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CDU - 02:303.425.3
UTILITÄRIA;
BIBLIOTECA, COMUNIDADE E INFORMAÇÃO UTILITARIA;
um estudo de como circula a informação
utilitária no bairro da Pompéia em Belo Horizonte
Ana Maria Athayde Polke/CRB-6/4
Prof. Adjunto da Escola de Bibliot£
conomia da UFMG
Deisa Chamahum Chaves
Madalena Sofia Hitiko Wada/CRB-8
Selma Azevedo de Carvalho Alcici/CRB-6
Alunas do Curso de Pós-Graduação em
Administração de Bibliotecas da E£
cola de Biblioteconomia da UFMG.

Estudo exploratório realizado no Bairro Pompéia,
Belo Horizonte, tendo o objetivo de verificar como
a informação utilitária circula na comunidade,quais
são as informações
informaçóes necessárias ao seu dia-a-adia e
nue tipos de dificuldades enfrentam na sua busca.
respostas mostraram que a informação mais u
As respostas,
tilizada por essa população ê a informação
oral,
obtida de vizinhos, amipos e parentes. Nas camadas
de nível sício-econômico
sácio-económico mais alto, a informação
registrada ou impressa ê utilizada para comnlemen
tar a informação oral. Nos níveis mais baixos i£
so
não ocorre por causa do analfabetismo, falta de
so.não
hábito de leitura e baixo poder aquisitivo. A ob
tenção da informação ê tanto mais difícil e penosa
quanto mais baixo o nível sócio-econômico do ind£
indi^
víduo que a busca.
A demanda por informação na área de emprego i£
velou ser a mais premente, e onde a comunidade e£
barra em inúmeros obstáculos. Existem instituições
emprego),mas
que prestam assistência (balcão de emprego)
,mas ,na
opinião dos que as utilizam,não atendem as suas n£
cessidades.
O0 vasto "não público" de biblioteca da Pompéia
indica para o bibliotecário as possibilidades de_a
de a
tuação no que se refere ãâ provisão de
informação
utilitária.

INTRODUÇÃO
A crescente literatura estrangeira sobre Biblioteca e Co
munidade, e principalmente um dos seus aspectos - Biblioteca e
131

Digitalizado
gentilmente por:

�Informação utilitária - vêm influenciando os
bibliotecários
brasileiros que também começam a se ocupar do tema.
Um ponto a ser considerado éê se tentaremos reproduzir no
País as experiências alienígenas, repetindo o mimetismo tantas
vezes cometido no passado ou se assumiremos uma posição
mais
criticar, á
crítica:,
à de situar o tema Biblioteca e Comunidade dentro do
processo histórico e de referí-lo ao conceito de ação cultural
ligada a métodos e teorias de inspiração nacional.
Durante as discussões do tema biblioteca-comunidade-in_
biblioteca-comunidade-i^
formação utilitária em nosso curso de Biblioteca Pública
do
Curso de Mestrado da Escola de Biblioteconomia da UFMG reconhe
ceu-se que o maior ou menor acesso ã informação registrada es
e^
tá diretamente ligado ao nível sócio-econômico
sõcio-econômico do indivíduo. A
comunicação oral, informal, é intensificada para obtenção
de
informação utilitária na medida em que o acesso Eâ informação
l^egistrada
registrada é dificultada porque o iniJivíduo
indivíduo não sabe ler, não
interpreta o que lê por falta de hábito de leitura ou escolari^
escolari
dade deficiente ou porque não
nao tem recursos para comprar
jornais, revistas, etc. Reconheceu-se, por outro lado, que as bi^
bliótecas públicas têm tradicionalmente coletado a informação
bliòtecas
registrada em materiais bibliográficos e audiovisuais e têm or
ganizado esta informação para disseminação a pessoas alfabetisõcio-econômico médio e alto.
zadas e de nível sócio-econômico
A preocupação em torno das vastas camadas da
população
que deixam de receber qualquer tipo de serviço bibliotecário,
pela marginalização em que se encontram, nos levou ãâ
questão
da possível intervenção 'do profissional bibliotecário nessa si^
tuaçâoj Reconhècendo
tuaçâo;
Reconhecendo que não êé possível desenvolver qualquer a
ção de intervenção sem que se conheça a realidade,
decidimos
empreender um estudo no sentido de conhecer como circula a in
formação utilitária entre um grupo de pessoas, numa determine
determina
da região geográfica. Tivemos presente que, mesmo em se tratan
do apenas de informação utilitária, do tipo: a que serviços mê
mé
dicos tenho acesso, onde procurar emprego, que documentos são
necessários para se obter carteira de trabalho, estão
estãoem
em jogo
um certo nível de crítica e discernimento, um certo elenco de
alternativas e possibilidades. A indagação então êé se a comu
nicação "informal,
informal, veiculada oralmente por vizinhos, parentes e
132

Digitalizado
gentilmente por:

�amigos, num meio culturalmente
culturalraente carente, é satisfatória
to de dispensar outras formas de comunicação.

ao pon

METODOLOGIA
Dentre as chamadas categorias de informação utilitária^^^
utilitária^ ^ ^
selecionamos para o nosso estudo as seguintes: saúde, emprego,
legislação, educação, lazer e moradia. Vários autores
citam
outras categorias mas estas nos pareceram a.s
as essenciais para u
ma primeira abordagem.
Escolhidas as categorias a serem investigadas no trabalho
de campo, tentamos explicitá-las para estabelecerão itinerário
das entrevistas. Esta etapa do trabalho ocorreu quando já tí
nhamos ouvido a história do bairro da Pompéia contada por seus
antigos moradores e líderes. Tínhamos também a amostra de 50
familias do bairro, constituída a partir dos registros do Gru
po Escolar São Rafael com indicadores sócio-econômicos, o que
éê apresentado em outra parte do trabalho.
As nossas categorias podem ser descritas assim:
SAODE:
Problemas com: assistência médica, hospitalar e dentária ,
como, onde e a quem recorrem para a solução de
problemas
ligados ã saúde; planejamento familiar, prevenção
|Jrevenção de doen
ças, vacinação.
EMPREGO:
Problemas de obtenção de emprego, estabilidade ou
flutua'
ção no emprego, agências de emprego, a conciliação do tra
balho fora de casa com as tarefas domésticas.
LEGISLAÇÃO:
Problemas com: obtenção de documentos,
conhecimento de
direitos e deveres legais, assistência jurídica,existência
de associação de moradores, aposentadoria e obtenção de b£
nefícios.
EDUCAÇÃO:
EDUCAÇAO:
Problemas com: obtenção de vagas no Grupo Escolar, abandono da escola pelos filhos, repetência, alfabetização de ^a
dultos, educação profissionalizante, obtenção de bolsas de
estudo, orientação sexual para os filhos, educação
para
13?

