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                  <text>SUB-TEMA 2: BIBLIOTECA NOS PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇAO
SUB-TEHA
E DE EDUCAÇAO DE ADULTOS

CONFERENCISTA:

PAULO FREIRE
FAULO
Professor da UNICAMP

DEBATEDORES:

ETELVINA LIMA
Professora da Escola de Biblioteconomia da UFMG
PIERRE FURTER
Professor da Universidade de Genebra.

91

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.0

�Oä;&gt;ASIT38A'ÍJA 10
W 2AHASaüSiS ^0í! ADlfOnaiÖ ;S Ai'il-aoi
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re

2

3

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Scan
Stern
GemuUinirato

Q

I II

I 12

13

�A EDUÇAÇAO
EOUÇAÇAO DE ADULTOS E BIBLIOTECAS POPULARES
CONSIDERAÇÕES PRELIHINARES
PRELIMINARES

PAULO FREIRE

As rainhas
minhas priraeiras
primeiras palavras são de agradeciraento
agradecimento

ãs

i deal i zadoras e organizadoras deste Congresso por me
id^alizadoras
rae terem
terera

co£
con^

vidado para nele participar, falando em
era torno de um
ura tema
teraa que

a

mim serapre
raim
sempre me
rae interessou.
Falar de alfabetização de adultos e de bibliotecas
lares é falar do problema
probleraa da leitura e da escrita.

Não da

tura de palavras e de sua escrita em
era si prSprias,
próprias, corao
como se
lás e escrevi-las
escrevê-las não iraplicasse
implicasse nuraa
numa outra leitura, prévia

popjj
lej^
lie

concomitante àquela - a leitura da realidade raesraa.
mesma.
A compreensão crTtica da alfabetização, que envolve
compreensão igualraente
igualmente crTtica da leitura, demanda a
são crTtica da biblioteca.

*

Ao falar, porém, de uma visão crTtica,

a

compreeji
compree^i

L
autenticando-se

nuraa
numa prãtica
prática da raesraa
mesma forma crTtica da alfabetização, reconheço
e não só
s5 reconheço, mas sublinho, a existência de uma

prãtica
pratica

oposta e de uma compreensão também, que em ensaio há
hã muito

tem

po publicado, chamei de ingênua.*
‘FREIRE, Paulo - A Alfabetização de adultos - Crítica de sua
sao iugêuua.
ingênua. Compreensão de sua visão crítica. Em: Açao Cu_^
Cu_l
tural para a Liberdade e outros escritos. Paz e Terra.
5
ed., 1981.
93

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Sc a n
stem
Gereaclanenta

�Seria enfadonho insistir aqui, exaustivamente,
exaustivaraente, era
em pontos
referidos era
em outras oportuni
oportunidades
dades era
em que tenho discutido o
blema da alfabetização.
bleraa

De qualquer raaneira,
maneira, contudo, rae
me

pr£
pare
pare^

ce importante,
iraportante, raesrao
mesmo ocorrendo o risco de repetir-rae
repetir-me ura
um pouco ,
tentar aclarar ou re-aclarar o que venho chamando
charaando de prática
compreensão crTticas
corapreensão
críticas da alfabetização, era
em oposição ã
ã “astuta".
"astuta".

e

inginua e

Idinticas as duas últiraas
últimas do ponto de vista objeti_
objeti^

vo, distinguera-se,
di sti nguem-se, porira,
porim, quanto ã subjetividade de seus agentes.
0 raito
mito da neutralidade da educação que leva ã negação da
natureza polTtica
política do processo educativo e a toraã-lo
tomã-lo corao
como

ura
um

engajamos a serviço da huraanidade
humanidade
quefazer puro, em que nos engajaraos

e£
en^

tendida corao
como uma
uraa abstração, éê o ponto de partida para

corapreeji
compreeji

dermos as diferenças fundaraentais
derraos
fundamentais entre uma
uraa prática ingênua,uraa
inginua,uma
prática "astuta" e outra crTtica.
crítica.
Do ponto de vista crítico
crTtico êé tão irapossTvel
impossível negar a
reza polTtica
política do processo educativo quanto negar o caráter
cativo do ato político.
polTtico.

nat]j
natii
ed£
ed]j

Isto não significa, porem,
poréra, que a

nat£
nat]j

reza política
polTtica do processo educativo e o caráter educativo

do

ato polTtico
político esgotem a compreensão daquele processo e deste ato.
Isto significa ser impossTvel,
impossível, de ura
um lado, corao
como já

salientei,

uma educação neutra, que se diga a serviço da humanidade,
huraanidade,
seres humanos era
em geral; de outro, uma prática polTtica
política
da de significação educativa.

dos

esvazi^
esvazi£

Neste sentido ié que todo partindo
parti-do

político é sempre educador e, como tal, sua proposta
polTtico

política
polTtica

vai ganhando carne ou não hã relação entre os atos de denunciar
e de anunciar.

Mas.
Mas, éê neste sentido também
tarabira que, tanto no

94

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caso

�do processo educativo quanto no do ato político, uma das

que£
que^

tões fundamentais seja a clareza
dareza em torno de a favor ^
de quew

e

do que, portanto, contra que*
quea e contra o que fazemos a educação
e de a favor de quem e do que, portanto, contra quem e contra o
que desenvolvemos a atividade política.
ta£
Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática tajn
to mais percebemos a impossibilidade de separar o inseparãvel:a
inseparável:a
educação da política.

Entendemos então, facilmente, não

possível pensar, sequer, a educação, sem que se esteja

ser
atento

ãi questão do Poder.
Não foi, por exemplo, - costumo sempre dizer - a

educ^
educ£

ção burguesa a que criou ou deu forma ã burguesia, mas a burgue
burgu£
sia que, chegando ao poder, teve o poder de sistematizar a
educação.

sua

Os burgueses, antes da tomada do poder, simplesmente

não poderiam esperar da aristocracia no poder que pusesse
prática a educação que lhes interessava.

em

A educação burguesa ,

por outro lado, começou a se constituir, historicamente,
antes mesmo da tomada do poder pela burguesia.

muito

A sua sistematj^
sistemati_

zação e a sua generalização i-que sõ foram viáveis com a burgu£
sia como classe dominante e não mais contestãria.
contestaria.
Mas, se, do ponto de vista crítico, não eI possível
sar sequer a educação sem que se pense a questão do poder;

pejn
peji
se

não é possível compreender a educação como uma prática autônoma
ou neutra, isto não significa, de modo algum, que a educaçãosí^
educaçaosi£
temática seja uma pura reprodutora da ideologia dominante.

As

95

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Sc a n
stem
Gerenciamento

�rclaçóes entre a educação enquanto sub-sistema
relações
sub-sisteraa e o sistema maior
sao relações dinâmicas, contraditõrias
Sao
contraditórias e não mecânicas.

A educ^
educ£

çao reproduz a ideologia dominante, i certo, mas nâo
não faz

apenas

isto.

Nem mesmo em sociedades altamente modernizadas, com clas-

ses dominantes realmente competentes e conscientes do papel

da

educação, ela é apenas reprodutora da ideologia daquelas classes.
As contradições que caracterizam a sociedade como estã
está sendo p£
pe
V
—
netram a intimidade das instituições pedagógicas
pedagõgicas em que a educai
educ^
sistemática se estã dando e alteram o seu papel ou o seu
ção sistemãtica

e£

forço reprodutor da ideologia dominante.
Na medida em que compreendemos a educação, de um

lado,

reproduzindo a ideologia dominante, mas, de outro-,
outro, proporciona^
proporcionan
t
^
do, independentemente da intenção de quem tem o poder, a negação
!&gt; '
daquela ideologia (ou o seu desvelamento) pela confrontação
e£
e^
tre ela e a realidade (como de fato estã sendo e não como o

di£

curso oficial diz que ela é)
5) vivida pelos
pelos, educandos e pelos
" 'V
•
cadores, percebemos a inviabilidade de uma educação neutra.

edjj

A partir deste momento, falar da impossível
da educação jã nâo
não nos assusta ou intimida.

neutralidade

E que o fato de não

ser 0 educador um agente neutro não significa, necessariamente ,
que deva ser um manipulador.

A opção realmente

liberdadora nem

se realiza através de uma prática manipuladora, nem tampouco por
meio de uma prática espontaneTsta.
autoritãria.
por isso autoritária.
responsável.

