<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<itemContainer xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/browse?output=omeka-xml&amp;sort_field=Dublin+Core%2CTitle&amp;tags=Livros" accessDate="2026-04-03T13:21:21-07:00">
  <miscellaneousContainer>
    <pagination>
      <pageNumber>1</pageNumber>
      <perPage>500</perPage>
      <totalResults>22</totalResults>
    </pagination>
  </miscellaneousContainer>
  <item itemId="6158" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5224">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/6158/Russo_L.G.M._[1966]_A_Biblioteconomia_Brasileira_-_1915-1965.pdf</src>
        <authentication>fbe176b9d33c71cb83c9e7eb30983a24</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="70013">
                    <text>INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
COLEÇÃO B 2

Biblioteconomia

X

A

BIBLIOTECONOMIA
BRASILEIRA
..

,

LAURA GARCIA MORENO RUSSO

fi
· RIO DE JANEIRO

•

��Publicai;ao do
Instituto Nacional do Livro
Colei;ao B 2 - Biblioteconomia

Instituto Nacional do Livro
Av. Rio Branco, 239
Rio de Janeiro - Guanabara

��INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
COLEÇÃO B 2

Biblioteconomia
V

1 BIBLIOTECONOMII BRISILEIRl1
1915 -1965
LAURA GARCIA MORENO RUSSO
Presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia
Presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecário.,..
Secretdria do Grupo Regional América Latina da IFLA
Bibliotecdria Chefe da Secção de Aquisição e Registro
da Biblioteca Municipal de São Paulo

RIO DE JANEIRO -

1966

��A Nair Fcntes

Vice-Diretora do Ensin o Sup er i or,

do Ministério da Educação e
Cultu ra,

a

&lt;tev e

ctasse

a

quem

m u i to

dos

Bi bliotecários do Brasil

��Alex

Lucy

Odette
meus agradecimentos

��SUMARIO

O

1
1.1
1. 2
1. 2 .1
1. 2 . 2
2
3

3 .1
3. 2
3 .3
4
5

li

6.1
6. 2
6. 3
6 .4
6.5
íi. 6

6.7
C.8

6.9
6.10
6 . 11
6 . 12
6 . 13
6 .14
7
8

9
!O
11

12
13
14

--.

INTRODUÇÃO
HISTóRICO
O Primeiro Curso de Biblioteconomia
S ão Paulo e a Biblioteconomia
Extinção do Cur so da Prefeitura do Município de S ão
P a ulo
Subvenção da Fundação Ro ckefeller
CURRÍC ULOS
CURRíCULO MíNIMO
Matérias do currículo e suas variacões
Matérias extras ao currículo míni~o
Nomenclatura d e matérias e discipli nas ensinadas
POPULAÇÃO E BIBLIOTECARIOS
S UGESTÕES PARA UM PROGRAMA
CURSOS, ESCOLAS E FACU LDADES DE
BIBLIOTECONOMIA
Bahia (Fundação)
Bahia (Universidade)
Brasília
Ceará
G u anabara (Biblioteca Nacional)
Guanabara (Santa Ursula)
Minas Gerais
Pará
P araná
Pernambuco
Rio Grande ,do Sul
S ão Paulo (Ca pital)
São Paulo (Campinas)
S ão Paulo (São Carlos)
CURSOS EXTINTOS
CURSOS DO IBBD
CADASTRO DE PROFESSôRES
REGIMENTO DOS CURSOS, ESCOLAS E
FACULDADES
NORMAS PARA ORJGANIZAÇÃO E RECONHECIMENTO DE ESTABELECIMENTO DE ENSINO SUPERIOR
LEGISLAÇÃO
BIBLIOGRAFIA BIBLIOTECONôMICA
índice

��INTRODUÇÃO

Recolhemos, n este volume, dados informativ os sôbre quatorze
cursos regulares de bib lioteconomia existen tes no país, obt idos
através de questionár ios, gentiimen te r espondidos por seus diretores.
Tem os ciência que vem funcionan do há três anos, em N iterói,
nm nôvo curso de biblioteconom ia, m as que dei-Xa de figu rar
nesta obra por não termos recebido informações exatas sôbre
o seu funcionamen to regular .
A coleta de dados com eçou há quatro anos, quando aceitamos
um convite da " Escuela Interamericana de Bibliotecologia de
Medellín", p ara colaborar na organização de um.a obra que seritJ.
publicada sob os auspícios da Rockefeller Foundation . Parte dos
dados f ornzciclos foram devidament e at ualizados e de monstram
o que é a Bibliotecon omia Brasileira no an o em que se comemora
o cinqüentená.rio da insta.lação do p r imeir o curso, n o Bras:l, na
Biblioteca N acional do Ri o de Janeiro.
Dev emos a oportimidade desta publicação ao Dr. Augu sto
M eyer, Diretor do Institut o N acion al do L ivro.

��1 1.1 -

HISTÓRICO

O PRIMEIRO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA

O ensino da biblioteconomia no Brasil adquiriu um nível
bem elevado, em comparação com o que se observa em muitos
outros países. Isto se deve, não sàmente ao longo tempo decorrido desde a criação de nossa primeira escola, mas ao espírito de sacrifício daqueles que, afrontando tôda a sorte de
dificuldades, souberam conduzi-la à situação presente .
Há 50 anos, justamente, começou a funcionar no Brasil o
primeiro curso de biblioteconomia, na Cidade do Rio de Janeiro, graças a Manuel Cícero Peregrino da Silva que foi d iretor da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, de 1900 a
1924. Embora o curso tenha sido criado pelo Decreto 8 . 835.
de 11 de julho de 1911, só começou a funcionar em ab~·il
de 1915.
É interessante notar, no capítulo segundo do referido decreto, a atualidade do programa estabelecido para o Curso da
Biblioteca Nacional. Seus objetivos nada diferem dos programas de trabalho de nossa s grandes bibliotecas e entidades outras que, no presente, lutam pela organização bibliográfica e
documentológica, destacando-se em primeiro lugar em nosso
país o Ins tituto Brasile iro de Bibliografia e Documentaçã o.
:i;Jsses objetivos eram:
a)

b)
c)
d)
e)

permutas internacionais;
organização, segundo o sistem a de classificação decimal
e por meio de fichas, do repertório bibliográfico bra."""
1
sileiro;
I
impressão dessas fichas para serem postas à venda; ,
organização do catálogo coletivo das biblioteca s brasileiras;
uso público dos repertór ios e do catálogo coletivo.

Vários decretos reestruturaram o Curso de Biblioteconom1a
da Biblioteca Nacional, permitindo àquela Instituição acompanhar os progressos da ciência biblioteconômica. Cronolàg icamente podemos citar.
15 . 596, de 2 de agôsto de 1922; 15 . 670, de 6 de setembro de
1922; 20. 673, de 17 de dezembro de 1931; 6. 4440 e 15. 395, de
27 de abril de 1944 e, finalmente, o de número 550, de l.º de
fevereiro de 1962.
Investigações realizadas para a organização dêste trabalho,
determinaram a situação do ensino da biblioteconomia neste
15

�ano, quando se comemora o cinqüentenário de sua implantação em nosso país. O levantamento revelou a existência de
14 escolas em funcionamento, 4 escolas extintas e cursos de
aperfeiçoamento.
A res1,lização de um Simpósio, que terá lugar em novembro
próximo, na Biblioteca Nacional, é oportuna e concretizará as
med'idas propostas pela FEBAB, transformadas nas Resoluções 71-75, do IV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação .
Bôlsas de Estudos - Desde a sua fundação os Cursos da
Biblioteca Nacional ofereceram 80 bôlsas de estudos a candidatos da Guanabara e de outros Estados, o que permitiu a difusão do ensino da biblioteconomia.
1.2 -

S Ã O PAULO E A BIBLIOTECONOMIA

Em 1929, instalou-se no Mackenzie College, hoje Universidade, um curso elementar de biblioteconomia, orientado pela
bibliotecária americana Mrs. Dorothy Muriel Gedds Gropp a
quem r everenciamos, fazendo constar n este tra ba lho a fotog rafia que nos foi ofertada por ocasião de nossa visita aos E st a dos Unidos da América do Norte, quando, comov idam en te,
t ivemos o prazer de conhecer a person agem que aparece em
tod'o s os histór icos da biblioteconomia brasileira e que a in da
hoje empresta o melhor de seu s serviços à "Meter ological and
G eoastrophysical Abstracts", em V.Tashing ton .
A 23 de janeiro de 1930, a impren sa pa ulista anunciou a organização de um curso, sob os a uspícios do Instituto H istórico
e Geográfico de São Paulo, que contou com a direção do
Dr. Eurico Daria de Ara ujo Goes, primeiro diretor da Bib:Joteca Municipal de São Paulo.
Estava, assim, criado o clima favorável à fundação de um
i:!Urso regular de biblioteconomia, que viria a ser instalado pelo
Departamento de Cultura da P r efeitura do Município de São
Paulo, atendendo às exigências do Art. 194, letra e do Ato
1.146, de 4 de julho de 1936 .
Essa iniciativa, que deu cunho oficial ao ens ino da bil?_lioteconomia em nosso E stado, é devida ao então Prefeito Dr.
'.Fábio da Silva Prado. Complementando tão a certada medida, êle convidou os bibliotecários Rubens Borba Alves de Moraes e Adelpha Silva R. de Figueiredo para dirig ir o Curso.
A êsses profissionais se deve, não só a formação dos primeiros
técnicos em São Paulo, mas a implantação de uma biblioteconomia nova, sendo a Biblioteca Municipal de São Paulo o laboratório onde puderam treinar muitas gerações de bibliotecários e provar quanto é benéfico um acervo organizado a
serviço d a coletividade.
O curso foi saudado com expectativa confiante por todos
aquêles que se dedicavam ao mister de cuidar das bibliotecas

16

�paulistas e o grande interêsse despertado por êle nos é comprovado pelo número de matrículas que, em maio de 1937,
atingiu a 215. Dêsse elevado número, somente 59 alunos concluíram o curso e receberam seus diplomas e m 20 de -dezembro ele 1938.
1.2.1 -

EXTINÇÃO DO CURSO DA PREFEITURA
DE SÃO PAULO

Em 1939 foi cancelada a subvenção dada ao cu rso pela Prefeitura e , em seguida, suprimido pelo en tão Prefeito Francisco
P restes Maia. Foi essa, verdadeiramente, a grande dificuldade
q u e tiveram de enfrentar seu s dirigentes para continua r n 3
luta pela form ação de bibliotecários. Não desanima ram, porém, e e n contrando o apoio da E scola de Sociologia e Po:ítica
ele São Paulo a li reins ta la ram o curso em maio de 1940, n c
E difício da Escola Alvares Penteado, no L a rgo de São Francisco. Nesse local ê le funcio n ou até 28 de outubro de 1954,
qua nd o se mudou para a Rua General Jardim, 522.
De 1943 a 1959 a Escola de B iblioteconomia de São Pauh
foi di rigida pelo bibliotecário Francisco J osé de Almeida Azevedo a quem cou be solucionar inúmeros problemas para a
sobrevivência daquela casa de en si no.
1 .2 .2 -

SUBVENÇÃO DA ROCKEFELLER
FOUNDATION

Graças à s ubvenção de USS 27,500 (vinte e sete mil e quinhentos dóla r es) oferecida pela Rockefeller Foundation pôde
a escola a mpliar seu progra ma d e atividades de 1943 a 1943.
Dura nte êsse per íodo a escola ofereceu nove bôlsas d e
estu dos a in teressados de outros Estados. Muitos dêles, ao regressare m, fu ndaram escolas que h oje fazem parte de un iversidades. Fora m bolsistas da escola de São Paulo os seguin tes
bibliotecários:
1 2 3 -

4
5
6
7
8
8

-

Bernardette Sinay Neves - Bahia
Elza Lyrio de Mello - Bahia
Maria de Lou rdes S. Neves - Bahia
Etelvina Lima - Minas Ger ais
Eudoxia Gomes - Minas Gerais
Milton Ferreira de Mello - Pernambuco
Angela da Costa Franco - Rio Grande do Sul
Irene Inelde - Pirajuí - São Paulo
Maria Velludo - Ribeirão Preto - São Paulo

17

�2 -

CURR1CULOS

Através dos anos, os currículos sofreram alterações, tanto
no que se referem ao número de anos, como o de matérias
ministradas. Sua evolução pode ser observad'a no trabalho
apresentad'o ao IV Congresso Brasileiro de Bibliotecon omia e
Documentação pelo Prof. Antônio Caetano Dias: "Tendências
modernas do Currículo no Ensino da Biblioteconomia".
Atendendo aos insistentes reclamos da classe, o Ministro da
Educação e Cultura, Professor Clóvis Salgado, em Portaria
n. 0 20, de 15 de janeiro d'e 1959, nomeou uma comissão para
estudar a matéria. O ano inteiro os bibliotecários de todo o
Brasil esperaram ansiosos pela reunião da comissão, o que
somente se verificou a 4 de dezembro daquele ano. Substituídos algun s membros do grupo, êle ficou assim constituído:
Abner Lellis Corrêa Vicentini
Antonio Caetano Dias
Bernadette Sinay Neves
Celso Cunha
Cordelia Robalinho de Oliveira Cavalcanti
Edson N ery d'a Fonseca
Etelvina Lima
Felisbela Liberato de Mattos Carvalho
Flavia R. Accioli Prado
Lydia de Queiroz Sambaquy
Maria Antonieta de Mesquita Barros
Maria Luísa Monteiro da Cunha
Noemia Lentino
Zenaira Garcia Márquez
Depois de transitar pela Biblioteca Nacional e pelo Ministério da Educação e Cultura o anteprojeto, apresentado pela
comissão, seguiu para o arquivo. Não era essa a primeira vez
que tal medida frustrava as justas pretensões dos bibliotecários. Entretanto, êles já estavam conscientes de seus direitos
e os fizeram respeitar através de uma lei que, transitando no
Congresso Nacional de 12 de dezembro de 1958 a 21 de junho
de 1962, foi promulgada a 30 daquele mês. A L ei 4 . 084/ 62,
conhecida nos meios profissionais como LEI ROG:1!: FERREIRA, foi regulamentada pelo Decreto n.0 56 . 725, de 16 de
agôsto de 1965. Está, assim, definitivamente, garantido o exercício profissional aos que possuem diploma d'e curso regular.
A lei não reconhece os cursos intensivos e exige revalidação
de diplomas, conseguidos em escolas estrangeirai::. O decreto
18

�recentemente assinado criou o Conselho Federal de Bibliot~onomia, possibilitando a formação dos Regionais para a fiscalização profissional.
Até 1962 não havia um currículo mínimo obrigatório para
as escolas de bibliot€conomia. Isto foi conseguido graças à iniciativa do Professor Durmeval Trigueiro Mendes, que, sendo
na época o diretor do Ensino Superior, do Ministério da Educação e Cultura, nomeou uma comissão para tratar da matéria. Satisfez a velha aspiração da classe e cumpriu o disposto
no Art. 4. 0 da Lei 4.084/ 62. Fizeram parte dêsse grupo de
estudo os seguintes bibliotecários:
Abner Lellis Corrêa Vicentini
Cordelia Robalinho de Oliveira Cavalcanti
Edson N ery da Fonseca
Ete lvina Lima
Nancy Westefallen Corrêa
Sully Brodbeck
Zilda Machado Taveira
Depois de muitos debates a comissão apresentou o trabalho,
que foi modificado por Resolução do Conselho Federal de
Educação, em 16 de novembro de 1962, homologada em 4 de
dezembro do mesmo a no. Ficou, assim, disciplinada a m atéria
em todo o Brasil.
Muitas escolas não estão satisfeitas com o currículo mínimo, por acharem excessivo o número de matérias culturais
em um plano de estudo, destinado à formação de técnicos.
Cremos, entretanto, um pouco exagerada essa afirmação, uma
vez que, durante anos, a lguns bibliotecários e pessoas interessadas nessa ciência, criticaram o regime reinante de forma~·,
segundo diziam, " fazedores de fichinhas". No estudo apresentado ao Conselho Federal de Educação, a comissão enfatizou a necessidade de melhor formação cultural do bibliotecádo.
A partir de 1963 tiveram as escolas que modificar os seus
p rogramas, incluindo matérias exigidas pelo Conselho Federal
d e Educação. Entretanto, elas não se limitam a ministrar as
m atérias obrigatórias. Os currículos das escolas incluem outras disciplinas, segundo as exigências do meio onde se situam
ou mesmo decisão dos Conselhos Departamentais das Universiidades. Esta liberdade de ação lhes é garantida pela Lei n. 0
4. 024, de 20 de dezembro de 1961 DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. No caso em pauta, seria
conven iente normalizar a nomenclatura das matérias e disciplinas ministradas. Não se cuida de padronizar currículos, mas
procurar uma linguagem comum para tratar o mesmo assunto. A seguir ilustramos em grupos as matérias do currículo
mínimo com suas variações de nomenclatura. Em quadros

19

�anexos 2, 3 e 4 procuramos dar uma v1sao geral da distribuição das disciplinas nas séries dos cursos.
Seria, igualmente, necessária a coincidência das matérias,
constantes do currículo mínimo, nas três séries do curso, visando facilitar a transferência de alunos de uma para outra
escola do país e, também, para uma formação mais adequada
às nossas necessidades. Algumas escolas ministram as matérias de integração cultural nos primeiros anos do curso, outras dão preferência às técnicas, fazendo a integração cultural
no seu término. Tal divergência pode criar dificuldades de
assimilação do conhecimento técnico, provocando certa insE:gurança do recém-diplomado ao enfrentar os problemas da
vida profissional. Ao nosso ver, em alguns casos, falta melhor
entrosamento das matérias para que sejam abolidas as dificu ldades.

20

�CURRÍCULO MlNIMO DE BIBLIOTECONOMIA, APRESENTADO PELA COMISSAO DESIGN ADA PELA DIRETORIA
DO ENSINO SUPERIOR

1 2 3 1 -

1.1

CURSO DE GRADUAÇÃO
CURSO DE PóS-GRADUAÇÃO
CURSO DE DOUTORADO
CURSO DE GRADUAÇÃO

-

O Curso de Graduação com a duração mínima de 6
(seis) semestres destina-se a formar bibliotecários e
documentalistas.
1. 2
O ingresso no Curso de Graduação far-se-á mediante
aprovação em concurso de habilitação.
l. 2 .1 Ao concurso de habilitação só serão admitidos o.s
portadores de certificado de conclusão do ciclo colegial completo, ou equivalente, de acôrdo com a legislação em vigor.
1 . 2. 2 - O concu rso de habilitação con stará de provas d:is
seguintes d isciplinas:
a) Língua portuguêsa
b) Literaturas brasileira e portuguêsa
c) Língua inglêsa
d) Outra língua a escolher entre o alemão, o francês e o italiano
e) História Geral e do Brasil
1. 3
O Curso de Graduação .terá as seguintes disciplinas
obrigatórias:
a) Bibliografia
b) Catalogação
c) Classificação
d) Documentação
e) História da Arte
f) História da Ciência e da Tecnologia
g) História da Literatura
h) His tória do Livro e das Bibliotecas
i) Introdução à Filosofia
j) Introdução às Ciências Sociais
k) Organização e Administração das Bibliotecas e
Serviços de Documentação
1) Referência
m) Seleção de Livros
1.4
As disciplinas poderão ser desdobradas para efeito
didático.

21

�I

1.5
1. 5. 1 -

1.5.2 1.6

-

Os regulamentos disporão sôbre o regime parcelado
ou não, a ser adotado pela Escola para a distribuição
das disciplinas.
As disciplinas Bibliografia, Catalogação, Classificação e Organização e Administração das Bibliotecas e
Serviços de Documentação serão lecionadas em 6
(seis) semestres .
A disciplina Documentação será lecionada no mínimo em 4 (quatro) semestres.
Aos concluintes do Curso de Graduação será conferido o grau de Bacharel em Biblioteconomia, condicionado à prestação de estágio minimo de 300 horas,
em biblioteca designada pela Escola .
2 -

2. 1

-

2. 2

-

2. 3

-

2 .3 . 1 -

2. 3. 2

2 . 3·: 3
22·

CURSO DE PóS-GRADUAÇAO

O Curso de Pós-Graduação, com a duração mínima
de 2 (dois) semestres destina-se a ampliar e atualizar conhecimentos técnicos de Biblioteconomia, Bibliografia e Documentação e a formar professôres
de Biblioteconomia e Documentação.
O ingresso no Curso de Pós-Graduação far-se-á mediante apresentação de diploma de conclusão do
Curso de Graduação.
O Curso de Pós-Graduação poderá ser feito em uma
das seguintes especializações: Bibliologia, Bibliotecas Infanto-Juvenis, Documentação, Bibliotecas Especializadas e Didá tica.
·
O Curso de Bibliologia terá as seguintes disciplinas
obrigatórias:
a) Patologia do Livro
b) Artes Gráficas
c) Encadernação e Restauração de Material Bibliográfico
d) História do Livro
e) Paleografia
f) Iconografia
g) Crítica de textos
O Curso de Bibliotecas Infanto-Juvenis terá as seguintes disciplinas obrigatórias:
a) Psicologia Infantil e do Adolescente
b) Literatura Infantil e Juvenil
e) Organização e Administração de Bibliotecas Infanta-Juvenis e Escolares
d) A Bibliografia e Referência em Bibliotecas Escolares
e) Atividades em Grupo
O Our:so •de, Documentação e Bibliotecas.. Especializadas terá as seguintes disciplinas obrigatórias:

�a)
b)
e)
d)
e)

2 . 3. 4 2.5

-

2. 6

Normalização
Catalogação Especializada
Classificação Decimal Universal
Técnica de Indexação e Resumos
Pesquisa Bibliográfica
f) Armazenagem e Recuperação de Informaçõe3
g) Organização e Administração de Bibliotec·a s Especializadas e Serviços de Documentação
h) Reprodução de Documentos
i) Teoria d a Informação e Cibernética
As disciplinas d"o Curso de Pós-Graduação poderão
ser desdobradas para efeito d idático.
Os regulamentos disporão sôbre o regime parcelado
ou não, a ser adotado pela Escola para a distribu ição das disciplinas.
Ao concluinte do Curso de Pós-Graduação será conferido o grau de Licenciado na especialização escolhida .
3 -

3. 1
3 .2
3 .3

-

CURSO DE DOUTORADO

As Escolas de Biblioteconomia poderão promover, na
medida de suas possibilidades, Cursos de Doutorado.
O ingresso nos Cursos de Doutorado é privativo dos
licenciados em Curso de Pós-Graduação.
O grau de Doutor em Biblioteconomia será conferido ao concluinte do Curso de Doutorado q1,1e apresentar e defender tese, de acôrdo com as formalidades legais.
JUSTIFICAÇÃO

O en sino da Biblioteconom ia está em crise . Contando m eio
século de existê ncia (o primeiro cur·so desta especialização foi
fund ado pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1911)
o ens ino da Biblioteconomia deixou de ser eminentemente erud ito para torna r-se, no decorrer dos anos, exclusivamente técnico . Disto resultou um visível r ebaixamento do nível do bibliotecário, reduzido a produzir fichas e a ordenar livros nas
es tantes, sem pa rticipar das responsabilidades de direção das
bibliotecas que estão a reclamar, em escala crescente, a orientação de pessoas tecnicamente habilitadas .
O extraordinário desenvolvimento da ciência e da tecnolog ia teve como conseqü ência um aumento vertiginoso d'a produção de documentos. f:ste já se constituiu num dos problemas crucia is do estudioso moderno, sem tempo para tomar
conhecimento de tudo o que se divulga no setor de seu interêsse. Em "MISióN DEL BIBLIOTECARIO", Ortega y Gasset analisou magistralmente êste problema, propondo uma fun-

�ção mais elevada para o Bibliotecário; a de intermediário entre
o mundo dos leitores e o mundo dos livros. Para isto, há que
dar ao Bibliotecário uma formação condigna, ao mesmo tempo
cultural e técnica . Há que preparar bibliotecários capazes de
organizar e dirigir bibliotecas e serviços de documentação, selecionar material bibliográfico altamente especializado, redigir resumos de trabalhos científicos, realizar pesquisas b ibliográficas, orientar leitores, lidar com processos eletrônicos de
armazenagem e recuperação de informações . Vê-se cla ra mente que, na formação do bibliotecário, as disciplinas cultu rais
são tão instrumentais quanto as técnicas.
A reforma que ora apresentamos ao Conselho F ederal d t:Educação foi inspirada por esta preocupação .

�3 -

CURR1CULO M1NIMO DO CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA

PARECER N.0 326
Aprovado
em 16-11-1962
Homologado em 4-12-1962
RESOLUÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO

Fixa o currículo mínimo e determina a duração do curso de
Biblioteconomia.

O Conselho F'ederal de Educação, tendo em vista o disposto
nos artigos 9. 0 (alínea e ) e 70 da Lei de Diretrizes e Bases e
apreciando o Parecer n .0 326/62.
RESOLVE:
Art. l.º L
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.

O currículo mínimo do Curso de Biblioteconomia compreenderã as seguintes matérias:
História do Livro e das Bibliotecas
História da Literatura
História da Arte
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
Organização e Administração de Bibliotecas
Catalogação e Classificação
Bibliografia e Referência
Documentação
Paleografia

Art. 2.0

-

A duração do curso será de três anos letivos.

Art. 3.0

-

É

obrigatória a observância dos arts. 1.0 é
2. a partir do ano letivo de 1963.
0

(a)

Deollndo Couto, Presidente

26

�3 .1 -

MATltRIAS DO CURRICULO MINIMO E SUAS
VARIAÇÕES DE N OMENCLATURA

1.
l .1
1.2
2.
2 .1
2. 2
2. 3

HISTóRIA DO LIVRO E DAS BIBLIOTECAS
História do Livro
História das Bibliotecas
HISTORIA DA LITERATURA
História da Literatura Geral
Literatura U niversal
Literatura e Bibliografia Literária

3.
3. 1
3. 2

HISTORIA DA ARTE
Cultura Artística
Introdução à Cultura Artística

4.

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTORICOS E
SOCIAIS
Introdução à Cultura Histórica e Sociológica
Introdução à História e Sociologia
Introdução à Cultura Histórica
Introdução às Ciências Sociais

4 .1

4.2
4. 3

4. 4

5.
5.1
5.2

5.3
5.4
5.5
5 .6

6.
6.1
6.2

6 .3
6.4

6.5
6.6
6.7

6.8

2'.

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSOFICO E
CIENT1FICO
Cultura Científica
Cultura Filosófica
Introdução ao Pensamento Filosófico
Introdução ao Pensamento Filosófico e Científico
Introdução à Cultura Filosófica
Introdução à Cultura Científica
ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE
BIBLIOTECAS
Administração
Administração de Bibliotecas
Administração Geral
Introdução à Administração
Organização
Organização de Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas Especializadas
Teoria da Organização e Administração de Bibliotwas

�7.
CATALOGAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
7 .1 Catalogação de Material Especializado
7 . 2 Catalogação Especializada
7. 3 Catalogação e Classificação de Materiais Especia~
7 . 4 Catalogação e Classificação de Material Especializado
7 .5 C. D. U.
7. 6 Classificação Decimal
7. 7 Classificação Especializada
7. 8 Introdução à Catalogação e Classificação
8.
8.1
8. 2
8. 3
8. 4

BIBLIOGRAFIA E REFER:Ê:NCIA
Bibliografia Especializada
Bibliografia Geral
Bibliografia Geral e Referência
Técnica do Serviço de Referência

9.
9. 1
9. 2
9. 3
9. 4

DOCUMENTAÇÃO
Documentação em Ciências e Tecnologia
Documentação em Farmácia e Medicina
Organização e Técnica de Documentação
Organização de Bibliotecas e Centros de Documentação
Reprodução d'e Documentos
Reprografia

9. 5
9. 6
10 .

PALEOGRAFIA

3.2 -

MATÉRIAS EXTRAS CURR1CULO MÍNIMO E
SUAS V ARIAÇõES DE NOMENCLATURA

1.
2.
3.
4.
5.
5 .1
5 .2

CULTURA RELIGIOSA
DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA
ENCADERNAÇÃO
ÉTICA PROFISSIONAL
HISTóRIA DA LITERATURA BRASILEIRA
História da Literatura Brasileira e Portuguêsa
Literatura Brasileira

6.
6.1
6.2
6 .3
6.4
6.5

LíNGUAS
Alemã
Espanhola
Francesa
Inglêsa
Italiana

7.
:· ·· ·8 .
8.1
,_. 8 . 2

ORGANIZAÇÃO DO TRABAI.;HO INTELECTUAL
PSICOLOGIA E RELAÇÕES Pú]?LICAS
Introdução à Psicolo·g ia
·
... ·
Psicologia das Relações Humanas
·. ~ · ·

27

�8. 3
8. 4
8. 5
8. 6

Psicologia das Relações Públicas
Relações Humanas
Relações Públicas
Relações Públicas e Ética Profissional

9.
9 .1
9. 2
9. 3
9. 4
9. 5

SELEÇÃO
Seleção
Seleção de
Seleção de
Seleção de
Seleção de
4 -

DE MATERIAL BIBLIOGRAFICO
Livros
Livros e Bibliografia Especializada
Livros e Orientação de Leitura
Material Bibliográfico e Áudio-Visual

POPULAÇÃO E BIBLIOTECARIOS

Durante os últimos quinze anos a população do Brasil passou de 51. 944. 000 para 82 . 222. 000 habitantes e a de São
Paulo de 2.198.096 para 4.981 . 000.
É evidente que essa expansão demográfica, ao lado do d esejo generalizado de mudança e progresso aumentaram a necessidade de pessoal técnico em todos os setores de atividade:;
e, entre êles, o da biblioteconomia. Já se ressente o país da
falta de bibliotecários, para apressar e racionalizar o processo
de desenvolvimento de suas bibliotecas. As escolas existentes
formam, anualmente, em média, 400 bibliotecários, número
insuficiente para atender às necessidades do momento. Seria
difícil, entretanto, projetar-se a carência de bibliotecários para
os próximos anos, pois, previsões neste terreno são problemáticas, uma vez que novas escolas devem ser fundadas e m a iores verbas devem ser consignadas às existentes.
Em 1954 contava o Brasil com 1.805 bibliotecários lega lmente habilitados; atualmente existem 4 . 132, cujos diploma~
foram conferidos pelas seguintes escolas:
1 2 3 4 5 6 7 8 28

Escola de Bibliotecários e Documentalistas da
Fundação Desembargador "Alvaro Clemente tle
Oliveira" . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
O
Escola de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal da Bahia . . . . . . . . . . . . . .
1:39
Faculdade de Biblioteconomia da Universidade
Nacional de Brasília . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
O
Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal do Ceará . . . . . . . . . . . . . . .
O
Cursos de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional 1. 020
Escola de Biblioteconomia e Documentação Santa úrsula, da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
65
Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
172
Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Pará . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
O

�9 10 11 12 13 14 -

Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal do Paraná ...... ..... .. .
Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal de Pernambuco ..... ... .
Escola de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul .. .
Escola de Biblioteconomia de São Paulo . .. .. .
Faculdade de Biblioteconomia da Universidade
Católica de Campinas .. ............... .. .. . .
Escola de Biblioteconomia e Documentação de
São Carlos .......... ... .. . ........ . ... .... .

130
160

21';

24

ESCOLAS EXTINTAS
15
16
17 18 19 -

E scola de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia Sedes Sapientiae . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Escola de Biblioteconomia da Prefeitura do Recife
E scola de Biblioteconomia Nossa Senhora de Sion
Curso de Biblioteconomia do Instituto de Educação Caetano de Campos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Curso de Biblioteconomia da Prefeitura do Mun icípio de São Paulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

306
17
22
25
58

Vivíamos em um círculo vicioso até 1962. As escolas forn eciam ao mercado de trabalho um número reduzido d e bibliotecários e os jovens não procuravam os cursos porque os diDlomas, conferidos por êles, não eram reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura. Essa situação mud9u e podemos verificar, atr avés dos dados fornecidos pelas escolas, que
o número de ma trículas a umentou consideràvelmente êste ano
ele 1965. (Ver quadro 1).
5 -

SUGESTÕES PARA UM PROGRAMA

A habilitação de bibliotecários deve ser feita , fundamenta lm ente, em a lgumas de nossas trinta e oito universidades .
Antes de tudo, o problema consiste em identificar, no conjunto ct·elas, as que, por sua localização, organização e faci lidades,
possam ser tomadas com prioridade para a realização dêsse
plano.
Como os problemas da educação em geral e o da formação
de técnicos em particular, são partes integrantes de outros
problemas, para cuja solução as verbas consignadas em orçamentos se apresentam escassas, as novas dotações para o setor
de biblioteconomia deveriam ser feitas à luz de uma política
de prioridade, baseada no maior rendimento. Inicialmente, o
esfôrço deveria consistir em selecion ar duas universidades de
cada Região, para funcionarem como instituições capazes de
cobrir as necessid"a des de bibliotecários.
2!J

�Dentro dessa linha de ação o que pretendemos destacar é a
necessidade de selecionar e reforçar as verbas destinadas a
projetar e promover um programa gradual de formação de
bibliotecários.
O treinamento do potencial humano é fator necessário e indispensável. Possuímos quatorze Escolas de Biblioteconomia
localizadas na Capital da República e em nove Estados, a saber: Bahia, Brasília, Ceará, Guanabara, Minas Gerais, Pará,
Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. A maioria dessas instituições está necessitando de melhores instalações, assim como de equipamentos, que possam assegurar o
desenvolvimento dos programas estabelecidos.
Existem, ainda, outros elementos a exigirem pronta solução.
Entre êles, podemos citar:
a) improvisação de professôres;
b) falta de especialização em nível de pós-graduado;
c) magistério sob a forma de tempo parcial o que torna
grande a distância entre professôres e alunos e o ensino inadequado às necessidades de um processo pedagógico moderno. É sabido que os professôres, quase
sempre, vivem sobrecarregados de afazeres, sem tempo
para o indispensável convívio com os alunos;
d) hiato entre a escola e a comunidade, motivo por que
deve ser condição precípua dos cursos, atualizarem-se
quanto aos problemas das bibliotecas do meio ond'e se
situam;
e) condições falha·s do ensino teórico, a fim de ser resolvido o problema dos que concluem o curso sem prática
alguma, para um trabalho imediato e produtivo na profissão que elegeram.

~

Há já um clima bastante sensível em relação a tôda essa
página negativa e existem modificações com resultados positivos. Entretanto, como isto toma tempo e exige não só dinheiro mas, especialmente, decisão firme, os resultados não
estão à altura das necessidades mais evidentes.
Devemos reconhecer, entretanto, que todo o progresso da
biblioteconomia brasileira é devido, somente, ao esfôrço da
elasse. Segundo a opinião de muitos bibliotecários ela não tem,
ainda, uma situação ideal, mas caminhamos para isso, pois, é
qualidade precípua do bibliotecário procurar a perfeição
profissional.

�l\ \

CURSOS, ESCOLAS E FACULDADES DE BIBLIOTECONOMIA INSCRITOS

NÚMERO DE ALUNOS
1962

1963

1964

1965

-

--

--

10

123

136

13!)

5

11

39

--

--

20

1 Escola de Bibliotecários e Documentalistas

Bahia

2 Escola de Biblioteconomia e Documentação

Bahia

3 Faculdade de Biblioteconomia

Brasília

4 Curso de Biblioteconomia e Documentação

Ceará

5 Curso da Biblioteca Nacional

Guanabara

88

65

98

!]4

6 Escola de Biblioteconomia e Documentação Sta. úrsula

Guanabara

42

34

31

41

7 Curso de Biblioteconomia

Minas Gerais

40

44

50

75

8 Curso de Biblioteconomia

Pará

--

--

17

51

9 Curso de Biblioteconomia e Documentação

Paraná

20

35

37

40

10 Curso de Biblioteconomia e Documentação

Pernambuco

23

41

57

106

11 Escola de Bibliotec,momia e Documentação

Rio Grande do Sul

99

109

126

119

12 Escola de Biblioteconomia de São Paulo

São Paulo

67

63

92

118

13 Faculdade de Biblioteconomia

Campinas

26

29

26

33

14 Escola de Biblioteconomia e Documentação

São Carlos

12

21

36

38

95

-

�NOMENCLATURA DE MAnRIAS E DISCIPLINAS ENSINADAS
Cursos, Escolas e Faculdades

....ro

ro
...
::s
C1l cn
..a ...

ti)

cd ......

cd

....

;=:l
cn
Ct)

- PRIMEIRO ANO ·

...
QJ

ó

(\lo
s:: C1l

~

§

ti)

cu .,
::s s::
ó ro

;..,

oe.,
::s
.o

ro

s::

.8

lil
p..

~

Cf.l

'3
U)
o

"Ó
Q)

o
.::sC1l

"O

p..

ro
se,

o

s::

e!&gt;

•&lt;li

U)

o ro
(1)
.....

::s
s::
ct! ._

P.. p..

o E:

•&lt;ll ro
Cf.l

u

S?
::s ....~
ro '-&lt;
P.. c'.3
o o

o(II o(lj

C/J

U)

o

~

X
Administração
X
:Bibliografia
X
, · .BTfiliografia e Referência
1.
~~
~ 'K 1
).:(
~
---------+--C~bliografia Geral
1 ...
1
1
Bibliografia Geral e Referência
),."
x )( &gt;t
Catalogaçao
X
)(
)&lt;
X
.;1---C=a_t_a_lo.,::g::....a..::ç_ã_o_e_C_la_s_s_if_ic_a...:ç::....ã_o_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _--ll~- --1----1------1---+---+l_'&gt;&lt;_-+--t----+--:--+---,--t----+---i---~-~
. Classificação
~ -1--)'-'(--'-_-r..,,__+--&gt;c_ _ _ _....._ _ 'i.
Jr ~ ')'.. ~
,
Cultura Religiosa
1
Doutrina Social da Igreja
r--E..,.v_o_,1u_ç..,..ã_o_d_o__
Pe_n_sa_m_e_n_to_FI_1_.1o_s_o_,f_1c_o_e_C_1e_n_1t_if_1_c_o_ _ _ _--..i_.- - - - 1_ _4--"l.::.}'_-1-------1-----+----;---1-----1--k-'---l-----+---.1-----+-Historia da Arte
"f"'
'\,\. ~
História da Literatura
"i-,
'1-,.
História da Literatura Brasileira
:X -;
•-,H~1==·s7to?,r:;i-:a-d-;-a:---.,L,-::i7te:-r:-:a:--:::t-:-:u-=ra::--;G:::;e:-:r::-:a~l-------------+--~---l---+---1----!---~--l--_;!---l---l----l!---+~:.....J~--J

l---:~r------~_-_-;_-_-_-_-~.J,_-_-....-----.. . . ----....___
r~

--

!

+

+

~

L

ttistona do Livro
j rt1stona do Livro e ctas H1bl1otecas
--ri1troduçao a Admm1straçao
Introdução à Biblioteconomia
Intródução a Catalogaçao e Classlflcaçao
o\-l
1
t--=-In_t_r_o....,d_u..::.ç__
ão_à,--C__u_l_tu_r_a_Ar
___t_ís....,t_ic_a_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _-J._-+---1---1---~--l----&lt;•----L--:I - - 1 - - + - - -~·-:1-,,...,--'-·- - - ~ - - - Introdução à Cultura Histórica
•r
""'
\l.____:..::I~nit::1~·.:.o~d-: . :=u:. :~.ã:çE.:.: .:º~~a~o:.: :s. '.:. . : .: E;sit~u~d~o'. '.:'.s. : :. . :.=:H:~1:.:s~t::c:.:
· ·.:.r.: : 1~·~c;;o'. '_.:'.s_:_e;;s;;o;;c;;ia;;is;;:::::::::::::~t:~
~'.::."-_-+1---_-_-_~f--;~-;~-~:-_~---_J~---_~--l+l----_-_--t+--_-:_-_-i+_-_-_-_-_+_-_-_-_-tr_-=-~. •. ...:_=1;-;;~-:,,---i,1·:- __•_____ ,
1
Língua Espanhola
V.
')&lt;
Língua Francesa ou Alemã
l
Lmg:.ia Ing!êsa
~
)t
)(
l
l
l---,L,-,1~n-=g-u-a7 l,.,. ta..::;llr.-a
i _n_a----- - - -- - - - -- - ---f..~..:....-1---.!....:..-+--+~x:..:.._-+----l----+--+---+---;----,---í---·1- - · Literatura Brasileira e Portuguêsa
J_~
-.,,.-L'°it;:-:e:-::r-:-a7tu-=-r:-a:--:e---,,.,B~ib
;-li-ei-:-o-g_:r--a~f,..ia~Lr'.1;:;-.t-:-eo-r-a!".r:?i-a------------t--+--t--~--3---~--+---l----+---l--+------t--,,_.A-~r - L _
Ü:rgan:zaçao

C

U r gam zaçã_? de Bibliotecas
Organização do Trabalho Intelectual

•)',.-.

1

){

·- --

~

}(

P sicologia das Relações Humanas
-i:f.êi:"erência
·•·u•-Re:i'erência e Bibliografia
Técnica do Service de Referência
Teoria da Organização e Administração de Bibliotecas
--·------------------------..Jb.-...J._,,....,Ji__,L---..1---L---!.--.1.....--l..--!.-_J._ _1 - _ - 1 , - _ - L - _ . . J I
Qitadro II

�NOMENCLATURA DE MATÉRIAS E DISCIPLINAS ENSINADAS
Cursos, Escolas e faculdades

-

....

::,

CII

s::

....
o

o
CII •ro
.... c.r
..C: CII

CII -O

i::Q

- SEGUNDO ANO -

s::

&amp;!

CV
"O

rcs

CII "O

•"""4 .,...

.e:
CII

&lt;li

~.;e:

1-t

....
::;::::
CII

•CI!

~
,_.

CII

i::Q

~

,_.
(1)

u

CII CJ
s-, CII
CIIZ

..e
cU

s::
cU
::s

cU

()

(1)

d...,o

....

-....

C/)

rc,-

....cn

Cll'D

t
e.:,

•cU

cn

e..

CII

::S
C11 cn
.D ,_.
s-,

s::
cU
CII +-&gt;
::s s::

t)c-.l

C/)

..e

o(.J

CII

CII

....s::

•CII
s-,

(li

"O

s

"O

s::

.D

'"'

(li

cU

&lt;li

Q..

QJ

s::

s::cU

QJ

e.:,

'"'

ll.

~

o

::s

s-,

o

o

o cn

p...

CII
::s
s::
CII ....

p... p.

-º
::lÍ:
cu

o

º eCII
•CII

o o
IC\l 1(11

'"3cU

-

til

(li

p...

u

~

Cl)Ü

~

X

,)(

~

,.e

)C.

C/l C/)

o

ii:

ÇQ

1

Administração de Bibliotecas
Bibliografia
Biblioirrafia e Referência
Bibliografia Especializada
catalogaçao
Catalogação e Classificação
Classificação
Cultura Religiosa
Documentação
Doutrina Social da Igreja
Encadernação
História da Arte
História da Literatura
História do Livro
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução à Cultura Histórica e Sociológica
Introdução à Psicologia
Introdução ao Pensamento Filosófico e Científico
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Introdução às Ciências Sociais
Língua Francesa ou Alemã
Lmgua Inglesa
Literatura e Bibliografia Literaria
Literatura Universal
Organização
Organização de Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas Especializadas
Onianizacão e Técnica da Documentação
Psicologia das Relações Humanas
Psicologia das Relações Públicas
Referência
Seleção de Livros

)(
~

)(

)(
~

)(
~

~

)(

~

~

X

)(

)(

)(

)(

)(

)C'

&gt;&lt;

)(

)(

X

X

~

-,t.

~

)(-

')(

-,t.

~

)(.

)(

-)1(_

)(

)(

~

)&lt;
)(.

&gt;(

)('

)(

)(

)(

)(

k

')C.

)(

~

)(
)(

&gt;'.

)(.

&gt;&lt;

)e

)(
1

)(

\

')(

)(

&gt;&lt;

&gt;&lt;

'

)(

X

.)(

"\-

)(

i

~

)(

1

1

&gt;&lt;

X

&gt;e

&gt;&lt;

)(
%

"A.

""
')(

-1-

)(

'),(

)(

)(

,,_

')C

X

'&lt;
~
Quadro IH

1

�NOMENCLATURA DE MAT:tRIAS

E DISCIPLINAS ENSINADAS

Cursos, Escolas e Faculdades

.....C1l

.....::s

i::

o

- TERCEIRO ANO -

&lt;1l '&lt;1l

a.,
'O

·-

C1l

C1l

.....
.......
.....
cn

C1l

-o

C1l

._.
til
-o ..e:
C1l J..

·
t.,,
..e:- C1l
C1l

p::i i:::
:,
~

C1l

~ ~

J..

·a

~

~

.....o

J..&lt;

•C1l

J..&lt;
C1l

(1)

u

C)

C1l

roZ

..e

ro

i:: ro

C1l CJ

::s

QJ

e.')+-'
o
.......

·-

'C/)

til

C1l
&lt;1l-

·@

til

QJ

J..&lt;
&lt;ll

..0

::S

J..&lt;

J..&lt;

•ro

()

ro ·~
i:: ro
i::

•CC!

i::

ro

J..&lt;

J..

~

C1l ....

::s

oC)

111

i::

'O

s

'O

QJ

C1l

ro

i::

111

o..

s;:.

o

C1l
J..

:...
(1)

•CC!

C/)

()

111

o

o

til

1
t/l

-º
::s i::

'"::!
..., C1l
e

C1l c:u
o..C1l ·-o. o..u

o E
C1l

o o

~u

tC'il 1CiS

C/l (/]

o

,.D

ii:i
Administração Geral
Biblio_grafia
Bibliografia Especializada
Cataloirncão
Catalo!lacão de Material Especializado
Catalogação e Classificaçao
Cataloe-ação e Classificação de Materiais Especiais
Cataloe-acão e Classificação de Material t;speciallzacto
Catalof!acão Especializada
Classificação
Classificacão Esoecializada
Documentacão
Documentação em Ciências e T ecnoloRi&amp;
Documentacão em Farmácia e Medicina
Doutrina Social da I r:rreia
Encadernacão

..8
::s
ro

,o

C1l

~

() C1l
C/)

o

::s

~

X
X

)&lt;.
~

"'f-.

X
~

&gt;&lt;

)(.

X

X
~

:,e.
X

)&lt;.

X

X

')&lt;.

&gt;"-

~

X

X

"&gt;&lt;

.X

-,e..
:)(

:)(.

X

X

Y~

~

X
X

"f.'t;,.,,, Prr.f;cc;r,n,:,l

k
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
Introducão à Cultura Artística
Introdução à Cultura Científica
Introdução à Cultura Filosófica
Introducão à História e Sociologia
Introdução ao Pensamento Filosófico e Científico
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Introdução às Ciências Sociais
X
Língua Francesa ou Alemã
X
Lírnma In!!lêsa
:&gt;&lt;
Literatura Brasileira
T iteratura Brasileira e Portu P-uêsa
X
~iteratura e Bibliografia Literária
Or!!anizacão
Ori:rnnizar-::ío e Administração de Bibliotecas
Organização e Administr. de Bibliotecas e Centros de Documentaçao
·Paleog_rafia
'/..
Psicoloe-ia
Referência
Relacões Humanas
Relações Públicas e Ética Profissional
R eprodução de Documentos
Reprografia
Selecão
Selecão de Livros
Selecão de Livros e Bibliografia Especializada
)(
Seleção de Livros e Orientação de Leitura
Seleção de Material Bibliográfico
Seleção de Material Bibliografico e Aud10-v1suaJ'

x

&gt;&lt;

X

;,~

~

&gt;&lt;

X

)&lt;

)&lt;.

X

X

X

')(.

X
X

&gt;&lt;
)(

X
)(

X

X

X

X

X

x
.)(

}(

X

&gt;'

x

X

x
X

X

X

X

x

&gt;e

X

X

)(.

X

&gt;&lt;

)(
.'&gt;(

&gt;e.

X
')(

X
Quadro IV

1:

�·I

Bi blioteca N acional d o Rio ele J aneiro, fttnclacla p or D. João V I
cm 18 10 . Atuai edif ício i.•ia1lgu rado em 1910 .

�Mo.noe i Cícero P er egr ino da Siiv a, di re tor da Bib liot&lt;'ca Ncu i ona l,

·,w período d e 1901 a 1924 . co m int ervalos.

�I

D r. Et1ricn D oriet d &lt;' / \ r a-.Ljo
G o..-s. F' tm d ador e D ir c 1 or d ,1
Biblioteca Municipal de São
Paulo, d e 3-9 -1 92 5/ 26- 1l - 1935.

Rube1ts B orba Alves d e Mvraes,
Diretor da Biblioteca Mm1icipal de São Pmtlo, ele 10-12-193.i
a 4-5 -1 9 -13.

�Adelpha Silv a Rodrigue~
de FiguPiredo, Professôra da E scola de Bibiioteconomici de São P a t1lo,
ele 1938 a 1943.

Mrs .

Dorolhy
Muri el
Gropp. Ministrou o Curso Elem entar de Biblioteconomia, no M aclcenzie College, em 192 9 .

�FOI HONTEM INAU fiURADO OCURSO DE

BIBLIOTHECO:
NOMIA, NA BIBLIOTHECA NACIONAL

Um aspecto do Salão da Biblioteca Naci onal, ao ser inaugurado n
À esquerda o Dr. Co•istancio Alves, Iene!:;

Cm·so ele B i blioteconomia .
o discurso.

Primeira A1Lla da Escola de Biblioteconornia ele São Paulo, 1931

�Antigo edifíc:o da

l
Huc
B"btioleca Mtmicipa t de São Pano,
i
7 d e Abrii, 37

�H IHLI OTBCA t.1 C.StCIP!\L

... 1.ur, l Y1 J. ~": c; ::.o lr.f\.i.-nr~dv
~ Ili

25- 1-1 9,;2

B ib lioteca Municipal d e São Paulo, a l1tal Edifício
ina1igurado cm 25 -1 - 1942

��O-

CURSOS, ESCOLAS E FACULDADES DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUl\iENTAÇAO

��6. 1

NOME -

ENDERf:ÇO -

ESCOLA DE BIBLIOTECARIOS E
DOCUMENTALISTAS DA FUNDAÇÃO
DESEMBARGADOR "ALVARO CLEMENTE
DE OLIVEIRA"

Aven ida 7 de Setembro, 336
Salvador - Ba hia - B r asil

DIRETORA - Denise Fernandes Tava res
DATA DA FUNDAÇÃO - 1965
DURAÇÃO DO CURSO - 3 a nos
DEPENDf:NCIA - F u ndação Desembargador "Alvaro Clem ente de Oliveira"
TíTULO QUE OUTORGA - Bacharel em Biblioteconom ia
CONDIÇÕES DE INGRESSO - Exame vestibular
P L ANO DE ESTUDO
Bibliogra fia e Referência
Catalogação
Classificação
Docu men tação
Evolução do Pensamento Filosófico e CienLífico
História da Arte
História da L iteratu ra
História do Livro e das Bib liotecas
I ntrodu ção aos Estudos Histór icos e Sociais
I ntrodução às Ciências Sociais
Língua A lemã
Língua Espanhola
Língu a Francesa
Língu a Ing lêsa
L iteraturas Bras ileira e Portuguêsa
Organização e Administ ração de Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas Especializadas
Paleografia
Psicologia
Seleção de Livros e Bibliogr afia Especializada
PROGRAMA DE ESTUDO
1.º ANO -

Catalogação
Classificação
História do Livro e das B ibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
35

�Lfngua Espanhola
Lfngua lnglêsa
Organização e Administração de Bibliotec;.rn
Psicologia
2. 0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
História da Arte
História da Literatura
Lfngua Francesa
Lfngua Inglêsa
Organização e Administração de B ibliotecas
Especializadas

3.0 ANO

Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
Introdução às Ciências Sociais
Língua Alemã
Língua Inglêsa
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
Paleografia
Seleção de Livros e Bibliografia Especializada

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano 2.0 Ano 3.0 Ano -

1O

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - O
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - ...
PUBLICAÇõES EDITADAS - ...
CORPO DOCENTE -

36

Ana Maria Dias de Moraes
Cleonice Diva Guimarães
Denise F. Tavares
Geovana B . Monteiro
José Augusto Tavares
Leopoldo Roberto M. de Carvalho
Lindaura Alban Corugeira
Deraldo Souza

�PRO.F ESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO G. 2

NO.ME -

E_ 1 DER:Ê:ÇO -

...

ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA

Av. Araújo Pinho, 22
Salvador
Bahia - Brasil

DIRE TORA - Felisbela Liberato de Matos Carvalho
DATA DA FUNDAÇÃO - 1942
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos (1 ano opcional de especialização)
DEPENDf:NCIA - U niversidade Federal da Bahia
TíTULO QUE OUTORGA - Diploma de Bacharel em Biblioteconomia, reconhecido pelo Decreto n. 0 43.804, de 23-5-13
CONDIÇõES DE I NGRESSO Português
Inglês - optativo
Francês - optativo
História Geral
Geografia do B rnsii

E xame Vestibular

PLA O DE ESTUDO
Administração
Bibliogra fi a e R eferência
Bibliografia E specializada
Catalogação e Classificação
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História do Livro
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Língua Francesa ou Alemã
Língua Inglêsa
Literatura Brasileira
Literatura Universal
Organi:tação de Bibliotecas
Paleografia
Psicologia
Seleção

:n

�PROGRAMA DE ESTUDO
1.0 ANO -

Administração
Catalogação
Classificação
História da Literatura
História do Livro
Língua Francesa ou Alemã
Língua Inglêsa
Paleografia

2. 0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Língua Francesa ou Alemã
Língua Inglêsa
Literatura Universal
Organização de Bibliotecas

3.0 ANO -

Bibliografia Especializada
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
Língua Francesa ou Alemã
Língua Inglêsa
Literatura Brasileira
Psicologia
Seleção

CURSOS FACULTATIVOS DE ESPECIALIZAÇÃO
Bibliotecas
Bibliotecas
Bibliotecas
Bibliotecas
Bibliotecas

Públicas
Especializadas
Especializadas
Especializadas
Especializadas

em
em
em
em

Ciências Médicas
Tecnologia
Ciências Sociais
Arte

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano-33

2.0 Ano-25
3.0 Ano-39
4. 0 Ano-42
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 139
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 7.094 volumes
PUBLICAÇôES- EDITADAS - Regimento

38

�CORPO DOCENTE -

Adelaide T arquínio de Souza
Aldaísia Costa N ovaes
A lzira Conceição Passos de Oliveira
Antonieta Carvalho
Dinorá Mendonça Luna
Esmeralda Maria de Aragão
Eurydice Pires de Sant'Anna
F elisbela L . Matos Carvalh o
Fra ncisco J . L. Matos, Carvalho
João Carlos O. Teixeira Gomes Fonseca
Joã o Ignác io de Mendonça
José Calazans d'a Silva
Luís Henrique Dias Tavares
Maria de Lourdes do Carmo Conceição
Maria Stela Santos Pita Leite
Marinha de Andrade
Nilton Vasco da Gama
Oswaldo Imbassay da Silva
Selma Fraga Costa
T ereza Leal Gonçalves Pereira

PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Eurydice Pires de San t 'An na - Curso de Especialização
no IBBD

39

�6.3

NOME -

ENDER~ÇO -

FACULDADE DE BIBLIOTECONOMlA DA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE BRASíLIA

Agência Postal, 15
Brasilia
Distrito Federal - Brasil

DIRETOR - Edson Nery da Fonseca
DATA DA FUNDAÇÃO - 1961
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
.
DEPEND:f:NCIA - Universidade Nacional de Brasília
T1TULO QUE OUTORGA - Bacharel em Biblioteconomia
CO. JDIÇõES DE I NGRESSO Biologia
Conhecimentos Gerais
Física
Francês
Geografia
História
Inglês
Matemática
Português
Química
Teste Psicológico

Exame Vestibular

Estas disciplinas são exigidas nos vestibulares para todos os
cursos da UNIVERSIDADE DE BRASíLIA
PLA?-JO DE ESTUDO
Bibliografia
Catalogação
Classificação
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução à Administração
Introdução à Biblioteconomia
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização do Trabalho Intelectual
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia

40

�Referência
Reprografia
Seleção de Material Bibliográfico e Audio-Visual
PROGRAMA DE ESTUDO
1.0 ANO -

Catalogação
Classificação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História do Livro e das Bibliotecas
História da Litera tura
Introdução à Administração
Introdução à B iblioteconomia
Organização do Traba lho Intelectua l

2.0 ANO -

Bibliog rafia
Cata logação
Classificação
História da Arte
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Referê ncia

3.0 ANO -

B ibliog rafia
Documentação
Organiza ção e Administração de B ibliotecas
Paleografia
R eprog ra fia
Seleção de Material Bibliográfico e AudioVisu al

Nú MERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 A no-28
2. 0 Ano - 11
3.0 Ano-10

NúME R O DE ALUNOS FORMADOS - O
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 3.000 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS - .. .
CORPO DOCENTE -

Abner Lellis Corrêa Vicent ini
Astér io Campos
Cordélia Robalinho de O. Cavalcanti
Edson Nery d a Fonseca
Etelvina Lima
Myrian Gurjão de Mello
Perola Raulinde

PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Abner Lellis C. Vicentini - Estágio nos Estados Unidos,
sob os auspícios do International Cooperation Administration
41

�Cordelia Robalinho Cavalcanti - Publicações Oficiais e Seriadas; Paleografia e Documentação, na Universidade
Federal de Pernambuco.
Etelvina Lima - Seminário sôbre Biblioteconomia nos E stados Unidos e estágio em Centros de Documentação em
Londres
Myrian Gurjão de Mello
Curso de Pesquisas Bibliográficas em Tecnologia (IBBD)
e Curso sôbre Métodos Modernos de Documentação
&lt;IBBD)

42

�G. 4

NOME -

ENDER:f:ÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO CEARA

Rua Paulino Nogueira
Fortaleza
Ceará - Brasil

DIRETORA - Maria da Conceição Souza
DA1'A DA FUNDAÇÃO - 1964
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:f:NCIA - Universidade Federal do Ceará
T1TULO QUE OUTORGA - Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação
CONDIÇÕE S DE INGRESSO Português
Francês
Inglês
História do Brasil
História Geral
Geografia Geral

E xame vestibular

PLANO DE ESTUDO
Bibliografia
Catalogação
Classificação
Documentação
Evolução do Pensamento Científico
Evolução do Pensamento Filosófico
História da Arte
História da Literatura
História das Bibliotecas
História do Livro
Introdução aos Estudos Históricos
Introdução aos Estudos Sociais
Línguas Estrangeiras
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
Técnica do Serviço de Referência
PROGRAMA DE ESTUDO
1.º ANO -

Catalogação
Classificação
43

�2.0 ANO 3.0 ANO -

História da Arte
Ungua Inglêsa
Língua Italiana
.. .
.. .

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano-20

2.ºAno- .. .
3.0 Ano- . . .
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - O
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - ...
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA -

R eg imento

CORPO DOCENTE -

Aracy Fiuza Costa
Cleide Ancilon de Alencar-Pereira
Hesiodo de Queiroz Facó
José Liberal de Castro
Niola Etzwiler
PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Aracy Fiuza Costa - Curso ãe Pesquisa Bibliográfica,
IBBD .
Cleide Ancilon de Alencar Pereira - Curso de P esquisa
Bibliográfica, IBBD.

44

�G. 5

NOME -

ENDER:tbÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA BIBLIOTECA NACIONAL

Avenida R io Branco, 219/ 239
Rio de J aneiro
Estado da Guanabara - Brasil

DIRETOR - Antonio Caetano Dias
DATA DA FUNDAÇÃO - 1915
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:tbNCIA - Biblioteca Nacional, Ministério da Educação e Cultura
TfTULO QUE OUTORGA - Diploma de Bibliotecário
CONDIÇÕES DE I NGRESSO -

Exame vestibular

Português
Inglês
Francês ou E spanhol
L iteratura
Geografia Geral e do Brasil
His tória d'a Civilização e do Brasil
Conhecimentos Gerais
PLANO DE ESTUDO
Bibliografia Geral
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História do L ivro e das Bibliotecas
Introdução à Catalogação e Classificação
Introdução à Cultura Histórica e Sociológica
Literatura e Bibliografia Literária
Organização e Administração de Bibliotecas
Organização e Técnica de Documentação
Paleografia
Reprodução de Documentos
Técnica do Serviço de Refer ência
PROGRAMA DE ESTUDO
l.º ANO -

Bibliografia Geral
História do Livro e das Bibliotecas
Introdu ção à Catalogação e Classificação
Organização e Administração de Bibliotecas
Técnica do Serviço de Referência
45

�2.0 ANO -

Bibliografia Especia lizada
Catalogação e Classificação
Introdução à Cultura Histórica e Sociológica
Literatura e Bibliografia Literária
Organização e Técnica de Documentação

3. 0 ANO -

Catalogação Especializada
Classificação Especializada
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
Paleografia
Reprodução de Documentos

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

l.º Ano -- 45
2. 0 Ano- 35
3.0 Ano- 34

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 1. 020
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 2.000 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - R egimen to
CORPO DOCENTE -

46

Amélia Rosauro de Almeida
Antonio Caetano Dias
Celia Ribeiro Zaher
Clarival do Prado Vallad·ares
Déa S. de Araújo Coutinho Amadeo
Elsy Guimarães Ferreira Pereira
Emmanuel A. Pinheiro H asselmann
Ibany da Cunha Ribeiro .
Jorge Santos
Josué de Souza Montello
Laura Maia de Figueiredo
Lelia Galvão Caldas da Cunha
L ydia de Queiroz Sambaquy
Manoel Adolpho Wand'erley
Manoel Caetano Bandeira de Mello
Nolka Nascimento
Ozéa Botelho Fernandes
Raymundo Magalhã es
Reinaldo Correa Bispo
Roberto Martins
Wilson de Almeida Louzada
Xavier Placer
Zilda Galhardo de Araujo

�PROFESSORES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO 6. 6

E

NOME -

DER:8ÇO -

...

ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO SANTA úRSULA DA
PONTIFtCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA
DO RIO DE JANEIRO

Rua Farani, 75
R io de Janeiro
Estado da Guanabara -

Brasil

DIRETORA - Madre Maria Imaculada de Carvalho, O.S.U.
DATA DA FU 1 DA CÃO - 1957
DURAÇÃO DO CURSO - 3 a nos
DEPEND:Ê:NCJA - Instituto Santa úrsula, Universidade Católica do Rio de Janeiro
T1:TULO QUE OUTORGA - Diploma de Bibliotecário e DQcumenta lista
CONDIÇÕES DE INGRESSO Português
Fra ncês - optativo
Inglês - optativo
História Geral

Exame de h abilitação

PLANO DE ESTUDO
Bibliografia e Referência
Catalogação e Classificação
Doeu men tação
Doutrina Social da Igreja
Encadernação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização e Administração d e Bibliotecas
Orga nização de Administração de Bibliotecas e Centros
de Documentação
Paleografia
Seleção d e Livros e Orientação de Leitura
47

�PROGRAMA DE ESTUDO
1.º ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação e Classificação
Doutrina Social da Igreja
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Organização e Administração de Biblioteca,:;

2. 0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação e Classificação
Doutrina Social da Igreja
História da Arte
Introdução aos E studos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas

3-º ANO -

Catalogação e Classificação
Documentação
Doutrina Social da Igreja
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
Organização e Administração de Bibliotecas
e Centros de Documentação
Seleção de Livros e Orientação de Leitura

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1-º Ano - 21
2. 0 Ano-12
3.0 Ano 8

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 65
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - Biblioteca do Instituto
Santa úrsula
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - Regimento
CORPO DOCENTE -

48

Amélia Rosauro de Almeida
Antonio Francisco V. Seixas
Cecilia Duprat de Britto Pereira
Cesar Ludovícus Baptista Valente
Domicio Proença Filho
Esmeralda Ribeiro Mesquita
Helena Lapa Maranhão
Manoel Adoloho Wanderley
Maria Antonieta Requião Piedade
Maria de Nazareth Montojos Tacqur!s
Myrian Levy Cardoso Moreira
Paula Laclette
Pedro Secondi (frei) O.S.D.
Roberto Martins
.
Rosy Bleggi Peixoto
Vicente da Costa Santos Tapajós
Zilda Galhardo de Araujo

�PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Maria Antonieta R eq uião Piedade -

Especia1ização na

Columbia U niversity (USA)
Manoel Adolpho W anderley - Certificate of Especia lization , Documentation and Records Management (USA)
Zilda Galhardo de Araujo - Library Service, Columbia
University (USA)

�6 .7

NOME -

ENDER:l!:ÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS

Reitoria da Universidade Federal de Mina s
Gerais
Cidade Universitária - Pampulha
Belo Horizonte
Mina s Gerais - Brasil

DIRETORA - Maria Martha de Carvalho
DATA DA FUNDAÇÃO - 1950
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:l!:NCIA - Universidade Federal de Minas Gera is
TtTULO QUE OUTORGA - Diploma de Bacharel em B iblioteconomia
CONDIÇõES DE INGRESSO Português
Inglês
Francês - optativo
Italiano - optativo
Alemão - optativo
História do Brasil
História Geral

Exame vestibular

PLANO DE ESTUDO
Administração Geral
Bibliografia Especializada
Bibliografia Geral e Referência
Catalogação
Catalogação e Classificação de Materiais Especiais
Classificação
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
PROGRAMA DE ESTUDO
1.0 ANO - Bibliog rafia Geral e Referência
Catalogação
Classificação
História da Literatura
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
50

�2.0 ANO -

Bibliografia Especializada
Catalogação
Classificação
Documentação
História da Arte
H~tória do Livro e d'as Bibl iotecas
Organização e Administração de Bibliotecas

3.0 ANO -

Administração Geral
Bibliografia Especializada
Catalogação e Classificação de Materiais
Especiais
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
·
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Relações Humanas

r úMERO DE ALUNOS FORMADOS -

1. 0 Ano -

3
2. 0 Ano-20
3.0 Ano-17

NúMERO DE ALU OS FORMADOS - 172
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 2.020 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - Regimen to
CORPO DOCENTE - Abigai l de Oliveira Carvalho
Alvaro Fraga Damasceno
Ana Maria Athayde Polke
Annaiz Maria Pereira Via!
Angela Tonelli Vaz L eão
Antonio Ribeiro de Almeida
E lton Eugenio Volpini
Maria Lucia Andrade Garcia
Jand'ira Batista de Assunção
Maria Martha de Carvalho
Maria Romano Schreiber
Marina Camargos Tymburibá
Regina Helena Kangussú
Ruth Versiani Moreira
Vera Amalia Amarante Macedo
PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Annaiz Maria Pereira Via! - Bôlsa de estudo no IBBD
Elton Eugenio Volpini - Bôlsa de estudos no E.U.A.
Vera Amalia Amarante Macedo - B ôlsa d e estudo no
IBBD

5i

�G. 8

NOME -

l~N DERBÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

Av. Governador José Melcher, 1372
Belém
Pará - Bras il

DIRETOR - Clodoa ldo Fernando Ribeiro B eckmann
DATA DA FUNDAÇÃO - 1963
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPENDf:NCIA - Universidade Federal do P a rá
T1TULO QUE OUTORGA - Diploma de Bibliotecário
CO1'DICõES DE INGRESSO Po1:tuguês
Inglês
História d(; Brasil
História Geral

•

Exam e vestibula r

t ·LA NO DE ESTUDO

Bibliografia e Referência
Ca talogação
Ciassificação
Doeu men tacão
Evolução dÓ Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução a os Estudos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
PROGRAMA DE ESTUDO
l.º ANO - Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
História da Arte
História da Literatura
Organização e Administração de Bibliotecas
2.º ANO -

52

Oibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico

�História ela Arte
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
3.0 ANO -

Documentação
Evolução do Pensamento Filosófi co e Cien•
tífico
Introdução aos Estudos Históricos e Soc iais
Paleografia

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano - 21
2. 0 Ano-13

3 .0 Ano- 17

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - O
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - . ..
P UBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA CORPO DOCE NTE -

Apio Paes Ca m pos (cônego)
Benedito Nunes
Celia Ribeiro Zaher
Clodoa ldo Beckmann
Francisco Paulo Mendes
Maria de Nazaré Calvis Moreira
Maria Ilka Monteiro
Nizeth Cohen
Tais Fialho
Vicente Eloi

PROFESSORES CONI CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Clodoaldo Beckman - Curso no IBBD
Mal'ia de Nazaré Calvis Moreira - Curso no IBBD
Maria Ilka Monte iro - Curso no IBBD

53

�G. 8

NOYIE -

E ! ºDEflf:ÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANA

Reitoria da Universidade do Paraná
Caixa Postal, 75G
Curitiba
Paraná - São Paulo

D[RETORA - Maria de Lourdes Tavares
DA TA DA FU. DAÇÃO - 1952
DURAÇAO DO CURSO - 3 anos
DEPE1 Df:NCTA - Universidade Federal do Paraná
TITULO QUE OUTORGA - Diploma de BibliotecárioDocumentalista
CONDlCõES DE INGR8SSO - Exame vestibular
Lí11gua Portuguêsa
Língua Inglêsa
Línguas Francesa, E spanhola, Alemã ou Italiana
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
História Geral
História do Brasil
PLANO DE ESTUDO
Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
Documentação
História da Arte
História da Literatura
._
História do Livro
IntroduçãÔ aos Estudos Históricos e Sociais
Evolucão do Pensamento Filosófico e Científico
Organização e Administração de Bibliotecas
Relações Públicas
PROG11AMA DE ESTUDO
1.0 ANO Dibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
1-{istóric.1. da Arte
História da Literatura
Organização e . Administração de Bibliotecas
54

�2. 0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
História do Livro
Evolução do Pensamento Filosófico e Cientifico
Organização e Administração de Bibliotecas
Relações Públicas

3. 0 ANO -

Catalogação
Classificação
Documentação
Introdução aos E studos. Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas

NúMERO DE ALU OS INSCRITOS -

1.0 Ano-15
2.0 Ano-12
3.0 Ano- iO

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 130
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 800 volumes
PUBLICAÇõES EDITADAS PELA ESCOLA - Regimento
CORPO DOCENTE - Euclides Migliari
Gilka Castilho
Irene Josefa Czajkowska
Maria Dorothéa Barbosa
Maria I. Ramos May
Maria de Lourdes Tavares
Maria José Thereza d'e Amorim
Nancy Westefalen Corrêa
Regina Buffara Zaidan
PROFESSORES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Nancy Westefalen Corrêa - Curso de Documentação
Científica do IBBD
Maria José Thereza de Amorim - Master of Art. USA.
Regina Buffara Zaidan - Curso de Documentação Científica do IBBD

5:'i

�G. 10 ~0:\1E -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE PERNAMBUCO

E~DER.f:ÇO -

Av. Ruy Barbosa, 870
Recife
Pernambuco - Brasil

DIRETOR - Yves da Mola e Albuquerque
DATA DA FUNDAÇÀO - 1950
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:8NCIA - Universidade Federal do Recife
T1TULO QU E OUTORGA - Diploma de BibliotecárioDocumentalista
CONDIÇõES DE INGRESSO - Exame vestibula r
Literaturas Brasileira e Portug uêsa
Português
Inglês
Francês, Alemão ou Italiano
História Geral
PLA. JO DE ESTUDO
Administração de Bibliotecas
Bibliografia
Bibliografia Especializada
Catalogação
Catalogação e Classificação de Material Espec ializado
Classificação
Document ação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Literatura
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização de Bibliotecas
Paleografia
Psicologia das Relações Humanas
Referência
Seleção de Material Bibliográfico
PROGRAMA DE ESTUDO
1. 0 ANO Catalogação
Classificação
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
56

�HistóriJ da Arte
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Socia!S
Orga nização de Bibliotecas
2. 0 ANO -

3.0 A

ro -

Adminis tração de Bibliotecas
Bibliografia
Catalogação
Classi fi cação
H istória da Literatura
Psicologia das Relações Humanas
Bibliog rafia Especializada
Catalogação e C lassificação do Material
E specializado
Documentação
Paleografia
R eferê ncia
Seleção de Material Bibliográ fi co

N ú lVlERO DE AL UNOS I NSCRITOS -

1. 0 Ano -

55

2.0 A n o - ~,U
3. 0 Ar.o - ~l

ÚM ERO DE A L O 1OS FORMADOS - 160
B IBLIOTECA ESPECIALIZADA 1.869 volu m es
P UBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - Regimento
CORPO DOCENTE -

Aida Nery Fonseca de Aquino
Ana Paes Barreto
Carmen de Andrade Melo T rajano
Gadiel Perruci
Graciette Glamer da R. Araújo
Iva nilda Fernandes da Costa
João Alexandre Barbosa
José Antonio Gonçalves de Mello Net to
José Glaucio Veiga
Lilian Saraiva Câ mara
Maria Leticia de Andrade Lima
Ma ria Tereza Amorim P acomio
Milton F erreira de Mello
Myrian Gusmão d e Martins
Orla ndo da Costa Ferreira
Sebastião U choa· Leite
Yves da Mota e Albuquerque

PROFESSôRES COM, CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Ivanilda Fernandes da Costa - Bôlsa de Estudos n a Espanha e no IBBD
57

�Milton Ferreira de Mello - Bôlsa de Estudos na E sco la
de Biblioteconomia de São Paulo
Orlando da Costa Ferreira - Bôlsa de Estudos n a F rança
- Artes Gráficas
Yves da Mota e Albuquerque - Bôlsa de E studos 110s E sta dos Unidos

58

�6.11 NOME -

ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ENDER:f;ÇO -

Caixa Postal, 2394
Pôrto Alegre
Rio Grande do Sul -

Brasil

DIRETORA - Zenaira Garcia Márqu ez
DATA DA FUNDAÇÃO - 1947
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND.f:NCIA - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
TITULO QUE OUTORGA - Bacharel em Biblioteconomia
CONDIÇÕES DE INGRESSO Português
Inglês
Francês
Da tilografia

Exame vestibular

PLANO DE ESTUDO
Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
Documentação
E volução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História da Literatura
História d o Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
Seleção de Livros
P~icologia das Relações Humanas
PROGRAMA DE ESTUDO
1.0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
História da Arte
História do Livro e das Bibliotecas
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Psicologia das Relações Humanas
59

�2.0 ANO -

Bibliografia e Referência
Catalogação
Classificação
História da Arte
História do Livro e das Bibliotecas
Documentação
Organização e Administração a·e Bibliotecas

3.0 ANO -

Catalogação
Classificação
Documentação
Evolução do Pensamento Filosófico e Cient[fico
História da Literatura
Paleografia
Seleção de Livros

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano -

50
2.0 Ano- 4ú
3.0 Ano - ~D

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 153
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 439 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - Reg imen t0
CORPO DOCENTE -

Adda Drügg de Freitas
Ana Ires do Amaral
Ana Maria B resolin
Carlos Antonio Mancusso
Delmar E. Schneider
Jahyra Corrêa Sa ntos
Lucília Minssen
Maximiliano Bottari
Selma Kern
Zahyra de Albuquerque
Zenaira Garcia Márquez
PROFESSORES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Adda Drügg de Freitas
Lucília Minssen
Selma Kem
Zenaira ·Garcia Márquez

60

�G- 12 NOME -

ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA
DE SÃO PAULO

E 1 DERf:ÇO -

R u a Genera l J a rd im , 522
São Paulo - Brasil

DIR ETOR - J osué Spina F r an ça
DATA DA FUNDAÇÃO - 1938
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DE P E Df:N CIA - F u ndação E scola de Sociolog ia e Política
de São P a ulo. Insti tu ição Com plementa r d a U niversidad e de Sã o Pau lo.
T íT ULO QU E OUTORGA - Diploma de B ach a re l em Bibliot economia , r econhecido pelos Governos Fed eral e Estadual.
CON DIÇÕE S DE I NGR ESSO P or tu g uês
Fra ncês
Ing lês
Histór ia cio Brasil
H istór ia Ger a l

Exam e vestibula r

P LA TO DE E STUDO
Bibliog ra fia
Cata logaçã o
Classificaçã o
Docu men tação
Hist óri a da A!·te
H istór ia cio Livro e elas B ibliotecas
I ntroclucão à Cultura A r tíst ica
E voluçã"o do Pensamen to Filosófico e Cien tífico
I ntrod ução à Cu ltu ra H istórica
Introdu ção a os Estudos H istóricos e Sociais
L it er a tura e B ibliografia L it er ária
Organ ização
P a leog r a fia
R efer ência
Seleção de L iv r os
1.0 ANO -

Bibliografia
Ca talogação
Classificação
Introdução à Cultura Artística
Litera tura e Bibliografia Literária
til

�Organização
Paleografia
Referência
2.0 ANO -

Bibliografia
Catalogação
Classificação
História do Livro
Introdução aos Estudos Históricos e Socia!S
Literatura e Bibliografia Literária
Organização
Psicologia das Relações Humanas

3.0 ANO -

Catalogação
Classificação
Documentação
História da Arte
Evolução do P ensamento Filosófico e Científico
Seleção de Livros

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1. 0 Ano- 38
2. 0 Ano-38
3.0 Ano- ·12

NúMERO DE ALUNOS F ORMADOS - 624
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 1.000 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA - Cunha, Ma ria
Luisa Monteiro da - Nomes Brasileiros, um problem a rl:.t
catalogação - Prospectos Informativos da Escola
CORPO DOCENTE -

62

Antonio Jordão Netto
Boanerges Ribeiro
Giulio Davide Leoni
Heloisa de AI meida Prado
Isaar C. de Camargo
José Novaes Paternostro
Josué Spina França
Lourdes Mesquita Siqueira
Maria Antonieta Ferraz
Maria de Lourdes Figueiredo
Maria Luiza Monteiro da Cunha
Marieta Novack
Noemia Lentino
Odilon N. Mattos
Oswald de Andrade Filho
Regina Carneiro
Sara Correia
Zilda Machado Taveira '

�PROFESSôRES COM CURSO DE APERFEIÇOAME NTO
Maria Luisa Monteiro d a Cunha - Library Ser v ice in
Columbia University (USA)
Zilda Machado T aveira - E stá gio em Berkeley Un ive rsi ty, USA.

63

�G. l ::J NOME -

FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA DA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
CAMPINAS

ENDER:f:ÇO -

Rua Ma rechal Deodoro, 1099
Campinas
São Pau lo - Brasil

DIRE TOR - José Na rciso Vieira Ehrenberg
DATA DA FUNDAÇÃO - 1945
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:f:NCIA - Universidade Católica de Campinas
TITULO QUE OUTORGA - Diploma de Bach arel em Bibl ioteconomia
CONDIÇÕES DE INGRESSO Ing lês
Francês
Portu guês
História Geral
História do Brasil

Exame ,v estibu lar

PLANO DE ESTUDO
Bibliog rafia
Catalogação
Classificação
Cultura Religiosa
Documentação
Ética Profissional
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
História do Livro e das Bibliotecas
História da Literatura Brasileira
História d a Literatura Geral
Introdução aos E studos Históricos e Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
Referência
Relações Humanas
PROGRAMA DE ESTUDO
1 .º ANO - Catalogação
Classificação
Cultura Religiosa

64

�História da Literatura Brasileira
História da Literatura Geral
História do Livro e d'as Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
Referência
2. 0 ANO -

Bibliografia
Catalogação
Classificação
Cultura Religiosa
Documentação
História da Literatura
História do Livro e d'as Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
Referência

3. 0 ANO -

Bibliografia
Catalogação
Classificação
Ética Profissional
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
História da Arte
Organiza.ção e Administração de Bibliotecas
Relações Huma nas

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

1.0 Ano-12
2.0 Ano- U

3.0 Ano-12
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 216
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 270 volumes
PUBLICAÇÕES EDITADAS PELA ESCOLA CORPO DOCENTE -

Ana Lucia Maia Bonato
Antonio Teixeira Assunção
Ernesto Manoel Zink
Ersio Lensi
Francisco de Paula Souza
José Luiz Sigrist
José Narciso Vieira Ehrenberg
Lucio Campos Almeida
Luiza Susana Ernestina Hermann
Maria Antonia Ribas Pink
Mercedes de Jesus Tomé Forti

PROFESSORES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Maria Antonia Ribas Pink
65

�6. 14 NOME -

ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇAO DE SAO CARLOS -

ENDER:J!:ÇO -

Caixa Postal, 378
São Carlos
São Paulo - Brasil

DIRETOR - Alfredo Américo Hamar
DATA DA FUNDAÇÃO - 1959
DURAÇÃO DO CURSO - 3 anos
DEPEND:J!:NCIA - Autônoma
TfTULO QUE OUTORGA - Diploma de BibliotecárioDocumentalista
CONDIÇÕES DE INGRESSO - Exame vestibular
Inglês
Francês
História Universal
História do Brasil
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
PLANO DE ESTUDO
Catalogação
Classificação
Ciências Sociais
Cultura Artística
Cultura Científica
Cultura Filosófica
Cultura Histórica
Documentação
Encadernação
História do Livro
Organização e Administração de Bibliotecas
Paleografia
Psicologia
Referência e Bibliografia
Relações Públicas e Ética Profissional
Seleção de Livros
. .
_
Teoria da Organização e Aõrrumstraçao
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
PROGRAMA DE ESTUDO
1.º ANO - Catalogação
Classificação
Introdução à Cultura Artística

66

�Introdução à Cultura Histórica
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
Paleografia
Referência e Bibliografia
Teoria da Organização e Administração de
Bibliotecas

2.ºANO -

3.0 ANO -

Bibliografia Especializada
Catalogação
Classificação
Encadernação
História do Livro
Introdução à Psicologia
Introdução às Ciências Sociais
Organização e Administração de Bibliotecas
Seleção de Livros
Catalogação de Material Especializado
Documentação
.
Doc-umentação em Ciências e Tecnologia
Documentação em Farmácia e Med"icina
Introdução à Cultura Científica
Introdução à Cultura Filosófica
Relações Públicas e Ética Profissional

NúMERO DE ALUNOS INSCRITOS -

l.º Ano - 1S
2. 0 Ano-14
3-º Ano- 6

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 24
BIBLIOTECA ESPECIALIZADA - 1.432 volumes
PUBLICAÇõES EDITADAS PELA ESCOLA CORPO DOCENTE -

Alfredo Américo Hamar
Carminda N. C. Ferreira
Edena Spaziani
Eunice D. G. Silva
Jacy M. Giongo
Laila Haddad
Lourdes S. Taylor
Maria Christina G. Pirolla
Maria do Carmo Bertolazzo Barros
Maria Therezinha Dagnone
Mario Tolentino
Oscar N. C. Ferreira
Sônia C. Corrêa
Terezinha Abs

PROFESSORES COM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Alfredo Américo Hamar

67

��7. -

CURSOS EXTINTOS

��7. -

7 .1

NOME -

ENDER:f:ÇO -

CURSOS EXTINTOS

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA
PREFEITURA MUNICIPAL DE
SAO PAULO

Biblioteca Municipal de São Paulo
Rua Sete de Abril (antigo edifício)

,

DATA DA FUNDAÇÃO - 1937
Encerrou suas atividades em 1939
DEPEND:f:NCIA - Departamento de Cultura da Prefeitura
do Municfpio de São Paulo
T1TULO QUE OUTORGOU - Diploma de Bibliotecário
PLANO DE ESTUDO
Catalogação
Classificação
Referência
Organização de Bibliotecas
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS - 59
7. 2

NOME -

ENDER:f:ÇO -

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
NOSSA SENHORA DE SION

Avenida Higienópolis, 901
São Paulo - Brasil

DATA DA FUNDAÇÃO - 1948
Encerrou suas atividades em 1949
DEPEND:f:NCIA - Colégio Nossa Senhora de Sion
TtTULO QUE OUTORGOU - Diploma de Bibliotecário
PLANO DE ESTUDO
Catalogação
Classificação
Referência e Bibliografia
História do Livro
Paleografi~
Organização e Administração de Biblioteças
Doutrina Católica
•

.
•

,,,
1

,

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS

..

.• ,

22

ENDER:l!:ÇO -.. . ,~.:v:~!1i.d.a .~uararap~~' '· l~l, 9.~ ap~~J:': f;,1, i • '.·.:
·· · · · Recife - .!! Pernambuco
- Brasil
..
1

'1,

.71

�DATA DA FUNDAÇÃO - 1948
Encerrou suas atividades em 1950
DEPEND~NCIA - Diretoria de Documentação e Cultu ra da
Prefeitura Municipal do Recife
TtTULO QUE OUTORGOU - Diploma de Bibliotecário
PLANO DE ESTUDO
Catalogação
Classificação
História do Livro
Bibliografia e Referência
Organização de Bibliotecas
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS 7 .4

NOME -

ENDER~ÇO -

17

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DO INSTITUTO CAETANO DE CAMPOS

Praça da República
São P a ulo - Brasil

DATA DA FUNDAÇÃO - 1951
Encerrou suas atividades em 1953
DEPEND~NCIA - Instituto de Educação Caetano de Ca mpos, do Govêrno do Estado de São Paulo
TtTULO QUE OUTORGOU - Diploma de Bibliotecário
PLANO DE ESTUDO
História do Livro e das Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
Catalogação e Classificação
Psicologia da Criança e do Adolescente
Fundamentos Sociológicos e Extensão do Livro e da Biblioteca
Bibliografia e Referência
Artes Gráficas
História da Literatura e Literatura Infantil
Paleografia
NúMERO DE ALUNOS FORMADOS 7.5

NOME -

ENDER~ÇO -

72

25

CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA FACULDADE DE FILOSOFIA
"SEDES SAPIEN'TAE"

Rua Marquês de Paranaguã, 111
São- Paulo - Brasil

�DATA DA FUNDAÇÃO - 1944
Encerrou suas atividades em 1960
DEPEND:Ê:NCIA - Associação Instrutora da Juventude Feminina da Faculdade de Filosofia "Sedes Sapientae"
TITULO QUE OUTORGOU - Diploma de Bibliotecário
PLANO DE ESTUDO
Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
História do Livro
Seleção de Livros
Organização e Administração de Bibliotecas
Documentação
Foto-Documentação
Língua e Literatura Alemã
Doutrina Católica
Literatura Luso-Brasileira

NúMERO DE ALUNOS FORMADOS -

306

73

��8 -

CURSOS DO I.B.B.D.

Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação

ATUALIZAÇÃO E ESPECIAlJZAÇÃO

��CURSOS MINISTRADOS PELO INSTITUTO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
1955-1965

1

1. -

CURSO DE PESQUISA BIBLIOGRAFICA
EM CI~NCIAS NATURAIS

ENTIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro de B[bliografia e Documentação (IBBD) .
REALIZADO EM - 1955/ 1956 - 31 de outubro a 22 de maio.
EXIGf:NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou a luno de Curso Superior.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
Nú MERO DE CANDIDATOS - 11.
•OBJETIVO DO CURSO - Atualização de conhecimentos e
orientação na 'Pesquisa bibliográfica.
2. -

CURSO DE PESQUISA BIBLIOGRAFICA

ENTIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro de Bibliog ra fia e Documentação (IBBD)
REALIZADO EM - 1957 - 15 de março a 7 de dezembro.
EXIGf:N CIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou a luno de Curso Superior.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 19.
·OBJETIVO DO CURSO - Atualização de conhecimentos e
orientação na pesquisa bibliográfica.
I

3. -

CURSO DE INFORMAÇÃO BIBLIOGRAFICA MÉDICA

E N TIDADE PATROCINADORA Instituto Brasileiro de
Educação, Ciên cia e Cultura (IBECC) , Instituto Brasile ir o par a Inv estigação da Tuberculose (!BIT) e Instituto
Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD).
REALIZADO EM - 1957.
EXIGf:NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário formado, m édico, professor ou aluno de Escolas de Medicina e
Ciências afins.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 35.
'OBJETIVO DO CURSO - Orientação na pesquisa bibliográfica.
77

�4. -

CURSO DE DOCUMENTAÇÃO E ORGANIZA,ÇAO
.
BIBLIOGRAFICA

ENTIDADE PATROCINADORA- Institutos Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES) .
REALIZADO EM -1957.
EXIG:f::NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário formado~
professor ou aluno de Cursos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 54.
OBJETIVO DO CURSO - Atualização de conhecimentos.
5. -

CURSO SõBRE MÉTODOS MODERNOS
DE DOCUMENTAÇÃO

ENTIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e Comissão Nacional de
Energia Nuclear.
REALIZADO EM - 1958.
EXIG:f::NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou aluno de Cu rsos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqü ê ncia .
NúMERO DE CANDIDATOS - 35.
OBJETIVO DO CURSO - Atu alização de conhecimentos.
6. -

CURSO DE PESQUISA BIBLI0GRAFICA
EM TECNOLOGIA

E_ ITIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e Comissão Nacional deEnergia Nuclear.
REALIZADO EM - 1959 - 1.0 de abril a 4 de dezembro.
EXIG:ê;NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou aluno de Cursos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqü ênc ia.
NúMERO DE CANDIDATOS - 22 .
OBJETIVO DO CURSO - Atualização de conhecimento e·
orientação na pesquisa bibliográfica.
7. -

CURSO DE PESQUISA BIBLIOGRAFICA
EM TECNOLOGIA

ENTIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro d'e Bibliografia e Documentação (IBBD) e Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes).
REALIZADO EM - 1960 - 2 de abril a 15 de dezembro.
EXIG:f::NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou aluno de Cursos Superiores.

78

�/

DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
N:úMERO DE CANDIDATOS - 46.
OBJETIVO DO CURSO - Orientação na pesquisa bibliográfica.
8. -

CURSO DE PESQUISA BIBLIOGRAFRICA
EM TECNOLOGIA

E NTIDADE PATROCINADORA - Inst ituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e Campanha de Aperfeiçoam ento do P essoal d e Nível Superior (Capes).
REALIZADO EM - 1961 - 3 de abril a 4 de dezembro.
EXIG~NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou a luno de Cu rsos Superiores.
DOCU MENTO E X PEDIDO - Cert ificado de freq üência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 36.
OBJE T IVO DO CURSO - Orien tação n a pesqu isa b ibliográfica.
9. -

CURSO DE PESQUISAS EM CIÊNCIAS MÉDICAS

ENTIDADE PATROCINADORA - Instit uto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e Campanha de Aperfeiçoamento do P essoal de N ível Superior (Cap es).
REALIZADO EM - 1962 - 3 d e abril a 11 de d ezembro.
EXIGf:NCIA PARA I NSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou a luno de Cu rsos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüên cia.
N úMERO DE CANDIDA TOS - 30.
OBJ ETIVO DO CURSO - Orientação n a pesquisa biblio&amp;ráfica.
10. -

CURSO DE PESQUISAS BIBLIOGRAFICAS
EM CIÊNCIAS AGRtCOLAS

E NTIDADE PAT R OCINADOR A - Instituto Brasile iro d'e Bibliog ra fia e Docum en tação (IBBD) e Ca mpa nha de Aperfeiçoam ento do Pessoal de Nível Super ior (Cap es).
REALIZADO EM - 1963 - 13 d e abril a 13 d e dezembro.
EXIG~NCIA PARA I NSCRIÇÃO - Ser bibliotecár io, professor ou a luno de Cursos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado d e freqü ência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 20.
OBJETIVO DO CUR SO - Or ientação na pesquisa bibliográ fica.
11. -

CURSO DE DOCUMENTAÇÃO CIENTtFICA

ENTIDADE PATROCINADORA - Instituto Brasileiro d'e Bibliografia e Documentação (IBBD) e Campanha de Ap~rfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes).
REALIZADO EM - 1964 - 1.0 de abril a 10 de dezembro.
79

�EXIG:Ê:NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser bibliotecário, professor ou aluno de Cursos Superiores.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 25.
OBJETIVO DO CURSO - Orientação na pesquisa bibliográfica.
12. -

CURSO DE DOCUMENTAÇÃO CIENTIFICA

ENTIDADE PATROCINADORA REALIZADO EM - 1965 - 1.0 de Abril a 14 de dezembro .
EXIG:1!:NCIA PARA INSCRIÇÃO - Ser portador de diploma
de Curso Superior.
DOCUMENTO EXPEDIDO - Certificado de freqüência.
NúMERO DE CANDIDATOS - 25.
OBJETIVO DO CURSO - Orientação na pesquisa bibliográfica.
INSTITUTO BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA
E DOCUMENTAÇÃO

O Curso de Orientação na Pesquisa Bibliográfica é ministrado em aulas teóricas e práticas na sede do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, à A v . General Justo,
171 - Rio de Janeiro.
O Curso é constituído das seguintes discirplinas básicas:
TÉCNICA DA PESQUISA BIBLIOGRAFICA
Estudo das fontes gerais para a pesquisa bibliográfica, das
normas estabelecidas para as citações e referências bibliográficas, dos métodos de pesquisas bibliográficas tradicionais e dos sistemas modernos de organização, registro e seleção bibliográfica m ecânicos.
Análise das principais fontes bibliográficas para a localização de informações referentes às diversas especialidades segundo as disciplinas optativas, com a exposição dos métodos
de p esquisa utilizados, incluindo o planejamento, realização
e comunicação dos resultados obtidos e tendo em vista a colaboração que poderá ser prestada -p elas bibliotecas e centros
de documentação aos estudiosos dos respectivos assuntos.
CATALOGAÇÃO
Estudo crítico das normas atuais para a catalogação de impressos, bem como das técnicas empregadas na composição
dos Catálogos Coletivos nacionais regionais, ou especializados, dos Catálogos Dicionários e Sistemáticos, dos sistemas
de catalogação cooperativa e d'e catalogação centralizada .
CLASSIFICAÇÃO
Estudo dos sistemas de classificação bibliográfica mais utilizados, além de análise dos esquemas de classificação espe80

�cializados nos diferentes campos científicos abordados no
programa do Curso.
SERVIÇOS TÉCNICOS DE BIBLIOTECA E
DOCUMENTAÇÃO
Organização dos serviços das bibliotecas e centros de documentação especializados; problemas encontrados, atualmente, nos trabalhos de informação e documentação científicas. Cooperação
intercâmbio bibliográfico.

e

HISTóRIA DA CI:f;NCIA
Evolução da Ciência e T ecnologia, tendo em vista fatos e
personalidades de maior relêvo, com ênfases nos séculos XIX
e XX e nos problemas atu ais de pesquisa científica.
Grupo de disciplinas optativas: Ciências Médicas, Ciências
Naturais, Ciências Agrícolas, Ciências Físicas e Matemáticas, Tecnologia .
O a luno deve escolher, entre os grupos de disciplinas optativas, uma especialização para a pesquisa bibliográfica. É
necessário porém que para cada uma delas h a ja, no mínimo, 10 alunos inscritos.
CI:f;NCIAS MÉDICAS
Sistemática e Terminologia; problemas modernos de interêsse para a p esquisa científica em Medicina; nomes internacionais d e institu ições de pesquisas no assunto.
CI:f;NCIAS NATURAIS
Conceito, objetivo e subdivisão de Biologia Geral, Geologia,
Botânica, Zoologia e Mineralogia. S istemática e Terminologia; aspectos dos problemas científicos atuãis relacionado::.
1
com cada uma dessas ciências; instituições de pesquisas no
assunto.
Cif:NCIAS AGR1COLAS
Sistemática e Terminologia; diferentes aspectos dos problemas científicos atuais relacionados com a Agricultura e a
P ecuária; instituições de pesquisa no assunto.
TEC OLOGIA
T erminologia e sistemática; expos1çao dos métodos da pe -quisa utilizados pelos tecnólogos, mostrando planejamento,
realização e comunicação dos resultados obtidos t endo em
vista a colaboração que pode ser prestada pelas bibliotecas e
centros de documentação.
81

�CIÉNCIAS FtSICAS E MATEMATICAS
Conceito, objetivo e subdivisão da Física, Química e Matemática. Exposição geral dos diferentes problemas científicos
referentes a cada uma dessas ciências.
OBSERVAÇõES:
O Curso de Documentação Científica tem a duração de n ove
meses, sendo o período letivo de abril a dezembro. Cada grupo de disciplinas optativas tem um coordenador e cada disciplina fica sob a regência de um professor.
MATRfCULA
Podem matricular-se no Curso de Documentação Científica
os portadores de diplomas de nível superior. (Só poderão
dirigir bibliotecas e centros de documentação aquêles que
possuírem o diploma de bibliotecário - Lei 4. 084/ 62) .
A matrícula é limitada a 30 alunos.
Os candidatos à matrícula deverão apresentar certificado de
conclusão de Curso de nível superior, atestado de sanidade
física e mental, possuir conhecimento de, pelo menos, uma
língua estrangeira e submeter-se a uma prova escrita d e
seleção.
APROVEITAMENTO
O aproveitamento do aluno é expresso pela méáia das notas
concedidas pelos professôres, de zero ·(o) a cem (100), aos
trabalhos e provas mensais, e a duas (2) provas parciais escritas realizadas em julho e dezembro, respectivamente, às
quais é atribuído pêso dois (2).
Há segunda chamada ~àmente para as provas parciais, e mediante apresentação de atestado médico.
Para aprovação, os alunos devem obter média final igual ou
superior a sessenta pontos (60 pontos).
É obrigatória a freqüência às aulas, às conferências e ao»
Cursos avulsos patrocinados pelo IBBD, que sejam realizados no mesmo período. As faltas justificadas não podem
exceder a 1/ 3 do número de aulas de cada disciplina.
Os alunos aprovados recebem diploma expedido pela Universidade do Brasil .
O aluno reprovado por falta de média ou freqüência em uma
ou duas matérias pode repetí-las em outro ano, pois não é
permitida a prestação de provas em segunda época .
BOLSAS DE ESTUDO
São concedidas pelo IBBD, com auxílio financeiro recebido do Ministério da Educação e Cultura, bôlsas d e estudo
aos candidatos dos Estados e países latino-americanos .
Para os candidatos a bôlsa de estudos, a idade máxima permitida é de 40 anos .

82

�Os bolsistas estão obrigados ao regime de trabalho integral,
complementando as horas de trabalho escolares com estágios nos diferentes serviços do Instituto Brasilei-ro de Bibliografia e Documentação.
lNSCRIÇõES
As inscrições estão abertas a partir de 6 de janeiro até 28
de fevereiro de cada ano.
Dirigir-se ao Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, à Avenida General Justo, 171- 3.0 andar - Rio de Janeiro, Brasil. Tel. : 22-9196. End. Telegráfico: BRASDOC) .

83

��9. -

CADASTRO DE PROFESSôRES

��9 -

A
Abs, Teresinha . .. . ... ......... . . . .. .. .
Albuquerque, Yves da Mota e . . ...... .
Almeida, Amelia Rosauro de ...... . .. .

CADASTRO DE PROFESSôRES

Documentação . .. .. . ..... . ....... ...... .... . ....... . EBDSC
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico .. . . CBDUFPe.
Catalogação Especializada ............. . .......... . . CBBN
Organização e Administração de Bibliotecas
Almeida, Antonio Ribeiro de . . .. ... ... . Evolução do Pensa mento Filosófico e Cientffico . .. . CBUFMG
Almeida, Lucio Campos (padre) .. .... . Hi stória da Arte .... .... ... . .. . . .. . . . .......... . .. . FBUCC
Amadeo, Déa Santos de Araujo Coutinho I ntrodução à Catalogação e Classificação . . .. ...... . CBBN
Amorim, Maria José Thereza de ..... . Classifi cação ... .. . .. ... ...... .... ....... . .. . . ... ... . CBDUF P
Andrade, Marinha de . . ... . .. . .. ..... . Referência e Bibliografia .. ......... . . . ... . . . . ... .. . EBDUF B
Andrade, Oswald de (filho) .... .... ... . História da Arte ........ .......... ....... . . .. . ... . . EBS P
I ntrodução à Cultura ArliHtica
Aquino, Aida Nery da Fonseca ele ... . História do Livro e elas Bibliot-ecas ..... ... ...... . . CBDI JFPe.
Aragão, Esmeralda Maria ele . . .. .. . . . . Cata logação . . . . . . .. .. . ... ... .... . . ........ . .... . ... . EBDUF B
Araújo, Graciette Glasner da R. .... . . História da Literatura .... . . .' ....... ...... ......... . CBDUFPe.
Araujo, Zilda Galhardo de ......... ... . Bibliografia E specializada . . .. . . . . . ... . . ..... . ..... . EBDSU
Bibliografia e Referência
Assunção, An tonio Teixeira ... ....... . História da Literatura Brasileira .. . . . . . . . .... . .... . FBUCC
História da Literatura Geral
Assunção, Jandira Batista ele .... . ... . . Catalogação e Classificação . . .. . . . .... .. . .. ... .... . . CBUFMG
B
Barbosa, João Alexandre
História da Arte .... . . . . ..... .. .. ... .. . . . . .. ...... . CBDUFPe.
Barbosa, Maria Dorothéa
Organização e Administração de Bibliotec:is .. ..... . CBDUFP
Relações Públicas
Barreto, Ana Paes . . ... ..... .... . . .. . . . Psicologia das Relações Públicas . .. . ..... . . .... .. . . CBDUFPe

�Beckmann, Clodoaldo . .. . ............ . ,
Bertolazzo, Maria do Carmo .. . ... .... .
Bispo, Reinaldo Correa . . ........ . .... .
Bonato, Ana Lucia Maia .. . ........... .
Bottar1, Maximiliano ....... .. ... ... . .. .
Bresolin, Ana Maria . .......... .. ..... .

e
Câmara, Liliah Santi\'a .. . . .. . . ...... . .
Camargo, Jsaar Carlos de . .... .. .... .. .
Campos, Apio Paes de (cônego) ...... .
Campos, Astério, S.D.B... .. ... ..... . . .
Carneiro, Regina . . .. .... ... .. . ... .... .
Caron, Oswaldo . . ... . . . .. . . ... ... .. . .
Carvalho, Abigail ele Oliveira ..... .. .. .
Carvalho, Antonieta . . .. . .. . . . .. . ..... .
Carvalho, Felisbela Libera to ele Matos ..
Carvalh o, Francisco J osé Liberalo tle
l\1atos . . .. . . . . ... . . .. ... . ... . .. . . ... .
Carvalho, Leopoldo Roberto M. ele . .. .
Carvalho, Maria Martha de ... . ..... .. .
Castilho, Gilka . . ... . .... . . .. . . ..... .. .
Castilho, Susa na . . ... .. . . . .. .. ... . .. .. .
Ca~tro, José Liberal de ............ .. ..
Ca\'alcanti, Cordelia Robalin ho ele Oli veir:1
Cohen, Nizeth . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...

Bibliografi a e. Referência . .. .. . ... .. ..... . . . ...... . CBUF'P
Introdução à P sicologia . . .. ... .. .. . ........ . ...... . EBDSC
Dibliografia E specializada .. ....... . ....... . ...... . CBBN
Catalogação ....... . ............ . ........ .. .. .. . .... . FBUCCC
H istória da Literatura .. . .. ..... ...... . ... . .. .. .. .. . EBDUFRGS
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais ... ... . EBDUFRGS
Catalogação 1: Classificação . . .... .. . .... . . . . . ... . . . . CBDUFPe.
Literatura e !Jibliografia Literária ......... . . .. . . . . EBSP
História do Livro e das Bibliotecas ......... .. ... . . CBUFP
Evolução do Pensamento Filosófico e Cientifico . . . . FBUNB
Organização do Trabalho Intelectual
Catalogação ... . . . .. ... . ....... . ... .. . ....... . .... . . . EBSP
I ntrodução à Cultura Histórica . . .. . . . . . . . . . . ..... . EBDSC
Administração Geral . . .. .. ....... .... ......... . .. . . . CBUFMG
Alemão .. .. ... ..... . .. ... .. . .............. ... . • ... . . . EBDUFB
Catalogação .. .... . .... . . . .... . . . . .... . . ... ........ . . EBDUFB
Seleção
Administração ..... . . . . . . . . . ........... . . . ... . . .... .
Psicologia . . .. .... .. . .. . .. . . . . .. . . . . ...... . ..... . .. . .
Catalogação .. .... . . ... ...... ...... .. .. . . . ... . .... . . .
In trodução à História e Sociologia .... . ........... . .
Introdução à História e Sociologia .... . .... .. .. . . . . .
História da Arte .. ..... . . .. . . ........ . ..... . .. . .... .
Classificação . . . . . ... .. . ..... .. . .. ...... . .... .... . . . .
Catalogação . .. ... . .. . . .... . . .. .... ... . . .. . . .... . .. . .
Classifi cação
Organização 0 Admin istração ele Bibliotecas

ERDUFB
EBDB
CR1 IFMG
CBDUFPe.
CBDUFPe
CBDUFC
FBUNB"CBUFP

�Conceição, Maria de Lomdes do Carmo Organização de Bibliotecas .. ....... ... ..... . .... .. . .
Corrêa, Nancy Westefallen . . . .. . .. .. . . História do Livro .... . . .. .. . .. . . . . ........ . ... .... .
Corrêa, Sônia C. . . . ..... .. . . . .. . ... ... . Classificação . . .... ... .... ... . .. . ... .. ....... . . . ... . .
Correia, Sara .... . ... . . . ......... . . ... . Catalogação .. ........... .. . . ..... . .. ... . . ......... . .
Seleção
Corugeira, Lindaura Alban .... . . ..... . Catalogação . ...... ..... ... . ........ . . .. . ...... .. . . . .
Costa, Aracy Fiuza . .... . .. .. ......... . Classificação ....... .. . . . . . .. . ................ . ... .. .
Costa, Ivanilda Fernandes da ... .. ... . Docu~entação . .. . . ...... .. : . . ...... . ..... . ........ .
Costa, Selma Fraga .............. . ... . História da Arte ...... . . . . .... .. .. . ........ . .. ... .. .
Cunha, Lelia Galvão Caldas da . .. . . . . . Bibliografia Geral ... ....... . . .. . . . . . .......... .. . .. .
Cunha, Maria Luisa Monteiro da . ... . . Ca talogação .. . ...... ... . . ... . . . . .... . ..... . .... .. . . .
Czajkowska, 1. J . . .. . . . . ....... . .. .. . . . Bibliografia ... . .. .. . ... .. . . . ... .. .. ... . .. . . .... . . .. .
Documentação

EBDUFD
CBDUFP
EBDSC
EBSP
EBDUFB
CBDUFC
CBDUFPe.
EBDUFB
EBBN
EBSP
CBDUFP

D
Dagnone, Maria Therezinha ... .. . ... . .
Damasceno, Alvaro Fraga .... . .. . . .. . .
Dias, Antonio Caetano . ... . .. . .. . ... . . .

Catalogação .. ..... . ..... : . .. .. ...... . . · . · · · · · · · · · · · ·
História da Arte . . .... . .. . - .... . ...... . . ........ . . . ·
Introdução à Catalogação e Classificação . . . . . . . . . . .

EBDSC
CBUFMG
CBBN

Ética Profissional .. . .. .. . ... . . .... . ... . ... . ... .. . . . .
Relações Humanas
Introdução aos E studos Históricos e Sociais .. . . ... .
Inglês .. .... . .... . ..... . .. .. . • • • • • • • • • · • · · · · · · · · · · ·

FBUCC

Italiano .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Organização e Administração de Bibliotecas . . . . . . . . .
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

CBDUFC
CBBN
EBSP

E
Ehrenberg, José Narciso Vieira (padre)
Eloi, Vicente . ........ .. . . . ... .. . ... . . .
Etzwiler, Niola . ...... . . ... .. ........ . .

CBUFP
CBDUFC

F
Facó, Hesíodo de Queiroz
Fernandes, Oséa Botelho
Ferraz, Maria Antonieta ....... ... . . .. .

�Ferreira, Carminda N. C. . ........... .

Ferreira, Orlando da Costa . .. ........ .
Ferreira, Oscar M. C. . ............... .
Fialho, Tais ....... .... ... . . ..... . ... .
Figueiredo, Jairo Peres .. . ....... . .. . .
Figueiredo, Laura Maia de .. . . ....... .
Figueiredo, Maria de Lourdes Nogueira
Fonseca, Eclson Nery da ............. .
Fonseca, João Carlos O. T. Gomes . . . .
Forti, Mercedes de Jesus Tomé .. ... . . .
França, Josué Spina
Freitas, Adda Drügg

Introdução à Cultura Artfstica ........... .... ........ EBDSC
Literaturas Brasileira e Portuguêsa
Bibl1ografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBDUFPe.
Paleografia .. ...... .. . . . ..... . ... .... ............... .
EBDSC
Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBUFP
História da Arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFRGS
Bibliogrnfia Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ÇBBN
Organ ização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBSF
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FBUNB
Literatura Brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFB
História do Livro e das Bibliotecas . . . . . . . . . . . . . . . . . . FBUCC
Organização e Administração de Bibliotecas
Introdução às Ciências Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBSP
Documentação ......... .. .. : . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFRGS

G
Gama, Nilton Vasco da .... .. ........ . .
Garcia, Maria Lucia Andrade .. ...... .
Giongo, Jacy M. . ... .. . ... . ...... .... .
Groísmann, Minda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Guimarães, Cleonice Diva . . . ... . . . . .. .

Paleografia e Literatura Universal . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Introdução aos E studos Históricos e Sociais . . . . . . . . .
Introdução às Ciências Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Organização e Administração ele Bibliotecas . . . . . . . . .
Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBDUFB
CBUFMG
EBDSC
EBDUFRGS
EBDB

Bibliográfia e Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Classificação
Doeu men tação

EBDSC
EBDSC

Paleografia
Bibliografia

CBBN
FBUCC

H
Haddad, Laila .... . . ........ .. . .. . .... .
Hamar, Alfredo Américo ........ . .. .. .

Hasselmann, Emmanuel Aclolpho P inheiro .... . . .. .. .. .... . . . . . .... ... . .
Hermann, Luiza Suzana Ernestina . . . . . .

�J
Jordão, Antonio (netto) . . . . . . . . . . . . . .

[nlrodução às Ciências Sociai:o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBSP

K
Kangussú, Regina Helena .. . .... . ..... .
Kern, Selma . . ..... . ..... . . . ... . . . . . . . .

Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBUFMG
Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFRGS

L
Laclette, Paula . . . . . . .. ... .... .. .. . .. . . .
Leão, Angela Tonelli Vaz . .... . ....... .
Leite, Maria Stela Santos Pita .. .. .. . . .
Leite, Sebastião Uchoa ... . . ... .. . ... . . .
Lensi, Ersio . . ........ . .. .... . .. . ..... .
Lentino, Noemia . . .... . . .. ... .... . . . . . .
Leoni, Giullo Davide .. . .. .. ... . . . . . ... .

Encadernação ... . .... .. . . ... . . . ... . .. .. .. . . . .. .... . .
História da Literatura . . .. .. . .. ... . ... .. ... .. ..... .. .
Classificação .. ... .... . .. ........ ... ... .. ..... ... .. . .
Seleção de Material Bibliográfico . . . .. . ... . .. . . . ... .
Introdução aos E studos Históricos e Sociais .. .. . . . . .
Classificação . . ...... .. ... ................ .... ... .. . .
História cio Livro .. . ....... . . .. ...... . .... .. . . :... .. .
Paleografia
Lima, Etelvina . . ......... . ...... .. . . . . Organização e Administração ele Bibliotecas . .... ... .
Seleção de Livr os
Ltma, Maria Leticia de Andrade .. .... . Classificação . . ... . .. . . .... . . . . . .... . ... .. . ....... . . .
Lisboa, Henriqueta ...... .. . . . . .. . .. .. . História da Literatura . ... ... .... . .... . . ...... ... .. .
Louzada, Wilson de Almeida . .. . . .. . .. . História do Livro e das Bibliotecas ..... . . .. . ..... . .
Luna, Dinorá Mendonça . .... . . ..... . . . . Classificação ....... . ......................... .. ... . .

EBDSU
CBUFMG
EBDUFB
CBDUFPe.
FBUCC
EBSP
EBSP
FBUNB
CBDUFPe.
CBUFMG
CBBN
EBDUFB

'

�.

l •

.
•

M
Macedo, Vera Amal!a Amarante .. . ... .
Magalhães, Raymundo ... .. . . ........ . .
Maranhão, Helena Lapa .. . .. ... ...... .
Márquez, Zenaira Garcia ... .. ......... .
Martins, Myriam Gusmão ele .......... .
Marins, Roberto . : . : . .. .... . ....... . .. .
Matta, Emmanuel ...... . ......... . .... .
Mattos, Odilon N. ... . .......... . ..... . .
May, Maria 1. Ramos ... ......... . . .. .
Mello, José Antonio Gonsalves ele (netto)
Mendes, Francisco Paulo .... ........ .. .
lviello, Manoel Caetano Bandeira ele . . .
Mello, Milton Ferreira de .... . ....... .
Mello, Myriam Gurjão de .. . ... ... . . . . .
Mendonça, João Ignácio de .. ... . . . .... .
Mesquita, E smeralda Ribeiro . .. . . ... . .
Meyer, Augusto .. . . . ..... ......... .. .. .
Migliari, Euclides .. ....... .. .. . .... ... .
Minssen, Ludlia . . .... .. .. .. . . . . . ..... .
Monteiro, Geovana B .. . . .... .......... .
Montello, J osué de Souza .. . ... ........ .
Moraes, Ana Maria Dias de ... ..... .. . .
Moreira, Ruth Versiani ..... . .. . . .. .. . .
!Vforeira, Myriam Levy Cardoso ........ .

Docun1entação .. . ....... ... . ... .... .. ... ...... . .... .
Introdução à Cultura Histórica e Sociológica . .. .. . . .
llislória ela Arte ..... . . .. .... . .. .. ....... ... .. . . .. . .
História do Livro
Catalogação . ... .. .. .... . .. . ... .. .. ... .......... . . .. .
Referência . . . ....... . ........ ........ .... . . .. . ... .. .
Paleografia ...... ..... .. ... ... . ..... .. . ...... . . .... .
I ntrodução aos Estudos Históricos e Sociais ... . .. . . .
Introdução à Cultura Histórica .... . ............... .
Referência .. . .. ... .. . ..... ...... . .................. .
Paleografia .............. . . ... .... .. .. . ... ... . ..... .
História da Arte ... . .. .. ... ... ..... ... . ... ......... .
História da Literatura
Literatura e Bibliografia Literária . ..... .......... . .
Classificação .. .. .... .. . . ... .. ..... .. . .. ....... . . . .. .
Catalogação .. ...... . ...... ....... . . .. .. . . . ... . ..... .
Referência
P sicologia . .... ... ....... . . . ........... .... . . . .. . . . .
Organização .. . .. . ... . .... . .... . ............. . ...... .
Evolução do Pensamento Filosófico e Cientifico .... . .
Introdução ao Pensamento Filosófico e Cient[fico . . . .
Bibliografia e Referência .. . ... .. . . ..... ......... .. . .
Espanhol . .......... . .. .. . ... . . . ... .... . ....... . . . . .
Literatura e Bibliografia Literária . . ... ... . .. .. .... .
Inglês .. . . .... .... .. . .. . . ... .. ..... . ... ... . . ... .... .
Organ ização e Administração ele Bibliotecas . ..... .. .
Psicologia .. . ... . . .. . .. . .. . ........ .. ... .......... . .

CBUFMG
CBBN
EBDSU
EBDUFRGS
CBDUFPe.
EBDSU
EBDUFB
EBSP
CBDUFP
CBDUFPe.
CBUFP
CBBN
CBDUFPe.
FBUNB
EBDUFB
EBDSU
CBBN
CBDUFP
EBDUFRGS
EBDB
CBBN
EBDB
CBUFMG
EBDSU

�N
N3scímento, Nolka ....... . . . .. ....... .
Novack, Marieta Pestana ...... ..... .. .
Novaes, Aldaísia Costa .... .......... .
Nunes, Benedito . .. ... ... .... . . .. ..... .

Organização e Administração de Bibliotecas . . . . . . . . .
Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Fr.incês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Evnlução do Pensamemo F ilosófico e Científico . . . . .

CBBN
EBSP
EBDUFB
CBUFP

Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBDUFB

o
Oliveira, Alzira Conceição Passos de

p
Pacomia, Mar ia Tereza Amorim ....... .
Paternostro, José Novaes ... . . . . . . . ... .
PeLxoto, Rosy Bleggi ..... . .. . .. ... ... . .
Pereira, Cecllia Duprat de Britto ...... .
Pereira, Cleide Ancilon de Alencar . . .. .
Pereira, Elsy Guimarães Ferreira . . .. .
Pereira, Tereza Leal Gon\'alves .. ...... .
P erruci, Gadiel . .... .. ... . ....... . .... .
Petry, Zahyra de Albuquerque ... .. ... .
Piedade, Maria Antonieta Requião .. . . . .

Bibliografi a Especializada ......... . ..... ....... .. . . .
Psicologia das Relações Humanas ....... .. ...... . . .
Orga nização e Administração de Bibliotecas .... . .. . .
Seleção de Livros e Orientação de Leitura .......... .
Catalogação .. .. . . . . .. ..... . .. ... . ........... .... . .. .
História da Arte ..... . .. ................ .. . ........ .
H istória da Literatura ........ . .... . ... . .. .. . . ... .. . .
Introdução aos Estudos Hlstóri~os e Sociais ... .... .
Paleografia . .. ... ........ . ..... .... . ... ............ .
Catalogação .. ....... .... .... ... . . ... . ... ... ..... . . . .
Classificação
P inke, Mar ia Ani tonieta Ribas ........ . Docum entação .. ....... . .... . . ...... .. ........ ..... .
Paleografia
·
P irolla, Maria Chr istina G.. ........ .. . . Classüicação .... .. ........ ..... ... ....... .. . ... . . .. .
P lacer, Xavier . . .... . .. . ... ..... .. .... . Técnica do Serviço de Referência ...... . .... ..... .. .
Polke, Ana Maria Athayde ... .... . . ... . Bibliografia Geral e Referência . . . ... ..... ... ...... .
Prado, Helolsa de Almeida ...... .. .. .. . Organização •. ... . .......... ...... ... ... .. . ... .. . ....
Proença, Domfcio Filho .... . .. .. . ..... . Cultw·a Literária ... ... .. .. .. . ............. . ........ .

'

...

CBDUFPe.
EBSP
EBDSU
EBDSU
CBDUF C
CBBN
EBDUFB
CBDUFPe.
EBDUFRGS
EBDSU
FBUCC
EBDSC
CBBN
CBUFMG
EBSP
EBDSU

�R
Raulino, Perola ......... . . ........ . ... .
Ribeiro, Boanerges .......... . . ... .. . .. .
Ribeiro, Ibany da Cunha ... .. .. . . ... .. .

s
Sambaquy, Lydia de Queiroz . .... ..... .
Sant'Anna, E urydice Pires de ......... .
Santos, Jahyra Corrêa ....... . ....... . . .
Santos, J orge .............. .. ... ...... .
Schneider, Delmar .. . ... .. . ........... .
Schre!ber, Maria Romano .. .. . ... . .... .
Secondi, Pedro, O. S. D. ............. .. .
Seixas, Antonio Francisco Vasconcelos . .
Sigrist, José Luiz ................ .... ..
Silva, Eunice D. G. . . ... .. .. ...... .. . . .

Silva, José Calazans da .. .. . . ... .... . .
Silva, Oswaldo Imbassahy da ... .. . ... .
Silva, Yedda Roesch da .. ... . ........ . .
Siqueira, Lourdes Mesquita ....... . . . .. .
Sousa, Adelaide Tarquínio de .... . . . . . .
Souza, Deralclo ... .. .. .... ... . . . . .. .. . .
Souza, Francisco ele Paula (paclre ) . ... .
Spaziani, Eclena ... .. . .. .. .. . ... . . . . .. .

Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Introdução ao Pensamento Filosófico e Científico . . . .
Organização e Técnica de Documentação . . . . . . . . . . . .

FBUNB
EBSP
CBBN

Evolução do Pensamento Filosófico e Científico ... . .
Documentação ....... . ... . .... ..... ..... . ....... .. . .
História elo Livro e das Bibliotecas . ... ..... ... .... .
Organização e Técnica de Documentação .... . . .. . .. .
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico ..... .
História do Livro e das Bibliotecas .......... . ... .. .
Cultura Filosófica .. .. .... .. .... ....... . .. . .. ..... .. .
Cultura Científica . . ... .. ... . ... .... .. . ..... ... . .. . . .
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico . ... . .
Encadernação .............. .. ... ... ... . . . ... . ..... . .
Organização e Administração de Bibliotecas
Seleção de Livros
Introdução aos E studos Históricos e Sociais ... ... .. .
História do Livro ..... .. .. . ........ . ........ . ...... .
Psicologia das Relações Humanas ................ . . .
Classificação .. . . .. . .. .. ...... .. . . . . .. . ....... . .. ... .
Inglês . . . .. . . ...... . ........ . . . . .... .. .. .. .. • ...... •.
História do Livro e das Bibliotecas ... ... ..... .. ... . .
Cultura Religiosa .. . ..... . ... . ........ .... . . ....... .
Catalogação ....... ................... . .. . . ........ . .
Teor ia da Organizaçã() e Adm inistração ele Bibliotecas

CBBN
EBDUFB
EBDUFRGS
CBBN
EBDUFRGS
CBUFMG
EBDSU
EBDSU
FBUCC
EBDSC
EBDUFB
EBDUFB
E·BDUFRGS
EBSP
EBDUFB
EBDB
FBUCC
EBDSC

�T
Tacques, M.ari:1 Nazareth Montojos .. . .
Tapajós, Vicente da Costa Santos .. . .. .
Tavares, Denise Fernandes .... . . .... .
T avares, José Augusto .......... ...... .
Tavares, Luis Henrique Dias . . ..... . .. .
T avar es, Maria ele Lou rdes ... ..... .
T aveira, Zilda Machado . .. ............ .
Taylor, L ourdes S . ..... ... ............ .
Tolentino, Mario .... . .. . .. ......... . . .
Trajano, Carmen de Andrade Melo . ... .
Tymburibá, Marina Camargo . .. .. .... .

Organização e Administração ele Bibliotecas .. .. . ... .
Cultura Histó rica ............... . ... . . .. .... ....... .
Orga nização e Administração de Bibliotecas . . . ... .. .
I ntrodução aos Estudos Históricos e Sociais ........ .
Evolução cio Pensamento Filosófico e Cientifico ..... .
Classificação . . . ....... . .. . ...... . ............... . .. .
Bibli ografia . . . . . .. ... .. . . .... ... . ... . . . . . . ..... . .. . .
Documentação
Tntroclu ção à Cultura Filosófi ca . ......... . .. ...... .
Introdução à Cultura Científica . . . . . . . ......... . .. .
Catalogação . . .. . ....... ... ........ . .. . ...... .. . ... . .
Prática Bibliotecária . . . . . . . . . . . . . . . ............ ... .

EBDSU
EBDSU
EBDB
EBDB
EBDUFB
CBUFP
EBSP

Doutrina Social ela Igreja . .. . ... ............... . ... .
História da Arte .... . ... ... ... ........ ...... . .... . . .
Administração de Bibliotecas .................. . .. . .
Bibliografia E specializada . .. . .. ........... . . . .. . ... .
Documentação .. ... .. . . .. .... . : . ....... .... . .... ... .
Classifica ção .... . ..... .' . ...... . .. ... .... .......... . .

EBDSU
CBBN
CBDUFPe.
CBUFMG
FBUNB
CBUFMG

Classificação Especializada ...... . . .... . . . ... .. ... . . .
Documentação e Métodos Bibliográficos

CBBN

EBDSC
EBDSC
CBDUF Pe.
CBUFMG

V
Valente, Cesar Ludovicus Baptista .... .
Valladares, Clarival do PradQ ... ...... .
Veiga, J osé Glaucio .......... .... ..... .
Via!, Annais Maria P ereira .. .
Vicentini, Abner Lellis Cor réa . . . . . . . .
Volpini, Elton Eugenia ... . ....... ... . .

w
\Vanderley, Manoel Adolpho

z
Zaher, Celia Ribeiro ...... ...... .... . . .
Zaidan, Regina Buffara ... .. ....... .. . .
Zink, Ernesto Manoel ..... . . .. .. ..... . .

CBBN
Técnica do Serviço de Referência . . .... ...... .. .. . . .. CBDUFP
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FBUCC
Classificação
Bibliografia e Referência . . .. .... . . .. .. . .. . . . .. .... . .

�CADASTRO DE PROFESSôRES
Ordem pelo prenome
A
Abigail ele Oliveira Carvalho ... . .... .
Abner Lellis Corrêa Vicentini .. ... .. . .
Adda Drügg Freitas .... . ..... .. . .... .
Adelaide T arqu!nio de Sousa .. .... .. .
Aida Nery da Fonseca de Aquino . . . . .
Aldafsia Costa Novaes .. .. ... ....... . .
Alfredo Américo Hamar ... ..... ... . . .

Alvaro Fraga Damasceno . ... .. . . ... .
Alzíra Conceição Passos de Oliveira . .. .
Amelia Rosauro de Almeida ... . ...... .
Ana Lucia Maia Bonato . .. ..... ... . .. . .
Ana Maria Athayde Polke . .. ..... .. . . .
Ana Maria Bresolin . . .. . .... . . .. . ... . .
Ana Maria Dias de Moraes . . . ... . . .. . . .
Ana Paes Barreto .. . .. . . . . ... .. . .... . .
Annais Maria Pereira Via! . ..... . ... .
Angela Tonellí Vaz Leão . . . . ..... ..... .
Antonieta Carvalho . .... . . . .. . . . . ... .. .
Antonio Caetano Dias .. .. .. . ... . . ..... .
Antonio Francisco Vasconcellos Seixas .
Antonio J ordão Netto . ......... .. .... .
Antonio Ribeiro de Almeida ..... .. . .. . .

Administração Geral ... . ..... . ... ... ... . ...... .. .. . .
Documentação .. . . . . . .. ....... . . .. ......... . ..... . . .
Documentação .. ... .. ..... . .. . . ..... . ... .. . . . . ..... .
Jnglê~ .............. . . .. .. .. . . ....... ... . .. ........ .
H istória do Li vro e das Bibliotecas .. .. ...... ...... .
Fra ncês ...... . . ..... . .. , ... . . . . .. .. ... .. . . .. . ..... . .
Catalogação ..... . ...... ... ....... . .. . . . .. .. . .. ... .. .
Classificação
Documentação
História da Arte ..... . ...... . . .. . .. ... .. ....... . . .. .
Bibliografia .... . .... .... .... . . . .... .. .............. .
Catalogação Especializada ........ . ..... .. ... . .. .. .. .
Organização 0 Administração de Bibliotecas
Catalogação .. . . . ... . .................... .. . . . .. . . .. .
Bibliografia Geral e Referência ............ . . . . .... .
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais . . .. . .. .
Inglês ..................................... .. .... .. .
Psicologia elas Relações Públicas ... . . ... . ...... .... .
Bibliografia Especializada . . . . . ..... . . .... . ....... . . .
Histór ia ela Literatura . . .. . . ..... . . . . .. .. .. ... . .. .. . .
Alemão .. . . . . . ..... .. ... . . . . .... , . . ........ . .. . .. . . .
Introdução à Catalogação e Classificação ... ... . .. .. .
Cultura Cientffica .......... . ... . .............. .. ... .
Tntroclução às Ciências Sociais ... . . . . . ... . .... . . . ... .
E,·oluç-ão cio Pensamento Filosófico e Cientffico .. . . .

CUUFMG
F'BUNB
EBDUFRGS
EBDUFB
CBDUFPe.
EBDUFB
EBDSC

CBUFMG
EBDUFB
CBBN
FBUCC
CBUFMG
EBDUFRGS
EBDB
CBDUFPe.
CBUFMG
CBUFMG
EBDUFB
CBBN
EBDSU
EBSP
CBUFMG

�Antonio Te ixeira Assunção .. . . . .. . . . . . .
Apio Paes de Campos (cônego ) ... . . .. .
Aracy Fiuza Costa ... ....... . ... .... . . .
Astério Campos S. D. E . .. ... . .. . . ... . .
Augusto i\-Icyer

Histór ia da Literatur a Bras llel ra . . . ... .. . . . . . . . .. . . .
História ela Literatura Geral
História do Livro e das Biblioteca!l . . . . . .. . . . . .. . ... .
Classificação . . . .. . .. .. ..... . . .. . ... . ... .. . . .. . . .... .
Evolução cio Pensamento Filc;sófico e Científico . . . . . .
Organização cio Trabalho Intclcctu:il
Evolução do Pensamento Filosófico e Cicntfflco .. . . . .

FBUCC
CBUFP
CBDUFC
FBUNB
CBBN

B
Benedito Nunes .... . .. . .. . .. .. .... ... . .
Boanergcs Ribeiro

Evolu&lt;;ãv do Pensam ento Filosófico e Clentffico . . . . . . CBUFP
Introdução ao Pensamento Filosófico e Cientifico . . . . EPSP

e
Carmen ele Andrade 'Melo Trajano . . . .
Carminda N. C. Ferreira .... ..... .. . .. .

Catalogaçiío . ... ..... .. ..... . .. . ...... . ...... . ..... . .
Introdução à Cultura Artistlca ....... . .. .. . .. ... . . . .
Literaturas Brasileira e Portuguêsa

CBDUFPe.
EBDSC

Cecilia Duprat de Britto Pereira ..... . .
Celia Ribeiro Zaher ... . . . . . . . . .. .... . . .
Ccsar Ludovicus Baptista Valente . . . . .
Clarival do Prado Valladares ....... .. . .
Cleide Ancllon de Alencar Pereira . ... . .
Cleonice Diva Guimarães . .. .. ... .. . .. .
Clodoaldo Beckmann . .... .... ....... . . .
Cordella Roballnho de Oliveira Cnvalcantl

Seleção de L ivros e Orientação de Leitura . . .. . .. . . . .
T éc nica do Serviço de Referência ....... .... .. . . . . . .
Doutrina Social ela Igreja . . ... . .. .... . ...... . .. . .. . .
História da Arte ... . .... . .. .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . .. . .
Cntalogação . .. .. ... . . .. .. . .. . . .. .. . . . .... . .. . . . ... . .
Classifícaçào .. ... . ........ . . . . . . . . .. ... . . . .. . .. .... .
Bibliografia e Referência . . . .. .... . .. . . . .. . . ...... .. .
Classificação ... ... . .......... ...... .... . . . . .. .. . . . .

EDDSU
CBUFP
lí.:DDSU
CBBN
CBDUFC

EBDB
CBUFP

FRCNB

�D
Déa Santos de Araujo Coutinho Amadeo Introdução à Catalogação e Classificação ........... .
Delmar Schneider ..... .. ... ..... , ... . . Evolução do Pensamento Filosófico e Cientifico ... .
Denise Fernandes Tavares .... ....... . Organização e Administração de Bibliotecas . .. ..... .
Deraldo Souza .. . ............ .. ....... . História do Livro e das Bibliotecas ...... .. . . .. . . . .
Dinorá Mendonça ,Luna . .......... . . . . Classificação ................. .. . . ..... ...... .. , .. . . .
Domfcio Proença Filho , ....... .. ... .. . Cultura Literária .................. . ....... .. .. .... .

E
Edena Spazianl ...... ... .. .... .... ... . .

Catalogação .. .... . .... . ........ . . . ..... . ........... .
Teoria da Organização e Administração das Bibliotecas
Edson Nery da Fonseca . .. ........... , Bibliografia ................... ..... . . .............. .
Elsy Guimarães Ferreira Pereira ..... . História da Arte ......... ............ .............. .
Elton Eugenio Volpini ........ .. . .... . Classificação ........ ... . . ..... .... . . .. . ... .. .. . .. .. .
Emmanuel Adolpho Pinheiro Hasselmann Paleografia ............. . . . . ................. ... ... .
Emmanuel Matta ....... . ............. . Introdução aos Estudos Históricos e Sociais .... . .. .
Ernesto Manoel Zink .. . .............. . Bibliografia e Referência ............... .. ......... .
Catalogação
Classificação
Ersio Lensi .. . , ............ .. . .... , ... . Introdução aos Estudos Históricos e Sociais ....... .
Esmeralda Maria de Aragão , . .. . ... . . . Catalogação ... ... . . . . . ............. .. ... .. . .... . . .. .
Esmeralda Ribeiro Mesquita .......... . Organização ...... ....... .. ... . .... . ... .. .... .. .... . .
Etelvina Lima ... . .. . . .... ...... . ..... . Organização e Administração de Bibliotecas . ....... .
Seleção de Livros
Euclides Migliari . .... .. .............. . Introdução ao Pensamento Filosófico e Cientifico . . .
Eunice D. G. Silva ...... ............. . Encadernação . .. ..... . ............. ... ....... . ..... .
Organização e Administração de Bibliotecas
Seleção de Livros
Eurydice Pires de Sant'Anna .. . , ..... . Documentação ... . ..... . ... . . . .. ... . . . . . . .. . . .. ... . .

CBBN
EBDUFRGS
EBDB
EBDB
EBDUFB
EBDSU
EBDSC

FBUNB
CBBN
CBUFMG
CBBN
EBDUFB
FBUCC
FBUCC
EBDUFB
EBDSU
FBUNB
CBDUFP
EBDSC

EBDUFB

�F
Felisbela Liberato de Matos Car valho
Francisco de Paula Souza (pad re) .. ..
Francisco J osé Liberato de Matos
Carvalho .. ....... . . . ... .... . . .. . . . .. .
Francisco Paulo Mendes

G
Gadiel Perruci
Geovana B. Monteiro .. .. .... .... . . . .. .
Gilka Castilho . .... .. . . . .. . . . . . . .. . . . . .
Giulio Davide Leoni . .. .. . . . ... ... . . . . .
Graciette Glasner da R. Araújo .... ... .

Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Seleção
Cultura ReAigiosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Heloisa de Almeida Prado .. ... . .. . .. . .
Henriqueta Lisboa .... . . . . . . .. ........ .
Hesfodo de Queiroz Facó . . . . . . . . . . . . .

FB UCC

Ad ministração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFB
História da Arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBUFP
História da Literatura
I ntrodução élOS E studos Históricos e Sociais . . . . . . . CBDUFPe.
E spanhol . ... . .. ........ ... . ... . .. . . .. .... ...... . . . , EBDB
I ntrodução à História e Sociologia . . . . . . . . . . . . . . . . . CBIJUFi'
H :stória do Livro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBSP
História da L iteratura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBDUFPe.

H
Helena Lapa Maranhão

EBDUFB

História da Arte . . . .. . .. . ... . .. . .. . . . . . .. . . . . .. .. . . .
História do Livro
Orga nização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
História da Literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Italiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBDSU
E BSP
CBUFMG
CBDUFC

1
Ibany da Cunha Ribeiro
Irene Josefa Czajkowska
Isaar Carlos de Camargo ..... . .... . . . .
Ivanilda F erna ndes da Costa . ... . . . . . .

Organização E: Técnica de Documentação . . . . . . . . . . . .
B ibliografía . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Documentação
Literntura e Bibliografia Literária . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Documen tação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

CBBN
CDDUFI'
EBSP
CBDUFPe.

�J
Introdução às Ciências Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
História do Livro e das Dlbliotccas . . . . . . . . . . . . . . . .
História da Arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Catalogação e Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
História da Ar te . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Literatura Brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Psicologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Organização e Técnica de Documentação . . . . . . . . . . .
Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Introdução aos E i;tudos Históricos e Sociais . . . . . . . .
Introdução aos E:,;tudos Histór icos e Sociais .. .. ... .
Administração de Bibliotecas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
História da Arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
E volução do Pensamento F ilosófico e Clcntffico . . . .
É tica Profission al . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Relações Humanas
Joi;é Novaes Paternostro . . . . .. . . . .. .. . Psicologia das Relações Humanai; . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Josué de Souza Montcllo .... . . . . . . . .. . Literatura e Bibllografia Li terária . . . . . . . . . . . . . . . . . .
J osué Spina França .. . . . .. .. . . ... . . . . . Introdução às Ciências Sociaís . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Jacy M. Glongo . . . .. . . ........ . ..... . . .
Jahyra Com~a Santos . ... . . ........ . . . .
Jairo Peres Figueiredo . ... ...... . ... . .
Jandira Batista de Assunção .. ... . .... .
João Alexandre Barbosa ....... . .. .. . . .
João Carlos O. T. Gomes F onseca . .... .
João Inácio de Mendonça . .. . . . . .... . .
Jorge Santoi, . . . . .. .. .. .... ... . . . . . .. . . .
J osé Antônio Gonsalves de :Mello Netto
José Augusto Tavares . . .. ..... . .... . . .
José Calazans da Silva .. ........ ... .. .
José Glaucio Veiga .. . . . . . ... ..... .. .. .
José Liberal de Castro ............ . .. . .
José Luiz Sigrist ... . . .. . . ... . . . ..... . .
José Narciso Vieira Ehrenberg (padr&lt;!)

l!.:BDSC
EBDUFRGS
EBDUFRGS
CBUFMG
CBDUFPe.
EBDUFB
EBDUFB
CHBN
CBDUFPe.
EBDB
CBDUFPe.
CEDUFC
FPUCC
FBUCC
EBSP
CBBN
EBSP

L
Laila Haddad
Laura Maia de F igueiredo . . .. ........ .
Lelia Galvão Caldas da Cunha .... . . . .
Leopoldo Roberto M. de Carvalho . ... .
Lilian Saraiva Câmara .. . ..... . .. .... .
Lindaura Alban Corugeira . . ....... .. . .

Bibliografia e Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bibl iografia Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bibliografia Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Psicologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Catalogação e Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBDSC
CBBN
CBBN
~BDB
C3DUFPe.
EEDD

�Lourdes Mesquita Siqueira ... .. .. .... .
Lourdes S. Taylor ......... ... . ... . .. . .
Lucllia Minssen . ......... . ...... ... . . . .
Lucio Campos Almeida (padre) . ..... .
Luís Henrique Dias TavRres .. .. . ... .. .
Luiza Suzana Erne;;tina Hermann .. . .
Lydia de Queiroz Sambaquy .. . ..... . .

Classificação . ... . . ... ... ..... . ...... .... .. . ... ... .. .
I ntrodução à Cl1ltura Filosófica ...... ....... . ... . . .
Bibl!ografia e Referência ... . .... ..... ............. .
História ela Arte .. . ... . .... . .......... .. . .... . ... . . .
Evolução elo Pensamento Filosófico e Científico . .. .
Bibliografia ......... . .. .. . ..................... ... . .
Class üicação
Evolução do Pensamento Fi l05ófico e Cientifico . ...

EBSP

EBDSC
EBDUFRGS
FBUCC
emUFB

FEUCC
CBBN

M

Maria Christina G. Plrolla . . . . . . . . . . . .
Maria de Lourdes Nogueira Figueiredo . .
Maria de Lourdes do Carmo Conceição . .
Marina ele Lo urdes Ta vares ... ..... . .. .
Maria cio Carmo Bertolazzo ...... .. . .. .

Class ificação Especializada ............... . ... .. ... . . CBBN
Documentação e Métodos Bibliográficos
Literatw·a e Bibliografia Literária ... . .. ..... . .. .. . CBBN
Introdução à CLL!tura Históric:1 . . ... . . .. ..... . . . .. . .
Introdução à Cultura Científica
Docwnentação .. . . . .... .. . .. . .. . . . ... .. . . ..... .. ... . FBUCC
Paleografia
Bibliografia ......... . ........ .. ... . ...... .. . . .. . .. . . EbSP
Catalogação .... . . . . . . . .. . .... . . .. ... ... .. ... ... ... . . EBDSU
Classificação
Classificação .. . ... . . .. . .... . . .. . .. ... ... . . ... . ...... . EBDSC
Organização .. ..... ... .. .. . .. . . . . . .. . ........ . ..... . . EBSP
Organização àe Bibliotecas .. . . . . . . ... . . . . ...... . . . . . EBDUFB
Classificação . . . .. . ........ . . . ... . .. ......... . .... . . . EBDUFP
EBDSC
Introdução à Psicologia

Maria Dorothéa Barboz::i .... .... . . .. . .
Maria I. Ramcs May ....... . .. .. .... . .

Organização e Administração de Bibliotecas . . . . . . .
Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Manoel Adolpho Wanderley ... . ... ... .
Manoel Caetano Bandeira de Mcllo ... .
Marie Tolen tino .. ... .. .. . .. ....... . . .
Maria Antonia Ribas Pinke . . ...... .. .
Maria Antonieta Ferraz ...... . . .... .. .
Maria Antonieta Requião Piedad e ... . . .

CBDUFP
cnDUFP

�CBDUFP
CBPUFPe.
CBUFMG
EBSP
CBUFMG
EBDSU
CBUFMG
EBDUFH
CBDUFPe.
EBDSC

Myr!am Gusmão de Martins .. . ...... . .
Myriam Levy Card0so Moreira ...... . .

Classificação .. ............... .. ... .... .. .. ... ..... .
Classifícação ..... ... .... ....... . .. ............ .... .
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais . ... . . .
Catalogação . . .. ................... .. .... .... .. . . ... .
Catalogação ....... .. ......... .... . ............ ..... .
Organização e Administração de Bibliotecas . ... . . .. .
Hit:,tória do Livro e elas Bibliotecas ...... ........ .
Classificação .... . . ... ...... ....... .. .... . .......... .
Bibliografia E specializada ....... . ........ . .... . .. .. .
Catalogação .. . . .. .. ....... .. ...... . . . . .......... . .. .
História do Livro
Referência . . .... . . . .. .... . . . ... .. . ................. .
Prática Bibliotecária ...... ... .. ..... . ....... . .. . . .. .
Referência e Bibliografia . .. . . . ............ . ....... .
Introdução à Cultura Científica . ... .... ... .... . .. .. .
His tória da Literatura ...... .. .... . ..... . .. . ...... .
História do Livro e das Bibliotecas . . . ........... .. .
Classificação ....... .. . .. . . ............. .. .......... .
Organização e Administração de Bibliotecas . . . ... . . .
Catalogação ....... . .......... . ..... ......... .. . . ... .
Referência
Referência . .. .... . . .. . . . .. . . . .. .. ...... ... . ..... . . . .
Psicologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . .......... .. . . .

N
Nancy Westefallen Corrêa .. .. . ...... .
Nilton Vasco da Gama ..... . ... ... .. .. .
Niola Etzwiler ..... ........ .. .. . . ... . . .

História do Livro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBDUFP
Paleografia e Literatura Universal . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFB
Inglês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CBDUFC

Maria
Maria
Maria
Maria
Maria
Maria
MarJa
Maria
Maria
Marla

José Thereza de Amorim
Letícia de Andrade Lima .. .. .. .
Lucia Andrade Garcia . . .. . . .... .
Luísa Monteiro ela Cunha ..... .
Martha de Carvalho . .......... .
Nazareth Montojos Tacque:; . . . .
Romano Schreíber ......... .... .
Stela Santos Píta Leite .. . ..... .
Tereza Amorim Pacomio . . . . . . .
Therezinh'a Dagnone ... ..... . .. .

Marleta Pestana Novack .... . .... ..... .
Marina Camargo Tymburibá . .. .. . . . . . .
Marinha de Andrade ... .. ..... . ...... .
Mario Tolentino .. ... .. ....... . . . .... .
Maximiliano Bottari ........ . ...... .. . .
Mercedes de Jesus Tomé For ti ... .. . . .
Milton Ferreira de Mello .. . .... . ..... .
Minda Groisman n .......... . . ...... .. .
Myriam Gurjão Mello . . .............. .

EBSP
CBUFMG
EBDUFB
EBDSC
E'BDUFRGS
FBUCC
CBDUFPe.
EBDUFRGS
FBUNB
CBDUFPe.
EBDSU

�Nlzeth Cohena .. .... ...... . . . ..... ... . .

Noemia Lentino ... ... ............. .. . .
Nolka Nascimento .................... .

o

Catalogação .. ........ .. ..... . .... . . .... . .......... . . CBUFP
Classificação
Organização e Administração de Bibliotecas
Classülcação ................. .. ..... . . .. .. .. .. .... . EBSP
Organização e Administração ele Bibliotecas ... .... . . CBBN

Odilon N. Mattos
Orlando da Costa Ferreira . . .. .... .. . ,
Oscar M. C. Ferreira ............ ... . . .
Oswald de Andrade Filho .. . .. ....... .
Oswaldo Caron ..... . . ... ...... ..... . .

In trodução à Cultura Histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Paleografia .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Introdução à Cultura Artística e História da Arte . .
Introdução à Cultura Histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EBSP
CBDUFPe.
EBDSC
BBSP
EBDSC

Oswaldo Imbassahy da Silva ..... . ... .
Ozéa Botelho Fernandes ... . ...... ... .

Hi stória do Li vro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFB
Organização e Admin istração de Bibliotecas . . . . . . . . . CBBN

p
Paula Laclette . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Pedro Secondi, O.S.B. . . . . . . . . . . . . . . . . .
Perola Raul1no . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Encadernação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDSU
Cultu ra Filosófica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EEDSU
Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . F'EUNB

R
Raymundo Magalhães ........ ...... .. .
Regina Carneiro .. .... . .. .. ........ . .. .
Regina Buffara Zaidan . . . . . . . . . . . . . . .
Regina Helena Kangussú . . ....... . ... .
Reinaldo Correa Bispo . . ...... .. ...... .
Roberto Martins . .... . ... . .. . . ... . .... .

Introdução à Cultura Histórica e Sociológic:i . . . . . . . .
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bibliografia Especializada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

CBBN
EBSP
CBDUFP
CBUFMG
CBBN
EBDSU

�Rosy Bleggi Peixoto . .... . . .. . . ... . . .. .
Ruth Versiani Moreira ... . ... ........ .

s

Organização 1:: Administração de Ilibliotecns
Organlzaçúo e Atlmlnlstraçáo de Bibliotecas

EBDSU

CBUFMG

Sara Correia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EDSP
Seleção

Sebastião Uchoa Leite . .. . .......... . . .
Seln1a Kern ........ ... . ........ . .. .. . .
Selma Fraga .... ... .. ....... .. . . ...... .
Sônia C. Corrêa ........ . .......... . . . .
Susana Castilho .... . ............. . .. . .

Seleção de Material Bibliográfico .................. .
Classificação .... . . . ... . ... . .. . . . ... . . .... . .. . .... . .
História da Arte . . .. .......... .. . . . .. . . ...... . .... .
Classificação .. . ... ... ........... . .... . . . . . . . . . .... . .
Introdução ~ História e Sociologia ... . ..... .. .. . .. .

CBDUFPI.?.
EDDUFRGS
EBDUFIJ
EBDSC
CBDUFP

T
Taís Fialho
Tereslnha Abs .. . .. ... ... .......... . .. .
Tereza Leal Gonçalves Pereira .... . . . .

Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CHUFP
Documentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDSC
História da Literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EHDUF~

V
Vera Amalia Amarante Macedo . . . .. . . .
Vicente Eloi . . . .. .. . ... . .. ... ....... .. .
Vicente da Costa Santos Tapajós ... . . .

Documentação . . ........... . ........ . . . ..... . .. . , . . . CBUFMG
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais . . . . . . . . CBUFP
Cultura Históricn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDSü

w
Wilson de Almeida Louzada

História do Livro e das Bibliotecas . . . . . . . . . . . . . . . . . CBBN

X
Xpvier Placer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Técnica do Serviço ele Referênci a . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

CBBN

�y
Yadda Roesch da Silva . . . . . . . ... , ... .
Yvcs ela Mota e Albuquerque

Psicologia d[,s Relações Humanas . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Evolução do Pensamento Filosófico e Cient!f!co

P.BDUFRGS
CBDUFPe.

z
Zahyra de Albuquerque Petry . ..... , . .
Zenaira Garcia Márquez . , . . . . . . . . . . . .
Zil~a Galhardo ele Araujo . ... . ....... .
Zilda Machado Taveira . , . . . . . . . . . .

Paleografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFRGS
Catalogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDUFRGS
Bibliografia Especializada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EBDSU
Bibliografia E: Referência
Dibliografia . . .. ..... . . . ..... . .... . .. . . .. . .. .... , . . . EBSP
Documentação

��10 - REGIMENTOS DOS CURSOS, ESCOLAS
E FACULDADES DE BIBLIOTECONOMIA

��MINIST~RIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
REGIMENTO INTERNO

TITULO I
Da Escola, sua Constituição e Fins

Art. 1.0 - A Escola de Biblioteconomia e Documentação foi
integrada à Universidade da Bahia por fôrça do Decreto n. 0
43. 804, de 23 de março de 1958, e tem por finalidade:
a)
b)
c)

formar Bacharéis em Bib1ioteconomia;
cria r pesquisadores no campo da Biblioteconomia ,:
Documentação;
colaborar para o desenvolvimento das bibliotecas, dcs
centros ele documentação do país e da cultura em ger:Jl.

Art. 2. 0 - Para con secução dos seus objetivos, a Escola de
Biblioteconomia e Documentação poderá firmar convênios com
instituições congêneres nacionais ou estrangeiras, públicas ou
privadas e com outras unidades da Universidade.
§ único - O Ser viço Central de Informações Bibliográficas
funcionará como labora tório da Escola para os trabalhos d~
pesquisa e prática do!'; estudantes.
TITULO li
Da Administração

CAPITULO 1
Dos Órgãos Diretivos

Art. 3-º órgãos:
a)
b)

A direção da Escola será exercida pelos seguintes

Conselho Delibera tivo
Diretoria
109

�CAP1TULO 2
Do Conselho Deliberativo

Art. 4. 0 - O Conselho Deliberativo, órgão superior da direção da Escola, será constituído:

a)
b)
c)

dos professôres d'as disciplinas biblioteconômicas;
de três represent2ntes dos professôres de disciplinas de
integração cultural;
de dois representantes do corpo discente.

§ l.º - Os representantes de que tratam as alíneas b) e c)
serão eleitos anualmente pelos seus respectivos grupos.
§ 2.º - Poderão participar das reuniões ordinárias do Conselho Deliberativo da EBDUB Representantes d'e outras entidades congêneres, sempre que se torne necessário e conveniente, sem direito a voto.

Art. 5.0 - O Conselho Deliberativo será presidido pelo
retor da Escola .

rn-

Art. 6.0 O Conselho Deliberativo reunir-se-á ordinàriamente uma vez em cada semestre letivo e extraordinàriamente por convocação do Diretor, ou proposta apresentada ao Direto"r por 1/3 de seus membros .
Art. 7.0 - As decisões do Conselho Deliberativo serão tom;_idas por maioria simples .
§ único - No caso d"e empate decidirá o voto do Diretor.
Art: 8. 0 - O Conselho Deliberativo reunir-se-á com a pr~sença e mais 1, dos seus membros .
Art. 9.0 - A reunião do Conselho Deliberativo será convocada com antecedência de 48 horas, salvo situações exce!)cionais.
Art. 10 a)
b)
c)
d)

110

São atribuições do Conselho Deliberativo:

organizar a lista tríplice para escolha do Diretor, po1·
votação uninominal, em três escrutínios consecutivos;
eleger trienalmente o Vice-Diretor;
deliberar sôbre tôdas as questões relativas ao provimento dos cargos de magistério, de acôrdo com o Estatut::&gt;
da Universidade da Bahia, e com êste Regimento;
referendar os horários de aulas, as constituições de comissões examinadoras, programas e instruções de processo de seleção de candidatos, organizados pelo Dirz.tor da Escola;

�e)

fj

g)
h)

i)

j)

k)
1)

m)

n)
o)

p)
q)

r)

1:eferendar os prog:-amas de ensino;
nomear comissões para estudos parcial ou total do Reg imento da EBDUB;_
propor :10 Conselho Universitário a reforma total ou
parcial do Regimento da Escola;
indicar os professôres que deverão representar a EBDUB
e m congressos nacionais e internacionais, dando preferência aos professôres que tiverem preparado teses ou
comun icações para apresentação aos congressos;
emitir, quando sol icitados pelo Diretor, parecer sôbre
assuntos d e ordem didática e outros que lhe forem atribuídos;
em itir parecer sôbre prêmios escolares;
propor a concessão de bôlsas de estudos para o pessoal
d ocente ;
escolhe1· os m embros das comissões julgadoras de concursos esi. ranhos à Escola;
fisca lizar o Diretório Acadêmico quanto ao cumprimento d as disposições da lei que disciplina os órgãos de r epresentaçúo dos estudantes de ensino superior (Lei n .º
4. 464-64 ) e a pu ra r as responsabilidades d'o Diretor por
a tos , omissão ou tolerância que permitirem ou favorecerem o não cumprimento de tais disposições;
esco'. her seu representante para acompanhar a eleição
do Diretório Acadêmico;
decidir sôbre o acompanhamento, da representação estuda ntil, por um outro aluno, na forma do § 2.0 do artigo 80;
a provar o Regimento do Diretório Acadêmico, dent:-o
elo prazo de trinta dias após o r ecebimento;
delibera r no prazo de 30 (trinta) dias sôbre as representações f~itas pelo Diretório Acadêmico e obedecidos os
m esm os prazos do parágrafo único do artigo 16 da Lei
n. 0 4 . 464-64, qua ndo a matéria da representação fô r
relativa ao p revisto no § 2. 0 do artigo 73 da Lei de Diretr izes e Bases d a Educação Nacional;
a preciar a prestação de contas do Diretório Acadêmico,
a o té rmino de cada gestão, para os efeitos do § 3.0 do
artigo 12 da L ei n. 0 4 . 464-64.
CAP1TULO 3
Da Diretoria

Art. 11 - À Diretoria cabe administrar as atividades &lt;h
E scola.
Art. 12 - O Diretor será designado pelo Reitor da Universidade dentre os nome9 de uma lista tríplice eleita pelo Conselho Deliberativo da EBDUB, em escrutínio secreto .
lll

�Art. 13 - Só poderão fazer parte da lista os professôres diplomados em Biblioteconomia .
§ l.º - A exigência dêste artigo não se aplica aos professôres fundadores .
§ 2.º - O Dfrctor será designado pelo prazo de 3 (três) ano:;,
podendo ~er reconduzido .
Art. 14 - São atribuições do Diretor:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)
h)
i)

j)

k)
]}

m)
n)
o)

p)
q)

r)

112

representar a Escola d'e Biblioteconomia e Documentação;
c?~e rir grau e assinar, com o Reitor, os diplomas e ce!"t1f1cados expedidos pela Escola;
subm,eter à aprovação do Reitor a proposta orçamentária da EBDUB;
apresentar ao Reitor um relatório anual ,das atividades
da Escola;
convocar e presidir as reuniões do Conselho Delibera t ivo;
cumprir e fazer cumprir as decisões do Conselho Deliberativo e dos órgãos superiores da administração un iver sitá ria ;
:telar pela observância do r egime didático, programas e
atividades do corpo docente e discente de ensino e pesquisa;
aplicar as penalidades previstas neste Regimento;
supervisionar os serviços administrativos, autorizar a
a quisição de material, contratar obras e serviços ;
cumprir e fazer cumprir as disposições r egim entais e
aquelas do Estatuto d'a Universidade;
cont rata!· professôres n a forma estabelecida neste R -:!gim en to;
·
pronunciar-se nos casos omissos, em questões didáticas,
depois de ouvido o Conselho Deliber ativo;
propor a publicação de trabalhos de professôres;
organizar o calendário escolar, os horá rios das au las e
exames, submetendo-os ao Conselho Deliberativo;
dar parecer sôbre planejamento de Bibliotecas e Cen tros
de Documentação a serem organizados sob a responsabilidade da E scola ;
p:·opor o regime de tempo integral para os professôres,
a ux iliares de ensino e pesquisadores, seguindo a s conven iências específicas;
apresen u r suges,ões p a ra cursos de exten_são ou aperfeiçoam ento do pessoa l docente_ como bolsistas em inst ituições nacionais ou estrangeiras;
super v isionar os trabalhos do SERVIÇO CENTRAL DE
JNFORMACõES BIBLIOGRAFICAS (SCIB ), indkar os
Chefes das Seções, de acôrdo com as possibilidades e necessidades do Serviço;

�s)

apresentar ao Reitor, anualmente, o R ela tório das atividades do SCIB:
t ) m anter intercâmbio com as várias unidades universitárias, presta ndo-lhes todo o auxílio no setor d'a Biblioteconomia e Documenta ção;
u ) cumprir os com p rom issos assumidos com o Instituto
B rasileiro de Bib liogra fia e Documentação, no que ta nge o levan tam ento d o Ca tá logo Coletivo Nacional ;
v) elaborar um R egim e nto interno especia l para o SCIB,
para m elhor n orma r e da r cumprim ento às atividades
do m esmo;
x) exercer as dem ais atividades que lhe competirem nos
têrmos dêste Regi m ento .
Art. 15 - O Diretor será substituído, nos seu s impedimentos, sucessivam en te, pelo Vice-Diretor e pelo substituto do
Vice-Di r etor .
§ l.º - O Vice-Diretor será eleito por m a ioria simples do
Conselho Deliberativo.
§ 2. 0 Só poderão ser eleitos Vice-Diretor e seu su bstituto. os professôres diplomados em B iblioteconomia.
§ 3.0 A exigência do pa rágra fo aci m a n ão se aplica aos
professôres fundadores.
§ 4. 0 - O substitu to do Vice-Diretor será ele ito a nua lmente.
TITULO III
Da Organização Didática

Art. 16 - O ensino da Bib lioteconomia e Documen tação será
ministrado em cu rso de g ra duação, visando a form ação profis .;;iona l, em curso d e pós-gradu ação, visando o a perfeiçoamento e a especialização e cursos d e extensão.
CAP1TULO 1
Dos Cursos e Currículos

Art. 17 disciplin as:
1.
2.
3.
4.
5.
6.

O curso d e g ra duação compor-se-á das seguintes

Cata logação e Classificação
Organização de Bibliotecas
História do Livro
Bibliografia e R eferência
Bibliografia Especializada nos grupos A, B , e C
Seleção
113

�...

7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.

15 .
16.
17.

18.

Documentação
Administração
Paleografia
Históri3. da Literatura
Literatura Universal (moderna e contemporânea)
Literatura Brasileira
História da Arte
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
Psicologia
Língua Inglêsa
Língua Francesa ou Alemã

§ único São consideradas disciplinas biblioteconômicas
as de número 1 a 9 e disciplinas de integração cultural as e.e
número 10 a 18.

Art. 18 - O ensino ministrado nn Curso de Graduação obedecerá à seqüência abaixo:
1.0 ano -

2.0 ano -

3.0 ano -

Catalogação, Classificação, História do L ivro.
História da Literatura ( l.._.. semestre), Paleografia (2.0 semestre), Administração, Língua Ing lêsa, Língua Francesa ou Alemã .
Catalogação, Classificação, Bibliografia e R eferência, Literatura Universal (1. 0 semestre) . Introdução aos Estudos Históricos e Sociais ( l.º semestre) , Organização de Bibliotecas, Língua I nglêsa, Língua Francesa ou Alemã.
Documentação, Seleção, Psicologia, Literatu ra
Brasileira, Evolução do Pensamento Filosófico e
Científico (1. 0 semestre), Bibliografia E special:•
zada nos Grupos A, B e C, Língua Inglêsa, Língua Francesa ou Alemã.

Art. 19 - O Curso de Graduação terá a duraçao de 3 (três)
anos, podendo ~er feito parceladamente.
Art. 20 - O estágio, obrigatório no Curso de Graduação, será
feito a critério da Escola no 2. 0 ano, de preferência em unidades universitárias, supervisionadas por um professor, e terá a
duração mínim:-1 de 200 horas.
§ único - Os alunos ficam obrigados a apresentar relatório
dos respectivos estágios.
Art. 21 - É facultado ao Bibliotecário um Curso de PósGraduação em 1 (um) ano letivo.
§ único - O curso de pós-graduação será de livre opção, n as
seguintes especializações:
114:

�a)
b)
c)

Bibliotecas Públicas;
Bibliotecas E scolares : 1. Ciclos primário e secundário.
2. Universitárias;
Centros de Docume ntação especializados em: 1 . Ciências Exatas . 2. Ciências Naturais . 3 . Ciências Médicas. 4. Ciências Ag rícolas . 5. Ciê ncias Socia is . 6.
T ecn ologia .

Art. 22 - Ao fi m cio Cu rso de E specialização é obri ga tória
a apresentação C' defesa de tese.
Art. 23 - Os Cursos d e E xten são ficam n a dependência da
a utorização do Conselho Univers itário .
CAPíTULO 2
Do Curso de Habilitação

A rt. 24 - Os concu rsos de habilitação serão realizados na
segunda quin zena d e fever eiro.
Art. 25 -

O candidato a presentará os seguintes documentos:

prova de conclusão do 2. 0 ciclo secundário;
a t esta do de sanidade física e mental fornecido pelo Se'-·viço Médico da Universidade;
c) prova de identidade;
d ) atestado ele idoneidade moral;
e) cer t idão d e nascimento passada por oficial de R egistro:
f ) certidão de v acin ação a ntivariólica;
g) prova de quitação do Serviço Militar;
h ) prova de pagamento da taxa d e inscrição .
a)
b)

§ 1. 0

A abertura das inscrições para o concurso d e h abiEtação far-se-á por edital fixado na E scola e publicado no Diário Oficia l do E stado, com a antecedên cia de, pelo m enos, S
(oito) dias .
§ 2.0 - As inscrições ficarão abertas pelo período de 20 (vinte) dias, n o m ês de janeiro.

Art. 26 - O Concurso de Habilitação consta rá de prova s escritas das seguintes matérias:
a)
b)
c)
d)
e)

língua portuguêsa;
literatura portuguêsa e brasileira;
história geral;
geografia do Brasil;
língua inglêsa ou francesa.
115

�§ único - Será considerado aprovado o candidato que obtiver, em cada disciplina, nota não inferior a 4 (quatro).

CAP1TULO 3
Das Matrículas

Art. 27 - O Conselho Deliberativo fixará, anualmente, o
número de vagas ao 1.0 ano.
Art. 28 - Poderão requerer matrícula na Escola de Biblioteconomia e Documentação os candidatos que tenham sido
aprovados no Concurso de Habilitação e classificados de acôr-d'o com as notas obtidas, para o preenchimento das vaga-;
existentes.
Art. 29 - Os candidatos aprovados e classificados, deverão
requerer a matrícula dentro do prazo de 8 (oito) dias a pós a
divulgação dos resultados do Concurso de Habilitação .
Art. 30 - No ato da matrícula o candidato estará sujeito ao
pagamento das respectivas taxas.
§ único - O deferimento de pedidos de transferência dependerá do número de vagas existentes.
Art. 31 - Não serão aceitas transferências para o 1.0 ano
ou para o 4.0 ano do Curso de Graduação, salvo as exceções
previstas em lei .
Art. 32 - Os pedidos de matrícula por transferência serão
despachados pelo Diretor, ad referendun do Conselho Deliberativo, que procederá a ~valiação do programa do trabalho realizado na outra Escola e deliberará se o aluno transferido deverá ou não rea lizar trabalho de adaptação.
Art. 33 - O pedido de transferência, ressalvadas as exceções legais, deverá ser apresentado no período da matrícula.
Art. 34 - O candidato à matrícula por transferência deverá
apresentar juntamente com o requerimento de matrícula os
seguintes documentos:
a)
b)
c)
116

guia de transferência emitida pela respectiva Escola,
na qual conste que não foi desligado por motivo disciplinar;
histórico escolar do curso secundário;
histórico escolar do curso do qual se transfere, no qual
deverão constar, obrigatoriamente, as notas de aprov3.-

�d)
e)
f)

g)

ção, em cada disciplina, bem como o número de aulas
teóricas, práticas e de estágio exigidas;
documento de qu!.tação do serviço militar;
atestado de sanidade física e mental, fornecido pelo Serviço Médico da Universidade da Bahia;
atesta do de idoneidade moral;
p r ograma:, das disciplinas cursadas.

Art. 35 - Será d enegada a transferência a aluno reprovado m a is de uma v ez em qualquer série ou conjunto de disciplina.
§ t1nico - Duas disciplinas constituem um conjunto p a !'.'a
fi n s dêste artigo.
A r t. 36 - O Conselh o Deliberativo, quando julga r insatisfatório o aprov eitamento escola r do estudante, exig irá atest:ido d e sanidade física e menta l, fornecido pelo S er v iço Médico
d'a Universidade .
§ único - Em ca so de g r ave insanidade física e mental, o
Conselho Deliberativo decidirá sôbre a suspensão da matrícula
do estudante.
TITULO IV

CAP1TULO 1

.

Do Regime Escolar

Art.. 37 - O curso d e graduaçã o em Biblioteconomia será
ministrado num m ínimo de 8 (oito) semestres letivos .
§ 1. 0 - O ensino em cada disciplina, terá a duração de pelo
menos um semestre letivo.
§ 2.0 - Cact·a semestre compreenderá 90 (noventa) dias letivos, excluído o período de provas.
§ 3.0 - Sempre que o número de aulas fôr inferior ao núm ero previsto neste Artigo, o problema será examinado pelo
Conselho Deliberativo que estudará os meios para complementação do semestre, ouvido o Conselho Departamental.
Art. 38 - O primeiro semestre letivo terá início no primeiro
dia útil de março, e o segundo, no primeiro dia útil de agôsto.
§ único - As excursões ou quaisquer outras atividades extracurriculares de miciativa dos alunos durante o período letivo,
ficarão condicionadas a anuência do Diretor, que fixará normas condicionadas par2 a apresentação do relatório por parte
dos ·alunos part icipantes.
Art. 39 - A freqüência às aulas, a realização dos trabalhos
escolares e das provas parciais, são obrigatórios.

1f7

�Art. 40 - O aluno que faltar a mais de 2/3 das aulas dadas
em cada disciplina ou realizar menos d'e 70 % dos trabalhos
escolares, será considerado reprovado .
Art. 41 a)
b)

c)
d)
e)
f)
g)
h)

Consideram-se trabalhos escolares:

provas mensais;
trabalhos práticos em bibliotecas ou tarefas dadas 1ns
aulas práticas;
seminário!:';
pesquisas sôbre assuntos dados em aula;
argüições sôbre matéria lecionada;
apresentação de fichários;
monografias sôbre temas selecionados nos program~s
das várias discipl.inas;
"enquête:;'' procedidas entre os utilizadores das b ibliotecas.

Art. 42 - O estágio de 200 horas será feito ininterrupta ou
parceladamente, a critério da Escola visando um melhor aproveitamento do estudante.
Art. 43 - O aluno estagiário será obrigado a assina r na fôlha de freqüência, registrando a hora de entrada, a da saída,
a fim de que possa o professor responsável proceder a contagem da s horas de estágio .

.

Art. 44 -

Ao

'
concluir

o estágio, o estudante apresentará,

sob a forma de relatório, o resultado do mesmo .

Art. 45 - Cada professor deverá ter sob a sua orientação
um mfnimo de 2 estagiários de cada vez.
Art. 46 - Será recusada a matrícula ao aluno reprovade
mais de uma ve7. em qualquer série ou conjunto de disciplin;;.
T1TULO V

CAPÍTULO 1
Da Verificação da Aprendizagl'm

Art. 47 a)
b)
c)
·118

A verificação da aprendizagem será feita :

pela apreciação de trabalhos escolares e aproveitamento verificado nas práticas e estágios;
pelas provas parciais;
pelos exames finais.

�Art. 48 - A primeira prova parcial será escrita, com a duração máxima de 2 horas, e constará, a critério do professor
de dissertação, testes, ou mista, versando assunto d e progré1ma d ado.
Art. 49 - A segunda prova parcial será feita nos moldes da
primeira, ou a critério do professor, constará de uma monogra fia sôbre assunto da matéria d ada .
Art. 50 - Os horários das provas parciais, orais ou práticoorais serão fixados em quadro de ocorrências, em local be:n
vish·el, no edifício da Escola e com antecedência mínima de
-!8 h oras.
A r t. 51 - P ara veri ficação do rendimento escolar, o professor conferirá a cada estuda nte uma nota em números inteiros,
que variará de zero a dez.
A r t. 52 - A aprov ação em qualquer das matérias do curso,
q uando o a luno n ão hot..ver obtido a m édia sete ou superior a
:.:ete nas provas parciais, depende de prestação de uma prova
fina l .
§ 1.0 A inscr ição n essa pro,•a d ependerá:
a)
b)

da obtenção d e, pelo menos, grau 5 (cinco) na média
a ritmética d as notas das provas parciais;
da freqüência, a, pelo menos, dois t êrços (2/ 3) das aulas
dadas e aos estágios práticos, bem como d e nota de aproveita m ento igual ou superior a 5 (cinco).

§ 2.0 Qua ndo, somada a nota da prova final à m édia das
provas parciais e dividido o total por 2 (dois), o resultado
fôr igu al ou superior a 5 (cinco), o aluno será considerado
a provado.

Art. 53 - Satisfeitas as ex1gencias regulamentares, o estud ante que obtiver m édia igual ou superior a 3 e inferior a 5
nas provas parciais poderá submeter-se. ao fim do período, a
exame completo constante de prova escrita e oral ou práticooral, de uma ou mais disciplinas da série em que ~stiver matricu lado, m ediante inscrição que será requerida dentro do
p razo fixado no respectivo edital.
§ único - A prova escrita antecederá à prova oral.
Art. 54 - Não poderá prestar exame em 1"· época, o estudante que obtiver média inferior a 3 (três) nas duas provas
parciais.
119

�Art. 55 - Não poderá prestar exame parcial ou final o aluno
que não houver votado nas eleições imediatamente anteriores, para o Diretório Acadêmico, salvo por motivo de doença
ou de fôrça m a icr, devidamente comprovado.
Art. 56 - Ao estudante que faltar a prova por motivo de
doença ou nojo, devida mente comprov ados fica a ssegu1·a&lt;lo
direito a segunda chamada.
§ único - Os requerimentos para a segunda chamada d everão dar entra da em protocolo, no prazo de 48 horas após :1
realização da prova excluído domingo ou feriado intercorrente.
Art. 57 - Ficam impossibilitados de realizar os exa mes, os
estudantes que não apresenta rem recibo de quitação das taxa,.;
ou prova de que se trata d e a luno g ratuito ou que não forem
considerados h:..tbilitados pela Secretaria da E scola.
§ único - A habilitação a que se refere o artigo an terior d iz
respeito à freq-i.iência e r ealização dos traba lhos escola res.
Art. 58 - O prazo d"e devolução das provas devidamente corrigidas e julgadas as n otas, será, no máximo, de 10 d ia s .
Art. 59 - Ao estudante que fôr reprovado em prime ira
época em uma ou duas disciplinas, será facultado o exame de
segunda época.
§ único - Só poderá ser admitido a exames de segunda é p-:;ca o estudante que, em relação a cada matéria, tenha feiu
pelo menos uma das provas parciais e a metade dos traba lhos
escolares.
Art. 60 - A nota final de cada disciplina nos exames d e segunda época se.r.1 a médi2, das notas obtidas nas provas exigidas.
§ único - A nota m ínima para aprovação será cinco .
Art. 61 - O estudante que fizer na segunda época o exa m e
da matéria de que depende, só nesta mesma época poderá fazer
exame complet o das djsciplinas da série em que estiver cond tcionalmente matriculado.
Art. 62 - O julgamento das provas parciais, das finais e dos
exames completos, de qualquer disciplina, será feito por um,1
comissão examinadora, designada pelo Diretor, ouvido o Conselho Departamental e composta de três membros da qu8 I
fará parte, obrigatàriamente, o respectivo professor .
CAP1TULO 2
Do Diploma, da Colação de Grau, da Revalidação do Diploma

Art. 63 - A Escola confere ao estudante que concluir o
curso de gradu:ição, o grau e o diploma de Bacharel em Biblioteconomia.
120

�Art. 64 - Os diplomas de Bacharel em Biblioteconomia serão
assinados pelo Heitor da Universidade, pelo Diretor da Escola, pelo Secretário e pelo Diplomado .
Art. 65 - O grau de Bacharel em Biblioteconomia será conferido coletivamente, em sessão solene pública, rlo Conselho
Deliberativo no dia 5 de dezembro, sempre que possível e na
Reitoria da Universidade.
§ 1°· - A requerimento do diplomanrlo e por motivos espi!ciais, poderá se, conferido o grau na Secretaria da E scola em
dia e hora previamente m arcados pela Diretoria e na presença, no mínimo de três Professôres.
§ zn - Na colação de grau a Diretoria tomará o juramento
de fide lidade d os Graduados aos d everes profissiona is.
Art. 66 - Os bibliotecários diplomados por escolas estrange iras que deseja rem h ab ilita r-se p ara exercício profissional
no Brasi:, deverão obedecer à legislação federal vigente, apresentando, à Escola, os seguintes documentos:
a)
b)
c)

prova de sanid"ade, nos têrmos dêste Regimento;
prova de identidade e de idoneidade moral;
diploma ou título autenticado no consulado brasileiro
competente, com r econhecimento da firma da autoridade consular exarado pelo Ministério das Relações
Exterior es;
d) h istórico cta vid a escola r , inclusive de cu rso secundário ;
e) tradução devidamente legalizada d e todos os documentos escritos em língua estrangeira que tenham instruído o r equerimento;
f) certificado de haver em sido satisfeitas as exigências de
estudos de ensino secundário;
g ) prova d e h aver sido paga a taxa de revalidação.
TITULO VI

CAPITULO 1
Do Corpo Docente e Discente

Art. 67 - O corpo docente será constituído dos professôres
que integram os diversos departamentos da Escola.
Art. 68 - A supervisão dos estágios, ficará a cargo dos professôres das disciplinas biblioteconômicas.

�Art. 69 tegorias:
a)
b)
c)

O corpo docente compreenderá as seguintes ca-

instrutor;
assistente;
professor.

Art. 70 - Aos professôres que vêm lecionando na Escola
desde o exercício de 1946 e firmaram convênio com a Universidade em 1954, cabe o título de Professôres Fund adores.
CAP1TULO 2
Do Corpo Discente

Art. 71 - Cons tituem o corpo discente da Escola de Biblioteconomia e Documentação os estudantes regularmen te m atriculados nos seus cursos.
Art. 72 a)

São direitos e deveres do aluno:

diligenciar, no sentido de obter o maior aproveita mento
no ensino ministrado;
b) atender aos dispositivos regulamentares no que diz respeito à organização didática, à freqüência à s aulas e
execução dos trabalhos práticos;
e) submeter-se às provas de verificação de aprendizagem ;
d) abster-se de atos que importem em perturbações d a ordem dos trabalhos escolares e que constitua m ofensa
aos bons costumes, desrespeito aos pr ofessôres, às autoridades universitárias, aos funcionários e aos colegas;
e) receber instrução nas disciplinas para as quais se in.screveu;
f)
ser atendido pelo docente em suas solicitações de orientação pedagógica;
g) ser eleitor e elegível para o Diretório Acadêmico;
h) pleitear bôlsas de estudos;
i) apelar das penalidades impostas para a instância s uperior;
j) ter um professor conselheiro que o oriente quanto ao
seu programa de trabalho;
k) zelar pelo material de instrução, livros, documentos,
filmes, fotocópias, diapositivos, máquinas, que estiverem sob sua responsabilidade para a realização das tarefas escolares.

122

�FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE NACION AL DE BRAS1LIA
REGIM ENTO DA F ACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA
1. -

OBJETIVOS

1.1 - Forma r bacha r éis em Biblioteconomia, devida me nte
h abilitados ao exercício da profissão de bibliotecá rio, r egulad a
p ela L ei n .º 4 . 084, d e 30-6-1962, e d e a côrdo com o P a r ecer
n. 0 326/ 62, a provado pelo Conselho F eder al de Educação.
1 . 2 - Cola bor ar com os Institutos Centrais da U n iver sid ade na form ação d e bibliotecários especializados e d e especialistas em infor mação cien t ífica.
1. 3 - Forma r p rofessôres de biblioteconom ia, com a colab or ação d a Faculdad e de Edu cação e de ou t r as unidades u n '.ver sitá rias.
1. 4 - Cola bor a r com a Coorden ação de Pós-Graduaçã o d a
Un iversidad e na realização d e cu rsos d e mestr ado e d e d outor ado em Bibliotecon omia e Documentação.
1 . 5 - Cola borar com o Centro d e E x tensão Cultu r al d a
U n iversidade, n a realização dos cursos p ertinentes ao cam po
da biblioteconomia, da bibliogr afia e da d ocu m entação.
1. 6 - Colaborar com tôdas as unida des u niversitár ias no
ensino dos m étodos do t rab a lh o intelectual e das normas de
produção documenta l.
2. -

E STRUTURA

Con stitu em a Facu ldade d e B iblioteconomia, inicialmente,
os seguintes Departamen tos: 2 . 1 - Departamento d e B iblioteconom ia; 2.2 - Departam en t o d e Documentação; 2 .3 - Departa m en to d'e A rquivologia.
2. 1 -

Dep artam ento de Biblioteconomia

A ) D isciplinas de formação
1. 0 a no
2 . 1 .1 - Organização e Administraçã0 de Biblioteca s (OAB J.
l.º sem est re. P ré-r equisit os: IA e IB. Objetivos didáticos: Princípios gerais de admi n istração aplicados às b ibliotecas. Org..1n.ização e direção dos serviços que integram u ma bibliot eca,
d e acô rdo com sua especialização e d estinação. Programação
e constru ção de edificios d esti nados a bib liot ecas. Mobiliário
e equ ipamento.

l.º e 2. 0 anos
2 .1. 2 - Catalogação (C). 3 sem est res. Pré-r equ isitos: IB -e
OTI. Objetivos didáticos: Cat alogação d e m ater ial bibliográfico e áudio-visu al. Organ ização d e catálogos e de serviços &lt;le
123

�catalogaç~o. Centralizaç~o e cooperação nos planos internacional e nac ional. Estatística e custo da catalogação.
2.1.2.1 2 . 1. 2. 2 2 . 1. 2. 3

C-I ( 1.0 sem estr e ). Objet ivo didático : Catalogação d e impressos.
C-II (2.º sem est re). Objel.Jvo didático: Catalogação d e m aterial especial e áudio-visu a l.
C-III (3.º sem estre) . Objetiv o didático: Organ ização de catálogos e de sErviços de catalogação.
Centra lização e cooperação. Política da catalogação. Estágios dirigidos em serviços de catalogação.

1. 0 e 2. 0 anos
2 . 1. 3 - Ciassüicação (Cl) . 3 sem estres. Pré-requisitos: IB
e OTI. Objetivos didáticos: Classificação de m aterial bibliográfico e áud io-v isu a l. Classificação comparada. Sistemas filosófi cos, bibliográficos e documentários. Classificação Decim:1 l
U n iversal. Organização de catálogos classificados.

2. 1. 3 .1 2 . 1. 3.2 2 .1. 3. 3 -

Cl-I (1. 0 semestre). Objetivo didático. Classificação Decimal Universal.
Cl-II (2. 0 semestre). Objetivo didático : Organ ização de catálogos classificados.
Cl-III (3.0 semestre). Objet ivo didático: SistC:mas filosóficos, bibliográficos e documentários .
Classificação comparada.

1. 0 ano
2 . 1. 4 - Referência (R). 1 semest re. Pré-requisitos: IB OTI
e B-I. Objetiv9s didáticos: Conhecimento e utilização de obr a :;
de referência. Organização e técnica do serviço de referência
nas bibliotecas.

B ) D isciplinas de complementação
l.º ano
2. 1. 5 - Introduçã.o à Biblioteconomia (IB). 1 semestre.
Objetivos didáticos: Terminologia da biblioteconomia. F ilosofia da biblioteconomia. Interação entre os serviços administrativos, técnicos e informativos.

3.0 ano
2. 1. 6 - Seleção de Material Bibliográfico e Audio-Visual
(SMBAV) . 1 semestre. Pré-requisitos: IA, IB, OAB e OTI.
Objetivos didáticos: Princípios e métodos que devem presidii·
a formação do acervo de uma biblioteca, de acôrdo com seus
objetivos, especialização e orçamento. Fontes bibliográficas
de seleção. Equilíbrio das coleções.
124

�2 .2 -

Departamento de Documentação
A) Disciplinas de formação

3.0 ano
2.2.1 - Documentação (D) . 2 sem estres. Pré-requisitos:
IA, IB, E-I e OTI. Objetivos didáticos: Terminologia da Documentação. Planejamento, organização e direção de serviços
ele documentação ou informação cientifica. Cooperação nos
planos internacional e nac ional. Técnica da redação de sinopses (sumários) e resumos (abstracts). Normalização document a l. Documentação m ecanizada . Tradução a utomática. Difusão
internacional da documentação.
2.2. l.1 -

2. 2 . 1 . 2 -

2.2.2 -

D-I (1. 0 sem estre). Objetivo didático: Que é e
como funciona um serviço de documentação de
âmbito nacional, internacional e especializado.
Normalização documental.
D-II (2.0 semestre) . Objetivo didático: Armazen agem ( (storage) e recuperação (retrieval) da
informação científica. Tradução automática.
1. 0 e 2. 0 anos
Bibliografia CE) . 4 semestres. Pré-requisitos: C-f

e OTI. Objetiv os didáticos: Teoria,
grafia. R epertórios bibliográficos
temacionais e nacionais, avulsos
a na líticos. Serviços bibliográficos
2 .2.2.1

2.2.2.2 2.2.2.3 2 . 2.2.4 -

história e técnica da bibliogerais e especializados, ine periódicos, sinaléticos e
internacionais e naciona i .;.

E-I ( 1.0 semestre ). Objetivo didático : Técnica da
compilação e do arranjo de bibliografias. N0~'m a lização e organização bibliográfica.
E-II (2.0 semestre) . Objetivo didático: Bibliografia brasileira: repertó;:-ios e serviços.
E-III (3. 0 semestre). Obietivo didático: Eib-liografia especializada de C~éncia e Tecnologia.
E-IV (4. 0 semestre) . Objetivo didático: Eibli ügrafia especializada de Humanidades.
B) Disciplinas de complementação
1. 0 ano

2. 2. 3 - Organização do Trabalho Intelectual (OTI). 1 trimestre. Objetivos didáticos: Metodologia do trabalho intelectual. Higiene e técnica do estudo- Redação e classificação d e
fichas de leitura. Normas para a redação de memórias cientificas originais, notas prévias e revisões de conjunto. Correção de provas tipográficas. Publicação de livros e periódicos.
125

�3.0 ano
2. 2. 4 - Reprog rafia (R). 1 sem estre. Objetivos didáticos:
Conhecimento, técnica e econom ia dos processos de reprodução docume nta l.
2 . 3 - Departa mento de Arqu 1volog!a (a ser brevem ente
eslru tu rado) .
3. -

D ISCIPLINAS MINISTRADAS EM OU TRAS
UNIDADES

3 .1

De formação

3 . 1. 1 - Evolução do P e nsame nto F ilosófico e Científico
(EPFC) . 1 trimest re. Instituto Centra l de Ciê ncias Huma n:i.:;.
Objet ivo didá tico : Origem, situação, m odo, amplitude e direções d o fil ósofo.
l.º ano
3 . 1 . 2 - História do Liv ro e das Bibliotecas (HLB ). 1 sem est re. Obj etivos didáticos: Origem e evolução do liv ro e das
b ibliotecas. Divid ida em dois trimestres:

3 . 1. 2.1 -

3 . 1. 2. 2

H IB-I (1 trimestre) . ObJ Ctivo didát ico: Origem
e evolução das técnicas de produção do liv ro
manu scrito. As bibliotecas da a ntigu idade clássica e m edieval. Ce ntro de Estudos das Línguas
e Culturas Cláss-lcas.
H L B-II (1 trimes tre). Ob jetivo didático : Origem
e evolução das t écnicas da produção do livro
im presso. Instituto Central de Artes.

2.0 a n o
3 . 1. 3 - História da Literatura (HL) . 1 semestre. Institu to
Central de Le tras. Objetivos didáticos: Teoria da literatu ra.
Historiogr afia literária. Problemas d e periodização. Histórias
da literatu ra universal e das lit eraturas n acionais. Obras d e
referên cia literária . Academias e ou tras sociedades lite rárias.
2.0 ano
3 . 1 . 4 - História da Arte (HA) . 1 semestre. Instituto Cen tral de Artes. Obje tivos didát icos : Origem e evolu ção das d iv e r sas art es. H istória d a art e , em geral. e das artes, em partic ular. Coleções b ibliográficas de reprcd u ção de obras artísticas. Obras de r eferên cia no campo das art es. Mu seu s de arte .
2.0 a no
3 . 1 . 5 - Introdução aos Estudos Histúricos e Sociais (IEHS)
1 semestre. Instituto Central de Ciências Humanas . Objetivos
d idáticos: Conceituação, classificação e desenvolvim ento das
ciências sociais, em ge ral, e de cada uma delas, em p articula r.
126

�Obras de referência no campo das c1ericias sociais. I nstit u ições de pesquisas em ciências sociais.
l.º ano
P a leografia (P). 1 semestre. Centro de E studos das
L íngu as e Cultu ras Clássicas (quando Sº tratar de pa leografia
grega e latina) e Cen tro Brasile iro de Estudos Portuguê ses

3 .1. 6 -

(qua ndo se tratar de paleografia portugu êsa). Objetivos didáticos: Técn ica da leitu ra de manuscritos g regos, latinos e portu gu êses.
3.2

-

De complementação:

3. 2. 1 - In trodução à Administração (IA). 1 semestre. Instituto Central de Ciê n c ias Humanas. Objetivos didáticos: Pri1~cípios e m étodos da administração púóiica e privada .
3 . 2. 2 - Língua e Literatura da Líng ua Portuguê sa
(L.L .L.gP .). 1 semestre. Instituto Ce ntral de L e tras. Objetivos
didáticos: E s tilística d a língua portuguésa.
3 . 2. 3 - L íng u a Ing lêsa (Lgl-IV). 1 sem estre. Instituto
Central de Letras. Objetivos didáticos: Domínio suficiente para
leitura, interpretação e conversação.
3. 2. 4 - Líng u a francesa (LgF-IV). 1 semestre. Instituto
Ce ntra l de L e tras . Objetivos didáticos: Domínio su ficiente para
leitura , interpretação e convE'rsação.
4. -

ORGANIZAÇÃO DOS CURSOS

A Faculdade d'e Biblioteconom ia ministrará cu rsos de g rad uação (Bacharelado e Biblioteconomia Especializada), de pósgraduação, ele form ação de professôres para o magistério da_
biblioteconomia e documentação e de extensão cu ltural.
4.1 - Curso de Bacharelado (graduação):
f.:ste curso tem como objet:vo 2. formação de bacharéis em
bibliotecon omia, d'e acôrdo com a Lei n .0 4 . 084, de 30-6-1962,
para o exercício da profissão liberal do grupo 19 do quadro
a nexo ao Decreto n. 0 5. 452, de 1-5-1!::}43 (Consolidação das
Leis do Trabalh o) e em obediência à Resolu ção pela qu a l o
Conselho Federal de Educação aprovou o Parecer n .0 326/ 62t
que fixa o currícu lo mínimo e determina a duração dos cu rso::;
de biblioteconom ia.
Compõe-se de u m ciclo de formação básica (quatro semes-:tres) e de u m ciclo de formação profissiona l (dois sem est resJ:
P ara receber o dip loma de bach a rel em bib lioteconomia, o ç1.lu:
no deve completar o cu r rículo pleno, obter créditos em pelq
menos d uas discip linas de in tegração e a presentar u ma d.is,
sertação final de graduação.
12"!

�4 . 1. 1 - Currículo pleno (as discip!inas do currículo mi
nimo estão assinaladas com +).
Introdução à Biblioteconomia (IR) . (1 semestre).
+ Classificação (Cl) (3 semestres). Desdobramento de Catalogação e Classificação do currículo mínimo.
+ Evolução do Pensamento Filosófico e Científico (EPFC).
(1 trimestre, no ICCH).
OFganização do Trabalho Intelectual (OTI) (1 trimestre) .
+ História do Livro e das Bibliotecas (HLB) (1 semestre).
no CELCC e no ICA.
+ Catalogação (C) (3 semestres) . Desdobramento de Ca talogação e Classificação do currículo mínimo.
+ História da Literatura (HL) (1 semestre), no ICL.
+ Bibliografia (B) (4 semestres ). Desdobramento de B ibliografia e Referência do currírulo mínimo.
+ História da Arte (HA) tl semestre), no ICA.
+ Referência (R) (1 semestre\. Desõobramento de Bibliografia e Referência do currículo mínimo.
+ Introdução aos Estudos Históricos e Sociais (IEHS) (1
semestre, no ICCH) .
+ Documentação (D) (2 semestres) .
+ Organização e Administração de Bibliotecas (OAB) tl
semestre).
+ Paleografia (P) (1 semestre, no CELCC ou no CBEP) .
Seleção de Material Bibliográfico e Audio-Vism,l
(SMBAV) (1 semestre).
Reprografia (R) (1 semestre).

4. 1. 2 -

Classificação por semestres:
A) Ciclo de formação básica

1. 0 semestre

l)
2)
3)
4)

5)

Introdução à Biblioteconomia (IB) (Esta disciplina é
pré-requisito para as dos semestres seguintes)
Classificação I (Cl-I)
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico (EPFC)
( 1 trimestre)
História do Livro e das Bibliotecas (HLB)
Organização do Trabalho Intelectual (OTI) (1 trim.)
(Esta disciplina é pré-requisito para as dos semestres
seguintes)

2.0 semestre

6)
7)

8)
9)
128

Classificação II (Cl-II)
Catalogação I (C-I)
Introdução à Administração (IA)
História da Literatura (HL)

�:3.0 semestre
10) Cata logação II (C-II)
11 ) Classificação III (Cl-IlI)
12) Bibliografia I (B-i)
11)

Históri a da Arte (HA)

4. 0 semestre
14) Ca ta logação III (C-III)
15 ) Bi b liografia II (B-II )
16 ) R efer ê n cia (R) Pré-rec1uisitos B -I.
17 ) In t rodu ção aos E studos Históricos e Socia is (IEHS)
B)

Cic lo de forma ção profissiona l

5.0 semestr e
18) Documentação I (D-I) , Pré-requisitos : Cl-I e B-I
J 9) Bibliog ra fi a III (E-III)
20) Orga nização e Admin ist ração de Bibliotecas (OAB).
P ré-requ isito: IA.
2 1 ) P a leog rafi a (P )
6.0 sem estre
22) Documen tação II (D-II)
23) Bibl iogr a fi a IV (B-IV)
24 ) Seleção d e Mater ial B ibliográfi~o e Audio-Visua l
(SMBAV). Pré-requisitos : IA, OAB.
25) R ep rog ra fi a (Rp). Pré-r equ isito D-II
4 .2 -

Curso de Biblioteconomia Especializada

f:ste curso objetiva a prep ar ação d e bi bl iotecários es p ecia:..izados e especia list as em Informação Científica , capazes de seleciona r e. classifi car m ateri a l bibl iog ráfico e áudio-visual de
uma det ermi nada esp ecialização (escolh id a p elo a luno); selecion a r infor mação científica esp ecializad a; redigir resumos d~
a rtigos científicos; or ga ni zar a p ubl icação d e livros e periód icos científicos ou técnicos .
O Curso d e Bibliotecon om ia Especiah zada compõe-se de um
ciclo d e form a ção básica (qua tro sem estres) , feito quase t ota lmente nu m dos Inst itu tos Centrais da U niversidad e (de acôrdo com a esp ecia lização escolhida pelo aluno) e de um ciclo ele
formação profissiona l (2 sem est r es) . feito quase totn. lmente nr-1
F aculda de de B iblioteconomir.t .
A)

Ciclo de forma ção b ásica ( 4 semestres)

1.0 semestre
1)

Evolução do Pensamento Filosófico e Científico (EPFC)
(1 trimestre )
129

�2)
3)
4)
5)

Organização do Trabalho Intelectual (OTI) ( 1 trimestre)
Introdução à Biblioteconomia (IB)
Disciplina de especialização escolhida, em um dos Institutos Centrais.
Idem .

2.0 semestre
6) Classificação (Cl)
7) Disciplina dé especialização escolhida, em um dos Institutos Centrais.
8) Idem.
9) Idem .
3.0 semestre
10) Catalogação (C)
11) Disciplina de especialização escolhida, em um dos Institutos Centrais.
12) Idem.
13) Idem.
4.0 semestre

14)
15)
16)
17)

Bibliografia I (B-I)
Disciplina de especialização escolhida, em um dos Institutos Centrais.
Idem.
Idem.

B)

Ciclo de Especialização (dois Sémestres)

5. semestre
18) Bibliografia II (B-II)
19) Documentação I (D-I)
20) Organização e Administração d'e Bibliotecas e Serviço:.:;
de Documentação (OABSD)
21) Seleção de Material Bibliográfico e Áudio-visual
(SMBAV)
0

6. 0 semestre
22) Documentação II (D-II)
23) Bibliografia III (B-III)
24) Referência (R)
25) Reprografia (Rp)
4. 3 -

Cursos de Pós-graduação

A pós-graduação em Biblioteconomia consiste em estágios
de treinamento em bibliotecas e servicos de documentação,
pesquisas e cursos em nível de pós-graduação, a serem ofer,~cidos na medida das possibilidades de cada Departamento e
130

�de acôrdo com as normas estabelecidas pela Coordenação de
Pós-graduação da Universidade. Para matrícula nos Cursos
de Pós-graduação em Biblioteconomia &amp;ão feitas as seguintes
exigências:
4. 3 . 1 - Curso de graduaçê.o em Biblioteconomia (Bacharelado em Biblioteconomia Especializad::i)
4. 3. 2 - Conhecimentos suficientes para ler e entender ~
inglês e outra !íngua estrangeira que não seja o espanhol .
4. 3. 3 - Experiência de pelo menos dois anos na direção 011
chefia de serviço técnico de biblioteconomia ou documentação.
Experiência docente de pelo menos dois anos em disciplin:1
técnica do currículo de biblioteconomia .
Apresentação de trabalho (impresso ou mimeografado) sôhrc
tema de biblioteconomia ou àocumeni.ação .
4. 3 .4 - Apresentação de um plano de trabalho no qual S f !jam indicados:
a)
b)
c)

o campo da biblioteconomia ou da documentação preferido pelo candidato;
o(s) assunto(s) escolhido(s) para a tese de mestrado.
as pesquisas que o candidato considera indispensávci3
à elaboração de sua tese de mestrado .

4 .4 - Curso de Formação de Professôres de Biblioteconcmia e Documentação.
f;ste Curso tem como pré-r~quisito o de Bacharelado ( 4 .1 '&gt;
ou o de Biblioteconomia Esperializada ( 4. 2) e objetiva a formação de professôres de curr.os universitários de Biblioteconomia e Documentação.
Reger-se-á por normas específicas a serem oportunamente
baixadas e será ministrado com a colaboração principal da Faculdade de Educação da UniYersidade.
4. 5 - Cursos de Extensão Cultural
A serem oferecidos de acôrclo com as possibilidades de cada
Departamento e em colabora~ão com o Centro de Extensão
Cultural da Universidade.

131

�MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA

-

RESOLUÇÃO N .0 174, DE 22 DE JANEIRO DE 1965
Dispõe sôbre o funcionamen to do Cm·::,J
de Biblioteconomia e Documen tação.
O REITOR DA UNIVERSIDADE DO CEARÁ, n o u so de
su a s atribuições legais e · estatutárias e tendo em v is ta o q ue
decidiu o Co1iselho Universitório, em sessão de 22 de janei-::·o
d e 1965.
RESOLVE ~
Art. 1.0 O Curso d e B iblioteconomia e Docume ntação,
criado pela Resolução n.º 153, de 17 de fevereiro d e 1964, fu ncionará a partir do prime iro s emestre le tivo de 1965 .
Art. 2. 0 - Até que seja apr ovado o seu Regi m e n to, r espou àerá pela Direção do Curso de Biblioteconomia e Documentação um professor ou especialista designado p elo R e itor.
Art. 3 .0 O Concurso de Habilitação para o ing r esso no
Curs o de Biblioteconomia e Documentação obedecerá à s normas estabelecida s para tôda ;:; Universidade e compreend el':í
exames de Portuguê s, Hist61·.ia Geral e do Bras il, Geografia
Geral e do Brasil e uma língua e stra n geira moderna, den tre
as seguintes: Inglês, Francês. Italia no ou E spanhol .
§ 1.0 - A Disciplina principa l a que se refere o a rt. 3 .0 , § 1. 0 ,
elo E sta tu to em vigor, será Português.
§ 2. 0 O Edital para inscrição a o Con curso d e Ha b ilitação
será publicado a partir de 25 á e janeiro e o periodo d e in scrições decorrerá de 4 a 20 de fevereiro, realizando-se as p r ova~
no período de 22 a 27 de fevereiro.
§ 3-º - O Diretor do Curso de Biblic teconomifl e Documentação tomará imediatas providências quanto à elaboração dos
programas do Concurso de Hél.lJilitação, par a conhecimen to d .);.;
interessados .
Art. 4.0 - Até o dia 15 de maio de 1965 o responsável pela
Direção do Curso de Biblioteconomia e Documentação, desig nado na forma do art. 2.0 , apresentará ao Reitor anteproje Lo
do Regimento, para estudo e ?.provaçâ::&gt; do Conselho U ni v ~rsitário .
132

�Parágrafo único - Enquanto o Curso de Biblioteconom1·1
e Documentação não tiver Regimento próprio, ser-lhe-á aplicado o Regimento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letr.i.,,,
no que couber, com as alterações dec01-rentes d esta Resolução
e da Resolução n .º 153, de 17 de fev ereiro de 1964 .
Art. 5.0 - O Curso de Biblioteconomia e Documentação será
m inistrado em três (3) anos letivos e abrangerá as seguintes
disciplinas :
·
S
LT
LT
S
S
S
S
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
LT
LT

-

314
507
508
601
'624
727
728
101
102
103
104
105
106
107
108
109
201
202
203
204
205

-

Introdução aos E stu dos Sociais
História da Litera tura I
História de Literatura II (pr Lt 507)
Introdução aos Estudos Históricos
História da Arte I
Evolução do pensamento filosófi co
Evolução do pensam&lt;?nto científico
História do Livro
História das bibliotecas (or BD 101 )
Organização e Administração das Bibliotecas
Catalogação I
Catalogação II (pr BD 104, BD 107)
Cata logação III (pr BD 105, BD 108)
Classificação I
Classificação II (pr BD 104, BD 107)
Classificação III (pr BD 105, BD 108)
Bibliografia I
Bibliografia II (pr BD 201)
T écnica do se1·viço de r eferência (pr BD 20 1 )
Documentac_:;:io (pr BU 202. BD 203)
Paleografia
Língua E str.1ngeira 1
Língua E stran geira J í

Par ágrafo único - A lém do estudo das disciplinas constantes dêste art igo, deve ainda e aluno, como requisito para a
obtenção do dip loma, submetP.r-se a pelo m enos duzentas e
quarenta (240) horas de estágio supervisionado em Bibliotecas designadas pela Direção do Curso.
Art. 6. 0 - No primeiro semestr e letivo de 1965 serão ministrad as, no Curso de Biblioteconomia e Documentação, as seguintes disciplinas:
S
BD
BD
LT

-

624 - História da Arte;
105 - Catalogação I;
108 - Classificação I ;
- Língua Estrangeira (dentre as oferecidas pela
Faculdade de Filosofia, Ciências e L etra;; .
133

�Parágrafo único - Enquanto não estiver em funcionamento os respectivos setores da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras, as disciplinas de História da Arte e Evolução do Pen~.amento Filosófico serão ministradas por docentes contratados pela Universidade para o Curso de Biblioteconomia e
Documentação.
Art. 7° - Para o exercicio do magistério no Curso de Bibl!oteconomia e Documentação, mediante nomeação ou contrat:,,
será exigida, na forma do art. 53, alínea I, do Estatuto da U,:üversidade do Ceará, prova de estudo da matéria em curso de
graduação, com a apresentaçãc do diploma correspondente .
Art. 8. 0 - São válidos os atos praticados antes da publicaçao
desta Resolução, com o objetivo de assegurar o funcionamento do Curso de Biblioteconomia e l)ocumentação na form~
prevista.
Art. 9. 0 - Em 1965 as aulas do Curw de Biblioteconomia
e Documentação terão inicio no dia 8 de março, prolongandose o primeiro semestre de agôsto para atendimento do mínimo
de aulas previsto em lei.
Art. 10 - A presente Resolução entrará em vigor na data
de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões do Conselho Universitário, em 22 de j aneiro d"e 1965.
Prof. Antonio Martins Filho
Reitor
U Nl VERSIDADE DO CEARA
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
REGIMENTO
Adaptado ao Estatuto da Universidade do Ceará e à Lei n.0 4.024, de :W
de dezembro de 1961 (Lei de Diret~·izes e Bases da Educação Nacional)

TíTULO I
Do Curso e suas finalidades

Art. l.º - O Curso de Bibl;oteconom;a e Documentação da
Universidade do Ceará, criado pela Resolução do Conselho Universitário, n.0 153, de 17 de fevereiro de 1964, integrado na
educação superior, visa a formação de técnicos no campo dct
Biblioteconomia e Documentação.
Art. 2.º I -

!34

O Curso tem por objetivos, especificamente:

formar bibliotecários e documentalistas de acôrdo co!11
a Lei n. 0 4.084, de 30 de junho de 1962 (D.O. da União
n.0 123, de 2-7-62);

�II
III
IV
V

formar pesquisadores no campo da biblioteconomia e
da documentação;
promover o aperfeiçoamento e a especialização de bibliotecários e documentalistas:
dar assistência aos Centros de Documentação, Arquivos e Bibliotecas do Estado;
superintender o desenvolvimento da biblioteconom1a
no Estado.

Art. 3.0 - O Curso poderá utilizar o tnsino profissional do:;
diversos estabelecimentos universitários, quando assim fôr decidido mediante acôrdo entre as unidades interessadas.
Art. 4. 0 - O Curso se articulará com ~s demais unidades que
compõem a Universidade do CE.ará e ma!'lterá intercâmbio com
outra s instituições congêneres do país e do exterior.
TlTULO II
Da Estrutura Didática

SUBT1TULO I
Do Curso

Art. 5.0 - O Curso manterá um currn de Graduação e promoverá a especialização e o aperfeiçoamento dos bibliotecários
e doc:umentalistas.
CAP1TULO úNICO
Curso de Graduação

Art. 6-º - O Curso de Graduação, com a duração de três (3)
anos letivos, destina-se a preparar B acharéis em Bibliotec~n cmia e Documentação para o exercício de atividades técnicas,
b em como para orientação e administração de bibliotecas e se:·viç-os correlatos.
0
&amp; 1. O Curso de Graduação estará aberto à matrícula de
candidatos que hajam concluírlo o ciclo colegial, ou equivaler.te, de curso reconhecido como de grau médio e obtido class·.ficação em Concurso de Habilitação.
§ 2. 0 No Curso de Graduação o ensino será feito atrav~s
de ciclos básicos e profissionais tendo o ciclo básico caráter dE'
formação geral e o ciclo profissional, caráter de formação especializada.
Art. 7. 0 - Os ciclos básico e profiss.onal do Curso de Graduação abrangem um único s2tor que s,~rá o da preparação de135

�bibliotecários e documentalistas para o exercício das atividad-.:.s
a que corresponde o Diploma de Bacharel.
SUBT1TULO II
Do Currículo e do Programa

CAPíTULO I
Art. 8. 0 - Os currículos consistem !1a ap1·esentação e or c!:~nação das disciplinas a serem 1ecionadas através de aulas tec'i rieas ou práticas, seminários, estágios, trabalhos de pesquisa
e quaisquer outras atividades aconselhadas pela natureza dos
temas, pelas possibilidades dos d epartamentos e pelo grau d e
maturidade elos alunos.
Parágrafo único - Tôdas a:: discipli::ias têm duração seme:-,tral e constam de, no mínimo, oitenta (80 ) hora s de trabalh0,
desenvolvidas ao longo de pelo menos noventa (90) dias letivos.
Art. 9. 0 - As disciplinas pedem ser ubrigatórias ou optativas, abrangendo duas classes distintas :
a)
b)

disciplinas regulares, as que já constam dos vários cu rrículos;
disciplinas complementares, as nã.o regulares que for em
anunciadas pelos departamentos, após a provação p'3l·&gt;
Conselho Departamenta l.

Art. 10 - A escolha dos semestres-di sciplina, pa ra efeito d ~
matrícula, depende de sua inclusão n&amp;s listas de ofertas dos
departamentos, a serem aprovadas p elo Conselho Departamental e anunciadas até sessenta -160) dias antes de iniciar-se caàa
semestre letivo.
Art. 11 - A apresentação das disciplinas lecionadas pelo
Curso se fará por um código de letras e algarismos, em qHe:
a)
b)

c)
d)

o prefixo constituído por uma ou duas letras indica o
departamento responsável p elo ensino, de acôrdo com ;1
discriminação constante do art. J 07;
o primeiro algarismo separado p0~· um traço, do prefü~o
correspondente ao departamento, :ndica o setor dêste , m
que a disciplina se cla~sifica, de acôrdo com a d iscriminação constante do artigo 97;
os dois algarismos seguintes, a partir de 01, indicam a
disciplina pràpriamente dita e sua classificação no setor
departamental que lhe corresponde;
a letra A, separada por um ponto dos elementos an te-

�e)

ri or es, ind ica a n a tu rez 2 de disciplina obrigatória sign ifican do a su a ausên cia qu e a d isdplina é optativa;
a abreviatura pr indica os p ré-requ isitos de estudo exig idos para a matr ícula na d iscip lina con siderada, significando a ausência do pré-requisito qu e essa m atrícula
poderá ser feita liv rem ente e em qu a lquer fase do cu rso.

Parágra fo único - A apresentação das disciplinas lecionadas
por outras unidades u niversi,árias se fará de acôrdo com os
1·especti vos sistem as.
Art. 12 - O cu rrícu lo do Curso de Graduação com preende
as disciplinas que resultam das matéria~ fixadas pelo Conselho
Federal de Educação e outr'.3.:; tidas cerno necessárias para o
tipo de formação qu e o Cu rso p r oporci,:mará, de acôrdo com •~!'"
seu s objetivos.
Art. 13 - O currículo abrangerá vinte e quatro (24) semestres-disciplina, excluído o estfigio a que se referem os artigos
47 e 48, compreendendo os ciclos básico e profissional.
Art. 14 - O ciclo básico do Curso compreende os nove (D)
semestres-disciplina abaixo enumP.rados, a serem cu rsados pel':1
forma indicada:
S-314. A
LT-507 . A
LT-508 . A
S-601. A
S-624. A
S-727. A
S-726 . A
LT.A

-

Introdução acs Estu do2 Sociais
História da Literatura 1
História da Literatu ra II (pr LT-507.A)
Introdução a ~s Estu dos Históricos
História da A rte
Evolução do Pensamento Filosófico
Evolução do Pen samer:to Científico
Língua Estr:rngeira I

Art. 15 - O ciclo profissional do Curso abrange quatorze (H)
sem estres-disci plina a baixo enu merados a serem cursados pela
for m a indicada:
BD-101. A
BD-102. A
BD-103. A
BD-104 . A
BD-105 . A
BD-106 . A
BD-107 . A
BD-108. A
BD-109. A
BD-201 . A
BD-202. A

-

História do Livro
História das Bibliotec:?.s (pr BD-101)
Organização e Administração de Bibliotecas
Catalogação I
Catalogação 1I (pr BD-104 ; BD-107)
Catalogação IU (p r BD-105; BD-108)
Classificação I
Classificação II (pr BD-107; BD-104)
Catalogação JII (pr B l.&gt; 105; BD-108)
B ibliografia I
Bibliografia ! I (pr BD-201 )
137

�BD-203.A
BD-204.A
BD-205.A

Técnica do Serviço de H.eferência (pr BD-201)
Documentaçã0 (pr BD-202; BD-203)
Paleografia.

Parágrafo único - As disciplinas inciuídas no currículo visam à obtenção do Diploma de Bacharel em Biblioteconomia e
documentação.
CAP!TULO II
Programas

Art. 16 - A cada disciplin::i correspcnderá um programa elaborado pelo respectivo professor, ou conjunto de professôres
e aprovado pela Congregação, à vista ~fr parecer do Conselho
Departamental.
Art. 17 - Cada programa será encabeçado por uma súmula
dos temas nêle incluídos, a qual incorporará ao anunciado das
disciplinas para efeito de sua inclusão n as listas de ofertas dos
departamentos e no Catálogo Geral do Curso.
Art. 18 - Aos programas das disciplinas afins lecionadas a
um mesmo nível correspondei·á um plano de execução elaborado, conjuntamente, por todos os regentes dessas disciplinas
sob a coordenação dos depart:1mentos.
Art. 19 - O Plano de Execução consistirá na integração dos
programas das várias disciplir.as afins num esquema orgânit:0,
em que serão previstas as suas conexões e inter-relações, quanto do conteúdo e método, assim como à contribuição de cada
uma para o ensino das demais.
SUBT!TULO III
Do Regime Didático

CAP!TULO I
Trabalhos Escolares

Art. 20 - Entendem-se por ano e sEmestres letivos, respectivamente, os conjuntos mínimos de cento e oitenta (180) e noventa (90) dias de trabalho escolar efetivo, não incluindo -"&gt;
tempo reservado a provas e ?xames.
§ l.º - As atividades escolares se dt.•~envolverão por sem(':;tres letivos, havendo por ano dois semestres regulares de tnbalhos, o primeiro dos quais terá iníc:o no mês de março, o
segundo, ao terminar o primeiro, e quando assim fôr decidido,
138

�um semestre especial, a iniciar-~ com as férias que deverão
seguir-se aos dois primeiros.
§ 2. 0 Prorrogar-se-ão obrigatàriamente os semestres letiv os:
·
a)
b)
c)

para atingir o mínimo de dias letivos fixados neste a!'."tigo;
para alcançar o mínimo de oitenta (80) horas-aula fixado para o ensino d'e qualquer disciplina;
para concluir o programa de qualquer disciplina.

Art. 21 - O planejamento anual dos trabalhos escolares será
consignado e progressivamente integrado nos seguintes documentos:
a)
b)

Calendários Departamentais;
Calendário Escolar.

§ l.º - Os Calendários Dej:)artamefüais serão elaborados e
aprovados pelos departamentos respectivos, até o primeiro clia
útil do mês de fevereiro, e conterão, além de outras disposições julgadas necessárias, as seguinteE:

a)
b)
c)
d)

disciplinas regulares e complementares já enunciadas
na forma do art. 8°, com indicação dos pré-requisitos
exigidos para escolha;
horários de aulas e demais atividades didáticas, por
disciplinas;
disposições sôbre a verificação dd aprendizagem;
estágios.

§ 2. 0 O Calendário Escolar será &lt;::laborado sob a coordenação do Diretor do Curso aprovado pela Congregação, ouvido
o Conselho Departamental, j evendo er;feixar as disposições
comuns a todos os departamentos e intt::grar, de maneira concisa, os respectivos calendárics particu)ares.
§ 3.º - Os Calendários Departamentais e o Calendário Escola r abrangerão sempre os doze meses compreendidos entre
l.º de março de um ano e 28 ou 29 de fevereiro do ano seguinte.

CAPíTULO II
Admissão ao Curso

SEÇÃO I
Concurso de Habilitação

Art. 22 - O Concurso de Habilitação tem por objetivo clas.sificar os candidatos ao Curso de Graduação, nos limites das
139

�vagas fixadas e reunir dados uniformes para a sua observ:1ção e orientação durante os ciclos básicos e profissional.
Parágrafo único - No Concurso de que trata o artigo anterior serão observadas as di:,;posições constantes de Resolução do Conselho Universitário.
Art. 23 - O Concurso de Habilitac8.o, com vistas à matrícula no primeiro semestre regular de cada ano letivo, deverá
realizar-se com observância dos prazos fixados pelo Conselho
U niversitário.
Parágrafo único - Deverá subordinar-se a calendário próprio aprovado pela Congregaç,ão, o Concurso de Habilitação
que se faça com vistas ao semestre e."'pecial de que trata o
§ 1.0 do artigo 20.
SEÇÃO II
Da matrícula

Art. 24 - A m a trícula no Curso de Graduação será feita por
semestres-disciplina, nos departamentoP, a que esteja afeto 0
respectivo ensino, observado o sistema de pré-requisitos est;;,belecidos em cada currículo e respeitado o limite máximo ,j~
quatro ( 4) disciplinas por semestre letivo.
Parágrafo único - A matrícula em qualquer disciplina depende de que haja sido a mesma incluída em listas de ofertas,
de acôrdo com o art. 9.0 , podendo o Curso cancelar qualquer
oferta, por proposta do Departamento aprovada pelo Conselho
Departamental, se a respectiva matrícula não alcançar pelo
menos quatro ( 4) estudantes.
Art. 25 - Para matrícula destinada a início de estudo _d o
Curso de Graduação, deve o aluno exibir a necessária prova,
fornecida pela Seção Didática da Secretaria Geral, de t er sido
classificado em Concurso de Habilitação.
Art. 26 - Será recusada nova matrícula ao aluno que h ouver sido reprovado, mais de uma vez, em qualquer conjunt0
de disciplinas.
Art. 27 - É vedada a concessão de t1·ancamento de matrícula mais de uma vez, na mesma disciplina, salvo por m oU-✓o
de doença, devidamente comprovado e ª ceita como justo pe lo
Conselho Departamental.
Parágrafo único - Em qualquer hipótese, o trancamento
da matrícula só poderá ser requerido até a oitava semana ele
desenvolvimento do semestre-disciplina, considerando-se daí
por diante como reprovação a desistência do estudo de uma
ou mais disciplinas.
140

�1

Art. 28 - O aluno que deixar de ma~ricular-se por dois (2)
anos consecu t ivos, deve apresentar à Secretaria do Curso, para
efeito de matrícula, novos documentos comprobatórios de vacinação contra varíola e de saúde físka e mental.
Art. 29 - Serão nulas, para todos os efeitos, as matrícubs
com inobservância dos pré-requisitos Estabelecidos em cada
caso ou a lém do teto de quatro ( 4) disciplinas por semestre,
cabendo à Seção Didática d'a Secretaria Geral empreender investigações neste sentido ao início de c;:;.da período letivo.
Art. 30 - Os departamentos desigr.i.arão professôres para
orientar os alunos na elaboração de seu!'; planos semestrais de
estudos para efeito de matrícula, assim como em quaisquer
outros aspectos de sua vida escolar.
SEÇÃO III
Transferências

Art. 3 1 - O Curso, no limite das vagas existentes, aceitai•:;
transferência de alunos provenientes d e cursos idênticos, mantidos por estabelecimentos de ensino superior nacionais ou
estrangeiros, feitas as necessárias adaptações de acôrdo com os
critérios fixados pelo Conselho Univer~:itário.
§ 1 ° - O Curso igualmente fornecerá, aos alunos que assim
o requeiram, guias de transferência para outros estabelecimentos nacionais ou estrangeiros .
§ 2° - O aluno transferido para o Curso deverá apresent:ir
g uia de transferência expedida pela escola de origem, com o
correspondente histórico escolar além elos documentos nece:::sários dentre os enumerados no ·parágrafo único artigo 22.
Art. 32 - O estuda nte que, por motivo de serviço público
ou de interêsse m ilitar devidamente comprovado, fôr removido
oficialmente para a cidade de Fortaleza, terá assegurada a
transferência em qualquer período letivo e independenteme:1te da existência de vaga.
Parágrafo único - A exceção a que se refere êste artigo é
extensiva às pessoas de família do milita r ou servidor público
remov ido .
Art. 33 - O Diretor do Curso, ouvklo o Conselho Departamental, baixará normas gerais para regular os casos de transfer ên cia, observado o disposto na pres~nte ação.
141

�CAPITULO III
Verificação do Rendimento Escolar

Art. 34 - A verificação do rendimento escolar será feita po1·
semestres-disciplina e na perspectiva de todo o curso .
Art. 35 - A verificação por seme:.tre-disciplina abrangerá
os elementos assiduidade e eficiência nos estudos, ambos eliminatórios por si mesmos.
Art. 36 - Entende-se por assiduidade a freqüência às auias
e demais atividades correspondentes a cada semestre-disciplina, ficando impedico de prestar exame final o aluno que ultr::ipassar em faltas o limite máximo de trinta por cento (30 % ),
vedado qualquer abono de faltas.
Art. 37 - Entende-se por eficiência o grau de aplicação d.)
alunos aos estudos encarado como processo e em função do2
seus resultados .
Art. 38 - A verificação da eficiência abrangerá, em cada
semestre-disciplina:
a)
b)
c)
d)

a assimilação progressiva de conhecimentos;
o trabalho individual expresso em tarefas de estudo e
de aplicação de conhecimentos;
o domínio de conjunto da matéria lecionada;
o comportamento do aluno em tôdas as situações inerentes à sua vida escolar.

Art. 39 - Aos quatro aspectos da verificação da eficiência,
definidos no artigo anterior, corresponderão as seguintes notas:
a)
b)
e)
d)

nota
nota
nota
nota

parcial de conhecimento (NPC);
de trabalho individual (NTI);
de exame final (NEF);
de julgamento geral (NJG) .

§ 1.º A nota parcial de conhecimento (NOC) resultará de ve.
rificações que deverão realizar-se, em c::.ida mês, de acôrdo cor:1
os planos elaborados pelos departamentos.
§ 2.º - A nota de trabalho individual lNTI) resultará de tarefas de estudo e aplicação de conhec:mentos realizadas de
acôrdo com os planos semestrais dos departamentos .
§ 3.0 - A nota de exame final (NEF) será o resultado dêste
exame, que constará de prova escrita a realizar-se após integralizado o mínimo de horas-aula e cumprido o programa ele
cada disciplina.

142

�§ 4. 0

A nota de julgamento geral (NJG) comum a tôdas
as disciplinas cursadas pelo aluno, será atribuída conjuntamente, pelos respectivos regentes, em reunião que deverá redlizar-se até três dias após o último exame final.

Art. 40 - Na atribuição de notas,. ob::ervar-se-ão as disposições e convenções abaixo:
I -

II III IV -

As notas abrangerão as seg,.üntes menções:
Excelente (E);
Bom (B);
Regular (R);
Insuficiente (I);
Mau (M) .
As men ções a que se refere 0 item I poderão ser representadas pelos símbolos numéricos 5, 4, 3, 2 e 1,
respectivamente.
Quando a s menções forem expressas numericamente, as notas serão obrigatàriumente atribuídas em
números inteiros .
Para efeito de conversão do sistema estabelecido
neste artigo aos sistemas de 1 a 10 e de 1 a 100, ou
vice-versa, as notas serão traduzidas numericamente e multiplicadas ou divididos por 2, ou 20, conforme o caso.

Art. 41 - Será facultado ao aluno su'bmeter-se a uma segunàa chamada relativa a qua'lquer verificação destinada à pota
parcial de conhecimento, por motivo de fôrça maior devidamente comprovado e aceito como jus~o pelo departament~.
desde que o requeira até três (3) dias após cassado êsse motivo e a sua realização possa ocorrer antes da verificação
seguinte.
§ lº Será, igualmente, facultado ç1.o aluno submeter-se,
em segunda chamada, a exame final de qualquer disciplina,
satisfeitas as exigências dêste artigo desde que possa o mesm0
realizar-se a ntes do início do prazo de i!1scrições ao exame de
recuperação .
§ 2º - Ainda nas condições dêste arl1go, o aluno poderá ter
prorrogado o prazo de entrega de qualquer trabalho individual.
Art. 42 - Serão asseguradas ao professor, nas verificações
e nos trabalhos escritos, liberdade de f.)Imulação de questões
e autoridade de julgamento .
§ 1° - Depois de divulgados os julgamentos, as provas relativas às verificações e aos trabalhes escritos ficam, pelo prazo
de três (3) dias, em poder dos profes~ôres para exame dos interesados, devendo ser em seguida arquivadas nos departamentos.
143

�:,; 2.i::- - Na ocorrência de reclamação, caso o professor ou a
banca examinadora a considere justa, poderé. ser retificada &lt;l
nota atribulda, não se tomando, porém, conhecimento de quaiquer reclamação depois do prazo a que trata o parágrafo ante-rior dêste artigo.
§ 3. 0 Serão igualmente arquivadas nos departame11tos as
fôlhas relativas à nota de julgamento geral.
§ 4.0 - Da decisão do professor ou da banca examinador;J
não caberá recurso.
Art. 43 - Considerar-se-á aprovado em cada semestre-disciplina o aluno que, nas quatro ( 4) notas a que se refere o artigo 38 obtiver pelo menos: (a) quatrn menções "regular" 0,1
(b) uma menção "insuficiente", duas "regular" e uma "boa" .
Art. 44 - A nota de julgamento geral, exarada em fôlh a es.
pecial para cada aluno, será subscrita e, quando necessário.
justificada por todos os regentes a que se refere o !\ 4° do
artigo 39.
Art. 45 recuperação
não tenham
necessários,
a)
b)

c)

Os planos dos departamentos incluirão exam e ct,:
para os alunos que, ao tér~mo de semestre letivo,
logrado os mínimos de assiduidade e de eficiênci:: 1
exigindo-se para a sua mscrição que:

tenham s ido prejudicados, por falta de assiduidade ou
eficiência, no mínimo em duas (2) disciplinas;
tenham oblido no mínimo 50 % r!E: assiduidade e m cada
disciplina:
tenha m obtido, como resultados da nota parcial de cc nhecimentos (NPC), e da nota de traba lho individual
tNTI), m en ções não inferiores a R + I ou I+ R e, da not-l
d e julgamento geral, menção não inferior a R .

Parágrafo úni co a)

b)

A recuperação constará de:

estudo orientado ao longo de pelo m en0s vinte e um (21)
dias, com freqü ê ncia mínima a oitenta por cento (80 % ·,
das atividades programadas pelo professor , dentro cio
horário aprovado pelo Conselho Departamenta l;
exame, constante de provas escriLas e oral ou prátirooral, sendo aprovado o aluno que em ambas obtiver pelo
menos " bom", ou "reg~tlar'' err1 uma e "excelente" em
out1·a .

Art. 46 - A verificação do rendimento na perspectiva do
curso será feita por meio de P.stágio supervisionado.
Art. 47 - Os estágios .:upervisionados serão feitos em 'situação rea l e terão duração igu al ou superior a um semestre leti144

�v o, não podendo o aluno ser diplomado antes de haver concluído, com assiduidade e aproveitamento, o programa que
lhe haja sido atribuído com êsse fim .
Parágrafo único - Os estágios serão feitos de acôrdo com os
planos elaborados pelos Departamentos .
Art. 48 - Considerar-se-á habilitado o aluno que obtiver
freqüência mínima de setenta por cento (70 % ) e menção igual
ou superior a "regula r " no conjunto das atividades program a das.
Parágrafo único - Os estágios s upe1 visionados não ser ã o
computados como semestres-disciplina para efeito de integra lização do total abrangido pelo currículo do Curso .
SUB'l'íTULO IV
Dos Graus, Diplomas e Certificados

Art. 49 - O Curso conferirá o grau de B acharel em Bibli oteconomia e Documentação ao aluno que houver concluído o
corres pondente Curso de Graduação, na forma dêste Regímen to expedindo o competente diploma devidamente assinado pelo
Diretor do Cu rso e pelo Reitor da Univl"rsidade do Ceará .
Art. 50 - O a to colelivo de colação de grau dos a lunos qL:e
h ouve rem conclu ído o Curso de Graduação será realizad'o en,
solenidade única promovida para os diversos cur sos da Un iversidade do Ceará.
§ l.º - Na colação de grau o Diretor tomará o juramento
dos graduados, que será p restado com fórmula oficial previilm ente aprovada pela Congregação .
§ 2. 0 A requerim ento dos int eres~ados, e em casos espPciais devidamente justificados, poderá a colação de grau se•·
feita individua lmente, ou por grupos , em dias e ho ras fixad as
pelo Dir etor do Curso e na presença de três (3) professôres
no mínimo.
Art. 51 - O Curso expedirá certificados aos alunos que conduíram , com a ssiduidade e eficiên cia, o estudo de qualqu er
disciplina, bem com o curso de especialização, a perfeiçoamento e exten são.
§ l.º O certificado de conclusão ce qua lquer discipli na
será a ssin ado pelo professor por ela responsável e visado pelo
Diretor do Curso.
§ 2.º - Os certificados de conclu são d'os cursos de especia lização, aperfeiçoamento e ext en são serão assinados pelos profe:.:sôres por êles respon sáveis e visados pelo Diretor do Curso .
Art. 52 - A Congregação do Curso poderá propor ao Con-selho Un iversitário, mediante indicação a prov ada por dois t ê r-

145

�ço~ (2/3) dos seus membros em exerc.1c10, a concessão de Diploma de Professor Emérito a professôr.e::s aposentados que ;,fhajam distinguido por sua produção científica, pela sua eflciência no exercício do magistério ou por relevantes senriçc,s
prestados ao Curso.
T1TULO III
Da Comunidade Escolar

Art. 53 - A Comunidade escolar, integrada na comunida.:lc
universitária, é constituída pelos corpos docente, discente e
técnico-administrativo, os quais se diversificam em fun ção das
respectivas atribuições e se unificam :10 plano comum do-s
objetivos do Curso e da Universidade.
Art. 54 - Os corpos docente e técnico-administrativo são
constituídos de servidores do Quadro do Pessoal do Ministério
da Educação e Cultura ou do Quadro próprio do pes8oal da
Universidade do Ceará, lota dos no Curso por ato do R eitor.
Parágrafo único - Além dos servidores pertencentes aos
Quadros referidos neste artigo, pod erá haver no Curso pessoal
temporário, sujeito à legislação trabalhista, cujas funções con starão de tabelas elaboradas na forma çla Lei e aprovadas p elo
Conselho U niversi tári o .
Art. 55 - O ato de investidura em qualquer cargo ou fun ção
importa no compromisso formal de respeitar a Lei, o E s tatuto
da Universidade, ês te R egime nto e as autoridades que d êles
emanam, constituindo falta punível o seu desatendimento.
SUBTíTU LO I
Do Corpo Docente

Art. 56 - O magistério do Curso é constituído de professôres que reúnem as qualidades de pesquisador e educador.
Art. 57 - É condição para o exercício de qualquer cargo ou
função docente no Curso, por ordem de prioridade:

a)
b)

ser diplomado em Curso de Biblioteconomia e Documentação;
ser diplomado em curso de bacharelato, licencia tura ou
qualquer outro de graduação em que se estude a disciplina ou ordem de disciplinas correspondente ao cargo
ou função.

Art. 58 - Por indicação do departamento interessado, aprovada pelo Conselho Departamental, a Congregação poderá pro146

�por à Reitoria o contrato, por tempo determinado, de professõres nacionais ou estrangeiros para a regência de qualquer .
disciplina ou conjunto de disciplinas e execução ou orientação
de trabalhos de pesquisa.
Parágrafo único - Os direitos, deveres e vantagens dos professôres serão fixados de acôrdo com a legislação em vigor.
Art. 59 - O Curso adotará as providências necessárias à renovação dos seus quadros de pessoal docente ao seu aperfeiçoamento e especialização, como à progressiva implantação
do regime de tempo integral.
Art. 60 - Os membrçis do magistério do Curso estão sujeitos
ao regim e d e dezoito (18) horas semana is de trabalho e fetivo
nos setores de ensino ou pesquisa ou em ambos.
Art. 61 - Os membros do magistério ct·o Curso estão sujeitos às seguintes penas disciplinares:
a)
b)
c)
d)

advertência;
repreensão;
su spen são;
rescisão ou demissão.

Parágrafo único - As penas previstas neste artigo serão
aplicadas d e acôrdo com a gravidade das faltas e tendo em
vi sta os antecedentes do professor, a quem em qualquer hipótese é assegurado pleno direito d e defesa.
A r t . 62 - As penas de advertência e repreensão são da competência do Diretor do Curso; a de suspensão, da Congregação
e a de rescisão ou demissão do Reitor, sempre m ediante representação da Congregação .
Parágrafo único - A pena de rescisão ou demissão será aplicada à vista das conclusões de processo administrativo, em que
atuará uma comissão de professôres eleita pela Congregação .
Art. 63 - Será afastado temporàriamente do cargo o professor que deixar de comparecer, sem justificação, a vinte e cinco
por cento (25 % ) dos exercícios e aulas que lhe tiverem sido
atribuídos no período letivo ou não ministrar pelo menos 3/4
do programa sob süa responsabilidade.
§ l.º - A reincidência do professor na falta prevista neste
artigo importará, para os fins legais, em abandono do cargo .
§ 2. 0 - O afastamento será feito pela Congregação mediante
proposta do Diretor ou a requerimento de qualquer interessado, observando-se na hipótese de reincidência o disposto no
parágrafo único do artigo anterior.
147

�Art. 64 - Dos atos do Conselho Departamental e da Congregação, em decisões r~lativas a penas disciplinares, caberão
recursos, respectivamente, para a Congregação e para o Conselho Universitário.
SUBTtTULO II
Do Corpo Discente

Art. 65 - O Corpo Discente do Curso é constituído dos alunos
regularmente matriculados em uma ou mais disciplinas .
Parágrafo único - O ato de matrícula importa, para o aluno,
em compromisso formal de respeitar a Lei, o Estatuto da Universidade, êste Regimento e as autoridades que dêle emanem,
constituindo falta punível a sua transgressão ou o seu desatendimento.
Art. 66 meio de:
a)
b)

O Curso prestará assistência aos estudantes por

bôlsas de estudo e outras formas de auxílio individual;
serviços mantidos pela Universidade e administrados
pelos estudantes através de seus órgãos administrativos.

Parágrafo único - As disposições das letras b e e, serão
-cumpridas de acôrdo com os meios consignados no Orçamento
d.a União e pelo duplo critério de recursos e eficiência nos
estudos.
Art. 67 - A ordem disciplinar deverá ser conseguida com
a cooperação ativa dos alunos, por métodos que os levem a
portar-se corretamente, menos pelo temor de sanções do que
pela necessidade, a surgir de ambiente geral, de velar pela normalidade dos trabalhos como indispensável condição de êxito
para si e para todos os membros do grupo .
Art. 68 - Na hipótese da aplicação de penas disciplinares,
estas poderão abranger as seguintes modalidades :
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão até quinze (15) dias;
d) suspensão até noventa (90) dias;
e) exclusão.
Parágrafo único - A aplicação das penas estabelecidas neste
.artigo se fará, em relação a cada estudante, na ordem crescen1te de sua enumeração, considerando-se a reincidência de uma
'falta já punida como um nôvo ato de indisciplina sujeito à
penalidade imediatamente superior.
148

�Art. 69 - As p enas de advertência, repreensão e suspensão
até quinze (15) dias serão aplicadas pelo Diretor do Curso,
diret amente ou mediante proposta do departamento em qne
estiver matriculado o aluno; a pena de suspensão até noven ta
(9) dias é da competência da Congregação, m ediante proposta
do Conselho Universitário, mediante proposta da Cong regação.
§ 1.0

A aplicação da pena de suspensão até noventa (90}
dias e de exclusão será procedida de inquérito durante o qual
n ão poderá o estudante acu sado obter transferência.
§ 2.0 Das penalidades impostas pelo Diretor e pela Congregação caberão recursos, respectivam ente, para a Congregação e para o Conselho Universitário.
s 3. 0 - A aplicação de qua lquer penalidade supõe a mplo d ireito de defesa assegurado ao aluno.

Art. 70 - Os alunos matriculados no Curso organiza rão
uma associação de caráter educativo, cultural, recreativo e
a ssistencial, cujo Estatuto será aprovado pe la Congregação.
P arágrafo ú nico - A Associação a que se refer e êste artigo
será órgão oficial d e representação do Corpo Discente do Curso
e o seu Presidente será membro da Congregação e do Conselho
Departamental.
Art. 71 - Por meio de recursos para êsse fim conseguido no
orçamento da U n iversidade, o Curso proporcionará auxílios
pa ra estimular as atividades da Associação dos seus estudantes,
dependendo sempre qualquer nova concessão de prestação de
contas, perante o Conselho Departamental, do auxílio anteriormente r ecebido.
Art. 72 - O Curso não reconhecerá, em função de representação estudantil, o a luno que houver sido punido com suspensão ou reprovado em qualquer conjunto de disciplinas.
SUBTíTULO III
Do Corpo Técnico-Administrativo

Art. 73 - O Corpo técn ico-administrativo do Curso é con stituído pelos servidores que não pertençam ao corpo docente.
Art. 74 - O pessoal técnico-administrativo será d esignado
por ato do Reitor da Universidade, cabendo ao Diretor a sua
movimentação no Curso.
Art. 75 - Os direitos, deveres e vantagens do pessoal técnico-administrativo, bem como o seu regime disciplinar, serão
regulados pelos Estatutos dos Funcionários Públicos Civis da
União e legislação complementar.
149

�T1TULO IV
Da Administração do Curso

SUBT1TULO I
Dos órgãos da Administração

Art. 7G - A administração do Curso será exercida pelos seguintes órgãos:
a)
b)
c)
d)

Congregação;
Conselho Departamental;
Diretoria;
Departamentos.
CAP1TULO I
Congregação

Art. 77 - A Congregação, órgão superior da direção administrativa e didática do Curso, é constituída:
n)

b)
e)

pelos professôres em exercício;
pelo presidente do Diretório Acadêmico;
p or um representante do Corpo Discente, eleito pelos
al unos que integram o Conselho Departamental, em
reunião presidida pelo Diretor.

