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                  <text>DA2I

DESENVOLVIMENTO E ACESSO
À INFORMAÇÃO 2019
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE • TRABALHO DIGNO E CRESCIMENTO ECONÔMICO • REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES • AÇÕES RELATIVAS AO CLIMA • PAZ, JUSTIÇA E INSTITUIÇÕES FORTES

Federação Internacional
de Associações e
Instituições
Bibliotecárias

GRUPO DE TECNOLOGIA
&amp; MUDANÇA SOCIAL
UNIVERSIDADE de WASHINGTON
Faculdade de Informação

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

A

DA2I.ifla.org

�A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias
(IFLA) é a principal entidade internacional que representa os interesses dos
serviços bibliotecários e de informação, bem como dos seus usuários. A
IFLA trabalha para promover um campo forte e globalmente unido de
bibliotecas como uma força propulsora de sociedades letradas, informadas
e participativas, e coloca a importância do acesso à informação no centro
de seus valores. Com membros em quase 150 países, a instituição é tanto
a voz mundial da profissão de bibliotecário quanto da informação, e o centro
principal para desenvolver padrões, partilhar boas práticas, capacitar e criar
conexões entre bibliotecas e associações de bibliotecas em nível mundial.
O Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology &amp; Social
Change Group - TASCHA] da Faculdade de Informação da Universidade
de Washington explora o papel das tecnologias digitais na construção de
sociedades mais abertas, inclusivas e igualitárias. O TASCHA é um elo de
pesquisa multidisciplinar cujo trabalho tem ajudado organizações
internacionais, governos, organizações da sociedade civil e bibliotecas
públicas nos Estados Unidos e em mais de 50 outros países.
Gostaríamos de agradecer as contribuições de nossos autores
convidados, bem como das equipes da IFLA e do TASCHA, cujos
trabalhos tornaram este relatório possível, em especial as contribuições
de Maria Violeta Bertolini e May Oostrom-Kwok (IFLA), e Chris Jowaisis,
Chris Coward e Doug Parry (TASCHA)
O relatório original foi criado graças às contribuições de muitas pessoas
que ajudaram a desenvolver o conceito e a selecionar os indicadores
utilizados. Seus nomes estão destacados no relatório de 2017, e suas
contribuições ainda são percebidas nesta edição.
Desejamos agradecer, em especial, à Fundação Bill e Melinda Gates, cujo
generoso apoio tornou este relatório possível.

�Prefácio

O papel da informação em nossas sociedades nunca foi
tão importante. A informação é facilitadora, matéria-prima,
fonte de inovação e criatividade. Dar a todos o acesso à
informação é garantir que todos tenham a oportunidade de
aprender, crescer e tomar melhores decisões para si e para
os que estão ao redor.

GLÒRIA PÉREZ-SALMERÓN
Presidente, Federação Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias

Em plena era da informação, isso é uma necessidade. Aqueles que não
possuem acesso são deixados para trás, privados de um meio essencial de
melhorar sua própria situação, são banidos da vida cultural, econômica, social
e cívica.
Por isso, estou tão convencida do poder das bibliotecas como motores da
mudança. Elas são garantidoras desse acesso, não apenas por meio da
possibilidade física de se encontrar um livro ou ficar on-line, mas por
fornecer o espaço e o apoio para garantir que todos possam realizar o
potencial da informação.
Acredito firmemente que, embora cada vez mais nossas vidas se
desenvolvam no ambiente on-line, as bibliotecas se tornaram mais vitais
- como pontos físicos de encontro, como locais para pedir orientações,
como instituições com uma clara vocação para ajudar suas
comunidades.
Por meio de seu trabalho, podemos garantir que a informação se torne
uma força para a igualdade e um acelerador do desenvolvimento, tanto
ao redor do mundo quanto nas diferentes áreas políticas.
Portanto, saúdo calorosamente esta segunda edição do relatório de
Desenvolvimento e Acesso à Informação. Sou grata a todos os nossos
autores - especialmente aos nossos autores convidados - por suas
contribuições. Espero que seu trabalho contribua para um maior
reconhecimento do acesso à informação e apoio a ele para todos os que
possam contribuir para uma vida melhor.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

i

�Introdução

GERALD LEITNER
Secretário-Geral, Federação Internacional de
Associações e Instituições Bibliotecárias

O acesso à informação é essencial para a capacitação dos indivíduos, a
eficácia das políticas e a responsabilização dos governos. Quando todos
podem desfrutar da informação, ela é um motor do desenvolvimento
sustentável em todas as suas dimensões. Quando está ausente,
insuficiente ou desigual, as oportunidades são perdidas, as decisões são
piores e o progresso é sufocado. As bibliotecas são vitais para assegurar
que todos possam se beneficiar do acesso à informação, tornando as
sociedades mais fortes e justas uma realidade para todos.
Este relatório - o segundo da série posterior à primeira edição, em 20171
- fornece mais evidências, exemplos e análises dessa contribuição e do
papel das bibliotecas na sua concretização. Ele está explicitamente
focado na Agenda de 2030 das Nações Unidas e em seus Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fornecem tanto uma afirmação
da importância do acesso à informação para o desenvolvimento, quanto
um marco para se pensar sobre como realizar seu potencial.
O objetivo deste relatório é fornecer uma exploração do acesso à informação
como um motor do desenvolvimento. Ao fazer isso, ele busca informar a tomada
de decisão sobre a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável. O relatório foi elaborado para ser aplicável a todos os níveis sobre
a melhor forma de construir sociedades mais fortes, justas e sustentáveis, tanto
com base nas discussões ocorridas no Fórum Político de Alto Nível das Nações
Unidas quanto nos debates nos níveis nacional e local. Portanto, é destinado a
legisladores e conselheiros, bem como a todos que buscam formas mais
eficazes para apoiar o desenvolvimento, e aos bibliotecários e funcionários de
bibliotecas que podem ajudar a implementá-lo.
Essa introdução, portanto, oferece uma atualização sobre o entendimento
do acesso à informação aplicado neste relatório, uma discussão sobre as
principais questões emergentes desde a última edição, e um panorama dos
capítulos que seguem.

Acesso significativo à informação e o papel das bibliotecas
Quando se refere ao acesso à informação, este relatório adota uma
abordagem deliberadamente ampla, sublinhando a importância do acesso
“significativo”. Isso reflete o entendimento de que a disponibilidade física e
jurídica da informação — o lado da oferta — não pode fazer diferença
quando as pessoas não têm as habilidades, a confiança e as condições
sociais e culturais para aplicá-la — o lado da demanda.
Em outras palavras, uma conexão física de internet, ou leis que assegurem a
transparência de dados públicos ou acesso aberto à pesquisa financiada com
dinheiro público, só pode ter pleno efeito se todos puderem utilizar plenamente
essa informação.
Essa é uma abordagem que encontra suas raízes na Agenda de 2030 das
Nações Unidas. A Agenda faz referência ao acesso à informação, mais ou
menos explicitamente, em 20 metas, incluindo comprometimento para
desenvolver
infraestruturas,
promover
competências,
combater
as
desigualdades e promover as liberdades.
Uma parte importante deste relatório é, portanto, baseada em um conjunto
de indicadores que exploram essas quatro facetas, ou “pilares” do acesso à
informação: conectividade física com a internet, habilidade, contexto
ii

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Falhar na garantia de acesso significativo à informação
prejudica o indivíduo, antes e acima de tudo. Ele perde
informações que podem ajudá-lo a tomar melhores
decisões, ou perde oportunidades de aprender e
comunicar-se.
social e cultural, e legislação. Esses pilares são explicados em mais detalhes
no Capítulo 1, mas, resumidamente, ilustram as condições que precisam ser
atingidas para possibilitar a realização do potencial de acesso à informação.
Em uma situação em que todas as peças estão no lugar, todos podem
entrar on-line, sem injustas barreiras práticas, financeiras ou culturais.
Podem encontrar uma ampla gama de informações não distorcidas, e têm
a capacidade de tomá-las, avaliá-las e aplicá-las para promover suas
próprias vidas ou as vidas dos que estão ao seu redor.
Isso não ocorrerá se faltar um único elemento. Sem uma conexão à internet, há
menos oportunidades de aprendizado, de comunicação e de criação. Sem
condições sociais e culturais favoráveis, grupos inteiros podem ser excluídos —
particularmente mulheres —, mas também os afetados pela pobreza ou que
tenham uma situação jurídica inferior (como os refugiados). Sem as leis corretas,
o conteúdo disponível on-line é distorcido, e as pessoas são incapazes de criar
seus próprios materiais ou compartilhar suas opiniões. E sem habilidades, as
informações não podem ser encontradas ou aplicadas de forma eficaz.
Uma falha na garantia de acesso significativo à informação prejudica
o indivíduo, antes e acima de tudo. Eles perdem informações que
podem ajudá-los a tomar melhores decisões, ou perdem
oportunidades de aprender e comunicar-se.
Entretanto, isso também traz custos em termos de redução da eficácia das
políticas. Se uma população não for informada sobre os sistemas e programas
de desenvolvimento, não for capaz de compreender ou interagir com
informações sobre saúde pública, ou não puder interagir com serviços públicos
on-line, o governo é menos capaz de atingir seus objetivos. Quem governa
também depende de um bom acesso à informação para orientar sua própria
elaboração de políticas ou diretrizes, enquanto que sua prestação de contas às
pessoas e parlamentos requer acesso para funcionar.
A inabilidade de encontrar, entender, usar e criar informações pode, portanto, levar
a uma variedade de resultados negativos. Em contrapartida, os indivíduos e
sociedades que conseguem acessar e fazer uso da informação estão em uma
posição muito mais forte para alcançar êxito agora e no futuro. Para evitar que
diferentes níveis de acesso significativo à informação conduzam a divisões de
desenvolvimento sustentadas ou crescentes, há a necessidade de intervenção.
Em termos de políticas, os governos podem atuar para melhorar suas pontuações
em cada um dos indicadores identificados neste relatório, por meio de reformas que
favoreçam a conectividade, a igualdade, a educação e as liberdades fundamentais.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

iii

�Como parte disso, o suporte a sistemas eficazes de bibliotecas pode ser
um passo extremamente poderoso. As bibliotecas conectadas podem
fornecer um ponto de partida e uma complementação para as conexões
de internet domésticas generalizadas. Podem trabalhar juntamente com
as escolas como fornecedoras de competências, desde a alfabetização
básica até o pensamento crítico mais elevado, e representar uma porta de
entrada para as oportunidades de aprendizagem continuadas. Estão
abertas a todos e, portanto, constituem um lugar onde as barreiras sociais
e culturais podem ser superadas, e onde os indivíduos podem começar a
participar da vida cívica.

Evolução desde 2017
Vale a pena refletir sobre as mudanças observadas no panorama da
informação desde o primeiro relatório, em julho de 2017. Claramente,
dois anos é um período de tempo relativamente curto. Entretanto, três
mudanças parecem particularmente relevantes no contexto de um
relatório focado no acesso à informação.
Uma primeira questão diz respeito à taxa de progresso da conexão de
pessoas à internet. Embora exista um consenso geral de que mais de 50%
da conectividade à internet foi alcançada em 2018 2, ainda há muito a ser
feito. Além disso, a taxa de crescimento das conexões parece estar
diminuindo, o que significa que se corre o risco de faltarem muitas décadas
para que todos os que pretendem ter acesso à internet possam tê-lo.
Essa é uma grande preocupação, dado que, ainda que a
conectividade com a internet não seja condição suficiente para o
acesso significativo à informação, é uma condição necessária. As
conexões também são essenciais para que as bibliotecas possam
prestar muitos dos serviços pelos quais contribuem para o
desenvolvimento. São essenciais novas abordagens e o uso integral
das infraestruturas existentes.
Uma segunda questão relaciona-se à emergência de desinformação
deliberada como uma questão política. Isso teve implicações
significativas para a confiança nas informações encontradas na
internet, e levou a clamores para maior intervenção governamental.
De forma mais positiva, esse fenômeno também sublinhou a
necessidade de desenvolver mais competências na utilização da
internet. Essas podem ajudar as pessoas não apenas a compreender e
avaliar as informações que encontram, mas também aplicá-las, partilhálas e criá-las.
Como nunca, há, indiscutivelmente, uma maior
compreensão da necessidade de construir o conhecimento, as
capacidades e as atitudes para serem internautas efetivos.
Ligada à segunda questão, está a da regulamentação do conteúdo em
geral. O poder da internet como um meio de compartilhar e acessar
informações tem estimulado os esforços para controlá-la, para fins
políticos, de segurança ou sociais. O surgimento de novas ferramentas,

iv

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�tais como tecnologias de filtragem, torna essa perspectiva mais viável
do que no passado.
Como tal, temos visto clamores - incluindo, algumas vezes, das
próprias grandes plataformas - para que haja regulamentação. Além
do risco de simplesmente consolidar a posição dos principais agentes
como os únicos atores que podem aplicar novas regras, as
regulamentações desproporcionais representam uma ameaça à livre
expressão e ao acesso à informação que fizeram da internet um
motor de transformação.

A segunda edição
Como a segunda edição do relatório sobre Desenvolvimento e Acesso à
Informação, esta publicação fornece mais provas da contribuição do
acesso para o desenvolvimento. Coloca uma ênfase particular sobre o
lugar das bibliotecas na consecução desse objetivo.
Pela primeira vez, entretanto, fornece alguns insights ao longo do
tempo, com base em um conjunto de indicadores de acesso à
informação identificados acima. O Capítulo 1 explora essas
evoluções, destacando a preocupação de que o crescimento do
número de indivíduos que usam a internet não é, muitas vezes,
acompanhado de progressos na educação, igualdade de gênero e de
liberdades.
O Capítulo 2 aborda a perspectiva da biblioteca, baseando-se em uma
gama de novos exemplos de onde as bibliotecas estão fazendo a
diferença. Destaca, em particular, os múltiplos benefícios de diversas
atividades bibliotecárias, as quais podem levar a resultados positivos em
várias áreas. Com frequência, esses exemplos mostram o que pode ser
alcançado quando uma conexão com a internet está associada a
iniciativas adicionais.
Os Capítulos 3 a 7 enfocam, por sua vez, cinco dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável enfatizados em 2019 - ODS 4 (educação),
ODS 8 (trabalho digno e crescimento econômico), ODS 10 (redução de
desigualdades), ODS 13 (ações relativas ao clima) e ODS 16 (paz, justiça
e instituições fortes). Cada capítulo explora os aspectos relacionados à
informação de um Objetivo e suas metas associadas, estabelecendo
como elas contribuem tanto para a efetividade das políticas quanto para
a obtenção dos resultados. Em cada caso, as formas pelas quais as
bibliotecas podem ajudar são explicadas. Uma conclusão, então, reúne
algumas das lições aprendidas nos diferentes capítulos.
Juntas, essas perspectivas oferecem uma mensagem clara. O acesso
significativo à informação é um poderoso acelerador de
desenvolvimento e, ao proporcionar isso, as bibliotecas são parceiros
essenciais para o desenvolvimento. Apelamos aos governos e a todos
os envolvidos na elaboração de políticas de desenvolvimento
sustentável que as ajudem a realizar o seu potencial.

1.

Garrido, M e Wyber, S. (Eds.). (2017). Relatório de Desenvolvimento e Acesso à Informação, da2i.ifla.org

2.

Vide, por exemplo: https://news.itu.int/itu-statistics-leaving-no-one-offline/

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

v

�DA2I

vi

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Índice
Prefácio

i

Introdução

ii

Capítulo 1

3

Progresso rumo a um significativo acesso à informação, e ameaças
emergentes

Capítulo 2

17

Tornar significativo, tornar igualitário: o papel das bibliotecas na
geração de desenvolvimento

Capítulo 3

23

Educação de qualidade e aprendizado continuado para todos - Um
enfoque nas pessoas

Capítulo 4

29

O acesso à informação para o trabalho digno e o crescimento
econômico

Capítulo 5

37

Desigualdades: as bibliotecas e a partilha do conhecimento

Capítulo 6

45

Acesso à informação e mudança climática

Capítulo 7

51

Objetivo 16: A paz, a justiça e as instituições fortes dependem do
acesso à informação

Conclusão

57

Colaboradores

60

Bibliografia

64

�DA2I

2

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 1
Progresso rumo a um significativo acesso
à informação, e ameaças emergentes
Este capítulo fornece um panorama do progresso feito por vários países
para alcançar um acesso significativo à informação entre 2015 e 2018, no
contexto da Agenda 2030 das Nações Unidas e dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODSs). O ano base, 2015, foi escolhido para
corresponder ao ano em que os ODSs foram estabelecidos pela
Assembleia Geral das Nações Unidas.1

MARIA GARRIDO, MICHELLE
FELLOWS, e BREE NORLANDER
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de
Washington

Ao longo deste relatório, o acesso significativo à informação é definido
como “os direitos e habilidades para usar, criar e partilhar informações de
maneiras que sejam significativas para cada indivíduo, comunidade ou
organização.”2 Essa abordagem baseada em direitos reconhece como uma
combinação de fatores estruturais nos níveis social, político e econômico se
manifesta em contextos locais e mundiais para promover (ou impedir) a
capacidade de acesso significativo à informação que contribui para um
desenvolvimento mais equitativo e sustentável.3

Por que medimos o progresso no acesso significativo
à informação
A Agenda de 2030 da ONU “é um plano de ação para as pessoas, o
planeta e a prosperidade” com a promessa de que “ninguém será
deixado para trás”.4 O acesso significativo à informação pode melhorar
os tipos de progresso previstos nos 17 Objetivos incluídos na Agenda.
A ascensão da internet e da rede social expandiu profundamente a
gama de interações possíveis entre os indivíduos, as comunidades, as
organizações e os governos, fornecendo oportunidades crescentes de
colaboração para combater a pobreza e a desigualdade, produzir e
consumir informações cívicas e participar de ações sociais e políticas. 5
Entretanto, não há garantia de que o acesso às tecnologias de
informação e comunicação (ICTs, na sigla em inglês), ou as
oportunidades que viabilizam, levarão a uma mudança social equitativa
ou inclusiva. Isso é particularmente verdadeiro quando se consideram
as condições necessárias para que o acesso à informação responda, de
forma significativa, aos principais desafios da sociedade — como descrito
no Marco para o Desenvolvimento e o Acesso à Informação:6 (1) a
disponibilidade de infraestrutura de conectividade física, (2) as
habilidades para usar as ICTs, (3) o contexto social da informação, e (4)
o ambiente jurídico e político. De fato, devido às barreiras enfrentadas
continuamente nestas áreas por muitas das populações mais vulneráveis
e isoladas do mundo, é muito possível que uma distribuição desigual do
acesso à informação contribuirá para alguns tipos de marginalização que
prejudicam os esforços de desenvolvimento.
Aqui estão alguns dos motivos pelos quais medimos o progresso:
O acesso significativo à informação possibilita uma mudança de baixo
para cima que apoia uma ampla gama de objetivos de desenvolvimento
sustentável consagrados na Agenda de 2030 da ONU.
Há provas robustas7 de como as tecnologias de informação e comunicação,
e as mudanças sociais que geram, foram alavancadas para promover o
desenvolvimento sustentável em contextos altamente diversos e em uma
ampla variedade de domínios, tais como o desenvolvimento da força de
trabalho, a igualdade de gênero, a justiça social e o crescimento econômico.
Em 2019, o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

3

�Sustentável (HLPF, na sigla em inglês) enfocará suas análises temáticas anuais
sobre os ODSs relacionados à educação, ao emprego, à desigualdade e à boa
gestão da coisa pública, de forma que esses domínios são de particular interesse
neste capítulo.
O acesso significativo à informação deve ser tornado mais igualitário e
inclusivo.
Em um mundo cada vez mais movido pela interconectividade e pela comunicação
onipresente, o acesso significativo à informação é uma necessidade e um direito.
Nas duas últimas décadas, fizemos grandes avanços em direção ao aumento da
conectividade e da alfabetização digital para bilhões de pessoas. Ainda assim,
para muitas comunidades ao redor do mundo, o progresso tem sido frustrado por
desigualdades sociais e econômicas fundamentais, as quais permanecem em
vigor.8 Ainda estamos longe de atingir uma sociedade da informação
verdadeiramente inclusiva e igualitária.
Os avanços tecnológicos afetarão cada vez mais o progresso dos ODSs, não apenas
em termos de como as pessoas acessam e usam a informação, mas também das
ramificações sociais, culturais e políticas de assuntos relacionados que emergem.
No ecossistema de informação complexo e em evolução da atualidade, é mais
importante do que nunca se atingir o acesso significativo e igualitário à
informação. Desafios emergentes, tais como a desinformação, a segurança
on-line e a privacidade dos dados, a monopolização do acesso e curadoria da
informação, e novas restrições à liberdade de informação exacerbam ainda
mais as desigualdades sociais e econômicas profundamente enraizadas, as
quais impedem o progresso em múltiplas frentes.

Como medimos o progresso no acesso significativo à informação
Para monitorar o progresso feito pelos países rumo a um acesso significativo à
informação, selecionamos 17 indicadores nas quatro dimensões do Marco para
o Desenvolvimento e o Acesso à Informação. 9 Esse marco foi desenvolvido
pelos autores em 2017 e reflete um consenso geral entre os pesquisadores,
profissionais de desenvolvimento e legisladores informados de que o acesso
físico à tecnologia da informação por si só não é suficiente para construir uma
sociedade mais igualitária e participativa. O contexto social, político e cultural
da criação e do uso da informação é vital para destravar a natureza
transformacional dos recursos de informação e melhorar o bem-estar das
pessoas e suas comunidades.
Medir a contribuição do acesso significativo à informação para o desenvolvimento
sustentável é um esforço complexo, determinado, em parte, pela disponibilidade
de dados entre os países de ano a ano.10 Resumir os dados também é tarefa
desafiadora; por exemplo, agrupamos os países por região ou nível de renda para
destacar as tendências, mas fazer isso pode mascarar as diferenças entre os
países dentro de uma região. As classificações regionais refletem as usadas no
Relatório de 2016 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 11 No âmbito
desse sistema, os países são divididos em 10 regiões distintas — nove regiões
geográficas e uma região econômica, que é um grupo de 55 países
“desenvolvidos” (de um total de 228 países). As classificações de renda aplicamse a quatro categorias de renda estabelecidas pelo Banco Mundial: baixa, médiabaixa, média-alta e alta.12
Para uma visão mais abrangente do progresso rumo ao acesso significativo à
informação em nível de país, estimulamos os leitores a utilizar outras
ferramentas relacionadas à iniciativa de Desenvolvimento e Acesso à
Informação (DA2I, na sigla em inglês), incluindo os painéis DA2I13 e o Mapa do
Mundo de Bibliotecas da IFLA e suas Histórias dos ODS (uma ferramenta de
monitoramento que fornece estudos de caso sobre como as bibliotecas estão
promovendo os ODSs com seus trabalhos).

Olhar para o futuro
Este capítulo divide-se em três seções, cada uma correspondendo a uma
dimensão do acima mencionado Marco para o Desenvolvimento e o
Acesso à Informação.
4

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�• Seção 1 – Infraestrutura e uso da conectividade – mostra os avanços que o mundo
fez rumo ao estabelecimento de uma infraestrutura de conectividade mais inclusiva,
como evidenciado pela cobertura expandida da rede de banda larga móvel e por uma
proporção crescente de internautas.
• Seção 2 – O contexto social da adoção e do uso – mostra como o nível de instrução
dos jovens mudou nos últimos anos, inclusive com uma tendência ascendente na
conclusão da educação secundária superior (N. R.: equivalente ao 1º – 3º anos do
ensino médio no Brasil) e uma diminuição contínua da diferença de gênero entre
homens e mulheres nos quatro níveis educacionais.
• Seção 3 – O ambiente jurídico e político – mostra como as liberdades online e off-line estão diminuindo em vários países.

1. Infraestrutura e uso da conectividade
No contexto dos ODSs, a infraestrutura de conectividade física
(especificamente para a internet móvel e fixa) desempenha um papel
importante no apoio à inclusão econômica e no fornecimento de uma rota
para uma distribuição mais igualitária do conhecimento e dos recursos.
Para essa dimensão, incluímos indicadores em duas áreas de
conectividade:
1.
2.
3.
4.
5.

População coberta por pelo menos uma rede móvel 3G (ITU, na sigla em inglês)
Percentual de famílias com acesso à internet (ITU)
Assinaturas ativas de banda larga móvel por 100 habitantes (ITU)
Assinaturas de banda larga fixa por 100 habitantes (ITU)
Percentual de indivíduos que usam a internet (ITU)

Ao observar as mudanças na conectividade de 2015 a 2016, vemos um
padrão claro de melhora da conectividade em todas as regiões e em
praticamente todos os indicadores, continuando uma tendência de
crescimento sustentado. Países de renda média-baixa e de renda baixa
alcançaram alguns dos progressos mais significativos.

1.1 A cobertura de redes sem fio 3G alcançou 82% da
população mundial
Entre 2015 e 2016, a cobertura das redes sem fio 3G expandiu para alcançar
quase 82% da população do mundo, ou seja, mais de 6 bilhões de pessoas.
Em nível regional,14 o sudeste da Ásia, o norte da África, o Cáucaso e a Ásia
Central, o sul da Ásia e a África Subsaariana registraram os maiores
progressos em termos de cobertura. Embora os países de baixa renda tenham
atingido quase 50% da cobertura 3G (por população) em 2016, ainda estão
bem atrás da média mundial. Em nível de país, a infraestrutura de
conectividade na Bolívia, na Ucrânia, na Groenlândia, em Serra Leoa, na
Argélia e no Nepal registrou o maior aumento percentual da cobertura de rede
3G em 2016 em comparação com 2015.

1.2 Quase metade das residências no mundo tem acesso à internet
O número de famílias com acesso à internet em casa por meio de redes
fixas ou móveis aumentou de 45% (2015) para 48% (2016) no mundo
todo. Apesar desse avanço modesto, há diferenças bem significativas
entre as regiões. Enquanto na América Latino e no Caribe 46% da
população tinha acesso à internet em casa, na África Subsaariana e na
Oceania apenas 16% e 14%, respectivamente, tinham esse recurso de
conectividade. De acordo com a ITU (International Telecommunication
Union - União Internacional de Telecomunicações) (2018), o aumento de
lares com acesso à internet pode ser parcialmente motivado por um
aumento no uso de dispositivos móveis para acessar a internet em casa,
e não por qualquer outra mudança nas conexões de banda larga fixa. 15
Enquanto os indicadores de acesso à internet em casa, as assinaturas de
banda larga móvel e a cobertura 3G aumentaram de 2015 para 2016, a
banda larga fixa registrou uma queda insignificante (0,3 ponto percentual)
no número de assinaturas. Uma explicação possível para o maior
aumento na banda larga móvel do que nas assinaturas de banda larga
fixa pode ser o fato de que a banda larga fixa continua a ser relativamente
cara em países de baixa renda, nos quais, conforme concluído pela
Comissão de Banda Larga, a banda larga fixa custa, em média, mais do
dobro que a banda larga móvel.16
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

5

�1.3 Mais da metade da população do mundo usa a internet
Comparado a outros indicadores de infraestrutura de conectividade, o uso da
internet apresentou a mudança mais dramática, passando de 47,1% (2015) para
51,6% (2016) da população, um aumento de 9,6%. Entre 2015 e 2016, o maior
aumento percentual de internautas foi em países de baixa renda (24,9%) e de
renda média-baixa (11,2%). Em nível regional, a Oceania, o sudeste da Ásia e
o sul da Ásia tiveram o maior aumento percentual de internautas em comparação
com 2015. Embora muitos dos países dessas regiões ainda estejam abaixo da
média mundial, eles continuam a dar passos positivos rumo ao acesso físico
universal à informação em algumas das áreas que enfrentam mais desafios
econômicos ao redor do mundo. (Vide Imagem 1: Progresso regional em
infraestrutura e uso da conectividade de 2015 a 2016).
Em nível de país, nove entre os 10 países que tiveram o maior crescimento da
população que usa a internet estão na África Subsaariana. Desses nove
países, Serra Leoa, Tanzânia, Guiné, Gabão e Moçambique registraram o
maior aumento no número de indivíduos que usam a internet em comparação
com o ano anterior. O Gabão, por exemplo, aumentou o percentual de sua
população que usa a internet de 7% em 2010 para quase 50% em 2016. De
acordo com o Banco Mundial (2018), por meio de uma combinação de
investimentos em infraestrutura de banda larga e da formulação de uma
estratégia digital que estabeleceu um ambiente regulatório mais propício ao
investimento e à concorrência no país, o custo do acesso à internet no Gabão
caiu de uma média de US$18 para US$2.80 por mês. 17

Imagem 1: Progresso regional em infraestrutura e uso de conectividade de 2015 a 2016
(percentual da população)
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Cáucaso
e Ásia
Central

Ásia
Oriental

América
Latina e
Caribe

Cobertura da rede 3G em 2015

Norte da
África

Oceania

Sudeste
da Ásia

População de internautas em 2015

Sul da
Ásia

África

Ásia

Subsaariana Ocidental

Regiões
desenvolvidas

Mundo

2016

Fonte: Grupo de Tecnologia e Mudança Social da ITU - Universidade de Washington

1.4 O percentual de internautas tem aumentado constantemente, mas os desafios
relacionados às desigualdades de gênero e à acessibilidade dos preços da
internet ainda permanecem
A diferença no acesso à internet, considerando-se o gênero, aumentou de 11%
em 2015 para 12% em 2016. Quando se objetiva a participação verdadeiramente
inclusiva e igualitária, é importante observar a conectividade em relação a
diferentes populações, especialmente os grupos historicamente excluídos,
como mulheres e meninas. As pesquisas mostram que mulheres e meninas
enfrentam, com frequência, desafios particularmente difíceis relacionados às
normas sociais e culturais que fazem com que tenham menos probabilidade que
os homens e os meninos de acessar, usar, possuir e criar tecnologia digital e
desenvolver ainda mais suas habilidades digitais. 18 Por exemplo, um estudo
abrangente recentemente publicado sobre o estado da igualdade de gênero no
acesso, nas habilidades e na liderança em tecnologias de informação e
comunicação (ICT) contestou a suposição comumente aceita de que os altos
níveis de adoção do telefone móvel reduziram a disparidade de gênero digital.
Em vez do esperado, a pesquisa mostrou que a diferença persiste nos três
domínios em diversos países, 19 e essa situação é exacerbada ainda mais no
caso das mulheres que vivem em zonas rurais. 20

6

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�De acordo com a ITU (2016), a proporção de homens que usam a internet
continua a ser maior que a proporção de mulheres em dois terços dos países
onde há dados disponíveis, embora não esteja claro em que medida a situação
melhorou nos últimos anos. As estimativas da ITU indicam uma divisão crescente
ao longo de um período de um ano, com a disparidade de gênero em relação ao
uso de internet aumentando de 11% em 2015 para 12% em 2016 (ITU, 2016).
Em nível regional, as estimativas da ITU demonstraram que a diferença de
gênero foi maior na África (23%), e nos Estados Árabes (18%) e menor nas
Américas (2%) para os países que constaram do relatório.21
A acessibilidade dos preços é um importante determinante do acesso
das pessoas à informação
A análise realizada pela Alliance for Affordable Internet (A4AI - Aliança para a
Internet com preços acessíveis) sugere um progresso considerável nos últimos 10
anos em assuntos relacionados à acessibilidade de preços da internet,
especialmente com a redução de preços para serviços móveis. 22 Entretanto, a
incapacidade das pessoas de custearem uma conexão de internet básica
permanece uma das maiores barreiras de acesso. 23 A A4AI define a acessibilidade
como 1GB de dados móveis que custam 2% ou menos do rendimento mensal médio
da pessoa, calculado com base na Renda Nacional Bruta per capita. 24 O último
relatório da A4AI mostra que em 2017 mais de 2 bilhões de pessoas no mundo
ainda viviam em países onde os dados móveis tinham preços inacessíveis. A A4AI
encontrou diferenças de preços consideráveis entre as regiões. Por exemplo, os
dados móveis foram os mais baratos na Ásia (1,54% da renda) versus, por exemplo,
América Latina e Caribe (3,58% da renda) e África (8,76% da renda). Apenas quatro
países africanos atingiram a meta de acessibilidade de preços (Tunísia, Nigéria,
Maurício e Egito).25

2. O contexto social de adoção e uso: oportunidades
de educação para os jovens
Enquanto a infraestrutura de conectividade física fornece às comunidades as
bases tecnológicas para o acesso à informação, o contexto social da adoção e do
uso molda a forma como os indivíduos se envolvem com essa infraestrutura. Uma
multiplicidade de fatores – incluindo a dinâmica social em torno da pobreza, da
raça, da etnia, da desigualdade de gêneros, e uma diversidade de normas sociais
e culturais – influencia a capacidade das pessoas de acessarem e utilizarem a
informação de maneira significativa em suas vidas cotidianas.
Em diversos países, pessoas jovens enfrentam níveis mais altos de pobreza,
desemprego, subemprego e marginalização geral do que os adultos mais
velhos,26 o que justifica o estabelecimento das metas relativas aos jovens nos
ODSs 4 (educação para todos) e 8 (emprego digno) na Agenda de 2030 da ONU.
A análise a seguir enfoca os jovens para ilustrar como o contexto social afeta o
acesso significativo à informação. Especificamente, consideramos o nível de
instrução e seus efeitos sobre as oportunidades para os jovens.
A educação é fundamental para melhorar os meios de subsistência dos
indivíduos, das famílias e das comunidades, e é um veículo importante por
meio do qual crianças e jovens podem aspirar a uma melhora em seus meios
de subsistência. Entretanto, a educação pode manifestar as desigualdades
existentes em muitos países, dificultando o futuro dos jovens.
O acesso significativo à informação está estreitamente ligado à educação.
Claramente, a possibilidade de se conectar à internet pode abrir novas
possibilidades interessantes de acessar materiais e ferramentas de
aprendizagem. Entretanto – de forma crucial – a relação também ocorre na
outra direção, com uma gama de competências, desde a alfabetização
básica até a alfabetização da informação crítica de nível superior, sendo
necessária para otimizar o acesso à informação.
Com isso, vemos que alguns jovens – os com competências para utilizar
a tecnologia e a informação de maneira significativa – podem encontrar
recursos e oportunidades on-line para complementar seus meios de
subsistência ou perspectivas de trabalho, enquanto outros perdem
essas oportunidades. Apenas a conectividade física não pode superar
as barreiras impostas ao acesso significativo à informação se as
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

7

�oportunidades de educação e formação não existirem ou só estiverem
disponíveis para poucos.
Para este relatório, nossa análise baseia-se em dados provenientes de
um indicador:
1. Nível de instrução, isto é, o nível mais alto de formação obtido por
indivíduos com idade igual ou superior a 25 anos – ensino médio e
faculdade (UNESCO)
No geral, ao observar as mudanças no contexto social entre 2006 e 2015,27
vemos uma tendência ascendente na conclusão do ensino secundário
superior* para os países participantes da pesquisa, e estamos mais
próximos de alcançar a igualdade de gênero no ensino primário e no
primeiro ciclo do ensino secundário**, com a parcela de mulheres que obtêm
um bacharelado ultrapassando, na verdade, a parcela de homens.