A manipulação é

castradora,

0 espontaneTsmo eé licencioso, por isso

0 que temos de fazer, então, enquanto educadoras ou

educadores, i aclarar, assumindo, a nossa opção, que ié política.
educadores,-i

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&lt;/

-

11

12

13

�e ser coerentes com ela na prática.
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prãtj^
ca ié uma das exigências que educadoras e educadores críticos
fazem a si mesmos.

se

C que sabem muito bem que não é o discurso o

que ajuiza a prática, mas a prática a que ajuiza o discurso.
n5s, educadoras e ed£
Nem sempre, infelizmente, muitos de nós,
edu
cadores, que proclamamos uma opção democrática, temos uma

prãti_

ca em coerência com o nosso discurso avançado. DaT que o

nosso

discurso, incoerente com a nossa prática, vire puro

palavreado.

DaT que, muitas vezes, as nossas palavras “inflamadas",
Daí
"inflamadas", contradj^
tadas, porém, por nossa prática autoritária, entrem por um

ouvj^

do e saiam pelo outro - os ouvidos das massas populares,

cans£
cans^

das, neste país, do descaso e do desrespeito com que há

quatro
quatr£

centos e oitenta anos vêm sendo tratadas pelo arbTtrio
arbítrio e pela a£
ar
rogincia dos poderosos.
rogância
Um outro ponto que me parece interessante subiinhar,cara£
subiinhar.cara^
terTstico de uma visão crítica da educação, portando da alfabet£
terístico
alfabeti^
zação, êé 0 da necessidade que temos educadoras e educadores

de

viver, na prática, o reconhecimento óbvio de que nenhum de

nós

está sõ
só no mundo.
e com os outros.

Cada um de nós éê um ser no mundo, com o mundo
Viver ou encarnar esta constatação,

evidente,

enquanto educador ou educadora, significa reconhecer nos
enquanto,educador
- não importa se al
alfabetizandos
fabetizandos ou participantes de cursos

outros
un£
unj_

versitãrios;
versitãri
os; se alunos de escolas do primeiro grau ou se membros
de uma assembléia popular - o direito de dizer a sua palavra. D£
D2

97

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Sc a n
stem
Ciereaclanent»

�reito deles de falar a que corresponde o nosso dever de escutãescutálos.

De escutá-los
escutã-los corretamente, com a convicçáo
convicção de quem

cum

pre um dever e não com a malícia
malTcia de quem faz um favor para rece
rec£
ber muito mais em troca.

Mas, como escutar implica em

falar

também, ao dever de escutã-los
escutá-los corresponde o direito que

igual_
igual^

Escutã-los no sentido acima
mente temos de falar a eles.
eles." Escutá-los

ref£
refe

rido i, no fundo, falar com eles, enquanto simplesmente falar a
eles seria uma forma de não ouvT-los.
ouví-los. Dizer-lhes sempre a nossa
palavra, sem jamais nos expormos e nos oferecermos ã deles,

a£
ar^

rogantemente convencidos de que estamos aqui para salvá-los

éê

uma boa maneira que temos de afirmar o nosso elitismo, sempre
semprea^
ajj
toritãrio.
toritário.

Este não pode ser o modo de atuar de uma

ou de um educador cuja opção é libertadora.

educadora

Quem apenas fala e

jamais ouve; quem "imobiliza" o conhecimento e o transfere a e^
tudantes, não importa se de escolas primárias ou universitárias;
quem ouve o eco apenas, de suas próprias palavras, numa espécie
de narcisismo oral, quem considera petulância da classe

trab^
traba

lhadora reivindicar seus direitos; quem pensa, por outro

lado,

que a classe trabalhadora é demasiado inculta e incapaz,

nece^

sitando, por isso, de ser libertada de cima para baixo, não tem
realmente nada que ver com libertação nem democracia.

Pelo con
cojn

trãrio, quem assim atua e assim pensa, consciente ou inconscieji
temente, ajuda a preservação das estruturas autoritárias.
Um outro aspecto ligado a este e a que gostaria de me r£
re
ferir, é o da necessidade que temos os educadores e as

educado^
educad£

ras de "assumir " a irigenuidade
ingenuidade dos educandos para poder,
eles, superá-la.
superã-la.

98

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com

�Estando num lado da rua, ninguém testará
estará em seguida,
outro, a não ser atravessando a rua.

no

Se estou no lado decã,nno
decá,n:io

posso chegar ao lado de lã, partindo de lã,
lá, mas de cã.

Assim

também ocorre com a compreensão menos rigorosa, menos certa, da
tambim
realidade.

Temos de respeitar os nTveis de compreensão que

os

educandos - não importa quem sejam - estão tendo de sua propna
própria
realidade.

Impor a eles a nossa compreensão em nome da sua

Ij^
1^

bertação é aceitar soluções autoritárias como caminhos de libe£
dade.
Mas, assumir a ingenuidade dos educandos demanda de
a humildade
h umiIdade necessária para assumir também a sua

nõs
nós

cri
criticidade,
ti cidade,

superando, com ela, a nossa ingenuidade também.
tambim. Sõ as

educado

ras e os educadores autoritários negam a solidariedade

entre o

ato de educar e o ato de ser educados petos
pelos educandos; sõ

eles

separam o ato de ensinar do de aprender, de tal modo que ensina
quem se supõe sabendo e aprende quem ée tido como quem nada saoe.
saPe.

Na verdade, para que a afirmação "quem sabe ensina

a

quem não sabe" se recupere de seu caráter autoritário é preciso
que quem sabe saiba sobretudo que ninguém sabe tudo e que

nin

guém tudo ignora.
guim

0 educador, como quem sabe, precisa reconhecer,primeiro,
nos educandos em processo de saber mais, os sujeitos, com ele ,,'
deste processo e não pacientes acomodados; segundo,

reconhecer

que 0 conhecimento não ié um dado aT,
ai”, algo imobilizado,

conclui

do, terminado, a ser transferido por quem o adquiriu a quem ain
da não o possuir.

99

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�A neutralidade da educação, de que resulta ser ela enteji
dida como um quefazer puro, a serviço da formação de um

tipo

ideal de ser humano, desencarnado do real, virtuoso e bom,

é

uma das conotações fundamentais da visão inginua
ingênua da educação.
inti_
Do ponto de vista de uma tal visão da educação é na inti^
consciências, movidas pela bondade dos corações, que
midade das consciincias,
0 mundo se refaz.

E jã que a educação modela as almas e recria

os corações, ela iê a alavanca das mudanças sociais.
dê car
Em primeiro lugar, porém, é preciso que a educação dica£
ne.
ne e espTrito ao modelo de ser humano virtuoso que, então,
taurarã uma sociedade justa e bela.

in^

Nada poderá
poderã ser feito

ãji
a£

tes que uma geração inteira de gente boa e justa assuma a
fa de criar a sociedade ideal.

tare^

Enquanto esta geração não surge

algumas obras assistenciais e humanitárias
humanitãrias são realizadas e com
as quais se pode inclusive ajudar o projeto maior.
Hã
Há um sem número de outras características da visão ingi
ingê
nua a que me estou referindo e que o tempo desta exposição
me permite analisar. Sublinhei apenas algumas das mais

não

grita^
gritari

tes de suas marcas, para, em seguida, me fixar em outras ao
vel da alfabetização de adultos.

nT

0 carãter
caráter mãgico
mágico emprestado ã

palavra escrita, vista ou concebida quase como uma f)alavra
palavra

sa]_

vadora iê uma delas.

"ho
"h£

0 analfabeto, porque não a tem',
tem, é um

mem perdido", cego, quase fora da realidade.

E preciso,

pois,

salvã-lo e a sua salvação está em passivamente
passivaraente receber a

pal^
pala

vra - uma espécie de amuleto - que a "parte melhor" do

100

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mundo

�lhe oferece benevolamente.

Daí
DaT que o papel do analfabeto

não

seja 0 de sujeito de sua própria
pr5pria alfabetização, mas o de pacieji
pacien
te que se submete docilmente a um processo em que não tem

ing£

rinci a .
rincia.
Do ponto de vista crTtico
critico e democrãtico,
democrático, como ficou mais
ou menos claro nas análises anteriores, o alfabetizando e não o
analfabeto, se insere num processo criador, de que ele é também
sujeito.

Desde o começo, na prática democrática e crftica,
crítica,

a

leitura do mundo e a leitura da palavra estão dinamicamente juji
j uji
tas.