P arágrafo único - O representante a que se refere a letra e
terá mandato de um (1) semestre, sendo permitida a reeleição.
Art. 78 - .- A Congregação será presidida pelo Diretor, e na
ausência dêste, pelo professor membro do Conselho Departa mental mais antigo no magistério do Curso.
Art. 79 - A Congregação se reunirá, ordinàriamente, até
trinta (30) dias antes do início de cada semestre letivo e,
extraordinàriamente, sempre que o determinem os interêsses
do Curso por convocação do Diretor ou do Conselho Departam ental ou, ainda, a requerimento de cinco (5) ou mais professôr es.
Art. 80 - De tôdas as ocorrências das sessões da Congregação será lavrada pelo Secretário do Curso uma ata que deverá
ser lida, aprovada e assinada por todos os membros presentes
à sessão imediata.
Art. 81 - As votações se farão por escrutínio secreto, nominalmente ou de forma simbólica, decidindo a m a ioria, preli150

�minarmente, sôbre o sistema a ser aditado, excetuados os ca sos
previstos neste Regulamento.
Art. 82 a)
b)
c)
d)
e)
f)

Compete à Congregação:

Aprovar o Calendário Escolar e os programas das váFias
disciplinas;
resolver questões que, direta ou indiretamente, interessem à ordem didática e administrativa do Curso nos
têrmos do Estatuto da Universidade e dêste Regimento;
aplicar as penalidades previstas neste Regimento, quando de sua competência;
resolver todos os casos que em grau de recurso lhe forem afetos;
modificar o Regimento, em ato que deverá ser ap rovado, sucessivamente, pelo Conselho Universitá rio e pe:0
Conselho Federal de Educação;
exercer as demais atribu ições que se incluam de mane::ira expressa ou implícita, no âmbito de su a competêDcia, em fa ce da Lei cio Estatuto da U niversidade e dêste
R egim ento.

Art. 83 - Sa lvo caso d e excepcional u rgência, a convocação da Cong regação deverá ser fe ita por escrito, com anteced ên cia mínima d e quarenta e oito (48) horas e indicação, a
n ão ser em circunstâncias especiais, dos fins da r eunião.
Art. 84 - As del iberações da Congregação serão tomadas
com a presença da maioria dos seus m embros, respeitada a
exigência ex pressa do número m a is al to .
§. 1° - O Diretor do Curso terá d ir eito aos votos de quantidade e qualidade, êste no caso de empate.
§ 2.º - Nenhum membro da Congregação poderá votar em
deliberações que direta ou indiretam ente lhe interesse .
Art. 85 - Por deliberação do Diretor ou a requerimen to de
um d'os mem bros, e com aprovação do plenário, poderá ser a
,.essão da Congregação secreta ou conservar-se em sigilo qualquer de suas deliberações.
CAP1TULO II
Conselho Departamental

Art. 86 - O Conselho Departamental é órgão consultivo e
deliberativo d a administração do Curso, em matéria que aão
seja da competência privativa da Congregação.

�Art. 87 tituição:
a)
b)
e)
d)
e)

O Conselho Departamental terá a seguinte cons-

Diretor do Curso, como seu Presidente;
Chefes dos departamentos;
Um dos membros docentes de cad'a departamento, pelos
mesmos eleito em reunião presidida pelo respetivo ch efe;
Presidente do Diretório Acadêmico;
Um membro do corpo discente de cada departamento,
eleito, pelos representantes estudantís junto ao m esmo
departamento, em reunião presid'ida pelo r espectivo
chefe.

Parágrafo único - O representante a que se refere a letra b
terá mandato de dois (2) anos e os da letra d terão m a nda to
de um (1) semestre, permitida a reeleição em ambos os casos .
Art. 88 - O Conselho Departamental reunir-se-á ordinàrtarnente uma (1) vez por mês e, extraordinàriamente, qua ndo
convocado pelo Diretor do Curso ou a requerimento da maioria dos seus membros .
Art. 89 a)
b)
e)
d')
e)
f)

g)
h)

Ao Conselho Departamental compete:

Aprovar a proposta orçamentária do Curso, a ser r emetida à Reitoria até 16 de novembro de cada ano;
aprovar a fixação, proposta pelos departamentos, do número máximo de vagas para matrícula em cada disciplina;
emitir parecer sôbre o Calendário Escolar e os programas encaminhados pelos Departamentos;
emitir parecer sôbre os planos dos cursos de especialização e aperfeiçoamento e aprovar os planos dos cursos
de extensão;
constituir comissões especiais de professôres para estudo de assuntos de interêsse do Curso;
decidir ou emitir parecer sôbre representações contra
atos de professôres;
decidir ou emitir parecer sôbre questões de ordem administrativa, didática e disciplinar;
praticar todos os demais atos que se incluam, de maneira expressa ou implicita, no âmbito de sua competên cia, em face da Lei, do Estatuto da Universidade e dêste
Regimento .

Art. 90 - Nas reuniões do Conselho Departamental poderão tomar parte sem direito a voto, o representante da Congregação junto ao Conselho Universitário e o suplente dêste.

li2

�CAPITULO III
D a D iretoria

Art. 91 - A Diretoria, exercida pelo Diretor do Curso, é o
órgão executivo que coordena, fiscaliza e superintende as atividades escolares.
Art. 92 - O Diretor será designado pelo Reitor, dentre os
professôres em exercício, de lista tríplice eleita pela Congregação, em votação uninominal e feita em três escrutínios secretos.
§ l.º - A lista tríplice a que se refere êste artigo será constituída até quarenta e cinco (45) dias antes de findo o manclato do Diretor em exercício.
§ 2. 0 - O Diretor será nomeado pelo períod'o de três (3) anos
e poderá ser reconduzido até duas (2) vêzes.
§ 3.0 Durante o p eríodo de sua gestão, o Diretor poderá
dispensar-se do exercício do magistério, sem prejuízo de quaisquer direitos ou vantagens.
§ .4º - O cargo de Diretor será sempre exercido por um
Bibliotecário.
Art. 93 -

São atribuições do Diretor;

a)

r epr esentar o Curso junto a pessoas ou instituições públicas ou privadas;
b) fazer parte do Conselho Universitário;
c) conferir graus e assinar, com o Reitor e os Chefes de
departamentos, os diplomas outorgados pelo Curso;
d ) expedir e assin ar com os chefes de departamentos os
certificados relativos à conclusão de cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão;
e) apresentar ao Reitor a estimativa de Receita e Despesa
do Curso, para elaboração d'o Orçamento da Universidade;
f) convocar e presidir as reuniões da Congregação e do
Conselho Departamental, bem como tôdas as Comissões
de que fizer parte;
g) apresentar, anualmente, à Congregação e ao Reitor, a ntes de terminado o mês de janeiro, relatório circunsta nciado de sua administração no ano anterior, propondo as providências necessárias à maior eficiência das
atividades escolares;
h) fiscalizar a observância do regime escolar e execução
dos horários e programas;
i) cumprir e fazer cumprir as deliberações do Conselho
Departamental, da Congregação e do Conselho Universitário;
j) superintender todo o serviço adm in istrativo do Curso;
153

�})
m)
n)
o)
p)

q)

remover de um para outro serviço os funcionários admi~
nistrativos, de acôrdo com as necessidades, e promovw
a substituição de qualquer servidor em seu impedimento;
prorrogar as horas do expediente, conforme as necessidades do serviço;
aplicar as penalidades que sejam de sua competência;
cumprir e fazer cumprir as disposições dêste Regimento e as do Estatuto da Universidade que se apliquem
ao Curso;
resolver os casos omissos neste Regimento, ad referendum da Congregação, ouvindo departam entos ou o Conselho Departamental;
exercer as demais atribuições que lhe confiram a Lei,
o Estatuto da Universidade e êste Regimento.

Art. 94 - Em qualquer reunião presidida pelo Diretor, poderá êste, verificando que a discussão não se encaminha
dentro das boas normas de cortesia compatíveis com a digmdade universitária, advertir o responsável e, em caso de reincidência, convidá-lo a retirar-se do recinto, suspendendo a
sessão quando n ão fôr atendido .
Art. 95 - Em casos de manifesta urgência, o Diretor pode1á
adotar as medidas qu e se impuserem , mesmo quando não previstas n este Regimento, ad referendum do Conselho Departamental, da Congregação ou do Conselho Universitário.
Parágrafo único - Mutatis mutandis, aplica-se aos chefes
de departamento a norma geral constante dêste artigo.
CAP!TULO IV
Departamentos

Art. 96 - Os departamentos são órgãos de coordenação e
execução didática e técnico-científica, constituindo-se pela
reunião de disciplinas situadas numa mesma área de conhecimentos.
l ~ ....

Art. 97 - Haverá no Curso os seguintes departamen~,
com os setores respectivos :
BD 1 -

lM

BIBLIOTECONOMIA
1 - História do Livro
2 - História das Bibliotecas
3 - Organização e Administração cfe Biblio~tm-1:5
4
Catalogação
5 - Classificação

�BD 2 -

MB

DOCUMENTAÇÃO
1 - Bibliografia
2 - Técnica do Serviço de Referência
3 - Documentação
4 - Paleografia
MATÉRIAS BASICAS
1 - Língua estrangeira
2 - Introdução aos Estudos Sociais
3 - História da Literatura
4 - Introdução aos Estudos Históricos
5 - História da Arte
6 - Evolução do Pensamento Filosófico
7 - E volução do Pensamento Científico

Art. 98 - Cada departamento será integrado pelos docentes
das disciplinas incluídas na respectiva área de conhecimentos
e por representação dos alunos matriculados nessas disciplina,;.
§ l.º - A representação estudantil será constituída por um
a luno de cada conjunto de disciplinas, classificados em correspondência com uma cadeira, eleitos pelos estudantes matriculados, em reunião presidida pelo respectivo professor .
§ 2.0 Os mandatos dos representantes estudantls terão a
duração de um semestre letivo, regular ou especial, iniciandose obrigatàriamente até 15 (quinze) dias após a reabertura da:5
aulas, permitida a recondução.
Art. 99 - Cada departamento terá um chefe que será eleito,
pela maioria dos seu s componentes, dentre os professôres era
exercício.
§ l.º - Haverá, igualmente, em cada departamento, m•
subch efe eleito dentre os respectivos membros docentes, com
a função de substituir o respectivo chefe nas suas faltas e nos
seus impedimentos .
§ 2. 0 - Os mandatos dos chefes e dos subchefes de cada departamento serão de um (1) ano, a contar do primeiro dia
útil do mês de março.
Art. 100 - Cada departamento se reunirá quinzenalmente
em sessão ordinária e, em sessões extraordinárias, sempre qlle
fôr convocado pelo respectivo chefe.
Parágrafo único - Haverá uma reunião obrigatória de cada
departamento, no primeiro dia útil do mês de março, para elei- .
ção e posse dos respectivos chefe e subchefe.
Art. 101 - Ficará a cargo de cada departamento a distribuição das tarefas didáticas e técnico-científicas com o pessoal
docente que o integra .
1t,i

�Parágrafo único - Salvo condições especiais pactuadas entre a administração e determinado membro do corpo docente,
as tarefas a que se refere êste artigo devem ser fixadas com
observância da obrigatoriedade de dezoito (18) horas semanais
de trabalho, quand'o no regime de tempo parcial.
Art. 102 - Além da atribu ição estabeledda no artigo a nterior, compete aos departamentos:
a)

coordenar o trabalho dos professôres das respectivas
disciplinas, visando à unidade e à eficiência do ensino
em tôdas as fases de planejamento, execução e vedficação;
b) sugerir as providências de ordem . didática, científica ~
administrativa que julgar aconselháveis à boa march a
do ensino e da pesquisa;
c) apresentar anualmente, na época oportuna, os estudos
necessários à elaboração da proposta orçamentária do
Curso;
d) elaborar e aprovar a lista de ofertas das disciplinas em
que poderão ser feitas as matrículas;
e) designar docentes para assistir os alunos na escolha das
disciplinas optativas;
f)
fixar o número máximo de vagas para matrícula nas
respectivas disciplinas, em ato que depende de aprovação pelo Conselho Departamental;
g) elaborar e aprovar o respectivo calendário departamental;
h) propor a ministração do ensino de determinada disciplina de .sua competência por outras unidades universitárias;
i) deliberar, em casos concretos, sôbre os estágios a que
se refere o artigo 47 dêste Regimento;
j) propor aos órgãos competentes o quadro do seu pessoa l
de ensino e pesquisa, fazendo as necessárias indicações
quando não se trate de admissão por concurso;
1)
participar, no que lhe competir, dos procedimentos d e
seleção para admissão ou acesso de pessoal docente;
m) constituir comissões especiais para estudo de assuntos
de interêsse do Curso;
n) exercer as demais atribuições que se inclusam, de m :1neira expressa ou implícita, no âmbito de sua competência, em face da Lei, do Estatuto da Universidade ~
dêste Regimento.
A.rt. 103 a)

b)

Compete ao Chefe do Departamento:

convocar e presidir as reuniões do departamento;
representar o departamento;

�e)
d)
e)
f)

g)
h)
i)

j)

1)

m)

elaborar a proposta orçamentária d'o seu departamento,
para efeito do orçamento interno do Curso;
superintender as matrículas das várias disciplinas que
lhe estiverem subordinadas;
fiscalizar a rigorosa observância do regime escolar e a
execução dos programas e planos didáticos;
ver ificar a assiduidade e as atividades dos professôre.5
e a lunos, consignando obrigatoriamente as faltas para
aplicação das penas cominadas por êste Regimento;
superintender todos os serviços administrativos do departam en to;
constituir comissões examinadoras, ad referendum do
departam ento;
assin ar com o Diretor do Curso e com o Reitor, ou somente com aqu êle ou com os professôres responsáveis,
na forma dêste Regimento, os diplomas e certificados
outorgados pelo Curso através das disciplinas que lhe::
estejam afetas;
apresen tar, anu a lmente, ao departamento e ao Diretor
do Curso o relatório das atividades departamentais, pre pondo a s providências cabíveis para a maior eficiência
do en sino;
cumpr ir e fazer cumprir as disposições dêste Regime,1to e do Estatuto da Universidade;
exercer as demais atribuições que, de maneira expres:::a
ou implícita, se incluam no âmbito de sua competência ,
em face d a Lei, do E statuto d a Universidade e dêste
Regimento.
SUBTíTULO II
Dos Serviços Administrativos

Art. 104 - Os serviços administrativos serão fiscalizados e
superin tendidos pelo Diretor do Curso, coadjuvado pelos chefes de departamentos, nas respectivas áreas e exercidos através dos seguin tes setores:
a)
b)

Secretaria Geral;
Biblioteca.
CAPíTULO I
Secretaria Geral

Art. 105 - Todos os serviços administrativos a serem fiscalizados e superintendidos diretamente pelo Diretor do Curso serão executados pela Secretaria Gera l, que compreenderá:
157

�a)

b)

Seção Administrativa;
Seção Didática.

A Secretaria Geral será dirigida por um Seccedesignado pelo Reitor, mediante indicação do Direto1·
do Curso.
Art. 106 -

t ário,

Act. 10'7 -

Ao Secretário compete:

a)

dirigir e fiscalizar, sob as ordens do Diretor, os serviço.;;
administrativos do Curso;
b) organizar e administrar os serviços da Secretaria Geral
diretamente, e através das respectivas seções;
c) secretariar as seções do Conselho Departamental e da
Congregação;
d) exercer a polícia administrativa não só no recinto da
Secretaria Geral e suas seções, como em todo o edifício da administração central do Curso;
e) providenciar sôbre o asseio e higiene do edifício da
administração central do Curso e sôbre a conservação
de tôdas as suas instalações;
f)
acompanhar a vida funcional de todos os servidores d-:&gt;
Curso, para os fins de informação ao Diretor e às autoridades superiores;
,g) organizar os documentos necessários aos relatórios da
Diretor do Curso e a proposta orçamentária;
h) preparar e autenticar as certidões, informações e papéis
outros requeridos à Diretoria do Curso;
i) representar o Diretor em atos ou atividades públicas,
quando para isso fôr designado;
j) prestar ou subscrever tôdas as informações reclamada3
em processo que lhe seja distribuído;
1)
dirigir o serviço de correspondência da Diretoria;
m) praticar todos os atos e rea lizar tôdas as diligências.
compatíveis com as suas funções e necessários ao bom
andamento dos serviços e atividades do Curso, cumprindo e fazendo cumprir as determinações do Diretor
e as prescrições dêste Regimento.
Seção Administrativa

Art. 108 - À Seção Administrativa da Secretaria Geral competem todos os serviços relacionados com o funcionamento
administrativo do Curso, notadamente àqueles que se exercem
sob a supervisão do Diretor, através do Secretário.
Parágrafo único - O responsável pela Seção Administrativa será designado pelo Diretor do Curso, mediante indicação,
do Secretário-Geral.

158

�Art. 109 - Ao responsável pela Seção Administrativa compete executar, sob as ordens do Secretário do Curso, os serviços de sua seção, que se constituem de:
a)
b)
c)
d)

expediente;
pessoal;
almoxarifado;
arquivo geral.
Seção II

Art. llO - À Seção Didática competem as atividades administrativas relacionadas com o regime didático e escolar do
Curso, cabendo-lhe a inda a uxiliar o corpo docente n o desempenho de suas tarefas.
Parágra fo único - O responsável pela Seção Didática será
designado p elo Diretor do Curso mediante indicação do Secretário-Geral.
Art. lll - Ao responsável pela Seção Didática competem,
em relação ao Secretá rio do Curso, as m esmas obrigações previstas para o responsável pela Seção Administrativa, a plicadas aos serviços de sua seção.
Art. ll2 - São atribuições da Seção Didática, além de outras que se incluam no â mbito de suasJunções específicas:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)

elaboração dos calendários departamer1tais e organização do calendá r io escola r;
efetuar a m atrícula para as várias disciplinas dos departamentos, elaborando fichas-resumo;
manter registro a tualizado da matrícula geral do Curso
com b ase n as fich as-resumo;
apurar as presenças e as faltas dos alunos matriculactoS;
n os departamentos e manter registro atualizado do mo.-.
virnento de freqü ência de todo o Curso;
·
organizar m apas e h istóricos escolar es;
prepa rar os expedientes relativos às pena lidades impostas ao pessoal discente;
preparar os expedientes para recebimento e expedição
de guias de transferência, ouvido o departamento interessado;
preparar, na pa rte didático-científica, os r elatórios do
Diretor do Curso;
elaborar diplomas e certificados em conexão com os depar tamentos;
prestar ou subscrever as informações reclamadas em
processo que lhe sejam distribuídos;
159

�l)

fornecer, no que lhe competir, certidões do interêsse dos
alunos e dos professôres;
m) encarregar-se dos serviços mimeográficos e mecanográficos, no âmbito de suas atividades.
CAP1TULO II
Biblioteca-Laboratório

Art. 113 - Baseado na Resolução n. 0 153, de 17 de fevereiro de 1964, o Curso utilizará a Biblioteca Central como Biblioteca-Laboratório.
·
Parágrafo único - Com o objetivo de atingir as suas verdadeiras finalidades, a Biblioteca ficará obrigada a adquirir
o acervo adequado às necessidades das diversas disciplinas.
Art. 114 - A Biblioteca Central será utilizada para estágios
do corpo discente, com exceção do caso especial previsto no
parágrafo único do artigo 5.0 da Resolução n.º 174, de 22 d'e
fevereiro de 1965.
Art. 115 - Com a incumbência de assistir diretamente aos
estágios dos alunos, o Diretor do Curso indicará ao Reitor
nomes de bibliotecários que deverão supervisionar as atividades não só na Biblioteca Central como nas demais bibliotecas.
T1TULO V
Do regime financeiro

Art. 116 - Os bens ou direitos do Curso constituem parte
do Patrimônio da Universidade do Ceará e serão administra: ~os na forma do respectivo Estatuto.
Art. 117 - Os recursos financeiros serão consignados no
orçamento anual da Universidade, para cuja elaboração o Diretor enviará à Reitoria, até 16 de novembro de cada ano, a
estimativa da Receita e Despesa do ano seguinte, aprovada
pelo Conselho Departamental, na qual se incluirão os elementos apresentados pela administração geral e pelos vários dP.partamentos.
Art. 118 - Após aprovado e publicado o orçamento da Universidade, será elaborado o orçamento interno do Curso, a S(::r
aprovado pelo Conselho Departamental, no qual se fará a d istribuição das várias dotações pela administração geral e pelos
departamentos.
160

�Art. 119 - A Diretoria providenciará para que tôda arrecadação feita pelo Curso seja prontamente recolhida à Tesouraria da Universid'ade, sendo vedada a retenção de rendas.
Parágrafo único - Os emolumentos e taxas serão cobrados
de acôrdo com as tabelas aprovadas para tôda a Universidade.
Art. 120 - Mediante indicação aprovada pelo Conselho Departamental , o Diretor do Curso proporá ao Conselho Univers itário, por intermédio do Reitor:
a)
b)
c)

a abertura de créditos suplementares, como refôrço para
dotações provadamente insuficientes, as quais terão ngência até o último dia do exercício;
a abertu ra de créditos especiais, para atender a despesas não computadas no orçamento, os quais terão vt·
gência a ser estipulada nos respectivos atos de abertura;
a criação de Fundos Especiais destinados ao custeio de
determinados programas, cujos recursos serão gerido;-;
p elo Diretor quando a sua aplicação estiver circun:;crita ao âmbito do Curso.
TíTULO VI
Disposições Gerais

Art. 121 - O Curso reger-se-á pelo presente Regimento,
pelo E st a tuto da Universidade e pela legislação federal que
ihe seja a plicável.
Art. 122 - O presente Regimento poderá ser modificado
mediante proposta do Diretor do Curso, devendo a alteração
ser discutida e aprovada, sucessivam ente, por dois terços (2/ 3)
da Congregação e pelo Conselho Universitário, com aprovà\;'ãO fin a l pelo Conselho Federal de Educação.
Art- 123 - Nas eleições do Curso, havendo empate, considerar-se-á eleito o m a is antigo no seu magistério, e, entre cs
de igu al antiguidade, o mais idoso.

Art. 124 - Quando contratado, o membro dq corpo docente
investido n a função ele representação perderá o mandato se,
c·xpirado o prazo do contrato, não fôr êste renovado.
Art. 125 - O Curso terá os seus próprios símbolos e insígnias de acôrdo com os modelos aprovados pelo Conselho D~partamental , sendo lilás a sua côr simbólica.
Art. 126 - De acôrdo com o art. 4. 0 da Resolução n. 0 153,
de 17 ele fevereiro de 1964, enquanto não fôr criada a E scola

I6J

�de Biblioteconomia e Documentação, o Curso a que se referem. as presentes normas funcionará junto à Biblioteca Central, com administração e coordenação próprias.
Art. 127 - De acôrdo com o art. 5.0 da Resolução nº 153,
ele 17 de fevereiro de 1964, enquanto não fôr estruturado o
Quadro do Magistério do Curso de Biblioteconomia e Documentação na parte relativa ao ensino técnico-profissional, os prof essôres das diversas disciplinas serão admitidos mediante
contrato.
Art. 128 - Enquanto não houver professor catedrático, a
Congregação e o Conselho Departamenta l serão constituídos
pelos professôres em exercício.
Art. 129 - O presente Regimento entrará em v igor após
aprovação pelo Conselho Universitário.

162

�CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA DA BIBLIOTECA
NACIONAL

Decreto 550, de 1-2-1962 (Reforma dos Cursos)
DECRETO N-0 550, de 1.0 de fevereiro de 1962
Altera o Regula mento dos Cursos d a Bihlioteca Nacional, apr ovado pelo Decreto
n.0 15. 395, de 27 de abril de 1944.

O Presid ente d'o Conselho de Ministros, usando da atribuição que lhe confe re o a rt. 18, item III, da Emenda Constitue:ional n .0 4 - Ato Adicional, e tendo em vista o que consta
do processo n. 0 120021/ 61 do Ministério da Educação e Cultura, decr eta :
Art. l.º - Fica a lterado pelo Regula mento que, com êste
baixa assinado pelo Ministro de E stado da Educação e Cultura, o Regula m en to d'os Cursos da Biblioteca Nacional, anterior m ente aprovado pelo Decret o n. 0 15.395, de 27 de abr ii
d e 1944, e a que se refe re o Decreto-lei n. 0 6.440, da mesma
data.
Art. 2.0 f:ste decr eto entra r á em vigor n a data de sua
publicação revog adas as disposições em contrár io.
Brasília, em 1.0 de fevereiro de 1962; 141. 0 da Independên ::ia e 74.º da República.
Tanc 1·ctlo Nc-YCS
Antonio do Olh•eil-a Britto

REG ULAi\lEl\"'l'O DOS CURSOS DA BIBLIOTECA NACIONAL

TíTULO I
Dos Cursos

CAPÍTU LO I
Das finalidades

Art. 1-º - Os cursos da Biblioteca Nacional (C.B.N.) a que
se r efer e o art. 8.0 do Decreto-lei n .0 6.440, de 27 de abril d':'
1944, têm como finalidade:
163

�a)
b)
e)

d)

formar pessoal habilitado a organizar e d irigir bibliotecas ou a executar serviços técnicos, de bibliotecas;
promover o aperfeiçoamento ou a especialização d e b!bliotecários e outros servidores em exercfcio n as bibliotecas oficiais ou particulares;
p romover a unidade da orientação das técnicas fundamentais dos serviços de bibliotecas, favorecendo a h om ogene idade básica dêsses serviços;
difundir conhecimentos dos progressos realizados no
país e no estrangeiro, no campo da biblioteconomia.
CAPITULO II
Da organização

P a ra preencher as suas finalidades, o. cursos
c-om preenderão:

Al't. 2.0

1.
2.

3.

Curso Fundamental de Biblioteconomia (C.F.B., 1° a nn)
Curso Superior de Biblioteconomia (C.S.B., 2. 0 e 3. 0 anos.,
Cursos Avulsos (C.A.).
CAPITULO III
Do Curso Fundamental de Biblioteconomia
1-º ano

Art. 3.º - O C.F.B . tem por finalidade formar pessoal habilitado a executar, sob a orientação de bibliotecários, serv içus
técnicos necessários ao funcionamento de bibliotecas.
Art. 4. 0
1.
2.
3.
4.
5.

-

As disciplinas do C.F.B. são as seguintes:

Organização e Administração de Bibliotecas
Introdução à Catalogação e Classificação
Bibliografia Geral
Técnica do Serviço de Referência
História do Livro e das Bibliotecas.

§ l.º - A disciplina "Organização e Administração de B ibliotecas" compreenderá uma introdução descritiva das fina!Jdades da biblioteca, bem como conhecimento prático dos serviços gerais normalmente atribuic:Ios aos bibliotecários, além
ele uma exposição dos princípios gerais de Organização e suas
aplicações.
§ 2.0 A disciplina "Introdução à catalogação e Classificação" compreenderá o estudo e a aplicação dos princípios ge164

�rais que regem a Catalogação d escritiva, bem como o estudo
históri co dos sistemas de classi ficação bibliográfica m a is conhecidos e usados, com as suas princi pais características.
3.0 A disciplina "Bibliografia Geral" compreenderá o
estudo do desenvolvimento da bibliog rafia através dos tempos ,
dos principa is repe rtórios bibliográficos, d a organização ele serviços bibliográficos n acionais.
§ 4. 0 A disciplina "T écn ica do Serviço de Referência"
compreender á o estudo de v á rios tipos de obras de referênci o.
e da sua utilização prática.
§ 5. 0 - A disciplina "História do Livro e das Bibliotecas"
compreender á o estudo dos caracteres gerais do livro e da su a
evolução, dos processos d e imp ressão e enca dern ação, a histór !a dos jornais e das publicações seriadas, da história das bibliotecas através dos tempos e princípios de biblioteconomia .
CAP!TULO IV
Do Curso Superior de Biblioteconomia

Art. 5-0 - O C.S.B. tem por finalidade formar pessoal hab;1itado a administrar b ibliotecas e a organizar ou di rigir serYiços técnicos de bibliotecas .
Art. 6. 0

As disciplinas do 2. 0 ano (C.S.B. ) são as seguinte:;;:

Organização e T écnica da Documentação
Bibliografia E s pecializada
Cata logação e Classificação
Literatu1·a e Bibliogr a fia Literária
Introd ução à Cultu ra Histórica e Sociológica.

1.

2.
3.
4.
5.
~

-

A disciplina "Organização e Técnica d a Documeatação" compreenderá o estudo, como introdução, da exposição
dos princípios gerais de organização que regem os Serviços 0
Centros d e Documentação, bem como de problemas esp ecíficos
e práticos de administração g eral .
§ 2. 0 A disciplina " Bibliografia Especia lizada" compreenderá o estudo dos processos e normas t écnicas de pesquisa
bibliográfica e s ua utilização pelas bibliotecas e centros de
documentação .
§ 3.º - A disciplina "Catalogação e Classificação" compreenderá o estudo e aplicação dos processos de Catalogação de
livros, periódicos, publicações oficiais e seriadas, bem como a
aplicação dos princípios de classificação b ibliográfica.
§ 4.0 A disciplina " Literatura e Bibliografia Literária"
compreenderá o estudo não somen te das produções literá rias
propriamente d it as, como principalmente aspectos de especial
interêsse para o bibliotecário, tais como o estudo das edições

1. 0

16:i

�principais, traduções, adaptações e resumos, sob o ponto ele
vist a estritamente bibliográfico, tendo em vist a a seleção d -)
livro e a orientação da leitura.
§ 5. 0 - A disciplina "Introdução à Cultura Hist órica e Sociológica" compreenderá o estudo dos princípios ela históri a
d as ciências históricas e sociais, com ênfase ao a specto bibliográfico.
Art. 7. 0
l.

2.
3.
4.
5.

-

As disciplinas do 3° ano (C.S .B.) são as segu intes:

Catalogação E specializada
Classificação Especializada
Reprodução de Documentos
Paleografia
Introdução à Cultura Filosófica e Artística .

~ 1. 0 A disciplina "Ca talogação E specializada" compree nderá o estudo comparativo da catalogaçã o de documentos
não bibliográficos e de todo o material não compreendido nos
program as dos anos anteriores.
~ 2.0 A disciplina "Classificação E specializada" compree nderá o estudo comparativo dos principais sistemas de cla ssificação bibliográfica e sua aplicação a materiais especia lizados notada mente a documentos não bibliográficos.
-s 3-º - A disciplina "Reprodução de Documentos" compreenderá o estudo da metodologia, das formas especializadas de
foto-duplicação e dos processos utilizados em relação ao material bibliográfico e documentário existente nas bibliotecas e
centros de documentação .
§ 4.0 A disciplina "Paleografia" compreenderá o estudo
geral da origem dos alfabetos da paleografia greco-latina, m e&lt;lieval, portuguêsa e dos documentos nacionais até o século
XIX.
§ 5.º - A disciplina "Introdução à Cultura Filosófica e Artística" compreenderá o estudo dos sistemas filosófi cos e da
história das artes, com ênfase na aspecto bibliográfico.

Art. 8.º - O aluno ficará obrigado, para fins .de diplomação,
a prestar prova de um Curso Avulso de aperfeiçoamento, de
livre escolha, entre os Cursos a serem ministrados de acôrdo
com o planejamento anual promovido pela Direção dos Cursos
da Biblioteca Nacional, obedecendo, de preferência, às seguintees disciplinas:
a)
b)
c)
b)
e)
J.66

Bibliotecas Infantis e Escolares;
Bibliotecas Universitárias;
Iconografia;
Mecanização Bibliográfica;
Estabelecimento de Textos e Edições Críticas:

�Foto-Documentação;
Artes gráficas;
Cartografia;
i) Bibliotecas de Música;
j) Biblioteca Pública;
k) Relações Humanas;
1) Bibliografia Brasileira;
m) Bibliografia Aplicada às Artes;
n) Bibliografia Aplicada às Ciências;
o) Bibliografia Aplicada às Religiões;
p) Bibliografia Aplicada à Filosofia;
q) Bibliotecas Especializadas;
r) Disciplina ou grupo de disciplinas cursadas na Facuidade de Filosofia ou Instituto congênere, versando sôbre
assunto de interêsse para a cultura geral de bibliotecários e de documentaristas.
f)

g)
h)

CAPITULO V
Dos Cursos Avulso s

Art. 9. 0 - Os Cursos Avulsos terão por finalidade atualizar
os conhecimentos dos bibliotecários, divulgar conhecimentos
sôbre bibliote~onomia e documentação e promover a homogeneidaàe básica dos serviços de biblioteca.
Art. 10 - Os Cursos Avulsos serão determinados pelo Diretor da Biblioteca Nacional mediante proposta do Diretor
dos Cursos.
Parágrafo único - O aproveitamento do aluno será verificado por provas e exame final, no regime normal dos cursos
regulares . .

167

�UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO SUL
REGIMENTO DA ESCOLA DE BIBLIOTECONO!\1.IA
E DOCUMENTAÇÃO

Art. 1. 0 O Curso de Biblioteconomia da Faculdade de
Ciências Econômicas passa a constituir a Escola de Bibli')teconomia e Documentação, mantido o seu caráter d e orga nização anexa àquela Faculdade.
Art. 2. 0 A Escola de Biblioteconomia e Documentação tem
como finalidades :
I -

Prover a formação de pessoal técnico habilitado para
a direção, organização e execução de serviços hiblioteconômicos e ministrar ensino de biblioteconomia;

II -

Prover a formação de pessoal habilitado para a
execução e direção em órgãos de serv iços de documentação e de biblioteca e desenvolvimento de seus
ramos especializados.

Art. 3.0 - O ensino de biblioteconomia ministrado pela Escola será em nivel superior e o curso será feito em três a n os
de estudos com as seguintes seriações:
1.ª série:

1.
2.
3.
4.
5.
6.

Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
Organização e Administração de Bibliotecas
História do Livro
Introdução à Cultura Histórica e Social

2-ª série:

1.
2.
3.
4.
5.
6.
168

Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
Organização e Administração de Bibliotecas
História do Livro
Introdução à Cultura Literária e Artistica

�., a
. ).

série:

1.
2.
3.
4.
5.

Cata loga ção
Classificação
Documentação
Seleção de Livros. Matéria optativa d entr o da Organlzação de Bibliotecas
I ntrodu ção à Cultura Filosófica e Científi ca.

A r t . 4. 0 - Serão ad mitidos à matricula na p rimeira serie,
os ca nd ida tos que tenham completado 18 anos de idad e, possuam certificado de licença clássica, ou científica, ou de valor
equ iva len te (Lei n .0 1.821, d e 12 de março de 1953) e que obten ha m aprovação em exa me d e ad missão das segu intes m dtérias :
a)

b)
c)
d)

P ORTUGU:ltS: a r tigos, substa ntivos, a djetivos, gênero e
n úmero . Idéia de concordân cia nom ina l . Ver bo, números, pessoas, tempo e modos . Verbos regular es e irreg ulares. Conjugação por m eio d e frases. Concordância
do v erbo com o suje ito. Pronom es, advérbios, conjunções coordenativas, conjunções subordinativas. Aná l,&lt;;E:
s intát ica . Corr eção d e textos;
INGL:ltS (trad"ução d e 20 linhas, de auto r moderno) ;
FRANC:ltS (t r adu ção de 20 linhas, de autor moderno);
DATILOGRAF IA .

Art. 5.0 - Ser á considerado aprovado o can didato que obtiver , além da nota igual ou superior a qua t ro em cada d isciplina , méd ia igual ou superior a cin co n o con junto d as di.sciplinas.
P a r ágrafo ú nico - O candidato ao exame d e admissão dever á r equerer inscr ição no período de 2 a 20 de janeiro, apresen tando os segu in tes d ocumen t os :
1)

2)
3)
4)
5)
6)
7)
8)

P r ova de conclu são d o curso secundá rio completo (cert ificados d o 1.0 e 2.0 ciclos), a companhados das ficha s
mod elos 18 e 19, em duas v ias (firma s r econhecida s ),
ou outro cu rso d e va lor equivalente (L ei n. 0 1.821, de
12 d e m a rço d e 1953);
Carteira de identidade;
Certidão cre nasci mento passada por Oficial do Registro Civ il;
Atestado de san idad e fisica e mental (firma reconhecida);
Atest ado d e idoneidade moral (firma reconhecida );
Duas fotografias 3x4;
Prova de que está em dia com as obrigações relativas
ao serv iço militar;
Prova de pagam ~nto da taxa de inscrição: Cr$ 80,00.
169

�Art. 6. 0 - A matrícula far-se-á no período de l.º a 28 de!
fevereiro, devendo os candidatos a que se refere o artigo 1.º
é.lpr esentar documentos que comprovem haverem satisfeito à
exigência contida no referido artigo, a lém dos seguin tes:
a)
b)
c)

certidão de idade;
a testado de sanidade física e mental ;
ca rteira de identidade.

Art. 7. 0 - O a no letivo compreende dois períodos: o primeiro, de 1.0 de m a rço a 30 de junho; o segundo, de l.º de
agôsto a 15 de dezembro.
Parágrafo único - O período semanal dos trabalhos escolares será de 12 horas.
Art. 8. 0 - A freqüência às aulas teóricas e práticas, seminários e excursões é obrigatória, sendo exigido para a admissão à segunda prova parcial, à prova oral e aos exames completos, a freqüência m íni ma de dois terços (2/ 3 ) do total das
aulas teóricas e práticas dadas em cada cadeira.
Art. 9. 0 - Em cada &lt;.: a deira serão exigidos a nua lmente três
(3) a seis (6) trabalhos práticos, aos quais atribuirá, o professor, notas graduadas de zero (O ) a dez (10) .
Observação nossa Os artigos 10, 11, 12, 13, 14, 15, lG,
17, 18, 19, 20, 2 1, 22, 23, 24, 25 e 26 se referem exclusivamente a provas e exam es. Foram cancelados, nesta cópia, para
economia de "stencil" (caríssimo, atualmente!).

Art. 27 - O a luno matriculado condicionalmente, que fô~·
dependente de uma cadeira da série anterior, poderá prestr.r
exame dessa cad eira independente de média, em primeira ou
segunda época.
Parágrafo único - Poderão também, na m esm a época, sulJmeter-se a exame completo das cadeiras da série em que estejam condicionalmente matriculados, respeitadas as aprovações por média que tiverem obtido.
Art. 28 - A promoção dos alunos matriculados nos cursos
obedecerá às seguintes condições:
a)
b)
e)
d)
170

freqüência às aulas práticas e teóricas, seminários e
excursões;
estágio representado pela coparticipação do aluno nos
trabalhos escolares da cadeira;
provas parciais; e, eventualmente,
provas finais ou exames completos de primeira ou :.:;egunda época.

�Art. 29 - Será considerado aprovado na cadeira, com distinção, o al uno que obtiver média final de 9,51 a 10; piem.mente, aqu êle que alca nçar média fin a l de 7 a 9,50; e, simplesm ente, o que obtiver média final d e 5 a 7, exclusive.
Parágrafo único - Será considerado reprovado n a cadeira
o a luno que obtiver m édia final inferior a cinco (5).

171

�ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
SANTA úRSULA

TfTULO I
Da escola e seus fins
A "Escola de Biblioteconomia e Documentaçã0"
é um estabelecimento fundado na cidade de São Sebastião d':&gt;
Rio de Janeiro, Distrito Federal, pela Associação da Compan hia de Santa úrsula, que tem as seguintes finalidades:

Arl. 1.0

a)
b)
c)

dar a seus alunos sólida cultura superior e técnica, n::is
moldes dos respectivos programas oficiais;
preparar candidatos ao exercício da profissão de Bibliotecário;
colaborar com as instituições congêneres, oficiais e livres, para o engrandecimento e a difusão da cultu ra
nacional, bem como para a defesa da civilização cristã.

Art. 2. 0 - A propriedade e a manutenção da Escola de Bi blioteconomia ,pertencem à Associação da Companhia Santa
ú r sula, sociedade civil, fundada na cidade de Salvador, capital
do Estado da Bahia, a 15 d e janeiro de 1929, e devidamente
registrada sob o número 346, em 17 de janeiro de 1929. 0;;
seu s estatutos foram reformados em 15 de julho de 1938 e
novamente registrados sob o número 248, em 17 de julho
de 1938.
T1TULO II
Da 01·ganização didática

CAPfTULO I
Dos cursos

Art. 3.º - Para alcançar seu objetivo a Escola manterá o
Curso de Biblioteconomia e Documentação e o de Doutrina e
Moral Católica.
Do Curso de Biblioteconomia e Documentação

Art. 4. 0 - O Curso de Biblioteconomia e Documentação será
constituído de um curso ordinário, de três anos, com a seguinte seriação de disciplinas:
172

�1.ª série

Introdução à Cultura Literária e Artística
História do Livro e das Bibliotecas
Orga nização e Administração de Bibliotecas
Cat alogação e Classificação
Bibliografia e Referência
2.ª série

Intrnducão à Cultura Histórica
Organ izáção e Administração de Bibliotecas
Cata logação e Classificação
Bibliografia e Referência
:J.ª série

Introdução à Cult ura Filosófica e Científica
Documentação e Métodos Bibliográficos
Cata logação e Classificação
Seleção de Livros e Orientação de Leitura
Organização e Administração de Bibliotecas Especializadas
i\Iatérias Optativas.
f:. único O a lu no cursará na 3.ª serie, além das matérias
obrigatórias, d uas das matérias optativas relacionadas n o
i tem B do art. 7. 0 , sendo uma de sua livre escolha e ou tra a
critério d a direção da Escola.

Do Curso de Doutrina e Moral Católica

Art. 5. 0 - Atendendo no seu caráter r eligioso,a E scola manterá um Curso de Doutrina e Moral Católica, de freqü ência
ob r igatória, para todos os alunos regu larmente matriculados.
§ ún ico - O Curso a que se refere êste artigo será de três
anos e terá a seguin te seri ação d e disciplinas:
l .ª série

Apologética e constituição da Igreja
2.ª série

Dogma Católico
3.ª série

Moral Católica .

•

Art. 6.0 - No Curso de Doutrina e Moral Católica será observado, n o que se refere ao regime de provas e exames, tudu
quanto fôr a plicado ao Curso de B iblioteconomia e Docume 1 tação.
A rt. 7. 0 - As d isciplinas objeto da seriação enumerada nos
artigos ant erior es constituirão m atéria das seguintes cadeiras:
173

�A.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11 .
12.
13.

Obrigatórias:

Introdução à Cultura Literária e Artística
História do Livro e das Bibliotecas
Catalogação e Classificação
Organização e Administração de Bibliotecas
Bibliografia e Referência
Introdução à Cultura Histórica
Introdução à Cultura Filosófica e Científica
Documentação e Métodos Bibliográficos
Seleção de Livros e Orientação de Leitura
Organização e Administração de Bibliotecas E specblizadas
Apologética e Constituição da Igreja
Dogma Católico
Moral Católica

B.

Optativas:

1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.

Bibliotecas Infantis e Escolares
Bibliotecas Universitárias
Bibliotecas de Música e Discoteca
Iconografia
Mapoteca
Livros Raros e Restauração
Paleografia e Diplomática.

§ único - As cadeiras de números 11, 12 e 13, são de liv r e
provimento da entidade mantenedora, não se lhes a.plicando
o disposto no Título V dêste Regimento.

Art. 8.0 - Cada cadeira, de que trata o artigo anterior, ficará a cargo de um professor catedrático, o qua l poderá di.;;por, conforme as necessidades do ensino, de um ou m a1s
assistentes.
§ único - As cadeiras que não estiverem ocupadas efetivamente, serão providas interinamente ou admitir-se-á, por contrato, pessoa idônea para o exercício da função a ela corr espondente.
CAP1TULO II

•

Do ensino didático

Art. 9.0 O ensino das cadeiras da Escola será feito em
cursos ordinários, a cargo de professôres catedráticos, em cursos extraordinários a cargo de docentes livres, aquêles obrigatoriamente em aulas de preleção, práticas e seminários.
174

�§ 1.0

Os cursos ordinários serão os con_stituídos por um
conjunto de disciplinas cujo estudo seja necessário à obtenção
de um diploma.
§ 2. 0 Os cursos extraordinários serão quaisquer outros
que, de acô rdo com as finalida des da E scola, se realizem indep endentes das comlições do parágrafo a nterior. Q:s tes curso:3
p oderão ser:

a)
b)
c)
d)

de aperfeiçoame nto, os que se destinam a ampliar os
conhecimentos d e qualquer disciplina dos cursos ordin ários;
av ulsos, os destina dos a ministra r o e nsino de uma ou
mais disciplinas n ão incluídas nos cursos ordinários;
de especia lização, para aprofundar, em ensino intensivo
e sistemático, conhecim entos necessários às finalid"a des
científicas ou profissionais;
d e exten são universitária, constituídos de conferência,~
de v ulgarização e mini strados por professôres da E scola
ou por outros de reconhecido valor.

Art. 10
exceder o
sibi lidade
didos em

- Quando o número de alunos do curso ordinário
limite compa tível com a eficiência do en s ino e posde aprendizagem individual, os alunos serão diviturmas, conforme determinar o C.T.A.

Art. 11 - As aulas práticas e os tra balhos de seminário poderão ser r ealizados, eventualmente, fora da E scola,. em locais
adequados ao seu objetivo e terão a duração que o ;professot·
lhes prefixar, r espeitado o horário das demais a ulas.
Art. 12 - Além das horas de aulas e d e seminário, todo
professor deve consagr ar, cada semana, pelo m enos, uma horc1,
determinada no h orário geral, às consultas individuais do,;
alunos.
Art. 13 - Os professôres catedráticos gozarão de plena liberdade no desempenho das suas funções docentes, quanto à
exposição, análise crítica das doutrinas e opiniões científicas,
e, bem assim, quanto à exposição e aos processos de ensin0,
desde que não colidam com os princípios orientadores d a entidade mantenedoraA r t. 14 - A substi tuição do professor catedrático caberá :io
professõr catedrático de cadeira afim, ou docen te livre; e, na
falta d êste, ao professor substituto indicado pelo professor
catedrático impedido. Neste último caso, a documentação com prova nte da capacidade moral e técnica do proposto será subm etida à a preciação do Conselho Nacional de Educação ou,
havendo urgência comprovada, à Diretoria do Ens ino Superior nos 15 dias após o início da substituição.
175

�TITULO III
Do regime escolar

CAPITULO I
Das matrículas

Art. 15 - Os a lunos da Escola poderão ser regulares ou
ouvintes.
§ 1.0 Alunos regulares serão os que se m atricularem n .:&gt;
curso ordinário mediante concurso de habilitação, com obngação de freqüência e exame, e com direito a r eceber um c.llploma ou os que se matricularem nos cursos extraordinário::;,
independentemente de concurso de habilitação, mas com obngação de freqüência e exames, e com direito a receber um
certificado.
§ 2.0 Alunos ouvintes serão os que se matricularem , com
autorização do diretor, ouvido o res pectivo professor, independentemente de concurso de habilitação, nos cursos ordinários
ou extraordinários, sem obrigação de freqüên cia e sem dire ito
a prestar exames ou a receber um certificado.
Art. 16 - O candidato à matrícula na primeira série do
curso ordinário, requererá inscrição no concurso de habi lita ção, apresentando os seguintes documentos :
a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)
h)

prova de conclusão elo curso secundário completo oa
equivalente na forma da legislação federal ;
carteira de identidade;
atestado de idoneidade moral;
atestado de sanidade física e mental;
certidão de registro civil de nascimento;
documento de estar em dia com as obrigações d o serviço militar;
quatro retratos 3x4;
prova de pagamento de taxa respectiva.

§ l.º - A exigência da alínea a dêste artigo poderá ser
substituída por prova de achar-se o candidato em um dos ca sos excetivos mencionados e regulados em lei .
§ 2.0 Os documentos a que se referem os itens b e f, depois de registrados na Secretaria, serão, incontinente, devo lvidos ao candidato.
Art. 17 - O concurso de habilitação obedecerá às instru ções expedidas pelo Ministério da Educação e Cultura .
Art. 18 - O C.T .A . determinará, anualmente, em dezembro, o número de alunos que poderão obter m atrícula na p ri\176

�meira série do curso dentro do limite fixado pelo Conselho
Nacional de Educação.
Art. 19 - O candidato habilitado no concurso de habilitação requererá sua matricula na primeira série do curso de 15
a 25 de fevereiro, juntando !Provas de pagamento da taxa respectiva, bem como de matrícula no Curso d e Doutrina e M0ral Católica.
§ único - No caso de exceder o número de candidatos h ,1bilitados o limite fixado nos têrmos do art. 18, conceder-se-á
matrícula pela ordem de classificação no con curso até ser atingido o limite.
Art. 20 - Se os candidatos habilitados forem em número
inferior ao das vagas, poderá o C.T.A. ordenar a realizaçãG
de nôvo concurso na forma da lei.
CAP!TULO II
Das matrículas subseqüentes

Art. 21 - Para m atrícula da série a que tenha sido promovido, o aluno apresentará, de 15 a 25 de fevereiro de cada ano,
o seu requerimento instruído com os seguintes documentos :
a)
b)
c)

prova de pagamento da taxa d'e m a trícula e de freqüência;
documento de esta r em dia com as obrigações militares;
um retrato para o cartão de matrícula.

§ 1.0 Ao a luno m a triculado será fornecido um cartão
anua l de matrícula, autenticado com o sêlo da Escola sôbtc
seu retrato.
§ 2. 0 Poderá ser fornecida outra via dêsse cartão, m ediante pedido do interessado e pagamento da taxa respectiva.

Art. 22 - O a luno dependente da habilitação numa única
cadeira do cu rso, por não haver prestado exame ou por have!·
nêle s ido reprovado, [POderá matricular-se condicionalmente na
sér,ie imediata do respectivo curso pagas as taxas devidas.
CAP!TULO III
Das transferências

Art. 23
A transferência de alunos de estabelecimentos
de ensino congêneres, brasileiros ou estrangeiros, só é admissível, salvo as exceções da lei, nas épocas de matrículas, d e177

�pois de aprovada pelo C.T.A. e se houver vaga, não podend')
ser ultrapassado nunca o limite estabelecido no art. 18.
§ l.º - Se provier de estabelecimento brasileiro o cand idato à transferência instruirá seu pedido com os ' seguinte;;
documentos:
a)
b)

guia de transferência autenticada·
histórico escolar, inclusive do curs~ secundário ou equ :valente na forma da lei.

§ 2.º - O candidato proveniente de instituto estrangeiro
terá de apresentar os seguintes documentos:

a)
b)
c)
d)

guia de transferência autenticada;
certificado de haverem sido satisfeitas as exigências ele
adaptação relativamente ao plano de estudos de ensino
secundário;
histórico escolar, inclusive do curso secundário;
prova de que o instituto estrangeiro de procedên cia
aceita que se transfira m alunos da Escola .

§ 3.0 Aceita a transferência, o Conselho Técnico Adm inistrativo determinará a série que o aluno deve cursar, dEacôrdo com a adaiptação exigida em cada ano, e d'e modo qu-::
não fique d ispensado de nenhuma das exigências da Lei e dê-··
te Regimento.

Art. 24 - Não haverá transferência de alunos da orimeira
e da última série do Curso de Biblioteconomia e DÕcume.1tação, salvo as exceções da lei.
CAP!TULO IV
Dos trabalhos escolares

Art. 25 - O ano letivo será dividido em dois períodos: o
primeiro de l.º de março a 30 d'e junho e o segundo d e 1.0 de
agôsto a 30 de novembro.
Art. 26 - A freqüência às aulas de preleção_ou prát!cas e
aos seminários será obrigatória e, salvo concessao especia l ct_u
Diretor, permitida sõmente aos alunos i:_egularme1:~e i:natriculadcs . Compete ao profess" r a ver ificaçao d9. frequenc~ a dos
alunos, podendo mandar fazê-la, em sua presença, por m soetor d'e alunos, sem prejuízo, entretanto, do tempo_que se deva
consagrar aos trabalhos escolares.
.
.
§ l.º _ Logo após cada aula será fornecida à Secretaria a
1
relação dos alunos que compareceram, apurando-se, mensa,mente, as presenças e as faltas de cada um.
178

�§ 2.0 Afixado edital, tornando público o resultado da
apuração da freqüência, ao aluno que se julgar prejudicado
pela contagem feita, será facultado recorrer ao Diretor, no
prazo de dez d ias.

Art. 27 - Em cada cadeira serão exigidos anualmente trabalhos escolares a critério do professor.
§ 1.0 Aos trabalhos escolares atribuirá o professor, para
efeitos previstos no art. 33 § 1. 0 , inciso b, notas graduadas d e
zero a dez, em números inteiros, en tregando à Secretaria os
qu e h ou verem sido realizados por escrito.
§ 2.0 A Secretaria registrará o nome dos alunos que houverem deixado de apresentar seu s trabalhos.
Art. 28 - O h orário das a ulas e dos exercícios escolares
será organ izado antes de iniciado o ano letivo pelo Diretor,
ouvidos os professôres e o C.T.A., atendendo-se, sempre que
possível, ao interêsse do aluno.
CAPITULO V
Das provas parciais

Art. 29 - Para verificação de habilitação dos alu nos, haverá, a lém dos exercícios escolares a que alude o capítulo precedentê, provas parciais escritas, rea lizadas n a segunda quinzena de junh o e de novembro; e provas finais que serão prestadas na primeira quinzena de dezembro.
§ 1.0 A prestação de provas parciais não depende de inscrição.
§ 2. 0 Os a lunos submeter-se-ão à prova baseados no programa do respectivo professor catedrático, aprovado .pela Congregação.
Art. 30 - As provas parciais escritas versarão sôbre um dos.
p ontos do programa, sorteado dentre todos anteriormente expl icados, n ão podendo, entretanto, ser incluíd"os na matéria &lt;l...1
segunda os qu e h ou verem sido sorteados para a primeira prova parcial.
§ único - Para a primeira prova parcial deverá estar explicada, ,pelo menos, a têrça parte dos pontos do programa de
ensin o da cadeira, lecionando-se a parte restante do mesmo
até o fim do ano letivo.
Art. 31 - Sorteado o ponto da prova parcial, o professor
formulará, no ato, três questões, qu e se con tenham no ponto
sorteado, e das quais os a lunos não devem ter tido anterior
conh ecimento, podendo substituir uma delas por trabalhos práticos sôbre ternas indicados na mesma ocasião.

17!&gt;

�§ 1.0 O prazo para a realização das provas será de duas
horas.
§ 2. 0 - A prova escrita, feita em papel rubricado pelo professor, não será assinada pelo examinado, que escreverá o seu
nome em um papel separado, igualmente rubricado pelo professor e destinado à identificação posterior, depois de lançado
e assinado o respectivo julgamento.
§ 3. 0 Para êsse fim, a Secretária assinalará convenientemente, com um número de ordem, cada prova e a fôlha correspondente, em envólucroS fechados e rubricados pelo professor.
§ 4.0 Ao aluno que não comparecer a qualquer prova,
por motivo justificado de fôrça maior, a jufzo do Diretor, poderá ser concedida segunda chamada se a requerer no prazo
de oito dias a partir da data da cessação do impedimento, devendo a prova realizar-se no mesmo dia para todos os faltosos e sem prejuízo das aulas e demais trabalhos escolares.

Art. 32 - O julgamento das provas parciais de qualquer
cadeira será feito por uma comissão examinadora designada
pelo Diretor, ouvido o C.T.A., e composta de três membros,
da qual fará parte, obrigatoriamente, o respectivo professor
catedrático.
§ 1.0 As notas serão graduadas em números inteiros, de
zero (O) a dez (10).
§ 2.º - Cada examinador atribuirá à prova o grau que m(:recer, lançando a nota por extenso e subscrevendo-a. ~ média aritmética dos graus conferidos constituirá a nota da prova, vedado qualquer arredondamento.
§ 3.0 Ao professor é assegurado o prazo improrrogável
de cinco dias d)ara a correção e devolução das provas.
§ 4. 0 Terminado o julgamento das provas, serão estas
entregues à Secretaria, que procederá à identificação das m esmas, fazendo-se, então, o registro das respectivas notas.
§ 5. 0 O resultado do julgamento só poderá ser retificado
quando o Diretor, a requerimento do interessado, verificar ter
havido engano, quanto à identificação da prova ou êrro no
-cálculo da apuração da média.
§ 6. 0 O aluno que não comparecer a qualquer prova
parcial, que houver escrito sôbre assunto diverso do proposto .
-0u fôr encontrado consultando livros ou notas, ou que nada
houver escrito, terá nota zero.
CAP!TULO VI
Da Prova Final

Art. 33 - A aprovação em qualquer das matérias de curso
,depende da prestação pelo aluno de uma prova final, mediante
inscrição que será requerida de 1 a 6 de dezembro.
il.80

�§ 1.0

a)
b)

c)

-

A inscrição nessa prova dependerá:

da obtenção de, pelo menos, grau três na média aritmética das notas das provas parciais;
da freqüência, no mínimo, de dois terços das aulas dadas
no decurso ao ano letivo e apresentação de dois terços
dos trabalhos escolares propostos pelo professor, n ê les
obtendo o aluno média não inferior a cinco;
prova de quitação das taxas de freqüência e de exames.

§ 2. 0 O horário dos exames será organizado pelo Diretor,
ouvidos os professôres e o C.T-A., não podendo ser alterado
sem prévio aviso, no mínimo, d e 24 horas .

Art. 34 - As comissões examinadoras serão constituídas por
três membros, designados pelo Diretor, depois de ouvido 0
C.T.A. e delas deverão fazer pa rte, obrigatoriamente, os pr·Jfessôres catedráticos das respectivas cad eiras.
§ 1.0 As comissões examinadoras só poderão funcionar
presente a totalidade de seu s m embros, sendo imediatamente
substituído, por designação do Diretor, o professor que houver deixado de comparecer, decorridos trinta minutos da hora
fixada pa ra o início da prova.
§ 2. 0 Se faltar o professor catedrático, serão as provas
adiadas para o dia útil subseqüente; e repetindo-se a falta, o
professor catedrático deverá ser substituído.
§ 3. 0 - Ao presidente da comissão examinadora que será o
professor catedrático mais antigo, incumbe decidir as questões
de ordem e levar ao conhecimento do Diretor qualquer irregularidade ou ocorrência de importância, acaso observada no
processo da realização das provas finais.
Art. 35 - A prova final será oral ou prático-oral para os
a lunos que alcançarem a média de 5 (cinco ) a 7 (sete), exclusivo, nas provas parciais; escritas e oral ou prático-oral, para
os que atingirem a média de 3 (três) a cinco (5) nas provas
parciais, dela ficando isento o aluno que obtiver, nas provas
parciais, média igual ou superior a sete (7) .
§ l.º - Não poderão prestar exames finais os a lunos que
obtiverem média inferior a 3 (três) nas provas parciais, sendo
as respectivas notas tomadas nos seus valôres exatos.
§ 2.º - Na primeira semana de dezembro, a Congregação
se reun irá, em sessão ordinária, para discussão e aprovação,
sob parecer do C.T.A. das listas de pontos para as provas, or~anizadas pelos professôres catedráticos das diversas cadeiras,
devendo as mesmas a branger a totalidade da matéria dos r espectivos programas.
§ 3.0 Cada ponto constará de três partes distintas, cada
uma delas pertinente a um dos três grupos em que, guardada
181

�a sequencia dos pontos, houver sido ·proporcionalmente dividido o programa, não podendo o mesmo assunto ser incluído
em mais de um ponto.
Art. 36 - O tempo e o método de arguição ficam a juízo da
comissão examinadora, cujo presidente determinará a ordem
dos trabalhos, não podendo, entretanto, admitir a exame alunos não incluídos na relação da chamada fornecida pela Secretaria.

Art. 37 - Os examinados serão nominalmente chamados à
prova oral pelo presidente da comissão examinadora, convocando-se de cada vez, no máx imo, vinte alunos, para a turma
efetiva e 10 para a suplementar, observada a ordem alfabética.
§ 1.0 O aluno que não comparecer à primeira chamad3.,
quando incluído em turma efetiva ou suplementar, só terá direito à segunda chamada n a m esma época de exames depois
dos demais examinados e provando ter sido a falta por motivo
justo.
§ 2." - Para êsse fim, deverá requerer nova ch a mada ao
Diretor, dentro das 48 horas que se seguirem à que não responder, juntando a prova do fato alegado.
Art. 38 - Terminadas as provas do dia, a comissão examin adora procederá, a portas fechadas, à a·p uração das notas,
atribuindo cada examinador uma nota de zero a dez, em número inteiro, a cada examinando, extraindo, em seguida, o
presidente, a m édia aritmética das três notas.
§ 1. 0 Para apuração da média final em cada cad eira, em
primeira época, serão som adas a nota da prova oral e a médi::i.
d as provas parcia'is, div idindo-se o resultado .por dois .
§ 2. 0 Não são consideradas para os efeitos de inscrição
em prova final, nem apuradas ao julgamento da habili tação,
as notas _das provas acaso realizadas em ano letivo anterior,
pelos alunos repetentes de qualquer série do curso ou n ê l~
matriculado com dependência.
§ 3.0 - Será considerado reprovado o aluno que tiver média
final inferior a cinco; a aprovação se classificará do segu inte modo:
Aprovação simples:
Aprovação plena:
Distinção:
Grande distinção:

igual
igual
igua l
igual

a 5 e inferior a 7
a 7 e inferior a 9
a 9 e inferior a 10
a 10

§ 4.0 Nas médias de provas parciais, da prova oral ou
desta com aquela, não são admitidas aproximações, exprimindo-se os restos das divisões em frações ordinárias .
182

�Art. 39 - Os livros de atas dos exames serão impressos de
modo a facilitar o registro rápido e imediato do resultado d3s
provas.
§ único - A ata, lavrada e s ubscri ta pelo Secretário, ou por
que m o substituir, será assinada p ela comissão examinadora
logo após a terminação do julgamento das provas orais realizadas no dia.
CAP1TULO VII
Dos Exames Completos

Art. 40 - Ao aluno que, satisfeitas as demais exigências reg ul a mentares, sem conseguir média 5, no mínimo, nas prova:;
parciais, obtiver, entretanto, média igual ou superior, e m uma
ou mais cadeiras da série €m que estiver efetivamente matriculado, será permitido requ erer e~ames completos dessa ou
dessa s cadeiras.
§ 1.0 - O requerimento será dirigido entre um e seis de dezembro ao Diretor e obedecerá de um a maneira geral ao estabelecido no art. 33, § 1.0 no q ue não contrarie as disposiçõe::;
dêste capítulo .
§ 2. 0 - O exame completo const ará de prova escrita e prova
ora l, realizando-se esta sõmente depois de con cluída a p: 1meira, e em seguida as demais provas orais de primeira época .
§ 3. 0 - A prova escrita será processada e julgada de acôrclo
com o disposto para realização das provas parciais abrangendo tôda a matéria do programa da cadeira.
§ 4. 0 - A ,prova ora l obedecerá ao regime estabelecido pare:
as provas finais versando, obrigatoriamente, sôbre três pontos do prog rama da cadeira compreendidos no ponto sorteado e devendo cada examinador a r güir o examinando sôbte
uma das respectivas partes .
§ 5. 0 - A nota do julgamento em cada cadeira será a média
ari tmética, conservados os respectivos valôres exatos, en tr~
as notas obtidas na prova escrita e na prova oral, considerando-se habilitado o aluno que assim obtiver grau não inferior a c inco, atendido ao disposto no § 3. 0 do artigo 39.
CAP1TULO VIII
Das Provas de Segunda Época

Art. 41 - Poderão ser admitidos a exames de segunda época,
qu e se realizarão na segunda metadE: de fevereiro:
a) os alunos que, satisfeitas as exigências regulamentares para a inscrição dos exames de primeira é poca, não
tenham a êles comparecido ,p or motivo justo, a juízo do
Diretor;
183

�b)
c)

os alunos reprovados na primeira época em uma ou
duas disciplinas;
os alunos que não tenham podido inscrever-se para a
prova final no fim do ano letivo, por não haverem satisfeito os mínimos regulamentares, mas que també m
tenham realizado_a 1.n prova parcial.

§ 1.0 - A inscrição será feita de 1 a 10 de fevereiro, m ediante requerimento instruído com os documentos comprov3.tórios de fato que a justifique e prova de quitação das taxas
devidas .
§ 2-º - As provas de segunda época para os que se encontrarem em situações prev istas nas letras b e e, serão escritas
e orais, realizando-se estas somente depois de concluídas -\S
primeiras, devendo obedecer, respectivamente, ao disposto
para a s provas parciais e finais.
§ 3. 0 A nota de jul~ mento em cada cadeira, ressa lvando o disposto no parágrafo seguinte, será a média aritmética,
conservados os respectivos valôres exatos, entre as notas obtidas na prova escrita e n a prova oral, considerando-se h abilitado o aluno que assim a lcançar média final não inferior a cinco,
observando o disposto no parágrafo 3.0 do art. 38 .
§ 4. 0 - Para os alunos, entretanto, que satisfeitas a s exigên cias regulamentares, houverem deixado de comparecer a exam e
oral em ,primeira época por motivo justo, a nota final em cada
cadeira será a média artmética entre as duas provas parcia:s
e a nota do julgamento da prova oral em segunda época,
atendendo-se ao disposto no parágrafo 3.0 do art. 38.

CAPITULO IX
Dos Diplomas e Certificados

Art. 42 - Aos alunos que concluírem seriadamente o cur&lt;;o
ordinário de que trata o artigo 4.0 dêste Regimento, será conferido, o diploma de Bibliotecário.
§ único - O diploma a que se refere êste artigo ser á ass:nado pelo Diretor, pelo Diplomado e visado pelo Inspetor
Federal.
Art. 43 - Aos a lunos que concluírem regularmente os cursos
extraordinários ou que forem aprovados em exames de qualquer disciplina cursada na forma do art. 9. 0 , § 2.0 , item b dêste Regimento, será dado o respectivo certificado de aprovação
assinadb pelo Diretor, pelo Secretário e pelo professor do
curso.
§ único - Os certificados em tôdas as disciplinas componentes de um curso ordinário, embora obtidos em épocas difere n tes, darão direito ao respectivo diploma de Bibliotecário, desde

�que tenha sido oportunamente julgado habilitado em concurso- de habilitação. O titular dêsse diploma, ao recebê-lo, fará
a restituição dos certificados obtidos.
Art. 44 - Os diplomas e certificados correspondentes :to
curso de Biblioteconomia serão e&gt;,..rpedidos, para efeito d'a Lei
1. 295, de 27 de dezembro de 1950, mediante requerimento do
Diretor, acompanhado da guia de pagamento das taxas respectivas e serão registrados em liv ro especial.
Art. 45 - Ao a luno que concluir o curso de Doutrina e Moral Católica será expedido um certificado assinado pelo Dit·etor e pelo Secretário.
CAPtTULO X
Da Colação de Grau e das Insígnias

Art. 46 - O ato coletivo de colação de grau aos alunos que
concluírem o curso de Biblioteconomia e Documentação, será
rea liza do em sessão solene e pública da Congregação, no decurso do mês de dezembro, em dia e hora previamente determinados pelo Diretor.
§ l.º - Mediante requerimento, poderá ser conferido, em
dia e hora fixados pelo Diretor e n a presença de três professôres ,no mínimo, grau ao a luno que não tenha recebido na
época oportuna .
§ 2. 0 - Na colação de grau o Diretor tomará o juramenw
de fide lidade aos deveres, que será prestado de acôrdo com as
fór mulas tradicionais do país.
TITULO IV
Da Organização Administrativa

CAPtTULO I
Dos órgãos da Escola

Art. 48 - A direção e administração da Escola serão exercidas pelos seguintes órgãos:
a)
b)
c)
d)

Congregação;
Conselho T écnico Administrativo;
Diretor;
Vice-Diretor.
185

�CAPITULO II
Da Congregação

Art. 49 - A Congregação, órgão superior da direção didática e pedagógica da Escola, é constituída:
a)
b)

c)
d)

pelos professôres catedráticos em exercício de suas
funções;
pelos professôres interinos;
pelos docentes livres em exercício de catedrático;
por um representante dos docentes livres, eleito ,pelos
seus pares em escrutínio presidido pelo Diretor, para
um período de três anos.

Art. 50 - Somente os professôres catedráticos efetivos têm
direito a voto em matéria de provimento d'e cátedra.
Art. 51 - As sessões solenes da Congregação realizar-se-ão
com qualquer número.
Art. 52 - A Congregação será presidida pelo Diretor dd
Escola e, na sua ausência, pelo membro do C.T.A. m ais antigo
no magistério.
Art. 53 - Haverá três sessões ordinárias da Congregação,
uma na segunda quinzena de março, outra na segunda quinzena de setembr~ e outra na primeira semana de dezembro.
Art. 54 - Haverá tantas sessões extraordinárias da Congr~gação quantas determinarem os interêsses da Escola. A êonvocação será feita por ordem do Diretor, por iniciativa próipria ou a requerimento de dois terços dos membros do m e5rno corpo docente congregado.
Art. 55 - A nenhum professor é lícito falar mais de vinte
minutos cada vez nem mais de duas vêzes sôbre o mesmo
as_sunto, salvo pela ordem ou em breve explicação pessoal.
Art. 56 - De tôd'as as ocorrências da sessão será lavrada
pelo Secretário a respectiva ata, que deverá ser assinada por
todos os professôres presentes.
Art. 57 - As votações se farão por escrutínio secreto, por
aclamação ou nominalmente; sendo a votação nominal, os votos serão tomados pela ordem inversa à da antiguidade, isto
é; do professor mais moderno para o imediatamente mais
antigo.
§ único O sistema de votação será determinado pela
maioria.
Art. 58 186

Compete à Congregação:

�a)

eleger, ,por votação uninominal, dentre os catedráticos
em exercício de suas f~.mções, três professôres cujos nomes, sem designação do número de votos que lhes forem atribuídos, constituirão a lista tríplice a ser remetida à associação mantenedora para o provimento do
cargo do Diretor;
b) deliberar sôbre tôdas as questões relativas ao provimento de cargos de magistério, nos têrmos dêste Regimento;
e) deliberar sôbre questões que, direta ou indiretamente,
interessem à ordem didática e pedagógica da Escola,
nos têrmos dêste Regimento;
d) aplicar as penalidades previstas neste Regimento;
e) colaborar com a diretoria e os órgãos da Associação
mantenedora em tudo quanto possa interessar à Escola;
f)
deliberar sôbre a organização de concursos e tomar conhecimento dos pareceres emitidos pelas respectivas comissões examinadoras;
g) aprovar os programas dos cursos;
h) resolver em grau de recurso todos os casos de sua competência;
i) conceder aos professôres, mediante parecer do C-T. A.,
dispensa temporária do magistério, para realização de
estudos no país ou no estrangeiro;
j) propor a concessão dos títulos de professor honorário e
de professor emérito;
k) deliberar sôbre• a concessão de prêmios e dignidades
escolares;
1)
eleger, pelo processo uninominal, dois dos m embros das
comissões examinadoras de concurso, bem como os prJfessôres que devem fazer parte das comissões examinadoras de teses;
m) exercer as dem ais atribuições constantes dêste Regim ento e que n ão sejam privativas dos demais órgão~.
Art. 59 - A con vocação dos professôres para as sessões da
Congregação, salvo caso de excepcional urgência, deverá ser
feita por escrito, carta ou telegrama, com antecedência mínima de 96 h oras, confirmando-se o convite, sempre que possível, pelo telefone. Do convite deverá constar a matéria da
ordem do dia.
Art. 60 - As deliberações da Congregação serão tomadas
por maioria de votos.
§ l.º - O Diretor t erá, a lém de seu voto, o de qualidade.
§ 2.º - Nenhum membro da Congregação poderá votar erµ
deliberação que, direta ou indiretamente, o atinja.
Art. 61 - Na sessão ordinária de dezembro, a Congregação
discutirá os planos de ensino para o próximo ano letivo.

187

�CAP!TULO III
Do Conselho Técnico Administrativo
Art. 62 - O Conselho Técnico Administrativo, órgão deliberativo da Escola será constituído por três (3) profess6res
catedráticos, nomeados pela Associação da Companhia de Santa úrsula, dentre seis (6) eleitos pela Congregação e de três
(3) membros da Associação de Santa úrsula.

Art. 63 - O Conselho Técnico Administrativo reunir-se-á,
em sessão ordinária, uma vez por m ês, sendo convocado e pres.idido pelo Diretor ou seu substituto legal.
§ 1.0 Reunir-se-á extraordinàriamente o Conselho quand"o convocado pelo Diretor ou seu substituto legal, ou m ediante solicitação escrita de dois terços de seus membros.
§ 2. 0 Das reuniões do Conselho lavrar-se-á uma ata, que
será assi nada por todos os presentes.
Art. 64 - O Conselho T écnico Administrativo deliberar á
vàlidamente com a presença de, -pelo menos, dois terços dos
seus membros, sendo tomadas as decisões por maioria de voto:;;.
§ único - O Diretor, que é o presidente nato do C.T.A., só
terá direito a voto de qualidade.
Art. 65 Constituem atribuições do Conselho T écnico
Administrativo:
1
2 3
~

5
f.l

7

8 -

118

organizar o seu Regimento;
organizar, ouvida a Congregação, o Regimento da E :,cola, submetendo-se à aprovação do Ministério da Educação e Cultura;
elaborar, de acôrdo com o Diretor, a proposta de orçamento anual da Escola;
submeter aos órgãos competentes qualquer proposta de
alteração da organização administrativa ou didática da
Escola de sua iniciativa ou da Congregação e por ambos aprovadas;
aprovar a proposta de nomeação de servidores administrativos da Escola;
rever os programas de ensino a fim de verificar se obedecem às exigências regu lamentares;
organizar horário para os cursos normais, ouvidos os
respectivos professôres e atendidas quaisquer circunstâncias que possam interferir na regularidade da fn~qüência e na boa ordem dos trabalhos didáticos;
Fixar, ouvido o respectivo professor, de acôrdo com 0s
interêsses do ensino, o número de estudantes das tutmas a seu cargo;

�9 -

10
11

12 13 -

14 -

15

16
17 -

18

19

20
21 -

Autorizar a realização dos cursos previstos neste Regimento e dependentes de sua decisão, depois de rever
e aprovar os programas e expedir instruções relativas
aos cursos de aperfeiçoamento e de especialização;
deliberar sôbre as condições do pagamento dos cursos
remunerados;
suspender, atendendo à representação do Diretor, qualquer curso equiparado ou livre, em cuja marcha nã•)
sejam r espeitadas as exigências legais e regulamentares;
organizar as comissões examin adoras para as prova s
de habilitação dos alunos;
deliberar sôbre a escolha, dentre professôres catedráticos de outros institutos de ensino superior ou profissionais técnicos, de três dos m embros da comissão examinadora de concursos, bem como dos professôres que
devem fazer pa rte das comissões examinadoras d e teses ;
designar o docente que deve substituir o professor catedrático aos seu s impedimentos, curtos ou prolong..idos, bem como nos casos de vacância de cadeira;
emitir parecer sôbre qualquer assunto de ordem didática que haja de ser submetido à Congregação;
tomar conhecimento de representações de natureza atlministrativa , didática e disciplinar;
designar as comissões para proceder o inquérito adm lnistrativo e decidir sôbre p ena lidade, confirmando, comutando ou anulando, em grau de recurso, penalidad~f;
impostas pelo Diretor;
resolver questões relativas à m atrícula, exames e trabalhos escolares, ouvido nes te último caso o professo1·;
auxiliar o Diretor na fiscalização do ensino teórico,
assistindo às a ulas e trabalhos escolares· e verificandu,
n o fim dos períodos letivos, se foram executados os pr0gramas;
fixar, anualmente, o número de alunos a serem adm!tidos à matrícula nos cursos da Escola, dentro do limite
máximo fixado pelo Conselho Nacional de Educação;
praticar todos os demais atos de sua competência em
virtude de lei, dêste Regimento, ou por delegação dos
órgãos superiores.
CAPtTULO IV
Do Diretor

Art. 66 - O Diretor é o órgão executivo que coordena, fi scaliza e superintende tôdas as atividades da Escola.
Art. 67 - O Diretor será nomeado pela entidade mantenedora para um período de três anos.
189

�§ 1.0

A escolha recairá em um dos nomes da lista tríplice organizada .pela Congregação da Escola dentre os professôres catedráticos.
§ 2. 0 Nos dois primeiros anos de funcionamento, a direção da Escola será confiada à Diretora da Faculdade de Ftlosofia, Ciências e Letras do Instituto Santa úrsula.
§ 3.0 O Diretor será substituído, em suas faltas ou impedimentos, pelo Vice-Diretor.

Art. 68 a)

b)

c)
d)
e)
f)

g)
h)
i)
j)
k)
1)

m)
n)

São atribuições do Diretor:

entender-se com os podêres públicos sôbre todos oc;
assuntos que interessem à Escola e dependem de dec~sões daqueles;
repr~sentar a Escola em quaisquer atos públicos e n ac;
relações com outros ramos da administração públic:i.,
instituições acadêmicas, profissionais e científicas ou
corporações particulares;
assinar, com o Secretário, os diplomas e conferir grau;
apresentar, anualmente, à Associação mantenedora, n ~latório dos trabalhos da Escola, assinalando as providências requeridas para a maior eficiência do ensine ;
executar e fazer executar as decisões das Congregações;
convocar e presidir as reuniões da Congregação;
superintender todos os serviços administrativos ela
Escola;
remover, de um para outro serviço, os servidores adm tnistrativos, atendendo às necessidades ocorrentes;
nomear os docentes livres;
aplicar penalidades;
cumprir e fazer cumprir as disposições dêste Regimento;
resolver os casos omissos, ouvido o C.T.A. e "ad referendum" da Congregação;
elaborar minucioso relatório anual, dêle remetendo cópia autenticada à Diretoria do Ensino Superior;
exercer as demais atribuições que lhe competirem nos
têrmos dêste Regimento;

Art. 69 - O Vice-Diretor será escolhido livremente pela
Associação mantenedora entre os catedráticos em exercício.
Art. 70 1
2 -

190

Cabe ao Vice-Diretor:

substituir o Diretor em todos os seus impedimentos;
superintender os serviços de administração geral que o
Diretor lhe confiar.

�TITULO V
Do corpo docente

Art. 71 - O corpo docente da Escola será distribuído pelas
seguintes categorias:
a)
b)
c)
d)

professôres catedráticos;
docentes livres;
assistentes; e
.professôres contratados.
CAP1TULO I
Do professor catedrático

Art. 72 - O professor catedrático, após ato da Congregaçã~,
adotando con clusões favoráveis da comissão examinadora, na
forma da lei, terá o seu título de nomeação expedido pela
Associação mantenedora.
§ único - A escolha do professor catedrático será mediante
concurso de títulos e de provas, devendo basear-se na apreciação do mérito científico, da capacidade didática e dos predicados morais do candidato.
Art. 73 - Verificada a vaga de professor catedrático, o Diretor fixará as datas d e abertura e de encerramento das inscrições para o provimento do cargo, não devendo o prazo ser
inferior a quatro n em superior a seis meses.
§ único - O Diretor mandará afixar edital aprovado pela
Diretoria do Ensino Superior na portaria da Escola, com publicação num jornal de grande circulação.
Art. 74 - A inscrição será feita m ediante requeriment-&gt;,.
acompanhado de recibo de pagamento da taxa devida ~ dos.
documentos e títulos, subscrito pelo própdq candidato ou p,orprocurador com podêres especiais para êsse fim .
§ l.º - O candidato, ou seu procurador, no ato da inscrição, assinará em livro especial o competente têrmo, que será
subscrito pelo Secretário.
§ 2.0 Dentro de cinco dias, contados da data da entrada
ão requerimento de inscrição no protocolo, deverá o Dir~tor
despachá-lo subordinado o deferimento à satisfação das exh
gências que no caso couberem, ouv ido o C.T.A. sõbre a tese
apresentada.
§ 3.º - Dos despachos do Diretor caberá recurso do prazo
de cinco dias, à Congregação.
Art. 75 - Nenhum candidato será admitido após a honi
indicada para encerramento da inscrição, e aos candidatos,

191

�cujos documentos não se acharem revestidos de tôdas as formalidades legais, concederá o Diretor um prazo não excedente de dez dias para a respectiva legalização, sob pena de exclusão definitiva do concurso.
§ único - Será igualmente excluído do concurso o candidato que até o momento de encerrar-se a inscrição não comprovar, mediante recibo passado pelo Secretário, haver feito
entrega de cinqüenta exemplares impressos da tese.
Art. 76 - Não se tendo inscrito nenhum candidato, ou,
quando nenhum candidato fôr indicado p ela comissão exarmnadora, a Congregação providenciará sôbre a con veniência d e
abertura imediata de nôvo concurso para o respectivo provimento efetivo.
Art. 77 - O candidato deve apresentar à Secretaria, no ato
da inscrição:
1 2 -

3 -

4 5 -

atestado de sanidade física e mental;
1prova de estar em dia com as obrigações militares;
diploma de curso superior no qual tenha recebido ensinamento da disciplina da cadeira em concurso, expedido por instituto de ensino oficial ou oficialmente reconhecido, do país ou do estrangeiro, neste caso devidamente revalidado, em qualquer caso devidamente registrado na Diretoria do Ensino Superior ou nos órgãos que a antecederam no Ministério da Educação e
Cultura;
documentação da atividade profissional ou científica
que tenha exercido e que se relacione com a cadeira em
concurso;
cinqüenta exemplares da tese que houver escrito, impressos ou mimeografados.

§ 1.0 O candidato a professor catedrático deverá ter sua
inscrição aprovada pela entidade mantenedora da E scola.
§ 2.º - Para inscrição no concurso destinado a primeiro
provimento das cadeiras técnicas, o exercício como professor
interino por dois anos consecutivos na ,p rópria escola, poderá
suprir a exigência do item 3.0 dêste artigo.

Art. 78 - O concurso de títulos constará da apreciação d::)'3
seguintes elementos comprobatórios de mérito do cand"idat'.):
1
2

192

diploma e quaisquer outras dignidades universitária~
e acadêmicas;
exemplares de trabalhos científicos, de obras, estudos e
pareceres; especialmente daqueles que assinalarem contribuição original ou revelem conceitos doutrinários
pessoais de real valor no campo especializado;

�3
4

documentação relativa às atividad'es didáticas exercida:S·
realizações práticas de natureza técnica ou profiss ion3 1:
p a1·ticularme nte de interêsse coletivo.

§ único O s imples desempenho de funções públicas, a
apresentação de trabalhos cuja autoria exclus iva não possa
ser a utenticada e a exibição de atestados g raciosos não con,;tiLu em títu los idôneos.

Ai·t . 79 - O concurso de provas, des tinado a verificar a erud ição e o tirocínio do candidato, bem como os seus predicados
didáticos, constará ele:
·
1
2
3
4

prova escrita;
defesa de tese;
prova didática;
prova prática, quando assim o exigir a cadeira.

-

~

1. 0

A tese a ser defendida constará de uma dissertação sôbre assunto d'e liv re escolha do candidato, pertinente à
disciplina da cadeira em concurso.
§ 2. 0 O C.T .A. e mitirá parecer prévio sôbre a tese, podendo propor, com fundamento nesse exame, o não defe!'imento da inscrição elo candidato.

Art. 80 - A prova escrita versará sôbre assunto incluídõ
en1 um ponto consta nte de uma lista de 10 a 20 pontos, formulados pela própria comissão examinadora no dia determinad j
para a realização da prova, sôbre a matéria con s ta nte do pr,:,g rama de ensi no da cadeira.
§ l.º - O a nunc iado do ponto registringir-se-á à simples
m en ção do assunto de modo que tenha o candidato ampla
liberdade de explanação.
§ 2.0 Sortead o o ponto pelo candidato inscrito em p,:-imeiro luga r e na presença dos demais, terá imediata men te
início a prova, cuj a execu ção, a portas fe chadas, não excederú
seis horas.
§ 3. 0 A comissão exam inadora fiscaliza rá a realização da
prova, fazend'o observar n a sala o necessário s ilê ncio e evitando que qua lquer con corrente tenha comunicação com qµe~n
quer que seja ,consulte notas ou livros, salvo os de legislação
n ão comentada autorizados pela comissão, nos têrmos do art.
84, § 1.0 •
§ 4-º - Para execu ção do disposto no parágrafo anterior a
com issão pode r á subdividi r-se em turmas, de modo, porém, que
sempre esteja m presentes, pelo menos, dois dos seus membro:;.
§ 5. 0 - E sgotado o prazo de execução da prova escrita, cada
candidato rubricará fôlh a a fôlha as provas dos demais concorrentes e, h avendo um só candidato, a respectiva prova será

�nas mesmas condições rubricadas por dois membros da comi.:;são examinadora .
§ 6. 0 - As provas entregues, depois de acondicionadas em
invólucros distintos para cada uma delas, lacradas e convenientemente rubricadas pelos candidatos e por dois membros
da comissão examinadora, ficarão até o momento de sua leitura mantidas secretas, em uma urna fechada e zelada, 11a
Secretaria.
§ 7. 0 Em dia e hora previamente indicados cada candidato lerá sua prova perante a comissão examinadora, podendo
assistir a essa leitura os demais candidatos.
Art. 81 - A defesa de tese será realizada em sessão pública,
perante a comissão examinadora, sendo chamados os candidatos pela ordem de inscrição.
§ 1.0 Caberá a cada um dos membros da comissão argüir
cada tese apresentada pelo prazo máximo de 30 minutos
e será assegurado, para a respectiva defesa, igual prazo ao
concorrente .
§ 2. 0 - Quando duas ou mais teses versarem sôbre o m esmo
assunto, durante a defesa, ficarão mantidos incomunicáveis
os respectivos autores ainda não chamados.
Art. 82 - A prova didática a ser realizada perante a Congregação, constará de uma dissertação pelo prazo improrrogável e irredutível de 50 minutos, sôbre ponto sorteado com 2-:l
horas de antecedência, de uma lista de 10 a 20 pontos organizados pela própria comissão examinadora, compreendendo assuntos do programa da cadeira ou, no caso de disciplina lecionada em mais de uma cadeira, dos respectivos programas de
ensino.
§ l.º - Sempre que possível, todos os concorrentes r ealiZdrão a prova de que trata êste artigo no mesmo dia e sôbre
o mesmo ponto, conservando-se incomunicáveis depois de iniciada a prova os candidatos ainda não chamados.
§ 2.º - A ordem de chamada dos candidatos será a de inscrição no concurso .
Art. 83 - O julgamento do concurso será realizado por uma
comissão constituída de cinco membros, que deverão possu.r
conhecimentos especiais e aprofundados da disciplina da cadeira em concurso, dos quais dois serão indicados pela Congregação dentre seus membros e três outros escolhidos pelo
C.T.A. dentre professôres catedráticos de outros institutos de
ensino superior ou profissionais especializados.
§ 1.0 - Caberá à comissão estudar os títulos a:Presentados
pelos candidatos, acompanhar a realização de tôdas as provas
do concurso, classificar, em parecer fund amentado, os candidatos por ordem de merecimento e indicar o que deva ser
prov~do no cargo.
194

�§ 2. 0 - A comissão deverá lavrar uma ata de ca~ .uma das
reuniões que efetuar, seja para organização dos pontos, seja
para os respectivos julgamentos.
S 3. 0 A presidência da comissão examinadora, salvo o
caso em que dela fizer parte o Diretor da Escola, caberá ao
professor mais antigo dos que forem eleitos pela Congregação.
S 4.0 A composição definitiva da comissão examinadora
e o d ia de sua instalação para o inicio do processo do concurso,
serão avisados aos candidatos inscritos com a antecedência
m inima de trinta dias, mediante edital publicado no órgão
ofi cia l .
§ 5- 0 - Antes de iniciadas as provas, a comissão reunir-se-á
par a conferir no ta s ao conjunto dos títulos de cada candidato.

Art. 84 - Tôdas as provas e julgamento do concurso serão
rea lizadas em sessão pública , excetuada a feitura da prova escrita, e, no mesmo ato de julgar, cada examinador dará ao
conjunto dos títulos e a cada uma das provas de cada concorrente, segundo merecimento que lhes atribua, uma nota de
zero a d ez, consignando-a em cédula a ssinada, que será fech:ida t.m invólucro opaco até a apuração .
§ 1. 0 É permitido consultar a legislação não comentada,
in clusive a antiga e estrangeira .
§ 2. 0 Ao concorrente que provar moléstia por atestado de .
tr ês m édicos nomea dos pelo Diretor, é facultado requerer o
adiamento do concurso por oito dias, no máximo, se não estiver so1·teado o ponto da prova que tiver de fazer .
A rt. 85 - Terminadas a s provas, proceder-se-á à habilitação
e classificação dos candidatos , fazendo-se a a,p uração das notas
de que trata o artigo anterior.
s l.º - Cada examinador e&gt;..'trairá a m édia das notas que
a tribuir a cada um dos candida tos, som ente a nota dos titulos
e as notas d as prova s e dividindo a soma pelo número das prov a s exigid a s. Serão habilitados os candidatos que alcançarem
d e t rês ou ma is examinadores a média mínima de seis .
§ 2.0 - Cada examinador fará classificação parcial dos cand id a tos indicando aquêle a que tiver atribuído a média mais
a lta . Será escolhido para o provimento da cátedra o candidato que m a ior número de indicações parciais obtiver.
§ 3.0 - Cada examinador decidirá o empate entre as média:,
atribuídas por êle mesmo a dois candidatos, e o empate entre
os examinadores será decidido pel2 Congregação, e ato contínuo e em tantos escrutínios quantos forem necessários .
Art. 86 - A comissão examinadora indicará para a nomeação o candidato escolhido na forma do artigo anterior.
Art. 87 - O parecer lavrado pela comissão examinadora,
será submetido à Congregação, que só o poderá rejeitar por

195

�dois terços de votos da totalidade das cátedras , quando unânime ou reunir quatro assinaturas concordes, e por maioria absoluta quando a indicação e:stiver subscrita apenas por três membros da c.:omissão .
§ 1.0 Os professôres catedráticos que tiverem feito pat te
da comissão examinadora não ficam impedidos ele participa:·
da votação do parecer.
§ 2. 0 Em casos d e rejeição do parecer, abrir-se-á n õ•, o
concurso.
§ 3.0 A ata da sessão da Congregação, em que julgar o
parecer, d"everá i:;er imediatamente lavrada e assin ada.
Art. 88 - Em todos os atos relativos ao provimento no cargo
de professor catedrático somente terão direito a voto, ati•; o
ou passivo, na Congregação, os professôres catedrático,:;
efetivos .
§ 1.0 A Congregação caberá aprovar a indicação do professor catedrático, com base no parecer da comissão examin:1dora do concurso, devendo dispor, para isso, de 2/ 3 de .profcssôres catedráticos efetivos .
Art. 89 - Do julgamento do concurso caberá recurso, excl;.isivamente de nulidade e dentro do prazo de dez dias, para o
Ministro da Educação e Cultura, recurso que deve ser instruíd-~
pela Congregação que opinará pelo seu provimento ou não.
Art. 90 - Esgotado o prazo a que se refere o artigo anterior,
o Diretor comunicará o resultado do concurso, e não havendo
interposição de recurso, indicará à Associação mantenedora o
nome do candidato escolhido, para a respectiva nomeação .
§ único - A posse do professor catedrático será dada peb
Diretor da Escola, em sessão solene da Congregação .
Art. 91 -. - Os vencimentos e outras vantagens suplementares concedidos aos professôres catedráticos, serão fix ados no
orçamento anual da entidade mantenedora .
§ único - Se, porém, alguém fôr designado para reger outra
turma além da ordinária, o honorário a lhe ser atribuído se!'á
fixado de acôrdo com a atividade acrescida, não pbd'endo, entretanto, exceder dois terços dos vencimentos d,o professoe
catedrático.
Art. 92 tedrático :
a)

b)
!.96

Constituem deYeres e· atribuições do professor ca-

dirigir e orientar o ensino de sua cadeira, execu tand.:&gt;,
integralmente, com o melhor critério didático, o programa aprovado pela Congregação, apresentado anualmente até o dia 15 de janeiro;
reger as aulas da cadeira, ele acôrdo com o horário estabelecido, e assinar, após as respectivas realizaçõ~o,

�liv r o ou fic ha de freq üência, em que registra rá o assunto lecion ado;
c) r ealizar a u las práticas, d ir ig ind'o exercíc io ele aplicação
a casos concr etos, a rguindo e orienta ndo debates sôb r~
p rincípios doutrinários e acompanha ndo os alun os em
visitas que possam inter esP,ar à su a formação profiss iona l;
d) fisca lizar a obser vância das disposições regula mentares qu a nto a freqü ência dos alunos às au las prática s de
preleção e a os trabalhos de seminário;
e) subme ter os a lunos às p1-ovas pa r cia is e p rova final r eg ula men tar es, a tribuindo-lhes as notas;
f)
fo rnecer à Secr etaria , no decurso da qu in zen a que se
seg uir à realização das provas parcia is, as notas respect ivas;
g ) a presentar ao D iretor, d entro dos d ez pri meirns d ias do:-:
meses de julho e dezembro, relatór io circunstanciada
sôbre o en si no a seu cargo, especificando a par te lecionada do p rog ra ma;
·
h) cu mprir os horá r ios estabelecidos pa ra o ensino das respectivas cadeiras;
i) su gerir ao Diretor as m edidas n ecessárias ao melhor dese mpenho d e atribuições e providen ciar, por todos os
m eios a o seu alca n ce , pa ra que o ensino, sob sua responsabilidad e, seja o mais eficiente possível;
j)
tom a r parte das reuniões d o C.T.A., qua ndo dê le fizer
parte e da Cong1·eg ação;
k ) fazer parte das comissões examinador as e de outras
par a as quais fôr designado ou eleito;
1) indicar assistentes para a su a cad eira e fi scalizar su;:i.
a t ivid ad e.
Art. 93 - O professor catedr ático é responsável pela eficiência do ensi no de sua cade ira cabendo-lhe promover os
estudos que con cor ram para desenvolvê-lo .
Art. 94 - E m casos especiais, a r equerimento do interessado e d eliber ação da Congregação, será con cedida ao professor catedrá t ico dispensa temporária das obrigações de magist ério, a t é um a no, a fim de que se devote a· estudos em a ssunt os de sua especial idade, no país ou no estrangeiro, sem p rejuízo d e seus dire itos e vantagens.
CAPfTU LO II
Dos docentes livres

Art. 95 - A docência livre destina-se a a mpliar, em cursos
equipa rados aos cursos 1~ormais , a capacidade d idát ica da E s197

�cola e a concorrer, pelo tirocínio de magistério, para a form:1ção do corpo docente ele seus professôres.
Art. 96 - O título do docente livre será obtido por meio de
habilitação devendo o candidato satisfazer, em tudo, às exigências relativas ao concurso para professor catedrático .
§ único - A docência liv re poderá ·ser obtida em mais de
uma cadeira .
Art. 97 - A inscrição nas prov,.s de que trata o artigo a nterior será processada anualmente, na primeira quinzena d e
outubro, cabP.ndo ao C.'I'.A . fazer a época de r ealização elas
respectiYas provas.
Art. 98 - As provas se processarão nas mesmas condicõe;;
das prescritas para o provimento da cátedra .
§ 1.0 Havendo impossibilidade na constituição da com issão examinadora, pela recusa provada de um ou mais p ro fessôres escolhidos pelo C.T .A., a referida comissão poder á ser
completada, mediante indicação do mesmo Conselho com prufessôres da, Escola .
§ 2.0 Caberá à comissão e xaminadora estudar os títulos
apresentados pelos candidatos e acompanhar a r ealização cfe
tôdas as provas de habilitação, a fim de fundamentar parecer
minucioso concluído pela indicação dos candidatos h abilitados
e dos que não o fo r em .
Art. 99 - Ao candidato habilitado pela comissão examina dora, c ujo p arecei· fôr homologado pela Con gregação, será
expedido o título de docente livre pelo Diretor.
Art. 100 - As prorrngativas da docência livre , no que respeita à realização de cursos, poderão ser conferidas pelo C.T.A.
a professôres catedráticos de outros estabelecimentos de ens ino superior que as requerem, e quando apresentarem garantias ,pessoais de bem d esempenhar a s funções do magisté1·io.
Art. 101 livres:
1 -

2 -

3
4 -

198

Constituem atribuiç-ões e direitos cios doe.e ntes

realiza r cursos livres ou equiparados, de acôrdo com os
dispositivos regulamentares, executando integrn lmente os programas de ensino aprovados pela C.T .A. ;
organizar e realizar cursos de aperfeiçoa m e n to e de
especia lização relativos à cadeira de que fôr docent':!
livre;
realizar cursos ou conferências de extensão uni versitária quando designado pelo C.T .A.;
apresentar ao C.T.A. o programa dos cursos que. requ"rer, e informar o Diretor sôbre as condições elos n ossos
cursos;

�5 -

substituir o professor catedrático, nos seus impedimentos prolongados, quando designado nos têrmos dêst~
Regimento;
6
reger o ensino de turmas suplementares d'e acôrdo com
as disposições regimentares;
7
apresentar ao Diretor, quando solicitado, relatório circunsta nciado sôbre o ensino ao seu cargo, especificando a ,parte lecionada do progr-ama e a freqüência do.;;
estudantes;
8 - fazer parte das mesas examinadoras quando designado
nos têrmos dêste Regimento, salvo quando tenha realizado cursos livres;
9 - tomar parte nas reuniões da Congregação, quando convocado, e de acôrdo com os dispositivos r egimentares.
Art. 102 - O ensino ministrado pelo docente livre, em cursos
equiparados, obedecerá às linhas fundamentais dos cursos norm a is e deverá ser realizado de acôrdo com o programa e o ho1·ário previamente aprovado pelo C.T.A.
Art. 103 - A Congregação, de cinco em cinco anos, fará a
rev isão do quadro dos docentes livres, a fim de excluir aquêles
que não hajam exercido atividade eficiente no ensino, ou não
tenham publicado _trabalho doutrinários de valor, que os recomende à permanência nas funções de docente.
Art. 104 - Os docent es livres no exercício do ensino ficarão suje itos aos dispositivos regimentais que lhes forem
aplicados.
A rt. 105 - As causas que determinam a destituição do professor cat edrático justificam penalidades idênticas em rela&lt;;ão aos docentes livres.
CAP1TULO III
Do assistente

Art. 106 - O ass istente é admitido e dispensado pelo Diretor, em virtude de indicação justificada do .professor catedrático.
§ único - O assistente d everá ser portador de diploma expedido por instituto de ensino superior em que seja lecionaà:i.
disciplina da cadeira, devidamente registrado na Diretoria d .:
Ensino Superior e dêle serão exigidos prova de 1.0 ano de formado, no mínimo, atestado de sanidade física e mental, idJneidade moral e quitação com o serviço militar.
Art. 107 a)

Ao assistente compete:

auxiliar o ensino da cadeira de acôrdo com as instruções
expedidas pelo respectivo professor catedrático;
199

�b)

subslitu:1: o professor catedrático em suas faltas e impedimentos ocasionais.

Art. 108 - Os vencimentos do assistente serão fixados
orçamento da Associação mantenedora.

n J

CAPíTULO IV
Dos professôres contratados

Os professôres contratados poderão ser incumbidos
da regência por tempo determinado, de qualquer cadeira dos cursos da Escola ou de realização dos
cursos de aperfeiçoamento e de especialização.
§. 1. 0 - O contrato de professôres nacionais ou estran geiro3,
será proposto pelo Diretor no C.T.A., media nte justificação a mpla das Yantagens didáticas que indique tal conveniência.
§ 2. 0 As atribuições e vantagens conferidas ao professr,r
contratado, serão discriminadas nos respectivos contratos.
Art. 110 - Quando não se apresentar a concurso de qualquer cadeira ou quando, em concurso, nenhum candidato fô:·
indicado pela comissão examinadora, poderá ser contratad:J
para a regência da cadeira, por prazo não superior a dois ano::,,
profissional brasileiro ou estrangeiro de reconhecida competência, mediante proposta da Congregação e parecer de unn
comissão constituída nos têrmos do art. 83.
§ 1.0 - Não poderão ser contratados, nos têrmos dêste a rtigo
os candidatos inscritos cm concurso que não tiverem obtid.:)
indicação da comissão examinadora ou cuja indicação houve;·
sido recusada pela Congregação.
§ 2.0 Antes de expirar o prazo do contra to será aberto
nôvo concurso.
TtTULO VI
Do corpo discente

CAPITULO I
Da constituição e deveres

Art. 111 - Constituem o corpo discente da Escola os ;:ilttnos regu :armente matriculad·o s.
§ único - Caberão aos membros do corpo discente os seguintes direitos e deveres fundamentais:
a) aplicar a máxima diligência ao aproveitam ento do ensino ministrado;
b) atender aos dispositivos regimentais no que respeita

200

�c)
d)
e)
f)

à organização didá tica e, especialmente, à freq üênci:,
das a ulas;
observar o regime disciplinar instituído neste negtmento;
abster-se a quaisquer atos que possam importar em perturbação da ordem, ofensa aos bons costumes, d esre.,;peito aos professôres e às a utoridades da Escola;
contribuir, n a esfera ele su a ação, para o prestígio semp1·e cr escente da E scola;
apelar das decisões dos órgãos que h ou verem de julgar
r ecursos sôbre a aplicação de pen as disciplinares qu~
lhes fornm impostas. ·
CAPITULO II
Da vida social

Art. 112 - Os m embros do cor po discente ela Escola dev erão eleger um diretório acadêmico, con stitu ído de nôvo membro, que será reconhecido pela Congregação como órgão legítimo de representação, pa r a todos os efeitos dos a lunos regularm en te matriculados.
§ l.º - O diretório acadêm ico or gan izar á comissões p erm a n entes.
~ 2-º As a tribuições de diretório acadêmico e especialm ente de cada uma d'e s uas comissões serão discriminadas
nos r esp ect ivos estatutos, os quais deverão ser p1·eviamen te
apr ovados pelo Direto r, ouvido o C.T.A.
§ 3. 0 - As eleições de que trata êste artigo devem ser pres ididas por um professor catedrático, convidado para êsse fim.
§ 4. 0 Caberá especialmente ao diretório acadêmico d'3fender os interêsses do corpo discen te e, em pa rticular, os de
cada estudante, perante os órgãos da di r eção técnica admin ist ra tiva da Escola .
Art.. 113 - As Associações de estudantes matriculados na
Escola s ubmeterão seu s estat u tos ao C.T.A .. que indicará as
alter ações julgadas n ecessár ias para a aprovação .
CAPITULO III
Dos prê mios escolares

A rt. 114 - Os p rêmios conferidos pela Escola serão discr,minaclos n as instruções qu e a Congr egação aprovar em rehção a cada um d'êles.
§ l.º - As instruções referidas serão p ub licadas p eriàdicament e, de modo que se assegure a sua perfeita divulgação.
§ 2.º - Quando a concessão do prêmio couber ao a luno

201

�mais distin_to da Escola, a contagem dos pontos será feita pelo
C.T.A., que indicará à Congregação o merecedor da distinção.

TfTULO VII
Da Biblioteca

Art. 115 - Os serviços da Biblioteca serão dirigidos por um
bibliotecário, designado pelo Diretor para servir em comissão,
devendo a escolha recair em profissional que apresente certificado de curso idôneo de biblioteconomia.
Art. 116 - A Biblioteca deverá ser organizada segundo os
princípios mais modernos da biblioteconomia, divididos os seus
serviços de forma eficiente e produtiva.
Art. 117 - A Biblioteca, quanto ao funcionamento de seus
serviços internos, reger-se-á por um regulamento baixado pelo
Diretor.
Art. 118 - A Biblioteca deverá funcionar durante o período
dos trabalhos escolares, ou também em outras oportunidades,
a critério do Diretor.
Art. 119 a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)

h)

202

Ao bibliotecário compete:

organizar e manter atualizadas as coleções de publicações sôbre os assuntos relacionados com as atividades
da Escola.
registrar, classificar, catalogar, guardar e divu lgar a.,
obras pertencentes ao acervo da Biblioteca, zelando pelc1
sua conservação.
organizar os catálogos destinados aos leitores e os c:1tálogos auxiliares;
conservar-se na Biblioteca durante as horas de expediente ordinário;
propor ao Diretor a compra de obras e assinaturas d e
publicações periódicas;
organizar, anuahnente, bibliografia referente às cadeiras dos cursos da Escola, remetendo-se aos membros
do curso docente;
prestar informações ao Diretor e aos professôres sôbre
as novas publicações feitas no .país e no estrangeiro,
acompanhando para êste fim os catálogos das principais livrarias;
organizar e remeter ao Diretor, anualmente, um relatório dos trabalhos da Biblioteca e do estado das obras
e dos móveis, indicando as modificações que a prática
lhe tiver sugerido;

�i)

j)

observar e fazer observar êste Regimento em tudo que
disser respeito à Biblioteca e o regulamento baixado
pelo Diretor;
exercer as demais atribuições que lhe forem determinadas pelo Diretor.
TlTULO VIll
Da organização dos serviços administrativos

CAPíTULO I
Dos serviços administrativos

Art. 120 - Os serviços administrativos da Escola, que funcionam sob a fiscalização e superintendência do Diretor, chc&gt;fiad os por um Secretário, compreenderão:
a)
b)

Secretaria;
Tesouraria.
CAPITULO II
Da Secretaria

Art. 12i - O Secretário é designad'o para servir em comissão, pelo Diretor, com audiência prévia do C.T.A., servidor
ou não da Associação mantenedora.
Art. 122 - O pessoal ad ministrativo ficará imediatamente
subordinado ao Secretário.
Art. 123 - Nenhum servidor, de qualquer categoria, poderá deixar de comparecer ao serviço, durante o horário fix:1áo, ou dêle poderá ausentar-se sem consentimento do Diretor
ou do Secretário.
Art. 124 - A Secretaria funcionará durante o expediente
das aulas dos cursos ordinários.
Art. 125 a)
b)
c)

d)

Ao Secretário compete:

dirigir e fiscalizar o serviço da Secretaria da Escola;
lavrar os têrmos de posse dos professôres catedráticos
e docentes livres;
abrir e encerrar, assinando-os com o Diretor, todos os
têrmos referentes a concursos, defesa d'e tese e colação
de grau, bem como as instruções para matrículas e
exames;
comparecer às sessões ela Congregação e do C.T.A., cuj~s
atas lavrará, para a devida leitura na ocasião oportun:1;
203

�e)

f)

g)
h)
i)
j)

prestar, nas sessões do C.T.A. e da Congregação, por
intermédio do Diretor, as informações que lhe forem pedidas, não lhe sendo permitido, entretanto, discutir nem
votar;
encarregar-se de tôda a correspondência da Escola q~.1::
não fôr de exclusiva competência do Diretor;
subscrever as certidões reque~·idas, que forem auto,1zadas pelo Diretor;
organizar os dados e documentos necessários ao relatório do Diretor;
cumprir e fazer cumprir as determinações do Direto!·;
exercer as demais atribuições que lhe forem determ :nadas pelo Diretor.

Art. 126 a)
b)
c)

Aos demais servidores compete:

executar os trabalhos que lhes forem distribuídos;
manter cooperação recíproca no trabalho, prestando un:;;
aos outros informações e esclarecimentos;
cumprir e fazer cumprir as ordens de serviço reç:ebida3.
CAPíTULO III
Da Tesouraria

Art. 1 47 - Os serviços da Tesouraria serão dirigidos por
um tesoureiro designado pelo Diretor para servir em comissão, devendo a escolha recair em pessoal legalmente hahilitado .
Art. 128 -

a)
b)

exercer as funções de administração econômica, arrecadando e guardando, sob sua responsabilidade, todos os
valôres em moedas ou títulos pertencentes à Escola;
organizar o arquivo de receitas e despesas e con fenl'
os recebimentos E'. pagamentos autorizados pelo orçamento aprovado cu autorizado pelo Diretor, promovendo os processos a êles referentes.

Art. 129 1 2 3 4 -

Ao tesoureiro compete:

As rendas da Escola serão provenientes:

das taxas escolares de qualquer natureza;
do produto da venda de impressos da Escola;
das subvenções dos podêres públicos;
De donativos e legados.

Art. 130 - As rendas da Escola são destinadas ao custeio
do pessoal docente e administrativo, à aquisição, melhoramen ·
to e constante reforma do material escolar, à compra de mó·204

�v eis e utensílios necessanos à aqms1çao do material para a
biblioteca, à distribuição de prêmios, e outras despesas.
Art. 131 - Mantida pela Associação da Companhia de Sar.t a úrsula, a Escola e quanto lhe pertencer, considera-se com.J
figurando no acervo patrimonial da mesma Associação.
Art. 132 - A E scola m a n terá escrita escola r e contábil, liv r os e crocumentação, independentemente da Associação ria,
ompanhia ele Sa nta ú r sula .
TITULO II
Do regime disciplinar

CAPÍTULO I
Disposições Gerais

Art. 133 - O Diretor é responsável pela fiel obser vância dos
p receitos d e boa ordem e dignidade entre os memb ros dos corpos doce nte e discente, bem como por parte do pessoal administ ra t ivo.
A r t. 134 - O r egime c!isciplinar a que estão sujeitos o pessoal docente d iscente e o a dministrativo, obed ece às seguintPS
d isposições gerais:
a)
1
2
3
4
5

-

b)

e)
cl )

e)

as p en a s disciplinares são :
ad vertên cia;
r ep r een são ;
su spensão ;
afasta m en to temporá rio;
dest it u ição;
as pen a s disciplinares dos inc isos 1 e 2 são da comp etên cia do Diretor;
as pen as de su spen são at é oito d ias, são da competên cia
do Diretor e, até trinta dias, do Conselho T écnico Administra tivo;
a p ena do a fastamento t empor ário é d a com petência d:l
Con g r egação;
a pen a de destituição é da competência da Cong r egação.

A rt. 135 - Das p en as àisciplinares aplicadas , cabe sempre
recurso à Congregação.
205

�REGIMENTO DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
TÍTULO I
Dos fins do Curso

Art. 1.0 - O Curso de Biblioteconomia da Universidade cic
Minas Gerais, criado ,p elo Instituto Nacional do Livro em 1950,
como Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais, foi inco~·porado à Universidade de Minas Gerais em 29 de abri l de 1963
por decisão do Egrégio Conselho Universitário e destina-.-;e
a ministrar o ensino da biblioteconomia e da documentação,
consoante a legislação tm vigor, propiciando, assim, condiçõ2s
adequadas à criação e ao desenvolvimento das bibliotecas e
dos centros de documentação, elementos indispensáveis a::&gt;
progresso das ciências, das letras, das a rtes e da tecnologia
no país.
Art. 2. 0 - O Curso de Biblioteconomia é anexado à Reitoria
e está, de acôrdo com o Estatuto da Universidade, integraJ..)
ao seu Departamento de Educação e Cultura.
Parágrafo único - O Curso goza de a utonomia didática,
administrativa, econômica e disciplinar.
TITULO II
Da organização do Curso

CAPITULO I
Dos órgãos administrativos

Art. 3.0 - O Curso de Biblioteconomia, na forma dêste R.::gimento, será ministrado pelos seguintes órgãos:
a) Congregação;
b) Conselho Departamental;
c) Diretoria.
CAP!TULO II
Da estrutura e competência dos órgãos administrativos

SEÇÃO I
Da Congregação

Art. 4.0 A Congregação, órgão superior da Direção do
Curso, é constituída:

206

�a)
b)
c)

pelos professôres no exercício da disciplina;
pelo chefe da Biblioteca do Curso;
pelo presidente da Diretório Acadêmico e mais um representante discente, regularmente matriculado em
curso de graduação e escolhido na forma estabelecida
no Estatuto do Diretório.

Art. 5. 0 - A Congregação se reunirá sempre que convocada
pelo Diretor ou pela metade de seus membros.
Art. 6. 0 - A Congregação funcionará e deliberará com a
presença da maioria de seus membros, ressalvados os casos
previstos em lei, no Estatuto da Universidade ou neste R egimento.
§ 1.0 Verificando-se, decorridos trinta minutos da ho~·a
fixada, a inexistêJí}cia de número para a reunião, mandará 0
Diretor do Curso lavrar têrmo da ocorrência no livro de atas
e fará, sucessivamente, tantas convocações quantas necessárias,
§ 2. 0 As sessões solenes da Congregação realizar-se-ão,
com qualquer n ú m ero de membros presentes.
Art. 7.0 - Além do voto de professor, tem o Diretor, nos
casos de empate, o de qualidade.
Art. 8.0 Os representantes do Corpo Discente deixarão
de votar as questões referentes ao processo de verificação de
aproveitamento e ao sistema de promoção.
Art. 9. 0 - O Secretário do Curso servirá como secretário na-;
sessões da Congregação e delas lavrará ata circunstanciada,
em livro ,próprio.
Art. 10 a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)

São atribuições da Congregação:

organizar a lista tríplice para provimento do cargo ,ie
Diretor;
eleger o Vice-Diretor, bem como os membros das Comissões que julgar necessárias aos trabalhos do Curso;
eleger seus delegados eleitores e os respectivos suplentes junto ao Conselho Federal de Biblioteconomia;
indicar os candidatos que devam ser nomeados ou admitidos, pelo Reitor, para cargo ou função de magistério ou de pesquisa;
praticar atos destinados ao provimento dos cargos d
magistério;
deliberar sôbre matéria financeira de sua competênci,.
aprovar convênios ou acordos financeiros com outr::i.s
entidades, repartições ou associações nacionais ou ~strangeiras, os quais deverão ser autorizados pelo Conselho Universitário, antes de assinados pelo Reitor e
pela autoridade concedente;
1
~

207

�h)

resolver, em grau de recurso, tôdas as questões administrativas, de ensino, didáticas ou disciplinares que lhe
forem submetidas;
i) elaborar e rever o Regimento do Curso;
j)
aprovar o Estatuto elo Diretório Acad'êmico e a s modificações que nêle se introduzirem;
1)
deliberar sôbre a arrecadação e aplicação das rendas
próprias do Curso;
m) aprovar a proposta orçamentária do Curso, que será
remetida à Reitoria para a proposta orçamentária da
Universidade;
n) aprovar o plano de aplicação das dotações orçamentárias que lhe forem atribuídas;
o) tomar conhecimento d'o relatório anual do. Dil·etor e julgar as contas relativas ao exercício correspondente;
p) assistir à colação de grau dos alunos que t errninare1n
o curso;
q) autoriza r o Diretor a efetuar a s despesas extraordinárias não previstas no orç;.amento anual, quando de reconhecida urgência;
r ) decidir sôbre a criação das comissões necessárias a 1) s
trabalhos do Curso e às respectivas finalidades;
s) decidir sôbre a realização de cursos;
t ) aprovar os programas das disciplinas, organizados pelos
respectivos. regentes, sob a forma de planos de ensino;
u ) solucionar os casos omissos no Regimento e as dúvidas
que porventura suegirem da sua aplicação.
Art. 11 - A convocação para as sessões, salvo casos de excepcional urgência, deverá ser feita por escrito, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas.
Parágrafo único ordem do dia.

Do convite deverá constar a matéria da

SEÇÃO II
Do Conselho Departamental

Art. 12 - O Conselho Departamental, órgão deliberativo em
matéria de ensino, didática e pesquisa, é constituído:
a)
b)
c)

pelo Diretor, seu presidente;
pelos chefes de Departamentos;
pelo presidente do Diretório Acadêmico.

~ l.º As deliberações do Conselho Departamental serão
tomadas por maioria, com a presença, no mínimo, da metade
mais um dos seus membros.

�§ 2. 0 O Conselho D~partamental reunir-se-á sempre qne
convocado pelo seu presidente, com antecedência mínima de
48 (quarenta e oito) horas.
§ 3.0 - O Diretor terá voto de qualidade .

Art. 13 1)

2)
3)
4)
5)
6)
7)
8)
9)
10)

São atribuições do Conselho Departamental:

deliberar sôbre tôda a matéria didática, de ensino e 1le
pesquisa que não fôr de exclusiva competência da Congregação;
opinar sôbre tôda matéria didática, de ensino e de pesquisa que deva ser submetida à Congregação;
propor anualmente à Congregação o número de alun:)s
que, segundo a capacidade d'o Curso, poderão ser admitidos à matrícula;
aprovar os horá rios e o calendário escolar;
fixar, de conformidade com os interêsses do ensino, o
número de alunos em cada turma;
coordenar e aprovar os programas, elaborados sob form a de planos de ensino;
organizar as com issões examinadoras para as provas de
h abilitação dos alunos;
coordenar os programas de pesquisas;
estabelecer plano de melhoria do corpo docen te e s~gerir as providências correspondentes;
designar professôres para acompanhar as eleições do
Diretório Acadêmico.
SEÇÃO III
Da Diretoria

Art. 14 - A Diretoria, exercida pelo Diretor, é o órgão ex~cutivo que coordena, fiscaliza e superintende tôdas as ativid'ades do Curso.
Art. 15 - O Diretor será n omeado pelo Reitor, dentre os
professôres efetivos em exercício, bacharéis em biblioteconomia, eleitos em lista tríplice feita por ordem de votos obtid os
pela Congregação, em escrutínio secreto, podendo ser reconduzido duas vêzes.
§ l.º - A lista tríplice será r emetida ao Reitor, pelo menos 30 (trinta ) d'ias antes de extinto o mandato do Diretor e1n
exercício, ou , no caso de morte, renúncia ou aposentadoria,
dentro dos 30 (trinta) dias subseqüentes à vaga.
§ 2. 0 Formarão a lista tríplice os nomes que obtiverem
pelo menos a metade mais um dos votos da totalidade dos
membros, realizando-se para isso tantos escrutínios quantos
forem necessários.

209

�§ 3.0

É de três anos, contados da data da posse, o mandato do Diretor.

Art. 16 1)
2)
3)
~)
5)
6)
7)
8)
9)
10)
11)
12)
13)
14)
15)
16)
17)

18)
19)
210

São atribuições do Diretor:

dirigir os serviços técnicos e administrativos do Curso,
manter a ordem em tôdas as dependências do Curso;
distribuir e remover servidores, de acôrd0 com as n .:::cessidades dos serviços, ouvindo os respectivos Depa ~·taroentos;
prestar informações ao Conselho Departamental, ou à
Congregação, sôbre quaisquer assuntos de interêsse para
a administração do Curso e para o ensino;
propor à Congregação o programa anual de atividade.,;,
bem como o orçamento do Curso;
solicitar à Congregação autorização para as despesas extraordinárias ou, nos casos urgentes, fazê-las, dando-lhe
disso conhecimento em sua primeira reunião;
apresentar ao Reitor e à Congregação, até 15 (quinz~)
de fevereiro de cada ano, o balanço da receita e das dc-spesas efetuadas no ano anterior;
expedir títulos de docentes livres;
expedir instruções, aos professôres, relativas a prazos
de entrega, à Secretaria, de notas, conceitos e anotações
de freqüência dos alunos;
designar funcionários para o exercício de funções gratificadas e dispem;á-los ou destituí-los;
propor ao Reitor o provimento do cargo vago na lotação
do Curso;
propor ao Reitor a admissão, mediante contrato, de escpecialista temporário, bem como a dispensa de se rvidores;
encaminhar à Reitoria proposta de relotação, após estudo das necessidades de pessoal do Curso;
dar exercício, conceder férias e licenças até 6 (seis)
meses aos servidores;
aplicar as penalidades regimentais;
designar, por período não superior a 60 (sessenta) dias,
os substitutos dos professôres;
apresentar, no mês de fevereiro de cada ano, à Congregação e ao Reitor, relatório das atividades do Curso
no ano anterior, nêle expondo as providências que julgar necessárias à maior eficiência da administração ':!
do ensino;
executar e fazer cumprir as deliberações da Congregação e do Conselho Departamental;
fiscalizar a execução do regime didático, especialmente
no tocante à observância de horários e programas, e as

�20)
21)
22)
23)
24)
25)
26)
27)
28)

atividades de professôres, auxiliares de ensino, pesquisadores e estudantes;
assinar com o Reitor os diplomas conferidos pelo Curso;
conferir grau;
assinar e expedir certificados de cursos de pós-graduação, aperfeiçoamento, especialização e extensão;
entender-se com tôdas as autoridades em matéria de sua
competência, deferida em lei ou regulamento;
representar o Curso em atos públicos e nas relações com
instituições científicas e com particulares;
entender-se com todos os demais órgãos da Universidade;
convocar a Congregação e o Conselho Departamental
e presidir-lhes as sessões;
representar o Curso em juízo e fora dêle;
zelar pela fiel execução dêste Regimento.

Art. 17 - Nas faltas e impedimentos do Diretor, será o cargo exercido pelo Vice-Diretor, que igualmente o exercerá em
caso de morte, renúncia ou aposentadoria, até que se proceda
ao provimento definitivo da vaga.
§ 1.º O Vice-Diretor será eleito por 3 (três) anos, pela
Congregação, dentre os professôres em exercício, por maioria
de votos, podendo ser reeleito por 2/ 3 (dois terços) dos voto;;
e reconduzido a té 2 (duas) vêzes.
§ 2. 0 O Vice-Diretor será substituído pelo membro do
Conselho Departamental mais antigo na disciplina.
Art. 18 - A eleição do Vice-Diretor se realizará dentro d"e
30 (trinta) dias anteriores à extinção do mandato do que estiv er em exercício, ou, em caso de morte, renúncia ou a-p osentadoria, dentro dos 30 (trinta) dias subseqüentes à vaga.
CAPíTULO III
Dos Departamentos

Art. 19 - O Departamento, unidade de ensino e pesquisa, é
formado, segundo a estrutura geral ão Curso, pelo agrupamento de disciplinas integrantes .
Parágrafo único - São os seguintes os Departamentos de
que se compõe o Curso de Biblioteconomia, com as respectivas
disciplinas:
a)
b)

História do Livro e das Bibliotecas;
Paleografia;
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais;
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico;
História da Literatura;
211

�História da Arte;
Bibliografia Especializada I - TI;
. e) Bibliografia Geral e R eferência;
Documentação I - II;
d) Catalogação I - II;
Classificação I - II;
Catalogação e Classificação de Materiais Especiais;
Organização e Administração de Bibliotecas I - II;
Administração Geral
Prática Bibliotecária I - II - III;
Relações Humanas.
Art. 20 - Cada Departamento será chefiado por um professor, eleito pelos seus membros.
Art. 21 - Os Departamentos exercerão atividades didáticas,
culturais e de pesquisa, de acôrdo com as normas- constantes
&lt;lêste R egimento.
Art. 22 a)

b)
c)
d)
e)
f)

Compete a cada Departamento:

promover a articulação das disdplinas nêle agrupadas,
inclusive pelo e:x;ame coordenado dos programas do ensino, e assegurar o aproveitamento eficaz do pessoal, do
material e das instalações, a fim de favorecer e estimular as atividades didáticas e científicas;
promover entendimentos, quando houver necessidade,
para a coordenação de programas com disciplinas rle
outros departamentos;
planejar e orientar o aprimoramento do corpo docente
e a realização de trabalhos de pesquisa;
propor ao Oonselho Departamental \providências que
convenham para a realização dos fins do Curso;
zelar pela execução dos programas das disciplinas que
constituem o Departamento;
executar e fazer cumprir as determinações do Conselha
Departamental e àos demais órgãos da administração
do Curso.

Art. 23 - Ao Chefe do Departamento cabe promover as reuniões necessárias para cumprimento das atribuições enumeradas no artigo anterior.
TíTULO III
Dos Cursos

Art. 24 - O Curso de Biblioteconomia manterá o curso de
grad'uação, com a duração de 3 (três) anos, destinados à formação de bibliotecários-documentalistas.
212

�Parágrafo único - Ao aluno que obtiver aprovação fina\
no curso de graduação, será conferido o diploma profissional.
Art. 25 - O curso de graduação, de acôrdo com o currículo
mmirno aprovado pelo Conselho Federal de Educação, compreenderá as seguintes matérias:
História do Livro e das Bibliotecas
História da Literatura
História da Arte
Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
E volu ção do Pensamento Filosófico e Científico
Organização e Administração de Bibliotecas
Catalogação e Classificação
Bibliografia e Referência
Documentação
Paleografia
Art. 26 - De acôrdo com o currículo mínimo mencionado
no artigo anterior, o curso de graduação se desdobrará nas seguintes disciplinas:
1 -

HISTóRIA DO LIVRO E DAS BIBLIOTECAS
História do Livro e das Bibliotecas
HISTóRIA DA LITERATURA
2. 1 - História da Literatura
HISTóRIA DA ARTE
3. 1 - História da Arte
INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTóRICOS E
SOCIAIS
4 .1 - Introdução aos Estudos Históricos e Sociais
EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSóFICO E
CIENT!FICO
5. 1 - Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE
BIBLIOTECAS
6 . 1 - Organização e Administração de Biblioteca - T
6. 2 - Organização e Administração de Biblioteca - II
6 . 3 - Administração Geral
6.4 - Relações Hu.manas
6. 5 - Prática Bibliotecária - I
6. 6 - Prática Bibliotecária - II
6. 7 - Prática Bibliotecária - III
CATALOGAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
7. 1 - Catalogação I
7. 2 - Catalogação - II
7 . 3 - Classificação I
7 . 4 - Classificação - n
1. 1 -

2 3 4 -

5 6 -

7 -

213

�7. 5 -

8 9 -

10 -

Catalogação e Classificação de Materiais
Especiais
DOCUMENTAÇÃO
8. 1 - Documentação I
8.2 - Documentação - II
BIBLIOGRAFIA E REFERf:NCIA
9. 1 - Bibliografia Geral e Referência
9. 2 - Bibliografia Especializada I
9. 3 - Bibliografia Especializada - II
PALEOGRAFIA
10 . 1 - Paleografia.

Art. 27 - O ensino das disciplinas do curso de graduação
obedecerá à seguinte seriação:
1.ª série:

Bibliografia Geral e Referência
Catalogação - I
Classificação - I
Organização e Administração de Bibliotecas História da Literatura
Paleografia
Prática Bibliotecária - I

I

2.ª série:

Bibliografia Especializada - I
Catalogação - II
Classificação - II
Documentacão - I
História da Arte
História do Livro e das Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas Prática Bibliotecária - II

II

3.ª série:

Administração Geral
Bibliografia Especializada - II
Catalogação e Classificação de Materiais Especiais
Documentação ..:_ II
Evolução do Pensamento Filosófico e Científico
Introdüção aos Estudos Históricos e Sociais
Prática Bibliotecária - III
Relações Humanas.
Art. 28 - Poderão ser ministrados os cursos de pós-graduação, de aperfeiçoamento, de especialização e livres.
§ 1.0 O curso de pós-graduação é facultado a candidatos
que tenham concluído curso de graduação e obtido o respectivo diploma.

�§ 2. 0 - Os cursos de aperfeiçoamento visam ampliar conhecimentos de qualquer disciplina ou de determinados domínios
dela .
§ 3. 0 Os cursos de especialização destinam-se a aprofundar os conhecimentos necessários a finalidades profissionais.
§ 4. 0 - Os cursos livres versarão sôbre assuntos do interêsse geral ou relacionados com disciplinas ensinadas n o Curso,
constituindo oportunidade para o aproveitamento da atividade
didática de profissionais especializados no ramo da biblioteconomia.

T!TULO IV
Da organização didática

CAP!TULO I
Dos períodos escolares

Art. 29 - O ano escolar será dividido em 2 (dois) períodos.
sendo o primeiro de 1.0 de março a 20 de junho e o segundo,
de 1.0 de agôsto a 30 de novembro.
Art. 30 - O calendário escolar deverá abranger, no mínimo,
180 (cento e oitenta) dias de trabalho escolar efetivo, no-;
qua is não se incluirá o tempo destinado a provas e exames.
Art. 31 - As provas finais serão realizadas no mês de dezembro, no período de 1.0 a 15.
Art. 32 - As ,provas do concurso de habiUtação à matrrcula no Curso d e Biblioteconomia e os exames de segunda
época serão realizados na segunda quinzena de fevereiro .
Art. 33 - Serão de férias escolares os meses de janeiro e
julho.
CAP!TULO II
Das aulas e da freqüência

Art. 34 - Antes do início do primeiro período letivo, o Diretor encaminhará à apreciação e aprovação do Conselho Departamental o calendário e o horário das a ulas.
§ l.º - Serão relacionados no calendário escolar todos os
dias letivos e aquêles em que não haverá aulas.
§ 2.º - Na elaboração do horário de aulas, adotar-se-á o limite máximo de 24 (vinte e quatro) horas semanais.
Art. 25 - A freqüência de 75 % (setenta e cinco) por cento
das aulas dadas em cada disciplina será obrigatória.
. 215

�§ 1.0 - Haverá em cada disciplin a registros · espéciais destinados à anotação, pelo professor, da matéria lecionada e da
freqüência dos alunos .
§ 2.0 - A apuração da freqüência será feita p ela Secretaria,
no fim de cada mês e levada, mediante afixação no quad ro ele
avisos, ao conhecimento dos alunos.

CAPtTULO III
Da matrícula inicial

Art. 36 - O ingresso n a 1.0 série do curso de gr adu ação é
facultado a candidatos que ha jam concluído o ciclo colegial
ou equivalente e obtido classificação em concurso de ha bilitação .
Art. 37 - O requerimento de inscrição dos candidatos ao
concurso de habilitação será instruído com os segu intes dccumentos:
a)

prova de conclusão do curso secundário com pleto nos
têrmos da legislação vigente;
b) ca rteira de identidade;
c) atestado de bons antecedentes, passado por autoridade
policial;
d) atestad o de sa nidade física e m ental;
e) certidão de registro civil de n ascimento;
f) prova de estar em dia com as obrigações do serv iço m ilitar;
g➔
título de eleitor;
h) 2 fotografias 3 x 4;
i) recibo do pagamento das taxas dev idas.
§ l.º - Os documentos a que se referem os itens b, f e g
serão devolvidos ao candidato.
§2.º - A inscrição pa ra o concurso de habilitação, conforme edital a ser publicado na Imprensa Oficial e em outro jorn&lt;1l
de grande circulação, far-se-á no período de 2 a 20 de janeiro,
realizando-se as provas na seg unda quinzena de fevereiro.
Art. 38 - O concurso de h abilitação constará de provas escritas das seguintes disciplinas:
a) Português;
b) Inglês;
c) Outra língua (francês, italiano ou alemão);
d) História Geral;
e) História do Brasil (Civilização Brasileira) .
Art. 39 - Serão classificados os candidatos que obtive rem
nota igual ou superior a 4 (quatro) em cada uma das disciplinas mencionadas no artigo 38.
216

/

�Parágrafo único - Poderão ser aproveitados, a critério do
Conselho Departamental, os candidatos que obtiverem notas
diierentes de O (zero) e conjunto igual ou superior a 4 (quatro)
até o limite das vagas previstas.
Art. 40 - O candidato classificado no concurso requererá
ii.ua matrícula até 5 (cinco) dias após a publicação dos resultados, juntando a prova de pagamento da taxa de matrícula.
Art. 41 - Na primeira série do curso de graduação, poderão ser matriculados, com parecer favorável do Conselho Departamental e desde que haja vagas após a matrícula dos candidatos classificados no concurso de habilitação, outros candidatos diplomados em curso a que juntará os seguintes documentos;
a)
b)
c)
d)

prova de estar em dia com as obrigações militares;
prova de estar em dia com as obrigações eleitorais;
1 fotografia 3 x 4;
prova de pagamento da taxa de matrícula.

Parágrafo único - O é-lluno, por qualquer motivo reprovado
pela segunda vez em qualquer série do curso d'e graduação,
ficará impedido de, em qualquer tempo, rematricular-se no
Curso, sendo automática, nesse caso, sua exclusão.
Art. 43 - As transferências de alunos, de estabelecimentos
congêneres, serão expedidas e recebidas, na forma da legislação em vigor levando-se em conta a existência de vagas.
Art. 44 - Mediante requerimento motivado e com parecu
favorável do Conselho Departamental, poderá ser concedido
r,.Tancamento de matricula.
CAPíTULO V
Dos processos de ensino

Art. 45 - O ensino das disciplinas do curso de graduação
será ministrado por meio de aulas teóricas, aulas práticas, seminários, excursões, visitas e estágios, segundo as normas pedagógica e as instruções gerais emanadas dos órgãos competentes do Curso.
Parágrafo único - As excursões e visitas serão realizadas,
de preferência, durante as férias escolares.
Art. 46 - Os professôres gozarão de plena liberdade no de.empenho de suas funções docentes quanto à exposição, análiie e crítica das teorias técnicas e científicas da respectiva
matéria.

�CAP1TULO VI
Dos trabalhos escolares

A1·t. 47 - Nas diversas disciplinas do Curso, serão exigidas,
em cada período do ano letivo, duas notas.
Art. 48 - Ficará a critério do professor a natureza dos
trabalhos, que serão realizados pelos alunos no horário normal
das aulas ou fora dêle, conforme determinação do professor.
§ 1.0 O professor fará a correção e o julgamento dos trabalhos e encaminhará o resultado à Secretaria do Curso, depois
de concedidas as revisões solicitadas .
§ 2.0 Não se concederá, em hipótese alguma, revisão de
notas, depois de remetidas à Secretaria do Curso .

CAP1TULO VII
Da verificação do aproveitamento

Art. 49 - A verificação do aproveitamento do aluno em
cada disciplina será feita através do julgamento dos trabalhos
previstos no artigo 47.
Art. 50 - Não haverá exames, nem de primeira, nem d~
segunda época, nas disciplinas Prática Bibliotecária I, II, III.
Art. 51 - Para ,p restação da prova fii:ial em primeira época
nas demais disciplinas, serão exigidos os seguintes requisitos.:

a)
b)

ter sido o aluno considerado freqüente, nos têrmos do
artigo 35;
,
ter o aluno obtido média 5 (cinco), somando-se para
isto as 4 (quatro) notas anuais .

Parágrafo único - Os requisitos dos itens a e b, quando não
satisfeitos, acarretam reprovação nas disciplinas, ficando o aluno impedido de prestar exames, quer de primeira, quer de segunda- época .
Art. 52 - A prova final será realizada no período de 1.0 a
15 de dezembro, podendo abranger tôda a matéria lecionada .
Art. 53 - Será considerado aprovado em cada disciplina o
aluno que obtiver média igual ou superior a 5 (cinco), somando-se, para êste fim, a média das 4 quatro) notas anuais e a
nota da prova final.
Art. 54 - O aluno que não comparecer às provas finais
terá direito à segunda chamada até 2 (duas) disciplinas, provando que houve motivo justo .
§ l.º - - Para êste fim, deverá requerer nova chamada ao
'Diretor, dentro das 48 (quarenta e oito) horas que se s~~i~e-~
218

�à primeira chamada à qual não compareceu, juntando a prova.

d'o fato alegado .
§ 2. 0 - Em caso de doença, deverá apresentar atestado fornecido por médico credenciado junto ao Curso.
Art. 55 época:
a)
b)
c)

Poderão ser admitidos em provas de segunda

os alunos que obtiverem m édia inferior a 5 (cinco) n :i~
notas anuais;
os a lunos infreqüentes (menos de 75 % e mais de 50 % );
os alunos reprovados em primeira época.

Art 56 - As provas de segunda época serão realizadas na
segunda quinzena de fevereiro e a inscrição será feita de 1.0 a
10 de fevereiro, mediante r equerimento dirigido ao Diretor e
pagamento da t axa dev ida.
§ 1.0 - A prova d e segunda época será escrita e abrangerá
tôd a a matér ia lecionada .
§ 2. 0 Ser á considerado aprovado na prova de segunda
época o aluno que obtiver nota igual ou superior a 5 (cinco).
§ 3. 0 Não haverá segunda chamada para a prova de se gunda época .
CAPITULO VIII
Dos diplomas, títulos e graus

Art. 57 - O diploma profissional, destinado a habilitar 0-5
concluintes d e curso de graduação ao exer cicio legal da profissão, conterá as assinatu ras do Reitor da U n iversidade, do
Diretor e do Secretário do Curso e do graduado.
Art. 58 - O a to da colação de grau dos d iplomandos será
cole tivo e realizado em sessão solene e pública da Congregação, con vocada pelo Diretor do Curso .
Par ágrafo único - Mediante petição justificada, poderá ser,
em dia e h ora fi xados pelo Diretor, com a presença de, pelo
menos, três professôr es, conferido o grau ao diplomando qu1::
não tenha podido recebê-lo na solenidade própria .
Art. 59 - Os diplomandos, no ato d a colação de gr au , p re~tarão, na con formidade ela tradição do Curso, o compromisso
d'e fidelidade aos deveres profissionais.
Art. 60 - O g rau será conferido p elo Diretor do Curso a
cada diplomando, individualmente e na ordem de chamada ,
feit a pelo Secretário, m ediante colocação do anel simbólico n o
dedo indicador do gradu ando.
Art. 61 - Da solenidade ser á lavrado têrmo, que conterá
as assinaturas do Diretor do Curso, do Secretário e dos graduandos.
/

219

�Art. 62 - O certificado de aproveitamento, destinado aqs
que forem aprovados em curso de pós-graduação e impresso
segundo modêlo uniforme, conterá as assinaturas do Diret.o :·
da Universidade, do Diretor e do Secretário do Curso e do
concluinte.
Parágrafo único - Na solenidade de formatura dos concluintes dos cursos de pós-graduação, realizada sob a presidência do Diretor do Curso, os certificados de aproveitament0
serão entregues individualmente e sob chamada nominal .
Art. 63 - Aos concluintes de cursos de especialização, de
aperfeiçoamento, livres ou de e&gt;..-tensão, serão exped'idos certificados, dos quais constará indicação da natureza e da duração do curso realizado .

TITULO V
Do Pessoal

CAPITULO I
Das categorias do pessoal e dos quadros

Art. 64 - O pessoal a serviço do Curso será docente, técnico, administrativo ou auxiliar e se d istribuirá pelos quad'ros
federal e autárquico .
§ 1.0 Integram o quadro federal os cargos pertencentes
ao Quadro Permanente do Ministério da Educação e Cultura,
Instituto Nacional do Livro, lõtados no Curso.
§ 2. 0 O quadro autárquico é constituido pelos cargos integrantes do Quadro do Pessoal da U.M.G., aprovados por di::creto, providos -por ato do Reitor da U niversidade, na forma
do respectivo Estatuto e lotados no Curso.
Art. 65 - Além dos ocupantes de cargos, poderá haver espé cialistas temporários, admitidos pelo Reitor da Universidade,
por proposta do Diretor do Curso .
CAPITULO II
Do Corpo Docente

SEÇÃO I
Da constituição do Corpo Docente

Art. 66 a)

220

O corpo docente do Curso é formado por:

professôres de cursos isolados;

�b)

especialistas tempo:r:ários contratados para função de
magistério e pesquisa.

Art. 67 - Os concursos para professôres serão realizados
de acôrdo com o Estatuto da Universidade.
CAP1TULO III
Do Pessoal Técnico, Administrativo e Auxiliar

Art. 68 - Os cargos técnicos, administrativos e auxiliares
do Curso serão .providos nos têrmos do Regulamento aprovado
pelo Conselho Universitário, obedecidos o sistema de Classificação de cargos e a legislação federal, aplicáveis a cada caso.
Art. 69 - Os serviços administrativos e técnicos do Cur.so
serão executados pela Secretaria e pela Biblioteca, subordinados diretamente ao Diretor.
P arágrafo único - Cabe ao Diretor distribuir -0 pessoa1
administrativo, segundo as atribuições dos respectivos cargos,
pelos vários serviços, assim como determinar remoções, rle
acôrdo com a conveniência e o interêsse do Curso .
Art. 70 técnicos:
a)
b)
c)

d)
e)
f)

São deveres gerais do pessoal administrativo e

cumprir suas funções com assiduidade e pontualidade;
observar fielmente as normas legais e regimentais e a:;
ordens e instruções emanadas dos superiores hierárquicos;
levar ao conhecimento de seu superior imediatamente
as irregularidades ocorridas na dependência sob sua responsabilidade ou nos serviços a seu cargo;
zelar pela conservação e pelo bom uso dos bens móveis
e imóveis do Curso;
manter o espírito de lealdade e cooperação para com os
companheiros de trabalho;
m anter em dia o inventário do material confiado à sué-1
guarda.

Parágrafo único - A assiduidade e a pontualidade do pessoal administrativo e técnico serão verificadas, inclusive para
efeito do pagamento, m ediante registro diário de ponto, peh
forma e com as exceções estabelecidas em instruções do Dirt;tor do Curso.

221

�T1TULO VI
Dos Serviços

CAPITULO I
Dos serviços administrativos

Art. 71 - A execução dos serviços administrativos do Curso
compete à Secretaria, diretamente subordinada à Diretoria .
Art. 72 -

a)
b)
c)
d)
e)

A secretaria abrange os seguintes serviços:

Zeladoria;
E Ãpediente e Comunicações;
Arquivo;
Ensino;
Contadoria.

A estrutura e o fun cionamento da Secreta ria e dos
serviços nela integrados serão regulados por instruções baixadas pela Diretoria.
§ 2.0 - O Secretário, desig nado pelo Diretor do Curso, é r e;;ponsável pela direção d::i. Secretaria e pela coordenação dos
serviços nela integrantes, competindo-lhe:

§ 1.0

a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)
h)
i)

222

ex.pedir as convocações para as reuniões dos órgãos
administrativos do Curso;
comparecer às reuniões da Congregação, prestar as informações que lhe forem solicitadas e lavrar as at as das
sessões;
encarregar-se da 1·edação da correspondência que não
fôr exclusiva competência do Diretor e expedir a co rrespondência dêste;
receber, abrir, protocola r e distribuir todos os papéis
entrados no Curso;
informar, por escrito, todos os processos que tiverem d e
ir a despacho do Diretor ou à deliberação do Conselho
Departamental ou Congregação;
assinar, com o Diretor e o Reitor, os diplomas ex pedidos
pelo Curso;
abrir e encerrar, assinando-os com o Diretor, os têrmos
referentes a matrículas, concursos, exames, colação de
grau e outros;
redigir, assinar e mandar afixar ou publicar editais e
avisos, depois de visados pelo Diretor;
expedir e assinar com o Diretor os títulos, certidões e
certificados escolares;

�j)
1)

m)
n)
o)

p)
q)
r)
s)

reunir os dados e documentos necessários à elaboração
do relatório anual do Diretor;
organizar e manter em dia os assentamentos do Corpo
Docente, do Corpo Discente e do Pessoal Administrativo em livros ou fichas próprias;
organizar os atestados de freqüência do Corpo Docente
e do pessoal administrativo e técnico, para a organização das respectivas fôlhas de pagamento;
prestar ao Reitor as informações que por êle foreni. so,:
licitadas e as relativas ao pagamento de despe.sas;
colecionar notícias, avisos e ordens do Govêrno e da.;:;
a utoridades superiores de ensino, do interêsse do Curso
e as minutas dos editais, das portarias do Diretor, bem
como cópias da correspondência expedida;
zelar pelo rápido andamento dos papéis e processos em
curso;
ter sob sua guarda os livros e documentos da Secreta1.;iã ;
cumprir e fazer cumprir as ordens e instruções expedtdas pelo Diretor;
exercer as demais atribuições que lhe forem determinadas pelo Diretor.

Art. 73 - O Secretário será substituído, nas suas ausênci3!"-:
ou impedim entos, por substituto des ignado pelo Diretor .
Art. 74 - A Secretaria funcionará em todos os
de acôrào com o calendário estabelecido e dentro
rios organizados pela Diretoria, os quais poderão,
ocorra necessidade do serviço, ser prorrogados ou

dias úteis ,
dos horádesde que
alterados ,

CAP1TULO II
Dos serviços técnicos

Art. 75 - A execução elos serviços técnicos do Curso. compete à Biblioteca, dirigida por um bacharel em biblioteconomia.
Art. 76 - A Biblioteca deverá ser organizada segundo os
princípios mais modernos da biblioteconomia, servindo come•
biblioteca-laboratório do Curso para a realização de estágios
e trabalhos práticos.
Art. 77 - Quanto ao funcionamento de seus serviços internos, a Biblioteca reger-se-á por um regulamento baixado pelCJ
Diretor, ouvido o Conselho Departamental.
Art. 78 - A Biblioteca, como os serviços administrativos,
deverá funcionar diàriamente.
223

�T1TULO VII
Do Corpo Discente

CAPtTULO I
Da constituição, direitos e deveres do Corpo Discente

Art, 79 - Constituem o Corpo Discente do Curso os alunoo
matriculados em seus cursos regulares.
Art. 80 - São direitos fundamentais dos membros do Corpo Discente:
a) apelar das decisões de autoridades universitárias para
o órgão de hierarquia superior, encaminhando o respectivo recurso por intermédio da Diretoria do Curso;
b) constituir associações, nos têrmos do E statu to da U.M.G.

Art. 81 - São deveres fundamentais dos m embros do Corpo
Discente:
a) obedecer aos dispositivos dêste Regimento;
b) abster-se de atos que perturbem a ordem, ofendam os
bons costumes ou importem em desacato às leis, às au-toridades ou aos p1·ofessôres;
e) contribuir, no que lhe couber, para o prestígio do Curso.
Art. 82 - O Código de ética do estudante prescreverá os
compromissos de estrita probidade na execução dos trabalhos
escolares, de zêlo .para com o patrimônio m oral e m aterial do
Curso e de subordinação dos interêsses individuais aos da
coletividade .
CAPtTULO II
Do Diretório Acadêmico

Art. 83 - Os membros do Corpo Discente deverão eleger
um Diretório Acadêmico, que será reconhecido pela Congregação .coÍno órgão de legítima representação, para todos oc:;
efeitos, dos alunos r egularmente matriculados .
§ 1.0 Caberá especialmente ao Diretório a defesa dos órgãos do Corpo Discente e de cada estudante, em particular,
perante os órgãos de direção do Curso.
§ 2-º. - A organização do Diretório será determ inada em
seu Estatuto, do qual fará parte integrante o Código de É tica
do estudante .
§ 3.0 - A instalação e as decisões das Assembléias de estud~ntes só serão válidas quando realizadas, no mínimo, com a
presença de 2/3 (dois terços) de seus membros.

�Art. 84 - Na elaboração anual do Orçamento do Curso será
reservada subvenção para o Diretório Acadêmico.
Parágrafo único - O Diretório apresentará à Diretoria do
Curso, ao têrmo de cada exercício, o respectivo balanço, que
comprovará a aplicação da subvenção recebida, bem como a
de quaisquer outros recursos financeiros de outras origens, e
da quota equivalente com que concorreu, sendo vedada a distribuição de nova subve~ão antes de aprovada a prestação de
contas da anterior.
CAPITULO Ili
Do Regime Disciplinar

SEÇÃO I
Das penalidades aplicáveis ao Corpo Discente

Art. 85 - Os membros do Corpo Discente estão sujeitos às
seguintes penalidades:
a)
b)
c)
d)

advertência;
repreensão;
suspensão;
exclusão.

A rt. 86 - São competentes para aplicar penas ao Corpa
Discente:
a ) de advertência, os professôres;
b) de r epreensão e suspensão até 8 (oito) dias, o Diretor;
e) de suspensão acima de 8 (oito) dias, a Congregação;
d) de exclusã~, o Conselho Universitário.
Art. 87 - Os recursos. sem efeito suspensivo, serão interpostos ,pelo interessado, em petição fundamentada , no prazo
d e 10 (dez) dias, por intermédio do Diretor, que a encaminhe.rã, devidamente instruída, à autoridade superior, no prazo de
5 (cinco) dias.
SEÇÃO II
Das penalidades aplicáveis ao Pessoal Docente

Art. 88 - Os membros do Corpo Docente incorrerão nas
pe nas d'e advertência e suspensão:
a)

quando não apresentarem, no prazo devido, os program as das disciplinas que regem, os originais dos trabalhos escolares;
225

�b)
c)

quando faltarem às provas finais sem motivo justo;
quando faltarem ao respeito devido ao Diretor e às demais autoridades do Curso.

Art. 89 - O professor que deixar de comparecer, sem justificação, a 25 % (vinte e cinco por cento) das aulas ou exercícios previstos ou que, durante o ano letivo, não ministrar pe!n
menos 3/ 4 (três quartos) do programa da respectiva disciplina, poderá ser afastado, a juízo da Congregação .
§ 1. 0 - O afastamento deverá ser promovido pelo Diretor,
por iniciativa própria, ou por solicitação de pessoas interessadas .
§ 2. 0 - A reincidência do professor na falta prevista nest~
artigo importará, para os fins legais, em abandono do cargo .
Art. 90 -

a)
b)

A aplicação das penas do Corpo Docente cabe:

ao .Diretor do Curso, pela advertência, repreensão e su spensão até 15 (quinze) dias;
à Congregação, por suspensão acima de 15 (quinze) dias
e destituição de função, bem como a de demissão, que·
deverá ser proposta ao Conselho Universitário.

Parágrafo único - A aplicação das penas de suspensão, de~tituição ue função e demissão depende de instauração de processo administrativo..
SEÇÃO III
Das penalidades aplicáveis ao Diretor

Art. 91 a)

b)
c)

d)

O Diretor perderá a função nos seguintes casos:

quando não apresentar à Congregação contas documentadas ou não obtiver sua aprovação, por motivo do emprêgo ilícito dos recursos financeiros do Curso;
quando se utilizar, em proveito próprio ou de terceiros,
dêsses recursos ou bens do Curso;
quando se ausentar, sem transmissão do cargo ao subs •
tituto legal, por mais de 10 (dez) dias;
quando exorbitar de suas atribuições ou deixar de cum-prir êste Regimento .

Parágrafo único - A penalidade previs~a. nest~ ar~igo só
poderá se efetivar mediante processo admm1strativo mstaurado por ordem da Congregação e em sessão à qua l compare·
cerem pelo menos 2/3 (,fois terços) de seus membros .
226

�SEÇÃO IV
Das penalidades aplicávt!is ao pessoal ad1ninistrativo e técnico

Art. 92 - Ao pessoal administrativo, técnico e auxiliar do
Curso, aplicar-se-á o regime disciplinar prescrito no Estatuto
dos Funcionários Públicos Civis da União.
Parágrafo único - São competentes para a aplicação dac;
penalidades:
a)
b)
c)

o superior imediato, para a advertência;
o Diretor do Curso, para a repreensão, suspensão e n
destituição de função ;
a Congregação, para propor à autoridade competente a
demissão .
TITULO VII
Da Ordem Econômico-Financeira

Art. 93 - Constituem patrimônio do Curso os bens móveis
e imóveis por êle adquiridos com recursos federais, bens, títulos e direitos que adquiríu ou que lhe forem doados e ainda
saldos financeiros em contas bancárias ou de movimentos elefundos .
Art. 9-1 - Os bens pertencentes ao Curso, assim como quaisquer rendas, saldos financeiros, só poderão ser empregados na
realização de seus objetivos, no plano do seu desenvolvimento
e no incentivo a pesquisas e difusão da cultura, ouvido o Conselho Universitário.
Parágrafo único - Com o intuito de obter rendas aplicáveis à realização dos objetivos previstos, poderá haver investimentos tendentes a valorizar o patrimônio.
Art. 95 - O Curso terá o registro ou a escrituração regular do patrimônio, de suas alterações e operações econômicas
e financeiras, fazendo-se a distinção, em escritas separadas ,
entre o movimento de recursos federais e os de livre administração.
CAPITULO II
Dos recursos financeiros

Art. 96 nientes d'e:
a)

Os recursos financeiros do Curso serão prove-

dotações que, a qualquer titulo, lhe forem a tribuídasnos orçamentos da União, do Estado e elo Município;
227

�b)

c)
d)
e)

doações e contribuições concedidas por autarquias ou
quaisqaer outras pessoas jurídicas e físicas;
rendas de aplicação de bens e valôres patrimoniais;
taxas e emolumentos regimentais;
rendas eventuais.
CAPtTULO III
Do Regimento Financeil"o

Art. 97 o ano civil.

O exercício financeiro do Curso coincidirá com

Art. 98 - O Curso remeterá anualmente· à Reitoria, no prazo que fôr estabelecido, a estimativa de suas despesas no ano
seguinte, para estudo e organização da proppsta orçamentária
da Universidade.
Art. 99 - As taxas e emolumentos devidos pelos atos relativos ao Curso serão, anualmente, fixados pela Congregação.
por proposta do Conselho Departamental.

T!TULO VIII
Disposições Gerais

Art. 100 - A Juízo da Congregação, o Diretor poderá ser
dispensado das atividades didáticas, sem prejuízo dos vencimentos e vantagens .

Art. 101 - Em casos especiais, a requerimento do interesgado e deliberação da Ccngregação, poderá ser concedida ao
professor dispensa temporária, até um ano, das obrigações do
magistério, a fim de que se devote a pesquisas em assuntos de
sua especialização, no País ou no estrangeiro .
Art. 102 - O Curso de Biblioteconomia se esforçará sempre por manter-se em estreito intercâmbio cultural com entidades congêneres, nacionais e estrangeiras e, por ig ual, com
outras instituições de cuja aproximação possa advir-lhe qualquer proveito, mormente de ordem cultural e educacional, t~ ..
nica ou científica .
TtTULO IX
Disposições Transitórias

Art. 103 - Os atuais professôres do Curso formarão a Congregação, até que se regularize sua situação, sendo mantidos
228

�se us direitos funcionais, adquiridos por fôrça do enquadrd mento federal .
A rt. 104 - Até que o volume de trabalho exija o desdobram ento em seções, as atribuições da Secretaria do Curso, mencion adas no artigo 72 e seguintes, serão exercidas pelo Secretário e seus auxiliares .
Art. 105 - O presente Regimento só poderá ser modificado
m ediante proposta do Diretor ou de 1/ 3 (um têrço), pelo menos, dos membros da Congregação.
A rt. 106 - A primeira lista triplice para nomeação do Dir etor será enviada ao Reitor, tão logo seja êste Regimento
a provado pelo Conselho Universitário.
A rt. 107 - Os certificados expedidos pelo Curso de Biblio ·
teconomia de Belo Horizonte, bem como os diplomas da antiga
Escola d e Biblioteconomia de Minas Gerais, serão substituídos
pelos da U niversidade de Minas Gerais para posterior regjs tro no Departamento d e~ Educa ção e Cultura da Reitoria.
A rt. 108 - Os casos omissos no presente R egimento serão
solucion ados por decisão da Congregação .
Art. 109 - Revogadas as disposições em contrário, êste
Regi m ento entrará em V!gor na data de sua publicação .

229

�UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN A
CONSELHO

UNIVERSITARIO

RESOLUÇÃO N. 0 1/ ti l , DE 18 DE F E VEREIRO DE 1961
Aprova o Regimento Interno do
Curso de Bibliote conomia e D•&gt;·
cumentação.

O Conselho Universitário da Universidade do Para n á, u sand o de atribuições qu e lhe con fer e o a rtigo 17, le tra c, do E statuto da U n iversidade, a provado pelo Decreto n.º 39. 824, de
2 1 de agôsto de 1956, resolve:
Artigo ú n ico Fica aprovado o R eg imento In terno do
C u rso de Bihlioteconom ia e Docu mentacão da U n ive rs idac!J
do P aran á.
•
Cu ritiba, 18 de fever e irn ele 196 ]
Flávio Su1&gt;licy de Lacerda
Presiden te do Conselho U n iversitário
REGIMENTO INTERNO DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇAO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

T ITULO I
Do Curso de Biblioteconomia e Documentação e seu s fin s

Art. l.º - O Curso de Biblioteconomia e Doc ume ntação da
Univers idade do P a r a ná instituído p elo Conselho Universitá rio em sessão de 29 de novembro de 1958 é r egido por êste
Regimento Interno .
Art. 2.0 Cons t ituem finalidad es do Cu rso de Bibliotecon omia e Documentação:
a)
b)

230

for mar p essoa l h a bilitado para ex ecu tar serviços técnicos, organizar, ad ministra r e dir igir bibliotecas ou institutos de documentação;
promover o a per fe içoamento ou a especialização de b:bli@tecári0s documentaristas, em exercício nas bi bliotecas oficiais ou pôrticula res ou institutos d e documentação;

�e)
d)

promover a unidade de orientação das técnicas funda mentais dos serviços biblioteconômicos favorecendo a
homogeneidade básica dêsses serviços;
difundir conhecimentos dos progressos realizados, no
pais e no estrangeiro, no campo da Biblioteconomia e
da Documentação.
TITULO II
Da Constituição

CAP1TULO I
Dos Cursos

Art. 3. 0 - O ensino da Biblioteconomia e da Documentação processar-se-á nos seguintes Cursos em nível superior:
I II -

Curso de graduação;
Cursos de extensão universitária .

::- 1. 0 O Curso de graduação destinar-se-á a formação cl~
profiss ionais .
~ 2. 0 Os Cursos de extensão universitária destinar-se-á.,
a difundir e a mpliar os conhecimentos do curso fundamental.

CAPITULO II
Do Curso de Graduação

Art. 4.0 - O Curso de Graduação compreenderá um cur::;0
fundamental com duração de três anos e constará das seguintes disciplinas:
I
II
III
IV
V
VI

-

VII VIII IX -

Classificação, com disciplinas 1 e 2;
Catalogação, com disciplinas 1 e 2;
Bibliografia e Referência, com disciplinas 1 e 2;
História d.o Livro;
Documentação;
Organização e Administração de Bibliotecas, coro
disciplinas 1 e 2;
Introdução à Cultura Literária e Artística;
Introdução à Cultura Filosófica e CientHica;
Disciplina de semestre:
1) Bibliotecas especializadas e universitárias;
2) Bibliotecas escolares e infantis.
231

�§ 1.0 A matéria de cada disciplina poderá ser distribuíd3
em séries para efeito didático.
§ 2.º - A Disciplina de semestre ficará sob a orientação do
Coor~enador e terá caráte1· essencialmente prático sendo obrigatória aos alunos a apresentação de um trabalho prático no
fim de cada semestre.

CAP!TULO III
Seriação das disd~Iinas do Curso de Graduação

P1·imeira Séi-ie
1 2 3 4

5 -

Classificação (l J
Catalogação (1)
Bibliografia e Referência (1)
Organização e A dministração de Bibliotecas (1)
Introdução à Cultura Literária e Artística
Segunda Série

1 2 3 -

4 5
6 -

Classificação (2)
Catalogação (2)
Bibliografia e Referência (2)
Organização e _t\.dministração de Bibliotecas (2)
História do Livro
Introdução à Cultura Filosófica e Científica
Terceira Série

1
2
3

4

Classificação e Catalogação de material especializado
Documentação
Relações Públicas e publicidade
Disciplina de semesti·e:
l.º semestre: Bibliotecas especializadas e universitária:::
2. 0 semestre: Bibliot ecas escolares e infantis.
CAPITULO IV
Dos Cursos de Extensão Universitária

Art. 5.º - A realização de Cursos de Extensão obedecerá
às normas traçadas pela Reitoria da Universidade do Paran.1
na forma das atribuições que lhe são conferidas pelos ~rtigos
29 e 34 cio Estatuto da Universidade.
232

�TíTULO III
Da Organização Administrativa

CAP1TULO I
Da Administração

Art. 6. 0 A Administração do Curso será exercida pe!o
Conselho Técnico Administra tivo e pela Coordenação.
Art. 7. 0 - A Coordenação, representada pela pessoa do Coorden ador, será o órgão que coordena, dirige, fiscaliza e super intende as a tividades do Curso.
Art. 8. 0 - O Coordenado1· será designado por três anos na
for ma do Regimento Interno da Reitoria, escolhido por list:,
t ríplice entre professôres em exercício, organizada em escrutínio secreto pelo Corpo Docente.
§ l.º - A lista tríplice a que se refere êste artigo será foi mada por eleição secreta, em votação u ni nominal, para cad,1
lugar da mesma.
§ 2. 0 - Se no primeiro escrutínio para cada lugar da mencionada lis ta, nenhum nome obtiver a maioria absoluta calculada sôbre o número total dos professôres presentes, precedar-se-á a u mnôvo escrutínio entre os dois nomes mais votados.
Art. 9. 0 - O Coordenador será, nas suas faltas ou impedimentos, subst ituído pelo professor membro do Conselho Téc nico Admi nistrativo m a is antigo no magistério do Curso. Na
falta e impedimentos dêste, pelo que se lhe seguir, consoante
o mesmo critério de prioridade.
CAPíTULO II
Do Coordenador

Art. 10 a)
b)

c)

Ao Coordenador competirá:

entender-se com o Diretor do Departamento de Educação e Cultura da Reitoria sôbre todos os assuntos de
interêsse do Curso e dependentes de sua decisão;
convocar e presidir as reuniões do Conselho Técnico
Administrativo submetendo-lhe o estudo das questõe:i
referentes ao ensino e designar comissões para o mesmo fim;
promover entendimentos com os diretores de bibliote ·
cas ou institutos de documentação em relação a tcxios
os assuntos que interessam ao funcionamento e aos objetivos do Curso; .
233

�o

d')

e)

f)

g)
h)
i)
j)

k)
1)
m)
n)
o)

superintender os serviços técnicos e administrativos, de
acôrdo com as disposições dêste Regimento;
fi.scalizar a fiel execução dos regimes escolares e didáticos, especialmente quanto à observância de horários e
programas, realização de provas e demais atividades de
professôres e alunos;
sugerir ao D.E.e. a organização de Cursos de extensão
universitária que se fizerem necessários;
fornecer ao D.E.C. as indicações necessárias às propostas d'e designação de professôres;
expedir as instruções que se fizerem necessárias ao eficiente funcionamento do Curso;
assinar certificados e diplomas juntamente com o
Reitor;
designar um dos professôres do Curso para orientar n
organização da Biblioteca do Curso;
conceder férias regulamentares;
rubri car livros de aulas e de escrituração, autoriz~a· despesas, visar contas, assinar expediente relativo a despesas, fôlhas de pagamento e pedidos de material;
aplicar penaLidades regimentais e estatutárias;
apresentar ao D.E.C. relatório anual dos traballios e o
plano de aplicação d'e verba;
apresentar à deliberação do Reitor até 15 de dezembro,
de três em três anos, ao término de cada período de Coordenação, a lista tríplice de professôres, em ordem d e
votação acompanhada de cópia da ata da reunião, parê.
a escolha do Coordenador.
CAPITULO III
Do Conselho Técnico Administrativo (C.T.A.)

Art. 11 - O Conselho Técnico Administrativo, órgão cons ultivo e deliberativo, será constituído pelo Coordenador,
membro nato e seu Presidente, e por dois professôres em exercício, eleitos pelo Corpo Docente .
~ l.º Os membros do Conselho Técnico Administrativo
serão renovados de três em três anos, em escrutínio secreto,
realizado pelo Corpo Docente, em sua primeira reunião ordinária do ano letivo.
§ 2. 0 A vaga de membro do Conselho, decorrente de renúncia, afastamento temporário ou definitivo, ou destituição
das funções de professor. será preenchida na primeira reunião
regulamentar do Corpo Docente na forma estabelecida no parágrafo anterior, cabendo ao substituto completar-lhe o mandato.
Art. 12 - O Conselho reunir-se-á, ordinàriamente, para
assuntos d'e sua alçada sendo convocado pelo Coordenador.

234

�§ 1-0 R eunir-se-á também, extraordinària mente, quando
para tal fôr convocado pelo Coordenador, ou mediante solicitação escrita de pelo menos dois terços de seus membros.
§ 2. 0 - Das reuniões do Conselho lavrar-se-á uma ata, que,
aprovada, será assinada por todos os presentes.
Art. 13 - O Conselho deliberará com a presença de, pelo
menos, metade mais um de seus membros, e suas decisões serão tomadas por maioria.
Art. 14 - São atribuições do Conselho Técnico Administrativo:

a)
b)

propor reforma do Regimento Interno do Curso;
elaborar, de acôrdo com o Coordenador, o plano de a plicação de verba do Curso, submetendo-o ao Reitor;
c) propor a indicação de professôres para a realização de
Cursos de extensão para execução de pesquisas e, quando não houver professor em exercício, d e substitutos
que devam reger as disciplinas;
d) fix ar o número de vagas para a primeira série do curso:
e ) rever e aprovar os programas elaborados pelos professôres verificando se obedecem às exigências regulamentares;
f) a provar horários;
g) propor cursos de extensão;
h ) organizar comissões examinadoras de provas parciais e
de concursos de habilitação;
i ) auxiliar o Coordenador na fiscalização do ensino, verificando a execução dos programas.
CAPITULO IV
Do Corpo Docente

Art. 15 - O Corpo Docente será con stituído:
I - pelos professôres efetivos ou interinos no exercício de
suas fun ções.
Art. 16 Reitor .

Todos os professôres serão admitidos por a to do

Art. 17 - O Curso será ministrado por professôres nomead os em caráter efetivo ou interino, na forma da legislação
especüica vigente, mediante proposta do Coordenador d9 Curso,
com aprovação do C.T .A.
Art. 18 a)

Constituirão atribuições do Corpo Docente:

eleger em escrutínio secreto, dentre os professôres em
exercício, três nomes para a constituição da lista tríplice, destinada à escolha do Coordenador .
235

�b)
c)

eleger os membros do Conselho Técnico Administrat:vo, de acõrdo com o Art. 8.0 , parágrafo l.º;
prover as vagas d'o Conselho de acôrdo com o Art. 8.º,
parág1·afo 2.0 ;

Art. 19 - O Corpo Docente, reunir-se-á, ordinàriamente, no
início e no encerramento do ano letivo, e extraordinàriamente, a juízo do Coordenador ou ainda, a requerimento subscrito
por um têrço, no mínimo, de seus membros em exercício.
Art. 20 - Será convocado o Corpo Docente a convite do Coordenador, com antecedência mínima de quarenta e oito horas, contendo a ordem do dia . Será dispensável êsse ·prazo, se
se tratar de assunto de urgência e de excepcional relevância
que demande solução imediata.
Art. 21 a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)

Serão deveres do Corpo Docente:

elaborar o programa da respectiva disciplina;
dirigir e orientar o ensino da respectiva disciplina, executando integralmente de acôrdo com o melhor critério
didático, o programa elaborado;
conferir notas de julgamento dos exercícios, provas mensais e finais e exames de habilitação;
fazer parte de Comissões de exame ou de estudo se para
isso fôr designado;
sugerir ao Coordenador as medidas necessárias ao desempenho de suas atribuições e providenciar para que
o ensino de sua disciplina seja o mais eficiente possível ;
aprovar o relatório anual dos trabalhos e o plano de
aplicação de verbas apresentado pelo Coordenador;
exercer as demais atribuições conferidas por êste Regimento Interno ou instruções baixadas por autoridade
competente.
TITULO IV
Do Pessoal Administrativo

Art. 22 - O pessoal administrativo do Curso será lotado
pela Reitoria .
Art. 23 - Os serviços administrativos serão executados pela
Secretaria.
CAPITULO I
Da Secretaria
Art. 24 - A Secretaria (Sec) compreenderá:
a) expediente;
b) arquivo;

236

�c)
d)

almoxarifado;
serviços administrativos.

Art. 25 a)
b)
c)
d)

e)
D

Ao Secretário competirá:

dirigir e fiscalizar os serviços de expediente e outros subordinados à Secretaria;
cumprir ou fazer cumprir as resoluções do Coordenador;
organizar os dados necessários ao relatório anual do Coordenador;
comparecer às_ sessões do Conselho Técnico Administrativ o e do Corpo Docente, cujas atas lavrará e, quando autorizado pelo Coordenador, em obediência a solicitação de qualquer um de seus membros, prestar as informações requeridas, não lhe cabendo todavia participar das discussões e votações;
exercer outras atribuições que forem determinadas pelo
Coordenador;
assinar com o Coordenador os editais de exames e horários escolares de trabalho .
TíTULO V
Da Organização Técnica

.Art. 26 a)
b)

A organização técnica do Curso compreenderá:

Serviços de Biblioteca (S. Bt.);
Laboratório Experimental de Biblioteconomia (LEB).
CAPITULO I
Da Biblioteca e seus fins

Art. 27 - A Biblioteca, órgão complementar das finalidades culturais do Curso, ao qual compete organizar e manter
o acervo de livros, periódicos, manuscritos, mapas, discos, filmes e outros materiais bibliográficos, referentes aos assuntos
que integram os programas de ensino e pesquisa do Curso .
Art. 28 - Haverá atividades do Curso nas Bibliotecas das
Faculdades, mediante entendimento prévio com os Diretores,
e sob as condições por êles estipuladas.
CAPíTULO II
Da orientação e organização

Art. 29 - A orientação e organização do serviço ela Bibliot eca, ficará a cargo de um dos professôres elo Curso desig n ado

237

�pelo Coordenador, de acôrdo com o Artigo 10, letra L, ouvidas
as Faculdades, quando fôr o caso, por intermédio do Reitor.
Art. 30 - Competirá ao professor encarregado do serviço
da Biblioteca:
a)
b)
c)
d)
e)

apresentar anualmente ao Coordenador uma relação
obras especializadas a serem adquiridas;
seleção, aquisição e tombamento;
classificação e catalogação;
arrumação topográfica;
comunicação ao · público.

cr~

Art. 31 - Na dotação orçamentária especial para despesa::;
de Serviços e Encargos do Curso, será fixada quantia destinada a aquisição de livros e outros materiais bibliográ ficos .
Arl. 32 - A Biblioteca reger-se-á por seu Regulamento, ba ixado pelo Coordenador, ouvido o professor encarregado da
organização do acervo.
CAPITULO III
Do Laboratório Experimental de Biblioteconomia (LEB)

Art. 33 - O Laboratório Experimental de Biblioteconom ia
(LEB) servirá para fins de pesquisas e estágios e será equipado de todo material necessário às aulas práticas das disciplinas.
§ único - O Laboratório será para uso exclusivo de professôres e alunos do Curso.
TITULO VI
Da Organização Didática

CAPtTULO I
Do Regimento didático

Art. 34 - A matéria de cada disciplina constará d e programa elaborado pelo respectivo professor e aprovado pelo Coordenador e Conselho Técnico Administrativo .
Art. 35 - Na execução dos programas, conforme o assunto, serão adotados como meios de ensino: preleções, argüições,
exercícios de aplicação, trabalhos práticos, debates e discussões
ou seminários, excursões, visitas à bibliotecas ou institutos rle
documentação.
Art. 36 - Tôdas as disciplinas serão lec!onadas nos dois períodos do ano letivo .

238

�.§ único - As aulas terão duração de cinqüenta minutos e
serão ministradas de acôrdo com as conveniências do ensino,
segundo horário elaborado pelo Coordenador do Curso.
Art. 37 -

É

obrigatória a freqüência às aulas.

Art. 38 - Os exercícios escolares, escritos, orais ou práticos serão igualmente obrigatórios.
Art. 39 - Haverá um estágio obrigatório de três meses num
total de sessenta horas, com permanência nos di,v ersos serviços de uma biblioteca ou centro de documentação.
O estágio será feito em duas etapas de trinta horas
cada uma, distribuídas nos d"ois primeiros anos do Curso
normal.

§ 1.0

§ 2. 0

O Coordenador deverá organizar a distribuição das
horas de estágio, segundo as conveniências do ensino.

§ 3.0 O Coordenador entender-se-á com os diretores. de
bibliotecas ou chefes de serviço em relação aos estágios, determinando o local e a duração dos mesmos.

T1TULO VII
Das Matérias

CAP1TULO I
Da matrícula inicial

Art. 40 - O candidato à matrícula no primeiro ano do
Curso de Biblioteconomia deverá requerer a inscrição no concurso de habilitação apresentando os seguintes documentos:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)
h)
i)
j)

Certificado de conclusão do curso secundário (I e II
ciclos);
fichas de curso ginasial ou colegial ou curso equiparado;
carteira de identidade;
a testado de idoneidade moral;
atestado de vacinação anti-variólica, sanidade física e
mental e de que não sofre de moléstia contagiosa;
exame abreugráfico fornecido pelo "Núcleo Profilático
Prof. Pereira Filho";
certidão de nascimento, passada por oficial de registro
civil;
·
prova de que está em dia com as obrigações do serviço
militar;
duas fotografias 3x4;
prova de pagamento da taxa de inscrição.

239

�§ 1.0 - Os documentos devem ser originais e ter as assinaturas reconhecidas por tabelião, salvo as expedidas por serviço público .
§ 2.º A firma do inspetor federal, nos certificados do
curso ginasial, suplementar ou colegial, deverá ser reconhecida.

Art. 41 - A inscrição para o concurso de habilitação farse-á de 2 a 30 de janeiro, realizando-se os exames na segunda
quinzena de fevereiro .
Art. 42 - O concurso de habilitação compreenderá as seguintes matérias :
1 -

2 3
4 5 -

Língua Portuguêsa;
Literatura ·brasileira e portuguêsa;
Língua inglêsa;
Língua francesa ou italiana ou alemã;
História geral e d'o Brasil .

As provas serão escritas e orais.
O programa a que obedecerão as provas do concurso versará sôbre matéria do curso secundário, fazendo-se
sua divulgação com antecedência.
§ 3.0 As notas de aprovação serão iguais ou superiores
a quatro, por matéria.
§ 4. 0 As médias se1·ão aritméticas, sendo vedado o seu
arredondamento .
§ 1.0
§ 2. 0

-

-

Art. 43 - As provas escritas serão feitas por matéria, devendo todos os candidatos inscri~os submeter-se às mesmas,
simultâneamente .
§ 1.0 Os examinadores serão auxiliados por professôres
designados para fiscalizar as provas.
§ 2. 0 As provas escritas terão a duração de duas horas,
não sendo facultado o uso de dicionários nas provas de línguas.
§ 3.0 - As provas serão feitas em papel rubricado pelo presidente das comissões examinadoras e assinadas pelo candidato.
§ 4.º - Será interrompida a prova de qualquer candidato
que fôr surpreendido a se valer de qualquer expediente fraudulento, não sendo igualmente permítida a comunicação dos
ex aminandos entre si, sob pena de interrupção era prova, em
caso de desobediência.
§ 5.º Interrompida a prova, será essa circunstâ ncia declarada por escrito, por um dos examinadores sendo o candidato considerado inabilitado .
Art. 44 - A prova oral consistirá de argüição sôbre ponto
ou pontos do programa, sorteado, feita sucessivamente poe
dois examinadores, durante dez minutos cada qual .
240

�Art. 45 lançadas:
a)
b)

As notas conferidas serão de zero a dez, sendo

nas provas escritas, pelos examinadores ao julgá-las;
nas provas orais, pelos examinadores, em seus boleti~s
individuais, ao concluir a argüição de cada candidato.

Art. 46 - Ultimadas tôdas as provas do concurso, far-se-á
a apuração das respectivas notas.
§ único - Ultimada a apuração final será publicada a relação dos candidatos aprovados em ordem de classificação.
Art. 47 - Os alunos aprovados em exame de habilitação de
outro Curso de Biblioteconomia equiparado ao da Biblioteca
Nacional, não podendo ali obter matrícula em virtude da limitação do número de alunos a matricular-se no m esmo Curso,
poderão consegui-la neste Curso, obedecida a limitação de
vagas fixadas.
Art. 48 - O concurso é válido apenas para o respectivo ano
letivo, mas admite-se a re-matrícula do aluno, desde que se
comprove ter exercido efetiva atividade escolar.
Art. 49 - O número de a lunos será fixado, em dezembro de
cada ano, pelo Coordenador, ouvido o C.T.A..
§ 1. 0 - No caso de exceder o número de candidatos habilitados ao número de vagas, conceder-se-á m atrícula aos candidatos que pela ordem de classificação, atingirem êsse limite.
§ 2. 0 Se dois ou mais candidatos obtiverem a mesma
média limite, não se recusará matrícula a n enhum dêles .
Art. 50 - Se os candidatos habilitados forem em número
inferior ao de vagas, incumbe ao Coordenador do Curso resolver se será ou não feito nôvo concurso de habilitação.
Art. 51 - As condições de admissão aos Cursos Avulsos
serão estabelecidas em cada caso pelo Coordenador do Curso.
Art. 52 - A m atrícula do Curso de Biblioteconomia será
requerida de 16 a 28 de fevereiro e, nos Cursos Avulsos, no
período que se houver previamente fixado.
Art. 53 - Para matrícula no 1.0 ano do Curso serão exigidos os seguintes documentos, que deverão acompanhar o respectivo requerimento:
a)
b)
c)
d)
e)

Carteira de identidade;
Atestado de idoneidade moral;
Atestado de sanidade física e mental;
Aprovação do concurso de habilitação e classificação
no mesmo dentro do limite de matrículas;
prova de pagamento da taxa de matrícula.
241

�Ar't. 54 - A cada aluno matriculado será fornecido cartão
anual de matrícula, autenticado com o sinete do Curso impresso sôbre o retrato e assinado pelo Coordenador.
CAP1TULO II
Das matrículas subseqüentes

Art. 55 - Para matrícula na série a que tenha sido promovido, o aluno apresentará, de 16 a 28 de fevereiro o seu requerimento, a que juntará o recibo de pagamento da anuidade.
Art. 56 - O aluno dependendo de habilitação em até duas
disciplinas do curso, por não ter prestado exame ou por ter
sido nêle reprovado, poderá matricular-se condicionalmente
no a no imediato, mas só lhe será permitido prestar as provas
finais nas disciplinas dêsse ano, em primeira época, caso tenha
obtido nessa época aprovação na cadeira de que dependa.
§ 1.0 O aluno matriculado condicionalmente poderá, depois de aprovado na disciplina de que depende, ser promovido em primeira época ao ano imediato do respectivo curso se,
tendo freqüência, obtiver as médias necessárias de habilitação
nas matérias do ano em que obteve a matrícula condicional .
§ 2.º - Só é permitida a dependência em duas disciplinas.
Art. 57 - As transferências de a lunos serão expedidas e
recebidas na forma da legislação em vigor, levando-se em conta
a existência de vagas .
T!TULO VIII
Do Regime Escolar

CAP1TULO I
Dos trabalhos escolares

Art. 58 - O Curso de Biblioteconomia terá ~ du ração
de três anos e os Cursos Avulsos a que fôr necessária ao preenchimento de suas finalidades.
Art- 59 - O ano letivo será ?ividido em dois perío~os: o P!'imeiro de l.º de março a 20 de Junho e o segundo de 1 de agosto a 30 de novembro.
Art. 60 - A freqüência às aulas será obrigatória.
Art. 61 _ A ~erificação de freqüênc~a ?e~á feita por meio
de cadernetas de freqüência, em cada disc1plma •
Art. 62 _ o horário das aulas e das pr_?vas será organizado
pelo Coordenador e submetido à aprovaçao do C.T.A..
242

�Art. 63 - Os alunos não poderão entrar na sala depois de
iniciadas as aulas nem delas se retirar antes de terminada, sob
pena de lhes ser recusado o comparecimento.
CAPITULO II
Das provas parciais

Art. 64 - Para a verificação da habilitação dos alunos haverá duas provas parciais escritas, realizadas na segunda quinzena de junho e novembro respectivamente.
§ único - As provas parciais independem de inscrição.
Art. 65 - Dez dias a ntes da data marcada para início das
provas serão divulgadas as listas de pontos a serem sorteados ,
fornecidas pelos professôres e compreenderão tôda a matéri a
d ada até o momento.
Art. 66 - As provas parciais serão feitas obedecendo ao.
seguinte critério:
a)
b)
e)
d)

As provas se realizarão perante as respectivas comissões examinadoras compostas de três membros inclusive
o r espectivo professor e não excederão de duas horas:
As comissões examinadoras serão organizadas pelo Coordenador, ouvido o C.T.A.;
'
A prova será feita em papel rubricado por um dos examinadores e assinada pelo aluno;
Ao devolver a prova o aluno assinará obrigatoriamente a lista de entrega.

Art. 67 - No julgamento das provas serão atribuídas notas
de zero a dez em números inteiros em cada questão, lançadas
por escrito à margem do papel pelo professor da disciplina em
exame d·evendo essas notas serem igualmente subscritas pelos
demais examinadores.
§ 1.0 Das notas dad·a s, extrair-se-á a média aritmética
que constituirá a nota da prova .
§ 2. 0 - O aluno que não comparecer à prova ou tiver escrito sôbre assunto diverso do proposto ou fôr encontrado consultando livros ou anotações ou nada houver escrito terá nota
zero.
§ 3.0 Não será admitida consulta a apontamentos ou
livros, salvo a códigos de catalogação, tabelas de classificação·
e outros semelhantes admitidos pelos examinadores.
§ 4.0 Poderão ser designados professôres ou auxiliares
para fiscalização das provas.
Art. 68 - Ao aluno que não comparecer à primeira prov.:t
parcial por motivo de fôrça maior poderá ser concedida a juí243

�zo do Coordenador segunda chamada desde que requerida até
quarenta e oito horas depois de terminada a prova.
§ único - Não haverá segunda chamada na segunda prova
parcial.
CAP!TULO III
Das provas mensais

Art. 69 - Além das provas parciais haverá cinco provas m engais nos meses de abril, maio, agôsto, setembro, outubro, escritas e orais e compreendendo a matéria dad'a até o momento.
Art. 70 - É obrigatório o comparecimento do aluno p elo
menos a 3/ 5 das provas mensais.
§ único - Para as provas mensais não será concedida segunda chamada, a não ser em caso de doença comprovada.
Art. 71 - Não poderá ser promovido nem inscrever-se nos
exames finais de primeira e segunda época o aluno que não
tiver nas provas m ensais m édia de cinco pontos, nem tiver o
comparecimento mínimo exigido.
CAP!TULO IV
Dos exames finais

Art. 72 - A aprovação em qualquer das matérias do Curso
depende da prestação de exames finais.
Art. 73 - Serão dispensados dos exames finais os alunos
que, tendo freqüência, obtiverem média igual ou super ior a
sete nas duas provas parciais .
·
Art. 74 - Os exames finais constarão de provas orais e
escritas.
§ 1.0 São obrigados a exame oral os alunos que nas duas
provas parciais alcançarem média de cinco a sete, exclusive .
§ 2. 0 São obrigados a exames finais, oral e escrito, os
alunos que nas mesmas provas alcançarem a média de três
a cinco, exclusive.
·
§ 3.0 Não serão admitidos a exames finais os alunos
que nas duas provas parciais obtiverem média inferior a três.
Art. 75 - Só poderão inscrever-se para os exames finais os
alunos que tenham freqüentado no mínimo dois terços das
aulas das respectivas disciplinas.
Art. 76 - Os exames finais dependem de inscrição que será
aberta de 25 a 30 de novembro.
:244

�Art. 77 - O horário das provas e a constituição das comissões examinadoras serão determinados pelo Coordenador, ouvido o C.T.A.
Art. 78 - As comissões examinadoras serão constituídas por
três professôres, inclusive o professor da respectiva disciplina.
§ único - As provas serão realizadas perante as comissões
examinadoras integradas de todos os seus membros.
Art. 79 - A prova oral consistirá na argüição do examinando pelos dois examinadores sôbre o ponto que cada qual dêles
fará sortear na lista organizada.
§ único - Cada examinador conferirá a cada examinando
nota de zero a dez nos respectivos boletins.
·
Art. 80 - A prova escrita será feita nos mesmos moldes
das provas parciais.
§ 1. 0 Tanto nas provas orais como nas escritas os pontos
serão sorteados de uma lista, contendo todos os pontos de
programa.
§ 2. 0 Não haverá nos exames finais segunda chamada.
Art. 81 - No caso do aluno sujeito apenas a exame final
oral apurar-se-á a média final em cada cadeira somando-se
as notas da prova oral à média de duas provas parciais e dividindo-se o resultado por dois.
Art. 82 - Trata ndo-se de exame final, oral e escrito a média de cada cadeira resultará da soma das médias resultantes
ct·e cada prova divididas por dois.
§ único - Neste caso como no artigo anterior será considerado aprovado o a luno que obtiver média aritmética igual ou
superior a cinco, vedado o arredondamento da média obtida.
Art. 83 - Findos os exames orais será lavrada a ata pelo
presidente, consignando os resu!tados apurados logo após a
terminação dos julgamentos.
Art. 84 Nos Cursos Avulsos ou de extensão serão
exigidos ou não, a critério do Coordenador , exames finais orais
e escritos nos moldes das provas parciais, respeitando o Regulamento da Reitoria sôbre o assunto.
CAP1TULO V
Dos exames de segunda época

Art. 85 a)
b)

Poderão prestar exames de segunda época:

os alunos reprovados nos exames finais até três cadeiras;
os alunos que por fôrça maior ou motivo justificado,
a JU1zo do Coordenador, não tenham comparecido aos
exames finais a que estavam obrigados;
245

�c)

os alunos que obtiverem no mínimo um quarto de freqüência das aulas das respectivas cadeiras e alcançarem pelo menos a média três nas provas parciais e, que
comparecerem pelo menos aos três quintos das provas
mensais realizadas e obtiverem nas mesmas a média de
cinco pontos.

Art. 86 - Os ·exames de segunda época compreenderão obrigatoriamente provas escrita e oral e dependem de inscrição
que será feita de 20 a 30 de janeiro. As provas ralizar-se-ão
na primeira quinzena de fevereiro.
Art. 87 - As provas escritas e orais obedecerão às mesmas
regras dispostas para os exames finais, orais e escritos, inclusive a lavratura de atas .
§ único - Não haverá nesse exame segunda chamada.
Art. 88 - Será considerado aprovado o aluno que na cadeira alcançar média aritmética não inferior a cinco, segundo a
regra do artigo 66 e seus parágrafos.
TtTULO IX
Dos Diplomas e Certificados

Art. 89 - O Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade do Paraná confere:
a)
b)

ao aluno que concluir o Curso fundamental de três anos
o diploma de Bibliotecário Documentarista;
ao bibliotecário documentarista que concluir qualquer
dos Cursos de Extensão os respectvos certificados.
TtTULO X
Do Corpo Discente

CAPITULO I
Constituição e deveres

Art. 90 - Constituem o corpo discente do Curso de Biblioteconomia da Universidade do Paraná, os alunos regularmente inscritos no Curso normal de três anos.
§ único - Aos alunos do Curso de extensão aplicam-se disposições referentes ao corpo discente.
Art. 91 - Cumpre aos membros do corpo discente:
a) aplicar a máxima diligência em acompanhar o desenvolvimento dos programas de ensino;
246

�h)

c)
d)

e)

atender aos dispositivos regimentais respeitando a organização didática especialmente quanto à freqüência
às aulas e a rea lização das provas e exames;
observar o regime disciplinar estabelecido;
abster-se de quaisquer atos que importem em perturbação da ordem, ofensa aos bons costum es, desrespeito
aos professôres ou desobediência às autoridades universitá rias ou do Curso;
contribuir para o aprimoramento da convivência escola r e na esfera de ação de cada qual para o prestígio do
Curso e da Universidade.
CAP1TULO II
Da vida social

Art. 92 - Os membros do corpo discente manterão u.na
associação de classe destinada a defender os interêsses gerai
dos estudantes a promover o· desenvolvimento de sua v ida
a ssociativa e cultural .
§ único - Os estatutos da associação deverão ser apro vados pelo Coordenador.
Art. 93 - O diretório eleito pela associação será reconhecido pela direção d'o Curso como órgão legítimo de representação para todos os efeitos do corpo discente.
§ único - Entre outras comissões permanentes que a diretoria organizará pelo modo que os estudantes estabelecerem ,
deverão figurar as seguintes:
a)
b)
c)

Comissão de beneficência e previdência;
Comissão científica;
Comissão Social.

Art. 94 - Os antigos alunos do Curso poderão organizar-se
em associações destinadas entre outros fins a manter relações
com o Curso.
~ único Os estatutos da associação deverão ser aprovados pela Reitoria.
CAP1TULO III
Dos Prêmios Escolares

Art. 95 - Os prêmios conferidos pelo Curso serão discriminados nas resoluções que o Reitor aprovar e se destinam a
galardoar os estudantes que mais se distinguirem .
§ único - Essas instruções serão publicadas periodicamente de modo a assegurar a sua perfeita divulgação.
247

�Art. 96 - Os professôres, o diretório acadêmico, as associações privadas ou quaisquer pessoas poderão propor-se a
criar prêmios escolares devendo as condições de sua instituição ser aprovada pelo Coordenador .
§ único - A entrega dos prêmios será sempre feita solenemente.
TITULO XI
Dos Recursos e do Regime Financeiro

CAPITULO I
Dos recursos financeiros
Art. 97 - Os recursos financeiros do Curso de Biblioteconomia e Do~umentação provirão de:
a)

b)

dotações orçamentárias que lhe forem atribuídas a qualquer título pela União, pelo Estado, pelo Município, diretamente ou por intermédio da Reitoria e pelos recursos orçamentários da Universidade;
doações e contribuições concedidas a qualquer título
por pessoas físicas ou jurídicas.
CAPITULO II
Do regime financeiro

Art. 98 do Curso.

Coincidirá com o ano civil o exercício financeiro

Art. 99 - O plano de aplicação de receita e despesa será
organizado pelo Coordenador com antecedência para o exercicio seguinte e deverá ser apresentado até 31 de outubro de
cada ano .
§ único - O plano de aplicação apresentado ao D.E.e. compreenderá a pre~isão da receita e despesa devidamente discrtminada e justificada .
Art. 100 - Em cada exercício o orçamento a ser efetivamente executado deverá corresponder ao plano de aplicaçã0,
fixado em portaria do Reitor, das dotações do orçamento que
a Universidade do Paraná destinar ao Curso.

Art. 101 - Quando o exigirem as necessidades do serviço,
poderá o Coordenador solicitar à Reitoria, mediante proposta
justificada, a abertura de créditos adicionais, no decurso ·. ão
exercício financeiro.

�Art. 102 - A prestação de contas do movimento econômico financeiro do Curso de Biblioteconomia será feita pelo Coordenador ao Diretor do D.E.e. anualmente, até 31 de janeiro .
T1TULO XII
Do Regime Disciplinar
·í

·:

CAP1TULO I
Disposições gerais

Art. 103 - O regime disciplinar a que está sujeito o pessoal
docente, discente e administrativo, obedecerá às seguintes
dispos ições:
I -

As penas disciplinares são:
repreen são;
b ) su spensão;
c) destituição de função;
d) expulsão .
a)

II -

Serão aplicadas
a) pelo Coordenador:
as penas de repreensão e suspensão até quinze
dias.
b) pelo Reitor:
as ·de su spensão até trinta dias e expulsão;
a de destituição.

Art. 104 - Da aplicação d e pena disciplinar cabe recurso
pela autoridade imediatamente superior, sendo o Conselho
Universitário a última instância em matéria disciplina r.
§ único - Os recursos serão interpostos dentro de 15 dias
(:la ciência do ato, perante a Coordenação e não terão efeito
E;c1Spensivo.
CAP1TULO II
Das penas aplicáveis aos membros do Corpo Docente

, Art. 105 - O pessoal docente está sujeito às seguintes penas disciplinares:
I - Repreensão:
a) por transgressão de prazos regimentais ou falta de comparecimento e atos escolares, para os quais tenha sido
convoca do;
• b) por faltas reiteradas aos trabalhos escolares;
·e) por infração dos deveres de sua função ou comportamento reprovável .

2i9

�II a)

b)
c)

Suspensão:
nos casos de reincidência das faltas previstas no n .0 1;
por falta de acatamento às determinações dos órgãos de
Coordenação do Curso e da Universidade;
por grave infração de dispositivo dêste Regimento ou
disposição legal.

III a)

Destituição:
por abandono de funções, por mais de trinta dias oi.t
procedimento incompatível com a dignidade do magi:5tério.
CAPITULO III
Das penalidade.;; aplicáveis ao pe~oal discente

Art. 106 - Os alunos estão sujeitos às penas disciplinarll!s
previstas no n .º I do artigo 92, com exceção das letras c e d'.
Art. 107 - As penas disciplinares serão aplicadas da seguinte forma:
I - Repreensão :
a) por descortesia ao Coordenador e a qualquer m embY©
do corpo docente, ou por desobediência às suas determinações;
b) por perturbação da ordem no recinto das aulas e dos
estágios, ou suas serventias;
c) por danificação elo patrimônio do Curso, da Universidade ou das entidades em que se realizar o estágio, além
da obrigação de indenizar o dano;
d) por ofensa ou agressão a outro aluno;
e) por injúria a funcionário administrativo;
f) por improbidade na execução dos trabalhos escolares;
II - Suspensão:
a) no caso de reincidência das faltas previstas no n.0 I ;
b) por ofensas ao Coordenador, a qualquer membro d't&gt;
corpo docente ou autoridade universitária;
e) por agressão à funcionário administrativo;
d) pela prática de atos incompatíveis com o decoro da vida
acadêmica ou atentatórios da disciplina escolar;
e) por fraude posta em prática na oportunidade do cumprimento ou obrigação escolar.
Ili d)

250

Expulsão:
por agressão ou ofensa grave ao Coordenador, a quaLquer membro do corpo docente ou autoridade unive1•sitária;

�b)
e)

pr atos de grave insubordinação, individual ou coletiva
ou atentados contra pessoas ou coisas no recinto onde
estiver instalado o Curso, visando o desprestígio dêste;
pela prática de atos delituosos infamantes, sujeitos à
sanção penal.
CAP1TULO IV
Das penas aplicáveis ao pessoal administrativo

Art. 108 - Os funcionários administrativos ficarão sujeitos
às penalidades estabelecidas na lei para os servidores públicos, na form a ali prevista.
T1TULO XIII
Disposições Gerais e Transitórias

Art. 109 - Os casos omissos no presente Regimento serão
r esolvidos pelo Coordenador do Curso, tendo em vista a legi::;lação e os regulamentos universitários em vigor e submeüdos à aprovação do R eitor.
Aprovado em reunião do Corpo Docente realizada em 12 de dezembro de 1960 .
a) Flávia Rubens Accioli Prado

Coordenadora
Aprovado em sessão do Conselho Universitário
realizada a 18 de fevereiro de 1961 .
a) Flávio Suplicy de Lacerda

Reitor

.251

�UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
REGIMENTO
DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO

(aprovado em 30 de dezembro de 1960)

TITULO I
Do Curso

CAP1TULO úNICO
Dos fins
Art. l.º - O Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal de Pernambuco, criado em 1950, em reunião do Conselho Universitário de 13 de janeiro, com Regulamento idêntico aos regulamentos federais já existentes e publicado no "Diário Oficial do Estado de Pernambuco de 8 de maio
de 1952, destina-se a formar pessoal especializado, propiciando
condições adequadas ao desenvolvimento das bibliotecas e dos
centros de documentação, elementos indispensáveis ao progresso das Ciências, das Letras e das Indústrias.

Art. 2. 0 - O ensino da Biblioteconomia e da Documentação
será realizado nos seguintes Cursos em nível superior:
I - Curso de Graduação;
II - Curso de Pós-Graduação;
III - Curso de Extensão Universitária;
Parágrafo único - Excetuando o Curso de Graduação, os
demais funcionarão facultativamente, a critério da Direção.
TITULO II
Da Organização do Curso

CAP1TULO I
Do Curso de Graduação
Art. 3. 0 - O Curso de Biblioteconomia e Documentação t~rá
a duração de três anos e compreenderá as seguintes disciplinas:

�I
' II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV

-

Art. 4.0
seriação:

Catalogação (1)
Catalogação (2)
Classificação ( 1)
Classificação (2)
Referência
Bibliografia
Bibliografia Especializada
Seleção de Material Bibliográfico
Documentação
Organização de Bibliotecas
Administração
História do Livro
Introdução à Cultura Filosófica
Introdução à Cultura Literária e Artística
Psicologia das Relações Públicas
-

O ensino das disciplinas obedecerá à seguinte

1.ª série

Catalogação (1)
Classificação ( 1)
Referência
Organização de Bibliotecas
História do Livro
Introdução à Cultura Filosófica
2.ª série

Catalogação (2)
Classificação (2)
Bibliografia
Administração
Introdução à Cultura Literária e Artística
Psicologia das Relações Públicas
3-ª série

Catalogação e Classificação de Material Especializado
Documentação
Bibliografia Especializada
Seleção de Material Bibliográfico
. Parágrafo único estágio.

Os alunos da 3.ª série são obrigados a

CAP1TULO II
Do Regime Didático

Art. 5.0 - O ensino das disciplinas será realizado em aulas
de preleção, aulas práticas e seminários, de acôrdo com o plano
253

�estabelecido pelo professor e referido no programa aprovado
pelo Corpo Docente.
Art. 6.0 - O número de horas de preleção dadas a uma turma, não poderá ser inferior a três (3) por semana, em cact·a
disciplina .
Art. 7. 0 - As aulas práticas e os trabalhos de seminário poderão ser realizados, eventualmente, fora das instalações do
Curso, em locais adequados ao seu objetivo e terão a duração
que o professor lhes prefixar, respeitado o horário das demais
aulas.
Art. 8. 0 - Os professôres gozarão de plena liberdade no d'esempenho de suas funções docentes, quanto à exposição, análise e crítica das doutrinas e opiniões científicas e, bem assim,
quanto ao método e aos processos de ensino.
Art. 9. 0 - No caso de impedimento do professor, por licença, a substituição' será feita por indicação do mesmo, com aprovação do Corpo Docente e homologação pelo Reitor.
T!TULO III
Das Matrículas

CAP!TULO I
Da Matrícula Inicial

Art. 10 - O ingresso na 1.ª série do Curso d'e Biblioteconomia e Documentação far-se-á mediante aprovação em concurso
de habilitação.
Art. 11 - O candidato à matrícula inicial, na primeira série
do Curso de Biblioteconomia e Documentação, requererá inscrição no concurso de habilitação, apresentando os seguintes
documentos:
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
254

certificado de curso secundário completo, nos têrmos da legislação vigente;
carteira de identidade;
atestado de idoneidade moral;
atestado de sanidade física e mental;
atestado de vacina;
certidão de registro civil de nascimento;
documento de estar em dia com as obrigações do
Serviço Militar;
prova de pagamento da taxa respectiva.

�§ 1.0 A inscrição para o concurso de habilitação, conforme edital publicado na Imprensa Oficial, far-se-á no prazo de
2 a 20 de janeiro, realizando-se as provas na segunda quinzena de fevereiro.
§. 2.0 Depois de registrada na Secretaria, a carteira de
identidade será restituída ao candidato, que deverá, obrigatàriamente, apresentá-la à mesa examinadora.

Art. 12 - O concurso de habilitação constará de provas das
seguintes disciplinas:
I
II
III
IV

-

V VI -

língua portuguêsa;
literaturas brasileira e portuguêsa;
língua inglêsa;
outra língua a escolher entre: alemão, francês ou
italiano;
História geral;
datilografia.

Parágrafo único - A escolha da língua a que se refere o
número IV deverá ser feita, pelo candidato, no ato de inscrição.
Art. 13 - O candidato habilitado e classificado no concurso
requererá, no prazo de cinco dias, sua matrícula na primeira
série do Curso, juntando dois retratos 3x4 para o cartão ele
matrícula e a prova de pagamento das respectivas taxas.
CAP1TULO II
Das Matrículas Subseqüentes

Art- 14 - Para a matrícula na série a que tenha sid'o pro ...
movido, o aluno apresentará, de 1.0 a 25 de fevereiro de
cada ano, o seu requerimento, intruído com os seguinte!;
documentos:
I II III IV -

de aprovação em tôdas as disciplinas no ano a nterio1';
prova de pagamento da taxa de matrícula e da de
freqüência em todo o ano letivo;
documento de quitação com as obrigações do Serviço Militar;
dois retratos 3x4 para o cartão de matrícula .

§ 1.0 Ao a luno matriculado será fornecido um cartão
anual, devidamente autenticado.
§ 2. 0 - Poderá ser fornecida outra via dêsse cartão, mediante pedido do interessado e pagamento da respectiva taxa.

Art. 15 - O aluno dependente de habilitação numa única
das disciplinas do Curso, por não ter prestado exame ou por

255

�ter sido nela reprovado, poderá matricular-se condicionalmente no ano imediato do respectivo Curso, pagas as devidas taxas.
Parágrafo único - O aluno matriculado condicionalmente
poderá, depois de aprovado na disciplina de que depende, ser
promovido à série imediata do Curso, se atingir os graus de
habilitação necessários nas disciplinas da série em que obteve
a matrícula condicional.
T1TULO IV
Do Regime Escolar

CAP1TULO I
Do Ano Escolar

Art. 16 - O ano letivo será dividido em dois períodos: o
primeiro, de l.º de março a 30 de junho, e o segundo, de l. 0
de agôsto a 30 de novembro.
Art. 17 - A freqüência às aulas de preleção, práticas e ao3
seminários, será obrigatória, competindo ao professor a verificação dessa freqüência.
Parágrafo único - Logo após a aula, será fornecida à Secretaria a relação dos alunos que compareceram, apurando-se
mensalmente as presenças e faltas de cada um .
CAP1TULO II
Dos Exercícios Escolares e das Provas Parciais

Art. 18 - Com o objetivo de verificação do aproveitamento do aluno, deverão ser realizados exercícios, de acôrdo com
a natureza de cada disciplina.
§ 1.0 É fixado em seis (6) o número mínimo de exercícios escolares a serem realizados em cada disciplina, ficando
o aluno com obrigação de realizar, pelo menos, 2/ 3 dos referidos exercícios.
§ 2.0 Não haverá segunda chamada para os exercícios
escolares.
§ 3.0 - Não poderão prestar exames finais em l.ª época, os
alunos que obtiverem a média inferior a três (3) nos exercícios escolares.
§ 4.ª - Os alunos repetentes serão obrigados a fazer novos
exercícios escolares, não sendo válidos os exercícios do ano
anterior.

�A 1·t. 19 - P ara ve rificação de habilitação dos alunos, ha verá,
a lém dos exer cícios escola res, provas parciais escritas, realizadas na segunda quinzena de junho e de novembro .
Parágrafo único - A prestação d as provas pa rcia is não d e pende de in scrição; m as, à s egunda, só serã o admitidos oo
a lu nos q u e, a lém da exibição d a p rova de paga m ento da taxa
de exam e fina l, houverem obt ido, n o decorrer do a no letivo,
freqüência d e dois têrços (2/ 3), no mínimo, das aulas dadas
e a média dos exer cícios escola res, exig ida no pará gra fo 3.0
elo a r tigo a nterio1· .

A rt. 20 - As p rovas escritas versarão sôbre um dos pontos
do p rog ra ma, sortea do dentre todos os explicados a té d ez dias
a ntes d as p rovas, n ão pode nd o, entretanto, ser incluido na
matér ia da segunda prova, os que houverem sido sorteados
pm-a a primeira prova pa rcial .
Art. 21 - Sorteado o ponto da prova parcial, o professor
formula rá, no a to, t rês (3) questões, que se contenha m no
p onto sorteado e d as qua is os alunos não devem ter tido anterior conhecim e nto, podendo substituir uma delas por trabalhos práticos sôbre t emas indicados na ocasião.
~ l.º O p razo para a realização da prova será de duas
h oras.
§ 2.0 Ao aluno que não compa recer à primeira provu
parcial, por motivo justificado de fôrça maior, a juízo do Corpo Docente, poderá ser concedida segunda chamada, se a requerer no pra zo d e quar enta e oito (48) horas a par tir do mom en to da fa lta ver ificada, rea liza ndo-se a nova prova dentro
da segunda quinzen a d e junho, em um só dia para todos os
fa ltosos .
A r t. 22 - O julgamen to das provas parcia is de qua lque1· disciplina será feito por u ma comissão exa minadora , organizada
pelo Corpo Docente e composta de três (3) membros, da qual
fa rá pa rte, obrigatoriamente, o respectivo professor .
§ l.º - A s notas serão graduada s de zero a dez, em núme ros inteiros.
§ 2. 0 - Cada examinador a tribuirá à prova o g rau que mer ecer, la nçando a nota por extenso e subscrevendo-a, sendo
que a média a ritmética dos graus conferidos constituirá a nota
da p rova.
§ 3.0 - Termina do o julgamento das provas, serão estas ent regues à Secreta ria, fa ze ndo-se então o registro das respectivas notas .
§ 4. 0 Terá nota zero (0) o aluno que não compa recer a
qua lquer prova p arcial, que tiver escrito sôbre assunto diverso
do proposto ou fôr encontrado consultando livros ou notac;;,
ou na da houver escrito .

257

�§ ~-~ - A média igual cu superior a sete (7) nas duas provn5
parciais e nos exercícios escolares isenta o aluno de prova
final.
'
§ 6.º O aluno condicionalmente matriculado em uma
série, dependente de uma disciplina da série anterior, não poder~ ser promovido, embora haja obtido média sete (7) ou supeno_r, nas disciplinas da série em que está condicionalmente
matriculado, se não houver obtido média de promoção ou nota
~e aprovação_ em exame final da cadeira de que é dependente,
ficando a validade da promoção condicionada à aprovação, no
ano letivo, da mesma disciplina.

CAPITULO III
Do exame final

Art. 23 - Os alunos que não houverem obtido nas provas
parciais e nos exercícios escolares, a média minima de sete
(7), somente serão promovidos à série superior, mediante a
prestação tj'e exame final, que constará de uma prova ora l
apenas, para aquêles cuja média nas provas parciais e nos
exercícios escolares, fôr de cinco (5) a sete (7), exclusive; e de
exame completo (prova escrita e oral) para os que tenham
obtido nas mesmas provas e exercícios, a média minima de
três (3) até cinco (5) , exclusive, sendo considerados desde
logo reprovados os que não atingirem essa média mínima
de três (3).
§ l.º - A inscrição para o exame final, simplesmente ora 1
ou completo, processar-se-á de 1.0 a 5 de dezembro de caria
ano, devendo o requerente instruir o seu -pedido com os seguintes documentos:
I
prova de quitação da taxa de exame final ;
II
certificado de freqüência;
III
prova de haver obtido média final nas provas parciais e exercícios escolares, entre cinco (5) e sete (7),
exclusive para o exame simplesmente oral e entretrês (3) e' cinco (5), exclusive, para o exame completo.
§ 2.º _ o horário das provas será organizado pelo Diretor,
ouvidos os professôres, não podendo ser alterado sem prévio
·a viso no mínimo ·de vinte e quatro (24) ho;ras.
Art. 24 _ As comissões examinadoras serão constituídas por
três (3) membros designados pelo Diretor, de~as faz_en?o _parte,
obrigatoriamente, os professôre_s das resp:ctlvas .511sc1ph~as.
§ l.º _ As comissões exammadoras so poderao func10nar
estando presente a totalidade _de se~s mem~ros, sendo imediatamente substituído, por des1gnaçao do J?iretor,_ o professor
que houver deixado d'e comp~re~er, decorridos trmta (30) minutos da hora fixada para o míc10 das provas.

258

�§ 2.0 - Se faltar o professor da disciplina, serão as provas
adiadas para o dia útil subseqüente e, repetindo-se a falta, v
professor d a disciplina d everá ser substituído por outro, designado pelo Diretor .
§ 3.0 - Ao p residente da comissão examinadora, que será ::&gt;
professor mais a ntigo, incumbe decidir as questões de ordem e
levar ao conhecimento do Diretor qualquer irregularidade ou
ocorrência de importância, acaso observada no processo de realização das provas finais .
0
~ 4. -O Diretor será sempre o Presidente das comissões de
que fizer parte.

Art. 25 - Na primeira semana de dezembro o Corpo Docente reunir-se-á em sessão ordinária, para discussão e aprovação das listas de pontos para a prova oral, organizadas pelos
professôres das diversas disciplinas, d evendo as mesmas abranger a tota lidade da matéri a lecionada .
Parágrafo único - Cada ponto constará de três (3) partes
distintas, cada uma delas pertinentes a um dos três (3) grupos em que, g uardad a a seqüência dos pontos, houver sido
proporcionalmente dividido o p rograma, não podendo o ·mesmo assunto ser incluído em mais de um ponto.
Art. 26 - O tempo e o m étodo da a rgüição fica m a juízo
da comissão examinadora, cujo presidente determinará ·a ordem dos trabalhos, não podendo, entretanto, ad'mitir a examea lunos não incluídos na r elação de chamada fornecida pel::i
Secretaria e organizada de acôrdo com o artigo seguinte .
Art. 27 -

Os exam inadores serão nominalmente chamado..,

à prova oral pelo presidente da comissão examinadora, convc-

cand'o-se de cada vez, no máximo, quinze (15) alunos para Rturma efetiva e cinco t5) para a suplementar, observada a
ordem a lfabética.
§ 1. 0 O a luno que não comparecer à primeira chamada,
só terá direito à segunda ch amada na mesma época de exames.
e depois dos demais examinandos, provando ter sido a falta
por motivo justo.
§ 2. 0 P ara êsse fim, deverá requerer nova chamada ao
Diretor, d'entro de quarenta e oito ( 48) horas, junta ndo a prova
do fato a legado .
Art. 28 - T erminadas as provas orais do dia, a comissão
julgadora procederá, a portas fechadas, à apuração das notas,
atribuindo cada examinador uma nota .de zero ( O) a dez (10),.
em número inte iro, a cada examinando e extraindo em seguida, o presidente, a média aritmética das três (3) notas .
. · § 1.0 Para apuração da média final em cada disciplina,.
serão somadas a nota da prova oral e a média das provas parciais, dividirdo-se o resultado por dois (2).
259-

�§ 2. 0

Não serão consideradas, para os efeitos de inscri~ão em prova final, nem apuradas no julgamento de habilitação, as notas de provas acaso realizadas em ano letivo anterior, pelos alunos repetentes de qualquer série do Curso, ou
nêle matricula dos com dependência de disciplina .
S 3.0 Ser á considerado aprovado com distinção o aluno
que obtiver média final de nove (9) até dez (10); plenamente
o que obtiver média final de sete (7) até nove (9), exclusive ;
s implesmente, o que obtiver a média final de cinco (5) até
sete (7), exclusive; e reprovado o que obtiver méd'ia fina l
inferior a cinco (6).
§ 4.0 - Nas médias não são admitidas aproximações, exprimindo-se os restos das d ivisões em frações decimais.

Art. 29 - As fôlhas de atas dos exames serão impressas de
modo a facilitar o registro rápido e imediato do resultado
áas provas .
Parágrafo único - A ata, lavrada e subscrita pelo sec1·etário, ou por quem o substituir, será assinada pela com issão
julgadora, logo após a terminação do julgamento das provas
orais realizadas no dia.
Art. 30 - Para boa ordem da prestação de exame final,
serão realizadas, em primeiro lugar, as provas orais dos a lunos
inscritos que hajam obtido, nas provas parciais, média cin co
(5) ou seis (6); terminadas e julgadas estas, terão início os
exames completos.
§ l.º O exame com pleto constará de prova escrit:i
e prova oral .
§ 2.0 - A prova escrita será processada e julgada de acôrdo
com o disposto para a realização das provas parciais, abrangendo tôda a matéria do programa da disciplina.
§ 3.0 A prova oral obedecerá ao regim e estabelecido n0
parágrafo único do artigo 25 .
§ 4. 0 A nota do julgamento em cad'a disciplina, será a
média aritmética, conservados os respectivos valôres exatos ,
entre as notas obtidas na prova escrita e na oral, aprovado ou
reprovado o examinando, com a mesma classificação e n otas
estabelecidas no § 3.0 do artigo 28.
CAPITULO IV
Dos Exames de Segunda É:poca

Art. 31 - Haverá uma segunda época de exames, que se
1·ealizarão na segunda metade de fevereiro, para os alunos que,
por qualquer motivo, não se tenham habilitado à promoção
no ano anterior.
200

�~

A inscrição será feita de 1° a 10 de fevereiro, mediante pro,·a de matrícula no ano ·anterior e quitação de taxa
ele inscrição, anexas ao requerimento.
§ 2.º - Os exames de segunda época obedecerão, em tudo,
à s normas dos exames completos da primeira época.
§ 3.0 Se o aluno, em segunda época, obtiver aprovação
na disciplina de que era dependente no ano anterior, contamse como válidas, p ara efeito de promoção na série em que está
condicionalmente m atriculado, as médias sete (7 ) ou suoeriores porventura obtidas.
·

1.0

CAP1TULO V
Dos Diplomas

Art. 32 - Ao aluno que concluir o Curso de Biblioteconomia e Documentação será conferido o diploma de bibliotecáriodocumentalista .

Parágrafo único - O possuidor do diploma fica habilitado
ao exercício da profissão de bibliotecário e documentalista .
T1TULO V
Da Organização Administrativa

CAPíTULO I
Da Direção

Art. 33 - O Diretor do Curso d e Biblioteconomia e Documentação será nomeado pelo Reitor da Universidade Federal
de P ernambu co e escolhido dentre os componentes da lista tríp lice eleita pelo Carpe Docente.
§ l.º - A lista tríplice a que se refere êste artigo será formada por eleição secreta, em votação uninominal, para cada
lugar da mesma .
§ 2. 0 Se no primeiro escrutínio para cada luga r da menciona da lista, nenhum nome obtiver a maioria absoluta calculada sôbre o número total dos professôres presentes, procede1·se-á a um nôvo escrutínio entre os dois (2) nomes mais votados.
Art. 34 - O Diretor, nomeado pelo processo do artigo ante rior, exercerá o mandato por três (3) anos, a contar do dia
da posse .
Art. 35 - A lista tríplice para escolha do Diretor, ;;erá 0rga nizada para cada período, trinta (30) dias a ntes de, têrmo
do mandato do em exercício.
Art. 36 - O Diretor, órgão executivo da direção técnica e
administrativa do Curso de Biblioteconomia e Documentação,
terá as seguintes atribuições:
261

�l -

II III
IV
V
VI

VII V IU -

IX X -

XI -

XII XIII XIV XV -

e ntender-se com os podêres públicos sôbre os assuntos qu e interessem ao Curso e dependam de decisões daqueles;
representar o Curso em quaisquer atos públicos e
nas relações com outros ramos da administração pútíficas, ou corporações particulares;
assinar, com o Reitor, os diplomas exped idos pelo
Curso;
su b meter ao Reitor a proposta orçamentária anua l
do Curso;
apr esentar, anualmente, ao Reitor, relatório dos
traba lhos do Curso, assinala ndo as providências requeridas par a m a ior eficiência do ensino;
executar e fazer executar as decisões do Corpo
Docente;
con vocar e presidir as decisões do Corpo Docente,
bem corn o tôdas as comissões de que fizer parte;
superintender todos os serviços administrativos do
Curso;
fiscal-izar o emprêgo das dotações autorizadas, d e
acôrdo com os preceitos da contabilidade ;
autorizar a aquisição de material e fiscalizar obras
ou serviços necessários ao Curso, tendo em vista os
altos interêsses do ensino e segundo o disposto no
Esta tuto da Universidade e neste Regimento;
fazer observar o cumprimento do regim e didático,
especialmente no que concerne à observân cia dos
horários e dos prog ramas e à atividade dos professôres ;
aplicar pena lidades;
cumprir e fazer cumpr ir as disposições do E statuto da Universidade, e as dêste Regimento;
levar ao conhecimento do· Reitor, para resolução os
casos omissos neste Regimento;
exercer as demais atribuições que lhe competirem
nos têrmos dêste Regimento .
CAPITULO II
Do Corpo Docente

Art. 37 - O Corpo Docente, órgão superior da direção didática e pedagógica do Curso, é constituído pelos professôres
efetivos, no exercício de s uas funções.
Art. 38 - As reuniões do Corpo Docente serão presididas
pelo Diretor e , na sua ausência, pelo professor mais antigo.

262

�Parágrafo único - As r euniões do Corpo Docente preferem
a qualquer atividade didática, não sendo admitidas faltas sem
justificação ao Diretor, sob pena de desconto em fôlha .
Art. 39 I -

II -

III
IV V VI
VII
VIII -

Compete ao Corpo Docente:
deliberar sôbre tôdas as ·questões relativas à indicação de novos professôres, na forma da Lei, do Estatuto da Universidade e nos t êrmos dêste Regimento;
deliberar sôbre tôdas as questões que, direta ou indiretame nte, interessem à ordem didática e pedagógica do Curso, nos têrmos do Estatuto da Universidade e nos dêste Regimento;
colaborar com a Direção e os órgãos da Universidade em tudo quanto interessar possa à unidade u nlversitária;
aprovar os programas do Cu rso;
deliberar sôbre a concessão de prêmios e dignidades escolares;
elaborar e modificar o Regimento, com a aprovação do Conselho Universitário;
propor o contrato de professôres para a realização,
de cursos, ou para execução de estudos necessários
ao desenvolvimento intensivo das disciplinas;
exercer as demais atribuições constantes dêste
Regimento .

Art. 40 - A convocação dos professôres para as reuniões do
Corpo Docente, salvo caso de excepcional urgência, deverá ser
feita por escrito, com antecedência de quarenta e oito horas,
confirmado o convite, sempre que possfvel, pelo telefone.
Parágrafo único - Do convite deverá constar a matéria da
ordem do dia .
Art. 41 - O Corpo Docente, qualquer que seja a natureza
da matéria da ordem do dia, ou dos fins da convenção, deliber ará validamente, se reunir maioria absoluta dos professôres
com direito a voto, salvo nos casos em que a Lei exija maior
número para a validade &lt;la deliberação .
§ 1. 0 - Decorridos quinze minutos após a hora fixada, sem
que h aja comparecido o número suficiente, o Diretor fará lavrar um têrmo com expressa menção dos professôres que fa ltaram sem causa justificada.
§ 2. 0 - Em seguida, convocar-se-á nova reunião, procedida
das mesmas formalidades da anterior, mas com o aviso de que
o Corpo Docente deliberará com qualquer número, exceto
quando exigidos os votos de dois terços de seus membros.
263

�Art. 42 - As deliberações do Corpo Docente serão tomadas
por maioria de votos.
§ 1.0 O Diretor terá, além de seu voto, o de qualidade.
§ 2. 0 Nenhum membro do Corpo Docente, poderá votar
em deliberação que, direta ou indiretamente, seja de seu
interêsse .
Art. 43 - Na reunião ordinária de dezembro, o Co1·po Docente discutirá os planos de ensino para o próximo ano letivo
e ouvirá a exposição do Diretor sôbre a discriminação das
despesas, a qual deverá ser remetida à Reitoria até 30 de março
do ano seguinte.
Art. 44 - O ensino será ministrado por professôres nomeados em caráter efetivo ou interino, na forma da legislação especifica vigente, mediante proposta do Diretor do Curso com
a aprovação do Corpo Docente .

Art. 45 I -

II

III
IV
V
VI
VII -

VIII
IX

264

Ao professor compete:

dirigil· e orientar o ensino de sua disciplina executando integralmente, com o melhor critério didático, o programa por êle apresentado anualmente e
aprovado pelo Corpo Docente até o início do ano
letivo;
reger as aulas da disciplina de acôrdo com o horário estabelecido e assinar, após as respectivas realizações, o livro ou ficha de freqüência, no qual registrará o assunto lecionado;
realizar aulas práticas, dirigindo exercícios de aplicação;
fiscalizar a observância das disposições regulamentares, quanto à freqüência dos a lunos às aulas práticas, de preleção e aos trabalhos d'e seminários;
submeter os alunos às provas parciais e prova fina l
regulamentares , atribuindo-lhes as notas merecidas;
fornecer à Secretaria, no decurso dos oito (8) dias
que se seguirem à realização das provas parciais,
as notas respectivas;
apresentar ao Diretor, dentro dos dez (10) primeiros dias dos meses de junho e novembro, relatório
sôbre o ensino a seu cargo, especificando a parte
lecionada do programa;
cumprir os h 0rários estabelecidos para o ensino das
respectivas disciplinas;
sugerir, ao Diretor, as medidas necessárias ao melhor desempenho de suas atribuições e providenciar, por todos os meios ao seu alcance, pa ra que o
ensino sob sua responsabilidade, seja o mais eficiente pos~ível;

�X XI -

tomar parte no.s reuniões do Cor po Docente;
fazer parte da.s comissões examinadoras e de outras
para as quais fôr designado ou eleito.

Art. 46 - Ao professor são assegurados os direitos e vantagens estabelecidas na legislação federal .
CAP1TULO III
Dos Professôres Contrata dos

Art. 47
cumbidos:

Os professôres contratados poderão ser in-

I -

da regência, lemporál'ia, de qualquer disciplina do
Curso, até que seja preenchida definitivamente;
II - da realização de cursos de aperfeiçoamento e de especialização em cooperação com o professor da disciplina.
Parágrafo único - O contrato de professôres, nacionais 011
estrangeiros, será proposto pelo professo1· da disciplina e submetido à aprovação do Corpo Docente .
TíTULO VI
D o Corp o Discente

CAP1TULO I
Da cons tituição e deveres do Corpo Disce nte

Art. 48 - Constituem o Corpo Discente, os alunos regularmente matriculados no Curso de Biblioteconomia e Documentação.
Parágrafo único - Caberão aos membros do Corpo Discente os seguintes deveres e direitos fundamentais:
I
II
III
IV

V -

aplicar a máxima diligência no aproveitamento do
ensino minis trado;
atender aos dispositivos regimentais, no que respeita à organização didática, especialmente à freqüência às aulas;
observar o regime disciplinar instituído neste Regimento;
abster-se de quaisquer atos que possam importar
em perturbação da ordem, ofensa aos bons costumes, desrespeito aos professôres e às autoridades
universitárias e do Curso;
contribuir, na esfera de sua ação, para o pr estígio
sempre crescente da Universidade e do Curso;
265

�VI VII VIII

266

recorrer dás decisões dos órgãos administrativos
para ós de hierarquia superior;
comparecer à reunião dos órgãos incumbidos do
julgarriento dos recursos sôbre a aplicação de penas
disciplinares que lhes houverem sido impostas;
fazer-se representar, pelo Presidente do Diretório
Acadêmico, nas ocasiões em que fôr solicitada a sua
presença.

�RIO GRANDE DO SUL
REGIMENTO DA ESCOLA DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO

Art. 1.0 O Curso de Biblioteconomia da Faculdade de
Ciências E conômicas passa a constituir a Escola de Biblioteconomia e Documentação, m antido o seu caráter de organização anexa à quela Faculdade.
Art. 2. 0 - A Escola de Biblioteconomia e Documentação
tem como finalidades;
I II -

Prover a formação de pessoal técnico habilitado para
a direção, organização e execução de serviços biblioteconômicos e ministrar ensino de biblioteconomia;
Prover a formação de pessoal habilitado para ·::1
execu ção e di reção em órgãos de serviços de documentação e de biblioteca e desenvolvimento de seus r':1.mos especializados.

Art. 3.0 - O ensino d e biblioteconomia ministrado pela Escola será em n ível superior e o curso será feito em três anos
de estudos com as seguintes seriações:
1 .ª série:

1.
2.
3.
4.
5.
6.

Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
Organização e Administração de Bibliotecas
História do Livro
Introdução à Cultura Histórica e Social

2.ª série:

1.
2.
3.
4.

..

5.
6.

Catalogação
Classificação
Bibliografia e Referência
Organização e Administração de Bibliotecas
História do Livro
Introdução à Cultura Literária e Artística

3.ª série:

1.
2.
3.
4.
5.

Catalogação
Classificação
Documentação
Seleção de Livros . Matéria optativa dentro da Organização de Bibliotecas
Introdução à Cultura Filosófica e Cientüica.
267

�Art. 4.0 - Serão admitidos à matrícula na primeira sene,
os candidatos que tenham completado 18 anos de idade, possuam certificado de licença clássica, ou científica, ou de valor
equivalente (Lei n. 0 1. 821, d'e 12 de março de 1953) e, que
obtenham aprovação em exame de admissão das seguintes
matérias :
a)

b)
c)
d)

PORTUGU:f:S: artigos, substantivos, adjetivos, gênero
e número. Idéia de concordância nominal. Verbo, números pessoas, tempo e modos. Verbos regulares e irregulares. Conjugação por meio de frases. Concordãnci3.
do verbo com o sujeito. Pronomes, advérbios, conjunções coordenativas, conjunções subordinativas. Análise sintática. Correção d'e textos;
INGL:f:S: (tradução de 20 linhas, de autor moderno);
FRANC:E:S: (tradução de 20 linhas, de autor moderno) ;
DATILOGRAFIA .

Art. 5. 0 - Será considera do aprovado o candidato que obtiver, além da nota igual ou superior a quatro em cada disciplina, média igual ou superior a cinco no conjunto das di3ciplinas.
§ único - O candidato aos exames de admissão deverá requerer inscrição no período de 2 a 20 d'e janeiro, apresentando os seguintes documentos:
1)

2)
3)
4)
5)
6)
7)
8)

Prova de conclusão do curso secundário completo (certificado de 1.0 e 2.0 ciclos), acompanhados das fichas
modelos 18 e 19, em duas vias (firmas reconhecidas} ;
ou outro Curso de valor equivalente (Lei n.0 1 . 821, de
12 de março de 1953) ;
Carteira de identidade;
Certidão de nascimento passada por Oficial do Registro Civil;
Atestado de sanidade física e mental (firma reconhecida) ;
Atestado de idoneid'a de moral (firma reconhecida);
2 fotografias 3x4;
Prova de que está em dia com as obrigações relativas
ao serviço militar;
Prova de pagamento da taxa de inscrição: CrS 80,00.

Art. 6.º - A matrícula far-se-á no período de 1. 0 a 28 de fevereiro, devendo os candidatos a que se refere o artigo 4.º apresentarem documentos que comprovem haverem satisfeito à
exigência contida no referido artigo, além dos seguintes:
a)
b)
c)

268

certidão de idade;
atestado de sanidade física e mental;
carteira de identidade.

�Art. 7.0

-

O ano letivo compreende dois períodos: o l.º, de

1.0 de março a 30 de junho; o 2.0 , de 1.0 de agôsto a 15 de

dezembro.
§ único - O período sem anal dos trabalhos escolares será
ele doze horas.
Art. 8. 0 - A freqüência às aulas teóricas e práticas, semitran ários e excursões é obrigatória, sendo exigido para a admissão à segunda prova parcial, à prova oral e aos exames completos, a freqüência mínima de do is têrços (2/ 3) do total das
a ulas teóricas e p1·áticas dadas em cada cadeira.
Art. 9. 0 - Em cada cadeira serão exigidos anualmente três
(3) a seis (6) trabalhos práticos, aos quais atribuirá o professor notas gradu adas de zero (O) a dez (10).
Art. 10 - As provas parciais realizar-se-ão nas segundas
quinzenas de junho e novembro, respectivamente.
§ l.º - Será exigida, para admissão às provas parciais, em
cada cade ira, e em cada periodo do ano letivo, a média 3, no
mínimo, como índice de aproveitamento nos trabalhos escolares realizados .
§ 2. 0 - Será exigida, para admissão à segunda prova parc ial, a lém do disposto no parágrafo anterior, a freqüência de
dois t er ços (2/ 3) do total das aulas teóricas e práticas dadas
na cadeira.
Art. 11 - As provas parciais serão escritas e versarão sôbre
matéria lecionada a t é uma semana antes da sua realização.
§ 1.0 Organizarão os professôres, para a primeira e seg unda prova, lista de dez (10) a vinte (20) pontos, no mínimo,
respec tivamente, compreend'endo matéria do programa leciónado desde o início do ano letivo, não podendo ser incluídos na
segunda os pontos sorteados na primeira prova parcial .
§ 2. 0 - Cada ponto constará de três partes distintas.
ci

A1't. 12 - Ao a luno que não comparecer às pr ovas p arciais,
por motivo d'e doença ou de fôrça maior, a juízo do Diretor,
poderá ser concedida segunda chamada, devendo esta realizarse antes d a prova ou exame subseqüente.
·
A r t. 13 - As notas serão graduadas de zero a dez (O a 10))
~ únrco O a lu n o que não prestar qualquer prova parcial
ou que usar meios _ilícitos em sua realização terá nota zero (O).
Art. 14 - As provas finais serão orais ou prático-orais para
os a lunos que, nas provas parciais, alcançarem média de cinco
a sete (5 a 7) , exclusive, tomada em seus valôres exatos .
§ 1.0 - Média igual ou superior a sete (7), nas provas pa1·ciais, isentará o aluno da prova final da cadeira.
§ 2.º - N as provas finais os alunos deverão ser argüidos
pelo menos por dois dos componentes da comissão.
269

�Art. 15 - As listas de pontos poderão ser as mesmas da
segunda prova parcial.
Art. 16 - O aluno que, por motivo d'e doença ou fôrça maio;·,
a juízo do Diretor, não comparecer à chamada para prestação
da prova oral, será concedida uma segunda, desde que esta
possa ser realizada na mesma época de exames.
Art. 17 - Terminadas as provas do dia, a comissão julgadora procederá à apuração das notas, atribuind'o cada examinador grau de zero (O) a dez (10) e, extraindo-se em seguida,
a média aritmética das três notas.
§ 1.0 - Para a 'apuração da média final em cada cadeira,
em primeira época, serão somados a nota da prova oral e a
méd'ia das provas parciais, dividindo-se o resultado por doi.;.
·§ 2.0 - Será considerado aprovado na cadeira o a luno que
obtiver média final igual ou superior a cinco (5) , tomada em
seus \ralôres exatos .
Art. 18' - Os alunos dependentes, somente poderão prestar
provas finais das cadeiras em que obtiverem média de cinco
(5) a sete (7), nas parciais, depois de aprovados na d'ependência .
Art. 19 - As notas das provas finais, somente serão divulgadas, depois de concluídas as provas do dia e lavrada a ata
respectiva.
Art. 20 - Aos alunos que, satisfeitas as demais exigências
regulamentares, sem conseguir média 5, no mínimo, nas provas parciais, obtiverem, entretanto, média igual ou superio1·
a três (3) em uma ou mais cadeiras, será permitid'o prestar
exame completo da cadeira.
Art. 21 - As listas de pontos para os exames completos
poderão ser. as mesmas da segunda prova parcial..
Art. 22 - O exame completo constará da prova oral ou prática-oral, realizando-se esta somente depois de concluída a
primeira.
§ 1.0 A prova escrita será processada de acôrdo com o
disposto para a realização d'as provas parciais.
§ 2. 0 - A prova oral obedecerá ao regime estabelecido para
a ·prova final.
§ 3.0 - A nota de julgamento, em cada cadeira, será a m édia aritmética :11tre as notas obtidas na prova e~crita e n a
prova ·oral, tomadas nos seu·s volôres exatos, considerando-se
aprovado o aluno que assim obtiver grau não inferior a
cinco (5).
§ 4. 0 O -aluno que, por motivo de doença ou fôrça maior,
a juízo do Diretor, não comparecer à chamada para prestação
de· exame completo, será concedido uma segunda, desde que
esta possa ser realizada na mesma época de exames.

270

�Art. 23 - Os alunos dependentes, somente poderão prestar
exames completos das cadeiras da série condicional, depois d:::
aprovados na dependência.
Art. 24 a)

b)

c)

Poderão ser admitidos a exame de segunda época:

os a lunos que, satisfeitas as exigências regulamentares
para a inscrição nos exames de primeira época, não tenham a êles comparecido por motivo justo, comprovado
a juízo do Diretor;
a juízo do Conselho Técnico Administrativo, os alunos
que, não tendo alcançado a freqüência regulamentar ou
a média mínima de 3 nas provas parciais, tenham comparecido à metade das aulas teóricas e práticas ministradas;
os alunos reprovados, na primeira época, em uma ou
duas cadeiras .

Art. 25 - As listas de pontos para os exames de segunda
época abrangerão a totalidade da matéria lecionada.
Art. 26 - Os exames de segunda época serão escritos e orais,
obedecendo ao disposto para os exames completos.
§ 1.0 - A nota de julgamento em cada cadeira será a médi.:i
aritmética, em seu valor exato, entre as notas obtidas no exame
escrito e no exame oral, considerando-se aprovado o aluno que
alcançar média final igual ou superior a cinco (5);
§ 2.0 - O aluno que, por motivo de doença ou fôrça maior,
a juízo do Diretor, não comparecer à chamada para prestação
de exame de segund'a época, será concedida uma segunda, desde que esta possa ser realizada na mesma época de exames.
Art. 27 - O aluno matriculado condicionalmente, que fôr
dependente de uma cadeira da série anterior poderá prestar
exame dessa cadeira independente de média, em primeira ou
segunda época.
§ único - Poderão também, na mesma época, submeter-se
a exame completo da cadeira da série em que esteja condicionalmente matriculado, respeitadas as aprovações por média
que tiverem obtido.
Art. 28 - A promoção dos alunos matriculados nos cursos
de graduação obedecerá às seguintes condições:
a)
b)
c)
d)

freqüência às aulas práticas e teóricas, seminários e
excursões;
estágio representado pela coparticipação do aluno nos
trabalhos escolares da cadeira;
provas parciais; e eventualmente,
provas finais ou exames completos de primeira ou de segunda época.
271

�Art. 29 - Será considerado aprovado na cadeirn, com distinção, o aluno que obtiver média final de 9,51 a 10; plenamente, aquêle que alcançar média final de 7 a 9,50; e, simplesmente, o que obtiver média final d e 5 a 7, exclusive.
§ único - Será considerado reprovado n a cadeira o aluno
que obtiver média final inferior a cinco (5) .
Pôrto Alegre, 12 de dezembro ae 1958.

