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1150
WILSON MARTINS
Agradeço com cordielldade
cordialidade tanto maior as iwlavras
palavras da
de apresentação
apresentaçSo quento
quanto eles
elas me
epresenteram como velho Inimigo
apresentaram
inimigo da censura e,
a, por consequência,
consaqüãncia, como um homem cujas pelavres,
palavras,
poderSo, jamais, ser Interpretadas como sendo favoráveis
rta manhS de hoje, nSo podarSo,
favorávals a qualqer
quelqar forma de
censura. Mas o problema
problama nSo se epresenta
apresenta raelmanta
realmente quando queremos combater a censura,
censure,
perece-me que é,
6, antes de mais nada, compraendá-la
compreendê-la em sua
sue verdadeira realidade,
reelldade. Nas
Nes publicaçSes,
publIcaçSes,
nos periódicos brasileiros desses últimos meses, tamos
temos ancontredo
encontrado vérias
várias manifestações de jornallstes,
jornalistas,
polficos, pessoes
pessoas credenciadas nos vérios
vários ramos do conhecimento, e que se pronunciam
pronunciem de maneira
taxativa e absoluta contra
cóntre toda ae qualquer
quelquer forma de censura. "A censura
censure deve ser ellmlneda”.
eliminada". "Náo
"NSo
há razão
hé
razffo alguma
elguma para que haja censura numa socledada
sociedade democrática a adulta",
edulta", e outras colocaçOes
colocações
dessa natureza.
O meu papel hoje, talvez um pouco estranho, desse ponto de vista, é mostrer
mostrar que nõs
nós
devemos nos premunir contra as Idéies
idéias feitas, contra
contre as
es generalizações fáceis
fécels e contra as
es
simplificações excessivas. Porque, ne
na verdede,
verdade, não
nSo hé
há sociedade organizada
orgenizede sem um imenso
Imenso código de
disciplina nos mais
discipline
mels variados aspectos das atividades
etividades coletivas. E, qualquer que seja ea forma de
disciplina que nos é Imposte,
Imposta, para
pera podermos
podarmos conviver em termos aceitáveis
eceltévels de sociabilidade, sempre
representa uma Invasão
reprasenta
invasSo da nossa próprie
própria autonomia, de
da nossa próprie
própria privecidade.
privacidade.
Multas pessoas pensem
Multes
pensam que atá
até os sinais de trânsito, nas
nes rues
ruas da cidede,
cidade, são
sffo uma opressão
violante
violenta contra a sua liberdade de conduzir de qualquer menelra.
maneira. Esta, ellés,
aliás, me perece
parece éá Uma
uma
convicção multo
muito gerteralizada
generalizada aqui em Curitibe.
Curitiba. Mas a verdada
verdade éá que a obediêncle
obediência aos sinels
sinais de
trânsito resulta, afinal
trênsito
afinei de contas, numa disciplina de tráfego, e, por conseqüência,
conseqQêncla, numa
numã
movimentação multo mais
nrtais fécll
fácil ae segura de todos nós,
nós.
De forma que proponho, antes de
Oe
da mais
mels nada,
nade, colocar o problema da
de censura dentro de
alguns princípios gereis,
gerais, que eu enuncio mels
mais ou menos da seguinte menelra,
maneira, combatendo es
as
existentei
existentes Idéies
idáías feitas.
Por axemplo,
exemplo, ume
uma das Idéias
idéias feitas que, certemente,
certamente, nSo
não tem qualquer validade diante
dianta dos
fatos, éá Imaginar que a censura é próprie
própria das sociedades atrasadas, ea que ela
eia tende a desaparecer ne
na
medida em que as sociedades se modernizam.
medide
Na verdade, é axetamarrte
exatamente o contrário que acontece. A censure
censura éá um fenômeno de
civilização, Nas sociedades primitives
primitivas áé que nSo
civilização.
não há
hé realmente, censura de espécie alguma;
alguma: nem com
relação eos
releção
aos costumas
costumes nem com releção
relaçSo áê atividade
atividede pessoal de cada um dos indivíduos. E a vendada
verdade éá
que, do nosso ponto de viste,
qua,
vista, a censura nos campos de atividades intelectuais
intelectuels á,
é, realmente, um
fenômeno que se desenvolveu exatamente ne
na mésme
mesma medide
medida em que se desenvolveu a Impransa,
Imprensa, em
espetáculos teatrais ae os outros divarsos
diversos maios
meios de comunicação.
que se multiplicaram os livros ae os espetécuios
De forma que temos que aceitar esse fato. A complexidade da sociedade impõe o aparecimanto
aparecimento de
Oe
um certo tipo de disciplina nas relações humanas.
