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                  <text>POLÍTICAS PÚBLICAS PARA BIBLIOTECAS ESCOLARES: O CASO
DA BIBLIOTECA DE UMA ESCOLA DA REDE PÚBLICA DE
EDUCAÇÃO

Josiane Mello (UFRN) - mellojosi@hotmail.com
Resumo:
Apresenta um estudo realizado na biblioteca de uma escola, localizada no Município de
Palhoça - SC, pertencendo à rede pública de educação, com o objetivo de identificar as
políticas públicas existentes neste espaço, no tocante aos seguintes itens: aspectos físicos,
acervo, pessoal, usuários reais e potências, serviços oferecidos e gestão e sugerir políticas
públicas de informação e educação para que a referida biblioteca melhore sua atuação e
chegue (próximo) ao que se define como ideal de biblioteca escolar. Trata-se de um estudo de
caso, com abordagem qualitativa e objetivo exploratório-descritivo. Os resultados apontam
urgência em se implantar políticas públicas de informação e educação em prol da ativação da
biblioteca escolar estudada.
Palavras-chave: Biblioteca Escolar. Políticas Públicas.
Área temática: Bibliotecas Escolares

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA BIBLIOTECAS ESCOLARES: O CASO DA
BIBLIOTECA DE UMA ESCOLA DA REDE PÚBLICA DE EDUCAÇÃO
Josiane Mello1

Resumo:
Apresenta um estudo realizado na biblioteca de uma escola, localizada no Município
de Palhoça - SC, pertencendo à rede pública de educação, com o objetivo de
identificar as políticas públicas existentes neste espaço, no tocante aos seguintes
itens: aspectos físicos, acervo, pessoal, usuários reais e potências, serviços
oferecidos e gestão e sugerir políticas públicas de informação e educação para que
a referida biblioteca melhore sua atuação e chegue (próximo) ao que se define como
ideal de biblioteca escolar. Trata-se de um estudo de caso, com abordagem
qualitativa e objetivo exploratório-descritivo. Os resultados apontam urgência em se
implantar políticas públicas de informação e educação em prol da ativação da
biblioteca escolar estudada.
Palavras-chave: Biblioteca Escolar. Políticas Públicas.
Área Temática: V Bibliotecas escolares

1 INTRODUÇÃO
A educação é um processo exclusivamente humano porque, dentre outros
elementos, ela exige linguagem, pensamento e cultura. Pela linguagem o ser
humano é educado; pelo pensamento o ser humano reflete sobre seus atos; e pela
cultura o ser humano se estabelece em territórios, e, nestes, constrói formas
criativas de sobrevivência. Todos esses elementos fazem do ser humano um ser
educativo.
O acesso à educação e a informação constituem um direito humano, e é
assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Recorrer a
este documento é importante, pois o mesmo aponta para um ideal de sociedade,
mais civilizada, desenvolvida, ética e sustentável.
Nesta concepção, a Constituição Federal de 1988, no capítulo III trata
diretamente da educação, da cultura e do desporto. Sobre a educação, o artigo 205
pontua que:

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A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).