2.1 A conclusão do ensino secundário superior para os indivíduos com
idade igual ou superior a 25 anos aumentou para 34% no mundo todo
As métricas do nível de instrução – o nível mais alto de instrução que o indivíduo alcançou
– fornecem uma imagem das oportunidades que crianças e jovens têm de progredir ao
longo do percurso educacional. Nossa análise mostra uma tendência ascendente
crescente, em nível mundial, na conclusão do ensino secundário superior. Entre 2006 e
2015 (o último ano com dados disponíveis), as taxas do nível de instrução referentes à
educação secundária superior, sendo este o nível mais elevado obtido, aumentaram de
25,5% para 34,4%. Enquanto isso, os níveis de instrução referentes ao primeiro ciclo do
ensino secundário, sendo este o nível mais alto obtido, variaram ligeiramente de 15,6%
para 16,9%. Entretanto, a conclusão do bacharelado, sendo este o nível mais alto obtido,
diminuiu de 17,8% em 2011 para 14,2% em 2015. (Vide Imagem 2: Tendências do nível
de instrução por nível de formação, 2010-2015.)
Imagem 2: Tendências do nível de instrução por nível de formação, 2010-2015
(percentual da população)
40

35

30

25

20

15

10

5

0
2010
Primário

2011
Primeiro ciclo do secundário

2012
Secundário superior

2013

2014

2015

Bacharéis

Fonte: UNESCO
Nota: O número de países participantes da pesquisa varia ano a ano
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington

Uma importante tendência observada nos últimos 10 anos nos países
participantes da pesquisa é que a igualdade de gêneros, no que concerne
às taxas de nível de instrução, foi alcançada nos níveis de ensino primário
e no primeiro ciclo do ensino secundário.28 Ainda há uma disparidade com
relação ao nível do ensino secundário superior, mas as mulheres superaram
os homens na proporção de conclusão do bacharelado (sendo este o mais
alto grau obtido) desde 2006. (Vide Imagem 3: Tendências do nível de
instrução por gênero, 2010-2015.)
*(N. R.: equivalente ao 1º – 3º anos do ensino médio no Brasil)
**(N. R.: equivalente ao 6º – 9º anos do ensino fundamental no Brasil)

8

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Imagem 3: Tendências do nível de instrução por gênero, 2010-2015
(percentual da população)
Mulheres

Homens

90

90

80

80

70

70

60

60

50

50

40

40

30

30

20

20

10

10

0

0
2010

Primário

2011

2012

2013

Primeiro ciclo do secundário

2014

2015

Secundário superior

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Bacharéis

Fonte: UNESCO
Nota: O número de países participantes da pesquisa varia a cada ano
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington

Os estudos demonstram que os níveis de renda nacional estão diretamente
relacionados ao nível de instrução educacional 29 e as tendências recentes
mostram um progresso positivo, particularmente nos países de renda médiabaixa. De 2014 a 2015, o nível mais alto de grau de instrução para países com
renda média-baixa aumentou tanto na modalidade de nível secundário superior
(de 22% para 36%) quanto no nível de bacharelado (de 9% para 14%).
Em nível regional, os países da África Subsaariana registraram os progressos
mais significativos ao aumentar as taxas de nível de instrução no nível
secundário superior entre 2014 e 2015 (de 12% para 26%). O percentual de
pessoas que obtiveram um bacharelado como o nível de instrução escolar mais
elevado na região caiu de 5% para 3% no mesmo período. A obtenção do grau
de bacharel também diminuiu de 17% para 11% na Ásia Ocidental, mas
cresceu ligeiramente de 2014 a 2015 no Cáucaso e na Ásia Central, regiões
“desenvolvidas”, Ásia Oriental, América Latina e Caribe e Sudeste da Ásia.
Entretanto, a observação dos países “desenvolvidos” ao longo de um período
de dois anos mostra uma tendência descendente na obtenção do bacharelado,
de 20% em 2013 para 15% em 2015.

3. O ambiente jurídico e político: direitos políticos,
direitos civis e a liberdade na rede
O pilar dos ambientes jurídico e político do Marco DA2I relaciona-se ao
ponto até o qual os países implementaram os tipos de objetivos baseados
nos direitos, e as práticas equitativas e participativas que apoiam um
acesso significativo à informação. Isso inclui garantir os direitos das
pessoas à liberdade de expressão, de associação, de participação
política, de ação cívica e segurança e privacidade on-line.
A relação entre as liberdades e o acesso à informação está consagrada
na Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Objetivo 16 dos
ODSs, e particularmente na Meta 16.10, a qual busca “garantir o acesso
público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo
com a legislação nacional e os acordos internacionais.”30
Quando essas liberdades são restringidas, as pessoas são incapazes de
fazer uso pleno do acesso à informação, não apenas para participar da
vida cívica, mas também para comunicar e criar conteúdos
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

9

�relevantes para o benefício de outros. Tais controles rigorosos podem
ter um efeito desencorajador sobre o jornalismo, a pesquisa e a
disponibilidade para buscar informações pessoais.
Esta seção apresenta o estado do mundo no que diz respeito aos direitos
políticos, às liberdades civis e às liberdades on-line. Baseia-se nos índices
da Freedom House (Casa da Liberdade), cujos esforços na coleta de dados
abrangentes avaliam o estado do mundo (e tendências ao longo do tempo)
em uma gama de assuntos, incluindo o direito à informação. 31
Os dois índices usados são:
1. Liberdade no Mundo
2. Liberdade na Rede.

3.1 A liberdade no mundo continua a declinar
O índice de Liberdade no Mundo criado pela Freedom House é composto por
duas classificações separadas sobre direitos políticos e liberdades civis.
• Classificação dos Direitos Políticos: Avalia a capacidade das
pessoas de participar do processo eleitoral, assegurar o pluralismo
político e responsabilizar o governo.
• Classificação das Liberdades Civis: Avalia em que medida as pessoas
podem exercer a liberdade de expressão e de crença, se podem
associar-se e reunir-se livremente, e se existe um estado de direito
igualitário que proteja as liberdades sociais e econômicas.
O índice combinado de Liberdade no Mundo retrata um quadro sombrio
do estado do mundo no que diz respeito ao direito à informação para
todas as pessoas, com implicações gritantes para o futuro da
democracia. De acordo com a Freedom House,32 2018 marca o 12º ano
consecutivo com queda nas classificações relativas aos direitos políticos
e às liberdades civis no mundo. Atualmente, quase 40% das pessoas no
mundo vivem em países classificados como não livres e um quarto vive
em países classificados como só parcialmente livres. 33
Nossa análise mostra que, entre 2010 e 2018, a liberdade declinou na
maioria das regiões do mundo e em quase todos os níveis de renda dos
países. Entre 2017 e 2018, os países de alta renda e de renda média-alta
tiveram os maiores declínios em sua pontuação de liberdade combinada –
incluindo democracias maduras, onde muitos poderiam esperar que as
liberdades não faltariam. Em nível regional, das 10 sub-regiões da ONU,
apenas três (Ásia Oriental, Cáucaso e Ásia Central, e Oceania) registraram
um aumento de liberdade nos dois últimos anos, mesmo esses ligeiros
aumentos regionais foram impulsionados apenas por um grupo de países,
e quase todos os países dentro dessas regiões permanecem parcialmente
livres ou não são livres.34
Os países que registram melhora em matéria de direitos políticos e
liberdades civis, com frequência, viram apenas pequenas melhoras em
suas pontuações, embora diversos países – tais como Angola, Etiópia
e Equador35 – tenham tido pontuações significativamente melhores
devido a importantes desdobramentos que resultaram em expansões
das liberdades. (Vide Imagem 4 para os países que registraram os
maiores ganhos e perdas de liberdade em 2018).

10

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Imagem 4: Países com os maiores ganhos e declínios na pontuação geral em matéria de liberdade, 2017-2018.
Gabon
Tunísia
Turquia
Tanzânia
Maldivas
Polônia
Malta
Líbia
Hungria
Uganda
Sudão
Somália
Jamaica
Haiti
Guatemala
Angola
Afeganistão
Nepal
Equador
Uzbequistão
Timor- Leste
Iraque
-10

Livre

-8

Parcialmente Livre

-6

-4
-2
Mudança na pontuação a partir de 2017

0

2

4

Não Livre

Fonte: Freedom House
Nota: As pontuações refletem melhora ou deterioração dos direitos políticos e das
liberdades civis. Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington.

3.2 Liberdade no Mundo: direitos políticos e liberdades civis
Observando-se os diferentes componentes que constituem os
subíndices da Freedom House em matéria de direitos políticos e
liberdades civis, vemos que na Ásia Ocidental e no Cáucaso e Ásia
Central, os regimes autoritários limitaram ainda mais a capacidade das
pessoas de ter eleições justas e livres. 36 (Vide Imagem 5: Ganhos e
perdas, por região, em matéria de liberdades civis e direitos políticos,
2017 - 2018). Em 2018, comparado ao ano anterior e em relação a outras
regiões, o Norte da África registrou os maiores declínios em múltiplas
áreas, incluindo: o direito à associação e à organização; garantias da
autonomia dos povos e direitos individuais; pluralismo político e
funcionamento adequado do governo por meio da implementação de
salvaguardas contra a corrupção e o nepotismo; e abertura e
transparência no governo.
Embora a causa principal desse declínio das liberdades varie conforme
a região e o país, algumas tendências emergentes afetaram os países
em diferentes níveis de desenvolvimento social, econômico e político.
Talvez a tendência mais preocupante seja a ascensão do autoritarismo
e de governos populistas em diversos países, inclusive em Estados com
longa e estabelecida tradição democrática. 37 Estimulada por uma
crescente desigualdade social e econômica, a desconfiança geral das
pessoas acerca de um sistema político que consideram corrupto e
ineficiente, juntamente com a onda atual de desinformação e
manipulação da informação nas mídias sociais, está criando as bases
para que as forças autoritárias ganhem poder político às custas de
nossos direitos políticos e liberdades civis. 38

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

11

�Imagem 5: Ganhos e perdas, por região, em matéria de liberdades civis
e direitos políticos, 2017-2018, expressos em variação percentual
Cáucaso e Ásia Central

Pluralismo
Político

Regiões Desenvolvidas

6,90

Funcionamento
do Governo

1,27

0,00

Processo
Eleitoral

0,83

0,37

9,52

Estado de Direito

0,00

0,32

Autonomia Pessoal
e Direitos dff
Individuais gffdh

4,08

Liberdade de
Expressão e
de Crença

5,26

1,13

Direitos de
Associação e
de Organização

4,55

0,55

Ásia Oriental

0,29

América Latina e Caribe

Pluralismo Político

3,33

0,48

Funcionamento
do Governo

5,26

1,56

Processo
Eleitoral

0,00

1,54

Estado de Direito

0,00

0,66

0,00

0,54

Liberdade de
Expressão e
Crença

3,33

0,67

Direitos de
Associação e de
Organização

0,00

Autonomia
Pessoal e Direitos

Individuais

Norte da África

Pluralismo Político
Funcionamento
do Governo
Processo
Eleitoral

1,35

Oceania

0,60

12,12

3,13

11,76

0,79

12,50

Estado de Direito
0,69

9,09
Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

8,57

0,00

Liberdade de
Expressão
e de Crença

2,78

0,00

11,54

0,84

Direitos de
Associação e
de Organização

Sudeste da Ásia

Pluralismo
Político

0,00

Funcionamento do
Governo

2,13

Processo
Eleitoral
Estado de Direito
Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

12

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Sul da Ásia

1,96

0,00

2,00

3,08

2,04

2,08

0,00

0,00

Liberdade de
Expressão e
de Crença

1,12

0,00

Direitos de
Associação e
de Organização

4,08

0,00

�África Subsaariana

Pluralismo
Político
Funcionamento
do Governo
Processo
Eleitoral
Estado de Direito

0,00

2,05

2,96

7,69

2,65

42,00

2,32

2,63

Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

0,00
1,82

Liberdade de
Expressão e
de Crença

2,78

Direitos de
Associação e de
Organização

0,74

Direitos Políticos

Ásia Ocidental

1,59
0,00

Direitos Civis

Fonte: Freedom House
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington.

3.3 Liberdade na rede
A classificação “Liberdade na Rede” rastreia os obstáculos ao acesso à
internet, os limites ao conteúdo da internet e as violações dos direitos dos
usuários em 65 países. De acordo com o último relatório da Freedom House
sobre a Rede (2018), 34% da população mundial vivia em países
classificados como “não livres” e 33%, em países classificados como
“parcialmente livres”. Apenas 20% das pessoas viviam em países onde seus
direitos de acesso à internet estavam garantidos.39
Nossas liberdades de acesso à rede já vinham diminuindo há sete anos
consecutivos e, em 2018, esta tendência continuou por um oitavo ano.
De acordo com o último relatório sobre “Liberdade na Rede”:
Dos 65 países avaliados, 26 estão em declínio geral desde junho de
2017, comparados com 19 que registraram melhoras na rede. [No geral],
17 governos aprovaram ou propuseram leis restringindo a mídia on-line
em nome do combate às “notícias falsas” e à manipulação on-line, e 18
países aumentaram a vigilância, frequentemente evitando a supervisão
independente e enfraquecendo a criptografia para obter acesso irrestrito
aos dados. (Freedom House, FON 2018)
Nossa análise sugere que os países de baixa renda sofreram as maiores
perdas nas liberdades on-line de 2015 a 2016, seguidos pelos países de
renda média-alta. Países do Norte da África e do Cáucaso/Ásia Central
registraram a maior diminuição das liberdades on-line em 2016. As
Filipinas, a Turquia e a Arábia Saudita estavam entre os 30 países onde
os governos tentaram manipular o diálogo político e cívico e espalhar
desinformação ao empregar exércitos de “formadores de opinião” para
promover certas agendas políticas e reduzir a oposição na mídia social. 40
A China, o Irã, a Síria, a Etiópia, a Arábia Saudita, o Bahrein, o Paquistão,
Cuba, o Uzbequistão e o Vietnã foram os 10 países com as maiores
restrições às liberdades on-line no mundo em 2016.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

13

�O caminho adiante
Quando observamos os progressos feitos pelas regiões e pelos países
para alcançar o acesso significativo à informação e seu uso entre 2015
e 2018, vemos resultados variados. Os ganhos em conectividade e
educação são compensados por perdas nas liberdades individuais. Em
vez de fazermos sérias incursões para alcançar o acesso significativo à
informação para todos, nossos indicadores mostram que, em geral,
estamos correndo no lugar. Aparentemente, para cada passo adiante, o
mundo deu um passo para trás. Por exemplo:
Houve progresso significativo na construção de infraestruturas de
conectividade, particularmente em países de baixa renda e países de renda
média-baixa, mas essas infraestruturas permanecem subutilizadas.
A existência de infraestrutura de conectividade física é fundament al
para garantir o direito ao acesso significativo à informação. Entretanto,
a capacidade real das pessoas de acessar e usar essa infraestrutura
é determinada por diversos fatores sociais, incluindo pobreza, acesso
a oportunidades igualitárias de educação e empregos dignos para
mulheres e homens, e a presença de um marco jurídico e político que
proteja os direitos de todas as pessoas. Apesar de avanços
significativos na disponibilidade de tecnologias de informação e
comunicação, houve um progresso insignificante para se resolver a
expressiva disparidade de gênero que persiste no uso dessas
tecnologias. E embora a conectividade, particularmente através de
conexões móveis, tenha se tornado mais barata na maioria dos países,
o preço permanece sendo uma barreira intransponível para muitas
pessoas ao redor do mundo.
Uma observação positiva é que o nível de instrução continua a
aumentar em todas as regiões do mundo.
A educação é fundamental para melhorar os meios de subsistência dos
indivíduos, das famílias e das comunidades, e é um veículo importante por
meio do qual crianças e jovens podem aspirar a um emprego digno.
Entretanto, o desempenho educacional pode refletir as desigualdades
existentes em muitos países, dificultando as possibilidades dos jovens. Com
isso, vemos que alguns jovens – os com acesso físico, recursos financeiros e
competências digitais para utilizar a tecnologia e a informação de maneira
significativa – podem encontrar recursos e oportunidades on-line para apoiar
seus meios de subsistência ou perspectivas de trabalho. Porém, quando as
oportunidades de educação, treinamento e emprego não são distribuídas
igualitariamente, os jovens enfrentam obstáculos que o acesso à informação,
por si só, não pode ultrapassar.
Enquanto isso, um declínio generalizado das liberdades é um presságio
de problemas para o futuro da democracia em todo o mundo.
Os limites excessivos às liberdades têm consequências evidentes para a
democracia, pois as sociedades perdem o poder das vozes das pessoas
para decidir a orientação política de seus países. A liberdade de expressão
é a pedra angular da participação política e dos direitos civis e incorpora um
conjunto de valores democráticos que afetam cada aspecto do acesso
significativo à informação. Uma abordagem baseada em direitos de acesso
à informação reconhece que o direito à informação impacta também todos
os outros direitos. Esses direitos são interdependentes e indivisíveis.
Conforme as vidas das pessoas se tornam ainda mais interconectadas
devido às nossas interações on-line, a garantia dos direitos das pessoas à
participação livre e segura em diferentes espaços on-line é mais importante
do que nunca. A noção da internet como uma tecnologia de libertação está
diminuindo à medida que os governos ao redor do mundo estão, cada vez
mais, vigiando seus cidadãos, utilizando a mídia social para espalhar
desinformação e manipular seus eleitores para obter ganhos políticos, e não
protegendo seus povos contra violações de privacidade.
14

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�A escassez de dados sobre indicadores importantes permanece um
obstáculo aos nossos esforços.
Nossos esforços para rastrear o progresso dos países e regiões rumo
ao alcance do acesso significativo e uso da informação estão
severamente prejudicados pela falta de disponibilidade de dados
relevantes. Durante o período entre 2015 e 2018, os dados de muitos
dos 17 indicadores incluídos no marco de DA2I não foram atualizados
ou tornados públicos. Em um mundo supostamente repleto de dados, a
realidade é que há lacunas importantes de dados nos principais
indicadores sociais e econômicos. A escassez de dados não apenas
limita nossa capacidade de avaliar o progresso dos países, como, talvez
ainda mais importante, restringe de forma significativa a concepção de
políticas baseadas em provas que verdadeiramente tratem das
necessidades das diversas comunidades em cada país.

1.

Este capítulo é o segundo fascículo, após o relatório de DA2I publicado em 2017. Vide: Garrido, M. &amp; Wyber, S. Eds. (2017)

2.

Vide: Garrido &amp; Fellows, 2017: 11

3.

Para uma discussão mais aprofundada sobre a importância da abordagem baseada em direitos em relação à Agenda da ONU de 2030, vide,
por exemplo: Nussbaum, (2001) Esterhuysen, A., (2016) e Souter, D., (2016)

4.

https://sustainabledevelopment.un.org/post2015/transformingourworld

5.

Há um volume de pesquisa extenso e bem estabelecido dedicado ao estudo das contribuições do acesso à informação com a finalidade
de fazer avançar os objetivos sociais e econômicos. Numerosos estudos nas áreas de comunicação, especialmente a de comunicação de
desenvolvimento (por exemplo, Castells, 1996; Melkote, 2000; Wilkins, 2000; Castells, Fernandez, &amp; Sey, 2009; Toyama, 2011 Heeks,
2010; Sey et al., 2015; Donner, 2016) e ciências da informação (por exemplo, Burnett &amp; Jaeger, 2011), e, mais recentemente, na área de
engenharia e design centrados no homem (por exemplo, Starbird, 2018) lançaram luz sobre as diferentes formas pelas quais as
comunidades, as organizações da sociedade civil, os governos e as agências internacionais usaram diversos recursos de informação e
comunicação para promover a mudança social

6.

Vide Garrido &amp; Fellows, (2017)

7.

Vide nota de rodapé 5

8.

Vide Pew Internet Research (2016); ITU, (2016 ,2017, 2018); Garrido &amp; Fellows (2017); e EQUALS Research Group, (2019); entre outros.

9.

Vide: Anexo 3 (Glossário dos indicadores de DA2I) está disponível aqui: https://da2i.ifla.org/

10. Para obter informações sobre nossa metodologia e uma discussão sobre os desafios enfrentados, vide Anexo 1 (Processo de Pesquisa)
e Anexo 2 (Curadoria, Processamento e Estratégia de Análise de Dados) aqui: https://da2i.ifla.org/node/50
11. Uma lista de países e sua classificação regional está disponível no Anexo 2 (Curadoria, Processamento e Estratégia de Análise de Dados)
aqui: https://da2i.ifla.org/node/51
12. Informações sobre a classificação do grupo de renda feita pelo Banco Mundial podem ser encontradas aqui:
https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/378834-how-does-the-world-bank-classify-countries
13. Os painéis de DA2I serão divulgados em julho de 2019. Consulte nosso site para obter atualizações: http://tascha.uw.edu/
14. Médias regionais recebem um peso conforme a população do país.
15. Vide: ITU (2018)
16. Vide: Broadband Commission [Comissão da Banda Larga] (2018)
17. Para obter informações sobre o Projeto de Comunicações do Eixo da África Central feito pelo Banco Mundial, vide:
http://projects.worldbank.org/P108368/centralafrican-backbone-apl1a?lang=en
18. Vide, por exemplo: EQUALS Research Group (2019) e ITU (2016, 2017, e 2018)
19. Para uma análise abrangente sobre o estado da disparidade de gênero em matéria de ICT [Tecnologias de Informação e Comunicação], vide:
EQUALS Research Group (2019)
20. Vide: Web Foundation [Fundação Web] (2016)
21. Vide: ITU (2016)
22. Vide: Affordability Report [Relatório de Acessibilidade de Preços] (2018)
23. Ibid
24. Mais informações sobre essa definição de acessibilidade de preços, bem como uma lista dos custos de banda larga móvel por
país, estão disponíveis em https://a4ai.org/mobile-broadband-pricing-data/.
25. Ibid
26. Vide, por exemplo: ILO (2017, 2018); UNESCO (2017, 2018); e UNDP [Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas] (2016)
27. Os dados relativos a 2016 não foram incluídos na análise devido ao pequeno número de países que informaram os dados pertinentes a esse indicador
naquele ano (n=2) 28.
28. UNESCO (2016 e 2017)
29. Vide, por exemplo: ILO (2017, 2018), UNDP (2016)
30. Vide Garrido, Fellows e Koepke (2017)
31. Vide a Metodologia da Freedom House: https://freedomhouse.org/report/methodology-freedom-world-2019
32. Freedom House (2018)
33. Ibid
34. Ibid
35. Ibid
36. Freedom House (2018)
37. Mozilla Foundation [Fundação Mozilla] (2018)
38. Vide: Freedom House (2017 e 2018)
39. Freedom House (2018b)
40. Ibid

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

15

�DA2I

16

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 2
Tornar significativo, tornar igualitário:
o papel das bibliotecas na geração
do desenvolvimento
O fornecimento de acesso à informação é a principal missão das
bibliotecas. Ao adquirir, preservar e organizar as informações e ao permitir
aos usuários que as leiam e as apliquem, as bibliotecas há muito têm
estado no centro de nossa infraestrutura cultural e de pesquisa. São
guardiãs de grande parte do patrimônio documental do mundo, bem como
as fontes das matérias-primas para a inovação.

STEPHEN WYBER
Gestor, Política e Advocacia, Federação Internacional
de Associações e Instituições Bibliotecárias

Também têm uma importante missão social. No século XIX, a construção
de bibliotecas fazia parte do esforço para educar e capacitar os que não
pertenciam à elite. Complementando o movimento para desenvolver os
direitos trabalhistas e a educação universal, as bibliotecas integraram parte
de uma nova provisão de serviços – e oportunidades – a todos.
Embora o mundo tenha mudado, a principal missão das bibliotecas permanece
relevante e, provavelmente, mais do que nunca. À medida que se torna cada
vez mais claro o que pode ser alcançado com a informação, torna-se cada vez
mais imperativo que todos tenham a possibilidade de se beneficiar.
Os custos do não acesso são claros. Conforme detalhado no capítulo anterior,
quem não dispõe de acesso significativo à informação perde oportunidades de
emprego ou de empreender, não consegue envolver-se em pesquisas e
inovação ou na vida cívica, e é impedido de comunicar-se com amigos,
familiares e com quem partilha de seus interesses.
Ademais, a falta de acesso pode afastar as pessoas de suas culturas e, no
nível mais básico, das informações de que precisam para tomar as
decisões certas para si e suas comunidades.
A falta de capacidade para encontrar, acessar, aplicar e criar informações
pode, muitas vezes, reforçar a desvantagem social e econômica, que pode,
por sua vez, aumentar ainda mais as barreiras para o acesso à informação.
Isso, com efeito, cria um gargalo ao desenvolvimento igualitário, tornando
mais difícil a realização dos objetivos da Agenda da ONU de 2030. Como
pretende mostrar este capítulo, as bibliotecas podem proporcionar uma
forma eficaz de sair dessa situação.
Como mostra o Mapa do Mundo de Bibliotecas da IFLA, existem, pelo
menos, 2,3 milhões de bibliotecas pelo mundo. Embora muitas sirvam a
comunidades específicas (tais como as bibliotecas de escolas, bibliotecas
acadêmicas ou especiais - isto é, bibliotecas institucionais ou
parlamentares), o que inclui mais de 357 mil bibliotecas públicas, com a
missão de ajudar todos os seus usuários. Isso representa um enorme
recurso em potencial.
Entretanto, as bibliotecas não existem em um vácuo. Dependem de
diversas condições para existir e serem capazes de cumprir suas missões.
Obviamente, o financiamento é crucial, não apenas para ter um edifício e
equipe adequados, mas também para o acervo e a infraestrutura.
As bibliotecas têm uma relação de mão dupla com os diversos elementos do Marco
de Desenvolvimento e Acesso à Informação (DA2I). Beneficiam-se de um bom
desempenho em cada um dos quatro pilares do Marco, mas, principalmente,
também os apoiam. Na verdade, há um forte potencial para um círculo virtuoso.
Este capítulo explorará essas questões e ilustrará a contribuição que as
bibliotecas adequadamente equipadas podem oferecer. Por fim, relacionará
os exemplos discutidos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

17

�Bibliotecas e conectividade
O primeiro pilar do Marco de DA2I enfoca
a capacidade dos indivíduos de se
conectarem à internet, seja por uma
conexão por fios ou cabos (ou uma
combinação destas e a Wi-Fi), seja por
meio de banda larga móvel. Obviamente,
os usuários de bibliotecas também se
beneficiam da conectividade, e, de fato, as
bibliotecas, cada vez mais, demandam
isso para desempenhar suas missões.
Entretanto, esta seção argumenta que o
fornecimento de acesso público à
internet em bibliotecas é uma parte
fundamental de qualquer estratégia de
conectividade, inclusive nos países mais
avançados. Isso porque o acesso à
internet em bibliotecas representa uma
proposta de valor singular, não apenas
como um trampolim para uma maior
proporção de conexões domésticas,
mas também como complemento para
tal, mesmo que alguns países se
aproximem de 100% no uso da internet.
Em resumo, há uma forte relação de
mão dupla entre as bibliotecas e o bom
desempenho do primeiro pilar do Marco
de DA2I.
Como destacado no primeiro capítulo, o
custo permanece como uma barreira
importante para o uso da internet. O
acesso público em bibliotecas fornece
uma resposta a essa questão,
especialmente quando um esforço é
realizado para garantir que os custos
sejam zero ou o mínimo possível para
quem, de outra forma, não poderia pagar.
Entretanto, o custo é relativo. Quando
alguém vê um grande valor em algo,
estará pronto para pagar um alto preço.
Em contrapartida, se sentir que um
produto ou serviço tem pouco valor, não
estará disposto a pagar nem mesmo um
pequeno valor. Ao oferecer acesso
gratuito ou de baixo custo, as bibliotecas
podem ajudar a superar essa situação,
dando aos novos usuários uma
oportunidade de experimentar a internet
por si próprios. Ao descobrir o que está
disponível, os usuários podem tornar-se
mais dispostos, mais cedo ou mais
tarde, a pagar por uma conexão
doméstica.
Também acontece que, mesmo nos
países mais bem conectados, diversas
pessoas permanecem desconectadas,
por necessidade ou por escolha. Por
todas as razões explicitadas na
introdução, descrevendo os impactos da
pobreza informacional, a presença de
bibliotecas como uma opção de recurso
é
fundamental.
Como
será
posteriormente discutido neste capítulo,
as bibliotecas também oferecem apoio e
18

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

treinamento
complementares
fundamentais que geralmente não estão
disponíveis para um usuário doméstico.