Sabe-se, por exemplo, que na sociedade francesa
frencesa (na Corte Real
Raal da França),
Frençe), no século
XVII, os poetas escreviam, para uso e gozo dos fidalgos do rei e das diversas senhoras que ele
XVii,
mantinha ê sua custa, e de
da mais alta e culta
cuite sociedade
soclededa frencesa.
francesa. Escreviam poemas que hoje
hoja seriam
naquela época não ofendiam os sentimentos da sociadade
sociedade
considerados obcenos e que, ao contrário, naquala
francesa. Por conseqüência,
frencesa.
conseqQêncla, há um certo aprimoramento dos costumes ea ume
uma certa Idéia
idéie de que
eigumes
algumas coisas, tidas como grosseiras ea cujo conceito pode variar
varler de época pera
para época, devem ser
evitadas. Este é,
evitades.
ê, antão
então um dos primeiros aspectos que nós temos que tar
ter em mente. É que a censura
resulta, por assim dizer automaticamente,
automaticemente, do crescimento das sociedades e do crascimento
crescimento da
intelectual.
sociedade Intelectual,
A outra idéia
idéie feita
felte que temos
íamos que repudiar — porque ela tembém
também não encontra
confirmação ne
na realidade — é o fato, a suposição, de que a censura só existe
exista nos países eutoritários,
autoritários, e
que não hé
há censura nos países liberais ou democráticos.
democréticos. Na verdade, a censura é tão forte nesses
países, como ae França, Estados Unidos ou a Inglaterra, do ponto de vista legal
legai ou da pressão
prassão dos
diversos grupos da socledada,
sociedade, quento
quanto nos paísas
países autoritários.
Na Françe,
França, por exemplo,
axampio, uma enorme categoria de livros não pode nem mesmo ser exposta
nas vitrines des
das iivraries.
livrarias. Nlo
Não podem ser anunciados. O comprador
compredor que desejar
desajar um destes livros deve
saber, antecipadamente, o nome do autor, o título, e pedir diretamente ao livreiro
iivrairo e ele
elevai
vai buscar,
então no raservado
reservado des
das livrarias, para ea venda.
Na Inglaterra, a Lei chamada de calúnia.
calúnia, Injúria
injúria e difamação é severlssima'e,
severissima e, na verdade,
paralisa em grande parte os jornalistas
peraiisa
jornelistas britânicos e os autores de livros.
E nos Estados Unidos existem os dois tipos de censura, que se completam e que são
extremamenta efetivos. Um deles é a censura exercida pelo próprio governo, em casos
cesos específicos e'o
eo
outro, muito
multo mais efetivo ae atuente,
atuante, é a censura exercide
exercida pelas diversas entidades sociels,
sociais, como as'
as

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II
11

12
12

13
13

14

�Il&amp;t
115t
assoclaçSes de pais e alunos, as ligas de moralidade, os próprios indivfduos
associaçfies
Indivfduos que se arvoram o direito
rtSo se publica, o que se pSe
pfie nas bibliotecas escolares e o que
de censurar o que se publica ae o que nSo
nSo se deve por nas bibliotecas escolares, e assim por diante.
Tudo Isso,
isso, evidentemente, nSo
náo corresponde — de minha parte — ao desejo de justificar a
censura, ou de achar que ela deve ser aceita ou expandida. A minha idéia
Idéia final vai ser a de que, sendo
um mal inevitável
Inevitável e, em certos aspectos, um código de convivência social e intelectual,
Intelectual, nós devemos èé
compreendê-la para poder discipliná-la dentro de termos aceitáveis.
compreendé-la
A outra idéia
Idéia feita, que também nSo
não te~m
tem justificação
justiflcaçSo ne
na realidade, é ea de que a censura só
ideológica. Na verdede
verdade a esquerda, que se apóla
apóia com a mesma
é praticada ou preconizada pela direita Ideológica.
convicção e com a mesma energia, a exerce com a mesma Intransigência
intransigência que a direita.
