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                  <text>A Utilização de uma cartilha em formato de mangá para a
otimização do uso da Biblioteca Escolar Ana Oliveira, da Escola
Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Freitas (EEEFM Dr.
Freitas), em Belém-Pa.

Elisangela Silva Costa (UFPA) - bibliofila@gmail.com
Fellipe Borges de Oliveira (UEPA) - borges.fellipe@hotmail.com
Resumo:
Descreve a elaboração e o uso de uma cartilha em formato de mangá,
concebida com o objetivo de incentivar a comunidade escolar a otimizar o uso da
Biblioteca Escolar Ana Oliveira, da EEEFM Dr. Freitas em Belém-Pa. Apresenta,
brevemente, o Projeto Biblioteca Escolar e Ações de Leitura: caminhos para
fortalecer a educação básica, oriundo do Programa Fortalecer, que consistia em
uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e a Universidade
Federal do Pará (UFPA) com o fito de dinamizar o uso de bibliotecas escolares por
meio do tratamento técnico, disseminação, circulação e promoção da leitura dos
materiais bibliográficos constantes nas unidades de informação destes
estabelecimentos de ensino. Contextualiza a educação de usuários quanto ao seu
conceito, objetivos, metodologia e instrumentos, dando destaque para as cartilhas.
Relata os procedimentos metodológicos utilizados na elaboração da cartilha, que
contou com uso dos softwares Comics Life 1.3.4 e Photoshop para torná-la concreta.
Constatou-se que a tarefa de conscientização dos indivíduos quanto às boas
práticas de uso de uma biblioteca geralmente é hercúlea, por esse motivo foi
desenvolvido um material instrucional mais próximo da realidade dos estudantes do
EEEFM Dr. Freitas, o que contribuiu enormemente para a aceitação e assimilação dos
procedimentos da biblioteca pela clientela atendida.
Palavras-chave: Biblioteca Escolar. Educação de usuários. Mangá.
Área temática: Bibliotecas Escolares

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A Utilização de uma cartilha em formato de mangá para a otimização do uso
da Biblioteca Escolar Ana Oliveira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental
e Médio Dr. Freitas (EEEFM Dr. Freitas), em Belém-Pa.
Resumo: Descreve a elaboração e o uso de uma cartilha em formato de mangá,
concebida com o objetivo de incentivar a comunidade escolar a otimizar o uso da
Biblioteca Escolar Ana Oliveira, da EEEFM Dr. Freitas em Belém-Pa. Apresenta,
brevemente, o Projeto Biblioteca Escolar e Ações de Leitura: caminhos para
fortalecer a educação básica, oriundo do Programa Fortalecer, que consistia em
uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e a Universidade
Federal do Pará (UFPA) com o fito de dinamizar o uso de bibliotecas escolares por
meio do tratamento técnico, disseminação, circulação e promoção da leitura dos
materiais bibliográficos constantes nas unidades de informação destes
estabelecimentos de ensino. Contextualiza a educação de usuários quanto ao seu
conceito, objetivos, metodologia e instrumentos, dando destaque para as cartilhas.
Relata os procedimentos metodológicos utilizados na elaboração da cartilha, que
contou com uso dos softwares Comics Life 1.3.4 e Photoshop para torná-la concreta.
Constatou-se que a tarefa de conscientização dos indivíduos quanto às boas
práticas de uso de uma biblioteca geralmente é hercúlea, por esse motivo foi
desenvolvido um material instrucional mais próximo da realidade dos estudantes do
EEEFM Dr. Freitas, o que contribuiu enormemente para a aceitação e assimilação
dos procedimentos da biblioteca pela clientela atendida.
Palavras-chave: Biblioteca Escolar. Educação de usuários. Mangá.
Temática V: Bibliotecas Escolares
1 INTRODUÇÃO

