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CDU 027.000.37
BASES PARA UMA POLITICA
POLÍTICA EDUCACIONAL PARA AS BIBLIOTECAS
PÚBLICAS: algumas
POBLICAS:
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
SUZANA PINHEIRO MACHADO MUELLER
DEPARTAMENTO DE BIBLIOTECONOMIA
UNIVERSIDADE DE BRASIlIA
BRASÍLIA
RESUMO:
RESUMO;

A educação pode ser vista como um instrumento para

desenvolvimento e para tanto ser dirigida.

Ao aceitarmos

o

como

própria a função educativa para as bibliotecas públicas teremos
que, necessariamente, considerá-las como parte

integrante

do

sistema educacional do país.
pais. Tal ação educativa exigirá definição de seus objetivos maiores, e planejamento, pois ações isola
das, por mais bem intencionadas, não terão significado

social.

A definição de objetivo^
objetivos por sua vez, exige uma tomada de

posi-

ção em relação ã educação em geral. Exige tcimbém
também uma interpreta
ção de necessidades, o que no caso de clientelas de baixa renda
reenforça a necessidade daquela tomada de posição, tendo-se

em

vista a relação existente entre a educação, a economia e a

es-

trutura social. A política educacional brasileira tem apresenta
do contradições que emergem de choques de interesses econômicos
e políticos, contradições óbvias entre as intenções oficiais co
mo.expressas
mo expressas nos planos de desenvolvimento e leis sobre

educa-

ção, e a realidade.
realidade, Éfi destas contradições que se pode

tirar

espaço para a atividade educacional bibliotecária.

política

A

o

de ação educativa para as bibliotecas não
nao pode ser desvinculada
da política educacional total, assim como esta não pode ser entendida independentemente da política econômica e da

estrutura

do poder. Embora educação por si só não seja capaz de nos levar
a uma sociedade mais jus'ta,
jus-ta, pode contribuir muito para a formação de um cimbiente
ambiente mais propício
propicio para que cheguemos lã.
lá.
116

Digitalizado
gentilmente por:

�BASES PARA UMA POLITICA EDUCACIONAL PARA AS BIBLIOTECAS
PtjBLICAS: algumas
POBLICAS:
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

1.

INTRODUÇÃO
introduçKo
A aceitação da função educativa da biblioteca está

plícita no temário deste Congresso,
Congresso. Se aceitarmos

esta

im-

função

como própria da biblioteca pública, seus programas e atividades
deverão ser considerados de acordo com os objetivos educacionais
que vê a educação
a que se propõe. Isto é, através de um prisma
prisma'que
como instrumento
Instrumento de desenvolvimento individual e nacional, e no
nosso caso, a partir da perspectiva das necessidades

brasilei-

ras, sobretudo das populações urbanas mais pobres, já que éê eses
ta a realidade que nos interessa. Pois assim como a educação e£
colarlzada pode ser considerada como instrumento para o
colarizada

desen-

volvimento e para tanto ser dirigida, também a educação

extra-

escolar como a que se poderia oferecer através da biblioteca po
r
de ser mainlpulada
mcinipulada segundo os objetivos que se queira conseguir.
Desta forma, um conhecimento inicial do sistema educacional bra
sileiro
slleiro apoiado em conhecimento teórico da relação entre educação e desenvolvimento se faz absolutamente necessário como base
para qualquer planejamento de serviços bibliotecários com fins
educativos específicos, como os implícitos pelo

temário'
temário deste

Congresso.
2.

BIBLIOTECA POBLICA E EDUCAÇÃO
Hlstoriccunente foi a crença nas possibilidades
Historicamente

da bi-

blioteca como agente da educação que motivou o aparecimento das
117

Digitalizado
gentilmente por:

♦

�bibliotecas públicas como entidades sustentadas pelo Estado e
"dirigidas
dirigidas às camadas mais pobres da população urbana.