0 comando da leitura e da escrita se dá
dã a partir de

pala^
pal£

vras e de temas significativos ã experiência comum dos alfabeti_
zandos e não de palavras e de temas apenas ligados ã

experiin_
experiên^

cia do educador.
A sua leitura do real, contudo, não pode ser a repetição
mecanicamente memorizada da nossa maneira de'
de ler o real. Se

as
a^

sim fosse, estaríamos
estarTamos caindo no mesmo autoritarismo tão constan
constaji
temente criticado neste texto.
Em certo momento desta exposição disse que, se, do ponto
de vista objetivo, os ingênuos se identificam com os “astutos"*,
se distinguem porém subjetivamente.

Na verdade,

objetivamente

uns e outros obstaculizam a emancipação das classes
dasses e dos
pos sociais oprimidos.

Ambos se acham marcados pela

gr£
gru

ideologia

A propósito de ingênuos e "astutos" ver FREIRE, Paulo. O
pa
p_a
pel educativo das igrejas na América
America Latina em Açao Cultural
Culturalpa
pa^
ra a Liberdade e outros escritos, p. 105.

101

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I Scan
st em
I Gereaclanents

�dominante, elitista, mas so
sõ os “astutos",
"astutos", conscientemente, ass£
mem esta ideologia
ideoloyia como própria.
propria.
mente reacionários.
reacionãrios.
ra tática.

Neste sentido, são consciente^
conscient£

Por isso éi que, neles, a ingenuidade é

p^
pii

Assim, a única diferença que hã
há entre mim e um

edjj

cador astutamente inginuo, com relação ã compreensão
Compreensão de um

dos

aspectos centrais do processo educativo, estã
está em que,

sabendo

ambos, ele e eu, que a educação não é neutra, somente eu o afir.
afi£
mo..
mo
Me parece importante chamar a atenção para a

diferença

entre o inginuo não malicioso e o inginuo astuto ou tático.

E

malicio
que, na medida mesmo em que a ingenuidade daquele não ié malici£
sa ele pode, aprendendo diretamente de sua prática, perceber

a

inoperãncia de sua ação e, assim, renunciando ã ingenuidade mas
rejeitando a astúcia ou a malTcia, assumir uma nova posição.Ag£
ra, uma posição crítica. Se antes, na etapa da

ingenuidade não

tática, a sua adesão aos chamados pobres era ITrica,
lírica, idealista,
agora o seu compromisso se estabelece em novas bases.
Se antes a transformação social era entendida de

forma

simplista, fazendo-se com a mudança, primeiro, das consciincias,
como se fosse a consciência, de fato, a transformadora do real,
agora, a transformação social i percebida como processo

hist£

di al eti camen^
rico em que subjetividade e objetividade se prendem dialeticameji
te.

Já não hã como absolutizar nem uma nem outra.
Jã
Se antes a questão da justiça social era vista

como pr£

blema de caridade, agora, sem negar o ato caridoso, percebe que

102

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�i preciso, primeiro, fazer justiça; depois, caridade.
adu’tos era tratada e
Se antes a alfabetização de adu''tos

realj_

zada de forma autoritária, centrada na compreensão mágica da p^
p£
lavra, palavra doada pelo educador aos analfabetos; se antes os
textos geralmente oferecidos como leitura aos alunos
muito mais do que desvelavam a realidade, agora, pelo

escondiam
contrá-

rio, a alfabetização como ato de conhecimento, como ato criador
e como ato político
politico é ura esforço de leitura do mundo e da

pal^
pal£

vra.
Agora, já não é possTvel
possível texto sem contexto.
Por outro lado, na medida mesma em que vai superando
visão mágica e autoritária da alfabetização, começa a dar
atenção necessária ao problema da memória mais oral em

a
certas

áreas do que em outras e que exige procedimentos educativos
peciais.
péciais.

Em áreas cuja cultura tem memória

oral e não há nenhum projeto de transformação

a

e^

preponderantemente
infraestrutural

em andamento*, o problema que se coloca não i o da leitura

da

palavra mas o de uma leitura mais rigorosa do mundo, que sempre
precede a leitura da palavra.
Se antes, raramente os grupos populares eram estimulados
a escrever seus textos, agora i fundamental fazi-lo, desde o c£
meço mesmo da alfabetização para que, na pós-alfabetização,
*

se

V
• - •
T*T»
^
Ver a este proposito, FREIRE, Paulo. Cartas ÄA guine
gume Bissau.Paz
e Terra.

103

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Sc a n
stem
Gereaclanent.

�va tentando a formação do que poderá vir a ser uma pequena
vã

bi

blioteca
blloteca popular, com a inclusão de páginas escritas pelos

pró

prios educandos.
0 importante, porém, ao renunciar ãi "inocência"
"inocincia" e ao

re

jeitar a esperteza, é que, na nova caminhada que começa até

os

oprimidoá, se desfaça de todas as marcas autoritárias e comece,
oprimidoi,
na verdade, a acreditar nas massas populares.

Já não
náo apenas f£

le a elas ou sobre elas, mas as ouça, para poder falar comelas.
A relevância da biblioteca popular com relação aos
gramas de educação e de cultura popular em geral e não

pr£
pro
apenas

de alfabetização de adultos, creio que é apreendida tanto

por

educadoras e educadores numa posição ingênua, ou astutamente i£
genua, quanto por aquelas e aqueles que se inserem numa perspe£
tiva crítica.

0 em que se distinguem é na concepção - e na sua

posta em prãtica
prática - da biblioteca.
Deixemos de lado a posição ingênua não astuta e

tomemos

esta última como ponto de referência para a nossa reflexão.
seu ângulo, assim como o processo de alfabetização de

De

adultos

autoritariamente se centra na doação da palavra dominante -

e

da temática
teinãtica a ela ligada - aos alfabetizandos,
alfabeti zandos, com as quais

a

area popular é culturalmente invadida, as bibliotecas populares
ãrea
serão tão mais eficientes quanto mais ajudarem e intensificarem
esta invasão.

Se, nesta prãtica
prática da alfabetização, durante a sua

primeira etapa, os textos aapoucò
pouco e pouco oferecidos ã capacida^
capacid£
de crescente de leitura dos alunos, ora tim
têm muito pouco que ver

104

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por;

�com
dramaticamente
grupos populares
cora a realidade draraati
camente vivida pelos cjrupos

,

ora, emistificando o concreto, insinuam que ele ié o que não

e^

tã sendo, o pequeno acervo da biblioteca não tem por que ser dj^
d^
ferente.
Do ponto de vista autoritariamente elitista, por

isso

mesmo reacionãrio,
reacionário, hã uma incapacidade quase natural do Povão .
Incapaz de pensar certo, de abstrair, de conhecer, de

criar,

eternamente de menor, permanentemente exposto ãs idéias
das exóticas, o Povão precisa de ser "defendido".

A

cham^
chama

sabedoria

popular não existe; as manifestações autênticas da cultura
povo não existem, a memória de suas lutas precisa de ser

do
esque

cida ou aquelas lutas contadas de maneira diferente; a

"prove£
"prove^

bial incultura" do Povão não permite que ele participe

ativ£

mente da reinvenção constante da sua sociedade.

Os que

pensam

assim e assim agem defendem uma estranha democracia, que

serã

tão mais “pura" e perfeita, segundo eles, quanto menos povo

ne

“Elitizar" os grupos populares com o desrespeito,
la participe. "Elitizar"
obviamente, de sua linguagem e de sua visão do mundo, seria
sonho jamais, me parece, a ser logrado, dos que se põem

o

nesta

perspectiva.
Contra tudo isso se coloca a posição crTtico-democrãtica
da biblioteca popular.

Da mesma maneira como, deste

ponto

vista, a alfabetização de adultos e a põs-alfabetização

de

impl£
implj^

cam em esforços no sentido de uma correta compreensão do que

ié

a palavra escrita, a linguagem, as suas relações com o contexto
de quem fala e de quem lê e escreve; compreensão portanto da r£
re

105

Digitalizado
gentilmente por:

Sc a n
stem
Gereaclanent»

�lação entre "leitura" do mundo e leitura da palavra, a

biblio-

teca popular, como centro cultural e nao como um depósito sileji
cioso de livros, é vista como fator fundamental para o

aperfej_
aperfei^

çoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o texto
em relação com o contexto.