Historicamente, a tarefa de mediar a interação entre o leitor e os materiais
bibliográficos sempre esteve presente na práxis bibliotecária, independente do nível
de ensino do usuário ou do porte da biblioteca. Entretanto, quando se fala de
biblioteca escolar, esse viés pedagógico do fazer bibliotecário se torna ainda mais
patente. Todavia, esse ainda constitui um dos maiores gargalos no reconhecimento
da biblioteca no meio escolar, conforme é atestado no Programa Nacional Biblioteca
Escolar (PNBE, 2008, p. 128), onde relata-se que:
[...] a democratização do acesso à leitura esperada pela distribuição de
livros do PNBE, com alcance amplo no que diz respeito a usuários de
diversos segmentos – estudantes, professores e pessoas das comunidades

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– e em variados desenhos – escolas e comunidades, acervos coletivos e
individuais, obras e coleções -, parece não ter acontecido como o previsto.

Em uma tentativa de superar essa adversidade, ainda em 2008, foi lançado o
Programa Fortalecer, que consistia em uma parceria entre a Secretaria de Estado da
Educação (SEDUC) e a Universidade Federal do Pará (UFPA) com o fito de
dinamizar o uso de bibliotecas escolares por meio do tratamento técnico,
disseminação, circulação e promoção da leitura dos materiais bibliográficos
constantes nas unidades de informação destes estabelecimentos de ensino.
Àquela época, três escolas públicas de Belém do Pará foram contempladas:
a) a EEEFM Edgar Pinheiro Porto, com o Projeto Ações para a Promoção do Uso da
Biblioteca Escolar na EEEFM Edgar Pinheiro Porto; b) a EEEFM Barão do Rio
Branco, com o Projeto Ampliação e Organização do Atendimento da Sala de Leitura:
possibilidade da implantação da Biblioteca; e c) a EEEFM Dr. Freitas (locus deste
artigo), com o Projeto Biblioteca Escolar e Ações de Leitura: caminhos para
fortalecer a educação básica, o qual tinha como objetivos:
Objetivo geral: Fortalecer a biblioteca escolar e ampliar o gosto pela leitura
nos alunos da educação básica da EEEFM Dr. Freitas;
Objetivos específicos:
 Organizar o acervo existente na biblioteca e atualizá-lo através da
aquisição de novos materiais;
 Intensificar o uso da biblioteca entre os alunos da EEEFM Dr. Freitas;
 Incentivar e despertar o gosto pela leitura através de atividade
lúdicas;
 Contribuir para o desenvolvimento do aluno quanto a decodificação
do sistema de escrita;
 Promover a integração social da comunidade escolar possibilitando
uma conduta cidadã em seus ambientes de relação;
 Sensibilizar a comunidade escolar quanto à conservação do acervo
público através de atividades teatrais;
 Disseminar informações através da elaboração de um livro norteador
de ações de leitura aplicadas na EEEFM Dr. Freitas, com a finalidade
de ser publicado, posteriormente pelo Governo do Estado do Pará;
 Realizar videoconferência para os 10 campi da UFPA. (UFPA, 2008).

Este Projeto foi bastante exitoso, pois permitiu unir esforços em favor de um
bem comum. A escola cedia o ambiente e os materiais bibliográficos e a UFPA, os
recursos humanos, pois a equipe de trabalho era composta por: bibliotecários da
Biblioteca Central, além de docentes e discentes da Faculdade de Biblioteconomia
da UFPA. Como o projeto tinha um caráter multidisciplinar, também compuseram a
equipe discentes dos cursos de Educação Artística, Pedagogia e Ciência da

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Computação. A fim de garantir que os conhecimentos gerados durante o projeto se
perpetuassem na Escola, na equipe também havia membros do corpo docente da
EEEFM Dr. Freitas: uma professora de Língua Portuguesa, que era a responsável
pelo funcionamento da Biblioteca, e uma professora de Artes, além da Diretora da
Escola. Esse trabalho multidisciplinar se alinhou aos princípios do Manifesto
IFLA/UNESCO Para Biblioteca Escolar, o qual previa que:
[...] Está comprovado que bibliotecários e professores, ao trabalharem em
conjunto, influenciam o desempenho dos estudantes para o alcance de
maior nível de literácia na leitura e escrita, aprendizagem, resolução de
problemas, uso da informação e das tecnologias de comunicação e
informação (IFLA ; UNECO, 2002).