Digitalizado
gentilmente por:

�adultos (escola de pais, trabalhos’manuais, artesanato).
LAZER:
Problemas relacionados ao lazer, quais os tipos preferidos
de distração, obstáculos ao lazer, papel da televisão e do
rádio, leitura de lazer (o quê, como, para quê se lê), co
c£
nhecimento do carro-biblioteca do Centro de Educação Perma
nente "Prof. Luis de Bessa".
MORADIA:
Problemas com posse de terra, aluguel, desfavelamento, in
vasão de terrenos, serviços de água, esgoto e luz, condições da residência, vizinhança.
Optamos pela entrevista não-estruturada, dado o caráter ex
ploratório da pesquisa e a diversidade das pessoas a serem en
ploratõrio
trevistadas.
As entrevistas duraram em média 1 (uma) hora cada. Procura
mos incentivar a livre expressão do entrevistado,
entrevistado,- permitindo a
digressão até níveis toleráveis, buscando com certa cautela, r£
conduzir a conversa ao assunto da pesquisa. 0 nosso
intuito
era estabelecer um clima de diálogo que favorecesse o processo
de interação entrevistador-entrevistado.
Através das entrevistas procuramos:
. observar como circula a informação utilitária na comunidade
da Pompéia, no que se refere ãs categorias: saúde.emprego,l£
gislação, educação, lazer e moradia.
. observar o nível de percepção e a forma de expressão da popu
lação entrevistada quanto ãs suas necessidades de informaçãa
informaçâcn
. conhecer as possibilidades de lazer, tomo
como as pessoas utilizam seu tempo livre e se a leitura se inclui entre as formas
de lazer da comunidade.
0 maior entrave na obtenção de respostas esteve.justamente,
na dificuldade de explicar aos entrevistados a finalidade
do
estudo, já que não podíamos adiantar um aproveitamento das in
formações ouvidas para algum tipo de aplicação que as
beneH
benef£
ciasse.
Outra dificuldade surgiu a partir de suposições a respeito
de nossa possível vinculação com órgãos ou instituições
mal
vistas pelos entrevistados. Este fato causou mal-estar e
um
134

2

3

Digitalizado
gentilmente por:

�certo receio nas pessoas, podendo ter influenciado nas respo^
tas.

0 AMBIENTE DA PESQUISA
Para melhor compreensão da população a ser entrevistada,
consideramos importante conhecer a história da
formação do
bairro, de onde vieram as pessoas que hoje moram na Pompéia,
como ocupam o espaço e como se organizam para viver. Neste
sentido entrevistamos moradores antigos e líderes do bair
bai£
ro. Os líderes que
nos foram apontados estão ligados
a
instituições assistenciais (médicos,’
(médicos, enfermeiros, assisten
tes sociais).
Aparentemente não existe na Pompéia uma 1^
derança no interior das camadas mais pobres. Na impossib^
lidade de ouvir a história da formação da favela, através de
seus próprios moradores, recorremos ao estudo de Le Ven
que
nos ofereceu um referencial para a compreensão desta parte do
Kbairro.
•
(8)
bairro.^
^ '
0 bairro Pompéia resultou, há 45 anos aproximadamente,
de um loteamento do antigo Banco da Lavoura de Minas
Gerais, através de seu presidente na época, Dr. Clemente
de Faria. Com o nome de Vila Parque Cidade Jardim, apresentava ruas encascalhadâs
encascalhadãs e pequenas casas de três cômo
dos (quarto, sala e banheiro) em que havia luz,
embora
nas ruas não houvesse. Muitas famílias compravam as
casas
â vista e outras, ã prestação: os que não pagavam em dia,
com
eram obrigados a deixar o imóvel, o qúe ocorria
frequência.
Entre as famílias que vieram do interior, apenas perman£
perman^
ce no local a Família Dutra, cujo chefe, Sr. João Dutra, fal£
fale
ceu'há pouco tempo, deixando família numerosa: seus onze filhos, com exceção de um (que é contador), inclusive as moças,
são dentistas, como ele, e vários mantêm consultório na Pom
pêia e participam de todos os movimentos comunitários da Paro
Paró
quia, vivendo com simplicidade no bairro que os viu nascer. Ou
135

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�tras famílias que evoluiram, não permaneceram e buscaram locais melhores.
0 bairro, predominantemente médio e pobre, apresenta de^
níveis sociais, desde favelas (Pedreira, do Arrudas, da Avenj^
Aveni^
da Belém e algumas de fundo de quintal) até casas
confortáveis e com bom aspecto arquitetônico, embora em pequena quan
tidade.
A população é de aproximadamente 37.000 habitantes. Os an
tigos moradores se lembram do início do bairro, quando as pe^
pe£
soas andavam a pé ou a cavalo por longas distâncias e os pou
COS veículos existentes circulavam por estradas precárias
e
poeirentas. Uma pequena farmácia foi o primeiro estabeleci mento comercial, ao qual se seguiram outros. Hoje, a Pompéia
conta com comércio relativamente bom, moderno super-mercado e
lojas variadas. A indústria, em bases artesanais, não
é ex
pressiva e há uma usina de asfalto e exploração de pedreiras
por parte de firmas de engenharia.
Em 1938, chegaram os Padres Capuchinhos que se estabelece
estabelec£
ram em mod.’Stos
mod.’stos barracões e eram apoiados pelas famílias. C£
lebravam na capela da Abadia e nas regiões citadas, iniciando
seu apostolado, até que, em 1950, foi lançada a pedra
funda
mental da atual Igreja de Nossa Senhora da Pompéia. As obras
sociais subsequentes foram feitas em grande parte pela Congregação dos Capuchinhos, sem grande comprometimento da comu
nidade, o que levou o povo a certa dependência. As Obras Sociais Nossa Senhora do Rosário de Pompéia foram fundadas
em
1949. Estão localizadas em uma área anexa âã Paróquia
e con
tam com dez salas de aulas equipadas, cada uma atendendo
ãs
características próprias dos cursos, uma secretaria, um almo
xarifado, seis instalações sanitárias e um galpão, onde os a
lunos aguardam seus instrutores e se confraternizam.
Em convênio com a UTRAMIG (Fundação Universitária do Tra
balho de Minas Gerais) PIPMO (Programa Intensivo de Preparação de Mão de Obra) SENAC e SETAS (Secretaria do Trabalho
e
Assistência Social) são oferecidos os seguintes cursos: Aux£
Auxd^
liar de Contabilidade, Eletricista Instalador, Comandos Elétricos, Bombeiro Hidráulico, Solda Elétrica, Corte e Costura,
Calceiro e Camiseiro, Cabelereiro, Manicure e Pedicure, Esté
Este
136

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�tica Facial e Datilografo. A taxa dos cursos é modesta e há
bolsa para ferramentas. Até 1979, haviam passado pelos
cur
sos 11.215 alunos.
Como há saturação no mercado de trabalho para a maioria
destas profissões, o que não ocorria antes, pensa-se na orga
nização de cooperativas em que as pessoas trabalhariam no pró
prio bairro para grandes firmas. As cooperativas em Governa
dor Valadares, área de atuação dos Padres Capuchinhos, estão
funcionando bem, o que os estimula a repetir a experiência em
Belo Horizonte.
No Centro Comunitário, há ainda clube de mães e outras a
tividades da LBA, tais como centro de informações operado por
assistentes sociais, sala de costura, assistência aâ velhos. U
ma unidade móvel odontolõgica,
odontológica, atende irregularmente
e foi
doada pela Associação Cristã de Moços.
0 local do antigo cinema foi alugado ao Super Mercado Epa,
ficando o lazer reduzido a um clube que -funciona
funciona nos terrenos
da paróquia e tem sócios pagantes. Também o local
construí
constru^
do para Hospital foi alugado a particulares, em convênio com
o INAMPS. Ouvimos que os padres "estão muito comercializado^,'
arrecadando recursos para a expansão de suas óbras,
obras, inclusive
no interior.
0 Posto de Saúde, localizado em prédio da Sociedade
São
Vicente de Paulo, apresenta serviços médicos, odontológicos,
psicológicos e de assistência social, além de enfermagem com
programa intensivo de vacinação. Este posto pertence ao Est£
do, e o serviço pré-natal,
prê-natal, ao INAMPS. A LBA atua com programação auxiliar.
No Posto, são atendidos os moradores da Zona II, que in
clui.alêm
clui,além da Pompéia,
Pompêia, outros 11 bairros. 0 Posto atua intensamente e vai ampliando cada vez mais sua prestação de servi^
ços. Para uma população de cerca de 79.000 habitantes, há 5
equipamentos de saúde, inclusive o Posto, sendo a
população
infantil a mais beneficiada, contando também com tratamento
ambulatorial e internamento especializado. O Posto de Saúde
faz encaminhamento para outros locais, conforme percebemos a
través das entrevistas.
Uma creche, mantida pelos Vicentinos da Paróquia
encon137

