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TECNOLOGIAS ASSISTIVAS NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
BRASILEIRAS E PORTUGUESAS: AÇÕES E ESTRATÉGIAS
Isabel Diniz
Universidade Federal do Maranhão, Brasil, Universidade de Aveiro, Portugal, icristina@ua.pt

Ana Margarida Almeida
Universidade de Aveiro, Departamento de Comunicação e Arte, Portugal, marga@ua.pt

Cassia Furtado
Universidade Federal do Maranhão, Brasil, cassia.furtado@ufma.br

Introdução
A Sociedade da Informação (Castells, 2011) aponta desafios às comunidades, aos
ambientes educacionais e às bibliotecas que, por força do atual cenário, têm vindo a
evoluir no sentido de criar estratégias que permitam o acesso das pessoas com
necessidades especiais às tecnologias de informação e comunicação (TIC). Tais
estratégias

poderão

favorecer

à

eliminação

de

barreiras

arquitetônicas,

a

comunicação, o acesso físico a espaços que permitam a sua socialização, a
disponibilização de programas adequados e a apresentação da informação em
formatos alternativos que permitam a leitura e a escrita viabilizando o seu acesso a
educação.
As tecnologias que permitem o acesso à informação economizam e dinamizam o
tempo dos seus utilizadores que necessitam de informações para suprir as suas
necessidades informacionais que podem ser diversificadas. No entanto, o que para
alguns são apenas mecanismos de facilitação, para outros, como aqueles que
apresentam algum tipo de limitação, os recursos tecnológicos, em especial as
tecnologias assistivas direcionadas para a educação, podem ser considerados como o
único meio de estabelecer contato com a sociedade do conhecimento (Silva &amp;
Barbosa, 2011; Poty, Alencar, Soares, Andrade &amp; Ramos, 2012; Pereira &amp; Nonato,
2014).
Nessa perspectiva, as universidades desempenham um papel primordial na aquisição
e desenvolvimento do conhecimento científico, sendo a biblioteca universitária vista
como a mediadora e a responsável por disponibilizar o conhecimento produzido pela
instituição de ensino superior aos seus utilizadores. Para que isto ocorra, é necessário
que a mesma tenha uma infraestrutura mínima, com recursos humanos preparados,
equipamentos e suportes informacionais adequados (tecnologia assistiva), que deem
aos estudantes com necessidades especiais, a possibilidade de acessar a informação.
Fundamentalmente, a biblioteca universitária deve desenvolver ações e projetos de
implantação e uso de tecnologias assistivas, visando contribuir para a entrada,

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permanência e conclusão dos percursos formativos dos estudantes com necessidades
especiais.
Esta reflexão é sustentada pelos contributos da “Teoria da epistemologia social”, que
surgiu como uma alternativa ao modelo médico de deficiência que reconhece a lesão,
a doença ou a limitação física que a pessoa possui como a causa primeira da
desigualdade social, e das desvantagens vivenciadas pela mesma, ignorando o papel
das estruturas sociais como opressoras e marginalizadoras da pessoa com deficiência
(Bampi; Guilhem; Alves, 2010).
Para o “Modelo Social” ou para a “Teoria da epistemologia social”, a causa de todos os
problemas da pessoa com necessidades especiais está na estrutura social e não na
pessoa, ou seja, “[…] a deficiência não deve ser entendida como um problema
individual, mas uma questão da vida em sociedade, o que transfere a responsabilidade
pelas desvantagens das limitações corporais do indivíduo, para a incapacidade da
sociedade, em prever e se ajustar à diversidade.” (Bampi; Guilhem; Alves, 2010, p. 3).
É neste contexto que se sublinha a importância de valorizar a compreensão da
deficiência pela sociedade e tratar de forma igual sem distinção a pessoa com
necessidade especial, com direitos e deveres, ou seja, como um cidadão.
A partir daí, diversas reflexões nos levaram à percepção de que a inclusão de pessoas
com necessidades especiais em ambientes sociais e educacionais depende do
reconhecimento e aceitação da sociedade. Importa, pois, investigar práticas, projetos e
outras iniciativas, na tentativa de amenizar o distanciamento existente e a segregação
sofrida pelas pessoas com necessidades especiais através da história, e favorecer a
concretização dos direitos e do exercício de sua cidadania.
Neste sentido, e considerando o atual desconhecimento dos cenários portugueses e
brasileiros neste campo, esta pesquisa buscou encontrar resposta para a seguinte
questão: quais as experiências das bibliotecas universitárias brasileiras e portuguesas
quanto a adoção e o uso de tecnologias assistivas para auxiliar os estudantes
universitários com necessidades especiais no seu percurso acadêmico?
Dessa forma, traçou-se como objetivo da pesquisa identificar e analisar as
experiências das bibliotecas universitárias da Universidade Federal do Maranhão
(Brasil) e da Universidade de Aveiro (Portugal) quanto a adoção e uso de tecnologias
assistivas, procurando identificar e compreender as ações e projetos desenvolvidos.
Logo, a presente proposta pretende trazer contributo para aprofundar o conhecimento
na área das “bibliotecas universitárias inclusivas”, entendidas como aquelas
instituições que não estão apenas estruturadas com todos os recursos tecnológicos e
soluções de acessibilidade, mas que desenvolvem e promovem ações e projetos que

