<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="1534" public="1" featured="1" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/1534?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-16T03:28:06-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="997">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.pdf</src>
      <authentication>eff9acf145e0ec76f2b969ffe77ec2aa</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="20024">
                  <text>��GESTÃO DE UNIDADES
DE INFORMAÇÃO

Organizadoras
DANIELA SPUDEIT
MARCIA SILVEIRA KROEFF

EDITORA FEBAB

�Editora FEBAB
Rua Avanhandava, 40 - Conj. 108/110
CEP 01306-000 – São Paulo - SP Brasil
tel: (11) 3257-9979
e-mail: secretaria@febab.org.br
site: http: www.febab.org.br/
© 2017 Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff
Conselho Editorial
Dra. Celia Zaher
Prof. Dr. Claudio Marcondes Castro Filho (USP)
Profa Dra. Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP)
Profa. Dra. Sueli Mara Pinto Ferreira (USP)
Profa. Dra. Telma de Carvalho (UFSE)
Profa. Dra. Valeria Martin Valls (FESPSP)
Profa. Dra. Zaira Zafalon (UFSCAR)Dra. Celia Zaher

i
Gestão de unidades de informação [Recurso eletrônico]/
Organizadoras: Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff –
São Paulo : FEBAB, 2017
p.: il.
Vários autores.
ISBN 978-85-85024-11-6
1. Serviços de informação – Administração 2. Unidades de
informação – Planejamento 3. Bibliotecários – Competências
I. Spudeit, Daniela II. Kroeff, Marcia Silveira
CDD 025.1

�SUMÁRIO
SUMÁRIO 5
APRESENTAÇÃO 7
PREFÁCIO 15
1 - PLANEJAMENTO EM AMBIENTES DE
INFORMAÇÃO 17
Marta Lígia Pomim Valentim

2 - GESTÃO DE PESSOAS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 39
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Tatiana Brandão Fernandes

3 - METODOLOGIAS PARA CONTROLE
DE QUALIDADE EM SERVIÇOS DE
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 54
Daniela Spudeit
Noeli Viapiana
Marcia Silveira Kroeff

4 - AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO 69
Ana Maria Pereira

5 - GESTÃO DE PROJETOS EM

�UNIDADES DE INFORMAÇÃO 86
Daniela Spudeit

6 - O PENSAMENTO ENXUTO COMO
FORMA DE OTIMIZAR O USO DE
RECURSOS E SIMPLIFICAR
OPERAÇÕES EM UNIDADES DE
INFORMAÇÃO 99
Crislaine Silveira
Jordan Paulesky Juliani
Marcelo Cavaglieri

7 - CONTABILIDADE PARA
BIBLIOTECÁRIOS: NOÇÕES DE
RECEITAS, GASTOS E PERDAS ÀS
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 110
Eduardo Silveira
Daniele Feldman
Daniela Spudeit

8 - MARKETING, BIBLIOTECAS E
BIBLIOTECONOMIA: REVISÃO
CONCEITUAL E PRÁTICA 119
Eliezer Mendes Lopes
Angelica C. D. Miranda

9 - MÍDIAS SOCIAIS EM SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO 129

�Regina Fazioli

10 - SEGMENTAÇÃO DE CLIENTES NA
BIBLIOTECA: COMO CONHECER
MELHOR O SEU PÚBLICO E
CONTRIBUIR PARA O MARKETING DE
RELACIONAMENTO COM O CLIENTE
144
Denise Rodrigues So

11 - GESTÃO DA CARREIRA E
MARKETING PESSOAL DO
BIBLIOTECÁRIO 153
Helen Beatriz Frota Rozados

12 - CONSULTORIA NA ÁREA DE
GESTÃO SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
170
Valéria Martin Valls

AUTORES 178

�APRESENTAÇÃO
Drucker já dizia que o maior problema das instituições é a
falta de gestão. Dadas as constantes mudanças sociais e
mercadológicas, pensar em gestão é sempre um desafio
quando se trata de mobilizar recursos para atingir
resultados em prol de objetivos comuns. Se em grandes
empresas e organizações isso é fundamental, imaginem
pensar a gestão em unidades de informação que exige o
desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para
oferta de serviços voltados para a formação de capital
intelectual, social e humano.
Foi a partir dessa demanda que surgiu a ideia em convidar
profissionais e professores especialistas da área para
refletir e discutir sobre temáticas relacionadas à gestão de
unidades de informação. Sendo assim, essa obra versa
sobre gestão financeira, avaliação, planejamento, gestão
de processos, marketing, gestão de pessoas, controle de
qualidade, gestão de projetos, segmentação de cliente,
marketing de relacionamento, mídias sociais, entre outros
pontos que abarcam as demandas de ensino na formação
de bibliotecários gestores.
A obra busca oportunizar um aprofundamento em
diferentes temáticas que convergem para a formação de
competências gerenciais do bibliotecário que são
demandadas pela sociedade e pelo mercado no século XXI.
Acredita-se que seja necessário que os bibliotecários
tenham esses conhecimentos tratados nessa obra,
desenvolvam as habilidades necessárias, saibam usar
diferentes recursos, inovem em suas unidades de
informação e promovam um diferencial para esses
ambientes a fim de agregar valor às organizações no qual
estão inseridas e, principalmente, à comunidade atendida
por elas.
David

Lankes

defende

que

“bibliotecas

ruins

fazem

�coleções, bibliotecas boas realizam serviços, bibliotecas
excelentes criam comunidades”. É pensando nessa
contribuição social, que essa obra vem instrumentalizar os
bibliotecários para que usem técnicas e metodologias
gerenciais, transformando as unidades de informação
importantes espaços de busca e construção do
conhecimento em ambientes vivos que atendam às
demandas das comunidades em que estão inseridas.
.
Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff
(Organizadoras)

�PREFÁCIO
Recentemente, nas eleições para prefeito realizadas em
2016 no Brasil, os eleitores da cidade de São Paulo
ouviram muito a palavra “gestão”. Um dos candidatos
afirmou e repetiu dezenas de vezes na propaganda
televisiva e radiofônica, bem como em seus comícios
públicos e entrevistas midiáticas, não ser um político
tradicional, mas um “gestor”, alguém que tinha experiência
na administração de uma empresa e que tinha sido bemsucedido nessa tarefa. Além disso, bateu continuamente na
tecla de que todos os problemas enfrentados pela maior
cidade do país podiam ser resolvidos por ele, que era tudo
uma questão de “gestão” – e disso ele tinha, mais que
seus concorrentes, conhecimento de causa.
Esse discurso auto laudatório – como em geral são os
discursos dos políticos em busca de votos, diga-se de
passagem -, parece ter encontrado eco entre os eleitores
da maior metrópole brasileira, que acabaram por eleger
esse candidato no primeiro turno da eleição, num resultado
surpreendente para todos. Inclusive para o próprio
candidato, segundo consta.
Não sei dizer se os eleitores paulistanos têm efetivamente
uma ideia clara do que seja “gestão”. Não tenho segurança
para afirmar se sua escolha foi a mais correta ou a mais
equivocada possível. Não pretendo aqui analisar as
contingências que levaram a esse resultado das urnas, se
efetivamente foi esse discurso que garantiu o resultado
favorável ao candidato ou se existiram outros fatores
igualmente influentes. Isso não é tão importante agora,
pois o tempo provavelmente acabará tornando evidentes
as respostas para todas essas indagações. Mas faço
questão de começar a minha reflexão mencionando esse
fato, de forma a salientar o aspecto, sob um certo ponto de
vista, meio que “mágico” que a palavra adquiriu em termos

�de grande público – fator que provavelmente preponderou
para ela ser escolhida, pelos marqueteiros políticos, como
um bordão eleitoral naquele momento.
Nem tanto assim. Mas, tampouco, algo a ser minimizado.
Trata-se, no mínimo, de uma preocupação necessária. Se
vivêssemos em um mundo onde predomina a abundância
total de recursos, não haveria necessidade de nos
preocuparmos com a necessidade de bem utilizá-los. Mas a
realidade não é assim. Afinal, os recursos não são
ilimitados. Ao mesmo tempo, as demandas a serem
satisfeitas são em geral maiores que as possibilidades de
atendê-las. Isto é válido para qualquer área de atividade
ou de intervenção humana, dizendo atualmente respeito
tanto à área produtiva como à de lazer ou entretenimento,
ou à de serviços. Esta percepção já acompanha a
sociedade há muito tempo, mas começou a ter uma ênfase
maior a partir da revolução industrial, gerando
preocupações teóricas e aplicações práticas que levaram ao
estabelecimento de uma ciência com ela relacionada.
Escolas de pensamento foram construídas em torno da
gestão, com visões clássicas e mecanicistas sendo
substituídas
por
propostas
humanistas,
modelos
estruturais, propostas comportamentais e assim por
diante. Todas as esferas de atividade foram afetadas.
Todos os seres humanos estão sob sua égide. Não há como
fugir disso.
No entanto, a cada dia é mais comum nos deparamos
com exemplos de má gestão de recursos de todos os tipos,
em todos os aspectos da vida moderna, do que de
exemplos em sentido contrário. E somos ao mesmo tempo
vítimas e perpetradores desses exemplos, seja em termos
individuais, em nosso microcosmo, tanto profissional como
familiar, seja sob o aspecto mais macro, como
consumidores de produtos e serviços. Assim, é importante
que se direcione a devida atenção à problemática da
gestão em todos os seus aspectos e enfoques – de
pessoas, de recursos, de bens, de serviços, de processos -,

�de forma a se atingir o melhor resultado possível.
Infelizmente, no entanto, contrariamente ao que o discurso
do político mencionado na página anterior pode dar
eventualmente a entender, não se trata de encontrar
aqueles que tenham nascido com o dom divino de domínio
desse atributo e colocá-lo à frente de nossas instituições,
empresas, vilas, cidades, estados ou país que tudo será
resolvido. Como num passe de mágica. Trata-se, isto sim,
de desenvolver mecanismos que permitam a cada pessoa,
no desempenho de sua atividade, ter acesso aos
conhecimentos acumulados na área de gestão e saber
aplicá-los da forma apropriada. E o melhor momento para
isso, com toda certeza, é o da formação dos profissionais.
E aqui atinjo o ponto a que pretendia chegar desde o
início, pois foi a principal motivação para as professoras
Daniela Spudeit e Márcia Silveira Kroeff, ambas da
Universidade do Estado de Santa Catarina, organizarem o
livro sobre “Gestão de unidades de informação” que tenho
a honra de agora prefaciar. Sentindo que essa
problemática não se encontra suficientemente contemplada
na literatura especializada das áreas de Biblioteconomia e
Ciência de Informação, decidiram preencher essa lacuna,
conclamando um grupo de professores e profissionais a se
juntarem a elas no objetivo de fornecer parâmetros
seguros para atuação de todos aqueles que estão
envolvidos na gestão de unidades de informação.
Sonhadoras e ambiciosas, talvez. Visionárias e corajosas,
sem dúvida. E, mais que isso, com toda certeza,
propositivas e empreendedoras. Que bom!
Eu sou do tempo em que praticamente o único livro
existente sobre o tema “gestão de unidades de
informação” era um opúsculo de um autor norte-americano
chamado Gaston Lytton11, que tinha lá os seus méritos,
mas que, convenhamos, deixava muito a desejar. Depois
dele, felizmente, outros surgiram no mercado e eu mesmo
estive envolvido em alguns deles. Mas reconheço que já
faz algum tempo que os profissionais da área se ressentem

�da falta de uma obra que apresente respostas mais amplas
para suas inquietações e dúvidas sobre a gestão de
unidades de informação. Em minha opinião, as duas
colegas foram muito bem-sucedidas no atendimento desse
anseio, conseguindo agrupar um elenco de especialistas
que compõem um verdadeiro coral de vozes que
harmonicamente se completam.
Não vou detalhar o sumário do livro, que se encontra nas
páginas seguintes. Mas basta o leitor olhar a denominação
dos diversos capítulos e as pessoas que por elas ficaram
responsáveis para entender o meu entusiasmo com o
conteúdo desta obra. Confesso que, inicialmente, para ser
imparcial, tentei agir como advogado do diabo – ou, como
mais coloquialmente se diria, um verdadeiro espírito de
porco -, na leitura do livro, buscando encontrar brechas,
falhas, aspectos que deviam ser tratados e que haviam
sido deixados de lado por esquecimento ou desleixo. Não
os encontrei. É claro que existem diferenças entre os
diversos capítulos. Alguns capítulos foram bastante
aprofundados, provavelmente devido a tratarem de
problemáticas já bem equacionadas, tradicionais mesmo,
com autores e literatura já sedimentados em nossa área de
conhecimento. Enquanto outros tratam de problemáticas
ainda relativamente emergentes em nossa área. O
conjunto me satisfaz plenamente e acredito que ele
apresenta um panorama mais que abrangente das
questões envolvidas na gestão de unidades de informação.
No entanto, mesmo confessando acima minha tentativa
de imparcialidade, devo declarar, a bem da verdade, que
não consegui concretizá-la de todo. Seria essa uma tarefa
difícil ou talvez quase impossível para mim. Conheço
grande parte dos autores, muitos dos quais vi
praticamente desabrochar para a vida profissional,
enquanto com outros dividi horas e horas de inquietação
sobre os rumos da Biblioteconomia e Ciência da
Informação. Conheço a seriedade de cada um deles e a
dedicação com que se debruçaram sobre suas temáticas

�neste livro, pois dissertam sobre assuntos aos quais se
dedicaram durante grande parte de suas vidas, temas com
os quais têm grande proximidade, até mesmo afetiva, e
aos quais dedicam enorme preocupação, seja em sua
atividade profissional, em sua prática docente ou em seu
percurso acadêmico. Trata-se de alunos, colegas do tempo
de faculdade e de docência na área, bem como alguns de
meus orientandos de mestrado e doutorado (não falo em
ex-orientandos, pois sei que eles, tal como as ex-sogras,
não existem...). Todos, como diriam meus amigos
cubanos, são meus “hermanos del alma”, pessoas que
respeito, admiro e gosto. E pelas quais não hesito agora e
não hesitarei jamais em recomendar a leitura dos capítulos
que compuseram, sem qualquer dúvida de que estou
prestando um bom serviço a todos os futuros leitores.
Não tenho dúvida de que, tal como eu, todos terão uma
útil e prazerosa leitura.
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo
1 LITTON, Gaston. Administração de bibliotecas. São Paulo: McGraw
Hill do Brasil, 1975.

�1 - PLANEJAMENTO EM
AMBIENTES DE INFORMAÇÃO
Marta Lígia Pomim Valentim

1.INTRODUÇÃO

O

planejamento é um processo permanente e
contínuo que visa à definição dos objetivos, metas e
estratégias da ação de curto, médio e longo prazo. Em
outros termos, o planejamento consiste numa atividade
que deve ser realizada, continuamente, em ambientes
organizacionais de qualquer natureza ou tipo. O
planejamento pode ser compreendido como instrumento de
gestão que não se esgota com a simples elaboração de um
plano de ação, uma vez que planejar requer o
gerenciamento de políticas, programas, projetos e
procedimentos com distintas finalidades.
Planejar é uma atividade essencial para qualquer gestor
cumprir sua função e suas responsabilidades. A
administração clássica destacava quatro funções principais
ao exercício da gerência: planejar, organizar dirigir e
controlar. Gerenciar qualquer tipo de organização ou
unidade de trabalho exige competências e habilidades que
envolvem o saber pensar e o saber fazer o planejamento.
Chiavenato (2003) menciona que o gestor deve ter pelo
menos três competências e habilidades (Figura 1):
.

�Figura 1: Função, competências e habilidades do gestor.
Fonte: Adaptada de Chiavenato (2003, p. 4-5);
Maximiano (2004, p.66).

Conhecimento, perspectiva e atitude são as competências
essenciais para o gestor exercer sua função, mas, para
tanto, também é necessário que possua habilidades
conceituais, humanas e técnicas (Figura 1). Nessa
perspectiva, o planejamento se destaca como um
instrumento que pode desenvolver ou melhorar as
competências e habilidades supracitadas.
No intuito de melhor compreender o que seja planejar,
apresentam-se algumas definições:
"Planejamento é definido como ato ou processo de

�elaborar ou implantar planos, estabelecendo metas,
objetivos, políticas e procedimentos para uma
unidade social ou econômica" (WEBSTER, 2000).
"Trabalho
de
preparação
para
qualquer
empreendimento, segundo roteiro e métodos
determinados". (FERREIRA, 2006, p.510).
"Planejar é escolher um curso de ação e decidir
adiantadamente o que deve ser feito, em que
sequência, quando e como. O bom planejamento
procura considerar a natureza do futuro em que as
decisões e as ações de planejamento visam operar,
bem como o período corrente em que são feitos os
planos". (MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JR., 1998,
p.105).
"Função primordial a ser desempenhada. O
planejamento determina os objetivos a serem
atingidos e os tipos de controle necessários que a
administração da empresa deverá adotar. E, como
tal, o planejamento tem características próprias e
definidas". (FARIA, 1997, p.71).
Na literatura, é possível encontrar
planejamento; entre eles se destacam:

conceitos

sobre

"O planejamento não é um acontecimento, mas um
processo contínuo, permanente e dinâmico, que cria
objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas
para atingi-los e prevê os recursos necessários à
consecução desses objetivos". (ALMEIDA, 2000,
p.2).
"Função ou técnica dinâmica de administração. É
considerado um dos melhores métodos de preparar
uma organização às mudanças contínuas que
ocorrem
em
seu
ambiente".
(MEGGINSON;
MOSLEY; PIETRI JR., 1998, p.104).
"É o processo que implica a formulação de um

�conjunto de decisões sobre as ações futuras.
Planejar é decidir, antecipadamente, o que fazer".
(FARIA, 1997, p.73).
"O processo de planejar determina a direção a
seguir, mensurando os recursos disponíveis e os
necessários, implicando a compreensão da dinâmica
das mudanças oriundas do mercado [...]".
(BARBALAHO; BERAQUET, 1995, p.18).
Sendo o planejamento um processo permanente, contínuo
e voltado ao futuro, é fundamental estabelecer um
cronograma de ação. O processo decisório é subsidiado
pelo planejamento, propiciando maior racionalidade ao
decisor, ou seja, o gestor se vale de dados e informações
advindos do processo de planejamento. Além disso,
proporciona mais justeza e equilíbrio às decisões tomadas.
Há múltiplas direções ou caminhos potenciais a serem
seguidos, dificultando a tomada de decisão do gestor;
assim, o planejamento se torna um instrumento valioso
que alicerça o processo decisório como um todo, alinhando
as possibilidades de realização com os resultados futuros
que se quer alcançar.
O planejamento deve, necessariamente, abranger todos
os âmbitos organizacionais, isto é, estratégico, tático e
operacional. Outro aspecto importante é o que se refere ao
planejamento ser elaborado com a participação de todos os
sujeitos organizacionais, uma vez que propicia maior
alinhamento entre os âmbitos organizacionais, bem como
proporciona maior comprometimento de todos os sujeitos
organizacionais à implantação e execução do plano.
A característica do planejamento que deve ser observada
por todos os sujeitos organizacionais se refere à
flexibilidade, isto é, o planejamento deve ser dinâmico e,
portanto, flexível o suficiente para ser modificado em
função de variáveis não previstas que surjam no decorrer
do percurso.
Entre os benefícios do planejamento, dois deles se

�revelam importantes: a alocação de recursos [humanos,
materiais, sistemas informáticos, equipamentos, mobiliário,
layout, etc.];a definição de responsabilidades, isto é, quem
é responsável pela implantação e execução de uma
atividade/tarefa. Ambos são determinantes para que o
planejamento seja de fato exequível.
Conforme mencionado anteriormente, o planejamento é
um instrumento que propicia distintas opções para o gestor
decidir qual a direção mais adequada a ser seguida, bem
como subsidia a tomada de decisão, amenizando as
ambiguidades e incertezas do ambiente. O planejamento
enfoca os objetivos e metas definidos pela alta
administração, assegurando que os processos e atividades
estejam alinhados à missão e à visão organizacional. Além
disso, o planejamento gera mecanismos de controle
relacionados às políticas organizacionais, evidenciando os
pontos fortes e fracos, revelando os gargalos e as
oportunidades. Como um processo permanente e contínuo,
o planejamento necessita ser avaliado constantemente, de
modo a retroalimentar o processo e ajustá-lo no que for
necessário.

1.1 Fases e Tipos de Planejamento
Inicialmente, é necessário que o gestor obtenha
conhecimento sobre a realidade a ser planejada. Nessa
perspectiva, é fundamental pesquisar e identificar os
principais fatores que afetam determinado contexto e/ou
situação e, com base nesse conhecimento, propor a
melhoria do referido contexto/situação.
O diagnóstico é a primeira atividade do planejamento,
pois é necessário obter uma fotografia da realidade a ser
planejada, conforme mencionado, ou seja, após observar e
obter dados e informações relevantes sobre a organização,
estes devem ser analisados no intuito de gerar indicadores
sobre determinado contexto/situação. O diagnóstico deve
abranger: a estrutura organizacional; a gestão da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; os recursos

�humanos; o espaço físico; o ambiente Web; o
acervo/coleções
(armazenamento,
preservação
e
conservação); o processamento técnico; os sistemas de
informação (TIC); o atendimento ao usuário; os serviços
prestados; os produtos elaborados; o acesso e recuperação
da informação; a capacitação de pessoal e do público
usuário; entre outros elementos determinantes do
planejamento.
A partir do diagnóstico realizado, o gestor terá dados e
informações suficientes para responder as 6 (seis)
perguntas básicas à elaboração de qualquer tipo de
planejamento (Figura 2):

Figura 2: Perguntas essenciais para elaborar o
planejamento.
Fonte: Elaboração própria (2016).

Após elaborar o diagnóstico, inicia-se o prognóstico do
contexto/situação, o qual se refere à interpretação e
análise dos dados em relação às situações futuras, bem
como a previsão de problemas que possam ocorrer em
longo prazo. Objetiva estabelecer a relação entre a
realidade vivenciada [atual] e a futura [possível] e, para
tal, identifica quais são as alternativas exequíveis à
melhoria ou à solução do contexto/situação. O conjunto de
atividades
e
tarefas
executadas
no
âmbito
do
planejamento
são
acompanhadas
e
avaliadas,

�retroalimentando o processo como um todo.
O planejamento pode ser classificado, quanto a sua
natureza, de: estratégico, tático ou operacional; quanto ao
tempo, pode ser de longo, médio ou curto prazo.
O planejamento estratégico [ou institucional] é o
norteador dos diferentes planejamentos táticos ou
operacionais
desenvolvidos
em
uma
determinada
organização ou unidade de trabalho. Chiavenato e Sapiro
(2003, p.39) explicam que o planejamento estratégico “É
um processo de formulação de estratégias organizacionais,
no qual se busca a inserção da organização e de sua
missão no ambiente em que ela está atuando”.
O planejamento estratégico parte da definição da missão
e visão organizacional. A missão deve apresentar
claramente qual a razão de ser da organização. Por outro
lado, a visão deve determinar de que maneira a
organização quer ser reconhecida no futuro. A partir da
missão e visão, parte-se para a definição dos objetivos e
metas que devem ser integrados, de modo a alcançar os
resultados almejados e, por último, definir as estratégias
de ação que fluem dos objetivos e metas.
O planejamento tático é oriundo do planejamento
estratégico que, por sua vez, alinha o planejamento
estratégico aos operacionais, orientando o grau operacional
à execução das atividades e tarefas relacionadas ao
planejamento.
Nessa perspectiva, o planejamento estratégico, sob a
responsabilidade da alta administração, define a missão,
visão, objetivos e estratégias; o planejamento tático, sob a
responsabilidade de diretorias ou gerências [grau
intermediário],
administra
os
recursos
existentes,
distribuindo-os a partir das prioridades e/ou necessidades
identificadas no diagnóstico e prognóstico, anteriormente,
realizado; e o planejamento operacional, sob a
responsabilidade de departamentos ou seções, define as
responsabilidades, os procedimentos e o cronograma de

�ação para a execução das atividades e tarefas.
Nível

Planejamento

Conteúdo

Prazo

Características

Institucional

Estratégico

Genérico e
Sintético

Longo

Macro orientado, isto é,
abrange a organização
como um todo. Define os
objetivos e metas
estratégicas.

Intermediário

Tático

Menos
genérico e
mais
detalhado

Médio

Vincula-se a cada
unidade de trabalho
separadamente. Refere-se
aos meios e recursos para
atingir os objetivos e
metas propostos.

Operacional

Operacional

Detalhado e
analítico

Curto

Micro orientado, isto é,
aborda cada tarefa ou
operação separadamente.
Refere-se aos
procedimentos
operacionais que serão
executados
(responsabilidade, prazos,
etc.), para atingir os
objetivos e metas
propostos.

Figura 3: Níveis, tipos e características do planejamento.
Fonte: Adaptada de Chiavenato (2006, p.36).

Dessa maneira, uma rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação deve, obrigatoriamente, elaborar algum tipo
de planejamento. Nesse aspecto, vale ressaltar que, em
geral, este tipo de unidade de trabalho é vinculado a uma
organização maior e, portanto, os planejamentos devem
estar alinhados, de maneira a atender o que a organização
definiu como prioritário, sendo que a missão e a visão
organizacional subsidiam a elaboração do planejamento da
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação. Como
exemplo, menciona-se:
a. Universidade – Planejamento estratégico;
b. Rede ou Sistema de Biblioteca – Planejamento
tático;
c. Bibliotecas Setoriais – Planejamento operacional.

�Contudo, uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação também pode desenvolver seu próprio
planejamento estratégico, desde que esteja totalmente
alinhado ao planejamento estratégico da organização em
que está inserida. Para tanto, é necessário seguir as
seguintes etapas: 1) Definir a missão e a visão da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; Realizar o
diagnóstico; Efetuaro prognóstico; Elaborar o plano de
ação. Ressaltando, novamente, que este último é
composto pelo planejamento estratégico, planejamentos
táticos e operacionais, todos alinhados ao planejamento
estratégico da organização em que a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação está inserida. Como
exemplo, pode mencionar-se:
1. Rede ou Sistema de Biblioteca – Planejamento
estratégico;
b. Bibliotecas Setoriais – Planejamento tático;
c. Gerencias/Departamentos/Seções das
Setoriais – Planejamento operacional.

Bibliotecas

Chiavenato e Sapiro (2003) destacam que a missão
demonstra a responsabilidade e pretensões da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, define seu
‘negócio’ e delimita seu ambiente de atuação. A visão
estabelece os propósitos futuros da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação.
Para definir a missão, é necessário responder as seguintes
perguntas:
1. Qual a razão de ser da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
2. Qual é o ‘negócio’ da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
3. Quem é o usuário/público da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação?

�4. De que maneira a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação atua [meios e fins]?
5. Qual é o diferencial da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
Para definir a visão, é necessário responder as seguintes
perguntas:
1. Como a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação quer ser reconhecida no futuro?
2. De que maneira a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação deverá atender as demandas
informacionais e o público usuário no futuro?
3. Quais as principais oportunidades que podem surgir
à rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação?
4. Quais as principais ameaças que podem surgir à
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação?
5. Quando a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação quer atingir a visão ora elaborada?
Para a elaboração do planejamento de uma rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação vários aspectos devem
ser analisados, entre eles está a necessidade de planejar:
Formação e desenvolvimento do acervo/coleções;
Definir
modelos
e
instrumentos
para
processamento técnico do acervo/coleções;

o

Recursos tecnológicos, abrangendo todos
processos, atividades, serviços e produtos;

os

Serviços
usuário;

informacionais

prestados

ao

público

Produtos informacionais elaborados e oferecidos ao
público usuário;

�Espaço físico da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
Pessoas que atuam na rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Nessa perspectiva, compreende-se o planejamento como
um processo contínuo que exige do gestor da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação o
levantamento constante das necessidades do público
usuário, bem como a avaliação constante do uso dos
recursos informacionais. Além disso, o gestor deve
conhecer a indústria da informação [editoras, bancos e
bases de dados, provedores de conteúdo, fornecedores de
sistemas de informação, etc.]; necessita verificar o espaço
de armazenagem dos materiais e as condições de
preservação e conservação dos materiais (temperatura,
iluminação, ventilação, mobiliário, servidores, storage,
etc.), tanto no ambiente físico quanto no eletrônico/digital.
Para tanto, necessita monitorar as novas mídias e recursos
informacionais baseados em tecnologias de informação e
comunicação, de maneira a implantá-los de modo eficiente.
Evidencia-se, também, que é necessário planejar a
atualização do acesso, mediação e recuperação da
informação por parte do público usuário.
Em vista de tantos aspectos a serem planejados, é
essencial que haja um plano de educação continuada à
equipe que compõe a rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação, de modo que a capacitação seja uma
constante. Por último, planejar o compartilhamento
sistemático do conhecimento gerado no âmbito da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, advindo de
experiências vivenciadas ou de estudos sobre problemas
existentes.

2 PLANEJAMENTO FINANCEIRO
A rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação

�necessita desenvolver o planejamento, adequando-o à
missão, visão, objetivos e metas, bem como ajustá-lo às
condições orçamentárias, de infraestrutura e de pessoal.
Nessa
perspectiva,
o
planejamento
financeiro/orçamentário propicia a implantação do que foi
priorizado anteriormente e, por essa razão, é essencial que
a rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
possua um orçamento próprio, de modo que possa alocar
recursos à execução dos diferentes planos táticos e
operacionais elaborados, a fim de cumprir a missão, visão,
objetivos e metas estabelecidos.
O planejamento financeiro possibilita mensurar os custos
e os benefícios, ou seja, aloca recursos à implantação e
execução do que foi planejado, bem como estabelece
indicadores para mensurar os benefícios advindos do que
foi implantado. Lucion (2005, p.144) explica que o
planejamento financeiro é “[...] relativo às finanças, à
circulação e gestão do dinheiro e a outros recursos [...].
O planejamento financeiro/orçamentário possibilita alocar
adequadamente os recursos destinados à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, distribuindo-o
conforme as prioridades, anteriormente, estabelecidas no
planejamento estratégico. Dessa maneira, alocam-se os
recursos em programas ou projetos já discutidos e
instituídos, sendo que para cada etapa/fase são vinculados
os recursos necessários a sua execução.
Nessa perspectiva, evidencia-se que o planejamento
financeiro/orçamentário é fundamental para demonstrar a
previsão financeira da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação – seja no curto, médio ou longo prazo –,
bem como para controlar a execução de cada etapa/fase,
isto é, se de fato os recursos alocados para determinado
fim foram usados corretamente.
Vale ressaltar que a informação é um custo indireto nas
atividades significativas de qualquer tipo de organização,
ou seja, nem sempre adiciona diretamente valor monetário

�aos produtos e/ou serviços produzidos no ambiente
organizacional. Por essa razão, o valor da informação é
difícil de ser mensurado, uma vez que seu valor é
diretamente proporcional à necessidade e uso do
usuário/público usuário. Sendo assim, pode haver
dificuldade na criação de indicadores para medir os
benefícios advindos do que foi planejado e implantado.
Contudo, a informação pode ser mensurada pelo seu custo
monetário de aquisição. (Figura 4).
Custos Tangíveis
Materiais bibliográficos adquiridos;
Bancos e bases de dados adquiridos;
Equipamentos adquiridos;
Hardware e Software adquiridos;
Manutenção de equipamentos e
mobiliário;
Pessoal;
Tecnologias da informação e
comunicação adquiridos;
Material de consumo;
Treinamentos e capacitações;
Participação em eventos e visitas
técnicas;
Layout, mobiliário, m2;
Hora homem trabalhada;
Armazenagem, preservação e
conservação física, eletrônica e/ou
digital de materiais bibliográficos
adquiridos;
Uso de rede internet ou plataformas
especializadas no ambiente Web;
Etc.

Custos Intangíveis
Qualidade em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Produtividade em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Eficiência em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Eficácia em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Acesso e uso da informação
com competência, por parte do
público usuário;
Integridade dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Fidedignidade dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Consistência dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Relevância dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Etc.

Figura 4: Valor versus custos.
Fonte: Elaboração própria (2016).

Nesse sentido, a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação pode utilizar a equação custo-benefício para
justificar sua necessidade financeira/orçamentária, visto

�que, em qualquer tipo de organização, a receita advém de
um único lugar, sendo distribuída às áreas que a compõe.
Releva-se que os planejamentos que estiverem mais
alinhados à missão e à visão organizacional terão mais
probabilidade de obterem, integralmente, os recursos
solicitados.
A equação custo-benefício, conforme se denomina,
determina os custos e os benefícios do investimento em
relação a algo, bem como mede as perdas e ganhos em
termos de bem-estar à organização.
O planejamento financeiro/orçamentário é gerenciado
pela alta administração que, em geral, solicita a cada
unidade de trabalho o envio do orçamento necessário para
o ano seguinte, de modo a cumprir os objetivos e metas
estabelecidos
em
seus
planejamentos
táticos
e
operacionais. Desse modo, anualmente, nos meses de
setembro ou outubro, a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação deve apresentar o orçamento para o
ano seguinte à alta administração. Nessa perspectiva, deve
preparar-se para elaborar o orçamento antes do período
padrão solicitado e, assim, obter orçamentos, comparar
preços, realizar visitas, e tudo o que for necessário ao
estabelecimento dos recursos financeiros para sua gestão
no ano seguinte consistentemente.

3 PLANEJAMENTO DE PESSOAL
As organizações são constituídas por pessoas que, por sua
vez, dependem delas para atingir os objetivos e metas
organizacionais e cumprir a missão e a visão institucional.
As pessoas compreendem as organizações como um meio,
pelo qual é possível alcançar os próprios objetivos, o que
não seria possível de outra maneira.
A necessidade de se gerenciar pessoas surge da
complexidade das atividades e tarefas organizacionais no
início do Século XX, após o impacto da Revolução
Industrial, tornando-se ação mediadora entre as

�organizações e as pessoas, de modo a diminuir o conflito
entre os objetivos organizacionais e os individuais,
considerados incompatíveis no âmbito das relações
trabalhistas. Há uma evolução quanto à compreensão do
que seja gerenciar pessoas. (Figura 5).
Departamento
Pessoal
Gestão focada na
burocracia e controle das
pessoas. A empresa é
mais centralizadora, e o
RH é visto como um
órgão fiscalizador.

Administração de
Recursos Humanos

Administração de Pessoas

Gestão mais dinâmica e
Gestão focada no gerenciamento
focada no
com e para as pessoas. Considera
desenvolvimento e na
os colaboradores como talentos
motivação das pessoas. dotados de capacidade, habilidades
Preocupa-se com o
e intenção de levar a empresa ao
interesse dos
sucesso.
colaboradores.

Figura 5: Evolução da visão e do foco relacionado à
gestão de pessoas.
Fonte: Knapik (2006, p.40).

Fischer (2001, p.19) conceitua gestão de pessoas como
sendo um “Conjunto de políticas, práticas, padrões
atitudinais, ações e instrumentos empregados por uma
empresa para interferir no comportamento humano e
direcioná-lo no ambiente de trabalho”.
Nessa perspectiva, o planejamento de pessoal ou de
recursos humanos é essencial. A rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação deve estabelecer políticas,
planos, programas e projetos que contemplem as pessoas,
visto que elas são determinantes para se alcançar os
objetivos e metas estabelecidos. Além disso, o
planejamento propicia garantir o equilíbrio entre os
interesses organizacionais e os interesses dos funcionários,
bem como contribui à melhoria do desempenho individual e
organizacional.
Chiavenato (2006, p.31) explica que “O planejamento de
recursos humanos é o processo de decisão a respeito dos
recursos humanos necessários, para atingir os objetivos
organizacionais dentro de determinado período de tempo”.
O planejamento de pessoal deve prever o quadro de

�funcionários necessários para atuar na rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, sendo, para tanto,
fundamental o conhecimento da situação do mercado de
trabalho na área, no que tange à média salarial e
competitividade [outra rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação empregadora]; bem como a situação da
formação na área, referente às competências e habilidades
adquiridas pelo futuro funcionário, visando responder as
demandas e necessidades da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Para elaborar o planejamento de pessoal, alguns aspectos
devem ser estabelecidos previamente; entre eles, destacase:
1. Definir o organograma da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, estabelecendo os níveis
hierárquicos;
2. Definir claramente e objetivamente o Quadro de
Distribuição de Trabalho (QDT), estabelecendo a
função, as responsabilidades e as tarefas que serão
executadas para cada cargo funcional;
3. Definir o plano de carreira que contemple o
desenvolvimento e a avaliação de desempenho
funcional;
4. Definir os direitos e deveres para cada cargo
funcional;
5. Definir os benefícios aplicáveis ao cargo, no caso do
correto cumprimento das responsabilidades e
tarefas;
6. Definir os ônus aplicáveis ao cargo, no caso de não
haver o cumprimento das responsabilidades e
tarefas.
Após os aspectos supracitados estarem implantados, o
planejamento de pessoal pode ser realmente iniciado. A
primeira etapa, conforme já mencionado anteriormente, éa

�elaboração de diagnóstico sobre a equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, objetivando a
identificação das atividades e tarefas executadas;
quantificar as atividades e tarefas executadas; descrever
objetivamente quem faz o quê; identificar as tarefas mais
importantes desenvolvidas; estabelecer os fluxos das
atividades principais; verificar a dinâmica dos processos
informacionais; detectar sobrecarga ou ociosidade de
trabalho; analisar o fracionamento do trabalho; analisar a
compatibilização de cargos e funções; analisar a formação
do pessoal em relação à tarefa efetuada.
A segunda etapa compreende a realização de reuniões
periódicas,
tanto
individuais
quanto
em
equipe,
objetivando ouvir opiniões e sugestões e, também,
verificar o cumprimento dos objetivos e metas. Nessa
etapa, o planejamento de pessoal deve proporcionar a
melhoria da comunicação inter e intra grupos da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; propiciar
maior comunicação entre os processos, atividades e tarefas
de
diferentes
setores;
proporcionar
condições
e
infraestrutura às redes formais da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação; propiciar a consolidação das
redes informais da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação; oferecer maior equilíbrio entre os distintos
graus de decisão; racionalizar os fluxos de informação e de
comunicação; otimizar as atividades e tarefas e melhorar a
relação custo-benefício.
Na terceira etapa, o planejamento de pessoal deve definir
os valores que sustentarão as relações humanas da equipe
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Como exemplo, tem-se: valorizar todos igualmente;
valorizar a conduta ética e justa; valorizar a autonomia
responsável; valorizar a criatividade exequível; valorizar a
relação humana em detrimento do fazer bibliotecário;
valorizar a participação de todos no processo decisório.
Na quarta e última etapa do planejamento de pessoal são
estabelecidos os critérios à avaliação contínua dos

�funcionários, de maneira objetiva e transparente,
revelando justeza e coerência; o reconhecimento ao
desempenho do funcionário, criando mecanismos concretos
e satisfatórios de recompensa; ações de motivação que
gerem maior comprometimento por parte do funcionário;
programas de capacitação; criação de plano de carreira
horizontal e vertical, de modo a propiciar aos funcionários
a real possibilidade de crescimento no âmbito da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.

4 PLANEJAMENTO DA COMUNICAÇÃO
VISUAL, TÁTIL E SONORA
A comunicação pode ser compreendida como um sistema
de troca de mensagens [compreendida no sentido lato da
palavra] que envolve, pelo menos, um emissor e um
receptor. No âmbito de uma rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, a comunicação é fundamental; A
ABNT NBR 15.599 (2008, p.2) a classifica em:
1. Sonora: comunicação que acontece por meio de
sons e requer a percepção auditiva para sua
recepção;
2. Tátil: aquela que se dá, principalmente, por meio de
símbolos gráficos com texturas diferenciadas ou em
relevo ou pela emissão de impulsos vibratórios,
requerendo a percepção tátil para sua recepção;
3. Visual: comunicação que se dá por meio de
imagens e requer a percepção visual para sua
recepção.
Planejar a comunicação visual, tátil e sonora é essencial,
não só em relação à imagem da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, mas também ao público
usuário que poderá usufruir dos produtos e serviços
informacionais da melhor maneira possível. Há tipos de

�comunicação visual, tátil e sonora, conforme a ABNT NBR
9050 (2004):
a. Direcional: informa o caminho a seguir;
b. Identificacional: informa os pontos principais, os
serviços e produtos informacionais disponíveis, etc.;
c. Instrucional: informa os procedimentos para o uso
de materiais, coleções, equipamentos, etc.;
d. Normativa: informa as condições para uso, horário
de funcionamento, etc.;
e. Alerta restritivo ou proibitivo: informa sobre
questões
importantes
e
relativas
às
responsabilidades, deveres e direitos do público
usuário.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve estar alinhado ao tipo do público usuário que a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação atende como
por
exemplo:
cidadão
comum
[idosos,
jovens/adolescentes, crianças]; profissionais especializados
[advogados, médicos, engenheiros, educadores, etc.], ou
seja, a comunicação deverá ser adequada a cada tipo de
público. Do mesmo modo, é necessário que a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação atenda as
normativas de comunicação visual, tátil e sonora da
própria organização na qual está inserida (bancos,
indústrias, escolas, hospitais, órgãos públicos, etc.). Em
geral, há normativas específicas para cada tipo de
ambiente que deverão ser cumpridas.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve contemplar tanto o ambiente interno quanto o
externo. No caso do ambiente externo, a comunicação
ocorre fora das instalações da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, sendo necessário, geralmente,
recorrer a outras instâncias institucionais e, às vezes,
governamentais, que elaboram a comunicação visual, tátil

�e sonora desses ambientes. No âmbito do ambiente interno
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação, a
responsabilidade para implantar a comunicação visual, tátil
e sonora é do gestor responsável.
Entre os elementos que são planejados no âmbito da
comunicação visual está a logomarca da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação. Nessa perspectiva, é
necessário observar a logomarca: a) respeitar as cores e a
marca da organização na qual está inserida; b) respeitar o
tipo de organização na qual está inserida; c) aparecer em
todos os materiais impressos, eletrônicos e digitais: papéis,
cartões de visita, site, bancos e bases de dados, blogs,
redes sociais, etc.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve estabelecer a padronização das cores, tipos de fonte,
texturas e tamanhos; formas de fixação e exposição;
pictogramas;
uniformes
(se
houver);
materiais
promocionais, entre outros.

5 MANUAIS E INSTRUÇÕES NORMATIVAS
ORIUNDOS DO PLANEJAMENTO
Ao longo do processo de planejamento é necessário
elaborar, validar e implantar manuais e instruções
normativas que, por sua vez, auxiliam a execução do
planejamento. Cunha e Cavalcanti (2008, p.237)
mencionam que o manual administrativo é o “[...]
documento que contém as políticas, os regulamentos e os
procedimentos utilizados numa organização”. Os manuais
que contêm instruções detalhadas sobre um determinado
processo, atividade ou tarefa administrativa, técnica ou
operacional, visando ao bom desenvolvimento por parte de
seu executor, podem ser entendidos como documentos.
Cunha e Cavalcanti (2008, p.207) explicam que instruções
se constituem em “[...] um documento destinado a

�esclarecer determinado assunto, estabelecendo normas ou
condições de execução ou de funcionamento”. As
informações são dispostas de modo sistematizado e,
assim, constitui-se num instrumento facilitador ao
funcionamento da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. É um documento de consulta permanente que
os funcionários podem utilizar para sanar dúvidas e
executar os processos, atividades e tarefas com segurança.
Os manuais podem ser classificados da seguinte maneira:
a. Manual de Organização/Manual de Estrutura: enfoca
a própria rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação, a constituição de seus setores, seu
organograma;
b. Manual de Instruções, Manual de Normas e
Procedimentos, Manual de Processo, Manual de
Serviços: definem as diretrizes e como fazer o
trabalho
de
natureza
burocrática
de
uma
determinada rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação detalhadamente;
c. Manual de Formulários: define a finalidade do
formulário, seu preenchimento, a distribuição e a
sua utilização no âmbito da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação;
d. Manual de Normas: semelhante a qualquer
regulamento interno ou regimento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
e. Manual de Sequência Administrativa: é descrito,
detalhadamente, as fases e as operações de cada
processo de uma rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Os manuais são importantes para disseminar os
processos, atividades e tarefas de determinado setor, bem
como para analisar de que maneira são realizados, visando
à melhoria contínua. Além disso, são essenciais para a

�capacitação de novos funcionários, objetivando a execução
dos processos, atividades e tarefas com qualidade.
No planejamento é feito o diagnóstico, conforme
anteriormente mencionado; nessa etapa, identifica-se cada
processo, atividade e tarefa e, a partir disso, o
detalhamento dos referidos processos é elaborado,
atividades e tarefas em linguagem clara e objetiva, de
modo que qualquer funcionário possa compreender e
desenvolver
o
processo,
atividade
e
tarefa,
independentemente, do aval do funcionário originalmente
responsável.
Os manuais e as instruções normativas são elaborados
com a finalidade de informar quem não conhece
determinado processo, atividade ou tarefa; por essa razão,
são
documentos
que
devem
ser
atualizados
continuamente. Os manuais e as instruções normativas
devem ser amplamente disseminados a toda a equipe da
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação em
diferentes formatos, a fim deque sejam utilizados
realmente.
É importante que se defina um padrão organizacional para
esses tipos de documentos, de maneira que todos os
funcionários o reconheçam como tal. Nesse sentido, a
redação deve ser especializada e deve respeitar o ‘jargão’
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.

6 RELATÓRIOS DE PLANEJAMENTOS
Relatório é derivado do verbo relatar. Trata-se, portanto,
da ação e efeito de descrever algo. Cunha e Cavalcanti
(2008, p.320) afirmam que relatório de progresso é um
“[...] documento que registra informações atualizadas
sobre trabalhos em curso [...]”. O relatório final é um
documento que apresenta o resultado e as conclusões
finais oriundas de processos, atividades e tarefas
desenvolvidas em determinado contexto organizacional.
Sendo assim, é um documento que se caracteriza por

�conter informações que refletem determinado resultado, a
partir da descrição circunstanciada de fatos ocorridos na
gestão de uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação.
Há diferentes tipos de relatório no âmbito de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, podendo ser
gerais ou específicos como, por exemplo: relatório
financeiro, relatório de atividades, relatório de capacitação,
relatório de usos e usuários de informação, relatório de
visitas técnicas, etc.
O relatório é elaborado a partir de distintos objetivos e
propósitos,
isto
é,
depende
do
que
se
quer
relatar/reportar. Além disso, os relatórios podem ser
públicos ou privados; há relatórios que são elaborados
apenas para o consumo interno e, outros, ao consumo do
público externo à rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação.
Há distintos tipos de relatórios, entre eles pode citar-se o
‘relatório crítico’, que é mais pormenorizado, pois consiste
num texto em que uma determinada atividade é descrita
detalhadamente, inclusive o modo como foi desenvolvida;
e o ‘relatório síntese’, que é mais conciso, já que é
elaborado apenas sobre determinado viés, enfocando um
aspecto apenas.
No que tange à estrutura, os relatórios em contextos
organizacionais podem ser administrativos, financeiros,
estatísticos, de gestão, etc. O formato pode ser simples,
com títulos e subtítulos que indiquem os assuntos
descritos; ou complexo, contendo gráficos, imagens,
tabelas, diagramas, apêndices, resumos, notas de rodapé,
referências, etc. Os relatórios podem ser equilibrados,
realçando os assuntos importantes, descrevendo-os de
maneira precisa e exaustiva; podem ser simples, no intuito
de favorecer a leitura, portanto, descrições aprofundadas
devem ser evitadas; podem ser direcionados, destacandose apenas os assuntos relevantes.

�É importante observar tanto o estilo da linguagem quanto
a apresentação visual. Em relação à linguagem, o relatório
deve apresentar clareza e rigor, além disso, é necessário
respeitar o jargão da área, na qual a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação está inserida. Observar
a concordância verbal, o uso de verbos como: destacar,
ressaltar, observar, constatar, confirmar, verificar,
confirmar, etc. e, ainda, deve ser evitado o uso de
adjetivos que qualifiquem os serviços e produtos
desenvolvidos.
No relatório deve constara autoria, ou seja, quem redigiu,
preparou o relatório. Neste caso, pode ser o gestor, um
grupo de pessoas ou toda a equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação. A missão e visão
institucional e a da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação devem ser destacadas; descrição e o
detalhamento devem relacionar os objetivos e metas
definidos no planejamento, de maneira a indicar os
principais desenvolvimentos e avanços realizados, assim
como problemas encontrados, destacando as metas
atingidas.
Os indicadores técnicos e dados estatísticos podem ser
utilizados por meio da inserção de gráficos, tabelas,
quadros, etc. Além disso, é essencial destacar os
indicadores financeiros, por meio de tabelas e gráficos, a
fim de demonstrar os fluxos de entrada e saída dos
recursos financeiros destinados ao cumprimento de
objetivos e metas definidos no planejamento da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Os relatórios podem enfocar:
1. Serviços prestados e produtos elaborados;
2. Tecnologias
de
informação
e
comunicação
[inovações; automação; digitalização; etc.];
3. Gestão de pessoas [contratações; aposentadorias;
avaliação de desempenho; salário; etc.];

�4. Educação continuada [capacitação; treinamento;
etc.];
5. Usos [empréstimos in loco, domiciliares, entre
bibliotecas; consultas; comutação bibliográfica;
etc.];
6. Usuários [público real; público potencial; público
especializado; etc.].
7. Acervo físico, eletrônico e digital [armazenagem;
preservação; conservação; restauração; etc.];
8. Atividades voltadas ao ensino, pesquisa e extensão;
9. Produção científica da equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação;
10. Organização e participação em eventos, cursos,
visitas técnicas;
11. Palestras proferidas, cursos/treinamentos realizados
ao público usuário;
12. Programas e projetos elaborados em andamento e
totalmente implantados.
Portanto, os relatórios devem destacar os resultados
obtidos a partir dos objetivos e metas constantes do
planejamento, bem como os benefícios trazidos à rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, ao público
usuário e à instituição.

7 MÉTODOS DE PLANEJAMENTO
Há vários métodos que podem ser aplicados na
elaboração e implantação do planejamento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação: PDCA; BIM;
Diagrama de Causa e Efeito; 5W2H; SWOT, entre outros.
Contudo, o planejamento pode ser elaborado e implantado
sem, necessariamente, ser usado um método.

7.1 Método PDCA

�A sigla PDCA se refere abreviatura das palavras ‘Plan’,
‘Do’, ‘Check’ e ‘Action’ na língua inglesa. Em português
significam: planejar, fazer, checar/verificar, agir. Este
método também é conhecido como Ciclo PDCA. Behr,Moro
e Estabel (2008, p.38) explicam que “O ciclo PDCA é uma
ferramenta para análise e melhoria de processos e
facilmente aplicada em processos de produção e de
serviços”.
A importância do planejamento (plan), da execução (do)
com qualidade, da necessidade da verificação (check) e da
implantação
de
ações
corretivas
(action)
são
determinantes para qualquer tipo de planejamento. Nessa
perspectiva, é fundamental estabelecer claramente os
elementos que compõem cada etapa do PDCA:
Plan (planejamento): estabelecer a missão, visão,
objetivos,
metas,
métodos,
técnicas
e
procedimentos
necessários
para
atingir
os
resultados desejados;
Do (execução): realizar, executar e implantar os
processos, atividades, tarefas e ações no prazo
estabelecido;
Check
(verificação):
monitorar
e
avaliar
periodicamente
os
resultados,
obtidos,
confrontando-os com os objetivos planejados
anteriormente
e
os
resultados
esperados,
consolidando
as
informações
e
elaborando
relatórios.
Act (agir): Agir de acordo com o avaliado; se
necessário, reelaborar o planejamento, de modo a
melhorar a qualidade, eficiência e eficácia,
aprimorando a execução e corrigindo eventuais
falhas.

�Figura 6: Método PDCA.
Fonte: Elaboração própria (2016).

No ciclo PDCA deve-se coletar dados, medir resultados,
compará-los com os objetivos e metas, no intuito de
adotar ações apropriadas; assim, na dinâmica deste ciclo
será necessário o emprego de ferramentas apropriadas à
coleta, o processamento e a disseminação de dados e
informações. É preciso que a dinâmica do PDCA seja
constantemente analisada em cada uma das etapas, de
maneira a estabelecer indicadores de resultado, visando ao
gerenciamento do plano de ação; como também, verificar
se os resultados são coesos com os objetivos iniciais. Os
indicadores se constituem em fonte importante à avaliação
e para a correção e ajustes do plano de ação.

7.2 Método BIM
A sigla BIM se refere à abreviatura das palavras ‘Barreira’,
‘Ideia’, ‘Melhoria’.
Segundo Cocco et al. (2011), o método BIM visa à
resolução de problemas identificados num ambiente
organizacional. O método BIM é desenvolvido em três

�etapas (Figura 6), cujo princípio é a obtenção da melhoria
contínua, ou seja, visa garantir que a barreira ou barreiras
identificadas sejam superadas ao longo do tempo, no
intuito de angariar resultados satisfatórios à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação.
Ainda, segundo Cocco et al. (2011, p.92), cada etapa
desenvolve três passos que abrangem: “[...] identificação,
análise e descoberta da causa fundamental da barreira,
[...] superação da barreira, desde a geração da solução em
si, até seu plano de implementação, [...] superação
definitiva [...] da barreira em questão, [...] garantir que a
superação da barreira traga os resultados esperados por
todos ao longo do tempo”.

Figura 7: Método BIM.
Fonte: Adaptada de Martens (2002, p.49 apud COCCO et
al., 2011, p.90).

7.3 Diagrama de Causa e
Efeito ou Diagrama de Ishikawa ou Diagrama

�de Espinha de Peixe (4M; 5M; 6M; 7M)
No intuito de elaborar o planejamento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, pode ser
usado o Diagrama de Causa e Efeito, também conhecido
como Diagrama de Ishikawa ou Diagrama Espinha de
Peixe. Behr, Moro e Estabel (2008, p.35) destacam que “O
objetivo da ferramenta está em evidenciar e organizar as
causas de determinado ‘problema’”. As causas e efeitos
podem se dividir no que se denomina de 4M, 5M, 6M ou
7M:
4M = método;
máquina.

matéria-prima;

mão-de-obra;

5M = método; matéria-prima;
máquina; medição.

mão-de-obra;

6M = método; matéria-prima;
máquina; medição; meio ambiente.

mão-de-obra;

7M = método; matéria-prima; mão-de-obra;
máquina; medição; meio ambiente; management
(gestão).

�Figura 8: Método Diagrama Causa e Efeito.
Fonte: Elaboração própria (2016).

7.4 Método 5W2H
Uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
que deseja elaborar o planejamento de maneira simples
pode aplicar o método 5W2H. Para que seja aplicado, é
necessário conhecer as causas do problema a ser
solucionado, por isso o diagnóstico deve ser realizado
anteriormente. Após a realização do diagnóstico é preciso
responder a cada um dos 5W e 2H. O método 5W2H se
refere às abreviaturas das seguintes palavras na língua
inglesa:
What- O que será feito (ações, etapas, descrição);
Why - Por que será feito (justificativa, motivo);
Where - Onde será feito (local);
When - Quando será feito (tempo, datas, prazos);
Who - Por quem será feito (responsabilidades pelas

�ações);
How - Como será feito (infraestrutura, métodos,
técnicas, procedimentos);
Howmuch- Quanto custará (custos ou investimentos
envolvidos).

Figura 9: Dinâmica do Método 5W2H.
Fonte: Elaboração própria (2016).

A primeira pergunta a ser respondida é ‘o que’ será feito?
Assim, devem ser estabelecidos os objetivos e metas a
serem alcançados no curto, médio e longo prazo.
Descrever as melhorias que serão realizadas nos
processos, atividades e tarefas desenvolvidos na rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
A segunda pergunta é ‘por que’ será feito? Nessa
perspectiva, é necessário descrever os motivos, que
justificando-os, visando à melhoria de algo, resolver ou
amenizar um problema, diminuir um gargalo, promover
uma atividade, etc.

�A terceira pergunta é ‘onde’ (em que local) será feito?
Muitas vezes, esta parte do método 5W2H não é
desenvolvida, porque se considera que o local sempre será
a própria rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. Contudo, é importante detalhar o local em que
será executada a ação como, por exemplo, o
departamento/setor responsável.
A quarta pergunta é ‘quem’ vai realizar/fazer/executar? É
fundamental definir quem será responsável pela execução
da ação propriamente dita, alinhada aos objetivos e metas,
anteriormente, definidos na etapa ‘What?’. É importante
designar as pessoas certas, cujas competências e
habilidades estejam em consonância com os processos,
atividades e tarefas a serem realizadas, pois, caso
contrário, pode haver prejuízo na execução da ação.
A quinta pergunta é ‘quando’ será feito? Um bom
planejamento estipula os prazos [curto, médio e longo],
para que os objetivos e metas sejam alcançados. Nesta
etapa, é necessário o detalhamento da execução das
ações,
definindo
datas/prazos
concretos
para
o
desenvolvimento e o final de cada ação. O detalhamento
deve ser coerente com as condições da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, no que tange à
infraestrutura e aos recursos humanos, financeiros,
materiais, etc.
A sexta pergunta é ‘como’ será feito? É necessário
detalhar os processos que devem ser envolvidos para
atingir os objetivos e metas definidos anteriormente. É
necessário ser o mais específico possível, ou seja, quanto
mais detalhado melhor.
A sétima pergunta a ser respondida é ‘quanto’ irá
custar/gastar?
É
necessário
detalhar
os
custos/investimentos
necessários
à
implantação
e
desenvolvimento das ações que visam alcançar os
objetivos e metas definidos anteriormente. É necessário
ser o mais específico possível, ou seja, quanto mais
detalhado, melhor será o controle entre receitas e

�despesas.
O método 5W2H refere-se, basicamente, à maneira de
detalhar a execução de processos, atividades e tarefas, em
que são atribuídas as responsabilidades de cada sujeito
organizacional envolvido e, também, determinar como o
trabalho será realizado, o local, o motivo, o prazo e os
custos/investimentos para sua efetividade.
Além disso, por se referir a um método de detalhamento,
propicia ao gestor melhor controle de cada etapa/fase,
corrigindo e ajustando o que for necessário, ainda durante
o desenvolvimento e implantação do planejamento.

7.5 Método SWOT
A sigla SWOT se refere às abreviaturas das palavras
‘Strengths’, ‘Weakness’, ‘Opportunities’ e ‘Threats’ na
língua inglesa. Em português significam: forças, fraquezas,
oportunidades e ameaças, cuja sigla designada é FOFA.
Este método é muito utilizado na elaboração do
planejamento, visa propiciar uma análise da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação e de seu entorno; é
uma maneira de conhecer a condição situacional antes de
definir as estratégias de ação de curto, médio e longo
prazo.
Pelo método SWOT são analisadas as forças internas em
relação às oportunidades externas, bem como as fraquezas
internas em relação às ameaças externas à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, ou seja, analisa as
condições situacionais frente às tendências e cenários
futuros. O método proporciona aos gestores a obtenção
deum diagnóstico mais preciso da realidade da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, como
também das perspectivas do ambiente externo, visto que
propicia a contextualização no âmbito micro e macro, local
e não local.
O método SWOT estabelece uma conexão entre a missão,
a visão e as ações estratégicas necessárias ao

�desenvolvimento da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. Assim, são estabelecidos os objetivos e as
metas que devem ser desenvolvidos em determinado
período.

Figura 10: Método SWOT.
Fonte: Elaboração própria (2016).

A avaliação interna e externa (Figura 6) é dividida em:
pontos fortes e fracos e ameaças e oportunidades, com a
finalidade de proporcionar um diagnóstico mais preciso à
elaboração do planejamento.
Forças/Fortalezas/Pontos Fortes: avaliação das
competências, infraestrutura, recursos financeiros,
pessoas, posição alcançada, diferenciais da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação;
Fraquezas/Debilidades/Pontos Fracos: avaliação dos
aspectos que limitam ou reduzem a capacidade de
desenvolvimento da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação;
Oportunidades: avaliação dos aspectos externos à
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
que podem oferecer algum tipo de vantagem ou
oportunidade;

�Ameaças: avaliação dos aspectos externos à rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação que
podem impedir ou limitar seu desenvolvimento.
A matriz SWOT (Figura 7) é constituída a partir das
avaliações supracitadas e revelam a situação do
microambiente [rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação] e do macroambiente [contexto em que está
inserido]. A análise é muito importante para serem obtidas
informações relevantes, visando à definição das estratégias
de ação de curto, médio e longo prazo.

Figura 11: Elaboração da matriz SWOT
Fonte: Elaboração própria (2016).

Embora este método de análise seja eficiente, ele não
propiciará informações completas, caso não seja aplicado
em todos os ambientes que compõem a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, isto é, é importante
que se faça a verticalização do método. Entre os aspectos
que devem ser levados em consideração para a análise do
ambiente interno, destacam-se os seguintes:

�a. aspectos organizacionais: estrutura da organização;
políticas, procedimentos e regras; rede de
comunicação; recursos e infraestrutura, entre
outros;
b. aspectos relacionados ao pessoal: redes de
relacionamento;
programas
de
treinamento;
sistema de avaliação de desempenho; sistema de
incentivos; condições de trabalho, entre outros.

Análise Interna
Pontos Fortes

Análise
Externa

Pontos Fracos

Oportunidades

Tirar o máximo
proveito dos pontos
fortes, de maneira
aproveitar ao máximo as
oportunidades
detectadas.

Desenvolver estratégias
que minimizem os efeitos
negativos dos pontos
fracos.

Ameaças

Tirar o máximo
As estratégias a
proveito dos pontos
desenvolver devem
fortes para minimizar os minimizar ou ultrapassar os
efeitos das ameaças
pontos fracos e, se possível,
detectadas.
fazer frente às ameaças.S

Figura 12: Matriz SWOT
Fonte: Elaboração própria (2016).

