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LUIZ GERALDO MAZZA
Discordo de um conceito do eminente professor Wilson Martins quando se referiu ao fato
de que o problema da censura seria especifico das chamadas sociedades modernas. Claro que ele o fez
com o sentido de desmistificar uma certa linha de posicionamento assentada em
ern estereótipos.
estereótipos, É
sabido, no entanto, que na formação do chamado pensamento pré-l6gico
pré-lógico — avaliado pelos
antropologistas que
qua estudaram os grupos polinésicos— ao
aó lado do conceito de tabu existia
paralelamente o de "noa”,
paralelamenta
"noa", uma forma de moderar o interdito que atingia palavras proibidas
alcançadas pelo fator mágico-religioso.
mágico-reiigioso.
No populário brasileiro vamos encontrar referências muito ricas is a assa
essa moderação da carga
nefasta de determinadas palavras. Luiz da Câmara Cascudo foi um dos especialistas dessa área da
antropologia ea ocupar-se do tema. Assim ao invés de "satanás" ou "demônio" usa-se o "tinhoso" ou
"coisa ruim". Esses bloqueios, no entanto, constituem uma herança do "inconsciente coletivo"
persistente nas chamadas civilizações superiores ea na verdade comuns a todos os povos, como o
demonstra o filóiogo Rosário Farani Mansur Guérios
Guèrios am
em sua mais recente obra "Tabus Linguísticos".
Na imprensa adjetivosa, ornamental, de algumas décadas atrás, era comum no noticiário dizer-se que
determinado personagem padecia da
de "partinaz
"pertinaz moléstia" ou "insidioso mal", não se enunciando o
que contraira. Conquanto não $a
se adote o eufemismo retórico até nos dias presentes, se capta esse
constrangimento em revelar a natureza da moléstia como se o fato de externá-lo
extemá-lo pudesse "contagiar".
Aí parece que
qua os estruturalistas têm razão quando afirmam que esse pensamento dos
deram os fundamentos ao clã totêmico, a modelos de famílias
grupos sociais primitivos, que daram
sindiásmicas ou punaluanas, é um pensamento qua
que hoje se reproduz. Modarnamente
Modernamente em melo
meio aos
esforços para popularizar ea figura do presidente da República, general João Batista. Figueiredo,
percebe-se qua
que os meios de comunicação induzidos pelo poder oficial evitam, por vezes, chamar de
parcebe-se
recessão o quadro econòmico-financeiro
racassão
econômico-financeiro que nos aflige
afliga valendo-se de expressões como
"desaquecimento" ae "desaceleração" ou qualquer outro elemento componente do código muito
empregado pelos versados na área do "economês", língua quase
quasa oficializada num país
pais que descobriu
e promove o pouco discreto charma
charme da tecnocracia. A expressão "reforma agrária" é admitida, mas
não se ousa empregá-la a nível oficial como solução ao drama fundiário. Esse mimotismo,
mimetismo, esse
despiste, é6 regulado pela dificuldade
dificuldada em ajustar palavras e conceitos a sua respectiva cintilação
semântica no difícil "pacto social" que informa o processo político.
Qualquer forma de bloqueio, que
qua caracterize "censura" ou "autocensura", é pois
perfeitamente explicável, não havendo necessidade de recorrer-se
recorrer-sa èà psicanálise ea a outras áreas da
psicologia, para conhecê-lo.
conhecé-lo. Há nessa
nesse caso a sensação precisa da dissertação sobra
sobre o óbvio. O qua
que
realmente precisamos — cada um no seu setor específico de trabalho — é de mobilização contra a
censura, ainda qua
que admitindo restritivamenta
restritivamente o seu emprego em critérios classificatórios bem
específicos — faixa etária, por exemplo — mas qua
que devem ser julgados pelo conjunto da sociedade
sociedarJe e
especialmente pela vivência dos seus grupos intermediários. Aí igualmenta
igualmente não concordamos com o
pede, no caso, uma atitude mais voltada para o lado técnico. Não
Professor Wilson Martins que
qua peda,
podemos, como comunicadores sociais ou biblioteconomistas, simplesmente testemunhar e
testemunhando deixar de fixar não apenas um "juizo da
de valor" masa
mas a nossa ação de resistência — que
haverá de ser clara e enfática — ante a censura "casuística" nos jornais, rádio, televisão, teatro,
cinema, livros.
Cada época erige os seus preconceitos, alguns articulados no sistema e outros sustentados
por uma tradição de oralidade, mitológica. Em nosso tempo de colégio sofrlamos
sofríamos a advertência
"ex-catedra"'
"ex-catedra" para
pata que não fossem compulsadas as obras dos filósofos tidos como "pessimistas",
ninhilistas, como Niatzche
Nietzche e Schoppenhauer. Sofríamos ainda advertências contra a literatura de
Stephan Zweig ou Goethe. Dizia-se que
qua "Werther" de Goethe deflagrava uma dessas fantasiosas
epidemias de suicídios. A propósito, embora a relação entre uma coisa ea outra pareça remota, a
enfoque a questão relativa à liberação ou não para as notícias
noticias de
imprensa constantemente submete a enfoqua
suicídio. Aqui também — e agora são os criminalistas que modelam o "estereótipo", firmados em
frequências estatísticas qua
que dizem ter a constância de leis científicas, o que é altamente discutível —
insiste-se na tese do "contágio", da reação em cadeia.
Ora, a "identificação heróica" do consumidor é uma contingência a ser enfrentada por
outras mediações culturais. Assim se dá com outros "modelos" da arte, da vida ou da publicidade,
de lei para
através principalmente da indústria cultural, com a dificuldade de fixar normas éticas ou da
regulá Ias como o estimulo ao consumismo e a pregação "escapista" e alienante de que fumar
regulá-las
determinada marca de cigarros dá "status" ae introduz o consumidor no universo da juventude, do
poder, da olimpíada sexual.