Esses pressupostos estabelecidos na Constituição Federal de 1988 são
tratados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei n. 9.394, de
20 de dezembro de 1996, com o intuito de estabelecer políticas para a efetiva
organização da educação no Brasil.
Assim, pode-se perceber a educação, enquanto direito social, encontra
amparo legal na LDB e em uma gama de outros documentos legais (leis, decretos,
portarias e etc) que abrigam todo o contexto do Ministério da Educação no Brasil,
regulamentando a educação nos âmbitos federal, estadual e municipal de ensino.
Com base nestes documentos legais é possível “que quem faz escola neste
país, tenha orientação básica no sentido de fazer educação de um modo legal”.
(RASCHE, 2009, p. 44). Para isto, é necessário pensar em bibliotecas escolares
como parte integrantes do processo ensino-aprendizagem, o que implica
necessariamente em analisar as políticas públicas em prol desse recurso didáticopedagógico.
As políticas públicas são entendidas como “um conjunto de diretrizes e
orientações registradas em leis e outros instrumentos de governo, voltadas à
coletividade”. (RASCHE, 2009, p. 23).
Diante disso, foi realizado um estudo de caso, na biblioteca de uma escola,
localizada no Município de Palhoça, pertencendo à rede pública de educação. O
referido estudo de caso teve por objetivos: identificar as políticas públicas existentes
voltadas para a biblioteca escolar e sugerir políticas públicas de informação e
educação para que a referida biblioteca melhore sua atuação e chegue (próximo) ao
que se define como ideal de biblioteca escolar.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este estudo de caso foi realizado em uma biblioteca escolar pertencente à
rede pública de ensino, no ano de 2011, onde foram realizadas visitas para
conhecimento do objeto de estudo e posterior definição e elaboração do instrumento
de coleta de dados a ser empregado.

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Para a coleta de dados, o instrumento empregado foi à entrevista com o os
responsáveis pela escola e pela biblioteca (diretor, secretaria e servidor da
biblioteca) e observação direta do ambiente.
A entrevista ocorreu amparada em um roteiro estruturado, em função das
políticas públicas existentes, baseado nos seguintes itens: aspectos físicos, acervo,
pessoal, usuários reais e potências, serviços oferecidos e gestão.
Assim, identificaram-se as políticas públicas existentes voltadas para a
biblioteca escolar estudada e sugeriram-se políticas públicas de informação e
educação para que a mesma atinja (ou chegue próximo) o ideal de uma biblioteca
escolar.
Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, com abordagem
qualitativa e objetivo exploratório-descritivo.

3 DIAGNÓSTICO DA BIBLIOTECA ESCOLAR ESTUDADA

A biblioteca escolar estudada pertence à rede pública de educação, estando
localizada no município de Palhoça – SC, oferecendo apenas um nível da educação
básica: o Ensino Fundamental (do 1º ao 9º ano, em conformidade com a nova
configuração do ensino fundamental conforme Lei n. 11.274, de 6 de fevereiro de
2006).
O diagnóstico foi realizado abordando a realidade da biblioteca escolar em
função das políticas públicas existentes, baseado nos seguintes itens: aspectos
físicos, acervo, pessoal, usuários reais e potências, serviços oferecidos e gestão.
No que se refere aos aspectos físicos, a biblioteca ocupa uma área de 20 m2 ,
as janelas são pequenas e estão localizadas na parte superior, próximas à laje da
mesma. Isso torna a biblioteca um local escuro e pouco ventilado. Quanto ao
mobiliário, à mesma dispõe de duas estantes, um armário pequeno (para guarda de
VHS), quatro mesas redondas com quatro cadeiras em cada uma delas, um
ventilador de teto e uma mesa com uma cadeira destinada ao profissional
responsável pela biblioteca. Cabe ressaltar que a biblioteca não dispõe de
computador, nem de tomadas analógicas para internet. O que se permite inferir que
não existem políticas públicas voltadas para o acesso à informação.

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O acervo possui aproximadamente 3.500 volumes, sendo composto por:
livros, revistas, jornais, dicionários, enciclopédias, almanaques, mapas, VHS e livros
didáticos. Em conversa com a direção da escola, constatou-se que grande parte do
acervo é fruto de ações e programas do governo, tais como: Pograma Nacional do
Livro e da Leitura (PNLL), Programa fome do livro, Programa Nacional do Livro
Didático (PNLD) e Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). Mas o acervo
também é composto por doações feitas pelos professores e pela comunidade
escolar. Em uma rápida avaliação, constatou-se que uma grande parte deste acervo
estão desatualizados, sujos, rasgados, sem capas, com fungos e etc, o que se
permite considerar que não existe uma política de desenvolvimento de coleções
definida. Como não há expectativas para automação da biblioteca, o acervo é
cuidadosamente registrado em um livro tombo.
Cabe ressaltar ainda, que na sala onde ocorrem as reuniões pedagógicas,
existem quatro caixas grandes de papelão, com aproximadamente duzentos livros
de literatura, de pesquisa e de referência. Os títulos variam em: poesia, conto,
crônica, romance, ficção, policial, entre outros. Esses títulos foram adquiridos por
meio do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), que visa o acesso à
cultura e à informação e o incentivo ao gosto pela leitura nos alunos, nos
professores e na população.