O trabalho de reorganização da Biblioteca Ana Oliveira envolveu as seguintes
atividades:
1°) Treinamento dos bolsistas de Biblioteconomia;
2°) Registro, carimbamento, classificação, catalogação e indexação das
publicações;
3°) Reorganização do acervo;
4°) Reordenação das revistas;
5°) Baixa dos materiais que não estavam em bom estado de conservação;
6°) Cadastro em uma base de dados desenvolvida no software livre Microisis for
Windows;
7°) Promoção de ações de incentivo à leitura, tais como: contação de histórias,
dramatização, ciranda do livro, concurso de poesia etc;
8°) Elaboração da cartilha para orientação quanto ao uso da biblioteca, em estilo
Mangá.
Esta cartilha foi concebida com o objetivo de desenvolver um material
instrucional, visando auxiliar os alunos a otimizarem o uso da biblioteca após o
término do projeto; pois de nada adiantaria desenvolver um trabalho de
reorganização sem deixar legados norteadores para a manutenção do mesmo.
2 AS BIBLIOTECAS ESCOLARES E A EDUCAÇÃO DOS USUÁRIOS

Conforme Santiago e Azevedo Netto (2012, p. 247), para identificar as
carências informacionais e atender às demandas emergentes, se faz mister que a

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biblioteca estabeleça elos de comunicação contínuos com o usuário. Para tanto, é
fundamental que a organização, o planejamento e a execução de ações da
biblioteca sejam norteadas pela interação e pela capacitação de seus usuários em
prol da utilização acertada dos produtos e serviços ofertados por esta.
Nesse cerne, uma das estratégias de aproximação da biblioteca com os seus
frequentadores reside na educação de usuários, pois ela permite mudanças
comportamentais e o desenvolvimento de habilidades e aptidões, que irão incutir
autonomia e criticidade aos usuários durante suas pesquisas bibliográficas. Nessa
perspectiva, a educação de usuários, conforme Belluzzo (1989, p. 76-77),
corresponde ao:
[...] conjunto de ações planejadas e desenvolvidas continuamente, de
acordo com as características e necessidades do usuário, para que a
biblioteca seja um instrumento educativo, facilitador da interiorização de
comportamentos adequados ao uso eficiente dos seus recursos
informacionais e da interação permanente com os sistemas de informação.

Para se atingir os objetivos esperados no que tange à educação de usuários,
se faz necessário elaborar um programa de educação de usuários, o qual deve,
segundo Ah Ton e Valério (1979, p. 179), abranger três planos: plano cognitivo,
plano afetivo e plano psicomotor.
Plano cognitivo: relaciona-se com a capacitação do usuário quanto ao
conhecimento dos recursos informacionais, redes de informações, para sua
eficiente utilização. (1:188; 2:78; 10:224).
Plano afetivo: relacionado aos sentimentos, atitudes. valores, interesse,
apreciação. Preocupa-se em mudar os valores e atitudes negativas que
alguns usuários possam ter em relação à biblioteca, aos bibliotecários e à
informação. (1:188; 2:78-9; 10:224).
Plano psicomotor: relaciona-se com habilidades motoras e manuais que
possibilitam o uso efetivo e regular dos recursos-bibliográficos, integrandoos nas suas atividades. (1:188; 2:79).

De acordo com a literatura biblioteconômica levantada por Figueiredo (1986,
p. 3), "nenhum método é melhor do que outro, em termos de eficiência em transmitir
conhecimentos", cabendo ao bibliotecário ter o bom senso para eleger, dentre os
métodos existentes. aquele que mais se adequa à realidade de sua biblioteca.
Contudo, os métodos educacionais mais comumente utilizados para orientação
bibliográfica de usuários foram elencados Cunha (1986, p. 182) no quadro 1.