272

�FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA
DE SAO PAULO

INSTITUIÇÃO COMPLEMENTAR DA UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO

REGIMENTO DA ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA
DE SAO PAULO

CAPíTU LO I
Da Escola e seus fin s

Art. 1.0 - A E scola ele Bibliotecon omia de São Paulo, est..,.
belecimen to de ensino superior, mantido pela F undação Escoia
de Sociologia e Política, rege-se p elos Estatutos da en tidade
manten edora e pe lo presente Regimento.
Art. 2.0 - A E scola de Biblioteconomia de São Paulo tem
por objetivos :
I - promover o desenvolvimento e aperfeiçoamento da
biblioteconom ia e da documentação e d as ciências e
a rtes correlatas, através da pesquisa e do ensin o;
II
est imular , entre os estuda ntes universitários e os profissionais de nível superior, a pesquisa bibliográfic~
e a t écnica de informação científica .
Parágrafo ún ico - Para a consecução de suas fi nalidades ,
deverá a Escola:
a) formar p rofiss ionais de n ível superior, em cursos d e
graduação;
b ) manter cursos d e especialização, aperfeiçoamento e
extensão;
c) promover a rea lização de pesquisas e de cursos de pósgradu ação;
d ) colaborar com as demais instituições da Fundação Escola de Sociologia e Política e com outros estabelecimentos d e ensino superior e centros científicos e culturais,
do país e do estrangeiro.
'CAPITULO II
Da organização educacional

Art. 3.0 - Para a coordenação dos trabalhos de professôres
e alunos, e seu assessora m ento, a Escola de Biblioteconomia dE:
São Paulo terá :

�I II -

III IV -

a Congregação, órgão planejador e normativo do ensino, da pesquisa e da disciplina;
a Diretoria, órgão de direção do corpo docente e ,fo
corpo discente, e de execução das diretrizes da entidade mantenedora e das normas e resoluções da
Congregação;
os Departamentos - órgãos responsáveis pelas atividades de ensino e pesquisa;
o Conselho Departamental, órgão consultivo da Congregação e da Diretoria .
SEÇAO I
Da Congregação

Art. 4. 0 - A Congregação é constituída por todos os professõres em exercício, pelos assistentes em exercício h á mais cte
àois anos e por dois representantes do Corpo Discente .
A Congregação é presidida pelo Diretor da Escola.
§ 2. 0 - Os representantes do Corpo Discente exercem o mandato por um ano, e têm direito a voz e voto em todos os assuntos da competência da Congregação .
§ l.º -

§ 3.0 - Os representantes do Corpo Discente serão indicados pelo respectivo Diretório Acadêmico, dentre alunos do último ou dos dois últimos anos do curso de graduação, que -se
classifiquem, em aproveitamento escolar apurado desde a matricula inicial, no terço superior das respectivas turmas, e cujas
qualidades de liderança, sociabilidade e comportamento, assegurem representação autêntica e expressiva .
§ 4.0 - Compete à Congregação verificar se os nomes indicados preenchem as condições do parágrafo anterior, e decidir
a respeito.
Art. 5. - São atribuições da Congregação:

a)
b)

c)
d)
e)
274

dispor sôbre a ordem de seus trabalhos, criar comissões
permanentes ou especiais, resolver, na esfera de sua
competência, os casos omissos;
aprovar com a autorização da entidade mantenedora, a
criação, amplificação, supressão ou redução de disciplinas, observados os currículos mínimos obrigatórios e o
disposto neste Regimento;
aprovar o programa de cada disciplina, organizado, sob
forma de plano de ensino, pelo respectivo docente;
julgar a capacidade profissional de candidatos a funçõts
docentes na Escola;
opinar sôbre planos e medidas que, por iniciativa de

�qualquer de seus membros ou de terceiros, forem suge:ridos par·a ,maior eficiência de ensino;
f ) opinar, na esfera de sua competência, sôare a revalidação de diploma;
g) propor a modificação dêste Regimento, com base na
experiência colhida e visando ao aperfeiçoamento da
E scola;
h ) expedir normas e instruções complementares, observados a legislação do ensino, os Estatutos da Fundação
mantenedora e os preceitos dêste Regimento, dispondo
sôbre condições de admissão a seus cursos, de provimento de funções docentes, e outras questões de intE.rêsse didático e pedagógico;
i) julgar os recursos interpostos na forma prevista ne;;te
Regimento;
j ) opinar sôbre os assuntos que lhe forem apresentados peb.
entidade mantenedora, e exercer as demais atribuições
que lhe são inerentes ou que constam dêste Regimento;
k) a provar o Regimento do Diretór~o Acadêmico;
1) apurar a responsabilidade do Diretor da Escola que, por
atos, por omissão ou tolerância, permitir ou favorecer o
não cumprimento da lei.
§ 1.0 - Dentre as comissões permanentes da Congregação
serão constituídas a Comissão de Eficiência do Ensino e a Comissã o de Seleção e Disciplina.
§ 2.0 - A Comissão de Eficiência do Ensino será órgão consultivo elo Conselho Departamental, principalmente nos traba lhos relacionados com:

a)

b)
c)

d)
e)

coordenação e sistematização de currículo, sua atualização, distribuição das disciplinas por anos letivos, semestres ou trimestres, incluída a possibilidade de matrícula
por disciplina;
plano de ensino de cada disciplina, inclusive quanto à
sua carga horário de aulas, trabalhos práticos, e estudo;;;
a execução dos programas, de forma a assegurar o seu
cumprimento integral ou, em casos excepcionais justificados a seu critério, o de pelo menos tr~s quartas partes, em cada disciplina;
sugestão de medidas para maior eficiência de ensino;
avaliação de capacidade profissional de candidatos d1&gt;
corpo docente, inclusive mediante a realização de concursos ou exames.

§ 3.0 - A Comissão de Seleção e Disciplina compete, entre
outras atribuições:

a)

propor critérios para a escolha de novos alunos, inclusive organizando concursos de habilitação e supervisio-

275

�b)
c)
d)

e)

nando sua realização, e fixando condições para tra nsferência de outras Escolas, observados êste Regimen t:-&gt;
e as resoluções do Conselho Federal de Educação;
cotejar os processos de seleção adotados, com o a p roveitamento escolar dos a lunos admitidos;
sugerir cri térios de avaliação do aproveitamento escolar e de estímulo ao bom estuda ntes;
propor normas reguladoras de disciplin a do corpo discente, examinar os casos de infração e sugerir as· m ed idas cabíveis:
fiscalizar o cumprimento da Lei n .º 4 . 464 de 9-11-1964,
que dispõe sôbre os órgãos de representação dos estudantes, mantendo a Congregação informada a respeito .

§ 4. 0 - A Congregação indicará um de seus m embros, preferlvelmente da Comissão de Seleção e Disciplina, para:
a)

b)

acompanh ar a eleição do Diretório Acadêmico, assessorando os a lunos, fiscalizando o exato cumprimento r.la
lei e do Regulamento, e relatando, quando fõr o caso,
o processo de recursos contra o resultado d a eleição;
relatar os processos de prestação de contas e relatórios
do Diretó1·io Acadêmico, submetendo-os à a preciação e
julgamento da Congregação.

§ 5. 0 A Congregação deverá pronunciar-se sôb-re as r epresentações feitas pelo Diretório Acadêmico dentro do prazo
de 30 dias contados da data do respectivo recebimento .
§ 6. 0 Quando a matéria da representação de que trata o
parágrafo anterior fôr relativo ao previsto no art. 73 da L e t
de Diretrizes e Bases do Ensino Superior, a manifestação d;..
Congregação se deverá fazer:

a)
b)

no prazo de 8 dias, em se tratando de não comparecimento do professor, sem justificação, a 25 % das aula5
ou exercícios;
antes do início do ano letivo seguinte, no caso de não
cumprimento de, pelo menos, três partes do programa
da respectiva disciplina .
SEÇÃO II
Da Diretoria

Art. 6.º - O Diretor da Escola, de livre escolha da entidade
mantenedora, perante a qual responde pelo funcionamento d a
instituição, terá as atribuições previstas neste Regimento e as
demais inerentes ao cargo.

276

�Art. 7. 0
I -

II
III -

IV V

VI -

VII VIII -

IX X XI XII XIII -

-

Compete ao Diretor:

superintender as atividades da Escola, executar e
fazer executar as diretrizes e instruções da entidade mantenedora e da Congregação, e velar pela fiei
execução da legislação do ensino e dêste Regimento;
convocar e presidir a s sessões da Congregação;
indicar à Fundação o nome de um professor da E scola, para com êle, integrar o Conselho Consultivo
de Ensino da entidade mantenedora ou outro órgão
que, em decorrência de modificação estatutária, o
substitua;
submeter à consideração da entidade mantenedora
e da Congregação os assuntos, relativos às atividades d a E scola , que requeiram ação daqueles órgãos;
baixar, anualmente, o calendário escolar, tendo em
vista o plano de ensino a provado pela Congregação,
incluindo o número de horas semanais de aulas e ,
qua ndo couber, de traba lhos práticos para cada disciplina, organizando-o de fo1·ma a assegurar a duração mínima d e 90 dias úteis por semestre, ou 180
por a no letivo, excluídos os de exames e provas; a
dis tribuição dos horários; os períodos de férias e os
feriados escolares; os prazos de insc1~ição e datas
de realização de concursos de admissão e das m:.1trículas;
propor à Fundação a admissão, promoção, licenciamento ou dispensa de membros do Corpo Docente,
observados a legislação trabalhista e o presente R egimento;
baixar portarias e expedir instruções, para execução
dêste Regimento;
verificar a assiduidade dos professôres e demais
membros do Corpo Docente, e a observância, poi.·
parte dos mesmos, das prescrições dêste Regimento,
adotando ou propondo à entidade mantenedora, nos
casos de infração, as medidas corretivas adequadas;
exercer o poder disciplinar;
apresentar à Congregação e à entidade mantenedora o relatório anual das atividades da Escola;
assinar, com o Diretor Geral da Fundação e o Secretário, os diplomas e certificados conferidos pela
Faculdade;
presidir a cerimônia de colação de grau e demais
atos públicos observadas a precedência estabelecida
em lei ;
exercer as demais atribuições que lhe competirem
ou que lhe forem delegadas pela entidade mantenedora;
277

�X1V -

assegurar, mediante entendimentos com os órgão:;
executivos da Fundação mantenedora, os processos
de recolhimento das contribuições dos estudantes,
assim com0 de recebimento de auxílios para o cor po
discente, para sua destinação conveniente.

Art. 8° Diretor .

A Diretoria da Escola será integrada pelo V ice-

§ l.º - O Vice-Diretor, nomeado pela entidade mantenedora, deverá ser escolhido dentre os professôres de carreira d :.i
Escola;
§ 2. 0 - São atribuições do Vice-Diretor:

a)
b)

auxiliar o Diretor no exercício de suas fun ções, ass umindo, coro a anuência da entidade mantenedora, as fu nções que lhe forem delegadas;
substituir o Diretor em seus impedimentos e, em caso
de vacância até o nôvo provimento do cargo.
SEÇÃO IJJ
Dos Departamentos

Art. 9. 0 - Os Departamentos sâo unidades de ensino e pesquisa, constituídos pelos recursos de pessoal e m a ter ial d ed icados a um grupo de disciplinas ou assuntos afins .
Parágrafo único - As disciplinas isoladas ou auxilia r es serão distribuídas entre os Departamentos, ou incluídas em um
dêles, conforme a maior conveniência didático-c ientífica.
Art. 10 - A Congregação decidirá sôbre a constituição dos
departamentos .
§ l.º - A Chefia de cada Departamento será exercida, em
rodízio, por um de seus integrantes, por escolha d a m a ior ia, e
renovada anualmente.
§ 2. 0 O Diretório Acadêmico poderá designa r um seu r epresentante junto a cada Departamento, devendo a escolha r ecair em estudante regularmente matriculado em série que n ão
a primeira do curso, e que seja aluno de curso ou clisciplinê,
integrante do respectivo Departamento.
SEÇÃO IV
Do Conselho Departamental

Art. 11 - O Conselho Departamental será constituído pelos
chefes de departamentos e por um representante do Diretório
Acadêmico, que deverá ser aluno regularmente matriculada
em série que não a primeira.

278

�Parágrafo único - A Congregação disporá sôbre a organização do Conselho Departamental, cujas atribuições incluirão,
obrigatõriamente, as relacionadas no § 2.0 do art. 5. 0 •
CAPíTULO III
Do Corpo Docente

Art. 12 - O Corpo Docente da Sscola de Biblioteconomia é
constituído:
a)
b)

pelos integrantes da carreira de magistério da E scola;
por professôres visitantes e conferencistas.

§ 1.0 - A carreira do magistério compreenderá as seguintes
classes de cargos:

I II III -

Instrutor;
Professor Assistente;
Professor.

§ 2. 0 - São professôres visitantes os membros do Corpo Docente de outros estabelecimentos de ensino superior ou de universidade, que prestem serviços na Escola, em caráter temporário.
§ 3. 0 - Consideram-se professôres conferencistas os profL;s ionais não integrados na carreira do magistério, que se destacam na pesquisa ou em qualquer atividades especializadas,
e que colaborem no ensino da Escola.

Art. 13 - Cabe aos professôres e professôres assistentes de
carreira a responsabi lidade pela eficiência do ensino, particularmente nas disciplinas ou na disciplina a seu cargo.
1- l.º Quando a r egência de uma disciplina fôr, mediante.
proposta do Departamento correspondente, atribuída a um
Professor-Assistente, a êste caberá a responsabilidade de que
trata êste artigo, bem como a autoridade para a prática de
todos os atos escolares correspondentes, nos têrmos dêste
Regimento .
§ 2. 0 Ao Instrutor cabe auxiliar nas tarefas de pesquisa e
de ensino teórico ou prático, sendo vedado encarregá-lo da regência de uma disciplina.
Art. 14 - Os cargos de professor serão preenchidos por pessoas cuja forma ção universitária e profissional revele, além de
grau de pós-graduação ou títulos e publicações, experiência didática ou de orientação de pesquisa em nível superior ."
Art. 15 - A admissão do Professor-Assistente dependerá na
comprovação de atividade intelectual ou científica adequada,
279

�expen en cia profissional ou didática de pelo menos três an0i-.
de trabalho após su a graduação, além de prova de ter curso
superior no qual se ministr e disciplina afim.
Art. 16 - Os Instrutores terão como cond ição para admissão
a posse de diploma de curso superior e serão recrutados, preferlvelmente, dentre estuda ntes de cursos de pós-graduaçã o,
mediante proposta dos Depa rtamentos.
Art. 17 - O pessoal docente d a E scola tem seus direitos e
deveres regulados pela iegislação do trabalho, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pelos Estatutos da entidade mantenedora e pelo presente Regimento .
§ 1. 0 O quadro do pessoal docente será fixado pela Fundação mantenedora, que disporá sôbre a abertura de vag_a s de
Professor-Assistente e Professor, de forma a assegurar a carreira do m agist ério , e sôbre os respectivos níveis de r ~muneração.
§ 2.l - A Fundação estimulará o aperfe içoam ento profissional e a divulgação dos resultados dos trabalhos do Corpo Docente da Escola .
Art. 18 - A todo membro do Corpo Docen te, incumbe, além
dos ·deveres que normalmente decorrem do exercício do m agistério, concernentes à dedicação ao ensino, à probidade científica. e à conduta pessoal e irrepreen sível:
a)

prestar assistência aos seus alunos, através de consul tas ou outros meios convenientes;
b) dedicar-se à pesquisa e a estudos de su a especialidade:,
visando ao próprio aperfeiçoamento con tinuado;
c) desempenhar-se das atribuições que lhe sejam cometi. das pelos órgãos da Escola e pela entidade m antenedora, dentro de sua especialidade;
d) comparecer às reuniões e solenidades da Fundação e da
Escola;
e) dar cumprimento aos Estatutos da en tidade ma nten cdora e ao Regimento da Escola.
Parágrafo único - O membro do Corpo Docente que revela r
incompetência científica, inca pacidade didática, desídia no d esempenho das funções, ou procedimento incompatível com a s
finalidades da instituição, ou que incorrer nos casos previstos
no § 2. 0 e no § 3.0 do art. 73 da Lei n .0 4. 024 de 20 de dezembro de 1961, será destituído de suas funções.
CAPITULO IV
Do regime escolar

Art. 19 - O curso de graduação em Biblioteconomia e Documentação terá, como organização mínima, no tocante a

280

�c ul'rículo e d u ração, a prevista na legislação federal e nas resoluções do Conselho Federal de Educação.
§ 1. 0 O currículo pleno, a ordenação ou seriação das disciplinas, os planos de estudo e demais princípios relativos ao
regime didático, serão regulados em resoluções da Congregação, e poderão ser an u a lmente revistos .
§ 2.0 O programa c.1e cada disciplina ser á e laborado pe lo
r espectivo docente e aprovado pela Congregação.
~ 3.0 O ensi no será ministrado em a ulas teóricas e práticas, incluindo projeções, confer ências, debates, sem inários, estág ios, projetos e trabalhos de laboratórios.
Art. 20 - O a no letivo terá a duração mínima de 180 dia~
ele trabalho escolar e fetivo, excluído o tempo reservado a prova s e exames.
§ l.º - O ano é dividido em dois períodos letivos, que se
in iciam na primeira segunda-feira d e março e de agôsto.
§ 2.0 - Sempr e que, por qualquer motivo, as atividades escolares forem interrompidas, o período ou o a n o letivo será
prorrogado até que se cumpra o disposto neste artigo .
Art. 21 - A freqüência a tôclas as atividades escolares é
obriga tória, consider a ndo-se reprovado na disciplina o aluno
que faltar a ma is de 30 % elas a ulas, sejam teóricas, sejam
pdticas .
Par ágrafo único
Poderá ser concedido trancamento de
matrícula ao a luno que ultrapassar o limite de faltas previsto
neste a rtigo, por motivo de moléstia ou outro relevante, a juízo
da Congr egação, ouvida a Comissão de Seleção e Disciplina .
Art. 22 - A verificação elo aproveitamento escolar, por disciplina, será feita :
a)
b)
e)

pelos trabalhos do a luno, no decorrer do periodo ou
ano letivo;
pelos exames escritos ou orais, semestrais ou anuais;
pelo exam e de segunda época .

~ 1-º O r egim e de promoção e d1~pendência será objeto d e
regulamentação especial, pela Congregação, observados os
seguintes princípios gera is:
a) as notas serão avaliadas de zero a dez;
b) h averá, no m ínimo, duas notas de aproveitamento, durante o sem estre ou ano letivo;
c) será dispensado de exame oral o a luno que atingir determinada m édi a;
d) a média final mínima, para aprovação, será 5 (cinco) ;
e) poderá ser submetido a exame de segunda época o a luno que, no máximo em duas disciplinas, tiver sido re-

281

�f)

provado em primeira época ou estiver incurso na reprovação prevista no art. 21;
o aluno reprovado mais de duas vêzes, em uma disciplina, não poderá nela matricular-se novamente .

§ 2. 0 - O processo de apuração do rendimento escolar poderá, em determinadas disciplinas, dispensar o exame escrito
formal e basear-se em relatórios, monografias, ensaios. Poderá, ainda, em qualquer disciplina, ser dado m aior pêso ao
resultado de trabalhos práticos, argüições ou outras formas
de verificação do aproveitamento. Em qualquer caso, a adoção de processo especial será proposta na organização do plano de ensino correspondente ao programa da disciplina, e dependerá de prévia aprovação da Congregação .

Art. 23 - Os cursos de especialização e os de aperfeiçoa mento, destinados a aprofundar conhecimentos necessários a
aplicações científicas ou profissionais, ou ampliar os conhecimentos de uma ou mais disciplinas; e os cursos de extensão,
visando ampliar, em benefício coletivo, a atividade técnica,
científica e cultural da Escola, serão objeto de normàs regimentais próprias, propostas pela Congregação e aprovadas
pelo Diretor e pela entidade mantenedora .
Parágrafo único - Poderão incluir-se entre os de que trat a
êste artigo, cursos especiais para outros profissionais de n ível
superior bem como para auxiliares de biblioteca.
CAP1TULO V
Do registro de alunos

Art. 24 - O curso de graduação em Biblioteconomia e
Documentação estará aberto à matrícula de candidatos quE:
hajam concluído o ciclo colegial ou equivalente, e obtido classificação em concurso de habilitação.
§ l.~ -As instruções reguladoras do concurso serão baixadas
pelo Diretor, por proposta da Comissão de Seleção e Disciplina,
aprovadas pela Congregação.
§ 2.0 - Poderão ser matriculados no 1.0 ano, independentemente de concurso de habilitação e a critério da Congregação,
portadores de diplomas de curso superior, sempre que não
forem preenchidas, no concurso, tôdas as vagas.
§ 3.0 Será permitida a transferência de aluno de outra
escola, observadas as seguintes condições:
a)
b)

282

existência de vaga;
proceder, o eandidato, de estabelecimento de ensino superior nacional reconhecido, ou estrangeiro idôneo, a
juízo da Congregação;

�c)

d)

aprovação nos exames de capacidade que a Comissão de
Seleção e Disciplina julgar necessários, e sujeição à obrigatoriecfade de realizar, a critério do mesmo órgão,
cursos de adaptação;
cumprimento das exigências que o Conselho Federal rle
Educação estabelecer, de conformidade com o art. 100
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional .

Art. 25 -

A matrícula se fará por série ou por disciplina .
A Congregação disporá sôbre as condições de matrícula por disciplina, inclusive especificando os pré-requisitos de cada uma delas .
§ 2.0 - A matrícula é válida para o ano ou período letivo
correspondente, e deverá ser renovada segundo as condições,
inclusive de pagamento de taxas, fixadas pela entidade mantenedora, ol:&gt;servado o disposto neste Regimento.
§ 1.0

-

Art. 26 - Será cancelada a matrícula, e considerado desligado o aluno:
a)

quando não a renovar em tempo oportuno, ou deixar de
efetuar, nos respectivos vencimentos, os pagamentos
das taxas ct·e matrícula e anuidades;
b ) por motivo de doença incompatível com o convívio
escolar;
c) quando lhe fôr disciplinarmente imposta a pena de
exclu são;
d ) quando a solicitar, por escrito, e o pedido fôr aceito
pelo Diretor.
§ l.º - Poderá ser recusada nova matrícula ao aluno que
não lograr aprovação, por dois a nos consecutivos, na mesma
série ou conjunto de disciplinas.
§ 2.0 A renovação da matrícula poderá ser recusada, a
critério da entidade mantenedora, quando o requerente houver revelado inadaptação ao ambiente universitário e às final idades da Escola .

Art. 27 - O registro escolar do aluno incluirá o assentamento de seu aproveitamento em cada uma das disciplinas,
de seu comportamento, e de suas atividades extra-curriculares
relacionadas com a Escola.
CAP1TULO VI
Do 1·egime disciplinar

Art. 28 - Os alunos da Escola estão sujeitos às seguintes
penalidades, sem prejuízo da responsabilidade civil ou criminal em que hajam incorrido:
283

�a)
b)
c)
d')

advertência;
reepreensão;
suspensão até dois anos;
exclusão .

Art. 29 - As penalidades previstas no artigo anterior serã0
aplicadas em casos de:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

g)
h)

infração de prescrição legal ou regimental, ou de instruções expressas emanadas das a utoridades competen tes;
perturbações da ordem;
desrespeito às autoridades escolares e da Fundação;
danos propositais ao patrimônio da Escola ou d a Fundação, além de obrigação de repor a coisa danificada ou
de indenizá-la;
prática d e atos desonestos;
prática de ato atentatório à mora l ou aos bons costumes;
improbida de na execução de trabalhos escolares;
condenação passada em julgado.

Art. 30 - As sanções disciplinares previstas nas letras "a"
e "b" do a rt. 29 serão a plicadas de plano, pelo Diretor da Escola. As d em ais serão aplicadas mediante processo d isciplinar, de acôrdo com as normas que a comissão de Seleção e
Disciplina sugerir.
§ l.º - No caso de suspensão até um ano caberá ao interessado, dentro de 30 dias, o direito de recurso à Congregação .
§ 2. 0 No caso de suspensão por tempo superior a um ano,
ou no da exclusão, caberá, no mesmo prazo, recurso ao Conselho Federal de Educação, de acôrdo com o art. 87 da L ei
n .0 4 . 024 de 20 de dezembro de 1961.
§ 3. 0 - As penalidades previstas nas letras "a" e "b" do art.
39, e a de suspensão por pra zo não superior a 30 dias, poderão
ser canceladas, a juízo da Comissão de Seleção e Disciplina,
desde que, decorridos, conforme o caso, um ou dois anos d a
sua imposição, tenha o infrator revelado conduta exemplar .
CAP1TULO VII
Do Corpo Discente

Art. 31 - Os alunos regularmente matriculados terão com o
órgão de representação um Diretório Acadêmico, com o objetivo principal de promover a cooperação entre os estudantes,
o Corpo Docente e a Fundação, o bem-estar dos alunos e o
progresso e prestígio crescente da Escola .
§ l.º Constituem finalidades específicas do Diretório
Acadêmico:
a)
284

defender os ínterêsses dos estudantes;

�b)
c)

cl )

e)
f)

g)

promover a aproximação e a solidariedade entre os corpos discente, docente e administrativo do estabelecimento;
preservar as tradições estudantis, a probidade d a vida
escolar, o patrimônio moral e m a terial da Fundaçã o e
da E scola e a h armonia entre os diversos orga nismos
da estrutura escolar;
organizar reuniões e certames de carát er cívico, socia l,
cultura l, cien tífico, técnico, artístico e desportivo, visa ndo à complementação e a o aprimoram ento da form ação universitária;
manter serviços de assistência aos a lunos carentes de
recursos;
manter intercâmbio e colaboração com entidades congêneres; e
lutar pelo apr imora m ento das instituições d emocrática~.

§ 2.0

a)
b)

-

Compete privativamente ao Diretório Acadêmico:

patrocinar os interêsses do corpo discente;
designar a representação prevista em lei junto à Congregação e ao Conselho Departamental, e bem assim
junto a cada D eparta mento constitutivo da Escola.

§ 3. 0

A r epresentação d e que trata a letra "b" do pa rá~rafo a nterior poderá fazer-se acompanhar de um aluno de
curso ou seção que tenha interêsse no assunto a ser deliberado.
§ 4.0 - O exercício do voto para a escolha dos integrantes
do Diretório_ Acadêmico é obrigatório, não sendo admitido ã
prestação de exame parcial ou final, subseqüente ã eleição, o
êi luno que não comprovar haver votado no referido pleito, salvo por motivos d e doença ou fôrça maior, devidamente comp rovados e justificados pela Congregação.
§ 5. 0 Poder ão ser constituídas entidades com personalidades jurídica de direito privado, para o fim específico de manu t en ção de obras de caráter assistencial, esportivo ou cultural, de interêsse dos estudantes.

Art. 32 - O Diretório Acadêmico constituído por um prt:s idente e cinco membros, será integrado por alunos regularm ente matriculados na E scola, eleitos pelo Corpo Discente, na
fo rma prescrita neste artigo.
§ 1.0 Não são elegíveis:
a)
b)
c)

a lunos matriculados na l.ª série do curso;
alunos repetentes;
alunos em regime de "dependência" ou regime parcehdo ou matriculados em matérias avulsas.
285

�§ 2.0

A eleição do Diretório Acadêmico observará os seguintes preceitos:

a)

a eleição se fará pela votação dos estudantes regularmente matriculados, identificados à vista de lista fornecida pela Diretoria da Escola, sendo obrigatório o
exercício do voto;
b) far-se-á o registro prévio de candidatos ou chapas, observado o § 1.0 do art. 32 e o § 3.0 do art. 4. 0 , e sendo v~dada a reeleição para o mesmo cargo;
c) realizar-se-á a eleição em dia útil, no horário de expediente da Escola, assegurando-se o sigilo do voto e a
inviolabilidade da urna;
d) a apuração far-se-á imediatamente após o término era
votação, asseguradas a exatidão dos resultados e a possibilidade de apresentação de recurso, à Congregação da
Escola;
e) consideram-se eleitos os alunos que obtiverem o maior
número de votos, e que exercerão por um ano o m andato, que se extinguirá automàticamente, em caso de
mudança para o regime parcelado, ou de trancamento
de matrícula, desligamento ou conclusão do curso;
f) a Congregação designará um de seus membros para
acompanhar todo o processamento da eleição.
§ 3. 0

A representação, prevista na letra "b" do § 2.0 do
art. 31 será exercida pelos próprios integrantes do Diretório
Acadêmico, ou por alunos para êsse fim designados pelo Diretório, na forma prevista no parágrafo seguinte, observado
o disposto no § 3.0 do art. 4.0 .
§ 4.º - Para a designação de que trata o parágrafo anterior:
a)

b)

-

a turma correspondente a cada série, exceto a primei ra,
indicará três nomes, para constituirem a sua representação junto aos órgãos colegiados e departamentos da
Escola;
o Diretório Acadêmico indicará o aluno acompanhante,
no caso previsto no§ 2. 0 do art. 3.0 da Lei n. 0 4 . 464, de
9/11/ 1964, observadas as mesmas restrições estabelecidas no § 1.0 dêste artigo .

§ 5. 0

O Regimento do Diretório Acadêmico observará,
além de outras exigências legais e regimentais, as seguintes
disposições:

a)

286

é vedada ao Diretório Acadêmico, qualquer ação, man:.festação ou propaganda de caráter político partidário.
bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares;

�b)

c)
d)
e)

f)

o Regimento do Diretório Acadêmico fixará, de acôrdo
com a lei e os Estatutos da Fundação e o Regimeni:0 da
Escola, a composição, organização, atribuições e ·processo de funcionamento do Diretório;
o exercício de funções de representação, ou delas dec01·rente, não exonera o aluno do cumprimento de seus deveres escolares, inclusive o de freqüência;
todo o movimnto de receita e despesa, com a devida
comprovação, será lançado em livros apropriad.os;
o Diretório apresentará a Congregação, ao término de
seu mandato, relatório circunstanciado de suas atividades, inclusive a prestação de contas das verbas, subvenções e outros auxílios, e das contribuições, recebidas
durante a respectiva gestão;
a não aprovação d'a s contas de que trata a letra anterior
se comprovado o uso intencional e indevido dos bens E
recursos da entidade, importará em responsabilidade
civil, penal e di sciplinar dos integrantes do Diretóri':&gt; .

§ 6. 0 - O regi mento do Diretório Acadêmico só terá vigência
d epois de aprovado pela Congregação da Escola e pela entidade mantenedora, e o Diretório Acadêmico só será reconhecido como órgão oficial de representação do Cm:po Discente
quando e enquanto observadas as prescrições legais e dêsti::
Regimento.

CAPfTULO VIII
Dos títulos e diplomas

Art. 33 - Aos alunos que concluírem com aproveitamento
o curso de graduação será conferido o grau de Bacharel em
Biblioteconomia e Documentação.
_
Parágrafo único - A Escola conferirá c.e rtificado aos que
concluírem qualque1· dos cursos a que se refere o art. 23 dêste
Regimento .
Art. 34 - A revalidação de diplomas estrangeiros se farã
de conformidade com a legislação do ensino e as normas que
a Congregação bai~~r.
Art. 35 A concessão de títulos honoríficos dependerá de recomendação aprovada por dois têrços, no mínimo,
dos membros da Congregação, e homologada pela entidade
mantenedora.
Art. 36 - Revestir-se-á de solenidade a colação de grau,
que deverá, sempre que possível, realizar-se simultâneamente
com a cerimônia de formatura de outras instituições de ensino
da Fundação Escola de Sociologia e Política.

287

�CAPITULO IX
Das disposições gerais

Art. 37 - A Congregação disporá, quan do n ecessário, sôbre
os traba lhos d e pesquisa e as publicações da E scola, p r opondo
à en t idade m a nten edor ~ as normas regimentais r espectivas .
Art. 38 - A in stituição d e cursos de pós-graduação, conduzindo ao g r au d e Mestre e ao de Dou tor, d epen derá d e regula m entação espec ial .
Art. 39 - O Diretor da E scola baixa rá, ou v ida a Congregação, instruções r egula ndo -o concurso de h abilitação.
A rt. 40 - O currículo pleno do curso de gr ad uação ser á
objeto de ato d o Diret or, baixado de conform idade com a corr esponden te r esolução da Congregação.
§ 1.0 E ventuais mod ificações n o cu rrículo só poder ão t eiv igência a partir de um nôvo ano letivo .
§ 2. 0 A E scola infor ma r á o Conselho Federa l de Educação sôbre o cu rrículo pleno e a s modificações que nê le v ier em
a ser introduzidas.
Art. 42 - As resoluções da E scola ou de qua lquer de seu s
órgãos que diret a ou indiretamente impor tar em em ônus parv
os cofres d a Fundação, só poder ão v igorar q uando a provada!'.
pela entidade m antenedora .
Art. 43 - A Fundação E scola de Sociologia e Política assegurará à Escola de Biblioteconomia os r ecursos e m ant erá os
laboratórios e instalações, de que necessitar par a seu bom
fun cionamento .
Das disposiçõee transitórias
1.ª - Enqua nto não fôr implantado , n a for ma prevista n o
a rt. 1O, o sistema de departamentos , a coordenação das a tiv ldades de ensino e pesquisa será feita pelo Diretor da E scola.
observadas as disposições do art. 5.0 .
2.ª - Enqua nto não fôr constituído o Conselho D~parta mental, de que trata o ã rt. 11, o Diretor será assessorado p o1
uma Comissão Técnica, integrada por 3 professôres e um re presentante do Diretório Acadêmico, indicados, aquê les, pe!rt
Congregação .
3.ª - Uma vez aprovado pelo Conselho Federal de Educação o presente Regimento, a vigência de suas disposições poderá, a juízo da Congregação, ser processada por partes, em
prazo que não ultrapasse a data seguinte à do término do a no
letivo corrente .

288

�PROJETO DE REGULAMENTO DA ESCOLA DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO DE
SAO CARLOS

T!TULO I
Fins e Organização Didática da Escola

SUB-T!TULO I
Fins

Art. 1.0 - A Escola de Biblioteconomia e Documentação de
São Carlos, estabelecimento de ensino superior, entidade particular, constituída em Sociedade Civil "Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos, tem por fim ministrar cursos, desenvolver e aperfeiçoar o estudo da Biblioteconomia e assuntos correlatos .
SUB-T!TULO II
Cursos e Currículos

Art. 2. 0 - A E scola de Biblioteconomia e Documentação de
São Carlos ministrará os seguintes cu rsos:
a)

b)

c)

curso de graduação em Biblioteconomia e Documentação, aberto à matrícula de candidatos que hajam concluído o ciclo colegial ou cursos equivalentes e obtido
class ificação em concurso de habilitação;
cursos de disciplinas optativas, visando proporcionar
aos estudantes conhecimentos mais aprofund'ados de
matérias correlatas que não pertençam ao currículo e
conhecimentos para a sua formação cult ural;
cursos de aperfeiçoamento, especialização, extensão e de
pós-graduação, destinados a aprofundar e ampliar conhecimentos de quaisquer disciplinas lecionadas na Escola, ou de matérias a fins, visando formar especialistas
de nível superior, ou prolongando, em caráter de vulg1.rização, as atividades didáticas da Escola.

Art. 3.0 disciplinas:

O curso de graduação compreenderá as seguintes

T eoria da Organização e Administração de Bibliotecas
Organização e Administração de Bibliotecas
Classificação I, II, III
Catalogação I , II, III
Referência e Bibliografia Especializada
289

�Paleografia
História do Livro
Seleção bibliográfica
Documentação
Catalogação de Material Especializado
Introdução à Cultura Artística
Introdução à Cultura Filosófica
Introdução à Cultura Histórica
Introdução à Cultura Científica
Introdução às Ciências Sociais
Língua e Literatura Portuguêsa
Psicologia
Art. 4. 0 - As disciplinas discriminadas na letra "c" do art.
2. 0 serão lecionadas com critério, intensidade e extensão adequadas a cada um dos cursos, respeitando-se a orientação do
professor que ministrará o curso, de acôrdo com a Diretoria
da Escola.
Art. 5.0 - A distribuição e duração das d isciplinas e os horários escolares serão organizados tomand'o-se por base o
currículo abaixo discriminado:
CURR1CULO
1.0 ANO

Teoria da Organização e Administração de Bibliotecas
Clássificação I
Catalogação I
Referência
Paleografia
Introdução à Cultura Histórica
Introdução à Cultura Artística
Língua e Literatura Portuguêsa
2.0 ANO

Organização e Administração de Bibliotecas
Classificação II
Catalogação II
Bibliografia Especializada
História do Livro
Introdução às Ciências Sociais
Psicologia
Seleção Bibliográfica
3.0 ANO
Classificação III ·
Catalogação III

Catalogação de Material Especializado
Documentação
290

�Introd'ução à Cultura Científica
Introdução à Cultura Filosófica
§ único - Além das disciplinas mencionadas no currículo,
os estudantes serão obrigados a um estágio de 100 (cem) ho-ras na Cadeira de Organização e Administração de Bibliotecas, anualmente.
Art. 6. 0 - Os cursos acima discriminados somente poderão
ser modificados em obediência à legislação (estadual ou feãeral) em vigor.
Art. 7. 0 - As disciplinas mencionadas no art. 5-º serão cla~sificadas em cadeiras.
Art. 8.0 - O agrupamento das disciplinas em cadeiras será
o seguinte :

Organização e Administração de Bibliotecas
- compreenderá as seguintes disciplinas: "Teoria da Organização e Ad'ministração de Bibliotecas", "Organização
e Administração de Bibliotecas" e "Organização de Bibliotecas Especializadas (estágio 100 horas).
Cadeira n.0 2 - Classificação - compreenderá as seguintes
d isciplinas: "Classificação I, II e III" .
Cadeira n .0 3 - Catalogação - compreenderá as seguintes disciplinas: "Catalogação I, II e III" e "Catalogação de Material Especializado".
Cadeira n. 0 4 - Referência - compreenderá as seguintes di!:'ciplinas: "Referência" e "Bibliografia Especializada" .
Cadeira n. 0 5 - ;Paleografia - compreenderá a seguintes disciplina: "Paleografia".
Cadeira n .0 6 - Introdução à Cultura Histórica - compreenderá a seguinte disciplina: :Introdução à Cultura Histórica".
Cadeira n .0 7 - Introdução à Cultura Artística - compreenderá a seguinte disciplina : "Introdução à Cultura Artística".
Cadeira n.0 8 - Língua e Literatura Portuguêsa - compreenderá a seguintes disciplina: "Língua e Literatura Portuguêsa".
Cadeira n.0 9 - História do Livro - compreenderá a seguinte d'isciplina : "História do Livro" .
Cadeira n. 0 10 - Seleção de Livros - compreenderá a seguinte disciplina: "Seleção de Livros" .
Cadeira n .0 11 - Documentação - compreenderá a seguinte
disciplina: "Documentação" .
Cadeira n. 0 12 - Introdução às Ciências Sociais - compreenderá a seguinte disciplina: "Introdução às Ciências Sociais".
Cadeira n.0 13 - Introdução à Cultura Filosófica - compreenderá a seguin te d'isciplina : "Introdução à Cultura Filosófica".
Cadeira n .0 1 -

2.91

�Introdução à Cultura Científica - compreenderá a seguinte disciplina : "Introdução à Cultura Científica".
Cadeira n. 0 15 - Psicologia - compreenderá a seguinte disciplina: "Psicologia".

Cadeira n-0 14 -

Art. 9.0 - A partir de 1965, os estudantes serão obrigados
a cursar e obter aprovação em pelo menos dois cursos de disciplinas optativas, citadai:. na letra "b" ão art. 2.0 •
Art. 10 - Os estudantes poderão matricular-se nas disciplinas do artigo anterior em qualquer época do curso da Escola .
§ único - A natureza e a duração - nunca inferior a urr.
semestre letivo das disciplinas optativas serão fixadas
anualmente, por proposta dos professôres, à Diretoria da
Escola.
Art. 11 - O mesmo critério será adotado quanto aos cursos
de aperfeiçoamento, especialização, extensão e pós-graduação.
Art. 12 - Os cursos referidos nos dois artigos anterior~s
poderão ser ministrados pelos professôres já contratados para
o curso de graduação ou por especialistas não pertencentes
ao Corpo Docente.
Art. 13 - Todos os professôres da Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos serão contratados anualmente pela Diretria d á Escola, podendo êsses contratos ser
renovados quantas vêzes as partes contratantes desejarem, até
o estabelecimento de concursos de docência em biblioteconomia, quando então será automàticamente modificado êste
artigo.
TITULO II
SUB-T1TULO I
Disposições Preliminares

Art. 14 - A Escola de Biblioteconomia e Documentação de
São Carlos gozará de autonomia didática e administrativa, nos
limites de sua competência, obedecidas as normas da legislação em vigor .
a)

•

b)

A Diretoria da Sociedade Civil "Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos";
A Congregação .
SUB-TITULO II
Diretoria e Secretaria

Art. 16 -

292

O Diretor é o órgão executivo a quem cabe a

Ct)·

�ordenação, fiscalização e superintendência das atividades cta
Escola.
§ l.º - O expediente geral da Sociedade Civil "Escola de
Biblioteconomia e Documentação de São Carlos" será orientado pelo Diretor e por um Secretário da Sociedade.
§ 2. 0 - O expediente geral didático será orientado pelo Diretor e por um Secretário da Escola.
Art. 17 - O Dil~etor será eleito anualmente pelos membros
da Sociedade Civil.
Art. 18 -

Serão atribuições do Diretor:

a) superintender os serviços da Escola;
b ) representar a E scola em juízo e fora dêle;
c) velar pela fiel observância dêste Regulamento e do Regimento Interno, além dos estatutos da Sociedade Civil;
d) convocar e presidir as reuniões da Sociedade Civil e as
da Congregação;
e) assinar, juntamente com os Secretários, da Sociedade
Civil ou da Escola, conforme a espécie do documento;
f) contratar professôres e funcionários e dar posse aos
mesmos;
g) exercer o poder disciplinar em relação aos alunos;
h ) e laborar, anualmente, com a colaboração dos membros
da Sociedade Civil, o orçamento da Escola, autorizando
e fiscalizando a aplicação das respectivas verbas;
i) assinar contratos e obras de prestação de serviços em
em geral com entidades públicas ou particulares;
j) velar pela fiel observância do regime didático;
1) incentivar e organizar pesquisas, trabalhos e publicações didáticas e técnicas ou científicas, bem como a comemoração da Semana Nacional da Biblioteca;
m ) orientar a organização bibliográfica e científica da biblioteca, de acôrdo com o bibliotecário e com os membros do corpo docente;
n ) organizar, juntamente com os professôres, cursos de
aperfeiçoamento, especialização, extensão e de pósgraduação;
o ) decidir sôbre co.:1cessão de férias aos funcionários da
Escola;
p) designar quem substitua os secretários, tesoureiro e o
bibliotecário em seus impedimentos;
q ) encerrar os têrmos de matrícula e exames de alunos e
de inscrição aos diversos cursos da Escola;
r) assistir, sempre que possível, aos atos e trabalhos escolares de qualque: natureza;
s) exercer as atribuições não especificadas neste artigo,
mas, decorrentes do regulamento ou inerentes às funções executivas do Diretor.
293

•

�T !T ULO III
Serviços Administrativos

A r t . 20 --0 m ovimento administrativo da Sociedade Civ il
será execu tado por u m Secretár io, eleito anu almen te, e orientado pelo Diretor.
§ 1.0 O movimen to escolar e admin istrativo da E scola
será centralizado numa secretár ia, d irigida por um secretá r io,
contratado pela Dir etoria da Sociedade Civ il, sob orientação
do Diretor da Escola .
§ 2.0 - As funções e at r ibuições da secreta ria serão discr im inadas em r egimento interno .
T!T ULO IV
Pessoal Administrativo

A r t . 21 - No setor adm inistrat ivo, contará a E scola com
os seguin tes ca rgos e fu nções, a lém d e outros que se fi zerem
n ecessários e que serão preench idos à medida das necessidad es de a mpliação da vida escolar:
Diretor
Vice-Diretor
Secretário Sociedade Civil
Secretário Escola
Tesoureiro
Bibliotecário-Chefe
Bibliotecários
Bibliotecários Auxiliares
Técnicos de Documentação
Auxiliares de Documentação
Escriturár ios
·
Inspetor de alunos
Serventes
Motorista
T!TULO V
órgãos Consultivos e Deliberativos

SUB-TtTULO I

•

Conselho 'fécnico Administrativo

Art- 22 - O Conselho Técnico Administrativo é o órgão
consultivo e deliberativo da Escola e será formado pelo Diretor, um representante da Sociedade Civil e três professôres da
294

�Escola, eleitos respectivamente pelos membros da Sociedade
Civil e pelos professôres da Escola, anu al mente .
§ l.º O Presidente nato do Conselho Técnico Administrativo será o Diretor da Escola.
§ 2. 0 As atribuições e os trabalhos do Conselho Técnico
Administrativo serão discriminados em regimento interno.
SUB-T1TULO II
Congregação

Art. 23 - A Congregação da Escola de Biblioteconom ia e
Documentação de São Carlos será constituída:
a)
b)

pelos professôres contratados para professarem aulas no
curso de graduação;
por um representante dos alunos, que deverá ser o pres idente do Centro Acadêmico, quando houver, ou um
seu su bsti tu to .

O presidente nato da Congregação será o Diretor
da Escola .
§ 2.0 - As atribuições e os trabalhos da Congregação, bem
como os direitos e deveres dos professôres serão discriminados em regimento interno.

§ 1. 0

TfTULO VI
Corpo Discente e Vida Escolar

TUB-T1TULO I
CAP1TULO I
Generalidades

Art. 24 - São considerados, para todos os efeitos dêste Regulamento, alunos da Escola de Biblioteconomia e Documentação os matriculados em seus cursos de graduação, de extensão, de aperfeiçoamento, de especialização e de pós-graduação .
CAPITULO II

•

Ambiente escolar e assistência aos estudantes

Art. 25 - A Administração da Escola se esforçará para
criar e manter um ambiente de cordialidade, ordem e dedicação ao trabalho e incentivará o desenvolvimento da cultura
entre os estudantes, cooperando para sua educação integral.
295

�§ 1.0 Para a consecução do previsto neste artigo, a Diretoria, com a colaboração do Corpo Docente providenciará reuniões, conferências, debates, publicações, exibição de filmes,
bibliotecas circulantes, estágios, excursões e outros meios que
se fizerem oportunos .
§ 2. 0 - A Diretoria dispensará, na medida do possível, assistência intelectual e moral direta aos estudantes, com a colaboração do Corpo Docente.

Art. 26 - Os estudantes poderão manter órgão de representação estudantil que funcionará de acôrdo com as normas fixadas neste Regulamento, obedecendo também o que d ispõe
a Lei n. 0 4. 464, de 9 de novembro de 1964 e seu regulamento
baixado com o Decreto 56 . 241 , de 4 de maio de 1965 .
§ 1.0 As atividades do órgão de representação serão esta belecidas nas seguintes finalidades:
a)
b)
c)

d)

e)

f)

g)

defender os interêsses d'o corpo discente;
promover a aproximação e solidariedade das relações entre o corpo discente, docente e administrat ivo desr~
Escola;
preservar as tradições estudantis; manter um alto nível
de probidade escolar; salvaguardar o patr imônio mora l
e material d'a Escola a que pertencem os alunos e m a nutenção constante de um clima de harmonia nas relações escolares;
organizar atividades compreendidas corno : reuniões e
certames cívico, social, cultural, científico, técn ico, artístico e desportivo, visando à ampliação do nível cultural do corpo discente;
organizar e manter serviços de assistência como: bôlsas
de estudos, intercâmbio com entidades congêneres, ser viços médicos, odontológicos e outros que v isem tmicamente atender ao bem-estar dos estudantes;
desenvolver esforços contínuos para o aprimoramento
das instituições democráticas;
manter representante junto aos órgãos de deliberação
da Escola .

Art. 27 - O órgão de representação estudantil será cons tituído do corpo discente desta Escola, sendo administ rado pot
uma Diretoria escolhida entre os alunos regularmente matriculados.
Art. 28 - Só poderão ser candidatos a qualquer cargo da
Diretoria os alunos regularmente matriculados, não repetentes
ou dependentes e que não estejam em regime parcelado e nem
pertençam à primeira série dos cursos.
§ 1.0 Para as eleições a Secretaria da Escola fornecerá
296

�lista autêntica dos alunos regularmente matriculados, à vista
da qual se fará a identificação dos votantes.
§ 2. 0 - A eleição se processará por voto secreto, sendo eleitos os candidatos que obtiverem maioria de votos.
Art. 29 - O mandato da Diretoria do órgão de representação estudantil será de um ano, vedada a reeleição para o mesmo cargo.
Art. 30 - Todos os componentes do corpo discente são
obrigados ao exercício do voto, ficando privados do direito de
exames que venham a ser realizados após a eleição ou ser considerado aprovado o aluno que não votar, salvo por motivo de
doença ou de fôrça maior, definitivamente comprovado.
Art. 31 - O órgão de representação estudantil incluirá eru
seu regimento normas que regulamentem as eleições, prevendo as seguintes exigências:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

registro prévio de candidatos que não se enquadrem nas
restrições previstas no artigo 28 dêste regulamento;
realização das eleições em único dia, sem prejuízo das
atividades escolares;
identificação do votante mediante lista fornecida pela
Secretaria da Escola;
apuração imediata, após o encerramento da votação, por
uma Comissão Eleitoral, previamente indicada, cabendo
a apresentação de recursos pelos candidatos;
acompanhamento da votação e apuração por representante do Conselho Técnico Administrativo da Escola e
que pertença ao Corpo docente;
atender às demais determinações dêste regulamento.

Art. 32 - O representante do corpo discente junto à Congregação da Escola e ao Conselho Técnico Administrativo será
o presidente do Diretório Acadêmico, conforme artigo 23, ítem
"b", dêste regulamento.
Art. 33 - É expressamente proibido ao órgão de representação estudantil qualquer ação, manifestação ou propaganda
de caráter político-partidário, bem corno promover ou incita!"
ausências coletivas a trabalhos escolares.
Art. 34 - Para efeito de validade o regulamento do Dirztório Acadêmico deverá ser previamente aprovado pela Congregação da Escola.
§ único - À Escola, pelos seus órgãos competentes, cabe
o direito de fiscalizar o cumprimento, pelo Centro Acadêmico,
da Lei 4.464 e sua regulamentação.

297

�Art. 35 - A ad ministração da Escola assegurará o recolhimento da contribuição dos estudantes, a que são obrigados para
com o Centro Acadêmico. E ssa contribuição poderá ser arrecadada pela Escola juntamente com as taxas de m en salidade,
nos primeiros meses do primeiro e segundo semestre do ano
letivo.
§ l.º - A di;:eloria d'o Cent ro Acadêmico fica obrigada a
manter escrituração da receita e despesa da entidade, com
comprova ntes legais .
§ 2. 0 - Cada diretoria do Centro Acadêmico, ao término do
mandato, ficará obrigada à apresentação d e prestação de contas para a Cong regação da Escola .
Art. 36 - A ad'm inistração da Escola, pelos seu s órgãos
consultivos e deliberativos, terá o prazo de 30 (trinta) dias
para pronunciamento sôbre as representações encaminhadas
pelo Centro Acadêmico.
§ 1.0 O prazo será de 10 (dez) dias quando a r epresentação se referir ao não cumprimento do professor, de pelo
menos, três quartos do programa da respectiva disciplina.
Art. 37 - A administração da Escola, pelos seus órgãos
competentes, poderá estabelecer 5an ções ao Centro Acadêmico
caso êste transgrida quaisquer dos artigos do presente r egulamento bem como infrinja às d eterm inações da L ei 4. 464, d e
9 de novembro de 1964 e sua r egulamentação . As sanções
poderão ser de advertência, suspensão ou dissolução do Centro
Acadêmico, a juízo da :;idministração da Escola e após apuração do fato ou transgr~ssão pelo órgão competente .
Art. 38 - O Conselho Técnico Administrativo da E scola
terá competência para apurar responsabilidade do Diretor que,
por atos, por omissão ou tolerância, permitir ou favorecer o
não cumprimento da Lei 4.464, de 9 de novembro de 1964 .
SUB-TíTULO II
Regime Escolar

CAPíTULO I
Admissão, Transferência e Matrícula de Alunos

Art. 39 - As matrículas serão feitas por disciplina no curso
de graduação e indusive nos cursos especiais, dentro do disposto nêste regulamento .'
Art. 40 - A matrícula inicial, para os aprovados em concurso de habilitação, bem como nos anos seguintes, será requerida ao Diretor da Escola .
Art. 41 - A transferência de aluno de instituição congênere oficial ou equiparado, nacional ou estrangeiro, só se efe-

298

�tuará se houver vaga, na época normal de matrícula, depois
de aprovado pelo Conselho Técnico Administra tivo, respeita-:
das as exigências regulamentares.
Art. 42 - O a luno transferido ficará, de qualquer forma,
sujeito a uma adaptação aos cursos da Escola, a critério do
Conselho Técn ico Administrativo.
CAPITULO II
Regime:, de Exames

~

Promoção

Art. 43 - O a luno que tiver alcançado numa disciplina,
a través das argüições rea lizadas, nota de aproveitamento entre
5 e 8 exclusive e freqüência de 50% às aulas prestará exame
fina l ESCRITO e ORAL, a critério d a Comissão Examinadora.
Art. 44 - A aprovação do aluno no exame final previsto 110
artigo 43 anterior dependerá da obtençã o da média aritmética ig ua l ou m aior que 5, resultante dos exames realizados e
éla nota de aproveitamento. O aluno reprovado nêsse exãme
p oder á fazê- lo novamente, em 2.ª época, nas mesmas condições da primeira época .
Art. 45 - O aluno que tiver alcançado numa disciplina,
através das argüições realizadas, nota de aproveitamento igual
ou ma ior que 8 e freqüência de 50% às aulas, ficará ISENTO
da prestação de exame, considerando-se aprovado na disciplina r espectiva.
Art. 46 - O a luno que alcançar nota de aproveitamento
menor que 5 ou freqüência às aulas menor que 50 %, sõmente terá direito a exame final ESCRITO E ORAL em segunda
época . P ara aprovação n estas condições, o aluno deverá obter
a m édia aritmética igual ou maior que 5 dentre os exames
realizados .
Art. 47 - O aluno que alcançar nota de aproveitamento
menor que 5 e a freqüência menor que 50% às aulas, estará
reprovado na disciplina correspondente, ficando obrigado a
nova matricula no ano posterior.
Art. 48 - O aluno matriculado nas condições do artigo 47
anterior ficará dispensado da freqüência às aulas, devendo,
entretanto, executar as argüições.
Art. 49 - É permitida a matrícula na série imediatamente superior, na qualidade de dependente, ao aluno reprovado,
no máximo, em duas disciplinas da série imediatamente
anterior.
Art. 50 - O exame final para o aluno nas condições do artigo 48 obedecerá as demais normas fixadas neste regulamento .
Art. 51 - A nota de aproveitamento mencionada neste regulamento é o resultado das argüições realizadas durante o
ano letivo. As argüições poderão ser atribuídos pesos, a critério do professor da disciplina respectiva.
299

�Art. 52 - O aluno que deixar de comparecer ao exame final
de 1.ª época, por motivo de doença ou nojo, devidamente
comprovados, poderá prestar exame de 2.ª chamada.
SUB-T1TULO III
Prêmios, 'Diplomas e Certüicados

CAPíTULO

UNICO

Art. 53 - Aos alunos reconhecidamente necessitados poderão ser concedidas bôlsas para o prosseguimento dos seus es tudos, segundo normas que serão previstas em regímen to
interno.
Art. 54 - O regimento estabelecerá, ainda, prêmios a alunos e diplomados .
Art. 55 - A Escola de Biblioteconomia e Documentação
expedirá diplomas de bibliotecário-documentalista aos alunos
que concluírem o curso de graduação e colarem grau .
Art. 56 - Além do diploma que lhe competir, de acôrdo com
o artigo acima, o bibliotecário documentalista terá direito a um
certificado mencionando os cursos optativos que frequentou .
Art. 57 - A Escola expedirá também certificados de habilitação nos cursos extraordinários mencionados no art. 2. 0 ,
letra e dêste Regulamento.
SUB-TíTULO IV
Regime Disciplinar

CAP1TULO úNICO
Art. 58 - Caberá a todos os membros dos Corpos Docente
e Discente e também aos funcionários administ rativos, concorrerem para a disciplina e a cordialidade na sede da Escola
e em tôdas as suas dependências.
Art. 59 - O regime disciplinar correspondente será estabelecido em regimento interno.
TíTULO V
I

Principais Atividades Complementares

CAPíTULO úNICO
Cursos e Pesquisas

Art. 60 - Os órgãos administrativos e o Corpo Docente da
Escola envidarão esforços para o desenvolvimento dos cursos
extraordinários mencionados no art. 2°, de modo a:
300

�l.º -

2.º 3.1 4. 0

-

organizar seminários e palestras;
ipromover o progresso da ciência e da técnica biblioteconômica;
desenvolver nos Corpos Docente e Discente a iniciativa pessoal e o método de trabalho científico;
forma_!" pesquisadores.

Art. 61 - Em qualquer Cadeira poderão ser realizados trabalhos científicos e de pesquisas, individualmente ou em
colaboração.
T1TULO VI
Rendas da Escola

CAP1TULO úNICO
Art. 62 - As rendas da Escola serão provenientes das mensalidades e taxas cobradas aos alunos, da instituição de bôlsas,
de subvenções e auxílios vários, de entidades oficiais ou
particulares.
Art. 63 - A Escola poderá executar trabalhos remunerados,
a critério da Diretoria da Sociedade Civil.
Art. 64 - As rendas da Escola serão destinadas ao custeio
do ensino, da pesquisa e da administração, à aquisição d'e
livros e revistas, construção de prédios e melhoramentos de
instalações diversas, com os seus móveis, utensílios e aparelhagem e à distribuição de prêmios.
§ único - Qualquer membro do Corpo Docente, com aprovação da Diretoria, poderá contratar trabalhos particulares
com terceiros, remunerados, devendo, entretanto, entregar,
sempre que houver colaboração de alunos, 50 % dessa remuneração à Escola .
TíTULO VII
Disposições Gerais

Art. 65 - :Ê:ste regulamento poderá ser modificado por proposta de qualquer membro da Sociedade Civil "Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos", mediante aprovação de dois terços de seus membros, respeitados sempre os
dispositivos regulamentares em vigor.
São Carlos, 20-8-1964
Aprovada em reunião d'a Sociedade Civil, em 21-8-64.
Assinaturas:
Eunice-Diva Garcia da Silva - Diretora
Terezinha Abs - Vice-Diretora
Iná Bentin - Secretária e Tesoureira
Alfredo A. Hamar - Bibliotecário
Walter Lombardi - Secretário da Escola

301

�NORMAS PARA A ORGANIZAÇÃO E O RECONHECIMENTO
DE NOVOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO SUPERIOR

Aprovado em 4/4/1963
Documenta n. 0 14, maio 1963, p. 19-20
PARECER Nº 92/63 DO CONSELHO DE ENSINO SUPERIOR

Art. 1.0 - Para que possam funcionar no país e expedir diplomas válidos perante o poder público, os estabelecimentos
de ensino superior deverão ser previamente autorizados a funcionar e, a seguir, reconhecidos pelos órgãos competentes, n a
forma da legislação em vigor .

Art. 2. 0
a)
b)

-

·

Ao Conselho Federal de Educação cabe d ecidir:

sôbre o funcionamento dos estabelecimentos isolados de
ensino superior federais ou particulares;
sôbre o reconhecimento de quaisquer estabelecimentos
de ensino superior, isolados ou reunidos em universidade.

§ 1.0 A autorização dos estabelecimentos estaduais isolados de ensino superior cabe aos Conselhos Estaduais de Educação, na forma da lei estadual respectiva.
§ 2. 0 Ao Estado que durante cinco anos ma ntenha universidade própria, com funcionamento regular, caberá r econhecer os estabelecimentos de ensino superior m a ntidos por êle.
§ 3. 0 Para os efeitos desta Resolução, os estabelecimentos municipais de ensino superior equiparam-se aos estaduais.

Art. 3. 0 - A autorização ou reconhecimento de estabelecimentos de ensino superior, pela União, será concedida mediante parecer do Conselho Federal de Educação aprovado
µela maioria da totalidade de seus membros e homologada pelo
Ministro da Educação . e Cultura.
Art. 4.0 - A fim de poderem ot:&gt;ter autorização ou reconhecimento, os estabelecimentos de ensino superior deverão constituir-se, se oficiais, sob a forma de autarquia ou fundações,
e, se particulares, sob a de fundações ou associações.
Art. 5.º - A autorização de que trata a presente Resolução
será concedida se, atendidas as demais condições exigidas por
ela, a entidade de caráter público ou privado, que se propuser
instituir o curso, demonstrar que tem à sua disposição edifi~ios apropriados ao ensino a ser ministrado, e que possui capacidade financeira para instalar e fazer funcionar o estabelecimento de modo satisfatório.
302

�· § l.º - As condições do edifício e respectivos anexos, a serem utilizados_pelo estabelecimento, serão comprovados mediante fotografias e plantas, assim como por documentos que
·atestem pertencerem êles à entidade mantenedora ou estarem
de qualquer forma à sua disposição.
· § 2.0 - A capacidade financeira a que se refere o presente
artigo será representada pela existência de recursos próprios,
n ã o vinculados a outro empreendimento da m esma natureza,
ou de na tureza diversa.

Art. 6. 0 Para ser autorizado, deverá o estabelecimento
conta r com elementos docentes de idoneidade moral e técnica
d evidamente comprovada, todos êles em condições de poder em exercer assiduamente suas funções.
§ l.º - A idoneidade moral será atestada por duas autor;dades públicas .
§ 2. 0 Provar-se-á a idone id ade técnica pelo diploma correspondente a curso superior onde o candidato ha ja estudado
a disciplina que vai lecionar, sendo indispensável ainda, para
o caso de candidato a professor, a apresentação de título ou
obras que demonstrem satisfatória especialização na referida
disciplina.
§ 3.º Representa condição imprescindível para o exercício das funções docentes, a residência na localidade onde funcione o curso, ou a prova de que o docente poderá lecionar
com o gra u de freqüência exigido pelo Regimento e, ainda,
conviver com seus alunos .
Art. 7.0 - Ao pedido de autorização do curso deverá a entidade mantenedora anexar:
a)

b)

prova de que a loca lidade possui condições materiais e
culturais adequadas ao funcionamento da instituição,
tais como recursos médicos e hospitalares, escolas primárias e médias, bibliotecas e associações, além de outros elementos que demonstrem o grau de desenvolvimento do meio;
prova de que a criação do curso representa real necessidade para a região, quer do ponto de vista de suas
deficiências em profissionais de nível superior, quer do
ponto de vista cultural .

Art. 8. 0 - A entidade mantenedora juntará também à sua
petição o Regimento do curso a ser autorizado, o qual, além
de atender à legislação vigente, deverá incluir nos tópicos referentes às substituições de elementos docentes, as normas
constantes desta resolução em seu art. 6. 0 e respectivos parágrafos.
303

�Art. 9.º - O pedido de autorização de funcionamento, subscrito por pessoa devidamente credenciada para isso, será endereçado ao presidente do Conselho Federal de Educação, e
trará, em anexo tôda a documentação a que se referem os
artigos anteriores.
Parágrafo único - As petições de autorização de novos estabelecimentos de ensino superior com a respectiva documentação, devem dar entrada na Secretaria do Conselho seis meses,
pelo menos, antes do início dos trabalhos escolares.
Art. 10 - Durante o estudo do processo âe autorização a
que se refere o artigo anterior, a Diretoria do Ensino Superior dará ao Conselho Federal de Educação a assessoria que
êste julgar necessária, e realizará, inclusive, as diligências
que possam comprovar as condições materiais, e outras constantes da documentação referida.
Art. 11 - O processo de autorização de funcionamento de
novos estabelecimentos ou cursos, após haver sido instruído
na forma prescrita por esta Resolução, será submetido à decisão do Conselho Federal de Educação, e, se aprovado, à
apreciação do Ministro da Educação e Cultura, para os fins
previstos no § 1.0 do art. 9.0 da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação.
Art. 12 - A autorização para funcionamento, que é de caráter condicional, não implica, necessàriamente, o reconhecimento federal.
Art. 13 - O estabelecimento de ensino superior, que obtiver autorização para funcionamento, deverá requerer o respectivo reconhecimento, um ano antes da diplomação de sua
primeira turma .
Parágrafo único - O processo de reconhecimento obedecerá
às mesmas normas de autorização, devendo acrescer-se à respectiva documentação a prova de funcionamento regular do
curso, inclusive no que se refere às exigências prescritas nesta
resolução. (aa) A . Almeida Junior, relator. D. Helder Câmara, Newton Sucupira, D. Cândido Padim OSB, Valnir Chagas,
Brusa Neto e Clóvis Salgado .
Tendo pedido
vista do Parecer n.º 92, devolve-o, submetendo à apreciação do plenário as seguintes emendas aditivas:

VOTO DO CONSELHEIRO AJADIL LEMOS -

Ao art. l.º, acrescentem-se os seguintes parágrafos:
§ 1.º - Quando o estabelecimento de ensino ministrar mais
de um curso de graduação, a autorização de funcionamento
mencionará os cursos a seu cargo. Com relação aos que venham
304

�a ser organizados posteriormente, deverá ser processada a
respectiva autorização.
§ 2. 0 Os cursos de graduação, e pós-graduação, que não
correspondam a profissões liberais ou admissão a cargos públicos (art. 68, parágrafo único da L .D.B.), e os demais cursos,
como os de pós-gradu ação, especialização, aperfeiçoamento e
extensão, não dependem de autorização para funcionamento
do Conselho Federal de Educação, nem de reconhecimento.
§ 3.0 - As faculdades de filosofia, ciências e letras só serão
a utorizadas a funcionar, com quatro ou mais cursos de bachan::lado, abrangendo, pelo menos, as seções de ciência e de
letras .
Ao art. 2.0 , acrescente-se o seguinte parágrafo:
§ 4. 0 - A criação de cursos no âmbito da s universidades
será regu lada na forma dos seus Estatutos e dos r egimentos
de suas escolas. A organização de estabelecim entos de ensino,
nas universid'a des, deverá ser processada perante o respectivo
Conselho U niversitário, e submetido à aprovação do Conselho
Federa l de Educação com os novos dispositivos estatutários,
resultantes da criação da escola, e com o regimen to con-espondente. Seu funcionamento será posterior àquela aprovação.
Em seguida ao art. 13, acrescente-se os seguintes artigos:
Art. 14 - Os Conselhos Universitários e os Conselhos E staduais, nos lim ites de sua competência, ao autorizar ou reconhecer cursos ou escola s, darão conhecimento imediato ao
Ministro da Educação e Cultura, para o efeito de registro do
a to de a utorização ou reconhecimento e para sua p ublicação.
Art. 15 - Tôdas as alterações do estatuto e dos regimentos,
em virtude da criação de cu rsos ou escolas, ou em virtude d e
r evisão tota l ou parcia l, serão submetidas ao juízo do Conselho Feder a l de Educação, e, caso homologad·o o parecer do
C onselho, determinada a sua publicação.
(Documenta n. 0 14, m aio 1963. p . 19-22) .

305

��12 .

LEGISLAÇÃO

��LEGISLAÇÃO FEDERAL

1.

Decreto n.0 8.835, de 11 de julho de 1911 - D. O. de 14/7/1911,
p. 8 . 679.
"Aprova o Regulamento da Biblioteca Nacional".

2.

Decreto n.0 15.596, de 2 de agôsto de 1922 - D. O. de 16/8/1922,
p. 16.085.
"Cria o Museu Histórico Nacional e aprova o seu Regula mento" (Item VI - regulariza o concurso de habilitaçã o
p a r a o curso de bibliotecário e arquivista).

3.

Decreto n. 0 15. 670, de 2 de agôsto de 1922 - D. O. de 15/9/1922,
p . 17 .680.
"Aprova o R egula mento da Biblioteca Naciona l".

4.

Decre to n.0 20 . 673, de 17 de novembro de 1931 - D. O. de
20/11/1931, p . 18.474 .
"Restabelece n a Biblioteca Nacion a l o Curso de Biblioteconomia e d á outras providências".

5.

Decre t o n. 0 23 .475, de 20 de novembro de 1933 - D. O. ele
22/11/1933, p . 22.390.
" Dis põe sôb re as condições para promoção, ao têrmo d o
corrente a no letivo, nos inst itutos de ensino sob a jurisdição
do Mini s té rio ela Educação e Sa úde Pública".

6.

Decreto n.0 23.508, de 28 de novembro de 1933 - D. O. de
2/12/1933, p. 22.668.
"Modifica a seriação d o Curso de Biblioteconomia e dá outras providê ncias" .

7.

Lei nº 11, de 12 de deze mbro de 1934 p. 25.505 .
"Modifica a L egislação do Ensino" .

8.

D. O. d e 21/12/1934,

Decr e to n.0 6.416, d e 30 d e outubro de 1940 -

D. O. de 1/11/19-10,

p . 20 .512 .

"Regulamenta o artigo 3.0 do Decreto-Lei 2.166, de 6/5/1940".
9.

P ortaria n .0 1. 529 do D.A.S.P - D. O. d e 10/12/1941, p. 22.978.
"Instruções para o funciona mento do Curso de Preparação
de Bibliotecário a que se refere o Decreto n.ª 6.'116, ele
30/10/1940".

10 .

Decre to-Lei n.0 6 . 440, de· 27 de abril de 1944 - D. O. de 2/5/1944,
p. 7.769 .
"Dá nova organização ao Curso de Biblioteconomia da B ibl iot eca Nacional".

11.

Decreto n. 0 15 . 395, de 27 de abril de 1944 - D. O . de 2/5/1944
" Aprova o Regulamento dos Cursos da Biblioteca Nacional'".

12.

Portaria n.0 161, de 3 de março de 1947 - D. O. de 8/3/1947,
p. 3.106.
"Expede instruções para a concessão de bôlsas de es tudo n os
Cursos da Biblioteca Nacional".

30~

�13.

Lei n .0 1.310, de 15 de janeiro de 1951 -

D . O. de 16/1/1051,

p . 809.

"Cria o Conselho Nacional de Pesquisas e dá outras providências".
14 .

Decreto n .0 35 .124, de 27 de fevereiro de 1954 - D. O. de
4/3/1954, p. 3.322.
"Cria o Ins tituto B rasileiro de Bibliografia e Documentação
nos têrmos da Lei n.0 1.310 de 15/1/1951" .

15 .

Decreto n .0 35. 430, de 29 de abril de 1954 -

D. O. de 4/5/1954.,

p . 8.061.

"Aprova o R egimento do Instituto Brasileiro de Bibliografi a e Documentação (I.B.B.D.)".
16 .

Resolu ção n .0 70, de 8 de março de 1958, do Conselho Diretor
do I.B.B.D.
"Cria a Comissão Brasil eira da C.D.U."

17 .

P ortaria n.0 20, de 15 de- janeiro de 1959, do M.E.C. 24/4/1959, p. 9.491.

D. O. de

"Constitui Comissão para elaborar projeto de reforma d os
Cursos de Bibliotecon om ia do pais".
18 .

Decreto n.0 47. 734, de 2 de fevereiro de 1960 - D. O. de 8/2/1960.
"Concede reconhecimento à Escola de Biblioteconom ia e
Docum en tação do Instituto San ta úrsula".

19.

P ortaria n .0 335, de 29 de julho de 1960, do M. E. C.
"Designa o Prof. Juran dir Lodi para subs tituir o Prof. Celso
Cunha na presidência da Comissão, !nst it u ida pela P orta n :i
n. 0 20, de 15/1/1959 .

20.

Decreto n. 0 550, de 1.0 de f evereiro de 1962 -

D. O. d e 2/2/1962,

p. 1. 443.

"Altera o R egulamento dos Cursos da Biblioteca Naciona l,
aprovada pelo Decreto n. 0 15 . 395, de 27 de abril de 1944." .
21.

Lei n.0 4.084, de 30 de junho de 1962 -

D. O. de 2-7 - 19G:!,

p . 7 . 149 .

"Dispõe sôbr e a profissão de Bibliotecário e regula seu
exercicio".
22.

P arecer n .0 326, de 16 de n ovembro de 1962 do Conselho Federal de Educação; homologado em 4/12/62.
"Fixa o curriculo minimo e determin a a duração do Cur o
de Biblioteconomia".

23 .

Decreto n .0 51.624, de 17 de dezembro de 1962 - D. O. de
18/2/1962, p . 12.933.
"Dá nova r edação ao artigo l.º do Decreto n. 0 50 . 562, de
8/5/1961".

24.

Decreto n.0 52.035, de 21 de m aio de 1963 - D. O. de 29/5/G3 .
"Concede reconhecimento à Escola de Biblioteconomia de
São Paulo" .

25.

Decreto n. 0 53.994, de 3 de julho de 1964 - D. O. de 6/7/196( .
"Reconhece a Faculdade de Biblioteconomia da Universidade Católica de Campinas".

310

�"26.

Decreto n .0 55.244, de 21 de dezembro de 1964 22/12/1964, p. 11.780.

D. O. de

"Relaciona para os efeitos previstos no § l.º do art. 4.0 c!a
Lei n. 0 4. 345, de 26/6/1964, os cargos vinculados ao magtstério federal dos niveis superior e médio e dá outras providências".
27.

Decreto n .0 56. 241, de 4 de maio de 1965 - D. O. de 5/5/196:j,
p. 4.352.
"Regulamenta a Lei n.0 4. 464, de 9/11/1964, que dispõe sôbre
os órgãos de representação dos es tudantes e dá outras providências" .

28.

Portaria n .0 585, de 22 de outubro de 1965, do Minis tério do
Trabalho e Previdência Social.
"Constitui Grupo de Trabalho para coordenar os trabalhos
d a ele ição d a primeira Diretoria do Conselho F ederal de
Biblioteconomia ".

29.

Portar ia n.0 675, de 18 de novembro de 1965, do Minis tério elo
Trabalho e Previdência Social.
"Marca para o dia 16 de dezembro de 1965, às 15 horas, a
data para a r ealização da eleição do Conselho Federal de
Biblioteconomia e determina que a sede prov isó ria seja na
capital d o E stado de São Paulo".

30 .

Lei n.0 4 . 881-A, d e 6 d e dezembro de 1965 - D. O. de 10/12/1965.
"Dispõe sôbre o E s ta tuto do Magistério Super ior".

311

�LEGISLAÇÃO - ESTADO DE SÃO PAULO

1.

Decreto-Lei n. 0 13 . 411, de 10 de junho de 1943 .
" Cria, diretamente subordinadó ao Chefe do Govêrno do Estado, o Conselho Estadual de Bibliotecas e Museus" .

2.

Decreto n.0 14.409, de 27 de dezembro de 1944 .
"Aprova o Regimento do Conselho Estadual de Bibliotecas
e Museus".

3.

Decreto n.0 17 . 104, de 12 de março de 1947.
" Reconhece os cursos de biblioteconomia".

~.

Ato n.0 12, de 29 de janeiro de 1951, d a Secretaria de Negócios
de Educação .
"Autoriza a organização de um Curso de Biblioteconomia n o
Instituto de Educação "Caetano de Campos".

5.

Decreto n.0 22. 833, de 28 de outubro de 1953.
"Regulamenta o artigo 35 do Decreto-lei n.0
12/3/1947".

17 .104, de

6.

Decreto n.0 23.44-B, de 1.0 de julho de 1954 .
" Dis põe sôbre o r econhecimento da E scola de Biblio teconomia de Campinas".

7.

Decreto n.0 23. 570-D, de 19 de agôsto de 1954 .
"Dispõe sôbre a validade dos diplomas do Curso de Biblio teconomia, anexo ao Instituto de Educação "Caetano de
Campos".

8.

Decreto n.0 23.570-E, de 20 de agôsto de 1954 .
"Dispõe sôbre a validade dos diplomas do Curso de Biblioteconomia " Nossa Senhora de Sion", nos anos de 1948 e 194!)".

9.

Lei n. 0 2 . 817, de 30 de novembro de 1954.
"Dispõe sôbre o reconhecimento dos seguintes Cursos d e
Biblioteconomia: da Faculdade Sedes Sapientiae; da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Campinas; da Divis.o de Bibliotecas do Departamento de Cultura da Prefeitu ra
do Município de São Paulo; do Instituto de Educação Caetano de Campos e do Colégio "Nossa Senhora do Sion".

10.

Decreto n. 0 39 .162, de 3 de outubro de 1961.
"Concede reconhecimento à Escola de Biblioteconomia de
São Carlos".

11.

Decreto n. 0 39.195, de 10 de outubro de 1961.
"Institui a Subcomissão de Bibliotecas junto à Comissã o E&lt;;tadual de Literatura, do Conselho Estadual de Cultura, na
Secretaria do Govêrno".

12.

Portaria n.0 36, de 28 de agôsto de 1962 da Universidade rlc
São Paulo.
"Dispõe sôbre a Editôra Universitária e dá outras providências".

312

�13.

Ato n .0 101, de 23 de ou tubr o d e 1962, da Secr etaria dos Negócios da Educação.
"Autoriza o registro de diplomas expedidos pelos cursos de
biblioteconomia do Instituto de Edu cação Caetano de Campos" e "Nossa Senhora do Sion".

14.

Ato n.0 119, de 13 de dezembro de 1962, da Secr etaria dos Negócios da Educação .
"Autoriza o registro de diplomas expedidos pelos Cursos de
Biblioteconomia da E scola de Sociologia e Politica da Uni versidade de São P a ulo e pelo Curso de Biblioteconomia a n exo
à Faculdade de Filosofia "Sedes Sapientiae" da Pontifícia
Universidade Católica".

15.

Portaria n. 0 G. R. 148, de março de 1965, da Universidade de
São P a ulo .
"Constitui Comissão para apresentar Anteprojeto do Instltuto de Artes da Comunicação e Serviços Públicos (inclui
Curso de Biblioteconomia) .

313

�LEGISLAÇÃO - MUNICIPIO DE SÃO PAULO

1.

Ato n .0 1.146, de 4 de julho de 1936.
"Consolida e modifica d1sposições referentes aos serviços, repartições e funcionários da Prefeitura".
Art. 194 - Divisão de Bibliotecas, Bibliotecas Circulantes e
Populares.
Art. 194 - letra e - Curso de Biblioteconomia.
Art. 197 - Biblioteca Infantil.
Art. 201 - Exigência do curso de biblioteconomia p ar a o
preenchimento dos cargos de bibliotecários ".

2.

Decreto-lei n.0 338, de 11 de janeiro de 1946.
"Dispõe sôbre a padronização de vencimentos, a classifica ção e consolidação dos cargos e funções gratificadas e sôbr e
a reestr uturação de carreiras do funcionalismo municipal .

3.

P ortaria n.0 231, de 8 de setembro de 1951 .
"Institui Curso de P ós-graduação( promovido pela P refeitura do Município de São Paulo em convênio com a E scola de
Biblioteconomia de São Paulo".

314

�13 .

001
002
003
007
010
017
020
021
023 . 4
024 . 6
025.171
025. 2
025.3
025. 4
025. 5
025. 7
025.8
025.84
026
027
027.1
027.2
027.5
027 .52
027. 62
027. 7
027. 8
090
389
655
676
778 . 11

-

BIBLIOG_RAFIA BIBLIOTECONóMICA

Ciê n c ia e conh ecim ento e m geral
Docume ntação
E scr it a: translite r ação, grá fia , s ig las
T eoria d a In formação, Autom ação, Cibernética
Ciên cia e T é cnica B ibliográficas
Ca tá logos Col e tivos
B ibliotecon omia
Função d a Biblioteca
Qualificação do Bibliotecário
Empréstimo de L ivros
Arqu ivos
Aquisição
Catalogação
Classifi cação
R eferência
Encadernação
Número de Chamada
Higiene e Ter apêutica d o Livro
Bibliotecas Especializadas
Bibl iotecas Gera is
Bibliotecas Particulares
Bibliotecas de Sociedades, Clubes, Academ: os, etc.
Bibliotecas Nacionais e E s taduais
Bibliotecas M un icipais
Bibliotecas Infa n tis
Bibliotecas U niver s itárias
Bibliotecas Escolar es
L ivr os Raros
Normalização
Artes G rá ficas
Indústr ia do Papel
Micr ofilm e

315

�001 -

CI"8NCIA E CONHECI1\IENTO EI\I GERAL

ABU-MERHY, Nair Fortes - Tese: sua elaboração. Revista do
Serviço Público, Rio de Janeiro
4(1):45-49, out. 1949 .
1

CESÁRIO, Matias - Sistematização do trabalho científico. Revista da Associação Paulista de Medicina, São Paulo 6(1) :9-20, jan.
1935.
2

COUTINHO, Afrânio Livros
sem data. Em seu: Da crítica e
da nova crítica. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira (1957) p .
194-196.
3

COUTINHO, Afrânio Técnica
de edição. Em seu: Da crítica e
da nova critica. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira (1957) p.
196-198.
4

DóRIA, Irene de Menezes - Programa, realizações e atividades
da Comissão Cons ultiva de Bibliografia do I.B.E.C.C. IBBD Boletim Informativo, Rio de Jan e iro 4(3/6):169-178, maio/dez. 1958.
5

FERNANDES, Flores t a n - O problema do livro científico. O Estado de São Paulo, São Paulo, 31
de maio 1958, supl. lit.: 4.
6

FREITAS, Byron Tôrres de Classificação das ciências... [ Rio
de Janeiro] D.A.S .P., 1958 15 p.
7

GIORDANO, Ernestina - Estudo
dirigido. 2.ª ed. São Paulo, In stituto de Administração, 1954,
37 p .
8

GóIS, Paulo de - Infra-estrutura
para o trabalho científico. Jorna l do Brasil, Rio de Janeiro, 21
s;et. 1958, 1. cad.: 8.
9

LENT, Herman Conceito de
cientista. Jornal do Comércio,
Rio de Janeiro, 7 dez. 1958, 3.
cad.: 3 .
10

MARIANI, A. - Organização do
trabalho intelectual: classificação

316

de notas ou apontamentos, São
Paulo [Ave Maria] 1949, 44 p .
11
MORENO, José Fernandes - Per.quisa e docu mentaçã o no trabalho intelectual. IDORT, São Paulo 8(90) :121-123, jun. 1939.
12
NERY DA FONSECA, Edson Uma questão de nomenclatura.
IBBD Boletim Informativo, Rio
de Janeiro 1(1):19-20, jan./fev.
1955.
13
NEVES, Bernadete S inay - Apr esentação de trabalhos científicos;
colaboração entre docume nta lis ta, bibliotecário e cientista.
IBBD Boletim I nformativo, Rio
de Janeiro 3(3/6):273, set./dez.
1957.
14

OTÃO, José - Condições e técnicas do estudo . Véritas, Pôrto
Alegre 1 (2) :148-156, 1965.
15
PEREIRA JúNIOR, José Antero
- Da importância da divulgação
cientifica na imprensa diária. ln :
III Congresso Paulis ta de E scritores, São Paulo, 3 a 6 ele julh o
1952. São Paulo, Sociedade Paulista de Escritores, 1952 p. 237243.

lG

QUEIROZ, ~.rhomaz Aquino de Autores &amp; originais. Boletim Bibliográfico Bras ileiro, Rio de J a n eiro 7(11):514-515, dez. 1959.
17
RUSSO, José - Normas para compilação de originais. Revis ta ele
Organização Científica, São Paulo 13(156):254, dez. 1944, ilus .
18
SAMBAQUY, Lydi a ele Queiroz
(L ima) - Os problemas bibliográficos do cientista e o I.B.B.D .
IBBD Boletim Informativo. Rio
de Janeiro 1 (2) :33-34, mar./abi·.
1955.
19
SAW A YA, Paulo - Os problemas
bibliográficos dos cientis tas e
pesquisadores. ln: SOCIEDADE
BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA Cil!:NCIA, São Paulo - Simpósio sôbre bibliografia
e documentação cientificas l -2
20

�SILVA, Benedicto - A necessidade de terminologia especializada
d e administração pública e m
português e espa nhol. Revista d o
Serviço Público, Rio de J an eiro
2 (3 ):21-26, jun. 1953.
21

VIVEIROS DE CASTRO, L auro
Sod ré - As v a ntagens d a t erminologia internacional, Bole tim d o
Ministério elo Tra balho, Indú s tria e Co m ércio. Rio de J a n eiro
2 (16 ):327-334, d ez., 1935.
22
002 -

DOCUMENTAÇÃO

A VELLAR, Sylvio Corrêa de Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD ) Revista do Serviço Público, Rio d e
J a ne iro 66(1) :158-160, jan. 1955 .
30

B ARATA, Manoel Sa rmento e
NAUD, José Santiago - Institut ~ ~ stadual do Li vro: organ!zaçao mterna e progr a m a ed ito ria l
[Pôrto Alegre, D ivisão d e Cultura, 1956] 19 p. 23 cm.
31

BAR AT A, Mário - Documentaçã o
e história ela a rte . Diário de No tícias, R io d e J a n e iro, 21 jul. 1957,
s u pl. dom .: 8.
32

A MOR OSO LIMA, Alceu - A palavr a fa lad a. Diário d e Notícia ,
R io d e J an eiro 8 n ov. 1953, su pl.
lit.: 1 .
23

A MOR OSO LIMA, Alceu - A pa lav r a escrita . Diário de No tíc ias,
Rio d e J a n eiro, 1 nov. 1953, su p l.
l it.: 1.
24

A N DRADE, Ca rlos Drummond de
- O fotógra fo. Correio d a Ma nhã, R io d e J a n eiro, 10 jun. 1956.
25

A R AUJO, Manoel dos R eis - Co nceitu ação d e documentação científica e adm inistrativa . In: SOCI EDADE BRASILEIRA P AR A
O P R OGR ESSO DA CI:f:NCIA,
Sã o P a u lo - Sim pós io sôbre bibliogra fi a e documentaçií o cien tífica: 44-47.
26

ARAUJO, Manoel dos R e is - A
Documentação a serviço d a Agricultura e da Pecuária . IDORT
São Paulo 26(301/302) :29-30, 46
jan./fev. 1945 .
27

A VELLAR, Sylvio Corrêa de Cons iderações em t ôrno da s funções de documentaçã o e o Congresso N acional. R e vista do Se rviço Público, Rio de Janeiro,
4(1):126-128, out. 1949.
29

BITTENCOU RT, Ma rilda
A
quem q u er lê r ou estu da r IBBD
facilita tudo . Diá rio d e N otícias,
Rio de J a n eiro, 27 set. 1959, s upl.
O Metropolita no: 1 .
33

BOA MORTE, L a is d a - A docu men tação n o Br asil. O Ins tit u to Brasil eiro de B ibliogra fia e
Docum entação, Rio de J a neiro.
ln: ASSOCIAÇÃO BRASILEIR A DE BIBLIOTECARIO, Rio
ele J a n eiro. DEPARTAMENTO
T É CNI CO - T em as d e documentação: 20-27.
34

BOA MORTE, L ais da - Principa is liv r os e p e r iód icos es pecia lizados e m documentação; a uto r es, ed itôres ou d iretores . I n :
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
B IBLIOTECÁRIOS, Rio d e J a neiro. DEPARTAMENTO TÉCNICO - Temas de documenta ção: 52-55.
35

BRASIL. INSTITUTO BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA E
DOCUMENTAÇÃO. (Décimo aniv e rsário) 1954-1964. Rio d e J a n eiro, IBBD, 1964, 20 p. ilus.
36

BRASIL. MINISTÉRIO DA JUS TIÇA E NEGóCIOS INTERIORES. SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO - Como u sar o Serviço
de Documentação [Rio de Janeiro, 1953] 8 p.
37

BRASIL, já possui bom serviço de
documentação científica. Correio

317

�da Manhã, Rio de Janeiro, 5 set.
1958. 1. cad.: 3, -t.

bre bibliografia e documentação
cientifica: 51-54.

38

BRESSLAU, Carolina e MAGALHÃES, Paulo Braga - A documentação cientifico-administrativa em geral e sua relação
com a Oftalmologia. . . (Rio de
Janeiro, Jornal do Commercio,
1956) p. 439-448 .
39

BRESSLAU, Carolina - Conceituação de Documentação e bibliografia cientifico-administrativa. In: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO
DA CI~NCIA, São Paulo - Simpósio sôbre bibliografia e documentação científica: 48-50 .
40
CAMPIGLIA, Guelfo Oscar A
documentação histórica no Brasil. O E stado de São Paulo, São
Paulo, 25 maio 1956, 6. cad.: 77.
ilus .
41
CAMPIGLIA, Guelfo Oscar - Documentação, fator de progresso.
O Estado de São P aulo, São Paulo, 24 maio 1959, 6. cacl.: 79; 31
maio 1959, 4 cad.: 80; 14 ;un. 1959.
8 cad.: 112.
42
CAMPIGLIA, Guelfo Oscar - Sôbre documentação. O Estado de
São Paulo, São Paulo, 23 m ar.
1958, 2 cad.: 80; 30 mar. 1958, 5.
cad.: 113; 8 abr. 1958, 1. cad.: 12.
43
CAMPIGLIA, Guelfo Oscar - Documentação fotográfica. ln: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA
O PROGRESSO DA CIJ!:"NCIA,
Sao Paulo - Simpósio sôbre bibliografia e documentação cientificas 68-82.
44
CAMPIGLIA, Guelfo Oscar - Importância de formas fotográficas
na atividade de informação bibliográfica e documentária. São
Paulo, 1958. 26 f. mimeogr.
45
CAMPOS SALLES, Hebe Rangel
Pestana de - Considerações sôbre o relatório apresentado pelo
Sr. Manoel dos Reis Araujo. ln:
SOCIEDADE BRASILEIRA P ARA O PROGRESSO DA CI~NCIA, São Paulo - Simpósio sô-

318

46

CAMPOS SALLES, Hebe Rangel
Pestana de - A Documentação
a serviço da Oceanografla. ,ln:
SOCIEDADE BRASILEIRA P ARA O PROGRESSO DA Cil!:NCIA, São Paulo - Simpósio sóbre bibliograffia e documentação cientifica: 83-91.
47

CAV ALCANTI, Cordélia Roba lin o
de Oliveira - Documentalis ta e
bibliotecários. Diário de Pernambuco, Recife, 2 fev. 1960, 1 .
seç.: 4.
48

CEARA. UNIVERSIDADE. DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
E CULTURA - Curso de Introdução à documentação. Programa geral [Fortaleza, 1959] 2 p.
49

CONCEITO de documentação administrativa. R evista do Serviço
Público, Rio de J aneiro 3(1) :3 -4,
jul . 1944 .
50

CORRI!;A JúNIOR, M. Pio - Origens da documentação adminis trativa. Rio de Janeiro, Departamento Adminis trativo do Serviço Público, Serviço de Documentação, 1952. 13 p.
51

COUTINHO, Helenyr - Documentação, inst rumentos e técnica.
Revista do Serviço Público, Rio
de J a neiro 2(1 ):122-129, abr. 1954.
52

CUNHA, Maria Emília de Mello e
e MOURA, Maria Aparecida Gomes de - A Diretoria de Docu mentação e Divulgação da Secreta ria Geral do Conselho N acional de Estatística como centro
de documentação especializada.
A Biblioteca, Rio de Janeiro,
11:3-8, jan./mar. 1959 .
53

CUNHA, Maria L a ura da - A d ocume ntação na indústria. IBBD
Boletim Informativo, Rio de J aneiro 3 (5/6) :277-285, set ./dez.
1957.
54

A DOCUMENTAÇÃO na administração m oderna. Revista do Ser-

�viço

Público, Rio
jun. 1944.

2(3) :3-4,

de

Janeiro

55
DOCUMENTAÇÃO na administrat;ão pública. Revista do Serviço
Público, Rio de Janeiro 4(2) :3-4,
AOV. 1954 .
56
DóRIA, Irene de Menezes A
documentação no plano interna cional. ln: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio de Janeiro. DEPARTAMENTO TÉCNICO - T em as
de documentação: 16-19.
57
t,'ONSECA, Maria J osé L essa da Soluções imediatas para os problemas de bibliografia e do cume ntação no Brasil. ln: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA
O PROGRESSO DA CT:ê:'NCIA,
São Paulo - Simpósio sôbre bibliografia e dooume nLação cientifica: 63-67.
58
GUARNIERI, Alice Cam argo Documentação e bibliotecas es pecia lizadas [Salvador, 1959] 22
f. mimeogr.
59
MA RTINS, Otávio - Seleção de
tópicos d as r esoluções ie r~com end ações aprovadas, de interêsse pa r a b iblio tecas e serviços d e
documentação. Em seu : A escola
primária, gratuita e obrigatória.
Rio de J a neiro, I nstituto Nacional de Estudos Pedagógicos, 1956.
p. 39-47.
60
l\JfESQU ITA, P acífico do E spírito
Santo - Un idade padrão d e d ocumentação administr ativa. R e,,ista do Serviço Público, Rio de
Jan eiro 1 (2) :41-47, f ev. 1952.
61
MESQUITA, Pacifico do Espírito
Santo - Ele mentos de documentação. R evista d o Serviço Público, Rio d e J a neirQ 1 ( 1) :39-42 j an.
1952.
'
62
MESQUITA, Pacífico do E spírito
Santo - Objeto, conceito e meios
de documentação . R evista do
Serviço P úblico, Rio de Janeiro
1 (3):44-48, mar. 1952.
63

MINELLI, Maria Carolina Motta
- Os Instrumentos e as técnicas
de documentação. Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro
2(1) :118-121, abr. 1954.
64
MOREIRA, Aluísio Xavier - Documentação administrativa. R evista do Serviço Público, Rio d e
Janeiro 2(3):62-64, jun. 1950.
65
MOURA, W ashington José de Almeida - Serviços bibliográficos
em Brasilia. A Biblioteca Rio de
Janeiro 11:9-10, ja n./ma'r.. 1959.
66
NERY DA FONSECA, Edson A documentação no Bras il. Bole tim Informativo (do) IV Colóq u io Internacional de Estudos
Luso-Brasileiros, Salvador 10:
15- 17, agôsto 1959.
67
NERY DA FONSECA, Edson Documentalis tas e m ação. Tribuna da Imprensa, Rio de J a neiro, 31 agôsto 1957, supl. T ribuna dos Livros : 7 . Diário d e
P e rna mbuco, Recife 7 /8 set. 1957.
68
NERY DA FONSECA, Edson Grandes docume ntalistas. I James W . P erry. Jornal do Bra s il, Rio de Jane iro, 15 set. 1957,
s upl. dom.: 12 .

70
NERY DA FONSECA, Edson O DASP é mau editor; uma In trodução ao estu do da documentação. Tribuna da Imprensa Ri0,
de . J a neiro, 12/13 abr. 1958, 'supl ,
Tribuna dos Livros: 4-5 .
71 1

NERY DA FONSECA, Edson Documen tação: origem histórico, objetivos. ln: ASSÓCIAÇÃO
BRAS ILEIRA DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio de Janeiro. DEPARTAMENTO T ÉCNICO Temas d e documentação: 3-5
72

NERY DA FONSECA, Edson Documentação: conceitos amplo
e _restrito. Documentação e bibl10teconom1a. Documentação e

319

�bibliografia. In: ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio de Janeiro, 6-lQ
74
NERY DA FONSECA, Edson Elementos essenciais da documentação. Biblioteca, arquivo,
filmoteca discoteca, mapoteca.
In: ASSo'CIAÇAO BRASILEIRA
DE BIBLIOTECÁRIOS. Rio de
Janeiro.
DEPARTAMENTO
TÉCNICO - Temas de documentação: 11-15.
75
NERY DA FONSECA, Edson Problemática da docume ntação .
Jornal do Brasil, Rio de Jane iro,
6 out. 1957, s upl. dom. - 12.
76
(Recen são critica d a obra de J .
vV. Perry e Allen Kent, Doc·u mentation and information retri eval) Jornal do Brasil, Rio de
Jane iro, 20 abr. 1958, supl. dom.:
8.
77
NERY DA FONSECA, Edson Documentação no Recife. Diário
de Pernambuco, Recife, 31 jan.
1960, 1. seç .: 4 .
78
NEVES, Bernadette Sinay O
Centro Brasileiro de Bibliografia e Documentação. A Tarde,
Salvador, 24 set. 1953.
79
PEREIRA, José Maria - A Agência Nacional como órgão de documentação administrativa [Rio
de Janeiro, Agência Naciona l,
1955] 5 f. mimeogr.
80
PIEDADE, Maria Antonieta Requião - Curso de documentação.
Bibliotecas e Bibliotecários, Rio
de Janeiro 1(8):5-6, aut. 1954;
1 (9) :5. n ov. 1964.
81
REIS, José - Conceito de bibliografia e de documentação cientifica e administrativa. ln: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA
O PROGRESSO DA CIÊNCIA,
São Paulo - Simpósio sôbre bibliografia e documentação cientifica: (101-104) .
82
REIS José - Alguns problemas
de documentação. Anhembi, São

320

Paulo 21 (63) :462-471, fev. 1956.
83

RIBEIRO, Ibany da Cunha - Elementos de documentação. Revista do Serviço Público, Rio d e
J a neiro 2(2) :86-88, maio 1950;
2(3):111-112, jun. 1950 .
84
ROCHA, Augusto de Rezende Publicidade e documentação.
Revista do Serviço Público, Rio
de J a ne,ro 78(1/3):3-4, jan./mar.
1958.
85
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - Plano nacional par a o
desenvolvimento da informação
científica. ln: IV Colóquio Internacional de Estudos LusoBrasileiros . . . (Resumos das comunicações apresentadas ... Salvador) Universidade da Bahia,
1959, p. 133-135 .
86
SAMBAQUY, L yd ia de Queiroz
(Lima) - Centros de Documen tação e os Conselh os N acionais
de Pesquisas. IBBD Boletim Inform a tivo, Rio de Jane iro 1 (3):
72-78, maio/jun. 1955.
87
SAMBAQUY, Lydia d e Queiroz
(Lim a) Simpós io sôbre Bibliografia e Documentação Científica. IBBD Boletim Informativo, Rio de J a neiro 2( 1/2):7-8,
ja n./abr. 1956.
88
SAMBAQUY, Lydia d e Queirnz
(Lima) - O IBBD e os serviços
que se propõe a prestar. . . Rio
de Janeiro, Instituto Brasileiro
de Bibliografia e Documentação,
1957. 11 p. 23 cm.
89
SAMBAQUY, Lydia de Quelroz
(Lima) - O Institu to Bras ileiro
de Bibliografia e Documentação
e a informaçã o científica no Brasil. IBBD Boletim Informativo,
Rio de Janeiro 3 (5/6) :253-260,
set./dez. 1957.
90
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - É preciso saber. IBBD
Boletim Informativo, Rio de J aneiro 1(1) :3-5, jan./fev. 1955 .
91
SAMBAQUY, Lydia_ d e Quei~oz
(Lima) - Federaçao Internacional de Documentação. IBBD Bo-

�letim Informativo, Rio de Ja neiro 1(5):189-191, set./out. 195G.
92

SANTOS, Cicero cios - Serviços
de documentação . Revis ta do
Serviço Público, Rio de Janeiro
4(1):45- 47, out. 1944.
93

SENNA, Homero O que é o
Serviço de Documentação cio
M.T.I.C.. . . Rio de Janeiro, Serviço de Documentação [do Ministério do Trabalho, Indústr ia e
Comércio] 1951. 18 p . ilus .
94

O SERVIÇO de Docume ntação do
Ministério da Educação e Cultura. IBBD Boletim Informativo,
Rio de J a neir o 2(3):101-105,
m a io/jun. 1956.
95

S ILVA, Fenelon - Nomenclatura
e t erminologia da doc ume ntação.
R evis ta do Serviço Público, R io
de J a neiro 83(2):145-149, maio
1959.
96

SILVA, Fenelon - Metodologia de
documentação. R evista do Serviço Público, Rio de J a n eiro
84(1):23- 30, jul. 1959.
97

SILVEIRA, Joel e CARLOMAGNO, Orlando - O que é o Serviço de Documentação do MTIC.
R evis ta do Serviço P úblico, Rio
de J a neiro 67(2):263-268, maio
1955.
98

S ILVEIRA, W a lter ela - O Bras il e a documentação cinem atográfica. Diário ele Notícias, Salvaclo1·, 15 agô. 1958: 8.
99

SIMOES L OPES, Luiz Doc ume ntação admi nistrativa. R ev is ta do Ser viço Público, Rio de
J a neiro 3(3) :5 -7, s et. 1943.
100

SOARES, Nilza T eixeira - Processos recentes de a rm azen agem
(s torage) e r ecuperação (retrieval) de informações. In: ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio ele J a neiro. DEPARTAMENTO T ÉCNICO - Temas de documentação:
39-45.
101

SOARES, Nilza Teixe ira - Sele ção mecâ nica na docu m entação.
IBBD Boletim Informa tivo, Rio
fi e Janeiro 2 (5):265-279, s et./out.
1956 .

102

TEIXE I RA , :\fario T ourasse - A
Contradição ele R ussell e a doc umentação. IBBD Boletim Informativo, Rio d e Janeiro 1(3) :
85- 86, m a io/jun. 1955.
103
UM MILHÃO de livros po r um telefonema. R evista Shell, Rio ele
Janeiro 77:15-18 (s. d . Reporta gem ilus trada sôbr e o IBBD ).
104
VESENTINI, Ophelia Vitória Contribuição ao estudo d a doc umentação. R evista do Serviço
Público, Rio de Janeiro 3( 2) :
102- 114, agô. 1954.
105
VICENTINI, Abner L e llis Corrêa
A documentação n Q Brasil
(Salvador, 1959) 13 f. mimeogr.
106
VIDO, Ma l"ia - O Centro de Documentacão Científica de Lis boa.
Revista do Serviço Público, Rio
ele Janeiro 80(2):210-211, agôsto
1958 .
107
VIEIRA, José Anas tácio - Ativi dades editoriais do S.I.A. IBBD
Boletim Informa tivo, Rio de J a neiro 1 (5):213-214, set./out. 1955.
108

VIEIRA, José Anastácio Docume ntos e livros na informação agrícola. A Biblioteca, Rio de
Janeiro 4:2-4, j a n./mar. 1955.
109

VIEIRA, José Anas tácio - Infor m ação agrícola e relações públicas. Rio de J a n eiro, Serviço de
Informação Agrícola, 1958, xiv.
228 p. ilus . (Série clocumentária, n.0 3).
110
\V AHRLICH, Beatriz M. de Souza

- Processos ele informação d a
aclminis t rnc-ão. Revista do Serviço Público~ Rio de Janeiro ....
81(2/3):201-224, nov./clez. 1958 .
111

321

�003 -

ESCRITA: TRANSLITERAÇÃO, GRAFIA, SIGLAS

FREYRE, Gilberto - A propósito
da grafia de nomes de pessoas .
Diário de Pernambuco, Recife,
21 fev. 1960:4.
112
RONAI, Paulo - Siglas, outra vez.
O Ei,tado de São Paulo, São
P aulo, 6 dez. 1959:63.
113
SOLODOVNIKOV, Gallia e FIGUEIREDO, Adelpha (Silva R odrigues) - Trans literação. Boletim Bibliográfico, São Paulo,
6(6) :85-89, 1945.
114
SOUZA, Eudoro de - Escrita cretense, Língua micênica e grego
hom érico. . . Florianópolis, Faculdade Catarinense de Filosofia, 1955. 27 p. (Publicações do
Centro de E studos Filológicos,
n.0 2).
115
007 -

TEORIA DA INFORMAÇÃO, AUTO!UAÇÃO
CIBERNÉTICA

ARAÚJO CAVALCANTI, José Maria dos Santos - A administração pública e os problemas da automação. R evista do Serv iço Público, Rio de J a neiro 83(1): 15-42,
abr. 1959.
116
AZEVEDO, E. S . - O rendimento
de máquinas automáticas e a atividade do operador. IDORT, São
Paulo 27 (319/320): 164-165. jul./
agô. 1958.
117
COMANDO de máquinas pela palavra. O E'Stado de São Paulo, São
Paulo, 18 maio 1958, cad.: 113.
118
FERREIRA, Orlando da Costa Cibernética, utopias e "morte de
Gutenberg". Diário de Pernambuco, Recife, 3 e 10 nov. 1957.
119
NEVES, Flávio - As pretensões da
cibernética. Kriterion, Belo Horizonte 45-46:337-347, jul./dez. 1958.
120

322

ONIGA, Teodoro - Organização ela
automação. IDORT, São !P-aulo
26(311/312) :248-253, 1957, ilus.
121
PEREIRA, Flávio - A cibernética
e a vida. O Estado de São Paulo,
São Paulo, 7 abr. 1955.
122
ROCHA E SILVA, M. - T eoria ela
Informação e entropia. Ciência e
Cultura, São Paulo 9(1):11-15,
mar. 1957.
123
WOLFERT, Ira - Como funcion a
a automatização. O E stado de São
Paulo, São Paulo, 25 abr. 1957,
supl. comerc. e industr.: 4 .
12-1
010 -

c rnNCIA E 'l'f~CNICA
BIBLIOGRÁFICAS

ABRANTES DOS SA TOS, Jorge
Bibliografias [Recife, 1958],
12 f. mimeogr.
125
ANDRADE, Ca rlos Drumo ncl de Poesia e utilidade de Simões dos
Reis. In: SIMOES DOS RE·IS,
Antônio - Bibliogra ff!a n ac ion al, 1942 . Rio de Janeiro. Z. Va lverde, 1943, v. 6, p . 3-7 .
126
AMORA, Antôn io Soares - Dicionário de la literatura latinoam e ricana. O E stado de São P a ulo,
São Paulo, 24 m a io 1958, s upl. lit.:

2.
12'7
AMORIM, Maria José Thereza A literatura bibliotecológica n o
Brasil. IBBD Bole tim Informativo, Rio de Janeiro 3(3/4):175-187,
maio/agô. 1957.
128
ARAUJO FILHO, Mário - Literatura médica, bibliografia e referências. O Hos pital, Rio de J a neiro 53(1):103-120, jan. 1958.
129
BASSECHES, Brun o - Panorama
da bibliografifa bras ileira. Cor reio da Manhã, Rio de J a neiro, 5
junho, 1954.
130
BASTOS TIGRE, Manoel - Breve en saio sôbre bibliografia, pelo
engenheiro civil Manoel Bastos

�Tigre. Rio de J aneiro, 1915. 35 f.
da tilogr. 32 cm.
131
BERNARDES DE OLIVEIRA, A.
- Tritheim, pai da bibliografia.
O E s tado de São P aulo, São Paulo, 11 maio, 1958, 5 cad.: 72 .
132
BOLLINGER, N. - Preparo de bibliografia para uma publicação
técnica. Bragantina, Campinas
13:105-132, 1954.
133
BOTELHO, Marina Curs o d e
pesquisas bibliográfica-; em ci é ncias n atura is . IBBD Boletim I nformativo, Rio de .Tar..eiro 2(3) :
94 - 96, m aio/jun . 1!)56. ( Dis c urso
na solenidade de encerramento
do curso promovido pe lo I BBD).
l ~l4

CAMARGO, Elsa Pompeu de Mobil ização dos r ecur s os das l1iblioteca:-; unive r s itári as e a racionalização d as pesquisas l1ibliográficas no campo das ciências.
Tn: SOCIEDADE BRASILEIRA
PARA
O
PROGRESSO
DA
CIÊNCIA, São Pau lo - Si mpós io sôbr e bibliogr a fia e documentação c ie ntifica: 37-39.
135
CAMPIGLIA, Guelfo Os car - Not as ele bibliogra fia e docu men ta ção . Boletim Informativo [ do
Serviço de Docu mentação d a
Un iversidade de São Paulo] 1
(1):1-4, jul. 1959.
136
CARV ALHO FRANCO, Guiom a1·
de - Mecanização bibliográ fica .
In: SOCIEDADE BRASILEIRA
PARA O
PROGRESSO
DA
CI ÊNC I A, São P a ulo - Simpós io sôbre b ib liogr a fi a e documentação científica: 93- 97 .
137
COUTI NHO, Afrânio - Bibl iografia. Em seu : Da crítica e da nova
crítica. Rio de Janeiro, Civ ilização Brasile ira (1957] p. 184-187.
COUTINHO, Afrân io - Bibliografi a e literatura. Diário d e Not ícias , Rio de J aneil"O, 28 dez. 195S,
su pl. Jit.: 3.
139
CARVALHO, Felis bel a Libera to de
Mat os - Bibliograffia especiali zada n o Br asil [São P a ulo, Asso-

ciação Paulista de Bibliotecári os ] 1958. 3 f. mim eogr. lBBD
Bole tim Informativo, Rio d e Ja neiro -1(3/6): 141-145, m aio./dez.
1958 .
110

COUT INHO, Afrânio - Bibliogra fia m ach adia na . Em s eu : Da crítica e d a nova c dtica . Rio de
J a n eiro, Civilização Brasileira
[ 1!)57] p . 190-192.
141
COUTINHO, Afrâ nio - Bibliografia . E m s e u : Da crítica e da n ova
crítica. Rio de J aneiro, Civilização Brns il e ira (1957) p. 179-181.
14-2

COUT I N HO, Afrânio - Consciência bibliogr á fica. Em seu: Da crí t ica e da nova critica . Rio de
J aneiro, Civilização Bras ileira.
(1957 ) p. 192- 194 .
143

COUT I N H O, Afrânio
Mecânica
da documentação . Em s eu: Da
critica e da nova c ritica. Rio de
Jan eiro, Civi lização Bras ileira.
(1957) p . 187-190 .
14-l

COUT I NHO, A frâ nio Norma s
bibliográficas. Em se u : Da critica e da nova crftica. Rio de
Janeiro, Civilização Bras ileira
[19571 p . 182-184.
145
CUNHA, Maria Luiza (Pereir:i)
Monttiro d a - Bibliografias especia lizadas [São Paulo, Associação Paulis ta de B ibliotecários]
1958 . 10 f. mimeogr .
146
DORl A, Ire n e de Menezes - Processos da com p ilação bibliográfica. Trabalho apresentado ao 1I
Coloquim I nternacional de E studos Luso-Br asileiros , r ealizado
e m São Paulo, de 12 a 1S de setembro d e 1954 [ Rio ele Janeirn]
Mi n istério das R e lações Exterio res, Seção de Publicações [ 1955]
30 p .
H7

DORIA, Irene de Menezes - Rep ertórios e índices •bibl iográficos . In: lV Colóquio Inte rnacion a l de Estu dos L u s o-Brasile i r os . .. [Re:-;umos das comunicações a presentadas... Salvador]

323

�UniYers idade

da

B a hia,

1959,

p.25.

148
ESCRAGNOLLE DORIA - índices. In: lndice geral da Revista
cio Archivo Público Mineiro, organizado por T eophilo Feu ele
Carvalho. Belo Horizonte, Imprensa Oficia l, 191-! . p. 3-.J. .
149
f.'IGUEIREDO , Ficlelino de - Da
bibliografia geral em Portuga l e
no Brasil. Em seu: Aris ta rchos.
Rio de Janeiro, H . Ant unes, 1941,
p. 35-67.
150

1:&lt;'IGUEIREDO, L a ura Ma ia de e
ONIGA, Teodoro - Preparo de
bibliografias especializad as. São
Paulo [ Associação Paulista d e
Bibliotecários ] 1958. 1 f. mimeogr . Ciência e Cultura, São
Paulo 10(4): 214, dez. 1958 (res umo) IBBD Boletim Informativo,
Rio de J a neiro 4(3/6) : 113-122,
m a io/dez. 1958.
151

F'ERRAZ, Terezine Arantes - Bibliografia es pecializada médica
no Bras il. Ciência e Cultura, São
Paulo 10(4): 214-215, dez. 1958.
152

F'ERRAZ, Terezine Arantes - Bibliografia es pecializada no Brasil, coordenação e divulgação .
São Paulo [Associação Paulis ta
ele Bibliotecá rios ] 1958. 7 f. mimeogr. IBBD Boletim Informa tivo, Rio d e Janeiro 4 (3/6 ) : 12()130, maio/d ez. 1958.
153

FERRAZ, Terezine Arantes "Quarterly Cumulative Index
Medicu:;" . Anais de Farmácia e
Química, São Paulo 9:3-4, 1958.
154

FERRAZ, Terezine Ara ntes e FIGUEIREDO, Laura Maia de Cursos de pesquisa bibliográfica no Brasil [Salvador, 1959) 6 f .
mimeogr.
155

LEITE, Odúlia X a vier - Pesquisas bibliográ ficas n as ciências
sociais . IN: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CI:1!':NCIA, São Paulo Simpósio sôbre bibliografia e documentacão científica: 31-36.
-

324

156

LEITE RIBEIRO, F ernanda - A
a plicação da bib liogra fia m eca nizada no IBBD [Salvad or, 1959]
4 f. ·mimeogr.
157

LENT, Herma n - Problem as bibliográ ficos dos c ie n tis tas e pes quisador es. Ciê ncia e Cu ltura,
São Paulo 8(4) : 247-248, dez.
1956.
15S

MARTI NS, Wilson - I nstru m e n t os de trab alho . O E stado de São
P a ulo, São Paulo, 2-l. fe v. 1955.
159

MORAES, Eneida Cos ta de - A
bibliogra fia e s ua técnica. Diário
de Notícias, Rio d e Jan ei ro, 1.0
de a bril d e 1956, s u p l. lit.: 2 .
160

NERY DA F ONSE CA, Eclso n Aind a sôbre técn ica bibliográ fi ca. Correio da Ma nhã, R io d e
J a n eiro, 10 mar . 1956: 9, 12 .
161

NERY DA FONSECA, E clson
B ibliog rafi a de história cio B ra s il; qua ndo os bons histor ia dor es são m a us bibliógr afos. T n buna da Impre n sa, R io ele .Ja neiro 10/ 11, m aio 1958, s u pl. Tr ibuna dos L ivr os: 3.
162

NERY DA F ONSE CA, Eclson Bibliografia de r eferê ncias per na mbucanas. R ecife, I m p r ensa
Un iversitá ria , 1964 86 p .
163

N E·RY DA F ONSE CA, Edson Desen volvimento da b ibliotecon omia e da bibliogr afia no Brasi l. Revista do L ivro, Rio de J a neiro, 5: 95- 124, m ar. 1957.
164

N ERY DA FONSE CA, Edson Fontes d e in form ação: um g ui:1
de o bras de r eferê ncia em espanhol . Tribuna d a I m pren sa, R io
d e J a n eiro, 7/8 jun. 1958, supl.
Tribuna dos Livros : 8, 5 ilus .
163

NERY DA FONSECA, Edso n Importâ ncia da bibliogr a fia ~ ~a
biblioteca p a r a os estudos h 1s toricos. Recife, Arquivo P úblico
E stadual, 1956. 15 p .
166

NERY DA FONSECA, Edson Livros no r te-americanos c m po:·tuguês . Tribuna da Impren sa,

�Rio de J a n e iro, 1/2 m a r . 1958,
s upl. Tribuna dos Livros : 8.
167
NERY DA FONSECA, Edson O preparo de bibliografias espec ia lizadas [São Paulo, Associação P a ulista de Bibliotecários]
1958. 3 f. mimeogr. IBBD Bole ti m In form ativo, Rio ele Janeiro
4(3/6): 123-128, m aio/elez. 1958.
.

168

NERY DA l• ONSECA, Eelson Panor a ma ela bibliografifa bras ileira: um plágio. Letras e Artes, Rio ele Janeiro, 22 jun. 195•1.
169
NERY DA FONSECA Eelson Problemas ela bibliog~afia científica . São P a ulo, VIII Reunião
Anu a l ela SBPC, 1956 .
170
NERY DA FONSECA, Eel son Problemas ele bibliografia médica. Tri b un a ela Impren sa, R io
ele Janeiro, 30/31 m ar. 1957, supl.
Tribu na cios Livros: 8.
171
lERY DA FONSECA, Eclson Problemática ela bibliografifa.
Jornal cio B r asil, Rio ele· Janei1·0, 29 set. 1957, s upl. elom.: 12 .

172
NERY DA FONSECA, Edson (Rece nsão crítica ela obra Bib liografia brasileira ele direito
constitu ciona l, publicada e m 195G
pelo Ce ntro ele Pes quisas ela Ca sa de Rui Barbosa) Jornal cio
B r asil, Rio ele Janeiro, l.º set .
1957, s upl. dom.: 2.
173
NERY DA FONSECA, Eelson (Recens ão crítica ela obra de
Louise-Noelle Malcles, L a Bibliografie) Jornal do Bras il, Rio
fie J a n e iro, l.º set . 1957, s upl.
dom. : 2.
174
NERY DA FONSECA, Edson Técnica bibliográfica . Correio ela
Manhã, Rio de Janeiro, 11 fev.
1956.
175
NERY DA FONSECA, Eelson T h omas M erton e seus livros :
uma bibliogra fi a do famos o tr:1p is ta norte-am erican o. Tribuna
da Imprensa, Rio de Janeiro, 22
ou t. 1958, 1 cad.: ,1;
176
OLIVEEIRA, Democr atino Ramos

de - Pequeno escândalo nos do mínios da bibliograff!a. Diário
Ca rioca, Rio d e J a neiro, 25 jul.
1954, s upl. lite.: 2.
177
OLI VEIRA, Oswaldo de Melo Braga - Criação do Serviço Nacional ele Bibliografia . ln: ANAIS
elo Congresso elas Academias ele
L etras e Sociecl acles ele Cu ltura
Literária cio Brasil ( r ealizado rle
2 a 16 d e maio d e 1936) . T eses.
[Rio de Janeiro] Offici n as Graphicas d 'A Noite, 1936. p . 671676.
178
PAULA COUTO, Carlos ele Cursos de pesquisas bibliográficas e m Ciência Naturais, IBBD
Boletim Informativo, Rio ele J a neiro, 1 (5) : 205-212, set./out.
1955.
179
P IEDADE, Maria Antonieta Requião - índices e bibliografias.
B ibl iotecas e Bibliotecários, R io
de Janeiro 2(2): 6- 8, m ar./j un .
1955.
180
PLACER, Xavier - A bibliogra fia e sua téc nica [prefác io de
Eugênio Gomes ] [Rio de Janeiro] Minis tério el a Ed ucação e
Cultura, Serv iço de Documentação (1955 ) 48 p. (Coleção, Aspectos , 21).
181
PLACER, Xav ier - Orientação bib liogr á fi ca para a professôra rur a l. Rio de Janeiro, Serviço de
Informação Agrícola, 1956. 58 p.
23cm . (Série Clubes Agrícolas,
n.0 16).
182
PLA TET, Any B. - Comentário
ao trabalho ele Oclúlia Xavier
Leite: "P esquisas bibliográficas
em Ciências Sociais ". ln: SOCIEDADE BRAS I LEIRA PARA O
PROGRESSO DA CI:I!:NCIA, São
Paulo - Simpósio sôbre bibliog r a fia e documentação cien tífica:
40-41.
183
ONIGA, Teodoro - Cadeira d e pes quisa bibliográfica aplicada [Rio
de Janeiro], Ins tituto Brasileiro
de B ibliografia e Documentação,
Serviço de Inform ações TécnicoCientificas, 1959. 8f. mimeogr.
184

325

�REIS, José - Bibliografias especializadas [São Pnulo]. Associação Paulis ta de Bibliotecários,
1958. 2f. mimeogr.
185
TIOGERS, Francis M. - Idé ias para
uma Biblio teca Lus o-B1·a sileira
[Salvador, 1959 ], 1 f. m imeogr.
18G
S CHMALZ, Alfred o Carlos - Mud a n cas bibliográ ficas . Diário de
Peníambuco, R ecife , 15 set. 1957.
187
VALLE, J osé Ribe irn cio - Sis t ematização bibliográfica p elo emprêgo de fichas p erfurada:; e picotadas. São P aulo, E scola Paulista de Medicina [La boratórios
de F a rm acologia e Bioquímica ],
1955. lOp.
188
V ALLE CA B RAL, Alfred o do Dic ionário bibliog1·áfi co brasileiro. Ga ze ta Literá ria, Rio ele J a neirn 1(3 ): 50-52, 1 n ov. 1883:
1 ( 14) :273-280, 13 j un. 1884. IBBD
Boletim Informa tivo, Rio ele J a neiro 2( 6 ):351-356, nov.-clez. 195n.
189
VERISSI.MO, José Projeto de
um dicionário bibliográ fico . Re vista d a Aca demia Brasileira d e
Letras, Rio de J a neirn 1 (1/2: 161164, jul/out. 1910.
190
VIÉGAS, A. P. - Prepa ro de bibliografias [Campinas ] Instituto
Agronômico, 1944. 20p. (Boletim 25).
191
ZINK, Ernesto M a noel Como
organizar um catálogo e uma bibliografia. I Curso de Cafeicultura, 1954, 3.ª ed. (Campina;;,
s.c.p., 1957], p. 349-381.
192
ZINK, Ernesto Manoel -

Pesquisas bibliográficas em ciências físicas e naturais. ln: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGI_t;E;SSO DA CI:f:NCIA, S.-Paulo
- .•S1mpósio sôbre bibliograJia e
documentação científica: 43-43
193

017 -

C.-\.TALOGOS COLETIVOS

CUNHA, Maria Luisa (Pe r e ira)
Montei1·0 ela - Catá logos coletivos. ln: SOCIEDADE BRAS I LEIRA PARA O PROGRESSO
DA CIJ'!:NCIA, São Paulo, Simpósio sôbre bibliogra fi a e d ocume ntação científica: 22-27.
194
CUN H A, Ma ria Luisa ( Pereira)
Mo nteiro d a e L U THOLD, R os m a rie Ca tá logos coletivos . . .
São Paulo, Univers ida d e ele São
P a ulo, Comissão de Pesquisa e
Exte nsão Univers itá ria, B ib lioca Central, 1958. 43p .
195
LEITE, Oclúlia (Sous a Gabbi ) X :-i v ie r - Elabor acão ele um cat á logo coletivo. o· E s tado de São
P aulo, São Paulo 18/19 agô. 19GL
196
LENTINO, Noêmia Catálogos
co let ivo:;. ln: SOC I E DAD E, B R ASILEIRA PARA O PROGRESSO
DA CI!!:NCIA, São P a ulo, S im pós io sôbre bibliografia e d ocume ntação c ientífica: 28-30.
197
L ü THOLD, R osm a rie Normas
pa r a a compilação ele um ca tá logo co letivo de periódicos - São
Paulo, Reitoria da Univer s ida de
ele São Paulo, 1953, lOf. mimeog r.
ilus .
198
NERY DA FONSECA, Ecl: on Bibliotecas especia liza das e ca tálogos coletivos: interdepe ndê ncia ou morte. Tribuna d a Im prensa, Rio de Janeiro, 26/27 o u t .
1957, supl. Tribuna do;; Livros: 3.
199
SAMBAQUY, Lydia de Que iroz Catálogo coletivo de perió dicos.
IBBD Boletim Informa tivo, Rio
de Janeiro 2 (1/2 ) :25-33, jan./a b r.
1956.
200
SAMBAQUY, Lydia de Que iroz Catálogo coletivo n aciona l norteamericano. IBBD B,oletim Informativo, Rio de Janeiro 4(3/6 ) :
107-112, maio/dez. 1958.
201

�020 -

BlBLIOTECOXOi\lJA

ANDRADE, Mál'io de - Biblioteconomia. Em seu: Os filhos d a
Candin h a . São Paulo, Liv. Martins [1943] p. [100]-103 .
202
BRASIL. DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO DO SERVIÇO
PúBLICO. Curso extraordinário
de biblioteconomia [Rio de Janeiro, 1943 ]. 118 f. mimeogr.
203
BUENO, Francisco da Silveira -Influência d a biblioteca nos estudos de fil ologia. Bole tim B ibliog1·ãfico, São Paulo, 2:33-36,
1944.
204
CASTELO BRANCO, Lyclia - Panora m a bibliotecário do Rec ife ...
Recife. Departa m en to de Documentação e Cultura [1955].
59 p.
205
CARVALHO, Felis b e la Libera to el e
Mattos - Formação profissional
do bibliotecário bras ileido. lBBD
Boletim Inform a tivo, Rio d e Janeiro 3(5/6): 319-325, " set./clcz.
1957.
206
C ARVALHO FRANCO, Guioma r de
Comentário ao r e la tório d e
Luísa Fonseca: "Formação profissiona l cios bibliotecários e documentalistas". ln: SOCIEDADE
BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA Cll'!:NCIA, S. Paulo,
Simpósio sôbre bibliografia e clocumentacão científica: 56-59.
•
207
CARVALHO FRANCO, Guiom::11·
- I Congresso Brasileiro ele Biblioteconomia. Associação Paulista ele Bibliotecários, Boletim
Informativo, São Paulo 1:5-7,
março 1955.
208
CAVALCANTI, Maria elas Neves
N. Tavares - A formação profissional de bibliotecário face às
exigên.c.ias da biblioteca atual.
IBD Boletim Informativo, Rio de
Janeiro, 3(5/6):327-332, set./dez.
1957 .
209

CUNHA, Lygia Fernandes da A biblioteconomia no Recife. Biblitecas e Bibliotecários, Rio de
Janeiro 1(4):2, 4, maio/jun. 1954.
210

CUNHA, Maria Luísa (Pereira)
Monteiro da - Algumas consi derações sôbre a biblioteconomia
nos Estados Unidos. Fôlha ela
Manhã, Recife 29 jan. 1949.
211
CUNHA, Maria Luísa (Pereira)
Monteiro ela - Bibliotecários pern a mbucanos e as atividades da
D.D.e. do Recife. A Gazeta, São
Paulo 4 ou t . 1949.
212
CUNHA, Maria Luísa (Pereira)
Monteiro da - B iblioteconomia à
luz da e s tudos e conhecimentos
em ação. A Gazeta, São Paulo, 1&lt;l
abr. 1959:14.
·
213
CUNHA, Maria Luisa (Pereira)
Monteiro ela - A Biblioteconomia
no Brasil e na América. Jornal
do Comércio, Recife 19 j a n. 1949.
214
CUNHA, Maria Luisa (Pereira)
Monteiro da -A Biblioteconomia
no Norte e Nordeste do Brasil.
A Província, Belém fev. 1949. Bole tim Bibliográfico, São Paulo
14:117-124, 1950.
215
CUN HA, Maria Luisa (Pereira)
Monteiro da - Glimpses of lib1·asianship in São Paulo. Bulletin of the Louis iana Library
Association 12(5):163-166.
216
DIAS, Antônio Caetano - Alcança
grande repercussão o 1.° Congresso ele Biblioteconomia. Diário
de Notícias, Rio de Janeiro, 8 agô.
1954, s upl. lit.: 2.
217
DIAS, Antônio Caetano - O ensino ela biblioteconomia e sua r egulamentação [São Paulo], Associação Paulista de Bibliotecários ,
1958 5f. mimeogr. IBBD Boletim
Informativo, Rio de Jane 1 r o
4(3/6): 147-157, m a io/dez. 1958 .
Revis ta do Livro, Rio de Janei1·0 13:231-233, mar. 1959.
218
DIAS, Antônio Caetano - O ens ino da biblioteconomia no Brasil. Rio de Janeiro, Instituto de

327

�Previdência e Assistência dos
Servidores cio Estado, 1955, 32p.
219
DIAS, Antônio Caetano - O estudo ela bibliot economia no Brasil.
Tp:ise, Rio ele Janeiro, 1:21-2:2,
fev. 194S.
220
DIAS, Antônio Caetano - Tendências modernas elo currículo :,o
ensino da biblioteconomia. Rio
ele Janeiro, Cursos ele Biblioteconomia, 1964, 2Sp.
221
DINIZ. Alfredo G. d os Santos Bibliotecosofia [Bibliothe k s -\V:c::sen sch a ft. Ciência ·elas bibliotecas]; ou Ligeiras notas referentes à organização e à administração de bibliotecas, São Paulo,
Diário Oficia l (1915) vii+ 75p.
222
DUARTE RIBEIRO, Jorge - Algumas noções ele biblioteconomia:
s ubsídios para um compêndio .
Postulas organizadas por Jorge
Duarte Ribeiro. R io de J aneiro,
Indústria do Liv1·0, 1933. 15p.
223
DUARTE RIBEIRO, Jorge - Noções de biblioteconomia, Rio de
Janeiro, Indústria do Livrn, 193-l.
24p.
224
FERREIRA, Orla ndo ela Costa Bibliotecários e meridianos. Diário de Perna mbuco, Recife 15 jan.
1960; 1. cad.: 4; 2. cad.: 5; 16 jan
1960, 1. cad.: 4; 2. cad. 5; 19 jan
1960, 1. cad.: 4,8; 20 jan 1960, 1.
cael.: 4; 2. cad.: 5.
225
FIGUEIREDO, Adelpha (Silva Rodrigues) - A formação profissional de bibliotecá rios e documentalistas. ln: SOCIEDADE
BRASILEIRA DA Crf::NCIA, São
Paulo, Simpósio sôbre bibliografia e documentação científica:
13-18.
226
FIGUEIREDO, Adelpha (Silva Rodrigues) _:_ Desenvolvimento da
Biblioteconomia em São Paulo .
Rio de Janeiro, Departamento
Administrativo do Serviço Público, 1945, 22p.
227

328

FONSECA, Lui s a A formação
profissional cios bibliotecário:; e
documentalistas. ln: SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CII!: CIA, São Paulo - Simpósio sôbre bibliografia
e documentação cientifica: 5-12
228
FONSECA, Luisa - Repertório ela
legis lação sôbre bibliotecas e bibliotecários do E s tado ele São
Paulo. lnelice alfabético r emissivo ... [Apresentação de Affonso
de E. T aunay] Sã o P a ulo, 1953,
34p.
229
FURTADO, Aída - O I Congresso
Brasileiro d e Biblioteconomia. A
B iblioteca, Rio de Janeiro, 3 :10-18
j a n./dez. 1954.
230
HORCH , Rosem a rie E . - O ensino
ele biblioteconomia n a Alcmannha. Bibliotecas e Bibliotecários,
Rio de Jane iro 1 (5) :1-2, jul. 195-l.
231
KHOURY, José - Livros, bibliotecas e biblió filos entre os á r a bes. Boletim Bibliográ fico, São
Paulo 18:57-4, 1951.
232
MORAES, Rubens Borba de - O
problema das bibliotecas bras ileiras . . . Rio de Janeiro, Casa do
Estuda nte do Bras il, 1943. 64p.
233
i'l'lOURA, Washington J osé de Alm eida - A propósito da visita do
professor Shera ao Brasil. IBBD
Boletim Informativo. Rio de J a neiro 3(3/4): 165-168, maio/agô.
1957.
23-1
1 E RY DA FONSECA, Edson Bibliotecas e bibliotecários da
provín_cia [Rio de Janeiro], Ministério da Educação e Cultura,
Serviço de Documentação [1959]
76p.
235
NERY DA FONSECA, Eds on A biblioteconomia no Brasil: um
ano de atividades . Jornal do Brasil, Rio de Janeiro 22 set. 1957.
236
NEVES, Bernadette Sinay A
formação profissional de bibliotecários e documentalistas. ln:

�SOCIEDADE BRASILEIRA P ARA POGRESSO DA Clf:NC IA,
São Paulo - Simpósio :,ôbre bibliografia e documentação cientffica: 98-99.

da biblioteconomia pa ra o pro grel-JSO cientifico. l BBD Boletim
Informativo, - R io de J aneiro
3(3/4) :143-153, ma io/agôsto 1957
(T exto em inglês e português).
247

237

PEREGRINO, Um berto - Onde o
a ssunto eram livros. Boletim [da
Biblioteca do Exército ] Rio de
Janeiro 35:4-10, out. 1959.
238

PIEDADE, Ma ria Antonieta R e quião - A E scola d e Biblioteconomia e Documentação do Instituto Santa ú rs ula e a Regula m e ntação d a E scolas d e Biblioteconomia . IBBD Bole tim Info1·111a tivo, Rio el e J aneiro 4 (3/6 ):
159-167, maio/dez. 1958.
239

QUlTITO, Edul de Reze nde - B r eves noções de biblioteco nomia . ..
(Rio d e J a neiro, s . ed., 1937 ) 33p .
ilus .
240

RASPANTINI, Aquiles - Biblioteconom ia. E d ucaçã o, São P a ulo
5(3/5) out./dez. 1931; 10 ( 10/ 11)
o u t./nov. 1932.
241

RA SPANTINI, Aqu iles Notas
d um bibliotecário. Diá rio d a Noi te, São P au lo 18 out. 1933.
242

REFORMA d o cu rso d e B ibliot economia. Rev ista do Ser viço Públi co, R io de Janeiro 2(3 ):1-17,
jun . 1944.
243

RIO DE JA ElRO. BIBLIOTECA
1 ACIONAL
Programas do
Curso de Biblitecon omia para o
c1110 de 1917 . Rio d e Janeiro, Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacio nal, 1917. lOp.
244

RUSSO, L au r a (Garcia Moreno) e
ROCHA JUNIOR, Rodolfo - Federação das Associações Brasileir as de Bibliotecários . . . (Salva dor ) 1959. 17 f. mimeogr.
245

SÃO PAULO. FUND AÇÃO DA ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POL fTI CA - Curso de Bibliotec0no mia . 1955. Décimo s exto a no leti,·o, p rog ram a. São P a ulo, 1955.
16p.
246

SA W AYA, Pau lo -

Contribuição

021 -

F U X Ç-!O DA BICLIOTECA

ALCÂNTARA SILVEIRA - V is ita à " Circula n te". Jornal de Let ras, Rio de Janeiro dez. 1950:10.
2-18

ALMEIDA, R enato - Permuta d e
publicações como instru m ento de
c ultura. ln: SEMINÁRIO SOBRE:
PERMUTA NACIONAL E INTERNACIONAL DE PUBLI CA ÇOES Informe fin al: 37- 53
5, p . 1-20 .
249

BARROS, Ma ri a Antonieta d e Mes qu ita - Bas es para orga nizaçã o
ele um cen tro coord enado r ele
per muta de publicações. In: SEMINÁRIO SôBRE PERMUTA
NACTO AL E I NTERNACIO NAL DE PUBLICAÇõES, tema
J, p . 1- 20

250

BASSECHES, Bruno Ma n u a l
pa r a bibliotecas: contribuição para o estudo da organização ele
bibliotecas; breves noçõ es de biblioteconomia, Rio de Janeiro
[United States Information Service, American Embassy] 1959.
35p.
251

BR AGA , Genes ino Biblioteca
Pública: o progresso de uma n ação e desenvolvimento d e um
povo estão na razão direta do
s eu progresso cultural e do seu
d esen volvimento es piritual. O
Jornal, Manaus 7 maio 1950.
252

BRA SIL. DEPARTAMENTO ADM INISTR ATIVO DO SERVIÇO
PúBLICO. SERVIÇO DE DOCUMENT AÇÃO. BIBLIOTEC . .
A função da biblioteca n a sociedade. Revista d o Serviço Público, Rio de J aneiro 1(1):63, j an .
140.
253

BRASIL. INSTITUTO KACIONAL
DO LIVRO - O Instituto Nacional do Livro e as bibliotecas

329

�populares... (Rio de Janeiro) .
Serv. Gráf. do Minis tério da Educação. 1939. 23p.
254
BRASIL. INSTITUTO NAC IONAL
DO LIVRO - 1 milhão de livros
doados . Rio de J a neiro, 1950. 6p.
255
BRITO, Antônio Tenório d a Rocha - Bibliotecas circulantes p a ra e scolas isola das . ln: PRIMEIRO CONGRESSO PAU LISTA DE
ESCRITORES, promoviclo pe la
Associação Bras ile ira ele Escritores (ABDE), S eçãQ de São P a ulo.
Lim eira, setembro, 22 a 26, 1946
(São Paulo} p. 129-135.
256
BRODBECK, Sully Suges tões
para uma coope ração intens a e ntre as bibliotecas es pecializadas
do Bra sil (Recife, 1954) mimeog r.
257
CAMPOS, Geir - O I.N.L e o possível. O Esta do de São P a ulo,
São Paulo, 9 m a io 1959, s upl.
lit. : 3.
258
CALADO, Públio - A biblioteca e
s ua função socia l. Fôlha d a Ma ,
nhã, Recife 19 agô. 1951, 1. cad .:
1, 13.
259
CARVALHO FRANCO, Guiomar A biblioteca vai assumindo a s u a
verdadeira posiçã o na administração pública paulis ta . Expoente, São Paulo 2: 11-14, abr./ma io
1952.
260
CONGRESSO DE ENSINO REGIONAL, 1., Salvador 1934 - As
bibliotecas e os museus no s is tema escolar do município d e
Vassouras. Rio ele Janeiro, s.c.p.
1934, 28p.
261
CUNHA, Maria Luísa (Pereira )
Monteiro da O bibliotecário
escolar. São Paulo, (s.c.p.} 1947 .
lOp.

262
D 'APICE, Virginie Buff - Permuta de publicações no Brasil. ln:
SEMINÁRIO SôBRE PERMUTA
NACIONAL E INT ERNACIONAL DE PUBLICAÇõES, tema
I, p. 1-10.
263
DIAS, Antônio Caetano - Biblioteca como centro de documenta-

330

educação ele a dultos a t ravés da
çã o. Rio de J a neir o, Ser v iço ele
Docume ntaçã o do MTIC, 1953.
16p. ( Coleção Linclo lfo Collo 1·).
264
DIAS, H élcia Tendências rrw dernas ela b iblioteca. R e vista do
Se rviço Público. Rio de Jan eir o
2 ( 1):73 -76, a br. 1950.
265
DIVULG AÇÃO do li vro e m t odo o
interior d o p ais. Correio da M a nhã , Rio de J a n eiro, 6 agô. 1955
(Entre vis t a d e Aug us to Meyer,
sôbre as a ti vidad es do I n s t ituto
Nacional cio L ivro) .
266
DóRIA, Iren e d e Menezes - Bases
p ara a org anização de um centro
ele permuta de publicações. IBBD
Bole tim Info rma tivo, Rio de J a neiro 2(6) :341-349, n o v./clez. 195!i.
267
FÊRRAZ, W a nda - A Bib lio teca.
Rio de J a n eiro, Becleschi, 1940.
215p . ilus .
268
FIGUEIREDO, Fieleli no de - " Bo let im B ibliográ fico ". Boletim B i bliográ fico, São P a ulo, 1: 7- 12,
1943.
269
FREITAS, I elelma - B ib lio t ecas e
ins tituições que o fe r ecem aH publicações que e ditam e d esej a m
es t a belecer p e rmuta. In: S E M I NARIO SóBRE PERMU TA NACIONAL E INTERNACIONA l .
DE PUBLICAÇõES, te m a 3, p .
1-18 .
270
FURTADO, Aída - Acôr elos e t r atados firmados p elo govêrno pa r a
permuta de publicações. ln: SEMINARIO SôBRE PERMUTA
NACIONAL E INTERNAC IONAL DE PUB LICAÇôES, t e m a
2, p. 1-7.
271

GRILLO, Sylvia de Queiroz A
educação de adultos e a biblio teca. Revista do Serviço Público,
Rio de Janeiro 3(3): 69-77, set .
1939.
272

GUIMARÃES, Hahnemann A
educação e a biblioteca. Rio d e
Janeiro, Imprensa N a cional, 1944.
12p.
273

�bib lioteca. Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro 1(3 ) : 81-84,
mar. 1942.
274
LACERDA, Ma uricio Ca minha d e
Biblioteca: escola e oficin::i
(R io de J a neiro, MTIC, Serviço
d e Documentação, 1955) 24p . (Coleção Lindolfo Collor) .
27,'.i
L EITE, Odúlia (Souza Ga bbi ) X a v ier - B ibliotecas de estudo. O
E s tado de S ão P a u lo, São P a ulo
28/29 jul. 1951.
276
LOURENÇO FILHO, Ma nue l B e r g s troem - O e n s ino e a bibliot e ca. . . Rio de Jan e iro, Departa m en to Adminis tra tivo do Se rviço
Público, 1944. 24p. (Brasil. De p a rta m ento Adminis trat ivo elo
Serviço Público. Serviço de Docume ntação. P ublicação a vulsa
n .0 135) .
277 •
MACHADO, H élio Gom es - As ·i~tê ncia técnica às bibliotecas bras ile iras . B oletim B ibliográ fico,
São Paulo 20: 41 -45, 1952.
278
MACHADO, H é lio Gom es - N ôvo
impulso às biblioteca s públicas.
R evis t a d o Livro, Rio de J a n e iro
1 (1/2): 309- 312, jun. 1956.
279
MARTINS, Myl'ia m (B a ndeira
Gus mão) de - Nós temos os li vros. Diário de Perna mbuco, Recife 18 fev. 1951.
280
MENEGALE, J . Guimarães - Biblioteca. ln: CARVALHO SANTOS, J. M. e AGUIAR DIAS, José
de, ed. - Repertório Enciclopédico do direito b r a s ile iro. . . Rio
ele Janeiro, Ecl. Borsoi s .cl. v. 6,
p . 9-10 .
281
MENEGALE, J. Guimarães - O
que deve ser a biblioteca pública. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1932. 104p.
282
MINSSEN, Lucília - Bibliotecas ...
lugar onde se guardam livros?
R evis t a do Ensino, Pôrto Alegre
3( 18) : 51-64, 1953.
283
MIRANDA, Nair - Bases para a
organ ização de um centro coordenador de permutas de P.Ublica -

çõc s: loca lização dos centros regionais (São Paulo, Serviço Socia l da Indústria, Departamento
R egional, 1956) 7f. mimeogr.
284
MIROZ, E ster (Tas taldi) - A publicidade como meio de desenv olvime nto das bibliotecas . São
Paulo (s . ed.) 1947. 52p.
285
NERY DA FONSECA, Edson Devem os livros s e r lidos pelo
m a ior número p ossível de pe:,soas. J orna l de A la goas, Ma ceió
286
NERY DA FONSECA, Edson Dinâ mica da b ib lioteca . Rio de
Janeiro, S e1·v iço Social do Comércio, Departa mento Naciona l, 1956 .
11 f. mime ogr.
.
287
NERY DA FONSECA, Eds on P e rmuta; o Seminário Internacional H ava na . Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro 27 /28 set. 1957,
s upl. Tribuna dos Livros : 3.
288
.óBREGA, Ma noel da - Bibliotecas públicas e intercâm b io; al1l't a ções para o es tudo c r itico e solução de um problema premente.
Recife, 1954. 8 f. mimeogr.
289
NOGUEIRA DA SILVA, M. - Do
carát er e finalida de do dep ósito
lega l, limitado o mesmo à legis lação fede r a l, para que s eja a Biblioteca Nacional o centro e o r e positório integral da produção li v r esca do país. ln: Anais dQ Congresso das Academias de Letras e
Sociedades de Cu ltura Artistica
cio Brasil ... Rio de Janeiro, Officinas Graphicas d'A Noite, 1936
p . (663) - 670.
290
PINTO DE AGUIAR - Função
din â mica das bibliotecas .. . Bahia
[Imprensa Regina ] 1942. 40 p.
291
PIRAJA, N a ir Miranda - La Biblioteca ambulante del Servicio
Social de la Industria. In: ORGANIZAÇÃO DAS NAÇõES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A
CI~NCIA E A CULTURA Desarrollo de las bibliotecas públicas en América Latina. Conferência de São Paulo [ Paris 1
Unesco [1953] p. 88-93 (Manuale

331

�de la Unesco para las bibliotecas públicas, 5).
292
PIRAJÃ, N a ir Miranda - Uma biblioteca paulista que serve de
paradigma para as congêneres
estrangeiras. Expoente, Sâo Paulo, s.c.p., 1945. 3 p .
293
PIRAJÁ, Nair Miranda e LORENA, Carmen - A democratização da cultura por meio das bibliotecas ambulantes. São Paulo, s .c.p., 1945. 3. p.
294
PORTUGAL, Francisca Marcondes
- A publicidade dos serviços de
biblioteca. Revista do Serviço
Público, Rio de Janeiro, 2(2):
188-190, maio 1940.
295
QUINTAS, Amaro Soares - Educação: bibliotecas municipai s .. .
Recife [Imprensa Industria l],
1949. 10 p.
296
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - A ação social · da biblioteca pública. Rio de J a neiro,
Imprensa Nacional, 1942. 8 p.
297
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - Como a biblioteca pode e deve servir ao Brasil .. . Rio
de Janeiro, Departamento Administrativo do Serviço Público,
1943. 10 p.
298
SAMBAQUY, Lydia de · Queiroz
(Lima) - O que é a biblioteca
moderna. Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro, 3(1/2):
75-77, Jul./agô. 1939.
299
SEMINÁRIO SôBRE PERMUTA
NACIONAL E INTERNACIONAL DE PUBLICAÇÕES . São
Paulo, 1956 Informe final'.
São Paulo, Reitoria da Universidade de São Paulo, Biblioteca
Central, 1956 . 3 f. p. 53 p. 23cm.
300
TEIXEIRA, Anísio - Bibliotecas
e museu s : institu ições básicas.
IBBD Boletim Informativo, Rio
de Janeiro, 2(6): 357-360, nov./
dez. 1956.
301

TEIXEIRA, Anfsio - O livro br:isileiro. A Gazet a, São Paulo, 8
março 1957.
302
VIDO, Maria - Biblioteca m oderna
e a documentação. Revista do
Serviço Público, Rio de Janeiro,
83(1): 43-46, abril 1959.
303
VIEIRA FILHO, Da m asceno Função dinâmica das bibliotecas, Diário ele Notícias, Rio de
J a neiro, 5 abr. 1959, s upl. lit.:
3, 6.
304
023.4 -

QUALIFTCAÇAO no
BIBLIOTECA RIO

ALENCAR, Ana de - F ormação e
seleção do bibliotecário . R ev is t a
do Serviço Público, Rio ele Janeiro 3(3): 60-64 , set. 1940.
305
CARPEAUX, Otto Maria - R e fl e xões sôbre a s ituação atual e fu tu ra do bibliotecário n o Brasil.
Revista do Serviço Público, Ri o
de Janeiro 1 (2): 20-23, fev. 1945.
.
306
CU HA, Mar ia Luisa (Pereira)
Monteiro da - A biblioteconomia
atr a i a mulher . A Gazeta, São
Paulo, 10 jun. 1949 .
307
CUNHA, Maria Luisa (Pereira)
Monteiro da - Estuda-se biblioteconomia por amor ao livro.
Diário de Pernambuco, Recife , 19
jan. 1949.
308
DANTAS, Pedro, pseud. de Prudente de Moraes Neto - Os párias do funcion a lis mo. Tribuna
da Imprensa, Rio de Janeiro, 2
dez. 1954.
309
DANTAS, Pedro, pseud. de Prudente de Moraes Neto - Ter livros e ter biblioteca. Tribuna d a
Imprensa, Rio de J a neiro, 3 dez.
195'1.
310
DIAS, Antonio Caetano Concursos na Biblioteca Nacional.

�Revista do Serviço Público, Rio
de Janeiro 3(2): 79-81, agô. 1952.
311
FREYRE, Gilberto - Um bibliotecário. Diário de Pernambuc•J,
Recife, 13 jjul. 1943: 4.
312

MELLO, H elena de A vezedo e O leitor e o bibliotecário. Arquivos Brasileiros de Psicotécnic::i,
Rio de Janeiro, 4(20): 7-14, jun.
1952 .
313

MEYER, Augusto - O bibliotecário desconhecido. Diário Carioca,
Rio de Janeiro, 12 agô. 1951,
s upl. li t.
314

MORAES, Rubens Borba d e Conceituados no exterior os bibliotecários brasileiros. Diário de
Notícias, Rio de Janeiro, l.º agô.
1954, 6 sec.: 1.
315

NERY DA FONSECA, Edson A propósito de um inguérito.
Diár io de Perna mbuco, Recife,
:J jul. 1950.
31G

NERY DA FONSECA, Edson Aos bi bliotecá rios de 1951 . Diário de Pernambuco, R ecife, 16
dez . 1951 .
317

NERY DA FONSECA, Edson Bibliotecários paraibanos. Diário de Pernambuco, Recife, 18

ian . 1953 .
318

NERY DA FO SECA Edson Três precursores. Diário de Perna mbuco, Recife, 23 e 30 nov. e
7 dez. 1952.
NEVES, Bernadette Sinay - Pr~paración profesional fuera de Ias
escuelas. ln: ORGANIZAÇÃO
DAS NAÇõES PARA A EDUCAÇÃO, A crnNCI A E A CULTURA - Desarrollo de Ias Bibliotecas Públicas e n A m érica
Latina . Con ferência de São Paulo [Paris] Unesco (1953 ) p. 146155 (Manuales de la Unesco para las bibliotecas públicas, 5) .
320

PEQUENO, Mercedes de Moura
Reis - Formação profiss ional do
bibliotecário especialis ta em mús ica Bibliotecas e Bibliotecá-

rios. Rio de Janeiro, 1(8): 1- 4,
out. 1954.
321

PINTO, Cléa Dubeux - O bibliotecário mode rno. Boletim d 0s
Cursos ele Biblioteconomia, Recife, 2: 1- 2, 1955.
322

RASP ANTINI, Aquiles
O bibliotecário. Diá rio de São P a ulo,
São P a ulo, 10 fev. 1934, página
de Educação .
323

REGUEIRA COSTA, José Césio B ibliotecários e livros. Diá rio de
Perna mbuco, Recife, 7 agô. 1949.
324

SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - A profissão de biblio tecários . IBBD Boletim Informativo, Rio de J a neiro 2(6): 335339. nov./dez. 1956 .
325

SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - Bibliotecários. -Revista do Serviço Público, Rio de J aneiro 3(3): 31- 33, set. 1950.
326

SAMBAQUY, L ydia de Queiroz
(Lima) - Manuel Cícero Peregrino da Silva. IBBD Boletim
Informativo . Rio de Janeiro,
2(5): 235-237, se./out. 1956.
327

TAVEIRA, Zilda Machado A
profissão do bibliotecário. Boletim Bibliográfico, São Paulo, 16:
75- 78, 1950.
328

W ANDERLEY, Manoel Adolfo Carreira de bibliotecário . Bibliotecas e bibliotecários, Rio de Janeiro 1(5) : 2-4, jul. 1954 .
329

0!!4 . G -

Ei\JPR:il:STii\lO DE
LIVROS

AZEVEDO, Francisco José Almeicla de - Bibliotecas popula res e
serviço de leitura a domicílio.
Boletim Bibliográfico, São Paulo,
15: 51-58, 1950 .
330

M /\RTINS, . l\'Iyriam
(Bandeira
Gusmão) de - Emprésti m o inter- bibliotecários.
R e vista do
Serviço Público, R io ele J aneiro,
2(2) : 73-76, maio 1953.
331

333

�MIGUEIS, 1\faria Amélia Pôrlo O Serviço de Emprés timo na Biblioteca do D.A.S.P. A Biblioteca, Rio de Janeiro 5: 21-25, abr./
dez . 1955.
332
PENNA, Odette Senna de Oliveira
- Empréstimo entre bibliotecas.
IBBD Boletim Informativo, R io
de Janeiro 3(5/6): 293-303, set./
out. 1!)57 .
333
0.25 -

PROCESSOS Tf:CNlC'OS

ALBUQUERQUE, J. Teixe ira de Móvel Jota (sistema D.V.O.P. para arquivamento vertical d e
pla ntas). Boletim Técnico da Secreta ria de Viação e Obras Públicas, Recife 12(1): 5153, jan . /
m a r. 1945, ilus .
AMORIM, Maria José Thereza de
- Problemas da organização ele
materiais em línguas estrangeiras nas bibliotecas . IBBD Boletim Informativo, Rio de \Janeiro, 3(5/6) : 305-318, s et./dez.
1957.
335
CALAZANS RODRIGUES, Octavio
- Iconogra fia e cartografia. Boletim do Minis tério do Trabalho,
Indústria e Comércio, Rio el e Janeiro 45: 314-327, m aio 1938 .
336
COARACY, Ada Maria - Reprodução de documentos e m bibliotecas. Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro 82( 1/3 ): -W-ôS.
jan . /mar . 1959.
337

CUTIN, Noemia Lerner
Periódicos nas bibliotecas universitá rias e especializadas. . . ( Prefácio
de Adelpha S. R. Figueiredo}
São Paulo, Distribuição (ela} Liv.
Luso-Es panhola e
Brasile ir::i,
1956. 96 p.
338
FERRAZ, Wanda
Pontos básicos par aa administração de uma
biblioteca. Revista do Serviço

334

Público, Rio de J a n eiro 1(3/3):
51-58, jan./fev. 1938.
339
F IGUEIREDO, A. J. de
Lemmiscoteca, um neologismo n ecessário . Jornal do Commercio, Rio
tle J a n eiro. 29 nov. 1959, 2 cad.: 3.
340
GAMA ANDRÉA, Nilo L opes Organização prática e eficiente
de uma discoteca ; instruções e
m odelos de fic h as para a rquiv amento, seleção, bu sca, estatfs tica
e inventário .. . Rio ele Jane iro
[l\'Iines tra Comércio e Indús t ria]
1949 .
3-11

GOMES, Maria L. Ca1·closo - Nôvo
processo m ecaniza do no orga ni~1110 das bibliotecas . . . São P aulo,
1PE, 19-19.
342
?-!OURA, Maria Aparecida Gomes
ele - A aplicação do sis te ma do
cartão perfurado n a reorganiza ção da Biblio tec a d o Conselh o
Nacional de E s ta tis tica. In : SOCIEDADE BRASILEIRA PARA
O PROGRESSO DA CI:l!:NCIA ,
São Paulo - Simpós io sôbre bibliografifa e docum entação cie ntífica: 60-62.
3-13
O 1 IGA, Teodoro
Reprodução e
eleção mecânica d e documentos.
ln: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio de
.Janeiro - Temas de documen tação: 34-38.
344
PIZA, Affonso P . de Toledo - Nôvo processo mecanizado na organização das bibliotecas . ln:
SOCIEDADE BRASILEIRA P ARA O PROGRESSO DA Clf:NCIA, São Paulo - Simpósio sôbre bibliogra fi a e documentação
científica: 19-21 .
345
PôRTO, Vera ela Silva
Tratamento das publicações elas Nações Unidas nas bibliotecas [Rio
ele Janeiro, In stitu to Naciona l cio
Livro, 1957] p . 231-264.
3-16

P RADO, Heloisa ele Almeida Catálogo de m a terial u sado no
serviço de organização de biblio-

�tecas . . . [São Paulo) Fra fix , Art es Grá ficas [1959) 12 p. ilus.
.
347
PRADO, H e lo isa de Almeida Como se organiza uma biblioteca . . . São Paulo, Lep. 1951. 114 p.
(Man u ais técnicos Lep).
348
SÃO PAULO (ESTADO ) CONSELHO ESTADUAL DE BIBLIOTECAS E MUSEUS - Ip s tru çõcs prelimina r es pa r a organi zaçã o de bibliot ecas. São P a ulo,
R e vis ta dos Tribuna is s . d . 20 p.
349
SOARES, Nilza Teixeira - Proces!'!Os de s e leção m ecân :ca, aplicações. E la b or ação ele ín dice . In:
ASSOCIAÇÃO BRASl LEIRA DE
BIBLIOTECÁRIOS, Rio ele J a n e iro - T e mas ele docu menta çã o: 46-57.
350
WILSON, Wi llia m J er om e - Bi blio tecas his tóricas, n ôvo g énero.
Tra d . de Sylvio do Valle Amam!.
R evis ta do Serviço Púb lico, Rio
d e Janeiro 4(2 ): 108 -114, n o,: .
1953 .
351
025.171 -

ARQUIVOS

B ARROCA, F e rna ndo - B ibliotecas e a rquivos de P a ris ... Paris
s .c.p. 1926 . 199 p.
352
CASC UDO . Luís ela Câ mara - A
fu nção do arquivos. Recife, Arquivo Públi co e:;t a dua l, 1956. 13p.
23 cm.
353
LEUCHT, Alberto Oct avio - O arquivis ta moderno. IDOR'T, São
P a ulo 26 (309/310): 195-202, s et./
ou t. 1957, ilust.
354
:M OURA, Was hington J osé de Alm e ida - Introdução a um cur s o
s ôbre adminis t ração de a 1:quivos.
IBBD Boletim Informativo, Rio
de J a neiro 4(3/6) : 179-1821 maio/
dez. 1958.
355
RODRIGUES, Jos é Honório - A
s ituação do Arquivo Nacional. ..
Rio de Ja n e iro, Ministério tia
Jus tiça e Negócios Interior es,
1939, 73 p. ilus .
356

025.2 -

AQUJSIÇ,\O

A RA UJO, Maria de Lourdes Pinho
- O Serviço de Aquisição. A .Bib lioteca, Rio d e J a n e iro 5:12-15,
. abr./dez. 1D55.
357
BARROS, :M aria Antonieta d e Mes quita - O regis t ro de periódicos
na Biblioteca Na cional. Bibliotecas e B ibliotecários, Rio de Jan ei r o 1(7) : 1-2, set. 1954.
358
DI DIO, Dulce Carmem Philom ena
- P e rmu ta de d u plicatas e m aterial di pens ável. l n: SEMINÁRIO SóBR E PERMUTA N ACIONAL E INTERNACIONAL DE
PUBLICAÇõES, tema 4. p. 1-1-1.
359
FURTADO, Aida - Res olvendo um
p1 obl ema. A Biblioteca, Rio de
J a neiro 4:1-2, jan./mar. 1955 [Seleção e coordenação na a q u isição
ele liv r os para as biblioteca:; es p eci a lizad as ].
360
PROENÇA, Afrânio e V ASCONCELOS, Décio Pereira de - Do serviço de importação de material
bibliográfico para as bibliotecas
universit á rias. Recife, 1954. 5f.
361
VELLASCO, Alarico - Como formar a coleção bibliogr á fica de
uma biblioteca? Em seu : Meu
primogênito (discursos e escritos
vários ) Rio de Janeiro s.c.p .,
1953 . p. 31-40.
362
025.3 -

CATALOGAÇAO

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE BIBLIOTECÁRIOS - Regras gerais de catalogação e redação de
ficha s. São Paulo ["Revis ta d os
Tribuna is" ] 1941. 20 p.
363
BRASIL. COMISSÃO INCUMB IDA
DE ELABORAR O Có DIGO
BRASILEIRO DE CATALOGA ÇÃO DE BIBLIOTECAS - Norm as para organização de um cat á logo dicionário de livros e p e -

335

�riódicos [Rio de J a neiro], s. cl.
l ·Hl06f.

36-1
BRASIL. INSTITUTO BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA E DOCUMENT AÇAO. SERVIÇO DE
INTERCAMBIO DE CATALOGAÇAO - Boletim n.0 1 ; a n. 1950
Rio de Janeiro. 1950, l0p. multilit.
365
BRASIL. INSTITUTO NACIONAL
DO LIVRO Ins truções para
uso de ficha impressa . Rio de
Janeiro (1943) 13p. (Coleção B2:
Biblioteconomia, 3).
366
CAV ALCANTI, Cordélia Roba linho
de Oliveira - Cabeçalhos d e assunto. Récife, Univers idade rio
Recife, Curs os d e Bibliotecono mia, 1958. 16f. mimeogr.
367
COSME, Luís d a Silva - Cata lo gação de discos musicais d e longa duração. Revista do Livro, Rio
de Janeiro 13: 139-161, mar. 1959.
368
COSME, Luís da Silva - Ma nua l
de class ificação e cata logação d e
discos musicais .. . Rio de J a neiro, Instituto Nacion a l do Livl"O,
1949. 85p. (Coleção B2: Bibliote conomia, 7) .
369
CUNHA, Maria Luisa (Pereil·:.i)
Monteiro da - Manual de cata logação para a Biblioteca Pública Municipal de S ão P a ulo. N ew
York, Columbia Univers ity, 1947.
46p.
370
CUNHA, Maria Luisa (Pereir a)
Monteiro da - Nomes bras ile iros, um problema na cataloga ção . . . S ão P aulo, E scola de B iblioteconomia, 1948. 16p.
371
DUARTE RIBEIRO, Jorge - Regras bibliográficas [ens aio de
consolidação] Rio de Janeiro, Indústria do Livro, 1934. 29p.
372

ESTADOS UNIDOS, LIBRARY OF
CONGRESS - Regras de catalogação descritiva na Library &lt;Jf
Congress [Rules for descriptive
cataloging in the Library of Congress] [adotadas pela American
Library Association J traduzidas

336

p e la sra. M a ria Luísa Mon tei:·o
da Cunha. . . W ashing t on , The
Library of Congress, Process ing
De p a rtme n t, D escript ive Cat a log in g Div is ion, 1956. 174 p.
373
FIG UEIREDO, Ade lpha (S ilva R odrigues) - Com o org anizar o cat á logo d icioná rio .. . R io de Janeiro. Ins titu to Nacional do L ivro1 1950. 47p . ilus t. (Coles:ão B2:
B ib1iot economia, 8).
374
FERRAZ, José Bento F aria - Cat á logo dicion ário a plicado a u m a
d iscoteca. S ão P a ulo, Depart a m ento de Cu ltura , 1941. 168p.
375
FERRAZ, W anda R elação ele
assuntos pa r a cab eçalh os de fich as . .. 2. ed. r ev. e aum. Sãv
P a ulo, Sa raiva, 1949, 270p.
376
F ERRAZ, Wa n da R e lação de
cabeça lhos de assu nto:; para fi chas . . . Rio ele J aneir o, I 11s titu•,o
Nac iona l d o L iv ro, 1944. xxiv l·
223p. (Coleção B 2: Bibliot econ omia, v . 6).
377
GUARNIERI, Alice Cam argo Catalogação de artigos de revis tas n a Biblio teca do I n s t it uto c.l e
Ele trotécn ica d a Univer s idade ele
São P a ulo, I BBD Boleti m I nform a tivo, Rio de J a n e iro 3 (1/2) :
31-35, ja n./a b r. 1957.
378
IPANEMA, Ma r celo - Método de
cata logação de jornais e rev ista-;.
Rio d e J a n eiro, E d itôra Au rora,
1949. 12p.
379
MARTINS, M y r i a m (Ban deira
Gus m ã o de ) - Modelos de f ichas compiladas n a Bi blioteca do
D.A.S.P. Rio de J a n eir o, De partamento Administr a tivo d o S er viço Público, S er v iço de Documentação, 1946, 32f.
380
MORENO, José Ferna ndes - Fichários de docume ntação juríd ica. São Paulo, Dep. ele Cultura,
1936, 205p.
381
NERY DA FONSECA, Edson Cabeçalhos d e assunto [Rec ife ]
Associação P e rna m bu can a ele B i-

�bliotecários, Curso Rápido de Bibli oteconomia. 1951. mimeogr.
382
NERY DA FONSECA, Edson Normas p a r a catalog ação de impressos. Diá rio de P e rna mbuco,
Recife, 22 mar. 1950.
383
NERY DA FONSE CA, Edson O Ser viço de Intercâmbio de Catalogação. Diá r io d e Pe rnambuco,
R ecife 10 ou t. 1948.
384
1 E RY DA FONSE CA, Edson Uma pedra no caminho dos catalogadores. Diário de Pernambuco, R ecife 17 out. 1948.
385
OLIVEI RA, Oswaldo Melo Braga
d e - O forma to dos livros. ln:
Ana is elo Congresso das Academ ias de L etras e Sociedad es de
Cultura Lite r á rio do Brasil ( r ealizado de 3 a 16 de m aio de 1936).
Teses. Rio de Janeiro, Oficinas
Gráficas d 'A Noite, 1936. p. 657662.
.
386
P IEDADE, Maria An tonieta Requião Código do Vaticano:
comparação elas várias edições e
traducões. Bibliotecas e Bibliotecários, Rio de J aneiro 1 {7): 3-4,
set. 1954.
387
PIEDADE, Maria An tonieta Requião - Gra fia dos nomes bra::;ileiros e p ortug uêses. B ibliotecas
e B ibliotecár ios, Rio ele J a neiro,
1 (9 ): 1-4, n ov . 1954.
388
PIEDADE, Maria A n tonieta n cq u ião - Nomes brasileir os e portug u êses; regras de catalogação
da Biblioteca Nacional. Bibliotecas e Bibliotecá rios, R io de J a n eiro 1(6): 1-4, agô. 1954.
389
PLACER , X avier el Alii - Cab e. çalhos d e assuntos para a agricultura e ciências a fins . . . 4. ed .
Rio de J a ne iro, Serviço de Inform ação Agrícola, 1956, 44p.
390
RASP ANTINI , Aquiles - A prática d a catal ogação. Diário de São
P a ulo, São P a ulo 27 jan. 1934,
página de edu cação.
391
RASP ANTINI, Aqu iles. - Catalogação. Diário de São Paulo, São

Paulo 24 jun. 1933, página de
edu cação.
392
RASP ANTINI , Aquiles - Como se
orde na o catálogo-dicio nário ...
São Paulo [Tip. Siqueira) 1935.
24p .
393
SALDANHA D A GAMA, J oão de
- Plano do ca tá logo sis te mático
da Biblioteca Naciona l do Rio de
J aneiro. Rio d e J a neiro, Tip. G.
L euz inger &amp; Filhos, 1883. 16p.
394
SAMBAQUY, L yd ia d e Queiroz
(Lima) - Cata log ação cõoperativa e catalogação centra lizada .
R evista elo Serviço Público, Rio
d e Ja neiro 3(2) :36-39, agô. 1951.
395
SAMBAQUY, L yd ia d e Qu eiroz
(Lima) - Catalogação de livros
e documentos. R evista do Serviço Público, Rio de J aneiro 1(3):
58-60, m a r. 1950.
396
SAl'v!BAQUY, Lyclia de Qu eiroz
(Lima) - Ca ta logación cooper a tiva y catalogació n centra lizada.
ln: URGAN I ZAÇÃO DAS NAÇõES PARA A E DUCAÇÃO, A
C!BNCIA E _ CULTURA. - De saITollo de las biblio tecas públicas en América Latina. Co n fe r ência de São Pa u lo [Paris ]
Unesco (1953] p. 63-70 (Manuales de la Unesco para las bibliotecas públicas, 5).
397
SAMBAQUY, Lyd ia d e Queiroz
(Lim a) - Como u sar as fichas
im p r essas pelo Se r viço de Inte rcâmbio de Catalogação (S.I.C. ) . ..
R io de J a n eiro, Departamento
Adminis tra tivo do Serviço Público, 1947. 30p.
398
SAMB AQUY, Lyclia de Queiroz
(Lima ) - Cu rso de biblioteconomia; ca talogação e classifica ção, 1944 ... Rio de Janeiro [De pa rta mento Adminis trativo do
Serviço Público] Divisão de Aperfeiçoamento, Cursos de Adminis tração (1944] 61f.
399
SAMBAQUY, Lydia de Queir oz
(Lima) - O Serviço de Intercâmbio de Catalogação, u ma co operativa entre bibliotecas. Re-

337

�vista do Serviço Público, Rio de
Janeiro 4(3): 136-137, dez. 1949.
400
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) e BôA MORTE, Lais de
- O Serviço de Intercâmbio de
Catalogação e as criticas que lhe
i.ão feitas . . . [Rio de Janeiro]
Departa mento Administrativo do
Serviço Público, Serviço de Docume ntação, 1955. 69p.
401
SÃO PAULO (ESTADO) SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E SAúDE PúBLICA. CONSELHO BIBLIOTECÁ RIO - Padronização
das fich as de bibliotecas; lei bibliotecária; regulame n to do Conselho Bibliotecário. São Paulo,
Emprêsa Graf. d a "R e vis ta dos
Tribuna is", 1938, 31p.
402
SILVA, Maria Thereza Gomes da
- O qu e é da Turma de Catalogação e Classificação d a BiblioEmprêsa Graf. da [Revista dos
Tribuna is]. 1938, 31p.
403
VATICANO. BIBLIOTECA VATICANA - Normas para cata logação de impresos (Norm e per il
cataloog degli stampati). Edição
brasileira. São Paulo, Instituto
Progresso Editorial, 1949, xiii +
341p .
404
VEADO, Agripino - Fichário alfabético duodecimal; sistema racionalizado de classificação de
nomes, por meio de determinadas combinações alfabéticas dêles resultantes e que torna instantâ neo o encontro da ficha procurada ... 2. ed. Rio de Janeiro.
Pap. Mendes. 1936. 18p.
405
025.4 -

CLASSIFICAÇÃO

ALBUQUERQUE, Alexandre de O trabalho intelectua l e os sistemas d e classüicação [Sistema
Dewey de classificação]. Boletim
do Instituto de Engenharia, São
Paulo 3:293-417, 1920.
406

338

ANDRADE LIMA, Maria Letícla
de - Em tôrno do estudo da
classificação. Boletim dos Cursos
de Biblioteconomia, Recife 1:2-3,
1955.
407
ARAúJO, Maria Emília Soares de
Souza - Classificação de literatura. Boletim Bibliográfico, São
Paulo 10:19-46, 1947.
4Q8
ARAUJO, Maria Amé lia Martins de
- Classificação Decima de Dewey; a classe 800 na 14.ª e na
15.ª ed. Bibliotecas e B ibliotecários, Rio de J a neiro 1 (2) :1-2,
mar. 1954.
409

BIBLIOGRAFIA: e n saio d e um r e pertório bibliográfico bras ileiro
p elo s is tema decimal. R evis ta da
Acade mia Brasileira de Letras,
Rio de Janeiro 2(3):126-166, 1911;
2(4):413-428, 1911.
410
BRASIL. INSTITUTO DE RESSEGUROS DO BRASIL. BIBLIOTECA [Desenvolv imento d a
class ificação de Dewey p a r a a divisão 368) . ln: A criação e a o rg a n ização do Instituto de R esse guros do Brasil, 1939-1940 (Rio
de J a neiro, Impre n sa N acional,
1941 p. 277-280.
411
BRASIL. MINISTÉRIO D AS RELAÇÕES EXTERIORES. ARQUIVO - índice decimal para a
classificação da correspondência.
Rio de J aneiro, Imprensa Nacional, 1934. 2v.
412
CARVALHO, Dor is de Queiroz Classificação decim al de direito ...
Rio de Jane iro, Biblioteca do Ministé rio da Fazenda, 1948. 148 p .
mimeogr. (Publicação n .0 3).
-2. ecl. Rio de J a n eiro, Biblioteca
do Ministério da Fazenda , 1953 .
121p. (Publicação n.0 3).
413
CARVALHO, Ernani Macedo de Métod o decimal. Em seu: Guia
do empregado do comércio .. .
Pôrto Alegre. Globo (1945] p.
217-226.
414

�CARVALHO, Má rio Orla ndo de Sistem a de classificação d ecima l
p a r a os ass untos adminis t r ativos,
econôm icos, financeiros e sociais .
Rio d e J a n eir o, Departam ento
Admini stra tivos do Serviço P úblico, Ser viço d e Docume ntaçã,,,
1944, 54p. (Pu bl icação n .0 94).
415
CARNE IRO, Ed ison - Classificação decimal do fo lclo r e brasile iro. E m seu : A sa bedoria popula r .
Rio de J a n eiro, I ns t itu to N aciona l do Livro, 1957. p . 129-138 (B iblioteca de D iv ulg ação e Cultur :i.
Sér . A -11) .
416
CE SARINO J U NIOR , A ntôn io Ferreira - T á bu a de c lassificação
ideogr áfica d e legislação soci'll
com bases no sistem a decimal.
R evis ta d e D ir eito Social, R io de
J a neir o 1 (1/2) :75- 77, 144- 148,
agô./set. 1941.
417
CRUZ CORDEIRO
Confu sões.
O Jornal, R io de J a n eiro 19 d ez.
1954, r evista : 1,3.
418
CRUZ CORDEIR O - O fato cient ífico e m b ibliografia. O J ornal,
Rio de J a n eiro 21 nov . 1954, l'evista: 1,4.
419
DEWEY, Mel vil
In trod ução e
notas explicativas ao índ ice r e lativo da Classificação Decim al
(14.ª edição ] t radu ção, a u tor izada p elos ed itôr es, ele N oêmia
Lerner Cu tin . São Pau lo, I nstituto de Ad m inistr ação ela F aculdade d e Ciê nc ias Eco nômicas e
Ad minis t rativas d a U.S.P., 1952.
28p .
419
D I AS, Antônio Caeta no e COSME,
Luís d a Silva - Compê nd io de
classificação d ecimal e índice alf abé tico . . . Rio de J a n eiro, I nstitu to Nacional do L ivr o, 1943.
209p. (Coleção B2: B ibliotecon om ia, 5) . 2.ª ed. 1950.
421
DóRIA, I ren e de Menezes - Gu ia
d e classificação decimal [Pr êmio
Associação Paulista d e B ibliote cá rios, 1943 ) São Paulo, Livr .

Martins, 1943. 106p. (Escola de
Biblio teconomia).
422
Dó R IA, Irene de Menezes - Su g es tões par a uma classificação
decimal da educação física e esporte ... São P a ulo, De pa rtame nto d e Cu ltura, 1940, ca pa, p. 243248 .
423
DUV AL, Gaston Class ificação
das ciê ncias agrícolas (ad aptação
às biblio tecas dos clubes agrfcolas) . . . Rio d e Jane iro, Serviço
d e In fo rmação Agrícola, 194!:&gt;,
96p.
424
FEDER AÇÃO I NTERNACIONAL
DE DOCUMENTAÇAO - Clas s ificação decim al universa l. Classe 1. Filosofia; trad. do P e. Ast é rio Campos, S.D.B . (Rio d e J a neiro] Ins t ituto B r asileiro d e Bibliogr a fia e Docwn entação, Com issão B r asileira d e Classificação Decima l Universa l (1958] 43f.
mimeogr.
425
FEDE R AÇAO INTERNACIONA L
DE DOCUME N T AÇÃO - Class ificação d ecima l universal. índice da classe 1 desen volvida, filosofia. . . Pre pa r ado pelo r e velo.
P e. Astér io (Ca m pos) p ar a a edi ção desenvolvida da C.D.U. em
língu a por t ugu êsa [Rio d e J a n eiro ] I n stituto B r as ile iro de B ibliogra fia e Documen tação, Co missão B r asile ira de Classificação Decimal U nive rsal (1959)
94f. mimeog r.
426
FEDE -RAÇAO I NTERNACIONAL
DE DOC UMENTAÇÃO - Classificação d ecima l u n iversal. Núm er os au.xilia r es de lugar do Brasil [R io de J a neiro ] I n st ituto
Brasileiro de Bibliog ra fia e Docume ntação. Comissão Brasile ira
d a Class ificação Decima l Uni ver sal (1958 ) 4f. mim eogr.
4.27
F EDERAÇA O I NTERNACIONAL
DE DOCUME NT AÇÃO - Classificação decima l u n iver sal . T á buas compleme ntares e índice
alfa bético de assu ntos. B elo Horizonte, B iblio teca Pública, 19-12.
414.p.
428

�FEDERAÇÃO INTERNACIONAL
DE DOCUMENTAÇÃO - Classificação decimal universal do
Instituto Internacional de Bibliografia, simplificada para uso da
Biblioteca do Ministério das R e lações Exteriores, pelo Dr. Jango
Fischer. Rio de Janeiro, Minis tério das Relações Exteriores,
1937. viii +86p.
429

FIGUEIREDO, Adelpha (Silva Rodrigues) - Classificação decimal
de Melvil Dewey, São Paulo, Biblioteca Municipal de São
Paulo, 1943, 50p.
430
1
FREIRE, Victor Alves da Silva A bibliografia univer sal e a clas s ificação decimal; s ubsíd io para
a participação do Brasil na organização internaciona l d e bibliografia científica. São Paulo, C::irlos Gerke &amp; Cia., 1901. 38p. (FID
publ. n. 0 54) .
431
GARCIA, Rodolpho - Sis temas J e
classifica ção b i b 1 iográfica; da
classificação decimal e s u as vantagens. Diário Oficial, Rio de Jan eiro 53 (250) :11485- 11490, 28 out.
1914.
432
LENTJNO, Noêmia - Alguns prob lema s de classificação . Boletim
Bibliográfico, São Paulo 11:41-4.7,
1948.
483
LENTINO, Noêmia - Classifica ção decimal; teórica, prática, comparada; exercícios e índices.
Apêndice; introdução e notas explicativas ao índice relativo lia
Classificação Decimal de Melvil
Dewey. São P aulo, Ed. Leia, 1959.
295p. mod. (Manuais "Leia", Série de biblioteconomia, 1).
434
LENTINO, Noêmia - Como classificar biografias . Boletim Bibliog r áfico, São Paulo 17:63-71, 1951.
435
LENTI O, Noêmia - Paralelo entre edições da Classificação Decimal de Dewey. Boletim Bibliográfico. São Paulo 23:15-26, 1958
(i.e. 1959) (Série "Catalogação e
Classificação", dirigida por Adelpha Silva Rodrigues Figueiredo,
n .0 13) .
436

340

MESQUITA, Paulo Ferraz de Resumo do sistema de classificação decimal; aplicação à organlzação do trabalho intelectu a l e
das bibliotecas. São Paulo (Emprêsa Gráfica Revis ta dos Tribunais) 1936. 193p.
437
MOITINHO, Alvaro Pôrto - Cólligo universal de classifica çã o decimal [aperfeiçoamentos a serem
introduzidos ] Revis ta do Ser v iço
Público, Rio de J aneiro 75 (2):
162-165, maio 1957.
438
NERY DA FONSECA E dson A Classificação D eci~ a l de M elvil Dewey; n otas à m argem da
edição s tanda rd. R evista é.lo Ser viço Público, Rio ele J a n eiro 4 (3) :
52-56, dez, 1953.
439
NERY DA FONSECA E dson Alguns equívocos e ~1 tôrno d a
Classificaçã o Deci m a l Un iversal.
Revista do Serviço P úblico, Rio
ele Janeiro 83 (3) :321-328, junho
1959.
440
NERY DA FONSECA, E dson Apontamentos de arquivística:
a lgumas r e tificações. J or n a l do
Brasil, R io de J aneiro 17 n ov.
1957, supl. dom.: 12.
441
PAULA, Alvino de - Arq u ivar e
a cha r em medicina pe lo siste ma
deci mal. Juiz de F ora, E stab.
Gra f. Compa nhia D ias Ca rdoso
[Rio de Jane iro, Liv. Athe n eu,
distr.] 1943. lO0p.
442
PENTEADO, Noemi do Va l Class ificação dos livros de dire it.o
na Biblioteca Municipal. Boletim
Bibliográfico, São Paulo 15:59-65,
1950.
443
PINKE, Maria Antônia Ribas Classificação decimal p ara a his tória das cidades do Bra sil, extensão. . . Campinas s.c.p., 1956.
27f. mimeogr.
444
RAMIZ GALVÃO, Benjamin Franklin - Advertência, Tábua metódica, Subdivisões novas e Determinantes geográficos. ln: Catálogo do Gabinete Português de
Leitura no Rio de Janeiro, organizado segundo o sistema decimal de Melvil Dewey. . . Rio de

�J a n e iro, Tip. do J orna l d o Com é r cio, 1906, v . I , p . ix -lxxii.
445
SAMBAQUY, L y dia d e Que iroz
(Lim a) - A classificação dec im a l de Melv il Dewey e a classificação decim a l de Bru x elas .
Revis ta do Se rviço P ú b lico. R io
d e J aneiro 3(2):188-190, agô. 1940.
446
SAO PAU L O, I NSTIT UTO T E OLóGICO SALESIANO PIO X I Classificação d ecima l univer sa l
pa r a uso d os estud a ntes de teo log ia. Sã o P a u lo, 1959. 42f.
447
SCHMIDT, Ca r los B or ges - Classificação d ecim a l d os assuntos
a grícolas. São P au lo, Dire toria de
P ublicidade Agrícola, 194.1. 44p .
4'18
SOAR ES, L eon or de Nie m eyer índice decima l para c lassificação
da jurisprudência ad ministr ativa.
Rio de J a n eiro, Deparl amento
Administrativo cio Ser v iço Públ ico, Ser viço d e Docu m e ntação,
1944. 35p. (Pu blicação avu lsa n .0
106),
449
SOA RES, L eon or d e N iem eyer sificação; sistem as de c lassifi ca çã o bibliográfica . . . Rio ele J a n ei, I nstitu to Nac ion a l do L iV1·0,
1943. 163p. (Coleção B 2: Bibliolecon omia, 4).
450
T ô R R ES, Mar c ilio Vaz - A clasifi cação decim a l, s u a aQlicação
aos serviços de comunicações e
a rquivos. R ev is ta do Serviço Público, R io de Janeir o 1 (1) : 58- 60,
ja n. 1942 .
452
VEADO, Agr ip ino - Classifica ção
decima l de j uris p rudên c ia; seja a
a pplicação do m eth odo d e Melv il
Dewey as pesquisas dos casos
a n álogos, pe r mi tindo encon t r á los insta n tân eam e nte [sy s tem a
de fich as ou fôlhas m ó veis ] . . .
M uria hé, Offici nas Gr a p hicas d a
"Casa H as te nre iter " , 1932 . 258p.
452
VEADO, Agripino - Classificação
decima l de juris prudê n c ia [ exp osiçã o d o s is tem a . Catálogo decima l] 2. ed . corr. e gra ndem ent e m e lhora da . Rio de Janeiro,
s .c.p., [1939] 97p.
453

VILLA-LOBOS, R. Notas hibliog ráphicas; sy s t em as de clac:sificação. Revis ta Braz!le ira , Rio
de J ane iro: 115-124 .
454
WER NECK , H eloisa da R ocha C lassificação Decim a l U niver sal:
introdu ção ao cat á logo g er a l da
Biblioteca do D.E.P . Rio d e J a n e iro, Direto ria de E s tatís tica da
Produ ção, s.d. 35p.
455
025 . 5 -

R EFER G:N CI A

CAMPOGLI A, Guelfo Oscar - A
propósit o d e: Serviço de R efe r ê n c ia para a legis lação latino a m erican a . USP Se rviço d e Do cum e nta çã o. B olet im Informativo, São Pau lo 2(1) : 1- 5, ja n./fe.
1950.
456
SAMBAQUY, L y dia d e Qu e iroz
(Lima) - O serviço de re ferê n cia n as bibliolecas. R e vis ta do
Ser viço Público, R io de J a n e iro
1 (2): 68-70, fev. U:&gt;50 .
457
SILVA, E u lina Claudio d a - O
Ser viço de R eferên cia da B iblio teca do D.A.S.P. A Biblio teca, Rio
de J a n e iro :i: 19-20, a br./dez.
1955 .
t158
P LACER, X avier - O b ibliotecá rio d e r e fer ê n c ia . Boletim B ib liog r áfico, São P a ulo 22: 35- 39,
1953 ,i. e . 1957).
459
ROSAURO, A m é lia - A refe r ência legisla tiva n as bibliotecas do
Dis t r ito F edera l. I BBD Boletim
I n forma t ivo, Rio de J a n e irn
3(5/6): 287-292, s e t./dez. 1957 .
460
025.7 -

E NCADERNAÇÃO

BERGE R , L eopoldo
Ma nu al
p r á t ico e ilus trado d o e n cadernad or . pre f. do Dr. R odrigo Oc ta vio. . . [Rio d e J a n e ir o], Riedel
[1938] lllp. ilus t.
461

341

�COMISSÃO

BRASILEIRO-AME-

RICANA DE EDUCAÇÃO IN-

DUSTRIAL Artes gráficas.
Curso de encadernação; guia do
professor [Rio de Janeiro] s. d.
49p. (Biblioteca do ensino industrial Série E . v. 2).
462
COMISSÃO BRASILEIRO-AMERICANA DE EDUCAÇÃO INDUSTRIAL. Encadernação,
sugestões para organização e
planejamento de oficinas de encadernação. Rio de Janeiro, 1948.
44p. (Biblioteca de ensino industrial. Série G, v. 2).
463
FERREIRA, Orlando da Costa Um manual de encadernação. O
Jornal, Rio de Janeiro, 8 set. 1957,
revista: 2.
464
MARCONI, Guilhermo
Sis tema
de acabamento do livro de bôlso.
B ole tim Bibliográfico Brasileiro,
Rio de Janeiro 8(1): 6, 8, 1960.
465
VASEN, vVilly - Com o defender
o livro. Leitura, Rio de Janeiro
15(1): 36, jul. 1957.
466
SILVEIRA, Robert o da - Pequeno vocabulá rio de têrmos técnicos; encadernação e douração ...
Rio de J a neiro s .c.p., 1950. 27p.
467
025 . 8 -

Núl\lERO DE
CHAJ\lADA

ARAúJO, Maria Emilia (Soares de
Sousa) - Localização de livros.
Boletim Bibliográfico, São Paulo 18: 19- 42, 1957.
468
CARNEIRO, Regina
Algumas
abreviações para u so da notação
na literatura. Boletim Bibliográfico, São Paulo 16: 35-54, 1950.
469
CUTTER, Charles Ami e SAM:BORN, Kate E. - Explanação
das marcas do autor Cutter San-

342

born, tabelas com três a lgarismos ... [Explanation of the CutterSanborn authormarks. Three-figure tables] R evista por Kate
Emery Jones. Versão do inglô1
de Sylvio do Valle Amaral... Rio
de Janeiro, Departamento Administrativo do Serviço Público,
1952. 8p.+18 tab. em 9f. cart.
35cm.
470
FARIA, Diogo de - Os inimigos
dos nossos livros; dados prelimin ares a um processo de destruição dos insectos que atacam os
livros em S. Paulo . .. São P a ulo,
T yp. Ol egario Ribeiro, L oba to &amp;
Cia., 1919. 39p.
471

LENTINO, Noêmia - Núm ero de
chamada: fun ção do número do
liv ro. São P aulo, A Au tor a . 1950.
24p. m od. (Série Catalogação e
classificação, dirigida por Adelpha Silva Rodrigues de Figueir edo, n ª 9).
472

025 .84 -

IDGlF.NE E TERAp .G:UTICA DO LIVRO

CL1NICA DE LIVROS, Leitura,
Rio de Janeiro, 15 1): 59, jul.
1957.
473
GUARNI ERI , Alice Camargo Notas sôbre o problema do mõ(o
n os livros. São Paulo, Universid ade de São Paulo, Escola P olitécn ica, 1958, 38p.
474
MAGALHÃES, P . S. de - A traça,
a lepisrna e o caruncho. J ornal
do Commercio, Rio d e J aneiro,
18 m aio 1905.
475
MAGALHÃES, P. S. de - Interessa nte phase da vida do caruncho de nossos livros (Anobium bibliothecarum) Jor nal cio
Commercio, Rio de Janeiro, l'T
nov. 1905.
477
NABUCO, Joaquim, monsenhor·_
Em defesa do livro; a conservação das nossas bibliotecas e ar-

�quivos . 2. ed. Apêndice: inseticidas e combate aos insetos que
atacam os livros, por Sebastião
José de Oliveira... [Rio de Janeiro) Antunes [1959) xvi-131p.
ilus.
478
SCHREIBER, Maria R omano - O
Instituto de P a tologia do Livro
"Alfonso Gallo" de Roma . IBBD
Boletim Informativo, Rio de J a n eiro 4(1/2) : 29-33, j a n./a br. 1958.
479
UM HOSPITAL, d e livros na A venida Rio Branco. Tribuna da Imprensa, Rio de J aneiro, 15 agô.
1955.
480
026 -

BIBLIOTECAS
ESPECIALIZADAS

ALMEIDA, Nilza Lins de - En saio sôbre a organização de IJibliotecas para o Ministério da
Agricultura. Revis t a do Serviço
Público, Rio ele J a n eiro 2(3): 164166, jun. 1940.
481
BANDEIR A DE ME"LLO, Cecília
- O acervo da Biblioteca do Ministério da F azenda. R evist a do
Serviço Público, Rio de Janeiro
4. (1) : 83 -85, out. 1954.
482
A BIBLIOTECA do C.B.P.E. Educação e Ciências Sociais, Boletim
do Centro Brasileiro de P esquis::is Educacionais, Rio de J a n e iro 1(3) : 183-192, dez. 1956.
483
BIBLIOTECA do Chartered Insurance In stitute, Londres, Inglaterra. Boletim Informativo [Biblioteca da Companhia de Seguros de Vida "Previdência do
Sul") P ôrto Alegre 1(1): 5-7,
jan./mar. 1959.
484
BUSTAMANTE, Emilia - As bibliotecas
especializadas como
fontes de orientação na p esquisa cientifica. IBBD Boletim Informa tivo, Rio de J aneiro, 3 (5) :
261-272, set. /out. 1957 .
485
CAMARGO, Olinda - A Biblioteca do Instituto Adolfo Lutz.
IBBD Boletim Informativo, Rio

de Janeiro 4(3/6): 193-196, maio/
dez. 1958.
48õ
CAMPOFIORITO, Quirino - Bibiblioteca de arte. O Jornal, Rio
de Janeiro, 31 agô. 1958, rev.: 1.
487
CAV ALCANTE, Caetana Myria m
Parente L evantamento efetuado n a Biblioteca do D.A.S.P.
A Biblioteca, Rio de J a n e iro 5.
3-12, abr./dez. 1955.
488
CERQUEIRA, Luiz Organização racional de uma biblioteca de
neuro-psiquiatria. Neurobiologia,
Recife 2 ( 4): 338-344, dez. 1939.
409
COUTINHO, Amauri - Organização racional de uma biblioteca
m éd ica. Recife, 1939.
490
FONSECA, Cesar Augusto Machado da - Biblioteca da Marinh:i.
Revista Marítima Brasileira, R io
de J a neiro 77(10/12): 786-789,
out./clez. 1957.
491
FONSECA, Luii;a Bibliotecas
Musicais. Diário de São Paulo, ~
jan. 1945.
492
GRAHAM, Maura Helcirn1 Napoleão - B iblioteca da Companhia
de Seguros "New England Mutual", Boston, Massachu setts. Boletim Informativo [Biblioteca da
Companhia de Seguros ele Vida
"Previdência do Sul"] Pôrto Alegre 1(2/3) : 19-20, abr./set. 1959.
493
LEITE, Odúlia (Sou sa Gabbi) Xavier - Organização da Biblioteca
do D.S.P. Administração Pública,
São Paulo, 5: 48-85, dez. 1945.
494
MARANHÃO, Gil de Methodio Projeto de Inst ituição bio-bibliográfica pernambucana no Rio de
Janeiro. Jornal do Comércio. Recife, 16 jun. 1957.
49:S
MELO, José Antônio Gonsalves de
Na Biblioteca do Itamarati.
Tribuna de Petrópolis, 12 out.
1952.
496
MORENO, José Fernandes - Bibliotecas científicas e suas ope-

343

�rações fundamentais. São Paulo
s.c.p., 1938, 33p.
497
MORENO, José Fernandes - Bibliotecas jurídicas particulares.
São Paulo, Tip. Rio Branco, 193S
(18)p. ilus.
498
NERY DA FONSECA, Edson Biblioteca da F aculdade de Direito, uma b ela adormecida que
desperta. E studa ntes, Recife, jul.
1949: 6-7.
499
PINTO, Gilda N unes - Guia das
bibliotecas especializadas brasileiras. I BBD Boletim I nformati vo, Rio de Janeiro 3(5/6): 339340, set./dez. 1957 .
500
PINTO LIMA, J . - A organização
de bibliotecas nos clubes agrico las escolares. O J orna!, Rio de
Janeiro, 5 m a io 1946.
501
PLACER, Xavier - Bibliotecas do
Minis tério da Agricultura [6. ed.
rev. atual, por Aida Bifone] Rio
de Janeiro, Serviço de Informação Agrícola, 1955, 15p.
502
PLACER, Xavier - Como organizar a biblioteca do clube agrícola ... Rio de Janeiro, Serviço de
Informação Agrícola, 1953. 35p.
Série Clubes Agrícolas, n.0 12).
503
OLIVEIRA, Odette Duarte e MINEIRA, Beatriz Sofia - A Biblioteca do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Rio
de Janeiro, Serviço de Documentação do M.T.I.C., 1955 .
23p. (Coleção Lindolfo Collor).
504
ROMERO, Marcos - Notícia histórica sôbre a Biblioteca do Itamarati. Rio de Janeiro, Serviço
de Documentação do Ministério
das Relações Exteriores [ 1951 J
46f.

505
RUSSO, Laura (Garcia Moreno) Bibliotecas hospitalares. Revista
CHnica de São Paulo, São Paulo,
18(2): 51-55, 1945.
506
SAMBAQUY, Lydia de Queiroz
(Lima) - Esquema da organização da Biblioteca do D.A.S.P Rio
de Janeiro, Departamento Admi-

344

nistrativo do
1940, 32p.

Serviço

Público,

507
SCARAMELLI, Ligia Macedo - A
Biblioteca do I.P.T. e sua orga nização . . . Relação dos 12erióclicos da Biblioteca do In stitu to
de Pesquisas Tecnológicas. São
Paulo, Univ. Institu to de Pesquisas T ecnológicas, 1944. 4 p .
508
úTLL e i'ndispensãvel à juventude
est udios a a Biblioteca d a Fac. de
Farm. e Odontologia. Atualidad es Odontológicas 1: 20- 23, 1952.
509
ZINK, Ernesto Manuel - Organização e administração d e bibliotecas agr ícolas [Recife, 1954) 28f.
mimeog1·.
510
027 -

BIBLIOTECAS GER, IS

ALMEIDA, Luis Castanho ele -Bibliotecas paulis tas do século
XVIII. Boletim Bibliográfico,
São Paulo 1'1: 95-102, 1950.
511
AlVIOROSO Lima, A lceu - Biblio tecas. A Tribuna, Recife, 28 jul.
1951.
512
ANDRADE, Mário de - Bibliotecas populares. Revis ta do Livro,
Rio de Janeiro, 5: 7-8, m a r. 1957.
513
ASPECTOS do problema bibliotecário no Brasil. Jornal cio Co mércio, R io de Janeiro, 23 dez.
1934: 7.
514
BARBOSA, Januário da Cunha,
sac. - Biblioteca Pública. Minerva Bras iliense, Rio de J a n eiro,
1(6): 159-161, 15 jan. 1844 .
515
BRUNO, Ernani Silva - Bibliotecas e livreiros na cidade de São
Paulo. Boletim Bibliográfico. São
Paulo 15: 77-79, 1950.
516
CARVALHO, Airton de Almeida A localização da Biblioteca Pública. Fôlha da Manhã, R ecife,
28 out. 1951: 7-10.
517
COSTA, Humberto Soares da - -

�Bibliotecas do Centro-Oeste do
Brasil ... Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1953 .
130p. (Coleção B2: Biblioteconomia, 9).
518
CUNHA, Armando - O saber nas
prateleiras . Diário de Pernambuco, Recife, 31 agô. 1952, 3 cad.:
1. ilus .
519
DIAS, Antônio Caetano -r- A importância da função social da biblioteca e a n ecessidade de r eorganizaçã o do sistema no Distrito
Federal. Revis ta do Serviço Público, Rio de J a neiro 2(2 ) : 84- 85,
m aio 1950.
520
DIAS, Hélcia - Situação atu a l d as
bibliotecas do Rio de Janeiro.
Revista do Serviço P úblico, Rio
de Janeiro 2(3): 103 - 108, jun. 1950.
521
E LLIS, l\Iyriam - Documentos sôbre a primeira biblioteca l)ública
oficial d e São P a ulo. Revista de
História, São Paulo 14(30) : 3871.47, abr./j un. 1957 .
522
FONSECA, Maria José Lessa da B ibliotecas de São Pau lo, ln: São
Paulo e m quatro sécu los; tem as
ôbre a lg uns aspectos da his tória
e da geogra fi a de São Paulo e ass untos correlatos. Obra come m o1·ativa organizada pelo Instituto
Histórico e Geog r áfico d e Sã o
Paulo e editada sob os auspicies
da Comissão do IV Cente ná rio da
Cidade de São Paulo . São Paulo,
1954, V. 2. p. 321-379 .
523
FREYRE, Gilberto - R essurreição
de uma biblioteca. O Cruze iro,
Rio de Janeiro, 1.0 m ar. 1952: 10.
524
GROPP, Dorothy M. - Bibliotecas
do Rio de Jane iro e d e São Pau lo e o movimento bibliotecário
na capita l paulista. Conferência
feita em New Orlea n s, L ouisi.inia, Estados Unidos, em 24 de
novembro de 1939; trad ução d e
Francisco J. cie Almeida Azevedo.
R evista do Arquivo Municipal,
São Paulo 68: 205-224, jul. 1940.
525
LEITE, Serafim, S. I. - As pri-

meiras bibliotecas do Brasil. Em
seu : História da Companhia de
Jes us no Brasil. .. Lisboa, Portugália; Rio de Janeiro, CivilizaJ esus no Brasil... L isboa, Portugália; Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, 1938, t.2, p. 541- 544.
526
LEITE, Serafim, S. I. - Livra rias
dos colégios e aldeias. Em seu:
História da Companhia de Jesu s
no B r asil... Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro; Lis boa,
Portugália, 1943, t.4, p. 287-290.
527
LENTINO, Noêmia - Bibliotecas
ing lêsas; como são as bibliotecas
de Manchester. A Gazeta, São
Pau lo, 5 au t. 1950.
528
L ENTINO, Noêmia - Traços ca racteristicos de algumas bibliote cas a mericanas . São P a ulo [As sociação Paulist a de Bibliotecários] 1950 . 17p.
529
LERY SANTOS, Preza lindo - Bibliotecas populares. Em seu :
Panth eon fluminense; esboços
biograph icos. Rio de J aneiro,
Typ. G. Leu zinger &amp; Filho, 1880,
p. 74- 75.
530
LESSA, CJado Ribeiro de - As bibliotecas bras ileiras dos tempos
colon iais, a pontamentos para um
estudo h is tórico. R evista elo Instituto Hi stór io e Geográ fico B ra sileiro, R io de Janeiro, 191: 339345, abr./jun. 1946.
531
MORAES, Rubens Borba de - A
lição das bibliotecas americanas.
São P a ulo, Depa rta m ento de Cultura, 1942, p. 197-208.
532
MOYA, Salvador de - Bibliotecas
latinas. São Paulo, Departamento
d e Cultura, 1937 . 131.p.
533
NERY DA FONSECA, Edson A biblioteca de Barreiros. Diário
de Pernambuco. Recife 6 out ..
1951.
534
NERY DA FONSECA, Edson A propósito de u ma biblioteca
pública em Olinda. Diário de Pernambuco, Recife 6 agô. 1953.
535

345

�NERY DA FONSECA, Edson Ainda sôbre bibliotecas do interior. Diário de Pernambuco, Recife 1 abr. 1951.
536
NERY DA FONSECA, Edson O bibliotecário se diverte. Diário de Perna mbuco, Recife, 22
mar. 1950.
537
NERY DA FONSECA, Edson Uma biblioteca humanista . Diário de Pernambuco, Recife 19
agô. 1949.
538
RAMIZ GALVÃO, Benjamin Franklin - Bibliotecas públicas da
Europa . Relatório a presentado ao
Ministério dos Negócios do Império.. . em 31 de dezembro de
1874 [Rio de Janeiro, 1857) 82p.
539
REGUEIRA COSTA, J osé Césio Bibliotecas populares [Recife,
1954) 13f. mimeogr.
540
RIBEIRO, René - Sondagem para
a criação de uma biblioteca popular [Recife, Diretoria de Documentação e Cultura] s.d. 14p.
541
ROMERO, Marcos - Lista resumida de bibliotecas do Brasil e
do exterior [Rio de Janeiro) Serviço de Documentação do Ministério das Relações Exteriores
[1951) 84p.
542

SI1L V A, Domingos Carvalho da Pais sem bibliotecas. Jornal de
Letras, Rio de Janeiro 8(89):11,
nov. 1956.
543
VERtSSIMO, Erico - A cidade dos
livros. Em seu: Gato prêto em
campo de neve. 8. ed. Pôrto Alegre, Globo (1950) p . 73-77.
544

027.1 - BIBLIOTECAS
PARTICULARES

BEZERRA, Alcides - A biblioteca de Oliveira Lima. ln: Publicações do Arquivo Nacional. Rio
de Janeiro, Of. Gráf. Arquivo Nacional, 1930, v . XXVI, p. 223-228.
545

A BIBLIOTECA Ibero-Americana

34G

de Washington. Revista cio Brasil, São Paulo 25 ( 100: 83-86),
maio 1924.
546
CARPEAUX, Otto Maria - Segredos de biblioteca. Correio da Manhã, Rio de Janeiro 24 set. 1955,
1. cad.: 9.
547
RODRIGUES, José Honório - A
biblioteca de Oliveira Lima em
Vlashington. O Jornal, Rio de Janeiro 5 maio 1946.
548
V ALENTE, Waldemar - Destino
das bibliotecas. Diário de Pern ambuco, Recife 27 jan. 1960, 1.
cad.: 4.
549
027.2 - BIBLIOTECAS DE
SOCIEDADES, CLUBES,
A.CADE~IIAS, E TC.

ARAGÃO, J. Guilherme de - A
biblioteca da ASCB. Revista do
Serviço Público, Rio de Janeiro
2(3):58-62, jun. 1949, ilus.
550
BRANDÃO, Maria Helena - R el atório das finalidad es e ativid:'1 des elas bibliotecas do SES!. São
Paulo, Serviço Social da Inclú ·tria, Departamento R egiona l de
São Paulo, Divisão de Educação
Fundamental, 1959. 27f. tab.
551
FARIA, Artur - O R eal Gabinete
Português de L eitura. . . [Rio de
Janeiro) Departamento Administrativo do Serviço Público, Serviço de Documentação, 1955. lO_p.
ilus.
552
A NOVA biblioteca do Jockey Club
Brasileiro. O Cruzeiro, Rio de J a neiro 2 jul. 1949, :81.
553
PORTO, Abel - Biblioteca do Jockey Club Brasileiro. Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro 7 jun. 1959,
2. cad.: 7.
554

REAL Gabinete Português de Leitura: resumo histórico. Rio de
Janeiro, 1939, 39p. ilust.
555

�027.5 - BIBLIOTECAS NACIONAIS E ESTADUAIS

BRAGA, Ge n esin o - A Biblioteca
Pública do Amazonas. Jorna l do
Comé r cio, Ma n au s 17 jul. 1948.
56tl

•

ALVES, Constân cio Bole tim
Bibliográfico da Biblioteca Nacion a l d o Rio ele J a n eiro 1(1) -:
v -v i, jan./m a r. 1918.
55G
A NAIS DA BIBLIOTECA NACIONAL, Rio de J aneir o, 1876, ilus.
Jrregular.
557
ANDRADE, Carlos Drumm on d ele
- A nossa B iblioteca Nacion a l,
Correio da Manhã, Rio de Janeiro 21 jan . 1960, 1. cacl.: 6.
558
AMADO, J orge - Biblioteca Len i!l.
Em seu: O m u ndo da paz .. . 4.
ed. R io de Janeiro, Ed. Vitória,
1953. p . 129-134.
559
AMORA, Antônio Soares - Catál ogo de incuná bulos da Bibliote ca Nacional do Rio ele J aneiro.
O E stado de São P a u lo, São P a ulo 10 m a io 1958, s upl. lit.: 2.
560
AMORIM, Maria José Thereza de
- Biblioteca Pública do Paraná;
cio p lanejamen to à r ealização.
JBBD Boletim Informativo, Rio
ele Janeiro 3(3/4) :155-163, maio/
a.gô. 1957.
561
ASSIS MEMóRIA - A m a ior de
tõdas as b ib liot ecas. Jornal elo
Brasil, Rio ele Jane iro 30 jul.
1957, 1. cad.: 3.
562
A VEL AR , Sylv io Corrêa de - Cons ider ações em t ôrno da organ ização e func ion amen to cio Cong r esso n orte - a m ericano. Revis Ca
elo S e r v iço Público, Rio de J a n e ir o 3(3) : 104-107, set . 1949, ilust .
563

!3ARROS, Maria A n t onie t a ele Me»quita - O B oletim B ibliográfico
da Biblioteca N acion a l elo Rio d e
Janeiro. A Biblioteca, Rio d e J a n eiro 3:2-5, jan./d ez. 1954.
564
BIBLIOTECA Nacional. O E s tado
de S ã o Paulo, 12 maio 1957, 1.
cad.: 10.
565

B R AGA , Gen esino - N ascença e
v ivên cia da Biblioteca d o Am:izonas ... Belém, I n stituto Nacio n al ele Pesqu is as da A m a zôn ia,
1958. 134p.
567
CASTRO, R a mi ro Berbert de - B iblioteca Naciona l, ln: L I VRO cio
centenário da Câmara dos Deputados (1826-1926 ] R io de Janeiro,
E m prêsa Brasil Editôr a, 192G,
V. 2, p . 711-728.
568
CUNHA, Maria L u isa (Pereir:.i)
Monteiro da - A Biblioteca P ública do Amazonas. Jornal do Comércio, l\llanau s f ev. 1949.
569
CU HA, L ygia F ernandes da - A
Seção ele I conogr a fi a da Biblioteca N aciona l. Bibliotecas e B ibliotecários, Rio de Janeiro 1 (·1) :
1,3, maio/jun. 1954.
570
CUNHA, Lygia Fernandes da O setor retratos na Seção de I conografia . Bibl iotecas e Bibliotecários, Rio ele J aneiro 2(2):1-G,
mar./jun. 1955.
571
EVOLUÇÃO ela B iblio teca Nacional. Correio ela Ma nhã , Rio ele
Janeiro 23 jun . 1956 .
572
FREYRE, Gi lberto - A Biblioteca
Nacional. O Cru eziro, Rio de Janeiro 12 nov. 1949: 10.
573
MEl.JLO, J osé Alexandr e T eixeira
de - B iblioteca Nacional, r esum o his tórico. Rio de Jan eiro, Tip.
G. L eu zi nger Filho, 1897. 26p .
574
MONS ALVATGE, Marina (Pinheir o L ima) - B iblioteca de Colomb o, Boletim B ibliogr áfico, São
P a ulo 17:59-62, 1951.
575
MONTEIRO LOBATO, José Bento
- Homens e livros ... A riqueza
da Biblioteca d o Congresso. Em
seu: América; os Estados Unidos
de 1929. São P aulo, Ed. Bra siliense, 1948. p. 45-52.

347

�MONTELO, Josué - Problemas da
Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, s.c.p., 1948, 23p.
577
MOURA, Noah - Biblioteca Pública do E stado: his tórico, organização, técnica bibliotecária,
classificação decimal, índice a lfabético. Pôrto Alegre, Impren sa
Oficial, 1941.
578
NERY DA FONSECA, Edso11Curit!ba e s u a Biblioteca. A Biblioteca, Rio de Janeiro, j a n./dez.
(publ. 1955).
579
OLIVEIRA, Maria The rezinha C. L.
- Os livros r aros da Bibli oteca
Nacional. Jornal do Com ércio.
Rio de Janeiro 29 nov. 1959, 1.
cad.: 5, ilust.
580
PINHEIRO, Geraldo - Como nasceu a Biblioteca Pública do Amazonas. Vanguarda, Rio de Janeiro 6 jul. 1944. Arquivos, coletânea de documentos para a h istória da Amazônia, Manaus 2(6) :
9-11, set. 1948.
581
RAMIZ GALVÃO, Benjamin Franklin - Relatório sôbre os trabalhos executados na Biblioteca Nacional da Côrte no ano de 1874,
e seu estado atual. . . [Rio de Janeiro, 1875 ] 47p.
582
RIO DE JANEIRO. BIBLIOTECA
NACIONAL - Estatutos da Real
Biblioteca, mandados ordenar por
sua majestade. Rio de J a neiro,
na Régia Tipografia, 1821, xxxiip.
27cm.
583
SEIXAS, Ary - A Biblioteca Nacional e seus problemas . R evis ta
do Serviço Público, Rio de J aneiro 3(1):82-86, jul. 1952.
584
SENA, Lima - Biblioteca Nacional: centro de cultura e não depósito de livros. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro 25/26 jul.
1959.
585
SLLV A, Manoel Cicero Peregrino
da - Da remodelação por que
passou a Biblioteca Nacional e
vantagens daí resultantes. Anais
da Biblioteca Nacional do Rio de

Janeiro 35:1-9, 1913.
586
SILVA, Manoel Cicero Peregrino
da - Ina uguração do nôvo edifício da Biblioteca Naciona l a 29
de outubro de 1910. Em seu: Conferências, discursos, comun icações. Rio de J aneiro, Tip. rJo
Jorna l do Comércio, 1938, p.
187-190.
587
SILVA, Manoel Cícero Peregrino
da - Lançamento ela pedra fundamenta l do nôvo edifício d a B iblioteca Nacional, a 15 de agôsto
de 1905. Em se u : Confe r ências,
discursos, comun icações. R io de
Janeiro, Tip. do Jornal do Comércio, 1938, p. 183-186.
588
WERNECK, Heloisa Cabral da R ocha - A Biblioteca N acion a l do
Rio de Janeiro, s.c.p ., 83p.
589
027.52 - BIBLIOTECAS
MUNICIPAIS

ALBUQUERQUE, Artur Alves c!L'
- A propós ito de bibliotecas municipais. Diário d e ·Pern ambuco,
Recife 4 jan. 1950.
590
AZEVEDO, Francisco José Almeida de - Biblioteca Municipa l d~
São Paulo. Acrópole, São P a ulo
68: 207-214, dez . 1943.
591
BIBLIOTECA Pública Municip:il.
Boletim Bibliográfico, São P aul:&gt;
18: 7-13, 1951. Comemornção elo
25.0 anivers ário ela fund ação da
Biblioteca Pública Municipal. A
s ua n ova sede, novos serviços .
592
BIBLIOTECA Pública Municipa l
de São Paulo. Boletim Bibliográ fico, São Paulo 8: 7-16, 1945.
593
BRASIL. INSTITUTO NACIONAL
DO LIVRO - Instruções para a
organização das bibliotecas mu nicipais [Rio de Janeiro] Instituto Nacional d o Livro, 1940 .
122p. ilus. (Coleção B2: Biblioteconomia, 1).
594
ELIA, Antonio João José d' Um anteprojeto de regulamento
para a Biblioteca Municipal ele

�São Paulo. Bole tim Bibliográfico,
São Paulo 15: 29- 50, 1950.
595
FIGUEIREDO, Adelpha (Silva Rodrigues) - A Biblioteca Pública
Municipal de Sã o Paulo é o mais
importante centro de Biblioteconomia da América do Sul. Expoente, São Paulo, 3:4-6, jul. 1952.
596
F I GUEIREDO, Adelpha (Silva Rodrigu es) e PIRAJA, N air Miranda - B ibliotecas municipais .. .
São Pauto, Instituto de Administração da Faculdade de Ciências
Econômicas e Adminis trativas d a
Universid ade de São Paulo, 1949.
22p. ilust. (Publicações do Instituto de Adminis traçã o n .0 52).
597
NERY DA FO TSECA, Edson - A propósito das bibliotecas do
interior. Diário ele P e rn a mbuco,
Recife 24 dez . 1950.
598
NERY DA FONSECA, Edson A propósito das bibliotecas
municipais . Diário d e Pernambuco, Recife 10 jun. 1950.
599
PIN TO, Luiz - Bibliotecas municipa is . A Biblioteca, Rio de Janeiro 3:1, ja n./dez. 1954 (publ.
1955) .
600
RAMACIOTTI, J aime Gilberto Movimento esta tfstico da Biblioteca Mun icipal ele São Pauto em
1950. Boletim Bibliográfico, São
Pauto 19:41 - 45, 1952.
601
RIO DE JANEIRO. BIBLIOTECA
MUNICIPA/L - R ela tórios e doc umentos relativos à organização
da Biblioteca Municipal. . . Rio
d e Janeiro, Tip. do Diário, 1875.
50p.
602
027.62 - BIBLIOTECAS
INFANTIS

FRACCAROLI, Lenyra (Camargo)
- A Biblioteca infantil: organização e funcionamento; s ua influ ência na sociedade [Sa n José]
Universidad de Costa Rica, De-

partamento de Publicaciones 1956, 18p.
603
FRACCAROLI, Lenyra (Camargo)
- Biblioteca Infa ntil do Departam ento Municipa l de Cultura.
São Pauto, Departamento de Cult ura, 1940. p. 291-324.
604
JARDIM, Luis Inácio de Mirancl ü
- Bibliotecas infa ntis. Boletim
Bibliográfico, São P a uto 11:29-32,
1948.
605
MEIRELLES, Cecflia - Bibliotecas infa ntis . Em seu: Problem as
da liter atu ra infa ntil. Belo Horizonte, Secr etaria da Educação,
E stado de Minas Gerais, 1951, p.
14.5- 150.
606
RUSSO, Laura (Garcia Moreno) e
RICCI, Zitah Ma ttos - A Divisão
d e Bibliotecas Infanta-Juvenis e
Cine m a Edu cativo: su a história
e seus trabalhos. FEBAB Boletim, v. 10, 1/2, 12-20, j ul./agô . ,
1964.
607
SOUZA, Ruth Vilela Alves ele B ibliotecas infa ntis [Rio de Janeiro, Serviço Socia l do Comér cio, 1956] 6f. mimeogr.
608
T A V ARES, Denise Fernandes Suges tõ es p a r a orga nização du m a
peque na biblioteca infa ntil [Sal vador , B iblioteca Infantil Mon teiro Lobato] 1953. 59p. ilus.
609
VITA, Albe rto - Mundo de atra ção e encantos para as crianças
baianes. Revista do Ensino, Pôrto Alegre 6(41):26- 27, 1956.
610
027.7 - BIBLIOTECAS
UNIVERSITARIAS

CAV ALCANTI, Cordélia Roballnho
de Oliveira - A Universidade do
R ecife e s uas bibliotecas. IBBD
Boletim Informativo, Rio de Janeiro 2(3) :83-89, maio/jun. 1956.
611
EMERENCIANO, Severino João e
MACIEL, 'Lilá R êgo do - Situação a tual do leitor brasileiro (e)

349

�Considerações sõbre a biblioteca
universitária. Recife, Faculdade
de Filosofia de Pernambuco, 1955,
2, 4f. mimeogr. [Recife, Universidade, Faculdade de Filosofia de
Pernambuco].
612
MACIEL, Lilá do R êgo - Considerações sôbre a biblioteca universitária. Recife, Faculdade de
Filosofia de Pernambuco, 195:i.
f. (28)-41 (ver n. 0 436).
613
PENNA, Odette Senna de Oliveira
- As atividades his pano- americanas na Biblioteca Central da
Universidade do Brasil. IBBD
Boletim Informativo, Rio de J aneiro 4(3/6): 183-191, maio/dez.
1958.
614
SAMBAQUY, Lydia de Queiro?.
- A Biblioteca Central na Cidade Universitária. Rio de Janeiro, Serviço de DocumentaçãCJ,
1955, 57p. 25cm.
615
027.8 BIBLIOTECAS
ESCOLARES

ANDRADE LIMA, Maria Lecticia
de - Informe sôbre a organização das bibliotecas escolares em
Pernambuco. Recife, Secretaria
de Estado dos Negócios de Educação e Cultura, Departamento
de Extensão Cultural e Artística,
1960. 37p. mimeogr.
616
FIORESI, Mar ia Nazareth Alves Como se organiza e se administra uma biblioteca escolar [São
Paulo] Companhia Editôra Nacional [1951) 23p. ilus.
617
LIMA, Etelvina - Atendimento de
escolares em bibliotecas públicas
[Salvador, 1959] 19f. mimeogr.
618
MALIN, Fany - Biblioteca escolar: s ugestões ... [Rio de Janeiro]
Comissão Brasiieiro-Americana
de Educação Industrial [1948)
18p. mimeogr. ilus.
619
MARCHIRO, Ivanyr E. - Plano
para organização de uma biblio-

350

teca escolar. Revista do Ensino,
Põrto Alegre nov. 1958, s upl. n .0
3, 16p.
620
SOUZA, Ruth Vilela Alves de Biblioteca escolar; instruções p ara organização e funcionamento
de bibliotecas em estabelecimentos de ensino secundário [Rio de
Janeiro, Ministério da Educação
e Cultura, 1958] 79p. ilu s.
621
090 -

1

LIVROS RAROS

GOES, Eurico de - O culto e o
amor ao livro [síntese d a evolução do livro e das bibliotecas e
seleção dos principais trabalhos
intelectua is ] São Paulo, Cooper ativa Editôra e de Cul tura Intelectu a l, 1932. 62p.
622
FRIEIRO, Eduardo - Os livros
nossos amigos. Belo Horizonte,
P a ulo B luhm, 1941. 14lp.
623
LEONI, G. Davide - Os livros raros . São Paulo, Boletim B ibliográfico, 1959. 23:7-14, 1958.
624
MORAIS, Rubens Borba Alves d e
- O bibliófilo apre ndiz - Sãc
Paulo, Editôra Naciona l, 1965 .
625
389 -

NORMALIZAÇÃO

ASSOCIAÇÃO BRASILE'IRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Jan eiro - Apresentação de a rtigo,;
de p eriódicos. P - NB-61R. B oletim da Associação Brasileira d e
Normas 'l'écnicas, Rio de Janeiro 5 (34) :7-9, set./ut. 1957. IBBD
Boletim Informativo, Rio de Ja neiro 2(6):361-362, nov./dez. 1956.
626
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro - Apresentação de publicações periódicas. Anteprojeto de
norma. P-NB-62R. Boletim da
Associação Brasileira de Normas
Técnicas, Rio de Janeiro 3(23):
13-16, out./nov. I955. IBBD Bo-

�letim Informativo, Rio de Janeiro 2(3):97-100, maio/jun. 1956.
627
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro Código Nacional para
abreviatura dos títulos dos periódicos. P-NB-60R. Boletim da
Associação Brasileira de Normas
Técnicas, Rio de Janeiro 3(22):
22-45, agô./set. 1955.
628
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NOP..MAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro - Elaboração e apresentação de norm as, a n teprojeto de
norma, ARN.O:51 [Rio de Jan eiro] ABNT, 1951. 23p. rnlmeog.
629
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Ja neiro - Lege nda bibliográfica.
P-NB-83. Boletim da Associação
Bras ileira de Normas T écnicas,
Rio de Janeiro 5(36):4-5, jan./fev.
1958. IBBD Boletim Informativo,
Rio de J aneiro 3(5/6): 333- 33'1,
set./out. 1957.
630
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de J a neiro - Microcópia, terminologia P-NB-87. Boletim da Asso ciação Brasileira de Normas T écnicas, Rio de J aneiro 5(38) :9-12,
maio/jun . 1958.
.
631
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro - Norma para sinopses e
resumos. P-NB-88. Boletim da
Associação Brasileira de Normas
Técn icas, Rio de J aneiro 6(4):
23-24, set./ou t. 1958.
632
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro - Numeração progressiva
das seções de um documento
(P-6B-69-R). Regras e s inais de
correções tipográficas e datilográficas (P-NB-73) Rio de Ja n eiro, ABNT, 1957, 31p. 22 cm.
633
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Jan eiro - Regras e s ina is de cor r eção tipográficas e datilográficas (P- NB -73R). Em seu : Nume ração progressiva das seções de

um documento (P-NB-69R. 15-31
(.ver n .0 969) .
634
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, Rio de Jc1.neiro - Referên cias bibliográficas. Anteprojeto de norma. A
PN-66-R [,para receber sugestões] Boletim da Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio
de Janeiro 3(24): 6-15, jan./fev .
1956.
635
BERLINK, Eudoro L. - A padronização dos papéis de expediente, um poderoso ins trumento de
r acionalização dos serviços públicos. R ev is ta do Serviço Público, Rio de J aneiro 1(1):41-51,
nov. 1937.
636
BRODBECK, Sully - A citação bibliográ fica exige uma técnica.
Correio do Povo, Pôrto Alegre 24
set. 1955.
637
FIGUEIREDO, Laura Ma ia de Norma lização da documentação.
In: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE BIBLIOTECÁRIOS, Rio de
Janeiro. Departamento Técnico.
T emas ele documentação: 28-33
638
LüTHOLD, Rosmarie Normas
para a compilação das bibliografias [referências bibliográficas J.
São P aulo, Reitoria da Universidade de São Paulo, Biblioteca.
Central, 1958. 9f. mimeogr.
639
NERY DA FONSECA, E-clson Normalização da documentação.
IBBD Bole tim Informativo, Rio,
de Janeiro 2(1/2):15-23, ;a n./a br.
1956 .
640
ORGA 1 IZAÇÃO INTERNACIONAL DE NORMALIZAÇAO.
COMISSÃO TÉCNICA 46. DO CUMENTAÇÃO Referências
bibliogr áficas. Terceiro projeto
de recomendação ISO n .0 23, Prim eira parte (P- NB-66R) Boletim
da Associação Brasileira de Normas T écnicas, Rio de Janeiro
5 (33) : 28-33, ju1./agô. 1957. IBBD
Boletim Informativo, Rio de Janeiro, 3(3/4): 189-194, maio/agô.
1957.
641

351

�lização. Boletim da A&amp;sociação
Brasileira de Normas Técnicas,
Rio de Janeiro, 20:3, mar. 1955 .
642

SÃO PAULO . UNIVERSIDADE.
INSTITUTO DE ESTUDOS PORTUGU:1!:SES - Normas pa r a a
citaçã o b ibliográfica. Boletim
Bibliográfico e Informativo, Sã o
Paulo, 3(9) : 14-20, ja n./jun. 1959.
643
655 -

ARTES GRAFICAS

BRASIL . DEPARTAMENTO DE
I MPRENSA N ACIONAL - 150
anos d e tipogr afia oficia l. Seleção d e cen to e cinqü e nta livros
e p e r iódicos impressos d e 1808 a
1958, n as oficinas do Departa m e nto de Impr ensa Nacional.
Rio de J aneir o 1958 [154] p. facs.
644
FERRE IRA, Orla ndo d a Costa A técnica do livro n o Brasil. O
E stado de São P a u lo, São P a u lo,
21 fev. 1959. supl. lit.: 6 .
645
FERREIRA, Or lan do da Cos ta - ·
Elogio e d efesa da fôlh a de r osto.
Diário d e Pern a mbuco, R ecife, 20
e 27 out. 1957.
646
FERREIRA, Orla n do da Cos ta R en ascimen to e escrita . O E starlo
de São Paul o, São Paulo, 12 ab r .
1958, s upl. lit.: 2.
647
FERREIRA, Orla n d o da Costa Origem a progressos da impres são offset . Diário de Pernambuco, R ecife, 15 e 29 set. 1957 .
648
.lARDIM, Luís - Cap a d e livro.
Diário d e N otfcias, Rio de J a neiro, 28 abr. 1957, s upl. lit.: 3 .
649
LEONI, G. D. - A rev isão d as p ro vas tipog ráficas. Revista d e Organização Científica, São P aulo
13(156) : 251-254, ilus t.
650
MARTINS, Wilson A p alavra
escrita; história do livro, da imprensa e da biblioteca, com u m
capitulo referente à propriedade
literária e, em apêndice, as convenções de Berna, d e W ashington e Universal, sôbre os direitos autorais. Edição ilus trada rte
73 gravuras. São Paulo, Ed.
Anhembi, 1957. 549p. 24cm.
651

352

RIZZINI, Carlos - O livro, o jor nal e a tipog rafia n o Brasil, 15001922, com um b reve est u do g er a l
sôbre a inform ação, m e ios de comunica ção, correio, catequ ese,
ens ino, socied ad es liter á rias, m açonaria etc. .. Rio de J aneiro,
Liv . Kos mos Ed . [1940] 445p.
(Coleçã o tem as brasileiros, 4) .
652
R UBLI, W illy - As a rtes g r áficas:
compêndio para a fácil compre·
e n são das espécies fu nda men tais
d e imp r essão e d a técnica modern a d os processos d e repr odu ção gráfica. .. Rio d e J a n eiro
s.c.p., 1944. 78p.
653
T AUNAY, Aff onso de E scragn oUe
- O prim eiro livr o impresso no
B rasil . Em seu : De Brasilae r eb u s p luribus. Sã o P a ulo, Im pre nsa Official d o E s tado, 1936.
p.5- 8.
654
67G -

INDúSTRI A DO P APEL

GUARNI ERI , Al ice Cama rgo - O
p apel con ta a s ua h istória. Mun do Melhor, São P a ulo, 6: 41-43,
jun . 1958.
1
~5
RIBE IRO, Milton - A impor tância do pa pel. J ornal do Brasil,
R io d e J aneio, 31 mar. 1957,
su pl. d om.: 3.
656
R IBEI RO, Milton - O for mato p adr ão. J ornal do Brasil, Rio de
J a n eiro, 21 a br. 1957, s upl. dom.:
3.
657
778 . 14 -

MICROFILME

CAMPI GLIA, Gue!Io Osca r - Emp r êgo da m icrofilmagem e m a r ·
quivos. IDORT, São P a u lo, 26
(307/ 308): 162-163, jul./agô. 1957,
ilus .
658
FISCHER, W . O d esenvolvim ento do m icrofilm e no Brasil.
R evista d o Clube de E n ge n h aria ,
Rio de Janeiro, 259: 52-53, mar.
1958. ilus.
659

�SIGLAS DOS CURSOS, ESCOLAS E FACULDADES

EBDB

-

Escola ele Bibliotecários e Documentalistas, ela Fullclação Desemba rgador "Al varo Cle m ente de Oli veira"
- Bah ia.

EBDUFB

-

Escola ele B iblioteco nom ia e Docume n tação ela U niversidade F eder a l el a Bahia .

FBU B

-

Faculdade ele Biblio teconomia ela Universidade
cional de Brasília .

CBDUFC

-

Curso de Bibli otecon omia e Documentação da universidade F eclernl do Ceará

CBBN

-

Curso ele Biblioteconom ia ela Biblioteca Naciona l.

EBDSU

-

Escola de Biblioteconom ia e Documentação Santa
ú rs u la, ela U n ive1·siclacle Católica do Rio ele Janei1·0.

CBUFi\IG

-

Curso ele Biblioteconomia ela Universidade Federal
ele Minas Gerais.

CBUFP

-

Curso ele B iblioteconomia ela U n ivers idade Federa l
elo Pará.

CBDUFP

-

Curso ele Biblioteconomia e Documen tação ela Uni ver sidade Federal elo Par aná .

CBDUFPe

-

Curso de Biblioteconomia e Documentação da ünivers idade Federal ele Pernambuco .

EBDUFRGS -

E &gt;=cola de Biblioteconomia e Documentação da Univers idade Federa l do Rio Grande do Su l.

EBSP

-

Escola ele Biblioteconomia ele São P a ulo, ela Fundação Escola de Sociologia e Política .

FBUCC

-

F aculdade de Biblioteconomia da Universidad~ Ca tólica de Campina s .

EBDSC

-

E scola de B ibliotecon om ia e Docu mentação ele São
Carlos.

a-

353

��14.

Bahia Bahia -

ÍNDICE

Escola de Bibliotecários e Documenta listas
Escola d e Biblioteconomia e D ocument:.lção
da. U .F.B. . . . . ..... . ....... .... ... ........... . .
:Sahia - Regimento da Escola de Biblioteconomi a e
Documentação da U -F.B. . . .................. . . .
Bibliografia Biblioteconôrn ica . . ... ... ............. .
Biblioteca Nacional - Cursos de Biblioteconom ia .. .
Biblioteca Nacional •- Regimento dos Cursos ..... .
Bibliotecários Habilitados . . ...... ..... . ......... . . .
B iblioteconomia - Histórico . . ..... . ... . . .. .. .... . .
Bólsas de E studos . . ... . .. . ... . ..... .. ........... .
B rasília - F aculdade de Biblioteconomia da Un iversidade ....... .. ... . ... .. ................. . ..... .
Brasília - Regimento da Fac ul dade de Biblioteconomia da Universidade . . . .. .................... .
Ca dastro de Professór es ..... . ......... . ......... . . .
Caetano de Campos - Curso extinto .. .. ............ .
Campinas - Faculda de de Biblioteconomia ... ..... .
Ceará - Curso de Biblioteconomia e Documentação
da U.F.C . . . . . ..... .. ...... . ..... . .... . ..... .. .
Ceará - Reg ime nto do Curso de Biblioteconomia e
Doc um entação da U.F.C . . . ...... .............. .
Currículo Minimo . . .. .. ......................... . .
Currí culos . . . .... ... ....................... . .... .
Curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia
"Sedes Sapientiae" . . .. ............ . ... . ...... .
Curso de Biblioteconomia da Prefeitura M unicipal d e
São Paulo . . .... . ......... . ........... . . . ... .
C urso de Biblioteconomia da Prefeitura Municipal de
R ecife
. . ..... . ......... . . . ... . ............. . .
Curso de Biblioteconomia do Ins tituto d e Educação
Caetano de Ca mpos ... ....... ... . . . .. . ..... ... .
Curso de Biblioteconomia Nossa Senhora do Sion . .. .
Curso de Biblioteconomia, da Universidade Fede ral de
Minas Gerais . ... .... .. ...... . . . .. ... . ........ .
Curso de Biblioteconomia da. Universidade Federal do
Pará .......... . . . .. ... ............. ...... .. . .
Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal do Ceará .. .... . . . .. ... . ....... . .
Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal de P ernambuco ....... ...... . . .
Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal do Paraná . ......... .. . . .. . . ... .
Cursos de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional .. .
Cursos, Escolas e Faculdades ...... .. ............ . .

35- 36
37- 39
109-122
315-352
45- 46
163-167
28- 29
15- 19
J6- t 7
40- 42

123-131
85-105

72
64- 65
-!3- 4-1

132-162
25- 26
18- 27

72- 73
17 e 71
71

72
71

50- 51

52- 53
-! .:,
., - 44

55- 5[{

54 . 55
45- 46
31

355

�Cursos do lBBD .............................. . . . . .
Cw-sos Extintos
.... .... ... . ... ..... . .. . . .... .. .. .
Escola de Bibliotecários e Documentalistas, da Fundação Desembargador " Alvaro Clemente de Oliveira., . . .. .. ...... . ... . . .. .. .. . ........ . . ... .
Escola de Biblioteconomia de São Paulo . . . .. ....... .
:E-s cola de Biblioteconomia e Documentação, da Universidaàe F ederal da Bahia . . . . ............... .
Escola de Biblioteconomia e Documentação, da Universida,de Federal do Rio Grande do Sul ..... .
F-scola d e Biblioteconomia e Documentação de São
Carlos . . . . . . ........ .. ........ .. ............. .
Escola de Biblioteconomia e Documentacão Santa úrsula, da Pontifícia Universidade Cátólica do Rio
de Janeiro ..... . . ... ......... .... ..... ... ... . .
Escolas, Cursos e Faculdades . . . . .... . ...... . ..... .
Extinção do Curso da Prefeitura de São Paulo . .... .
.F'aculdade de Biblioteconomia da Universidade Católica de Campinas . ... ·. . .. .. . .. ... ... . .. ... .. .. .
Faculdade de Biblioteconomia da Universidade de
Brasília
Faculdades. Cursos e Escolas ....... .. .... .... ..... .
Guanabara - Cursos de Biblioteconomia da Biblioteca
Nacional . . . . . . . . . . ..... .. ........... . . . ..... .
Guanabara - Regimento dos Cursos d e Biblioteconomia da Biblioteca Nacional . . ... ........ . ... .. .
Guanabara. - Es{:ola de Biblioteconomia e Docurnen tacão Santa úrsula . ....... . . . ... . ......... . .. .
Guanàbara - .Regimento da· Escola de Biblioteconomia
e Documentação Santa úrsula .. . ..... . .. . .. .. .
Histórico da Biblioteconomia ....... . ..... .. ....... .
T.B . B.D . - Cursos
. .. ..... ... . . ... . . ... .... . .. . .
Instituto de Educação Caetano de Campos - Curso
extinto
.. . .......... .... ............... . . . . .
Legislação Federal . .. .... . , ...... . ..... .. .. . . .. . . .
Legislação Paulista . ... . .... . ... . ....... . ........ . .
Matérias do Currículo e suas Variações ...... .... ... .
Matérias Extras- Currículo Mínimo .. ..... . ........ .
Nossa Senhora do Sion - Curso extinto ...... ... .... .
Minas Gerais - Curso de Biblioteconomia . . . . .... . . .
Minas Gerais - Regimento do Curso de Biblioteconomia
.. . ... .. .. ... . ........ ............... .
Nomenclatura de Matérias e Disciplinas ... .. ....... .
Normas para Organização e Reconhecimento de Escolas

75- 83
69- 73
35- 36
61- 63
37- 39
59- 60
66- 67
47- 49
31
17
64- 65
40- 42
31
45- 46
163-167
47- 49
172-205
15- rn
75- 83

n
309-31 t
312-314
26- 27
27- 28
71

50- 51
206-229,
33302-303-

�O rganização e Reconhe cime nto d e Escolas ... . .... . .
P ará - Curso de Biblioteconomia, d a U.F-P . .... . .... .
P a raná - Curso de Biblioteconomia e Docume ntacão
da U . F . Pa ....... . ........ .. .. ........ . . .... : . .
Paran á - Regime nto do Curso d e Biblioteco nom ia e
D ocumentação . . .... ... ...... .... ..... . ...... .
Pern a mbuco - Curso de Biblioteconomia e D ocu ment açã o da U . F . P .
. .. .... . ... . . . .... .. ....... . .
Pernambuco - R egimen to do Curso d e Biblioteconomia e D ocume ntação
............. . . . . . . .. . .
P opulação e Bibliotecários . ... . . ............ . . .... .
P r efeitura Municipal de S ã o P a ulo - Curso extin to
Prefe itura Mun icipal do Recife - Curso extint o .. .
Primeiro Curso de Biblioteconomia . .. .... . .. .... .. .
P rof essôr es de Biblioteconomia ... .. . . . . .... ..... .. .
Quadros Comparativos d e Nome ncla tura de Matérias .
Tieconhecime n to de E stabel ecimentos d e Ensino Sup e rior
.... . ... . . ... . .... .. ................. .
Regime n tos d os C ursos, Escolas e Faculdades . .. ... .
Rio Gra nde d o Sul - Escola d e Bibliotecon om ia e D ocumenta ção da U . F .R . G . S . . . ..... . .... ... . .. .
Ri o Grande do Sul - R egimento da Escola de Bib lioteconomia e Docum e nta cão . ... . .... . ......... .
R ockefelle r Founda tio n ... ~ . ...... . .. . ........ .. .. .
S anta úrsula - Escola de Biblio t economia e D ocument ação da U .C . R . J .
. ..... . ...... ... ..... .
S anta úrs ula - R egimen to d a Escola d e Biblio tecon omia e Documentação ............... . ..... . . .. .
São Carlos - E scola de Biblioteconomia e D ocumentação
. . .................... . . .. .. ... .. ...... .
São Carlos - R e gime nto da Escola de Biblioteconomia e Documentação
........... . ... . .. . .... . .
São Paulo - Cu rso de Biblioteconomia .... . . . . .. . .
São Paulo - Curso e xtinto da Prefeitura Mun icipal .
São Paulo - Curso extinto do Ins titut o Caetano de
Campos
. . . . ..... .. .. .... .. . ...... . ... . . . . - - - São Paulo - Curso e xtinto Nossa Senho ra do Sion .
São Paulo - Curso extinto " Sedes Sapientiae" .. .
São Paulo - Regimento da Escola de Biblioteconomia
São Paulo e a Biblioteconomia .... . . . ........ . ..... .
Sedes Sapientiae - Curso extinto . . .... . . . .. ... . . .. .
Siglas . . ... . . . .. . ...... - . - - • - - - - . - - • • • - - - - • • - - - - - Subvenção da Rockefeller Foundation . . . . .. . . .. . ... .
Sugestões para um Programa ..... . . . .. ... .. . .... . .