No livro que tenho aqui, recentemente publicado nos Estados Unidos e que se chama
' "convivendo", ou "tratando com a censura" — e que foi escrito e publicado por professores das
escolas secundárias norte-americanes
norte-americanas — tem a observação de um dos autores, a de que todos nós
somos censores,
censoras, E, se pusermos a mSo
mão na consciência, aceitaremos — acho — sem maiores
dificuldades, essa Idéia:
idéia: nós somos contra a censura que nos censura, mas somos a favor da cansura
censura
que censura os nossos adversários.
" O meu ponto de vista é que nós devemos ser contra o espfrito de censura, não
nSo contra a
censura. Devemos ser contra o espfrito de censura neste sentido de que é a própria Idéia
cansura.
idéia de censura
que deve ser abolida dentro destes termos disciplinantes aaque
que vou me referir e não à censura exercida
aprenas em nome das nossas opiniões
apenas
opIniSes ou pontos de vista. E, por consequência,
conseqüência, a conclusão de tudo
Isto
isto (é um consolo muito
multo relativo, eu comedo)
concedo) é a de que a censura não existe só no Brasil. A
censura èé um fenômeno universal e que ocorre realmente em todos os pafses.
países.
Oe forma que, aqui no nosso debatejnão se trata de ser contra ou a favor da censura: esta é
De
uma atitude emocional e opinativa. E ela
eia mesma é uma atitude censorial,
censorlal. O que se trata é de
compreender a natureza do fenômeno e de discipliná-lo para o tornar mais racional. Na verdade agora
mesrno,
mesmo, nesses últimos meses, como todos sabem, houve (está havendo ainda, porque continua) um
Simpósio sobre
sobra a Censure,
Censura, na Câmara dos Deputados, em Brasflla.
Brasília. E, dos depoimentos até agora
prestados, o consenso que real
realmente
mente se manifestou é o de que a censura não será — e nem deva,
deve,
mesmo, ser abolida, mas deve ser disciplinada. E aqui é que entram, realmente, os problemas técnicos
que escapam à minha competência e que serão, provavelmente, abordados pelos outros painelistes
painelistas da
nossa reunião aqui.
Saiu recentemente, nos Estados Unidos, a segunda edição de um livro que se chama
"Livros Banidos" — Baned Books, com ea história de todos os livros que foram banidos, dos mais
diversos países
pafses do mundo, desde a antiguidade e até os nossos dias. E o autor do prefácio Chandier
Chandler B.
Grannis, observa que qp número de pessoas que quar
quer Impedir
impedir outres
outras pessoas de ler ou de ver certas
coisas é verdadeíramente
verdadeiramente espantoso.
Uma das conclusões — tanto desse
dessa livro sobre as obras
obres que foram
forem banidas através dos
séculos como do Ih/ro
livro publicado pelos professores americanos sobre a censura nas bibliotecas
escolares — é que a censura, em lugar de diminuir, tende a crescer. E está
esté crescendo de uma maneira
espantosa. Em particular no que se refere ás
às escolas secundárias norte-americanas, ééuma
uma luta diária
dos bibliotecários e dos professores, claro, contra as associações
assoclaçSes de moralidade, associações
assoclaçSes de pais ae
alurK)s e outras dessa natureza, que pretendem banir das bibliotecas tais e tais livros, em favor de tais
alunos
ou tais outros.
O nosso problema aqui se coloca, acho, sob a égide da
de dois prlncfpios
princípios Imortels
imortais de DIralto,
Direito.
