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                  <text>906
CONFERÊNCIA DO PROFESSOR EDSON NERY DA FONSECA
NA SESSÃO
SESSAO SOLENE DE ABERTURA DO ia° CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO

Tomando posse na Academia
Acadamia Brasileira de Letras,
Latras, José Américo de Almeida começou com
duas perguntas qua
que eu gostaria de parafrasear
parafresear aquf:
equí: como aconteceu
econteceu isto?
Isto? Por que emergi de minha
obscuridade, do Isolamento
isolamento compulsório de Brasíila
Brasília para
pera esta evidência?
Ouso dizer que ae paráfrase 6,
é, nesta oportunidade, mais adequada que
qua as
es perguntas
parafraseadas, porque as academias, como es
as mulheres antigas, gostam de ser cortejadas,
cortejadas,'jamais
jamais
elegendo alguém que nSo lhes tenha solicitado votos.
alegando
Eu equí
aqui estou ainda sem
semsaber
saber porque; mas como o convite me chegou sem que o esperas^
ou sequer o desejasse, minha gratidêb
gratidão pare
para com os organizadores do 10.° Congresso Bresileiro
Brasileiro de
Biblioteconomia ae Documentação eu a quero exprimir,
axprimir, para fugir à banalidade inevitável dos
agradecimentos, evocando os versos Imorredouros
imorredouros com os queis
quais Manuel Bandeira não apenas
traduziu, mas reescreveu em português o que Eilzabeth
Elizabeth Barrett Browning disse num dos Sonnets
from tha
the Portuguesa;
Portuguese;
E é tão pura a peixão
£
paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que
qua não pedem nada
O tema escolhido — biblioteconomia brasileira: avaliação crítica ae perspectivas — está
muito da
de acordo com um congresso que, aiém
além de ser o décimo a reaiizer-se
realizar-se no Brasil, ocorra
ocorre em data
muito rica em efemérides nacionais e internacionais.
multo
Há cem anos, o hoje mais que centenário Library Journal — primeira revista do mundo
especializade
especializada em bibiioteconomie
biblioteconomia — publicave
publicava o esboço inicial
Inicial da classificação de Cherlas
Charles A. Cutter.
No Brasil e também há
hã cem anos,
enos, realizava-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro o primeiro
concurso público pera
para admissão dos então chamados Oficieis
Oficiais de Biblioteca;
Biblioteca: iniciativa de Ramiz
GaK/ão, muito justificadamente considerada por Antonio Caetano Dias como "o marco inicial da
Gaivão,
formação profissionel
profissional do bibliotecário no Brasil".
Bresil".
Hã cinquenta
Há
cinqüenta anos, fundava-se em Roma e no mês de junho ae Federação
Federeção Internacional
internacional de
Associações de Bibliotecários, que ea partir da
de 1976 — quando o número de órgãos filiados chegou a
Assodaçóes
seiscentos e quarenta, em mais de cem países — passou ae denominar-se Federação Internacional de
Associações de
AssocieçSes
da Bibliotecários e de Bibliotecas, significando este acrêximo,
acréscimo, como esclarece seu digno
presidente Preben Kirkegaard, "ume
"uma ligação multo
muito meis
mais íntima com o trabalho cotidiano de
muitíssimas bibliotecas e órgãos conexos em todop
todo o mundo".
cinqüenta enos
anos iniciave-se
iniciava-se em São Paulo, no antigo Colégio ea hoje
Também entre nós e há cinquenta
Universidade Mackenzie, o primeiro curso de biblioteconomia com orientação norte-americana:
norte-americena: uma
orientação que muito contribuiu para,
pera, quebrando o exclusivismo europeizente,
europeizante, tornar
torner a nossa
bibiioteconomie
biblioteconomia mais universal.
igualmente ea meio século que Kenry
Henry Bliss publicou Tha
The
Não nos esqueçamos de que foi Igualmente
organization of khowledge
knowledge and tha
the system of tha
the sciances,
sciences, obra considerada por Pierce Butier,
Butler, dois
anos após seu lançamento, como "e
"a mais empla
ampla discussão dos problemas
problemes filosóficos suscitados pelas
mais rudimentares teorizaçSes
teorizações em torno da classificeção
classificação de bibliotecas". Verdade que um cientista
social da categoria de Abreham
Abraham Moles
Moies confirmaria em livro
iivro recente, ao
eo afirmar
efirmar que "cada vez mais se
perceber ser a função do documentaliste
documentalista de enorme
anorme importância filosófica, estando aquele que
organiza um fichário organizando, ao mesmo tempo, os conhecimentos nele codificados e até
eté
estruturando, em certa medida, o edifício dos conhecimentos"; pois — acrescenta Moles — "uma
teoria gerei
geral da documentação é em sí mesma uma teoria geral da cultura".

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�r
907
Finaimente,
Finalmente, a 19 de julho de 1954 — portanto, há exatamente vinte e dnco anos ae três
trés
sessão solene de instalação do Primeiro Congresso Brasileiro de
dias — realizava-se
reaiizava-sa no Recife a sessSò
da
Biblioteconomia. De Biblioteconomia
Bibiioteconomia e ainda sem Documentação, porque erráiora
embora o Instituto
Internacional de Bibliografia tenha sido rebatizado, em 1931, como Instituto Internacional de
Documentação e não obstante datar de
Traité de
da 1934 o Traitê
da documentation de Paul Otiet, os
documentalistas europeus ainda não haviam desembarcado no Brasil, para assustar bibliotecários
documantallstas
livros, quando, em outros pafsas,
países, já se reconhecia que
pacatamente limitadas a classificar ae a catalogar ilvros,
os pesquisadores necessitam muito
multo menos de livros do que de
da artigos de periódicos, de comunicaçOes
comunIcaçOes
a congressos, de notas prévias sobre pesquisas em processo, de boletins de laboratórios
iaboretórios e Institutos
institutos
científicos, de relatórios técnicos ae patantes
patentes de Invenções;
invenções; e menos de fichas ou referências
bibliográficas que de resumos do que de mais relevante
reievãnte aparece
aparace em cinqüenta
cinquenta mil
mll revistas publicadas
no mundo.
murado.
recorde-se de passagem — que em 1911 Manoai
Manoel Cícero Peregrino da Silva
Ê verdade — recorde-sa
procurou implantar na Biblioteca Nacional um Serviço de Bibliografia e Documentação;
Documantação; mas seus
sucessores na direção daquela biblioteca rtão
não se Interessaram por esse serviço, no qual estavam
previstos quase todos os modernos instrumentos de trensferênda
transferência da informação. Também
Tambám é verdade
que o governo ditatorial Imposto
imposto ao pais
pefs em 1937 transformou os serviços de publicidade existentes
ms ministérios em serviços de documentação; mas essa mudança foi, da modo gerei,
nos
geral, puramente
semântica.