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EntSo esse tipo de problemática joga o comunicador, em nosso caso da
de jornalistas, diante
do problema da auto-censura que devemos enfrentar no cotidiano. As organizações, como ninguém
ignora, estão ligadas ea uma determinada vinculação com o poder, o que se traduz por uma axiologia,
uma ideologia. Este èé o mais profundo problema do comunicador, questão deontològica de primeira
grandeza, Para justificar um aeticismo
grandeza.
aeticisnto lança-se mão do recurso técnico,
técnico. O epregoado
apregoado "distanciamento" crítico
critico do jornelista,
jornalista, o culto à sensure
sensura da Informação
informação e do jornalismo objetivo, quaé
que é umafelácie.
uma falácia.
Há resistências já organizadas buscadas nos chamados "conselhos editoriais".
editoriais", Mas as melhores opções
estão presentes na imprensa "nanica" ou alternativa e em experiências como ae perseguida por Mino
Carta com o "Jornal da República", ae hipótese de uma eutogestãò,^
autogestãó,'ainda
ainda que imperfeitamente
Imperfeitamente
colocada, com ea equipe profissional ditando a "linha" do veículo.
Navegamos hoje nesse mar aparentemente calmo da abertura e suspenderam-se eseçõesda
as ações da
censura prévie
prévia quanto à Imprensa,
imprensa, embora permaneça em relação ao rádio e à televisão, qua
que na
verdade são os veículos que chegam mais perto do público. Enquanto a totalidade dos jornais
brasileiros não chega ea uma dezena de milhões de exemplares, ea televisão alcança
elcança mais de 60 milhões
e o rádio mais de 80 milhões.
No Brasil a censura procurou, face ao respaldo do arbítrio, euto-legitimar-se.
auto-legitimar-se. Em 1973, 5
esse primor de preocupação com o lado técnico-jurídico num desses comunicados muito
de junho, há asse
comuns, à época, da Polícia Federal: "De ordem superior fica terminantemente proibida ae
publicação, crítica eo
ao sistema de censura, seu fundamento e sua legitimidade; bem como quelquer
qualquer
noticia, crítica ou referência escrita,
noticie,
escrite, falada
felada e televisionada, direta ou indiretamenta
indiretamente formulada contra
órgãos de censura, censores, legislação censória, eté
até posterior liberação". Antes esses comunicados
eram dados ao editor ou seu substituto pare
para que o afixasse em lugar visível. Mais tarde como essas
erem
proibições, que vinham datilografadas, foram exibidas em congressos internacionais, ea autoridade
resolveu evitar ea entrega de qualquer prova documental da censura, obrigando editores a assinarem
protocolos após tomarem conhecimento do inteiro teor das notificações e dos comunicados. Por
vezes a censura, pare
para impedir notícias de tensões sociais, greves, lembrava am
em proibição genérica que
estavam proibidas as notícias que pudessem provocar "estados de comoção", o que aliás
astavam
eliáséé a repetição
"ipsis verbis" dos dispositivos da Lei
"ipsisverbis"
Lai
de Segurança Nacional, subjetivíssima e na qual já se está
prewiamente enquadrado
pre&gt;'iamente
anquedredo antes de pensar e materializar o pensamento por qualquer modo ou melo.
questão
O papel de todos é sustentar uma postura clara de resistência, já que se trata de quastão
inegociável. E, vejam bem, pão se trata de uma posição quixotesca, uma postura romântica. Afinal, ea
Inegociável.
sociedade de massas, o mundo organizado e pretensioso do planejamento, tenderá sempre, por força
de seus transbordamentos, a tudo enquadrar. 0$
Os resistentes, no entanto,
entento, conseguem avanços
evanços na luta
ecológica, na da organização dos consumidores, no das ações feministas, no das minorias oprimidas,
enfim matizes de uma questão — ea liberdade.
anfim
Devemos opor, como uma necessidade dialética, à macrocefalia do sistema a proposta da
como neste específico da cultura.
atomização. Tanto no campo dos fenômenos econômicos e sociais
socieiscomo
A macrocefalie
macrocefalia asmaga
esmaga tudo em noma
nome da padronização, da eficácia aconômica
econômica do sistema. A
pretexto de atingirmos uma "aldeia global" destruímos
destruimos ea identidade cultural dos vários grupos e
regiões. Em nome da atualização, preveleca
prevalece o cosmopolita e o velor
valor local só é usado como
"missanga", como elemento de decor, a serviço de uma terrível engrenagem. A essa tendência deva
deve
antepor-se o impulso à atomização.
atomizeção. É pela
pele convivência do "centro" ea da "periferia", do "pólo
urbano" com o rural, que sa
se astebelece
estabelece ea medida da
de equilíbrio ae harmonia. As razões de Estado
sempre foram as mesmas no Brasil colônia, no império romano, na Alemanha hitierista,
hltlerista, na Rússia
czarista ou na atual. E sempre, quando premidos pela opinião pública, tais estruturas afrouxaram um
pouco os controles da censura, buscaram fazê-lo como se estivessem'procedendo
estivessem procedendo ea uma concessão.
Há cemitérios de livros nas bibliotecas, condenados a não serem compulsados peío
pelo público; há
auto-censura nos jornais, no rádio e na televisão. Houve evanços,
avanços, melhorias, aperfeiçoamentos, mas se
não houver.uma
houver uma predisposição pare
para ea mobilização.
mobilização, Insistindo-se
insistindo-se em todas es
as oportunidades na
denúncia e na reflexão em cada manifestação de obscurantismo, criaremos pela apatia e conivência o
clima desejado pelo erbítrio.
arbítrio.

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