DaT a necessidade que tem uma

bj_
bj^

blioteca popular centrada nesta linha de estimular a criação de
horas de trabalho em grupo, em que se façam verdadeiros

seminã

rios de leitura, ora buscando o adentramento crTtico
crítico no texto ,
procurando apreender a sua significação mais profunda, ora

pr£

pondo aos leitores uma experiincia estética, de que a linguagem
popular é intensamente rica.
Um excelente trabalho, numa área
ãrea popular, sobretudo

cam

ponesa, que poderia ser desenvolvido por bi
bibliotecãrios,documeji
bl i ote cãrios ,documeji
talistas, educadoras, historiadoras seria, por exemplo, o
levantamento da história da área
ãrea através de entrevistas

do
grav^

das, em que as mais velhas e os mais velhos habitantes da ãrea,
área,
como testemunhos presentes, fossem fixando os momentos fundamen
fundamen_
tais da sua história comum.
acervo de

Dentro de algum tempo se teria

estórias que, no fundo, fariam parte viva da

um

Histó

ria da ãrea.
Os vultos populares famosos, o "doidinho" da viía,
sua importância social, as superstições,
superstiçóes, crendices, as
medicinais, a figura de algum doutor médico, a de

com

plantas

curandeiros

e comadres, a de poetas do povo.
Entrevistas com
cora artistas da ãrea, os fazedores de

106

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gentilmente por:

Scan
Sc
an
stem
sí
em
Oereaclamento
Gervoclannito

bone

�cos.de barro ou de madeira, escultores quase sempre de mão cheia;
COS,de
com as rendeiras que por ventura ainda existam, com os rezadores
gerais, que curam amores desfeitos ou espinhelas caídas.
caTdas.
poderiam ser feitos folhetos,
Com este material todo poderiamser
0 respeito total ã linguagem - sintaxe, semântica,
dos entrevistados.

com

prosódia
prosSdia

Estes folhetos, bem como as fitas gravadas ,

poderiam ser usados tanto na biblioteca mesma, em sessões

pró
prõ

prias, quanto poderiam ser material de indiscutível valor

para

os cursos de alfabetização de põs-alfabetização ou para

ativid^

des outras no campo da educação popular na mtsma
mesma área.
Na medida em que pesquisas como esta pudessem ser

feitas

em diferentes áreas
ãreas da região, todo o material escrito e gravado
poderia ser iintercambiado.
nte rcambi ado.

E possível que, em certas áreas
ãreas

r]£
r^

rais, em função do maior nível de oralidade, os grupos populares
prefiram ouvir as estórias de seus companheiros da mesma zona em
lugar de li-las.

Náo
Não haverá nisso mal nenhum.

Um dos inúmeros aspectos positivos de um trabalho como e^
te i, sem dúvida, fundamental mente, o reconhecimento do
que 0 Povo tem de ser sujeito da pesquisa que procura
melhor.

direito
conhecê-lo

E não objeto da pesquisa que os especialistas fazem

torno dele.

Nesta segunda hipótese, os especialistas falam

bre ele, quando muito, falam a ele, mas não com ele,- pois só

em
so
o

escutam enquanto ele responde ãs perguntas que lhe fazem.
E claro que uma pesquisa como esta demanda uma

metodolo

107

Digitalizado
gentilmente por:

�gia - que não
näo cabe aqui discutir -* que implique naquele
nhecimento acima referido - o do Povo como sujeito do

rec£
reco
conhec£
conhec1_

mento de si mesmo.
EZ evidente que a questão fundamental para uma rede de bi_
bliotecas populares, ora estimulando programas de educação
de cultura popular (de que fizessem parte atividades no

ou
campo

da alfabetização de adultos, da educação sanitária, da pesquisa,
do teatro, da formação técnica, da política
polTtica em suas relações com
a fi)
fé) ora surgindo em resposta a exigências populares

provoc^
provoc£

das por um esforço de cultura popular, é política.
polTtica.
A forma como atua uma biblioteca popular,popular, a constituição
do seu acervo, as diferentes atividades que podem ser
vidas no seu interior e a partir dela, tudo isso,

desenvol_

indiscutivel_

mente, tem que ver com técnicas, métodos, processos,

previsões

orçamentárias,
orçamentãri
as, pessoal auxiliar, mas, sobretudo, tudo isso
que ver com uma certa polTtica
política cultural.
aqui também.

Não hã

te»
te«

neutralidade

Como aqui também vamos encontrar a mesma

1ngenu_1
ingenui^

dade não astuta de que falei, a mesma ingenuidade puranente
puramente
tica e a mesma criticidade.

ti

A mesma compreensão mãgica aa pai£

vra escrita, o mesmo elitismo reacionário minimizador do
mas 0 mesmo espírito
espTrito crTtico-democrãtico
crítico-democrático de que tanto

Povo,
precisa
precisa;

mos neste país
paTs de tão fortes tradições de arbítrio.
arbTtrio.

*

A este propósito, ver FREIRE, Paulo - Pedagogia do Oprimido
Opriaido
Paz e Terra III
Capítulo e Criando Métodos de Pesquisa AJte£
111 Capitulo
A^jlter
nativa - aprendendo a faze-la
fazê-la através da ação. Em:
Eb:
Pesquisa
Participante. Org. Carlos Rodrigues Brandão. Editora Brasiliea
Brasiliea^
se, 1981.

108

Digitalizado
gentilmente por:

�0 Brasil foi "invontado"
"inventado" de cima para baixo, autoritaria «
mente. Precisamos re-inventã-1 o em outros termos.
Si liATI AO ;
B18I.‘OTfCA MOS PftOSSAHAS ôt MrAB£T!ZAÇj»
'&gt;t i noCÂi, AO Dl

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didático âa partir
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Mt- í., *r, r•oulos íe

-

.■•«ma-; íc- pôs- 3 ! faoeti zação. nos denoeiinadoi
. '■•'-•'••n 5» fa’a em bibMografiâs
recomenda .

'•
'■ ■ ■ • -'
.... 0.,..^,.,. _ •.•.■ifc

i’istiis

do

-’.ualquer 11 vo utilizado: os textos |»|.
jirccesso educativo, saio gerados no d«

'-1 ■
bosierioraente .condensados pelos
-irupi- central.

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1 109

2

3
3

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Scan
Digitalizado
st em
gentilmente por:
Gerçulannito
Cercada
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11

12

13

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aa, líín

I
3

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Gem^nnito

.0

11

12

�DEBATE AO SUBTEMA:

BIBLIOTECA NOS PROGRAMAS DE ALFABETI2AÇAO
ALFABETIZAÇAO E
DE EDUCAÇAO DE ADULTOS

ETELVINA LIMA

Na impossibilidade de conhecer, com antecedincia, o

que

0 Professor Paulo Freire viria nos dizer, limitei-me, para este
debate, a conhecer o pensamento dc
de nosso mestre ilustre,as
crições de suas experiincias,
experiências, no Brasil e no Exterior, ã

de^
prqqu
prqtjJ

ra de indicações de um possTvel
possível entrosamento entre aqueles

pro

gramas e as bibliotecas púolicas.
Confesso que me desapontei, pois, aparentemente, nada en
contrei nos livros que lí,
IT, com referência ao objetivo

pretendí^
pretendi^

do.
Em programas de alfabetização de adultos, a essência

do

sistema consiste na preparação de material didãtico a partir do
universo temático e da vivência do grupo\ a ser alfabetizado.
Mesmo em programas de põs-alfabetização,
pôs - a 1fabetização, nos denominados
Círculos de Cultura, pouco se fala em bibliografias
CTrculos
das e mesmo em título
tTtulo de qualquer livro utilizado:

recomenda
recomend^
os textos
textospa
p^

ra os debates, núcleo do processo educativo, são gerados no
correr das discussões e posteriormente condensados pelos

de
espe^
esp£

cialistas do grupo central.
111

Digitalizado
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I Scan
st em
I Gereaclanmta

0

11

12

�Entretanto, fascinada pela amplitude dos conceitos educ£
educ^
tivos,
ti
vos, tão simples, mas tão ricos em potencialidade,
potencial ida de, eu
mesma
parti para a reflexão e a definição do universo da

bibliotecã

ria que sou, passando, sem dar conta, a adotar em minhas

refl£
refle

xões a própria terminologia do método Paulo Freire.
Com surpresa, encontrei então pontos em comum na

filos£

fia do método Paulo Freire e em minhas reflexões a respeito dos
problemas das bibliotecas públicas, no Brasil.