Voltando ao Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, desejo recordar qua
que eiesa
ele se
inseriu nas comemorações do TrI-Centenário
Tri-Centenário da Restauração Pernambucana; ae que sua realização no
Recife foi decidida em São Paulo, no ano de 1951, quando a Unesco ail
all promoveu a Primeira
Conferência Latino-Americana para o Desenvolvimanto
Desenvolvimento das Bibliotecas PCiblicas.
Públicas. O Congresso
Congrasso que
qua
hoje se Inicia
inicia está homenageando, com toda a justiça, o professor José Césio Regueira Costa, autor da
Iniciativa,
iniciativa, organizador e diretor do Departamento de Documentação e Cultura, sob cujos auspícios os
bibliotecários brasileiros se reuniram peia
pela primaire
primeira vez.
Mas não são apenas os vinte e cinco anos do nosso primeiro congresso que
qua estanrxrs
estamos
oomemorarKfo, pois 1954 foi um dos anos mais significativos para a biblioteconomia brasileira. Eie
Ele
comemorando,
começou praticamente com o IBBD,
(BBD, já que em 27 de fevereiro e 29 de abril, respectivamente,
criava-se e regulamentava-se o depois intitulado
Intitulado Instituto Brasileiro de Informação em Ciência ea
Tecrtoiogia
Tecrtologia (IBICT). Também em fevereiro, por iniciativa conjunta da Comissão do IV Centenário da
Cidade de São Paulo, de
da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IBBD eda
ada Associação
Paulista de Bibliotecários, realizava-se na quatricentenária cidade um proveitoso Simpósio sobre
Peuiista
Bibliografia ae Documentação Cientifica. E em dezembro dessa
desse ano marcante inauguravam-se as novas
Instalações da Biblioteca Pública do Paraná, que três anos depois comemoraria seu centenário já em
instalações
edifício, para a época, modernfssimo.
adificlo,
modernissimo.
Desde 1952 funcionava em Curitiba um curso de biblioteconomia, sob os auspícios do
Instituto Nedonai
Nacionid do Uvro — benemérito órgão do MEC, também responsável pelo início
Início do ensino
ansino
regular de bibiioteconomia
biblioteconomia em Minas Gerais e por cursos intensivos para bbilotecários
bibliotecários do Interior
interior de
vários Estados e com a colaboração da
Secretaria de Educação ea
de Universidade Federal
Federai do Paraná
Parená e da Secrataria
Cultura do Governo Estadual. Aqui duas homenagens se impõem;
Impõem; uma póstuma, ao então
Governador Munhoz da Rocha; a outra ao fallzménta
Governedor
felizmente ainda vivo Secretário Newton Carneiro, notável
pesquisador eeerudito
erudito bibliófilo.
Estado muito deva
deve aos primairos
primeiros conciuintes
concluintes do
A reforma da Biblioteca Pública deste Estedo
curso de bibiioteconomia
biblioteconomia aqui iniciado
Inicledo pelo
peio Instituto
instituto Nacional
Neclonal do Livro, confirmando o que, há
vinte e cinco anos atrás, disse no Recife minha velha amiga
emiga Sully
Suiiy Brodbeck, em informe
Informe apresentado
ao Primeiro Congresso Brasileiro de Bibiioteconomia:
Biblioteconomia: "Não seria
sarla muito difícil comprovar que a
maioria dos alunos dos nossos cursos de bibliotebonomia
biblioteconomia são e serão os responsáveis pelo surto
renovador das bibliotecas brasileirasí'.
brasiieirasí'.
Não ma
me incluindo
Incluindo entre aqueles
aquelas professores qua
que cortejam estudantes afim de se eiagerem
elegerem
paraninfos, sinto-me
slnto-me inteiramente
intelramente a vontade para fazer justiça aos alunos de nossos cursos de
blioteconomia, tão Incompreandidos
incompreendidos por certos bibliotecários que chegam a negar-lhes o direito da
de se
registrarem em conselhos e de comparecerem a congressos. Negativa que somente se
sa explica por um
complexo de inferioridade, que está sempre êè base de todo o complexo de superioridade, como
explicava Freud.
Falando nos primòrdios
primõrdios da formação de bibliotecários neste Estado, não posso deixar de
da
prestar minhe
minha homenagem
hornenagem aos pioneiros Francisca Buarque de Almeida, Gaston Litton, Lídia
Lidia da
de
Queiroz Sambacuy, Etelvina Lima, ae Wilson Martins; asta
este um, admirávai
admirável scholar que deu ao ensino de
da
História do Livro nos primeiros anos do Curso de
da Biblioteconomia de Curitiba categoria ao mesmo
tempo científica e humanística,
humanistica, comprovada pela obra monumental que é A palavra escrita (1957),

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comparável aos melhores tretados
tratados sobre a matéria
matária em qualquer língua. Peço para este pioneiro — que
acaba de suqjreendar
surpreerKier o Bresil
Brasil e o mundo ao
eo publicar, entre 1976 e 1979, os seta
sete volumes de sua mais
que monumentel
monumental Histbria
História da intelig&amp;ncia
inteligência brasilaira:
brasileira: verdadeiro essai-fleuve
assai-fleuva — uma salva de palmas. A
presença de Wilson Martins
Mertins entre nós me faz
fa2 lembrar o dito do bibliotecário inglês
Inglês Raymond Irwin:
"a lib rary cannot live
llva on librarianship
librerlanship alone"
alone”
★★★
•kirk
Revendo fotogreflas
fotograflas do Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomie,
Biblioteconomia, lembrei-me da
de
uma página Imortel
imortal de Joaquim Nabuco: aquela
aquale em que ele fala
feia da
de visita que fez, já adulto, ao
engenho Messangena,
Massangana, no qual
quel foi criado por sue
sua madrinha.
madrinha, Dona
Done Ane
Ana Rosa Falcélo
FalcSo de Carvalho.