Apesar de a análise dos ambientes interno e externo ser
segmentada, a inter-relação entre eles existe e, muitas
vezes, são complementares; as oportunidades e as
ameaças surgem das forças e fraquezas organizacionais.
(LUPETTI, 2007).
As etapas/fases para realização do método SWOT são as
seguintes:
Realizar um brainstorm1 para elaborar uma lista das
forças e fraquezas da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
1. Realizar um brainstorm para elaborar uma lista das

�oportunidades
e
ameaças
e
priorizá-las
externamente à rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
2. Criar uma matriz síntese relacionando forças a
consolidar, fraquezas a superar, oportunidades a
aproveitar e ameaças a evitar;
3. Propor estratégias de ação à rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, baseadas na matriz
síntese.
É importante que a equipe da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, envolvida na realização do método
SWOT, diferencie muito bem os fatores internos dos
externos, seja realista ao identificar as forças/pontos fortes
e as fraquezas/pontos fracos; saiba distinguir muito bem a
posição de partida (atual) e aonde se quer chegar
futuramente.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O planejamento é uma atividade crucial para qualquer
tipo de rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Planejar deve ser a primeira atividade desenvolvida por um
profissional da informação ao iniciar a função de gestor.
Conforme mencionado anteriormente, a primeira etapa do
planejamento é o diagnóstico que, por sua vez, propicia ao
gestor obter uma visão ampla e aprofundada da situação
em que se encontra a rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação.
Após analisar e avaliar as condições situacionais é
possível planejar o futuro da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação; ressalta-se, nesse sentido, que as
decisões do gestor serão subsidiadas por dados e
informações fidedignos e confiáveis.
O planejamento reduz a ambiguidade existente no
ambiente, propicia mais segurança em relação à direção a

�ser seguida, diminui as injustiças referentes à distribuição
de recursos e não personaliza ações e decisões, visto que é
um instrumento construído coletivamente.
Planejar é primordial, a fim deque a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação estabeleça coerência
entre a missão, visão, objetivos e metas definidos pela
equipe. O conhecimento gerado no processo de
planejamento retroalimenta os funcionários e, assim,
proporciona as condições necessárias ao desenvolvimento,
à criatividade e à geração de inovação para a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.

REFERÊNCIAS
ABNT. NBR 15.599: Acessibilidade: comunicação
prestação de serviços. Rio de Janeiro, 2008. 39p.

na

ACKOFF, R. L. A empresa democrática. Lisboa: DIFEL,
1996.
ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e
serviços de informação. 2.ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005. 144p.
BARBALHO, C. R. S.; BERAQUET, V. S. M. Planejamento
estratégico para unidades de informação. São Paulo:
Polis/APB, 1995. 69p. (Coleção Palavra-Chave, 5)
BEHR, A.; MORO, E. L. da S.; ESTABEL, L. B. Gestão da
biblioteca escolar: metodologias, enfoques e aplicação de
ferramentas de gestão e serviços de biblioteca. Ciência da
Informação, Brasília, v.37, n.2, p.32-42, maio/ago. 2008.
Disponível
em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1210/1388&gt;.
Acesso em: 1 jul. 2016.
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da
Administração. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
634p.
CHIAVENATO,

I.

Planejamento,

recrutamento

e

�seleção de pessoal. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. 152p.
CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento estratégico:
fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.415p.

COCCO, A. P. et al. Modelo de planejamento e gestão para
biblioteca especializada: método bibliobim. Percursos,
Florianópolis, v.12, n.2, p.84-104, jul./dez. 2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.periodicos.udesc.br/index.php/percursos/article/view/22
Acesso em: 1 jul. 2016.
CUNHA, M. B. da; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de
Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de
Lemos, 2008. 451p.
FARIA, J. C. Administração: introdução ao estudo. 3.ed.
São Paulo: Thomson/Pioneira, 1997. 168p.
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio. 3.ed. Rio
de Janeiro: Positivo, 2006. 2120p.
FISCHER, A. L. O conceito de modelo de gestão de
pessoas: modismo e realidade em gestão de recursos
humanos nas empresas brasileiras. In: DUTRA, J. S.
(Org.). Gestão por competências. São Paulo: Gente,
2001.118p.; p.9-22.
KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba:
IBPEX, 2006. 234p.
LUCION, C. E. R. Planejamento financeiro. Revista
Eletrônica de Contabilidade, v.1, n.3, p.142-160,
mar./maio
2005.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufsm.br/contabilidade/article/view/142/3955
Acesso em: 1 jul. 2016.
MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da
revolução urbana à revolução digital. 4.ed. São Paulo:
Atlas, 2004. 521p.
MEGGINSON, L. C., MOSLEY, D. C., PIETRI JR., P. H.
Administração: conceitos e aplicações. 4.ed. São Paulo:

�Harbra, 1998. 614p.
NEWMAN, W. H. Ação administrativa as técnicas de
organização e gerência. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1991.
432p.
OSBORN, A. F. Applied imagination: Principles and
procedures of creative problem solving. New York: Charles
Scribner's, 1953.
STEINER, G. A. Strategic planning: What every manager
must know. New York: Free Press, 1997.
WEBSTER'S
third
new
international
dictionary.3.ed.Springfield, Merriam-Webster, 2000.2783p.
CD-ROM

�2 - GESTÃO DE PESSOAS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Tatiana Brandão Fernandes

1. INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da vida humana, faz-se presente
a percepção de que o indivíduo sempre sentiu a
necessidade de viver em grupo. Inicialmente como forma
de sobrevivência de sua raça e, posteriormente, como
forma de organização, pela necessidade de divisão de
tarefas para garantir sua existência.
Com o passar dos tempos, o indivíduo passou a
estabelecer diversas relações, tais como sociais, de
trabalho, de educação e outras. A forma de organização
dos grupos sociais e suas relações foram se perpetuando
ao longo da história e com isso a relevância de estudar os
fatores existentes na interação dos seres e a realização de
suas atividades.
No contexto organizacional, observa-se a intensa
necessidade de relações pessoais de modo que contribuam
com a eficácia e eficiência na elaboração dos trabalhos a
serem delimitados para cada grupo, de modo que, juntos
somem o todo de uma fabricação de um produto ou serviço
com primazia.
As Unidades de Informação enquanto organizações
possuem missão, objetivos, serviços oferecidos, públicoalvo, estratégia de reconhecimento do ambiente a ser
servido e, portanto, necessitam de um gestor e de uma
equipe de profissionais para atuar nestes ambientes

�dinâmicos.
Planejar, organizar, dirigir e controlar são tarefa
desempenhada pelos gestores destas unidades e as demais
executadas pela equipe de profissionais com funções e
atribuições pré-definidas. A gestão de uma Unidade de
Informação perpassa pelas etapas de qualquer organização
e requer do gestor, um perfil compatível para esta
atividade, que saiba conduzir as pessoas de modo a tornálas produtivas e motivadas gerando assim bons resultados.
Neste sentido, este capítulo, buscará apresentar a Gestão
de Pessoas nas Unidades de Informação, se apropriando do
conceito da Administração e contexto histórico para
relacioná-lo com a prática do bibliotecário gestor nestas
unidades, afim de descrever como ocorre o processo de
gestão e as boas práticas identificadas na literatura.
Buscará também, discorrer acerca do bibliotecário
enquanto gestor, o perfil e competências necessárias para
esta função, assim como apresentar a Gestão por
Competências, como uma moderna metodologia de gestão
de equipes que busca avaliar os profissionais e conduzí-los
a tarefas de acordo com seu perfil. Tal avaliação permite
também treinar o profissional, para constituir habilidades
necessárias ao desempenho de suas funções.

2. GESTÃO DE PESSOAS
A Gestão de Pessoas surge como sendo um conjunto de
atividades essenciais para a motivação, treinamento e
desenvolvimento do pessoal de um grupo de trabalho,
visando a atingir as metas e objetivos de uma determinada
organização. (TOLEDO, 1978).
Harvey, Bowin e Havey (1996, p. 6) afirmam que a
Gestão de Pessoas é entendida como sendo "a gestão de
atividades tomadas para atrair, desenvolver, motivar e
manter uma força de trabalho de alto desempenho com a
organização".

�Assim, a Gestão de Pessoas pode ser entendida como a
atribuição de tarefas adequadas a cada indivíduo, de
acordo com suas competências e habilidades profissionais,
de modo a contribuir com as atividades desenvolvidas no
âmbito organizacional.
Observa-se a relevância da Gestão de Pessoas para o
contexto organizacional e globalizado que vivenciamos
para os dias atuais, prezando pelo bem-estar do fator
humano e aplicação de seus conhecimentos, suas
habilidades intelectuais e competências individuais na
realização de tarefas.
A Gestão de Pessoas está intrinsecamente relacionada
com as organizações, pois, na concepção de Chiavenato
(2010, p. 5) “o contexto em que se situa a Gestão de
Pessoas é representado pelas organizações e pelas
pessoas. Sem organizações e sem pessoas não haveria a
Gestão de Pessoas”.
Sendo assim, depreende-se a forte relação e dependência
existente entre as pessoas e as organizações, de modo que
uma contribui diretamente com os objetivos da outra, visto
que, diante da realização de um produto ou serviço, as
organizações dependem do fator humano para a sua
exequibilidade e eficiência e o fator humano depende das
organizações para atingir seus objetivos pessoais, fato este
que define as pessoas não mais como empregados
contratados, mas sim como parceiras das organizações.

2.1 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE O
SURGIMENTO DA GESTÃO DE PESSOAS
Em meados do século XVIII, com a Revolução Industrial,
observa-se uma intensa mudança no contexto social, no
qual os indivíduos adquirem um perfil baseado na produção
em escala, de modo que as relações pessoais são fundadas
na administração e gestão profissional.
É nesse século que se começa a despertar a preocupação
com a Gestão de Pessoas no mundo, também conhecida

�como Gestão/Administração de Recursos Humanos, visto
que é derivada do termo em inglês Human Resource
Management.
A origem da Gestão de Pessoas é advinda após o forte
impacto da Revolução Industrial com o intuito de minimizar
o conflito industrial entre os objetivos organizacionais e os
objetivos individuais das pessoas, que eram consideradas
incompatíveis e irreconciliáveis. (CHIAVENATO, 2009).
Diante de tamanha relevância, após 1900, o tema passa a
ser estudo na academia e então surgem os primeiros
cursos universitários e os livros científicos, despertando o
interesse e a importância da Gestão de Pessoas no meio
acadêmico. Nesse contexto, Henry Fayol, em 1916, aborda
a Gestão de Pessoas como uma função organizacional,
através da analogia da administração de empresas com a
anatomia.
Em meio a essas mudanças, no século XX, as
organizações passam a despertar seu olhar para além do
contexto externo e começam a se voltar para questões do
contexto interno de suas organizações. Desse modo, o
indivíduo passa a ser analisado em seus aspectos de
produção,
como
forma
de
contribuir
com
o
desenvolvimento das organizações.
É nesse cenário que surge a Escola de Administração
científica nos Estados Unidos, que possui as seguintes
ideias, conforme Dutra (2009, p. 28):
O homem é um ser eminentemente racional e que,
ao tomar uma decisão, conhece todos os cursos de
ação disponíveis, bem como as consequências da
opção por qualquer um deles;
Existe uma única maneira certa que, uma vez
descoberta e adotada, maximizará a eficiência do
trabalho;
Fixados os padrões de produção, era preciso que
fossem atingidos. Para isso eram necessários a

�seleção, o treinamento, o controle por supervisão e
o estabelecimento de um sistema de incentivos.
A junção dessas ideias fez emergir um modo de
organização de trabalho conhecido como paradigma
Taylorista ou Fordista, baseado nas concepções científicas
de Taylor e Ford, os pais da Administração Científica.
Porém, esse modelo de administração foi bastante criticado
por ser considerado o trabalho humilhante e degradante e
por não permitir o desenvolvimento das pessoas por si
mesmas. (DUTRA, 2009, p. 29).
Diante desse fato, em meados da década de 50, a Gestão
de Pessoas ia além da mediação de conflitos, passando a
ser responsável por administrar as pessoas de acordo com
a legislação trabalhista devido à ação sindical.
Na década de 60, a Gestão de Pessoas é voltada para a
operacionalização de captação, treinamento, remuneração
e informações dos indivíduos, mudando seu paradigma
conceitual e despertando para uma percepção das pessoas
como
recursos
fundamentais
para
o
sucesso
organizacional.
A década de 70 fica marcada por ter embasado diversas
críticas ao modelo até então estabelecido, sendo neste
momento que as pessoas passam a intervir nos diferentes
processos da organização, proporcionando assim a
construção de novos paradigmas conceituais e teóricos
sobre a Gestão de Pessoas.
Na percepção de Chiavenato (2009),
A partir da década de 1970 surgiu o conceito de
Administração de Recursos Humanos. Porém, ainda
sofrendo da velha miopia de visualizar as pessoas como
recursos produtivos ou meros agentes passivos cujas
atividades devem ser planejadas e controladas a partir das
necessidades da organização.

Em meados da década de 80, a Gestão de Pessoas tornase um elemento de estratégia para as organizações, que
começam a agregar valor ao fator humano, despertando

�um olhar voltado para a profissionalização do indivíduo
como forma de incentivar o uso de suas competências e
habilidades.
Nesse contexto histórico, percebe-se que a Gestão de
Pessoas passou por um processo evolutivo que possibilitou
a percepção da relevância da satisfação das necessidades
dos indivíduos como fator de investimentos em prol do
desenvolvimento das organizações.

3. A MODERNA GESTÃO DE PESSOAS
Na atualidade, a relação interpessoal tornou-se um
elemento a ser estudado visando à melhoria das atividades
a serem desempenhadas em grupos e à boa relação
humana em ambientes dinâmicos e competitivos.
A moderna Gestão de Pessoas compreende que lidar com
pessoas tornou-se uma necessidade, diante da premissa
que as organizações necessitam de recursos humanos,
para poderem permanecer em vantagem competitiva.
Sendo assim, observa-se que a Gestão de Pessoas é uma
área muito mais ampla do que se imaginava até o século
passado. Sua relevância organizacional provém da
aplicação das habilidades e competências humanas para a
realização das atividades necessárias para a produção de
bens e serviços.
Nesse contexto, Chiavenato (2010) desperta a percepção
de que:
A Gestão de Pessoas é uma área muito sensível à
mentalidade que predomina nas organizações. Ela é
extremamente contingencial e situacional, pois depende de
vários aspectos, como a cultura que existe em cada
organização, da estrutura organizacional adotada, das
características do contexto ambiental, do negócio da
organização, da tecnologia utilizada, dos processos
internos, do estilo de gestão utilizado e de uma infinidade
de outras variáveis importantes.

Tendo por base o pensamento de Chiavenato, depreende-

�se a relevância do fator humano, pois o indivíduo passa a
ser visto como um parceiro da organização que contribui e
interfe em todo o processo organizacional de uma
instituição, podendo inferir melhorias significativas e o
aumento da produção dessa determinada organização.
O processo de troca de informações, conhecimentos e
melhorias pode ser designado como um processo de
sinergia entre funcionários e empresa, de modo que ambos
promovam mudanças significativas para cada um. Dessa
forma, as organizações observam que os seus funcionários
podem ser considerados como parceiros da organização e,
por estarem internamente ligados às mesmas, podem
contribuir imensuravelmente com o desenvolvimento e
com os resultados da empresa. Em contrapartida, o
empregado direciona seu olhar para as suas necessidades
e expectativas, buscando dentro da organização os meios e
vantagens para seu sucesso e reconhecimento profissional.
Nessa perspectiva, cabe frisar que essa sinergia contribui
diretamente com alguns aspectos citados por Dutra (2009,
p. 25), tais como:
Produtividade e nível de qualidade dos produtos e
serviços;
Velocidade na internalização de novas tecnologias;
Otimização da capacidade instalada;
Criação de oportunidades para a aplicação das
competências organizacionais;
Velocidade de respostas para o ambiente/mercado.
Verifica-se que, diante do fato de as organizações
voltarem seus olhares para as questões de expectativas e
necessidades das pessoas, o contexto interno dessas
organizações aperfeiçoou-se e, diante das mudanças
sociais, tecnológicas e ambientais ocorridas ao decorrer
dos séculos, cada vez mais o indivíduo tem se preocupado
em cuidar de sua integridade física, mental, social e

�espiritual, buscando melhorias e qualidade de vida e, para
tanto despertado o interesse de desenvolver suas
competências e habilidades em prol das organizações que
oferecem esses aparatos.
Cabe às organizações saber lidar com a moderna Gestão
de Pessoas, buscando favorecer seus empregados através
de estímulos para seu desenvolvimento, bem como
oferecer condições para a construção de expectativas e
necessidades. Nessa mesma linha de pensamento, Dutra
(2009, p. 49) ressalta que o comprometimento das
empresas
se
“traduz
por
meio
de
respeito
à
individualidade, do estímulo e suporte à cidadania
organizacional,
do
contínuo
desenvolvimento
das
necessidades das pessoas e uma proposta transparente de
intenções”.
De modo geral, é relevante destacar que a eficácia no
novo modelo de Gestão de Pessoas é derivada da ênfase
para o talento das pessoas, do trabalho em equipe,
aprendizado corporativo, motivação de pessoal voltado
para a qualidade de vida e visão voltada para os ambientes
externos e internos da organização.

4. A GESTÃO DE PESSOAS E AS UNIDADES
DE INFORMAÇÃO
Quando falamos em organização, nos referimos a um
sistema de atividades conscientemente coordenadas de
duas ou mais pessoas, onde haja cooperação, pois uma
organização só existe quando há pessoas capazes de se
comunicar, dispostas a contribuir com a ação e a fim de
cumprirem um propósito comum. (BERNARD, 1971).
Na visão de Miranda 2001 (apud ALVES, 2004),
organização é a mobilização de recursos (naturais,
tecnológicos, humanos, físico-financeiros) para que o
planejamento organizacional possa ser executado com a

�máxima eficácia e eficiência.
Neste aspecto, “Unidades de Informação” é um termo
criado pela escola francesa para se referir a uma área de
atuação dos profissionais de informação, abrangendo
arquivos, bibliotecas, centros de documentação e museus,
remetendo ao ambiente físico de trabalho dos profissionais
dessa área. Dessa forma, as Unidades de Informação
podem ser consideradas organizações que coletam, tratam,
organizam e disponibilizam informações. (BUCKLAND,
1991).
Dentro de uma Unidade de Informação, faz-se necessária
uma Gestão de Pessoas capaz de proporcionar sinergia
entre as atividades desenvolvidas dentro desse âmbito,
visto que essas organizações que trabalham com o objeto
informação, necessitam de uma boa relação interpessoal,
de modo que funcionários possibilitem a realização da
missão e dos objetivos da Unidade de Informação.
Nessa vertente, vale ressaltar que a busca constante por
processo de Gestão de Pessoas faz parte da organização,
que visa cada vez mais à satisfação de seus funcionários
para que, motivados, executem suas tarefas com
eficiência.
Desse modo, vale ressaltar Alves, (2004, p. 38) quando a
autora infere sobre a importância da Gestão de Pessoas
dentro das Unidades de Informação e diz que:
O bibliotecário responsável por gerenciar a Unidade de
Informação é responsável para que sua instituição
(biblioteca) atinja os objetivos e as metas organizacionais,
as quais são voltadas para atender as expectativas dos
usuários. Para isto, é preciso gerenciar os recursos
humanos, ou seja, as pessoas que compõem sua equipe,
fazendo com que estejam motivados e abertos ao
desenvolvimento, a fim de corresponder ao trabalho e às
inovações.

Nesse sentido, desperta-se a necessidade de aplicar o
modelo da Moderna Gestão de Pessoas em Unidades de
Informação de modo que contribua diretamente com a

�valorização dos funcionários que atuam nas Unidades,
buscando assim aprimorar as atividades a serem
desempenhadas.
Percebe-se a relevância de compreender que gerir
pessoas dentro de Unidades de Informação é primordial
para que haja uma sinergia capaz de permitir que as
pessoas sejam facilmente administradas, de modo que elas
produzam suas atividades, buscando algo além de sua
satisfação pessoal, abrangendo para uma satisfação
profissional e motivacional, conforme cita Carvalho (2001,
p. 48) ao refletir que "a assimilação de um determinado
assunto é mais eficiente e interessante quando os
participantes sentem-se motivados em seu aprendizado".
Nessa mesma perspectiva, cabe refletir sobre a
necessidade dos funcionários de uma Unidade de
Informação de serem considerados como clientes internos
potenciais
de
uma
organização,
possibilitando
melhoriaspara os mesmos, bem como a definição de
atividades coerentes com as competências e habilidades de
cada um deles.
No âmbito de uma Unidade de Informação, os clientes
externos são denominados usuários, e suas necessidades
informacionais são o produto a ser consumido nessa
organização. Sendo assim, a satisfação de seus clientes vai
à contrapartida do nível de bom atendimento que os
mesmos recebem ao exporem suas necessidades aos
funcionários dessa Unidade.
Desse modo, cabe enfatizar que os usuários de uma
Unidade de Informação precisam, além de terem suas
necessidades
informacionais
sanadas,
um
bom
atendimento para que os mesmos sintam-se a vontade
para exporem seus anseios informacionais e busquem
auxílio dos profissionais da informação para terem acesso
aos documentos dessa Unidade, pois, conforme ressalta
Silva (2006?, p. 4) “Uma biblioteca, para atender bem os
seus usuários, tem que contar com um quadro de
funcionários com a autoestima elevada e satisfeita, pois

�isso é uma corrente que começa bem e termina melhor
ainda.”
A boa relação entre os clientes internos e externos de
uma organização favorece o clima organizacional, de modo
que as atividades diárias possam ser realizadas com
primazia e todos os clientes fiquem satisfeitos. O clima
organizacional é uma junção de características básicas de
saúde mental, que são definidas por Chiavenato (2009, p.
143), como sendo: “As pessoas sentem-se bem consigo
mesmas; As pessoas sentem-se bem em relação às outras
pessoas; e As pessoas são capazes de enfrentar por si as
demandas da vida.”
O clima organizacional é fator determinante para que as
organizações atinjam seus objetivos e seus clientes fiquem
satisfeitos, pois a satisfação é o elemento norteador para
uma organização, visto que é através dela que se pode
mensurar o bom desempenho de seus funcionários no
tocante a elaboração de suas atividades, bem como o
retorno de seus clientes em busca dos produtos que são
oferecidos pela organização.
Nas Unidades de Informação, o clima organizacional
favorece que os funcionários sintam-se satisfeitos e
reconhecidos quanto à realização de suas atividades e
contribuam com o processo de comunicação, o qual é de
suma importância dentro das Unidades de Informação. Já
os usuários sentem-se satisfeitos em serem bem
atendidos, assim como ao terem sanadas suas
necessidades
informacionais
através
um
processo
comunicacional eficiente e eficaz.
Dentro de uma Unidade de Informação, o processo
comunicacional é de suma importância, pois “O conceito de
comunicação está sujeito a algumas complicações
adicionais quando se trata de comunicação humana”, pois
é fundamental que o processo comunicacional seja
completo, de modo que o usuário receba as informações,
produtos das Unidades de Informação. (CHIAVENATO,
2009, p. 150).

�Para tanto, a Gestão de Pessoas deve contribuir com o
favorecimento da divulgação informacional entre seus
funcionários, possibilitando o fluxo da informação entre os
clientes internos e externos, de modo a estabelecer uma
ligação entre o usuário e a informação que ele necessita.
A Gestão de Pessoas, quando bem aplicada dentro de
uma Unidade de Informação, contribui com diversos
aspectos, desde a melhoria dos serviços realizados por
seus funcionários até a boa aceitação por parte de seus
usuários quanto aos serviços prestados por essa Unidade.
Dentro de uma Unidade de Informação, faz-se relevante
destacar a real necessidade do aperfeiçoamento do capital
humano, para que o mesmo sinta-se integrado à
organização e satisfeito quanto à busca por melhorias
profissionais.
Cabe às Unidades de Informação gerir as pessoas através
de estímulos que ofereçam o atingir das expectativas e
necessidades de seus empregados e assim construir um
ambiente agradável para o trabalho, possibilitando que as
informações sejam perpassadas para aqueles que dela
necessitam e assim seja possível atingir a meta dessas
organizações.
Nessa mesma linha de pensamento, destaca-se Pinto e
González (2010, p. 55) quando inferem que:
O sucesso ou fracasso de uma instituição depende, entre
outros fatores, da sensibilidade e habilidades das pessoas
que ocupam cargos de comando em reconhecer e
incentivar o desenvolvimento de sua equipe no conjunto de
conhecimentos, habilidades e competências necessárias
para que sejam atingidos os objetivos traçados pela
instituição.

O foco na Gestão de Pessoas dentro das Unidades de
Informação desperta para uma preocupação quanto à
qualidade dos serviços/produtos que estão sendo
disponibilizados por essas organizações e pela necessidade
de melhorias que possibilite que os funcionários atuem de
forma diversificada em seus setores de atuação, para que

�apliquem seus conhecimentos, habilidades e competências
como diferencial competitivo na organização.
Assim, é perceptível a real necessidade da aplicação da
Gestão de Pessoas nas Unidades de Informação como
mecanismo de integração entre os clientes internos e
externos e como forma de aperfeiçoar as atividades
existentes dentro dessas Unidades, com o objetivo
principal de atingir as metas, visões, missões e
objetivosdas Unidades de Informação.

5. O BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DE
PESSOAS
A rotina administrativa de uma Unidade de Informação
envolve além de atividades técnicas àquelas comuns as
funções administrativas como planejamento, organização,
direção e controle. O fluxo de trabalho e os serviços
prestados devem ser planejados e executados a partir dos
objetivos da unidade e do seu público-alvo.
O contexto onde está inserida a Unidade de Informação
deve ser assimilado pela equipe de colaboradores. Tais
profissionais devem possuir diferentes perfis e formação
específica para desempenharem as diferentes tarefas e
então oferecerem bons produtos e serviços.
Elaborar perfis de profissionais para desempenhar tarefas
em uma Unidade de Informação, formar equipes e conduzilas, assim como todos os recursos e serviços de
informação, é tarefa estabelecida ao gestor desta unidade.
Assim como em qualquer organização, para se formar
uma equipe, é necessário elaborar o perfil profissional
relativo a cada atividade que deverá ser desempenhada
com as competências e atribuições necessárias. A partir
disto, divulga-se o perfil com as exigências ao cargo
ofertado para posteriormente recrutar-se candidatos e
selecionar aquele que possuir o perfil compatível com atais

�exigências.
Uma vez que a equipe esteja formada, a gestão da
mesma não é tarefa simples, pois o gestor deve possuir a
perspicácia para lidar com os diferentes perfis e
subjetividades inerentes a cada pessoa. Ademais, o próprio
gestor deve possuir um perfil que agregue habilidades
técnicas, humanas e conceituais que, segundo Katz (apud
CHIAVENATO, 2003), são importantes para o desempenho
administrativo bem sucedido.
Nas Unidades de Informação, este perfil de gestão não é
diferente, assim como as funções administrativas, pois
Litton (1975) já dizia que, para administrar este setor, são
atribuídas funções diretivas, responsabilidades frente ao
público alvo e aos colaboradores atuantes neste ambiente.
A função diretiva consiste em assumir a responsabilidade
da operação de uma atividade ou setor, e implica em
competência técnica, largueza de pontos de vista,
inteligência social, capacidade para perceber o significado
das coisas, além de exigir coragem para levar até o fim
qualquer trabalho ou mudança programada.
As habilidades técnicas, conforme Chiavenato (2003),
envolvem os procedimentos de realização de uma
determinada atividade. É o caso de atividades específicas à
rotina de uma Unidade de Informação como: seleção,
aquisição, processamento técnico. O bibliotecário enquanto
gestor deve possuir o conhecimento técnico mesmo que
superficialmente, pois esta habilidade contribui para o
melhor direcionamento das tarefas, equipes e a avaliação
dos processos. Empiricamente, um gestor consegue melhor
delegar e avaliar os resultados quando possui habilidade
técnica.
Já as habilidades humanas são essenciais na Gestão de
Pessoas, pois envolvem a capacidade de comunicar,
motivar, liderar e gerenciar conflitos. O perfil do
bibliotecário gestor deve possuir essas características para
buscar a cooperação dentro da equipe e a sinergia. A
Gestão de Pessoas em uma Unidade de Informação deve

�buscar a satisfação dos colaboradores para que, uma vez
motivados, executem suas tarefas com eficiência e
eficácia. Um bom gestor saberá “trabalhar com pessoas e
por meio de pessoas” (CHIAVENATO, 2003, p. 3).
Para Motta (2003), a gestão é a arte de pensar, de decidir
e de dirigir: é a arte de fazer acontecer, de obter
resultados, mas que têm de ser alcançados por meio das
pessoas e numa interação humana constante. Neste
sentido, é possível dizer que o bibliotecário gestor
necessita possuir habilidades humanas, pois a este
compete liderar e motivar os seus colaboradores, traçando
metas e fazendo com que estas sejam alcançadas.
Já as habilidades conceituais envolvem a visão ampla da
própria Unidade de Informação, seu ambiente interno e
externo. Tal habilidade permite ao gestor planejar ações e
serviços direcionar a equipe para futuras mudanças
estratégicas. Além disso, um gestor com habilidades
conceituais está apto a empreender, trabalhar com teorias
e abstrações a partir da compreensão de como a Unidade
de Informação se relaciona com sua comunidade e como
mudanças em um ambiente macro podem afetar a sua
rotina.
As habilidades conceituais estão relacionadas com o
pensar, com o raciocinar, com o diagnóstico das situações e
com a formulação de alternativas de solução dos
problemas. Representam as capacidades cognitivas mais
sofisticadas do administrador e que lhe permitem planejar
o futuro, interpretar a missão, desenvolver a visão e
perceber oportunidades. (CHIAVENATO, 2003, p. 3)

Embora o bibliotecário, enquanto gestor de pessoas,
possa atuar em diversos ambientes, aqui estamos
discutindo as características necessárias a um gestor
independente da configuração do ambiente, que pode ser
um setor, uma organização ou mesmo uma equipe sem
estrutura organizacional estabelecida.
Após a apresentação das características necessárias ao
bibliotecário enquanto gestor de pessoas, Pinto e Moreiro

�González (2010) reúnem alguns procedimentos este pode
executar:
1. Agregar pessoas – incentivar e contribuir para a
formação do profissional e assim buscar constituir
equipes dinâmicas e motivadas. Elaborar plano de
qualificação, por exemplo;
2. Aplicar pessoas – por meio de estudo das
necessidades e tarefas desenvolvidas na UI ou
serviço de informação, estabelecer os perfis
necessários e atribuições a cada atividade além de
avaliar o desempenho (controle) com intuito
identificar pontos fortes e fracos, que irão conduzir
mudanças e aperfeiçoamento nos processos;
3. Desenvolver pessoas – uma vez constituído o
perfil para a atividade e direcionado o colaborador
com as características necessárias para esta, é
importante oferecer treinamento e proporcionar
uma administração horizontal que encoraje a
participação dos indivíduos, motivando-os e
desenvolvendo-os. O benchmarking é uma boa
estratégia e visa à observação de boas práticas
executadas por outras Unidades de Informação ou
setores que podem ser adotadas não só no
desenvolvimento de pessoas como em outras áreas
da gestão;
4. Manter pessoas – valorizar o capital intelectual
por meio de investimento em educação continuada,
elaborar plano de qualificação, buscar constituir
relações interpessoais saudáveis favorecidas pela
igualdade de comunicação. Gestão horizontal e
geração de desafios são práticas que podem gerar
um ambiente de trabalho de qualidade, estimulante
e satisfatório para as pessoas.
5. Recompensar pessoas - implantar plano de
carreira aos bibliotecários, favorecer a promoção a
partir do bom desempenho dos colaboradores e

�reconhecer o trabalho desenvolvido.
6. Monitorar pessoas – avaliar o desempenho
individual a partir de um plano traçado junto com
os colaboradores da UI. Esta ação subsidiará a
elaboração do plano de carreiras.
Tais processos devem estar em consonância com os
objetivos da instituição ou do serviço onde as equipes
estão inseridas, afinal, a Gestão de Pessoas, quando bem
desempenhada, gera bons resultados para a organização.
Para Pinto e Moreiro González (2010, p. 58), esses
processos devem estar relacionados de tal forma que se
“influenciam reciprocamente, sendo que cada um deles
tende a favorecer ou prejudicar os demais, quando bem ou
mal utilizados”.
Em algumas instituições, a Gestão de Pessoas é realizada
por um setor à parte, o setor de Recursos Humanos. Logo,
algumas ações podem não fazer parte das atribuições do
bibliotecário gestor, porém, deve haver uma cooperação
com o setor e a recomendação para atividades que
envolvam recrutar, recompensar, monitorar.
Estudos acerca da Gestão de Pessoas sempre ocorreram
e, cada vez mais, é perceptível que o sucesso da
organização depende muito mais do bom desempenho e
sinergia da equipe do que da estrutura física. As Unidades
de Informação, uma vez vistas como organizações, podem
se adaptar a estas teorias e buscar aplicar os conceitos a
sua prática.
Diferentes metodologias têm surgido a partir destes
estudos visando à condução das equipes por parte dos
gestores com um olhar individual, avaliando diferentes
competências para assim conduzi-las para que sejam
capazes de analisar situações, apresentar soluções e
resolver assuntos ou problemas.

6. GESTÃO POR COMPETÊNCIAS

�Uma organização emprega de maneira eficaz um indivíduo
competente que possui conhecimento, habilidades,
aptidões além de experiência para executar a atividade
para qual foi contratado. O processo de identificação de
competências é trabalhoso e envolve análise intensiva de
tarefas essenciais e necessárias de um campo, uma
especialidade ou uma função com a finalidade de identificar
claramente o conhecimento, experiência, habilidades e
personalidade necessárias para a realização de uma
atividade exemplar.
Chiavenato (2006, p. 4) define competência como “a
capacidade que um indivíduo tem de estudar, propor
alternativas e solucionar problemas”. O conhecimento
envolve a assimilação das informações, o saber, as
vivências relacionadas com as atividades desenvolvidas nas
organizações, aprendidas em cursos de graduação,
especialização,
capacitação.
Porém,
somente
o
conhecimento não é o bastante para que o indivíduo seja
considerado competente e responda positivamente às
necessidades do mercado, é preciso que este saiba aplicar
os conhecimentos na prática, agregando para si o conceito
de habilidade, que Chiavenato (2006, p.5) aponta como “a
capacidade de colocar em ação os conceitos e ideias
abstratas [...], transformando o conhecimento em ação
concreta”.
A atitude é a terceira qualidade exigida para que o
indivíduo seja considerado competente. Tal qualidade se
caracteriza com o comportamento do indivíduo diante dos
desafios mercadológicos, e envolve o estilo de ação e
reação diante das situações do cotidiano na organização.
Conforme Chiavenato (2006, p. 6):
[...] a atitude representa o estilo pessoal de fazer as coisas
acontecerem, a maneira de liderar, motivar, comunicar,
conduzir e levar as coisas para frente. Envolve o impulso e
a determinação de inovar, a convicção de melhorar
continuamente, o espírito empreendedor, inconformismo
com os problemas atuais, a maneira de trabalhar com
outras pessoas e fazer suas cabeças. (CHIAVENATO, 2006,

�p. 6).

Competência é o conjunto de conhecimento, habilidade e
atitude (CHA) trata-se de um conceito adotado por
diferentes áreas que trabalham com gestão. A seguir
apresenta-se um quadro elaborado por Lima (2014) com
as similaridades nos conceitos de Barbalho (2004) e
Hofmeister (2009) acerca dos elementos da competência:
Elementos da
competência
técnica

Hofmeister
(2009, p.79)

Em
suma:

Conhecimento

“Corresponde a uma série de
informações assimiladas e
estruturadas pelo indivíduo, que
lhe permitem entender o mundo,
ou seja, é a dimensão do saber.”

“É o ‘saber
adquirido’,
técnicas, teorias e
conceitos.”

Saber a
teoria/
técnica.

Habilidades

“Por sua vez está associada ao
saber-fazer, ou seja, a
capacidade de aplicar e fazer uso
produtivo do conhecimento
adquirido utiliza-lo em uma ação
com vista ao atingimento de um
propósito específico.”

“É o saber-fazer,
ou seja, é o
conhecimento
colocado em
prática.”

Elementos da
competência
comportamental
comportamental

Atitudes

Barbalho (2004, p.3)

Barbalho (2004, p.3)

Hofmeister
(2009, p.79)

Saber
fazer, por
em prática.

Em
suma:

“São
relacionadas ao
“É a dimensão do querer-saber- comportamento do
Querer
fazer, que diz respeito aos
colaborador, a
fazer, ser
aspectos sociais e afetivos
forma como ele
proativo e
relacionados ao trabalho”
age junto a
colaborativo
supervisores e
gestores.”

Quadro 1 – Elementos da competência: Conhecimento,
Habilidade e Atitude (CHA)
Fonte: Adaptado de Lima (2014, p. 20)

Segundo Hilsdorf (2013) competência pressupõe uma
ação que agrega valor diante de novas situações através
de critérios objetivamente mensuráveis como o saber
conceitualmente (qualificação) - conhecimento, saber fazer
(experiência funcional) – habilidade e saber agir

�(capacidade de obter resultados) – atitude.
No entanto, um indivíduo com competência não resulta
necessariamente no melhor desempenho da atividade ou
na conclusão de metas com eficácia, pois os melhores
resultados só são possíveis com a capacidade do gestor ou
da organização de conduzir e fazer melhor uso de seus
colaboradores, de realizar a gestão por competências
distribuindo-as ao longo de uma estrutura operacional
como é o caso das Unidades de Informação.
Neste sentido, a gestão por competências busca conhecer
o perfil do indivíduo, sua competência (conhecimento,
habilidade e atitude) para assim direcioná-los as atividades
que mais se adequam a cada perfil. São categorizados
profissional e funcionalmente, assim como o desempenho
também é analisado por níveis. No cenário da gestão por
competências, as mesmas são assumidas pelo indivíduo
conforme a sua posição na hierarquia e podem ser
adaptadas a diferentes configurações de trabalho conforme
Gonzalez (2010).
Para o profissional bibliotecário, Valentim (2002) atribuiu
competências necessárias para a atuação deste profissional
nos níveis técnico/ operacional e nível de gestão:
Competências de comunicação e expressão Aplicação de técnicas de marketing, liderança e de
relações públicas;
Competências técnico-científicas- Conhecimento
da execução do processamento de documentos em
distintos suportes em unidades, sistemas e serviços
de informação;
Competências gerenciais - Dirigir, administrar,
organizar e coordenar unidades, sistemas e serviços
de informação;
Competências sociais políticas - Planejar e
executar estudos de usuários, assessorar e intervir
na formulação de políticas de informação, etc.

�Tais atribuições podem servir de parâmetros para a
constituição de perfis para as diferentes atividades na UI,
cabe ao gestor identificar estas competências nos
colaboradores e assim direcioná-los a atividade ao qual
melhor se adapte, ou analisar potenciais colaboradores por
meio das competências listadas por Valentim (2002).
A gestão por competências é empregada em todos os
níveis da organização, neste sentido, a Unidade de
Informação pode ser um dos setores da administração a
ser envolvido neste processo. Conforme Filenga, Moura e
Rama (2010, p. 5) para que a organização implemente a
gestão por competências, é necessário que:
[...] esta identifique suas Competências individuais e
estabeleça os níveis de complexidade. Partindo da
concepção de que as Competências individuais, aliadas a
outros recursos formam as Competências organizacionais, é
necessário que a organização defina suas Competências
Essenciais, de acordo com seus Objetivos e Estratégias, e
posteriormente estabeleça quais são as Competências
Individuais necessárias.

O bibliotecário gestor pode adaptar este modelo para o
setor. Caso não haja o interesse da instituição, no
entanto,algumas etapas podem não ser realizadas, uma
vez que dependem da participação da instituição
mantenedora no processo como por exemplo a etapa de
plano de cargos e salários e oferta de treinamento.
Seguem as etapas do processo:
Conscientização da equipe: o gestor deve
apresentar os objetivos e reais motivos da
implantação da gestão por competências;
Definição das competências da Unidade de
Informação: a partir do estudo das atividades
desenvolvidas no ambiente da Unidade de
Informação, serão definidas as competências de
cada perfil que devem estar alinhadas aos objetivos
da UI e a missão da instituição mantenedora, se for
o caso.

�Definição
das
competências
de
cada
função/atividade: Descrição das tarefas e funções
e perfil desejado (competências) para cada função;
Identificar
as
competências
dos
colaboradores: Por meio da avaliação, identificar
as competências dos colaboradores (avaliação por
competências);
Desenvolver os colaboradores: A partir das
deficiências observadas na avaliação, é necessária a
criação de um plano de treinamento e qualificação.
Tal treinamento deve ser baseado nas competências
necessárias para o colaborador (necessita do aval
da instituição mantenedora);
Controlar, acompanhar o desenvolvimento dos
colaboradores: identificar os perfis talentosos
para novas atividades, analisar a equipe, motivar os
colaboradores e criar um plano de cargos e
promoções (necessita do aval da instituição
mantenedora).
O resultado das etapas de desenvolvimento de
colaboradores e controle/ acompanhamento poderá ser
utilizado pelo setor de recursos humanos, pois o mesmo
lida com treinamento e desenvolvimento além de
recomendar a promoção ou recompensa de acordo com a
política adotada pela instituição, segundo Filenga, Moura e
Ramal (2010).
Contudo, a metodologia de gestão por competências
surgiu com intuito de melhorar o desempenho
organizacional a partir do direcionamento dos perfis a
funções e atribuições compatíveis, além de avaliar os
indivíduos e contribuir para o seu reconhecimento e
valorização.

7. CONSIDERAÇÕES

�A Gestão de Pessoas em Unidades de Informação é uma
prática que precisa ser aplicada com o propósito de
favorecer o desempenho dos funcionários dentro da
organização, buscando construir um ambiente agradável e
de reconhecimento pessoal, profissional e motivacional que
favoreça o bom desempenho do fator humano dentro das
organizações.
É notório que a aplicação do novo modelo de Gestão de
Pessoas possibilita uma boa relação e uma sinergia capaz
de contribuir com as atividades a serem desempenhadas
na Unidade de Informação, visto que este novo modelo
possui uma visão direcionada para as necessidades dos
empregados que englobam o ambiente interno da
organização.
É possível depreender que é cada vez mais notória a
relevância de se estabelecer, dentro de uma Unidade de
Informação, uma Gestão de Pessoas pautada nas
competências de seus empregados, possibilitando que os
mesmos desempenhem suas funções de acordo com seus
conhecimentos, habilidades e atitudes, contribuindo por
sua vez com que a organização, atinja sua missão, visão e
objetivos.
É de suma importância que dentro de uma Unidade de
Informação exista um profissional gestor capacitado e
preparado para desenvolver uma administração de pessoal
adequada às necessidades da organização, de modo que
determine as funções e atividades de acordo com o perfil
de competência da cada empregado da instituição, como
forma de favorecer o desempenho das atividades e,
consequentemente, promover uma boa comunicação e um
ambiente de trabalho agradável, no qual as atividades
fluem de forma eficiente e eficaz.
O bibliotecário gestor necessita de algumas características
inerentes a sua atuação, que possibilitam uma visão
voltada para o fator humano como elemento primordial
para o bom desempenho de sua instituição. Dessa forma, o
gestor necessita incentivar e motivar seus empregados,

�alocando cada profissional a sua respectiva função de
acordo com a competência de cada um. Para tanto, faz-se
necessário identificar os perfis e características intrínsecas
de cada indivíduo.
Torna-se oportuno destacar que cabe ao bibliotecário
gestor a função de oferecer treinamentos e capacitações
para os colaboradores, de modo que permita aos mesmos
a possibilidade de crescimento, mudança de cargos e
funções, fato que promove a motivação dentro de sua
equipe, valorizando o capital intelectual dos mesmos.
Nessa perspectiva, essa forma de gestão possibilita que
os funcionários das Unidades de Informação criem de
incentivos e busquem o crescimento dentro das
organizações de acordo com suas competências e perfis
profissionais.
Para tanto, é relevante destacar que, dentre as
competências necessárias aos profissionais que atuam em
unidades de informação, destaca-se as competências que
podem variar de acordo com os setores se atuação de cada
profissional, tal como as competências de comunicação e
expressão que devem ser apresentadas em profissionais
que atuam no setor de Serviço de Informação e
Referência; as competências técnico-científicas que são
requeridas para os que atuam no setor de processamento
técnico e de informática da instituição; as competências
gerenciais são importantes para aqueles que atuam na
administração dos setores e administração geral da
instituição; e as competências sociais políticas que são
requeridas àqueles profissionais que atuam nos setores de
circulação e que tem contato direto com os usuários e suas
necessidades informacionais.
A competência de cada profissional que atua dentro de
uma Unidade de Informação possibilita a formação de
equipes fortes e capazes de realizarem as atividades que
são designadas à estes. Fato que possibilita que a
instituição atinja seus objetivos e forneça seus serviços ou
produtos de modo que seus usuários tenham um acesso de

�forma simples e prática.
Contudo, depreende-se que a Gestão de Pessoas é um
elemento primordial para as organizações e que dentro da
Unidade de Informação, é possível estabelecer melhorias
que atendem as necessidades dos seus clientes externos e
internos, possibilitando o bom desempenho de seus
empregados e em contrapartida o crescimento da
organização.

REFERÊNCIAS
ALVES, Roberta Caroline Vesú. A Gestão de Pessoas em
Unidades de Informação : a importância da capacitação no
uso de tecnologias. Revista de Iniciação Científica da
FFC, v. 4, n. 2, 2004. p. 32-51.

BARBALHO, Célia Regina Simonetti. Gestão baseada nas
competências. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS,
12.,
2004,
Recife.
Anais
eletrônicos...Recife:
UFPE,
2004.
Disponível
em:
&lt;http://xa.yimg.com/kq/groups/15419196/442772819/name/GESTA
Acesso em: 15 jul. 2016.
BERNARD, Chester I. As funções do executivo. São
Paulo: Atlas, 1971.
BUCKLAND, Michael. Information as a thing. Journal of
the American Society of Information Science, v.42, n.
05, p. 351-360, 1991.
CARVALHO, A.V. Treinamento: princípios, métodos e
técnicas. São Paulo: Pioneira, 2001.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração de recursos
humanos: fundamentos básicos. 7. ed. Barueri, Sp:
Manole, 2009.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo
papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2010.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a Teoria Geral da

�Administração. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Princípios da administração: o
essencial em teoria geral da administração. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2006.
DUTRA, Joel Souza. Gestão de Pessoas: modelos,
processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas,
2009.
FILENGA, Douglas; MOURA, Valéria F; RAMA, Ana Lúcia F.
Gestão por competências: análise metodológica e
proposição de um instrumento para Gestão de Pessoas.
XXXIV Encontro da ANPAD. 2010. Rio de Janeiro.
Disponível
em:
&lt;http://anpad.org.br/admin/pdf/gpr732.pdf&gt;. Acesso em:
12 jul. 2016.

GONZALEZ, Maria E. Workforce Competencies: Focus on
Urban
Public
Libraries.
2010.
Disponível
em:
&lt;https://www.ideals.illinois.edu/bitstream/handle/2142/18733/59.12.gonzalez.pdf?sequence=3&gt;. Acesso em: 12 jul. 2016.
HARVEY, D.; BOWIN, R. B.; HARVEY, D. F. Human
Resource Management: An Experiential Approach. New
Jersey: Prentice Hall, 1996.
HILSDORF, Carlos. O que é competência?. Disponível
em:
&lt;http://www.catho.com.br/carreirasucesso/colunistas/o-que-e-competencia&gt;. Acesso em: 14
jul. 2016.
HOFMEISTER, Deise Leia Farias. Planejamento e
desenvolvimento de Carreira. Curitiba: IESDE Brasil,
2009.
LIMA, Rosiane Pereira. Perfil do bibliotecário gestor de
biblioteca universitária na cidade de Manaus.
Originalmente apresentado como trabalho de conclusão de
curso. Manaus: UFAM, 2014.
LITTON, Gaston. Administração de bibliotecas. São
Paulo: McGraw do Brasil, 1975.

�MOTTA, Paulo Roberto. Gestão contemporânea: a
ciência e a arte de ser dirigente. 14 ed. Rio de Janeiro:
Record, 2003.
PINTO, Adilson Luiz; GONZÁLEZ, José Antonio Moreiro. O
profissional bibliotecário como gestor de pessoas.
Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Florianópolis, v. 15, n. 29, p.52-65,
2010.
SILVA, Dora Aparecida da. Gestão de Pessoas na
percepção de um bibliotecário: relações interpessoais da
biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG. Anais...XV
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. São
Paulo: SNBU, 2006?.
TOLEDO, F. Administração de pessoal: desenvolvimento
de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 1978.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Coord.). Formação do
profissional da informação. São Paulo: Polis, 2002.

�3 - METODOLOGIAS PARA
CONTROLE DE QUALIDADE EM
SERVIÇOS DE UNIDADES DE
INFORMAÇÃO
Daniela Spudeit
Noeli Viapiana
Marcia Silveira Kroeff

Nem

sempre foi preocupação das organizações a
qualidade dos produtos e serviços prestados, embora
atualmente seja tendência; foi somente no século XX, com
as grandes guerras mundiais e um conjunto de fenômenos
marcantes, que houve enfoque em pesquisas para a
criação de metodologias e processos, a fim de aferir a
qualidade e satisfação dos clientes. Na visão de Barbalho
(1997, p.47),
a qualidade pode ser entendida como um conjunto de
procedimentos que iniciam com o conhecimento das
necessidades e expectativas do cliente, influenciando na
confecção original (projeto) de um produto ou serviços,
bem como na sua confecção final, objetivando cativar,
manter e satisfazer o consumidor.

Paladini (2013, p. 21), explica que “historicamente a
gestão da qualidade nasceu, se criou em épocas de crise e
mudanças em organizações, que estavam sob forte
pressão, a partir da década de 50 após períodos de
guerras”.
O autor define gestão da qualidade como um “conjunto
das decisões que envolvem a produção da qualidade com

�critérios e medidas de excelência”, em que as decisões
são, quase sempre, de fundo estratégico e por esse motivo
tem implicações estratégicas nas instituições.(PALADINI,
2013, p. 21).
A gestão da qualidade em serviços de informação é um
conjunto de ações focadas estrategicamente ao sucesso da
organização, voltadas à melhoria dos serviços com ênfase
na ampliação das possibilidades de satisfação dos clientes.
Com o aumento da competitividade, advento da
globalização e da comunicação instantânea, as unidades de
informação se obrigam a acompanhar as mudanças da
sociedade e das organizações. As organizações, por sua
vez, procuram se tornar cada vez melhores, garantindo seu
valor, sua importância e seu lugar no cotidiano das
pessoas.
Sendo assim, nesse capítulo apresentamos as principais
metodologias e medidas de controle de qualidade, cada
uma com casos de aplicabilidade e que podem ser usadas
em unidades de informação. Foi feito um levantamento
bibliográfico para verificar os estudos realizados e as
respectivas metodologias usadas. São analisadas as
vantagens da aplicação das medidas de controle de
qualidade na promoção de serviços de informação, por
meio das normas da ISO, do Programa 5S, do Ciclo de
Deming (PDCA), ServQual e Balanced Scorecard, que são
exemplos de medidas e técnicas que podem ser usadas nas
unidades de informação.
Além dessas, há outras metodologias, porém é importante
enfatizar que as unidades de informação podem utilizar
diferentes ferramentas adotadas por organizações, desde
que contextualizadas, tendo a missão e demandas de cada
instituição e que sejam utilizadas como estratégia a
garantir a satisfação total de seus clientes, por meio da
prestação de serviços que atendam suas necessidades e
expectativas.
Quando se pensa em atender as expectativas do cliente

�de uma determinada unidade de informação, referimo-nos
à qualidade; a entrega de um produto e\ou serviço com
valor agregado e de qualidade.
Vergueiro (2002) explica que muitas questões em torno
da gestão da qualidade em serviços de informação são
encontradas em constante estudo na área da Ciência da
Informação e não se tornaram preocupações aos
profissionais da informação. Entretanto, em pesquisa
recente, Davok e Spudeit (2016) indicam que há aumento
no uso e aplicação de diferentes metodologias para o
controle da qualidade em unidades de informação como a
utilização das normas ISO, Ciclo de Deming (PDCA),
ServQual, Balanced Scorecard, entre outros.
A qualidade tem sido frequentemente relacionada ao
produto e à ideia de seu valor, vinculada sempre à
satisfação pelo serviço recebido. Entretanto, é preciso
distinguir qualidade e valor no caso da prestação de
serviços. Qualidade é a busca pela perfeição e a satisfação
por parte dos usuários. Segundo Longo (1996, p. 9),a
qualidade pode ser definida como:
[...] um valor conhecido por todos e, no entanto, definido
de forma diferenciada por diferentes grupos ou camadas da
sociedade — a percepção dos indivíduos é diferente em
relação aos mesmos produtos ou serviços; em função de
suas necessidades, experiências e expectativas.

De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 36), o valor está
ligado aos benefícios e custos tangíveis e intangíveis
percebidos pelo consumidor, combinando qualidade,
serviço e preço.
No caso das unidades de informação, quando o cliente
utiliza os serviços, o resultado imediato (satisfação) será a
percepção de ter sido atendido na sua necessidade
informacional, caso contrário haverá frustração pelo fato
de não ter conseguido/ obtido o que buscava naquele
momento.
Desta forma, o cliente perceberá a qualidade do serviço,
ao mesmo tempo em que poderá ter o resultado da sua

�busca, ou seja, uma informação, um documento
recuperado ou simplesmente a satisfação de ter usado a
unidade de informação com êxito.
É nesse momento que o cliente percebe a qualidade do
serviço de informação utilizado. Muitas vezes, ele nem
sabe direito o que busca, mas se a unidade de informação
disponibilizar todas as possibilidades, o cliente utilizará a
que melhor lhe convier, percebendo a qualidade envolvida.
Para o alcance dessa satisfação pelos clientes, as
organizações passaram a adotar diferentes metodologias e
ferramentas, a fim de controlar e gerenciar a qualidade na
produção de produtos e serviços, conforme será
apresentado a seguir.

2. METODOLOGIAS PARA CONTROLE DE
QUALIDADE
O controle da qualidade tem como objetivo primordial a
sobrevivência das organizações, a partir da satisfação total
dos clientes, por meio da prestação de bens e serviços que
atendam às suas necessidades e, de preferência, que
excedam as expectativas. Satisfação total implica ser
atendido com garantia de qualidade total, conforme
afirmam Longo e Vergueiro (2002). Na mesma linha, Silva
(1999, p.8) explica que:
A diferença fundamental ao se definir qualidade na
prestação de serviços é encontrada na subjetividade e na
dificuldade de estabelecer o que é qualidade, uma vez que
os clientes reagem diferentemente ao que parece ser o
mesmo serviço. Cada cliente possui uma determinada
percepção sobre qualidade; muitas vezes, esta diferença se
origina até mesmo do “estado de espírito do cliente” no
momento da prestação do serviço. As pessoas possuem
padrões diferentes de qualidade.

Pensar qualidade é não fechar em um único conceito para
definir tal expressão. A qualidade depende de alguns
fatores determinantes, pois é por meio deles que pode ser

�controlada e mensurada. Para que se avance no quesito
qualidade em unidades de informação, há de se ter clareza
do perfil dos clientes que usam os serviços oferecidos,
conhecer suas necessidades e preferências.
Paladini (2013) explica que a qualidade nasce da relação
da organização com o ambiente externo da organização,
configurando-se como uma avaliação que o cliente faz do
bem tangível ou do serviço adquirido por ele. Por esse
motivo, a partir da década de 1950 após a Guerra Mundial,
passou a haver preocupação com o controle da qualidade,
porém relacionada aos avanços na indústria bélica,
segundo o autor.
Shewhart, Feigenbaum, Deming, Juran, Crosby e Ishikawa
foram alguns nomes que se destacaram nesse contexto,
ficando conhecidos por gurus da qualidade, porque criaram
modelos, bases e metodologias para o controle da
qualidade, trazendo decisivas contribuições na construção
de processos de qualidade, principalmente no Japão e
Estados Unidos, o que posteriormente serviu de referência
a outros países.
Em pesquisa realizada por Davok e Spudeit (2016), cinco
metodologias para controle e gestão da qualidade se
destacam ao uso e aplicação em unidades de informação
na promoção de serviços de informação: normas da ISO,
Programa 5S, PDCA, ServQual e Balanced Scorecard são
medidas e técnicas que podem ser usadas nas unidades de
informação, desde que contextualizadas com a missão e
demandas de cada instituição, apresentadas a seguir:

2.1 NORMAS ISO
A International Organization for Standardization (ISO) foi
criada em 23 de fevereiro de 1947 em Genebra, na Suíça.
Iniciou-se a partir das normas militares e hoje está
presente em 161 países; no Brasil, é representada pela
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011,
p.39). A sigla “ISO" foi originada da palavra isonomia,

�sinônimo de igualdade, cujo objetivo é a padronização do
gerenciamento do sistema da qualidade, visando a sua
unificação de forma universal. Sua função é promover a
normatização de produtos e serviços, a fim de que a
qualidade daqueles seja permanentemente melhorada.
Com o advento do século XX, a gestão da qualidade se
torna importante a todos os tipos de organizações,
independente da sua razão de ser: provedoras de bens,
produtos e serviços, o que inclui também as unidades de
informação, hospitais, universidades, bibliotecas, etc.
Há diferentes tipos de normas em variadas áreas, tais
como na de linguística, informática, meio ambiente,
engenharia, gestão, etc. Nesse capítulo focaremos na ISO
9000 e a 11620, que têm relação direta com a qualidade
na prestação de serviços de informação.
Publicada em 1987, a ISO 9000 preocupa-se com o
estabelecimento de um modelo de gestão voltado à
qualidade, não com o controle da qualidade da forma como
sempre foi realizado em momentos específicos do processo
de produção. Procura introduzir essa preocupação desde o
processo inicial de planejamento à entrega final do produto
ao cliente, buscando torná-la sistemática, uma presença
viva na organização, que influencie o comportamento de
todos. (VERGUEIRO, 2002, p.17).

A série de normas ISO 9000 é formada por um conjunto
de diretrizes internacionais que norteiam os sistemas de
gestão da qualidade, fornecendo às organizações um
modelo a seguir, independente do porte, foco ou ramo de
negócios. Desde que foram criadas, na década de 80,
essas normas estão sendo adaptadas ao contexto social e
organizacional para fornecer as ferramentas necessárias à
certificação das instituições. Entretanto, não foi dentro das
empresas que as normas surgiram. Conforme explicado
por Hartmann (1998, p. 257):
As forças armadas de diversos países são a origem da ISO,
justificada pela necessidade de se estabelecer critérios aos
métodos em processos de garantia e melhoria contínua da
qualidade em todas as etapas produtivas dos fornecedores.

�Foi na década de 80 que as grandes empresas
perceberam essa necessidade de certificação, buscando
padrões para garantir a conformidade entre seus serviços e
produtos; por isso foi criado esse conjunto de normas que
compõem a série 9000. No Brasil, a agência certificadora é
a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
composta por comitês brasileiros que elaboram os projetos
de normas e os colocam em consulta pública para,
posteriormente, elaborar a versão definitiva a vigor.
Mello et al (2009, p.3) explicam que desde a primeira
edição das normas da série 9000, em 1987, elas já
sofreram diversas mudanças estruturais aplicadas na
versão de 1994 e depois atualizada em 2000, porém, “[...]
a ISO sempre tomou o cuidado de manter os requisitos
essenciais da versão anterior das normas”.
Em 2008, houve novamente a atualização das normas,
quando foram mantidas quatro normas primárias: ISO
9000: Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e
vocabulário; ISO 9001: Sistemas de gestão da qualidade –
Requisitos; ISO 9004: Sistemas de gestão da qualidade –
Diretrizes para melhoria de desempenho; e ISO 19011:
Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão da
qualidade e/ou ambiental.
A ISO 9001, muito usada nas organizações, compreende
os requisitos dos sistemas de gestão da qualidade. Mello et
al (2009, p. 5) explicam que “É a norma para fins
contratuais usada para avaliar a capacidade de uma
organização em atingir os requisitos dos clientes e os
regulamentares aplicáveis para, assim, satisfazer esses
clientes”.
A ABNT NBR ISO 9001 foi elaborada pelo Comitê
Brasileiro de Qualidade (ABNT/CB-25), sendo idêntica a
ISO 9001:2008 em conteúdo técnico, estrutura e redação.
A referida norma apresenta a abordagem de processo,
relação com a NBR ISO 9004, compatibilidade com outros
sistemas de gestão, escopo, generalidades, aplicação,
termos e definições, requisitos gerais e de documentação,

�responsabilidades da direção, gestão de recursos,
realização do produto, medição, análise e melhoria.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008).
O conjunto de normas ISO, série 9000, define um sistema
de gestão e orienta a implantação de processos de trabalho
com vistas à melhoria e garantia da qualidade de produtos
e serviços.
De acordo com a NBR ISO 9004:2000, a aplicação dos
princípios de gestão da qualidade não somente provê
benefícios diretos à organização, mas também contribui ao
desempenho global da organização, incluindo gestão de
benefícios, custos e riscos que são aspectos importantes
aos clientes e a outras partes interessadas. (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 2).
Nas unidades de informação é comum encontrar trabalhos
contendo relatos da aplicação da norma ISO 9000 e da ISO
11620. A série de Normas ISO 9000:2000 prevê uma
utilização que envolva todas as áreas das instituições, mas
não é uma norma específica da área de Biblioteconomia.
Porém, a Norma ISO 11620:2014 – Information and
documentation - Library performance indicators tem seu
foco nas bibliotecas.
A ISO 11620 apresenta requisitos aos indicadores de
desempenho em bibliotecas e orienta como implantá-los.
Faz parte da norma uma lista com as respectivas
descrições dos indicadores de desempenho. (Ver quadro
1).
Aspecto qualitativo
avaliado

ISO
11620

Descrição do
indicador

Dimensão

Tema

Atendimento dos
servidores

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Educação e cortesia dos
servidores

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Receptividade/disposição
de ajudar

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Rapidez no atendimento

B.2.4.2

Satisfação dos

Eficiência

Pessoal de

�usuários
Conhecimento e
orientações dos
atendentes

B.3.3.2

Respostas corretas
dadas pelos
atendentes no auxílio
à pesquisa

Facilidade de encontrar
obras nas prateleiras

B.1.1.2

Disposição das
obras nas prateleiras

Número de livros
disponíveis

B.1.1.1

Variedade das obras
disponíveis

Condições de
infraestrutura

apoio
Eficiência

Pessoal de
apoio

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

Número de títulos
requeridos
disponíveis

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

B.1.1.1

Número de títulos
requeridos
disponíveis

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Conforto e
funcionalidade

Comunicação visual

B.1.1.3

Taxa de sucesso na
localização de obras

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Guarda volumes

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Serviços de acesso à
Internet

B.1.3.1.

