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                  <text>XVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
22 a 24 de julho de 2015

Políticas para Representação Descritiva: ponderações para discussão
1 INTRODUÇÃO
O catálogo é uma ferramenta relevante de busca e recuperação da informação, e
oriundo do processo de catalogação em bibliotecas que tangencia a representação de
itens informacionais que compõem acervos com diferentes tipos de documentos.
No contexto da catalogação como processo, dois tipos de representação são
discutidos. De um lado, a descritiva, que abrange os aspectos de forma, incluindo
apontamentos dos elementos físicos, ponto de acesso e localização para identificação do
documento, também denominada catalogação descritiva. De outro, o tratamento de
assunto ou de conteúdo, o qual provém à caracterização temática, a partir do assunto do
documento que se pretende registrar.
Considera-se que todo o processo é puramente intelectual e não técnico e,
portanto, opta-se pela nomenclatura tratamento da informação (SOUSA, 2012). Nesse
entendimento, os registros de informação são produtos da representação de documentos,
podendo corresponder a este por inteiro, suas partes, ao seu conjunto, ou até mesmo aos
seus dados (ORTEGA, 2011).
É através do tratamento intelectual realizado pelo bibliotecário que será possível
disponibilizar a informação tratada ao usuário, e o formato
[do] catálogo on-line de bibliotecas é uma base de dados que armazena
as representações temáticas e descritivas em formatos bibliográficos e é
possível, atualmente, o armazenamento de objetos digitais com
diversidade de conteúdos, desde textos até audiovisuais imagéticos, que
são facilmente acessíveis junto aos registros bibliográficos através da
questão de busca. (FUJITA, 2011, p. 19-20).

Mas anterior ao processo de tratamento, que possibilitará a recuperação, tem-se
que considerar os fundamentos que permeiam as políticas de representação, pois são
ferramentas imprescindíveis para apoiar e fundamentar as distintas possibilidades de
organização da informação.
A literatura brasileira sobre Política de Indexação destaca-se com as pesquisas
realizadas na Unesp campus de Marília (RUBI; FUJITA, 2003; RUBI, 2004; 2008; FUJITA;
RUBI; BOCCATO, 2009; GIL LEIVA; FUJITA, 2011; DAL’EVEDOVE; FUJITA, 2013)
porém, a percussora dessa discussão foi Carneiro (1985). Todavia, as publicações sobre
políticas que fundamentem a abordagem descritiva são escassas, e assim surge
motivação de investigá-la.
Sem bases metodológicas, a área sofre prejuízos nas discussões teóricas, e de
forma concomitante atinge o ensino na graduação, como também o desenvolvimento dos
ambientes informacionais nas atividades de tratar, recuperar e dispor informações em
diferentes contextos. Se não houver o desenvolvimento teórico, prevalece o empirismo.
Não é objetivo abordar o ensino na Biblioteconomia, entretanto observa-se que a
disciplina que aborda a Catalogação é geralmente estabelecida em paralelo ao uso do
instrumento, como por exemplo, o Código de Catalogação Anglo-Americano (CCAA) 1.

1

Respectivo termo e sigla em inglês: Anglo-American Cataloguing Rules (AACR). Utiliza-se AACR2 para
designar a 2ª edição.

�Portanto, investigar outros fundamentos que venham subsidiar a área, como por exemplo,
Políticas, implica suscitar discussões para além do Código.
2 METODOLOGIA
O pressuposto básico consiste na necessidade de fortalecer a literatura brasileira
sobre o tema Política de Representação Descritiva. Como o objetivo perfaz a investigação
por um viés teórico, a metodologia consiste na forma exploratória de conceitos e
processos documentários que cubram a Representação Descritiva. “Os estudos
exploratórios permitem ao investigador aumentar sua experiência em torno de
determinado problema.” (TRIVIÑOS, 1987, p. 109).
Sendo assim, a pesquisa é classificada como bibliográfica e “sua finalidade é
colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre
determinado assunto [...]” (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 183). Nessa direção, se
propõe a realização de levantamento e análise da literatura no portal de periódicos da
CAPES em inglês, e na base BRAPCI 2 em português, sem recorte temporal, visando a
exploração teórica do tema proposto.
3 RESULTADOS
Na Base BRAPCI não foi possível recuperar nenhum documento que abordasse o
assunto política de catalogação. No portal de periódicos da Capes utilizou-se o campo
assunto busca simples, com o termo inglês “cataloging policy” e como resultado 219
artigos. Porém, utilizou-se o campo “Refinar meus resultados” e a seleção de 3 termos:
“cataloging”, “cataloguing” e “policies”. Dessa forma, recuperou-se 64 artigos, sendo 2
relevantes (BYRUM JUNIOR, 2000; BANUSH; LEBLANC, 2007).
4 PONDERAÇÕES PARA DISCUSSÃO E DELINEAMENTO
Consta-se que a temática Política de Catalogação é pouco abordada. Ao
retomarmos os tipos de catálogos manuais, Mey e Silveira (2009, p. 188) retratam “[...]
duas categorias: aqueles destinados ao público – denominados externos – e aqueles
destinados aos serviços bibliotecários – os internos ou auxiliares.” Dentre os catálogos
internos, que subsidiam as atividades de catalogação, encontra-se o catálogo decisório.
Este, por sua vez,
[...] se torna indispensável aos catalogadores, tanto em ambientes
manuais como automatizados, uma vez que registra todas as decisões e
suas justificativas, quanto à catalogação e aos catálogos. Assim, permite
a continuidade do trabalho, mesmo que mudem os responsáveis pelo
setor. (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 202).

