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                  <text>929
, ^ BIBLIOTECA INFANTIL
Maria Antonieta
Antonieu Antunes Cunha
Goitaría, antes de
Gostaríe,
da ntait
ntais nade,
nada, de egredecar
agradecer aos
eos organizadores
orgenizadores deste Congresso pela
pele
oportunidade de voltar
volter ae Curitiba
Curitibe e entrar um pouco nesta
neste seere
seara que nSo éi propriamente ae minha:
minhe: a
biblioteca infantil.
Sa
Se me animo a faler
falar ea voc6s
vocAs áé precisamente porque o acesso ao livro, ea estimuiaçSo
estimulaçSo de
leitura (e, portanto, ea bibiioteca
biblioteca infantil) nSo
n9o ma
me parecem problemas
problentas fundamentalntente
fuíxlamentelmente
blbliotecononòmicos
"maglsteraii^', mas uma questSo
quastSo educacional.
aducaclonal. E essa questSo me diz
biblioteconon&amp;micos ou "magisterais",
dz
respeito.
Por isso mesmo, gosteria
gostaria qua,
que, eo
ao finai,
final, nSo
nfio estivesse falando
feiertdo sobre bibliotecas
bibiiotecas
axciusivemente
exclusivamente organizadas para crianças, mes
mas sobre queiquer
qualquer uma (escoier,
(escolar, púbiice)
pública) que tenhe
tenha uma
seçSo infantii.
infantil. Meis
Mais (Aante,
diante, acredito,
seçSb
ecredito, minha posiçffo
posiçSo se justificará.
E na bibiioteca
biblioteca infantil Interessa-me
interessa-me espedelmente
especialmente ea leitura recreative.
recreativa. Expiico-me.
Explico-me. O
atendimento ao usuário no tocante à infòrmaçSo
informação vem-se fazendo de modo mais satisfatârio
satisfatório do que
com relação
relaçSo à leitura da
de lazer.
lazar. Esse
Essa situação na
ita biblioteca,
bibiioteca, aliás,
eiiés, apenas
apenes reflete ae reforça ae posição da
escola com relação
ascola
reieçãò á leitura.
ieiture, Alóm
Alám disso, meu interesse meior
maior peie
pela leitura recreativa aqui expiica-se
explica-se
pelo feto
peio
fato de qua
que o gosto ou o hábito de informar-se (baseado ou rtão
não na nacessidade
necessidade imediete
imediata e
profissional) pode desenvoiver-se
desenvolver-se ao longo de vide,
vida, ainda que com mais
profissionei)
ntais dificuldades, enquanto o
hábito da lalture
leitura de lazer se forma até
atá 13 anos. Enfim, a litereture
literatura leve
leva èà leitura Informativa
informativa mas o
contrário não se dá obrigetoriamente.
obrigatoriamente.
A escola
escole á dominada pela
pele preocupação de obrigar todas as
es crianças ae lerem, como se
literatura não fosse, como queiquer
Hterature
qualquer erte,
arte, uma inarredável opção pessoal. Assim, ainda que na escola
(como, eliás,
aliás, na famflla)
famflia) os edultos
adultos não iaiem,
leiam, professores, diretores e bibliotecários fazem da leitura
ume
uma advldede
atividade Imposta,
imposta, com cobranças absurdes,
absurdas, ocasionando epenes
apenas o efestamentodascriartçasdo
afastamento das crianças do
livro.
Se não lá,
16, por que o adulto, espedalmente o educador, quer exigir leitura da criança?
Em garel,
geral, da um lado, se desconhecem as ertes
artes e suas verdadeiras finalidades. Oe
De outro, se
sa
desconhece ae importância
Importância do lazer, não só
sú como necessidade vitel
vital do homem, mas também as
extraordinárias possibilidades do lazer ertquento
extraordináries
enquanto forme
forma de crescimento pessoal, de dasenvolvimehtd
desenvolvimento
coletivo e mesmo de reivIncScação
colativo
reivindicação social.
sociel.^
O livro literário não cumpre ne
na escola função
funçãodalezer:nerealidade,oadultooutlllzecomo
de lazer: na realidada, o adulto o utiliza como
um Instrunrtento
instrumento de Initrução,
inttrução, como mais uma fonte de conhecimento, com atividades sobretudo ne
na
área cognitiva. A criença
árae
criança deve ler sobretudo porque no livro ela aprende
aprenda novos dados, sa
se informa
Informa
melhor, é um "sacrlficlo"
"sacrifício" que a criença
criança deva
deve fazer para se torner
tornar sabida ae ter o privilégio da,
de, quendo
quando
adulta, poder deixer
adulte,
deixar de ler (a
(e também poder exigir dasçriençes
das crianças que elas leiam...).
