a universalização esteja recentemente criada e sancionada, temos ainda
que lutar pela concretização do(a) profissional da informação especializado em
biblioteca escolar, pois não basta fazer formação continuada com professores(as)
readaptados(as) - maioria dos(as) profissionais que atua em bibliotecas escolares -,
se eles(as) não tiverem noções prévias de práticas relacionadas a área da
biblioteconomia.
Muitos livros ficam inutilizados por um longo tempo, tornando a biblioteca
simples depósito, principalmente por falta de políticas de gestão de estoques
informacionais, exigindo a presença de um(a) bibliotecário(a) para elaboração do
documento voltado especificamente para o planejamento do acervo voltado a
biblioteca escolar. Isso se reflete no acervo, devido a quantidade existente de livros
repetidos (didáticos e literários), evidenciado nas bibliotecas pesquisadas.

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação
– Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013
A Avaliação do acervo não foi realizada na íntegra devido a problemas
burocráticos no que tange a pesquisa de campo.. Verificamos que, dos 21 títulos
relacionado à temática africana e afro-brasileira, nos livros de registros das
bibliotecas pesquisadas e nas listas e livros do MEC enviadas pela Secretaria de
Educação Município de São José, apenas 4 (quatro) estavam em circulação na
Biblioteca da Escola A e nenhum na escolar B. Portanto, esses títulos não dão
suporte aos professores/as na abordagem da temática e nem aos alunos/as, visto
que a biblioteca não disponibilizou seu manuseio e consulta.
Livros voltados para a temática da diversidade cultural, em especial História e
Cultura Africana e Afro-brasileira, possibilitam às crianças tanto das séries iniciais,
quanto das séries finais de conhecerem o continente africano e sua diversidade,
além das histórias dos afrodescendentes no Brasil.
Nos últimos anos, várias formações têm sido feitas, porém pelas respostas
explicitadas,

poucos

são

os(as)

professores(as)

que

conseguem

alcançar

qualificação voltada para os diferentes temas, em especial, o cumprimento da Lei
Federal 10.639/03, através da implementação dos conteúdos necessários. Por mais
que se tenham entidades e instituições e, mesmo a Secretaria de Educação do
Município, oferecendo cursos de formação continuada, encontramos lacunas nas
disciplinas e nos acervos escolares.

REFERÊNCIAS

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série, Brasilia, v.9,n.2, p.121-125, abril./jun. 1986.
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pública da cidade de São Paulo. MEC/SECAD. Educação anti-racista:caminhos
abertos pela Lei Federal nº10.639/03.Brasília:SECAD, 2005.
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científica. 6. ed São Paulo: Prentice Hall, 2002.

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2009.
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raciais no Brasil:uma breve discussão. In: MEC/SECAD. Educação antiracista:caminhos abertos pela Lei Federal nº10.639/03.Brasília:SECAD, 2005.
GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Educação e diversidade cultural: a Lei Federal 10.639/03 e os acervos de bibliotecas escolares do município de São José - SC</text>
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              <text>Graziela dos Santos Lima</text>
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              <text>Paulino de Jesus Francisco Cardoso</text>
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              <text>O presente artigo busca compreender o papel das bibliotecas escolares do município de São José, através de estudos de acervos, que servem como instrumento de disseminação de uma cultura de diversidade e promoção de igualdade, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de Cultura e História Afro-Brasileira e Africana. Das 24 (vinte quatro) escolas municipais, foram pesquisadas 2 (duas), consideradas modelo no município de São José. A pesquisa é de caráter qualitativo, quantitativo e descritivo e utiliza como instrumento de coleta de dados um questionário. Percebemos, a partir desta pesquisa, um distanciamento entre as propostas da Lei e das Diretrizes  e o que se encontra disponível em acervos de bibliotecas escolares, por mais que o município tenha envidado esforços na implementação</text>
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