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-

Q

II

12

13

�tra-se ao lado do posto e as Irmãs Batistinas mantêm um • Orf£
tja-se
Orfa
nato, próximo da Igreja.
0 bairro é muito bem servido de transportes, havendo várias linhas de ônibus que se dirigem aos bairros vizinhos,pa£
vizinhos,pa^
sando pela Pompéia.
Não há
hã posto policial na Pompéia e apenas policiamento 0£
tensivo ã noite. A popplação é ordeira e não se caracteriza
por altos índices de criminalidade, e, como em todos os bair
ros, muitos jovens fazem uso da maconha.
Há um grande número de escolas particulares (entre
Hã
jardins de infância e de 1’ e 2'
2’&gt; graus) e dois grupos escolares
do governo, com 1’ grau incompleto. Um dos três colégios se
cundários, com cursos profissionalizantes, tem cerca de 2.300
cundârios,
alunos. O Grupo Escolar Municipal São Rafael, de onde retira
mos nossa amostra, presta muitos serviços ã comunidade, inclu
sive informando sobre campanhas, ajudando aos favelados, ofe
of£
recendo inúmeros serviços além das atividades escolares.
Já houve várias enchentes que atingiram principalmente as
Jã
favelas. Em épocas de calamidade, as lideranças do bairro,par
ticipantes da Sociedade de São Vicente de Paulo, da Paróquia,
Assembléia de Deus, Adventistas do !’&gt;
7’ Dia se unem na assistên
cia aos necessitados. Muitos favelados foram indenizados, ou
tros permaneceram no local e reivindicam melhorias
para as
ruas e casas.
Le Ven que estudou 6 favelas e 4 bairros populares de Belo
Horizonte com o objetivo de conhecer as estratégias de sobr£
sobre
vivência de classes baixas no meio urbano, mostra que as fave
Ias de Belo Horizonte foram formadas pari passu com a própria
cidade, desde a sua fundação no fim do século passado. A ocupação do espaço ocorreu por permissão temporária
tempofária quando
se
tratava de propriedade pública, ou por "invasão”
"invasão" de
proprie
dades particulares. Esta ocupação não se fez por opção, mas
na análise de Le Ven"obedeceu a critérios objetivos, originários tanto das condições estruturais de vida dessas
populações (renda,tipo de ocupação) e dos padrões impostos pela e^
trutura jurídica da própria cidade (leis da prefeitura, espa
ços vazios onde se dá certa tolerância por parte dos orgãos
públicos com relação ã ocupação) quanto das necessidades
im
138

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�postas pela origem de classe ou pelo posicionamento na escala
de estratificação social".^r 81'^
As favelas tendem a desaparecer por imposição do progre^
so e muitas já não existem mais. A Ação Comunitária do Bai£
ro da Pompéia conseguiu junto Es
ãs autoridades a retirada da
ã,a re
presa do Rio Arrudas, o que ainda não eliminou totalmente
o
problema da poluição. Com a canalização do Rio Arrudas, que
vem sendo feita gradativamente, as famílias serão fatalmente
fatalraente
removidas para outros locais;
locais.
Estes dados foram obtidos através de entrevistas com:
1. Dra. Marina Nogueira de Rezende Santos, Diretora do Posto
de Saúde da Pompéia.
2. D. Terezinha Mendonça Caldeira, Enfermeira-Chefe do Posto
de Saúde da Pompéia.
3. D. Dedamina Gomes de Oliveira, Chefe da Ação Social Comuni^
târia da Paréquia
tãr.ia
Paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Pompéia.
4. Frei Cássio de Carvalho, da Congregação dos Frades Capuch^
nhos e da Ação Social Comunitária da Paréquia
Paróquia de Nossa S£
nhora do Rosário da Pompéia.
5. Cecília Maria dos Santos Rocha, Secretária do Grupo
Esco
lar São Rafael.
6. Efigênia Isabel Teodoro dos Santos, Supervisora do Grupo
Escolar São Rafael.
7. Dr. Hélio Fontoura Dutra, Presidente da Associação dos Mo
M£
radores da Pompéia. Antigo morador do Bairro.
8. D. Maria Fontoura Dutra, moradora mais antiga do Bairro.
9. D. Carolina Fontoura Gomes, moradora antiga do Bairro.
As tabelas seguintes oferecem dados sécio-econômicos
sócio-econômicos
amostra de nosso estudo.

da

139

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�TABELA 1
NfVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS
NlVEL
RESPONSÃVEIS
N = 50
PAIS FAti
FA^4&lt; FAit
FAít MAES
MÃES FAt
FA^ i FA tI f
NTVEIS
NlVEIS
Analfabeto
Semi-analfabeto
la./4a.Série incompleta,
la.^/4a.Série completa...
la.-/4a.Série
5a./8a.série incompleta.
5a./8a.série completa...
2’ grau completo
Sem informação
TOTAL

5
1
19
11
5
1
4
4
50
"sõ”

10
12
50
72
82
84
92
100

100
90
88
50
28
18
16
8

14
2
15
10
4
2
1
2
“sõ”
~5Õ~

28
32
62
82
90
94
96
100

100
72
68
38
18
10
6
4

A tabela 1 mostra que 50i dos pais ou responsáveis do se
xo masculino não completaram a 4a. série e esta
porcentagem
sobe a 624
62% em relação ãsí
ãs mães. Somente 84
8Í dos pais e 44
4i das
mães completaram o 2’ grau (nível de educação
fundamental
e compulsório). Não ocorreu nenhum caso de ' escolarida
de superior.
O analfabetismo entre os homens chega a lOí
104 e sobe a 14i
144
entre as mulheres. Salta ã vista a menor escolaridade
das
mães em relação aos pais. Os quatro casos sem informação para
os pais referem-se a mães solteiras. A moda dessa distribu^
ção é la. a 4a. série incompleta.
TABELA 2
PROFISSÃO DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS
RESPONSÃVEIS
N = 50
NÍVEIS*
NÍVEIS'

MÃES
PAIS FAí4/
FA4j&gt; FA41' MAES

FA4 4&lt;
FA4T
FAi
4&gt; FA\T

1. Ocupações não qualifi100
45'
46 100
23
cadas
45** 90
2. Ocupações de nível in54
16
78
ferior de qualificação
qualificaçao
3. Ocupações de nível mê
mé
10
96
22
3
dio
7
6
90
100
4
2
1
92
10
4. Ocupações superiores..
4
Sem informação
100
8
50
TOTAL
50
* Foi utilizada a escala ocupacional de Guide § Gerra IXiarte,
Duarte, publicada
nr»
1 Al T*Q de PcfllrInQ
PaH» Onffl
^ 9 Tl 1 ! fií ••82 jul./set.
na Revista Rt*oci
Brasileira
Estudos Pedagógicos,
52(115):65-82,
1969.
**Incluímos
"Incluímos nesta categoria as que declararam ser ”doméstica_do
"doméstica_do lar"pois
a grande maioria contribui para a renda familiar com lavação de roupas, faxina, etc.
140