Um dales
deles jé
já foi proposto pelos antigos romanos, que viam muito mais longe do que nós geralmente
imaginamos. Este princfplo
princípio foi formulado da seguinte nianeira:
maneira: "sumum jus suma injuria" — todo
Imaginamos.
injustiça. E foi ratomado
retomado pela Revolução Francesa — que
direito exercido com excesso causa uma Injustiçe.
ninguém acusaria de reacionária, de conservadora — quando formulou outro princfplo
princípio Imortal,
imortal, dizendo
que a liberdade de cada cidadão termina onde começa a liberdade de outro cidadão,
cidadão.
Esta, realmente, é a base fundamental da censura. Não se trata de Impedir todas as pessoas
de ler todos os livros. Trata-se de imaginar
Imaginar que há uma certa disciplina moral, ideológica, intelectual,
que todas as sociedades devem exercer para que, justamente, a liberdade de cada cidadão se veja
p&gt;reservada nos seus limites normais e aceltévals.
preservada
aceitáveis.
Ainda há pouco tempo, um juiz da cidade de Nova York mandou retirar, do metrô, um
anúncio considarado
considerado ofensivo áê moralidade
nrxaralidade do cidadão comum. Por que? Porque
POrque este anúncio ara
que não tinham, provavelmente, qualquer prazer em
visto por pessoas — este é o raciocínio do juiz — qua
deparar com aqueie
aquele desenho considerado obsceno, enquanto pare
para outras pessoas esse desenho seria
indiferente e, para outras, seria até uma forma de educação daqueles que viajam pelo subterrâneo da
Indiferente
de
Nova York. Ele argumentou com o princípio de qua
que as passoas,
pessoas, que não aprovavam o tipo da
de
desenho ou a cena all
ali epresentada,
apresentada, tinham o direito de não ser ofendidas nos seus sentimentos, sendo
obrigadas a encontré-lo
encontrá-lo em cada uma de suas viagens. E assim o cartaz publicitário foi retirado.

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De forma que, no caso da censura, estamos 6 diante de um problema técnico e não diante
da um problema cultural nem ideológico. Trata-se apenas de disciplinar um princfpio
de
princi'pio de convivência
social e esta idéia, ou necessidade, da
de disciplina apareceu na nossa civilização, desde os tempos mais
remotos.
O infcio
inicio da censura no nosso mundo,
murKfo, no chamado mundo ocidental, é geralmenta
geralmente datado,
pelos autores, no ano de 399 A.C. É a condenação de Sócrates por haver negado a divindade dos
deuses reconhecidos pelo Estado e introduzir novos deuses, e por corromper a juventude. Ora, esta
idéia tradicional a respeito do julgamento de Sócrates é, segundo pareça,
kJéia
parece, ela própria um resultado da
de
uma censura exercida por Platão e outros discípulos da
de Sócrates, para esconder o verdadeiro motivo
da sua condenação
corxfenação na Grécia antiga,
antiga.
Esta é uma pesquisa ainda relativamente recente e que provavelmente continuará. Foi
provocada por um jornalista norte-americano, I.F,
I.F. Stone, que mostrou, num trabalho, que Sócrates
foi condenado não por corromper a juventude e por negar os deuses reconhecidos, mas por fazer
parte de um partido direitista na Grécia. Sócrates era ligado ao grupo dos 30 Tiranos e, quando esses
30 Tiranos, que constituiam um regime opressivo e autoritário na época, foram derrotados, o próprio
Sócrates foi condenado, quase preventivamente, pela população de Atenas, para impedir que ele
desmoralizasse a idéia de democracia perante as novas gerações.
Quando pensamos na realidade dos conceitos eróticos ou amorosos na Grécia,
compreendemos, sem maiores dificuldades, que Sócrates não podia ser condenado por corromper a
juventude num país
pais em que, ao contrário, esse tipo de corrupção a que aludimos era a forma, por
assim dizer oficializada de amor entre os jovens e os mais velhos. O amor, para dizer toda a palavra
necessária, homossexual,
Esse não é, evidentemente, o meu tema desta manhã. Nem mesmo é um tema para ser
tratado de manhã cedo.
cedo, Mas, se estiverem interessados no assunto, acaba de aparecer um livro do
prof. K. J.
J, Dover, que se chama Greek Homossexuality — a Homossexualidade Grega — no qual se
constata que, ao contrário do que para os nossos conceitos morais parece evidente, na Grécia o amor
sexual entre estudantes ae professores era a forma mais alta de afinidade intelectual.