Estudo de caso 1: bibliotecas e
redes comunitárias, Perafita,
Espanha
Uma maneira promissora pela qual as
bibliotecas
podem
apoiar
a
conectividade
é
agindo
como
plataformas e centros de encontro para
redes comunitárias. Essas são redes
locais de internet, de propriedade da
comunidade e por ela administradas,
em vez de grandes provedores de
serviços de internet. Centradas nas
necessidades de uma área local,
provaram ser um meio eficaz de
proporcionar uma conectividade melhor
e mais ampla do que a que o mercado
oferece.
No caso do projeto guifi.net, na
Catalunha, Espanha, a biblioteca da
aldeia de Perafita tornou-se o nó para
uma
ampliação
da
rede.
Considerando-se a posição central da
biblioteca, e o fato de que ela já estava
conectada à internet de alta
velocidade, era um local ideal para
colocar um transmissor. Entretanto,
de forma crucial, ela já oferecia um
telecentro e, por isso, era um bom
local para organizar oficinas e
discussões. A própria biblioteca
observou um maior uso de seus
próprios recursos, enquanto o uso da
internet na comunidade como um todo
aumentou acentuadamente.1

Estudo de caso 2: ‘crianças no
tablet’, Kibera, Quênia
Embora os telefones estejam cada vez
mais onipresentes, muitas vezes, não
são adequados para o aprendizado ou
outras formas mais profundas de
interação com a informação. Por
exemplo, o acesso à tecnologia ainda é
raro no assentamento informal de
Kibera, no Quênia, onde vivem cerca
de um milhão de pessoas. Os jovens
que lá vivem também têm dificuldades
com a educação, sem que ninguém
pertencente ao assentamento jamais
tenha conseguido entrar em escolas
“nacionais” de prestígio, para as quais
o ingresso depende do desempenho
nas provas.2
Para combater isso, o Kenya National
Library Service [Serviço de Biblioteca
Nacional do Quênia] criou o “Kids on
the Tab” [Crianças no Tablet], um
programa que dá às crianças locais o
acesso a tablets pré-carregados com
conteúdo educacional, bem como
apoio para que aprendam a aproveitar
ao máximo a internet como um todo. O

programa funciona com uma agência
educacional e complementa o sistema
formal de educação, com o objetivo de
tornar a aprendizagem mais interativa,
envolvente e eficaz - algo que não seria
possível de outra forma mesmo para
aqueles que, de fato, tinham acesso a
smartphones.
Os resultados foram impressionantes. Já no
início, o programa teve um número de
inscritos superior à oferta de vagas. Um
terço de seus participantes obtiveram
admissão ao ensino médio em escolas
nacionais. As crianças também se tornaram
mais entusiasmadas com a aprendizagem e
desenvolveram competências e habilidades
digitais importantes. Após conseguirem
uma melhor educação na juventude, suas
perspectivas são muito melhores.

Bibliotecas,
igualdade

competências

e

O segundo e o terceiro pilares do Marco
de DA2I abordam os contextos social e
cultural, bem como a capacidade dos
usuários
e
consumidores
de
aproveitarem ao máximo o acesso à
informação.
Esses pilares estão
estreitamente associados aos esforços
para proporcionar maior igualdade e
sistemas de educação eficazes – áreas
com as quais as bibliotecas contribuem
fortemente.
No tocante às competências, as
bibliotecas têm dois pontos fortes que
são únicos. O primeiro é a excelência e
a experiência de sua equipe para
acessar e utilizar a informação. A
biblioteconomia é uma profissão focada
em aprender a navegar no mar de
informações disponíveis, e em ensinar
os outros a fazer o mesmo.
Esse ensino pode consistir em ajudar os
usuários a encontrar o livro ou a
informação correspondente às suas
necessidades. Entretanto, também
implica desenvolver a alfabetização
informacional entre os usuários. Essa é
a competência que permite aos outros
saber onde encontrar, como avaliar e de
que forma utilizar a informação. Com a
crescente preocupação em torno dos
impactos da desinformação deliberada,
a capacidade de identificar a diferença
entre o confiável e o não confiável é uma
resposta vital (com muito menos
repercussões negativas do que os
esforços para banir as “notícias falsas”).

�As pessoas mais velhas são particularmente suscetíveis a serem privadas do acesso
à informação, considerando o risco de serem deixadas para trás por um mercado
focado em novos dispositivos e em usuários mais jovens.
O segundo ponto forte é o fato de que
as bibliotecas estão abertas a todos,
em todos os estágios de suas vidas.
Elas tanto complementam as escolas
(e podem, até mesmo, precedê-las ao
ajudar a desenvolver a alfabetização na
primeira infância) quanto proporcionam
uma
segunda
oportunidade
permanente para quem não obtêm
êxito de imediato na educação formal.
Considerando-se as rápidas mudanças
no ambiente da informação, esse papel
é particularmente vital.
Nesse
contexto, as bibliotecas podem
fornecer elas próprias as competências
capazes de promover o emprego, a
inclusão e o envolvimento cívico, de
maneira mais ou menos formal, ou
podem atuar como uma plataforma
para que outros grupos ofereçam
treinamento.
Além do treinamento de competências,
as bibliotecas também podem ajudar a
resolver formas de desigualdade
resultantes de uma gama de fatores
sociais e culturais. Por exemplo, grupos
inteiros – mulheres e meninas,
migrantes e refugiados, pessoas mais
velhas, portadores de deficiências –
podem ser excluídos das oportunidades
de se beneficiarem com a informação.
Essa exclusão pode ocorrer por meio de
regras formais e práticas culturais (o
direito de possuir um telefone, por
exemplo), uma incapacidade de usufruir
dos serviços públicos (devido a
questões linguísticas), ou uma simples
incapacidade de se adaptar às
necessidades.
Como destacado na introdução, pode
haver o risco de um círculo vicioso em
que os indivíduos ou
grupos
marginalizados também não tenham
acesso às informações de que precisam
para melhorar suas vidas. Isso, por sua
vez, apenas reforça sua exclusão. Tem
havido discussões sobre a ligação entre
pobreza de informação e outras formas
de pobreza e, portanto, sobre a
necessidade
de
intervenções
(principalmente por meio de bibliotecas)
para romper esse círculo.
Aqui, também, as bibliotecas têm um
papel a desempenhar ao oferecer um
serviço universal. Isso decorre tanto da
natureza do espaço que fornecem
quanto do desenvolvimento dos serviços

para
atender
às
necessidades
específicas. O Relatório de 2017 de
DA2I, por exemplo, ilustrou o papel
particular das bibliotecas na promoção
da igualdade de gênero no acesso à
3
informação.
Estudo de caso 3: gen connect
[conexão gen], Shoalhaven,
Austrália
O potencial das bibliotecas como uma
plataforma para o fornecimento de
competências inclusivas é realçado
pelas Bibliotecas de Shoalhaven, na
Austrália. Em uma comunidade de cerca
de 100.000 pessoas, quase um terço das
famílias é composto por pessoas idosas
que nunca tiveram filhos ou cujos filhos
4

se mudaram.

As
pessoas
mais
velhas
são
particularmente suscetíveis a serem
privadas do acesso à informação,
considerando o risco de serem deixadas
para trás por um mercado focado em
novos dispositivos e em usuários mais
jovens. Isso pode resultar, por exemplo,
em solidão e não aproveitamento dos
serviços do Governo disponíveis on-line.
Como resultado, a biblioteca de
Shoalhaven decidiu atuar para ajudar a
garantir que todos os residentes da
cidade pudessem desenvolver as
competências necessárias para utilizar
as novas tecnologias.
Em vez de oferecer cursos formais, a
biblioteca buscou as escolas locais para
encontrar jovens voluntários, os quais
ficaram mais que satisfeitos em partilhar
suas habilidades na utilização de
dispositivos e serviços. As pessoas mais
velhas, então, puderam beneficiar-se de
uma hora grátis, por semana, de apoio
individual de seus novos e mais jovens
“tutores”, no escopo do “Gen Connect”.
Embora para os mais velhos, a
aprendizagem fosse o aspecto mais
importante do que viam como um
programa altamente bem sucedido, a
chance de conectar-se com os membros
mais jovens da comunidade ficou em
segundo lugar. Os próprios jovens
tutores particularmente gostaram das
relações criadas. No geral, o Gen
Connect não apenas desenvolveu
competências digitais, mas também
ajudou a combatera exclusão e construiu

um senso mais forte de comunidade.
Estudo de caso 4: leitura para os cães,
Bascortostão, Federação Russa
As pessoas portadoras de deficiências
estão, especialmente, em risco de
usufruir de menores oportunidades
educacionais que os demais, em virtude
da falta de materiais e apoio relevantes,
o que aumenta seu potencial de serem
excluídas na velhice. Particularmente,
as crianças com deficiências podem
sofrer com a falta de confiança de ler em
voz alta para os adultos e seus pares, o
que os impede de fazê-lo e, portanto, de
desenvolver uma habilidade fundamental
para o aprendizado, em geral.
Bibliotecas na República Russa de
Bascortostão têm buscado romper
esse círculo ao oferecer a terapia de
leitura canina – leitura para os cães em
vez
de
pessoas.
Tem
sido
demonstrado que isso pode remover a
hesitação ou o constrangimento que as
crianças poderiam sentir de outra
forma.
Esse serviço tem sido
particularmente útil para famílias mais
pobres, que não podem custear
opções particulares mais caras.
O programa levou a uma maior
confiança na leitura e na comunicação
com os outros, e ajudou a desenvolver
a competência das crianças de ter
empatia com os outros, levando a uma
5

maior integração social.

Case study 5: learn to discern, Ukraine
Dada a preocupação com a
desinformação deliberada on-line, o
exemplo do projeto Aprender a
Discernir, comandado pela IREX, na
Ucrânia, é poderoso. Em uma época de
alta tensão política, os ucranianos têm
sido submetidos ao uso da informação
de forma amplamente politizada, com o
risco da criação de um sentimento de
6

apatia e desinteresse da população.

A abordagem da IREX objetiva ir além
do
conteúdo
tradicional
de
alfabetização da mídia, principalmente

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

19

�porque muitas pessoas atualmente
acessam suas notícias pelas redes
sociais em vez dos sites tradicionais de
notícias. Por meio de um currículo
interativo talhado para o ambiente e as
necessidades da mídia local, e da
formação de 428 treinadores de
alfabetização midiática de base, foi
possível criar cursos tanto nas
bibliotecas
quanto
em
outras
instituições. Com uma abordagem em
cascata, os que participaram dos cursos
foram, então, incentivados a disseminar
o aprendizado com aqueles ao seu
redor, complementado por outdoors em
locais públicos. De maneira crucial, os
que
trabalham
em
bibliotecas
garantiram que o projeto fosse aberto a
pessoas de todas as idades em todo o
país, e não limitado aos jovens.
The project has had a measurable
impact, with half of participants regularly
fact-checking news three months after
the course, up from 21 percent before.
Ninety- two percent had checked news
at least once, and 91 percent shared the
skills gained. Meanwhile, a survey of the
people who saw
the billboards and advertising campaign
in its first two weeks showed that 54
percent identified that they needed
media literacy training.
Outros exemplos
Ao fornecer competências, é preciso
adaptar o conteúdo às necessidades
dos indivíduos. As necessidades
específicas dos jovens – em particular
os que podem estar em risco de
marginalização por outras razões, tais
como falta de habitação ou sexualidade
– podem representar um desafio
específico, mas a dedicada equipe da
biblioteca e a disposição para ouvir
7

podem fazer a diferença.

desempenho nessa área, quanto
contribuíram para ela.

estar bem informados.

É claro que as próprias bibliotecas
beneficiam-se
da
liberdade
de
expressão (inclusive da liberdade de
publicação), o que apoia um forte fluxo
de novos livros, artigos e ideias. Sem
essa oferta, as bibliotecas não teriam
muita informação à qual dar acesso.
Infelizmente,
existem
diversos
exemplos de leis (e um medo delas,
ensejando a autocensura) fazendo com
que materiais sejam censurados ou
mesmo retirados das estantes das
bibliotecas.

11

As bibliotecas também são menos
capazes de apoiar os pesquisadores e
os autores quando há menos liberdade.
Quem faz pesquisa confia na liberdade
acadêmica para prosseguir em seu
trabalho, em consonância com o seu
melhor juízo.
Entretanto, como mencionado, as
bibliotecas também ajudam a tornar
os direitos uma realidade. Em um
nível básico, a relação entre a
liberdade de expressão e o livre
acesso à informação está clara na
Declaração Universal. Ao dar às
pessoas a possibilidade de ler e
aprender, as bibliotecas capacitamnas a criar.
As bibliotecas também apoiam a
governança transparente e participativa.
Muitas perceberam seu potencial como
lugares para ajudar os usuários a
aproveitar as iniciativas abertas dos
governos,
para
incentivar
a
conscientização e o envolvimento
políticos. Há também exemplos de
bibliotecas que simplesmente ajudam os
usuários a entender seus próprios
9

direitos e, assim, colocá-los em prática.
A mesma necessidade de adaptar a
programação está presente em outros
grupos de risco. Há exemplos de
bibliotecas
que
desenvolveram
programas para apoiar o emprego e o
empreendedorismo entre mulheres (na
China e no Norte da Macedônia), entre
ciganos (na Croácia) ou entre
imigrantes (na Suécia), para apresentar

Por fim, as bibliotecas podem apoiar os
esforços para construir sociedades mais
pacíficas e estáveis, não apenas pela
promoção da inclusão nos seus serviços
e acervos, mas também como
instituições de memória que podem
10

possibilitar a cura e a reconciliação.

8

apenas poucos casos.

Bibliotecas e liberdades
O quarto pilar do marco de DA2I
analisa as legislações fundamentais
que dizem respeito à liberdade de
expressão e à liberdade de acesso à
informação. Como nas seções
anteriores, as atividades das
bibliotecas tanto ganharam melhor
20

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Ao
trabalhar
com
a
União
Interparlamentar,
a
biblioteca
desenvolveu
um
programa
de
treinamento para a equipe local, com os
bibliotecários parlamentares de outros
países dedicando um tempo para
partilhar conhecimentos e práticas. O
resultado foi um serviço de pesquisa
operacional cujo trabalho, mesmo no
primeiro ano, foi usado por quase todos
os
membros
do
parlamento,
notavelmente em questões como
violência doméstica, empréstimos
internacionais para o desenvolvimento

Estudo de caso 6: Biblioteca
Parlamentar, Myanmar
Em Myanmar, como parte da transição
para a democracia, a necessidade de
uma biblioteca parlamentar eficaz foi
reconhecida pelo governo e pelos
doadores. Com os membros do
parlamento ganhando novos poderes
para examinar as decisões do executivo
e responsabilizá-lo em nome de seus
eleitores, os parlamentares precisavam

e reforma da legislação fundiária.

Estudo de caso 7: centro de acesso à
informação jurídica, Nova Gales do
Sul, Austrália
Embora a lei seja aplicada nos
tribunais,
esses
não
são,
normalmente, os melhores lugares
para acessar informações jurídicas.
As próprias bibliotecas jurídicas
tendem a estar localizadas dentro das
universidades, e, portanto, não
necessariamente
acessíveis
ao
público em geral. Entretanto, a
experiência dos bibliotecários jurídicos
é, sem dúvida, útil para as pessoas
que procuram entender e fazer valer
os seus direitos.
O Legal Information Access Centre
(LIAC - Centro de Acesso à
Informação Jurídica), localizado em
Nova Gales do Sul, na Austrália, tem
um recorde de quase 30 anos na
oferta de acesso à justiça por meio do
serviço Find Legal Answers (Encontre
Respostas Jurídicas) em bibliotecas
públicas.
O LIAC resulta da colaboração entre a
Biblioteca Estadual de Nova Gales do
Sul e a Fundação de Leis e Justiça de
Nova Gales do Sul; esse centro
produziu
materiais
que
são
compreensíveis ao público em geral,
bem como treinou bibliotecários
públicos para ajudar as pessoas a
utilizarem esses materiais.
As
bibliotecas, então, têm trabalhado com
organizações que representam grupos
que podem ter maiores necessidades
de apoio, como a Associação dos
Locatários. O serviço recebeu um
feedback quase que unanimemente
positivo dos usuários, cujo número está
12

crescendo acentuadamente.

�Outros exemplos
Nos Estados Unidos, uma rede está
desenvolvendo o potencial das
bibliotecas como centros onde o
público pode usufruir ao máximo dos
dados abertos. A natureza pública,
mas menos formal, das bibliotecas as
tornam um lugar ideal para os
indivíduos trabalharem com essas
informações. A Biblioteca Pública de
Chattanooga, por exemplo, está
operando, desde 2014, o portal de
dados abertos on-line da cidade e,
atualmente, hospeda 280 bases de
dados que receberam centenas de
milhares de visitas.13
Medellín, na Colômbia, também
testemunhou
um
exemplo
poderoso das bibliotecas que
atuam, inclusive, como centros
para a armazenagem de dados
abertos, neste caso, sobre poluição
do ar. A Fundação Makaia
trabalhou em conjunto com as
bibliotecas municipais e locais para
instalar sensores de poluição nas
agências, e, assim, fornecer aos
usuários
o
treinamento
em
alfabetização de dados para serem
capazes
de
interpretar
as
informações recebidas. O projeto
tem tido forte participação, com um
aumento da compreensão sobre a
questão da poluição do ar, e maior
envolvimento nas discussões do
governo municipal sobre como
reduzi-la.14
Há, também, esforços para
incentivar o envolvimento no
processo político em nível
nacional nos Estados Unidos. A
Biblioteca Pública Columbus,
em Wisconsin, organizou uma
1.
2.
3.
4.
5.

6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.

Votação Infantil, incentivando
os jovens tanto a ver como a
democracia funciona quanto a
discutir
os
méritos
dos
diferentes candidatos. 15 Uma
campanha maior no decorrer
das eleições intermediárias, em
novembro
de
2018,
testemunhou as bibliotecas do
país incentivando a participação
e envolvimento dos eleitores
nas questões. Enquanto isso,
em Taiwan, na China, as
bibliotecas identificaram tópicos
importantes
de
discussão
política
nas
eleições
e
forneceram cursos e listas de
leitura
aos
usuários
de
bibliotecas
para
que
compreendessem melhor as
questões subjacentes.16

Conclusão:
ODS

A conexão

Os exemplos dados neste trabalho
fornecem ilustrações, de todo o
mundo, da contribuição que as
bibliotecas podem dar para fortalecer
cada um dos pilares do acesso
significativo à informação no âmbito
do Marco de DA2I. Ao possibilitar a
conectividade e o acesso à
tecnologia, ao proporcionar o
desenvolvimento de competências e
o aprendizado a todos (mesmo a
quem
está
sob
risco
de
marginalização) e ao fortalecer a
democracia e a responsabilização, as
bibliotecas
estão
fazendo
contribuições reais.

seções. Isso reflete a insistência na
Agenda de 2030 da ONU de que as
ações em diferentes áreas de
desenvolvimento
estão
interconectadas. Também é um
lembrete de que as bibliotecas estão
bem posicionadas para apoiar a
realização de todos os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável.
No resto do Relatório deste ano sobre
Desenvolvimento
e
Acesso
à
Informação, os especialistas discutirão
o papel do acesso à informação na
concretização de cinco dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável em
foco no Fórum Político de Alto Nível de
2019. 17 Em cada uma dessas áreas,
há provas de como as bibliotecas
podem fazer a diferença.
Os diversos impactos das intervenções
nas bibliotecas também retomam o
conceito
de
“aceleradores
de
desenvolvimento”
proposto
pelo
Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento. 18 Isso estabelece
uma abordagem ao planejamento que
identifica ações que podem trazer o
progresso em várias frentes por meio
da resolução dos principais “gargalos”.

– Como apresentado na introdução, se
a pobreza informacional – a falta de
acesso significativo à informação – é
um gargalo, então, as bibliotecas do
mundo parecem ser um forte
exemplo
de
acelerador
de
desenvolvimento. O único desafio
agora é garantir que todas elas
tenham o reconhecimento e o apoio
de que precisam para alcançar esse
Um ponto a ser destacado é que
potencial.
muitos dos exemplos dados poderiam
ser citados em mais de uma das

Baig, R. (2018)
Histórias dos ODS da IFLA, Biblioteca em Kibera, o maior assentamento informal da África, melhora o acesso à informação,
https://librarymap.ifla.org/stories/
Vide ensaio de Nancy Hafkin, discutindo a interação de gêneros e o acesso à informação em Garrido, M. and Wyber, S. (2017), Development
and Access to Information [Desenvolvimento e Acesso à Informação] 2017
Histórias dos ODS da IFLA: Conectando Gerações na Biblioteca, https://librarymap.ifla.org/stories/Australia/CONNECTING-GENERATIONS-TOBUILDTECHNOLOGY-SKILLS-AT-THE-LIBRARY/125
Histórias dos ODS da IFLA: Crianças portadoras de necessidades especiais leem para cães para desenvolver competências linguísticas na biblioteca,
https://librarymap.ifla.org/stories/Russian-Federation/CHILDREN-WITH-SPECIAL-NEEDS-READ-TO-DOGS-TO-DEVELOP-LANGUAGE-SKILLS-ATTHE-LIBRARY/127
IREX (2019)
Walsh, B. (2018)
FLA (2019)
American Association of Law Librarians (2014) [Associação Americana de Bibliotecários Jurídicos]
IFLA (2018)
Fraser e Myat Kyaw (2015)
Scarf, P. (2016)
Poon, L. (2019)
Makaia (2017)
Fesemye, C. (2018)
Lin and Zhong (2016)
ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 8 (Trabalho Digno e Crescimento), ODS 10 (Redução de Desigualdades), ODS 13 (Ações Relativas ao
Clima) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Fortes).
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento: www.undp.org

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

21

�DA2I

22

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 3
Educação de qualidade e
aprendizagem contínua para
todos – Foco nas pessoas
O objetivo do ODS 4
Quando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) foram adotados
pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 2015, foram bem acolhidos
pelos Estados-Membros, pela sociedade civil e por outras partes interessadas. A
Agenda 2030 visa proporcionar um quadro de referência universal para o
desenvolvimento sustentável que possa unir esforços para melhorar vidas e
salvar o planeta.

DR KATARINA POPOVIĆ
Secretária-Geral, Conselho Internacional de
Educação de Adultos

Na sequência dos 15 anos da Agenda de Desenvolvimento do Milênio, os ODSs
não só trouxeram novos temas para a agenda (como mudanças climáticas,
desigualdade econômica, inovação, consumo sustentável, paz e justiça), como
também se destacaram por seu caráter universal, na medida em que atribuíram
responsabilidades tanto aos países industrializados desenvolvidos quanto aos
países em desenvolvimento. Houve também uma maior ênfase no caráter
interligado dos objetivos e na noção de que o sucesso em uma área poderia
desbloquear o potencial das outros.
Esse é, em grande medida, o caso da educação. Toda a Agenda 2030 reflete
claramente essa visão da importância transversal de uma resposta educacional
adequada. A educação é explicitamente formulada como um objetivo autônomo
– Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 ("Garantir uma educação de
qualidade, inclusiva e equitativa, bem como promover oportunidades de
aprendizagem permanente para todos"), mas também é considerada crucial para
a realização de muitos outros objetivos. A educação e a aprendizagem
permanente são o fio condutor que atravessa a implementação de todos os 17
ODSs.
As expectativas da educação são muito altas: É um pré-requisito para a redução
da pobreza, bem como para a ocupação remunerada e o trabalho digno. É
também crucial para o crescimento sustentável, a construção da coesão social, a
prosperidade e a promoção dos direitos humanos, bem como da igualdade. Os
objetivos estão claramente expressos nas metas do ODS 4 (ONU, 2015),
enquanto numerosas metas e indicadores relacionados à educação também
estão contidos em outros ODSs.
O acesso à informação é um fator-chave para o sucesso aqui. Parafraseando
Paulo Freire, quando as pessoas não sabem ler as palavras nem o mundo, não
têm possibilidades de mudar suas próprias vidas, nem a situação em nível
nacional, nem tampouco de ter informações e conhecimentos sobre as questões
pelas quais poderiam lutar em nível global.
É fato que, em nível governamental, existe um forte enfoque na necessidade de
reunir dados e informações confiáveis como "chave para a tomada de decisões"
para apoiar a implementação da Agenda. Isso abrange a reunião de dados e
informações a partir dos mecanismos de comunicação existentes, o
desenvolvimento de novas metodologias para a coleta de dados e "esforços para
reforçar as capacidades estatísticas nos países em desenvolvimento".
Quando se trata do acesso à informação por "pessoas comuns" – para quem
toda a agenda é criada – há uma ampla referência ao "acesso à informação" (no
ODS 16), mas também muitas referências à informação para uso prático, tais
como informação "sobre reservas alimentares", "serviços de saúde, inclusive para
planejamento familiar", ou "informação e consciência para o desenvolvimento
sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza".
Isso é
complementado pelo debate sobre a eliminação do fosso digital e a
disponibilização de "acesso às tecnologias da informação e das comunicações"
e "acesso universal à internet a preços razoáveis".
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

23

�Nos países que lutam com dificuldades orçamentárias ou com a falta de
capacidade para desenvolver políticas, a falta de acesso à informação pode
impedir o progresso. Mesmo que existam medidas em âmbito nacional ou regional,
não está claro se a informação relevante estará acessível a todos.
O acesso à informação é também
essencial para que a educação
alcance a todos. Os potenciais
estudantes precisam saber sobre as
oportunidades
disponíveis,
precisam
interagir
com
a
informação como parte do processo
de aprendizagem. Tanto eles
quanto o governo precisam de
informação para avaliar o sucesso
das iniciativas políticas nas áreas.
Este estudo explora algumas das
questões-chave na concepção e
implementação do ODS 4, e como o
acesso à informação contribui para
o sucesso.

2. Pessoas, não políticos:
ajudando todos a aprender.
Uma primeira questão fundamental
advém do fato de a Agenda 2030
como um todo – e, claro, o ODS 4 –
estar centrada nas pessoas. Como
resultado, as pessoas devem estar
no centro da sua implementação e
beneficiar-se
da
mudança
transformadora que promete, em
vez de estarem simplesmente
sujeitas às decisões dos outros. Se
informação é poder, o acesso à
informação é crucial para que as
pessoas sejam empoderadas e,
portanto, os ODSs alcançados.
No entanto, existe o risco de que
sejam envidados mais esforços
para reforçar as capacidades dos
governos,
notadamente
para
monitorizar o progresso (o que é de
fato importante, mas não deve ser o
único foco), do que para apoiar o
acesso de todos à informação.
Considerando que quem tem
acesso à informação relevante
detêm o poder, é crucial que o
acesso
à
informação
seja
observado como um direito humano
ou cívico, como também o direito de
todas as pessoas a quem a Agenda
se dirige, para que possam assumir
o papel de agentes de mudança.
Quando se fala em garantir os
direitos dos indivíduos, é importante
recordar o lema da Agenda 2030:
"Ninguém fica para trás." Em outras
palavras, deve ser para todos os
países e grupos de pessoas.
Ninguém deve ser excluído. Mas
24

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

isso continuará apenas no plano
das boas intenções, se as coisas
continuarem como estão. Quando
se trata de educação e informação,
devemos observar as condições
enfrentadas por pelo menos dois
grupos.
Em primeiro lugar, as pessoas nos
países
menos
desenvolvidos
enfrentam diversas formas de
marginalização e privação. Nos
países que lutam com dificuldades
orçamentárias ou com a falta de
capacidade
para
desenvolver
políticas, a falta de acesso à
informação
pode
impedir
o
progresso. Mesmo que existam
medidas no âmbito nacional ou
regional, não está claro se as
informações relevantes estarão
acessíveis a todos. A vasta
experiência demonstrou que uma
orientação adequada é útil em
termos de troca de informações
sobre
as
possibilidades
de
educação, ofertas e disposições
que possam ser adequadas,
especialmente na educação não
formal. Esse pode ser o caso de
todos, desde pessoas em grandes
áreas urbanas que vivem em
condições de favela até pessoas em
zonas rurais remotas, que estão
completamente
isoladas
de
qualquer fonte de informação
relevante. Elas correm o risco de
desconhecer as possibilidades de
que dispõem, mesmo que existam,
reduzindo a eficácia até mesmo das
políticas mais bem concebidas.
O mesmo princípio aplica-se no
contexto das fases de definição da
agenda do ciclo político. Aqui, existe
o risco de uma comunicação
unilateral em que os "beneficiários"
– especialmente em países menos
desenvolvidos – são receptores
passivos de informação que foi
selecionada, moldada, "embalada",
interpretada e distribuída em
centros de poder que excluem a
participação de "pessoas comuns".
As narrativas dos ODSs e os meios
de implementação são criados
principalmente pelos atores globais,
e os "beneficiários" são, na melhor
das hipóteses, informados sobre
isso. Raramente têm sequer a
oportunidade de dar feedback ou de

participar de forma ativa
processos de transformação.

nos

Em segundo lugar, os adultos e as
pessoas idosas correm também o
risco de ficar para trás no contexto
dos esforços de educação. Nos
ODSs, os adultos aparecem como
um grupo-alvo apenas no Objetivo
4.6 - relacionados à alfabetização e
aritmética, com indicadores de
sucesso
muito
vagos
("uma
proporção substancial de adultos...").
A referência à "aprendizagem
permanente” também não ajuda.
Embora o conceito já tenha sido bem
acolhido por seus esforços para
promover a educação contínua, que
coloca o aluno no centro, não
cumpriu o que prometeu e deixou a
porta aberta a uma concentração de
recursos nos alunos mais jovens, em
detrimento dos mais velhos. Além
disso, enfocar na pessoa e insistir
nos indivíduos acabaram por dar aos
adultos
plena
responsabilidade
pessoal (sobretudo financeira) por
sua aprendizagem, o que diminuiu a
responsabilidade do Estado. A
ênfase na educação não formal e na
aprendizagem em geral (em vez de
na educação) enfraqueceu as
estruturas educativas e o apoio
institucional, colocando os resultados
educativos no topo da agenda
(negligenciando ao mesmo tempo as
estruturas
e
os
processos
educativos). Assim, a aprendizagem
permanente continuou como um
quadro vazio no qual a educação de
adultos
desapareceu.
A
marginalização desse setor ganhou
um instrumento poderoso, uma
desculpa apoiada pela abordagem
política de alto nível. (Orlović e
Popović, 2018, p. 7)
Os adultos também pertencem ao
grupo que, em comparação com os
jovens, têm menos acesso à
informação sobre as possibilidades e
opções de educação.