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♦

�0 nível de qualificação tanto da raie
mãe como do pai é baixo.
781
784 da amostra atinge o nível 2 da escala ocupacional citada.
Embora a escala compreenda 5 níveis, na amostra somente
um
pai pôde ser considerado do nível 4 e nenhuma mãe atingiu e£
e^
te nível. Enquanto 6 pais atingiram o nível 3, somente duas
mães o atingiram. Os outros níveis, pelo número de casos,são
inexpressivos em termos gerais. 0 nível 1, o de maior incidência, compreende profissionais como: pedreiros,carpinteiros,
bombeiros hidráulicos e serventes. Também lavadeiras, cozinheiras, costureiras e faxineiras foram incluídas no nível 1.
Assim, em 90í
904 dos casos, as mulheres realizam tarefas qüe não
exigem qualquer qualificação, sendo mais baixo o
percentual
para homens (401)
(4043 nesta mesma condição. Para garantir
esses
dados, indagamos durante as entrevistas sobre cursos
profÍ£
sionalizantes ou sobre treinamento específico. A maioria nun
ca fez qualquer curso, aprendeu em serviço, "com o tempo".
TABELA 3
RENDA FAMILIAR DOS ENTREVISTADOS
N = 50
RENDA*

famílias

FAU
FA41

FAt
FA^

Menos^de 1 salário mínimo
1 salário mínimo
1 salário mínimo e meio..
2 salários mínimos
mínimos..
2 salários mínimos e meio
3 salários mínimos
4*-6 salários mínimos
4l-6
8 salários mínimos
10 salários mínimos
Sem informação

10
7
5
10
1
6
6
2
1
2

20
34
44
64
66
78
90
94
96
100

100
80
66
56
36
34
22
10
6
4

50
TOTAL
*0 salário considerado ê sempre o salário mín^
mo vigente na região.
64%
cerca
de
644 recebem até 2 salários mínimos, isto é,
Cr$ 17.000,00 mensais. Encontrou-se apenas um caso em que a
Cf$
renda atingiu 10 salários mínimos. Dada a disparidade de ren
das não calculamos a "renda média". Na situação observada e^
e£
te tipo de cãlcula
cálculo serviria para diluir as diferenças existen
tes e mascarar a realidade.
141

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�I

A distribuição é bimodal: "menos de um salário" e "2 salä
salá
rios", com 10 respostas cada. Através destes dados é eviden
te o baixo nível sócio-econômico da população considerada.
Qualquer destes dois níveis de renda confrontados com o cus
cu£
to de vida não permite condições mínimas de subsistência,prin
cipalmente se considerarmos o número de filhos das famílias,
o que veremos a seguir.
TABELA 4
nOmero de filhos por família
N = 50

O0 número de filhos por,família
por família é alto,considerando-se que
66% tem entre 3 e 8 filhos e que 40Í
40t tem entre 6 e 14 filhos.
661
A moda é de 3 a 5 filhos, com 20 casos.
O cruzamento entre número de filhos e renda familiar será
distorcido se considerarmos que nem todos vivem com os pais.
Considerando-se em termos absolutos,o nível de renda da maio
ria das famílias,
famílias,oo número de filhos sé
só tenderá a melhorar ou
piorar o quadro, mas não o alterará fundamentalmente, ou seja,
"2 salários" ou "menos de um salário" é insuficiente para qual^
quer indivíduo se manter, quanto menos para manter uma
famí
famf
lia.
A precariedade das condições de vida da população se tor
to£
na explícita, quando se examina o tipo de moradia onde habita .

142

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�TABELA 5
TIPO DE MORADIA DAS FAMÍLIAS
N = 50
MORADIA
FA^t
famílias FAU
FA44, FAít
Favela
Cortiço
Barracão
Casa pequena
Casa pequena
Casa grande
Casa grande

alugada
própria
dlugada
própria

TOTAL

14
9
5
6
7
1
8

28
46
56
68
82
84
100

100
72
54
44
32
18
16

50

Utilizamos o conceito de "casa grande" para qualquer mora
dia coni 5 ou mais cômodos, incluindo banheiro. Se considerar
mos que em situações normais ninguém dorme no banheiro ou na
cozinha, na realidade estamos falando de qualquer casa com 3
ou mais cômodos "úteis" e que não é tão grande como parecia ã
primeira vista. "Casa pequena" se refere a qualquer moradia
com menos de 5 cômodos inclusive o banheiro.
De acordo com os dados apresentados , a maioria vive em fa
velas, cortiços,
cortiços , barracões e casas pequenas, em condições mu^
to precárias. Essas famílias constituem 84i
841 da amostra, isto
é, uma esmagadora maioria. Nas favelas ê comum que a cozinha
sirva também de dormitório e que um grande número de pessoas
tenha que se acomodar em espaços reduzidíssimos.
A amostra de famílias da Pompéia, apesar do bairro se ca
racterizar por contrastes na aparência das moradias,
tendeu
para os mais baixos níveis de renda/profissão, escolaridade e
tipo de moradia. 0 Grupo Escolar São Rafael, de onde retira
retir£
mos a amostra, localiza-se em frente ãE favela da Pedreira, o
que explica em parte essa tendência. Por outro lado essa amostra veio ao encontro do desejo dos entrevistadores, o de
estabelecer contato com a população mais marginalizada social^
mente, e por suposto, mais carente de informação.
Como as famílias da Pompéia se informam sobre a saúde
e
outros itens vitais, é o nosso próximo relato. Tentamos sinte
sint£
tizar o qúe
que o grupo ouviu e percebeu durante as entrevistas.
143

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-

�RESULTADOS DA ENTREVISTA
SAODE:
. Em caso de doença, todos os entrevistados sabem aonde ir
e a quem recorrer. Geralmente as informações são dadas
por
amigos, vizinhos, ou no próprio emprego. Para os casos crôn^
crônj^
COS ou de rotina, procuram, de preferência, os postos
do
INAMPS mas, para os casos de urgência recorrem a
hospitais,
tenham eles convênio ou não com o INAMPS. 0 grande problema
são as longas filas que exigem tempo e disposição das pessoas.
Nem todos têm conhecimento muito claro sobre o Centro de
Saúde da Pompêia,
Aqu£
Pompéia, mas ouviram falar que é "muito bom".
les que o frequentam confirmam a boa qualidade de seus serv£
servi^
ços, especialmente com relação ao pré-natal e casos mais sim
pies. Quando há necessidade, o próprio Centro encaminha
as
pessoas para outros locais, como Hospital das Clínicas,
Cen
tro de Saúde Carlos Chagas ou mesmo, INAMPS. Poucas pessoas
procuram médicos particulares, sempre com a ressalva de
que
são parentes ou barateiros.
Outras instituiçóes
instituições ligadas ao emprego das pessoas foram
citadas, tais como IPSEMG, Hospital Militar, Serviço Médico
de Sindicatos, Cooperativa do DER, serviços de firmas comerciais, Funrural.
Algumas doenças foram citadas com maior frequência: "ner
voso", "sofro da cabeça" (geralmente homens e crianças), "fra
queza" e "desânimo" (mulheres e crianças)
crianças),, "inflamações"
e
"hemorragias" (mulheres)
(mulheres),, "Pressão alta" (homens e mulheres).
Citam nomes de remédios de maneira truncada e a maioria para
nervos. As mulheres entrevistadas nem sempre têm noções cia
ras das doenças de que sofrem e nem do tratamento a que
se
submetem. "Já
"Jâ fui operada seis vezes, mas não sei
explicar
bem porque".
Já a assistência dentária oferece um outro quadro. Entre
os de baixa renda, nota-se o mau estado dos dentes e a maio
ria não os trata. Parece haver uma deficiência nos serviços
públicos,
públicos , tanto no INAMPS como nos postos de saúde em que se
dá preferência ã extração de dentes em vez de tratamento,
dã
o
que ãs vezes é uma opção pelo preço mais baixo.
Foram ouvidas observações como "estou pelejando para fazer ficha", significando que não há vaga ou que a fila de e£
144