E, daf,
daF,

brei as possibilidades de um trabalho em comum, com o

vislum
objetivo

primeiro de desenvolver o senso crTtico da imensa parcela

de

brasileiros, marginalizados nas periferias urbanas ou no
rural, valorizando sua experiência de vida, de forma a
los conscientes da grandeza de sua participação nas

meio
tornátornã-

transform£
transform^

ções sociais.
soei ais.
Antes de prosseguir, gostaria de deixar bem clara a

m_i_
mj_

nha posição frente ao problema da instituição biblioteca pública no contexto social brasileiro.
A biblioteca pública, tal como a aprendemos e

ensinamos

nas escolas de biblioteconomia, é uma instituição fadada a
transformar em uma repartição pública, mornamente

se

cumprindo r£

tinas pseudo-técnicas
pseudo-técni cas ou administrativas, complicando es-sas
tinas na ânsia de valorizã-las - perdendo, assim, a visão

ro
obj£
obje_

tiva de soa
sua razão de ser, de sua missão essencia 1 mente educativa .
Qual a razão deste pessimismo, quem sabe exagerado?

112

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gentilmente por:
por;

I Scan
Sc a n
stem
st
em
I Gereaclanmta
Gereaclanenta

Ta2
Tal_

�vez a tentativa de, pela caricat
ca ricaturização,
urização, dar enfoque ao

absur

do de se querer transplantar, sem a menor crítica,
crTtica, para

nossas

comunidades, uma instituição moldada por pressões de sociedades
inteiramente diversas em suas características e exigincias.
exigências.
Falta aos bibliotecários de nossas bibliotecas
0 entusiasmo gerado pelo sentimento de utilidade, no
to de suas tarefas.

cumprimen

Utilidade, por estar V-espondendo is
ás

das e exigências de seus usuários.
vamente, procuram

públicas

Nem mesmo quando,

dema£
dema^
exaustj_
exaustj^

atender os pedidos aflitos de escolares

u£

soberbados com a preparação de trabalhos que, raramente,

lhes

despertam um mínimo de interesse, nossos bibliotecários

encon
encoji

tram estímulo profissional.

A própria distorção desta situação,

contribui para a "burocratização" desse atendimento;
atendimento: atender e^
es
tudantes éê próprio de bibliotecas escolares - aprendeu-se
curso de biblioteconomia.

no

Nas bibliotecas públicas americanas,

nem mesmo se encontram os livros de texto adotados nas

escolas

locais.

pouquí^

Mas, no Brasil, cerca de 90% dos usuários das

simas bibliotecas públicas existentes são, justamente, estes es
e^
col ares..
colares
A frustração profissional cresce com a ausência de
tro.s tipos de usuários, aqueles que seriam o próprio objeto

Ojj
o^
da

concepção liberal da biblioteca anglo-americana-membros da comi[
comu
nidade ã procura de informação específica ou de livros para con
tinuar sua educação.
Toda a teoria de "estudos de usuários" i evocada para re^
re

113

Digitalizado
gentilmente por:

OemclanKnta

^
&lt;/ ^

-

11

12

13

�solver 0 problema.

Os usuários reais talvez não encontrem

livros que procuram, estudos provam que as coleções estáo
letas, defasadas.

os
obso

Os usuários em potencial desconhecem as

van^

tagens oferecidas pela biblioteca pública, há que planejar

cam

panhas de publicidade, para vender-1hes■nosso peixe.

E a situ£
situ^

ção perdura, os resultados são
çáo
sáo pouco significativos.
Alguma coisa deve estar errada.
própria concepção de biblioteca pública?
prõpria
dendo atingir o leitor errado?

Náo
Não seria, talvez,
Não estaremos

Muito diferente do

a

preten^
preteji

romantismo

do poeta, quando bendiz o que semeia livros, livros a mão cheia
... Parece que os livros não são tão
...Parece
táo férteis, como
Castro Alves.

imaginava

Pelo menos, quando caem em terreno árido e perrn^
perma

necem como estranhos objetos de adorno... Há entretanto, um va^
to campo para o trabalho com os livros, ã espera da
de dos bibliotecários brasileiros:

criativid^

é a educação popular, fund^

mentada em necessidades reais das comunidades.
Realmente, não sou tão descrente quanto pareço.Acredito,
pareço.Acredito ,
ed^
veementemente, no livro como instrumento de informação e de edjj
cação - desde que essa informação seja necessária ao leitor

e

que elé
ele tenha liberdade de escolher a leitura como recurso para
se distrair ou melhorar seus conhecimentos.

Esta opção só
sõ pod^
pode^

rã ser feita se ele atingiu certo nfvel de crTtica, de consciiji
consciin^
cia da realidade que o cerca e de seu posicionamento dentro
la.

A leitura exige um grau de habilidade acima da

ção.

114

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d£
de

alfabetiza
alfabetiz^

�Como se consegui
conseguiría
ria isto?

Como se acoplaria este

trab^

Iho ao da educaçio
educação popular, como a vi
vê o Professor Paulo Freire?
E 0 que tentarei esboçar, policiando-me para não

inco£
incor

rer em erros de interpretação do método Paulo Freire e tampouco
cair no fácil caminho da utopia, desejando o impossível

dentro

das condições sõcio-econômicas que nos cercam.

1 - Criação de Bibliotecas Populares
Denomino bibliotecas populares as bibliotecas
cujo objetivo é o de atender is
ãs oopulações menos

públicas

privilegiadas

das áreas urbanas e, se possível, extender esse atendimento
comunidades rurais.

As bibliotecas populares se

ás
ãs

diferenciam

das grandes bibliotecas públicas pelo acervo, menor e mais esp£
cificamente vinculado ao grau de desenvolvimento e aos
ses específicos do grupo a que atenderá.

Distingue-se,

das grandes bibliotecas públicas pelo atendimento mais

intere^
também
persona
person^

lizado que dispensa a seus usuários, visando criar condições p£
p^
ra a continuação de sua educação, empregando, para isto, outros
recursos, além dos impressos.

Por analogia, poder-se-ia

dizer

que as bibliotecas populares seriam as bibliotecas do^
do oprimido
- instituições nas quais a prática educativa levasse os

leito

res/educandos áã busca de conhecimentos e de instrumentos que a£
ai£
mentassem seu poder de intervenção sobre a realidade.
A biblioteca popular assim concebida não fará restrições
a tipos de leitores - atenderá a todos procurando, entretanto ,

115

2

3

Digitalizado
gentilmente por:

OemclanKnto

' '

�agrupar interesses, para melhor atendê-los.
atendi-los.

Assim,exercerá tam

bem,
bém, funções de biblioteca escolar, se a isto for solicitada.
A biblioteca popular não pode ser uma dádiva dos poderes
públicos, de beneméritos, políticos,
politicos, nem mesmo de educadores.$£
rá, ao contrário, resultante da vontade de um grupo,

manifest^

da no decorrer de reuniões, onde se discutam problemas de

int£
inte

resse comum, sob a coordenação de alguém
alguim com experiência de tr^
balho social ou animação cultural.

A idiia
idéia de fundação da

bi_

blioteca poderã
poderá emergir no decorrer de programas de educação po
p£
pular e certamente não será das primeiras manifestações de
tade do grupo.

voji

De fato, em condições normais de vida, não

sente a necessidade de bibliotecas, nem mesmo, quando
grande vontade de "aprender".

se

existe

Nossa tradição de aprendizado

é

pela prática, daí
daT o pouco sucesso alcançado pelas coleções

de

livros "Faça isto você mesmo", no Brasil.

as

pessoas que

Pouquíssimas são

procuram aprender pela leitura - o que exige,

cer
ce£

tamente, habilidades nem sempre desenvolvidas, nem mesmo na
cola.

Quando existem grupos formados visando a educação

E£
pop£
popjj

lar - como as Comunidades Eclesiais de Base, os grupos

sindj^
sindj_

cais e as cooperativas rurais - talvez se possa levar seus
ticipantes a compreender a função da informação impressa

par
pa£
como

base do conhecimento ou, paul
paulatinamente,
atinamente, levã-los
levá-los a usufruir

o

prazer estético da leitura de um texto literário.
Em grupos de Pais e Professores, a idéia poderá
poderã
espontaneamente, ao se discutirem as dificuldades de

surgir
aquisição

de livros e materiais escolares - problema angustiante que

116

Digitalizado
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Sc a n
stem
Oereaclamento

se

�coloca anualmente
anual mente is
ãs famílias brasileiras.
A motivação para levar um grupo ãi manifestação da

idéia

de criar uma biblioteca requer planejamento cuidadoso,1evado
cui dadoso, 1 evado
efeito por um núcleo dirigente, com a participação de

a

especia
especi£

listas, entre os quais, evidentemente, o bibliotecãrio.
bibliotecário.