302-303
52- 53

54- 55
230-251

5-6- 58
252-266
28- 29
17 e 71
71

15- 19

85-105
33
302-305
107-301
59- 60
267-272
17
47- 49
172-205
66- 67
289-301
61- 63
17 e 71
72
71

72- 73
273-288
16- 17
72- 73
353
17
29- 30
357

�Composto e impresso nas oficinas ua GRAFICA EDITóRA
LEITURA S .A ., situada à Rua Neri Pinheiro , 4 R h&gt;
de J cineiro , GB

��</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="7">
          <name>Original Format</name>
          <description>The type of object, such as painting, sculpture, paper, photo, and additional data</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="70025">
              <text>Impresso</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70014">
                <text>A Biblioteconomia Brasileira: 1915 -1965</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70015">
                <text>Biblioteconomia - História&#13;
Cursos de Biblioteconomia&#13;
Legislação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70016">
                <text>Recolhemos, neste volume, dados informativos sôbre quatorze cursos regulares de biblioteconomia existentes no país, obtidos através de questionários, gentilmente respondidos por seus diretores. Temos ciência que vem funcionando há três anos, em Niterói, um nôvo curso de biblioteconomia, mas que deixa de figurar nesta obra por não termos recebido informações exatas sôbre o seu funcionamento regular. A coleta de dados começou há quatro anos, quando aceitamos um convite da "Escuela Interamericana de Bibliotecologia de Medellín", para colaborar na organização de uma obra que seria publicada sob os auspícios da Rockefeller Foundation. Parte dos dados fornecidos foram devidamente atualizados e demonstram o que é a Biblioteconomia Brasileira no ano em que se comemora o cinqüentenário da instalação do primeiro curso, no Brasil, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Devemos a oportunidade desta publicação ao Dr. Augusto Meyer, Diretor do Instituto Nacional do Livro.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70017">
                <text>Laura Garcia Moreno Russo</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70018">
                <text>Instituto Nacional do Livro&#13;
Ministério da Educação e Cultura</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70019">
                <text>1966</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="46">
            <name>Relation</name>
            <description>A related resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70020">
                <text>Coleção B2  - Biblioteconomia V</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70021">
                <text>Impresso</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70022">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70023">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70024">
                <text>Rio de Janeiro :  Rio de Janeiro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="590" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="146">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/5/590/IFLA-Acesso-e-oportunidade-para-todos.pdf</src>
        <authentication>c17950c16f188c0bcf13530e84ce6c50</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="12368">
                    <text>ACESSO E OPORTUNIDADE PARA TODOS
Como as bibliotecas contribuem para a agenda de 2030 das Nações Unidas

International Federation of Library
Associations and Institutions

�ERRADICAÇÃO
DA POBREZA

FOME
ZERO

IGUALDADE
DE GÊNERO

ÁGUA LIMPA
E SANEAMENTO

INDÚSTRIA, INOVAÇÃO
E INFRAESTRUTURA

COMBATE ÀS
ALTERAÇÕES
CLIMÁTICAS

PARCERIAS EM
PROL DAS METAS

REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES

VIDA DEBAIXO
D’ÁGUA

EDUCAÇÃO
DE QUALIDADE

BOA SAÚDE
E BEM-ESTAR

ENERGIA
ACESSÍVEL E LIMPA

EMPREGO DIGNO
E CRESCIMENTO
ECONÔMICO

CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS

CONSUMO
E PRODUÇÃO
SUSTENTÁVEIS

VIDA SOBRE
A TERRA

PAZ, JUSTIÇA
E INSTITUIÇÕES
FORTES

OBJETIVOS SUSTENTÁVEL

DE DESENVOLVIMENTO

17 OBJETIVOS PARA TRANSFORMAR NOSSO MUNDO

�Neste contexto da agenda de 2030 das Nações Unidas, a IFLA (Federação Internacional
das Associações e Instituições ligadas às Bibliotecas) acredita que o crescente acesso à
informação e ao conhecimento por parte da sociedade, por meio das diversas tecnologias
de informação(TICs), torna possível o desenvolvimento sustentável
e mais qualidade de vida para as pessoas.
Em setembro de 2015,
os Estados membros das Nações Unidas
adotaram o documento: “transformar nosso mundo:
a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”.
A nova agenda de 2030 da ONU é um marco inclusivo, integrada por 17 objetivos
de desenvolvimento sustentável que englobam o desenvolvimento econômico, ambiental
e social. Através do alcance dos objetivos dessa agenda nada será relegado. As bibliotecas
são instituições fundamentais para se alcançar esses objetivos.
O acesso público à informação permite que as pessoas tomem decisões conscientes que podem
melhorar suas vidas. As comunidades que têm acesso à informação relevante e no tempo certo
estão melhor posicionadas para erradicar a pobreza e a desigualdade, melhorar a agricultura,
proporcionar educação de qualidade e promover a saúde, a cultura a pesquisa e a inovação. 1
O acesso à informação foi reconhecido no Objetivo 16 dos ODS: Promover sociedades pacíficas
e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, facilitar o acesso à justiça para todos e criar
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 16.10 Assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades
fundamentais, em conformidade com a legislação nacional e os acordos internacionais.
Cultura (objetivo 11.4 - Fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural
do mundo) e Tecnologias de Informação e Comunicação (objetivos 5b - Aumentar o uso de tecnologias
de base, em particular as tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento
das mulheres, 9c - Aumentar significativamente o acesso às tecnologias de informação e comunicação
e se empenhar para oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos
desenvolvidos, até 2020, 17.8 - Operacionalizar plenamente o Banco de Tecnologia e o mecanismo
de capacitação em ciência, tecnologia e inovação para os países menos desenvolvidos até 2017,
e aumentar o uso de tecnologias de capacitação, em particular das tecnologias de informação e
comunicação) também estão incluídos nos ODS.
Metade da população mundial não tem acesso a informação em rede. Em nossa sociedade
do conhecimento, as bibliotecas proveem acesso e oportunidades para todos.
E, alfabetização universal é reconhecida na visão da agenda de 2030 da ONU.
Imaginamos um mundo com alfabetização universal. Agenda 2030 das Nações Unidas.
Em todo o mundo 320.000 bibliotecas públicas e mais de um milhão de bibliotecas parlamentares,
nacionais, universitárias, de pesquisa, especializadas e escolares garantem que as informações e o
conhecimento para utilizá-las estejam disponíveis para todos, convertendo-se em instituições
fundamentais para a era digital. As bibliotecas oferecem infraestrutura para as tecnologias de informação
(TICs) e ajudam as pessoas a desenvolver a capacidade de usar a informação de forma eficaz e
preservá-la para garantir o acesso permanente às futuras gerações. Proporcionam uma rede confiável
de instituições locais que podem chegar a todos os setores da população.

�AS BIBLIOTECAS APOIAM TODOS OS OBJETIVOS
DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As bibliotecas e o acesso à informação contribuem para o alcance de todos os objetivos
de desenvolvimento sustentável (ODS) por meio das seguintes ações:

Promover a alfabetização universal, incluindo a alfabetização e as habilidades digitais,
midiáticas e informacionais com o apoio de equipe especializada;
• Superar as dificuldades no acesso à informação e ajudar o governo, a sociedade civil e o
setor privado a compreenderem melhor as necessidades locais em matéria de informação;
• Promover um serviço em rede contendo os sites e programas governamentais;
• Promover a inclusão digital por meio das TICs;
• Atuar como centro da comunidade acadêmica e de pesquisa;
• Preservar e proporcionar o acesso à cultura e ao patrimônio do mundo.
•

AS BIBLIOTECAS IMPULSIONAM O PROGRESSO ATRAVÉS
DA IMPLEMENTAÇÃO DA AGENDA 2030 DA ONU
Enquanto os ODS são objetivos universais, cada país será responsável pelo desenvolvimento
e implementação de estratégias nacionais para alcança-los e deverá monitorar e informar os progressos.
A medida que se desenvolvem esses planos, a comunidade bibliotecária de cada país poderá demonstrar
como as bibliotecas contribuem para o cumprimento dos objetivos e satisfação das necessidades locais
de desenvolvimento.

�OBJETIVO 1 ACABAR COM A POBREZA EM TODAS AS SUAS
FORMAS, EM TODOS OS LUGARES
As bibliotecas, ao proporcionar acesso à informação e habilidades, oferecem
oportunidades às pessoas para melhorar suas vidas e contribuem para a tomada
de decisões por parte dos governos, das comunidades e outras instituições destinadas
a reduzir a pobreza e elevar a qualidade de vida das pessoas em todo o mundo.

ESLOVÊNIA
Na Eslovênia a biblioteca da cidade de Ljubljana oferece Serviço de Informação e Emprego que permite 1200 pessoas
por ano, muitas delas moradores de rua ou beneficiários de programas sociais, achar emprego. A biblioteca realiza
capacitações em alfabetização informacional e midiática e as auxiliam na preparação de seus currículos e a
candidatarem-se ao emprego desejado. Dado que muitos moradores de rua são usuários de drogas, a biblioteca
trabalha junto com o Centro de Prevenção e Drogaditos do Hospital Universitário de Psiquiatria de Ljubljana para
conseguir a reabilitação, reintegração e inclusão social. 2

SRI LANKA

O programa de Biblioteca Eletrônica Nenasala 3 é uma iniciativa governamental para aumentar a alfabetização digital
e o acesso à tecnologia dos habitantes mais pobres do país que vivem em zonas rurais distantes. 300 centros em
todo o país oferecem capacitação em computação básica, orientação no acesso à informação através da internet,
uma ampla variedade de conhecimentos locais relevantes. Os centros estão abertos a todos e são a forma mais
importante de dar acesso a infraestrutura nos lugares mais remotos e pobres do país.

�OBJETIVO 2 ACABAR COM A
FOME, ALCANÇAR A SEGURANÇA
ALIMENTAR E MELHORIA DA NUTRIÇÃO
E PROMOVER A AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
Bibliotecas, incluindo bibliotecas agrícolas especializadas e serviços
de extensão promovem acesso à investigação e dados sobre culturas,
mercado e métodos de agricultura produtiva.

ROMÊNIA

Os bibliotecários capacitados pela Biblionet 4 ajudaram 100.000 agricultores ra eceberem 187 milhões de dólares
em subsídios via serviços de internet entre 2011 a 2014.
Os 1000 bibliotecários que participaram dessa capacitação decidiram lançar o serviço nas bibliotecas locais com o
apoio dos prefeitos que entenderam os benefícios que esse serviço trazia aos agricultores. O programa ajudou os
agricultores a aprender como usar a tecnologia nas bibliotecas para acessar os formulários financeiros e submetê-los
economizando tempo e dinheiro. Especial atenção foi dada às necessidades locais para garantir a demanda.

�OBJETIVO 3 ASSEGURAR
UMA VIDA SAUDÁVEL E PROMOVER
As bibliotecas médicas,
O BEM-ESTAR PARA TODOS,
de hospitais e outras bibliotecas
especializadas são provedoras essenciais
EM TODAS AS IDADES
do acesso à investigação médica que respalda
melhores resultados em matéria de saúde pública.
O acesso público a informação sobre saúde em todas as
bibliotecas ajuda as pessoas a estarem melhor informadas
sobre saúde e a manterem-se saudáveis.
AUSTRÁLIA
Um relatório realizado em 2014 revelou que os hospitais, departamentos governamentais, associações
e outras organizações envolvidas com os cuidados da saúde obtiveram U$ 5 dólares de retorno para cada
U$1 dólar 5 investido em bibliotecas.

KYRGYZSTAN
Frente a uma epidemia de tuberculose o governo de Kyrgyzstan havia lançado um programa nacional intensivo
de prevenção e controle de tuberculose. O serviço do Consórcio de Informação de Bibliotecas de Kyrgyzstan
(KLIC sigla em inglês) “Não a TB!” trabalha conjuntamente com as organizações da sociedade civil como o projeto
HOPE e a Sociedade de Meia Lua Roxa com a finalidade de mobilizar as bibliotecas públicas a apoiar os objetivos
do governo. Depois de um subsídio piloto realizado em três bibliotecas de EIFL (Informação Eletrônica para as
Bibliotecas) as iniciativas do Programa de Inovação para bibliotecas públicas “Não a TB!” foram estabelecidas
em 190 bibliotecas rurais com capacitação para 800 pessoas sobre como elevar a conscientização acerca da
TB sendo que foram realizados debates públicos com participação de cerca de 5.600 pessoas. 6

UGANDA
Os profissionais médicos e da saúde no setor rural de Uganda ainda enfrentam desafios para o acesso à informação
básica necessária para assegurar a qualidade do cuidado da saúde. O Compêndio de Informação sobre a Saúde de
Uganda publicado pela Biblioteca da Universidade de Makere compila no formato impresso informações de saúde
para os trabalhadores que não podem ter acesso à informação online. O compêndio inclui resenhas sobre doenças
atuais e temas da saúde. Se distribui a mais de 1500 unidades de saúde incluindo hospitais, centros de saúde,
dispensários, algumas ONGs relacionadas a saúde, consultórios médicos de distritos, todas as comissões de serviços
sociais e saúde dos distritos e membros do parlamento. O Compêndio é uma das poucas fontes de informação atualizada
em áreas remotas durante epidemias como a hepatite. 7

�OBJETIVO 4 ASSEGURAR A EDUCAÇÃO INCLUSIVA,
EQUITATIVA E DE QUALIDADE, E PROMOVER OPORTUNIDADES
DE APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA PARA TODOS
As bibliotecas são o coração das escolas, universidades e institutos em todos
os países do mundo. As bibliotecas apoiam programas de alfabetização, oferecem
um lugar seguro para a aprendizagem e colaboram com pesquisadores na utilização
de dados e informações para gerar novos conhecimentos.
PAÍSES BAIXOS

Boekstart 8 trabalha com creches e centros de saúde, as bibliotecas públicas com os primeiros anos das escolas
primárias mediante o oferecimento de livros e capacitação a 75.000 crianças por ano com idades entre 0 a 4 anos.
O programa é apoiado pelo governo nacional e governos locais e visa estabelecer uma colaboração de longo prazo
entre as organizações para garantir a alfabetização das crianças.

SUÉCIA
A biblioteca da cidade de Malmo trabalha para superar a divisão digital e encorajar a inclusão social e sustentabilidade.
O Centro de Aprendizagem da biblioteca oferece cursos denominados “Começar!”, nos quais os usuários sem experiência
aprendem a abrir contas de email, a utilizar melhor a internet e a realizar configurações de privacidade. A biblioteca conta
com muitos usuários imigrantes, especialmente menores de idade que podem acessar as ferramentas projetadas para
melhorar sua aprendizagem e ajudar com as tarefas escolares. 9

SINGAPURA
O Conselho Nacional de Bibliotecas de Singapura (NBL por sua sigla em inglês) se relaciona com a população de
Singapura através de programas e serviços – tanto dentro como fora das bibliotecas – por meio de plataformas
físicas e digitais em todo o país. A NLB também presta especial atenção às comunidades que enfrentam
problemas de locomoção e têm dificuldades para deslocar-se às bibliotecas. A NLB tem
trabalhado com os sócios para oferecer programas personalizados e ônibus com
bibliotecas móveis que permitam que escolas com necessidades especiais,
orfanatos e abrigos tenham acesso às coleções e aos serviços.
Os serviços são os mesmos oferecidos por uma biblioteca
física, com boas coleções, empréstimo e devolução
\
de livros, assistência dos bibliotecários e
contação de histórias.10

�OBJETIVO 5 ALCANÇAR A IGUALDADE DE GÊNERO E EMPODERAR
TODAS AS MULHERES E MENINAS
As bibliotecas apoiam a igualdade de gêneros ao oferecer espaços de encontro seguros
e programas para mulheres e meninas sobre direitos e saúde. Além disso, as TICs e os
programas de alfabetização ajudam as mulheres a construírem habilidades empreendedoras.
UGANDA
A Biblioteca Nacional da Uganda oferece um programa de capacitação nas TCIs dirigido às mulheres agricultoras,11
oferecendo acesso nos idiomas locais dos boletins meteorológicos, preços de cultivo e apoio no estabelecimento
de comércio digital. Esse programa, por meio da tecnologia, aumenta o bem estar econômico das mulheres.

NEPAL
A iniciativa de Desenvolvimento de Atitudes do Centro de Informação e Recursos de READ (educação para o
Desenvolvimento Rural) ajuda as mulheres e as meninas a obter conhecimentos e ter o controle sobre suas vidas.
O programa de empoderamento inclui seminários e workshops sobre direitos das mulheres, igualdade de gênero,
saúde, violência contra a mulher e outros temas. A biblioteca encoraja as mulheres a participar de um grupo que ser
reúne uma vez por mês em um setor reservado da biblioteca onde elas podem se expressar livremente. Os cursos
práticos incluem leitura, escrita e matemática, inglês, tecnologias, atitudes empreendedoras e aulas práticas sobre
fabricação de produtos para venda. Os centros READ de todo o país também oferecem programas de treinamento
em qualidade de vida, saúde, conhecimentos digitais e tecnologia.12

�OBJETIVO 6 ASSEGURAR A DISPONIBILIDADE E GESTÃO
SUSTENTÁVEL DA ÁGUA E SANEAMENTO PARA TODOS
OBJETIVO 7 ASSEGURAR O ACESSO CONFIÁVEL, SUSTENTÁVEL,
MODERNO E A PREÇO ACESSÍVEL DE ENERGIA PARA TODOS

As bibliotecas oferecem o acesso público à informação sobre água, uso de energia
e saneamento. Muitas bibliotecas públicas e comunitárias de todo o mundo são o único
lugar onde as pessoas têm acesso confiável a eletricidade para ler, estudar e candidatar-se
a um emprego.
HONDURAS
A biblioteca comunitária San Juan Planes desempenha um papel central na provisão de água potável segura a toda a
comunidade mediante um projeto de tratamento de água que é realizado na praça central do povoado.13

REINO UNIDO
Nas bibliotecas de Croydon, Derby e outras cidades do Reino Unido os usuários podem solicitar empréstimo de monitores
de energia para controlar quais equipamentos elétricos consomem muita energia, permitindo que as pessoas mudem e
reduzam seu consumo de energia. 14

�OBJETIVO 8 PROMOVER O
CRESCIMENTO ECONÔMICO SUSTENTADO,
INCLUSIVO E SUSTENTÁVEL, EMPREGO
PLENO E PRODUTIVO E TRABALHO
DECENTE PARA TODOS
Acesso público às tecnologias de informação
e os treinamentos em bibliotecas permitem que as
pessoas se candidatem aos empregos. A equipe capacitada
da biblioteca pode ajudar as pessoas com os formulários online,
escrever matérias de apoio e encontrar o emprego apropriado.
UNIÃO EUROPEIA
Na União Europeia, 250.000 pessoas por ano acharam emprego através das suas bibliotecas públicas.
Bibliotecas públicas ajudaram 4.1 milhões de europeus com consultas relacionadas a emprego e 1.5 milhões
a candidatar-se ao trabalho.15 Acesso público às tecnologias de informação e às capacitações permite que as
pessoas solicitem emprego sempre que o processo de seleção aconteça online.

ESTADOS UNIDOS
Em Nova Iorque, a Biblioteca de Ciência, Indústria e Comércio e a Biblioteca Pública de Queens e a Biblioteca
Profissional de Negócios e Comércio de Brooklin (B&amp;CL por sua sigla em inglês) realizam maratonas sobre planos
de negócios que oferecem orientação aos participantes com foco em comerciantes atuais e futuros de comunidades
carentes. Na B&amp;CL 25% dos participantes são imigrantes, 29% são desempregados ou com empregos temporários
e mais da metade tem uma renda familiar abaixo da média da cidade de Nova Iorque. 16

�OBJETIVO 9 CONSTRUIR INFRAESTRUTURAS RESILIENTES,
PROMOVER A INDUSTRIALIZAÇÃO INCLUSIVA E SUSTENTÁVEL
E FOMENTAR A INOVAÇÃO
As bibliotecas são o coração das instituições de pesquisa e da vida acadêmica.
Elas propiciam o acesso a internet de alta velocidade, infraestrutura de pesquisa
e profissionais capacitados. Em muitos países as bibliotecas públicas e educacionais
são os principais ou os únicos provedores de acesso público à internet de baixo
ou nenhum custo, uma forma fundamental de aumentar a conectividade. 17

LETÔNIA
Por cada dólar investido em bibliotecas públicas na Letônia no período de 2008-2010 se obtiveram quase 2 dólares
(diretos ou indiretos). Os ganhos obtidos pelo uso de computadores e internet nas bibliotecas públicas foram maiores
obtendo mais de $ 3 por cada dólar investido. 18

FINLÂNDIA
O Laborário de Ciências Abertas (Open Science Lab) realizado na biblioteca Nacional da Finlândia permite a qualquer
pessoa obter acesso às publicações, dados e métodos usados em pesquisa. O acesso livre é um dos princípios
fundamentais de melhoria do acesso à informação.19

�OBJETIVO 10
REDUZIR A DESIGUALDADE
DENTRO DOS PAÍSES E ENTRE ELES
Acesso equitativo à informação, liberdade de
expressão, liberdade de associação e reunião, o direito
à privacidade são fundamentais para a independência
individual. As bibliotecas contribuem para reduzir a desigualdade
proporcionando espaços cívicos seguros e abertos a todos em áreas
urbanas e rurais em todo o mundo.
MONGÓLIA
A maioria das pessoas cegas e com baixa visão na Mongólia não tem trabalho e não recebem nenhum tipo
de apoio. Em 2010, a biblioteca pública Ulaanbaatar (UPL por sua sigla em inglês) e a Federação de Cegos
da Mongólia construíram dois estúdios de gravação para criar audiolivros em formato DAISY que aumentam
notavelmente a quantidade de material acessível e abrem novas mundos de aprendizagem para pessoas com
deficiência visual. O consórcio de bibliotecas da Mongólia (MLC por sua sigla em inglês) também alcançou bons
resultados ao promover a adoção do Tratado de Marraquesh (2013) para facilitar o acesso às obras publicadas
destinadas às pessoas com problemas para a leitura. 20

INTERNACIONAL
Bibliotecas sem Fronteiras (Libraries Without Borders) proporcionam acesso à informação e recursos em campos
de refugiados através de Ideas Box, que permite que as pessoas tenham acesso à informação por meio de conexão
de internet por satélite e também a livros. Os “boxes” são patrocinados pelo Alto Comissionado das Nações Unidas
para os Refugiados (UNHCR). 21

�OBJETIVO 11 TORNAR AS CIDADES E OS
ASSENTAMENTOS HUMANOS INCLUSIVOS,
SEGUROS, RESILIENTES E SUSTENTÁVEIS

Bibliotecas desempenham um papel fundamental na preservação de um patrimônio cultural
inestimável, em todas as suas formas, para as futuras gerações. A cultura fortalece as
comunidades locais e favorece o desenvolvimento inclusivo e sustentável das cidades.
MALI
Em 2013 grupos armados ocuparam Mali do Norte e Timbuktu, uma cidade famosa por seu patrimônio cultural
e pela quantidade de bibliotecas públicas e privadas com um inestimável patrimônio documental. Com a finalidade
de salvaguardar os manuscritos durante a ocupação, os voluntários passaram os manuscritos como contrabando
à Bamako com a ajuda internacional. Desde esse momento os manuscritos têm sido conservados na capital e estão
em processo de restauração e digitalização. As bibliotecas tem tido um papel fundamental nas atividades de
evacuação e preservação do patrimônio único de Mali. 22

CHINA
Em janeiro de 2015 se inaugurou a primeira biblioteca do metrô de Beijing, a “Biblioteca do Metrô M” na estação
da Biblioteca Nacional da China (NCL). Essa biblioteca do metrô visa ampliar mais serviços, oferecer recursos de
alta qualidade – como livros eletrônicos que possam ser baixados gratuitamente – fomentar a cultura tradicional
e promover a leitura. Nessa biblioteca os trabalhadores são leitores, os leitores são passageiros e a biblioteca do
metrô se transforma em uma “estação de leitura para todos”. 23

COLÔMBIA
As bibliotecas públicas são parte integral da estratégia de renovação urbana da cidade de Medelim, Colômbia.
Estrategicamente situadas em algumas das comunidades mais carentes nas periferias de Medelim, tem se transformado
em centro de desenvolvimento social para dar resposta a necessidade de contar com espaços culturais e educativos.
As Bibliotecas Parque são um conjunto de bibliotecas públicas que oferecem as ferramentas e programas educativos
para beneficiar as comunidades locais e constituem um centro para projetos ecológicos e de desenvolvimento urbano.24

�OBJETIVO 12 ASSEGURAR PADRÕES DE PRODUÇÃO
E DE CONSUMO SUSTENTÁVEIS
OBJETIVO 13 TOMAR MEDIDAS URGENTES PARA COMBATER A MUDANÇA
DO CLIMA E SEUS IMPACTOS
OBJETIVO 14 CONSERVAÇÃO E USO SUSTENTÁVEL DOS OCEANOS, DOS MARES
E DOS RECURSOS MARINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
OBJETIVO 15 PROTEGER, RECUPERAR E PROMOVER O USO SUSTENTÁVEL
DOS ECOSSISTEMAS TERRESTRES, GERIR DE FORMA SUSTENTÁVEL
AS FLORESTAS, COMBATER A DESERTIFICAÇÃO, DETER E REVERTER
A DEGRADAÇÃO DA TERRA E DETER A PERDA DE BIODIVERSIDADE
As bibliotecas são instituições sustentáveis: elas compartilham recursos dentro
da comunidade e em nível internacional e garantem a todos o acesso à informação.
Todas as bibliotecas desempenham um papel significativo na provisão de acesso a dados,
pesquisa e conhecimento que apoia a pesquisa informada e o acesso público à informação
sobre mudanças climáticas, sendo papel chave na preservação do conhecimento indígena que inclui tomada de decisão local sobre aspectos fundamentais da vida, incluindo caça,
pesca, uso da terra e gestão da água.
ESTADOS UNIDOS
A Biblioteca do Patrimônio da Biodiversidade é uma biblioteca digital de acesso público das bibliotecas Smithsonianas
que contém obras sobre biodiversidade que incluem mais de 46 milhões de páginas de mais de 170.000 volumes de
obras sobre biodiversidade publicadas entre os séculos XV e XXI em mais de 40 idiomas. Os pesquisadores estão
usando os dados para identificar novas espécies, marcar os avanços em matéria de população e ecossistemas e informar
futuros modelos de mudanças climáticas. Esses dados podem ser utilizados para formular políticas relacionadas com a
conservação, o desenvolvimento sustentável e administração responsável dos recursos. A coleção garante que todas as
pessoas - de todos os lugares – tenham acesso à informação necessária para salvar as espécies dos ecossistemas da Terra.25

SINGAPURA
O Conselho da Biblioteca Nacional de Singapura (NBL) tem trabalhado com seus patrocinadores com a finalidade
de construir uma Biblioteca Ecológica Infantil que ofereça coleções especiais sobre preservação do meio
ambiente e programas interativos de educação pública, destinados especialmente a ajudar
as crianças a compreender as mudanças climáticas. Grande parte do edifício será feito
de materiais recicláveis, reafirmando a mensagem de preservação. Ao desenvolver
e operar sua rede de bibliotecas a NLB recomenda que se apliquem práticas
recomendadas em matéria de energia e consumo de recursos e também
minimize seu uso excessivo. O maior êxito alcançado pelo edifício
da Biblioteca Nacional foi o Prêmio de Selo Verde de Platina
(Green Mark Platinum Award) em maio de 2013 dado
pela Autoridade de Construção em Singapura. 26

M a y

�OBJETIVO 16 PROMOVER SOCIEDADES
PACÍFICAS E INCLUSIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL, PROPORCIONAR O ACESSO À JUSTIÇA
PARA TODOS E CONSTRUIR INSTITUIÇÕES EFICAZES,
RESPONSÁVEIS E INCLUSIVAS EM TODOS OS NÍVEIS
Para alcançar o acesso pleno à informação todos devem ter tanto o acesso como as
habilidades para utilizar a informação de maneira efetiva como
expressado na Declaração
27
de Lyon sobre o Acesso à Informação e o Desenvolvimento. As bibliotecas possuem
habilidades e os recursos para apoiar os governos, instituições e indivíduos a comunicar,
organizar, estruturar e utilizar a informação de maneira efetiva para o desenvolvimento.
MOLDAVIA, GEORGIA E UCRÂNIA

A aliança para o Governo Aberto (OGP em inglês) 28 é uma organização internacional que trabalha com os governos
dos estados membro para criar fortes compromissos com a transparência, a participação cívica, a luta contra a corrupção
e um governo aberto responsável. A OGP tinha se comprometido a incluir o Objetivo 16 em seus planos de ação nacional.
Os países Moldávia, Georgia e Ucrânia podem acessar a informação e os acordos bibliotecários como parte dos seus
planos de ação (OGP). Os bibliotecários nestes países participam de reuniões da sociedade civil para colaborar com
o desenvolvimento do Plano de Ação Nacional dos seus países e tem aumentado a conscientização sobre a contribuição
das bibliotecas e o acesso a informação no cumprimento dos compromissos da OGP.

INTERNACIONAL
Em sintonia com a estratégia do Grupo do Banco Mundial dedicada a eliminação da pobreza extrema no ano de 2030,
a biblioteca do Grupo do Banco Mundial oferece tanto aos seus empregados como à comunidade em geral acesso
à informação e serviços relevantes com o propósito de promover a difusão do conhecimento, o bom governo e o
desenvolvimento econômico. Profissionais altamente qualificados em informação respondem perguntas relacionadas
com o desenvolvimento, encontram informação em diversas fontes internas e externas, promovem a capacitação das
equipes sobre as coleções, recursos e serviços que tenham relação com as prioridades de desenvolvimento do Banco.
A biblioteca também promove uma maior transparência e responsabilidade por meio da capacitação no desenvolvimento
das habilidades para acesso público à informação para membros de todo o mundo que não trabalhem na equipe.
O trabalho da biblioteca de acesso à informação é parte integrante do desenvolvimento global. 29

SUÍÇA
A Biblioteca Digital sobre Ética Globethics.net é uma biblioteca online que oferece acesso gratuito a centenas de milhares
de documentos completos sobre ética e disciplinas afins. Através da modernização do acesso aos recursos do conhecimento
sobre ética no hemisfério sul, esta iniciativa internacional visa o aprimoramento do intercâmbio de conhecimentos, em
particular, de norte a sul e de sul a sul, e vai contribuir com o desenvolvimento, especialmente, mediante a promoção
de liderança responsável, boa governança e tomada de decisões e seus processos baseados em valores.30

�OBJETIVO 17
FORTALECER OS
MEIOS DE IMPLEMENTAÇÃO
E REVITALIZAR A PARCERIA GLOBAL
PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As bibliotecas oferecem uma rede global de instituições baseadas
na comunidade dispostas a apoiar planos de desenvolvimento nacional
a nível local e nacional como recursos para aprimorar a tomada de decisões.

CANADÁ
O Conselho Nacional de Pesquisa da Biblioteca Nacional de Ciência é um co-patrocinador da Biblioteca Federal
de Ciência, um projeto que reúne sete bibliotecas departamentais de ciência para criar um única plataforma unificada
de busca e acesso. Isto objetiva garantir serviços de biblioteca e informação mais sustentáveis para os pesquisadores
e funcionários do governo federal, promover a visibilidade e o acesso às coleções e repositórios das bibliotecas de
ciências para os canadenses. O projeto representa um compromisso com o Plano Nacional de Ação para a Aliança
do Governo Aberto do Canadá em virtude do Compromisso Básico da Informação Aberta.31

�CANADÁ

EUR
ESTADOS UNIDOS

MALI
HONDURAS

COLÔMBIA

AS BIBLIOTECAS EM TODO O MUNDO ESTÃO TRATANDO
DE ALCANÇAR OS OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL DAS NAÇÕES UNIDAS.
UMA SELEÇÃO COM EXEMPLOS ESTÃO INCLUÍDAS NESTE FOLHETO.

REINO

�UROPA

KYRGYZSTAN

MONGÓLIA
CHINA

NEPAL

UGANDA

SRI LANKA

SINGAPURA

AUSTRÁLIA

SUÉCIA
FINLÂNDIA
UNIDO
LETÔNIA
PAÍSES BAIXOS
SUÍÇA

UCRÂNIA
ESLOVÊNIA
MOLDAVIA
ROMÊNIA
GEORGIA

�RECOMENDAÇÕES PARA OS FORMULADORES DE POLÍTICAS
1. INCLUIR AS BIBLIOTECAS EM SEUS PLANOS NACIONAIS
Os planos nacionais de desenvolvimento determinarão muito dos gastos governamentais
e prioridades do programa. Estes planos podem incluir um único plano de desenvolvimento
nacional, o plano nacional sobre banda larga, inclusão digital, desenvolvimento social,
entre outros. Se as pessoas precisam dos últimos preços de cultivo ou onde encontrar
cuidados médicos, o progresso em direção aos objetivos depende de compartilhamento
de informações. As bibliotecas são especialmente efetivas na ampliação do acesso à
informação em zonas marginalizadas e em tempos de crises ou transição.

2. PARCERIAS COM AS BIBLIOTECAS
As bibliotecas podem colaborar com o governo e com outros agentes para implementar
estratégias e programas nacionais com a finalidade de assegurar a inclusão a todas as
pessoas. O acesso à informação que as bibliotecas podem oferecer respalda a Agenda 2030
das Nações Unidas em sua totalidade e promove a eliminação da pobreza, a agricultura
sustentável e produtiva, a educação e saúde de qualidade e todos os demais Objetivos.
Nas bibliotecas os governos contam com um colaborador estabelecido, rentável e poderoso
na luta contra a pobreza, o desenvolvimento econômico e o ensino para todas as pessoas.

3. TRABALHAR COM AS BIBLIOTECAS PARA CRIAR CONSCIÊNCIA
SOBRE OS ODS E O QUE SIGNIFICAM EM NÍVEL LOCAL
Como parte da Agenda 2030 das Nações Unidas foi solicitado que cada país garantisse
que todas as pessoas, desde as organizações interessadas até o público em geral, tenham
conhecimento sobre os ODS e sua importância para a vida dos cidadãos. Os bibliotecários
podem colaborar colocando informações locais e atualizadas sobre os ODS tanto para quem
toma as decisões como para toda a comunidade local:
•

As bibliotecas podem compartilhar informações sobre os ODS e as prioridades nacionais
de desenvolvimento dentro de suas comunidades e internacionalmente, e conectar
as pessoas com a informação sobre os Objetivos na internet.

•

As bibliotecas designadas como Bibliotecas Depositárias e Centros de Informação
das Nações Unidas em todo o mundo cumprem um papel fundamental na comunicação
da informação, das pesquisas e recebem feedback que ajudam os tomadores de decisão,
a nível local e nacional, a alcançar os Objetivos. 32

�“Vamos ter a certeza de que usamos
as instituições que podem ajudar a abrir
bases de dados e recursos de conhecimento e
dar acesso às tecnologias de informação às pessoas
que precisam alcançar o desenvolvimento sustentável.

Bibliotecas esperam ser parceiras na revolução de dados e assim ajudar
33
a chegar a 2030 em boa forma.”
Donna Scheeder, Presidente da IFLA

�REFERÊNCIAS
1

http://www.lyondeclaration.org

2

http://eng.mklj.si/index.php/special-services/item/1140-the-employment-information-service

3

http://www.gatesfoundation.org/What-We-Do/Global-Development/Global-Libraries/Access-to-Learning-Award-ATLA

4

http://www.irex.org/news/librarians-internet-improve-farmers%E2%80%99-livelihoods-romania

5

http://www.alia.org.au/roispecials

6

http://www.eifl.net/resources/kyrgyz-libraries-consortium-libraries-mobilize-communities-fight-tb

7

http://library.ifla.org/868

8

http://www.boekstart.nl

9

http://malmo.se/larcentrum

10

http://www.nlb.gov.sg

11

http://beyondaccess.net/wp-content/uploads/2013/07/Beyond-Access_GirlsandICT-Issue-Brief.pdf

12

http://www.eifl.net/eifl-in-action/empowering-women-and-girls-innovation-award

13

http://beyondaccess.net/wp-content/uploads/2013/07/Beyond-Access_MDG-Report_EN.pdf

14

http://www.croydonlibraries.com/library-services/cut-energy-bills

15

http://www.pub

16

https://nycfuture.org/pdf/Branches_of_Opportunity.pdf

17

http://a4ai.org/affordability-report/report/2015/#prioritise_public_access_facilities

18

http://www.kis .gov.lv/download/Economic%20value%20and%20impact%20of%20public%20libraries%20in%20Latvia.pdf

19

http://blogs.helsinki.fi/natlibfi-bulletin/?page_id=261http://openscience.fi

20

http://www.eifl.net/news/mongolia-votes-ratify-marrakesh-treaty-persons-print-disabilities

21

http://www.ideas-box.org

22

http://www.unesco.org/new/en/culture/themes/armed-conflict-and-heritage/emergency-actions/mali

23

http://www.nlc.gov.cn/newen/nlcnews/201501/t20150115_95915.htm

24

http://medellin.ecocitizenworldmap.org/library-parks

25

http://www.biodiversitylibrary.org

26

http://www.nlb.gov.sg/labs/my-tree-house-green-library-for-kids-information

27

http://www.lyondeclaration.org

28

http://www.opengovpartnership.org

29

http://documents.worldbank.org/curated/en/2013/10/18372588/world-bank-group-strategy-vol-2-2-final-report

30

http://www.itu.int/dms_pub/itu-s/opb/pol/S-POL-WSIS.REP-2015-PDF-E.pdf

31

http://open.canada.ca/en/content/canadas-action-plan-open-government-2014-16#ch4-3

32

http://unic.un.org

33

http://www.ifla.org/node/9427

liclibraries2020.eu/content/see-numbers

�SOBRE

CONTATO

IFLA: A voz global confiável das bibliotecas
e dos profissionais da informação.

Para maiores informações sobre as
recomendações desse caderno contate:

A Federação Internacional de Associações
de Bibliotecas e Instituições (IFLA) é o órgão
que representa os interesses das bibliotecas,
dos serviços de informação e seus usuários.

IFLA Headquarters
P.O. Box 95312
2509 CH The Hague
Netherlands
TEL +31-70-3140884
FAX +31-70-3834827
EMAIL ifla@ifla.org
www.ifla.org

FOTOGRAFIAS/
CRÉDITOS DAS IMAGENS
Capa: Amsterdam Public Library, The Netherlands
(Jorge Royan)
Contracapa: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:
17 objetivos para transformar nosso mundo

Objetivo 6-7
Honduras: San Juan Planes Community Library
(Beyond Access)
Objetivo 8

Bibliotecas Motores do Progresso: Stuttgart Public
Library (jwltr Freiburg, Flickr)

European Union: Public library service in Slovenia
(Public Libraries 2020)

Objetivo 1
Objetivo 9
Sri Lanka: e-Library Nenasala Program of Sri Lanka
(Access to Learning Award 2014)

Finland: Open Science Lab

Objetivo 2

Objetivo 10

Romania: Biblionet (IREX)

Mongolia: Knowledge without boundaries (EIFL)

Objetivo 3

International: Ideas Box in Burundi (Bibliothèques
Sans Frontières)

Kyrgyzstan: Knowledge without boundaries (EIFL)
Objetivo 11
Objetivo 4
Netherlands: BoekStart.nl
Sweden: Open educational resources in libraries
(Läranderum)

Mali: Culture in Timbuktu 25 (UN Mission in Mali,
Flickr)
Objetivo 12-15

Objetivo 5

United States: Biodiversity Heritage
(BioDivLibrary &amp; Les Veilleux, Flickr)

Library

Uganda: Beyond Access meeting in Uganda (Beyond
Access)

Singapore: World’s 1st Green Library for kids at the
National Library Board (Choo Yut Shing, Flickr)
Recomendações para os formuladores de políticas:
Atelier Khan
Academy, Burundi (Bibliothèques Sans Frontières)

�IFLA Headquarters
P.O. Box 95312
2509 CH The Hague
Netherlands
Tel +31-70-3140884
Fax +31-70-3834827
email ifla@ifla.org
www.ifla.org

Tradução:
FEBAB - Federação Brasileira de Associações
de Bibliotecários e Instituições
http://www.febab.org.br

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="5">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="7154">
                  <text>IFLA</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8445">
                <text>Acesso e oportunidade para todos: Como as bibliotecas contribuem para a agenda de 2030 das Nações Unidas&#13;
</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8446">
                <text>Agenda 2030; Nações Unidas; Erradicação da pobreza; Fome zero; Boa saúde e bem-estar; Educação de qualidade; Igualdade de gênero; Água limpa e saneamento; Energia acessível e limpa; Emprego digno e crescimento econômico; Indústria,inovação e infraestrutura; Redução das desigualdades; Cidades e comunidades sustentáveis; Consumo e produção sustentáveis; Combate às alterações climáticas; Vida debaixo d’água; Vida sobre a terra; Paz, justiça e instituições fortes; Parcerias em prol das metas</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8447">
                <text>Em setembro de 2015, os Estados membros das Nações Unidas adotaram o documento: “transformar nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”. A nova agenda de 2030 da ONU é um marco inclusivo, integrada por 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que englobam o desenvolvimento econômico, ambiental e social. Através do alcance dos objetivos dessa agenda nada será relegado. As bibliotecas são instituições fundamentais para se alcançar esses objetivos. O acesso público à informação permite que as pessoas tomem decisões conscientes que podem melhorar suas vidas. As comunidades que têm acesso à informação relevante e no tempo certo estão melhor posicionadas para erradicar a pobreza e a desigualdade, melhorar a agricultura, proporcionar educação de qualidade e promover a saúde, a cultura a pesquisa e a inovação. O acesso à informação foi reconhecido no Objetivo 16 dos ODS: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, facilitar o acesso à justiça para todos e criar instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8448">
                <text>IFLA - International Federation of Library Associations and Institutions</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8449">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8450">
                <text>2016</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8451">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="9">
        <name>Agenda2030</name>
      </tag>
      <tag tagId="10">
        <name>FEBAB</name>
      </tag>
      <tag tagId="3">
        <name>ifla</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="1535" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="1000">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1535/As_contribuicoes_de_Ranganathan.pdf</src>
        <authentication>642312ee957b19a238573748a89a4801</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20025">
                    <text>0
As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e desafios

�AS CONTRIBUIÇÕES DE RANGANATHAN
PARA A BIBLIOTECONOMIA
REFLEXÕES E DESAFIOS

Organização
Elaine Rosangela de Oliveira Lucas
Elisa Cristina Delfini Corrêa
Gisela Eggert-Steindel

São Paulo, SP
FEBAB
2016

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e desafios está licenciado com uma
Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
É permitida, a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio eletrônico, inclusive por
processos reprográficos. A citação de trechos não requer autorização, desde que seja dado o devido
crédito à fonte.
É vetada a reprodução integral ou parcial dessa obra para fins de distribuição comercial, editorial ou
republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.
O conteúdo dos capítulos é de inteira responsabilidade de seus autores, representando a expressão do
ponto de vista de cada um.

Editoração: Jorge Moisés Kroll do Prado
Revisão: Elaine Rosangela de Oliveira Lucas e Elisa Cristina Delfini Corrêa
Capa: Leonardo Antônio da Cunha; Lucas Mendes; Marcela Gaspar Custódio
Conselho Editorial
Dr. Claudio Marcondes de Castro Filho
Dra. Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Dra. Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Dra. Telma de Carvalho
Dra. Valéria Valls

Ficha catalográfica elaborada por Jorge Moisés Kroll do Prado – CRB 14/1404

C764

As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e
desafios / Elaine Rosangela de Oliveira Lucas, Elisa Cristina Delfini
Corrêa, Gisela Eggert-Steindel (Orgs.). – São Paulo: FEBAB, 2016.
222 p.
Disponível para download em: www.febab.org.br
ISBN: 978-85-85024-08-6
DOI: 10.13140/RG.2.1.1259.2882
1. Biblioteconomia. 2. Ranganathan, S. R. (Shiyali Ramamrita). I. Lucas,
Elaine Rosangela de Oliveira (Org.). II. Corrêa, Elisa Cristina Delfini (Org.). III.
Eggert-Steindel, Gisela (Org.). IV. Título.
CDD 020

Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições - FEBAB
Rua Avanhandava, 40 – Conj. 108/110 - Bela Vista – São Paulo, SP
CEP 01306-000
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Centro de Ciências Humanas e da Educação – FAED
Av. Madre Benvenuta, 2007 - Itacorubi – Florianópolis, SC
CEP 88035-001

�AGRADECIMENTO

Esta obra foi realizada com apoio
de fomento ao ensino (PRAPEG) e extensão (PAEX), da
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

�Sumário

Apresentação ...................................................................................................................................................05
Adriana Cybele Ferrari

Apropriações de Ranganathan na Biblioteconomia e Ciência da Informação na
Índia: um cenário ..........................................................................................................................................06
Elaine Rosangela de Oliveira Lucas, Elisa Cristina Delfini Corrêa e Gisela Eggert-Steindel

Um clássico sólido para um mundo líquido ..................................................................................21
Deise Maria Antonio Sabbag, Claudio Marcondes de Castro Filho

As cinco leis da Biblioteconomia no Brasil ....................................................................................30
Iuri Rocio Franco Rizzi
Vastu-tantra: sobre a pragmática transcendental em Ranganathan ..............................43
Gustavo Silva Saldanha
Ranganathan e a mudança no trajeto das classificações de biblioteca .........................57
Rodrigo de Sales
A formação de assuntos na teoria da classificação facetada de Ranganathan: uma
análise conceitual .........................................................................................................................................72
Márcio Bezerra da Silva, Zeny Duarte de Miranda
Ranganathan e a classificação de dois pontos ..............................................................................84
Rosali Fernandez de Souza

Classificação facetada aplicada em sistemas de organização e representação do
conhecimento ..................................................................................................................................................96
Fabio Assis Pinho e Luciane Paula Vital

A atualidade do pensamento de Ranganathan: princípios para a organização de
domínios do conhecimento ..................................................................................................................108
Hagar Espanha Gomes e Maria Luiza de Almeida Campos

A presença de Ranganathan na organização do conhecimento do século XXI: um
estudo no contexto da ISKO .................................................................................................................126
Lígia Café e Rodrigo de Sales

As políticas informativas na obra de Ranganathan ................................................................143
Fernanda Maria Melo Alves

A biblioteca como organismo em crescimento na perspectiva da inovação: um
novo olhar para a 5ª Lei de Ranganathan ....................................................................................155
William Barbosa Vianna, Ana Clara Cândido e Sonali Paula Molin Bedin

�Aproximações entre Ranganathan e o marketing para bibliotecas .............................166
Jorge Moisés Kroll do Prado

O serviço de descoberta e a quarta lei da Biblioteconomia ..............................................177
Paula Carina de Araújo e Carolina Fraga

Referências a Ranganathan na produção brasileira de Biblioteconomia e Ciência
da Informação ..............................................................................................................................................188
Carlos Alberto Ávila Araújo

Ciência da Informação, estudos métricos e Ranganathan: um encontro ...................201
Adilson Luiz Pinto, Luc Quoniam e Alexandre Ribas Semeler

Sobre os autores .........................................................................................................................................217

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Apresentação
Que bibliotecário brasileiro não ouviu falar sobre Ranganathan? Acredito que
nenhum. Escrever sobre quem é considerado o pai da Biblioteconomia indiana é
sempre uma missão difícil. Mas as organizadoras dessa obra quiseram esse desafio e
contaram com a parceria de outros colegas que escreveram sobre diversos aspectos
da obra de Ranganathan.
Como é sabido, Ranganathan deixou suas cinco leis. Elas são diretas, sua
mensagem é clara e muito objetiva: “livros são para usar, a cada leitor seu livro, a
cada livro seu leitor, poupe o tempo do leitor e a Biblioteca é um organismo em
crescimento”. Mas o que isso tem a ver com o mundo de hoje? Essas leis ainda
continuam sendo aplicáveis no nosso contexto, na sociedade líquida que vivemos?
Podemos pensar em outros modos de classificar nossos estoques de informações?
Para que e para quem realmente classificamos nossas coleções? Elas de fato facilitam
o acesso às coleções? Como fazer para que as bibliotecas sejam duráveis, perpassando
o tempo, mas sem perder a condição de organismos dinâmicos que possam atender
às demandas da complexa sociedade?
Com a leitura desses textos, poderemos refletir sobras as respostas a estas
perguntas e formular novos questionamentos. Também será possível conhecer um
pouco mais sobre esse filósofo da Biblioteconomia e seu legado, que suscitou e suscita
estudos e reflexões. Estudos esses, à luz de outras disciplinas, como o Marketing, que
contribuem com o “core” da nossa Biblioteconomia e Ciência da Informação e por que
não dizer, podem auxiliar outras áreas irmãs como a Museologia e Arquivologia.
As organizadoras deste livro oferecem ao leitor um prazeroso, e diria
irrecusável, convite para os bibliotecários brasileiros, pois a obra de Ranganathan,
sobretudo as cinco leis, ecoam ou deveriam ecoar como mantras em nossos ouvidos;
elas nos inquietam e nos colocam em permanente estado de questionamento. E aí
temos que partir para a ação!
O legado de Ranganathan pode ajudar em nossa caminhada em prol de uma
sociedade com acesso igualitário à informação, à leitura, ao conhecimento e à cultura.
Temos a certeza que as bibliotecas têm um papel preponderante neste contexto e é
necessário estarmos sempre vigilantes para garantirmos as nossas conquistas e
conseguirmos avançar ainda mais na construção de uma sociedade mais justa e
solidária.
Temos a certeza que esta obra instigará os leitores e abrirá caminhos para
novas leituras e releituras sobre as contribuições de Ranganathan para a
Biblioteconomia brasileira.
Vamos começar?

Adriana Cybele Ferrari
Presidente da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários,
Cientistas da Informação e Instituições

5

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

APROPRIAÇÕES DE RANGANATHAN NA
BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO NA ÍNDIA: um cenário
Elaine Rosangela de Oliveira Lucas
Elisa Cristina Delfini Corrêa
Gisela Eggert-Steindel

AS PRIMEIRAS PALAVRAS
Ler, (re)ler, refletir acerca do legado de Ranganathan: nisto consiste este
capítulo escrito por nós a partir de um Projeto de Extensão apoiado pelas políticas de
extensão da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O Projeto foi
proposto e coordenado pela professora Elisa Corrêa.
As ações de extensão da UDESC são viabilizadas por meio da Pró-reitoria de
Extensão, Cultura e Comunidade a qual tem como objetivos:
a) promover, incentivar, apoiar e supervisionar programas, projetos, eventos
e cursos de extensão;
b) promover e supervisionar as atividades acadêmicas no campo social e
cultural;
c) promover a integração dos segmentos discente, docente e técnico
universitário da Universidade;
d) promover programas de bolsas acadêmicas no âmbito de suas atividades;
e) apoiar e/ou coordenar as promoções comunitárias, culturais, desportivas,
sociais e de lazer e da saúde;
f) promover e acompanhar intercâmbio com outras instituições no âmbito de
sua competência;
g) divulgar os seus serviços e atividades de extensão;
h) captar recursos através da interação com a comunidade e com os órgãos
de fomento e incentivo às atividades de extensão;
i) promover e coordenar programas de apoio e assistência voltados à
comunidade universitária;
j) expedir atos normativos, na esfera de sua competência. (UNIVERDADE
DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2016).

A proposta entusiasta da Professora Elisa e o respaldo institucional do projeto
estimularam a nós, as outras integrantes do projeto, em aceitar assim o desafio em

6

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

realizar um Simpósio que discutisse e registrasse, por meio de diferentes mídias, as
contribuições das cinco leis para a Biblioteconomia e a Ciência da Informação para o
século XX e XXI.
As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia e Ciência da
Informação da Índia neste capítulo são apreendidas na clave da História Cultural que
nas palavras de Roger Chartier (1988, p.16) “[...] tem por principal objeto identificar
o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é
construída, pensada, dada a ler”. No entendimento deste historiador, a produção de
uma história cultural está calcada em duas noções teóricas, a saber, a apropriação e a
representação.
A noção de apropriação de Chartier foi tomada emprestada de Michel de
Certeau (1994), quando este propõe uma discussão acerca do consumo cultural entre
os povos e civilizações afirmando que não se trata simplesmente de questões de
consumo imposto, mas trata-se de perceber as maneiras de fazer (táticas)
mobilizadas para utilizar-se dos produtos que lhes são oferecidos ou impostos. Para
Certeau as práticas ou as maneiras de fazer configuram um contraponto às operações
(estratégias) que visam disciplinar e regular o consumo cultural. Nesta direção a
noção de representação amplia a compreensão da leitura de uma realidade a partir
dos pressupostos da História Cultural que ele lança mão para designar o modo pelo
qual em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade é construída,
pensada, dada a ler por diferentes grupos sociais. A construção das identidades
sociais seria o resultado de uma relação de força entre as representações impostas por
aqueles que têm poder de classificar e de nomear e a definição, submetida ou
resistente, que cada comunidade produz de si mesma.
Dito ainda de outro modo é uma escolha teórica para entender como o
arcabouço teórico deste pensador de uma Biblioteconomia, até então do outro lado do
mundo, foi e vem sendo apreendida, compreendida e dada a ler por diferentes
autores em diferentes tempos e lugares naquele país, Índia.
Cientes do lugar de onde se fala, elegemos examinar a oferta de títulos de
periódicos oriundos do país da nacionalidade de Ranganathan, intitulado Annals of
Library and Information Studies (ALIS), especificamente o número 4, publicado em
dezembro de 2015.

7

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Como resultado o leitor terá oportunidade de conhecer as referências feitas ao
pai da Biblioteconomia indiana, conhecer sobre suas contribuições e deste modo
apreender e compreender um pouco da circulação dos pressupostos de Ranganathan
na literatura científica indiana.
Na condição de autoras apostamos que este capítulo se constitui em registro
da história e um artefato de memória como proposto por Pierre Nora (1993) ao
discutir a problemática entre história e memória como categorias humanas. Assim,
as leituras, (re)leituras e reflexões do capítulo compõem uma parte da história da
circulação das ideias de Ranganathan no campo da Biblioteconomia e Ciência da
Informação na India, mas também um texto de memória, mas também com esforço
na construção de memórias do pai da Biblioteconomia indiana em terras brasileiras.
Convidamos os leitores e leitoras a nos seguir lendo...

O LUGAR DE RANGANATHAN
Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972) tinha como primeira atuação
profissional o ensino superior de Matemática e tornou-se bibliotecário por desafio:
foi nomeado o primeiro bibliotecário na recém-criada biblioteca da University of
Madras, em janeiro de 1924. Ranganathan chega a confessar que quase desistiu da
empreitada, após sentir que as primeiras semanas de trabalho foram um tanto
tediosas (RANGANATHAN, 2009, p.1).
Para a sorte de todo campo da Biblioteconomia, porém, resolveu investir no
conhecimento da profissão e, como a maioria de nós, acabou por apaixonar-se pela
área. Iniciou seus estudos especializados na School of Librarianship na University
College em Londres, onde desenvolveu uma pesquisa empírica visitando cerca de 100
bibliotecas de diferentes tipologias. Ranganathan teve, assim, uma visão bastante
ampla do fazer bibliotecário a partir de observações e diálogo com diversos
profissionais.
O pesquisador indiano ficou intrigado com o que viu, e os resultados dessa rica
experiência,

somados

às

suas

leituras,

estudos,

pesquisas

científicas

e,

principalmente, ao espírito inquiridor e empreendedor de Ranganathan, deram
forma ao conteúdo das Cinco Leis da Biblioteconomia.
A pergunta a ser respondida era esta: quais são os princípios normativos a
que aludem as tendências que se observam nas práticas bibliotecárias e

8

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

aludem às tendências futuras que atualmente ainda não são muito visíveis?
Isso agitava a minha mente desde os princípios de 1925 (op.cit, p.2).

A mente “agitada” de Ranganathan tinha como contexto uma Índia igualmente
inquieta. Alguns fatos históricos e culturais da época merecem destaque nesta
análise, pois formam o pano de fundo no qual as Cinco Leis foram formuladas.
Em primeiro lugar, cabe dizer que a Índia da década de 1920 era ainda colônia
britânica, porém, em pleno movimento de independência sob a política de não
violência e resistência e desobediência civil à corte britânica liderado por Mahatma
Gandhi. Foi uma época de intensos movimentos políticos, sociais e culturais que
duraram cerca de três décadas, até 1950, quando foi promulgada a Constituição da
Índia, estabelecendo-a como República1.
Esse movimento cultural da década de 1920 contava também com o
desenvolvimento inicial da indústria cinematográfica, que teve seu primeiro filme
mudo lançado em 1913 e durante a década seguinte produziu 27 filmes por ano2. Essa
indústria ficou conhecida anos depois como Bollywood, termo criado na década de
1970 que funde o nome da cidade indiana Bombaim (atual Mumbai) e Hollywood3.
A cidade de Madras (atual Chennai), capital do estado de Tamil Nadu
localizado ao sul da Índia, foi onde Ranganathan desenvolveu boa parte de sua
trajetória como bibliotecário, chegando a fundar a Associação Indiana de
Bibliotecários, que liderou de 1944 a 1953. Autor de mais de 50 livros e inúmeros
artigos (também sobre Matemática)4, deixou um legado insubstituível para a
Biblioteconomia mundial e, claro, marcou profundamente a indiana. Nossa proposta
é conhecer um pouco desse legado a partir do número especial do Annals of Library
and Information Studies (ALIS) sobre Ranganathan, apresentado a seguir.

UM OLHAR INDIANO
O periódico científico indiano Annals of Library and Information Studies
(ALIS) - primeiramente denominado Annals of Library Science and Documentation
https://www.wdl.org/pt/item/2672/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_da_%C3%8Dndia
3 http://guiadoscuriosos.com.br/categorias/4900/1/bollywood.html
4 https://sites.google.com/site/ranganathanovisionariodabci/Home/histria-de-vida
1

2

9

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

- é publicado pela The National Institute of Science Communication and Information
Resources (NISCAIR) - anteriormente conhecida como The Indian National
Scientific Documentation Centre (INSDOC) - que é um órgão de cúpula para a
promoção da profissão na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação na Índia.
O antigo INSDOC iniciou a publicação do periódico em 1952 e foi responsável pela
sua publicação até o 54º. volume, sendo assumido a partir do ano seguinte, 2002,
pela NISCAIR.
O ALIS Abrange diversos temas e assuntos atuais da área, incluindo questões
pertinentes a Biblioteconomia e Ciência da Informação, tais como desenvolvimento
profissional, desenvolvimento de bibliotecas públicas e especializadas, classificação e
catalogação, inovações tecnológicas e sua aplicação em bibliotecas, bibliotecas
digitais e virtuais, Bibliometria, artigos sobre normalização internacional e
cooperação entre diferentes associações e instituições bibliotecárias.
Como já anunciado, este capítulo apresenta um especial do periódico ALIS, o
número 4, publicado em dezembro de 2015, como parte integrante do volume 62.
Trata-se de uma edição especial dedicada à memória de Shiyali Ramamrita
Ranganathan com objetivo de trazer pensamentos de diferentes momentos e em
diversas subáreas da Biblioteconomia e Ciência da Informação, discutindo e
problematizando a sua relevância no cenário atual. A edição não trata apenas de
Ranganathan, mas de todo o seu legado!
O fascículo reúne 16 artigos sobre diferentes aspectos de Ranganathan. Os
textos apresentam e discutem as suas contribuições e o impacto de suas obras,
reiterando a necessidade de um esforço revitalizador constante, por pesquisadores e
estudiosos de Ranganathan. Nas palavras do editor daquele número especial, Jaideep
Sharma, “espera-se que os pensamentos e ideias compartilhadas pelos vários autores
sejam discutidos, debatidos e, se necessário, refinados para aprofundar as
investigações e projetos dos estudos iniciados pelo autor”.
Este capítulo, como parte integrante do livro ‘As contribuições de
Ranganathan para a Biblioteconomia e Ciência da informação: reflexões e desafios’, é
o nosso apoio para que estes textos viajem, circulem, não só pela distância entre os
oceanos Indico e Atlântico, mas principalmente para que seja possível entender
Ranganathan a partir dos olhares do seu próprio lugar: a Índia.

10

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A edição especial em homenagem a Ranganathan estreia com o artigo Library
Profession and Dr. Ranganathan, escrito por R. Satyanarayana. O autor é exprofessor do Departamento de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Indira
Gandhi National Open University, em Nova Deli (Índia). No artigo é apresentada a
importância das contribuições de Ranganathan a chamada ‘Ciência da biblioteca’ e
seus serviços, que ainda não foram analisados e por não dizer impregnados
totalmente no pensar e fazer biblioteconômico e da ciência da informação. Para este
autor Ranganathan desenvolveu as contribuições seminais em quase todos os
aspectos deste campo. O artigo discute de maneira geral sua contribuição para a
teoria dinâmica da classificação, a Colon Classification, sua demonstração da relação
simbiótica entre classificação e indexação de assuntos, formulação do Postulate based
Permuted Subject Indexing (POPSI), etc. O desenvolvimento de Preserved Context
Index System (PRECIS) por Derek Austin, como também do Código de Catalogação
Anglo-Americano - 2ª edição (AACR2), foi influenciado por seu trabalho. Também foi
discutida a sua relação com organismos internacionais como International
Federation for Information and Documentation (FID) e UNESCO. As contribuições
de Ranganathan para a Biblioteconomia na Índia como teórico, como professor e na
promoção da legislação para biblioteca também fizeram parte dos temas abordados.
O segundo texto, Ranganathan’s philosophy in the context of societal
development leading to a knowledge society, foi proposto por S. B. Ghosh, Membro
Permanente do Comitê da Seção Regional da IFLA para a Ásia e Oceania e Seção de
Educação e Formação e ex-professor da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da
Informação da Indira Gandhi National Open University (IGNOU), em Nova Deli
(Índia), que afirma que as bibliotecas têm um papel importante a desempenhar no
desenvolvimento da sociedade. Organizações nacionais e internacionais estão
aperfeiçoando diversas medidas, políticas e programas para o desenvolvimento da
sociedade que caminha para a chamada Sociedade do Conhecimento. O documento
descreve os esforços que estão sendo envidados por organizações e governos em
todos os níveis para que esta transformação seja bem-sucedida e analisa algumas
dessas iniciativas nacionais e internacionais, subsidiadas pelo pensamento filosófico
de Ranganathan como eixo gerador deste movimento de transformação e mudanças
mundiais. Este autor descreve as contribuições de Ranganathan em como oferecer o
conhecimento de forma acessível e observa ainda que a sua filosofia e diretrizes

11

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

deveriam ser seguidas para assegurar uma transição tranquila rumo a sociedade do
conhecimento.
O título Influence of Manu on Ranganathan's philosophy of library science:
An overview, escrito por Partha Pratim Ray, bibliotecário do Institute of Agriculture
de Sriniketan, West Bengal (Índia), trata de como Ranganathan introduziu uma série
de teorias e suas aplicações por meio de regras, regulamentos, leis, etc. O artigo traça
as influências filosóficas que alicerçaram pensamento desse teórico ao longo da sua
vida acadêmica e seus esforços profissionais realizados em prol da Biblioteconomia
indiana. No artigo fica evidenciado que a literatura clássica e épica indiana e as Leis
de Manu5 conhecidas como Manu Samhita ou Manu-Smriti, foram suas principais
influências e tiveram um grande impacto em seus pensamentos. Oferece uma
apresentação detalhada da influência de Manu sobre Ranganathan refletida nas
Cinco Leis e em alguns dos seus princípios.
Revisiting contributions of Ranganathan in collection development foi
redigido por A. S. Chandel, bibliotecário universitário, em coautoria com Avijit Raib,
bibliotecário trainee, ambos da Sikkim University, Gangtok (Índia). Aborda o
desenvolvimento de coleções como uma importante atividade nas bibliotecas
destacando que ocorreram mudanças significativas nos formatos de documentos e
nas preferências de leitura dos usuários. Os autores abordam o processo de seleção
dos recursos informacionais eletrônicos e a aplicabilidade das Cinco Leis da
Biblioteconomia. Isto é, os autores concluem que os princípios de seleção de
Ranganathan são válidos atualmente e precisam ser aplicados no Desenvolvimento
de coleções e sua gestão uma vez que seus princípios são tão aplicáveis hoje como
foram durante as décadas de 1950 e 1960. Para além disto os autores discutem a
complexidade envolvida na seleção de acervo para bibliotecas, bem como traçam a
evolução dos princípios desta atividade desde o tempo de Melvil Dewey, Francis
Drury, Helen Haines, Mary Carter e Wallace Bonk. Em outras palavras a principal
ênfase explorada pelos autores é contribuição de Ranganathan na evolução teórica do

O Código de Manu é parte de uma coleção de livros bramânicos, agrupados em quatro compêndios:
o Mahabharata, o Ramayana, os Puranas e as Leis escritas de Manu. Esse código, que contém as leis de
Manu, o primeiro legislador de que se tem notícia na humanidade, foi escrito em Sânscrito para a
civilização Hindu, posteriormente ao famoso Código de Hamurabi. O Código de Manu é tido como a
primeira organização geral da sociedade sob forte motivação religiosa e política. Nele, há uma série de
ideias sobre valores, tais como verdade, justiça e respeito. Constitui-se na legislação do mundo indiano
e estabelece o sistema de Varnas (castas) na sociedade Hindu.
5

12

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

desenvolvimento de coleções percebida a partir de suas Cinco Leis da
Biblioteconomia. O atual ambiente tecnológico e de automação em bibliotecas estão
na vanguarda, não só para cumprir com as mensagens de desenvolvimento de
coleções, mas para a Biblioteconomia como um todo.
O artigo intitulado Ranganathan’s contribution to bibliometrics foi escrito por
Bimal Kanti Sen, Presidente da Comissão de Especialistas em Bibliometria do
Departamento de Ciência e Tecnologia do Governo da Índia e Membro do Conselho
de Pesquisa em História da Ciência da Indian National Science Academy, Nova Deli
(Índia) e persegue a origem do termo Librametry, identificando as contribuições de
Ranganathan para a Bibliometria com destaque para a concepção, em 1948, com o
termo

Librametry,

utilizado

para

denotar

a

aplicação

da

estatística

em

bibliotecas. Demonstra como a Librametry auxiliou Ranganathan a desenvolver uma
solução para equipes de diferentes tipos de bibliotecas, e na tomada de decisão
relativa à criação de bibliotecas. O estudo mostra que Ranganathan utilizava a
estatística aplicada em processos bibliotecários, rotinas e serviços para simplificar e
padronizar sistemas. A utilização de estudos estatísticos nas diferentes atividades da
biblioteca mostrou o padrão de crescimento da coleção, o uso da coleção pelos
usuários (na atualidade denominado interagente), o horário de maior permanência e
pico de movimento no setor de circulação e setor de referência, entre outras questões
relativas às bibliotecas. Nesta esteira o texto também revela que Ranganatham
também desenvolveu um método para otimizar a aquisição de livros para cada
departamento da universidade. Ranganathan também mostrou estatisticamente que,
em média os números das classes da Colon Classificaction são mais curtos do que os
da Classificação Decimal de Dewey (CDD). Os autores, no entanto, lembram,
Ranganathan não definiu Librametrics, assim como não definiu seus componentes.
Os autores reiteram ainda que vários estudos tratados pela Librametrics são hoje
desenvolvidos pela Bibliometria.
Em Universal Decimal Classification and Colon Classification: Their mutual
impact, o autor Amitabha Chatterjee - Professor aposentado e Chefe do
Departamento de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Jadavpur University,
Kolkata (Índia) – aborda a Classificação Decimal Universal (CDU) como predecessor
da Colon Classification (CC) ou Classificação de Dois Pontos, que influenciou a
concepção da CC de diversas maneiras direta e indiretamente. Contudo,
surpreendentemente a Cólon também exerceu algumas influências sobre a UDC

13

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

durante seu processo de revisão. Em particular, devido à flexibilidade que tem, CC
permite a liberdade ao classificador que foi defendida por Ranganathan. O autor tem
discutido a impacto ao longo de diferentes pontos como, a estrutura, notação,
isolados comuns, dispositivos e relação de fase. Ele opina que o UDC e CC têm usado
e implementado as ideias de Ranganathan na revisão do respectivo esquema. O artigo
discute como esses dois esquemas de classificação influenciaram um ao outro em
diferentes aspectos.
Na publicação Save the national heritage: Revise the Colon Classification do
autor Mohinder Partap Satija, que foi Professor de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Chefe do Departamento de Biblioteconomia e membro da equipe da
Biblioteca da Guru Nanak Deze University em Amritsar (India) e também professor
visitante no Maastricht McLuhan Institute, nos Países Baixos e na University
Kelaniya no Sri Lanka. Além de Membro e coordenador da International Society for
Knowledge Organization apresenta um cenário para a retomada da Colon
Classifiction (CC). Este autor traça a situação da CC brevemente e discute suas
características. Traz a tentativas da luz efetuadas a proporcionar uma base para
melhoria contínua do sistema de classificação colaborando para o seu renascimento.
O artigo não destaca apenas a necessidade de revitalização da Colon Classification,
mas apresenta alguns passos que podem ser realizados e também algumas medidas
atuais a serem tomadas para sua revitalização. Considerado pelo autor “Patrimônio
Nacional” da Índia.
Em The Colon Classification: A few considerations on its future, desenvolvido
por K. S. Raghavan, pesquisador visitante do Centre for Knowledge Analytics &amp;
Ontological Engineering (KAnOE), da PES University localizada em Bangalore
(Índia) e membro (secretario) da Sarada Ranganathan Endowment for Library
Science (SRELS), são destacados os esforços e planos da instituição Sarada
Ranganathan Endowment for Science Library na revitalização da Colon Classification
(CC). Apresenta uma breve história do projeto, explana sobre suas características e
discute áreas que necessitam de reformulações para a existência de uma revisão
contínua da CC. Também procura um feedback dos profissionais da área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação sobre a revisão do método.
No texto Web CC: An effort towards its revival, escrito por Parveen Babbar,
bibliotecário na Biblioteca Central da Jawaharlal Nehru University, Nova Deli (Índia)
são analisadas sete edições, de 1928 a 1987, da Colon Classification (CC), com base na

14

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Teoria Dinâmica da Classificação. Bibliotecas praticam continuamente a inclusão de
extensões e adições realizadas para atender suas necessidades, uma vez que a obra
não foi revista por muito tempo após a 7ª edição. A revisão requer a adição de termos
em diferentes disciplinas, organizando-as em relação uns aos outros e atribuir
classificação notacional. A utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação
auxilia na revitalização da CC e é essencial para a revisão regular de um esquema de
classificação. O artigo explora a possibilidade de criação de um sistema especialista
através da concepção de Web baseados na Colon Classification. O autor explora a
possibilidade através da concepção de um protótipo de revisão on-line da Colon
Classifcation impressa.
No Incomum artigo Ranganathan’s elucidation of subject in the light of
‘Infinity (∞)’, escrito por Bidyarthi Dutta - Professor Assistente do Departamento de
Biblioteconomia e Ciência da Informação da Vidyasagar University, Medinipur, West
Bengal (Índia) - analisa a descrição para assunto, de Ranganathan, a partir de um
ponto de vista matemático. Explora e discute as influências do Físico, George Gamow
e, sobretudo, do matemático, George Cantor sobre Ranganathan, apresentando suas
contribuições para explicar e aplicar o conceito de ‘assunto’ a partir destas
influências. Ranganathan foi altamente influenciado por George Cantor, matemático
russo do século XIX, tendo utilizado o conceito de infinito no desenvolvimento de
uma interpretação axiomática de assunto. A maioria dos Bibliotecários interpretam o
conceito de assunto apenas como um termo, descritor ou título para incluir na
catalogação e indexação de assunto. Poucos interpretam com base no documento, ou
seja, a partir do conceito de Aboutness. Há ainda os que determinam o assunto do
ponto de vista do processo social, cultural ou sociocultural. Relata que foram feitas
algumas tentativas para descrever o assunto do ponto de vista epistemológico, mas
Ranganathan foi o primeiro a desenvolver um conceito axiomático de assunto por
conta própria. Para desenvolver os fundamentos básicos na categorização por
assunto, ele usou os conceitos matemáticos de infinito e infinitesimal e construiu o
conjunto de disciplinas ou universo de temas como universo infinito contínuo.
Em Ranganathan and Dewey in hierarchical subject classification: Some
similarities, redigido por Pijushkanti Panigrahi - Professor do Departamento de
Biblioteconomia e Ciência da Informação e Diretor da Faculdade de estudos de PósGraduação em Educação, Jornalismo e Biblioteconomia da University of Calcutta,
Kolkata (Índia), é discutido que S R Ranganathan e Melvil Dewey conceberam dois

15

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

tipos de esquemas de classificação, ambos facetados e enumerativos. O sistema de
classificação facetada de Ranganathan é baseada em postulados, princípios e cânones
e tem um aporte teórico forte. Ao trabalhar com os dois esquemas, as semelhanças
são observadas onde a popularidade da Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a
forte base teórica da Colon Classification podem ser combinadas para criar uma nova
ferramenta para organizar o conhecimento para uma ontologia de domínio
específico. Este trabalho procura identificar e apresentar algumas relações entre os
esquemas neste sentido.
Na publicação Principles for helpful sequence and their relevance in technical
writings: A study, o responsável Shyama Rajaram – Ex-professora do Departamento
de Biblioteconomia e Ciência da Informação da The Maharaja Sayajirao University of
Baroda, Vadodara, Gujarat (Índia) descreve os oito Princípios para Sequência Útil 6
de Ranganathan e, em seguida, passa a explorar a relevância de cada um deles para
uma ampla série de documentos técnicos. Apresenta os oito Princípios como
essenciais nos textos técnicos. Sugere que em lugar de confiar na intuição, uma
compreensão deliberada dos Princípios para sequência úteis seria proveitosa e
resultaria na melhoria da comunicação. O documento conclui que a compreensão
desses princípios faz parte das competências essenciais dos autores técnicos, mesmo
em ambiente web. São apresentados exemplos de como estes Princípios podem ser
utilizados para exprimir as ideias de forma clara e mais adequada. Demonstrando a
ampla aplicabilidade dos pensamentos de Ranganathan.
O artigo Use of Ranganathan’s analytico-synthetic approach in developing a
domain ontology in library and information science dos autores, Shrabana Ghosh Bibliotecário da Jadavpur University e Pijushkanti Panigrahi - apresentado
anteriormente como Professor do Departamento de Biblioteconomia e Ciência da
Informação e Diretor da Faculdade de estudos de Pós-Graduação em Educação,
Jornalismo e Biblioteconomia da University of Calcutta, ambos de Kolkata (Índia),
afirma que a classificação é a base da organização do conhecimento e a Ontologia é
6

Princípio do Posterior-no-Tempo;
Princípio do Posterior-na-Evolução;
Princípio da Contiguidade Espacial;
Princípio para Medida Quantitativa;
Princípio da Complexidade Crescente;
Princípio da Sequência Canônica;
Princípio da Garantia Literária;
Princípio da Ordem Alfabética. (GOMES; MOTTA; CAMPOS, [200?])

16

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

um conceito relativamente novo, utilizado como ferramenta para organização do
conhecimento, estabelecendo conexões entre termos e conceitos, aumentando o
alcance e a utilidade da classificação em bibliotecas. Ranganathan havia criado a
importante teoria do método analítico-sintético e idealizou a Colon Classification.
Neste estudo uma ontologia de domínio na Biblioteconomia e Ciência da Informação
tem sido desenvolvido através da implementação de abordagem facetada da
classificação de Raganathan. As relações hierárquicas entre os termos foram
estabelecidas mantendo principalmente conformidade com a 7ª edição da Colon
Classification. Mas para acomodar novos vocabulários, CDD 23ª edição e a CDU
edição padrão são consultados. Protégé – é um editor de ontologias desenvolvido
pela University of Stanford e tem sido bastante utilizado. O estudo examina
cuidadosamente os passos em que o método analítico-sintético foi seguido. As
características dos Cânones de Ranganathan e sua relevância foram seguidas para
definir a hierarquia de classe-subclasse. Conclui por identificação as desvantagens,
bem como os méritos enfrentados durante o desenvolvimento da ontologia. Este
trabalho demonstra a relevância e importância da filosofia de Ranganathan no
desenvolvimento de organização do conhecimento de base ontológica.
O texto Developing a banking service ontology using Protégé, an open source
software redigido por Kaushal Giri - Gerente do Centro de Conhecimento do ExportImport Bank of India (EXIM Bank) em coautoria com Pratibha Gokhale - ex-chefe do
Departamento de Biblioteconomia e Ciência da Informação da University of Mumbai,
ambas instituições de Mumba, Maharashtra (Índia), tem como pano de fundo os
avanços que explorados possibilitem a criação de uma web semântica, em que o
significado é explicitado, permitindo que máquinas possam processar e integrar os
recursos da web de forma inteligente. A visão da web semântica apresenta a próxima
geração da Web através do estabelecimento de uma camada de dados compreensíveis
por máquinas. O sucesso da web semântica depende da criação fácil, integração e
utilização de dados de web semânticos, que dependerá de ontologias. As bases da
Web Semântica serão as ontologias, que permitirão dar significado às páginas de
conteúdo além de relacioná-las entre si. A abordagem multifacetada para a análise e
representação do conhecimento dado por Ranganathan seria útil a este respeito.
Desenvolvimento de ontologias em diferentes campos é uma dessas áreas em que esta
abordagem dada por Ranganathan poderia ser aplicada. Este artigo apresenta um
caso de desenvolvimento de ontologias para o domínio bancário neste contexto.

17

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Em Revisiting Ranganathan’s canons in online cataloguing environment, de
Rosalien Rout, Pesquisadora da UGC e do Departamento de Biblioteconomia e
Ciência da Informação da University of Calcutta, Kolkata (Índia) junto com seu
colaborador Pijushkanti Panigrahi, da mesma universidade, demonstram a relevância
e o significado dos Cânones na Teoria Geral da Catalogação de Ranganathan no
contexto do catálogo on-line e também examinam em que medida estes cânones
correspondem ou não com os princípios do novo padrão de catalogação, o Resource
Description and Access (RDA). Reconhecem que o esquema de classificação precisa
ser atualizado tendo em conta o desenvolvimento de diferentes formatos dos meios
de comunicação da informação, mas observam que a relevância dos Cânones e
Princípios da classificação de Ranganathan permanece adequada e compatível com os
princípios do RDA.
O décimo sexto artigo, finaliza este fascículo especial com o título S. R.
Ranganathan in Google Scholar and other citation databases os autores Anup
Kumar Das - pesquisador do Centro de Estudos em Ciências Políticas da Jawaharlal
Nehru University de Nova Deli, Índia e seu parceiro Sanjaya Mishra - pesquisador no
The Commonwealth of Learning (COL) em Vancouver (Canadá), analisam a
contribuição acadêmica de Ranganathan que se refletem no Google Scholar Citations,
Web of Science e Scopus. Também se identifica a popularidade de suas obras. Seus
três primeiros livros altamente citados são: Prolegomena to Library Classification,
The Five Laws of Library Science, e Colon Classification. Seus três principais artigos
de revistas são “Hidden Roots of Classification”, “Subject Heading and Facet
Analysis”, e “Colon Classification Edition 7 (1971): A Preview”. Identifica ainda os
artigos que citaram suas obras amplamente e receberam citações consideráveis de
outros pesquisadores, a saber: "The Need for a Faceted Classification as the Basis of
All Methods of Information Retrieval", “Ranganathan and the Net: Using Facet
Analysis to Search and Organise the World Wide Web” e "Grounded Classification:
Grounded Theory and Faceted Classification". Estas citações indicam a relevância de
Ranganathan também para pesquisadores em áreas interdisciplinares, como nos
campos da Computação e Sistemas de Informação.

18

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

PALAVRAS FINAIS PROVISÓRIAS
O desafio em rastrear o pensamento e as contribuições de Ranganathan a
partir do cenário do seu lugar social e cultural tendo como fonte o periódico indiano
Annals of Library and Information Studies (ALIS) se constitui em indícios,
lembrando o paradigma indiciário de Carlo Gizmburg (1991). Isto é, este estudo
aponta indícios da produção, circulação do legado de Ranganathan à Biblioteconomia
e Ciência da Informação para a Índia, bem como para nós professores, pesquisadores,
estudantes e os diferentes profissionais da informação em diferentes países.
O estudo mostra nos primeiros três artigos a tônica filosófica de Ranganathan
como uma permanência na formação e no desenvolvimento dos profissionais da área.
Na sequência é possível observar em dois artigos a força e permanência do
pensamento de Ranganathan na gestão dos acervos impressos e digitais.
Em mais quatro artigos os autores discutem a problemática da organização do
conhecimento a partir das ferramentas de classificação, isto é, da classificação
decimal à Colon Classification.
Sem esgotar as contribuições de Ranganathan, os autores mostram a
atualidade dos conceitos deste teórico para a recuperação da informação, a
catalogação e as atuais discussões acerca das ontologias.
Fica patente a atualidade do trabalho de Ranganathan expressa nas
possibilidades teóricas e práticas de suas contribuições apresentadas nos textos dos
pesquisadores indianos, autores dos artigos que compõem o número especial do
ALIS.
A relevância e aplicabilidade de seu legado, comprovada nos artigos escritos
quase um século depois da publicação das obras de Ranganathan demonstra o quão
visionário foi o chamado pai da Biblioteconomia na Índia.
Revisitar seus escritos nas diferentes áreas da Biblioteconomia às quais se
aplica é, portanto, mais do que uma retomada histórica de sua contribuição. Trata-se
de um compromisso profissional na busca de uma Biblioteconomia mais científica e
comprometida com a sociedade: a indiana, do século passado, e a mundial, deste e de
séculos vindouros.

19

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

REFERÊNCIAS
ANNALS of Library and Information Studies (ALIS). v.62, n. 4, 2015 – Special Issue
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 5. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro:
Bertrand do Brasil, 1988.
CÓDIGO de Manú y otros textos. Ciudad de México: Fondo2000, 1996.
GINZBURG, Carlo; CASTELNUOVO, Enrico; PONI, Carlo. A micro-história e outros
ensaios. Lisboa [Portugal]: Difel; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.
GOMES, Hagar Espanha; MOTTA, Dilza Fonseca; CAMPOS, Maria Luiza de Almeida.
Revisitando Ranganathan: A Classificação Na Rede. Disponível em:
http://www.conexaorio.com/biti/revisitando/revisitando.htm Acesso em 15 jun. 2016.
HUSSAIN, Akhtar. Annals of Library and Information Studies: A Bibliometric
Analysis. Journal of Library Metamorphosis, v. 1, p. 1-17.
NORA, Pierre. Entre história e memória: a problemática dos lugares. Rev. Projeto
História. São Paulo, v. 10, p. 7-28, 1993.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e
Comunidade. Atribuições [...]. Florianópolis, 2016. Disponível em
http://www.udesc.br/?id=62. Acessado em 14 de junho 2016.

20

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

UM CLÁSSICO SÓLIDO PARA UM
MUNDO LÍQUIDO
Deise Maria Antonio Sabbag
Claudio Marcondes de Castro Filho

NAS VEREDAS DOS DESLIZAMENTOS
Começamos nossa reflexão sobre “As contribuições de Ranganathan para a
Biblioteconomia: reflexões e desafios” com a mesma questão que dá nome a obra de
Italo Calvino (1993): “Por que ler os clássicos”? Ao fazermos essa pergunta
reconhecemos que a obra consolidada por Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892 –
1972) encontra-se dentro de um quadro teórico e epistemológico definido como
“clássico”, ou seja, serve de modelo por possuir um valor universalmente
reconhecido.
Como clássico deve ser lido, compreendido, relido, refletido, debatido,
criticado, mas em primeiro lugar, deve ser lido.
Na literatura bíblica no livro de Jó encontramos um versículo muito
interessante que pode ajudar nesta reflexão acerca do clássico. Jó diz para o seu Deus
que antes ele o conhecia apenas de ouvir falar, mas agora o conhecia por vê-lo (Jó,
42,5). Apresentando uma conjunção literária queremos introduzir nessa discussão
um elemento muito importante destacado por Jó que é a diferença entre ouvir e ver,
“ouvir falar” e ver com os próprios olhos. Jó que é considerado uma obra prima
literária do movimento da Sabedoria bíblica, sem autor definido, apresenta uma
teologia muito consistente na vida de um homem que depois de passar enormes
adversidades tem uma experiência sensível de Deus que o faz reconhecer a diferença
entre ouvir e ver.

21

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

É no reconhecimento da diferença entre o ouvir e ver que perceberemos as
características e as particularidades da distinção entre os objetos, entre uma coisa e
outra. Aqui inserimos a importância da construção literária de Ranganathan, ou seja,
não basta ouvir falar sobre ele, é necessário ler Ranganathan, pois os clássicos devem
ser lidos. Não basta “ouvir falar” em aulas, seminários, congressos, múltiplas
resenhas que navegam pelo ambiente web, faz-se necessário lê-lo para compreender
sua textualidade; seus agenciamentos e sua funcionalidade (DELEUZE, GUATTARI,
1995).
Mas como apresentar Ranganathan como modelo que possui um valor
universalmente reconhecido para um mundo líquido (BAUMAN, 2000) marcado pela
cultura de convergência (JENKINS, 2009)? É um desafio.
Deslizando pelos planos da Literatura, Sociologia e Ciência da Informação
que desenvolveremos uma reflexão que não tem como ambição uma resposta, mas o
estímulo provocativo para novas perspectivas no âmbito da área.

UM AUTOR SÓLIDO PARA UM MUNDO LÍQUIDO
O entendimento de Ranganathan como autor sólido só será possível se
brevemente explicarmos o que é o mundo líquido.
O termo mundo líquido é utilizado por um dos grandes pensadores da
contemporaneidade, o sociólogo Zygmunt Bauman, para fazer oposição ao mundo
sólido. O termo utilizado por Bauman também faz referência a obra de Marshall
Berman (1982), “Tudo que é sólido desmancha no ar: aventura da modernidade”, que
por sua vez faz menção a uma citação existente no Manifesto Comunista de Karl Marx
e Friedrich Engels (1848) que diz “tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que
era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com
serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas”.
Para Bauman houve um tempo em que existiam conceitos sólidos, bem como
as ideias, ideologias, relações, blocos de pensamento moldando a realidade e a
relação entre as pessoas. Mas com o apogeu das tecnologias no século 20 temos o
declínio deste mundo de certezas e o surgimento da pós-modernidade e da fluidez do
líquido. O líquido ignora as divisões, as barreiras, podendo assumir novos espaços e

22

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

novas formas, fazendo com que os espaços ocupados pelas certezas, crenças e práticas
sejam diluídos.
Neste contexto, o século 21 é um momento histórico totalmente diferente do
anterior. O estado que vivemos agora nas palavras do sociólogo seria o de interregno
onde não somos nem uma coisa nem outra. Neste estado as formas aprendidas
anteriormente para lidar com os desafios da realidade não funcionam mais como
funcionavam no mundo sólido. As coisas vêm e vão em uma velocidade nunca antes
vista. Um exemplo seria a caduquice das manchetes de um jornal editado e publicado
no período da manhã de um dia, e podemos ir além se tomarmos alguns sites que
emitem as notícias minuto a minuto, a informação que o leitor acabou de ler pode
não ter mais validade.
Neste mundo líquido o ponto que nos toca de forma particular é que o
conhecimento e a informação talvez seja, nas palavras de Bauman, a parte mais
dolorosa da ferida, pois não temos tempo de transformar e reciclar fragmentos de
informação variadas numa visão culminando na sabedoria. Esse ‘patchwok’,
fragmentação, é caro ao conhecimento já que “patchworks e networks são relações
construídas passo a passo, pedaço por pedaço, como um grande tecido que não se
fecha, porque sempre aberto a novas relações e novas associações” (MOSTAFA;
NOVA CRUZ, 2011 p. 13).
Nesta nova realidade o nosso sistema educacional está vitimizado pelo
imediatismo com um fluxo enorme de fragmentos que não dialogam, não encontram
sentido, sem algo que os reúna e os transforme em sabedoria-conhecimento. Nesta
situação totalmente nova onde as capacidades psicológicas, a atenção, a
concentração, consistência e o pensamento linear estão totalmente encontrando
outras formas como os educadores devem reagir. Aproximando da proposição de
nossa questão: como fazer com que nossos alunos entrem em contato com uma
textualidade tecida em um momento histórico tão distante deste que estamos
vivenciando de atomização do conhecimento? Ranganathan é um autor sólido para
um mundo líquido; onde sólido e líquido são controversos?
Mas do que respondidas, essas questões precisam ser problematizadas.
Ranganathan recebe várias adjetivações de Aiyer e Sayers que nos ajudam
nesse percurso elaborativo. Para o primeiro Ranganathan desenvolve suas temáticas
de forma clara, lógica, lúcida. Domina a literatura sobre bibliotecas, domina

23

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

pessoalmente os métodos de administração de bibliotecas na Grã-Bretanha, sendo
detentor de uma inteligência analítica experiente. Para o segundo, o indiano é único
por apresentar uma teoria interessante e inovadora à profissão. O que o torna único é
a apresentação de um estudo abrangente, um jeito indiano de vislumbrar o mundo,
onde a própria cultura está manifesta nas teorias dos livros. É um homem de cultura
notável e original que relaciona os métodos pedagógicos adotados nas escolas e os
relaciona com as bibliotecas realizando um programa de estudos “e esta atitude
mental não poderiam deixar de resultar na preparação de um tipo de bibliotecário,
cujo trabalho se tornaria importante” (RANGANATHAN, 2009, Introdução à
primeira edição).
A teoria desenvolvida por Ranganathan apresenta uma visão moderna das
bibliotecas e da própria Biblioteconomia com um corpo teórico muito consolidado,
pensando a organização do conhecimento com finalidades bem concretas sendo que
seu método de faceta pode ser aplicado atualmente na organização, sistematização e
recuperação de informação, seja em bibliotecas físicas ou em ambiente web.
Talvez

aqui

tenhamos

uma

das

primeiras

respostas

as

questões

anteriormente apresentadas: Ranganathan encontra espaço no mundo líquido, e não
apenas por construções espaciais, mas seu método pode ser utilizado para organizar o
enorme fluxo informacional de fragmentos que não dialogam.
Atualmente vários estudiosos utilizam os métodos desenvolvidos por
Ranganhatan elaborando classificações, taxonomias e ontologias para ambiente web.
A própria web semântica e o linked data podem recorrer a teoria ranganathiana para
estudos e busca de soluções para a organização e recuperação da informação. Se o
apogeu das tecnologias no século 20 desencadearam o declínio das incertezas e a
ascensão do mundo líquido podemos vislumbrar na obra deste indiano alguns
caminhos de sentido para as fragmentações.
Ranganathan de forma precursora apresenta uma teoria sólida e
fundamentada para a classificação bibliográfica. Apresenta sua teoria em quatro
grandes obras (Five Laws of Library Science, 1931; Colon Classification, 1933;
Prolegomena to Library Classification, 1937; Philosophy of Book Classification,
1951) onde podemos perceber a influência da Filosofia oriental quando evidencia o
espaço do documento e o espaço do conhecimento, quando escreve sobre como o
homem deposita na memória perceptos puros e compostos e como o fruto dessa

24

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

associação dará origem aos conceitos. Ele desenvolve primeiramente uma atividade
prática e só depois teoriza; cria postulados, princípios e cânones (CAMPOS, 2001).
O Universo do Conhecimento ranganathiano é inusitado e sua espiral do
universo do conhecimento utiliza os pontos cardeais como exemplo: Nadir (a
acumulação dos fatos obtidos pela observação, experimentação e outras formas de
experiência); Ascendente (a acumulação de leis indutivas ou empíricas em referência
aos fatos acumulados em Nadir); Zênite (apresenta as leis fundamentais formuladas);
Descendente (marca a acumulação das leis). Os pontos cardeais possuem quadrantes
que correspondem aos estágios e as leis de sua teoria. E esta continua descrevendo os
planos do Universo de trabalho da classificação, a estrutura classificatória,
características, renques, cadeias, facetas e categorias fundamentais (CAMPOS, 2001).
Esse olhar holístico de Ranganathan permitiu a criação de uma teoria muito
específica, que partindo da contemplação do mundo, pode ser aplicada em várias
vertentes do conhecimento. Talvez isso o torne um autor sólido tão atual e necessário
num mundo líquido. Um autor que pode nos ajudar a reunir os fragmentos e os
transformar em sabedoria-conhecimento.

OS CLÁSSIFICOS NÃO MORREM
Um elemento importante que confere a Ranganathan o status de “standard
text-book” é que sua obra é um clássico. Os clássicos são lidos sempre, devem ser
lidos sempre, os clássicos não morrem.
Briquet de Lemos introduz essa questão em sua apresentação a edição
brasileira de “As cinco leis da Biblioteconomia” ao escrever: “E por que, depois de
tanto tempo, ainda se lê este livro? A reposta a esta pergunta é simples: porque os
clássicos se leem sempre”. E continua sua apresentação com a pergunta: “E o que faz
desta obra um clássico?” (RANGANATHAN, 2009, p. xiii, apresentação BRIQUET
DE LEMOS).
Na tentativa de uma resposta podemos dizer que os clássicos continuam a
nos falar extrapolando as realidades temporais e espaciais. Os clássicos se
comunicam pelos corredores da história. Ranganathan continua a comunicar na
contemporaneidade. Assim sendo, deve ser lido, não apenas ouvido, mas lido.
Conhecido pelo ’ver’ alçado pela leitura porque somente por meio desta que

25

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

compreenderemos sua textualidade e seus agenciamentos. A leitura nos apresenta o
texto como objeto de comunicação mergulhado entre elementos culturais e sociais
com influências ideológicas específicas.
Algumas proposições desenvolvidas por Italo Calvino (1993) podem
colaborar conosco neste percurso de reconhecimento da textualidade clássica em
Ranganathan. O autor propõe quatorze proposições expressas em definições para
situar uma determinada obra no universo dos clássicos.
As proposições começam com a seguinte questão “Por que ler os clássicos?”
Trazendo essa interrogação para a discussão aqui proposta nós afirmamos que
“Ranganathan é um clássico” e assim perguntamos o por que lê-lo? Para auxiliar
nossas respostas apresentamos como as proposições de Calvino seguidas de
considerações sobre a obra ranganathiana.
Como primeira proposição temos como definição “os clássicos são aqueles
livros dos quais, em geral, se ouve dizer: ‘Estou relendo’ e nunca ‘Estou lendo’”.
Usando dessa proposição assumimos que a leitura da obra de Ranganathan deve ser
estimulada e executada nas mais variadas idades de nossa profissão por ser um
prazer extraordinário de descoberta.
Os clássicos têm esse poder de descoberta que apreciamos, mas mais variadas
idades da maturidade. “A juventude comunica ao ato de ler como a qualquer outra
experiência um sabor e uma importância particulares; ao passo que na maturidade
apreciam-se (deveriam ser apreciadas) muitos detalhes, níveis e significados a mais”
(CALVINO, 1993, p. 10).
A segunda proposição tem como fórmula de definição “dizem-se clássicos
aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas
constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela
primeira vez nas melhores condições para apreciá-los” (CALVINO, 1993, p. 10). Nesta
definição podemos entender que a leitura de Ranganathan na juventude, em nossas
escolas e cursos de Biblioteconomia espalhadas pelo Brasil, podem ser formativas
oferecendo um subsídio teórico e metodológico às experiências profissionais futuras.
A terceira proposição nasce da segunda já que define que os “clássicos
exercem influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também
quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente
coletivo ou individual” (CALVINO, 1993, p. 11). Como profissionais poderíamos

26

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

reservar um tempo em nossa tumultuada vida para revisitar Ranganathan e suas
obras, provar sua mudança a luz da perspectiva histórica, bem como identificar
nossas próprias mudanças sendo isso um acontecimento novo.
As proposições quatro, cinco e nove despertam a realidade da descoberta e
redescoberta. A proposição seis define que um livro clássico não terminou de dizer
aquilo que se propunha a dizer. Percebemos esse inacabado na textualidade de
Ranganathan não por ser incompleta, ao contrário, por continuar a comunicar
caminhos ao longo das décadas, trazendo traços das culturas que as atravessaram
(proposição sete) provocando uma nuvem de discursos (proposição 8) e tratando de
temáticas de forma universal (proposição 10).
As proposições onze e doze dizem acerca da autoridade, ressonância (que vale
para uma obra antiga ou moderna) e o lugar de genealogia da obra em nossas
leituras. Essas duas proposições são alcançadas por Ranganathan já que sua
autoridade e ressonância são mundialmente conhecidas sendo a sua leitura
estimulada e, por vezes, garantida em nossos conteúdos programáticos.
Finalmente, Ranganathan é um clássico porque “relega as atualidades à
posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse
barulho de fundo [...] persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais
incompatível” (CALVINO, 1993, p. 15).
Os clássicos não morrem!
Como clássico o ato comunicacional de Ranganathan não morre sendo
importante o reconhecimento da diferença entre o “ouvir falar de” ou “sobre” e o
“ver” experimentado pela leitura. Essa experiência ilustrada no começo desta
discussão pelo Jó bíblico que expressa de forma poética como pode ser distante o
ouvir apenas falar do ver.
Neste contexto, o século 21 é um momento histórico totalmente diferente do
anterior. O estado que vivemos agora nas palavras do sociólogo seria o de interregno
onde não somos nem uma coisa nem outra. Neste estado as formas aprendidas
anteriormente para lidar com os desafios da realidade não funcionam mais como
funcionavam no mundo sólido. As coisas vêm e vão em uma velocidade nunca antes
vista.

27

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

CONSIDERAÇÕES POSSÍVEIS
Diante da reflexão proposta voltamos a perguntar se Ranganathan é um autor
sólido para um mundo líquido; onde sólido e líquido são controversos? Pensamos
que sim justamente por seu quadro teórico e epistemológico clássico possuir um valor
universalmente reconhecido que ainda encontra ecos e espaços necessários de
aplicabilidade. Nesta perspectiva sólido e líquido não são controversos e talvez escape
da sua conceituação original.
Na perspectiva apresentada o autor que viveu e construiu sua obra em um
mundo totalmente “sólido” nos traz uma teoria que possibilita o pensar facetado
dialogando nas dobras do mundo líquido. Mas essa discussão tem que ultrapassar as
barreiras de aplicabilidade atuais e vislumbrar os espaços educacionais futuros.
O mundo liquido não diluiu a epistemologia ranganathiana, como o fez com
alguns conceitos e teorias, principalmente se pensarmos em sua utilização em
ambiente web (pelos mais diversos profissionais da informação) buscando uma
organização para este mundo fragmentado. Mas reiteramos que as formas aprendidas
anteriormente para lidar com os desafios da realidade não funcionam mais como
funcionavam no mundo sólido como é o caso da educação.
Talvez esse seja o grande desafio: como estimularmos esse olhar holístico
ranganathiano sob a organização e recuperação da informação em nossas salas de
aula, ambiente cada vez mais marcado pela fragmentação do agora mundo líquido?

REFERÊNCIAS
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade.
São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
BIBLIA. Português. Biblia Sagrada. São Paulo: Paulus Editora, 2013.
CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. Linguagem documentária: teorias que fundamentam
sua elaboração. Rio de Janeiro: EdUFF, 2001.
DELEUZE, G; GUATTARI, F. Mil Platôs. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. v. 1.
JENKINS, Henry. Cultura de Convergência. São Paulo: Aleph, 2009.

28

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. Londres. 1848.
Disponível em: &lt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000042.pdf&gt;.
Acesso em: 20 jun. 2016.
MOSTAFA, S. P.; NOVA CRUZ, D. Representação versus sensação: um dilema para o
cientista da informação. Anais... IN: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, XIII ENANCIB 2012.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos,
2009.

29

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

AS CINCO LEIS DA BIBLIOTECONOMIA
NO BRASIL
Iuri Rocio Franco Rizzi

INTRODUÇÃO
O bibliotecário e matemático Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972) é
considerado um dos maiores bibliotecários do século XX e o ‘pai da Biblioteconomia’
na Índia. Com uma atuação comprometida e diversificada, ao longo de sua carreira
conseguiu como poucos conciliar teoria e prática biblioteconômicas. Fora de seu país
de origem, ficou conhecido principalmente por suas Leis da Biblioteconomia,
publicadas pela primeira vez em 1931. Em comemoração aos 85 anos da sua obra As
cinco leis da Biblioteconomia, o Centro de Ciências Humanas e da Educação da
Universidade Estadual de Santa Catarina (FAED/UDESC) oportunamente promove
este simpósio intitulado As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia.
Uma temática ampla e instigante, sobretudo considerando a extensa obra do ilustre
bibliotecário indiano que possibilita inúmeras abordagens e desdobramentos.
Pretendo neste texto refletir sobre as cinco leis em dois movimentos.
Primeiro, lançar um olhar sobre as leis e seu contexto de produção. Neste ponto,
procurei destacar o fato de as leis terem sido elaboradas em um país diferente
daqueles considerados referência para a Biblioteconomia, como alguns países da
Europa e os Estados Unidos da América. Em um segundo momento, não poderia
deixar de revisitar cada uma das cinco leis, buscando refletir sobre elas no contexto
do Brasil e a partir da minha vivência pessoal no campo das bibliotecas. Uma mistura
de interpretação e proposições pessoais, portanto.
A intenção de pensar uma teoria estrangeira a partir do contexto local,
mesmo correndo certo risco de superficialidade e repetição no caso das cinco leis, é

30

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

um passo indispensável para se pensar uma teoria mais afinada com o contexto
brasileiro. Aí o ponto de ligação entre os dois movimentos aqui propostos: trazer uma
teoria global para um contexto local.
Espera-se, desta forma, investir em uma tentativa para responder à pergunta
feita por Briquet de Lemos na apresentação da edição brasileira de As cinco leis: “o
que tem ainda a nos dizer este senhor mais do que centenário, que nasceu e viveu
num país tão distante do Brasil?” (RANGANATHAN, 2009, p. xiii). E como
geralmente ao escrever temos em vista um provável leitor, nesse caso serão os
graduandos em Biblioteconomia e quem sabe até mesmo os bibliotecários já atuantes
e o público em geral interessado no tema.

AS LEIS DE RANGANATHAN E SEU CONTEXTO DE PRODUÇÃO
Nascido em uma família pertencente à casta dos brâmanes, Ranganathan
pôde receber uma educação escolar de qualidade, bem diferente da maior parte da
população indiana naquela época7. Como aluno, destacou-se diversas vezes por seu
desempenho em sala de aula, mantendo boas relações com seus professores. Não por
acaso, então, ele iniciou sua carreira profissional na docência, antes mesmo de
formar-se em Matemática pela Universidade de Madras, onde começou a trabalhar
em 1921, como professor assistente. Apesar de seu envolvimento e protagonismo na
profissão docente, em 1923 houve uma guinada em sua carreira (RANGANATHAN,
1978). Em julho desse ano, a Universidade de Madras criou o cargo de bibliotecário,
para o qual Ranganathan se candidatou – ao que parece não muito convicto da nova
profissão. Tendo sido aprovado, foi contratado para o trabalho no início de 1924, aos
31 anos de idade. O começo parece não ter sido muito animador, como ele mesmo
relata: “nas primeiras semanas, não havia quase nada para fazer. [...] ocupei-me com

7 Apenas para contextualização, vejamos alguns dados apresentados por Hobsbawm (1995, p. 201):
“afinal, antes da independência, mais de 90% da população do subcontinente indiano eram
analfabetos. O número de alfabetizados numa língua ocidental (isto é, inglês) era ainda mais exíguo –
digamos meio milhão em mais ou menos 300 milhões antes de 1914, ou um em seiscentos. Até a região
mais sedenta de educação (Bengala Ocidental) na época da independência (1949-50), com apenas 272
estudantes universitários para cada 100 mil habitantes, tinha cinco vezes mais que a região central
norte-indiana. O papel desempenhado por essas minorias numericamente insignificantes era enorme.
Os 38 mil parses da presidência da Bombaim, uma das principais divisões da Índia britânica no fim do
século XIX, mais de um quarto deles alfabetizados em inglês, não surpreendentemente se tornaram a
elite de comerciantes, industriais e financistas em todo subcontinente. Entre os cem advogados da
Suprema Corte de Bombaim admitidos entre 1890 e 1900 contavam-se dois grandes líderes nacionais
da Índia independente (Mohandas Karamchand Gandhi e Vallabhai Patel) e o futuro fundador do
Paquistão, Muhammad Ali Jinnah”.

31

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

a catalogação de centenas de livros que estavam empilhados. O número de leitores
que usavam a biblioteca raramente passava de dez por dia” (RANGANATHAN, 2009,
p. 1).
Naquela época não havia cursos para formação em Biblioteconomia na Índia.
Por isso, alguns meses após assumir o novo cargo, Ranganathan viajou para uma
breve, mas sólida formação na Europa. Em 1924 ele ingressa na School of
Librarianship, em Londres. Além do curso teórico, trabalhou durante seis meses em
algumas bibliotecas e visitou muitas outras. Ele afirma que “as bibliotecas
encontravam-se em diferentes estágios de desenvolvimento, o que facilitou um
estudo comparado das práticas bibliotecárias. As tendências progressistas eram
impressionantes”. E também faz uma crítica: “mas, as linhas de desenvolvimento nos
diversos setores da prática biblioteconômica pareciam desconexas. [...] não havia
indicação alguma de que houvesse uma visão de conjunto” (RANGANATHAN, 2009,
p. 1). Após esse período de formação, ele retorna para a Índia e se dedica
intensamente na reorganização da biblioteca sob sua responsabilidade, trabalhando
simultaneamente em diversas frentes e buscando conciliar teoria e prática. Em 1928,
menos de três anos após o seu regresso, ele elabora as cinco leis, a primeira delas com
o auxílio de seu mestre e amigo Edward Ross. Após a formulação das leis,
Ranganathan publicou uma série de textos que viriam a compor a obra “As cinco leis
da Biblioteconomia”.
Vale destacar que a escolha da Inglaterra não foi ao acaso. Os ingleses foram
os principais sucessores do Reino de Portugal na colonização do subcontinente
indiano por mais de dois séculos. A independência política da Índia foi obtida
somente em 1947. O processo de independência foi bastante conturbado, com um
árduo movimento de desobediência civil e de resistência por meio da não-violência,
cujo líder foi ninguém menos que Mahatma Gandi (1869-1948). Portanto, podemos
afirmar que o contexto social, econômico e educacional da Inglaterra era bastante
distinto daquele encontrado na Índia, uma de suas colônias. Podemos ainda inferir
que o período de atuação profissional e produção intelectual de Ranganathan não
deve ter sido muito favorável para o campo das bibliotecas – o que reforça ainda mais
a importância de seus feitos e de sua obra, diga-se de passagem.
Então, ao retornar para seu país, traz na bagagem não apenas o
conhecimento teórico e prático em Biblioteconomia, mas experiências vivenciadas em

32

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

um contexto social mais avançado no campo das bibliotecas, entre outros. Como
aponta Briquet de Lemos:
Seu contato com a realidade das bibliotecas do Reino Unido levou-o a
procurar saber o que se passava em instituições semelhantes de outros
países. Isso serviu de quadro de referência no qual e com o qual contrastou a
situação das bibliotecas na Índia. Pioneiro, portanto, da Biblioteconomia
comparada, buscou nesse processo elementos que fundamentassem sua
argumentação, a qual também serve para ‘convencer as autoridades’, como
dizemos aqui, quanto à importância do livro, da biblioteca e da leitura.
(RANGANATHAN, 2009, p. xiii).

Possivelmente, não apenas o contraste da situação entre a Índia e a
Inglaterra influenciou na criação das consagradas leis. Outros fatores contribuíram e
poderiam também ser analisados de forma mais detalhada (alguns inclusive já o
foram, outros ainda por explorar): a cultura indiana e sua dimensão holística; a
religião hindu; a posição social ocupada pela casta dos brâmanes; a formação de
Ranganathan no campo das ciências exatas, para citar apenas alguns.
Então, pretende-se aqui chamar a atenção para o fato das cinco leis terem
sido elaboradas a partir de uma espécie de contraste entre duas realidades bastante
distintas, em relação a aspectos econômicos e sociais, incluindo a questão da
educação e das bibliotecas. Neste sentido, as leis foram formuladas em um país
periférico, termo empregado no sentido de oposição aos países centrais, como no
caso da Inglaterra. Nesta perspectiva, a situação das bibliotecas na Índia esteve (e
está) mais próxima da nossa própria realidade, em comparação a países como a
Inglaterra, França, Estados Unidos, entre outros. Apesar disso, temos nestes países
centrais os modelos para a nossa teoria e prática biblioteconômicas.
Estes

países

centrais

forneceram

dois

modelos

de

bibliotecas

e

consequentemente dois tipos distintos de profissionais responsáveis pelas mesmas.
Estes modelos foram representados primeiro pelo bibliotecário erudito, no modelo
europeu, que remete ao guardião do saber e do conhecimento armazenados nas
bibliotecas, algumas seculares, da Europa. E segundo, pela Biblioteconomia
pragmática, no caso dos Estados Unidos, voltada para a eficiência e eficácia dos
serviços prestados pelas bibliotecas. Obviamente que a nossa intenção não é rejeitar o
conhecimento e os avanços alcançados por estes países no campo das bibliotecas, mas
sim ressaltar que restringir nosso modo de pensar e fazer a Biblioteconomia a estes
países centrais pode acarretar inúmeros prejuízos. Esta é uma das maiores
contribuições de Ranganathan: refletir sobre a Biblioteconomia a partir do seu

33

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

próprio contexto social. Sem dúvida, este se constitui em um grande desafio. Este
breve retrospecto nos possibilita ao menos vislumbrar um pouco do contexto de
produção das leis do célebre indiano. A seguir, faremos o movimento de revisitar as
leis propostas pelo bibliotecário indiano.

AS CINCO LEIS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
Os bibliotecários estão familiarizados, desde o início de sua formação, com as
conhecidas Leis da Biblioteconomia formuladas por Ranganathan. Concebidas como
axiomas da área, as leis são princípios básicos bastante amplos e passíveis de
aplicação em diversas atividades e situações no âmbito das bibliotecas. Por sua
simplicidade e síntese, foram traduzidas facilmente para outros idiomas, se fazendo
conhecidas em diversos países. São elas:

Os livros são para usar
A cada leitor o seu livro
A cada livro o seu leitor
Poupe o tempo do leitor
A biblioteca é um organismo em crescimento

No Brasil, dificilmente um bibliotecário não conheça as cinco leis. Entretanto,
o mesmo não acontece com a obra escrita a partir delas e publicada em 1931 com o
título original The five laws of library Science. Embora publicado há mais de oitenta
anos, o livro ainda é pouco conhecido no Brasil, pois aqui foi traduzido e
disponibilizado somente em 2009! Antes disso, os exemplares eram escassos e o seu
conteúdo escrito em inglês. Logo, espera-se que ainda tenhamos no Brasil uma maior
compreensão e aproximação da obra que embasa as cinco leis e o presente evento
contribui em muito para isso.
Refletir sobre as leis em nosso contexto implica na seguinte questão: qual a
situação das bibliotecas e da leitura no Brasil? Uma pergunta um tanto complexa
para um país tão amplo quanto diverso e arriscada pela impossibilidade de responder
neste espaço com a profundidade que a questão exige. Ainda assim, podemos arriscar
uma resposta, embora superficial ou incompleta. A questão das bibliotecas brasileiras

34

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

acompanha outros aspectos sociais: são marcadas pela desigualdade, quer dizer,
variam de acordo com o tipo, a região geográfica, entre outros. Por exemplo, as
bibliotecas públicas ou escolares não estão no mesmo patamar das universitárias ou
especializadas. Mas é possível ainda arriscar a afirmação de que a situação das nossas
bibliotecas, no geral, não é nada boa.
Por aqui, a história das bibliotecas tem cerca de dois séculos. Antes disso a
circulação de impressos era bastante restrita. E de lá para cá a educação e as
bibliotecas nunca foram prioridades da nossa nação (embora não se pode negar que
tenham ocorrido avanços em um ou outro momento). Como resultado temos hoje um
país marcado pela precariedade e também pela desigualdade de nível de
desenvolvimento ao longo de seu território, também no campo das bibliotecas e do
acesso à leitura.
Talvez ao olharmos para as nossas bibliotecas hoje, nos deparamos com um
sentimento parecido com o de Ranganathan ao retornar da Inglaterra e pouco tempo
depois criar as cinco leis: precisamos ainda criar, expandir e melhorar nossas
bibliotecas. Essa tarefa, revestida de missão e desafio, pode ser sintetizada na
primeira lei, como veremos a seguir.
O enunciado Livros são para usar pode parecer, à primeira vista, um
tanto óbvia e até desnecessária para os dias atuais. Porém, um olhar mais atento para
a história das bibliotecas e a situação das bibliotecas brasileiras torna claro sua
atualidade e importância.
A primeira lei da Biblioteconomia se opõe ao papel desempenhado pelas
bibliotecas durante o maior período de sua história: o de preservação dos livros.
Antes da invenção da imprensa (considerada por muitos como a primeira explosão
bibliográfica), os registros do conhecimento eram confeccionados em diferentes
materiais e o conteúdo transcrito por meio de copistas, de forma manuscrita. Além de
dispendioso, um trabalho bastante demorado. Por isso, os livros eram escassos e os
locais de guarda tinham cuidado especial com sua preservação. A partir do século XV,
com o advento da imprensa, os livros começam a aumentar de produção e tornam-se
pouco mais disponíveis. Outros dois acontecimentos ajudariam a ampliar o acesso
aos livros: a Revolução Francesa, com seus ideais de abertura das bibliotecas para o
povo e a Revolução industrial, responsável pela produção de livros em larga escala (a
segunda explosão bibliográfica). E ainda levaria algum tempo para que os Estados

35

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Unidos da América colocassem em prática o acesso direto dos leitores às estantes e
livros. Apesar de todas estas mudanças, simplificadas nestas poucas linhas, a ideia da
biblioteca como um lugar de guarda e preservação dos livros ainda perduraria muito
tempo e de fato ainda não foi totalmente superada8.
Em relação ao nosso contexto, não é preciso ir tão longe. No Brasil,
provavelmente todos conhecem ao menos um caso de biblioteca fechada e livros
mantidos fora de alcance dos leitores. Nesse quesito, destaque para as nossas escolas,
nas quais muitas vezes se mantêm os livros trancados em armários ou depósitos9.
Pessoalmente, na minha trajetória escolar vivenciei isso mais de uma vez. A mais
grave no ensino médio, em uma escola técnica estadual de São Paulo, no curso de
Edificações. Nesse caso, ao concluir o curso os alunos estavam aptos a projetar e
construir um edifício de até 80 m², sem nunca ter entrado na biblioteca ao longo dos
quatro anos de formação! Não à toa a maior parte dos alunos não seguiram a carreira,
optando por outros caminhos.
Infelizmente, as bibliotecas escolares não são a exceção no descumprimento
da primeira lei. Há casos também de bibliotecas públicas, a exemplo da Biblioteca
Estadual de Alagoas, que permaneceu fechada durante longos quatro anos para
restauração de sua sede10. Não por acaso, a biblioteca padece hoje com a baixa
procura dos leitores11. Nesse período de reforma, a biblioteca pública municipal não
realizava empréstimo domiciliar12 e a população da capital alagoana, de cerca de um
milhão de habitantes, não tinha a sua disposição nenhuma outra biblioteca na qual
pudesse encontrar um livro, emprestá-lo e fazer sua leitura.
Como podemos ver, por estes rápidos exemplos, a lei “livros são para usar”
por aqui se mantém válida e indispensável.
A cada leitor o seu livro, a segunda lei, nos remete ao caráter universal
das bibliotecas, aos diferentes tipos de bibliotecas e usuários e à sua organicidade.
Primeiro, a lei trata do direito de todas as pessoas terem acesso aos livros. E
mais, que cada usuário deve encontrar na biblioteca ao menos um livro que atenda a
seu gosto pessoal ou necessidade de informação naquele momento. Em uma
Vale lembrar que algumas bibliotecas possuem realmente esta função, como no caso das bibliotecas
nacionais.
9
Cf. Fernandes (2012).
10 De novembro de 2010 a novembro de 2014.
11 Cf. Cavalcante (2015).
12 E no momento em que escrevo esse texto ela encontra-se fechada para o público.
8

36

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

interpretação mais livre dessa lei, podemos pensar que todos podem ter na leitura
uma atividade proveitosa. Mesmo no caso de uma pessoa que afirme não gostar de
livros, pela máxima de Ranganathan, ela apenas ainda não encontrou “o seu livro”,
mesmo para aqueles que não dominam o código da escrita. É claro que também não
podemos obrigar todas as pessoas a ler e gostar de livros, mas a recusa pela leitura
deve ser por opção e não por falta de oportunidades.
Também não podemos esquecer que atualmente existem diferentes tipos de
bibliotecas para atender aos variados grupos e propósitos. Neste sentido, não se deve
esperar que uma biblioteca escolar atenda às necessidades de um pesquisador ou um
cidadão comum. Dentre os principais tipos de bibliotecas, podemos mencionar a
pública (atende a todos os cidadãos, por isso é a mais ampla, aberta e generalista);
escolar; universitária; especializada (voltada para especialistas em um assunto ou
determinada área do conhecimento); especial (usuários com características
especiais). Assim, o acervo deve refletir o seu público (a cada leitor o seu livro).
O terceiro aspecto trata da organização dos livros, afinal, é preciso que o
leitor encontre o seu livro. Para isso, os bibliotecários utilizam duas estratégias:
classificação do acervo por assunto e construção de catálogos, que permitem a busca
por autor, título ou assunto. Nesse quesito as bibliotecas brasileiras se encontram em
diferentes níveis de organização. As bibliotecas universitárias dispõem de melhor
infraestrutura, se comparadas às públicas. Estas contam, quando muito, com apenas
um bibliotecário para gerenciar todas as atividades da biblioteca. Não é preciso dizer
as dificuldades enfrentadas nestes casos. É preciso recursos para organizar
adequadamente uma biblioteca: equipe de profissionais, equipamentos e materiais,
software ou sistemas de gestão automatizados, etc.
E em se tratando de organização de livros da forma mais útil para o leitor,
continuamos por aqui classificando as obras literárias pelo critério de nacionalidade
do autor. Mesmo havendo há mais uma década uma proposta de classificação por
gêneros ficcionais, o Vocabulário para Indexação de Obras Ficcionais (BARBOSA et
al., 2005), uma alternativa mais adequada ao gosto e interesse dos usuários. Como se
vê, ainda temos um bom caminho para garantir a cada leitor o seu livro.
A cada livro o seu leitor, a terceira das cinco leis, foi transcrita por
Ranganathan como “cada livro deve ser ajudado a encontrar seu leitor ou leitora”.
Esta lei sugere que todo livro pode servir a alguém. Por isso o bibliotecário deve estar

37

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

atento tanto para a formação do acervo, quanto nas estratégias de busca e
recuperação.
A mediação entre livro e leitor é feita também no processo de Organização da
Informação, com a indexação. Nele, o bibliotecário atribui os descritores que
representam os tópicos dos livros e que serão empregados pelos usuários no
momento da busca.
O processo de desenvolvimento de coleções, por sua vez, contribui para que
os livros adquiridos sejam úteis aos seus leitores. Quando um livro, ainda assim, não
é utilizado pelos usuários, os bibliotecários podem lançar mão de estratégias para que
ele chega até “o seu leitor” (processo denominado disseminação da informação). No
entanto, se um determinado livro não atende a nenhum leitor é sinal de que ele não
deve estar naquela biblioteca. Um livro sobre cálculo integral e diferencial não terá o
seu leitor na biblioteca pública, e sim na universitária ou especializada. O livro que
não tenha um leitor em potencial pode ser trocado ou doado para outra biblioteca.
Em um país como o nosso, poucas são as justificativas para descartar um livro ainda
em condições de leitura.
Como se pode notar, garantir a cada livro o seu leitor em uma biblioteca não é
tarefa simples, exige do bibliotecário formação cultural e conhecimentos gerais (no
caso da biblioteca pública), científico e acadêmico (nas bibliotecas universitárias) ou
até mesmo especializado em determinada área. Requer, ainda, conhecimentos
técnicos em Biblioteconomia, compreensão do contexto local e do perfil dos usuários,
noções sobre mercado editorial, entre outros. E, além disso, não se trata de um
processo estritamente objetivo, mas envolve também uma dimensão subjetiva, como
em outros aspectos da profissão. E somente a avaliação e o acompanhamento
mostrarão se há, no fim das contas, para cada livro o seu leitor. E é preciso cuidar
também para não formar um acervo composto apenas de livros best-seller, isto é,
daqueles que seguramente serão utilizados pelos leitores, limitando assim a
diversidade do acervo e correndo o risco de não respeitar a segunda lei.
A quarta lei, Poupe o tempo do leitor, foi pensada no tempo gasto pelo
leitor em tudo que não fosse a leitura em si. Pensar no tempo dispendido pelo leitor
nos ajuda a buscar maneiras de reduzi-lo. Segundo Ranganathan (2009, p. 211),
talvez o método mais conveniente de estudar as consequências desta lei seja
acompanhar um leitor desde quando ele entra na biblioteca até o momento
em que sai, examinando criticamente cada processo pelo qual ele passa,

38

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

prestando atenção na economia de tempo que pode ser obtida em cada
etapa.

A relação mais evidente desta lei é com o tempo gasto pelo leitor para
encontrar o seu livro ou para que o seu livro o encontre. Por isso, mais uma vez, a
organização do acervo é fundamental. Primeiro, a biblioteca deve permitir aos
leitores o acesso direto aos livros. Segundo, eles devem ser organizados da maneira
mais útil, isto é, por assunto. Os catálogos complementam a busca, economizando em
muito o tempo gasto. Mas esta lei não encerra no tratamento técnico dos livros.
Outros desperdícios de tempo podem ser evitados:
Deslocamento dos leitores até a biblioteca: deve ser levado em conta na hora
de construir o edifício da biblioteca, o que raramente acontece. Mais comum é a
adaptação de prédios – geralmente antigos – já existentes. Nesse caso, verificar se a
biblioteca é provida de transporte público adequado e com cobertura capaz de atingir
todos os bairros da cidade. Por isso, a primeira biblioteca deve estar localizada
prioritariamente no centro da cidade. As demais, espera-se, podem estar espalhadas,
com especial atenção para as periferias. Além disso, estruturas como estacionamento
para veículos e bicicletas podem também poupar o tempo do leitor.
Acesso à biblioteca e normas de segurança: aqui o tempo gasto pelo leitor
para entrar na biblioteca, ou melhor, acessar os livros. Antes disso, muitas bibliotecas
obrigam o leitor a uma série de procedimentos (alguns, de fato, inevitáveis e outros
nem tanto): guardar bolsas e materiais; assinar livro de visitas ou preencher cadastro;
apresentar de documentos, etc. Em um nível extremo, poderíamos até mesmo pensar
no tempo gasto para o leitor entrar na biblioteca: algumas estão escondidas nas
profundezas de prédios em vez de colocadas próximas da entrada ou locais de maior
circulação; outras possuem escadas e rampas de acesso, mesmo quando construídas
em terrenos planos, ou seja, a entrada foi projetada e construída no segundo
pavimento do edifício, em vez de no nível do terreno.
Empréstimo, devolução e renovação: a automatização dos acervos contribuiu
para agilizar estes serviços. O que não pode é, diante da queda de energia ou falha no
sistema, deixar de realizar o empréstimo. Deve-se sempre ter como alternativa
procedimentos de empréstimo manual (não informatizado). Também estão em alta,
graças às novas tecnologias, os serviços realizados pelo próprio usuário, dispensando
a ação de um funcionário. Estes mecanismos poderiam inclusive ampliar o horário de

39

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

funcionamento das bibliotecas, geralmente restrito ao horário comercial, pouco
conveniente à maioria dos trabalhadores. Mas pior que desperdiçar o tempo do leitor
com empréstimo e devolução é não o fazer. Dessa forma, o leitor deverá se deslocar
inúmeras vezes até a biblioteca para ler o seu livro. Certamente, desperdiçar o tempo
do leitor é uma forma de pedir para ele não voltar mais. Esta é uma das chaves para o
sucesso ou fracasso da biblioteca, ainda mais em um mundo onde quase todos
sempre têm pressa (e nesse ponto a leitura se apresenta também como uma maneira
de desacelerar, não?).
A biblioteca é um organismo em crescimento, a quinta e última lei, é
a única que composta por uma metáfora. Provavelmente Ranganathan, com sua
formação em Matemática e forte crença nas ciências, sabia o que estava fazendo ao se
desviar parcialmente da linguagem científica. No sentido estrito, a biblioteca não é
um organismo, mas a comparação pode ser interessante e profícua.
Pensar que a biblioteca está em constante crescimento pode ser útil para
países como o Brasil, onde o deficit desses equipamentos é grande e precisa ser
revertido com urgência. Uma biblioteca não precisa necessariamente nascer grande,
ela pode começar pequena. Isso não quer dizer que ela deva ser criada precariamente.
Aliás, em termos de alocação de recursos, a precariedade pode acontecer mais
facilmente em uma biblioteca de grande porte. Então, uma biblioteca pode começar
pequena e crescer aos poucos. Com boa estrutura e oferecendo bons serviços, o
número de usuários deve crescer; mais livros serão incorporados ao acervo; os
espaços poderão ser melhorados ou ampliados; novos equipamentos e serviços
podem ser oferecidos; as atividades culturais ou educativas devem ser oferecidas e
aumentar, atraindo mais usuários e alimentando o ciclo de crescimento da biblioteca.
E tudo isso deve ser acompanhado do crescimento da equipe de profissionais, a fim
de dar conta de todas as demandas. Assim, em condições ideais, a biblioteca crescerá
“natural e saudavelmente”.
Outro aspecto importante da quinta lei é que a biblioteca não pode parar no
tempo. Quando ela própria não puder mais crescer, isto é, tiver alcançado um ponto
de maturidade (ou uma fase “adulta”) ela pode reproduzir e dar “crias”. Em outras
palavras, pode auxiliar na criação e no desenvolvimento de bibliotecas setoriais ou
pontos de leitura. O fato de essa proposta parecer um tanto “fora da nossa realidade”
apenas confirma a afirmação de que nossa realidade é bastante ruim para as nossas

40

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

bibliotecas. A bem da verdade, hoje elas mal dão conta de si – e já é um grande feito
quando o fazem.
Esta lei também nos permite pensar ou vislumbrar a biblioteca viva, pulsante,
algo bem diferente hoje daquelas que nos dão a impressão de lugares sem vida, frios e
monótonos. Nesse caso a responsabilidade não pode ser atribuída apenas aos
bibliotecários (na verdade, a sua parcela é bem pequena). Há no Brasil um descaso
explícito e histórico para com a educação e a cultura, incluindo a questão das
bibliotecas e da leitura. Cabe aos bibliotecários, sim, trabalhar para reverter este
quadro. E nesse ponto também Ranganathan tem muito a contribuir por meio de sua
obra e militância.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste breve texto procurei refletir sobre as cinco leis da Biblioteconomia e
seu contexto de produção para, em seguida, pensar nelas a partir da situação das
bibliotecas brasileiras, em parte buscando algumas fontes e embasamento, em parte
mais livremente, sem me preocupar em uma abordagem estritamente acadêmico.
Quanto às leis em si, podemos notar que sua simplicidade e obviedade podem
esconder sua importância e potencialidade para o pensar e fazer biblioteconômicos.
De fato, as leis parecem ser tanto mais importantes e necessárias, quanto maior for a
precariedade das bibliotecas de um determinado local.
O movimento de pensar o conhecimento produzido “lá fora” a partir do nosso
contexto “aqui dentro” me parece importante e salutar. Os países centrais, com
inegáveis avanços no campo da Biblioteconomia (e talvez aqui pudéssemos ampliar
para a Ciência da Informação) certamente têm muito a contribuir para as nossas
próprias teorias e práticas biblioteconômicas. Entretanto, é preciso atentar para a
produção teórica e as práticas desenvolvidas nos países periféricos, uma vez que as
condições sociais, econômicas, entre outras, possivelmente são mais próximas da
nossa própria realidade. Trata-se, portanto, de discutir a própria construção do
conhecimento no âmbito da Biblioteconomia.
O argumento de que as bibliotecas no Brasil vão muito mal pode soar para
alguns um tanto pessimista, mas um olhar crítico se faz necessário para um campo
tão importante e no qual há muito ainda por fazer. Do contrário, isto é, falar da

41

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

situação das bibliotecas brasileiras de forma positiva ou até mesmo eufórica
provavelmente terá pouca proximidade com a nossa realidade. Obviamente, temos
inúmeros exemplos de boas práticas e ações espalhadas pelo país, mas estes são mais
a exceção do que a regra, o que não significa que não devemos tomá-las como
exemplo, muito pelo contrário. Por isso, as leis de Ranganathan continuam não
apenas atuais, mas necessárias ao contexto social brasileiro, especialmente quando
analisamos a situação desigual e, em geral, ainda precária das nossas bibliotecas.

REFERÊNCIAS
BARBOSA, S.; MEY, E. S. A.; SILVEIRA, N. C. Vocabulário controlado para indexação
de obras ficcionais. Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
CAVALCANTE, S. A. Biblioteca Pública de AL tem visitação 25 vezes menor que a capacidade
total. G1 Alagoas, Maceió, 22 fev. 2015. Disponível em:
&lt;http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2015/02/biblioteca-publica-de-al-tem-visitacao25-vezes-menor-que-capacidade-total.html&gt;. Acesso em: 12 mar. 2016.
FERNANDES, E. Bibliotecas escolares: livros tão, tão distantes das mãos dos alunos. Nova
Escola, n. 212, maio 2012. Disponível em: &lt;http://novaescola.org.br/politicaspublicas/bibliotecas-escolares-livros-tao-tao-distantes-maos-alunos-687661.shtml?page=0&gt;.
Acesso em: 20 maio 2016.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. 2. ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995. 598 p.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos,
2009. 336 p.
S. R. RANGANATHAN: a short biography. In: Encyclopedia of Library and
Information Science, Ed. by Allen Kent and others, Vol. 25, 1978, published by Marcel
Dekker Inc., New York. Disponível em:
&lt;http://www.isibang.ac.in/~library/portal/Pages/SRRBIO.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr. 2016.

42

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

VASTU-TANTRA:
sobre a pragmática transcendental em
Ranganathan
Gustavo Silva Saldanha

BRAHMA-MUHURTA: INTRODUÇÃO AOS INTRADUZÍVEIS
O grande projeto linguístico-filosófico de Barbara Cassin (2004), que resultou
no Vocabulaire européen des philosophies, ou dictionnaire des intraduisibles,
posiciona-se de maneira consideravelmente objetiva às tentativas de interpretação do
pensamento de Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972) para fundamentação do
pensamento biblioteconômico e para as elaborações de teorias práticas dos diversos
domínios de atuação do campo hoje mundialmente predicado como library and
information science.
A partir da visão cassiniana (CASSIN, 2004), podemos compreender que as
possibilidades de apreensão do pensamento filosófico estão fundamentalmente
enraizadas na compreensão de sua língua, mais especificamente, se tomarmos o
diálogo com a visão do segundo Wittgenstein (1979), estão centrados no contexto de
formação de sua linguagem, esta, a grande “oficina intersubjetiva” onde se estabelece
o pensamento de um filósofo. A crítica a uma universalidade do conceito filosófico
indica, em primeira mão, a decadência de praticamente todo o projeto filosófico do
Ocidente à busca do conceito universal e universalizante, reduzindo-o ao jogo das
contingências e das contextualidades. No entanto, ao mesmo tempo, permite-nos
resolver questões em absoluto: da miríade de contingencialidades podemos chegar ao
jogo possível de verossimilhanças entre as mais diferentes experiências culturais, sem
centrar no imperativo essencialista a potência local de cada sistema de pensamento,
de cada sistema de práticas. Em nossa visão, é aqui que podemos enquadrar as ideias

43

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

de Ranganathan, principalmente na expressão das cinco ‘leis’, capazes de ‘reunir’ a
pragmática ocidental e o transcendentalismo do Oriente em um só pensamento.
Quando partimos, porém, do ponto de vista de uma filosofia da ciência para
‘guiar’ o pensamento informacional, ao contrário, Ranganathan parece tão distante
quanto suas ideias. Hjorland (2005) aponta para o modelo restritivo da visão
ranganathaniana sobre a epistemologia do campo: teria o pensador sido
estruturalmente concentrado apenas em seu sistema. O que acreditamos é que este
ponto de vista hjorlandiano é resultado, ao contrário, de uma intepretação ‘restritiva’
das margens de formulação e de implementação de um “pensamento do intervalo”, de
uma “argumentação na grande fronteira”, uma obra que conjuga Ocidente e Oriente,
que se estabelece sob o ponto de inflexão oriental, mas ao mesmo tempo se consolida
diretamente em diálogo com as condições ocidentais de seu tempo-espaço. E mora na
linguagem ranganathaniana o desafio de compreender sua obra.
A reflexão filosófica aqui proposta para compreensão do percurso
epistemológico de Ranganathan em relação à fundamentação biblioteconômicoinformacional, segue, assim, tanto a linha de argumentação do pesquisador Fernando
Sepúlveda (1998), em seu exercício de buscar conceituar as ideias do matemático
indiano como centralmente constituídas a partir da cultura indiana, como também
um ponto de vista da travessia ranganathaniana entre Oriente e Ocidente, ou seja, a
‘viagem’ de seu pensamento ao solo das práticas biblioteconômicas do mundo
ocidental e as profundas marcas deixadas por este deslocamento. De fato, nos
perguntamos aqui: a) como traduzir um pensamento profundamente influenciado
pela cultura ocidental nos anos 1920, mas estruturalmente tecido e posteriormente
desenvolvimento sob uma cultura oriental?; b) como compreender a forma de pensar
de Ranganathan manifestada sob diferentes estilos de discurso, que vão da prosa à
poesia no mesmo argumento?; c) como compreender um diálogo tão fortemente
contraditório entre uma pragmática de transformação social e um forte exercício
especulativo de fundo metafísico como sustentáculo de todo o pensamento
ranganathaniano?
À procura das discussões elucidativas para as questões acima, gostaríamos
nesta reflexão de pontuar os seguintes elementos gerais: a potencialidade (e não a
negatividade) da intraduzibilidade ranganathaniana; a impossibilidade das leis
biblioteconômicas como condição dedutiva ou simples atividade pragmática; a
pragmática transcendental como centralidade do pensamento ranganathaniano, ou,

44

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

em outros termos, a relação entre o uso e a compreensão da totalidade das questões
biblioteconômico-informacionais tomada como um projeto transcendente em uma
realização no mundo material.
A construção das cinco ‘leis’ da Biblioteconomia (a saber, 1. Os livros são para
usar; 2. A cada leitor o seu livro; 3. A cada livro o seu leitor; 4. Poupe o tempo do
leitor; 5. A biblioteca é um organismo em crescimento), é resultado da relação
complexa e convergente entre dois grandes polos distintos de formação filosófica e de
aplicação dos saberes no mundo empírico. A viagem do então matemático às
bibliotecas ocidentais não retira a compreensão destas como sarasvati-bhandagaras,
casas do tesouro da deusa do saber, mas postula, a partir da primeira lei, a
condicionante absoluta de socialização das bondades de tal deusa. Entre a Índia e a
Inglaterra estabelece-se, nos anos 1920, o brahma-muhurta do pensamento
ranganathaniano, o período que antecede o amanhecer, tido como favorável às
práticas espirituais.

KARMA: O MAHA-MANTRA E A TRANSCENDÊNCIA PRAGMÁTICA
O karma biblioteconômico-informacional ranganathaniano é bem conhecido
na literatura do campo: ao ser indicado como bibliotecário-chefe da biblioteca da
Universidade de Madras, Ranganathan segue para um período de estudos e
experiências na School of Librarianship da University of London. A expressão da
‘passagem material’ do percurso ranganathaniano e a ‘reação’ a esta materialização
dentro de sua trajetória transcendente é justamente a incisão pontual do fragmento
§01. Em suas palavras:
Em julho de 1923, a University of Madras criou o cargo de bibliotecário da
universidade. Em novembro, fui nomeado seu primeiro ocupante. Na época,
ensinava matemática no Presidency College, em Madras, umas das
faculdades da universidade. Comecei meu trabalho como bibliotecário na
tarde de quinta-feira, 4 de janeiro de 1924. Nas primeiras semanas, não
havia quase nada para fazer. Sentia-me enfastiado, e queria muito voltar a
dar aula. (RANGANATHAN, 2009, p. 1)

Prestes a desistir da experiência material completamente nova para seu
conhecimento adquirido como matemático e professor, Ranganathan decide
conhecer a visão ‘científica’ das bibliotecas anglo-saxãs a partir do estudo em
Londres. Esta experiência nos leva, no entanto, de volta ao ponto de partida: a cultura
e a linguagem de onde parte o pensamento ranganathaniano.

45

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O berço da Índia no coração do sânscrito
Oriundo de uma família pertencente a uma comunidade de brâmanes,
Ranganathan cresceu sob a influência direta de um universo cultural que está
diretamente presente em seu pensamento e na exposição de suas ideias (assim, da
primeira a última lei, chegando à espiral do conhecimento, se vemos o Ocidente
florescer como unidade empírica da argumentação ranganathaniana, é sob a inflexão
oriental que ela se estabelece). Figura-se nesta relação entre cultura e pensamento em
formação o profundo olhar holístico de Ranganathan e sua relação com o
transcendentalismo.
Segundo a pesquisa de Sepúlveda (1998), esta é a primeira característica
cultural a ser identificada quando da tentativa de compreensão do filósofo das cinco
leis biblioteconômicas. Holística, a cultura brâmane “considera que existe uma
unidade única, Brahman, onde tudo está inserido (Individualidades que são
Unidade/Totalidade). A Cultura Brâmane trabalha tanto com a unidade quanto com a
pluralidade“. (SEPÚLVEDA, 1998, p. 4)
O pano de fundo do pensamento brâmane, como visto, sustenta-se na relação
com uma ‘natureza’ transcendental e reporta-nos ao universo do transcendente na
história da filosofia. A noção de transcendência obedece, na tradição filosófica
ocidental, ao menos a um duplo sentido: 1) a condição de um princípio divino; 2) o
ato de estabelecimento da relação de exclusão ou identificação de termos. A primeira
noção é de fundo neoplatônica (ou a apropriação na Cristandade do pensamento
platônico). Realiza-se aqui a conexão com as ideias, ou junto às formas inteligíveis,
como Bem, remontando uma linhagem que deriva principalmente de Parmênides e
seu conceito de Ser. A segunda significação, fundada em uma expressão da
linguagem, pode ser assim representada: “[...] ato de se estabelecer uma relação, sem
que esta signifique unidade ou identidade de seus termos, mas sim garantindo, com a
própria relação, a sua alteridade”. (ABBAGNANO, 2007, p. 1157)
Tanto de um lado quanto de outro, ou seja, tanto sob o ponto de vista da
transcendência tomado como outro modo de sustentar a condição metafísica quanto
na variação do pressuposto da alteridade, podemos reconhecer o pensamento
ranganathaniano e a construção de suas ‘leis’. O segundo sentido da transcendência
pode ser considerado, segundo Abbagnano (2007) como ‘ativo’, principalmente em
sua retomada no escopo da filosofia moderna. Aqui encontramos uma noção para o

46

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

aspecto transcendente como a própria relação entre homem e mundo, mais
especificamente, como o modo como o homem pode se diferenciar dos demais entes,
ou seja, transcender a condição de coisa ou matéria irracional. Neste sentido, pode-se
tomar a transcendência como um projeto, na esfera material, de transformação.
A própria possibilidade, pois, de fundamentação do ‘eu’ e de suas construções
(como suas epistemes) está ligada a um princípio transcendente. É esta a grande
expressão da integralidade da ‘espiral do método científico’ apresentado no
fragmento §8142 (RANGANATHAN, 2009, p. 269), mas é também a expressão
central do conceito nevrálgico presente na ‘derivação’ das cinco ‘leis’, a digvijaia, ou a
campanha de conquista (poderíamos dizer, de ‘conscientização para a ação’) em prol
do acesso ao conhecimento a partir do mundo material dos livros, documentos,
informação.
Dada a questão da ‘intraduzibilidade’, é de extrema importância lembrar a
‘atividade epistemológica’ transcendentalista ranganathaniana tecida sob e sobre a
linguagem, ou seja, uma atividade constituída no âmbito do sânscrito em ‘diálogo’
com a cultura anglófona, vida a centralidade de digvijaia nos fragmentos primários
§3, §4 e, por fim, na definição do método científico, em §8.
Como destaca Weedwood (2002), no contexto geopolítico hoje tratado como
‘indiano’, a ‘gramática’ enquanto uma ‘disciplina’ possuía considerável sofisticação
em relação às práticas ocidentais de compreensão da língua. Ao longo do primeiro
milênio anterior à Cristo este exercício já existia, ou seja, registrava-se já um modo
extremamente rico de ‘classificação’ das funções de palavras, de compreensão do
discurso, de análise da língua como uma totalidade relacionada ao encontro com o
conteúdo dos textos sagrados dos Vedas. Já no contexto moderno, no âmbito da
colonização europeia no território indiano, Weedwood (2002, p. 91) aponta para o
impacto dos administradores britânicos na relação com os sábios indianos. A
linguista destaca a ‘complexidade do sistema’ gramatical do sânscrito, “pois os
paradigmas habituais da gramática ocidental simplesmente não existiam e exigia-se
do estudante que dominasse uma série cada vez mais complexa de regras
derivacionais”.
Dos potenciais de compreensão e, posteriormente, de comparação advindos do
estudo do sânscrito, foi possível, segundo Weedwood (2002) aprimorar o conceito
filológico de ‘raiz’, ligado aos elementos primitivos das palavras, não encontrados na

47

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

língua enquanto manifestação direta, mas passíveis de identificação a partir das
formas derivadas que contêm uma base comum ou radical. Esta potencialidade, por
sua vez, foi fundamental para a viragem entre filologia e linguística, ou a busca por
uma cientificidade da linguística perante a filologia a partir do século XIX.
Perguntamo-nos, por exemplo, neste cenário, como não relacionar isto com a
construção do pensamento classificatório de Ranganathan (1965, 1970)?
A procura pela ‘revelação’, através da linguagem, das práticas materiais dadas
no âmbito transcendental encontra na longa e duradoura experiência do sânscrito,
certamente, uma conexão cultural inegável para um indiano, mesmo sob a égide do
imperialismo anglófono. A demonstração deste ‘modo peculiar’ não apenas de
pensar, como de tratar do pensamento como matéria de linguagem, está duplamente
espelhado em Ranganathan: tanto sua estrutura de pensamento não é típica das
visões ocidentais (e certamente está aqui, em grande parte, a ‘intraduzibilidade’
ranganathaniana expressa no modo, por vezes, contraditório de expressar a
transcendência e a pragmática das 5 ‘leis’), como sua expressão discursiva, seu ‘estilo
de redação’, é radicalmente distinto dos discursos de fundamentação do pensamento
ocidental (marcado, por exemplo, pela conjugação de verso e prosa, de aproximações
dedutivas e indutivas para a mesma demonstração, de evocação de elementos
sagrados, literários e científicos no mesmo argumento). Contudo, da transcendência
herdada da cultura hindu, Ranganathan realiza uma travessia material em seu karma
que

o

coloca

em

diálogo

com

uma

cultura

fundamentalmente

material

(provavelmente, a mais ‘materialista’ ali existente no contexto histórico global).

Entre Oriente e Ocidente: a viagem ‘antropológica’ de Ranganathan nos
anos 1920
O contexto de desenvolvimento das bibliotecas anglo-saxãs é notável no
período da passagem de Ranganathan pela Europa. O matemático indiano está diante
do que existia de mais ‘avançado’ na prática biblioteconômica à época no mundo e se
surpreende com as transformações em curso, tanto no sentido teórico quanto técnico.
Em sua afirmação, as chamadas “tendências progressistas eram impressionantes”
nestes espaços anglófonos (RANGANATHAN, 2009, p. 1).
Em §02, Ranganathan (2009, p. 1) relata-nos que, durante sua estadia em
Londres, “Os bibliotecários deram-me plena liberdade de observar, fazer perguntas e

48

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

conversar”. Como uma espécie de ‘antropólogo’, observando e anotando tudo aquilo
que era realizado dentro da biblioteca, o então aprendiz visitou mais de uma centena
de bibliotecas de tipologias distintas (públicas, universitárias, nacional). Os indícios
históricos da travessia do matemático indiano parecem não deixar dúvida de que se
estabelece aqui, no contato com o Ocidente, apropriação direta de uma escola de
pensamento desenvolvida entre Londres e o outro lado do oceano: o pensamento por
vezes chamado de ‘tecnicista’, iniciado com a geração de Melvil Dewey e Charles
Cutter no singular ano de 1876, orientado fundamentalmente para o acesso dinâmico
aos conteúdos e continentes, em diálogo com o projeto utópico liberal democrático
estadunidense. As narrativas de fundamentação da Biblioteconomia em Ranganathan
demonstram que está na transformação desta cultura tipicamente material o seu
contato com um dos conceitos centrais da pragmática: o uso. Da primeira ‘lei’, o
‘mantra inaugural’, às demais, os aportes do ocidentalismo biblioteconômico de
origem anglo-saxão, são flagrantes: acesso, socialização, personalização, velocidade,
expansão, dentre outras noções, sustentarão a argumentação por trás das ‘leis’.
Estamos diante da ‘revelação’ do maha-mantra de uma filosofia prática: a
filosofia da ciência biblioteconômica, epifania indicada por Ranganathan (2009) no
fragmento §05 como tendo ocorrido no final de uma tarde do ano de 1928, quando já
estava de volta à Índia. Trata-se do mantra supremo da filosofia biblioteconômica
segundo a visão ranganathaniana, manifestado como “os livros são para usar”. É
importante imediatamente lembrar que estamos, à primeira vista, diante de uma
radical oposição ao transcendentalismo. Tratar-se-ia de um materialismo sincrônico,
um modo de perceber a construção das formas de pensamento apenas pautada nos
usos do cotidiano, sem lastro histórico e, muito menos, sem qualquer a priorisimo
extrassensível.
O exercício reflexivo de abordar as chamadas ‘leis’ da Biblioteconomia como
‘mantras’, e, mais do que isto, espécies práticas de maha-mantra não representa
nosso interesse. O ponto de vista que trazemos argumenta que seria, na outra
margem de interpretação, um equívoco reduzir as ‘leis’ a meras normativas ou
mesmo ‘princípios de boas práticas’ biblioteconômicas, como aparece, por exemplo,
na visão de Vickery (1978) comentando o próprio modo como Ranganathan as teria
concebido.
It is about fifty years since Ranganathan1 first began to formulate his five
'laws of library science'. As he himself stressed, they were not
scientific generalizations, but norms, precepts, guides to good

49

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

practice. 'Books are for use; every reader his book; every book its reader;
save the time of the reader, and of the staff; a library is a growing organism.'
These principles remain as valid guides to practice in the wider field of
documentation. (VICKERY, 1978, p. 27)

Mesmo tomando as cinco ‘leis’ como ‘normas’ ou ‘guias’, como na visão
vickeriana, não podemos ‘sintetizar’ de maneira ‘tão’ ocidental a condicionante de
criação linguístico-étnica de construção da abordagem do filósofo indiano. Se não são
‘generalizações científicas’, como afirma Vickery (1978), uma vez dada a alta carga
dedutiva não provada empiricamente, também não podemos trata-las apenas como
conjunto básico de preceitos. A bagagem transcendental da cultura brâmane, exposta
deliberadamente ao longo do tratado das cinco ‘leis’ desmonta a possível
simplificação. Mais do que isto, o universo semântico do sânscrito também nos
convoca para uma análise mais profunda da manifestação de tais leis e suas
consequências.
Se o contexto de chegada de Ranganathan no Ocidente (anos 1920) é marcado
pela admiração do filósofo indiano, o primeiro momento de grande desenvolvimento
teórico ranganathaniano (anos 1930) é um encontro com os desdobramentos
europeus do pragmatismo, principalmente com uma interessante margem de
aproximação teórica com a abordagem pragmatista de Wittgenstein, tecida nesta
década. No filósofo austríaco,
[...] pragmatismo é uma teoria que interpreta a ação como esfera em
constante descontinuidade no plano do cotidiano, tendo na contradição do
confronto deliberativo entre os indivíduos, ou seja, na percepção subjetiva
destes acerca do social, o eminente tópico de investigação. Este enfoque,
baseado na segunda fase teórica do filósofo vienense, aponta para uma
ampla noção pragmática que tem por objetivo compreender não apenas os
usos das palavras na linguagem, ou debater a preocupação com a definição
de verdades, mas reconhecer e contextualizar as trocas discursivas sediadas
por diferentes esferas de comunicação, no solo das relações sociais e
manifestações culturais, contribuindo para o esclarecimento dos dilemas da
racionalidade, da cientificidade e da comensurabilidade no conhecimento em
geral – e não apenas no conhecimento científico –, bem como fornecendo
alternativas para a construção de uma ética que enxerga a alteridade em sua
arena cotidiana. (SALDANHA, 2013, p. 3)

Desde o ‘mantra’ inaugural, a visão ranganathaniana, se lida apenas sob o
ponto de vista da aplicação, se apresenta exatamente inspirada na contingência do
uso e na pragmática da alteridade.
Tal pragmatismo wittgensteiniano encontra uma aproximação clara na visão
ranganathaniana sobre o “conhecer” e sobre o “organizar os processos e os
produtos do conhecer”. Ao discutir a abrangência de suas propostas
filosóficas para a Biblioteconomia, o filósofo indiano demarca a necessidade
de um pensamento contingencial que se estabelece na visão sobre cada
cultura que apropria os conteúdos produzidos como reflexo do

50

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

conhecimento, bem como comporta uma visão sobre a necessidade de
transformação na maneira de perceber os modos como cada artefato
bibliográfico pode ser apropriado, sendo sua contingência materialsimbólica elementar para a compreensão de tal apropriação. O que
Ranganathan (2009) alerta como clamor dos livros para todos se explica pela
necessidade de um ponto de vista local que reconhece cada comunidade,
tomada, esta última, em diferentes níveis: de gênero, de renda, de classe, de
territorialidade. Assim, homens e mulheres, habitantes da cidade e das
regiões rurais, cada grupo de indivíduos está inserido na visão democrática
sobre o acesso aos livros. (SALDANHA, 2013, p. 3)

O ‘curioso’ é, ao mesmo tempo, dadas as contingências acima colocadas como
centralidade, encontrarmos sua forma de expressão profundamente metafísica (como
se a ‘lei’ emanasse da transcendência absoluta e se manifestasse através da linguagem
para ser atualizada diariamente como manifestação empírica). É nesta ambígua
relação entre o transcendente e o pragmático que o Ranganathan (2009) das cinco
‘leis’ – como também em outros momentos, com em sua social bibliography
(RANGANATHAN, 1952) – busca a fundamentação científica para a expressão
filosófico-transcendental de suas “deduções”.

A corrida científica ocidental e sua atualização oriental
No fragmento §04 (“Método científico”), Ranganathan (2009, p. 2)
perguntava-se: “Será que todos esses agregados empíricos de informações e práticas
não seriam redutíveis a um punhado de princípios fundamentais?” Na procura por
esta e outras respostas que o levaria às cinco ‘leis’, o filósofo indiano coloca a
Biblioteconomia como ciência social e procura compreender, como em um preâmbulo
à epifania das ‘leis’, em que medida toda a experiência empírica do universo
biblioteconômico poderia ser traduzida a partir de deduções ou normativas simples.
Declaradamente, sob a influência da ciência empírica ocidental, Ranganathan
(2009) busca uma espécie de ‘justificação’ epistemológica para posicionar a
Biblioteconomia como outra ciência, com características semelhantes às demais.
Podemos discutir pontualmente que está aqui, na tentativa de apresentação de um
‘método científico’ (que tem no desenvolvimento da teoria da classificação sua mais
avançada elaboração), a busca do filósofo indiano para demonstrar, aos ocidentais, o
que há de pragmática na transcendentalidade declarada de seu modo de pensar e de
se expressar. Em termos estritamente políticos, esta tentativa, que leva à
configuração da ‘espiral do método científico’ como explicação empírica para o
avanço da digvijaia, relaciona-se como avanço epistemológico-institucional do termo

51

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

documentation na Europa e a consequente expressão do termo information que,
emancipado no vocabulário anglófono da library science, passaria a ocupar, em
breve, o lugar de destaque na corrida pela afirmação científica das experiências em
organização do conhecimento, questões estas ainda preambulares nos anos 1920,
quando identificamos o momento de criação das ‘leis’.
É em §08, à procura de uma formulação para tal justificação, Ranganathan
(2009) busca a correlação entre o método científico, a Biblioteconomia e o avanço da
digvijaia. Se, por um lado, claramente o filósofo indiano está a realizar aqui uma
tentativa de comparação entre os modos de explicitação do que se diz científico entre
os ocidentais, ele retoma algumas experiências de ‘classificação’ de sua vivência
oriental, ao desdobrar cada ‘categoria’ ocidental a partir de uma espécie de derivação
– para o caso do movimento do ‘conhecer’, temos ‘conhecedor’, ‘conhecido’,
‘conhecimento’.
Para ampliar a inflexão fronteiriça entre Oriente e Ocidente, Ranganathan
(2009, p. 267) apresenta o método como oriundo, no sânscrito, da expressão vastutantra,

método

adquirido

por

meio

de

tapas,

que

reúne

concentração,

autossublimação e autodesenvolvimento, vindo significar ‘dependente do conhecido’.
O vastu-tantra, desdobrado em §812, demonstra, em nossa visão, a condição da
percepção contínua, nunca negada, de uma pragmática transcendental em curso no
pensamento ranganathaniano que concebe as cinco ‘leis’, ou, fundamentalmente, os
cinco ‘mantras’ (trata-se, pois, de uma tentativa de afirmar o empírico em correlação
permanente com o transcendente como totalidade metafísica e, simultaneamente,
como possibilidade de transformação física, ou no mundo material).

DA PRAGMÁTICA TRANSCENDENTAL: A FUNDAMENTAÇÃO VIA
SATYAM VADA
‘Intraduzível’, Ranganathan realiza uma espécie de aliança entre o Oriente e o
Ocidente, uma ‘religação’ entre a pragmática e a transcendência. A intraduzibilidade
do pensamento do filósofo indiano não conduz, pois, a uma negatividade, uma
barreira para seu estudo ou para sua aplicação. A língua, e, repetimos, mais do que
ela, a linguagem, representa uma espécie de casa onde se estabelece nossa condição
racional. Isto pode ser visualizado desde os sofistas (como alerta Cassin (2005),
demonstrando o primeiro momento de grande força do mundo dos pragmata,

52

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

fundamental para a ‘lei’ inaugural de Ranganathan) ao pensamento novecentista de
Heidegger. O pressuposto da intraduzibilidade é, ao mesmo tempo, a grande
convocação aos estudos ranganathanianos: como podemos chegar até o coração de
sua linguagem e ao sistema de fundamentação por ele tecido, sem compreender sua
cultura e sua travessia?
Se se parecem, ao ponto de vista ocidental, ‘estranhas’, as ‘leis’
biblioteconômicas lançadas por Ranganathan podem ser assim tomadas, à primeira
vista, exatamente por não se apresentarem como ‘leis’, no sentido do Ocidente. Não
são, podemos inferir, nem princípios única e exclusivamente metafísicos, nem
estruturas dedutivas de compreensão fundamental de um objeto de estudo, nem
mesmo demonstrações de ‘boas práticas’ relativas a uma circunstância delimitada.
O modo mais ‘simples’ de compreender tais ‘leis’ é encontra-las, pois,
enquanto ‘mantras’, exercícios de conexão com o mundo transcendental que libertam
a mente de tudo aquilo que materialmente a encobre. Nasce aqui um duplo risco: o
primeiro, que pode levar à intepretação (ou mesmo, à acusação) do ponto de vista
ranganathaniano como um misticismo orientalista, não só de difícil ‘acesso’, como
também cientificamente descabido (ou seja, os mesmos riscos, em geral, lançados sob
o pensamento psicanalítico de Carl Jung). Nem tanto ao mar, nem tanto à terra,
podemos apenas recorrer à fonte, o tratado das cinco ‘leis’, e perceber que desde à
primeira lei, o pensamento e a linguagem de Ranganathan (2009) se ‘embaralham’
em um modo de formulação e explicitação fundado nas relações entre cultura e
discurso indianos.
A primeira lei, explica-nos o pensador indiano em §11, aponta para uma
conduta upanixádica, ou satyam vada, indicando o ato de falar a verdade
(percebamos: não se trata da verdade como questão, mas da questão do dizer –
linguagem – a verdade). Se o próprio filósofo indiano chama seus princípios,
primeiramente, de leis, em segundo lugar, de enunciados dedutivos, inclusive
comparando-os, por exemplo, aos enunciados das leis newtonianas, o seu modo
cultural-linguístico de exposição demonstra os problemas da aproximação identitária
entre um enunciado ocidental e este, de fundo oriental. Por fim, esta característica –
as ‘leis’ ranganathanianas, antes, como ‘mantras’ - fica clara na própria afirmação do
filósofo: em §142 Ranganathan (2009, p. 17) discute “a magia do mantra OS LIVROS
SÃO PARA USAR”.

53

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A simplicidade deste possível ‘mantra’ ganha, no entanto, como vimos, um
grau considerável de complexidade, na medida em que, antes de buscar a conexão
com o transcendente em sua condição metafísica pura, busca perceber esta totalidade
e aplica-la no mundo social. Em outros termos, está aqui a visão do transcendente
como transformação no contexto do real praticado entre as coisas sensíveis. O
primeiro mantra evoca não o afastamento dos elementos materiais, mas a procura
pela sua religação com os princípios universais que respondem por um ethos dentro
de uma filosofia prática, no caso ranganathaniano, a Biblioteconomia. Esta ética é
atualizada pela digvijaia. O desdobramento do mantra inaugural leva ao movimento
material de mutação das ‘consciências’ no mundo. Nos termos do filósofo indiano, em
§21, ‘o grito revolucionário’ da segunda ‘lei’ é ‘os livros são para todos’
(RANGANATHAN, 2009, p. 50). Consolida-se aqui, entre o uso e transcendência, o
que tratamos como pragmática transcendental, o encontro em absoluto inovador
entre uma filosofia oriental e uma filosofia ocidental, linhagens gnosiológicas a
princípio radicalmente contrárias.

Agradecimentos
Este estudo foi realizado com apoio de fomento à pesquisa do CNPq e da Faperj.
VOCABULÁRIO SÂNSCRITO ADOTADO NO CAPÍTULO
BRAHMAN: deriva da raiz Brihm, que significa dilatar-se, fazer-se grande,
impregnar todo o espaço, ser completo e perfeito. O substantivo Brahman é neutro: o
Absoluto está além das classificações diferenciadoras de sexo e de todas as
características limitadoras e individualizadoras, sejam quais forem. É a fonte
oniabrangente e transcendente de todo o poder possível, e de todas as formas. É a
realidade imutável atrás de todas as mudanças e que só pode ser descrito por meio da
expressão 'não é isso, não é isso. (SEPÚLVEDA,1998, p. 12)
BRAHMA-MUHURTA: Período auspicioso de aproximadamente 1 hora e meia
antes do amanhecer, que é muito favorável para as práticas espirituais.
(VRAJABHUMI, 2009, p. 1)
BRAHMANA: professor sacerdotal da vida espiritual. (VRAJABHUMI, 2009, p. 1)
DIGVIJAIA: Na Índia Medieval, as tentativas de alguns governantes para expandir
sua influência no subcontinente e mais além. Campanha militar. Vitória ampla,
conquista, influência alcançada no maior número de lugares. (RANGANATHAN,
2009, p. 94)

54

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

KARMA: (1) Atividade material baseada na regulamentação das escrituras. (2)
Atividade para manutenção do corpo material. (3) Toda atividade material que
provoca uma reação, e (4) reação material baseada em atividades fruitivas.
(VRAJABHUMI, 2009, p. 1)
MAHA-MANTRA: O mantra supremo, o mantra Hare Krishna. (VRAJABHUMI,
2009, p. 1)
MANTRA: Um hino ou som transcendental, que liberta a mente (“manah”) de
(“trayate”) encobrimento material. (VRAJABHUMI, 2009, p. 1)
SARASVATI-BHANDAGARAS: casas do tesouro da deusa do saber; palavra que
designava as bibliotecas na Índia antiga. (RANGANATHAN, 2009, p. 39)
SATYAM VADA: conduta upanixádica relacionada com a ideia de “falar a verdade”,
ou, conforme Upanixade, um dos livros da literatura védica que tratam da divindade,
da criação e da existência. (RANGANATHAN, 2009, p. 6)
SHASTRA: Escritura revelada. (VRAJABHUMI, 2009, p. 2)
VASTU-TANTRA: método adquirido por meio de tapas, que reúne concentração,
autossublimação e autodesenvolvimento, vindo significar “dependente do
conhecido”. (RANGANATHAN, 2009, p. 267)

REFERÊNCIAS
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
CASSIN, Barbara (Org). Vocabulaire européen des philosophies: dictionnaire des
intraduisibles. Paris: Seuil, 2004.
CASSIN, Barbara. O Efeito sofístico. São Paulo: ed. 34, 2005.
HJORLAND, Birger. Library and information science and the philosophy of science.
Journal of Documentation, v. 61, n. 1, p. 5-10, 2005.
RANGANATHAN, Shiyali R. As Cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de
Lemos, 2009.
RANGANATHAN, Shiyali R. The Colon Classification. Rutgers: State University, 1965.
RANGANATHAN, Shiyali R. Prolegomena to library classification. 3. ed. Asia
Publishing House: 1970.
RANGANATHAN, Shiyali R. Social bibliography or physical bibliography of
librarians. Delhi: University of Delhi, 1952.
SALDANHA, Gustavo S. Filosofia da linguagem e organização do conhecimento nos anos
1930: a pragmática em Wittgenstein e em Ranganathan. Anais...In: I CONGRESSO ISKO
ESPANHA E PORTUGAL: Informação e/ou conhecimento: duas faces de Jano, 2013, Porto,
2013.

55

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

SEPÚLVEDA, Fernando A. M. A gênese do pensar de Ranganathan: um olhar sobre as
culturas que o influenciaram. 1998. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) –
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 1998.
VRAJABHUMI, Ashram. Minidicionário Sânscrito. Disponível em: &lt;http://www.vraja.
net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=81:mini-dicionario-desanscrito&amp;catid=38:filosofia-espiritual&amp;Itemid=84&gt;. Acesso em: 10 dez. 2009.
VICKERY, B. C. Concepts of documentation. Journal of Documentation, v. 34, n. 4, p.
279-287, 1978.
WEEDWOOD, Barbara. História concisa da linguística. São Paulo: Parábola Editorial,
2002.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural,
1979.

56

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

RANGANATHAN E A MUDANÇA NO
TRAJETO DAS CLASSIFICAÇÕES DE
BIBLIOTECA
Rodrigo de Sales

INTRODUÇÃO
Para tomar contato com a história das classificações do conhecimento no
mundo ocidental podemos nos reportar ao período em que começou a se propagar a
ideia de que a classificação do conhecimento se tratava de um exercício mental. Um
exercício capaz de dar lugar às coisas e às ideias que se tinham das coisas existentes.
Referimo-nos, vale ressaltar, a uma época em que o universo do conhecimento era
visto como um todo harmônico, onde os saberes estariam relacionados de tal sorte
que dariam forma ao que se podia chamar de “conhecimento universal”. Trata-se,
notadamente, da Grécia Antiga. Não é difícil constatar nos registros da Antiguidade
grega esforços que pretendiam dividir os saberes com o propósito de melhor
compreendê-los em uma totalidade universal. Se Platão optou pela Física, pela Ética
e pela Lógica para explicar o “mundo das ideias”, segundo ele, o único capaz de
alcançar o verdadeiro conhecimento, Aristóteles preferiu nomear as disciplinas
Teóricas, Práticas e Poéticas para descrever aqueles saberes que respectivamente
estariam preocupados em constatar, conduzir e registrar a verdade, afinal, a
Aristóteles interessava apenas o mundo sensível. Em uma perspectiva mais
ontológica, podemos enxergar nas dez categorias fundamentais de Aristóteles um
esforço de categorizar tudo que se poderia saber a respeito de alguma coisa que
existisse sensivelmente.
Não importa se dividindo em partes para se conhecer o todo ou se agrupando
características para se conhecer as coisas, fato é que esforços como o de Platão e de

57

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Aristóteles deram forma a dois conceitos fundamentais na história das classificações
do conhecimento ocidental – classe e categoria. A divisão das disciplinas e a
categorização dos saberes são legados que repercutiriam, não sem discordâncias, ao
longo dos séculos.
Reportando-nos ao período Medieval, verificamos que a classificação do
conhecimento era fundamentalmente definida pelos currículos das universidades
europeias, que exerceriam forte influência na classificação do conhecimento não
somente da Idade Média, mas, também, nas classificações desenvolvidas na Idade
Moderna. Segundo Burke (2003), os currículos medievais estavam estruturados em
três grandes grupos de disciplinas: trivium, quadrivium e estudos superiores. O
trivium era composto pelas chamadas ciências sermoniais (Gramática, Dialética e
Retórica), responsáveis pelos conhecimentos relativos à linguagem. O quadrivium
era constituído pelas denominadas ciências reais (Geometria, Aritmética, Astronomia
e Música), convergentes aos estudos avançados relacionados aos números. Tocante
aos estudos superiores, as universidades contemplavam os cursos de Teologia,
Direito e Medicina (BURKE, 2003). Para Piedade (1983), as faculdades superiores
deste período eram formadas por Teologia, Metafísica, Ética e História. Porém, como
afirma Burke (2003), somente na segunda metade da Idade Moderna, a partir do
século XVII, é que disciplinas relacionadas às humanidades ganharam espaço nos
currículos europeus.
Do século XV ao século XVIII pensadores como A. Poliziano (1454-1494), M.
Nizolio (1498-1556), J. Huarte (1535-1592), F. Bacon (1561-1626) e G. W. F. Hegel
(1770-1831) empreenderam esforços para organizar os saberes de uma maneira
fortemente influenciada pelo princípio de divisão tripartitivo de Aristóteles. Schreiner
(1979) destaca ainda Descartes (1596-1650), Hobbes (1599-1679), Locke (1632-1704),
Leibnitz (1646-1715), Benthan (1748-1832), Ampère (1775-1836), Comte (1798-1857),
Stuart Mill (1806-1873), Spencer (1820-1903) e Wundt (1832-1920), como autores de
classificações que propunham uma ordem lógica para os conhecimentos,
estabelecendo, assim, diferentes perspectivas classificatórias.
A partir da segunda metade do século XIX, a elaboração de sistemas de
classificações voltados às bibliotecas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos,
ganhou força, atenção e sistemática. Nomes como Harris, Cutter, Dewey e Otlet
despontaram nesta virada de século XIX para o século XX como proeminentes
classificacionistas. A primeira metade do século XX, período em que se consolidava a

58

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

utilização das classificações descritivas nas bibliotecas ocidentais, com destaque à
Classificação Decimal de Dewey, à Classificação da Library of Congress e à
Classificação Decimal Universal, Ranganathan proporia uma nova forma de
classificar assuntos de livros, baseada no conceito de facetas. Esta nova forma de
classificar concebida por Ranganathan, guiada pelo método analítico-sintético, pode
ser entendida como um divisor de águas na história das classificações de biblioteca e
da organização de assuntos. É justamente esta transformação na história das
classificações que tentaremos colocar aqui em relevo, a fim de compreender um
pouco mais sobre a contribuição de Ranganathan para os estudos das classificações
de biblioteca. Para tanto, lançaremos mão de uma abordagem histórica e de uma
reflexão teórica a respeito das estruturas conceituais das classificações.

PERÍODO DA DESCRIÇÃO DOS ASSUNTOS: ANTECESSORES DE
RANGANATHAN
O período que compreende às três últimas décadas do século XIX e às duas
primeiras do século XX pode ser, do ponto de vista histórico, considerado um período
inaugural para o trabalho sistemático de classificações de bibliotecas. Tal
consideração não é descabida se observarmos que neste período a prática
biblioteconômica ocidental fez surgir sistemas de classificação amplamente utilizados
até os dias atuais. Porém, afirmar que o século XIX foi o ponto de partida das
classificações de bibliotecas na América do Norte, por exemplo, seria ignorar a
classificação da Bibliotheca Parochialis, do Reverendo Thomas Bray, publicada em
1697, a classificação do Harvard College (de 1723), a classificação do Yale College (de
1743) e a classificação da Library Company of Philadelphia (de 1789) (La
MONTAGNE, 1961).
Embora algumas classificações já tivessem sido desenvolvidas e utilizadas em
bibliotecas norte-americanas nos séculos XVII e XVIII, fato é que somente no século
XIX as classificações de bibliotecas ganharam espaço e notoriedade a ponto de
conquistar uma dinâmica de trabalho e interlocução mais sólida. Em período anterior
ao século XIX, como afirma La Montagne (1961), não havia canais formais para a
troca de ideias e os bibliotecários trabalhavam as questões das classificações de
maneira isolada. Somente após a segunda metade do século XIX este cenário
começou a se modificar nos Estados Unidos. A classificação adotada na

59

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Encyclopaedia Metropolitana utilizada no contexto da Tennessee State Library, em
1855, a classificação desenvolvida por Edward William Johnston na St. Loius
Mercantile Library, em 1858, e o catálogo analítico da Library of the U.S. Naval
Academy, de 1860, são exemplos de instrumentos classificatórios surgidos nos
Estados Unidos naquele período.
Mas é notadamente na década de 1870 que a história das classificações de
bibliotecas relata os esforços mais sistemáticos ocorridos no continente americano.
Neste período o filósofo e educador norte-americano William Torrey Harris (18351909) surgiu como figura central no universo das classificações de bibliotecas, não
somente para os Estados Unidos, mas para todo o mundo ocidental, uma vez que a
base de sua classificação repercutiria diretamente nas classificações bibliográficas de
maior influência no âmbito internacional, a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e
a Classificação Decimal Universal (CDU). Conforme afirmam Comaromi (1976),
Weigand (1996; 1998) e Olson (2011), as classes principais do sistema decimal de
Dewey foram definidas com base na estrutura da classificação da Biblioteca da Escola
Pública de St. Loius, elaborada por Harris em 1870, assim como as subclasses e as
seções do sistema de Dewey foram baseadas nas estruturas dos cursos e textos dos
professores do Amherst College, entre os anos de 1870 e 1875.
Weigand (1996; 1998) publicou trechos de uma carta datada em 9 de maio de
1873 onde Dewey escreve à Harris pedindo mais informações a respeito do arranjo da
classificação da Biblioteca de St. Louis. Harris havia elaborado para aquela biblioteca
uma classificação bibliográfica que, com base na filosofia hegeliana, invertia a lógica
da classificação filosófica definida por Francis Bacon, em 1605. Bacon, pautado pelas
faculdades mentais humanas, havia determinado a seguinte ordem para classificar os
saberes: Memória (História), Imaginação (Poesia) e Razão (Filosofia). A
classificação de Harris invertia a ordem das classes de conhecimento para: Razão
(Ciências); Imaginação (Arte) e Registro (História). Segundo Barbosa (1969),
Foskett, (1973), Piedade (1983), Wiegand (1996) e Olson (2011), a classificação de
Harris foi indiscutivelmente o ponto de partida para a sistematização da classificação
de Dewey.
Na tabela I, a seguir, verifica-se como Dewey se inspirou nas classes de
assuntos definidas por Harris para dar início ao seu sistema decimal.

60

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Tabela 1 – Comparação entre as classes de assuntos de Harris e Dewey
HARRIS (1870)
SCIENCE
Philosophy
Theology
Social &amp; Political Sciences
Jurisprudence
Politics
Social Science
Philology
Natural Sciences &amp; Useful Arts
Mathematics
Physics
Natural History
Medicine
Useful Arts and Trades
ART
Fine Arts
Poetry
Prose Fiction
Literary Miscellany
HISTORY
Geography and Travels
Civil History
Biography
APPENDIX Miscellany

DEWEY (1876)
1
2-5
6-16
17
18-25
26-28
29-31
32-34
35
36-40
41-45
46-51
52-58
59-63
64
65
66-68
69-70
71-78
79
80-87
88-96
97
98-100

0-99
100-199
200-299
300-399

-------Philosophy
Theology
Sociology

400-499
500-599

Philology
Natural Science

600-699

Useful Arts

700-799

Fine Arts

800-899
900-999

Literature
History

Fonte: Elaborado pelo autor.

A classificação de Harris marcou um período em que o universo das
classificações bibliográficas se voltava também para as classificações filosóficas.
Ranganathan (1967) afirmaria, no século XX, que toda classificação de biblioteca
necessariamente consistia em uma classificação de assuntos, terreno historicamente
explorado pela Filosofia. Embora tenha sido Harris o responsável pelo laborioso
trabalho de classificar assuntos de livros com base em uma filosofia preestabelecida
(filosofia de Hegel, neste caso), foi a classificação decimal desenvolvida por Dewey
que logrou dimensão internacional, sobretudo para as bibliotecas ocidentais.
A notória convergência entre as classes de Dewey e de Harris – ambos iniciam
com os saberes relacionados à razão e à cientificidade, passam pelos saberes
relacionados à arte imaginativa e chegam aos registros de memória – evidencia que o
pioneirismo de Dewey não se configurou na definição de suas classes, pois Harris já
havia antecipado esse desencadeamento lógico de assuntos.
A contribuição fundamental de Dewey estava, primeiramente, na definição de
dez classes de assuntos principais, na subdivisão de cada uma das dez classes em dez
subclasses e de cada subclasse em mais dez seções, o que proporcionava,
minimamente, um arranjo sistemático de assuntos gradativamente mais específicos.

61

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A representação pragmática desses assuntos por meio de notações numéricas,
pautadas em casas decimais, propiciou ao sistema de Dewey pontos fortes como: a) a
localização relativa, pois antes de Dewey os livros das bibliotecas possuíam espaços
físicos predeterminados, uma vez que a codificação era atribuída às estantes e não aos
livros e; b) a especificação detalhada de assuntos, pois os assuntos dos livros
passaram a ser tratados com maiores detalhes, visto que agora possuíam maior
mobilidade dentro dos acervos e dispunham de mecanismos notacionais que
permitiam especificações de assunto e de localização (FOSKETT, 1973). Por meio do
código numérico decimal, Dewey proporcionou uma representação notacional clara e
objetiva, pois a hierarquia dos assuntos era facilmente refletida pela hierarquia dos
números que os representavam e, por conseguinte, o caráter mnemônico se tornava
também possível com este tipo de notação.
Criticando a notação decimal de Dewey, Charles Ammi Cutter (1837-1903)
elaborou a chamada Expansive Classification (publicada entre 1891 e 1893), que
consistia em um sistema dividido em sete níveis de complexidade, sendo o primeiro
nível mais básico (muito geral), o segundo menos geral, o terceiro menos ainda e
assim sucessivamente até o nível sete, o mais detalhado. Objetivando um sistema de
classificação que pudesse ser aplicado em bibliotecas e acervos dos mais variados
tamanhos, de bibliotecas municipais a bibliotecas nacionais, Cutter intitulou seu
sistema de Expansive Classification devido à possibilidade do sistema se expandir
conforme o crescimento das coleções. Sua ideia era a aplicação do primeiro nível do
sistema ao iniciar-se uma coleção, e na medida em que a coleção fosse crescendo
seriam aplicados os níveis classificatórios mais elaborados.
Cutter considerava sua classificação como um sistema evolucionista, seguindo
as ideias da História Natural, pois cada assunto, ou parte de assunto, era alocado em
uma ordem que respeitava o aparecimento do respectivo assunto (e sua teoria) na
natureza (PIEDADE, 1983). Assim, por exemplo, em Zoologia, a classificação de
Cutter organizava-se dos protozoários aos primatas. As classes principais da
classificação de Cutter podem ser observadas detalhadamente em Sayers (1955),
Barbosa (1969) e Piedade (1983).
A Classificação Expansiva influenciou diretamente o desenvolvimento da
Classificação da Library of Congress (LC), sobretudo na definição das classes
principais, que seguem, em parte, a ordem da classificação de Cutter (MILLS, 1960;
BARBOSA, 1969; FOSKETT, 1973; MALTBY, 1975; PIEDADE, 1983; COATES, 1988).

62

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A Library of Congress Classification (LCC) é uma classificação do tipo utilitarista, ou
melhor, uma classificação desenvolvida a partir das necessidades da própria coleção e
sem bases científicas ou filosóficas que justifiquem o encadeamento de seus assuntos
(BARBOSA,

1969; FOSKETT, 1973; MALTBY, 1975; PIEDADE, 1983). A

característica de expansão conforme o crescimento do acervo preconizada por Cutter
também foi mantida na LCC.
Em 1905, a partir da criação da Classificação Decimal Universal (CDU),
desenvolvida por Paul Otlet (1868-1944) e Henri La Fontaine (1853-1843) no âmbito
do Institut International de Bibliographie (IIB), o universo das classificações
bibliográficas alcançou uma cientificidade decorrente de uma praxe profissional que
transbordava os limites das bibliotecas e dialogava com as especificidades
organizacionais dos centros de documentação. A CDU, baseada na classificação de
Dewey, era um sistema hierárquico que, devido ao emprego de sinais gráficos, já
esboçava uma tentativa de classificação em facetas, que surgiria conscientemente
apenas com a Classificação de Dois Pontos de Ranganathan (SALES, 2014). A maior
articulação proporcionada pelos dispositivos sintagmáticos para traduzir linguagem
natural por meio de notações fez da CDU o primeiro sistema de classificação a
viabilizar a síntese de dois ou mais assuntos de classes distintas. Com suas divisões de
classes principais e subdivisões derivadas da CDD, a CDU avançou a classificação de
Dewey ao adotar em suas notações sistemas semióticos que cumpriam funções
distintas de relacionamento entre os assuntos. Além de seguir a característica decimal
preconizada por Dewey, as notações da CDU podiam (e podem) ser formadas por
números, letras, símbolos gregos, marcas de pontuação, ou ainda a combinação de
todos.
Do ponto de vista teórico, as classificações de bibliotecas desenvolvidas neste
período apresentavam uma característica comum no que se refere à organização do
conhecimento por elas proporcionadas – todas elas foram elaboradas sob uma
perspectiva teórica descritiva (RANGANATHAN, 1967). Em outras palavras, tanto a
classificação da Library of Congress, quanto as classificações elaboradas por Harris,
Dewey, Cutter e Otlet, (podemos somar a este grupo as classificações de James D.
Brown e de Henry E. Bliss), descreviam os assuntos e suas relações de acordo com
determinado momento histórico. A ordem e as relações dos assuntos eram
predeterminadas de maneira prescritiva e seguiam hierarquias rígidas, onde os
assuntos normalmente estavam relacionados sob uma lógica de subordinação uns aos

63

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

outros. Embora a rigidez desses relacionamentos entre os assuntos fosse relativizada
por relações do tipo associativas (relações semânticas não-hierárquicas), ou por
dispositivos sintagmáticos, como no caso da CDU, o fato é que a base estruturante
das classificações descritivas, pré-estabelecida no momento em que a classificação é
elaborada, está definida e pronta para ser utilizada. Isso significa que a hierarquia e a
relação dos assuntos, definidas quase sem exceção pela lógica top-down (do mais
geral para o mais específico), não podia ser modificada pelo utilizador da
classificação.
Via de regra, classificar assuntos de documentos com base nas classificações
descritivas significava identificar o assunto predominante do documento (fosse ele
um assunto simples ou composto) e descrevê-lo por meio da notação (conjunto de
códigos) que melhor o representasse, e essa notação serviria como o endereço
temático do documento. A capacidade de inserção de novos assuntos ou de novos
aspectos dos assuntos (critério de hospitalidade), ou a capacidade de modificar a
ênfase na ordem de citação dos assuntos (critério de flexibilidade), capacidades caras
à organização do conhecimento, eram praticamente nulas nas classificações
descritivas. Pequenas exceções podem ser observadas na CDU, que contempla, de
certo modo, o critério de flexibilidade.
Entendendo que toda classificação é uma forma de organizar assuntos pautada
em dada perspectiva e, baseados em Ranganathan (1967, 1976), podemos afirmar que
esses tipos de classificações, vigentes até hoje na organização de bibliotecas do
mundo inteiro, foram desenvolvidas no período em que descrever os assuntos era a
tônica do discurso classificatório.

PERÍODO

DA

COMPREENSÃO

DOS

ASSUNTOS:

A

PARTIR

DE

RANGANATHAN
A partir da década de 1930, o universo da classificação de assuntos se
transformou e alcançou uma nova abordagem por meio do desenvolvimento daquela
que pode ser considerada a principal teoria da classificação de biblioteca do século
XX – a Teoria da Classificação Facetada. Definida pelo matemático e bibliotecário
indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972), a respectiva teoria foi
desenvolvida, aprimorada e aplicada ao longo de cerca de quarenta anos,

64

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

concomitantemente ao desenvolvimento e aprimoramento de seu esquema de
classificação, a Colon Classification.
Baseada no agrupamento de assuntos que apresentavam as mesmas
características e os mesmos tipos de relacionamentos, Ranganathan ampliou a visão
existente até então relativa aos sistemas de classificação mais difundidos, que se
pautavam na relação do assunto mais geral para o mais específico, centrando atenção
também em outros tipos possíveis de relações entre conceitos, como por exemplo:
partes de um todo, propriedade-possuidor, ação-paciente ou agente etc. Preocupado
com as partes que efetivamente formavam os assuntos, Ranganathan desenvolveu um
novo método para se classificar assuntos de livros, pautando-se nas facetas que
agrupavam esses componentes formadores de assuntos compostos e complexos
(BARBOSA, 1969, 1972; FOSKETT, 1973; PIEDADE, 1983; SALES, 2014).
Sua teoria da classificação foi fundamentalmente abordada nos livros: Colon
Classification, Prolegomena to Library Classification, Classification: fundamental
and procedure, Classified Catalogue Code e, Headings and Canons (PIEDADE,
1983; CAMPOS, 2001). De fato, Ranganathan foi o primeiro dentre os
classificacionistas de bibliotecas a se preocupar em deixar seu legado teórico por meio
de inúmeras publicações que objetivavam instrumentalizar os bibliotecários a
respeito de seu sistema e de sua teoria. No âmbito das classificações de biblioteca, a
Teoria da Classificação Facetada despontou como um novo modo de pensar e fazer.
Mais que um instrumento de classificação, tratava-se de um novo método de
classificar.
Embora Dewey já tivesse antes incluído alguns elementos de síntese em suas
notações decimais, e Otlet já lançara mão de um conjunto semiótico nas notações da
CDU, Ranganathan foi quem fortaleceu o desenvolvimento de um sistema
essencialmente analítico-sintético, pois, como informa Foskett (1973), ele conseguiu
demonstrar que análise e síntese podem ser aplicadas a qualquer classe de assunto.
A preocupação eminentemente teórica de Ranganathan o levou à formulação
de um modelo para a compreensão dos assuntos dos livros que o colocou, podemos
afirmar, num patamar de destaque no que se refere ao desenvolvimento teórico das
classificações de biblioteca. Para se classificar assuntos complexos das mais variadas
áreas do saber, era necessário, na ótica ranganathiana, ir além da descrição dos
assuntos, era necessário compreendê-los em suas particularidades e especificidades.

65

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

E o ponto de partida para essa compreensão seria assumir o caráter dinâmico e
infinito dos assuntos.
Atento à limitação do ato de descrever assuntos de maneira prescritiva,
Ranganathan procurou desenvolver uma forma de classificar que acompanhasse a
constante expansão e atualização dos assuntos. Se os assuntos não se encerram em
determinado momento histórico, como delimitá-los de maneira pré-estabelecida em
um sistema de classificação? Talvez essa tenha sido uma questão que os
classificacionistas anteriores à Ranganathan não se preocuparam em responder.
Para dar conta da construção de um sistema de classificação que respeitasse
uma

perspectiva

teórica

dinâmica,

Ranganathan

procurou

primeiramente

compreender como os assuntos se formavam e se transformavam no universo do
conhecimento. Para isso, Ranganathan formalizou um modelo que, antes de mais
nada, tentava explicar a formação dos conceitos no campo cognitivo do indivíduo.
Campos (2001) apresenta este modelo conceitual ranganathiano da seguinte
maneira: por meio da percepção, a mente humana capta perceptos (impressões) que
associados uns aos outros formam os perceptos compostos. Na medida em que esses
perceptos compostos são assimilados e logram algum significado dão origem ao que
Ranganathan entende por conceitos. O conjunto de conceitos acumulados no campo
cognitivo forma a estrutura conceitual do indivíduo, e essa estrutura é
constantemente atualizada por meio do fenômeno que Ranganathan denominou
apercepção. A apercepção consistiria, grosso modo, na captação de novos perceptos
que dariam origem, quando inseridos na estrutura conceitual, a novos conceitos, e
este fenômeno ocorreria infinitamente.
Como resultado desta constante atualização da estrutura conceitual no campo
cognitivo, surgiam as ideias, que, segundo Ranganathan (1967), seriam produtos do
pensamento e da imaginação. Para que as ideias saíssem de uma esfera individual e
ganhassem uma dimensão coletiva, era necessário que as mesmas fossem
externalizadas por meio do fenômeno que Ranganathan chamou de informação. Ou
seja, para Ranganathan (1967), informação consistia no processo de informar, de
comunicar as ideias. O acúmulo e a conservação dessas ideias dariam, na ótica
ranganathiana, origem ao universo do conhecimento. Notamos, assim, a abordagem
de que o conhecimento era único e universal, pois se tratava do conjunto das ideias
conservadas pela humanidade. Segundo Ranganathan (1967), quando parte do
conhecimento universal era organizada, sistematizada e aplicada para determinada

66

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

área do saber, ela se transformaria em assunto. Desse modo, observamos que,
diferentemente da universalidade do conhecimento, os assuntos, para Ranganathan,
apresentavam um caráter especializado.
Para que uma classificação respeitasse esse caráter de especialização, seria
necessário identificar os aspectos particulares de cada assunto, em outras palavras,
seria necessário identificar suas respectivas facetas no contexto de cada área. Para
que a dinamicidade dos assuntos fosse contemplada, uma classificação deveria, por
tanto, ser guiada pela identificação de suas facetas. Neste momento, percebemos a
primeira transformação significativa no ato de classificar, pois os assuntos não mais
seriam classificados sob uma ótica top-down (do geral para o particular) mas sim sob
uma ótica bottom-up (do mais específico para o mais geral), afinal, para se analisar e
compreender os assuntos, o caminho seria iniciado pela identificação de suas partes
constituintes. Com a análise pautada na identificação desses aspectos particulares,
que cada assunto possui em seu próprio contexto, tornar-se-ia possível a construção
de enunciados mais específicos, concretizados por meio do pragmatismo
proporcionado pela síntese. Dito de outra maneira, classificar assuntos passaria a ser
uma ação composta por dois momentos: o momento da análise, onde o assunto é
decomposto em suas partes constituintes, guiadas pela identificação de suas facetas e,
o momento da síntese, onde o assunto é recomposto artificialmente e igualmente
orientado pelas facetas que o compõe. Trata-se da consolidação de um método
analítico-sintético para classificação de assuntos.
Porém, é possível perceber que o próprio Ranganathan precisou flexibilizar sua
Colon Classification (a partir da 4ª edição, de 1952), a fim de realmente conceber
uma classificação analítico-sintética. Ranganathan dividiu as classificações facetadas
em dois tipos: rigidamente facetada (quando a ordem de citação dos assuntos é
predefinida por uma fórmula de facetagem) e livremente facetada (quando a ordem
de citação não é mais definida previamente pela fórmula de facetagem). A
dinamicidade dos assuntos só seria efetivamente alcançada se tanto a análise quanto
a síntese fossem respaldadas pelo contexto em que o assunto estivesse sendo
abordado. Assim, somente quando a Colon Classification abandona a determinação e
a rigidez das fórmulas de citação é que Ranganathan passa a considera-la analíticosintética.
Desse modo, é possível observarmos a segunda transformação proporcionada
por Ranganathan no universo das classificações de biblioteca, não restrita ao sistema

67

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

de classificação propriamente dito, mas convergente com uma nova forma de
classificar assuntos de livros, por meio do método analítico-sintético, por sua vez,
orientado pelo conceito de facetas. Vale destacar que analisar assuntos com base em
suas partes mais informativas já havia sido preocupação de Otlet quando chamou a
atenção para o fato de que a análise de assuntos não deveria se limitar às unidades
bibliográficas (artigos de revistas, matérias de jornais, capítulos de livros etc.), mas
deveria voltar a atenção às unidades de informação (fatos e conceitos presentes nos
assuntos dos documentos). Outro destaque importante, é o fato do bibliotecário
alemão Julius Otto Kaiser já ter trabalhado, talvez de maneira pioneira, com a
abordagem analítico-sintética para indexar assuntos de documentos em unidades de
informações especializadas, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido,
quando do desenvolvimento de sua indexação sistemática no início do século XX
(SALES, 2014).
Porém, no que se referem às classificações de biblioteca, Ranganathan foi
quem disseminou um novo modo de classificar orquestrado por uma teoria (baseada
no conceito de facetas) e por um método (baseado na análise e na síntese). Para
ilustrar esta nova forma de classificar assuntos proporcionada por Ranganathan,
tomemos como exemplo um documento cujo assunto aborde, de maneira
multifacetada, tanto a área de Cinema quanto as áreas de Música e de Literatura.
Poderíamos identificar que a área de Cinema possuísse facetas como: gênero, diretor,
duração, ator etc.; a área de Música possuísse facetas como: gênero, canção, músico,
instrumento etc.; e a área de Literatura, facetas como: gênero, autor, personagem,
obra, período etc. Ao decompor o assunto deste documento, ou seja, ao analisá-lo,
poderíamos identificar conceitos que se referem a diferentes facetas de diferentes
áreas. Posteriormente, ao recompor esse mesmo assunto, ou seja, ao sintetizá-lo em
um enunciado, uniríamos os conceitos correspondentes às diferentes facetas das
diferentes áreas de modo a respeitar a relevância dada pela própria abordagem do
assunto.
Supondo que o referido documento traga em seu conteúdo conceitos que se
referem às facetas: a) gênero (faceta de Cinema): drama; b) duração (faceta de
Cinema): longa-metragem; c) gênero (faceta de Música): jazz; d) período (faceta de
Literatura): século XX; e) gênero (faceta da Literatura): romance. Neste exemplo,
destacamos cinco conceitos que correspondem a cinco facetas diferentes de diferentes
áreas. Na teoria ranganathiana, diríamos que estes conceitos correspondem aos focos

68

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

das facetas. Ou seja, na área de Música, por exemplo, um foco alcançado na faceta
gênero foi jazz; assim como, na área de Literatura, um foco alcançado na faceta
período foi século XX.
A identificação desses focos e dessas facetas consiste na análise do assunto,
que poderia versar, neste caso, sobre “a presença do jazz na trilha sonora de dramas
de longa-metragem baseados em romances do século XX”. À síntese, caberia
recompor artificialmente estes focos de modo a representar a relevância dada pelo
próprio documento. Se o jazz fosse o foco principal no assunto do documento,
obviamente que este seria o conceito de entrada no enunciado de assunto (que no
caso de Ranganathan, sempre se trataria de uma notação classificatória). No entanto,
se o drama fosse o foco principal, ele que encabeçaria o enunciado do assunto. Desse
modo, observamos que, tanto no momento da análise quanto no momento da síntese,
a função do classificador é compreender a importância de cada componente que
formará o assunto complexo (assunto que une facetas de diferentes áreas). Em última
instância, a função do classificador passa a ser a de compreender os assuntos que
serão classificados.
Percebemos, assim, que Ranganathan não concebeu um sistema de
classificação pronto para ser utilizado, mas sim um instrumento que orientasse a
classificação dos assuntos. Desta maneira, Ranganathan procurou conceber uma
prática de classificação com perspectiva teórica dinâmica, em respeito à
multidimensionalidade dos assuntos tratados nos livros.

CONCLUSÃO
Ao concordarmos com a ideia de que toda classificação de biblioteca é
necessariamente uma classificação de assuntos, observamos que Ranganathan
efetivamente foi um divisor de águas nos estudos e nas práticas de classificação. Essa
transformação foi apresentada neste texto com base em dois aspectos principais: no
conceito de facetas e na abordagem analítico-sintética. Ao desenvolver a Teoria da
Classificação Facetada conduzida pelo método analítico-sintético, Ranganathan
transformou o universo das classificações em dois momentos: o primeiro, ao
modificar a ótica classificatória descritiva que se deslocava dos assuntos mais gerais
para os mais específicos, passando a explorá-los em seus aspectos mais particulares
até se alcançar a complexidade total dos assuntos e; o segundo, ao conceber, por meio

69

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

da análise e da síntese, uma forma de classificação dinâmica, que respeitasse a
mobilidade característica dos assuntos.
Com esta nova abordagem, Ranganathan modificaria, no século XX, os rumos
das classificações de bibliotecas e, consequentemente, os rumos da organização do
conhecimento e de seus assuntos.

REFERÊNCIAS
BARBOSA, A. P. Teoria e prática dos sistemas de classificação bibliográfica. Rio de
Janeiro: Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, 1969. 441 p. (Obras Didáticas;
1).
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Tradução de
Plínio Dentzein. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.
CAMPOS, M. L. de A. Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua
elaboração. Niterói: EdUFF, 2001.
COATES, E. J. Subject catagues: headings and structure. London: The Library Association,
1988.
COMAROMI, John Phillip. The eighteen editions of the Dewey Decimal
Classification. Albany, NY: Forest Press Division, Lake Placid Education Foundation, 1976.
FOSKETT, A.C. A abordagem temática da informação. Tradução de Antônio Agenor
Briquet de Lemos. São Paulo: Polígono; Brasília: UnB, 1973.
La MONTAGNE, L. E. American library classification: with special reference to the
Library of Congress. Handen: The Shoe String Press, 1961.
MALTBY, A. Sayers’ Manual of classification for librarians. London: A. Deutsch / A
Grafton Book, 1975.
MILLS, J. A morden outline of library classification. London, Chapman and Hall,
1960.
OLSON, H. A. A potência do não percebido: Hegel, Dewey e seu lugar na corrente principal
do pensamento classificatório. Tradução de Márcia Regina Silva. InCID: R. Ci. Inf. e Doc.,
Ribeirão Preto, v. 2, n. 1, p. 3-15, jan./jun. 2011.
PIEDADE, M. A. R. Introdução à teoria da classificação. 2. ed. Rio de Janeiro:
Interciência, 1983.
RANGANATHAN, S. R. Colon classification. 6. ed., 4. reimpr. Bombay; Calcutta; New
Delhi; Madras; Lucknow; Bangalore; London; New York: Asia Publishing House, 1976.
RANGANATHAN, S. R. Prolegomena to library classification. Bombay: Asia Publishing
House, 1967.
SALES, R. de. A organização da informação de Julius Kaiser: o nascimento do
método analítico-sintético. Saarbrücken, Alemanha: Novas Edições Acadêmicas, 2014.

70

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

SAYERS, W. C. B. An introduction to library classification. 9. ed. Londres: Grafton,
1955.
SCHREINER, H. B. Considerações históricas acerca do valor das classificações bibliográficas
Conferência Brasileira de Classificação Bibliográfica, Rio de Janeiro, 1976. Anais..., v. 1. Rio
de Janeiro, IBICT/ABDF, 1979, p. 190-207.
WIEGAND, W. A. Irrepressible reformer: a biography of Melvil Dewey. Chicago:
American Library Association, 1996.
______. The “Amherst Method”: the origins of the Dewey Decimal Classification scheme.
Libraries &amp; Culture, Austin, v. 33, 175-194, 1998.

71

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A FORMAÇÃO DE ASSUNTOS NA TEORIA
DA CLASSIFICAÇÃO FACETADA DE
RANGANATHAN:
uma análise conceitual
Márcio Bezerra Da Silva
Zeny Duarte de Miranda

INTRODUÇÃO
A humanidade há muito tempo procura organizar o seu cotidiano, seja para
atitudes correspondentes ao seu dia-dia, seja para o seu conhecimento adquirido e
desejado. Para realizar esta organização, o homem procura classificar as coisas, o que
está a sua volta, como por exemplo, a informação que circula por todos os lados, a
todo o momento. Quanto mais amplia-se o valor da informação, maior é a
necessidade de organizá-la, especialmente pelos recentes adventos tecnólogos,
exigindo que os modelos para este fim sejam aperfeiçoados e/ou criados.
Transcendendo o espaço físico, a informação propaga-se de forma vertiginosa
em ambientes digitais, especialmente na Web enquanto um espaço cada vez mais
dinâmico, intuitivo, em consonância com recursos que estimulam para a atual
crescente produção de informação. Neste sentido, o êxito na recuperação de
informação padece de frustrações, gerando a ideia de que o problema está na
ferramenta de busca, entretanto, estudiosos como Campos (2001), Lima (2004),
Miranda (2005), Da Silva (2011), autor desta escrita, e Pontes (2013) permitem o
vislumbre de que a real dificuldade encontra-se na etapa anterior do sistema, ou seja,
na fase de organização.
O supracitado dilema encontra pilares de discussão na Ciência da Informação
(CI), especialmente nos estudos de organização do conhecimento, com ênfase nos
sistemas adotados para organizar a informação. Subsidiada por áreas como a

72

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Biblioteconomia, Matemática, Lógica, Linguística, Psicologia, Ciências Cognitivas,
Ciência da Computação (CC) e Comunicação, a CI oferece os sistemas de organização
do conhecimento (SOC), entre lista de termos, classificação/categoria e lista de
relacionamentos,

compreendendo

um

conjunto

de

instruções

normativas

conceituado por Miranda (2005, p. 118) da seguinte forma:
[...] compreende todos os tipos de instrumentos utilizados para organizar a
informação e promover o gerenciamento do conhecimento, incluindo os
esquemas de classificação – que organizam materiais em nível geral (como
livros em uma estante); cabeçalhos de assunto – que provêem o acesso mais
detalhado; catálogos de autoridade – que controlam versões variantes de
informação fundamental (como nomes geográficos e nomes pessoais) e;
outros instrumentos menos tradicionais - como redes semânticas e
ontologias.

Segundo Hodge (2000), a lista de termos são a lista de autoridades, glossários,
dicionários e gazetteers13; a classificação/categoria como cabeçalho de assunto,
esquemas de classificação, taxonomia e esquemas de categorização; por fim, as listas
de relacionamentos são representadas pelos tesauros, redes semânticas e ontologia.
Entre os SOC existentes e levando-se em consideração a atual dinâmica dos
ambientes digitais como a Web, ofertando aos usuários espaços intuitivos
navegacionais e de busca, destacamos a Classificação dos Dois Pontos14 do indiano
Shiyali

Ramamrita

Ranganathan

(1892-1972),

mais

especificamente

os

delineamentos que formalizam a sua utilização, ou seja, a Teoria da Classificação
Facetada (TCF), compreendida, de forma ampla, como um sistema que permite “[...]
a estruturação do conhecimento, através da organização de seus conceitos e da
criação de relacionamentos entre eles [...]”, permitindo ao mapeamento de uma área
de assunto semelhante ao que ocorre em ambientes computacionais como bancos de
dados (BD), mapas conceituais hiperbólicos, sistemas ontológicos etc. Além disso, a
classificação facetada possibilita a inclusão de novos conceitos sem que isto altere a
estrutura do sistema, potencializando a sua ênfase como objeto de teoria no presente
artigo.
É uma lista de nomes de lugares, tradicionalmente publicada como livros ou como índices para atlas,
apresentando entradas por tipos de recurso como rio, cidade ou escola. Um exemplo é o Código de
Nomes Geográficos dos Estados Unidos da América (EUA). Geoespacialmente, os gazetteers fornecem
coordenadas para localizar o local na superfície da terra. Além disso, muitas vezes, os gazetteers são
organizados por esquemas de classificação ou categorias de assunto. (HODGE, 2000, grifos nosso).
13

A Colon Classification é um SOC originalmente criado para as bibliotecas físicas e cunhado na Índia,
demarcando o modelo analítico-sintético de organizar a informação a partir do uso de facetas. No ano
de 1933 ocorreu a publicação da primeira edição, sendo continuada em mais seis edições.
14

73

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Por se tratar de uma teoria de SOC originalmente criada para as bibliotecas
físicas, mas que vem sendo adotadas na Web, por exemplo, pela sua característica
multidimensional de organizar a informação, a TCF exige investigações sobre o seu
funcionamento com fins de adaptar/aperfeiçoar/criar à sua dinâmica estrutural na
implementação de ambientes digitais frente às atuais realidades informacionais
impostas por usuários cada vez mais conexos às recentes tecnologias. Neste sentido,
pretendemos não impor a tradicional limitação presente nos estudos sobre a TCF, ou
seja, discutir o significado de facetas e as suas categorias fundamentais.
Pretendemos aqui, por meio de uma metodologia constituída pela pesquisa
bibliográfica e com abordagem qualitativa, apresentar a forma como os conceitos são
construídos e definidos para que sejam posteriormente organizados em facetas,
chamados por Ranganathan de formação de assuntos e isolados, sendo cinco
caminhos:

“Dissecação,

Laminação,

Desnudação,

Reunião/Agregação

e

Superposição” (RANGANATHAN, 1967, p. 351). Além disso, para uma melhor
compreensão, especificamente objetivamos exemplificar os métodos de formação de
assuntos e isolados.

A TEORIA DA CLASSIFICAÇÃO FACETADA: BREVES CONSIDERAÇÕES
Considerado o pai da Biblioteconomia na Índia e da moderna teoria da
classificação, Ranganathan apresentou uma teoria com o objetivo de garantir uma
sequência considerada útil dos livros nas estantes, já que a preocupação principal era
com a localização física dos livros na biblioteca em relação ao tema central abordado
na obra.
Os SOC da época, como a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a
Classificação Decimal Universal (CDU), eram rigidas a ponto de estimular
Ranganathan a criar um sistema mais flexível, fazendo uso do método hipotéticodedutivo, nos três planos (estágios da indexação): das ideias, verbal e notacional.
Segundo o próprio Ranganathan (1964), o plano das ideias abrange a análise do
assunto de acordo com o nosso entendimento de mundo, a decisão sobre uma classe
principal apropriada do esquema, a decisão sobre ordem de citação para a classe e o
rearranjo da análise de assuntos na ordem apropriada. O plano verbal trata-se da
verificação das tabelas do esquema, oriundos da etapa anterior, para encontrar
conceitos necessários. No caso do plano notacional, este refere-se à construção da

74

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

notação para os conceitos de acordo com as regras apresentadas em sistemas de
classificação.
Para tanto, a criação de Ranganathan foi baseada na aliança entre Matemática
e Biblioteconomia, fazendo-a imergir na classificação de todo conhecimento. Nesta
linha, Lima (2002, p. 190) defende que “sob influência de sua área inicial, a
matemática, estruturou o conhecimento de maneira que os assuntos compostos,
sinteticamente, surgiam a partir de conceitos elementares”. O resultado foi uma
estrutura facetada, considerada uma grande inovação na área da teoria da
classificação, vista por Campos (2001, p. 31), “como o momento em que a teoria
tradicional é confrontada com a teoria moderna, ou que a teoria descritiva é
confrontada com a teoria dinâmica”.
Foi justamente pelo uso de facetas que Ranganathan intitulou a TCF. Segundo
Duarte (2010, p. 49), “as facetas consistem na manifestação das categorias (conceito
de alta generalização) nos domínios focalizados: classes reunidas por um mesmo
princípio de divisão, [que] permitem flexibilidade a sistemas, por não prendê-los a
uma hierarquia de divisão”. Complementando, faceta pode ser encarada “como uma
lista de termos mantendo entre si as mesmas amplas relações com a classe que lhes
deu origem, ou então, ‘como um conjunto de termos produzidos pela aplicação de um
amplo princípio de divisão" (BARBOSA; 1972, p. 75, grifo nosso).
De forma ampla, as facetas representam os elementos que refletem
manifestações de acordo com a área do conhecimento classificada. Tais
manifestações possibilitam agrupar os assuntos com a classe principal e com os que
tenham o mesmo tipo de relacionamento entre si. Assim, as facetas, também
chamadas de categorias fundamentais, formam uma espécie de lista de termos
relacionados, contendo características dos seus respectivos assuntos.

CATEGORIAS FUNDAMENTAIS: A MNEMÔNICA PMEST
O uso de facetas vem chamando a atenção de pesquisadores nos últimos
tempos. Conforme Maniez (1999), a noção de facetas tem sido frequentemente
apresentada como a maior contribuição teórica da CI, indo ao encontro da premissa
de que a TCF é “[...] uma fragmentação de um assunto em facetas (partes
constituintes)

por meio

de

categorias

fundamentais

denominadas PMEST

(Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e Tempo) (DUARTE, 2010, p. 48).

75

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A primeira categoria fundamental, chamada de Personalidade [P], é
considerada a essência de um determinado assunto, como também os objetos de
estudo de uma determinada disciplina, tipos, entidades etc. Conforme Vickery (1980,
p. 212), é possível citar como exemplo da categoria Personalidade [P]: “bibliotecas,
números, equações, comprimentos de ondas de irradiação, obras de engenharia,
substâncias químicas, organismos e órgãos, adubos, religiões, estilos de arte, línguas,
grupos sociais, comunidades”.
A segunda categoria fundamental, Matéria [M], representa manifestações,
complementos, substâncias, que constituem as coisas, os objetos. Esta categoria é
classificada em material e propriedade. Por exemplo, na Biblioteconomia tem-se
livros (material) raros (propriedade).
Na sequência, Energia [E], como a terceira categoria fundamental, é a
manifestação de um verbo, de uma ação, como processos, técnicas, atividades etc. Por
exemplo, na Biblioteconomia, serviços como catalogação, indexação e classificação
são ações da categoria Energia.
Espaço [S], enquanto a quarta categoria fundamental, é uma divisão
geográfica, uma manifestação de lugar, onde ocorre determinado evento, como
cidades, superfícies em geral entre outros. Exemplificando, tem-se a cidade de
Brasília (DF) como local onde existe um dos cursos de Biblioteconomia do país.
Por fim, a quinta e última categoria fundamental, Tempo [T], é uma divisão
cronológica, uma manifestação de ideias em determinado tempo comum, como
séculos, anos, meses, dias etc. Como exemplo, cita-se o ano de 1965, momento que
marcou a fundação do curso de Biblioteconomia na Universidade de Brasília (UnB).
De acordo com Ranganathan, as categorias são as classes mais gerais, que
podem ser formadas e empregadas para reunir outros conceitos. Cada faceta é
formada

por

um

número

mínimo

de

subdivisões,

denominadas

focos

(RANGANATHAN, 1967). Neste raciocínio, ainda conforme o autor, entre categoria
fundamental, foco ou conceito combinado, a faceta representa “um termo genérico
usado para denotar algum componente – pode ser um assunto básico ou um isolado
– de um assunto composto, tendo, ainda, a função de formar renques, termos e
números” (RANGANATHAN, 1967, p. 88).
Definida a faceta principal, surgem as representações verbais dos conceitos
denominadas de termos, que comporão a estrutura do sistema segundo a linguagem

76

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

natural ou artificial, dependendo do caminho escolhido para a formação dos assuntos
e isolados, ou seja, os termos podem permanecer inalterados assim como retirados do
documento, ou combinados com outros formando um novo termo.

FORMAÇÃO DE ASSUNTOS E ISOLADOS
Além de determinar os elementos que caracterizam a TCF, em especial suas
facetas, Ranganathan (1967) também estipulou caminhos para a formação dos
assuntos e isolados, e consequentemente ordenar as facetas, focos e termos. Na
análise conceitual da TCF, tanto a facetação, quanto a formação dos assuntos e
isolados, são respondidas pela análise facetada enquanto um ato técnico “[...]
introduzido primeiramente em discussões da classificação bibliográfica na década de
1990 [...] para denotar a técnica de separar os vários elementos de assuntos
complexos com relação a um jogo de conceitos fundamentais abstratos”.
Para a formalização dos caminhos, Ranganathan utilizou a Espiral do Método
Científico (figura 1), pois esta lhe permitiu a integração constante do conhecimento,
do desenvolvimento de assuntos e a relação com a atividade de organização do
conhecimento.
Figura 1 – Espiral do método científico.

Fonte: Ranganathan (1967, p. 372).

77

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A ‘Espiral do Método Científico’ possibilitou a Ranganathan medir o
crescimento da ‘Espiral’ do desenvolvimento de novos assuntos, de maneira cíclica,
identificando os estágios de Pesquisa Fundamental (fundamental research), Pesquisa
Aplicada (applied research), Projeto Piloto (pilot project), Novo Mecanismo (new
mechanism), Novo Material (new material), Novo Produto (new product), Utilização
(utilisation) e Novos Problemas (new problems), compreendidos da seguinte forma:
[...] pesquisa fundamental – pesquisa na ciência pura; pesquisa aplicada –
aplicação de descoberta da pesquisa fundamental a um campo de utilidade
específico; projeto piloto – estabelecimento de novos processos de produção
de um objeto já conhecido ou de um novo objeto (ou artigo); desenho e
produção de novo mecanismo; novo material; novo produto; uso de novo
produto – ou intermediário de um objeto final; novos problemas criados pelo
novo produto, logo ou mais tarde. (NAVES, 2006, p. 41-42, grifos da autora)

Diante do Método Científico apresentado, Ranganathan determina cinco
modos de representação temática, considerados preliminares para a formação de
assuntos

e

isolados,

a

saber:

“Dissecação,

Laminação,

Desnudação,

Reunião/Agregação e Superposição” (RANGANATHAN, 1967, p. 351).
A Dissecação (Dissection) propõe dividir o universo em partes coordenadas em
um mesmo nível, quantas vezes for necessário, criando para cada parte o seu próprio
universo. Cada uma dessas partes é chamada de Lâmina e esta pode representar um
assunto básico ou um isolado, conforme pode ser observado no quadro 1.

Quadro 1 – Exemplo de Dissecação.

Universo de Assunto Básico

Universo de Isolado: Plantas Agrícolas

Botânica

Plantas Forrageiras

Agricultura

Plantas Alimentícias

Zoologia

Plantas Estimulantes

Fonte: Adaptado de Campos (2001, p. 66).

O modo da Laminação (Lamination) propõe-se a superposição de uma faceta
com outra, constituindo-se camadas de assuntos básicos e ideias isoladas. Além disso,
as ideias isoladas, quando combinadas, formam assuntos compostos, segundo
exemplo apresentado no quadro 2.
Quadro 2 – Exemplo de Laminação.

78

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Assunto Básico

Ideia(s) Isolada(s)

Assunto(s) Composto(s)

Agricultura

Milho

Agricultura do Milho

Agricultura

Java

Agricultura do Milho em Java

Fonte: Adaptado de Campos (2001, p. 67).

A Desnudação (Denudation), também chamada de Desfolhamento, provoca
uma diminuição progressiva da extensão e um aumento da profundidade de um
assunto básico ou de uma ideia isolada, permitindo tanto a formação de cadeias,
através de resultados sucessivos deste caminho/processo, quanto representar o
núcleo específico de um assunto básico ou de uma ideia isolada, assim como exposto
no quadro 3.
Quadro 3 – Exemplo de Desnudação.

Assunto Básico
Filosofia
Lógica
Lógica Dedutiva
Fonte: Adaptado de Campos (2001, p. 67).

Quanto a Reunião/Agregação (Loose Assemblage), refere-se à combinação do
assunto básico ou composto com ideias isoladas, formando um assunto complexo ou
uma ideia isolada complexa, conforme pode ser observado no quadro 4.
Quadro 4 – Exemplo de Reunião/Agregação.

Assunto Básico 1

Assunto Básico 2

Assunto Complexo

Ciência Política

Economia

Relação Geral entre Ciência Política e Economia

Geografia

História

Influência da Geografia na História

Ideia Isolada 1

Ideia Isolada 2

Ideia Isolada Complexa

Budismo

Cristandade

Influência do Budismo na Cristandade

Vertebrados

Invertebrados

Diferença entre Vertebrados e Invertebrados

Fonte: Adaptado de Campos (2001, p. 67).

Por

fim,

a

Superposição

(Superimposition),

também

chamada

de

Sobreposição, permite a conexão de duas ou mais ideias isoladas que pertencem ao
mesmo universo de ideias isoladas. A ideia isolada resultante desta superposição é
chamada de ideia isolada superposta ou ideia isolada composta. Este caminho é

79

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

diferente do adotado pela Laminação, que permite a ligação entre isolados de
universos diferentes, assim como exemplificado no quadro 5.
Quadro 5 – Exemplo de Superposição.

Ideia
Isolada

Característica
Assunto

Característica
Habilidade Retórica

Ideia Isolada Superposta

Professor

Química

Brilhante

Professor de Química Brilhante

Professor

Química

Medíocre

Professor de Química Medíocre

Professor

Zoologia

Brilhante

Professor de Zoologia Brilhante

Professor

Zoologia

Medíocre

Professor de Zoologia Medíocre

Fonte: Adaptado de Campos (2001, p. 67).

Todos os conceitos usados para a formação de assuntos e isolados devem estar
organizados no sistema de classificação. Estes se organizam de maneira hierárquica
(gênero-espécie/todo-parte), em Array (renques) e Chain (cadeias).
Conforme Ranganathan (1967), renques são conjuntos formados a partir de
uma única característica de divisão, formando séries horizontais, e cadeias são séries
verticais de conceitos em que cada conceito tem uma característica a mais ou a
menos, conforme a cadeia seja ascendente ou descendente. No quadro 6 é possível
observar um modelo de organização por renque e outro por cadeia, tomando como
exemplo ‘Flores Ornamentais’. No caso do renque, ‘Rosa’ e ‘Margarida’ são tipos de
‘Flores Ornamentais’. Já na organização por cadeia, ‘Rosa’ é um tipo de ‘Flor
Ornamental’ que, por sua vez, é um tipo de ‘Flor’.
Quadro 6 – Exemplo de Renque e Cadeia.

Renque

Cadeia

Flores Ornamentais

Rosa

Rosa

Flor Ornamental

Margarida

Flor

Fonte: Adaptado de Anjos (2008, p. 148).

Entender esses caminhos “é fundamental, pois desta compreensão resultará a
sua atuação nos processos de organização e recuperação de informação” (CAMPOS,
2001, p.66). Definida essa etapa, os assuntos e isolados poderão ser relacionados de
maneira ilimitada e multidimensional, levando-se em consideração as diferentes

80

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

visões do mesmo objeto, ou seja, dos diferentes focos atribuídos, conforme promulga
a TCF.
Na análise conceitual da TCF, observando os caminhos apresentados por
Ranganathan na formação de assuntos e isolados, a Dissecação é essencial para
mostrar ao indexador qual é o assunto básico dos documentos observados. Quanto ao
caminho proveniente da Laminação, apresentou uma redução na quantidade de
conceitos, entretanto as opções de facetação também diminuíram ao ponto da
exclusão dos focos. No caso da Reunião/Agregação e da Superposição, devido as
ilimitadas combinações, a quantidade de termos aumentou de maneira significativa,
também gerando certa diminuição dos focos. Neste caso, como a Laminação, a
Reunião/Agregação e a Superposição trabalham com a combinação de termos, é
possível que certos conceitos, que possuem algum tipo de relação entre si, não sejam
oferecidos ao usuário no momento da busca, por outro lado, apesar de perderem
força na navegação, teoricamente, ganham a expectativa de oferecer resultados mais
precisos. Por outro lado, o modelo gerado pela Desnudação, ao oferecer diferentes
visões (focos) sobre a mesma ocorrência apresentada nos resultados de busca de
maneira hierárquica (taxonômica), teoricamente, permite ao usuário maior
autonomia de navegação, característica que vem crescendo na Web e mais próxima
aos usuários atuais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme o estudo apresentado é possível perceber que a organização da
informação oferece subsídios positivos aos ambientes digitais, especialmente quando
direcionamentos a afirmativa aos atuais problemas de recuperação. Entende-se que o
problema da recuperação da informação não relevante pelo usuário é reflexo da
problemática ou inexistente organização. Neste sentido, encontram-se nas práticas da
CI sistemas originalmente criados e usados em coleções de livros, em ambientes
físicos. Entretanto, características desses SOC como a organicidade de assuntos e as
relações entre eles são plausíveis de aplicação em ambientes digitais.
O SOC que se enquadrou no panorama supracitado, oriundo das classificações
bibliográficas, foi a Colon Classification, mais especificamente sua TCF, com ênfase
na análise facetada, ou seja, na definição das categorias fundamentais e na formação
dos assuntos e isolados. No caso da primeira contribuição, conforme as necessidades

81

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

da modelagem do sistema a ser construído, deve-se escolher um dos caminhos ou
mais de um de forma complementar. Entre as opções, a Dissecação nos permite
identificar o núcleo específico do assunto básico e das ideias isoladas. Além disso,
tanto a Dissecação quanto a Desnudação permitem ao indexador utilizar a linguagem
natural (do autor), opondo-se aos caminhos da Laminação, Reunião/Agregação e
Superposição, pois os conceitos são combinados, gerando termos não idênticos aos
extraídos dos documentos, podendo, por vezes, exigir o uso de algum tipo de
vocabulário controlado para alcançar certa padronização terminológica. A segunda
contribuição refere-se à organização dos termos provenientes dos métodos
supracitados por meio da mnemônica PMEST, podendo ser um arranjo extenso ou
não (por renques ou cadeias), variando conforme o caminho adotado.
Conclui-se que definir o caminho para a formação dos assuntos isolados é um
elemento chave para o posicionamento das facetas e dos termos na estrutura de
classificação do sistema, já que dividir um universo de forma analítico-sintética pode
ser um ponto positivo aos ambientes digitais, pois analisar um assunto por diferentes
olhares, diversificados focos e conceitos combinados, permite que a característica de
certo assunto seja compreendida conforme o conhecimento, a experiência, a vivência
de cada pessoa, propiciando, naturalmente, um ambiente flexível, reagrupado,
multidimensional e ilimitado.

REFERÊNCIAS
ANJOS, L. Sistemas de classificação do conhecimento na Filosofia e na
Biblioteconomia: uma visão histórico-conceitual crítica com enfoque nos conceitos de
classe, de categoria e de faceta. São Paulo, 2008. 290f. Tese (Doutorado em Ciência da
Informação) – Curso de Pós-Graduação em Ciência da Informação – Escola de
Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
BARBOSA, A. P. Classificações facetadas. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 1, n.
2, p. 73-81, 1972. Disponível em:
&lt;revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/download/1665/1271&gt;. Acesso em: 19 jun. 2016.
CAMPOS, M. L. A. A organização de unidades do conhecimento em
hiperdocumentos: o modelo conceitual como um espaço comunicacional para realização
da autoria. 2001. 190f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – CNPq/IBICTURFJ/ECO, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 2001.
DA SILVA, M. B. A teoria da classificação facetada na modelagem de dados em
banco de dados computacionais. 2011. 172f. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) – Curso de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Federal da
Paraíba, João Pessoa, 2011.

82

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

DUARTE, E. A. Classificação facetada: um olhar sobre a construção de estruturas semânticas.
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação (RDBCI), v. 7, n. 2, p.
46-58, jan./jun. 2010. Disponível em:
&lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1956/2077&gt;. Acesso
em: 15 jun. 2016.
HODGE, G. Systems of Knowledge Organization for Digital Libraries: beyond
traditional authorities files. Washington, DC, the Council on Library and Information
Resources. 2000. Disponível em: &lt;http://www.clir.org/pubs/reports/pub91/pub91.pdf&gt;
Acesso em: 20 jun. 2016.
LIMA, G. A. B. A análise facetada na modelagem conceitual de sistemas de hipertexto: uma
revisão de literatura. Perspectiva em Ciência da Informação. Belo Horizonte, v. 7, n. 2,
p. 189-196, jul./dez. 2002. Disponível em:
&lt;portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/407/219&gt;. Acesso em 20 jan.
2010.
_____. Mapa Hipertextual (MHTX): um modelo para organização hipertextual de
documentos. 2004, 199f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação). Curso de PósGraduação em Ciência da Informação – Escola de Ciência da Informação, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.
MANIEZ, J. Des classifications aux thésaurus: du bon usage des facettes. Documentaliste Sciences de l'information, v. 36, n. 4-5, p. 249-262, 1999. Disponível em:
&lt;http://www.adbs.fr/des-classifications-aux-thesaurus-du-bon-usage-des-facettes13338.htm?RH=REVUE&gt;. Acesso em: 20 jun. 2016.
MIRANDA, M. L. C. de. Organização e Representação do Conhecimento:
fundamentos teórico-metodológico na busca e recuperação da informação em
ambientes virtuais. 2005, 353f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Convênio
CNPQ/IBICT-UFRJ/ECO, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
NAVES, M. M. L. A importância de Ranganathan para a organização do conhecimento.
Organização da informação: princípios e tendências. Brasília: Briquet de Lemos/Livros.
2006.
PONTES, F. V. Organização do conhecimento em bibliotecas digitais de teses e
dissertações: uma abordagem baseada na classificação facetada e taxonomias dinâmicas.
2013, 233f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação,
Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 2013.
RANGANATHAN, S. R. Prolegomena to library classification. Bombay: Asia Publ.
House, 1967.
_____. Classified catalogue code. Asia Publishing House, 5th ed. 1964.
VICKERY, B. C. Classificação e indexação nas ciências. Rio de Janeiro: BNG/Brasilart,
1980.

83

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

RANGANATHAN E A CLASSIFICAÇÃO DOS
DOIS PONTOS
Rosali Fernandez de Souza

INTRODUÇÃO
Classificar é um processo fundamental da natureza humana. Como tal,
muitas vezes, não nos damos conta do quanto classificamos no nosso dia a dia nas
atividades pessoais e profissionais.
Nas áreas da Biblioteconomia, da Documentação e da Ciência da Informação,
a atividade de classificação lida com as várias formas do conhecimento registrado
com objetivos de arquivamento e disseminação, particularmente na perspectiva da
recuperação de

documentos e de informação. Como tal, o ato de classificar é de

fundamental importância em sistemas de informação de qualquer natureza, seja
científica, tecnológica, educacional, gerencial, artística, ou de outra natureza.
A Biblioteca como instituição repositória do conhecimento registrado e como
sistema de recuperação de informação tem a classificação como o processo crucial da
organização física do acervo e da representação temática em catálogos e serviços de
disseminação de informação. Os esquemas de classificação bibliográfica, como o
próprio nome indica, são os instrumentos especialmente produzidos para essas
finalidades.
É reconhecido que o século XIX foi a época áurea dos esquemas gerais de
classificação bibliográfica, ou seja, dos que abarcam o universo do conhecimento
como um todo. Dentre os diferentes esquemas construídos, destacamos cinco entre
os mais representativos pelas diferentes contribuições que trouxeram ao complexo
processo de classificação em bibliotecas: Classificação Decimal de Dewey (CDD),
Classificação Decimal Universal (CDU), Classificação de Assuntos de Brown,

84

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Classificação Bibliográfica de Bliss e a Classificação dos Dois Pontos de Ranganathan
(CC).
A presente coletânea tem como objetivo homenagear o classificacionista
Shiyali Ramamrita Ranganathan pela sua inestimável contribuição de natureza
filosófica, conceitual, teórica e prática para a Biblioteconomia. O método analíticosintético ou facetado usado na construção da Classificação dos Dois Pontos é
reconhecido como um marco na teoria da classificação bibliográfica. Como
metodologia influenciou também a elaboração de tesauros a até mesmo a construção
de ontologias.
O conhecimento humano registrado é a matéria prima dos esquemas de
classificação bibliográficos e não bibliográficos. Um esquema de classificação pode
ser comparado a um Mapa do Conhecimento. Entretanto, em termos de abrangência,
nenhum esquema abarca todos os conceitos e todas as possíveis relações temáticas de
qualquer área do conhecimento.
Cada esquema bibliográfico é único uma vez que é criado para objetivos
específicos de recuperação de documentos e de informação, define métodos próprios
de abordagens epistemológica, teórica e sistemática e representa o conhecimento à
época de sua construção, além de ser influenciado pelo contexto cultural do
idealizador. Portanto, ao se analisar e avaliar os esquemas gerais de classificação
bibliográfica, categoria em que se insere a Classificação dos Dois Pontos, é
importante considerar a relatividade de cada esquema enquanto instrumento de
classificação do conhecimento.
O presente capítulo parte de uma reflexão dos conceitos Classificar e
Classificação. Em seguida, apresenta uma breve nota biográfica de Ranganathan. A
apresentação da Classificação dos Dois Pontos é realizada em base de duas obras
clássicas de autoras brasileiras (BARBOSA, 1969 e PIEDADE 1983) que, como
bibliotecárias e professoras de classificação, dedicaram-se a desvendar aspectos da
complexidade do esquema de Ranganathan para estudantes de Biblioteconomia e
para profissionais interessados em classsificações bibliográficas.

85

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

CLASSIFICAR E CLASSIFICAÇÃO
Na busca pelos conceitos Classificar e Classificação foi consultado um
dicionário de língua portuguesa para sentir o que, do ponto de vista de compreensão
geral da sociedade, é entendido como definição dessas palavras, fazendo uma
analogia com a atividade de classificar em biblioteca. O dicionário escolhido foi o
Dicionário Caldas Aulete, versão online.
Na busca pela palavra CLASSIFICAR, destacamos os seguintes verbos e
contextos de uso:
1. Dispor (-se) ou arranjar (-se) em classes; distribuir ou poder
distribuir-se (um conjunto de seres, coisas, entidades abstratas) em
grupos bem definidos de acordo com regras, com padrões de
referência estabelecidos.2. Distinguir e determinar num conjunto as
categorias ou agrupamentos em que se pode distribuir seus
componentes. 3. Atribuir (algo, alguém) a, ou incluí-lo em
determinada categoria ou grupo predefinido, com base em certas
características. 5. Organizar, arrumar, dar ordem ou disposição
metódicas a (aquilo que foi reunido ou acumulado ao acaso ou sem
critério) 6. Ordenar ou dispor hierarquicamente, em gradação (do
menor para o maior, do pior para o melhor, etc.), ou em categorias
baseadas nessa gradação ou hierarquia. (DICIONÁRIO Caldas Aulete,
2016)

O principal comentário reside na seleção dos verbos-chave e contextos de
reflexão que se aplica ao processo de classificar em biblioteca, ou seja: Classificar é
dispor ou arranjar em classes; Classificar é ordenar, arrumar, dispor metodicamente
grupos definidos de acordo com regras e padrões de referência; Classificar é atribuir
categorias em base de características; Classificar é organizar segundo um método;
Classificar é estabelecer de forma hierárquica em gradação ou em categorias , em
base de características e segundo critérios definidos e atribuídos.
A seguir, na forma de gráfico, encontram-se as palavras-chave indicadas pelo
próprio dicionário como relacionadas a Classificar:

86

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

No gráfico, a palavra ‘Classificar’ está relacionada a cinco palavras-chave que,
em base das definições anteriores, refletem questões envolvidas na ação de classificar
em geral que se aplica à classificação em biblioteca:
- Toda classificação implica em algum julgamento;
- O julgamento é uma forma de discriminação;
- Discriminar por um esquema implica em inclusão;
- Inclusão necessita de algum tipo de arranjo;
- Arranjo implica ou supõe em alguma inteligibilidade para uso.
A palavra CLASSIFICAÇÃO no dicionário citado refere-se ao sistema, ao
instrumento fruto do processo de classificar. São definidos três contextos de
aplicação de instrumentos de classificação: documentação, biologia e química:
- Em Documentação, apresenta os sistemas de classificação num sentido geral
como: Sistema de sinais simbólicos usados em bibliotecas, filmotecas, arquivos etc.
para distribuir as unidades que as compõem (livros, filmes, pastas etc.) e localizá-las
em lugares adequados a consultas. No sentido específico, Classificação Decimal,
como: Sistema de catalogação de áreas de conhecimento, que usa números de base
decimal para representar e organizar as áreas, os assuntos e suas subdivisões;
- Em Biologia, Classificação natural, como aquela que agrupa animais e
vegetais de acordo com um conjunto de caracteres;
- Em Química, Classificação periódica, a que organiza os elementos da
natureza em períodos; tabela periódica.
A seguir, o gráfico das palavras-chave para Classificação, indicadas no
dicionário consultado:

87

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O gráfico nos revela que uma Classificação lida com Termo, com algum tipo de
Arranjo e que pressupõe alguma Ordem – exatamente o que caracteriza uma
classifcação em biblioteca.
Em síntese, todas as palavras indicadas nos gráficos Classificar e Classificação
são relevantes quando nos referimos a áreas, campos e domínios de conhecimento no
âmbito da organização e representação para recuperação de documentos e de
informação em bibliotecas.
Seguindo essa linha de pensamento, Langridge apresenta abordagem
semelhante ao estudo da classificação para estudantes de Biblioteconomia
(LANGRIDGE, 1973). Inicia sua obra com o Prólogo: ‘um dia na vida de todo homem
e sua mulher’, onde apresenta exemplos de situações cotidianas que envolvem
classificações.

Em seguida trata da Classificação em Geral como um processo

fundamental da natureza humana e da Classificação do Conhecimento representando
o ‘porque’ e ‘o que’ se classifica em biblioteca. Dedica uma parte do livro aos
Elementos de Classificação em Biblioteca apontando características físicas e
intelectuais de documentos que implicam em decisões no processo de classificar. Nas
duas partes subsequentes apresenta os Esquemas de Classificação em Bibliotecas e
discute a Classificação como atividade da Indexação de Assunto, ou seja, aborda o
‘como’ classificar os documentos em biblioteca por determinado esquema de
classificação e método de indexação. Como Epílogo conclui que, no sentido
fundamental, não há substituto para a classificação (LANGRIDGE,1973, p.112). É
nesse viés que podemos afirmar que a contribuição de Ranganathan à classificação
foi, é e será sempre de fundamental importância para estudos e pesquisas em
Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação, Ciência da Computação e
em outras áreas do conhecimento.