leiem ,,,),
Não é mais do que ume
uma fecete
faceta da questão a femosa
famosa "manie
"mania pela pesquisa^',
pesquisa", qua
que atordoa a
bibliotecária: o eluno
aluno a procure
procura pere
para "fezer
"fazer uma pesquisa", que consiste em copler
copiar sem
discernimento as palavras de enciclopédias
endclopédies e outros livros.
InscriçSes como "NSo
"Não me menusels
manuseis por simples distração" foram encontradas
em
InscrIçSes
encontredas am
bibliotecas. As atividades obrigatórias, sobretudo visando ea "comportamentos terminai^', e não o
processo da laltura
leitura são marcantes na escola.
Assim, 6 comum qua
que escola
ascola ae biblioteca tenham ume
uma visão distorcida da litaratura,
literatura,
portanto, de
portento,
da literatura Infento-juvenll,
infanto-juvenil. Na
Ne biblioteconomia, é grende
grande atualmente o interesse pelo
usuário; contudo, o usuário Infantil,
infantil, com sues
suas características ea leitura próprias, não tem sido
enfatizado, pelo menos a nível de graduação.
trabalhar numa seção Infantil,
infantil, sem que isso a
É comum que o acaso leve a bibliotecária a trábalher
Interesse
interesse verdadeiramente.
vardadeíramente. Pare
Para as bibliotecas escolares, muitas
multas vezes
vazes são "preparadas" bastante
rapidamanta
rapidamente para
pare a função professoras interessadas em deixar a regência
regáncia de classe.
O bibliotecário, essim,
assim, não
rtão tem nenhuma ou quase nenhuma preparação sobre arte, nada
conhece sobre litarature
literatura infantil,
Infantil, não sa
se Interessa
interessa espedalmente
especialmente por crianças ae não sa
se sente
comprorrtetido com a educação delas.
comprometido
Na verdade, ae Literatura Infantil e Juvenil interessa
Interessa da
de perto aos cursos de Pedagogia,
Letras e Biblioteconomia. No entento,
Latras
entanto, contam-se, talvez nos dedos de uma das mãos, as
brasileiras preocupadas com ae questão.
universidades bresileiras
Isso, evidentamente,
evidentemente, não pode daixar-nos
deixar-nos muito animados com relação à biblioteca
infantil.

cm

Digitalizado
gentilmente por:

�930
Contudo, há excelentes trabalhos em desenvolvimento no Brasil, com relação à tentativa
de aproximar criança e livro. Há experiências importantes no Rio Grende
Grande do Sul. Em São Paulo, são
de grande interesse as atividades da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato e o programa
Biblioteca-Escola. Hã
Há em Minas Gereis
Gerais o trabalho de organização da Biblioteca Pública e a
experiência, ao que tudo indica, vitoriose,
vitoriosa, das
das.bibliotecas
bibliotecas comunitárias. Espero que neste Congresso
vocês tenham oportunidade de ouvir pessoas ligadas a todas essas experiências.
Mas quando os organizadores deste Congresso me chamaram para falar
faler aqui pretendiam
que eu apresentasse ea experiêncie
experiência da Biblioteca Infantil de Clamart, França: "La joie per
par les livres".
Não nos agrada trazer exemplos de fora do Bresil,
Brasil, de países com um passado cultural e
uma situação sócio-econômica diferentes dos nossos. Nossa reserva, contudo, não nos preocupa com
ume
relação êà Biblioteca de Clamart: essa biblioteca, funcionando desde 1965, está situada num subúrbio
muito pobre de Paris. Sua
Sue população adulta trabalha em dois horários, ficando suas
sues crianças, em
grende
grande número lá, sem essistêncle
assistência familiar. Tal situação aproxima-se muito da que vivemos no Brasil.