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Quadro 1 – Métodos de ensino e as mídias educacionais mais úteis de acordo com o tamanho do
grupo
Métodos de ensino/mídia educacionais
Tamanho do grupo
Palestra
Instrução em grupo
Seminário, demonstração
Excursão orientada
Filme
Instrução em grupo e individual
Video-tape / tape slide
Áudio tape
Livros, guias, impressos etc.
Instrução individual
Exercício prático
Instrução programada
Assistência instrucional de computador (CAI)
Apoio individual
Fonte: Adaptado de FJALLBRANT; STEVENSON (1977) por CUNHA (1986, p. 182).

As cartilhas historicamente sempre auxiliaram na orientação de educandos,
conforme Collares e Ruaro (1997), estas têm sua origem associada:
[...] à elaboração de material impresso simplificado e específico, direcionado
a facilitar os processos de alfabetização. Posteriormente, a palavra cartilha
assumiu uma conotação mais ampla, para além do universo da
alfabetização, passando a significar também publicações concisas, voltadas
a apresentar qualquer tema específico de maneira simples, objetiva e
didática.
Quando bem elaboradas, as cartilhas são bastante úteis e eficientes como
instrumentos informativos e educativos, principalmente se empregadas com
objetivos bem definidos e como um elemento adicional no contexto de
estratégias ou planos mais amplos de comunicação e ensino. Podem ser
utilizadas por estudantes, como material de pesquisa sobre temas
particulares, por professores, como apoio na realização de atividades em
sala de aula, assim como para orientação de trabalhadores, jovens
envolvidos em atividades de ONGs ou por qualquer cidadão comum
interessado em aprimorar seus conhecimentos acerca de um determinado
tema.

Desta feita, resolveu-se produzir esta cartilha para orientar os educandos da
EEEFM Dr. Freitas a otimizar o uso da biblioteca. Porém, ela é diferente da grande
maioria das existentes, pois possui o estilo de Mangá, escolha essa feita a partir da
percepção de que os alunos da escola, a qual o projeto estava relacionado, nutriam
grande interesse pelas histórias em quadrinhos (HQs), e um dos pressupostos para
orientar os usuários é falar a linguagem deles. Ademais, procurou-se alinhar aos
preceitos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sancionada em
20 de dezembro de 1996, a qual prevê que:
Item II, do art. 3°, da lei diz que a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar
e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber “é uma das bases do
ensino”;

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Item II do § 1° do art. 36 registra, de forma mais explicita, que, entre as
diretrizes para o currículo do ensino médio, está o conhecimento de “formas
contemporâneas de linguagem” (BRASIL, 1996).

3 MATERIAL E MÉTODOS

Para tornar a educação dos usuários da Biblioteca Ana Oliveira exequível
foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos:
3.1 Elaboração da cartilha em formato de mangá

O material elaborado com o intento de promover a educação dos usuários da
Biblioteca supracitada foi uma cartilha desenvolvida visando orientar a comunidade
estudantil para um melhor uso da biblioteca, cujo formato é inovador, pois é em
forma de mangá (revista em quadrinhos japonesa).
Mangá é o nome dado às histórias em quadrinhos de origem japonesa. A
palavra surgiu da junção de outros dois vocábulos: man, que significa involuntário, e
gá, imagem (BARBOSA, 2009).
A disposição dos quadrinhos em uma página de mangá é diferente daquela
que se costuma ver num comics americano, que geralmente tem 3 ou 4 fileiras de
quadrinhos por página. Como os mangakás (nome dado aos autores de mangás)
dispõem de um espaço maior para contar sua história, também empregam um
número menor de quadrinhos por página – não é difícil ver página até sem
quadrinhos, com uma única imagem estourada. Também é característica dos
mangás serem feitos completamente em preto-e-branco e em papel jornal, o que
torna o produto mais barato e faz com que ele seja consumido por todo tipo de
pessoa – no Japão eles são lidos por crianças, estudantes, executivos, donas de
casa etc.
De acordo com o site Animemania (2010), existe um tipo de mangá para cada
tipo de público, assim temos:
- ADULTO: Para este público-alvo são feitas histórias do cotidiano japonês.
Problemas no trabalho, drama familiar e de relacionamento são assuntos
constantes nas histórias. Os segmentos são: Gekiga, Josei e Seinen;
- Gekiga: Estilo dramático, pouco estilizado (entenda-se pouco
caricato), sem traços de humor ou rostos com olhos grandes e