88

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O CLASSIFICACIONISTA SHIYALI RAMAMRITA RANGANATHAN E A
CLASSIFICAÇÃO DOS DOIS PONTOS
Esta seção compreende uma breve síntese de dados biográficos do
classificacionista Shiyali Ramamrita Ranganathan e apresenta a Classificação dois
Pontos à luz das obras de BARBOSA (1969) e de PIEDADE (1983) sobre teoria e
prática de classificações bibliográficas.

SHIYALI RAMAMRITA RANGANATHAN
Nasceu em 1892 na cidade de Shiyali, estado de Madras, Índia. Faleceu em
1972 na Índia na cidade de Bagalore. Estudou na Hindu High School e no Christian
College, cursou o mestrado em Matemática e também estudou Educação na
Universidade de Madras. A confluência das diferentes áreas e dos lugares de
formação de Ranganathan sugerem a influência que tiveram na sua forma sutil de
pensar e de construir um esquema de classificação para organizar o conhecimento em
biblioteca.
Uma etapa marcante na formação de Ranganathan, já quando exercia o cargo
de bibliotecário da Universidade de Madras, foi a sua passagem pela Escola de
Biblioteconomia do University College, Londres, na década de 1920, onde estudou
classificação com Berwick Sayers, um dos mais renomados especialistas em
classificação daquele país.

Durante o tempo que esteve em Londres estagiou em

biblioteca pública e visitou outros tipos de bibliotecas com o interesse de observar as
classificações dos diferentes acervos. Considerando que a forma de arranjo temático
dos acervos em bibliotecas carecia principalmente de relação entre os temas ali
representados, direcionou seus estudos e pesquisas para o desenvolvimento de
princípios teóricos e práticos de classificação em bibliotecas.
Observando desvantagens dos esquemas já existentes, caracterizados
basicamente como sistemas de classificação que apresentavam pré-coordenação
temática e enumerando diferentes assuntos, Ranganathan imaginou a possibilidade
de construir um esquema em base de um método facetado em base de principios
teóricos de análise e síntese de temas representados nos documentos dos acervos das
bibliotecas.

89

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Uma observação do próprio Ranganathan, retomada por Lentino, faz uma
comparação da classificação Decimal de Dewey (CDD), esquema de larga aceitação
em várias bibliotecas em diferentes países, com a Classificação dos Dois Pontos (CC).
Diz ainda Ranganathan, a C.D.D. pode ser comparada a um remédio
aplicado a determinadas moléstias, previamente manipulado,
enquanto que a C.C. é como o remédio preparado na farmácia, de
acordo com a prescrição médica, uma doença específica (LENTINO
1971, p.29)

De volta à Índia dedicou-se a estudos teóricos de classificação na busca de
princípios fundamentais de uma nova abordagem de classificação facetada do
universo do conhecimento nos acervos de bibliotecas, o que deu início a construção
do esquema de classificação conhecido como Classificação de Ranganathan ou como
Classificação dos Dois Pontos. A própria nomeação do esquema como “classificação
dos dois pontos” (:) já indica a natureza intrínseca de correlacionar assuntos.
Ranganathan deixou uma vasta produção de livros e artigos sobre
classificação, além da própria Classificação dos Dois Pontos (RANGANATHAN 1963)
que é abordada a seguir.

A CLASSIFICAÇÃO DOS DOIS PONTOS
A Classificação dos Dois Pontos teve a primeira versão publicada em 1933.
Seguiram-se edições em 1939, 1950, 1952, 1957 e 1960 reimpressa em 1963. A
sucessão de versões com modificações significativas em cada nova versão, se por um
lado dificultou a adesão de uso do esquema pelas bibliotecas, por outro lado, tornouse um laboratório de pesquisa para o seu criador na verificação, concretização e
aperfeiçoamento na aplicação dos princípios teóricos de classificação e na escolha do
método analítico-sintético ou facetado para a construção de classificações gerais e
especializadas do conhecimento em bibliotecas.
De fato, a Classificação dos Dois Pontos embora não amplamente usada pelas
bibliotecas nos diferentes países do mundo, não há como negar que significou um
marco nos estudos teóricos de classificação. Tal fato é aqui constatado na
apresentação de pontos-chave da análise descritiva da Classificação dos Dois Pontos
como esquema geral de classificação bibliográfica nas obras Teoria e Prática dos
Sistemas de Classificação Bibliográfica de Maria Alice Príncipe Barbosa (BARBOSA,

90

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

1969) e Introdução à Teoria da Classificação de Maria Antonieta Requião Piedade
(PIEDADE, 1977).
A seguir, uma síntese de itens da abordagem de Barbosa sobre a Classificação
dos Dois Pontos (BARBOSA,1969, p165-194).
Após um breve histórico do idealizador e da classificação, Barbosa apresenta
seções e subseções de tópicos sobre Classificação dos Dois Pontos. A subseção
devotada a Facetas e Focos é subdividida em dois itens: Categorias Fundamentais
(PMEST- sigla que corresponde respectivamente a: Personalidade, Matéria, Energia,
Espaço e Tempo) e Ciclos e Níveis - Ciclos, referindo-se aos Ciclos de manifestações
de cada uma das facetas que, pode se manifestar mais de uma vez, e Níveis quando
num só ciclo ocorrer mais de uma manifestação das categorias fundamentais.
Apresenta em seguida a subseção Coordenação e Subordinação dos Assuntos. Como
Coordenação de Assuntos é entendido o conjunto de classes coordenadas derivadas
de uma mesma característica. Por subordinação dos assuntos é entendida a
subdivisão de assuntos de grande extensão e pequena intenção em assuntos de
pequena extensão e grande intenção.
A subseção Cânones apresenta os princípios que flexibilizam as classes
coordenadas e subordinadas. Para as classes coordenadas Ranganathan estabeleceu
quatro cânones: Exaustividade ou esgotamento, Sequência útil, Sequência exclusiva e
Sequência consistente. Por Exaustividade entende-se adotar exaustivamente uma
característica de divisão de um assunto antes de ser empregada uma outra
característica. Por Sequência útil, entende-se que a coordenação entre as classes deva
buscar uma sequência útil das classes coordenadas e não serem apresentadas de
forma arbitrária. Sequencia consistente: quando assuntos semelhantes ocorrem em
mais de uma classe, as sequencias adotadas para todos devem ser sempre constantes
- que é o caso das divisões de forma, língua, tempo, época, entre outras que são
empregadas por vários esquemas de classificação bibliográfica da era moderna.
Para a flexibilização das classes subordinadas Ranganathan estabeleceu dois
cânones: Extensão decrescente e Modulação. Extensão decrescente: quando em duas
classes, uma for de menor extensão do que a que a engloba totalmente, esta deve
preceder àquela. Modulação: as classes subordinadas devem decrescer numa
sequência modulada e não em “saltos”.

91

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A complexidade da descrição continua nas duas subseções subsequentes em
que são descritos os processos para aumentar a flexibilidade das classes coordenadas
e subordinadas.
Os itens seguintes tratam da Base do sistema onde apresenta as 42 classes
principais da Classificação dos Dois Pontos, das Tabelas Auxiliares, da Notação, dos
Assuntos compostos, entre outros tópicos. Termina com exemplos da interpretação
de Ranganathan quanto à análise de títulos e à análise de facetas para a classificação
de um documento.
Piedade, no capitulo Classificação de Ranganathan (PIEDADE 1983, p.192215) apresenta como introdução dados informativos pessoais, da trajetória
educacional e da experiência profissional, assim como indica as principais obras
publicadas por Ranganathan de contribuição impar para a Biblioteconomia. As
subseções destacam como subitens: as diferentes Edições da classificação; a
Estrutura das classes principais e as características da Notação.
Um item que merece destaque especial diz respeito a apresentação das
etapas da Análise Temática e Classificação preconizadas

por Ranganathan para

classificar um documento, o que dá a ideia da minuciosidade das etapas do processo
de classificação considerando a análise de cada documento: Título Bruto, tal como
encontrado no documento; Título Completo, apresentando as

ideias básicas e

isolados do documento; Título Essencial, etapa onde os termos compostos são
substituídos por termos que representem as ideias fundamentais do documento;
Titulo Analisado, onde cada termo é acompanhado pelo símbolo indicativo da
categoria da qual a ideia é uma manifestação, bem como os níveis e ciclos,
estabelecidos pelos Postulados de Classificação; Título Transformado, onde os termos
são reordenados conforme os símbolos de análise a eles apensos segundo a ordem
estabelecida; Título em Termos Padrão, que corresponde aos termos substituídos
quando necessário pelos equivalentes encontrados nas tabelas de classificação do
esquema; Título em Símbolos de Facetas ou seja, título colocado em Termos Padrão,
com seus termos substituídos pelos símbolos encontrados nas tabelas; e finalmente o
Símbolo de Classificação

que é obtido retirando-se os símbolos de análise e

inserindo-se os símbolos de conexão apropriados. Cada passo é acompanhado de
exemplo.

92

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Em seguida, Piedade comenta sobre os diferentes Artifícios da classificação:
cronológico, geográfico, temático, alfabético, mnemônico, superimposto; sobre as
Tabelas

Auxiliares

que

representam

as

subdivisões

geográficas,

políticas,

orientadoras, fisiográficas, cronológicas, por língua, e as subdivisões comuns.
Na seção Relações entre os Assuntos, Piedade destaca, com exemplos, os
cinco tipos de relacionamento entre assuntos preconizados por Ranganathan na
Classificação dos Dois Pontos que são explicitados como: Geral, Bias, Comparação
entre Assuntos, Diferença entre Assuntos e Influência de um assunto em outro.
Acrescenta ainda outros três tipos de relações entre assuntos também diferenciadas
por Ranganathan como: Relações entre focos de uma mesma faceta, Relações entre
focos de um mesmo assunto, faceta e fileira, e Relações entre focos encontrados em
diferentes classes ou classes básicas.
As três últimas seções referem-se ao Índice, à Ordem de Intercalação e a
Atualização e Correção da Classificação dos Dois Pontos de Ranganathan.
Barbosa e Piedade embora escrevendo sobre o mesmo tema, apresentam
estilo próprio que se complementam na descrição da Classificação dos Dois Pontos, o
que torna as duas obras como referência para estudiosos da Classificação de
Ranganathan.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
É inegável que a Classificação de Dois Pontos foi um marco na trajetória
conceitual, teórica e prática dos esquemas de classificação bibliográfica gerais em
bibliotecas. Os ensinamentos de Ranganathan registrados em suas obras constituemse até os dias de hoje fonte inesgotável de contribuições à organização e
representação do conhecimento e à área da Biblioteconomia em todos os seus
múltiplos aspectos.
Em 1949, referindo-se à Classificação dos Dois Pontos, Palmer em Nota
Introdutória à Classificação dos Dois Pontos, publicada em The Library World. Vol.
51, 1949, prevê assim a contribuição deste esquema:
A Classificação dos Dois Pontos é um sistema que tem futuro, não
necessariamente no sentido de que seja provável a sua adoção em
larga escala, mas no sentido de que será o germe de futuros sistemas,
que ofereçam esperança de superar a produção de conhecimentos, que
cresce diariamente. (PALMER apud PIEDADE 1983, p. 193)

93

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O tempo comprovou a previsão de Palmer!
Nas palavras de Lentino: A Classificação dos Dois Pontos de Ranganathan é
um esquema que veio revolucionar a Biblioteconomia moderna. (LENTINO, 1971
p.29) – fato comprovado por profissionais, professores e pesquisadores em
classificação bibliográfica no Brasil e no exterior.
Ranganathan como classificacionista pela construção da Classificação dos
Dois Pontos e pelas inúmeras contribuições teóricas e de cunho filosófico deixadas
em publicações sobre classificação, classificação em bibliotecas e outros temas sobre
bibliotecas, é merecidamente reconhecido como o ‘Pai da Biblioteconomia’.

AGRADECIMENTOS
Meus agradecimentos são para as personalidades que me motivaram a ler,
refletir, lecionar e pesquisar sobre Classificação. Ao próprio Dr. Ranganathan que,
embora não o tenha conhecido pessoalmente, seus livros e artigos me incentivam
sempre a estudar e a pesquisar sobre classificação. Ao Prof. Derek Langridge,
discípulo de Ranganathan, meu professor do mestrado em Ciência da Informação do
IBICT que me fez refletir sobre uma forma apropriada de abordar a classificação para
alunos de graduação e de pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da
Informação. Às professoras Maria Antonieta Requião Piedade e Alice Príncipe
Barbosa, respectivamente minhas mestras de classificação na graduação em
Biblioteconomia na Universidade Santa Úrsula (USU) e na especialização em
Documentação Científica do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação
(IBBD), hoje Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) pelo
aprendizado em sala de aula de como classificar pela Classificação dos Dois Pontos.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Alice Príncipe. Teoria e prática
bibliográfica. Rio de Janeiro: IBBD, 1969.

dos

sistemas

de

classificação

DICIONÁRIO Caldas Aulete. Disponível em: &lt;http://www.aulete.com.br&gt;. Acesso em: maio
2016.
LANGRIDGE, Derek Wilson. Classificação, abordagem para estudantes de
Biblioteconomia. Tradução de Rosali P. Fernandez. Rio de Janeiro: Interciência, 1973.
LENTINO, Noêmia. Guia teórico, prático e comparado dos principais sistemas de
classificação bibliográfica. São Paulo: Polígono, 1971.

94

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

PIEDADE, Maria Antonieta Requião. Introdução à teoria da classificação. Rio de
Janeiro: Interciência, 1983.
RANGANATHAN, S. R. Colon classification. 6. ed. Madras: Madras Library Association,
1961.

.

95

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

CLASSIFICAÇÃO FACETADA APLICADA
EM SISTEMAS DE ORGANIZAÇÃO E
REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO
Fabio Assis Pinho
Luciane Paula Vital

INTRODUÇÃO
Iniciamos este capítulo com as reflexões do ensaísta francês Georges Perec
(1936-1982) cujas obras são permeadas por questões sobre a classificação. Em um
dos seus romances A vida: modo de usar, o autor traz a possibilidade de descrever
nos mínimos detalhes um edifício localizado no centro de Paris e essa descrição é tão
minuciosa que cada andar, cada apartamento, cada objeto dentro dos apartamentos é
relatado, tudo isso visando à possibilidade de contar a vida de cada pessoa que ali
habita em suas muitas facetas; entretanto, são tantos pormenores que as descrições
são intermináveis. Em sua outra obra Pensar/Clasificar (Pensar/Classificar) algumas
perguntas são apresentadas: como classifico aquilo que penso? E, como penso
quando quero classificar? Nesse sentido, classificar é segmentar, é rotular e essas
atividades nunca são feitas de maneira neutra ou ingênua (PEREC, 2008; 2009).
Nesse mesmo sentido, recorrremos ao poeta mineiro Carlos Drummond de
Andrade, falecido em 1987, que também era muito afeito às lógicas organizacionais
do mundo cotidiano e, por isso, se valeu de catálogos e listas classificacionistas com a
finalidade memorialista, ou seja, contar a vida a partir desses instrumentos e
inventários com viés memorialista.
Esses dois exemplos possuem relação com a classificação facetada à medida
que visam a características comuns nas várias categorias de um assunto. Na tentativa
de retomar as, por muitos denominadas, classificações hegemônicas, e de forma a
ironizá-las, esses autores contribuem para reconfigurar os modelos atuais através de

96

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

seus conhecimentos híbridos, trans e pluridisciplinares. Por conta disso, o objetivo
deste capítulo é apresentar a contribuição da teoria da classificação facetada na
construção de sistemas de organização e representação do conhecimento.

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO
O ato de classificar é intrínseco aos processos mentais humanos, quando
separamos ‘coisas’ em grupos distintos, com características comuns entre si, estamos
classificando. Podemos classificar conceitos de forma objetiva, por exemplo, grupo de
peças circulares e grupo de peças quadradas, ou de uma forma mais subjetiva, bom
ou mau. Segundo Dahlberg (1978a), a classificação está buscando, “ao invés da
apresentação sistemática das classes”, os “conceitos orientados para o objeto”.
Conceito, segundo a definição de Dahlberg (1978a) “é a unidade de conhecimento que
surge pela síntese dos predicados necessários relacionados com determinado objeto e
que, por meio de sinais lingüísticos, pode ser comunicado”.
Merriel (1958 apud PIEDADE, 1977) sob a ótica da Biblioteconomia define
classificar como “a arte de dar aos livros um lugar exato num sistema de classificação,
no qual os vários ramos do saber ou a descrição da vida humana, em seus vários
aspectos, estão agrupados conforme suas semelhanças ou suas relações recíprocas”.
Materiais bibliográficos em espaços destinados à sua disponibilização, como as
bibliotecas, necessitam que a representação da informação para a localização física
seja unívoca. Os sistemas de classificação tradicionais são formas de viabilizar essa
tarefa, sistemas em que a ordenação por classes ainda predomina, os materiais são
encaixados em classes pré-definidas.
Um sistema de classificação é caracterizado por Piedade (1977, p.9) como
sendo “Um conjunto de classes apresentadas em ordem sistemática. É uma
distribuição de um conjunto de ideias por um certo número de conjuntos parciais,
coordenados e subordinados”. Langridge (1977), em uma visão positivista, afirma
que um sistema de classificação é “Um mapa completo de qualquer área do
conhecimento, mostrando todos os seus conceitos e suas relações”. Consideramos
que esse 'mapa' é um produto criado em um contexto, que representa uma visão de
mundo e suas relações e, por isso mesmo, uma das verdades possíveis sobre a
realidade abrangida. Assim, um sistema de classificação é uma forma de conceber o

97

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

mundo, uma visão dentre as infinitas possibilidades, sejam elas científica, políticas,
sociais ou uma combinação delas.
Piedade (1977, p.52) aponta a existência de dois sistemas distintos de
classificação, o filosófico e o bibliográfico, enquanto os sistemas filosóficos
apresentam a “[...] finalidade de definir, esquematizar e hierarquizar o conhecimento,
preocupados com a ordem das ciências ou a ordem das coisas”, as classificações
bibliográficas “[...] servem de base à organização de documentos nas estantes, em
catálogos, bibliografias, etc.”.

Svenonius (1985 apud ARAÚJO, 2006) também

identifica essas duas formas de classificação, uma preocupada com a classificação do
conhecimento propriamente dito, de forma filosófica e a outra com a pretensão de
tornar acessíveis (no que tange à organização e recuperação) esses conhecimentos.
Podemos citar como exemplos de sistemas de classificações bibliográficas a
Classificação Decimal de Dewey (CDD), a Classificação Decimal Universal (CDU), a
Classificação de Dois Pontos (Colon Classification) e a Classificação da Biblioteca do
Congresso dos Estados Unidos (LCC – Library of Congress Classification), que além
de organizarem as áreas e especificidades do conhecimento, propõem a codificação
desse conhecimento através de notações.
As classificações surgiram como tentativas de resposta às demandas práticas
advindas da gestão dos materiais bibliográficos, especialmente em bibliotecas, e têm
a pretensão de cobrir a totalidade do conhecimento humano.
A Classificação de Dois Pontos, assim chamada por empregar o sinal: (colon
em inglês) na composição de assuntos, foi idealizada por Shiyali Ramamrita
Ranganathan, que pretendia evidenciar uma construção lógica da classificação a
ponto de ser compreendida, adaptada e ampliada, se necessário. A Classificação de
Dois Pontos teve sua primeira edição publicada em 1933, e em 1937 Ranganathan
publicou a segunda edição dos Prolegomena em que apresenta a teoria e cânones.
Esse sistema de classificação foi sendo aprimorado por décadas, concomitante ao
delineamente da teoria que o embasava e que é considerada uma importante
contribuição para a Ciência da Informação. Como citado, ao sistema de classificação
dá-se o nome de Classificação de Dois Pontos e à teoria que embasa seu
desenvolvimento denomina-se Classificação Facetada. Barbosa (1972, p.74) afirma
que, "Ranganathan, com essa contribuição, é, no nosso século, o que Dewey
representou no século passado, quando, com seu sistema decimal possibilitou, pela
primeira vez, um arranjo relativo dos livros nas estantes, permitindo assim a difusão

98

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

do livre acesso.". Isso porque Ranganathan desenvolveu um processo de análise e
síntese dinâmicos, que podem ser aplicados em diferentes contextos, considerando os
objetivos pretendidos.
A teoria foi sendo aprofundada com as contribuições do Classifícation
Research Group (CRG), grupo fundado na Inglaterra, em 1952, para discutir
princípios e práticas de classificação que atendessem a crescente complexidade da
documentação produzida. Straioto e Guimarães (2004, p. 119) informam que
“deveriam formar um grupo com o objetivo de cuidar do trabalho da comissão criada
para analisar a situação da classificação e para verificar e seguir caminho que levasse
à melhoria dos métodos referentes à organização da informação especializada”.
Autores importantes da área faziam parte desse grupo, como Brian Campbell Vickery,
que publicou o livro Faceted classification em 1960; Douglas Foskett, Derek
Langridge, Derek Austin, entre outros que influenciaram o delineamento que a
temática receberia dali em diante.

TEORIA DA CLASSIFICAÇÃO FACETADA: BREVE INTRODUÇÃO
Em 1933, Ranganathan estabeleceu a Colon Classification, originando o
denominado Sistema de Classificação Facetada, ou Classificação dos Dois Pontos, ou
ainda, Classificação Analítico-Sintética. Segundo Piedade (1983, p. 198), “ao lançar o
seu sistema, Ranganathan só utilizou o sinal de dois pontos para introduzir qualquer
uma das facetas, daí o nome do sistema, Colon Classification, pois a palavra ‘colon’
em inglês significa dois pontos”. Desta forma, o número de classificação é formado
por símbolos unidos pelo sinal dos dois pontos, relacionando as diferentes
perspectivas com que um assunto de uma obra pode ser representado.
Um conceito fundamental nesse sistema é o de facetas, definidas por Piedade
(1977, p.22) como “A totalidade das subdivisões resultantes da aplicação de uma
única característica”, a que Barbosa (1972, p.75) também define "[...] como um
conjunto de termos produzidos pela aplicação de um amplo princípio de divisão”.
Assim, facetas são consideradas conjuntos resultantes da aplicação de uma
determinada característica a ser definida considerando-se usuários, objetivos, entre
outros elementos importantes em determinado contexto.
Conforme Straioto e Guimarães (2004, p. 117), “esse sistema significou
expressivo avanço na área, pela possibilidade de inter-relação de conceitos,

99

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

rompendo com a tradição demasiadamente hierárquica”. Assim, as facetas estão
relacionadas

entre

si

pelas

classes

que

possibilitaram

suas

expressões,

exemplificando, os termos madeira e concreto são expressões da faceta material; já
Florianópolis e Vitória são expressões da faceta lugar; o que conecta esses quatro
termos é o assunto Ponte, possibilitando a construção de relações em rede.
Pela primeira vez foi desenvolvida, juntamente com um sistema de
classificação bibliográfica, uma teoria que o embasava, fazendo com que a
classificação ultrapassasse a barreira de técnica e assumisse uma construção teórica,
com suas reflexões e problemas pertinentes. Os autores relatam que, “a Colon
Classification divide o universo do conhecimento em quarenta e duas classes
principais (ou áreas do conhecimento), sendo formada por tabelas com base em uma
única característica que posteriormente passou a ser conhecida por faceta”. Essas
tabelas foram desenvolvidas por Ranganathan como forma de sistematizar seu
sistema para a aplicação em bibliotecas, o que não aconteceu efetivamente, como
citamos, o alcance de sua teoria foi muito maior.
Na organização hierárquica, utilizada nos sistemas como CDD e a CDU, apenas
um princípio pode ser aplicado por vez. Araújo (2006, p. 126), para exemplificar, cita
como exemplo um conjunto de cadeiras, "Usando a categoria tamanho, seriam
separadas as grandes, das médias e das pequenas. Usando a categoria qualidade,
pensada aqui como a cor, separar-se-iam as brancas, das azuis e verdes [...]. Num
sistema hierárquico, contudo, não podem ser utilizados esses [dois] princípios ao
mesmo tempo, mas apenas um." Ou seja, fisicamente a cadeira só poderia ocupar um
desses espaços, assim como os livros nas estantes. Pensando nessas limitações,
Ranganathan desenvolveu a Classificação dos Dois Pontos e a Teoria da Classificação
Facetada. A construção da classificação por facetas permite uma análise ampla de
assuntos, tornando possível a “simultaneidade dos critérios classificatórios”
(ARAÚJO, 2006), estabelecendo relações de diversas naturezas entre os conceitos.
Pode ser esse um dos motivos da classificação facetada encontrar solo fértil na
organização e representação da informação em ambientes digitais em detrimento da
sua aplicação em acervos bibliográficos (LIMA, 2002; PONTES, LIMA, 2012; SILVA,
NEVES, 2012).
Segundo Barbosa (1972, p.74), “Uma classificação facetada é um sistema que
agrupa termos estruturados, na base da análise de um assunto, para identificação de
suas facetas”, que são, “[...] combináveis no ato de classificar, para produzir

100

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

devidamente o tema dos documentos”. Barbosa (1969 apud ARAÚJO, 2006) afirma
ainda que, “Segundo Ranganathan, analisar um assunto por facetas significa que cada
aspecto desse assunto pode ser visto como as manifestações de certas características
ou facetas que obedecem a postulados pré-determinados”. E, sendo assim, essa
análise pode apresentar resultados ilimitados, tantos quantos forem as características
encontradas, sempre derivados das cinco categorias fundamentais.
Para desenvolver a análise por facetas, Ranganathan (1962) apresenta oito
postulados úteis (e não certos, conforme o autor), apresentados a seguir:
1) Categorias Fundamentais: As categorias fundamentais demarcam a primeira
classificação de assuntos dentro de um grande universo. Campos (2001) diz que “São
elas que fornecem a visão de conjunto dos agrupamentos que ocorrem na estrutura,
possibilitando assim o entendimento global da área”. Langridge (1977) também
entende as categorias fundamentais como uma estrutura mais abrangente da
classificação e as facetas como manifestações destas em diferentes classes. As
categorias fundamentais criadas por Ranganathan (1962) foram: P (personalidade),
M (matéria), E (energia), S (space - Local) e T (tempo); todas as facetas possíveis de
um assunto seriam manifestações de uma das categorias fundamentais:
Personalidade – É considerada indefinível, quando um termo não se adequa a
nenhuma outra categoria, é entendida como uma manifestação desta.
Matéria – Materiais constitutivos de um objeto. Ex: Mesa/ Matéria: madeira.
Energia – Processos, operações, ações, técnicas, métodos, fenômenos.
Espaço – Lugares.
Tempo – Períodos.
2) Concretude: A ordenação dos assuntos segue do mais ao menos concreto, de
acordo com as cinco categorias P, M, E, S, T; a faceta básica deve estar sempre em
primeiro lugar.
3) Transformação: Omitir todos as palavras auxiliares, preposições, artigos,
conjunções, para que os nomes dos assuntos fiquem listados dentro das categorias
fundamentais de forma objetiva.
4) Tradução em números: Após a definição dos termos, eles serão traduzidos
para uma representação numérica, estabelecida na Classificação de Dois Pontos.

101

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

5) Símbolos de conexão: A conexão entre facetas se dá através de uma pontuação
previamente estabelecida, que consistem em:
Faceta

Símbolo

P

,

M

;

E

:

S

.

T

'

6) Síntese dos números: O estabelecimento da notação codificada em números e
conectados pelos símbolos apresentados acima.
7) Ideia isolada: Foco que a faceta terá, diferente da básica, que é por si só um
assunto. Já a ideia isolada sempre será combinada com uma faceta básica.
8) Três planos de trabalho: A divisão da análise de assunto em três planos: a
ideia, o verbal e o notacional. A análise inicia no plano das ideias, quando os assuntos
são analisados; o plano verbal acontece quando os assuntos são objetivados,
postulado 3; no momento em que é feita a síntese do assunto e sua representação
numérica, postulado 6, temos o plano notacional.
De acordo com Campos (2001, p.53), na Classificação Facetada “[...] as
unidades classificatórias são o assunto básico e a ideia isolada”. Assunto básico é
definido como um “assunto sem nenhuma ideia isolada como componente” e ideia
isolada como “alguma ideia ou complexo de ideias ajustadas para formar um
componente de um assunto, mas, em si mesma, ela não é considerada um assunto”
(RANGANATHAN, 1967 apud CAMPOS, 2001, p.49). No assunto Fabricação de
cadeiras, cadeira seria a ideia isolada quanto analisada fora do contexto da Faceta
Personalidade, que necessita do complemento fabricação (Faceta Energia) para
tornar-se um assunto. Isto caracteriza a ideia subjacente à classificação facetada, da
flexibilidade e necessidade de combinação dos termos. O grande mérito desse sistema
foi a contemplação das relações entre os termos, formando um todo coerente. Pela
organização hierárquica, flexível e pós-coordenada, é possível visualizar o conceito e
suas possíveis relações, que variam para cada documento. Esse pode ser considerado
o primeiro passo em direção a construção de tesauros.

102

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Apesar do sistema de classificação não ter sido amplamente implantado, a
teoria da classificação facetada foi um importante marco nas discussões sobre análise
de assunto por apresentar uma nova perspectiva de análise, por facetas. As pesquisas
que se baseiam nessa teoria encontram campo fértil até a atualidade e,
especificamente no Brasil, é possível verificar através das publicações na área da
Ciência da Informação, já citadas.

APLICAÇÃO DA ANÁLISE POR FACETAS
Barbosa (1972) afirma que no Brasil a teoria da classificação facetada
encontrou campo de discussão no "Curso de Pós-Graduação em Ciência da
Informação", realizado pelo IBBD/UFRJ, a partir de 1970. Essa perspectiva
demonstra que a utilização da teoria da classificação facetada em pesquisas na área
de Ciência da Informação tem ocorrido já há três décadas, possibilitando resultados
exitosos para a organização do conhecimento.
Nesse sentido, buscamos aqui apresentar a contribuição da teoria da
classificação facetada em um estudo caracterizado como uma pesquisa exploratória e
documental, uma vez que possui o intuito de buscar familiaridade com o objeto
estudado e, por isso, possui características qualitativas e indutivas. Os corpora
investigativos foram as metáforas encontradas como palavras-chaves atribuídas aos
artigos científicos publicados em Journal of Homosexuality, Sexualities e Journal of
Gay &amp; Lesbian Mental Health.
Primeiramente, esclarecemos que a organização das palavras-chave coletadas
representa os assuntos contidos nos trabalhos científicos das revistas científicas
Journal of Homosexuality; Gay &amp; Lesbian Mental Health e Sexualities, entre os anos
2010-2015. As palavras-chave atribuídas aos artigos publicados nessas revistas foram
identificadas, coletadas, e a partir dessa coleta, elas foram inseridas em uma planilha
eletrônica e consequentemente analisadas. Essa análise, de caráter qualitativo, serviu
para identificar possíveis figuras de linguagem pertencentes à comunidade discursiva
relativa à homossexualidade. Após a identificação, coleta e análise iniciou-se uma
organização conceitual para que essa base léxica resultasse em um produto
documental, como os cabeçalhos de assuntos organizados a partir da classificação
facetada.

103

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

As palavras-chave que foram consideradas relevantes para o estudo foram as
de incidência igual ou maior que cinco repetições. Posteriormente, foram
identificadas e conceituadas as que continham representação metafórica. Logo em
seguida foi realizado o controle terminológico a partir da classificação facetada de
Ranganathan, que objetiva a estruturação do conhecimento, através da organização
dos conceitos e das relações entre eles, permitindo o mapeamento de uma área de
assunto e a inclusão de novos conceitos; essa classificação possibilitou que os termos
de diferentes aspectos possam ser indexados simultaneamente de acordo com suas
facetas/categorias baseadas no PMEST (Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e
Tempo). Por fim, os termos metafóricos foram submetidos à aplicação do metafiltro
proposto por Orrico (2001), que busca classificar semanticamente os termos através
da Essência, Função e Modo. Deixando claro que nosso intuito visou a atender às
necessidades dos usuários finais, buscando facilitar e tornar acessível à busca por
informações ligadas ao domínio da homossexualidade, especialmente quando do uso
de metáforas.
Assim, dos 4.356 (quatro mil trezentos e cinquenta e seis) termos extraídos e
traduzidos foram considerados relevantes para este estudo apenas aqueles que
apresentaram incidência igual ou maior que cinco repetições, reduzindo para 503
(quinhentos e três) termos. Então, do universo das 503 palavras-chave, foram
encontradas 12 metáforas oriundas da literatura científica, que foram: closet
(armário), coming out (assumir-se), bareback (sexo sem preservativo), leather
(couro), cruising (caçar), dogging (banheirão), fag hag (mulher amiga do
homossexual), chicken (homossexual jovem), dude (lolito), don’t ask, don’t talk (não
pergunte, não fale), bears (ursos) e queer (bicha). A seguir temos um exemplo de
como os termos foram analisados e tabulados a partir das teorias.
TERMO

Sair do Armário ou
Assumir-se
(Coming out)

RANGANATHAN
Personalidade
(Enuncia o discurso
– quem é)
Matéria (Conseguir
o produto final – o
que faz)
Energia (Manifesta
nas atividades –
como faz)

METAFILTRO
Essência

RESULTADO
Aquele que assume
sua orientação sexual

Função

Assume sua orientação
sexual

Modo ou Condição

Revelando
publicamente sua
orientação sexual

A terceira coluna revela a possibilidade de contextualizar o termo metafórico e

104

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

a faceta que assume diante de termos mais genéricos como, por exemplo,
homossexual. Essa pesquisa demonstrou que a teoria da classificação facetada aliada
a outra teoria – metafiltro – contribui de forma significativa para a contextualização
de termos metafóricos de uma determinada comunidade discursiva, facilitando a
categorização e identificação das facetas as quais esses termos podem ser
organizados.
Além disso, esses resultados possibilitam que os termos sejam submetidos à
construção de cabeçalhos de assunto ou de mapas conceituais que facilitem a
compreensão das categorias e facetas que possibilitaram a organização dessa base
léxica.
Sendo assim, espera-se que resultados da pesquisa, através do uso da teoria da
classificação facetada e do metafiltro nas metáforas oriundas da homossexualidade, a
partir da documentação científica, ou seja, artigos científicos a respeito dessa
comunidade discursiva, resultem em conhecimento teórico para subsidiar as lacunas
existentes nessa área.
Essa pesquisa reiterou, também, o que os ensaístas mencionados na
introdução já indicavam, ou seja, em face da impossibilidade de se representar e
organizar todo o conhecimento humano, que se considere, ao menos, a sua
pluralidade e, considerando-a, que os produtos da representação sejam eticamente
aceitáveis, uma vez que são dispositivos da memória científica. Assim, os estudos
sobre a a teoria da classificação facetada, através do pressuposto da inclusão social,
tendem a auxiliar a área no desenvolvimento de instrumentais teóricos e
metodológicos para o aperfeiçoamento de suas atividades, processos e produtos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A contribuição da teoria da classificação facetada estende-se para muitos
estudos no âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Além da
contribuição teórica, a contribuição aplicada revela-se na construção de produtos e
instrumentos documentais como, por exemplo, cabeçalhos de assuntos, mapas
conceituais e linguagens de indexação. O uso de termos metafóricos como candidatos
a termos de indexação e de serem incluídos em linguagens de indexação era
impensado devido a sua carga polissêmica. Entretanto, a teoria da classificação
facetada, bem como a teoria do metafiltro, possibilita o seu entendimento dentro do

105

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

contexto da comunidade discursiva analisada e o entendimento do assunto em suas
facetas. Esse entendimento resulta em produtos e instrumentos que possibilitam o
aumento da precisão temática na recuperação da informação. Além disso, reafirma a
atualidade da teoria da classificação facetada no âmbito da Biblioteconomia.

REFERÊNCIAS
ARAÚJO, C. A. A. Fundamentos teóricos da classificação. Encontros Bibli, Florianópolis,
n.22, 2. sem. 2006. Disponível em: http://www.encontros-bibli.ufsc.br/regular.html. Acesso
em: 25 maio 2016.
BARBOSA, A. P. Classificações facetadas. Ci. Inf, Rio de Janeiro, v.1, n.2, p.73-81, 1972.
CAMPOS, M. L. A. Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua elaboração.
Niterói: EdUFF, 2001.
DAHLBERG, I. Fundamentos teórico-conceituais da classificação. Revista de
Biblioteconomia de Brasília, v.6, n.1, p.9-21, jan./jun. 1978.
LANGRIDGE, D. Classificação: abordagem para estudantes de Biblioteconomia. Rio de
Janeiro: Interciência, 1977.
LIMA, G. A. B. A análise facetada na modelagem conceitual de sistemas de hipertexto: uma
revisão de literatura. Perspect. Ci.Inf., Belo Horizonte, v.7, n.2, p.189-196, jul./dez.2002.
ORRICO, E. G. D. Binômio Linguística-Ciência da Informação: abordagem teórica
para elaboração de metafiltro de recuperação da informação. 2001. 206 p. Tese (Doutorado
em Ciência da Informação) – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia /
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001.
PEREC, G. A vida modo de usar: romances. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
PEREC, G. Pensar/clasificar. 3. ed. Barcelona: Editorial Gedisa, 2008.
PIEDADE, M. A. R. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro: Interciência,
1977.
PIEDADE, M. A. R. Introdução à teoria da classificação. 2. ed. rev. aum. Rio de
Janeiro: Interciência, 1983.
PONTES, F.V.; LIMA, G.A.B.O. A organização do conhecimento em ambientes digitais:
aplicação da teoria da classificação facetada. Perspect. Ci.Inf., Belo Horizonte, v.17, n.4,
p.18-40, out./dez. 2012.
RANGANATHAN, S. R. Facet analysis: fundamental categories. 1962. In.: CHAN, L.M.
Theory of subject analysis. Colorado: Libraries Unlimited, 1985. p.88-93.
SILVA, M.B.; NEVES, D.A.B. Prototipagem de banco de dados: o uso da teoria da
classificação facetada na modelagem de dados. Tendências da Pesquisa Brasileira em
Ciência da Informação, v. 5, n. 1, 2012.

106

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

STRAIOTO, A. C.; GUIMARÃES, J. A. C. A abordagem facetada no contexto da organização
do conhecimento: elementos históricos. Páginas a&amp;b (arquivos &amp; bibliotecas), Lisboa, n. 14,
p. 109-136, 2004.

107

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A ATUALIDADE DO PENSAMENTO DE
RANGANATHAN:
princípios para a organização de domínios
do conhecimento
Hagar Espanha Gomes
Maria Luiza de Almeida Campos

INTRODUÇÃO
Dentre as diversas propostas de classificação para bibliotecas a proposta de
Ranganathan foi a que mais frutificou em termos de construção teórica. Seu esquema
– a Colon Classification – restringiu-se às bibliotecas indianas, mas os princípios
propostos foram além de seu emprego inicial – a organização dos livros nas estantes
– para a representação e organização da informação em geral e, mas recentemente,
sua teoria tem-se mostrado apropriada à construção de taxonomias, como também
vem se tornando elemento fundamental para questões que envolvem organização de
conteúdos em portais institucionais e repositórios. É importante ressaltar que
Ranganathan percebeu que na construção de um esquema de classificação
bibliográfica três planos de ação estavam em jogo: o plano ideacional, o plano verbal
e o plano notacional, estabelecendo princípios para cada um deles. O plano ideacional
foi o que levou ao desdobramento de sua teoria da Biblioteconomia para a
documentação/ciência da informação. A formação matemática de Ranganathan pode
explicar a adoção de princípios lógicos em sua produção.
Atualmente, pode-se considerar a Teoria da Classificação como uma
disciplina autônoma, uma vez que satisfaz os seguintes requisitos: é uma área
reconhecida de pesquisa com grande número de pesquisadores representados pelas
inúmeras sociedades científicas e comunicações em congressos, simpósios, etc. e
divulgados em inúmeros periódicos de reputação internacional.

108

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A Teoria da Classificação Facetada é vista na atualidade não como uma teoria
somente utilizada na elaboração da “Colon Classification”, mas como uma teoria de
representação que auxilia o modelador a um método de pensar domínios de
conhecimento visando sua representação.
Organização, no contexto da ciência da informação/documentação, implica
no conceito de classificação e nenhuma outra área do conhecimento buscou
desenvolvimento de bases teóricas da classificação como ali. A classificação
está presente na organização automática dos menus/diretórios, que se
caracterizam por classificação de assuntos; está presente na classificação
automática dos recursos eletrônicos, mais especificamente na construção dos
índices das ferramentas de busca, baseados na varredura de textos
completos, utilizando técnicas desenvolvidas nos anos 50 e 60 do século
passado; está presente nas ontologias, voltadas para a Inteligência Artificial.
E na Rede Semântica, proposta pelo Consórcio WWW3. Na base da
classificação está a lógica, fundamental para aqueles que atuam na
Informática como na ciência da informação/documentação. Embora em
ambos os domínios tenha havido progresso no desenvolvimento das bases
teóricas da classificação/organização do conhecimento, as bases propostas
por Ranganathan parecem extremamente atuais para a resolução de
problemas conjuntos envolvendo informática/informação (conteúdos
semânticos). Estes conteúdos estão presentes na construção de
hiperdocumentos e na construção das bases de conhecimento. (CAMPOS;
GOMES, 2003)

Neste sentido, pretende-se associar, neste artigo, os princípios da Teoria da
Classificação de Ranganathan como um método para a elaboração de domínios de
conhecimento para atender as diversas necessidades informacionais atuais. Além
disso, pretende-se também ressaltar a importância deste método para a formação de
profissionais de informação aptos a serem classificacionistas - aqueles que elaboram
classificações, e não somente classificadores - aqueles que usam classificações, como
nos dizia RANGANATHAN.

COMO TUDO COMEÇOU...
Shiyali Ramamrita Ranganathan nasceu em 9 de agosto de 1892, em Shiyali,
no estado de Madras na Índia. Sua família pertencia à casta dos Bramanides. Como
todo indiano, cresceu e foi educado segundo as tradições do hinduísmo. Era
extremamente religioso, vegetariano e admirador de Gandhi. Em 1916, obtém o título
de mestre em Matemática pela Universidade Madras. Em 1917, já exerce a profissão
de docente em três faculdades desta mesma Universidade. Em sua atuação
profissional Ranganathan destacou-se por sua luta em favor da melhoria de
condições de trabalho para a sua classe, e sempre teve como preocupação a questão

109

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

do ensino e da pesquisa em seu país. Neste sentido considerava que a biblioteca tinha
um papel preponderante. (SATIJA, 1949)
Assim, em 1924, ao vagar o cargo de bibliotecário da Universidade de Madras,
seus colegas o incentivam a candidatar-se a ele. RANGANATHAN inicia então uma
nova trajetória em sua vida que marcaria profundamente a área da Biblioteconomia.
À época de Ranganathan a Ìndia era parte da Comunidade Britânica e a
presença dos ingleses teve, como era de se esperar, frutos bons e outros nem tão
bons. Ranganathan foi um dos frutos bons.
Atuando como bibliotecário da biblioteca de Madras, achava o serviço
entediante, pois não via a biblioteca somente como um espaço que tem por função
organizar, tratar e disseminar as informações contidas em registros de conhecimento,
mas fundamentalmente um espaço que devia atuar na difusão do conhecimento e que
possibilitaria aos indivíduos a propagação do saber, não deixando de respeitar os
contextos sociais onde esses indivíduos estavam inseridos. Foi então que seu Diretor
sugeriu que ele fosse estudar em Londres para visitar e conhecer bibliotecas
britânicas, tendo em vista sua inteligência e espírito arguto. A Escola de Londres, que
contava com a participação de Berwick Sayers, já incluía em seu currículo aspectos
teóricos dos esquemas de classificação bibliográfica e isto foi muito favorável a
Ranganathan em pelo menos dois aspectos: seu contato com a Classificação como
área de estudos e o desenvolvimento posterior de sua Teoria de Classificação. Neste
período Sayers atuou como supervisor de Ranganathan e participou com ele das
primeiras iniciativas da Colon Classification.
Apesar do curto período em que lá esteve, foi capaz de fazer uma verdadeira
revolução na Biblioteconomia. A Classificação já encontrava em Ranganathan terreno
fértil, tanto por sua formação em Matemática e Lógica, quanto por sua formação
espiritual, considerando a visão holística e a organização sistemática presente no
Budismo. (SEPÚLVEDA, 1969). Assim, ele quis dar à profissão status de ciência com
leis, cânones e princípios para embasar todos os aspectos da profissão, como gestão,
seleção de livros, catalogação, serviço de referência, classificação. Em todas estas
áreas estabeleceu princípios e cânones, tendo as cinco Leis (RANGANATHAN, 1963)
como base.
A verdadeira revolução ocorreu com seus estudos de classificação e em sua
proposta de categorização para organizar o conhecimento dos livros, rompendo com

110

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

a tradicional estrutura de assuntos vigentes à época. Certamente, o estudo destas
tabelas considerava a influência de filósofos em relação a suas propostas de
organização do conhecimento, mas a passagem destas estruturas para os esquemas
de classificação bibliográfica não era automática. Isso Leibniz – filósofo e
bibliotecário – já havia percebido nos esquemas de classificação bibliográfica que
desenvolveu estando bastante atento aos princípios da garantia literária (SCHULTEALBERT, 1971). Assim, embora não acreditasse em Astrologia, Artes da adivinhação,
e outras ‘pseudo-ciências’ cuja literatura já era abundante, incluiu tais tópicos em seu
esquema para ‘dar-lhes um lugar na estante’. Ranganathan pode não ter sabido das
inquietações de Leibniz, mas em sua experiência sabia que era preciso dar um lugar
na estante para qualquer tópico abordado em um documento. Outro aspecto intrigava
Ranganathan: como acompanhar a dinâmica do progresso científico, ou seja, como
atualizar as tabelas, em especial naqueles casos em que toda a estrutura deveria ser
revista? Ranganathan propõe uma Teoria Dinâmica (RANGANATHAN, 1967) em
contraposição a Teoria Descritiva vigente na época que ele denominou de
Classificações

Enumerativas.

Nestas

classificações

a

notação

simplesmente

enumerava os assuntos presentes nos livros, sem a possibilidade de compor uma
notação cujo assunto já não estivesse previsto no esquema classificatório. Já a Teoria
Dinâmica que não estava baseada na garantia literária, ou como dizia Ranganathan
não se relacionava com o “universo do documento”, se estabelecia a partir do
‘universo do conhecimento”. Ali, ele propõe princípios que permitem que novos
tópicos encontrem um lugar no esquema, sem necessidade de revisões, substituições,
acréscimos ou outras interferências no esquema. Esta teoria encontra-se em sua
proposta de Tabela de Classificação, a “ Colon Classification”, e que durante anos foi
se aprimorando.
Mas sua Teoria ficou restrita durante muito tempo à Ìndia, com o uso apenas
local de sua Colon Classification, apesar da presença de Ranganathan em encontros e
simpósios no mundo ocidental.
Os membros do Classification Research Group (CRG) com seus projetos de
pesquisa na área de classificação para aplicação em serviços de organizações de
ciência e de tecnologia retomaram as propostas de Ranganathan, na década de 50 do
século passado. O surgimento da Recuperação da Informação, nessa mesma época,
com a possibilidade de manipular a linguagem natural com a introdução do
computador, havia produzido uma nova ferramenta de controle de vocabulário – o

111

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

tesauro – mas foi a contribuição de Jean Aitchison que tornou possível o emprego do
método facetado para organização sistemática consistente dos tesauros. A ‘virada’ foi
possível com seu índice sistemático de seu Tesauro para Engenharia Elétrica

que

deu origem ao Thesaurofacet (AITCHISON, 1970) evidenciando a pertinência dos
princípios de Ranganathan para a elaboração dessa ferramenta. Mais adiante, com o
advento da Web Semântica e a introdução dos metadados, a contribuição de
Ranganathan é quase uma unanimidade, conforme se observa na literatura produzida
sobre o tema, em produtos e serviços diversos que requerem navegação como a
Arquitetura da Informação na Web, e na vasta literatura a respeito da Classificação
Facetada, como ficou conhecido seu método, vaticinado por Foskett (1955) e
confirmado por Broughton (2001) e Lambe (2007) ao analisarem seu uso em diversos
ambientes digitais. Mais recentemente sua Teoria está presente em estudos e
aplicações nos Estados Unidos (LABARRE, 2006; ADKISSON, 2003). Na Itália,
Gnoli (2006) é um dos mais conhecidos representantes. A Universidade Federal
Fluminense possui um Grupo de Pesquisa na área de Ciência da Informação, no
âmbito dos estudos que envolvem instrumentos semânticos, que utiliza como um de
seus aportes teóricos a Teoria da Classificação de Ranganathan, atuando também em
projetos de consultoria a empresas, confirmando sempre a atualidade e validade de
seus cânones e princípios.
Os principais textos para o estudo das bases teóricas da classificação estão nos
Prolegomena (RANGANATHAN, 1967), no livro pouco divulgado aqui no Brasil
“Philosophy of Library Classification” (RANGANATHAN, 1951) e na Introdução da
Colon Classification (RANGANATHAN, 1963a). A atividade prática foi fundamental
no desenvolvimento de sua Teoria. Enquanto a Colon Classification foi desenvolvida
entre 1925 e 1933, seus Prolegomena foram publicados pela primeira vez em 1953.
Ali se encontram as bases da classificação analítico sintética, facetada, cujo princípio
consiste em entender que em cada Universo de Assunto categorias se apresentam
como classes de grande extensão e que em cada categoria manifestam-se classes que
são denominadas de facetas. A Colon Classification é um esquema complexo que
exige do classificador grande capacidade de análise (identificação do assunto do livro)
e síntese (aplicação da notação) visando manter coextensividade entre o assunto do
livro e sua representação na notação.

112

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Da Colon Classification a uma Teoria da Classificação
Em Londres, como estudante na School of Librarianship, RANGANATHAN
conhece o professor W.C. Bervick Sayers que estava ensinando classificação de
biblioteca e logo se empolga com o estudo de classificação. Não é surpreendente que
Ranganathan tivesse se inclinado mais para a classificação do que para qualquer uma
das outras partes da Biblioteconomia, já que esse assunto poderia ser quase chamado
de a “matemática” da Biblioteconomia. (SATIJA, 1949)
Sob orientação de B. Sayers estudou detidamente as classificações Expansiva
de Cutter, a Subject Classification de Brown e a Decimal Classification de Dewey, a
Library of Congress Classification. Apesar de ter gostado da CDD, seus estudos em
classificação prática no Colégio da Universidade, em Londres, mostrou-lhe
claramente a inabilidade da Classificação Decimal para classificar apuradamente.
Havia um exercício então usado no qual o tutor lia o nome de um livro com um título
expressivo, e os estudantes forneciam um número decimal apropriado. Ranganathan
muitas vezes achava que ele poderia fornecer dois. Ele verificou que muitos assuntos
não permitiam criar notação coextensiva e compreendeu que era um sistema
enumerativo. Tentou encontrar uma solução que permitisse notação coextensiva
inclusive para representar novos assuntos.
Entrando numa loja de brinquedos teve o insight para a solução do problema
ao observar o uso de um conjunto Meccano, constituído de peças de metal, cabos,
parafusos e porcas e o que mais, que permitiam a criação de diferentes brinquedos
conforme fossem reunidos. Assim deveria ser com os números de classe, foi seu
sentimento. ‘Em vez de fornecer números de classes existentes para os assuntos
compostos, seria possível construir os níveis de classe para qualquer assunto,
reunindo um pequeno grupo de números apropriados extraídos de pequenas tabelas
para as ideias compostas’. (RANGANATHAN, 1924)
Juntamente com Prof. Sayers, tentou projetar um esquema de classificação. A
primeira coisa a ser estabelecida seria uma Faceta Básica (por exemplo: Matemática,
Agricultura, Medicina), ou seja, uma faceta inevitável em uma área de conhecimento
e assim foram isolados os demais componentes. Para unir os diversos componentes
ele utilizou códigos diferentes para distinguir cada tipo de ligação dos números como
numa frase com sujeito, predicado objeto e assim por diante. Durante a viagem de
volta à Índia Ranganathan passou toda a viagem na biblioteca do navio testando sua

113

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

proposta. Na universidade de Madras testou o esquema na biblioteca da
Universidade. Ao desenvolver o Postulado das Cinco Categorias Fundamentais, a
notação para um assunto deveria ser a organizada com códigos que identificariam
cada Categoria: “,” [vírgula] para Personalidade, “;”[ponto e vírgula] para Matéria;
“:” [dois pontos] para Energia; “.” [ponto] para Espaço; “*” [asterisco] para Tempo. E
assim estaria estruturado o assunto como uma sentença. Esta ‘sintaxe’ que ordenava
ideias e não elementos gramaticais seria conhecida mais tarde como ‘sintaxe absoluta’
(NEELAMEGHAN, 1975) – está voltada para a Lógica e não para a Gramática.
Ranganathan continuou a desenvolver sua Teoria que se manifesta nas várias
edições da Tabela. Krishan Kumar, pesquisador e professor de classificação indiano,
classifica em três os períodos da Colon Classification: o período Rigidamente
Facetado, que vai da 1ª à 3ª edição, o período Quase-Livremente Facetado, que vai da
4ª edição até a 6ª edição (1963) e o período Livremente Facetado, a partir da 7ª
edição, que ele chama de Versão 3 da Colon Classification (CAMPOS, 2001). O
segundo período é assim justificado:
Um esquema se torna quase-livremente facetado porque o uso de diferentes
dígitos indicadores para diversos tipos de facetas e o conceito de ciclos e
níveis removeram a rigidez severa no número e na sequência das facetas que
podem ocorrer num assunto composto. No entanto, alguma rigidez se
escondia com relação aos níveis de facetas dentro de um ciclo. (KUMAR,
1981, p. 72)

Tennis (2011) chama de ondas ou camadas esses períodos. Iniciando com a
Classificação Facetada, rígida,

expandida e refinada, a Classificação Analítico-

Sintética (em 1951), ‘mais flexível com inúmeras técnicas que permitiram ao
classificador maior poder’; a classificação profunda – Depth Classification – que ele
apresenta em 1953 e a Classificação Abstrata que permitiu a partir da prática, ‘criar
modelos de como uma classificação poderia ser feita e, através de esforços de
pesquisa comparada neste nível, expandir as técnicas disponíveis para o
classificacionista criar esquemas melhores’, esta última ‘onda’ se deu por volta de
1960.
O estudo de sua Teoria através dos Prolegomena é difícil para alguém sem
experiência com organização de esquemas ou com elaboração de tesauros. Em
relação a este último, vários de seus cânones deixam de ser pertinentes como a
necessidade de esgotar uma faceta ou de completar um esquema, ao contrário do
desenvolvimento de um esquema de classificação que requer o esboço completo do

114

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

esquema para então poder ser aplicada a notação. O tesauro, ou a taxonomia, são
flexíveis, e a cada novo elemento de inclusão a estrutura tem um lugar para ele.
Assim, importam apresentar aqui os Cânones relacionados às características das
unidades e os princípios de organização destas unidades no interior de cada faceta
visnado a elaboração de modelos de domínio em tesauros e taxonomias por exemplo.
Graças à divulgação do método facetado para instrumentos de controle de
vocabulário, seu método ganhou impulso na organização de recursos digitais. Neste
caso, alguns aspectos deixarão de ser abordados como, por exemplo, a notação.
De fato, Ranganathan separava atividade de classificação em três Planos: o
plano Ideacional, o Plano Verbal e o Plano Notacional. Em relação ao Plano Verbal
ele não visava uma terminologia: importava identificar as ideias de que um assunto
era constituído para, num processo de análise, identificar as características que
seriam incluídas na CC. Assim, por exemplo ‘psicologia infantil’ teria uma notação
para ‘psicologia’ e outra para o aspecto ‘criança’. Desse modo, mais tarde, como os
estudos em Geriatria se tornaram comuns, seu esquema poderia representar tal
assunto com a notação para Psicologia acrescida a notação para idoso, ou velhice – a
palavra não era importante, a ideia sim. Ele ressalta, no Plano Verbal, a imprecisão
da linguagem natural, a incidência de homônimos e sinônimos, e outros aspectos na
formação de expressões verbais. Tratam-se, na verdade, de questões verbais para
representar ideias, as quais serão respondidas por contribuições posteriores como a
Teoria do Conceito (DAHLBERG, 1978) que aborda tanto os aspectos linguísticos
como os extra-linguísticos.
O plano ideacional é voltado para os aspectos extra-linguísticos. Em seus
Prolegomena, Ranganathan desenvolve sua Teoria do simples para o complexo, ou
seja, da Ideia para a construção do Assunto, que é a reunião das ideias, e finalmente
para a representação do assunto via notação. Em outros termos, parte da ideia
reunida em facetas e depois reúne as facetas segundo as Categorias Fundamentais,
que fornecem visão do todo, tendo em vista que seu objetivo é a construção de um
esquema de classificação. Como visto anteriormente, graças ao Thesaurofacet, de
Jean Aitchison, sua Teoria mostrou-se útil à elaboração de tesauros. Se vamos utilizar
sua Teoria para organização de modelos de domínios para produtos e serviços em
meio digital alguns aspectos perdem relevância. Então, dentro desta perspectiva
apenas cânones aplicáveis a esta realidade serão discutidos.

115

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A ELABORAÇÃO DE MODELOS DE DOMÍNIOS E O PLANO IDEACIONAL
O princípio apresentado por Ranganathan para a elaboração de uma base
teórica sólida, visando à construção de classificação bibliográfica, como pode ser
observado, é de fundamental importância para a organização de domínios de
conhecimento. A representação de domínios se configura como princípio norteador
para a organização de documentos e informação em meio tradicional e já há alguns
anos em meio digital.

Instrumentos semânticos, como tesauros, taxonomias e

também mais recentemente, ontologias, assim como a estruturação de formatos que
envolvem a arquitetura de informação na Web e a gestão de seus conteúdos em
portais e repositórios institucionais e temáticos necessitam de modelos de domínios.
Neste aspecto, entende-se por domínio um recorte que pode ter por princípio de
divisão disciplinas, problemas, processo, atividades entre outros. Por exemplo, como
domínio podemos citar Medicina, Engenharia, Perfuração de Poços, Despoluição da
Baía da Guanabara, Culto a Iemanjá.
Ranganathan, através dos princípios apresentados no Plano Ideacional
evidencia uma série de fundamentos teóricos para modelar domínios de
conhecimento, que visam a permitir que os conceitos de um domínio possam ser
estruturados de forma sistêmica, isto é, os conceitos se organizam em renques e
cadeias, essas estruturadas em classes abrangentes, que são as facetas, e estas últimas
dentro de uma dada Categoria Fundamental. A reunião de todas as categorias forma
um sistema de conceitos de uma dada área de assunto e cada conceito no interior da
categoria é também a manifestação dessa categoria.
Ranganathan segue uma ordem de complexidade crescente para a organização
dos elementos em um domínio. Ele parte do elemento, que ele chama de isolado, sua
organização em classes/facetas e por último a reunião destas em categorias. Esta será
a ordem que seguiremos na apresentação de seus princípios.

Cânones para Características de Divisão (facet division)
Alguns princípios são importantes para a escolha e ordenação de classes que
formam cadeias e renques. Estes princípios se consolidam no que se denomina de
características de divisão, ou seja, os princípios pelos quais as classes podem ser
divididas. Ranganathan chama entidade cada unidade a ser incluída na estrutura

116

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

classificatória. Os elementos a serem considerados na organização de cada entidade
são suas características, que incluem:
Cânone da Diferença:

uma característica usada como base para a

classificação de um universo deve fazer a diferenciação de algumas de suas entidades,
ou seja, deve dar origem a pelo menos duas classes. Vestimenta feminina esta pode
ser caracterizada por diferentes aspectos como estilo, função, pelo período e assim
por diante.
Cânone da Relevância: uma característica usada como base para a
classificação de um universo deve ser relevante para o propósito da classificação. O
termo ‘esteira’ pode ser feito segundo várias técnicas, mas, no caso da cultura
indígena, estas não seriam características essenciais, mas sua função, sim.
Cânone da Verificabilidade: uma característica usada como base de
classificação em um universo deve ser definitiva e verificável. No universo dos Santos
a data de nascimento nem sempre foi possível verificar e, com isso, a data de morte
foi a característica utilizada.
Cânone da Permanência: uma vez escolhida uma característica em um
universo ela deve ser mantida. Assim, característica ‘forma de governo’ deve ser
evitada na classificação de um universo de países, pois ela não é permanente.
O segundo conjunto de cânones se destina a estabelecer uma ordem, ou
sucessão.
Cânone da Concomitância: É preciso selecionar características que não
produzam a mesma sequência. Por exemplo, organizar por idade ou por data de
nascimento leva à mesma sequência. Mas altura, não.
Cânone da Sucessão Relevante: a sucessão de características no esquema
associado de características deve ser relevante para o propósito da classificação. Este
cânone, específico de uma tabela de classificação, pode ser explorado na ordenação,
em uma tela, das características de um serviço por meio de uma arquitetura da
informação. Por exemplo, qual seria a melhor disposição na tela dos diferentes
aspectos representados em um serviço de informação sobre Vestimenta? Haverá
algum princípio lógico a seguir?

117

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Cânones para Renque
Renque (En: Array) é o conjunto de elementos de mesmo nível subordinados
a um elemento superior. Este cânone prevê exaustividade, exclusividade, Sequência
útil e Sequência consistente.
Exaustividade: Necessária em um esquema de classificação: somente depois
de completo o esquema é que a notação pode ser estabelecida. Em uma taxonomia, a
exaustividade não é um requisito pois os elementos surgem dos recursos digitais que
estão sendo organizados e a tecnologia vigente permite que se façam as interpolações.
Exclusividade: os elementos de um renque devem ser exclusivos. A tecnologia
vigente permite que este cânone seja rompido, pois em uma mesma faceta, um
elemento pode estar presente em mais de um subconjunto. Por exemplo, no universo
da Moda, a Faceta Tecidos permite que ‘cetim’ seja subordinado tanto a ‘tecido leve’
como a ‘tecido brilhoso’. Isto permite que o usuário encontre o que deseja segundo o
aspecto que lhe convém.
Sequência útil: Se houver uma sequência internacional ou tradicional a
escolha deve recair na conveniência ou no uso, conforme o propósito do esquema de
classificação. No caso de uma arquitetura de informação o princípio é válido. Mais
ainda, a tecnologia permite que ambas as sequências possam ser adotadas e
oferecidas ao usuário que faz a opção.
Sequência Consistente: uma vez adotada uma sequência, ela deve ser adotada
em situações paralelas. Por exemplo, na navegação em um serviço no universo da
Moda, se a Sequência para Moda Feminina for: tipos de vestimenta, partes, estilo,
acessórios, ela deve ser observada também para Moda Masculina.

Cânones para Cadeia
Cadeia é uma série vertical de elementos. Estes podem ser dispostos segundo
extensão decrescente, e o princípio da Modulação deve ser observado.
Extensão decrescente: Aqui é preciso esclarecer os termos ‘extensão’ e
‘intensão’. Extensão é a enumeração dos objetos incluídos em uma classe. Por
exemplo, a enumeração dos planetas do nosso Sistema solar. Intensão refere-se a
conceitos. ‘Quanto maior a classe, menos atributos ela contém. Quanto mais
específicos os elementos dessa classe, mais atributos cada um deles contém. Por

118

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

exemplo, no universo da Moda, ‘vestimenta’ contém menos atributos do que ‘vestido
de baile’. Daí que, quanto maior a intensão, mais específico é o termo na cadeia de
termos.
Modulação: este cânone estabelece que não deve haver nenhum ‘salto’ na
extensão decrescente. Para um esquema de classificação este cânone é importante,
pois a notação só pode ser estabelecida depois que todo o esquema está desenvolvido.
Numa taxonomia a cadeia conterá apenas termos para representar recursos digitais
existentes. À medida que novos elementos surjam, a tecnologia permite que o termo
novo seja inserido em sua devida posição na hierarquia.

Cânones para Sequência de Filiação
Aqui se incluem as classes subordinadas e as classes coordenadas e a
sequência ou ordenação dos elementos em seu interior. Para a classificação de
recursos digitais prevalece o cânone da exclusividade acima.
A seguir, Ranganathan enumera uma série de princípios que visam dar uma
ordenação ao Cânone de Sequência útil. Os nomes são bastante elucidativos. A lista
contém 16 princípios agrupados em 8 tópicos.
1. Princípio de posterior no tempo. A lista de Termos relativos a Religião deve
seguir este princípio e não aquele adotado pela CDD, que é inconsistente.
2. Princípio de posterior na evolução. Aqui a ordenação segue os diferentes
estágios de evolução. Ranganathan exemplifica, entre outros, a sequência na ciência
política para forma de governo: Anarquia, Primitivo, Feudal, Monarquia, Oligarquia,
Democracia.
3. Princípio de Contiguidade Espacial. Este princípio estabelece várias formas
de ordenação dentro de uma classe: De baixo para cima, de cima para baixo (por
exemplo, ordenação das diferentes partes do corpo). Da direita para a esquerda, ou
da esquerda para a direita. Numa linha circular, para ordenar elementos segundo a
ordem do Zodíaco, por exemplo. Ou na direção do relógio, se for útil. Ou do centro
para a periferia, como as partes de uma planta: Raiz, Coleto, Caule/tronco, Ramos,
Folhas, Flores, Frutos. Ou segundo a posição, ordenando, por exemplo, pela posição
dos planetas no sistema solar. E, finalmente, segundo contiguidade geográfica, por
exemplo, a ordenação das regiões geográficas conforme estabelecida pelo IBGE.

119

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

4. Princípio da medida quantitativa: do maior para o menor ou vice-versa.
Por exemplo, ordenar os filmes segundo sua duração: Curta, Média, Longa, ou ao
contrário, se for mais útil. Ou do mais pesado para o menos pesado.
5. Princípio de Complexidade crescente. Aqui Ranganathan dá exemplo da
linguística: Som isolado, Sílaba, Palavra, Frase, Cláusula, Sentença.
6. Princípio da Sequência Canônica, que estabelece a adoção de ordenação
tradicional, por exemplo, na Literatura: Poesia, Teatro, Ficção (Romance, Conto),
Cartas, podendo incluir outras manifestações de menor relevo.
7. Princípio da Garantia Literária, estabelecida, por exemplo, por compêndios
e Manuais relevantes para uma dada área do conhecimento.
8. Princípio da Ordem Alfabética. Ranganathan deixa, propositalmente, para
o final, este princípio que não guarda qualquer princípio lógico. Deve ser adotado
somente quando não couber aplicação de qualquer um dos princípios citados.
Este é o conjunto de cânones e Princípios para o Plano Ideacional, que
produz hierarquias (plano abstrato, lógico).

Categorias Fundamentais
Para o que nos interessa na elaboração de taxonomias ou projetos de
navegação, Ranganathan apresenta, mais adiante nos Prolegomena, a Classificação
Analítico-Sintética no que se refere ao Plano Ideacional, a saber as Categorias
Fundamentais. Depois de muito estudar, ele chega a cinco Categorias Fundamentais
(este é o nome que ele dá a suas Categorias): Personalidade, Matéria, Energia, Espaço
e Tempo. Vickery (1966), do CRG, detalha tais categorias, tornando-as mais
palatáveis.
Para o que nos interessa, tratam-se de categorias de pensamento: não
integram uma taxonomia. Como tal, nos auxiliam numa primeira abordagem a uma
área do conhecimento, mesmo que não tenhamos conhecimento suficiente a respeito.
Por exemplo, ao abordar o Universo da Moda, sabemos que ela tem Objetos e partes,
Materiais, Processos e Técnicas, Instrumentos relacionados, Espaço e Tempo. Ao
organizarmos termos levantados na captura do conhecimento, sua organização e
ordenação segundo os princípios abordados até aqui, vão produzir estruturas
consistentes úteis não apenas à indexação como à representação dos recursos digitais

120

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

em suas diferentes modalidades de produtos e serviços. Ranganathan alerta: nem
todas as categorias podem estar presentes em alguma área do conhecimento.
Na sequência, de seus Prolegomena, Ranganathan aborda a Relação partitiva
que se refere a objetos e não a ideias: Todo, Parte, Porção, Órgão e Constituinte.
Parte e Porção são de natureza diferente, enquanto uma é adequada a sólido,
a outra é mais apropriada a fluidos. Por Constituinte ele considera ou material ou
propriedade. Numa entidade social, por exemplo, é uma propriedade.
Um aspecto relacionado à organização de objetos é o da Contiguidade
espacial. Ao analisar uma página sobre venda de celulares encontramos, após todos
os modelos à venda, oferta de outros produtos associados como, por exemplo,
acessórios. Aqui, o designer utilizou o princípio da contiguidade espacial. Este é um
princípio que pode ser útil no projeto de uma página Web.
Mais tarde, áreas como Inteligência Artificial e Ontologias vão aprofundar
este aspecto, ligado a objetos (concreto) e não a ideias (abstrato).
Outro aspecto que deve ser analisado quando falamos de modelagem de
domínios diz respeito à forma de apresentação gráfica, que, apesar de não ser uma
preocupação de Ranganathan, é de suma importância em instrumentos semânticos
como a taxonomia. Além disso, como pode ser observado, alguns Princípios
estabelecidos para Tabelas de Classificação precisam ser revistos quando falamos de
Taxonomias, apesar de ambos os instrumentos possuírem uma estrutura sistemática
no interior de um domínio.
Vários são os modelos de apresentação gráfica de uma taxonomia. Os
diversos princípios adotados podem ser mencionados no gráfico. Vale ressaltar aqui,
o que chamamos de Característica de Divisão Ela explicita o princípio adotado,
facilitando a consulta ao instrumento ou à própria página Web. Por exemplo, na
Parte Sistemática do Tesauro de Cultura Material dos Índios do Brasil, as seguintes
características organizam os diversos tipos de Flauta:
- Segundo a presença/ausência de conduto para a passagem do sopro;
- Segundo a forma do receptáculo;
- Segundo a posição da flauta em relação ao corpo do executante durante a
execução do instrumento;
- Segundo a presença/ausência de orifícios para a digitação de sons;

121

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

- Segundo a quantidade de tubos.
Como visto anteriormente, um mesmo objeto pode ser analisado por mais de
um aspecto, podendo constar de mais de uma característica de divisão. O Princípio da
Exclusividade de Ranganathan pode ser abandonado, tendo em vista os propósitos
atuais e as tecnologias e instrumentos que tornam possível o acesso a um serviço por
diferentes abordagens, segundo o critério do usuário. Por exemplo, uma página Web
relativa a venda de carros, pode ser organizada de modo que o usuário encontre um
determinado carro por suas diversas características, de cada vez: por marca, por tipo,
por cor e assim por diante. Em cada uma destas abordagens o usuário será levado a
outras características. Por exemplo: cada marca pode oferecer seus produtos por tipo,
cada tipo por cor e assim por diante. Ou o usuário pode procurar por tipo e então
encontrará aquele tipo por marca e assim por diante. A ordem das categorias e os
princípios da exclusividade perdem importância na organização de recursos digitais.
Outra questão importante de ressaltar é aquela que trata da denominação, ou
seja, do termo que representa uma unidade no interior de um modelo de domínio.
Como visto anteriormente, o aspecto verbal nos Prolegomena concentrou-se
na inconsistência da linguagem natural, aspectos que seriam eliminados pela
notação, pois as palavras tinham importância secundária. Com o advento da
Recuperação da Informação e o tesauro como seu instrumento de controle de
vocabulário, o termo passa para o primeiro plano. Ainda hoje, o vocabulário nos
tesauros é ainda visto como uma questão da linguística, mas ela não oferece
orientação segura para a estruturação do vocabulário. Assim, adjetivos como
‘internacional’ seriam aceitos como termos, por sua capacidade de agregar-se a outros
para formar uma nova ideia, o que não é aceitável. Ou a abordagem simplesmente
verbal pode levar a hierarquias falsas como diamante (termo geral) e diamante
artificial (como termo específico). Ou leite (como termo geral) e leite de soja (como
termo específico).
Modelos de Domínios em instrumentos semânticos como Tesauros e
Taxonomias requerem adoção dos cânones e princípios aqui citados para organização
consistente. Mas eles não dão conta do termo: eles se referem ao plano Ideacional.
Com o surgimento da Terminologia (WÜSTER, 1974) na primeira metade do
século XX) várias teorias foram desenvolvidas, aceitando umas as propostas de
Wüster, outras rejeitando-as. Para os serviços de informação para organização de

122

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

recursos digitais, navegação e outros serviços semelhantes, o termo precisa ser visto
como resultado de uma análise das características do objeto – ou referente – sendo
ligado a ele e somente a ele em um universo do conhecimento. A proposta de
Dahlberg, com sua Teoria do Conceito (Dahlberg, 1978), vai dar suporte ao aspecto
‘verbal’, partindo do referente e não da palavra.
Ao mesmo tempo, Dahlberg reconhece o aspecto sistematizador do termo,
através da definição (que é a síntese da análise do referente). Integrando o plano
referencial aos princípios da Classificação Facetada, alcança-se uma Teoria
sistemática-referencial que apoia a elaboração de modelos de domínios consistentes.
Diferentemente dos aspectos linguísticos, para as taxonomias e ontologias,
não interessa o aspecto diacrônico, nem o aspecto verbal: o que se organiza são
representações do referente e a escolha do termo deve seguir o princípio do
compromisso ontológico que aceita como premissa que o sentido do termo é comum
a uma certa comunidade de pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nossa preocupação vem sendo de ao longo dos anos discutir princípios e
teorias relacionados à representação de domínios. Esta preocupação tem em vista
atender as nossas necessidades de pesquisa e de formação de profissionais que
possam desenvolver uma postura crítica e independente na atividade de elaboração
de instrumentos semânticos. Para tanto, consideramos que tais princípios e teorias
são fundamentais de serem estudados, compreendidos e divulgados. Este artigo
pretendeu mostrar questões que envolvem princípios importantes de modelagem de
domínios. Além disso, o texto teve também como proposta, de um lado, apresentar a
Teoria da Classificação de Ranganathan e sua propriedade para a modelagem de
domínios em novos produtos e serviços trazidos pela informática. De outro,
apresentá-lo em uma linguagem accessível, tendo em vista que a língua inglesa usada
por Ranganathan difere da língua inglesa corrente na Inglaterra ao tempo em que
suas duas obras foram escritas, tornando a leitura difícil.
Pensamos que se envidarmos esforços na formação de classificacionistas,
aqueles que elaboram classificações, podemos formar profissionais aptos a atuarem
em qualquer domínio onde a atividade de classificação, organização se fizer
necessária. E conhecer as Teorias seminais de nossa área é um bom início...

123

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

REFERÊNCIAS
ADKISSON, Heidi. Use of faceted classification. Disponível em:
&lt;www.webdesignpractices.com/navigation/facts.html&gt;.
AITCHISON, Jean. The Thesaurofacet: multipurpose retrieval language tool. Journal of
Documentation v.26, n.3, p.187-203, Sept. 1970.
BROUGHTON, V. The need for a faceted classification as the basis of all methods of
information retrieval. Aslib Proceedings v. 52, n. 1, p. 49-72.
CAMPOS, M. L. A. Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua
elaboração. Niterói: EDUFF, 2001. 133 p.
CAMPOS, M. L. A.; GOMES, H. E. Organização de Domínios do Conhecimento e os
Princípios Ranganathianos. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.
8, n.jul/dez, p. 150-163, 2003.
DAHLBERG, I. A Referent-oriented analytical concept theory of interconcept.
International Classification. v.5, n.3, p.142-150, 1978.
FOSKETT, D. The need for a faceted classification as the basis of all methods of information
retrieval. Library Association Records v. 57, n. 7, p. 262-268.
GNOLI, C. The meaning of facets in non-disciplinary classifications. In: Budin, G.; Swertz,
C.; Mitgutsch, K. eds. Knowledge organization for global learning society:
proceedings of the 9th ISKO Conference. Würzburg, Ergon, p. 11-18.
LaBARRE, Kathryn. The use of faceted analytic-synthetic theory as revealed in the
practice of website construction and design. University Graduate School of Library
and Information Science. Dissertation. 2006
LAMBE, P. Organising knowledge: taxonomies, knowledge and organizational
effectiveness. Oxford, Chandon publishing. 277 p.
KUMAR, K. Theory of classification. 2.ed. New Delhi: Vikas Publishing House, 1981. 538
p.
NEELAMEGHAN, A. Absolute syntax and structure of an indexing and switching language.
In Neelameghan, A. ed. Ordering systems for global information networks. Proceedings of
the Third International Study Conference for classification research. Bangalore,
Sarada Ranganathan Endowment for Library Science, p. 165-176.
SEPÚLVEDA, F. A Gênese do pensar de Ranganathan: um olhar sobre as culturas que o
influenciaram. Disponível em: &lt;http://www.conexaorio.com/biti/sepulveda/index.htm&gt;.
RANGANATHAN, S.R. The Genesis of Colon Classification. Disponível em:
htt://WWW.isibang.ac.in/~library/portal/Pages/chp1.pdf
RANGANATHAN, S.R. The Five Laws of Library Science. Bombay, Asia Publishing
House, 1963. 449 p.
RANGANATHAN, S.R. Prolegomena to library classification. Bombay: Asia

124

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Publishing House, 1967. 640 p.
RANGANATHAN, S.R. Philosophy of library classification. New Delhi: Ejnar
Munksgaard, 1951.
RANGANATHAN, S.R. Colon Classification. Bombay: Asia Publishing House, 1963a. 126
p.
SATIJA, M. P. Ranganathan: method &amp; style. New Delhi: Kalyani, 1949.
SCHULTE-ALBERT, Hans. Gottfried Wilhelm Leibniz and library classification. Library
history. v .6, n. 2, p. 133-152, 1971.
TENNIS, J. Ranganathan’s layers of classification theory and the fasda model of
classification. In: SMIRAGLIA, R. Proceedings from north american symposium on
knowledge organization. Toronto, v. 3, p. 185-195.
VICKERY, B. Faceted classification schemes. New Brunswick: School of Library Science
Rutgers, p. 46-47.
WÜSTER, E. L’Etude scientifique générale de la Terminologie, zone frontalière entre La
linguistique, la logique, l’ontologie, l’informatique et les sciences des choses. In: RONDEAU,
G.; FELBER, H. Textes choisis de terminologie. Québec: Girsterm, p. 55-114 (original
publicado em alemão em 1974).

125

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A PRESENÇA DE RANGANATHAN NA
ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO DO
SÉCULO XXI: um estudo no contexto da
ISKO
Lígia Café
Rodrigo de Sales

INTRODUÇÃO
A

presença

de

Shiyali

Ramamrita

Ranganathan

(1892-1972)

na

Biblioteconomia do século XX pode ser observada nas teorias e práticas
desenvolvidas nas bibliotecas e universidades das mais diversas partes do mundo.
Suas obras vêm, desde a década de 1930, sendo utilizadas para subsidiar e
fundamentar estudos que abrangem desde a administração de bibliotecas, com seus
serviços, produtos e instrumentos, até as atividades mais específicas e tradicionais da
Biblioteconomia, tais como catalogação de assuntos, classificação, indexação e
recuperação da informação. Não por acaso, seu nome por vezes vem associado a
festejadas denominações, como, por exemplo, “o pai da Biblioteconomia moderna” ou
“o primeiro teórico da Biblioteconomia”.
Embora a contribuição de Ranganathan para a Biblioteconomia seja algo já
amplamente discutido e enaltecido pela literatura, parece sempre haver espaço para
um novo olhar no que se refere sua importância teórica e metodológica no universo
científico. O presente capítulo direciona a atenção para as contribuições de
Ranganathan no universo da organização do conhecimento. No entanto, procurando
transbordar um pouco a ideia de organização do conhecimento enquanto tema
especializado ou enquanto subcampo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação,
como é tradicionalmente concebida no Brasil, abordaremos a organização do
conhecimento (OC) em seu sentido mais amplo, como um espaço interdisciplinar de

126

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

estudo, conforme compreendido pela International Society for Knowledge
Organization (ISKO).
Nesse

sentido,

buscamos

investigar

como

a

comunidade

científica

internacional de organização do conhecimento vem adotando no século XXI as ideias
de Ranganathan para subsidiar seus estudos. Acreditamos que uma vez alcançado o
objetivo principal estabelecido acima, teremos pistas ou mesmo condições de
compreender a presença de Ranganathan nas pesquisas desenvolvidas no âmbito da
organização do conhecimento nos dias atuais. Em outras palavras, esperamos ser
possível identificar as principais contribuições de Ranganathan para a organização do
conhecimento no século XXI.
Para tanto, adotamos como fonte da pesquisa os artigos da Kowledge
Organization Journal, editado pela ISKO, definindo como recorte temporal o
período de 2001 a 2015. Buscamos nos referidos artigos tomar conhecimento a
respeito dos temas em que os autores procuram amparo bibliográfico nas ideias de
Ranganathan, das obras de Ranganathan que são mais utilizadas pelos autores e do
país de origem de cada autor. Desse modo, apresentamos, a partir da comunidade
científica internacional, um panorama a respeito de quais temas Ranganathan vem
sendo utilizado como subsídio teórico aos estudos de organização do conhecimento,
quais obras de Ranganathan são predominantemente adotadas, bem como a
abrangência geográfica de seu alcance nas primeiras décadas do século XXI.
Do ponto de vista estrutural, este capítulo é composto pela presente
Introdução, por uma seção destinada a contextualizar a respeito da comunidade
científica internacional da ISKO, bem como delimitar a compreensão da organização
do conhecimento aqui empregada, uma seção dedicada à apresentação da análise e
discusão da investigação, além das conclusões e referenciais bibliográficos.

A

ORGANIZAÇÃO

DO

CONHECIMENTO

NO

ÂMBITO

DA

INTERNATIONAL SOCIETY FOR KNOWLEDGE ORGANIZATION (ISKO)
A primeira década do século XXI revelou a predominância de uma perspectiva
que define a organização do conhecimento (OC) como um fazer de natureza
operacional ou como conjunto de procedimentos (GARCIA, OLIVEIRA, LUZ, 2000;
GREEN, 2002; GÁRCIA GUTIÉRREZ, 2002; KENT, 2000). Nesse sentido,
percebemos uma OC ligada às atividades atinentes à Ciência da Informação e à

127

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Biblioteconomia, mais especificamente ao tratamento temático da informação
(FOSKETT, 1973). Esta concepção, que procura acomodar a OC como um tema
especializado da Ciência da Informação, encontra respaldo não somente na tradição
anglo-americana de tratamento temático da informação como também, no caso do
Brasil, na organização temática proposta pela Associação Nacional de Pesquisa e PósGraduação em Ciência da Informação (ANCIB).
Porém, autores como Dahlberg (1993, 1995, 2006 e 2014) e Hjorland (2003,
2008), sustentam, no âmbito da International Society for Knowledge Organization
(ISKO), um discurso de uma organização do conhecimento enquanto campo de
estudo autônomo. Essa ótica de OC enquanto campo de estudo pode ser encontrada,
para citar alguns, em Ohly (2012), Guimarães, Oliveira &amp; Gracio (2012), Barros &amp;
Moraes (2012) e Sales (2015).
No final do século XX, o discurso de um novo campo se fundamentava nos
enunciados de Dahlberg (1993, 1995), em que a autora definia o escopo, os fazeres
profissionais, os aspectos institucionais, a classificação da literatura especializada e as
tendências da OC. No início do século XXI, Dahlberg, que continua sendo figura
central no discurso que busca consolidar a OC como uma área autônoma e
independente, tenta avançar tal perspectiva atribuindo à OC status de “disciplina
científica” e/ou “ciência” (SALES, 2015).
Em 2006, Dahlberg aborda a organização do conhecimento como um espaço
autônomo e mais abrangente que aquele tradicionalmente ligado às bibliotecas e
unidades de informação. A autora prefere o termo “disciplina científica”, e chega a
propor que se encontre uma instituição de trabalho formada por cientistas,
organizadores do conhecimento e terminologistas dedicados à coleção, à definição e à
sistematização de conceitos de todos os campos de assuntos, por meio de uma
estrutura de categorização formalizada por uma Classificação de Codificação de
Informação. A autora localiza, dentro de um sistema universal das ciências, a OC
como um subcampo da Ciência da Ciência.
Dahlberg (2006) esboça, ainda, a OC como uma possível nova ciência. A
autora lança mão de distinções feitas por Alwin Diemer para arriscar tratar a OC
como uma nova ciência, com objetos, métodos, ações e conteúdos próprios (SALES,
2015).

128

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Em 2014, a autora volta a reclamar pela formação de um instituto ou academia
para a OC, com cientistas e especialistas engajados em um trabalho conjunto que
poderia dar frutíferos resultados para o desenvolvimento da OC e da ciência como um
todo.
Também no início do século XXI, Hjorland (2003, 2008) trouxe ao debate da
OC a distinção entre a organização cognitiva do conhecimento e a organização social
do conhecimento. Relativo à perspectiva cognitiva, Hjorland (2003, 2008) afirmava
se

tratar

da

organização

do

conhecimento

abordada

especialmente

pela

Biblioteconomia e pela Ciência da Informação, cujo foco recaía nos estudos atinentes
aos processos e às construções instrumentais de OC.
Por organização social do conhecimento, Hjorland (2003, 2008) afirmava se
tratar basicamente das organizações e categorizações das profissões e das disciplinas,
ou seja, a divisão social do labor mental, como por exemplo, a organização dos
currículos universitários e também as classificações de assuntos que dividem e
relacionam as diferentes disciplinas, bem como as tabelas oficiais que formalizam as
ocupações profissionais de um país.
Hjorland (2008) ressalta não ser a OC um assunto exclusivo da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação, mas também de domínios como a
Computação, a Linguística e o Processamento de Linguagem Natural, a Teoria do
Conhecimento, a Teoria da Organização Social e a Metafísica/Ontologia.
A diferença central entre as perspectivas de Hjorland e Dahlberg talvez esteja
no fato de que embora ambos os autores entendam OC como um campo de estudo
autônomo, o primeiro afirma existir uma relação muito clara entre a organização do
conhecimento e a Ciência da Informação (CI) (sobretudo na organização do
conhecimento das unidades de informação), ao passo que a segunda procura descolar
a OC da CI. Vale destacar que, tanto Dahlberg quanto Hjorland recorrem a
Ranganathan ao buscarem sustentar suas perspectivas, seja para esclarecimentos de
ordem historiográfica ou teórica, sobretudo tocante à abordagem da classificação
facetada.
Se os esforços de Dahlberg e Hjorland em justificar epistemologicamente a OC
como um campo de estudo autônomo ainda estão longe de um consenso, é inegável o
fato de que do ponto de vista institucional a OC já vem consolidando sua autonomia
por meio do crescente espaço criado pela ISKO. E é justamente este espaço, cujos

129

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

contornos vêm sendo sedimentados por pesquisadores do mundo inteiro, que
tomaremos como escopo para a presente investigação. Longe de querermos adentrar
às discussões a respeito da natureza da OC, entenderemos, tão somente, a ISKO e sua
Knowledge Organization Journal como entidades responsáveis por convergir
estudos sobre organização do conhecimento provenientes da comunidade científica
internacional.
Desse modo, e ententendo a Knowledge Organization Journal como o
principal canal de comunicação científica da OC em âmbito internacional,
procuraremos investigar em seus artigos a contribuição de Ranganathan para a
organização do conhecimento nos últimos quinze anos.

RANGANATHAN NA OC: ANÁLISE E DISCUSSÕES
A análise por ora apresentada foi caracterizada por três etapas principais: a) a
construção de um corpus de análise, b) a coleta sistematizada de informações
extraídas do corpus de análise e c) a análise das informações e a discussão dos
resultados.
Para a construção do corpus de análise, tomamos como fonte de informação os
fascículos da Knowledge Organization Journal (versão eletrônica), com recorte
temporal de 2001 a 2015. Primeiramente, levantamos todos os artigos do referido
período que apresentavam em seu conteúdo alguma referência à Ranganathan,
deixando de fora do levantamento aqueles artigos que sequer apresentavam algum
texto de Ranganathan em suas referências bibliográficas. Para a busca do termo
Ranganathan no conteúdo dos artigos, utilizamos o buscador oferecido pelo próprio
Adobe Acrobat Reader, uma vez que os artigos do referido periódico são
disponibilizados em formato PDF. Posteriormente, seguindo orientação de Bardin
(2003), realizamos uma leitura flutuante (leitura preliminar a fim de compreender as
linhas gerais do texto) de modo a verificar se os autores de fato adotavam as ideias de
Ranganathan como subsidios para fundamentarem seus estudos. Realizados esses
dois processos seletivos, o corpus da análise foi constituído por 41 artigos, no total.
Para sistematizar a coleta de informações extraídas dos artigos, elaboramos
uma tabela de esquematização que viabilizou a coleta organizada das informações
desejadas, a saber: a) tema do artigo, b) obras de Ranganathan utilizadas no artigo e
c) país da instituição na qual o autor do artigo está vinculado. Deste modo, foi

130

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

possível alcançar o objetivo de investigar, de forma contextualizada, como a
comunidade científica internacional da organização do conhecimento vem adotando
no século XXI as ideias de Ranganathan para seus estudos. A Tabela I abaixo ilustra
parte da tabela de sistematização empregada na coleta das informações.
Tabela 1: Parte da tabela de coleta de informações
Artigo

Tema

Obra de
Ranganathan

Origem da
autoria do
artigo

Pauline Rafferty. (2001). The Representation of Knowledge
in Library Classification Schemes. Knowledge Organization,
28(4). 180-191.

Sistema de
classificação

Philosophy of
Classification
(1951)

Inglaterra

Tennis, Joseph T. (2009). Three Creative Tensions in
Document Interpretation Theory Set as Evidence of the
Need for a Descriptive Informatics. Knowledge
Organization, 36(4), 190-199.

Processo de
Indexação

Prolegomena
to library
classification
(1967)

EUA

Martínez-Ávila, Daniel, and San Segundo, Rosa. (2013).
Reader-Interest Classification: Concept and Terminology
Historical Overview. Knowledge Organization. 40(2), 102114

Sistema de
classificação

Prolegomena
to library
classification
(1967)

Espanha

Ao analisarmos as informações relativas aos temas dos artigos, verificamos que
os autores, ao adotarem as ideias de Ranganathan, próprias do método analíticosintético e da teoria da classificação facetada, o fizeram para abordar questões
relativas aos processos e/ou aos instrumentos atinentes à organização do
conhecimento. Nesse sentido, e respeitando as aborgadens dos artigos analisados,
optamos por dividir a análise dos temas em duas categorias: uma relativa aos
processos e outra relativa aos instrumentos da organização do conhecimento.
Cabe ressaltar que dos 40 artigos do corpus de análise, 16 abordavam temas relativos
aos processos e 24 referentes aos instrumentos. Assim, os resultados aqui alcançados
serão apresentados e discutidos respeitando esta categorização.

Abordagem temática: Processos da OC
Relativo ao processo de representação do conhecimento, sob uma perspectiva
processual

mais

abrangente

de

organização

do

conhecimento,

Binwal

&amp;

Lalhmachhuana (2001) lançam mão do método analítico-sintético para fundamentar
conceitualmente o desenvolvimento de técnicas de representação do conhecimento
no âmbito da inteligência artificial. Em direção semelhante, porém com preocupações
mais epistemológicas para o quadro teórico da organização do conhecimento, San

131

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Segundo (2004), dialogando também com os aspectos tangentes à inteligência
artificial, reporta-se a teoria da classificação de Ranganathan para discutir o novo
conceito de representação do conhecimento, voltado para os dados, imagens e objetos
informacionais eletrônicos.
A classificação, enquanto ato de classificar, talvez seja a forma mais genuína
de se organizar o conhecimento pois, assim como esteve presente nos antigos
esforços de dar ordem aos saberes, continua norteando, em grande medida, a prática
de se organizar o conhecimento em contextos mais concretos, como o da organização
da informação. No âmbito da ISKO, a classificação desponta como o processo de
organização do conhecimento mais relacionado aos trabalhos de Ranganathan. Com
uma preocupação notadamente epistemológica, Hjørland (2003) traz a contribuição
de Ranganathan não necessariamente para fundamentar seu estudo, mas para
ilustrar a força das influências da classificação bibliográfica como possibilidade
metodológica de se organizar o conhecimento. Assim, Ranganathan, bem como
Dewey e Cutter, são utilizados por Hjørland (2003, 2008) para esclarecer questões
relativas aos métodos de organização do conhecimento.
Beghtol (2003) busca no método da análise facetada subsídios para
fundamentar uma comparação entre diferentes tipos de classificação, a classificação
voltada para a recuperação da informação (professional classifications) e a
classificação que busca novos conhecimentos (naïve classifications). As diferentes
formas de classificar parece ser a preocupação central da autora. Mai (2004b), ao
discutir a respeito da literatura dos estudos de classificação, lança mão de obras
consagradas de Ranganathan – Elements of Library Classification e Prolegomena to
Library Classification – para especular uma mudança nos estudos contemporâneos
de classificação, focados na informação contextualizada. Outros autores que buscam
em Ranganathan fundamentos para a discussão do processo de classificação são:
Coleman (2004), Desale e Kumbhar (2013) e Hjorland (2014).
Afastando-se um pouco das questões técnicas próprias da organização do
conhecimento em seu sentido mais restrito, ou seja, aquele voltado às atividades
atinentes às bibliotecas, arquivos e bases de dados (HJORLAND, 2008), Szostak,
(2003) busca nas cinco categorias (PMEST) definidas por Ranganathan um norte
para refletir a respeito de uma classificação dos tipos de teorias e métodos
acadêmicos, com o propósito de permitir que acadêmicos e estudantes otimizem suas
sistemáticas de estudo.

132

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Processo intimamente relacionado à classificação no âmbito da organização do
conhecimento é a indexação. Devadason et al. (2002) empregam princípios da teoria
da classificação facetada para desenvolver uma indexação experimental voltada à
recuperação de documentos na web. Fugmann (2002) também voltado para os
estudos de aprimoramento do processo de indexação, busca no método analíticosintético as bases para cotejar e relacionar os diferentes tipos de indexação intelectual
humana, como a indexação livre e a indexação controlada. Ainda a respeito do
aperfeiçoamento do processo de indexação, Tennis (2009) se ampara também em
Ranganathan para versar a respeito da abordagem teórica e empírica dos estudos de
indexação.
Outro tema que os autores da organização do conhecimento buscam
fundamentações ranganathianas em suas discussões é a recuperação da informação,
como pode ser observado em Lima e Raghavan (2004), que discutem a recuperação
da informação em uma perspectiva de dialogicidade com as ciências cognitivas e, em
La Barre (2007), que se vale, dentre outros aportes bibliográficos, de Ranganathan
para dissertar a respeito de experiências de navegação na web para fins de
recuperação e acesso à informação. Preocupação semelhante é apresentada por Leong
(2010) ao discutir a questão do controle bibliográfico nos processos de recuperação e
acesso à informação.
Nesse sentido, com base na análise dos 16 artigos que tratavam das questões
processuais da OC, os processos mais associados a Ranganathan, para os
pesquisadores da ISKO, foram a classificação (8 artigos), indexação (3 artigos),
recuperação da informação (3 artigos) e a representação do conhecimento (2 artigos).

Abordagem temática: Instrumentos da OC
O aspecto instrumental investigado por Ranganathan e registrado em seu
grande legado para o campo da organização do conhecimento é de relevância
indiscutível. Podemos encontrar ricas reflexões sobre este tema já na quinta lei da
Biblioteconomia, “A Biblioteca é um organismo em crescimento” (RANGANATHAN,
2009, p. 241), em que o autor destaca a necessidade de estarmos constantemente
atentos às diversas alterações sofridas pelas bibliotecas ao longo de sua história, e,
consequentemente, de nos comprometermos a elaborar esquemas de classificação
que acompanhem esta evolução. Para Ranganathan, é importante que “a classificação

133

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

seja abrangente, envolvendo todo o saber passado e presente, e que preveja espaços
para possíveis acréscimos ao conhecimento” (2009, p. 252). Este enfoque
desembocou na elaboração da conhecida Classificação de Dois Pontos e
principalmente no relevante arcabouço teórico sobre classificação facetada e os
conceitos relativos ao método analítico-sintético. Esta preocupação de Ranganathan
ainda hoje se mostra como um terreno fértil a ser investigado, e, por isto, presente
nas pesquisas relatadas no principal veículo formal de comunicação científica sobre
organização do conhecimento examinado neste artigo. Do corpus levantado neste
estudo, encontramos 24 artigos dedicados, por meio de diferentes vieses, à
perspectiva instrumental da OC. Iniciamos com aqueles que envolvem a teoria da
classificação facetada no exame sobre o quadro teórico mais adequado para apoiar a
construção, manutenção e avaliação de esquemas de classificação. Essa temática é
proposta por Tennis (2005) que, ao afirmar que a “classification theory should guide
the construction of classificatory structures that enable the multi-dimensional
experience of classification” (TENNIS, 2005, p.85), trata sobre a noção de
hospitalidade e aponta a estrutura da classificação facetada proposta por
Ranganathan como “one of the canonical answers to hospitality. His architectures
and methods for constructing faceted classification allowed for an ever-growing
universe of subjects. However, hospitality also affects larger parts of the classification
structure, beyond facets”. (TENNIS, 2005, p.85). Tennis (2008), em outro artigo, ao
propor uma representação do quadro de investigações em OC, destaca a presença
importante dos postulados da classificação facetada de Ranganathan nas pesquisas
sobre elaboração de esquemas de classificação. Nas palavras do autor, “much of KO
research concerns itself with the design of indexing languages, catalogues, and other
descriptive apparatus. Key thinkers in the field, like S. R. Ranganathan, have
contributed a great deal of thought to the design of, in this case, schemes for
classification. (TENNIS, 2008, p. 108). No corpus selecionado, aponta-se a teoria da
classificação facetada e a Classificação de Dois Pontos como referenciais importantes
para se discutir questões de pesquisas em OC, especialmente no tocante a adaptação
do esquema de classificação as necessidades locais do usuário sem prejudicar a
interoperabilidade (GNOLI, 2008). A Classificação de Dois Pontos é também
estudada em conjunto com outros esquemas de classificação como forma de entender
as semelhanças e diferenças entre suas estruturas (RAFFERTY, 2001). Nesta linha de
cunho mais teórico, a noção de universo multidimensional do conhecimento,
proposta por Ranganathan, é discutida tanto do ponto de vista do crescimento dos

134

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

assuntos (SATIJA; MADALLI; DUTTA, 2014) como na perspectiva diacrônica (VAN
DEN HEUVEL, 2012), os postulados da classificação facetada são comparados com
abordagens mais atuais como aquelas adotadas na modelagem de dados em
relacionamento de entidades (KASAHYAP, 2003) e os princípios da construção de
facetas são explorados com vistas a mostrar as vantagens e desvantagens da adoção
de níveis de representação do conhecimento em classificações (GNOLI; POLI, 2004).
O prisma instrumental é igualmente tratado em relatos sobre experimentos
que aplicam o método analítico-sintético, facetas e classificação facetada na
construção ou análise de esquemas de classificação de blogs (DAL PORTO;
MARCHITELLI, 2004), folksonomias (MUNK; MØRK, 2007), tabela de autoria
(SATIJA, 2007), taxonomias (SHARMA; FOO; MORALES-ARROYO, 2008),
ontologias (PARK, 2008; CAMPOS et al., 2013; MARCONDES, 2013), esquema de
classificação direcionado ao leitor (MARTÍNEZ-ÁVILA; SAN SEGUNDO, 2013), big
data (SHIRI, 2014), sistemas de navegação em linha (OH; JOO; JEONG, 2015),
esquemas de classificação no domínio da performance musical (LEE, 2011),
representação da classe Filosofia em esquema de classificação (BIAGETTI, 2009) e
esquema de classificação de maneira geral (FRICKÉ, 2011). O método analíticosintético em particular é empregado de forma criativa como procedimento de análise
conceitual de definições sobre tesauro e ontologia, encontradas na literatura das
ciências da informação e computação (MOREIRA; ALVARENGA; OLIVEIRA, 2004).
Os princípios classificatórios, expostos por Ranganathan, são explorados na
classificação na web, como forma de apontar desafios a serem enfrentados na
organização do conhecimento na rede (MAI, 2004a), e no exame do processo de
agrupamento de classes pela identificação de sua origem comum e evolução (GNOLI,
2006).
Nos 24 artigos, o pensamento de Ranganathan aparece ora como ponto central
de análise do objeto de estudo, ora como base histórica para introduzir a investigação
relatada. Em um caso ou em outro, sua presença, de importância fundamental,
delineia a arquitetura e as esferas de análises e assenta a reflexão em um porto
teórico-metodológico seguro, comprovando de fato o caráter atual e efetivo de suas
ideias.

As obras de Ranganathan

135

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

No que se referem às obras de Ranganathan adotadas nos artigos investigados,
observamos três grandes recorrências bibliográficas: Prologomena to Library
Classification, utilizada em 22 artigos; Colon Classification, utilizada em 9 artigos e;
Elements of Library Classification, com 8 ocorrências. Contudo, vale destacar o fato
de que as edições utilizadas por vezes são diferentes. A Colon Classification, por
exemplo, obra em que Ranganathan tornou público seu sistema de classificação
facetado, cuja primeira edição é datada de 1933, pela Madras Library Association, é
adotada pelos autores por meio de suas mais variadas edições, 1933 (1ª edição), 1939
(2ª edição), 1950 (3ª edição), 1952 (4ª edição), 1957 (5ª edição), 1960 (6ª edição) e
1971 (7ª edição).
Com relação ao Prolegomena to Library Classification, o livro de
Ranganathan mais utilizado pelos autores da ISKO, a variação das edições utilizadas
não ocorre como no caso da Colon Classification, pois o Prolegomena, publicado pela
primeira vez em 1937, também pela Madras Library Association, é mais
frequentemente utilizado por meio de sua terceira edição, de 1967, editado pela Asia
Publishing House. O mesmo ocorre com o livro Elements of Library Classification,
cujo título completo de sua primeira edição, de 1956, é Elements of library
classification: based on lectures delivered at the University of Bombay in December
1944 and in the schools of librarianship in Great Britain in December 1956. Porém,
sua terceira edição, de 1962, publicada pela Asia Publishing House, intitulada apenas
como Elements of Library Classification, foi a única edição adotada pelos autores da
ISKO aqui investigados. A obra Philosophy of Classification (1951) foi empregada em
3 artigos e Classification and Communication (1951) em 2 artigos.
Outros livros de Ranganathan identificados nos artigos investigados, citados
em apenas uma ocasião cada, foram: Five Laws of Library Science (1931), Theory of
Library Catalogue (1938), Design of Depth Classification: methodology (1964),
Choice of a Scheme for Classification (1968), From Knowledge Classification to
Library Classification (1974, em coautoria com Bhattacharyya) e A Descriptive
Account of the Colon Classification (1998).
Além dos referidos livros, a pesquisa identificou nos textos analisados alguns
artigos e trabalhos publicados em anais de eventos por Ranganathan: a) artigos:
Subject heading and facet analysis (1964), Hidden roots of classification (1967),
Areas for research in library Science (1967), Basic subject and their kinds (1968) e
Colon classification (1968); b) trabalhos em anais de eventos: Colon classification

136

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

and its approach to documentation (1951), Library classification a discipline (1957),
Postulations approach to facet Classification (1958), Sayers and Donker Duyvis:
theory and maintenance of library classification (1961), Discussion on Neelmeghan
and Rigby (1965), Library classification through a century (1965) e General and
special classifications (1965). Com base nas obras de Ranganathan adotadas pelos
autores, observamos que relativo à organização do conhecimento a contribuição de
Ranganathan predominantemente advém de seus escritos sobre a teoria da
classificação, mais especificamente da classificação facetada.

As autorias
Se por um lado foi possível constatar tendências temáticas e bibliográficas
relativas a Ranganathan nos estudos desenvolvidos pelos autores da ISKO, por outro,
no que se refere ao alcance geográfico das influências ranganathianas, a variedade de
países em que os autores utilizam Ranganathan em seus estudos é tamanha que
dificulta a tentativa de identificar alguma tendência espacial para a presença de
Ranganathan na organização do conhecimento atual. Isto sugere que, se no século XX
a influência ranganathiana era facilmente identificada nos estudos dos pesquisadores
do Classification Research Group (CRG) na Inglaterra, neste início de século XXI,
período de ampliação do discurso da Knowledge Organization no âmbito da ISKO, as
influências de Ranganathan se espalharam para todo âmbito internacional. Segundo
a presente pesquisa, Ranganathan vem sendo utilizado por autores provenientes de
instituições da Índia, da Inglaterra, da Tailândia, da Alemanha, do Canadá, da
Dinamarca, dos Estados Unidos, do Brasil, da Espanha, da Itália, de Singapura, da
Holanda e da Coreia. Para não corrermos o risco de levantar forçosamente uma
tendência geográfica, valeria destacar apenas o fato de que os estudos provenientes
dos Estados Unidos (10 artigos) são mais numerosos ao tratarem de Ranganathan
que os estudos provenientes daquelas regiões que tradicionalmente disseminaram a
obra de Ranganathan, Índia (6 artigos) e Reino Unido (2 artigos). Do Brasil, 3 foram
as publicações que adotaram Ranganathan em seu aporte bibliográfico.
Assim, embora seja flagrante um maior número de publicações utilizando
Ranganathan nos Estados Unidos, talvez seja mais prudente afirmar que, na
organização do conhecimento deste século, no âmbito da ISKO, as ideias de
Ranganathan marcam presença nas pesquisas desenvolvidas na Europa (Inglaterra,

137

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda e Espanha), na América do Norte (Estados
Unidos e Canadá), na América do Sul (Brasil) e na Ásia (Índia, Tailândia, Singapura e
Coreia).

CONCLUSÕES
No decorrer deste capítulo, procurarmos mostrar os diversos enfoques
registrados na literatura veiculada pelo mais importante periódico da área de OC. Os
resultados revelaram que a pesquisa realizada neste campo, no século XXI, segue em
duas vias principais. Uma dedicada ao processo de OC e outra que enfoca seus
instrumentos, sendo esta última a que atingiu o maior número de artigos (24). A obra
mais citada pelos pesquisadores da ISKO é o Prolegomena to Library Classification
(1967) e a origem das instituições dos investigadores deste século é pulverizada em
quatro continentes: América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa, sendo os
Estados Unidos o país mais produtivo (10 artigos).
Ao tratarmos do tema de OC, estamos impreterivelmente circundados pela
noção de classificação. Sua importância foi amplamente apontada por Ranganathan.
Segundo ele,
In the classification of subjects it is abstract ideas that have to be arranged
and classified. [...] The innate classificatory capacity of the classifier is in
greater need of being reinforced by systematic training. This is essentially
intellectual training. It involves training in the process of abstracting of
attributes of entities, selecting the minimum few from among an infinity of
them, and finding out a suitable measure of then as the bases for
classification. This process of abstraction is something congenital to the
human intellect. The practise of this with proper safeguards has been
responsable for much of human progress. (RANGANATHAN, 1967, p. 548).

Se estas palavras por um lado sintetizam a árdua e complexa tarefa de
classificar, por outro lado elas enfatizam a relevância desta atividade para a evolução
da humanidade. Portanto, o ato de classificar e todo o aparato instrumental que o
sustenta somente adquirem sentido se de fato forem destinados ao avanço da
sociedade, alcançado principalmente pela democratização da informação. Os esforços
das pesquisas expostas nos artigos analisados parecem seguir com este espírito,
compondo assim a instigante história científica internacional da área de OC pelo
ângulo do pensamento de Ranganathan.

138

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

REFERÊNCIAS
BINWAL, J.C., LALHMACHHUANA. Knowledge Representation: Concept, Techniques and
the Analytico-Synthetic Paradigm. Knowledge Organization, v. 28, n. 1 .2001. p. 5-16.
BARDIN, L. L’ analyse du contenu. Ed. 7. Paris: PUF, 2003. 296 p. (Le Psychologue, 69).
BEGHTOL, C. Classification for Information Retrieval and Classification for Knowledge
Discovery: Relationships between “Professional” and “Naïve” Classifications. Knowledge
Organization, v. 30, n. 2. 2003. p. 64-73.
BIAGETTI, M. T. Philosophy in Bibliographic Classification Systems. Knowledge
Organization, v. 36, n. 2/3, 2009, p. 92-102.
CAMPOS, M. L. de A, et al. Information Sciences Methodological Aspects Applied to
Ontology Reuse Tools: a Study Based on Genomic Annotations in the Domain of
Trypanosomatides. Knowledge Organization. v. 40, n. 1, 2003, p. 50-61.
COLEMAN, A. S. A Code for Classifiers: Whatever Happened to Merrill’s Code? Knowledge
Organization, v. 31, n. 3. 2004, p. 161-176.
DAHLBERG, I. Current trends in Knowledge organization. In: Garcia Marco F. J. (Org.).
Organización del conocimiento em sistemas de información y documentación.
Zaragoza: Universidad de Zaragoza. 1995, p. 7-25.
DAHLBERG, I. Knowledge organization: a new science? Knowledge Organization. v. 33,
n. 1, 2006, p. 11-19.
DAHLBERG, I. Knowledge organization: its scope and possibilities. Knowledge
Organization. v. 20, n. 4, 1993, p. 211-222.
DAHLBERG, I. What is knowledge organization? Knowledge Organization. v. 41, n. 1,
2014, p. 85-91.
DAL PORTO, S.; MARCHITELLI, A. The functionality and flexibility of traditional
classification schemes applied to a Content Management System (CMS): Facets, DDC, JITA.
Knowledge Organization, v. 33, n. 1, 2014, p. 35-44.
DESALE, S. K.; KUMBHAR, R. M. Research on Automatic Classification of Documents in
Library Environment: A Literature Review. Knowledge Organization. v. 40, n. 5, 2013, p.
295-304.
DEVADASON, F. J. et al. Faceted Indexing Based System for Organizing and Accessing
Internet Resources. Knowledge Organization, v. 29, n. 2, 2002, p. 61-77.
FOSKETT, A.C. A abordagem temática da informação. Tradução de Antônio Agenor
Briquet de Lemos. São Paulo: Polígono; Brasília: UnB, 1973.
FRICKÉ, M. Faceted Classification: Orthogonal Facets and Graphs of Foci? Knowledge
Organization, v. 38, n. 6, 2011, p. 491-502.
FUGMANN, R. The Complementarity of Natural and Index Language in the Field of
Information Supply. An overview of their specific capabilities and limitations. Knowledge
Organization, v. 29, n. 3/4. 2002, p. 217-230.

139

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

GARCIA, S. M. M.; OLIVEIRA; LUZ, G. M. S. Knowledge organization for query elaboration
and support for technical response by the internet In.: Dynamism and stability in knowledge
organization: Proceedings of the Sixth International ISKO Conference, Würzburg:
Ergon. 2000. p. 189.
GÁRCIA GUTIÉRREZ, A. L. Knowledge organization from a culture of the border: towards a
trascultural ethics of mediation. In: Challenges in knowledge representation and organization
for the 21st century: integration of knowledge across boundaries: Proceedings of the
Seventh International ISKO Conference. Würzburg: Ergon, 2002, p. 518.
GNOLI, C. Phylogenetic classification. Knowledge Organization, v. 33, n. 3, 2006, p. 138152.
GNOLI, C. Ten Long-Term Research Questions in Knowledge Organization. Knowledge
Organization, v. 35, n. 3/2, 2008. p. 137-149.
GNOLI, C.; POLI, R. Levels of Reality and Levels of Representation. Knowledge
Organization, v. 31, n. 3, 2004, p. 151-160.
GREEN, R. Conceptual universals in knowledge organization and representation In:
Challenges in knowledge representation and organization for the 21st century: Integration of
knowledge across boundaries: Proceedings of the Seventh International ISKO
Conference. Würzburg: Ergon, 2002, p.15.
GUIMARÃES, J. A. C.; OLIVEIRA, E. T.; GRACIO, M. C. C. Theoretical referents in
knowledge organization: A domain analysis of the knowledge organization journal. In
Categories, contexts and relations in knowledge organization: Proceedings of the Twelfth
International ISKO Conference. Mysore, India. Advances in Knowledge Organization,
13. Würzburg: Ergon. 2012, p. 31-38.
HJORLAND, B. Fundamentals of knowledge organization. Knowledge Organization. v.
30, n. 2, 2003, p. 87-111.
HJORLAND, B. Is Facet Analysis Based on Rationalism? A Discussion of Satija (1992),
Tennis (2008), Herre (2013), Mazzocchi (2013b), and Dousa &amp; Ibekwe-SanJuan (2014).
Knowledge Organization. v. 41, n. 5, 2014. p. 369-376.
HJORLAND, B. What is knowledge organization (KO)? Knowledge Organization. v. 35,
n. 3/2, 2008, p. 86-111.
KASAHYAP, M. M. Likeness Between Ranganathan’s Postulations Approach to Knowledge
Classification and Entity Relationship Data Modelling Approach. Knowledge
Organization, v. 30, n. 1, 2003, p. 1-19
LA BARRE, K. Faceted Navigation and Browsing Features in New OPACs: A More Robust
Solution to Problems of Information Seekers? Knowledge Organization, v. 34, n. 2, 2007,
p. 78-90.
LEE, D. Classifying Musical Performance: The Application of Classification Theories to
Concert Programmes. Knowledge Organization, v. 38, n. 6, 2011, p. 530-540.
LEONG, J. H. The Convergence of Metadata and Bibliographic Control? Trends and Patterns
in Addressing the Current Issues and Challenges of Providing Subject Access. Knowledge
Organization, v. 37, n. 1, 2010. p. 29-42.
LIMA, G. A. B.; RAGHAVAN, K. S. Information Retrieval and Cognitive Research.
Knowledge Organization, v. 31, n. 2. 2004, p. 98-105.

140

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

MAI, J-E. Classification in Context: Relativity, Reality, and Representation. Knowledge
Organization, v. 31, n. 1, 2004a, p. 39-48.
MAI, J-E. Classification of the Web: Challenges and Inquiries. Knowledge Organization,
v. 31, n. 2, 2004b, p. 92-97.
MARCONDES, C. H. Knowledge Organization and Representation in Digital Environments:
Relations Between Ontology and Knowledge Organization. Knowledge Organization. v.
40, n. 2, 2013, p. 115-122.
MARTÍNEZ-ÁVILA, D.; SAN SEGUNDO, R. Reader-Interest Classification: Concept and
Terminology Historical Overview. Knowledge Organization. v. 40, n. 2, 2013, p. 102-114.
MOREIRA, A.; ALVARENGA, L; OLIVEIRA, A. P. Thesaurus and Ontology: A Study of the
Definitions Found in the Computer and Information Science Literature, by Means of an
Analytical Synthetic Method. Knowledge Organization, v. 31, n. 4, 2004, p. 231-244.
MUNK, T. B.; MØRK, K. Folksonomy, The Power Law &amp; the Significance of the Least Effort.
Knowledge Organization, v. 34, n. 1, 2007, p. 16-33.
OH, K. E.; SOOHYUNG, J; JEONG, E-J. Online Consumer Health Information Organization:
Users’ Perspectives on Faceted Navigation. Knowledge Organization. v. 42, n. 3, 2015, p.
176-186.
OHLY, H. P. Mission, programs, and challenges of knowledge organization. In: Categories,
contexts and relations in knowledfe organization: Proceedings of the Twelfth
International ISKO Conference. Mysore: Ergon, 2012, p. 15-23.
PARK, O. N. Opening Ontology Design: A Study of the Implications of Knowledge
Organization for Ontology Design. Knowledge Organization, v. 35, n. 4, 2008, p. 209221.
RAFFERTY, P. The Representation of Knowledge in Library Classification Schemes.
Knowledge Organization, v. 28, n. 4, 2001, p. 180-191.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Tradução Tarcísio Zandonade.
Brasília: Briquet de Lemos/Livros. 2009.
RANGANATHAN, S. R. Prolegomena to library classification. Bombay: Asia Publishing
House, 1967.
SALES, R. A Relação entre Organização do Conhecimento e Ciência da Informação na
Comunidade Científica Brasileira: uma investigação no âmbito da ISKO-Brasil. In: José
Augusto Chaves Guimarães; Vera Dodebei. (Org.). Organização do Conhecimento e
Diversidade Cultural. 1ed.Marília, SP: ISKO-Brasil; FUNDEPE, 2015, v. 1, p. 73-84.
SAN SEGUNDO, R. A New Conception of Representation of Knowledge. Knowledge
Organization, v. 31, n. 2, 2004, p. 106-111.
SATIJA, M. P. Book Numbers in India with Special Reference to the Author Table for Indian
Names Designed and Used by the National Library of India. Knowledge Organization, v.
34, n. 1, 2007, p. 34-40.
SATIJA, M. P.; MADALLI, D. P.; DUTTA, B. Modes of Growth of Subjects. Knowledge
Organization. v. 41, n. 3, 2014, p. 195-204.

141

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

SHARMA, R. S.; FOO, S.; MORALES-ARROYO, M. A. Developing Corporate Taxonomies for
Knowledge Auditability. A Framework for Good Practices. Knowledge Organization, v.
35, n. 1, 2008, p. 30-46.
SHIRI, A. Making Sense of Big Data: A Facet Analysis Approach. Knowledge
Organization. v. 41, n. 5, 2014, p. 357-368.
SZOSTAK, R, Classifying Scholarly Theories and Methods. Knowledge Organization, v.
30, n. 1, 2003, p. 20-35.
TENNIS, J. T. Epistemology, Theory, and Methodology in Knowledge Organization: Toward
a Classification, Metatheory, and Research Framework. Knowledge Organization, v. 35,
n. 3/2, 2008, p. 102-112.
TENNIS, J. T. Experientialist Epistemology and Classification Theory: Embodied and
Dimensional Classification. Knowledge Organization, v. 32, n. 2, 2005.
VAN DEN HEUVEL, C. Multidimensional Classifications: Past and Future
Conceptualizations and Visualizations. Knowledge Organization, v. 39, n. 6, 2012, p. 446460.

142

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

AS POLÍTICAS INFORMATIVAS NA OBRA
DE RANGANATHAN
Fernanda Maria Melo Alves

INTRODUÇÃO
Desde os primórdios da humanidade, o ser humano comunica as experiências e
os conhecimentos adquiridos. Embora a transmissão oral seja a forma original de
comunicação, o homem conseguiu ferramentas e materiais para registá-la,
assegurando a sua permanência e disseminação ao longo dos séculos. O aumento
gradual da infomação e do conhecimento originou a busca de inovação no processo
técnico e tecnológico do seu registro e divulgação, adaptando a contextos diferentes e
novos.
Como a informação tem um impacto direto sobre todo o tipo de atividades, é
vital para o desenvolvimento do ser humano e, portanto, da sociedade, a ONU, após a
II Guerra Mundial, elevou o conceito de liberdade de informação como um direito de
todos os indivíduos e povos, consagrado na Declaração Universal dos Direitos
Humanos, no artigo 19, e considerou o livre fluxo de informação como uma das
responsabilidades dos Estados.
Conscientes da importância do papel da informação e do conhecimento à escala
mundial, alguns cientistas, grupos, movimentos e, principalmente, organizações
internacionais, promoveram e promovem políticas, programas e projetos nesse
sentido. Entre todos, destaca-se o papel da UNESCO, pela sua contribuição para o
desenvolvimento das políticas de informação a nível nacional e internacional.

143

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

RANGANATHAN: ALGUNS DADOS DO SEU CONTEXTO
Na Meditación preliminar do ensaio Meditaciones del Quijote, que introduz o
pensamento filosófico de Ortega y Gasset (1883-1955), o filósofo afirma Yo soy yo y
mi circunstancia y si no la salvo a ella no me salvo yo, referindo-se ao contexto de
cada ser humano, tudo o que o rodeia, não só o imediato, mas também o remoto, não
só o físico, mas também o histórico e o espiritual. O ensaísta espanhol desenvolve a
sua reflexão definindo o homem como um [...] ser compuesto de realidades
circunstanciales creadas por la opacidad en la forma de pensar y en el
sedentarismo como fuente inspiradora de las culturas neopensantes incapaces de
olvidar la tirantez que usurpa el conjunto de la sabiduría.
Nesta perspectiva, as atividades de Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972)
compreendem-se mais facilmente, através de alguns dados da sua vida, obra e
contexto, organizados no seguinte quadro.
Quadro 1: Ranganathan: dados pessoais e contextuais
DATA
1892
1913
1914-18
1916
1917
1917-28
1924-25
1924
1928
1929
1939-45
1945-49
1947
1947
1948
1948
1949
1954
1954-57
1957
1962
1972

ACONTECIMENTO
Nasceu em Madras, Índia, na época colónia britânica.
Obteve o Bacharelato em Matemáticas, Universidade Católica de Madras.
Primera Guerra Mundial.
Obteve o Master em Matemáticas, Universidade Universidade Católica de Madras.
Obteve o Diploma de Professor de Língua Inglesa, Universidade de Professores, em
Saidapet, Madras.
Exerceu docência de Matemática e Física em instituições de ensino superior públicas.
Obteve o Master na School of Librarianship, University College, Londres (nove meses, de
setembro de 1924 a julho de 1925).
Iniciou a atividade de bibliotecário na Universidade de Madras e de formador de cursos de
técnicos de Biblioteconomia a professores, exercidas por mais de 20 anos.
Fundou a Associação de Bibliotecários de Madras.
Fundou uma Escola de Biblioteconomia, integrada, mais tarde, na Library School da
Universidade de Madras.
Segunda Guerra Mundial
Exerceu docência na Universidade de Hindu de Banaras, Varanasi, Índia.
Independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nerhu, e que o
próprio Ranganathan apoiou.
Iniciou a docência na Universidade de Deli, em Nova Deli, a capital da Índia.
Fundou o Master of Library Science, Universidade de Nova Deli.
Visitou bibliotecas nos países escandinavos.
Fundou o Doutoramento em Library Science na Universidade de Nova Deli.
Visitou profissionalmente os EUA, a convite da Fundação Rockfeller.
Trabalhou em Zurique, na Suissa, e visitou várias bibliotecas europeias.
Instalou-se em Bangalore, Índia.
Fundou o Documentation Research and Training Centre no Indian Statistical Institute, em
Bangalore.
Faleceu aos 80 anos em Bangalore.

Fonte: Elaboração própria a partir de Allen Kent et al. (1978).

144

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Ao longo da sua vida, Ranganathan escreveu numerosa bibliografia, livros,
artigos, conferências, legislação e relatórios, nos quais aborda temas variados.
Resultaram da sua formação científica e prática profissional, como professor,
bibliotecário e investigador, e da sua reflexão teórica na tentativa de encontrar uma
base científica para a Biblioteconomia e as Ciências da Informação.
Destacamos no Quadro 2, os livros citados na literatura geral e que
consideramos pertinentes para a nossa abordagem.
Quadro 2: Ranganathan: algumas publicações15
DATA
1931
1933
1934
1935
1937
1938
1945
1948
1951
1968

TÍTULO
The Five laws of Librarian Science
The Colon Classification
The Classified Catalogue Code
The Principles of Library Management
Prolegomena to Library Classification
Theory of the Library Catalogue
The Elements of Library Classification
The Classification and International Documentation
The Classification and Communication
Free book service for all: An international survey

Fonte: Elaborado a partir de Garfield (1984ab).

Na impossibilidade de analisar todas suas atividades e publicações, pela
extensão temporal e variedade, optámos por delimitar a nossa abordagem aos
seguintes tópicos: o livro e a biblioteca, o(s) sistema(s) bibliotecário(s) e a
internacionalização das teorias ranganathianas, que correspondem apenas a uma
parte do seu pensamento e obra, que, como reconhece Currás (1995), no seu
conjunto, permite visualizar este ser humano e suas ideias, e a sua visão sistêmica.

O LIVRO E A BILIOTECA: CONCEITUALIZAÇÃO RANGANATHIANA
Os conteúdos de diferentes manuscritos antigos registam a existência de várias
bibliotecas na Índia, desde a Antiguidade, principalmente, nas instituições educativas
e religiosas, cujos bibliotecários eram eruditos muito respeitados (NAIR, 1991).
A Universidade de Nalanda, situada na região oriental do país, e considerada
uma das mais antigas do mundo, possuía uma biblioteca, cuja coleção era composta
por cerca de 9 milhões de volumes, entre os quais manuscritos antigos, distribuídos
por três edifícios. As suas instalações incluíam também salas de leitura e de cópia de
Várias publicações de e sobre Ranganathan foram digitalizadas pela University of Arizona e estão
disponíveis gratuitamente em https://sites.google.com/site/alagusenthil/the-father-of-libraryscience-in-india.
15

145

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

manuscritos, depósito e serviços administrativos. Por ser uma universidade
internacional budista, Buda e outros altos dignitários visitaram-na várias vezes. A sua
decadência e encerramento teve origem na destruição de parte da instituição e do
acervo, efetuada pelos turcos islamitas no século XII (SHARMA; SHARMA, 2004).
Ranganathan conhecia as bibliotecas académicas, de investigação e públicas do
seu país como estudante e cidadão. Ao entrar para a Universidade de Madras,
reconheceu a necessidade de se preparar para executar de forma eficaz a sua missão
de bibliotecário e transformar a biblioteca, que mantinha um modelo tradicional.
Beneficiado com uma bolsa de estudos para um mestrado na School of Librarianship
no University College, em Londres, adquiriu os conhecimentos desejados,
experiência investigadora e maturidade intelectual, com o apoio de Sayers, professor
e investigador dessa universidade e diretor da Croydon Public Library (GARFIELD,
1984a).
A partir da observação, investigação e análise das práticas utilizadas em
numerosas bibliotecas britânicas, Ranganathan observou a variedade de serviços
bibliotecários oferecidos e detectou a ausência de princípios básicos no tratamento da
informação por parte dos seus profissionais.
Grolier (1993) comenta que, ao regressar à Universidade de Madras, o professor
reorganizou completamente a biblioteca institucional, aplicando ideias inovadoras,
reforma que lhe permitiu articular e sistematizar gradualmente aspetos teóricos e
práticos, a partir dos quais criou dois marcos da Biblioteconomia e Ciências da
Informação: The The five laws of library Science (1931), que estudamos em seguida,
e The Colon Classification (1933), uma proposta classificativa mais flexível que a
Classificação Decimal de Dewey e a da Library of Congress, por estar projetada para
o aumento rápido da documentação e informação.
De momento, interessa-nos o livro The five laws of library Science16, em que o
livro adquire valor e uso intrínseco e é a origem das referidas leis, que se prolongam
num organismo vivo, a biblioteca e o seu modus operandi: a gestão bibliotecária, a
catalogação, a classificação, a aquisição da coleção e os serviços prestados aos

The five laws of library Science: 1. Books are for use, 2. Every reader his book, 3. Every book its
reader, 4. Save the time of his reader, and the staff, 5. A library is a growing organismo. As Cinco Leis
da Biblioteconomia: 1. Os livros são para usar. 2. Os livros para todos, 3. A cada livro seu leitor, 4.
Economize o tempo do leitor, 5. A biblioteca é um organismo em desenvolvimento.
16

146

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

leitores. Esta visão da missão do bibliotecário e do livro, como realidades vivas,
coincide com a de Ortega y Gasset na Misión del bibliotecario (1935).
A compreensão e atualização das Cinco Leis preocupou Ranganathan, pelo que:
 Em 1957, na 2ª edição da obra, acrescentou um novo capítulo, o 8º, sobre o
Desenvolvimento do método científico aplicado à Biblioteconomia, a partir
das mudanças ocorridas desde a 1ª edição em 1931.
 Em

1969,

resumiu

as

Cinco

Leis

numa

comunicação,

intitulada

Biblioteconomia baseada nos serviços bibliotecários, publicada na revista
Annals of Library Science, em junho de 1969, p. 97-115.
 Em 1972, expôs a concepção básica das Cinco Leis aplicadas às Ciências
Sociais, numa comunicação sob o título de Ciências Sociais: surgimento e
campo de ação, na qual incluiu o gráfico que apresenta a Espiral do Método
Científico, e que foi publicada na revista Annals of Library Science, março de
1972, p. 63-82.
Criadas em função da realidade das bibliotecas indianas, as Cinco Leis e os seus
princípios normativos foram considerados inovadores na época. Santos e Pinto
(2012) destacam a sua aplicação à práxis bibliotecária, à missão e aos objetivos de
quaisquer unidades e serviços de informação, como, a formação profissional; o
planejamento e administração; a formação e desenvolvimento dos acervos; as secções
bibliotecárias; o tratamento, organização e gestão da informação; o acesso,
empréstimo e estudo dos usuários; os serviços de referência; a avaliação do acervo e
dos serviços prestados; o papel social do bibliotecário; a biblioteca e o incentivo à
leitura; a democratização do acesso à informação; o fomento à pesquisa; e o
crescimento das bibliotecas.
As leis em análise são referidas em abundante literatura e adaptadas em
diferentes contextos. Noruzi (2004), especialista iraniano, revê adaptações realizadas
de 1992, o 100º aniversário do nascimento de Ranganathan, a 2003:
 The Five new laws of librarianship de Michael Gorman (1995).
 The Principles of distance education de Sanjaya Mishra (1998).
 The Five laws of the software library de Mentor Cana (2003).
 The Five laws of children's librarianship de Virginia A. Walter (2004).
 The Five laws of web connectivity de Lennart Björneborn (2004).
 The Five laws of diversity/affirmative action de Tracie D. Hall (2004).

147

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

 The Five Laws of the Web17 de Noruzi (2004), a sua própria proposta.
Figueiredo (1992) evidencia a irregularidade do estudo da obra ranganathiana
na maioria dos países. O mesmo não sucede na literatura indiana, como se pode
verificar nos estudos de Sen (2008) e de Das e Mishra (2015), aplicados ao contexto
indiano, o primeiro recolhe várias contribuições e adaptações das Cinco Leis e o
segundo estuda as citações sobre Ranganathan em várias revistas.

O SISTEMA BIBLIOTECÁRIO E O SISTEMA DE SISTEMAS
No século XX, o desenvolvimento científico e sua consequente explosão
documental preocuparam alguns científicos e organizações, que procuraram
compreender este fenómeno e contribuir para a elaboração de políticas bibliotecárias
e informacionais.
Embora a nossa práxis investigadora se baseie na consulta de fontes primárias,
não foi viável o acesso direto às mesmas, para a elaboração deste tema. Baseamo-nos
em Nair (1996) e Grolier (1993ab), que tiveram acesso à legislação produzida por
Ranganathan, publicada em vários números da revista Annals of Library Science,
criada no Indian National Scientific Documentation Centre (INSDOC), em 1954, e
cujo primeiro editor foi Ranganathan. A revista mudou de nome várias vezes, Annals
of Library Science and Documentation em 1964, Annals of Library and Information
Studies em 2001, sendo a revista de Library and Information Science (LIS) mais
antiga da Índia.
A partir de 1925, depois de voltar do Reino Unido, Ranganathan confirmou as
suas ideias, sobre as quais tinha vindo a refletir:


A importância das bibliotecas públicas para a melhoria da educação
indispensável ao desenvolvimento da Índia.



A necessidade da promulgação de legislação bibliotecária para fornecer um
serviço público bibliotecário sistematizado, unificado e eficiente.



A importância e a necessidade de manter e desenvolver uma rede de
bibliotecas públicas, destinada ao atendimento as necessidades educacionais e
informacionais do público em geral.

The Five Laws of the Web: 1. Web resources are for use, 2. Every user his or her web resource, 3.
Every web resource its user, 4. Save the time of the user, 5. The Web is a growing organism.
17

148

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Especialista indiano em bibliotecas indianas e em sistemas bibliotecários, Nair
(1996) apresenta o conjunto das políticas bibliotecárias de Ranganathan, que
passamos a clarificar da seguinte forma, primeiro o seu conceito de sistema
bibliotecário, depois a sua concepção, baseada em sistema, rede e unidade, e, em
seguida, a sua organização, fundamentada em dois instrumentos, lei e plano, que se
articulam como um conjunto orquestral.
Nair afirma que o conceito de Sistema de Bibliotecas Públicas do professor está
orientado para uma rede de bibliotecas públicas, espalhadas por todo o país, que
oferece serviços bibliotecários e informativos gratuitos a todo o tipo de cidadão,
conceito diametralmente oposto ao vigente na época. Por outro lado, o sistema
referido está organizado em diferentes níveis, mas articulados, de acordo com a
divisão administrativa indiana, estado, federação, distrito, dentro dos quais estão
interligadas as unidades de serviços.
Paralelamente, Ranganathan elaborou um modelo de legislação bibliotecária
para a Índia, que foi apresentado e discutido na First All Asia Educational
Conference, realizada em Banaras em 1930. Este modelo foi aplicado na elaboração
das leis bibliotecária de vários Estados, de Madras e de Central Provinces em 1946, de
Travancore, de Cochin e de Bombay em 1947, de United Provinces em 1949, de
Hyderabad em 1953, de Madhya Pradesh em 1957, de West Bengal em 1958, de Uttar
Pradesh em 1958, de Kerala em 1959, de Mysore (Karnataka) em 1961 e de Assam em
1964. No entanto, o modelo legislativo foi sendo atualizado cronologica e
contextualmente.
Por outro lado, Grolier (1993) assinala a teoria subjacente de planificação de
sistemas bibliotecários ranganathiano é pragmática, baseada em dois conceitos
complementares, definidos pelo próprio professor indiano, e um terceiro, proposto
pelo próprio Grolier:


O primeiro, o sistema bibliotecário público unitário (com diferentes locais de
serviços).



O segundo, o sistema bibliotecário público federal (composto por bibliotecas
independentes ou sistemas bibliotecários unitários).



E o terceito, o sistema da área, viável e flexível, adaptado às zonas rurais.
O mesmo especialista refere que Rangananthan preparou várias leis e planos

bastante detalhados para vários estados, todos centrados na respetiva Biblioteca

149

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Central do Estado, uns antes e outros depois da Independencia da Índia, e outros a
nível urbano e rural, com o apoio de uma rede de librachines, termo ranganathiano
para designar as bibliotecas itinerantes. A planificação desses sistemas era detalhada
e incluía todos os elementos necessários para o respetivo funcionamento, tais como
pessoal, orçamento, despesas de edifícios e equipamento e formas de motivação dos
profissionais de informação.
Segundo a perspectiva do professor indiano, o sistema de bibliotecas públicas
estatais articulava com outros sistemas, os de bibliotecas especializadas e os das
várias instituições académicas, sendo que todos os sistemas estavam subordinados à
Biblioteca Nacional Central. Por outro lado, às Bibliotecas Centrais dos Estados e a
Biblioteca Nacional Central competia-lhes as funções de gestão do depósito legal e a
publicação da bibliografia nacional, que exige cooperação e divisão de trabalho entre
elas, aspecto que deve vir especificado na legislação bibliotecária.
Como se pode observar, Ranganathan propôs um sistema de sistemas, desde o
elemento mínimo, a unidade de serviços bibliotecários da zona rural, alargando-se às
zonas citadina, distrital, estadual e nacional, um emaranhado de redes e sistemas,
resultante da sua visão holística do conhecimento e da informação e do universo.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DA OBRA DE RANGANATHAN
Garfield (1984b) considera que o impacto internacional deste professor indiano
é muito significativo, tendo em vista o número de citações que identificou no Sciencs
Citation Index (SCI) e no Social Science Citation Index (SSCI).
Estudar a projeção da obra de Ranganathan em nível internacional, remete-nos,
de novo, às suas contribuições que selecionamos como mais relevantes: The five laws
of library Science (1931), sobre as quais assentam as teorias e práticas bibliotecárias
modernas, e The Colon Classification (1933), orientações que fundamentaram os
novos caminhos da Classificação.
A ação bibliotecária de Ranganathan levou-o a ocupar diversos cargos de
responsabilidade na área das bibliotecas nas mais importantes organizações
internacionais, as Nações Unidas e, em especial, a UNESCO, e a IFLA. Khan (1996),
Kumar e Patel (2001) e Satyanarayana (2015) assinalam as seguintes atividades:

150

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia



Trabalhou como membro do Comité Internacional de Especialistas em
Bibliotecas das Nações Unidas, em 1948.



Foi responsável, em 1949, junto da UNESCO, pelas negociações para o
estabelecimento da Biblioteca Pública de Madras, um projeto piloto, iniciado
em 1951, que obteve muito êxito, e foi financiado pelo governo indiano e pela
UNESCO.



Negociou, em 1950, com a UNESCO para conseguir estabelecer o Indian
National Scientific Documentation Centre (INSDOC), instituição que começou
a sua atividade em 1952, com fundos do Governo da Índia e da UNESCO.



Em 1950, atuou como consultor da UNESCO para a automatização dos
procedimentos da pesquisa.



Foi membro do Comité Internacional de Bibliografia da UNESCO, de 1950 a
1953.



Elaborou para a IFLA (1954), um programa global, destinado à melhoria da
sua estrutura e funcionamento, publicado em 1954, na revista Libri, v. 5, nº 2,
pp. 182-189.
No que respeita o campo da Classificação, destacam-se as suas atividades junto

da International Federation for Information and Documentation (FID), fundada em
1895, em Bruxelas, por Otlet e La Fontaine, com a qual Ranganathan participou
ativamente, contribuindo, deste modo, para a internacionalização das suas ideias.
Na literatura, Otlet (1868-1944) e Ranganathan são referências convergentes.
Concordamos com esta tradição, pois ambos participaram ativamente no movimento
mundial de desenvolvimento da Documentação e Informação, difundido por uma
série de eventos e ações internacionais, entre os quais se destaca a World Congress of
Universal Documentation, realizado em 1937, em Paris, organizado pela FID.
Conselheiro brasileiro da FID e membro da Comisão FID/CR, Vicentini (1972),
comunicou a morte de Ranganathan, resumindo os seus dados biobibliográficos e
estabelecdendo a sua ligação com a FID, durante 25 anos. Durante este período o
professor:


Publicou um artigo sobre documentação no Boletim da FID, em 1947.



Foi nomeado Vice-Presidente da FID, cargo que exerceu durante vários anos.



Foi eleito Membro Honorário da FID em 1946.

151

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia



Criou a Comissão de Teoria da Classificação da FID (FID/CA), em 1962, para
promover a reflexão sobre classificação.



Foi eleito Presidente Honorário da FID/CR (antiga FID/CA), em 1962, sendo
um dos mais assíduos e entusiastas colaboradores.



Participou em Conferências sobre Classificação em 1957 e na Conferencia de
Elsinore, na Dinamarca em 1964, que marcaram a época na história da
Classificação.



Contribuiu para os Reports nº l e nº 9 da FID/CR.



Realizou viagens à Europa e à America do Norte, após a Conferência de
Elsinore, que influenciaram os líderes dos projetos mecanizados de
classificação.



Influenciou vários sistemas de classificação facetada, surgidos na década de
50.



Fomentou a criação de grupos e comissões sobre Classificação, em
numerosos países.
Na prática, a Classificação Colonada, proposta por Ranganathan, embora

significante, raramente foi usada nas bibliotecas dos países ocidentais, e mesmo na
Índia, não foi tão largamente difundida, como a priori se esperava. As classificações
mais usadas mundialmente são a Dewey Decimal Classification, Library of Congress
e Universal Decimal Classification. No entanto, as teorias de classificação e
indexação ranganathianas foram fundamentais para a reflexão da organização da
informação e do conhecimento, e acolhidas por numerosos especialistas e
organizações em todo o mundo.
Esperamos ter contribuído, com este texto, para a renovação dos estudos
ranganathianos, neste ano de 2016, em que se comemoram os 85 anos da primeira
publicação de The five laws of library Science.

REFERÊNCIAS
DAS, A. K.; Mishra, S. R. Ranganathan in Google Scholar and other citation databases.
Annals of Library and Information Studies, v. 62, n. 4, 2015. Disponível em:
&lt;http://nopr.niscair.res.in/bitstream/123456789/33726/1/ALIS%2062(4)%20290298.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
DOCUMENTATION RESEARCH AND TRAINING CENTRE (DRTC).

152

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Disponível em: &lt;http://drtc.isibang.ac.in/DRTC/&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. A modernidade das cinco leis de Ranganathan. Ciência de
Informação, Brasília, v. 21, n. 3, p. 186-191, set/dez. 1992.
Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/viewFile/430/430&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
GARFIELD, E. A Tribute to S. R. Ranganathan, the Father of Indian Library Science. Part 1.
Life and Works. Essays of an Information Scientist, n. 7, p. 37–44,
1984a. Disponível em: &lt;http://www.garfield.library.upenn.edu/essays/v7p045y1984.pdf&gt;.
Acesso em: 14 jun. 2016.
GARFIELD, E. A Tribute to S. R. Ranganathan, the Father of Indian Library Science. Part 2.
Contribution to Indian and International Library Science. Essays of an Information
Scientist, n. 7, p. 45-49, (1984b). Disponível em:
&lt;http://www.garfield.library.upenn.edu/essays/v7p045y1984.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
GROLIER, Eric de. Perspectivas en política bibliotecaria y de información y la herencia de
Ranganathan. Boletín de la ANABAD, v. 43, nº.1, 1993, p. 69-84. Disponível em:
&lt;https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=620306&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
IFLA. What it should be and do by S.R. Ranganathan. Libri, v. 5, n. 2, p. 182-189, 1954.
Disponível em: &lt;http://www.ifla.org/files/assets/hq/history/ranganathan_1954_libri.pdf&gt;.
Acesso em: 14 jun. 2016.
KENT, A; LANCOUR, H; DAILY, J. E. Rangananthan. Encyclopedia of Library and
Information Science, v. 25. New York: Marcel Dekker Inc., 1978.
Disponível em: &lt;http://www.isibang.ac.in/~library/portal/Pages/SRRBIO.pdf&gt;. Acesso em:
14 jun. 2016.
KHAN M. A. (1996). Library Science Education in India. New Delhi: Sarup &amp; Sons,
1996. Disponível em:
&lt;https://books.google.com.br/books?id=uP8nYixp_wC&amp;printsec=frontcover&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false&gt;. Acesso em: 14 jun.
2016.
NAIR, R. R. Ranganathan and public library system. In: International and Comparative
Librarianship and Information Systems. Delhi: B. R. Publishing Corporation, 1996, pp.
127-135. Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/7499/14-14-1-PB.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun.
2016.
NAIR, R. R. Public library systems in ancient South India. Indian Library Association
Bulletin, v. 27, n. 2, p. 68-75, 1991. Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/7860/&gt;. Acesso
em: 14 jun. 2016.
NORUZI, A. Application of Ranganathan's Laws to the Web. Webology, v. 1, n. 2, 2004.
Disponível em: &lt;http://www.webology.org/2004/v1n2/a8.html&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
ORTEGA Y GASSET, J. (2005). Misión del bibliotecario. Fundación José Ortega y Gasset.
Madrid. Disponível em:
&lt;https://emastromatteo.files.wordpress.com/2010/08/mision_bibliotecario.pdf&gt;. Acesso
em: 14 jun. 2016.
ORTEGA Y GASSET, J. Meditaciones del Quijote. Madrid: Alianza Editorial, 2005.
Disponível em:

153

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

&lt;http://www.mercaba.org/SANLUIS/Filosofia/autores/Contempor%C3%A1nea/Ortega%20
y%20Gasset/Meditaciones%20del%20Quijote.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
PATEL, J.; KUMAR K. Libraries and Librarianship in India. Greenwood Press,
London, 2001. Disponível em:
&lt;https://books.google.cz/books?id=KXVrsPSzeNAC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=cs&amp;source=gb
s_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
SANTOS, F. E. P.; PINTO, V. B. Vida &amp; obra de Ranganathan: influências e contribuições
para a Biblioteconomia. PontodeAcesso, Salvador, v.6, n.3, p.2-19, dez. 2012.
Disponível em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/download/6509/4788&gt;. Acesso
em: 14 jun. 2016.
SATYANARAYANA, R. Library profession and Dr. Ranganathan. Annals of Library and
Information Studies, v. 63, n. 4, p. 203-207, 2015.
Disponível em:
&lt;http://nopr.niscair.res.in/bitstream/123456789/33711/1/ALIS%2062(4)%20203207.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
SEN, B. K. Ranganathan’s five laws. Annals of Library and Information Studies, v. 55,
n. 2, p. 87-90, 2008. Disponível em:
&lt;http://nopr.niscair.res.in/bitstream/123456789/1769/1/ALIS%2055(2)%2087-90.pdf&gt;.
Acesso em: 14 jun. 2016.
SHARMA, R. N.; SHARMA, R. K. The History of Education in India. New Delhi:
Atlantic Publishers &amp; and Distributors, 1996. Disponível em:
&lt;https://books.google.com.br/books?id=yqtAAgS3NSEC&amp;pg=PP7&amp;hl=es&amp;source=gbs_selec
ted_pages&amp;cad=2#v=onepage&amp;q&amp;f=false&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.
VICENTINI, A. L. C. Ranganathan, Filósofo da Classificação. Cientista da Biblioteconomia.
Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 113-114, 1972. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/14/14&gt;. Acesso em: 14 jun. 2016.

154

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A BIBLIOTECA COMO ORGANISMO EM
CRESCIMENTO NA PERSPECTIVA DA
INOVAÇÃO: um novo olhar para 5ª Lei de
Ranganathan
William Barbosa Vianna
Ana Clara Cândido
Sonali Paula Molin Bedin

INTRODUÇÃO
Frente aos novos e diversificados fenômenos informacionais surgidos nas
últimas décadas, a Biblioteca como organização e nela, o profissional bibliotecário,
encontram-se num ponto de inflexão entre manter-se predominantemente operando
em torno de um paradigma físico da informação ou interagir mais intensamente com
os novos ambientes de informação como um sistema adaptativo complexo.
A inserção em novos contextos sociais, onde os avanços tecnológicos se
impõem e tanto definem como interferem nas ações cotidianas, a biblioteca como
integrante da sociedade da informação em seu atual estágio sofre o impacto da
premente adequação de seus produtos e serviços a esta realidade, tendo em vista
manter e ampliar sua relevância social.
A concepção de Biblioteca para o século XXI, que extrapola os limites físicos,
"é uma grande plataforma interativa e programável que transforma de modo
profundo a maneira como se encara o desenvolvimento de aplicações informáticas e,
consequentemente, o tipo de serviços que podem ser disponibilizados aos clientes
finais” (COELHO, 2008).
É nesse contexto, que a própria 5a lei de Ranganathan “A Biblioteca é uma
organização em crescimento” pode ser repensada para além do tradicional
entendimento da mesma associada a tamanho de estantes, torres para livro, sala dos

155

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

periódicos e outros elementos físicos indispensáveis, mas que se mostram
insuficientes para operar nos novos contextos nos quais a Biblioteca é chamada a se
situar e ampliar sua participação.

DESAFIOS EMERGENTES PARA O CRESCIMENTO DAS BIBLIOTECAS
Considera-se paradigma físico aquele que entende a Biblioteca a partir de suas
características tradicionais, onde predominantemente tanto a coleção quanto o seu
catálogo utilizam o papel como suporte de registro da informação.
Nos novos contextos informacionais, as pessoas e as organizações estão
lidando com uma expansão de dados que são muito volumosos e desestruturados
para serem gerenciados e analisados por meios tradicionais, levando à necessidade de
se pensar em formas de analisar e processar tais dados a fim de gerar informações
pertinentes e oportunas (DAVENPORT, 2012).
Sendo essas informações disponíveis em diversos formatos, o armazenamento,
uso e apropriação por parte dos usuários impõem desafios à Biblioteconomia no
sentido de indexá-las e disponibilizá-las com segurança.
De outra forma, ao ampliar o vácuo entre o clássico acervo e as novas
informações que àquele poderiam acrescentar, desenvolver, integrar e, portanto,
qualificar a utilidade, entraria a Biblioteca numa área de obsolescência que pode ser
observada em alguns casos, ainda mais que nos novos ambientes de informação a
localização física pode ser irrelevante.
Não se trata como poderiam pensar alguns, de decretar, prever ou postular o
fim da biblioteca física, ou sua ineficácia, mas antes buscar oportunidades para
potencializar seu papel e utilidade num novo contexto, respondendo aos desafios que
se apresentam, uma vez que é um fato notável que mais e mais usuários estão
resolvendo suas demandas informacionais por meio do ciberespaço - dispensando a
Biblioteca.
Além disso, a explosão bibliográfica tornou quase impossível adquirir e
encontrar espaço físico para atender a gama de interesses dos usuários à medida que
a informação digital se expande, (HAWKINS, 1994).
E as decisões necessitam considerar cada vez mais uma variedade de fontes
tais como as redes sociais que necessitam, por vezes, a análise de quantidades

156

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

imensas de dados desestruturados criados pelos usuários em mídias sociais, blogs e
outras fontes na internet (BROWN &amp; MANYIKA, 2011).
É o próprio Ranganathan (1931) quem afirma que um organismo que deixa de
crescer vai petrificar e perecer e é dessa forma que abre espaço para uma ampliação e
um aprofundamento da quinta lei à luz de novos contextos.
Ranganathan considerou como elementos desse organismo em crescimento,
basicamente livros, funcionários e leitores e postulava que o crescimento e a mudança
em qualquer um deles afeta os outros. E em decorrência, discutiu o crescimento em
termos de infraestrutura física da biblioteca.
Acompanhando a trajetória das bibliotecas, também acompanhamos as
precariedades a que são submetidas, tais como, recursos escassos, descaracterização
de seus serviços e principalmente dificuldades de gestão e de gestores capacitados
para entender sua real função como organismo vivo na comunidade onde está
inserida e que tem suas necessidades próprias e expectativas que precisam ser
atendidas.
Tradicionalmente, as bibliotecas encerram documentos e acervos que
garantem informação pontual e assertiva considerando que suas coleções se destinam
a usuários previamente identificados. Coleções, livros ou outros documentos são
organizados para leitura e consulta (LUCAS, 2004).
Neste esteio, novos serviços podem ser disponibilizados, outras atuações
profissionais precisam ser percebidas, funcionalidades apoiadas em recursos
tecnológicos robustos são trazidas à luz do uso e colocadas à disposição e também,
acervos outrora não catalogados.
Se mesmo Ranganathan já discorria sobre a necessidade de expansão para se
alinhar às perspectivas sociais do momento, o desafio é conectar o “universo” de
informações em todas as suas possibilidades com o usuário inserido em sociedade
nunca estática.
Os movimentos sociais levam ao desenvolvimento de práticas que venham
responder às necessidades no que tange a comunicação, relacionamento, prestação de
serviços e operações laborais. Neste cenário, surgiram as redes que além de ligar
emissores e receptores, favorecem o livre trânsito dos dados a destinos incertos e nem
sempre sabidos. As bibliotecas também se inserem nestes cenários.

157

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Assim como os colégios invisíveis, que permitem o compartilhamento de
informações seletivas e de interesse pontual, as redes de relacionamento podem e
devem se direcionar a solução de problemas informacionais.
Sendo um centro de indiscutível valor como catalisador de informações, as
bibliotecas não podem se furtar às novas perspectivas de atuação para além de suas
“paredes”. Mediar a informação, facilitar as buscas, garantir a interação com os
membros dos grupos que a cercam, mas, que não se limitam a este espaço geográfico,
comprovam os discursos visionários de Ranganathan.
Assim como a sociedade agora se interliga e compartilha, a biblioteca também
é uma comunidade social em que, virtualmente, os usuários interagem e
compartilham conteúdos (MANESS, 2007).
Aqui se caracteriza o crescimento das bibliotecas para além de suas próprias
fronteiras, indo ao encontro dos anseios da sociedade, produzindo e fomentando
condições que permitam o seu reconhecimento como espaço importante e
colaborativo para as comunidades.
Dessa forma, não obstante as três variáveis iniciais de operacionalização de
Ranganathan, a 5a lei apresenta uma formulação capaz de remeter a um propósito
maior, que permite ampliar o entendimento num sentido menos determinístico,
próprio de um sistema dinâmico, maior do que as partes que o compõem e aberto à
incorporação de novas variáveis.
Nesse ponto passamos a considerar que a 5a lei não se limita ao fato de que a
biblioteca está em crescimento apenas quanto os livros, funcionários e leitores mas
pode expandir-se como um organismo que, para de fato estar em crescimento
necessita continuamente interagir com novas variáveis ambientais relacionadas à
informação.
Segundo Stacey (1996) as organizações que se comportam como sistemas
adaptativos complexos são criativas e inovadoras quando ocupam um espaço para
novidade à beira do caos ou da desintegração. Este é um estado em que as pessoas
atuam num sistema à sombra da organização com conceitos e ações que acabam por
descartar seu clássico sistema a fim de mudá-lo.
As mudanças significativas podem tirar a biblioteca da concepção de “depósito
do saber”, conforme Baganha (2004) e apontam para um relacionamento direto, não

158

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

só intermediando a informação, mas permitindo a construção direta das respostas
que vão satisfazer àquelas expectativas.
É interessante também pensar a biblioteca na concepção de Ranganathan,
enquanto uma instituição social à luz da visão da teoria evolucionária da firma de
Nelson &amp; Winter, no sentido de que estas estão entre manter rotinas e a propensão a
transformações e novos paradigmas.

AMBIENTES ENTRE A ROTINA E A MUDANÇA: REVISITANDO A
TEORIA EVOLUCIONÁRIA
O atual ponto de inflexão que marca o contexto das bibliotecas pode ser
interpretado à luz dos fundamentos da Teoria Evolucionária da mudança econômica,
inspirada nas ideias observadas no campo da biologia.
Revisitando o que diz esta teoria, é possível identificar a sua aplicabilidade
também no ambiente da biblioteca com vistas ao seu crescimento, tendo como base a
obra de Nelson &amp; Winter (1982) An evolutionary theory of economic chance, onde
tratam do processo de decisão e do comportamento organizacional.
A teoria evolucionária de Nelson &amp; Winter vê as organizações caracterizadas
por certa rigidez, tendo maior êxito em tarefas de manutenção do que propriamente
no estabelecimento de mudanças.
Nelson e Winter (1982, p. 14), consideram que a firma apresenta
comportamento padrão e rotineiro, definidos por características persistentes e
previsíveis dos organismos até que se tenha algum motivo para mudança.
Entretanto, é uma ameaça para sobrevivência, utilizar muitas vezes rotinas do
passado para enfrentar acontecimentos inesperados para os quais essas rotinas são
inadequadas ou insuficientes.
Na medida em que são identificadas rotinas mal adaptadas que vão caindo em
desuso, havendo uma vontade política, verifica-se uma busca por novas rotinas
capazes de gerar um maior benefício (Hodgson, 1995, p. 79).
Segundo Hodgson (1994, p. 223) a teoria evolucionária é uma alternativa para
o núcleo duro neoclássico e sua característica de “maximização mecanicista sob
limites estáticos”.

159

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Os fundamentos da teoria evolucionária, representada aqui pelo pensamento
de Nelson e Winter, remete também ao conceito de racionalidade limitada
desenvolvido por Herbet Simon, expandido para relevância da interação entre os
agentes para redução das incertezas.
A teoria evolucionária pode fornecer insights importantes sobre a relação entre
o processo de mudança tecnológica e a estrutura de mercado, entendido aqui num
sentido bem amplo.
A proposta apresenta algumas limitações decorrentes talvez da forma simplista
como descreve certas hipóteses, mas que não comprometem a inovação conceitual,
sendo que nos ateremos à abertura que propõe para introdução da inovação em
contextos marcados por rotinas técnicas e conflito com a mudança.
Nesse sentido, para avançar é fundamental superar o perigoso dilema de “fazer
mais do mesmo” em ambientes marcados por constantes transformações, pois tanto
para as organizações quanto para as bibliotecas, a rigidez às mudanças pode ter
implicações negativas.
Neste cenário dinâmico, propõe-se que o bibliotecário assuma o papel
importante de facilitador para atuar ativamente como um gestor da informação para
além dos livros, sendo um elemento potencializador e catalizador de uma nova
relação usuário-informação.
Para Ranganathan a informação se daria dinamicamente no momento em que
uma idéia é comunicada por outros ou obtida a partir do estudo pessoal e da
investigação. E o universo do conhecimento “é a soma total, num dado momento, do
conhecimento acumulado que está sempre em desenvolvimento contínuo. Diferentes
domínios do universo do conhecimento são desenvolvidos por diferentes métodos,
sendo que método científico é caracterizado pelo movimento sem fim em espiral”.
(RANGANATHAN, 1931).
Os recursos humanos devem ser entendidos como o coração deste processo,
sem pessoas motivadas e comprometidas dificilmente será possível a realização de
inovações e transformações decorrentes.
De maneira geral, o maior acesso à informação possibilita a formação de
cidadãos mais abertos e com mais facilidade de adaptação. A eliminação de barreiras
e distâncias entre os produtos e os usuários de conhecimento é uma das

160

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

características que moldam as mudanças no fluxo de informação (SANTOS et al.,
2012).
Numa analogia com a teoria citada, observa-se que os processos de busca,
seleção e transmissão a partir da teoria evolucionária associada ao pensamento de
Ranganathan e uso do método científico, possibilitam o desenvolvimento da
liderança do bibliotecário a partir da adoção de estratégicas para o alcance de
melhores resultados num processo em espiral de interação constante com os
envolvidos e a informação.
Naturalmente o leitor pode estar se perguntando como tal pode se dar
efetivamente no contexto das bibliotecas e, de fato, aqui se impõe uma relevante
questão a ser superada para redução da predominância do paradigma físico na
atuação profissional e seus reflexos na organização: o das certezas técnicas.
Tal proposta não significa propor uma anarquia no processamento técnico,
nem o histórico técnico da Biblioteconomia, mas uma necessária aceitação da
incerteza como elemento constituidor da prática profissional, tendo em vista a
adequação e ampliação do acesso à informação com novos padrões de informação
sendo admitidos, ampliados ou modificados.
Nesse caso, há necessidade de certa mudança de mentalidade que desloca a
centralidade do papel técnico da biblioteca para o binômio usuário-informação, tendo
em vista incorporações inusitadas ao acervo a partir de interações socio-culturais
constantes.
Em tal proposta, o componente incerteza está envolvido na busca de novos
procedimentos operacionais e não permite antecipar a superioridade destes com
relação às rotinas até então utilizadas, sendo útil, portanto, manter o conquistado e
empreender

de

forma

incremental

a

partir

de

pequenas

mudanças,

na

impossibilidade de implantar estratégias ótimas.
É importante ter presente nesse processo que as consequências são advindas
de uma seleção ativa de caminhos para a solução de problemas particulares da
miríade que poderia ter sido seguida. Se o meio se altera, como é o caso, apresenta
uma dinâmica ou se o objetivo é querer saber sobre o comportamento antes do
equilíbrio ser alcançado, a compreensão requer mais informação. (Simon, 1959, p.
273).

161

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A ideia é que os envolvidos, a partir da liderança do bibliotecário, adotem uma
conduta decisória que identifique novas práticas rotineiras baseadas em regras
simples, a partir da impossibilidade prática de um conhecimento completo acerca de
todas as possibilidades e também a consciência de que os usuários decidem de forma
autônoma.
Aqui vale a máxima das conquistas das pessoas com deficiência aplicável à
nossa reflexão sobre o binômio usuário-informação: "nada sobre nós, sem nós". Ou
ainda a máxima de Gil Giardelli (2012): “Não use velhos mapas para descobrir novas
terras”.
O jeito de empreender, liderar e inovar tendo em vista o crescimento da
biblioteca cada vez mais depende do coletivo, das redes, do compartilhamento e,
principalmente, da colaboração, e é essa talvez uma das maiores contribuições que a
proposta evolucionista nos apresenta frente ao dilema rotina-mudança.
O termo “rotina” é empregado no contexto organizacional da teoria
evolucionária como análogo aos genes da biologia. E também pode ser facilmente
identificado no ambiente da biblioteca. Os principais insights desta observação são:
-

A hereditariedade dos genes é aplicada às organizações nas ações e
desenvolvimento realizados por organismos atuais que poderão ser utilizados
pelas gerações futuras. Da mesma forma, nas bibliotecas ações desenvolvidas
no passado, rotinas, podem ser a base para adaptações e novas ações no
futuro.

-

A característica da seleção nas escolhas e o estabelecimento de determinadas
rotinas pode influenciar o desempenho tornando uns melhores do que outros.
Dessa forma trata-se de rever a adequação da oferta em relação à demanda,
descartando o que é obsoleto para àquela realidade a partir

do

aprofundamento da intervenção do usuário na biblioteca e a possível
incorporação de novos padrões digitais, acessíveis, replicação de boas práticas
de outras bibliotecas e outras pequenas ações possíveis e viáveis.
Finalizando esta seção, as analogias e comparações aqui realizadas tiveram a
intenção de situar os desafios impostos à biblioteca e aos profissionais da informação
ao contexto das organizações desafiadas também pelas transformações ocorridas no
mercado em consequência de inovações tecnológicas e novos paradigmas da
sociedade.

162

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A grande lição destas observações realizadas é a da necessidade de constante
atualização, desenvolvimento, evolução e busca de respostas para se adaptar às
transformações.

UM NOVO OLHAR PARA A 5ª LEI DE RANGANATHAN: A PERSPECTIVA
DA INOVAÇÃO INCREMENTAL
Ao final desta reflexão muitas indagações ainda permanecem, mas sobretudo
desvela-se a atualidade da proposta de Ranganathan para que as bibliotecas sejam
um organismo em crescimento.
Um choque de realidade nos leva a identificar que em várias bibliotecas,
sequer temos rampas de acesso para pessoa com deficiência.
Mas certamente que não podemos nos deixar levar pela "rotina da firma" e nos
limitar a uma clássica postura de apenas identificar problemas, nos conformar ou nos
retrairmos perante eles.
Precisamos lembrar que a Biblioteca é um organismo em crescimento e nós
fazemos parte dela. Em outras palavras, somos chamados a ser assertivos e
empreendedores na busca por soluções possíveis e viáveis, esse é o primeiro passo da
inovação.
É possível que pequenas quantidades de inputs produzam grandes e
direcionadas mudanças. Por exemplo, é útil buscar boas práticas de inovações
incrementais que são melhorias sucessivas em processos e produtos existentes que
ocorrem continuamente.
Tais melhorias não são decorrentes de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D)
deliberado, podem não ter alto custo, mas ser invenções e melhorias sugeridas pelo
bibliotecário com intensiva participação dos usuários.
O Manual de Oslo (OCDE, 2005) define inovação de produto e serviço como a
"introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que
concerne a suas características ou usos previstos", incluindo "melhoramentos
significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares
incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais".
No ambiente da biblioteca, as inovações podem ocorrer na gestão e nos
formatos organizacionais, ou seja, estão relacionadas à criação ou adoção de

163

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

novidades na gestão e organização do trabalho, políticas, práticas, processos,
conhecimentos, métodos e técnicas de gestão.
Têm-se ainda iniciativas como a do projeto "Acessibilidade em Bibliotecas
Públicas", uma iniciativa do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), da
Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura
(MinC). A execução está sob a responsabilidade da Mais Diferenças, organização da
sociedade civil de interesse público (OSCIP). O projeto se deu em parceria com o
Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e possui diversas boas práticas que podem
ser replicadas e disseminadas.
E artigos como o intitulado ’Aromas como fonte de informação: uma
aromateca para a Faculdade SENAC Florianópolis’, de Medeiros et al. (2015), que
relata o desenvolvimento de uma coleção por meio da criação de uma aromateca pela
equipe da Biblioteca da Faculdade de Tecnologia Senac em Florianópolis.
Por fim, estudos dos autores, em andamento, apontam que no Brasil, há um
uso excessivo e quase predominante de formulários para interação entre
bibliotecários e usuários, em detrimento de outros métodos mais interativos,
disseminados em outros países. Essa talvez seja uma forma interessante de encontrar
outras possibilidades de inovação incremental.
Se as inovações tecnológicas alteram o contexto informacional, as inovações
organizacionais e as redes de colaboração potencializam a adaptação às mudanças.
Por fim, a contribuição de Ranganathan, embora datada na década de 1930,
continua a nos desafiar a torná-la atual, afinal, a biblioteca é um organismo em
crescimento - no presente.
REFERÊNCIAS
BROWN, Brad; CHUI, Michael; MANYIKA, James. Are you ready for the era of ‘big data’.
McKinsey Quarterly, v. 4, n. 1, p. 24-35, 2011.
COELHO, Helena Sofia Felisberto. A Web 2.0 nas bibliotecas universitárias
portuguesas: um estudo da implementação do paradigma da biblioteca 2.0. 2009. 131 f.
Dissertação (Mestrado em Ciências da Documentação e Informação) - Universidade de
Lisboa - Faculdade de Letras, Lisboa, 2009. Disponível em:
&lt;http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/400/3/19054_ulfl0681152_tm_parte_2.pdf&gt;.
Acesso em: 20 jun. 2016.
DAVENPORT, Thomas H.; BARTH, Paul; BEAN, Randy. How big data is different. MIT
Sloan Management Review, v. 54, n. 1, p. 43, 2012.

164

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

GIARDELLI, Gil. Você é o que você compartilha: e-agora: como aproveitar as
oportunidades de vida e trabalho na sociedade em rede. São Paulo: Gente, 2012.
HAWKINS, Brian L. Creating the library of the future: incrementalism won’t get us there!
Serials Librarian, v. 24, n. 3-4, p. 17-47, 1994.
HODGSON, G. M. Evolution, Theories of economic. In: HODGSON, G. M. et al. The Elgar
Companion to Institutional and Evolutionary economics. Inglaterra: Edward Elgar,
p. 218-224, 1994.
HODGSON, G. M. Evolution. Theories of economic. In: HODGSON, G. M. et al. The Elgar
Companion to Institutional and Evolutionary economics. Inglaterra: Edward Elgar,
p. 218-224, 1994.
_____. Economía e Evolución - revitalizando la economía. Espanha: Edições Celeste,
1995.
LUCAS, Clarinda Rodrigues. O conceito de biblioteca nas bibliotecas digitais. Inf. &amp; Soc.:
Est., João Pessoa, v. 14, n.2, p.15-32, jul./dez. 2004. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/58/1530&gt;. Acesso em: 20 jun.
2016.
MANESS, Jack. M. Library 2.0 theory: Web 2.0 and its implications for libraries. Webology.
Boulder, CO, v. 3, n. 2, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.Webology.ir/2006/v3n2/a25.html&gt;. Acesso em: 20 jun. 2016.
MEDEIROS, C. M. et al. Aromas como fonte de informação: uma aromateca para a Faculdade
SENAC Florianópolis. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. São
Paulo, v. 11, n. especial, p. 99-113, 2015.
OCDE - MANUAL DE OSLO, 2005. Disponível em:
http://download.finep.gov.br/imprensa/manual_de_oslo.pdf. Acesso em: 18 jun. 2016.
NELSON, R.R., WINTER, S.G. An envolutionary theory of economic chance. Harvard
U.P: Estados Unidos, 1982.
RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. The five laws of library science. 1931.
SANTOS, J.L.C., SILVA, E.H., PREMOLI, M.V.Z. O processo de mudança econômica na
perspectiva evolucionária e neoinstitucional: uma resenha teórica. Revista Nexos, v. V, n.
8, p. 129-141, 2012.
SIMON, H. A. Theories of decision-making in economics and behavioral science. The
American Economic Review, v. 49, n. 3, p. 253-283, jun., 1959.
STACEY, R. D. Complexity and Creativity in Organizations. Berrett-Koehler
Publishers: San Francisco, CA, US, 1996.

165

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

APROXIMAÇÕES ENTRE RANGANATHAN
E O MARKETING PARA BIBLIOTECAS
Jorge Moisés Kroll do Prado

Não é novidade que a obra de Ranganathan é visionária. Resgatar a leitura de
‘As cinco leis da Biblioteconomia’, além de ser um exercício que nos convida para
uma autoavaliação daquilo que fazemos e do que poderíamos fazer, nos mostra a
capacidade do autor em pensar de maneira global, indiferente da tipologia da
biblioteca, a atuação dos bibliotecários sob olhares social, político, técnico e cultural.
Várias aproximações e interpretações podem ser feitas a partir de diferentes áreas e
conceitos, até mesmo com aquelas que à época do lançamento do livro (1931) ainda
não existiam ou estavam se sedimentando tanto cientificamente como no mercado de
trabalho. Somente uma obra atemporal é capaz disso.
Uma destas áreas que merece uma aproximação com Ranganathan, é o
Marketing, que neste capítulo será explorado a partir das seguintes perspectivas: - os
significados e as aplicações do Marketing; - bibliotecas e Marketing; - as 5 leis da
Biblioteconomia como ferramenta de Marketing.

OS SIGNIFICADOS E AS APLICAÇÕES DO MARKETING
Para que uma ciência seja assim chamada, é necessário que tenha um objeto de
pesquisa bastante definido, com técnicas e métodos que auxiliem a estudá-lo. Saber
se o Marketing é uma ciência, ou não, é um dos questionamentos mais antigos e
debatidos por autores da área. Talvez, seja por isso que venham à mente a
propaganda e a divulgação quando se menciona o termo. Afinal, são estes dois
elementos que acabam se destacando e ao mesmo tempo limitando (erroneamente),
as suas possibilidades.

166

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Longe disso, o Marketing é definido pela American Marketing Association
(2013. Tradução livre) como “um conjunto de instituições e processos para criar,
comunicar, entregar e trocar ofertas que tenham valor para compradores, clientes,
parceiros e a sociedade em geral”. Até que chegasse a este conceito, reconhecido por
muitos como oficial por conta da preocupação da Associação em pesquisar Marketing
para constantes atualizações, muitas outras definições nos foram apresentadas.
Este contexto existir decorre da existencia da distinção entre teoria e prática,
com diferentes perspectivas. Sheth, Gardner e Garrett (1988), afirmam que no início
dos anos 1960 a perspectiva comportamental era muito mais evidente que a
estratégica, ou seja, se pensava muito mais no comportamento do consumidor em
relação à sustentabilidade da empresa que comercializava um determinado produto
ou serviço. Com o passar dos anos, em diferentes mercados emergentes, este conceito
foi se readequando.
Mesmo entre tanta evolução e avanço, a palavra ‘troca’ sempre esteve presente
nas definições, direta ou indiretamente (KOTLER; KELLER, 2012; LEVITT, 1990;
BARTELS, 1976). Suas aplicações atualmente ocorrem em diferentes contextos:
principalmente na gestão de trocas, em quais técnicas e métodos serão necessários
para efetiva-la, e como medir e avaliar objetivos alcançados. As categorias de
produtos que podem ser estabelecidos nestas trocas são apresentadas no quadro 1:
Quadro 1 - Aplicações de Marketing
CATEGORIA
Bens

Serviços
Experiências
Lugares
Organizações

Ideias

APLICAÇÃO
Onde as organizações empregam maiores esforços. Televisores, refrigeradores,
celulares, carros e outros bens que sustentam a economia moderna.
Além de serviços tradicionais, como hotéis, empresas aéreas, cabeleireiros, é cada
vez mais crescente a criação de novos serviços, principalmente pautados em
tecnologia, como o Uber, Airbnb e semelhantes.
Parques temáticos ou experiências customizadas, como por exemplo, passar uma
semana visitando as principais bibliotecas públicas da Colômbia.
Turismo de cidades principalmente. Outras possibilidades
vislumbradas, como bibliotecas, parques, museus, praias.

podem

ser

Aplicação na imagem institucional, como ela quer ser percebida pelo seu públicoalvo e público potencial.
Mais do que vender um produto ou serviço, as organizações querem transmitir
uma mensagem, o que acaba permeando todas as demais categorias acima.

Fonte: Adaptado de Kotler (2012).

Para atender a todas estas categorias, o Marketing passou por severas
transformações, sempre acompanhando a evolução dos contextos sociais e

167

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

econômicos, novas tecnologias e necessidades diferenciadas por parte dos
consumidores.
Toda esta evolução foi caracterizada dentro de doze escolas de pensamento,
com contribuições de vários pesquisadores e do mercado de trabalho. A distinção
entre o que cada teoria apresentava, julgando o que era ideal, e o que estava no
cotidiano dos administradores que trabalhavam diretamente com o Marketing,
tornou-se uma discussão contundente no decorrer de todos estes anos.
Esforços nasceram para que outras organizações, não necessariamente
pautadas no lucro, pudessem também se beneficiar das práticas de Marketing. Assim,
organizações não-governamentais, escolas, bibliotecas, museus e outros espaços
foram alvos de reflexão por parte de pesquisadores da área.

BIBLIOTECAS E MARKETING
Há quase 30 anos, Silveira (1987) afirmou que há 17 anos a Biblioteconomia e
a Ciência da Informação vinham publicando tendências na aplicação de Marketing
em bibliotecas, a começar pelo trabalho pioneiro de Jung na 9ª edição do Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. Alguns anos depois, a Associação
Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Documentação recomenda que o
Marketing seja incluído como disciplina nos currículos dos cursos de graduação em
Biblioteconomia. A partir desses eventos históricos, se percebe o início dos trabalhos
envolvendo o tema em bibliotecas brasileiras.
Vindo para a atualidade, apresento dois períodos para termos uma melhor
percepção do que se publicou sobre o assunto a partir de então. No primeiro período,
temos uma revisão de literatura de 12 anos de publicações em periódicos, e no
segundo, especificamente em 2013, com anais de um congresso.
A análise apresentada por Cativelli (2013), das publicações em periódicos de
Ciência da Informação, entre os anos de 2000 e 2011, nos mostra que somente 21
textos foram publicados a respeito de Marketing em bibliotecas. A autora os reúne em
oito categorias: CRM (Customer Relationship Management), Marketing no contexto
cultural, Marketing como filosofia gerencial, Marketing na Internet, Composto de
Marketing, Promoção e comunicação e, por fim Marketing de relacionamento. Entre

168

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

eles, a categoria mais explorada nas publicações, trazendo contextos mais genéricos,
foi o Marketing como filosofia gerencial (CATIVELLI, 2013).
Percebe-se que há ainda uma grande necessidade de justificar e fundamentar a
importância do Marketing para as bibliotecas, como ele poderia ser aplicado, quais
seus benefícios para a atuação do bibliotecário. Por outro ao lado, ainda nesta década
de análise, vê-se que há pouca inovação e bons estudos de caso por parte dos
bibliotecários.
Já em 2013, os anais da 25ª edição do Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentação trouxeram oito publicações, dividos em três
categorias: digital, Marketing de relacionamento e promoção. Os trabalhos com
enfoque digital, abordando mídias sociais e tecnologias de informação e
comunicação, compõem o grupo de destaque, com metade dos textos. O Marketing de
relacionamento, com três artigos, também foi abordado na análise dos periódicos,
volta a aparecer principalmente acompanhando o discurso que as bibliotecas devem
estar atentas com as necessidades de sua comunidade. Somente com uma publicação,
a categoria de promoção da biblioteca recorre à construção e desenvolvimento da
imagem.
Para os próximos anos, o que poderíamos prever deste relacionamento tão
tímido entre bibliotecas e Marketing? Seria um estudo interessante a se fazer, uma
vez que dele dependem outros elementos, alguns culturais e sociais, outros
econômicos e técnicos. Afirmo isso de um ângulo, mas destaco o fato limitador na
ausência de um olhar estratégico por parte dos bibliotecários. É este olhar que pode
propiciar uma prática mais avançada sobre o tema.
Muito do que move o Marketing atualmente, sobretudo em grandes empresas,
é a competitividade, nutrida por ações muito bem delineadas estrategicamente. No
campo da Biblioteconomia isso é pouco evidenteo, já que nosso produto (informação
e conhecimento) é algo intangível. Trabalhar estrategicamente é algo incomun nas
bibliotecas, pois a competição saudável é quase inexistente.
Se o contexto é pouco propício, logo, o trabalho ficará na base, no “somente o
necessário” dentro das bibliotecas. Assim, na próxima parte deste capítulo, apresento
as famosas leis da Biblioteconomia propostas por Ranganathan em 1931, dando
especial enfoque ao Marketing. O texto do pensador indiano é uma das poucas, se não
a única, contribuição exclusivamente da área que consegue permear diferentes

169

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

objetivos e práticas bibliotecarias e que, acredito, pode ampliar a visão de Marketing
em bibliotecas.

AS

5

LEIS

DA

BIBLIOTECONOMIA

COMO

FERRAMENTAS

DE

MARKETING
Toda atividade ou área do conhecimento possui ferramentas e métodos que
auxiliam para o seu desenvolvimento. O Marketing desenvolveu as suas próprias ao
longo de sua história, sendo o mix de Marketing18 reconhecido como uma das
primeiras, desenvolvido por McCarthy na década de 1960. Por essência, estas
ferramentas foram e são criadas de modo a contribuir para que o administrador
possa aplicar estudos e práticas de Marketing em sua empresa.
Embora a Biblioteconomia seja uma área que converse com muitas outras,
podendo assim emprestar e adaptar técnicas e métodos para o seu contexto, ainda
não há na literatura da área uma contribuição consistente a respeito da formulação
de ferramentas que auxiliem o bibliotecário a trabalhar com Marketing em sua
unidade de informação. Seria isso mais um dos indícios motivadores dos resultados
apresentados na seção anterior deste capítulo?
Com base nisso, minha reflexão é de apresentar as 5 leis da Biblioteconomia de
Ranganathan (2009) como ferramentas apoiadoras de Marketing em bibliotecas, com
fundamento em algumas teorias de Marketing e práticas contemporâneas possíveis.

Os livros são para usar
Esta lei é normalmente reconhecida como a principal Lei de Ranganathan, por
ser percebida como aquela que norteará muito do trabalho do bibliotecário. Não
devemos, ou ao menos não deveríamos olhar para esta lei (e para nenhuma das
outras) com foco no objeto livro, principalmente em tempos que a sociedade acessa a
informação por diferentes suportes. Nosso olhar deveria se atentar para o verbo usar.
Que oportunidades, possibilidades, atividades eu, enquanto bibliotecário,
posso propor à minha comunidade quanto ao uso que ela possa fazer daquilo que a
O mix de Marketing, ou também chamado de composto de Marketing, é famoso entre os
profissionais da área e mesmo com quase 60 anos de existência, ainda muito utilizado. Ele consiste na
atribuição de 4Ps, a saber: Praça, Promoção, Preço e Produto. Com estes elementos bem definidos pelo
profissional, tornam-se um norteador para as atividades de Marketing.
18

170

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

biblioteca dispõe? Talvez entender um pouco de Marketing de relacionamento neste
primeiro momento seria bastante adequado.
O Marketing de relacionamento é relativamente novo quanto a sua definição,
porem antigo quanto a sua prática, provinda da era pré-industrial (SHETH;
PARVATIYAR, 1995). É com ele que a instituição convida e abre espaço para o seu
cliente construir em parceria o próximo produto ou serviço. Uma construção que é
customizada, personalizada e, portanto, satisfatória. Ele é caracterizado pela
participação, pelo contato, pela conversa, pelo acesso e contribuições mútuas. Assim,
abrir a biblioteca com a finalidade de estreitar o relacionamento, garante o uso mais
apropriado as necessidades de seu público.
Preservação e acesso também são elementos importantes dentro desta lei.
Tecnologias de informação e comunicação, que Ranganathan sequer imaginava que
existiriam, auxiliam nestes quesitos. Mídias sociais colaboram quanto ao acesso e
disseminação da informação, podendo a comunidade fazer uso da maneira que lhe
aprouver. Dispositivos móveis e conexão à internet agilizam este acesso.
E por último, ainda seguindo a linha de pensamento do uso, temos a criação de
novos conhecimentos. A biblioteca passa a se legitimar como um espaço que não
somente dissemina e preserva a produção intelectual e cultural de determinada
comunidade, mas também convida para a criação de novos conhecimentos (LANKES,
2012). O papel do Marketing aqui é o de ampliar esta noção de construção, que pode
ser alcançado por dois vieses: o da promoção e o da cocriação.
A promoção é habitual aos bibliotecários, mas a cocriação ainda é algo
relativamente novo. Nos anos 1980, a cocriação veio às empresas com o intuito de
criar valor, tanto para ela mesma quanto para seus clientes (PORTER, 1980). Nas
bibliotecas, a cocriação pode surgir desde um catálogo coletivo participativo, com
espaço aberto para classificação (folksonomia), até a nova tendência da impressão
sob demanda, onde a biblioteca pode deixar à disposição um livro que pode ser
impresso conforme a necessidade do leitor.

A cada leitor o seu livro e A cada livro seu leitor
Reuni a segunda e a terceira leis, pois sob o olhar do Marketing elas se
apresentam de uma maneira bastante semelhante. Ambas nos permitem uma gama

171

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

interessante e vasta de reflexões, mas neste capítulo vou me atentar somente a uma: a
pesquisa de Marketing como alternativa de estudos de usuários e de comunidades.
Para conhecer o que o seu público necessita e posteriormente, avaliar as ações
que a biblioteca oferece, o bibliotecário aplica um estudo que busca conhecer o seu
usuário e sua comunidade. Uma prática bastante recorrente, ensinada em muitos
cursos de graduação em Biblioteconomia pelo Brasil.
Generalizando, como ela costuma ser aplicada: por um questionário
construído, organizado em algumas seções de perguntas (produtos e serviços,
atendimento, infraestrutura; por exemplo) e deixado impresso sobre o balcão de
atendimento ou enviado via e-mail aos respondentes. O público responde, um
relatório é criado, com base nas respostas, e um plano de atividades é desenvolvido
de modo a atender as novas necessidades identificadas e a manter aquilo que foi bem
avaliado.
Algo muito semelhante é feito no Marketing: a pesquisa de Marketing. Sempre
que uma empresa quer satisfazer ou atender a necessidade de seu cliente, uma
pesquisa é realizada. Diferente do estudo de usuário, que geralmente é aplicado com
um intervalo de tempo maior, a pesquisa de Marketing costuma acontecer sempre
que um novo produto ou serviço é proposto.
Os bibliotecários não possuem este olhar tão estratégico desenvolvido. Ainda é
comum encontrar bases de dados subutilizadas, acervos pouco circulantes e públicos
bastante específicos, com demanda informacional mais customizada, que não
encontram na biblioteca um espaço que os atenda. Além de comprovar a clara falta de
planejamento é também a demonstração do desconhecimento da comunidade por
parte do profissional.
Compreender a cada livro o seu leitor e a cada leitor o seu livro, é mais que
unicamente indicar a melhor leitura, é ter a informação correta, no momento
apropriado para o público que mais a necessita, indiferente do suporte. Um preparo
prévio da biblioteca, com produtos e serviços bem estipulados, é altamente
importante para colocar estas leis em prática.
A pesquisa de Marketing, mais do que um estudo de usuário e de comunidade
básico e simplista, poderia ser aplicada com mais periodicidade em diferentes
situações especificamente: a) para algum setor da biblioteca, como o infantil; b) sobre
o serviço de referência, buscando identificar se as tradicionais técnicas atendem as

172

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

necessidades e quais outras novas (pautadas em tecnologias, por exemplo) poderiam
ser implantadas; c) as ferramentas digitais que a biblioteca oferta e sua arquitetura da
informação

(acesso,

acessibilidade,

funcionalidade,

facilidade

de

manuseio,

navegação e outros); d) implantação de um novo acervo, para um público bastante
específico, detalhando como deveria ser sua catalogação e acesso; e) desenvolvimento
de coleções com contribuição de mídias sociais promovendo um diálogo aberto e
empoderando o público.

Poupe o tempo do leitor
Das cinco leis, provavelmente esta é a que mais se adequa com o uso de
tecnologias e com o Marketing digital. Em tempos de sociedade acelerada e
conectada, o tempo tem sido um recurso valioso em qualquer ambiente.
Para poupar o tempo do leitor numa sociedade em rede, a biblioteca precisa
ofertar produtos e serviços que sejam ao mesmo tempo simples, mas ágeis e
acessíveis. O catálogo, que hoje já pode ser acessado de qualquer lugar, além dos
recursos que oferece (como reserva e renovação de materiais) é praticamente um
item obrigatório. Deve-se pensar agora, por exemplo, em como este catálogo irá se
adaptar em diferentes plataformas, sendo responsivo com as telas e as suas
funcionalidades.
A mobilidade também é uma característica que vem chegando, ainda devagar,
às bibliotecas com uma série de possibilidades. A começar pelas bibliotecas digitais e
seus livros eletrônicos, que permitem à comunidade poder ler materiais sem sair de
casa e sem preocupações com prazos de devolução. A criação de aplicativos móveis,
que congreguem as especificidades técnicas dos dispositivos (como uso da câmera ou
leitor de impressão digital) em serviços das bibliotecas, também é outra vertente que
vem crescendo, mesmo que esbarrando em limitações técnicas dos bibliotecários, que
muitas vezes não possuem conhecimento suficiente para desenvolver estas
plataformas (VIANA, 2016).
A disseminação seletiva da informação, tão tradicional nas bibliotecas,
principalmente nas universitárias, precisaria passar a utilizar registros de navegação
e big data, antecipando assim a necessidade do “leitor” desta quarta lei. O big data
poderia mostrar dados estruturados e não estruturados de sua comunidade que
impactariam na gestão da biblioteca (BIERAUGEL, [2014?]). Todos os cliques

173

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

realizados no site e catálogo, por exemplo, seriam trabalhados de forma a entregar
informação de maneira mais rápida e antecipada.
Além deste uso tecnológico, mencionado nos parágrafos acima, poupar o
tempo do leitor pode significar também estar onde ele está. E onde mais os nossos
leitores estão atualmente? Na Internet. A biblioteca que possui presença digital
consistente, com bom uso de mídias sociais, estará à frente de muitas outras e
desenvolvendo um papel valioso para o tempo do leitor.
Estar presente digitalmente significa manter espaços na Internet com
informação atualizada, propiciando engajamento e interação, entrega de conteúdo de
valor, e construindo um relacionamento com sua comunidade, tudo feito de maneira
planejada, com objetivos e avaliação do trabalho realizado (STRUTZEL, 2015;
PRADO, 2015). Esta presença também alavanca e agiliza o serviço de referência, não
sendo mais necessário que se vá à biblioteca para solucionar alguma questão ou
demanda.

A biblioteca é um organismo em crescimento
A última lei de Ranganathan e que facilmente serviria de filosofia profissional
para qualquer bibliotecário, é praticamente um slogan da entidade Biblioteca.
Entender que a biblioteca é um organismo em crescimento, que não pode
estagnar no tempo e na oferta de seus produtos e serviços, é um aspecto motivador
para se trabalhar com Marketing.
Para se entender a relação, aproximo aqui o conceito de ciclo de vida, um dos
mais tradicionais na literatura científica de Marketing.
Segundo Levitt (1965), todo produto ou serviço em Marketing possui um ciclo
de vida com quatro estágios: desenvolvimento, crescimento, maturidade e declínio.
Qualquer produto passará por este ciclo, sendo primeiramente criado, em seguida
crescendo à medida que se aperfeiçoa, chegando à sua fase de aceitabilidade pelo
cliente e por fim, quando declina, sendo necessário se atualizar ou receber uma nova
roupagem.
Na biblioteca pode-se visualizar o mesmo ciclo de vida, não somente para os
seus produtos e serviços de informação, mas em todo ambiente. No estágio de
desenvolvimento, a biblioteca é construída, planejada, e começa a delinear a maneira

174

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

que irá atuar. Para crescer, ela passa a apresentar novas atividades, perceber as
necessidades de sua comunidade até se segmentar no estágio da maturidade, quando
é plena de atividades, tem um bom acervo, e possui uma gestão bem realizada por
uma equipe de bibliotecários.
No estágio do declínio - uma palavra que prontamente nos remete a algo ruim,
mas que na verdade é um momento de reinvenção, de evolução - a biblioteca
necessita criar outros produtos e serviços, ampliar seus trabalhos junto da
comunidade e assim, dar continuidade ao seu ciclo de vida com novas fases.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, quis demonstrar o quanto as cinco leis da Biblioteconomia,
propostas por Ranganathan em 1931, podem suscitar reflexões contemporâneas e
ligadas a outras áreas, especificamente com o Marketing. Para isso, fundamentei o
conceito de um modo geral e o relacionei com bibliotecas.
Pela falta de ferramentas e técnicas de Marketing únicas para a
Biblioteconomia, encontrei nas leis do autor indiano uma possibilidade bastante
palpável de propô-las como insumo nesta atividade. Como seus enunciados são
abertos, a interpretação com foco em Marketing é facilmente alcançada.
Há muito ainda a se fazer e a se conquistar quando o assunto é Marketing em
bibliotecas. Da falta de algumas competências e habilidades até a limitada literatura
na área, com reflexões pontuais para o espaço das bibliotecas, o bibliotecário tem um
universo novo a descobrir.

REFERÊNCIAS
AMERICAN MARKETING ASSOCIATION. Definition of Marketing. Publicado em: 2013.
Disponível em: &lt;https://www.ama.org/AboutAMA/Pages/Definition-of-Marketing.aspx&gt;.
Acesso em: 20 maio 2016.
BARTELS, R. The history of marketing thought. Columbus: Grid, 1976.
BIERAUGEL, M. Keeping up with… big data. Publicado em: [2014?]. Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/acrl/publications/keeping_up_with/big_data&gt;.
CATIVELLI, A. S. Marketing aplicado em bibliotecas: análise de conteúdo dos artigos
publicados em periódicos da Ciência da Informação. In: Rev. digit. bibliotecon. cien.
inf., Campinas, v. 11, n. 3, set./dez. 2013.

175

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson
Education do Brasil, 2012.
LANKES, D. Expect more: demanding better libraries for today’s complex world.
Jamesville, NY: Riland Publishing, 2012.
LEVITT, T. A imaginação de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1990.
LEVITT, T. Exploit the product life cycle. In: Harvard Business Review, v. 43, p. 81-94,
1965.
MCCARTHY, E. J. Basic marketing: a managerial approach. Illinois, EUA: Richard D.
Irwin, 1960.
PORTER, M. E. Competitive strategy: techniques for analyzing industries and
competitors. New York: The Free Press, 1980.
PRADO, J. M. K. do. Presença digital de bibliotecas universitárias: diretrizes para o
uso de mídias sociais. 233f. 2015. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Gestão da
Informação) - Centro de Ciências Humanas e da Educação, Universidade do Estado de Santa
Catarina, Florianópolis, 2015.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos
Livros, 2009.
SHETH, J. N.; GARDNER, D. M.; GARRETT, D. E. Marketing theory: evolution and
evaluation. New York: Wiley, 1988.
SHETH, J. N.; PARVATIYAR, A. The evolution of relationship marketing. In: International
Business Review, Great Britain, v. 4, n. 4, p. 397-418, 1995.
SILVEIRA, A. (Org.). Marketing em bibliotecas e serviços de informação. Brasília:
IBICT, 1987.
STRUTZEL, T. Presença digital. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015.
VIANA, M. M. M. Faça a biblioteca acontecer fora da biblioteca. In: PRADO, J. do (Org.).
Ideias emergentes em Biblioteconomia. São Paulo: FEBAB, 2016.

176

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O SERVIÇO DE DESCOBERTA E A QUARTA
LEI DA BIBLIOTECONOMIA
Paula Carina de Araújo
Carolina Fraga

INTRODUÇÃO
Uma das finalidades dos serviços de informação é possibilitar o acesso e uso da
informação. Assim, as unidades de informação têm feito uso das tecnologias de
informação e comunicação (TICs) para modernizar-se e, dessa forma, atender seus
usuários de forma eficiente e eficaz.
Mesmo com o avanço tecnológico hoje existente e após muitos anos, o
pensamento de Ranganathan continua atual e aplicável. O livro "As cinco leis da
Biblioteconomia", publicado originalmente em 1931, é um exemplo dessa premissa. A
esse respeito, Lemos (2009, p. xiii) afirma que a obra é lida depois de tanto tempo
"porque os clássicos se leem sempre". O autor ainda complementa que é razoável
supor que este seja, no campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação, um dos
livros que apresentam mais longa meia-vida, maior número de citações e uma
capacidade muito grande de estimular novas ideias. (LEMOS, 2009, p. xiii).
Por concordar com a afimarção de Lemos (2009), a proposta deste capítulo é
descrever como é possível cumprir a Quarta Lei da Biblioteconomia, por meio do
serviço de descoberta. Para isso, parte-se do entendimento que o serviço de
descoberta se caracteriza como um novo modelo de pesquisa, descoberta e
compartilhamento de informação. No âmbito desse serviço, o usuário assume uma
dimensão essencial na geração de informação adicional, contextualizada às
necessidades específicas. (BENTO; OLIVEIRA, 2014).

177

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A esse serviço, relaciona-se o enunciado da Quarta Lei da Biblioteconomia,
“Poupe o tempo do leitor”, e sua abordagem voltada para o usuário. Compreende-se
que “[...] a Quarta Lei se preocupa com a situação que surge à proporção que são
atendidos os requisitos das três primeiras leis”, a saber: Os livros são para usar, a
cada leitor ou leitora se deve proporcionar seu livro e cada livro deve ser ajudado a
encontrar seu leitor ou leitora”. (RANGANATHAN, 2009, p. 211). Nessa perspectiva,
apresenta-se a conceituação do serviço de descoberta para em seguida reconhecer seu
papel no cumprimento da Quarta Lei da Biblioteconomia.

SERVIÇO DE DESCOBERTA
Graças ao surgimento da internet e o início de sua popularização durante a
década de 1990, a produção científica vem se intensificando exponencialmente. Dois
exemplos disso são a quantidade de repositórios institucionais que utilizam o DSpace
com o propósito acadêmico: 1.645 (DSPACE, 2016) e a quantidade de portais de
publicações que utilizam a plataforma OJS, serviço de editoração eletrônica: 32.000
(OJS, 2016). Ao mesmo tempo em que é positiva a simplificação da infraestrutura
para a divulgacão científica, esta multiplicação intensa de locais de pesquisa pode
tornar todo este avanço um retrocesso caso não exista uma forma de simples, rápida e
fácil de acessar todo este recurso.
Buscando resolver esta questão, a Biblioteconomia começou a se apropriar do
conceito de metabusca para aplicá-lo dentro do universo de bibliotecas acadêmicas e
centros de pesquisa. Cunha e Cavalcanti (2008) e Levine-Clark e Carter (2013)
consideram metabusca como sinônimo de busca federada, do inglês federated
search. Esta busca basicamente consiste em, simultaneamente, buscar a mesma
estratégia de busca em diversos servidores e trazer esta resposta em uma interface
amigável, fazendo a fusão e deduplicação de resultados iguais em diferentes fontes
(CUNHA;

CAVALCANTI,

2008;

LEVINE-CLARK;

CARTER,

2013),

o

que

aparentemente seria a solução ideal.
O termo metabusca apresentou, em 2016, resultados desde 1996 (TROUTNER,
1996) nas bases de dados Library, Information Science &amp; Technology Abstracts with
Full Text, Information Science &amp; Technology Abstracts (ISTA) e Library Literature &amp;
Information Science Full Text (H.W. Wilson), mas, passou a ser comentado como um
serviço para bibliotecas em julho de 2001 na revista Online. A popularização de tais

178

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

serviços intensificou-se em 2003 e isso é notado pela instituição de um comitê NISO
com publicações que compreendem 2003 a 2006. Apesar de ter sido uma solução
frente as necessidades da época, o tempo de resposta de uma consulta da estratégia
de busca em diversos servidores era algo proporcionalmente alto à quantidade de
fontes consultadas, ou seja, quanto mais fontes presentes, mais tempo levava para
carregar os dados de todas as fontes. Além disso, problemas quanto ao índice de
relevância e usabilidade (DAZIEL, 2008; WILLIAMS; FOSTER, 2011) levaram ao
surgimento dos web-scale discovery tools, traduzido ao português, usualmente, como
serviço de descoberta ou serviço de descobrimento. Cunha e Cavalcanti não trazem
nenhuma definição relativa aos serviços de descoberta na edição de 2008, já a versão
de 2013 do glossário da ALA, Levine-Clark e Carter definem os serviços de descoberta
como: Uma base de dados que busca em uma grande quantidade de informação de
uma só vez. O serviço de descoberta normalmente busca o catálogo aberto da
instituição e vários índices, até mesmo conteúdos abertos online. (LEVINE-CLARK;
CARTER, 2013, p. 270, tradução nossa).
Esse serviço pode ser considerado uma evolução dos tradicionais catálogos
eletrônicos Open Public Access Catalog (OPAC). Santana (2014) afirma que essa
evolução foi fundamental para a realização de pesquisas e produção de
conhecimento. O mesmo autor considera que o serviço de descoberta é relativamente
novo no Brasil, pois foi em 2011 que a primeira biblioteca brasileira adquiriu o
serviço. Afirma que até aquele ano, aproximadamente nove mil instituições estavam
utilizando a ferramenta no mundo.
Os chamados serviços de descoberta, discovery services, em inglês, partem de
uma outra tecnologia, onde utilizam um sistema de coleta de metadados
(harvesting), que visita cada um dos catálogos, bases de dados, ou repositórios
autônomos, previamente, coletando metadados e criando uma base de dados própria
e única reunindo todos esses dados, oferecendo uma interface única de pesquisa a
esse repositório e retornando o resultado em uma única resposta. (MARANHÃO,
2011, p. 8).
É bem importante compreender que o serviço de descoberta difere da busca
federada e metabuscadores. Maranhão (2011, p. 8) esclarece muito bem essa
diferença ao apresentar como principal vantagem do serviço de descoberta "a
existência de uma base de dados com todos os metadados já reunidos" o que assegura
que “sempre será oferecida uma resposta ao usuário final, retornando resultados

179

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

mais rapidamente, pois não depende de tempo de conexão, nem de possibilidade de
acesso as diversas fontes”. (MARANHÃO, 2011, p.8)
Segundo Fonseca e Andrade: os principais produtos disponíveis no mercado
são os das empresas OCLC (WorldCat Local), Serials Solutions (Summon), EBSCO
(EBSCO Discovery Service), Ex Libris (Primo) e Innovative (Encore). Trata-se,
portanto, de um novo serviço para o segmento de bibliotecas. (FONSECA;
ANDRADE, 2014, p. 6).
É possível perceber que o serviço de descoberta tem sido adquirido,
especialmente, pelas bibliotecas universitárias e especializadas, pois é esse tipo de
biblioteca que, atualmente, tem acesso ao maior número de fontes de informação
eletrônicas. Entretanto, não se deve descartar a possibilidade de uso nos outros tipos
de unidades de informação. Cabe destacar que o serviço de descoberta é adquirido
por assinatura. Portanto, a biblioteca precisa reservar anualmente orçamento para o
pagamento da ferramenta, não é como um software que apenas é adquirida a licença
e depois pago uma taxa de manutenção.

O SERVIÇO DE DESCOBERTA E O CUMPRIMENTO DA QUARTA LEI DA
BIBLIOTECONOMIA
Hoje, com o fácil acesso à infraestrutura tecnológica, é possível oferecer uma
quantidade de informação nunca antes vista ao público e a tendência é só aumentar
(CREPIN-LEBLOND et al., 2013). Do ponto de vista do usuário, muita informação
pode ser por vezes entendida como informação alguma, uma vez que não é possível
selecionar (tendo em vista os recursos disponíveis, dentre eles o tempo) as fontes
mais adequadas para a necessidade de informação apresentada de forma rápida e
fácil. Permitir ao público formas fáceis e rápidas de acessar a massa documental
ofertada é atingir o que Ranaganathan estabelece em sua quarta lei: "Poupe o tempo
do leitor” (RANGANATHAN, 2009, p. 211).
É claro que o entendimento de "livro" deve ser ampliado e considerado como
informação registrada. Ajudar esta informação a encontrar seu leitor e seu leitor a
encontrá-la é considerar variáveis que anteriormente não existiam como: a produção
exponencial de informação, a ubiquidade da rede, inclusive o acesso móvel, as
camadas e também as barreiras de acesso (CREPIN-LEBLOND et al., 2013) e a

180

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

padronização da disponibilidade das informações, principalmente quanto aos
aspectos de descrição de conteúdos.
Poupar o tempo do leitor tem sido desde sempre uma preocupação do
bibliotecário. Afinal, é por isso que criamos catálogos, bibliografias, índices e
resumos. No mundo analógico esse foi um conceito importante, mas no
virtual sua importância tem aumentado dramaticamente. (MCMENEMY,
2007, p. 99, tradução nossa).

Todos estes aspectos quando postos lado-a-lado às soluções oferecidas
atualmente no mercado, encaixam-se em vários critérios aos serviços de descoberta,
do inglês web-scale discovery tools. Essa afirmação fica evidente a partir da pesquisa
Calvert (2015) para verificar o impacto do serviço de descoberta adotado pela
Western Carolina University (WCU). O autor identificou um representativo aumento
no uso dos periódicos eletrônicos e uma mudança no comportamento do usuário,
tendo em vista que houve uma diminuição no empréstimo de material impresso.
Alireza Noruze (2004, tradução nossa) analisou a web sob a perspectiva das
Cinco Leis da Web, uma adaptação das Cinco Leis da Biblioteconomia. Nesse
contexto, o autor afirma que
A fim de poupar o tempo do leitor, os websites precisam projetar sistemas de
forma eficaz e eficiente que permitam aos usuários encontrar o que eles estão
procurando rapidamente e com precisão, bem como explorar a vasta coleção
de informação disponível que pode ser potencialmente útil. A quarta lei
enfatiza serviços eficientes para os usuários, o que implica também no design
e um índice do site fácil de entender.

Ao abordar a Quarta Lei, Ranganathan (2009) inicia constextualizando os
sistemas fechados em bibliotecas, na sua época, e o faz apontando as deficiências
existentes. O sistema fechado consistia no acesso restrito às estantes para os usuários,
o que prejudicava o andamento dos estudos dos pesquisadores. O tempo despendido
para a busca no catálogo e a localização do material atrasava as pesquisas, que muitas
vezes não era sequer encontrado. Naquele contexto, seria possível poupar o tempo do
leitor apenas mudando o acesso às estantes para um sistema aberto, o que aconteceu
pouco tempo depois.
Atualmente, as pessoas acessam uma grande quantidade de fontes de
informações com apenas um clique. Com o passar do tempo e a evolução das
tecnologias de informação e comunicação muitas inovações tem surgido para
possibilitar o acesso facilitado e rápido a essas fontes.

181

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

O serviço de descoberta é uma dessas inovações. Se for considerada sua função
de reunir em uma base única os metadados das fontes de informação indexadas, é
possível afirmar que sob esse aspecto o serviço de descoberta auxilia para poupar o
tempo do leitor. Essa afirmação pode ser feita tendo em vista que o usuário não
precisa mais entrar em diferentes fontes de informação para buscar um único tema
ou a produção de um autor, basta fazer a busca e recuperar o resultado em uma única
interface.
O arranjo dos materiais nas estantes foi outro ponto levantado por
Ranganathan (2009) relacionado à Quarta Lei da Biblioteconomia. O autor destaca
como formas de arranjo o alfabético, classificado, posição relativa das classes e
posição absoluta das classes e como elas influenciam a busca e o acesso do usuário ao
livro nas estantes. Ranganathan (2009, p. 216) apresentou o seguinte exemplo: “para
cada livro de geologia emprestado mais de cem livros de literatura são emprestados
na biblioteca da universidade de Madras”. Dessa forma, o autor conclui que, “nota-se
que cerca de um terço dos empréstimos dessa biblioteca é de livros da classe de
literatura. Portanto, a fim de poupar o tempo do maior número de leitores, a
biblioteca deve acomodar a classe de literatura perto da entrada do recinto das
estantes”.
Esse não é mais um problema recorrente nas bibliotecas. Entretanto, é
possível relacionar o propósito da identificação da melhor forma de organização dos
materiais nas estantes com os critérios de apresentação estabelecidos para os
resultados obtidos em uma busca no serviço de descoberta. A equipe responsável pela
gestão do serviço de descoberta pode estabelecer quais fontes de informação devem
ser adicionadas à coleção e quando existirem registros duplicados em um mesmo
local, podem determinar qual agregador ou editor deverá ser privilegiado, com base
no perfil de seu público e na política de formação e desenvolvimento de acervo.
Além disso, uma biblioteca universitária pode definir que quando o usuário
realizar uma busca por meio do serviço de descoberta, os primeiros registros a serem
mostrados serão os itens do seu catálogo e do repositório digital, para depois serem
listados os registros das bases de dados que a biblioteca assina, as de acesso aberto,
etc. Esse critério, pode ser estabelecido tomando como base as estatística da
biblioteca para identificar qual o tipo de material mais utilizado pelos usuários, dessa
forma, o tempo do leitor também estará sendo poupado.

182

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Acredita-se, assim como Lancaster (1984 apud FIGUEIREDO, 1992, p. 188)
que a Quarta Lei “tem ligação direta com o conceito de acessibilidade, segundo o
qual, a acessibilidade do serviço de informação é o maior determinante do seu uso:
muita gente pode julgar o serviço como “inacessível”, se requer muito esforço para
uso”. Dessa forma, é primordial que, ao adquirir o serviço de descoberta para uma
biblioteca, seja formada uma equipe de bibliotecários que será responsável por
determinar quais bases serão indexadas, como será o layout da página onde o serviço
será oferecido, quais serão os pontos de acesso e autenticação, como será a promoção,
tudo isso com o intuito de proporcionar melhor acessibilidade. Além de definir as
formas de capacitação dos usuários no uso da ferramenta.
A implantação do serviço de descoberta, em algumas bibliotecas, evidencia a
deficiência na indexação e catalogação dos registros. Isso pode ser percebido quando
o usuário realiza uma busca e obtem como resultado apenas artigos científicos e
outros materiais provenientes de bases de dados assinadas pela biblioteca e que estão
indexadas no serviço de descoberta. Muitos profissionais afirmam que esse é um
problema do serviço de descoberta, quando na verdade esse é um resultado da
indexação inadequada dos registros do catálogo da biblioteca, ou seja, sem a
exaustividade necessária para serem recuperados pelos seus usuários.
O descuido com o que chamou de catalogação analítica, foi apontado por
Ranganathan já em 1931 quando se referiu ao desperdício de tempo dos usuários ao
buscarem um assunto específico no catálogo e encontrarem duas ou três obras sobre
a temática, apenas. Entretanto, ao se dirigirem às estantes e dispensarem horas
folheando os livros acabavam encontrando muito mais obras que tratavam do
assunto buscado, no entanto, em partes específicas como nos capítulos. Nessa
perspectiva cabe ressaltar o que foi afirmado por McMenemy (2007, p. 99): “poupar
o tempo do leitor também está relacionado a como nós realmente organizamos a
informação”.
Portanto, é possível afirmar que o serviço de descoberta é uma ferramenta
poderosa para potencializar o uso das fontes de informação disponibilizadas pelas
bibliotecas e poupar o tempo do leitor, mas, para isso, é preciso direcionar esforços
para uma representação descritiva e temática dos registros. Enquanto catálogos são
ferramentas para recuperar itens precisamente, eles se tornam ferramentas que
desperdiçam o tempo do leitor se os itens são catalogados indiscriminadamente ou se

183

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

a catalogação é excessivamente focada nos meandros da arte. (MCMENEMY, 2007, p.
99).
E, como afirma Ranganathan (2009, p. 222), “[...] os pesquisadores de
qualquer setor em nosso país não devem estar sujeitos a obstáculos que podem ser
evitados. Seu precioso tempo deve ser economizado tanto quanto possível pelas
bibliotecas com um trabalho completo de catalogação analítica”.
Algumas bibliotecas, especializadas e universitárias em particular, oferecem o
serviço de pesquisa ou levantamento bibliográfico para seus usuários, tendo em vista
que os bibliotecários são os profissionais, por natureza, capacitados para busca e
seleção de informação. O oferecimento do levantamento bibliográfico por si só
representa uma forma de poupar o tempo do leitor. Ranganathan (2009) deixa isso
evidente ao explicar que mesmo com a orientação dos usuários para o uso de fontes
de informação, muitos buscarão o serviço de pesquisa bibliográfica no Setor de
Referência. Afirma ainda, que “apesar do aprendizado, o leitor não tem como
alcançar a mesma intimidade que o pessoal da biblioteca tem [...]. O conhecimento
íntimo do bibliotecário com a classificação e a catalogação dá-lhe imensa vantagem
sobre o leitor para chegar rapidamente ao livro ou à informação desejada”.
(RANGANATHAN, 2009, p. 225-226).
Aliar o levantamento bibliográfico ao uso do serviço de descoberta pelos
bibliotecários, como instrumento de trabalho, também representa uma das formas de
poupar o tempo do leitor. A possibilidade de iniciar o reconhecimento das fontes por
meio da busca utilizando o serviço de descoberta é uma das melhores ferramentas de
trabalho apresentadas nos últimos tempos para o pessoal de referência. Poupar o
tempo dispendido pelo bibliotecário para esse serviço é também poupar o tempo do
leitor, pois, conforme afirmou Garfield (1985 apud FIGUEIREDO, 1992, p. 187) “esta
lei tem como corolário - economize o tempo do bibliotecário -, o que requer o uso de
técnicas e tecnologias que permitam ao pessoal atuar de maneira eficiente”.
A Quarta Lei da Biblioteconomia preza pela “rapidez, acuidade, atualidade e
qualidade no fornecimento da informação. Informação não fornecida a tempo perde o
valor; serviços em linha, interativos, ligados através de uma varidade de redes de
comunicação [...] atendem os usuários intantaneamente”. (FIGUEIREDO, 1992, p.
189). Os argumentos apresentados no decorrer desta seção evidenciam que o serviço

184

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

de descoberta é um instrumento importante para a o cumprimento da Quarta Lei da
Biblioteconomia, proposta por Ranganathan.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Manter-se atualizado com a realidade de seu público é fundamental para o
crescimento orgânico das bibliotecas e, independente do contexto da mudança de
paradigma de uma oferta local para uma oferta online, através do serviço de
descoberta, as leis de Ranganathan continuam valendo e são princípios que devem
ser sempre observados, pois colocam o leitor como o centro das atividades fins de
qualquer serviço de informação.
A Quarta Lei da Biblioteconomia, “poupe o tempo do leitor” tem como
pressuposto o oferecimento eficiente e eficaz de produtos e serviços para que o
usuário não gaste mais tempo do que o necessário. Se em 1931, quando não se
conhecia a tecnologia hoje existente, Ranganathan já se preocupava tanto em poupar
o tempo do seu usuário, hoje essa preocupação deve ser ainda mais expressiva.
Barreiras de tempo, espaço e financeiras são, muitas vezes, transpostas para que o
desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação seja uma realidade na
sociedade atual.
O serviço de descoberta é uma das inovações tecnológicas que surgiu para
melhorar o acesso à informação nos mais diversos tipos de unidades de informação.
Partindo de uma análise do que Ranganathan (2009) estabeleceu como formas de
poupar o tempo do leitor, foi possível confirmar que o serviço de descoberta pode
auxiliar de várias formas para que a Quarta Lei da Biblioteconomia seja cumprida no
contexto atual da sociedade do conhecimento, são elas: oferecendo uma base de
dados única com os metadados das fontes de informação indexadas no serviço de
descoberta, proprocionando a busca e a apresentação dos resultados de várias fontes
de informação em uma interface única, evidenciando para os bibliotecários a
necessidade de repensar e melhorar a organização da informação nos catálogos das
bibliotecas; funcionando como instrumento de trabalho para os bibliotecários
realizarem as buscas para ofertar o serviço de levantamento bibliotecáfico.
O cumprimento da Quarta Lei, por meio do serviço de descoberta, é mais uma
evidência da atualidade das cinco Leis da Biblioteconomia, mesmo tendo sido
apresentadas em uma publicação no ano de 1931. Acredita-se que as Leis da

185

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Biblioteconomia devem ser revisitadas pelos bibliotecários, periodicamente, a fim de
despertar um olhar mais crítico sob a sua prática profissional e para reconhecer
instrumentos e práticas modernas que tem auxiliado para o seu cumprimento.

REFERÊNCIAS
ALIREZA NORUZI. Application of Ranganathan’s Laws to the Web. Webology, n. 2, p. 8,
dec. 2004.
BENTO, Filipe Manuel Santos; OLIVEIRA, Lídia de Jesus. Pesquisa 4.0? novas dinâmicas de
pesquisa e descoberta de informação científica e cooperação entre investigadores.
Perspectivas em Ciência da Informação, v. 19, n. 19, p. 4- 14, 2014. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/1831&gt;. Acesso em: 23
mar. 2015.
CALVERT, Kristin. Maximizing Academic Library Collections: Measuring Changes in Use
Patterns Owing to EBSCO Discovery Service. College &amp; Research Libraries, v. 76, n. 1, p.
81–99, 1 jan. 2015. Disponível em: &lt;http://crl.acrl.org/content/early/2014/01/17/crl13557\nhttp://crl.acrl.org/content/early/2014/01/17/crl13-557.full.pdf&gt;. Acesso em: 24 jun.
2016.
CREPIN-LEBLOND, O. et al.. Riding the Waves or Caught in the Tide ? Navigating thee
Evolving Information Environment. International Federation of Libraries
Association Trend Report, p. 16, 2013. Disponível em: &lt;http://trends.ifla.org/insightsdocument&gt;. Acesso em: 12 jun. 2016.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
DALZIEL, K. Metasearching: Not as good as we’d like it. Nebraska Library Association
Quarterly, v. 39, n. 1, p. 2008, [s.d.]. Disponível em:&lt;&gt; Acesso em: 12 jun. 2016.
DSPACE. DSpace User Registry: Academic. Disponível em:
&lt;http://registry.duraspace.org/registry/dspace?f[0]=field_institution_type%3Aacademic&gt;
Acesso em: 23 maio 2016.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. A modernidade das cinco leis de Ranganathan. Ciência da
Informação, v. 21, n. 3, p. 186-191, set./dez. 1992. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/viewFile/430/430&gt;. Acessoem: 17 jun. 2016.
FONSECA, Fernanda Maria Lobo da; ANDRADE, Leila Cristina Rodrigues de. Serviço de
descoberta: considerações sobre a implantação na Rede de Bibliotecas da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ). In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais eletrônicos... Belo Horizonte, MG:
UFMG, 2014. Disponível em:&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/357-2118.pdf&gt;. Acesso em: 20 mar. 2015.
LEMOS, Antonio Agenor Briquet de. Apresentação desta edição. In: RANAGANATHAN,
S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Tradução de: Tarcisio Zandonade. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2009. p. xiii-xiv.
LEVINE-CLARK, Michael; CARTER, Toni M. ALA [glossary] of library &amp; information
science. Chicago: ALA editions, 2013.

186

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

MARANHÃO, Ana Maria Neves. Dos catálogos aos metabuscadores e serviços de descoberta
na Internet: uma visão geral. In: Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e
Ciência da Informação, 24, 2011, Maceió. Anais... Maceió: FEBAB, 2011. Disponível em:
&lt;https://www.academia.edu/1512956/Dos_Cat%C3%A1logos_aos_Metabuscadores_e_Serv
i%C3%A7os_de_Descoberta_na_Internet&gt;. Acesso em: 28 maio. 2015.
NISO Metasearch Initiative. Disponível em: &lt;http://www.niso.org/workrooms/mi&gt;
Acesso em: 27 maio 2016.
OJS. OJS usage. Disponível em: &lt;https://pkp.sfu.ca/ojs/ojs-usage/&gt; Acesso em: 23 maio
2016.
RANAGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Tradução de: Tarcisio
Zandonade. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2009.
SANTANA, Anderson. Serviços de descoberta. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais eletrônicos... Belo
Horizonte, MG: UFMG, 2014. Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/343-2116.pdf&gt;. Acesso em: 10 mar. 2015.
WILLIAMS, S. C.; FOSTER, A. K. Promise Fulfilled: an EBSCO Discovery Service Usability
Study. Journal of Web Librarianship, v. 5, n. 3, p. 179–198, jul. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/19322909.2011.597590&gt;. Acesso em: 12
jun. 2016.
MCMENEMY, David. Raganathan’s relevance in the 21st century: editorial. Library
Review, v. 56, n.2, p. 97-101, 2007.
TROUTNER, J. Internet resources. Emergency Librarian. v. 24, n. 2, p. 37, Nov. 1996.
Disponível:
&lt;http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&amp;db=lih&amp;AN=9707142265&amp;site=ehost
-live&amp;scope=site&gt; Acesso em: 27 maio 2016.
2004.

187

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

REFERÊNCIAS A RANGANATHAN NA
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE
BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO
Carlos Alberto Ávila Araújo

A densa produção científica de Ranganathan representa uma contribuição
extremamente significativa para os campos da Biblioteconomia e da ciência da
informação, no Brasil e no mundo. Diversos aspectos dessa contribuição – sua
atuação como bibliotecário, sua reflexão teórica, sua proposta de sistema de
classificação bibliográfica, entre outros - são desenvolvidos nos demais capítulos
deste livro. Neste capítulo, pretende-se apresentar alguns dos resultados de uma
pesquisa mais ampla sobre o impacto de diversos autores para a Biblioteconomia e a
ciência da informação brasileiras (ARAÚJO, 2013) – especificamente, aqueles
resultados relativos justamente à contribuição de Ranganathan, apresentando aqui
um nível de detalhamento e discussão para além da referida pesquisa.
Alguns anos atrás, motivado a conhecer quem eram os autores mais
importantes da Biblioteconomia e da ciência da informação brasileiras, um grupo de
pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizou duas
pesquisas. A primeira consistiu num levantamento realizado com pesquisadores
brasileiros das áreas de Biblioteconomia e ciência da Informação (ARAÚJO; ROLIM;
MARZANO; BITTENCOURT, 2007) no qual, diante de uma pergunta sobre quem são
os principais autores do campo, Ranganathan apareceu entre os mais citados, numa
lista de 137 autores. A segunda pesquisa, dessa vez realizada com professores da
Escola de Ciência da Informação da UFMG (ARAÚJO; SIMA; GUEDES; RESENDE,
2007), diante da mesma pergunta, Ranganathan esteve novamente entre os autores
mais citados - neste caso, os respondentes citaram 107 autores.

188

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Os resultados dos dois levantamentos apontaram para uma grande
importância desse pesquisador, no que diz respeito ao reconhecimento dado a ele
pelos pesquisadores brasileiros. Contudo, esse resultado acabou por provocar
algumas inquietações: como estaria sendo o efetivo impacto desse autor na produção
científica brasileira? Que trabalhos dele são citados? Que instituições brasileiras mais
o citam? Que ideias dele são utilizadas e com que importância para as pesquisas
realizadas?
Para responder a essas questões, e como forma de dar continuidade às duas
pesquisas mencionadas acima, foi realizada uma terceira pesquisa com todos os
artigos publicados entre os anos de 2003 e 2007 em sete periódicos brasileiros:
Ciência da Informação (Ibict), Perspectivas em Ciência da Informação (UFMG),
Informação

&amp;

Sociedade:

Estudos

(UFPB),

Datagramazero

(IASI/RJ),

Transinformação (Puccamp), Encontros Bibli (UFSC) e Em Questão (UFRGS). A
consolidação destes resultados foi apresentada em 2009, no Enancib, Encontro
Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ARAÚJO, 2009), com resultados
relacionados aos dez autores mais citados. Depois, nova pesquisa ampliou a análise
para 16 autores e incluiu os resultados dos anos de 2008 a 2012, perfazendo um total
de dez anos de cobertura (ARAÚJO, 2013).
O trabalho de análise nas duas pesquisas mencionadas no parágrafo anterior
se deu da seguinte forma: inicialmente, foram consultados todos os artigos
publicados nos periódicos e selecionados aqueles que tinham referências aos 16
autores, para a composição de um banco de artigos. A partir da análise desse banco,
foram identificadas as obras desses autores que são citadas e sua identificação por
ano de publicação, natureza do trabalho, língua e casos de co-autoria. A seguir, foram
analisados os artigos citantes, em termos de temática e de procedência institucional
dos autores citantes. Por fim, foram analisadas, artigo por artigo, as citações feitas ao
autor, avaliando a sua contribuição para a discussão empreendida no artigo. A partir
do conjunto dos dados coletados e analisados, buscou-se caracterizar, então, a
contribuição destes 16 autores para a pesquisa brasileira em Biblioteconomia e
ciência da informação.
Para este presente capítulo, são apresentados os resultados específicos para
Ranganathan, com detalhamento que permaneceu inédito até então, uma vez que os
resultados publicados em relação ao total de autores dizem respeito apenas às
totalizações gerais dos dados coletados.

189

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

SOBRE O AUTOR
Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972) foi um matemático e
bibliotecário indiano, considerado a principal referência teórica no campo da
Biblioteconomia e da ciência da informação na Índia. Sua formação inicial
encaminhava-se para a área de Matemática (chegou ao posto de professor no
Presidency College, em 1921), mas teve uma grande mudança em 1924, quando ele
assumiu o posto de bibliotecário chefe na Madras University, ainda que sem
formação na área. Em setembro deste mesmo ano, foi à Inglaterra justamente para
obter alguma formação em Biblioteconomia. De volta à Índia, adotou diversas
práticas inovadoras na biblioteca e preparou um curso de Biblioteconomia com início
de oferta em 1929. Na década seguinte, publicou suas obras teóricas mais
importantes, Five laws of library science (em 1931) e Prolegomena to library
classification (em 1937). Entre uma e outra, publicou ainda Colon Classification, em
1933, o primeiro sistema de classificação bibliográfica analítico-sintético do mundo.
Com Ranganathan, a Biblioteconomia viveu o momento em que a teoria
tradicional foi confrontada com a teoria moderna, ou que a teoria descritiva foi
confrontada com a teoria dinâmica (CAMPOS, 2001, p. 31). A grande novidade
trazida por ele foi o desenvolvimento da teoria da classificação facetada:
“Ranganathan foi aquele que conseguiu estabelecer princípios para uma nova teoria
da classificação bibliográfica e o fez tendo como base o próprio conhecimento
(CAMPOS, 2001, p. 26, 28).
Se as teorias da classificação podem ser divididas conforme a finalidade
(filosóficas e bibliográficas) e estas últimas, conforme a amplitude de aplicação
(gerais ou enciclopédicas e especializadas) ou o tipo de característica (naturais e
artificiais), após a teoria da classificação facetada elas também podem ser divididas,
de acordo com a forma de apresentação, em enumerativas (hierárquicas) e analíticosintéticas. O diferencial do sistema classificatório proposto por Ranganathan é a
utilização de uma estrutura dinâmica, multidimensional, com a introdução do termo
faceta “que ficou sendo, nos modernos estudos sobre teoria da classificação, o
substituto de característica” (BARBOSA, 1969, p. 16).
Seu ponto de partida foi a definição, por Aristóteles, das dez categorias do
ser, isto é, as formas sob as quais os seres e objetos se apresentam, ou “os fatos que
constatamos das coisas, quando as examinamos” (PIEDADE, 1977, p. 11). Todas elas

190

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

podem ser utilizadas como características classificatórias, isto é, para a distinção
entre os seres e o estabelecimento de grupos.
Refletindo sobre essas categorias em suas obras, Ranganathan percebeu que
cada uma delas poderia servir de princípio classificatório, mas nos sistemas utilizados
até então, hierárquicos e monolíticos, apenas uma categoria podia ser utilizada por
vez como característica de classificação”. Ao mesmo tempo em que refletia sobre essa
questão, Ranganathan percebeu, na época em que estudou na Inglaterra, que a
Classificação Decimal de Dewey (CDD) era largamente utilizada, mas freqüentemente
adaptada e modificada. Quando, a partir de 1931, começou a compor um novo
sistema, idealizou uma estrutura bem mais elástica do que as já existentes, isto é, que
permitisse a síntese, o agrupamento de vários componentes para a especificação do
assunto. Para isso, adotou o uso de dois pontos como símbolo para correlacionar
ideias diferentes. Sua classificação, a Colon Classification (“Classificação de dois
pontos”), foi publicada pela primeira vez em 1933.
A maior contribuição de Ranganathan não foi exatamente a Colon em si, mas
sim o princípio que animou a sua construção: o conceito de “faceta”, definida como “a
totalidade das subdivisões resultantes da aplicação de uma única característica”
(PIEDADE, 1977, p. 22). A utilização do termo “faceta” não implica apenas uma
mudança terminológica, mas uma mudança na concepção do processo classificatório:
“Segundo Ranganathan, analisar um assunto por facetas significa que cada aspecto
desse assunto pode ser visto como as manifestações de certas características ou
facetas que obedecem a postulados pré-determinados. O sistema torna-se, assim,
multidimensional e ilimitado” (BARBOSA, 1969, p. 166).
Esse raciocínio permite a simultaneidade de critérios classificatórios sem que
se incorra nos “sérios defeitos” da “classificação cruzada” (PIEDADE, 1977, p. 16),
porque o que muda é a estrutura do sistema, que passa a aceitar a convivência de
subdivisões de naturezas diferentes dentro de cada assunto. Aplicado pela primeira
vez na Colon Classification, o princípio de classificação facetada foi sendo
aperfeiçoado a cada nova edição da Colon até que, em 1952, a quarta edição
apresentou pela primeira vez as cinco categorias fundamentais, válidas para qualquer
área do conhecimento, conhecidas como PMEST: P (Personalidade), M (Matéria), E
(Energia), S (Space - local) e T (Time - época). Mais tarde, ao verificar que elas não
eram suficientes para classificar assuntos muito complexos, criou os ciclos e os níveis.

191

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

A influência das ideias de Ranganathan no resto do mundo se verificou
principalmente após a fundação, em Londres, no ano de 1948, do Classification
Research Group (CRG), que passou a propor a utilização das classificações facetadas,
criando inclusive diversas classificações especializadas, isto é, para campos
específicos do conhecimento. Em 1958, Douglas J. Foskett publicou Library
classification and the field of knowledge e, em 1960, Brian Vickery publicou Faceted
Classification: a guide to construction and use of special schemes. Além disso, em
outros países, outros sistemas de classificação criados após a Colon incorporaram,
aos princípios da teoria da classificação, contribuições da lingüística (como no caso
do PRECIS, criado por Austin, membro do CRG), das ciências cognitivas (como no
caso da indexação relacional de Farradane) ou da filosofia e da lógica (como o POPSI,
do indiano Battacharrya). Nos anos seguintes, diversos campos e setores de pesquisa
estabeleceram diálogo ou se apropriaram dos princípios da teoria da classificação
facetada, sendo que, principalmente com o progressivo advento das tecnologias
digitais, novas e criativas apropriações da ideia de faceta passaram a ser
desenvolvidas no âmbito da ciência da informação.

REFERÊNCIAS FEITAS A RANGANATHAN
A primeira parte da pesquisa consistiu no rastreamento de artigos que
citassem o autor. Do total de artigos publicados nos sete periódicos estudados, no
período determinado, 43 tinham referência a alguma obra de Ranganathan – o que
resultou na existência de 52 referências a trabalhos de Ranganathan. A contabilização
das referências bibliográficas encontradas é apresentada na TABELA 1, indicadas por
ano e por periódico.
Tabela 1 – Somatório das referências, por ano e periódico
Periódico

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

T

CI

1

2

1

2

1

1

2

-

1

3

14

PCI

1

-

1

2

2

3

2

1

2

3

17

DAT

-

1

1

-

1

1

-

1

-

-

5

TRA

-

1

-

-

1

-

1

1

-

1

5

I&amp;S

1

-

-

-

2

-

1

-

1

1

6

192

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

EBI

1

1

-

1

-

-

-

-

1

1

5

EMQ

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

0

TOTAL

4

5

3

5

7

5

6

3

5

9

52

NOTA: Na tabela acima, os periódicos são identificados pelas siglas CI (Ciência da Informação), PCI
(Perspectivas em Ciência da Informação), DAT (Datagramazero), TRA (Transinformação), I&amp;S (Informação &amp;
Sociedade: Estudos), EBI (Encontros Bibli) e EMQ (Em Questão).
FONTE: Dados da pesquisa.

A tabela acima mostra que existe alguma regularidade na distribuição das
referências bibliográficas por ano. A média de referências a trabalhos de
Ranganathan é 5,2 (52 referências bibliográficas em dez anos), sem que se possa dizer
que há uma tendência de aumento ou diminuição ao longo dos anos. Já em relação
aos periódicos, verifica-se que, em termos absolutos, ele é mais referenciado na
Perspectivas em Ciência da Informação (17 vezes) e, logo depois, na Ciência da
Informação (14 vezes).

CARACTERÍSTICAS DAS OBRAS CITADAS
A análise seguinte recaiu sobre as obras de Ranganathan citadas nos artigos.
No total, sete obras do autor foram citadas (embora em alguns casos tenham sido
citadas edições diferentes de uma mesma obra). A média de citações por obra é de
7,42, o que posiciona Ranganathan numa posição bastante central em relação aos 16
autores estudados na pesquisa mais ampla. Ranganathan não está nem entre os
autores com maior média, isto é, com poucas obras muito citadas, nem entre aqueles
com menor média, isto é, com muitas obras referenciadas, mas com poucas citações
em cada uma.
A obra mais citada do autor, o livro Prolegomena to library classification, foi
referenciada 27 vezes – principalmente a terceira edição. A segunda obra mais
referenciada foi o livro Colon classification, com nove referências, seguido do livro
The five laws of library science, com seis referências. A seguir, com quatro
referências, estão o livro Philosophy of library classification e o capítulo de livro
Facet analysis: fundamental categories. Por fim, com uma referência, foram citados
ainda os livros Elements to library classification e Reference service.

193

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Estes resultados são parcialmente similares àqueles verificados no Google
Acadêmico19. Em uma busca realizada sobre Ranganathan, detectou-se que
Prolegomena to library classification é a obra mais citada (802 citações), mas a
segunda foi The five laws of library science, com 776, vindo a Colon classification em
terceiro, com 434 – uma inversão entre a segunda e a terceira mais citadas em
comparação com a pesquisa aqui relatada.
A grande quantidade de obras citadas indica, naturalmente, uma significativa
dispersão de obras citadas em relação ao tempo. Os três trabalhos mais citados são
todos da década de 1930 (1931, 1933 e 1937), embora na maior parte das referências
estejam datas de edições da década de 1960. Os demais trabalhos citados são das
décadas seguintes, um da década de 1940, outro da década de 1950 e dois da década
de 1960. Esse resultado demonstra sobretudo o caráter de “clássico” do autor, pois
seus trabalhos mais citados não foram os mais recentes, mas aqueles considerados
fundamentais, basilares, de sua inovadora proposta teórica.
Em relação aos outros 15 autores analisados na pesquisa maior, verifica-se
que Ranganathan é o segundo mais antigo (apenas Otlet é mais antigo). Os dois, além
de Shera e Borko, constituem os quatro autores identificados como “clássicos”,
ficando todos os demais com contribuições contemporâneas.
Em relação à natureza das obras, verificou-se que a quase totalidade das
referências (51 de 52) dizem respeito a livros (sendo um caso de capítulo de livro).
Não houve referências a artigos de periódicos ou trabalhos apresentados em eventos.
Tal resultado destoa muito daquele encontrado em relação a outros autores que
tiveram sua influência medida nos mesmos periódicos brasileiros, no mesmo período
(ARAÚJO, 2013): ele é o autor com maior contribuição por meio de livros. Acima de
90%, estão apenas ele e Le Coadic.
Quanto ao idioma, percebe-se que todas as referências são de obras do autor
em inglês. É muito provável que tal fato tenha tido, como consequência, uma
diminuição das referências feitas ao autor, em comparação com outros autores que
possuem obras traduzidas para o português. Deve-se registrar que, em 2009, foi
publicada a obra As cinco leis da Biblioteconomia, mas em relação às datas de coleta
dos dados, não chegou a haver impacto dessa tradução nos resultados encontrados. A
Pesquisa no Google Acadêmico realizada em 25 de junho de 2016. Disponível em
https://scholar.google.co.in/citations?user=kkL1zjEAAAAJ.
19

194

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

pesquisa não mediu sistematicamente, mas durante o rastreamento de artigos
verificou-se que muitas ideias de Ranganathan são apresentadas nos artigos, porém a
partir da referência a comentadores, que publicaram em português. Por fim, ressaltase que não houve referências a trabalhos em coautoria – todas as referências são de
trabalhos do autor em autoria única.