�Isso pode ocorrer por razões
geográficas, econômicas ou políticas,
ou porque existe um estigma social,
vergonha ou más experiências
educativas
anteriores
que
os
impedem de procurar informações,
chances,
oportunidades
e
perspectivas.
O aumento da importância atribuída
ao acesso digital da informação pode
renegá-los ainda mais – muitos
estudos mostram que os adultos e as
pessoas mais velhas podem ter
relutância ou menos êxito na
utilização das TICs (Tecnologias da
Informação e da Comunicação). Um
enfoque exclusivo nos recursos
digitais priva-os dos materiais a que
estão habituados, como os materiais
físicos existentes nas bibliotecas, e
minimiza suas chances de obter
aconselhamento
significativo,
relevante e adequado sobre tipos de
informação, áreas de conhecimento e
métodos de aprendizagem que
podem
obter
nas
estruturas
educativas.

3. Tecnologias digitais – uma
ferramenta necessária, mas
não uma solução infalível
Se há uma característica dominante
da nova Agenda, é a fé nas TICs e
na digitalização como uma "solução
infalível". O alto nível de confiança
no poder da tecnologia baseia-se
em vários projetos bem sucedidos
onde
telefones
celulares
ou
computadores vêm sendo usados
para alcançar objetivos com
determinado grupo-alvo.
Não se pode negar que as tecnologias
digitais desempenham um papel
especialmente
central
na
implementação da Educação 2030 e
do ODS 4.
Mas é errado
compreender a informação apenas
num contexto digital. Nem toda a
informação é digital e nem todo o
conhecimento tem de ser, ou deveria
ser, baseado em informação digital.
Concentrar-se na informação digital e
negligenciar
outros
tipos
de
informação leva à perda de áreas e
fontes de informação e conhecimento
mais amplas.
Deve-se também lembrar que o
pronto acesso à internet e às
ferramentas digitais ainda não é
uma realidade para grande parte do
mundo e da população humana. A
difusão da Internet veio com uma
"fosso digital" entre ricos e pobres.

Afirmando que é universal, a
Agenda 2030 corre o risco de ver o
mundo através das lentes da
realidade
dos
países
mais
desenvolvidos. Chakravorti adverte:
"Uma vez que os atores digitais
globais localizam-se no Norte
Digital, grande parte das queixas
das sedes administrativas ainda são
sobre problemas do Norte Digital. É
tempo de reconhecermos que o Sul
Digital está pronto para forjar o seu
próprio caminho. Suas atitudes e
engajamento com a tecnologia são
diferentes."
(2018)
Isso
tem
definitivamente um impacto na
forma como as tecnologias são
utilizadas na educação e como a
informação é recebida e tratada em
diferentes partes do mundo.
É também fundamental não tomar um
meio para atingir um objetivo. Embora
as TICs possam ser um grande apoio
aos esforços educativos, são apenas
um instrumento; as "boas e velhas
questões" da educação permanecem:
Qual é o conteúdo? Quem está
criando e para quem? Que tipo de
informação deve ser dada, pensada e
como?
Quem está fazendo o
monitoramento e a avaliação e como?
Todos os usuários são realmente
capazes de assumir todo o processo
educativo, sem orientação, apoio ou
feedback?
Algumas
plataformas
interativas
oferecem resposta limitada a essas
questões, mas está longe de ser verdade
que a Internet possa substituir partes
importantes do sistema educativo. É
também cada vez mais evidente que
existem riscos associados à utilização
extensiva da Internet e das redes sociais
entre os jovens. As tecnologias digitais e
as
redes
sociais
efetivamente
revolucionarão nosso mundo e a forma
como vivemos e trabalhamos, mas não
de forma excepcionalmente positiva.
Na educação de adultos, há muitos
grupos-alvo que precisam de mais
do que as competências para utilizar
a tecnologia digital para se tornarem
aprendizes
independentes.
Especialmente
com
grupos
marginalizados
de
baixa
alfabetização, a motivação é de
importância crucial. Um professor
ou facilitador incentivador, um grupo
e ambiente de apoio, bem como
métodos
e
atmosfera
empoderadores
são
mais
importantes para esse tipo de
grupo-alvo, e desempenham um
papel crucial na redução do risco de
evasão escolar.

Além disso, uma aprendizagem
eficaz exige, por vezes, sair da zona
de
conforto
e
experimentar
dissonâncias
cognitivas
ou
desconforto quando os nossos
estereótipos ou "pontos cegos" são
questionados.
Ler livros que
resistiram ao teste do tempo, ter um
professor reflexivo que inspira
pensamentos críticos, ou ter a
experiência do contato direto com as
artes visuais são ações cujo impacto
não deve ser subestimado no
processo de educação, mesmo que
não possam ser capturados em
metas ou indicadores.
As complexas questões da motivação
humana, da relutância, do medo, da
vergonha e das necessidades
dificilmente podem ser resolvidas por
soluções tecnológicas rápidas. A
questão não reside, obviamente, em
saber se a tecnologia digital deve ser
utilizada, mas sim como. Uma
abordagem mista é necessária, mas
parece ser ignorada ou negligenciada
no ODS 4.

4. Educação e interação
significativa com a informação
Um foco na "oferta" de educação também
pode ignorar o fato de que o
conhecimento,
especialmente
na
educação de adultos, é criado através da
comunicação bidirecional. A abordagem
unidirecional, que corre o risco de ser o
caso com o atual entendimento mais
restritivo de "acesso à informação",
assume fontes de informação fixas,
estáveis e confiáveis, de um lado, e
receptores passivos, do outro.
Essa é uma compreensão muito
tradicional, mesmo obsoleta, da
educação e do ensino, e cada vez mais
inadequada, especialmente para a
educação de adultos. Para serem
agentes ativos no fornecimento do
desenvolvimento, as pessoas precisam
de ser capazes de ser cocriadoras do
conhecimento baseado na informação.
Em relação ao ponto anterior, uma
condição fundamental para a cidadania
ativa é o pensamento crítico. As pessoas
são capazes de refletir sobre o seu
próprio processo de aprendizagem e
como lidarão com as contradições,
dificuldades e desafios desse

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

25

�processo? Elas têm as competências
mais amplas (incluindo valores éticos)
que poderiam se opor às "notícias
falsas" e ao mau uso da mídia digital?
São necessários esforços muito mais
intensos para desenvolver o acesso
crítico à informação, bem como a
alfabetização mediática, permitindo aos
cidadãos questionar as fontes de
informação, avaliá-las e reconhecer
vários
tipos
de
propaganda,
manipulação e fraude. Com efeito, o
pensamento crítico e a leitura crítica da
informação são ainda mais essenciais à
medida que o papel das TICs cresce,
mas não podem coroar-se de êxito
apenas pela utilização das TICs.
Muitos dos problemas atuais que o
mundo está enfrentando não se devem
à falta de conhecimento digital puro,
mas à falta de competências e atitudes
relacionadas. Isso requer muito mais do
que a capacidade física para apoderarse de um livro ou conectar-se à internet.
Os espaços não virtuais e a interação
com recursos escritos são importantes,
não só para as técnicas de leitura e
escrita, que são cruciais para as
competências de alfabetização, mas
também
para
reconhecer
e
compreender três aspectos cruciais da
informação: contexto, conteúdo e
significado.

5. Além das métricas, um foco
necessário nos resultados e
recursos
Há implicações decorrentes da
forte concentração na medição1,
que pode levar à negligência de
todas as áreas da educação e dos
fatores-chave que estão na base do
sucesso.
Certamente, é positivo que tenha
havido um impulso para escolher
indicadores
que
sejam
"cientificamente
robustos
e
baseados em evidências" (UNSD,
2015). Eles ajudam a tornar a
coleta de dados mais confiável e
transparente, como também fácil
de monitorar. No entanto, essa
abordagem corre o risco de criar
uma espécie de "mantra", em que
"o que escolhermos medir ditará
para onde se dirigem as atividades
dos Estados" (Long, 2015). Os
indicadores correm o risco de
impulsionar a agenda, "colocando
a mensurabilidade em primeiro
lugar e as preocupações políticas
mais amplas que não podem ser
facilmente
simplificadas
em
26

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Exemplo: "Ang Guro kong Pulis", uma campanha de biblioteca
móvel em Manila
Embora as Filipinas tenham uma das maiores taxas de alfabetização entre
os países do Sudeste Asiático, ainda há uma lacuna na alfabetização e uma
necessidade de alcançar a inclusão na educação. As lacunas são
especialmente evidentes na comunidade (crianças, jovens fora da escola
etc.), onde a falta de salas de aula e professores é uma questão importante.
A fim de responder a alguns desses desafios, o projeto educativo "Ang Guro
kong Pulis" foi lançado sob a liderança do Distrito Policial de Manila. O
projeto visa oferecer educação básica grátis para crianças de rua. Como
parte do projeto, um dos veículos da polícia foi carregado com vários livros
e transformado em uma biblioteca móvel, e vários policiais visitaram as ruas
do Roxas Boulevard em Manila.
A partir de outubro de 2018, eles ofereceram os livros às crianças, com a
ideia de mantê-las afastadas das drogas e das armas. Depois dos sucessos
iniciais, os pais das crianças também foram incluídos no programa; eles
vinham acompanhar e agentes da polícia com formação em educação, que
foram encarregados de ensinar e trazer livros, começaram a ensinar os pais
também. A biblioteca móvel tem agora 11 paradas ou estações, com o
objetivo de aumentar o número.
A polícia fornece refeições aos participantes, enquanto várias faculdades e
universidades têm ajudado realizando seminários sobre drogas, crime e
primeiros socorros básicos, bem como apoiando o programa por meio da
doação de livros antigos e materiais de escrita. Os livros são usados para
ensinar educação básica, oferecendo aulas de leitura e escrita básica em
inglês e filipino, matemática e educação cívica. Essa é uma solução de
longo prazo que tenta apoiar as crianças de rua por meio da educação, mas
com o potencial de incluir também as comunidades.

segundo lugar". (Freistein, 2017).
Essas
amplas
preocupações
podem incluir metas menos
facilmente quantificáveis, como a
democracia (Smith, 2018).
No caso da educação, a agenda
Educação 2030 simula ser isenta
de valor, mas as suas metas e
indicadores têm uma função social
e organizacional inegável. Isso
carrega um conceito educacional
particular e baseia-se em um
sistema de valores particular, que
molda suas dimensões sociais,
"sua
onipresença
e
poder,
particularmente sobre aqueles que
são demasiadamente incapazes de
resistir a eles" (Freistein, 2017).
Tanto a Agenda 2030 da ONU como
a Agenda 2030 da Educação têm
um forte foco nos resultados
educacionais em vez de nos
processos e resultados menos
facilmente mensuráveis, com uma
consequência de se negligenciar
áreas de educação superior para
além do ensino e da formação
profissional
(EFP)
e
das
competências. Isso leva a uma

subestimação da importância da
criação do conhecimento em áreas
importantes da vida humana, como
a que se fornece pelas bibliotecas,
bem como de coisas como arte,
criatividade e pensamento crítico.
Paralelamente,
existe,
naturalmente, uma necessidade
de investimento. Estima-se que
US$ 3 trilhões serão necessários
anualmente para alcançar uma
educação inclusiva, equitativa e
de qualidade para todos (ODS
4).
O
Relatório
de
Monitoramento
Global
da
Educação estimou que os
países de baixa e média renda
enfrentariam um déficit de
financiamento anual de US$ 39
bilhões
em
2015-2030
(UNESCO, 2015). Ao mesmo
tempo, o investimento em
educação está diminuindo em
todo o mundo, tanto sob a forma
de despesa interna como de
ajuda
oficial
ao
desenvolvimento.

�Em primeiro lugar, temos de ser
realistas quanto às possibilidades de
recorrer ao financiamento privado e à
mobilização de recursos internos,
tendo em conta tanto a necessidade
de assegurar um enfoque contínuo
nos objetivos de interesse público da
política educativa, como a ironia de
que são frequentemente os impostos
mínimos pagos pelas multinacionais
privadas que faz com que os
governos não tenham dinheiro
suficiente para gastar.

6. O papel das bibliotecas
Como já foi referido várias vezes, as
bibliotecas
têm
um
papel
potencialmente
valioso
a
desempenhar na realização do ODS
4 e, em especial, na resposta a
alguns
dos
desafios
acima
mencionados. O trabalho delas não é
apenas sobre o "bom e velho" hábito
de ler livros.
Há estudos recentes de Vesna
Crnogorac que apontam para o
importante papel das bibliotecas na
democratização da sociedade e na
transformação
de
sociedades
fechadas em democracias. "Mais do
que nunca, na longa história das
bibliotecas, há a responsabilidade de
criar as condições para o livre acesso
às fontes de conhecimento e
informação, independentemente das
diferenças
(étnicas,
políticas,
religiosas, éticas). A biblioteca – por
natureza uma instituição democrática
– serve à sociedade por meio do
cidadão individual, que encontra um
lugar onde pode alcançar a liberdade
de expressão e o livre acesso à
informação. Estamos num momento
histórico de respeito pelos valores
democráticos, e a biblioteca pública
precisa redefinir seu papel de
tradicional para contemporâneo [...] A
biblioteca pública como um "ponto de
acesso" para os cidadãos na área da
liberdade de informação ajuda a
alcançar
a
transparência
e

implicitamente poderia permitir o
exercício desse direito de livre acesso
à informação de importância pública.
(Crnogorac, 2016)
O acesso à informação está
diretamente ligado ao conhecimento,
à democracia e à proteção dos
direitos humanos, e as bibliotecas
públicas são locais onde esses
valores se encontram. Além disso, a
biblioteca é um local de cooperação
de vários parceiros e partes
interessadas, um centro para a
comunidade local e suas atividades,
bem como um centro de orientação
para a investigação, a pesquisa e a
aprendizagem.
As bibliotecas acolhem as pessoas
em risco de serem deixadas para
trás, promovem o desenvolvimento
de competências de informação
crítica e outros comportamentos
que permitem que todos façam
melhor uso da informação para a
educação (e que podem não ser tão
facilmente medidos), e oferecem um
espaço para que pessoas de todas
as idades venham e aprendam. Ao
mesmo tempo em que há
necessidade de mobilizar todos os
recursos
para
fornecer
desenvolvimento, é necessário
utilizar plenamente as bibliotecas.
No entanto, esse papel das
bibliotecas não é suficientemente
abordado na Agenda 2030 da ONU,
notadamente no ODS 4. Levando em
conta todas as dificuldades que a
implementação da agenda da
Educação
enfrenta,
dificilmente
podemos dar-nos ao luxo de
renunciar a um recurso tão poderoso
e importante aliado nos nossos
esforços.

7. Conclusão
A Agenda 2030 enfatiza os dados e
informações,
especialmente
no
contexto do monitoramento da

implementação da Agenda, com o
ODS 4 naturalmente incluído nos
esforços. O Instituto de Estatística2 da
UNESCO está de fato utilizando esses
dados para alertar para as lacunas na
implementação e convida claramente
"países,
doadores,
organizações
internacionais e cidadãos empenhados
– a defender a educação no próximo
Fórum Político de Alto Nível sobre
Desenvolvimento Sustentável", uma
vez que mesmo "os dados mais
básicos mostram que estamos longe
do objetivo de garantir que todas as
crianças estejam na escola e em
processo de aprendizagem até 2030".
Mas é óbvio que uma abordagem
ao ODS 4 focada apenas em
padrões e escolas perde em
termos de educação não formal e a
aprendizagem
permanente.
Crucialmente, também negligencia
o papel do acesso à informação
como veículo de transparência e
porta de entrada para a educação
de adultos.
Além disso, um acesso significativo à
informação constitui a base do
conhecimento e deve ser visto como
condição
prévia
para
o
desenvolvimento de competências de
pensamento crítico e de cidadania
democrática, em que os dados e as
informações brutas seriam escolhidos,
ligados, refletidos e avaliados de forma
crítica. O papel das bibliotecas também
é importante, uma vez que as TICs e a
internet devem ser vistas como uma
ferramenta útil, mas não como uma
solução mágica.
O acesso à informação é uma
condição prévia importante para
atingir os objetivos do ODS 4. Sem
pleno reconhecimento disso no
discurso sobre a Agenda 2030,
acompanhado
de
maior
investimento na educação e na
aprendizagem permanente, grandes
grupos de pessoas ficarão para trás
até 2030.

1.

Comparativamente, há poucas discussões sobre como apoiar a implementação e quase nenhuma lição aprendida com os
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. "A euforia 'pós-2015' não considera o fato de que a maioria das questões que atrasaram
o sucesso do movimento dos ODMs e a Educação para Todos (EPT) não foram resolvidas ou até pioraram. A forte convicção
contemporânea de que a falta de indicadores claros e mensuráveis foi um dos principais problemas não tem base na evidência
da pesquisa ou na análise contextual...". (Popović, 2015). Criticando os efeitos dos testes de alto risco na motivação e
aprendizagem dos alunos, Amrein e Berliner nos lembram que "devemos lembrar a sabedoria do comentário do fazendeiro de
que pesar um porco todos os dias nunca o mais gordo. Definitivamente, é preciso poupar" (2003). Arriscamo-nos a concentrarnos apenas num número limitado de sucessos e a ignorar os desperdícios que ocorrem quando problemas graves, sistêmicos e
estruturais deixam de ser resolvidos porque não aparecem nos indicadores.

2.

O Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) insta: "Precisamos de dados para acompanhar o progresso ao longo do tempo.
Precisamos de dados para identificar as barreiras ao acesso e à qualidade da educação. Precisamos de dados desagregados
para garantir que nenhuma criança fique para trás. Precisamos de dados que apoiem as prioridades nacionais. Precisamos de
dados que sejam comparáveis internacionalmente. Precisamos de dados que demonstrem o que funciona, para que os recursos
possam ser canalizados para o máximo de impacto". (Montoya, 2019).

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

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�DA2I

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DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 4
Acesso à informação para o trabalho
digno e o crescimento econômico
Acesso à informação e às tecnologias da informação e da
comunicação (TIC) para um desenvolvimento econômico mais
inclusivo, emprego e oportunidades de trabalho digno
A realização e a medição da Agenda 2030 implicará uma disposição
multidimensional de soluções. Nesse sentido, a Agenda salienta a importância de
seus meios de implementação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) por meio da mobilização de recursos financeiros e do
desenvolvimento de capacidades e tecnologia, bem como por meio da geração
de dados e do reforço institucional. Nomeadamente, a Agenda considera que as
tecnologias da informação e da comunicação (TIC) desempenham um papel
facilitador e de apoio nesse contexto, o que confirma a sua importância para a
abertura de grandes possibilidades para a aceleração do progresso humano (Del
Rio et al, a publicar).

STEFANIA L. CANTONI; TATIANA
JEREISSATI &amp; LEONARDO M.LINS
Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento
da Sociedade da Informação
(Cetic.br), Centro Brasileiro de Informação em Rede
(NIC.br)

À medida que avançamos para as Sociedades do Conhecimento1, a informação
e o conhecimento têm um impacto cada vez mais significativo na vida das pessoas
(UNESCO, 2003). Assim, o acesso à informação pode ser considerado um
processo complexo que engloba "os direitos e a capacidade de usar, criar e
compartilhar informações de forma significativa para cada indivíduo, comunidade
ou organização", conforme declarado no Relatório de Desenvolvimento e Acesso
à Informação (DA2I) de 2017 (Garrido &amp; Wyber, 2017, p. 15).
Nesse contexto, tem sido amplamente observado que as TICs podem
desempenhar um papel fundamental na melhora do acesso e partilha da
informação, reduzindo potencialmente os custos de produção, partilha,
distribuição e visualização da informação e do conhecimento, o que é essencial
para o funcionamento democrático das sociedades e para o bem-estar de cada
indivíduo. As TICs podem, portanto, capacitar os indivíduos, permitindo que
exerçam seus direitos, sejam economicamente ativos e adquiram novas
competências. Além disso, a Internet e as comunicações móveis aceleraram
enormemente o ritmo e o volume de informação disponível, bem como o seu
alcance até mesmo nas partes mais remotas do mundo2.
Além disso, o acesso a serviços móveis pode trazer novas oportunidades
econômicas para as populações de baixa renda, por exemplo por meio de serviços
como o m-banking (mobile banking – serviços bancários por celular ou tablet) e o
comércio eletrônico. Não só a inclusão financeira é um aspecto importante para
as pequenas empresas e o empreendedorismo, como também o m-banking e o
microcrédito podem reduzir os custos de transação e fomentar o crescimento
econômico. Ademais, em muitos setores – como a saúde, a educação, o mercado
de trabalho, a alimentação e a agricultura – um amplo conjunto de serviços,
soluções e recursos baseados nas TICs podem conduzir a transformações que
podem promover o desenvolvimento social, econômico e político de forma
sustentável.
Nesse cenário, espera-se que as TICs assumam cada vez mais tarefas rotineiras
e analíticas, não só confinadas a tarefas manuais na manufatura, mas também a
tarefas analíticas de tomada de decisão (Comissão Europeia, 2016)3. Por
conseguinte, é muito importante que as pessoas possuam as competências
necessárias para utilizar as funções elementares das TICs de forma significativa
e eficiente. Como mostra o relatório da Comissão Europeia sobre as TICs para o
trabalho (2016), são necessárias competências digitais em todos os tipos de
trabalho, incluindo empregos fora dos escritórios. Notadamente, a maioria dos
empregos exigem competências digitais básicas, incluindo a capacidade de
comunicar-se via e-mail ou mídia social, criar e editar documentos, pesquisar
informações ou proteger informações pessoais online. Os indivíduos que não
possuem competências digitais correm, por conseguinte, o risco de
marginalização não só no mercado de trabalho, mas também na vida cotidiana.
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

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�As TICs, portanto, atravessam
todos os setores da economia e da
sociedade, e a internet pode ser um
importante
catalisador
de
desenvolvimento para indivíduos,
comunidades e países. Elas podem,
por exemplo, fornecer acesso
amplo e crescente a informações,
serviços e aplicativos que podem
agregar valor à vida das pessoas,
aumentar sua produtividade e
permitir que acessem novas
oportunidades (ITU, 2016, p. 91).
Nesse sentido, embora dentro do
quadro dos ODSs haja poucas
menções específicas às TICs, elas
podem potencialmente contribuir
para todos os ODSs.
Em especial para alcançar o
trabalho digno e o desenvolvimento
econômico – Objetivo n.º 8 dos
ODSs –, o crescimento econômico
terá de ser promovido de forma
sustentada, inclusiva e sustentável,
juntamente com a promoção do
emprego produtivo e do trabalho
digno para todos. A esse respeito,
as TICs, ao facilitarem o acesso à
informação, podem desempenhar
um papel importante, contribuindo
para o empreendedorismo, a
criação de empregos, a educação e
a formação, a produtividade e o
crescimento
econômico,
a
criatividade e a inovação, bem
como a inclusão financeira.
Esse capítulo analisa a forma como
as TICs podem potencialmente
contribuir para a realização do ODS
8, melhorando o acesso à
informação e oferecendo um
conjunto de soluções e serviços
possibilitados nas TICs. Examina os
numerosos aspectos a considerar
para alavancar as TICs para o
trabalho digno e o crescimento
econômico, tanto individual como
organizacional. Aborda igualmente
os obstáculos e as condições para
um
acesso
significativo
à
informação
e
aos
serviços
financeiros. Por último, enfatiza a
importância do monitorização dos
ODSs e defende a necessidade de
indicadores harmonizados para
esse fim.

1. As TICs e o acesso à
informação
Ao considerar as TICs como um meio
para melhorar o acesso à informação,
a relação entre TICs e ODSs emerge
como
um
truísmo;
as
TICs
potencialmente aumentam o acesso à
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DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

informação, o que por sua vez pode
capacitar os indivíduos, permitindolhes exercer melhor seus direitos, ser
economicamente ativos e produtivos,
aprender
e
aplicar
novas
competências e encontrar melhores
meios
para
ganhar
a
vida.
Empoderados dessa forma, podem
potencialmente participar na tomada
de decisões e responsabilizar os seus
governos, enriquecendo a sua
identidade e expressão culturais.
Assim, o acesso à informação é crucial
para o enriquecimento do processo
coletivo
de
construção
do
conhecimento, bem como para o
desenvolvimento econômico, social e
político (IFLA, APC &amp; TASCHA, 2014;
ISOC, 2015; Banco Mundial, 2016).
O ODS 8, preocupado com o trabalho
digno e o crescimento econômico,
estabelece
quatro
metas
que
abrangem diferentes aspectos que
requerem acesso à informação, tais
como: emprego produtivo, educação e
formação, produtividade econômica,
empreendedorismo, criatividade e
inovação. Para que as pessoas
aprendam
e
usem
novas
competências que possam ser
relevantes
para
o
trabalho,
especialmente
em
um
mundo
dinâmico e em mudança, o acesso à
informação é um passo importante em
um processo complexo. Não só o
acesso à informação requer précondições físicas, sociais e legais
específicas, como também a própria
informação precisa ser transformada
em conhecimento para ser útil.
Além disso, quando se pretende
alcançar o pleno e produtivo emprego
e trabalho decente para todas as
mulheres e homens, deve-se ressaltar
que "a relação entre igualdade de
gênero e acesso à informação é uma
complexa cadeia de eventos que se
reforçam em um ciclo de feedback"
(Hafkin, 2017, p. 83). Em uma nota
semelhante, o acesso à informação e
ao conhecimento – juntamente com
recompensas econômicas – é crucial
para o desenvolvimento de uma
economia criativa e, em vista da
crescente contribuição das indústrias
criativas à produção econômica
nacional, a maioria dos países está
buscando adotar políticas para
desenvolver suas indústrias criativas e
fortalecer sua competitividade na
economia global (UNESCO, 2013a).
Tendo em conta os seus aspectos

diretos e secundários, as TICs podem
potencialmente contribuir para a
realização de um trabalho digno e para
o crescimento econômico, melhorando
o acesso à informação tanto por parte
dos indivíduos como das organizações.

1.1. As TICs para melhorar o
acesso das pessoas à informação
As TICs permitem potencialmente que
as pessoas, em qualquer parte do
mundo, tenham acesso à informação e
ao
conhecimento
quase
instantaneamente (ITU, 2005). Em
particular, ao expandir a base de
informação, reduzir os custos de
informação e pesquisa, e criar bens de
informação, as TICs podem facilitar a
pesquisa, a correspondência e a
partilha de informação e contribuir para
uma maior organização e colaboração
entre os agentes econômicos (Banco
Mundial, 2016).
Particularmente na agricultura, as TICs
podem ser utilizadas para manter os
trabalhadores informados sobre os
preços, os fatores de produção ou as
novas
tecnologias,
reduzindo
potencialmente o tempo e os custos,
bem como o atrito e a incerteza,
eliminando viagens dispendiosas e
facilitando a coordenação com os
comerciantes. Em suma, as TICs
podem
potencialmente
afetar
o
desenvolvimento econômico, uma vez
que podem ajudar a reduzir os
obstáculos ao acesso à informação e os
custos dos serviços. Por exemplo, uma
transação mutuamente benéfica pode
ser dificultada se duas partes não
conseguirem se encontrar ou adquirir
informações
suficientes
para
prosseguir com a transação com
confiança; em tais casos, os custos da
transação são infinitamente altos. Um
exemplo do uso da tecnologia para
superar os custos dos serviços é o
surgimento de plataformas de comércio
eletrônico – ambientes onde a oferta e
a demanda se encontram – que têm
facilitado aos produtores encontrar
clientes (Banco Mundial, 2016).
Além disso, ao abordar o emprego
pleno e produtivo e o trabalho digno, o
Objetivo 8.5 - "Alcançar emprego pleno
e produtivo e trabalho digno para todas
as mulheres e homens, incluindo os
jovens e as pessoas com deficiência, e
salário igual para trabalho de igual
valor" reconhece explicitamente a
necessidade de inclusão. Ademais, o
indicador

�8.5.1 mede a remuneração horária
média dos trabalhadores do sexo
feminino e masculino, por profissão,
idade e deficiência, e o indicador 8.5.2
aborda a taxa de desemprego, por
sexo, idade e status da deficiência.
Em termos de emprego inclusivo, de
acordo com o Relatório Global da
UNESCO (2013b), as pessoas com
deficiência são muito mais propensas
a
ficar
desempregadas
ou
economicamente inativas, e mesmo
aquelas que são economicamente
ativas muitas vezes ganham menos
do que seus pares sem deficiência.
Nesse
sentido,
os
avanços
tecnológicos podem abrir novos
caminhos para a inclusão social,
aprendizagem,
emprego
e
participação das pessoas com
deficiência (UNESCO, 2013). Com
efeito, as TICs podem permitir
múltiplos meios de comunicação –
voz, texto e gestos – facilitando o
acesso à informação por parte das
pessoas com deficiência, bem como a
interação social, abrindo assim
oportunidades
significativas
e
generalizadas de empregabilidade e
produtividade econômica4. Além
disso, o teletrabalho pode permitir
que as pessoas se envolvam com o
trabalho remotamente, fora do
escritório (Banco Mundial, 2016),
superando
as
dificuldades
relacionadas ao deslocamento.
Ademais, para atingir o objetivo 8.5
em particular – bem como toda a
Agenda 2030 – os Estados-Membros
devem suprimir as disparidades de
gênero (digitais), para que as
mulheres
possam
beneficiar-se
plenamente do acesso à Internet e
dos recursos que as TICs podem
proporcionar.
Geralmente,
as
mulheres tendem a ser mais pobres
do que os homens e ter menos
acesso à educação, além de ocupar
posições de menos poder nas
empresas e na política. Dito isso,
existem muitas desigualdades e
barreiras enfrentadas pelas mulheres
que as impedem de beneficiar-se
plenamente
das
oportunidades
oferecidas pelas TICs, incluindo
aquelas relacionadas a normas
sociais, divisão de trabalho baseada
em gênero, estereótipos de gênero e
até mesmo violência de gênero
(UNCTAD, 2014). No entanto, as
TICs
podem
potencialmente
aumentar as oportunidades das
mulheres para o emprego, o
empreendedorismo e o bem-estar
social em áreas que estão cada vez
mais inseridas na vida cotidiana,

como a facilitação de transações
financeiras, o preenchimento de
formulários do governo e a
comunicação com outros ao redor do
mundo (Garrido, Fellows &amp; Koepke,
2017). Assim, em diferentes esferas,
incluindo a social e a econômica, as
mulheres podem lucrar com as TICs,
uma vez que estas podem muitas
vezes evitar a necessidade de
mobilidade e ajudar a superar as
barreiras de acesso à informação.
Isso, por sua vez, facilita decisões
mais esclarecidas e pode aumentar
as
oportunidades
econômicas
(UNCTAD, 2014). Finalmente, para
além do acesso, outras barreiras
devem ser consideradas à medida
que as mulheres procuram utilizar
eficazmente a informação5 (Hafkin,
2017).
Garrido &amp; Wyber (2017) argumentam
que lacunas distintas no acesso a
oportunidades de educação e
formação contribuem para os níveis
de desemprego entre os jovens.
Portanto, um maior acesso à
informação poderia presumivelmente
contribuir
para
desenvolver
competências e a empregabilidade
geral, o que está relacionado com a
realização do Objetivo 8.6 - "Reduzir
substancialmente a proporção de
jovens
não
empregados,
em
processo de educação ou formação".
As ferramentas e os recursos de TIC,
como os cursos abertos online
(MOOCs)6 e os recursos educativos
abertos (OERs na sigla em inglês)7,
podem facilitar a aquisição de
competências e promover a formação
profissional e a aprendizagem
permanente8.