Portanto, Sócrates não foi nem poderia ter sido processado por isso. Segundo parece, por
estas novas pesquisas, ele foi processado ea condenado por ser um autoritário, por ser o espirito
espírito
anti-democrático que estava procurando desmoralizar,
desmorajizar, no seio da juventude grega, a idéia de
democracia ainda recentemente restaurada. A sua atividade parecia corresponder a um perigo social.
E Platão e os outrosidiscipulos.de
outrosídiscípulos de Sócrates procuraram esconder essa realidade
realidada e apresentar o
julgamento da
de Sócrates apenas sob o plano
piano puramente moral.
A verdade é que
qua não se sabe, não há qualquer documento a respeito do julgamento de
Sócrates. Ninguém sabe. Não há um papel autêntico, não há um testemunho — a não ser o dos
amigos de Sócrates,
Sócrates. A suposição então, é a de que Platão e os seus amigos procuraram confundir o
espirito público e transmitir uma idéia completamente errada do que foi este julgamento.
espírito
Então, vejam a ambigúidade.
ambigüidade. O fato mesmo, que parece ser o mais clamoroso na história
da censura, porque foi o que iniciou todo o processo, é bem possível que seja um fato fictício,
arquitetado em todas as peças por um grupo interessado em mascarar a realidade do processo
isso para defender a memória do seu mestre e do seu grupo — porque eram
judiciário. E Platão, fez Isso
todos pertencentes às famílias ricas, aos grandes plutocratas e latifundiários da Grécia.
O próprio Platão, em 387 A.C., sugeriu o expurgo de Homero — que é o poeta nacional da
Grécia — para uso dos leitores imaturos. Em outras palavras, Homero podia ser lido por todos, menos
pelos estudantes da escolas gregas.
E, estamos nós aqui e agora, através dos séculos neste pulo vertiginoso, diante do problema
que se apresenta com relação aos livros que podem ou não ser admitidos nas bibliotecas. E, em
particular, nas bibliotecas escolares.
Um dos ministros da Suprema Corte norte-americana, num dos seus julgados a respeito
desse problema, manifestou-se contra a censura dos livros, dizendo que os adultos não podiam ser
corxdenados a ler apenas aqueles livros que eram próprios às crianças. O que é um princípio que — eu
corvfenados
acho — é perfeitamente válido e acho que ninguém negará a sua importância e o seu reconhecimento,
reconhecimento.
Mas nós podemos inverter também esse princípio, e dizer que as crianças não podem ser obrigadas a
ler aqueles livros que só são apropriados à leitura de adultos.
Evidentemente, aqui estamos diante, de novo, do problema técnico que mencionei há
pouco que é o do disciplinamento da censura e também a aplicação de um certo bom senso — seja na
organização das bibliotecas, seja na publicação de livros e seja nos limites que devemos impor sempre
à liberdade dos cidadãos.
No tempo que me é repartido nesse painél, eu — felizmente, ou infelizmente — não posso
mencionar todos os aspectos desse livro que aconselho a todas as pessoas interessadas em conhecer a
realidade norte-americana em termos de censura.

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Menciono especialmente os Estados Unidos, porque é indiscutivelmente o país am
em que há
mais liberdade intelectual, no mundo. Muito mais do que na França, que tem tradições intelectuais
antiqufssimas, muito mais do que
antiquíssimas,
qua na Inglaterra, muito mais que em qualquer outro país da faixa
democrática ou liberal.
liberal,
Pois bem, nos Estados Unidos ae censura é exercida de duas formas diferentes. A mais
importanta
importante é a censura não oficial, mas que exerce os mesmos efeitos paralisantes (ou
disciplinadores, se quisermos) exercidos pelas associações de pais de alunos, das associações de
moralidade, até de indivíduos que se arrogam o direito
direito'da
de determinar aquilo que deve existir ou não
existir nas bibliotecas e assim por diante. E há também a censura exercida pelos órgãos oficiais.