Cerveiho.
Atravessarxlo
Atravessando a sacristla
sacristia de
da capaiinhe
capalinha de SSo
S3o mateus,
meteus, Nabuco penetrou no cercado onde
onda eram
erem
enterrados os escravos. "Debaixo
"Debeixo dos meus pés — escreve
escrave o autor
eutor naquele capitulo de Minha
fbrmaçio, qua
que sempre relelo
releio emocionado — estava tudo o que rastava
restava deles, defronte dos coiumbaria
columbaria
formaçio,
orKie dormiam
onde
dormiem ne
na estreite
estreita capela aquelas
aqueles que eles haviam emedo
amado e livremente servido. Sozinho ali,
all,
invoquei todes
todas es
as minhes
minhas reminiscêncies,
reminiscências, chamei-os ea muitos pelos nomes, espirel
aspirei no ar cerregado
carregado da
de
Invoquel
aromas agrestes, que entretêm a vegeteçSo
aromes
vegetaçSo sobre suas covas,
coves, o sopro que lhes dilatava
diietava o coração
coraçSo ea lhes
inspirava ea sue
inspirave
sua eiegria
alegria F&gt;arpêtua".
perpétua".
O número de congressistas que aparece
eparece naquelas fotografias e já nSo
não se encontrem
encontram entre nós
idéia da
de todas as coisas —sictransit
— sie transit gloria mundi —
colocou diante de mim a idéie
de natureza
netureza transitória detodasescoisas
que ea poesia medieval
madievel exprimiu
axprimiu com a tremende
tremenda pergunta: ubi sunt? E como Joaquim Nabuco
Invocou
invocou os escravos qua
que foram
forem seus companheiros
compenheiros de meninice, repito aquf
aqui a indagação
IndagaçSo que fiz ae
mim mesmo, diante dos retratos
retretos de Jorge Abrantes dos Sentos,
Santos, da
de Greciatte
Graciette Glasner da Roche,
Rocha, da
de
Severino JordSo
Jordão Emerenciano,
Emerendeno, de Ernani
ErnanI de Paula Cerdelre,
Cerdeira, de
da Marilia
Merílie Merques
Marques da
de Orlando da Costa
Ferreira de Santane,
Santana, de minha
minhe irmS
irmã Aida
Aide Nery da
de Fonseca, de
da Milton Ferreira
FarrairadaMelio,
de Mello, de Ernesto
Manuel Zink,
Menual
ZInk, de Bernadatta
Bernadette SIney
SInay Nevas,
Naves, de Denise Fernandes Taveres,
Tavares, de lAicílie
Lucilia Minssen, da
de Abner
Lellis de Noêmie
Ijeilis
Noémia Lentinc;
Lentlnc; Corrêa Vicentini,
yicentlnl, onde estão
astSo todos eles?
elas? E cuido ouvir ae voz do também
já morto Manuel
Menuel Bandeira
Bandeire ae me responder:
Estão todos dormindo
EstSo
Estíio todos deitados
Estão
Dormindo
Profundamente.
estes e ea todos os bibliotecários mortos nos últimos vinte ae cinco anos, da
de
Dediquemos a astes
pé, um minuto de siiéncio.
silêncio.
★★★
Não ma julgueis passadista
NSo
pessadista por felar
falar am
em precursores ae comemorar efeméridas.
efemérides. NSo
Não reclamo
reclarrx)
um ellás
aliás utópico retorno
ratorno eo
ao pessado
passado nem penso, como os positivistas, que os mortos governam os
vK/os.
vhros. Mas nSb
não consigo concebar
conceber ae avaliação critica
crítica que este Congresso muito oportunamente
oportunamenta se
dispôs a fazer sem uma
ume visão
visSo retrospectiva do que até hoje realizou ae biblioteconomia
biblioteconomie brasileira.
Em 1950, durante ae discussão,
dIscussSo, na
ne Câmere
Câmara dos Deputados, da
de Emenda Parlamentarista,
houve entre
Faraco uma troca de epartas
apartes que ma
me perece
parece
houva
antre os então
entSo deputados Gilberto Freyre e Daniel Fereco
oportuno recordar agora. Como are
era natural um congressista doublè
doublé de historiador soclel,
social, Gilberto
Freyre lembrava es
as experiências pariamentariste
parlamentarista ae presidencleilste
presidencialista do Brasil Império
império e República.
Aqui simplesmente reproduzo es
as notas taquigráficas,
taquigrâficas, para
pare melhor reviver o diálogo entre
entra os dois
congressistas:
fracos
"O Sr. Daniel Faraco — Exatamente
Exetemente os argumentos
ergumentos históricos me parecem
paracem os mais
meis frecos
nessa questSo.
questão. O que o passado foi é Interessante,
interessante, mas temos de resolver para
pere o presente e para
pere o
futuro.
O Sr. Gilberto
Gllbarto Freyre — É onde se engana
engena V. Ex? O passado
pessado nunca foi : o passado
continua”.
Al está, em síntese megistrel
Aí
magistral — "o pessedo
passado nunca foi: o passado
pessado continua”
continue" — ea idéie
idéia do
acumulativo da ciência, tSo
tão cara
isico e humanista inglês John Desmond Bernal como ao
caráter ecumulativo
care ao ffísico
sociólogo norte-americano Robert KIng
King Merton. Este, am
em obra Intitulada
intitulada Social theory and social
structure (1949), já citara SIr
Sir Isaac Newton,
Nawton, que dizie:
dizia: "se
"sa enxerguei
enxerguel mais longe foi porque
porqua estava
sobre os ombros de gigentes”;
gigantes”; e deu a livro bem mais
meis recente um titulo newtoniano: On the
shouMars of giants (1965).
shouldarsof
11965).