1.1.1. TICs para as competências
de aprendizagem e competências
para a utilização das TICs
Capacitar indivíduos requer não apenas
a provisão de acesso à informação, mas
também as competências para
transformá-la em conhecimento9 – para
ser capaz de buscar informações,
avaliá-las criticamente e criar novas
informações e conhecimentos. Além
disso, à medida que as pessoas
desenvolvem as competências e
recursos para obter, compartilhar, criar
e expressar informações, constroem
mecanismos poderosos para enfrentar
os desafios que entendem ser os mais
urgentes (Garrido, Fellows &amp; Koepke,
2017).
Dito
isso,
as
TICs
podem
potencialmente expandir o acesso à
educação e abrir novas possibilidades,

eliminando condicionalismos espaciais e
temporais, mas as competências digitais
são fundamentais para que contribuam
eficazmente para reduzir a proporção de
jovens – e adultos – que não trabalham,
não estudam nem seguem qualquer
formação. Não é de surpreender que o
ODS 4 Objetivo 4.4 suscite um "aumento
substancial do número de jovens e
adultos que possuem competências
relevantes,
incluindo
competências
técnicas e profissionais, para o emprego,
o trabalho digno e o empreendedorismo",
e um indicador relacionado refere-se
explicitamente às TICs: 4.4.1 "Proporção
de jovens e adultos com competências
em tecnologias da informação e da
comunicação (TICs), por tipo de
competência".
Em outras palavras, embora as TICs
possam alavancar a aprendizagem de
competências relacionadas com o
emprego, é necessário possuir as
competências essenciais para utilizar as
TICs e acessar a informação de forma
mais geral. Isso vai além das
competências digitais básicas para o uso
adequado
das
ferramentas:
as
competências digitais geralmente são
compostas
de
alfabetização
computacional,
informativa
e
comunicativa (Hinostroza, 2017). Tais
competências incluem a capacidade de
utilizar o computador para investigar, criar
e comunicar-se em diferentes esferas da
vida – em casa, na escola, no local de
trabalho e, em geral, na sociedade
(Fraillon et al., 2013, citado em
Hinostroza, 2017, p. 16).
Por último, os cenários futuros apontam
para a emergência de novas categorias
de empregos, no contexto do avanço das
tecnologias, substituindo parcial ou
totalmente outros. Isso significa que os
conjuntos de competências exigidas em
ocupações antigas e novas vão mudar
em muitas áreas e transformar como e
onde as pessoas trabalham. Isso implica
transições difíceis para milhões de
trabalhadores e a necessidade de
investimento
proativo
no
desenvolvimento de uma nova onda de
alunos ágeis e talentos qualificados de
forma geral10 (WEF, 2018). Nesse
contexto, muitos enfatizam a relevância
do desenvolvimento de um conjunto
particular de competências – ou seja,
competências do século 21 – agrupadas
em quatro áreas: competências de vida e
carreira; competências de aprendizagem
e
inovação
(pensamento
crítico,
comunicação,
colaboração
etc.);
assuntos-chave e temas do século 21
(linguagem, matemática,

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

31

�ciência, finanças, ecologia
etc.); e informação, mídia e
competências
tecnológicas
(Hinostroza, 2017).

1.2. Informação, criatividade e
inovação possibilitadas pelo
acesso à informação por meio
das TICs
Dado que a informação é atualmente
divulgada mais rapidamente do que
nunca e que constitui um trunfo
essencial para a competitividade
econômica, é importante que tanto as
empresas
como
os
governos
promovam formas de desenvolver as
competências necessárias para que a
informação seja utilizada de forma
criativa e inovadora. Uma vez que a
informação é considerada fundamental
para
aumentar
a
produtividade
econômica, os custos irrecuperáveis
para sua criação devem ser superados.
No entanto, embora o custo de
produção da informação seja elevado, o
mesmo não acontece com a sua
reprodução (Shapiro &amp; Varian, 2002). À
medida que a utilização das TICs
aumenta e a informação torna-se mais
amplamente divulgada, o custo do
acesso a essa informação diminui. Isso
coloca o seguinte desafio às empresas:
há
um
número
crescente
de
concorrentes capazes de reproduzir a
informação
produzida
pelas
organizações. Por conseguinte, dado
esse ambiente mais competitivo, as
empresas
devem
desenvolver
estruturas organizacionais capazes de
responder rapidamente às mudanças
tecnológicas e de mercado.
O objetivo 8.2 requer "níveis mais
elevados
de
produtividade
econômica
por
meio
da
diversificação,
modernização
tecnológica e inovação, incluindo
a concentração em setores de
elevado valor agregado e com
grande intensidade de mão-deobra". O acesso e a partilha da
informação são cruciais para a
promoção da inovação, e uma
vez que esta se torne rotina nas
organizações, pode levar a uma
maior produtividade econômica e
diversificação tecnológica, uma
vez que o ecossistema em que
funciona permite a criação de
nova informação. À medida que a
inovação é internalizada pelas
empresas, isso, por sua vez,
promove uma cultura dinâmica,
em que o espírito empreendedor
e
a
criatividade
são
recompensados, e pode levar à
32

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

criação de novos empreendimentos
que ofereçam soluções para os
mais
diversos
problemas
e
necessidades. Em ambientes em
que a inovação é a regra, há uma
procura de empregos de qualidade
que
exigem
capacidades
específicas dos indivíduos e das
empresas.
É importante salientar que um maior
acesso à informação não conduz
necessariamente à geração de valor
para todos; do mesmo modo, a par da
disseminação da informação, existe
uma concorrência mais intensa entre
as empresas, precisamente porque a
maior circulação da informação
permite que mais atores tenham
acesso a mais mercados, já que a
facilidade de internalização da
informação pode levar à melhora dos
processos e ao desenvolvimento de
novos produtos. Portanto, do ponto de
vista da criação de valor econômico,
a maior circulação de informação é
simultaneamente uma oportunidade e
um
desafio:
quem
conseguir
transformar
melhor
e
mais
rapidamente o acesso à informação
em conhecimento e, por sua vez, em
inovação,
obterá
vantagens
competitivas difíceis de serem
mudadas.
O Objetivo 8.3 visa a "promover
políticas
orientadas
para
o
desenvolvimento que apoiem as
atividades produtivas, a criação de
emprego digno, o empreendedorismo, a
criatividade e a inovação". O acesso e a
utilização eficientes e produtivos da
informação são essenciais para que as
empresas possam criar e participar em
ecossistemas dinâmicos, em que a
produção de conhecimento, juntamente
com a sua utilização na prática, leva à
inovação e ao espírito empreendedor,
favorecendo o surgimento de setores
dinâmicos e o crescimento econômico.
A disseminação das TICs facilita a
produção de conhecimento e sua
partilha de forma gratuita, favorecendo
a entrada de vários atores no processo
ou o desenvolvimento de produtos.
Ambientes abertos – em que o acesso
e a partilha de informação não são
restringidos – são mais propícios à
criação de conhecimento e inovação.
Por último, a ideia de promover
ambientes abertos e favoráveis à livre
circulação da informação para fomentar
a criação de conhecimento e a inovação
aplica-se tanto aos Estados-nação
como às empresas.

2. Serviços financeiros como TIC
- soluções habilitadas
Um vasto conjunto de serviços públicos e
privados – tanto online como offline, que
são potencializados pelas TICs, bem
como soluções e recursos possibilitados
pelas TICs – pode promover o
desenvolvimento social, econômico e
político
de
forma
sustentável,
contribuindo em domínios como a
educação, a saúde, as finanças, o
mercado de trabalho e a administração
pública.
Atualmente, 2 bilhões de indivíduos (e
200 milhões de empresas) em economias
emergentes não têm acesso a poupança
e a crédito, e não participam plenamente
do sistema financeiro formal (McKinsey
Global Institute, 2016), o que os impede
de participar em atividades econômicas
que poderiam transformar suas vidas,
como também lhes bloquear o
desenvolvimento econômico11. A inclusão
financeira é particularmente relevante
para as populações vulneráveis e pode
contribuir para uma maior segurança e
estabilidade. Isso permite, por exemplo,
planejar melhor o futuro ou responder a
acontecimentos
inesperados
(Diniz,
2018).
A Agenda 2030 reconhece que a inclusão
financeira é vital para as pequenas
empresas e o empreendedorismo e, em
particular, o Objetivo 8.10 visa a "reforçar
a capacidade das instituições financeiras
nacionais a incentivar e expandir o
acesso de todos aos serviços bancários,
de seguros e financeiros”. Da mesma
forma,
um
indicador
relacionado
explicitamente refere-se às TICs: 8.10.2
"Proporção de adultos (15 anos ou mais)
com conta em banco ou outra instituição
financeira ou em prestador de serviços
financeiros móveis.”
Nesse contexto, as TICs – juntamente
com as competências e a confiança para
utilizá-las – podem contribuir para
melhorar a qualidade, a variedade e o
âmbito dos microsserviços financeiros,
bem como responder a algumas das
necessidades inerentes à vida cotidiana
das pessoas com baixos rendimentos,
historicamente excluídas do sector
financeiro por serem consideradas de alto
risco e menos rentáveis.
As plataformas digitais, por exemplo,
oferecem muitas possibilidades para
facilitar a inclusão de serviços

�Por meio da Internet, da banda larga e das infraestruturas de TICs baseadas em telefones
móveis, as pessoas que vivem na pobreza podem aumentar a capacidade de melhorar sua
situação econômica, com acesso a serviços financeiros confiáveis que podem proporcionar
uma rede de segurança vital.
financeiros importantes: pagamento,
crédito, poupança e seguros. O acesso
por meio de um dispositivo móvel pode
ajudar a superar muitos dos problemas
associados à inclusão financeira:
Programas como o banco móvel
combatem
a
questão
do
distanciamento; as transferências de
dinheiro entre pares evitam altos custos
de transação; a oferta de novas formas
de estabelecer crédito ajuda quem luta
contra a falta de histórico de crédito; e a
criação de novos modelos de negócios
aborda a falta de alfabetização e
educação
financeira
entre
os
financeiramente
excluídos
(Diniz,
2018). Em países com baixos níveis de
inclusão financeira entre uma grande
proporção da população, as inovações
relacionadas às TICs no campo dos
serviços
financeiros
incluem
correspondentes
bancários
sem
agência, dinheiro eletrônico e contas de
poupança básicas (contas de baixo
custo) (Ontiveros, Martin Enriquez &amp;
Lopez Sabates, 2014, citado em Del Rio
et al, a publicar).
Por meio da Internet, da banda larga e
das infraestruturas de TIC baseadas em
telefones móveis, as pessoas que
vivem na pobreza podem aumentar a
capacidade de melhorar sua situação
econômica, obtendo acesso a serviços
financeiros confiáveis que podem
proporcionar uma rede de segurança
vital. A partir da abertura de uma conta
e da realização de transações básicas,
como transferências de dinheiro e
pagamentos de contas, os usuários
podem passar para serviços financeiros
mais avançados, como empréstimos e
produtos de seguros. O maior acesso a
serviços financeiros viabilizado pelas
TICs pode, por sua vez, incentivar o
investimento, estimulando a criação de
empregos e o crescimento econômico
(The
Earth
Institute,
Columbia
University &amp; Ericsson, 2015).

3. Condições para um
acesso
significativo
à
informação e para o acesso
aos serviços financeiros
A estrutura de Desenvolvimento e
Acesso à Informação (DA2I),
desenvolvida
pela
Federação

Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias (IFLA na
sigla em inglês), em parceria com o
Grupo de Tecnologia e Mudança
Social
da
Universidade
de
Washington,
propõe
quatro
dimensões interdependentes que
influenciam o acesso à informação
e sua capacidade de avançar nos
ODSs, como segue:
1. Infraestrutura de acesso à
informação e comunicações: a
conectividade
(e
recursos
materiais) que estabelece a
conexão física com a informação.
2. Contexto social de uso: a
variedade de fatores locais e
culturais que moldam a forma
como os usuários envolver-se-ão
com a informação.
3. Capacidades: o conjunto de
conhecimentos
funcionais,
competências e recursos que uma
população desenvolve ao longo
do tempo e que molda a natureza
de como a informação é usada ou
não usada.
4. Panorama jurídico e político: as
políticas
e
os
quadros
regulamentares que promovem ou
dificultam a conectividade, a
acessibilidade, a inclusividade e
os direitos.
A esse respeito, para garantir o
acesso à informação – bem como a
soluções possibilitadas pelas TICs –
devem ser satisfeitas determinadas
condições prévias, como a existência
de infraestrutura adequada (banda
larga fixa e móvel) e de dispositivos
(computadores,
telefones
etc.)
necessários para a ligação à Internet.
O acesso à Internet por intermédio de
dispositivos móveis é cada vez mais
importante nos países menos
desenvolvidos e nas zonas rurais e
remotas, uma vez que os dispositivos
móveis se tornaram a principal porta
de acesso à Internet para muitos. Os
smartphones podem potencialmente
conectar um número crescente de
pessoas a recursos de conhecimento,
oportunidades
de
emprego
e
amenidades culturais. No entanto,
deve-se notar que "quem depende de
seus smartphones para acessar a

internet encontra restrições como limites
de dados e telas pequenas, e o
dispositivo não é sua ferramenta favorita
para a aprendizagem pessoal em casa.
Em vez disso, quem possui smartphone,
mas não com banda larga em casa,
depende de um tipo de "ecossistema
alternativo", que é uma combinação de
uso de seus dispositivos móveis com
outros recursos, como computadores e
Wi-Fi, disponíveis em bibliotecas
públicas" (Anderson &amp; Horrigan, 2013).
Igualmente importantes para o acesso à
informação são os pontos de acesso
público à Internet, tais como telecentros e
bibliotecas, em particular em países ou
áreas
com
menor
conectividade
doméstica12. Além de manter uma série de
recursos de informação, muitas bibliotecas
oferecem múltiplas formas de acesso às
TICs, geralmente gratuitas, bem como o
acesso a livros, documentos, periódicos e
bancos de dados em bibliotecas ou
remotamente por meio de sites, juntamente
com serviços móveis. Além disso, os
bibliotecários
têm
um
papel
a
desempenhar, orientando quem tem pouca
experiência no acesso à informação e/ou
na utilização das TICs (Hafkin, 2017): além
do acesso, as bibliotecas podem
potencialmente ajudar as pessoas a
compreender as informações que obtêm.
Consequentemente, as bibliotecas apoiam
o ODS 813 , ao proporcionar ao público
acesso à informação e o necessário
treinamento
de
competências
–
especialmente aos excluídos digitais – para
a procura de emprego. Por exemplo, o
pessoal qualificado da biblioteca pode
prestar assistência com inscrições online e
atividades relacionadas a encontrar um
emprego (IFLA, 2016).
Assim, mesmo quando existe
conectividade
física,
são
necessárias
capacidades
específicas
para
identificar,
encontrar e utilizar a informação
existente
e
utilizá-la
potencialmente para melhorar as
condições
de
vida
–
particularmente o emprego e a
formação – e para gerar novas
informações.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

33

�Portanto, o acesso à informação e ao
conhecimento requer competências
de alfabetização digital, alfabetização
midiática (compreensão de vários
tipos de mídia e formatos pelos quais
a informação é transmitida) e
alfabetização
informacional
(habilidades para buscar, avaliar, usar
e criar informações de forma eficaz
para alcançar objetivos pessoais,
sociais, ocupacionais e educacionais)
(UNESCO, 2018, citado em Del Rio et
al,
a
publicar).
Tendo
em
consideração que a Agenda 2030
promete que "ninguém ficará para
trás", é da maior importância
considerar um avanço gradual na
inclusão digital, desde o acesso às
TICs até a sua utilização. Dado que
um aspecto importante do fosso
digital14 refere-se à falta de
competências,
essas
são
fundamentais para garantir que as
pessoas possam beneficiar-se das
TICs e ter um acesso significativo à
informação, evitando reproduzir as
desigualdades.
Dito isso, além da conectividade e
das capacidades da internet, a
informação deve ser: relevante e
disponibilizada (gerada, tornada
pública e ativamente divulgada por
todas as partes interessadas, além
de ser social e economicamente
relevante);
acessível
(potencialmente acessada por todos,
sem dificuldade, independentemente
do idioma, cultura, localização
geográfica ou nível de competência);
e acessível em termos de custo de
acesso (UNESCO, 2018, citado em
Del Rio et al, a publicar).
Juntamente com o elevado custo das
telecomunicações, as micro e
pequenas empresas enfrentam outro
obstáculo ao acesso aos serviços
financeiros: muitas vezes não têm
capacidade para utilizar serviços
financeiros baseados nas TICs,
devido a uma infraestrutura de
comunicação deficiente e à falta de
suporte regulatório. Elas são muitas
vezes prejudicadas pela prevalência
de tecnologias obsoletas e custos
proibitivos de instalação de novas
tecnologias, e sofrem com a falta de
pessoal
qualificado
e
baixas
competências de alfabetização digital
(The Earth Institute, Columbia
University, &amp; Ericsson, 2015). Mais
uma vez, o desenvolvimento de
competências e o treinamento são,
por conseguinte, condições prévias
para que estas empresas tenham
acesso aos serviços financeiros
proporcionados pelas TICs. Em
34

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

países onde o desemprego ou o
subemprego são um problema
crescente, a expansão das micro e
pequenas empresas pode criar
oportunidades de emprego vitais. Ao
abordar os baixos níveis de
alfabetização digital e promover o
acesso
a
serviços
financeiros
orientados
pelas
TICs,
os
formuladores de políticas podem dar
um indispensável e muito necessário
impulso aos ODSs relacionados ao
desenvolvimento
de
pequenas
empresas (The Earth Institute,
Columbia University, &amp; Ericsson,
2015, p. 39).

4.
Monitoramento
das
conquistas dos ODSs: a
necessidade de indicadores
harmonizados &amp; conclusões
sobre as TICs
O acesso à informação é uma questão
que atravessa toda a Agenda 2030 e,
portanto,
é
acompanhado
por
indicadores organizados de acordo com
diferentes objetivos e metas. Da
mesma forma, todos os objetivos e
metas dos ODSs são interdependentes
e devem ser perseguidos em conjunto,
uma vez que o progresso em uma área
muitas vezes depende do progresso em
outras.
Para o acompanhamento e revisão do
progresso para alcançar os ODSs, 10
critérios foram estabelecidos pela
Comissão de Estatísticas da ONU para
a
coleta
de
Indicadores
de
Monitoramento Global robustos, a ser
compilados por agências internacionais
usando dados desagregados dos
sistemas estatísticos nacionais. Dados
atuais e utilizáveis são essenciais para
a tomada de decisões fundamentadas,
o monitoramento do progresso e a
avaliação dos resultados.
Nesse contexto, as TICs são
explicitamente reconhecidas como um
meio transversal de execução da
Agenda, bem como por seu papel
fundamental na medição do progresso
em
todos
os
aspectos
do
desenvolvimento sustentável. Com
efeito, é importante que todos os
domínios
em
que
as
TICs
desempenham um papel relevante
sejam adequadamente medidos e
acompanhados. Para tanto, é crucial
dispor de indicadores de TICs
comparáveis em nível internacional,
baseados
em
definições
e
metodologias acordadas em comum,
que permitam aos atores políticos e a
outras partes interessadas identificar as
tendências e os desafios relacionados

com as TICs.
Nos últimos anos, o Centro Regional de
Estudos para o Desenvolvimento da
Sociedade da Informação (Cetic.br), um
departamento do Centro Brasileiro de
Informação em Rede (NIC.br), vem
contribuindo ativamente para debates
internacionais sobre a padronização de
indicadores e definições metodológicas
para a produção de estatísticas de TICs.
O Centro realiza várias pesquisas
nacionais autônomas sobre as TICs –
como a TIC Domiciliar e a TIC Empresa
– que são essenciais para a coleta e
disseminação de dados relacionados às
TICs, em nacional e internacional. Isso
permite uma melhor compreensão do
papel das TICs na facilitação do acesso
à informação e à educação por parte de
indivíduos e organizações, por exemplo.
As metodologias seguidas pelo Cetic.br
para esses levantamentos estão
alinhadas
com
os
parâmetros
estabelecidos
pelas
organizações
internacionais, incluindo a União
Internacional de Telecomunicações
(UIT) e a Conferência das Nações
Unidas
sobre
Comércio
e
Desenvolvimento (UNCTAD). Portanto,
o
Centro
recolhe
indicadores
internacionalmente acordados sobre
TICs que permitem comparações entre
países, mas também produz uma vasta
gama de dados nacionais relevantes,
desagregados
por
variáveis
socioeconômicas importantes e que
permitem uma maior compreensão dos
contextos locais. Esse processo é crucial
para
monitorizar
os
impactos
socioeconômicos das TICs e a
realização da Agenda 2030 em geral.

5. Conclusões
As TICs estão fortemente ligadas ao
acesso e à utilização da informação,
que
são
importantes
para
o
desenvolvimento
econômico,
a
educação, a formação e o emprego. As
TICs podem desempenhar um papel
importante na promoção de um
desenvolvimento mais inclusivo e
sustentável. Em particular, as mulheres
e as pessoas com deficiência, bem
como os jovens, mencionados nos
objetivos 8.5 e 8.6, podem beneficiar-se
grandemente
das
oportunidades
oferecidas por essas tecnologias.
No entanto, mais do que nunca, o
acesso à informação exige as
competências
necessárias
para
acessar, utilizar, partilhar e adequar as
ferramentas oferecidas pelas TICs, a
fim de garantir que todos os benefícios
sejam iguais e que ninguém

�fique para trás. Se as disparidades
sociais e digitais não forem
superadas,
as
desigualdades
podem
ser
ainda
mais
reproduzidas e as pessoas com
competências – digitais, cognitivas,
competências do século XXI –
podem
estar
mais
bem
posicionadas para encontrar um
emprego e ganhar melhores
salários. A esse respeito, o
desenvolvimento de competências
digitais relacionadas com o
tratamento da informação para
jovens e adultos é prioritário, em
especial
para
os
grupos
identificados como potencialmente
desfavorecidos econômica ou
socialmente.
Devido à maior divulgação do
acesso e utilização das TICs, a
informação
circula
mais
eficientemente entre indivíduos,
comunidades e organizações,

aumentando suas oportunidades
de
adquirir
e
desenvolver
conhecimentos que possam ser
úteis ao processo produtivo,
favorecendo
o
crescimento
econômico inclusivo. Para as
empresas, o desafio consiste em
transformar essa maior circulação
de informação em melhor tomada
de decisão e conhecimento para a
inovação e, ao fazê-lo, apoiar a
Objetivo 8.2 e o Objetivo 8.3.
Tanto para acessar a informação
por intermédio das TICs quanto
para utilizar serviços e recursos
das
TICs,
como
serviços
financeiros, há muitas condições
que têm de ser satisfeitas para
garantir que ninguém fique para
trás. Ter acesso à informação por
intermédio das TICs implica ter
conectividade – em dispositivos
móveis, em casa, em espaços
públicos, como bibliotecas, ou

outros locais – mas também
desenvolver
as
competências
necessárias
para
utilizar
a
informação de forma significativa,
para fins relevantes. O acesso à
informação deve ser entendido como
um processo complexo que depende
da disponibilidade de informações
relevantes, bem como de preço
razoável e acessibilidade.
Por fim, à luz do papel fundamental
que o acesso à informação
desempenha na consecução do ODS
8 e do potencial oferecido pelas TICs
para melhorar o seu acesso,
utilização, criação e partilha, é da
maior importância que sejam
recolhidos
dados
pontuais
e
relevantes para informar os atores
políticos e acompanhar o progresso
dos
objetivos
acordados
internacionalmente, como a Agenda
2030.

1.

De acordo com a UNESCO, as Sociedades do Conhecimento baseiam-se em quatro princípios, a saber: liberdade de expressão; igualdade de acesso à
educação; acesso universal à informação, especialmente no domínio público; e expressão da diversidade cultural. Construída sobre o conceito de Sociedade da
Informação, a pluralidade inerente ao conceito de Sociedades do Conhecimento "implica diversidade, variedade e acesso à escolha", onde "as pessoas possam
acessar e trocar informações e ideias de qualidade que sejam relevantes para sua vida e desenvolvimento" (UNESCO, 2003:2).

2.

Por exemplo, como a agricultura é cada vez mais intensiva em conhecimento, as TICs podem ajudar os agricultores a melhorar os rendimentos das culturas e a
produtividade das empresas por meio de um melhor acesso à informação de mercado, previsões meteorológicas, programas de formação e outros conteúdos
online adaptados às suas necessidades.

3.

De acordo com as TICs para o trabalho: Relatório sobre competências digitais no local de trabalho (Comissão Europeia, 2016), a utilização das TICs – nos
estados membros da UE – aumentou significativamente nos últimos cinco anos em mais de 90% dos locais de trabalho, sendo que os locais de trabalho
microdimensionados registraram aumentos limitados em comparação com os de maior dimensão. Além disso, 38% dos locais de trabalho relatam que a falta de
competências digitais tem impacto no seu desempenho.

4.

No entanto, como aponta o Banco Mundial (2016), a mera existência de tecnologia não é suficiente para eliminar a lacuna na inclusão socioeconômica das
pessoas com deficiência, pois é necessário um ecossistema adequado para promover a implementação de tecnologias digitais acessíveis.

5.

A esse respeito, vale a pena mencionar o papel das bibliotecas no empoderamento das mulheres por intermédio das TICs, conforme descrito no Resumo da
Publicação Para Além do Acesso "Capacitação de mulheres e meninas por meio das TICs nas bibliotecas" (2012) [Beyond Access Issue Brief "Empowering
Women and Girls Through ICT at Libraries" (2012)], disponível em http://beyondaccess.net/wp-content/uploads/2013/07/Beyond-Access_GirlsandICT-IssueBrief.pdf

6.

Um MOOC é um curso online que visa à participação ilimitada e acesso aberto via web. Além dos materiais tradicionais do curso, tais como palestras filmadas,
leituras e grupos de problemas, muitos MOOCs fornecem ferramentas interativas com fóruns de usuários para apoiar as interações da comunidade entre alunos,
professores e auxiliares de ensino (AEs), bem como feedback imediato para testes rápidos e tarefas.

7.

Recursos educacionais abertos (OERs) são materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa em qualquer meio – digital ou outro – que residam no domínio público
ou tenham sido liberados sob licença aberta que permita acesso, uso, adaptação e redistribuição sem custos por outros, sem restrições ou com restrições
limitadas. Para saber mais, acesse https://en.unesco.org/themes/building-knowledge-societies/oer.

8.

A aprendizagem permanente está relacionada com o ensino voluntário e automotivado, realizado fora da escola, com o objetivo principal de melhorar o
desenvolvimento pessoal ou profissional Para saber mais, acesse http://uil.unesco.org.

9.

A mídia tradicional, as organizações da sociedade civil e as instituições públicas, como as bibliotecas, podem contribuir para a tradução de informações em
conhecimento acessível e uso orientado, "preparando informações, estendendo recursos informativos para comunidades carentes e oferecendo espaços sociais
para convocar, aprender, criar e resolver problemas em suas comunidades" (Garrido, M. &amp; Wyber, 2017, p. 11).

10. Note-se que nos referimos às potencialidades das TICs para os trabalhadores e futuros trabalhadores adquirirem competências e, ao fazê-lo, prepararem-se para o
mercado de trabalho. No entanto, tal como o Fórum Econômico Mundial declara no relatório O Futuro do Emprego de 2018, destaca-se uma série de implicações e
prioridades imediatas para as diferentes partes interessadas, como as empresas e os governos. "(...) Imperativo para alcançar essa visão positiva do futuro do
emprego será um movimento econômico e social dos governos, empresas e indivíduos no sentido de uma aprendizagem ágil e permanente, bem como estratégias
e programas inclusivos de reciclagem e atualização de competências em todo o espectro profissional. As competências interpessoais relacionadas com a tecnologia
e não cognitivas estão a tornar-se de forma paralela cada vez mais importantes, e existem oportunidades significativas para parcerias inovadoras e criativas entre as
partes interessadas dos governos, empregadores da área, prestadores de serviços de educação e outros para experimentar e investir em novos tipos de ensino e
formação que serão mais úteis para os indivíduos neste novo contexto do mercado de trabalho" (WEF, 2018, p. 22).
11. De acordo com o McKinsey Global Institute (2016), a adoção e uso generalizados de finanças digitais poderiam aumentar o PIB de todas as economias
emergentes em 6%, ou US$ 3,7 trilhões, até 2025.
12. Essas medidas incluem "recursos que permitam a qualquer membro do público utilizar a preços acessíveis os computadores com conexão de banda larga,
juntamente com as ferramentas TICs associadas, como impressoras e escâneres, bem como o apoio técnico à utilização da Internet". As instalações de acesso
público podem ser "telecentros" ou "centros multimídia comunitários" (CMCs), ou " cybercafés" privados, construídos com o apoio do Estado. A localização de
serviços de acesso público em instituições existentes situadas na comunidade, como bibliotecas e correios, é muitas vezes um método particularmente eficaz de
implementação do acesso público" (IFLA, APC &amp; TASCHA, 2014).
13. Vários exemplos de como as bibliotecas têm apoiado o emprego em todo o mundo podem ser encontrados no documento da IFLA Uma Missão de Justiça Social:
Bibliotecas, Emprego e Empreendedorismo [A Social Justice Mission: Libraries, Employment and Entrepreneurship], disponível em
https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/documents/libraries_and_social_justice.pdf
14. 14. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o termo "fosso digital" refere-se à diferença entre indivíduos,
famílias, empresas e áreas geográficas em diferentes níveis socioeconômicos, tanto em relação às oportunidades de acesso às tecnologias da informação e da
comunicação (TICs) quanto ao uso da internet para uma ampla variedade de atividades (OCDE, 2001, p. 5).