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Empréstimos e
devolução livros

B.2.1.2

Acesso público a
estações de trabalho
por usuário
Empréstimos por
usuário

Utilização

Acervo

Capacidade de solução
de problemas

B.2.2.5

Atendimentos de
usuários em eventos
da biblioteca

Utilização

Acervo

Disponibilidade de
horário

B.2.2.1

Visitas à biblioteca
por universo

Utilização

Acesso

Consulta de acervo via
Internet

B.2.2.2

Percentual de
informações
requeridas por meio
dos sistemas
informatizados

Utilização

Acesso

Índice Geral de
Satisfação

B.2.4.2

Utilização

Geral

Satisfação dos
usuários

�Quadro 1 – Indicadores criados pela pesquisa interna
aos padrões sugeridos pela ISO 11620:2014

A ISO 11620:2014 fornece uma terminologia padronizada
dos indicadores de performance, além de descrições
sucintas da coleta e análise dos dados necessários. Alguns
pesquisadores da Ciência da Informação e bibliotecários
fizeram estudos focados no uso da ISO 11620 e da ISO
9000 em unidades de informação.
Rozados (2005) aborda aspectos de mensuração,
focalizando o uso de instrumentos de medição,
particularmente indicadores na avaliação de recursos de
informação, como as Normas Internacionais ISO 11620,
ISO 2098, o Projeto EQUINOX, além de um manual
publicado pela UNESCO.
Em outro estudo, Walter (2005) relata a experiência de
implantação da Norma ISO 9001:2000 – sistemas de
gestão da qualidade – requisitos na Biblioteca Ministro
Victor Nunes Leal, do Supremo Tribunal Federal,
descrevendo
os
requisitos
de
documentação
de
procedimentos, as alterações de rotinas e a padronização
do trabalho.
Por sua vez, Valls e Vergueiro (2006) apresentam uma
ampla revisão de literatura nacional e internacional,
focando na gestão da qualidade em serviços de informação
com base nas normas da série ISO 9000, descrevendo
várias experiências práticas e estudos teóricos que
analisam essa aplicação e demonstram, mesmo que de
forma genérica, como um processo de gestão da qualidade
pode ser conduzido.
A medição de desempenho em bibliotecas universitárias
por meio da ISO 11620 é o ponto central do trabalho de
Coletta e Rozenfeld (2007). Os autores apresentam
discussões sobre indicadores de desempenho para
bibliotecas universitárias com base na ISO 11620, porem é
importante lembrar que a implantação de sistemas de
medidas, em qualquer tipo de unidade de informação e

�independente de qual metodologia é adotada, requer o
comprometimento da alta gerência.
Na mesma linha, Celere e Pirani (2011) relatam a
utilização de indicadores de desempenho propostos pela
norma ISO 11620 no uso da coleção e rapidez no
processamento técnico, na biblioteca da Faculdade de
Direito de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo
(USP), a ISO 11620, como toda forma de trabalho que
segue um padrão incorpora qualidade ao serviço
apresentado, justamente pelo padrão de igualdade de atos
e ações.
Assim, entende-se ser necessário que os gestores tenham
certeza do propósito da unidade de informação; para tal, é
necessário que a mesma esteja estruturalmente preparada
e que tenha uma cultura voltada a isso. Nas organizações
não lucrativas, como é o caso da maioria das bibliotecas, o
comprometimento de toda a equipe deve ser maior,
inclusive o apoio incondicional e definitivo da alta gerência.
Cabe ressaltar que, embora a norma seja abrangente a
todos os tipos de bibliotecas, nem todos os indicadores de
desempenho são aplicáveis a todas elas, devido à grande
diversidade de estilos de bibliotecas existentes, e estas
limitações estão também relacionadas à norma.

2.2 PROGRAMA 5S
O programa 5s teve sua origem no Japão, pós-segunda
guerra mundial, quando o país precisava combater o
desperdício. Sem recursos naturais e devido à necessidade
de reconstruir o país, em maio de 1950, o professor Kaoro
Ishikawa apresentou um projeto. (COSTA et al., 1996).
Esse projeto, que originou o programa, retomava a
prática milenar de princípios educacionais daquele país em
que os pais passavam ensinamentos à vida dos filhos.
Nesses ensinamentos era encontrada, basicamente,
higiene, segurança, bem estar, sensatez e respeito ao
próximo. (COSTA et al., 1996).

�O programa tem esse nome, porque trata de cinco
conceitos básicos e simples, porém fundamentais no
sistema da qualidade.
O Programa 5S originou-se das palavras japonesas
iniciadas com “S”, denominados como sensos, que
significam a faculdade de apreciar, de julgar, de sentir, que
são: seiri (utilização), seiton (organização), seisou
(limpeza), seiketsu (saúde) e shitsuke (autodisciplina).
(Ver quadro 2).
O programa 5S pode ser entendido como interligado,
formando um sistema com os cinco sensos. (LEONEL,
2011, p.5).
Organização
(Seiri)
Arrumação
(Seiton)
Limpeza
(Seiso)

Estabelecer critérios para eliminar o desnecessário e obedecê-los;
Adotar o gerenciamento pela estratificação para definir prioridades;
Tratar das causas da sujeira.
Ambiente de trabalho arrumado; Leiaute e arrumação eficientes
(incluindo qualidade e segurança); Aumento da produtividade
através da eliminação do tempo gasto procurando coisas.
Grau de limpeza compatível com suas necessidades. Eliminação total
do lixo e da sujeira; Descobrir pequenos problemas, através de
inspeções de limpeza; Compreender que limpeza é inspeção.

Padronização Padrões de gerenciamento para manutenção dos 5S’s;
Gerenciamento visual inovador, para revelar anormalidades
(Seiketsu)
Disciplina
(Shitsuke)

Participação total no desenvolvimento de bons hábitos e locais de
trabalho que sigam as regras; Comunicação e feedback como rotinas
diárias

Quadro 2-Palavras japonesas que deram origem ao
Programa 5S.
Fonte: Adaptado de Osada (1992, p.34 e 35).

O Programa 5S busca a eliminação do desperdício (tudo
aquilo que gera custo extra), conforme explicam Costa et
al. (1996).
Silva (1999) expõe que, no Brasil, a partir de maio de
1991, o programa se desenvolveu nas organizações devido
à necessidade de sobrevivência e competitividade, aliada à
melhoria da qualidade de vida de seus colaboradores.

�As instituições passaram a utilizar o programa na busca
pela melhoria da qualidade que, naquele período, já estava
se tornando uma preocupação, que se perpetuou e
continua permanente nas instituições. A implantação de
uma metodologia 5S é tratada como ponto de partida no
gerenciamento, em busca da qualidade e produtividade.
Na literatura especializada da área, é possível encontrar
relatos de experiências de diferentes tipos de unidades de
informação que implementaram a metodologia 5S
conforme o caso de Vanti (1999), Rebello (2005), João,
Amaral e Prado (2013).
Vanti (1999) apresenta um estudo voltado à aplicação do
Programa 5S na Biblioteca da Faculdade de Veterinária da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A
autora explicou que houve uma capacitação dos
funcionários sobre o Programa e feito um diagnóstico da
unidade de informação, a fim de serem traçadas as
melhorias de acordo com a filosofia japonesa proposta pelo
Programa.
A aplicação do 5S, associado a um estilo participativo de
gestão, é encontrar soluções originais aos problemas mais
urgentes num contexto de recursos escassos. Conseguiuse alcançar uma substancial melhoria na prestação dos
serviços e criar um clima de confiança, autodisciplina e
responsabilidade, que resultaram em um ambiente de
qualidade no local de trabalho. Percebeu-se um aumento
na motivação e coesão grupal, conscientização dos
integrantes da equipe, o despertar da alegria, maior
interesse e boa vontade no desempenho das diversas
tarefas, conforme explica Vanti. (1999).
Rebello (2005) descreve a experiência da aplicação da
metodologia do Programa 5S no Serviço de Biblioteca e
Documentação Científica do Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo (SBDC-HU/USP) como
ferramenta à implantação de um programa de qualidade.
As estratégias usadas para a aplicação dos cinco sensos
(seleção, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina)

�tiveram como finalidade promover a mudança do
comportamento das pessoas e transformar o ambiente das
organizações. Em setembro de 1996 teve início a
implantação do Programa 5S no SBDC-HU/USP, a partir da
identificação das melhorias que poderiam ser inseridas ao
atestar a situação inicial da biblioteca, a fim de determinar
os principais problemas.
Como resultado, Rebello (2005) explica que o
desenvolvimento do Programa 5S criou um clima de
confiança e motivação entre os funcionários, o que resultou
em um ambiente de trabalho de qualidade, havendo gestão
participativa e delegação de “poderes”. Trouxe também a
prática de compartilhamento e produção de ideias, a
valorização do funcionário e o respeito mútuo entre eles.
Todos esses fatores permitiram maior interação e
mobilização em equipe, flexibilização da relação com o
chefe e maior determinação e ousadia na hora de decidir
algo importante. Devido à participação ativa de todos os
funcionários da biblioteca, o Programa 5S foi mantido e
tem obtido resultados visíveis e concretos na qualidade da
prestação de serviços nessa unidade de informação.
Em outra unidade de informação, João, Amaral e Prado
(2013) descrevem e analisam a implementação da
abordagem da qualidade por meio do Programa 5s numa
biblioteca universitária do Instituto de Física de São Carlos
(IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), que teve como
objetivo melhorar a qualidade de seus processos, produtos
e serviços.
Foi feita a análise dos resultados do Programa 5s na
unidade caso, no “antes” e no “depois” da implementação,
sendo assim possível identificar e analisar os benefícios, as
dificuldades e as melhores práticas da aplicação.
A identificação de melhorias do ambiente e de melhor
estruturação de seus processos de trabalho levou a
Biblioteca do IFSC - USP a criar um sistema de gestão
baseado nos critérios da qualidade, que trouxe mudanças
básicas e significativas como organização, limpeza,

�comportamento das pessoas e suas rotinas de trabalho. As
pessoas passaram a trabalhar de forma mais organizada e
a conservar melhor seus espaços de trabalho.
João, Amaral e Prado (2013) citam que essa
implementação possibilitou a redução de desperdícios,
criou mecanismos de padronização, limpeza e organização
das áreas de trabalho; consequentemente, melhor
prestação de serviços baseados em informação e o acesso
à informação aos usuários e, principalmente, as áreas
internas. O Programa 5s na unidade caso modificou o
cotidiano da Biblioteca IFSC-USP, melhorando processos,
produtos e serviços. O sucesso da implementação está
diretamente relacionado ao forte envolvimento da equipe
de trabalho e da administração da unidade caso, tornando
o processo de implementação mais suave.
Importante lembrar que o Programa 5s é um processo
que deve ser contínuo; desta maneira, a unidade de
informação possuirá ambiente adequado ao desempenho
sustentável em longo prazo, devendo ser visto como uma
mudança de cultura pelo reforço de bons hábitos. Portanto,
o programa 5S não pode ser inferido apenas ao arrumar,
ordenar e reutilizar, mas no desenvolvimento da qualidade
nas pessoas e da cultura organizacional.
No caso das bibliotecas, o programa 5s justifica-se, pois
sua aplicação nestes ambientes faz com que a unidade de
informação esteja em constante reavaliação, a fim de ser
mantido um espaço organizado, arrumado, limpo,
padronizado e disciplinado, mostrando-se agradável aos
seus usuários.

2.3 CICLO DE DEMING (PDCA)
O PDCA foi criado na década de 20 por Walter A. Shewart,
mas foi William Edward Deming, o “guru do gerenciamento
da qualidade”, quem disseminou seu uso no mundo todo. A
partir da década de 50, o ciclo PDCA passou a ser
conhecido também como “Ciclo Deming”. (DIB; SILVA,
2009, p. 55).

�Campos (2004) explica que, “PDCA” é a sigla das palavras
em inglês que designam cada etapa do ciclo: “Plan”,
planejar; “Do”, fazer ou agir; “Check”, checar ou verificar;
e “Action”, no sentido de corrigir ou agir de forma
corretiva.
O PDCA é considerado uma das primeiras ferramentas de
gestão da qualidade (ou ferramentas gerenciais) que
permite o controle do processo. É largamente utilizada por
corporações que desejam melhorar seu grau de gestão,
por meio do controle eficiente de processos e atividades
internas e externas, padronizando informações e
minimizando as chances de erros na tomada de decisões
importantes. (DEMING, 1990).
Importante ressaltar que, uma vez implantado, o PDCA
deve tornar-se uma constante dentro da empresa, um
verdadeiro círculo virtuoso, objetivando a melhoria
contínua.
É possível ver a aplicação do Ciclo de Deming em algumas
empresas e unidades de informação para melhorar a
qualidade dos serviços prestados.
Behr, Moro e Estabel (2008) defendem o uso de
diferentes ferramentas de gestão na avaliação da
qualidade dos serviços prestados por bibliotecas escolares,
citando alguns como brainstorming, diagrama de causa e
efeito, diagrama de Pareto, histograma, matriz de
priorização GUT, ciclo PDCA, fluxograma e 5W2H.
Apresentam ainda algumas situações de problemas e
dificuldades no âmbito da biblioteca escolar, exemplificadas
na utilização das ferramentas e a aplicação da junção de
três ferramentas (fluxograma, PDCA e 5W2H) para
avaliação dos serviços. As autoras enfatizam que o uso das
ferramentas propiciará aos usuários das bibliotecas um
espaço de convivência de aptidões intelectuais e
cognitivas, de cidadania e de acesso à informação para
todos, através da qualidade dos serviços prestados,
avaliados em programas e ferramentas de qualidade em

�serviços de informação para todos.
Dib e Silva (2009) apresentam um relato para
desenvolvimento de equipes nas bibliotecas, privilegiando
a aprendizagem, a interação, o papel da liderança e
comunicação nesse processo. Dessa forma, elaborou-se
uma metodologia que valorizasse o capital humano por
meio do desenvolvimento de competências técnicas e
habilidades interpessoais.
A metodologia compõe-se de cinco etapas: diagnóstico,
planejamento, execução, avaliação e acompanhamento,
baseada no PDCA e sendo implementada na biblioteca de
Direito da Rede Sirius da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), trazendo excelentes resultados.
A partir de uma revisão nos conceitos de Gestão do
Conhecimento e na metodologia criada por Shewhart e
consolidada por Deming, Pacheco et al. (2014)elucidam,
por meio de algumas proposições, como essas
metodologias
se
complementam
na
criação
do
conhecimento organizacional. Os autores defendem que os
objetivos da Gestão do Conhecimento e da Gestão da
Qualidade são congruentes quanto à criação de
conhecimento organizacional como forma de possibilitar a
melhoria contínua. Sendo assim, isso pode ser aplicado em
unidades de informação, visto que esses ambientes
também têm importante contribuição na gestão do
conhecimento.
Para as unidades de informação, o uso do PDCA se torna
uma ferramenta de gerenciamento muito eficaz, pois
agrega melhorias em todas as etapas do seu
gerenciamento, iniciando pelo planejamento, seguindo pela
ação, perpassando a verificação e finalizando na ação. O
ciclo de melhorias é contínuo e deve ser retomado sempre.

2.4 ServQual
Trata-se de uma ferramenta usada na gestão da
qualidade no setor dos serviços. Também conhecido como

�Modelo das Cinco Lacunas ou Gaps, foi desenvolvido por
Parasuraman, Zeithaml e Berry, em 1985, e do qual
resultou em 1988 na elaboração da escala de mensuração
chamada ServQual, cuja intenção era identificar falhas
(gaps) entre o serviço esperado pelo cliente e o serviço
prestado ao cliente, ou seja, o cliente avalia a qualidade do
serviço, comparando o que espera com o que obteve.
Considera que a qualidade da prestação de um serviço é
um constructo subjetivo que resulta da comparação feita
pelo cliente entre o grau de serviço percebido
(“percepção”) e o de serviço esperado (“expectativa”).
Ainda, segundo Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985),
ServQual é uma ferramenta usada no marketing dos
serviços, que recorre a cinco dimensões-chave para
comparar as expectativas do cliente com a sua percepção
sobre a categoria do serviço efetivamente recebido. Esta
comparação permite uma “análise de discrepâncias”, não
só no ponto de entrega do serviço, mas em vários pontos
da sua concepção e produção.
Contudo, o ServQual não fornece por si só informação
suficiente para identificar e decidir fundamentadamente as
prioridades de melhoria da qualidade do serviço.
A metodologia ServQual é um modelo universal e pode
ser aplicado em qualquer organização de serviços,
possibilitando uma avaliação numérica da qualidade do
serviço oferecido pela empresa, destacando os pontos
fortes e fracos. (CÖNSOLI; MARTINELLI, 2001). Para o
método ServQual, consideram-se cinco dimensões, tais
como:
Confiabilidade: atende ao cliente conforme o
combinado, mantendo a precisão, a consistência e a
segurança.
Receptividade: envolve desde a velocidade até a
prontidão no atendimento ao cliente.
Tangibilidade: envolve desde evidências físicas no

�qual o serviço está inserido, bem como funcionários
e equipamentos.
Empatia: envolve o carisma, a cordialidade, o
cuidado e a atenção a cada cliente.
Segurança: basicamente, descreve a simplicidade e
segurança nos serviços prestados.
Essas dimensões do modelo ServQual são consideradas
importantes para que a satisfação dos clientes seja
alcançada. Segundo Cardoso (2004), o que influencia a
satisfação do cliente são atributos como preço, qualidade e
vantagens que o produto oferece. De maneira que, o modo
como o cliente organiza, na mente, a informação sobre a
qualidade pode ser representada pelas cinco dimensões da
qualidade.
O modelo ServQual é constituído por 22 itens que
compõem as cinco Dimensões ou Determinantes da
Qualidade e são realizadas em duas etapas: a) mensuração
das expectativas dos clientes; b) mensuração das
percepções dos clientes em relação ao serviço prestado.
Nas últimas duas décadas, pesquisadores em ciência da
informação têm investigado o valor dos serviços em
bibliotecas, de acordo com as percepções, expectativas e
necessidades dos usuários. Em algumas unidades de
informação é possível perceber como foi implementada a
ServQual para mensurar a qualidade dos serviços
prestados.
Freitas, Bolsanello e Viana (2008) fizeram uma avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária
baseados no modelo ServQual onde foi empregada essa
escala à avaliação da qualidade dos serviços prestados pela
biblioteca, permitindo a identificação das fraquezas/
potencialidades e os aspectos críticos que devem ser
priorizados na melhoria da qualidade dos serviços
prestados.
As autoras explicam que foi elaborado um modelo de

�questionário
autopreenchimento,
contendo
questões
fechadas e fundamentadas nas dimensões e itens do
modelo ServQual, sendo adaptado à natureza do serviço
avaliado e composto por duas partes com 22 itens cada. A
primeira parte visava à captação das expectativas (E) dos
usuários quanto ao serviço prestado por uma biblioteca
considerada “ideal” e, a segunda parte, as percepções
destes usuários quanto ao desempenho (P) dos serviços
prestados pela biblioteca.
Por meio desse questionário e da utilização do software
LibQUAL+ para organizar os dados, foi possível verificar os
pontos críticos e elencar as prioridades de melhorias nos
serviços prestados. O ServQual se mostra uma
metodologia simples e prática, contribuindo para auxiliar
gestores
e
administradores
na
avaliação
e
no
monitoramento da qualidade de serviços em ambientes
corporativos.
Em outro exemplo de aplicação, Figueiredo, Mergulhão e
Rubi (2014) avaliaram a qualidade dos serviços prestados
pela Biblioteca do campus de Sorocabada Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar), sob a ótica de seus
usuários, utilizando o ServQual, considerado um
instrumento de mensuração que contempla cinco
dimensões de qualidade: aspectos tangíveis, confiabilidade,
presteza, segurança e empatia.
O estudo constatou que, na biblioteca em estudo, as cinco
dimensões apresentaram gaps entre o esperado e o
percebido pelos usuários.Os autores enfatizam que essa
metodologia de avaliação da qualidade em serviços é uma
das mais difundidas na literatura e aplicada pelos
prestadores de serviços.
Sampaio (2004) teve como objetivo estruturar um
programa de avaliação continuada da qualidade dos
produtos e serviços oferecidos no âmbito do SIBi/USP, de
acordo com a percepção dos usuários. Em 2001, a
elaboração de um trabalho delineou uma proposta de
modelo de avaliação baseado no ServQual que, após

�aprovação pelos gerentes das diversas bibliotecas do
SIBi/USP, a proposta foi repassada aos autores do trabalho
que durante o ano de 2001 reavaliou alguns itens da
proposta e implementou o programa efetivamente.
As principais metas dessa equipe foram: desenvolver um
instrumento próprio de pesquisa e sua escala de
mensuração, implantar uma avaliação piloto, apresentar os
resultados para posterior validação e incorporação como
um processo gerencial no SIBi/USP. Para a coleta de
dados, adotaram dois instrumentos: questionários e
entrevistas aplicadas nas bibliotecas. Foram elaborados
cinco questionários diferentes, um para cada dimensão do
modelo ServQual. A entrevista foi o segundo instrumento
utilizado pelo PAQ e teve como objetivo fornecer subsídios
à análise dos questionários e auxiliar na divulgação do
programa, por meio de convite formal ao usuário para que
participasse da avaliação via Web. Foi observado que o
método qualitativo de coleta de dados se revelou
extremamente adequado à captação da opinião do usuário
em relação aos serviços oferecidos, proporcionando o
ajuste dos serviços e melhoria da qualidade percebida
pelos clientes.
Marques e Pierre (2014) analisaram a aplicação do
ServQual em uma biblioteca universitária para aferir as
expectativas e percepções dos clientes em relação aos
serviços prestados.
Para isso, foi desenvolvido um questionário fundamentado
nas dimensões e itens do modelo ServQual, sendo
adaptado à natureza do serviço avaliado e composto por
duas partes com 22 itens cada. A primeira parte visou
captar as “Expectativas” dos usuários quanto ao serviço
prestado por uma biblioteca considerada “ideal” e, a
segunda parte, as “Percepções” destes usuários quanto ao
desempenho da biblioteca da instituição. Pela análise foram
classificados os itens de acordo com o grau de prioridade
de ações corretivas e preventivas, pretendendo a melhoria
da qualidade do serviço prestado pela biblioteca, segundo

�Marques e Pierre (2014).
Importante ressaltar que ao usar o modelo ServQual na
avaliação das unidades de informação, as áreas
consideradas fracas podem ser localizadas e corrigidas. O
modelo aponta também as áreas fortes da Unidade de
informação, podendo ser usadas como vantagens
competitivas na estratégia de atuação.

2.5 BALANCED SCORECARD
O Balanced Scorecard(BSC) é uma prática gerencial
inicialmente criada para mensurar o desempenho
organizacional, passando a ser utilizada como ferramenta
na gestão e implementação de estratégias; originou-se nos
Estados Unidos e a metodologia rapidamente foi difundida,
sendo, atualmente, aplicada por empresas em todos os
continentes.
Em pesquisa conduzida pela consultoria Bain&amp;Company
(2003) sobre as práticas de gestão mais utilizadas no
Brasil e no mundo, o Balanced Scorecard parece sendo
utilizado por 51% das grandes empresas, um significativo
crescimento se comparado com a mesma pesquisa,
realizada no ano 2000, havendo30% de utilização.
Para que se compreenda o rápido avanço do Balanced
Scorecard enquanto prática de gestão, é importante
entender sua origem. Segundo Robert Kaplan, um dos
criadores, o método utilizado na sua concepção, chamado
de Innovation Action Management, é aquele em que o
pesquisador interage com o objeto pesquisado, não apenas
observando e documentando um fenômeno existente.
(KAPLAN; NORTON, 1997, p. 90). Para os autores:
O Balanced Scorecard traduz a missão e a estratégia em
objetivos e medidas, organizados segundo quatro
perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos
processos internos e do aprendizado e crescimento. O
“scorecard” cria uma estrutura, uma linguagem, para
comunicar a missão e a estratégia e indicadores para
informar os funcionários sobre os vetores do sucesso atual
e futuro. Ao articularem os resultados desejados pela

�empresa com os vetores desses resultados, os executivos
esperam canalizar as energias, as habilidades e os
conhecimentos específicos das pessoas na empresa inteira,
com o fim de alcançar as metas de longo prazo. (KAPLAN;
NORTON, 1997, p. 25).

Ochoa (2004) realizou uma análise sobre o impacto, nas
pessoas, dos modelos e das estratégias, assim como os
desafios de uma equipe frente à gestão da qualidade. A
autora destaca, como modelo de auto avaliação, o CAF1
(Estrutura Comum de Avaliação); metodologia, o Balanced
Scorecard, como norma que orienta as organizações na
implementação de sistemas gestão da qualidade, a ISO
9000.
No trabalho de Melo et al. (2007) foi utilizado o
instrumento benchmarking1com o objetivo de melhorar o
grau de qualidade dos serviços e produtos nas bibliotecas
estudadas. Tal instrumento foi implementado, sendo
associado a modelos de avaliação da qualidade, como a
CAF e o BSC, além de indicadores de desempenho.
Marques e Oliveira (2008) apresentam os processos
estratégicos que envolvem o Balanced Scorecard (BSC)
como
instrumento
de
vantagem
competitiva
às
organizações e sua aplicação às bibliotecas. Por meio de
uma pesquisa bibliográfica, as autoras demonstram que as
bibliotecas podem e devem utilizar o Balanced Scorecard
como ferramenta estratégica, preocupando-se também em
fazer uso das competências, tendo, assim um futuro
bastante promissor rumo ao sucesso.
Scardoelli e Souza (2013) também fizeram a aplicação da
ferramenta em uma biblioteca universitária para verificar
como o BSC pode auxiliar no planejamento e administração
de uma unidade de informação. Defendem que o BSC
agrega uma ferramenta gerencial que pode produzir
vantagem competitiva num ambiente organizacional.
Sugere-se
também
que
os
gestores/bibliotecários
aprimorem os seus conhecimentos sobre todas as
premissas da metodologia do Balanced Scorecard – BSC, a
fim de que seja percebido que essa ferramenta tem muito a

�oferecer como diferencial de gestão ao contexto da
biblioteca universitária, onde o objetivo é agregar valor aos
bibliotecários/gestores,
clientes/usuários
e
demais
stakeholders que interagem com os serviços e produtos
oferecidos pela biblioteca universitária. (SCARDOELLI;
SOUZA, 2013, p. 19).

As autoras explicam que o BSC tem pilares que podem
auxiliar os bibliotecários/administradores na gestão de uma
unidade de informação; a aplicabilidade da ferramenta BSC
(Balanced Scorecard) agrega o diferencial, pois detém
pilares auxiliadores às organizações que buscam a
excelência nas suas estratégias, para se firmarem no
segmento em que atuam e, paralelamente, buscando a
plena satisfação dos seus clientes.

3 CONSIDERAÇÕES
Ao analisar os modelos, verificou-se que a gestão de
qualidade colabora no planejamento e direção de unidades
de informação ao agregar significativo valor no que tange
aos serviços e produtos oferecidos aos interagentes.
Por meio da gestão da qualidade, buscam-se parâmetros
à melhoria das atividades e avanço das práticas gerenciais
implantadas nas unidades de informação.
É importante conhecer e usar metodologias e técnicas
para mensurar, avaliar e acompanhar a qualidade dos
serviços prestados em uma unidade de informação, desde
que sejam adaptadas a sua realidade e demandas. Desse
modo, torna-se necessário uma etapa fundamental em
todo processo, que é o planejamento em todas as fases
desenvolvidas desde o processo de implantação, de
avaliação e acompanhamento de sistemas automatizados.
Acredita-se que, assim, a unidade de informação será
beneficiada com a implementação de um programa de
gestão
da
qualidade.
Resultados
como
melhor
relacionamento no ambiente de trabalho, melhorias no
comportamento, comprometimento das pessoas, melhoria

�dos processos, satisfação, otimização de recursos em geral
e percepção do valor agregado aos serviços promovidos
pela unidade de informação poderão ser percebidos pelos
clientes e pelos funcionários da instituição.
As unidades de informação precisam se modificar
continuamente para acompanhar as transformações sociais
e inovações, sendo importante que a unidade de
informação consiga acompanhar os passos das teorias
administrativas aplicadas aos serviços de informação,
tendo em vista, sempre, a facilitação no atendimento ao
cliente.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.
História
da
normalização
brasileira.
Rio
de
Janeiro.2011.Disponível
em:
&lt;
http://www.abnt.org.br/images/pdf/historia-abnt.pdf&gt;.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR
ISO 9001:2000: Sistemas de gestão da qualidade –
requisitos. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.
Sistema de gestão da qualidade: requisitos. Rio de
Janeiro, set. 2008.
BAIN &amp; COMPANY. Management Tools.
Disponível em: &lt;http://www.bain.com&gt;..

Boston.

BARBALHO,
Célia
Regina
Simonetti.
Padrão
de
conformidade para unidade de informação: apresentação
do modelo inglês. Informação &amp; Informação. Londrina,
v. 2, n. 2, p. 47-54, jul./dez. 1997. Disponível em
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1
BEHR, Ariel; MORO, Eliane L. S.;Estabel, Lisandra Brasil.
Gestão da biblioteca escolar: metodologias, enfoques e
aplicação de ferramentas de gestão e serviços de
biblioteca. Ci. Inf., Brasília, v. 37, n. 2, p. 32-42,
maio/ago.
2008.
Disponível
em

�&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v37n2/a03v37n2.pdf&gt;
CARDOSO, F. A. R., NETO, A. C. Análise da qualidade no
setor de serviços segundo o método de avaliação
SERVQUAL. Tese de Doutorado. Curitiba: UFPR, 2004.
CARDOSO, Maria de Lourdes; MOREIRA, Paulo Roberto
Borghi; ROSA, Bruno Giordano. Gestão da qualidade em
serviços de informação. IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, Florianópolis, 2013. Anais eletrônico...
Disponível
em
&lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1624&gt;

CELERE, Milena; PIRANI, Rodrigo Bruneli. Indicadores de
desempenho: relato de experiência da Biblioteca da
Faculdade de Direito da USP, campus de Ribeirão Preto.
Bibl. Univ., Belo Horizonte, v.1, n.1, p. 81-90, jan./jun.
2011.
Disponível
em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/rbu/index.php/localhost/article/view/21/17
COLETTA, Teresinha das Graças; ROZENFELD, Henrique.
Indicadores de desempenho para bibliotecas universitárias:
definições e aplicações sob o ponto de vista da literatura.
Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte, v. 12, n. 3, Dez.
2007. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&amp;pid=S141399362007000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;.
CÖNSOLI, M. A.; MARTINELLI, D. P. Avaliação da qualidade
de
serviços:
um
caso.
In:
SEMINÁRIOS
EM
ADMINISTRAÇÃO FEA-USP, 5., 2001, São Paulo. Anais...
SEMEAD,
2001.
Disponível
em
&lt;www.ead.fea.usp.br/Semead/index.htm. Acesso em: 25
jul. 2016&gt;.
COSTA, R.M.C. et al. Como praticar o 5S na escola. 2
ed. Belo Horizonte: Líttera Maciel, 1996.
DAVOK, Delsi F.; SPUDEIT, Daniela. Relatório da
pesquisa Gestão da Qualidade em Unidades de
Informação. Florianópolis: UDESC, 2016. Material não

�publicado.
DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração.
São Paulo: Marques Saraiva, 1990.
DIB, Simone Faury; SILVA, Neusa Cardim. Competências
em unidades de informação: metodologia para o
desenvolvimento de equipes. Perspectivas em Ciência
da Informação, v.14, n.2 p. 17-29, maio. Ago. 2009.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v14n2/v14n2a03.pdf&gt;
FIGUEIREDO,
Coser; RUBI,

Rute

Aparecida;

MERGULHÃO,

Ricardo

FREITAS, André Luís Policani; BOLSANELLO, Franz Marx
Carvalho; VIANA, Nathália Ribeiro Nunes Gomes. Avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária:
um estudo de caso utilizando o modelo Servqual. Ci.
Inf.,Brasília, v. 37, n. 3, p. 88-102, set./dez. 2008.
Disponível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/ &gt;.
FREITAS, André Luís Policani; BOLSANELLO, Franz Marx
Carvalho; VIANA, Nathália Ribeiro Nunes Gomes. Avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária:
um estudo de caso utilizando o modelo Servqual. Ci. Inf.,
Brasília, v. 37, n. 3, p. 88-102, set./dez. 2008.
HARTMANN, Luiz Fernando. Gerenciamento total. 4. ed.
Lajeado: Grafocem, 1998.
JOÃO, Aline Cristina de ; AMARAL; Roniberto Morato do ;
PRADO, Ana Mara M. C. Abordagem da qualidade programa
5s aplicada a uma biblioteca: caso SBI-IFSC. IN:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO,
25,
Florianópolis
SC.
Anais
eletrônico...
Disponível
em
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1604&gt;.
KAPLAN, S R. NORTON P. D. A estratégia em
ação:balancedscorecard. 4 ed. Rio de Janeiro: Campus,
1997
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de

�marketing. 12.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
LEONEL, José Carlos Ribeiro da Rocha Pureza. O
programa 5S e Sua Aplicação em uma Fábrica de
Embalagens de Papel. Juiz de Fora: UFJF, 2011.
LONGO, Rose Mary Juliano. Gestão da Qualidade:
Evolução Histórica, conceitos básicos e aplicação na
educação. Brasília, 1996.

LONGO, R.M.J.; VERGUEIRO, W. Gestão da qualidade em
serviços de informação do setor público: características e
dificuldades para sua implantação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v.1, n.1,
p.39-59,
jul./dez.2003.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/28
Acesso em: 13 jul. 2016.
MARQUES, Daniel; PIERRE, Fernanda Cristina. qualidade
do serviço da biblioteca de uma instituição de aplicação do
modelo servqual para avaliar a ensino superior na região
de Botucatu. Tekhne e Logos, Botucatu, SP, v.5, n.2,
Dezembro, 2014
MARQUES, Edineide da Silva; OLIVEIRA, Maria Luiza
Alexandre de. Balancedscorecard: ferramenta estratégica e
competitiva aplicável às bibliotecas. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, Nova Série, São
Paulo, v.4, n.2, p. 105-115, jul./dez. 2008. Disponivel em
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/download/107/123&gt;
MELLO, Carlos Henrique et al. ISO 9001:2008: sistema
de gestão da qualidade para operações de produção e
serviços. São Paulo: Atlas, 2009.

MELO, Luiza Baptista [etall]. Reconhecer Boas Práticas
em Bibliotecas do Ensino Superior: projecto de
avaliação do desempenho de serviços de documentação
das Universidades do Porto, Lusíada.Disponível em:
&lt;http://bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/51
em: 08 ago. 2016.
OCHÔA, Paula. A redescoberta contínua da qualidade: uma

�reflexão sobre práticas e intervenção de uma equipa
(1996-2004). Cadernos BAD, 2004, vol. 2004, n. 2, pp.
19-32. Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/10404&gt;
OSADA, Takashi. Housekeeping, 5S’s: Seiri, Seiton,
Seiso, Seiketsu, Shitsuke. 3. ed. São Paulo: Instituto
IMAN, 1992.
PACHECO, Ana Paula Reusinget al. O ciclo PDCA na gestão
do conhecimento: uma abordagem sistêmica. IN:
CONGRESSO BRASILEIRO DE SISTEMAS, 10, São Paulo,
USP, out.2014. Anais eletrônico... Disponível em
&lt;http://www.isssbrasil.usp.br/isssbrasil/pdfs2/ana.pdf&gt;
PALADINI,Edson Pacheco. Gestão estratégica
qualidade.
Junho
2013.
Disponível
&lt;http://www.ngd.ufsc.br/files/2012/05/GEQ_TEXTO2013.pdf&gt;

da
em

PARASURAMAN, A; ZEITHAML, V.A.; BERRY, L.L. Problems
and
strategies
in
service
marketing.Journal
of
Marketing.,v. 49, n. 4, p.33-46, 1985.Disponível em
&lt;:http://areas.kenanlagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/Selected%20Publicati
Acesso em: 13 jul. 2016.
REBELLO, Maria Alice de França Rangel. Implantação do
Programa 5S para a conquista de um ambiente de
qualidade na biblioteca do Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo. Revista Digital de
Biblioteconomia &amp; Ciência da Informação ,v. 3, n. 1,
jul./dez. 2005.
ROZADOS, Helen Beatriz Frota. Uso de indicadores na
gestão de recursos de informação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação,Campinas,
v. 3, n. 1, p. 60-76, jul./dez. 2005.Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000007488HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000007488&amp;dd1=3f025"&amp;HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?

�dd0=0000007488&amp;dd1=3f025"dd1=3f025&gt;.
SAMPAIO, Maria Imaculada Cardoso et al. PAQ – Programa
de avaliação da qualidade de produtos e serviços de
informação: uma experiência no SIBi/USP. Ci. Inf.,
Brasília, v. 33, n. 1, p. 142-148, jan./abril 2004. Disponível
em:&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013&amp;dd1=8d067"&amp;HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013&amp;dd1=8d067"dd1=8d067&gt;.

SCARDOELLI, LudmillaA. ; SOUZA, Marta Alves de. A
aplicabilidade da ferramenta Balanced Scorecard – BSC em
uma biblioteca universitária. Múltiplos Olhares em
Ciência da Informação, v.3, n.1, mar.2013. Disponível
em
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/viewFil
SILVA, Catarina de Fátima da. Melhoria da qualidade em
serviços: uma aplicação em hotéis. 1999. 121f.
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa
Catarina,
Florianópolis,
1999.Disponível
em
:
&lt;http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0135.PDF
Acesso em: 26 jul. 2016&gt;.
SPENDOLINI, M. J. Benchmarking. São Paulo: Makron
Books, 1994.
VALLS, Valéria Martin; VERGUEIRO, Waldomiro de Castro
Santos. A Gestão da Qualidade em Serviços de Informação
no Brasil: uma revisão de literatura, de 1997 a 2006.
Perspectivas em Ciência da Informação, v. 11, n. 1,
2006.
Disponível
em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000003783&amp;dd1=32f2f&gt;.
VANTI, Nadia. Ambiente de qualidade em uma Biblioteca
Universitária: aplicação do 5S e de um estilo participativo

�de administração. Perspect. cienc. inf., Belo Horizonte, v.
4, n. 2, p. 231 - 242, jul./dez.1999. Disponível em
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/570
VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação.
São Paulo: Arte e Ciência, 2002.
WALTER, Maria Tereza Machado Teles. Implantação da
Norma ISO 9001:2000 na Biblioteca Ministro Victor Nunes
Leal do Supremo Tribunal Federal. Ciência da
Informação, Brasília, v. 34, n. 1, 2005. Disponível em
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000003148&amp;dd1=16e05&gt;

�4 - AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS
DE INFORMAÇÃO
Ana Maria Pereira

1. INTRODUÇÃO

Discorrer sobre o tema avaliação é uma “terra fértil”
para todas as áreas do conhecimento, seja abordando o
tema a partir da taxionomia da área, ou a partir de sua
trajetória prática que conduz à tomada de decisão em uma
Unidade de Informação (UI).
Segundo Kraemer (2005, p.3) o termo avaliação vem do
“latima + valere, e significa atribuir valor e mérito ao
objeto em estudo. Portanto, avaliar é atribuir um juízo de
valor sobre a propriedade de um processo para a aferição
da qualidade do seu resultado [...]”.
Assim, a avaliação tem como foco o valor e o mérito de
um determinado processo, sejam de serviços, produtos ou
outro objeto pesquisado, utilizado como um valioso
instrumento deste processo. O que não pode ser esquecido
é que avaliar é se propor a pensar sempre no próximo, em
lhe proporcionar o melhor atendimento com o máximo de
qualidade.
De acordo com o dicionário Houaiss (2009, p. 227) a
avaliação é “ato ou efeito de avaliar (-se). [...] verificação
que objetiva determinar a competência, o progresso etc.
de um profissional, aluno, etc.” Enquanto que a avaliar
pode ser definido como “estabelecer a valia, o valor ou o
preço [...] apreciar o mérito, o valor de; estimar o valor
[...]”.
Quando avaliamos, atribuímos juízo de valor, mérito,

�estabelecemos critérios que determinam nosso julgamento.
Destaca-se que a palavra critério tem sua origem na
palavra grega kritérione no latim critério, definida por
muitos autores como “um padrão que serve de base para
que coisas e pessoas possam ser comparadas e julgadas”
(DICIONÁRIO MICHAELIS, 2016). Assim, neste texto a
palavra critérios será utilizada com base nesta definição,
apresentando sempre como critérios/padrões, sem
distinção.
Para que uma avaliação tenha mérito, antes de qualquer
iniciativa, deve-se atribuir critérios/padrões, definir
indicadores e focar nos resultados esperados, que devem
contribuir para as mudanças e transformações do objeto
avaliado.
Segundo Almeida (2005, p. 11):
A principal função da avaliação é produzir conhecimentos
relativos à unidade de informação, à organização em que
esta se situa e a seu ambiente, para servir de subsídio ao
planejamento tanto na fase de elaboração do plano,
programa ou projeto, quanto na fase de implementação das
ações. [...] No final do processo, permite comparar
resultados esperados e conseguidos, conhecer o nível de
satisfação do público-alvo e os efeitos do planejamento na
unidade de informação, na organização e no ambiente.

Ao discorrer sobre a avaliação e sua prática em UI,
verificamos que esta tem seu foco nos serviços e produtos
oferecidos pela instituição aos seus clientes/usuários1 reais
e potenciais. Destacamos, porém, que nosso foco está na
avaliação dos serviços e não dos produtos.

2. UNIDADES DE INFORMAÇÃO: DEFINIÇÃO,
FUNÇÕES E TIPOS
No contexto de avaliação de UI, é imprescindível a
compreensão das terminologias adotadas em sua definição.
Afinal, o que é uma UI? Qual (ais) os tipos? Qual (ais) são

�sua função? Quais serviços e produtos oferece? Porque e
para quem avaliar?
Uma UI pode ser considerada como um sistema
complexo, que tem como função atender às diversas
necessidades dos seus clientes/usuários, de acordo com
suas características e objetivos. Ao considerar uma UI
como um sistema complexo, não estamos nos referindo
necessariamente aos sistemas de informação somente em
sua estrutura tecnológica, mas em toda sua abrangência
cultural e social.
Segundo Barbosa e Franklin (2011, p. 95):
Conforme propugna a TGA, as unidades documentárias e
de informação são sistemas integrados, constituídos com o
fim de cumprir a missão de prover a sociedade com
informação útil – científica, técnica, cultural, factual,
corporativa etc. – sempre priorizando a informação que
promove conhecimento, ou seja, aquela informação que
mobiliza a estrutura mental do sujeito e modifica seu
estado cognitivo – passando (o sujeito) de alguém que não
sabia sobre um determinado evento e, agora, passa a
sabê-lo.

Barbosa e Franklin (2011) se fundamentaram na Teoria
Geral da Administração (TGA) para apresentar a definição
sobre uma UI.
Compreendemos que, atualmente, uma UI que está
adequada às necessidades dos seus clientes/usuários deve
ser um sistema que possua interface com as Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC). No entanto, é
importante destacar que a UI existe desde a antiguidade,
cumprindo seu papel de atender às necessidades dos seus
clientes/usuários, nessa época as TIC ainda eram um
“sonho” possível somente para alguns estudiosos à frente
de seu tempo.
Romani e Borszcz (2006, p. 12) comparam a UI como
uma rede de informações e as consideram como “[...] um
conjunto de unidades de informações, que agrupam
pessoas e/ou organismos com as mesmas finalidades,

�onde a troca de informações é feita de maneira organizada
e regular, por meio de padronização e compartilhamento
de tarefas e recursos”.
As UI como “conjuntos de unidades de informação”
podem ser compreendidas como um complexo sistema
constituído de dados, informação disponíveis em diversos
suportes informacionais – tradicionais ou digitais, de
acordo com as características e tipos de cada instituição
onde está inserida. Devemos considerar sempre que a UI
precisa estar a serviço de seus clientes/usuários, voltada
sempre para atender às suas necessidades.
Segundo Tarapanoff, Araújo Júnior e Cormier (2000, p.
91):
As unidades de informação (bibliotecas, centros e sistemas
de informação e de documentação) foram e são,
tradicionalmente, organizações sociais sem fins lucrativos,
cuja característica como unidade de negócio é a prestação
de serviços, para os indivíduos e a sociedade, de forma
tangível (produtos impressos), ou intangível (prestação de
serviços personalizados, pessoais, e hoje, cada vez mais,
de forma virtual – em linha, pela Internet).

Normalmente, a literatura da área apresenta as
bibliotecas, os museus, e centros de documentação como
UI. Romani e Borszcz (2006, p. 14) acrescentam além das
bibliotecas as “[...] salas de leitura, e os Núcleos de
Informação Tecnológicos[...]”. No entanto, a partir do novo
contexto social e tecnológico, os tipos de UI tornam-se
mais abrangentes, visto que podem ser considerados como
UI todo e qualquer espaço físico ou um ambiente digital
e/ou virtual que constituem uma organização ou setor
desta, responsáveis por ofertar produtos e serviços de
informação, que agregue informações, itens documentários
(independentemente do tipo de suporte) com finalidade de
atender às necessidades dos seus clientes/usuários.
Assim, uma UI pode ser considerada como um complexo
sistema de informação, uma vez que possui características
diferentes e de grande complexidade. Essas características
e suas especificidades estão relacionadas ao seu tipo, pois

�uma UI como um sistema de informação consiste em um
complexo fluxo informacional com diferentes propósitos,
direcionados a diferentes públicos. Uma das diferenças das
UI está intrinsecamente relacionada ao serviço que ela
presta à comunidade, bem como seu papel social e sua
interação com o público real e em potencial.

3. SERVIÇOS E PRODUTOS DE INFORMAÇÃO
EM UI
Os serviços de informação compreendem as atividades
desenvolvidas pela UI, os benefícios que devem
proporcionar uma satisfação aos seus clientes/usuários e
são essencialmente intangíveis, tendo em vista que
materializar os serviços prestados é uma tarefa complexa.
A literatura apresenta algumas características que definem
os serviços de informação.
De acordo com N. Dholakia, Mundorf e R. Dholakia
(1997), os serviços de informação apresentam as
seguintes características: Intangibilidade – não apresenta
materialização; a Volatilidade – não “deixa vestígios” após
sua utilização; Uso intensivo da tecnologia – atual contexto
informacional, não há como as UI se isentarem do uso
destas
ferramentas;
Prestação
de
serviços
Inter
organizacionais– as organizações trabalham em parcerias
e/ou cooperatividade de forma interdisciplinar com vistas a
atender às necessidades dos seus clientes/usuários. Os
autores incluem a estas características a interatividade –
necessidade de interação entre os clientes/usuários e o
caráter externo da rede – útil na difusão e disseminação
dos serviços prestados pela UI.
Assim, ao se pensar os serviços de forma mais ampla,
voltados diretamente aos clientes/usuários, segundo
Gianesi e Corrêa (2009), Corrêa e Caon (2002), Santos
(2000) e Passos et. al. (2013) entre outros, identifica-se
que os serviços em toda e qualquer organização e/ou UI

�são produzidos e consumidos simultaneamente e não
necessitam da presença do cliente/usuário para serem
produzidos. Verifica-se, assim, o consenso de que os
serviços são intangíveis.
Para compreender a intangibilidade dos serviços de
informação faz-se necessária a distinção entre serviços e
produtos, pois ambos podem ser considerados resultados
de todo processo de gestão informacional.
Segundo Borges (2007, p.116):
Além de serem instrumentos para disseminação de
informação, os serviços e produtos em questão podem ser
considerados como o resultado de todo o processo de
gestão de informação, pois falar deles leva-nos a falar das
necessidades e do uso que o usuário faz da informação,
bem como das fontes disponíveis para o acesso à
informação.

O mesmo autor aborda essa diferença destacando ambos
como instrumentos de disseminação da informação, no
entanto, no atual contexto tecnológico e social os serviços
e produtos têm suas diferenças que vão além da sua
função de disseminar a informação, visto que os
clientes/usuários passaram também a interagir em todo o
processo de construção, tratamento, recuperação e uso da
informação.
Vergueiro (2002) apresenta as principais diferenças entre
serviços e produtos de forma sintetizada no Quadro 1,
exposto a seguir.
PRODUTO

SERVIÇO

O cliente recebe um produto tangível na forma de
bens que podem ser vistos e tocados.

O cliente recebe um serviço
intangível que pode satisfazê-lo ou
não.

Os bens permanecem com o cliente.

Os serviços são consumidos no
momento de seu fornecimento.

A produção e entrega de bens são normalmente
separados.

A produção, entrega e consumo
dos serviços ocorrem
frequentemente ao mesmo tempo.

Poucos produtores têm contato com os clientes.

A maioria dos produtores tem

�contato com os clientes.
O cliente raramente se envolve na produção.

O cliente é frequentemente
envolvido nos serviços.

Os bens podem ser objetos de serviço posterior de
conserto e reparação.

Os serviços já foram consumidos
e não podem ser reparados.

Os bens podem ser objetos de garantia, mas o
produtor tem maior oportunidade para atenuar os
efeitos no cliente e assim diminuir a penalidade
financeira.

É difícil desfazer os serviços que
não atendem aos requisitos – o
impacto financeiro é normalmente
total.

Os bens podem ser comprados para ser
armazenados de modo a satisfazer às necessidades
do cliente.

Os serviços não podem ser
armazenados, mas podem ainda
estar disponíveis para a demanda
do cliente.

Os bens podem ser transportados para o ponto de
vendas.

Alguns serviços são
transportados, mas a maioria
requer o transporte do provedor do
serviço.

É relativamente fácil para os clientes avaliar a
qualidade de bens.

A qualidade do serviço depende
mais da percepção subjetiva e da
expectativa.

Com frequência, os bens são tecnicamente
complexos – o cliente sente-se mais dependente do
produtor.

Os serviços parecem menos
complexos – o cliente sente-se
qualificado para argumentar com o
fornecedor.

Quadro 1 – Diferenças entre Produtos e Serviços.
Fonte: Vergueiro (2002, p. 38).

A diferença entre produtos e serviços apresentada por
Vergueiro
(2002)
possui
algumas
características
apresentadas por Milet (1997), abordadas a seguir, no
Quadro 2.
SERVIÇOS
Serviços têm um forte componente intangível. No entanto, todos os serviços têm
algum aspecto tangível, importante em seu custo final.

Serviços são heterogêneos – são prestados de maneiras diferentes por pessoas
diferentes.

A pessoa que presta serviço faz parte do próprio serviço.

�Não se pode separar a produção do consumo.

Serviços não são passíveis de uma inspeção final antes da entrega.

Serviços não são estocáveis.

Serviços não são “Devolvíeis”.

Serviços não são transportáveis.

Quadro 2 – Descrições que determinam as diferenças
entre Serviços e Produtos.
Fonte: Elaborado pela autora com base em Milet (1997,
p. 190-192).

Através da identificação destas diferenças, por Vergueiro
(2002) e Milet (1997), é possível compreender o papel dos
clientes/usuários como foco de todo o processo que
envolve os serviços de uma unidade de UI. Mais
precisamente quando Vergueiro (2002, p. 38) identifica
que: “o cliente é frequentemente envolvido nos serviços” e
que “[...] o cliente sente-se qualificado para argumentar
com o fornecedor”.
Essas são as características do novo perfil dos
clientes/usuários: se envolver nos serviços, argumentar e
exigir melhorias e mudanças na forma que os serviços são
prestados. Em toda e qualquer organização e nas UI tal
postura é similar. No entanto, verifica-se que essa postura
de exigências nas UI ainda estão acontecendo de forma
mais lenta e gradual, devido à própria natureza dos
serviços e produtos por elas oferecidos.
Para Milet (1997) o fornecedor de um serviço e seu
cliente/usuário são partes do mesmo ciclo de serviço, uma
vez que interagem entre si. A Figura 1, a seguir demonstra

�a visão desse autor, onde a letra C está relacionada ao
termo cliente e F ao fornecedor.

Figura 1 –Conceito de processo para Serviços.
Fonte: Milet (1997, p. 193).

Compreender os serviços de informação como um
processo nos possibilita vislumbrar possíveis mudanças na
caracterização dos serviços prestados, com base na
produção e recepção destes mesmos serviços. O
profissional da informação é produtor e receptor dos
serviços da UI em que está inserido, desta forma, colocarse no lugar do seu cliente/usuário determina a qualidade
dos serviços por ele prestados.
Mesmo com o foco nos serviços de diversos tipos de UI,
acreditamos ser importante apresentar alguns serviços
prestados pelas bibliotecas, para que tenhamos uma visão
mais ampla sobre os diferentes serviços prestados nas
mais distintas UI. Duarte et. al. (2015) após uma excelente
revisão de literatura, elencam os principais serviços de
informação prestados por uma biblioteca, os quais são
descritos no Quadro 3.
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
1. Disseminação Seletiva da Informação – DSI

�2. Comutação Bibliográfica – COMUT

3. Rich Site Summary – RSS (para serviços na internet)

4. Apresentação de mostruários e exposições

5. Realização de eventos e campanhas

6. Divulgação na web

7. Serviços de sinalização

8. Serviço de disponibilização de salas individuais

9. Serviço que primam por acessibilidade

10. Levantamento bibliográfico

11. Pesquisa de opinião (enquetes, estudos, outros)

12. Respostas técnicas

13. Acesso público à internet

14. Alertas bibliográficos

15. Análise de ambientes

�16. Uso das redes sociais para divulgar informações

17. Blogs com informações úteis

18. Serviços de referência digital

19. Serviço de referência virtual

20. Pergunta ao bibliotecário

21. Referência on-line

22. Perguntas frequentes

23. Formação de interagentes

24. Treinamentos específicos

25. Diretório de recursos eletrônicos

26. Base de dados

27. Assistência por telefone

28. Serviço de informação utilitária

29. Serviço de automação

�30. Serviço de atendimento aos deficientes visuais

31. Biblioterapia

Quadro 3 – Serviços de Informação em Bibliotecas.
Fonte: Duarte et. al. (2015, p. 613).

Verificamos que esses serviços fazem parte de uma
biblioteca híbrida, ou seja, conta com serviços realizados
no local físico em que está instalada (cidade, bairro,
estado, país de forma tradicional – localização geográfica),
bem como proporciona aos seus clientes/usuários serviços
que se utilizam da internet, em seus ambientes digitais e
virtuais. Segundo Garcez e Rados (2002, p. 47):
A biblioteca híbrida é designada para agregar diferentes
tecnologias, diferentes fontes, refletindo o estado que hoje
não é completamente digital, nem completamente
impresso, utilizando tecnologias disponíveis para unir, em
uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e
o digital).

Ao nos referirmos aos serviços prestados por uma UI que
ultrapassa os serviços prestados por uma biblioteca, um
museu ou centro de documentação, apresentamos uma
sistematização de alguns serviços de informação prestados
nas mais diversas UI, respeitando suas características e
público-alvo, utilizando para isso uma nuvem de tags,
exposta a seguir, na Figura 2.

�Figura 2– Serviços de Informação prestados em
Unidades de Informação.
Fonte: Elaborado pela autora (2016.)

A partir da identificação dessas diferenças entre os
produtos e serviços, destacamos que o foco está nos
serviços, assim é preciso que os profissionais da
informação compreendam que o processo de avaliação
destes serviços deve ser cíclico, sempre com foco no
cliente/usuário, identificando o que, por que, e para quem
devem avaliar a oferta de seus serviços.

4. AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE UI
Entre os vários questionamentos sobre a avaliação dos
serviços de informação de uma UI, estão: o que avaliar,
porque avaliar, para que avaliar, para quem avaliar e se
iniciamos a avaliação dos serviços a partir dos resultados
ou por meio dos problemas identificados em um
determinado serviço oferecido pela UI.

�Segundo Lancaster (2004, p. 8, grifo nosso), não há
consenso entre estudiosos e pesquisadores da área sobre a
definição de avaliação:
Para alguns, a avaliação é a aplicação do ‘método
científico’ para determinar, por exemplo, a qualidade do
desempenho de um programa. Outros já consideram a
avaliação como um processo que reúne dados
necessários para determinar a melhor estratégia para
obter, com mais probabilidade, um resultado almejado, e
como alocar os recursos de modo mais eficiente para esse
fim.

No entanto, é consenso na literatura que uma avaliação
seja denominada como mérito científico ou como processo,
que a avaliação deva ter mérito e valor, e que para isso é
necessário
atribuir
critérios/padrões,
atributos/características, definir indicadores e focar nos
resultados esperados, para que eles possam contribuir
para as mudanças e transformações do serviço avaliado,
proporcionando aos gestores a tomada de decisão. Para
que esse processo seja coeso, cíclico e contínuo, é
necessário proporcionar o feedback necessário aos seus
clientes/usuários e à sociedade em que atua.
Segundo o Dicionário Michaelis (2016) o termo atributo
pode ser definido como: “aquilo que é característica de
alguém ou alguma coisa”. No entanto, na literatura sobre
avaliação é comum encontrar os dois termos de forma
diferenciada. Porém, nesse estudo, o termo atributo será
sempre
apresentado
da
seguinte
forma:
atributos/características.
De acordo com o Joint Committee (1994, tradução e
adaptação nossa) avaliação é definida como um “processo
de deduzir a eficácia, eficiência, utilidade e relevância de
um serviço ou instalação”.
Assim, compreendemos que a avaliação é um processo
que
envolve
várias
etapas,
que,
em
conjunto,
proporcionam à UI o alcance dos resultados almejados, de
acordo com seu planejamento para auxiliar seus gestores e
colaboradores na tomada de decisão. Em concordância

�com Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), Slack (1993),
Milet (1997), Lancaster (2004), Almeida (2005), Davok
(2006), Gianesi e Corrêa (2009), Davok e Garcia (2014),
entre outros autores, identificamos na literatura que a
avaliação de serviços de uma UI deve abranger: mérito,
valor e a definição de indicadores que justifiquem seus
resultados e proporcionem a melhoria da qualidade dos
serviços prestados.
Segundo Davok e Garcia (2014, p. 20): “o valor está
relacionado ao quanto um objeto é necessário para seus
stakeholders, assim, quanto mais necessário for, maior
será o seu valor”. Para uma UI, o valor está relacionado à
necessidade de prestar serviços aos seus clientes/usuários
sempre visando à expectativa de direcionar suas atividades
com foco na satisfação deles.
Quanto ao mérito, segundo Davok (2006, p.95),“[...] diz
respeito ao uso eficaz e eficiente dos recursos para atender
a padrões de qualidade estabelecidos, isto é, um objeto é
meritório quando faz bem o que se propôs a fazer”. Nesse
contexto, os padrões de atendimento aos seus
clientes/usuários por meio da prestação de serviços são de
grande importância para a eficácia e eficiência dos serviços
prestados por uma UI.
Mas o que avaliar? Uma UI pode avaliar seus produtos,
bem como seus serviços, infraestrutura etc. No entanto,
reafirmamos que o foco deste estudo é a avaliação dos
serviços e não dos produtos. Assim, destacamos que a UI
deve responder às questões que envolvem o porquê e para
quem avaliar seus serviços prestados. Para isso é
necessário que a UI tenha dados e informações que
identifiquem os serviços prestados, o seu alcance e a
satisfação dos seus clientes/usuários.
A questão mais importante, muitas vezes, relegada em
último plano deve ser direcionada: para quem avaliar? A UI
deve avaliar seus serviços para a melhoria constante de
sua gestão (interna), assim como deve focar a avaliação
dos serviços para o atendimento às necessidades dos seus

�clientes/usuários (internos e externos), parafraseando a
máxima da Administração “o cliente/usuário tem sempre
razão”.
Para o processo de avaliação, a UI tanto pode partir da
proposição de um problema identificado em um dos seus
setores, bem como pode partir dos resultados dos serviços
oferecidos ou mesmo da necessidade de avaliar seus
produtos.
Assim, o processo de avaliação deve apresentar os
critérios/padrões, definir os indicadores reexaminando
constantemente a qualidade dos seus produtos e serviços,
adequando suas ofertas às expectativas da comunidade.
Para tanto, são vários os critérios/padrões definidos por
autores conceituados na literatura para a avaliação de
serviços de informação. O Quadro 4, a seguir, apresenta de
forma sistematizada os principais critérios/padrões
utilizados para avaliar um serviço de informação, definidos
por autores da área da Administração, e que podem ser
considerados adequados para avaliar os serviços de uma
UI.
CRITÉRIOS/PADRÕES

AUTORES

CRITÉRIOS
CONVERGENTES

Aspectos tangíveis
Confiabilidade
Presteza
Competência
Cortesia
Credibilidade

Milet (1997)

Segurança
Acessibilidade
Comunicação
Entendimento do cliente
Preço
Custo
Qualidade

Confiabilidade
Credibilidade

�Velocidade de entrega

Slack (1993)

Confiabilidade da entrega

Custo/preço

Flexibilidade

Acesso/acessibilidade

Confiabilidade

Tangíveis

Responsabilidade
Confiança

Velocidade de
atendimento do serviço

Parasuraman, Zeithaml e
Berry (1988)

Empatia
Tangíveis
Consistência
Velocidadede atendimento
Atendimento/atmosfera
Acesso
Custo

Gianesi e Corrêa (2009)

Tangíveis
Credibilidade/segurança
Competência
Flexibilidade

Quadro 4 – Critérios/Padrões para Avaliação de Serviços
de Informação.
Fonte: Elaborado pela autora (2016).

Identificamos
no
Quadro
4
que
há
alguns
critérios/padrões que são convergentes, ou seja, são
consenso entre os autores da área, entre eles podemos
citar a confiabilidade e a credibilidade que também
consideramos imprescindíveis no processo de avaliação de
uma UI.
De acordo com o Programa de Avaliação do Joint
Committee on Standards for Educational Evaluation (1994,
tradução e adaptação nossa), a avaliação deve conter
também como atributos/características fundamentais:
Identificação dos clientes/usuários: devem ser
identificados e envolvidos no processo de avaliação,
de acordo com suas necessidades.
Credibilidade do avaliador: o prestador de serviço

�que conduz a avaliação deve ser competente e
confiável, para que os resultados possam satisfazer
as necessidades dos seus clientes/usuários.
Abrangência e seleção da informação: a informação
coletada deve responder às questões da UI para
atender as diferentes necessidades e interesses dos
clientes/usuários.
Identificação
procedimentos
ser utilizados
avaliação para
de valor.

do
valor:
a
perspectiva,
os
e uso racional dos serviços devem
para interpretar os resultados da
que não haja dúvida no julgamento

Clareza do relatório: o relatório com os resultados
da avaliação deve descrever com precisão os
critérios/padrões adotados no processo de avaliação
considerando
seu
contexto,
propósitos,
procedimentos e resultados de modo que a
informação fornecida seja de fácil compreensão.
Disseminação dos resultados (relatórios): a
avaliação do relatório e seus resultados devem ser
divulgados se possível em tempo real aos seus
clientes/usuários.
Impacto da avaliação: a avaliação deve ser
planejada, bem conduzida. O avaliador deve dar
feedback aos seus clientes/usuários.
Após
definir
os
critérios/padrões
e
os
atributos/características, o prestador de serviços deve
definir os indicadores que, segundo Tocchetto e Pereira
(2004, p. 1), “[...] são medidas utilizadas para avaliar,
mostrar a situação e as tendências das condições de um
dado ambiente”. Ou seja, um indicador pode descrever e
representar um dado ou fenômeno, de acordo com o
ambiente e com as características da UI. De acordo com
Rodrigues, Pantaleão e Schuch ([200-?]):
Os indicadores são ferramentas centrais por permitirem um

�acompanhamento das principais variáveis de interesse da
empresa e por possibilitar o planejamento de ações visando
melhorias de desempenho. Medições são essenciais em
qualquer situação, pois explicitam problemas e facilitam a
tomada de ações de modo a resolvê-los. Muitas medições
são realizadas e decisões gerenciais são tomadas em
função destes elementos.