SOBRE OS ARTIGOS CITANTES
A análise seguinte recaiu sobre os 43 artigos que fizeram referência a obras
de Ranganathan. Essa análise se deu por meio da análise da temática do artigo. Para
isso, trabalhou-se na perspectiva de identificação das principais teorias às quais os
artigos analisados se vinculam. Para tanto, utilizou-se um quadro de referência
(ARAÚJO, 2013) que prevê as seguintes categorias: a) Estudos inspirados na teoria
matemática; b) Estudos de natureza sistêmica; c) Estudos críticos da informação; d)
Estudos sobre representação e classificação; e) Estudos sobre a comunicação
científica; f) Estudos de usuários da informação; g) Estudos bibliométricos.
A aplicação deste quadro de referência sobre os 43 artigos mostrou que
Ranganathan tem uma contribuição extremamente focada em uma teoria: a teoria da
representação do conhecimento. Tal vinculação aparece em 39 dos 43 artigos,
relacionada com temas diversos como modelos conceituais, hiperdocumentos,
terminologia,

modelização

conhecimento,

ontologias,

de

domínios,

tesauros,

representação,

linguagens

organização

documentárias,

do

vocabulários

controlados, recuperação da informação, garantia literária e aspectos filosóficos da
representação. Em apenas dois casos verificou-se a vinculação à teoria sistêmica e à
comunicação científica, no caso em temas ligados a serviço de referência e avaliação
de bibliotecas. E em outros dois casos, trataram-se de artigos não ligados à teoria e a
um objeto empírico, mas discussões de natureza epistemológica ou educacional do
campo.
Comparando-se o resultado com o dos demais 15 autores, percebe-se, em
primeiro lugar, que Ranganathan é claramente o autor mais citado no âmbito das
teorias da representação e organização do conhecimento, com 90,69% de incidência.
Nenhum autor chegou a ter sequer 50% neste caso. Em segundo lugar, percebe-se
que Ranganathan é o autor que teve a maior concentração de citações em uma única
teoria, com concentração ainda maior do que outros autores em outras teorias –

195

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

como por exemplo Meadows com a comunicação científica, Dervin com estudos de
usuários e Choo com a teoria sistêmica.
Analisou-se também a procedência institucional dos autores dos artigos. Para
tanto, considerou-se a técnica bibliométrica de se contabilizar apenas uma freqüência
para cada artigo, independente do número de autores (FIGUEIREDO, 1977; VANTI,
2002; ROUSSEAU, 1998). Assim, no caso de artigos com autores pertencentes a mais
de uma instituição, a contagem foi parcelada, isto é, dividida entre as instituições
envolvidas na produção do artigo. Por exemplo, no caso de um artigo produzido por
dois autores, cada um de uma instituição, foi atribuído 0,5 ponto para cada
instituição. E assim sucessivamente.
Para a definição da instituição, considerou-se em primeiro lugar o vínculo
profissional, quando este se relacionava a instituição de ensino superior e/ou de
pesquisa. Quando não foi o caso, considerou-se a vinculação de formação acadêmica,
isto é, onde o autor realizou seu doutorado ou mestrado. Apenas quando não foi
possível considerar estas duas condições, contabilizou-se a instituição de
pertencimento profissional. Ressalte-se que houve um volume considerável de casos
em que os autores não indicavam qualquer vínculo institucional.
Uma vez completada a contabilização, identificou-se que a instituição de
onde provém a maior parte dos artigos que citam Ranganathan é O Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), tanto em convênio com a
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quanto com a Universidade Federal
Fluminense (UFF), com 11,5 artigos, seguido da UFF com 6,5 artigos, e depois a
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com 5,5 artigos, e por fim a UFMG,
que atingiu o total de 5 artigos. No total foram encontradas, além destas, outras 12
instituições às quais pertencem os autores dos artigos citantes, inclusive de países
como Argentina, Espanha e Uruguai.

IMPORTÂNCIA DAS CITAÇÕES FEITAS A RANGANATHAN
A próxima etapa da pesquisa consistiu na análise dos textos das citações de
Ranganathan presentes nos artigos, buscando avaliar a importância das ideias do
autor para a discussão empreendida no artigo. Para a avaliação dessa importância, as
citações foram classificadas a partir das seguintes categorias: Citação conceitual (traz
a definição de algum conceito trabalhado no artigo); Citação metodológica (apresenta

196

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

os passos ou procedimentos para a execução de alguma atividade ou pesquisa);
Citação exemplificativa (traz outros casos, realidades ou estudos para demonstrar
algum ponto ou questão); Citação confirmativa (dá legitimidade a alguma ideia ou
afirmação); Citação negativa (utilizada para contrapor alguma ideia ou afirmação);
Citação de sustentação (usada para embasar ou dar suporte a alguma ideia, com
dados ou outras ideias); Citação panorâmica/de revisão (objetiva dar um panorama
de quem mais estudou determinada questão); Citação orgânica/de compreensão
(necessária para a compreensão do que está sendo afirmado).
As categorias acima definidas foram aplicadas a cada uma das 79 citações de
ideias do autor presentes nos artigos citantes. O tipo de citação mais frequente é a
conceitual, com 29 ocorrências (36,70%). Essas citações apresentam definições de
conceitos

como

concretividade”,

“teoria

facetada”,

“percepto”,

“ideia”,

“categorias
“assunto”,

fundamentais”,
“faceta”

e

“ordem

de

“universo

do

conhecimento”. Também apareceram citações que definem cada uma das categorias
que compõem o PMEST ou que definem as cinco leis da Biblioteconomia propostas
pelo autor.
O segundo tipo de citação mais comum é a confirmativa (19 ocorrências, ou
24,05%), em que Ranganathan é acionado para dar legitimidade a argumentos tais
como a importância da classificação facetada, da linguagem, das categorias
fundamentais, das cinco leis e do processo classificatório.
A seguir vêm as citações metodológicas, com incidência de 11 casos (13,92%).
Ranganathan é normalmente citado em explicações sobre como se fazer classificação,
como se deve proceder para a realização de classificações facetadas, como criar
categorias, bem como para a identificação dos métodos para formação de assunto e
níveis do universo de assunto.
O quarto tipo mais freqüente de citação foi a de sustentação, com oito
ocorrências (10,12%). Nestes casos, ideias de Ranganathan sobre a construção de
sistemas de classificação, princípios da classificação facetada, Colon Classification, a
prática bibliotecária a partir das cinco leis e a interação entre o bibliotecário de
referência e o leitor estão presentes.
As citações exemplificativas apareceram cinco vezes, associadas normalmente
à teoria facetada, ao PMEST, à noção de categoria e uma vez à teoria sistêmica na
ciência da informação. As citações panorâmicas apareceram quatro vezes, em que

197

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Ranganathan é apresentado dentro do campo da teoria da classificação ou da
organização do conhecimento (Knowledge Organization). Por fim, houve duas
citações orgânicas, relacionadas com o ato de classificar e com a espiral do universo
do conhecimento. Não foi registrada citação de negação.
Os dados mostram claramente que Ranganathan é bastante citado sobretudo
para elucidar conceitos relativos à prática da classificação facetada, o que demonstra
seu caráter inovador, isto é, de um autor que criou conceitos até então inexistentes, a
quem se recorre para o esclarecimento sobre esses conceitos. Na pesquisa mais ampla
envolvendo os outros autores mais citados na área, apenas Borko e Otlet, numa lista
de 16 autores, tiveram percentual maior de citações conceituais do que Ranganathan.
Deve-se destacar, contudo que, diferentemente dos outros dois autores que foram
acionados quase sempre para definição de um mesmo conceito (o que é ciência da
informação; o que é documento), no caso de Ranganathan foram vários conceitos
diferentes trazidos nos artigos citantes.
Tal ideia se complementa com o fato de Ranganathan ter tido percentual
relativamente elevado de citações metodológicas. Apenas Choo e Khulthau tiveram
percentual mais elevado. Isso demonstra o quanto Ranganathan é fundamental para
a elucidação e a efetiva construção de sistemas de classificação facetada, ainda que
passadas tantas décadas desde suas publicações e muita teoria já tenha sido
produzida a esse respeito.
Ao mesmo tempo, destaca-se a importância de Ranganathan como uma
autoridade no campo, na medida em que ele possui uma elevada quantidade de
citações confirmativas. Ele só não está entre os autores com mais citações
confirmativas (como Le Coadic, Saracevic, Lancaster e Borko) justamente por ter
muitas conceituais. Diferentemente destes quatro autores, que são constantemente
citados apenas como argumento de autoridade, Ranganathan, embora citado também
nessa condição, tem na verdade um peso muito maior com uma efetiva contribuição
conceitual nos artigos citantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados levantados permitem uma ampla visualização de como
Ranganathan vem sendo citado no Brasil. Em primeiro lugar, deve-se destacar o fato
de passadas décadas desde suas publicações, ele ser ainda citado justamente para

198

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

trazer a definição de termos tão importantes, além do próprio método de trabalho da
classificação facetada. Isso o coloca, sem dúvida, na condição de clássico da
Biblioteconomia e da ciência da informação. Além disso, sua clara vinculação a uma
subárea do campo, a representação e organização do conhecimento, mostra
claramente sua contribuição específica, isto é, sua identidade teórica e conceitual. Tal
reconhecimento é, ainda, verificado na procedência dos autores: Ranganathan não é
um autor citado por apenas uma ou outra instituição – seus trabalhos são citados em
trabalhos das mais variadas origens.
Apesar de sua imensa produção científica, muito pouco de seu trabalho foi
traduzido para o português, o que permite postular que, provavelmente, seu impacto
teria sido ainda muito maior caso mais trabalhos estivessem traduzidos. Como dito, a
publicação de As cinco leis da Biblioteconomia não chegou a afetar os dados
coletados, em função do período de análise. Por outro lado, verifica-se que seu
impacto é muito maior, na medida em que, em vários artigos, ideias de Ranganathan
são citadas e mencionadas a partir de referências a comentadores brasileiros. Uma
pesquisa futura atenta a esse fato poderia trazer resultados bastante reveladores. De
todo modo, o conjunto dos resultados é suficiente para garantir, a Ranganathan, um
lugar importantíssimo na pesquisa brasileira em Biblioteconomia e ciência da
informação.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila; ROLIM, Elizabeth Almeida; MARZANO, Isabel Marci Gomes;
BITENCOURT, Liara Gomes. A Ciência da Informação na visão dos professores e
pesquisadores brasileiros. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n.2, p.
110-127, maio/ago. 2007.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila; SIMA, Aline Michelle; GUEDES, Roger Miranda; RESENDE,
Karine Souza. A Ciência da Informação na visão dos professores da ECI/UFMG.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 12, n.2, p. 3-22, maio/ago.
2007.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Estudo bibliométrico sobre a incidência de dez dos principais
autores da Ciência da Informação nos periódicos brasileiros entre 2003 e 2007. In:
ENANCIB - Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, 10., 2009, João
Pessoa. Anais... João Pessoa: Ideia/Editora Universitária, 2009. v. 1. p. 2114-2135.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Principais teóricos da Ciência da Informação. Belo
Horizonte: Escola de Ciência da Informação da UFMG, 2013. Relatório final de pesquisa.
BARBOSA, Alice. Teoria e prática dos sistemas de classificação bibliográfica. Rio de
Janeiro: Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, 1969.

199

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. Linguagem documentária: teorias que fundamentam
sua elaboração. Niterói: Ed. da UFF, 2001.
FIGUEIREDO, Nice. Tópicos modernos em Bibliometria. Brasília: Associação dos
Bibliotecários do Distrito Federal, 1977.
ISLAM, Nurul. S. R. Ranganathan: library and documentation scientist. Current Science,
v. 108, n. 11, jun. 2015, p. 2110-2111. Disponível em:
http://www.currentscience.ac.in/Volumes/108/11/2110.pdf. Acesso em: 25 jun. 2016.
PIEDADE, Maria Antonietta. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro:
Interciência, 1977.
ROUSSEAU, Ronald. Indicadores bibliométricos e econométricos para a avaliação de
instituições científicas. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 149-158, maio/ago.
1998.
VANTI, Nadia Aurora. Da bibliometria à webometria: uma exploração conceitual dos
mecanismos utilizados para medir o registro da informação e a difusão do conhecimento.
Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p. 152-162, maio/ago. 2002.

200

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, ESTUDOS
MÉTRICOS E RANGANATHAN:
um encontro
Adilson Luiz Pinto
Luc Quoniam
Alexandre Ribas Semeler

APORTES INICIAIS SOBRE RANGANATHAN
As contribuições de Shiyali Ramamrita Ranganathan para Ciência da
Informação (CI) se originam na Biblioteconomia e abrangem o plano da classificação,
catalogação e a da administração de Bibliotecas. Embora o legado do bibliotecário e
matemático indiano seja amplamente aplicado e discutido em Biblioteconomia e
Ciência da Informação, são poucos os estudos que resgatam sua relevância para os
estudos métricos.
Os Estudos Métricos no contexto da CI enfocam métodos quantitativos e
utilizam a Estatística e a Matemática para avaliar a produção bibliográfica. Cada
estudo métrico possui um contexto específico e é aplicado conforme a área de
especialidade, entre as principais linhas dos estudos métricos está Bibliometria,
técnica cunhada por Alan Pritchard em 1969 nos EUA para definir investigações
métricas sobre a quantificação do processo de comunicação escrita.
Preocupado com o conjunto de atividades em uma Biblioteca, Ranganathan
propôs a Librametry, técnica aplicada para medir as atividades realizadas em uma
biblioteca. Por meio do uso de estatísticas ele vislumbrou a quantificação e a análise
dos serviços oferecidos por uma biblioteca. O termo surgiu na Aslib conference em
Leamington Inglaterra. Ranganathan ressaltava que era necessário para os
bibliotecários desenvolver uma librametry similar as práticas já conhecidas por ele
como a Biometria, a Econometria e a Pisicometria. Ele sugere o termo librametry ou

201

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

librametrics, que em seu sentido amplo, possui o signo das duas palavras em
separado, biblioteca e métricas, a imbricação dos termos indica a aplicação de
modelos matemáticos e técnicas estatísticas para avaliar sistemas e serviços de uma
biblioteca.
Nesse contexto, o que propomos é relacionar as ideias de Ranganathan sobre a
Librametric ao conjunto de teorias dos Estudos Métricos, em específico buscar sua
conexão com a Bibliometria e com as demais ideias classificatórias e de gestão
informacional da unidade, como os serviços de estudo de usuários e os sistemas de
representação temática e descritiva.
Dessa forma, apresenta-se uma discussão a respeito das correntes de estudo
sobre Ciência da Informação, apontando-se as três áreas chave para a consolidação
da CI: a Biblioteconomia, a Documentação e a Arquivologia. No que tange os Estudos
Métricos delinea-se a linha do tempo das leis e das concepções de Estudo Métricos.
Por fim, as relações da CI e dos Estudos Métricos com a visão de Ranganathan.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Com o final da segunda grande guerra o papel dos cientistas no mundo ganhou
uma conotação única, em especial na questão de colaborações científicas eminentes
que foram necessárias nesse cenário. Nesta época um estudo foi marcante para a
representação deste fato, o artigo As we may think de Vannevar Bush, em 1945, que
relatou a nova mudança pela comunicação mais rápida, a manipulação dos registros,
o crescimento do volume de pesquisa e métodos na transmissão. Praticamente,
podemos dizer que seria o surgimento do que entendemos hoje como Ciência da
Informação.
Com forte apoio da comunidade científica, a partir desta data, a realização da
Royal Empire Society Scientific Conference20, em 1946, passou-se a discutir e
controlar o panorama mundial da informação. Até então, todo o processo deixava a
desejar em questões de tratamento, armazenamento e uso, devido à urgência na
composição de cenário.

20 http://www.nature.com/nature/journal/v160/n4058/abs/160185c0.html

202

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Após o evento da Royal Society, o mundo começou a contestar quais seriam os
profissionais da informação, na respectiva organização, controle e disponibilização; e
o que compete a este profissional.
A importância atribuída a algumas áreas, como Economia, Administração,
Matemática e Engenharia, devido à facilidade de estas observarem o corpus
informacional e sua representação, foi imediato. O mundo que pensava belicamente
passou a contemplar o surgimento de uma nova ciência.
Neste ínterim, algumas ciências não tiveram igual relevância para a
comunidade científica (Biblioteconomia e Documentação), como foi representado nas
conferências de outubro e abril de 1961/1962, realizadas no Georgia Institute of
Technology. De acordo com Shera (1968), os membros que se reuniram nestes
eventos foram linguistas, engenheiros, matemáticos e cientistas da computação.
Esta nova ciência, baseada na informação, foi categorizada então como:
[…] é a disciplina que investiga as propriedades e o comportamento
informacional, as forças que governam os fluxos de informação, e os
significados do processamento da informação, para uma acessibilidade e
usabilidade ótima. Ela está preocupada com o corpo de conhecimentos
relacionados à origem, coleção, organização, armazenamento, recuperação,
interpretação, transmissão, transformação, e utilização da informação. Isto
inclui a investigação da representação da informação em ambos os sistemas,
naturais e artificiais, o uso de códigos para a transmissão eficiente da
mensagem, e o estudo do processamento de informações e de técnicas
aplicadas aos computadores e seus sistemas de programação. (BORKO, 1968,
p. 3)

Baseando-nos na concepção definida por Borko como campo de conhecimento,
expomos três áreas chave para a consolidação da Ciência da Informação, que somente
com o tempo foram denotadas como essenciais.
A primeira (Biblioteconomia) não foi contemplada inicialmente como parte da
Ciência da Informação, por não estar voltada para a economia política da informação.
Entretanto, ganhou enfoque principalmente pelo controle do registro, sua
recuperação e estruturação de linguagem documentária baseada nas suas disciplinas
básicas: Classificação, Catalogação, Normalização e adequação das Tecnologias de
Informação.
A segunda (Documentação) tem sua característica atrelada ao surgimento da
Biblioteca Pública, devido ao destaque e à especificidade de seus usuários e da
ampliação da bibliografia voltada a ser algo mais agregador (OTLET, 1934). Este
mesmo autor foi responsável por outras inovações na referida área, como

203

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Classificação Decimal Universal (CDU); a visão de uma biblioteca de microforma
portátil, resgatada posteriormente por Bush no projeto Memex, em 1939
(BUCKLAND, 1992, p. 284-285), sistemas inteligentes, e; aplicação da Bibliometria
para o controle informacional e da documentação. Entretanto, para esta última ação
(bibliometria), o autor não teve o devido reconhecimento pela área, no qual a
comunidade científica preferiu o exposto por Alan Pritchard, em 1969.
Como terceira área tem-se a Arquivologia (Archival science or Archive
administration), que surgiu a partir da diplomática, no século XIX, baseada em um
corpo de conceitos e métodos voltados para o estudo de registro de documentos;
tendo a finalidade de controlar as relações funcionais e as formas de comunicação
envolvida (DURANTI, MACNEIL, 1996, p. 47), preocupada com políticas de
conservação e preservação documental.
Neste sentido, se faz importante a menção de apontar quais áreas enfocam
visões para o âmbito informacional (Ciência Cognitiva, Comércio, Comunicação,
Direito, Biblioteconomia, Arquivística, Museologia, Administração, Matemática,
Filosofia, Política Pública e as Ciências Sociais) e também para o âmbito documental
(Documentação, Arquivística e Museologia).
A Ciência da Informação é agregadora de todas estas áreas, em especial se for
adotada a visão do modelo americano como a mais apropriada. Entretanto, outros
países preferiram adotar a Documentação com a mesma representação, caso da
França, Espanha e Portugal (ORTEGA, 2009, p. 4) e; a Informática por parte dos
russos (MIKHAILOV, CHERNYL, GILYAREVSKII, 1966).
Independente da estrutura que venha a ser adotada para Ciência da
Informação existem aspectos únicos e que foram essenciais para o seu
desenvolvimento, (i) como o entorno referente aos processos de linguagens e
representação temática, (ii) o processo de comunicação e representação descritiva,
(iii) a gestão da informação e do seu processo, (iv) as tecnologias dispostas para a sua
evolução, e (v) a usabilidade de seus módulos em linha.
À continuação traremos o inicio da Ciência da Informação a partir dos estudos
métricos da informação e as contribuições de um grande pensador da área (Shiyali
Ramamrita Ranganathan).

204

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

OS ESTUDOS MÉTRICOS E SEUS FLUXOS INFORMACIONAIS
Os estudos métricos têm-se consolidado em um campo emergente das
ciências, em especial nas áreas reconhecidamente interdisciplinares, como é o caso da
Ciência da Informação. Caracterizam-se por enfocar métodos quantitativos voltados à
informação.
As métricas foram concebidas para auxiliar no controle da informação,
servindo como pressuposto para futuras tomadas de decisão, no sentido de
investimento e contratações (input) e da consolidação da produtividade (output).
Claro que cada estudo métrico aporta um contexto próprio e específico segundo suas
necessidades.
Sua relação com o fluxo de informação está voltada para a aplicação de
processos quantitativos, em especial para tomada de decisão, seja no âmbito
acadêmico e técnico/profissional. Para termos uma ideia de como é longa sua escala
resgatamos a estrutura das disciplinas teóricas, as áreas núcleo e as especifidades de
estudos métricos exsitentes para a circulação informacional.
Figura 1: Matematização do conhecimento social em estudos de métricas

Fonte: Baseado em Gorbea Portal (2005, p. 127)

205

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Ações e gestões com base nos estudos métricos dão respaldo aos nichos de
mercado, em especial quando tais estudos são utilizados para nortear o
financiamento científico (mais ou menos o que algumas agências de fomento utilizam
em seus editais), tornando regiões ou países especialistas em algumas áreas
específicas, como nos projetos brasileiros de Genoma e Nanotecnologia, em São
Paulo, e de desenvolvimento de software, no Pernambuco.
A questão da especificidade da ação e gestão culmina quando identificamos a
visão das áreas envolvidas na Ciência da Informação, onde para cada país a inserção
dos estudos métricos pode ser descrito como dependente de estruturas atribuídas.
Por exemplo, no Brasil, a bibliometria e os demais estudos métricos estão
contemplados no tesauro de Ciência da Informação como Métodos Quantitativos, e a
única lei específica da bibliometria é a de Lotka para autoridades (PUC-Minas, 2012),
diferente do que o resto do mundo menciona, atrelando também as leis de Bradford
(dispersão) e de Zipf (lei do menor esforço). Para o tesauro de Biblioteconomia e
Documentação da Espanha (MOCHÓN BEZARES; SORLI ROJO, 2010), essas
mesmas leis são as ferramentas básicas da bibliometria e dos outros estudos métricos
da informação.
O significado de tudo isso é que para alguns países os estudos métricos se
concentram nas suas bases, como é o caso da Ciência da Informação na Espanha. Tal
fato já parece estar mudando no Brasil, em especial com os eventos do EBBC
(Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cienciometria).
Outro ponto relevante é o entendimento do estudo métrico, em especial da
Bibliometria, adaptado pela visão de Pritchard (1969), que popularizou o termo
referindo-se à aplicação de métodos matemáticos e estatísticos a livros, artigos e
outros meios de comunicação. Diverge da visão não anglo-saxônica de Paul Otlet em
1934, que define os estudos métricos como parte da bibliografia que se ocupa da
quantificação e medida aplicada aos estudos monográficos (FONSECA, 1986).
Consequentemente, depois dessas duas visões, o mundo passou a notar os
estudos métricos de outra forma, em especial, para a sustentação de aspectos
quantitativos nas unidades de informação. Ao mesmo tempo, absorveram outros
estudos para a sua consolidação, inclusive estudos anteriores, como é o caso da lei de
autoria de Lotka, a análise de citação de Gross e Gross, a análise de dispersão de

206

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Bradford e a lei de distribuição de terminologias de Zipf, conforme representado na
Figura 2.
Figura 2: Linha do tempo das principais leis e concepções dos termos
dos estudos métricos

Fonte: Adaptado de Rousseau (200?).

A primeira etapa da evolução dos estudos métricos incluiu definições e
aplicabilidades iniciais até o final da década de 1960, culminando com a influência
que a bibliometria tem sobre o entendimento de novas concepções, como no caso da
Cienciometria, que a princípio utilizava as três leis para suas análises (Lotka,
Bradford e Zipf), não muito diferente do que ainda se aplica nos dias atuais nos
países em desenvolvimento, entretanto a visão era específica para o desenvolvimento
e consolidação dos acervos, fundamentando a visão Paul Otlet e seu Traité du
Documentation.
A segunda etapa se consolidou entre 1970 e 1989, impulsionada por alguns
elementos, como: a melhor divulgação de bases de dados, como os recursos do
Institute for Scientific Information e a MedLine (NCBI, 2012); a melhor condição de
aquisição de equipamentos de informática pelas instituições; o mapeamento da
ciência (GARFIELD; PUDOVKIN; ISTOMIN, 2002; PRICE, 1965); a demanda de
novas aplicações ao cenário da ciência, tecnologia e inovação (C&amp;T+I), como as
patentes (WATANABE; TSUJI; GRIFFY-BROWN, 2001), esta última estudada a
muito tempo pelos profissionais de arquivo; o impacto das revistas e de autoridades;

207

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

melhores sistemas de recuperação da informação; e a contribuição dos indicadores
científicos nas políticas de C&amp;T+I para mundo (BRAUN; GLÄNZEL, 1990).
A partir da década de 1990, as iniciativas concorreram para a identificação de
áreas e temáticas de excelência, redes de colaboração temática (WHITE; McCAIN,
1989), demanda em outras bases de dados (MUGNAINI; 2006), estudos métricos em
unidades de informação (PINTO et al., 2012), Desktop Scientometrics (KATZ;
HICKS, 1997) e o aporte da informação e conteúdos livres (EYSENBACH; 2006).
Enfocando nessa linha do tempo, que parte do início da década de 1960 até a
atualidade, as unidades de informação menos exploradas estão relacionadas nos
processos administrativos das unidades de informação, discussão que trataremos
adiante.

BIBLIOMETRICS + RANGANATHAN: LIBRAMETRICS
Quando imaginamos uma unidade de informação, logo nos vem a imagem de
estantes/prateleiras,

uma

estrutura

de

biblioteca,

arquivo

ou

centro

de

documentação, com sistemas ordenadas por um sistema definido pelos profissionais
que trabalham nesse ambiente segundo sistema de classificação (CDD, CD e tabela de
temporalidade),

indexação

e

referenciação

informacional.

Entretanto,

se

observarmos mais a fundo iremos identificar que também existe uma gestão
bibliográfica/documental por trás.
Esse universo pode e deve ser mensurado diariamente, semanalmente,
mensalmente e anualmente, visando dois pontos básicos: (i) a sua gestão de recursos,
seja em contratações ou questões de finanças; e (ii) na consolidação de seus fluxos
informacionais, visando o desenvolvimento de sua coleção e as distribuições das
demandas (espaço destinado, ações desenvolvidas, novas mídias e etc.)
Ranganathan chama esse processo de Librametrics, estudo métrico que avalia
as atividades de uso e fluxo da informação em bibliotecas e centros de informação. O
indiano sugere a aplicação de métricas para analisar as características e
comportamentos atribuídos a documentos, pessoal e usuários de uma unidade de
informação. Este tipo de estudo visa solucionar problemas no plano da
administração, circulação, armazenamento e serviços de uma Biblioteca.

208

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Dentro das unidades de informação temos um processo continuo de aplicação
das estatísticas. Se analisarmos a concepção inicial da bibliometria, ela nasce de um
questionamento sobre os processos e fluxos informacionais voltados aos acervos
(OTLET, 1934). Posteriormente é consolidado um paralelo entre a estatística aplicada
à bibliografia nas unidades de informação e a incorporação de elementos
bibliográficos não atrelados unicamente as unidades de informação (PRITCHARD,
1969) muito mais para quantificar aspectos da bibliografia científica.
Ao lidar com estes dois questionamentos, Ranganathan (1969) propôs o termo
librametrics, específico para as atividades estatísticas nas bibliotecas, porém não teve
muitos seguidores na área. Talvez porque o escopo central da bibliometria, que é
estudar a partir da estatística e matemática a produção bibliográfica, traga mais
inquietações que não dizem respeito somente às bibliotecas e sim à literatura
científica como um todo. Logo, a bibliometria acaba sendo estudada pelas áreas
científicas em geral e não necessariamente para a gestão e os fluxos das unidades de
informação.
O reflexo dessa multidisciplinaridade pode ser constatado por alguns nomes
que desenvolveram a bibliometria no mundo, como Lotka (Matemático, FísicoQuímico), Zipf (Linguista), Price (Historiador, Físico), Garfield (Advogado),
Leydesdorff (Sociólogo) entre outros, que utilizaram técnicas da bibliometria para
analisar seus respectivos universos científicos.
Todas as visões em dois eixos da Ciência da Informação. Por um lado a
preocupação com as coleções e sua visão de proposta administrativas, baseada em
Otlet (voltada aos Centros de Documentação); e por outro lado uma visão ao universo
informacional que surge da ciência em crescimento vertiginoso, refletindo anseios da
sociedade em demonstrar suas teorias, onde novas concepções de métricas ganham
adeptos, como a Bibliometria de Pritchard, a Cienciometria de Nalimov e Mil´Chenko
(1969), a Informetria de Nacke (1979) e a Webometria de Alimd e Ingwersen (1997).
Diferentemente de todas estas visões as unidades de informação, em especial
os arquivos, podem utilizar a estatística para saber o comportamento de seus
documentos/manuscritos

visando

identificar

fenômenos

(históricos

ou

administrativos) de seus fundos documentais (GORBEA PORTAL, 1994; PINTO,
2011).

209

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Pinto (2011), complementa que esta métrica tem como objeto de estudo o fluxo
informacional de seus fundos documentários e seus usuários, contando com variáveis
de sua estrutura (ações e gestão) e circulação de consultas. Aborda métodos de
frequências e distribuição e tem por objetivo tratar da longitude das estantes e
documentos do arquivo, bem como da atividade cultural, de pesquisa e pessoal.
Sua disciplina e teoria estão voltadas à História e as Finanças/Jurídicas, tendo
a arquivologia como disciplina núcleo e como método avaliativo a arquivometria,
diferente dos outros estudos métricos que se baseiam na Informática, na Teoria do
Documento e na Teoria do Livro (disciplinas e teorias), com as disciplinas núcleo da
Biblioteconomia e Bibliografia (Librametrics e Bibliometria). No que segue
apresenta-se a contribuição de Ranganathan para a Ciência da Informação e para os
estudos métricos.

AS

RELAÇÕES

DA

CIÊNCIA

DA

INFORMAÇÃO

NA

VISÃO

DE

RANGANATHAN APOIADO NOS ESTUDOS MÉTRICOS
O indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan provavelmente foi um dos mais
relevantes personagens da curta história da Ciência da Informação, mesmo não tendo
interferência para a consolidação da área, porém seus pensamentos foram
eternizados para a Biblioteconomia e a Documentação e ampliados e atualizados para
o processo informacionais moderno e pós-moderno.
Neste contexto iremos relacionar as experiências de Ranganathan para a
Ciência da Informação, abordando suas visões de matemático e bibliotecário, pontos
de origem desta nova ciência, enfocando (i) as leis informacionais (RANGANATHAN,
1931); (ii) sistemas de representações temáticas (RANGANATHAN, 1933, 1937, 1945,
1948, 1951); (iii) representações descritivas (RANGANATHAN, 1934, 1938,1955), e;
(iv) a matematização das unidades de informação (RANGANATHAN, 1969).
Frente aos espaços da unidade de informação, baseado no principio de que as
informações devem ser vista pelo olhar das novas leis da Biblioteconomia adaptada
ao processo informacional, onde os dados, informação e conhecimento são (i) para
serem utilizadas, cujo foco é avaliar para saber a coleção, a circulação e seu uso em
geral; (ii) específicas para que se tenha usuário/cliente, o qual avalia a
disponibilidade; (iii) específicas para leitores/pesquisadores, diferenciando dos
usuários comuns e cujo foco é avaliar o seu papel dinâmico através de seus serviços

210

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

de distribuição e referência, alegando, em alguns casos, a existência de tal unidade de
informação; (iv) feitas para economizar o tempo dos usuários/clientes e
pesquisadores, no que toca a avaliação da acessibilidade e tempo de resposta; e (v)
mecanismos das unidades de informação, cujo o foco é crescer, independente do seu
suporte, visando uma proposta de adaptação e mudanças com relação as suas
necessidades e se seus usuários.
Para os sistemas de classificação, Ranganathan desenvolveu cinco aplicações
que foram sendo complementadas com o passar do tempo e das dificuldades
encontradas. Estes sistemas se basearam na matemática qualitativa para gerar as
ordens facetadas – analítico e sistêmico (Colon Classification; Prolegomena to
Library Classification, Elements of Library Classification, Classification and
International Documentation e Classification and Communication), e abordar os
elementos anteriores da classificação de Dewey, de Otlet e La Fontaine e de Cutter,
onde incorpora a representação pela matemática como estrutura para os níveis dos
conceitas e ideias (plan view), os níveis de conceitos e suas expressões verbais
(verbal plan) e nível dos conceitos abstratos e os sinais representados por letras e
números (rating plan).
O uso dos seus sistemas de classificação descreve a personalidade do tema
mais específico, bem como a matéria, a energia, o espaço e o tempo (PMEST), onde
essas facetas são geralmente associados para cada unidade de informação, gerando
um sistema de triagem universal e adequado para qualquer tipo de unidade.
Dentro do sistema facetado existem as classes, no qual também apresentam as
subclasses. Sua ordem se dá: z Generalia (1 Universe of Knowledge; 2 Library
Science; 3 Book science; 4 Journalism), B Mathematics (B2 Algebra), C Physics, D
Engineering, E Chemistry, F Technology, G Biology, H Geology (HX Mining), I
Botany, J Agriculture (J1 Horticulture; J2 Feed; J3 Food; J4 Stimulant; J5 Oil; J6
Drug; J7 Fabric; J8 Dye), K Zoology (KZ Animal Husbandry), L Medicine (LZ3
Pharmacology, LZ5 Pharmacopoeia), M Useful arts (M7 Textiles [material]:[work]), Δ
Spiritual experience and mysticism [religion],[entity]:[problem], N Fine arts (ND
Sculpture; NN Engraving; NQ Painting; NR Music), O Literature, P Linguistics, Q
Religion, R Philosophy, S Psychology, T Education, U Geography, V History, W
Political science, X Economics, Y Sociology (YZ Social Work), Z Law.

211

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Este tipo de sistema faceta passa a ser estruturado para novos sistemas ou
utiliza parte de seu referencial, como o caso dos sistemas de ontologias, que integram
indíviduos (que são os objetos básicos), as classes (tipos de objetos, coleções,
conjuntos) que também determinam duas subclasses, os atributos (parte dos objetos
e suas funções de compartilhamento) e os relacionamentos.
Todas estas funções são representadas nos sistemas de classificação de
Ranganathan, onde o mesmo se apropria do devices visando representar conceitos
para o nível teórico, dando suporte para as facetas, as aplicações ontologicas e para
qualquer sistema matemático de recuperação inteligente da informação.
Ranganathan também idealiza os objetivos do catálogo tendo por base a visão
de atrelar todo o processo pelas leis da Biblioteconomia, mencionada anteriormente
com a função para o processo informacional.
Segundo ele, o catálogo da biblioteca deveria passar por uma projeção
sustentada em que as pessoas podessem ter suas informações; também o inverso que
cada informação precisa ter usuários; visando facilitar para que os mesmos não
percam tempo na busca informacional, facilitando assim também o tempo da equipe
de profissionais da informação. Todas estas funções são relevantes porque a
tendência é uma demanda maior de conteúdos informacionais, visto que a
informação é um organismo crescente e que não é imutável.
Esta sistematização da informação para a catalogação é baseada a partir da
integração com o sistema de classsificação, tendo o foco de agrupar a organização da
informação para as áreas mais técnicas, coisa que até então não eram tão enfocadas.
Para estabelecer as terminologias e aplicá-las de formas estrutural para sua
busca exaustiva, Ranganathan determina a terminologia fundamentada em: Assunto;
Disciplina básica; Termo Isolado ou de menor expressão; as Facetas com o foco, o
Kernel e o Term Kernel (que é o tema básico ou isolado de um sujeito); Esquema de
classes; a Entrada Principal com o índice de entrada, entrada específica de assunto e
o ponto de entrada da descrição, e; a Análise facetada, preocupando-se com a
determinação do número de classe, o serviço de referência e a determinação do
assunto apropriado para o processo descritivo.
O dado curioso de todas as atribuições para a CI tenham a matemática como
ponto básico para a geração de um sistema de classificação, de catalogos, de estudo
de usuários e de gestão informacional.

212

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Visto as contribuições de Ranganathan para o desenvolvimento da Ciência da
Informação, acreditamos que a desconhecida, porém uma das mais relevantes é a
criação dos estudos métricos aplicados na unidade de informação (biblioteca),
apropriando algo parecido com a visão de Paul Otlet, entretanto com a especificidade
do controle informacional, da gestão informacional e da referenciação dos
documentos.

CONSIDERAÇÕES
Contemplando toda a discussão, é relevante mencionar-se que a CI é uma área
agregadora e geradora e que procura visões aplicadas para a consolidação de novos
cenários. Assim, independente da estrutura que venha a ser adota para Ciência da
Informação existem aspectos únicos e que foram essenciais para o seu
desenvolvimento, (i) como o entorno referente aos processos de linguagens e
representação temática, (ii) o processo de comunicação e representação descritiva,
(iii) a gestão da informação e do seu processo, (iv) as tecnologias.
As contribuições de Ranganathan para os estudos métricos são relevantes no
que tange a sua aplicação para medir: o tamanho ótimo de uma coleção, a circulação
por meio da coleção ou fundo, a circulação por meio de documentos, a demanda por
meio de satisfação do fundo ou a coleção, títulos de maior circulação, a eficiência
geral do fundo ou coleção em função do empréstimo, a probabilidade da existência de
um título em um fundo ou coleção de estar disponível no momento de sua demanda,
e a estimativa da circulação informacional.
Esses são exemplos de estudos métricos aplicados a unidades de informação.
Sendo sua maior relevância quando a sua aplicabilidade serve a (i) gestão de recursos
contextualizados; e (ii) aos fluxos informacionais da tomada de decisão. Na primeira
concepção temos os inputs administrativos, seja em termos de profissionais como nos
recursos financeiros. Controle de atividades por tempo executado, controle de gastos,
tabelas de progressos por atividades desenvolvidas.
Na

segunda

concepção

temos

as

atividades

atreladas

à

bibliografia/documentação. Se imaginarmos instituições públicas, visualizaremos
suas aplicabilidades no desenvolvimento das coleções, estudos de usuários, influência
informacional, acessibilidade informacional, visibilidade e representação do

213

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

conhecimento destinado ao seu público alvo, bem como tendência e demandas
previstas.
Assim os estudos métricos aplicados a unidades de informação referem-se a
proporcionar uma maior visibilidade a unidade de informação, a qual podemos
realizar inferências e constatar dados substanciais para saber onde investir, quais
serviços são imediatos, quais são seus tipos de usuários, como adequar o espaço físico
para maior controle bibliográfico/documental e, inclusive, para saber quais
informações são mais utilizados para sofrer um processo de disponibilidade digital.

REFERÊNCIAS
ALMIND, T.; INGWERSEN, P. Informetric analyses on the World Wide Web: methodological
approaches to "webmetrics". Journal of Documentation, v. 53, n. 4, p. 404-26, 1997.
BORKO, H. Information Science: What is it? American Documentation, v.19, n.1, p.3-5,
Jan. 1968. (Tradução Livre). Disponível em:
&lt;http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/164799/mod_resource/content/1/BORKO_In
formation%20science%20what%20is%20it%20.pdf&gt;. Acesso em: 28 mar. 2015.
BRAUN, T.; GLÄNZEL, W. United Germany: the new scientific superpower.
Scientometrics, v. 19, n. 5-6, p. 513-521, 1990.
BUCKLAND, M. K. Information as thing. Journal of the American Society of
Information Science, v. 42, n. 5, p. 351-360, 1991.
BUSH, V. As we may think. The Atlantic, n. julho, p. 101-108, 1945.
DURANTI, L.; MACNEIL, H. The protection of the integrity of electronic records: an
overview of the UBC-MAS Research Project. Archivaria, n. 42, p. 46-67, 1996.
EYSENBACH, G. The open access advantage. Journal of Medical Internet Research, v.
8, n. 2, p. 8, 2006.
FONSECA, E. N. Bibliometria: teoria e prática. São Paulo: Editora USP, 1986.
GARFIELD, E.; PUDOVKIN, A. I.; ISTOMIN, V. S. Algorithmic citationlinked historiography:
mapping the literature of science. In: Annual Meeting of ASIS&amp;T 2002. 65., 2002,
Philadelphia, PA. Information, Connections and Community. Philadelphia, PA.: ASIS&amp;T,
2002.
GORBEA PORTAL, S. Principios teóricos y metodológicos de los estudios métricos de la
información. Investigación Bibliotecológica, v. 9, n. 17, p. 23-321994.
GORBEA PORTAL, S. Modelo teórico para el estudio métrico de la información
documental. Gijón: Ediciones TREA, 2005.
KATZ, J. S.; HICKS, D. Desktop Scientometrics. Scientometrics, v. 38, n. 1, p. 141-153,
1997.

214

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

MIKHAILOV, A.I.; CHERNYL, A.I.; GILYAREVSKII, R.S. Informatika: novoe nazvanie teorii
nauenoj informacii. Naucno Techniceskja Informacija, n. 12, p. 35-39, 1966.
MOCHÓN BEZARES, G.; SORLI ROJO, Á. Tesauros em acceso aberto em Internet: um
análisis cuantitativo. Revista Española de Documentación Científica, v. 33, n. 5, p.
643-663, 2010.
MUGNAINI, R. Caminhos para adequação da avaliação da produção científica
brasileira: impacto nacional versus internacional. São Paulo, 2006. 253f. Tese
(Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Comunicações e Artes. Universidade de
São Paulo.
NACKE, O. Informetrie: eine neuer Name für eine neue Disziplin. Nachrichten für
Documentation, v. 30, n. 6, p. 219-226, 1979.
NALIMOV, V.V.; MUL'CHENKO, Z. M. Naukometriya, the study of the development
of science as an information process. Moscow: Nauka, 1969.
NCBI. PubMed. Bethesda: National Center for Biotechnology Information /National Library
of Medicine, 2012. Disponível em: &lt;http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed&gt;. Acesso em: 21
jun. 2016.
ORTEGA, C. D. A documentação como uma das origens da Ciência da Informação e base
fértil para sua fundamentação. Brazilian Journal of Information Science, v. 3, n. 1, p.
3-35, 2009.
OTLET, P. Traité de documentation: le livre sur le livre: théorie et pratique.
Bruxelles: Mundaneum, 1934.
PINTO, A. L. et al. Alguns métodos estatísticos voltados às unidades de informação. Biblios,
v. 5, n. 46, p. 1-13, 2012.
PINTO, A. L. Arquivometria. Ágora, v. 21, n. 42, p. 59-69, 2011.
PRICE, D. J. Networks of Scientific papers. Science, v. 149, p. 510-515, July 1965.
PRITCHARD, A. Statistical bibliography or biblimetrics. Journal of Documentation, v.
25, n. 4, p. 348-349, 1969.
PUC-MINAS. Tesauro em Ciência da Informação. Belo Horizonte: PUC-Minas –
UFMG, 2016.
RANGANATHAN, S. R. Librametry and its scope. In: DRTC Seminar, Bangalore, 1969.
Bangalore: [s. n.], 1969.
RANGANATHAN, S.R. Classification and Communciation. Delhi: University of Delhi,
1951.
RANGANATHAN, S.R. Classified Catalogue Code. Séries 4. Madras: The Madras Library
Association, 1934.
RANGANATHAN, S.R. Colon classification. Madras: The Madras Library Association,
1933.
RANGANATHAN, S.R. Elements of Library Classification. Poona: N.K. Publishing
House, 1945.

215

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

RANGANATHAN, S.R. Headings and Canons: Comparative study of five catalogue code.
Ann Arbor: Univesidade de Michigan, 1955.
RANGANATHAN, S.R. Preface to Library Science. Delhi: University of Delhi, 1948.
RANGANATHAN, S.R. Prolegmena to Library Classification. Séries 6. Madras: The
Madras Library Association, 1937.
RANGANATHAN, S.R. The five laws of library science. Madras: The Madras Library
Association, 1931.
RANGANATHAN, S.R. Theory of Library Catalogue. Madras: The Madras Library
Association, 1938.
ROUSSEAU, R. Ronald Rousseau: Homepage. 200?. Disponível em:
&lt;http://users.pandora.be/ronald.rousseau/html/timeline_of_bibliometrics.html&gt;. Acesso
em: 21 jun. 2016.
SHERA, J.H. Of Librarianship, Documentation and Information Science. Unesco Bulletin
for Libraries, v. 22, n. 2, p. 58-65, 1968.
WATANABE, C.; TSUJI, Y. S.; GRIFFY-BROWN, C. Patent statistics: deciphering a 'real'
versus a 'pseudo' proxy of innovation. Technovation, v. 21, n. 12, p. 783-790, 2001.
WHITE, H. D.; McCAIN, K. W. Bibliometrics. Annual Review of Information Science
and Technology, v. 24, p. 119-186, 1989.

216

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

SOBRE OS AUTORES

Adilson Luiz Pinto
Professor do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de
Santa
Catarina
(Graduação
em
Biblioteconomia
e
Arquivologia
e
Mestrado/Doutorado em Ciência da Informação), Orientador de Mestrado e
Doutorado; Graduado em Biblioteconomia pela PUC-Campinas (2000), Mestre em
Ciência da Informação pela PUC-Campinas (2004); Doutor em Documentação pela
Universidad Carlos III de Madrid (2007) e Pós-doutorado no laboratório IRSIC
(EA4262) - Aix Marseille Université.
Alexandre Ribas Semeler
Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) (2006). Mestrado em Comunicação e Informação pela UFRGS (2010).
Doutorando em Ciência da Informação na Universidade Federal de Santa Catarina.
Atualmente é Bibliotecário Documentalista e Gerente de Rede do Instituto de
Geociências da UFRGS atuando como pesquisador em projetos de pesquisa e
extensão na UFRGS.
Ana Clara Cândido
É doutora em Avaliação de Tecnologia. Professora do Departamento de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
Carlos Alberto Ávila Araújo
Diretor da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas
Gerais. Pós-doutor pela Universidade do Porto, doutor em Ciência da Informação
pela UFMG. Líder da linha de pesquisa Informação, Cultura e Sociedade do Programa
de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG (PPGCI/UFMG).
Carolina Fraga
Graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade de Brasília
(UNB), 2010, e especialista em CRM pelo SENAC, 2015. Treinadora sênior da EBSCO
Information Services.
Claudio Marcondes de Castro Filho
Professor em regime de dedicação exclusiva da Universidade de São Paulo, Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Curso de Biblioteconomia, Ciências
da Informação e da Documentação. Doutor e mestre em Ciência da Informação pela
Universidade de São Paulo. Graduado em Comunicação Social pela Faculdade
Anhembi Morumbi e em Biblioteconomia pela Fundação Escola de Sociologia e
Política de São Paulo.
Deise Maria Antonio Sabbag
Professora em regime de dedicação exclusiva da Universidade de São Paulo,
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Curso de
Biblioteconomia, Ciências da Informação e da Documentação. Doutora e mestre em
Ciência da Informação pela Universidade do Estadual Paulista "Júlio de Mesquita
Filho", Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília. Graduada em Biblioteconomia
pela UNESP/ Marília.

217

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Elaine Rosangela de Oliveira Lucas (Organizadora)
Professora Adjunta da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.
Atualmente é Professora Permanente no Programa de Pós-Graduação em Gestão da
Informação (PPGInfo) e do Departamento de Biblioteconomia (DBI). Doutora pelo
Programa de Pós-Graduação em Ciência da informação da USP com estágio
sanduíche na Universidad Carlos III de Madrid (UC3M). Possui Mestrado em
Engenharia de Produção (2001) e Graduação em Biblioteconomia (1997), ambas pela
Universidade Federal de Santa Catarina.
Elisa Cristina Delfini Corrêa (Organizadora)
Graduada em Biblioteconomia pela Universidade do Estado de Santa Catarina (1995),
mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999) e
doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008).
Atualmente é professora adjunta da Universidade do Estado de Santa Catarina e
docente do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação (PPGInfo) da
UDESC.
Fabio Assis Pinho
Professor Adjunto no Departamento de Ciência da Informação da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE). Atua nos cursos de Graduação em Biblioteconomia,
Gestão da Informação e no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
da UFPE.
Fernanda Maria Melo Alves
Realizou estágios pós-doutorais na Guiné Bissau e Brasil. É doutora em
Documentação pela Universidad Carlos III de Madrid, pós-graduada em Ciências
Documentais pela Universidade Autónoma de Lisboa, em Ciências da Educação pela
Universidade Aberta de Lisboa e Licenciada em Filologia Românica pela
Universidade de Lisboa. Integrou-se em 1998 no Departamento de Biblioteconomía y
Documentación da Universidad Carlos III de Madrid (UC3M), como investigadora,
mais tarde, docente e coordenadora de projectos de cooperação internacional do
Grupo Cooperación Universitaria para la Información, Documentación, Enseñanza y
Aprendizaje (CUIDEA). É colaboradora da UNESCO na área de Information Literacy,
avaliadora externa de projetos internacionais da UE e tradutora.
Gisela Eggert-Steindel (Organizadora)
Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP 2005), mestre em
Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais, especialista em
Informação Industrial pela Universidade Federal de Santa Catarina na qual também
graduou-se em Biblioteconomia e Documentação. Professora no Centro de Ciências
Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
desde 1993, ministra aulas na graduação e desde 2007 atua no Programa de PósGraduação em Educação (DPED/FAED) e a partir de 2013 no Programa de PósGraduação em Gestão da Informação (PPGInfo/FAED).
Gustavo Silva Saldanha
Pesquisador Adjunto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT) e também Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro (UNIRIO). Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal
de Minas Gerais (2006), especialização em Filosofia Medieval pela Faculdade São
Bento do Rio de Janeiro (2010), mestrado em Ciência da Informação pela
Universidade Federal de Minas Gerais (2008), doutorado em Ciência da Informação

218

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em
convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Hagar Espanha Gomes
Mestre e Livre Docente. Atualmente consultora para área Classificação e Taxonomia.
Sua área de interesse e estudo está voltada para as raízes históricas e teóricas da
Classificação e da Terminologia.
Iuri Rocio Franco Rizzi
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal Fluminense (PPGCI/UFF). Professor Assistente no Curso de
Biblioteconomia do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes da
Universidade Federal de Alagoas (ICHCA/UFAL). Mestre em Ciência da Informação
(UNESP), Especialista em Antropologia (UFAL) e Bacharel em Biblioteconomia e
Ciência da Informação (UFSCar).
Jorge Moisés Kroll do Prado
Doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina,
Mestre em Gestão de Unidades de Informação e Bacharel em Biblioteconomia pela
Universidade do Estado de Santa Catarina. Coordena a Rede de Bibliotecas do Senac
Santa Catarina e é Information Coordinator para o Comitê Permanente da América
Latina e Caribe da IFLA.
Lígia Maria Arruda Café
Professora do Departamento de Ciência da Informação e do Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina.
Doutora em Linguística, a autora atua nas áreas de organização e representação do
conhecimento e da informação com ênfase na Linguística e Terminologia.
Luc Quoniam
Livre Docente em Ciências da Informação e da Comunicação na Université Aix
Marseille III (1996). Doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação Université Aix Marseille III (1988). Mestrado em Oceanologia - Université Aix
Marseille II (1985). Graduação em Océanologie - Université Aix Marseille III (1984).
Graduação em Química Analítica e Proteção do Meio Ambiente - Université Aix
Marseille III (1981). Professor Visitante da Universidade Nove de Julho (UNINOVE)
no Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGA. Pesquisador da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) no Programa de Pós-Graduação em
Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS.
Luciane Paula Vital
Professora Assistente no Departamento de Ciência da Informação da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua nos cursos de Graduação em
Biblioteconomia e Arquivologia. Atualmente é doutoranda no Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da UFSC.
Maria Luiza de Almeida Campos
Doutora em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro em Informação Científica
e Tecnológica - IBICT/UFRJ. Professora Associada do Departamento de Ciência da
Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal Fluminense. Possui atividades de ensino e pesquisa na área de
Organização e Recuperação da Informação.

219

�As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia

Márcio Bezerra da Silva
Doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia. Mestre
em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (2011). Graduação
em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (2006). Tecnólogo em
Processamento de Dados pela Escola Técnica Virgínia Patrick-RJ (1996). Professor da
Faculdade de Ciência da Informação (FCI) da Universidade de Brasília (UnB).
Paula Carina de Araújo
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), mestre em Ciência,
Gestão e Tecnologia da Informação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e
graduada em Biblioteconomia com Habilitação em Gestão da Informação pela
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). É docente do Curso de
Biblioteconomia a distância da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e bibliotecária
na Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
do Paraná (UFPR).
Rodrigo de Sales
Professor do Departamento de Ciência da Informação e do Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense. Doutor
pela Universidade Estadual Paulista e Mestre pela Universidade Federal de Santa
Catarina, ambos em Ciência da Informação.
Rosali Fernandez de Souza
Pesquisadora titular do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT). Professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do
IBICT em convênio de associação ampla com a Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). Graduação em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade
Santa Úrsula (USU) e Especialização em Documentação Científica pelo IBICT.
Mestrado em Ciência da Informação IBICT- UFRJ e doutorado pela Polytechnic of
North London / Council for National Academic Awards (CNAA) Inglaterra.
Sonali Paula Molin Bedin
Mestre em Ciência da Informação. Professora do Departamento de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Área de Gestão da
Informação e Arquivologia.
William Barbosa Vianna
Doutor em Engenharia de Produção. Professor do Departamento de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC. Área de Gestão da
Informação.
Zeny Duarte de Miranda
Pós-doutora pela Universidade do Porto, Portugal. Doutora em letras e Graduada em
Biblioteconomia e documentação pela UFBA Professora da UFBA, orientadora de
doutorado, mestrado e monografia de graduação. Atual coordenadora do mestrado e
doutorado em Ciência da Informação PPGCI/UFBA.

220

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20026">
                <text>As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e desafios</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20027">
                <text>Biblioteconomia.&#13;
Ranganathan, S. R. (Shiyali Ramamrita)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20028">
                <text>Que bibliotecário brasileiro não ouviu falar sobre Ranganathan? Acredito que nenhum. Escrever sobre quem é considerado o pai da Biblioteconomia indiana é sempre uma missão difícil. Mas as organizadoras dessa obra quiseram esse desafio e contaram com a parceria de outros colegas que escreveram sobre diversos aspectos da obra de Ranganathan. Como é sabido, Ranganathan deixou suas cinco leis. Elas são diretas, sua mensagem é clara e muito objetiva: “livros são para usar, a cada leitor seu livro, a cada livro seu leitor, poupe o tempo do leitor e a Biblioteca é um organismo em crescimento”. Mas o que isso tem a ver com o mundo de hoje? Essas leis ainda continuam sendo aplicáveis no nosso contexto, na sociedade líquida que vivemos? Podemos pensar em outros modos de classificar nossos estoques de informações? Para que e para quem realmente classificamos nossas coleções? Elas de fato facilitam o acesso às coleções? Como fazer para que as bibliotecas sejam duráveis, perpassando o tempo, mas sem perder a condição de organismos dinâmicos que possam atender às demandas da complexa sociedade? Com a leitura desses textos, poderemos refletir sobras as respostas a estas perguntas e formular novos questionamentos. Também será possível conhecer um pouco mais sobre esse filósofo da Biblioteconomia e seu legado, que suscitou e suscita estudos e reflexões. Estudos esses, à luz de outras disciplinas, como o Marketing, que contribuem com o “core” da nossa Biblioteconomia e Ciência da Informação e por que não dizer, podem auxiliar outras áreas irmãs como a Museologia e Arquivologia. As organizadoras deste livro oferecem ao leitor um prazeroso, e diria irrecusável, convite para os bibliotecários brasileiros, pois a obra de Ranganathan, sobretudo as cinco leis, ecoam ou deveriam ecoar como mantras em nossos ouvidos; elas nos inquietam e nos colocam em permanente estado de questionamento. E aí temos que partir para a ação! O legado de Ranganathan pode ajudar em nossa caminhada em prol de uma sociedade com acesso igualitário à informação, à leitura, ao conhecimento e à cultura. Temos a certeza que as bibliotecas têm um papel preponderante neste contexto e é necessário estarmos sempre vigilantes para garantirmos as nossas conquistas e conseguirmos avançar ainda mais na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Temos a certeza que esta obra instigará os leitores e abrirá caminhos para novas leituras e releituras sobre as contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia brasileira. Vamos começar? Adriana Cybele Ferrari (Presidente da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20029">
                <text>Lucas, Elaine Rosangela de Oliveira (Org.)&#13;
Corrêa, Elisa Cristina Delfini (Org.).&#13;
Eggert-Steindel, Gisela (Org.).</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20030">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20031">
                <text>2016</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20032">
                <text>Adilson Luiz Pinto&#13;
Alexandre Ribas Semeler&#13;
Ana Clara Cândido&#13;
Carlos Alberto Ávila Araújo&#13;
Carolina Fraga&#13;
Claudio Marcondes de Castro Filho&#13;
Deise Maria Antonio Sabbag&#13;
Elaine Rosangela de Oliveira Lucas (Organizadora)&#13;
Elisa Cristina Delfini Corrêa (Organizadora)&#13;
Fabio Assis Pinho&#13;
Fernanda Maria Melo Alves&#13;
Gisela Eggert-Steindel (Organizadora)&#13;
Gustavo Silva Saldanha&#13;
Hagar Espanha Gomes&#13;
Iuri Rocio Franco Rizzi&#13;
Jorge Moisés Kroll do Prado&#13;
Lígia Maria Arruda Café&#13;
Luc Quoniam&#13;
Luciane Paula Vital&#13;
Maria Luiza de Almeida Campos&#13;
Márcio Bezerra da Silva&#13;
Paula Carina de Araújo&#13;
Rodrigo de Sales&#13;
Rosali Fernandez de Souza&#13;
Sonali Paula Molin Bedin&#13;
William Barbosa Vianna&#13;
Zeny Duarte de Miranda</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="46">
            <name>Relation</name>
            <description>A related resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20033">
                <text>As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e desafios está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. É permitida, a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio eletrônico, inclusive por processos reprográficos. A citação de trechos não requer autorização, desde que seja dado o devido crédito à fonte.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20034">
                <text>Recurso Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20036">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20037">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65902">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6259" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5322">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/54/6259/Guia_Agenda_2030.pdf</src>
        <authentication>d6628b0d7cd16dfd4c8d76ec8aa8c1fd</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="71313">
                    <text>BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

BIBLIOTECAS &amp; AGENDA 2030
Guia prático para promover ações alinhadas aos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

�Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários,
Cientistas da Informação e Instituições - FEBAB
Gestão: 2020-2023
Presidente: Jorge Moisés Kroll do Prado (SC)
Vice-Presidenta: Adriana Cybele Ferrari (SP)
Diretor Administrativo e Financeiro: Anderson de Santana (SP)
Diretor de Comunicação e Publicação: Vicente Santos (SP)
Diretor de Promoção de Eventos: Sigrid Karin Weiss Dutra (SC)
Diretor de Formação Política e Profissional: Priscila Machado Borges Sena (SC)
Diretoria Regional Centro-Oeste: Ana Catarina Cortez de Araujo (MS)
Diretoria Regional Nordeste: Marcos Paulo Viana (BA)
Diretoria Regional Norte: Jorge Luiz Cativo Alauzo (AM)
Diretoria Regional Sudeste: Adriana Maria de Souza (SP)
Conselho Fiscal: Elenise Maria de Araújo (SP), Denise Maria da Silva Batista (RJ),
Clemilda dos Santos Sousa (CE) e Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (SP)

Grupo de Trabalho
Serviço de Bibliotecas para Pessoas Vulneráveis - GT SBPV
Composição
Adriana Cybele Ferrari – Coordenadora (SP)
Ana Maria da Silva Bichara (ES)
Isadora Cristal de Souza e Silva Escalante (RJ)
Maria de Fátima M. Martins Corrêa (RJ)
Paula Stefanny Felice de Oliveira (SP)
Colaboração: Suely da Conceição Rodrigues (RJ)

Apoio: SP Leituras - Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura
Projeto gráfico e diagramação: Passarim Design&amp;Barulho
Ilustrações: Silvana Martins

�SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO

05

2. A AGENDA 2030: UM COMPROMISSO UNIVERSAL

06

3. O QUE FAZ UMA BIBLIOTECA SER PARCEIRA DA AGENDA 2030?

09

4. CAMINHANDO ATÉ 2030: SETE PASSOS PARA AS BIBLIOTECAS

10

5. �UTILIZANDO FERRAMENTAS AUXILIARES, MÍDIAS SOCIAIS E DE
CONTEÚDO: ALIADAS DE TODAS AS ETAPAS

24

6. FINALIZANDO, MAS NEM TANTO

25

REFERÊNCIAS

26

ANEXO

27

3

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

APRESENTAÇÃO
Desde 2016, quando começamos a trabalhar com a Agenda 2030, nos
deparamos com as mais variadas dúvidas acerca de como as bibliotecas
podem cooperar com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Seja
nas edições do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação,
seja em webinars, mídias sociais, traduções e nos mais variados documentos,
a FEBAB buscou sempre demonstrar que a biblioteca pode e deve ser uma
parceira estratégica da Agenda.
Nesse sentido, para contribuir e inspirar com ações e projetos que as
bibliotecas possam realizar, o Grupo de Trabalho Serviços de Bibliotecas para
Pessoas Vulneráveis preparou carinhosamente este guia que faz jus ao seu
nome: é um texto que segura em sua mão e lhe conduz por sete passos de
maneira prática, servindo como um caminho seguro para a implementação
de atividades que cooperem com este compromisso que é global.
O guia serve para qualquer biblioteca (pública, escolar, especializada,
universitária, prisional, comunitária, entre outras), pois indiferentemente à sua
tipologia, o que realmente importa é a vontade e a iniciativa de trabalhar por
um mundo melhor. As bibliotecas são capazes disso, acredite!
Bom trabalho!

Jorge Moisés Kroll do Prado
Presidente da FEBAB
Gestão 2020-2023

4

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

1 INTRODUÇÃO
Desde 2016, as bibliotecas, em todo o mundo, atenderam ao chamado da Federação
Internacional de Bibliotecas (IFLA) para serem parceiras estratégicas da Agenda 2030 e seus
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Também a Federação Brasileira de Associações
de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) vem trabalhando nesta
direção para mostrar que as bibliotecas brasileiras podem e devem juntar-se na defesa da
Agenda 2030.
Neste sentido, o Grupo de Trabalho Serviços de Biblioteca para Pessoas Vulneráveis
(GT-SBPV) da FEBAB, promoveu uma série de webinars1 relativos aos diversos diálogos e
interlocuções em torno dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)2.
No preparo desses eventos e nas discussões entre as integrantes do Grupo, nos
deparamos com a publicação “Guía para Promover la Participación Ciudadana desde las
Bibliotecas Públicas”3 publicado pelo Centro Latinoamericano para el Desarrollo Rural no
Chile. Esse material tem muita relação com o que gostaríamos de discutir com as bibliotecas.
Assim, num primeiro momento pensamos na possibilidade de obter as autorizações devidas
para traduzi-lo e disseminá-lo.
Porém, percebemos que seria mais interessante e adequado tentarmos fazer uma
publicação mais sintonizada com a nossa realidade. E, também trazer conteúdos sobre
a Agenda 2030. Nossa pretensão é que, com a leitura desse Guia, as bibliotecas possam
ter a oportunidade de refletir, e, sobretudo, colocar seus esforços para desenvolver ações
alinhadas à Agenda. O “GUIA” tem esse intuito de estimular as equipes das bibliotecas no
processo de elaboração de ações transformadoras em suas comunidades, com base na
Agenda 2030 e seus 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Acreditamos que um mundo de possibilidades se abre quando nos colocamos na defesa
de um planeta melhor para todos, todas e todes. É sobre isso que queremos falar. Vamos lá?

1. Webinars disponíveis no Canal da FEBAB: https://www.youtube.com/@FEBAB
2. �Nações Unidas Brasil. Sobre o nosso trabalho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável no Brasil. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
3. �https://www.elquintopoder.cl/wp-content/uploads/2017/04/guia_participacion_ciudadana.pdf

5

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

2 �A AGENDA 2030:
UM COMPROMISSO UNIVERSAL
A proposta da Agenda 2030 é ser “um plano de ação global para as pessoas, o planeta e
a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal” (ONU, 2015, p.1), estimulando as ações
dos países na busca pelo desenvolvimento sustentável, sendo um compromisso firmado em
2015 por todos os 193 Estados membros que compõem a Organização das Nações Unidas
(ONU), incluindo o Brasil.
A Agenda 2030 visa incentivar as organizações a tomarem medidas ousadas e
transformadoras a fim de promover o desenvolvimento sustentável a ser cumprido até o ano
de 2030 – propondo modelos de desenvolvimento nos quais

“ninguém fique para trás”.
O plano indica os 17 ODS, desdobrados em 169 metas universais relacionadas à
efetivação dos direitos humanos e promoção do desenvolvimento sustentável, que
incorporam e dão continuidade aos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a partir de
subsídios construídos na Rio + 20.
Para que os ODS sejam cumpridos, é preciso que cada país leve em frente a Agenda por
meio de políticas locais, promovendo maneiras para implementá-las em âmbito nacional.
A interligação entre esses elementos faz com que os 17 ODS sejam integrados e
indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a Econômica,
a Social e a Ambiental4, como uma lista de tarefas a serem cumpridas pelos governos,
a sociedade civil, o setor privado e todos os cidadãos na jornada coletiva para um 2030
sustentável. Ou seja, devem ser implantados em conjunto, e não de forma independente
entre si.
Os objetivos e suas metas irão estimular e apoiar ações em 5 grandes áreas de
importância crucial para a humanidade, definidas por cinco “P’s”:

Pessoas (ODS 1, 2, 3, 4, 5 e 10)
Planeta (ODS 6, 7, 12, 13, 14 e 15)
Prosperidade (ODS 8, 9 e 11)
Paz (ODS 16)
Parceria (ODS 17)

4. �Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel

6

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

MANDALA 5PS

PESSOAS

Erradicar todas as formas de
pobreza e de fome e garantir
dignidade e equidade

P

LANETA
Proteger os recursos
naturais e o clima
do nosso planeta
para as gerações
futuras

PROSPERIDADE

DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

PARCERIAS

Implementar a agenda
por meio de uma
parceria global sólida

Garantir vidas
prósperas e plenas,
em harmonia com a
natureza

Fonte: PNUD; ONU.
[Objetivos Globais da
ONU: materiais gráficos.]

PAZ
Promover sociedades pacíficas,
justas e inclusivas

E sendo um compromisso de toda a sociedade, todos os brasileiros e brasileiras podem
contribuir para um futuro mais saudável, justo e sustentável.
Conheça, a seguir, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e apoie sua
implementação!

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)

Fonte: PNUD; ONU.
[Objetivos Globais da
ONU: materiais gráficos.]

7

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DE
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?
01. �Erradicação da pobreza: acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;
02. �Fome zero: acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhoria da nutrição e promover
a agricultura sustentável;
03. �Boa saúde e bem-estar: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos,
em todas as idades;
04. �Educação de qualidade: assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades
de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos;
05. �Igualdade de gênero: alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;
06. �Água limpa e saneamento: assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para
todas e todos;
07. �Energia acessível e limpa: assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia
para todas e todos;
08. �Empreendedorismo e crescimento econômico: promover o crescimento econômico sustentado,
inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos;
09. �Indústria, Inovação e Infraestrutura: construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização
inclusiva e sustentável e fomentar a inovação;
10. �Redução das desigualdades: reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;
11. �Cidades e comunidades sustentáveis: tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros,
resilientes e sustentáveis;
12. �Consumo e produção responsáveis: assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;
13. �Combate às alterações climáticas: tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus
impactos;
14. �Vida na água: conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o
desenvolvimento sustentável;
15. �Vida sobre a terra: proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma
sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade;
16. �Paz, justiça e instituições fortes: promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas
em todos os níveis;
17. �Parcerias em prol das metas: fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o
desenvolvimento sustentável.
SAIBA MAIS
Não deixar ninguém para trás: https://www.youtube.com/watch?v=HLG6RIprRzU
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: https://www.ipea.gov.br/ods/index.html

8

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

3 �O QUE FAZ UMA BIBLIOTECA
SER PARCEIRA DA AGENDA 2030?
� ibliotecas são para as pessoas e devem acolher
B
e integrar suas comunidades.
Conhecer e assumir o compromisso com estes objetivos não é somente uma missão de
governos. Para atingir os objetivos traçados globalmente é necessário que as metas sejam
cumpridas localmente, e este trabalho se dá a partir do esforço de todas as pessoas que
habitam o planeta, por meio de pequenas ações que possuem impactos enormes. Aqui entra
a importância do alinhamento das bibliotecas com esta Agenda. As bibliotecas podem manter
uma conexão estreita com realidades locais, que podem não ser compreendidas ou passar
despercebidas por outros atores deste processo. O trabalho com estas realidades específicas,
sob a perspectiva de objetivos globais, pode fazer a diferença no cumprimento das metas
estabelecidas para alcançar os ODS.
Na prática, a ideia aqui é pensarmos conjuntamente para encontrar os melhores
caminhos para o fortalecimento das bibliotecas e a ampliação de serviços, principalmente
para as populações em vulnerabilidade.
Como ponto de partida, vamos refletir sobre a missão explicitada no Manifesto da IFLA/
UNESCO das bibliotecas públicas:

“A biblioteca pública deve ser porta de acesso local ao
conhecimento; fornece as condições básicas para uma
aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão
independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos
e dos grupos sociais.” (2022)
Quão importante é esse papel, não é mesmo?
A biblioteca recebe um público bastante diversificado e é ótimo que isto aconteça.
São crianças, jovens, adultos de diferentes classes sociais com vários níveis de formação
educacional, culturas e histórias de mundo distintas e que, por essa razão, possuem
percepções diferenciadas das bibliotecas. Neste sentido, precisamos compreender que a
promoção de seus serviços necessita de um olhar atento à comunidade que frequenta ou
deveria frequentar seus espaços.
Como e por que conhecer o público da biblioteca é fundamental?
Para que a biblioteca possa contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas,
deverá planejar melhor seus produtos e serviços. Quanto mais a biblioteca conhecer sua
comunidade, maiores serão as chances de fazer parte da vida das pessoas, sem desperdício
de tempo e recursos.

9

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Se o que queremos, de fato, é oferecer serviços para melhorar a qualidade de vida
das pessoas e sermos parceiros da Agenda 2030, é urgente começar. Afinal uma vida com
educação, equidade de gênero, igualdade e paz é direito humano!
A primeira coisa importante a considerar é que devemos sempre “caminhar juntos” com
outras pessoas que acreditam que as bibliotecas podem atuar na rede de proteção e defesa dos
direitos humanos. Você também acredita que a união de esforços faz chegar mais longe?
Você encontrará na FEBAB profissionais engajados na promoção da Agenda 2030. Que
tal se juntar a eles?
Para conhecer melhor o trabalho da FEBAB em cada uma de suas vertentes, é só acessar o
link e navegar: https://febab.org/.
Fortaleça o movimento associativo brasileiro contribuindo com sua “expertise”, aprendendo
e trocando experiências, e ainda poderá usufruir de benefícios exclusivos oferecidos pela
FEBAB, em conjunto com suas Associações Membros. Confira AQUI e filie-se!

4 �CAMINHANDO ATÉ 2030:
SETE PASSOS PARA AS BIBLIOTECAS

Para auxiliar nesta caminhada, apresentaremos aqui 7 passos para promover maior
envolvimento das bibliotecas com suas comunidades e, assim, planejar, aprimorar e melhorar
seus produtos e serviços.

10

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Esses passos foram livremente adaptados do “Guía para Promover la Participación
Ciudadana desde las Bibliotecas Públicas”5, uma ferramenta para gerar estratégias
participativas de desenvolvimento local nos territórios onde as bibliotecas estão situadas.
É claro que promover a integração com a comunidade é uma tarefa complexa e exige
conhecimento. Porém, pensamos que apresentar os passos de forma bastante sintética
poderá fazer com que você se interesse pelo assunto e busque se aprofundar. O mais
importante neste momento é pensar, refletir e, principalmente, conhecer a comunidade a
qual está inserida, enxergar suas potencialidades e também identificar as competências e
habilidades existentes na equipe da biblioteca.
Nos 7 passos adaptados, você vai encontrar desafios e oportunidades para serem
exploradas.
O primeiro passo compreende o autodiagnóstico da sua equipe.
O segundo identifica a agenda local.
O terceiro (re)conhece pessoas e organizações relevantes no seu território.
O quarto mapeia a dinâmica municipal e as principais oportunidades de colaboração.
O quinto trata da elaboração do projeto.
O sexto estabelece novos vínculos com a comunidade.
E, por fim, o sétimo propõe a avaliação da experiência.
Vamos nos aprofundar em cada passo?

PASSO 1 - Conhecendo e reconhecendo: AUTODIAGNÓSTICO DA EQUIPE
Antes de iniciar um projeto, é preciso olhar para nós mesmos e fazer um exercício de
autodiagnóstico. A equipe encarregada de impulsionar uma iniciativa precisa identificar seus
pontos fortes e fracos, e os que precisam ser melhorados, ou seja, aqueles que favorecem ou
prejudicam a equipe e/ou biblioteca. Esse passo tem um motivo: transformar pontos fracos em
pontos fortes exige esforço e nos dá forças para enfrentar barreiras que devem ser rompidas.
Para uma descrição correta, é necessário entender o que representa cada ponto:
�PONTOS FORTES: são as características positivas de destaque que favorecem o
cumprimento de seu propósito;
�PONTOS FRACOS: são as características negativas, os pontos que apresentam falhas e
prejudicam o cumprimento de seu propósito.

5. �https://www.elquintopoder.cl/wp-content/uploads/2017/04/guia_participacion_ciudadana.pdf

11

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Em seguida, um aspecto muito importante para analisar nesse exercício com a equipe é o
grau de conhecimentos/habilidades em relação às tecnologias de informação e comunicação
(TICs), incluindo a relevância das redes sociais. Isto porque não conseguimos conceber
qualquer projeto sem termos as tecnologias como aliadas da biblioteca.
As questões nesta etapa são:
O que sabemos sobre a Agenda 2030?
Com que pessoas, organizações e instituições a biblioteca se relaciona?
Como usamos as TICs e as redes sociais?
Que experiências ou projetos foram realizados em relação a essa temática?
O que falta conhecer? Que capacidade devemos fortalecer na equipe?
Para isso, pode ser utilizada uma versão simplificada da metodologia SWOT6, dando
ênfase apenas nos pontos fracos e fortes, aplicada a cada membro da equipe e, em seguida,
uma análise em conjunto.
a) Em primeiro lugar, cada membro da equipe deve identificar seus pontos fortes e fracos.
b Em seguida, cada um deve compartilhar com o grupo.
c) F
� inalmente, some/junte as autoavaliações, analise as competências e conhecimentos
(pontos fortes) e onde há necessidade de capacitação (pontos fracos).

6. �O termo SWOT é a abreviação das palavras em inglês: Strengths (Forças), Weaknesses
(Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças).

12

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

COMO FAZER?
Utilize a tabela abaixo para guiar o exercício:

AUTOAVALIAÇÃO DA EQUIPE: ANÁLISES DOS PONTOS FORTES E FRACOS
NOME DO INTEGRANTE DA EQUIPE:
CONHECIMENTOS/HABILIDADES

PONTOS FORTES

PONTOS FRACOS

Agenda 2030
Vínculo com a comunidade
Vínculo com o município
Domínio de pacote office/libre office
Criação e desenvolvimento de páginas
na internet, blog ou redes sociais
Pesquisa e busca de informações
em diversas fontes e suportes
Descreva outras habilidades e/ou competências que considera importantes para o projeto:

Com o material da reflexão anterior em mãos, pense como transformar os pontos fracos
em pontos fortes, como cada um impacta no que você quer desenvolver e entender o que
deseja priorizar.
Como fazer isso? Podemos promover um treinamento específico com a equipe ou incluir
outros atores ao projeto que forneçam essas habilidades. Esse exercício é muito importante
para que a biblioteca tenha em mente qual a sua real capacidade de promover um serviço
ou projeto. Desta forma, identificará se necessita contar com outras competências para que
possa promover ações de treinamento com sua equipe e/ou alinhar a outros parceiros que
tragam esses saberes.
Além do autodiagnóstico da equipe, é importante fazer também uma análise das
instalações físicas e dos equipamentos da biblioteca, ou seja, infraestrutura, existência de
computadores, conexões com a internet etc.

13

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

PASSO 2 - �Identificando a agenda local: AS QUESTÕES QUE IMPORTAM
NO TERRITÓRIO
É importante que a biblioteca obtenha informações para saber os assuntos em pauta na
comunidade. Isso é chamado de “agenda local”.
Identifique os tópicos de interesse do território para compreender a agenda local e
reconhecer áreas onde a biblioteca poderia se envolver. Para entender os tópicos/assuntos de
interesse no território, podemos focar três espaços:
A) Agenda do governo local;
B) Agenda da mídia de comunicação local;
C) Preocupações e questões de interesse da população (LABBÉ, UYUSIC, 2017).
Discutiremos sobre cada espaço mencionado, cuja reunião de informações trarão
entendimento sobre a “agenda local”:
A) AGENDA DO GOVERNO LOCAL - são os planos do governo ou prioridades estratégicas
da prefeitura e planos de desenvolvimento do território.

Conheça o Plano Plurianual (PPA) do seu município e Estado:
O PPA é o instrumento de planejamento governamental de médio prazo que
estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da Administração Pública,
organizados em programas e estruturados em ações que resultem em bens e serviços para
a população. O PPA tem duração de quatro anos, começando no início do segundo ano do
mandato do chefe do Poder Executivo e terminando no fim do primeiro ano de seu sucessor,
de modo que haja continuidade do processo de planejamento.

Onde encontrar essas informações?
Acesse o site da sua prefeitura/estado, assim como o Portal da Transparência (contas
públicas) do seu Município/Estado. Lá, você encontrará os planos do governo ou prioridades
estratégicas do prefeito/governador. Em seguida, liste as questões prioritárias da agenda do
governo local e os tópicos priorizados, classificando os que têm maior destaque.

LISTA DE QUESTÕES PRIORITÁRIAS NA AGENDA DO GOVERNO LOCAL
(EXEMPLO FICTÍCIO)
ORDEM DE PRIORIDADE

PLANO GOVERNAMENTAL - PPA

1

Segurança

2

Saúde

3

Trabalho

Fonte: Adaptado de Fundación Democracia y Desarrollo (FDD)7
7. �https://www.fdd.cl/2017/04/04/guia-para-promover-la-participacion-ciudadana-desde-lasbibliotecas-publicas.

14

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

B) AGENDA DA MÍDIA LOCAL
Fique atento/atenta aos destaques da mídia:
Imprensa escrita: verifique as primeiras páginas dos jornais e liste os tópicos apresentados
neles, classificando-os de acordo com a categoria (por exemplo: violência, emprego, turismo,
esporte, transporte, juventude, pobreza, habitação, cultura, vacinação, saúde, entre outros). As
categorias que possuem o maior número de tópicos nos editoriais descreverão a agenda local
para aquele período.
Rádio: conversar com a equipe que costuma ouvir o rádio local diariamente, indagando
quais assuntos são tratados.
Podcasts: pesquisar nas plataformas digitais de streaming (p. ex.: Spotify, Soundcloud,
Deezer, Anchor etc.) assuntos relacionados com a agenda local.
Mídia eletrônica: verificar as publicações em jornais eletrônicos ou blogs que também
podem indicar questões de interesse no território. Criar alertas em buscadores de pesquisa para
monitorar conteúdo do território na web.
Faça uma lista com os tópicos priorizados e tente classificar os que têm maior destaque,
assim saberemos os temas recorrentes na mídia local.

LISTA DE TEMAS NA AGENDA DA MÍDIA
(EXEMPLO FICTÍCIO)
ORDEM DE
PRIORIDADE

IMPRENSA
ESCRITA

RÁDIO
LOCAL

MÍDIA
ELETRÔNICA

1

Violência

Trabalho

Violência

2

Pobreza

Violência

Educação

3

Trabalho

Pobreza

Sexualidade

Fonte: Adaptado de Fundación Democracia y Desarrollo (FDD)8
A compilação dessas informações é extremamente importante, pois esses assuntos muito
provavelmente estarão relacionados a um ou mais “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”
(ODS) e, com isso, a biblioteca já poderá pensar em ações futuras que podem ser desenvolvidas
para contribuir com esses temas.
C) PREOCUPAÇÕES E QUESTÕES DE INTERESSE DA POPULAÇÃO
Podemos criar canais de escuta para conhecer o público que já frequenta a biblioteca e o
potencial (aqueles que devemos atrair). Temos algumas formas de identificar as questões de
interesse e demandas da comunidade. Apresentamos aqui algumas possibilidades:

8. h
� ttps://www.fdd.cl/2017/04/04/guia-para-promover-la-participacion-ciudadana-desde-lasbibliotecas-publicas

15

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Caixa de Sugestões - Pode ser instalada na biblioteca, possibilitando que os usuários
coloquem seus principais tópicos de interesse ou preocupações. Porém, é importante
estimular que as pessoas falem não apenas sobre as questões culturais dos programas e
projetos da biblioteca, mas sobre os assuntos da comunidade como um todo.
Questionários – Podem ser elaborados questionários para serem entregues entre os
frequentadores da biblioteca, como também podem ser distribuídos nos centros de saúde,
escolas, igrejas ou em locais frequentados (praça principal ou feiras), e, também, por meio de
plataformas online. Para isso, podemos utilizar o Facebook ou o Google docs ou ferramentas
do SurveyMonkey.
Diálogos participativos - Podem ser realizados com a comunidade, convidando para
uma reunião a fim de coletar suas necessidades e problemas de interesse.

DICA
Você pode utilizar a ferramenta CANVA para fazer seus convites digitais.
Saiba mais aqui: https://www.canva.com/pt_br/criar/cartao/convites/

Escuta ativa - Estar sempre atento às conversas em que os frequentadores manifestam
seus interesses, desejos, comentários de pautas, entre outros. O ideal para fazer essa “coleta”
é segmentar por faixa etária e/ou grupos (gênero, localidade, entre outros).
Agora, é hora de sistematizar as informações que dispuser numa planilha de Excel, ou em
outro programa. Desta forma, teremos um panorama de temas de interesse da população.

LISTA DE QUESTÕES/ PREOCUPAÇÕES DA COMUNIDADE
(EXEMPLO FICTÍCIO)
ORDEM DE
PRIORIDADE

JOVENS

ADULTOS

IDOSOS

1

Trabalho

Trabalho

Pobreza

2

Educação

Violência

Aposentadoria

3

Sexualidade

Pobreza

Família

Fonte: Adaptado de Fundación Democracia y Desarrollo (FDD)9

9. �https://www.fdd.cl/2017/04/04/guia-para-promover-la-participacion-ciudadana-desde-lasbibliotecas-publicas

16

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Para finalizar, deverão ser revistos os resultados das três áreas exploradas e realizado
um exercício de identificação de coincidências, destacando os temas que se repetem nas
áreas (agenda local do governo, meios de comunicação e opinião da população consultada).
Uma vez identificadas as questões que importam no território, a equipe da biblioteca poderá
desenvolver uma iniciativa que esteja alinhada a tais questões.

SAIBA MAIS
Para tabular dados:
Google Planilhas (Gratuito - basta ter uma conta no Google)
LibreOffice (Gratuito)
Microsoft Excel (Pago)

PASSO 3 - CONHECENDO OS ATORES RELEVANTES DO TERRITÓRIO
Cada biblioteca deve procurar estabelecer uma relação com seu entorno (pessoas,
instituições, organizações, comércio, etc). É importante perceber que cada lugar tem sua
história e particularidades. Neste passo, o desafio é a biblioteca (re)conhecer melhor esse
território com um olhar atento.
A biblioteca poderá identificar atores estratégicos para fazer parcerias e ao mesmo
tempo, mapear aqueles que serão mais resistentes aos objetivos centrais do projeto, além de
conhecer as pessoas relevantes no território para a construção de redes, geração de parcerias,
considerando o objetivo do projeto/iniciativa que se pretende realizar.
Alguns exemplos para auxiliar no mapeamento:
Organizações e Instituições: Universidades, Faculdades, Escolas, CRAS, CREAS, CAPS,
Hospitais, Clínicas, Conselhos, Defensoria Pública, entre outros.
Secretarias e Departamentos ligados ao Poder Público (p. ex. Secretaria da Cultura,
Educação, Saúde etc.).
Organizações da Sociedade Civil Organizada (ONGs, OSCIPS, Associações, Coletivos,
Movimentos Sociais, Academias Municipais/Estaduais de Letras etc.).
Comércio local, rádios comunitárias, profissionais da saúde, educação, assistência
social, instituições/entidades religiosas, entre outros.
Elabore uma lista, a partir da identificação dos atores, colete a forma de contato
preferencial e o que você espera da contribuição para o projeto/atividade da biblioteca.

PASSO 4 - �DINÂMICA GOVERNAMENTAL E OPORTUNIDADES DE COLABORAÇÃO:
identificando os possíveis aliados
Uma vez “mapeados” os temas na agenda e as preocupações da população, bem como os
atores relevantes, é hora de olhar para os espaços de gestão pública.

17

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Considerando o projeto/ação que a biblioteca deseja desenvolver é importante verificar,
dentro da estrutura governamental, os parceiros que podem contribuir com a iniciativa. Assim,
deve-se verificar as Secretarias, Conselhos, Vereadores/Deputados, Frentes Parlamentares,
entre outros setores existentes da Administração Pública.
É importante, também, verificar se o município/estado está realizando ações alinhadas à
Agenda 2030. Algumas prefeituras criaram secretarias especiais, outras mencionam seus projetos
ou iniciativas alinhadas à Agenda 2030 em websites e redes sociais. Ressalta-se a importância de
conhecer quais são as pessoas envolvidas para estabelecer uma articulação com elas.

PASSO 5 - ELABORAÇÃO DO PROJETO
Nos passos anteriores, foi sinalizada a necessidade de identificar os pontos fracos e fortes da
equipe da biblioteca, elaborar um diagnóstico sobre o tema, mapear os atores do território e elaborar
uma lista de possíveis aliados no município/estado para a construção de trabalho colaborativo. Todo
esse processo embasará a formulação do projeto da biblioteca alinhado à Agenda 2030.

PASSOS PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO

Identificar os
pontos fracos
e fortes da
equipe da
biblioteca

Mapear os atores do
território e elaborar
uma lista de
possíveis aliados no
município/estado
para a construção
de trabalho
colaborativo

Elaborar um
diagnóstico
sobre o tema

Elaborar uma lista
de possíveis aliados
no município/
estado para
a construção
de trabalho
colaborativo

Para inspirar a biblioteca na definição do escopo de projeto alinhado à Agenda 2030 e dos 17
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apresentamos, abaixo, a publicação organizada pela
IFLA traduzida pela FEBAB, que demonstra como promover ações voltadas para cada ODS.

ACESSE
Agenda 2030 e como as bibliotecas podem contribuir com a sua implementação
http://repositorio.febab.org.br/items/show/438
Acesso e oportunidade para todos: Como as bibliotecas contribuem para a agenda
de 2030 das Nações Unidas
http://repositorio.febab.org.br/items/show/590

O que é um projeto?
É um conjunto ordenado de atividades para satisfazer determinadas necessidades ou
alcançar um objetivo. Um projeto consiste em um esforço temporário empreendido com um
objetivo pré-estabelecido, definido e claro, seja criar um novo produto, serviço ou processo. Tem
início, meio e fim determinados, duração e recursos limitados, em uma sequência de atividades
relacionadas (MARTINIC, 1997).

18

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Uma boa maneira de começar a desenhar o seu projeto é a partir do método 5W2H, que
é utilizado na criação de planos de ação, onde são respondidas sete perguntas que equivalem
a cada uma das iniciais das palavras em inglês. Nessa metodologia, podemos visualizar os
problemas e soluções no seu projeto. Veja o exemplo:

5W2H

PROBLEMA

SOLUÇÃO

WHAT (O quê)

…é o problema?

… vai ser feito?

WHY (Por quê)

…ocorreu?

…foi definida esta solução?

WHEN (Onde)

…ele se encontra?

…será implantado?

WHO (Quem)

…está envolvido?

…será responsável?

HOW (Como)

…surgiu o problema?

…vai ser implementado?

HOW MUCH (Quanto custa)

…ter este problema?

…esta solução?

1. WHAT (O quê?)
Questiona-se o que se faz e com qual objetivo.
Quais são as etapas desse projeto?
O que se faz em cada etapa?
Estas etapas estão em ordem lógica e sequencial?

2. WHY (Por quê)
� uestiona-se a validade de cada etapa do processo. Se a resposta for negativa, a etapa deve
Q
ser eliminada.
É indispensável esta etapa?
Irá, realmente, influenciar o resultado final do processo?
Constitui uma necessidade absoluta?

3. WHEN (Quando)
Questiona-se a sequência do processo.
Quando deve ser realizada essa etapa?
As etapas estão sendo desenvolvidas no momento adequado?
Seria conveniente alterar a sequência de desenvolvimento das etapas deste processo?

4. WHERE (Onde)
Questiona-se o local de execução de cada atividade e as pessoas que poderão realizá-la.
Em que local deve ser realizada esta etapa?
Seria mais fácil se executada em outro local?

19

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

5. WHO (Quem)
Questiona-se a extensão ou a exatidão do grau de delegação de autoridade e a
responsabilidade das pessoas envolvidas no processo.
Quem faz esta etapa? Quem está executando é a pessoa mais indicada para tal?

6. HOW MUCH (Quanto custa?)
Questiona-se o custo da concretização das etapas do projeto.
Quanto custará alcançar determinada meta?
Quais os materiais necessários?
Quais recursos materiais, operacionais e humanos serão necessários?
EXEMPLO:
PROJETO AGENDA 2030 (ODS 5): MAIS MULHERES NA BIBLIOTECA
Descrição do problema: Ausência de programas e/ou atividades alinhadas ao ODS 5 - Alcançar
a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Principal causa do problema: Pouco interesse de meninas e mulheres aderirem aos programas
existentes na biblioteca
Solução encontrada: Reunir o público feminino para uma escuta dos desejos e necessidades para
que possam ser desenhadas ações, programas e atividades sobre a temática.
Ação

O quê?

Quem?

Onde?

Por quê?

Quando? Como?

Quanto?

1. Promover
uma escuta
com as
frequentadoras

Promover
bate-papos
separados
com as
mulheres
e com as
meninas

Equipe da
biblioteca e
voluntários
que tenham
conhecimento
na área

Na
biblioteca

Para
conhecer
as reais
necessidades
do grupo de
mulheres e
do grupo de
meninas

Janeiro de
2023 em
horários
distintos
(manhã e
tarde)

Utilizar os
recursos
disponíveis
na Biblioteca
- folhas A4,
impressora,
computador e
dinamizadoras
da equipe

Divulgar o
convite nas
redes sociais
e cartazes
fixados em
lugares
de boa
visualização

Resultado esperado: Registrar e analisar as conversas de modo a elencar as demandas, assuntos de
interesse e problemas apresentados por cada grupo.

Vamos imaginar que fizemos as ações descritas acima e tivemos como resultados:
Grupo de mulheres: Durante as conversas trouxeram como problema a dificuldade de
comercializar os artigos que produzem ou revendem. Muitas são artesãs, outras se dedicam à
produção de alimentos caseiros. Elas gostariam de poder mostrar mais seus produtos e com
isso ampliar as vendas. São mulheres que buscam independência financeira e gerar renda para
o sustento das suas famílias.

20

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Grupo de meninas: os relatos manifestaram a vontade de ter espaços para escutar música e
dançar. Sentem a falta de poder apresentar suas produções musicais e suas coreografias.
Agora vamos propor ações na biblioteca para atender as demandas apresentadas pelos
dois grupos.

Ação

O quê?

2. Promover
oficinas de
educação
financeira e
marketing
digital

Promover
uma trilha
formativa que
dialogue com
temas ligados
ao empreendedorismo digital
(e-commerce,
marketing
digital),
educação
financeira e
precificação

Quem?
Equipe da
biblioteca e
voluntários
que tenham
conhecimento na
área

Onde?

Por quê?

Quando? Como?

Quanto?

Na
biblioteca

Para instrumentalizar as
mulheres nas
demandas
explicitadas

Todas as
quartasfeiras

Utilizar os
recursos
disponíveis na
Biblioteca e
parcerias com
movimentos
sociais e
comércio local

Aulas
expositivas
de 40
minutos
semanais

Resultado esperado: Mulheres capacitadas a utilizarem ferramentas digitais para vender ou revender os
seus produtos e gerar renda para o sustento de suas famílias.

Ação

O quê?

3. Promover
uma agenda
cultural
(música, dança
e literatura)

Promover
uma agenda
de eventos
para que
as meninas
apresentem
seus talentos
relacionados
à música,
dança e
literatura

Quem?
Equipe da
biblioteca e
voluntários
que tenham
conhecimento na
área

Onde?

Por quê?

Quando? Como?

Quanto?

No espaço
da biblioteca e na
praça do
bairro

Dar visibilidade à atuação
das meninas
nas diversas
ou diferentes
linguagens
artísticas

Toda
quintafeira é dia
de cultura

Utilizar os
recursos
disponíveis na
biblioteca e
parcerias com
movimentos
sociais e
comércio local

Divulgando
agenda
cultural nas
redes sociais
da biblioteca,
bem como
nas mídias
informais

Resultado esperado: Atividades programadas e divulgadas nas mídias da biblioteca.

Essas são duas ações, mas é claro que poderiam ser desdobradas em outras atividades que
a biblioteca poderia oferecer. Lembre-se que é muito importante a articulação com outros
parceiros de modo a ampliar o alcance das atividades e atingir os resultados.

21

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

DICA
Consulte o material “Bibliotecas Transformadoras” e conheça projetos de todo o Brasil.
https://recode.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Bibliotecas-Transformadoras-2.pdf

PASSO 6 - �FORTALECER VÍNCULOS COM A COMUNIDADE: NOVOS PÚBLICOS,
NOVAS REDES E NOVOS TEMAS
A biblioteca deve sempre estreitar laços com a comunidade, fortalecer os vínculos já
existentes com as organizações sociais, redes comunitárias e outros atores locais que se
relacionem com as atividades e/ou projetos que estão sendo formulados.
No passo 2 já mencionamos como identificar a agenda local e a possibilidade de elencar
atores potenciais a serem contactados. É importante mencionar que, quanto antes a biblioteca
mobilizar esses atores, mais chances terá de conseguir o comprometimento da comunidade. A
chave para a conexão com a comunidade consiste na escuta ativa, no estreitamento do vínculo
e na promoção do enfoque participativo. Não pode se limitar ao oferecimento de produtos e
serviços tradicionais da biblioteca, mas, principalmente, mostrar-se receptiva às inquietudes da
comunidade. É importante pactuar compromissos que, por meio de ações realistas, irão tecer
uma rede de confiança e despertarão o interesse das pessoas do território.
A biblioteca tem como ponto a seu favor ser reconhecida por vários atores locais como
um espaço público e democrático da comunidade. Por essa razão, a biblioteca deve sempre
defender a Agenda 2030 e seus 17 ODS, pois eles almejam a construção de uma sociedade mais
justa, igualitária e sustentável, ou seja, um mundo melhor para todos, todas e todes.
Então, como podemos construir novos vínculos com a comunidade?
Sendo um espaço aberto a todos, todas e todes.
Ampliando as ações para além da promoção da leitura, escrita e mediação cultural.
� hegando a públicos diversos, por meio de novos temas a serem trabalhados, que
C
poderão atrair novas pessoas ou mesmo fidelizar as que já frequentam.
Por falar em novos atores, você conhece a rede socioassistencial?
A Rede Socioassistencial compreende:
CRAS: Centro de Referência de Assistência Social;
CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social;
CREAS Regionais;
Centro POP: Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua;
Unidade de Acolhimento: Abrigos, Casas-Lares, Casa de Passagem, entre outros;
Centro de Convivência;
Centro – Dia e Similares.

22

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Os Serviços Socioassistenciais são aqueles que desenvolvem ações continuadas e por
tempo indeterminado junto à população usuária da rede de assistência social e objetivam a
garantia de:
Fortalecimento de convivência familiar e comunitária;
Referência para escuta e apoio sociofamiliar e informação para garantia de direitos;
Geração de trabalho e renda;
Orientação para outras políticas públicas;
Prevenção;
Atendimento a situações de direitos violados ou ameaçados.
Há um grande potencial de parcerias entre as bibliotecas e a Rede e os Serviços
Socioassistenciais. No Anexo você encontrará mais informações a respeito.

PASSO 7 - LIÇÕES APRENDIDAS: avaliação do projeto realizado
A avaliação é uma etapa fundamental que permite aprender com o que foi realizado,
analisar os resultados obtidos e identificar os aspectos que precisam ser aprimorados.
A avaliação pode ser estruturada utilizando as seguintes perguntas:
O que foi alcançado em relação ao objetivo definido?
� uais foram os elementos que facilitaram o desenvolvimento das ações e o alcance dos
Q
resultados?
� uais foram os elementos que dificultaram o desenvolvimento das ações e o alcance
Q
dos resultados?
O que pode ser aprimorado e o que deve ser feito nas ações futuras?
Sistematizadas as respostas das perguntas anteriores, vale refletir sobre quais mudanças
foram impulsionadas pelo projeto e os impactos gerados para a comunidade.
É importante fazer um relatório, mesmo que seja simplificado, para garantir a memória do
projeto e divulgação para equipe e comunidade com os resultados alcançados.

23

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

5 ��UTILIZANDO FERRAMENTAS AUXILIARES,
MÍDIAS SOCIAIS E DE CONTEÚDO: ALIADAS
DE TODAS AS ETAPAS
As mídias sociais, popularmente conhecidas como “redes sociais” são ferramentas que
possibilitam criar, editar, publicar e difundir diversos tipos de conteúdos. As redes sociais também
são ferramentas que impulsionam a interação social, abrem o espaço para o diálogo e para a
formação de novas comunidades. Podemos utilizá-las para as seguintes funções: fortalecer seu
contato com a comunidade, conhecer melhor o seu público, promover o engajamento para
as ações cotidianas das bibliotecas, impulsionar a implantação de projetos e até a divulgação
dos resultados. No Brasil, as redes sociais mais populares são: Facebook, Instagram, WhatsApp,
Youtube e TikTok.

As redes sociais podem nos ajudar a melhorar os serviços oferecidos
pela nossa biblioteca e sermos parceiros da Agenda 2030.
É muito importante que a biblioteca esteja conectada às mídias sociais para divulgar o
trabalho realizado, colocar informações úteis e ampliar o alcance das ações; enfim é um universo
a ser explorado.
Conhecendo a potencialidade das ferramentas, a biblioteca poderá escolher uma ou mais
formas de estar próxima à sua comunidade. Recomendamos a criação de uma conta de e-mail,
preferencialmente institucional, que irá permitir o cadastro nas redes sociais e a comunicação direta
com o público geral.
Os espaços das redes sociais que ajudarão a executar diversas funções na divulgação
da Agenda 2030 são:
� romover eventos (p. ex.: roda de leitura, debates, palestras, cineclube, encontros de autores,
P
lançamento de livros etc.);
Convidar o seu público a participar e interagir;
Divulgar ações e projetos;
Criar e participar de grupos, bem como inserir sua comunidade nos debates de interesse;
Enviar enquetes, pesquisas, entre outros.

IMPORTANTE:
A mensagem precisa ser rápida, clara e direta;
Saber qual é o público que queremos alcançar com a mensagem;

24

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

� star sempre ativo nas redes sociais, motivando sua equipe na interação social com a
E
comunidade, postando atualizações e gerando conteúdo para aumentar o número de
seguidores, melhorando assim o engajamento.
Você sabia que existem outras mídias que podem colaborar com o trabalho da biblioteca?

MÍDIAS DE CONTEÚDOS
São ferramentas orientadas para escrita, leitura e distribuição de conteúdo on-line, que facilitam
a criação de meios de comunicação pessoal ou grupos sociais focados em conteúdo, tais como:
Blogs: Blogger, Wordpress;
Microblogging: Twitter, Koo;
Sistema de Gerenciamento de Conteúdo: Wordpress, Joomla;
Wikis: Wikipedia;
Fotografia: Pinterest, Instagram;
Vídeo: Youtube, TikTok, Kwai, Vimeo;
Áudio: Soundcloud, Mixcloud, Podcasts.
FERRAMENTAS AUXILIARES
Trabalho em equipe online: Google Drive (Google Docs, Google Sheets), Dropbox
Formulários: Google Formulários
Apresentação de slides: Google Slide, Slideshare, Prezi, Canva
Calendários compartilhados: Google Calendar

6 FINALIZANDO, MAS NEM TANTO…
Esperamos que a leitura deste guia tenha trazido novos conhecimentos, reflexões e sugestões
que possam impulsionar projetos em bibliotecas espalhadas em todo o território nacional.
Desejamos, também, que a Agenda 2030 seja assumida, a partir de agora, como um compromisso
das bibliotecas.
Pensando e atuando na perspectiva da Agenda 2030, a biblioteca se consolidará como um
espaço que vai além de suas coleções, um espaço para as pessoas. As bibliotecas transformam vidas
e isso só irá acontecer com a sua ajuda.

25

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

REFERÊNCIAS
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições.
Bibliotecas por um mundo melhor: Agenda 2030. Repositório - FEBAB. Disponível em: http://
repositorio.febab.org.br/items/show/4563. Acesso em: 21 fev. 2023.
International Federation of Library Associations and Institutions. Agenda 2030 e como as
bibliotecas podem contribuir com a sua implementação. Repositório - FEBAB. Disponível em:
http://repositorio.febab.org.br/items/show/438. Acesso em: 21 fev. 2023.
International Federation of Library Associations and Institutions. Acesso e oportunidade para
todos: como as bibliotecas contribuem para a agenda de 2030 das Nações Unidas. Repositório FEBAB. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/590. Acesso em: 21 fev. 2023.
LABBÉ, Juan Fernández; UVUSIC, Jasna. Guía para Promover la Participación Ciudadana desde
las Bibliotecas Públicas. Chile: RIMISP - Centro Latinoamericano para el Desarrollo Rural, 2017.
Disponível em: https://www.elquintopoder.cl/wp-content/uploads/2017/04/guia_participacion_
ciudadana.pdf . Acesso em: 01 fev. 2022.
MARTINIC, Sergio. Evaluación de proyectos: conceptos y herramientas para el aprendizaje. México:
CONEXAMI-CEJUV, 1997.

26

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

ANEXO | SUAS: SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
O Sistema Único de Assistência de Assistência Social (SUAS) é o modelo
único de gestão da Política de Assistência Social em âmbitos federal,
estadual e municipal. O SUAS organiza, de forma descentralizada, os serviços
socioassistenciais no Brasil.
O Sistema é composto pelo poder público e sociedade civil, que
participam diretamente do processo de gestão compartilhada. O SUAS
organiza a oferta da assistência social em todo o país, promovendo bemestar e proteção social a famílias, crianças, adolescentes e jovens, pessoas
com deficiência, idosos – enfim, a todos que dela necessitarem.
As ações são baseadas nas orientações da Política Nacional de Assistência Social (PNAS),
aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) em 2004 e pela NOB SUAS 2012,
publicada em 03 de janeiro de 2013, por meio da resolução nº 33, de 12 de dezembro de 2012, que
representa um marco fundamental na estruturação do SUAS, imprimindo um salto qualitativo na sua
gestão e na oferta de serviços socioassistenciais em todo o território nacional, tendo como base a
participação e o controle social.
O SUAS é organizado por proteção Básica e Especial, a saber:
a) A Proteção Social Básica tem como objetivo a prevenção de situações de risco por meio
do desenvolvimento de potencialidades e aquisições e o fortalecimento de vínculos familiares e
comunitários. Esse serviço é destinado à população que vive em situação de fragilidade decorrente
da pobreza, ausência de renda, acesso precário ou nulo aos serviços públicos ou fragilização de
vínculos afetivos (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiências, dentre outras).
Essa proteção prevê o desenvolvimento de serviços, programas e projetos locais de
acolhimento, convivência e socialização de famílias e de indivíduos, conforme identificação da
situação de vulnerabilidade apresentada. Esses serviços e programas deverão incluir as pessoas com
deficiência e ser organizado em Rede, de modo a inseri-las nas diversas ações ofertadas.
Os Benefícios Eventuais e os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) compõem a Proteção
Social Básica, dada a natureza de sua realização.
A Proteção Social Básica atua por intermédio de diferentes unidades e dentre elas estão
os Centros de Referência de Assistência Social – os CRAS e a rede de serviços socioeducativos
direcionados para grupos específicos, dentre eles, os centros de Convivência para crianças, jovens
e idosos. O principal serviço ofertado pelo CRAS é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral
à Família (PAIF), cuja execução é obrigatória e exclusiva. Este consiste em um trabalho de caráter
continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias, prevenindo a ruptura de vínculos,
promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.
b) A Proteção Social Especial (PSE) destina-se a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal
ou social, cujos direitos tenham sido violados ou ameaçados. Para integrar as ações da Proteção
Especial, é necessário que o cidadão esteja enfrentando situações de violações de direitos por

27

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

ocorrência de violência física ou psicológica, abuso ou exploração sexual; abandono, rompimento ou
fragilização de vínculos ou afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medidas.
Diferentemente da Proteção Social Básica que tem um caráter preventivo, a PSE atua com
natureza protetiva. São ações que requerem o acompanhamento familiar e individual e maior
flexibilidade nas soluções. Comportam encaminhamentos efetivos e monitorados, apoios e
processos que assegurem qualidade na atenção.
As atividades da Proteção Especial são diferenciadas de acordo com níveis de complexidade
(média ou alta) e conforme a situação vivenciada pelo indivíduo ou família. Os serviços de PSE atuam
diretamente ligados com o sistema de garantia de direito, exigindo uma gestão mais complexa
e compartilhada com o Poder Judiciário, o Ministério Público e com outros órgãos e ações do
Executivo. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria
com governos estaduais e municipais, a promoção do atendimento às famílias ou indivíduos que
enfrentam adversidades.
Nesse contexto, o Centro de Referência Especializada em Assistência Social (CREAS) é a
unidade pública estatal que oferta serviços da proteção especial, especializados e continuados,
gratuitamente a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos. Além da oferta
de atenção especializada, o CREAS tem o papel de coordenar e fortalecer a articulação dos serviços
com a rede de assistência social e as demais políticas públicas.
A transparência e a universalização dos acessos aos programas, serviços e benefícios
socioassistenciais, promovidas por esse modelo de gestão descentralizada e participativa, vem
consolidar, definitivamente, a responsabilidade do Estado brasileiro no enfrentamento da pobreza
e da desigualdade, com a participação complementar da sociedade civil organizada, através de
movimentos sociais e entidades de assistência social.

1. REDE SOCIOASSISTENCIAL
A rede socioassistencial é um conjunto integrado de iniciativas públicas e
societárias, que ofertam e operam benefícios, programas e projetos, o que supõe
a articulação entre todas estas unidades de provisão de proteção social, sob a
hierarquia de básica e especial e ainda por nível de complexidade.

1.1 REDE SUAS
A Rede SUAS é o Sistema Nacional de Informação do Sistema Único de Assistência
Social. Reconhecida institucionalmente pela Norma Operacional Básica do
SUAS (NOB/SUAS), é desenvolvida de acordo com os processos que cercam a efetivação da
política de Assistência Social no Brasil. A Rede SUAS é composta por ferramentas que realizam
registro e divulgação de dados sobre recursos repassados; acompanhamento e processamento
de informações sobre programas, serviços e benefícios socioassistenciais; gerenciamento de
convênios; suporte à gestão orçamentária; entre outras ações relacionadas à gestão da informação
do SUAS.

28

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Como um instrumento descentralizado de gestão, monitoramento e avaliação de programas,
serviços, projetos e benefícios da Assistência Social, os dados e informações da Rede SUAS
subsidiam as atividades técnicas de gestores, profissionais, conselheiras e conselheiros, entidades
socioassistenciais e pessoas usuárias do SUAS.
Com a organização, produção, armazenamento, processamento e acesso a dados sobre a
implementação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). Dessa forma, as ações da Rede
SUAS suprem as necessidades de comunicação garantindo transparência à gestão da informação e
dá suporte a operação, financiamento e controle social do SUAS.
Além de visar a comunicação de informações técnicas de forma acessível em ambiente
virtual, como nos sistemas eletrônicos e no blog da Rede SUAS mantém as pessoas que trabalham
na Política Pública de Assistência Social atualizadas quanto aos principais conteúdos técnicos
produzidos pela Secretaria Nacional de Assistência Social. Tais conteúdos são divulgados como
publicações, apresentações, manuais técnicos, vídeos, tutoriais, além do suporte para o acesso aos
sistemas de informação do SUAS.
A Rede SUAS é parte da Secretaria Nacional de Assistência Social, alinhada com as estratégias e
objetivos do Ministério e busca proporcionar de modo descentralizado:
melhores condições de atendimento a seus usuários;
suporte para a gestão;
monitoramento e avaliação de programas, serviços, projetos e benefícios da Assistência Social.
Em dezembro de 2018, as atividades desenvolvidas na Rede SUAS pela Coordenação-Geral de
Rede e Sistemas de Informações do SUAS, permitiu que a Coordenação fosse considerada como um
órgão correlato do Sistema de Recursos de Tecnologia da Informação do Governo Federal (SISP).

1.2 CadSUAS
O CadSUAS é o sistema de cadastro nacional do SUAS; centraliza o cadastro de rede
socioassistencial, entes federativos e trabalhadores do SUAS.
São módulos do CadSUAS:
a) �Consulta Pública: liberado para o público geral; consulta de todos os entes cadastrados
no sistema.
b) Rede Socioassistencial:
CRAS: Centro de Referência de Assistência Social;
CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social;
CREAS Regionais;
Centro POP: Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua;
Unidade de Acolhimento: Abrigos, Casas-lares, Casa de Passagem, entre outros;
Centro de Convivência;
Centro – Dia e Similares;

29

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

�TIPOS NACIONAIS DE SERVIÇOS
SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS
São aqueles que desenvolvem ações continuadas e por tempo indeterminado junto à população
usuária da rede de assistência social e objetivam a garantia de:
Fortalecimento de Convivência familiar e comunitária;
Referência para escuta e apoio sociofamiliar e informação para garantia de direitos;
Geração de trabalho e renda;
Orientação para outras políticas públicas;
Prevenção;
Atendimento a situações de direitos violados ou ameaçados;		
Os serviços Socioassistenciais estão estabelecidos na Tipificação Nacional dos Serviços
Socioassistenciais (Resolução CNAS nº 109, de 11 de novembro de 2009). Esta normativa possibilitou
a padronização em todo território nacional dos serviços de proteção social básica e especial,
estabelecendo seus conteúdos essenciais, público a ser atendido, propósito de cada um deles
e os resultados esperados para a garantia dos direitos socioassistenciais. Além das provisões,
aquisições, condições e formas de acesso, unidades de referência para a sua realização, período de
funcionamento, abrangência, a articulação em rede, o impacto esperado e suas regulamentações
específicas e gerais.

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA:
Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF);
Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos;
Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosas.
Os serviços oferecidos são:
Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF);
Convivência e fortalecimento de vínculo;
Proteção social básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosos;
As formas de acesso:
� ncaminhados por outros setores públicos, como Educação e Saúde, ou pela própria rede
E
socioassistencial;
�Busca ativa através da equipe de referência do CRAS-Procura pelo indivíduo ou pela família
de forma voluntária.
� tendimento e acompanhamento familiar- Atendimento direto e indireto do serviço de
A
convivência e fortalecimento de vínculos;

30

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

�Atividades envolvendo grupos de famílias da comunidade;
�Cadastro, recadastro, atualização cadastral e desbloqueio do Cadastro Único para recebimento
do Bolsa Família;
� egistro no Cadastro Único para desconto na conta de energia, isenção da taxa de inscrição em
R
concursos públicos e pedido de conversor digital;
� onceder benefícios eventuais, como cesta básica, auxílio funeral, auxílio natalidade, com o intuito
C
de superar vulnerabilidades temporárias;
�Encaminhamento para o mercado de trabalho;
�Encaminhamento para a rede socioassistencial e demais órgãos públicos, conforme o caso;
�Agendamento de perícia no INSS, dentre outros

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE:
�Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI);
�Serviço Especializado em Abordagem Social;
� erviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade
S
Assistida (LA), e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC);
Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias;
�Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE:
�Serviço de Acolhimento Institucional, nas seguintes modalidades:
�Abrigo institucional;
�Casa-Lar;
�Casa de Passagem;
�Residência Inclusiva;
�Serviço de Acolhimento em República;
�Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora;
�Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências;

SERVIÇOS OFERECIDOS PELO CREAS:
Famílias e indivíduos que vivenciam violações de direitos por ocorrência de:
Violência física, psicológica e negligência;
Violência sexual: abuso e/ou exploração sexual;
Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida socioeducativa ou medida de proteção;
Tráfico de pessoas;

31

�BIBLIOTECAS E AGENDA 2030 • GUIA PRÁTICO

Situação de rua e mendicância;
Abandono;
Vivência de trabalho infantil;
Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou raça/etnia;
� utras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/submissões a situações que
O
provocam danos e agravos a sua condição de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem estar;
Serviço Especializado em Abordagem Social;
Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e SUAS Famílias;
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.

SAIBA MAIS
Assistência Social – Governo Federal
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social
Conhecer a Rede socioassistencial
https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/conhecer-a-rede-socioassistencial

32

�REALIZAÇÃO

APOIO

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="54">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70161">
                  <text>Grupo de Trabalho - Serviços de Bibliotecas para Pessoas Vulneráveis</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70162">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Ciência da Informação&#13;
Grupo de Trabalho&#13;
Pessoas em vulnerabilidade&#13;
Serviços de Bibliotecas</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71314">
                <text>Bibliotecas &amp; Agenda 2030: Guia prático para promover ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71315">
                <text>Bibliotecas&#13;
Agenda 2030&#13;
Organização das Nações Unidades&#13;
ODS - Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71316">
                <text>Apresentação: Desde 2016, quando começamos a trabalhar com a Agenda 2030, nos deparamos com as mais variadas dúvidas acerca de como as bibliotecas podem cooperar com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Seja nas edições do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, seja em webinars, mídias sociais, traduções e nos mais variados documentos, a FEBAB buscou sempre demonstrar que a biblioteca pode e deve ser uma parceira estratégica da Agenda. Nesse sentido, para contribuir e inspirar com ações e projetos que as bibliotecas possam realizar, o Grupo de Trabalho Serviços de Bibliotecas para Pessoas Vulneráveis preparou carinhosamente este guia que faz jus ao seu nome: é um texto que segura em sua mão e lhe conduz por sete passos de maneira prática, servindo como um caminho seguro para a implementação de atividades que cooperem com este compromisso que é global. O guia serve para qualquer biblioteca (pública, escolar, especializada, universitária, prisional, comunitária, entre outras), pois indiferentemente à sua tipologia, o que realmente importa é a vontade e a iniciativa de trabalhar por um mundo melhor. As bibliotecas são capazes disso, acredite!</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71317">
                <text>Grupo de Trabalho - Serviço de Bibliotecas para Pessoas Vulneráveis (GT-SBPV)&#13;
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71318">
                <text>FEBAB - Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71319">
                <text>2023</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71320">
                <text>SP Leituras - Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura&#13;
Grupo de Trabalho Serviço de Bibliotecas para Pessoas Vulneráveis - GT SBPV&#13;
Adriana Cybele Ferrari – Coordenadora (SP)&#13;
Ana Maria da Silva Bichara (ES)&#13;
Isadora Cristal de Souza e Silva Escalante (RJ)&#13;
Maria de Fátima M. Martins Corrêa (RJ)&#13;
Paula Stefanny Felice de Oliveira (SP)&#13;
Colaboração: Suely da Conceição Rodrigues (RJ)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71321">
                <text>CC BY 4.0 - https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt-br</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71322">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71323">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71324">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71325">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="50">
        <name>GT-SBPV</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6130" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5194">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/43/6130/Bibliotecas_LAC_2019.pdf</src>
        <authentication>c76cd595f86aa11b36b85dd79d7f3a05</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="65038">
                    <text>�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la
legislación de derechos de autor en
América Latina y el Caribe
editado por
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira

FEBAB
São Paulo
2019

�FEBAB - FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DA INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES
ESTA PUBLICACIÓN, ECHA EN ALIANZA CON IFLA LAC, ES UNO DE LOS RESULTADOS DEL PROYECTO INTEGRADO
2016 DE LA SECCIÓN AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE DE LA IFLA, CON LA PARTICIPACIÓN DE INSTITUCIONES DE
BIBLIOTECARIOS DE DIVERSOS PAÍSES DE LA REGIÓN, INCLUYENDO LA FEBAB POR BRASIL. COORDINACIÓN DEL
PROYECTO: SUELI MARA SOARES PINTO FERREIRA, IFLA LAC CHAIR, 2015-2017.
SUELI MARA SOARES PINTO FERREIRA ES UNA ACTIVA CONTRIBUIDORA EN EL ÁREA DE LA CIENCIA DE LA INFORMACIÓN
Y BIBLIOTECOLOGÍA EN AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE. DOCTORA EN CIENCIAS DE LA COMUNICACIÓN, ES
CATEDRÁTICA DE LA UNIVERSIDAD DE SÃO PAULO (USP), BRASIL, DESDE 1994, ACTUANDO EN LA GRADUACIÓN Y
POSGRADO. SU ÁREA PRINCIPAL DE INVESTIGACIÓN ES LA COMUNICACIÓN CIENTÍFICA, ESPECIALMENTE EL ACCESO
ABIERTO INVOLUCRANDO LAS TEMÁTICAS DE LAS REVISTAS CIENTÍFICAS Y REPOSITORIOS INSTITUCIONALES. ES
MIEMBRO ACTIVO DE MUCHAS ORGANIZACIONES REL ACIONADAS AL ÁREA DE LA CIENCIA DE LA INFORMACIÓN,
COMUNICACIÓN CIENTÍFICA Y EL DESARROLLO DE LA CIENCIA NACIONAL E INTERNACIONAL. TIENE MUCHOS
TRABAJOS PUBLICADOS Y HA DICTADO DECENAS DE TALLERES EN DISTINTOS PAÍSES, DENTRO Y FUERA DE LA REGIÓN
LAC. PARTICIPA EN IFL A DESDE EL AÑO 2000, SIENDO MIEMBRO DEL COMITÉ PERMANENTE DE LA SECCIÓN DE
AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE (IFL A LAC) DESDE 2011. CHAIR DE LA SECTION IFLA LAC (2015-2017). CHAIR DE LA IFLA
DIVISION V (2017-2019). MIEMBRO DEL COMITÊ PROFISSIONAL DE LA IFLA (2017-2019). MIEMBRO DE LA JUNTA DEL
GOBIERNO DE LA IFLA (2017-2021).
DIAGRAMACIÓN Y EDICIÓN - RAUL ROKICKI - RAULROKICKI@GMAIL.COM
TRADUCCIÓN Y REVISIÓN DE TEXTOS EN ESPAÑOL - FLOR MARIA VIDAURRE - TRANSL ATIONS@TERRA.COM.BR
REVISIÓN DE TEXTOS EN FRANCÉS - ESMERALDA SÚMAR - COPSI. MONTREAL - SOL A514@HOTMAIL.COM
REVISIÓN DE TEXTOS EN INGLÉS - JUANITA JARA DE SUMAR - MCGILL UNIVERSIT Y - JUANITA.JARADESUMAR@MCGILL.CA
REVISIÓN DEL CONTENIDO JURÍDICO - EQUIPO DEL GRUPO COPYRIGHT AND LEGAL MATTERS (CLM) DE LA IFLA: EWE
WOODBERRY (COORDINACIÓN Y REVISIÓN GENERAL), NÚRIA ALTARRIBA (REVISIÓN DE LOS TEXTOS DE ARGENTINA,
BRASIL, CHILE); CLAUDIA CUEVAS (CUBA, ECUADOR, EL SALVADOR), ARMIN TALKE (GUATEMALA, MÉXICO, NICARAGUA);
STEPHEN MARVIN (PANAMÁ, PERÚ, REPÚBLICA DOMINICANA), ARIADNA MATAS (HAITÍ, JAMAICA, TRINIDAD AND
TOBAGO) Y STEPHEN WYBER (INTRODUCIÓN Y CONCLUSIÓN).
ORIGINAL ENTREGUE A IFLA PC EN MARZO 2017 / REVISADO POR IFLA CLM EN NOVIEMBRE 2017 / DEVUELTO POR IFLA
EN MARZO DE 2018.

CATALOGACIÓN HECHA POR FEBAB
BIBLIOTECAS LAC: EL IMPACTO DE LA LEGISLACIÓN DE DERECHOS DE AUTOR EN AMERICA LATINA Y EL
CARIBE [RECURSO ELETRONICO] / EDITADO POR SUELI MARA SOARES PINTO FERREIRA. SÃO PAULO:
FEBAB, 2019. 198P. 20,5X28CM
VÁRIOS AUTORES.
1. DERECHOS DE AUTOR – AMERICA LATINA Y EL CARIBE. I. FERREIRA, SUELI MARA SOARES PINTO
CDD 346.048 2

ISBN - 978-85-85024-12-3 (EBOOK)

@2019 POR SUELI MARA SOARES PINTO FERREIRA. ESTA OBRA ESTÁ AUTORIZADA BA JO LA LICENCIA
INTERNACIONAL CREATIVE COMMONS (CC BY 4.0). PARA VER UNA COPIA DE ESTA LICENCIA, VISITE:
HTTP: //CREATIVECOMMONS.ORG/LICENSES/BY/4.0
IMPRESO EN BRASIL / DEPÓSITO LEGAL HECHO POR FEBAB.

�A todos los compatriotas de América Latina y del Caribe.
Hemos recorrido un largo camino. Anduvimos de un
país al otro, olvidándonos luego de dóndevinimos,
preocupándonos solamente con hacia dónde íbamos.
Sigamos trabajando para asegurar el derecho de acceso
a la información y al conocimiento.

��AGRADECIMIENTOS
Al analizar el camino que hemos recorrido para llegar a la finalización de este libro se destacan
el apoyo y el incentivo de una cantidad inconmensurable de personas y de instituciones, internas y
externas, a la Sección de América Latina y el Caribe de IFLA. Incluso corriendo el riesgo de olvidarme
de algunos nombres, es fundamental agradecer expresamente a quienes, más de cerca, participaron
en los resultados aquí presentados.
• A todos los miembros del IFLA Professional Committee (2015-2017) por la aprobación del proyecto
“Impacto de la legislación sobre los derechos de autor en las bibliotecas en América Latina y el
Caribe”.
• A los miembros del Programa IFLA CLM que participaran de la evaluación del contenido técnico,
bajo el liderazgo de Eve Woodberry (Chair del CLM): Ariadna Matas, Núria Altarriba, Armin
Talke, Stephen Marvin, and Stephen Wyber.
• A los miembros del Comité Permanente de la Sección de América Latina y del Caribe por su
comprometimiento en todas nuestras actividades y proyectos.
• A los profesionales de distintas partes de la región LAC, que dedicaron su tiempo para responder
nuestros cuestionarios, entrevistas individuales, entrevistas en grupo o eventos producidos por
algunos países.
• A todos los profesionales que dieron su aporte en este libro con la traducción, la normalización, la
diagramación, entre otras actividades.
• A Jonathan Pleitez y Adriana Cybele Ferrari por el apoyo en parte de la traducción.
• A las asociaciones y colegios de bibliotecarios que aceptaron el desafío de participar en
este proyecto integrado: Asociación de Bibliotecarios Graduados de la República Argentina
(ABGRA), Federación Brasileña de Asociaciones de Bibliotecarios, Científicos de la Información
y las Instituciones (FEBAB), Colegio de Bibliotecarios de Chile (CBC), Asociación Cubana
de Bibliotecarios (ASCUBI), Asociación Nacional de Bibliotecarios Eugenio Espejo, Ecuador
(ANABE), Asociación de Bibliotecarios de El Salvador (ABES), Asociación Bibliotecológica de
Guatemala (ABG), Association des Bibliothécaires Documentalistes et Archivistes d’Haïti (ABDAH),
The Jamaica Library Association (LIAJA), Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C. (AMBAC),
Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines (ANIBIPA), Asociación Panameña
de Bibliotecarios (APB), Colegio de Bibliotecarios del Perú (CBP), Asociación de Bibliotecas
Universitarias Dominicanas (ABUD) y Library Association of Trinidad and Tobago (LATT).
• Y, especialmente a los equipos nacionales que aquí presentan la situación de sus respectivos países:
ALEMÁN, Roxana - Panamá

FLORES, Franklin - El Salvador

NÚÑEZ DE TAVERAS, Dulce María - Rep. Dominicana

ALLEYNE-REGIS, Arlene - Trinidad and Tobago

GARCÍA, Markgee - Nicaragua

ORTIZ, Ricardo - Ecuador

AMAYA, Sonia - EL Salvador

GEORGE, Jennifer - Trinidad &amp; Tobago

PELAYA, Lucía - Argentina

ARBOLEDA DE ROA, Lucero - Rep. Dominicana GLENN-CALLENDER, Juliet - Trinidad and Tobago

PLEITEZ, Jonathan - El Salvador

ARMENDÁRIZ, Saúl - México

GONZALE, Cristiana O. - Brasil

PUENTE, Eduardo - Ecuador

ASTREL, Nicodème - Haití

GREENE, Paula - Trinidad and Tobago

QUIROS, Micdonia - Panamá

BAKER-GARDNER, Ruth - Jamaica

GUISEPPI, Roslyn - Trinidad and Tobago

REYES MUÑOZ, Josefina - Chile

BELÉN, Víctor- Rep. Dominicana

HEATH, Rosemarie - Jamaica

RIZO, Gladys Haydee - Guatemala

BELLAS VILARIÑO, Margarita - Cuba

HONORE, Luc Stève - Haití

RUSSELL, Jollette - Jamaica

BORGELLA, Jimmy - Haití

HUDSON, Winsome - Jamaica

SANLLORENTI, Ana - Argentina

CASTRO, Minerva - México

JAEN, Ricardo - Panamá

SANTA CRUZ MOLINA, Valentina - Guatemala

CASTRO, Ricardo - México

JUÁREZ, Patricia Carolina - Nicaragua

SARAVIA, Javier - Ecuador

CID, Héctor - México

LAGUNA, Migdonio Jose - Nicaragua

TALAVERA-IBARRA, Ana María - Perú

CRUZ MÉNDEZ, Gustavo Alfonso - Nicaragua

LAWRENCE, Tricia - Jamaica

TEJEDOR, Damaris - Panamá

CUEVAS SAAVEDRA, Claudia - Chile

MARRERO, Eloisa- Rep. Dominicana

TUCKLER, Ivette - Nicaragua

ESTRADA, Jorge Arturo - Guatemala

MAURA-TEJEDA, Lilian - Perú

VALLECILLO, Darling del Carmen - Nicaragua

FERRARI, Adriana Cybele - Brasil

MOLINA ARANA, Heidi Elizabeth - Guatemala

VICIEDO VALDÉS, Miguel - Cuba

��“Restrictive copyright laws create legal barriers to using
resources for education, research and socio-economic
development. This can have significant consequences for
people who use libraries in developing and transition
economy countries, where the ability to produce and use
knowledge is a major factor in development”.
(EIFL - Electronic Information for Libraries, s.d.)

��NOTA DE ACLARACIÓN
En el primer semestre de 2016, los datos fueron recopilados por equipos de diferentes países que
participaron en el proyecto propuesto por IFLA LAC. En marzo de 2017, este libro (completo, revisado
y editado) se entregó al Comité Profesional de la IFLA para su evaluación. En su reunión de agosto
de 2017, el Comité Profesional decidió establecer un grupo de trabajo para verificar y actualizar la
información jurídica contenida en este libro electrónico (haciendo uso de la nueva versión del estudio
Crews que se lanzaría en octubre de 2017). Los resultados de esta revisión y la autorización para
publicación fueran devueltos en Marzo 2018. Para acomodar las sugerencias y comentarios de los
evaluadores, se revisaron todos los capítulos. En particular, el Capítulo 4 se ha actualizado para
centrarse en el estudio CREWS publicado en 2017. De esta manera, puede encontrar información
sobre la legislación ecuatoriana sobre derechos de autor que se aprobó después de la recopilación
de datos (diciembre 2016). Sin embargo, en el capítulo 3, específicamente en el contenido que se
refiere al estudio realizado en Ecuador, los datos se mantuvieron basados en la legislación de 2006,
dado que esa era la realidad en el momento de la compilación.

��LISTA DE ILUSTRACIONES

LISTA DE ILUSTRACIONES
Figura 1- Mapa de la desigualdad - Kenneth Crews......................................................................32
Figura 2 - Conocimento de los encuestados sobre la Legislación de Argentina...............................46
Figura 3 - Actuación de las bibliotecas argentinas frente a las L&amp;E.................................................48
Figura 4 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Brasil.....................................56
Figura 5 - Actuación de las bibliotecas brasileñas frente a las L&amp;E.................................................58
Figura 6 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Chile......................................65
Figura 7 - Actuación de las bibliotecas chilenas frente a las L&amp;E....................................................67
Figura 8 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Cuba.....................................73
Figura 9 - Actuación de las bibliotecas cubanas frente a las L&amp;E.................................................... 74
Figura 10 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Ecuador...............................80
Figura 11 - Actuación de las bibliotecas ecuatorianas frente a las L&amp;E............................................82
Figura 12 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de El Salvador..........................87
Figura 13 - Actuación de las bibliotecas salvadoreñas frente a las L&amp;E...........................................88
Figura 14 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Guatemala........................... 94
Figura 15 - Actuación de las bibliotecas guatemaltecos frente a las L&amp;E.........................................95
Figura 16 - Participants knowledge about the Jamaica Copyright Law..........................................104
Figura 17 - Performance of the Jamaica libraries in face of the L&amp;E..............................................106
Figura 18 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de México.............................. 112
Figura 19 - Actuación de las bibliotecas mexicanas frente a las L&amp;E............................................. 113
Figura 20 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Nicaragua......................... 118
Figura 21 - Actuación de las bibliotecas nicaragüenses frente a las L&amp;E.......................................120
Figura 22 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Panamá.............................124
Figura 23 - Actuación de las bibliotecas panameñas frente a las L&amp;E...........................................126
Figura 24 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de Perú...................................132
Figura 25 - Actuación de las bibliotecas peruanas frente a las L&amp;E..............................................133
Figura 26 - Conocimiento de los encuestados sobre la Legislación de la
República Dominicana................................................................................................................140
Figura 27 - Actuación de las bibliotecas dominicanas frente a las L&amp;E..........................................141
Figura 28 - Participants knowledge about the Trinidad and Tobago Copyright Law......................147
Figura 29 - Performance of the Trinidad and Tobago libraries in face of the L&amp;E..........................148
Figura 30 - Limitaciones &amp; excepciones presentes en las leyes de derecho de autor de los países de
la encuesta ...............................................................................................................................162
Cuadro 1 - Derechos conferidos de el derecho de autor................................................................29
Cuadro 2 - Países participantes en el estudio.................................................................................43
Cuadro 3 - Estrategias de recopilación de datos adoptadas por las equipos nacionales...............153
Cuadro 4 - Total de participantes por país ante las diferentes técnicas de recopilación de datos
utilizadas...................................................................................................................................154
Cuadro 5 - Tipo de bibliotecas representadas em este estúdio.....................................................156
Cuadro 6 - Frecuencia de L&amp;E en la Ley de Derecho de Autor de los países de la encuesta..........158

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

Tabla 1 - Frecuencia de L&amp;E en las legislaciones de los países de la encuesta........................... 157
Tabla 2 - Frecuencia de las L&amp;E en la región........................................................................... 159

�LISTA DE SIGLAS Y ABREVIATURAS

LISTA DE SIGLAS Y ABREVIATURAS
@CC

Creative Commons

ABDAH

Association des Bibliothécaires Documentalistes et Archivistes d’Haïti

ABDR

Associação Brasileira de Direitos Reprográficos

ABES

Asociación de Bibliotecarios de El Salvador

ABG

Asociación Bibliotecológica de Guatemala

ABGRA

Asociación de Bibliotecarios Graduados de la República Argentina

ABUD

Asociación de Bibliotecas Universitarias Dominicanas

ADRU

Asociación Dominicana de Rectores de Universidades

AMBAC

Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C.

ANABE

Asociacion Nacional de Bibliotecarios Eugenio Espejo - Ecuador

ANIBIPA

Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines

APABIP

Asociación Panameña de Bibliotecarios

ASCUBI

Asociación Cubana de Bibliotecarios

B-Copy

Barbados Copyright Agency

BHDA

Bureau Haïtien du Droit d’Auteur

BNH

Bibliothèque Nationale d’Haïti

BNP

Biblioteca Nacional de Perú

BSLA

Building Strong Library Association, IFLA

CABID

Comisión Asesora de Bibliotecas del Consejo de Rectores, Chile

CADRA

Centro de Administración de Derechos Reprográficos, Argentina

CBC

Colegio de Bibliotecarios de Chile A.G.

CBP

Colegio de Bibliotecólogos del Perú

CEE

Comunidad Económica Europea

CENDA

Centro Nacional de Derecho de Autor, Cuba

COSTAATT

College of Science, Technology and Applied Arts of Trinidad and Tobago

COTT

Copyright Music Organization of Trinidad and Tobago

CPD

Continuing Professional Development

DD.HH.

Derechos Humanos

D.A.

Derecho de autor

EEUU

Estados Unidos

EIFL

Electronic Information for Libraries

FAQ

Frequently Asked Questions

FEBAB

Federación Brasileña de Asociaciones de Bibliotecarios, Científicos de la Información y las Instituciones

FESABID

Federación Española de Sociedades de Archivística, Biblioteconomía, Documentación y Museística

FLACSO

Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales

ICA

Consejo Internacional de Archivos - International Council on Archives

IDEC

Instituto Brasileiro de Defensa do Consumidor

IFLA

The International Federation of Library Associations and Institutions

IFLA LAC

Sección de América Latina y el Caribe de la IFLA

IFLA MLAS

Management of Library Associations Section of IFLA

INDECOPI

Instituto Nacional de Defensa de la Competencia y de la Protección de la Propiedad Intelectual, Perú

�INTEC

Instituto Tecnológico de Santo Domingo, República Dominicana

IP

Intellectual Property

IPO

Intellectual Property Office (Trinidad and Tobago)

JAMCOPY

Jamaican Copyright Licensing Agency

JIPO

The Jamaica Intellectual Property Office

L&amp;E

Limitaciones y Excepciones

LAC

Latin American and Caribbean / América Latina y Caribe

LATT

Library Association of Trinidad and Tobago

LDA

Ley de Derechos de Autor

LIAJA

The Jamaica Library Association

MINCyT

Ministerio de Ciencia, Tecnologia e Innovación Productiva da Argentina

NALIS

National Library and Information System Authority, Trinidad and Tobago

NATT

National Archives of Trinidad and Tobago

NGO

Non-governmental organization / Organizaciones no gubernamentales

NLJ

The National Library of Jamaica

ODS

Objetivo de Desarrollo Sostenible de la Agenda 2030, ONU

OMC

Organización Mundial del Comercio

OMPI

Organización Mundial de la Propiedad Intelectual

ONG

Organización no gubernamental

ONU

Organización de las Naciones Unidas

PIDESC

Pacto Internacional de Direitos Economicos, Sociais e Culturais

PUCMM

Pontificia Universidad Católica Madre y Maestra, República Dominicana

SCCR

Comité Permanente de Derechos de Autor y Derechos Relacionados de la OMPI / Standing Committee on
Copyright and Related Rights

SPSS

Statistical Package for the Social Sciences

TISA

Acuerdo en Comercio de Servicios

TLC

Tratado de Libre Comercio

TLIB

Tratado sobre Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas y Archives / Treaty Proposal on Copyright
Limitations and Exceptions for Libraries and Archives

TPP

Acuerdo Transpacífico de Cooperación Económica

TRIPS

Trade Related Aspects of Intellectual Property

TTIP

Tratado Transatlántico de Comercio e Inversiones

TTRRO

Organização de Direitos de Reprodução de Trinidad e Tobago

UCNE

Universidad Católica Nordestana, República Dominicana

ULAC

Unión Latinoamericana de Ciegos

UNPHU

Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña, República Dominicana

USAC

Universidad de San Carlos, Guatemala

USC

University of the Southern Caribbean, Trinidad and Tobago

USP

Universidade de São Paulo, Brasil

UTT

University of Trinidad and Tobago

WLIC

IFLA World Library and Information Congress

���SUMARIO

SUMARIO
Lista de ilustraciones..................................................................................................................... 11
Lista de siglas y abreviaturas........................................................................................................13
Prefacio 1 - Adriana Cybele Ferrari..............................................................................................19
Prefacio 2 - Stuart Hamilton..........................................................................................................21
Presentación - Sueli Mara Soares Pinto Ferreira ...........................................................................23
1 - INTRODUCCIÓN – El rol de las Limitaciones y Excepciones para las bibliotecas en la legislación
de derechos de autor...................................................................................................................27
1.1 - Objetivos de la investigación............................................................................................35
1.2 - Justificación de la investigación........................................................................................35
2 - PROCEDIMIENTOS METODOLÓGICOS.................................................................................39
3 - ANÁLISIS DE DATOS – Situación de las bibliotecas de América Latina y el Caribe
con relación al derecho de autor..................................................................................................43
3.1 - Argentina – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor....................44
3.2 - Brasil – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor...........................54
3.3 - Chile – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor ..........................63
3.4 - Cuba – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor ..........................71
3.5 - Ecuador – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor .....................79
3.6 - El Salvador – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor . ...............85
3.7 - Guatemala – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor .................92
3.8 - Haití – Etat des Bibliothèques en ce qui concerne le droit d’auteur....................................98
3.9 - Jamaica – state of the libraries regarding copyright.......................................................102
3.10 - México – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor.................... 110
3.11 - Nicaragua – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor.................117
3.12 - Panamá – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor...................122
3.13 - Peru – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor.........................130
3.14 - República Dominicana – situación de las bibliotecas en relación con el derecho
de autor...............................................................................................................................137
3.15 - Trinidad and Tobago – state of the libraries regarding copyright...................................145
4 - RESULTADOS REGIONALES.................................................................................................153
4.1 - Estrategias adoptadas cuanto a la recopilación de datos y perfiles de participantes........153
4.2 - Presencia de las L&amp;E estudiadas en los Países involucrados............................................. 157
4.3 - Demanda detectada .................................................................................................... 161
5 - CONSIDERACIONES FINALES.............................................................................................. 167
6 - REFERENCIAS.......................................................................................................................169
APÉNDICES...............................................................................................................................179
- A - Modelo del cuestionario propuesto a los equipos nacionales.......................................... 181
- B - Guía de preguntas para debate en las entrevistas........................................................... 187

��PREFACIO 1

19

PREFACIO 1
A América Latina e o Caribe estão entre as regiões do mundo onde se concentram
as legislações nacionais de direitos de autor mais restritivas no que se refere ao acesso à
informação.
Neste contexto, as associações nacionais de bibliotecários abraçaram a proposta
da Seção da América Latina e Caribe da IFLA para desenvolver um estudo sobre essa
realidade, envolvendo a percepção dos bibliotecários.
Os resultados obtidos em quinze países envolvidos, proporcionaram distintas visões da
realidade, tanto em termos nacional, como macro e regional. Tais resultados evidenciam
a necessidade de definir estratégias urgentes a serem desenvolvidas nacionalmente pelas
associações profissionais. E ainda, podem estimular o planejamento e proposição de uma
série de frentes de atuação em termos regionais, favorecendo que bibliotecários latinoamericanos possam se apoiar mutuamente, intercambiar experiências e compartilhar
conhecimentos neste tema árido e de pouca literatura específica.
O capítulo sobre o Brasil foi liderado pela FEBAB resultando num perfil nacional a
partir da visão e participação de profissionais de diversas regiões do país.
Neste espírito colaborativo é que a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso
Aberto (CBDA3) da FEBAB assumiu a tarefa de editar e publicar este E-Book com os
resultados finais do Projeto da IFLA LAC. Essa ação visa divulgar este esforço coletivo
para dar maior visibilidade a este mapeamento regional e para mostrar mais um exemplo
de trabalho em parceria, principalmente porque podemos construir juntos caminhos para
transpor os desafios sempre constantes para as bibliotecas e bibliotecários.
Esperamos que sua leitura possa estimular novas ações, inspirar futuras alianças e
motivar todos aqueles que lutam pela igualdade de acesso à informação e pela existência
de bibliotecas sem fronteiras, como um direito humano universal que são bases alcançarmos
o desenvolvimento que desejamos na América Latina e Caribe.

Adriana Cybele Ferrari
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientistas da Informação
e Instituições
Presidente - 2017-2020

�20

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�PREFACIO 2

21

PREFACIO 2
		 For libraries, the shift to a digital information environment has changed everything.
Information transfer to our users, no matter where they are, no matter if the physical library
is open or not – this dream can now be a reality thanks to the potential of the Internet.
Yet librarians cannot just go ahead and provide information without restriction: we are
committed, as we always have been, to provide legal access within the boundaries of
national, regional and international copyright frameworks. We respect the rights of authors
and rightsholders whose works fill our databases and shelves.
But we are facing a major problem. All over the world, libraries are relying on
copyright frameworks that are outdated, or not fit for purpose. As demonstrated in Professor
Kenneth Crews 2014 World Intellectual Property Organization (WIPO) study on copyright
exceptions and limitations for libraries and archives, a patchwork of provisions exists which
fail to support libraries in the digital age1. While 156 of 188 countries surveyed (83%) –
have at least one statutory library exception in their national copyright law, 32 countries
(17%) of those surveyed have no provision for libraries at all. Barely half of the world’s
countries have any provisions for fundamental library activities such as preservation, or
making copies for research or study. In Latin America and the Caribbean, the situation is
particularly sub-optimal, with six countries (Argentina, Brazil, Costa Rica, Haití, Suriname,
Uruguay) having no copyright exception for libraries.
Which is why this book is so important. Librarians have to make the case for change.
At the 2016 World Library and Information Congress in Columbus an extraordinary
conference session saw librarians from sixteen Latin American and Caribbean countries
explain in detail how their domestic copyright laws were not keeping up with the promise
of the digital age. This book, which is the captured testimony of that session, is an essential
document, as it contains the first-hand experience of librarians struggling to work within
laws that in many cases do not even serve the library of the print age. These essays are
crucial evidence for library advocacy, to be used by all of us who want to see change: at
WIPO, where IFLA is campaigning for an international instrument to upgrade the situation
for all libraries worldwide; and at national levels too, where national associations and
library champions have a key role to play in alerting decision-makers to the situation.
To our Latin American and Caribbean colleagues: read this book, and make a plan to
change things in your countries. And to the rest of us: read it too, and think about what can
be done where you are working. Perhaps we need a book like this for every IFLA region?
Good advocacy is always better with good evidence, after all.

Stuart James Hamilton
IFLA Deputy Secretary General, Director, Policy &amp; Advocacy, 2009-2017
Qatar National Library Deputy Executive Director, International Relations &amp;
Communications, 2017 – 2019

1- http://www.wipo.int/meetings/en/doc_details.jsp?doc_id=306216

�22

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�PRESENTACIÓN

23

PRESENTACIÓN
América Latina y el Caribe es una región con alta concentración de países sin o
con pocas limitaciones y excepciones a los derechos de autor y derechos conexos
específicamente para las bibliotecas, archivos y museos. Incluso cuando estas limitaciones
y excepciones existen, en la mayoría de casos no están adecuadamente adaptadas al
ámbito digital. Solamente con la presencia de limitaciones y excepciones modernas en
las leyes nacionales y con instrumentos o tratados internacionales, dichas instituciones
culturales podrán continuar ofreciendo sus servicios y productos con la calidad necesaria
y, principalmente, asegurando el acceso democrático, igualitario y de derecho a todos los
ciudadanos.
Con el objetivo de actuar en ese contexto, el Comité Permanente de la Sección para
América Latina y el Caribe de la Federación Internacional de Asociaciones de Bibliotecas e
Instituciones (IFLA LAC) realizó, en 2016, el proyecto integrado “Impacto de la legislación
sobre los derechos de autor en las bibliotecas en América Latina y el Caribe”2, cuyo
objetivo era identificar y registrar las principales dificultades, problemas y situaciones que
las bibliotecas enfrentan diariamente en la situación de trabajo, causados por la falta de
actualización, la complejidad o la ausencia de leyes nacionales de derechos de autor en
la región.
Las Asociaciones o Colegios de bibliotecarios de 35 países de la región fueron
invitados a participar en ese proyecto con la tarea de analizar la situación de su país
y registrar ejemplos, sean de bibliotecas nacionales, públicas, universitarias, escolares,
especializadas y otras. Dichas Asociaciones o Colegios también fueron incentivados a
invitar a especialistas externos para formar parte del equipo del proyecto, en caso de que
no tuvieran un Comité de Derechos de Autor y/o ningún miembro proficiente en el tema.
Dieciocho países se interesaron en participar: Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia,
Costa Rica, Cuba, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Haití, Jamaica, México, Nicaragua,
Panamá, Perú, República Dominicana, Trinidad and Tobago. De esos países, con excepción
de Bolivia y Costa Rica, todos los demás dieciséis efectivamente finalizaron y presentaron
sus resultados iniciales en la Sesión 123 “Limitations and exceptions for libraries in the
copyright legislation of the Latin America and the Caribbean countries: a call for action”,
durante el Congreso International de IFLA (WLIC 2016) promovido por IFLA LAC, en
Columbus, Ohio, en agosto de 20163.
Finalmente, para completar y efectivamente concluir el referido proyecto, estamos
publicando este libro en el cual hemos recopilado los estudios de caso y relatos nacionales de
quince países pero, principalmente, damos una atención especial al debate y presentación
de un diagnóstico de la región hecho a partir de esos estudios locales. Dicho diagnóstico
solo fue posible después de la normalización de los diferentes resultados país a país, lo
que nos permitió extraer datos comunes, hacer una interpretación comparativa entre ellos
y, finalmente, la concepción y presentación de una visión condensada de la región.
Así, la propuesta de publicar este libro va más allá de tan solo difundir los resultados de
la investigación, deseamos diseminar nacional e internacionalmente testimonios y relatos
que ilustran claramente la situación de las bibliotecas LAC, demostrar la necesidad y
2 - Más informaciones sobre el proyecto: http://www.ifla.org/node/10304
3 - El programa completo de la Sesión123 en WLIC 2016 y el texto completo de los papers están disponibles, respectivamente en: http://
www.professionalabstracts.com/iflawlic2016/programme-iflawlic2016.pdf y en la Biblioteca Digital de IFLA - http:// http://library.ifla.org/

�urgencia de cambios tanto en los aspectos legales como en el aspecto práctico y preservar
la memoria de lo que se hizo en esa increíble alianza entre asociaciones/colegios y la
Sección IFLA LAC.
¡Sí, este libro pretende llegar más lejos! Tiene la pretensión de servir como instrumento
de apoyo para los profesionales de la región en lo concerniente a: (a) el desarrollo de
estrategias y acciones más contundentes para buscar el equilibrio legal en sus países en
lo que se refiere a la Ley de derechos de autor, (b) la identificación de los principales
puntos de debate sobre el tema de las limitaciones y excepciones al derecho de autor,
(c) la inserción de la temática en el programa y disciplinas de los cursos de graduación y
programas de posgrado en biblioteconomía y ciencia de la información de los diferentes
países y, finalmente, (d) la divulgación de los resultados aquí alcanzados con los países de
América Latina y el Caribe, de modo a establecer una red de intercambio y apoyo entre
los profesionales de la región.
Para ello, su estructura fue organizada objetivando detallar, en el primer capítulo de
la Introducción, un poco más sobre el proyecto, el soporte teórico y conceptual que lo
fundamenta, y presentando brevemente el marco jurídico de las limitaciones y excepciones
al derecho de autorEn el capítulo 2 se describen los procedimientos metodológicos
propuestos por el equipo gestor del proyecto, así como aquellos efectivamente utilizados
por los diferentes países. El capítulo 3 sigue con el Análisis de datos, iniciado con una visión
global de la muestra estudiada regionalmente, seguido de quince subcapítulos dedicados
individualmente a cada uno de los países aquí presentes.
Así, iniciamos con la presentación de los datos recopilados en Argentina, conteniendo
la descripción de innumerables y relevantes testimonios de los entrevistados, que trabajan
en un país donde la falta de excepciones y limitaciones adecuadas puede convertir a los
bibliotecarios en infractores del derecho de autor simplemente por realizar su trabajo.
Los resultados referentes a Brasil también dejan clara la dificultad que están viviendo los
actuales bibliotecarios brasileños. Ambos países poseen las leyes de derecho de autor más
restrictivas de todos los países aquí estudiados.
El relato de Chile es importante incluso porque describe sobre las informaciones a
respecto de la reciente alteración ocurrida en su legislación (2014), poniendo de relieve
que, aún así, dicha legislación todavía no introdujo cláusulas necesarias para el medio
digital. Otro país que también cuenta con actualización reciente en la ley (2015) es
Jamaica y, aunque sea reciente, también deja evidente las innumerables desventajas e
impedimentos aún existentes actualmente en su ley.
Es interesante observar que la legislación cubana de derechos de autor, a pesar de su
obsolescencia, contiene algunas limitaciones y excepciones que favorecen de cierto modo
que las bibliotecas cumplan su misión actual y realicen ciertos servicios de información en
función de la satisfacción de las necesidades y demandas de la sociedad. En el caso de
la República Dominicana, se observa la existencia de una brecha normativa en diversas
áreas donde sí podría incidir la legislación, como es el caso de acciones a respecto de la
preservación documental con fines patrimoniales, de servicio y de gestión de información.
La Ley del Ecuador, en el momento de la compilación de los datos, tenía establecido
que el préstamo solo era permitido por tiempo limitado y par a consulta “in situ”, haciendo
que este servicio se limite a las bibliotecas institucionales, principalmente universitarias,
que les prestan libros a sus miembros (estudiantes y empleados). Pero, en las bibliotecas

�PRESENTACIÓN

25

públicas, el préstamo externo hasta el primero semestre de 2016 era poco habitual4.
Tanto Guatemala, México y Trinidad and Tobago apuntan explícitamente hacia la
necesidad de inserción del tema referente a los derechos de autor en la formación y
capacitación de los profesionales de bibliotecas. Asimismo, esa necesidad también es
importante en Haití y en Panamá donde el estudio revela que, para los encuestados, la
legislación sobre derechos de autor es prácticamente desconocida en sus países.
Los estudios realizados en Nicaragua, El Salvador y Perú, además de los profesionales
actuantes en bibliotecas, involucran también a representantes de los institutos nacionales
que actúan en el ámbito de la propiedad intelectual en sus países. Fue interesante observar
la respuesta positiva y las posibles aperturas derivadas de esos encuentros. Se espera
que en las futuras reformas de las leyes en esos países haya una mayor participación,
involucramiento y consulta a los profesionales bibliotecarios.
Finalmente, el capítulo 4 indica los resultados más relevantes en términos de presencia
de las limitaciones y excepciones estudiadas en las leyes nacionales de los quince países
involucrados, el conocimiento de esas leyes por parte de los participantes, así como la
prestación de servicios de las bibliotecas ante la existencia o no de limitaciones en las leyes
nacionales. Con base en esos resultados, el capítulo 5 presenta las consideraciones finales
con recomendaciones para futuros proyectos y estudios a ser desarrollados aisladamente
por los diferentes países, o en asociaciones entre ellos y la propia Sección IFLA LAC.
Por todo eso, deseamos que el lector saque provecho de las informaciones que aquí se
encuentran y experimenten con nosotros las inquietudes que rondan el mundo del acceso
igualitario y democrático a la información, así como de la oferta calificada de servicios
bibliotecarios en la actual era digital. ¡Pero, principalmente, que se sienta interesado en
definir cuáles acciones están a su alcance y se sienta motivado a ejecutarlas!

Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Catedrática de la Universidad de São Paulo (USP), Brasil
Chair de la Sección de América Latina y del Caribe de IFLA (2015-2017)
Chair de la IFLA División V (2017-2019)
Miembro de la Junta del Gobierno de la IFLA (2017-2021)
@SuelimaraUsp

4- Tenga em cuenta que la coleta de dados de este estudio se completó en marzo de 2016 y la nueva y actual legislación se aprobó en
diciembre de 2016. Por lo tanto, como ya se mencionó, el capítulo sobre Ecuador continúa manteniendo los resultados del estudio hecho (o
sea, en línea con la legislación de 1998). Y la información incluida en el capítulo 4, segundo el estudio de CREWS 2017, ya se refiere a la
legislación vigente (diciembre de 2016).

��1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

1 - INTRODUCCIÓN - El rol de las limitaciones y
excepciones para las bibliotecas en la legislación
de derechos de autor
Recorriendo al contenido del Curso “ABC del Derecho de Autor para Bibliotecarios de
América Latina”(P2PU, 2014), tenemos que:
Derecho de autor (DA) es un concepto legal que concede a los autores y artistas el control sobre ciertos
usos de sus creaciones durante períodos de tiempo definidos. Limita quién puede copiar, cambiar,
ejecutar o compartir esas creaciones. Otro punto de vista es que el derecho asegura que los autores
reciban un pago justo por su esfuerzo. Un tercer punto de vista es que el trabajo creativo es una
expresión de la personalidad de su creador y, por lo tanto, debería protegerse contra el uso sin permiso
de su autor. (versión online).

Complementando esa definición, Pabón Cadavid (2014) menciona que
eesta protección se manifiesta fundamentalmente en la imposibilidad de que se utilicen las obras sin
la autorización previa y expresa del titular del derecho de autor, de tal forma que la ley otorga una
facultad exclusiva al autor sobre las diversas formas de explotación de la obra. Facultad que, como
cualquier otro derecho, se puede disponer, negociar, renunciar, ceder, heredar. El derecho de autor
es una especie dentro de la categoría general de protección a la propiedad intelectual, con diferentes
alcances y denominaciones según el país donde se aborde el tema. (p.10)

Así, los derechos de autor son un conjunto de derechos que la ley concede a los
autores de obras literarias, artísticas o científicas sobre sus obras. Permite que el autor
pueda usar o explotar su trabajo, o pueda transferir o ceder la titularidad de sus derechos
para que otros lo hagan. Tiene por objeto la protección de obras originales materializadas
en un soporte. Por lo tanto, el derecho de autor protege la expresión original de ideas, y
no las ideas en sí.
Gallardo (2010) en su “Guía legal bibliotecario”, cita que esta autoría original, en
casi todos los países, está representada en diversas formas que pueden ser sintetizadas
en: trabajos literarios (libros, artículos, cartas etc.); trabajos musicales; trabajos dramáticos
(óperas, obras de teatro); artes gráficas (fotografías, esculturas, pinturas etc.); imágenes en
movimiento y trabajos audiovisuales (películas, videos, programas televisivos etc.); trabajos
arquitectónicos y programas de computación. Las grabaciones sonoras (en algunos países
sí, en otros con normas relacionas y separadas conocidas como derechos conexos). Los
trabajos gubernamentales como mapas, informes oficiales y opiniones judiciales, están
protegidos por leyes de derecho de autor en algunos países, mientras que en otros se
consideran parte del Dominio Público.
Esta publicación no pretende cubrir todos los ámbitos del derecho de autor, y algunos
temas como los derechos conexos, la limitación temporal, el dominio público y la delegación
de permiso a terceros quedan fuera del análisis. Pero, algunas de estos conceptos ahora
merecen ser revisitados, aunque con una breve definición.
En lo que se refiere a derechos conexos, Villarroel V. (2012)5 en el libro “Creando
Derecho: Guía para comprender el Derecho de Autor”, menciona que:
Derechos conexos (también conocidos como derechos relacionados) son derechos vecinos y muy similares
a los derechos de autor, generados por el trabajo de los cantantes, actores, bailarines, declamadores
5- https://issuu.com/comucepucepeducacionpermanente/docs/e-book_abc

27

�28

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

y otros intérpretes o ejecutantes de obras literarias o artísticas y expresiones del folklore. También los
productos de industrias relacionadas, como los productores de discos o fonogramas que graban esas
interpretaciones y los organismos de radio o televisión que los difunden.

Sobre el tiempo limitado de protección es necesario identificar que la protección del
derecho de autor se otorga desde el propio momento de la creación y es válida hasta un
cierto número de años después de la muerte del autor. Ese período varía de país a país,
de acuerdo con su legislación y, específicamente, en América Latina y el Caribe se tienen
países que aprobaron vida+50, vida+70, vida+90 hasta vida+100 años como período
de cobertura. Varios matices pueden estar presentes en ese conteo de años, como la
existencia de herederos, obras de autoría desconocidas, derivadas, póstumas etc.
Con el término de ese período de protección se dice que la obra “cae” en el dominio
público, lo que representa el fin de los derechos patrimoniales del autor sobre la obra
intelectual. Las obras que entran en el dominio público pasan a pertenecer a la colectividad,
pudiendo ser libremente utilizadas, cualquier persona puede copiarlas, digitalizarlas, volver
a utilizarlas o compartir ese trabajo como lo desee. La siguiente definición corrobora y
amplía el entendimiento sobre el tema mostrando también la posibilidad de que cualquier
obra sea de acceso público, siempre y cuando sus autores así lo deseen.
El Dominio Público es el nombre dado al conjunto de los trabajos creativos que no están protegidos por
la legislación de los derechos de autor – ya sea porque no están cubiertos por los términos delimitados
por la legislación, porque sus creadores no cumplieron con requerimientos formales en el pasado,
o porque sus creadores donaron voluntariamente al público en general los derechos que pudieron
generar. (P2PU, 2014, p.22)6.

Decir que una obra está protegida por derechos de autor, como ya fue mencionado,
significa que el titular de derechos (el creador de la obra, sus herederos o un tercero que
haya adquirido los derechos) puede decidir sobre el uso exclusivo de la obra. Por lo tanto,
cualquier uso de la referida obra requiere el permiso del autor o del titular de los derechos,
excepto que una disposición legal autorice el uso sin necesidad de su consentimiento, que
son las denominadas excepciones y limitaciones al derecho de autor.
La Organización Mundial de la Propiedad Intelectual (OMPI, 2016) describe que son
dos los tipos de derecho protegidos por el derecho de autor:
Los derechos patrimoniales permiten a los titulares de derechos percibir una retribución económica
porque terceros utilicen sus obras. Los derechos morales permiten que el autor o el creador tomen
determinadas medidas para preservar y proteger los vínculos que los unen a sus obras. El autor o el
creador pueden ser los titulares de los derechos patrimoniales o bien tales derechos pueden ser cedidos
a uno o más titulares de derecho de autor. (p.9)7.

El siguiente cuadro ejemplifica los dos tipos de derechos:

6- https://issuu.com/comucepucepeducacionpermanente/docs/e-book_abc
7- http://www.wipo.int/edocs/pubdocs/es/wipo_pub_909_2016.pdf

�1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

CUADRO 1 - Derechos conferidos por el derecho de autor

DERECHO DE AUTOR
DERECHO MORAL
DERECHO PATRIMONIAL
Derecho a la Paternidad
Derecho a la Integridad
Derecho al Arrepentimiento

Reproducción
Distribución
Comunicación al público

Intransferible
Imprescriptible
Irrenunciable

Transferible
Independientes entre sí
Limitados en el tiempo
(vida del autor+PLUSaños)

OBS. PLUS = el número de años de acuerdo con la legislación del país.

Se observa que el derecho moral, como presentado en el cuadro anterior, establece
un vínculo estrecho entre la obra creada y el sujeto de la protección, el autor. Por lo tanto,
está relacionado a sus créditos o, en otras palabras, al derecho de reivindicar su autoría.
De ese modo, el autor tiene derecho a tener la obra reconocida como suya y a su
preservación de la forma como fue originalmente creada. Ese derecho a la paternidad es
irrenunciable, o sea, el autor no puede renunciar a él ni venderlo o transferirlo. El derecho
moral es perpetuo. Comprende:
• El derecho a la integridad, por ejemplo, el derecho a evitar la destrucción o mutilación de una
pintura o escultura;
• El derecho al reconocimiento, es decir, el derecho a recibir el crédito que corresponda a la creación
y no ser inculpado por algo que no haya creado;
• El derecho a la difusión (el derecho a determinar cuándo y si un trabajo se hará público); y
• El derecho a la supresión (el derecho –en algunas circunstancias limitadas– a retirar de circulación
las copias de un trabajo que su autor lamenta haber realizado). (P2PU, 2014)8.

A su vez, los derechos patrimoniales (también conocidos como derechos económicos)
permiten que el autor utilice, goce y disponga de la obra como mejor considere, incluso
para obtener beneficio económico. Siendo así, puede permitir que terceros usen, traduzcan
y reproduzcan su obra, negociando su uso de forma integral o parcial. Esa negociación se
puede hacer en carácter gratuito o no. Los derechos patrimoniales pueden ser transferidos
mediante cesión, licencia o cualquier otra modalidad prevista en derecho. Al titular es
concedido el derecho de explorar económicamente el objeto de protección intelectual e
impedir que terceros lo hagan. La fecha de caducidad del derecho patrimonial es igual al
período de vida del autor más el plazo estipulado por ley después de su muerte, cuando
pasa a ser de dominio público. Los derechos patrimoniales son:
• El derecho de reproducir el trabajo, es decir, realizar copias del mismo;
• El derecho a crear trabajos derivados (tales como traducciones, copias abreviadas o adaptaciones);
• El derecho a distribuir el trabajo, por ejemplo, mediante venta o alquiler de las copias; y
• El derecho a ejecutar o exhibir el trabajo públicamente. (P2PU, 2014)9.

8- https://courses.p2pu.org/es/courses/2178/abc-del-derecho-de-autor-para-bibliotecarios-de-am%C3%A9rica-latina/
9- https://courses.p2pu.org/es/courses/2178/abc-del-derecho-de-autor-para-bibliotecarios-de-am%C3%A9rica-latina/

29

�30

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

En la búsqueda de un equilibrio entre el interés público y el privado, al mismo tiempo en
que la Ley de Derecho de Autor (LDA) concede una serie de derechos al autor con relación
a sus obras, ella también impone algunos límites a esos derechos que son conocidos como
limitaciones y excepciones (L&amp;E) a los derechos de autor.
...el sistema internacional de protección de los derechos de autor también objetiva alcanzar un equilibrio
entre los intereses privados (de los autores y empresas cuyas actividades dependen de esos derechos) y
públicos de acceso a las obras protegidas. En ese sentido, la Convención de Berna y el Acuerdo TRIPS
autorizan a sus Estados-partes a establecer limitaciones a los derechos patrimoniales de los autores
con el fin de promover determinadas políticas públicas. La norma general de la Regla de los Tres
Pasos (three-step test), que regula y dirige las limitaciones a los derechos exclusivos de los autores, fue
introducida en la Convención de Berna, en 1967, durante la revisión de Estocolmo, estando actualmente
prevista en el art. 9.2 de la Convención de Berna (revisión de París) y en el art. 13 del Acuerdo TRIPS de
la Organización Mundial del Comercio (OMC) (BASSO, 2007, p.499).

La existencia de L&amp;E, por lo tanto, son autorizaciones que constan en la ley con
el objetivo de favorecer el uso de una obra intelectual protegida, sin necesariamente
tener que obtener la autorización previa del titular ni pagar remuneración al titular del
derecho de autor. A menudo son creadas en relación con objetivos de interés público,
como la educación, el acceso a la información, la libertad de prensa, los intereses de
las colectividades etc. Aunque esas excepciones varíen según el país, algunos ejemplos
relativamente comunes pueden ser citados, tales como copia de pequeños trechos, copia
para uso personal, cita de fragmentos para finalidades de investigación o para efectos de
debate y polémica, la ejecución musical y la representación teatral en el receso familiar
etc. En algunos países es posible incluir copias para archivo y preservación por parte de
bibliotecas, y también conversión de textos y obras para formatos accesibles objetivando
atender a las personas discapacitadas.
Independiente del sistema legal, las nuevas tecnologías y los desarrollos sociales
plantean desafíos a los marcos normativos existentes, tanto en lo que concierne a los
derechos exclusivos como a las excepciones a éstos. Una tarea clave para las bibliotecas
y las asociaciones de bibliotecas es ejercer influencia para conseguir leyes socialmente
más justas que garanticen el derecho humano y universal de acceso a la información, al
conocimiento y participación en la cultura, investigación y aprendizaje, como preven los
Arts. 19 y 27 de la Declaración Universal de los Derechos Humanos (DD.HH.) y el art. 15
del Pacto Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales (PIDESC).
De ese modo, el Tratado de Marrakech se encuentra en vigencia y obliga a todos
los países miembros que han ratificado el tratado a adoptar limitaciones y excepciones
para la creación y el intercambio transfronterizo de determinadas obras publicadas en
formatos accesibles para personas ciegas, con discapacidad visual o con otras dificultades
(como la dislexia, por ejemplo) para acceder al texto impreso. Por lo tanto, esos países
deben empoderarse e implementar mecanismos de inclusión y accesibilidad al texto
impreso y consecuentemente a los beneficios de la cultura, de las artes y de las ciencias.
Tal conquista es claramente relativa a los principios de la no discriminación, de la igualdad
de oportunidades, de la accesibilidad y de la participación e inclusión plena y efectiva en
la sociedad, proclamados en la Declaración Universal de los Derechos Humanos y en la
Convención de las Naciones Unidas sobre los Derechos de las Personas con Discapacidad.
El Tratado de Marrakech es, hasta la fecha, el único tratado de la OMPI que legisla
sobre los derechos de los usuarios. Sin embargo, teniendo en cuenta la inexistencia de L&amp;E

�1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

que permita cumplir efectivamente la misión de las bibliotecas y de los archivos en muchos
países, especialmente en los países en desarrollo, la OMPI está discutiendo un posible
instrumento jurídico internacional sobre excepciones y limitaciones en materia de derecho
de autor para estas entidades. Actualmente, según el P2PU10 existen dos propuestas de
instrumentos en discusión en la OMPI:
“Una del grupo africano y otra por iniciativa de Ecuador, Brasil y Uruguay, apoyada por la International
Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), y a su vez un documento de trabajo del Comité
Permanente de Derechos de Autor y Derechos Conexos de la OMPI”.

Para subsidiar dicho debate, el Comité Permanente sobre Derechos de Autor y
Derechos Conexos (SCCR - Standing Committee on Copyright and Related Rights) de la
OMPI le solicitó al investigador Kenneth Crews, que realizara un estudio de las leyes de
derecho de autor de todos los países miembros de la ONU, mapeando específicamente
la situación de las respectivas legislaciones sobre posibles L&amp;E a favor de las bibliotecas,
archivos y museos.
Según el estudio de CREWS (2008)11, revisado y sintetizado en 201512 y presentado
por el propio autor a la OMPI13 los resultados encontrados fueron:
• De los 184 países miembros de la ONU, se analizó la legislación de 149 países. (En 2015, ya eran
187 países y 186 legislaciones);
• 21 países no tienen excepciones de bibliotecas y archivos. (En 2015, aumentaron a 33 países);
• 27 países tienen excepción general solo para bibliotecas. (En 2015, 34 países);
• 74 países tienen excepciones para copiar por investigación o estudio;
• 72 países tienen excepciones para copiar por provisiones de preservación;
• 67 países tienen excepciones para copia para sustitución de originales desgastados que ya no están
disponibles para compra;
• 17 países tienen excepciones para el suministro de documentos;
• 6 países tienen excepciones para préstamos interbibliotecarios; y
• 26 países tienen excepciones para soluciones legales para la antievasión de las Medidas de Protección
Tecnológica.

También menciona que muchas legislaciones analizadas no estaban actualizadas con
relación a las demandas actuales, por otro lado, pocos sabían exactamente cuáles eran
las necesidades actuales para que las bibliotecas pudieran continuar ofreciendo servicios
de calidad, especialmente en esa era digital. En ese contexto, queda claro que fuera del
problema de un tratado internacional, existía la necesidad de una revisión también en las
leyes de los diversos países, especialmente en los países en desarrollo, entre ellos América
Latina y el Caribe (LAC).
Los resultados encontrados por CREWS (2017)14 fueran:
• 191 Países Miembros (en 2015: 188 Miembros)
• Encontrado: Estatutos de los 191 Países
• Sin excepción de biblioteca: 28 países
• Excepción general solamente: 21 países
10- https://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/wipo_cr_han_17/wipo_cr_han_17_t4.pdf
11- http://www.wipo.int/meetings/es/doc_details.jsp?doc_id=109192
12- http://www.wipo.int/meetings/es/doc_details.jsp?doc_id=306216
13- http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/es/sccr_29/sccr_29_presentations.pdf
14- https://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/wipo_cr_han_17/wipo_cr_han_17_t4.pdf

31

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

32

Por lo tanto, las tendencias son:
• Menos países sin excepción
• Menos países con una sola excepción
• Influencia de los modelos: los países tienden a mirar vecinos, socios comerciales y consorcios
multinacionales para inspiración y orientación cuando redacción de estatutos.

El siguiente mapa, presentado por CREWS (2017), muestra la distribución de las L&amp;E
para bibliotecas, archivos y museos por países y regiones:
Figura 1- Mapa de la desigualdad - Kenneth Crews

LEYENDA:
Rojo = Sin excepciones en favor de las bibliotecas
Verde = Excepción general únicamente
Los otros = Excepciones especializadas
FUENTE: MONROIG, Miyuki (2017)15

En ese contexto,
la IFLA está trabajando con los Estados Miembros de la OMPI para obtener el apoyo de un instrumento
internacional de vinculación sobre limitaciones y excepciones del copyright para permitir a las bibliotecas
preservar sus colecciones, apoyar la educación y la investigación, y prestar materiales. Para demostrar
lo que se necesita, la IFLA, junto con el Consejo Internacional de Archivos (ICA, por sus siglas en inglés),
el Electronic Information for Libraries (EIFL) y la Corporación Innovarte, han producido una propuesta de
Tratado (TLIB19) para orientar a los Estados Miembros de la OMPI en la actualización de las limitaciones
y excepciones para las bibliotecas en todo el mundo. (IFLA, 2012)16.

Según la IFLA (2013), en ese proprio instrumento,
su propuesta sugiere una base básica para todos los países miembros de la OMPI, estableciendo un
cuadro para las leyes nacionales de derechos de autor que sea flexible y coherente con el derecho
internacional existente. No busca imponer una armonización o un enfoque “one size fits all”. Fue
concebido para acomodar las necesidades comunes, así como la diferenciación en función de los niveles

15- https://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/wipo_cr_han_17/wipo_cr_han_17_t4.pdf
16- http://www.ifla.org/ES/copyright-tlib

�1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

de desarrollo y de las particularidades de los Estados-Miembros de la OMPI. Aunque la propuesta
vuelva obligatorio abordar ciertos temas clave, en la mayor parte de los casos existe flexibilidad para
su aplicación, utilizando el estándar internacional de “práctica justa”, tal como se estableció en la
Convención de Berna. (IFLA, 2013)17.

TLIB discute y presenta un grupo de L&amp;E con base en el conjunto de principios
desarrollados en 2009 por bibliotecarios, especialistas en propiedad intelectual, la Unión
Mundial de Ciegos y representantes de otras organizaciones de la sociedad civil. Objetivan
regir el uso de todas las obras protegidas por derechos de autor y las creaciones protegidas
por derechos conexos, de acuerdo con la legislación nacional. Una descripción completa
de todas las L&amp;E del TLIB pueden ser encontradas en la web18 - Traducción en español del
Tratado sobre Excepciones y Limitaciones para las Bibliotecas y archivos IFLA - Versión 4.3
del 05 de julio de 2012, las cuales son:
• Derecho de importación paralela
• Derecho a préstamos de biblioteca y acceso provisorio
• Derecho a la reproducción y suministro de copias a Bibliotecas y Archivos
• Derecho de Preservación del material de las Bibliotecas y Archivos
• Derecho a usar obras y materiales protegidos por derechos conexos en beneficio de personas con
discapacidades
• Derecho de acceso a obras objeto de retractación o retiradas
• Derecho de uso de obras huérfanas y de material protegido por derechos conexos
• Derecho a los usos transfronterizos
• Traducción de obras por parte de bibliotecas y archivos
• Obligaciones relacionadas con medidas de protección tecnológica
• Limitación sobre la responsabilidad de las bibliotecas y los archivos
• Depósito legal
• Obligaciones relativas a las medidas tecnológicas de protección
• Limitación de responsabilidad por bibliotecas y archivos

Con el objetivo de ampliar el conocimiento de las bibliotecas sobre las limitaciones
y excepciones necesarias de sus necesidades en el siglo XXI, así como reflexionar sobre
cómo involucrarse y apoyar tanto la actualización de sus legislaciones nacionales como
el instrumento internacional de vinculación, IFLA publicó un conjunto de herramientas
con muchos documentos, ejemplos, testimonios y prácticas de diversas bibliotecas en el
mundo19.
Con base en los Lineamientos e Iniciativas clave de IFLA y, especialmente en ese
Programa internacional de IFLA dirigido a los temas de los Derechos de Autor, el Comité
Permanente de la Sección de América Latina y el Caribe definió su plan de acción para el
período de 2015-2017, teniendo como objetivo involucrar a la comunidad de profesionales
de la región en ese debate. Planeando abarcar el mayor número de personas posibles
e, incluso, recurrir a la técnica de despliegue del conocimiento con efecto cascada, se
planificó y desarrolló en el año de 2016 el proyecto “Impacto de la legislación del derecho
de autor en las bibliotecas de América Latina y el Caribe”. Tal proyecto procuró identificar
17- Traducción libre del original en Inglés por la autora. http://www.ifla.org/node/5856
18- http://www.eifl.net/system/files/resources/201408/tlib_v4_4_december_2013.pdf en inglés y la traducción en español http://www.ifla.
org/files/assets/hq/topics/exceptions-limitations/documents/traduccion_espanol_texto_propuesta_tratado_iflajuno2012.pdf
19- IFLA TOOLKIT http://www.ifla.org/node/5871

33

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

34

y registrar las principales dificultades, problemas y situaciones que las bibliotecas están
enfrentando en el cumplimiento de sus tareas y en la oferta de servicios de calidad en la
era digital.
Fue proyectado pensando en una estructura de proyecto integrado en la cual fueron
invitadas a participar todas las asociaciones nacionales de bibliotecarios, o los colegios
profesionales de bibliotecarios o la Biblioteca Nacional de cada país de la región (en ese
orden). La invitación fue enviada a 34 países (aquellos donde conseguimos identificar
asociaciones o colegios profesionales y mismo bibliotecas nacionales) y recibimos la
confirmación de participación de 19 de ellos. En aquel momento, el equipo total de los
proyectos nacionales, locales (o sea, en los países) sumaba 57 personas.
Todos los equipos locales fueron invitados a desarrollar un papel activo en la
investigación, asumiendo la tarea de analizar la situación de sus respectivos países, crear
estrategias de discusión del tema con los profesionales bibliotecarios, recopilar ejemplos
prácticos de sus dificultades y de las demandas de los usuarios, tanto de las bibliotecas
nacionales, públicas, académicas, especializadas y otras. También se orientó a todos los
equipos a formar un grupo de coordinadores con miembros tanto de la propia asociación o
colegio, como también fueron incentivados a buscar apoyo en otras instituciones públicas,
privadas u ONG´s sensibles al tema, que pudieran aportar mayor conocimiento e, incluso,
fuerza política si fuera necesario.
Para la recopilación de datos se sugirieron dos estrategias a cada uno de los equipos:
el uso de cuestionarios (de la forma que mejor conviniera a las condiciones de recursos
humanos y tecnológicos de cada grupo) y el uso de entrevistas (individuales o en grupo).
Ambos métodos fueron respaldados por guías elaboradas a partir de las L&amp;E que constaban
en el Programa de IFLA, el TLIB. La metodología de trabajo será presentada en el capítulo
2, a continuación.
La presentación de los resultados y conclusión de ese proyecto se realizó en dos partes:
(1) Los resultados iniciales fueron presentados en la Sesión Abierta de América Latina y el
Caribe20 durante el Congreso Internacional de IFLA de 2016, que tuvo lugar en la ciudad
de Columbus, Ohio, EE.UU. Los equipos de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Cuba,
Ecuador, El Salvador, Guatemala, Haití, Jamaica, México, Nicaragua, Panamá, Perú,
República Dominicana y Trinidad and Tobago estuvieran presentes. (2) Una reevaluación
y normalización de esos resultados iniciales, sumado a un análisis poco más profundo
y comparativo de los resultados de cada país, con una propuesta de reflexiones a nivel
regional deberían finalizar el proyecto y consolidar este libro que aquí se introduce. Con
base en eso, también debería ocurrir la conformación de infografía ilustrando la situación
de la región, de manera a corroborar con la justificativa de la necesidad efectiva de
actualización en las leyes de América Latina y el Caribe. Para este libro se cuenta con
la participación y relato de los equipos de Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Ecuador, El
Salvador, Guatemala, Haití, Jamaica, México, Nicaragua, Panamá, Perú, República
Dominicana y Trinidad and Tobago.
Por lo tanto, la propuesta de publicar este libro va más allá de solo difundir los resultados
de la investigación, deseamos diseminar nacional e internacionalmente testimonios y
relatos que ilustran claramente la situación de las bibliotecas LAC, demostrar la necesidad
20- Todos los textos completos están disponibles en la Biblioteca Digital de IFLA y el programa de la Sección en el sitio de WLIC 2016 http://2016.ifla.org/conference-programme

�1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

y urgencia de cambios – tanto en los aspectos legales como prácticos – y preservar la
memoria de lo que se hizo en esa fructífera alianza entre asociaciones/ colegios y la
Sección IFLA LAC.

1.1 OBJETIVOS DE LA INVESTIGACIÓN
Los propósitos definidos para la investigación desarrollada de forma integrada; con
los quince países aquí representados; fueran:

OBJETIVO GENERAL
• Identificar y registrar las dificultades, problemas y situaciones que las bibliotecas
latinoamericanas y caribeñas pueden o no estar enfrentando para el cumplimiento
de sus tareas en la era digital, dependiendo de las leyes de derecho de autor de sus
países.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Verificar si el panorama presentado en el estudio de Kenneth Crews (2008), sobre
las legislaciones de países de la región LAC, refleja correctamente la situación actual
de los involucrados en esta investigación.
• Descubrir si existen otras leyes en los países latinoamericanos y caribeños que
permitan que las bibliotecas les ofrezcan servicios a los usuarios complementando
la ley de derecho de autor.
• Identificar el conocimiento de los profesionales de la información de la región
con relación a la existencia o no de limitaciones y excepciones favorables a las
bibliotecas, así como de iniciativas relacionadas con reformas en las leyes que estén
ocurriendo en sus países.
• Mapear los servicios ofrecidos por las bibliotecas de la región con independencia
de la existencia o no de limitaciones y excepciones en las legislaciones de sus países.
• Registrar ejemplos y testimonios de situaciones específicas en las cuales las
bibliotecas latinoamericanas y caribeñas no pueden ofrecer servicios debido a las
leyes nacionales de derecho de autor.
• Verificar si las bibliotecas de la región están siguiendo el proceso de ratificación del
Tratado de Marrakech en sus países, y si poseen condiciones para crear y distribuir
copias en formatos accesibles en sus instituciones.

1.2 JUSTIFICACIÓN DE LA INVESTIGACIÓN
Como justificativa de esta investigación se utilizan los propios textos producidos por
IFLA en su documento FAQ21 sobre derechos de autor. De ese modo, se transcriben a
continuación tres preguntas clave y sus respectivas respuestas:
¿Cuál es el papel de las bibliotecas?
Las bibliotecas son las principales instituciones culturales y científicas que proporcionan información
21- http://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/exceptions-limitations/documents/TLIB_FAQ_SPA_0.pdf

35

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

36

como un bien público. Sirven como puertas de acceso para la educación, la investigación, la erudición,
la creatividad y el descubrimiento, las bibliotecas benefician a la sociedad.
• Ellas permiten la libertad intelectual y facilitan el intercambio democrático mediante el acceso a
la información, ideas y obras de la imaginación en cualquier soporte y a todos los miembros de la
sociedad.
• Ellas enriquecen la vida de las personas permitiendo una mayor creatividad e innovación, apoyando
la educación y la enseñanza, así como la investigación científica y el desarrollo.
• Ellas ayudan a reducir la brecha digital mediante la provisión de las nuevas tecnologías para acceder
a Internet y a otros recursos digitales.
• Ellas proveen servicios a personas con discapacidades de lectura
• Ellas juegan un papel único en la preservación de los registros históricos que permiten la comprensión
del pasado, una gestión eficiente y supervisión adecuada del presente e informar al futuro.
¿Por qué son las limitaciones y excepciones para las bibliotecas y los archivos tan importantes en la era
digital?
La plataforma de información más común en el mundo es ahora Internet, operando a través de invisibles
fronteras nacionales. Para cumplir con su misión, las bibliotecas y los archivos necesitan un mínimo de
normas internacionales de derechos de autor para proporcionar acceso pleno al patrimonio cultural
y de información también en el entorno digital global. Los usuarios de bibliotecas y archivos de todo
el mundo quieren tener acceso digital a la información: por ejemplo, fotocopias de libros y revistas
impresas y de otros documentos están siendo suplantadas por el escaneo o la descarga y las bibliotecas
están cambiando sus suscripciones de materiales impresos por las revistas electrónicas.
¿Quiénes son los beneficiarios de un tratado sobre limitaciones y excepciones?
Los beneficiarios de las limitaciones y excepciones son las bibliotecas y los archivos, sus usuarios
y la sociedad en su conjunto. Más de un billón de usuarios registrados en las bibliotecas concurre
regularmente a la suya para pedir prestados libros, música y películas, participar en eventos o aprender
nuevas habilidades. En muchos países en desarrollo, la biblioteca es la única fuente de información para
aquellos comprometidos con la educación o programas de entrenamiento. Las limitaciones y excepciones
benefician a la sociedad debido a que salvaguardan derechos individuales fundamentales de los
usuarios, incluyendo el derecho al acceso a la información y a la libertad de expresión como lo requiere
la Declaración de Derechos Humanos de las Naciones Unidas. Las limitaciones y excepciones también
fomentan el comercio, la competencia, la creatividad y la innovación al promover la diseminación del
conocimiento. (IFLA, 2011).

Como ya se mencionó en el estudio de CREWS (2008, 2015 y 2017), y ahora se
comprueba en esta investigación, muchos países de América Latina y del Caribe
no poseen L&amp;E favorables para que las bibliotecas ofrezcan sus servicios de calidad.
También, exactamente en esos países, un alto porcentaje de la población mundial necesita
efectivamente el apoyo de las bibliotecas y de sus respectivos servicios.
Por lo tanto, desarrollar este proyecto para identificar y registrar las dificultades y
problemas que las bibliotecas de América Latina y del Caribe enfrentan, provocados por
la falta de actualización de las leyes nacionales de derecho de autor, es un gran paso para
incitar a cambios.
Eso puede ser útil para proponer modificaciones a nuestras leyes nacionales de derecho
de autor. Los casos demostrarán esa necesidad. Además, también podrán ser útiles para

�1 INTRODUCCIÓN - Derecho de autor vs Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas

reforzar la necesidad de elaborar un instrumento legal internacional que armonice la
colcha de retazos que presenta el panorama mundial actual. Es fundamental para registrar
el hecho, concientizar a la sociedad y empoderar a los profesionales de las bibliotecas
latinoamericanas con subsidios claros, ágiles y simples, agregándoles indicación de otras
fuentes de información que puedan llevarlos a profundizar sus conocimientos a medida de
lo necesario. Finalmente, se trata de un incipiente pero valioso aporte de América Latina y
del Caribe para IFLA, proporcionándole subsidios para su debate más amplio en ámbito
internacional y, particularmente, con la OMPI.

37

�38

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�2 - PROCEDIMIENTOS METODOLÓGICOS

2 - PROCEDIMIENTOS METODOLÓGICOS
Con base en el modelo de recopilación (o survey)22 y con miras a satisfacer los

objetivos específicos descritos anteriormente, se definió el uso de cuestionarios, entrevistas
(individuales) y/o grupos de discusión como instrumentos de recopilación de las opiniones,
percepciones y sentimientos de los participantes a respecto de los diferentes servicios
previstos en las L&amp;E aquí propuestas.
La investigación survey puede ser descrita como la obtención de datos o informaciones sobre
características, acciones u opiniones de determinado grupo de personas, indicado como representante
de una población objeto, por medio de un instrumento de investigación, generalmente un cuestionario.
Como principales características del método de investigación survey se pueden citar: el interés es
producir descripciones cuantitativas de una población y hacer uso de un instrumento predefinido. La
survey es apropiada como método de investigación cuando:
• Se desea responder preguntas del tipo “¿qué?”, “¿por qué?”, “¿cómo?” y “¿cuánto?”, o sea, cuando
el enfoque de interés es sobre “lo que está ocurriendo” o “cómo y por qué está ocurriendo”;
• No se tiene interés o no es posible controlar las variables dependientes e independientes;
• El ambiente natural es la mejor situación para estudiar el fenómeno de interés;
• El objeto de interés ocurre en el presente o en el pasado reciente. (Freitas et al., 2000).

Por lo tanto, el cuestionario semiabierto utilizado como estándar por todos los países,
como se puede ver en el APÉNDICE A23, contenía 17 preguntas correspondientes a las 17
L&amp;E indicadas en este estudio y organizadas en dos grupos distintos:
Cuanto al conocimiento de los encuestados: para cada L&amp;E indicada ellos debían elegir una entre tres
alternativas – SÍ, esa L&amp;E existe en la ley de derechos de autor de mi país; NO, esa L&amp;E no existe en la
ley de derechos de autor de mi país o, sino, NO SÉ si esa L&amp;E existe en la ley de derechos de autor de
mi país;
(2) Cuanto a los servicios que ofrecen: los encuestados debían seleccionar una entre dos alternativas
para cada L&amp;E estudiada - SÍ, mi biblioteca ofrece ese servicio; o NO, mi biblioteca no ofrece ese
servicio.

Después de cada pregunta se incluyó un espacio abierto para que los participantes
pudieran añadir otras informaciones si así lo desearan. Ese cuestionario fue repartido entre
los equipos de todos los países (en español y en inglés) para que lo usaran de la manera
que les pareciera más conveniente.
Se sugirieron entrevistas individuales o en grupo para la recopilación de los testimonios
y relatos de experiencias de los profesionales participantes en los estudios, objetivando
comprender la demanda por los servicios pertinentes a las L&amp;E estudiadas. Como guía de
discusión para esas entrevistas se podría utilizar el propio cuestionario y/o una lista de
preguntas (APÉNDICE B24) más completas sobre la situación de la legislación en general,
de modo a asegurar que también fueran abordados temas como el reciente estudio de
CREWS, los obstáculos enfrentados por las bibliotecas para la oferta de servicios de
22- El método SURVEY para Mello (2013) “es un método de recopilación de informaciones directamente de personas a respecto de sus ideas,
sentimientos, salud, planes, creencias y de fondo social, educativo y financiero”. La recopilación de informaciones se hace por medio de
cuestionarios a ser administrados por el investigador, quien puede enviarlos a los entrevistados sea en medio impreso o electrónico, siendo
posible ofrecer asistencia o no para el llenado o bien hacer la encuesta presencialmente o por teléfono.
23- Este cuestionario se basa en el borrador de tratado de excepciones y limitaciones para bibliotecas y archivos, disponible en http://a.
nomono.co/ep
24- La guía propuesta en el APÉNDICE B contiene las mismas preguntas utilizadas en el Seminario y Taller Motores para el Cambio,
promovido por la Presidente electa de IFLA Glòria Pérez-Salmerón, en coordinación con la Biblioteca del Congreso de la Nación Argentina,
en octubre del 2015.

39

�40

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

calidad, el conocimiento sobre el Tratado de Marrakech y, también, la existencia de
iniciativas recientes de reforma de la ley en sus paíse.
Sin embargo, cabe resaltar que uno de los puntos importantes de un estudio de
levantamiento o survey tiene que ver, necesariamente, con la definición de la población a
ser estudiada, la elección del grupo debe estar directamente relacionada a la hipótesis de
la investigación. Por lo tanto, se puede tener un muestreo probabilístico o un muestreo no
probabilístico. Ese último, el no probabilístico, debe utilizar algún criterio para la selección
de los elementos, como por ejemplo: por conveniencia, más similares o más diferentes, por
cuotas, bola de nieve (indicación por parte de otros participantes), casos críticos (personas
clave) y casos típicos.
Como ya se mencionó anteriormente, la invitación para participar en esa investigación
fue enviada a las asociaciones nacionales o a los colegios profesionales de bibliotecarios de
los países de la región. Tal estrategia fue definida teniendo en vista el rol preponderante de
la propia IFLA junto a las asociaciones nacionales y, con seguridad, por creer que son esas
instituciones las que poseen mayor posibilidad de involucrar y llegar hasta los profesionales
de sus respectivos países en términos nacionales. Los equipos que serán responsables por
los estudios nacionales fueron organizados por las asociaciones o colegios dispuestos a
participar, y fueron compuestos solo por miembros de la propia institución o por un equipo
mixto, integrando también personas de otras instituciones identificadas como aliados
relevantes debido a su conocimiento en el área. Una vez dicho eso, cabe mencionar
que cada equipo local utilizó un criterio distinto para seleccionar a los profesionales que
participarán en la investigación, de acuerdo con sus posibilidades e intereses. Así, en
nuestro grupo de encuestados tenemos grupos de personas clave conocedoras del asunto
de un determinado país, o un grupo elegido por conveniencia ante la oportunidad de un
evento o curso como ocurrió en varios países, hasta la situación de bola de nieve, o sea,
algunos participantes indicando a otros. Por lo tanto, no existe coherencia explícita entre
los grupos de los diferentes países estudiados.
El tamaño de la muestra elegida también es diferencial para los resultados, ante la
necesidad de representatividad para llegar científicamente a resultados susceptibles de
ser generalizados. Nuevamente, es necesario aclarar aquí que el tamaño de los grupos
estudiados varía entre los países, no habiendo sido posible establecer un estándar
rígido. Sin embargo, cabe indicar que, se orientó a los equipos a incluir representantes
de todas las tipologías de bibliotecas (públicas, escolares, académicas, especializadas,
gubernamentales etc.) Se debe resaltar, sin embargo, que se optó por trabajar con
técnicas estadísticas que controlen los efectos generados por el desequilibrio de la muestra
procurando, si no es posible solucionar, al menos minimizar los problemas en ese tema.
Otra aclaración importante es que, ante el pequeño porcentaje de bibliotecarios graduados
o posgraduados en Biblioteconomía en algunos países de la región, la orientación fue
motivar la participación de profesionales actuantes en bibliotecas, independientemente de
su formación específica.
El análisis estadístico de los datos resultantes de los cuestionarios aplicados se hizo
utilizando el software estadístico SAS Interprise Guide v.9.3. A partir de eso se generaron
diferentes infografías, gráficos y tablas individuales por país y también colectivo por región,
los cuales serán descritos posteriormente. Como ya se alertó anteriormente, la lectura de
los resultados apuntados en este estudio deben ser vistos como intentos de comprender
una situación dada, identificar posibles comparaciones a ser hechas dentro de un muestreo

�2 - PROCEDIMIENTOS METODOLÓGICOS

real e, incluso, proyectar algún entendimiento a partir de ese microambiente analizado.
Durante el proyecto, los equipos nacionales pudieron interactuar, aclarar dudas y
compartir esfuerzos entre ellos por medio de una página en Facebook restringida y
creada específicamente para esa finalidad. Esa página actualmente está abierta a todo y
cualquier interesado en el tema y continúa siendo un interesante ambiente de intercambio
de informaciones25 en la región.

25- Más informaciones sobre el Facebook, consulte: https://www.facebook.com/groups/1683637035243342/

41

�42

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�3 - ANÁLISIS DE DATOS - Situación de las bibliotecas de América Latina y el Caribe con relación al derecho de autor

3 - ANÁLISIS DE DATOS - Situación de las
bibliotecas de América Latina y el Caribe con
relación al derecho de autor
Las respuestas de las preguntas objetivas (APÉNDICE A) fueron procesadas y tabuladas
estadísticamente por medio del programa anteriormente mencionado. Las respuestas a las
preguntas abiertas del cuestionario, de las entrevistas individuales y/o entrevistas en grupo
(APÉNDICE A y B) fueron analizadas subjetivamente. La presentación de los resultados de
ambos análisis (tanto objetivos como subjetivos) está hecha.
(a) Individualmente (país a país) en ese propio capítulo 3, donde cada país es un
subcapítulo

Los análisis cuantitativos utilizan el recurso de dos infografías:
• La primera apunta el conocimiento de la LDA por parte de los encuestados y también indica la
existencia efectiva o no de las diecisiete L&amp;E en la referida legislación;
• La segunda indica los servicios que son o no ofrecidos por las bibliotecas de los encuestados con
referencia a cada una de las diecisiete L&amp;E estudiadas.
Los análisis cualitativos de los datos recopilados en las entrevistas, grupos de debate o preguntas
abiertas del cuestionario, así como el análisis de las infografías mencionadas están presentados y
discutidos en los ítems referentes a los subcapítulos sobre Resultados del país en cuestión. Aquí se busca,
principalmente, mostrar los relatos de las experiencias y situaciones enfrentadas por las bibliotecas para
satisfacer las demandas de los usuarios con referencia a las diecisiete L&amp;E estudiadas.

(b) Regionalmente (análisis comparativos entre los países) en el capítulo 4, a
continuación.
El cruce de los resultados de los países, buscando presentar una visión más panorámica de la región,
tanto en términos cuantitativos como cualitativos, se encuentra en RESULTADO REGIONAL.

A continuación están, por lo tanto, los subcapítulos de los países que participaron

en esa investigación, presentados individualmente en orden alfabético, empezando por
Argentina y terminando con Trinidad and Tobago. El siguiente cuadro muestra todos los
países que aquí presentan sus resultados:
Cuadro 2 - Países participantes en el estudio
AMÉRICA DEL SUR
•
•
•
•
•

Argentina
Brasil
Chile
Ecuador
Perú

AMÉRICA CENTRAL
•
•
•
•
•
•

Cuba
El Salvador
Guatemala
Nicaragua
Panamá
República Dominicana

AMÉRICA DEL NORTE

• México

CARIBE
• Haití
• Jamaica
• Trinidad and Tobago

43

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

44

3.1 ARGENTINA – situación de las bibliotecas en relación con
el derecho de autor
		

por Ana Sanllorenti26 y Lucía Pelaya27

3.1.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
El régimen del derecho de autor (D.A.) en Argentina, está establecido por la Ley 11.723
que data de 1933. Esta ley identifica las obras protegidas y a los titulares del derecho.
También establece la duración de la protección de los derechos de propiedad intelectual
(vida del autor y setenta años después de su muerte corresponde a la regla general, artículo
5). El mismo plazo se aplica a los artistas intérpretes y productores de fonogramas (artículo
5bis). Para las obras anónimas o pertenecientes a instituciones, se aplica un cómputo de
cincuenta años desde su publicación (art. 8). Para las obras fotográficas, 20 años a partir
de su primera publicación (art. 34). Para las obras cinematográficas, cincuenta años a
partir del fallecimiento del último de los colaboradores fijados en el artículo 20 (art. 34).
A pesar de haber tenido algunas modificaciones, es inapropiada para la realidad actual
y carece de excepciones a favor de las bibliotecas. Por lo tanto, incide negativamente en
la mayor parte de las tareas que realizan las bibliotecas y en su misión de preservar y dar
acceso a la información y a la cultura. La Ley 11.723 define las siguientes excepciones que
permiten la utilización libre y gratuita, sin autorización del autor:
• DERECHO DE CITA: Hasta mil palabras de obras literarias, científicas u 8 compases en las obras
Musicales, y en todos los casos solo las partes del texto indispensables a este efecto (art. 10);
• COPIA PRIVADA: Solo se aplica a la copia de salvaguardia del ejemplar original de un programa de
Computación (art. 9);
• USO DE OBRAS PARA FINES EDUCATIVOS : Permite la representación, la ejecución y la recitación
de obras literarias o artísticas ya publicadas, en actos públicos organizados por establecimientos de
enseñanza, vinculados en el cumplimiento de sus fines educativos, planes y programas de estudio,
siempre que el espectáculo no sea difundido fuera del lugar donde se realice, y que la concurrencia y
la actuación de los intérpretes sea gratuita (art. 36);
• Fines científicos, didácticos o culturales: Es libre la publicación del retrato cuando se relacione con fines
científicos, didácticos y en general culturales, o con hechos o acontecimientos de interés público o que
se hubieran desarrollado en público (art. 31).
• PIEZAS MUSICALES: También gozan de exención del pago de compensación por el uso de obras
protegidas por el derecho de autor previsto en el artículo 2 y de los intérpretes previstos en el artículo
56 la ejecución o interpretación de piezas musicales en los conciertos, audiciones y actuaciones públicas
a cargo de las orquestas, bandas, fanfarrias, coros y demás organismos musicales pertenecientes a
instituciones del Estado Nacional, de las provincias o de las municipalidades, siempre que la concurrencia
de público a los mismos sea gratuita (art. 36);
• NOTICIAS DE INTERÉS GENERAL: podrán ser utilizadas, transmitidas o retransmitidas; pero cuando se
publiquen en su versión original, será necesario indicar la fuente; y
• OBRAS PARA CIEGOS Y OTRAS DISCAPACIDADES PERCEPTIVAS: Se autoriza la reproducción y
distribución de obras científicas o literarias en sistemas especiales para ciegos y personas con otras
discapacidades perceptivas, siempre que la reproducción y distribución sean hechas por entidades
autorizadas (y las bibliotecas NO son entidades autorizadas). Se incluyen también las obras que se
distribuyan por vía electrónica, encriptadas o protegidas, por cualquier otro sistema que impida su
26- Subcomisión de Propiedad Intelectual, Acceso a la Información y Libertad de Expresión, Asociación de Bibliotecarios Graduados de la
República Argentina (ABGRA) - amsanllorenti@gmail.com
27- Subcomisión de Propiedad Intelectual, Acceso a la Información y Libertad de Expresión, Asociación de Bibliotecarios Graduados de la
República Argentina (ABGRA) - lpelaya@gmail.com

�3 - ANÁLISIS DE DATOS - Situación de las bibliotecas de América Latina y el Caribe con relación al derecho de autor

lectura a personas no habilitadas (art. 36). Sin embargo, de acuerdo con la definición de “entidad
autorizada”, las bibiotecas quedan excluídas, puesto que el artículo se refiere a un organismo estatal
o asociación sin fines de lucro con personalidad jurídica, cuya misión primaria sea asistir a ciegos o
personas con otras discapacidades perceptivas (art. 1 de la Ley 26.285/07 (B.O. de 13-09-2007).

Cabe destacar que sibien Argentina adhirió al Tratado de Marrakech aún no o ha
implementado en la legislación nacional.
En julio de 2001, entra en vigor la Ley 25.446 de junio de 2001 - Ley de Fomento
del Libro y la Lectura (orientada a la promoción de la industria editorial, al control de
las ediciones y a la protección de los derechos de autor). Fue impulsada por el lobby de
los editores y añade la figura del editor junto a la del autor, como agentes que deben
autorizar una reproducción. Por lo tanto, para realizar una copia parcial de una obra, una
biblioteca debería solicitar autorización al autor y al editor (art. 29).
Además, la Ley n° 26.570 de 25 de noviembre de 2009 aumentó el plazo de
protección de los artistas intérpretes sobre sus interpretaciones o ejecuciones fijadas en
fonogramas y a los productores de fonogramas, de 50 a 70 años, contados a partir del
1º de enero del año siguiente al de su publicación. En consecuencia, obras que estaban
en el dominio público, volvieron al dominio privado, con la consiguiente pérdida para la
sociedad.
La Constitución de la Nación Argentina (Ley nº 24.430, reforma de 1994) se limita
a expresar que todo autor o inventor es propietario exclusivo de su obra, invento o
descubrimiento, por el término que le acuerde la ley (art. 17).
Ninguna de las dos normas hace referencia al derecho al acceso a la información
o incluyen alguna L&amp;E para las bibliotecas. La infracción de derechos de autor conlleva
acciones penales.
Argentina es signataria de los siguientes tratados internacionales sobre derechos
humanos y acceso a la información: la Declaración Universal de los Derechos Humanos
de las Naciones Unidas, la Convención Americana sobre Derechos Humanos y el Pacto
Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales. En cuanto a derechos de
autor y conexos ha ratificado el Convenio de Berna, el ADPIC-TRIPS, el Tratado OMPI
sobre Derechos de Autor (WCT), el Tratado OMPI sobre Interpretación o Ejecución y
Fonogramas (WPPT) y el Tratado de Marrakech para Facilitar el Acceso a las Obras
Publicadas a las Personas Ciegas, con Discapacidad Visual o con otras Dificultades para
Acceder al Texto Impreso.

3.1.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario propuesto por el Proyecto
Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A). Se realizaron entrevistas semiestructuradas
presenciales, por correo electrónico y a distancia, en forma individual y grupal. Debido
al escaso conocimiento de la problemática del DA por parte de los bibliotecarios y, en
particular, sobre las L&amp;E en favor de las bibliotecas y también al corto tiempo disponible
para realizar una distribución nacional de amplio alcance del cuestionario, se escogió una
metodología selectiva que varió para cada uno de los tipos de bibliotecas. Las bibliotecas
universitarias y las escolares respondieron el cuestionario por correo electrónico. Del
mismo modo lo hicieron las bibliotecas especializadas, con excepción de una biblioteca
a la que se le realizó una entrevista telefónica. Las bibliotecas públicas y las nacionales
respondieron por medio de entrevistas personales, que tuvieron una duración aproximada
de una hora y media. De ese modo se recibieron 20 respuestas, siendo 4 representantes de
bibliotecas especializadas, 2 de bibliotecas escolares, 3 bibliotecas públicas, 8 bibliotecas
universitarias y 3 de Biblioteca Nacional.

45

�46

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.1.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - ARGENTINA
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto
por el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos
infografías:
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Argentina =
En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia
de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema;
en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes en el país
sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante de cada
porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta. Una marca
de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta de la legislacióndel país, pero la marca (X)
muestra que la referida L&amp;E no consta de la legislación de país.
b) Actuación de las bibliotecas argentinas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio = En
ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya biblioteca
NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número (correspondiente)
de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las entrevistas
individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las infografías, se hicieron
subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 2 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Argentina
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

25%
65%
10%
0%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
5
13
2
0

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

15%
75%
5%
5%

3
15
1
1

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

10%
80%
10%
0%

7 - FORMATOS ACCESIBLES

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

30%
65%
5%
0%

6
13
1
0

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

5%
75%
15%
5%

1
15
3
1

6 - PRESERVACIÓN
2
16
2
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

10%
85%
5%
0%

8 - OBRAS AGOTADAS

2
17
1
0

�realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

10%
0%

2
0

realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

3.1 ARGENTINA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

30%
50%
20%
0%

20%
70%
5%
5%

6
10
4
0

4
14
1
1

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

30%
65%
5%
0%

5%
15%
80%
0%

47

10%
85%
5%
0%

2
17
1
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

25%
70%
5%
0%

5
14
1
0

12 - TRADUCCIONES
6
13
1
0

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

0

10 - OBRAS HUÉRFANAS

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

1

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

5%
0%

1
3
16
0

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
10% 2
permita que las bibliotecas no
85% 17
sean responsables por
1
infracciones cometidas al derecho
5%
de autor en el ejercicio de sus
0
0%
actividades misionales?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

15%
70%
10%
5%

3
14
2
1

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

40%
45%
15%
0%

8
9
3
0

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

15%
80%
5%
0%

3
16
1
0

17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

25%
65%
10%
0%

5
13
2
0

n%
n%
n%
n%
20

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Sin respuesta
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

�48

¿Su país tiene alguna ley que
25% 5
n% No, mi país no tiene leyes al respecto
permita que las bibliotecas
13
65%
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
realicen minería de datos de BIBLIOTECAS LAC: 2El impacto de la legislación n%
de derechos de autor en América Latina y el Caribe
10%
obras digitales sin pedir permiso
n% Sin respuesta
0
al titular del derecho de autor?
0%
20 Número de encuestados

Figura 3 - Actuación de las bibliotecas argentinas frente a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

65%

13

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

15%

3

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

35%

7

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

85%

17

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

0%

0

No opina

0%

0

No opina

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

55%

11

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

35%

7

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

35%

7

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

60%

12

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

10%

2

No opina

5%

1

No opina

5 - SUMINISTRO

6 - PRESERVACIÓN

55%

11

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

50%

10

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

45%

9

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

50%

10

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

0%

0

No opina

0%

0

No opina

7 - FORMATOS ACCESIBLES

60%

12

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

40%

8

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

0%

0

No opina

8 - OBRAS AGOTADAS

40%
60%
0%

8

12

0

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

75%

15

5%

1

20%

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

4

No opina

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
No opina

10 - OBRAS HUÉRFANAS

80%

16

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

20%

4

0%

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

0

No opina

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

70%

14

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

80%

16

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

30%

6

0%

0

0%

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0

No opina

20%

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

4

No opina

�difícil acceso

retractarse de su publicación

4

20%
Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
5%
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
han– sido
retiradas
del autor
al
3.1 ARGENTINA
situación
de por
las solicitud
bibliotecas
en relación
con el derecho de autor
difícil acceso
retractarse de su publicación
1

20%

4

No opina

0%

0

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

No opina

12 - TRADUCCIONES

70%

14

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

80%

16

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

30%

6

0%

0

0%

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0

No opina

20%

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

4

No opina

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

5%

1

En mi país NO se realiza el depósito legal

35%

7

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

95%

19

En mi país SI se realiza el depósito legal

35%

7

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

0%

0

No opina

30%

6

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

85%

17

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

5%

1

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

10%

2

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

95%

19

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

5%

1

0%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

0

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

95%

19

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

5%

1

0%

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

0

No opina

N= 20 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.1.4 RESULTADOS - ARGENTINA
La mayoría de las bibliotecas (un 65%) raras veces importan obras que no tienen en su
país, pero si lo hacen no es de forma directa, sino por medio de importadores. En relación
con el préstamo de obras impresas, uno de los encuestados comentó que: “El préstamo de
obras impresas es una actividad que se realiza desde siempre en todas las bibliotecas y
nunca ha requerido el permiso de los titulares de los derechos de autor.” Ya en el caso de
préstamo de obras digitales, a partir de los resultados obtenidos puede decirse que aún no
es una práctica muy extendida en las bibliotecas argentinas. Comenta un entrevistado de
una biblioteca universitaria, que homologó el préstamo de obras digitales con la descarga
y consulta de esas obras: “Tenemos un repositorio digital con obras de autores de la
institución que permiten de forma explícita (con licencias Creative Commons - @CC) la

49

�50

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

descarga y consulta de esas obras.” Se incluye esta observación porque la situación y
fuerte tensión es común a una parte de las bibliotecas universitarias, puesto que no hay
legislación que permita a las bibliotecas reproducir obras sin permiso del autor. De las
bibliotecas que realizan reproducción de obras en papel sin autorización del autor, solo
cuatro tienen acuerdos con CADRA (Centro de Administración de Derechos Reprográficos),
la entidad que en Argentina realiza la gestión colectiva de derechos reprográficos.
La mayoría de los encuestados y entrevistados sabe que en Argentina no hay una
legislación que les permita a las bibliotecas, sin autorización del titular del DA, hacer
la reproducción de obras digitales (79%), el suministro de obras (80%), copias de
preservación (85%), la transformación de las obras en formatos accesibles (50%), copia
de las obras agotadas (85%), la oferta del acceso a obras objeto de retracción o retiradas
(74%), la reproducción, publicación o uso de obras huérfanas (70%), y la traducción de
obras (74%). Transcribimos algunos comentarios (aplicables a todos esos tópicos) que
explican el conflicto por el cual atraviesan las bibliotecas en Argentina.
•“El profesional debe trabajar fuera de la ley para responder a las necesidades del usuario por
ausencia de excepciones. Los funcionarios desconocen la legislación y pretenden, por ejemplo, colgar
en la página web documentos que están protegidos por DA.”
• “Si bien tratamos de restringir la práctica porque la ley no lo permite, la realidad es superadora
y muchas veces tenemos que dar respuesta a quien solicita un documento y hacemos fotocopias o
digitalizamos. Lo hacemos en forma parcial con libros y completa con artículos.”
• “Es común que juez solicite un libro que solo está en universidad del interior. Es imposible realizar
préstamos interbibliotecarios porque el material podría perderse.”
• “En un juicio oral el secretario debe llevar el material a la sala donde se desarrolla el juicio. Deben
proveer una fotocopia y eso no está permitido.”
• “Jueces de otros juzgados solicitan se les envíen revistas y libros que están deteriorados, agotados y
pertenecen a consulta restringida para evitar su mayor deterioro”.
• “Con las partituras impresas hay muchos problemas para conseguir la autorización por parte del
editor porque los pocos distribuidores existentes no cuentan con la colección comprada a editoriales
que ya no existen.”
• “En los periódicos no se puede calcular con exactitud el plazo para las colaboraciones firmadas,
también sucede con cartas.”
• “No se puede digitalizar índices de libros para asociarlos al registro bibliográfico.” “Para la
reproducción de mapas se intentó y no se logró un convenio con el Instituto Geográfico Militar. La
institución se negó porque los comercializa.”

Por último, se incluye el siguiente comentario que describe la forma en que una
biblioteca ha organizado la reproducción de obras de sus colecciones:
•“Mi biblioteca cuenta con un servicio de reproducción de documentos que funciona con modalidad
autoservicio. Existe un reglamento de uso del servicio que está visible en carteleras de la Biblioteca
cercanas a los equipos de reproducción, y también puede consultarse en el sitio web, pero es el usuario
quien realiza en forma directa las copias y/o escaneado de los documentos. Por otra parte, cuando
el servicio de referencia recibe solicitudes de copias de documentos existentes en nuestra colección vía
remota o de parte de otras bibliotecas, se realizan las copias y/o digitalización y se envían los archivos
por mail.”

En relación con el suministro de obras, otro encuestado informa que:
• “la Biblioteca Electrónica del MINCYT permite realizar el suministro de artículos de publicaciones

�3.1 ARGENTINA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

periódicas, mediante la figura de “préstamo interbibliotecario”.

Ya en el caso de la preservación, indican los entrevistados:
• “La ley no prevé este tema, y es un grave problema debido a que la realización de copias de
preservación es una actividad indispensable para todas las bibliotecas, además de asegurar la
permanencia de materiales que muchas veces son únicos o difíciles de reponer.”
• “Se digitaliza para preservar obras en emergencia patrimonial. Se puede acceder a copia de material
en dominio público pero también protegido”.

Con respecto a la transformación de las obras en formatos para personas con
discapacidad, el 40% de los encuestados ofrece estos servicios a usuarios con discapacidades
visuales (siendo la mayoría del ámbito universitario), algunos mencionan otros principios y
normativas en los que se apoyan:
• “La ley entiende por entidades autorizadas: “un organismo estatal o asociación sin fines de lucro
con personería jurídica, cuya misión primaria sea asistir a ciegos o personas con otras discapacidades
perceptivas. Nuestra Universidad tiene un programa de accesibilidad bibliográfica para personas no
videntes o con disminución visual.”
• “Claramente, la misión primaria de la universidad no es la de asistir a personas ciegas, sino garantizar
el DERECHO a la educación SUPERIOR a TODAS las personas, y siguiendo ese objetivo ofrece desde la
Biblioteca TECNOLOGÍAS DE APOYO para personas con Discapacidad sensorial o motriz en pos de la
inclusión social”.
• “La biblioteca transforma en formatos accesibles documentos para los usuarios con discapacidad
visual. Sin embargo, en la ley que exceptúa no queda claro que todas las bibliotecas puedan hacerlo o
solo aquéllas pertenecientes a ONG destinadas a la educación de discapacitados visuales.”
• En mi biblioteca y en mi universidad existe una Comisión Universitaria de Discapacidad, uno de sus
ejes de trabajo se denomina “Bibliotecas accesibles”. Mediante ese equipo, todas las bibliotecas de
la Universidad (alrededor de 20) que tengan en su comunidad a un usuario con discapacidad visual
tienen la obligación de atenderlo, registrar el material que éste requiera para su actividad y proveerlo
en formato digital accesible. Si la biblioteca puede digitalizar el material, lo hace directamente y se lo
entrega al usuario. Si no dispone de los recursos necesarios, puede enviar el material impreso a un área
de la Universidad, donde hay una persona que se ocupa exclusivamente de realizar esta tarea, para
proveer el material requerido.”

En el caso de copia de obras agotadas, como en otros ítems, los encuestados expresan
la tensión:
• “Si bien tratamos de no hacerlo porque la ley no lo permite, a veces es necesario”.
• “Considero que las Bibliotecas deberían poder realizar esta actividad (que, de hecho, la mayoría
realiza como parte de sus actividades cotidianas para permitir el acceso a la información y la preservación
de los documentos) sin ser penalizadas por ello y sin tener que pedir permisos especiales. Las obras
agotadas en el mercado generalmente solo pueden conseguirse en bibliotecas, por lo que no debe
obstaculizarse su circulación y acceso.”

Ya en el caso de la reproducción de obras huérfanas, algunos encuestados comentaron
que no conocían el concepto: “Respecto de las obras retiradas, en principio no sabemos
si alguna de las obras que conforma nuestra colección ha sido retirada de circulación por
retracción de sus autores.” A pesar de la inexistencia de legislación sobre eso, algunas
bibliotecas consultadas afirman haber reproducido obras de esta clase a pesar de la
situación de riesgo:
• Si aparece el autor de la obra huérfana, pagamos o la retiramos de consulta”.
• Este es un “problema frecuente con obras musicales, particularmente partituras.”

51

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

52

• “...Sin embargo, en mi biblioteca ofrecemos para consulta in situ el material que poseemos en nuestros
fondos, o bien lo reproducimos a pedido si quien lo pide es un usuario remoto, cada vez que esto es
necesario, sin revisar si son obras huérfanas.”

Los siguientes son dos comentarios sobre las prácticas transfronterizas:
• “La biblioteca tiene una fuerte política de canjes y donaciones nacionales e internacionales de materiales
editados por la institución con las autorizaciones pertinentes… En los foros virtuales interbibliotecarios se
realizan pedidos y envíos de material digital con bibliotecas extranjeras”.
• “Realizamos préstamo interbibliotecario e intercambio de materiales con otras bibliotecas, tanto de
nuestro país como del extranjero, tanto por correo postal (enviando y devolviendo las obras) como por
e-mail o transmisión electrónica de archivos”.

En el caso de la traducción de obras, según las bibliotecas consideradas en la encuesta,
ninguna realiza traducciones sin autorización del titular o, entonces, lo hacen sobre
material que se encuentra en dominio público. Con relación al depósito legal de las obras
publicadas en el país, solo uno de los bibliotecarios encuestados manifestó no saber en
qué medida se cumple con el depósito legal en el país. Con relación a las obras digitales
son evidentes las dudas de los consultados, teniendo en cuenta que la legislación sobre
depósito legal en Argentina data de 1933 y no explicita el formato ni soporte de las obras.
Con respecto a la limitación de responsabilidad de las bibliotecas, una gran mayoría
de los encuestados sabe que no tiene protección legal por posibles demandas sobre su
responsabilidad profesional (85%). Al respecto, dos bibliotecarios encuestados comentan:
• “El bibliotecario se expone a una demanda penal al hacer copias parciales de libros y totales de los
agotados”.
• “La falta de legislación hace que los bibliotecarios nos encontremos en riesgo de ser demandados por
algunas cuestiones de DA.”

Según los datos obtenidos (95%), la elusión de medidas tecnológicas no es una práctica
difundida en las bibliotecas de Argentina, solo una reconoció haberla realizado. Sobre
accesibilidad, solamente una biblioteca comentó que se les presentó el caso para convertir
un formato destinado a usuarios con discapacidad visual. En lo relativo a la minería de
datos, el 65% de los bibliotecarios encuestados manifestó saber que Argentina no tiene
leyes que permitan eso y solo una biblioteca indicó que ya realizó esa práctica.
Las excepciones al DA descritas por Kenneth Crews (2008) reflejan correctamente
la situación de Argentina. Salvo un anteproyecto de ley de DA, de 1974, denominado
“Reproducción Fotográfica de Obras Protegidas” que no fue adelante, la única iniciativa
para modificar las Leyes 11.723 y 25.446 en el sentido de incorporar excepciones para las
bibliotecas, archivos y museos fue redactada y presentada en el 2010 por la Subcomisión
de Propiedad Intelectual, Acceso a la Información y Libertad de Expresión de ABGRA.
El proyecto perdió estado parlamentario y fue ingresado nuevamente en 2012. En 2014,
volvió a perder estado parlamentario, sin ser tratado en comisiones.
El 3 de noviembre de 2015 se ingresó al Congreso de la Nación un nuevo proyecto28 con
el consenso de las tres grandes bibliotecas (Nacional, Congreso y Maestros), incluyendo
una gama muy amplia de excepciones. Entre ellas se incluyó el préstamo gratuito de obras,
que no está mencionado en la Ley 11723 como forma de anticipar una posible sanción
de una medida similar a la Directiva Europea 92/100/CEE que establece el pago de un
28- El texto del proyecto (5792-D-2015) puede consultarse desde la página web de ABGRA http://www.abgra.org.ar/leyprop.htm y del
Congreso de la Nación http://www1.hcdn.gov.ar/proyxml/expediente.asp?fundamentos=si&amp;numexp=5792-D-2015

�3.1 ARGENTINA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

canon al préstamo en las bibliotecas, medida que corroe la razón de la existencia de las
bibliotecas como instituciones dinamizadoras de la cultura y el conocimiento.
Con relación al Tratado de Marrakech, ratificado por Argentina en 2014, se observa
que, en general, solo las bibliotecas que tienen usuarios con discapacidad visual están al
tanto de su próxima entrada en vigor. Por otra parte, solamente aquellas que cuentan con
presupuestos tienen la capacidad de crear y distribuir copias con formatos accesibles.

3.1.5 CONSIDERACIONES FINALES - ARGENTINA
Las bibliotecas argentinas se encuentran desfavorecidas por la legislación de DA, al no
contar con excepciones que les permitan cumplir adecuadamente con su misión de brindar
acceso a la información a sus comunidades. Las bibliotecas sufren la tensión derivada
de los intereses de los titulares de derechos de propiedad intelectual y los derechos de
acceso a la información de los usuarios, ya que si bien existen tratados internacionales
que garantizan el acceso a la información y al goce de los bienes culturales, la ausencia
de excepciones a nivel nacional restringe la circulación del conocimiento y los servicios
requeridos por el usuario con fines de investigación y educación.
El bibliotecario tiene un profundo respeto por el DA y no desea ser transgresor de la
ley. Sin embargo, décadas de una ley de propiedad intelectual muy restrictiva en general
y en particular con las bibliotecas, han ido produciendo (por la fuerza de la necesidad)
espacios de prácticas que para atender la misión principal de preservación y acceso
buscan resquicios y formas que, en sentido estricto, no están permitidas por la legislación.
Por estas razones, el bibliotecario en Argentina se encuentra en riesgo permanente de ser
demandado en la instancia penal. En los intercambios que se han tenido con las entidades
vinculadas con la edición en Argentina, surge una suerte de obstáculo conceptual: ingenua
o intencionadamente y en varios foros, manifiestan con insistencia que las bibliotecas son
centros de fotocopiado, por lo que lesionan sus intereses económicos. En ese concepto
equivocado fundan su constante lobby de rechazo a las excepciones, con el que han
logrado convencer a más de un legislador. En verdad, las bibliotecas son centros de
difusión para las editoriales y dan a conocer muchas obras a todos.
El presente trabajo expone con extensión y detalle las razones por las que la legislación
argentina de DA debería incluir excepciones a favor de las bibliotecas así como los
proyectos y líneas de acción que desde ABGRA se han llevado a cabo para tal fin. Se trata
de modificar la ley para garantizar el acceso democrático a la cultura y al conocimiento,
que es la misión que tienen las bibliotecas, sin finalidad de lucro ni distinción de ninguna
clase para con los lectores. Al mismo tiempo, sería de enorme valor el establecimiento
de un tratado internacional sobre la cuestión que fijara una base para todos los países.
Los países cuyas legislaciones son restrictivas contarían con un instrumento efectivo para
impulsar la modificación de las leyes a nivel nacional. El apoyo e iniciativas de IFLA en
los dos niveles se presentan como esenciales para la cooperación de los bibliotecarios
de todo el mundo y para influir en los niveles de decisión y gobierno de modo que las
bibliotecas puedan seguir siendo baluartes de la circulación democrática del conocimiento
en un mundo que lamentablemente está presentando tendencias contrarias.

53

�54

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.2 BRASIL – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor
por Sueli Mara S. P. Ferreira29, Cristiana O. Gonzalez30 y Adriana Cybele Ferrari31

3.2.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
Los derechos patrimoniales de los autores en Brasil están explícitamente asegurados
en la Constitución de la República Federativa del Brasil de 1988 (art.5º, XVII y XVIIIº),
incisos que buscan garantizarles el control y provecho de las obras resultantes de su
creación. El inciso XXII del mismo artículo, establece que “está garantizado el derecho a la
propiedad.” Pero hay que tener en cuenta que le sigue el inciso XXIII, que establece que “la
propiedad atenderá a su función social” y, consecuentemente, puede restringir el derecho
a la propiedad de acuerdo al interés público. Esa limitación y condicionamiento de los
derechos intelectuales a la protección de las funciones sociales de la propiedad también
están expresadas en el inciso XXIX del art. 5 que establece que “la ley asegurará a los
autores de inventos industriales, privilegio temporal para su uso, así como protección a las
creaciones industriales, a la propiedad de las marcas, a los nombres de las empresas y a
otros signos distintivos, con vistas al interés social y al desarrollo tecnológico y económico
del País.”
Se observa que hay una constante contraposición entre los derechos exclusivos de
autores e inventores y el interés general de la comunidad, lo que puede ser tomado en
cuenta por las bibliotecas de Brasil en el desarrollo de sus actividades aunque no estén
explícitamente mencionadas. Se puede decir que una vez puesta a disposición por medio
de su comunicación o publicación por el autor, la obra autoral tiene una vida social que
sobrepasa el límite de los intereses particulares de sus titulares. Las obras publicadas pasan,
de esa manera, a reflejar y mediar la cultura del grupo social donde circula, constituyendo
en su conjunto una parte fundamental del acervo cultural de una sociedad, inspirando
incluso otras creaciones.
En ese sentido, es importante mencionar que los derechos sociales, más específicamente
el derecho a la educación, presente en los artículos 6º, 205º y 214º de la Constitución,
comprenden también la preparación intelectual del instructor y la disponibilidad de
materiales para uso de los alumnos. Incluso, si las obras de los autores son instrumentos de
información y cultura, es fundamental su uso en ambientes educativos como las bibliotecas
y, por eso, se debe prestar especial atención a los usos permitidos y sus condiciones.
Por último, en el conjunto de derechos constitucionales, corresponde señalar que el
derecho a la cultura (art.215º) también asegura la plena realización de las actividades
de las bibliotecas al afirmar que “El Estado asegurará a todos el pleno ejercicio de los
derechos culturales y el acceso a fuentes de la cultura nacional, y apoyará e incentivará
la valoración y la difusión de las manifestaciones culturales”. Así, se puede decir que
el acceso a obras de valor cultural no puede estar restringido o impedido de manera
29- Resumen del original “Brasil: situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor” hecha por Sueli Mara S.P. Ferreira
con autorización de los autores, a partir del documento original disponible en http://library.ifla.org/1402/1/123-gonzalez-es.pdf. Nueva
tabulación y revisión de los datos estatísticos brutos de la investigación por Vitor Taga, tambíen con autorización de los autores.
30- Estudiante de Doctorado de la Universidad de Campinas, Brasil - crizalez@gmail.com
31- Presidente de la Federación Brasileña de Asociaciones de Bibliotecarios, Científicos de la Información y las instituciones (FEBAB), São
Paulo, Brasil - febab@febab.org.br

�3.2 BRASIL – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

injustificada. Por lo tanto, es obligación del Estado asegurar por medio de los diversos
instrumentos disponibles el establecimiento de exenciones legales al monopolio de los
derechos patrimoniales del autor. Uno de esos instrumentos son las L&amp;E a los derechos
de autor, que existen para contrarrestar los derechos patrimoniales del autor o titular
con bases en otros derechos fundamentales, como acceso al conocimiento, a la cultura,
educación y libertad de expresión.
Pero la Ley N° 9.610 de 19 de febrero de 1998 (Ley de Derecho de Autor y Derechos
Conexos), en adelante LDA, en parte influenciada por el Acuerdo sobre los Aspectos de los
Derechos de Propiedad Intelectual relacionados con el Comercio ( TRIPS)) de 1994, amplió
la protección e hizo más eficientes los mecanismos de salvaguardas de esos derechos,
mientras suprimió algunas limitaciones y excepciones que figuraban en la ley anterior que
data de 1973. Aunque algunas disposiciones de la ley hayan cambiado entre las versiones
de 1973 y 1998, en ningún momento de la historia de la ley de derechos de autor, en este
país, son mencionadas L&amp;E para bibliotecas. Otro problema es que la ley vigente de 1998
no es capaz de hacer compatibles los logros sociales proporcionados por la facilidad de
acceso a la información a través de Internet con el respeto a los derechos de autor en el
entorno digital.
En este contexto se encuentra esa investigación cuyo objetivo fue entender mejor cuál
es el grado de conocimiento que los bibliotecarios tienen de la ley actual y las disparidades
entre lo que permiten la ley y la realidad del cotidiano de las bibliotecas, las prácticas y
necesidades de sus usuarios.

3.2.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por
el Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A). Sin embargo, a cada una de las
preguntas del referido cuestionario se añadió un espacio abierto y libre para que los
participantes pudieran incluir sus testimonios sobre el tema. Por ejemplo, en la pregunta
número 2 sobre préstamos se añadió: ¿Cuáles son las mayores dificultades enfrentadas
en el préstamo interbibliotecario de obras impresas y entre biblioteca/usuario? Ese
cuestionario permaneció disponible en la Web por un plazo de poco más de un mes
para la participación voluntaria de los interesados. En un universo de 98 participantes,
72 cuestionarios fueron respondidos en su totalidad y 26 parcialmente. No fue posible
identificar la tipología de bibliotecas de los participantes, ya que tal dato no constaba en
el formulario electrónico utilizado (Google Form).

3.2.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - BRASIL
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Brasil = En
cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia
de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema;
en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes en el país
sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante de cada
porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta. Una

55

�56

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero la
marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas brasileñas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 4 - Conocimento de los encuestados sobre la Legislación de Brasil
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

13%
9%
76%
2%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
12
8
71
2

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

40%
22%
35%
3%

37
20
33
3

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

59%
16%
23%
2%

44%
11%
41%
4%

55
15
21
2

25
28
35
5

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

32%
11%
51%
6%

30
10
47
6

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

44%
11%
40%
5%

41
10
37
5

8 - OBRAS AGOTADAS
41
10
38
4

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS*
¿Su país tiene alguna ley que

27%
30%
38%
5%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

42%
10%
42%
6%

39
9
39
6

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que

63%

59

�¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
44% 41
permita que las bibliotecas
que las bibliotecas copien
10
11%en relación con el derechopermita
3.2
BRASIL obras
– situación
de las bibliotecas
de autor
transformen
en formatos
obras
agotadas
en el mercado sin
41% 38
accesibles sin pedir permiso al
pedir permiso al titular del
4
titular del derecho de autor?
derecho de autor para permitir su
4%
acceso desde las bibliotecas?

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS*
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

42%
10%
42%
6%

39
9
39
6

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

63%
5%
27%
4%

59
5
25
4

*Esa pregunta no fue hecha en Brasil, pero la respuesta correcta es NO,
Brasil no tiene esa L&amp;E en su ley.

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

72%
9%
16%
3%

12 - TRADUCCIONES
67
8
15
3

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

53%
22%
22%
4%

49
20
20
4

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
53% 49
permita que las bibliotecas no
22% 20
sean responsables por
infracciones cometidas al derecho
22% 20
de autor en el ejercicio de sus
4
4%
actividades misionales?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

67%
9%
19%
5%

62
8
18
5

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

49%
8%
40%
3%

46
7
37
3

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

59%
16%
20%
4%

55
15
19
4

17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

72%
14%
6%
8%

n%
n%
n%
n%
93

67
13
6
7

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Sin respuesta
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

72%

67

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

18%

17

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

23%

21

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

73%

68

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

5%

5

No opina

9%

8

No opina

57

�58

n% No sé si mi país tiene alguna ley
67
¿Su país tiene alguna ley que
72%
No, mi
no en
tiene
leyes al Latina
respectoy el Caribe
BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación den%
derechos
depaís
autor
América
permita que las bibliotecas
13
14%
n%
Si,
mi
país
tiene
leyes
sobre
el
tema
realicen minería de datos de
6
6%
obras digitales sin pedir permiso
n% Sin respuesta
7
al titular del derecho de autor?
8%
93 Número de encuestados
Figura 5 - Actuación de las bibliotecas brasileñas frente a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

72%

67

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

18%

17

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

23%

21

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

73%

68

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

5%

5

No opina

9%

8

No opina

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

65%

60

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

61%

57

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

24%

22

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

23%

21

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

11%

11

No opina

16%

15

No opina

5 - SUMINISTRO

6 - PRESERVACIÓN

40%

37

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

68%

63

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

36%

34

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

20%

19

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

24%

22

No opina

12%

11

No opina

7 - FORMATOS ACCESIBLES

71%

66

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

14%

13

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

15%

14

No opina

8 - OBRAS AGOTADAS

47%
41%
12%

44

38

11

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS*
Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
No opina

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
No opina

10 - OBRAS HUÉRFANAS

70%

65

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

7%

7

23%

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

21

No opina

* Esa pregunta no fue hecha por la equipe brasileña.

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

73%

68

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

86%

80

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

16%

15

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

1%

1

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

�7%
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
3.2 BRASIL – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor21
23%
No opina

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso
No opina

* Esa pregunta no fue hecha por la equipe brasileña.

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

73%

68

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

86%

80

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

16%

15

1%

1

11%

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

10

No opina

13%

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

12

No opina

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

68%

63

En mi país NO se realiza el depósito legal

74%

69

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

20%

19

En mi país SI se realiza el depósito legal

11%

10

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

12%

11

No opina

15%

14

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

70%

65

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

12%

11

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

18%

17

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

84%

78

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

1%

1

15%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

14

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

75%

70

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

7%

6

18%

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

17

No opina

N= 93 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.2.4 RESULTADOS - BRASIL
En relación con la importación paralela, la mayoría de las bibliotecas compran libros en
el propio país, incluyendo obras de editoriales extranjeras que ofrecen servicios en el país,
y no saben exactamente cómo funciona la ley.
Referente al tema del préstamo de obras impresas, los encuestados están divididos entre
los que no saben y los que saben lo que está en la ley. Aunque pocos saben que la ley no
permite el préstamo. Algunas de las dificultades señaladas sobre el préstamo interbibliotecario
de obras y entre bibliotecas y usuarios son: a) saber que el usuario muchas veces hace,
indebidamente, copias de la obra; y b) el hecho de que no existen excepciones en la ley
que permitan el préstamo. Aunque muchos encuestados hayan subrayado que su problema
principal es la ausencia de recursos financieros para atender al público, un participante dijo:

59

�60

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

“[...] Observo que no hay una provisión en la ley para el préstamo de obras sin autorización del titular de
derechos patrimoniales para las bibliotecas y ese es uno de los excesos de la ley brasileña donde, en la
práctica, no existen limitaciones al derecho de autor. El hecho de que la ley exige autorización del titular
la convierte en “letra muerta” y no cambia su inaplicabilidad y despropósito frente a lo que necesitan las
bibliotecas y sus usuarios”

En el caso de préstamo de obras digitales el escenario es un poco distinto, el 41% de los
encuestados no sabe si hay una ley específica para obras digitales o, equivocadamente, el
22% cree que hay una ley sobre el tema. Entre las principales dificultades para el préstamo
digital están la inexistencia de una plataforma que permita el préstamo digital y que esté de
acuerdo con la LDA actual, la falta de normas que permitan la compra y el hecho de que
muchas editoriales solo permiten la compra a personas individuales (no a instituciones) ya
que requieren tarjeta de crédito y el uso del Documento Nacional de Identificación individual,
las licencias de uso.
Con relación a la reproducción de obras impresas o digitales, un poco más de la
mitad de los encuestados (55%) sabe que existe una ley sobre la reproducción de obras,
aunque no mencione que solo está permitida la copia por medio de autorización del autor
o de obras en dominio público. Ese desconocimiento probablemente ocurre porque las
asociaciones representantes de las casas editoriales hacen mucha presión y campañas sobre
las bibliotecas en contra de la copia de libros, aunque la ley brasileña permite la reproducción
de extractos cortos que, en algunos casos, pueden ser capítulos de libros o artículos enteros,
cuando no hay fines de lucro. Algunos de los principales problemas mencionados por las
bibliotecas fueron: a) la definición de “extractos cortos” y las distintas interpretaciones de la
ley; b) el límite de copias permitido es muy pequeño, ignora las obras raras, agotadas, que
necesitan reproducciones completas, así como impide las copias para preservación y copias
de seguridad; y c) el hecho de que muchas bibliotecas no permiten la copia, pero permiten
que los usuarios saquen fotos de páginas de los libros para hacer factible la investigación,
estableciendo así una condición precaria de acceso.
Respecto a la preservación, a partir de los datos obtenidos, se observa una gran confusión
en este tema, ya que casi la mitad de los encuestados (49%) cree que no hay ninguna
excepción sobre la copia para preservación. En realidad, de acuerdo con la ley Ley N°
9.610 de 19 de febrero de 1998 (Ley de Derecho de Autor y Derechos Conexos)se pueden
hacer copias para preservación con autorización del autor o titular, o de obras en dominio
público. Pero los procesos de autorización son, en general, excesivamente burocráticos.
Sobre las obras agotadas o indisponibles en el mercado nacional es válido decir que, en
Brasil, una gran parte de las obras exigidas en los cursos de las universidades está en esa
situación. Sin embargo, solo una minoría de los encuestados (10%) sabe que no hay una ley
específica sobre la copia de obras agotadas. En ese sentido, algunas de las dificultades y
problemas apuntados por los participantes incluyen el hecho de que la biblioteca propietaria
de la obra agotada no hace préstamos ni conmutación, pero algunas permiten la reproducción
de extractos cortos o los ponen a disposición para consulta local. O entonces se limitan a
informar que la obra está agotada, piden que el usuario la sustituya por otra con contenido
similar, indican tiendas de libros usados, intentan conseguir una copia con el propio autor o
lo incentivan a buscarla en Internet. Otro participante menciona que
“Muchas veces, la obra no está agotada, pero, aún así, es difícil adquirir ejemplares para los usuarios.
La impresión en Brasil es de tirada corta y mal distribuida. La resistencia de órganos como el Ministerio
de Educación no permite que los bibliotecarios y documentalistas desarrollen un mercado consumidor
de e-books científico. De esa manera, el libro de papel es insuficiente, su uso está limitado por las reglas

�3.2 BRASIL – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

impuestas por los gestores institucionales, está patrimonializado, no hay reposición ni recursos para
adquisición regular.”