Nessa direção torna-se evidente a necessidade do uso de instrumento que balize
a tomada de decisão no processo de Representação Descritiva, quer se utilize o catálogo
decisório ou a política. Ao evidenciar que a história da catalogação está intimamente
relacionada à própria história da normalização das regras catalográficas constata-se que
o processo é vinculado ao Código de Catalogação, e não as decisões catalográficas.
Entretanto, na parte I do próprio Código é possível constatar na introdução:
0.7. Algumas regras são designadas como regras alternativas ou
acréscimos opcionais; outras regras ou partes delas são introduzidas
pela
palavra
opcionalmente.
Essas
medidas
decorrem
do
reconhecimento de que, em contextos diferentes, podem ser dadas
soluções diferentes para um mesmo problema, bem como adotados
níveis distintos de detalhamento e especificidade. Algumas alternativas e
2

Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI).

�opções devem ser definidas como parte da política de catalogação para
um determinado catálogo ou agência bibliográfica e, uma vez
estabelecidas, devem ser sempre aplicadas. Outras alternativas e opções
devem ser definidas conforme o caso. (CÓDIGO DE CATALOGAÇÃO
ANGLO-AMERICANO, 2004, p. 2, parte I, itálico do código e negrito da
autora).

Neste trabalho não compete discussão nem das regras e tão pouco do próprio
Código, mas destacar a necessidade da discussão da política para o processo de
Representação Descritiva.
Segundo Mey (1995) o processo de catalogação pode ser compreendido em três
partes, a saber: descrição bibliográfica, pontos de acesso e dados de localização, e as
finalidades do processo são: individualizar os itens a fim de não serem confundidos entre
si, reunir por semelhanças para estabelecer relações entre os itens e permitir a
localização e acesso de um item específico.
Portanto, mesmo o uso do Código e a fim de atender as finalidades da
catalogação, que irão de encontro às necessidades da comunidade usuária, torna-se
imprescindível a padronização das decisões, como por exemplo, em relação ao nível de
descrição bibliográfica escolhida pela unidade catalogadora, a funcionalidade ou não de
alguns pontos de acesso, a escolha de instrumentos para confecção da localização do
item no acervo, quer seja pelo sistema de classificação ou pela tabela de notação de
autor, delimitação do tipo de catálogo que será utilizado (se manual ou automatizado),
forma de disponibilização da informação registrada para o usuário, estrutura humana que
será envolvida no processo e formas de avaliação, tanto do processo quanto dos
produtos, são elementos que também integrarão a política. Dessa forma, almeja-se que
outros trabalhos venham contribuir com a temática e, assim, subsidiem avanços para a
representação da informação e para os usuários.
Palavras-chave: Política de Representação Descritiva. Política de Catalogação.
Catálogos – Padronização.
REFERÊNCIAS
BANUSH, D.; LEBLANC, J. Utility, library priorities, and cataloging policies. Libr. Collect
Acquis. Tech. Serv., v. 31, n. 2, p. 96-109, 2007.
BYRUM JUNIOR, J. D. The emerging global bibliographic network: The era of international
standardization in the development of cataloging policy. Library Resources and
Technical Services, v. 44, n. 3, p. 114-121, 2000.
CARNEIRO, M. V. Diretrizes para uma política de indexação. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 221-241, set. 1985.
CÓDIGO de catalogação anglo-americano. 2. ed. rev. 2002. São Paulo: FEBAB; Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo, 2004. Parte I.
DAL’EVEDOVE, P. R.; FUJITA, M. S. L. O conhecimento profissional do catalogador de
assunto sobre política de indexação em bibliotecas universitárias. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 11, n. 2, p. 21-39, maio./ago. 2013.

�FUJITA, M. S. L. A política de indexação para representação e recuperação da
informação. In: GIL LEIVA, I.; FUJITA, M. S. L. (ed.). Política de indexação. São Paulo:
Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2011.
FUJITA, M. S. L.; RUBI, M. P.; BOCCATO, V. R. C. O contexto sociocognitivo do
catalogador em bibliotecas universitárias: perspectivas para uma política de tratamento da
informação documentária. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, abr. 2009.
GIL LEIVA, I.; FUJITA, M. S. L. (ed.). Política de indexação. São Paulo: Cultura
Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2011.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5.ed.
São Paulo: Atlas, 2003.
MEY, E. S. A. Introdução à catalogação. Brasília: Briquet de Lemos, 1995.
MEY, E. S. A.; SILVEIRA, N. C. Catalogação no plural. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
ORTEGA, C. D. Do princípio monográfico à unidade documentária: exploração dos
fundamentos da catalogação. Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 43-60, mar.
2011.
RUBI, M. P. A política de indexação na perspectiva do conhecimento organizacional.
2004. 135f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Programa de PósGraduação em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2004.
RUBI, M. P. Política de indexação para construção de catálogos coletivos em
bibliotecas universitárias. 2008. 169f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) –
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista,
Marília, 2008.
RUBI, M. P.; FUJITA, M. S. L. Elementos de política de indexação em manuais de
indexação de sistemas de informação especializados. Perspectivas em Ciência da
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SOUSA, B. P. de. Aspectos da representação temática pela indexação de livros: a
análise de assunto e suas concepções na diversificação de áreas do conhecimento em
bibliotecas dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF’s). 164 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2012.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Atlas,
1987.

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