O ponto

que se quer dar ênfase neste trabalho ficará mais claro

com o

exemplo da biblioteca pública Inglesa,
inglesa, cuja autorização oficial
pelo Parlamento se deu em 1850. Ao lado dos sentimentos altruls
tas que motivaram os pioneiros de uma biblioteca aberta
2d}erta pãba
pata o
povo, outros sentimentos, de natureza bem diversa, contrlbulrcun
contrlbulrêun
com Igual,
igual, senão maior peso para a sua aprovação. Pois a propo£
ta teve como defensores não só aqueles que viam na educação

e

no acesso ãâ informação
Informação um direito de todos os cidadãos, mas tam
taim
bêm aqueles que viam na biblioteca pública uma alternativa mebém
nos drástica para a lel
lei da universalidade do ensino.^

Para es-

tes, a biblioteca oferecia ainda a vantagem de permitir um ace£
so ã informação
Informação estrltamente
estrltcunente controlado e dirigido para a fom^
ção de uma faixa de tr2d&gt;alhadores
trabalhadores necessária para a

indústria,
Indústria,

além de, esperavam, contribuir para a melhoria do comporteunento
comportamento
público. Mesmo,
Mesmo o penséunento
pensamento liberal de auto-ajuda e

liberdade

de escolha que tanto impulsionou
Impulsionou o desenvolvimento da blblloteca pública no seu Iniclo,
inicio, nos parece hoje um tanto Ingênuo.
ingênuo.
Keste tr2d&gt;alho
Neste
tr€d&gt;alho pretendemos apresentar alguns pontos relativos ãâ educação como função das bibliotecas públicas, com a
finalidade de alertar para necessidade de uma definição

clara

dos objetivos que se pretenda conseguir. Achcunos que um planeja
inicial, flexível, mas entrosado no contexto maior do pro
mento Inicial,
pzo
blema educacional êé essencial a qualquer ação educativa pelas bi
U
bllotecas. Pois ações Isoladas, por mais recomendáveis

em sl,
si,

não terão efeito social significativo. Para que haja alguma dian
chan
ce de sucesso ê necessário sobretudo a compreensão ampla da fun
ção a ser desempenhada, dentro dos limites Impostos
impostos pela nature
118

Digitalizado
gentilmente por:

-li/

�integremte do sl£
si£
za de uma biblioteca, agora considerada parte Integreinte
tema educacional e cultural do pais.
país. Portanto, como parte deste
sistema, a ação educativa da biblioteca, assim como a

da esco-

la, será dirigida para atingir determinadas metas. Seus serviços deverão corresponder às necessidades de suas clientelas. No
país marcado por diferenças geográfi
geográf^
entanto, sendo o Brasil um pais
cas e sociais tão grandes, as bibliotecas públicas
reconhecer e Interpretar
interpretar necessidades das clientelas
cas a que Irlam servir. E é justcimentè nesta

terlam que
específiespecifi-

Interpretação
interpretação

de

necessidades, especlalmente quando consideramos as camadas
ccimadas mais
pobres, que está o ponto crucial para as decisões que serão tomadas. A Interpretação
interpretação das necessidades de informação
Informação e os obje
ti VOS dos serviços
tlvos
seirvlços que seriam prestados, vai exigir uma

tomada

de posição com relação aos objetivos da educação em geral. Embo
ra mais flexíveis quando comparados a programas

escolares,

serviços bibliotecários não podem se Isentar de uma
xima

os

definição

dos seus objetivos sociais, sob pena de se tomarem
tornarem irrelevantes.
3.