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■LJ

�pera já dura meses. Houve quem recorreu a dentista,"baratei_
dentista."baratei^
ro" por indicação de amigos, mas quando lhe foi exigido pelo
dentista o atestado de saúde, desistiu. Obter
o atestado
significaria passar uma noite na fila, o que "não aguento ,
sou cardíaca".
As pessoas de nível melhor recorrem mais a clínicas particulares, buscando dentistas
"que cobram mais
barato",
ou
que "são amigos e dão prazo
para pagamento" .
As crianças, em grande parte,
são atendidas
pelo
posto dentário do Grupo São Rafael, mas sabe-se
que
esse posto faz apenas tratamentos mais simples,
não
tira radiografias e nem trata canais.
Verificou-se que a maioria entrevistada
não conside.ra
consid.e_ra
tratamento dentário algo essencial, provavelmente devido ã
oferta insuficiente de assitência dentária e ao baixo nível
de informações evidenciado através das versões
contraditórias sobre o mesmo serviço e a mesma instituição, ouvidas du
rante as entrevistas.
Quando a dor de dentes aperta, usam poções
preparadas
por pessoas "entendidas" da própria vizinhança e assim, nas
favelas e nos cortiços, as pessoas vão perdendo seus dentes
por falta de tratamento.
Notamos a existência de "gate keepers" e usamos a expreß
expre^
são por ser mais conhecida dos bibliotecários, e que são as
pessoas a quem recorrem para ler bula de remédio, ler cartas,
aplicar injeções, fazer curativos, benzer, preparar poções,
emprestar dinheiro, informar sobre empregos.
Quanto ao planejamento familiar, percebemos que óé mais
fácil tratar do assunto com pessoas de baixa renda que falam
espontãneamente sobre o assunto, como o caso de uma entrevi^
espontaneamente
tada que, exibindo sua barriga, declarava: "este será o último". Através da médica do Posto de Saúde, já está encami^
nhada para ligar as trompas após o parto.
Quando há orientação, corre, em grande parte, por

conta

. 145

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�dos médicos e enfermeiras das instituições hospitalares e não
notamos dificuldades de aceitação do planejamento familiar a
não ser em três casos, por motivos religiosos. Algumas mulh£
res se informam com as próprias amigas e houve quem dissesse
que "dá o seu jeito", sem maiores explicações.
EMPREGO:
As informações sobre empregos parecem ser as mais
difíceis de serem obtidas. Em geral, ficam sabendo de vagas atra
vés de vizinhos e amigos, e quanto mais conhecidos no bairro
são, mais possibilidades de serem procurados. Ainda assim,n£
assim,no
ta-se uma dificuldade generalizada, pois nem sempre as info£
mações levam a obtenção do emprego desejado. Há casos em que
as pessoas desanimam logo no início, prevendo os gastos
com
passagens de ônibus, a incerteza da informação, a perda
de
tempo. "Se eu souber que há um emprego de lavação
lavaçâo de
roupa
certo, eu vou. Procurar s5,
só, não". No entanto, a maioria^ em
nossa pequena amostra,que tem emprego, tem estabilidade e não
notamos flutuação. Esta não flutuação de emprego se explica
porque o biscate, a construção civil e o trabalho
doméstico
de faxina e lavação
lavaçâo de roupa ocupam a maioria de homens e mu
lheres da Pompéia. São ocupações não qualificadas e de mais
baixa remuneração. Muitas mães trabalham e mesmo, avós;
os
irmãos , quando maiores, trabalham também.
irmãos,
Quando hã
há necessidade de emprego, um ou outro recorre
a
jornais, quase sempre emprestados, mas a dificuldade se colo
ca pelo fato de nem sempre o jornal ser do dia, pelo
grande
número de pessoas que comparecem, muitas vezes possuindo qua
lificação acima da exigida no anúncio. A pouca especificação
de exigências requeridas, nos anúncios, faz com que as
pessoas compareçam sem as devidas qualificações também.
Outros
fatores que influem sobre a rejeição do jornal, como fonte de
informação: a dificuldade na leitura e o preconceito generali.
generali_
zado, especialmente em se tratando de domésticas, de que nem
sempre os empregos de jornal, embora muitas vezes ofereçam al^
tos salários, são bons. "Vai ver que estão botando no jornal
é porque tem algum problema, não está parando gente lã".
lá”.

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♦

�Poucas pessoas têm conhecimento de agências
especializa
das de empregos, tendo sido citado apenas um caso de sucesso.
Foi mencionado, por uma familia de classe média, a Adservice,
uma agência que entrevista, aplica testes e encaminha para em
pregos variados.
Alguns disseram que recorrem aos guardas;"eles
guardas:"eles não mentem
e sempre sabem tudo". "0 guarda ê a própria informação".disse
informação",disse
uma dona de casa.
Um dos grandes entraves ãâ obtenção de empregos se prende
ao fato de que o nível de qualificação é baixíssimo. Todos
querem emprego, mas não se acham preparados e a maioria acaba
aprendendo o ofício no próprio local de trabalho. Uma "salga
deira" desempregada havia aprendido o ofício na fábrica que a
dispensara. £E mãe solteira e até o momento da entrevista
o
único emprego que aparecera era para o estado do Espírito San
to.
Há pouca citação para cursos profissionalizantes e mesmo
Hã
cursos considerados bons, como os do Centro Social Comunitá
rio da Igreja da Pompêia, são desconhecidos pela maioria dos
entrevistados.
Percebe-se, ainda, uma descrença generalizada quanto âã £
ficácia dos meios oficiais (Ministério do Trabalho, Abrigo da
ficãcia
Cidade, Secretaria do Trabalho e Assistência Social) com rela
çâo ã obtenção de empregos.
ção
Independentemente do nível sócio-econômico dos entrevista
dos, ê a informação oral,irifomal
oral, irifomal que realmente predomina e,
apesar das ínfimas possibilidades oferecidas pela informação
de "vi
vi zinhos e amigos, ê ainda nesta que confiam mais para ob
ter emprego.
LEGISLAÇÃO
Muitas famílias estão com problemas de remoção (desfávela
(desfàvel£
mento ou desapropriação para a construção da Via Expressa) e
vivem em situação de insegurança. Apesar disto, poucas sabem
que existem instituições que trabalham pelos favelados - a Igreja e a Associação dos Moradores do Bairro. Algumas
pessoas afirmam que jã
já participaram de reuniões, mas deixaram de
ir porque "não adianta". Mesmo os que tiveram suas casas ma£
mar
147

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�cadas pela Chisbel, ainda dizem;
dizem: "Não vai acontecer nada. Vi£
ram aqui há muito tempo e até hoje estamos aqui". A maioria
não tem a mínima idéia de seus direitos e de como lutar.
Na
verdade, sentem-se totalmente impotentes frente ãE situação. U
ma dona de casa disse;
disse: "Ninguém diz coisa com coisa". Parece
que o prolongamento da situação leva âã descrença na eficácia
de qualquer movimento. "Estou aqui há vinte anos e nunca aconteceu nada".
Quanto a documentos, não há problemas pois de qualquer ma
neira, conseguem informação, sempre oralmente. Houve comentários de que se perde muito tempo andando mas "quando a gente
precisa de documento, tem que ficar por conta mesmo".
Houve
sugestões de que se montasse um posto no bairro para
tirar
documentos, pois ficam rodando pela cidade, perguntando a um
e a outro, e muitas vezes têm que ir mais de uma vez.
era
A maioria declara que nunca teve problemas legais no
em
prego, mas um recorreu a advogado indicado por colega. "Um ad
vogado muito bom, pois sé cobra se ganha a causa". No seu ca
so, ganhou e recebeu. Também um caso de usocapião foi reso^
resol,
vido por advogado conhecido da família (classe média baixa).
Na amostra, os policiais, os bancários e os funcionários
públicos têm assistência jurídica institucionalizada.
Nota-se um grande respeito pelos policiais, muito
especialmente como fonte de informação: "são sérios, falam sempre
a verdade".
Poucas mulheres têm todos os documentos, mas os
maridos
têm todos. 0 que as mães valorizam muito são as carteiras de
INAMPS,Cruz Vermelha, Posto de Saúde ou Hospital das Clínicas,
considerando-as como documentos. As certidões de idade
são
guardadas com cuidado, "são muito importantes".
EDUCAÇÃO
EDUCAÇAO
Embora a grande maioria dos pais seja de nível primário,
notou-se muito interesse pela educação e instrução dos
filhos . Somente em uma familia, nem todas as crianças em idade e£
colar estavam matriculadas em alguma escola. Em alguns casos,
a necessidade de trabalhar impede a continuação dos estudos,o
que é lamentado. Na verdade, as escolas públicas da comunida
quê
148

