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                  <text>SABERES (CIENTÍFICOS) DA BIBLIOTECONOMIA EM DIÁLOGO COM AS
CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
Gabrielle Francinne Tanus
Doutoranda em Ciência da Informação – UFMG
contato: gfrancinne@gmail.com

A trajetória e a compreensão do que é a Biblioteconomia podem vistas por meio de
diferentes caminhos, seu desenvolvimento por sua vez não se deu de modo igualitário,
em decorrência das diferenças das necessidades e dos próprios contextos dos países. A
historicidade desses saberes biblioteconômicos possibilita compreender de diferentes
maneiras a visão de biblioteca, bibliotecário e Biblioteconomia, que assumem feições
distintas ao longo da história. A própria Biblioteconomia é marcada também por fases
segundo certas características, como pré-científica (da Antiguidade a Idade Média),
protocientífica (Idade Moderna, século XVI ao XVIII) e científica (Idade Contemporânea, a
partir do século XIX), que demonstram o grau de organização do campo em cada um
desses momentos. Pode-se falar ainda de um primeiro e segundo momento da
Biblioteconomia antes e depois da segunda metade do século XX, momento este que
instauram-se

os

discursos

pós-modernos.

Desse

modo,

esta

pesquisa

em

desenvolvimento, objetiva explorar os saberes da Biblioteconomia a fim de (re)construir
discursivamente este campo, bem como produzir um enlace da produção teórica do
campo em conexão com as correntes de pensamento das Ciências Sociais e Humanas.
Essa relação da Biblioteconomia com as Ciências Sociais e Humanas deriva de
sua inserção dentro desse campo do conhecimento. De modo que, pode-se dizer que a
Biblioteconomia dialoga diretamente com as Ciências Sociais e Humanas, justamente
porque ela se volta para as categorias interpretativas e de compreensão do ser humano,
do sujeito, que assume comumente a nomenclatura de usuário. Este usuário da
informação, dos recursos, das fontes de informação, inclusive da instituição biblioteca,
insere-se por sua vez, em um espaço e tempo definidos, trazendo marcas temporais,
culturais, sociais etc. Em outras palavras, pode-se dizer que a Biblioteconomia lida,
sobretudo com o ser humano, com o usuário, que necessita e faz uso de informação, para
o seu desenvolvimento em diversos âmbitos, profissional, pessoal, acadêmico, lazer etc.
Assim, a Biblioteconomia lida com objetos e com sujeitos, congregando esses dois
mundos em seu universo de estudo, pesquisa e prática.
A importância deste trabalho decorre também dos poucos estudos específicos da
Biblioteconomia que buscam uma correlação com as categorias de pensamento das

�Ciências Sociais e Humanas. E, tendo em vista, a miríade possibilidade de caminhos em
relação às correntes teóricas das Ciências Sociais e Humanas esta pesquisa elegeu
como categorias de análise, quatro grandes correntes de pensamentos, que são as
abordagens: positivista, crítica, compreensiva e sistêmica. Acredita-se que esse modelo,
embora simplificado à primeira vista, consiste em uma melhor maneira para estabelecer
relações com os conhecimentos produzidos na Biblioteconomia. Essa configuração das
categorias ou correntes de pensamentos como categorias mais amplas facilita na
apresentação discursiva e no enlace da produção específica da Biblioteconomia, com a
produção das Ciências Sociais e Humanas. Em síntese, sem pretender colocar a
produção da Biblioteconomia em seus “quadrados”, em respectivas, categorias de
pensamento, este trabalho busca demonstrar por meio da análise discursiva as relações
da Biblioteconomia com o campo das Ciências Sociais e Humanas, reforçando assim sua
inserção dentro dessa área de conhecimento científico.
As escolhas metodológicas, da escolha do método e técnica ao aporte teórico da
pesquisa estão intimamente vinculadas com os problemas de pesquisa. Assim, esta
pesquisa tem os seguintes problemas de pesquisa: Como se manifestam os saberes da
Biblioteconomia ao longo da história? Quais as compreensões acerca da Biblioteconomia
podem ser extraídas da produção teórica desse campo produzida a partir do século XX?
E quais as relações desses discursos com as correntes de pensamento das Ciências
Sociais e Humanas? Pensando nisso, estabelece uma proximidade com o método
arqueológico, de Michel Foucault, desenvolvimento ao longo de seu primeiro momento, na
década de 1960, em que se concentrou nos discursos e nos saberes. Assim como,
estabelece um diálogo com os estudos relacionados ao campo da Filosofia da ciência, em
particular, com as discussões epistemológicas, as quais se voltam para a compreensão
sobre o conhecimento de um determinado campo do conhecimento. Em suma, tendo em
vista as escolhas metodológicas desta pesquisa, a mesma assume as seguintes
classificações: pesquisa qualitativa (em razão do problema de pesquisa); pesquisa
exploratória (em razão dos objetivos); pesquisa bibliográfica (em razão dos procedimentos
técnicos) e pesquisa teórica ou básica (quanto ao gênero/natureza da pesquisa).
Contudo, salienta-se, novamente, que tais momentos, métodos gerais e específicos, não
estão deslocados um do outro, de modo que a escolha teórica da pesquisa vai ao
encontro de seu desenvolvimento, de um caminho que também é visto como uma
construção social do pesquisador, marcado por escolhas e subjetivações.
Cumpre destacar que a busca pela compreensão discursiva da Biblioteconomia
deriva da necessidade de interpretar um corpus não formado apenas pelos “grandes”

�enunciados ligados a sujeitos paradigmáticos, sujeitos recorrentemente citados nas
pesquisas e que aparecem com certa frequência nos estudos bibliométricos. O corpus
desta pesquisa foi definido em razão da temática das obras, livros que abordassem as
questões teóricas e epistemológicas da Biblioteconomia, formando um conjunto de
enunciados localizados historicamente a partir do século XX, e publicados em países
diferentes, refletindo, assim, em autorias de nacionalidades diversas. As obras analisadas
da Biblioteconomia apresentaram, em alguma medida, relações com as abordagens das
Ciências Sociais e Humanas, demonstrando conexões teóricas e epistemológicas.
Quando se aproximavam do pensamento positivista, a biblioteca e o usuário apareciam
como elementos estáveis, objetivados diante de uma realidade pronta para ser
apreendida. Neste caso, a Biblioteconomia e seu profissional são vistos como neutros e
imparciais. Por outro lado, a abordagem crítica vai questionar essa realidade, apontando
que a mesma é uma construção, a biblioteca passa a ser considerada como instrumento
de emancipação do sujeito, desvelando as questões ideológicas. A abordagem
compreensiva tem como tônica o sujeito e as micro-realidades, as ações sociais são
subjetivas e devem ser apreendidas pelo método qualitativo. A abordagem sistêmica, traz
a ideia da integração dos elementos que compõe um sistema, o todo é composto por
partes que integram o funcionamento da biblioteca, e conformam o campo da
Biblioteconomia, dentro de um paradigma emergente que se opõe ao paradigma
tradicional da ciência.

PALAVRAS-CHAVES: Biblioteconomia; Epistemologia; Ciências Sociais e Humanas.
REFERÊNCIAS
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cognição, v.8, 2006, p. 127-142.
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la Bibliotecología. Buenos Aires: Alfagrama, 2010.
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L.; OLIVEIRA, M. Um toque de clássicos: Durkheim,
Marx
e
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2.
ed.
Belo
Horizonte:
Ed.
UFMG,
2009.

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