En lo relativo a la accesibilidad, en Brasil no está permitido que las bibliotecas transformen
obras para formatos accesibles sin autorización del titular de derecho de autor. Sin embargo,
la mitad de los encuestados (50%) no lo sabe. Aunque se permite algún tipo de actividad,
la mayoría (85%) de las bibliotecas no transforma las obras en formatos accesibles. Muchos
bibliotecarios afirman que las editoriales suelen ser reacias a entregar los archivos y la
autorización para este fin. Tampoco es fácil encontrar las obras ya en formato accesible,
disponibles en el mercado editorial, y muchas bibliotecas no tienen recursos para comprar ni
capacidad para trabajar con estos formatos.
En lo que respecta a obras huérfanas, la mayoría de los encuestados (67%) afirmó
no saber si Brasil tiene alguna ley sobre la publicación o reproducción de obras huérfanas
por parte de las bibliotecas. Así como la mayor parte de las bibliotecas (92%) no utiliza,
no reproduce ni publica obras cuyos títulos no pueden ser encontrados. El problema es
más complicado cuando se trata de bibliotecas universitarias, como explica uno de los
entrevistados:
“La obra huérfana es relativamente común en acervos de obras raras y ha sido tratada como acervo especial.
No obstante, este tipo de obra no existe en acervos científicos. La política de desarrollo de colecciones en
bibliotecas universitarias no permite la adquisición de obras huérfanas porque los mecanismos de compra,
licitación y subasta inversa exigen los datos de origen. Las obras huérfanas donadas a las bibliotecas
universitarias normalmente no pueden ser incorporadas al acervo por no atender al criterio de idoneidad
de la fuente.”

En el caso de los usos transfronterizos son pocas las bibliotecas en Brasil que usan
servicios e intentan obtener acceso a obras de bibliotecas en otros países. Muchas señalan
que hay un problema en las licencias de distribución de las obras y afirman que los contenidos
adquiridos por las bibliotecas se limitan a usos en el territorio nacional. El poco conocimiento
sobre el tema y sobre el procedimiento adecuado para hacer requisiciones de ese tipo
también es apuntado como un obstáculo a los usos transfronterizos.
En el caso de la traducción, ninguna biblioteca de Brasil hace el trabajo de traducción de
obras sin autorización del autor, ya que el derecho de traducción de una obra corresponde
al autor (art. 29) de la ley de DA. Los motivos son falta de conocimiento, de personas
capacitadas y de demanda. Solo uno de los entrevistados observó que su biblioteca “no
traduce obras, pero podría hacerlo sin autorización del autor, siempre y cuando sea para
fines de investigación y esté prohibida la comercialización y distribución fuera de esos
propósitos”.
Con relación al depósito legal, tanto para obras impresas como digitales, las bibliotecas
afirman que el depósito es responsabilidad del autor o titular, y que es un proceso realizado
en la Biblioteca Nacional o en una biblioteca designada de la provincia del Sistema Nacional
de Bibliotecas. La gran parte de las bibliotecas que participaron en la encuesta no hacen el
depósito legal de obras impresas ni digitales, y el hecho de que algunas lo hagan es una
referencia a que algunas ciudades y provincias crearon leyes de preservación de la memoria
local de sus autores exigiendo el depósito legal a nivel local.
Sobre la limitación de responsabilidad de bibliotecas, más de la mitad de los encuestados
(55%) desconocen que no hay una ley específica. Sin embargo, algunos bibliotecarios dijeron
que saben que muchos de sus usuarios que toman prestadas las obras acaban haciendo una
copia para uso privado fuera de la biblioteca.

61

�62

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

En Brasil, la ley de D.A. no contiene disposiciones que permitan eludir las medidas de
protección tecnológica sin pedir permiso al titular de derecho de autor. No obstante, la
mayoría de los encuestados (61%) no sabe si la ley de Brasil permite la elusión de medidas
de protección tecnológica sin pedir permiso al titular de derecho de autor, y la mayor parte
de las bibliotecas (99%) no elude este tipo de protección de contenidos para realizar sus
actividades. Eso significa que la totalidad de las bibliotecas están aceptando los modelos
de uso y acceso a contenidos impuestos por las editoriales, sin hacer nada para cambiarlos.
En el caso de la minería de datos, la mayoría (93%) afirmó que no hace minería de datos
en obras digitales sin autorización del autor. Pero, tenemos que tomar en cuenta que fueron
pocas las bibliotecas universitarias que respondieron la encuesta, y ellas son las únicas en
Brasil con capacidad y recursos para trabajar en el contexto de big data. A pesar de que
no hay una ley sobre esta materia en Brasil, buena parte (78%) respondió que no sabe si
existen leyes para eso en el país.

3.2.5 CONSIDERACIONES FINALES - BRASIL
Las excepciones y limitaciones a la ley de derecho de autor en Brasil Ley nº 9610 de 19
febrero de 1998 (Ley sobre el derecho de autor y los derechos conexos) no son capaces de
proteger la misión de acceso al conocimiento y preservación del patrimonio cultural y permitir
el desarrollo de ninguna de las actividades de interés público emprendidas por bibliotecas,
como la preservación, el préstamo y el intercambio. Además, la ley presenta obstáculos al
trabajo de instituciones como bibliotecas, archivos, centros de documentación, cinematecas y
museos, e impide que disfruten de los avances tecnológicos. Por lo tanto, es lícito mencionar
que hoy es prácticamente imposible que las bibliotecas realicen con calidad sus actividades
en Brasil. Tal cual se presenta hoy, la ley de derechos de autor puede convertir las bibliotecas
y otras instituciones en mausoleos de obras impresas, ya que hoy no pueden hacer copias
digitales de obras agotadas en el mercado, poner a disposición las obras huérfanas de
manera más rápida y poco complicada, digitalizar las obras para que más usuarios puedan
tener acceso a su acervo cultural, reproducir copias para fines de investigación y educación,
intercambiar materiales con otras instituciones del mundo, prestar obras digitales, eludir
medidas de protección tecnológica y rechazar contratos con licencias de uso y acceso que
van contra los derechos fundamentales, como el acceso al conocimiento, el derecho a la
cultura, la educación y la libertad de expresión.
Muchos profesionales conocen la ley, pero no entienden cómo se aplica en la práctica.
Esa confusión es mayor cuando se trata de obras digitales y de lo que está autorizado por
la ley de DA. Muchos se equivocan al creer que la Ley 9610/98 se aplica al entorno digital,
cuando en realidad restringe más las posibilidades de uso de las obras digitales, alimentando
la escasez artificial y generando una situación peor que la que existe actualmente en el
mercado de los libros impresos.
El 51,2% de las bibliotecas que respondieron la encuesta no saben si hoy existe alguna
iniciativa de reforma de la ley actual de derecho de autor en el País. Pero muchos afirman
que una reforma podría: a) Armonizar las licencias de uso y acceso, pues hoy las bibliotecas
tienen muchas dificultades para trabajar con distintos tipos de autorización de uso; b)
Hacer que el acceso y la reproducción sean menos complicados; c) Dar mayor visibilidad
al acervo cultural; d) Adecuar la ley a la práctica actual de las bibliotecas; e) Tener impacto
positivo para los usos con fines de investigación y para educación, ampliando el acceso al
conocimiento; f) Ampliar las posibilidades de acceso a obras digitales; y g) Hacer que obras
raras y agotadas puedan estar disponibles para consulta gratuita en línea.

�3.3 CHILE – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.3 CHILE – situación de las bibliotecas en relación con el derecho
de autor
por Josefina Reyes Muñoz32 y Claudia Cuevas Saavedra33

3.3.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
Los derechos de autor son tema de larga tradición en Chile y en nuestra región34.
Prueba de ello es que los países latinoamericanos, luego de sus independencias, entregaron
protección constitucional y legal a a las creaciones artísticas. Primero, por medio de
sus Constituciones con cláusulas relativas al derecho de autor, luego con legislaciones
específicas. Así, Chile en su primer borrador de la Constitución de 1833 seguía el modelo
estadounidense; posteriormente, “confirió derechos de propiedad a los autores sobre sus
creaciones, siguiendo el modelo continental de los derechos de autor”, los que persisten
en nuestra actual Constitución. La legislación específica fue aprobada en 1834.
Más tarde, la región adoptó el Tratado de Montevideo de 1889, donde se reconocen
varios derechos patrimoniales exclusivos en una amplia categoría de obras, simbolizando
“el primer esfuerzo de cohesión del continente americano por lograr su propia vía hacia
el derecho internacional del derecho de autor”. Solo a partir de 2003, cuando Chile
firma el Tratado de Libre Comercio (TLC) con Estados Unidos, comienza la reforma de
la Ley de Propiedad Intelectual N° 17.33635, la cual fue modificada en 2010 por la Ley
N° 20.43536. sobre la Propiedad Intelectual. Para dicha modificación se creó un equipo
de trabajo colaborativo constituido por el Colegio de Bibliotecarios de Chile, la Comisión
Asesora de Bibliotecas del Consejo de Rectores (CABID), la comunidad bibliotecaria activa
y la ONG Derechos Digitales37, esta alianza estratégica permitió introducir las actuales
20 Excepciones y Limitaciones (E&amp;L) a favor de las bibliotecas. La última modificación fue
introducida el 24 de mayo de 2014.
La ley “protege los derechos que, por el solo hecho de la creación de la obra, adquieren
los autores de obras de la inteligencia en los dominios literarios, artísticos y científicos,
cualquiera que sea su forma de expresión, y los derechos conexos que ella determina” y
a continuación agrega: “El derecho de autor comprende los derechos patrimonial y moral
que protegen el aprovechamiento, la paternidad y la integridad de la obra”, sin embargo,
respecto a propender al equilibrio respecto al acceso a las obras nuestra ley presenta
ciertos vacíos que las E&amp;L no han podido equilibrar a cabalidad. Es el caso, por ejemplo,
de las obras huérfanas. Las infracciones conllevan acciones civiles y penales.
Cabe señalar además que Chile ha suscrito alrededor de 50 tratados internacionales y
multilaterales38 relativos a la propiedad intelectual. Finalmente, agregar que nuestra actual
legislación considera gran parte de los temas consultados en el cuestionario, sin embargo,
hay seis temas que no figuran. Por cierto, esperamos que uno de éstos – el préstamo
público – jamás lo esté ni en Chile ni en nuestra región, por cuanto consideramos que
este es un derecho y, por tal razón, no puede ni debe ser suscrito como una excepción
32- Consejera Nacional y Coordinadora de la Comisión de Propiedad Intelectual del Colegio de Bibliotecarios de Chile AG, joreyes6@gmail.
com
33- Colaboradora en la Comisión de Propiedad Intelectual del Colegio de Bibliotecarios de Chile AG, ccuevassr@gmail.com
34- http://www.revistaiepraxis.cl/index.php/iepraxis/article/view/618
35- http://www.leychile.cl/Navegar?idNorma=28933
36- http://www.leychile.cl/Navegar?idNorma=1012827
37- https://derechosdigitales.org/1799/la-nueva-ley-de-propiedad-intelectual-en-chile/
38- http://www.wipo.int/wipolex/es/profile.jsp?code=CL

63

�64

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

ni limitación. Si lo fuese, eso frenaría la creación a los autores cuando, en su calidad de
lectores, nutren su propio acto de creación en muchas de nuestras bibliotecas públicas.
Al respecto, dados nuestros preceptos éticos y el respeto a la privacidad, no podemos
proporcionar evidencia sobre esta certeza que es un hecho.

3.3.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
En la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por el
Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A) aplicado a un grupo focal. Para recibir
la mayor participación, el cuestionario estuvo disponible en Internet por un período de
poco más de un mes para que fuese respondido en línea. El enlace fue enviado por
correo electrónico a 300 bibliotecarios asociados, de los cuales 185 son socios activos del
Colegio de Bibliotecarios de Chile. En la medida de lo posible, se incluyó en la encuesta
una definición estándar de los 17 conceptos levantados en este estudio.
La encuesta fue respondida por 73 de esos socios. De los cuestionarios contestados
el 100% estuvo completo pues las preguntas quedaron en calidad de obligatorias en el
instrumento. El 13.7% proviene de bibliotecas públicas, el 27.4% de bibliotecas académicas,
el 16.4% de bibliotecas escolares, el 6.8% de Institutos de educación superior, el 1.4%
de medios de comunicación, el 12.3% de organismos públicos, el 1.4% por empresas
privadas del sector productivo, el 5.5% fue respondido por bibliotecarios de bibliotecas
biomédicas, el 5.5% por bibliotecas jurídicas y el 9.6% por bibliotecarios de ONG’s y
otros (quienes no pertenecían a los tipos de bibliotecas identificados).
Respecto al grupo focal, inicialmente, se dividió en 2 grupos segmentados según
tipo de bibliotecas. No obstante, debido a la escasa asistencia se resolvió hacer solo
un encuentro presencial con 5 bibliotecarios. Asistieron, además de la entrevistadora,
1 bibliotecaria escolar, 1 de biblioteca pública, 2 de bibliotecas especializadas y 1 de
biblioteca universitaria. El encuentro tuvo una duración de 1,5 hora y trató, esencialmente,
sobre las prácticas inapropiadas realizadas en nuestras unidades de información.

3.3.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - CHILE
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Chile = En
cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia
de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema;
en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes en el país
sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante de cada
porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta. Una
marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero la
marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas chilenas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio =
En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.

�3.3 CHILE – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

65

El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 6 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Chile
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

47%
18%
35%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

34
13
26

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

41%
23%
36%

30
17
26

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

44%
18%
38%

44%
12%
44%

32
13
28

68%
16%
16%

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

24
17
32

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

26%
15%
59%

19
11
43

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

36%
16%
48%

26
12
35

8 - OBRAS AGOTADAS

32
9
32

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

33%
23%
44%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

49
12
12

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

37%
16%
47%

27
12
34

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

51%
11%
38%

12 - TRADUCCIONES

37
8
28

�66

¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
44% 32
37% 27
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas copien
BIBLIOTECAS
LAC: El9impacto de la legislación
de derechos
de autor
transformen obras en formatos
obras agotadas
en el mercado
sinen América
12%
16%Latina12y el Caribe
accesibles sin pedir permiso al
pedir permiso al titular del
32
44%
47% 34
titular del derecho de autor?
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

68%
16%
16%

49
12
12

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

71%
11%
18%

16%
1%
83%

37
8
28

12 - TRADUCCIONES

52
8
13

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

51%
11%
38%

12
1
60

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas no
44% 32
sean responsables por
22% 16
infracciones cometidas al derecho
de autor en el ejercicio de sus
34% 25
actividades misionales?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

48%
8%
44%

35
6
32

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

44%
11%
45%

32
8
33

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

47%
18%
35%

34
13
26

17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

64%
21%
15%

n%
n%
n%
73

47
15
11

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

53%

39

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

30%

22

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

47%

34

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

70%

51

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

�¿Su país tiene alguna ley que
n%
64% 47
permita que las bibliotecas
n%
15
realicen
minería
de datos de
3.3 CHILE
– situación
de las bibliotecas
con el derecho de autor
21%en relación
obras digitales sin pedir permiso
73
15% 11
al titular del derecho de autor?

No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

Figura 7 - Actuación de las bibliotecas chilenas frente a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

53%

39

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

30%

22

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

47%

34

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

70%

51

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

66%

48

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

51%

37

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

34%

25

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

49%

36

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

5 - SUMINISTRO

6 - PRESERVACIÓN

49%

36

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

64%

47

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

51%

37

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

36%

26

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

7 - FORMATOS ACCESIBLES

78%

57

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

22%

16

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

8 - OBRAS AGOTADAS

67%
33%

49

24

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

89%

65

11%

8

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

65

11%

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

8

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

79%

58

21%

15

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

89%

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso
Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

12 - TRADUCCIONES

97%

71

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

3%

2

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

8%

6

En mi país NO se realiza el depósito legal

33%

24

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

92%

67

En mi país SI se realiza el depósito legal

67%

49

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

67

�11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
68

89%

65

11%

8

12 - TRADUCCIONES

Mi biblioteca
NO en
realiza
traducciones
sin
Mi biblioteca
NO realiza intercambio
de material
BIBLIOTECAS
LAC: El impacto
de la legislación
de autor
América
Latina de
y elobras
Caribe
97% de71derechos
autorización del titular del derecho de autor
con bibliotecas de otros países
2
Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
3%
Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
autorización del titular del derecho de autor
con bibliotecas de otros países

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

8%

6

En mi país NO se realiza el depósito legal

33%

24

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

92%

67

En mi país SI se realiza el depósito legal

67%

49

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

75%

44

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

25%

18

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

75%

55

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

25%

18

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

90%

66

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

10%

7

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

N= 73 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.3.4 RESULTADOS - CHILE
De los temas tratados en las 17 preguntas del cuestionario propuesto por el Proyecto
Integrado IFLA LAC 2016, causa especial impacto la ausencia de 6 de ellos en la ley
chilena (importación paralela, préstamos de obras impresas, obras objeto de retracción o
retiradas, obras huérfanas, usos transfronterizos y minería de datos), así como la vaguedad
del manejo de los conceptos en 5 temas (extensión de obras en formato impreso a digital
con interpretación o extensión del concepto, suministro y preservación, depósito legal de
obras digitales, medidas de protección tecnológica – MPT). En definitiva, un 35% de los
temas no es abordado en la actual legislación. De acuerdo con estas cifras queda mucho
por trabajar e incorporar en nuestra normativa nacional, prueba de eso son algunos
comentarios emitidos por los encuestados.
En relación a la importación de obras hay un porcentaje importante de bibliotecarios
(47%) que indica que lo hace a través del portal de compras públicas de Chile39, por lo
tanto, son los proveedores quienes deben lidiar con el tema de la importación paralela,
quedando en terceros la responsabilidad. Con respecto al suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir presencialmente a la biblioteca, el 49% de los encuestados
declara no hacerlo, mientras que el 51% sí lo hace. Esta práctica es recurrente en nuestras
unidades, se indica, por ejemplo: “Son casos especiales”, “Solo con fines docentes”,
“De obras en dominio público”, “Solo de revistas y libros electrónicos y bases de datos
debidamente suscritas”.
39- http://www.chilecompra.cl/

�3.3 CHILE – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

Los comentarios de los bibliotecarios que realizan copias de preservación sin pedir
permiso al titular del derecho de autor (48%) fueron los siguientes:
• “Se digitalizan las obras y una vez realizada la obra o documentos se guarda en estuche libre de
ácido en bóveda”;
• “Las copias que se hacen son obras de dominio público, deterioradas o de valor patrimonial”;
• “Solo de obras que se han deteriorado y que son de alto interés y no encontrables en mercado
nacional”; “Por deterioro o reemplazo”..

En el caso de los formatos accesibles, los comentarios revelan, entre otras cosas, la
existencia de software dedicado a tales fines: “Jaws, Robobraile, Redapis etc.”, “Que
iniciaron el proceso este año, que no han tenido la oportunidad/necesidad de hacerlo y que
tienen conflicto con los audiolibros al pedir el documento del Registro Civil que acredite su
condición de ciegos o discapacitados visuales”. En el caso de las obras agotadas, quienes han
respondido que tienen en sus colecciones obras que han sido copiadas cuando se encuentran
agotadas en el mercado (33%), indican que se realiza en casos como los siguientes:
• “Fines docentes, libros clásicos que se siguen ocupando para estudio”, “con títulos descatalogados
y obras clásicas liberadas del derecho de autor”, “obras no encontradas en mercado nacional” o
“inexistentes en las librerías”.

De los comentarios compartidos para los usos transfronterizos se encuentran
afirmaciones como las siguientes: “desconocido”, “no existe presupuesto asignado para
eso (asume un posible pago)”, “mediante canje en algunas ocasiones”. De hecho, no existe
una estadística oficial. La práctica, recogida mediante foros y listas de la especialidad,
indica que tiende a compartirse material dentro y fuera de nuestras fronteras, siendo una
práctica solidaria de obtención de la información establecida mediante canales informales
y frente a situaciones de investigación.
En relación con el depósito legal de obras impresas los comentarios permiten constatar
que: “actualmente, no está claro cuántos ejemplares considera el depósito legal y dudo que
haya capacidad de fiscalizar que esta disposición se cumpla”, “existe la ley, sin embargo,
la realizan las imprentas no las bibliotecas”, “se hace en la Biblioteca Nacional”. Respecto
a la limitación de responsabilidad de las bibliotecas, uno de los comentarios consignados
indica que “no está explícito en la ley”. Sin embargo, podemos señalar que la ley es muy
clara al respecto, el artículo 84 establece responsabilidades a nivel de Código Civil, pero
creemos que no hay seguimiento, menos aún jurisprudencia.
Las excepciones y limitaciones al derecho de autor que se describen en el texto de
Kenneth Crews (2008) no reflejan fielmente la situación actual de nuestro país, por lo tanto,
existen 20 E&amp;L que si bien no todas explicitan los términos bibliotecas y/o archivos, muchas
de estas se aplican por extensión en bibliotecas y archivos. Si bien, tenemos el privilegio de
contar con E&amp;L, sabemos, como lo reflejan las conclusiones, que falta mucho por trabajar.
En el caso de las iniciativas relacionadas con reformas al derecho de autor, se mantiene
un canal informativo por medio de nuestra Comisión de Propiedad Intelectual y de nuestras
redes sociales. No obstante, hace falta siempre revisar la difusión y entrenamiento a toda
la comunidad. Actualmente, hay múltiples temas de derecho de autor que se encuentran
en proceso legislativo en el Congreso, hemos implementado diversas acciones para, según
corresponda, incidir en su aprobación o rechazo. Para América Latina es un gran aporte
que IFLA apoye y valide nuestras acciones, por medio de cartas de apoyo, firmas conjuntas
y alianzas estratégicas con otras organizaciones, tales como, asociaciones nacionales,

69

�70

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

EIFL, EBLIDA, entre otras.
En términos de obstáculos que las bibliotecas enfrentan en el país para brindar
sus servicios como resultado de la ley de derecho de autor: las persecuciones ciegas
de las sociedades de gestión colectiva de derechos hostigan a nuestra comunidad, y
el hecho de que no pongan a disposición sus repertorios y no transparenten las bases
de datos actualizadas de sus representados es desagradable. La ausencia de temas en
nuestras legislaciones es mencionada en los resultados (importación paralela, préstamos
de obras como un derecho, no una excepción, obras objeto de retracción o retiradas,
obras huérfanas, usos transfronterizos y minería de datos) nos permiten afirmar que
una normativa que provenga desde IFLA podría incentivar una actualización de nuestra
legislación vigente y su reforma. Muy conveniente sería que esto se reflejara en forma de
tratado internacional vinculante y no como una simple normativa. Respecto del Tratado de
Marrakech, oportunamente, se compartió la noticia que, en fecha 10 de mayo de 2016,
Chile ratificó el Tratado que permitió a la comunidad bibliotecaria de nuestro país estar
informada. Ahora, la tarea principal será generar las pautas para su implementación real.

3.3.5 CONSIDERACIONES FINALES - CHILE
Aun cuando nuestra legislación avanzó en limitaciones y excepciones no introdujo
cláusulas que se hicieran cargo del mundo digital, tampoco de reforzar el apoyo al acceso
a fin de equilibrar y cubrir las necesidades del ciudadano del siglo XXI. Temas como
propender al dominio público, manejo de obras huérfanas, notificaciones en línea de obras
retiradas, uso de los macrodatos (big data), su recolección y explotación, protección de
datos personales, protección de los conocimientos tradicionales, protección del patrimonio
cultural común y la fiscalización estatal de la gestión colectiva de derechos son temas que
deben ser tratados en la agenda del derecho de autor y en nuestras legislaciones.
Apoyamos un Tratado Internacional de Derechos de Autor especial para Bibliotecas,
Archivos y Museos, que proteja el bien colectivo, un eficaz manejo de los recursos de
información, un acceso democrático, inclusivo y libre al conocimiento. Para Chile,
comprometido con la Agenda 2030 de las Naciones Unidas, es la estrategia que debemos
trabajar, coordinar y apoyar. Más aún en vista a los nuevos “paquetes” de tratados
comerciales como: Acuerdo Transpacífico de Cooperación Económica (TPP), Acuerdo en
Comercio de Servicios (TISA) y Tratado Transatlántico de Comercio e Inversiones (TTIP),
los que no solo no incluyen los conceptos anteriores, sino que los ignoran por completo.
En particular, la vulneración del tratamiento de la información, las transferencias de datos
financieros y de salud, el acceso público a los servicios de telecomunicaciones y sus nuevas
restricciones, la seguridad y eficiencia de las transacciones electrónicas en bienes y servicios
por medio del comercio electrónico; las compras públicas y el tratamiento de las empresas
del Estado son todos temas recurrentes en estos tratados y nosotros somos parte de ese
universo, al igual que las temáticas pendientes antes mencionadas que no aparecen como
contenidos de interés. La alerta ya está dada.
Demasiados contenidos en derecho de autor no son contemplados en nuestra
legislación y tampoco en los actuales tratados internacionales empobreciendo el acceso
a la información, afectando el enriquecimiento cultural de los pueblos y la generación de
nuevos conocimientos, alejándose así del Objetivo de Desarrollo Sostenible 16.10 y del
resto de los 16 ODS, transversalmente concatenados.

�3.4 CUBA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.4 CUBA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho
de autor
por Miguel Viciedo Valdés40 y Margarita Bellas Vilariño41

3.4.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
El derecho de autor y su impacto en las bibliotecas no comenzó a ser un tema de
interés para la Asociación Cubana de Bibliotecarios, ASCUBI, hasta que la IFLA y el
Comité de IFLA/LAC comenzaron a pronunciarse sobre ese asunto en diferentes eventos
internacionales debido a los problemas detectados en bibliotecas de Europa y de la región
de América Latina y el Caribe. Las bibliotecas cubanas no se habían pronunciado al
respecto en reuniones y eventos de la asociación ya que los problemas en torno al derecho
de autor en Cuba no eran graves, debido a que nuestra Ley de Derecho de Autor, en cierta
medida, favorecía a las bibliotecas en la realización de sus servicios de información al
poder disponer del uso de las obras atesoradas en formato impreso y digital. No obstante,
el estudio sobre el tema aportó elementos que demuestran la necesidad de aclarar en
dicha ley artículos en los cuales están implícitas algunas prerrogativas para las bibliotecas
que no están totalmente explícitas.
La Ley 14 de Derecho de Autor de la República de Cuba fue puesta en vigor,
oficialmente, el 28 de diciembre de 1977, y con posterioridad se crearon también un grupo
de resoluciones y dos decretos ley que modificaron o enriquecieron algunos artículos de
la referida ley y establecieron la creación del Centro Nacional de Derecho de Autor
(CENDA), así como la vigencia del derecho de autor sobre una obra durante la vida del
autor y después de su muerte.
La Ley 14 establece en su capítulo VII, sección I, artículos 38 y 39 excepciones para el
uso libre y gratuito sin la autorización del autor, para la reproducción de una obra por un
procedimiento fotográfico u otro análogo cuando la realice una biblioteca, un centro de
documentación, una institución científica o un establecimiento de enseñanza, siempre que
se haga con carácter no lucrativo y que la cantidad de ejemplares sea limitada. También
permite la reproducción de la obra directamente en su idioma original o mediante su
traducción al español.
Otras leyes cubanas como la Ley Nº. 265 de Depósito Legal y la Ley 271 de las
Bibliotecas de la República de Cuba establecen la obligatoriedad que tienen las editoriales
de entregar ejemplares de todo lo publicado a la Biblioteca Nacional de Cuba y a las
Bibliotecas Públicas Provinciales del país, y el libre acceso a la información de forma
gratuita para todos los ciudadanos cubanos que usan las bibliotecas.
Como puede apreciarse en las legislaciones cubanas anteriormente señaladas, se
favorece a las bibliotecas para el cumplimiento de su misión y el desarrollo de los servicios
de información, a partir del uso de obras que no requieren el consentimiento del autor y de
manera gratuita. No obstante, en la Ley 14 no se hace referencia explícita al tema de los
préstamos de obras impresas y digitales, la digitalización de obras para su preservación
40- Biblioteca Pública Provincial Rubén Martínez Villena, Dirección de Patrimonio Cultural. Oficina del Historiador de La Habana. Cuba.
Asociación Cubana de Bibliotecarios (ASCUBI) mviciedo@bpvillena.ohc.cu
41- Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas de la Biblioteca Nacional de Cuba José Martí, Asociación Cubana de Bibliotecarios (ASCUBI).
Cuba. Miembro del Comité de IFLA/LAC. mbellas@bnjm.cu

71

�72

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

y uso, las obras retiradas por sus autores de nuestras instituciones, las obras huérfanas y
la realización de minería de datos de obras digitales por las bibliotecas sin consentimiento
de los autores.

3.4.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para recoger los datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por el Proyecto
Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A). El cuestionario fue enviado por correo electrónico
a los 13 presidentes de la Filiales provinciales de ASCUBI y a los 4 representantes de los
diferentes sistemas de bibliotecas de Cuba que forman parte del Buró Nacional Ejecutivo
de ASCUBI. Junto con el cuestionario se envió un texto explicativo sobre el tema a trabajar
a propósito del impacto del derecho de autor en las bibliotecas de la región. Con eso, 237
contestaron el cuestionario de un total aproximado de 3200 asociados distribuidos de la
siguiente manera: 22 bibliotecarios de bibliotecas nacionales, 93 de bibliotecas públicas,
46 de bibliotecas especializadas, 38 de bibliotecas escolares, 21 de académicas, y 17 de
otras bibliotecas. Para responder a estos cuestionarios fue establecido un plazo de 10 días
para el procesamiento de la información y cada grupo consultado dedicó un promedio
de 4 horas para esta actividad. Por último, se recopiló información sobre el tema en la
Reunión Nacional de Directores de Bibliotecas Públicas celebrada en la provincia de Sancti
Spiritus, donde los 16 directores participantes y 6 miembros de la directiva de la Biblioteca
Nacional de Cuba José Martí ofrecieron sus criterios y testimonios con respecto al impacto
de la legislación cubana de derecho de autor en sus bibliotecas. En la aplicación de los
cuestionarios y la realización de los grupos focales se presentaron ciertas dificultades en
cuanto a la comprensión de algunos conceptos que no eran de amplio dominio general por
los bibliotecarios, pero la consulta previa de los implicados y las respectivas aclaraciones
aportaron en la recolección adecuada de los datos.

3.4.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - CUBA
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Cuba = En
cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia
de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema;
en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes en el país
sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante de cada
porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta. Una
marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero la
marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas cubanas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio =
En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

�3.4 CUBA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

73

Figura 8 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Cuba
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
16%
84%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

0
38
199

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
0%
100%

0
0
237

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

100%
0%
0%

100%
0%
0%

237
0
0

0%
100%
0%

237
0
0

0
237
0

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

16%
84%
0%

0
0
237

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
0%
100%

0
0
237

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
0%
100%

0
0
237

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

0%
0%
100%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

23%
0%
77%

55
0
182

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

100%
0%
0%

237
0
0

12 - TRADUCCIONES

38
199
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
0%
100%

0
0
237

�74

O RETIRADAS
9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley O
queRETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
0
0%
100% 237
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
BIBLIOTECAS
LAC:
El
impacto
de
la
legislación
de
derechos
de
autor
en América Latina y el Caribe
237
¿Su país
tiene
algunaobjeto
ley que
¿Su país tiene
algunao ley
ofrezcan
acceso
a obras
de
reproduzcan,
publiquen
usenque
100%
0%100% 0 237
0
0%
permitao retiradas
que las bibliotecas
que las bibliotecas
retracción
sin pedir
obraspermita
huérfanas?
0
0
0
ofrezcan
acceso
obras objeto
reproduzcan, publiquen o usen 0%
permiso
al titular
dela derecho
de de 0%
100% 237
0%
retracción o retiradas sin pedir
obras huérfanas?
autor?
0
0
0%
0%
permiso al titular del derecho de
autor?
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
12 - TRADUCCIONES
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
38
16%
permita que las bibliotecas
199
¿Su país
alguna ley que
ofrezcan
usostiene
transfronterizos
sin
84%
16% 0 38
bibliotecas
pedirpermita
permisoque
al las
titular
del
199
ofrezcan
usos transfronterizos sin 0%
derecho
de autor?
84%
pedir permiso al titular del
0
0%
derecho de autor?

12 - TRADUCCIONES
¿Su país tiene alguna ley que
0
0%
permita que las bibliotecas
¿Su país
tiene alguna
ley que
realicen
traducciones
de obras
sin
0%0% 0 0
bibliotecas
pedirpermita
permisoque
al las
titular
del
237
0
realicen
traducciones de obras sin 100%
derecho
de autor?
0%
pedir permiso al titular del
100% 237
derecho de autor?

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
0
0%
permita que las bibliotecas
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
realicen el depósito legal?
0%0% 0 0
permita que las bibliotecas
237
100%
0
realicen el depósito legal?
0%

100%

237

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país15
tiene- LIMITACIÓN
alguna ley que DE RESPONSABILIDAD
DE no
BIBLIOTECAS
0
permita que las bibliotecas
0%
país tiene alguna
sean¿Su
responsables
por ley que
237
permita que
las bibliotecas
no 100%
infracciones
cometidas
al derecho
0% 0 0
sean en
responsables
de autor
el ejerciciopor
de sus
0%100% 237
infracciones
cometidas al derecho
actividades
misionales?
0
de autor en el ejercicio de sus
0%
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
0
0%
permita que las bibliotecas
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
realicen el depósito legal digital
0%0% 0 0
permita
que las
sin pedir
permiso
al bibliotecas
titular del
237
0
realicen
el depósito legal digital 100%
derecho
de autor?
0%
sin pedir permiso al titular del
100% 237
derecho de autor?
16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
16 -tiene
MEDIDAS
¿Su país
alguna leyDE
quePROTECCIÓN TECNOLÓGICA
permita que las bibliotecas
100% 237
¿Su país
tiene
leydeque
realicen
elusión
dealguna
medidas
0%100% 0 237
permitatecnológica
que las bibliotecas
protección
sin pedir
0
realicen
elusión
medidas
permiso
al titular
deldederecho
dede 0%
0
0%
protección tecnológica sin pedir
autor?
0
permiso al titular del derecho de
0%
autor?

n% No sé si mi país tiene alguna ley
n%n%No, No
mi país no tiene leyes al respecto
sé si mi país tiene alguna ley
n%n%Si, miNo,país
tiene leyes sobre el tema
mi país no tiene leyes al respecto
237
Número de encuestados
n% Si, mi país tiene leyes sobre el tema

17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
100% 237
permita que las bibliotecas
0
¿Su país
tienedealguna
ley que 0%
realicen
minería
datos de
100% 0 237
quesinlaspedir
bibliotecas
obraspermita
digitales
permiso
0%0%
0
realicen
al titular
del minería
derecho de
de datos
autor?de
obras digitales sin pedir permiso
0
0%
al titular Datos
del derecho
FUENTE:
dedelaautor?
investigación, 2016.

Figura 9 -PARALELA
Actuación
1 - IMPORTACIÓN
23%

55

23%
77%

1Mi- biblioteca
IMPORTACIÓN
PARALELA
NO hace importación
de obras que no

182

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

16%
16%
84%

3 - PRÉSTAMO
OBRAS
Mi biblioteca NODE
hace
préstamoDIGITALES
de obras digitales sin

38

pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca
NO préstamo
hace préstamo
de obras
digitales
19938 Mi biblioteca
SI hace
de obras
digitales
sin sin
permiso
al titular
del derecho
de autor.
pedirpedir
permiso
al titular
del derecho
de autor.
199

84%

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

2 - PRÉSTAMO
OBRAS
IMPRESAS
Mi biblioteca DE
NO hace
préstamo
externo de obras

0%

0

0%
100%

2370

100%

16%

55%
45%

237

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

4 - REPRODUCCIÓN
OBRAS
DIGITALES
Mi biblioteca NODE
realiza
reproducción
de obras

16%
84%

38

mediante digitalización o fotocopiado

Mi biblioteca
NO realiza
reproducción
de obras
19938 Mi biblioteca
SI realiza
reproducción
de obras
mediante
digitalización
o fotocopiado
mediante
digitalización
o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

199

84%

5 - SUMINISTRO
Mi biblioteca
NO realiza suministro de documentos a
0%
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca
NO realiza
suministro
de documentos
106131Mi biblioteca
SI realiza
suministro
de documentos
a a 100%
0%
usuarios
quepueden
no pueden
físicamente
la biblioteca
usuarios
que no
asistirasistir
físicamente
a la abiblioteca
131

sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca
NO hace
préstamo
externo
de obras
Mi biblioteca
SI hace
préstamo
externo
de obras
sin pedir
permiso
al titular
del derecho
de autor.
sin pedir
permiso
al titular
del derecho
de autor.

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

5 - SUMINISTRO

55%

Número de encuestados

de las bibliotecas
cubanas
a las L&amp;E.
2 - PRÉSTAMO
DE frente
OBRAS IMPRESAS

tenemos en mi país.
Mi biblioteca
NO importación
hace importación
de obras
55
182 Mi biblioteca
SI hace
de obras
que noque no
tenemos
mi país.
tenemos
en mienpaís.

77%

237

6 - PRESERVACIÓN

6 - PRESERVACIÓN
Mi biblioteca
NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
Mi biblioteca
NO realiza
de preservación
2370 Mi biblioteca
SI realiza
copiascopias
de preservación
de de
los documentos
custodia
los documentos
que que
custodia
0

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

Mi biblioteca
hace préstamoenderelación
obras digitales
3.4
CUBA –38
situación
de lasNObibliotecas
consinel derecho
38
16%
16%de autor
pedir permiso al titular del derecho de autor.

199

84%

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

84%

199

5 - SUMINISTRO

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

55%

131

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

0%

0

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

45%

106

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

100%

237

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

7 - FORMATOS ACCESIBLES

100%

237

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

0%

0

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

8 - OBRAS AGOTADAS

23%
77%

55

182

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

100%

237

0%

0

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

100%

237

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

0%

0

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

0%

0

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

62%

148

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

100%

237

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

38%

89

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

0%

0

En mi país NO se realiza el depósito legal

0%

0

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

100%

237

En mi país SI se realiza el depósito legal

100%

237

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

100%

237

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

0%

0

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

100%

237

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

0%

0

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

97%

230

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

3%

7

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

N= 237 número de encuestados

75

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

76

3.4.4 RESULTADOS - CUBA
De acuerdo con el Decreto Ley 265, la Biblioteca Nacional de Cuba y las 15 Bibliotecas
Públicas Provinciales que tiene el país, que son las bibliotecas que atesoran el patrimonio
documental nacional y provincial, deben recibir todo lo publicado por las editoriales. Pero
en ocasiones se incumple con el Decreto Ley 265 de depósito legal de las obras literarias,
científicas y musicales de autores de las localidades. Cuando eso sucede, no se aplican
sanciones a los infractores.
El total de encuestados conocen la existencia de leyes que:
a) hacen alusión a la reproducción y no al préstamo, pero al otorgar libertades de uso a las bibliotecas
éstas lo aplican también para realizar préstamos;
b) abogan por el libre acceso a la información, aunque no está totalmente explícito el caso de las obras
digitales;
c) permiten la reproducción de obras sin consentimiento del titular del derecho de autor;
d) permiten que se realicen copias de preservación sin pedir permiso al titular del derecho de autor,
aunque la misma no explicita el derecho de las bibliotecas para sacar copias análogas o digitales con fines
de preservación patrimonial, pero la redacción general aplicada en el artículo 38, inciso d, lo ampara
igualmente, y en virtud del mismo todos los sistemas de bibliotecas realizan copias de preservación de los
documentos que custodian que así lo requieran;
e) establecen la posibilidad de hacer traducciones; y que
f) se permita el depósito legal de obras impresas y digitales, aunque algunos bibliotecarios plantean que
de los libros y revistas que están publicados en forma digital no siempre quedan copias en las principales
bibliotecas de las provincias.

En contrapartida, todos los encuestados plantearon la no existencia o desconocimiento
de leyes que les permiten a las bibliotecas:
a) el suministro de obras digitales;
b) la transformación de obras en formatos accesibles sin pedir permiso al titular de derecho de autor, ya
que la Ley 14 de Derecho de Autor y el Decreto Ley 271 de las Bibliotecas de la República de Cuba no
establecen la posibilidad de transformar obras en formatos accesibles para personas con discapacidades.
Asimismo, todos los encuestados expresan que en sus bibliotecas no se ofrece esa posibilidad para este
tipo de usuarios;
c) ofrecer acceso a obras objeto de retracción o retiradas sin permiso del titular de derecho de autor;
d) reproducir, publicar o usar obras huérfanas, a pesar de que sus bibliotecas no han reproducido o
publicado obras cuyos autores no conocen, aunque en ocasiones han hecho uso de ellas;
e) no sean responsables por infracciones cometidas al derecho de autor en el ejercicio de sus actividades
misionales;
f) realicen elusión de medidas de protección tecnológica sin permiso del titular de derecho de autor; y
g) la realización de minería de datos de obras digitales sin el permiso de los titulares de derecho de autor.

Los bibliotecarios escolares (que representan el 16% de los encuestados) manifestaron
no conocer la existencia en el país de una ley que permita que las bibliotecas realicen
importación de obras sin el permiso del titular del derecho de autor y ofrezcan usos
transfronterizos. En el caso de las bibliotecas, que ofrecen usos transfronterizos, todos
coinciden al expresar que si realizan intercambios de materiales con bibliotecas de
otros países, fundamentalmente por medio del canje y la donación de documentos.
Los encuestados que desconocen la existencia de alguna ley que permita copiar obras
agotadas son representantes de bibliotecas escolares y otro tipo de bibliotecas. Los demás

�3.4 CUBA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

encuestados opinaron que sí conocen, aunque la Ley 14 no es explícita en este aspecto
ofrece la posibilidad de reproducir obras y, por lo tanto, se realizan copias de las agotadas.
Por otra parte, algunos declararon tener en sus colecciones copias de obras agotadas en
el mercado.
En el caso de obras objeto de retracción o retiradas, todos los encuestados afirman
que, en sus colecciones, no tienen obras con estas características. Sin embargo, se dio
a conocer un caso en una biblioteca pública de la provincia de Holguín, en el municipio
Sagua de Tánamo, donde el autor retiró su obra impresa y la versión digital de la colección
de la biblioteca después que él había donado la misma a esa institución.
Los bibliotecarios escolares son los únicos que no realizan el préstamo de obras digitales
y la reproducción de obras mediante la digitalización o fotocopia, así como fueron junto
con las otras bibliotecas los casos que manifestaron no hacer importación de obras, y
junto con las bibliotecas públicas los casos que no realizan suministro de obras digitales
sin la presencia física de los usuarios en las bibliotecas. Además, las bibliotecas escolares,
públicas y otros tipos de bibliotecas representan los casos que no realizan traducciones
de obras sin autorización de los titulares de derecho de autor, solamente la Biblioteca
Nacional de Cuba, las especializadas y las universitarias realizan traducciones de obras.
La Biblioteca Provincial Alex Urquiola de Holguín comenzó un proceso de digitalización
de algunos de los libros de los escritores holguineros de literatura infantil en el año 2011.
Pero, de 24 escritores, solo 9 dieron la autorización para digitalizar sus documentos.
Por lo tanto, de los 77 títulos que tiene, solo digitalizaron 23 títulos. Los autores locales
manifestaron reticencias de donar sus obras en medio digital o permitir la digitalización,
por temor a que disminuyan sus ventas o sean plagiados.
Lamentablemente, en el texto “Estudios sobre las limitaciones y excepciones al Derecho
de Autor en beneficio de bibliotecas y archivos”, de Kenneth Crews (2008), aparece una
nota sobre los países omitidos que expresa que: en el caso de Cuba, “no ha podido
obtenerse una traducción al inglés de la Ley de Derecho de Autor”.
A pesar de no haber sido incluidas en el estudio de referencia, las bibliotecas cubanas
cuentan con leyes que las amparan en el cumplimiento de su misión y el desarrollo de los
servicios de información para la sociedad cubana como son: la Ley 14 de Derecho de
Autor de 1977, los Decretos Leyes Nº. 20 de 1978, que estableció la creación del Centro
Nacional de Derecho de Autor (CENDA), el Decreto Ley Nº. 156 de 1994, que modifica
los artículos 43, 45 y 47 de la Ley de Derecho de Autor referidos a la vigencia del derecho
de autor sobre una obra durante su vida y hasta 50 años después de su muerte, y en el
caso de aquellos autores desconocidos, el plazo establecido es de 50 años a partir de la
primera publicación de la obra, el Decreto Ley Nº. 265 de Depósito Legal del 20 de mayo
de 1999 y Decreto Ley Nº. 271 de las Bibliotecas de la República de Cuba de 2010.
La actual ley de derecho de autor, como ya hemos expresado, favorece a las bibliotecas
cubanas para brindar servicios de información gratuitos, a partir del uso de obras sin la
autorización de los titulares del derecho de autor, pero la misma no refleja explícitamente
el tema de los préstamos de obras impresas y digitales, la digitalización de obras para su
preservación y uso, las obras retiradas por sus autores de nuestras instituciones, las obras
huérfanas y la realización de minería de datos de obras digitales por las bibliotecas.
Recientemente, el Decreto Ley 265 de Depósito Legal de 1999, ha sido objeto de
modificaciones para el beneficio de las bibliotecas, pero está pendiente de aprobación

77

�78

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

para su implementación oficial. Por otra parte, las bibliotecas cubanas no están al tanto
del estado en que se encuentra el proceso de ratificación del Tratado de Marrakech, por
cuanto Cuba aun no lo ha firmado.

3.4.5 CONSIDERACIONES FINALES - CUBA
La legislación cubana de derecho de autor, a pesar de su obsolescencia, favorece en
cierta medida a las bibliotecas al contar con excepciones en sus artículos que permiten a
las mismas cumplir su misión y realizar servicios de información en función de la satisfacción
de las necesidades y demandas de la sociedad. Asimismo, el Decreto Ley
271 de las Bibliotecas de la República de Cuba y el Decreto Ley 265 de Depósito
Legal, vienen a completar la mencionada legislación contribuyendo a que las bibliotecas
puedan desarrollar sus servicios.
No obstante el estudio realizado haya arrojado que además de esas posibilidades
que ofrece la legislación, lo que está implícito en ella no está totalmente explícito con
relación a lo concerniente a los servicios de nuestras bibliotecas respecto a los préstamos
de obras impresas y digitales, digitalización de obras para la preservación, el uso de obras
huérfanas, la realización de minería de datos con obras digitales, así como la posibilidad
de crear y distribuir copias de obras en formatos accesibles, todo ello sin la autorización
de los titulares de derecho de autor de manera gratuita, con absoluto respeto hacia ellos y
sin tener que enfrentar complicaciones legales. También se pudo detectar en el estudio que,
de manera general, la comunidad bibliotecaria no tenía conocimiento de la complejidad
del impacto del derecho de autor en las bibliotecas de la región y el mundo y de la no
ratificación por Cuba del Tratado de Marrakech. Por otra parte se evidenció que no todos
los bibliotecarios encuestados tenían un conocimiento pleno de la Ley 14 de Derecho de
autor y sus modificaciones posteriores.
Desde el año 2010, la Ley 14 de Derecho de Autor es objeto de revisión por funcionarios
y especialistas cubanos que fueron convocados para esa tarea. Ya ha sido concebido un
anteproyecto de la misma que está pendiente de revisión y consulta para su aprobación y
posterior puesta en marcha. Pero, en la elaboración de ese anteproyecto no ha participado
y no ha sido consultada la ASCUB, la Biblioteca Nacional de Cuba José Martí (rectora del
trabajo bibliotecario de la nación) o la comunidad bibliotecaria.
Por tal motivo, la ASCUBI considera que el Seminario y Taller convocado por IFLA/
LAC en Panamá para las asociaciones de la región con la oferta del workshop BSLA
con la presencia de los miembros de IFLA MLAS, así como el presente estudio sobre el
impacto del derecho de autor en las bibliotecas cubanas, ha contribuido a adentrarnos en
el tema y fortalecernos como asociación para trazar estrategias que nos permitirán tener
un protagonismo en la nueva ley de derecho de autor de Cuba.

�3.5 ECUADOR – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.5 ECUADOR – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor 42
por Javier Saravia43, Eduardo Puente44 y Ricardo Ortiz45

3.5.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
La legislación sobre derechos de autor en Ecuador se inicia en 1887 con la “Ley de
Propiedad Literaria y Artística”. Luego vinieron sucesivamente nuevas leyes, cada una
derogando la anterior: en 1959, la “Ley de Propiedad Intelectual”; en 1976, la “Ley de
derechos de Autor”; en 1998, la nueva “Ley de Propiedad Intelectual” vigente desde
entonces46, y finalmente existe hoy un proyecto de ley sobre derechos de autor y propiedad
intelectual denominado “Código Ingenios”47. Además, el Ecuador es firmante del Convenio
de Berna para la Protección de Obras Literarias y Artísticas, y del Tratado de Marrakech
para facilitar el acceso a las obras publicadas a las personas ciegas.
La ley vigente deja vacíos sobre temas importantes en torno a derechos de autor
para las bibliotecas, y entra en contradicción con los derechos de la ciudadanía a la
información, al conocimiento y la educación consagrados en la Constitución. Según la ley
la violación de los derechos de autor, en Ecuador se puede dar lugar a acciones civiles o
penales si el hecho es tipificado de delito. Sin embargo, la situación actual no es favorable
a las bibliotecas, por lo que se discuten las medidas que deberían adoptarse para corregir
esta situación. En este sentido, el presente estudio refleja la situación de los derechos de
autor con respecto a las bibliotecas en el Ecuador.

3.5.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Con base en el cuestionario semiabierto propuesto por el Proyecto Integrado de la
IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A) se realizaron tres procedimientos: (a) la encuesta escrita,
(b) un grupo focal y (c) una entrevista semiestructurada. Para la encuesta impresa, el
cuestionario semiabierto se administró a 15 bibliotecarios de: 1 biblioteca pública, 8
bibliotecas académicas, 2 escolares y 4 de otros tipos de biblioteca de la ciudad de Quito.
La duración de la realización de las encuestas fue en promedio de 30 minutos cada una. El
grupo focal tuvo 8 bibliotecarios de 6 bibliotecas universitarias y 2 de bibliotecas públicas
de la ciudad de Cuenca en reunión de 2 horas de duración. La entrevista semiestructurada
se hizo con el director de la Biblioteca de la universidad de postgrado FLACSO-Ecuador
y duró 1 hora. Tanto el grupo focal como la entrevista semiestructurada utilizaron el
cuestionario semiabierto como guía. En total fueron 24 participantes en el estudio.

42- El Código Orgánico de Economía Social del Conocimiento e Innovación se aprobó en diciembre de 2016 y contiene muchas más
excepciones a los derechos de autor que las anteriores leyes. La descripción que sigue - en este capítulo - es precisa de acuerdo con las leyes
anteriores vigientes en el momento de la recompilación de los datos. (más informaciones, ver la nota de aclaración).
43- Biblioteca Central. Ministerio de Relaciones Exteriores, Quito, Ecuador. zacariaspecho@gmail.com
44- Biblioteca Central. Ministerio de Relaciones Exteriores, Quito, Ecuador. epuenteh@hotmail.com
45- Biblioteca. Universidad de Investigación de Tecnología Experimental Yachay Tech, Urcuqui, Ecuador. reoc001@gmail.com
46- Primera Ley de Derechos de Autor del Ecuador se creó en agosto de 1887. Recuperado el 5 de mayo de 2016, disponible en http://
ecuadoruniversitario.com/arte-y-cultura/primera-ley-de-derechos-de-autor-del-ecuador-se-creo-en-agosto-de-1887/
47- De acuerdo a la nota 42 anterior.

79

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

80

3.5.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - ECUADOR
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Ecuador
= En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la
existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre
el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes
en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante
de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta.
Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero
la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas ecuatorianas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 10 - Conocimento de los encuestados sobre legislación de Ecuador
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

42%
54%
4%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

10
13
1

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

21%
54%
25%

5
13
6

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

42%
25%
33%

50%

46%
42%
12%

11
10
3

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

20%
33%
46%

5
8
11

6 - PRESERVACIÓN

10
6
8

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

58%
21%
21%

14
5
5

8 - OBRAS AGOTADAS

12

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien

42%

10

�¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
42% 10
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
6
realicen
suministro
de
obras
copias
preservación sin
25%
3.5 ECUADOR – situación de las bibliotecas en relación con elrealicen
derecho
de de
autor
digitales sin pedir permiso al
pedir permiso al titular del
8
33%
titular del derecho de autor?
derecho de autor?

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

50%
25%
25%

46%
42%
12%

12
6
6

11
10
3

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

46%
46%
8%

54%
21%
25%

5

42%
33%
25%

10
8
6

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

54%
42%
4%

13
10
1

12 - TRADUCCIONES

11
11
2

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

5

10 - OBRAS HUÉRFANAS

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

14

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

58%
21%
21%

13
5
6

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas no
42% 10
sean responsables por
11
46%
infracciones cometidas al derecho
5
de autor en el ejercicio de sus
12%
actividades misionales?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

42%
42%
16%

10
10
4

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

46%
42%
12%

11
10
3

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

46%
42%
12%

11
10
3

17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

33%
67%
0%

8
16
0

n%
n%
n%
24

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

81

�82

n% No sé si mi país tiene alguna ley
¿Su país tiene alguna ley que
8
n% No, mi país no tiene leyes al respecto
33%
permita que las bibliotecas
LAC:16El impacto de la legislación
de derechos
autor
América
n%
Si, mi paísde
tiene
leyesen
sobre
el temaLatina y el Caribe
realicen minería de datos de BIBLIOTECAS
67%
obras digitales sin pedir permiso
0
24 Número de encuestados
0%
al titular del derecho de autor?
Figura 11 - Actuación de las bibliotecas ecuatorianas frente a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

25%

6

75%

18

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

29%

7

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

71%

17

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

42%

10

58%

14

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

14

42%

10

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

38%

9

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

62%

15

15

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

54%

13

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

46%

11

38%

9

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades
Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

20

17%

4

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

8 - OBRAS AGOTADAS

54%
46%

13

11

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

83%

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES

62%

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

5 - SUMINISTRO

58%

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

50%

12

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

50%

12

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

67%

16

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

83%

20

33%

8

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

17%

4

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor
Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

50%

12

En mi país NO se realiza el depósito legal

75%

18

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

50%

12

En mi país SI se realiza el depósito legal

25%

6

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

79%

19

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

92%

22

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

�13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

3.5 ECUADOR – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

50%

12

En mi país NO se realiza el depósito legal

50%

12

En mi país SI se realiza el depósito legal

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

79%

19

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

21%

5

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

75%

18

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

25%

6

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

92%

22

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

8%

2

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

58%

14

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

42%

10

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

N= 24 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.5.4 RESULTADOS - ECUADOR
Las excepciones y limitaciones que recoge Kenneth Crews (2008, 2015) para
Ecuador son las mismas que se siguen aplicando actualmente en nuestro país. La Ley de
Propiedad Intelectual en su art. 23 establece que el préstamo solo está permitido por
tiempo limitado para consulta “in situ”, sin beneficio económico, lo que implícitamente
prohíbe el préstamo externo . Sin embargo, esta práctica está normalmente restringida a
bibliotecas institucionales, principalmente universitarias, que prestan libros a los miembros
de esas instituciones: estudiantes o funcionarios; mientras que en las bibliotecas públicas el
préstamo externo es poco habitual. En el caso de préstamo de obras digitales se repite lo
anterior, el 73% desconoce la existencia de una ley al respecto o niega su existencia. En
el caso de la conducta práctica, el 58% hace préstamo de materiales digitales de manera
externa y el 42% no lo hace.
Por otro lado, las copias, al estar limitadas solamente a reponer libros de la propia
biblioteca y solo de aquellos que ya no existen en el mercado, dejan implícitamente
prohibida la posibilidad de dar copias a los usuarios para fines educativos, y también
impiden la posibilidad del suministro interbibliotecario de obras, lo que beneficiaría a
bibliotecas que no puedan acceder a ellas por su costo. Sin embargo, en la práctica
diaria, las bibliotecas tienen como servicio normal la fotocopia de partes de los libros
y otros materiales impresos, sin prácticamente ninguna excepción, con la finalidad de
entregarla a sus usuarios, a los cuales no se les pide ningún requisito para confirmar los
fines investigativos que tuvieron.
El 54% de las bibliotecas hace copias de preservación sin pedirle permiso al titular del
derecho de autor, el 60% no sabe que no existen leyes al respecto. La ley indica que las
copias se hacen por restitución de un material y no así por preservación, aunque existen
diferencias entre los términos, la ley actual es ambigua al respecto y podría entenderse
que se permiten las copias tanto para sustituir como para preservar. En algunas bibliotecas
se tiene por costumbre realizar copias para la preservación cuando son publicaciones de
la misma institución, como son las publicaciones de los docentes de una universidad.
Por otra parte, es común el préstamo externo de impresos y digitales, especialmente

83

�84

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

de las bibliotecas universitarias y de las bibliotecas institucionales. Las copias que
realiza internamente la biblioteca generalmente no se sujetan a ninguna norma. Se
hacen conversiones de formato para adaptarlos a los requerimientos de personas con
discapacidad y se trabaja con obras retiradas y huérfanas. Se hacen préstamos a otros
países; traducciones y minería de datos. Cuanto a no eludir medidas tecnológicas de
protección, es una norma acatada en la mayor parte de los casos.
Además de la Ley de Propiedad Intelectual existen: la Ley del Libro que declara la libre
importación de libros, y la Ley de la Biblioteca Aurelio Espinosa Polit, que designa a ese
centro como receptor del depósito legal de publicaciones ecuatorianas impresas . También,
recientemente, el Ecuador firmó el Tratado de Marrakech por el cual ahora tenemos que
esperar que las bibliotecas estén facultadas a hacer copias en formatos accesibles para
las personas ciegas.
Los bibliotecarios están al tanto del nuevo proyecto de ley, Código Ingenios, el cual
solventa algunas de las dificultades que se plantean hasta ahora con la ley vigente, sin
embargo, el préstamo externo sigue limitado. También están al tanto del proyecto de Ley
de Culturas, la cual norma el trabajo de las bibliotecas archivos y museos.
La Asociación Nacional de Bibliotecarios Eugenio Espejo participa activamente en la
divulgación de temas de derechos de autor en bibliotecas, especialmente promoviendo
aquellos actos que no requieren autorización del titular de los derechos de autor y en
la creación de espacios de discusión de los alcances de la nueva legislación; lo mismo
hacen otras instituciones como las carreras de Bibliotecología de la Universidad Técnica de
Manabí y de la Universidad de Guayaquil; asociaciones de estudiantes de Bibliotecología
y otros gremios bibliotecarios provinciales.

3.5.5 CONSIDERACIONES FINALES - ECUADOR
Actualmente, las leyes de nuestro país en cuanto a derechos de autor son muy
favorables a los titulares de los derechos y no así a la población en general que necesita
el acceso a la información. Eso ocurre mediante la prohibición a las bibliotecas de hacer
copias, prácticamente en todos los casos, y la prohibición de realizar préstamos externos.
Sin embargo, al no existir en la Ley de Propiedad Intelectual una referencia específica a las
bibliotecas, estas actividades caen en una ambigüedad que permiten que las bibliotecas
utilicen otros argumentos legales para proceder con esas prácticas; el principal de esos
argumentos son los derechos constitucionales que amparan el derecho al acceso a la
información, a la educación y al goce del progreso científico. Es urgente, sin embargo,
contar con una nueva legislación que ampare estos derechos.
Por último, es necesario que se conforme una alianza entre los bibliotecarios a
nivel mundial, a partir de sus organismos, las asociaciones profesionales, gremiales, las
asociaciones de estudiantes de bibliotecología etc., que pueda crear conciencia de los
peligros para el mundo entero, especialmente la juventud, de una legislación que no
ampare sus derechos.

�3.6 EL SALVADOR – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.6 EL SALVADOR – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor
por Franklin Flores48, Sonia Amaya49 y Jonathan Pleitez50

3.6.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
La propiedad intelectual en El Salvador se ha venido desarrollando por medio de
diferentes instrumentos legales de carácter nacional e internacional, específicamente en
materia de derechos de autor se cuenta con: Ley de Propiedad Intelectual, Reglamento
a la Ley de Fomento y Protección de la Propiedad Intelectual, Convenio de Berna para
la Protección de la Obras Literarias y Artísticas, el acuerdo sobre los aspectos de los
Derechos de Propiedad Intelectual relacionados con el Comercio (ADPIC), Convenio que
establece la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual (OMPI), el Tratado de la
Organización Mundial de la Propiedad Intelectual sobre Derecho de Autor (WCT), Tratado
de la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual sobre Interpretación o Ejecución
y Fonogramas (WPPT), Convenio de Bruselas sobre la Distribución de Señales Portadoras
de Programas Transmitidos por Satélites, Convención de Roma sobre la Protección de
los Artistas, Intérpretes o Ejecutantes, los Productores de Fonogramas y los Organismos
de Radiodifusión, Convenio para la protección de los productores de fonogramas contra
la reproducción no autorizada de sus fonogramas, Tratado de Marrakech para facilitar
el acceso a las obras publicadas a las personas ciegas, con discapacidad visual o con
otras dificultades para acceder al texto impreso, Tratado de Beijing sobre Interpretaciones
y Ejecuciones Audiovisuales. Sin embargo, aún hay vacíos que requieren adecuar la
legislación nacional a los nuevos entornos de la era digital, dando apertura a las bibliotecas
para que puedan actuar en un marco legal acorde a la realidad que enfrentan.
Según el Decreto Legislativo N° 604, del 15 de julio de 1993, la Asamblea Legislativa
de El Salvador, a iniciativa del Presidente de la República Alfredo Félix Cristiani Burkard,
por medio de los Ministros de Economía y de Justicia y de los Diputados Raúl Manuel
Somoza Alfaro, Gerardo Antonio Suvillaga, Santiago Vicente Di-Majo, Miriam Eleana
Dolores Mixco Reyna, Jorge Alberto Carranza, Rafael Antonio Morán Orellana y Marcos
Alfredo Valladares Melgar, declaran la Ley de Fomento y Protección de la Propiedad
Intelectual, registrándose su última reforma por medio de Decreto Legislativo Nº. 912 de
fecha 14 de diciembre de 2005, publicado en el Diario Oficial Nº. 8, Tomo 370 del
12 de enero de 2006, cambiando su nombre a Ley de Propiedad Intelectual. Esta
ley comprende el derecho de autor, los derechos conexos y la propiedad industrial en lo
relativo a invenciones, modelos de utilidad, diseños industriales y secretos industriales o
comerciales y datos de prueba.
En lo referente a las limitaciones y excepciones para bibliotecas y archivos, la ley las
retoma en el capítulo 3, artículos del 44 al 49, específicamente el artículo 45 literal “d”.

48- Oficina Técnica del Consorcio de Bibliotecas Universitarias de El Salvador. Asociación de Bibliotecarios de El Salvador (ABES). Miembro
activo. fflores@uca.edu.sv
49- Sistema Bibliotecario, Universidad Francisco Gavidia. Asociación de Bibliotecarios de El Salvador (ABES). Vicepresidenta. samaya@ufg.
edu.sv
50- Biblioteca, Colegio Lamatepec – APCE. Asociación de Bibliotecarios de El Salvador (ABES) Presidente. jonathanplei-tez@gmail.com

85

�86

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.6.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por
el Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A) y un grupo focal. El cuestionario
fue enviado de forma electrónica a 60 profesionales miembros de la Asociación de
Bibliotecarios de El Salvador. El cuestionario estuvo a disposición por un período de 20 días.
Del total de cuestionarios enviados, 24 fueron contestados, 23 con respuestas completas
y 1 parcial, siendo respondidos por 12 bibliotecarios de 12 bibliotecas universitarias
(50%), 9 bibliotecarios de 9 bibliotecas escolares (37,5%), 1 bibliotecario de 1 biblioteca
especializada (4,2%), 1 bibliotecario de 1 biblioteca médica (4,2%), y 1 bibliotecario de
otro tipo de biblioteca (4,2%).
El grupo focal se realizó con la participación de 20 profesionales responsables de la
gestión de diferentes tipos de bibliotecas, también contó con la participación de personal
de la unidad “Registro de la Propiedad Intelectual del Centro Nacional de Registro”,
dependencia del Ministerio de Economía de El Salvador, el bibliotecario del Consorcio de
Bibliotecas Universitarias de El Salvador y representantes de la Asociación de Bibliotecarios
de El Salvador. El grupo focal duró 3 horas y se discutieron los temas presentados en el
APÉNDICE A y B del proyecto IFLA LAC 2016.

3.6.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - EL SALVADOR
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de El Salvador
= En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la
existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país
sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de
leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas.
Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada
respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del
país, pero la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas salvadorenãs frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

�3.6 EL SALVADOR – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

87

Figura 12 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de El Salvador
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

38%
38%
24%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

9
9
6

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

50%
38%
12%

12
9
3

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

54%
25%
21%

54%
33%
13%

13
6
5

63%
25%
12%

13
8
3

15
6
3

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

71%
25%
4%

9
10
4
1

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

29%
29%
42%

7
7
10

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

54%
13%
33%

13
3
8

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

38%
42%
17%
3%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

46%
21%
33%

11
5
8

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

71%
21%
8%

17
5
2

12 - TRADUCCIONES

17
6
1

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

46%
25%
29%

11
6
7

�88

¿Su país tiene alguna OleyRETIRADAS
que
¿Su país tiene alguna ley que
63% 15
71% 17
permita
bibliotecas
permita
que
lasalguna
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
¿Su
país
tiene
ley
que
6
5
17
ofrezcan
acceso
obras objetoBIBLIOTECAS
de
reproduzcan,
publiquen
o usen
25%LAC: El15
21%
impacto de la legislación
derechos
de autor en71%
América Latina y el Caribe
63%
permita que
las abibliotecas
permita quedelas
bibliotecas
retracción
o
retiradas
sin
pedir
obras
huérfanas?
3
6
ofrezcan acceso a obras objeto de
reproduzcan, publiquen o usen
12%
8%
25%
21% 52
permiso
al
titular
del
derecho
de
retracción o retiradas sin pedir
obras huérfanas?
2
12% 3
8%
autor?
permiso al titular del derecho de
autor?

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
71%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
ofrezcan
usos
transfronterizos
sin
25%
71%
permita que las bibliotecas
pedir
permiso
al titular del sin
ofrezcan
usos transfronterizos
4%
25%
derecho
de autor?
pedir permiso
al titular del

4%

derecho de autor?

12 - TRADUCCIONES

17
6
17
1
6
1

12 - TRADUCCIONES
¿Su país tiene alguna ley que
46%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
traducciones
de
obras
sin
25%
46%
permita que las bibliotecas
pedir
permiso
al titulardedel
realicen
traducciones
obras sin
29%
25%
derecho
de autor?
pedir permiso
al titular del
derecho de autor?

29%

11
6
11
7
6
7

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
38% 9
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
1
9
realicen
el depósito
legal?
4%
38%
permita que
las bibliotecas

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
66% 16
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
4
realicen
el depósito
legal digital
17% 16
66%
permita que
las bibliotecas
sin
pedirelpermiso
titulardigital
del
realicen
depósitoal legal
17% 4
derecho
autor?al titular del
sin pedirde
permiso

realicen el depósito legal?

58%
4%
58%

14
1
14

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
15 - LIMITACIÓN
DE RESPONSABILIDAD
¿Su país tiene alguna
que
DEleyBIBLIOTECAS
permita
bibliotecas
no
62% 15
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
sean
responsables
por
permita que las bibliotecas no
17% 415
62%
infracciones
cometidas
al
derecho
sean responsables por
de
autor en elcometidas
ejercicio al
dederecho
sus
21% 45
17%
infracciones
actividades
de autor en misionales?
el ejercicio de sus
21% 5
actividades misionales?

derecho de autor?

4

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita
bibliotecas
71% 17
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
elusión
de
medidas
de
permita que las bibliotecas
21% 517
71%
protección
tecnológica
sin
pedir
realicen elusión de medidas de
2
5
permiso
titular del derecho
8%
21%
protecciónal tecnológica
sin pedirde
2
autor?
permiso al titular del derecho de
8%
autor?

17 - MINERÍA DE DATOS
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
83%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
minería
de
datos
de
17%
83%
permita que las bibliotecas
obras
digitales
sin
pedir
permiso
realicen minería de datos de
0%
17%
al
titular
del derecho
de autor?
obras
digitales
sin pedir
permiso

17%

n%
n%
n%
n%
24
n%
24

20
4
20
0
4
0

0%
al titular del
derecho
FUENTE:
Datos
dedelaautor?
investigación, 2016.

No sé si mi país tiene alguna ley
No,sémisipaís
no tiene
al respecto
No
mi país
tieneleyes
alguna
ley
Si, mi
leyesleyes
sobreal elrespecto
tema
No,
mipaís
paístiene
no tiene
Sinmi
respuesta
Si,
país tiene leyes sobre el tema
Número
de encuestados
Sin
respuesta
Número de encuestados

Figura 13 - Actuación de las bibliotecas salvadoreñas frente a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

33%
33%
67%
67%

8
8
16
16

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.
Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
Mi biblioteca
hace importación de obras que no
tenemos
en miSI país.
tenemos en mi país.
Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

62%
62%
38%
38%

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
15
15
9
9

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
Mi
biblioteca
préstamo
de obras
digitales sin
pedir
permisoSIalhace
titular
del derecho
de autor.
pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

0%
0%
100%
100%

0
0
24
24

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

62%
62%
38%
38%

15
15
9
9

5 - SUMINISTRO

75%
75%
25%

5 - SUMINISTRO

18
18
6

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
Mi biblioteca
de documentos
a
usuarios
que SI
norealiza
puedensuministro
asistir físicamente
a la biblioteca

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
Mi biblioteca
SI hace
préstamo
externo de
de autor.
obras
sin
pedir permiso
al titular
del derecho
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
Mi
biblioteca
SI realiza reproducción
mediante
digitalización
o fotocopiadode obras
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

67%
67%
33%

6 - PRESERVACIÓN

16
16
8

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
Mi biblioteca
SI realiza
copias de preservación de
los
documentos
que custodia

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

15
62%
3.6
EL SALVADOR
– situación de las bibliotecas en relación con 62%
el derecho15de autor

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

9

38%

38%

9

5 - SUMINISTRO

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

75%

18

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

67%

16

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

25%

6

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

33%

8

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

7 - FORMATOS ACCESIBLES

100%

24

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

0%

0

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

8 - OBRAS AGOTADAS

75%
25%

18

6

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

100%

24

0%

0

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

96%

23

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

4%

1

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

96%

23

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

100%

24

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

4%

1

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0%

0

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

33%

8

En mi país NO se realiza el depósito legal

54%

13

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

67%

16

En mi país SI se realiza el depósito legal

46%

11

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

71%

17

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

29%

7

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

96%

23

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

4%

1

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

100%

24

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

0%

0

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

N= 24 número de encuestados

89

�90

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.6.4 RESULTADOS - EL SALVADOR
De acuerdo a los resultados obtenidos en las respuestas de los encuestados y
presentadas en los gráficos 3.1 y 3.2 podemos determinar que hay un desconocimiento
por parte de la mayoría de los profesionales bibliotecarios acerca de la existencia de
L&amp;E en la legislación salvadoreña de derechos de autor. Sin embargo, en la práctica o
actuación de las bibliotecas, están realizando muchas de las acciones incluidas dentro del
marco legal nacional o instrumentos internacionales como los tratados.
En el grupo focal los participantes expresaron no tener mayores dificultades para
ofrecer acceso a la información a sus usuarios, sin embargo, entre las experiencias y
dificultades con las que se enfrentan para poder ofrecer los servicios, la mayoría comentó
las dificultades a respecto de la importación de obras impresas debido al alto porcentaje
de impuestos por parte del estado, por lo que, en su mayoría, compran por medio de
distribuidores locales. En el caso de obras digitales, la mayor cantidad de comentarios se
enfocó en las restricciones de uso que ponen los editores por medio de la firma de licencias
de uso.
Con respecto al texto de Kenneth Crews (2008), en general, el documento refleja
la situación actual de acuerdo a la legislación nacional. Sin embargo, no se incluyen las
reformas sobre medidas tecnológicas incluidas en el Decreto Legislativo Nº 912, del 14 de
diciembre de 2005, y publicado en el Diario Oficial Nº 8, Tomo 370, del 12 de enero de
2006.
En los últimos años el Registro de la Propiedad Intelectual ha involucrado más
a las bibliotecas en los procesos de discusión para obtener insumos o informar sobre
los instrumentos a los cuales el país está adscrito en materia de propiedad intelectual y
que afectan el trabajo de las bibliotecas. Además, hay una creciente colaboración con
la Asociación de Bibliotecarios de El Salvador para dar a conocer estos temas con la
comunidad de bibliotecarios salvadoreños.
Los principales obstáculos a los que se enfrentan las bibliotecas en El Salvador se
encuentran relacionados al ámbito digital, en servicios como el préstamo de obras digitales,
reproducción y digitalización para preservación.
Las Bibliotecas salvadoreñas han dado pasos importantes para ampliar sus servicios
y adaptarse a las necesidades de las comunidades a las que sirven y estar al día con
las tendencias internacionales. En los últimos años se han desarrollado servicios como el
préstamo de obras en formato digital y se han incrementado proyectos en áreas como la
digitalización para la preservación y difusión de la producción cultural y científica del país.
Sin embargo, ante el desconocimiento de la legislación sobre derechos de autor algunos
de estos servicios pueden estar al margen de la normativa local, por lo que es importante
considerar que las bibliotecas deben promover el uso honrado o justo de las obras y que
sus servicios deben estar en el marco de la legislación vigente.
Por otro lado, la preservación de la producción de obras nacionales estanregulada
en la ley del libro en su Art. 15 que determina que “todo libro impreso o editado en El
Salvador deberá ser legalmente inscrito en el Registro de Comercio para efectos de la
protección del derecho de autor”. Para efectos del depósito legal de cada edición, se
enviarán 5 ejemplares a la Biblioteca Nacional, a la Universidad de El Salvador y a la
Asamblea Legislativa.

�3.6 EL SALVADOR – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

El Salvador fue el primer país de América y el segundo a nivel mundial en ratificar
el Tratado de Marrakech, este importante hecho fue dado a conocer por el Ministerio
de Economía por medio de un comunicado de prensa el día 02 de octubre de 2014.
Además, en el marco de la Semana Cultural del Bibliotecario Salvadoreño del año 2016,
se organizó la conferencia Impacto del Tratado de Marrakech: acceso a la información en
El Salvador y el Conversatorio Adopción e Implementación del Tratado de Marrakech con
la IFLA, organismos nacionales e internacionales en El Salvador.
La mayoría de las bibliotecas no cuenta con recursos y personal para poder llevar
a cabo la trasformación de obras a otros formatos accesibles a personas con alguna
discapacidad. Sin embargo, hay ejemplos de esfuerzos por llevar el acceso a la información
a estas minorías, el caso de la Biblioteca Nacional de El Salvador con su sala Braille. La
Universidad de El Salvador por su parte realiza la transformación de obras de texto a
audio para beneficiar a estudiantes no videntes.

3.6.5 CONSIDERACIONES FINALES - EL SALVADOR
Podemos concluir que El Salvador cuenta con instrumentos tanto a nivel nacional como
internacional en el tema de derechos de autor, eso permite a las bibliotecas apoyar su
misión y que éstas sean una balanza entre el derecho de los autores y el derecho de la
sociedad salvadoreña al acceso a la información y la educación. Pero, a pesar de contar
con legislación, podemos determinar que hay vacíos importantes que afectan el desarrollo
de nuevos servicios o limitan el accionar de las bibliotecas debido a que no hay una
actualización de la normativa local al entorno digital. Por ello, es muy importante impulsar
instrumentos a nivel internacional, como lo es el Tratado de Limitaciones y Excepciones para
Bibliotecas, ya que eso sería una oportunidad para realizar los cambios en la legislación
nacional y asegurar que, por medio de este instrumento, se pueda mejorar en aquellos
aspectos que no se han considerado en la normativa local.
Por otro lado, es importante destacar que es necesario dar a conocer de forma amplia
ante la comunidad de profesionales de la información todas las normativas locales y
convenios internacionales sobre derechos de autor a los cuales está adscrito El Salvador,
de manera que estos instrumentos permitan que los servicios ofrecidos por las bibliotecas
estén dentro de la legalidad en cuanto a derechos de autor se refiere, siendo la biblioteca
una institución que debe promover el respeto al derecho de autor y, por otro lado, permitir
el acceso a la información de forma democratizada, especialmente con énfasis en los
grupos o minorías más desfavorecidos.

91

�92

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.7 GUATEMALA – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor
por Heidi Elizabeth Molina Arana51, Valentina Santa Cruz Molina52, Gladys Haydee Rizo53
y Jorge Arturo Estrada54

3.7.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
La protección del derecho de autor ha evolucionado desde La Ley de Propiedad
Literaria, emitida en octubre de 1879 (Decreto 246), durante el gobierno de Justo Rufino
Barrios, reglamenta la propiedad literaria y reconoce las lecciones orales así como
cualquier otro discurso pronunciado en público. En esta ley se contempla la sucesión
del derecho a los herederos; la posibilidad de enajenar la propiedad por medio de un
contrato; la posibilidad de ser traducida la obra y de que el traductor tenga el derecho
sobre su trabajo. En febrero de 1954, durante el gobierno de Jacobo Árbenz Guzmán, se
emite la Ley sobre el Derecho de Autor en Obras Literarias, Científicas y Artísticas (Decreto
1037), se confiere el derecho moral y patrimonial al autor por la simple creación de la
obra, determinando el derecho patrimonial hasta 50 años después de la muerte del autor
o del último coautor. Se declara lícita la reproducción de fragmentos de obras literarias
con fines didácticos, siempre que se indique la fuente de donde fueron tomados. En 1998,
mediante Decreto 33-98 del Congreso de la República, se emitió la Ley de Derechos de
Autor y Derechos Conexos y entró en vigencia el 22 de junio de 1998. Fue reformada
mediante Decreto 56-2000, vigente a partir del 1º de noviembre del 2000, en vista de
que las nuevas tecnologías para la difusión de las obras permiten otras modalidades de
defraudación de los derechos de propiedad intelectual. (Tecún; 2005).
La Constitución Política de la República de Guatemala en su artículo 42, Derecho de
autor o inventor, reconoce que los titulares del mismo gozarán de la propiedad exclusiva
de su obra o invento en conformidad con la ley y los tratados internacionales y el artículo
63, Derecho a la expresión creadora. El Estado garantiza la libre expresión creadora,
apoya y estimula al científico, al intelectual y al artista nacional, promoviendo su formación
y superación profesional y económica. (Congreso de la República de Guatemala; 1993).
En Guatemala, la violación del derecho de autor se tipifica como delito penal, civil y/o
mercantil.
Los tratados internacionales de los que Guatemala es signataria son: Tratado de
Marrakech (30 de septiembre de 2016), Tratado de Cooperación en materia de Patentes
(14 de octubre de 2006), Tratado de la OMPI sobre Derecho de Autor (4 de febrero de
2003), Tratado de la OMPI sobre Interpretación o Ejecución y Fonogramas (8 de enero
de 2003), Convenio de París para la Protección de la Propiedad Industrial (18 de agosto
de 1998), Convenio de Berna para la protección de las Obras Literarias y Artísticas (28
de julio de 1997), Convenio que establece la Organización Mundial de la Propiedad
Intelectual (30 de abril de 1983), Convenio para la protección de los productores de
fonogramas contra la reproducción no autorizada de sus fonogramas (1º de febrero de
51- Biblioteca de la Facultad de Odontología, USAC, Ciudad de Guatemala. heidi.molina@gmail.com
52- Biblioteca, INCAP, Ciudad de Guatemala. valesanta@gmail.com
53- Biblioteca Escuela de Ciencias Psicológicas, USAC. Ciudad de Guatemala. rizogladys@gmail.com
54- Biblioteca Escuela de Ciencias Psicológicas, USAC. Ciudad de Guatemala. rizogladys@gmail.com

�3.7 GUATEMALA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

1977), Convención de Roma sobre la protección de los artistas intérpretes o ejecutantes,
los productores de fonogramas y los organismos de radiodifusión (14 de enero de 1977)
(OMPI; 2016).
En este informe, se detalla el impacto de la legislación del derecho de autor en las
bibliotecas de Guatemala.

3.7.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por el
Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A) y un grupo focal. El cuestionario fue
enviado de forma electrónica a 25 profesionales, siendo: 5 de bibliotecas universitarias,
5 de bibliotecas escolares, 5 de bibliotecas especializadas, 5 de bibliotecas públicas, y
5 de Centros de Documentación. El cuestionario estuvo disponible durante 2 semanas.
Del total de cuestionarios enviados, 13 fueron respondidos en su totalidad, siendo: 2
bibliotecas escolares, 3 bibliotecas públicas, 5 bibliotecas universitarias, 2 bibliotecas
especializadas, 1 Centro de documentación. El grupo focal se llevó a cabo de forma
personal e individual con cuatro bibliotecarios de 2 bibliotecas académicas y 2 bibliotecas
públicas. El cuestionario semiabierto mencionado se utilizó como guía de las discusiones.

3.7.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - GUATEMALA
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Guatemala
= En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la
existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país
sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de
leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas.
Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada
respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del
país, pero la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas guatemaltecos frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

93

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

94

Figura 14 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Guatemala
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

31%
31%
38%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
4
4
5

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?
* Esa pregunta no fue hecha en Guatemala, pero la respuesta correta
es Si, Guatemala tiene esa L&amp;E en su Ley.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

31%
62%
8%

4
8
1

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

38%
54%
8%

54%
23%
23%

5
7
1

54%
38%
8%

7
3
3

7
5
1

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

62%
38%
0%

16%
46%
38%

2
6
5

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

15%
62%
23%

2
8
3

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

15%
54%
31%

2
7
4

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

69%
31%
0%

9
4
0

12 - TRADUCCIONES

8
5
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

62%
31%
7%

8
4
1

�9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna OleyRETIRADAS
que
¿Su país tiene alguna ley que
54% 7
69%
permita
que
lasalguna
bibliotecas
permita
lasalguna
bibliotecas
¿Su
país
tiene
ley
que
paísque
tiene
3.7ofrezcan
GUATEMALA
– situación
de las bibliotecas75en relación con el¿Su
derecho
depubliquen
autor leyo que
acceso
a
obras
objeto
de
reproduzcan,
usen
38%
31%
54%
69%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
retracción
o retiradas
sinobjeto
pedir de
obras
huérfanas?
1
5
ofrezcan acceso
a obras
reproduzcan,
publiquen
o
usen
8%
0%
38%
31%
permiso
del derecho
retracciónalotitular
retiradas
sin pedirde
obras huérfanas?
1
8%
0%
autor?
permiso al titular del derecho de

9
4
9
0
4
0

autor?

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
62%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
ofrezcan
usos
transfronterizos
sin
38%
62%
permita que las bibliotecas
pedir
permiso
al titular del sin
ofrezcan
usos transfronterizos
0%
38%
derecho
de autor?
pedir permiso
al titular del

0%

derecho de autor?

12 - TRADUCCIONES

8
5
8
0
5
0

12 - TRADUCCIONES
¿Su país tiene alguna ley que
62%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
traducciones
de
obras
sin
31%
62%
permita que las bibliotecas
pedir
permiso
al titulardedel
realicen
traducciones
obras sin
7%
31%
derecho
de autor?
pedir permiso
al titular del

7%

derecho de autor?

8
4
8
1
4
1

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
31% 4
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
el depósito
legal?
15% 42
31%
permita que
las bibliotecas

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
62% 8
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
el depósito
legal digital
38% 85
62%
permita que
las bibliotecas
sin
pedir
permiso
al
titular
del
0
5
realicen el depósito legal digital
0%
38%
derecho
de
autor?
sin pedir permiso al titular del

realicen el depósito legal?

54%
15%
54%

7
2
7

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
15 - LIMITACIÓN
DE RESPONSABILIDAD
¿Su país tiene alguna
que
DEleyBIBLIOTECAS
permita
bibliotecas
no
54% 7
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
sean
responsables
por
permita que las bibliotecas no
31% 74
54%
infracciones
cometidas
sean responsables
por al derecho
de
autor en elcometidas
ejercicio al
dederecho
sus
15% 42
31%
infracciones
2
actividades
misionales?
de autor en el ejercicio de sus
actividades misionales?

15%

0%

derecho de autor?

0

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita
bibliotecas
62% 8
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
elusión
de
medidas
de
permita que las bibliotecas
31% 84
62%
protección
tecnológica
sin pedir
realicen elusión
de medidas
de
1
4
permiso
titular del derecho
7%
31%
protecciónal tecnológica
sin pedirde
1
autor?
permiso al titular del derecho de

7%

autor?

17 - MINERÍA DE DATOS
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
62%
permita
bibliotecas
¿Su paísque
tienelasalguna
ley que
realicen
minería
de
datos
de
31%
62%
permita que las bibliotecas
obras
digitales
realicen
mineríasindepedir
datospermiso
de
7%
31%
al
titular
del derecho
de autor?
obras
digitales
sin pedir
permiso

7%

n%
n%
n%
13
n%
13

8
4
8
1
4
1

al titular del
derecho
autor?
FUENTE:
Datos
dedela
investigación, 2016.

No sé si mi país tiene alguna ley
No,sémisipaís
no tiene
al respecto
No
mi país
tieneleyes
alguna
ley
Si, mi
leyesleyes
sobreal elrespecto
tema
No,
mipaís
paístiene
no tiene
Número
detiene
encuestados
Si,
mi país
leyes sobre el tema
Número de encuestados

Figura
15 - Actuación
frenteIMPRESAS
a las L&amp;E.
1 - IMPORTACIÓN
PARALELAde las bibliotecas guatemaltecos
2 - PRÉSTAMO DE OBRAS
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

69%
69%
31%
31%

9
9
4
4

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.
Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
Mi
biblioteca
hace importación de obras que no
tenemos
en miSI país.
tenemos en mi país.
Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

85%
85%
15%
15%

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
11
11
2
2

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
Mi biblioteca
préstamo
de obras
digitales sin
pedir
permisoSIalhace
titular
del derecho
de autor.
pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
Mi
SI hace
préstamo
externo de
de autor.
obras
sin biblioteca
pedir permiso
al titular
del derecho
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
* Esa pregunta no fue
Guatemala
sinhecha
pedirenpermiso
al titular del derecho de autor.
* Esa pregunta no fue hecha en Guatemala

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

54%
54%
46%
46%

7
7
6
6

5 - SUMINISTRO

54%
54%

5 - SUMINISTRO

7
7

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
Mi biblioteca
SI realiza reproducción
mediante
digitalización
o fotocopiadode obras
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

69%
69%

6 - PRESERVACIÓN

9
9

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de

95

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
96

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

85%

11

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
biblioteca NO realiza reproducción de obras
7 deMi
BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la54%
legislación
derechos
de autor en América Latina y el Caribe
pedir permiso al titular del derecho de autor.
mediante digitalización o fotocopiado

15%

2

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

46%

6

5 - SUMINISTRO

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

54%

7

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

69%

9

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

46%

6

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

31%

4

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

7 - FORMATOS ACCESIBLES

8 - OBRAS AGOTADAS

92%

12

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

85%

11

8%

1

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

15%

2

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

100%

13

0%

0

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

92%

12

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

8%

1

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

100%

13

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

100%

13

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

0%

0

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0%

0

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

23%

3

En mi país NO se realiza el depósito legal

62%

8

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

77%

10

En mi país SI se realiza el depósito legal

38%

5

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

77%

10

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

23%

3

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

100%

13

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

0%

0

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

100%

13

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

0%

0

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

N= 13 número de encuestados

�3.7 GUATEMALA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.7.4 RESULTADOS - GUATEMALA
En su mayoría, las personas responsables de las bibliotecas desconocen a fondo las
leyes o existencia de éstas, así como sus excepciones. Ese hecho se ve reflejado en sus
servicios o falta de estos. El cuestionario fue respondido por representantes de bibliotecas,
(nacional, públicas, escolares, universitarias y centros de documentación), señala que la
mayor parte de las bibliotecas no dan servicios para evitar ser sancionados.
En los casos de las bibliotecas que hacen importación directa de obras que no se
tienen en el país (33%), ésa se hace por medio de la editorial que publicó la obra, con lo
que se supone respetar el derecho de autor.
Las bibliotecas que hacen préstamo de obras digitales (15%), a personal y estudiantes
de la institución: seminarios, proyectos, revistas, tesis y trabajos de graduación. En relación
con las bibliotecas que ofrecen servicios reprográficos de obras digitales (5%), estos
se limitan a las tesis y trabajos de graduación, propiedad de la Universidad, y que los
estudiantes autorizan el acceso público, así como los documentos digitales del Ministerio
de Educación que permiten reproducirlos para los colegios.
Con respecto a las bibliotecas que ofrecen suministro de obras digitales a sus usuarios
que no se encuentran físicamente en la biblioteca (46%), éste se limita a las tesis y trabajos
de graduación, obras hechas por personal y estudiantes de la institución, así como
seminarios, proyectos, revistas.
En el caso de las bibliotecas que realizan copias de preservación del material que
custodian (33%), lo hacen respecto a las obras publicadas por la institución, como revistas
y documentos afines a la institución, así como tesis de grado. Ya en el caso de las bibliotecas
que tienen copias de obras agotadas en el mercado (18%), éstas consideran que una ley
al respecto sería necesaria.
Las bibliotecas que respondieron que se realiza el depósito legal de obras impresas en
Guatemala (73%) opinaron que la depositaria legal es la universidad pública USAC y se
hace, sobre todo, de los trabajos de graduación. Y en el caso del depósito legal de obras
digitales, el 40% de los encuestados afirmó que se realiza muy poco, como es el caso
especial de la Universidad de San Carlos de Guatemala, con sus trabajos de graduación.
El depósito legal de obras impresas se da con mucho trabajo en la Biblioteca Central de
esta universidad, así como en la Biblioteca Nacional. El mayor obstáculo de cumplimentar
este mandato es que se contradice con la Ley de Libre Emisión del Pensamiento, que es
donde se contempla el Depósito Legal y no está claramente desarrollada.
En cuanto a la copia a formatos accesibles, son muy pocas las Bibliotecas que dan
servicios a usuarios con discapacidad, no tienen posibilidades de reproducir copias de
obras con esas características y la mayoría de las bibliotecas no conoce el Tratado de
Marrakech.
Las excepciones y limitaciones que se describen en el texto de Kenneth Crews (2008),
se reflejan en la ley de Guatemala, ya que en el Manual de derechos de autor para las
bibliotecas de Guatemala, de Oscar Acuña (2007), se dan a conocer las excepciones
al Derecho de Autor según nuestra legislación y se señala que siguen los principios del
Convenio de Berna para la protección de las obras literarias y artísticas.
Con respecto a los obstáculos que las bibliotecas de Guatemala enfrentan para la
prestación de sus servicios como resultado de la ley de derecho del autor del país, a
partir de los datos de este estudio, se ve mucho desconocimiento del tema por parte

97

�98

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

de los responsables de las bibliotecas al existir desinformación. Es necesario formar un
vínculo entre bibliotecas, Estado, comunidades y asociaciones para realizar una propuesta
concreta para la reforma de la ley ante el Congreso de la República que permita no solo la
ampliación de presupuesto sino la capacitación adecuada del personal de cada biblioteca.
En general, en Guatemala se necesita socializar más, todo lo concerniente al Derecho de
Autor y a las excepciones que respaldan a las bibliotecas para ofrecer mejores servicios.

3.7.5 CONSIDERACIONES FINALES - GUATEMALA
En Guatemala se aprecia el desconocimiento de las leyes sobre derecho de autor, así
como las excepciones a las que las bibliotecas tienen acceso para dar servicios y mantener
protegidas sus colecciones. Las bibliotecas deberían estar absueltas de sanciones sobre
derecho de autor, ya que su trabajo es eminentemente educativo. Es necesario que todas
las reformas de derecho de autor se socialicen a nivel nacional por medio de la ABG. Es
imprescindible que el depósito legal se cumpla en todo el país, y para esto es necesario
que se reforme la Ley de Libre Emisión del Pensamiento, en la cual aparece estipulado este
mandato. Se debe dar a conocer el Tratado de Marrakech y apoyar a las bibliotecas a
que proporcionen servicios a las personas discapacitadas.

3.8 HAITÍ – Etat des Bibliothèques en ce qui concerne le droit
d’auteur
par HONORE, Luc Stève55, ASTREL, Nicodème56, BORGELLA, Jimmy57

3.8.1 BRÈVE CONTEXTE DU DROIT D’AUTEUR EN HAÏTI
La première législation de droits d’auteur en Haïti fut le décret du 9 Janvier 1968 qui
protège les œuvres littéraires, scientifiques et artistiques (Décret sur les droits d’auteur,
1968). Cette loi fut mise en vigueur et promulguée par le pouvoir exécutif le 18 Janvier
1968. Près de 40 ans plus tard soit le 12 octobre 2005 fut créé par décret, le Bureau
Haïtien du Droit d’Auteur (BHDA), rendu opérationnel le 03 janvier 2007 et présenté
officiellement au grand public le 23 avril 2007. Ce dit décret place le BHDA comme
l’unique organisme chargé de la gestion collective des droits d’auteur et des droits voisins
en Haïti. Depuis, le BHDA eut à prendre un ensemble de mesures visant à maintenir un
bon équilibre entre les intérêts des propriétaires et des utilisateurs des œuvres déposées
et protégées dans un système du droit d’auteur haïtien qui se veut plus juste:
• Signature d’un protocole d’entente entre le directeur général de la Bibliothèque
Nationale d’Haïti (BNH), Stefan Malebranche et la directrice générale du Bureau
Haïtien du Droit d’Auteur (BHDA), Mme Emmelie Prophète-Milcé, qui permettra
aux auteurs de bénéficier de la reproduction partielle, la location et le prêt de leurs
ouvrages à la Bibliothèque
Cependant, la plus récente législation en matière de droits d’auteur remonte au 9 mars
2006, soit une année avant l’ouverture officielle du BHDA, par un décret de l’exécutif
55- Association des Bibliothécaires, Documentalistes et Archivistes d’Haïti, BNH/ HAÏTI. orelhon@gmail.com
56- Association des Bibliothécaires, Documentalistes et Archivistes d’Haïti, BNH/ HAÏTI.
57- Association des Bibliothécaires, Documentalistes et Archivistes d’Haïti, BNH/ HAÏTI. jimmydeborguella.viejenues@gmail.com

�3.8 HAITÍ – Etat des Bibliothèques en ce qui concerne le droit d’auteur

(Décret [sur les droits d’auteur], 2006. Ce décret de 61 articles regroupe en ses articles
8 à 19 une section dite de “Limitation des droits patrimoniaux”. L’article 12 s’intéressant
particulièrement aux bibliothèques et aux services d’archives stipule:
[…] sans l’autorisation de l’auteur ou de tout autre titulaire du droit d’auteur, une bibliothèque ou
des services d’archives si cette activité ne vise pas directement ou indirectement un profit commercial
peuvent réaliser par reproduction reprographique des exemplaires isolés d’une œuvre:
1. Lorsque l’œuvre reproduite est un article ou une courte œuvre ou un court extrait d’un écrit autre
qu’un programme d’ordinateur, avec ou sans illustration, publiée dans un numéro de journal ou d’un
périodique, et lorsque le but de la reproduction est de répondre à la demande d’une personne
physique.
2. Lorsque la réalisation d’un tel exemplaire est destiné à le remplacer ou, dans une collection
permanente d’une autre bibliothèque ou d’un autre service d’archives, à remplacer un exemplaire
perdu, détruit ou rendu inutilisable […]. (Décret, 2006

Cet article promulgué bien avant le programme de travail (2011-2012) convenu
par le comité permanent de l’OMPI sur les droits d’auteur et les droits voisins relatifs
aux limitations et exceptions n´y est pas adapté, cet article ne peut alors prendre en
compte la totalité des caractéristiques de la proposition de traité sur les Limitations et
les Exceptions au Droit d’Auteur pour les Bibliothèques et les Archives (IFLA, 2012)
Reconnaissant la nécessité d’une approche globale aux limitations et aux exceptions du
droit d’auteur et d’un niveau minimal d’harmonisation internationale, une révision de la
dernière législation des droits d’auteur en matière de limitations et d’exceptions s’avère
nécessaire.
En ce sens, cet article se veut une cartographie des bibliothèques haïtiennes dans
l’environnement numérique au regard des restrictions de la législation des droits d’auteur
actuellement en vigueur.

3.8.2 PROCÉDURES DE COLLECTE DE DONNÉES
Pour collecter des données, des entrevues et des questionnaires ont été effectués. Le
questionnaire proposé par le Intégré Projet IFLA LAC 2016 (APENDICEe A et B) a été
traduit en français et personnellement distribué à cinq bibliothèques de Port-au-Prince
: une école, une bibliothèque publique et trois universités. Une période de 15 jours a
été allouée aux répondants du questionnaire. Tous les questionnaires distribués ont été
complétés.
Deux entrevues, en personne et individuellement avec les représentants des
bibliothèques universitaires ont été effectuées. Le questionnaire proposé par le Intégré
Projet IFLA LAC 2016 (APENDICEe A et B) a été utilisé comme le script d’entrevue.
Chaque entretien a duré environ 30 minutes.

3.8.3 RÉSULTATS
Les réponses fournies au questionnaire58 par les bibliothécaires des institutions
révèlent que la législation haïtienne sur les droits d’auteur est pratiquement inconnue
58- Le total des questionnaires n´a pas été mentionné par les auteurs.

99

�100

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

dans le pays. En majorité, ils ignorent l’existence de lois en rapport aux différents champs
qu’abordent le questionnaire en conformité à la proposition du traité de l’OMPI sur les
limitations et exceptions des droits d’auteur relatives aux bibliothèques et aux services
d’archives (IFLA, 2012). De plus, 15% déclarent que des lois dites d’exceptions et de
limitations n’existent pas dans la législation haïtienne; et 3% reconnaissent l’existence
d’une loi sur le dépôt légal. Par rapport aux services fournis dans les bibliothèques en
ce qui a trait aux limitations et exceptions des droits d’auteur, seulement le 10% attestent
que ces services sont rendus au public et particulièrement, au niveau des bibliothèques
universitaires.
Kenneth D. Crews (2008; 2015)59 fait mention que la dernière législation haïtienne
des droits d’auteur du 12 octobre 2005. Au niveau des exceptions et des limitations, il est
permis de faire des reproductions en photocopie afin de remplacer le matériel perdu ou
endommagé de la Bibliothèque, ou pour l’utilisation personnelle et sans but lucratif des
usagers du service des bibliothèques qui demandent extraits ou articles.
Selon Crews, l’exception permettant aux bibliothèques et aux archives de contourner
les TPM (Technological Protection Measures) pour des utilisations non délictuelles (telles
que la conservation, l’accès au contenus par les personnes handicapées et le droit de
l’usager d’employer les exceptions statutaires nationales au droit d’auteur) et à la fois,
autorisant les bibliothèques et les archives d’acquérir les outils ou les services nécessaires
pour le contournement n’est pas pourvue dans la législation haïtienne de droits d’auteur
actuellement en vigueur. Le cadre de notre législation de droits d’auteur étant restreint,
ne faisant mention d’aucune exception pour les bibliothèques dans le cadre de
conservation numérique ou de conversion de l’information scientifique et littéraire en
des formats accessibles, constitue un grand obstacle pour les bibliothèques haïtiennes
face à l’augmentation croissante de ressources documentaires nées numériques, dans la
vocation de ces institutions de donner l’accès à l’information.
D’autres lois supplémentaires permettant de fournir des services d’information au
public ne sont que des lois structurelles donnant naissance aux organismes de services
publics ayant pour mission de donner l’accès à l’information scientifique et littéraire,
tels que la Direction Nationale du Livre, La Bibliothèque Nationale d’Haïti, Les Archives
Nationales d’Haïti, Le Centre de Recherche et de Documentation.
La réforme des droits d’auteur et des droits voisins entreprise au niveau mondial
n’est pas au cœur des préoccupations des bibliothèques haïtiennes. Les professionnels
au courant d’initiatives à ce niveau sont épars, mise à part de la tenue annuelle d’une
semaine de la propriété intellectuelle par le Bureau Haïtien du Droit d’Auteur (BHDA) qui
se tient chaque dernière semaine du mois d’avril. Cet événement ne met pas aux prises,
jusqu’à présent, les bibliothèques face aux problématiques des exceptions et limitations
des droits d’auteur. Pour pallier à cet état de fait, L’Association des Bibliothécaires,
Documentalistes et Archivistes d’Haïti, entend organiser des ateliers de travail autour de
la problématique de la législation actuelle des droits d’auteur, survolant la question des
bibliothèques et des services d’archives. Une expertise d’organismes liés à l’IFLA et à
l’OMPI serait nécessaire pour la réalisation de telles initiatives.
Le Traité de Marrakech fait l’objet d’une totale ignorance en Haïti. Les bibliothèques
haïtiennes sont au courant de la signature du traité de Marrakech du point de vue
59- Une mise à jour plus récente (2017) tien compte de la législation de 2006 et fait référence à des exceptions explicites. Mas rappelezvous, ces résultats ont été collectès em 2016.

�3.8 HAITÍ – Etat des Bibliothèques en ce qui concerne le droit d’auteur

événementiel, mais ignorent totalement en quoi consiste leur rôle dans le processus de la
ratification du Traité de Marrakech en Haïti.
Nos bibliothèques sont donc institutionnellement mises à l’écart dans le processus
de ratification qui permettrait l’inclusion dans notre législation des droits d’auteur des
exceptions visant à rendre l’information accessible à tous. De ce fait, des initiatives isolées
pouvant s’apparenter aux exceptions et limitations des droits d’auteur se font dans les
Bibliothèques en attendant de mettre à jour la législation haitienne des droits d’auteur, par
exemple mise en place de rampe à l’entrée des bibliothèques pour faciliter l’accès aux
handicapés, le plaidoyer de la Société Haïtienne d’Aide aux Aveugles pour la ratification
du Traité de Marrakech, etc. En ce qui a trait aux services fournis par les bibliothèques,
la plupart font des reproductions partielles et voire totales de document surtout en milieu
universitaire, tout en ignorant les reformes et les travaux de mises à jour qui se font à
l’échelle mondiale sur les droits d’auteur et les droits voisins en terme de limitations et
d’exceptions relativement aux nouveaux défis qui s’imposent aux bibliothèques à l’ère de
l’expansion de l’information numérique.

3.8.4 CONSIDÉRATIONS FINALES - HAITÍ
L’impact de la législation des droits d’auteur sur les bibliothèques des pays de
l’Amérique Latine et de la Caraïbe demeure une étude importante pour évaluer celle
d’Haïti par rapport à un niveau minimal d’harmonisation internationale, pour assurer
le flux efficace et non entravé des informations essentielles, pour l’égalité globale de
l’accès à la recherche, aux idées et à l’innovation. Les bibliothèques et les archives sont
dépositaires de la confiance du public (dans son rôle de conserver les diverses formes
d’expression employées par les sociétés au cours du temps) pour faciliter l’accès et la
diffusion des biens de la connaissance. Elles peuvent se révéler en d’authentiques espaces
d’échanges intellectuelles autour de la problématique des exceptions et limitations des
droits d’auteur. Etre conscient du rôle que doivent jouer tous les acteurs de la chaine
de productions d’œuvres littéraires, scientifiques et artistiques, est nécessaire pour la
restructuration de notre système de droit d’auteur.
La législation, étant inadéquate, peut être l’objet d’adaptations aux exceptions et
limitations seulement si se tenaient au niveau national de véritables plaidoyers (forums,
ateliers de travails, débats, assisses, réflexions etc.) autour des problématiques du droit
d’auteur dans les bibliothèques et services d’archives, impliquant tous les acteurs du secteur
du livre et de l’information en Haïti. Sensibiliser les structures du gouvernement d’Haïti
à l’élaboration d’un plan national prônant l’accès à l’information et au développement
s’apparentant à la déclaration de Lyon d’aout 2014 de l’IFLA, impliquera indubitablement
des résolutions, des propositions de lois, des nouvelles priorités, pour un impact réel sur
notre société.
Cet article est alors une contribution initiale de l’association visant à décrire notre
système de droits d’auteur en le diagnostiquant et propose des solutions à partir
desquelles découleront de multiples avantages éducatifs, politiques, sociaux, culturels
et de divertissement pour notre société. S’ériger en tant que facilitateur permettant
l’échange, la compréhension mutuelle entre les divers secteurs qu’impliquent les exceptions
et limitations de la législation des droits d’auteurs pour les bibliothèques et services
d’archives : telle est la stratégie adoptée pour aboutir à un engagement synchronisé

101

�102

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

de tous. Il s’agit d’une démarche nécessaire pour franchir les obstacles qu’engendre
notre législation de droits d’auteur dans l’exercice d’accès à l’information aux usagers
des bibliothèques et des services d’archives, tout en respectant l’intégralité des œuvres
protégées par les droits d’auteur et droits voisins.

3.9 JAMAICA – state of the libraries regarding copyright
RUSSELL, Jollette60, HEATH, Rosemarie61, BAKER-GARDNER, Ruth62, LAWRENCE, Tricia63,
HUDSON, Winsome64

3.9.1 BRIEF CONTEXT OF COPYRIGHT IN JAMAICA
Jamaica, like other countries, is concerned with keeping intellectual property and
copyright laws current for the benefit of creators and users of works. The Jamaica
Copyright Act was passed in 1993 as a result of bilateral and multilateral obligations
and a national consensus to create a legal position to benefit all contending parties. Its
purpose is to protect Copyright and Related Rights.
The Jamaican government created in 2001 an authority, The Jamaica Intellectual
Property Office (JIPO), with a mandate to administer intellectual property systems in
Jamaica in the areas of Trademarks, Industrial Designs and Geographical Indications,
Copyright and Related Rights. There is also The Jamaican Copyright Licensing Agency
(JAMCOPY), the national rights management organisation regarding texts and images.
This agency was set up by creators and publishers of materials published in printed form,
to manage the reproduction rights of creators and publishers whose works are published
in print. Under the Jamaica copyright act, all creators have the sole and exclusive right to
publish and reproduce their work in any form.
The most recent activity aimed at protecting IP rights has been the June 30, 2015
amendment to the copyright act. This amendment is welcomed by the library sector as
it provides the needed support for library services in the digital era. One example is
that it gives libraries permission to circumvent technological protection measures for
preservation purposes and to facilitate access to persons who are visually impaired. It
raises other issues regarding the extension of the copyright terms, from fifty (50) years to
ninety-five (95) years after the death of the creator.
Furthermore, the library sector had not been consulted since 2005 regarding proposed
amendments to the copyright act of 1993. On the eve of the most recent amendment
(2015), The National Library of Jamaica (NLJ) and the Library and Information Association
of Jamaica (LIAJA) convened a library community consultation aimed at providing a
response to the Bill, entitled: An Act to Amend the Copyright Act of 1993. This move was
a last ditch effort to influence the amendments (to no avail) and was a strategic attempt
to establish a position for the library sector to be a key stakeholder in consultations
regarding copyright legislation and policy positions. The position of these two entities was
60- GC Foster College of Physical Education and Sport Library, St Catherine, Jamaica Jollettep@gmail.com
61- Department of Library and Information Studies, University of the West Indies Mona, Kingston, Jamaica. rosanto_67@hotmail.com
62- Department of Library and Information Studies, The University of the West Indies Mona, Kingston, Jamaica. ruth.bakergardner@yahoo.
com
63- Records and Information Department, Heineken Jamaica, Kingston, Jamaica. triciaklawrence12@gmail.com
64- The National Library of Jamaica, Kingston, Jamaica. winsomehudson@gmail.com

�3.9 JAMAICA – state of the libraries regarding copyright

based on the International Federation of Library Association’s (IFLA) policy statement
(IFLA, 2004) that, “Libraries are major purchasers of information in print, analogue and
digital formats and wish to ensure lawful, equitable access to knowledge contained in
such works.”
The 2015 Amendment to the Act also allows ‘authorized bodies’ to reproduce digital
works, for preservation or for making the work accessible, without asking permission
to the copyright owner. Again, only one library, the National Library of Jamaica, is
named as an authorized body in the act. Under the new amendment, circumvention
of a technological protection measure for archival and preservation purposes (Section
55) would not be a copyright offense. Sections 56-60 of the said act makes extensive
provisions for educational use of copyrighted materials, and sections 61-65 cover
exceptions affecting Libraries and Archives.
This study looks at the role of the Library and Information Association of Jamaica
(LIAJA) in engaging stakeholders with the role that their libraries play in contributing to
a creative knowledge economy and society, and ensuring correct interpretation of the
copyright act and its potential impact on libraries in fulfilling this role.

3.9.2 DATA COLLECTION PROCEDURES
For data collection, the semi-open questionnaire proposed by the Integrated Project
IFLA LAC 2016 (APENDICE A) was applied, and semi-structured interviews were carried
out. The questionnaire was sent via electronic form to participants of 84 libraries: 18 public
libraries, 25 academic, 25 school, 15 specialized, and 1 national library. A deadline of
slightly more than one month was given to respondents to complete the questionnaire.
The interviews were carried out in person with five library and information professionals,
each one representing a type of library (national, special, public, school and academic).
The semi-open questionnaire was adapted and used as a script in the interviews. The
duration of these interviews ranged from forty-five minutes to one hour. Of the total
number of questionnaires sent, 41 were answered: 35 in full and 6 partially. By library
type, 1 answered by National Library professionals (2.5%), 5 by professionals from
15 specialized libraries (12.5%), 8 by professionals from 18 public libraries (17.5%),
13 by professionals from 25 academic libraries (31.5%), and 14 by professionals of
25 school libraries (35%). The total number of respondents, for both the interview and
questionnaires, totalled 46.

3.9.3 DATA ANALYSIS
The answers obtained in relation to the 17 objective questions proposed by the
Integrated Project IFLA LAC 2016 (APENDICE A) were tabulated and analysed statistically
(as shown in the following graphs). These questions refer to
a) The participants knowledge about the L&amp;E in the copyright law of their country
= Each question provides, (a) in BLUE, the percentage who lack the knowledge or are
not sure of the existence of that specific L&amp;E in the copyright law in the country, (b) in
RED, percentage of NO answers, when there is an absence of laws in the country on that
particularly L&amp;E, (c) in GREEN, the percentage of answers that said YES regarding the

103

�104

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

existence of laws on the subject in the country, (d) in black, the percentage of questions
with no answers from the participants and next to each percentage, the corresponding
number of respondents is indicated for each answer. All questions with a green check
symbol (√) indicate that L&amp;E there is in the country copyright law. And all question with
X symbol indicate that the L&amp;E there is not in the country’s legislation.
b) The services the libraries are offering in face of the L&amp;E proposed in this study =
Each question provides, (a) in RED, percentage and the number of participants that say
“My library DOES NOT offer that particularly service” and (b) in GREEN, the percentage
and the number of participants that say “Yes, my library offer that particularly service”
The qualitative analysis of the questionnaire and the objective questions used in the
interview and/or focus group techniques (Appendices A and B) were analysed subjectively
and discussed in the Final Results and Considerations.

Figure 16 - Participants knowledge about the Jamaica Copyright Law
1 - PARALLEL IMPORTATION
Does your country have any law
that allows libraries to import
works without asking permission
to the copyright owner?

23%
8%
65%
5%

2 - LENDING OF PRINT MATERIALS
9
3
26
2

3 - LENDING OF DIGITAL MATERIALS
Does your country have a law that
allows libraries to lend digital
works without asking permission
to the copyright owner?

38%
5%
55%
3%

15
2
22
1

5 - SUPPLY
Does your country have a law that
allows libraries to supply digital
works without asking permission
to the copyright owner?

33%
5%
60%
3%

13
2
24
1

4
1
34
1

4 - REPRODUCTION OF DIGITAL MATERIALS
Does your country have a law that
allows libraries to reproduce
digital works without asking
permission to the copyright
owner?

13%
3%
85%
0%

5
1
34
0

40%
0%
58%
3%

40%
48%
3%
9%

11 - CROSS-BORDER USES

Does your country have a law that
allows libraries to make preservation copies without asking
permission to the copyright
owner?

8%
3%
88%
3%

3
1
35
1

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS
16
0
23
1

9 - RETRACTED AND WITHDRAWN MATERIALS
Does your country have any law
that allows libraries to offer
access to works that are subject to
retraction or withdrawal without
permission from the copyright
owner?

10%
3%
85%
3%

6 - PRESERVATION

7 - ACCESSIBLE FORMATS
Does your country have a law that
allows libraries to transform
works in a format which is
accessible without asking
permission to the copyright
owner?

Does your country have a law that
allows libraries to lend print works
without asking permission to the
copyright owner?

16
19
1
4

Does your country have a law that
allows libraries to copy out-of-print
works for in-library use only
without asking permission to the
copyright owner?

13%
80%
5%
3%

5
32
2
1

10 - ORPHAN MATERIALS
Does your country have a law that
allows libraries to reproduce,
publish or use orphan works?

30%
0%
65%
5%

12 - TRANSLATIONS

12
0
26
2

�7 - ACCESSIBLE FORMATS

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS

Does your country have a law that
40% 16
3.9
JAMAICA
–
state
of
the
libraries
regarding0copyright
allows libraries to transform
0%
works in a format which is
58% 23
accessible without asking
1
permission to the copyright
3%
owner?

Does your country have a law that
allows libraries to copy out-of-print
works for in-library use only
without asking permission to the
copyright owner?

9 - RETRACTED AND WITHDRAWN MATERIALS
Does your country have any law
that allows libraries to offer
access to works that are subject to
retraction or withdrawal without
permission from the copyright
owner?

40%
48%
3%
9%

16
19
1

50%
45%
3%
3%

Does your country have a law that
allows libraries to reproduce,
publish or use orphan works?

4

25%
0%
75%
0%

15 - LIMITATION ON LIABILITY
FOR LIBRARIES
Does your country have a law that
15%
allows libraries not to be liable
3%
for infractions to copyright when
acting within the scope of their
73%
professional activities?

10%

20
18
1
1

10
0
30
0

Does your country have a law that
allows libraries to translate works
without asking permission to the
copyright owner?

83%
10%
5%
3%

2
1

30%
0%
65%
5%

12
0
26
2

40%
50%
8%
3%

16
20
3
1

14 - LEGAL DEPOSIT OF DIGITAL MATERIALS
Does your country have a law that
allows digital legal deposit in
libraries without asking permission to the copyright owner?

88%
0%
5%
8%

35
0
2
3

16 - TECHNOLOGICAL PROTECTION MEASURES
6
1
29
4

Does your country have a law that
allows libraries to circumvent
technological protection measures
without asking permission to the
copyright owner?

17 - DATA MINING
Does your country have a law that
allows libraries to mine data from
digital works without asking
permission to the copyright
owner?

32

12 - TRANSLATIONS

13 - LEGAL DEPOSIT OF PRINT MATERIALS
Does your country have a law
that allows legal deposit in the
libraries?

5

10 - ORPHAN MATERIALS

11 - CROSS-BORDER USES
Does your country have a law that
allows libraries to offer cross-border uses without asking permission to the copyright owner?

13%
80%
5%
3%

n%
n%
n%
n%
40

33
4
2
1

15%
3%
73%
10%

6
1
29
4

I don´t know if my country has a Law
No, my country doesn´t have such law
Yes, my country has law in this topic
No answers
Number of respondents

SOURCE: Research data, 2016.

1 - PARALLEL IMPORTACIÓN

2 - LENDING OF PRINT MATERIALS

10%

4

My library DOES NOT import works not available in my
country

8%

3

My library DOES NOT lend works without asking
permission to the copyright owner

75%

30

YES, my library imports works not available in my
country

85%

34

YES, my library lends works without asking
permission to the copyright owner

15%

6

No answer

8%

3

No answer

3 - LENDING OF DIGITAL MATERIALS

4 - REPRODUCTION OF DIGITAL MATERIALS

53%

21

My library DOES NOT lend digital works without asking
permission to the copyright owner

20%

8

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

48%

19

YES, my library lends digital works without asking
permission to the copyright owner

78%

31

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

0%

0

No answer

3%

1

No answer

105

�17 - DATA MINING

106

n% I don´t know if my country has a Law
Does your country have a law that
83% 33
No, my country
doesn´t
have suchLatina
law y el Caribe
BIBLIOTECAS LAC: 4El impacto de la legislaciónn%
de derechos
de autor
en América
allows libraries to mine data from
10%
n%
Yes,
my
country
has
law
in
this
topic
digital works without asking
2
5%
permission to the copyright
n% No answers
1
owner?
3%
40 Number of respondents
Figura 17 - Performance of the Jamaica libraries in face of the L&amp;E
1 - PARALLEL IMPORTACIÓN

2 - LENDING OF PRINT MATERIALS

10%

4

My library DOES NOT import works not available in my
country

8%

3

My library DOES NOT lend works without asking
permission to the copyright owner

75%

30

YES, my library imports works not available in my
country

85%

34

YES, my library lends works without asking
permission to the copyright owner

15%

6

No answer

8%

3

No answer

3 - LENDING OF DIGITAL MATERIALS

4 - REPRODUCTION OF DIGITAL MATERIALS

53%

21

My library DOES NOT lend digital works without asking
permission to the copyright owner

20%

8

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

48%

19

YES, my library lends digital works without asking
permission to the copyright owner

78%

31

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

0%

0

No answer

3%

1

No answer

5 - SUPPLY

6 - PRESERVATION

60%

24

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

15%

6

My library DOES NOT reproduce works by
digitizing or photocopying

33%

13

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

80%

32

YES, my library reproduces works by digitizing or
photocopying

8%

3

No answer

5%

2

No answer

7 - ACCESSIBLE FORMATS

70%

28

My library DOES NOT transform works in formats
accessible to persons with disabilities

28%

11

YES my library transforms works in formats accessible to
persons with disabilities

3%

1

No answer

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS

33%
65%
3%

13

26

1

9 - RETRACTED AND WITHDRAWN MATERIALS
My library DOES NOT have in its collections works
that have been withdrawn at the request of an
author who retracted from the publication

78%

31

13%

5

10%

YES, my library has in its collections works that
have been withdrawn at the request of an author
who retracted from the publication

4

No answer

My library DOES NOT have in its collections works
that have been copied because they are
out-of-print
YES, my library has in its collections works that
have been copied because they are out-of-print
No answer

10 - ORPHAN MATERIALS

35%

14

My library HAS NOT reproduce, publish or use works
whose authors are unknown or cannot be located
after reasonable inquiry

65%

26

0%

YES, my library has reproduced, published or used
works whose authors are unknown or cannot be
located after reasonable inquiry

0

No answer

11 - CROSS-BORDER USES

12 - TRANSLATIONS

85%

34

NO, My library DOES NOT provide materials to
libraries in other countries

98%

39

My library DOES NOT translate works without
asking permission to the copyright owner

18%

7

YES, My library provides materials to libraries in
other countries

3%

1

YES, my library translates works without asking
permission to the copyright owner

0%

0

No answer

0%

0

No answer

13 - LEGAL DEPOSIT OF PRINT MATERIALS

14 - LEGAL DEPOSIT OF DIGITAL MATERIALS

0%

0

There is NO legal deposit in my country

0%

0

In my country there is NOT digital legal deposit

100%

40

YES, there is legal deposit in my country

0%

0

YES, there is digital legal deposit in my country

0%

0

No answer

100%

40

No answer

�85%

34

18%

7

0%

0

NO, My library DOES NOT provide materials to
libraries in other countries

98%

39

My library DOES NOT translate works without
asking permission to the copyright owner

YES, My library provides materials to libraries in
other countries

3%

1

YES, my library translates works without asking
permission to the copyright owner

No answer

0%

0

No answer

3.9 JAMAICA – state of the libraries regarding copyright

13 - LEGAL DEPOSIT OF PRINT MATERIALS

14 - LEGAL DEPOSIT OF DIGITAL MATERIALS

0%

0

There is NO legal deposit in my country

0%

0

In my country there is NOT digital legal deposit

100%

40

YES, there is legal deposit in my country

0%

0

YES, there is digital legal deposit in my country

0%

0

No answer

100%

40

No answer

15 - LIMITATION ON LIABILITY FOR LIBRARIES

80%

32

Librarians and libraries in my country ARE NOT
excepted from liability in cases of copyright
infringement

12%

5

Librarians and libraries in my country ARE
excepted from liability in cases of copyright
infringement

8%

3

16 - TECHNOLOGICAL PROTECTION MEASURES

95%

38

My library DOES NOT circumvent technological
protection measures

5%

2

YES, my library circumvents technological
protection measures

0%

0

No answer

No answer

17 - DATA MINING

60%

24

My library DOES NOT do data mining of its
collections

38%

15

My library DOES data mining of its collections

3%

1

No answer

N= 40 Number of respondents

SOURCE: Research data, 2016.

3.9.4 RESULTS - JAMAICA
The relatively high number of unawareness among respondents of various copyright
laws, is an indication of the need for a country-wide copyright information drive amongst
practitioners in the library and information field. While some of the issues are clear,
others present subtle aspects, especially in the current digital environment. Regarding
the supply of digital works, there is hesitation on the part of some librarians, and some
light was shed on this through data from interviews which highlighted certain limitations.
Furthermore, there is a substantial correlation between knowing the law and using it for
offering a service through the library, which indicates that knowledge of the law affects
use.
The knowledge gap between those who say the country has a law and those who
say the country does not, points to the need for copyright courses in the programmes
offered in library schools, and also presents the possibility for LIAJA to provide Continuing
Professional Development (CPD) opportunities in copyright training for librarians, through
conferences, symposia, workshops, etc.
The exceptions and limitations to copyright, as described in Crews (2008 and 2015),
do not correctly represent the current situation in Jamaica in some areas. The Crews
document was prepared using the act of 1993 as the context document. However, the
Act was amended in 2015. Section 55 of the copyright act focuses on the conditions and
terms under which a library can make copies of a work for a user’s private study, and
copies for preservation or replacement of lost or damaged works in the library collections.
Incidentally, these are the laws that information professionals who participated in the

107

�108

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

research are most familiar with.
In the case of Jamaica, many librarians believe that finite issues need greater
interpretation for librarians. With regard to reproduction of digital works, there does
not seem to be a clear understanding of the extent of the copyright in this area, as some
clauses have been recently added in the 2015 amendment to the act, hence hesitation on
the part of the librarian to reproduce digital works. Section 55 of the act makes provision
for reproduction for the purpose of restoring or preserving the work. One academic
librarian states
“My library does not do this to benefit financially in any way, but rather, for the sake of preservation
especially of materials that are very old but precious. This is permitted under the law”.

While some of the initiatives related to the copyright reform are clear, others present
subtle forms. Some of these challenges are discussed below:
a) Circumvention, supply and accessible formats: Section 55 of the Copyright Act makes provision for
certain exceptions for libraries or archives to fulfil their missions of preservation of content and making
content accessible. Under these exceptions, libraries and archives may make limited copies of content
in their collections for purposes of preservation or to replace damaged or lost copies of works. Sections
61-65 also permit limited copying of certain works by patrons, for their personal use. These provisions
however, do not fully meet the needs of librarians and archivists who work with digital content. As
more of the content becomes laden with technological measures to prevent copying, increasingly this
exception constrains the effectiveness of the entire provision in the academic setting as it hinders the
library/classroom use exception;
b) The Application for Registration to Enter Particulars in Register: The Legal Deposit Act Jamaica (2004)
makes certain provisions for works to be deposited with the National Library which is designated the
Principal Legal Depository. However, the 2015 copyright act amendment uses the word “deposited”
at numbers 14 and 15 when referring to voluntary registration. In the library sector response to the
amendment, the following concern was registered:
Whereas there is value to a voluntary registration system there is overlap and the potential for further
confusion on the public’s part between Legal Deposit and Voluntary Registration and so recommend
that the words “deposit or deposited” not be used in any section related to Voluntary Registration
(LIAJA; National Library of Jamaica 2015)
c) Holding of copyright works by the Jamaica Intellectual Property Office (JIPO): There is concern
within the Library sector that section 9A of the amended act, which stipulates that a copyright register
be maintained by the Jamaica Intellectual Property Office (JIPO), is a duplication of effort and scarce
resources, and confusing to the public who for the most part equate legal deposit with copyright
registration.

The National Library of Jamaica and LIAJA purport that:
Such consideration should take into account an institution’s capacity to manage, enable access,
preserve and curate registered materials. Historically, the National Library of Jamaica has functioned
as the nation’s curator of intellectual output and is mandated under section 5 of The National Library
Act (2010) to ensure the proper management of deposited works for dissemination and preservation.
Consideration should also be given to the fact that the NLJ is ahead of JIPO in managing and curating
digital as well as print resources. It might be more economical and effective to place voluntary
registration with the entity that manages Legal Deposit. (LIAJA; National Library of Jamaica 2015).

Furthermore, the copyright act provision regarding registration is voluntary while the
Legal Deposit Act provisions are mandatory. While the copyright act provides generously
for libraries through educational exceptions, and libraries and archive exceptions, there
are still some services that are unavailable especially since the 2015 amendment to The

�3.9 JAMAICA – state of the libraries regarding copyright

Act, which sees a shift more favourably in the direction of the copyright holder, thus
unearthing new access issues. The following are some of those issues:
a) The national library re-publishing programme (print and digital) of heritage publications in the
public domain in their collection, is stalled by the extension of copyright from fifty to ninety-five years,
as material which had moved into the public domain in 2012 are now back under copyright protection,
given that the copyright extension was made retroactive to 2012;
b) Jamaica’s copyright law allows libraries to copy out-of-print works (the entire material could be
copied) only with the permission to the copyright owner, therefore posing further access challenges.
c) Despite the provisions and exceptions covered by sections 61-65, academic and special librarians
are concerned with the lack of clarity surrounding copyright as it relates to data mining. Jamaica does
not have a law that allows libraries to mine data from digital works without asking permission to the
copyright owner. In the case of academic libraries, there is much investment in the preservation of
born-digital content. For the National Library, the digitization of cultural heritage has been an ongoing
concern, as facilitating the sharing of such data could prove cumbersome especially in light of the
extension of the copyright term form fifty to ninety years.

One academic librarian posits that:
Researchers are greatly impeded by a lack of clarity surrounding copyright and ownership of derived
works, as well as the complexity of negotiating licences. A copyright exception written in the act, would
allow them to utilize data mining techniques to speed the process of their research, as they would
have a vast amount of data at their fingertips.

Similarly, parent institutions in corporations and government agencies in Jamaica rely
heavily on their libraries to mine data for management decisions. One special librarian
pointed out that:
While the copying of some content may be covered under some of the exceptions for libraries and
archives as well as educational use exception, librarians transforming works into digital format may
find themselves liable under the current copyright act.

Jamaica is not a signatory to the Marrakesh but according to WIPO, “This brings
Jamaica’s copyright law in compliance with the Marrakesh Treaty” (WIPO, 2015).
However, there was evidence that aspects of the treaty were taken into consideration in
the amendments, as a set of provisions were made for the visually and hearing impaired:
“the provisions which enable access to copyrighted works by the print and hearing disabled; the
provisions regarding orphan works as well as the extension of existing rights to libraries and archives
regarding materials in digital format.”

The copyright amendment act of 2015 allows libraries to copy and distribute copies
in their respective institutions, but sets parameters as to what can be copied into an
accessible format. Therefore, a wider range of content, including films and broadcasts,
can be reproduced for the visually and hearing impaired. However, the act makes it only
legal to reproduce material if suitable accessible copies are not available commercially
and makes no provision for cross border sharing of the accessible produced materials.
One key obstacle cited by librarians, is the overall process of the law regarding the
provision of materials to the visually and hearing impaired in accessible format. They
believe that because section 65a only grants authorized bodies permission to convert
work to an accessible format, the immediate needs of the visually and hearing impaired
who use their libraries may not be met, as getting permission from such bodies may take
some time to process, hence frustrating users of information.

109

�110

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.9.5 FINAL CONSIDERATIONS - JAMAICA
The Copyright law in Jamaica expanded into the area of electronic resources by
making provisions regarding circumvention of electronic resources for preservation, and
access for the visually and hearing impaired. Users of information resources in Jamaica
are benefiting somewhat from copyright laws but in some ways can be disadvantaged
and shackled by existing copyright legislations. The library and information community
in Jamaica needs to:
a) Continue to engage all information industry partners (policy makers, Jamaica Intellectual Property
Office, Jamaica Copyright Agency, governmental bodies), and bring to their attention the need for
librarians full participation in the debate on copyright legislation reform;
b) Make recommendations for additional authorized bodies within the library sector and rescinding
the retroactivity to 1962 clause within the current act;
c) Raise awareness among library and information professionals regarding the copyright law and how
it affects libraries and their role in contributing to a creative knowledge economy and society; and
d) Lobby for specific copyright exceptions for data mining that will allow Jamaican libraries and their
users to contribute to an innovative society.

3.10 MÉXICO – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor
por Saúl Armendáriz65, Minerva Castro66, Ricardo Castro67 y Héctor Cid68

3.10.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
México cuenta con más de 100 años de historia en materia de protección intelectual
cuyos elementos han pasado por varias etapas y sus legislaciones no se actualizan de
acuerdo con el cambio que, en materia de publicación, ocurre a nivel mundial. Para
entender esto debemos conocer las Leyes de Cádiz y su aplicación en la Nueva España
que buscaban proteger a los autores españoles de los posibles plagios que ocurrían en
las Américas.
Pero no nos quedemos ahí, desde hace siglos ya se hacía protección de derechos de
autor en la generación de los códices prehispánicos, en los que su escritura y duplicidad
de contenidos estaba regulada con base en las necesidades de la sociedad y de la
transmisión de conocimientos, por lo tanto, el tema no es nuevo en México, pero sí poco
conocido, ya que desde niño existe una concientización en el plagio de información y en
el uso controlado de las fotocopias de materiales protegidos y la aplicación de las leyes.
Nuestro país es muy amplio, está compuesto por 32 estados con gobiernos
independientes y cerca de 2500 municipios donde existen 7.413 bibliotecas públicas y
32 universidades estatales públicas con sus propios sistemas bibliotecarios y bajo
una Ley Nacional de Derechos de Autor. Asimismo, se cuenta con ocho programas
educativos de la especialidad y 9 asociaciones y grupos asociados y especializados de
65- Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C. (AMBAC), Ciudad de México, México. asaul@atmosfera.unam.mx
66- Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C. (AMBAC), Ciudad de México, México. castroescamilla@gmail.com
67- Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C. (AMBAC), Ciudad de México, México. ricardo@bcct.unam.mx
68- Asociación Mexicana de Bibliotecarios, A.C. (AMBAC), Ciudad de México, México. correo@ambac.org.mx

�3.10 MÉXICO – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

bibliotecas a lo largo de la República Mexicana. El contenido del presente documento
hace un estudio crítico sobre la percepción y conocimiento de las leyes de derecho de
autor y su aplicación en las bibliotecas de México.

3.10.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó un cuestionario trabajado en software comercial
(JostForm) y se realizaron entrevistas. El primero fue en línea y el segundo de manera
personal y por Skype. El cuestionario estuvo disponible para todos los interesados por
30 días naturales. Mediante ellos, cualquier persona podía contestar libremente.
Fueron tabulados 103 cuestionarios de los más de 879 intentos de respuesta que se
detectaron, tomando en cuenta solo los cuestionarios completos para poder tabular la
información. Los datos obtenidos son el resultado de cuatro preguntas básicas dirigidas a
cada personaje participante, las cuales fueron: a) ¿Con base en su especialidad, describa
los principales elementos de los derechos de autor en México? b) ¿Qué propone para
la aplicación de los derechos de autor en las bibliotecas de México? c) ¿Cuáles son las
principales anécdotas que sobre derechos de autor ha vivido? y d) ¿Cómo considera
la ley de derechos de autor en nuestro país? Por ser preguntas abiertas se trató de que
el entrevistado dirigiera sus conocimientos hacia el tema concreto sin caer en líneas
ambiguas o datos simples, para que con ello los datos se tabularan tomando en cuenta
las líneas marcadas por IFLA/LAC para el proyecto que se estaba trabajando. Los
resultados en términos generales los podemos visualizar en el siguiente apartado.
Se realizó entrevista abierta de 17 especialistas balanceando el contenido de la
siguiente manera: tres investigadores (con especialidad en el área de derechos de autor
y estudios mínimos de maestría), dos estudiantes de posgrado (a nivel maestría), dos
estudiantes de licenciatura (sexto y octavo semestre), cinco académicos de bibliotecas
universitarias (con estudios mínimos de licenciatura), tres coordinadores de bibliotecas
públicas (con estudios de licenciatura) y dos profesores de las escuelas de bibliotecología
(con maestría). Las entrevistas se realizaron de manera presencial o por Skype
dependiendo de la ubicación geográfica del entrevistado. Con base en ello y tomando
en cuenta sus comentarios y puntos de vista, logramos captar cinco líneas clave sobre la
aplicación de la ley de derechos de autor en México y sus experiencias vividas sobre la
materia. La duración promedio de cada entrevista osciló entre una hora y hora y media,
detallando la información proporcionada.

3.10.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - MEXICO
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto
por el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos
infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de México = En cada pregunta
se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia de leyes en el país sobre
el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas
positivas acerca de la existencia de leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas
no respondidas. Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada
respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero la

111

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

112

marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas mexicanas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio = En ROJO se
muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya biblioteca NO ofrece el referido
servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ
ofrece dicho servicio.

El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 18 - Conocimiento de los encuestados sobre la legislación de México
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

40%
21%
39%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
41
22
40

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

43%
27%
30%

44
28
31

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

42%
19%
39%

45%
22%
33%

43
20
40

52%
20%
27%

46
23
34

54
21
28

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin

52%

42
22
39

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

30%
20%
50%

31
21
51

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

41%
19%
40%

42
20
41

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

41%
21%
38%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

35%
21%
44%

36
22
45

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

51%
22%
26%

53
23
27

12 - TRADUCCIONES
54
21

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin

47%

46
24

�52%
47%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
21
ofrezcan
transfronterizos
realicen
traducciones
de
obras
sin
9 usos
- OBRAS
OBJETOsinDE RETRACCIÓN
10
OBRAS
HUÉRFANAS
20%
23% 24
pedir permiso al titular
pedir permiso al titular del
O del
RETIRADAS
27% en28relación con el derecho
30% 31
3.10
MÉXICO
– situación de las bibliotecas
derecho
de autor?
derechode
de autor
autor?
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
52% 54
51% 53
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
21
23
ofrezcan
acceso a obrasLEGAL
objeto de
reproduzcan,
publiquenLEGAL
o usen DE OBRAS
14 - DEPÓSITO
13 - DEPÓSITO
DE OBRAS
20%IMPRESAS
22%DIGITALES
retracción o retiradas sin pedir
obras huérfanas?
27% 28
26% 27
¿Su paísaltiene
alguna
ley quede
¿Su país tiene alguna ley que
permiso
titular
del derecho
17% 17
45% 46
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
autor?
11
realicen el depósito legal?
realicen el depósito legal digital
11%
13% 13
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS 75
- TRADUCCIONES
sin pedir permiso12
al titular
del
73%
43% 44
derecho de autor?
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
52% 54
47% 46
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
15
LIMITACIÓN
DE
RESPONSABILIDAD
16
MEDIDAS
DE
PROTECCIÓN
TECNOLÓGICA
21
24
ofrezcan usos transfronterizos sin
realicen traducciones de obras sin
20%
23%
DE
BIBLIOTECAS
pedir permiso al titular del
pedir permiso al titular del
27% 28
30% 31
¿Su paísdetiene
alguna ley que
¿Su paísdetiene
alguna ley que
derecho
autor?
derecho
autor?
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
50% 51
53% 55
realicen
elusión
de
medidas
de
sean responsables por
19
17
18%
17%
13 - DEPÓSITO
DE OBRAS
IMPRESAS
14 - DEPÓSITO
DIGITALES
protección
tecnológicaLEGAL
sin pedirDE OBRAS
infracciones
cometidasLEGAL
al derecho
permiso al titular del derecho de
de autor en el ejercicio de sus
32% 33
30% 31
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
autor?
actividades misionales?
17% 17
45% 46
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?
realicen el depósito legal digital
11% 11
13% 13
17 - MINERÍA DE DATOS
sin
pedir
permiso
al
titular
del
n% No sé si mi país tiene43%
alguna ley 44
73% 75
derecho de autor?
¿Su país tiene alguna ley que
n% No, mi país no tiene leyes al respecto
60% 62
permita que las bibliotecas
n% Si, mi país tiene leyes sobre el tema
realicen
de datos deDE RESPONSABILIDAD
15 -minería
LIMITACIÓN
16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
20% 21
obras digitales sin pedir
permiso
103 Número de encuestados
20
DE BIBLIOTECAS19%
al
titular
del
derecho
de
autor?
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
51
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
50%
53% 55
realicen
elusión
de
medidas
de
sean responsables por
18% 19
17% 17
protección tecnológica sin pedir
infracciones cometidas al derecho
permiso al titular del derecho de
de autor en el ejercicio de sus
32% 33
30% 31
autor?
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

60%
20%
19%

n%
n%
n%
103

62
21
20

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016

Figura 19 - Actuación de las bibliotecas mexicanas frente a las L&amp;E
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

37%

38

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

63%

65

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

26%

27

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

74%

76

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

47%

48

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

48%

49

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

53%

55

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

52%

54

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

37%
45%
63%
55%

1 - IMPORTACIÓN PARALELA
5 - SUMINISTRO
Mi biblioteca
NO hace importación de obras que no
38

46
65
57

tenemos
en miNO
país.
Mi biblioteca
realiza suministro de documentos a
usuarios
queSInohace
pueden
asistir físicamente
a lanobiblioteca
Mi
biblioteca
importación
de obras que
tenemos
en miSIpaís.
Mi biblioteca
realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
- PRESERVACIÓN
Mi6biblioteca
NO hace préstamo externo de obras

26%
58%
74%
42%

27

60
76
43

sin
permiso
al titular
del derecho
de autor.de
Mi pedir
biblioteca
NO realiza
copias
de preservación
losbiblioteca
documentos
que custodia
Mi
SI hace
préstamo externo de obras
sin
permiso
al titular
del de
derecho
de autor.de
Mi pedir
biblioteca
SI realiza
copias
preservación
los documentos que custodia

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

113

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
114

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

47%

48

El impacto
América Latina
y el Caribe
Mi biblioteca NOBIBLIOTECAS
hace préstamo de LAC:
obras digitales
sin de la legislación
bibliotecade
NOautor
realizaenreproducción
de obras
48% 49deMiderechos
pedir permiso al titular del derecho de autor.
mediante digitalización o fotocopiado

53%

55

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

52%

54

5 - SUMINISTRO

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

45%

46

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

58%

60

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

55%

57

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

42%

43

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

7 - FORMATOS ACCESIBLES

75%

77

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

25%

26

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

8 - OBRAS AGOTADAS

61%
39%

63

40

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

83%

86

17%

17

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

61

41%

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

42

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10 - OBRAS HUÉRFANAS

71%

73

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

29%

30

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

59%

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado

12 - TRADUCCIONES

79%

81

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

21%

22

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

22%

23

En mi país NO se realiza el depósito legal

44%

45

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

78%

80

En mi país SI se realiza el depósito legal

56%

58

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

62%

64

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

38%

39

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

70%

72

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

30%

31

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

17 - MINERÍA DE DATOS

58%

60

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

42%

43

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

N= 103 número de encuestados

�3.10 MÉXICO – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.10.4 RESULTADOS - MÉXICO
En el caso de la interpretación de los datos con base en la encuesta podemos señalar
elementos relevantes como:
a) El tipo de biblioteca a las que pertenecen las personas entrevistadas están siendo dominadas por
las académicas donde trabajan la mayor cantidad de bibliotecarios titulados y donde existe un mayor
interés por este tema en México;
b) Asimismo, se señala que la violación a los derechos de autor ocurre, en gran medida, porque el
costo de adquisición e importación de obras al extranjero es muy caro; y
c) La encuesta muestra, en gran medida, un desconocimiento de la ley de derecho de autor vigente
en el país y, lamentablemente, de su aplicación, llevando muchas veces a no aplicar su contenido en
el momento de ofrecer servicios bibliotecarios.

Ahora bien, bajo estos resultados podemos establecer entonces que las excepciones
y limitaciones al derecho de autor que se describen en el texto de Kenneth Crews (2008)
reflejan en un 70% la situación que actualmente se vive en México, por el hecho de que
cada nación cuenta con sus propias características e idiosincrasia. En ese mismo sentido
y como apoyo, es importante hacer notar que la Ley de Derecho de Autor vigente es
el punto medular de protección a los creadores intelectuales y no existen otras leyes o
normas alternas que permitan permear el plagio o el mal uso de la propiedad intelectual.
Las bibliotecas y los bibliotecarios en México, en su mayoría, no están al tanto de las
iniciativas relacionadas con la reforma del derecho de autor que están teniendo lugar,
siendo un problema medular quizás porque no se hacen consultas públicas sobre el
tema. Este punto debe trabajarse de manera constante con los órganos gubernamentales
responsables para que se difunda la ley de derecho de autor y todos sus elementos.
De acuerdo a los resultados obtenidos en la encuesta aplicada, el principal obstáculo
que enfrentan las bibliotecas de México para brindar servicios como resultado de la ley
de derecho de autor, es el desconocimiento de esta misma y su incorrecta aplicación.
De igual manera se ha difundido poco entre la comunidad bibliotecaria y la sociedad
en general el estado en el que se encuentra el proceso de ratificación del Tratado de
Marrakech, trabajo que se debe fortalecer por medio de las Asociaciones de Bibliotecarios
y los órganos de gobierno correspondientes.
En el caso de las entrevistas, en términos generales la mayoría de los entrevistados
coincidieron en cinco aspectos fundamentales que son:
a)Un desconocimiento de la ley por parte de la mayoría de los bibliotecarios de los diferentes tipos
de bibliotecas y, con ello, su nula aplicación;
b) En muchos casos una interpretación incorrecta de la legislación vigente en el entendido que “el
fotocopiado de material para la educación debe ser libre”, violando así uno de los principios de
protección al autor;
c) La poca educación que se brinda a las nuevas generaciones de bibliotecarios para la aplicación,
entendimiento y proyección de los derechos de autor.
d) La baja difusión que se le da a la ley y el seguimiento de su aplicación. Por lo tanto, podemos
señalar que es un tema poco tratado en México y en algunos casos ignorado plenamente; y
e) El uso de la información digital ha provocado un mayor desconocimiento de la ley y un mayor
número de plagios.

115

�116

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

Un punto clave en la educación bibliotecaria debe ser el conocimiento pleno de la
ley y la concientización de su aplicación por los futuros bibliotecarios del país. Para
ello, los profesores deben jugar el papel ético de establecer conciencia entre los jóvenes
estudiantes para apoyar a sus usuarios y con ello respetar la normatividad sobre los
derechos de autor. De acuerdo a los comentarios y experiencia “no podemos darnos el
lujo de ignorar un punto clave del futuro de las bibliotecas y la información” en el que el
derecho de autor debe ser fundamental en los servicios de información que ofrecen las
bibliotecas donde laborarán.
Con base en estos cinco puntos podemos establecer los resultados resumidos de las
entrevistas para las líneas de educación, investigación, legislación y bibliotecarios de
servicios. En el caso de la interpretación de los datos, con base en la encuesta, podemos
señalar elementos relevantes como el tipo de biblioteca a las que pertenecen las personas
entrevistadas, que está siendo dominada por las académicas, donde trabajan la mayor
cantidad de bibliotecarios titulados y donde existe un mayor interés por este tema en
México. Asimismo, se señala que la violación a los derechos de autor ocurre, en gran
medida, porque el costo de adquisición e importación de obras al extranjero es muy
caro.
La encuesta muestra un desconocimiento de la ley de derecho de autor vigente en
el país y su aplicación. No debemos descuidar que la encuesta solo muestra el punto de
vista de las personas que participaron en la misma y donde tabulamos 103 cuestionarios
de los más de 879 intentos de respuesta que se detectaron, tomando en cuenta solo los
cuestionarios que fueron completados por las personas interesadas, ya que los demás
no podían tabularse.

3.10.5 CONSIDERACIONES FINALES - MEXICO
Como parte de este punto podemos señalar de manera directa cuatro elementos
fundamentales:
a) ) Es necesario ampliar este estudio en el territorio nacional para poder entender en cada estado
como se maneja la Ley de Derecho de Autor y la interpretación y aplicación que le dan a la misma;
b) Asegurarnos que realmente existe un desconocimiento de la ley o es una omisión en su aplicación;
c) La encuesta y los comentarios de los especialistas abrieron la puerta para un proyecto mayor que,
sin duda, le permitirá a la AMBAC desarrollarlo como parte de una labor de concientización sobre la
importancia de los derechos de autor; y
d) No sabemos si realmente un proyecto de este tipo muestra resultados reales o son solo comentarios,
pero lo que sí podemos asegurar es que las expectativas planteadas en el proyecto se cumplieron.

�3.11 NICARAGUA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.11 NICARAGUA – situación de las bibliotecas en relación con
el derecho de autor
por Gustavo Alfonso Cruz Méndez69, Markgee García70, Darling del Carmen Vallecillo71,
Migdonio José Laguna72, Patricia Carolina Juárez73 e Ivette Tuckler74

3.11.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
En Nicaragua, la ley 312, Ley de Derechos de Autor y Derechos Conexos, fue
aprobada el 6 de julio de 1999 y publicada en La Gaceta Nº. 166 y 167 del 31 de
agosto y del 1º de septiembre de 1999; la Ley 577, Ley de Reformas y adiciones a la Ley
Nº. 312, el 16 de marzo del 2006 y publicada en La Gaceta Nº. 60 del 24 de marzo
del 2006, así como el Reglamento correspondiente que fue aprobado el 3 de marzo del
año 2000, y publicado en La Gaceta Nº. 84 del 5 de mayo del 2000.
La legislación nicaragüense sobre los Derechos de Autor, ha venido evolucionando,
respondiendo así al desarrollo tecnológico. Las nuevas tecnologías facilitan la creación
de obras, así como la reproducción de las mismas sin la autorización de su autor. Muchas
veces es también por el desconocimiento de la existencia de la ley. Es interesante hacer
notar que la ley 312, contempla en su artículo 35 que “las bibliotecas y servicios de
archivos, cuyas actividades no persigan directa ni indirectamente un provecho comercial,
pueden reproducir, sin autorización del autor, ejemplares aislados de una obra que
forme parte de su colección permanente, a fin de conservarlos o de reemplazarlos si el
ejemplar en cuestión ha sido perdido, destruido o se ha hecho inutilizable, a condición
de que no sea posible adquirir tal ejemplar en un tiempo y bajo condiciones razonables”.
En este trabajo investigativo se expone el sentir de los bibliotecarios, gestores de la
información y archivistas respecto al nivel de conocimiento y aplicación de lo que manda
la Ley de Derechos de Autor en Nicaragua, y lo que realmente en la práctica se realiza
en la atención a la demanda de los servicios bibliotecarios en función de facilitar de
manera eficiente, eficaz y oportuna el acceso a la información hacia los usuarios.

3.11.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos utilizamos el cuestionario semiabierto propuesto por el
Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), dirigido a un grupo focal, conformado
por 14 profesionales de la información, un archivista y dos especialistas, siendo once
bibliotecarios, de los cuales 4 eran de bibliotecas universitarias, 2 de bibliotecas escolares,
1 de bibliotecas públicas, 4 de centros de documentación, realizando así también una
entrevista fundamentada en las preguntas que se encuentran en el Formulario propuesto
por el proyecto de IFLA LAC (APÉNDICE B). Asimismo, organizamos un panel al que
llamamos “Impacto e incidencias de la ley de derechos de autor en las unidades de
información y archivos en Nicaragua”, con el objetivo de conocer hasta qué punto
69- Asociación Nicaragüense de Bibliotecario y Profesionales Afines (ANIBIPA) gustavo.cruz@ci.una.edu.ni
70- Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines (ANIBIPA) markgeemontano@gmail.com
71- Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines (ANIBIPA) dvallecillo2003@yahoo.com
72- Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines (ANIBIPA) migdoni_19@yahoo.com
73- Asociación Nicaragüense de Bibliotecarios y Profesionales Afines (ANIBIPA) biblioteca@upoli.edu.ni
74- Asociación Nicaragüense de Bibliotecario y Profesionales Afines (ANIBIPA) biblioteca-sdir@upoli.edu.ni

117

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

118

los bibliotecarios conocían la ley de derechos de autor, y poder fundamentar con más
elementos el desarrollo de este artículo.
Las entrevistas se realizaron de forma personal, una vez que los profesionales
llenaron el cuestionario. Dichas entrevistas duraron unos 20 minutos aproximadamente
para cada uno.

3.11.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - NICARAGUA
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto
por el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos
infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Nicaragua
= En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la
existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país
sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de
leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas.
Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada
respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación
del país, pero la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del
país.
b) Actuación de las bibliotecas nicaraguenses frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 20 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Nicaragua
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
100%
0%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
0
14
0

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
14
0

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras

0%
100%

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

29%
71%
0%

4
10
0

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
14
0

6 - PRESERVACIÓN

0
14

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin

0%
0%

0
0

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

¿Su
país tiene alguna– ley
que de las bibliotecas en relación con el ¿Su
país tiene
alguna ley que
3.1
1 NICARAGUA
situación
derecho
de autor
0
0%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
realicen reproducción de obras
100% 14
digitales sin pedir permiso al
digitales sin pedir permiso al
0
0%
titular del derecho de autor?
titular del derecho de autor?

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0%
100%
0%

0
14
0

29%
71%
0%

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0
14
0

4
10
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

0%
100%
0%

0%
100%
0%

0
14
0

0
14
0

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
0
permita que las bibliotecas no
0%
sean responsables por
100% 14
infracciones cometidas al derecho
0
de autor en el ejercicio de sus
0%
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

0%
0%
0%
100%

0%
0%
100%

0
0
14

14%
0%
86%

2
0
12

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

21%
79%
0%

3
11
0

12 - TRADUCCIONES

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

0

10 - OBRAS HUÉRFANAS

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

14

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

0

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
0
0
14

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

21%
79%
0%

3
11
0

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
100%
0%

0
14
0

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

n%
n%
n%
n%
14

43%
0%
57%

6
0
8

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Sin respuesta
Número de encuestados

119

�120

DE BIBLIOTECAS
15 -tiene
LIMITACIÓN
DE RESPONSABILIDAD
16 país
- MEDIDAS
TECNOLÓGICA
¿Su
tiene algunaDEleyPROTECCIÓN
que
¿Su país
alguna ley que
DE
BIBLIOTECAS
0
6
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
0% LAC: El impacto de la legislación
BIBLIOTECAS
de derechos
en 43%
América Latina y el Caribe
¿Su
país elusión
tiene
alguna
leyde
queautor
¿Su
tiene alguna
realicen
de
medidas
de
seanpaís
responsables
por ley que
14
0
0
6
100%
0%
permita
quetecnológica
las bibliotecas
permita
que cometidas
las bibliotecas
no
protección
sin pedir
infracciones
al derecho
0%
43%
0
8
realicen
elusión
de
medidas
de
sean
responsables
por
permiso al titular del derecho de
de autor en el ejercicio de sus
14
0
0%
57%
100%
0%
protección
tecnológica
sin
pedir
infracciones
cometidas
al
derecho
autor?
actividades misionales?
0
8
permiso al titular del derecho de
de autor en el ejercicio de sus
0%
57%
autor?
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS
n% No sé si mi país tiene alguna ley
0
- MINERÍA
¿Su país tiene 17
alguna
ley que DE DATOS
0%
n%
mi país no tiene leyes al respecto
n% No,
No sé si mi país tiene alguna ley
permita que las bibliotecas
0
0
0%
n%
mi país tiene leyes sobre el tema
¿Su
país minería
tiene alguna
ley que
0%
realicen
de datos
de
n% Si,
No, mi país no tiene leyes al respecto
0
permita
que
las
bibliotecas
0
0%
obras digitales sin pedir permiso
n%
respuesta
0%
n% Sin
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
14
realicen
de datos
de
al titularminería
del derecho
de autor?
0
100%
14
Número de encuestados
0%
obras digitales sin pedir permiso
n% Sin
respuesta
14
al titular del derecho de autor?
100%
14 Número de encuestados
FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

Figura 21 - Actuación de las bibliotecas nicaragüenses frente a las L&amp;E
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

50%

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
7 - IMPORTACIÓN
1
PARALELA

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
0
DE OBRAS IMPRESAS
18%2 - PRÉSTAMO

50%
36%

7
5

18%
86%

0
12

36%
14%

5
2

86%
14%

12
2

tenemos en mi país.
Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.
tenemos en mi país.
Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
No opina
tenemos en mi país.

sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
No opina
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

2
No opina
14%3 - PRÉSTAMO
DE OBRAS DIGITALES

2
No opina
14%
4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
8
DE OBRAS DIGITALES
57%3 - PRÉSTAMO

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
0
DE OBRAS DIGITALES
0%4 - REPRODUCCIÓN

57%
29%

8
4

0%
86%

0
12

29%
14%

4
2

86%
14%

12
2

14%

2

No opina

14%

2

No opina

43%

6

7%

1

43%
43%

6
6

7%
79%

1
12

43%
14%

6
2

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
5 - SUMINISTRO
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
No opina
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

79%
14%

12
2

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
6 - PRESERVACIÓN
los documentos que custodia
Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
los documentos que custodia
Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
No opina
los documentos que custodia

14%

2

No opina

14%

2

86%

12
7

7%

1

86%
0%

12
0

7%
79%

1
12

0%
14%

0
2

12
2

14%

2

79%
14%
14%

2

0%

0

0%
86%

0
12

86%
14%

12

14%

2

No opina

86%

12

86%
0%

12
0

0%
14%

0
2

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
12 - TRADUCCIONES
autorización del titular del derecho de autor
Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor
autorización del titular del derecho de autor
Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
No opina

pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.
pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
No opina
pedir permiso al titular del derecho de autor.

5 - SUMINISTRO

7 - FORMATOS ACCESIBLES
biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
- Mi
FORMATOS
ACCESIBLES
accesibles para personas con discapacidades
Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades
accesibles para personas con discapacidades
Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
No opina
accesibles para personas con discapacidades
No opina

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
9 - OBRAS
OBJETO DE RETRACCIÓN
11 Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
79%
O RETIRADAS
que han
sido retiradas por solicitud del autor al

79%
7%

11
1

7%
14%

1

14%

2
2

Mi
bibliotecadeNO
en sus colecciones obras
retractarse
su tiene
publicación
que han sido retiradas por solicitud del autor al
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
retractarse de su publicación
han sido retiradas por solicitud del autor al
Mi
bibliotecadeSIsutiene
en sus colecciones obras que
retractarse
publicación
han sido retiradas por solicitud del autor al
No opina
retractarse de su publicación
No opina

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
11 - USOS
TRANSFRONTERIZOS
79% 11
con bibliotecas de otros países

79%
7%

11
1

7%
14%

1
2

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países
con bibliotecas de otros países
Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
No opina

2

mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
No opina
mediante digitalización o fotocopiado

6 - PRESERVACIÓN

No opina

8 - OBRAS AGOTADAS
NO tiene en sus colecciones obras que han
8Mi- biblioteca
OBRAS AGOTADAS

sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
Mi
biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
mercado
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
mercado
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
No opina
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

10No- opina
OBRAS HUÉRFANAS
10Mi- biblioteca
OBRAS NO
HUÉRFANAS
ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
Mi
biblioteca
difícil
acceso NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
difícil acceso
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
Mi
biblioteca
difícil
acceso SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
No opina
difícil acceso

12 - TRADUCCIONES

�79%

11

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación

0%

0

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

1
12 de autor
3.11 NICARAGUA
– situación
de en
lassus
bibliotecas
relación
el derecho
7%
Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
Mi biblioteca
SI tiene
coleccionesen
obras
que con86%

14%

2

han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
No opina

14%

cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

2

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

No opina

12 - TRADUCCIONES

79%

11

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

86%

12

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

7%

1

0%

0

14%

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

2

No opina

14%

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

2

No opina

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

100%

10

En mi país NO se realiza el depósito legal

100%

14

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

0%

0

En mi país SI se realiza el depósito legal

0%

0

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

0%

0

No opina

0%

0

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

86%

12

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

0%

0

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

14%

2

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

86%

12

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

0%

0

14%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

2

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

0%

0

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

21%

3

79%

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

11

No opina

N= 14 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.11.4 RESULTADOS - NICARAGUA
De acuerdo a lo manifestado por los participantes en el grupo focal, podemos
observar que se conoce la existencia de la Ley de Derechos de Autor en Nicaragua,
pero que la falta de profundización de la misma nos hace desconocer lo que podemos
realizar desde nuestras bibliotecas. Por medio de las entrevistas, los bibliotecarios
escolares, públicos y de centros de documentación participantes nos manifestaban que
el bajo presupuesto asignado a las bibliotecas nos hace realizar la reproducción de las
obras principalmente impresas. Algo novedoso fue conocer que la biblioteca pública
Alemana Nicaragüense realiza préstamos con otros países.
Es importante señalar que, respecto al depósito legal, ya no contamos con una
Ley de Depósito Legal, puesto que fue suspendida por algunos libreros nicaragüenses.
Cabe mencionar que respecto al proceso de ratificación del Tratado de Marrakech,

121

�122

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

los bibliotecarios no tenemos conocimiento al respecto, sin embargo, de acuerdo a
lo conversado con la representante de la Oficina Nacional de Derechos de Autor y
Derechos Conexos, nos manifestaba que Nicaragua está en proceso de adherirse a la
ratificación de ese tratado.

3.11.5 CONSIDERACIONES FINALES - NICARAGUA
Podemos concluir que, en Nicaragua, tenemos conocimientos de la existencia de
la ley 312 que habla sobre derechos de autor y derechos conexos, sin embargo, entre
otras, a los bibliotecarios nos hace falta apropiarnos de la misma, debilidad común en
otros países de América Latina y el Caribe.
Otro aspecto relevante a mencionar es que cada una de las unidades de información
aplica sus propias políticas internas en favor de los usuarios, independientemente de
la existencia de la ley 312. No obstante, la ley nos facilita y nos faculta para que las
unidades de información con la misión de servir a la sociedad faciliten el acceso a la
información de forma gratuita. Hasta la fecha, las unidades de información de nuestro
país no han tenido problemas respecto a hacer uso de las publicaciones mediante
reprografía y otros formatos.
Las unidades de información desempeñan un papel importante en la sociedad
nicaragüense, son parte vital para el desarrollo de las investigaciones y, por ende, de
los conocimientos de los usuarios. Estamos claros que es muy importante cumplir con
lo establecido en la Ley de Derechos de Autor y Derechos Conexos y también prestar
servicios de información, promover el aprendizaje y la creatividad, principalmente para
aquellos usuarios que no tienen la capacidad de compra de material bibliográfico. Por
lo tanto, hacemos accesible los conocimientos. El papel que desarrolla el bibliotecario o
gestor de la información es trascendental a la hora de prestar el servicio de información,
ya que también manifiesta a los usuarios hasta dónde llega su límite en el uso de
información.

3.12 PANAMÁ – situación de las bibliotecas en relación con el
derecho de autor
por Micdonia Quiros75, Damaris Tejedor76, Roxana Alemán77 y Ricardo Jaen78

3.12.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
Por ser parte de España, las primeras regulaciones del derecho de autor en Panamá
fueron originarias de las leyes españolas. En 1763, la Real Orden reconoció por primera
vez la propiedad intelectual del autor, esta ley estuvo vigente en Panamá, hasta la
independencia del gobierno español. Posteriormente, con la unión a la Gran Colombia
se acoge la legislación de ese país, el Congreso de Granada dictó la ley 10 que trataba,
entre otras cosas, de un derecho exclusivo para la impresión, reproducción y grabación
75- Asociación Panameña de Bibliotecarios. micdonia.23@gmail.com
76- Asociación Panameña de Bibliotecarios. damaris.tejedor@up.ac.pa
77- Asociación Panameña de Bibliotecarios. roxialeman@gmail.com
78- Asociación de Egresados Ciegos de la Universidad de Panamá. jaen.ricardo@gmail.com

�3.12 PANAMÁ – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

de obras artísticas, literarias, etc. Las constituciones colombianas de 1858, 1863 y 1886
también protegían la propiedad literaria y artística. Con la separación de Colombia,
las leyes sobre este tema fueron suspendidas y, en 1904, en la primera constitución
panameña se contempló el derecho de autor desde la perspectiva de propiedad privada,
así permanece en la constitución. En 1994, se dicta la Ley N° 15 del 8 de agosto, sobre
el Derecho de Autor y Derechos Conexos y se dictan otras disposiciones. Esta ley fue
derogada por la Ley N° 64 del 10 de octubre de 2012 sobre el Derecho de Autor y
Derechos Conexos, aún vigente.
Los tratados internacionales de derechos de autor y/o acceso a la cultura y el
conocimiento ratificados por Panamá son: Convenio de Berna para la Protección de las
Obras Literarias y Artísticas (Ley 3 de 1996), Convención de Roma sobre la Protección
de los artistas, intérpretes o ejecutantes, los productores de fonogramas y los organismos
de radiodifusión (Ley 4 de 1982), Convención Universal sobre Derecho de Autor (Ley 65
de 1982), Tratado de la OMPI sobre Derecho de Autor (WCT) (Ley 92 de 1998), Tratado
de la OMPI sobre Interpretación y Ejecución de Fonogramas (WPPT) (Ley 93 de 1998),
Convención sobre la Distribución de Señales Portadoras de Programas Transmitidas por
Satélite (Ley 6 de 1982) y Convenio de Fonogramas (Ley 5 de 1973).
Según las leyes panameñas, el delito de la infracción de derechos de autor en el
país es civil y penal. Los principales privilegios legales o garantías reconocidos por
las leyes del país a los autores de sus obras intelectuales son los derechos morales y
patrimoniales. Entre los derechos morales se encuentran: el derecho de divulgación,
el derecho de paternidad, el derecho de integridad, el derecho de modificar la obra,
respetando los derechos adquiridos por terceros y el derecho de retirar en vida la obra
del comercio, con la previa indemnización de los daños y perjuicios que con ello cause.
El derecho patrimonial es el goce del derecho de explotar la obra en cualquier
forma y beneficiarse de ella, dura la vida del autor y 70 años más, pasado ese tiempo la
obra pasa a dominio público. Existen limitaciones al derecho patrimonial que involucran
a la biblioteca, por ejemplo, la ley permite la reproducción por medios reprográficos
de artículos o extractos de obras breves lícitamente publicadas, exclusivamente para la
enseñanza. La reproducción individual de una obra por bibliotecas o archivos que no
tengan fines de lucro, cuando el ejemplar se encuentre en su colección permanente, para
preservarlo y sustituirlo en caso de necesidad; o para sustituir en la colección permanente
de otra biblioteca o archivo un ejemplar que se haya extraviado, destruido o inutilizado,
siempre que no resulte posible adquirir tal ejemplar en plazo y condiciones razonables.
También permite el préstamo al público del ejemplar lícito de una obra expresada por
escrito, por una biblioteca o archivo cuyas actividades no tengan finalidades de lucro.

3.12.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por
el Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A). Se distribuyeron 65 encuestas,
60 vía correo electrónico y 5 por entrega personal, a los miembros representativos de
65 bibliotecas, siendo 6 públicas, 15 académicas, 20 escolares, 2 especializadas, 21
municipales y 1 biblioteca nacional. En 8 casos en que se necesitó explicación se la hizo
por vía telefónica. Se dio un plazo de una semana para la recogida de las respuestas. Del
total de cuestionarios enviados, 35 fueron respondidos, todas las respuestas completas,

123

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

124

siendo 1 respondido por miembro representativo de la Biblioteca Nacional (2,8%), 2
por miembros representativos de 2 bibliotecas especializadas (2,8%), 6 por miembros
representativos de 6 bibliotecas públicas (5,7%), 20 por miembros representativos de
20 bibliotecas escolares (5,7%), 15 por miembros representativos de 15 bibliotecas
académicas (22,8%), y 21 por miembros representativos de 21 bibliotecas municipales
(60%).

3.12.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS - PANAMÁ
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto
por el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos
infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Panamá
= En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la
existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país
sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de
leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas.
Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada
respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación
del país, pero la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del
país.
b) Actuación de las bibliotecas panameñas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

Figura 22 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Panamá
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

0%
100%
0%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
0
35
0

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
35
0

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al

0%
86%

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
35
0

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
35
0

6 - PRESERVACIÓN
0
30

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del

86%
0%

30
0

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
0
0%
permita
que las bibliotecas
permita de
queautor
las bibliotecas
3.12
PANAMÁ
– situación de las bibliotecas
en relación con el derecho
35
realicen préstamo de obras
realicen
reproducción
de obras
100%
digitales sin pedir permiso al
digitales sin pedir permiso al
0
0%
titular del derecho de autor?
titular del derecho de autor?

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
86%
14%

94%
0%
6%

0
30
5

86%
14%
0%

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

33
0
2

30
5
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

94%
6%
0%

14%
0%
86%

33
2
0

5
0
30

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas no
94% 33
sean responsables por
0
0%
infracciones cometidas al derecho
2
de autor en el ejercicio de sus
6%
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

86%
0%
14%

30
0
5

94%
0%
6%

33
0
2

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

86%
14%
0%

30
5
0

12 - TRADUCCIONES

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

0

10 - OBRAS HUÉRFANAS

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

35

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

0

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

0
35
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

86%
0%
14%

30
0
5

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

86%
0%
14%

30
0
5

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen elusión de medidas de
protección tecnológica sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

n%
n%
n%
35

94%
0%
6%

33
0
2

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

125

�126

DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
17 - MINERÍA DE DATOS
33
33
quen%
las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
94% LAC: El impacto de lapermita
94%
No sé si midepaís
tiene
alguna
ley Latina y el Caribe
BIBLIOTECAS
legislación
de derechos
autor
en
América
realicen
elusión
de
medidas
de
sean
responsables
por
0
0
¿Su país tiene alguna ley que
0%
n% No,sinmipedir
país no tiene0%
leyes al respecto
0
protección tecnológica
infracciones
cometidas
al derecho
0%
permita que
las bibliotecas
2
2
permiso al titular
derealicen
autor enminería
el ejercicio
de sus
6%
6%
n% delSi,derecho
mi paísdetiene leyes
sobre el tema
35
de datos
de
100%
autor?
actividades
misionales?
obras digitales
sin pedir permiso
35 Número de encuestados
0

0%
al titular del derecho de autor?
17 - MINERÍA DE DATOS

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen minería de datos de
obras digitales sin pedir permiso
al titular del derecho de autor?

0%
100%
0%

n%
n%
n%
35

0
35
0

No sé si mi país tiene alguna ley
No, mi país no tiene leyes al respecto
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

Figura 23 - Actuación de las bibliotecas panameñas frente a las L&amp;E
1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

0%

0

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

0%

0

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

100%

35

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

100%

35

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

- IMPORTACIÓN
PARALELA
3 -1PRÉSTAMO
DE OBRAS
DIGITALES

0%
100%

0

100%
0%

35
0

35

MiMibiblioteca
de obras
obras digitales
que no sin
bibliotecaNONOhace
haceimportación
préstamo de
tenemos
en
mi
país.
pedir permiso al titular del derecho de autor.
MiMibiblioteca
de obras
obras digitales
que no sin
bibliotecaSI SIhace
haceimportación
préstamo de
tenemos
en
mi
país.
pedir permiso al titular del derecho de autor.

3 - PRÉSTAMO
DE OBRAS DIGITALES
5 - SUMINISTRO

100%
86%
0%
14%

biblioteca
préstamo
de obras
digitales sina
3530 MiMi
bibliotecaNONOhace
realiza
suministro
de documentos

pedir
permiso
delasistir
derecho
de autor. a la biblioteca
usuarios
quealnotitular
pueden
físicamente
0 5 MiMi
biblioteca
préstamo
de obras
digitales sina
bibliotecaSI SIhace
realiza
suministro
de documentos
pedir
permiso
delasistir
derecho
de autor. a la biblioteca
usuarios
quealnotitular
pueden
físicamente

PRÉSTAMO DE OBRAS
IMPRESAS
42- -REPRODUCCIÓN
DE OBRAS
DIGITALES

0%
66%

0

100%
34%

35
12

23

14%
6%

biblioteca
de obras
documentos
a
30 MiMi
bibliotecaNONOrealiza
ofrecesuministro
transformar
en formatos
33

usuarios
quepara
no pueden
asistir
a la biblioteca
accesibles
personas
con físicamente
discapacidades
5
Mi
biblioteca
SI
realiza
suministro
de
documentos
a
2
Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
usuarios
que
no
pueden
asistir
físicamente
a
la
biblioteca
accesibles para personas con discapacidades

7 - FORMATOS ACCESIBLES
9 - OBRAS
OBJETO
DE transformar
RETRACCIÓN
NO ofrece
obras en formatos
94% 33 Mi biblioteca
O para
RETIRADAS
accesibles
personas con discapacidades

14%
6%

25

30

86%

biblioteca
NO tiene
en sus obras
colecciones
obras
MiMi
biblioteca
SI ofrece
transformar
en formatos
que
han
sido
retiradas
por
solicitud
del
autor
al
accesibles para personas con discapacidades
retractarse de su publicación

Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
9 - OBRAS
OBJETOdeDE
RETRACCIÓN
retractarse
su publicación

66%
86%

biblioteca
de obras de
2330 MiMi
bibliotecaNONOrealiza
realizareproducción
copias de preservación

34%
14%

125

14%
94%
86%
6%

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

94%
86%
6%

33 MiEn
biblioteca
NO se
realiza
intercambio
material
mi país NO
realiza
el depósitodelegal
30

con bibliotecas de otros países

2

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material

mediante
digitalización
o fotocopiado
los documentos
que custodia
MiMibiblioteca
de obras de
bibliotecaSISIrealiza
realizareproducción
copias de preservación
mediante
digitalización
o fotocopiado
los documentos
que custodia

6 -- OBRAS
PRESERVACIÓN
8
AGOTADAS

86%
94%

biblioteca
preservación
30 MiMi
bibliotecaNONOrealiza
tiene copias
en sus de
colecciones
obrasdeque han
33

14%
6%

5

94%
100%
6%

33

2

0%

100%
100%
0%
0%

lossido
documentos
que custodia
copiadas cuando
se encuentran agotadas en el
Mimercado
biblioteca SI realiza copias de preservación de
2 los documentos que custodia
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

O RETIRADAS

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
5
11 -que
USOS
han TRANSFRONTERIZOS
sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse
de su publicación
33 Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
30
Micon
biblioteca
SI tiene
en sus
colecciones obras que
bibliotecas
de otros
países
sido retiradas por solicitud del autor al
2 han
Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
retractarse de su publicación
con bibliotecas de otros países

MiMibiblioteca
préstamo
externo de
de obras
obras
bibliotecaSISIhace
realiza
reproducción
sinmediante
pedir permiso
al
titular
del
derecho
de
autor.
digitalización o fotocopiado

4 - REPRODUCCIÓN
DE OBRAS DIGITALES
6 - PRESERVACIÓN

5 - SUMINISTRO
7 - FORMATOS
ACCESIBLES

86%
94%

MiMibiblioteca
préstamo
externo de
de obras
obras
bibliotecaNONOhace
realiza
reproducción
sinmediante
pedir permiso
al
titular
del
derecho
de
autor.
digitalización o fotocopiado

8 - OBRAS AGOTADAS
10
- OBRASNOHUÉRFANAS
Mi biblioteca
tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
35 mercado
autores
no conoce
cuyos datosobras
de contacto
sonsido
de
Micuyos
biblioteca
SI tiene
en suso colecciones
que han
difícil
acceso
0 copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
10 -difícil
OBRAS
accesoHUÉRFANAS

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
12 autores
- TRADUCCIONES
cuyos
no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil
acceso
Mi
biblioteca
NO realiza traducciones de obras sin
0 35
del derecho
de autor
Miautorización
biblioteca SIdel
ha titular
reproducido,
publicado
o usado obras
autores no
cuyos datos de
de obras
contacto
Mi biblioteca
SI conoce
realizaotraducciones
sin son de
0 cuyos
difícil
acceso del titular del derecho de autor
autorización
35

12 - TRADUCCIONES
14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

100%
0%
0%

35
0

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
En mi país NO se realiza el depósito legal digital
autorización del titular del derecho de autor

0

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin

�11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES
Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

33 Mi– biblioteca
intercambioen
de relación
material con el
3.12
situaciónNO
derealiza
las bibliotecas
derecho35
de autor
94%PANAMÁ
100%

6%

con bibliotecas de otros países

2

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0%

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

0

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

86%

30

En mi país NO se realiza el depósito legal

0%

0

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

14%

5

En mi país SI se realiza el depósito legal

14%

5

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

86%

30

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

0%

0

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

6%

2

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

94%

33

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

0%

0

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

6%

2

94%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

33

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

100%

35

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

0%

0

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

N= 35 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.12.4 RESULTADOS - PANAMÁ
A continuación presentamos los datos e informaciones más relevantes. En aspectos
relacionados con el derecho de autor y las obras literarias existe un desconocimiento
casi generalizado por parte de los bibliotecarios en las distintas bibliotecas del país,
las cuales brindan servicios relacionados con la reproducción de obras impresas o en
formato electrónico, teniendo solo la concepción de que no se infringe la ley porque
se realiza con “propósitos académicos”, ya que sus usuarios generalmente realizan
estudios en los distintos niveles del sistema educativo panameño.
En lo que respecta a los temas de accesibilidad para las personas con discapacidad
visual, recientemente se promulga la Ley 9 del 12 de abril de 2016, por medio de la
cual se aprueba el Tratado de Marrakech, sin la divulgación adecuada y sin el apoyo
económico que demanda su implementación. La mayoría de las bibliotecas en Panamá
no tienen colecciones accesibles a personas con discapacidad, no tienen los medios
económicos o presupuesto para la adquisición de equipo para esos fines, por ejemplo, no
se tiene escáner, no hay equipos para grabación etc. Lo mismo sucede con los espacios
para el uso de esos servicios, no existen.
La mayoría de las Bibliotecas que respondieron fueron las municipales, todas se
manejan con las mismas directrices, por eso sus respuestas fueron idénticas. El otro grupo
con mayor cantidad de encuestas respondidas fue el de las bibliotecas universitarias.
Sobre las preguntas en el cuestionario referentes a la importación paralela, todos los
encuestados señalaron que el país no cuenta con leyes que permitan a las bibliotecas
realizar importación de obras sin pedir permiso al titular del derecho de autor, ellos

127

�128

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

realizan esta actividad porque no se adquieren en el país. Situación similar se presenta
con el préstamo de obras impresas, todos los encuestados señalaron que el país no
tiene leyes que permitan que las bibliotecas realicen préstamos de obras impresas, sin
embargo, todas hacen préstamo externo de obras.
Todos los encuestados señalaron que no se contempla en la Ley el préstamo de
obras digitales ni que las bibliotecas realicen su reproducción sin el permiso del titular
del derecho de autor. En ese mismo orden todas las bibliotecas académicas encuestadas
realizan la reproducción de obras mediante la digitalización, sobre todo de los trabajos de
grados (tesis) y en el caso de las bibliotecas escolares y públicas realizan el fotocopiado
de documentos para fines académicos.
Con relación al suministro de obras digitales, el 86% de los encuestados (30
bibliotecarios) manifestaron que nuestro país no tiene leyes al respecto. Contrario a
eso, el 14% (5 bibliotecarios) señalaron que se tienen leyes al respecto y que realizan
el suministro de documentos a usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca.
En el caso de las bibliotecas universitarias, por haber suscrito convenios internacionales
relacionados con el “acceso abierto”, ponen a disposición las tesis digitalizadas y los
repositorios institucionales. En el tema preservación, las bibliotecas que realizan copias
de preservación de los documentos que custodian las realizan en casos en que el
documento se encuentre en mal estado o que sea un documento único e histórico o
antiguo, las copias son limitadas.
Con relación a si el país tiene leyes que permiten que las bibliotecas transformen
obras en formatos accesibles, el 6% de los encuestados (2 bibliotecarios) contestó
afirmativamente, igual porcentaje ofrece transformar obras en formato accesibles
para personas con discapacidad visual. En lo referente a obras agotadas, el 6% de
los encuestados (2 bibliotecarios) señaló que el país tiene leyes que permiten que las
bibliotecas copien obras agotadas en el mercado sin pedir permiso al titular del derecho
de autor para permitir su acceso desde las bibliotecas; ellos indicaron que tienen en sus
colecciones copias de obras agotadas en el mercado. Un caso manifestó que los docentes
entregan fotocopias de documentos de sus colecciones particulares para sus cursos de
obras que no se encuentran disponibles en la región. En contrapartida, los encuestados
que indicaron que no existen leyes que permitan que las bibliotecas ofrezcan obras de
retracción o sean retiradas sin permiso del titular del derecho de autor, también fueron
los casos de las bibliotecas que no tienen en sus colecciones obras que han sido retiradas
por solicitud del autor al retractarse de su publicación. Lo mismo ocurrió en relación con
el tema usos transfronterizos, es decir, los encuestados que señalaron que el país no tiene
leyes sobre los usos transfronterizos, el 6% (2 bibliotecarios), también fueron aquellos
cuyas bibliotecas realizan intercambio de material con otras bibliotecas. En el caso de
las obras huérfanas, todos los encuestados manifestaron que en sus bibliotecas no se
ha reproducido, publicado o usado obras cuyos datos de contacto son de difícil acceso.
También se observó esta unanimidad con respecto a la realización de traducciones de
obras por las bibliotecas, ya que todos los encuestados también fueron categóricos en
decir que en su biblioteca no se realiza la traducción de obras sin autorización del titular
del derecho de autor.
El 86% de los encuestados (30 bibliotecarios) dice que la ley permite a las bibliotecas
realizar depósito legal de obras impresas en la Biblioteca Nacional, el 14% restante
(5 bibliotecarios) desconoce si existe ley y que no realiza depósito legal. En relación

�3.12 PANAMÁ – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

con el depósito legal de obras digitales, el 86% (30 bibliotecarios) no sabe si el país
tiene ley sobre depósito legal de obras digitales. El resto de los encuestados, el 14% (5
bibliotecarios), respondió que el país tiene ley sobre depósito legal de obras digitales
y se hace en la Biblioteca Nacional. El 94% (33 bibliotecarios) señaló que no saben si
el país tiene ley que permita que las bibliotecas no sean responsables por infracciones
cometidas al derecho de autor en el ejercicio de sus actividades misionales, mientras que
el 6% (2 bibliotecarios) indicó que el país tiene leyes sobre el tema.
El 94% (33 bibliotecarios) de los encuestados indicó que desconoce si existe ley que
permita a las bibliotecas realizar elusión de medidas de protección tecnológica. Mientras
el 6% (2 bibliotecarios) indicó que el país tiene leyes sobre el tema y la biblioteca
no realiza elusión. Todos los encuestados respondieron que el país no tiene leyes que
permitan que las bibliotecas realicen minería de datos de obras digitales. Añadieron que
en la biblioteca no se realiza minería de datos de sus colecciones.
El texto de Kenneth Crews (2008) refleja la situación actual de Panamá con respecto
al derecho de autor, eso se pudo detectar en el análisis de los datos de las encuestas y
los contenidos de las leyes existentes, se tienen en cuenta las excepciones, temas como
la reproducción de obras protegidas por derecho de autor con fines académicos.
A pesar de la vigencia de la Ley 64 de 2012 sobre derecho de autor y derechos
conexos, las bibliotecas y centros de documentación no están al tanto de las iniciativas
relacionadas con la reforma del derecho de autor, se desconoce lo que señala la ley, por
lo que no hay exigencias en cuanto a su cumplimiento y no se realizan consultas públicas
sobre su implementación o violación.
Se necesita capacitación en este tema para los bibliotecarios, por lo que se sugiere
que IFLA podría elaborar un programa de capacitación por país, con el apoyo puntual
en la organización de cada una de las Asociaciones de países. Otros obstáculos que
enfrentan las bibliotecas de Panamá para brindar servicios como resultado de la ley de
derecho de autor, son los dirigidos a personas con discapacidad.

3.12.5 CONSIDERACIONES FINALES - PANAMÁ
Aunque desde el año 2012 está en vigencia en Panamá la Ley 64 sobre el Derecho
de Autor y Derechos Conexos, y que el Gobierno Nacional ha suscrito Convenios
Internacionales en esta línea de actuación, existe un desconocimiento casi generalizado
en estos temas por parte de los bibliotecarios, de acuerdo a los resultados obtenidos en las
encuestas y por las prácticas realizadas en los servicios que se les brindan a los usuarios
en las distintas bibliotecas del país. Por eso se deben realizar jornadas de capacitación a
estos profesionales, sea presencial o virtual, las cuales pueden ser organizadas por medio
de la Asociación en estrecha colaboración con IFLA.

129

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

130

3.13 PERÚ – situación de las bibliotecas en relación con el derecho
de autor
por Lilian Maura-Tejeda79 y Ana María Talavera-Ibarra80

3.13.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
La legislación sobre Derechos de Autor en el Perú protege las obras del ingenio,
entendiéndose como tales a “toda creación intelectual personal y original, susceptible de ser
divulgada o reproducida en cualquier forma, conocida o por conocerse” (Reglamento del
Registro Nacional del Derecho de Autor y Derechos Conexos, 2003).
Las principales leyes sobre Derecho de Autor en el Perú, segundo INDECOPI y OMPI
son:
• Ley Nº 30276 del 13 de noviembre, 2014: Modifica la Ley de Derecho de Autor (Decreto Legislativo
Nº 822 del 23 de abril, 1996)
• Ley N° 29316 del 12 de enero, 2008: Modifica, incorpora y regula disposiciones para implementar el
Acuerdo Comercial TLC Perú Estados Unidos de América. Concordancia con el Título V del Código Penal
sobre Delitos contra el Patrimonio
• Ley Nº 28571 del 13 de junio, 2005: Modifica los Artículos 188 y 189 de la Ley del Derecho de Autor
(Decreto Legislativo Nº 822 del 23 de abril de 1996)
• Ley Nº 27861 del 24 de octubre, 2002: Libera el pago de derechos de autor por la reproducción de
obras para uso exclusivo de personas con discapacidad visual.

La Constitución Política es el marco fundamental, así como la legislación del Poder
Legislativo y el Poder Ejecutivo, cuyos fueros jurídicos aplican el Código Procesal Civil y
el Código Procesal Penal. Destacan diversos Tratados Internacionales sobre Propiedad
Intelectual (OMPI), de los cuales aquí hablaremos del Tratado de Marrakech suscrito por
Perú. Otras normas de importancia son:
•Ley Nº 29263 del 23 de septiembre, 2008: Modifica Artículos 217, 218, 221, 224 del Código Penal y
Ley Gral. del Ambiente, para circulación de obras sin permiso. Incauta y comiso. Incluye Artículos
220A-220F (elusión tecnológica). Aplica cárcel efectiva de 2 años.
• Decreto Leg. Nº 1092 del 27 de junio, 2008: Protección de derechos de autor, derechos conexos
y derechos de marcas en frontera contra mercancía pirata y falsificada. Concordancia con Acuerdo
Comercial TLC Perú Estados Unidos de América sobre competitividad económica.
• Decreto Leg. Nº 1033 del 24 de junio, 2008: Norma la organización y funciones del Instituto Nacional
de Defensa de la Competencia y de la Protección de la Propiedad Intelectual (INDECOPI).
• Ley N° 28289 del 19 de julio, 2004: Protección contra Piratería de obras sin permiso, con cárcel
efectiva de 2 a 6 años y multa. Incluye el caso de distribución con venta, alquiler o préstamo público
• Ley Nº 28086 del 10 de octubre, 2003: Democratiza y protege el libro y productos editoriales y
fomenta la lectura.
• Dec. Sup. Nº 013-PCM del 12 de febrero, 2003: Prevé presupuesto público para pago de licencias de
software (propietarios o libres). El Decreto Supremo Nº037-2005-PCM fijando plazo a diciembre
2006.
79- Colegio de Bibliotecólogos del Perú, Lima, Perú. limaurat@gmail.com
80- Pontificia Universidad Católica del Perú, Especialidad de Ciencias de la Información, Lima, Perú. atalave@pucp.edu.pe

�3.13 PERÚ – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.13.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizó el cuestionario semiabierto propuesto por el
Proyecto Integrado IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A) y un grupo focal. El cuestionario se
aplicó a ambos digitalmente y en forma impresa durante 7 días. La muestra fue de 112
individuos (bibliotecólogos, responsables de bibliotecas y aliados de éstas, procedentes
de la comunidad profesional y del taller BSLA-Perú (Building Strong Libraries Associations)
con la siguiente composición: 37 de las bibliotecas académicas y universitarias, 26 de las
bibliotecas públicas, 18 de las bibliotecas escolares, 15 de las bibliotecas especializadas, 7 de
la Bibliotecas Nacional de Perú (BNP), 7 de las bibliotecas del sector público, y 2 de los otros
tipos de bibliotecas. A fin de identificar las limitaciones del Tratado de Marrakech (firmado
por el Perú en febrero de 2015) para recoger las recomendaciones y excepciones para su
implementación, se contó con un grupo focal de 7 expertos con la siguiente procedencia:
1 experta del Instituto Nacional de Defensa de la Competencia y de la Protección de la
Propiedad Intelectual (INDECOPI), 2 bibliotecólogos de universidades, 1 bibliotecóloga de
Biblioteca Pública, 1 bibliotecóloga del Servicio para Invidentes de la Biblioteca Nacional
del Perú, 1 representante de la Comunidad de Damas Invidentes del Perú, 1 bibliotecólogo
experto en investigación en Lectura de la ONG Achickllay-Junín y 1 experto del Colegio de
Bibliotecólogos del Perú (CBP). Este grupo focal sesionó por tres horas.

3.13.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto por
el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de Perú = En
cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al respecto de la existencia
de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de leyes en el país sobre el tema;
en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de la existencia de leyes en el país
sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas no respondidas. Delante de cada
porcentaje se indica el número respectivo de los encuestados por cada respuesta. Una
marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E consta en la legislación del país, pero la
marca (X) muestra que la referida L&amp;E no consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas peruanas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio =
En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

131

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

132

Figura 24 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación de Perú
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

37%
35%
29%
0%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
41
39
32
0

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

36%
29%
35%
1%

40
32
39
1

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

38%
24%
38%
0%

33%
36%
31%
0%

42
28
42
0

47%
39%
12%
2%

37
40
35
0

53
44
13
2

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

46%
43%
12%
0%

31
14
65
2

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

36%
36%
29%
0%

40
40
32
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

36%
26%
46%
0%

40
26
46
0

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

28%
13%
58%
2%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

37%
45%
19%
0%

41
50
21
0

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

51%
37%
13%
0%

57
41
14
0

12 - TRADUCCIONES
51
48
13
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

40%
42%
18%
0%

45
47
20
0

�permiso al titular del derecho de
2%
0%
¿Su
país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
autor?
46% 51
40% 45
permita que las bibliotecas
permita
que
las
bibliotecas
48
43%
42% 47
3.13
PERÚusos
– situación
de lassin
bibliotecas
en relación con el derechorealicen
de autor
ofrezcan
transfronterizos
traducciones de obras sin
13
11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
12 - TRADUCCIONES
12%
18% 20
pedir permiso al titular del
pedir permiso al titular del
0
0
derecho de autor?
derecho de autor?
0%
0%
51
45
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
46%
40%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
48
43%
42% 47
ofrezcan usos transfronterizos sin
realicen traducciones de obras sin
13
20
14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS
13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS
12%IMPRESAS
18%DIGITALES
pedir permiso al titular del
pedir permiso al titular del
0
0
derecho de autor?
derecho de autor?
0%
0%
32
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
29%
45% 50
permita que las bibliotecas
permita
que
las
bibliotecas
13% 15
28% 31
realicen
el depósito legal?
realicen
el depósito legal
digital
14 - DEPÓSITO
LEGAL
DE OBRAS DIGITALES
13 - DEPÓSITO
LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
65
58%
28% 31
sin pedir permiso al titular del
0
derecho de autor?
0%
0% 500
32
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
29%
45%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas
15
13%
28% 31
realicen el depósito legal?
realicen
el
depósito
legal
digital
31
58% 65
28%
sin16
pedir
permiso al titular
del
15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
- MEDIDAS
DE PROTECCIÓN
TECNOLÓGICA
0
0
derecho de autor?
0%
0%
DE BIBLIOTECAS
¿Su país tiene alguna ley que
¿Su país tiene alguna ley que
46% 52
49% 55
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
22% 25
36% 40
realicen elusión de medidas de
sean responsables por
15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
16
MEDIDAS
DE
PROTECCIÓN
TECNOLÓGICA
35
protección tecnológica sin pedir
infracciones cometidas al derecho
13% 15
DE BIBLIOTECAS31%
permiso al titular del derecho de
de autor en el ejercicio de sus
0
0%
2% 555
¿Su
país tiene alguna ley que
¿Su país tiene
alguna ley que
52
autor?
actividades
misionales?
46%
49%
permita que las bibliotecas
permita que las bibliotecas no
22% 25
36% 40
realicen elusión de medidas de
sean responsables por
35
protección tecnológica sin pedir
infracciones cometidas
al derecho DE DATOS
31%
13% 15
17 - MINERÍA
permiso
al
titular
del
derecho
de
de autor en el ejercicio de sus
0
5
0%
2%
autor? n% No sé si mi país tiene
actividades misionales?
alguna ley
¿Su país tiene alguna ley que
57% 64
n% No, mi país no tiene leyes al respecto
permita que las bibliotecas
41
37%
n% Si, mi país tiene leyes sobre el tema
MINERÍA
DE DATOS
realicen minería17de-datos
de
5

4%
obras digitales sin pedir permiso
2
al titular del derecho de autor?
64
2%
¿Su país tiene alguna ley que
57%
permita que las bibliotecas
37% 41
realicen minería
datos
FUENTE:
Datosdede
la de
investigación, 2016.5
4%
obras digitales sin pedir permiso
2
al titular del derecho de autor?
2%

n% NoSinsérespuesta
n%
si mi país tiene alguna ley
112No,Número
de encuestados
n%
mi país no tiene leyes al respecto
n% Si, mi país tiene leyes sobre el tema
n% Sin respuesta
112 Número de encuestados

1 - IMPORTACIÓN PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

Figura 25 - Actuación de las bibliotecas peruanas frente a las L&amp;E.
Mi biblioteca NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

82

27%

1
30

- IMPORTACIÓN
Mi biblioteca SI hace PARALELA
importación de obras que no

0%
73%

082

tenemos en mi país.
Mi biblioteca
No
opina NO hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

2%
39%

2
44

sin pedir permiso al titular del derecho de autor.
MiNobiblioteca
opina NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

30

Mi biblioteca SI hace importación de obras que no

59%

66

Mi biblioteca SI hace préstamo externo de obras

2%
73%

2

27%
0%
71%

28%

tenemos enDE
mi país.
3 - PRÉSTAMO
OBRAS DIGITALES
0

No opina

80

Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

3 -31
PRÉSTAMO
DESI OBRAS
DIGITALES
Mi biblioteca
hace préstamo
de obras digitales sin

39%

Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

73%

44

DE OBRAS
IMPRESAS
66
Mi biblioteca
SI hace préstamo
externo de obras
59%2 - PRÉSTAMO

sin pedir permiso
titular del
derecho de autor.
4 - REPRODUCCIÓN
DE alOBRAS
DIGITALES
82

pedir permiso al titular del derecho de autor.
Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
No opina
pedir permiso al titular del derecho de autor.

73%
0%

0
82

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

27%

30

0%

0

180

28%

31

1%

1

- SUMINISTRO
No 5
opina

71%

80

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

70%

78

29%

32

29%

33

71%
0%

080

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
No
opina que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
usuarios

29%

32
0

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

7 - FORMATOS ACCESIBLES
No opina

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

4 - REPRODUCCIÓN
DESIOBRAS
DIGITALESde obras
30
Mi biblioteca
realiza reproducción

27%

71%
1%

5 - SUMINISTRO

No opina

mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
No opina
mediante digitalización o fotocopiado
Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

- PRESERVACIÓN
No6opina

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

6 - PRESERVACIÓN

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia
Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
Nodocumentos
opina
los
que custodia

70%
1%

78
1

29%

33

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

1

No opina

8 - OBRAS AGOTADAS

133

�3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
134

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

71%

80

Mi biblioteca NOBIBLIOTECAS
hace préstamo de obras
sin de la legislación
biblioteca NO
reproducción
obrasy el Caribe
LAC:digitales
El impacto
de realiza
autor en
Américade
Latina
73% 82 deMiderechos
pedir permiso al titular del derecho de autor.
mediante digitalización o fotocopiado

28%

31

Mi biblioteca SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

27%

30

Mi biblioteca SI realiza reproducción de obras
mediante digitalización o fotocopiado

1%

1

No opina

0%

0

No opina

5 - SUMINISTRO

6 - PRESERVACIÓN

71%

80

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

70%

78

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

29%

32

Mi biblioteca SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

29%

33

Mi biblioteca SI realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

0%

0

No opina

1%

1

No opina

7 - FORMATOS ACCESIBLES

8 - OBRAS AGOTADAS

82%

92

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

79%

89

18%

20

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

21%

23

0%

0

No opina

0%

0

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

84%

94

13%

14

4%

4

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
No opina

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
No opina

10 - OBRAS HUÉRFANAS

88%

99

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

12%

13

0%

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

0

No opina

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

91%

102

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

96%

107

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

9%

10

4%

5

0%

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

0

No opina

0%

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

0

No opina

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

60%

67

En mi país NO se realiza el depósito legal

79%

88

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

40%

45

En mi país SI se realiza el depósito legal

21%

24

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

0%

0

No opina

0%

0

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

74%

83

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

26%

29

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

0%

0

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

92%

103

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

6%

7

2%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

2

No opina

�60%

67

En mi país NO se realiza el depósito legal

79%

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

88

3.13 PERÚ – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

40%

45

En mi país SI se realiza el depósito legal

21%

24

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

0%

0

No opina

0%

0

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

74%

83

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

26%

29

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

0%

0

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

92%

103

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

6%

7

2%

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

2

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

93%

104

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

5%

6

2%

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

2

No opina

N= 112 número de encuestados

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

3.13.4 RESULTADOS - PERÚ
De acuerdo al cuestionario respondido por 112 profesionales, podemos mencionar
que existe gran desconocimiento de la ley, en general la mayor parte de los temas
abordados por las preguntas numeradas del 1 al 15 (17 preguntas concretas), no han
sido considerados en las L&amp;E de la Ley Perúana sobre Derechos de Autor. Solamente en
los casos de préstamo de obras impresas, preservación de los materiales, conversión a
formatos accesibles, copia de obras agotadas o en retracción o retiradas del mercado, la
ley Perúana ha legislado positivamente en favor del trabajo que realizan las bibliotecas,
en algunos casos se permiten algunas excepciones a todo el público, aunque no se
menciona específicamente a las bibliotecas.
Con respecto a los obstáculos que las bibliotecas Perúanas enfrentan para la
prestación de sus servicios como resultado de la ley de derecho del autor del país, el
79% de los participantes en este estudio afirmó que enfrenta dificultades, un 13% no
las tiene, y un8% no responde. Las dificultades identificadas se agrupan en cinco ejes
de análisis: a) Reproducción y préstamo de obras (81%); b) Digitalización de obras
(21%); c) Naturaleza de la biblioteca y el punto de vista del lector (6%); d) Presencia y
problemática de fuentes digitales en los servicios y préstamos bibliotecarios (residual); y
e) Exoneraciones por la labor educativa y la reproducción de acceso abierto (residual).
Se objetó una falta de precisión en la Ley al no especificar el índice de reproducción y
copia permitidas. Actualmente, la modificación introducida en la Ley N° 30276 permite a
las bibliotecas hacer préstamo público de cualquier tipo de obra (escritas, fonográficas,
audiovisuales o artísticas). Sin embargo, aún existe un vacío en el caso de las obras
digitales.
Con relación al comportamiento de las bibliotecas, por lo menos la mitad de la
muestra conoce la ley sobre el Depósito Legal, función propia de la Biblioteca Nacional.
En cuanto a la responsabilidad bibliotecaria por comisión de infracción al derecho de

135

�136

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

autor por los usuarios, casi tres cuartas partes niegan o desconocen la norma frente a
una cuarta parte que afirma cometer infracciones en su servicio. No hay claridad sobre
cuáles serían esas posibles infracciones.
Con relación al Tratado de Marrakech se confirma, para el Perú, un alto conocimiento
de esta Declaración, con un 81% de los participantes en este estudio, quienes afirmaron
que sí conocen su ámbito de aplicación y un 19% que lo desconoce (10%) o no responde
(9%). El Perú ha ratificado el Tratado de Marrakech y ahora está trabajando para incluirlo
en la legislación nacional, aunque algunas excepciones ya aparecen en el D. Leg. 822.
En Perú, la población con discapacidad visual alcanza el 4% (cerca 1 millón y medio de
personas), la mayoría afectada por cataratas y sobre 50 años (OMS, 2015). Las bibliotecas
deben ser activas promotoras de servicios dedicados a estas personas, con la tecnología
adecuada a ese propósito. Ya existen experiencias exitosas en bibliotecas públicas de
Lima, como Miraflores y San Borja, además la Biblioteca Nacional y en Piura (Norte), a
nivel académico en la Pontificia Universidad Católica del Perú. Algunos participantes del
grupo focal, también mencionaron la necesidad de evaluar el uso del término “biblioteca”
en la ley, dada la versatilidad de formatos y los nuevos espacios que actualmente también
albergan el conocimiento. Así como también incluir excepciones para las poblaciones con
discapacidad auditiva y promover en las empresas editoras la conversión de información
a formatos accesibles para ellas (como lenguaje de señas, material audiovisual inclusivo
etc.)

3.13.5 CONSIDERACIONES FINALES - PERÚ
En el ámbito de bibliotecas, archivos y museos existe desconocimiento profesional
y, desde luego, para-profesional sobre el alcance y aplicación de la legislación sobre
Derechos de Autor y normas relativas. Urge impartir formación y orientación jurídica a
la comunidad profesional con asesoría de Indecopi y OMPI, bajo alianza con el Colegio
de Bibliotecólogos del Perú. Se recomienda publicar una recopilación jurídica para
bibliotecólogos.
Se recomienda plantear excepciones que liberen a las bibliotecas de responsabilidad
frente a supuestas infracciones, como fotocopia o descargas, porque limita su acceso a
bibliografía en zonas remotas del país. Las universidades con fondo editorial tienen un área
de Propiedad Intelectual para proteger sus obras. Los investigadores suelen ser bilingües y
prefieren la bibliografía en idioma original (inglés u otros), lo cual resta responsabilidad de
traducción y sus costos. Es importante incluir la discapacidad auditiva, así como el lenguaje
de señas, también ampliar de modo sustantivo los temas de obras transformadas, acorde
a la alta producción editorial. Se debe incluir la citación de obras en formatos visual y
sonoro. Evaluar la precisión del término “Biblioteca” en la ley, dada la versatilidad de
formatos y los nuevos espacios que actualmente también albergan el conocimiento.

�3.14 REPÚBLICA DOMINICANA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.14 REPÚBLICA DOMINICANA – situación de las bibliotecas en
relación con el derecho de autor
por Dulce María Núñez de Taveras81, Eloisa Marrero82, Víctor Belén83 y
Lucero Arboleda de Roa84

3.14.1 BREVE CONTEXTO DEL DERECHO DE AUTOR EN EL PAÍS
La legislación de derechos de autor ha acompañado todas las etapas de la vida
republicana. Desde 1854, la constitución dominicana acoge el concepto de propiedad
intelectual. Sucesivas modificaciones constitucionales se tradujeron en avances o
retrocesos en materia de derechos de propiedad intelectual, siendo 1912 el año en que
República Dominicana asumió concepciones jurídicas europeas con la ratificación de la
Convención sobre la propiedad literaria y artística, la Convención sobre patentes de
invención, dibujos y modelos industriales, la Convención sobre marcas de fábrica y de
comercio.
En 1947, la Ley Nº.1381 se constituyó en el segundo texto legal referido al registro y
protección de obras literarias y artísticas, creándose a su amparo una oficina dedicada
a esos fines. Esta ley fue sustituida por la Nº 32-86, del 4 de julio de 1986, votada
bajo el influjo de la ratificación en 1977 y 1982, respectivamente, de la Convención
sobre la protección de los artistas intérpretes o ejecutantes, productores de fonogramas
y organismos de radiodifusión del 26 de octubre de 1961 (Convención de Roma) y la
Convención Universal sobre Derecho de Autor del 6 de septiembre de 1952.85
Así llegamos al año 2000, en el que la ley 32-86 es sustituida por la ley 65-00 que
protege los derechos morales y patrimoniales del autor durante su vida, y a su cónyuge,
herederos y causahabientes. También la ley 20-00 sobre propiedad intelectual.
Los alcances de la ley 65-00, sus previsiones, L&amp;E, en beneficio de las bibliotecas y
servicios de información de la República Dominicana son:
Artículo 32 Podrán ser reproducidos por medios reprográficos, para la enseñanza o para la realización
de exámenes en instituciones educativas, en la medida justificada por el fin que se persiga, siempre y
cuando no sea un fin comercial.
Artículo 37 Es lícita la reproducción, por una sola vez y en un solo ejemplar, de una obra literaria o
científica, para uso personal y sin fines de lucro, sin perjuicio del derecho del titular por la reproducción
reprográfica o por la copia privada de una grabación sonora o audiovisual.
Artículo 38 Las bibliotecas públicas podrán reproducir, para el uso exclusivo de sus lectores y cuando
ello sea necesario para su conservación o para el servicio de préstamos a otras bibliotecas también
públicas.
Artículo 41 Permite la reproducción de la Constitución Política, las leyes, los decretos, ordenanzas y
reglamentos debidamente actualizados, los convenios y demás actos administrativos y las decisiones
judiciales, bajo la obligación de indicar la fuente y conformarse textualmente con la edición oficial,
siempre y cuando no esté prohibido.
81- Pontificia Universidad Católica Madre y Maestra (PUCMM), República Dominicana. dulcenunez@pucmm.edu.do
82- Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña (UNPHU), República Dominicana. emarrero@unphu.edu.do
83- Universidad Católica Nordestana (UCNE), República Dominicana. vbelen60@gmail.com
84- Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC), República Dominicana. lucero.arboleda@intec.edu.do
85- Espinal Hernández, E. (2009). Propiedad intelectual en República Dominicana: 155 años de evolución. Disponible: http://www.
adopi.org.do/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=80:propiedad-intelectual-en-republica-dominicana-155-anos-deevolucion&amp;catid=43:articulos-de-interes&amp;Itemid=76

137

�138

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

83- Pontificia Universidad Católica Madre y Maestra (PUCMM), República Dominicana. dulcenunez@
pucmm.edu.do
84- Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña (UNPHU), República Dominicana. emarrero@
unphu.edu.do
85- Universidad Católica Nordestana (UCNE), República Dominicana. vbelen60@gmail.com
86- Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC), República Dominicana. lucero.arboleda@intec.
edu.do
87- Espinal Hernández, E. (2009). Propiedad intelectual en República Dominicana: 155 años de
evolución. Disponible: http://www.adopi.org.do/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id
=80:propiedad-intelectual-en-republica-dominicana-155-anos-de-evolucion&amp;catid=43:articulos-deinteres&amp;Itemid=76
Artículo 44 Considera como únicas excepciones al derecho de comunicación pública:
1) Las que se realicen con fines estrictamente educativos, sin reproducción, dentro del recinto o
instalaciones de los institutos de educación, siempre que no se cobre suma alguna por el derecho de
entrada.
2) Las que sean de obras, interpretaciones, producciones o emisiones, sin reproducción, en los
establecimientos de comercio, con únicos fines demostrativos para la clientela de equipos receptores,
reproductores o de ejecución musical o para la venta de los soportes materiales lícitos que las
contienen;
3) Las que se realicen sin reproducción para no videntes y otras personas incapacitadas físicamente,
sin fines de lucro.
Artículo 187, numeral “e” (modificado por el artículo 62 de la ley 424-06 Tratado de Libre Comercio
DR-CAFTA) - Medidas tecnológicas efectivas: permiten el acceso por parte de una biblioteca, archivo,
institución educativa sin fines de lucro a una obra, interpretación, ejecución o fonograma a la cual no
tendrían acceso de otro modo, con el único propósito de tomar decisiones sobre adquisición.
Artículo 194 Descarga de sanciones penales por elusión de medidas tecnológicas a la biblioteca, el
archivo, institución educativa u organismo público en caso de violación al artículo 194.
Artículo 156-161 Depósito legal: Autor o sus causahabientes y, en su defecto, el editor o el productor
de las obras debe hacer entrega de tres (3) ejemplares a la Biblioteca Nacional publicada en forma
impresa, audiovisual.

En ese contexto, aceptamos la invitación de IFLA LAC para participar en ese proyecto
con los objetivos de: (a) mapear la situación de las bibliotecas de República Dominicana
frente a las restricciones de la ley de derecho de autor, por medio de una encuesta
con miembros representativos de las bibliotecas públicas, académicas, escolares y
especializadas; (b) Analizar y contextualizar el impacto de la legislación dominicana
sobre derechos de autor y temas afines en los servicios y procesos de las bibliotecas, a
fin de aportar elementos de juicio para la promoción del mejoramiento cualitativo de la
legislación sobre la materia, en beneficio de las bibliotecas como instancias gestoras de
derechos de autor en República Dominicana.

3.14.2 PROCEDIMIENTOS DE RECOLECCIÓN DE DATOS
Para la recolección de datos se utilizaron tres estrategias distintas: La primera
estuvo reservada a a) discusión del papel de las bibliotecas como gestoras colectivas de
derechos de autor; b) orientación general sobre los objetivos del proyecto IFLA/LAC; c)

�3.14 REPÚBLICA DOMINICANA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

orientación sobre la logística de aplicación de la encuesta. Para los aspectos (b) y (c)
de esta etapa se usó el material suministrado por IFLA LAC. Para esto se llevó a cabo la
“Consulta Nacional sobre Derechos de Autor en las Bibliotecas Dominicanas”, bajo el
auspicio de la Asociación de Bibliotecas Universitarias Dominicanas (ABUD), el martes
12 de abril, 2016, teniendo como sede la Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña
(UNPHU) con la participación de representantes de distintas regiones del país.
Al final del evento inició la segunda estrategia, aplicación presencial de la encuesta
por medio del cuestionario semiabierto propuesto por el Proyecto Integrado IFLA LAC
2016 (APÉNDICE A). Para facilitar la comprensión de los términos del cuestionario, se hizo
entrega del Desglose de Términos, documento aportado por IFLA/LAC. EL cuestionario
fue contestado por 45 participantes, aunque en la actividad participaron 48, siendo 22
de las bibliotecas académicas, 14 bibliotecas especializadas, 04 bibliotecas escolares,
03 bibliotecas públicas, 03 biblioteca nacional y 02 Archivos Generales de la Nación.
La información recogida fue procesada y tabulada mediante el uso del programa SPSS
(Statistical Package for the Social Sciences).
La tercera estrategia consistió en tres grupos focales: el primer grupo compuesto por
miembros representativos de la Biblioteca Nacional y las bibliotecas públicas y escolares,
el segundo grupo por miembros de bibliotecas universitarias, y el tercero por miembros
de las bibliotecas especializadas. Para esta etapa se utilizaron guías preparadas por
la Comisión Organizadora de la Consulta, inspiradas en los lineamientos y material de
IFLA: a) Guía de los Coordinadores de Grupo; b) Guía de los moderadores; c) Guía de
los participantes.

3.14.3 ANÁLISIS DE LOS DATOS
Las respuestas obtenidas para las 17 preguntas objetivas del cuestionario propuesto
por el Proyecto Integrado de IFLA LAC 2016 (APÉNDICE A), están agrupadas en dos
infografías:
a) Conocimiento de los encuestados sobre la Ley de Derechos de Autor de República
Dominicana = En cada pregunta se muestra en AZUL el desconocimiento o duda al
respecto de la existencia de leyes en el país sobre el tema; en ROJO la ausencia de
leyes en el país sobre el tema; en VERDE el porcentaje de respuestas positivas acerca de
la existencia de leyes en el país sobre el tema; y en NEGRO el porcentaje de preguntas
no respondidas. Delante de cada porcentaje se indica el número respectivo de los
encuestados por cada respuesta. Una marca de VERIFICACIÓN (√) indica que la L&amp;E
consta en la legislación del país, pero la marca (X) muestra que la referida L&amp;E no
consta en la legislación del país.
b) Actuación de las bibliotecas dominicanas frente a las L&amp;E indicadas en este estudio
= En ROJO se muestra el porcentaje y el número (correspondiente) de encuestados cuya
biblioteca NO ofrece el referido servicio, y en VERDE está el porcentaje y el número
(correspondiente) de encuestados cuya biblioteca SÍ ofrece dicho servicio.
El análisis cualitativo del cuestionario y de las preguntas objetivas usadas en las
entrevistas individuales y/o en grupo (Apéndices A y B), así como el análisis de las
infografías, se hicieron subjetivamente y serán presentados en los ítens referentes a
Resultados y Consideraciones Finales.

139

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

140

Figura 26 - Conocimento de los encuestados sobre la legislación
de la República Dominicana
1 - IMPORTACIÓN PARALELA
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen importación de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

27%
53%
20%
0%

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
12
24
9
0

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

42%
47%
11%
0%

19
21
5
0

5 - SUMINISTRO
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen suministro de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

22%
56%
20%
2%

44%
40%
13%
2%

10
25
9
1

53%
33%
7%
7%

20
18
6
1

24
15
3
3

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan usos transfronterizos sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

47%
36%
16%
2%

7%
9%
84%
0%

19
13
0

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen reproducción de obras
digitales sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

20%
36%
44%
0%

9
16
20
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen copias de preservación sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

24%
22%
53%
0%

11
10
24
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas copien
obras agotadas en el mercado sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor para permitir su
acceso desde las bibliotecas?

27%
27%
42%
4%

12
12
19
2

10 - OBRAS HUÉRFANAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
reproduzcan, publiquen o usen
obras huérfanas?

51%
31%
16%
2%

23
14
7
1

12 - TRADUCCIONES
21
16
7
1

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal?

13

8 - OBRAS AGOTADAS

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
ofrezcan acceso a obras objeto de
retracción o retiradas sin pedir
permiso al titular del derecho de
autor?

29%
42%
29%
0%

6 - PRESERVACIÓN

7 - FORMATOS ACCESIBLES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
transformen obras en formatos
accesibles sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen préstamo de obras
impresas sin pedir permiso al
titular del derecho de autor?

3
4
38
0

¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen traducciones de obras sin
pedir permiso al titular del
derecho de autor?

36%
33%
29%
2%

16
15
13
1

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
¿Su país tiene alguna ley que
permita que las bibliotecas
realicen el depósito legal digital
sin pedir permiso al titular del
derecho de autor?

24%
31%
42%
2%

11
14
19
1

�11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

autor?

12 - TRADUCCIONES

¿Su país tiene
que
¿Su país tiene alguna
que
47% 21
36% 16
11 -alguna
USOSleyTRANSFRONTERIZOS
12 -leyTRADUCCIONES
3.14
REPÚBLICA
DOMINICANA – situación de
relación
el derecho de autor
permita
que las bibliotecas
permita
quecon
las bibliotecas
16 las bibliotecas en
36% 21
33% 15
16
ofrezcan
usos transfronterizos
realicen
traducciones
de
obras
sin
¿Su
país tiene
alguna ley que sin
¿Su
país
tiene
alguna
ley
que
47%
36%
16% 716
29% 13
pedir permiso
titular del
pedir permiso
titular del
permita
que lasalbibliotecas
permita
que lasalbibliotecas
15
36%
33%
1
1
derecho de
autor?
derecho de
autor? de obras sin
2%
2%
ofrezcan
usos
transfronterizos sin
realicen
traducciones
7
13
16%
29%
pedir permiso al titular del
pedir permiso al titular del
1
1
derecho
de autor? LEGAL DE OBRAS
derecho
de autor? LEGAL DE OBRAS
2% IMPRESAS
2% DIGITALES
13 - DEPÓSITO
14 - DEPÓSITO
3
¿Su
tiene alguna LEGAL
ley que DE OBRAS
7% IMPRESAS
13país
- DEPÓSITO
permita que las bibliotecas
4
9%
3
realicen
el
depósito
legal?
¿Su país tiene alguna ley que
7%
84% 38
permita que las bibliotecas
4
9%
0
0%
realicen el depósito legal?
38

84%
0%

0

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS
¿Su país
alguna ley que
15 -tiene
LIMITACIÓN
DE RESPONSABILIDAD
27% 12
permita que las bibliotecas
no
DE BIBLIOTECAS
42% 19
sean
responsables
por ley que
¿Su país
tiene alguna
12
27%
infracciones
al derecho
permita que cometidas
las bibliotecas
no
31% 14
19
de autor
en el ejercicio
42%
0
sean
responsables
por de sus
0%
actividades misionales?
infracciones
cometidas al derecho
31% 14
de autor en el ejercicio de sus
0
0%
actividades misionales?
17 - MINERÍA DE DATOS
¿Su país tiene 17
alguna
ley que DE DATOS
44% 20
- MINERÍA
permita que las bibliotecas
49% 22
20
realicen
de datos
de
¿Su
país minería
tiene alguna
ley que
44%
3
7%
obras
digitales
sin
pedir
permiso
permita que las bibliotecas
22
49%
0
al
titularminería
del derecho
de autor?
0%
realicen
de datos
de
3
7%
obras digitales sin pedir permiso
0
FUENTE:
la investigación,
al titular delDatos
derecho de
de autor?
0% 2016.

11
¿Su
tiene alguna ley
que DE OBRAS
24%DIGITALES
14país
- DEPÓSITO
LEGAL
permita que las bibliotecas
31% 14
11
realicen
el
depósito
legal
digital
¿Su país tiene alguna ley que
24%
42% 19
sin pedirque
permiso
al titular del
permita
las bibliotecas
14
31%
1
derecho de
autor? legal digital
2%
realicen
el depósito
42% 19
sin pedir permiso al titular del
1
derecho de autor?
2%
16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

¿Su
tiene algunaDEleyPROTECCIÓN
que
16 país
- MEDIDAS
TECNOLÓGICA
40% 18
permita que las bibliotecas
38% 17
realicen
de medidas
¿Su país elusión
tiene alguna
ley quede
18
40%
protección
sin pedir
permita quetecnológica
las bibliotecas
18% 817
permiso elusión
al titulardedelmedidas
derechodede
38%
2
realicen
4%
autor? tecnológica sin pedir
protección
18% 8
permiso al titular del derecho de
2
4%
autor?
n% No sé si mi país tiene alguna ley

n%
n%
n%
n%
n%
n%
45
n%
45

No, mi país no tiene leyes al respecto
No sé si mi país tiene alguna ley
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
No, mi país no tiene leyes al respecto
Sin respuesta
Si, mi país tiene leyes sobre el tema
Número de encuestados
Sin respuesta
Número de encuestados

Figura 27- Actuación de las bibliotecas dominicanas frente a las L&amp;E.

1 - IMPORTACIÓN PARALELA
18

Mi biblioteca NO hace importación de obras que no

56%
40%

25
18

Mi biblioteca NO
haceimportación
importacióndedeobras
obrasque
quenono
SI hace
tenemos en mi país.

4%
56%

2
25

4%

2

40%

1 - IMPORTACIÓN
tenemos en mi país. PARALELA

2 - PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS

18 Mi biblioteca NO hace préstamo externo de obras
40%2 - PRÉSTAMO
DE OBRAS IMPRESAS

sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

58%
40%

26
18

Mi biblioteca NO
hacepréstamo
préstamoexterno
externodedeobras
obras
SI hace
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

Mi
No biblioteca
opina SI hace importación de obras que no
tenemos en mi país.

2%
58%

1
26

Mi
SI hace préstamo externo de obras
No biblioteca
opina
sin pedir permiso al titular del derecho de autor.

No opina

2%

1

No opina

3 - PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES

27 Mi biblioteca NO hace préstamo de obras digitales sin
60%3 - PRÉSTAMO
DE OBRAS DIGITALES

pedir permiso al titular del derecho de autor.

4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

16 Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras
36%
4 - REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES

mediante digitalización o fotocopiado

36%
60%

16
27

Mi biblioteca NO
hacepréstamo
préstamodedeobras
obrasdigitales
digitalessin
sin
SI hace
pedir permiso al titular del derecho de autor.

60%
36%

27
16

Mi biblioteca NO
realizareproducción
reproduccióndedeobras
obras
SI realiza
mediante digitalización o fotocopiado

4%
36%

2
16

Mi
No biblioteca
opina SI hace préstamo de obras digitales sin
pedir permiso al titular del derecho de autor.

4%
60%

2
27

Mi
SI realiza reproducción de obras
No biblioteca
opina
mediante digitalización o fotocopiado

4%

2

No opina

4%

2

No opina

53%

24

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
5 - SUMINISTRO
usuarios
que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

34%

15

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
6 documentos
- PRESERVACIÓN
los
que custodia

40%
53%

18
24

Mi biblioteca NO
realizasuministro
suministrodededocumentos
documentosaa
SI realiza
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

62%
34%

28
15

Mi biblioteca NO
realizacopias
copiasdedepreservación
preservacióndede
SI realiza
los documentos que custodia

7%
40%

3
18

Mi
No biblioteca
opina SI realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

4%
62%

2
28

Mi
SI realiza copias de preservación de
No biblioteca
opina
los documentos que custodia

7%

3

No opina

4%

2

71%

32

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos

47%

21

22%
71%

10
32

Mi biblioteca NO
ofrecetransformar
transformarobras
obrasenenformatos
formatos
SI ofrece
accesibles para personas con discapacidades

49%
47%

21
22

7%

3
10

Mi
No biblioteca
opina SI ofrece transformar obras en formatos

4%

5 - SUMINISTRO

7 - FORMATOS ACCESIBLES
7 - accesibles
FORMATOS
ACCESIBLES
para personas
con discapacidades

6 - PRESERVACIÓN

No opina

8 - OBRAS AGOTADAS
Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han

8sido
- OBRAS
copiadasAGOTADAS
cuando se encuentran agotadas en el

mercado
Mi
biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido
copiadasSIcuando
se sus
encuentran
agotadas
en elhan sido
Mi biblioteca
tiene en
colecciones
obras que
mercado
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado

141

�142

Mi biblioteca NO realiza copias de preservación de
los documentos que custodia

53%

24

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

40%

18

LAC:
El impacto
de la legislación28de Mi
derechos
América
Latina y eldeCaribe
bibliotecadeSIautor
realizaencopias
de preservación
Mi biblioteca SI BIBLIOTECAS
realiza suministro de
documentos
a
62%
los documentos que custodia
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

7%

3

No opina

34%

4%

15

2

No opina

7 - FORMATOS ACCESIBLES

8 - OBRAS AGOTADAS

71%

32

Mi biblioteca NO ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

47%

21

22%

10

Mi biblioteca SI ofrece transformar obras en formatos
accesibles para personas con discapacidades

49%

22

7%

3

No opina

4%

2

9 - OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN
O RETIRADAS

69%

31

18%

8

13%

6

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras
que han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que
han sido retiradas por solicitud del autor al
retractarse de su publicación
No opina

Mi biblioteca NO tiene en sus colecciones obras que han
sido copiadas cuando se encuentran agotadas en el
mercado
Mi biblioteca SI tiene en sus colecciones obras que han sido
copiadas cuando se encuentran agotadas en el mercado
No opina

10 - OBRAS HUÉRFANAS

64%

29

Mi biblioteca NO ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

27%

12

9%

Mi biblioteca SI ha reproducido, publicado o usado obras
cuyos autores no conoce o cuyos datos de contacto son de
difícil acceso

4

No opina

11 - USOS TRANSFRONTERIZOS

12 - TRADUCCIONES

49%

22

Mi biblioteca NO realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

91%

41

Mi biblioteca NO realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

44%

20

Mi biblioteca SI realiza intercambio de material
con bibliotecas de otros países

2%

1

Mi biblioteca SI realiza traducciones de obras sin
autorización del titular del derecho de autor

7%

3

No opina

7%

3

No opina

13 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS

14 - DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES

9%

4

En mi país NO se realiza el depósito legal

82%

37

En mi país SI se realiza el depósito legal

44%

20

En mi país SI se realiza el depósito legal digital

9%

4

No opina

13%

6

No opina

15 - LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD
DE BIBLIOTECAS

56%

25

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país NO
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

24%

11

Los bibliotecarios y las bibliotecas de mi país SI
se encuentran exonerados en caso de cometer
infracciones al derecho de autor

20%

9

43%

19

En mi país NO se realiza el depósito legal digital

16 - MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA

73%

33

Mi biblioteca NO realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

18%

8

Mi biblioteca SI realiza elusión de medidas de
protección tecnológica

9%

4

No opina

No opina

17 - MINERÍA DE DATOS

89%

40

Mi biblioteca NO realiza minería de datos de sus
colecciones

4%

2

Mi biblioteca SI realiza minería de datos de sus
colecciones

7%

3

No opina

FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

N= 45 número de encuestados

�3.14 REPÚBLICA DOMINICANA – situación de las bibliotecas en relación con el derecho de autor

3.14.4 RESULTADOS - REPÚBLICA DOMINICANA
Con relación a la primera infografía 3.14.3.1, la declaración “no sé” de los encuestados
fue mayoritaria en el caso de seis (6) temas: formatos accesibles, obras de retracción, obras
huérfanas, uso transfronterizo, traducciones y elusión de medidas tecnológicas. Parece que
uno de los factores de eso tiene mucho que ver con el hecho de que se entienden que esos
temas son más asociados al quehacer de otros gestores, como es el caso de los editores.
De los 15 temas abordados en la encuesta, en solo 6 las respuestas de la mayoría de
los encuestados era la respuesta correcta. Si comparamos la afirmación de que ‘sí hay
ley’ con la de quienes afirman que ‘no hay ley’, en 12 de los 15 temas es mayoritaria la
afirmación de que ‘no hay ley’. Lo cual, desde el punto de vista de los encuestados, sugiere
una percepción de gran debilidad en la legislación vigente.
La infografía 3.14.3.2 indica que, independientemente del alcance de la ley, las
bibliotecas realizan seis funciones relacionadas con el tema de desarrollo de colecciones:
1) importación paralela; 2) reproducción de obras digitales; 3) reproducción de obras
digitales; 4-5) depósito legal de documentos impresos y digitales. En este caso, se entiende
como depósito legal la función de entregar a la Biblioteca Nacional lo previsto en la ley;
6) preservación.
Es importante destacar que, en términos de servicios, las bibliotecas, independientemente
del alcance de la ley, realizan en un 58% el préstamo de obras impresas. Este porcentaje
es muy superior al préstamo de obras digitales (36%), que es deficitario. Esa situación
tiene que ver con muchos otros factores, no necesariamente vinculados con la ley.
En la presente investigación fue posible establecer la existencia de una relación casi
biunívoca entre saber de la ley y hacer de las bibliotecas, en el caso de los siguientes
temas: 1) importación paralela; 2) reproducción de obras digitales; 3) obras huérfanas;
4) depósito legal de impresos y 5) elusión de medidas tecnológicas. El otro aspecto a
destacar es la ligera asimetría existente en el caso de: 1) preservación; 2) reproducción
de obras agotadas; 3) uso transfronterizo donde, a pesar del desconocimiento de lo
que prevé la ley, hay un alto nivel de realización. Estas cifras unidas a los comentarios
y testimonios, evidencian la preocupación de los bibliotecarios por dar vigencia a las
funciones esenciales de la biblioteca. En cuanto a la responsabilidad legal, el 27% de los
encuestados no están conscientes de las excepciones que la ley prevé en su favor y que las
eximen de responsabilidad por violaciones cometidas por parte de los usuarios a la ley.
Los datos obtenidos con los cuestionarios fueron corroborados por los participantes en
los grupos de discusión, por medio de testimonios y en los comentarios que añadieron al
cuestionario. La mayoría planteó la necesidad de una mayor capacitación sobre el tema.
En el sentido de mirar la presencia de la ley en las funciones propias de la misión de la
biblioteca, con un particular énfasis en las que inciden en los servicios o en el desarrollo de
los recursos necesarios para su oferta y la evaluación del impacto de la ley en el quehacer
de las bibliotecas. Otros giraron en torno a la dificultad de preservar un uso honrado
de un recurso bajo la modalidad de préstamo externo. En general, datos, comentarios
y testimonios dicen que no hay una relación simétrica entre conocer y hacer. Prima un
ejercicio de los servicios de la biblioteca orientados a favorecer al usuario y preservar
el desarrollo de colecciones, siempre en el marco de categorías éticas universales y sin
desmedro de principios de democracia, libertad y equidad.

143

�144

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.14.5 CONSIDERACIONES FINALES
Las bibliotecas dominicanas no conocen de iniciativas en torno a la reforma del
derecho de autor en el país. No se ha desarrollado una consulta pública. Las bibliotecas
dominicanas no están al tanto del proceso de ratificación del Tratado de Marrakech. Este
tratado aún no ha sido ratificado por el Congreso Nacional para que pueda tener vigencia
jurídica en el país.
El análisis realizado ha puesto de manifiesto la diversidad de situaciones limitantes
en torno a la legislación en República Dominicana. Ofrece pocas excepciones para las
bibliotecas. Esto permite aseverar que la ley vigente necesita ser revisada y conduce a las
siguientes conclusiones: a) En República Dominicana existe legislación sobre el derecho
de autor y propiedad intelectual, como plataforma normativa esencial, aunque no son
vinculantes entre sí, por lo que las excepciones son de carácter puntual. Esto deja una
brecha normativa en diversas áreas donde pudiera incidir la legislación, como es el caso
de acciones en torno a la preservación documental con fines patrimoniales, de servicio y de
gestión de información; b) Se percibe, por parte de los bibliotecarios, una gestión intuitiva
y honesta de los derechos de autor, con grandes limitaciones al vincular tales derechos
con funciones, servicios y procesos propios de la biblioteca; c) Se aprecia un desfase
entre la normativa nacional e internacional y las demandas que plantea la evolución
tecnológica; siendo evidente en el caso de los servicios bibliotecarios, la necesidad de
tener excepciones, para los procesos de migración o reproducción de los recursos de
información, para solucionar situaciones de obsolescencia en cuanto al formato; d) Los
procesos de desarrollo de las colecciones deben ser orientados no solo al contenido de los
recursos de información, sino también a la tecnología que permite su acceso. Los contratos
para suscripción o adquisición no sean barreras para la disponibilidad; e) Se aprecia un
arco de tensión entre preservar los derechos de autor y los servicios de acceso público, no
discriminatorio y con sentido democrático.
A partir de la presente investigación se proponen las siguientes recomendaciones: a)
Realizar una gestión colectiva de derecho de autor que permita ampliar los alcances del
marco normativo existente, al tiempo que se da vigencia a una agenda de propuestas y
jornadas para las modificaciones a la ley Nº. 65-00 y a aquellas leyes conexas donde sean
pertinentes las propuestas de las L&amp;E estudiadas en ese proyecto; b) Realizar encuentros
formativos entre bibliotecarios para favorecer el conocimiento de las leyes nacionales e
internacionales sobre la ley. Involucrar a especialistas del derecho de autor que asesoren
a las bibliotecas en su aplicación; c) Promover que la ABUD, como instancia especializada
de la Asociación Dominicana de Rectores de Universidades (ADRU) en materia de acceso
a recursos de información científica y técnica, presente a las entidades nacionales los
resultados de esta investigación; y d) Las propuestas curriculares de las instituciones
educativas deben incluir el derecho de autor como parte sensible de la formación en
valores del educando.
En el estudio de Crews (2008), sobre las L&amp;E al derecho de autor en beneficio de
bibliotecas y archivos, no se incluyó a República Dominicana. No obstante, dicha
investigación constituyó un marco de referencia para analizar la legislación dominicana,
bajo el enfoque de lo que se ha establecido en otros países de América Latina como
referente y que, prácticamente, no se han tomado en cuenta en el marco normativo
dominicano del derecho de autor.

�3.15 TRINIDAD AND TOBAGO - state of the libraries regarding copyright

145

3.15 TRINIDAD AND TOBAGO - state of the libraries regarding
copyright
by Juliet Glenn-Calleder86, Jennifer George87, Paula Greene88, Roslyn Guiseppi89 y
Arlene Alleyne-Regis90

3.15.1 BRIEF CONTEXT OF COPYRIGHT IN TRINIDAD AND
TOBAGO
Trinidad and Tobago’s copyright legislation was formulated according to Copyright
Act, 1911 of the United Kingdom. After gaining its independence in 1962, Trinidad and
Tobago sought to create its own governance structure and the Copyright Act, 1997 Chapter
82:30 came into existence. This act was superseded by the Copyright Act, 2000 No. 18
and then amended as Act No. 5 of 2008. The amendments were made to reflect the
various international copyright conventions that Trinidad and Tobago had acceded to when
it became a member of the World Intellectual Property Organization Convention in August
1988, including the Berne Convention on Copyright (1883) and The Trade Related Aspects
of Intellectual Property - TRIPS (1997).
With a constantly changing digital environment and the ease of access to, and duplication
of works in electronic formats, Trinidad and Tobago like many others struggles to stay
ahead of the various issues related to copyright infringements. For legal bodies entrusted
with the responsibility of drafting copyright laws which cater to the vagaries of print and
non-print works, the challenges are at times insurmountable. For libraries in particular,
keeping abreast of the evolution of digital works and related rights of the copyright holder
poses a significant challenge.
The Copyright Act combines elements of both traditional and common law, as well as
civil law in terms of its approach to copyright. The Act defines copyright as “a property
right which subsists in literary and artistic works that are original intellectual creations in
the literary and artistic domain” (Copyright Act of Trinidad and Tobago, 1997). Provisions
for libraries, archives and educational institutions are outlined in Sections 11 and 12. The
Copyright Act in its present form does not address routine library needs on the use of
copyrighted works in a digital environment. The resulting inability to significantly manage
the use of such works within these environments is a challenge that the Act must now
urgently address.
This paper examines how current library practices fit into the copyright
legislative system of Trinidad and Tobago and what is taking place in our
institutions. It focuses specifically on the digital environment and addresses the
issues now experienced in providing access to information in our communities.
86- Library Association of Trinidad and Tobago/ National Library and Information System Authority, Port of Spain, Trinidad and
jglennca@gmail.com
87- Library Association of Trinidad and Tobago/ National Library and Information System Authority, Port of Spain, Trinidad and
jenannster@gmail.com
88- Library Association of Trinidad and Tobago/ National Library and Information System Authority, Port of Spain, Trinidad and
greenep@nalis.gov.tt
89- Library Association of Trinidad and Tobago/ National Library and Information System Authority, Chaguanas, Trinidad and
guiseppir@nalis.gov.tt
90- Library Association of Trinidad and Tobago/The University of the West Indies, Open Campus, St. Augustine, Trinidad and
aalleyneregis@gmail.com

Tobago.
Tobago.
Tobago.
Tobago.
Tobago.