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redondos. Os temas enfocados são, geralmente, histórias de
samurais ou de yakuzas (mafiosos japoneses);
- Josei: Têm como público-alvo as donas de casa e trabalhadoras
femininas, como as secretárias. Enfoca seu cotidiano, seja no
trabalho doméstico até as obrigações profissionais. Ambos exemplos
anteriores têm modelos básicos semelhantes ao Shonen e ao Shojo;
- Seinen: Seu público-alvo é o masculino adulto. Enfocam temas
relativos a trabalho, a vida social e as atividades em um escritório por
exemplo. Esportes são temas muito abordados, como o
automobilismo na época de Aírton Senna, um gigantesco ídolo no
Japão.


ANIPARÔ: São as paródias de temas como animes (desenhos
animados japoneses) ou até mesmo de videogames. São encontrados
geralmente nos trabalhos amadores, nos chamados Dojinshis, os
fanzines japoneses (fanzine é a abreviação de fans magazine, que
significa revista dos fãs).



INFANTIL: Para o público infantil (kodomo), as histórias são mais
simples assim como o próprio desenho, recheadas de humor e lições de
moral. Podem agradar tanto meninos como meninas.
- Kodomo: Mangá para crianças. Normalmente são revistas com
altíssimo interesse comercial e financiadas por empresas de
brinquedos. Porém, contém muito material dedicado à alfabetização,
à ciência e fomenta a pesquisa.



SHOJO: Esse estilo é o dirigido para o público feminino, as histórias
são carregadas de dramaticidade e emoção, com uma arte mais
delicada e com poucos efeitos. Para os adultos, as histórias são
baseadas mais no cotidiano, como se fosse uma novela de TV.



SHONEN: Esse é o estilo dirigido ao público jovem
masculino/adolescente. As histórias são mais complexas, carregadas de
ação, suspense, sexo e, muitas vezes, bastante violentas, sendo a arte
mais elaborada e cheia de efeitos. Os heróis são, geralmente,
adolescentes que têm seus conflitos pessoais, como insegurança,
precocidade, sensibilidade, medos etc., como qualquer pessoa da sua
idade. Apesar de tudo isso, ele vai lutar por um objetivo no decorrer da
história ou da saga e amadurecerá. No estilo shonen, valoriza–se muito
a amizade entre garotos, a superação pessoal, a honra e a coragem.

Além dos estilos citados acima, existe um outro estilo voltado mais para o
público adulto que são os mangás Hentai. De acordo com o site Sétima Arte (2010),
a palavra hentai é composta por dois kanjis: o hen, que significa “mudança” ou
“estranho”; e tai que tem o sentido de “atitude” ou “aparência”. Desta forma, o
vocábulo é usado para expressar comportamentos que diferem dos que
normalmente são de costume. Este termo é a contração da expressão hentai
seiyoku, cujo significado é “perversão sexual”, que, ao ser utilizado como gíria,
expressa o ato sexual em condições extremas ou bizarras em relações tanto aos
heterossexuais quanto aos homossexuais.

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Obviamente, as semelhanças entre os mangás e a cartilha de uso da
biblioteca só convergem em seu aspecto formal, uma vez que esta cartilha tem
cunho puramente instrucional.