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
EDUCAÇXO
A relação fundamental que existe entre educação, a eco-

nomia e a estrutura social é hoje levada em consideração

pela

maioria dos países, industrializados ou não. Nos países em desenvolvimento tem se tentado aplicar a educação como instrumento para o desenvolvimento e transformação social, prlnclpalmenprincipalmente voltado
voLtado para a formação de mão de obra e- a modernização

só-

cio-cuitural.
clo-cuitural. Tradicionalmente, porém, a educação tem desempenhado um papel de seleção e um meio
melo de ascensão social.^
De qualquer forma, quase todos os países tem atribuído
119

cm

2

3

Digitalizado
gentilmente por:

�ã educação o papel de fomentar e possibilitar o desenvolvimento
social e econômico. Segundo Cunha, a educação tem sido reconhecida como uma variável política estratégica, podendo ser usada
para itensificar o crescimento da renda nacional, para produzir
a modernização, ou para construir uma sociedade mais justa. 4
Como fator intensificador da renda nacional, a educação
seria dirigida para formar recursos humanos qualificados, nece^
neces
sários ãà produção. Já os teóricos da modernização, que considesârios
ram o estágio cultural e educacional de uma sociedade como

fa-

tor responsável pela possibilidade de modernização, viram na educação o meio de forçar a evolução de um estado primitivo, tra
t
dicional não industrializado, para um estado mais adiantado, in
dustrializado. A educação teria o papel de criar novas atitudes
e comportamentos "favoráveis" àã modernização, erradicando hábitos tradicionais,
tra(Jicionais, não desejáveis. Para Cunha, aquele seria o "es
"e£
pírito de empresa".^
pirito
Na terceira alternativa, a educação é vista como um ins
trumento capaz de produzir alterações na estrutura da sociedade,
reorganizando-a de forma mais justa, de forma que cada

indiví-

duo teria a oportunidade de se desenvolver conforme seus
tos e motivações. Uma das correntes que vê este como

méri-

sendo

papel principal da educação, a corrente liberal, cujas

o

origens

vêm dos ideólogos da Revolução Francesa, atribui ã educação um
papel equalizador da sociedade. Ainda segundo Cunha, este seria
o pensamento que mais se aproxima da política educacional
cialmente adotada no Brasil, como expressa em seus

ofi-

documentos.

As razões da contradição evidente entre o que ê proposto oficioflcialmente e a realidade, êé interpretada como o resultado de

cho-

ques de interesses entre o poder político e interesses econõmieconômi120

Digitalizado
gentilmente por:

�cos, Se as bibliotecas públicas pretendem contribuir para
COS.
nar a educação de fato acessível à maior parte dos

tor-

brasileiros

sig_
em qualidade e duração, se pretendem participar ativamente e sig.
nificantemente do sistema educacional, então se faz

necessária

a formulação clara de seus objetivos, emanados de um entendimen
to e posicionamento em relação ã estrutura educacional. 0O conhe
cimento das características principais desta estrutura se

tor-

na, portanto, necessário.
4.

A EDUCAÇSO
EDUCAÇÃO NO BRASIL
A história da educação no Brasil tem suas

origens

nos

tempos coloniais, e, segundo alguns autores, pouca coisa foi mu
dada na maneira de encará-la que nos foi legada pelos jesuítas.
jesuítas,
A evolução de nosso sistema de ensino está intimamente

ligada,

como não poderia deixar de ser, ã nossa herança cultural, è evo
lução econômica do país
pais e ãâ estruturação do poder político.®
político.^
Ao longo de sua história, a educação brasileira tem sido objeto de várias
vãrias reformas e definições, numa tentativa de can
cm
ciliar forças opostas que a influenciam. Em tempos mais

recen-

tes, o ensino brasileiro tem passado por várias
vãrias crises, que ta^
tal.
vez sejam melhor entendidas se consideradas como parte dos acon
tecimentos políticos e econômicos ocorridos desde

1930.

evolução se pode perceber a disputa de facções opostas,

Nesta
cujos

interesses às vezes convergem, mas onde, de forma geral, tem pra
pre
valecido o ponto de vista conservador, favorável a ura
um

controle

quantitativo e qualitativo da expansão do sistema. Assim, através de dispositivos legais diversos, o sistema se tomou
do, seletivo e discriminante, socialmente falando,

rígi-

favorecendo

um conteúdo voltado para o ensino acadêmico que inibiu a expan121

Digitalizado
gentilmente por:

�são do ensino técnico.^
técnico. 7

A crescente Insatisfação
insatisfação despertada pe

lo sistema provocou, já no final da década de 50, pressões forespecial
tes a favor de mudanças. Mas foi a partir dos anos 60, especia^
mente após 1964, com o remanejamento do poder político e a adoçao de um novo modelo econômico, que estas mudanças começaram
ção
começar^ a
ser propostas. O sistema de ensino foi então repensado, numa ten
tativa de adequação aos novos objetivos de modernização e
lhor integração do país
pais no capitalismo ocidental.

As

me-

reformas

sofrereun influência bastante grande dos Estados Unidos
sofrercun

através

de acordos de cooperação para o seu planejamento, mas os resultados e decisões finais obedeceram também aos interesses nacionais como interpretados pelo Governo.
O sistema educacional de um pais, para que possa ser en
tendido com alguma clareza, deve ser considerado no

seu

todo,

isto ê, nos seus diversos níveis e modalidades. Mesmo quando te
mos em mente uma clientela de ensino básico, como ê o nosso caso, se faz necessário um conhecimento da estrutura geral do si£
sis
tema, para que se possa entender as causas prováveis e as impl^
cações das leis e regulamentações que o regem, ou da forma real
que tomam. Por sua vez, o entendimento do sistema como um

todo

exige que o consideremos dentro de um contexto maior, da pollti
pollM
ca econômica e da organização do poder político.

Desta

embora nos limitemos aqui a alguns comentários sobre o

forma,
ensino

básico que nos parecem mais relevantes para este trabalho, deve
ficar claro que o planejamento de serviços bibliotecários
os pretendidos, não poderia ser considerado fora

da

como

estrutura

geral do sistema.
A obrigatoriedade e gratuidade do ensino básico foi determinada pela Constituição de 1949 em 4 anos,

para

todos

os

122

Digitalizado
gentilmente por:

Q

II

12

13

�brasileiros. Ein
Em 1961, a Lei de Diretrizes e Bases, e mais
mals

tar-

de, a Constituição de 1969 reformularam
reformulareim esta obrigatoriedade, es
e£
peclflcando as faixas etárias que deveriam
deveríam ser atendidas, atrapecificando
vés do ensino gratuito. Finalmente a Lei de Diretrizes e
de 1971 extendeu a escolaridade obrigatória de 4 para
Esta ampliação trouxe consigo uma extensão da

Bases

8.
8 anos.

responsabilidade

do Estado pelo oferecimento de ensino gratuito em quantidade tal
que nio
não seria possível atender, conforme exigia a lei,
lel, em curto
prazo. No entanto, esta ampliação da obrigatoriedade do

ensino

para 8 anos também
tcimbêm significou uma vontade do estado em aumentar
as possibilidades de acesso e continuidade do ensino, agora vo^
tcunbém para a formação de habilitação profissional, nas
tado tcimbém
tlmas séries do 19 e 29 Graus.
A estrutura do ensino regular não podería absorver o au
mento da demanda ocasionada pela reforma. Havia também o proble
ma representado pelos adultos analfabetos, que o Governo por ra
zões diversas parecia disposto a encarar. Assim, medidas parale
Ias ãà escolarização
escolarlzação regular foram tomadas, com a finalidade

de

expandir a oferta de ensino, através de meios alternativos como
o Movimento Brasileiro de Alfabetização — MOBRAL — o projeto Mi
nerva (rádio) e as televisões educativas. A estrutura atual

do

sistema oficial de ensino básico, com a qual a biblioteca públ^
sls£ema
ca irá
Irã interagir,
Interagir, deve portanto ser entendida como compreendendo o ensino regular através das escolas; e os meios
do_o

alternati-

vos promovidos e sustentados pelo Estado.
Apesar das intenções
Intenções da reforma do ensino de 19

e

29

Graus,^ e do esforço que possa ter sido feito, os dados dispon^
vels mostram
veis
mostreun que estamos ainda longe de alcançar metas