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Merton, a observação de Newton "exprime ao mesmo tempo o sentimento de
Para Robert Merton.
estar em divida com a herança comum e a confissão do caráter essencialmente cooperativo e
acumulativo das realizações cientificas"
científicas" Pois se os gênios são homens e não deuses — ambora
embora alguns
possamos dizer que tiveram ou têm "qualquer coisa de divino" — forçoso é reconhecer que "o
progresso cientifico
científico supõe a colaboração das gerações passadas e presentes"
A biblioteconomia èé mais antiga do que qualquer uma das ciências sociais, afirmação que
faço com base em seis fatos histõrios: (a) o primeiro tratado sobre a matéria foi publicado em 1627:
Advis pour dresser une bibliothéque,
os Advk
bibliothêque, de Gabriel
Gabrial Naudé (1600-1653); (b) a primeira escola de
formação superior de bibliotecários — a École Nationala
Nationale des Chartes — iniciou-se em 18*21;'(c)
1821; (c) a
primeira revista especializada, ainda hoje em curso de publicação — o Library Journal — apareceu em
1876;! (d) o primeiro congresso internacional de bibliotecários realizou-se em Londres, no ano de
1876:1
1877; (e) a primeira bibliografia especializada, também ainda em circulação — Library Literature —
saiu em 1921; e (d) last
lest but not laast,
least, o primeiro curso de pós-graduação — o da Universidade de
Chicago — surgiu em 1926. Falando na Graduate School of Library Science da Universidade de
Chicago, não posso deixar de prestar minha homenagem a um ilustre bibliotecário qua
que foi seu diretor
de tantas obras importantes —
durante muitos anos e está presente entre nós: o admirável autor da
como, por exemplo, The Humanities and the
tha library — que é Lester Asheim, hoje William Rand
Kenan, Jr. Professor of Library Science na Universidade da Cerolina
Carolina do Norte, Chapei Hill.
Não nos faltam gigantes, de cujos ombros podemos enxergar mais longe: Calfmaco
Calímaco de
Cirene, o já citado Gabriel Naudé, Antonio Panizzi, Edward Edwards, Melvil Dewey, Paul Otiet,
Shiyali Ramarita Ranganathan e — por que não falar na chamada prata de casa? — Pedro Gomes
Ferrão Castello .Branco
Branco — planejador, primeiro diretor e benfeitor da Bibliotaca
Biblioteca Püblica da Bahia —
Benjamin Franklin
Ber^amin
Frankiin Ramiz Gaivão, Manoel Cícero Peregrino da Silva ea Rubens Borba da
de Moraas,
Moraes,
reformadores da Biblioteca Nacional,
Nacionai, o ültimo
(iltimo felizmente ainda vivo, com seus
saus gloriosos oitenta
anos.
Há muito o que aprender na vida e na obra de tais precursores. O que delas retiro 6,
é,
sobretudo, uma lição de
da humildade. Ainda recentemente fui reler a conferência de Rubens Borba de
Moraes sobre O problema das bibliotecas brasileiras, afim de sobra
sobre ele escrever um verbete solicitadcl
solicitadol
para a Encyclopedia of world libraries, a ser bievemente
brevemente publicada pela American Library
Association. E constatei o que leituras anteriores ainda não me haviam revelado: salvo engano, foi
Borba de Moraes quem usou, pela primeira vez em qualquer língua, as expressões rede
rada bibliotecária
bibliotacária e
sistema da
de bibliotecas. Da
De modo que hoja
hoje podemos dizer com orgulho nacional a nossos colegas
angloamericanos que não traduzimos as expressões library natwork
network ae librery
library system, pois muito antes
delas entrarem em circulação na língua inglesa aquele nosso eminente patrício já as havia cunhado
em português.
Infalizmente,
Infelizmente, temos de reconhecer que a prioridade êé puramente nominal, porque ainda
não temos no Brasil a rede bibliotecária reclamada por Rubens Borba de Moraes
Moraas no ano já remoto de
1943, como infraestrutura indispensável ao funcionamento da
de um sistema nacional de informações:
Sendo os angloamericanos antes nominelistas
nominalistas do que realistas, os conceitos somente ingressaram em
língua inglesa quando em seus países passou a existir a realidade que eles exprimem. É evidente que
lingua
estou me utilizando das palavras nominalista ae realista no sentido em que elas são entendidas em
astou
filosofia, desde a questão medieval dos universais.
univatsals.
Antecipei-me ao lamentar a inexistência entre nós de uma rede
reda nacional de bibliotecas e,
portanto, de um sistema nacional de informação, que compreende
compreenda — como deva
deve ser esclarecido,
ainda que de passagem — arquivos, museus e centros de documentação. Porque deveria falar antes das
cinco categorias da
de bibliotecas que uma rede supõe: A nacional, a universitária, a escolar,
ascolar, a
especializada, e a püblica. Vejamos, ainda qua
que perfunctoriamente, qual o estado atual de cada
categoria no Brasil.
Como salientam os autores de uma das obras mais recentes sobre sistemas nacionais de
informação — Carlos Victor Penna, Douglas Foskett e Philip Sewell — para fins de análise
comparativa e de planejamento, é necessário insistir na tradicional distinção de bibliotecas em cinco
diferentes categorias, embora essa distinção diminua na medida em qua
que um sistema nacional de
^ informação se consolida.
,
Comecemos, como os citados e outros especialistas começam, pela Biblioteca Nacional.
. ^ Sabemos todos que o Brasil já possui, desde fins do ano passado, além da Biblioteca Nacional do Rio
'de
de Janeiro, a Biblioteca Nacional de Agricultura (BINAGRl).