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

35

�DA2I

36

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 5
Desigualdades: bibliotecas e
compartilhamento de conhecimentos
Essa dissertação explora o papel das bibliotecas no compartilhamento de
conhecimento, concentrando-se especialmente em sua expressão digital e nas
formas pelas quais elas podem contribuir para a redução da pobreza. Começa
por estabelecer o contexto em termos dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) e da distinção entre conhecimento "aberto/público" e
"fechado/privado". A próxima seção explora questões importantes em torno
dos significados e do uso da "informação" e "conhecimento", as necessidades
que as pessoas pobres e marginalizadas têm de conhecimento, e a
importância de obter mais evidências sobre como as bibliotecas, tanto virtuais
quanto reais, podem ser usadas para influenciar a redução da pobreza. A
penúltima parte do ensaio examina então as diversas formas pelas quais as
bibliotecas podem ser usadas para reduzir as desigualdades, e inclui dois
estudos de caso contrastantes, o Movimento Biblioteca Pública Indiano e as
microbibliotecas portuguesas. A dissertação conclui com recomendações
sobre como superar os obstáculos enfrentados por um uso mais amplo das
bibliotecas para reduzir a desigualdade.

P. TIM H. UNWIN
Royal Holloway, Universidade de Londres

Contexto: aberto e púbico, ou fechado e privado?
O Conhecimento é poderoso. Tem, portanto, tendência a ser utilizada pelos ricos
e poderosos ao longo da história para manter o seu status e perpetuar as
desigualdades a seu favor. No entanto, sempre houve também os que tentaram
partilhar mais amplamente o conhecimento, muitas vezes com base na moral de
que o conhecimento é, de fato, empoderador e pode transformar as estruturas
sociais e políticas. Isso é tão verdadeiro hoje, quando o conhecimento formal
está sendo cada vez mais mediado por tecnologias digitais, como foi no passado
distante, quando o conhecimento era amplamente compartilhado por meio de
livros. O ODS 10, que se concentra na redução das desigualdades, fornece uma
importante alavanca por meio da qual tais agendas podem ser promovidas na
próxima década.

ODS 10: o objetivo problemático
Os esforços recentes para reduzir a pobreza centraram-se, em geral, sobretudo
no crescimento econômico e não na redução das desigualdades. A Agenda
2030 e os ODSs (ONU, 2015) continuam, portanto, em grande parte, a centrarse no crescimento econômico que está no cerne dos anteriores Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODMs) das Nações Unidas de 2000. No entanto,
os ODSs são muito mais em número, e procuram combinar os interesses de
crescimento econômico dos ODMs com preocupações sobre mudanças
ambientais e sustentabilidade. Eles também incluem uma tensão importante,
representada pelo ODS 10, aparentemente deslocado: reduzir a desigualdade
dentro e entre os países. Esses focos que se concentram em aumentar o
crescimento e reduzir a desigualdade competem entre si, porque o crescimento
econômico quase sempre tem sido historicamente associado ao aumento da
desigualdade, a menos que seja dada uma atenção muito considerável
especificamente para compartilhar os benefícios desse crescimento
amplamente em toda a sociedade (Oxfam, 2019). Os processos que dão origem
a essas desigualdades foram drasticamente aumentados pela concepção e
difusão de tecnologias digitais em evolução cada vez mais rápida (Unwin,
2018). No entanto, os 10 objetivos do ODS 10 não fazem menção direta às
formas pelas quais o conhecimento pode ser usado para reduzir a
desigualdade, nem ao uso de tecnologias digitais para isso.
Para compreender essa tensão entre crescimento e desigualdade, é essencial
abordar a distinção entre pobreza relativa e absoluta (Unwin, 2007). Em
essência, quem defende uma medida absoluta de pobreza, como incorporado
nos ODMs e na maioria dos ODSs, assim o faz com base na noção positiva de
individualidade e competição, enquanto quem defende
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

37

�um padrão relativo o faz na crença
normativa de que as pessoas
também são comunais e devem
organizar atividades econômicas de
forma cooperativa (O'Boyle, 1999).
O domínio esmagador das noções
de direitos humanos "individuais" em
vez de "comunitários" (Unwin, 2014)
no sistema da ONU e além, e o
poder das grandes corporações
globais na governança internacional
contemporânea, têm alimentado
essa ênfase na maximização do
crescimento em vez de minimizar a
desigualdade. A pobreza absoluta
pode, de fato, ser reduzida apenas
pelo crescimento econômico, mas a
pobreza relativa não. Os ODSs e o
Fórum Político de Alto Nível sobre
Desenvolvimento Sustentável (FAN)
não reconheceram suficientemente
essa tensão e, por conseguinte,
também não criaram mecanismos
por meio dos quais as desigualdades
prejudiciais possam ser reduzidas.

Conhecimento privado e público
A posse de conhecimento por
indivíduos ou comunidades é central
para as relações de poder associadas
a esse equilíbrio de ênfase entre
pobreza
absoluta
e
relativa.
Historicamente, em sociedades com
tradição em alfabetização, a palavra
escrita tem sido um meio importante
para
registrar
e
compartilhar
informações e ideias por quem sabe
ler e tem acesso a textos. Bibliotecas
fixas, portanto, desempenharam um
papel crucial como repositórios de
conhecimento.
Sociedades
com
tradições
orais
em
contraste
transmitia o conhecimento por
intermédio da palavra falada mais
acessível de sagas, poesias e
narração de histórias. No entanto,
ambas as tradições tinham estruturas
de poder significativas: as bibliotecas
ajudavam a manter o poder nas
tradições de alfabetização; os direitos
de iniciação e as estruturas

hereditárias serviam às tradições orais.
Ambas procuraram equilibrar o
secretismo e a abertura, mas de
formas diferentes. No entanto, parece
haver uma distinção útil que pode ser
feita aqui entre alfabetização e
individualismo, por um lado, e
tradições orais e comunitárias, por
outro. Os meios de partilha dentro de
ambos os tipos de sociedade são
diferentes, e é necessário realizar mais
investigação sobre a medida em que
cada um deles está relacionado com a
desigualdade.
O desenvolvimento do acesso à
informação e ao conhecimento nas
sociedades
alfabetizadas
está
razoavelmente bem documentado.
Os livros primitivos tinham de ser
copiados laboriosamente à mão, e por
isso eram caros. Como conhecimento
é poder, eles eram normalmente
mantidos nas bibliotecas "privadas"
das elites. Novas formas de
impressão na Europa começaram a
democratizar a distribuição de
conhecimentos a partir do século XV,
mas a ideia de bibliotecas "públicas"
só começou realmente a tomar forma
na Europa no século XIX (Harris,
1999), como resultado de pressões
morais e econômicas para melhorar a
vida dos pobres. É importante
observar, entretanto, que outras
tradições muito mais adiantadas
buscavam
também
compartilhar
conhecimento dentro das sociedades
letradas. No Cairo, no início do século
XI, por exemplo, (al-Hakim bi-Amr
Allah, também conhecido como Abu
Ali Mansur), o sexto califa fatimida
fundou a (Dar al-Alem, Casa do
Conhecimento),
que
foi
especificamente concebida para
permitir
ao
público
adquirir
conhecimento.
Informação,
conhecimento
e
desigualdade
Há fortes argumentos de que a

criação de bibliotecas públicas, em
vez de apenas bibliotecas privadas,
pode desempenhar um papel
importante ao permitir que todos
acessem a informação e a processem
para
moldar
seus
próprios
conhecimentos. No entanto, para que
isso aconteça, as pessoas têm de ser
alfabetizadas e capazes de acessar o
conteúdo dessas bibliotecas; tais
argumentos também tendem a
privilegiar as tradições alfabetizadas
em detrimento das orais. O advento
das tecnologias da informação e da
comunicação
(TICs)
também
proporcionou uma oportunidade
valiosa para ampliar as noções de
compartilhamento de conhecimento
público comunitário, especialmente
por meio de uso de software livre, de
código
aberto,
e
recursos
educacionais abertos, bem como pela
criação de bibliotecas virtuais ou
digitais (IFLA &amp; UNESCO, 2011). Tais
distinções entre público e privado são
muito semelhantes à diferença entre
as
abordagens
comunitária
e
individual para a redução da pobreza
(Tabela 1). Na prática, esses
conceitos, mostrados como opostos
binários na Tabela 1, geralmente se
confundem entre si e estão em ambos
os extremos dos espectros, mas são
mostrados aqui dessa forma porque
refletem
conceitualizações
fundamentalmente diferentes da
pobreza, do papel das bibliotecas,
dos conteúdos, das tecnologias
digitais e do desenvolvimento.
A UNESCO, em particular, tem
desempenhado durante muito tempo
um forte papel na defesa de que mais
apoio deve ser dado à criação de
sociedades do conhecimento nas
quais todos os cidadãos possam
acessar e usar as informações de que
necessitam para ter vidas realizadas
(Mansell &amp; Wehn, 1998; UNESCO,
2005). Como Souter (2010, p.11)
resumiu, "Por

Tabela 1: Oposições binárias: pobreza, bibliotecas e conteúdo
Conceito de
pobreza

Soluções para
a redução da
pobreza

Bibliotecas

Tipo de
Sociedade

Conteúdo

Software

Direção

Absoluto

Individual
(crescimento
econômico)

Privadas

Principalmente
alfabetizadas

Conteúdo exclusivo

Conteúdo
fechado

Principalmente de
cima para baixo

Relativo

Comunitária
(redução da
desigualdade)

Públicas

Principalmente
orais

Acesso aberto
(especialmente
recursos educacionais
abertos)

Fonte aberta
e livre

Encoraja a
abordagem de
baixo para cima

38

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Sociedades do Conhecimento, a
UNESCO considera as sociedades
nas quais as pessoas têm a
capacidade não apenas de adquirir
informações, mas também de
transformá-las em conhecimento e
compreensão, o que as capacita a
melhorar seus meios de vida e
contribuir para o desenvolvimento
social e econômico de suas
sociedades". Tais ideias reforçam a
noção de que a informação e o
conhecimento são essenciais para o
desenvolvimento efetivo e, portanto,
que a superação da pobreza e da
desigualdade de informação é uma
parte importante de qualquer agenda
de desenvolvimento global (Haider &amp;
Bawden, 2007). Entretanto, existem
desafios
consideráveis
na
concretização dessa visão, alguns
dos quais, considerados mais
importantes, são explorados mais
adiante.

Conhecimento marginal e de elite
Tradicionalmente, os bibliotecários
têm servido como guardiões do
conhecimento, decidindo o que deve
existir numa biblioteca e o que deve
ser excluído. Isso significa que as
bibliotecas
geralmente
oferecem
acesso a conhecimentos de elite.
Quase por definição, eles também têm
sido a preservação do conhecimento
alfabetizado em vez do conhecimento
oral. As pessoas e comunidades
pobres e marginalizadas também têm,
no entanto, imensos recursos de
conhecimento. Ao passar informações
por intermédio de tradições orais, elas
sabem, por exemplo, como sobreviver
em ambientes onde um banqueiro, um
acadêmico ou um político alfabetizado
"com boa formação" não seriam
capazes de sobreviver nem por alguns
dias.
No entanto, as TICs começaram a ser
utilizadas para subverter conceitos
tradicionais,
de
duas
formas
principais: pela utilização de áudio e
vídeo, que já não requerem
competências
de
alfabetização
tradicionais para o seu acesso, e pela
permissão de que qualquer pessoa
com acesso à Internet e a um
dispositivo de entrada possa transferir
conteúdos
multimídia.
Alguns
bibliotecários e instituições há muito
que estão ativamente empenhados na
democratização do conhecimento. O
Arquivo de Som da BBC no Reino
Unido, por exemplo, fundado em
1936, contém centenas de milhares de
gravações de áudio que datam do

século 19. Mais recentemente, a
Ryerson University no Canadá
desenvolveu
iniciativas
para
incorporar conhecimentos indígenas
em suas práticas (Sloan, 2018), e
Horrigan (2015) também destacou
as maneiras pelas quais as
bibliotecas nos EUA estão mudando
em resposta ao desejo das pessoas
de usá-las para fornecer novos
serviços. Como os exemplos na
próxima seção também enfatizam,
muitas
iniciativas
enfocam
especialmente as maneiras pelas
quais novos tipos de bibliotecas
podem servir às comunidades
marginalizadas.
Nunca se deve esquecer que as
pessoas
marginalizadas
com
poucos recursos ainda têm um
conhecimento muito poderoso. É
apenas um tipo de conhecimento
diferente do conhecimento que os
ricos consideram importante. Essa
dissertação sugere que ambos os
tipos de conhecimento devem ser
considerados como igualmente
"valiosos" em qualquer tipo de
discurso de desenvolvimento.

Desigualdades: ver e ouvir os
pobres e marginalizados
Ao contrário dos ODMs, o ODS 10
fornece um quadro muito mais claro
do que considera desigualdade, e
nos últimos anos tem havido alguma
evidência de que as agências da
ONU e alguns governos estão
reconhecendo a necessidade de
equilibrar o crescimento econômico
com a atenção à desigualdade,
mesmo que apenas por causa da

constatação de que as desigualdades
crescentes prejudicam o crescimento
(Cingano, 2014; UNESCO, 2018). Há,
assim, uma compreensão saudável e
crescente de que a pobreza e a
desigualdade não devem ser vistas
apenas em termos econômicos. As
formas
como
as
diferentes
características humanas e dimensões
da vida se cruzam e reforçam a
pobreza suscitaram um interesse
renovado, destacando como certos
grupos de pessoas tendem a ser
constantemente marginalizados. Os
processos associados ao crescimento
econômico, especialmente como
resultado do surgimento de novas
tecnologias digitais, trabalham para
mantê-las na pobreza. Entre essas
pessoas estão incluídas as que
apresentam deficiência, jovens fora
da escola (crianças em risco de viver
e trabalhar nas ruas), meninas e
mulheres
(especialmente
em
sociedades patriarcais tradicionais),
minorias étnicas e refugiados.
É muito importante que as vozes
desses indivíduos e comunidades
marginalizados sejam ouvidas, não
só dentro dos países onde vivem,
mas também globalmente na
formulação de políticas e iniciativas
tais como o próprio processo dos
ODSs. As suas histórias têm de
estar
nas
bibliotecas
dos
funcionários públicos e dos atores
políticos, que por sua vez têm de
começar a

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

39

�desenvolver estratégias com os mais virtuais e digitais desde a sua
marginalizados e não para os mais origem, em meados da década
marginalizados.
de 1990, tenha tido muitos
benefícios, tais como a não
ocupação de muito espaço físico
Necessidades, acesso, experiência
(continua a ser necessário que os
e utilização
A presença de uma biblioteca, real ou servidores
hospedem
o
virtual, não significa necessariamente conteúdo),
a
disponibilidade
que irá beneficiar os marginalizados e permanente, a facilidade de
reduzir as desigualdades. Ao nível mais pesquisa, a possibilidade de
simples, se as pessoas não souberem preservação de textos e imagens
como acessar uma biblioteca, não e o fornecimento de recursos
poderão se beneficiar do seu conteúdo, multimídia,
subsistem
ainda
se não puderem ler o texto, não muitas questões sobre como elas
poderão aprender com ele; se não devem
ser
financiadas,
o
houver nada de relevante para as suas equilíbrio
entre
conteúdos
necessidades, não serão capacitadas. abertos e proprietários, a medida
Por inúmeras vezes, as iniciativas das em que permitem a interação
bibliotecas
e
as
soluções
de comunitária e, em última análise,
aprendizagem
online
foram se aumentam ou reduzem as
desenvolvidas para as pessoas pobres, desigualdades. Embora algumas
na esperança de que os seus
conteúdos mudem vidas para melhor,
mas como esses esforços não
compreenderam
os
princípios
fundamentais da necessidade, acesso,
experiência
e
utilização,
não
conseguiram fornecer os resultados
pretendidos. Isso levou a um
ressurgimento do interesse pelos
significados da alfabetização e ao
reconhecimento de que ela deve agora
ir muito além da capacidade de ler
textos em uma página para incluir a
alfabetização digital, ou as habilidades
necessárias para acessar conteúdo
online e dar sentido a ele (Wagner,
2011, 2017). Se as pessoas não
conseguem acessar as tecnologias
digitais e depois encontrar o conteúdo
ou a informação que lhes possa ser útil,
também nunca irão se beneficiar do
potencial que foi criado.

Bibliotecas como lugares
As tecnologias digitais transformaram a
compreensão de lugar e espaço.
Tradicionalmente,
as
bibliotecas
públicas eram lugares físicos onde as
pessoas iam ler, estudar, obter
informações
ou
pedir
livros
emprestados. Eram lugares onde se
formavam comunidades e onde se
fomentavam grupos de leitura ou de
aprendizagem. Progressivamente, à
medida que as tecnologias digitais se
tornam mais populares e os conselhos
locais reduzem as despesas, muitas
dessas bibliotecas entram em crise. No
Reino Unido, por exemplo, foi relatado
em 2016 que quase 350 bibliotecas
haviam fechado nos últimos seis anos,
com perda de 8.000 empregos (The
Guardian, 2016; mas veja também
Horrigan, 2015). Embora a rápida
expansão das bibliotecas
40

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

estejam sendo transformadas em
centros digitais, muitas vezes são os
já privilegiados que mais se
beneficiam com isso, em vez dos
mais pobres e marginalizados.

A necessidade de evidências e dados
Os desafios da evidência na seção
anterior destacam a importante
necessidade de mais dados e
evidências para chegar a decisões
sobre o impacto relativo de
diferentes tipos de soluções
bibliotecárias para reduzir a
desigualdade. Como observam
Garrido e Fellows (2017), é notável
que os ODSs não mencionem o
acesso à informação como um fator
específico
na
redução
da
desigualdade. Por conseguinte, é
necessário

O Movimento Indiano das Bibliotecas Públicas (IPLM na sigla em inglês)
O acesso a informações relevantes e úteis tem sido um desafio para as pessoas
pobres e as comunidades marginalizadas na Índia. Tradicionalmente, o acesso à
informação estava voltado para as elites, e as bibliotecas públicas têm
desempenhado um papel importante na democratização desse acesso. No
entanto, a oferta de bibliotecas é espacialmente variável, com 80 a 90% das
bibliotecas públicas localizadas em apenas seis estados indianos, principalmente
no sul; muitas delas também têm acesso limitado para os usuários e, muitas
vezes, oferecem apenas um serviço de referência e de empréstimo tradicional.
O IPLM foi, portanto, criado para revitalizar as bibliotecas públicas da Índia e
trazê-las de volta ao convencional como centros de conhecimento e de
informação inclusivos. Experiências de outros centros de serviços multimídia em
diversos lugares do mundo indicam que eles têm o potencial de fornecer muitos
serviços diferentes. Os programas IPLM em curso fornecem sessões de
conscientização de saúde, conteúdo educacional e orientação vocacional tanto
online como nos locais em que eles estão situados. É também dada especial
atenção à formação relevante dos bibliotecários, para que estes tenham as
competências necessárias para ajudar os usuários a se beneficiar dos seus
recursos e informações. No entanto, os custos envolvidos são elevados, e muito
do seu trabalho inicial foi financiado por agências externas, como a Fundação Bill
e Melinda Gates.

�Inúmeras vezes, as iniciativas das bibliotecas e as soluções de aprendizagem online
foram desenvolvidas para as pessoas pobres, na esperança de que os seus
conteúdos mudassem vidas para melhor, mas como esses esforços não entenderam
os princípios fundamentais da necessidade, acesso, experiência e utilização, não
conseguiram fornecer os resultados pretendidos.
que haja muito mais exploração e
investigação sobre as formas pelas
quais esse acesso, especialmente
por meio de bibliotecas físicas e
virtuais, pode permitir que as
pessoas e comunidades mais
marginalizadas e vulneráveis sejam
beneficiadas.
Também
são
necessários muito mais dados
sobre a utilização de "bibliotecas" e
repositórios digitais por pessoas
marginalizadas, e até que ponto
essa utilização pode reduzir as
desigualdades, para que se possam
criar
melhores
políticas
de
desenvolvimento
baseadas
no
conhecimento.

muito
considerável
e
uma
mudança na mentalidade de quem
defende o uso das TICs para atingir
os ODSs, longe da ênfase no
crescimento econômico e rumo à
redução das desigualdades.
As tecnologias móveis constituem
um meio muito importante de
comunicação e de partilha de
conhecimentos,
havendo
atualmente mais assinaturas de
serviços móveis do que pessoas
no planeta. No entanto, esse uso é
espacialmente muito variável,

continuam a ser um meio valioso pelo
qual as pessoas mais marginalizadas
podem efetivamente acessar e utilizar
tecnologias e recursos digitais.
Quando esses são verdadeiramente
multifuncionais e multimídia, podem
de forma efetiva servir como locais
onde as pessoas em áreas isoladas
podem acessar conhecimentos de
saúde, educativos, culturais e
econômicos e partilhar as suas
próprias experiências online, se assim
o desejarem. Contudo, devem ser
adequadamente planejados e

Bibliotecas que abordam
as desigualdades
As fronteiras entre o virtual e o
real, e mesmo entre os seres
humanos e as máquinas em geral,
estão se tornando cada vez mais
indistintas. No entanto, esses
conceitos retêm valor e são
particularmente úteis para ajudar
a
compreender
como
as
bibliotecas podem abordar as
desigualdades.

O virtual…
A explosão de informação e
recursos de aprendizagem online
ao longo da última década tem sido
notável, e muitas pessoas agora
têm literalmente o conhecimento do
mundo na ponta dos dedos por
intermédio da internet. Entretanto,
quase
metade
(48,8%)
da
população mundial ainda não está
usando a internet (ITU, 2018). As
tecnologias digitais continuam a
servir
principalmente
às
necessidades e interesses das
pessoas mais ricas e não das mais
pobres. Assim, para reduzir as
desigualdades,
é
essencial
aumentar o acesso, permitir que as
pessoas possam utilizar esses
recursos de informação e que os
conteúdos sejam relevantes para
as suas necessidades. Todos
esses três exigem um esforço

com os países africanos e outros
estados
menos
desenvolvidos
apresentando ainda taxas muito
mais
baixas.
Embora
essas
tecnologias possam ser utilizadas
para aumentar a partilha de
conhecimentos relevantes entre os
mais marginalizados, é necessário
fazer muito mais para apoiar e
implementar políticas e iniciativas
que se concentrem nessa questão.

… e o real
Os telecentros multifuncionais têm
sido amplamente criticados e
podem muito bem ser apenas uma
característica
transitória
da
passagem de modelos comunitários
para modelos individuais de
atividade humana. No entanto,
demonstraram
uma
resiliência
considerável (como nesta ilustração
de um telecentro em Bario, uma
comunidade isolada em Sarawak), e

dotados de recursos e devem ser
tomadas medidas para atenuar os
numerosos aspetos negativos da
utilização digital, especialmente para
as crianças (UNICEF, 2017).
No entanto, as bibliotecas são muito
mais do que apenas locais onde a
informação e o conhecimento são
transacionados.
Elas
também
desempenham
papéis
sociais,
culturais e políticos importantes. Em
um mundo digital cada vez mais
individualizado,
dominado
pelo
intercâmbio
econômico,
elas
continuam a ser lugares onde a alma
de uma sociedade pode ser
encontrada e moldada.

Enfrentamento dos obstáculos
Se ignorarmos os pobres em nosso
meio, perdemos nossa humanidade e
nossas almas. Para quem acha que
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

41

�é errado que 26 pessoas –
principalmente do sexo masculino
(n=25) dos EUA (n=15), das quais pelo
menos 10 fizeram fortuna no setor de
tecnologia – possuam o equivalente ao
que têm os 3,8 bilhões de pessoas mais
pobres do mundo (Oxfam, 2019), os
obstáculos que impedem o progresso
rumo ao ODS 10 devem ser
identificados e superados. Três
principais passos são essenciais:
 Reconhecer que a redução das
desigualdades tem a ver com a
vontade de fazer, e não com
dinheiro. Para que o sistema da
ONU como um todo, bem como
líderes específicos de governos,
comecem
a
reduzir
as
desigualdades em seus

estados, é preciso que se
concentrem nesse objetivo acima da
recente ênfase que foi colocada no
crescimento econômico. Deixar de
fazer não só é moralmente errado,
como terá um impacto muito
significativo no sistema econômico
global, na coesão social e na
estabilidade política.
 Alcançar acesso universal a preços
acessíveis à conectividade digital
de alta qualidade. Em um mundo
cada vez mais dominado pelo
compartilhamento de informação
via tecnologias digitais, é essencial
que estas sejam acessíveis,
confiáveis
e
suficientemente
rápidas em todo lugar, para que as
pessoas e comunidades pobres e

marginalizadas
possam
potencialmente se beneficiar da
aquisição dos conhecimentos que
elas permitem.
 Servir os interesses dos pobres e
marginalizados. O acesso por si
só, porém, é insuficiente. As
oportunidades de informação e
comunicação proporcionadas pela
tecnologia devem ser relevantes
para as necessidades dos mais
marginalizados, que, por sua vez,
devem poder utilizá-las para seu
próprio empoderamento. É aqui
que os bibliotecários e bibliotecas,
virtuais e reais, continuam a ter um
papel crucial para a melhor
formação de sociedades.

Microbibliotecas: um exemplo de Portugal
Ao contrário dos problemas enfrentados pelas grandes bibliotecas
tradicionais, o movimento das microbibliotecas reflete uma abordagem mais
ascendente e comunitária ao compartilhamento de conhecimento. Em muitos
casos, como em Portugal e no Reino Unido, isso tem sido apoiado por
fundações de empresas de telecomunicações, oferecendo antigas cabines
telefônicas para utilização como microbibliotecas, reforçando mais uma vez a
ligação entre as TICs e a partilha de conhecimento, embora num idioma muito
diferente. Em Portugal, por exemplo, a Fundação PT (2018) "reutiliza as
antigas cabines telefônicas e estabelece parcerias com autarquias locais e
outras instituições, para a adaptação, colocação e promoção de
microbibliotecas que visam reforçar os laços comunitários, promover a
cidadania, incentivar a leitura e promover o amor pelo livro num espaço
totalmente inesperado". Desde o final dos anos 2000, tais iniciativas
floresceram globalmente, com o movimento Pequena Biblioteca Gratuita
[Little Free Library] afirmando ter atingido cerca de 75.000 bibliotecas
registradas em 85 países até 2018, e outras iniciativas, como o Projeto
Parada do Livro [The Book Stop Project] nas Filipinas, criando redes de
espaços móveis para redes de bibliotecas instantâneas [pop-up] em áreas
urbanas (Rhodes, 2018).

42

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

43

�DA2I

44

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 6
Acesso à informação e mudança
climática
A Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) adotou os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) universais em 2015. Os 17 ODSs abordam
os três aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. A ONU
pretende atingir as metas definidas o mais tardar até 2030. Os ODSs são de
relevância universal, ou seja, as nações em todos os níveis de desenvolvimento
estão igualmente comprometidas com a sua implementação.

KARL FALKENBERG
Professor e Palestrante Independente, ex-DiretorGeral para o Meio Ambiente, Comissão Europeia

Os ODSs fazem parte da Resolução 70/1 da ONU, que estabelece a Agenda
para o Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo. Destaca em
particular as pessoas, o planeta, a prosperidade, a paz e a parceria. Reconhece
que o mundo enfrenta enormes desafios de desigualdade, degradação
ambiental global e insegurança. Requer às nações que trabalhem para a
realização dos objetivos por meio de uma parceria global revitalizada, baseada
num espírito de solidariedade global reforçada, destinada a não deixar ninguém
para trás. Dá importância à governança democrática e à participação de todas
as partes interessadas e de todas as pessoas. A plena participação das pessoas
requer empoderamento, alfabetização e acesso à informação.
Entre os muitos desafios que o planeta enfrenta, as alterações climáticas são
verdadeiramente globais. A ciência compreendeu como a atividade humana
nesse planeta, largamente baseada em fontes de energia fósseis, está poluindo
sua atmosfera, conduzindo assim a um aumento mais rápido da temperatura
global por que o planeta jamais passou. Para esse processo, é irrelevante onde
as emissões de gases de efeito estufa são produzidas, todas essas emissões
na atmosfera contribuem igualmente para o aquecimento. Os cientistas referemse aos últimos 70 anos como a grande aceleração. A população mundial
explodiu de 3 bilhões em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente e espera-se
que cresça para mais de 10 bilhões em 2050. Os padrões de produção e
consumo humanos estão exercendo uma forte pressão sobre os limitados
recursos naturais do nosso planeta. Os ciclos do fosfato e do nitrato estão
atingindo níveis críticos e a água potável e os solos férteis estão sob pressão,
bem como os ecossistemas e a biodiversidade. E a mudança climática já está
acontecendo, como evidenciado pelas condições climáticas mais extremas do
planeta.
É importante observar que os efeitos das alterações climáticas não são iguais
em todos os continentes do planeta. Embora seja verdade que as alterações
climáticas conduzem ao aquecimento global, é necessário compreender que
esse efeito é considerado com base em uma média. Isso não significa
explicitamente que as temperaturas estarão subindo de forma linear em todos
os lugares do planeta. A realidade individual é definida pelas condições
climáticas locais. O aquecimento global modificará essas condições climáticas
de forma dramática, tornando o clima local mais errático e mais extremo. O
planeta passará por ventos mais fortes e furacões que serão potencializados por
águas oceânicas mais quentes; períodos de chuvas mais fortes, mas também
secas mais longas; mudanças dramáticas de temperatura em zonas tropicais; e
invernos potencialmente mais rigorosos em zonas temperadas. A tradução
precisa do aquecimento global em condições climáticas do dia-a-dia local ainda
é um desafio científico, mas está ficando claro que a parte mais pobre do planeta
provavelmente será a mais atingida. Em primeiro lugar, porque quase todo o
crescimento demográfico recente do planeta ocorreu no mundo menos
desenvolvido, e essa tendência continua. A Índia, a China, o Sudeste Asiático,
o Brasil e o México passaram por esse crescimento, e a África está em processo
de juntar-se ao grupo — colocando-nos no caminho para mais de 10 bilhões de
homens e mulheres no planeta até 2050. Esse crescimento ocorreu em grande
parte nas zonas tropicais, onde o aquecimento tornará as condições de vida
particularmente difíceis.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

45

�Muito mais pessoas precisam de acesso à informação. Elas precisam da
capacidade de compreender a comunicação e de mudar o seu comportamento
individual. Elas também precisam claramente traduzir o seu conhecimento
aperfeiçoado em direito democrático de eleger líderes que façam a coisa certa.
Em segundo lugar, trata-se de
regiões pobres, com pessoas que
não
dispõem
dos
recursos
financeiros para se protegerem
contra os efeitos das alterações
climáticas. Algumas ilhas baixas e
regiões costeiras serão submersas
pela elevação do nível do mar,
chuvas como as das monções
destruirão casas, e períodos
prolongados de seca conduzirão a
uma escassez extrema de água
potável. A produção de alimentos
também será substancialmente
prejudicada. As populações pobres
serão as mais afetadas pela
destruição
progressiva
dos
ecossistemas mundiais e pela
insuficiente
capacidade
de
fornecimento de alimentos e bebidas
ao ser humano.