propos-

tas ao sistema educacional. Mesmo uma visão superficial da

si123

Digitalizado
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♦

�tuação escolar aponta desníveis incríveis no acesso e na qualidade do suprimento oficial de ensino. Estes desníveis se refletem no comportamento dos alunos em r'elação ã freqflência,
freqüêncla, àâ época de início,
inicio, desempenho, e evasão escolar. Também não é necessário muito para perceber que as piores escolas e os piores desempenhos ocorrem nas regiões mais pobres das cidades e nos meJos
meios
rurais.
5.

’

BASES PARA A PROGRAMAÇSO
PROGRAMAÇÃO DA AÇXO
AÇÃO EDUCATIVA DAS BIBLIOTECAS
Até agora nos limitamos
limitcimos a uma tentativa de expor certos

aspectos da educação em geral. Principalmente frisou-se o

fato

de que o setor educação não pode ser visto como Independente
independente de
fatores políticos e econômicos, nem a política educacional pode
ser entendida fora deste contexto. Na maior parte das vezes,

e

assim tem sido no Brasil, a política educacional serve a objet^
objetl
vos políticos e econômicos, cedendo ãs
às pressões mais fortes. O0ra é instmmento
Instrumento perpetuador da situação vigente, ora é dirigida a conseguir determinadas mudanças de comportamento e atitude
que se julga política — ou economiccimente
economicamente desejáveis. Sendo que
o tema deste trabalho diz respeito a uma camada
Ccimada especifica
específica
sociedade, junto a qual a biblioteca terla
teria uma função

da

educati-

va, ela, como a escola, estará sujeita as mesmas Influências
influências

e

fatores que determinam o sistema como um todo. As bases para um
programa de ação para estas bibliotecas não poderão,
progrcima

portanto,

ser desvinculadas da política educacional, sob pena de não
brevivência.

so-

'

Assim, como ponto de partida, voltcunos
voltcimos a chamar a atenção para a importância de um estudo preliminar da política
desenvolvimento nacional, fi das contradições entre os piamos
piemos
124 .

Digitalizado
gentilmente por:

de
e

�intenções declaradas para o setor educação, e a forma como dela
se servem os outros setores para criar condições favoráveis para atingir suas metas que surgirão os pontos de apoio para a de
finição da ação educativa para as bibliotecas, inclusive a iden
tificação de objetivos prioritários.
A existência de documentos oficiais cujos conteúdos são
consonantes com alguns dos objetivos que se pensa possível e de
sejável conseguir através das bibliotecas públicas, dá às bibl^
otecas a possibilidade de legitimar, junto ã administração

na-

cional, um plano de ação, como se deles decorrente. Um bom exem
pio de tais documentos são os Planos Nacionais de Desenvolvimen
to. 0O III Plano Nacional de Desenvolvimento explicitou os objetivos e linhas de atuação governamental para o período de 19801985.^^
1985.^®

Ainda que este plano seja apenas documento de

inten-

ções, não oferecendo maior compromisso para execução do exposto, seu conteúdo com relação ao setor educação poderia ser bem
explorado como uma base oficial necessária ao plano de ação das
bibliotecas, possibilitando reivindicações de apoio. Veja-se,
por exemplo, que entre as cinco prioridades fundamentais listadas pelo III PND para o setor educação, cultura e desportos, e^
tão:
" - educação nas periferias urbanas, procurando

condi-

ções mais efetivas de democratização das oportunidades, bem como visando àã redução de tendências seletivas contrárias às popu
lações pobres urbanas, especialmente quando migrantes."
" - desenvolvimento cultural, inclusive,
inclusive como cimbiente
ambiente
próprio de educação em sua dimensão permanente,

privilegiando-

-se as manifestações de criatividade comunitária de estilo

não

elitista."
125

Digitalizado
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�o0 documento declara também que "...as
"... as prioridades se con
centram na educação básica eé na promoção cultural" e que a política do setor será vista e administrada como atividade comprometida com a cultura brasileira, "instrumento
"Instrumento de democratização de
oportunidades e de melhoria de distribuição de renda, com ênfase
voltada para os objetivos da universalidade de ensino básico e
qualificação de recursos humanos para o desenvolvimento nos
quallflcaçáo

di-

versos níveis e áreas."
6.