(BINAGRI). Ao contrário da primeira — criada um
tanto fortuitamente no começo do século passado, como conseqüéncia
consequência da invasão de Portugal pelos
franceses e da instalação da Corte no Rio de Janeiro — a BINAGRI
BINAGRl começou a ser planejada em
janeiro de 1974, quando se iniciou a implantação de um Sistema Nacional de Informação e
Documentação Agrícola. Este Sistema é uma das iniciativas mais louváveis da biblioteconomia

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brasileira, embora seja lamentável que ele tenha encontrado uma pedra no meio de seu caminho. Não
uma pedra simbolicamente abstrata, como a do conhecido poema de Carlos Drummond de
Andrade, mas tão desagradável que deve fazer com que a BlNAGRl
BINAGRl repita o clamor do poeta:
Andrada,
"Nunca me esquecera!
esquecerei dessa
desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas/ Nunca me
esquecerei que no meio caminho tinha uma pedra/Tinha uma pedra
padra no meio do caminho/|\Jo meio do
caminho tinha uma pedra"/ A pedra a qua
que me refiro ô,
é, ao contrário, bem concreta ae se chama
EMBRAPA.
Tal rafarSncla
referência não me Impeda
impede reconhecer a eficiência
aficiãncia dos serviços mantidos pela
pela{Empresa
Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropacuária;
Agropecuária; através de seu Departamento
Depahamento de Informação e Documentação,
especialmente o de disseminação seletiva da informação, tão competentemente dirigido por Milton
especialmenta
Noceti. O qua
NocetI.
que me parece condenável é a duplicação de esforços numa área especifica: tão contrária
interesses nacionais quanto a axistSncia
existência de duas bibliotecas no Congresso Nacional e de
aos Interesses
da sete
bibliotecas numa praça que tem,
tam, ironicamente,
Ironicamenta, o nome
noma de
da Três
Trés Poderes.
O Brasil tem dessas extravagâncias e,
a, porisso, o sociólogo Roger Bastide — aliás, grande
amigo nosso — o dafiniu
definiu lapidarmenta
lapidarmente como pais de contrastas:
contrastes: a Capital da República não tem uma
biblioteca nacional ou central ou que
qua outro nome lhe
lha quizessem
quizessam dar; não possui uma rede municipal
de bibliotecas ou, no mínimo, uma biblioteca pública comma il fault. Tem, entretanto, numa só
praça, sete
seta bibliotecas independentes ae inimigas entre si:
sl: a do Palácio do Planalto, a do Supremo
Tribunal Federal, a do Tribunal de Contas da União, a do Senado Federal, a da Câmara dos
Deputados, a do Ministério da Justiça ea a do Ministério das Relações Exteriores.
Exteriores, E ao longo do
chamado Eixo Munomentai
Munomental ou Esplanada dos Ministérios, outras tantas bibliotecas são mantidas pelo
Poder Executivo, sem que
qua a Secretaria de
de.Planejamento
Planejamento ea Coordenação Geral
Gerai ponha termo a tão
perdulária orgia bibliográfica.
Da Biblioteca Nacional do Rio de
da Janeiro ocorreu-me
ocorrau-me dizer, em
am 1966, que era uma
vergonha nacional, afirmação que fez desabar sobre mim uma torrente de insultos, pela imprensa e
até em sessão plenária do egrégio Conselho Federal de Cultura, além da inimizada
inimizade — felizmente
temporária — dos escritores Adonlas
Adonias Filho e Josué Montello ae de duas denúncias: uma do Ministério
informando
da Educação e outra ao Serviço Nacional de Informações.
Informações, Devo esclarecer os curiosos Informando
que tais denúncias foram consideradas improcedentes pelos titulares dos respectivos órgãos.
Ora, como procuro demonstrar num ensaio a sair no ano corrente, todas as instituições—
instituições —
inclusive, ou sobretudo, as governamentais — atravessam fases de esplendor e de decadência. Até com
as civilizações ocorre
ocorra isso, como demonstrou, entre
antre outros, Oswaldo Spengler.
Spengler, Já aconteceu corrí
com o
DASP e com
comoo próprio IBGE, repartição de que tanto nos orgulhamos.
A Biblioteca Nacional teve
teva também seus períodos de glória e de humilhação. Foram
certamenta
certamente gloriosos os anos em qua
que esteve sob a direção da
de Ramiz Gaivão, de Manoel Cícero, de
de Moraes e, recentemente, de
Borba da
da Jannice
Jannica Monte Mor. Afirmei que ela nos envergonhava numa
época am
em que sua decadência era evidente não apenas aos consulentes, mas, por igual, aos simples
pedestres qua
que transitavam nas Imediações,
imediações, ameaçados por-pedaços de argamassa qua
que se desprendiam
do frontão da
de um edifício nobra
nobre porém mal conservado.
Presentemente, porém, todos os bibliotecários brasileiros devem se orgulhar de sua
Presentementa,
Biblioteca Nacional, cuja recuperação devemos tanto â competência e à dedicação de Jannica
Jannice Monte
Mor quanto â clarividência dos Ministros Jarbas Passarinho, que
qua a nomeou vencendo pressões de
academias ae conselhos, ae Ney Braga qua
que a manteve no cargo, sem regatear os recursos solicitados.
12|^de maio de 1971, Jannice Monte Mor tomou posse na direção da Biblioteca
Em 12|^da
Nacional; ae am
em 16 de
da junho já solicitava ao Ministro da Educação e Cultura autorização para
estabelecer convênio com o Escritório da Reforma Administrativa Federal. Porque
Porqua entre
entra os males de
qua
que a Biblioteca padecia estava sua obsolata
obsoleta estrutura organizacional. E não se compreendia que a
reforma administrativa se efetivasse deixando àâ margem da modernização uma das principais fontes
raforma
do processo decisório.
Do convênio assinado em 31 de agosto com o Escritório da Reforma Administrativa
resultaram 5 projetos.
projatos. Antes — em
am 23 de agosto — a diretoria pedira a constituição de
da um grupo de
trabalho para assessorá-la no planejamento e controle do programa de reorganização. Em 1P de
outubro, pela Portaria Ministerial NP
N.° 470, foi aprovado o novo regimento e, em 17 do mesmo mês, a
Portaria Ministerial N? 528 constituiu comissão para elaborar o programa orientador do projeto de
um edifício anexo.