O que é preciso fazer?
Precisamos agir para mitigar as
causas das alterações climáticas
provocadas
pelo
homem
e
precisamos
adaptar-nos
às
consequências inevitáveis do que já
provocamos. Essas ações devem ser
coordenadas em nível global. A
Convenção Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança Climática
(UNFCCC na sigla em inglês) busca
alcançar um consenso entre as
nações sobre quais medidas urgentes
são necessárias. Mas ainda temos
uma série de líderes mundiais que
negam o óbvio, e muitos indivíduos
têm consciência insuficiente sobre as
consequências da situação atual. São
necessárias melhoras substanciais
do lado do conhecimento, bem como
esforços importantes de atenuação
para reduzir substancialmente a
utilização de combustíveis fósseis
nas economias mundiais. Fontes
alternativas de energia estão sendo
desenvolvidas, com um forte enfoque
na eficiência, num esforço para viver
com menos dependência desse
recurso. A produção de alimentos
também contribui substancialmente
para as mudanças climáticas. As
dietas humanas com menos ênfase
em carne, em açúcar e em sal podem
contribuir para abrandar as alterações
46

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

climáticas. O setor dos transportes é
também, na sua forma atual, um
grande contribuinte para as emissões
de CO². E o grande setor da
habitação precisa tornar-se mais
eficiente em termos energéticos, por
intermédio de melhores sistemas de
aquecimento e arrefecimento e de
melhor isolamento.
É importante ressaltar que os pontos
de ruptura conhecidos precisam ser
evitados, porque se ultrapassados,
eles acelerariam drasticamente a
mudança climática. Um exemplo
significativo é o risco de liberação de
quantidades muito substanciais de
metano, hoje capturado sob o gelo
permanente. O metano é um gás com
efeito estufa 30 vezes mais forte do
que o CO². A ciência está enfatizando
todos esses efeitos de forma mais
precisa.
É aqui que a ligação com a
informação, a alfabetização e a
educação fica óbvia. Muito mais
pessoas precisam de acesso à
informação. Elas precisam da
capacidade de compreender a
comunicação e de mudar o seu
comportamento individual. Elas
também
precisam
traduzir
claramente
seu
conhecimento
aperfeiçoado em direito democrático
de eleger líderes que façam a coisa
certa. O que o planeta precisa é de
acesso significativo à informação, ou
seja, informação clara e confiável,
que tenha sido revista por pares
quanto à sua qualidade científica e
verificada profissionalmente quanto
à sua verdade — um grande desafio
na era das notícias falsas e fatos
alternativos! A mídia jornalística terá
de
desempenhar
um
papel
importante, mas as comunidades
locais
podem
ou
precisam
desenvolver
sua
própria
compreensão
com
base
em
informações
escritas.
Aqui
novamente, as bibliotecas podem
desempenhar
um
papel
na
apresentação de acesso não filtrado
à mais ampla gama de escritos
científicos.
A informação está disponível hoje numa

magnitude sem precedentes. Os painéis
científicos internacionais, como a
Plataforma Intergovernamental sobre
Alterações Climáticas (IPCC), reúnem
cientistas qualificados de várias áreas da
ciência, bem como de vasta área
geográfica e, certamente, dependem do
acesso à informação científica global e
atualizada. Eles produzem modelos
revisados por pares que não só explicam
as causas profundas das mudanças
climáticas, mas também fornecem
ferramentas de análise que preveem com
crescente
probabilidade
as
consequências da inação. Muitas partes
do planeta tornar-se-ão inabitáveis para a
humanidade, devido ao aumento das
temperaturas, secas, elevação do nível
do mar etc. Com as mudanças
tecnológicas, o acesso à informação hoje
em dia depende mais frequentemente
dos instrumentos de pesquisa digital.
Basicamente, substituímos a palavra
"pesquisa" por "Google". É tão fácil,
quando há acesso à internet. Mas poucas
pessoas entendem que sua pesquisa é
filtrada por meio de algoritmos, que
tentam oferecer informações que
confirmam, em vez de desafiar, as
opiniões mantidas anteriormente. Esses
sistemas dividem eficazmente as nossas
sociedades de uma forma sem
precedentes, criando mesmo a aceitação
de fatos alternativos, um conceito
completamente errôneo.
As bibliotecas devem desempenhar um
papel importante na resolução desse
problema. Elas podem ajudar as pessoas
a verificar as informações sem um filtro e
a ter acesso a todo o espectro do
conhecimento científico. É claramente
mais difícil fingir nos EUA que as
alterações climáticas são apenas um
truque chinês/europeu para enfraquecer
a economia estadunidense, quando a
NASA e seus serviços militares estão
entre as principais fontes das alterações
climáticas em curso e das expectativas de
desenvolvimentos futuros. Confrontar
concepções errôneas com evidências
revisadas por pares de uma ampla gama
de fontes independentes parece-me
representar a melhor esperança de

�chegar a uma avaliação racional da
realidade, em vez de crenças
ideológicas. Pode-se argumentar
que a mudança dramática das
condições meteorológicas pode ser
observada
também
pelos
desinformados. Muitas comunidades
tradicionais que sobrevivem da
natureza para obter comida e bebida
de fato notarão a mudança.
Perceberão a migração de animais,
tanto em terra como nos mares,
devido ao aquecimento global.
Notarão que árvores e florestas
inteiras estão deslocando-se para
áreas anteriormente mais frias e que
suas
culturas
típicas
estão
desaparecendo. Isso pode ser
evidente para as pessoas que ainda
vivem da natureza, mas menos para
as muitas que se mudaram para as
megacidades, mas o que é
necessário
para
todos
é
compreender a ligação direta entre a
atividade humana e as alterações
climáticas. Onde a atitude das
pessoas ainda é influenciada
principalmente
pelo
fatalismo
religioso, é difícil argumentar a favor
da mudança dos padrões de
produção e consumo humanos.
Quando
as
pessoas
não
compreendem
a
importante
capacidade de vinculação dos gases
do efeito estufa com as zonas
úmidas, solos, florestas e oceanos,
continua a ser difícil convencê-las de
que esses ecossistemas precisam
ser protegidos. É preciso ter
consciência de que o lixo plástico
pode ser uma ameaça direta à vida
na terra e nos oceanos, pondo em
risco a própria sobrevivência da
humanidade no planeta.
O mesmo raciocínio aplica-se às
medidas de adaptação necessárias.
Abandonar terras para serem
utilizadas como área de transbordo
para os rios é politicamente difícil.
Impedir a construção em áreas
conhecidamente
inundáveis
é
igualmente difícil. Como dito certa
vez por um ministro europeu do Meio
Ambiente: investir em proteção
contra as inundações é impopular
porque significa aumentar os
impostos. Aparecer em áreas
inundadas com botas de borracha e
mostrar empatia é muito popular!
Pessoas desinformadas tendem a
tomar decisões desinformadas! As
bibliotecas são, mais uma vez, uma
importante fonte de informação
sólida, sempre que possível com
revisão por pares. E torna-se
absolutamente necessário que as
bibliotecas
sejam
devidamente

geridas, mostrando da forma mais
transparente possível a literatura
disponível sobre as alterações
climáticas. As bibliotecas também
poderiam procurar orientar as
pessoas na direção dos artigos ou
livros mais revisados por pares e
organizar oficinas em torno das
soluções
discutidas
multilateralmente para mitigação e
adaptação. A literatura também
está repleta de sugestões de
soluções
inteligentes
para
adaptação.
O
papel
dos
manguezais para proteger as
costas e a manutenção das
florestas terrestres são apenas dois
exemplos. Os manguezais e as
florestas aglutinam CO² e servem
também como dissipadores desse
elemento. As florestas tendem a
manter o solo da melhor forma, em
particular no que diz respeito à
absorção de água. Isso ajuda a
prevenir inundações após chuvas
fortes,
ou
até
mesmo
deslizamentos. As árvores nas
cidades têm um efeito de ar
condicionado, tornando as ondas
de calor mais toleráveis à saúde
humana.
No caso de todos os 17 ODSs, é
verdade que o Objetivo 13 (Ação
Climática) não pode ser alcançado
isoladamente. Não garantiremos as
medidas de mitigação e adaptação
necessárias se não combatermos
com êxito a pobreza e a fome, se
não oferecermos condições de
trabalho dignas às pessoas, se não
eliminarmos a discriminação de
gênero, se não capacitarmos as
pessoas em formas democráticas
de
governança,
se
não
protegermos os ecossistemas em
terra e nos nossos oceanos etc.
Precisamos superar a mentalidade
de
silo
(pensamento
individualizado) que predomina em
nosso
mundo
altamente
especializado. Na Europa, as
ONGs
verdes
pressionaram
durante anos pelo uso de motores
diesel, acreditando que eles eram
mais eficientes e emitiam menos
gases de efeito estufa. Descobriuse então que os motores a diesel
emitem mais nitratos e mais
partículas finas, e são a principal
causa
das
400.000
mortes
prematuras por ano devido à má
qualidade do ar ambiente nas
cidades europeias. É preciso evitar
desenvolver
soluções
para
problemas específicos sem testar
essas soluções em relação a toda a
lista de ODSs. Isso pode parecer

ambicioso, mas é o único caminho
seguro para um futuro sustentável para
a humanidade nesse planeta azul.
Algumas dessas coisas podem parecer
óbvias para os informados. Mas o
planeta está povoado por pessoas que
nunca ouviram falar das descobertas
científicas e do grande consenso em
torno das causas das alterações
climáticas e das suas ameaças cada
vez maiores. Isso não é uma crítica;
infelizmente, continua a ser uma
realidade. As pessoas diretamente
expostas aos efeitos visíveis das
alterações climáticas tendem a
perceber que algo está errado. Mas
não é do conhecimento geral que a
atividade humana é uma das principais
causas da mudança dramática. O
elevado número de seres humanos no
planeta deveria ser mais amplamente
reconhecido
como
um
fator
contribuinte. Nos anos 1950, o planeta
era povoado por 3 bilhões de pessoas.
Hoje somos 7 bilhões e esperamos
ultrapassar os 10 bilhões nos próximos
20 a 30 anos. A capacidade de carga
do planeta azul chamado Terra está-se
tornando seriamente dilatada! Quase
todo o crescimento demográfico está
ocorrendo
em
países
menos
desenvolvidos. A demanda por
recursos para uma vida decente está
crescendo exponencialmente! A maior
parte da atual qualidade de vida na
parte industrializada do mundo é
alimentada por recursos energéticos
fósseis. Muitos dos nossos alimentos
são produzidos à custa das florestas e
das zonas úmidas, e as nossas dietas
com base em carne não apenas são
pouco saudáveis para os que
desfrutam de um bife por dia, como
também constituem uma grande fonte
de emissões dos gases de efeito
estufa.
Como pode uma melhor forma de
governo lidar com todos esses
desafios? A resolução da ONU sobre
os ODSs destaca o papel da
governança democrática e do respeito
pelo estado de direito. Ambos os
conceitos necessitam de cidadãos
informados para exercerem seus
direitos democráticos e reivindicarem
seus direitos individuais ao abrigo do
estado de direito imparcial. Informação
e educação são cruciais para ambos. E
as bibliotecas são uma ferramenta
fantástica
para
compartilhar
conhecimento
humano.
Não
surpreende que os regimes ditatoriais
tendam a destruir livros e bibliotecas,
como ficou demonstrado durante o
reinado fascista na Alemanha ou, mais
recentemente, durante a ocupação dos
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

47

�extremistas islâmicos e a destruição
parcial de Timbuktu.
Ao longo dos séculos, o acesso às
bibliotecas tornou-se mais aberto,
compartilhando conhecimento muito
além de um pequeno número de
elites. Combater o analfabetismo
continua a ser dramaticamente
importante. Os ODSs representam
uma tentativa de superar a
crescente especialização do mundo
de hoje. O mundo precisa de
especialistas para avançar o
conhecimento coletivo. Mas o
mundo
também
precisa
de
generalistas que compreendam as
línguas dos especialistas e os levem
a
interagir
para
avaliar
adequadamente
todas
as
consequências, não apenas os
efeitos individuais da mentalidade de
silo. Exemplos da falta de uma
análise holística são abundantes.

48

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

A mudança para motores diesel em
carros na Europa foi motivada
também pela luta contra a mudança
climática, sem considerar a
significativa
poluição
do
ar
ambiente pelas emissões de
nitrogênio e partículas finas. Da
mesma forma, na transição para as
energias renováveis, a introdução
de grandes barragens para a
produção de eletricidade muitas
vezes não leva em conta as
necessidades de água potável das
populações a jusante, para não
falar dos problemas das zonas
úmidas a jusante e da agricultura.
As políticas sustentáveis terão de
ser políticas holísticas. Os 17 ODSs
têm impacto uns sobre os outros, e
apenas
as
políticas
que
efetivamente consideram todas as
questões de forma equilibrada
acabarão
por
conduzir
a
sociedades sustentáveis.

Os conhecimentos científicos sobre
essas interações estão crescendo e
sendo documentados, por exemplo,
sob a forma do vínculo agroalimentar
ou de uma compreensão mais
profunda do funcionamento dos muitos
ecossistemas do planeta. É importante
que o maior número possível de
pessoas tenha acesso a essas
descobertas, a fim de chegar às
conclusões
adequadas
ao
seu
comportamento pessoal e, talvez ainda
mais importante, utilizar seu direito de
voto em governos que buscarão
políticas
sustentáveis.
Continuo
convencido de que a urgência de
implementar
mudanças
para
a
sustentabilidade exige regulamentação
governamental.
A mudança de
comportamento individual de mais de 7
bilhões
de
pessoas
levará
simplesmente demasiado tempo para
manter o aquecimento global abaixo
dos 2 graus Celsius.

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

49

�DA2I

50

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 7
Objetivo 16: A paz, a justiça e as instituições
fortes dependem do acesso à informação
As últimas duas décadas presenciaram mudanças significativas na percepção
dos benefícios e perigos da tecnologia. Essas mudanças refletem a complexa
relação entre as capacidades das tecnologias digitais de hoje, como são
reguladas e controladas, e nossa capacidade de atingir o ODS 16.

DOROTHY GORDON
Presidente do Programa Informação para Todos
da UNESCO

As preocupações extrapolaram o acesso, a razoabilidade de preços e vários
tipos de fossos digitais para agora incluir assimetrias de informação,
neutralidade da rede, domínio de plataforma, modelos de negócios de
exploração de dados, viés algorítmico, preocupações com privacidade e
segurança, bem como notícias falsas. O poder das redes sociais para
informar e mobilizar a sociedade civil celebrada durante a "Primavera
Árabe" está agora justaposto contra a manipulação da opinião pública e o
"municiamento" das mesmas plataformas no contexto das eleições. Por
exemplo, o escândalo da Cambridge Analytica1, amplamente coberto pela
mídia convencional, fornece insights reais sobre os negócios de "perfis" de
mídias sociais.

SDG 16
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveisi.
16.10: Assegurar o acesso público à informação e proteger as
liberdades fundamentais, em conformidade com a legislação
nacional e os acordos internacionais.

Ferramenta que também é usada para radicalizar a juventude e promover o
extremismo violento na sociedade civil, a mídia social trouxe muitos à
percepção de que a concentração de poder na "grande tecnologia" (os
principais atores tecnológicos, baseados principalmente nos EUA e na
China, que dominam a curadoria, acesso e controle da informação) merece
maior atenção. Ao mesmo tempo, a rápida implantação de combinações de
novas tecnologias que medeiam o acesso à informação – como a
inteligência artificial, a Internet das coisas e, naturalmente, o big data
(grandes volumes de dados) – reforça a necessidade de dispor de um
público mais bem informado e empenhado, capaz de fazer escolhas
tecnológicas que sejam do seu interesse.
Este capítulo enfocará os aspectos da governança do ecossistema de
informação e o potencial para um maior envolvimento cívico em torno das
questões de acesso público à informação e, em particular, o Objetivo 16.10.
As recomendações centram-se no papel das bibliotecas para educar, informar
e engajar desde a comunidade até aos níveis globais.

Sociedades do conhecimento inclusivo - UNESCO
A internet foi originalmente concebida como um bem público. A "abertura" que
nos permite criar conteúdo, inovar e acessar informações online está sob
constante ameaça e ataque de uma série de forças, incluindo a "grande
tecnologia", entre outros. Como afirma o Relatório de Saúde da Internet 2019
do Mozilla:

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

51

�Como as guerras começam nas mentes dos homens e das mulheres, é nas mentes dos
homens e das mulheres que as defesas da paz devem ser construídas. Constituição da
UNESCO
"... em 2019, a abertura da internet
está tão radical -- e tão ameaçada -como nunca antes. Os governos de
todo o mundo continuam a restringir o
acesso à internet de diversas
maneiras, desde a censura total até a
exigência de pagamento de impostos
para usar a mídia social, passando
pelo fechamento ou desaceleração da
internet para silenciar a dissidência.
Poderosos lobistas estão ganhando
lutas por regimes de direitos autorais
mais
restritivos,
e
grandes
plataformas
tecnológicas
nos
prendem a sistemas proprietários."2

Essas realidades recordam-nos a
necessidade de nunca considerar os
nossos direitos como garantidos.
A UNESCO é uma organização
multilateral dentro do sistema da ONU
que defende vigorosamente uma
internet livre e aberta através da
cooperação internacional, capacitação
e assistência técnica aos seus EstadosMembros. 3 Há muitos anos que está
engajada nessa agenda, enfatizando o
potencial da internet dentro de seu
objetivo de desenvolver "sociedades do
conhecimento inclusivas baseadas na
liberdade de expressão, no acesso
universal
à
informação
e
ao
conhecimento,
no
respeito
à
diversidade cultural e linguística, bem
como na educação de qualidade para
todos".4

A UNESCO e suas organizações
irmãs da ONU, como a União
Internacional de Telecomunicações,
desempenharam
um
papel
fundamental na Cúpula Mundial
sobre a Sociedade da Informação
(CMSI, 2003 e 2005), que mapeou
as implicações da tecnologia da
informação para o desenvolvimento,
incluindo a internet, e reforçou as
abordagens
multissetoriais
na
governança
da
internet.
O
envolvimento
continua
por
intermédio do fórum anual da CMSI
e das reuniões e conferências
regulares convocadas sobre o
acesso à informação na era digital.

A UNESCO está comprometida com a
construção
de
sociedades
do
conhecimento sustentáveis por meio de
seus principais programas, incluindo os
intergovernamentais, como o Programa de
Informação para Todos da UNESCO
[Information for All Programme - IFAP]. A
IFAP foi fundada quando os governos
membros e parceiros se comprometeram a
aproveitar as novas oportunidades da era
da informação para criar sociedades
equitativas por meio de um melhor acesso
à informação.5 Em 2011, a IFAP lançou um
código de conduta para a internet que
permanece relevante até hoje.

Trecho do Código de Ética da IFAP para a Sociedade da
Informação 36 C/49 Anexo
O Conselho Intergovernamental do Programa Informação para Todos da
UNESCO .... tem por base um conjunto de valores, direitos básicos e
obrigações na sociedade da informação que devem nortear as ações e
serem observadas pelos membros da sociedade da informação.
1. A Internet em particular e as TICs em geral devem ser reconhecidas
como um serviço público fundamental para a construção de uma sociedade
da informação centrada nas pessoas, inclusiva e orientada para o
desenvolvimento. Elas são cruciais para promover o exercício e o gozo dos
direitos humanos e das liberdades fundamentais universalmente
reconhecidas.
[…]
4. A informação deve ser disponibilizada, acessível e a preços razoáveis a
todos os grupos linguísticos, culturais e sociais e a ambos os sexos,
incluindo as pessoas com deficiências físicas, sensoriais ou cognitivas e as
pessoas que falam línguas minoritárias. A Internet e outras TICs servirão
para reduzir o fosso digital e implantar tecnologias e aplicativos que
garantam a inclusão.

Domínio da plataformaii
Em uma reunião da Comissão Federal de Comunicações dos EUA realizada em janeiro de 2019, o Presidente do
Subcomitê Antitruste da Câmara dos Deputados, David Cicilline, D-R.I., abriu o programa com palavras fortes sobre
o comportamento anticompetitivo percebido por parte do Google, tanto como guardião quanto por sua explosão de
compra, na qual engoliu empresas menores. Essa "concentração de poder" cria "impactos perniciosos em uma
imprensa livre e diversa", disse Cicilline, especialmente "na ausência de um mercado competitivo". Ele citou
relatórios sobre a capacidade do Google de manipular o tráfego em suas redes de anúncios, bem como com seus
leitores e usuários. Tudo isso afeta "tanto as empresas de notícias tradicionais quanto as editoras digitais", disse
Cicilline. "A internet gratuita e aberta... é incompatível com esta tendência para a centralização online."
"É vital que o Subcomitê Antitruste da Câmara aborde essas questões em uma investigação de cima para baixo
[para determinar] se o uso do poder de mercado prejudica o processo competitivo online", disse ele. "Não podemos
ter uma democracia sem uma imprensa livre e diversa" – que dê aos editores "condições de igualdade para negociar
com plataformas dominantes".

52

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�A IFAP promove ativamente a reflexão
internacional sobre os desafios éticos,
legais e sociais das sociedades do
conhecimento.
Por
exemplo,
a
UNESCO e a IFAP trabalham
ativamente
para
combater
a
radicalização online dos jovens. A
Internet tem sido adotada por grupos
extremistas violentos, cada vez mais
eficazes na utilização das TICs para
promover o ódio e a violência, com base
em motivos étnicos, religiosos e
culturais. Esses grupos utilizam a
Internet para ampliar os seus esforços
de sensibilização e recrutamento,
especialmente entre os jovens, através
da criação de comunidades online de
alcance mundial, nas quais as opiniões
e os comportamentos extremistas
violentos podem ser encorajados. Em
uma observação mais otimista, a IFAP
tem laços de cooperação de longa data
com a IFLA para promover seus
objetivos comuns, incluindo aqueles na
área de alfabetização informacional e
aprendizagem permanente.
Em 2015, os 195 Estados-Membros da
UNESCO comprometeram-se com a
universalidade da internet e quatro
princípios fundamentais que podem ser
resumidos na sigla R.O.A.M. (em
inglês): a internet deve ser:
1. Baseada nos Direitos humanos;
2. Aberta;
3. Acessível a todos, e
4. Alimentada pela participação de
múltiplas partes interessadas.
Esses princípios ROAM ancoram os
indicadores de universalidade da
internet (IUI na sigla em inglês), que são
"destinados como ferramenta de
pesquisa voluntária para que as partes
interessadas reúnam evidências para
avaliar as estruturas nacionais da
internet, particularmente nas áreas de
mandato da UNESCO, para aumentar a
compreensão do ambiente nacional da
internet, e para fornecer uma base de
evidências para a formulação de
políticas pelos governos e outras partes
interessadas".6 A IUI é liderada pelo
IPDC [International Programme for the
Development of Communication –
Programa
Internacional
para
o
Desenvolvimento da Comunicação].7
Se alguém perguntasse a pessoas
comuns sobre os princípios ROAM e
os indicadores de universalidade da
Internet, poucas teriam alguma ideia.
A implantação voluntária da IUI, que
pode mesmo ser feita em nível
comunitário,
talvez
alterará
gradualmente essa situação. A IUI
muda de forma decisiva a discussão
para enfocar a melhora do acesso à
informação
com
vistas
ao
desenvolvimento
sustentável,
distanciando-se de seu foco histórico

em infraestrutura, e lembra-nos da
necessidade de fazer perguntas
importantes, tais como: Quem são os
guardiões do conteúdo? Como se
controla e se cuida do conteúdo? Em
quais línguas estão os disponíveis os
conteúdos na Internet? E como o
acesso
à
informação
difere
dependendo de quem você é e onde
você se encontra? Essas questões
são relevantes em todos os países e
são também dimensões importantes
do trabalho da IFAP.

Jardins murados em encostas
escorregadias – registros
como polícia de conteúdo
A ICANN [Internet Corporation for
Assigned Names and Numbers Corporação da Internet para Atribuição
de Nomes e Números] é uma
organização sem fins lucrativos
registada na Califórnia desde 1998. É
responsável
por
coordenar
a
manutenção e os procedimentos das
diversas bases de dados relacionadas
com os espaços de nomes e espaços
numéricos da internet, assegurando o
funcionamento estável e seguro da
rede.8 A sua missão, tal como consta no
icann.org, é "ajudar a garantir uma
Internet global estável, segura e
unificada". Na linguagem cotidiana, a
ICANN gerencia tudo o que vem depois
do ponto em um endereço da web, por
exemplo: .com, .org, .biz ou .ru. Esses
são conhecidos como TLDs (top level
domains) ou domínios de nível superior.
Quando um TLD não representa um
país ou um território, é conhecido como
TLD genérico (gTLD).

Os TLDs são geridos por registros. São
empresas que historicamente têm
desempenhado um papel importante na
saúde técnica da internet. Há 35 anos,
sete TLDs foram criados pela Fundação
Nacional de Ciência dos EUA, incluindo
.com, .org e .net. Em 2012, depois de
quase uma década de discussões sobre
políticas e construção de consenso
dentro da estrutura de tomada de
decisões de múltiplos participantes da
ICANN, foram feitos pedidos para novos
gTLDs. Exemplos de novos gTLDs
solicitados e delegados incluem ".africa",
".baby" e ".bible". O objetivo declarado do
exercício foi aumentar a concorrência, a
escolha do consumidor e a inovação e
expansão do sistema de nomes de
domínio genéricos de primeiro nível para
outros idiomas além do inglês, incluindo
chinês, cirílico e árabe.
Apesar dos trabalhos preparatórios, a
aplicação do regime dos novos gTLD
continua
a
suscitar
controvérsia.
Considera-se que as grandes empresas
e as organizações bem estabelecidas
têm
uma
vantagem
injusta
na
candidatura a determinados gTLDs, bem
como em sua gestão. Alguns criaram
"jardins murados", introduzindo regras e
restrições que limitam o acesso aos
nomes de domínio de segundo nível por
empresas e até mesmo por rivais
ideológicos.
Talvez de igual ou maior preocupação, a
delegação de novos gTLDs significou
uma nova versão do contrato de registro.
Em sua iteração original, os registros
estavam preocupados com a saúde da
infraestrutura da internet e os interesses
do público – incluindo os registradores
(aqueles de nós que registramos nomes

"Quando começamos a ICANN, há 20 anos, muitos de nós concordamos
fervorosamente com o Comitê Consultivo Governamental sobre o fato de
que estávamos supervisionando a Internet e seu sistema de nomes de
domínio como um recurso público. Apoiamos um modelo em que as
diversas partes da comunidade criaram regras para os registros e
registradores; a ICANN e seus registros mantiveram-se religiosamente
afastados da camada de conteúdo da Internet. Nosso trabalho foi ajudar
a manter a infraestrutura da internet segura e estável. Mas agora alguns
dos novos registros genéricos de nomes de domínio de primeiro nível
parecem pensar que podem fazer qualquer coisa: aumentar os preços e
criar o conteúdo e as regras de "remoção de nomes de domínio" que
quiserem– sem o devido processo, sem lei, sem justiça. Eles chamam
seus registros de 'jardins murados', mas esses registros minam as
liberdades e direitos fundamentais da internet com a censura imposta.”
– Kathy Kleiman, bolsista do Centro de Política de Tecnologia da
Informação da Universidade de Princeton e cofundadora do grupo de
usuários não comerciais da ICANNiv

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

53

�de
domínio
para
nossas
organizações, nossas empresas,
passatempos e bairros). Hoje em
dia, os poderes de registro estão
sendo estendidos em larga escala,
tal como reflete esta declaração:
"Um operador de registro é
responsável por serviços que
incluem administração de banco de
dados de clientes, publicação de
arquivos de zona, operação de DNS
e
DNSSEC,
marketing
e
determinação de políticas”.9
O
seguinte
extrato
de
um
comentário público postado em
relação a mudanças na forma como
o .org é gerenciado fornece um
resumo das implicações dessas
mudanças, e a caixa abaixo oferece
contexto ao detalhar uma política
antiabuso real.