3.3.1 Definição do cenário

O ambiente eleito como cenário da cartilha foi a Biblioteca Ana Oliveira,
sediada na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Freitas, localizada
na Av. Generalíssimo Deodoro, n. 220, Bairro do Umarizal, Belém – Pará. A escola
supracitada foi fundada em 08 de junho de 1901, pelo, então, governador da época,
Dr. Augusto Montenegro com a denominação de “6° Grupo Escolar”. Em 1938, no
Governo do Tenente Magalhães Barata passou a se chamar Grupo Escolar “Dr.
Freitas”. Em 1971, teve novamente seu nome alterado para Escola Estadual de 1°
Grau “Dr. Freitas” (tendo sido uma das seis primeiras escolas a implantar o ensino
de 1° Grau). Já o ensino de 2° Grau foi incluído em 1993, para complementar os
estudos dos alunos. Três anos mais tarde foi reconhecido o Ensino de 1° Grau de 5ª
a 8ª séries pela resolução 316/96 Conselho Estadual de Educação (CEE) e
concomitantemente, teve o Conselho Escolar novamente implantado. Esta
instituição de ensino só passou a ter sua atual denominação, em 1997, com advento
da nova LDB de n° 9.394/96. O turno da noite e o ensino supletivo (3ª e 4ª etapas)
foram viabilizados em 2001 (COMUNIDADE DR. FREITAS, 2012).
Foto 1 - Fachada da escola.

Fonte: COMUNIDADE DR. FREITAS, 2012.

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Um ingrediente fundamental as HQs são os cenários, já que para contar uma
história visualmente, é preciso que os personagens adentrem em ambientes, por
motivos óbvios para auxiliar os estudantes a se identificarem e fazer um bom uso da
biblioteca, o cenário da cartilha é a escola em que eles estudam e a biblioteca que
eles frequentam. Portanto, o uso do programa Comics Life mostrou-se acertado,
pois permite a captura de fotos de ambientes reais e inseri-los no formato de revista
em quadrinhos.
Figura 2 – Primeira página da cartilha

Fonte: PROJETO FORTALECER, 2010.

3.2 Procedimentos

Para elaborar a cartilha, foi feito um roteiro com situações reais vivenciadas
na biblioteca. Posteriormente, foram selecionados alunos da EEEFM Dr. Freitas para
a captura das imagens a serem utilizadas na construção das cenas que simularam
as situações retratadas no roteiro da cartilha.
Após esse processo, as fotografias foram tratadas no software Adobe
Photoshop CS3 (ferramenta profissional para edição de imagens), sendo submetidas
ao efeito da “Galeria de Filtros” deste programa e também ao “Traçado de Pincel”
denominado Sumi-e, que permite o aumento dos traçados escuros e dos brilhos,
equilibrando o branco com as demais cores e tornando a imagem com o aspecto
bem semelhante a um desenho de histórias em quadrinhos americanas.

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Em seguida, as imagens foram inseridas no software de criação de HQs, o
Comic Life 1.3.4. Nele, os quadros foram organizados, sendo inseridos os balões
com os diálogos, bem como comentários em terceira pessoa, simulando o narrador,
e as onomatopeias, que expressavam o estado emocional em que os personagem
se encontravam.
A diagramação da cartilha foi toda desenvolvida por um bolsista do Projeto
“Biblioteca Escolar e Ações de Leitura: caminhos para fortalecer a educação básica”,
que juntamente com uma das bibliotecárias colaboradoras escreveu o roteiro e
dirigiu os alunos para encenarem as situações que figuram na cartilha.
Os mangás têm uma particularidade de serem escritos de trás para frente, tal
qual como é grafada a escrita japonesa. Por isso, foi necessário fazer uma página
de advertência, a fim de que os estudantes que não tivessem muita intimidade com
a cultura mangá não fizessem uma leitura de maneira errada da cartilha.
Figura 3 – Página de advertência
e informação de como ler a cartilha.

Fonte: PROJETO FORTALECER, 2010.