CONCLUSÃO
É claro que no momento em que se aceita e se toma a dec^

são de desenvolver ação educativa através da biblioteca, assume-se também uma posição em relação ãà educação como instrumento
Instrumento pa
ra o desenvolvimento individual e nacional, ainda que tal tomada
de posição não seja formulada. Ao se pensar nas atividades

pro-

priamente ditas que seriam
sericim desenvolvidas, a consciência deste po
sicionamento se tomará indispensável. A biblioteca, pela sua na
slclonamento
tureza, tem a capacidade de ultrapassar as ações mais

limitadas

do ensino regular fornecido pela escola, porque não se atém a cvm
cur
rículos ou conteúdos prê-estabelecldos.
prê-estabelecidos. Por isto mesmo, se toma
mais importante ainda que seus objetivos educacionais maiores se
jam identificados com multa
muita clareza. Fará multa
muita diferença para a
orientação que se pretende dar às atividades da biblioteca se as
prioridades forem, por exemplo, a preparação para o trabalho,
mudança de hábitos e adoção de novos valores e atitudes

a

visando

determinados objetivos econômicos ou políticos, ou a reorganização da vida social através da aprendizagem, da participação Ind^
vidual nas decisões nacionais,
vldual

da tomada de consciência de

seu

próprio valor, do estimulo
estímulo àã criatividade e a formulação de asp^
aspi
126 .

Digitalizado
gentilmente por:

^

11

12

13

�rações individuais e coletivas.
fi evidente que grandes mudanças sociais, ou mesmo a ascensão social ou a renda não se dará

somente

pela

preparação

profissional, pelo acesso àã educação ou a informação.
informação, fiÉ evidente que tanto a escola quanto a biblioteca não resolverão os pro
blemas sociais. Mas nem tão pouco serão estes problemas resolv^
dos por decisões de governo, apenas. Segundo Pedro

Demo^^,

"a

história dos países industrializados revela que o projeto de re
dução da pobreza teve como característica maior a

articulação

política do trabalhador... estabelecendo o ambiente democrático
da negociação conjunta."

Ora, a aquisição da capacidade de de-

fender seus direitos e expressar aspirações depende, em boa par
-^ducação e ã informação.
te, de acesso a ■'ducação
0 que nos interessou neste trabalho, foi introduzir alguns tópicos que nos parecem importantes quando se pensa na biblioteca pública como capaz de desenvolver uma ação

educativa.

Tradicionalmente se tem considerado a biblioteca como neutra, e
de certa forma, a própria informação tem assim sido considerada.
Mas no momento em que se aceita uma responsabilidade educativa,
tal neutralidade não é mais possível.
A proposta para uma política de ação educativa da bibli
oteca, além de se condicionar ao âmbito de ação próprio

ã

sua

natureza, deve estar condicionada às possibilidades

e

do sistema educacional, assim como este sistema

condiciona

se

limites

ao sistema econômico e político.
político.’ Mas dentrò destes limites,

e

principalmente, das contradições encontradas é que, nos parece,
poderiamos buscar espaço para a ação das bibliotecas. Ainda que
não seja possível, realisticamente, atingir metas de uma sociedade inteiramente justa e equalitãria, a biblioteca, como a es127

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�cola, pode contribuir com seus serviços para que as chances de
autovalorização, acesso à renda e ascensão social, sejam mais
bem distribuídas.

