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                  <text>A INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA E O IBICT
r

CARLOS AUGUSTO DE ALBUQUERQUE
ALBUQUEROUE
Diretor do IBICT

Dependemos fundamentalmente da informação. Como ser vivo, a partir dos próprios processos genéticos; como indivíduo, ao tomar a primeira consciência do ambiente
que nos envolve, ao processar nós próprios as impressões que os nossos sentidos captam,
ao integrar em conhecimento a informação que recebemos ou buscamos, ao transformar
esse conhecimento em termos de vida, isto é, em cultura.
Esta realização no plano individual se amplia na instituição, na empresa, no país. E
em todos os campos, quer se trate de atividades relacionadas com as ciências exatas, ou
com as ciências humanas, ou com a tecnologia.
A nossa dependência da informação é, portanto, basicamente vital. Como indivíduos, sobrevivemos porque os processos de transmissão de informação dos diversos sistemas que compõem o nosso organismo funcionam orgânica e sistematicamente.
Como instituição, funcionamos gerando entradas e saídas de dados, produzindo
informações e controlando o seu fluxo. E a nossa eficiência se relaciona diretamente com
a nossa capacidade de administrar esse fluxo e de selecionar "pontos" de importância para
o julgamento e a decisão, qualquer que seja a sua natureza.
Como empresa, evoluímos na medida em que não apenas gerenciamos com dados
organizados — qualquer que seja o tipo de organização — mas, igualmente, pela apreensão
precisa dos fatos relacionados com a produção e a compreensão dos campos de ação dos
mercados nos quais atuamos.
Como país, e de uma maneira geral, progredimos na razão direta de nossa capacidade de lidar com informações, tendo em
ern conta todos os demais fatores normais.
Como país, dependemos ou não dependemos de outros países, na medida em que a
nossa infra-estrutura econômica, social, científica e tecnológica se fundamenta no conhecimento preciso dos campos de ação dessas áreas, no seu relacionamento e no seu inter-relacionamento. Esse conhecimento pressupõe, como é natural, uma base segura de informações.
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�Permitam-nos uma pausa para fazer um resumo gráfico do que acabamos de dizer.
Imaginemos que fossemos criar neste momento uma empresa.
Esta empresa tem um campo de ação. Representemo-lo deste modo. Neste campo, a
empresa precisa conhecer bem todos os recursos de mão-de-obra, de-matérias
de matérias primas, de
transportes e de mercado. Isto é, precisa ter informação organizada sobre tudo isto.
Se ela for agir numa área maior, digamos, no país inteiro, um campo maior se
superpõe ao seu e novas necessidades de informação se apresentam. Pelo menos, nessas
superposições, nos pontos onde o segundo campo influi diretamente no seu.
Suponhamos, para simplificar, que os pontos indicados se refiram a mercado. O
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mercado nacional do produto da empresa precisa ser bem conhecido e, ainda mais, todas
as influências que possam alterar a sua posição. Isto é, qualquer deslocamento desses
pontos passa a ser importante para a empresa.
Imaginemos mais, agora, que a empresa também vai operar no mercado internacional! Um novo campo se adiciona aos dois anteriores e evidencia ainda mais a necessidade do seu conhecimento, representado muitas vezes por um volume razoável de dados.
No mínimo, a empresa necessita conhecer esses campos para poder se conduzir melhor.
(Admitamos que não lhe importa influir, modificar ou orientá-los no sentido de seus
interesses). Imaginamos tudo estaticamente, e uma representação geométrica em apenas
uma dimensão. Pensemos nisso tudo em três dimensões, mais perto portanto da realidade!
realidadel
Fazendo uma transposição dessas imagens gráficas para as instituições, ou mesmo
para o país, observaremos fenômenos semelhantes. Em qualquer caso,'portanto,
caso, portanto, uma
organização básica da informação é necessária. A representação gráfica que acabamos de
ver destaca também que essa organização será tanto mais eficiente quanto mais se aproximar da ação sistêmica.
Dentro deste quadro, apresentamos-lhe o IBICT, Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia, cujo ideal maior é exatamente o de conduzir a atividade relacionada com a informação científica e tecnológica em nosso País de maneira sistêmica. Este
objetivo, por seu turno, é conseqüente dos objetivos do CNPq, cuja função básica é a
coordenação das atividades científicas e tecnológicas do País, integradas no plano de
desenvolvimento nacional elaborado pelo governo.
A ação do IBICT é, desse modo, a de coordenação de sistemas. A sua ação direta,
isto é, envolvendo administração e operação somente se realiza no campo específico da
Ciência da Informação: no desenvolvimento dessa ciência no nosso país, na absorção de
técnicas, na ampliação do conhecimento nacional sobre o assunto, na integração com o
esforço mundial nesse sentido.
Nas demais áreas do conhecimento, a sua ação é indireta e descentralizada. O IBICT
é órgão coordenador. Não é centralizador. Organiza-se no sentido da melhor coordenação
dos sistemas existentes nas diversas entidades com as quais mantêm convênios, de modo a
proporcionar-lhes apoio técnico quando necessário, ou recursos para o seu desenvolvimento. Em outras palavras, esta ação indireta aumenta as suas possibilidades de trabalho,
estimulando e contribuindo, por seu turno, para a criação e o desenvolvimento de sistemas específicos. Para o IBICT o importante não é possuir grandes arquivos de grandes
sistemas de informação sob seu controle: o importante é propiciar a operação de sistemas
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�ligados mais diretamente aos usuários, e dimensionados de acordo com as sua necessidades
e objetivos.
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Em resumo, o IBICT atua desta maneira:
Para realizar suas funções, o IBICT foi estruturado deste modo;
modo:
Foi criado em 1976, após a reestruturação do CNPq, antes Conselho Nacional de
Pesquisas, e, a partir de 1975, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Representa uma evolução natural do IBBD, Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentação, fundado em 1954 pelo antigo CNPq.
^
Sua criação, desse modo, foi baseada na experiência acumulada pelo IBBD durante
22 anos, e em alguns estudos realizados entre 1973 e 1975.
O IBICT, como dissemos, atua também através de convênios. Vejamos quatro áreas:
1.

