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                  <text>XVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
22 a 24 de julho de 2015
FORMAÇÃO DE BIBLIOTECÁRIOS EMPREENDEDORES NO BRASIL
Daniela Spudeit. UNIRIO. E-mail danielaspudeit@gmail.com
Nathália Lima Romeiro. UNIRIO. E-mail ntromeiro@yahoo.com.br
Desenvolver competências voltadas para a organização, descrição, recuperação, disseminação e
mediação da informação são cada vez mais necessárias para os bibliotecários atuarem com diferentes
suportes de registros de informação e em diversos ambientes informacionais. Dentre as várias faces da
profissão cujas competências que precisam ser formadas ainda na graduação se destaca o
empreendedorismo que cada vez mais ganha espaço frente às oportunidades de negócios que se
formam na atual sociedade.
Dentro desta perspectiva, o trabalho analisa a formação do bibliotecário empreendedor
apresentando reflexões para a capacitação deste profissional, tanto na graduação como em cursos de
capacitação continuada e apresenta características, perfil e competências que devem ser desenvolvidas
para formar bibliotecários empreendedores aptos para atender as demandas do mercado.
O empreendedorismo surgiu no final do século XIX, mas foi partir ao longo do século XX que
ganhou força como estratégia para alavancar e desenvolver o capitalismo. No início, o
empreendedorismo foi popularizado apenas sob o contexto empresarial, para a geração de lucro e
ascensão da economia (BARON, SHANE; 2007). Entretanto, outra corrente defende também o aspecto
não-lucrativo.
O essencial significado do empreendedorismo é caracterizado pelo
envolvimento do empreendedor, da inovação, da criação de organização,
da criação de valor, do ser lucrativo ou não-lucrativo, do crescimento, da
singularidade, e do gerente-proprietário. Contudo, a pesquisa sobre
empreendedorismo estuda não só a criação de novos negócios como
também o aparecimento de novos mercados (FIORIN, MELO &amp;
MACHADO, 2010).

Dolabela (2003) considera o empreendedorismo como uma forma de ser, de se manifestar em
sociedade, diz que é possível empreender sobre diversos aspectos da vida e em diversas carreiras. O
mesmo autor explica que o empreendedorismo pode ser estimulado e desenvolvido acreditando que a
educação empreendedora deve começar na mais tenra idade, porque diz respeito à cultura, que tem o
poder de induzir ou inibir a capacidade empreendedora.
Dentro do universo biblioteconômico, pode-se dizer que o empreendedorismo se apresentou desde
o século XVI com a criação da imprensa de Gutenberg, caracterizada como a grande inovação da
tecnológica da época, porém, o termo empreendedorismo ainda não era usado, mas havia iniciativas
empreendedoras na área como esta de Gutenberg, a criação da Classificação Decimal de Dewey e
depois a Classificação Decimal Universal e tantas outras que marcaram paradigmas na
Biblioteconomia trazendo inovações para a área, dentro e fora das bibliotecas.
Já no século XXI, Valentim (2000) aponta o mercado de trabalho em que o bibliotecário atua e
pode vir a atuar. Ela cita o mercado informacional tradicional, que se compõe de bibliotecas públicas,
universitárias, escolares, especializadas, centros culturais e arquivos. O mercado informacional
existente e não-ocupado, que inclui editoras, livrarias, empresas privadas, provedores de Internet,
bancos e bases de dados. Por último, ela cita o mercado informacional de tendências, que compreende
a atuação em centros de informação/documentação em empresas privadas, bancos e bases de dados
eletrônicos e digitais, portais de conteúdo e portais de acesso na rede global (Internet) e em redes
institucionais internas (Intranet). O mercado informacional de tendências é o tipo de mercado que será
focado nesta investigação, busca-se que o bibliotecário atue em novos mercados, saindo da “zona de
conforto”, o mesmo não só atuaria em bibliotecas, mas também conquistaria outros espaços de atuação
profissional apesar de que, grande parte dos bibliotecários busca ainda se inserir no mercado de
trabalho por meio de concursos públicos ou em instituições privadas.
Acredita-se que como profissão interdisciplinar, as oportunidades são diversas, entretanto,
percebe-se que pouco estímulo na academia para que o bibliotecário ocupe outros espaços “fora das
bibliotecas”, mostrando que ainda não há uma cultura empreendedora no cenário biblioteconômico,
mesmo durante a formação acadêmico/profissional.