Porém percebe-se que não houve uma aplicação

adequada do referido programa por parte da escola.
Quanto ao pessoal, à biblioteca não dispõe de um profissional bibliotecário, a
mesma é gerenciada por um professor “readaptado”. Isso também reflete na atuação
e desempenho da biblioteca e reforça a urgência do cargo de bibliotecário
enquadrado no plano de cargos e salários dos municípios e Estados.
Os usuários são classificados em dois grupos: reais e potenciais. Mas o
responsável pela biblioteca alegou a falta de interesse pela biblioteca, por parte dos
alunos, professores, técnicos administrativos e comunidade. Isso confirma que
grande parte dos usuários da biblioteca pertence ao segundo grupo dos usuários
potenciais. O que reforça a necessidade de se implantar políticas públicas em prol
da promoção do livro, leitura e da pesquisa.
Os serviços oferecidos limitam - se a empréstimo, reserva e renovação de
materiais, realizado por meio de fichas de papel. A comunidade pode apenas se

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beneficiar do serviço de consulta local. O que deixa claro a inexistência de ações,
projetos ou programas, que contemplem o incentivo à leitura.
No tocante a gestão da referida biblioteca, constatou-se que a mesma não
dispõe de um regulamento, este documento tem por objetivo definir normas para
prestação e utilização dos serviços da biblioteca, assegurando deste modo, um bom
desempenho de suas atividades.
Por fim, a biblioteca não é administrada como parte integrante da escola, seus
objetivos não estão alinhados com o projeto político pedagógico desenvolvido na
referida instituição. Desse modo, a biblioteca não participa do processo ensinoaprendizagem e a escola não está apoiada em políticas públicas voltadas para a
evolução social, cultural e científica do país.

4 RESULTADOS: MOTIVOS PARA APRIMORAR OU SUGERIR POLÍTICAS
PÚBLICAS

Pelo diagnóstico apresentado anteriormente, fica evidente o quão caótica é a
realidade da biblioteca escolar estudada. Todos os motivos expostos, por si só, já
justificam a necessidade de se implantar políticas públicas de informação e
educação em prol da ativação da referida biblioteca. Mas retomando aos objetivos
deste estudo, segue a descrição dos itens analisados:
Quanto aos aspectos físicos fica evidente a inexistência de políticas públicas
voltadas para o acesso à informação. Isso vêm ao encontro dos dados apresentados
no Livro Verde (TAKAHASHI , 2000 apud ROMÃO, 2008, p. 128-129), que mostram
as precárias condições ainda encontradas nas escolas brasileiras:
A maioria das escolas brasileiras não está ainda conectada à internet. De
acordo com o último censo escolar do MEC, em 1999, apenas 7.695
escolas (3,5 %) do total de escolas de educação básica) possuíam acesso à
rede mundial de computadores, das quais 67,2 % são particulares. Ou seja,
há conexão com a internet para alunos de apenas 2.527 das 187.811
escolas públicas brasileira. O censo revela ainda que cerca de 64 mil
escolas do País não têm energia elétrica- 29,6% do total – e que menos de
11 em cada 100 estabelecimentos dispõem de equipamentos para
atividades pedagógicas, como laboratórios de ciência ou de informática.
Menos de um quarto (23,1%) das escolas possui biblioteca.