Serão

te
realizadas pesquisas iniciais para identificação do universo t£
mãtico do grupo - o que conduzirá aos estudos de composição
acervos e de serviços a serem oferecidos.

As sondagens

sobre

alternativas de suporte dá futura biblioteca são básicas e
vem preceder a motivação do grupo, para que não se criem
/
tativas de realização improvãvel.
improvável.
Percebe-se facilmente que este trabalho de

de
d£

expe£

planejamento

se realizarã
realizará com maiores probabilidades de ixito,
êxito, se a comunid^
de visada participar da programação, dos Círculos de

Cultura,

ap5s a alfabetização pelo método Paulo Freire.
após
0 núcleo central de especialistas envolvidos na programa
ção dos Círculos de Cultura acrescido de bib1iotecãrio(s ) , farã
fará
a integração dos trabalhos.

2 - Manutenção das Bibliotecas Populares
• -1 - ‘
Sem dúvida, as bibliotecas populares deveriam fazer
te de um sistema educacional mais amplo, integradas a

outras

instituições tais como escolas, oficinas, creches, etc., com
mesmo objetivo - o de desenvolver as potencialidades da

par
pa£
o

popul£

117
Digitalizado
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�ção hoje marginalizada.

Isto representaria uma seria
séria opção

p£
po

iTtica cuja decisão foge ãs possibilidades de grupos
litica

isolados.

E uma opção de governo, que não rae
me parece em vias de

realizar-

se em nosso PaTs.
Pais.
Bibliotecas não existem gratuitamente, são

instituições

onerosas que, sem a injeção permanente e sistemãtica
sistemática de
sos, fenecem rapidamente.

recur

Na impossibilidade de deflagar

mov£
movi_

mento que leve ã criação de sistemas de bibliotecas populares ,
aciedito que pequenas unidades possam vir a ser criadas e

sU£
su£

prõprios de um grupo interessado em
tentadas com recursos próprios

sua

existência, pela cobrança de razoável contribuição individual ou
pelo acréscimo a contribuições de sindicatos, cooperativas
outros programas quaisquer.

Mesmo assim, o amparo

ou

governameji
governameri

tal seria indispensável, quer no provimento de pessoal em convê
convi
nio, para fazer a biblioteca funcionar, quer pela doação

dire-

ta de verbas.
Se bem sucedidas, as experiências de funcionamento
poucas bibliotecas populares seriam estímulo
estimulo para a criação
outras e - quem sabe? - atê
até para a sensibilização dos

de
de

poderes

públicos para o problema.

3 - Formação
Forinação do Acervo das Bibliotecas Populares
A pobreza do mercado de livros e materiais

audiovisuais

adequados a uma ação educativa com base na prática de vida
em necessidades imediatas dos educandos éê crucial.

118

Digitalizado
gentilmente por:

Com o

e
que

�se encontra ã venda, dificilmente se consegue formar
para desenvolver o trabalho pretendido.

coleções

Nem mesmo com os

lj[

vros distribuídos por õrgãos
órgãos públicos, como o INL e a FENAME.
As casas editoras, estabelecidas com fins comerciais
portanto visando lucros, baseiam seus programas editoriais

e
em

pesquisas de marketing, que lhes indica, certamente, quem
tituirã 0 seu mercado de venda.
tituiri

con^
j
As escolas e os escolares, em

primeiro lugar, são os grandes compradores de livros.

Uma

p£
pe

quena elite de poder aquisitivo acima da midia,
média, constitui o me£
mer
cado para as obras de literatura, infantil ou de adultos. A uni^
versidade e seus membros integram a fatia de compradores de
vros e periódicos ticnico-cientTficos.

li^
Ij^

Como editar livros para

grupos que não os desejam e não os podem pagar, como os que
pretende atingir com as bibliotecas populares?

se

E, mais ainda ,

como produzir este material a preços acessíveis, de maneira

a

que possam ser vendidos?
Não basta que os livros sejam selecionados entre os

me^
m£

Ihores da literatura nacional e que sofram um trabalho de
tação ou condensação.

ada£

Nem que sejam traduzidos os manuais

pro
pr£

paTses, pois os processos e
fissionais de sucesso em outros países,
quinas que originaram as informações que transmitem, são

mã
dif£

rentes dos utilizados em situações reais, em nossa indústria ou
agricultura.

As experiências levadas a efeito pelos adeptos do método
Paulo Freire - a de gerar textos em grupos de discussão,

para,

depois de condensados por especialistas, serem utilizados

como

119
Digitalizado
gentilmente por:

Sc a n
stem
Gerenciamento

11

12

13

�ternas de discussão de outros, ou dos mesmos grupos em
temas

circun^

tãncias diferentes, parece-me válida, nos trabalhos iniciais de
tâncias
um grupo.

Mas, se repetida por longo perTodo,
período, parece-me limit£
limit^

dora da ação educativa.

Há
Hã de chegar a hora em que os

educaji
educa£

dos tenham de assumir sua posição em comunidades maiores e
poder de crTtica
crítica e decisão será
serã grandemente ampliado se

seu

souber

buscar, sozinho, as informações que precisa, no universo biblio
bibli£
gráfico comum.
A este propósito, chegou-me ãs
ás mãos o projeto de pequena/
pequenas
editora de Belo Horizonte, que, pareceu-me i.idicar os

caminhos

para o problema de acervo bibliográfico de grupos de

educação

e/ou de•bib1iotecas populares.
Esta firma - Mazza Editora é o seu nome - considerando a
efervecincia

de novas forças reivindicatõrias,
rei vindicatõrias ,

associações de bairro, que reivindicam novas

tais como

as

condições de

vi^
v£

da; as comunidades eclesiais de base, já
jã em número bastante cori
co£
siderável no Brasil e as organizações sindicais, entre outras ,
siderãvel
se propõe a desenvolver um trabalho editorial expressamente

d£
dj^

rigido a estas organizações, criando séries
siries de

g£

publicações

rais e específicas, cujo tema sejam questões de ^rdern
ordem

estrutjj
estrut£

ral e conjuntural, oferecidas 'ã grande massa.
Para isto procurará identificar, por meio de .pesquisas,
assuntos que constituam preocupação prioritária desses grupos .
Seria como que o estabelecimento
estabelécimento do universo temático dos
pos, diria eu.

120

Digitalizado
gentilmente por:

gru
gr£

�A partir desta definição, seriam escolhidos temas

para

iniciar o trabalho, com o planejamento inicial de títulos
publicação em série denominada "As claras".

para

A preparação

dos

textos serã entregue, então, a especialistas vinculados ã Edito
ra e submetidos ã apreciação dos grupos e/ou organizações
possam se interessar pelo assunto.

As críticas desses

que

futuros

utilizadores serão analisadas e incorporadas, e o texto,
enriquecido e desenvolvido, serã impresso.

assim

Para assegurar

tiragern serã determinada pela
distribuição da série, sua tiragem

a
enco-

menda prévia das organizações consultadas, assegurando-se,

de^

ta forma, o retorno do capital despendido, acrescido de pequena
margem de lucro, para possibilitar a sobrevivência do projeto.
Se realizado, este plano parece-me um grande passo

para

facilitar a formação do acervo das bibliotecas populares,em sua
parte informativa.
A seleção de obras de ficção - indispensáveis ã ação edjj
edji
cativa através dos sentidos - serã feita de acordo com o

valor

accessibi1idade da linguagem e acredito que a
literário e a accessibilidade

co

leção
leçio de textos preparados para as bibliotecas e cursos doMobral
preencham os requisitos acima apontados.
Os recursos audiovisuais, indispensáveis ao

desenvolví^
desenvolvi_

mento do trabalho em bibliotecas populares, podem ser

gerados

das discussões dos prõprios
próprios grupos, ou pVeparados,
preparados, com
dincia, pelos coordenadores.
déncia,

Os Centros de Ensino

antec£
antece^

Supletivo,

criados pelo MEC, dispõem de material riquíssimo para o

estudo

121

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Sc a n
stem
Ciereaclancnta

�individual a nTvel
nível de 19 e 29 graus.