�De acordo com um levantamento de Spudeit (2014) apenas 15% cursos de Biblioteconomia no
Brasil têm disciplinas optativas ou obrigatórias voltadas para empreendedorismo. Por outro lado, nos
atuais currículos existem várias disciplinas que desenvolvem competências para capacitar os
bibliotecários a empreender. Outra forma de incentivar o empreendedorismo é a criação de empresas
juniores nos cursos de Biblioteconomia pelos alunos e professores, pois atualmente apenas 13% das
Escolas de têm empresa júnior na Brasil (SPUDEIT, 2014).
No atual cenário, o empreendedorismo na Biblioteconomia encontra-se em condições favoráveis
para ascender, entretanto, grande parte dos currículos de Biblioteconomia não atendem essa
necessidade obrigando os profissionais a expandir seus conhecimentos e habilidades por meio de
cursos de formação continuada.
A metodologia adotada neste estudo compreende a pesquisa bibliográfica e documental de acordo
com os meios usados. Caracteriza-se como descritiva e exploratória conforme objetivo proposto.
Dentro dessa conjuntura, a pesquisa se justifica por apontar a importância do empreendedorismo como
atividade imprescindível ao bibliotecário no atual mercado de trabalho.
Uma das características mais importantes ao pensar o perfil empreendedor é estimular a
criatividade e o pensamento criativo. Estes valores devem ser estimulados na infância, desde a
educação infantil, uma criança pode desenvolver habilidades para que no futuro, toda a cultura
vivenciada, pensada, refletida e discutida em sala de aula possa se tornar um empreendimento de
sucesso segundo Dolabela (2003).
Durante séculos, a educação tradicional baseada na transmissão de informação foi a única
utilizada nas escolas sem qualquer contextualização do conteúdo ou valorização dos alunos e da
realidade que ele vivia. Numa conjuntura ideal, o empreendedorismo começaria a ser estimulado na
educação infantil e se desenvolveria até a vida adulta e formação superior do indivíduo, mas, como o
atual contexto educacional pouco reflete estas questões, muitas vezes o aluno só se depara com tal
conteúdo na vida adulta como se pode observar nas experiências descritas por Dolabela (2003).
Outro aspecto de importante análise é a relação entre as competências desenvolvidas na formação
de empreendedores. Hengemüle (2014) diz que a competência está relacionada à ação e as habilidades
ao exercício mental. O desafio para a formação empreendedora é aliar esses conceitos, o empreendedor
precisa pensar o seu negócio, com segurança, estudar sobre o mercado e sobre o produto/serviço a ser
oferecido e principalmente agir, tirar as idéias do papel. Os desafios educacionais para formar
empreendedores ainda são grandes, é necessário cada vez mais problematizar a educação mais cedo em
sala de aula para atender ao cenário de eficiência em que se encontra o empreendedorismo no Brasil.
No caso da Biblioteconomia, a formação precisa ser ampliada e aprofundada para dar suporte
para a atuação dos bibliotecários em empreendimentos na área de informação. Esta responsabilidade
cabe tanto às universidades quanto às entidades de classe já que o empreendedorismo pode ser
abordado em disciplinas ou projetos dentro dos cursos de graduação e pós-graduação em
Biblioteconomia ou então como cursos de qualificação complementar promovidos pelas associações
e sindicatos de Biblioteconomia.
Após um mapeamento verificou-se que das 38 Escolas de Biblioteconomia no Brasili, apenas
seis tem disciplinas optativas ou obrigatórias que abordam empreendedorismo.
No sul do país tem a Universidade de Londrina (UEL), Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC). Na região sudeste tem a Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a PUC Campinas. Na região nordeste tem somente na
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nas regiões norte e centro-oeste não foram
encontradas nenhuma universidade que tivesse a disciplina de Empreendedorismo no curso de
Biblioteconomia o que infere-se que nestas regiões ainda prevalece em sua maior parte a atuação do
bibliotecário em espaços tradicionais. Alguns currículos de universidades que tem o Curso de
Biblioteconomia não foram analisadas porque o projeto pedagógico não estava disponível.
Na Universidade de Londrina (UEL) a disciplina se chama Empreendedorismo em Ciência da
Informação e é ofertada de forma optativa. Dentro da carga horária de 68 horas sua emente aborda
desenvolvimento da capacidade empreendedora, com ênfase na prestação de serviços de informação.
Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a disciplina Empreendedorismo em Unidades
de Informação também é optativa e em uma carga horária de 36 horas apenas aborda-se o histórico do
empreendedorismo, desenvolvimento de processos empreendedores, formação do perfil do
empreendedor na elaboração de Planos de Negócios.
Na Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) a disciplina é obrigatória e chama
Empreendedorismo e Gestão de Projetos em Serviços de Informação. Têm 54 horas onde são
abordadas as características e perfis do empreendedor, tipologia e fundamentos do empreendedorismo,
plano de negócios e processo empreendedor, definição e conceitos básicos do gerenciamento de