Ao realizar um estudo sistematizado sobre a definição do
termo indicador(es), verificamos que estes apresentam
como sinônimos: medidas de desempenho, padrões de
desempenho e medidas de performance.
Segundo Van Bellen (2002, p.5) o objetivo principal dos
indicadores “[...] é o de agregar e quantificar informações
de uma maneira que sua significância fique mais aparente.
Os indicadores simplificam as informações sobre
fenômenos complexos tentando melhorar com isso o
processo de comunicação”.
Destacamos que um indicador deve possibilitar a medição
sobre os critérios/padrões no processo de avaliação. Mas
antes esse indicador deve ser definido com clareza pelos
gestores da UI para que os resultados sejam confiáveis e
auxiliem a tomada de decisão sobre a melhoria dos seus
serviços prestados.
Segundo Rozados (2005, p. 62):
[...] indicadores nada mais são do que unidades que
permitem medir – caso de elementos quantitativos, ou
verificar – caso de elementos qualitativos, se estão sendo
alcançados os objetivos ou as mudanças previstas.
Também possibilitam conhecer melhor os avanços em
termos de resultados ou de impactos. Um indicador é,
portanto,
primordialmente,
uma
ferramenta
de
mensuração, utilizada para levantar aspectos quantitativos
e/ou qualitativos de um dado fenômeno, com vistas à
avaliação e a subsidiar a tomada de decisão.

Ao compreender a definição de indicadores proposta por
Rozados (2005), verificamos que são ferramentas
disponíveis para a UI avaliar seus serviços, pois a partir do
momento em que são definidos, direcionam os métodos e
metodologias que podem ser utilizados no processo de

�avaliação.
Entre os vários indicadores utilizados para a medição de
serviços e produtos podemos citar: “mensurabilidade;
operacionalidade;
inteligibilidade;
homogeneidade;
permissão para distinguir o que falta para melhorar; e
respeito às propriedades das escalas”(NASCIMENTO et. al.,
2011, p.376).
Para Nascimento et. al. (2011), um indicador é
mensurável quando representa o valor que o gestor deseja
monitorar e não a medida mais fácil associada ao nome do
indicador; e é operacional quando é possível mensurar sua
propriedade. Por ser intangível, deve permitir a todos os
clientes/usuários e gestores o entendimento dos níveis
estabelecidos. Sua homogeneidade deve proporcionar a
análise das possíveis ocorrências das mesmas propriedades
do contexto analisado. Permite distinguir o que é preciso
melhorar em todos os níveis, de acordo com o seu
contexto de serviços ofertados. Por fim, um indicador deve
respeitar as propriedades das escalas, seus níveis, a ordem
desses níveis e suas diferenças.
A partir das considerações abordadas sobre a necessidade
de definir indicadores para a medição dos serviços de
informação, destacamos que cada UI deve, a partir da
identificação de suas necessidades, estabelecer seus
indicadores com vistas a propor melhorias dos seus
serviços aos seus clientes/usuários, bem como a toda
comunidade e sociedade.
Ao estabelecer os indicadores deve-se considerar os
métodos e metodologias a serem utilizados para buscar os
resultados desejados.

5. MÉTODOS E METODOLOGIAS PARA
AVALIAÇÃO
A partir da decisão de iniciar um processo de avaliação de

�uma UI, o gestor deve considerar qual método ou
metodologia deverá adotar como ferramenta de auxílio na
aplicação dos indicadores que resultem na medição dos
seus serviços em prol da obtenção de resultados mais
confiáveis.
Quanto às metodologias, estas podem ser qualitativa,
quantitativa e pluralista. Segundo Almeida (2005, p. 28):
Quantitativa: utiliza metodologias baseadas na estatística e
na experimentação controlada, dá ênfase à mensuração e
quantifica metas e resultados, programa ou ação, mas que
também qualifique decisões, processos, resultados e
impactos sociais. Qualitativa: utiliza metodologias apoiadas
na sociologia, na antropologia ou na história oral e sua
ênfase recai nos agentes e nos processos. Pluralista: um
tipo
de
avaliação
que
não
apenas
mensure
quantitativamente benefícios ou malefícios de um programa
ou ação, mas que também qualifique decisões, processos,
resultados e impactos sociais.

Verifica-se que as metodologias utilizadas para a
avaliação de uma UI, são abrangentes e podem ser
aplicadas em qualquer tipo de UI, desde que respeite as
suas características e apresente dados confiáveis e
resultados precisos. De acordo com Almeida (2005), a
avaliação pluralista tem como foco a avaliação qualitativa e
a quantitativa, dessa forma, entendemos que essa
abordagem metodológica tem por finalidade ampliar os
resultados da avaliação proposta.
No entanto, é necessário compreender que as abordagens
das metodologias quantitativas e qualitativas podem
apresentar vantagens e desvantagens para o processo de
avaliação, conforme apresentadas nos Quadros 5 e 6.
ABORDAGEM
QUANTITATIVA

ABORDAGEM QUALITATIVA

Possibilita a análise direta
dos dados.
Tem força demonstrativa.
Permite generalização pela
representatividade.
Permite inferência para
outros contextos.

Permite interação.
Leva em conta a subjetividade dos
sujeitos.
Permite compreender a dinâmica interna
de programas e atividades.
Permite compreender múltiplos aspectos
de programas e serviços.

�Permite avaliar resultados difusos e não
específicos

Quadro 5 – Vantagens da Avaliação Quantitativa e da
Qualitativa.
Fonte: Adaptado de Almeida (2005,p. 20-30).
ABORDAGEM QUANTITATIVA
O significado é sempre
sacrificado em detrimento do
rigor matemático exigido pela
análise.
Não permite análise das
relações.

ABORDAGEM QUALITATIVA
Os resultados podem ser considerados
como verdade absoluta. Pode conduzir
a uma excessiva coleta de dados.
Depende de uma capacidade maior de
análise por parte do avaliador.
Exige maior uso do recurso tempo.

Quadro 6 – Desvantagens da Avaliação Quantitativa e da
Qualitativa.
Fonte: Adaptado de Almeida (2005, p. 20-30).

Ao identificar as vantagens e desvantagens da avaliação
quantitativa e da qualitativa, é preciso compreender que
um processo de avaliação só terá sucesso se envolver toda
a comunidade de clientes/usuários, e se o produtor se
colocar também como consumidor dos serviços prestados
na UI em que atua.
Quantos aos métodos, os mais utilizados são ServQual;
LibQual+; Método de Avaliação Contingencial (MAC);
Sensemaking; Balanced Scorecard (BSC); Benchmarking;
Plan-Do-Check-Act – PDCA; entre outros. O Quadro 7
apresenta os referidos métodos e suas características.
MÉTODOS

AUTORES

ServQua

Parasuraman,
Zeithaml e
Berry (1985;
1988)

OBJETIVOS DOS MÉTODOS PROPOSTOS
O ServQual é um instrumento de avaliação flexível,
abrangente e genérico orientado para uma avaliação
macro do desempenho da biblioteca, não para avaliar
serviços específicos (WHITE e ABELS, 1995).

Igami
Sampaio e
Vergueiro
(2004)
LibQual+®

Melo e

O LibQual+® surgiu em 1999 e foi desenvolvido por

�Sampaio
(2010)
Lubisco
(2011)
Brito e
Vergueiro
(2012)

uma parceria entre a AssociationofResearchLibraries e
a Texas A&amp;M University, baseada no modelo ServQual.
O método LibQual+® tem como principal enfoque
apoiar os bibliotecários e gestores de informação a
conhecer a percepção dos utilizadores. O parecer dos
utilizadores é um dado fundamental para melhorar a
qualidade dos serviços prestados e identificar as
necessidades de informação dos
utentes(PARASURAMAN; ZEITHAML; BERRY, 1985).

Kiran e Diljit
(2012)
Balanced
Scorecard
(BSC)

Melo e
Sampaio
(2010)
Norton
(2002)

Método de
Avaliação
Contingencial
(MAC)

Benchmarking

Sensemaking

Plan-DoCheck-Act –
PDCA

Oliveira e
Coelho (2007)
Melo e
Sampaio
(2010)
Spendolini
(1993)

“[...] a origem do atual Balanced Scorecard - BSC foi a
experiência da General Eletric (GE), na década de
1950, a partir de um sistema de gerenciamento
semelhante ao Balanced Scorecard. Esse sistema de
planejamento e controle se constituía de sete
indicadores de performance divididos em perspectivas
financeiras, de clientes, internas e de recursos
humanos. Enfocava a lucratividade e produtividade no
curto prazo e o crescimento e liderança no longo prazo”
(NORTON, 2002, p.1 apud SCARDOELLI; SOUZA, 2013,
p. 3).
Método de Avaliação Contingencial (MAC) tem como
objetivo estimar a razão do Custo/Benefício e o
Balanced Scorecard (BSC).

Benchmarking é um processo contínuo e sistemático
para avaliar produtos, serviços e processo de trabalho
de organizações que são reconhecidas como
representantes das melhores práticas, com a finalidade
de melhoria organizacional.

Behr, Moro e
Estabel (2010)

O método Sensemaking é ummodelo que dispõe sua
abordagem de maneira a criar um movimento no
usuário do sistema, transformando dúvida em ação.

Nascimento
et. al.(2011)

Também conhecido como método gerencial descrito
pelas letras: PDCA, que significa, em seu idioma de
origem, PLAN-DO-CHECK-ACT, conhecido também
como Método de Melhorias PDCA, ciclo PDCA, ciclo de
Shewhart ou ciclo de Deming.

Quadro 7 – Métodos de Avaliação de Serviços em UI.
Fonte: Elaborado pela autora (2016).

A literatura apresenta outros métodos utilizados para a
avaliação de serviços de avaliação, no entanto, neste texto
focamos nos mais conhecidos, uma vez que se aplicam a
todo tipo de UI, com suas características e necessidades.
Todo esforço de uma UI em realizar a avaliação dos

�serviços prestados deve ser considerado como um valioso
mérito para a melhoria de suas atividades. Neste capítulo,
não foi aprofundado a qualidade dos serviços prestados por
uma UI, pois esse tema será abordado por outro autor
neste livro.
Assim, foram relacionadas somente as principais
informações que devem constar no processo de avaliação
de serviços de uma UI, com o propósito de proporcionar ao
leitor orientações básicas sobre o tema abordado.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desafio de abordar um tema tão amplo nos leva a
considerá-lo como um vasto campo do conhecimento a ser
explorado, com suas vertentes fundamentadas na área da
Administração. Assim, o tema proposto – a avaliação dos
serviços de informação – pode ser considerado somente
uma pequena visão de tão importante atividade a ser
desenvolvida por uma UI.
Recomenda-se que a UI tenha seu planejamento
estruturado e bem definido, para que o processo de
avaliação seja profícuo; que o foco seja sempre seu
cliente/usuário para que sua existência seja justificada;
que os gestores e profissionais da informação tenham
consciência de que são produtores e consumidores dos
serviços ofertados, para que haja a interação entre os
mesmos; que se utilizem dos métodos, metodologias,
ferramentas tecnológicas e de todos os instrumentos
disponíveis para agilizar e facilitar o processo de avaliação,
com vistas a alcançar com mais clareza, credibilidade e
rapidez os resultados esperados; e que os resultados da
avaliação sejam disseminados e divulgados, aceitando as
críticas e propostas de melhorias.
Sugere-se também que as discussões apresentadas por
Lubisco (2014) sobre os indicadores apresentados pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) para a avaliação da UI (representada

�aqui pela biblioteca universitária – BU) sejam mais
aprofundadas e que bibliotecários destas UI participem
mais destas discussões.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ALMEIDA JUNIOR, O. F. de. Biblioteca pública: avaliação
de serviços. Londrina: Eduel, 2003.
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de Bibliotecas e
serviços de informação. 2 ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005.
BARBOSA, M. L. A.; FRANKLIN, S. Controle, avaliação e
qualidade de serviços em unidades de informação. In:
LUBISCO, N. M. L. (Org.) Biblioteca universitária:
elementos para o planejamento, avaliação e gestão.
Salvador: EDUFBA, 2011.

BEHR, A.; MORO, E. L. da S.; ESTABEL, L. B. Uma
proposta de atendimento às necessidades de informação
dos usuários da biblioteca escolar por meio do
benchmarking e do sensemarking. Inf. &amp; Inf., Londrina, v.
15, n. 1, p. 37-54, jun./jul. 2010. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/4
BORGES, M. E. N. O essencial para a gestão de serviços e
produtos de informação. Pesq. Bras. Em Ci. da Inf. e
Bib.,Campinas, v.5, n. 1, p. 115-128, jul./dez. 2007.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pbcib/article/view/7080
BRITO, G. F. de; VERGUEIRO, W. de C. S. Avaliação da
qualidade
da
biblioteca
acadêmica:
a
metodologiaLIBQUAL+® e suas perspectivas de aplicação
no Brasil. In.: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,13., 2012, Rio de Janeiro.
Anais eletrônicos...Rio de Janeiro: ANCIB, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://eprints.rclis.org/17886/1/Artigo_Gisele_ENANCIB_anais.pdf
CORRÊA,

H.

L.;

CAON,

M.

Gestão

de

serviços:

�lucratividade por meio de operações e de satisfação dos
clientes. São Paulo: Atlas, 2002.

DAVOK, D. F. Modelo de meta-avaliação de processos
de avaliação da qualidade de cursos de graduação.
2006. 261 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção)
–Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
2006.
Disponível
em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/88899/231
sequence=1&amp;isAllowed=y&gt;.
DAVOK, D. F.; GARCIA, R. I. Modelo de avaliação de valor
e mérito de estoques de informação de bibliotecas
universitárias. Encontros Bibli, Florianópolis, v. 19, n. 39,
p.
19-42,
jan./abr.
2014.
Disponível
em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2014v19n39p19&gt;.
DHOLAKIA, N.; MUNDORF, N.; DHOLAKIA, R. R. Novos
serviços de informação e comunicação: um quadro de
referência estratégico. Ci. Inf., Brasília, v. 26, n. 3, p.
235-242,
set./dez.
1997.
Disponível
em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/763&gt;.
DUARTE, E. J.; VIEIRA, F. S.; SILVEIRA, J. da; LOPES, A.
F. Os serviços e os produtos de informação oferecidos pela
Biblioteca Pública de Santa Catarina. Rev. ACB,
Florianópolis, v. 20, n. 3, p. 606-620, set./dez. 2015.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1100&gt;.
GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um
novo enfoque no suporte à educação a distância. Ci. Inf.,
Brasília, v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002. Disponível
em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v31n2/12907.pdf&gt;.
GIANESI, I. G. N.; CORRÊA, H. L. Administração
estratégica de serviços: operações para a satisfação do
cliente. São Paulo: Atlas, 2009.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

�IGAMI, M. P. Z.; SAMPAIO, M. I. C.; VERGUEIRO, W. de C.
S. O uso do ServQual na verificação da qualidade dos
serviços de unidades de informação: o caso da biblioteca
do IPEN. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais… Natal, 2004.
CD-ROM.
INTERNATIONAL
ORGANIZATION
FOR
STANDARDIZATION.ISO 9004-2:1991 –Guidelines for
managing the quality of service activities.Genève, 1991.
______.ISO
11620/98:2003–
Information
and
documentation – library performance indicators.Genève,
2003.
______. ISO 2789:2003 – Information and documentation
– library performance.Genève, 2003.
JOINT COMMITTEE ON STANDARDS FOR EDUCATIONAL
EVALUATION.The program evaluation standards: how
to assess evaluations of educational programs. 2. ed.
Thousand Oaks, CA: Sage, 1994.
KIRAN, K.; DILJIT, S. Modeling web-based library service
quality.Library &amp;Information Science Research, v. 34,
n. 3, p. 184-196, 2012.
KRAEMER, M. E. P. Avaliação da aprendizagem como
construção do saber. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL
SOBRE GESTIÓNUNIVERSITARIA EM AMERICADELSUR, 5.,
2005, Mar Del Plata. Anais... Mar Del Plata, 2005. CDROM.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços
bibliotecas. Brasília: Brique de Lemos, 2004.

de

LEITÃO, B. J. M. Avaliação qualitativa e quantitativa
numa biblioteca universitária: grupos de foco. Rio de
Janeiro: Interciência, 2005.
LUBISCO, N. M. L. Biblioteca universitária: elementos
para o planejamento, avaliação e gestão. Salvador:
EDUFBA, 2011.

�_______. Bibliotecas universitárias, seus serviços e
produtos: transposição de um modelo teórico de avaliação
para um instrumento operacional. PontodeAcesso,
Salvador, v.8, n.3, p. 80-141, dez. 2014. Disponível em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/128
_______. Biblioteca universitária: elementos para o
planejamento, avaliação e gestão. In: SEMINÁRIO
AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA:
CONTEXTO, DINÂMICA E RESULTADOS, 20.,2011. Anais
... Salvador, 2011.CD-ROM.

MARTINS, S. G.; SANTOS, A.S. dos; CARVALHO, L. M. O
benchmarking e sua aplicabilidade em unidades de
informação: uma abordagem reflexiva, Interface, Natal,
v. 7, n. 1, p. 57-68, jan./jun. 2010. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/19021/1/Mar
Benchmarking-e-sua-aplicabil_6707.pdf&gt;.
MELO, E. de S; SCARVADA, A. J.; ALMEIDA, M. Gestão de
serviços em bibliotecas e unidades de informação da
literatura – 2010 a 2014. Polêmica, Rio de Janeiro, v. 15,
n. 1, p. 39-59, maio/jun. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/16001/12043

MELO, L. B.; SAMPAIO, M. I. C. Medição da Qualidade em
Bibliotecas e Centros de Informação: Novos Indicadores de
Desempenho. Actas, Portugal, n. 10, p. 1-10, 2010.
Disponível
em:
&lt;http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/vie
MICHAELIS. Dicionário online de língua portuguesa.
2016. Disponível em:&lt;http://michaelis.uol.com.br&gt;.
MILET, E. B. Qualidade em serviços: princípios para a
gestão contemporânea das organizações. Brasília: IBICT,
1997.
NASCIMENTO, S. do; BORTOLUZZI, S. C.; DUTRA, A.;
ENSSLIN, S. R. Mapeamento dos indicadores de
desempenho organizacional em pesquisas da área de

�Administração, Ciências Contábeis e Turismo no período de
2000 a 2008. R.Adm., São Paulo, v.46, n.4, p.373-391,
out./nov./dez.
2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/rausp/v46n4/a04v46n4.pdf&gt;.

OLIVEIRA, A., APARECIDA, C., ROMERO. G. M. Avaliação:
conceitos em diferentes olhares, uma experiência
vivenciada no curso de pedagogia. Disponível em:
&lt;http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/510_

OLIVEIRA, M. L.; COELHO, M. P. Valorização de bens e
serviços culturais: o método de avaliação contingencial
aplicado ao caso das bibliotecas. Actas,Portugal, n. 9,
2007.
Disponível
em:
&lt;http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/vie

PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L.
SEVQUAL: a multiple-item scale for measuring consumer
perceptions of service quality. Journal of Retailing, New
York, v. 64, n. 1, p. 12-37, 1988.Disponível em:
&lt;http://areas.kenanflagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/

PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L.A
conceptual model of service quality and its implications for
future research. Journal of Marketing, New York, v. 49,
n.
4,
p.
41-50,
1985.Disponível
em:
&lt;http://areas.kenanflagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/

PASSOS, K. G. F. dos; MENEGATTI, Y; SILVA, J. M. da;
RADOS, G. J. V. Avaliação da qualidade dos serviços em
unidades de informação: proposição de uma metodologia.
Inf. &amp;Inf., Londrina, v. 18, n. 3, p. 154-174, set./dez.
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1
______. Ações de informação em ciência e tecnologia:
aspectos institucionais em um modelo sócio-técnico
emergente. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013. Florianópolis. Anais
eletrônicos... Florianópolis: ANCIB, 2013. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/24617/&gt;.

�ROCHA, E. C.; SOUSA, M. F. E. Metodologia para
avaliação de produtos e serviços de informação.
Brasília: IBICT, 2011.
RODRIGUES, L. H.; PANTALEÃO, L. H.; SCHUCH, C. Uma
Abordagem para Construção de Sistemas de
Indicadores Alinhando a Teoria das Restrições e o
Balanced
Scorecard.
[200?]
Disponível
em:
&lt;http://gmap.unisinos.br/recursosdidaticos/trensurb/mod1-gestao-publica/artigoenanpad%20Indicadores.pdf&gt;.
ROMANI, C.; BORSZCZ, I. (Orgs.). Unidades de
informação: conceitos e competências. Florianópolis:
Editora UFSC, 2006.

ROZADOS, H. B. F. Uso de indicadores na gestão de
recursos de informação. Rev. Dig. de Bib. e Ci. da Inf.,
São Paulo, v. 3, n. 1, p. 60-76, jul./dez. 2005. Disponível
em:
&lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/2

SANTOS, L. C. Projeto e análise de processos de
serviços: avaliação de técnicas e aplicação em uma
biblioteca. 2000. 145f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa
Catarina,
Florianópolis,
2000.
Disponível
em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/79217/174
sequence=1&gt;.

SCARDOELLI, L. A. SOUZA, M. A. de. A aplicabilidade da
ferramenta Balanced Scorecard – BSC em uma biblioteca
universitária. Múltiplos Olhares em Ciência da
Informação, v. 3, n. 1, p. 1-20, mar.2013. Disponível
em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/viewFil
SLACK,
N.
Vantagem
competitiva
em
manufatura: atingindo competividade nas operações
industriais. São Paulo: Atlas, 1993.
TARAPANOFF, K.; ARAÚJO JÚNIOR, R. H. de; CORMIER, P.

�M. J. Sociedade da informação e inteligência em unidades
de informação. Ci. da Inf., Brasília, v. 29, n. 3, p. 91-100,
dez.
2000.
Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a09v29n3.pdf&gt;.
TEIXEIRA, M. E. P. ; FARIAS FILHO, J. R. de. Avaliação dos
serviços de bibliotecas: estudo de caso UFF. In.
CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 4.,
2008, Rio de Janeiro .Anais...Rio de Janeiro, 2014.CDROM.
TOCCHETTO, M. R. L.; PEREIRA, L.C. Seleção de
indicadores ambientais para indústria com atividade
galvânica. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE
PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 28.,
2004, Paraná. Anais... Paraná: ANPAD, 2004. CD-ROM.
VAN
BELL
EN,
Hans
Michael.
Indicadores
de
desenvolvimento sustentável: um levantamento dos
principais sistemas de avaliação. In: ENCONTRO DA
ASSOCIAÇÃO
NACIONAL
DE
PÓS-GRADUAÇÃO
E
PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 26., 2002, Salvador.
Anais... Salvador, 2002. CD-ROM.
VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação.
São Paulo: Arte &amp;Ciência, 2002.
WHITE, M. D.; ABELS, E. G.Measuring service quality in
special libraries: lessons from service marketing.
SpecialLibr, v. 86, n. 1, p.36-45, 1995.
1 O termo cliente/usuário, nesse contexto, abrange a visão de vários
tipos de Unidades de Informação, visto que o foco não está voltado
somente para as bibliotecas, museus e centros de documentação.
Com exceção das citações contidas no texto e nas referências.

�5 - GESTÃO DE PROJETOS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Daniela Spudeit

1 Introdução

Nesse

capítulo, tem como objetivo apresentar o
conceito, tipos, etapas e estrutura, ciclo de vida de um
projeto, a importância da gestão de projetos em uma
organização e o papel do gerente de projetos, as boas
práticas em projetos por meio do PMBOK, alguns
programas e metodologias para elaboração, planejamento
e acompanhamento de projetos nas unidades de
informação.
Na Biblioteconomia e Ciência da Informação há poucas
publicações a respeito do assunto que estejam voltadas,
exclusivamente, à gestão de projetos em unidades de
informação, conforme verificado por Spudeit e Ferenhof
(2016). Sendo assim, destaca-se a importância dos
projetos no processo e na criação de instrumentos, a fim
de tornar a gestão efetiva na organização. Nesse sentido,
apresenta-se algumas reflexões e diretrizes para suprir
parte dessa lacuna que precisa ser aprofundada na Ciência
da Informação.
As unidades de informação são cada vez mais vistas como
organizações prestadoras de serviços, cujo principal
insumo é a informação que agrega valor às instituições e
formação do capital intelectual. É preciso que haja um
planejamento para o atendimento das necessidades
informacionais dos clientes que buscam os serviços
oferecidos pelas unidades de informação.

�Antes de falar de projetos, é preciso entender que eles
são oriundos das necessidades, problemas ou mesmo
percepções sobre algo que precisa ser melhorado ou
solucionado, ou seja, é fruto de um planejamento. Às
vezes, são problemas do cotidiano, da rotina de trabalho
em uma instituição, pode ser algo verificado em alguma
pesquisa, detectado pelo próprio gestor ou por alguém de
sua equipe ou algo apontado pelo cliente.
Os projetos também podem se originar a partir de ideias
que nascem em momentos criados pelo ócio ou ao acaso.
De onde surgem as ideias para um projeto? É sobre isso
que Steven Johnson, pesquisador da Universidade de
Columbia e escritor norte-americano sobre cultura digital e
inovação organizacional, discute no vídeo “De onde vêm as
boas ideias”, no qual defende que as ideias surgem de
palpites, da colisão ou metade de outras ideias, da
interação com outras pessoas, sob diferentes formas de
conectividade; às vezes resultam de palpites alheios ou
imparciais; algumas vezes as ideias hibernam, nem
chegando a ser registradas formalmente, precisam ser
amadurecidas por um tempo de incubação ou melhoradas
a partir da troca de informações com outras pessoas que,
nem sempre têm relação com a ideia, mas podem
contribuir efetivamente com ela. Cher (2008, p. 39) explica
que as ideias são:
71% cópia ou modificação de uma ideia encontrada
em um emprego anterior.
20% descoberta por acaso.
5% descoberta na onda da revolução de TI
4% pesquisa sistemática em busca de oportunidade
É interessante perceber que, muitas vezes, na rotina de
trabalho, as pessoas estão tão envolvidas em cumprir
metas, envolvidas com a burocracia ou com processos que
não conseguem sair da dimensão espaço/tempo para

�encontrar soluções para determinados problemas ou
necessidades (não raramente percebem que as têm no
ambiente de trabalho). Entretanto, as ideias podem surgir
em momentos de ócio, como em uma caminhada, na hora
do banho, na leitura do café, assistindo televisão ou
mesmo em algum evento.

Figura 1 – Concepção da ideia para um projeto
Fonte: Criado pela autora (2016)

A partir da concepção de ideias é que se pensa em ações
práticas que podem solucionar o problema/necessidade da
unidade de informação. No entanto, essas ações precisam
ser planejadas para que realmente sejam instrumentos de
mudança e possam, efetivamente, atingir o objetivo
proposto por meio da elaboração e execução de um
projeto.
A preocupação com o planejamento surgiu no início do
século XX quando começou o foco no controle de métodos
e padrões nas empresas e indústrias. Fayol (1841-1925)
defendia que as funções administrativas estavam
centradas nos processos que envolvia: prever, organizar,

�comandar, coordenar e controlar. Nesse caso, prever
envolvia as funções do planejamento que consistia em
projetar os cenários futuros e traçar o programa de ação
no presente. O conceito variou bastante ao longo do século
XX devido às diversas mudanças causadas pelas guerras,
industrialização, globalização e todo desenvolvimento
econômico, social, político e tecnológico, evidenciando
ainda mais a importância do planejamento para as
organizações e profissionais enfrentarem a competitividade
e concorrência.
Almeida (2005) defende que o planejamento é um
processo cíclico, com funções relacionadas que estabelece
objetivos para todo grupo, otimizando tempo, recursos e
promovendo a efetividade dos objetivos propostos no
projeto. Dessa forma, o planejamento é um processo
contínuo, permanente, reduz incertezas, diminui riscos,
melhora a qualidade, garante a realização dos objetivos se
configurando como o oposto da improvisação (ALMEIDA,
2005).
Quando o projeto é bem planejado, com etapas e recursos
definidos, é muito mais fácil de concretizar as ideias.
Assim, diz-se que o projeto é formado por um conjunto de
atividades e tarefas temporárias, porque tem um início,
meio e fim, sendo realizado dentro de um período
delimitado por uma equipe.
Almeida (2005, p. 93) enfatiza que projeto “É a unidade
elementar do processo de planejamento, constituindo-se
em um conjunto de ações e recursos para a consecução
de objetivos concretos, perfeitamente especificados e
destinados a gerar benefícios”.
Maximiano (1997, p. 20) define como “empreendimentos
finitos com objetivos definidos em função de um
problema, oportunidade ou interesse da organização”. Do
mesmo modo, o PMI (2013) esclarece que projeto é um
esforço temporário empreendido para criar um produto,
serviço ou resultado único e exclusivo.

�Para isso precisa haver recursos, um escopo bem definido
para obter mais efetividade no alcance dos objetivos
propostos e, principalmente, o projeto precisa ser
gerenciado; daí entra a gestão de projetos. A gestão de
projetos aplica os conhecimentos, habilidades e técnicas
para executar o que foi proposto de maneira efetiva e
eficaz. Vargas (2003, p. 7) explica que a gestão de
projetos:
São atividades caracterizadas por uma sequência clara e
lógica de eventos para atingir objetivos dentro de um
tempo, custo e recursos prévios definidos, combinam
recursos organizacionais e necessitam de uma
coordenação ao controle de prazos, custos e desempenho,
pois atingem todos os âmbitos de uma organização e as
partes interessadas externas à instituição, assim como os
clientes, fornecedores, parceiros, governo, etc.

Dentro dessa perspectiva, os projetos apresentam como
características: recursos e prazos definidos de começo e
fim, pelo que deve ser planejado, executado e
constantemente avaliado para checar se os objetivos
propostos estão sendo encaminhados. Além disso, os
projetos têm a entrega de produtos e/ou serviços e são
desenvolvidos por etapas, envolvendo uma equipe
multidisciplinar.
Planejar um projeto é tomar decisões que permitam
implantá-lo. Sem planejamento, não se pode iniciar um
projeto, acompanhar seu desenvolvimento e avaliar seus
resultados. A gestão de projetos se estabelece a partir de
dois passos: do estabelecimento de etapas e da definição
do (s) gerente (s) que fará o acompanhamento das etapas.
As etapas passam por fases que abrangem o analisar,
melhorar, controlar, definir, medir como um ciclo que
permitirá o alcance dos objetivos, já que “projetos sem
foco não são projetos”. (MAXIMIANO, 2002, p. 47). Desse
modo, é necessário elencar as premissas básicas de cada
etapa: O que, quanto, para quem, como, para que, quais,
por que, quando. Após definir esses pontos, as etapas
precisam ser organizadas.

�Almeida (2005) explica que o projeto abarca a definição
do objeto e objetivos, o planejamento das ações e
atividades, planejamento da capacitação da equipe de
implantação, planejamento da avaliação, planejamento das
estratégias de disseminação e comunicação, planejamento
de recursos.
A partir disso, é possível vislumbrar como ocorre o ciclo
de vida do projeto: a) fase de iniciação, b) fase de
planejamento, c) fase de execução, monitoramento e
controle, d) fase de encerramento; por isso o projeto tem
caráter temporário com início, meio e fim. Em cada fase há
etapas, em cada etapa há diferentes tarefas que precisam
ser gerenciadas.
Vargas (2003) explica que as fases permitem ajustes,
monitoramento e controle dos recursos para alcançar
metas estabelecidas. As fases são divididas em estágios ou
etapas, as quais são subdivididas em atividades ou tarefas.
Monteiro e Valentim (2008) citam que cada fase detém
características próprias, com necessidades de informação e
aprendizagem diferenciadas das atividades rotineiras da
organização.
Na estrutura de elaboração do projeto é necessário haver
logo no início uma introdução ao escopo, objetivo, uma
justificativa com argumentos relevantes para convencer o
diretor/investidor/cliente da viabilidade e da importância
do projeto. Em seguida, precisa ter uma metodologia de
execução das etapas e estratégias, recursos (pessoas,
financeiros, materiais, tecnológicos, etc.) envolvidos,
sistema de avaliação com indicadores (qualitativos e
quantitativos) para monitorar o processo, custo total do
projeto e um cronograma de execução com início, meio e
fim.
A gestão de projetos pode favorecer muito a gestão de
unidades de informação no alcance dos objetivos
propostos, das metas, no alcance da satisfação das
necessidades dos clientes, do planejamento de produtos e
serviços de informação, da otimização de recursos e tempo

�e, principalmente, a valorização da profissão do
bibliotecário e reconhecimento do espaço enquanto
ambiente de construção do conhecimento, agregando valor
à unidade de informação.

2 Desafios e importância do gerente de
projetos
Em uma unidade de informação o bibliotecário exerce
papel fundamental porque precisa assumir a função de
gerente de projetos, o que demanda perfil diferenciado e
também características, habilidades e conhecimentos, que
precisam ser construídos e desenvolvidos de forma
contínua, considerando-se as diferentes metodologias, os
programas, as diretrizes e processos contidos na gestão de
projetos.
Além de fazer a gestão do projeto para que os objetivos
propostos sejam atingidos dentro do escopo, tempo,
recursos e prazos definidos, ele precisa garantir a
qualidade ao longo do projeto, gerenciar expectativas e
criar condições à equipe na motivação, monitoramento e
gerenciamento dos riscos, além de definir um roteiro e
controlar o avanço das etapas. Vargas (2003) enfatiza as
atribuições e principais habilidades requeridas:
Criar o produto final do projeto dentro dos custos,
prazos e desempenho exigido.
Desenvolver
habilidades
comportamentais.

técnicas

e

Atingir objetivos contratuais de lucro.
Adquirir recursos adequados
quantidade e qualidade.

ao

projeto

Contratar e motivar os integrantes do time.
Desenvolver canais de comunicação efetiva.

em

�Lidar com obstáculos e possibilidade de fracasso.
Gerir estrategicamente os riscos do projeto.
Desenvolver mecanismos de negociação
garantir o cumprimento do plano do projeto.

para

Na perspectiva de Keeling (2005, p. 85) “ao contrário dos
gerentes de trabalho contínuo e rotineiro, os gerentes de
projetos não podem contar com a boa sorte e recorrer a
“sentimentos”, pois não há atalhos na administração de
projetos”, daí a necessidade de desenvolver as
competências necessárias.
Bonfim, Nunes e Hastenreiter (2012) realizaram uma
pesquisa e explicam que o gerente de projetos, em sua
função, trabalha com as diversas áreas do PMBOK, porém
com mais ou com menos intensidade, variando de acordo
com o projeto e com a estrutura organizacional. Assim,
apresenta alto índice de participação em quase todas as
áreas.
Nessa pesquisa foi verificado que as áreas da qualidade,
riscos e custos são as que o gerente mais apresenta
dificuldades. Os autores explicam que a qualidade é
realmente difícil, pois às vezes não se consegue garanti-la,
uma vez que o escopo e o custo são alterados. O risco se
torna difícil quando não é identificado no começo; estando
em todas as fases do projeto, deve adequar a ideia aos
limites. O custo não é difícil de ser cumprido, quando já
tem a experiência em gerenciar projetos, pois é habitual,
já definido pela empresa e, geralmente, a diretoria
garante. O custo está em todas as áreas do projeto.
(BONFIM, NUNES, HASTENREITER, 2012).
Em geral, um projeto deve ter um início, meios claros e
deve representar um trabalho não rotineiro, conforme
PMBOK (PMI, 2013). O ambiente de projeto é propenso às
tensões de prazo, custo e qualidade, ao qual o gerente de
projetos precisa estar atento.
Há

diferentes

graus

de

interesses,

necessidades

e

�profissionais oriundos de diversos setores ou empresas. A
questão de autoridade fica comprometida e não raramente
conflituosa. Um grande desafio é a comunicação para que
todos tenham informações válidas, consistentes e no
tempo necessário. (PMI, 2013).
Nesse contexto, uma das principais habilidades está
relacionada aos fatores críticos de sucesso, por isso gerar
competências em projeto passa a ser fundamental às
instituições que buscam vantagem competitiva. Kerzner
(2011) cita alguns fatores críticos:
1. Fase de aceitação pela gerência executiva:
Considerar as recomendações dos funcionários;
Reconhecer que a mudança é necessária; Entender
a participação dos executivos na gestão de
projetos.
2. Fase de Aceitação pelos gerentes de área:
Disposição para colocar os interesses da empresa
acima dos interessas pessoais; Disposição de
aceitar responsabilidades; Disposição de aceitar o
progresso de colegas.
3. Fase de crescimento: Reconhecer a necessidade de
uma metodologia empresarial; Apoiar um padrão de
monitoramento e de relatório; Reconhecer a
importância do planejamento efetivo.
4. Fase
de
maturidade:
Reconhecer
que
a
programação e os custos são inseparáveis; Rastrear
os custos reais; Desenvolver treinamento em
gestão de projetos.
Em cada uma das etapas e fases do projeto, há fatores
críticos que o gerente de projetos precisa estar atento, a
fim de que os projetos sejam exequíveis e exitosos.
O gerente detém alta responsabilidade que exige
capacidade técnica, conhecimentos específicos no escopo
do projeto, conhecimento sobre o perfil e habilidades dos

�membros da equipe, assim como conhecimento em
gerenciamento de projetos. Assim, a elaboração unilateral
do projeto deve ser evitada, desconsiderando a
participação de outras partes interessadas e membros da
equipe para que se sintam importantes no processo.
Oferecer capacitação às pessoas da equipe envolvida,
assim como conhecer o perfil e competências de cada um,
ajudará muito o gerente na divisão das atividades e tarefas
em cada etapa do projeto.
Coletar informações dos diferentes stakeholders (partes
envolvidas, tais como fornecedores, clientes, comunidade,
equipe, governo, etc.) na fase de diagnóstico, também, é
um passo importante para delimitar o escopo e objeto
(problema/necessidade).
O objetivo do projeto precisa ser específico, mensurável,
atingível,
relevante
e
temporal,
oportunizando
o
acompanhamento e execução dentro de um prazo definido
e que permita a construção de metas com indicadores.
O projeto precisa ser muito bem fundamentado, contendo
justificativa
relevante
e
contextualizada;
bem
argumentado, considerando as necessidades locais para
atrair patrocinadores, doadores ou apoiadores.
Percebe-se, ainda a necessidade de um bom plano de
comunicação na captação desses recursos, que atraia os
investidores
e
auxilie
na
prestação
de
contas,
posteriormente, assim como avaliação do processo.
Outro fator bem importante é o plano de contingência que
consiste em um plano como parte da política de segurança
da organização. Deve descrever as medidas que uma
empresa deve tomar, incluindo a ativação de processos
manuais ou o recurso de contratos, para assegurar a
continuidade dos seus processos de negócio, essenciais no
caso de falha no sistema, conforme explica Freitas (2013);
sendo assim, as premissas, restrições e riscos devem ser
considerados.

�A atenção também deve ser voltada à gestão financeira,
já que custos e tempo são os principais fatores críticos no
alcance dos objetivos. A planilha de orçamentos do projeto
deve ser monitorada, compatível e coerente com o projeto,
tendo valores reais de mercado. Para isso, há ferramentas
e programas que podem auxiliar o gerente de projetos,
facilitando o trabalho do profissional- gerente.
Ainda em relação aos fatores críticos de sucesso que o
gerente de projetos precisa estar atento, Vargas (2003) e
Gido e Clemente (2007) esclarecem que um projeto bem
sucedido é aquele realizado conforme o planejado.
Segundo os autores, para obter sucesso num projeto é
preciso que seja concluído dentro do tempo e orçamento
previsto, ter utilizado os recursos eficientemente sem
desperdícios, ter atingido a qualidade e desempenho
desejado, ter sido concluído com o mínimo possível de
alterações em seu escopo, ter sido aceito sem restrições
pelo contratante ou cliente, terem sido empreendidos sem
que ocorresse interrupção ou prejuízo nas atividades
normais da organização, não ter agredido a cultura da
organização, entre outros.
Para resolver esses fatores e obstáculos que podem
prejudicar a execução de um projeto, o PMI1 desenvolveu
um guia de boas práticas para facilitar o trabalho dos
gerentes de projetos e efetivação da gestão nas
organizações. Dessa forma, nasceu o PMBOK® que é
conhecido como a bíblia da gestão de projetos, dividido
em: escopo, custo, tempo, qualidade, integração, recursos
humanos, comunicação, riscos, aquisição, conforme será
tratado a seguir.

3 Diretrizes e boas práticas por meio do
PMBOK® para gestão de projetos
É premente observar que, atualmente, as organizações

�enfrentam
demandas
no
ambiente
competitivo,
caracterizado pela valorização do capital intelectual,
trabalho colaborativo, inteligência competitiva e gestão do
conhecimento.
Spudeit e Ferenhof (2016) alertam que devido a isso,
torna-se indispensável às organizações o desenvolvimento
deum modelo de gestão de projetos com foco em
prioridades e objetivos estabelecidos bem claros,
baseando-se num processo estruturado e lógico para lidar
com eventos que se caracterizam por essa dinâmica
ambiental.
Deste modo, para pensar em diretrizes auxiliadoras no
desenvolvimento
dos
projetos
e
aplicação
de
conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às
atividades do projeto que atendesse seus requisitos, um
grupo de gestores de projetos se uniu e começou a
compartilhar informações pertinentes ao sucesso e
fracasso na gestão de projetos, surgindo, assim, o Project
Management Institute (PMI) e a primeira versão do Guia
de Melhores Práticas de Gerenciamento de Projetos
(Project Management Body of Knowledge - PMBOK®).
Spudeit e Ferenhof (2016) explicam que o PMBOK® é a
principal fonte de informação utilizada para embasar o
gerenciamento de projetos no mundo, desenvolvido pelo
Project Management Institute (PMI), uma das maiores
associações de/para profissionais de gerenciamento de
projetos. O trabalho deste instituto é auxiliar e evoluir a
área de gestão de projetos, bem como os profissionais em
suas carreiras, tornando a profissão mais consolidada.
De acordo com o PMI, o Guia é composto pelas melhores
práticas de gestão de projetos; isto significa que o
conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à
maioria dos projetos na maior parte do tempo, havendo
consenso em relação ao seu valor e sua utilidade. Ainda de
acordo com este guia, uma boa prática corresponde à
aplicação correta das habilidades, ferramentas e técnicas
já testadas, amplamente, por um grande grupo de

�gestores de projetos, podendo aumentar as chances de
sucesso em uma ampla gama de projetos (PMBOK, 2013).
Para o PMBOK®, o gerenciamento de projetos é
desempenhado por meio da aplicação e integração
apropriada de 47 processos, agrupados em 10 áreas de
conhecimento distintas: Gerenciamento de integração do
projeto, gerenciamento do escopo, gerenciamento do
tempo, gerenciamento do custo, gerenciamento da
qualidade,
gerenciamento
dos
recursos
humanos,
gerenciamento das comunicações, gerenciamento dos
riscos
do
projeto,
gerenciamento
de
aquisições,
gerenciamento das partes interessadas no projeto,
conforme na imagem a seguir:

Figura 2 – Áreas do PMBOK
Fonte: PMI (2013)

As dez áreas de conhecimento são logicamente agrupadas
em cinco processos: Iniciação; Planejamento; Execução;
Monitoramento e Controle e Encerramento, conforme
apresentadas e aplicadas em unidades de informação por
Spudeit e Ferenhof (2016). Abaixo é possível verificar

�como o PMI organiza o PMBOK:
Àreas do
Conhecimento

Integração

Grupos de Processos
Iniciação
4.1
Desenvolver
termo de
abertura de
projeto

Planejamento

Execução

Monitoramento
e Controle

4.2 Desenvolver
Plano de
Gerenciamento de
Projeto

4.3 Gerenciar e
Orientar a
Execução do
Projeto

4.4 Monitorar e
Controlar Trabalho
do Projeto

4.5 Ralizar
Controle Integrado
de Mudanças

Escopo

5.1 Planejar
Gerenciamento do
Escopo

5.5 Validar Escopo

5.2 Coletar
Requisitos

5.6 Controlar
Escopo

5.3 Definir Escopo

5.7 Controlar
Cronograma

5.4 Criar EAP
6.1 Planejar
Geranciamento de
Projeto

6.2 Definir
Atividades
6.3 Sequenciar
Atividades
Tempo

6.4 Estimar
Recursos de
Atividades
6.5 Estimar
durações de
Atividades
6.6
Desenvolver
Cronograma
7.1 Planejar

7.4 Controlar

�Gerenciamento
de Custo
Custo

Custos

7.2 Estimar
Custos
7.3 Criar
Orçamento

Qualidade

8.1 Planejar
8.2 Realizar 8.3 Realizar
Gerenciamento Gareantia de Controle de
de Qualidade Qualidade
Qualidade
9.1 Planejar
9.2 Mobilizar
Gerenciamento Equipe de
de Recursos
Projeto
Humanos
9.3
Desenvolver
Equipe do
Projeto

Recursos
Humanos

9.4 Gerenciar
Equipe do
Projeto

Comunicação

10.1 Planejar
10.2
10.3 Controlar
Gerenciamento Gerenciar
Comunicação
de
Comunicação
Comunicação
11.1 Planejar
Gerenciamento
de Riscos
11.2 Identificar
Riscos

Riscos

11.3 Realizar
Análise
Qualitativa dos
Riscos
11.4 Realizar

11.6 Monitorar
e Controlar os
Riscos

�Análise
Quantitativa
dos Riscos
11.5 Planejar
Respostas aos
Riscos
Aquisições

12.1 Planejar
12.2 Reduzir 12.3
Gerenciamento Aquisições
Administrar
das Aquisições
Aquisições

13.1
Partes
Identificar
Interessadas Partes
Interessadas

13.2 Planejar
Gerenciamento
das Partes
Inressadas

13.3
Gerenciar
Partes
Interessadas

13.4 Monitorar
Gerenciamento
das Partes
InteressadasS

Figura 3 – Áreas do conhecimento e grupos de processos
do PMBOK (2013)
Fonte: PMBOK (2013)

Destaca-se que uma boa prática não significa utilizar
uniformemente e sempre todas as áreas de conhecimento
expostas em todos os projetos. Deve ser levado em conta
o tipo de projeto, tamanho, tempo destinado, fatores
organizacionais e ambientais. Cabe ao gestor de projetos,
bem como a sua equipe e à empresa em que trabalha
determinar o que é apropriado a um projeto específico.
(PMBOK, 2013).
Igualmente deve ocorrer nas unidades de informação,
visto que a gestão de projetos facilitará e efetivará a
consecução dos resultados e objetivos propostos à
melhoria do ambiente. As unidades de informação estão
cada vez mais sendo vistas como organizações prestadoras
de serviços, cujo principal insumo é a informação que
agrega valor às instituições e formação do capital
intelectual. Esse contexto aponta a necessidade de
planejamento
no
atendimento
das
necessidades
informacionais dos seus clientes.
Spudeit e Ferenhof (2016) apresentam a gestão de

�projetos como uma das alternativas para promover a
eficácia no planejamento e execução em uma unidade de
informação, por meio de soluções que atendam às
necessidades. Para isso, foi feito um estudo bibliográfico e
exploratório, objetivando a verificação de como o uso das
melhores práticas de gerenciamento de projetos pode
ajudar a gestão de unidades de informação.
Conforme os resultados obtidos, aponta-se que todas as
dez áreas do PMBOK® são aplicáveis em unidades de
informação e, cabe ao bibliotecário, promover a execução,
acompanhamento e finalização desses processos. As
unidades de informação têm como missão promover o
acesso às fontes de informação, sendo importante que
sejam adotadas as boas práticas do PMBOK®, pois
aceleram o lançamento de produtos e serviços, reduzem
custos, melhoram os controles de qualidade e aperfeiçoam
recursos e esforços.
Para facilitar a gestão dos projetos e o desempenho do
gerente de projetos, além de conhecer as diretrizes e boas
práticas do PMBOK®, há ferramentas e programas para o
gerenciamento dos projetos e alcance dos objetivos.

4 Metodologias e programas para gestão de
projetos
Segundo Kerzner (2011), o alcance da excelência em
gerenciamento de projetos não é possível sem um
processo repetitivo que possa ser utilizado em cada
projeto, o qual é chamada de metodologia de
gerenciamento de projetos.
Pelo Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de
Projetos2 (2013), realizado no Brasil, 49% das empresas
consultadas informaram a pretensão de, nos próximos 12
meses, rever ou desenvolver uma metodologia de
gerenciamento de projetos, o que pode ser visto na figura

�2. Se houvesse uma metodologia universal, não seria
necessário esse esforço das Organizações.

Figura 4 - Iniciativas em gerenciamento de projetos
Fonte: PMI3 (2013)

Nesse contexto, Kerzner (2011) declara que
metodologia de gerenciamento de projetos deve ter:

uma

Um grau recomendado de detalhes;
Uso de modelos;
Técnicas
padronizadas
programação e controle;

de

planejamento,

Formato padronizado de relato de desempenho;
Flexibilidade na aplicação nos projetos;
Flexibilidade para melhorias, quando necessário;
Facilidade de entendimento e aplicação;
Ser aceita e aplicada em toda a Organização.
Dentro dessa perspectiva, uma metodologia é, portanto,
uma adaptação, à realidade da instituição de acordo com o
custo/benefício das práticas do mercado, das experiências

�dos profissionais e aquelas encontradas na literatura na
área de gestão da qualidade, como o próprio Ciclo de
Deming (PDCA), Programa 5S, Balanced Scorecard,
ServQual, entre outros abordados em outro capítulo nesse
livro.
Contudo, ainda não há uma metodologia que possa ser
utilizada em qualquer empresa ou projeto; as boas práticas
existem, conforme relatadas anteriormente por meio do
uso do PMBOK® Guide, que apresenta 47 processos de
gerenciamento de projetos, desde o planejamento até os
documentos
de
saída
desses
processos.
Outra
recomendação é a utilização de programas e aplicativos à
gestão de projetos, tais como:
DropboxServiço
para
armazenamento
e
compartilhamento de arquivos baseado no conceito
de "computação em nuvem" ("cloud computing"),
que permite criar uma pasta virtual no seu
computador, ficando armazenada na nuvem.
XMind - Ferramenta de código aberto para a
elaboração de mapas mentais, uma espécie de
diagrama usado na representação e relacionamento
dos aspectos distintos de uma ideia ou projeto a ser
executado. Assim, fica mais fácil visualizar o
“problema” ou memorizar algum conteúdo.
GanttProject - O programa permite a adição de
tarefas com data de início e fim. Além disso, aqui
também será possível cadastrar pessoas envolvidas
no desenvolvimento das tarefas, de modo a facilitar
o seu controle.
Prezi - Ferramenta online gratuita, totalmente
diferente dos programas para a criação de
apresentações em slide, a começar pelo simples
fato de que o aplicativo não se limita ao espaço
retangular daquele.
Trello - Ferramenta de gerenciamento de projetos

�em listas extremamente versátil, sendo possível
aplicar prazos e responsáveis na atividade,
individualmente, priorizando algumas tarefas mais
importantes. Pode ser ajustada de acordo com as
necessidades do usuário.
DeskAway – Aplicativo que oferece serviço de
gerenciamento de projetos online, em que podem
ser inseridos prazos e características de uma tarefa
a ser realizada, possibilitando acesso de todos os
colaboradores do projeto de qualquer lugar.
jxProject – Software de código aberto com
ferramentas simples e eficientes ao gerenciamento
de projetos. É possível inserir tarefas em cada
linha, definir características como porcentagem já
concluída do projeto, horas trabalhadas, dias totais
de duração e, inclusive, traçar no calendário, com o
mouse, uma linha que vinculará os projetos.
Além destes, tem MS Projetc, Project ModelCanvas, Open
Project, WBStool, DotProject, entre outros que permitem
organizar o cronograma, atividades, processos e atribuir
responsabilidades para visualizar as etapas do processo
torná-lo exequível. Há vários aplicativos e programas
online
disponíveis,
gratuitamente
ou
pagos,
que
proporcionam ao gerente de projetos o acompanhamento
de cada etapa do projeto, bem como o controle de
arquivos, pastas, prazos, recursos, entre outros aspectos
importantes e necessários ao sucesso daquele, conforme
ressaltado nesse capítulo.

5 CONSIDERAÇÕES
Na Biblioteconomia e Ciência da Informação há poucas
publicações a respeito do assunto direcionadas à gestão de
projetos em unidades de informação. Logo, nesse capítulo
destacamos a importância dos projetos no processo e na
criação de instrumentos, objetivando tornar a gestão

�efetiva por bibliotecários, assim também contribuindo com
algumas reflexões e diretrizes no suprimento de parte
dessa lacuna na formação e atuação desses profissionais.
Conceitos, tipos, etapas, estrutura e ciclo de vida de um
projeto foram discutidos para possibilitar a reflexão e a
percepção sobre a importância da gestão de projetos em
uma organização; os desafios e o papel do gerente de
projetos com destaque ao bibliotecário enquanto peçachave nesse processo, que exige o desenvolvimento de
determinadas competências, a fim deque este profissional
elabore, execute, acompanhe e monitore os projetos
voltados às necessidades das unidades de informação.
A partir da concepção de ideias é que são pensadas as
ações
práticas
que
podem
solucionar
o
problema/necessidade
da
unidade
de
informação.
Entretanto, essas ações precisam ser planejadas pelo
bibliotecário para que realmente sejam instrumentos de
mudança e possam, efetivamente, alcançar o objetivo
proposto por meio da elaboração e execução de um
projeto.
Essa empreitada deve ser balizada por recursos, por meio
de um escopo bem definido, a fim de ser obtida a
efetividade no alcance dos objetivos propostos e,
principalmente, o projeto precisa ser gerenciado. Aqui
entra a gestão de projetos e o papel do bibliotecário como
gerente de projetos na unidade de informação para
sedimentar essa importante iniciativa.
Em uma unidade de informação, o bibliotecário exerce
papel fundamental, porque precisa assumir a função de
gerente de projetos, o que demanda um perfil diferenciado
e também características, habilidades e conhecimentos, os
quais precisam ser construídos e desenvolvidos de forma
contínua, considerando-se a existência de metodologias,
programas, diretrizes e processos distintos e integrantes
da gestão de projetos.
Em cada uma das etapas e fases do projeto, há fatores

�críticos que o gerente de projetos precisa estar atento para
que os projetos sejam exequíveis e exitosos. O gerente
detém alta responsabilidade, exigindo-lhe capacidade
técnica, conhecimentos específicos no escopo do projeto,
conhecimento sobre o perfil e habilidades dos membros da
equipe, assim como conhecimento em gerenciamento de
projetos.
Para resolver esses fatores e obstáculos que podem
prejudicar a execução de um projeto, apresentaram-se as
áreas do PMBOK® que é um guia de boas práticas para
facilitar o trabalho dos gerentes de projetos e efetivação da
gestão nas organizações.
É importante ressaltar que todas as dez áreas do
PMBOK® são aplicáveis em unidades de informação,
cabendo
ao
bibliotecário
promover
a
execução,
acompanhamento e finalização desses processos. As
unidades de informação têm como missão promover o
acesso às fontes de informação, assim é importante que
sejam adotadas as boas práticas para acelerar o
lançamento de produtos e serviços, reduzir custos,
melhorar os controles de qualidade, otimizar recursos e
esforços.
Para facilitar a gestão dos projetos e o desempenho do
gerente de projetos, além de conhecer as diretrizes e boas
práticas do PMBOK®, há ferramentas e programas, tais
como Dropbox, Trello, xMind, GanttProject, jxProject
entre outros que podem auxiliar no gerenciamento dos
projetos e alcance dos objetivos apresentados nesse
capítulo. Espera-se que os bibliotecários busquem o
conhecimento de diferentes recursos, metodologias,
programas que podem ajudá-lo em seu ambiente de
trabalho e a interagir com profissionais de variadas áreas,
tendo
por
finalidade
a
formação
de
equipes
multidisciplinares, visando à melhoria dos serviços
prestados pelas unidades de informação.

�REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina. Planejamento de bibliotecas
e serviços de informação. 2.ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005.
BOMFIN, David Ferreira; NUNES, Paula Cristine de Ávila;
HASTENREITER,Flávio. Gerenciamento de Projetos segundo
o Guia PMBOK: Desafios para os Gestores. Revista de
Gestão e Projetos - GeP, São Paulo, v. 3, n. 3, p 58-87,
set./dez.
2012.Disponível
em:
&lt;http://revistagep.org/ojs/index.php/gep/article/view/78/307
CHER, Rogério. Empreendedorismo na veia: um
aprendizado constante. Rio de Janeiro: SEBRAE, 2008.

FREITAS, Thiago Rodrigo de. Plano de contingência de
negócios e serviços. Monografia (Curso Superior de
Tecnologia
em
Sistemas
deTelecomunicações).
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba,
2013.
Disponível
em:
&lt;http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/3025/1/CT_CO
GIDO, J., CLEMENTS, J. P. Gestão de projetos. São
Paulo: Thomson Learning, 2007.
KEELING, R. Gestão de projetos: uma abordagem global.
São Paulo: Saraiva, 2005.
KERZNER, Harold. O que os gerentes precisam saber
sobre projetos.Rio de Janeiro: Bookman, 2011.
MAXIMINIANO, Antonio. Administração de projetos:
como transformar ideias em resultados. São Paulo: Atlas,
2002.
MONTEIRO, Nabor Alves; VALENTIM, Marta Lígia Pomim.
Necessidades informacionais e aprendizagem no ciclo de
vida de um projeto. Revista Digital de Biblioteconomia
&amp; Ciência da Informação, v. 5, n. 2, 2008.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um Guia do
Conhecimento em Gerenciamento de Projetos: Guia

�PMBOK®. 5. ed.[S.l.]: PMI, 2013.
SPUDEIT, Daniela. FERENHOF, Helio. A aplicação do
PMBOK® na gestão de projetos em unidades de
informação. Informação &amp; Informação, Londrina, 2016.
NO PRELO.
VARGAS,
Ricardo.
Gerenciamento
de
projetos:
estabelecendo diferenciais competitivos. 5. ed. Rio de
Janeiro: Brasport, 2003.
1 O Project Management Institute (PMI) é uma instituição
internacional sem fins lucrativos que associa profissionais de gestão
de projetos. No início de 2011 já era considerada a maior associação
do gênero no mundo, uma vez que conta com mais de 650.000
associados – em mais de 185 países. O escritório central localiza-se
em Newtown Square, na periferia da cidade da Filadélfia, em
Pensilvânia (Estados Unidos). Seus principias objetivos são: formular
padrões profissionais de gestão de projetos; gerar conhecimento por
intermédio da investigação; promover a gestão de projetos como
profissão através de seus programas de certificação.
2
Disponível
em
http://www.pmipe.org.br/site/noticia/visualizar/id/27/PM-SURVEY--Resultados-da-edicao-2013
3 Disponível em http://www.pmsurvey.org/

�6 - O PENSAMENTO ENXUTO
COMO FORMA DE OTIMIZAR O
USO DE RECURSOS E
SIMPLIFICAR OPERAÇÕES EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Crislaine Silveira
Jordan Paulesky Juliani
Marcelo Cavaglieri

1. INTRODUÇÃO

As bibliotecas são organizações seculares e um tanto
quanto peculiares. A peculiaridade se configura por que
desde a sua origem, praticamente, os mesmos produtos e
serviços têm sido realizados e entregues aos seus
interagentes. Encontramos, mesmo em bibliotecas de
diferentes tipos, os mesmos processos sendo realizados: a
catalogação, o empréstimo e aquisição de obras, por
exemplo. Temos, portanto um "modus operandi" replicado
em diferentes bibliotecas.
Devido ao novo perfil de interagente, essencialmente
tecnológico, dotado de novas expectativas e demandas
vem ocorrendo mudanças na sua forma de funcionamento.
Barton (2007) confirma esse entendimento quando explica
que as bibliotecas estão enfrentando um período de
transformação. A ubiquidade eletrônica e a informação
disposta em rede têm mudado as expectativas dos clientes

�que esperam, cada vez mais, por uma ampla variedade de
materiais e serviços. Esta constatação é importante para
os departamentos de serviços técnicos que lidam com
aquisições, catalogação e manutenção, pois deverão
trabalhar de forma eficiente, fazendo ajustes para
assegurar o fluxo contínuo de materiais e potencializar a
eliminação dos desperdícios de recursos.
Entre as melhores práticas de gestão focadas na eficiência
organizacional está o pensamento enxuto ou Lean thinking.
Trata-se de uma filosofia de gestão que preconiza a
eliminação do desperdício de recursos e a maximização do
valor entregue aos clientes. O Lean pode ser definido como
uma filosofia de gestão que busca entregar valor sob a
ótica do cliente, otimizando a utilização dos recursos. O
objetivo é diminuir o lead time (tempo de espera) entre o
pedido do cliente e a entrega do produto ou serviço,
eliminando todos os desperdícios possíveis. (WOMACK;
JONES, 2004).
A biblioteca da Universidade de Chicago desde 2003tem
buscado o emprego de técnicas voltadas ao melhoramento
de diferentes aspectos da sua gestão. Ao aumentar a
rapidez das operações, as bibliotecas podem responder a
demanda dos seus interagentes, no sentido de terem os
materiais desejados à disposição no tempo de que
precisam e no tempo em que esperam encontrá-lo. As
experiências se iniciaram com o emprego da técnica de
mapeamento de processos e migraram para a incorporação
dos princípios do pensamento enxuto, focando na redução
do tempo de processamento de itens. Os resultados
alcançados foram expressivos, sendo que o tempo total de
processamento de itens diminuiu de 14 para 1 dia em
média. (KRESS, 2007).
Outro exemplo bem sucedido do emprego da filosofia
Lean em bibliotecas foi descrito por Tuai (2006),
envolvendo a biblioteca da Universidade de NotreDame.
Nesta biblioteca foram empregados os princípios do
pensamento enxuto com o intuito de implementar

�melhorias no processo de reservas eletrônicas1 de itens do
acervo. A autora relata que durante essa experiência foram
identificadas inúmeras atividades sem valor, atividades
realizadas desnecessariamente, existência de filas (fluxo
intermitente) e a geração de informações duplicadas
durante a execução do processo de reservas eletrônicas. O
emprego do Lean, neste caso, tornou o processo de
reservas eletrônicas ágil, mais simples e por consequência
mais eficiente.
O propósito deste estudo é apresentar e discutir as
possibilidades de emprego da filosofia Lean no espaço da
biblioteca. Busca-se provocar a reflexão do papel da
biblioteca e como ela entrega valor aos seus interagentes.
Esse é o ponto de partida para pensar numa biblioteca
enxuta: simples, ágil e que atenda aos anseios de seus
interagentes.