Acredito que esse

mate
mat£

rial, bem como os necessários aparelhos para sua utilização, po
p£
derã ser concedido em comodato, para bibliotecas populares

que

venham a ser criadas.

4 - Bibliotecário e Bibliotecas Populares
0 bibliotecário, com a formação que recebe, hoje, em cur
cu£
sos universitários de graduação em biblioteconomia, estará

pre
pr£

parado para se responsabi1izar pelas bibliotecas populares?
Parece-me que não.
Currículos e programas mostram a preocupação natural
preparar os bibliotecários para a missão de agente de
ções técnico-cientificas.
técnico-cient1ficas.

em

inform^
informa

E não poderia ser de outra forma,uma

vez que o desenvolvimento de bibliotecas especializadas e servi_
servj_
ços de informação i real, ao passo que as bibliotecas

públicas

passam por um período de estagnação e as bibliotecas populares,
tal como a descreví, inexistem.
Não acredito ser a hora, ainda, de se introduzir a
cialização de áreas de formação em cursos de graduação.
0 recurso da especialização, após
apôs a graduação.

Esta

esp£
espe
Mas. há
hã

especiali_

zação certamente será apoiada pela CAPES ou pelo Instituto
cional do Livro, junto aos cursos regulares.

E poderá

ser of£

recida também sob o patrocínio das associações de classe.

122

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Scan
Sc
an
stem
sí
em
Oereaclamento
Gervoclannito

N£
N^

�A definição do conteúdo programãtico da especializaçãoem
especialização em
bibliotecas populares merece estudos aprofundados.

Deixo,aqui,

a sugestão para que se estude o processo de treinamento

de

coordenadores e educadores de programas de alfabetização e põsp5salfabetização pelo método Paulo Freire e estou certa que os su^
sTdios alT encontrados serão valiosos.
Eú preciso sempre lembrar que o bibliotecário não serã
será
único profissional a agilizar a biblioteca popular:

ele

o

inte^
inte

grarã um grupo de especialistas envolvidos no processo, e

para

isto ié que deverá ser treinado.
Resta, ainda, considerar o aspecto da remuneração do pro
p-o
fissional envolvido em tarefas de educação popular.
Além das possibilidades de convênios com órgãos
érgaos públicos,
a que me referT
referí anteriormente, não me parece viável a

abertura

de campo de trabalho em pequenas bibliotecas populares, criadas
a partir da manifestação de vontade de um grupo.

Esta

ção, entretanto, não considerou as possibilidades do

afirm^
trabalho

voluntário di
dn bibliotecários que'
que vejam na educação popular
missão, a ser executada fora do horário regular do

uma

trabalho re^
r£

mune rado.
Será uma forma, realmente válida, de realização pessoal.
Serã
São estas as reflexões a que me' levou a leitura de

Ij^

vros de Paulo Freire e de alguns de seus intérpretes.
Deixo em aberto o debate sobre o assunto.

123

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�00 iiRwsißQ-uj oíjusí noo otj OSDtnrlab A
■f-lJ;. At Pt ■,-).-.■•íj,» es',n
A..« ,,•, -&lt;!ÔÍ&gt;«^Pü\P,-^p6.,íobuí^a
««.&gt;..«•
^
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'
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1

2

3

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por

^Scan
Genaclamtnta

ÉÊ^
jp?
_ç^

11

12

13

�QUESTÕES A SEREM
SEREN PROPOSTAS AO CONFERENCISTA, CASO
NAO SEJAM
SEJAN ABORDADAS EM
EN SUA EXPOSIÇXO
EXPOSIÇÃO

Hã noticias de programas de educação popular, com o
prego do

método Paulo Freire, desenvolvidos em
mitodo

em

biblio-

tecas públicas?
Como 0 Professor Paulo Freire vê a possibilidade de

re£
rea

lização de CTrculos de Cultura em biblioteca populares?
Com os modernos -meios
meios de comunicação eletrénica
eletrônica e a

im

portância do aprendizado na e pela prática, qual o papel
portãncia
da leitura na incorporação, pelo educando, da

cultura

cientifica universal?
cientTfica

125

2

3

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Sc a n
stem
Ciereaclancnt»

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f-: í &gt; 7l n» r :■

asr

cm

2

3

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Scan
stem
Gemulanirato

.0Q

ii
11

12

13

�DEBATE AO SUB-TEMA:

BIBLIOTECA NOS PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS
ÇXO

PIERRE FURTER

Meu caro Paulo - eu tão pouco sabia que ia encontrar

mo
vo

cê por aqui e, na realidade, aceitei substituir
subst.ituir a diretora, Vi£
Vij^
ginia Bittencourt, da Biblioteca Nacional da Venezuela - a

que
qu£

rida Virginia Bittencourt que não estã aqui, porque o pai

dela

morreu de repente e realmente ela ficou tão traumatizada que e^
tã fugindo, no momento, a qualquer atividade oficial.

Por

sequência, foi uma grande surpresa e eu diria, pensando
nesses 20 anos de diãlogo
dialogo contínuo,
contTnuo, que para mim e

coti
con^

também

seguramente

para você também, muito me impressionou pensar que nós

estamos

aqui porque o pessoal com quem nós trabalhamos faz 20 anos,
condições sumamente difíceis, e sabemos o que isso

em

significa,

continuou quando nós
nõs estávamos
estãvamos os dois em Genève.
Genéve. E para mim
uma grande emoção pensar porque, como sempre a gente fazia

é
na

sua casa, tão fabulosa, quando ã noite você na sua rede e eu,ao
pé da rede estávamos
estãvamos discutindo noites inteiras afinal, a

av£

liação do educador, é que as coisas continuam quando ele não e^
tâ aqui.

Eu acho impressionante pensar que a presença de

hoje, e atenção com você, e a impaciência dessa gente para
vir você, éê a melhor demonstração de que o que você fez

você
o^
ainda

continua agora, não sõ eu disse como estou repetindo que você é
0 mais extraordinãri0
extraordinário violeiro pernambucano que eu conheço, mas
127

Digitalizado
gentilmente por:

OemclanKnto

' '

�vou topar o desafio.

Eu vou hoje jogar pimenta no que você diz,

de maneira a começar ou a continuar, melhor dizendo, continuaro
desafio de violeiros que faz 20 anos que começamos. Eu acho que
i 0 desafio mais longo da história do Nordeste.

E vou jogar

5

coisas a partir do que voei disse:
Começando por esse aspecto da oralidade - eu acho que vo
ci sem 0 ouvT-lo, acentuou ainda o que Edson nos disse
ã noite:

domingo

uma biblioteca para mim não ié um conjunto de livros,i

um conjunto de pessoas que discutem.

Então eu diria aqui,agora

a este pessoal altamente dignificado, bons profissionais, o que
nós dois não somos, somos uns vagabundos violeiros que

jogam

idéias: este pessoal tem hoje um critério, um indicador,
indicader,
dizia na nossa época o pessoal da SUDENE.
Brasilia, não?
BrasTlia,

como

Hoje é o pessoal

Indicadores para medir o que é uma

biblioteca

viva, ativa, não é o número de livros, não é o número de
res, é 0 barulho que existe na sala de leitura.

de

leito
leit£

Olha, eu

acho

isso fundamental, porque como voei
vocé disse antes - o modelo da Bi_
blioteca que foi introduzido no Brasil, éi um modelo bem
bém

calvi^
calv^

nista da biblioteca silenciosa, o que me parece mais uma

prova

desse autoritarismo, de que você
vocé falou hã pouco.

Sendo

uma biblioteca com modelo desse tipo a bibliotecária tem o
pel de polTcia militar, manda a gente calar.
sou um grande leitor.

que,
p^

Eu sei, porque eu

Eu desapareço assim de vez em quando

d^

rante o dia, aqui, porque não vou ler não, numa piscina inclusi_
ve seria difícil, existem tantas flores que seria um pouco dif^
difí
cil, ainda que não veja bem, no entanto, eu estou

absolutamen^
absolutameji

te consciente que existe um silêncio necessãrio,
necessário, mas que

128

Digitalizado
gentilmente por:

deve
oeve

�ser funcional e não imposto e &lt;qui
^.qui vou me referir a uma
muito
mui to querida
que rida que i a filha maior do Paulo.