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�911
Os relatórios dos anos de 1971 e seguintes -- que os Anais da Biblioteca Nacional voltarem
voltaram
ae publicer,
publicar, resteurendo
restaurando utilissime
utilissima tradiçâki
tradição -- mostram como todos os problemas de
da velhe
velha livraria real
foram equecionados
forem
equacionados e sues
suas soluções transformadas em projetos específicos, elguns
alguns já executedos
executados e
outros em vies
vias da
de axecuçSo.
execução. E tudo sa
se fez sam
sem prejuízo do programa
progrema cultural de exposições e
publicações. Programa que foi.
foi, ao contrário, intensificado nos últimos anos.
enos.
Do convênio entre ae Biblioteca Necional
Nacional e o Centro de Informática do Ministério da
Oo
Educação e Cultura (CIMEC) resultou ea epIicaçSo
aplicação do Formato CALCO e ea atualização do Boletim
EducaçSo
Bibliográfico, já em formato computarizedo,
computa ri zado, como um dos produtos da
de automação
eutomação da catalogação.
Já começam a aparecer,
eparecer, nos livros brasileiros,
bresileiros, os números internaciõnais
internacionais normelizados,
normalizados, atrevés
através de
entendimentos entre ea Bibliotece
Biblioteca Nacional
Necionel e ae agência internacional
Internacional do sistema,
sisteme, ISBN.°
Não exageramos, portento,
portanto, eo
ao afirmar
efirmar que ae administração de Jenice
Janice Monte Mor foi tão
importante para
pere a Biblioteca Nacional
Necional quanto o foram,
forem, em passados remoto e recente, as de Ramiz
Gaivão, Menoel
Manoel Cícero e Borbe
Borba de Morees;
Moraes; e que ea recuperação da Biblioteca Nacional
Geivão,
Necional foi o
acontecimento meis
mais significativo de
da biblioteconomia brasileira da
de década de 70.
Não gosto de falar
feler na
ne primeira pessoe
pessoa porque echo
acho que Pascal tinha
tinhe rezão
razão quando afirmava
efirmeve
que Ia
le mol
moi est
ast haissable.
haissabia. Mas
Mes considero oportuno dizer-vos que escreví
escrevi longa certe
carta ea meu velho emigo
amigo
e admirável ensaísta que èé o etuel
atual Ministro Eduerdo
Eduardo Porteiie,
Portella, permitindo-me elertá-lo
alertá-lo pere
para o perigo
de substituir-se uma diretora tão eficiente como Jannice Monte Mor. As autoridades
eutoridedes têm porém, —
pare
prõprie razão
rezão desconhece. Na
Ne história
histõrle da
de Biblioteca Necionel
para voltar ae Pascal — razões que ae própria
Nacional
alternaram-se tredicionalmente,
elternerem-se
tradicionalmente, como
conx) diretores, escritores e técnicos. Sem qualquer preconceito
contra escritores, pois fui — desculpai,
contre
desculpei, outre
outra vez, ea nota
note pessoal — e ainda
einda sou amigo
emigo de alguns dos
maiores poetas, ensaistas
enseistes e ficcionistas
ficcionistes da
de literatura brasileira,
bresiielre, como Manuel
Menuel Bandeira,
Bendeire, José Lins do
Rego e Gilberto Freyre — temos que reconhecer que forem
foram os técnicos que reorganizaram
reorganizarem a
Biblioteca Necionel.
Nacional. Parte-se,
Perte-se, agora,
agore, para
pera uma nova
nove experiência, pois o meu amigo
emigo Plínio Doyle não éè
uma coisa nem outre;
ume
outra: èé advogado e bibliófilo. Esperemos que ele, pelo menos não interrompa
interrompe o
trabalho de verdadeira ressurreição iniciado por Jannice Monte Mor.
Mor,
Quanto ãs
Quento
ás bibliotecas universitárias, devo dizer, com ea franqueza que certamente espereis
esperais
de mim, que ea única biblioteca deste
desta categoria existente no Brasil è,
é, com todos os seus defeitos, ea da
Universidade de Bresílie.
Brasília. O que es
as demeis
demais universidades possuem são entes
antes bibliotecas especializadas
— de modo gerei,
geral, independentes e eté
até Inimigas
inimigas entre sí — do que bliotecas universitárias. A
interdiscipiineridade
interdisciplinaridade — que é o fenômeno mais cerecterístico
característico do moderno saber científico e
humanístico — impõe ae centralização de coleções e não apenas
humanlstico
epenas a de processos técnicos e recursos
humanos. Como se os argumentos
ergumentos de ordem econômica e administrativa
edministretive não bastassem, ae eles veio
somar-se este motivo de natureza epistemológica:
epistemoiógice: motivo, portanto,
portento, irrecusável.
mais muítidisciplinar.
Ela deve ser entes
antes
Uma universidade, que se preza
preze não pode ser
multidiscipilner. Ele
intradisciplinar,
Intradisciplinar, interdisciplinar e trensdicipllner,
transdiciplinar, pere
para seguir as
es distinções estabelecidas, em obre
obra
recente, pela
pele Organização Européia
Europèie de Cooperação e Desenvolvimento. E as
es relações
releções de
interdependência entre os diversos tópicos de uma discipline
disciplina (Intredisciplinarídade),
(intradisciplinaridade), entre diferentes
exatas, as
disciplinas (interdisciplinaridade) e até
eté entre as
es ciências
ciêncles ditas
dites exetes,
es naturais, as
es sociais e as
es
chamadas humanidades (trensdiscipiineridade)
(transdisciplinaridade) não são preticemente
praticamente possíveis em selas
salas de aulas
aules e
laboratórios: elas se evidenciem
evidenciam diente
diante de coleções enciciopédices
enciclopédicas — de que as universidades são os
últimos redutos, porque es
as próprias bibliotecas nacionais estão se especializando
especielizendo — e se concretizem
concretizam
quais professores de diferentes especializações discutem entre si e tembém
também com
em seminários nos queis
políticos e lideres
líderes industrieis
industriais e religiosos os problemes
problemas complexos de nosse
nossa época.
