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                  <text>Estudo de comunidades e instrumentos de coleta de dados
Monica do Amparo Silva
Universidade Federal de Mato Grosso.
monicaamparosilva@gmail.com
Estudo de comunidade é o primeiro passo a ser dado para o planejamento
de uma Unidade de Informação (U.I.), seja este relacionado à implantação ou a
manutenção e desenvolvimento adequados (FIGUEIREDO, 1991).
De acordo com Figueiredo “é uma investigação de primeira mão, uma
análise e coordenação dos aspectos econômicos, sociais e de outros aspectos
interrelacionados de um grupo selecionado” (1994, p.65). A elaboração de
instrumentos de coleta de dados engajados e contextualizados é fundamental para
o sucesso do estudo. O presente trabalho adotou tal concepção para elaboração
de diferenciados instrumentos de coleta de dados para aplicação em
diversificados contextos, privilegiando a linguagem adequada, os objetivos do
estudo e o respeito ao usuário.
Uma Unidade de Informação jamais existirá ou perpetuar-se-á sem
usuários. A força motriz da Unidade de Informação constitui sua comunidade de
usuários. Conhecê-los, investigá-los, analisá-los, respondê-los e correspondê-los
é o maior desafio de uma U.I. “O estudo de comunidade envolve, portanto, o
estudo de dois elementos: as características da comunidade e os significados
destas características” (1994, p.65)
Entretanto, extrair as características e seus significados de uma
comunidade não é uma tarefa simples. Exige o estudo contínuo da comunidade
foco da U.I., pois ela é mutante. Desde os componentes (que não são eternos) até
a percepção de mundo destes componentes; seu perfil sócio-político-econômico;
sua filosofia e mesmo condições de vida e/ou sobrevida. Chegar até a
comunidade e interpretar o discurso, viés, interesse, necessidades e demandas
não configura uma tarefa, volto a dizer, simples.
A fim de superar tal desafio é comum, na realização de estudos de
comunidade, a geração de grande quantidade de dados, que podem se mostrar
contraditórios quando combinados a observações indiretas. Como se os dados por
si resultassem num estudo de qualidade e mais ainda, garantissem a
comunicação com os usuários e o perfeito andamento da U.I. (FIGUEIREDO,
1994).
Em muitas ocasiões os dados produzidos com estudos de comunidade,
embora constituam um grande repertório não encontram uma análise adequada,
razão de algumas limitações em estudos de usuários e fracasso na compreensão
da comunidade a qual já se atende ou pretende-se atender. Na maior parte dos
estudos não se consegue traduzir ou refletir a comunidade.

�É necessário perceber que o estudo de comunidades carece antes de tudo
planejamento estabelecendo objetivos, procedimentos metodológicos, elaboração
de instrumentos de coleta de dados não só adequados, mas contextualizados,
propiciando assim uma análise mais engajada.
Dito isso, o foco do trabalho foi a elaboração de diferentes e diversificados
instrumentos de coleta de dados para também diferentes e diversificadas
Unidades de Informação, com realidades construídas nos mais variados
contextos, mas tendo como premissa o não domínio dessas realidades e sim o
convite a vivencia-las e respeita-las em suas identidades.
Não é por se tratar de uma biblioteca universitária que todos os
instrumentos devem ser iguais. A primeira lição aprendida foi que há Instituições
de Ensino Superior (IES) públicas e privadas, com definição de missões distintas e
comunidades totalmente diferentes, provenientes de regiões e culturas que
necessitam ser assimiladas, respeitadas e apreendidas.
Para a elaboração dos instrumentos foi adotado como parâmetro a
abordagem tradicional focada no sistema de informação e na qual o usuário figura
como principal informante (FIGUEIREDO, 1994).
A partir dos contextos fictícios foram elaborados questionários variados
para faixa etária, ocupações e experimentações no uso de Unidades de
Informação diversificadas respeitando e utilizando a linguagem adotada pela
comunidade a fim de garantir a compreensão por parte do usuário e desta forma
extrair os dados realmente relevantes direcionando bem as questões e procurando
sempre que possível economizar o usuário sem comprometer a complexidade da
análise de suas respostas (PINHEIRO, 1982). Lembrando que questionários
podem ser cansativos e pela própria estruturação podem responder
contraditoriamente às expectativas do estudo uma vez que não envolve o
respondente, estimulando que este responda de boa vontade e o mais aproximado
possível da realidade.
Como procedimento foram definidas algumas U.I. objeto de estudos de
comunidade frequentemente ou que deveriam ser. Neste sentido foram
elaborados questionários para as seguintes unidades de informação:
a) Biblioteca escolar particular; b) biblioteca escolar municipal; c) biblioteca
escolar estadual; d) biblioteca universitária pública; e) biblioteca
universitária particular; f) biblioteca pública municipal (de bairro); g)
biblioteca pública municipal (central); arquivo público; biblioteca
especializada (jurídica); centro de documentação em saúde.
Para cada U.I. foi identificado tipos de usuários e elaborado um questionário
para cada categoria. Por exemplo: biblioteca escolar – alunos de diferentes ciclos,
professores e funcionários – cada tipo teve um instrumento cuidadosamente
preparado e posteriormente testado, apresentando grande aceitação e
compreensão por parte dos entrevistados.

�Através de tal estudo, foi possível concluir que há a necessidade de
estabelecimento de uma comunicação inicial para com a comunidade anterior a
elaboração do instrumento, uma sugestão é através da observação participante,
para que em primeiro lugar possa ser identificada a linguagem mais adequada
para abordagem da comunidade. Questionários criados com vistas à comunidade
real e não à comunidade ideal já estereotipada pelo próprio ramo de atuação da
Unidade de Informação podem levar a um abismo intransponível entre o que se
oferece e o que é esperado, desejado, demandado e necessitado.
Crianças exigem questionários dinâmicos e diretos; adolescentes
demonstram ter mais complexidade, mas pouca paciência para responder
questionários o que leva a preocupação com a quantidade de dados a serem
buscados e a dinâmica entre as questões apresentando uma justificativa para
estas; adultos podem demonstrar muita disponibilidade para responder se
entrevistados no momento adequado e com linguagem adaptada a realidade dos
entrevistados, pesquisadores desejam ser tratados como tal e idosos não querem
ser menosprezados ou infantilizados. Cada casta tende a exigir tratamento digno
ao corte ao qual pertence.
Desse modo, categorizar os dados e interpretá-los tornou um processo
menos tenso e doloroso sem perspectiva de sucesso e compreensão da
comunidade estudada ao final.

Palavras-chave: Estudo de usuários; Instrumentos de coleta de dados; Unidades
de informação
Referências
FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília, DF:
IBICT, 1994.
FIGUEIREDO, N. M. Metodologias para a promoção do uso da informação:
técnicas aplicadas particularmente em bibliotecas universitárias e especializadas.
São Paulo: Nobel, 1991.
PINHEIRO, L. V. R. Usuários-informação: o contexto da Ciência e Tecnologia.
Rio de Janeiro: IBICT, 1982.

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