2. Lean THINKING
O Lean thinking, pensamento enxuto, também conhecido
como mentalidade enxuta, é uma filosofia de gestão que
visa à eliminação de desperdícios em todos os
procedimentos de uma organização. Nasceu com o Sistema
Toyota de Produção (STP); essa filosofia preconiza uma
avaliação cuidadosa, desde as atividades mais básicas até
as mais complexas, com a finalidade de identificar os
desperdícios e o valor a partir da ótica dos clientes e
interagentes.
Scuccuglia (2006, p. 12) define pensamento enxuto como
“[...] uma forma de especificar valor, alinhar na melhor
sequência as ações que criam valor, realizar essas
atividades sem interrupção toda vez que alguém a solicita
e realizá-las de forma cada vez mais eficaz.” O autor
afirma ainda que o “[...] pensamento enxuto é enxuto,
porque é a forma de se fazer cada vez mais com cada vez
menos.”
Na visão de Womack e Jones (2003), o ponto de partida

�para o pensamento enxuto é o valor final que o produto ou
serviço deve ter, sendo que o valor só pode ser definido
pelo cliente consumidor; assim sendo, é imprescindível às
organizações conhecerem seus clientes, a fim deque eles
recebam somente o desejado no momento e na quantidade
estipulada.

2.1 Origens
O desenvolvimento do pensamento enxuto teve como
base o STP. Sua história está intrinsecamente ligada ao
crescimento do sistema de produção de automóveis,
vivenciado no início dos anos de 1940 pela indústria
montadora de veículos Toyota e, também, à mudança de
modelos, à forma de gerenciar os processos, possibilitando
maior produtividade e redução de custos.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, o Japão
enfrentava um cenário de escassez de recursos de
produção e de capital à produção em massa. Para se
manter no mercado, o presidente da Toyota, na época, o
engenheiro EijiToyoda foi estudar o parque de produção
Rouge da Ford nos Estados Unidos, considerado o mais
eficiente do mundo na produção de automóveis da época.
No final de sua avaliação, retornou ao seu país junto ao
engenheiro de produção Taiichi Ohno, concluindo que a
produção em massa, em termos de desenvolvimento
econômico, não oferecia no Japão, os mesmos resultados
que nos Estados Unidos. Em vista disso, era preciso pensar
um novo sistema de produção mais eficiente à realidade do
país. (GREEF; FREITAS; ROMANEL, 2012).
Em 1945, com o Japão saindo derrotado da Guerra,
Kiichiro Toyoda, presidente da Toyota, disse ter de
alcançar a produtividade dos americanos em três anos, que
até aquele momento era 9 vezes mais eficiente, caso
contrário a indústria automobilística do Japão não
sobreviveria à crise que se alastrava pelo mundo (OHNO,
2006). Para alcançar essa meta que no início parecia quase
impossível, realizaram-se estudos no processo produtivo

�da Toyota, e o raciocínio dos engenheiros foi de que o
aumento da produtividade não bastaria para agregar valor
à produção. Já, a redução de custos na produção e o
alinhamento da oferta de produtos e demanda real de sua
comercialização (na quantidade exigida e no tempo certo
de distribuição) representariam os ganhos significativos à
sobrevivência da indústria automobilística no país (GREEF;
FREITAS; ROMANEL, 2012).
Não foi fácil, nem unânime aceitar e visualizar as falhas
de produção, pois era contrário àquilo que eles sempre
pregavam - o sistema de produção em massa -,
amplamente praticado no Ocidente, desenvolvido por
Frederick Taylor e Henry Ford no início do século XX e que
predominou no mundo por quase todo esse século. Em
consequência, durante o período pós-crise, a Toyota se
tornou muito mais competitiva comparada às indústrias
europeias e norte-americanas que mantinham os sistemas
de produção em massa inalterados. (OHNO, 2006;
SHIMOKAWA; FUJIMOTO, 2011; WOMACK; JONES; ROOS,
2004).
Com o auxílio dos próprios funcionários, novos modelos
de produção para facilitar as atividades rotineiras e
eliminação de desperdício foram implantados. Isso só foi
possível com a mudança da mentalidade das pessoas, que
passaram a ter maior participação e poder de decisão nos
processos e, consequentemente, tiveram mais aceitação e
interesse na adaptação ao novo sistema de produção mais
enxuto. Assim, a Toyota desenvolveu uma série de
técnicas de aperfeiçoamento da produção, consolidando o
Sistema Toyota de Produção e o Modelo Toyota, que deram
origem ao conceito de produção enxuta e pensamento
enxuto. (GREEF; FREITAS; ROMANEL, 2012).

2.2 Pensamento enxuto e seus Princípios
O pensamento enxuto, além de estar alinhado à
eliminação de desperdícios nas organizações, preconiza a
qualidade dos produtos e serviços, pois o fazer bem pela

�primeira vez elimina o desperdício de refazer determinada
tarefa, culminando numa perda de tempo muito menor e
na maior satisfação dos clientes.
No quadro 1, é possível visualizar uma comparação entre
o pensamento tradicional que, por algum tempo,
predominou nas empresas (sendo que algumas empresas
ainda seguem essa política conservadora por possuir
gestores tradicionalistas) com o pensamento enxuto, que
surge como uma nova forma de gestão e vem ganhando
constantemente novos adeptos.
Pensamento Tradicional
Divisão por áreas funcionais.

Os gestores emanam ordens/
diretrizes.
Foco na produção em massa sem
grande preocupação com a qualidade.
Culpabilidade das pessoas.

Pensamento Enxuto
Equipes multidisciplinares, capazes de
desempenhar várias funções quando necessário.
Os gestores ensinam/colaboram e buscam
sugestões da equipe.
Busca pela melhoria contínua com a ausência
de desperdício.
Análise das causas e das origens dos
problemas com a finalidade de resolvê-los.

A recompensa é atribuída ao
indivíduo.

A recompensa é atribuída à equipe.

O fornecedor é considerado como
adversário.

O fornecedor deve ser um parceiro comercial.

Esconder a informação e mantê-la
confidencial.

Compartilhar a Informação com a equipe.

A quantidade diminui os custos.

A qualidade e a eliminação do desperdício
diminuem o custo.

O foco é interno, na organização.

O foco está no cliente e em sua satisfação.

Atividade impulsionada pela
experiência.

Atividade impulsionada por processos que
devem fluir de maneira eficiente.

Quadro 1 - Pensamento Tradicional x Pensamento
Enxuto
Fonte: adaptado de Simões (2009).

O pensamento enxuto engloba grande variedade de
práticas, sistemas de qualidade e gestão da produção em

�um sistema integrado, que trabalha em sinergia para servir
o cliente com pouca ou nenhuma perda no processo. A
integração de tais práticas facilita os gestores a administrar
de forma eficiente os processos, culminando em uma nova
reengenharia das atividades, com participação efetiva das
pessoas que os executam. (SHAH; WARD, 2003).
O pensamento enxuto possui alguns princípios que dão
apoio ao seu conceito, embasados na identificação e
eliminação de desperdícios no decorrer de todo o processo
de fabricação de um produto ou mais recentemente de um
serviço. Tais princípios são discutidos por Womack e Jones
(2003):
a. determinar o que é valor para o cliente:
inicialmente, a empresa deve identificar e definir o
que realmente agregaria valor de determinado
produto sob o ponto de vista do cliente. Em
seguida, criar mecanismos que, efetivamente,
gerem resultados, pelos quais o cliente esteja
disposto a pagar;
b. identificar o fluxo de valor: neste processo devem
ser analisadas, minunciosamente, todas as etapas e
o fluxo que compõe a fabricação de um produto, a
fim de que seja possível a visualização de ações que
agreguem ou não valor na condução do produto,
identificando os desperdícios com a finalidade de
eliminá-los;
c. implantar fluxo contínuo: identificando o que gera
valor ao produto é possível eliminar os obstáculos
que dificultam e atrasam o processamento, gerando
um fluxo mais eficiente;
d. produção puxada: nessa etapa, o cliente deve puxar
a produção, ou seja, a produção deve ser efetuada
de acordo com a demanda (Just in time), evitando
superprodução e estoques;
e. perfeição: é enfatizada, por meio desse princípio,

�que sempre devem ser procurados elementos que
possam ser aperfeiçoados, pois as possibilidades de
melhoria são continuamente infinitas.
A aplicação dos princípios Lean é irrestrita ao modelo de
negócio e ao porte da empresa, pois trabalha com técnicas
que ajudam a mobilizar as pessoas na busca constante de
melhores resultados. Tem agregado valor também às
empresas que buscam maior comprometimento com a
qualidade de seus produtos e serviços, pois a
conscientização das pessoas em fazer bem para não
precisar refazer está, intrinsecamente, ligada ao modelo de
gestão.
Os princípios do pensamento enxuto permitem uma nova
abordagem às empresas que não estão mais baseadas,
exclusivamente, na aplicação de ferramentas isoladas na
solução dos problemas de gestão e produção, mas sim, no
conjunto de técnicas e ferramentas que possibilitam
entender o sistema como um todo e interligar todos os
processos num fluxo contínuo eficiente.

2.3 Técnicas e ferramentas
Os conceitos do pensamento enxuto extrapolam o campo
da teoria e expõem ferramentas práticas que auxiliam as
empresas e os gestores a transformá-las em enxutas. Esta
seção resume as principais técnicas e ferramentas
possíveis de utilização para tornar um ambiente enxuto e
mais organizado, conforme lista abaixo:
a. Os 5S: a filosofia de 5S surgiu no Japão com a
essência de mudar atitudes e condutas das pessoas
no ambiente de trabalho, cujo objetivo é
acrescentar eficiência à produção, motivando e
conscientizando as pessoas a manterem o ambiente
organizado, ordenado e acessível, gerando um
clima
organizacional
mais
saudável.
Essa
organização é a base para melhorias contínuas.

�b. Trabalho Padronizado: A padronização das
tarefas facilita a execução do processo, pois além
de ser escolhido o melhor método, permite que
outras pessoas executem a mesma atividade sem
depender de quem as criou. Para isso, a
padronização deve ser documentada e detalhada,
de modo a permitir sua fácil identificação e
implantação.
c. Células de Trabalho: a eficiência na execução de
tarefas também depende da forma como elas são
organizadas e da disposição das pessoas na linha de
produção. Para tal, antes da divisão, é preciso
avaliar as habilidades das pessoas, alinhando-as de
acordo com seu melhor desempenho, a fim de
evitar desperdícios de força humana e gerando um
produto com mais qualidade.
d. Gestão Visual: um sistema visual sendo usado de
mecanismo de comunicação, que possibilite aos
colaboradores
visão
ampla
dos
processos,
auxiliando-os na execução das tarefas e os
mantendo mais engajados nas atividades de
produção.
e. Mapeamento do Fluxo de Valor: é uma
ferramenta que possibilita revelar oportunidades de
melhoria. Mediante o mapeamento da situação
atual,é possível visualizar o que pode ser
melhorado, para assim desenhar a situação ideal ou
estado futuro. Assim, é possível visualizar melhor
as interlocuções indesejadas no caminho e eliminálas, para que o produto ou serviço seja entregue
com mais qualidade e valor agregado ao cliente
final.
f. Método FIFO (First in – First out): este método
consiste em estipular uma relação do fluxo
sistemático de produção e de informação, seguindo
uma ordem igualitária, em que os primeiros
processos a serem registrados na entrada, devem

�ser os primeiros também a serem finalizados.
g. Just In Time: é uma filosofia de gestão que
determina nada deve ser produzido, transportado
ou comprado em excesso ou no momento
inadequado. Tudo deve seguir um fluxo planejado
para evitar desperdícios, de acordo com as
perspectivas da demanda do cliente. Dessa
maneira, é possível entregar o que o cliente quer no
exato momento em que ele deseja.
h. Fluxo contínuo: é uma técnica que preconiza
movimentar um item ao longo do processo de
produção, continuamente, sem interrupções ou
estoques intermediários, em que pessoas, máquinas
ou estações de trabalho são dispostas na exata
sequência de processamento.
i. Fluxo puxado: por meio desse sistema é possível
inverter o fluxo produtivo, de modo que a
organização deixa de empurrar os produtos ao
consumidor e quem passa a puxar o fluxo de valor
e a produção é o cliente, ou seja, só será fabricado
um novo produto, havendo um pedido do cliente já
feito.
j. Kanban: é uma ferramenta visual com instruções
colocadas geralmente dentro de um envelope
transparente de vinil ou plástico que, num olhar
rápido, comunicam as informações necessárias na
estação de trabalho. Essas informações podem
estar relacionadas tanto ao fluxo de produção,
quanto ao controle de saídas e entradas de
produtos ou documentos.
k. Takt Time: é uma medida usada para projetar o
trabalho com a avaliação especificada no ritmo da
demanda do cliente.
A fórmula abaixo especifica como calcular o takt
time:

�Takt time = Tempo total disponível /
Demanda do cliente
Dependendo do resultado obtido da fórmula, é possível
ditar um ritmo menor ou maior na linha de produção.
l. Jidoka: consiste na automatização das tarefas com
um toque humano, isto é,realização automática de
tarefas somada à inteligência e ao conhecimento
humano.
m. Heijunka: serve para nivelar o planejamento da
produção, de modo que o mix (variedade de peças)
e o volume de peças sejam constantes ao longo do
tempo. Preconiza a produção de lotes pequenos
para que, no caso de alguma falha, seja mais fácil
corrigir o problema por completo.
n. Kaizen: com significado de melhoria contínua,
funciona como elemento cultural, a fim deque a
organização como um todo, sempre, busque
resultados melhores.
o. 5 Porquês: consiste numa sequencia de perguntas
do
“porquê”
está
acontecendo
determinado
problema. A finalidade é identificar a causa raiz do
problema e posterior atuação sobre ela, para que
não haja nova recorrência.
p. Qualidade da Fonte: uma técnica que reforça a
necessidade de buscar fontes confiáveis e
relevantes para o desenvolvimento de cada
atividade do processo e, também, na tomada de
decisões estratégicas da empresa.

2.3 Como aplicar o Lean
Para que possa ocorrer uma mudança organizacional em
qualquer modelo de instituição, é preciso a compreensão e
participação dos colaboradores. Sem esta participação

�dificilmente algum gestor conseguirá implantar um novo
sistema de trabalho com sucesso. Neste sentido, primeiro
passo à implantação do Lean em qualquer tipo de
organização é o treinamento e conscientização dos
colaboradores do pensamento Lean, para que eles possam
entender sua importância e participar de forma efetiva
neste processo.
Os passos seguintes devem se pautar inicialmente em
algum problema crítico, identificado pela organização, que
esteja gerando desperdício e que não esteja agregando
valor ao cliente. Identificado o problema, é possível saber
qual trabalho pode ser feito ou solução a ser adotada. Em
seguida, é preciso pensar nos recursos necessários e
desenhar um modelo de gestão futura, para que a empresa
possa otimizar os recursos e ter um desempenho melhor
ao atual, conforme ilustrado na figura abaixo. (ALBINO,
2011; MARTINS et al., 2012; TAPPING; SHUKER, 2010).

Figura 1 – Passos à implantação do Lean
Fonte: Cavaglieri (2015).

Na figura 1 estão sintetizados os passos que podem ser

�seguidos pelas organizações na implantação do Lean,
brevemente descritos a seguir:
Treinamento e conscientização dos colaboradores para o
pensamento Lean.
Mapeamento do estado atual: define como o fluxo de
valor está caracterizado na empresa, antes de qualquer
mudança. No mapeamento do estado atual, são
identificadas as tarefas realizadas pela empresa. É
levantado o tempo necessário para a sua execução e é
identificada se a tarefa acrescenta ou não valor ao fluxo.
(WOMACK; JONES, 2003).
Mapeamento do estado futuro: a partir do mapeamento
atual, deve-se excluir/adequar as tarefas, objetivando
eliminar o desperdício de recursos. O resultado desse
processo é o mapeamento do estado futuro.
Plano de ação: nesta etapa são descritas as ações (o que
fazer, quando fazer, por que fazer, quem irá fazer, como
irá fazer e quanto custará) para que o estado futuro seja
alcançado.
No entanto, dependendo da realidade da empresa, esses
passos podem sofrer alterações, pois dependerão do
ambiente, técnicas e ferramentas que forem escolhidas
para alcançar os resultados esperados e, principalmente,
quais são as necessidades dos clientes para, a partir delas
traçar metas que possam ser cumpridas com a melhoria
nos processos. Para que a empresa consiga resultados em
longo prazo, independente dos passos que forem adotados,
o ciclo deve ser contínuo, sempre avaliando e buscando
novas melhorias.

3. APLICAÇÃO DO Lean EM BIBLIOTECAS
Na literatura nacional, as publicações sobre Lean em
bibliotecas são exíguas. Numa busca na internet2 foram
encontrados dois artigos dos autores Moisés da Silva
Cabete, Nadja Polyana Felizola Cabete e Daniel Reis

�Armond de Melo. O primeiro artigo é do ano de 2014, no
qual os autores realizaram uma pesquisa com bibliotecários
gestores de bibliotecas em Manaus, tendo como objetivo a
verificação da percepção deles acerca da aplicação do Lean
Office nessas unidades de informação. Com base nesta
análise, foi constatada a concordância dos bibliotecários
em utilizar o Lean Office como uma estratégia para
aprimorar os serviços bibliotecários. O segundo artigo
desses autores é do ano de 2016, cujo objetivo foi a
discussão das possibilidades de utilização dos princípios
Lean Thinking no aprimoramento do processo de
desenvolvimento de coleções para o acervo de bibliotecas
escolares, a partir de uma análise bibliográfica.
No entanto, o que se observa com as publicações desses
artigos é que na literatura brasileira, além de escassas, as
publicações sobre o Lean em bibliotecas, não há
publicações de relatos práticos sobre a aplicação dessa
filosofia nessas unidades de informação. Dito isto, supõese que, nas bibliotecas brasileiras, essa filosofia gestão que
foca na eliminação dos desperdícios e maximização do uso
dos recursos, ainda seja desconhecida. Portanto, busca-se
com esta seção apresentar alguns relatos práticos de uso
do Lean em bibliotecas, encontrados na literatura
internacional.
Alexander e Williams (2005) relatam a aplicação do Lean
no Departamento de Processos Técnicos da Biblioteca da
Universidade do Estado de Wichita (WSU) nos Estados
Unidos. Eles descrevem que foi realizado um workshop
com duração de três dias, em que foram apresentados os
conceitos do Lean e discutidos entre os participantes os
motivos que mais causavam desperdícios nas atividades
diárias do setor. O layout dos móveis do setor e os
estoques de materiais prontos foram identificados como
causadores de desperdícios. Conforme os autores, a
melhoria nesses pontos observados contribuiu à diminuição
do tempo de processamento dos materiais, que passou de
25 para 15 dias.

�Barton, Wright e Roeder (2007) relatam que utilizaram o
evento Kaizen para melhorar o fluxo de trabalho no
Departamento Central de Serviços Técnicos da biblioteca
da Universidade de Iowa. O evento Kaizenaconteceu num
momento de modificações da estrutura organizacional da
biblioteca, onde alguns setores foram fundidos e outros
extintos. A aplicação dessa abordagem do Lean teve como
objetivo a identificação das tarefas redundantes e
trabalhos repetitivos naquele departamento. A experiência
relatada por esses autores demonstra que a filosofia Lean
também pode ser empregada para auxiliar a gestão na
reestruturação organizacional.
Murphy (2010) relata o uso do Lean Six Sigma3 na
melhoria do fluxo de informação no Serviço de Referência
Virtual da Biblioteca da Universidade do Estado de Ohio. A
autora afirma que o emprego dessa ferramenta pode
contribuir para que as bibliotecas fomentem cada vez mais
a progressão contínua de seus processos.
A Biblioteca Nacional do Reino Unido, a British Library,
também utilizou o Lean para diminuir os desperdícios. O
ex-engenheiro da Toyota, Andy Appleyard, quando passou
a fazer parte da equipe da biblioteca, usou várias formas
para engajar as pessoas a promoverem melhorias
contínuas na realização das suas atividades. (NORTH OF
ENGLAND EXCELLENCE, 2014).
Com base nos relatos apresentados, pode observar-se
que a filosofia Lean pode ser aplicada para auxiliar os
bibliotecários na gestão de bibliotecas, seja na redução do
tempo de processamento de materiais no Tratamento
Técnico, seja na reestruturação organizacional da
biblioteca ou para contribuir com o fluxo de informação no
Serviço de Referência. No entanto, para que tudo isso
funcione, são necessários alguns cuidados na implantação
dessa filosofia, conforme serão descritos na seção a seguir.

4. A IMPLANTAÇÃO DA FILOSOFIA Lean EM

�BIBLIOTECAS: alguns cuidados4
A implantação do Lean em bibliotecas requer alguns
cuidados, dentre eles, o mais importante é incentivar o
engajamento das pessoas na cultura da melhoria contínua.
Lean não é uma metodologia, cujas ferramentas são
implantadas conforme uma receita ou um passo a passo, é
uma filosofia de gestão que requer mudança no
comportamento e na forma de pensar das pessoas.
De acordo com Cervone (2015), para a implantação Lean
é necessário que o conhecimento na organização seja
amplamente compartilhado. Portanto, é necessário criar e
incentivar uma cultura organizacional voltada ao
compartilhamento. Além disso, é preciso que as pessoas
entendam claramente os objetivos da filosofia Lean,
evitando assim a criação de barreiras.
Cervone (2015) explica que os fatores de sucesso à
implantação do Lean em bibliotecas e serviços de
informação se baseiam em dois princípios: a) o esforço
para a melhoria contínua e b) as pessoas que estão
participando do processo devem ser sempre respeitadas. A
autora complementa, ainda, que os esforços para a
consecução do Lean devem ser sempre direcionados à
descoberta e resolução dos problemas que impedem a
organização de atingir seus objetivos.
Em relação ao respeito às pessoas que participam dos
processos, Kress (2007) relata que, em qualquer esforço
de melhoria de processos, as pessoas que trabalham
diretamente no processo devem ser parte da equipe focada
na mudança. Além disso, ela aponta a importância da
biblioteca na identificação das melhores práticas, a fim que
se possa ser estabelecida uma meta a ser atingida.
Murphy (2010) descreve que para a implantação do Lean
e obter sucesso, é essencial a participação da alta
administração para fornecer suporte na seleção e
fornecimento de recursos humanos e financeiros. Além do

�que, de acordo com a autora, é preciso que as iniciativas à
melhoria contínua estejam alinhadas às estratégias da
biblioteca.
Alexander e Williams (2005) afirmam que durante a
aplicação do Lean no Departamento de Processos Técnicos
da Biblioteca da Universidade do Estado de Wichita, eles
aprenderam que:
é importante definir um escopo para o projeto de
implantação do Lean com antecedência;
as pessoas pensam de forma mais eficiente, em conjunto,
do que individualmente;
uma pessoa com autoridade na tomada de decisão tem de
estar na equipe, sendo capaz de resolver problemas que
possam surgir.
há muitas ideias à melhoria que podem florescer se for
dada uma chance às pessoas de discutir e expor suas
opiniões.
Em suma, é possível afirmar que para a implementação
da filosofia Lean é necessário o planejamento de como
ocorrerão às ações, bem como a identificação dos pontos
críticos a serem melhorados. É imprescindível o
engajamento das pessoas e a formação de equipes, cujo
pensamento deve estar voltado à resolução dos problemas.
A maneira de contribuir à aplicação no Lean nas
bibliotecas está descrita no quadro 8, contendo alguns
princípios que podem ajudar os bibliotecários na obtenção
de melhores resultados.
Princípios do Lean Library
1

Conhecer o perfil dos interagentes.

2

Reconhecer o valor da informação passada.

3

Identificar desperdício de materiais e recursos humanos.

4

Eliminar atividades que não agregam valor.

5

Aumentar a efetividade nas buscas.

�6

Busca pela perfeição.

Quadro 8 - Princípios do Lean Library
Fonte: autores (2016).

a. conhecer o perfil dos interagentes: antes de
qualquer ação é indispensável saber quais são os
interagentes e suas necessidades, pois as ações da
biblioteca devem estar voltadas a este perfil;
b. reconhecer o valor da informação passada: é
preciso ter segurança da qualidade da informação
que será passada ao interagente, a fim deque não
haja desperdício de tempo de ambas as partes;
c. identificar desperdício de materiais e recursos: usar
apenas os materiais de consumo e recursos
essenciais no desenvolvimento das atividades;
d. eliminar atividades que não agregam valor: com a
visualização das atividades é agregado valor ao
interagente e ao processo ,eliminando as que não
apresentam valor;
e. aumentar a efetividade nas buscas: para isso, é
preciso ter maior eficácia no processamento técnico
das coleções, de modo a facilitar o seu acesso,
localização, utilização e intercâmbio.
f. busca pela perfeição: almejar a perfeição em todas
as atividades desenvolvidas. As técnicas e
ferramentas Lean auxiliam para transformar o
ambiente enxuto, porém o sucesso só se torna
sustentável se as pessoas e a organização
continuarem na busca constante por novas
melhorias.
Os princípios relatados acima tiveram como base os
originados do STP e suas adaptações para outros
segmentos - Lean Manufacturing, Lean Office, Lean
Construction; Lean Healthcare; Lean Service e Lean

�Archives; podendo ser úteis no direcionamento a outros
trabalhos no mesmo segmento e ajudar sua aplicação,
tendo em vista a dificuldade de encontrar trabalhos na
literatura, brasileira e estrangeira que proporcionem
melhor entendimento sobre o assunto.

5. CONSIDERAÇÕES
O levantamento feito das publicações sobre Lean na
literatura nacional apontam que o emprego dessa filosofia
de gestão nas bibliotecas brasileiras ainda está em fase
embrionária. Ao mesmo tempo que os resultados
significativos, no sentido da simplificação da operação de
bibliotecas estrangeiras, a partir do emprego das técnicas e
ferramentas Lean, evidenciam a importância de se
desenvolver o pensamento enxuto em unidades de
informação. (UIs).
Deve ser reforçado que o emprego do Lean em UIs
demanda inicialmente o apoio da alta gestão. O
desenvolvimento de uma cultura e clima organizacional
voltado ao Lean depende do suporte daqueles que pensam
a biblioteca sob a perspectiva estratégica. Os altos
gestores precisam estar convencidos da importância da
adoção do pensamento enxuto na biblioteca, para que
possam disseminar a filosofia pela unidade de informação.
Para tanto, a adoção do Lean precisa ser sistematizada,
partindo da realização de workshops com os colaboradores,
de modo a difundir o conceito e suas ferramentas até a
operacionalização do kaizen ou “melhoria contínua”, por
meio de programas institucionais que possibilitem o
aprimoramento diário e constante das atividades
organizacionais, focando no aumento da produtividade. Um
time motivado para o Lean é elemento chave de sucesso;
espaços precisam ser criados na organização para que a
interação e a colaboração ocorram entre a equipe. Deve
considerar-se que no pensamento tradicional os gestores
emanam ordens/diretrizes; no pensamento enxuto, os
gestores ensinam/colaboram e buscam sugestões da

�equipe.
Outro aspecto a ser destacado é a importância da Jidoka
(autonomação ou automação com toque humano) no
processo de emprego do Lean, especialmente no contexto
das UIs. O bibliotecário precisa estar cada vez mais atento
à possibilidade de uso das tecnologias da informação e
comunicação (TIC) nas bibliotecas, visualizando a criação
de facilidades e novos serviços para seus interagentes.
Faz-se necessário desmitificar o emprego de TIC em
unidades de informação. A implantação de muitas
tecnologias não demanda muito investimento, nem de
profissionais de TI para a sua operacionalização. QRCode,
realidade aumentada, apps voltados à Biblioteconomia, tais
como os aceleradores de leitura de documentos eletrônicos
e soluções para webconferências são exemplos de TIC, que
podem ser usadas pelas bibliotecas para facilitar ou
enriquecer a experiência dos interagentes. Neste cenário,
ainda citamos os sistemas open source(código aberto) à
gestão de acervos, construção de repositórios digitais e
bases de conhecimento.
A biblioteca precisa de inovação, sendo que a implantação
do
pensamento
enxuto
promove,
intrinsecamente,
inovação de processo. A ênfase no cliente sugere uma
biblioteca mais ágil, mais envolvente, mais simples no seu
funcionamento, cumprindo a sua missão de maneira
eficiente e eficaz, entregando informação de qualidade e no
tempo certo, de modo a atender as expectativas e anseios
dos seus interagentes.

REFERÊNCIAS
ALBINO, Maria de Fátima Vollet. A utilização do Lean
Office (escritório enxuto) em ambiente públicoadministrativo. 2011. 104f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Mecânica)- Universidade de Taubaté, Taubaté,
2011.
ALEXANDER,

G;

WILLIAMS,

J.

H.The

impact

of

an

�accelerated improvement workshop on ordering and
receiving.Library
Collections,
Acquisitions,
&amp;
Technical Services, v. 29, n.3, 2005.Disponível em:
&lt;http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14649055.2005.1076
BARTON, Hope; ROEDER, Randy; WRIGHT, Michael. It
never ends: Technical services and planning in a changing
environment. Against the Grain, v. 19, n. 5,
2007.Disponível
em:
&lt;http://docs.lib.purdue.edu/cgi/viewcontent.cgi?
article=5278&amp;context=atg&gt;. Acesso em: 23 jul. 2016.

CABETE, Moisés da Silva; MELO, Daniel Reis Armond;
CABETE, N. P. F. Lean office e cinco leis da
Biblioteconomia: possibilidades para gestão de Bibliotecas.
In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
(ENEGEP), 34., Curitiba, 2014. Anais.... Curitiba: ABEPRO,
2014.
Disponível
em:
&lt;http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2014_TN_STO_202_14
Acesso em: 20 jul. 2016.
CABETE, Moisés da Silva; CABETE, N. P. F.; MELO, Daniel
Reis Armond. Acervo enxuto para biblioteca escolar.
Biblionline, João Pessoa, v. 12, n. 2, p. 26-36, 2016.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/27702
CAVAGLIERI, Marcelo. Lean archives: o emprego do Lean
Office na gestão de arquivos. 202 p. Dissertação (Mestrado
Profissional em Gestão de Unidades de Informação) Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis,
2015.
CERVONE, H. Frank . Information organizations and the
Lean approach to service delivery. OCLC Systems &amp;
Services: International digital library perspectives, v. 31,
n.
4,
p.
158-162,
2015.
Disponível
em:
&lt;http://dx.doi.org/10.1108/OCLC-07-2015-0007&gt;.
GREEF, Ana Carolina; FREITAS, Maria do Carmo Duarte;
ROMANEL, Fabiano Barreto. Lean Office: operação,
gerenciamento e tecnologias. São Paulo: Atlas, 2012.

�KRESS, Nancy J. Lean Thinking in Libraries: a Case Study
on Improving Shelving. Turnaround. Journal of Access
Services, v. 5, n. 1/2, 2007.
MARTINS, Carlos Fernando et al. Implantação do Lean
Office: uma Aplicação de Caso no SENAI-SANTA
CATARINA. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA
EM GESTÃO, VIII, 2012, Rio de Janeiro. Anais...Rio de
Janeiro, 2012.
MURPHY, Sarah Anne. Leveraging Lean Six Sigma to
Culture, Nurture, and Sustain Assessment and Change in
the Academic Library Environment. College&amp;Research
Libraries, v. 70, n. 3, 2010. Disponível em:
&lt;http://crl.acrl.org/index.php/crl/article/view/16006/17452
Acesso em: 25 jul. 2016.
NORTH OF ENGLAND EXCELLENCE.Applying Lean to
libraries.2014.Disponível
em:
&lt;http://www.northofenglandexcellence.co.uk/news/applyinglean-to-libraries/137&gt;.
OHNO, Taiic. O Sistema Toyota de Produção: além da
produção em larga escala. Porto Alegre: Bookman, 2006.
SCUCCUGLIA, Marcelo. Aplicação da metodologia Lean
Manufacturing em processos administrativos. 2006.
116f. Dissertação (Mestrado Profissional em Engenharia
Mecânica)Faculdade
de
Engenharia
Mecânica,
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.
SHAH, Rachna; WARD, Peter T. Lean manufacturing:
context, practice bundles, and performance. Journal of
Operations Management, v. 21, p. 129-149, 2003.
SHIMOKAWA, Koichi; FUJIMOTO, Takahiro. O nascimento
do Lean: Conversas com TaiichiOhno, EijiToyoda e outras
pessoas que deram forma ao Modelo Toyota de Gestão.
Porto Alegre: Bookman, 2011.
SIMÕES, Miguel Coutinho do Amaral. Lean Healthcare: o
conceito Lean aplicado à realidade dos serviços de saúde.
Dissertação (Mestrado em Gestão da Tecnologia, Inovação

�e Conhecimento). Departamento de Economia, Gestão e
Engenharia Industrial - Universidade de Aveiro, 2009.
TAPPING,
Don;
SHUKER,
Tom.
Lean
Office:
gerenciamento do fluxo de valor para áreas administrativas
– 8 passos para planejar, mapear e sustentar melhorias
Lean nas áreas administrativas. São Paulo: Editora
Leopardo, 2010.
TUAI,
Cameron
K.
ImplementingProcessImprovementintoElectronic Reserves
- A Case Study. Journal of InterlibraryLoan,
DocumentDelivery&amp;Electronic Reserve, v. 16, n. 4,
2006.
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; ROOS, D. A máquina que
mudou o mundo. 10. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus
/ Elsevier, 2004.
WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. A mentalidade
enxuta nas empresas: Elimine o Desperdício e Crie
Riqueza. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
1 Reservas eletrônicas é um serviço oferecido pela Biblioteca da
Universidade de NotreDame, cujo objetivo é digitalizar obras e
desenvolver materiais didáticos que subsidiam o ensino nesta
universidade
2 Inicialmente a busca foi realizada na Biblioteca Digital Brasileira de
Teses e Dissertações, não houve resultados positivos para a aplicação
do Lean em bibliotecas. Posteriormente foi realizada uma busca no
Scielo e também não houve resultados. Por fim, busca foi realizada
no buscador Google, usando como estratégia: Lean e biblioteca e os
resultados na literatura nacional são estes descritos no texto.
3 O Lean Six Sigma (Lean Seis Sigma, tradução livre) tem como
objetivo eliminar os desperdícios a partir da padronização dos seus
produtos e serviços.
4 Os cuidados descritos nesta seção são baseados na experiência
dos autores que relataram na literatura a implantação do Lean.

�7 - CONTABILIDADE PARA
BIBLIOTECÁRIOS: NOÇÕES DE
RECEITAS, GASTOS E PERDAS
ÀS UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Eduardo Silveira
Daniele Feldman
Daniela Spudeit

1. INTRODUÇÃO

O

campo de atuação do bibliotecário está se
expandindo a diferentes espaços além das bibliotecas,
abrindo-se novas possibilidades ao exercício da profissão
por meio dos avanços das tecnologias e reformulação de
novas práticas profissionais em diversas áreas do
conhecimento, tais como editoras, imprensa, escolas,
escritórios de advocacia e contabilidade, portais,
provedores de bases de dados, sites, livrarias e nos mais
diversos ambientes, na gestão da informação (na busca,
tratamento e organização), seja na gestão eletrônica de
documentos, na gestão do conhecimento, na inteligência
competitiva e no planejamento estratégico de uma
empresa ou instituição.
Nesta perspectiva, é necessário que o bibliotecário tenha
cada vez mais visão interdisciplinar para agregar novas
competências de sua área profissional, consequentemente,
aproveitando novas oportunidades e garantir seu espaço
no mundo do trabalho. Nesse bojo, acredita-se que a busca

�de novos conhecimentos pode contribuir para que este
profissional repense a sua atuação, que pode ser na
abertura de seu próprio negócio ou mesmo como
empreendedor dentro de uma instituição.
Dornelas (2014), Fialho et al (2007), Hashimoto (2010)
utilizam
outros
termos
para
denominar
o
intraempreendedorismo, tais como empreendedorismo
coorporativo ou empreendedorismo interno, porém têm o
mesmo significado.
Pinchot (2004) explica que a busca pela inovação é cada
vez maior para ser diferenciado no mercado e se manter
atualizado em relação à produtividade e à concorrência.
Isso exige profissionais com perfis intraempreendedores
que busquem constantemente a inovação e estejam
atentos às necessidades do mercado, a fim de se tornarem
competitivos.
Intraempreendedores são profissionais com iniciativa,
visionários, destemidos, determinados, criativos, ousados e
capazes de mobilizar recursos e implantar novas ideias
dentro da instituição.
É
premente
observar
que
a
relação
entre
empreendedorismo
e
intraempreendedorismo
é
praticamente interdependente, relacionam-se. Pode ser
dito que a compreensão de uma prática permeia a outra. A
única diferença, conforme explica Pinchot (2004) é que o
intraempreendedorismo envolve a tomada de atribuição de
uma inovação por um empregado ou outro indivíduo que
trabalhe sob o controle da organização, enquanto o
empreendedorismo é a inovação feita por um indivíduo que
é dono de seu próprio negócio. Em outras palavras, o
intraempreendedor é o empreendedor que trabalha para
alguém.
O
bibliotecário
intraempreendedor
é
profissional
preparado e disposto, que observa as oportunidades ao
seu redor, a fim de criar novas possibilidades a sua área de
atuação, bem como para o desenvolvimento de

�alternativas à melhoria do que já existe. Em suma, o
bibliotecário com esse perfil é o profissional que
empreende, tanto na qualidade de seu próprio negócio
como em instituições de informação, onde viabiliza seus
serviços, seja pela contratação efetiva ou temporária.
Nessa conjectura, independente do ambiente em que o
bibliotecário
atue,
é
importante
que
ele
tenha
conhecimento sobre diferentes aspectos que envolvem a
gestão, seja de uma empresa ou de uma unidade de
informação. A partir do exposto, torna-se relevante ao
bibliotecário entender como a gestão dos recursos
financeiros se consolida. Lancaster (1993) menciona que a
existência de uma unidade de informação como, por
exemplo: uma biblioteca numa comunidade ou instituição
implica o fato de que algumas pessoas, em algum
momento, tomaram a decisão de que o custo de manter
esta instituição é justificado pelos benefícios que dela se
espera e pelo valor agregado que ela representa à
comunidade.
Partindo da premissa de que os bibliotecários devem atuar
ativamente na gestão financeira das unidades de
informação, tem-se, neste capítulo, a intenção de
apresentar noções básicas sobre contabilidade aplicadas à
Biblioteconomia. Neste sentido, expõem-se conceitos
básicos sobre: receitas, gastos (compreendidos em custos,
despesas e investimentos) e perdas, somados aos
exemplos presentes no cotidiano da atuação deste
profissional que contribuirá na sedimentação da gestão das
unidades de informação.

2. RECEITAS
A palavra receita é uma daquelas que detém vários
significados. Essa polissemia na palavra receita de nota
vários sentidos na sociedade, por exemplo: na indicação de
ingredientes no preparo de uma comida, na prescrição de
um medicamento - na área farmacêutica -, bem como no

�produto de resultados financeiros. (FERREIRA, 2009).
Na área da contabilidade, Szuster et. al. (2009, p.
39)atribui à palavra receita, “[...] geração de recursos
provenientes da venda de mercadorias (como no setor
varejista); da prestação de serviços (como em consultas
médicas) [...]. Que resulta em um aumento em caixa ou
em contas a receber”. Em outras palavras, Gonçalves e
Baptista (2007) definem as receitas como contas de
natureza credora, resultando em valores que afetam
positivamente o patrimônio de uma empresa, instituição.
Para tanto, Iudícibus (2010) salienta que as receitas
podem ser oriundas de dinheiro ou direitos a receber,
correspondendo normalmente a vendas de mercadorias ou
produtos e na prestação de serviços. Além disso, as
receitas podem se originar de juros sobre depósitos ou
títulos, de aluguéis e outras origens.
Em unidades de informação, as receitas são as entradas
positivas monetariamente, provenientes de vendas,
serviços, parcerias, títulos, dentre outras formas, estando
ligadas à informação ou não.
Ao analisar como uma unidade de informação pode gerar
receita, talvez a resposta mais eminente esteja direcionada
ao ganho de capital, oriundo de multas, referentes aos
atrasos na devolução de obras pelos interagentes1. Porém,
esta não é a única forma de gerar receita em uma unidade
de informação, outras possibilidades estão presentes, visto
que o bibliotecário é também um empreendedor.
Neste sentido, uma das formas de gerar receita em
unidades de informação está na organização de serviços ou
mesmo na venda de produtos, tais como: a venda de
livros, vídeos e outros recursos informacionais.
Independente de ser serviço ou produto, o bibliotecário
precisa entender a diferença entre essas duas maneiras de
gerar receita à unidade de informação. Na prestação de
serviços há o contato direto com o interagente, pode ser
algo personalizado, pode haver a participação do

�interessado no processo e se caracterizar como algo
intangível. Os produtos, para serem criados, não
necessariamente
exigem
o
contato/presença
do
interagente, já que podem ser produzidos e consumidos
em diferentes etapas, são tangíveis e mensuráveis,
podendo ser armazenados e até perder o prazo de
validade. (FITZSIMMONS, FITZSIMMONS, 2000; CORREA,
CAON, 2002; GIANESI, CORREA, 2007).
Como exemplos de produtos em uma unidade de
informação, tem-se a venda de livros que pode ser
efetuada em parceira com autores e editoras. Porém, vale
mencionar que para a execução desta ação, a unidade
informação deve obter permissão, conforme a legislação,
por causa do recolhimento de tributos vigentes.
As aplicações financeiras podem ser outro caminho às
unidades de informação de gerar receita. Em uma unidade
de informação, o bibliotecário pode vender alguns produtos
e com o lucro obtido planejar uma porcentagem dos
recursos
disponíveis
em
aplicações
financeiras,
resgatando-a no futuro e investindo-a na própria unidade
de informação, seja no planejamento de novos serviços,
promoção de produtos, melhoria da infraestrutura ou
mesmo no próprio estoque informacional2.
Além de produtos, podem ser planejados alguns serviços
para gerar receita, tais como participar do programa de
comutação bibliográfica e cobrar um valor a mais pela
prestação do serviço, além da cópia/envio do material
solicitado pelo interagente. Outros exemplos de serviços
que podem ser planejados e cobrados dentro das unidades
de informação é a elaboração de fichas catalográficas,
organização das informações acadêmicas no currículo
Lattes (plataforma do CNPq) ou mesmo normalização de
trabalhos acadêmicos/documentos, entre outros.
Oferecer cursos de capacitação em parceria com
profissionais da área de interesse (ministrantes), bem
como o aluguel de espaços da unidade de informação
àempresas e pessoas físicas promoverem cursos, palestras

�e eventos é, também, outra possibilidade à geração de
receita na instituição.
Atividades inovadoras é outra forma de capacitar recursos
e ao mesmo tempo gerar receita em unidades de
informação, como por exemplo: as mídias sociais. O bom
gerenciamento e divulgação nessas plataformas pode
acarretar grande número de seguidores; havendo,
também, grande alcance na web, em que a unidade de
informação
pode
oferecer
pacotes
de
postagens
promocionais gerando, assim, mais um canal de
arrecadação de receita.
Os exemplos supracitados, em alguns casos, já são
ofertados pela unidade de informação, porém de forma
gratuita à comunidade. Muitas vezes, o gestor da unidade
de informação não sabe precificar todos os recursos
envolvidos na prestação desse serviço, impossibilitando
melhorias e/ou justificativa à contratação de mais
profissionais para atuar na equipe.
Em geral, são serviços que apresentam expressiva
contribuição à comunidade, porém não valorizados pelo
diretor da instituição que, em alguns casos, não os percebe
como rentáveis, e nem o próprio bibliotecário que gerencia
esse espaço; no entanto, esses serviços agregam valor aos
interagentes no aspecto da formação do seu capital
intelectual.
Há gastos envolvidos em tudo na unidade de informação,
independente do serviço ser cobrado ou não; basta o
bibliotecário conhecer as estratégias para precificá-lo,
calcular os custos da sua execução, o que representam à
instituição, a fim de que haja um planejamento financeiro
na prestação desses serviços pela unidade de informação,
podendo, assim, ser gerada receita para ser revertida à
melhoria do próprio espaço.
É importante ressaltar dois aspectos intrínsecos
envolvidos que balizam esses pontos pouco debatidos na
Biblioteconomia. a) Um se relaciona a cobranças de

�serviços em unidade de informação, algo incomum no
Brasil e que precisa ser aprofundado dado às despesas e
altos custos envolvidos na implantação e atualização dos
estoques em uma unidade de informação, a fim de torná-la
sustentável financeiramente. b) O segundo ponto se
relaciona à cultura de cobrança do acesso à informação
que muitos países, empresas e editoras fazem atualmente.
É preciso esclarecer que o movimento de acesso aberto à
informação busca justamente facilitar o acesso às
informações privativas em bases de dados e revistas
pagas. Acredita-se que isso deve ser levado em
consideração pelo bibliotecário gestor no planejamento dos
serviços, visto o compromisso social que essa profissão
detém, facilitando e mediando o acesso aos diferentes
recursos informacionais.
Sendo assim, é importante esclarecer que ao se falar em
despesas, receitas, custos envolvidos na gestão da unidade
de informação aqui, referimo-nos à infraestrutura
necessária para a venda de produtos e/ou prestação de
serviços (pessoas qualificadas, equipamentos, espaço
físico, entre outros), porém não à cobrança de taxa direta
do interagente ao acessar qualquer tipo de informação
dentro/disponibilizado pela unidade de informação.
Além disso, há também as receitas ambientais que estão
ligadas diretamente ao favorecimento das causas
ambientais. Conforme Silva (2009), a receita ambiental
representa um ganho no faturamento total da entidade,
que
a
reconhece
como
sendo
devida
a
sua
responsabilidade com o meio ambiente. De maneira
simplificada, essas receitas decorrem da prestação de
serviços especializados em gestão ambiental como, por
exemplo: a venda de produtos elaborados de sobra de
insumos ou de reciclagens.
Nessa conjuntura, toma-se como exemplo de receitas
ambientais em unidades de informação o reaproveitamento
do papel, como a venda para a reciclagem, gerando,
assim, uma receita extra à instituição. Outro exemplo é a

�fabricação de camisetas e canetas feitas de garrafas pet
recicladas, que pode servir como produto personalizado,
tendo a marca da unidade de informação.
Conforme foi apresentado, é importante entender a
diferença entre os conceitos e implicações da criação de
produtos e prestação de serviços pelo bibliotecário, com a
finalidade de gerar valor e receita à unidade de
informação, pois há gastos envolvidos, conforme será
tratado a seguir.

3. GASTOS
O gasto é o sacrifício monetário que a entidade assume
para obter um produto ou serviço qualquer (BERTI, 2006;
GONÇALVES; BAPTISTA, 2007; CREPALDI, 2009; BRUNI,
2010). Neste raciocínio, Dutra (2009, p.17) infere que o
gasto é em outras palavras “[...] o valor pago ou assumido
para obter a propriedade de um bem, incluindo ou não a
elaboração e a comercialização, considerando as diversas
quantidades adquiridas, elaboradas ou comercializadas”.
Assim sendo, o gasto se aplica a todos os bens e serviços
adquiridos como, por exemplo: na compra de matériasprimas e mão-de-obra.
Para tanto, Crepaldi (2009) salienta que gasto é um
termo genérico e pode representar diferentes situações,
como custos, despesas ou investimentos. Para maior
entendimento sobre – gasto -,apresenta-se a seguir as
diferentes situações (custos, despesas e investimentos)
que o gasto representa.

3.1 CUSTOS
Em linhas gerais, o custo é um gasto que está relacionado
a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens
ou serviços. (BERTI, 2006; GONÇALVES; BAPTISTA, 2007;
MARTINS, 2008; CREPALDI, 2009). Complementando,
Martins (2008) define o custo como gasto financeiro que a
organização pretende arcar ao oferecer um serviço ou na

�obtenção de um produto.
Por sua vez, Bruni (2010) infere que o custo é a transição
de investimento, tendo como destino final o valor de base
do produto ou serviço. O autor ainda exemplifica que toda
matéria-prima, convertida em produto ou serviço, é
considerada custo.
Dutra (2009) salienta que o custo incide em duas
perspectivas: a primeira sob o olhar do fabricante e a
segunda sob o olhar do consumidor. De acordo com o
autor, na visão do fabricante o custo é “a parcela do gasto
que é aplicado na produção [...] é a soma de todos os
valores agregados ao bem, desde sua aquisição até que ele
atinja o estágio de comercialização”; já, na perspectiva do
consumidor, o custo é “o valor aceitado pelo comprador
para adquirir um bem” (DUTRA, 2009, p. 17).
Em unidades de informação, o custo é o gasto monetário
de origem da fabricação de um produto ou serviço, seja ele
de informação ou não. Em outras palavras, é toda a forma
de desembolso financeiro que a unidade de informação se
compromete arcar à obtenção de um serviço ou produto.
Uma unidade de informação disponibiliza ao seu público o
serviço de referência, o qual se consolida pela presença do
bibliotecário na busca e esclarecimento de informações aos
interagentes, ou seja, na solução de problemas
informacionais. O bibliotecário de referência está
diretamente ligado aos custos da instituição, pois sua
remuneração salarial faz parte de um serviço prestado pela
instituição.
Outro exemplo é o serviço de reprografia dentro de
unidades de informação que ao serem exercidos
apresentam
custos,
tais
como:
manutenção
do
equipamento, gasto de energia, bem como o custo unitário
de cada material de uso, como: a tintas e folhas para
impressão.
Por fim, algo muito comum que não se restringe somente
às unidades de informação, mas a vários segmentos que

�compõem a sociedade são as manifestações artísticas,
culturais e técnico-científicas. Ambas necessitam da
contratação de profissionais especializados, o que requer
custo. Assim, quando acionada a contratação desse tipo de
serviço, faz-se necessário analisar a sua viabilidade, isto é,
há de ter o mapeamento de todos os custos ligados direta
ou indiretamente ao serviço almejado.

3.2 DESPESAS
As despesas são os bens ou serviços consumidos de forma
direta ou indiretamente à obtenção de receitas (BERTI,
2006; MARTINS, 2009; IUDÍCIBUS, 2010). Nesta
conjuntura, alguns autores como Gonçalves e Baptista
(2007), Crepaldi (2009) e Dutra (2009) atribuem às
despesas uma definição mais específica, relacionando-a
aos gastos de bens e serviços não utilizados efetivamente
nas atividades produtivas, mas consumidos de maneira
direta ou indireta no esforço da entidade na produção de
receitas.
Para tanto, Dutra (2009, p. 17) intensifica que as
despesas são as parcelas do gasto “que ocorre desligada
das atividades de elaboração de bens e serviços”, isto é,
aquelas que não estão diretamente associadas à produção
do produto ou serviço prestado. Sendo assim, as despesas
são gastos que não estão relacionados ao processo
produtivo, mas às identificações dos demais fatores de
uma instituição, na administração, no financeiro, que
reduzem a receita. (BERTI, 2006; CREPALDI, 2009).
Em suma, em unidades de informação, as despesas são
os gastos monetários originados que não estão
diretamente relacionados à produção de um serviço ou
produto, seja ele de informação ou não.
Dentro de uma unidade de informação, por exemplo, há
os
diretores
responsáveis
pela
administração
e
funcionamento da instituição, os quais não estão ligados
diretamente à produção de um bem ou de um produto na
instituição (no serviço de referência); sendo assim, suas

�remunerações passam a ser despesas e não custos à
instituição.
Além do exposto, as despesas podem ser originadas de
compras de equipamentos, como nas de equipamentos de
informática. Uma unidade de informação que optou pela
compra de equipamentos de informática, por meio de
prestações ao invés de parcela única, ou seja, à vista,
certamente, cada parcela terá percentual de juros,
montante considerado de despesa com juros.
As despesas em unidades de informação podem também
estar relacionadas aos serviços indiretos como, por
exemplo: a manutenção do ambiente, a limpeza e a
segurança do espaço.

3.3 INVESTIMENTOS
Entende-se por investimento “o gasto que tem a
finalidade de obtenção de benefícios a curto, médio e longo
prazo” (BERTI, 2006, p. 21). O investimento é
contabilizado em função da sua vida útil, porém traduzido
em benefícios somente no futuro. (GONÇALVES;
BAPTISTA, 2007).
Crepaldi (2009) classifica os investimentos sob duas
perspectivas: investimentos circulantes e investimentos
permanentes. Segundo o autor, os investimentos
circulantes são representados por estoques de matériaprima ou produtos para revenda, isto é, são os produtos
armazenados em estoque para venda ou à criação de
produto;
já,
os
investimentos
permanentes
são
representados por máquinas, equipamentos e instalações;
são os gastos relacionados a bens permanentes à
fabricação do produto que, ao longo do tempo, desgasta-se
e se torna despesa com depreciação.
Em unidades de informação, os investimentos são os
gastos que terão possíveis benefícios no futuro, seja eles
de pequeno, médio, ou longo prazo, ligados à informação
ou não.

�Por exemplo, os investimentos circulantes em unidades de
informação, o serviço de reprografia. As folhas e a tinta de
reprografia quando estão sendo utilizadas na prestação de
serviço são custos, mas antes disso, elas são alocadas no
estoque, ou seja, uma matéria-prima nesse momento é um
investimento. Outro exemplo de investimentos circulantes
agora não restritos às unidades de informação, mas no
segmento de uma livraria em relação aos produtos para
revenda está no livro. Quando o livro está exposto na loja,
ele é um custo, mas se os demais exemplares da mesma
obra estiverem armazenados no estoque, passa a ser um
investimento.
Neste raciocínio, ainda podem ser citados como exemplo a
criação de alguns produtos que contenham a marca da
unidade de informação, visando ao marketing do espaço
como canecas, canetas, entre outros. Tais objetos em
estoque, sem uma arte e design definidos, faz desses
objetos armazenados um investimento.
Quanto aos investimentos permanentes em unidades de
informação, apresenta-se como exemplo: a compra de
equipamentos
(estantes,
mesas),
bem
como
o
melhoramento
das
instalações
(ar
condicionado,
iluminação, entre outros).

4. PERDAS
Entende-se por perdas os bens ou serviços consumidos de
forma anormal ou involuntária (BERTI, 2006; GONÇALVES;
BAPTISTA, 2007; MARTINS, 2008; CREPALDI, 2009;
BRUNI, 2010). As perdas podem decorrer da atividade
normal
produtiva
da
instituição
ou
por
fatores
extraordinários. (BRUNI, 2010).
Direcionadas às unidades de informação, as perdas são
ocasionadas pelo consumo anormal de um bem ou serviço,
seja ele de informação ou não. Para tanto, as perdas em
instituições detêm várias características, podendo estar
ligadas aos fatores intrínsecos da instituição, bem como às

�causas naturais.
Toda unidade de informação que possuir um quadro
expressivo de funcionários, afastados por greve ou com
problemas de saúde, por exemplo, terá uma perda, visto
que a ausência da mão de obra destes funcionários
acarretará em danos à instituição na forma expressiva de
valor tanto quanto na inferência das atividades técnicoadministrativas.
Um exemplo que condiz com as causas naturais que
podem gerar perdas são as enchentes ou incêndios, não só
em unidades de informação, em qualquer outro
empreendimento. Uma enchente causa danos à instituição,
materiais ou na forma expressiva de valor, refletindo em
perdas. Ainda sobre as causas naturais, os incêndios
também são causadores de perdas em grande proporção
em instituições, muitas vezes associados à falta de
manutenção das instalações elétricas, que estão precárias.
As perdas também podem ser acarretadas pelo prazo de
validade de alguns produtos e equipamentos. É importante
que o bibliotecário esteja atento à validade de produtos e
equipamentos (como produtos de limpeza e higiene), bem
como dos equipamentos condicionados ao ambiente (como,
por exemplo: o gás do ar condicionado), pois o contrário
acarretará em perdas à instituição.

5. CONSIDERAÇÕES
O atual fluxo do mundo do trabalho, caracterizado de
dinâmico, fluido e competitivo, devido às implicações de
fenômenos sociais causados pela globalização, abertura de
mercados, tecnologias da comunicação e informação,
implica nova forma de perceber e gerenciar os recursos ao
desempenho do trabalho em uma empresa, órgãos
públicos, organizações não governamentais e, inclusive,
em unidades de informação geralmente subordinadas às
instituições.

�Nessa conjuntura, é importante que o bibliotecário tenha
uma visão interdisciplinar e desenvolva competências
gerenciais,
garantindo
a
sustentabilidade
desses
importantes espaços de acesso aos diferentes recursos
informacionais, insumos necessários à promoção da
inovação, garantindo a competitividade das organizações e
também a contribuição do capital intelectual às pessoas
demarcadas pelo constante fluxo informacional existente
no século XXI.
Entre as competências requeridas do bibliotecário,
destaca-se a busca pelo perfil intraempreendedor para
agregar valor à atuação e se diferenciar no mundo do
trabalho, com a finalidade de novas oportunidades serem
vislumbradas, assim como determinados conhecimentos
necessários à otimização de recursos na unidade de
informação, que dizem respeito à gestão financeira.
É premente observar que o conhecimento na área de
contabilidade,
principalmente
conceitos
e
práticas
permeadas pelo controle de receitas, despesas, gastos,
investimentos, perdas, entre outros, contribuirão para
sedimentar a atuação desse importante profissional em
uma sociedade que necessita acessar a informação em
diferentes meios; assim como benefício à gestão das
unidades de informação. Dessa forma, apresenta-se o
infográfico para ilustrar esses conhecimentos de modo
mais didático:

�Figura 1: Exemplificação dos conceitos abordados
Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

Nesse contexto, acredita-se que o que foi dito nesse
capítulo pode ocasionar expressiva contribuição à
Biblioteconomia, no sentido de entendimento da diferença
entre os conceitos e implicações da criação de produtos e
prestação de serviços, geração de valor e receita à unidade
de informação, o conjunto de possíveis gastos, perdas e
despesas envolvidas na promoção de um serviço ou
produto, assim como investimentos necessários nesses
ambientes que desempenham uma função muito
importante no atual mundo do trabalho, oferecendo e
possibilitando recursos e insumos à inovação.

�REFERÊNCIAS
BARRETO, Aldo Albuquerque. Os Agregados de informação
- Memórias, esquecimento e estoques de informação.
DataGramaZero, Inf., v.1 n.3. jun./00.
BERTI, A. Contabilidade e análise de custos. Curitiba:
Juruá, 2006.
BRUNI, A. L. A administração de custos, preços e
lucros. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
CORREA, Elisa C. D. Usuário, não! Interagente. Proposta
de um novo termo para um novo tempo. Encontros Bibli:
revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da
informação, v. 19, n.41, p. 23-40, set./dez., 2014.
CORRÊA, H; CAON, M. Gestão de serviços: lucratividade
por meio de operações e de satisfação dos clientes. São
Paulo: Atlas, 2002.
CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de
custos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo:
transformando ideias em negócio. 5.ed. Rio de Janeiro:
LTC, 2014.
DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 6. ed. São
Paulo: Atlas, 2009
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio da
língua portuguesa. 4. ed. Curitiba: Ed. Positivo, 2009.
FIALHO,
Francisco
Antonio
Pereira
et
al.
Empreendedorismo na era do conhecimento.2.ed.
Florianópolis: Visual Books, 2007.
FITZSIMMONS,
James;
FITZSIMMONS,
Mona.
Administração de Serviços. Porto Alegre: Bookman,
2000.
GIANESI,
Irineu
G.N.;
CORREA,
Henrique
L.
Administração estratégica dos serviços: operações

�para satisfação do cliente. São Paulo: Atlas, 2007.
GONÇALVES, E. C.; BAPTISTA, A. E. Contabilidade geral.
6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
HASHIMOTO,
M.
Espírito
empreendedor
nas
organizações: aumentando a competitividade através do
intraempreendedorismo. São Paulo: Saraiva, 2010.
IUDÍCIBUS, S. de. Contabilidade introdutória. 11. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de
bibliotecas. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros,1993.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. Ed. São Paulo:
Atlas, 2008.
PINCHOT,
Gifford.
Intra-empreendedorismo
na
prática: um guia de inovação nos negócios. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2004.
SILVA, B. G. da.Contabilidade ambiental: sob a ótica da
contabilidade financeira. Curitiba: Juruá, 2009.
SZUSTER, N. et al. Contabilidade geral: introdução à
contabilidade societária. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2009.
1
Adota-se
esse
termo
para
designar
cliente/usuários/leitores/consumidores que usam o espaço e serviços
das unidades de informação. O termo foi cunhado por Correa (2014)
em que designa a comunidade de frequentadores de unidades de
informação e público-alvo dos estudos e pesquisas de comportamento
informacional em Biblioteconomia e Ciência da Informação
2 Para se referir a acervos e coleções das unidades de informação
será adotado o termo estoque informacional criado por Barreto
(2000) que significa “toda a reunião de estruturas de informação.
Estoques de informação representam, assim, um conjunto de itens de
informação organizados (ou não), segundo um critério técnico, dos
instrumentos de gestão da informação e com conteúdo que seja de
interesse de uma comunidade de receptores”.