Bem sei que sob a esclarecida
esciarecide orientação
orienteção do professor Darcy
Oercy Closs
Cioss e graças èà competêncie
competência ea
eo
ao dinemismo
dinamismo de Antônio Mirende,
Miranda, ea CAPES tem feito o que pode pere
para o estabelecimento de uma
rede nacional de bibliotecas de universidades (recuso-me, como já disse, a chamá-las bibliotecas
universitárias). Muito, entretento,
entretanto, ainda
einde está por fazer.
fezer. Neste perticuier
particular eu poderia
poderie repetir o que o Sr.
Pietro Maria
Marie Berdi
Bardi efirmou,
afirmou, em recente entreviste
entrevista sobre
sobra o Museu de Arte de São Peulo,
Paulo, que tão
competentemente dirige: "Se me perguntarem se estou satisfeito, eu digo que não. Uma
Ume cidade de 10
milhões de habitantes precisava de muho
muito mais arte"
erte"
Tembém
Também o que vejo na maior parte
perte das escolas
escoles brasileiras
bresileiras não merece o nome de
bibliotecas escolares. A ênfase
ênfese no ensino de primeiro e segundo graus, que o etuel
atual governo vem
anunciando, podería
poderia ser um sinal de que vemos
vamos ter, finalmente,
finaimente, bibliotecas escolares neste país.
condicional, porque es
as autoridades brasileiras, com reras
raras exceções,
Deixo, entretanto, o verbo no condicionei,
ignoram a importância
imponência da biblioteca no processo educetivo.
educativo. E o reconhecimento dessa importância é
condição sinequa
sine qua non pere
para ea existência de bibliotecas escolares.
As bibliotecas especializadas se constituem na categoria melhor aquinhoada entre nós. São
muitas, bem equipadas, e de organização modelar. Destaque especial merecem ae Biblioteca Regional
Regionei

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de Medicina IBIREME) e a já mencionada Biblioteca Nacional de Agricultura IBINAGRI).
(BINAGRI). E, como
já disse, há, excelentes bibliotecas especializadas nas universidades. Aquf já é possível falar em rede
bibliotecária e até em sistema nacional de informaçêk):
informação: no caso, a informação biomédica e a
informação agrícola.
Chego, finalmente, à mais importante
Importante de todas as categorias,que é,
6, indiscutivelmente, a das
F&gt;or considerar que este éö o calcanhar-de-aquiles
calcanhar&lt;le-aquiles da
bibliotecas públicas. E chego constrangido por
biblioteconomia brasileira. Poderia um pequeno país em desenvoK/imeno
desenvolvimeno daixar
deixar de ter biblioteca
nacional, tanto quanto bibliotecas universitárias, escolares ae aspecializadas:
especializadas: tendo uma biblioteca
pública estaria bem servido, pois
F&gt;ois uma das funções primordiais desta categoria de bibloteca éö a
supletiva.
Não preciso dizer, perante um congresso de especialistas na matéria, que o conceito
anglo-americano de biblioteca pública não pode ser, de modo nenhurn,
nenhunrç confundido com a tradição
brasileira de biblioteca estadual ou de
da biblioteca
bibliotaca municipal. Tenho
Tanho sempre feito questão de mostrar aa.y
meus alunos da
de Introdução à Bibliotaconomia
Biblioteconomia que a Idéia
idéia anglo-americana de biblioteca pública não
se coaduna com a idéia luso-brasilaira
luso-brasileira de repartição
rapartiçãò pública, "com livro de ponto, expediente,
protocolo e manifestações de apreço ao Sr.*Dlretot",
Sr.*Diretot", para citar Manuel Bandeira. São, ao contrério.
contrário,
idéias conflitantes. São duas tradiçõas
Idéias
tradições antagônicas. Dois princípios antinõmicos. Duas idéias
antitéticas. Dois modos de ser incompatíveis. Uma acorda cedo ee dorme tarde
tarda ou, em alguns casos
nunca adormece; a outra levanta-sa
levanta-se tarde e vai — preguiçosal —muito cedo para a cama,
cama. Uma parece
ainda mais feliz quando é domingo ou feriado
fariado e,
a; como as praças e praias, fica festivamente repleta; a
outra costuma dizer, como a mulher da vida em certo filma
filme francês: "nunca aos domingosl". Uma
tem as portas Sempra
sempre abertas ae am
em sua fronteira ainda podemos ler esta signific::tiva
significativa informação:
"mantida pelo povo e para uso de todo o povo", a outra tem guichés, tem filas ea tem avisos de que
qua o
expediente já está encerrado.
encarrado.
Peço-vos quase paio
pelo amor da
de Deus que
qua não acrediteis
acreditais esteja
estaja eu aqui a fazer blague ou
humor que, no caso, seria negro. Pois estamos diante de uma tristíssima realidade. É verdade que no
começo do século XIX Inaugurou-sa
Inaugurou-se na Bahia uma biblioteca pública de subscrição cujo modelo foi a
Library Company fundada por Banjamin
Llbrary
Benjamin Frankiin
Franklin na Filadélfia, bibioteca — a nossa elogiada até por
Ferdinando Dénis. Outras excelentes bibliotacas
bibliotecas e
estrangeiros eruditos como Tollenare e Fardinando
prestimosos gabinentes
gabinantes de
da leiturp
laiturp funcionaram muito bem durante o século passado. Já
Jé nos anos 50
deste século e por iniciativa de José Césio Reguaira
desta
Regueira Costa o Recife chegou a tar
ter uma rede municipal
pxjpulares, com
unidade volante, esta, aliás,
de bibliotecas populares,
com' posto de empréstimo
ampréstimo no cento da cidade e unidada
demagogicamente transformada em hospital pelo
demagogicamenta
paio soi disant socialista Miguel Arrais. Tudo isso parece
levar-nos a concluir, como Carlos Drummond de Andrada
Andrade em sua "Lambrança
"Lembrança do mundo antigo" ae
trás pontos da
de exiamação do original:
com os mesmos trés
Hwia jardins, havia manhSs
Havia
manhãs naquele tempolll
tempolil
RefIro-me,
Refiro-me, porém, ao estado
astado atual da questão biblioteca pública no Brasil. O panorama é
desalentador. Somenta
dasalentador.