cm

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�de atendem somente da la. ã 4a. série do 1'^ grau. De 5a. ã 8a
8a.
as crianças devem buscar bolsas de estudo ou, então, as esco
Ias da rede particular.
Entre os favelados e famílias de renda mais baixa, surg^
surgi^
ram muitas referências ao problema de repetência e do
atraso nos estudos.
Eé explicado que a criança "não dá
para o estudo",
"sua cabeça não ê boa"
ou
"não ê mu^
to ligado nessa coisa de estudo".
No entanto, a escola
ê percebida como o mei-o
raei*o de
de. ascensão social mais acessível a essas camadas.
Nas casas de classe média, as crianças vão
muito
bem, são adiantadas.
"0 Leonardo até trouxe para casa
uma ficha com o nome de 3 colégios prá gente marcar
qual queria para continuação dos
estudos
dele.
Isto
porque era muito adiantado. Hoje está fazendo a 5a. s£
sê
rio do IMACO".
0 Grupo Escolar "São Rafael" éê muito
conceituado
entre as famílias, pois dá alimento ãs
Es crianças, além de
liberar as mães parte do dia, para o trabalho.
Surge
como centro de informações básicas para a população que
o0 circunda.
Avisa sobre a época de vacinação
das
crianças, sobre a necessidade de exames
laboratoriais
(fezes, urina) indicando, inclusive, o local onde
os
mesmos podem ser feitos.
A participação das mães
nas
reuniões convocadas pelo Grupo é freqUente, principalmen
te entre aquelas que moram próximo ã Escola. Como ju£
tificativa para não participação, foram colocados: a fal^
ta dé tempo, o horãrio
horário das reuniões que coincide com o
trabalho, principalmente das mães.
Além disso, o Grupo dá cursos de educação sexual, tan
to para os pais quanto para as crianças (^é
(çle' 3a. e 4a.
séries somente).
Outra instituição que tem penetração na
comunidade
através do Grupo êé a "Escola de Pais".
Quando ela
sur
giu, foi sempre através do Grupo "São Rafael”.
Rafael".
Algumas
149

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�pessoas fizeram
questão de mostrar o certificado
de
participação. Outras ouviram falar da Escola de Pais mas
não participam das suas atividades por falta de tempo, ou
a existência de crianças pequenas as quais não têm com
quem deixar.
Quanto aos que se declararam analfabetos ou incapazes de
ler (apesar de terem frequentado escola), a maioria sabe onde
pode frequentar o MOBRAL, mas justifica sua não matrícula
a
fatores como idade "já estou velha para o estudo", dificulda
des de conciliar o estudo com tarefas domésticas, e di£
di^
tância.
tãncia.

LAZER
A maioria da população entrevistada ocupa seu tempo livre
em frente da televisão, ou ouvindo rádio. A existência de a
parelhos de TV nas casas pode surpreender num primeiro momen
to, face ã pobreza e carência quase generalizada dessas famí
lias. ÉE preciso lembrar, entretanto, que o favelado tem seu
barraco em terrenos da Prefeitura ou de outrem. Vive na ihs£
gurança esperando ser removido ou ter que remover-se a qua^
qual^
quer momento. Nestas circunstancias,
circunstâncias, o bem que procura adqu^
rir é aquilo que pode levar consigo, quando tiver que mudar
ou levar para lugar mais seguro, para proteger das enchentes.
Naquelas casas onde a pobreza ê absoluta, não há TV ou rádio,
se havia anteriormente, foi vendido para suprir as necessida
des mais prementes.
0 Parque Municipal apareceu como opção de lazer para algu
mas pessoas. Disseram que "não vão muitas vezes, porque
a
condução está cara". Fundamentalmente é a situação finance^
ra que determina as formas de lazer. Em famílias de classe
média, apareceram passeios de carro,viagens (a Cabro Frio,São
150

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^Q

II
11

12

13

�Paulo, a sítios no interior do Estado).
Por essa razão é que a TV surge tão maciçamente. 0 indiví
indiv^
duo pode, sem sair de casa, divertir-se durante algumas horas.
No entanto, não foram citados somente programas de entretenimento. Alguns entrevistados assistem noticiários e outros têm
essas informações através do rádio. Dessa forma suprem nece£
sidade de informações normalmente veiculadas por jornais que,
como vimos, são de difícil acesso.
Outra forma de preencher o tempo livre, bastante citada,
êé visita ã casa de parentes. A frequência dessas visitas tam
bém não é maior, devido ao custo do transporte.
bêm
A leitura foi pouco mencionada. A maioria dos que lêem, o
fazem esporadicamente. Leituras mencionadas: "Histórias
em
quadrinhos, livros infantis (mais para o cumprimento de tar£
fas escolares)
escolares),, os produtos de "evasão" ou leitura de "escapé'
"escapd'
novelas, revistas ("Amiga", "Carícia", "Carinho"),romances e a
Bíblia. Os quo
que têm mais recursos compram, inclusive,enciclopédias,
pédias , os outros trocam, emprestam. 0 acesso ao jornal foi
mais frequente nas famílias de nível econômico mais alto.Quan
alto.Ouan
to aos livros infantis, as crianças retiram mais na Biblioteca do Grupo Escolar São Rafael. As crianças que já
jâ sabem ler^
ler
afirmaram usá-la de vez em quando para leitura recreativa.
Ouvimos algumas expressões relativas ã leitura: "Não go£
to de ler. Quem gosta é o meu tio. Ele lê tanto que já
está
meio doido", "Eu não retiro livros no carro-biblioteca. Quem
retira são as meninas ali de frente. Elas estudam", "A Silva
na não gosta de ler, mas eu obrigo. Na língua portuguesa,
o
que manda mesmo é a leitura".
Houve casos de regressão ao analfabetismo, como o de uma
senhora de meia idade: "Já gostei muito de ler. Li muitas coi^
co£
sinhas. Agora esqueci, não sei mais ler", e de problemas com
a vista: ãs vezes tento ler, mas a vista doi muito
e tenho
que parar". A leitura de jornais ê limitada pelo baixo poder
aquisitivo. "Está muito caro, ãs vezes compro aos domingos".
Sendo o .bairro
bairro da Pompêia servido por um carro-biblioteca
do Centro de Educação Permanente "Professor Luis de Bessa" ,
procuramos saber se retiram livros no mesmo. A maioria nunca
ouviu falar. Os que já ouviram, ou perceberam o carro
esta
161
1B1