�projetos, métodos e técnicas para elaboração e seleção de projetos: métodos e técnicas, fatores de
sucesso e insucesso em um projeto, atribuições e habilidades de gerência de projetos.
A PUCCamp ou PUC de Campinas/SP, uma das poucas instituições privadas que oferece o curso
de Biblioteconomia no Brasil, tem a disciplina obrigatória Consultoria empresarial em Serviços de
Informação cuja ementa é abordar práticas de consultoria aplicáveis em ambientes informacionais,
estimulando o comportamento empreendedor na disponibilização de serviços de informação.
No curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) tem a disciplina Empreendedorismo como optativa com 30 horas de carga
horária cuja ementa se propõe a falar do empreendedorismo e o perfil do empreendedor do profissional
da informação bibliotecário, atitude empreendedora, ideias e oportunidades, projetos de
empreendimentos, o profissional empreendedor, o bibliotecário empreendedor, a realização
profissional e a necessidade de atualização profissional, atitude empreendedora e necessidade de autorealização, coragem para assumir riscos e autoconfiança, emergência do crescimento de
empreendedorismo no campo da Biblioteconomia.
Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem dois cursos um de graduação em
Biblioteconomia e outro de Gestão da Informação. O conteúdo de Empreendedorismo é abordado
dentro das disciplinas optativas chamadas Tópicos em Gestão da Informação. No site não há a
ementa da disciplina, porém, percebe-se que existe um incentivo muito grande para os alunos
começarem a empreender, pois existem duas empresas júnior dentro do curso.
Conclui-se que cada vez mais se deve incentivar o empreendedorismo nos cursos de
Biblioteconomia, seja por meio de disciplinas obrigatórias, optativas, projetos, eventos ou a própria
criação de empresa júnior para que os alunos empreendam desde cedo para vislumbrar outros campos
de atuação além dos tradicionais já existentes.
As profissões da informação cada vez devem se preparar para atender as demandas do mundo do
trabalho, pois têm como missão dar acesso a informações desejadas e atender ao usuário de forma
eficaz, rápida e com qualidade, características exigidas do mercado competidor. Sendo assim, a
formação de tais profissionais, que por sua vez, ainda carregam o aspecto tradicional oriundos de
suas escolas de formação, ainda é uma tarefa que merece discussão na academia sendo este o objetivo
principal deste estudo ao apresentar metodologias de ensino para a formação de bibliotecários
empreendedores.
Além disso, este trabalho buscou identificar características, perfil e competências que devem ser
desenvolvidas para formar bibliotecários que empreendam de diversas formas na prestação de serviços
de informação e se capacitem para lidar com os desafios desta área. Ainda não se percebe outra solução
a não ser a capacitação por meio da formação continuada (cursos, pós graduação, MBA’s, etc.) haja
vista que na graduação tais conteúdos não são contemplados em grande parte das escolas de
Biblioteconomia.
Pretende-se que este estudo estimule novas pesquisas sobre o empreendedorismo na
Biblioteconomia com foco na gestão de serviços de informação e que o professor pense cada vez mais
em discutir a temática na formação superior do bibliotecário. Acredita-se que inovar na prática didática
e unir cada vez mais a Biblioteconomia à educação seja uma solução para mudar tanto o perfil do
profissional quanto o desenvolvimento de estudos e pesquisas para o viés do empreendedorismo na
Biblioteconomia.
REFERÊNCIAS
BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thomson
Learning, 2007.
DOLABELA, F. Pedagogia empreendedora. São Paulo: Cultura, 2003.
HENGEMÜLE, A. Desafios educacionais na formação de empreendedores. Porto Alegre: Penso,
2014.
SPUDEIT, Daniela. Empreendedorismo na Biblioteconomia. IN: SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO
DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA (SIEB), 6, Rio de Janeiro, UNIRIO, 2014. Slides
Palestra. Material não publicado.
VALENTIM, M. L. Profissionais da informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo:
Polis, 2000.
i

Conforme lista das Escolas de Biblioteconomia disponível no site da ABECIN em setembro de 2014.

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