Somente em São Paulo ae em Curitiba existem bibliotecas animadas pelo dasejo
desejo de
contribuir para a educação, a informação, a cultura e o lazer das respectivas comunidades. Educação,
Informação,
informação, cultura e lazer são os quatro pontos astabelecidos
estabelecidos como essenciais pelo Public Llbrary
Library
Research Group, formado na Inglaterra em
am 1979. Em obra coletiva
colativa publicada no ano passado por
este Grup&gt;o,
asta
Grupo, Barry Tottardall
Totterdell resume o papel
papal da biblioteca pública em termos que,
qua, no Brasil, devem
soar como panacéia aos ouvidos de
da certas autoridades que,
qua, tendo excelentes
axcelentes bibliotacas
bibliotecas particulares
— pois gostam de lar
ler ea viajam frequentamenta
frequentemente ao estrangeiro — são complatamante
completamente insensívais
insensíveis ao
problema da biblioteca
bibliotaca pública.
Para Barry Totterdell a biblioteca pública tem por finalidade "contribuir para manutenção
da qualidade da vida em todos os seus aspectos: educativo, econômico, industrial, ciantífico
científico e
cultural; difundir o conceito de sociedade democrática, na qual todos devem
devam ter o direito
diralto de
da se
sa
tornarem verdadeiros ddadãbs,
cidadãos, cujas personalidades firmes ea integrais contribuam para aumantar
aumentar a
felicidade geral, o conhacimento
conhecimento próprio, de ^melhantes
semelhantes ae do meio ambiente".
Quem conheca
conhece as bibliotacas
bibliotecas públicas amaricanas
americanas ae auropéias
européias sabe que isto não é uma
panacéia. O conceito anglo-americano de
da biblioteca pública é tão germinal que se extendeu por toda
de modo a fazer surgir em Paris — cidade tradicionalmente conservadora sob este aspecto
a Europa, da
— a mais dinamicamente
dinamicamenta moderna bibliotaca
biblioteca pública do mundo:ado
mundo:a do Centro Nacional de Arte ea
Cultura Gerorges Pompidou, cujo edifício arquietetonicamente insólito é bem um símbolo das
inovações culturais que abriga.
Num congresso qua
que é o décimo a há vinte ea cinco anos do primeiro, não temos o direito de
olhar para as bibliotacas
bibliotecas brasileiras com otimismo panglossiano. Não haveria uma relação de causa ea
efeito entre a excelência de nosses
afeito
nossas bibliotecas especializadas e a insuficiência
insuficiêitcia das universitárias, a

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omissão das escolares e a miséria a da maior parte das bibliotecas públicas? Porque as bibliotecas
especializadas quase que se bastam a sf mesmas, enquanto as outras categorias exigem espírito de
cooperação e interdependência.
Em seu livro Freedom, power &amp; democratic planning, KarI
Karl Mannheim observa com muita
razão que "os grandes progressos da ciência le
la da tecnologia prepararam para posições de liderança
muitos especialistas que, do ponto de vista político e cívico, representam incapacidades bem
preparadas. O treino que receberam os converteu em especialistas,
aspecialistas, tecnicamente aficientes,
eficientes, mas não
conseguiu dar-lhes um espírito filosófico, único que poderia
podería ter aprofundado
eprofundado seus conhecimentos:
faltou-lhes oportunidada
oportunidade para adquirir uma compreensão da nossa situação humana e social".
Peço perdão se estou sendo injusto com os colegas qua
que trabalham em bibliotecas
especializadas ou as dirigem; mas êé forçoso reconhecer qua
que o convívio com especialistas
maçonicamentei fechados em sues
suas especializações tornou-os também
tembêm impermeáveis ao trabalho em
cooperação que uma rede nacional de bibliotecas exigiría
exigiria de todos.
Longe de mim o farisaismo de somente ecusar,
acusar, porque também contritamente me incluo
entre os culpados. Na Missa deste décimo sexto domingo do tempo comum, o capítulo 6, versículos
30 ea 34 do Evangelho segundo Sêo
São Marcos dizem o seguinte:
seguinta: "Os Aprõstolos
Apóstolos reuniram-se
reuniram-sa a Jesus
Jasus ea
comunicararrvlhe tudo o que tinham feito e ensinedo.
comunicararn-lhe
ensinado. Disse-lhes então: "Vinde, retiremo-nos a um
lugar deserto, e repousai um pouco". Porque eram tantos os que iam e vinham qua
que nem tinham
tempo para comer. Foram, pois, de barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os
afastar-se, muitos perceberam para onde Iam;
iam; e de todas as cidades acorreram a pélpara
péjpara aquele lugar e
chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se deles,
deles.
. porque eram como ovelhas sem pastor".
Se me permitem ae comparação, direi que nesses últimos vinte
vinta e cinco anos os bibliotecários
brasileiros se reuniram em nove congressos e em mais de uma vintena de jornadas, simpósios e
seminários, para dizerem tudo o que têm feito ae ensinado; a,
e, de modo garal,
geral, fizeram e ensinaram
satisfatoriamente. Nos últimos
satísfatoriamenta.
últimas congressos, o número cada vez maior de participantes estão me
transmitindo a impressão das "ovelhas sem pastor" de que falava
falave Cristo. Desconfio que a
biblioteconomia brasileira está a necessitar de um líder
llder ou, pelo menos, de um órgão que tenha
competência para planejar iniciativas e coordenar esforços, com vistes
vistas à implantação daquela rede
nacional de bibliotecas reclemade
reclamada em 1943 por Rubens Borba de Moraes.Moraes. Aos agradecimentos pela
atenção com que me honraram nesta noite, desejo acrescentar,,
atanção
acrescentar., como palavra final, meus votos de que
tanto a íbiblioteconomie
íbiblioteconomia
neste congresso seja aclamado o llder ou constituído o órgão de que tento
brasileira necessita.

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�</text>
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              <text>Conferência do Professor Edson Nery da Fonseca na Sessão Solene de Abertura do 10º CBBD</text>
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