Ainda agora, no momento mesmo em que eu estava pensando no assunto para este painel
de hoja,
da
hoje, nos Estados Unidos um jornalista norte-americano, de um pequeno periódico do interior,
estava sendo processado e foi Impedido
impedido de publicar — portanto trata-se de censura prévia — um artigo
científico a respeito da fabricação da bomba atômica,
atômica. Esse jornalista astá
está sendo processado
regularmente perante tribunais comuns, ea o artigo, até hoje não foi publicado. Deve-se dizer que,
neste caso, como em todos os outros, o réu, o indiciado, tem todos os direitos de defesa assegurados
e o julgamento se faz perante um tribunal comum. Por conseqüència, ele está assumindo
responsabilidade na forma mais jurídica e mais regular possível. Mas, de qualquer maneira, é um caso
recente e — eu acho — extremamente elucidativo a respeito da censura exercida pelos órgãos do
governo norta-americano
norte-americano sobre as atividades dos jornalistas,
No caso das bibliotecas escolares, aqueles que defendem o princípio de que todos os livros
devem ser admitidos nas bibliotecas das escolas, em particular das secundárias, argüem
ergüem que ainda não
ficou provado o caráter nefasto das leituras na formação do caráter ou no desenvolvimento da moral
dos estudantes. Mas este argumento, como se observa no livro sobre a censura nas escolas americanas,
é um argumento contraditório porque essas mesmas pessoas, que dizem que os livros supostamente
ofensivos não são prejudiciais, são aquelas mesmas que dizem que a literatura concorre para melhorar
o espírito e para desenvolver os costumes dos seus leitores. De forma que a leitura dos livros, por um
lado, é benéfica ea por outro lado, deixa de ser maléfica.
Isso é uma contradição e assim, quem afirma os efeitos benéficos da literatura para o
aperfeiçoamento moral e intelectual, não pode negar qua
que esta literatura também poda
pode axercer
exercer um
efeito prejudicial na formação das mentalidades ainda juvenis.
É verdade qua
que não há uma censura boa ou uma censura má. Entretanto, o princípio que se
destaca, mais ou menos, entre os especialistas e,
a, mesmo agora, no Simpósio da Câmara dos
Deputados, em Brasília, é o da
de uma censura que tenha o discernimento de selecionar os diversos
públicos e, dentro desses diversos públicos, as diversas idades que teriam acesso a tais ou tais níveis
da
de leitura — se assim os podemos chamar.
É claro que o problema da censura na imprensa é inteiramente diverso do problema da
censura dos livros ea das bibliotecas. Todos esses são problemas relacionados entre
entra si, mas
independentes entre si,
si.
A censura que se exerce sobre a imprensa, sobre o noticiário, ou sobre a parte editorial dos
jornais, é diferente da censura que se exerce sobre os livros. A censura que se exerce sobre os livros é
relacionada — mas é diferente da censura qua
que se exerce sobre a aquisição de livros, por parte das
bibliotecas públicas ou, mais especificamente, das bibliotecas escolares.
Nesse particular, a tradição da censura sobre as obras literárias é ilustríssima. Ela se tornou
extremamente conhecida através das obras de toda uma família de ingleses, a família do doutor
Bowdier, que censurou Shakespeare.
Shakespeare, Ele encontrou numerosas passagens imorais em Shakespeare e
publicou diversas edições que se tornaram famosas. Tanto qua
que se criou, em língua inglesa, esse verbo,
a bowdierização, que é a amputação, a cirurgia de todos os trechos tidos por ofensivos.
Mas, evidentemente, o que é ofensivo para uma pessoa não é para outra. Na França
clássica, do século XVII, certas palavras eram tidas por grosseiras e ofensivas. Num livro de literatura
e de teatro clássico, por exemplo, não podia aparecer a palavra "vaca" — que evocava um animal,
assim... pouco delicado, pouco gentil nos seus movimentos, e isso ofendia a sensibilidade dos
franceses. A solução foi procurar uma palavra vinda do grego, genice, que satisfez a todos os gostos
da época. Também no teatro clássico francês não aparece a palavra "lenço" — porque evoca a idéia
de limpar o nariz, algo considerado extremamente grosseiro, de forma que os franceses não podiam
aceitar esta palavra em qualquer de seus textos literários. Se uma princesa chorava, porque seu
apaixonado havia fugido pela porta dos fundos, ela limpava suas lágrimas não com um "lenço", mas
com um "tecido". De forma que — vocês vejam — na verdade o fundo da coisa é um pouco
semântico, também.