Na biblioteca de Clamart não nos interessa sua belíssima arquitetura, arredondada e baixa
beixa
(em oposição eos
aos prédios que a cercam), em nove cilindros irregulares em dimensão e altura e
"encaixados" uns nos outros, ocupando tudo 1.150m2:550m2 de biblioteca e 600m2 de jardins e
15.000 volumes.
terraços. Nem mesmo nos interessam
Interessam seus 15.0(X)
Interessa-nos, sim a filosofia de
interessa-nos,
da biblioteca; interessam-nos algumas de suas atividades,
porque isso pode ser aproveitado em qualquer lugar do mundo, mesmo sem gastos. Porque filosofia e
atividades dependem, fundamentalmente, de gente, de mentalidade. E acredito que o começo de
toda transformação está ai.
aí.
A filosofia da biblioteca está evidenciada em seu nome: "A alegria pelos livros".
Realmente, nela nada há de constrangedor, ou desagradável para ae criança. A tentativa é fazer da
biblioteca uma experiência positiva
positive e marceda
marcada pelo prazer.
Ela etende
atende um público de 4 a 14 anos, embora adultos gostem de freqüentá-la e de
participar de algumas de suas atividades.
Á
Ä entrada, há escaninhos onde os meninos colocam seus objetos pessoais.
pessoais, inclusive
Inclusive sapatosl
sapatos!
Mobiliário alegre, claro e adequado ea vários temenhos
tamanhos de freqüentadores
frequentadores eparecem,
aparecem, ao
eo lado de
tapetes e elmofedSes,
almofadões, onde es
as crienças
crianças se sentem
tentam ou deitam à vontade.
As crianças se consideram
considerem "donos" deste ambiente, mesmo que realmente ajudam na
administração de
da biblioteca, e são incentivados a ejudar
ajudar os meninos menores no contato com o
ambiente e o livro.
Essa descontração de ambiente, que não tem nada a ver com indisciplina e desarrumação,
existe na atitude de suas bibliotecárias. Sua primeira característica êá a disponibilidade: a todo
momento percorrem as
es estantes com as crianças, discutem obras, ajudam nã^êscolha
na escolha da leitura. Seu
tempo é quase todo dedicado ao atendimento da criança.
Ao lado da disponibilidade, há outras características importantes: as bibliotecárias
acreditam no que fazem, e sua atuação é marcada pelo real conhecimento da criança, da
de obra e pelo
contato constante com todos os interessados ne
na educação da infância e na produção editorial
destinada ao público infantil.
A biblioteca é também centro de documentação e de pesquisa. Toda a produção editorial
para crianças lhe é enviada. E os livros são examinados,
examirtados, testados com os meninos.^^Análises
meninos. Análises críticas
são publicadas, em seguida, pelo Centro, de modo a ajudar pais, professores,'livreiros
professores, livreiros e outras
bibliotecas.
bibliotecas,
Esse Centro de Documentação dá especialmente Inriportância
Importância ao trabalho de crítica de
obras, desenvolvido por grupos regionais, em diversos pontos do país, e em grande consonância com
obres,
o Centro.
Ontro.
Esse trabalho tem dado um resultado altamente positivo: fez melhorar não s6,
só, o acervo das
próprio nível das obras publicadas. Autores e editores vão aí discutir
bibliotecas como também o prúprio
com as crianças seus origineis.
originais.
A biblioteca organiza desde 1969 seminários, cursos e estágios, para os quais recebe
pessoas dos mais diversos países.
Outra atividade importante que ela desenvolve è a gráfica, utilizada pelas
prelas próprias crianças.
freqüentado da biblioteca êá a sala dos contos, onde a bibliotecária
Mas o ambiente mais frequentado
conta histórias, depois recontadas pelas crianças, sob a forma de mímica ou de marionetes.
Uma experiência de Clamart que ecreditamos
acreditamos Importante
importante relatar, sobretudo pela diferente
posição que temos adotado no Brasil, é a seguinte: nos primeiros anos, suas quatro bibliotecárias,
entusiasmadas e criativas, além de reforçadas pelo evidente prazer das crianças.multiplicaram
crianças,multiplicaram suas
atividades: desenho, marionetes, pintura, etc. Elas perceberam, contudo, que tais atividades
ocupavam uma grande parte do tempo delas e das crianças, e que a leitura estava sendo colocada em

cm

Digitalizado
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�r
931
segundo plana A biblioteca estava tomando-se
tornando-se quase uma "creche".