Outra característica dos mangás é uma página apresentando cada um dos
personagens (como os sujeitos que deram vida a estes personagens pertencem ao
cotidiano escolar, e tendo e vista que principalmente a protagonista manifesta
comportamentos inadequados a uma biblioteca, optou-se por atribuir-lhes nomes
fictícios). Nela é feita uma sucinta descrição, para que o expectador comece a ter
uma noção de como os personagens irão se comportar ao longo da trama.

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Figura 4 – Página de apresentação dos personagens principais

Fonte: PROJETO FORTALECER, 2010.

A fim de proporcionar um maior dinamismo, a estética dos quadrinhos
trabalha com diferentes formas geométricas, onde as falas são simbolizadas por
balões e o layout apresenta quadrantes com diferentes formatos, sendo que os
personagens precisam demonstrar muitas expressões faciais e corporais, para
auxiliar a audiência a compreender mais facilmente a estória.
Figura 5 – Segunda página da cartilha

Fonte: PROJETO FORTALECER, 2010.

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Os mangás se diferenciam dos quadrinhos ocidentais não só pela sua origem,
mas principalmente por se utilizarem de uma representação gráfica muito peculiar.
Para começar, o alfabeto japonês se compõe de ideogramas, que não só
representam sons, mas também ideias. Assim, em um mangá, o texto em geral, mas
sobretudo, as onomatopeias, fazem parte da arte, posto que estas figuras de
linguagem constituem um recurso visual utilizado para imitar o som de expressões
(de alegria, de contrariedade, de medo, de espanto etc), e que, além de tornarem a
linguagem mais dinâmica, também lhes confere grande beleza visual, conforme
Luyten (2011, p. 22) “os mangás, quadrinhos japoneses, exploram ao máximo este
recurso, pois os sons são colocados em alfabeto katakana ou hiragana,
completando a estética da página”.
Figura 6 – Página em que aparecem onomatopeias
expressando o estado emocional do personagem.

Fonte: PROJETO FORTALECER, 2010.

Na cena acima, a mancha causada pelo hambúrguer no livro resultou de um
efeito de computador, feito com o software Photoshop. Esta configura também é
uma das vantagens de se trabalhar com os quadrinhos, pois é possível simular
situações que poderiam perfeitamente no mundo real, sem causar danos de fato aos
documentos. Como se pode perceber nessa cena as artes gráficas suprem tal
necessidade, além de proporcionarem uma melhor aceitação do público-alvo em
relação a cartilha com o formato de mangá.

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4 CONCLUSÃO

A tarefa de conscientização dos indivíduos quanto às boas práticas de uso de
uma biblioteca geralmente é hercúlea, por esse motivo foi desenvolvido um material
instrucional mais próximo da realidade dos estudantes do EEEFM Dr. Freitas, o que
contribuiu enormemente para a aceitação e assimilação dos procedimentos da
biblioteca pela clientela atendida.
A cartilha foi elaborada com o intento de ser o mais inteligível possível aos
alunos. Para tanto, foram feitas pesquisas relacionadas a comportamentos e
expressões linguísticas mais utilizadas pelos alunos, com isso proporcionando-lhes
uma maior interação com a cartilha. O humor é uma das características deste
material instrucional, assim como as vestimentas joviais, as gírias e os
comportamentos que retratam a comunidade escolar.
Ressalta-se que o trabalho de orientação de escolares para um melhor uso da
biblioteca já é uma preocupação antiga na Biblioteconomia. Carvalho, em seu artigo
intitulado “Educação de usuário em bibliotecas escolares: considerações gerais”,
publicado em 1981, já advertia para a importância dessa ação dizendo:
Saber usar os recursos de uma biblioteca é importante na educação dos
jovens, não só como habilidade necessária para o êxito das atividades
escolares, mas também como um tipo de conhecimento que terá utilidade,
do mesmo modo, na vida adulta. Há ainda outros motivos que tornam as
bibliotecas escolares as mais indicadas para orientar os alunos sobre o uso
das bibliotecas e do material bibliográfico. Se orientado, desde os primeiros
anos escolares, o aluno chegará à universidade apto a organizar
corretamente seus trabalhos curriculares, teses, monografias etc; ao mesmo
tempo em que se sentirá descontraído no ambiente da biblioteca. O esforço
despendido na execução desses programas na escola primária e
secundária se reflete, assim, em estudantes universitários mais
amadurecidos intelectualmente, mais independentes na realização de suas
pesquisas, o que poupa ao bibliotecário universitário tempo precioso que
poderá ser aproveitado na provisão de melhores serviços.