E, com referência a Shakespeare, precisamente, há um caso brasileiro curiosíssimo que é
Shakespeare e Guilíver.
Gulliver. Todos sabem que as Viagens de Gulliver,
Guiliver, de Swift, é um livro que tem

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passagens extremamente escabrosas. Mas este livro foi traduzido, no Brasil, em 1888, por um
benéfico educador da juventude, que se chamava Carlos Jansen.
E este livro se publicou com uma introdução de Ruy Barbosa. Que era um homem
extremamente severo, e de que ninguém pode desconfiar de nenhuma intenção falaz. Pois bem, Ruy
Barbosa elogia, com palavras entusiásticas, o livro de Swift. Diz que ele deve ser posto em todas as
mãos, inclusive das crianças, porque é um tratado extremamente educativo. De passagem, ele elogia
também Shakespeare. Ele qualifica Shakespeare como gênio mais luminoso, mais límpido, mais sadio
— aqui está um adjetivo extremamente interessante, porque Ruy Barbosa não empregava adjetivos
sem saber o que estava dizendo. Portanto, o gênio mais sadio, talvez o mais sensato de toda a história
literária. E, quanto ao Guiliver,
Gulliver, ele dizia o seguinte: a Infância
infância e o povo ainda não encontraram
leitura mais ao seu sabor.
sabor, A fábula engenhosa é, excetuados certos lances, o livro mais aprazível que
já se escreveu para crianças.
Ora, é justamente na obra de Guiliver
Gulliver e de Shakespeare, entre outros — numerosos outros,
que se exerceram estas censuras que eu mencionei há pouco, de Bowdier e de outros editores, que
publicaram estes livros através dos tempos.
Então, a questão que se coloca aqui — que
qua é muito interessante, que mereceria uma
de doutoramento de algum estudanta
estudante interessado — era verificar se na própria
pesquisa, uma tese da
biblioteca de Ruy Barbosa, os livros de Shakespeare são estes que passaram por esta cirurgia
analisante, do Dr. Bowdier e de outros. Quem sabe se o nosso grande Ruy Barbosa leu livros que,
justamente, eram dedicados às crianças inglesas. À inocência das crianças inglesas, e nãoà
não à sabedoria
do grande tribuno baiano.
escapou, Todo mundo sabe que a Bíblia tem passagens
Em inglês, nem a Bíblia escapou.
extremamente elucidativas e muitos editores, tanto da Inglaterra como dos Estados Unidos — são
doispaisesondese
dois
países onde se lê a Bíblia diariamente, intensamente, muitas edições, talvez o maior número
delas, publicadas através dessa censura prévia exercida pelos editores. Em inglês, um texto foi
bowdierizado pelo menos duas vezes. E foi arranjado mais ou menos, de formas diferentes, mais uma
meia dúzia de vezes. E um da
de seus grandes expurgadores foi o mais famoso de todos os dicionaristas
norte-americanos, que é Webster,
Webster. Este homem começou publicando os seus dicionários justamente
eliminando todas as palavras suspeitas ou que pudessem ser ofensivas.
Há um livro inteiro, que se chama O Legado do Dr. Bowdier
Bowdler — que é um livro
interessantíssimo, fazendo a história de todos esses expurgos. E, nos Estados Unidos, o expurgo dos
interessantíssimo,.fazendo
livros escolares continua, até hoje, Não apenas tais ae tais livros não são aceitos ou são, depois,
retirados das bibliotecas escolares, como muitos dos livros, aceitos e usadosjpelos
usados pelos estudantes, já estão
previamente expurgados.
De forma que o autor desta história dos livros expurgados na língua Inglesa,
inglesa, Noel Perrin,
observa que o intuito dessas pessoas — que promovem tais edições — não é apenas proteger a
decência, mas manter brilhantes as ilusões a respeito do panteão americano.