Desde 1974, bibliotecários ea estagiários deixaram de lado outras atividades, pare
Desda
para dedicar
grarxJe parte de seu tempo na tentativa de facilitar o contato da criança com o livro.
grande
Um dos expedientes de que lançam mSo
mão é o "empréstimo a domicílio":
domicilio": se as crianças nâo
nffo
v3o à biblioteca, a biblioteca vai até as crianças (e adultos). At
vão
As bibliotecárias, com obras Interessantes
interessantes
arranjadas am
em cestos, vão
vSo para a frente dos prédios e oferecem os livros para empréstimos, ou ali
masmo lèem
mesmo
léam para os pequenos.
Como vemos, as atividades em Clamart s3o
tão até ntait
mais simples do que as
es pretendidas em
muitas de nossas bibliotecas. Contudo;
Contudo, aia
ala se destaca pela pesquisa constante, pela preocupação de
repensar seus
teus objetivos e atividades, pela troca de experiências. O grande valor dela consista
consiste na visão
exata de finalidade do livro, do adequado relacionamento entre bibliotecário ea criança, no
entusiasmo canalizado para atividades objetivas, simples, mas eficazes.
E essas características podem marcar a atividade do bibliotecário, na mais afastada
cidadezinha
eterna lamúria
lamCiria de falta de verbas, da
de espaço ae limitação do acervo, apesar de
cidadazinha brasileira. A atema
refarir-te
referir-se a verdades, não é eficaz nem construtiva. Revela, parece-nos, sobretudo uma acomodação,
uma forma de desculpa para nossa inatividade.
Se não nos podem dar livros, verbas,
verbat, espaços,
espiaços, mobiliários, etc., precisamos tar
ter o que
qua
ninguém nos pode dar (e que temos da
de cultivar por conta própria):
prbpria): abertura, atitude positiva pare
para
com a criança e o livro.
Finalmente, gostaria de apresentar-lhes uma das grandes lições que a biblioteca de Clamart
Finalmenta,
Geneviève Patte, sua diretora, esteve conosco, pergumamos-lhe
perguntamos-lhe se, com tal
ma trouxa: quando Genevièva
"meninos -problema", aqueles de "maus
liberdade, não enfrentava a biblioteca dificuldades com os "maninos
hábitos e costumes", que
qua seriam, de algum modo, marginais.
A resposta da diretore
diretora dada com alguma emoção foi a seguinte: La joie
Joia par les livres é uma
biblioteca pública
pbblica Como tal,
tai, ela
aia deva
deve abrigar todo o povo, seja ele do que
qua tipo for. Não rechaçamos
jamais o "mau elemento". Ao contrário, procuramos conhecé-io
conhecé-lo melhor, para tar
ter como fazé-io
fazé-to um
elemento útil. Em geral,
gerai, ele vem de família também problemética,
problemática, também eia
ele com hábitos
indesejáveis, ou com costumes e iirtguagem
linguagem muito
multo diferentes dos outros. Para asses
esses casos, convocamos
convocanrxis
estagiários que, por condições
cortdições especiais de vida, tenham possibilidade de entender-se melhor,
linguística e sociaimente,
socialmente, com assa
essa criança. A partir desse contato, torna-se fácil um trabalho da
de
Tem ocorrido que crianças desse tipo se tornem atuantes e líderes excelentes
orientação do menino. Tam
em nossa biblioteca.
orientar-sa
Creio que esse é o verdadeiro trabalho da biblioteca infantil: ajudar a criança a oriantar-se
na vida, de modo feliz e adequado.
Afinal, parece-me ser essa mesma a grande função do adulto encarregado de participar da
vida da criança, s^a
seja atrevés
através do livro, da nDÚsica,
música, do giz ae saliva, ou do convívio familiar.

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              <text>E na biblioteca infantil interessa-me especialmente a leitura recreativa. Explico-me. O atendimento ao usuário no tocante à informação vem-se fazendo de modo mais satisfatório do que com relação à leitura de lazer. Essa situação na biblioteca, aliás, apenas reflete a reforça a posição da escola com relação à leitura. Além disso, meu interesse maior pela leitura recreativa aqui explica-se pelo fato de que o gosto ou o hábito de informar-se (baseado ou não na necessidade imediata e profissional) pode desenvolver-se ao longo de vida, ainda que com mais dificuldades, enquanto o hábito da leitura de lazer se forma até 13 anos. Enfim, a literatura leva à leitura informativa, mas o contrário não se dá obrigatoriamente.</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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