Com ela eu

amiga
estive

num Projeto da SUDENE na Zona da Mata, você se lembra, e eramuj_
eramui^
to interessante depois voltar e discutir com voei
você o que a gente
fazia, porque isso também fazia parte do nosso trabalho...
pre criticar a nós mesmos.

Primeiro a gente chegava aT com

carros negros, os carros pretos da SUDENE.
fugia.

sem
os

Então, ja
jã o pessoal

AT vem os chatosl Mas a sua filha tinha algo que o

pre

feito de Natal dessa época, aplicou uma pessoa sem sapatos

i

uma pessoa, e não um animal.
pessoal deixa.

A sua filha Ta sem sapatos como o

Então a gente jã podia quebrar a primeira

culdade dos carros pretos da SUDENE.
com essa gente.

difj^
dif^

Mas o problema era

falar

E foi aqui, e foi nessa convivência, que

eu

entendi o drama que, para voei
você representa, o silêncio do Norde^
te.

E que, mesmo nas relações humanas, eu diria, mesmo

entre

pais e filhos, para nem falar de relações
rei ações matrimoniais no

ca
c£

sal, não existe diãlogo, não se fala, se pega, se briga.

Então

eu acho como instituição dominada para o silêncio iÍ um problema
sumamente sério.
sirio.

Nesta perspectiva de vocÍ
você por isso eu

adrairãvel
muito feliz ontem quando houve o debate da admirãvel

fiquei

exposição

do professor AloTsio Magalhães, Ana Maria da UFMG, lembrou

a

importância da expressão - eu acho que éê a resposta, a única re£
posta.

Olhe bem, isso coloca outros problemas, por exemplo, eu

fico muitTssimo
muitíssimo preocupado, como professor universitãrio
universitârio da
nia da j^e.rox,
jçe.rox, porque nem os meus estudantes tomam mais
mentos, copiam na xerox.

apont^
apont£

Eu acho, tremendamente preocupante ho^
h£

je, ver o que se gasta nas Bibliotecas e nas Universidades
zendo xerox, porque,
porqüe,' a gente nem faz mais fichas de leitura,

f£
e

129

Digitalizado
gentilmente por:

�você se lembra o trabalho que a gente fazia nesse sentido, age£
a gejn
te nem faz mais, ou toma mais apontamentos, e eu dizia então,i£
so i uma 2- jogada de pimenta.

Para mim, uma verdadeira bibli£

teca i um sTtio onde exista uma imprenta, e inclusive
camente, isso existe i o mitodo Freire.

pedagogi_

Para ele, uma bibliote

ca popular, não i difusão de folhetos ao povo, isso é mais
ternalismo.

p£

Isso ié simplesmente aumentar a clientela, mas

ié mudar, radical
mente, as relações.
radicalmente,

Uma verdadeira

não

biblioteca

popular, como voei diz muito bem, éi uma biblioteca produzida p£
ra os leitores.

Isso éi o que fez René
Reni com os seus alunos,

pr£

vando onde tem e em certas comunicações, eu vT, que uu
ou estã
está co£
tinuando experiências
éxperiincias no Brasil ... (incompreensível) ... E

i£

so de produzir, de comprovar que até o povo éi capaz de escrever.
Então, a partir daqui, eu acho que um terceiro

problema

estã se cqlocando e eu acho que a gente não deve fugir a
problema, e o que merece estar numa biblioteca?

este

Porque a

blioteca tem também uma função tremendamente perigosa no
do de que faz uma seleção do que merece estar lã.

bi_
b£
sentj_
senti_

Ora, se voei

fez uma pequena pesquisa não i necessário pedir nema
nem a CAPES nem
a SUDENE, mas a SUDENE não dã muito mais dinheiro não, enfjm
enfim ao
pessoal que dã dinheiro, muito dinheiro para
pára fazer isso.
seria interessante ver o que existe numa biblioteca e a que
povo, estã lendo de verdade.
pessoal, 0 povo,.estã
0 povo não estã na Biblioteca?

Então, por que o

parece, e a palavra é significativa nesse conceito,

1

2

3

que

nos

literatura

Literatura de cordel é uma expressão sumamente neg£

130

cm

o

Com que direito estamos exclui£
excluin

do das salas de leituras e da documentação em geral, o que
de cordel.

Mas,

Digitalizado
gentilmente por:

OemclanKnto

' '

�tiva, se eu entendo português, quer dizer - literatura de nada.
Então não é uni
um papel - este i o meu 39 ponto - puramente
CO - não êé que temos a necessidade, se queremos uma

têcni
técni

biblioteca

popular, de abrir, de democratizar o acervo das bibliotecas?
E aqui eu estou chegando a 2 pontos;

últimos pontos que

eu quero realmente, porque tenho isso sobre o coração;
coração: 19)

o

quarto ponto - hoje e seria, inclusive, nesse desafio de violei_
violei^
ros, interessante

saber o que o Paulo acha, e é a minha perguji

ta ao Paulo.

Antes de alfabetizar não êé necessário uma

polTti^

ca do livro?

Por que, afinal, se não existe livros que

vamos

meter na Biblioteca?

Hã que serve afinal, aprender a ler, quajn
quaji

do não existe nada para ler?

E olha, se tivéssemos tempo,

eu

levaria você além de Campina Grande, para ver o que éê o
cultural do interior.
ta.

Porque eu vi
vivi.
vi .

nada

Isso ié a minha

pergun
perguji

Não êé hoje, hoje-,
hoje, faz 20 anos, serã distinto, faz

vinte

anos a alfabetização e temos de lembrar, era uma jogada

funda-

mental na democratização do paTs, porque êé necessário dar,
fim, 0 direito de votos a metade da população.

eji
en

Isso era o jogo,

que a gente conscientemente, inclusive, jogava.
Hoje eu acho que estamos numa situação em que isso fica,
mas não serã que devemos produzir e ter uma polTtica
democrática do livro?
última êi para vocês;
vocês:

popular

Isso éê a minha pergunta ao Paulo.

E

a

vocês aplaudiram, eu não muito quando

o

Paulo se referia do machismo porque infelizmente eu sou
Então eu não posso aplaudir a denúncia do marchismo.
posso m-udar de sexo.

Inclusive, seria bem fe’to.

macho.

Eu

não

Mas, me

ch£
cha

131

Digitalizado
gentilmente por:

I Scan
Sc a n
stem
st
em
I Gereaclanmta
Gereaclanent»

.0

11

�mou a atenção a sua reação porque não foi uma reação demagógica
e que enfim, alguim
alguém aqui reconheceu que a maior parte de
são mulheres.

Então a minha pergunta é:
ê:

vocês
voeis

Por que se fala

tão

pouco neste Congresso do papel das mulheres nas Bi
Bib1iotecas
b1 i ote cas ,quari
.quan^
do ié uma história de mulheres?

E aqui eu quero insistir

um aspecto que me parece sumamente importante:
1-^ leituras das crianças.
lher nas 1-^'leituras
ceira, que tem 10 anos.

sobre

êé o papel da m^j
mjj

Eu tenho uma menina, a te£

A minha mulher, como vocês todas,

pensa em liberação da mulher e coisas destas, então briga
go e me proibiu comprar livros,para
livros para a criança, a filha,
eu só
sõ comprava para ela livros machistas.

só
sõ
comi_

porque

E êi verdade que hoje

existe uma literatura para as filhas, escritos para.dar
para dar nas prl
pri_
meiras leituras a consciência, a conscientização que elas
mulheres e que pertencem ao que se chama não público.

são

Então,eu

acho aqui que hã uma coisa, sumamente, importante porque, ao 1^
l£
do da biblioteca pública deveria também existir a biblioteca da
família.

E durante muito tempo, o que éê a

lia senão a Bíblia?

Ao

menos

Biblioteca

para os protestantes.

da FamT
E

eveji
eveja

tualmente o jornal, então, e al
aT eu acho um aspecto sumamente im
portante, e eu estranhei e fiquei muito feliz que o Paulo jogou
isso - super-pimenta. Este éê problema da mulher e - por
que quiz vir aqui.

Obrigado.

132

Digitalizado
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I Scan
sí em
I Gervaclannito

_0

isso

�</text>
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                <text>CBBD - Edição: 11 - Ano: 1982 (João Pessoa/PB)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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