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Diante de tais dados, torna-se difícil acreditar na infoinclusão dos brasileiros,
que é tão falada na mídia, quando alguma escola recebe computadores ou livros.
Estes indicadores também estão muito distantes dos esperados para uma
“sociedade da informação e do conhecimento” que, nestas condições, nos parece
restrita a uma pequena parcela da população brasileira.
Outro aspecto problemático da biblioteca escolar diz respeito ao acervo, na
maioria das vezes, restrito a um conjunto de obras antigas, livros velhos em
desuso ou livros didáticos ganhados como cortesia para o professor ou a
escola, que pouco ou nada atraem a atenção dos alunos e que, em tempos
de informação eletrônica com arquivos atualizados permanentemente,
parecem jurássicos bancos de dados ultrapassados e empalhados.
(ROMÃO, 2007, p. 10-11).

Ainda sobre esta afirmação, cabe ressaltar que, identificaram-se políticas
públicas voltadas para a promoção do livro, da leitura e da pesquisa na escola.
Porém não houve uma aplicação adequada das mesmas, por parte da escola. A
ação de receber livros apenas por receber livros não basta, estes precisam ser
inseridos ao acervo, divulgado e disponibilizado ao público. Neste momento de
disseminação do material, cabe agregar ações, projetos ou programas, que
contemplem o incentivo à leitura, tais como: VIVALEITURA, Programa Nacional de
Incentivo à Leitura (PROLER), Jegue-livro entre outros.
Esses pontos apresentados juntamente com os serviços oferecidos, justificam
o desinteresse por parte dos alunos, professores e da comunidade em geral pela
biblioteca, e reforça a urgência da criação de uma lei que obrigue a presença de
bibliotecários à frente das bibliotecas escolares, a fim de se ativar esses espaços e,
conforme enfatizado por Quinhões (1999), conduzir o usuário a “aprender a
apreender”, Ou seja, capacitando o aluno-leitor a reconhecer o valor da informação e
apto a utilizá-la”.

5 CONCLUSÕES
Este estudo deixou evidente a importância das políticas públicas em prol da
biblioteca escolar, de recursos informacionais e da leitura para a efetivação do
processo de ensino-aprendizagem na escola.
No caso da biblioteca escolar estudada, o desenho obtido em relação às
políticas públicas, possibilita uma compreensão ampla sobre o motivo de alguns
“gargalos” encontrados naquele espaço, permitindo assim que os dirigentes da

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escola, os grupos e instituições envolvidas tomem alguma medida, no sentido de
promover ações voltadas para o acesso à educação e à informação, integrando, de
fato, a biblioteca como parte da escola e do processo ensino-aprendizagem.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição Federal: república federativa do Brasil. Brasília: Senado
Federal, 1988.
BRASIL. Lei n. 9.395, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases
da educação nacional. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm&gt;. Acesso em: 15 nov. 2009.
BRASIL. Lei n. 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30,
32 e 87 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o
ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 fev. 2006.
DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos. 1948. Disponível em:
&lt;http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php&gt;. Acesso em: 05
fev. 2013.
QUINHÕES, Maura Esandola Tavares. Biblioteca escolar: sua importância e seu
espaço no sistema educacional do Estado do Rio de Janeiro. In: VIANNA, Márcia
Milton; CAMPELLO, Bernadete; MOURA, Victor Hugo Vieira. Biblioteca escolar:
espaço de ação pedagógica. Belo Horizonte: EB/UFMG, 1999. p. 178-182.
RASCHE, Francisca. Políticas públicas para bibliotecas escolares. Florianópolis:
CIN/CED/UFSC, 2009.
ROMÃO, Lucília Maria Sousa. Sentidos da biblioteca escolar. Ribeirão Preto:
Alphabeto, 2008.
TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no Brasil: livro verde.
Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. Disponível em:
&lt;http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/18878.html&gt;. Acesso em: 18 jan.
2013.
Sobre a Autora:
1

Bibliotecária/Documentalista da UFRN. Mestre em Engenharia de Produção. Especialista em Gestão
de Bibliotecas Escolares.

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