�8 - MARKETING, BIBLIOTECAS
E BIBLIOTECONOMIA: REVISÃO
CONCEITUAL E PRÁTICA
Eliezer Mendes Lopes
Angelica C. D. Miranda

1. INTRODUÇÃO

A palavra marketing está presente no universo da
biblioteconomia há muito tempo. A forma como foi
conceituada trouxe a concepção da gestão e a visão sobre
produtos (bens e serviços) na área da informação. A partir
do marketing, um novo viés se estabeleceu e com ele a
necessidade de pensar na comunidade.
Numa época em que bibliotecas eram vistas como
santuários do saber, lugares calmos e tranquilos, a
abordagem do marketing propiciou uma revolução na
relação entre a informação e os usuários. Mas o que dizer
da atualidade? O conceito de marketing segue o mesmo
caminho? As bibliotecas, a biblioteconomia, apropriam-se
de tais prerrogativas?
Difícil ter respostas para tais perguntas. Somos da
geração que ia até a biblioteca da universidade acessar a
única revista da área. Usava-se a cópia dos artigos para
estudar. Passamos pela transição do analógico e
adentramos ao mundo digital. A cópia ficou no passado? O
acesso aos periódicos eletrônicos, repositórios digitais,
bancos de dados, redes sociais para pesquisadores
(academia.edu,
researchgate.net)
evidenciam
outro
caminho ao mundo da informação. Essencialmente, a

�realidade que trouxe o acesso aberto (open access) como
foco da produção científica e a possibilidade para promover
estudos quantitativos, como é feito o uso da informação ou
como se comportam os usuários em relação ao que é
disponibilizado, mais a opção de conhecer tais aspectos
pelo que os sistemas proporcionam, aí está.
O trabalho do profissional formado em Biblioteconomia
reside na buscada informação para disseminar; afirma-se
que para tal, o bibliotecário precisa ter noção dos conceitos
de marketing, a fim de melhor realizar essa função.
Promover, como dito por Amaral (2001), no sentido de
fazer conhecer e efetivar o uso, a adoção de um produto,
ideia, comportamento ou serviço. Diferente da obra citada,
que objetivou a análise das técnicas mercadológicas,
pretende-se, aqui, refletir sobre o que tem sido escrito
sobre marketing, relacionado a bibliotecas (todos os tipos)
e biblioteconomia, a partir de 2011. Abarca-se, portanto,
os últimos cinco anos visto que, numa reflexão inicial,
constatou-se haver trabalhos teóricos até 2011.
Para Kotler (2006), Marketing é ciência e a arte de
explorar, criar e entregar valor para satisfazer as
necessidades de um mercado-alvo com lucro. Esse foi o
conceito mais encontrado na literatura. O Marketing foi
exposto como tendo a finalidade de conhecer as
necessidades e desejos não realizados. Relacionado à
biblioteca, o foco passa a ser a necessidade de informação
que a pessoa tem na realização de alguma tarefa,
adquirindo conhecimento para mudar seu estado de
conhecimento. Ou seja, não é necessariamente ao lucro
financeiro que ele está relacionado. A finalidade é
promover o que se tem para maior alcance. Por vezes, na
visão de marketing, é encontrada a ideia de criar a
necessidade de algum produto. Ele busca passar uma ideia
de poder, de domínio. As propagandas mostram que o
melhor carro, um sapato bonito ou outro produto de valor
podem atribuir qualidades a quem o tem. Para a
informação, o marketing passa a ideia de completude, de

�conhecimento. Quem tem a informação de que precisa,
certamente conseguirá avistar mais longe do que aqueles
que não a tem.
Quando a referência é aquela que visa ao lucro, pode
parecer que fica mais simples essa promoção, mas e
quando o produto (conjunto de bens e serviços) não tem a
finalidade de obter lucro (financeiro), mas o fato de
beneficiar algo ou alguém? O marketing também pode se
aplicado ao trabalho que não visa a esse tipo de lucro.
Relaciona-se muito bem com benefício e satisfação. Assim,
naturalmente emergiram diversos tipos de marketing,
abrangendo essa finalidade com vista ao marketing sem
finalidade de lucro.
Na seção metodologia, explica-se como foi feita a busca.
A revisão de literatura buscou apresentar os trabalhos
realizados ao longo do tempo; por tal motivo não se usou a
seção resultados e discussões, já que se buscou relacionar
a abordagem sobre a temática. Nas considerações,
apresenta-se o fechamento do trabalho.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Considera-se que a metodologia visa à apresentação das
estratégias usadas ao leitor, delimitando o trabalho e seu
desenvolvimento. Deste modo foram feitas buscas, usando
o termo marketing em todos os campos. Num segundo
momento, para refinar os resultados, os trabalhos
recuperados foram analisados, a fim de verificar se
estabeleciam relação com biblioteca ou biblioteconomia.
(Quando se fala “em todos os campos”, quer-se dizer que
foram considerados assunto, palavras-chave, título ou
resumo). Em alguns trabalhos, a palavra marketing foi
encontrada apenas no resumo; nesses casos, observou-se
que faziam referência ao marketing, porém não era o foco
do estudo, sendo assim, não nos valemos deles. Numa
segunda etapa de refinamento, os trabalhos foram
analisados e os que tinham foco prático ou teórico na

�temática foram aproveitados.
Para fins da busca, foram usadas as seguintes fontes de
informação: a Biblioteca Eletrônica (scielo.br) , Anais do
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
(CBBD), Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU), Periódicos eletrônicos na área da
Biblioteconomia e Ciência da informação e a Brapci. Com
vistas ao tempo disponível à realização do trabalho e do
material encontrado, optou-se pelo enfoque nos Anais do
CBBD nos anos de 2013 e 2015; Anais do SNBU, anos de
2012 e 2014. Para fins de complementação da busca,
foram feitas pesquisas na Base de dados sobre Ciência da
Informação BRAPCI (http://www.brapci.ufpr.br/). Em todas
as fontes foram encontrados materiais sobre a temática.

3. REVISÃO DA LITERATURA
A biblioteca, considerada uma organização que não visa
ao lucro financeiro, não difere de outras organizações no
sentido de promover seus recursos. Nas fontes
consultadas, Espírito Santo (1973) foi a bibliografia mais
antiga encontrada (não se descarta que possam existir
outros trabalhos),seja na obra de Amaral (2001) ou na
Brapci. O autor expôs que “a biblioteca não é diferente de
nenhuma outra organização. Ela precisa estabelecer um
programa de relações públicas que apoie e divulgue seu
trabalho”. O sentido da afirmação é levar ao público o
conhecimento das suas atividades e do que pode oferecer.
Passados mais de quarenta anos, essa máxima continua
adequada ao contexto. Nesse sentido, o marketing não é
algo novo na caminhada dos profissionais da informação,
ele se desenvolveu, adaptou-se a outros contextos, mas
sua finalidade permanece.
Outros trabalhos da década de 1970, relacionados ao
tema marketing foram encontrados na base citada.
Embora, tratassem da temática sobre marketing,
continham outro foco e por tal motivo não foram

�destacados no presente trabalho.
Esta introdução serve para dizer que falar de marketing
não é algo novo. Nunes (2011) expõe que a missão das
bibliotecas, independente do público a qual se destina, é
oferecer o suporte informacional necessário, a fim de para
suprir as necessidades dos usuários, pois a informação
desempenha papel fundamental no desenvolvimento da
sociedade.
Cabe dizer que se a finalidade é realmente ser suporte,
havendo o acesso facilitado pelas tecnologias digitais, é
preciso discutir como fazer isso.
Em outro texto encontrado nas fontes consultadas, dentre
os mais antigos com o foco em marketing, observa-se em
Pimentel (1983), a visão sobre a "falta de chefias
integradas" e na "ausência de estratégias de direção e
desenvolvimento". O autor destaca que o “desafio à
dinamização das atividades da biblioteca é renovar o
bibliotecário e sua metodologia gerencial, porque antes da
biblioteca está o bibliotecário”. Segue-se a linha de
pensamento anterior, visto a lacuna entre o artigo citado
(1983) e o período atual (2016);vive-se outros tempos,
mas as mudanças residem no pensamento e atitude das
pessoas.
Compreende-se
que
atualmente
há
facilidades
inexistentes noutros tempos. Com certeza, são as
tecnologias digitais que proporcionam novas ações diante
de uma mesma realidade. O autor afirma “é preciso,
portanto, que cada bibliotecário faça um balanço da
situação atual da sua biblioteca para conhecer as áreas, de
"lucros e perdas”. A gestão de uma biblioteca é um
processo e, como tal, não pode ser algo estanque no
tempo/espaço. Deve ser dinâmico, direcionado a sua
realidade, pois, muitas vezes o que serve para uma
biblioteca pode não servir a outra. Nesse sentido, os
princípios de marketing serão elementos motivadores e
transformadores.

�Araújo, Silva e Silva (2011) ressaltam que as tecnologias
facilitaram o acesso à informação e que o foco deixa de ser
o domínio e passa a será cesso à informação nos mais
diversos suportes. Os autores discorrem sobre a
necessidade da aplicação de ações de marketing na
divulgação dos serviços oferecidos por unidades de
informação do tipo biblioteca, especialmente, aqueles
relacionados aos multimeios. Interessante, por que
explicam biblioteca como sendo um tipo de unidade de
informação.
Amaral (2011) trouxe à discussão como o marketing
poderia ser inovador na gestão da informação e do
conhecimento em unidades de informação. A autora relata
a dúvida com o termo unidade de informação desde 1998,
em outra obra referenciada e reforça o quanto o
profissional deve compreender “o mercado e o negócio da
informação”.
Considera-se
imprescindível
essa
compreensão, visto que marketing é um processo. Não
pode ser uma ação casual, desenvolvida uma única vez
com a ideia de buscar visibilidade institucional.
Angelo e Ziviani (2011) realizaram um diagnóstico do
ambiente externo e interno à Biblioteca, chamada de
unidade de informação. Interessante que para buscar uma
gestão voltada ao marketing, os autores buscaram base
teórica para tal.
O marketing deixou de ser a iniciativa pautada na teoria
dos livros e passou a se apoiar na tecnologia. Silva et al.
(2012), baseado na web 2.0 cita como ferramentas, entre
outros, o Facebook e o Twitter. Apresentou a forma como o
Twiter proporcionou novas atitudes em bibliotecas
universitárias. Neste contexto, Santos et al (2012), em seu
trabalho, discorre sobre a iniciativa de desenvolvimento
das redes sociais como forma de aproximação com os
usuários, além da divulgação de notícias e serviços
proporcionados pela instituição.
Silva, Lima e Nascimento (2012) trazem um trabalho no
qual apresentam o Twitter como ferramenta que, mesmo

�tendo caracteres limitados, consegue suprir eficientemente
os objetivos das instituições, referentes à disseminação da
informação através do marketing. Jovanovich e Torre
(2012) se utilizam destas ferramentas da Web 2.0 como
forma de conhecer a opinião de usuários de uma biblioteca
especializada, havendo a finalidade de traçar metas
através das respostas destes usuários, utilizando-se do
marketing à melhoria dos produtos e serviços prestados.
Na visão de que o marketing é um processo estruturado e
planejado, o qual visa, dentre outras coisas, à divulgação
deum bem ou serviço ao público alvo, Correa e Silva
(2012) buscaram implementar o projeto de marketing da
biblioteca da Divisão de Gestão do Conhecimento (Setor de
Bibliotecas) – Secretaria Municipal de Educação e Cultura
(SMEC), da cidade do Rio Grande/RS. Para as autoras, ele
é voltado ao contexto do atendimento ao público, pois se
trata de uma troca de experiências que busca a otimização
dos serviços e a satisfação do público.
Como forma de conhecer os serviços oferecidos pela
Seção de Multimeios da Biblioteca Central da Universidade
Federal da Paraíba, Araújo, Silva e Silva (2012) traçaram
um plano de marketing para apresentar este espaço à
comunidade;
assim,
foram
desenvolvidas
ações
envolvendo a comunicação através de e-mail, jornais, rádio
universitária e contato pessoal, havendo apresentações dos
serviços em semanas acadêmicas e visitas dirigidas.
Santos (2012), em sua fala, demonstra preocupação com
a preservação dos documentos e utiliza o marketing como
aliado, principalmente o marketing holístico que integra o
marketing interno, na atualização e integração dos
recursos humanos das instituições para poder incentivar os
usuários; marketing de relacionamento que faz a ligação
entre o prestador de serviço e o cliente, neste caso, a
biblioteca e o usuário; marketing integrado que foca
nesses usuários através de canais de comunicação e
produtos e serviços e marketing socialmente responsável,
evidenciando a importância das campanhas no meio social

�dos usuários.
Conforme demonstrado nas falas dos autores acima, as
Bibliotecas Universitárias têm crescido nas discussões
sobre o marketing e a possibilidade de melhoria e
expansão do alcance dos seus produtos e serviços. Assim,
Serafim et al. (2012) trazem um trabalho com revisão de
literatura focado na utilização do marketing nas bibliotecas
universitárias; expõem informações que caminham entre a
formação das bibliotecas universitárias até o atual
momento em que elas são vistas como um negócio,
pautadas na preocupação de satisfação de seus
clientes/usuários.
Evidencia-se a importância do marketing na prestação de
serviços pelas bibliotecas, no entanto, conforme Moraes,
Ferraz e Zeferino (2012), o Endomarketing, processo que
se utiliza dos princípios de marketing focando na empresa
e interação entre funcionários, também é crucial, pois
acarretará no conhecimento dos recursos humanos sobre a
missão, objetivos e valores da empresa em que estão
inseridos, além de auxiliar e motivar na concepção de
tarefas e metas da organização. Para isso, os autores
apresentam, ao longo do trabalho, proposta de informativo
na biblioteca na qual estão inseridos, e como essa ação
traz resultados afirmativos como forma de valorização do
trabalho desenvolvido.
As universidades são pautadas pela excelência dos seus
serviços e por cumprir a Constituição brasileira ao
proporcionarem indissociabilidade ao ensino, à pesquisa e
à extensão. (BRASIL, 1988). Em geral, as bibliotecas
universitárias são inovadoras na prestação de serviços aos
seus usuários, pois precisam acompanhar o crescimento
das instituições a qual fazem parte, promovendo seu
espaço para melhor aproveitamento. Deste modo, Ribeiro
(2012) apresenta projeto de trabalho que discute a
importância dessa renovação de prestação de serviços por
parte das bibliotecas universitárias, tendo o marketing
como ferramenta eficaz à melhoria destes espaços.

�Nesta mesma temática, Nascimento et al. (2012) discorre
sobre o marketing e a busca pela qualidade dos serviços
oferecidos em Unidades de Informação, em que tendo uma
boa aplicação das técnicas de marketing em conjunto com
a preocupação de refletir a qualidade dos serviços,
certamente haverá reflexos positivos nas instituições nas
quais estão inseridas.
Amaral (2013) uniu estudo de usuários e marketing.
Analisou duas dissertações de um Programa de PósGraduação em Ciência da Informação. A autora buscou
saber por que o enfoque centrado nos estudos de usuários
contribuíram para “estudar a gestão da oferta e demanda
de uma biblioteca digital e de um sistema de informação
gerencial na ótica do marketing da informação”. Esse foi o
único trabalho encontrado com esse viés dentre os
pesquisados. Percebeu-se que na ótica de Amaral, estudos
de usuários têm conexão com a temática do marketing.
Prado (2013)reforça que difundir os serviços e produtos
de uma biblioteca é uma atividade tradicional, importante,
devendo ser readequada às novas práticas de marketing. O
autor traz informações sobre Foursquare, conhecido como
uma rede geossocial e de microblogging que permite ao
utilizador indicar onde se encontra e procurar por seus
contatos, que estejam próximo desse local (FOURSQUARE,
2016).Para ele, a “necessidade de visibilidade das
bibliotecas em seus espaços de atuação (comunidade,
universidade, escola, empresa) é um item recorrente
dentro da atuação do bibliotecário.”
Cativelli (2013) buscou mapear a forma como as
bibliotecas têm aplicado às ações de marketing em suas
rotinas. Destacou a abordagem através de periódicos entre
200 e 2011. Mostrou que se destacaram o Marketing no
contexto Cultural, Marketing como filosofia gerencial,
Marketing na Internet, Composto de Marketing, Promoção
e comunicação e Marketing de relacionamento. Não
entraremos nos detalhes de cada um, pois se objetiva falar
dos trabalhos e suas visões no geral. Além do quantitativo

�encontrado, os autores apresentam a parte qualitativa, em
que discutem o conteúdo e a aplicação.
Entender como as bibliotecas são inseridas no cenário de
ampla utilização das redes sociais é crucial para vislumbrar
como está, na prática, a percepção de bibliotecários,
referente às vantagens dispostas por estas ferramentas.
Assim, Farias (2013) e Costa et al. (2013) desenvolveram
trabalhos para compreender como as bibliotecas
universitárias estavam utilizando as redes sociais, pois
permitem novos meios de relacionamento entre bibliotecausuário.
Farias (2013) compreende a mudança atual no tocante à
comunicação e disseminação da informação como alerta
aos bibliotecários, na visão de reinventar e aperfeiçoar os
produtos e serviços, utilizando-se das ferramentas
encontradas online para adequar-se à realidade atual,
surgindo assim, a Biblioteca 2.0. Já, Costa et al. (2013)
destacam que as redes sociais, na maioria, são utilizadas
com frequência insatisfatória, não podendo assim trazer
resultados totalmente satisfatórios, principalmente porque
as redes sociais permitem, também, monitorar os usuários
através dos seus comentários nas páginas das bibliotecas,
maiormente nas reclamações, na tentativa de resolvê-las
assim que surgirem. (COSTA et al., 2013).
Na fala de Aguiar e Silva (2013) é reforçado o uso de
redes sociais como ferramenta positiva e possível de ser
utilizada pelas bibliotecas universitárias, no entanto,
destacam a necessidade de entender o atual perfil da
maioria dos estudantes universitários, ditos de “Geração
Y”, vistos como consumidores ativos de ferramentas
online. Entender essa geração se torna importante no
desenvolvimento de proposições por parte das bibliotecas,
tendo em vista a adaptação de produtos e serviços que
contemplem esses “[...] espaços como ferramentas de
comunicação, acesso à produção de informações e
interação com os usuários da chamada Geração Y e,
também, de outras gerações.” (AGUIAR; SILVA, 2013, p.

�1).
Cruz-Riascos (2013) apresenta discussão referente à
inovação de produtos e serviços em bibliotecas
universitárias, vista numa perspectiva de Biblioteca 2.0,
inseridas na dinâmica de web 2.0, onde se formam “[...]
redes de usuários que compartilham documentos,
informações e conteúdos com o apoio dos bibliotecários.”
(CRUZ-RIASCOS, 2013, p. 7).
Anjos et al. (2013) apresentam relato de experiência
pautada no desenvolvimento de ações que integram o uso
de marketing em conjunto com a Web 2.0, afim de
proporcionar aproximações entre biblioteca e usuários
através de serviços oferecidos, como blogs de novidades e
dicas, além perfis em redes sociais, proporcionando “[...]
maior praticidade, interação e apoio aos usuários,
atendendo à 4ª Lei de Ranganathan: ‘Poupe o tempo do
leitor’.” (ANJOS, et al. 2013, p. 5).
Araújo, Soares e Pereira (2013) contribuem na discussão
das redes sociais como auxílio positivo, porém focados no
atual cenário de desenvolvimento científico estudantil,
apresentando trabalho com considerações de docentes,
vinculados a programas de pós-graduação sobre a
utilização do Facebook como ferramenta de aproximação
entre aluno-professor. Com a crescente utilização por parte
dos brasileiros desta ferramenta e tendo em vista que a
primeira finalidade da criação deste espaço era para
universitários norte-americanos, o Facebook pode ser uma
forma de auxílio no ensino e aprendizagem no ambiente
acadêmico, desde que se superem barreiras na
implantação e no entendimento de que seja ferramenta de
ensino. (ARAÚJO; SOARES; PEREIRA, 2013).
Em trabalho publicado, Girard e Pires (2014) novamente
ressaltaram o Foursquare. Os autores o destacam como
ferramenta eficiente ao desenvolvimento do plano de
marketing para bibliotecas. Os Creem também que o
aplicativo pode auxiliar na identificação dos problemas
enfrentados e contribuir como ferramenta de marketing.

�Cossich (2014) focalizou o serviço de referência,
qualidade em bibliotecas e marketing. Na visão da autora,
o “serviço de referência pode ser considerado como a alma
de uma unidade de informação, pois é através do
atendimento personalizado aos usuários que a biblioteca
constrói sua imagem perante à comunidade”.
Silva, Rocha e Simões (2014, p. 5) discutem acerca da
importância do bibliotecário entender o marketing como
forma de melhor atender as necessidades dos usuários,
assim, os profissionais “[...] devem dar maior atenção às
técnicas mercadológicas, tendo em vista que grande parte
dos profissionais limita-se a promoção por tratar-se da
parte mais visível do marketing.”
Barbosa, Teixeira e Varela (2014) trazem trabalho em que
averiguam os benefícios da utilização do marketing digital
através de redes sociais e sua pertinência na divulgação
dos serviços oferecidos. Já, Nascimento Júnior (2014)
apresenta trabalho pelo qual visa ao entendimento do
público que se vale dos e-books como forma de traçar
metas de ações, utilizando o marketing. Mostrando que se
deve entender o contexto onde os princípios de marketing
devem ser aplicados, com o fim de se angariar maior
eficácia no resultado final.
Dias e Paula (2014, p. 5) apresentam plano estratégico de
divulgação dos serviços, salientando que “A adoção de
marketing em organizações que não visam o lucro [...] tem
se ampliado devido à crescente necessidade que estas
organizações encontram com as mudanças e a
concorrência, e por isso buscam maior eficácia de seus
serviços.” Araújo e Silva (2014) em seu trabalho,
discorrem de pesquisa que visa apresentar resultados
sobre a visão dos bibliotecários gestores sobre a aplicação
do marketing como filosofia de gestão, para que este
espaço não fique aquém da realidade social encontrada
atualmente, frente ao avanço da utilização de redes sociais
por grande parte da população.
Silva Filho (2014, p. 4) expõe a construção de um espaço

�online da biblioteca, visando à inserção do espaço
tradicional de pesquisa no ambiente virtual, através de
marketing digital – webmarketing, para que se tenha maior
aproximação com os usuários, “[...] além disso possibilita
agregar usuários potenciais para a biblioteca, conhecê-los
e oferecer-lhes produtos que vão ao encontro das suas
necessidades.”
Coma intenção da valorização dos serviços, Santanna et
al. (2014) buscou demonstrar a necessidade de
planejamento, organização e divulgação da Seção Coleções
Especiais da BC-UFES. Os autores expressaram ter
conseguido seu objetivo e para tal, foi necessário delimitar
o marketing como instrumento de valor aos acervos
especiais.
Oliveira e Castro (2015) trazem uma discussão do
marketing profissional e como esta atividade pode
interferir na visão social acerca do bibliotecário. Para isso,
os autores buscaram na fala de jovens de uma escola a
sua percepção sobre a biblioteca e quais seriam as
atividades do bibliotecário, sendo forma de promoção
profissional através da elaboração de marketing, para
elucidar dúvidas e desmistificar visões errôneas da
profissão.
Numa visão relacionada à inovação e com a ideia de
aproximar colaboradores e usuários da Biblioteca da
Universidade do Estado de Santa Catarina (BU/UDESC,
Juliani, Cavaglieri e Machado (2015/16) falam pouco de
marketing em seu trabalho, mas apresentam o uso do
design thinking. Fascioni (2012) explica que o design
thinking é uma ferramenta de inovação; é uma abordagem
predominantemente de gestão, que se vale de técnicas que
os designers usam para resolver problemas.

4. CONSIDERAÇÕES
Compreender o dinamismo vivido no mundo da
informação passou a ser o princípio fundamental na prática

�do marketing. A Biblioteca precisa do marketing para se
fortalecer e contribuir com a sociedade; ela é vista como
um lugar em que há movimento, pessoas passam,
vivenciam, circulam e querem ter liberdade para o usufruir.
Ver o marketing como uma ferramenta gerencial e não
como atividade ocasional permite aos gestores conhecer o
meio em que atuam. A visão de que o marketing é
processo, no sentido de início, desenvolvimento e
retroalimentação. Não como uma atividade única e isolada
ou ocasional. Tais ações devem permear as ações
gerenciais, somente assim se conseguirá ter noção do
público interno e externo.
Vive-se uma infinidade de termos que não serão aqui
relatados; muitos com a mesma finalidade, tendo o
processo de implantação com outro foco. Ou seja, todos
buscam criar, desenvolver, promover, distribuir produtos
relativos à informação.
Com vista à pesquisa realizada, salienta-se que, dos
trabalhos apresentados em eventos, muitos discutem a
teoria, outros se focam na apresentação de trabalhos
práticos de análise das bibliotecas universitárias; utilizam
ferramentas vindas da web 2.0, assim como, também as
usam no processo de aproximação entre biblioteca/usuário
e divulgação de produtos e serviços.
Outra constatação visível é a busca, seja das bibliotecas
ou dos bibliotecários por ferramentas para promover o uso
da informação. Embora sejam encontradas denominações
diferentes, a maioria dos estudos teve como meta ampliar
e valorizar seus espaços. A criatividade está presente, bem
como a procura por novos métodos.
Verificou-se que muitos dos textos estudados se referem
à unidade de informação -biblioteca-;apalavra biblioteca,
por vezes, não é usada.
Verificou-se ainda que o termo “novas tecnologias “surgiu
em muitos trabalhos, mas o que seriam no mundo de
hoje? Será que - novas - não caiu? Estamos com uma

�infinidade de termos que surgem a cada dia, novidades em
todas as áreas. Entre 1990 até 2000 eram as NTIC, depois
novas tecnologias, mas hoje podemos simplesmente
denominá-las de tecnologias digitais, pois todas as
ferramentas vislumbram a disponibilização da informação
nesse formato.
Convém apontar que as tecnologias podem auxiliar na
divulgação dos produtos de uma biblioteca. O marketing é
um comportamento a ser adotado pelos profissionais e,
para tal, devem ser usados os recursos existentes. Nesse
sentido, temos bibliotecas sem aporte tecnológico. Na
atualidade, as ações da biblioteca devem ser no sentido de
proporcionar nova visão, novos valores. Quem sabe,
apontando o simples direito de usufruir da informação já
seria um bom começo. Finaliza-se, dizendo que muito há
por fazer na área das bibliotecas. O marketing é um aliado.
O conceito não é novo, mas a sua aplicação pode sempre
ser sinônimo de inovação. As ações dos profissionais
mostrarão os caminhos a serem percorridos que poderão
ser ativos ou proativos, buscando parcerias e novos
caminhos.

REFERÊNCIAS
AGUIAR, Gisele Adornato de; SILVA, José Fernando
Modesto da. Geração Y e as ferramentas de redes sociais:
novas perspectivas para as bibliotecas universitárias. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1403/1404&gt;.
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing da informação:
abordagem inovadora para entender o mercado e o
negócio da informação. Ci. Inf., Brasília , v. 40, n. 1, p.
85-98,
abr.
2011
.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?

�script=sci_arttext&amp;pid=S010019652011000100007&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;..
http://dx.doi.org/10.1590/S0100-19652011000100007.

AMARAL, S. A. L. Estudos de usuários e marketing da
informaçÃo. Brazilian Journal of Information Science,
v.
7,
n.
Esp.,
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/bjis/article/view/3
ANJOS, Cláudia Regina dos et al. Utilizando os recursos da
web 2.0 para inovar os serviços de biblioteca: um relato de
experiência da Biblioteca do IPPUR/UFRJ. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013,
Florianópolis.
Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1360&gt;.
ARAÚJO, Ana Catarina Cortêz; SOARES, Ana Paula;
PEREIRA, Rodrigo. Redes sociais: a percepção do uso do
Facebook no processo de ensino e aprendizagem pelos
docentes do Programa de Pós-Graduação em Gestão da
Informação, do Conhecimento e Novas Tecnologias. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1440&gt;.
ARAÚJO, Walqueline Silva; SILVA, Márcio Bezerra. O uso
das redes sociais como ferramenta para o marketing digital
em unidades de informação: o caso do sistemoteca da
UFCG. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/568-1978.pdf&gt;.
ARAÚJO, Walqueline da Silva; SILVA, Márcio Bezerra da;
SILVA, Alzira Karla Araújo da. O uso do marketing na
comunicação de produtos e serviços em unidades de

�informação: o caso da seção de multimeios da biblioteca
central da UFPB. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012,
Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012. Disponível
em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4Q66.pdf&gt;.
BARBOSA, Marilene Lobo Abreu; TEIXEIRA, Ana Paula
Santos Souza; VARELA, Aida Varela. O marketing digital
nas bibliotecas universitárias como estratégia de
aproximação com o usuário. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo
Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014.
Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/613-2007.pdf&gt;.
CATIVELLI, Adriana Stefani. Marketing aplicado em
bibliotecas: análise de conteúdo dos artigos publicados em
periódicos da ciência da informação. Rev. digit.
bibliotecon. cienc. inf., Campinas, SP, v.11, n.3, p.3045,
ago/nov.
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci&gt;
CORRÊA, Tatiane Priscila Pinto; SILVA, Vanessa Brum da.
Divulgação da Biblioteca da Divisão de Gestão do
Conhecimento da Secretaria Municipal de Educação e
Cultura da cidade do Rio Grande/RS. BIBLOS, [S.l.], v.
26, n. 2, p. 139-152, jul. 2013. ISSN 2236-7594.
Disponível
em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/3711&gt;.
COSSICH, Marília. O papel da qualidade e do marketing no
serviço de referência.BIBLOS, [S.l.], v. 28, n. 2, p. 27-36,
ago.
2015.
ISSN
2236-7594.
Disponível
em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/4248&gt;.
COSTA, Luciana Ferreira da et al. Uso de redes sociais por
bibliotecas universitárias de instituições particulares de
ensino superior de João Pessoa.In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013,
Florianópolis.
Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.

�Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1449&gt;.
CRUZ-RIASCOS, Sonia. Inovação em serviços e produtos
de informação para a sustentabilidade das bibliotecas das
Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras: de
Gutenberg às redes virtuais. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013, Florianópolis. Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1629&gt;.
DAMASCENO, Andreia Cristina; MESQUITA, José Marcos
Carvalho de. Atributos determinantes da baixa utilização
de bibliotecas: estudo em uma instituição de ensino pública
federal. Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte , v. 19, n. 1,
p.
149-169,
Mar.
2014
.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&amp;pid=S1413DIAS, Rebecca dos Santos; PAULA, Roberta Pereira da
Silva de. O plano estratégico de marketing da biblioteca
Octávio Barbosa, do serviço geológico do Brasil. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte:
UFMG,
2014.
Disponível
em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/141-1755.pdf&gt;.
ESPÍRITO SANTO, A. do. Programa de relações públicas em
bibliotecas universitárias. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, v. 2, n. 1, p. 73-85, 1973.
Disponível
em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/2853&gt;.
FASCIONI,
L.
O
que
é
Design
Thinking?
&lt;
http://www.ideiademarketing.com.br/2012/02/06/o-quee-design-thinking-entrevista-com-ligia-fascioni/&gt;.
FOURSQUARE.
Site.
&lt;https://pt.foursquare.com/&gt;.

Disponível

em:

�GIRARDI, Carla Daniella Teixeira; PIRES, Erik André de
Nazaré. O Foursquare como ferramenta de marketing: uma
análise sobre a Biblioteca Central da Universidade Federal
do Pará (UFPA). Revista ACB: Biblioteconomia em Santa
Catarina, Florianópolis, v.19, n.1, p. 89-101, jan./jun.,
2014.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/viewFile/933/pdf_90
JOVANOVICH, Eliane Maria da Silva; TORRE, Angela Maria
Dalla. O marketing e as tecnologias de comunicação
(TICS): uma união estável de sucesso na biblioteca setorial
do escritório de aplicação de assuntos jurídicos (BSEAAJ)
da Universidade Estadual de Londrina (UEL). In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RCY.pdf&gt;.
Acesso em: 02 maio 2016.
JULIANI,
Jordan
Paulesky;
CAVAGLIERI,
Marcelo;
MACHADO, Raquel Bernadete. Design thinking como
ferramenta para geração de inovação: um estudo de caso
da Biblioteca Universitária da UDESC. InCID: Revista de
Ciência da Informação e Documentação, Brasil, v. 6,
n. 2, p. 66-83, oct. 2015. ISSN 2178-2075. Disponível em:
&lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/100887&gt;.
FARIAS,Marlucy Veleda. O uso das redes sociais para
comunicação e interação com o usuário: o caso das
bibliotecas universitárias do Rio Grande do Sul. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1428&gt;.
Acesso em: 01 maio 2016.
MORAES, Thais Cristiane Campos de; FERRAZ, Kátia Maria
de Andrade; ZEFERINO, Vilma Sarto. Endomarketing: uma
ferramenta no processo do sistema de gestão da divisão de
biblioteca - ESALQ/USP. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE

�BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012,
Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012. Disponível
em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RFY.pdf&gt;.
NASCIMENTO, Bruna Laís Campos do et al. Como
promover o marketing através do gerenciamento da
qualidade nos serviços das unidades de informação. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QAQ.pdf&gt;.
NASCIMENTO JUNIOR, Carlos Alberto Souza do. Estudo de
uso da coleção de livros eletrônicos como base estratégica
de marketing. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/442-1910.pdf&gt;.
NUNES, Vanessa Ceiglinski. Marketing em bibliotecas: a
produção do conhecimento nos periódicos online na área
da ciência da informação e no banco de teses do portal da
Capes, no período de 1985 a 2011. 28 f. TCC (Graduação
em Biblioteconomia) – Instituto de Ciências Humanas e da
Informação, Universidade Federal do Rio Grande, Rio
Grande,
2011.
Disponível
em
&lt;http://repositorio.furg.br/handle/1/5960?show=full&gt;
OLIVEIRA, Alessandra Nunes de; CASTRO, Jetur Lima de.
Bibliotecário imagem social ou clichê: um estudo prático do
marketing informacional do curso de biblioteconomia/UFPA
na Escola Brigadeiro Fontenelle. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO –
CBBD, 26., 2015, São Paulo. Anais... São Paulo: FEBAB,
2015.
Disponível
em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/476/436&gt;.
PIMENTEL, C.D. P. Técnicas de marketing aplicadas à
biblioteca. Cadernos de Biblioteconomia, v. 6, n. 1, p.
69-78,
1983.
Disponível
em:

�&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/3444&gt;.
RIBEIRO, Rejane Maria Rosa. Marketing: ferramenta eficaz
na gestão de bibliotecas universitárias. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4NHM.pdf&gt;.
SANT'ANA, Giovanna Carvalho; KIRST, Marcos. O Sistema
Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo como política
pública
cultural.
RBBD.
Revista
Brasileira
de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 11, p.
582-594, maio 2016. ISSN 1980-6949. Disponível em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/535/452&gt;.
SANTA ANNA, Jorge et al. A importância do planejamento,
tratamento informacional e divulgação de acervos
especiais: o caso do setor de coleções especiais da
biblioteca central da UFES. BIBLOS, [S.l.], v. 28, n. 1, p.
47-70, jul. 2014. ISSN 2236-7594. Disponível em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/4076/3001&gt;.
SANTOS, Ana Rosa dos. Emarketing na preservação de
documentos. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RBN.pdf&gt;.
SANTOS, Cibele Araújo Camargo Marques dos. As redes
sociais como ferramenta de marketing e comunicação com
o usuário. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QVW.pdf&gt;.
SERAFIM, Lucas Almeida et al. Marketing em bibliotecas
universitárias: uma revisão da literatura. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4R6C.pdf&gt;.

�SILVA, Bruno Felipe de Melo; LIMA, Janaina Xisto de
Barros; NASCIMENTO, Lucia Lima do. Marketing de
promoção em 140 caracteres: apropriação e uso do twitter
pela biblioteca central da Universidade Federal de Alagoas.
In:
SEMINÁRIO
NACIONAL
DE
BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QEQ.pdf&gt;.
Acesso em: 02 maio 2016.

SILVA, K.R. et al Serviços oferecidos via Twitter em
bibliotecas
universitárias
federais
brasileiras.
PontodeAcesso, Salvador, V.6, n.3 ,p. 72-86, dez 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/615
SILVA, Lucikelly Oliveira; ROCHA, Maria Meriane Vieira;
SIMÕES, Angélica Clementino. Biblioteca do Ttribunal
Regional do Trabalho da Paraíba: proposta de um plano de
marketing para os usuários. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo
Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014.
Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/165-2390.pdf&gt;.
SILVA FILHO, Rubens da Costa. Webmarketing aplicado à
biblioteca universitária: o website como ferramenta de
promoção. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/137-1751.pdf&gt;.

�9 - MÍDIAS SOCIAIS EM
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
Regina Fazioli

Redes

sempre
existiram,
bem
como
o
entrelaçamento de seus nodos e ligações no seu interior.
Desde sempre pessoas se reúnem, relacionam-se por meio
das redes. O que as difere é a tipologia, conforme as
ligações acontecem.
A forma de entrelaçamento evolui quando mudanças
acontecem, desde as mais pré-históricas ferramentas até
os dias de hoje, a disposição se transforma com as
tecnologias digitais. Assim, apesar de as redes sociais
serem tão antigas quanto a humanidade e mídias sociais
existirem desde as pinturas do tempo das cavernas, a
maneira com que as pessoas se estruturam em rede social
e o modo como trocam conhecimento e se comunicam,
vem passando por muitas variações ao longo dos tempos,
atingindo as maiores transformações nos últimos 10 anos,
devido à propagação e infiltração das tecnologias digitais
na sociedade. Atualmente, com as Ferramentas de Mídias
Sociais, as relações tomaram caminhos diferentes de
interação e esta interação social acontece também no
ciberespaço de maneira ativa e colaborativa.
Partindo do princípio que redes sociais são pessoas
conectadas por algum interesse em comum, essas redes
podem se organizar, segundo Baran (1964), de três formas
distintas: centralizadas, descentralizadas e distribuídas,
conforme é mostrado na figura a seguir:

�(Baran, 1964)

Nota-se que nas três figuras acima (Baran, 1964), os
nodos (pontos) estão dispostos sempre nos mesmos
lugares, o que muda é a forma como se unem.
A Rede Centralizada tem como foco a centralização das
tarefas e serviços de onde advém o nome - Centralizada.
Este modelo é indicado para locais onde se necessite uma
gestão centralizada de serviços.
Rede Descentralizada tem como ponto central a
independência das tarefas e dos serviços. Ao contrário da
Rede Centralizada, este modelo não exige a centralização
das tarefas, com isso a gestão se dá de forma limitada e
mais complexamente.
Já, na Rede Distribuída, que aparenta uma rede de pesca,

�onde cada nodo independe de outro, mas por outro lado é
diretamente ligado ao outro, completando-o. Neste tipo de
rede os processos acontecem interligados, mas ao mesmo
tempo independentes e em formato transparente.
De forma geral, os nodos se interligam a todos de uma
forma ou de outra. O que interfere são as camadas destas
interligações.
As principais características das Redes Sociais são a
Fruição, onde as oportunidades tendem a surgir (Redes de
Relacionamento), conter Nodos (pessoas) e Conexões
(links) e reunir pessoas, interagindo segundo um padrão
de organização de rede distribuída. Nestas interações
acontece o colapso do tempo e espaço.
Todas estas mudanças geram profunda transformação na
economia e com isso muitas profissões tendem a se
reinventar. Os corretores de imóveis, por exemplo, se não
desaparecerem, vão ter menos o que fazer. Aplicativos
farão o que hoje eles realizam. No caso dos jornalistas,
outro cenário se configura: a profissão sempre deverá
existir para apurar notícias e contar histórias, pois isso
exige tempo, dinheiro e profissionalismo, porém os jornais
passarão por muitas mudanças ainda. Editores de revistas
científicas desaparecerão. Cada um publicará seu artigo
científico num site pessoal ou coletivo e as avaliações
serão feitas depois. Isso já existe. O importante é a
circulação de ideias, não o controle prévio da publicação. É
mais democrático, aberto e gratuito. As bibliotecas
universitárias gastam fortunas para assinar publicações
que podem e deveriam propiciar acesso aberto a todos.
Inevitavelmente é o que deverá acontecer.
A internet ainda está na sua pré-história. Hoje, 50% das
pessoas estão conectadas. Em 2000, era 1%. Rapidamente
atingiremos 80 ou 90% de conectados. Então, a internet
passará por inovações de qualidade: tradução automática,
inteligência artificial, inteligência coletiva, reflexiva. Pierre
Levy (in SILVA, 2016).

O valor da Interdisciplinaridade para o profissional da

�informação, atualmente, é mais do que imprescindível.
O foco da realização dos serviços e produtos tende a se
transformar em ações e sentimentos bem mais próximos
aos clientes destes mesmos serviços e produtos e devem
se adaptar a esta nova economia. A realização deverá ter
outro olhar para sua execução, devendo obedecer este
novo formato da economia do conhecimento.
Esta mudança também nota é notada no novo cliente que,
na maioria das vezes, procura indicações e informações
nas Mídias Sociais para finalizar um negócio, indiferente do
campo deste serviço ou produto.
Abaixo, em gráficos sobre acesso às Redes Sociais, pode
observar-se onde a maioria das pessoas está referindo-se
a Redes Sociais. Independente dos gestores do negócio
gostarem ou não, preferirem ou não, devem atuar e estar
onde seus clientes estão, ou seja, se 83% das pessoas
acessam o Facebook; é lá que devem ser criadas as
possibilidades de negócios e serviços.

Fonte: Pesquisa Brasileira de Mídia,2015 (PBM)

�Fenômenos de Redes Sociais:
Ainda para entender as Redes Sociais, deve ser analisada
a fenomenologia que as envolve. As grandes descobertas
da nova ciência das redes foram os fenômenos associados
à interação: Clustering, Swarmming e a Teoria dos Seis
Graus, entre outros.
Clustering:
A primeira descoberta é: tudo que interage clusteriza ou
se aglomera, ilustrado abaixo.

Aglomerações (Clustering)

Swarmming:
Outra descoberta: tudo que interage pode enxamear. O
maior exemplo deste fenômeno é o da inteligência coletiva
no voo dos pássaros.

�Enxameamento (Swarmming)

Teoria dos seis Graus de Separação:
Esta teoria resulta de uma pesquisa realizada nos Estados
Unidos (WATTS, 1999) concluindo que no mundo são
necessários, no máximo, seis laços de amizade para que
duas pessoas quaisquer estejam ligadas. Com o advento
do Facebook, no entanto, essa medida caiu para nada
menos que 3,57 graus de separação – na média.
É importante enfatizar que as Redes Sociais vieram mudar
o relacionamento entre instituições e consumidores.
Terminou o período em que as marcas manipulavam a
informação. Atualmente, consumidores ajudam a criar,
opinam, comunicam-se e decidem baseados nos seus
próprios critérios. Uma coisa é correta: as redes sociais
vieram para ficar e quem não respeitar os consumidores
será definitivamente afastado do mercado.
Percebe-se o
seu perfil,
tendências e
asinformações

quanto é importante conhecer seu cliente,
suas preferências, necessidades, suas
habilidades e o quanto é importante
de serviços e produtos chegarem a este

�mesmo cliente.
Ao se delinear um negócio, faz-se necessário observar a
real identidade deste negócio. Esta identidade é
necessidade básica do ser humano. É tão necessária como
afeto ou comida. A identidade é uma necessidade afetiva
(sentimento), cognitiva (consciência de si próprio e do
outro como diferente) e ativa (o ser humano tem de tomar
decisões fazendo uso de sua liberdade de vontade). A
identidade é um selo de personalidade. É evolutiva e está
em mudança. É uma característica que se desenvolve e faz
parte da história de cada indivíduo.

Tipos de Ferramentas de Redes Sociais:
Até agora se enfatizou as Redes Sociais, mas há uma
diferença entre Redes Sociais e Ferramentas de Redes
Sociais.
As ferramentas são usadas para divulgar conteúdo, ao
mesmo tempo em que permitem relação entre as pessoas.
Como exemplo cita-se um blog que, ao mesmo tempo,
dissemina conteúdo e abre espaço para os leitores
interagirem. Estas são ferramentas que têm como objetivo
o compartilhamento de conteúdo, sendo as relações objeto
de estudo das Redes Sociais.
Abaixo, algumas das Ferramentas de Redes Sociais:
AdSense:
Um plano de publicidade do Google ou de qualquer outra
Ferramenta, que ajuda criadores de sites ou de negócios
entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com seu trabalho.
Tornou-se a mais importante fonte de receita às empresas
Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google
oferece anúncios relevantes ao conteúdo de um site,
gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for
clicado.

�Ajax (AsynchronousJavascriptAnd XML):
É um pacote amplo de tecnologias usado para criar
aplicativos interativos para a web. A Microsoft foi uma das
primeiras empresas a explorar a tecnologia; mas a adoção
da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line,
mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax uma das
ferramentas mais quentes entre os criadores de sites e
serviços na web.
Blogs:
De baixo custo para publicação na web, disponível a
milhões de usuários, os blogs estão entre as primeiras
ferramentas de Web 2.0 a serem usadas amplamente.
Mashups:
Serviços criados pela combinação de dois diferentes
aplicativos para a internet.
Por exemplo, misturar um site de mapas on-line com um
serviço de anúncios de imóveis, apresentando um recurso
unificado de localização de casas que estão à venda.
RSS
"Reallysimplesyndication"
realmente simples):

(distribuição

Distribui informação por meio da internet, utilizando a
combinação de tecnologias - "pull" -, com as quais o
usuário da web solicita as informações que deseja e
tecnologias - "push" -com as quais informações são
enviadas a um usuário automaticamente.
Conhecido como “assinando um feed” (alimentador).
Tagging (rotulação):
Oferece aos usuários uma maneira de vincular palavras-

�chave a palavras ou imagens que consideram interessantes
na internet (nuvens de Tags).
Ajuda a categorizar as palavras e compartilhar com outros
usuários.
O uso on-line de tagging é conhecido como "folksonomy";
cria uma distribuição classificada ou taxonomia de
conteúdo na web.
Wikis:
Páginas comunitárias na internet que podem ser alteradas
por todos os usuários que têm direitos de acesso.
Ex.: Wikipédia = &gt; enciclopédia on-line escrita por
leitores.
Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma
maneira fácil de trocar ideias comum grupo de
trabalhadores envolvidos em um projeto.

Escolhendo a Ferramenta:
Onde o cliente está, está a oferta de produtos e serviços.
Se a maioria das pessoas que frequenta Redes Sociais e
que deverá ser o público a ser atingido está no Facebook, é
onde se deve montar a estratégia e planejamento da
campanha de marketing digital, que será preparada à
divulgação dos serviços e produtos escolhidos ou mesmo
uma campanha mais abrangente para a divulgação da
instituição.

�REDES SOCIAIS MAIS UTILIZADAS (Brasil, 2014)·.

A não ser que este cliente esteja em outras ferramentas;
esta outra ferramenta deverá ser o foco mais importante
para ser criada uma campanha de divulgação,
conscientização ou o que for decidido pelo planejamento da
campanha de marketing.

Criação da Campanha de Marketing:
Mais tarde ou mais cedo, qualquer marca ou produto
presente no mercado necessita de publicidade, para
aumentar a procura e evitar perda de mercado ou para se
manter viva e saudável junto do consumidor. As técnicas
de comunicação constituem uma poderosa ferramenta e
podem influenciar a atitude dos consumidores face ao
produto/marca. As campanhas de publicidade servem,
sobretudo, para conquistar ou manter a posição de
liderança, assim como para diferenciar e aumentar o grau
de notoriedade de produtos ou serviços num mercado cada
vez mais competitivo. A publicidade constitui, assim, um
instrumento para ajudar as empresas a vender, ao mesmo

�tempo ,e permitira os consumidores aumentarem
conhecimento sobre os produtos, sabendo distingui-los.

o

Abaixo, os passos principais da Criação da Campanha de
Marketing:
Passo 1 - Conhecer os conceitos de publicidade.
A publicidade constitui um meio de promover vendas em
massa. Nesse sentido, deverá:
Interessar.
Persuadir.
Convencer.
Levar à ação.
A publicidade se baseia no conhecimento da natureza
humana e deve influenciar o comportamento do
consumidor. Quanto mais se conhecem as necessidades, os
desejos e os impulsos daquele, mais fácil colocar em
prática uma estratégia publicitária. Para que um anúncio
cumpra a sua missão, levando o consumidor a adquirir o
produto ou utilizar o serviço proposto e anunciado, é
necessário o apelo a uma necessidade, despertando ou
criando o desejo.
Passo 2 - Determinar os objetivos da publicidade
A publicidade permite atingir os seguintes objetivos:
Informar: a publicidade permite dar a
conhecer as características dos produtos,
assim
como
aumentar
os
graus
de
conhecimento que se tem sobre eles.
Conteúdo, formas de utilização, locais e
aquisição e de assistência técnica constituem
algumas das informações úteis para o

�consumidor, que a publicidade deve facultar.
Aumentar a notoriedade: o grau de
conhecimento sobre um produto/marca faz
aumentar significativamente as hipóteses de
aquisição. A divulgação das marcas permite
que os potenciais consumidores conheçam a
sua existência no mercado, aumentando-lhe a
notoriedade.
Diminuir o esforço de compra: quanto maior
forem os conhecimentos sobre uma marca,
mais fácil se torna perante as armaduras de
produtos existentes, tomarmos uma decisão.
Influenciar na decisão de compra: este
constitui certamente o objetivo máximo da
publicidade.
Passo 3 - Fazer o briefing da campanha
Briefing é um conjunto de informações, coleta de dados
no desenvolvimento de um trabalho de divulgação ou de
venda. É o documento que contém descrição da situação
de uma marca ou serviço, seus problemas, oportunidades,
objetivos e recursos para os atingir. É a base de um
processo de planejamento.
A implantação de uma campanha publicitária resulta de
um plano de marketing, do qual fazem parte outros
importantes instrumentos que englobam o mix da
comunicação:
Relações públicas
Força de vendas
Promoções
Marketing direto
A campanha tem como objetivo dar resposta aos objetivos

�inicialmente propostos no plano de marketing face ao
produto/serviço.
Como a maioria dos Serviços de Informação não dispõe
de departamentos voltados a levar a cabo todas as fases
de uma campanha, o primeiro passo é selecionar pessoas
capacitadas e responsáveis pela elaboração do briefing
publicitário.
Passo 4 - Estabelecer a estratégia criativa
Aprovado o briefing da campanha, as pessoas envolvidas
iniciam o processo criativo a partir da ideia definida e pelo
orçamento disponibilizado. Este processo envolve a
concepção e tratamento das mensagens e a seleção dos
respectivos suportes:
Filmes
Locução
Fotografia
Cartazes
Jingles
Ferramentas de Redes Sociais
No processo criativo intervêm várias pessoas que
possuam expertise e trabalhem em estreita ligação entre
si, concebendo, em conjunto, a mensagem publicitária.
Passo 5 - Selecionar os meios
A seleção dos meios a serem utilizados numa campanha
publicitária depende dos alvos que se pretende atingir e do
tipo de mensagem a transmitir. Não menos importante é o
orçamento que, muitas vezes, pode condicionar a utilização
de determinados meios, sobretudo os que exigem maior
investimento. Aqui ficam as principais vantagens e

�desvantagens dos diversos meios.
Passo 6 - Analisar os resultados
Os resultados de uma campanha publicitária podem ser
avaliados pelo impacto e pela eficácia. Entre outros, as
avaliações podem medir: Memorização, Atribuição,
Compreensão, Credibilidade, Aceitação, etc.

Etapas do Marketing em Mídias Sociais:
Planejamento do projeto
Nessa etapa são definidos os objetivos
da presença nas redes e avaliados e
mapeados os cenários da marca e seus
concorrentes diretos e indiretos nesses
ambientes.
Estruturação dos canais nas redes sociais
Durante essa fase são criados ou aperfeiçoados os perfis
das empresas nessas novas mídias.
Definição da brand persona (personificação dos
valores da marca) e construção de guidelines
(orientações) de conteúdo.
Nesse momento são delimitados os fatores que norteiam
a produção de conteúdo para as redes sociais. É o caso da
escolha da brand persona, ou seja, a definição da
linguagem a ser adotada na comunicação da empresa com
o seu público.
Planejamento das ações
Essa etapa envolve a definição das ações que orientarão o

�desenvolvimento de conteúdo institucional às redes sociais,
incluindo o planejamento para gestão de crise.
Todas as instituições estão sujeitas a passar por situações
de anormalidade e/ou tensão, de intensidade variável. O
gerenciamento de crise é uma atividade que visa
minimizar, reduzir ou se possível eliminar os impactos
causados por essas atribulações, a fim deque a
organização tenha o menor prejuízo financeiro possível,
como também na sua reputação.
É importante também desenhar as linhas básicas de
tratamento dos “detratores”: perfil de consumidor
realmente insatisfeito com a marca e que faz questão de
expor aos quatro ventos sua experiência negativa com um
produto, serviço ou empresa.
Todo cliente deverá ser tratado com todo o respeito e
atenção que merece, pois sem ele a instituição
simplesmente não existe, e as organizações devem
desenvolver as melhores práticas no que tange ao
atendimento do cliente, criando processos assertivos que
garantam a entrega do produto/serviço à altura de sua
expectativa e satisfação.
Entretanto, quando, ainda com todos estes cuidados,
houver casos de clientes detratores é importante que a
organização se posicione imediatamente e busque fazer
contato com eles (telefone, e-mail, redes sociais) para
resolver o mais rapidamente possível sua reclamação. Isso
é importante, não apenas para que a marca não fique
taxada negativamente, mas especialmente, para que o
cliente tenha seu problema resolvido de imediato e para
que não fique com má impressão da instituição e a espalhe
por aí.
Também é importante planejar objetivos
específicos, p.ex.: ao se referir a detratores:

gerais

e

Mapear detratores para realizar ações de relacionamento
e diminuir o volume de críticas. Mapear indicadores de
detratores: volume de detratores únicos e volume de posts

�negativos.
Planejar a meta: diminuir em 25% o volume de detratores
únicos em três meses.
Desenvolvimento de conteúdo especializado.
Nessa fase é planejada a produção dos conteúdos
especializados para a instituição – e relevantes ao cliente
–, abordando temas sobre a marca, seu negócio, serviços,
produtos e mercado.
É importante, de preferência, divulgar conteúdo exclusivo.
Não há vantagem em replicar conteúdos de sites de
notícias sem uma contextualização prévia. Qualquer notícia
poderá ser replicada se acompanhada de algum conteúdo
produzido pelo “agitador” da página. Ao se criar enquetes,
planeja-se e se incentiva a interação do usuário. É
importante destacar que a frequência de interação do
usuário é determinante à visibilidade de uma página. Se o
usuário não interage com a página, ela deixa de aparecer
na timeline dele. É significativa a utilização da rede social
como espaço de formação; para isso, podem ser
repassadas, p.ex.: dicas de utilidade pública, cursos
oferecidos pelo serviço de informação ou sites à
aprendizagem de idiomas. Enfim, informações úteis à
formação do cliente.
Conteúdo de qualidade combinado com boa estratégia de
distribuição é fundamental para que o processo funcione. E
isso independe do setor da instituição, não importando o
público-alvo com que trabalha.
Mais importante que a própria campanha, é a estratégia
integrada de longo prazo que objetive conquistar e fidelizar
consumidores através de conteúdo relevante.
É um erro, portanto, abrir caminhos sem planejamento,
cadastrar-se em muitas Mídias Sociais, publicar qualquer
tipo de conteúdo, que poderá ser interessante para alguns
clientes-alvo que fazem parte do público da marca. Abrir

�conta em várias Ferramentas de Mídias Sociais sem um
planejamento é alcançar menos da metade do potencial de
resultados.
É importante incluir, em qualquer estratégia, alinhar
conteúdo, perfis sociais e campanhas off-line às metas de
negócio, produto ou serviço a ser difundido. Desse ponto
de partida saem os objetivos com o conteúdo:
público-alvo (e preferências, personas, uma análise
completa);
canais a serem utilizados;
estratégias
linguagem;

de

conteúdo:

temas,

distribuição,

métricas a serem monitoradas e analisadas.
Obviamente que esta é uma lista muito simplificada de
uma estratégia de conteúdo completa, mas é um ponto de
partida para quem quer começar a se estruturar. Muito
importante conhecer e melhores horários de publicação da
Ferramenta de Rede Social que está utilizando e,
programar esta divulgação.

Monitoramento: objetivos e possibilidades
O monitoramento de Redes Sociais tem como principais
objetivos: mensurar, qualificar, quantificar, traçar perfis de
usuários, identificar possibilidades de ações dentro dos
ambientes virtuais e prever crises e danos às marcas. Este
campo ganhou destaque nos últimos anos e tem
expectativa de ser o carro chefe das ações do
Planejamento
das
Mídias
Sociais,
por
conseguir
compreender sonhos, desejos, insatisfações e problemas
dos clientes para o mundo real, além de propor e sugerir
formas de amenizar o impacto negativo de uma marca.
Ouvir o buzz (marketing boca a boca - o que se diz sobre
a marca entre os clientes) em torno de uma determinada

�marca não só é importante do ponto de vista da gestão de
reputação, mas também porque ela serve como maneira
de compreender e aperfeiçoar as formas de se trabalhar
com uma marca. Conforme afirmam Dambrós e Reis
(2008) "já não se trata de fazer os consumidores
comprarem a marca, mas de incentivar que eles se
organizem ao seu redor". Este trabalho possibilita às
organizações entender e conhecer melhor o seu público; é
possível mapeá-los, o que pensam e como agem os
internautas.
Há inúmeras ferramentas gratuitas (algumas ferramentas
sugeridas em ROCKCONTENT, 2015) para efetuar o
controle das Redes Sociais; numerosas métricas podem ser
utilizadas para medir o desempenho, não apenas para
auxiliar no atendimento ao cliente, também no
fornecimento de dados que sejam estratégicos ao negócio.
Estas ferramentas gratuitas para monitoramento de redes
sociais oferecem diferentes análises e podem auxiliar na
produção do relatório de monitoramento, nas tomadas de
decisão em relação aos concorrentes, na produção de
conteúdo e na criação de novas estratégias às redes
sociais.
Etapas do Monitoramento:
Planejamento: identificar onde, como,
quais redes sociais serão monitoradas,
período à obtenção de dados consistentes e
dimensão do público a ser ouvido.
Coleta de Dados: é iniciada com a
configuração das ferramentas (área de
atuação), tipos de post, foco das palavraschave – todas alinhadas à estruturação da
árvore de assuntos e ao universo de dados
já previamente definidos. Uma das maiores
dificuldades é trabalhar com a grande
quantidade de dados disponíveis e decidir a
que atribuir valor durante a classificação.

�Por
isso,
em
alguns
tipos
de
monitoramento, é aconselhável utilizar
amostras na coleta dos dados, a fim de
facilitar o trabalho e angariar resultados
satisfatórios. É importante ficar atento à
detecção de crises ao trabalhar com
amostras.
Classificação:
processamento,
categorização e segmentação dos dados de
acordo com a estrutura de categorias
definida e por sentimento (positivo, neutro,
negativo). Nesta fase é muito importante a
imparcialidade: desenvolver uma reputação
de precisão, respeitar a opinião alheia, ser
o mais transparente possível e evitar
polarizações, a não ser que se esteja
pronto para defender sua posição são
algumas delas.
Análise: identificar quais os conteúdos
relevantes à marca. Para a Investigação
dos dados e geração de descobertas e
insights (busca de recomendações e
conhecimento), aplicam-se metodologias
de estudos, coletam-se fontes externas,
olham-se
dados
de
concorrentes,
objetivando responder as perguntas iniciais
do planejamento.
Produção do relatório e Conclusão:
estruturar os dados obtidos segundo sua
classificação, transformar os números
obtidos
em
gráficos
para
a
sua
interpretação, estruturar o relatório final
para
a
entrega
ao
cliente.
O
monitoramento busca entender aquilo que
o consumidor diz, como diz, porque fala e
para quem fala.

�Após todas as etapas anteriores, é hora de apresentar os
resultados num relatório bem elaborado, para que todo o
projeto não seja prejudicado na parte final. Na preparação,
é necessário ter em mãos: os dados consolidados (para
poder explorar e manusear conforme necessário), os
indicadores-chave
de
desempenho,
mapeados
e
analisados, os principais motivos listados e a análise
qualitativa realizada. Com isso, inicia-se o processo,
apresentando a metodologia utilizada (qual foi à
amostragem aplicada, palavras-chave pesquisadas, redes
coletadas e categorias utilizadas), que deve ter sido
alinhada a sua configuração; no caso de campanha,
também é necessário apresentar claramente as várias
fases da inserção de mídia, uma vez que a mídia paga
influencia, consideravelmente, no desempenho da mídia
espontânea, merecendo um olhar diferenciado na hora da
análise.
Cada
cenário
deverá
ser
analisado
especificidades, cores, clientes e desejos.

com

suas

(da Autora)

O entendimento deverá advir da experiência e análise.
Apenas com a agregação de Dados, Informação e
Conhecimento, chegar-se-á à Inteligência do que deverá
ser feito e como agir.
Ainda sobre análise, é bom frisar que há alguns
indicadores para verificar a presença nas redes sociais e se
o caminho adotado é o mais acertado.
Em um post para Media Today Social, Thompson (2011)
cita cinco indicadores que aproximam os resultados aos
investimentos e como medir estes investimentos. É difícil
obter exatidão nessa área. Seguem os cinco itens:
a. Sites de referência: Entender de onde advém o
tráfego de um site é importante para poder
referenciar recursos de outro site. Se mais da
metade do tráfego vem do Facebook, enquanto

�apenas 15% vêm do Twitter, o foco deve ser na
primeira rede social. Neste caso, o Facebook
encaminhará mais cliques, contribuindo para
promover melhor o site da organização.
b. Comentários: Dedicar valor aos comentários que os
clientes fazem em determinadas publicações é
fundamental. Com base neste conhecimento,
obtém-se conhecimento de quais itens os clientes
têm mais interesse.
c. Influência: Um dos anseios habitual entre as
instituições com forte presença nas redes sociais é
medir a sua influência sobre eles. Thompson (2011)
propõe o uso do Klout (https://goo.gl/GHm3Sp)
para medir a robustez que um cliente de mídia
social pode suscitar sobre os outros. Klout usa
dados do Facebook, Twitter, Foursquare, Google +
e Likedin para realizar essas medições.
d. Análise dos sentimentos: Neste item se mede a
avaliação e quantificação em estatísticas, a opinião
de clientes de uma determinada marca, empresa ou
entidade. Há ferramentas que monitoram os
comentários ou determinadas palavras. Com estas
ferramentas pode-se, automaticamente, saber se o
que os clientes dizem é positivo ou negativo.
e. Menções: Controlar a citação das marcas em sites é
importante, pois pode prevenir crises. Compreender
o que se diz da organização é uma forma de
compreender e aperfeiçoar as maneiras de se
trabalhar com uma marca.
Redes Sociais são ricas em conhecimento sobre os
interesses dos clientes da web e quais são as suas
opiniões. Apesar dos desafios, a realidade cada vez mais
mostra que, as empresas que já aceitaram o
monitoramento como uma realidade estão conseguindo
minimizar danos, ao mesmo tempo que auxiliam empresas
nas diversas tomadas de decisão do cotidiano.