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atraem e estimulam os usuários que possuem algum tipo de limitação a participarem
ativamente das atividades. Agindo dessa forma, a biblioteca propiciará a esse
indivíduo o exercício e a garantia de seus direitos e a cidadania, integrando-o, através
da educação, e respeitando as suas necessidades e potencialidades individuais.
Método de pesquisa

A pesquisa a realizar será de natureza descritiva, com abordagem qualitativa e
organizar-se-á de acordo com as seguintes fases: (i) contato com as bibliotecas
universitárias brasileira e portuguesa; (ii) preparação do inquérito questionário e
organização da técnica de recolha de dados; (iii) pré-testagem do inquérito; e (iv)
aplicação do inquérito por questionário aos diretores/coordenadores e bibliotecários
lotados em cada Instituição de Ensino Superior. A posteriori, será feita a análise de
dados, o tratamento estatístico, a interpretação dos dados, e a escrita e explanação de
conclusões.
Resultados

Os resultados que nos propomos a alcançar permitirão traçar as várias experiências
das bibliotecas da Universidade Federal do Maranhão (Brasil) e da Universidade de
Aveiro (Portugal) quanto a adoção e uso de tecnologias assistivas, bem como a
identificação e compreensão das ações e dos projetos desenvolvidos.
Discussões

Será necessário confrontar os resultados obtidos sobre as experiências das bibliotecas
da Universidade Federal do Maranhão (Brasil) – UFMA- e da Universidade de Aveiro
(Portugal) – UA - quanto a adoção e uso de tecnologias assistivas. Considerando que
a presente pesquisa insere-se num trabalho de doutoramento que ainda se encontra
em fase de realização, esta confrontação será publicada em um trabalho futuro.
Conclusão

Da observação preliminar já efetuada fica claro que as bibliotecas da UFMA (Brasil) e
da UA (Portugal) vêm, ao longo de seus percursos, adotando e utilizando as
tecnologias assistivas para auxiliar seus estudantes com necessidades educativas

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especiais. Porém, existe uma diferença grandiosa quanto a estruturação, mobiliário e
equipamentos tecnológicos utilizados em ambas bibliotecas. Ressalta, também, que a
biblioteca universitária portuguesa se destaca por ter muito mais experiência e por
desenvolver mais projectos e ações inclusivas, consequência da preparação mais
sólida de seus bibliotecários. É no contexto desta observação preliminar que se
desenha a pertinência de conduzir o estudo descrito, que permitirá efetuar uma
reflexão mais aprofundada acerca do fenómeno a investigar.
Palavras-chave: Acessibilidade; Tecnologias Assistivas; Necessidades Educativas
Especiais; Biblioteca Universitária; Biblioteca Inclusiva.
Referências
Bampi, L. N. da S., Guilhem, D., &amp; Alves, E. D. (2010, jul.\ago.). Modelo social: uma nova
abordagem para o tema deficiência. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 18 (4), 1-9. Disponível
em: www.eerp.usp.br/rlae. [Acedido em: 22-01-2015].
Castells, M. (2011). A sociedade em Rede: a era da informação: economia, sociedade e
cultura. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Pereira, R. C. B., &amp; Nonato, E. M. N. (2014, novembro). A gestão dos serviços informacionais
no sistema de bibliotecas da universidade federal de goiás: acessibilidade para pessoas
com deficiência física, visual e auditiva. Paper apresentado no 18º Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias, Belo Horizonte, MG, Disponível em:
https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/anais/. [Acedido em: 12-02-2015].
Poty, E. P., Alencar, B. R. O. C., Soares, S. A., Andrade, V. A. S., &amp; Ramos, K. M. (2012, julho).
Acessibilidade: adequação das bibliotecas universitárias de Teresina aos portadores de
deficiência visual. Paper apresentado no 35º Encontro Nacional de Estudantes de
Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação, Belo
Horizonte, MG, Disponível em:
portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/download/.[Acedido em: 01-02-2015].
Silva, H. O. P., &amp; Barbosa, J. S. (2011, março). A relação deficiente visual e a biblioteca
universitária: a experiência do Centro de Atendimento ao Deficiente visual – CADV da
Universidade Federal de Minas Gerais. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, 1 (1). Disponível em:
http://www.portal.ufpr.br/Acessibilidade/A%20relacao_deficiente_visual_e_biblioteca_univer
sitaria.pdf.[Acedido em: 01-02-2015].

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