cm

1
i

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Sc a n
st e m
GeraMancnto

^

^

�citinado
ci'onado ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Pompéia, tinham
muitas informações incorretas sobre^ o mesmo. 0 desconhecimen
to é geral, ocorre tanto entre pessoas de favela quanto entre
os de classe média. Na verdade, o conhecimento da existência
do carro parece estar muito ligado ã proximidade da moradia
do local onde ele fica. As informações incorretas dizem re£
peito ãà questão de pagamento para o uso, da documentaç^ão
documentaçtro necessária para obter o cartão de matrícula, do tipo de usuário
permitido: "pensei que era só para estudante".
Quanto aos problemas detetados, no uso do carro,citamos:
1) A sua localização num ponto "elitista'*’, em termos do bai£
bair
ro. Além disso, a existência de uma Escola ao lado, realmente
leva as pessoas a pensar que é só para estudante; 2) o seu
horário de permanência no bairro, de 15 em 15 dias,
somente
das 14:30 Es
ãs 17:30 horas. Uma das garotas que lê (é
(ê da fave
fav£
laj disse que se inscreveu duas vezes, mas desistiu
porque
la)
nesse horário está na escola e não há ninguém que possa tirar
os livros para ela.
O0 único caso em que há
hâ uso sistemático do carro-bibliotecarro-bibiioteca, é numa família de classe média, em que as moças e um garo
gar£
to retiram romances e livros didáticos, provavelmente pela fa
cilidade de acesso, já que moram a cerca de 3 quadras da Igr£
ja.
pe
A aparente falta de divulgação dos serviços prestados p£
lo carro-biblioteca limita ainda mais o seu uso.
P0 lazer é pobre e pouco variado. A leitura é vista
como
como'
algo estranho ou associado exclusivamente ã escola.
MORADIA
As moradias dos entrevistados incluem desde barracos pr£
pre
caríssimos em favelas, até casas de tijolos muito boas, em
era l£
lo
cais predominantemente de classe média. O problema cruciai de
muitos entrevistados é a não posse da terra, nas favelas, e a
exploração nos cortiços. As terras são invadidas e pertencem
ã prefeitura ou a particulares, que mais dia, menos dia, ex^
ex£
gern a retirada dos invasores. No desfavelamento, as pessoas
gem
acabam ^endo
pendo empurradas para longas distâncias, com condução
cara e difícil. Nota-se a exploração, nos cortiços, que é fei
fe^
152

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-

Q

II

12

�ta pelo dono dos cômodos ao cobrar alto aluguel dos inquilinos, considerando-se as precárias condições oferecidas. As ca
sas e cortiços próximos da favela têm péssimo aspecto, geralmente escuros e fétidos, muitas roupas e cobertas amontoadas
nas camas'
camas'-‘ee sujeira aparente. Em muitas casas, nota-se a ausência prolongada da dona da casa, que é obrigada a passar
grande parte do dia fora, ficando os cuidados da casa e ali^
mentação por conta das próprias crianças.
e
A informação sobre áreas para serem ocupadas nas favelas
e em regiões banhadas pelo Arrudas, cômodos para alugar, são
fornecidas por parentes e amigos, muitas vezes vindos do me£
me^
mo local no interior. A expressão "colegas"
"colegas” é frequentemente
usada mais com o sentido de companheiros na marginalização so
ciai. do que como entendemos, com relação a escola, serviço ou
profissão.
Alguns favelados ouviram dizer que no Rio muitas pessoas
estão resolvendo o problema da posse da terra, mas não sabem
detalhes e poucos conhecem a UTP (União dos Trabalhadores da
Periferia) ou frequentam congressos de favelados. Não
vimos
nas casas visitadas, as publicações que estão sendo feitas e^
e£
pecialmente para os marginalizados sociais, onde o
problema
da posse da terra e outros são expostos em linguagem fácil.Há
uma certa descrença e acomodação. Não pensam em melhorar o a£
pecto ou criar condições melhores de habitação (não 'têm
têm esgo
to, água encanada, luz própria) pois a insegurança de permanencia ou nao no local os persegue. Nos cortiços, a situaçao
não iS muito agradável e visitamos alguns em que existem
ap£
nas dois banheiros para oito ou 12 famílias.
Segundo pudemos perceber o que caracteriza o cortiço
é
ser ele uma habitação coletiva, que tem proprietário, ao qual
os Inquilinos pagara
pagam aluguel, e são por ele muitas vezes ‘expio
expl£
rados. 0 controle sobre a luz e a água chegam a ser irritan
tes e o terreno é pequeno para tantas moradias (que têm ’ um
número só, na rua) e que se voltam para uma área central, um
beco cimentado alongado ou circular. Ao contrário do barra
barr£
CO de favela, que é geralmente de tábuas, o cortiço é de■àlv£
de alv£
naria.
•
' '
Os barracos de favela são localizados em terrenos invad^
invadi.
153

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Q

II

12

13

�(terras desvalorizadas, de preferência na beira de córr£
corre
dos Ctsrras
gos) que pertencem ã Prefeitura ou a particulares. Além
de
minúsculos e sem nenhum conforto, não oferecem segurança pela
não posse da terra. A água provem de uma torneira comum a to
dos e a luz éê ligada em bico coletivo. Não têm esgoto e as
ruelas irregulares e sujas, são densamente povoadas, especia]^
especia^
mente por crianças que brincam, ou pessoas que se encontram para
conversar no fim do dia. 0 boteco é ponto de reunião e de in
formação também. A proximidade das casas faz com que
todos
se conheçam e busquem uma maneira de viver mais solidária.
0 barracão de fundo de quintal se localiza, muitas vezes,
ao lado de residências boas em flagrante contraste.
Oferece
mais privacidade, embora muitas vezes tenha condições
precá
rias.
Na escala social, o barracão de fundos precede o cortiço,
enquanto o barraco de favela seria a última e mais
humilde
condição de moradia.
SERVIÇOS DE BIBLIOTECA QUE SERVEM 0 BAIRRO
Em Belo Horizonte, o Centro de Educação Permanente "Professor Luís de Bessa" ocupa um local privilegiado da zona re
sidencial de alto poder aquisitivo. 0 Centro tem um Carro-b£
Carro-b^
blioteca que atende a 17 (dezessete) bairros da cidade com u
ma capacidade de 5.000 volumes, circulando com uma média
de
3.000 volumes. Visita as comunidades a cada sete ou
quinze
dias, conforme escala prévia.
Uma anãlise
análise dos títulos emprestados no bairro da Pompéia,
alvo de nosso estudo, mostrou a predominância absoluta de tex
tos didáticos e a análise de fichas de leitores evidenciou a
quase totalidade de estudantes de 1’ grau. De acordo com si£
temática do carro-biblioteca são os seus leitores
divididos
entre menores e maiores, abaixo e acima de 18 anos, respecti334
vamente. Há, na Pompéia,425 leitores inscritos; sendo
menores e91
e 91 maiores. Dos menores, 321 são estudantes e dos
maiores, 30 também o são. De uma amostra de livros
emprestados no dia 04/06/81, tivemos: maior incidência dê
dé emprésti^
emprést^
mos de textos infatis e .didáticos,sendo
didáticos,sendo que muitos dos livros
infantis são leituras requeridas pelos programas escolares.
154

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4^
♦

�Hä indicações de que o Carro-Biblioteca do Centro de Edu
Hâ
cação Permanente Prof. "Luis de Bessa”
Bessa" está,
principalmente,
sendo usado como apoio escolar. Notamos que, a partir da es
timativa de 37.000 habitantes para o bairro Pompéia, o carrobiblioteca atende, teoricamente, a apenas l,lí da populaçãoalvo. A visita quinzenal pode ainda reduzir este pequeno nú
mero de atendidos.
■'Descontados
Descontados os analfabetos adultos e as crianças
ainda
não alfabetizadas, este índice de l,li
1,1^ continua sendo
muito
baixo. ■