Por experiência própria, verifica-se que a maioria dos materiais instrucionais
são jogados fora logo após o término de uma palestra ou outro evento de orientação.
No entanto, a elaboração da cartilha no formato de mangá fez com que os alunos
não só se interessassem em mantê-la, como também consultá-la e aplicá-la com
mais frequência.
Espera-se que esse modelo de cartilha seja adotado pelas demais escolas
que compõe a rede pública de ensino do Estado do Pará.

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REFERÊNCIAS
AH TON, Ah Tin; VALÉRIO, D.H. A formação dos usuários no meio universitário:
uma revisão bibliográfica (1974-1978) In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, 10., Curitiba, 1979. Anais... Curitiba, ABPr, 1979. p. 177-200.
ANIMEMANIA.
Tipos
de
Mangá.
2010.
Disponível
em:
&lt;http://www.uniblog.com.br/animemania/59836/tipos-de-mangas.html&gt;. Acesso em:
29.02.2013.
BARBOSA, Alexandre. Mangás em sala de aula. In: VERGUEIRO, Waldomiro;
RAMOS, Paulo (Org.). Quadrinhos na educação: da rejeição à prática. São Paulo:
Contexto, 2009, p. 103-126.
BELLUZZO, R.C.B. Educação de usuários de bibliotecas universitárias: da
conceituação e sistematização aos estabelecimentos de diretrizes. São Paulo, 1989.
(Dissertação - Mestrado, Escola de Comunicações e Artes/USP).
BRASIL. Decretos e Leis. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa
do
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21
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1996.
Disponível
em:
&lt;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm&gt;. Acesso em: 06 jan. 2013.
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A Utilização de uma cartilha em formato de mangá para a otimização do uso da Biblioteca Escolar Ana Oliveira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Freitas (EEEFM Dr. Freitas), em Belém-Pa. </text>
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              <text>Descreve a elaboração e o uso de uma cartilha em formato de mangá,concebida com o objetivo de incentivar a comunidade escolar a otimizar o uso daBiblioteca Escolar Ana Oliveira, da EEEFM Dr. Freitas em Belém-Pa. Apresenta,brevemente, o Projeto Biblioteca Escolar e Ações de Leitura: caminhos parafortalecer a educação básica, oriundo do Programa Fortalecer, que consistia emuma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e a UniversidadeFederal do Pará (UFPA) com o fito de dinamizar o uso de bibliotecas escolares pormeio do tratamento técnico, disseminação, circulação e promoção da leitura dosmateriais bibliográficos constantes nas unidades de informação destesestabelecimentos de ensino. Contextualiza a educação de usuários quanto ao seuconceito, objetivos, metodologia e instrumentos, dando destaque para as cartilhas.Relata os procedimentos metodológicos utilizados na elaboração da cartilha, quecontou com uso dos softwares Comics Life 1.3.4 e Photoshop para torná-la concreta.Constatou-se que a tarefa de conscientização dos indivíduos quanto às boaspráticas de uso de uma biblioteca geralmente é hercúlea, por esse motivo foidesenvolvido um material instrucional mais próximo da realidade dos estudantes doEEEFM Dr. Freitas, o que contribuiu enormemente para a aceitação e assimilação dos procedimentos da biblioteca pela clientela atendida. </text>
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