�Toda esta dinâmica é extremamente recente, mesmo
porque o ambiente onde está inserida a internet também é
muito recente. É um novo comportamento baseado em
algoritmos
e
dados.
Com
certeza
este
novo
comportamento influenciará uma nova forma de educação
e até mesmo de organizações. A colaboração e a interação,
tão presentes nestes novos tempos, influenciará nas
decisões coletivas, assim como a construção da inteligência
coletiva.
Sugestões de comportamento ao se lidar com o cliente
não podem faltar. São conhecimentos adquiridos pela
autora na prática de atendimento e interação nas Redes
Sociais.
O respeito ao público deverá ser uma constante e
nenhuma sugestão ou comentário deverá ser
eliminado.
Todas as perguntas deverão se respondidas sempre
no menor tempo possível, respeitando o tempo
máximo de 24h para a resposta. A fidelização do
cliente dependerá, em parte, deste comportamento.
A rotina de publicação deverá ser implantada por,
ao menos, um post por dia, respeitando os horários
mais acessados do público-alvo.
Com frases e posts de interesse de seu cliente
haverá
uma
possibilidade
maior
de
compartilhamento e recomendação a novos
curtidores da página.
A utilização de imagens é primordial. Ao divulgar
uma publicação, utilizar a foto da capa fará grande
diferença. Fotos de parte de livros de poemas,
quando da sua postagem, incentivará e cativará o
cliente mais fortemente.
O mesmo tipo de linguagem a ser utilizada nos
posts deverá ser constante, assim como o pronome
pessoal - primeira ou terceira pessoa - bem como a

�utilização de gírias ou de uma linguagem mais
formal, etc.
A comunicação com o cliente deverá acontecer
sempre que apareçam perguntas ou apenas
perguntas específicas? Qual o prazo para as
respostas? E nestas respostas serão utilizadas
imagens?
Qual a frequência de utilização da Rede escolhida?
Qual o tempo que a pessoa ou equipe responsável
ficará on-line por dia. Será equipe 24/7 e
funcionará em final de semana?
Quanto à estratégia
promoções?

haverá

a

realização

de

Mapeamento de oportunidades: Por onde conseguir
entrar na conversa e interagir com os clientes? Há
alguma oportunidade latente que pode ser
aproveitada? Algum usuário com grande influência
que já fala da marca espontaneamente?
Todo este cenário deverá ser utilizado nos serviços e
produtos de informação, conhecimento e inteligência, quer
seja de cunho privado ou público, lembrando que não
existe uma verdade, uma estratégia, um único efeito, um
jeito certo, pois os cenários são diferentes, as pessoas são
diferentes. O relacionamento com pessoas é extremamente
rico e o aprendizado deve acontecer todo o tempo.
Segundo Glasser, o indivíduo aprende 10% quando lemos,
20% quando escutamos, 30% quando observamos, 50%
quando vemos e ouvimos, 70% quando discutimos com os
outros, 80% quando fazemos e 95% quando ensinamos os
outros. É visível quanto esta interação faz diferença na
aprendizagem.

�Pirâmide de William Glasser

A capacitação acontece no dia a dia dentro das Redes
Sociais entre todos os seus participantes, e entre os
compromissos de um profissional de Serviço de Informação
está o letramento digital de cliente. Outras habilidades
também devem ser incorporadas como curadoria de
conteúdo, avaliação da informação e uso de várias
tecnologias apropriadas para transferir informações,
utilizando novas formas como infográficos, habilidades,
proporcionando a todos se envolverem com a informação
de forma diferente.

Considerações

�As redes sociais são um caminho sem volta. Não se pode
prever o que acontecerá no futuro, como acontecerá o
relacionamento da biblioteca com seus clientes. Quais
necessidades informacionais e culturais os clientes que
frequentam Serviços de Informação possuem, e como
serão estas bibliotecas?
Para ser previsto o futuro, para se plantar um futuro, ele
deve ser construído e inventado desde agora, desde o
presente.
Com a união das fronteiras físicas e virtuais, o
bibliotecário deverá ser tão cuidadoso com o seu cliente
presente tanto quanto com o virtual. Nada disso
acontecerá se o profissional não se renovar, saindo da
zona de conforto e partir para realizar tudo de uma forma
diferente.
Há três itens básicos para um novo caminho dentre os
serviços que deverão direcionar o bibliotecário e seus
clientes nas redes sociais:
Serviço
personalizado:
oferecer
tratamento
preferencial e direcionar as informações aos clientes
conforme sua necessidade.
Serviços on-demand: dispor de informativos
educacionais e culturais para nossos clientes.
Gamification
(objetivos
de
compensação):
recompensar os melhores usuários. Esta estratégia
de interação entre pessoas e empresas, baseada no
oferecimento de incentivos, estimula o engajamento
do cliente com as marcas de maneira lúdica.
Outra ferramenta a ser considerada é a realidade
aumentada ou realidade virtual. A biblioteca não é mais
apenas um espaço físico, agora ela deverá estar onde o
usuário necessite, sendo isto é possível graças à realidade
virtual e à possibilidade de montar estes espaços virtuais
ao alcance de qualquer cliente. O cliente é parte essencial

�e fundamental da biblioteca, podendo participar de um
desafio através de jogos, recebendo compensação por seu
trabalho ou utilização dos serviços.
O objetivo de todas estas ações é angariar clientes. Todos
são clientes em potencial da biblioteca e os que ainda não
o são, poderão vir a ser.
O caminho a ser percorrido para se chegar ao futuro
deverá seguir novos trajetos, com novos traçados por onde
ninguém se aventurou.

REFERÊNCIAS

BARAN, Paul. On distributed communications: I.
Introduction to distributed communications network.
1964.
Disponível
em:
&lt;http://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/research_memoranda
Brasil.
Presidência
da
República.
Secretaria
de
Comunicação Social. Pesquisa brasileira de mídia
2015: hábitos de consumo de mídia pela população
brasileira. – Brasília:Secom, 2014. &lt;http://goo.gl/V0iXHZ&gt;
DAMBRÓS, Joana e REIS, Clóvis. A marca nas redes
sociais virtuais: uma proposta de gestão colaborativa.
Trabalho apresentado no NP Publicidade e Propaganda do
VIII Nupecom - Encontro dos Núcleos de Pesquisa em
Comunicação, evento componente do XXXI Congresso
Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2008. Disponível
em:
http://www.scribd.com/doc/2711298/Brand-in-theSocial- Networking.
ORTA, Carlos Guadián. +100 herramientas para
elanálisis de redes sociales #sna #ars - 28 de junio de
2016. http://goo.gl/FS72jN
MORTAI, Elisangela Carlosso Machado, SANTOS, Suzana
Fernandes dos Monitoramento de redes sociais digitais
como
estratégia
organizacional.
http://www.scielo.br/pdf/interc/v39n1/1809-5844-interc39-1-0091.pdf

�ROCKCONTENT. As 46 melhores ferramentas gratuitas
para monitoramento de redes sociais. 2015. Disponível
em:
&lt;http://marketingdeconteudo.com/ferramentasgratuitas-para-monitoramento-de-redes-sociais/&gt;.
SALUSTINO, Sergio. Monitoramento de Redes Sociais:
muito
mais
que
uma
análise
de
sentimentos.
http://goo.gl/a4EuNX
STATISTA: The Statistics Portal. Statistics and Studies
from
more
than
18,000Sources.2016
&lt;http://www.statista.com/&gt;
SILVA, Juremir Machado da. Entrevista com Pierre
Lévy: A Internet ainda está na sua pré-história. 2016.
Entrevista.
Disponível
em:
&lt;http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?
p=8818&gt;. SOCIALBAKERS. Brazil Facebook page
statistics.&lt;http://goo.gl/P4ywmu&gt; THOMPSON, Heidi. 5
Social Media Metrics You Should Be Measuring. 2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.socialmediatoday.com/content/5-socialmedia-metrics-you-should-be-measuring&gt;.
WATTS, Duncan (1999). Small Worlds: the dynamics of
networks between order and randomness. New Jersey:
Princeton University Press, 1999

�10 - SEGMENTAÇÃO DE
CLIENTES NA BIBLIOTECA:
COMO CONHECER MELHOR O
SEU PÚBLICO E CONTRIBUIR
PARA O MARKETING DE
RELACIONAMENTO COM O
CLIENTE
Denise Rodrigues So

1 Introdução

Muitos setores de mercado foram impactados pelas
crescentes inovações tecnológicas e pelo surgimento de um
novo consumidor mais consciente do seu papel, tendo
poderes de transformação social. A biblioteca não ficou
imune a esse impacto e para garantir o seu negócio,
precisa começar a conhecer melhor, entendendo mais
profundamente quem é o seu (novo) público. Somente
assim, poderá oferecer serviços realmente desejados por
essa demanda.
Neste cenário de mudanças tecnológicas, econômicas e
sociais, o marketing de massa não consegue mais
responder às expectativas do consumidor. A biblioteca
também não possui tantos recursos e esforços que possam
ser direcionados a todos sem uma análise segmentada do

�seu público. Condous (apud AMARAL, 1998) já admitia a
falha das bibliotecas, quando acham que trabalham para
100% de sua população durante 100% do tempo. Sem
falar nos bibliotecários, que não pensam na segmentação
de clientes como estratégia na entrega de serviços focados
no que o seu público deseja; na verdade, agem segundo o
que eles mesmos acreditam que os usuários precisam e
querem, ou seja, é o marketing sob a perspectiva do
bibliotecário e não do usuário/cliente. (OLIVEIRA Apud
AMARAL, 1998).
A segmentação de clientes é uma ferramenta para melhor
direcionar os recursos e adequar o serviço ao target que
realmente dele necessita, deseja e valoriza. Coletar e
analisar os dados dos clientes fornece à biblioteca inputs
relevantes, tanto sobre a demografia do usuário quanto
aos aspectos comportamentais que podem ajudar no
desenvolvimento e/ou aperfeiçoamento dos seus produtos
e serviços. Adicionalmente, contribui aos programas de
relacionamento com o cliente, mais fundamentados e
próximos da realidade do público real e potencial.
O objetivo não é esgotar nenhum dos temas –
segmentação de clientes e marketing de relacionamento,
mas apresentar o primeiro como uma estratégia
mercadológica, a fim de que a biblioteca possa usála como
vantagem competitiva frente a um cenário de mercado
mais exigente e em transformação.

2 Cenários do Marketing e da
Biblioteconomia
Em breve resumo, a linha evolutiva do marketing é um
reflexo das mudanças ocorridas nas esferas tecnológica,
econômica e social. Na figura abaixo, Kotler (2012)
compara as diferentes fases do marketing desde o
momento em que o foco era o produto (1.0) até o ponto
em que nos encontramos (3.0).

�Tabela: Comparação entre Marketing 1.0, 2.0 e 3.0
Marketing 1.0

Objetivo

Forças
propulsoras

Marketing 2.0

Marketing 3.0

Marketing
centrado no
produto

Marketing
voltado para o
consumidor

Marketing
voltado para os
valores

Vender produtos

Satisfazer e reter os
consumidores

Fazer do mundo um
lugar melhor

Revolução industrial

Tecnologia da
informação

Nova onda de
tecnologia

Como as
empresas
veem o
mercado

Compradores de
massa, com
necessidades físicas

Conceito de
marketing

Desenvolvimento de
produto

Consumidor
inteligente, dotado de
coração e mente

Ser humano pleno,
com coração, mente e
espírito

Diferenciação

Posicionamento do
produto e da empresa

Valores

Diretrizes de
marketing da
empresa

Especificação do
produto

Missão, visão e
valores da empresa

Proposição de
valor

Funcional

Funcional e
emocional

Funcional, emocional
e espiritual

Interação com
consumidores

Transação do tipo
um-para-um

Relacionamento umpara-um

Colaboração umpara-muitos

Quadro 1 Evolução do Marketing
Fonte: KOTLER (2012, p. 17)

Segundo os autores do livro Marketing 3.0, quando o
mesmo começou a ser escrito nos idos de 2005, as
empresas já se sentiam pressionadas por um novo perfil de
consumidor. Apoderado pelas mídias sociais e multitelas
(computador, celular, ipads e demais), esse indivíduo
passou a não mais aceitar passivamente os produtos e
serviços assim como eram oferecidos ao mercado. As
tecnologias ampliaram a sua voz e o seu poder de compra.
Sua opinião nas mídias sociais reverberou de forma
intensa, a ponto de influenciar cada vez mais os demais
consumidores sobre as suas escolhas. Fezse premente
sintetizar essa nova era do marketing para repensar como
trabalhar nesse contexto.

�Com um olhar mais atento ao Quadro 1, percebese que os
objetivos da fase 2.0 e 3.0 possuem em comum o
consumidor, ou seja, ele não foi suplantado na fase final.
Houve, na verdade, uma amplitude de análise. Na fase
anterior ele era estudado nas pesquisas de mercado de
forma passiva. Na nova fase, ele é coadjuvante de um
processo de colaboração e cocriação. Desse momento em
diante, ele colabora com a empresa, direta ou
indiretamente à melhoria, aperfeiçoamento, inovação e até
participa da detração de produtos e serviços. O consumidor
é estudado, considerando as suas crenças, atitudes
políticas, socioambientais, responsabilidades sociais e
espirituais. Diariamente, veemse casos na mídia onde o
poder de mobilização e colaboração dos consumidores é
tão intenso que levam a uma mudança de atitude das
instituições e seus stakeholders. Essas mesmas instituições
passaram a não somente monitorar espaços de
relacionamento desses consumidores (redes sociais, blogs,
microblogs, etc.) em busca de insights para o seu negócio,
como também a incluir esses indivíduos no processo de
inovação de P&amp;S, através de comunidades online,
experimentação de produtos em caráter de beta teste,
dentre outras iniciativas.
O consumidor do marketing 3.0 quer ser ouvido e
considerado em todas as suas necessidades e valores
sociais de justiça, econômicos, ambientais, espirituais. É
meio óbvio que o consumidor deve ser considerado em sua
integralidade como ser humano. Ninguém acorda pela
manhã como um consumidor de café, vai trabalhar como
um usuário de trem, almoça como cliente de restaurante
selfservice e volta para casa como um chefe de família.
Esses
vários
papéis
coexistem
ininterruptamente,
permeados pelos valores e crenças de cada indivíduo, e as
empresas precisavam acordar para esse novo olhar.
Por sua vez, a Biblioteconomia também vem sofrendo a
influência
das
mudanças
nos
contextos
citados,
adaptandose sempre às novas exigências mercadológicas.

�Em uma sistematização muito didática e informativa,
Araújo (2013) relaciona todas as correntes teóricas da
Biblioteconomia até o momento. Segundo ele, atualmente,
vivenciamos três perspectivas contemporâneas: mediação;
information literacy; bibliotecas eletrônicas e digitais. O
ponto em comum para todas elas é o foco no papel mais
dinâmico da biblioteca em detrimento da guarda do acervo
(produto). A preocupação agora é transformála num
organismo vivo, atuante, provocador de mudanças nas
instituições em que se situa. Além disso, essas correntes
teóricas procuram mudar a relação bibliotecapúblico,
permitindo que este último tenha participação mais ativa e
não apenas consuma, passivamente, a informação
disponível.
De imediato já se percebe uma semelhança no foco das
duas linhas de conhecimento. Resumidamente, poderseia
dizer que a Biblioteconomia está se encaminhando à era
3.0, também.
Esse caminho é inevitável e a biblioteca precisa responder
às expectativas do novo mercado consumidor. Entretanto,
oferecer os mesmos serviços massificados, desprovidos da
colaboração do consumidor na sua concepção, é
sentenciála ao passado, permitindo que outros serviços
tomem o seu lugar. Sendo assim, a segmentação de
clientes pode ser uma das saídas para garantir a sua
competitividade, contribuindo também para um marketing
de relacionamento duradouro.

3 A segmentação de mercado e sua tipologia
Segundo Kotler e Amstrong (1998, p.7), mercado “é o
grupo de compradores reais e potenciais de um produto”.
Entendese por compradores reais aqueles que já
compram/usam o produto/serviço, e potenciais, os que
ainda não os consomem, podendo vir a consumilos nalgum
momento. A partir disso,
As organizações podem dividir seu mercado total – os

�indivíduos ou organizações com o desejo e a capacidade de
comprar bens ou serviços – em segmentos relativamente
homogêneos.
Esse
processo
é
conhecido
como
segmentação de mercado. Com base nos resultados, a
empresa decide qual desses segmentos servir e como
servilo (CHURCHILL; PETER, 2003, p.204) (grifo do autor).

Primeiramente, a partir da pesquisa de marketing,
realizada pelos profissionais de marketing, identificandose
o seu mercado real e potencial.
Segundamente,
agrupamse
esses
segmentos
de
consumidores, conforme as suas semelhanças, em dois
grupos principais. O primeiro grupo é o das variáveis
físicas, abrangendo a localização geográfica (região,
estado, cidade/município, vizinhança) e as características
demográficas (idade, sexo, estado civil/tamanho da
família, escolaridade, ocupação, renda, grupo étnico). O
segundo grupo é o das variáveis comportamentais,
abrangendo as características de uso (volume de uso, uso
de produto e categoria de produto), estilo de vida
(psicografia)
e
benefícios
procurados.
(SEMENIK,
BAMOSSY, 1995).
Na prática, o que acontece é um cruzamento de variáveis
para garantir maior efetividade na busca por perfis de
segmentos mais próximos à realidade. Esse cruzamento
depende do negócio, do produto ou serviço em questão ou,
mais especificamente, das necessidades e particularidades
envolvidas. Semenik e Bamossy (1995) pontuam muito
bem porque as variáveis físicas (descritivas) são, muitas
vezes, usadas em combinação com as variáveis de
comportamento. Segundo esses autores, é necessário que,
primeiramente, os mercados sejam descritos de acordo
comas suas características físicas (idade, sexo, região
geográfica, etc.) para poder definir o seu Mix de Marketing
(planos de mídia, de distribuição, etc.). Contudo, este
descritivo não agrega informações que possam ajudar os
profissionais de Marketing a compreender os hábitos de
uso, benefícios buscados ao usar o produto, serviço, etc.
Sendo assim, na maioria dos casos, uma combinação entre

�estes dois tipos de variáveis se faz necessária.
Em seguida, segundo Kotler (KOTLER; AMSTRONG,
1998), após a definição dos segmentos, verificase se os
mesmos atendem a alguns critérios estratégicos que os
justifiquem. São eles:
Mensurabilidade: tamanho, poder aquisitivo e os
perfis dos segmentos devem ser medidos;
Acessibilidade:
é
preciso
que
se
possa,
efetivamente, alcançar e atender os segmentos;
Substancialidade: os segmentos precisam ser
amplos ou lucrativos o bastante para justificar a sua
ativação;
Operacionalidade:
devepoderse
planejar
programas eficazes para atrair e atender aos
segmentos.
Segundo Berrigan e Finkbeiner (1994), o marketing ganha
com a aplicação dessa estratégia, pois a partir dela é
possível obter respostas a quatro perguntas básicas para o
negócio, também conhecidas por 4Q’s. Estas perguntas
identificam o problema e indicam, inclusive, quais
atividades serão afetadas se não forem respondidas. São
elas:
O quê? &gt; Que produtos e serviços oferecer &gt;
Afetados:
planejamento
estratégico,
desenvolvimento de produto, Marketing, política de
preços;
Quem? &gt; A quem destinar os produtos/serviços &gt;
Afetados: Vendas, Propaganda, Marketing;
Onde? &gt; Onde anunciar e comercializar
Afetados: Propaganda, Marketing;

&gt;

Por quê? &gt; Por que os clientes fazem o que fazem
&gt; Afetados: Todas as áreas.

�4 Explicando a segmentação na biblioteca
A estratégia de segmentação já é discutida há um bom
tempo por alguns autores da Biblioteconomia. Weingand
(1998) definiu segmentação de mercado como o processo
de divisão de consumidores em grupos com características
e necessidades únicas. A autora acrescenta que este é um
ponto importante à definição precisa do mercado, pois
todos os clientes de uma biblioteca (reais e potenciais)
podem ser divididos em categorias, cada uma exigindo
diferentes tipos de serviço e suporte.
Muitos outros autores contribuíram para o tema. O quadro
2 ilustra, não exaustivamente, os tipos de segmentação
que podem ser usados pela biblioteca, independente do
tipo (pública, escolar, corporativa, híbrida, etc.). As
variáveis a serem selecionadas dependerão de cada
unidade de informação, seus objetivos e metas a atingir.
AUTOR

TIPO

CARACTERÍSTICA

geográfica
Descritivas
Massey
(1976)
Preditivas

demográfica

idade, renda, ocupação, raça,
sexo, etc.

volume de uso

heavy user, etc

benefícios

benefícios procurados ao usar
produtos e serviços

demográfica

idade, sexo, renda, ocupação

atitudes pessoais

personalidade, estilo de vida e
autoconceito

geográfica
taxa de uso de serviço

localização do usuário

status do usuário

estudante, membro do staff

disciplina cursada

Halperin
(1981)

Em
Bibliotecas
acadêmicas

tempo esperado para
entrega do serviço

�residência

no campus/fora do campus

volume de uso
rentabilidade

lucrativo/não lucrativo

privado/governamental
Segmentação
de serviços de
informação

tipo de produto

tangível/intangível

consumidor final

individual ou outro tipo

organização

independente ou parte de outra
organização

geográfica
demográfica
Saez
(1993

behaviorista

volume de uso, percepção dos
benefícios

psicográfica e estilo de
vida

Lima
(1994)

geográfica

local onde se vive, tipo de
habitação

demográfica

idade, ocupação, educação

psicográfica

atitudes, estilos de vida,
personalidade, classe social

comportamental

usuário, não-usuário, ex-usuário

por produto
geográfica
demográfica
Dimick
(1995)

psicográfica

Baseada em
fatores
pessoais

atitudes, personalidade,
interesses, estilo de vida, opiniões

benefícios

benefício percebido no produto

demográfica

sexo, idade, raça, etc.

situacionais
(circunstância externa

demitidos, com falta de
alimentação

grau de envolvimento

tempo gasto na procura de
produto

Fatores psicológicos

seleção, organização,

�interpretação dos inputs de
informação para produzir
significado e como é atingido
motivos e motivação

Fatores
psicológicos
habilidade e
conhecimento

Rowley
(1997)

habilidade em relação ao
processamento da informação
relacionada a um produto
específico; familiaridade e
expertise com o produto

atitude

conhecimento positivo ou
negativo a respeito de um objeto
ou atividade

papéis desempenhados
e família

série de ações e atividades
desempenhadas por uma pessoa
em uma determinada posição. Ex:
mulher no papel de mãe, esposa,
estudante

grupos de referência

grupo no qual o indivíduo se
espelha para adotar seus valores,
atitudes e comportamentos

classe social

um grupo de indivíduos que
possui um ranking social similar

cultura

cultura determina o que a pessoa
veste e come, aonde mora e outras
características de estilo de vida

demográfica

características socioeconômicas
(idade, raça, renda, religião, ano
cursado, etc.)

psicográfica

personalidade, estilo de vida, uso
de computador, hábitos de leitura

uso do produto

ocasião de uso, situação e
contexto de uso

branding (preferências
de marca)

conhecimento dos recursos e
serviços disponíveis, graude
preferência ou lealdade aos
serviços

processo decisório

tamanho e frequência de compra,
propensão e risco à compra. (Ex.:
ao receber uma tarefa escolar o
aluno vai procura a biblioteca
ouconsultao

Fatores
sociais

Lee
(2003)

forças internas de energia que
direcionam a pessoa a satisfazer
suas necessidades; mecanismos de
controle dos movimentos em
direção às metas

Google ?)

�Quadro 2 Tipos de segmentação e variáveis consideradas
Fonte: Elaborado pela autora com base nos textos dos
autores acima citados.

Seguindo a lógica usada no Marketing, surge a dúvida: a
biblioteca deve utilizar o estudo de usuários e de usos ou a
pesquisa de marketing? Ambos. Os estudos de usuários
são um ferramental importantíssimo para identificar e
conhecer o seu target, entender o processo de busca e uso
da informação. O estudo de usos identificará razões de uso
e não uso da biblioteca, seus pontos de uso, frequência,
etc. A pesquisa de marketing, dentre outras funções,
dimensiona o mercado, identifica a concorrência, auxilia a
identificação das forças e fraquezas do serviço.
A estratégia não está apenas na aplicação de estudos de
usuários e/ou de uso ao público real e potencial, mas a
partir dos resultados obtidos, verificar se determinados
grupos
(previamente
identificados
pelas
variáveis
demográficas) apresentam preferências ímpares que
atendam aos critérios de viabilidade à aplicação da
segmentação
(mensurabilidade;
acessibilidade;
substancialidade; operacionalidade).
Sendo assim, não há como ignorar as vantagens na
aplicação da segmentação. Alguns exemplos:
As necessidades do usuário são conhecidas e o
planejamento e implantação do portfolio de
produtos e serviços são realizados, segundo a
perspectiva do público e não do bibliotecário;
Direciona e maximiza os benefícios das campanhas
de propaganda e promoção dos produtos e serviços,
pois são atingidos aqueles que realmente precisam
e valorizam determinado serviço;
Racionaliza os esforços da biblioteca, não
desperdiçando energias em atividades que não
atingem o mercadoalvo;

�Economiza
recursos
financeiros,
geralmente
escassos em unidades de informação, pois os
mesmos são direcionados para ações mais efetivas.
Sendo assim, segmentação não é dividir para excluir, mas
segmentar para incluir eficientemente.

5 Contribuindo para o Relacionamento com o
Cliente
Segundo Kotler (2006, p. 16), o marketing de
relacionamento objetiva “construir relacionamentos de
longo prazo mutuamente satisfatórios com parteschave –
clientes, fornecedores, distribuidores e outros parceiros de
marketing, a fim de conquistar ou manter negócios com
elas.” Ou seja, relações são construídas com todos os elos
da cadeia, sejam eles clientes ou parceiros.
Gronroos (2007 apud BROADYPRESTON, 2013) sugere
ainda que, no setor de serviços onde a biblioteca está
inserida, o foco principal está no desenvolvimento de um
relacionamento entre o provedor de serviços e o seu
cliente. Isto garantiria que o cliente não faria apenas uma
transação ou visita ao serviço, mas poderia retornar
inúmeras vezes, construindo assim um relacionamento de
lealdade em longo prazo com o prestador de serviços.
Complementando
a
análise,
BroadyPreston
(Ibid.)
acrescenta que o prestador de serviços deve identificar
consumidores em potencial para estabelecer um
relacionamento com eles, pois para que relacionamentos
de sucesso aconteçam devem existir meios de obtenção de
dados e informações sobre: as necessidades dos clientes,
seus desejos, (dislikes) e preferências. Utilizando esses
dados, o prestador de serviços poderia informar e
desenvolver serviços mais adequados e processos de
prestação de serviços ao seu público.
A biblioteca possui todos os meios e ferramentas para

�fazer isso. Enquanto muitas empresas do mercado de bens
de consumo e serviços pagam fortunas por base de dados
de clientes, a biblioteca tem o privilégio de têlas na sua
mão. Basta trabalhar os dados adequadamente e, sem
nem considerar complexos sistemas de CRM para tal, já
que não é o volume de dados e a sofisticação de softwares
de análise que fazem a diferença, mas a interpretação e
uso que se faz dos dados.
Investigar o seu público e considerar as suas
particularidades na concepção e desenvolvimento de
serviços mais desejados é o ponto de partida. Parece
complicado, mas não se deve esquecer o que foi dito no
início: a era do marketing unilateral, de fornecedor para
cliente, acabou. O consumidor está sendo considerado e
provocado pelas instituições para sugerir, colaborar e criar
em conjunto. Também há grupos de bibliotecários se
reunindo em processos de inovação com design thinking,
trazendo o público da biblioteca para o meio da discussão
do que faz sentido aos serviços. Então, porque não
envolver esse público, ouvindoo, a fim de saber aquilo que
o deixaria satisfeito em termos de relacionamento com a
sua biblioteca?

6 Considerações
Há na literatura de Marketing e Biblioteconomia um
grande material referencial com teorias e frameworks ao
desenvolvimento da segmentação de clientes e programas
de relacionamento. O objetivo não foi uma revisão de
literatura sobre os temas ou ditar receitas prontas. Na
verdade, a intenção foi muito mais para revelar algumas
das contribuições que a gestão de Marketing pode trazer à
biblioteca, apresentando os benefícios na sua utilização.
O uso estratégico de uma segmentação de clientes não
resolve todos os problemas, mas ajuda a dar foco aos
serviços da biblioteca. Apresentar essa estratégia à luz do
Marketing também contribui para que a mesma seja

�considerada um negócio como tantos outros segmentos de
mercado sujeitos à competição e às redefinições
estratégicas. A biblioteca possui competidores. O filósofo e
pesquisador da ciberculturaPierre Lévy (INTELIGENCIA...,
2015),durante a sua palestra sobre inteligência coletiva,
prenunciou que na hiperesfera de dados todo mundo tem
poderes de leitor, autor, crítico, curador, analista de dados
e bibliotecário.
Se todo mundo tem um pouco de catalogador, indexador,
classificador, taxonomista, vamos identificar esses clientes,
caracterizálos segundo essas qualificações, conhecer os
seus desejos de informação e, por que não, trazêlos para
colaborar e cocriar junto à biblioteca para novas entregas
de serviços, novas formas de relacionamento. A biblioteca
precisa cada vez mais trabalhar com o seu público e não
para ela (grifo nosso).

REFERÊNCIAS
AMARAL, Sueli Angélica. Marketing: abordagem
unidades de informação. Brasília: Thesaurus, 1998.

em

ARAUJO, CAA. Correntes teóricas da Biblioteconomia.
Revista
Brasileira
de
Biblioteconomia
e
Documentação, São Paulo, v. 9, n.1, p. 4158, jan./dez.
2013.
Disponível
em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/247&gt;.
BERRIGAN. John; FINKBEINER, Carl. Marketing
segmentação. São Paulo: Makron, 1994.

de

BROADYPRESTON, Judith. Changing marketing concepts:
contemporary
theories
and
paradigms
in
service
marketing. In: GUPTA, Dinesh K.; KOONTZ, Christie;
MASSISIMO, Angels. Marketing library and information
services II. Berlin: De Gruyter Saur, 2013. p. 2342.
CHURCHILL, Gilbert; PETER, Paul. Marketing: criando
valor para os clientes. 2.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
DIMICK,

Barbara.

Marketing

youth

services.

Library

�Trends, v.43, n.3, p.463478, Winter, 1995.
HALPERIN, Michael. Market segmentation for information
services. Drexel Library Quarterly, Philadelphia, v.17,
n.2, Spring, 1981.
INTELIGENCIA
COLECTIVA
PARA
EDUCADORES:
CONFERENCIA
DE
PIERRE
LÉVY.
Buenos
Aires:
Organización de Estados Iberoamericanos, 15 maio2015.
Disponível
em:&lt;https://www.youtube.com/watch?
v=OiQ6MtHM4eM&gt;.
KOTLER, Philip; AMSTRONG, Gary. Princípios
marketing. 7.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1998.

de

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin. Administração de
marketing. 12.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
KOTLER, Philip. Marketing 3.0: as forças que estão
definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2012.
LEE, Deborah. Marketing research: laying the marketing
foundation. Library Administration &amp; Management,
Chicago, v.17, n.4, p.186188, Fall 2003.
LIMA, Regina Célia M. Marketing de produtos de
informação. Ciência da Informação, v.23, n.3, p.373376,
set./dez. 1994.
MASSEY, Morris. Market analysis and audience research for
libraries. Library Trends, v.24, n.3, p.473496, 1976.
ROWLEY, Jennifer. Focusing on
Review, v.46, n.2, p.8189, 1997.

customers.Library

SÁEZ, Eileen Elliott. Marketing concepts for libraries
and information services. London: Library Association
Publishing, 1993.
SEMENIK, R.; BAMOSSY, G. Princípios de marketing:
uma perspectiva global. São Paulo: Makron, 1995.
WEINGAND, Darlene. Future-driven library marketing.
Chicago: American Library Association, 1998.

�11 - GESTÃO DA CARREIRA E
MARKETING PESSOAL DO
BIBLIOTECÁRIO
Helen Beatriz Frota Rozados

1 A GESTÃO DA CARREIRA E
EMPREGABILIDADE

O

advento das TIC, a globalização da produção, a
abertura das economias, a internacionalização do capital e
as constantes mudanças que vem afetando os ambientes
das organizações, surge, leva à necessidade de adaptação
dos profissionais a tais fatores e, principalmente, à
descoberta da necessidade de gerenciar sua carreira para
obter um espaço neste conturbado mercado de trabalho e
nele se manter.
Gerenciar uma carreira envolve tomar decisões que visem
o futuro profissional, baseadas em objetivos que se almeja
alcançar. Para que isto aconteça, o profissional precisa ter
em mente que assumirá novos desafios e buscará
desenvolver competências alinhadas a estes objetivos e ao
foco de posicionamento em um mercado cada vez mais
competitivo.
É sabido que o bibliotecário sofre preconceitos em relação
a sua profissão há muito tempo, uma vez que é visto como
profissional passivo, sem ambição, pouco criativo, que não
consegue manter uma relação estável com seus pares,
principalmente no que tange à participação e ao apoio às
entidades de classe (SOUTO, 2005). Este estereótipo

�consolidado deve ser o grande motivador do bibliotecário
rumo à obtenção do seu sucesso profissional, por meio da
gestão da carreira.
O estabelecimento de uma carreira é um processo lento
que exige determinação, perseverança e confiança em si
mesmo para saber o momento certo de agir e ser proativo.
O profissional tem de estar ciente de que, no atual cenário,
o
perfil
desejado
inclui
criatividade,
motivação,
proatividade (entendido como antecipar situações),
capacidade de criar estratégias para vencer desafios e de
transformar ameaças em oportunidades. Portanto, o
processo de gestão da carreira precisa ser amparado por
um planejamento concreto e bem delineado, baseado em
estratégias, entre as quais o Marketing Pessoal.

1.1 EMPREGO E CARREIRA
Contrariamente ao que se imagina, carreira e emprego
não são sinônimos, uma vez que aportam diferenças
fundamentais. Carreira vincula-se a um processo individual
que abarca fatores como planejamento, dedicação e
adequação aos pilares da empregabilidade, propostos
por vinculadas ações e decisões pessoais voltadas ao
futuro, que permitam garantir a entrada de um profissional
no mercado de trabalho e sua permanência. Já, emprego
está sujeito a decisões atreladas às organizações. Um
emprego é uma situação temporária, subordinada à
obediência de ordens dadas pela organização.
Para Chiavenato (2010), carreira é uma sequência de
posições e atividades desenvolvidas por uma pessoa numa
organização, ao longo do tempo. O autor sinaliza que a
tendência da carreira baseada em cargos seja substituída
pela carreira baseada em competências.
Hall e Moss (1998) aprofundam o tema, especificando
quatro tipos de carreira aceitas tanto no senso comum
quanto no meio científico: carreira como avanço; carreira
como profissão; carreira como sequência de trabalhos
durante a vida; carreira como sequência de experiências

�relativas às funções ao longo da vida. Os três primeiros
tipos relacionam-se à carreira organizacional e o quarto, à
carreira subjetiva que transcende à organização. Este
último tipo propiciou diversos estudos que geraram
diferentes terminologias: carreiras sem fronteiras (ARTHUR
et al., 1995); carreiras inteligentes (ARTHUR et al., 1995);
âncoras de carreira (SCHEIN, 1993); carreira proteana
(HALL; MOSS, 1998); carreira multidirecional (BARUCH,
2004). Os estudos se concentram em dois eixos teóricos; o
primeiro relacionado ao entendimento da carreira como
uma sequência de experiências profissionais para além das
fronteiras das organizações; o segundo voltado à
necessidade do indivíduo em se adaptar a mudanças, ser
mais maleável, proativo, responsável por sua carreira e
cada vez menos dependente das fronteiras das
organizações. (ARTHUR, 1994; BARUCH, 2004; HALL;
MOSS, 1998; DUTRA, 1992).
A carreira se forma ao longo da vida por meio da
atividade, da experiência e do desenvolvimento de
competências
do
profissional,
mostrando-se
como
preparação contínua ao próximo emprego. Neste sentido, a
carreira está ligada à ideia de empregabilidade, ou seja, a
capacidade de adequação do profissional às novas
tendências do mercado.
O termo empregabilidade (employability) teve sua origem
nos Estados Unidos, significando ter capacidade de obter
trabalho e renda. Carvalho (2009) define empregabilidade
como um conceito dinâmico referente ao mundo do
trabalho, expressando tudo quanto o indivíduo necessita
para se ajustar e se enquadrar no mercado globalizado.
Almeida (2006) a entende como a capacidade de
adequação do profissional ao mercado de trabalho, isto é,
quanto mais adaptado, maior sua empregabilidade.
Atualmente, o termo remete a um conjunto de
competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) que
tornam o profissional importante não só para a sua, mas
para toda e qualquer organização que necessite de seu

�trabalho. Assim, os estudos na área conceituam
empregabilidade (ou ocupabilidade) como a capacidade
do profissional de se ajustar às necessidades de um
mercado em contínua mudança, prestando serviços que
satisfaçam os clientes, tendo uma remuneração adequada,
mantendo-se empregável.
Quanto ao tema das transformações ocorridas no mercado
de trabalho, Veloso et al. (2008, p.2) comentam que “[...]
hoje trabalhar pode significar algo mais que ter um
emprego, pois o fator segurança pode estar mais
relacionado a qualificações pessoais e a atitudes sobre a
própria carreira que as possibilidades atreladas ao
empregador”. Neste sentido, Hall e Moss (1998) indicam
que o ponto central é o processo de aprendizagem
contínua, que exige do profissional a capacidade de
aprender a aprender e a reaprender, de se adaptar às
mudanças e, acima de tudo, de autoconhecimento. Este
processo de autoconhecimento forma-se ao longo de um
tempo, baseado em talentos e habilidades, competências
adquiridas, valores e necessidades relacionadas à carreira
do indivíduo.
Ao tratar de autoconceito, Schein (1993) propõe o que
denominou de ‘âncoras de carreira’, que orientarão o
indivíduo
nas
suas
escolhas,
satisfazendo
suas
necessidades de realização profissional. Destaca oito
categorias
de
âncoras:
autonomia/independência;
segurança/estabilidade; competência técnica-funcional;
competência gerência geral; criatividade empresarial;
serviço ou dedicação a uma causa; desafio puro; estilo de
vida. Para o autor, as oito âncoras funcionam como
referenciais estabelecidos pelas pessoas ao fazerem
escolhas e são baseadas em seus talentos, habilidades,
competências, motivos, necessidades e valores associados
à carreira.
As colocações feitas permitem perceber que carreira e
empregabilidade são duas condições intimamente ligadas
uma vez que a empregabilidade está diretamente

�vinculada à gestão da carreira. Contribuindo com esse
tema, Minarelli (1995) estabeleceram seis pilares
fundamentais, visando à garantia da segurança profissional
do indivíduo. São eles:
a. adequação da profissão à vocação (trabalhar no e
com o que gosta – a ocupação profissional deve
corresponder às aptidões, facilidades, gostos e
interesses da pessoa);
b. competências
(conhecimentos
adquiridos,
habilidades físicas e mentais, experiências, atitudes
adequadas);
c. idoneidade
(parâmetros
legais
e
éticos,
honestidade, responsabilidades individuais);
d. saúde física e mental (equilíbrio entre o trabalho e o
lazer – corpo e mente saudáveis faz a pessoa
desenvolver melhor suas atividades);
e. reserva financeira e fontes alternativas de aquisição
de renda (poder utilizar recursos financeiros
próprios em caso de necessidade, fazer reservas
que o sustente em casos de contratempos);
f. relacionamentos – networking (pilar de grande
importância, pois abarca a possibilidade de
surgimento de oportunidades profissionais).
Araújo (2006) contribui com a orientação à carreira,
estabelecendo os seguintes passos a serem seguidos:
a. avalie constantemente – é fundamental que as
escolhas sejam questionadas;
b. busque informações
substanciais;

–

selecione

informações

c. envolva outras pessoas na hora de planejar a sua
carreira – procure pessoas mais experientes (tutor,
mentor, consultor);

�d. intuição e ousadia – não negue seus sentimentos e
saiba assumir riscos calculados;
e. comprometa-se – sem comprometimento com o
que se está planejando, a possibilidade de sucesso
é remota.
Complementando, o autor citado define seis etapas no
desenvolvimento da carreira, indicadas no Quadro 1.
Etapa

Ação

1

Exploração

Estabelecer o cenário das aspirações pessoais, pensar no nosso
futuro, definindo com clareza o objetivo.

2

Preparação

Assegurar que o objetivo será alcançado.
Observar as pessoas:
- indecisas sobre o desenvolvimento do processo (detentores de
pouca experiência e de posse de informações escassas);
- indecisos crônicos (por conta de angústias e temores não
conseguem tomar decisões cabíveis a determinado momento).

3

4

Entrada

No mercado de trabalho – testar diferentes caminhos (buscar
informações em revistas técnicas e não técnicas, programas de
televisão, filmes que tratam do tema);

Estabelecimento Confrontar os reais desafios da profissão.
Ter consciência das regras e expectativas sociais e
organizacionais;

5

Avanço

Atualização contínua, considerando a experiência anterior uma
boa experiência, avaliando seus aspectos positivos e os
negativos;

6

Estabilização

Quando as oportunidades de avanço se esgotam. Momento em
que a pessoa, embora estável, deve definir qual será a próxima
etapa da sua vida profissional.
Três alternativas existem: aposentar-se; mudar de empresa ou
de cargo; renovar-se ( retorno à 1ª etapa).

Quadro 1: Etapas para o desenvolvimento de carreira
Fonte: adaptado de Araújo (2006)

É oportuno discorrer brevemente sobre estudos
relacionados à carreira que envolve a chamada Geração Y,
na qual se enquadram aquelas pessoas que nasceram a
partir de 1978 (VELOSO et al., 2008). Seus integrantes são
considerados os filhos da tecnologia por fazerem parte da

�primeira geração da história “[...] totalmente imersa na
interatividade, hiper-estimulação e ambiente digital”
(TAPSCOTT, 2008, p.1). A geração Y agrega características
relacionadas ao ritmo de mudança, à necessidade e ao
grau de interatividade, ao acesso à informação e ao
entendimento do mundo. Todas estas características, em
conjunto, definem uma nova forma de ser e de agir na
sociedade, com significativos reflexos no mundo do
trabalho. (LOMBARDIA et al.,2008; TAPSCOTT, 2008;
COIMBRA; SCHIKMANN, 2001).
Tendo a seu favor o fato de se ajustarem facilmente às
constantes e rápidas mudanças dos meios de comunicação
e da tecnologia. Os autores que descreveram esta geração
destacam ser ela mais bem informada e possuir grau de
educação mais alto que suas antecessoras (LOMBARDIA et
al., 2008; TAPSCOTT, 2008), encaram o trabalho como
desafio e diversão e prezam o ambiente informal com
transparência e liberdade. Buscam aprendizado constante e
não têm medo da rotatividade de empregos (LOMBARDIA
et al., 2008; VELOSO et al., 2008; COIMBRA; SCHIKMANN,
2001). Para este grupo, o trabalho, mais do que uma fonte
econômica, é fonte de aprendizado e satisfação. Esta forma
de encarar o mundo do trabalho altera o entendimento de
carreira, promoção, estabilidade e vínculo profissional,
diferenciando-os da forma como as gerações anteriores
tratavam estas questões.
Nesses estudos também é possível identificar dois eixos
teóricos relacionados à gestão da careira: o entendimento
de carreira como uma sequência de experiências pessoais
e profissionais para além das fronteiras das organizações;
a necessidade do indivíduo de buscar novas formas para se
adaptar à mudança, de ser mais maleável, proativo,
responsável por sua carreira e menos dependente das
fronteiras das organizações (ARTHUR et al., 1995;
BARUCH, 1992; HALL; MOSS, 1998; DUTRA, 1992).
Entender as características e aspirações da Geração Y é
importante, pois como afirmam Veloso et al. (2008, p.1)

�“[...] os estudos relacionados à carreira devem considerar
não somente a estrutura oferecida pela organização à
ascensão profissional, mas também as diversas ambições,
que são específicas da faixa etária do trabalhador”.
A Geração Y tem consciência de que preparo para
continuar ou evoluir em um cargo é fundamental e a
condição para tal é o estudo, que deve ser contínuo,
baseado em conhecimento não apenas adquirido em
cursos, mas também através de experiências práticas.
Ainda, este estudo contínuo deve ser planejado e estar em
consonância com as competências pessoais e as exigências
do mercado de trabalho.
Como se pode constatar, a formação da carreira não é um
processo longo, exigindo projetos, definição de metas,
compromissos. Gerenciar uma carreira implica planejá-la
estrategicamente.

1.2 PLANEJAMENTO DA CARREIRA
De forma bem simplista, pode afirmar-se que planejar é o
ato de definir metas para se alcançar um objetivo. Para
Chiavenato (2003), seis são os passos do ato de planejar:
definir os objetivos; verificar qual é a situação atual em
relação aos objetivos; desenvolver premissas relativas às
condições; analisar as alternativas de ação; escolher a
melhor entre as várias alternativas; implementar o plano e
avaliar os resultados.
White (2012) entende que não basta ter um bom
planejamento ou um projeto bem elaborado e estruturado
para se alcançar a meta. Os elementos necessários à
obtenção da eficácia podem ser observados no Quadro 2.
Ação

Caracterização

Projeto
Um registro escrito tem maior valor e o executor passa a dar maior
documentado relevância ao projeto;
Dedicação

Fundamentalao sucesso do projeto;

Assertividade

As premissas incluídas são realmente relevantes e essenciais àexecução
de cada meta?

�Medidas de assertividade evitam a realização de metas errôneas.
Prazos

Sua existência: sinaliza o tempo certo para a execução de cada meta; faz
com que o executor se torne mais dedicado; a cada prazo cumprido é
possível visualizar quanto maispróximo se está de alcançar o objetivo;

Organização

Facilita a realização das atividades;

Obstáculos

De suma importância buscara prevenção de situações inesperadas e
reservar recursos para vencer dificuldades;

Recursos

Pilares da execução de um projeto;
Podem ser a diferença entre seu sucesso e seu insucesso;

Avaliação

O acompanhamento do projeto passo a passopermite visualizar se o
caminho é o correto, que medidas ou etapas devem ser substituídas ou
mantidas (medidas de assertividade).

Quadro 2: elementos para a eficácia de um planejamento
Fonte: adaptado de White (2012)

Um projeto que vise à gestão da carreira é construído a
partir de elementos básicos do planejamento. Outros irão
mesclar-se, relacionados a questões pessoais e ao mercado
de trabalho. Apresentam-se dez aspectos que devem ser
considerados pelo profissional em busca de colocação e
permanência no atual mercado de trabalho, pinçados a
partir de consenso entre autores e consultores que
discutem e publicam sobre o tema (Quadro 3).
Elemento
Objetivos
traçados

Descrição
A gestão da carreira é organizada e fundamentada em metas a
curto (1 ano), médio (3 anos ) e longo prazo (5 – 10 anos),
definidas de acordo com os objetivos (pessoais, profissionais e
financeiros). Para sua definição, o profissional deve se perguntar
onde quer estar e o que quer estar fazendo em cada um destes
períodos. Suas respostas definirão as metas e o caminho a ser
traçado para alcançá-las.

Autoconhecimento Não é possível gerenciar sua carreira sem se autoconhecer. O
autoconhecimento está atrelado à análise pessoal intensa, aberta e
sincera sobre si mesmo, buscando identificar quais são suas forças
e fraquezas e também as ameaças e oportunidades existentes em
seu mercado de atuação. A partir desta reflexão, deve combater-se
as fraquezas e aprimorar as forças, com foco nos objetivos
traçados.
Metas e sonhos
realistas

Os objetivos estratégicos devem ser definidos de forma realista.
Não estabelecer metas que não serão cumpridas no tempo
determinado (o não atingimento poderá ocasionar frustração,
desmotivação e insatisfação com a carreira). As metas e prazos

�estabelecidos devem ser condizentes com o esforço, a qualificação e
o mercado. Sonhar é preciso, pois a realização da grande maioria
dos sonhos depende da dedicação, do empenho e do
comprometimento com os objetivos estabelecidos. Mas só sonhar
não basta. É preciso executar o planejamento para que o sonho vire
realidade.
Informação do
mercado

Estudar as tendências de mercado, ler e perceber o direcionamento
que o mercado está dando a sua atividade profissional é de suma
importância. Novos mercados, novas tendências e novas
tecnologias podem transformar totalmente o rumo de uma atividade
profissional, sinalizando mudanças a serem feitas no planejamento
da carreira para ser adaptada às exigências. O profissional deve
estar atento a uma necessidade repentina de atualização, ao
desenvolvimento de novas competências e habilidades.

Atualização

Manter-se atualizado com os temas relevantes à profissão em que
se insere é condição si nequa non para obter sucesso na gestão de
sua carreira. Algumas áreas exigem atualização quase diária. A
partir de uma visão generalista da sua atuação, o profissional deve
se aprimorar em áreas específicas dentro de sua formação,
identificando aquela com a qual tem mais interesse, afinidade,
oportunidade, cujas competências e habilidades estejam mais
alinhadas.

Networking

Uma rede de relacionamentos deve ser desenvolvida e cultivada.
Ela é uma ferramenta muito influente à gestão de carreira em
qualquer área de atuação. Muito além dos contatos, o
fortalecimento da construção de uma carreira é feita de ‘conexões’.
A filosofia aqui é construir alianças, ou seja, estreitar laços e
crescer em conjunto, dar antes de receber, dentro da ideia de que
tudo é cíclico: um dia quem dá pode, no outro, pode precisar. O
advento da Web trouxe o surgimento das redes sociais virtuais, que
permitem o compartilhamento de informações, conhecimentos e
saberes em tempo real, num ambiente sem fronteiras, ampliando
as possibilidades de visibilidade pessoal e profissional. Estas redes
são fundamentais em uma gestão de carreira.

Marketing Pessoal

Persistência

A construção de uma identidade a ser apresentada ao mercado,
valorizando o conjunto de ações, habilidades e competências do
profissional é propiciada pelo Marketing Pessoal. O objetivo é
promover a carreira, focando os resultados e o desempenho
profissional, mostrando os valores, as competências e os
diferenciais competitivos, garantindo uma maior visibilidade. O
mercado precisa saber o profissional que ele é.
Receios, empecilhos e medos surgirão no decorrer de todo percurso
profissional que poderão causar desânimo e sensação de que o
objetivo almejado não será alcançado. Só com muita determinação,
dedicação, habilidade se consegue contornar os problemas, não
desistindo do planejamento estabelecido.

Foco

Um objetivo bem definido e muita energia nele focado traz um
resultado satisfatório a esta dedicação. Se o profissional dirige sua
energia a vários objetivos de carreiras divergentes ao mesmo
tempo, haverá uma dispersão de esforços que prejudicará o
sucesso do atingimento de suas metas e seus objetivos.

Gerenciamento

O profissional deverá ficar atento a tudo que pode contribuir para o
alcance dos seus objetivos, analisando sua trajetória profissional

�com um olhar crítico, o que lhe proporcionará uma visão mais
ampla ao alcance dos seus objetivos. A avaliação e revisão
constante das metas, identificando os motivos de não ter
conseguido conquistá-las, são preocupações que não devem ser
descuidadas. Se as metas foram conquistadas é o momento de se
certificar que as próximas também serão possíveis de serem
realizadas. Uma boa gestão da carreira contribui para que o
profissional chegue às suas aspirações de forma mais assertiva,
evitando investimentos de tempo, energia, dinheiro e
consequências prejudiciais ao alcancedos seus objetivos de carreira.

Quadro 3: elementos para a gestão da carreira
Fonte: autora (2016)

No Quadro 3 é possível constatar que um dos elementos
ressaltados à gestão da carreira é Marketing Pessoal,
importante instrumento que permite dar visibilidade ao
indivíduo e ao profissional e fundamental em carreiras, nas
quais a profissão vem acompanhada de um estereótipo
negativo, como no caso do bibliotecário.

2 ESTEREÓTIPO E IMAGEM DO
BIBLIOTECÁRIO
Os estereótipos surgem como formas de representação
social para categorizar um determinado grupo, de acordo
com a sua conduta na sociedade; estão relacionados às
imagens positivas ou negativas, formadas pela sociedade,
distinguindo uma categoria de outra. Para Walter e
Baptista (2007, p. 36):
O estereótipo existe e se constitui de formadores de opinião
e de atitudes, tanto no interior dos grupos, quanto no olhar
externo dos bibliotecários; o estereótipo tem acompanhado
essa profissão desde seus primórdios, geralmente de forma
negativa: intelectuais com aspecto doentio, homens
efeminados e, a mais duradoura - das mulheres velhas e
seus adereços indissociáveis.

Brown e Turner (2002, p. 70) destacam que “Uma vez
que um grupo é associado a um dado comportamento, isto
se transforma numa categoria significativa ao percebedor e
pode guiar futuras percepções do grupo.” Batista (2004)

�entende que o estereótipo detentor de fatores negativos é
aquele desenvolvido por um determinado grupo para
demonstrar o seu poder, com a intenção de diminuir o
outro.
A profissão de bibliotecário é uma das que tem
estereótipo negativo, prejudicando o modo como a
sociedade percebe esses profissionais, tendo como
resultado a desvalorização da profissão. Walter e Baptista
(2007, p. 27) veem o estereótipo como um item
importante à imagem deste profissional.
Não é desconhecido da maioria das pessoas e dos próprios
profissionais que os bibliotecários estão comumente
vinculados a diversos tipos de estereótipos como o de
gênero, o de comportamento e o de imagem física. Essas
associações, mesmo quando compreendidas sob o aspecto
positivo de mediação e facilitação de comunicação interna
nos grupos e externamente com a sociedade podem,
igualmente, ser limitantes para uma profissão como a dos
bibliotecários, que ainda lutam pelos espaços de trabalho,
pelo reconhecimento social e pela modernização de sua
imagem.

Para Fraga, Mattos e Cassa (2008, p. 152), a formação do
profissional é um fator que contribui para o seu
estereótipo:
A própria formação do bibliotecário, baseada no paradigma
acervo num passado recente, pode ter contribuído para a
construção desse estereótipo. Isso porque, até a década de
80, o bibliotecário contava com uma formação altamente
tecnicista, em que levava à prática, concorria comas
maiores preocupações centradas na organização, guarda e
preservação do acervo, características muito salientes no
seu perfil atual. (FRAGA, MATTOS, CASSA, 2008, p.152).

Contrariamente, mais de 10 anos depois, Santos e
Mannes (2009), a partir de dados coletados em sua
pesquisa sobre estereótipo entre os cientistas da
informação (bibliotecários, arquivistas e museólogos),
concluem que, em parte, o estereótipo negativo desses
profissionais ocorre pela falta de informação da população
sobre suas atribuições e pela estagnação destas profissões

�que não se atualizaram através do currículo acadêmico,
para formar agentes de informação, capazes de disseminar
informação e não se prenderem a acervos e se isolarem de
sua comunidade usuária. Estas conclusões reforçam as de
Roggau (2006) ao discorrer que o baixo prestígio social dos
bibliotecários remonta à Antiguidade, quando a profissão
apareceu em resposta a uma necessidade social
(organizar,
guardar
e
preservar
os
manuscritos
produzidos) e não como uma atividade de cunho científico,
a exemplo da Medicina e da Biologia. O ofício era então
exercido por filósofos, astrônomos, que precisavam
organizar as informações com as quais trabalhavam, além
dos monges, responsáveis por salvaguardar os manuscritos
eclesiásticos na Idade Média. Fraga, Mattos e Cassa (2008)
entendem que o desconhecimento, a imagem distorcida
que a sociedade tem do fazer bibliotecário pode estar
calcada no fato de que, no Brasil, grande parte da
população é privada de um direito inalienável que á a
informação. Se a população não está preocupada com
aspectos informacionais, como dará valor à biblioteca e ao
bibliotecário?
A Revolução Industrial e a produção em massa de
documentos iniciaram uma mudança na profissão, na
medida em que esses profissionais vislumbraram a
importância de facilitar o acesso à informação. O
surgimento das Tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC), no século XX, sinalizou a necessidade de
processamento rápido da informação, sua transmissão e
disseminação e reforçou o conceito de mediação,
salientando o importante papel social deste profissional. No
entanto, Santos e Mannes (2009, p.134) fazem algumas
colocações preocupantes em artigo recente:
É notório que os profissionais desatualizados e
desamparados, não só das novíssimas tecnologias, mas
prioritariamente das questões e inter-relações humanas,
estão
seriamente
correndo
riscos
de
ficarem
desempregados, com pouquíssimas chances de recolocação
no mercado a não ser por um concurso. Atualmente, pesa
mais numa escolha de vaga ou mesmo ascensão de

�carreira a capacidade de relacionar-se em grupo, lidar com
as necessidades intrínsecas ao todo.

Rosa (2004) retoma a questão da imagem negativa ao
comentar que ela pode limitar as oportunidades da pessoa.
“É preciso ter cuidado para com a imagem e buscar
eliminar dela qualquer item que possa trazer impacto
desfavorável”. É possível perceber que o estereótipo
negativo é um problema a ser contornado, caso contrário o
mercado de trabalho do bibliotecário fica ameaçado.
Lucena e Silva (2006, documento não paginado) colocam
que:
Temos que procurar meios de mudar a visão equivocada
sobre o perfil do bibliotecário, pois muitas vezes ele ainda é
visto por muitos como organizador e guardião de livros e,
além disso, ainda relacionam o curso de Biblioteconomia a
pessoas intelectualmente pobres, que optam pelo curso por
não terem “capacidade” intelectual de concorrer a outros
onde há um número maior de concorrentes.

Lima e Silva
esclarecem:

(2007,

documento

não

paginado)

Para se destacar no mercado de trabalho é preciso
identificar os seus pontos fortes e se empenhar em
fortalecê-los ainda mais. Os talentos identificados,
desenvolvidos e construídos tendem a aumentar em valor,
à medida que se adquire mais experiência. É importante
saber trabalhar em equipe, valorizar os que contribuem ao
sucesso do seu trabalho e, fundamentalmente, manter-se
atualizado com os aspectos culturais e sociais para o
desenvolvimento da carreira em longo prazo. O profissional
bibliotecário precisa desenvolver um perfil que explore suas
habilidades, mas também e, sobretudo, criar e consolidar
uma imagem positiva para o mercado, sendo reconhecida
por ele.

É consenso na literatura que uma das formas de se
vencer um estereótipo negativo é trabalhando de forma
positiva a autoimagem. Oliveira (1983) associa seis
atitudes que abrangem a autoimagem do bibliotecário e
que são passadas às ociedade: remuneração, requisitos
intelectuais (conhecimento, capacidade de análise,
julgamento e decisão) e mecânicos (como a atividade de

�empréstimo), condições de trabalho (fatores ambientais,
layout da biblioteca, recursos humanos, materiais e
financeiros relacionados ao desempenho profissional),
status profissional (respeito e reconhecimento da
comunidade, autonomia de decisão), estereótipo (profissão
calcada em valores femininos, relacionados à submissão,
dependência, baixo grau de expectativas, resistência à
mudança, grau de sociabilidade) e consciência social
(crítica na aplicação da Biblioteconomia à realidade
nacional). O Marketing Pessoal, aliado ao Marketing
Profissional, aportam ferramentas que possibilitam
trabalhar estas atitudes, com vistas à melhoria da
autoimagem e, consequentemente, da imagem profissional
do bibliotecário, aportando visibilidade e credibilidade à
profissão.

3 O MARKETING PESSOAL E O
BIBLIOTECÁRIO
O bibliotecário deve estabelecer e cultivar uma imagem
positiva sobre si mesmo, perante as pessoas com as quais
convive. Esta imagem precisa ser compreendida e aceita,
principalmente pelos usuários atendidos por ele, pelas
pessoas e pela instituição com as quais trabalha, assim
estará fazendo seu Marketing Pessoal e favorecendo o
desenvolvimento do Marketing Profissionall.

3.1 MARKETING PESSOAL
Considerada uma das vertentes do Marketing, o Marketing
Pessoal surgiu com o propósito de promover a imagem de
pessoas públicas, em especial de políticos em fase de
campanha eleitoral ou profissionais da mídia, visando
ressaltar qualidades e competências e se destinando a criar
imagens e comportamentos favoráveis em relação a
pessoas. Silva (2012, p.116) comenta que a primeira
manifestação deste tipo de Marketing ocorreu em 1952,

�nos Estados Unidos, na campanha presidencial de Dwight
Eisenhower (1890-1969), que contratou uma agência de
publicidade para promover sua imagem nos meios de
comunicação (rádio e televisão). A partir de então, este
tipo de estratégia passou a ser utilizada por diferentes
tipos de profissionais.
Para Kotler (2003, p. 23) o Marketing Pessoal é “[...] uma
nova disciplina que utiliza os conceitos e instrumentos do
Marketing em benefício da carreira e das vivências
pessoais dos indivíduos, valorizando o ser humano em
todos os seus atributos, características e complexa
estrutura”. Ritossa (2009) entende o Marketing Pessoal
como um conjunto de ações planejadas que facilitam a
obtenção de sucesso profissional e pessoal, seja para
conquistar uma nova posição no mercado de trabalho, seja
para manter sua posição atual. Penteado Filho (1990)
postula que o Marketing de sucesso começa pelo Marketing
Pessoal e através dele o profissional deverá equacionar
suas dificuldades particulares na busca do caminho mais
adequado para se organizar e só então se dedicar ao
planejamento estratégico. Vieira (2003) complementa:
“[...] o profissional deve construir uma marca pessoal no
universo onde atua, sendo essa a sua principal ferramenta
para se posicionar diante dos desafios”. Complementando,
o autor adverte que para ser eficaz no Marketing Pessoal, o
conhecimento da dimensão humana e seu aprimoramento
pessoal são fundamentais, pois, acima de tudo, o
Marketing Pessoal é um processo de desenvolvimento
pessoal. “Portanto, quem decide polir e dar unidade à
imagem profissional que projeta precisa investir,
submeter-se a avaliações periódicas de um orientador e
aceitar os sacrifícios de eventuais mudanças de rumo na
carreira e nos hábitos da vida pessoal.” (ROGAR, 2007).
Fraga e Mattos (2008), além de citarem a importância do
Marketing Pessoal e profissional, aludem à necessidade de
união entre a classe profissional e a academia, visando ao
desenvolvimento de projetos que divulguem efetivamente

�a profissão, indo além das ações isoladas feitas por parte
dos profissionais.
Oliveira Neto (1999) entende que o Marketing Pessoal não
tem o intuito de transformar as pessoas em objeto perante
os outros, mas de valorizar o ser humano em seus
diferentes requisitos. Cada pessoa tem o direito de
demonstrar suas capacidades, não só profissionais, mas
também suas características pessoais. Tascin e Servodoni
(2005, documento não paginado) concluem:
Atualmente, para se destacar no mercado de trabalho, a
tendência é cada vez mais as pessoas utilizarem o
Marketing Pessoal que, além de ajudar a identificar os
pontos fortes, pode fortalecê-los, à medida que agrega
valor à imagem da pessoa, ajudando a identificar e
desenvolver talentos, habilidades e competências. Hoje,
além de criar e consolidar uma imagem positiva no
mercado, é fundamental ser reconhecido por ela.