E há um outro elemento curioso, que
qua se pode também alegar: é que praticamente todas as
traduções de Émile Zola, o romancista francês, nas bibliotecas norte-americanas, são edições
expurgadas. E não me refiro, aqui, apenas às bibliotecas escolares, mas também às bibliotecas
públicas e as para adultos.
Um outro tipo de censura, que se exerce no mundo inteiro e do qual estamos tendo
consciência hoje, é a exercida pelas grandes agências de informações sobre o noticiário e a vida das
nações chamadas subdesenvolvidas ou do terceiro mundo. Há neste momento, inclusive no plenário
da Unesco, um movimento destes países que se sentem injustiçados pelo noticiário de tais empresas,
para que cada um destes países crie sua
sue própria agência de informações ou para que o mundo lhes
proporcione uma abertura maior de conhecimento de pontos de vista de realidades nacionais — que
estão sendo sutilmente ocultadas do conhecimento mundial através desta censura que pode ser
consciente ou pode ser até involuntária, exercida pelas agências de publicidade.
Eu preparei — vocês estão vendo — o meu trabalho conscientemente, em casa, como bom
estudante, e tenho mais material do que seria possível mostrar aqui nessa reunião de hoje. Inclusive,
noticiários da imprensa norte-americana a respeito desta famosa questão do artigo sobre a bomba
atômica, que foi proibido de publicação nos Estadós Unidos e cujo processo ainda continua.
Terminarei apenas mencionando, do ponto de vista prático e especificamente brasileiro,
que existe neste momento, em tramitação no Congresso brasileiro, um projeto de lei do deputado
Álvaro Valle, extinguindo
Ãlvaro
extingüindo a censura ao livro e às obras teatrais, revogando o Decreto-Lei nP 1077 e
propondo medidas de disciplina para outros tipos de censura, E há também uma proposta de emenda

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à Constituição — esta, apresentada pelo deputado Edson Vidigal e assinada por outros, na qual a
competência para a censura é transferida
transfarida aos Estados, aos Territórios e ao Distrito Federal,
Federal.
Introduzindo, então, o mesmo principio, já não em lei ordinária, mas no texto da constituição.
Todos eles (o
Io projeto da Câmara dos Deputados, e a proposta de emenda à Constituição) não se
destinam, na verdade, a abolir a censura. Destinam-se a discipliná-la, a tomá-la específica para taise
tais casos determinados em que, no conceito do legislador, a censura se faz necessária.
No Simpósio da Câmara dos Deputados, a maior parte dos depoentes também se
manifestaram nesse sentido, na idéia de que se trata de disciplinar a censura, de reduzí-la a termos
plausíveis, aceitáveis para uma sociedade como a nossa ae para submeter os infratores não aos
tribunais de excessão, nem à perseguição cega e irracional da autoridade pública ou da polícia, mas
ao julgamento livre e equilibrado dos tribunais, competentes.
Muitas pessoas já se manifestaram contra a idéia de que os órgãos da censura, ou o
exercício da censura fosse transferido aos Estados ea Municípios. A minha contribuição, quanto a esse
aspecto, é para lembrar qua
que a Suprema Corte dos Estados Unidos está mais ou menos com a sua
jurisprudência fixada neste sentido: como os conceitos e os preceitos de moral ea de costumes são, em
am
geral, realidades locais, de fato compete às comunidades locais exercerem a censura, na medida em
que julguem necessário axercê-la.
exercê-la.
Em outras palavras, não é por existirem dois ou três quarteirões com cinemas
pornográficos na cidade de Nova York que, na cidade xis do interior dos Estados Unidos, os mesmos
critérios devam ser aplicados. De forma que a tendência mais natural, mesmo diante da Suprema
Corte dos Estados Unidos, não éê decretar a completa ilegalidada
Corta
ilegalidade ou a completa inaceitabilidada
inaceitabilidade da
censura mas, ao contrário, discipliná-la segundo os critérios intelectuais, morais e sociais de cada
comunidade. Este, me parece,
pareça, é o quadro dentro do qual nós devemos encarar a censura e tratar de
discipliná-la, para uma sociedada
sociedade democrática.
democrática, Muito obrigado.

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Documentação&#13;
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