°) Educação

Convênio com o MEC. O primeiro produto desse convênio foi o catálogo de teses,
originado do Banco de Teses.
2.

°) Agricultura

Convênio com a EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que
opera o sistema AGRÍCOLA. Convênio com a EMBRATER, Empresa Brasileira de
Assistência Técnica e Extensão Rural, que, através do SNIR, Sistema Nacional de Informação Rural, cuida do sistema AG RIS.
3.

°) Energia Nuclear

Convênio com a Comissão Nacional de Energia Nuclear que, através do CIN, Centro
de Informações Nucleares, mantém serviços de SDI (disseminação seletiva de informação)
e busca retrospectiva, utilizando o sistema INIS.
IN IS. O CIN já atende a aproximadamente mil
usuários.
4.

°) Tecnologia Industrial

Em fase de negociação com o IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, para a
utilização do sistema COMPENDEX.
Vejamos agora os produtos do IBICT
O conjunto de bibliografias especializadas é um produto que vinha sendo editado
pelo IBBD, como registro único da literatura em âmbito nacional. O IBICT conservou-o
em seu programa de trabalho, e se propôs a divulgar os levantamentos efetuados desde
1973 e manter sua atualização corrente de forma descentralizada.
Paralelamente, em decorrência de sua qualidade de órgão coordenador e, ainda, do
desenvolvimento da documentação no Brasil, houve necessidade de se proceder a uma
reavaliação do projeto, no sentido de garantir a captação dos recursos documentários
existentes em núcleos informativos.
O IBICT pretende, a curto prazo, repassar as atividades de coleta e tratamento desse
produto a esses núcleos.
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�0 Catálogo Coletivo de Periódicos utiliza um sistema automatizado, que torna
o
possível a sua manutenção e atualização permanentes.
Entretanto, cresce o volume de dados a serem coletados e tratados, recebidos de um
número sempre crescente de bibliotecas (atualmente 820). Por esse motivo, seu trabalho
vem sendo descentralizado, o que proporciona às entidades integrantes da rede toda a
orientação e treinamento necessário.
O IBIGT mantém, igualmente, um programa de publicações através do qual edita
eventuais trabalhos que, por sua característica, têm de ser executados de forma centralizada; co-edita com entidades que executam trabalhos específicos de uma área do conhecimento, e distribui publicações editadas por terceiros.
Neste quadro reunimos os serviços do IBICT:
O desenvolvimento de recursos humanos é um programa que o IBICT encara com a
maior profundidade. O desenvolvimento da Ciência da Informação, como de qualquer
outra ciência, depende fundamentalmente de recursos humanos.
Esta é uma idéia central, importante, prioritária. Trata-se de manter, atualizar,
formar, desenvolver, capacitar ao nível de técnicos e cientistas para prover o País com
uma infra-estrutura de conhecimento que assegure o acompanhamento do que ocorre nos
países mais desenvolvidos e garanta a execução dos programas científicos e tecnológicos
do País, de acordo com os melhores padrões internacionais.
De acordo com essa filosofia, o IBICT mantém convênio com a UFRJ, Universidade
Federal do Rio de Janeiro, que propiciou o início, em 1970 do Curso de Pós-Graduação
(Mestrado) em Ciência da Informação, pioneiro na América Latina. Visa ao aperfeiçoamento de professores, ao desenvolvimento de profissionais da informação, especialmente
para atendimento de necessidades de informação em Ciência e Tecnologia e à formação de
pesquisadores na área da informação científica e tecnológica. Busca atender quer aos
profissionais egressos da Biblioteconomia, quer de outras áreas.
O atual programa de desenvolvimento de recursos humanos do IBICT, através do
curso de mestrado, do curso de documentação científica a nível de especialização, e de
cursos de reciclagem, assim como através de seu programa de pesquisa, ainda em fase de
elaboração, tem como propósito a busca de soluções novas, criativas, para problemas
brasileiros de biblioteca e de sistemas de informação.
Tais Cursos têm despertado grande interesse em candidatos de vários estados brasileiros e de vários países especialmente latino-americanos. Dos 495 alunos de Documentação Científica, 63 vieram de países como a Argentina, Panamá, México, Uruguai, Costa
Rica, Chile, Paraguai, Colômbia, Portugal, Peru, Venezuela e El Salvador.
Percebe-se o impacto do mestrado do IBICT sobre o ensino da Ciência da Informação quando se verifica que, dos 34 portadores de títulos de Mestres concedidos pelo
IBICT/UFRJ, 26 exercem atividades de ensino superior.
Cabe ressaltar que 50% dos artigos publicados por autores brasileiros nas revistas
especializadas nacionais foram produzidos por profissionais que participaram ou participam dos cursos do IBICT.
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�A Revista Ciência da Informação pode ser considerada como um subproduto do
programa de Mestrado. É um veículo de divulgação do desenvolvimento da Ciência da
Informação no Brasil e no exterior. (0
(O primeiro número de 1977 está sendo lançado neste
Congresso).
O ensino de pós-graduação em Ciência da Informação no Brasil não pode ainda
0
dispensar a presença regular de professores estrangeiros. Em nosso país as atividades de
informação não estão desenvolvidas a ponto de existir uma massa crítica de especialistas
com conhecimentos teóricos e práticos e, ainda, possuidores dos títulos exigidos pelo
Conselho Federal de Educação. Assim, o IBICT busca, através da permanente avaliação do
programa, como um todo, seu ajustamento às necessidades brasileiras.
Neste quadro amplo, sem detalhes, no qual apresentamos o assunto informação e o
IBICT, marcamos dois pontos que queremos agora destacar, assim como se fôssemos
desenhar os detalhes para melhor explicitá-los.
O primeiro se refere à necessidade da tomada de consciência em larga escala de que,
0
como país em desenvolvimento, precisamos reunir esforços no sentido de, pelo menos,
acompanhar os passos dos países desenvolvidos.
Nessa ordem de idéias, vejamos dois exemplos:

1.
°) Pesquisamos e produzimos, científica e tecnologicamente
ções que são rastreadas por outros países. Em contrapartida, mal podemos utilizar os
recursos que esses países reunem, por falta de infra-estrutura. Desse modo, estamos condicionados a coletar dados de toda a espécie, sem possibilidade de transformá-los em informação para benefício próprio.

2.
°) Apenas um número de um país no qual a ciência da infor
damente, como referencial para a nossa posição. De acordo com Jacob Marschak, em seu
artigo sobre a economia dos processos de comunicação, o Produto Nacional Bruto nos
Estados Unidos, em 1958, apresenta uma participação da chamada indústria do conhecimento entre 23% a 29%, e uma taxa de crescimento de cerca de 10% ao ano, equivalente
ao dobro da taxa de crescimento do PNB. As estimativas segundo a mesma fonte, indicam
uma projeção de 40% de participação no PNB, nos nossos dias, naquele país.
O segundo ponto se refere à nossa posição em relação a nós próprios: as nossas
soluções não implicam na necessidade de grandes sistemas tão somente. O computador é
um instrumento poderoso que precisa ser bem e adequadamente usado. As grandes soluções, contudo, podem também independer de máquinas. Os sistemas manuais, aprimorados, podem contribuir igualmente para o reforço da consciência a que nos referimos.
Agradeço a Comissão Organizadora do 9.° Congresso Brasileiro e V Jornada
Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documentação pela oportunidade de trazer aqui
as minhas palavras que sei, expressam angústia mas também uma grande dose de esperança.

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�PRODUTOS
- CATÁLOGO COLETIVO DE PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS
- PERIÓDICOS BRASILEIROS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA (PBCT)
- CADASTROS ESPECIALIZADOS
- CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL - CDU
- CATÁLOGO DO BANCO DE TESES
- REVISTA "CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO"
- LISTA DE CABEÇALHOS DE ASSUNTO
- BIBLIOGRAFIAS ESPECIALIZADAS BRASILEIRAS

SERVIÇOS DE APOIO
- RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÕES DAS BIBLIOGRAFIAS ESPECIALIZADAS BRASILEIRAS
- RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÕES DO CATÃLOGO
CATÁLOGO COLETIVO DE PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS
- FORNECIMENTO DE CÓPIAS DE DOCUMENTOS
- PESQUISAS BIBLIOGRÁFICAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
- AQUISIÇÃO DE BASES DE DADOS ESTRANGEIRAS
- DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS

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