CONCLUSÃO
Em todos os temas trabalhados neste estudo observou-se a
quase total predominância da informação não formal, ou.
ou
vida de■vizinhos,
de vizinhos, parentes e amigos.
As informações sobre o
emprego que ocupam, o terreno onde ergueram o barraco, a
escola dos filhos, o endereço do Posto Medico foram con
seguidos através de comunicação oral.
Nas famílias
de
rendas mais altas êé também muito comum a informação o
ral, mas ê complementada ou validada pela informação es
crita a que têm acesso pelo domínio
da leitura
leiturr e pelo
maior poder aquisitivo.
A informação circulada se reveste de um certo grau de a
cidentalidade, e ê muitas vezes fragmentada ou incorreta. Es
pelha as carências do proprio
próprio meio onde circula. Por outro la
do éê baixo o nível de percepção coletiva das dificuldades de^
des
necessariamente enfrentadas. Tendem a situar as dificuldades
em termos de obtenção/não obtenção do que necessitam. Em ou
tras palavras, o tempo consumido com idas e vindas, o dinhei
ro gasto com a condução não contam, se no final, o documento,
por exemplo foi obtido.
A falta de informação contribui para a não
participação
em movimentos comunitários quando são discutidos temas como
"desfavelamento" e "alta de custo de
de.vida".
vida". Na Pompéia, onde
esses movimentos parecem vir exclusivamente de fora, ouvimos
155

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�dizer "é sempre a mesma coisa", significando que não há infor
mações novas, ou ainda como se expressou uma favelada em rela
ção ã.
ã CHISBEL (órgão encarregado do desfavelemento em .Belo
Belo Ho
rizonte) - "não dizem coisa com coisa".
coisa",.
Entre as categorias estudadas, as informações'sobre
informações sobre oferta
de emprego são as mais difíceis de serem obtidas. As entre^vistas
entrevistas
com os moradores confirmaram a preocupação da assistente sòcial
social do Posto
Médico da Pompéia, que procura coordenar a demanda e a oferta
de .empregos
empregos no bairro, enfrentando muitas dificuldades. A aconjugados
tual recessão econômica e o crescente desemprego,
com a baixa qualificação dos moradores da Pompéia, configuram
um quadro que aponta para a urgente necessidade de algum
com
promisso por parte da biblioteca pública na organização e di£
seminação de informação no setor. Este pode ser, talvez,
na
Pompéia, o núcleo gerador de informação utilitária ‘organizada
para a comunidade e com a comunidade. A transmissão oral de^
de£
sa informação é uma dimensão com a qual os bibliotecários terão que,conviver.
Conhecendo de perto as carências de uma população da per^
feria urbana e tentando identificar o que está ligado ã informação/desinformação, emergem para o bibliotecário as possibiH
dades de atingir o "não público" de nossas bibliotecas, na ex
pressão de Flusser.^
ainda
A nossa observação do carro-biblioteca na Pompéia,
que superficial, nos leva a reconhecer que ê relativo o conce^
concei_
to, tão generalizadamente aceito, de que o livro é levado
ao
leitor através do carro-biblioteca. Há limitações quanto
ãâ
frequência de visitas do carro, do seu tempo de
permanência
nos locais e no próprio tamanho do acervo que pode ser
tran£
portado em cada visita. Estas são as questões objetivas.
Há
função
ainda as subjetivas, como no caso da Pompéia, onde,em
do local de parada do carro, (junto ao colégio) ele passa
a
ser visto como algo ligado apenas ao
ao,ensino,
ensino, o que é reforçado
pelos alunos uniformizados, seus leitores quase que exclusivos.
Essas limitações talvez expliquem'
expliquem a pouca divulgação do carrobiblioteca entre os moradores da Pompéia.
Este nosso estudo na Pompéia sofreu os limites de ter sido
isolado e não articulado com outros movimentos de ação social
156 ■

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�no bairro, e de ter sido uma aproximação de fora para dentro,
sem uma demanda explícita dos moradores do bairro.
Se foi possível vislumbrar um caminho, este pareceu-nos so
bretudo um caminho a ser trilhado passo a passo
com as pró
prias pessoas que alí vivem. Desde o incentivo ã
elaboração
de necessidades de informação por elas próprias, até as formas
de organização para provê-las.
E preciso ter em mente que não se trata apenas de articular pessoas e instituições, como se as primeiras fossem objeto
das segundas. Para explicitar este ponto, pode-se tomar como
quadro de referência as experiências de bibliotecas estrange^
ras no que se refere ã provisão de informação utilitária. Segundo Childers^^^
Childers (1) visualizamos dois níveis de atuação nas bi^
b^
bliotecas americanas. Num primeiro nível, temos a provisão de
informações simples (telefone, endereço) até a provisão de in
formações que envolvem negociações, inclusive
auxílio ativo
por parte da biblioteca contactando fontes externas. Num segun
do nível, as bibliotecas avaliam as fontes externas, trabalham
para remover obstáculos que se interpõem, acompanham o proce£
proce^
so de obtenção, retroalimentam com dados as agências sociais e
planejadores, e ainda ajudam as pessoas a solucionarem
seus
problemas pessoais sem recorrer a outras fontes.
Parece-nos que, neste quadro de atuação, fica bastante re^
r£
forçada a biblioteca como um meio unilateral de comun^
comuni^
cação.
A seleção de fontes externas e sua avaliação,
o
encaminhamento do usuário e todo o processo que
se s£
gue são prerrogativas absolutas da biblioteca. Não se vi£
lumbra nesta relação de comunicação a bi-lateralidade que
possibilite ao usuário tornar-se ele próprio um
informante e vice-versa.
Se os recursos materiais de
uma
sociedade, como a americana, possibilitam enorme alcance
na
nas facilidades o
provisão de informações utilitárias e _nàs
ferecidas ao usuário, diminuem as possibilidades de comunicação bilateral, pois todos os problemas são resolvidos a nível
da biblioteca apenas.
•Estas observações procedem, pois o quadro de referência de
que falamos acima pode vir a ser o modelo inspirador de futuras ações de bibliotecas brasileiras, ainda que não se possa
157

Digitalizado
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V

�reproduzir localmente as facilidades materiais do modelo. E o
portuno ressaltar que qualquer movimento que se inscreva
no
conceito de ação cultural deve visar a continuidade autônoma
do processo, e isto s5
só é possível quando os usuários são su- ■
jeitos e não objetos do processo.
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service. Library
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in-vestigação sor
sot
ciai ^e enquete operária^ Eãõ
São Paulo, Polis, 1980. 2270'p.
70J).

158

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-

Q

II

12

13

�ABSTRACT
Exploratory study conducted in Bairro Pompéia, Be
lo Horizonte, with the aim o£
of verifying how vital in
formation flows in that community and detecting
the
of the required
barriers that might hinder the search o£
information.
The results showed that vital in£ormation
information obtained
through neighbors, friends
£riends and relatives is £ar
far more
used than printed in£ormation.
information. Witli
With regard
to the
higher social strata printed in£ormation
information is used
to
complement oral in£ormation
information whereas printed in£ormainformation is not used by the lower social classes due to
illiteracy, lack’o£
lack'of reading and low economic resources.
It was veri£ied
verified that the lower the socio-economic class
cl^s
the harder the process of
o£ acquisition of
o£ information
in£ormation
is.
The category employment was proved to be the most
troublesome for that community. In spite o£
of the exis
tence o£
of agencies that provide information about joE
joF
offers the users of such agencies stated the services
óffers
Services
were not efficient.
The^great
The_great number of non-users of library Services
services
in Pompéia area indicates to J.ibrarians
librarians the
various
possibilities of working towards ■■nieeting
laeeting the needs of
that community with regard to vital information.

159

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�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text> Escarpit, Robert</text>
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              <text>Conferência realizada por Victor Flusser e com o debate de Myriam Gusmão de Martins e Robert Escarpit a respeito do papel da biblioteca no desenvolvimento da cultura local</text>
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