Lima e Silva (2007, documento não paginado) creem que:
“O Marketing Pessoal vem fortalecendo o crescimento
pessoal e profissional, as redes de relacionamento e o
status profissional, podendo favorecer a conquista e a
consolidação de espaços no mundo do trabalho competitivo
[…].”.
Para
implementar
uma
carreira
profissional,
é
imprescindível a adoção do Marketing Pessoal, a ser
utilizado como recurso para mudar a imagem constituída
da profissão do bibliotecário (estereótipo negativo) e
firmar, no mercado de trabalho, a postura do profissional
seguro e qualificado ao exercício de suas atividades.
A sociedade não conhece o verdadeiro potencial do
profissional da informação bibliotecário e por consequência
não valoriza e não se utiliza dele. O Marketing Pessoal e
profissional é algo cultivável, em que é preciso mostrar
suas vantagens com ações, semear com persistências e
argumentos, regar com qualidade para colher frutos
merecidamente
engrandecidos
e
valiosos.
(RUBI;
EUCLIDES; SANTOS, 2006, p. 87).

Pinheiro, Sales Neto e Barbosa (2005) enumeram nove

�pontos a serem observados como técnicas de Marketing
Pessoal. São eles:
a. convívio fora do ambiente de trabalho
envolvimento social afeta a imagem;

-

o

b. participação em eventos e publicação de artigos e
livros – comunicar-se bem é essencial ao sucesso
profissional;
c. aparência dos pertences - elaborar um bom
currículo e cartão de visitas dão uma boa
impressão;
d. habilidades em lidar com outras pessoas – manter
bons relacionamentos, saber trabalhar em equipe;
e. aparência física e postura – uso de roupas
adequadas, higiene pessoal, postura correta
(embalagem da pessoa-produto);
f. projeção do próprio valor financeiro – o profissional
que realiza um bom trabalho precisa saber cobrar
por ele;
g. autopromoção – difundir ao maior número de
pessoas o que o profissional faz;
h. aprimoramento educacional – aprender a aprender
e reaprender;
i. planejamento de carreira – estabelecimento de um
plano de Marketing Pessoal.
Também é senso comum entre os autores que a
comunicação é uma aliada essencial ao Marketing Pessoal,
valorizando a rede de relacionamentos e sua manutenção
para a construção de um bom entendimento com o
público-alvo.
Para Uchoa e Silva (2006), o bibliotecário deve fazer uso
de suas habilidades de ‘marketeiro’ e de disseminador de
informações também em prol de sua atuação no mercado,

�usando ferramentas do Marketing Pessoal.
Por outro lado, acreditamos que é necessário ampliar as
possibilidades de atuação, transformando o que seria risco
em oportunidade. Não estamos “pregando” que o
Bibliotecário abandone as bibliotecas, mas sugerindo que
ele atue nas diversas áreas que lhe compete e seja capaz
de escolher uma vertente do campo de atuação, sendo
inovador e empreendedor; pois entendemos que se o
mesmo continuar com uma visão limitada do mercado e
vice-versa, fatalmente perderá espaço no mercado
competitivo. (UCHOA; SILVA, 2006, p. 9).

O Marketing Pessoal e o Profissional se baseiam na
construção de uma marca, na criação e no estabelecimento
de uma imagem perante à sociedade. A fim de que esta
imagem seja positiva e a marca percebida, é mister que o
profissional apresente as competências demandadas pelo
mercado de trabalho.

3.2 PLANO DE MARKETING PESSOAL
VERSUS COMPETÊNCIAS
O desenvolvimento de um plano de Marketing Pessoal
exige que o bibliotecário conheça as competências
demandadas pelo seu mercado de trabalho. Com base
nisto, fará uma análise crítica de si e de suas
potencialidades, verificando pontos fortes e fracos de sua
atuação profissional. Esta análise ressaltará competências
e habilidades que deverão ser mais bem desenvolvidas ou
mesmo adquiridas, para garantir o espaço de trabalho em
que o profissional deseja se inserir.
Com relação às competências, diversos estudiosos da área
da Ciência da Informação se dedicaram a traçar as que
consideram mais importantes a serem aportadas pelo
Moderno Profissional da Informação (MPI), com vistas à
garantia do sucesso de seu desempenho.
Valentim (2002, p.127) relaciona os novos paradigmas a
serem assumidos por este profissional:

�ter a informação como objeto de trabalho e
pesquisa;
aceitar e entender a inter-disciplinaridade teóricometodológicada área;
considerar as tecnologias de informação
telecomunicação, estrutura básica do trabalho;
elaborar novas tecnologias de tratamento
informação, buscando futuros cenários;

e
da

saber trabalhar com equipes multidisciplinares, uma
vez que trabalhar com informação é uma atividade
complexa;
implementar
informação;

novas

formas

de

mediação

da

reestruturar os canais de distribuição, disseminação
e transferência da informação, visando otimizar o
uso da telecomunicação e das tecnologias da
informação;
participar ativamente do planejamento de políticas
de informação para o país;
ter consciência do papel estratégico da informação
para o desenvolvimento socioeconômico das
empresas e do país;
compreender o universo informacional existente e
sua relação com a globalização econômica;
ser e agir como agente de transformação social;
conhecer realmente as necessidades informacionais
dos indivíduos ou grupos que fazem parte da
comunidade usuária de determinada unidade de
informação;
ser um profissional aberto e crítico, com grande
capacidade de se adaptar às mudanças.
Silveira (2008, p. 90) lista como principais competências

�do bibliotecário:
1. Entender, de maneira ampla, a informação como
objeto de seu fazer profissional, tendo-se em vista
estabelecer um quadro de referências acerca de
suas teorias, paradigmas e aspectos legais;
2. Trabalhar de forma integrada e com equipes
multidisciplinares com o objetivo de acompanhar as
tendências mundiais em torno do desenvolvimento
dos suportes e produtos de informação, conjugando
formatos eletrônicos e digitais às tecnologias de
telecomunicações, de modo a possibilitar acesso
local ou remoto aos documentos informacionais;
3. Conhecer e utilizar as tecnologias da informação e
da comunicação – TICs – como ferramentas de
trabalho
para
a
seleção,
armazenamento,
processamento
e
disseminação
seletiva
da
informação;
4. Organizar o conhecimento por meio de ferramentas
linguísticas e conceituais adequadas, visando a sua
rápida recuperação;
5. Criar pontos de acesso físico e intelectual à
informação, independentemente se alocadas em
bases físicas ou on-line;
6. Interpretar criticamente o lugar assumido pela
informação no processo de edificação das várias
esferas sociais, econômicas, políticas e culturais
contemporâneas, bem como elemento estratégico
para a democratização dos recursos oriundos da
práxis humana.
Santos (2000, p.113) complementa, relacionando
competências necessárias ao profissional que lida com
informação especializada.
Para o desempenho nas áreas especializadas, quer

�em unidades de informação de universidades,
institutos
de
pesquisaouem
organizações
governamentais, empresariais, outras são as
exigências:
ser
um
especialista
na
conhecimento onde atua;

área

de

ser um profundo conhecedor dos recursos
informacionais disponíveis e das técnicas
de tratamento da documentação, com o
domínio das tecnologias mais avançadas;
ser um gerente efetivo;
ser um líder para enfrentar as mudanças
e suas consequências.
Os autores citados mostram que, questões como uso e
domínio das TIC, o trabalho com equipes multidisciplinares,
informação como acesso e não como acervo e cuidado com
a diversidade de usuários, são pontos comuns e
recorrentes quando se trata de competências esperadas do
profissional da informação. Neste viés, Borges (2004)
aborda o papel do bibliotecário no contexto da realidade
atual, no qual o avanço tecnológico mudou a noção de
espaço e tempo, e a tecnologia se tornou, ao mesmo
tempo, oportunidade e risco.
Um profissional que seja capaz de utilizar novos processos
e instrumentos tecnológicos, estar inserido nessa sociedade
da informação e do conhecimento, que faz uso intensivo e
em larga escala do computador no processamento de
dados, redes de informação e comunicação, automação de
processos produtivos, que esteja inserido no contexto da
informação, do conhecimento e das tecnologias de
informação disponíveis. (BORGES, 2004, p. 57).

Outro aspecto de essencial importância, ressaltado por
diversos autores, é o quesito de atualização profissional. A
educação continuada como complemento do curso de
graduação, seja através de cursos de extensão,
especialização ou pós-graduação é, cada vez mais, o

�diferencial para o profissional ingressar e se manter no
mercado de trabalho.
Todas as oportunidades do mercado de trabalho estarão
abertas ao bibliotecário que possuir um projeto de vida
profissional, onde a educação continuada seja meta
permanente. Nenhum currículo universitário fornece tudo
que é necessário saber, assim como nenhum curso de pósgraduação conterá todo o saber e atualização necessários
para uma carreira bem sucedida em tempos de mudanças
rápidas e irreversíveis. O perfil ideal do profissional
bibliotecário é contingencial ao ambiente e à sociedade
onde atua, significando que, traçar um perfil é delinear as
possibilidades de desempenho e crescimento pessoais e
profissionais. (SANTOS, 2000, p.116).

Um plano de Marketing Pessoal conterá os mesmos
elementos de um planejamento estratégico: missão, visão,
valores, objetivos pessoais, metas, plano de ação
(incluindo a(s) ação(ões) com seu(s) objetivo(s) e
metas(s)), avaliação. A avaliação é muito importante,
porque permite visualizar se os objetivos foram atingidos,
como foram realizados e se foram realizados no tempo
previsto. Ela também permite que se façam correções na
rota, ou seja, que os objetivos sejam readequados às
metas e às ações, quando algum imprevisto altera o Plano.
No mercado de trabalho, o Marketing Pessoal será muito
mais efetivo se amparado pelo Marketing Profissional. O
Marketing Profissional foca sua atenção na valorização da
profissão e do mercado de trabalho do profissional, sendo
uma tática para promover os serviços disponíveis pelos
diferentes profissionais. É um aliado à ascensão dos nichos
profissionais no mercado de trabalho, em especial daquelas
profissões que a sociedade tem pouco conhecimento da
sua função, como é o caso da profissão de bibliotecário.
Insere-se neste contexto o alerta de Fraga, Mattos e Cassa
(2008) sobre a importância da união entre a classe
profissional e a academia, no desenvolvimento de projetos
que objetivem divulgar a profissão, uma vez que apenas as
ações isoladas dos profissionais não são suficientes. Rubi,
Euclides e Santos (2006) reforçam esta colocação,

�indicando que o Marketing Pessoal e Profissional é algo
cultivável, sendo necessário revelar seus benefícios através
de ações, disseminar com insistência e argumentos.
No campo do Marketing Profissional, o bibliotecário tem a
seu favor os órgãos de classe, tanto nacionais como
internacionais, que vem buscando divulgar e consolidar, de
modo positivo, sua imagem e atuação, mostrando sua
importância social à coletividade.
Em âmbito nacional, salientam-se as várias ações
realizadas pelo Sistema CFB/CRB, coordenado pelo
Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), juntamente
com os Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB),
como campanhas relativas ao Dia do Bibliotecário feitas
através de vídeos, propaganda veicular, anúncios na mídia
escrita e televisionada, outdoors, cartazes, realização ou
apoio a eventos da área ou de áreas afins, bem como
lobby nas três esferas governamentais (municipal, estadual
e federal), no sentido de propor e acompanhar a
implantação de políticas de interesse da classe. Cita-se
aqui a Lei nº 12.244/2010, conhecida como a lei de
universalização das bibliotecas em instituições de ensino do
Brasil que, em seu Art. 1º, define: “As instituições de
ensino público e privadas de todos os sistemas de ensino
do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei”.
(BRASIL, 2010, documento não paginado).
Outros órgãos de classe também ressaltam o valor das
bibliotecas e dos bibliotecários ao crescimento da Nação;
tal como ocorre na Associação Brasileira de Educação em
Ciência da Informação (ABECIN), que congrega escolas e
cursos da área de Ciência da Informação com foco no
ensino, propiciando eventos, publicações e espaços de
discussão para docentes e discentes. A Associação Nacional
de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação
(ANCIB) propicia foro privilegiado à divulgação e discussão
sobre pesquisas na área de Ciência da Informação. A
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários
(FEBAB) a grupa os profissionais e entidades de classe,

�promovendo eventos, publicações, divulgando notícias e
promovendo campanhas relacionadas à profissão e aos
profissionais.
Em âmbito internacional, vale ressaltar, entre outras, a
International Federation of Library Associations and
Intitutions (IFLA) que se empenha em transmitir uma
imagem positiva dos bibliotecários e das bibliotecas, em
esfera global, a partir de eventos regionais, nacionais e
internacionais, publicações, campanhas publicitárias e
oportunidades de formação continuada. A campanha
mundial do uso e valorização da biblioteca, por ela
patrocinada, teve o apoio de organizações nacionais do
mundo todo.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Marketing Pessoal e o Profissional se baseiam na
construção de uma marca, na criação e no estabelecimento
de uma imagem perante à sociedade, tanto no âmbito
pessoal como profissional. O bibliotecário sofre com o
estereótipo negativo e com o desconhecimento da
população sobre a real importância de seu papel na
sociedade da informação e do conhecimento. Na busca da
reversão destes aspectos negativos, o Marketing Pessoal
vem ganhando espaço entre os bibliotecários, colaborando
para seu autoconhecimento, crescimento pessoal e
profissional no mercado de trabalho.
É sabido que o Marketing Pessoal efetivo deve estar
amparado pela gestão da carreira, a qual se faz baseada
num planejamento sólido, com objetivos, metas e ações
bem definidas. Para implantar um planejamento de
Marketing Pessoal e consolidar o gerenciamento da
carreira, alguns fatores são reconhecidos como basilares
por pesquisadores autores e consultores. Pontuamos os
mais citados:
a. domínio de mais de um idioma (ressaltando-se aqui

�o inglês);
b. facilidade de comunicação;
c. manter-se atualizado nas questões profissionais e
nas tecnologias a elas inerentes;
d. participação sistemática em eventos da área e
áreas afins;
e. pertencimento a entidades representativas da
profissão
(com
efetiva
participação
e
comprometimento com as atividades por elas
propostas);
f. uso de redes sociais virtuais (como Facebook,
LinkedIn);
g. manter bom
profissão;

relacionamento

com

colegas

de

h. criar e executar um plano de Marketing Pessoal;
i. buscar constante aprimoramento, não descuidando
da formação continuada;
j. ser flexível a mudanças e criar uma imagem
positiva de si mesmo.
Mário Persona, conhecido consultor brasileiro na área de
Gestão da Carreira e Marketing Pessoal, acrescenta um
item importante a essa relação. Para ele, um trabalho de
relações públicas na construção da marca é fundamental,
uma vez que as Relações Públicas contribuem no
reconhecimento e na estratégia desenvolvidas para os
públicos de interesse. Afirma ainda, que a questão não
está na frequência da exposição da imagem do profissional
ou em sua ousadia na conquista de novos mercados ou
oportunidades, mas no estilo que usa para isto. (PERSONA,
2005).
Complementando, salienta-se que o profissional deve ter
em mente que a inércia leva as pessoas ao insucesso e que
a trajetória profissional deve ser encarada como patrimônio

�individual a ser administrado. Assim, o principal intuito em
se realizar a gestão da carreira é a obtenção e manutenção
deum espaço no mercado de trabalho que esteja de acordo
com as pretensões e os desejos individuais. O Marketing
Pessoal e o Profissional, utilizados, de maneira correta, são
essenciais para proporcionar visibilidade à profissão e
alavancar a carreira profissional de uma pessoa. Manter-se
atualizado sobre técnicas de Marketing Pessoal e
Profissional e ações implementadas ou em vias de
implementação é de extrema relevância para uma carreira
bem-sucedida.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marcus Garcia de. Pedagogia empresarial:
saberes, práticas e referências. Rio de Janeiro: Brasport,
2006.
ARAÚJO, Luis César G. de. Gestão de pessoas. São
Paulo: Atlas, 2006.
ARTHUR, Michael B. The Boundaryless Career: a new
perspective for organizational inquiry. Journal of
Organizational Behavior, v. 15, n. 4, p. 295-306, 1994.
ARTHUR, Michael B.; CLAMAN, Priscilla H.; ADAMS,
Jerome. Intelligent Enterprise, Intelligent Career. The
Academy of Management Executive. v. 9, n. 4, p. 7-22,
nov. 1995.
BARUCH, Y. Transforming careers: from linear to
multidirectional career paths: organizational and individual
perspectives. Career Development International, v. 9,
n. 1, p.58-73, 2004.
BATISTA, Cristina Abranches Mota. Inclusão: construção
na diversidade. Belo Horizonte: Armazém de Ideias, 2004.
BORGES, Maria Alice Guimarães. O profissional da
informação: somatório de formações, competências e
habilidades. In: BAPTISTA, Sofia. G.; MUELLER, Suzana. P.
M. Profissional da informação: o espaço de trabalho.

�Brasília: Thesaurus, 2004. (Estudos avançados em ciência
da informação). P. 55-69. BRASIL. Lei n. 12.244, de 24 de
maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das
bibliotecas nas instituições de ensino do País. Portal da
Legislação.
Disponível
em:
&lt;www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2010/lei/l12244.htm&gt;. Acesso em: 30 maio 2016.
BROWN, Patricia M.; TURNER, John C.The role of theories
in the formation of stereotype content. In: MCGARTY,
Craig;
YZERBYT,
Vincent
Y.;
SPEARS,
Russell.
Stereotypes as explanations: the formation of
meaningful beliefs about social groups. Cambridge:
Cambridge University Press, 2002. P. 67-89.
CARVALHO, Pedro Carlos de. Empregabilidade. 6. ed.
São Paulo: Alínea, 2009.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas:o novo papel
dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010.
COIMBRA, Rosângela G.C.; SCHIKMANN, Rosane. A
Geração Net. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 15, 2001;
Campinas. Anais ... Campinas: ANPAD, 2001.
DUTRA, Joel S. Carreiras paralelas: uma proposta de
revisão da administração de carreiras. Revista de
Administração, São Paulo, v. 27, n. 4, p. 65-73, 1992.
Disponível
em:
&lt;http://www.rausp.usp.br/busca/artigo.asp?
num_artigo=375&gt;. Acesso em: 30 de julho de 2016.
FRAGA, Nádia Elôina Barcelos; MATTOS, Carla Erler;
CASSA, Gabriela de Almeida. O Marketing Profissionall e
suas interfaces: a valorização do bibliotecário em questão.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 13, n. 2, p.148-166, maio/ago. 2008.
GUIMARÃES, José Augusto C. Moderno profissional da
informação: elementos para sua formação no Brasil.

�Transinformação,
jan./abril 1997.

Campinas,

v.9,

n.1,

p.

124-137,

HALL, Douglas T.; MOSS, Jonathan E. The New Protean
Career Contract: helping organizations and employees
adapt. Organizational Dynamics, v. 26, n. 3, p. 22-37,
1998.
KOTLER, Philip. Marketing de A a Z: 80 conceitos que
todo profissional precisa saber. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.

LIMA, Suely Pedrosa da S.; SILVA, Alzira Karla A. da. O
bibliotecário e o Marketing Pessoal na Biblioteca do UNIPÊ:
instrumento de promoção profissional no mercado de
trabalho. Biblionline, João Pessoa, v.3, n.1, 2007.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/1501/116
Acesso em: 30 maio 2016.
LOMBARDIA, Pilar G.; STEIN, Guido; PIN, José R. Politicas
para dirigir a los nuevos profesionales – motivaciones y
valores de la generación Y. Documento de investigación
DI-753. Barcelona, Universidad de Navarra, Mayo 2008.
Disponível
em:
&lt;http://econpapers.repec.org/paper/ebgiesewp/d0753.htm&gt;. Acesso em: 10 junho 2017.
LUCENA, Gertha M. C. de; SILVA, Alzira Karla A. da.
Expansão do mercado de trabalho para o bibliotecário: um
caso para o Marketing. Biblionline, João Pessoa, v.2, n.1,
jan./jun.
2006.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/593
Acesso em:25 jun. 2016.
MINARELLI, José Augusto. Empregabilidade: o caminho
das pedras. 17 ed. São Paulo: Gente, 1995.
OLIVEIRA NETO, Pedro Carvalho de. Marketing Pessoal: o
posicionamento pessoal através do Marketing. 6.ed.
Fortaleza [s. ed.],1999.
OLIVEIRA, Zita M. O bibliotecário e sua auto-imagem.

�São Paulo, Pioneira, 1983.
PENTEADO FILHO, José Roberto W. Marketing no Brasil
não é fácil. Rio de janeiro: Livro Técnico e científico,
1990.
PERSONA, Mário. Marketing de gente: o Marketing
Pessoal como suporte para o principal ativo das empresas.
São Paulo: Futura, 2005.
PINHEIRO, Aline; SALLES NETO, Francisco Leal; BARBOSA,
Mairla. A utilização do marketing pessoal pelos
advogados
de
Salvador.
2005.
Monografia
(Especialização em Administração) - Núcleo de PósGraduação em Administração, Universidade Federal da
Bahia, Salvador, 2005.
RITOSSA, Cláudia Mônica. Marketing pessoal: quando o
produto é você. Curitiba: Ibpex, 2009.
ROGAR, Sílvia. Sucesso sob Medida. Veja, São Paulo, SP,
n. 2014, 27 jun. 2007.
ROGGAU, Zunilda. Los bibliotecários, el estereotipo y la
comunidad. Información, Cultura y Sociedad, Buenos
Aires, n.15, 2006.
ROSA,
José
Antonio.
Trabalhe
sua
imagem.
[200?].Disponível em: &lt;www.mulherdeclasse.com.br&gt;.
Acesso em: 24 maio 2016.
RUBI, Milena Polsinelli; EUCLIDES, Maria Luzinete;
SANTOS, Juliana Cardoso dos. Profissional da informação:
aspectos da formação, atuação profissional e Marketing
para o mercado de trabalho. Informação e Sociedade,
João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 79-89, jan./jun., 2006.
SANTOS, Jussara Pereira. O perfil do profissional
bibliotecários. In: VALENTIM, Marta L. P. (org).
Profissionais da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000. Cap. 5.
SANTOS, Marcus Vinicius Machado dos; MANNES, Cleiton
José. O estereótipo e o cientista da informação: quebras ou

�fortalecimentos. Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Campinas, v.7, n.1, jul./dez.
2009.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/42
Acesso em: 17 junho 2017.
SCHEIN, Edgar H. Identidade profissional: como ajustar
suas inclinações a suas opções de trabalho. São Paulo:
Nobel, 1993.
SILVA, Silmara Carneiro e. Marketing político e
comportamento eleitoral: reflexões sobre as estratégias de
Marketing político em campanhas eleitorais. Remark:
revista brasileira de Marketing, São Paulo, v.11, v.1,
p.113-136, jan./abr. 2012.
SILVEIRA, Fabricio José N. da. O bibliotecário como agente
histórico: do “humanista” ao “Moderno Profissional da
Informação”. Informação &amp; Sociedade, João Pessoa,
v.18,
n.3,
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1873&gt;.
Acesso Em: 18 jul.2016.
SOUTO, Leonardo Fernandes. Biblioteconomia em reflexão:
cenários, práticas e perspectivas. In:____. O profissional
da informação em tempos de mudança. São Paulo:
Alínea, 2005. P. 29-53.
TAPSCOTT, D. Geração Y vai dominar força de
trabalho.
ITFORUM
365.
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.itforum365.com.br/noticias/detalhe/2960/geracaoy-vai-dominar-forca-de-trabalho &gt;. Acesso em: 20 jul.
2016.

TASCIN, Joselane C.; SERVIDONI, Renato. Marketing
Pessoal: uma ferramenta para o sucesso. Revista
Científica Eletrônica de Administração, Garça, v.5, n.9,
dez.
2005.
Disponível
em:
&lt;http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/c2JL
4-26-12-33-15.pdf &gt;. Acesso em: 20 jul. 2016.
UCHOA, Adriana Helena Souza; SILVA, Alzira Karla Araújo

�da. O profissional da informação e o Marketing Pessoal:
conquistando espaços nas bibliotecas da cidade de João
Pessoa - PB. Biblionline, João Pessoa, v.2, n.1, 2006.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/589/
Acesso em: 18 jul. 2016.
VALENTIM, Marta L. P. Formação: competências e
habilidades do profissional da informação. In: _____.
Formação do profissional da informação. São Paulo:
Polis, 2002.
VELOSO, Elza F. R.; DUTRA, Joel S.; NAKATA, L. E.
Percepção sobre carreiras inteligentes: diferenças entre as
gerações Y, X e baby boomers. In: ENCONTRO DA
ASSOCIAÇÃO
NACIONAL
DE
PÓSGRADUAÇÃO
EM
ADMINISTRAÇÃO, 32., 2008, Rio de Janeiro. Anais... Rio
de Janeiro: ANPAD, 2008.
VIEIRA, Eliane Doin. O marketing pessoal na sua
trajetória profissional dos advogados. Dissertação
(Mestrado em Engenharia da Produção) - Programa de Pósgraduação em Engenharia da Produção, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.
WALTER, Maria Tereza M.; BAPTISTA, Sofia Galvão. A força
dos estereótipos na construção da imagem profissional dos
bibliotecários. Informação &amp; Informação, João Pessoa,
v.17, n.3, set./dez. 2007.
WHITE, Aggie. Planejamento de carreira e networking.
São Paulo: Cengage Learning Brasil/ Rio de Janeiro: Senac,
2012

�12 - CONSULTORIA NA ÁREA
DE GESTÃO SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO
Valéria Martin Valls

Introdução

O

bibliotecário,
enquanto
profissional
da
informação, é identificado da seguinte forma na
Classificação
Brasileira
de
Ocupações
(CBO):
“Biblioteconomista, Bibliógrafo, Cientista de informação,
Consultor de informação, Especialista de informação,
Gerente de informação, Gestor de informação”. Esse
mesmo documento apresenta a descrição das suas
possibilidades de atuação:
Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam
unidades como bibliotecas, centros de documentação,
centros de informação e correlatos, além de redes e
sistemas
de
informação.
Tratam
tecnicamente
e
desenvolvem
recursos
informacionais;
disseminam
informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração
do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas;
realizam difusão cultural; desenvolvem ações educativas.
Podem prestar serviços de assessoria e consultoria
(BRASIL, 2007).

Sua atuação como prestador de serviços de consultoria,
portanto, pode ser considerada natural, especialmente
porque, sendo profissional liberal, favorece e viabiliza o
apoio informacional às instituições de qualquer natureza,
por meio de implantação e gestão de projetos ligados à
gestão da informação e do conhecimento, além de
processos relacionados.

�Este capítulo tem como objetivo delimitar como o
bibliotecário pode atuar como consultor e, principalmente,
diferenciar alguns tipos de atuação correlatos, como a
prestação de serviços terceirizados, que muitas vezes são
confundidas com a consultoria propriamente dita. Entender
as semelhanças e diferenças das modalidades de atuação
do bibliotecário certamente ajudará os profissionais
interessados em atuar como consultores a qualificar o seu
trabalho e a demonstrar, com ética e profissionalismo, a
atuação do bibliotecário-consultor.

O que é consultoria?
De maneira geral, entende-se por “consultoria” a
prestação de serviços por profissional especializado em
determinada área do conhecimento, com vasta experiência
e reconhecimento no mercado. A consultoria pode ser
realizada por um profissional (o consultor) ou por uma
empresa especializada, que agrega especialistas ou
consultores em sua equipe (a empresa de consultoria).
A empresa de consultoria ou o consultor isolado são
designados como “Pessoa Jurídica”, e sua relação com os
clientes é normalmente formalizada via contrato de
prestação de serviços, no qual o escopo do trabalho,
prazos, equipe e valores envolvidos são claramente
definidos para favorecer uma relação transparente entre o
contratante (cliente) e o contratado (consultor ou
consultoria). A prestação de serviços envolve etapas e o
resultado normalmente é um produto (por exemplo, um
projeto).
Consultoria, portanto, tem relação direta com experiência
e especialização. Reforçando essa afirmação:
Consultoria é um tipo de prestação de serviço que um
profissional qualificado e conhecedor do assunto oferece ao
mercado, realizando diagnósticos e elaborando processos
com o propósito de levantar as necessidades do cliente,
identificar soluções e recomendar ações. Com as
informações levantadas o consultor desenvolve, implanta e

�viabiliza o projeto de acordo com a necessidade específica
de cada cliente. A Consultoria Empresarial é uma atividade
que tem como objetivo básico responder ou atender às
necessidades das empresas ou pessoas físicas quando
assim solicitada por meio de aconselhamento ou sugestões
de melhorias, embasado em firme e estruturado
conhecimento. O consultor trabalha com o conhecimento,
com a capacidade de análise a proposição e implantação de
soluções para um conjunto de problemas apresentados
pelos seus clientes (SEBRAE, [200-?]).

A consultoria oferecida ao cliente acontece normalmente
por meio de diagnósticos, em que o consultor (utilizando
seus conhecimentos técnicos e experiência) levanta
elementos com o objetivo de identificar claramente as
necessidades
do
cliente,
propondo
soluções
e
recomendando ações. De posse dessas informações, o
consultor elabora, implanta e viabiliza projetos de acordo
com a necessidade específica de cada cliente. Nesse
sentido, ele atua diretamente com os funcionários e
dirigentes da instituição, e, em muitos casos, o êxito da
atividade depende dessa boa relação, principalmente na
fase de coleta de dados e informações para a realização do
diagnóstico.
O consultor normalmente é contratado pela alta direção
da instituição, não sendo incomum os gestores ou os
funcionários se sentirem incomodados e até mesmo
ameaçados com a presença de um profissional
externoanalisando suas atividades. A experiência do
consultor é imprescindível para administrar esse tipo de
situação, garantindo o sucesso de suas atividades e o
cumprimento dos prazos estabelecidos.
Em alguns casos (e de acordo com o que foi contratado),
as ações previstas no projeto elaborado são desenvolvidas
pelo próprio cliente (com sua equipe) ou a consultoria é
contratada também com esse objetivo, ou seja, implantar
as ações previstas, estendendo-se o escopo da consultoria
para prestação de serviços de maneira mais ampla. Esse
escopo mais operacional pode ser entendido como
prestação de serviços terceirizados, ou seja, quando a

�instituição contrata a mão de obra especializada de pessoal
externo para realizar certas atividades. É importante
diferenciar
consultoria
e
prestação
de
serviços
terceirizados, ou seja, toda consultoria envolve prestação
de serviços, porém, quando a empresa terceiriza atividades
operacionais, não se deve nomear essas atividades de
consultoria, já que o foco da consultoria é o
estabelecimento de soluções.
Para facilitar o entendimento, o foco de cada uma dessas
atividades é diferente: na consultoria ele é estratégico e
tático; já na prestação de serviços terceirizados, o foco
pode ser tático, mas na maioria das vezes é operacional
(realização de ações). Algumas empresas de consultoria
atuam somente em projetos de consultoria tradicionais,
outras ampliam a sua área de atuação e contam também
com equipe operacional para apoiar os clientes na
implantação de ações, nesse caso atuando também como
empresas de prestação de serviços terceirizados.
No primeiro caso, normalmente, a consultoria tem um
prazo determinado, ou seja, escopos e prazos bem
definidos, e o resultado esperado é a entrega de um
projeto para o cliente. No segundo caso, pode ser por
tempo indeterminado, já que envolve a realização de
atividades operacionais, algumas vezes contínuas (por
exemplo, manutenção de um acervo digital atualizado). O
quadro a seguir resume essa diferenciação:
Processos

Tipos
Consultoria

Diagnóstico

X

Estudo de alternativas

X

Proposição de soluções

X

Elaboração de projeto

X

Treinamento / capacitação

X

Prestação de serviços
terceirizados

�Implantação das ações previstas
no projeto

X

Manutenção das atividades
previstas

X

Quadro 1 – Escopo da consultoria X prestação de
serviços terceirizados.
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Ainda
tentando
estabelecer
com
clareza
essa
diferenciação, é relevante comentar que, no mercado de
trabalho, não é incomum perceberem-se alguns desvios:
algumas instituições optam por terceirizar áreas e funções
especializadas (por exemplo, contabilidade) e esses
profissionais são nomeados de consultores; em outros
casos, gestores são contratados “via pessoa jurídica”, ou
seja, recebem remuneração mediante Nota Fiscal de
Serviços (e não mediante contratação formal via CLT) e
são nomeados como consultores. Nesse sentido, é
importante diferenciar a prestação de serviços da
modalidade de contratação. São relações de trabalho
diferentes e devem ser entendidas como tal. A seguir são
apresentadas algumas modalidades de contratação:
“CLT” (carteira de trabalho assinada pela empresa,
com todos os direitos trabalhistas assegurados);
Prestação de serviço:
via Empresa: emissão de Nota Fiscal de
Prestação de Serviços, por pessoa jurídica
ou Microempreendedor Individual (MEI);
via Pessoa Física: emissão de Recibo de
Pagamento Autônomo (RPA);
Cooperativas.
Ou seja, não é a modalidade de contratação que qualifica
uma atividade como consultoria, e sim o seu escopo e seu
modus operandi. Essa é uma questão importante que deve
ser considerada com atenção, já que no mercado de

�trabalho há uma série de distorções.
Ampliando-se a discussão para além dos pontos já
abordados, é interessante discutir também o que leva uma
instituição a contratar uma consultoria: em alguns casos
parte-se da premissa de que “santo de casa não faz
milagres”, ou seja, um olhar externo é importante para
propor soluções e alternativas que muitas vezes não são
visíveis para quem está envolvido com o processo que se
quer aprimorar. Outra questão é a necessidade de contar
com um especialista sem onerar a folha de pagamentos, ou
seja, sem a contratação de um novo funcionário. Além
disso, uma instituição pode recorrer também a uma
consultoria quando necessita de conhecimento de que não
dispõe, contratando o consultor para agregar valor a seus
processos.
Um último aspecto a ser considerado é a ideia (muitas
vezes falsa) de que atuar como consultor é um trabalho
em que não há rotina e, pelo contrário, há sempre algo
novo a fazer, repleto de desafios e com alta remuneração.
É claro que existem (como em qualquer outra atuação)
fatores favoráveis e desfavoráveis, cabendo a cada
profissional, de acordo com seu foco e momento de vida,
definir o seu caminho.
O quadro a seguir apresenta um panorama comparativo
entre a atuação como funcionário e como consultor:
CLT (funcionário
registrado)

Consultor (prestador de serviço)

Estabilidade

Instabilidade, principalmente financeira.
É importante gerenciar o fluxo financeiro para provisionar
eventuais períodos sem projetos.

Rotina e horário de
trabalho definidos

Não há rotina, sua agenda depende das demandas, às vezes
comprometendo finais de semana e horas de lazer, é preciso
auto planejamento.
Você consegue se organizar e priorizar outras atividades em
paralelo, o que pode ser ótimo em determinadas etapas da
vida pessoal.

Vínculo afetivo com
colegas de trabalho e
com a empresa

Distanciamento, atividades pontuais com começo, meio e fim.

�Foco interno

Foco externo.

Apego (sala, mobiliário,
telefone, vaga na
garagem)

Completo desapego, seu escritório é a sua pasta.

Quadro 2 – Comparação entre atuação como funcionário
X consultor:
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Por fim, a consultoria é uma atividade de prestação de
serviços na qual, embora exista usualmente um produto
envolvido na entrega ao cliente (por exemplo, um relatório
contendo o diagnóstico, uma apresentação formal dos
resultados do projeto ou o projeto em si), a relação entre o
consultor e o cliente é intangível, dada a natureza da
própria prestação de serviços:
Sendo uma prestação de serviço, devemos lembrar que o
mesmo é um ato ou desempenho essencialmente
intangível, que vai ser oferecido para satisfazer um desejo
ou necessidade sem a posse de um bem físico, sendo difícil
de medir antes de se comprar. Por isso, devemos fazer com
que o consumidor perceba os seus serviços como algo que
irá contribuir de forma real para a solução de seus
problemas, oferecendo-lhe qualidade no serviço prestado
(SEBRAE, [200-?]).

Nesse contexto – e retomando a questão central a ser
discutida –, serão apresentadas e discutidas, a seguir,
questões referentes à consultoria na área de gestão de
serviços de informação.

Consultoria na área de gestão de serviços de
informação
As primeiras empresas de consultoria da área de gestão
da informação no Brasil foram fundadas por bibliotecários
empreendedores que perceberam oportunidades de atuar
de maneira diferenciada: além de serem contratados como
funcionários, eles poderiam também abrir suas próprias

�empresas e prestar serviços de consultoria, visando levar
ao cliente soluções inteligentes referentes à sua área de
atuação. Como afirmam Conti et al (2009, p. 34): “Para se
tornar um empreendedor, o bibliotecário deve estar
preparado e disposto a enfrentar as mudanças que vêm
ocorrendo no mercado de trabalho”.
O bibliotecário, portanto, deve estar em constante
adaptação ao seu ambiente profissional, em especial
acompanhando as tendências e necessidades emergentes.
Nesse sentido, Fernandes e Pires (2012, p. 68)
complementam:
No atual mercado de trabalho fazem-se necessários um
melhor desenvolvimento profissional e uma tendência para
expor
a
criatividade,
conhecimento
e
atitude,
características estas essenciais para estabilidade financeira
e profissional. Para isso os bibliotecários devem buscar
atualização e melhor aperfeiçoamento de suas habilidades
com o intuito de crescimento profissional de forma
inovadora e capaz de atender o atual modelo da sociedade
da informação.

Nesse
contexto,
o
perfil
dos
bibliotecários
empreendedores que optam por atuar como consultores
tem competências peculiares, como, por exemplo:
Amplo conhecimento e experiência em sua área de
atuação;
Predisposição para se atualizar constantemente;
Inovadores e criativos;
Bom relacionamento interpessoal;
Perfil de liderança;
Flexibilidade e “jogo de cintura”;
Resiliência;
Rigor na qualidade dos serviços prestados;
Foco e capacidade de auto planejamento;
Automotivação.

�Como reforçam Conti et al. (2009, p. 35): “Além do
conhecimento técnico o bibliotecário, na atual conjuntura
da sociedade da informação e do conhecimento, precisa de
habilidades e competências empreendedoras”. Ou seja,
esse tipo de prestação de serviços evoluiu com as
exigências do mercado e com as tecnologias de informação
e o impacto das mídias digitais, havendo, atualmente, uma
gama variada de produtos e serviços de informação
oferecidos pelas consultorias da área. Mas essa atuação
exige mais do que conhecimento técnico, como já foi
apontado. O bibliotecário consultor é antes de tudo um
gestor de projetos, agregando competências não
tradicionais à sua formação básica:
O campo de trabalho nas áreas da biblioteconomia e da
gestão da informação é vasto e oferece inúmeras
oportunidades para os bibliotecários empreenderem.
Entretanto, são necessárias mudanças no perfil desse
profissional, que precisa cada vez mais ter visão
interdisciplinar,
agregando
continuamente
novas
competências e habilidades para poder abraçar essas
oportunidades e garantir sua competitividade no mercado
de trabalho (CONTI et al., 2009, p. 42).

Para ilustrar essas novas possibilidades, no Quadro 3 são
apresentados alguns exemplos. Nessa relação encontramos
prestação de serviços de consultoria e também prestação
de serviços terceirizados, com a ressalva conceitual que foi
estabelecida anteriormente:
Tipo
Diagnóstico, planejamento,
organização e instalação de
Serviços de Informação
(físicos e digitais).
Gestão de projetos
referentes à gestão da
informação.
Gerenciamento de
unidades, redes e sistemas
de informação.

Descrição
Tipologia bem genérica. Pode envolver atividades de
implantação ou mesmo de modernização de Serviços de
Informação.
Processos mais frequentes:
- tratamento técnico de recursos informacionais, incluindo
automação e desenvolvimento de banco de dados e
sistemas;
- desenvolvimento de recursos informacionais, incluindo
coleções;
- conservação e preservação de acervos;
- capacitação e treinamento, incluindo ações educativas;
- realização de difusão cultural;

�- disseminação da informação, incluindo clipping de
informações.
Estabelecimento de
políticas referentes à
gestão da informação.

A partir de diagnósticos e análise de boas práticas, apoiar o
cliente no estabelecimento de políticas para coleta,
tratamento, análise e disseminação da informação (pode
incluir também Política de Segurança).

Mapeamento de processos
e definição de
procedimentos e fluxos
informacionais.

Identificar os fluxos formais e informais de informação para
apoiar o seu gerenciamento e, com base nos processos
documentados e políticas da instituição, auditar os
processos de gestão da informação.

Auditorias referentes aos
processos de gestão da
informação.
Desenvolvimento de
estudos e pesquisas.
Disponibilização da
informação em qualquer
suporte.

Assessoria a profissionais de outras áreas (pesquisadores,
advogados, empresários etc.), realizando tarefas de busca
de informações especializadas.
Atuação via internet (organização de conteúdo e
recuperação de informação).

Normalização de
documentos técnicos e
científicos.

Normalização em geral, com base nas normas ABNT e
outras.

Desenvolvimento de
metodologias para geração
de documentos digitais ou
eletrônicos.

Com base em boas práticas, normas e legislação
relacionada, estabelecer processos e metodologias.

Quadro 3 – Possibilidades de atuação do bibliotecário
consultor ou prestador de serviços.
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016, a partir de
CONTI et al, 2009, p. 45, e MILANO; DAVOK, 2009, p. 260.

As áreas de atuação, portanto, variam de acordo com a
qualificação dos consultores e aspectos regionais, além da
própria tradição da consultoria, que normalmente vai
delineando o seu foco de atuação com base nos clientes e
na experiência adquirida ao longo dos anos.
Uma consultoria normalmente atua em segmentos
específicos da área, o que garante inclusive sua expertise.
Assim, um fator a ser considerado também são suas áreas
de atuação: a falta de foco pode indicar que a consultoria
não tem a experiência esperada. É claro que, se for uma
consultoria de grande porte, pode contar com uma equipe
ampla de consultores que garantam essa amplitude, mas

�dificilmente
uma
empresa
de
pequeno
porte
e
especialmente um único consultor irá conseguir dominar as
várias nuances da área. Esse é também um aspecto a ser
considerado.
Além das questões discutidas, outro ponto relevante é
saber como as empresas contratam uma consultoria na
área. Por onde começam? Elas podem basear-se nos
seguintes critérios preliminares, que ajudam a garantir a
identificação de consultores qualificados:
Verificar a inscrição da empresa ou do consultor no
Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB) da sua
região: algumas empresas inclusive indicam o seu
número de registro no CRB como forma de
diferenciação e “selo de qualidade”, já que há um
profissional registrado responsável pelas atividades;
Verificar trabalhos realizados e carteira de clientes:
os cases de sucesso normalmente são divulgados,
mas é importante o contratante ter certeza de que
a consultoria tem domínio técnico na área em que
está inserida;
Entrar em contato com os clientes para obter
informações: sempre que possível, realizando
visitas in loco para conhecer a qualidade do
trabalho prestado.
Esses cuidados podem minimizar o risco de escolha de um
consultor não qualificado, fato que pode gerar danos não
somente às atividades a serem desempenhadas, mas
especialmente à visão que o mercado forma em relação ao
bibliotecário consultor. Entende-se que a profissionalização
dessa atuação é imprescindível, já que a consultoria é, sem
dúvida nenhuma, um caminho viável para o bibliotecário,
mas é necessário que o profissional esteja preparado para
direcionar sua carreira nesse sentido, entendendo que não
se trata somente de uma modalidade de contratação, mas
sim de uma forma de atuação diferenciada, que exigirá um

�planejamento de carreira sólido, com riscos e desafios
constantes.

Considerações finais
Elucidar alguns conceitos básicos sobre o tema
“consultoria” certamente poderá apoiar bibliotecários
empreendedores a entender com mais clareza essa forma
de atuação, incentivando-os a buscar apoio técnico em
entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE), que fornece apoio para que
os profissionais não se lancem a uma aventura desastrosa.
Existem bibliotecários criativos, mas que nem sempre
conseguem empreender e manter um negócio a longo
prazo.
Além disso, não é incomum vermos no mercado
bibliotecários
recém-formados
nomeando-se
como
consultores e lançando-se em projetos sem muita
experiência e qualidade técnica, muitas vezes levando ao
mercado uma visão distorcida da capacidade profissional
dos bibliotecários. É importante reforçar que a atuação em
consultoria exige um sólido alicerce, e a capacidade
empreendedora do bibliotecário pode apoiá-lo nesse
sentido.
A consultoria na área de gestão de serviços de informação
é uma realidade no mercado brasileiro e é muito
importante que mais profissionais estejam preparados para
enfrentar os desafios de atuar nesse segmento, com ética,
profissionalismo e, acima de tudo, compromisso com o
cliente.

Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação
Brasileira de Ocupações. Brasília, DF, 2007. Disponível
em: &lt;http://www.mtecbo.gov.br&gt;. Acesso em: 29 ago.
2016.

�CONTI, D. L.; PINTO, M. C. C.; DAVOK, D. F. O perfil do
bibliotecário empreendedor. Revista ACB, v. 14, n. 1, p.
27-46,
mar.
2009.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/650&gt;.
Acesso em: 29 ago. 2016.

FERNANDES, E. N. N. C.; PIRES, É. A. N. O bibliotecário
consultor: perfil profissional. Biblionline, João Pessoa, v.
8,
n.
1,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/12285/86
Acesso em: 29 ago. 2016.
MILANO, M. C. D.; DAVOK, D. F. Consultor de informação:
serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas
de biblioteconomia e gestão da informação. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.
14, n. 1, p. 253-278, jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658&gt;.
Acesso em: 29 ago. 2016.
SEBRAE. Ideias de Negócios: Como montar um escritório
de consultoria. Disponível em: &lt;http://migre.me/usZQz&gt;.
Acesso em: Acesso em: 29 ago. 2016.

�AUTORES
Ana Maria Pereira
Contato: anamariapere@gmail.com

Bacharel em biblioteconomia pela Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquista Filho" - UNESP/Marília/SP.
Mestrado em Educação pela Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquista Filho" - UNESP/Marília/SP.
Doutorado em Tecnologia e Sistemas de Informação Universidade do Minho - Escola de Engenharia Guimarães
Portugal.
Professora
no
Departamento
de
Biblioteconomia e Gestão da Informação e do Programa
de Pós-Graduação em Gestão da Informação/PPGInfo do
Centro
de
Ciências
Humanas
e
da
Educação/FAED/UDESC, Florianópolis/SC. Possui interesse
nas seguintes áreas: Biblioteconomia - Organização e
Tratamento da Informação - Catalogação e Tecnologias
da Informação. Gestão da informação. Inteligência
competitiva. Gestão do Conhecimento.
..

Angélica Conceição Dias Miranda
Contato: angelicacdm@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia (Universidade Federal do

�Rio Grande - FURG), Mestrado em Engenharia de
Produção, Doutorado em Engenharia e Gestão do
Conhecimento (ambos pela Universidade Federal de Santa
Catarina - UFSC). Professora no Instituto de Ciências
Humanas e da Informação (ICHI), no Programa de PósGraduação em Educação em Ciências : química da vida e
da saúde (PPGEC), no Programa de Pós-Graduação em
Administração (PPGA).Áreas de interesse: Repositórios,
Editoração
Eletrônica
de
Revistas,
Gestão
do
conhecimento, Avaliação da ciência, Marketing, Estudos
de uso e usuários da informação.
.

Crislaine Zurilda Silveira
Contato: crislaine.bibliotecaria@gmail.com

Formada em Biblioteconomia com habilitação em Gestão
da Informação pela Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC). Especialista em Gestão Pública pela
Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão da
Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). Atua como Bibliotecária na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC). Áreas de interesse: Gestão de
Bibliotecas Universitárias.
..

Daniela Spudeit
Contato: danielaspudeit@gmail.com

�Graduação em Biblioteconomia (UFSC, 2001) e
Pedagogia (UDESC, 2006). Possui especialização em
Gestão de Bibliotecas (UDESC, 2006) e Didática do Ensino
Superior (SENAC, 2012), Mestrado em Ciência da
Informação (UFSC, 2010). Atua como professora no curso
de Biblioteconomia e na pós-graduação em Gestão da
Informação na Universidade do estado de Santa Catarina
(UDESC). Atualmente coordena o Grupo de Bibliotecários
da Área Escolar em Santa Catarina (Gestão 2016/2017)
vinculado a Associação Catarinense de Bibliotecários
(ACB) e está como vice-presidente da Associação
Brasileira de Educação em Ciência da Informação
(ABECIN) na gestão 2016/2018. Áreas de interesse:
gestão de unidades de informação, empreendedorismo,
gestão da qualidade, gestão de processos e projetos em
Biblioteconomia, planejamento e marketing, competência
em informação, bibliotecas escolares e universitárias,
atuação, ensino e formação em Biblioteconomia.
..

Daniele Feldman
Contato: danyih@hotmail.com

Graduação em Biblioteconomia com Hab. em Gestão da
Informação pela Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC) em 2013.Mestrado em Gestão de
Unidades de Informação pela UDESC em 2016. Atua como
pesquisadora e possui interesse nas seguintes áreas:

�Memória
e
Informação,
Patrimônio
e
Bibliotecas Escolares e Fontes de Informação.

Cultura,

.

Denise Rodrigues So
Contato: denise.r.so@terra.com.br

Mestre em Ciência da Informação e Bacharel em
Biblioteconomia pela Escola de Comunicações e Artes
(USP). Nas áreas de Pesquisa e Inteligência de Mercado,
trabalhou na implementação de unidades de informação e
análise de informações de mercado, com passagem pelas
empresas Ogilvy &amp; Mather, Unilever Bestfoods, Vivo e,
Telefonica. Ministrou a disciplina Marketing para Unidades
de Informação no curso Gerência de Sistemas e Serviços
de Informação da FESPSP. Atualmente, é docente no
curso de pós-graduação na mesma instituição e, é
bibliotecária do CEU (Centro Educacional Unificado) da
Prefeitura da Cidade de São Paulo..
.

Eduardo Silveira
Contato: edusilveira1985@gmail.com

Doutorando e Mestre em Ciência da Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal de Santa Catarina PGCIN/UFSC Graduação em Biblioteconomia - Habilitação em Gestão

�da Informação UDESC e Ciência Contábeis UFSC.
Pesquisador na área de Webometria no grupo de pesquisa
Inteligência, Tecnologia e Informação; Tesoureiro da
Associação Catarinense de Bibliotecários - ACB Gestão
2016/2017. Possui interesse nas áreas: Estudos Métricos
da Informação, com ênfase na Webometria (Análise de
links e citações web); Tecnologias da Informação e
Comunicação; Gestão de Custos em Unidades de
Informação.
.

Eliezer Mendes Lopes
Contato: eliezerbiblio@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal
do Rio Grande (FURG) em 2015. Mestrando no Programa
de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da
Vida e Saúde. Áreas de Interesse: Comunicação
Científica, Estudos Métricos, Repositórios, Marketing em
Bibliotecas.
..

Helen Beatriz Frota Rozados
Contato: hrozados@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Faculdade de
Biblioteconomia e comunicação da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (FABICO/UFRGS). Mestre e doutora

�em Comunicação e Informação pelo Programa de Pósgraduação
em
Comunicação
e
Informação
(PPGCOM/UFRGS). Professora do Departamento de
Ciências da Informação da FABICO/UFRGS. Coordenadora
do Núcleo de Estudos em Imagem, Tecnologia e
Informação (NEITI). Membro da Comissão de Educação a
Distância da Associação
Brasileira de Educação em
Ciência da Informação (ABECIN). Áreas de interesse:
Marketing. Educação a distância. Imagem como fonte de
informação. Informação em mídias digitais. Gestão da
informação. Gestão do conhecimento.
.
.
.

Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Contato: ilaydiany18@hotmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN), mestra em Engenharia
de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN) e doutoranda em Ciência da Informação
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(UFRJ/IBICT). Atua como professora assistente do Curso
de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás
(UFG). Tem interesse nas seguintes áreas: Estudos
Métricos de Informação, Comunicação Cientifica, Gestão
da Informação e Gestão de Pessoas.
..

Jordan Paulesky Juliani

�Contato: jordanjuliani@gmail.com

Graduado em Ciências da Computação pela Universidade
do Vale do Itajaí (1999), Mestre em Engenharia de
Produção
pela
Universidade
Federal
de
Santa
Catarina(2002), Graduado em Administração pela
Universidade Federal de Santa Catarina (2005), Doutor
em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela
Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Professor
do Depto de Biblioteconomia e Gestão da Informação e no
Programa de Pós-graduação em Gestão da Informação
(PPGInfo) na Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). Professor no curso de Graduação em Sistemas
de Informação na Faculdade Energia e empreendedor na
área de tecnologia da informação. Tem interesse nas
seguintes
áreas:
Tecnologias
de
Informação
e
Comunicação Aplicadas a Unidades de Informação;
Empreendedorismo; Inovação Tecnológica; Governança
de TI; Gestão de Unidades de Informação; Gestão da
Informação e do conhecimento.
.

Marcelo Cavaglieri
Contato: marceloglieri@yahoo.com.br

Bacharel em Biblioteconomia e Mestre em Gestão
Unidades de Informação pela Universidade do Estado
Santa Catarina (UDESC). Atua como Bibliotecário
Senac Saúde e Beleza. Possui interesse nas áreas

de
de
no
de

�Biblioteconomia e Arquivologia.
..

Marcia Silveira Kroeff
Contato: marcia.kroeff@udesc.br

Possui Graduação em Biblioteconomia Universidade
Federal de Santa Catarina (1993), Mestrado em Ciência
da Informação pela Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, PUC Campinas (1995), Doutorado em Ciência
da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2000),
pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina
(2007), Especialização em Gestão de Arquivos Públicos e
Empresariais pela Universidade Federal de Santa Catarina
(2009). Atua como professora no curso de graduação de
Biblioteconomia e no Programa de Pós-Graduação em
Gestão da Informação na Universidade do Estado de
Santa Catarina. Tem interesse nas seguintes áreas:
Análise da produção científica, Bibliometria, Gestão de
arquivos, Gestão de unidades de informação, Estudos de
usuários.
..

Marta Lígia Pomim Valentim
Contato: valentim@valentim.pro.br

Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca, Espanha.
Livre Docente pela Unesp. Doutora em Ciências da

�Comunicação pela (USP). Mestre pela PUC-Campinas.
Professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Está como presidente da Associação Brasileira de
Educação em Ciência da Informação (ABECIN) na gestão
2016/2018. Possui interesse nas áreas: Gestão da
Informação.
Gestão
do
Conhecimento.
Cultura
Informacional. Inteligência Organizacional. Competência
em Informação.
..

Noeli Viapiana
Contato: noeli_viapiana@yahoo.com.br

Bacharel em Biblioteconomia pela UFSC, com pós em
Didática do Ensino Superior, SENAC/SC, Especialização
em formação de leitores pela FIJ/ RJ. Mestranda em
Gestão de Unidades de Informação. Atua como
bibliotecária e pesquisadora na área de Biblioteconomia
e
da
Ciência
da
Informação. Possui
interesse nas áreas: Gestão
de
unidades
de
informação, gestão da qualidade, Metodologias para
controle de qualidade em serviços de unidades
de informação, bibliotecas públicas e universitárias,
Biblioteconomia.
.

Regina Fazioli
Contato refazioli@gmail.com

�Mestre em Tecnologia: Gestão e Desenvolvimento da
Formação Tecnológica pelo Centro Paula Souza CEETEPS. Possui graduação em Biblioteconomia e
Especialização em Gerência de Sistemas e Serviços de
Informação pela FespSP. Idealizadora e coordenadora da
Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo
- www.bv.sp.gov.br. Membro da Associação Brasileira de
Profissionais
de
Informação
(ABRAINFO)
e
da Egrégora Inteligência, empresa de consultoria em
Governança de Informação.Professora convidada de Pós
Graduação - Redes Sociais - Curso Gestão da Informação
Digital (GID) – FESPSP.Professora Assistente - Graduação
em Biblioteconomia e Pós Graduação - Perspectivas
Tecnológicas - Curso de Gestão de Arquivos e Bibliotecas
Escolares - UNIFAI.Integra a Comissão de Avaliação e
Seleção Prêmio Boas Práticas e Inovação em Bibliotecas
Públicas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) 2014 e é
Jurada do Prêmio São Paulo de LiteraturaSecretaria da
Cultura do Governo SP, 2015.Possui experiência na área
de Ciência da Informação, com ênfase em Gestão de
Conhecimento,
Tecnologia
Mobile,
Redes
Sociais,
Informação Pública e Formação do Cidadão.
..

Tatiana Brandão Fernandes
Contato: tatybrafer@gmail.com

Graduada em Biblioteconomia/ UFAM, Especialista em

�Monitoramento e Inteligência Compettiva/ UFAM,e em
Gestão de Projetos/ GAMA FILHO, Mestre em Ciências da
Comunicação/
UFAM.
Professora
Assistente
no
Departamento de Arquivologia e Biblioteconomia da
Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Possui
interesse nas seguintes áreas: Comunicação científica,
acesso livre, acesso aberto, proteção do conhecimento,
propriedade intelectual, armazenamento, uso e busca de
informação em ferramentas eletrônicas nestas áreas.
.

Valéria Martin Valls
Contato: valls@uol.com.br

Doutorado em Ciências da Comunicação (2005),
Mestrado em Ciências da Comunicação (1998) e
Graduação em Biblioteconomia e Documentação (1990)
pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo - ECA/USP, além de extensão universitária em
Docência pela Fundação Getúlio Vargas - FGV (2008).
Coordenadora e docente do curso de graduação em
Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação
Escola de Sociologia e Política de São Paulo
(FaBCI/FESPSP) e Coordenadora de curso e docente de
pós-graduação da Escola Pós-Graduada da FESPSP
(Núcleo de Ciência da Informação). Docente do MBA em
Gestão Empresarial e Coaching (parceria FESPSP e SLAC).
Coordenadora Região São Paulo (Gestão 2016-2018) da
Associação Brasileira de Educação em Ciência da
Informação (ABECIN). Consultora associada em projetos
ligados
à
gestão
da
qualidade,
informação
e
conhecimento, além de atuar como palestrante nesses
temas. Tem interesse nas seguintes áreas: Gestão em

�geral; Docência; Tendências contemporâneas da Ciência
da Informação.
.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
    <file fileId="998">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.1.mobi</src>
      <authentication>5f5a1c8180dc3d477923a6ee201092da</authentication>
    </file>
    <file fileId="999">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.2.epub</src>
      <authentication>b2996ef0cdb2cf0967001cf3a64967e7</authentication>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="2">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="3">
                <text>Livros</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="1">
    <name>Text</name>
    <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20012">
              <text>Gestão de unidades de informação</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="49">
          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20013">
              <text>Serviços de informação – Administração&#13;
Unidades de informação – Planejamento &#13;
Bibliotecários – Competências</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20014">
              <text>Drucker já dizia que o maior problema das instituições é a falta de gestão. Dadas as constantes mudanças sociais e mercadológicas, pensar em gestão é sempre um desafio quando se trata de mobilizar recursos para atingir resultados em prol de objetivos comuns. Se em grandes empresas e organizações isso é fundamental, imaginem pensar a gestão em unidades de informação que exige o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para oferta de serviços voltados para a formação de capital&#13;
intelectual, social e humano. Foi a partir dessa demanda que surgiu a ideia em convidar profissionais e professores especialistas da área para refletir e discutir sobre temáticas relacionadas à gestão de unidades de informação. Sendo assim, essa obra versa sobre gestão financeira, avaliação, planejamento, gestão de processos, marketing, gestão de pessoas, controle de qualidade, gestão de projetos, segmentação de cliente, marketing de relacionamento, mídias sociais, entre outros pontos que abarcam as demandas de ensino na formação de bibliotecários gestores. A obra busca oportunizar um aprofundamento em diferentes temáticas que convergem para a formação de competências gerenciais do bibliotecário que são demandadas pela sociedade e pelo mercado no século XXI. Acredita-se que seja necessário que os bibliotecários tenham esses conhecimentos tratados nessa obra, desenvolvam as habilidades necessárias, saibam usar diferentes recursos, inovem em suas unidades de informação e promovam um diferencial para esses ambientes a fim de agregar valor às organizações no qual estão inseridas e, principalmente, à comunidade atendida por elas. David Lankes defende que “bibliotecas ruins fazemcoleções, bibliotecas boas realizam serviços, bibliotecas excelentes criam comunidades”. É pensando nessa contribuição social, que essa obra vem instrumentalizar os bibliotecários para que usem técnicas e metodologias gerenciais, transformando as unidades de informação importantes espaços de busca e construção do conhecimento em ambientes vivos que atendam às demandas das comunidades em que estão inseridas. Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff (Organizadoras)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20015">
              <text>Spudeit, Daniela (org.)&#13;
Kroeff, Marcia Silveira (org.)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20016">
              <text>FEBAB</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20017">
              <text>2017</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="37">
          <name>Contributor</name>
          <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20018">
              <text>Ana Maria Pereira&#13;
Angélica Conceição Dias Miranda&#13;
Crislaine Zurilda Silveira&#13;
Daniela Spudeit&#13;
Daniele Feldman&#13;
Denise Rodrigues So&#13;
Eduardo Silveira&#13;
Eliezer Mendes Lopes&#13;
Helen Beatriz Frota Rozados&#13;
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva&#13;
Jordan Paulesky Juliani&#13;
Marcelo Cavaglieri&#13;
Marcia Silveira Kroeff&#13;
Marta Lígia Pomim Valentim&#13;
Noeli Viapiana&#13;
Regina Fazioli&#13;
Tatiana Brandão Fernandes&#13;
Valéria Martin Valls</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="47">
          <name>Rights</name>
          <description>Information about rights held in and over the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20019">
              <text>© 2017 Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="42">
          <name>Format</name>
          <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20020">
              <text>Recurso Eletrônico</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20022">
              <text>Livro</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="20023">
              <text>São Paulo (São Paulo)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="65901">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="27">
      <name>Livros</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