A Internet não tem fronteiras (em
teoria), mas o que é legal depende
da jurisdição. O Relatório de
Tendências de 2013 da IFLA 10
identifica isso como o desafio
contínuo de regular uma Internet
global sem fronteiras em um nível
supranacional enquanto acomoda
jurisdições e quadros jurídicos
nacionais
sobrepostos
e
concorrentes. Os tipos de razões
abertas apresentadas no ponto B
da
política
antiabuso
acima
referida não esclarecem qual a
jurisdição aplicável. Na verdade,
"quaisquer leis aplicáveis, regras
ou requisitos governamentais,
pedidos de aplicação da lei"
parecem indicar que qualquer
governo pode solicitar que um
registro tome providências e
suspenda, cancele ou transfira
qualquer registro ou transação ou
que o bloqueie. Também não há
clareza sobre o que constituiria

Um trecho de uma verdadeira política antiabuso
(compromissos voluntários) inclui a seguinte cláusulaiii:
O operador de registro reserva-se o direito, a seu exclusivo critério, a
qualquer momento e sem limitação, de recusar, suspender, cancelar ou
transferir qualquer registro ou transação, bem como bloquear qualquer
nome de domínio, colocá-lo em espera ou estado semelhante, conforme
considerar necessário para qualquer uma das seguintes situações:
A. proteger a integridade e a estabilidade do registro;
B. cumprir quaisquer leis aplicáveis, regras ou requisitos
governamentais, pedidos de aplicação da lei ou qualquer processo de
resolução de litígios;
C. cumprir os termos deste Contrato de Registro e da Política Antiabuso
dos Operadores de Registro;
D. o registrante não mantém a Informação Whois atualizada;
E. a utilização do nome de domínio viola as políticas de utilização
aceitável do Operador de Registro, ou os direitos de terceiros ou as
políticas de utilização aceitável, incluindo a violação de qualquer direito
de autor ou marca registrada, entre outros; ou
F. conforme necessário, durante a resolução de uma disputa.

exatamente uma infração de
conteúdo. A situação não só é
perigosa para os registradores,
como também introduz novas
vulnerabilidades para os registros,
pois eles podem abrir-se a ações
judiciais ao aceitar determinados
pedidos e negar outros. Também
não há clareza sobre o que
constituiria
exatamente
uma
infração de conteúdo.
Os defensores dos Compromissos de
Interesse Público e das mudanças nas
responsabilidades
dos
registros
argumentam
que
esses
são
necessários para que alguns dos
elementos criminosos da internet – por
exemplo,
tráfico
de
crianças,
pornografia
e
promoção
do
extremismo
violento
–
sejam
controlados.
No entanto, o que constitui e não constitui
conteúdo aceitável não é apenas
discutível, mas estão ancorados na
história e na cultura. A censura pode
afetar pessoas reais e, muitas vezes, os
mais vulneráveis da sociedade. Baixar
um nome de domínio significa perder
páginas da web, e-mails e listservs –
identidades
online
inteiras
de
organizações, empresas, causas e ideias
pessoais. Mudar o papel da ICANN e dar
aos
registros
a
capacidade
de
estabelecer regras, aplicá-las como
juízes e executores sem o devido
processo – em um cenário que desafia a
justiça natural – não pode ser saudável
para a boa governança, a liberdade de
expressão e os direitos que são
fundamentais para uma internet livre.
Conforme comentário público sobre as
alterações às regras do .org coloca: "Os
'Compromissos de Interesse Público'
obrigatórios e voluntários já estão sendo
usados para justificar a censura imposta
pelos registros ao conteúdo da Internet nos
novos gTLDs. Eles são totalmente
inadequados para os TLDs tradicionais,

Os "Compromissos de Interesse Público" convidam de forma irrefutável à regulamentação do discurso
e do conteúdo da Internet
"Os chamados 'Compromissos de Interesse Público' obrigatórios e voluntários são um conjunto de requisitos que foram acrescentados
aos acordos de registro para os novos domínios de nível superior. Eles foram criados e impostos pela equipe da ICANN sem a
participação da comunidade. Pretendem impor aos registros e agentes de registro uma obrigação geral de regulamentar o conteúdo
dos sítios e aplicações de internet para impedir a "violação dos direitos de autor", "práticas enganosas" ou outras "atividades contrárias
ao direito aplicável" e "aplicar consequências para essas atividades, incluindo a suspensão do nome de domínio". Essas disposições,
de fato, redirecionam o sistema de nomes de domínio de um sistema global de identificadores únicos de recursos de informação para
torná-lo um regulador global de discurso, no qual os usuários de internet em todo o mundo devem estar em conformidade com um
conjunto vago e inconsistente de leis nacionais, interpretadas e aplicadas por inúmeras corporações privadas, ou correr o risco de
perder seus nomes de domínio. Além disso, são diretamente contrárias à declaração de missão da ICANN, segundo a qual "a ICANN
não deve regulamentar (ou seja, impor regras e restrições) os serviços que utilizam os identificadores únicos da Internet ou o conteúdo
que esses serviços possuem ou fornecem".
54

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�especialmente o .org, e para as
circunstâncias
especiais
de
milhões de nomes de domínios
registrados em organizações
dedicadas à livre expressão e
envolvidas em questões legais,
incluindo avaliações de empresas
e seus produtos, serviços e
práticas”.
A questão é: como permitimos que
isso acontecesse? Infelizmente, há
muito poucas pessoas, além do
pessoal especializado remunerado de
organizações
com
orçamentos
saudáveis, que acompanham o que
acontece na ICANN. Seus processos
envolvendo
múltiplas
partes
interessadas são complicados de
seguir e compreender, mesmo para
aqueles que trabalham nesse campo.
Há muito poucos profissionais com a
combinação
necessária
de
competências
legais,
técnicas,
organizacionais e políticas. A maioria
das
pessoas
e
organizações
interessadas do "Sul Global" não pode
se dar ao luxo de participar de forma
consistente nas muitas reuniões que
são centrais para o trabalho da
ICANN.
As
bibliotecas
estão
posicionadas de forma exclusiva para
fornecer os espaços para acesso
remoto às assembleias da ICANN.
Podem organizar debates públicos
sobre essas questões, informar,
educar e desenvolver soluções reais.
O trabalho da ICANN é central para
uma internet robusta que nos permita
acessar o conteúdo de que

precisamos, em linha com os
princípios do ROAM da UNESCO.
Temos de prestar mais atenção à
forma como nosso mundo virtual está
organizado e é governado. Jardins
murados no contexto de uma internet
que se supõe ser livre e aberta merece
muita pesquisa e análise.

Conclusão
A Internet é fundamental para a nossa
capacidade de acesso à informação.
Estima-se que 4,5 bilhões de usuários
da Internet acessam regularmente
conteúdo online, muitas vezes usando
seus telefones celulares. O número de
usuários de internet está aumentando
rapidamente, com algumas estimativas
indicando que mais de 1 milhão de
pessoas entram online pela primeira
vez a cada dia. Muitos países têm
recursos limitados de alfabetização
informacional e, portanto, os usuários
têm poucas ferramentas para fazer
escolhas seguras e atualizadas sobre
como acessar informações online.
Aprendem fazendo, aprendem com
seus pares, seus filhos e, às vezes,
aprendem com os predadores. [O
relatório Desenvolvimento e Acesso à
Informação [Development and Access
to Information] de 201711 destaca o
potencial das bibliotecas para fazer a
diferença ao cultivar capacidades. As
pessoas
precisam
entender
as
implicações das escolhas tecnológicas
que fazem.

poucas pessoas na minha vizinhança
fizeram qualquer observação. Mesmo em
mercados
"antigos"
de
internet
relativamente sofisticados, as pessoas
levaram tempo para entender como a
Cambridge Analytica usava o perfil para
distorcer as eleições. Não havia
precedente, nada em suas experiências
que eles pudessem usar para explicar.
Para algumas pessoas, apenas a palavra
algoritmo é suficiente para persuadi-las a
desconectar-se. A parcialidade algorítmica
tem demonstrado trabalhar contra a justiça
para todos, ao caracterizar certas raças
como
inerentemente
imorais
ou
perigosas.12 Os criminosos que promovem
o extremismo violento online sabem que
muitos dos jovens vulneráveis aos quais se
dirigem não compreendem como estão
sendo manipulados. Essas são ameaças
reais, não virtuais, aos resultados do ODS
16.

As mudanças no papel da ICANN tiveram
implicações no potencial de censura
online, e a responsabilidade representa um
desafio, assim como decidir como melhor
gerenciar a regulamentação de uma
Internet sem fronteiras globais em nível
supranacional, acomodando jurisdições
legais
nacionais
sobrepostas
e
concorrentes. Há uma série de questões
que
requerem
um
envolvimento
fundamentado mais amplo. Precisamos
que as discussões tornem-se gerais para
sair do Fórum de Governança da Internet.
As
bibliotecas
têm
um
histórico
comprovado de locais que promovem o
engajamento cívico. Temos de estar mais
bem informados sobre a forma como
funciona o ecossistema de informação em
Quando o governo dos EUA aprovou a que nos encontramos hoje. Os sistemas de
lei CLOUD, que lhe dá acesso aos educação formal têm um papel como
também a mídia, e as bibliotecas têm um
dados armazenados no exterior,
papel potencialmente importante.

i Ver https://www.un.org/sustainabledevelopment/
ii Extraído da Política de Uso Aceitável e Antiabuso da Donuts Inc:https://donuts.domains/about/policies/acceptable-use/. Tais regras são, no entanto, comuns e
esse exemplo é também representativo de outros registros.
iii Ver https://www.multichannel.com/blog/platform-dominance-privacy-antitrust-5g-dominate-sotn-industry-assessment-as-internetinfrastructure-fades
iv Citação recebida por e-mail
v Trecho de: https://mm.icann.org/pipermail/comments-org-renewal-18mar19/2019q2/003200.html. Ver estatutos da
ICANN:https://www.icann.org/resources/pages/governance/bylaws-en/#article1
1. Ver https://www.theguardian.com/uk-news/2019/mar/17/cambridge-analytica-year-on-lesson-in-institutional-failure-christopher-wylie
2. Ver https://internethealthreport.org/2019/understand-the-issue-openness/
3. A missão da UNESCO é forjar uma cultura de paz, fomentando a geração e o intercâmbio de conhecimentos ... por meio da cooperação internacional,
da capacitação e da assistência técnica aos seus Estados-Membros. Trabalha para criar as condições para um verdadeiro diálogo entre culturas e povos,
baseado no respeito mútuo e no respeito pelos valores comuns. Ver unesco.org
4. Ver https://en.unesco.org/internetuniversality
5. Ver https://en.unesco.org/programme/ifap
6. Ver https://en.unesco.org/internetuniversality
7. Ver https://en.unesco.org/programme/ipdc
8. Ver estatutos da ICANN:https://www.icann.org/resources/pages/governance/bylaws-en
9. Ver ICANNWiki: https://icannwiki.org
10. Relatório de Progresso da IFLA: https://trends.ifla.org/literature-review/cross-cutting-political-and-regulatory-trends
11. Garrido, M. &amp; Wyber, S. (Eds.). (2017). Desenvolvimento e Acesso à Informação 2019 Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias
Haia.
12. Noble, S. U. (2018). Algorítimos da opressão: Como as ferramentas de busca reforçam o racismo. New York, NY, U.S.: New York University Press.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

55

�DA2I

56

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Conclusão
Em consonância com a tônica na interligação das ações políticas no âmbito
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), o acesso à
informação é tanto um objetivo em si mesmo como um meio de alcançar
outros objetivos. O relatório sobre Desenvolvimento e Acesso à Informação,
portanto, concentra-se tanto em medir o progresso para um acesso
significativo à informação como em mostrar os benefícios que ela pode
trazer.
Essa – a edição de 2019 do relatório – permite uma primeira análise do
desempenho de diferentes países e regiões ao longo do tempo nas quatro
áreas-chave identificadas na edição de 2017: conectividade física,
competências, normas sociais e culturais, e ambiente jurídico.
O relatório destaca a conectividade à internet como tendo sido uma área de
forte desempenho global, com um número de países fazendo grandes
avanços rumo ao acesso à internet a preços acessíveis. No entanto,
continua a verificar-se uma forte variação, tanto dentro das regiões como
entre elas. Nós permanecemos longe de um mundo onde todos têm a
capacidade de conectar-se a preços acessíveis.
Mais preocupante, as desigualdades que existem off-line também aparecem
online. Por exemplo, as disparidades entre homens e mulheres na Internet
– a diferença entre a porcentagem de homens e a porcentagem de mulheres
que utilizam a Internet – aumentaram. Há também um quadro misto de
competências, em que o número crescente de pessoas com educação póssecundária mascara as diferenças entre os países. O quadro é mais sombrio
no que diz respeito ao ambiente jurídico, com cada vez mais países
classificados como não livres ou apenas parcialmente livres.
De um modo geral, embora haja razões para ser positivo, é evidente que o
acesso significativo à informação está longe de ser uma realidade para
todos, em todas as suas dimensões. Quando um grupo goza de acesso mais
significativo do que outro, ou quando é restringido para todos por intermédio
das ações do governo ou de atores privados, o acesso à informação não
pode contribuir plenamente para o desenvolvimento sustentável.
O Capítulo 2 enfatiza como as bibliotecas podem desempenhar um papel
positivo. Salienta que o trabalho das bibliotecas depende da conectividade
e das liberdades fundamentais, mas pode também apoiá-las, criando um
ciclo virtuoso. Além disso, as bibliotecas são parceiras fundamentais dos
governos nos esforços para promover a igualdade, o emprego e as
competências. Como o capítulo salienta, uma única atividade de biblioteca
pode, de fato, contribuir para uma série de objetivos políticos diferentes,
realçando o papel dessas instituições como aceleradores do
desenvolvimento.
Os cinco capítulos temáticos reforçam essas mensagens. Os capítulos 4
(ODS 8 – trabalho digno e crescimento) e 6 (ODS 13 – ação climática)
fornecem provas de como o acesso à informação pode ser fundamental para
o êxito dos esforços políticos em prol do emprego, da inclusão financeira e
da luta contra as alterações climáticas.
No âmbito local, o acesso é um meio fundamental para garantir que as
pessoas possam aproveitar as oportunidades disponíveis para aprender e
ganhar dinheiro, bem como para adotar comportamentos mais respeitadores
do ambiente. Mas também é importante em termos globais, por exemplo,
para os pesquisadores que trabalham para monitorizar e desenvolver
respostas às alterações climáticas, bem como para os atores políticos que
tomam decisões com base em seu trabalho.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

57

�Ao longo desses capítulos, o potencial das bibliotecas está claro. São lugares onde o acesso à
informação pode tornar-se uma realidade para todos, independentemente do contexto,
gênero, recursos ou outros fatores. Elas podem fornecer o apoio de que as pessoas precisam
para desenvolver habilidades e aproveitar oportunidades.
O Capítulo 3 (ODS 4 - Educação
de Qualidade) não só enfatiza o
valor do acesso à informação
como meio de fazer a ligação
entre
as
pessoas
e
as
oportunidades,
mas
também
destaca que, para o acesso ser
eficaz, precisamos ir além de
pensar apenas na conectividade.
Realça
a
necessidade
de
competências mais sofisticadas
para que as pessoas possam tirar
proveito da informação digital.
Talvez de forma contraditória,
essas são muitas vezes mais bem
fornecidas por meio do ensino e
do apoio presencial.
Os capítulos 5 (ODS 10 - Reduzir
Desigualdades) e 7 (ODS 16 - Paz,
Justiça e Instituições Fortes)
exploram a necessidade de prestar
atenção à forma como a própria
informação é fornecida. Eles
observam que, para que o acesso
seja ferramenta para o progresso
equitativo, a forma como a
informação
é
recolhida
e
apresentada é importante. Se não
tomarmos cuidado, a informação
corre o risco de reforçar o poder de
um grupo sobre outro, ou de ser
distorcida pelas ações de atores
comerciais ou estatais. Quando isso
acontece, o poder de acesso à
informação é enfraquecido ou
anulado.
Ao longo desses capítulos, o
potencial das bibliotecas está claro.
São lugares onde o acesso à
informação pode tornar-se uma
realidade
para
todos,
independentemente do contexto,
gênero, recursos ou outros

58

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

fatores. Elas podem fornecer o apoio
de que as pessoas precisam para
desenvolver habilidades e aproveitar
oportunidades.
As
instituições
centradas no público, com uma
competência única no tratamento da
informação (e uma consciência
crescente dos impactos das suas
decisões), podem também ajudar a
combater os riscos de distorção ou
discriminação. Como tal, ajudam a
garantir que o acesso à informação
realize o seu potencial como
acelerador de desenvolvimento.
O que este relatório significa para os
ODSs? Uma primeira mensagem
fundamental é a necessidade de
políticas coordenadas e combinadas.
Uma abordagem parcial, centrada, por
exemplo, na conectividade sem
considerar as competências, as
liberdades ou a igualdade, conduzirá a
resultados
não
otimizados.
Os
governos devem cumprir o seu
compromisso de tratar os ODSs, e
particularmente aqueles relacionados
ao acesso à informação, como um todo
coerente, e não escolher entre seus
diferentes elementos.
Uma segunda implicação é que
enfrentar os desafios globais, como
as alterações climáticas, exige
abordagens globais para o acesso
à informação. O Objetivo do
Desenvolvimento Sustentável 17 já
se refere à transferência de
tecnologia, mas não há razão para
que isso não aconteça também com
a informação. De fato, o acesso
global à informação promete
permitir que os beneficiários de
transferências
de
tecnologia
desenvolvam
suas
próprias
soluções em vez de simplesmente
serem "portadores" das ideias de
outros.

Uma
terceira
implicação
é
a
necessidade de continuar a centrar-se
em indicadores significativos no âmbito
das Nações Unidas. A desagregação
por gênero e nível socioeconômico já
está na agenda, mas ainda está longe
de estar completa. Enquanto isso, a
medição dos objetivos dos ODSs que
mencionam acesso é menos que
satisfatória. Uma vez que o acesso à
informação desempenha um papel
fundamental na eficácia de outras
iniciativas políticas, trata-se de uma
lacuna significativa que merece ser
preenchida.
Uma quarta implicação – que já está a
ser abordada de forma independente
pelo Painel de Alto Nível para
Cooperação Digital, criado pelo
Secretário-Geral das Nações Unidas –
é a necessidade de refletir sobre a
forma como a própria informação é
gerida. O tipo de informação disponível,
a forma como é partilhada e com quem
é partilhada tem grandes impactos em
situações do mundo real.
A implicação final é a necessidade de
considerar o potencial das bibliotecas
como um meio fundamental de
proporcionar acesso à informação.
Infraestrutura pré-existente e familiar,
com experiência na gestão e no acesso,
são parceiros lógicos, desde o nível
local até ao nível global, no apoio ao
desenvolvimento global.

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

59

�Colaboradores

Karl Falkenberg
Karl Falkenberg tem 40 anos de experiência em negociações internacionais para
a União Europeia. Sua carreira começou com as negociações sobre o comércio
de têxteis, e passou a maior parte desse tempo em negociações multilaterais,
incluindo a negociação do acordo institucional que estabelece a Organização
Mundial do Comércio.
Ele também negociou um grande número de acordos bilaterais de livre comércio,
antes de tornar-se Diretor-Geral de Meio Ambiente da UE. Nesse cargo, ele tratou
de temas como Mudanças Climáticas, Biodiversidade, uma série de convenções
ambientais internacionais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)
no sistema da ONU.
Desde julho de 2017, ele tem trabalhado como professor independente e
consultor em comércio, meio ambiente e sustentabilidade.

Michelle Fellows
Michelle é pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology
&amp; Social Change - TASCHA] da Escola de Informação da Universidade de
Washington (UW). Ela usa métodos mistos de pesquisa e avaliação para
responder perguntas relacionadas ao acesso à informação, desenvolvimento de
competências e resultados de programas.
Muito do seu trabalho concentra-se na forma como as bibliotecas públicas apoiam
o bem-estar da comunidade e promovem o desenvolvimento. Ela também tem
grande interesse em alfabetização (informação, web, digital, dados). Michelle é
graduada em Administração Pública (MPA) e em Biblioteconomia e Ciência da
Informação (MLIS) pela Universidade de Washington.

Dr Maria Garrido
Maria é Diretora e Pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social da
Escola de Informação da Universidade de Washington (UW). Experiente na
realização de estudos com múltiplos países que abrangem diversas regiões
geográficas, grande parte de sua pesquisa concentra-se na apropriação das
tecnologias de informação e de comunicação (TICs) para catalisar a mudança
social, especificamente em comunidades que enfrentam desafios sociais,
políticos e econômicos.
Muito interessada no papel das TICs nos movimentos sociais, na
empregabilidade dos jovens e no desenvolvimento de competências, Maria tem
trabalhado em estreita colaboração com organizações da sociedade civil, ONGs,
bibliotecas públicas e financiadores de desenvolvimento para conduzir pesquisas
participativas que resultam em recomendações acionáveis para políticas e
práticas.
Maria está atualmente liderando um esforço de pesquisa de vários anos
enfocando o papel do acesso à informação no avanço dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). É doutora em Comunicação pela
Universidade de Washington e mestre em Relações Internacionais pela
Universidade de Chicago.

60

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Dorothy Gordon
Dorothy Gordon é Presidente do Conselho Intergovernamental do Programa
Informação para Todos da UNESCO e membro do Conselho do IITE - Instituto de
Tecnologia da Informação em Educação da UNESCO. Foi a Diretora-Geral fundadora
do Centro de Excelência em TIC Ghana-India Kofi Annan, um instituto especializado em
formação tecnológica e investigação, cargo que ocupou durante mais de uma década.
Trabalha globalmente como assessora política, avaliadora, gestora de projetos e
consultora de gestão organizacional.
Ao longo de sua carreira de 30 anos em desenvolvimento internacional e tecnologia,
ela ocupou cargos de gerência na ONU e em empresas de consultoria de gestão global
em quatro continentes, envolvendo responsabilidades de supervisão de projetos e
programas multimilionários.
Ela é membro do Grupo de Intervenientes Não Comerciais da ICANN. Como forte
defensora da importância da construção de ecossistemas locais robustos de inovação
baseados em tecnologias de código aberto, ela atua no conselho e como mentora de
uma série de start-ups e de ONGs para mulheres da área de tecnologia. Ela é formada
pela Universidade de Gana e pela Universidade de Sussex, Instituto de Estudos de
Desenvolvimento, onde estagiou como economista de desenvolvimento. Ela trabalha
tanto em inglês como em francês.

Stefania Lapolla Cantoni
Stefania Lapolla Cantoni trabalha para o Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), um departamento do
Centro Brasileiro de Informação em Rede (NIC.br).
Stefania tem trabalhado em estreita colaboração com o papel das tecnologias da
informação e da comunicação (TICs) para o desenvolvimento, principalmente com
atividades de sensibilização sobre o uso das TICs para alcançar e medir os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs).
Possui mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, Brasil, e
bacharelado na mesma área pela Universidade de Entre Ríos, Argentina.

Gerald Leitner
Gerald Leitner assumiu o cargo de Secretário-Geral da IFLA em junho de 2016. Ele
é responsável pela direção estratégica e operacional e gestão financeira da IFLA.
Em 2017, Gerald Leitner iniciou o projeto Visão Global da IFLA, com o objetivo de
construir um campo de bibliotecas mais forte e mais unido globalmente, mais capaz
de promover sociedades letradas, informadas e participativas. Nesse contexto,
liderou um debate global ambicioso, envolvendo bibliotecas em 190 EstadosMembros das Nações Unidas, além de lançar novos projetos como o Mapa da
Biblioteca do Mundo e supervisionar uma expansão no envolvimento da IFLA com
bibliotecas globais.
Gerald Leitner trabalhou em cargos de direção em organizações internacionais e
nos setores cultural, científico e educacional da Áustria. Antes de tornar-se
Secretário-Geral da IFLA, foi Secretário-Geral da Associação Austríaca de
Bibliotecas. Nesse cargo, supervisionou reformas fundamentais na formação de
bibliotecários públicos, organizou o maior festival de literatura da Áustria e
desenvolveu novos serviços de TI para bibliotecas. Colaborou estreitamente com o
governo, assegurando o lugar das bibliotecas na agenda política.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

61

�Gerald foi presidente do Bureau Europeu de Associações de Informação e
Documentação de Bibliotecas (EBLIDA na sigla em inglês) e membro de
órgãos consultivos nacionais e internacionais nos setores cultural, educativo
e científico. Ele é altamente experiente na negociação com políticos,
autoridades, grupos de pressão, editores, artistas, empresas e parceiros
estratégicos. Em 2017, foi distinguido com a Cruz de Honra Austríaca em prol
da Ciência e da Arte.
Gerald estudou literatura e história na Universidade de Viena e, após os seus
estudos, trabalhou como jornalista, editor-chefe da revista Austrian Library e
chefe de formação de bibliotecários públicos na Áustria.

Bree Norlander
Bree Norlander é pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social
(TASCHA) da Escola de Informação da Universidade de Washington (UW). Ela
recebeu seu M.L.I.S. [Master of Library and Information Science - Mestrado em
Biblioteca e Ciência da Informação] da iSchool da Universidade de Washington,
especializando-se em Ciência e Curadoria de Dados.
Seu projeto principal enfocou a coleta e análise de dados sobre revistas de
Acesso Aberto, que ela e seus colaboradores continuam a manter no
FlourishOA.org. Ela também trabalha como gerente de projetos para o
programa Alfabetização em Dados Abertos [Open Data Literacy] da UW iSchool.
Sua pesquisa centra-se na curadoria de dados abertos e na análise de dados
abertos de formas novas e criativas para avançar e expandir o conhecimento
científico.

Drª Katarina Popovic
A Dra. Katarina Popovic é Secretária-Geral do ICAE [International Council for Adult
Education - Conselho Internacional de Educação de Adultos] e Professora do
Departamento de Andragogia, Faculdade de Filosofia da Universidade de
Belgrado, professora visitante em várias outras universidades e Presidente da
Sociedade Sérvia de Educação de Adultos.
É membro do Hall da Fama da Educação Internacional para Adultos e Educação
Continuada [International Adult and Continuing Education Hall of Fame], editora
chefe da revista Estudos andragógicos [Andragogical Studies] e autora de
numerosas publicações; foi vice-presidente da EAEA durante vários anos e
coordenadora do DVV internacional alemão para o Sudeste da Europa,
desenvolvendo numerosos projetos na área da educação, em várias funções –
como conselheira política, avaliadora, elaboradora de currículos e formadora.
A sua área de especialização é a educação e formação de formadores e
professores - é formadora certificada em educação de jovens e adultos (Suíça),
autora do primeiro Currículo Global de Formação de Professores Adultos, com
centenas de sessões de formação ministradas em todo o mundo para professores
em educação de jovens e adultos, e numerosas publicações sobre aprendizagem
permanente e educação de adultos.
Como Secretária-Geral da ICAE, ela monitora e apoia a implementação das
agendas globais, especialmente os ODSs e a Educação 2030. Ela é
copresidente do Grupo de Partes Interessadas da Academia e Educação no
sistema DESA da ONU, membro do Grupo Diretor do Mecanismo de
Coordenação do HLPF e membro da Aliança Global para a Alfabetização.

62

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Professor Tim Unwin
O Professor Tim Unwin é Professor Emérito de Geografia (desde 2011) e Presidente da
Cátedra UNESCO na TIC4D (desde 2007) na Royal Holloway, Universidade de Londres,
e Professor Honorário na Universidade de Lanzhou, na China. Foi Secretário-Geral da
Organização
de
Telecomunicações
da
Commonwealth
[Commonwealth
Telecommunications Organisation - CTO] de 2011 a 2015, e Presidente da Comissão de
Bolsas de Estudos da Commonwealth, de 2009 a 2014.
É membro do Painel Consultivo Digital do Departamento para o Desenvolvimento
Internacional, do Reino Unido, e do Conselho Consultivo Internacional de Computação e
Sociedade, da Universidade das Nações Unidas. Em 2018-19, liderou a coordenação de
21 agências da ONU em nome da UNESCO e do UNICEF para desenvolver uma
estratégia sistêmica sobre o futuro da educação e da aprendizagem para o Comitê de
Alto Nível sobre Programas da ONU.
Seu influente livro Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento
[tradução livre de Information and Communication Technologies for Development], foi
publicado pela Cambridge University Press em 2009, e seu último livro Reclaiming ICT4D
foi publicado pela Oxford University Press em 2017. Grande parte de sua pesquisa e de
seus escritos concentra-se atualmente nas desigualdades causadas pelas TICs e no que
é preciso fazer para garantir que os mais pobres e mais marginalizados possam
beneficiar-se.
Ele é membro do UKRI GCRF Centro de Migração Sul-Sul (UKRI GCRF South-South
Migration Hub) (2019-23) com orçamento de 20 milhões de libras esterlinas, que realiza
pesquisas sobre o uso de tecnologias digitais por migrantes, cofundador da TEQtogether
(uma iniciativa para mudar as atitudes e comportamentos dos homens em relação às
mulheres e à tecnologia), e também é conhecido por sua pesquisa sobre a história e
geografia do vinho. Ele foi nomeado Companheiro da Ordem Mais Distinta de São Miguel
e São Jorge [Companion of the Most Distinguished Order of St. Michael and St George CMG] na lista de Honra do Aniversário de 90 anos da Rainha em 2016, por seus serviços
à Commonwealth.

Stephen Wyber
Stephen Wyber é Gerente de Política e Defesa de Direitos da Federação Internacional de
Associações e Instituições Bibliotecárias, onde lidera os esforços para construir uma
compreensão do papel das bibliotecas e influenciar a formulação de políticas.
Antes de fazer parte da IFLA em 2016, trabalhou na Embaixada Britânica em Paris e na
Delegação Permanente do Reino Unido na Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE). É licenciado em Política Europeia pela
Universidade de Wales, Aberystwyth, e possui mestrado pelo College of Europe.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

63

�Bibliografia
Capítulo 1
Progresso rumo a um significativo acesso
à informação e ameaças emergentes
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Capítulo 2
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�© 2019 pela Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA)
e pelo Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington (TASCHA).
Os direitos autorais dos capítulos 3-7 são de posse de seus autores, que concederam o
direito não-exclusivo de publicar aqui as suas obras.

Esta obra e todas as suas partes componentes encontram-se licenciadas pela Creative
Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Para visualizar uma cópia dessa
licença, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/

Citation: ‘Garrido, M. &amp; Wyber, S. Eds. (2019) Development and Access to Information.
International Federation of Library Associations and Institutions: The Hague’.

ISSN 2588-9036 (Print)
ISSN 2588-9184 (Online)
IFLA Headquarters
P.O. Box 95312
2509 CH The Hague
The Netherlands
www.ifla.org
Contact: DA2I@ifla.org
Website: DA2I.ifla.org

�Traduzido por Lívia Aguiar Salomão e Hamilton Costa de Almeida
Revisado por Maria Iracema Lima Martin
Serviço de Tradução e Interpretação do Senado – SETRIN/SGIDOC
05 de setembro de 2019

68

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

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              <text>Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA)&#13;
Educação de Qualidade&#13;
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              <text>A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) é a principal entidade internacional que representa os interesses dos serviços bibliotecários e de informação, bem como dos seus usuários. A IFLA trabalha para promover um campo forte e globalmente unido de bibliotecas como uma força propulsora de sociedades letradas, informadas e participativas, e coloca a importância do acesso à informação no centro de seus valores. Com membros em quase 150 países, a instituição é tanto a voz mundial da profissão de bibliotecário quanto da informação, e o centro principal para desenvolver padrões, partilhar boas práticas, capacitar e criar conexões entre bibliotecas e associações de bibliotecas em nível mundial. O Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology &amp; Social Change Group - TASCHA] da Faculdade de Informação da Universidade de Washington explora o papel das tecnologias digitais na construção de sociedades mais abertas, inclusivas e igualitárias. O TASCHA é um elo de pesquisa multidisciplinar cujo trabalho tem ajudado organizações internacionais, governos, organizações da sociedade civil e bibliotecas públicas nos Estados Unidos e em mais de 50 outros países. Gostaríamos de agradecer as contribuições de nossos autores convidados, bem como das equipes da IFLA e do TASCHA, cujos trabalhos tornaram este relatório possível, em especial as contribuições de Maria Violeta Bertolini e May Oostrom-Kwok (IFLA), e Chris Jowaisis, Chris Coward e Doug Parry (TASCHA) O relatório original foi criado graças às contribuições de muitas pessoas que ajudaram a desenvolver o conceito e a selecionar os indicadores utilizados. Seus nomes estão destacados no relatório de 2017, e suas contribuições ainda são percebidas nesta edição. Desejamos agradecer, em especial, à Fundação Bill e Melinda Gates, cujo generoso apoio tornou este relatório possível. </text>
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              <text>IFLA - International Federation of Library Associations</text>
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              <text>IFLA</text>
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Hamilton Costa de Almeida (Tradução Português)&#13;
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Serviço de Tradução e Interpretação do Senado – SETRIN/SGIDOC (Tradução Português)</text>
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              <text>Relatório</text>
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