128

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�BIBLIOGRAFIA E NOTAS
1. A lei da educação universal sõ
só foi aprovada na Inglaterra no
final do século XIX.
2. A este respeito veja, por exemplo, Jevons Stanley. The ratio
nale of Free Public Libraries. In. GERARD, David. Libraries in society. London, Bingley, 1978. p. 16-20. Jevons,
rias
em um artigo datado de 1881, defende as bibliotecas públicas como bom investimento, cujos dividendos em forma de um
melhor comportamento público, iria significar menores gastos com policia, prisões, asilos e cortes de justiça, com
a vantagem de oferecer um "divertimento sadio, inocente".
3. ECHEVARRIA, Jose
José Medina. Funções ,da
da educação no desenvolvimento. In: PEREIRA, LUIZ. Desenvolvimento, Trabalho e Educagão. 2.ed. Rio de Janeiro, 1974, p. 17-29.
ducação.
4. CUNHA, Luiz Antonio. Educação e desenvolvimento social
no
Brasil. 5.ed.
S.ed. Rio de Janeiro, F. Alves, 1980. 218p. p.l623.
5. CUNHA, L. A. op.cit., p. 13.
6. ROMANELLI, Otalza de Oliveira. Histõria
História da educação no Brasil, 1930/1973. Petrõpolis, Vozes, 1978, 276p. p.l3.
7. ROMANELLI, O. de O. op.cit., p. 16.
• 8. ROMANELLI, O. de O. op.cit., p. 257.
9. ROMANELLI resumiu os principais pontos da reforma de 1971 nos
seguintes itens:
itens; extensão da obrigatoriedade escolar para 8
anos; eliminação de parte do esquema seletivo das escolas;
eliminação do dualismo educacional (ensino secundário x ensino profissional; profissionalização em nível médio; coope
ração das empresas na educação; Integração geral do sistema
educacional desde o 19 grau aò
ao superior. ROMANELLI, O. de O.
op.cit., p. 253.
10. BRASIL. Presidência. Plano Nacional de Desenvolvimento, III.
1980/1885. Rio de Janeiro, IBGE, 1980. p. 67.
129

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�11. DEMO, Pedro. Política social de educação e cultura. Educação, Brasília,
Brasilia, MEC, £9^ (33): 65-80, jan/mar. 1980.

Abstract: The educational function as a pviblio
public libray activity
will require a definition of purposes in relation with the
wider objectives of education itself. In its turn, this
identification is possible only when educational policies are
Identification
seen as a result of the economic and political interests of
the Government, responsible for administering education.
Educational policies in Brazil presents incongruências
incongruencies which
can only be understood when seen as part of the whole
national context, cultural, political and economic. Public
libray policies may find bases and inspiration in the
differences between Government intentions and the real
situation.

130

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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Bases para um política educacional para as bibliotecas públicas: algumas considerações</text>
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              <text>A educação pode ser vista como um instrumento para o desenvolvimento e para tanto ser dirigida. Ao aceitarmos como própria a função educativa para as bibliotecas públicas teremos que, necessariamente, considerá-las como parte integrante do sistema educacional do país. Tal ação educativa exigirá definição de seus objetivos maiores, e planejamento, pois ações isoladas, por mais bem-intencionadas, não terão significado social. A definição de objetivos por sua vez, exige uma tomada de posição de necessidades, o que no caso de clientelas de baixa renda reforça a necessidade daquela tomada de posição, tendo-se em vista a relação existente entre a educação, a economia e a estrutura social. A política educacional brasileira tem apresentado contradições que emergem de choques de interesses econômicos e políticos. Contradições óbvias entre as intenções oficiais como expressas nos planos de desenvolvimento e leis sobre educação, e a realidade.  É destas contradições que se pode tirar espaço para a atividade educacional bibliotecária. A política de ação educativa para as bibliotecas não pode ser desvinculada da política educacional total, assim como esta não pode ser entendida independentemente da política econômica e da estrutura do poder. Embora educação por si só não seja capaz de nos levar a uma sociedade mais justa, pode contribuir muito para a formação de um ambiente mais propício para que cheguemos lá.</text>
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