�146

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.15.2 DATA COLLECTION PROCEDURES
In mapping the current situation in Trinidad and Tobago, a meeting was held with the
local Intellectual Property Office (IPO) to assess the situation as it relates to legal provisions
made for libraries, archives and other heritage institutions.
Eighteen (18) library professionals were selected from The University of the West Indies,
St. Augustine; The University of the West Indies, Open Campus; special, public and school
libraries of the National Library and Information System Authority (NALIS); the University
of Trinidad and Tobago (UTT); the University of the Southern Caribbean (USC); the College
of Science, Technology and Applied Arts of Trinidad and Tobago (COSTAATT) and the
National Archives of Trinidad and Tobago (NATT).
For data collection, the Integrated Project IFLA LAC 2016 questionnaire (APENDICE
A) was administered to all participants, along with interviews either in person, by
telephone, or email. Participants were also asked to respond to open-ended questions to
determine any further knowledge of the country’s copyright laws as well as the Marrakesh
Treaty (APENDICE B). They were asked to give instances where the provision of digital
resources was hindered by the present copyright legislation. They were also asked to make
recommendations regarding copyright reform.

3.15.3 DATA ANALYSIS
The answers obtained in relation to the 17 objective questions proposed by the
Integrated Project IFLA LAC 2016 (APENDICE A) were tabulated and analysed statistically
(as shown in the following graphs). These questions refer to
a) The participants knowledge about the L&amp;E in the copyright law of their country = Each
question provides, (a) in BLUE, the percentage who lack the knowledge or are not sure of
the existence of that specific L&amp;E in the copyright law in the country, (b) in RED, percentage
of NO answers, when there is an absence of laws in the country on that particularly L&amp;E,
(c) in GREEN, the percentage of answers that said YES regarding the existence of laws on
the subject in the country, (d) in black, the percentage of questions with no answers from
the participants and next to each percentage, the corresponding number of respondents
is indicated for each answer. All questions with a green check symbol (√) indicate that L&amp;E
there is in the country copyright law. And all question with X symbol indicate that the L&amp;E
there is not in the country’s legislation.
b) The services the libraries are offering in face of the L&amp;E proposed in this study = Each
question provides, (a) in RED, percentage and the number of participants that say “My
library DOES NOT offer that particularly service” and (b) in GREEN, the percentage and
the number of participants that say “Yes, my library offer that particularly service”
The qualitative analysis of the questionnaire and the objective questions used in the
interview and/or focus group techniques (Appendices A and B) were analysed subjectively
and discussed in the Final Results and Considerations.

�3.15 TRINIDAD AND TOBAGO - state of the libraries regarding copyright

147

Figure 28 - Participants knowledge about the Trinidad and Tobago Copyright Law
1 - PARALLEL IMPORTATION
Does your country have any law
that allows libraries to import
works without asking permission
to the copyright owner?

67%
6%
28%
0%

2 - LENDING OF PRINT MATERIALS
12
1
5
0

3 - LENDING OF DIGITAL MATERIALS
Does your country have a law that
allows libraries to lend digital
works without asking permission
to the copyright owner?

50%
22%
28%
0%

9
4
5
0

5 - SUPPLY
Does your country have a law that
allows libraries to supply digital
works without asking permission
to the copyright owner?

44%
28%
22%
6%

8
5
4
1

72%
22%
6%
0%

13
4
1
0

72%
11%
17%
0%

13
2
3

13
0

Does your country have a law that
allows libraries to reproduce
digital works without asking
permission to the copyright
owner?

33%
44%
22%
0%

6
8
4
0

83%
11%
6%
0%

0%
0%
100%
0%

Does your country have a law that
allows libraries to make preservation copies without asking
permission to the copyright
owner?

67%
22%
11%
0%

12
4
2
0

Does your country have a law that
allows libraries to copy out-of-print
works for in-library use only
without asking permission to the
copyright owner?

44%
33%
22%
0%

8
6
4
0

10 - ORPHAN MATERIALS
Does your country have a law that
allows libraries to reproduce,
publish or use orphan works?

72%
22%
6%
0%

13
4
1
0

12 - TRANSLATIONS
15
2
1
0

13 - LEGAL DEPOSIT OF PRINT MATERIALS
Does your country have a law
that allows legal deposit in the
libraries?

1

4 - REPRODUCTION OF DIGITAL MATERIALS

0

11 - CROSS-BORDER USES
Does your country have a law that
allows libraries to offer cross-border#uses without asking permission to the copyright owner?

4

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS

9 - RETRACTED AND WITHDRAWN MATERIALS
Does your country have any law
that allows libraries to offer
access to works that are subject to
retraction or withdrawal without
permission from the copyright
owner?

22%
6%
72%
0%

6 - PRESERVATION

7 - ACCESSIBLE FORMATS
Does your country have a law that
allows libraries to transform
works in a format which is
accessible without asking
permission to the copyright
owner?

Does your country have a law that
allows libraries to lend print works
without asking permission to the
copyright owner?

0
0
18
0

Does your country have a law that
allows libraries to translate works
without asking permission to the
copyright owner?

83%
11%
6%
0%

15
2
1
0

14 - LEGAL DEPOSIT OF DIGITAL MATERIALS
Does your country have a law that
allows digital legal deposit in
libraries without asking permission to the copyright owner?

83%
6%
11%
0%

15
1
2
0

�0%

148

6%

libraries?
libraries without asking permis15
15
Does your country have a law that 100%
Does your country have a law that
83% 18
83%
11% 2
sion to the copyright owner?
allows libraries to offer cross-borallows libraries to translate works
2
0
BIBLIOTECAS
de derechos de autor en América
y el Caribe
11%LAC:02El impacto de la legislación
11% Latina
0%
0%
der#uses without asking permiswithout asking permission to the
1
1
6%
6%
sion to the copyright owner?
copyright owner?

0%

0

15 - LIMITATION ON LIABILITY
FOR LIBRARIES
13your
- LEGAL
Does
countryDEPOSIT
have a law OF
that PRINT MATERIALS
72% 13
allows libraries not to be liable
Doesinfractions
your country
have a law
0%
22% 40
for
to copyright
when
that
allows
legal
deposit
in
the
1
0
acting within the scope of their
0%
6%
libraries?
professional activities?
0
18

100%
0%
0%

0

17 - DATA MINING
- LIMITATION
Does your 15
country
have a law thatON LIABILITY
56%
FOR
allows libraries to mine
dataLIBRARIES
from
44%
digital
works
without
asking
Does your
country
have
a law that
72%
0%
permission
to thenotcopyright
allows libraries
to be liable
owner?
22%
for infractions to copyright when
0%
acting within the scope of their
6%
professional activities?

0%

10
8
13
0
4
0
1
0

0%

14 your
- LEGAL
Does
countryDEPOSIT
have a lawOF
thatDIGITAL MATERIALS
78% 14
allows libraries to circumvent
Does your country
have ameasures
law that
83% 315
17%
technological
protection
allows
digital
legal
deposit
in
1
without asking permission to the
6%
libraries
without
asking
permiscopyright owner?
11% 02
0%
sion to the copyright owner?

0%

56%
44%
0%
0%

0

n% I don´t know if my country has a Law
16 - TECHNOLOGICAL PROTECTION MEASURES
n% No, my country doesn´t have such law
country
Does yourn%
country Yes,
havemy
a law
that has law in this topic14
78%
n% to circumvent
No answers
allows libraries
17% 3
technological
measures
18protection
Number
of respondents
1
without asking permission to the
6%
copyright owner?
0

0%

17 - DATA MINING
Does your country have a law that
allows libraries to mine data from
digital works without asking
permission to the copyright
owner?

0

16 - TECHNOLOGICAL PROTECTION MEASURES

n%
n%
n%
n%
18

10
8
0
0

I don´t know if my country has a Law
No, my country doesn´t have such law
Yes, my country has law in this topic
No answers
Number of respondents

SOURCE: Research data, 2016.

Figura 29 - Performance of the Trinidad and Tobago libraries in face of the L&amp;E
1 - PARALLEL IMPORTACIÓN

2 - LENDING OF PRINT MATERIALS

11%

2

My library DOES NOT import works not available in my
country

22%

4

My library DOES NOT lend works without asking
permission to the copyright owner

83%

15

YES, my library imports works not available in my
country

67%

12

YES, my library lends works without asking
permission to the copyright owner

6%

1

No answer

11%

2

No answer

3 - LENDING OF DIGITAL MATERIALS

4 - REPRODUCTION OF DIGITAL MATERIALS

28%

5

My library DOES NOT lend digital works without asking

17%

3

Mi biblioteca NO realiza reproducción de obras

39%
11%

7
2

33%
83%

6
15

YES,
my library
digital works
askingin my
My library
DOESlends
NOT import
works without
not available
permission to the copyright owner
country

67%
22%

12
4

No
YES,answer
my library imports works not available in my
country

17%
67%

3
12

Mi
SI realiza
reproducción
de obras
My biblioteca
library DOES
NOT lend
works without
asking
mediante digitalización
o fotocopiado
permission
to the copyright
owner

6%

1

No answer

11%

2

No answer

56%

10

Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a

28%

5

My library DOES NOT reproduce works by

11%
28%

2
5

56%
17%

10
3

33%
39%

6
7

Mi
SI realiza
suministro
de documentos
a
My biblioteca
library DOES
NOT lend
digital works
without asking
usuarios quetono
asistir
físicamente a la biblioteca
permission
thepueden
copyright
owner
No
YES,answer
my library lends digital works without asking
permission to the copyright owner

17%
67%

3
12

YES,
my library
works by digitizing
Mi biblioteca
NOreproduces
realiza reproducción
de obras or
photocopying
mediante
digitalización o fotocopiado

33%

6

No answer

17%

17%

3

My library DOES NOT transform works in formats
accessible
persons with disabilities
5 -toSUPPLY

17%

permission to the
copyright owner
1 - PARALLEL
IMPORTACIÓN

5 - SUPPLY

usuariosOF
queDIGITAL
no pueden asistir
físicamente a la biblioteca
3 - LENDING
MATERIALS

7 - ACCESSIBLE FORMATS

mediante
o fotocopiado
2 - LENDING
OFdigitalización
PRINT MATERIALS

No
YES,answer
my library lends works without asking
permission to the copyright owner

6 - PRESERVATION

digitizing orOF
photocopying
4 - REPRODUCTION
DIGITAL MATERIALS

No
answer SI realiza reproducción de obras
Mi biblioteca
mediante digitalización o fotocopiado

3

No answer

3

My library DOES NOT have in its collections works
that
been copied because they are out-of-print
6 -have
PRESERVATION

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS

�Mi biblioteca NO realiza suministro de documentos a
28%
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca
3.15 TRINIDAD
TOBAGO
state of the
libraries regarding
copyright
2
MiAND
biblioteca
SI realiza -suministro
de documentos
a
11%
56%
usuarios que no pueden asistir físicamente a la biblioteca

56%

33%

10

6

No answer

17%

7 - ACCESSIBLE FORMATS

5

My library DOES NOT reproduce works by
digitizing or photocopying

10

YES, my library reproduces works by digitizing or
photocopying

3

No answer

8 - OUT-OF-PRINT MATERIALS

17%

3

My library DOES NOT transform works in formats
accessible to persons with disabilities

17%

3

My library DOES NOT have in its collections works
that have been copied because they are out-of-print

56%

10

YES my library transforms works in formats accessible to
persons with disabilities

67%

12

YES, my library has in its collections works that have
been copied because they are out-of-print

28%

5

No answer

17%

3

No answer

9 - RETRACTED AND WITHDRAWN MATERIALS

56%

10

0%

0

44%

8

My library DOES NOT have in its collections works
that have been withdrawn at the request of an
author who retracted from the publication
YES, my library has in its collections works that
have been withdrawn at the request of an author
who retracted from the publication
No answer

10 - ORPHAN MATERIALS

33%

6

My library HAS NOT reproduce, publish or use works
whose authors are unknown or cannot be located
after reasonable inquiry

11%

2

56%

YES, my library has reproduced, published or used
works whose authors are unknown or cannot be
located after reasonable inquiry

10

No answer

11 - CROSS-BORDER USES

12 - TRANSLATIONS

72%

13

NO, My library DOES NOT provide materials to
libraries in other countries

94%

17

My library DOES NOT translate works without
asking permission to the copyright owner

11%

2

YES, My library provides materials to libraries in
other countries

6%

1

YES, my library translates works without asking
permission to the copyright owner

17%

3

No answer

0%

0

No answer

13 - LEGAL DEPOSIT OF PRINT MATERIALS

14 - LEGAL DEPOSIT OF DIGITAL MATERIALS

22%

4

There is NO legal deposit in my country

28%

5

In my country there is NOT digital legal deposit

78%

14

YES, there is legal deposit in my country

28%

5

YES, there is digital legal deposit in my country

0%

0

No answer

44%

8

No answer

15 - LIMITATION ON LIABILITY FOR LIBRARIES

39%

7

Librarians and libraries in my country ARE NOT
excepted from liability in cases of copyright
infringement

17%

3

Librarians and libraries in my country ARE
excepted from liability in cases of copyright
infringement

44%

8

16 - TECHNOLOGICAL PROTECTION MEASURES

67%

12

My library DOES NOT circumvent technological
protection measures

0%

0

YES, my library circumvents technological
protection measures

33%

6

No answer

No answer

17 - DATA MINING

56%

10

My library DOES NOT do data mining of its
collections

0%

0

My library DOES data mining of its collections

44%

8

No answer

SOURCE: Research data, 2016.

N= 18 Number of respondents

149

�150

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

3.15.4 RESULTS - TRINIDAD AND TOBAGO
The results of the survey indicated that for most participants (80%), the current legislative
framework does not provide the guidance required for governing the lending of e-resources
especially in relation to e-books and articles, making digital copies, creating digital images
of photographs and texts, and creating access to these via the internet. Furthermore, the
reproduction of items in digital format, the ability for tertiary level educational institutions
and online tutors to provide digital course materials to distance learning students in a timely
manner, is severely affected. - The need to establish one standardized cross-border policy
to govern the lending of materials from one territory to another was clearly revealed in the
findings.
The findings also revealed that there is a need to establish one standardized crossborder policy to govern the lending of materials from one territory to another. For example,
The University of the West Indies, Open Campus regularly receives requests for materials,
including Inter-library loans from other campuses. Due to the absence of a legal framework
to address items such as orphan works, out of print materials, unpublished works and those
items where the copyright holder cannot be identified, librarians are unable to provide
digital access to them. The staff at the university and public libraries indicated that they
were aware that students and other persons used their mobile devices to capture images
of books and other materials in the library. However, they have very little control over
this practice and have to assume that it is for educational purposes, in which case “Fair
dealing” would cover this issue.
Libraries located in government ministries adhere strictly to the limitations and exceptions
as outlined in the Copyright Act, since their collections contain highly sensitive government
documents. These documents are also protected by the Data Protection Act.
According to Kenneth Crews’ study on Copyright Limitations and Exceptions for Libraries
and Archives (2015), the limitations and exceptions to copyright described in his text
correctly represent the current situation in Trinidad and Tobago. Based on the interviews
and the results of the survey, as well as an analysis of the Copyright Act, it is apparent that
there is no provision for reformatting original documents or objects into a digital copy, and
no lending of electronic resources to other organizations. While it provides for qualitative or
quantitative limits on reproductions, it is not specific (Section 10, 12). Additionally, there are
no provisions in the Act for retracted and withdrawn works, orphan works, cross-border uses
and interlibrary loans. No provision has been made for the reproduction of digital works.
To date, there is no finalized, international treaty for limitations and exceptions for
libraries and archives in Trinidad and Tobago as proposed by WIPO. There are no other
laws related to copyright in Trinidad and Tobago, however, there are two non-governmental
organizations that help to facilitate the management and collection of royalties on behalf of
rights holders. They are the Trinidad and Tobago Reprographic Rights Organization (TTRRO,
2010) and the Copyright Music Organization of Trinidad and Tobago (COTT, 2015).
The ability of libraries in Trinidad and Tobago to copy material into accessible
formats to serve persons with disabilities is affected by the current status of limitations
and exceptions to the laws as it pertains to the Marrakesh Treaty. The study revealed that
33.33% of interviewees were completely unaware of the terms of the Marrakesh Treaty
and its significance to libraries in serving the print-disabled. As a result, only a few could
comment on Trinidad and Tobago’s involvement in the ratification process. In discussions

�3.15 TRINIDAD AND TOBAGO - state of the libraries regarding copyright

with representatives of the IPO, they indicated that a local consultant was appointed by
WIPO in 2015 with the task of assisting Trinidad and Tobago with incorporating the Treaties
into national copyright legislation (IPO, 2016).
At present, amendments have been drafted to incorporate the Marrakesh and Beijing
Treaties to the Copyright Act. As such, Trinidad and Tobago will accede to the Treaties once
the Copyright Act has been amended to incorporate the provision of the Treaties (IPO,
2016).

3.15.5 FINAL CONSIDERATIONS - TRINIDAD AND TOBAGO
The results of this study revealed that less than 31.44% of the persons interviewed had
a working knowledge of the Limitations and Exceptions for libraries and archives governing
the use of digital resources. It was concluded that, to build familiarity with the laws, library
professionals should engage in educational sessions with the IPO. In addition, based on
our study, it was concluded that the Act should be amended to include digital resources.
Therefore, the Library Association of Trinidad and Tobago (LATT), with the assistance of
IFLA, should formulate an advocacy plan to address the situation.
In the short term:
i. Constitute a copyright committee to spearhead the plan;
ii. Expand the survey to reach more of the association’s membership;
iii. Host focus groups to discuss and debate the issues concerning copyright legislation;
iv. Initiate meetings with the heads of major library institutions to discuss copyright reform and its impact
on service delivery to users.

In the medium term:
i. Engage the IPO to provide educational sessions to information professionals;
ii. Meet with the IPO and engage a legal representative who can provide advice on the procedure for
constructing and submitting amendments to the law;
iii. Organize meetings with policymakers and participate in national consultations.

In the long term:
i. Solicit the assistance of the media, partners and stakeholders to champion the cause;
ii. Engage in awareness sessions with the public to inform them about the importance of copyright and
related matters;
iii. Work with NALIS and other stakeholders to have:
a. The Legal Deposit Act amended and enforced to include categories of works such as sound recordings,
audio-visual works and electronic publications;
b. Initiate talks with other Caribbean states to address the need for a regional licensing body for
copyright legislation. As it stands each state has its own agreement such as the Jamaica Copyright
Licensing Agency (JAMCOPY) and Barbados Copyright Agency (B-Copy).

Finally, it is hoped that this study will assist in generating an interest in the importance
of copyright at the individual, organizational and community levels in the Caribbean.

151

�152

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�4 - RESULTADOS REGIONALES

153

4 - RESULTADOS REGIONALES
A partir de los datos producidos y cedidos por los equipos nacionales, presentados en
el capítulo 3, se hicieron las seguintes análisis:
(1) Estrategias adoptadas cuanto a la recopilación de datos y perfiles de participantes;
(2) Presencia en términos cuantitativos de las L&amp;E estudiadas en los países involucrados
(análisis simple);
(3) demanda detectada (análisis subjetivo de los relatos de los participantes).

4.1 ESTRATEGIAS ADOPTADAS CUANTO A LA RECOPILACIÓN
DE DATOS Y PERFILES DE PARTICIPANTES
Entre las técnicas, propuestas a los equipos nacionales para la recopilación de datos,
el cuestionario fue utilizado por 14 de ellos, excepto Haití. La mayoría de los países utilizó
el modelo propuesto (APÉNDICE A) exactamente como fue presentado, solo el equipo
brasileño hizo algunas adaptaciones añadiendo algunas preguntas para recopilar los relatos
y testimonios de los participantes. Entre los modos de distribución de los cuestionarios, esos
variaron de impreso a disponible en la web, en formulario on line y enviado por correo
electrónico. El tiempo que esos cuestionarios estuvieron disponibles para el público varió
muchísimo, desde menos de 2 horas hasta más de 30 días, dependiendo del país.
Cuadro 3 - Estrategias de recopilación de datos adoptadas por los equipos nacionales
PAÍS

Cuestionario
Impreso

On line

Argentina

Email
SÍ

Entrevista individual
Duración

A distancia

Presencial

Duración

-*

SÍ (teléfono)

SÍ

90min

Brasil

SÍ

&gt;30 días

Chile

SÍ

&gt;30 días

Cuba

SÍ

Ecuador

SÍ

El Salvador

SÍ

-*

SÍ

SÍ

México

SÍ

90 min
90 min

SÍ

180 min

SÍ

-*

7 días

SÍ

-*

-*

&gt;1 mes
-*

Nicaragua

SÍ

-*

Panamá

SÍ

7 días

SÍ

SÍ

120 min

Haití
Jamaica

Duración

SÍ

SÍ

60min

SÍ

-*

SÍ

-*

SÍ

45-60 min

SÍ

60-90 min

SÍ

20 min

20 días
SÍ

Presencial

SÍ

90 min

Guatemala

Entrevista en grupo

SÍ (Skype)

Perú

SÍ

República
Dominicana

SÍ

1 día

SÍ

-*

Trinidad and Tobago

SÍ

7 días

SÍ

-*

-* = dato no informado color gris= no utilizado
FUENTES: Datos de la investigación, 2016.

En lo que se refiere a la entrevista semiestructurada (considerada individual con cada
uno de los participantes), solo seis países la utilizaron, siendo que también varió su forma
de implementarla. Argentina y México recorrieron a la tecnología (teléfono y Skype,
respectivamente) como también a entrevistas presenciales. Sin embargo, Guatemala, Haití,

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

154

Jamaica y Nicaragua utilizaron entrevistas presenciales. Todos utilizaron los Apéndices A y
B como guía para la conversación, excepto México que incluyó algunas adaptaciones. Esas
entrevistas tuvieron, en promedio, una duración de 60 minutos. La estrategia de entrevista
con más de 2 participantes simultáneamente fue adoptada por ocho países y todas fueron
implementadas de forma presencial con duración igual o superior a 90 minutos.
De manera general, los equipos nacionales utilizaron todas las fuentes de información
propuestas por el IFLA LAC, así como crearon sus propios documentos de apoyo, como por
ejemplo Chile, que les proporcionó a los participantes una definición estándar para todas
las L&amp;E estudiadas; Cuba elaboró un texto explicativo sobre distintos temas referentes a
LDA; República Dominicana repartió diversos documentos inspirados en los lineamientos y
materiales de IFLA: a) Guía de los Coordinadores de Grupo; b) Guía de los moderadores;
c) Guía de los participantes y d) Desglose de Términos aportado por IFLA/LAC.
De acuerdo con los datos registrados por los países involucrados versus la técnica de
recopilación de datos utilizada, se obtuvo el siguiente resultado en términos de número de
participantes en esa investigación:
Cuadro 4 - Total de participantes por país ante las diferentes técnicas de recopilación de
datos utilizadas
PAÍS

CUESTIONARIO

ENTREVISTA

ENTREVISTA EN GRUPO

Argentina

20

15

0

Brasil

93

0

0

Chile

73

0

5

Cuba

237

0

22

Ecuador

24

1

8

El Salvador

24

0

20

Haití

0

5

0

Guatemala

13

4

0

Jamaica

40

5

0

México

103

17

0

Nicaragua

14

14

28

Panamá

35

0

0

Perú

112

0

7

República Dominicana

45

0

3

Trinidad and Tobago

18

0

18

TOTAL

851

59

85

FUENTES: Datos de la investigación, 2016

Los profesionales cubanos fueron los que más participaron en la investigación, pero
eso se debe a la estrategia de ASCUBI de enviar un correo electrónico específico a todos
sus 3200 miembros, consiguiendo así el 7,5% de respuesta. El Colegio de Bibliotecarios
Chileno (CBC) también envió el cuestionario por correo a sus 300 socios, habiendo recibido

�4 - RESULTADOS REGIONALES

la participación del 24% de ellos. El segundo mayor grupo de encuestados corresponde a
Perú, cuya estrategia del Colegio de Bibliotecarios del Perú (CBP) fue aplicar el cuestionario
durante uno de los talleres referentes al Programa BSLA-PERÚ Building Strong Libraries
Associations de IFLA. Otra estrategia interesante y, con buen posicionamiento político, fue
la organización de entrevistas en grupo contando con la participación de especialistas
del Instituto Nacional de Defensa de la Competencia y de la Protección de la Propiedad
Intelectual del Perú (INDECOPI) y representantes de bibliotecas de universidades, pública,
nacional, comunidades, además de representantes del propio CBP.
La estrategia del Panel organizado por el equipo de ANIBIPA, Nicaragua, en
la cual participaron 28 personas, además de representantes de bibliotecas públicas y
académicas, contó con la participación de la Directora de la Oficina de Derechos de
Autor del Ministerio de Fomento, Industria y Comercio. El Salvador y Trinidad and Tobago
también involucraron a representantes del gobierno en las entrevistas en grupo. El primero
contó con la participación de representantes de la unidad “Registro de la Propiedad
Intelectual del Centro Nacional de Registro”, dependencia del Ministerio de Economía de
El Salvador, el bibliotecario del Consorcio de Bibliotecas Universitarias de El Salvador, y
Trinidad and Tobago tuvo la participación de representantes de la Oficina de Propiedad
Intelectual (IPO) de su país.
Se observa que, en algunas situaciones y países, los encuestados de los cuestionarios
también fueron entrevistados individualmente o participaron en las entrevistas en grupo y
viceversa. De forma general, lo que se puede afirmar con seguridad es que un número
igual o superior a 851 profesionales de la región participaron efectivamente en ese estudio.
Según declararon los equipos nacionales, también fue grande el número de cuestionarios
recibidos incompletos. Por ejemplo, México menciona que más de 800 personas intentaron
responder el cuestionario. Por otro lado, Cuba registra el envío de emails a más de 3.000
profesionales. Esa situación, sumada con la gran repercusión en los medios sociales de
todos los países LAC, puede inferir que el número de personas que tuvo, al menos, la
posibilidad de tomar conocimiento de la investigación y de los temas en discusión llega al
orden de los miles.
En lo que se refiere a las tipologías de las instituciones de vínculo de los participantes,
algunos países optaron por no solicitar dicho dato, otros presentaron solo los vínculos de
aquellos que respondieron el cuestionario o las entrevistas (tanto individuales como en
grupo). Por lo tanto, el siguiente cuadro no refleja completamente la realidad de todos los
participantes del estudio, pero sirve para tener una idea de la participación por tipología
institucional.

155

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

156

Cuadro 5 - Tipo de bibliotecas representadas en este estudio
PAÍS

BP

BE

BA

BN

BEsp

OTRA

TOTAL

Argentina

3

2

8

3

4

0

20

Chile

10

12

20

0

8

23*

73

Cuba

93

38

21

22

46

17

237

Ecuador

3

2

15

0

0

4

24

El Salvador

0

9

12

0

1

2

24

Guatemala

3

2

5

0

2

1

13

Jamaica

8

14

12

1

5

0

40

México

0

0

0

0

0

17

17

Nicaragua

1

2

4

0

0

7

14

Panamá

2

1

8

1

1

21

35

Perú

26

18

37

7

15

9

112

República Dominicana

3

4

22

3

14

2

48*

Trinidad and Tobago

0

0

18

0

0

0

18

TOTAL

152

104

182

37

96

80

627

LEYENDA: BP=biblioteca pública, BE=biblioteca escolar, BA=biblioteca académica, BN=biblioteca nacional,
BEsp =biblioteca especializada. FUENTE: Datos de la investigación, 2016.

Países como Brasil y Haití no recopilaron informaciones sobre los vínculos institucionales
de los encuestados. Lo mismo ocurre con México que, aunque no haya recopilado
informaciones de vínculos institucionales con los encuestados de los cuestionarios, hizo
sus entrevistas con personas del medio académico, tales como encuestadores, estudiantes
de graduación y posgrado y también profesores de escuelas de Biblioteconomía. La
categoría OTROS de Chile representa los Institutos de educación superior (5), medios de
comunicación (1), organismos públicos (9), empresas privadas del sector productivo (1),
bibliotecas biomédicas (4), bibliotecas jurídicas (4), y ONG’s diversas (7). El ítem OTROS
de Nicaragua se refiere a centros de documentación (4), archivo (2) y especialistas aislados
(2). En Cuba, la Reunión Nacional de Directores de Bibliotecas Públicas, celebrada en la
provincia de Sancti Spiritus, fue con seguridad un momento especial para la aplicación del
cuestionario, justificando el gran número de participantes de bibliotecas públicas. El mayor
grupo que participó en Panamá estaba representando a las bibliotecas municipales. La
República Dominicana invitó a 48 personas participar con la distribución mostrada en la
tabla de arriba, sin embargo, al final solo 45 respondieron efectivamente el cuestionario.
En general, el mayor grupo de representantes fue el de las bibliotecas académicas. Ese
hecho es bastante comprensible considerando que son las más involucradas e interesadas
en prácticamente todas las L&amp;E estudiadas, seguidas de cerca por las Bibliotecas Públicas
y después por las Escolares.

�4 - RESULTADOS REGIONALES

157

4.2 PRESENCIA DE LAS L&amp;E ESTUDIADAS EN LOS PAÍSES
INVOLUCRADOS
De acuerdo con las informaciones suministradas por los colaboradores nacionales de
este estudio, se comparó la presencia de cada una de las L&amp;E estudiadas en las legislaciones
de los países participantes. Los gráficos que están a continuación muestran los resultados91.
Tabla 1 - Frecuencia de L&amp;E en las legislaciones de los países de la encuesta94

0

2

4

6

8

10

12

14

FUENTE: Datos de la investigación, 2016

Dicho resultado corrobora el parecer de CREWS (2015) en lo que se refiere a la
escasa presencia de las L&amp;E propuestas en la legislación de derechos de autor de los
países estudiados.
El país que, aparentemente, posee legislacion más favorable a las bibliotecas en ese
grupo estudiado es El Salvador, con la presencia de 14 de las 17 L&amp;E estudiadas. Cuatro de
los 14 países estudiados poseen menos del 50% de las L&amp;E analizadas. Brasil y Argentina
son los países con la menor presencia de L&amp;E en sus legislaciónes (2), por lo tanto, son los
más restrictivos. República Dominicana y Cuba, poseen, respectivamente, (7) y (9) L&amp;E en
sus legislaciones.
Sin embargo, el análisis específico y exclusivo de la ley de derechos de autor de los
países analizados en la encuesta, basado en el estudio de CREWS (2017), proporciona
91- No se refere solamente a la ley de derecho de autor. Las informaciones sobre la existencia o no de las L&amp;E en las leyes de cada uno de los
países fueron extraídas de los textos preparados por los colaboradores y constan de infografias disponibles en los respectivos subcapítulos.

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

158

una visión diferente de la situación del estudio. El Cuadro 6 muestra este resultado y la
tabla 2, a continuación, muestra la frecuencia de las L&amp;E en la región

3

Préstamo de obras digitales

4

Reproducción de obras digitales

5

Suministro

SI

6

Preservación

SI

SI
(2)

7

Formatos accesibles

8

Obras agotadas

SI

SI
(2)

SI

9

Obras objeto de retracción o retiradas

10

Obras huérfanas

SI
(2)

SI

11

Usos transfronteirizos

12

Traducciones

SI

SI
(4)

SI

SI
(6)

13

Depósito legal de obras impresas

SI

SI

SI

3

SI

SI

14

Depósito legas de obras digitales

SI
(5)

SI
(5)

SI
(5)

3

15

Limitación de responsabilidad bibliotecas

SI

16

Medidas de protección tecnológica

SI
(3)

17

Minería de datos

SI
(2)

SI

SI
(8)

SI
(8)

SI

SI

SI
SI

SI

SI
(16)

SI

SI
(17)

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI

SI
(11)

TRINIDAD
&amp; TOBAGO

SI (10)

SI
(9)

NICARÁGUA

SI

SI
(9)

MÉXICO

SI

JAMAICA

SI

HAITI

REPÚBLICA
DOMINICANA

Préstamo de obras impresas

PERÚ

Importación paralela

2

PANAMÁ

1

GUATEMALA

EL SALVADOR

ECUADOR

CUBA

CHILE

L&amp;E

BRASIL

PAÍS

ARGENTINA

Cuadro 6 - Frecuencia de L&amp;E en las Leyes de Derecho de Autor de los países de la
encuesta92

SI (13)

SI

SI

SI(14)

SI

SI(15)
SI

SI

SI

13

SI
(7)

1

SI

SI
(2)

SI

SI
SI

13
NO
(18)

SI
(12)

SI

SI
(3)

SI
(3)

Fuente: CREWS (2017)
En gris - sin disposición en la ley o no se encuentra / SÍ - acto permitido / NO - expresamente prohibido
LEYENDA
1 No hay disposición antielusión
2 Hay una excepción general de reproducción: d) reproducir una obra mediante un procedimiento fotográfico u otro similar, cuando la reproducción se realiza en
una biblioteca, un centro de documentación, una institución científica o un establecimiento docente, y siempre que se realice en un base de ganancias y que el número
de copias está estrictamente limitado a las necesidades de una actividad específica;
3 Con el único propósito de tomar decisiones sobre adquisiciones
4 la Ley incluye disposiciones que implementan el Apéndice del Convenio de Berna, que permite reproducciones, traducciones y transmisiones de ciertas obras en
condiciones específicas para la enseñanza, la beca o la investigación.
5 Aunque destacando explícito para obras nacidas digitalmente
6 Referencia a “breves fragmentos en traducciones” (art. 49C)
7 El artículo 15 establece “Todo libro impreso y editado ...”, sin especificar el formato
8 Si el propósito es preservar el trabajo; el objeto de la excepción de preservación es “obras divulgadas legalmente de las colecciones permanentes de la institución”
9 Préstamos públicos sin condiciones específicas sobre el tipo de trabajo.
10 Préstamo de reproducciones de obras que están agotadas o hechas con fines de conservación.
11 Solo para trabajos ineditos
12 Solo para formatos accesibles
13 Préstamo interbibliotecario
14 Préstamo interbibliotecario
15 Para comunicarse pero no para reproducirse, para personas ciegas y personas con otras discapacidades físicas
16 - Suministro de (copias individuales) a las personas que lo soliciten (sin especificidad sobre el propósito).
17 - Excepción para reemplazar copias que se han perdido, dañado o destruido, pero solo una copia (es decir, no es digital)
18 - No hay disposiciones de ninguna manera sobre medidas de protección tecnológica

92 - Según los dados apuntados por el equipo de revisores de IFLA CLM, con la siguiente observación de ellos: “Hemos verificado
principalmente las disposiciones legales incluidas en la ley de derechos de autor, no en otras fuentes. Por lo tanto, los actos como el depósito
legal u otros pueden no tener un “SÍ”, pero aún existen en la ley del país”.

�4 - RESULTADOS REGIONALES

159

Este resultado corrobora con el estudio hecho por Molina y Guimaraes en 2010,
titulado “Excepciones al Derecho de Autor en beneficio de las bibliotecas: Situación de
América Latina y el Caribe”.
En el caso de América Latina y el Caribe el problema [de falta de L &amp; E para las bibliotecas en las
LDA de los países LAC] es doble: no es sólo su obsolescencia y falta de adaptación al nuevo entorno
tecnológico, sino también que hay países que ni siquiera han incluido este tipo de excepciones en su
legislación nacional. Pero, además, estos países se encuadran, aunque en distinta medida, entre los “en
desarrollo”, por lo que sus intereses no son exactamente los mismos que los de los países más ricos, que
son los que han marcado el camino a seguir en los tratados y acuerdos internacionales sobre la materia.
(MOLINA y GUIMARÃES, 2010, p.2)

Tabla 2 - Frecuencia de las L&amp;E en la Región
PRESERVACIÓN
OBRAS AGOTADAS
MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
FORMATOS ACCESIBLES
REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
DERECHO AL SUMINISTRO
DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
TRADUCCIONES
OBRAS HUÉRFANAS
PRÉSTAMO DE OBRAS DIGITALES
LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD DE BIBLIOTECAS
MINERÍA DE DATOS
IMPORTACIÓN PARALELA
OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN O RETIRADAS
USOS TRANSFRONTERIZOS
0

2

4

6

8

10

12

14

FUENTE: CREWS (2017)

La L&amp;E referente a Preservación es la más presente en la legislación regional (13 países
la poseen).

Valor

Ley
Obras agotadas aparece en segundo
lugar en la frecuencia
regional, lo que es
Chi cuadrado
bastante coherente,
pues
una
buena
manera
de
administrar
el
manejo
de la obra agotada
Importación paralela*
0.291112430
y de asegurar su Préstamo
perpetuidad
justamente la preservación.
Otro debate importante
de obras es
impresas*
0.004832044
sobre las obras agotadas
en
la
región
se
refiere
a
la
creciente
dificultad
que las pequeñas
Préstamo de obras digitales
0.451125246
de obras
digitales*
0.163144357
editoriales y casasReproducción
publicadoras
locales
están teniendo para competir
con las editoriales
Suministro
0.762536807
internacionales. De
forma creciente, está ocurriendo la desaparición
de las pequeñas
BR
Preservación*
0.426898157
editoriales, sea por problemas económicos, sea porque están siendo adquiridas por
Formatos accesibles*
0.561062215
las grandes editoriales.
Con seguridad, en ese escenario, temas
de interés específico,
Obras agotadas*
0.345346755
problemas localesObras
e incluso
pequeños autores regionales pueden
no tener espacio en
huérfanas*
0.277130457
el ambiente de lasUsos
grandes
editoriales
internacionales,
justamente
por
su potencial falta
transfronterizos*
0.277130457
de interés comercial.
Por lo tanto, tal situación se refleja además
en las Obras agotadas,
Traducciones*
0.923922225
también y muy específicamente
en las
Obras retiradas (y sin valor
comercial). Y cuanto a
Depósito legal de obras
impresas*
0.107653972
Depósito
legal
de
obras
digitales*
0.038790960
ésas se observa su ausencia en la legislación de los países de la región.
Limitación de responsabilidad de bibliotecas*
Medidas de protección tecnológica*
Minería de datos*

0.201483428
0.035565612
0.157492030

�160

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

Depósito Legal de Objetos Impresos esta presente en la legislación de 5 países.Vale
recordar, sin embargo, los comentarios de los participantes sobre el hecho de que en
sus países el incumplimiento de esa L&amp;E ocurre frecuentemente, teniendo en vista que no
existe mención a ningún tipo de penalidad y, mucho menos, a formas efectivas de control.
El Depósito Legal de Objetos Digitales todavía se encuentra ausente en 13 de los países
estudiados, situación que exige renovación urgente ante el creciente número de contenidos
digitales disponibles anualmente.
Aunque se observa que la Reproducción o incluso el Préstamo, están mal posicionados
en términos de presencia en las leyes regionales, aunque sean servicios con numerosas
convergencias. La situación de la L&amp;E Reproducción de obras debería ser mejor y más
profundamente discutida incluso porque las facilidades tecnológicas actuales permiten que
ocurran por medio de las propias aplicaciones portátiles de los usuarios. Y eso nos remite
al ítem Limitación de la Responsabilidad de la Biblioteca, presente solamente dos países.
Por lo tanto, sin posibilidad de exención de los profesionales bibliotecarios en caso de que
haya alguna incidencia en su lugar de trabajo. Esa situación, con seguridad, lleva a los
profesionales de las bibliotecas a un constante estrés.
Se observa que incluso el servicio más básico y reconocido mundialmente como parte
activa de las funciones de las bibliotecas, que es el Préstamo de Obras Impresas, tiene
presencia en solo cuatro países de la región. O sea, el 70% de los países estudiados no
permiten el préstamo domiciliar de las obras impresas. En algunos países, como es el
caso de Brasil, dicho servicio ni siquiera es mencionado en la Ley. Ambas son situaciones
de extremo desgaste para las bibliotecas y la atención de la demanda social. Cuanto al
Préstamo de Obras Digitales, ese se encuentra presente en solo tres países: Guatemala,
Panamá y Peru, pero son restritos a préstamos públicos sin identificar las condiciones
específicas sobre el tipo de trabajo.
Medidas de Protección Tecnológica y Formatos Accessibles aparecen juntas en tercer
lugar en términos de presencia en las LDA de los países de la región. Efectivamente,
se extraña la ausencia de L&amp;E sobre Traducciones en países con inmensa cultura oral y
indígena, como es el caso del Perú, Guatemala y México. Solo cuatro países la poseen.
Obras objeto de retracción o retiradas, Uso Transfronterizo y Importación Paralela son
L&amp;E no tratadas todavía en ninguno de los países analizados. En una región tan carente
de recursos de todo tipo, la ausencia de legislación que motive, valore e incentive el
intercambio y el uso transfronterizo de conocimiento es algo a ser analizado. Las L&amp;E
referentes a las Obras Huérfanas aparecen en la legislación de solo tres países.
Todos esos resultados deben ser analizados, pero tomando en cuenta que la realidad
de las leyes de los diversos países tiene una increíble cantidad de matices no discutidos
aquí. Por ejemplo, la simple existencia de la L&amp;E sobre Formatos Accesibles en Argentina
no les permite a las bibliotecas el desarrollo de ese servicio porque la legislación limita
esas actividades a entidades autorizadas y, entre ellas, la biblioteca no está incluida. Otro
aspecto a destacar es el hecho de que no todos los países necesitan efectivamente todas
esas L&amp;E actualmente, para algunos casos como Importación Paralela, Minería de Datos o
incluso Medidas de Protección Tecnológicas todavía no son prioridades en este momento.
También vale recordar que las bibliotecas públicas, populares, comunitarias e incluso las
escolares en muchos países de la región, por regla general, no participan en el proceso
de adquisición. Por lo tanto, difícilmente conocerán temas como Importación Paralela, por
ejemplo.

�4 - RESULTADOS REGIONALES

También es relevante discutir sobre el tiempo de carencia que una obra lleva para
entrar a dominio público. Muchos países de la región iniciaron un movimiento reciente
para aumentar ese plazo. Jamaica, por ejemplo, en 2015, aprobó el aumento de 50 para
95 años después de la muerte del autor. Argentina, en 2009, elevó la protección de los
artistas intérpretes sobre sus interpretaciones o ejecuciones fijadas en fonogramas y a los
productores de fonogramas a 70 años, contados a partir del 1º de enero del año siguiente
a su publicación (en su versión anterior establecía un plazo de 50 años). Y, en el 2015,
“ingresó al Congreso de la Nación un proyecto para aumentar el plazo de protección
de las obras fotográficas de 20 años a partir de su 1ª publicación en la vida del autor,
más 70 años post mortem. Consecuentemente, obras que estaban en el dominio público
volvieron al dominio privado, con la consiguiente pérdida para la sociedad. Contenidos
de repositorios de imágenes tendrían que dar baja a innumerables fotos que ilustran
momentos históricos que forman parte de la identidad cultural de Argentina, en caso de
que se apruebe la nueva propuesta. Para algunos países, la violación de la LDA tiene
acciones civiles o penales, como es el caso de Ecuador, para Argentina tiene acción penal.
En Guatemala, dependiendo del caso, tal violación puede ser considerada delito penal,
civil y/o mercantil.
En síntesis, la lectura de todos esos datos y análisis debe tener siempre en perspectiva
su propuesta de revelar algunos elementos para una mejor comprensión del contexto, pero
no necesariamente aclarar o establecer estándares.

4.3 DEMANDA DETECTADA
A partir de un análisis subjetivo de los relatos y testimonios de los participantes, sea en
las preguntas abiertas de los cuestionarios, en las entrevistas individuales o en las entrevistas
en grupo, fue posible detectar algunas situaciones de conflicto involucrando la legislación
vigente en los diversos países y la mejor o más apropiada atención a las demandas de uno
o de un grupo de usuarios por las bibliotecas. Con seguridad, es fácil suponer que una
investigación como ésa -en que se evidencian acciones y servicios contrarios a la ley- genere
situaciones incómodas entre los participantes. Aunque sea para beneficio del colectivo, tal
situación muchas veces puede llevar a la inhibición y/o preocupación, pudiendo resultar
en la ocultación de hechos y datos. Aun así, se puede reflexionar sobre los testimonios
presentados y detectar una serie de hechos importantes de ser destacados ahora.
A continuación, se presenta una síntesis general de los relatos y declaraciones de
los participantes los cuales, con seguridad, nos llevan a identificar las demandas de los
usuarios, de las bibliotecas e, incluso, de la sociedad en general.

161

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

162

Figura 30 - Limitaciones &amp; excepciones presentes en las leyes de derecho de autor de los
países de la encuesta

L&amp;E PRESENTES EN LAS LEYES DE DERECHO
DE AUTOR DE LOS PAÍSES DE LAC
MEXICO

CUBA

HAITI

GUATEMALA

DOMINICAN REPUBLIC

EL SALVADOR

JAMAICA
NICARAGUA

TRINIDAD AND TOBAGO

PANAMA

BRAZIL

ECUADOR
PERU
CHILE
ARGENTINA

SEGÚN TLIB, LOS PRINCIPALES L&amp;E
PARA LAS BIBLIOTECAS SON:
Derecho a importaciones paralela

Uso de obras huérfanas

Préstamo de obras impresas
Préstamo de obras digitales

Derecho al uso transfronterizos de obras y
materiales reproducidos bajo una Excepción
o Limitación.

Derecho a reproducción de obras digitales

Traducciones

Derecho al suministro de documentos

Depósito legal de obras impresas

Derecho de preservacion del material de las
Bibliotecas y Archivos

Depósito legal de obras digitales

Derecho a usar obras y otras materias protegidas
por derechos conexos en beneﬁcio de las
personas con discapacidades (formatos accesibles)
Uso de obras agotadas

Limitación de responsabilidades para bibliotecas
y archivos
Relación con medidas de protección tecnológica
Minería de datos

Uso de obras retiradas y canceladas
(obras objeto de retracción)
FUENTE: CREWS, (2008, 2015, 2017). Dados organizados pela equipe de revisão IFLA/CLM.
FUENTE:
CREWS, (2008, 2015, 2017).

�4 - RESULTADOS REGIONALES

IMPORTACIÓN PARALELA
• Muchos son los problemas burocráticos y legales para la adquisición / importación paralela
• Incompatibilidad entre el modelo de adquisición obligatorio por ley y los formatos exigidos
por los editores internacionales.
• Desapropiación de los modelos de contratos exigidos por los editores a la legislación
nacional.
• Necesidad de comprar o suscribirse a una base de datos con varios títulos para obtener
aquel título específico que se desea.
• Imposición, en algunos casos, de que la compra de un único título sea hecha por persona
natural y no jurídica, excluyendo así la figura de la biblioteca.
• Específicamente hablando de revistas científicas, algunos editores no permiten el acceso de
múltiples usuarios.
• Las licencias de acceso y uso ofrecidas por los editores llevan a muchas bibliotecas a trabajar
solamente con el modelo de adquisición perpetua.
• Existencia (en países como Argentina, Brasil y Chile) de un Portal Nacional de Revistas
coordinado por algún instituto vinculado al Ministerio de la Educación o al Ministerio de
Ciencia y Tecnología que se encarga de hacer las compras públicas del país. Por lo tanto,
son los proveedores quienes deben manejar el tema de la importación paralela, repasando
tal responsabilidad a terceros.

PRÉSTAMO DE OBRAS IMPRESAS
• Ese servicio es considerado una actividad que se realiza desde siempre en todas las bibliotecas
y nunca se exigió el permiso de los autores y/o titulares del derecho de autor.
• En algunas legislaciones de la región, la obra es considerada un bien permanente, un
patrimonio y no un material de consumo, generando problemas y dificultades en el préstamo.

PRÉSTAMO OBRAS DIGITALES
• Los repositorios digitales con obras de autores de la institución, surgidos con el advenimiento
del movimiento internacional del acceso abierto, homologaron de forma explícita (siguiendo
las licencias Creative Commons) el préstamo por medio de la descarga y consulta de esas
obras.
• No existen plataformas nacionales que permitan el préstamo digital y que estén de acuerdo
con la LDA actual, solamente las ofrecidas por los editoriales.
• Algunos lugares e instituciones gubernamentales todavía no consideran el material digital
como fuente fidedigna de valor equivalente al material impreso, principalmente en situación
de evaluaciones institucionales.

REPRODUCCIÓN DE OBRAS DIGITALES
• Exigencia, en algunos países, de alianza entre la biblioteca e instituciones enfocadas en la
gestión colectiva de derechos reprográficos (por ejemplo, CADRA en Argentina y ABDR en
Brasil), las cuales supervisan la existencia de máquinas fotocopiadoras en las bibliotecas.
• El permiso de copia depende de lo que la plataforma de los editores autoriza. Y cada editor
tiene sus propios criterios.

163

�BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

164

• Oferta de servicio de reproducción de documentos en la modalidad de autoservicio. En ese
caso, el reglamento de uso del servicio de copia o escaneo es fijado de forma visible en las
paredes de la biblioteca.
• El Servicio de Referencia atiende pedidos de copia de documentos provenientes de otras
bibliotecas o de usuarios de distintas regiones.
• Es grande el conocimiento de los encuestados sobre la ley en ese tema (el 62,3% respondió
correctamente esa pregunta), probablemente debido a la presión que las asociaciones
representativas de las casas editoriales hacen sobre las bibliotecas, seguido de las
innumerables campañas contra copias de libros.
• La indefinición en las legislaciones sobre lo que es “reproducción de pequeños trechos”
también causa tensión entre la biblioteca y los usuarios.
• El límite de copias permitido es muy pequeño, ignora las obras raras, agotadas, que necesitan
reproducción integral, así como impide copias para preservación y seguridad.
• Falta de control real sobre las acciones de los usuarios en lo que se refiere a fotos de páginas
de los libros para permitir su investigación que, en realidad, es una condición precaria de
acceso.

SUMINISTRO
• Es necesario en distintos casos como: para fines docentes, obras en dominio público, revistas
y libros electrónicos y bases de datos debidamente firmadas.
• Realización del suministro de artículos de revistas científicas por medio del servicio de
préstamo interbibliotecario.

PRESERVACIÓN
• Independientemente de la existencia o no de ley sobre eso, las obras de dominio público,
deterioradas, de alto interés, no encontradas en el mercado nacional o de valor patrimonial
son digitalizadas.
• Para sortear la inexistencia de ley sobre el tema, las bibliotecas ponen a disposición las obras
digitalizadas solamente para consulta en terminales internos, limitando el acceso público.
• Es imposible incluir copias digitales de los índices de los libros a sus respectivos registros
bibliográficos, de modo a mejorar el acceso a los contenidos del acervo.
• Algunas instituciones públicas comercializan los contenidos que producen (mapas, por
ejemplo) y no permiten su digitalización.

FORMATOS ACCESIBLES
Los editores son reacios a entregar los archivos y autorización para eso, aunque exista esa
prerrogativa en la ley.
• Son grandes las dificultades en obtener autorización del autor y del titular de la obra, con
miras a la adaptación del acervo de la biblioteca,
• Existen situaciones de conflicto con los usuarios respecto al uso de sus audio-libros, una
vez que para resolver los problemas legales algunas bibliotecas optaron por pedirles a los
usuarios un documento oficial que compruebe su condición de ciego o discapacitado visual.

�4 - RESULTADOS REGIONALES

• En algunos países donde sí existe la L&amp;E para formatos accesibles, esa se limita a “entidades
autorizadas, o sea, organismos estatales o asociaciones sin fines de lucro con representación
jurídica, pero cuya misión primaria es brindar asistencia a ciegos o personas con otras
discapacidades perceptivas.

OBRAS AGOTADAS
• En Brasil, por ejemplo, una gran parte de las obras exigidas en los cursos de graduación de
las universidades está agotada o indisponible en el mercado nacional. Eso viene creando
situaciones de tensión entre los profesionales y sus usuarios.
• La imposibilidad del servicio de conmutación entre las bibliotecas causa gran impacto en
la comunidad académica. Aún más cuando la ley tampoco permite copia sin autorización.
• Las informaciones legales para pedir autorización de copia o digitalización a los autores y/o
titulares, son difíciles de ser localizadas.
• Son grandes las barreras para convencer a los editores a publicar una nueva edición o
incluso para encontrar substitutos de los materiales agotados.
• La impresión de tiradas pequeñas de obras o incluso las restricciones institucionales merecen
destaque. En esos casos, las obras no están agotadas, pero aun así no es fácil adquirir
ejemplares para los usuarios.
• Consternación al decirles a los usuarios que una obra está agotada e indicarles que la
sustituyan por un contenido similar. O incluso indicarles que la busquen en internet, ya
que siendo para uso privado y de investigación pueden justificarse las copias digitales sin
autorización.
• Las copias de esas obras son necesarias y realizadas en los siguientes casos: propósitos
académicos, libros clásicos e incluso en la literatura básica de varios cursos, obras clásicas
liberadas del derecho de autor, obras no encontradas en el mercado nacional o inexistentes
en las librerías.

OBRAS OBJETO DE RETRACCIÓN O RETIRADAS
• Es difícil para las bibliotecas identificar cuáles obras de su colección fueron retiradas de
circulación por retracción de sus autores.

OBRAS HUÉRFANAS
• Al surgir los autores de alguna obra huérfana, la Biblioteca paga o retira la obra de consulta.
Este es un problema frecuente con obras musicales, particularmente con partituras.
• Las bibliotecas ofrecen consulta y también reproducen copias cuando el usuario remoto lo
solicita, pero difícilmente existe revisión si son obras huérfanas.
• Las obras huérfanas exigen un elevado costo de transacción para las bibliotecas. Es difícil
efectivamente investigar y comprobar la orfandad o la autoría de las mismas y, mucho peor,
de posibles titulares.
• Las obras huérfanas son relativamente comunes en acervos de obras raras, por lo tanto, son
tratadas como acervo especial, lo que impide el préstamo y la copia.
• La adquisición de obras huérfanas algunas veces es imposible, ya que los mecanismos de
compra, licitación y pregón exigen datos de origen.

165

�166

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

USOS TRANSFRONTERIZOS
• Existen problemas con las licencias de distribución de las obras, así algunas bibliotecas
afirman que los contenidos adquiridos se limitan a su uso en territorio nacional.
• Se realizan préstamos interbibliotecarios e intercambio de materiales con otras bibliotecas
nacionales o extranjeras, para el cambio y donación de materiales diversos o publicados
por la propia institución.

TRADUCCIONES
• En caso de demanda para fines de investigación, la biblioteca ofrece servicios de traducción,
pero les prohíbe a los usuarios la comercialización y distribución fuera de sus propósitos.
• Existe la oferta de ese servicio para las obras de dominio público.

DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS IMPRESAS
• No está claro cuántos ejemplares son exigidos para el depósito legal y tampoco se observa
capacidad de controlar si esa disposición está siendo cumplida o no.
• De manera general, quien realiza el depósito es la propia editorial, no existe control sobre
eso y tampoco penalidades para el incumplimiento.

DEPÓSITO LEGAL DE OBRAS DIGITALES
• Ciudades o estados de ciertos países crearon sus propias leyes de preservación de la
memoria local de sus autores, exigiendo el depósito en ámbito local;
• El surgimiento de los repositorios institucionales en numerosas bibliotecas académicas (e
incluso públicas) está promoviendo el depósito de contenidos digitales de sus propios autores.

LIMITACIÓN DE RESPONSABILIDAD DE BIBLIOTECAS
• No tener tal limitación explícita en la ley, efectivamente, causa mucho estrés y molestia a los
profesionales involucrados, con el consiguiente reflejo en los usuarios y comunidad atendida.
• La falta de legislación hace que los bibliotecarios se encuentren en constante riesgo de ser
demandado por algunos temas de DA.
• Aunque todos los profesionales traten de limitar la práctica porque la ley no permite una
serie de servicios, la realidad es superadora y muchas veces ellos deben dar respuestas y
acaban haciendo fotocopias o digitalizando algo.

MEDIDAS DE PROTECCIÓN TECNOLÓGICA
• El desconocimiento de los encuestados (solo el 22% de los participantes acertaron esa
pregunta) sobre el tema puede estar llevando a las bibliotecas a aceptar los modelos de
uso y acceso a contenidos impuestos por las editoriales, sin discutir o intentar cambios para
adecuarlos a sus necesidades.

MINERÍA DE DATOS
• Para atender las solicitudes de los usuarios, algunas bibliotecas realizan dichas tareas, pero
solo en portales de acceso abierto.

�5 - CONSIDERACIONES FINALES

5 - CONSIDERACIONES FINALES
Todos los resultados aquí presentados deben ser analizados tomando en cuenta que
el universo de las leyes de los diversos países tiene una gran cantidad de matices no
discutidos aquí. Observándose la diversidad en la comprensión e interpretación de ellos,
ya sea en términos de los tipos documentales, tipos de instituciones titulares del derecho
para ejecutar una dada L&amp;E, entrada a dominio público, penalidades, control, entre otras,
son muchas las diversidades a ser consideradas, por ejemplo: (a) la simple existencia
de la L&amp;E sobre Formatos accesibles no es suficiente para garantizar que las bibliotecas
puedan efectivamente facilitar formatos accesibles a sus usuarios, puesto que la inclusión
de requerimientos como la comprobación de falta de disponibilidad comercial de la obra
o el pago de una compensación económica pueden hacer la tarea imposible; (b) el tiempo
de carencia de una obra para entrar en dominio público varía significativamente en la
región, yendo de 50 a 75 o hasta 90 años después de la muerte del autor; (c) en algunos
países, ciertas L&amp;E (por ejemplo, digitalización) pueden no estar específicamente en la Ley
de Derecho de Autor, sino en otras; (d) las violaciones de la LDA son tratadas de forma
distinta, dependiendo del marco legal, una combinación de ellos. En síntesis, la lectura de
los datos y análisis de este documento debe tener en perspectiva su propuesta de revelar
algunos elementos para la mejor comprensión del contexto, pero no necesariamente
aclarar o establecer estándares.
Aun así es posible afirmar que, de forma general, las leyes de todos los países
estudiados todavía no son suficientes y adecuadas a las bibliotecas. A pesar de que hubo
un cierto avance reciente en algunos países, en lo que se refiere a las L&amp;E, todavía no
se han introducido cláusulas enfocando principalmente el mundo digital y, menos aún, el
acceso a la información objetivando cubrir las demandas del ciudadano del siglo XXI.
Muchas leyes de derechos de autor no cuentan aún con el equilibrio adecuado entre los
derechos reconocidos a los titulares de derechos y aquellos reconocidos a los usuarios.
También quedó un tanto evidente en el estudio que, de acuerdo con lo manifestado
por los participantes, muchos conocen la LDA de sus países, pero no con la profundidad
necesaria o abarcando todos los aspectos indicados por el documento de referencia
utilizado (el TLIb) de IFLA. Así, se deduce la necesidad de mayores acciones de formación
de los profesionales de la región.
Es fácil imaginar que ese contexto de legislación en materia de derecho de autor
insuficiente o irrelevante lleva a dichos profesionales a una eterna incomodidad, frustración
e impotencia por un lado, además de la propia biblioteca y sus usuarios a una situación
de incertidumbre e inseguridad constante. Por lo tanto, que existan leyes lo suficientemente
simples y claras para el entendimiento de todos los involucrados es, con seguridad,
fundamental y asegurará mayor bienestar social.
Aquí entra una segunda propuesta para el tema mencionado anteriormente, referente
a la necesidad de revisión de los contenidos relativos a la educación bibliotecaria en
la región. Es urgente que nuestros profesionales tengan un conocimiento más profundo
también de políticas públicas y habilidades de promoción y defensa de la causa. Eso
puede suscitar la diseminación más estratégica de contenidos relevantes y campañas
eficaces de cambio, identificación de aliados clave, influenciando de ese modo opiniones,
proponiendo acciones y buscando mayores conquistas.

167

�168

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

Recordando los análisis presentados por los equipos nacionales se observa que algunos
países están en fase de discusión, aprobación y/o revisión de sus respectivas Leyes de DA.
Por lo tanto, es relevante que haya un mayor involucramiento de los profesionales de la
información. Y el papel de las asociaciones y/o colegios de profesionales es fundamental.
Ellos deben, y pueden, volverse un instrumento motivador (además de ser legalmente
representativo) para fomentar, planificar y desarrollar programas nacionales con todos los
“stakeholders” involucrados en el proceso.
Una de las primeras y ya efectivas acciones puede ser referente al Tratado de
Marrakech, que se encuentra en fase de implementación en los países desde 2016,
conforme ya se comentó. La responsabilidad de América Latina y el Caribe es grande
y decisiva, ya que de los 20 países que ratificaron el Tratado, el 50% de ellos son de la
región: El Salvador, Uruguay, Paraguay, Argentina, México, Brasil, Perú, Chile, Ecuador y
Guatemala (presentados según la fecha de adhesión). También se observó en ese estudio
la necesidad de una mayor difusión sobre dicho Tratado a los profesionales de la región.
Sin duda, una de las estrategias más satisfactorias de ese proyecto trató exactamente
del involucramiento de las asociaciones y colegios de bibliotecarios de distintos países de
la región. Para la mayoría de ellas, ése fue el inicio de la inserción del debate, revisión,
comprensión y conocimiento sobre el tema en sus acciones llevándolos específicamente
a reflexionar sobre el mundo digital y el futuro de las bibliotecas. Fue posible evidenciar
la fortaleza que pueden construir junto a sus miembros, así como dónde buscar apoyo
teórico, soporte metodológico, fuentes de información, recursos humanos etc. Con
base en ese estudio, algunos equipos nacionales profundizaron aún más las acciones
que ya venían desarrollando junto a los tomadores de decisión de sus países, otros se
aproximaron a representantes de diversas instituciones del área de derechos de autor y,
fundamentalmente, todos se colocaron en posición de multiplicadores del tema y fuente de
referencia para los profesionales de sus respectivos países.
Sin embargo, ése fue tan solo un pequeño paso en el imbricado y complejo mundo de
los derechos de autor, acceso a la información y L&amp;E para las bibliotecas. De ahora en
adelante se espera que los aquí involucrados (y otros interesados en el tema) se sientan
motivados a dar continuidad a otros proyectos que profundicen la discusión en sus países,
mejoren las relaciones y el equilibrio entre los titulares de los derechos y una sociedad
que busque preservar el acceso a la información como un derecho humano. Que sean
proyectos nacionales individuales, pero también que puedan surgir iniciativas de consorcios
entre países93, involucrando solo la región o incluso aprovechando experiencias de otros
continentes.

93- Un ejemplo relevante es la propia institución EIFL ya mencionada anteriormente en este libro, la cual tiene actuación en diversos
países. Específicamente en la región, tiene proyectos con Chile (http://www.eifl.net/country/chile) y Colombia (http://www.eifl.net/country/
colombia).

�6 - REFERENCIAS

169

6 - REFERENCIAS
ACUÑA, O. (2007). Manual de derechos de autor para las bibliotecas de Guatemala Guatemala
– CERLALC.
ARGENTINA. (2015) Proyecto de Ley “Reforma a las leyes de Propiedad Intelectual y de Fomento
del libro y la lectura. Excepciones a favor de Bibliotecas, Archivos y Museos”, Expediente 5792D-2015, Trámite Parlamentario nº 149, 03/11/2015. Recuperado de http:// www1.hcdn.gov.ar/
proyxml/expediente.asp?fundamentos=si&amp;numexp=5792-D-2015 Acceso en noviembre 27, 2015.
ARGENTINA. (s.d.) Ley 11.723, régimen legal de la propiedad intelectual. Recuperado de http://
www.infoleg.gob.ar/infolegInternet/APÉNDICEs/40000-44999/42755/texact.htm Acceso en
noviembre 27, 2013
ARGENTINA. (s.d.) Ley 25.446, fomento del libro y la lectura. Recuperado de http://www.
infoleg.gob.ar/infolegInternet/APÉNDICEs/65000-69999/68006/norma.htm Acceso en
noviembre 27, 2013
BASSO, M. (2007). As exceções e limitações aos direitos do autor e a observância da regra
do teste dos três passos (Three-step-test) copyright: exceptions, limitations and the three-step-test.
Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, v. 102 p. 493 - 503 jan./dez.
2007. Recuperado de http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/67766-89196-1-pb.pdf.
Acceso en enero 2017.
BIBLIOTECA Nacional de Cuba José Martí. (2016) Decreto No. 265. Sobre el Depósito Legal en
la Biblioteca Nacional José Martí. Recuperado en http://www.bnjm.cu/decretoley.htm Acceso en
mayo 3, 2016.
BRASIL. (1998) Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre direitos autorais e dá outras providências. Recuperado de http://www.planalto. gov.br/
ccivil_03/leis/L9610.htm. Acceso en June, 2016.
BRASIL. Ministério da Cultura. (2015) Portal Brasil. Brasil ratifica tratado de Marraqueche.
Recuperado de http://www.brasil.gov.br/cultura/2015/12/brasil-entrega-ratificacao-ao-tratadode-marraqueche. Acceso en June, 2016.
CHILE. (2010). Ley 17.336, Ley sobre propiedad intelectual. Recuperado de https://www. leychile.
cl/Navegar?idNorma=1012827 Acceso en Marzo, 2016
CONGRESO de la República de Guatemala. (1993). Constitución Política de la República de
Guatemala. Disponible em:a partir de https://www.oas.org/juridico/mla/sp/gtm/sp_gtm-int-textconst.pdf. Acceso em enero 3, 2016.

�170

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

CREWS, K. (2008). Estudio sobre las limitaciones y excepciones al derecho de autor en beneficio
de bibliotecas y archivos. Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/es/
sccr_17/sccr_17_2.pdf Acceso febrero 11, 2016.
CREWS, K. (2008). Estudio sobre las limitaciones y excepciones al derecho de autor en beneficio
de bibliotecas y archivos. Diapositivas de presentación. Recuperado de http://www.wipo.int/
meetings/es/doc_details.jsp?doc_id=109192 Acceso en enero 2017.
CREWS, K. (2008). Étude sur les limitations et exceptions au droit d’auteur en faveur des
bibliothèques et des services d’archives établie. Rétabli http://www.wipo.int/edocs/mdocs/
copyright/fr/sccr_17/sccr_17_2.pdf Accès mai 2016.
CREWS, K. (2008). Study on Copyright Limitations and Exceptions for Libraries and Archives.
Retrieved from http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/sccr_17/sccr_17_2.pdf Access
February 2017.
CREWS, K. (2008). Study on Copyright Limitations and Exceptions for Libraries and Archives
Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=1415012 or http://dx.doi.org/10.2139/
ssrn.1415012. Access May 2016.
CREWS, K. (2015). Étude sur les limitations et exceptions au droit d’auteur en faveur des
bibliothèques et services d’archives. Rétabli http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/
sccr_30/sccr_30_3.pdf. Accès mai 2016.
CREWS, K. (2015). Resume de l’etude sur les limitations et exceptions relatives au droit d’auteur
en faveur des bibliotheques et des services d’archives : version actualisee et revisee (SCCR/30/3).
Rétabli http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/fr/sccr_30/sccr_30_3.pdf Accès mai 2016.
CREWS, K. (2015). Study on copyright limitations and exceptions for libraries and archives:
updated and revised. Retrieved from http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/sccr_30/
sccr_30_3.pdf. Access in March, 2016.
CREWS, K. (2017). Étude sur les limitations et exceptions au droit d’auteur en faveur des
bibliothèques et services d’archives : version actualisée et revisee, Organisation Mondiale
de la Propriété Intellectuelle, Comité permanent du droit d’auteur et des droits connexes,
trentecinquième session. http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/sccr_35/sccr_35_6.pdf
[complet] http://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/fr/sccr_35/sccr_35_6.pdf [resumé]
CREWS, K. (2017) Estudio sobre limitaciones y excepciones en materia de derecho de autor en
favor de bibliotecas y archivos: versión actualizada y revisada (edición de 2017). Organización
Internacional de la Propiedad Intelectual, Comité Permanente de Derecho de Autor y Derechos
Conexos, trigésimo quinto sesión (Ginebra, Suiza: 2017), disponible en https://www.wipo.int/
meetings/en/doc_details.jsp?doc_id=389654

�6 - REFERENCIAS

CUBA. Asamblea Nacional del Poder Popular. (2016). Ley Número 14 del Derecho de Autor.
Recuperado de http://www.min.cult.cu/loader.php?sec=legislacion&amp;cont=ley14. Acceso en abril
28, 2016.
CUBA. Comité Ejecutivo del Consejo de Ministros (1978). Decreto- Ley 20 Centro
Nacional de Derecho de Autor (CENDA). Recuperado de http://www.min.cult.cu/loader.
php?sec=legislacion&amp;cont=decreto20 Acceso abril 7, 2016
CUBA. Consejo de Estado (1994). Decreto –Ley 156 que modifica los artículos 43, 45 y 47 de
la Ley de Derecho de Autor. Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/es/cu/
cu025es.pdf Acceso abril 5, 2016
CUBA. Ministerio de Justicia (1999). Decreto Ley No. 265 de 14 de mayo de 1999 SOBRE
DEPÓSITO LEGAL EN LA BIBLIOTECA. Gaceta Ordinaria-31-1999
CUBA. Ministerio de Justicia (2010). Decreto-Ley No. 271de las bibliotecas de la república de
Cuba. Gaceta Oficial de la República de Cuba. Recuperado de http://www.gacetaoficial.cu/
Acceso en mayo 4, 2016
CUBA. ASCUBI (2016). Resultados de la investigación desarrollada por la Asociación Cubana
de Bibliotecarios como parte del proyecto “Impacto de la legislación del derecho de autor en
las bibliotecas de América Latina y el Caribe”. Documento de archivo. Habana: ASCUBI, 2016.
DÉCRET [sur les droits d´auter]. (2006). Le Moniteur, 9 mars 2006 Disponible en http://www.
wipo.int/edocs/lexdosc/law/fr/ht/ht008fr.pdf. Accès en avril 6, 2016.
DÉCRET sur les droits d’auteur d’œuvres littéraires, scientifiques et artistiques. (1968). Journal
officiel de la République d’Haïti, 18 janvier 1968. Disponible en http://www.wipo.int/edocs/
lexdocs/laws/fr/ht/ht001fr.pdf . Accès en avril 6, 2016
ECUADOR. (s.d). Ley del Libro. Registro Oficial 277, Quito, Ecuador, 24 de mayo de 2006.
ECUADOR. (s.d.). Primera Ley de Derechos de Autor del Ecuador se creó en Agosto de 1887.
Recuperado de http://ecuadoruniversitario.com/arte-y-cultura/primera-ley-de-derechos-de-autordel-ecuador-se-creo-en-agosto-de-1887/ Acceso en mayo 5, 2016.
ECUADOR. (1995). Ley de la Biblioteca Ecuatoriana “Aurelio Espinosa Polit”. Registro Oficial
618 suplemento, Quito, Ecuador, 24 de enero de 1995.
ECUADOR. (1998). Ley de Propiedad Intelectual. Registro Oficial 320, Quito, Ecuador, 19 de
mayo de 1998.
ECUADOR. Asamblea Constituyente. (2008). Constitución de la República del Ecuador.
Recuperado de https://www.corteconstitucional.gob.ec/images/contenidos/quienes-somos/

171

�172

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

Constitucion_politica.pdf Acceso en febrero 11, 2016
EL SALVADOR. (2006). Decreto Nº 604. Ley de propiedad intelectual. Diario Oficial de la
República de El Salvador, (2006). 65 p.
EL SALVADOR [Leyes, ETC]. (1994). Ley del libro. [Archivo PDF]. El Salvador: Asamblea
Legislativa. Disponible en: https://www.asamblea.gob.sv/sites/default/files/documents/
decretos/171117_072924032_archivo_documento_legislativo.pdf. Acceso en abril 30, 2016.
EL SALVADOR. Ministerio de Economía de El Salvador. Centro Nacional de Registro. (2014).
PNPI Política Nacional de Propiedad Intelectual. 1ª ed. San Salvador: CNR. 19 p
ESPINAL HERNÁNDEZ, E. (2009). Propiedad intelectual en República Dominicana: 155 años
de evolución. Gaceta Judicial, 13(269), 12-15. Recuperado de http://www.adopi.org.do/index.
php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=80:propiedad-intelectual-en-republica-dominicana155-anos-de-evolucion&amp;catid=43:articulos-de-interes&amp;Itemid=76 Acceso en Marzo 201
FREITAS, H., et all. (2000). O método de pesquisa Survey. Revista de Administração, São
Paulo, v.35, n.3, p.105-112, julho/setembro 2000 Recuperado de http://www.clam.org.br/
bibliotecadigital/uploads/publicacoes/1138_1861_freitashenriquerausp.pdf. Acceso enero de
2017.
GONZALEZ,.C. de O., FERRARI, A.C. (2016) Brasil – situación de las bibliotecas en relación
con el derecho de autor. Paper presented at: IFLA WLIC 2016 – Columbus, OH – Connections.
Collaboration. Community in Session 123 - Latin America and the Caribbean. Recuperado de
http://library.ifla.org/view/conferences/2016/ Acceso: enero de 2017.
GUATEMALA. Congreso de la República de Guatemala. (1993). Constitución Política de la
República de Guatemala. Recuperado de https://www.oas.org/juridico/mla/sp/gtm/sp_gtm-inttext-const.pdf Acceso en enero 3, 2016
IFLA. (2004). Limitations and Exceptions to Copyright and Neighbouring Rights in the Digital
Environment: An International Library Perspective. Retrieved from http://www.ifla.org/
publications/limitations-and-exceptions-to-copyright-and-neighbouring-rights-in-the-digital-environm
Acceess January 2017.
IFLA. (2012). Borrador Tratado sobre Limitaciones y Excepciones para las Bibliotecas archives.
Recuperado de http://www.ifla.org/node/5858 Acceso en marzo, 2016.
IFLA. (2012). Proposition de Traité sur les Limitations et les Exceptions au Droit d’Auteur pour les
Bibliothèques et les Archives. http://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/exceptions-limitations/
tlib_v4.3_050712-version_francaise.pdf. Àcces mai 2016
IFLA. (2013). Treaty proposal on limitations and exceptions for Libraries and Archives. (4.4v).
Retrieved from http://www.eifl.net/system/files/resources/201408/tlib_v4_4_december_2013. pdf

�6 - REFERENCIAS

IFLA. (2015). Declaración «Motores para el cambio: Primer Encuentro Iberoamericano sobre
Derecho de Autor y Tratado de Marrakech». Recuperado de http://www.ifla.org/ES/
node/9968. Acceso en marzo, 2016.
IFLA. Copyright and other legal matters advisory committee (2012). Proposition de Traité sur les
Limitations et les Exceptions au Droit d’Auteur pour les Bibliothèques et les Archives. Disponible
en http://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/exceptions-limitations/tlib_v4.3_050712-version_
francaise.pdf . Accès en avril 06, 2016.
IFLA LAC. (2016a). Carta de Intención Panamá 2016. Recuperada de http://www.ifla.org/files/
assets/alp/BSLA/news/letter-of-intent-panama-es.pdf Acceso enero 2017.
IFLA LAC. (2016b). Proyecto integrado ‘Impacto de la legislación del derecho de autor en las
bibliotecas de América Latina y Caribe”. Recuperado de http://blogs.ifla.org/lac/2016/03/
impacto-de-la-legislacion-del-derecho-de-autor-en-las-bibliotecas-de-america-latina-y-caribe/
Acceso enero 2017.
IFLA LAC. (2016b). Integrated Project “Impact of the copyright legislation on libraries in Latin
America and the Caribbean”. Retrieved from http://blogs.ifla.org/lac/2016/03/impacto-dela- legislacion-del-derecho-de-autor-en-las-bibliotecas-de-america-latina-y-caribe/ Access January
2017.
IFLA LAC. (2016c) Sesión123 de America Latina y Caribe en WLIC 2016 “Limitations and
exceptions for libraries in the copyright legislation of the Latin America and the Caribbean
countries: a call for action”. Recuperado de http://www.professionalabstracts.com/iflawlic2016/
programme-iflawlic2016.pdf Acceso enero 20.17
JAMAICA. Ministry of Justice, (2015). The Copyright (Amendment) Act. Retrieved from http://
moj.gov.jm/laws/copyright-act Access February, 2016.
JAMAICA. Ministry of Justice. (1993). The Copyright Act. Retrieved from http://moj.gov.jmlaws/
copyright-act Access February 2016.
MOLINA, J.C.F.; GUIMARÃES, J.A.C. (2010). Excepciones al derecho de autor en beneficio de
las bibliotecas: situación de América Latina y el Caribe. Presentado en la Sessión de América
Latina y Caribe del WLIC 2010. Gothenburg, Swede: IFLA, 2010. Recuperado de http://www.
ifla.org/past-wlic/2010/121-molina-es.pdf. Acceso enero 2017.
MONROIG, Miyuki (2017). The Flexibilities of the Copyright System at the International Level.
Hanoi, WIPO, 2017. Available: https://www.wipo.int/edocs/mdocs/copyright/en/wipo_cr_
han_17/wipo_cr_han_17_t4.pdf. Access: Aug 10, 2018.
NICARAGUA. (1999). Ley de derecho de autor y derechos conexos. Recuperado de www.
wipo. int/edocs/lexdocs/laws/es/ni/ni001es.pdf Acceso marzo 2016.

173

�174

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

NICARAGUA. (2000). Reglamento de la ley de derechos de autor y conexos. Decreto 222000). Recuperado de http://sajurin.enriquebolanos.org/vega/docs/G-2000-05-05.pdf Acceso
marzo 2016.
NICARAGUA (2006). Ley de Reformas y Adiciones a la Ley No. 312, Ley de Derechos de Autor
y Derechos Conexos. Recuperado de http://www.mific.gob.ni/Portals/0/Documentos%20RPI/
Derechos%20de%20Autor/Reformas%20a%20Leyes%20de%20Propiedad%20Intelectual.pdf
Acceso abril 2016.
ONG Derechos Digitales (2015). LatinAmerica in a glimpse. Recuperado de https://www.
derechosdigitales.org/wp-content/uploads/glympse_2015_spa1.pdf, pp.10-11 Acceso en
Marzo, 2016.
OMPI. (2013). Declaraciones concertadas relativas al Tratado de Marrakech para facilitar
el acceso a las obras publicadas a las personas ciegas, con discapacidad visual o con otras
dificultades para acceder al texto impreso. OMPI, Marrakech, 27 de junio de 2013. Recuperado
de http://www.wipo.int/wipolex/es/details.jsp?id=13170 Acceso mayo 9, 2016.
OMPI (2016). Adhesión a los tratados. DIsponibe en: http://www.wipo.int/wipolex/es/profile.
jsp?code=gt. Acceso en enero 3, 2016.
OMPI. (2016). Principios básicos del derecho de autor y los derechos conexos. Recuperado de
http://www.wipo.int/edocs/pubdocs/es/wipo_pub_909_2016.pdf. Acceso enero 2017.
P2PU. (2014). ABC del derecho de autor para bibliotecarios de America Latina. [ebook]
Colombia, Fundación Karisma e Internet Activa, 2014. Recuperado de https://issuu.com/
comucepucepeducacionpermanente/docs/e-book_abc Acceso enero 2017
P2PU. (2014a). ABC del derecho de autor para bibliotecarios de America Latina. Colombia,
Fundación Karisma e Internet Activa. [Adaptación del curso “Copyright for Librarians” realizado
por Berkman Center for Internet &amp; Society, Harvard University y Electronic Information for
Libraries], 2014. Recuperado de https://courses.p2pu.org/es/courses/2178/abc-del-derecho-deautor-para-bibliotecarios-de- am%C3%A9rica-latina/ Acceso enero 2017.
PABÓN CADAVID, J.A. (2014). Guia de Derecho de Autor para Bibliotecas. Colombia, Ministerio
de Cultura de Colombia, Dirección Nacional de Derecho de Autor de Colombia e Pontificia
Universidad Javeriana, 2014. Recuperado de http://www.bibliotecanacional.gov.co/ blogs/
deposito-digital/files/2014/03/GuiaDerechoAutorBibliotecas.pdf Acceso enero 2017.
PANAMA. Asamblea Legislativa. (2012). Ley sobre el sobre el Derecho de Autor y Derechos
Conexos (Ley 64 de 2012). Gaceta Oficial: 27139-B, 2012.

�6 - REFERENCIAS

PERÚ. (1996). Decreto Legislativo N° 822, Ley sobre Derecho de Autor. Diario Oficial El
Perúano, Lima. Recuperado de https://www.indecopi.gob.pe/documents/20182/143803/
DecretoLegislativo822.pdf Acceso abril12, 2016.
PERÚ. (2002). Ley N° 27861. Ley que exceptúa el pago de derechos de autor por la
reproducción de obras para invidentes. Diario Oficial El Perúano, Lima. Recuperado de https://
www.indecopi.gob.pe/documents/20182/143803/LEY27861.pdf Acceso abril 11, 2016.
PERÚ. (2003). Decreto Supremo Nº 013-2003-PCM. Dictan medidas para garantizar la legalidad de
la adquisición de programas de software en entidades y dependencias del Sector Público. Recuperado
de http://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/es/pe/pe056es.pdf Acceso abril 12, 2016.
PERÚ. (2003). Ley de Democratización del Libro y de Fomento de la Lectura. Recuperado de
http://www.wipo.int/wipolex/es/text.jsp?file_id=202880 Acceso abril 11, 2016.
PERÚ. (2003). Reglamento del Registro Nacional del Derecho de Autor y Derechos Conexos.
Resolución Jefatural Nº 0276-2003/ODA-INDECOPI. Recuperado de https://www.indecopi.gob.
pe/documents/20182/143803/reglamento.pdf Acceso abril 12, 2016.
PERÚ. (2004). Ley Nº 28289. Ley de Lucha contra la Piratería. Recuperado de http://www.wipo.
int/wipolex/es/text.jsp?file_id=202983 Acceso abril 10, 2016.
PERÚ. (2005). Ley Nº 28571(2005, 6 de julio. Ley que modifica los artículos 188º y 189º del
Decreto Legislativo N° 822, Ley sobre Derechos de Autor. Diario Oficial El Perúano, Lima.
Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/es/pe/pe016es.pdf Acceso abril 08, 2016.
PERÚ. (2008). Decreto Legislativo Nº 1033. Decreto Legislativo que aprueba la ley de
organizacion y funciones del Instituto Nacional de Defensa de la Competencia y de la
Protección de la Propiedad Intelectual – INDECOPI. Recuperado de https://www.indecopi.gob.
pe/ documents/20182/143803/dl1033.pdf Acceso abril 12, 2016.
PERÚ. (2008). Decreto Legislativo Nº 1092. Decreto Legislativo que aprueba medidas en
frontera para la protección de los derechos de autor o derechos conexos y los derechos de
marcas. Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/es/pe/pe020es.pdf Acceso
abril 10, 2016.
PERÚ. (2008). Ley Nº 29263. Ley que modifica diversos Artículos del Código Penal y de la Ley
General del Ambiente. Recuperado de http://www.wipo.int/wipolex/es/text.jsp?file_id=202242
Acceso abril 10, 2016.
PERÚ. (2009). Ley N° 29316. Ley que modifica, incorpora y regula diversas disposiciones a fin
de implementar el Acuerdo de promoción comercial suscrito entre el Perú y los Estados Unidos
de América. Diario Oficial El Perúano, Lima. Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/
lexdocs/ laws/es/pe/pe015es.pdf Acceso abril 12, 2016.

175

�176

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

PERÚ. (2014). Ley N° 30276. Ley que modifica el Decreto Legislativo N° 822 Ley sobre
Derechos de Autor. Diario Oficial El Perúano, Lima. Recuperado de http://www.wipo.int/
wipolex/es/text.jsp?file_id=355131 Acceso abril 12, 2016.
REPÚBLICA DOMINICANA. Congreso Nacional. (2000). Ley No. 65-00 de derecho de autor.
Recuperado de http://www.wipo.int/wipolex/es/text.jsp?file_id=181047 Acceso abril 2016.
REPÚBLICA DOMINICANA. Congreso Nacional. (2001). Ley de propiedad industrial No. 2000.
Santo Domingo: Librería Jurídica Virtual.
REPÚBLICA DOMINICANA. Congreso Nacional. (2006). Ley N° 424-06 de Implementación del
Tratado de Libre Comercio, entre la República Dominica, Centroamérica y los Estados Unidos de
América (DR-CAFTA). Recuperado de http://www.wipo.int/wipolex/es/text.jsp?file_id=234497
Acceso abril 2016.
REPÚBLICA DOMINICANA. Congreso Nacional. (2007). Ley N° 2-07 que modifica el Art. 189
de la Ley No. 65-00, sobre Derecho de Autor, modificada por el Art.4 de la Ley No. 493-06.
Recuperado de http://www.wipo.int/wipolex/es/text.jsp?file_id=234235 Acceso abril 2016.
TECÚN OROZCO DE ORTÍZ, K J. (2005). Lo que un bibliotecario debe saber respecto a
derechos de autor y derechos conexos. Recuperado de http://biblioteca.usac.edu.gt/tesi Acceso
en enero 3, 2016.
TRINIDA AND TOBAGO. (1997). Copyright Act of Trinidad and Tobago. (2014, December 31).
Retrieved from http://rgd.legalaffairs.gov.tt/laws2/alphabetical_list/lawspdfs/82.80.pdf Access
May 9, 2016.
TRINIDAD AND TOBAGO. (2015). Copyright Music Organization of Trinidad and Tobago.
Retrieved from http://www.cott.org.tt Access May 2, 2016.
VILLARROEL, L. (2012). Creando derecho: Guía para comprender el derecho de autor.
Recuperado de www.innovarte.cl/creandoDerecho/wp-content/uploads/ Acceso en marzo 2016.
WILNER, J L. (2014) Haiti-culture : LA Bibliothèque Nationale et le BHDA s’accordent pour le
respect des droits d’auteurs. Haiti Press Network. Disponible en http://www.hpnhaiti.com/site/
index.php/societe/12178-haiti-culturela-bibliotheque-nationale-et-le-bhda-saccordent-pour-le-respectdes-droits-dauteurs Accès en avril 06, 2016.
WIPO. (2013). Tratado de Marrakech para facilitar el acceso a las obras publicadas a las
personas ciegas, con discapacidad visual o con otras dificultades para acceder al texto impreso.
OMPI, Marrakech, 27 de junio de 2013. Recuperado de http://www.wipo.int/treaties/es/ip/
marrakesh/ Acceso mayo 09, 2016.
WIPO. SGAE. (2005). El derecho de autor y los derechos conexos en el entorno digital. [XI

�6 - REFERENCIAS

Curso académico regional ompi/sgae sobre derecho de autor y derechos conexos para países
de América Latina organizado por la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual (OMPI)
conjuntamente con la Sociedad General de Autores y Editores (SGAE) de España y el Ministerio
de Industria y Comercio de la República del Paraguay Asunción, 7 a 11 de noviembre de 2005].
WIPO, 2005. Recuperado de http://www.wipo.int/edocs/mdocs/lac/es/ompi_sgae_da_
asu_05/ompi_sgae_da_asu_05_2.pdf Acceso enero 2017.
WIPO. (2015, July 30). Jamaica: Copyright (Amendment) Act, 2015. In World International
Property Organization: News on IP Laws. Retrieved from http://www.wipo.int/wipolex/en/
news/2015/article_0015.html

177

�178

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�APÉNDICES

179

APÉNDICES

�180

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�APÉNDICES

APÉNDICE A
PROYECTO INTEGRADO IFLA LAC 2016
“EL IMPACTO DE LA LEGISLACIÓN DE DERECHOS DE AUTOR EN LAS
BIBLIOTECAS DE AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE”

181

�182

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�APÉNDICES

183

�184

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�APÉNDICES

185

�186

BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

�APÉNDICES

187

APÉNDICE B
PROYECTO INTEGRADO IFLA LAC 2016
“EL IMPACTO DE LA LEGISLACIÓN DEL DERECHO DE AUTOR EN LAS BIBLIOTECAS
DE AMÉRICA LATINA Y CARIBE”
GUÍA PARA ENTREVISTA INDIVIDUAL O EN GRUPO

Preguntas sobre derecho de autor en el ámbito nacional e internacional
1. ¿Las excepciones y limitaciones al derecho de autor que se describen en el texto
de Kenneth Crews 2008 (ver link en la lista de Fuentes de información) reflejan
correctamente la situación actual en su país? ¿Existen otras leyes que permitan a
las bibliotecas proveer servicios a los usuarios y que sería conveniente que IFLA
conociera?
2. ¿Están las bibliotecas de su país al tanto de las iniciativas relacionadas con la
reforma del derecho de autor que están teniendo lugar en su país? ¿Existe una
consulta pública que se esté llevando a cabo? ¿Cómo podría IFLA u otros colegas
latinoamericanos, ayudar en este sentido?
3. ¿Qué obstáculos enfrentan las bibliotecas de su país para brindar servicios como
resultado de la ley de derecho de autor?
4. ¿Podría su equipo brindar ejemplos de servicios que no pueden proveerse debido a
la ley de derecho de autor, que sirvan para explicar el porqué de la necesidad de una
reforma?

Preguntas sobre el Tratado de Marrakech
1. ¿Están las bibliotecas al tanto del estado en el que se encuentra el proceso de
ratificación del Tratado de Marrakech en su país? ¿De no ser así, puede obtener
información al respecto y hacérnosla llegar?
2. ¿Respecto a las copias en formato accesible tiene las bibliotecas de su país la
capacidad de crear y distribuir las mismas en su institución?

�ISBN - 978-85-85024-12-3 (e Book) 2019

BIBLIOTECAS LAC:

Sueli Mara Soares Pinto Ferreira

El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES
DE BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DA INFORMAÇÃO
E INSTITUIÇÕES
Rua Avanhandava, 40 – Conj. 108/110 Bela Vista
São Paulo, SP – CEP 01306-000 – (11) 3257 9979
febab@febab.org.br

El impacto de la legislación de derechos
de autor en América Latina y el Caribe

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
      <file fileId="5195">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/43/6130/Bibliotecas_LAC_2019.1.epub</src>
        <authentication>ff56eaf8878bdddfda54f80014421d1c</authentication>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="43">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51262">
                  <text>CBDA³ - Comissão Brasileira de Direitos Autorais e&#13;
Acesso Aberto</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65039">
                <text>BIBLIOTECAS LAC: El impacto de la legislación de derechos de autor en América Latina y el Caribe</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65040">
                <text>Direitos de Autor&#13;
América Latina e Caribe&#13;
IFLA-LAC</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65041">
                <text>En el primer semestre de 2016, los datos fueron recopilados por equipos de diferentes países que participaron en el proyecto propuesto por IFLA LAC. En marzo de 2017, este libro (completo, revisado y editado) se entregó al Comité Profesional de la IFLA para su evaluación. En su reunión de agosto de 2017, el Comité Profesional decidió establecer un grupo de trabajo para verificar y actualizar la información jurídica contenida en este libro electrónico (haciendo uso de la nueva versión del estudio Crews que se lanzaría en octubre de 2017). Los resultados de esta revisión y la autorización para publicación fueran devueltos en Marzo 2018. Para acomodar las sugerencias y comentarios de los evaluadores, se revisaron todos los capítulos. En particular, el Capítulo 4 se ha actualizado para centrarse en el estudio CREWS publicado en 2017. De esta manera, puede encontrar información sobre la legislación ecuatoriana sobre derechos de autor que se aprobó después de la recopilación de datos (diciembre 2016). Sin embargo, en el capítulo 3, específicamente en el contenido que se refiere al estudio realizado en Ecuador, los datos se mantuvieron basados en la legislación de 2006, dado que esa era la realidad en el momento de la compilación.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65042">
                <text>Ferreira, Sueli Mara Soares Pinto</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65043">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65044">
                <text>2019</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65045">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65047">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65048">
                <text>https://www.youtube.com/watch?v=p2HP7-eQnpc</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65049">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="69654">
                <text>es</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4563" public="1" featured="0">
    <fileContainer>
      <file fileId="3633">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/4563/Bibliotecas_por_um_Mundo_Melhor_-_Agenda_2030.pdf</src>
        <authentication>39941bbb5bee4fac095a881e89d43907</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="50699">
                    <text>BIBLIOTECAS POR
UM MUNDO MELHOR
AGENDA 2030
Ações em Prol da Agenda 2030 já são
realidade em diversas partes do Brasil.
Podemos avançar mais ainda.

���Em 2016 entrou em vigor a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável –
que incluiu 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas.
O documento apresenta uma visão ambiciosa do desenvolvimento sustentável
integrando suas dimensões econômica, social e ambiental, constituindo-se na
expressão dos desejos, aspirações e prioridades da comunidade internacional
para os próximos anos.
A agenda põe a igualdade e dignidade das pessoas no centro e chama a adotar
um estilo de desenvolvimento, de forma equilibrada e integrada, respeitando
diferentes realidades, capacidades, níveis de desenvolvimento, políticas e
prioridades nacionais. O Brasil é um dos signatários dessa Agenda e, portanto,
deverá empenhar-se para o cumprimento dos ODS.
Em todo o mundo 320.000 bibliotecas públicas e mais de um milhão de
bibliotecas parlamentares, nacionais, universitárias, de pesquisa, especializadas,
comunitárias e escolares garantem que as informações e o conhecimento
para utilizá-las estejam disponíveis para todos, convertendo-se em instituições
fundamentais para a era digital. Muitos programas e projetos estão sendo
realizados para apoiarem o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento
Sustentável, pois as bibliotecas estão comprometidas com esse chamado
mundial por um mundo mais justo, solidário e com respeito ao meio ambiente.
As bibliotecas brasileiras também estão engajadas e fazendo a diferença nas
comunidades onde atuam. Nós da Federação Brasileira de Bibliotecários,
Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) - uma instituição que milita por
mais e melhores bibliotecas no país- compilamos alguns exemplos para mostrar
que as bibliotecas são parceiras estratégicas para o cumprimento dos ODS.
Esse trabalho pode ser potencializado se tiver mais apoio do poder
público e sociedade civil. As bibliotecas podem também contribuir
com a comunicação entre os municípios, estados e governo federal,
mostrando os avanços que estão ocorrendo no país sobre a
Agenda 2030 para as comunidades onde elas estão inseridas.
A seguir mostramos os exemplos e seus alinhamentos
com os ODS.

�OBJETIVO 1
ACABAR COM A POBREZA EM TODAS
AS SUAS FORMAS, EM TODOS OS LUGARES

As bibliotecas, ao proporcionar acesso à informação
e habilidades, oferecem oportunidades às pessoas
para melhorar suas vidas e contribuem para a
tomada de decisões por parte dos governos, das
comunidades e outras instituições destinadas a
reduzir a pobreza e elevar a qualidade de vida das
pessoas em todo o mundo.

�RIO GRANDE DO SUL
Passaporte para o Futuro do Banco de Livros
O projeto prevê a instalação de espaços de leitura nas unidades prisionais do
Rio Grande do Sul, com o objetivo de assegurar aos reclusos e familiares o
acesso à informação e à literatura, com vistas ao pleno desenvolvimento das
pessoas e preparo para o exercício da cidadania. São desenvolvidas oficinas
com leitura e discussões, onde os apenados são convidados a escrever sobre as
obras lidas e sua rotina. O Banco de Livros já entregou cerca de 150.000 obras a
98 dos 104 estabelecimentos prisionais gaúchos e proporcionou a participação
de mais de 700 apenados com textos e desenhos reunidos em três volumes
do livro “Vozes de um Tempo”, lançados nas feiras do Livro de Porto Alegre.
A iniciativa tem colaborado para um aumento significativo na participação e
aprovação dos detentos no ENEM Carcerário e recebeu o Prêmio IPL Retratos
da Leitura, em 2017.
(https://www.facebook.com/Bancodelivrosrs/)

GOIÁS
Biblio(Cri)Ativa
Projeto de extensão do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de
Goiás (UFG) que resultou na construção de uma biblioteca na Associação de
Catadores de Materiais Recicláveis Ordem e Progresso, localizada no setor
Albino Boaventura, região Noroeste de Goiânia. O local foi idealizado para ser
construído com os catadores e não apenas para eles, a partir de três princípios
norteadores: Ocupação e pertencimento; Ações pedagógicas; Ações culturais.
Além das atividades de promoção da leitura, são desenvolvidas ações de
inclusão digital e programa de alfabetização para jovens e adultos.
(https://www.facebook.com/bibliocriativa/)

�OBJETIVO 2
ACABAR COM A FOME, ALCANÇAR
A SEGURANÇA ALIMENTAR E MELHORIA
DA NUTRIÇÃO E PROMOVER A AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL

Bibliotecas, incluindo bibliotecas agrícolas
especializadas e serviços de extensão promovem
acesso à investigação e dados sobre culturas,
mercado e métodos de agricultura produtiva.

�DISTRITO FEDERAL
Site Código Florestal
Construído pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA),
Ministério do Meio Ambiente e parceiros, o site reúne informações técnicas
para facilitar o cumprimento da Lei de Proteção de Vegetação Nativa (Novo
Código Florestal). O hotsite auxilia o produtor rural na recuperação de Áreas de
Preservação Permanente (APP), Áreas de Reserva Legal (ARL) e Áreas de Uso
Restrito (AUR), além de incluir estratégias de restauração, experiências e boas
práticas, sugestão de plantas nativas e soluções tecnológicas que contribuem
para o desenvolvimento sustentável da propriedade rural nos diferentes biomas.
Prevê-se inclusão do módulo Webambiente@ que permitirá ao agricultor
cadastrar os dados de sua propriedade, com o objetivo de gerar recomendações
tecnológicas e espécies para recuperação e manejo sustentável.
(https://www.embrapa.br/codigo-florestal)

SÃO PAULO
Série Produtor Rural
A publicação foi idealizada pela Divisão de Biblioteca da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Piracicaba, SP)
com o objetivo de levar informação qualificada e com linguagem acessível aos
produtores rurais, contribuindo para a Extensão Rural. Os textos são escritos
por pesquisadores e docentes da instituição e revisados com orientação da
biblioteca, totalizando 64 números disponíveis para download. A biblioteca
mantém, também, a versão impressa para atender a demanda recebida por
carta do pequeno produtor, encaminhando a publicação gratuitamente pelo
correio. Com essa ação a biblioteca garante que informação de qualidade
esteja ao alcance dos pequenos produtores, muitos dos quais não conseguem
obter a informação pela internet.
(http://www4.esalq.usp.br/biblioteca/publicacoes-a-venda/serie-produtor-rural)

�OBJETIVO 3
ASSEGURAR UMA VIDA SAUDÁVEL
E PROMOVER O BEM-ESTAR PARA TODOS,
EM TODAS AS IDADES

As bibliotecas médicas, de hospitais e outras
bibliotecas especializadas são provedoras
essenciais do acesso à investigação médica que
respalda melhores resultados em matéria de
saúde pública. O acesso público à informação
sobre saúde em todas as bibliotecas ajuda as
pessoas a estarem melhor informadas sobre
saúde e a manterem-se saudáveis.

�RIO DE JANEIRO
Biblioteca Central do CCS nas Estações
Projeto da Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), que desenvolve campanhas socioeducativas para
a promoção da saúde e qualidade de vida. Tem como público alvo tanto a
comunidade acadêmica como a comunidade externa, fornecendo suporte
informacional e atuando de forma efetiva nas atividades de extensão da
Universidade. Mantém uma programação anual, constituída por campanhas
mensais, que envolvem a divulgação de material informativo (folders, vídeos
e banners) e atividades complementares (palestras, exposições, oficinas e
estandes) sobre a prevenção de doenças e conscientização sobre o bemestar. As temáticas obedecem aos calendários oficiais na área da saúde e as
atividades são realizadas a partir de parcerias internas e externas.
(http://www.bib.ccs.ufrj.br/site/estacoes.html)

DISTRITO FEDERAL
Rede de Bibliotecas e Unidades de Informação Cooperantes da Saúde
no Brasil- BiblioSUS
A Rede de Bibliotecas e Unidades de Informação Cooperantes da Saúde no
Brasil- BiblioSUS foi criada para integrar as bibliotecas e centros cooperantes
especializados em saúde. Tem como objetivo de expandir e difundir a
informação em saúde para todos os municípios brasileiros, bem como
alimentar a base de dados ColecionaSUS, com mais de 35.000 publicações
técnico cientificas produzidas no âmbito do Sistema Único de Saúde do Brasil
– SUS. Oferece apoio logístico à gestão descentralizada, oportunizando acesso
às Bibliotecas Virtuais em Saúde – BVS temáticas que disponibilizam mais de
28 milhões de publicações, sendo mais de 10 milhões em texto completo.
(http://bibliosus.saude.gov.br/)

�OBJETIVO 4
ASSEGURAR A EDUCAÇÃO INCLUSIVA,
EQUITATIVA E DE QUALIDADE, E PROMOVER
OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM AO
LONGO DA VIDA PARA TODOS

As bibliotecas são o coração das escolas,
universidades e institutos em todos os países
do mundo. As bibliotecas apoiam programas de
alfabetização, oferecem um lugar seguro para a
aprendizagem e colaboram com pesquisadores
na utilização de dados e informações para gerar
novos conhecimentos.

�RIO GRANDE DO SUL
Inclusão digital para a comunidade da terceira idade
Projeto de extensão universitária, que compreende a oferta de curso de informática
básica desenvolvido pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio
Grande e acadêmicos dos cursos de Psicologia, Pedagogia e História, com o objetivo
de contribuir com a inclusão social e digital de pessoas idosas. O curso é oferecido
gratuitamente e em dois módulos:
1) para pessoas sem nenhum conhecimento de informática;
2) para pessoas com conhecimento prévio. O projeto vem sendo desenvolvido
desde 2015 e já conta com aproximadamente 800 alunos certificados em 42 turmas.
(http://www.biblioteca.furg.br/index.php/pt/ultimas-noticias/255-abertas-asinscricoes-para-o-curso-de-informatica-basica-para-comunidade-da-terceira-idade)

SÃO PAULO
Lê no ninho - mediação de leitura na primeira infância
Programa desenvolvido, inicialmente, na Biblioteca de São Paulo (BSP)
desde 2012 e replicado na Biblioteca Parque Villa Lobos (BVL) desde 2014,
na cidade de São Paulo. A iniciativa tem como como objetivo fomentar o
gosto pela leitura entre crianças de seis meses a quatro anos e fortalecer
os vínculos afetivos entre os pequenos e seus cuidadores. A ideia é tornar o
momento de mediação de leitura prazeroso, estimulando o público a voltar à
biblioteca e, principalmente, a reproduzir a atividade em casa. As atividades
são desenvolvidas na área interna e embaixo das árvores dos Parques onde
as bibliotecas estão localizadas. Com o sucesso do programa, o Sistema
Estadual de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo buscou recursos para
que pudesse ser reproduzido em 10 cidades do interior do Estado: Auriflama,
Birigui, Guararema, Igarapava, Itapetininga, Jundiaí, Lençóis Paulista,
Ourinhos, Praia Grande e Presidente Prudente.
(http://www.lenoninho.org.br/)

�OBJETIVO 5
ALCANÇAR A IGUALDADE DE GÊNERO
E EMPODERAR TODAS AS MULHERES
E MENINAS

As bibliotecas apoiam a igualdade de gêneros
ao oferecer espaços de encontro seguros e
programas para mulheres e meninas sobre
direitos e saúde. Além disso, as TICs e os
programas de alfabetização ajudam as mulheres
a construírem habilidades empreendedoras.

�AMAZONAS
Clube das Manas em Tefé
O Clube das Manas é um clube de leitura, inaugurado em 2017, com o objetivo de
promover o empoderamento das meninas e mulheres estimulando a leitura, o
debate e a reflexão acerca do feminismo. O projeto é financiado pela Pró-Reitoria
de Extensão do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas
(IFAM) e tem como instituições parceiras o Instituto Mana e a Biblioteca Pública
Municipal de Tefé Protásio Lopes Pessoa. Encontros mensais, denominados
Rodadas de Conversa, são realizados para debater o livro indicado no mês e
as ideias, aprendizados e questionamentos derivados da leitura. As Rodadas,
realizadas em diferentes locais, contam com um mediador e um convidado,
professor ou professora, ou profissionais da saúde, para colaborar com o debate.
(https://www.facebook.com/clubedasmanastefe/)

SÃO PAULO
Biblioteca Feminista
A Biblioteca Cora Coralina, que fica em Guainazes, zona Leste da capital, mantém a
primeira Sala Temática Feminista da cidade de São Paulo, inaugurada em 2015 com o
objetivo de ser um ponto de referência cultural na discussão de gênero e feminismo,
a partir de uma programação cultural continuada, com diversas atividades, como
teatro, oficinas, música, cinema, rodas de conversa e literatura. Sob a curadoria da
artista Biba Rigo, a ambientação da sala contou com a participação das mulheres
que, a partir de suas próprias histórias, olhares e experiências garantiram ao local
um visual com destaque para o empoderamento das mulheres na apropriação de
seu espaço. O acervo tem mais de 1000 títulos de obras para consulta, estudo e
pesquisa, e, além da coleção com a temática feminista, a Biblioteca Cora Coralina
conta com um acervo de mais 47 mil exemplares constituído por livros de literatura
e informação, revistas, atlas, multimídia, áudio livros, dvds, entre outros formatos.
(http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/
bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/coracoralina/index.php?p=4236)

�OBJETIVO 6
ASSEGURAR A DISPONIBILIDADE E GESTÃO
SUSTENTÁVEL DA ÁGUA E SANEAMENTO
PARA TODOS
oBJETIVO 7
ASSEGURAR O ACESSO CONFIÁVEL,
SUSTENTÁVEL, MODERNO E A PREÇO
ACESSÍVEL DE ENERGIA PARA TODOS

As bibliotecas oferecem o acesso público
à informação sobre água, uso de energia
e saneamento. Muitas bibliotecas
públicas e comunitárias de todo o mundo
são o único lugar onde as pessoas têm
acesso confiável a eletricidade para ler,
estudar e candidatar-se a um emprego.

�CEARÁ
Eficiência no consumo de energia elétrica em biblioteca
universitária
A Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) da Universidade Federal do Ceará
(UFC) desenvolve ações para a redução de custos com energia elétrica, em
consonância com o Plano de Logística Sustentável da universidade. Entre
as medidas adotadas figuram: fechamento de espaços durante o período de
férias; desligamento de ar condicionado em horários adequados; orientações
para desligar luzes sempre que o espaço não está sendo usado; instalação de
janelas de vidro para melhor aproveitamento da luz natural. Além do plano de
redução do consumo de energia, foram desenvolvidos indicadores que poderão
ser utilizados por outras bibliotecas.
(https://www.facebook.com/bcs.ufc/)

DISTRITO FEDERAL
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS
Administrado pelo Governo Federal, no âmbito da Secretaria Nacional de
Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério das Cidades (MCID), o SNIS é
o maior e mais importante sistema de informações do setor de saneamento
no Brasil, apoiando-se em um banco de dados que contém informações de
caráter institucional, administrativo, operacional, gerencial, econômicofinanceiro, contábil e de qualidade sobre a prestação de serviços de água, de
esgotos e de manejo de resíduos sólidos urbanos. O Sistema está dividido em
dois componentes: água e esgotos (SNIS-AE) e resíduos sólidos (SNIS-RS). As
informações do SNIS são coletadas anualmente e provêm de prestadores de
serviços ou órgãos municipais encarregados da gestão dos serviços, sendo a
base de dados de acesso livre.
(http://www.snis.gov.br/)

�OBJETIVO 8
PROMOVER O CRESCIMENTO ECONÔMICO
SUSTENTADO, INCLUSIVO E SUSTENTÁVEL,
EMPREGO PLENO E PRODUTIVO E
TRABALHO DECENTE PARA TODOS

Acesso público às tecnologias de informação
e os treinamentos em bibliotecas permitem que
as pessoas se candidatem aos empregos. A equipe
capacitada da biblioteca pode ajudar as pessoas
com os formulários online, escrever matérias
de apoio e encontrar o emprego apropriado.

�CEARÁ
Estação do Conhecimento
Programa implementado pela Biblioteca do Sistema Nacional de Emprego
- Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine IDT), em vigor desde 2015,
direcionado aos trabalhadores que procuram atendimento na instituição,
localizada no centro de Fortaleza - CE. O objetivo é desenvolver nos cidadãos
competências informacionais para o emprego, a partir de atividades educativas
e culturais, propiciando o aprimoramento pessoal e colaborando para a inserção
social. São ofertadas, diariamente, palestras planejadas e ministradas por equipe
multidisciplinar, abordando temas relativos ao processo seletivo de emprego. Mais
de 12 mil trabalhadores em busca de emprego já foram beneficiados pelo serviço.
(http://www.sineidt.org.br/VerNoticia.aspx?noticia=4999)

SÃO PAULO
Acolhimento ao cidadão
O projeto desenvolvido pela Biblioteca de São Paulo (São Paulo, SP) tem o
objetivo de promover a inclusão sócio cultural do cidadão, principalmente
albergados, moradores de rua e, recentemente, imigrantes bolivianos. O
acolhimento consiste na realização de algumas dinâmicas pela equipe com
esse público (jogos e músicas) estimulando o diálogo a partir de temas como
sentimento, trabalho, regras, tempo, futuro, expectativas entre outros. Dessa
forma, de maneira sutil e delicada, as pessoas se sentem à vontade para
apresentar suas demandas. Com essas informações a biblioteca, que também
conta com assistentes sociais em sua equipe, identifica ações que podem ser
promovidas internamente ou encaminham para a rede de serviços disponíveis
na cidade. Assim, uma série de atividades são realizadas pela biblioteca
continuamente, como oficinas para fazer um curriculum, oficinas de acesso à
internet, ajuda na busca por empregos nas redes e nos jornais, entre outros.
(https://bsp.org.br/)

�OBJETIVO 9
CONSTRUIR INFRAESTRUTURAS
RESILIENTES, PROMOVER
A INDUSTRIALIZAÇÃO INCLUSIVA
E SUSTENTÁVEL E FOMENTAR
A INOVAÇÃO

As bibliotecas são o coração das instituições de
pesquisa e da vida acadêmica. Elas propiciam o
acesso à internet de alta velocidade, infraestrutura
de pesquisa e profissionais capacitados. Em muitos
países as bibliotecas públicas e educacionais são os
principais ou os únicos provedores de acesso público
à internet de baixo ou nenhum custo, uma forma
fundamental de aumentar a conectividade.

�RIO GRANDE DO SUL
Biblioteca do Campus 2 da Universidade Feevale
Após uma reforma, a Biblioteca do Campus 2 da Universidade Feevale
(Novo Hamburgo – RS), teve sua área ampliada, com a criação de diferentes
ambientes: espaços para estudos individuais, salas de estudos em grupo,
laboratório de informática, espaços multiusos, mini auditório, estações
para consulta ao acervo, lounge e cafeteria. Disponibiliza máquinas de
autoatendimento para empréstimos e devoluções, bem como para realização
de cópias e digitalização. Conta, também, com a tecnologia Radio Frequency
Identification – RFID, seguindo estudos da Reitoria para adotar o conceito
de Smart campus. A biblioteca, uma das mais modernas do país, atende não
somente alunos, docentes e funcionários, mas também a comunidade externa,
por meio de um Cartão Relacionamento, que garante acesso às bibliotecas dos
campuses I e II e empréstimo de obras específicas.
(https://www.facebook.com/bibliotecafeevale/)

DISTRITO FEDERAL
Makerspace da Casa Thomas Jefferson
O Makerspace da Casa Thomas Jefferson - CTJ, em Brasília, é um ponto de
encontro da inovação para jovens empreendedores que atuam com tecnologias
digitais. O espaço tem fomentado a inovação e permitido que jovens
empreendedores tirem suas ideias do papel, promovendo o acesso a novas
tecnologias por meio de treinamentos abertos à comunidade, disponibilizando
ferramentas e aliando tudo isso ao baixo custo de uso dos equipamentos. De
maneira semelhante, os Resource Centers da instituição têm promovido
experiências singulares de aprendizado. Com um calendário permanente
de workshops e atividades gratuitas abertas ao público em geral, os RCs e o
Makerspace da CTJ promovem a aprendizagem mão na massa, com temas
como o letramento digital, a alfabetização cultural e científica.
(http://thomas.org.br/makerspace/)

�OBJETIVO 10
REDUZIR A DESIGUALDADE DENTRO
DOS PAÍSES E ENTRE ELES

Acesso equitativo à informação, liberdade de
expressão, liberdade de associação e reunião e
o direito à privacidade são fundamentais para a
independência individual. As bibliotecas contribuem
para reduzir a desigualdade proporcionando espaços
cívicos seguros e abertos a todos em áreas urbanas
e rurais em todo o mundo.

�SANTA CATARINA
Biblioteca e o Programa de Prestação de Serviços à Comunidade
A Biblioteca Pública Municipal e o Setor de Serviço Social do Fórum de
Justiça da Comarca de Brusque estabeleceram uma parceria, em 2011,
para encaminhamento e recebimento de pessoas penalizadas com uma
medida restritiva de direito: prestação de serviços à comunidade (PSC). Os
apenados são atendidos e encaminhados à Biblioteca pela Assistente Social
e, após entrevista com o Bibliotecário responsável e de acordo com o perfil
da pessoa e o tempo da pena, são designados a exercer as atividades, que
vão desde a organização de prateleiras, limpeza, etiquetação de materiais
até o atendimento ao público. Até o momento, o convênio possibilitou o
atendimento de 53 pessoas, além de permitir à Biblioteca a apresentação de
projetos para a obtenção de penas pecuniárias.
(https://www.facebook.com/BIBLIOTECA-P%C3%9ABLICA-MUNICIPAL-ARYCABRAL-BRUSQUESC-260732473960516/)

acre | amazonas| BAhia | ESpiríto Santo | MAranhão |
mato grosso | Paraná | Mato grosso do sul | Minas gerais |
santa catarina
Acessibilidade em biblioteca pública
Projeto iniciado em 2014, pelo Ministério da Cultura por meio do Sistema
Nacional de Bibliotecas Públicas e em parceria com a ONG Mais Diferenças,
com o objetivo de proporcionar a 10 bibliotecas de diversos estados condições
para oferecer produtos e serviços a pessoas com deficiência. Tradicionalmente,
as bibliotecas possuíam apenas livros em Braile para atender cegos, e
com o projeto foi possível dotar as bibliotecas de tecnologia assistiva para
atender as demandas das pessoas com deficiência. Foram adquiridos kits
de equipamentos distintos para cada biblioteca e promovidas sessões de

�capacitação com todas as equipes, seguidas de acompanhamento in
loco dos profissionais no atendimento das pessoas com deficiência. O
projeto previu, também, o acesso a livros, ensino da linguagem de sinais e
realização de oficinas inclusivas de promoção de leitura. Todo o conteúdo
do projeto está disponível eletronicamente, possibilitando que esse
material sirva de referência para replicação em outras bibliotecas do país.
(http://acessibilidadeembibliotecas.culturadigital.br/)

PARANÁ
Biblioteca da comunidade quilombola da Ilha de São Vicente/TO
Projeto desenvolvido pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) do
Instituto Federal do Paraná em parceria com a biblioteca do Campus
Curitiba junto à comunidade de remanescentes quilombolas da Ilha
de São Vicente, na cidade de Araguatins/Tocantins, com o objetivo de
organizar o acervo da biblioteca local. A execução das ações contou com o
envolvimento da comunidade, no sentido de possibilitar a autonomia em
relação a continuidade da organização no uso de técnicas e tecnologias
adequadas a sua realidade e condições materiais existentes. A parceria
comprovou a possibilidade do desenvolvimento de uma biblioteca a partir
das necessidades postas pela própria comunidade.
(http://reitoria.ifpr.edu.br/servicos/biblioteca/contato-bibliotecas/)

�OBJETIVO 11
TORNAR AS CIDADES
E OS ASSENTAMENTOS HUMANOS
INCLUSIVOS, SEGUROS, RESILIENTES
E SUSTENTÁVEIS

Bibliotecas desempenham um papel
fundamental na preservação de um
patrimônio cultural inestimável, em todas
as suas formas, para as futuras gerações.
A cultura fortalece as comunidades locais
e favorece o desenvolvimento inclusivo e
sustentável das cidades.

�SÃO PAULO
Horta fitoterápica
Projeto mantido pela Biblioteca Geraldo Ferraz, do Guarujá (SP), com o objetivo
de relacionar a sabedoria popular sobre plantas e ervas ao espaço de uma
biblioteca. As mudas vieram, principalmente, das casas próximas a biblioteca,
onde foi constatada uma grande riqueza natural, bem como o uso muitas vezes
inadequado das plantas medicinais, o que poderia ser corrigido por meio de
livros, no espaço da biblioteca. O projeto consolidou-se em 2009 com a criação
de um espaço lúdico pedagógico voltado para os visitantes da horta, com a
presença de especialistas que guiam os usuários em seus contatos com os
vegetais. Os usuários são estimulados a buscar orientação médica antes de fazer
a utilização de qualquer planta ou erva e a adquirir o máximo de informação
sobre as espécies, suas propriedades e melhores práticas e preparos nos livros
disponíveis na biblioteca.
(https://www.facebook.com/Bibliotecas-Municipais-deGuaruj%C3%A1-920404848096791/)

SÃO PAULO
Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura
O Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac) atua desde 2008
em Parelheiros, periferia sul de São Paulo, com baixos índices socioeconômicos e
extensa área rural e de preservação ambiental. Com as Sementeiras de Direitos,
grupo de jovens mulheres que nasceu na Biblioteca Comunitária Caminhos da
Leitura, busca respostas transformadoras para a violência contra as mulheres,
que precisam de renda para garantir sua autonomia e mudar hábitos alimentares.
Em 2017 criaram a cozinha industrial Amara para promover a mudança de
hábitos alimentares, valorizar plantas nativas da Mata Atlântica e os agricultores
orgânicos, investindo na vocação da região. Doze mulheres pesquisam, inventam

�receitas com plantas não convencionais e frutas nativas, reaproveitam alimentos,
espalham suas descobertas e produtos nas escolas e creches, cozinham com
gestantes, mães e crianças, vendem pães, bolos, geleias, refeições. Cuidam de si,
de sua gente, da região e da cidade.
(https://www.facebook.com/ibeac/)

�OBJETIVO 12
ASSEGURAR PADRÕES DE PRODUÇÃO E DE CONSUMO SUSTENTÁVEIS
OBJETIVO 13
TOMAR MEDIDAS URGENTES PARA COMBATER A MUDANÇA DO CLIMA
E SEUS IMPACTOS
OBJETIVO 14
CONSERVAÇÃO E USO SUSTENTÁVEL DOS OCEANOS, DOS MARES E DOS
RECURSOS MARINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
OBJETIVO 15
PROTEGER, RECUPERAR E PROMOVER O USO SUSTENTÁVEL
DOS ECOSSISTEMAS TERRESTRES, GERIR DE FORMA SUSTENTÁVEL
AS FLORESTAS, COMBATER A DESERTIFICAÇÃO, DETER E REVERTER
A DEGRADAÇÃO DA TERRA E DETER A PERDA DE BIODIVERSIDADE

As bibliotecas são instituições sustentáveis: elas compartilham recursos dentro
da comunidade e em nível internacional e garantem a todos o acesso à
informação. Todas as bibliotecas desempenham um papel significativo na
provisão de acesso a dados, pesquisa e conhecimento que apoia a pesquisa
informada e o acesso público à informação sobre mudanças climáticas,
sendo papel chave na preservação do conhecimento indígena - que
inclui tomada de decisão local sobre aspectos fundamentais da vida,
incluindo caça, pesca, uso da terra e gestão da água.

�PERNAMBUCO
Uso do lixo escolar para geração de renda e redução do impacto
ambiental
Projeto desenvolvido pela Biblioteca Especializada em Gestão Ambiental do
Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), campus Recife, em parceria com a
empresa Terracycle, com o objetivo de coletar resíduos de materiais de escrita.
Caixas coletoras foram instaladas em todos os campi do IFPE, complementadas
por ações de divulgação em site, redes sociais, cartazes. O material coletado
foi enviado à Terracycle, resultando em pontos que podem ser resgatados em
dinheiro para doação a qualquer instituição. Os frutos da primeira ação, realizada
em 2016, levaram à adoção do programa em fluxo contínuo, com envios feitos
semestralmente para coincidir com os términos dos períodos letivos da instituição.
(http://www.ifpe.edu.br/o-ifpe/biblioteca)

SÃO PAULO
Disseminação e acesso equitativo às informações relacionadas à
mudança climática e seus impactos globais pela Biblioteca Virtual
da FAPESP
A Biblioteca Virtual da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP) coleta, processa, armazena e compartilha os projetos de pesquisa financiados
pela FAPESP. Entre as linhas disponíveis para fomentar pesquisa em áreas consideradas
estratégicas para o país e para a ciência mundial, figura o Programa FAPESP de
Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, lançado em 2008, com o objetivo de
avançar o conhecimento sobre o tema e, a partir dos resultados das pesquisas, auxiliar
na tomada de decisões e adoção de estratégias. A Biblioteca mantém uma página
para o Programa, com informações sobre as bolsas, auxílios à pesquisa e referências de
seus resultados: artigos científicos, patentes, dissertações e teses, garantindo a todos o
acesso à informação em nível nacional e internacional.
(http://www.fapesp.br/pfpmcg/)

�OBJETIVO 16
PROMOVER SOCIEDADES PACÍFICAS
E INCLUSIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL, PROPORCIONAR O ACESSO
À JUSTIÇA PARA TODOS E CONSTRUIR
INSTITUIÇÕES EFICAZES, RESPONSÁVEIS
E INCLUSIVAS EM TODOS OS NÍVEIS

Para alcançar o acesso pleno à informação todos
devem ter tanto o acesso como as habilidades
para utilizar a informação de maneira efetiva como
expressado na Declaração de Lyon sobre o Acesso
à Informação e o Desenvolvimento. As bibliotecas
possuem habilidades e os recursos para apoiar os
governos, instituições e indivíduos a comunicar,
organizar, estruturar e utilizar a informação de
maneira efetiva para o desenvolvimento.

�PERNAMBUCO
Centro Comunitário da Paz – Compaz
O Centro Comunitário da Paz – Compaz, em Recife, foi concebido sob a ideia
de difundir a Cultura de Paz com o objetivo de garantir inclusão social e o
fortalecimento comunitário. Duas unidades já foram inauguradas, oferecendo
diversos atendimentos, atividades esportivas, espaços para resolver
pendências de documentação, tomar orientações sobre direito do consumidor,
mediar conflitos e informações sobre assistência social. Entre os destaques
está o Ateliê Compaz, cujo foco é capacitar os participantes para geração de
renda. Em ambas as unidades, as bibliotecas são o carro-chefe, trabalhando
uma nova dinâmica de conhecimento e cidadania para a cidade, com foco
prioritário no público jovem. As duas bibliotecas possuem computadores com
acesso à internet, wifi, salas de estudo e espaço infantil, oferecendo intensa e
diversificada programação cultural.
(http://www2.recife.pe.gov.br/pagina/conheca-o-compaz-fabrica-decidadania-do-recife)

�OBJETIVO 17
FORTALECER OS MEIOS DE
IMPLEMENTAÇÃO E REVITALIZAR
A PARCERIA GLOBAL PARA O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

As bibliotecas oferecem uma rede global de
instituições baseadas na comunidade dispostas a
apoiar planos de desenvolvimento nacional a nível
local e nacional como recursos para aprimorar a
tomada de decisões.

�DISTRITO FEDERAL
Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação Científica
– oasisbr
O Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação Científica - oasisbr é um
mecanismo de busca multidisciplinar que permite o acesso gratuito à produção
científica de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa
brasileiros. Por meio do oasisbr é possível também realizar buscas em fontes de
informação portuguesas. Inclui revistas científicas, repositórios institucionais,
repositórios temáticos, bibliotecas digitais de teses e dissertações e outras
fontes de informação de natureza científica e tecnológica ou academicamente
orientada. A iniciativa é fruto da cooperação das universidades e institutos
de pesquisa, com a coordenação do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia – Ibict, apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos –
FINEP, visando a inserção da ciência brasileira no contexto do acesso aberto à
informação científica.
(http://ibict.br/informacao-para-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/portalbrasileiro-de-acesso-aberto-a-informacao-cientifica-oasisbr)

�Mais sobre
a Agenda 2030

�Após a formalização da Agenda 2030, a Federação Internacional das Associações
e Instituições ligadas às Bibliotecas (IFLA) lançou o Programa Internacional
Advocacy Program (IAP), com o objetivo de mobilizar os profissionais no trabalho
de advocacy junto a Agenda 2030. Com a publicação “Access and Opportunity for
All: How Libraries contribute to the United Nations 2030 Agenda”1, traduzida pela
FEBAB2, a IFLA destaca exemplos concretos que permitem constatar que
as bibliotecas contribuem com o desenvolvimento da sociedade.
Alinhado ao Programa de Advocacy, a 27ª. Edição do Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentação – CBBD, ocorrido em 2017 teve como tema
central “Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas:
como as bibliotecas podem contribuir com a implementação da Agenda 2030”,
conclamando os profissionais brasileiros a relatar os programas e projetos
desenvolvidos em sintonia com as premissas estabelecidas pela Agenda.
A partir dos trabalhos apresentados no Congresso e contatos diretos com
bibliotecas e associações, a presente publicação foi organizada com o objetivo
de evidenciar a contribuição para a Agenda 2030 de bibliotecas de diferentes
tipologias e localizadas nos diferentes estados brasileiros.

1 https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/
documents/access-and-opportunity-for-all.pdf
2 http://www.febab.org.br/febab201603/wp-content/uploads/2017/02/IFLAAcesso-e-oportunidade-para-todos.pdf

��Federação Brasileira de Associações
de Bibliotecários e Instituições – FEBAB
Rua Avanhandava, 40 – Conjunto 110
São Paulo – SP
CEP 01306-000 – Brasil
www.febab.org.br
email: febab@febab.org.br

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50700">
                <text>Bibliotecas por um Mundo Melhor - Agenda 2030</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50701">
                <text>Agenda 2030&#13;
Bibliotecas&#13;
Advocacy</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50702">
                <text>Em 2016 entrou em vigor a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – que incluiu 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas. O documento apresenta uma visão ambiciosa do desenvolvimento sustentável integrando suas dimensões econômica, social e ambiental, constituindo-se na expressão dos desejos, aspirações e prioridades da comunidade internacional para os próximos anos. A agenda põe a igualdade e dignidade das pessoas no centro e chama a adotar um estilo de desenvolvimento, de forma equilibrada e integrada, respeitando diferentes realidades, capacidades, níveis de desenvolvimento, políticas e prioridades nacionais. O Brasil é um dos signatários dessa Agenda e, portanto, deverá empenhar-se para o cumprimento dos ODS. Em todo o mundo 320.000 bibliotecas públicas e mais de um milhão de bibliotecas parlamentares, nacionais, universitárias, de pesquisa, especializadas, comunitárias e escolares garantem que as informações e o conhecimento para utilizá-las estejam disponíveis para todos, convertendo-se em instituições fundamentais para a era digital. Muitos programas e projetos estão sendo realizados para apoiarem o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, pois as bibliotecas estão comprometidas com esse chamado mundial por um mundo mais justo, solidário e com respeito ao meio ambiente. As bibliotecas brasileiras também estão engajadas e fazendo a diferença nas comunidades onde atuam. Nós da Federação Brasileira de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) - uma instituição que milita por mais e melhores bibliotecas no país- compilamos alguns exemplos para mostrar que as bibliotecas são parceiras estratégicas para o cumprimento dos ODS. Esse trabalho pode ser potencializado se tiver mais apoio do poder público e sociedade civil. As bibliotecas podem também contribuir com a comunicação entre os municípios, estados e governo federal, mostrando os avanços que estão ocorrendo no país sobre a  Agenda 2030 para as comunidades onde elas estão inseridas. A seguir mostramos os exemplos e seus alinhamentos com os ODS.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50703">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50704">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50705">
                <text>2018</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50706">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50708">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50709">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68088">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="4">
        <name>2030</name>
      </tag>
      <tag tagId="24">
        <name>Advocavy</name>
      </tag>
      <tag tagId="9">
        <name>Agenda2030</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4601" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3671">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/41/4601/BiblioteconomiaSocial.pdf</src>
        <authentication>4760481b9a0d285c3462d55512ae3728</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="51219">
                    <text>0

[Ano]

�1

BIBLIOTECONOMIA SOCIAL:
POSSÍVEIS CAMINHOS PARA
CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA

�2

JORGE SANTA ANNA
EDCLEYTON BRUNO FERNANDES DA SILVA
MARIA ELIZABETH DE OLIVEIRA COSTA
(Organizadores)

BIBLIOTECONOMIA SOCIAL: POSSÍVEIS
CAMINHOS PARA CONSTRUÇÃO DA
CIDADANIA

Belo Horizonte
ABMG
2018

�3

© 2018 Jorge Santa Anna
2018 Editora ABMG
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização
escrita dos autores.
COMISSÃO AVALIADORA:
- Professor Mestre Jorge Santa Anna – Universidade Federal do Espírito Santo
- Professor Mestre Edcleyton Bruno Fernandes da Silva – Universidade Federal da Paraíba
- Bibliotecária Mestra Maria Elizabeth de Oliveira Costa – Universidade Federal de M.
Gerais
NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
REVISÃO TEXTUAL E NORMALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
PROJETO GRÁFICO E FORMATAÇÃO DA CAPA: Norma Padrão - Apresentação e divulgação
do trabalho científico
MONTAGEM DA CAPA: Norma Padrão
PRODUÇÃO GRÁFICA: Norma Padrão
ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS - ABMG
Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício Rotary,
Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Demais membros: Jorge Santa Anna, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Andrea
Brandão, Graciane Borges, Taciane Rodrigues e Maria Clea Borges

�4

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a todos os envolvidos nas atividades de desenvolvimento desta obra, sobretudo
os que acreditaram em registrar os conteúdos textuais manifestados ao longo das seções deste
livro, tais como organizadores, autores, revisores, normalizadores e prefaciadores.

A todos os membros da Associação de Bibliotecários de Minas Gerais, gestão 2018-2021.
À Norma Padrão – Apresentação e Divulgação do Trabalho Científico pelas disposições
gráficas realizadas na capa e contracapa da obra.

À Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerias, especificamente às bibliotecárias Alessandra
Gino e Fátima Falci, pela criação dos registros catalográficos.

À Escola de Ciência da Informação, da Universidade Federal de Minas Gerais,
especificamente ao Centro de Extensão pela contribuição em oportunizar o evento de
lançamento do livro e, também, aos alunos Andreza Gonçalves, Jéssica de Sá e Vinicius
Alves dos Santos, pela organização e monitoria nesse momento.

A todos os bibliotecários e bibliotecárias do Brasil pelo incentivo e pelas energias positivas
manifestadas nas redes sociais e/ou em outros canais de comunicação/divulgação, no decorrer
do desenvolvimento deste trabalho.

Nosso muito obrigado!

Os organizadores

Belo Horizonte, 20 de dezembro de 2018.

�5

“A informação é o insumo capaz de transcender paredes, horizontes e
contextos, promovendo a transformação de pessoas, instituições e da
própria sociedade” (MCGARRY, 1999).

�6

PREFÁCIO

Fiquei surpresa e imensamente feliz ao receber o convite do bibliotecário Jorge Santa
Anna, que, junto a Edcleyton Bruno Fernandes da Silva e Maria Elizabeth de Oliveira Costa,
idealizaram o livro Biblioteconomia social: possíveis caminhos para construção da
cidadania, publicado pela Associação de Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG). Senti-me
lisonjeada e agradecida, até porque essa é uma responsabilidade nunca antes a mim atribuída.
O livro é fruto de um belo e instigante trabalho realizado por uma nova geração de
pesquisadores de Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins, no qual estão
envolvidos professores, alunos e bibliotecários dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo,
Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, Bahia, Pernambuco e Amazonas que se
debruçaram sobre a temática da Biblioteconomia Social.
O livro está dividido em quatro partes e subdivido em vinte capítulos, abordando
temas ligados à Biblioteconomia Social e à utilização da leitura, como meio transformador
nos diferentes espaços físicos e contextos da sociedade, objetivando a democratização do
acesso à informação como forma de conscientizar o cidadão, visando minimizar as
desigualdades sociais.
Aliando teoria à prática bibliotecária, os autores buscam promover reflexões nos
âmbitos cultural, político e social, propondo mudanças de cunho comportamental que possam
vir a colaborar significativamente para estimular e transformar as pessoas.
As experiências aqui apontadas sinalizam que há possibilidade de proporcionar o bemestar da sociedade, por meio de contribuições da Biblioteconomia para além das instituições,
sejam elas públicas ou privadas, com ações e práticas voltadas aos diferentes cenários da
sociedade como hospitais, periferias, presídios, centros urbanos, dentre outros.
Adotar uma postura pró-ativa e engajar-se em questões voltadas a promover políticas
públicas que possam garantir apoio e maiores investimentos financeiros, que transcendam os
espaços físicos das bibliotecas, têm sido um constante desafio para os bibliotecários que,
mesmo diante de todas as adversidades enfrentadas no seu cotidiano, não se deixam abater.
E quanto a você, o que tem feito nesse sentido?

Valéria Rodrigues de Oliveira Pozzatti
Bibliotecária. Mestre em Biblioteconomia pela
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UniRio

�7

SUMÁRIO

REFLEXÕES INICIAIS ........................................................................................................ 11
PARTE I - BIBLIOTECONOMIA SOCIAL: UM FENÔMENO OBSCURO À
REALIDADE BRASILEIRA ................................................................................................ 13
Capítulo I - Biblioteconomia e sociedade: resgatando o pensamento de Jesse Shera .............. 14
Capítulo II – O bibliotecário escolar e o incentivo à leitura: a contação de histórias como
prática educativa ....................................................................................................................... 23
Capítulo III - Empreendedorismo social na Biblioteconomia: análise da atuação bibliotecária
em ações com foco na agenda 2030 ......................................................................................... 36
Capítulo IV - O papel da biblioteca comunitária como instrumento de inclusão social .......... 53
PARTE

II

-

BIBLIOTECAS

TRANSFORMADOR

DA

NO

LEITURA

FOMENTO
EM

À

LEITURA:

DIFERENTES

O

PODER

CONTEXTOS

DA

SOCIEDADE .......................................................................................................................... 69
Capítulo V – Quarta da contação: histórias contadas por crianças. ..........................................70
Capítulo VI - Implantação de bibliotecas em terminais urbanos da grande Vitória-ES: um
relato de caso ............................................................................................................................ 82
Capítulo VII - Letramento informacional em bibliotecas: para além do processo de
alfabetização ........................................................................................................................... 104
Capítulo VIII - Leitura como processo de integração entre a subjetividade do leitor e o
contexto sócio-histórico.......................................................................................................... 113
Capítulo IX - Sistema de bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais: criação do
espaço de leitura para o lazer no ambiente universitário ........................................................ 125
PARTE III - A BIBLIOTECONOMIA EM ESPAÇOS E CONTEXTOS DE
VULNERABILIDADE......................................................................................................... 138
Capítulo X - Projeto de instalação do espaço de leitura em clínica pediátrica de Hospital
Universitário ........................................................................................................................... 139
Capítulo XI - O bibliotecário no contexto do encarceramento: das instituições escolares aos
presídios .................................................................................................................................. 150

�8

Capítulo XII - Práticas informacionais de presas gestantes do Centro de Referência a Gestante
Privada de Liberdade do município de Vespasiano-MG: um relato de experiência .............. 173
Capítulo XIII – Remição de pena pela leitura: o lugar da Biblioteca Prisional no processo de
ressocialização ........................................................................................................................ 188
Capítulo XIV - A função da biblioteca comunitária nas regiões inacessíveis ao conhecimento
................................................................................................................................................ 203
capítulo XV - “O essencial é invisível aos olhos”: Sala Braille da Biblioteca Pública de Lagoa
Santa-MG ............................................................................................................................... 215
Capítulo XVI - A informação utilitária como um direito do cidadão: das bibliotecas públicas
aos centros de referências ....................................................................................................... 227
Capítulo XVII - O papel social da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais: uma
biblioteca para todos ............................................................................................................... 241
PARTE IV - PRÁTICAS BIBLIOTECÁRIAS EM FACE DO MOVIMENTO
ASSOCIATIVO .................................................................................................................... 254
Capítulo XVIII - Por uma sociedade mais justa e igualitária: o papel do movimento
bibliotecário na democratização do conhecimento ................................................................. 255
Capítulo XIX - Vivências e práticas no âmbito do Conselho Regional de Biblioteconomia. 268
Capítulo XX - Participação no movimento associativo: Associação de Bibliotecários de Minas
Gerais e o seu grande desafio ................................................................................................. 283
À GUISA DE CONCLUSÕES - BIBLIOTECONOMIA SOCIAL: O FUTURO EM
PERSPECTIVA .................................................................................................................... 304
312
DADOS BIOGRÁFICOS ................................................................................................... 3112

�9

REFLEXÕES INICIAIS

Jorge Santa Anna
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva
Maria Elizabeth de Oliveira Costa

A trajetória histórica da área de Biblioteconomia - seja no contexto brasileiro quanto
internacional – tem revelado o desenvolvimento e contribuição das práticas profissionais
realizadas por bibliotecários nos mais diferenciados contextos e instâncias.
Dentre as diversas atividades biblioteconômicas realizadas, consideramos de extremo
valor para a sociedade contemporânea, os projetos interventivos realizados em prol da
sociedade, por meio de um campo denominado de Biblioteconomia Social.
Portanto, apresentamos à comunidade científica/profissional esta obra, a qual tem o
intuito de discorrer alguns desses projetos desenvolvidos ou discursos proferidos pelos
bibliotecários que acreditam no potencial da área para a construção de uma sociedade mais
justa, cidadã e igualitária.
Os projetos e discursos apresentados neste livro são aqueles que, na maioria das vezes,
permanecem obscuros aos olhos da sociedade, uma vez que acabam ficando “engavetados”
nas instituições, carecendo de uma maior visibilidade.
A ideia em formalizar este compêndio de textos é uma iniciativa da atual diretoria da
Associação de Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG), que - inquieta pela falta de
divulgação dessas atividades – propôs esse empreendimento, de modo a fortalecer a função
social e política do bibliotecário e da biblioteca em uma sociedade que busca pelo
desenvolvimento sustentável ao longo do século XXI.
Consideramos que a ideia em publicitar este livro está em consonância com os
esforços realizados em prol do desenvolvimento sustentável, conforme Agenda 2030 da
Organização das Nações Unidas e que foi aderida pela Federação Internacional de
Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA). Assim, bibliotecas e bibliotecários, por meio
dos projetos sociais, interferem na melhoria da qualidade de vida das pessoas, possibilitando o
exercício da cidadania a todas as classes sociais, sobretudo as minorias.
O livro tem a pretensão de fundir teoria e prática, o que possibilitou a participação de
pesquisadores e profissionais de vários estados brasileiros. Os estudos aqui apresentados é
fruto das experiências vivenciadas pelos autores, ou projetos gerenciados dentro e foras das

�10

bibliotecas, como também, envolvem discursos teóricos que propiciam o fortalecimento do
campo social na área biblioteconômica.
Com efeito, a obra está composta por vinte capítulos, distribuídos em quatro seções, as
quais mencionam, sequencialmente: 1 – o campo da Biblioteconomia Social; 2 – os projetos
de leitura nos mais diferenciados contextos; 3 – projetos interventivos que possibilitam
melhorias nas vidas das pessoas; e 4 – práticas bibliotecárias no âmbito político, que
viabilizam o fortalecimento da classe e da sociedade, em geral.
Esperamos que este livro desperte aos leitores uma maior aproximação com o campo
da Biblioteconomia Social, de modo a fortalecê-lo, tanto na formação quanto na vivência
profissional. Além disso, é almejado o desejo de que toda a sociedade reconheça o potencial
desse campo, sobretudo os agentes governamentais, no intuito de que sejam elaboradas
políticas públicas direcionadas a possibilitar a expansão dos projetos sociais realizados pela
Biblioteconomia, rumo a uma sociedade mais democrática, inclusiva, participativa e cidadã.

�13

PARTE I

Biblioteconomia
Social: um fenômeno
obscuro à realidade
brasileira

�14

CAPÍTULO I
BIBLIOTECONOMIA E SOCIEDADE: RESGATANDO O PENSAMENTO DE JESSE
SHERA

Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO

A preocupação social constitui um dos principais objetivos das ciências e das profissões,
sobretudo àquelas que se desenvolveram e convergem princípios e valores de acordo com as
mudanças da contemporaneidade. O discurso científico, filosófico, político e profissional se
desenvolvem pela e para a sociedade, não sendo possível, portanto, dissociá-los, nem, tampouco,
pensar em estabelecer concepções antagônicas entre eles.
A historiografia do conhecimento científico e filosófico nos mostra claramente essa
indissociabilidade, estando essa tendência originada em nossos primórdios. Essa preocupação se
acentua ainda mais, com a expansão do conhecimento científico e tecnológico, e os possíveis
impactos oriundos dessa evolução, sobretudo com as grandes revoluções dos últimos séculos, tais
como Revolução Francesa e Industrial, que implementaram novos modelos de produção, consumo e
circulação de capital na sociedade.
Esse modelo implantado intensifica o debate acerca da relação entre o que se cria e para
quem, promovendo, por conseguinte, um campo fértil destinado às disputas de poder, como
também, os reflexos desse sistema aos indivíduos, o que consolida um discurso amplo em prol das
desigualdades sociais. Grandes pensadores, ao longo de suas vivências, tal como Foucault,
Durkheim, Bourdieu, Marx, dentre muitos outros comungavam dessa ideia, colocando em debate os
conflitos, as forças, os interesses e demais condições que, em conjunto, acabavam por denunciar
injustiças e propor explicações para a pacificação do sistema.
Foucault (1972), por exemplo, nos traz indícios de que a sociedade se evolui à medida que o
conhecimento científico é descoberto e utilizado, para propósitos e benefício da própria sociedade.
Logo, a concepção filosófica sustenta a ciência, que, por sua vez, reflete na vivência social,
remodelando o fazer profissional e beneficiando indivíduos e instituições.
Pensar o lado social da ciência e das profissões, portanto, é uma necessidade emergente,
visto que toda e qualquer profissão coloca-se a serviço de uma causa, de modo a beneficiar, de

�15

imediato, um grupo de envolvidos. Ao mesmo tempo, entender a realidade social constitui um
primeiro passo na resolução de problemas sociais, visto que, é por meio deste entendimento que
alternativas podem ser pensadas, para apaziguar ocorrências mais impactantes.
Os filósofos citados nos deixaram um legado triunfal, rumo a uma sociedade que, mesmo,
ilusoriamente, poderíamos considerar de “sociedade sem conflitos”. Compreender os reflexos da
Revolução Industrial e os meios de produtividade seria, portanto, uma forma para explicar
tendências ao suicídio, como atestou Marx (2006). Outro exemplo dessa relação envolve, por
exemplo, a liberdade de escolhas, e a formação de grupos e contextos específicos, que
compartilham crenças e hábitos em comum, conforme proposto na teria bourdiana (BOURDIEU,
1983).
Acreditamos que compreender essas relações firmadas entre profissão e sociedade é de suma
importância para levantar denúncias sociais, como também propor melhores condições de vida,
tanto para profissionais envolvidos com uma causa, como também aos cidadãos, de uma forma
geral. Isso, provavelmente, tende a desencadear a consolidação dos direitos humanos e a promoção
de uma sociedade cada vez mais democrática.
Na área da Biblioteconomia, por exemplo, reforçamos a ideia de que a preocupação com o
social precisa inserir-se no cotidiano dos profissionais, como também deve fazer parte do
fundamento teórico e prático dessa ciência. Isso se justifica pelo fato de que, durante muito tempo,
o discurso que sustentou essa área esteve pautado em um tecnicismo exacerbado, o que provocou o
afastamento com as causas humano-sociais.
A concepção humanista da Biblioteconomia, certamente, é impulsionada com a Escola de
Chicago, em meados do século XX, nos Estados Unidos, para a qual destaca-se como ícone nesse
pensamento Jesse Shera, formado em Biblioteconomia, possuidor de uma habilidade impressionante
no ato de catalogar, mas que, não perdeu a sua vocação para as Ciências Sociais e Humanas. Esse
olhar social proposto pelo teórico promoveu um viés mais humanizado aos registros do
conhecimento e, portanto, uma preocupação com o uso desses na sociedade, abrindo novas
possibilidades de se redefinir as práticas bibliotecárias, muito além dos registros e dos acervos,
fortalecendo a participação dessa área no desenvolvimento da sociedade.

�16

2 ALÉM DOS LIVROS E DAS BIBLIOTECAS: RESGATANDO O PENSAMENTO DE
JESSE SHERA

Jesse Hauk Shera nasceu no ano de 1903, em Oxford, Ohio, Estados Unidos. Filho de
camponeses, destacou-se muito na prestação de serviços de catalogação na Biblioteca Universitária
de Chicago, o que o impulsionou a graduar-se nessa área, exercendo inúmeras contribuições,
também, ao Instituto Americano de Documentação, mais tarde denominado de Sociedade
Americana de Cientistas da Informação (ENCICLOPÉDIA, 2007).
A atuação intensificada com a Biblioteconomia, seja no fazer profissional, quanto aos
estudos científicos que desenvolveu, ao longo do tempo, fez-lhe adquirir reconhecimento entre os
profissionais e estudiosos da área, sobretudo por impulsionar a corrente humanista, a qual sustentou
a Biblioteconomia norte-americana, e que muito contribuiu para o desenvolvimento dos estudos
sociais.
Figura 1 – Shera, defensor da corrente humanista na área da Biblioteconomia

Fonte: Enciclopédia (2007).

O engajamento desse profissional, pesquisador e escritor fortaleceu a desvinculação da área,
tão somente, à concepção tecnicista, preocupada com questões técnicas e operacionais. Contribuiu
para instigar os primeiros estudos sobre uso de sistemas automatizados por humanos, além de
práticas no serviço de referências nas bibliotecas. Segundo esse teórico, qualquer que seja o

�17

objetivo da biblioteca, do bibliotecário e dos registros que são construídos, tudo deve ser feito para
uso na sociedade (SHERA, 1976).
O conhecimento e o interesse nos estudos da Sociologia permitiram ao autor fundir o fazer
bibliotecário, comumente realizado em bibliotecas, com as questões sociais, em que o centro das
atenções deixa de ser a biblioteca, os acervos e coleções, para ser os problemas sociais e a
contribuição desses fazeres para melhoria da vida dos indivíduos, discurso esse que permitiu
atribuir à Shera uma denominação muito mais ampla, dita por muitos como “sociólogo do
conhecimento” (BUDD, 2002).
Defendendo a necessidade de maior fundamentação da área, mediante o diálogo com a
Epistemologia Social, propõe a abrangência do fazer às diversas instâncias da sociedade, em que a
proposta bibliotecária precisa ir muito além, extravasando os muros das instituições. Assim, o
objetivo que precisa operar “[...] é aumentar a utilidade social dos registros gráficos, seja para
atender à criança analfabeta absorta em seu primeiro livro de gravuras, ou um erudito absorvido em
alguma indagação esotérica [...]” (SHERA, 1977, p. 11, grifo nosso).
Constata-se que o pensamento de Shera (1977) reflete uma reconfiguração da área, de modo
a complementá-la. Envolve todas as alternativas possíveis para que o conhecimento seja acessado e
utilizado pelo homem, no intuito de que possam ser estabelecidas melhores condições de vida.
[...] Portanto, se a Biblioteconomia deve servir à sociedade em toda extensão de suas
potencialidades, deve ser muito mais do que um monte de truques para encontrar um
determinado livro numa estante particular, para um consulente particular. Certamente é isso
também, mas fundamentalmente Biblioteconomia é a gerência do conhecimento. Por isso,
estes novos mecanismos projetados para manipular conhecimentos a fim de que o homem
possa alcançar melhor compreensão do universo no qual se encontra, são de especial
interesse para o bibliotecário [...] (SHERA, 1977, p. 11, grifo nosso).

Nesse diálogo, salienta-se que o papel do bibliotecário vai além da mediação, visto que esse
profissional, em conjunto com as propostas da instituição, demonstra aos usuários, por meio da
disseminação do conhecimento, a compreensão da evolução histórica, das transformações sociais, o
que evidencia, por meio desse reconhecimento, encontrar possíveis soluções aos conflitos sociais.
A evolução das bibliotecas revela que essas unidades foram se desenvolvendo ao longo do
tempo, a ponto de que, nos dias atuais, elas deixaram de ser repositório restrito de conhecimento e
passaram a ser centros de propagação do conhecimento, tendo como foco fornecer indícios para o
desenvolvimento individual, cultural e social.
Nosso sociólogo do conhecimento reforça a multiplicidade das funções atribuídas ao
bibliotecário e à biblioteca, na sociedade moderna, em que predominam as funções de apoio a
diversas instituições, como: “[...] empresas e organizações industriais, o sistema educacional em
todos os níveis, a cultura popular e o crescente movimento para auto-educação [...]” (SHERA, 1973,

�18

p. 88, tradução nossa). Ademais, o bibliotecário tem o compromisso com o uso do conhecimento
pelos humanos, o que envolve um contexto altamente complexo, problemático e que requer um
engajamento extrínseco à biblioteca. Assim, esse profissional precisa ser “[...] o mediador entre o
homem e livro, onde livro é um termo genérico que inclui todos os registros gráficos, e é sua
especial responsabilidade de operar nessa associação complexa de registro e mente humana
[...]” (SHERA, 1973, p. 88, tradução nossa, grifo nosso).
Destaca-se, na filosofia de Shera, as ações desenvolvidas em ambientes mais distantes da
sociedade, ou contextos que requerem uma intervenção mais acentuada, seja por parte do
profissional, quanto dos envolvidos com a gestão social. Nessa seara, a Biblioteconomia e todo o
seu corpus de conhecimento teórico e metodológico tornam-se agentes da democracia, “[...]
alcançando sua influência até mesmo aos desprivilegiados e socialmente desfavorecidos, mas
sempre foi uma parte do tecido da sociedade, refletindo as atitudes, valores e objetivos da cultura
que a apoiava” (SHERA, 1973, p. 88, tradução nossa).
A abrangência das práticas biblioteconômicas é alcançada por meio de uma discussão mais
profunda, em que pese os fundamentos propostos pelas ciências sociológicas e epistemológicas, tais
como a Epistemologia Social (SHERA, 1977). Essa disciplina condiciona argumentos que
fundamentam as pesquisas e, por decorrência, tendem a redefinir os fazeres dos profissionais, com
vistas a garantir a universalização/democratização do conhecimento e a aplicação desse para uso
junto às questões sociais.
A busca por uma sociedade democrática se manifesta por meio do acesso à informação e ao
conhecimento. Essa afirmação é praxe em diversas áreas do conhecimento e é consenso entre
especialistas e gestores de instituições. A Biblioteconomia ganha espaço nesse contexto, sobretudo
com o papel social atribuído à área e às unidades e serviços de informação. E esse espaço é
alcançado, principalmente, com o uso de equipamentos e serviços tecnológicos que passam a ser
ofertados à comunidade, criando uma relação mais próxima entre instituição e usuários, como
relatado por Shera (1972).
A reconstrução ou embasamento científico e pragmático da área passa pela questão social e
requer uma discussão que permeie o ambiente científico, educacional e profissional. A união desses
agentes e a consideração de diferentes contextos em que o conhecimento é gerado e disseminado
precisam ser o sustento da área, para que o compromisso social se manifeste. Portanto, trata-se de
um processo que se complementa pela ação conjunta, levando em conta as formas com que o
conhecimento é coordenado, integrado e colocado a funcionar (a praticidade do conhecimento na
vivência social). E, na maioria das vezes, esse processo é complexo, visto que há barreiras a serem
superadas, uma vez que existem forças ou pressões específicas de um dado local, ou seja, forças

�19

intelectuais, regidas por interesses próprios, que acabam por modelar as estruturas e as instituições
sociais (SHERA, 1972).
As forças intelectuais, na maioria das vezes, impregnadas sob um viés cultural e politizado,
acabam por gerar relações hierárquicas, em que há predominância de domínio do poder,
promovendo diferenças e exclusões. Manifestam-se, nesse âmago, uma sociedade que adestra
determinadas concepções, ou seja, uma sociedade disciplinar, em que são construídas, legitimadas e
seguidas regras pré-estabelecidas, conforme discorrido por Foucault (1979).
Essas relações representam uma forma de controle social, por um lado, mas podem ser
compreendidas, por outro, como manifestação para geração de privilégios. É nessa segunda questão
que o comprometimento social da Biblioteconomia e demais áreas das Ciências Sociais encontra
respaldo, ou melhor, essas ciências manifestam-se como denunciadoras da realidade e
emancipadoras dos sujeitos. Como emancipação do sujeito, a Biblioteconomia muito contribui,
mediante a oferta do conhecimento às pessoas, independente do contexto ou realidade a que se
inserem, o que evidencia a responsabilidade da área com a prática cidadã.
Além dos conflitos sociais existentes na sociedade e as diferentes causas de geração, há de
se considerar, também, as especificidades oriundas da cultura. A cultura é elemento fundamental
para formação da sociedade. Representa, ainda, um estimulador à democracia e liberdade de
expressão. Portanto, o estudo e/ou intervenção da Biblioteconomia nos contextos sociais deverão
considerar as interferências culturais nesses ambientes, respeitando-se as diferenças e garantindo,
sob o prisma da ética e dos bons costumes, a igualdade social e os direitos humanos.
Analisar os contextos sociais e as manifestações culturais nos leva a refletir sobre o conceito
de habitus, um elemento que possibilita o entendimento das diferenças culturais. Esse elemento
representa um conjunto de disposições conjuntamente constituídas, o qual “[...] enquanto estruturas
estruturadas e estruturantes constituem o princípio gerador e unificador do conjunto das
práticas e das ideologias características de um grupo de agentes” (BOURDIEU, 2007, p. 191, grifo
nosso).
A valorização e o respeito à diversidade cultural são o caminho certo para consolidação dos
valores humanos e da igualdade de direitos, princípios norteadores dos estados democráticos. A
partir dessas condições, o compromisso profissional se amplia, extravasando os limites físicos das
instituições, indo ao encontro dos grupos sociais, sem considerar qualquer diferenciação que
proporcione algum tipo de discriminação, seja de raça, cor, classe social, gênero, opção sexual,
limitações físicas ou psicológicas, dentre outras tantas limitações e especificidades da sociedade
multicultural.

�20

Em Shera (1972, 1977), a Biblioteconomia reforça o potencial dela ao fundamentar-se em
teorias e princípios filosóficos, por meio da Epistemologia Social, que propõe o estímulo das
reflexões e da redefinição dos fazeres técnicos e humanos. Promove, a partir dessa provocação, uma
ação interventiva do bibliotecário no contexto social, mediante a construção de um perfil
profissional engajado e comprometido com as causas sociais.
A aproximação entre Biblioteconomia e sociedade se concretiza à medida que ações passam
a ser desenvolvidas para benefício das comunidades. Reforça-se, portanto, o papel das bibliotecas
públicas e populares na democratização do conhecimento, a ênfase atribuída aos usuários da
informação, e a delimitação de funções sociais propriamente ditas, como participação em
movimentos políticos e intervenções realizadas para benefícios de grupos marginalizados, como
relatado por Almeida Júnior (1997).
Por meio de uma Biblioteconomia renovada, certamente, atingiremos um nível mais elevado
de reconhecimento e valorização. É por meio da biblioteca e dos serviços que oferecemos com as
competências atribuídas ao bibliotecário que muito podemos contribuir para o desenvolvimento
social e a eliminação das desigualdades sociais. É preciso pensar e remodelar a biblioteca e o que
dela pode ser gerado; uma instituição
[...] que reflita e retrate as ideologias das classes oprimidas, geradas e mantidas por um
sistema embrutecido que escamoteia a realidade através de nebulosos conceitos de ordem e
progresso. Não importa o nome que se dê, [...] importa que a biblioteca caminhe ao lado e
com a maioria da população, auxiliando cada pessoa na busca do resgate de sua dignidade e
de sua condição de cidadão (ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 57).

A Biblioteconomia Social, portanto, não representa uma discussão meramente teórica, que
enobrece o discurso e a pauta de governos e interesseiros no domínio do poder. Ela precisa
concretizar-se, sobretudo nas ações operacionais realizadas por bibliotecários e suas equipes de
trabalho, nos mais baixos níveis hierárquicos da profissão. Isso nos alude afirmar que o discurso
precisa ser substituído pela ação, ou seja, mais praticidade é uma estratégia para garantir a expansão
das práticas bibliotecárias para além das paredes das instituições.
Como afirmado por Shera (1977, p. 10), em todas as áreas de conhecimento, é preciso
considerar que, “[...] o mundo do pensamento e o mundo da ação, embora um ou outro possa ser
dominante em dada sociedade, são sempre interdependentes [...]”. Todavia, tendo em vista que o
modelo cultural vigente “[...] torna-se cada vez mais complexo, esta interdependência se intensifica,
tornando-se de importância cada vez maior à sobrevivência”.
Romper os velhos paradigmas que sustentaram a área ao longo do tempo não representa uma
tarefa fácil, mas estimular uma discussão, resgatando a argumentação filosófica e a mudança de
atitude, haja vista um fazer mais proativo e interventivo, representa um importante passo a ser dado,

�21

rumo a uma sociedade mais justa, democrática e igualitária, o que permite reforçar o papel da
Biblioteconomia com o desenvolvimento do estado democrático.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Resgatar o pensamento de Jesse Shera acerca da aproximação da Biblioteconomia com a
Epistemologia Social representa um estímulo renovador para os profissionais da área atuarem de
forma mais interventiva, em uma sociedade democrática, cuja informação e o conhecimento
representam as molas propulsoras para o desenvolvimento individual, econômico, político, cultural
e social.
A leitura às reflexões propostas por esse sociólogo do conhecimento reforça a área
biblioteconômica, sobretudo diante das fragilidades impostas pelo contexto competitivo e instável
da pós-modernidade. Pensar a Biblioteconomia no viés social não deve ser um discurso fictício e
ilusório, tampouco, um modismo adepto apenas aos indivíduos politizados. Trata-se de uma
preocupação que deve permear o fazer dos bibliotecários em todos os níveis e instâncias de atuação,
como também exige o reconhecimento e valorização por parte das instituições mantenedoras e
apoiadoras e por parte das autoridades governamentais.
Ancorados nos discursos de Shera e tomando sua experiência de vida profissional como
testemunho, somos chamados a proclamar a Biblioteconomia Social, como um dos campos
emergentes a serem assumidos pelos profissionais, de modo que o tecnicismo exacerbado seja
complementado pelas questões sociais, tornando a prática bibliotecária mais abrangente e
aproximada com a realidade social.
Acreditamos que a questão social, no âmbito da Biblioteconomia contemporânea, perpassa
por inúmeros contextos, sustentada por projetos sociais inovadores e que não se limitam aos
espaços físicos das instituições, desde que objetive a construção da prática cidadã, rumo a uma
sociedade integralmente inclusiva. Assim, múltiplas atividades podem ser pensadas com esse
propósito, perpassando desde o potencial da leitura e da educação para as pessoas, até contextos de
vulnerabilidade, junto aos grupos mais desfavorecidos e/ou em situações de risco, como também,
abranger as intervenções realizadas no âmbito político, haja vista o fortalecimento, legitimidade e
reconhecimento da profissão na sociedade.
Que essas manifestações possam se fortalecer, tornando-se um compromisso prioritário dos
bibliotecários, o que tende a demonstrar o potencial da Biblioteconomia para a evolução da

�22

sociedade e a consolidação e permanência constante dos princípios e valores humanos nas gerações
vindouras.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Polis;
APB, 1997.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.
______. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.
BUDD, John. Jessa Shera. Sociologist of Knowledge? The Library Quarterly, v. 72, n. 4, out.
2002.
DURKHEIM, Émile. O suicídio: uma questão sociológica. São Paulo: Marins Fontes, 2000.
ENCICLOPÉDIA. Jesse Shera. 2007. Disponível em:
&lt;http://ucla245.pbworks.com/w/page/8751414/Jesse%20Shera&gt;. Acesso em: 05 nov. 2018.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Petrópolis: Vozes, 1972.
______. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
MARX, Karl. Sobre o suicídio. São Paulo: Boitempo, 2006.
SHERA, Jesse. Epistemologia social, semântica geral e Biblioteconomia. Ciência da Informação,
Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977.
______. Introdução à biblioteconomia: elementos básicos do serviço de biblioteca. Littleton:
Bibliotecas Ilimitadas, 1976.
______. The Foundations of Education for Librarianship. New York: Becker and Hayes, 1972.
______. Toward a Theory of Librarianship and Information Science. Ciência da Informação, Rio
de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 87-97, 1973.

�23

CAPÍTULO II
O BIBLIOTECÁRIO ESCOLAR E O INCENTIVO À LEITURA:
A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COMO PRÁTICA EDUCATIVA

Sara Suyane de Sousa Rodrigues
Laiana Ferreira de Sousa
Claudialyne da Silva Araújo
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva

1 INTRODUÇÃO

Muito se ouve falar nos inúmeros benefícios proporcionados pela leitura; por isso não é
nenhuma novidade que ela desenvolve o indivíduo intelectualmente e socialmente. A leitura é capaz
de proporcionar conhecimento,

criticidade,

poder de persuasão, habilidades

oratórias,

enriquecimento do vocabulário, dentre outras competências que a tornam uma ferramenta
fundamental para o crescimento e desenvolvimento cognitivo do ser humano. Essa prática está
presente em nossa sociedade de diversas formas, sendo utilizada em várias vertentes, desde textos
de entretenimento até livros científicos.
Além de desenvolver as habilidades listadas, a leitura também pode ser praticada como um
ato prazeroso, de lazer e entretenimento. Os livros literários são os maiores responsáveis por
proporcionar momentos de alegria, prazer e encantamento entre os leitores de todas as idades. Esse
tipo de prática aguça o imaginário, desperta os sentidos e leva o leitor a universos paralelos além da
sua realidade.
Mesmo diante de todas essas características atribuídas à leitura, nossa sociedade não é
considerada leitora. Dados da pesquisa Retratos de Leitura no Brasil 1, realizada em 2016, revelam
que o número de leitores ativos tem diminuído gradativamente. O estudo demonstra ainda que,
mesmo entre os estudantes regularmente matriculados e que frequentam a escola, o índice de leitura
é baixo, resultando em uma população não leitora, consequentemente, pouco pensante, pobre em
argumentos e com pouco poder de decisão.

1

Pesquisa
Retratos
de
Leitura
no
Brasil.
2016.
Disponível
em:
&lt;http://prolivro.org.br/home/images/2016/RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_CAPA.pdf&gt;.
Acesso em: 16 nov. 2017.

�24

É extremamente necessário que a leitura seja introduzida como prática prazerosa na vida das
crianças, já que elas formarão a sociedade pensante de amanhã. Geralmente, é na escola onde
acontecem os primeiros contatos das crianças com o universo leitor, contato inicial que muitas
vezes é decisivo para que elas se tornem leitores assíduos.
A leitura contribui diretamente para a formação da personalidade dos educandos. Por meio
do convívio com textos informativos e literários eles podem desenvolver o gosto pela
leitura, descobrir o mundo que o cerca e identificar suas preferências (GOMES;
BORTOLIN, 2011, p. 158).

As instituições de ensino estão mais conscientes do papel que exercem na formação leitora
de seus alunos e têm cedido, cada vez mais, espaço para atividades que propiciem a interação entre
as crianças e os livros. Sendo assim, se fazem necessárias iniciativas que sensibilizem e incentivem
a leitura, dinamizando-a e disseminando-a.
A contação de histórias tem se tornado uma das atividades mais utilizadas por educadores no
incentivo à leitura, por ser uma arte milenar que vem se perpetuando, ao longo dos tempos. Ela é
capaz de ampliar o universo literário, sendo uma prática que instiga o interesse do leitor. Dentro do
ambiente escolar, ela pode ser uma grande aliada no processo de iniciação à leitura, pois alia o
lúdico do “faz de conta” ao processo de letramento da criança.
Diante do exposto, o presente artigo tem como objetivo apresentar o bibliotecário escolar
como um dos principais agentes propulsores do incentivo à leitura dentro da escola, trabalhando
conjuntamente com as práticas pedagógicas curriculares. Evidencia-se a contação de histórias como
uma aliada da escola, que, mediante à ludicidade e dinamicidade, torna-se uma ferramenta
importante que auxilia no desenvolvimento leitor do estudante.
Este trabalho foi elaborado, por meio de revisão de literatura a materiais bibliográficos
referentes ao tema em questão. Foi também utilizada como referência para a pesquisa a vivência de
um dos autores no ambiente escolar, já que o mesmo trabalha na Biblioteca de uma escola particular
da cidade de Fortaleza-Ceará.
Este artigo está dividido em cinco seções. A primeira traz a introdução ao tema,
apresentando o objeto e os objetivos do trabalho. A segunda seção trata da biblioteca escolar,
abordando a importância da sua existência dentro da escola e as dificuldades para sua
implementação. Ainda na segunda seção, é apresentado o bibliotecário escolar e o novo perfil desse
profissional, atuando em atividades de mediação da leitura. A terceira seção aborda a metodologia
utilizada para a pesquisa. Na quarta, demonstram-se as atividades de mediação e incentivo à leitura,
que podem ser desenvolvidas na biblioteca escolar e apresenta a contação de histórias como uma
das mais eficazes para o estímulo à leitura. Mostra ainda, algumas possibilidades de se trabalhar
com a contação de histórias, por meio de técnicas e acessórios que podem aprimorar o trabalho. Na

�25

quinta e última sessão, apresentam-se os resultados da pesquisa, concluindo que os objetivos da
pesquisa foram atingidos ao se constatar que o bibliotecário tem um importante papel na construção
da identidade leitora e que a contação de histórias é uma arte efetiva no incentivo à leitura, que pode
ajudar a aproximar os alunos do universo leitor.

2 A BIBLIOTECA ESCOLAR

A biblioteca escolar no Brasil é uma realidade efetiva para um número reduzido de
instituições. Nosso sistema educacional ainda traz muitas lacunas a respeito da presença de
bibliotecas nas escolas do setor público e privado. Em geral, as instituições possuem um local
destinado ao funcionamento da biblioteca, mas que não é bem aproveitado para o fim a que se
destina. No setor público, a questão é ainda mais agravante, pois algumas instituições enxergam a
biblioteca, meramente como um “depósito” de materiais bibliográficos.
A lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, estabelece que em um prazo máximo de até dez
anos, a partir da data de publicação da referida lei, todas as escolas do setor público e privado
deverão dispor de uma biblioteca, ofertando o seu acesso à comunidade escolar e respeitando a
profissão do bibliotecário.
Em contrapartida a esse cenário, a importância da biblioteca no ambiente escolar vai além
das necessidades legislativas existentes. O ensino e a biblioteca devem ser aliados e trabalharem
conjuntamente para despertar e estimular o interesse pelos livros e pela leitura nos alunos.
A biblioteca se apresenta como uma grande aliada da escola na formação dos alunos. Além
da guarda, organização e disponibilização do acervo, é também tarefa dessa unidade de informação
a promoção e dinamização da leitura no ambiente escolar, por meio de atividades e projetos que
possibilitem despertar nos alunos o desejo pela leitura e desenvolver suas habilidades leitoras. “A
leitura, portanto, precisa ser constantemente estimulada; é necessário criar o hábito de ler, o prazer
de ler, o gosto pela leitura” (CAMPELLO, 2003, p. 3). A biblioteca é o espaço ideal para que esse
prazer pela leitura seja estimulado; ela deve ser ativa e se adequar ao ambiente e as necessidades do
leitor para que possa exercer seu papel com excelência.

�26

2.1 O BIBLIOTECÁRIO ESCOLAR E A MEDIAÇÃO DA LEITURA

Durante bastante tempo, o bibliotecário foi visto como um profissional altamente tecnicista,
que realizava um trabalho repetitivo e contínuo, tratando, armazenando e recuperando a informação
de forma convencional. De fato, há alguns anos, essa era a realidade da maioria desses profissionais
da informação.
Diante das novas configurações globais, o profissional precisou mudar e se adequar ao novo
cenário instaurado. As informações mudam e se transformam com freqüência; elas agora se
colocam mais acessíveis e em grande quantidade, consequentemente, as pessoas que necessitam
delas também têm um perfil diferente; são, agora, mais atentas, exigentes e dinâmicas. As
bibliotecas e os bibliotecários precisaram acompanhar essa tendência para se adequar a essa nova
sociedade e continuar a ter papel efetivo diante dela.
A técnica tem um significado específico no trabalho, não devendo ser desvinculada das
outras dimensões, como aconteceu durante muito tempo com as práticas bibliotecárias. Isto
significa que para o bibliotecário escolar ser competente, não basta o domínio de algumas
“técnicas”; é necessário que estas técnicas sejam fertilizadas pela determinação autônoma
dos objetivos e finalidades, pelo compromisso com as necessidades do coletivo e pela
presença da sensibilidade (FARIAS; CUNHA, 2009, p. 32).

O bibliotecário, portanto, tem agora, mais do que antes, o papel de agente socializador.
Além de tornar a informação acessível, ele também deve permitir que ela faça sentido ao seu
usuário e atenda às necessidades informacionais e sociais desse sujeito.
Dada essa extensão, o papel do bibliotecário está embutido na função de agente
socializador da informação, contribuindo no processo de aprendizagem dos indivíduos
através das mais diversas formas de leitura, como também em suas práticas, ajudando o
leitor a atingir um nível maior de complexidade no processo de ler/escrever e de produzir
sentidos (RASTELI; CAVALCANTE, 2013 p. 169).

A escola é um dos principais ambientes onde o bibliotecário irá atuar diretamente com
leitores em processo de formação. Portanto, na biblioteca escolar, esse perfil inovador se torna
ainda mais necessário, já que o seguimento é bastante desafiador e exige que o profissional tenha
um atendimento personalizado a cada usuário. Assim, “[...] a ação do bibliotecário escolar envolve
técnica e sensibilidade orientadas por princípios éticos e políticos” (FARIAS; CUNHA, 2009, p.
33).
Farias e Cunha (2009, p. 33) complementam, ainda, refletindo que,
é senso comum afirmar que a tarefa da escola é a formação de cidadãos. Diante disso, é
tarefa do bibliotecário escolar contribuir para essa formação, utilizando os recursos que
dispõe, analisando as situações de maneira crítica, consciente e comprometido com as
necessidades concretas do contexto social em que desenvolve seu trabalho. É por isso que,
quando falamos de competência temos que situá-la numa sociedade real.

�27

É importante que o bibliotecário escolar esteja atento às novas tendências literárias e as
preferências dos seus usuários, portanto, é interessante que ele invista na formação continuada, nas
pesquisas e esteja ligado a inovações e mudanças constantes. Além disso, de nada adianta dispor os
livros a usuários que não os procuram; é imprescindível que o profissional procure instigar os
alunos à leitura, apresentando meios dinâmicos de divulgação e incentivo. “No nosso entender o
bibliotecário escolar auxilia na formação do indivíduo, estimulando a comunicação [...]” (FARIAS;
CUNHA, 2009, p. 29).
Portanto, os bibliotecários, dentro das suas atribuições, exercem o papel de criar meios de
incentivar a leitura, agindo de forma interativa e dinâmica. A partir dessa concepção, Gomes e
Bortolin (2011, p. 158) salientam que “as atividades de promoção à leitura na escola contribuem
para que as crianças desenvolvam a curiosidade e busque novos conhecimentos, além de aproximálas da literatura”.
Esses profissionais podem contar com a mediação da leitura para realizar essas atividades
incentivadoras dentro do ambiente escolar, pois sua maior finalidade é proporcionar a comunicação
entre os livros e os alunos, estabelecendo elos entre as partes. Principalmente na biblioteca escolar,
a mediação é uma prática bastante eficaz, pois ela tem como premissas a dinamicidade e a
criatividade do mediador, o que proporciona uma atividade prazerosa aos mediados. “Na escola, por
exemplo, cabem aos mediadores de leitura, bibliotecários, professores, proporcionar aos educandos
iniciativas de leitura e essas iniciativas exigem dos mesmos uma postura dinâmica” (GOMES;
BORTOLIN, 2011, p. 158).
Educadores, de modo geral, precisam estar empenhados nessa missão de incentivo e
mediação da leitura, pois é papel fundamental da escola, formar leitores atuantes, pensantes e
questionadores.
Somos nós, bibliotecários e professores, os mais numerosos e frequentes mediadores
oficiosos de leitura. Nesse sentido, é importante que, como mediadores, tenhamos
conhecimentos teóricos sobre leitura e literatura, que nos dêem competência; conheçamos
os fundamentos de Psicologia, de Teoria do Conhecimento e outros mais, que nos dêem a
habilidade; dominemos o acervo disponível e que é lançado pelo parque editorial, que nos
dêem a segurança; que conheçamos a crítica da mídia, tanto quanto façamos a nossa própria
análise, que nos dêem a diretriz para a oferta, para o aconselhamento, para o processo de
mediação da leitura, enfim, tanto em nível particular quanto em nível coletivo (BARROS;
SILVA; BORTOLIN, 2006, p. 17).

Exercendo um importante papel para a disseminação da leitura dentro do ambiente
educacional e agindo como um educador, o bibliotecário tem a possibilidade de estimular nos
alunos o gosto pela leitura, mediante ao uso de atividades que fomentem a importância da leitura no
cotidiano do indivíduo. Nesse cenário, como mediador, ele estabelece um elo entre os livros e os

�28

leitores, ou seja, ele atua como o profissional “[...] que exerce atividades de aproximação entre
indivíduos e as obras de cultura [...]” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 242).
Marteleto (2009, p. 19) afirma que,
seja numa ou noutra acepção, a mediação implica sempre em acompanhamento, controle e
negociação por um “terceiro”, enquanto o sujeito que se beneficia de um processo de
mediação é levado a aprofundar o seu próprio ponto de vista e a descobrir outros. Sob o
ângulo da construção de sentidos, a noção se fundamenta no fato de que os sentidos não são
imanentes aos objetos, mas são construídos processualmente por sujeitos interpretantes,
apoiados em linguagens e dispositivos.

A mediação da leitura é uma atividade ampla, que oferece inúmeras possibilidades e que
pode ser trabalhada com diversos tipos de público, modificando apenas a maneira como ela é
aplicada.
Para garantir o maior sucesso nas iniciativas de mediação da leitura é importante que
bibliotecários e educadores estejam integrados nessa empreitada. Salienta-se, também, que
esses profissionais devem saber escolher a melhor forma de trabalhar com a leitura, de
acordo com o público que se deseja atingir. O fomento à leitura e a formação de leitores é
um caminho longo, e percorrê-lo não é tarefa fácil (RODRIGUES, 2013, p. 38).

Para trabalhar a mediação, o bibliotecário pode contar com alguns artifícios que facilitem a
sua tarefa. Apresentaremos, a seguir, a metodologia utilizada para a pesquisa e em seguida algumas
das atividades que podem ser trabalhadas pelo educador dentro do âmbito escolar.

3 METODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste trabalho, foi realizada uma pesquisa bibliográfica; para tal, foi
feito um levantamento de materiais bibliográficos. A pesquisa foi baseada em artigos, livros e
demais materiais que contivessem um segmento ou aprofundamento do tema proposto.
Entende-se por pesquisa bibliográfica a revisão da literatura sobre as principais teorias que
norteiam o trabalho científico. Essa revisão é o que chamamos de levantamento
bibliográfico ou revisão bibliográfica, a qual pode ser realizada em livros, periódicos, artigo
de jornais, sites da Internet entre outras fontes (PIZZANI et al., 2012, p. 53).

Esta pesquisa se configura como qualitativa, sendo uma abordagem que permite o viés
subjetivo, em que a produção do conhecimento e as impressões adquiridas no percurso podem ser
consideradas importantes para a sua realização e resultados.
De modo diferente da pesquisa quantitativa, os métodos qualitativos consideram a
comunicação do pesquisador em campo como parte explícita da produção de conhecimento,
em vez de simplesmente encará-la como uma variável a interferir no processo. A
subjetividade do pesquisador, bem como daqueles que estão sendo estudados, tornam-se
parte do processo de pesquisa (FLICK, 2009, p. 25).

�29

Utilizou-se a pesquisa do tipo exploratória, que se caracteriza por ser uma pesquisa mais
simples, que se familiariza com o assunto abordado, possibilitando que o pesquisador possa
conhecer a fundo o objeto em estudo. “As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade
desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e [ideias], tendo em vista, a formulação de problemas
mais preciosos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores” (GIL, 1999, p. 43). O
planejamento da pesquisa exploratória é bastante flexível e seus resultados são capazes de mostrar
evidências e elucidar questões já conhecidas pelo pesquisador.

4 ATIVIDADES DE INCENTIVO À LEITURA NA BIBLIOTECA ESCOLAR

Além de tornar o acervo organizado, acessível e disponibilizá-lo aos seus usuários, é
importante que a biblioteca escolar busque desenvolver o estímulo à leitura, por meio de práticas
que apresentem a leitura e aproximem os alunos do cotidiano leitor.
Apenas a disponibilização de livros não é o suficiente para formar leitores [...]. É necessário
também investir na valorização social da cultura letrada e na formação de educadoresleitores, principalmente bibliotecários, professores e acadêmicos. A importância de espaços
de leitura, públicos ou abertos ao público, através de sua função de difusor e facilitador do
acesso ao conhecimento da cultura escrita, precisa ser resgatada como um dos elos mais
democráticos da reivindicada igualdade social (CORREA, 2011, p. 1).

Bibliotecários, professores e educadores, de modo geral, precisam estar atentos às novas
necessidades leitoras dos alunos, às novas formas de se incentivar a leitura e de introduzi-los no
universo leitor.
A missão de incentivar a leitura torna-se ainda mais desafiadora quando se trata das
crianças. Por haver entre esse público pouco ou nenhum contato com os livros, é missão do
educador, tornar os primeiros contatos prazerosos, possibilitando que a leitura seja introduzida de
maneira positiva na vida dos aprendizes, abrindo portas para uma trajetória de afinidade com a
leitura no cotidiano da criança e futuro adulto leitor.
A leitura não se refere ao simples ato de decifrar o código escrito nem de apenas saber
localizar e repetir conteúdos específicos de um texto de forma linear e literal. É importante
destacar essa ideia, pois durante muito tempo se acreditou que bastava estar alfabetizado ou
ser capaz de repetir o que estava escrito para se compreender qualquer texto. Hoje sabemos
que um leitor proficiente é aquele que sabe utilizar procedimentos de leitura, de modo a
reconstruir os sentidos do texto, dialogar com ele, concordar, discordar etc. (ARMELIN;
GODOY, 2011, p. 65).

Apenas saber decifrar o que está escrito não é suficiente para que o aluno seja um leitor
assíduo; é necessário também que ele saiba o que está sendo lido e entenda o motivo e/ou

�30

importância da leitura. A obrigatoriedade que muitas vezes é imposta aos alunos nas escolas acaba
afastando-os da leitura, já que eles a veem apenas como uma atividade curricular, sem nenhum
atrativo para seu cotidiano. É preciso desmistificá-la e trabalhar para que ela seja reconhecida para
além de suas características pedagógicas. A seguir, apresentaremos algumas atividades que podem
ser introduzidas na biblioteca escolar para estimular a leitura entre os estudantes.


Rodas de leitura
Essa atividade pode ser aplicada para diversas faixas etárias, bastando adequar o conteúdo

para a sua realização. A roda de leitura se torna mais produtiva quando os alunos já são
alfabetizados, pois o principal objetivo dessa atividade é debater o conteúdo lido entre os
participantes. Assim, o mediador indica um livro ou uma temática e solicita que os participantes
façam a leitura para que possam compartilhar suas considerações com o grupo. Desse modo, todos
poderão ver o livro de diferentes pontos de vista, concordando ou não, gerando interações em torno
da leitura abordada.


Concursos literários
Além de ser uma ótima atividade incentivadora da leitura, os concursos literários também

desenvolvem várias habilidades nos participantes, tais como a escrita, ampliação do vocabulário, a
criatividade, autonomia, o senso de responsabilidade e de competição, entre outras. A biblioteca
escolar pode desenvolver esses concursos ao longo do período letivo, alterando apenas o gênero
literário. Poesias, cordéis, desenhos, paródias, cartas, redações, entre outros gêneros podem fazer
parte da temática central do concurso.


Saraus literários
Os saraus têm ganhado cada vez mais espaço entre as atividades artísticas e pedagógicas das

escolas. O sarau literário desenvolve a leitura, a oratória, a memorização e a desinibição dos alunos.
Um sarau poético, por exemplo, pode ter como tema um poeta específico ou diversos poetas,
aproximando os participantes e o público espectador do gênero em questão.
Atividades como “A hora do conto” são umas das mais utilizadas para mediar a leitura na
biblioteca escolar. A seguir, abordaremos a contação de histórias e sua contribuição para o incentivo
e disseminação da leitura no ambiente escolar.

�31

4.1 A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA ESCOLAR

Não se sabe ao certo quando a contação de histórias foi introduzida no cotidiano dos seres
humanos; sabe-se que antes mesmo de se dar conta, eles já narravam histórias. Essa arte, portanto,
tem suas raízes nas sociedades ancestrais que encenavam histórias para realizarem seus rituais e
mitos e para difundirem seus conhecimentos e experiências adquiridas ao longo do tempo
(RAMOS, 2011).
Por necessidade, prazer, costumes e tradições, a contação de histórias já faz parte da nossa
sociedade a milênios e mesmo com o surgimento e avanço da escrita e novas configurações
tecnológicas é uma arte que vem se perpetuando, ao longo dos tempos.
A narração oral precisou se reinventar e se adequar a nova sociedade da informação em que
está inserida, visto que hoje os narradores de histórias têm outro perfil, assim como os ouvintes que
também têm características, desejos e objetivos distintos.
As escolas têm reconhecido a eficácia pedagógica dessa prática, passando a inseri-la como
atividade artística, cultural e educacional no ambiente escolar. Sendo uma atividade leve, divertida,
que entrete, encanta e emociona, a contação de histórias é bastante indicada para o início do
processo de mediação de leitura, pois, segundo Gomes e Bortolin (2011, p. 161), “em um processo
de mediação na escola, o primeiro contato da criança com a leitura deve iniciar-se de maneira
natural, fazendo com que a leitura seja mais uma de suas brincadeiras”.
O bibliotecário, assumindo seu papel de mediador da leitura, pode encontrar na narrativa
uma importante ferramenta para a realização do seu trabalho. Trabalhando em parceria com os
professores e adaptando suas atividades às necessidades do currículo escolar, o bibliotecário exerce
seu papel de educador, sendo fundamental no processo de aproximação e inserção dos estudantes no
universo da leitura.
A contação de histórias entra nessa empreitada, sendo uma atividade que busca trabalhar
dentro do contexto exigido, histórias e temas que não só aproximem os alunos da leitura, mas os
faça refletir sobre a história em questão, e os temas abordados, que muitas vezes vão além das
literaturas clássicas já conhecidas. As histórias também abordam temas cotidianos, pequenos
conflitos reais e questões sociais.
Atualmente, a literatura direcionada à criança conta, além dos clássicos, de textos ditos
realistas. Os textos realistas, conquanto se querem diferentes dos clássicos ao substituir
fadas, bruxas e fantasias por pessoas e fatos cotidianos, também seduzem porque
comunicam as vivências das crianças em uma mensagem essencialmente artística
(CALDIN, 2002, p. 34).

�32

Dentro da biblioteca escolar, as narrativas orais podem tornar-se uma das maiores aliadas do
bibliotecário na efetivação do seu papel como incentivador da leitura, já que, geralmente, é na
escola onde as crianças dão seus primeiros passos rumo ao universo leitor. Sendo uma das maneiras
mais conhecidas e eficazes de se mediar a leitura, a presença desse profissional dentro da biblioteca
escolar se torna indispensável. O bibliotecário pode trabalhar com a contação de histórias de
diversas maneiras, usando sua criatividade e personalidade para dar vida a essa prática. “Contar
histórias é um experiência de interação. Constitui um relacionamento cordial entre a pessoa que
conta e os que as ouvem. A interação que se estabelece aproxima os sujeitos envolvidos”
(SCHNEID, [200?], p. 4).
A hora do conto é uma das atividades mais praticadas pelos educadores para o incentivo à
leitura em sala de aula, principalmente na educação infantil, quando as crianças estão estabelecendo
seus primeiros contatos com a leitura. “[...] Essa atividade pode despertar na criança a curiosidade
sobre o mundo da literatura infantil, com histórias fantásticas que contribuem para melhor
compreender a vida e também adquirir o gosto pela leitura” (GOMES; BORTOLIN, 2011, p. 164).
O bibliotecário também pode trabalhar com essa atividade na biblioteca, estabelecendo horários
extra-sala de aula para receber as crianças e partilhar histórias com elas.
A contação de histórias também pode tratar de temas do cotidiano, podem ser atribuídas
temáticas a esses momentos, em consonância ao assunto abordado pelo professor em sala de aula.
“Ouvindo histórias, crianças e adultos podem apresentar reações que manifestam seus interesses
revelados ou inconscientes e conseguem vislumbrar nas narrativas, soluções que amenizam tensões
e ansiedades” (SCHNEID, [200?], p. 3).
Se o professor está trabalhando o tema inclusão com seus alunos, por exemplo, o
bibliotecário pode escolher livros que tratem dessa questão e de maneira lúdica e dinâmica trabalhar
a inclusão social, a acessibilidade e as diferenças com as crianças.
Para personalizar e tornar a atividade ainda mais atrativa, os contadores de histórias podem
contar com algumas técnicas e acessórios no momento da contação. “A entonação da voz, fazer as
pausas que fazem parte da história, diferenciar vozes de acordo com os personagens, são algumas
das artimanhas utilizadas” (RODRIGUES, 2013, p. 35).
O uso de figuras e imagens, do próprio livro ou não, podem ajudar a ilustrar as histórias e
aproximar ainda os mais ouvintes do cenário do texto. Outro acessório bastante relevante são os
fantoches; eles tornam a história mais dinâmica e prendem a atenção da criança, principalmente
com relação aos personagens. Para tornar esse momento ainda mais atrativo, podem ser usados os
mais variados tipos de apetrechos no momento da contação, tais como fantasias, aventais coloridos,
dedoches, objetos etc.

�33

A contação de histórias não contempla somente o público infantil; ela também pode ser
trabalhada com adolescentes, tratando de temáticas do cotidiano e aproximando-os da realidade, por
meio das histórias.
A contação de histórias é um vínculo que gera entre as pessoas um contato humano mais
sensível no contexto social, por ser uma anfitriã acolhedora do ser humano que se diz
tímido e, norteadora do que se diz paroleiro, ela incentiva a todos que a ouvem a buscarem
novas respostas para os conflitos tratados num conto, numa poesia ou num poema [...]
(SOUSA, 2016, p. 13).

Para esse tipo de público, narração de contos e crônicas pode ser bem interessante. O
contador de histórias pode versar entre autores clássicos renomados e autores contemporâneos que
fazem sucesso entre os jovens. Além disso, o bibliotecário pode trabalhar a dramatização com os
alunos, fazendo adaptações da história e ajudando-os a encenar. Além de aproximá-los da leitura,
essa atividade desenvolve a oratória, a postura diante do público, a memorização e o improviso.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como objetivo evidenciar a importância da biblioteca no ambiente escolar
e o bibliotecário como mediador de leitura, assumindo um novo perfil criativo, dinâmico e lúdico,
tendo a contação de histórias como uma das principais atividades nesse processo de mediação da
leitura.
É necessário considerar que é na escola onde, geralmente, as crianças têm os primeiros
contatos com os livros; sendo assim, desenvolver atividades que tornem essas experiências iniciais
satisfatórias é de grande relevância para a formação dos futuros leitores.
Nesse contexto, é imprescindível que o bibliotecário escolar esteja junto aos demais
educadores no processo de inserção ao universo leitor. É essencial que o papel de incentivador e
disseminador da leitura exercido por ele, esteja acompanhado de práticas pedagógicas que ajam
conjuntamente com o currículo escolar, tratando não somente de temas clássicos, mas de temas
cotidianos e vivências atuais.
Por meio de uma revisão de literatura baseada em artigos, livros e outros materiais
bibliográficos, foi possível constatar que a contação de histórias no ambiente escolar é uma prática
bastante efetiva para incentivar a leitura. As escolas têm utilizado essa arte para aproximar os
alunos do mundo literário, aguçando seu imaginário, causando fascínio, despertando a curiosidade e
desenvolvendo neles habilidades leitoras, tais como senso crítico, autonomia, ampliação do
vocabulário, oratória, postura ante as situações do cotidiano, entre outras.

�34

Sabe-se que o incentivo à leitura tem sido um assunto bastante abordado por educadores,
pesquisadores e estudantes; por isso muitos ensaios, trabalhos e artigos são diariamente publicados
com enfoque nessa temática. Contudo, apesar da gama de informações acerca do tema, não se pode
considerá-lo esgotado, já que a informação e a sociedade leitora estão em constante modificação.
Por fim, conclui-se que a leitura é fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e
cognitivo do ser humano, e que a contação de histórias aplicada ao contexto escolar pode aproximála dos alunos e ajudá-los a se descobrirem leitores. Salienta a importância da inserção do
bibliotecário nas práticas leitoras, principalmente, no âmbito da contação de histórias, uma vez que
essa arte possibilita a dinamização do acervo literário da biblioteca ao mesmo tempo em que auxilia
na formação de leitores.

REFERÊNCIAS

ARMELIN, Maria Alice Mendes de Oliveira; GODOY, Márcia Cecília Félix de. Formação de
mediadores de leitura: sistematização de duas experiências. Cadernoscenpec, São Paulo, v. 1, n. 1,
p. 59-85, dez. 2011. Disponível em:
&lt;http://cadernos.cenpec.org.br/cadernos/index.php/cadernos/article/viewFile/39/41&gt;. Acesso em:
09 dez. 2017.
______. A função educativa da biblioteca escolar no Brasil: perspectivas para seu aperfeiçoamento.
In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003, Belo
Horizonte. Anais. Belo Horizonte, Escola de Ciência da Informação da UFMG, 2003. CD-ROM.
BARROS, Maria Helena Toledo da Costa; SILVA, Rovilson José da Silva; BORTOLIN, Sueli.
Leitura: mediação e mediador. São Paulo: Ed. FA, 2006. 160p.
CALDIN, Clarice Fortkamp. A oralidade e a escrita na literatura infantil: referencial teórico para a
hora do conto. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de biblioteconomia e ciências da informação,
Florianópolis, n. 13, p. 25-38, 2002. Disponível em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2002v7n13p25/5213&gt; Acesso em:
12 mar. 2018.
CHEOLA, Maria Laura Van Boekel. Quem conta um conto. In: CARVALHO,
Maria Angélica Freire de; MENDONÇA, Rosa Helena (Org.). Práticas de
leitura e escrita. Brasília: Ministério da Educação, 2006.
CORREA, ELISA CRISTINA DELFINI. Contação de histórias: uma prática inclusiva. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, 24., 2011, Alagoas. Anais eletrônicos... Alagoas: Integrado Colégio e Faculdade
de Campo Mourão, 2011. Disponível em: &lt;http://febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xx iv/
paper/ viewFile/75/525&gt;. Acesso em: 17 dez. 2017.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cornélia. Dicionário de biblioteconomia e
arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.

�35

FARIAS, Christianne Martins; CUNHA, Miriam Vieira da. O bibliotecário escolar e suas
competências. Informação &amp; Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 19, n. 1, p. 29-35, jan./abr. 2009.
Disponível em: &lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1787/2685&gt;. Acesso em: 28
fev. 2018.
FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed; Bookman, 2009.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
GOMES, Luciano Ferreira; BORTOLIN, Sueli. Biblioteca escolar e a mediação da leitura. Semina:
ciências sociais e humanas, Londrina, v. 32, n. 2, p. 157-170, jul./dez. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/11962&gt;. Acesso em: 02 mar.
2018.
MARTELETO, Regina. Jovens, violência e saúde: construção de informações nos processos de
mediação e apropriação de conhecimentos. RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação,
Informação, Inovação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 3, n. 3, p. 17-24, set. 2009. Disponível em:
&lt;https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/751&gt;. Acesso em: 25 fev. 2018.
PIZZANNI, Luciana et al. A arte da pesquisa bibliográfica na busca do conhecimento. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 10, n. 1, p. 53-66, jul./dez.
2002.
Disponível em: &lt;file:///C:/Users/ACER/Downloads/1896-2549-1-PB.pdf&gt;. Acesso em: 08 mar.
2018.
RAMOS, Ana Cláudia. Contação de histórias: um caminho para a formação de leitores? 2011.
Dissertação (Mestrado em Educação), Centro Pedagógico, Universidade Estadual de Londrina,
Londrina, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2011/2011__RAMOS_Ana_Claudia.pdf&gt;. Acesso em: 09 dez. 2017.
RASTELI, Alessandro; CAVALCANTE, Lidia Eugênia. A competência em informação e o
bibliotecário mediador da leitura em biblioteca pública. Encontros Bibli: Revista eletrônica de
biblioteconomia e ciência da informação, Florianópolis, v. 18, n. 36, p. 157-180, jan./abr. 2013.
Disponível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000012622&amp;dd1=ab58b&gt;.
Acesso: 18 dez. 2017.
RODRIGUES, Sara Suyane de Sousa. A contação de histórias e o incentivo à leitura. 2013. 73f.
Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Biblioteconomia) – Departamento de Ciências da
Informação, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2013.
SCHNEID, Jucelma Teresinha Neves. Hora do Conto: uma experiência maravilhosa. [200?]. 7p.
Disponível em:&lt;http://www.pucrs.br/edipucrs/CILLIJ/praticas/hora_do_conto__uma_experiencia_maravilhosa_REVISADO_OK.pdf&gt;. Acesso em: 04 fev. 2018.
SOUSA, Jurema Francisca Ferreira de. Contação de histórias: um recurso alfabetizador para a
Educação de Jovens e Adultos. 2016. 22f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em
Pedagogia) – Centro de Ciências Humanas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio
de Janeiro, 2016. Disponível em: &lt;https://pt.slideshare.net/JureFran/contao-de-histrias-um-recursoalfabetizador-para-a-educao-de-jovens-e-adultos&gt;. Acesso em: 04 fev. 2018.

�36

CAPÍTULO III
EMPREENDEDORISMO SOCIAL NA BIBLIOTECONOMIA: ANÁLISE DA ATUAÇÃO
BIBLIOTECÁRIA EM AÇÕES COM FOCO NA AGENDA 2030

Daniela Spudeit
Claudia Souza

1 INTRODUÇÃO

John Wood ocupava uma importante função na área financeira da Microsoft e depois de
muitos anos se dedicando com afinco à empresa, por orientações médicas, tirou um período sabático
e programou uma viagem ao Himalaia. Em meio a uma fase de autodescobrimento e reflexões sobre
seus objetivos de vida, John percebeu que precisava mudar. Embora se espelhasse em Bill Gates,
sua vida precisava de outro sentido. Na viagem viu muitas escolas no Nepal sem uma estrutura
mínima de educação, de acesso à informação e cultura. Quando voltou a Nova York, criou uma
campanha para arrecadar livros e montar bibliotecas nas escolas do Himalaia para beneficiar toda
população, conforme relatado por ele (WOOD, 2007).
Para dar um novo significado a sua vida, John largou a profícua carreira na Microsoft e em
2000 criou a Room of Road, se transformando num importante ativista social. Essa Organização não
Governamental (ONG) tem a educação como foco de plataforma social e por meio dessa instituição
John tem empreendido importantes ações em toda Ásia, ficando conhecido como “herói asiático”
pela Revista Time e recebeu três vezes o Prêmio Capitalista Social da Fast Company/Monitor
Group. Essa história é um típico caso de empreendedorismo social narrada no livro “Saí da
Microsoft para mudar o mundo”, publicado em 2007 pela Editora Sextante.
No livro “Doar: como cada um de nós pode mudar o mundo”, o autor Bill Clinton informa
que Wood já construiu mais de 287 escolas e 3600 bibliotecas em vários países da Ásia, e expandiu
para África do Sul e América Latina a partir de 2010. Além dele, Clinton (2008) cita o caso de
Sheri Saltzberg e Mark Grashow, profissionais da área de Saúde Pública nos Estados Unidos que
em uma viagem de lazer para Zimbábue, na África, viram a realidade das crianças de lá e tiveram a
ideia de criar uma ONG para melhorar as escolas e toda estrutura educacional (bibliotecas,
laboratórios etc.), visando proporcionar mais qualidade de ensino e aprendizagem para as crianças.

�37

Com base nesses exemplos em que o empreendedor social é aquele que não mede esforços
para captar recursos por uma causa social que beneficie um grupo de pessoas, seja uma comunidade
local ou regional, apresenta-se esta pesquisa, com o intuito de apontar casos de bibliotecários que
podem ser considerados empreendedores sociais no Brasil.
Schneider e Castelo Branco (2012, p. 19) definem empreender como o “ato de tentar,
experimentar, decidir-se a fazer alguma coisa, resolver, pôr em execução”. Ou seja, remete à ação e
pode-se dizer que empreendedores são aqueles que realizam algo, mobilizam recursos e correm
riscos para colocar suas ideias em prática. Schneider e Castelo Branco (2012, p. 22) definem o
empreendedor como “aquele conectado, bem relacionado, atento e dinâmico, capaz de ver o que os
outros não veem [...], tem uma relação profunda com o que faz e não aprecia perder oportunidades”.
Partindo dessa premissa do empreendedor ser definido como realizador e mobilizador, é
interessante conhecer casos de pessoas que tem esse perfil, porém, no caso do empreendedor social,
há uma preocupação além do capitalismo ou acumulação de lucro, como vemos grandes
empresários que têm esse perfil empreendedor.

Dessa forma, Oliveira (2004) explica que o

empreendedorismo social é uma forma coletiva e integrada de produzir bens e serviços para a
comunidade local com o objetivo de desenvolver soluções para problemas sociais.
Empreendedorismo é "o processo de somar algo novo [criatividade] a algo diferente
[inovação] com a finalidade de criar riqueza para o indivíduo e acrescentar valor à sociedade"
(THOMPSON, 2002, p. 413). É aquela pessoa que habitualmente cria e inova, desenvolvendo
alguma coisa de reconhecido valor, em torno de uma oportunidade. Muitos empreendedores sociais
são pessoas com qualidades e conhecimentos e podem ser associados, por nós, a empresários que
operam na comunidade e estão mais preocupados em ajudar as pessoas do que "ganhar dinheiro".
Em muitos casos, eles mudam as vidas das pessoas porque abraçam causas sociais importantes
(THOMPSON, 2002).
Nas áreas da Saúde e Meio Ambiente, é mais comum conhecer casos de pessoas que agem
em prol do coletivo e fundam instituições com os objetivos sociais. Entretanto, esta pesquisa foca
nas iniciativas educacionais e culturais desenvolvidas por bibliotecários que são consideradas
exemplos de empreendedorismo social. Essas ações contribuem para o fortalecimento da
responsabilidade social da profissão, visibilidade das ações da Biblioteconomia para a sociedade e
também contribui para o alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030
estipulados pelas Organizações das Nações Unidas (ONU)2.

2

ORGANIZAÇÃO
DAS
NAÇÕES
&lt;https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/&gt;.

UNIDAS.

Agenda

2030.

2015.

Disponível

em:

�38

A Agenda 2030 elenca 17 objetivos organizados em 169 metas e compõem um plano de
ação criado em 2015 por representantes dos 193 países membros da ONU pensando na
transformação do mundo para um desenvolvimento mais sustentável. Dentro desse plano de ação,
os bibliotecários podem contribuir para o alcance de todos os 17 objetivos, entretanto, enfatiza-se o
objetivo 4 (Educação e Qualidade) e objetivo 10 (Redução das Desigualdades) como os prioritários
a serem realizados, pois visam o desenvolvimento de empreendimentos sociais para a melhoria no
acesso, uso e disseminação da informação para a efetiva construção do conhecimento e formação de
uma sociedade mais reflexiva, crítica, consciente e democrática. Dessa forma, este trabalho objetiva
apresentar alguns casos de bibliotecários considerados empreendedores sociais para retratar como
desenvolvem seu trabalho a partir dos benefícios gerados para as comunidades mais vulneráveis em
que atuam, contribuindo para a qualidade de vida cultural, econômica e ambiental no âmbito da
sustentabilidade social.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O fenômeno de empreendedorismo social surge num contexto de desafios, crises, mudanças
sociais, econômicas e ambientais que caracterizam a atual sociedade. É importante compreender
como ocorreu desde o início nos Estados Unidos da América (EUA) e como esse fenômeno
reverbera para a Biblioteconomia.

2.1 HISTÓRICO SOBRE EMPREENDEDORISMO SOCIAL
Parente e Quintão (2014, p. 13) explicam que “o conceito de empreendedorismo social
encontra as suas raízes nos EUA, na década de 1980, nas áreas disciplinares da economia e da
gestão, e o termo empreendedor social vulgariza-se nos anos 1990”.
Na década de 1990, a perspectiva teórica do setor não lucrativo internacionalizou-se através
do The Johns Hopkins Comparative Nonprofit Setor Project, iniciado em 1991. Este
projeto, encabeçado por Lester Salamon da The John Hopkins University, surge da
crescente importância das organizações de caráter associativo e não lucrativo em áreas
como a educação, saúde, serviços sociais, serviços culturais e recreativos, numa versão
funcionalista, inspirada numa perspectiva econômica do papel destas organizações nas
sociedades atuais. Em meados da década de 1990, este projeto começa a ser replicado,
abrangendo hoje 45 países o que permitiu desenvolver alguns dos primeiros estudos de
âmbito nacional e possibilitou as primeiras comparações internacionais. Estes estudos
vieram contribuir para uma maior visibilidade do setor em termos econômicos e políticos,
na medida em que possibilitaram a quantificação do número de trabalhadores (remunerados
ou voluntários), horas de trabalho, receitas e peso das diversas fontes de financiamento
(governo, filantropia, vendas) (PARENTE; QUINTÃO, 2014, p. 15).

�39

Dessa forma, percebe-se que o empreendedorismo social surgiu a partir da incapacidade das
instituições governamentais em solucionar novos problemas sociais, visíveis nos diferentes tipos de
políticas sociais setoriais (ou na ausência delas) e particularmente nas restrições orçamentais que
fomentam iniciativas da sociedade civil na procura de práticas alternativas que respondam às
necessidades sociais não atendidas nem pelo Estado, tampouco pelo mercado, conforme colocado
por Parente et al. (2011). Os mesmos autores defendem que:
É consensual que o conceito de empreendedorismo social nasce em contexto americano e
que não obstante as divergências entre as escolas que se debruçam sobre o fenômeno, fruto
dos contextos sociais, políticos e econômicos diferenciados, todas contribuíram quer para o
crescimento do interesse pelo tema quer para a consensualização da necessidade de
encontrar formas inovadoras no uso de métodos de negócio adequados à resolução de
problemas sociais (PARENTE et al., 2011, p. 270).

Nesse sentido, Silva, Moura e Junqueira (2015) explicam que, nas últimas décadas, as
pessoas e organizações têm buscado novas formas de atuar com foco no impacto social. É nesse
contexto que emergem as discussões sobre empreendedorismo social, porém isso não é novo, pois
antes da utilização do termo já havia iniciativas que poderiam se enquadrar como
empreendedorismo social. A utilização do termo e o aumento de empreendimentos sociais se
tornaram foco de diversos estudos, em face das organizações que atuam no segmento social
buscarem a sustentabilidade financeira.
O empreendedorismo social chega ao Brasil, justamente quando começa a popularização do
empreendedorismo nos EUA, na década de 1990. Nesse momento, o contexto era de crescente
problematização social: a redução dos investimentos públicos no campo social, o aumento das
organizações do terceiro setor e da participação das empresas no investimento e nas ações sociais
(OLIVEIRA, 2004).
Atualmente,

o

empreendedorismo

social

se

apresenta

como

um

conceito

em

desenvolvimento, mas com características teóricas, metodológicas e estratégicas próprias,
sinalizando diferenças entre uma gestão social tradicional e uma empreendedora.

2.2 DESENVOLVIMENTO DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL
Para entender como funciona, Baggio e Baggio (2014, p. 30) explicam que “o processo de
empreendedorismo social exige principalmente o redesenho de relações entre comunidade, governo
e setor privado, com base no modelo de parcerias”. Para tanto, o resultado final desejado é a
promoção da qualidade de vida social, cultural, econômica e ambiental sob a ótica da

�40

sustentabilidade. Hart e Milstain (2004) detalham que a sustentabilidade global tem sido definida
como a habilidade para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das
futuras gerações para satisfazerem suas necessidades. Similarmente, o desenvolvimento sustentável
é um processo para se alcançar o desenvolvimento humano de uma maneira inclusiva, interligada,
igualitária, prudente e segura. Dentro dessa linha que Baggio e Baggio (2014, p.30) esclarecem que
“o empreendedorismo social é um misto de ciência e arte, racionalidade, intuição, ideia e visão,
sensibilidade social e pragmatismo responsável, utopia e realidade, força inovadora e praticidade”.
Para eles, o empreendedor social subordina o econômico ao humano, o individual ao coletivo e
carrega consigo um grande sonho de transformação da realidade atual.
Os autores explicam que o empreendedorismo social difere do empreendedorismo
propriamente dito em dois aspectos: não produz bens e serviços para vender, mas para solucionar
problemas sociais, e não é direcionado para mercados, mas para segmentos populacionais em
situações de risco social (exclusão social, pobreza, miséria, risco de vida). Nesse sentido,
Hesselbein et al. (1998, p. 53) enfatizam que o empreendedor social “transforma processos no setor
social, também com a perspectiva de extrair um rendimento maior. Aqui, no entanto, o ‘produto’
não é nem uma mercadoria nem um serviço (como nos negócios), nem uma regulamentação (como
no governo), mas um ser humano transformado”. Para eles (empreendedores bem sucedidos),
qualquer que tenha sido a questão, a atração não foi a necessidade existente, por si própria, mas a
perspectiva de obter resultados, de realmente produzir uma mudança em circunstâncias e vidas
humanas. Essa é uma característica diferenciadora dos empreendedores sociais: não se engajam em
caridade, mas em transformação.
Atualmente,

o

empreendedorismo

social

apresenta-se

como

um

conceito

em

desenvolvimento, mas com características, princípios e valores próprios, sinalizando diferenças
entre uma gestão social tradicional e uma empreendedora. Ou seja, é uma forma de solucionar
problemas de pobreza e exclusão social. Inicialmente, era uma derivação do empreendedorismo
empresarial e foi fortemente inﬂuenciado pela ação das empresas privadas no campo social e
público, assumindo, contudo, as suas próprias estratégias, num contexto de renascimento do terceiro
setor e da necessidade e procura de ações de grande impacto e mudanças efetivas (BAGGIO,
BAGGIO, 2014).

2.3 PERFIL E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL

André Neto et al. (2013) apresentam características entre o empreendedor privado,
empreendedor social empresarial e o empreendedor social enfatizando que o empreendedor social

�41

foca no coletivo e integrado com foco na busca de soluções para problemas sociais a partir de
medidas de desempenho com impacto e transformação gerando capital social, inclusão e
emancipação. Na literatura, o empreendedor social também é visto como empreendedor sustentável
oposto ao empreendedor mais capitalista que só visa lucro a qualquer custo, de acordo com André
Neto et al. (2013).
Schneider e Castelo Branco (2012) enfatizam que criar um negócio é difícil, por isso realizar
isso com a preocupação de reduzir desigualdades sociais é desafiador, exigindo maior criatividade e
inovação na busca de soluções comuns que visem o desenvolvimento coletivo e sustentável. A
sustentabilidade deve ser pautada em uma consciência social, reconhecimento do valor da
diversidade cultural e política, ênfase nas prioridades voltadas às necessidades básicas, à qualidade
de vida e à inclusão social, segundo Krause (1997).
O empreendedorismo social contribui para formação da cidadania, emergindo como uma
forma de enfrentamento dos desafios sociais, econômicos e ambientais insuficientemente atendidos
pelo Estado, conforme enfatizado por Capela (2014). Para essa autora, “a prática se confunde e
diferencia do empreendedorismo privado, da responsabilidade social empresarial e do ativismo
social, evidenciando tratar-se de um conceito em construção, mas com características já
definidoras”. Ela explica que:
Ao buscar essa definição e distinção, encontra-se que o empreendedorismo privado, apesar
de ter o objetivo de suprir necessidades humanas, tem o foco no mercado e a medida de seu
desempenho é o lucro. A confusão ocorre porque o empreendedorismo social se apropriou
do termo empreendedorismo, pois incorporou suas características em um espaço cuja
finalidade não é a da acumulação da riqueza ou lucro. A responsabilidade social
empresarial traz para o negócio a perspectiva de longo prazo, a inclusão sistemática da
visão e das demandas das partes interessadas e a transição para um modelo em que os
princípios, a ética e a transparência precedem a implementação de processos, produtos e
serviços. Seu objetivo principal, no entanto, é agregar valor estratégico ao negócio e
atender expectativas do mercado e da percepção da sociedade/consumidores. O ativismo
social ou político também é provocado pela constatação de desequilíbrio social, mas se
diferencia pela orientação da ação transformadora que é focada em influenciar outros, como
os governantes, instituições não governamentais, consumidores ou trabalhadores. Embora
exija do ator social as mesmas características de inspiração, criatividade e força, a medida
do desempenho está relacionada à mobilização alcançada, mais do que à intervenção direta
na promoção do equilíbrio. O uso de um conceito pelo outro ocorre pela mescla de
orientações que cruzam objetivo social, associado às instituições sem fins lucrativos, com
uma vertente empreendedora, aliada ao caráter dinâmico e inovador do negócio. Por outro
lado, embora seja importante conceituar adequadamente (CAPELA, 2014, p. 68).

No que tange ao perfil do empreendedor social, Heis (2006) defende que a primeira
determinante do perfil são os valores humanos nos quais ele deve defender a cooperação, a
solidariedade, a equidade, a competência, a responsabilidade e o rigor econômico. Outra
característica do empreendedor social é o conhecimento que ele deve ter de história, geografia e a
evolução da humanidade, para que possa entender as diferenças culturais existentes na sociedade
brasileira, as quais lhe permitam enfrentar os efeitos da exclusão social, como a violência urbana, a

�42

exploração infantil, a marginalização dos idosos, os preconceitos e o narcotráfico. O empreendedor
social deve ser uma pessoa com habilidades gerenciais que valoriza tanto a rotina operacional
quanto a inovação organizacional. E ainda, precisa ser capaz de conciliar a parte operacional com os
projetos, que constituem a atividade-fim das instituições sociais, justificando a sua existência.
Apesar dos termos serem relativamente novos, empreendedores sociais e ações de
empreendedorismo social podem ser encontrados ao longo da história em diferentes áreas e
iniciativas. Ao fazer uma pesquisa sobre empreendedorismo social na base SCIELO 3, uma das
bases de dados mais completas existentes que agrupa publicações de várias áreas do conhecimento,
a busca usando as palavras “empreendedorismo e empreendimento social” trouxe 144 artigos, cujas
publicações concentram-se, principalmente, no Brasil (98), Colômbia (21) e Portugal (21), sendo
sete em língua portuguesa, 22 em inglês e 20 em espanhol.
A primeira publicação foi em 2004 e o ano que mais teve publicações foi 2012 com o
registro de 19 artigos; em segundo lugar foi no ano de 2015 com 17 artigos, sendo que 111
trabalhos são focados na área de Ciências Sociais Aplicadas, retratando a importância científica que
existe nessa área para pesquisas sobre tal temática. Embora esse número seja expressivo, o tema
ainda carece de maior aprofundamento.

2.4 EMPREENDEDORISMO SOCIAL NA BIBLIOTECONOMIA

Na Biblioteconomia, ao pesquisar na Base de dados de Periódicos em Ciência da
Informação (BRAPCI)4, o termo “empreendedorismo social” como estratégia de busca trouxe como
resultado apenas dois artigos. Porém, nenhum dos dois foi direcionado para a área de
Biblioteconomia. Ao colocar o termo “empreendedor social”, apareceu na busca o artigo de Josiane
Fonseca da Cunha, publicado na Revista ACB, em 2009, o qual apresenta o histórico das atividades
sociais praticadas pela Faculdade São Francisco de Assis, desde o ano de 2004. A autora detalha as
ações realizadas pela faculdade em instituições carentes de Porto Alegre e região metropolitana,
doando alimentos, brinquedos e alegria para algumas pessoas, em sua maioria, crianças, e explica a
atividade teatral, cujo elenco era formado por colaboradores da biblioteca.
O fato de nos resultados não apresentar trabalhos indexados com a palavra
“empreendedorismo social” também mostra que as ações desenvolvidas - muitas vezes de forma

3

SCIELO é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros e está
disponível em: &lt;http://www.scielo.org/php/index.php&gt;.
4
BRAPCI é uma base de dados de Periódicos em Ciência da Informação publicada no Brasil desde 1972 e encontra-se
disponível em: &lt;http://www.brapci.inf.br/&gt;.

�43

voluntária para beneficiar comunidades vulneráveis - podem até existir, porém não são tão
disseminadas em canais de comunicação como revistas científicas. Em eventos da área como no
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação e no Painel de Biblioteconomia em
Santa Catarina é possível encontrar alguns relatos de práticas sociais.
Mesmo assim, percebe-se que na área de Biblioteconomia existe uma lacuna de estudo que
relacione esses relatos de experiências sobre empreendedorismo social. É importante que haja maior
aprofundamento sobre a temática para publicizar as práticas culturais e educacionais que são
realizadas por meio de parcerias e voluntariado de diferentes profissionais.
Pensando nisso, a comissão organizadora do III Fórum de Inovação e Empreendedorismo na
Biblioteconomia (FIEB)5, que ocorreu em setembro de 2018, em Campo Grande (Mato Grosso do
Sul), escolheu como

temática “Empreendedorismo Social” para dar visibilidade aos

empreendedores sociais na área e oportunizar discussões e aprendizagens sobre essa importante
temática e alinhar essas iniciativas aos objetivos da Agenda 2030, principalmente nas áreas de
educação e cultura em que os profissionais da Biblioteconomia tem as competências requeridas para
desenvolver projetos sociais.
Bastos e Ribeiro (2011), ao relacionar a educação e empreendedorismo social como forma
de transformar os cidadãos, enfatizam que essa proposta coaduna com a linha pedagógica de Paulo
Freire (2001), que entende as mudanças da realidade a partir da participação dos sujeitos que a
constituem.
Imaginar horizontes de possibilidades; sonhar coletivamente é assumir a luta pela
construção das condições de possibilidade. A capacidade de sonhar coletivamente, quando
assumida na opção pela vivência da radicalidade de um sonho comum, constitui atitude de
formação que orienta-se não apenas por acreditar que as situações-limite podem ser
modificadas, mas fundamentalmente, por acreditar que essa mudança se constrói constante
e coletivamente no exercício crítico de desvelamento dos temas-problemas sociais que as
condicionam (FREIRE, 2001, p. 30).

É nesse viés que o empreendedorismo social surge para protagonizar a construção desse
“sonho coletivo”, pois Freire (2001) sempre convida, a partir da prática educativa, a “(trans)formar
uma geração de alunos que tenham nítida percepção do contexto social, político, tecnológico da
realidade excludente e, ainda, da possibilidade de gerar mudanças a partir de ações coletivas,
conscientes, transformadoras” (FREIRE, 2001, p. 30).

5

Fórum de Inovação e Empreendedorismo na Biblioteconomia. Disponível em: &lt;www.fieb.net.br&gt;.

�44

A partir desse olhar de Paulo Freire, percebe-se que os empreendedores sociais são pessoas
preocupadas com as questões sociais e, por isso, realizam trabalho na comunidade a qual estão
inseridos, em que o ganho maior é o desenvolvimento das pessoas. Mas, para que isso aconteça, são
necessárias, além da boa vontade, criatividade e inovação.
Dentro dessa perspectiva da responsabilidade social na Biblioteconomia e alinhada à missão
social defendida por Ortega y Gasset (2006, p. 13), o bibliotecário:
Ao exercer uma profissão deve comprometer-se a fazer o que a sociedade necessita. […].
Para determinar a missão do bibliotecário, é preciso partir […] da necessidade social a que
serve vossa profissão. E esta necessidade, como tudo que é propriamente humano, não
consiste em uma magnitude fixa, mas é, essencialmente, variável, migratória, evolutiva; em
suma histórica.

Assim, consta também no juramento da Biblioteconomia, disposto pelo Conselho Federal
de Biblioteconomia (1966), que enfatiza a responsabilidade social quando cita: “Prometo tudo fazer
para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade
de investigação científica e na dignidade da pessoa humana” (CFB, 1966). Shera (1977, p. 11),
importante pesquisador da Ciência da Informação, também salienta a função social da
Biblioteconomia, afirmando que: “seja qual for o nível intelectual em que deve operar, o foco da
Biblioteconomia deve ser para aumentar a utilidade social dos registros gráficos [...]”. Também
acredita que a Biblioteconomia “[...] deve servir à sociedade em toda extensão de suas
potencialidades, deve ser muito mais do que um monte de truques para encontrar um determinado
livro numa estante particular, para um consulente particular”.
Com essa intenção, é possível perceber alguns trabalhos publicados que retratam a
Biblioteconomia com uma vertente mais social, chamada de “Biblioteconomia Social”. Souza
(2001) propôs um estudo amplo para produzir uma “teoria biblioteconômica-humana” para o Brasil.
Para ele, a perspectiva humana da Biblioteconomia, traduzida aqui pela expressão Biblioteconomia
Social, “[...] exige pesquisa nacional, com investimento em capacitação de pesquisadores capazes
de entender, explicar, e ensinar uma Biblioteconomia para a autonomia nacional” (SOUZA, 2001,
p. 44).
Lindemann (2014, p. 45) procurou fazer este estudo por meio de uma pesquisa bibliográfica
e documental sobre a temática e mostrou que “embora o termo Biblioteconomia Social em si não
seja muito familiar dentro da área no Brasil, ele é na verdade o caminho de um novo conhecimento
respaldado no conhecimento tradicional já existente como prática bibliotecária, mas sem a
compreensão de conceitos”. De acordo com a autora, existem Programas de Pós-Graduação
(UNAM, México), cursos e oficinas (Universidade de Córdoba, Argentina), contemplando
exclusivamente essa temática, entre outras iniciativas.

�45

Spudeit e Moraes (2018) publicaram coletânea de textos sobre biblioteconomia social em
que vários autores do país relatam pesquisas e práticas voltadas para ação social, sendo
considerados os diferentes perfis de empreendedores sociais dentro da Biblioteconomia.
Silva, Moura e Junqueira (2015, p. 122) corroboram e apontam a necessidade de atender as
demandas da sociedade e “abre-se uma nova perspectiva no enfrentamento dos problemas sociais,
seja pelo empreendedorismo social ou por outras formas que assumam as organizações da
sociedade civil”. Esse campo demanda não só uma ação inovadora, mas também a reconfiguração
dos papéis dos diversos atores sociais sejam eles, as próprias organizações, o Estado e a iniciativa
privada. Resta identificar casos de bibliotecários que podem ser considerados empreendedores
sociais, que é o foco desta pesquisa, cujos procedimentos metodológicos são apresentados a seguir.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica em relação aos objetivos e quanto aos
procedimentos é descritiva. Para desenvolver a pesquisa, apresentam-se fundamentos teóricos sobre
empreendedorismo, empreendedorismo social, sustentabilidade, Agenda 2030 e função social da
Biblioteconomia. Para esse levantamento, foi feita uma pesquisa em artigos científicos indexados
nas bases BRAPCI e SCIELO, além de consultar a literatura da área. Segundo Gil (2010), a
principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura
de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.
Para relatar as experiências de bibliotecários considerados empreendedores sociais no Brasil,
foi feita uma coleta via Facebook no grupo “Bibliotecários do Brasil”, que congrega mais de doze
mil profissionais no país. Após identificar algumas iniciativas, entrou-se no site ou fanpage dos
projetos e também das pessoas envolvidas para conhecer mais as ações que realizavam. Para este
relato, focou-se em alguns casos para demonstrar as possibilidades da atuação do profissional como
empreendedor social na Biblioteconomia e fazer ações focadas nos objetivos da Agenda 2030 da
ONU.

�46

4

CASOS

DE

EMPREENDEDORISMO

SOCIAL

DESENVOLVIDOS

POR

BIBLIOTECÁRIOS

Na Biblioteconomia e Ciência da Informação, o termo empreendedorismo social ainda não é
usado, porém encontra-se em anais de eventos e artigos de revistas, diferentes trabalhos que
discorrem sobre reflexões e ações voltadas à geração de benefícios a toda sociedade, seja iniciativa
local ou regional, no âmbito das organizações não governamentais, setor privado ou público. Essas
práticas são tratadas por Moraes (2018) como ações de “responsabilidade social bibliotecária”. Para
a autora, o tema da responsabilidade social “torna-se cada vez mais pauta do dia não apenas na área
da administração de empresas, mas em várias outras áreas do conhecimento, principalmente no
campo da educação” (MORAES, 2018, p. 49). Nesse cenário educacional, “encontram-se os
bibliotecários, profissionais da informação e da cultura, os quais buscam adentrar os terrenos das
escolas e atuar junto aos professores possibilitando acesso à informação, à cultura e alfabetizando
os alunos no que concerne ao mundo informacional” (MORAES, 2018, p. 52).
No viés da responsabilidade social bibliotecária, emerge o empreendedorismo social como
forma de colocar o documento (um dos focos da Biblioteconomia) em um segundo plano e focar
nas necessidades de acesso e uso da informação como norte principal das iniciativas dos
profissionais da Biblioteconomia. A essa postura, Moraes (2018, p.60) chama para um perfil de
bibliotecário “mais crítico e consciente de que seu trabalho envolve algo muito além da organização
e administração dos materiais de informação; de que, na realidade, ele é um mediador, um educador
do acesso e do uso da informação, que surge o que denominamos de visão crítica da
responsabilidade social bibliotecária”.
Dentro dessa perspectiva que as ações empreendedoras e socialmente responsáveis dos
profissionais da Biblioteconomia vêm corroborar com o cumprimento dos objetivos da Agenda
2030, em especial dos objetivos 4 e 10 que dizem respeito à qualidade da educação e também à
redução das desigualdades, compromisso priorizado pela Federação Internacional de Associações
de Bibliotecas e Instituições (IFLA)6, que é o organismo internacional que representa os interesses
das bibliotecas e serviços de informação e de seus usuários.
No caso do objetivo 4 que se relaciona a assegurar a educação inclusiva, equitativa e de
qualidade visando promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, a IFLA
(2017) coloca que: as bibliotecas devem cumprir esse objetivo mediante a provisão de equipes
dedicadas que apoiem a educação na primeira infância (educação continuada), o acesso à

6

Disponível em: &lt;https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/documents/sdgs-insert-pt.pdf&gt;.

�47

informação e à pesquisa para estudantes em todo o mundo, promovam espaços inclusivos onde os
custos não sejam uma barreira para adquirir novos conhecimentos e habilidades. É possível que os
profissionais da Biblioteconomia promovam atividades e projetos voltados à formação de leitores,
diversidade cultural, multiculturalismo, desenvolvimento da competência em informação, entre
outros.
Em relação ao objetivo 10, diz respeito à redução das desigualdade dentro dos países e entre
eles. Para a IFLA (2017), as bibliotecas podem promover espaços neutros e agradáveis que
permitam a aprendizagem para todos, incluindo os grupos marginalizados, como os imigrantes, os
refugiados, as minorias, os povos indígenas e pessoas com deficiência, além do acesso equitativo à
informação que promova a inclusão social, política e econômica. Torna-se necessário que sejam
realizadas ações que visem promover o respeito, a tolerância e inclusão de todos, pensando nas
questões de gênero, sexualidade, raça, religião, cor, entre outros fatores que muitas vezes são
usados de forma discriminatórias e precisam ser combatidos para promover a igualdade. Oficinas,
encenações teatrais, cine-debates, palestras, exposições, entre outras atividades devem ser
promovidas com essa finalidade dentro e fora dos espaços tradicionais de atuação dos
bibliotecários.
Nesse contexto, Spudeit e Prado (2017) relatam as atividades desenvolvidas pelas
bibliotecas parques no estado do Rio de Janeiro alinhadas às premissas de sustentabilidade
propostas pela Agenda 2030 que também são consideradas ações que legitimam o
empreendedorismo social na Biblioteconomia.
Ao realizar a busca no grupo “Bibliotecários do Brasil” na mídia social Facebook que reúne
mais de 12 mil bibliotecários, foi possível mapear algumas ações consideradas cases de
empreendedorismo social na área, conforme serão relatadas, a seguir:
A Biblioteca Sem Paredes localizada no Rio de Janeiro é um típico exemplo de
empreendedorismo social. Trata-se de um projeto desenvolvido pelos bibliotecários Carlos Farias e
Patrícia Chamon, quando ainda eram estudantes de Biblioteconomia da Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O projeto tem por missão promover e incentivar a leitura na
capital do Rio de Janeiro. Os livros são arrecadados e doados por amigos, editoras ou pessoas
interessadas em partilhar leitura e depois são disponibilizados em praça pública, numa banca para as
pessoas que circulam pela Feira Desapegue-se. O projeto utiliza o Facebook e Twitter como forma
de divulgação e aproximação com leitores de outros estados brasileiros. O envio também é feito
para diferentes regiões do país, mediante pagamento das despesas de envio, pois as obras são
doadas.

�48

No sudeste tem também o Clube Literário Tamboril, trabalho feito por uma equipe
interdisciplinar que conta com o bibliotecário Leandro da Silva Teixeira. É realizado nas cidades de
Pirapora e Buritizeiro, em Minas Gerais, desde 2017. São bibliotecas comunitárias que funcionam
como pontos de leituras e desenvolvem diferentes atividades com mediação, saraus, oficinas,
empréstimos de livros, rodas de conversas com autores, entre outras.
No sul, um exemplo típico bem conhecido dentro da área de Biblioteconomia é o de Cátia
Lindemann. Formada pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Cátia se considera ativista
da biblioteconomia social, atua na promoção do livro e a leitura para comunidades com
vulnerabilidade social. Trabalha de forma voluntária com mediação de leitura para detentos,
implantou e organizou um espaço de leitura em uma Casa de dependentes químicos no Rio Grande
do Sul. Por meio do seu trabalho com detentos, surgiu a necessidade de disseminar o hábito de
leitura em prostíbulos, onde quinzenalmente faz empréstimo de livros. Em consequência da sua
atuação, em 2016, Cátia foi contratada pela empresa VR Projetos Sociais, Culturais e
Transformadores, para atuar de forma remunerada em projetos de promoção do livro e a leitura a
comunidades em vulnerabilidade social em diferentes regiões no Brasil por meio dos projetos:
estante de histórias e sacolas literárias. Como bibliotecária voluntária, já implantou quatro
bibliotecas no Rio Grande do Sul (uma prisional, uma comunitária e duas escolares em colégio
público estadual), pois acredita que a educação esvaziará o cárcere.
No sul, entre tantos, destaca-se o projeto UmanuS, criado em dezembro de 2016, pela
bibliotecária Franciéle Garcês e sua sócia Daiana Breternitz, da área de Administração Pública.
Atua com desenvolvimento acadêmico para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica
e educacional. Dessa forma, ajuda pessoas que queiram se preparar para ingressar numa
universidade, fazer uma Graduação ou Pós-Graduação, oferecendo métodos de estudos,
planejamento do tempo e dicas sobre os processos seletivos e vestibulares.
Outro típico case de empreendedorismo social, que não é gerenciado e nem foi criado por
bibliotecários, porém tem bibliotecários que atuam de forma esporádica como voluntários na equipe
é o case da Barca dos Livros em Florianópolis, Santa Catarina.
A Biblioteca Barca dos Livros caracteriza-se como uma biblioteca comunitária criada em 02
de fevereiro de 2007 com o objetivo de defender a importância da leitura para o desenvolvimento
coletivo e individual. Foi instituída por um grupo de moradores da região da Lagoa da Conceição
que depois passou a ser administrada pela Associação Amantes da Leitura, do mesmo bairro, na
cidade de Florianópolis, Santa Catarina. Atualmente, é administrada por uma professora
aposentada, entretanto, recebe ajuda voluntária de profissionais da área de Biblioteconomia

�49

regularmente, bem como estudantes de Biblioteconomia da Universidade do Estado de Santa
Catarina que realizam estágio curricular ou extracurricular.
Com ampla programação cultural e educacional, oferece uma extensa agenda com
intervenções literárias, cursos, palestras, oficinas, contações de histórias, encenações teatrais,
sessões de lançamentos de livros e conversas com escritores, entre outras atividades que são
programadas em parceria com a comunidade da Lagoa da Conceição. Em algumas ações, é cobrada
taxa de inscrição para manter os custos da locação do espaço e outras taxas administrativas. Porém,
várias ações são ofertadas gratuitamente para toda comunidade. Para manter-se, faz parcerias com
instituições públicas e recebe doações de empresas privadas e pessoas físicas.
No norte do país, tem a bibliotecária Cristiane Garcia, que em parceria com alunos da
Universidade Federal de Rondônia, criou, em 2016, a Biblioteca Salete Vergani, dentro de uma
unidade prisional localizado em Porto Velho (RO). Com um acervo de mais de 900 livros, conta
como público alvo, apenadas e seus filhos. Trata-se de um projeto voluntário (não remunerado), que
promove o acesso ao livro, ao conhecimento, à cultura, além de aproximar a apenada ao regime
semiaberto, por meio da remição de pena através da leitura.
Também no norte do país, outro case de empreendedorismo social é a Expedição Barco
Biblioteca no Rio Amazonas divulgada por um dos bibliotecários voluntários Thiago Giordano
Siqueira. A atividade surgiu em 2006 e conta com doações para alugar o barco e realizar as
atividades. O projeto visa levar a leitura para as comunidades ribeirinhas do Amazonas que não
possuem acesso de via terrestre, tentando alcançar e ganhar o maior número de leitores possíveis
contribuindo para o processo de inclusão informacional a partir da prática da leitura e a
democratização do acesso ao livro. A última expedição ocorreu em agosto de 2017 em quatro
comunidades de vulnerabilidade social Águia, Nossa Senhora de Nazaré, São Paulo e São Pedro do
Lago do Castanho de Manacapuru, no estado do Amazonas.
No nordeste também é possível encontrar vários cases de empreendedorismo social na área,
mas destaca-se o BiblioSolidário. Foi criado em 2012, por amigos bibliotecários paraibanos, e tem
como objetivo promover e disseminar ações voltadas à diversidade de indivíduos, culturas e
condições sociais. Tem por finalidade colaborar de distintas formas para aquisição de bens
necessários para uma condição de vida melhor, por meio de obras sociais e de atividades que
promovam o incentivo à leitura. A equipe desenvolve atividades culturais diversas e distribuição de
livros e brinquedos.
Além dessas relatadas, é possível identificar inúmeras outras na área que têm impactos
sociais, colaboram com benefícios para uma comunidade ou atendem necessidades de grupos locais.
Pautado nessas necessidades, percebe-se que nem sempre o empreendedorismo tem por objetivo

�50

somente a obtenção de resultados particulares ou individuais, mas também pode gerar benefícios a
toda sociedade, seja iniciativa local ou regional que vão além somente de iniciativas da esfera
pública ou privada.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se que na Biblioteconomia tem muitos “John Woods” com o mesmo desejo em
melhorar a qualidade de vida das pessoas e oportunizar o acesso à informação e cultura. Apesar de
ainda não conseguirem mobilizar tantos recursos e ter a visibilidade de John Wood, são
bibliotecários que saíram da “zona de conforto” e estão pensando localmente e agindo globalmente
“fora da caixinha” focados no bem-estar coletivo, empreendendo socialmente.
Esses profissionais da Biblioteconomia, além de serem considerados empreendedores
sociais, também são inovadores sociais, pois são agentes de transformação que se motivam para
melhorar ou inventar novas soluções de forma sustentável para mudar a sociedade e gerar impacto
social que beneficiam comunidades e grupos, por meio de atividades de leitura, cultura e de acesso
à informação.
Na perspectiva da inovação social, os empreendedores sociais não surgem associados a uma
dimensão de organização coletiva ou a qualquer setor, público ou privado (lucrativo ou não
lucrativo), mas sim em estruturas híbridas, ora com apoio de empreendimentos comerciais, do setor
público, e, ainda, no setor privado, por meio de iniciativas de responsabilidade social empresarial ou
empreendedorismo social corporativo.
As atividades sociais, educacionais e culturais relatadas nesta pesquisa vão ao encontro das
práticas empreendedoras defendidas por renomados pesquisadores e contribuem para o alcance
efetivo dos objetivos da Agenda 2030, em especial o objetivo 4 (Educação de Qualidade) e 10
(Redução das Desigualdades) da Agenda 2030, além de trazer visibilidade para o papel, missão e
responsabilidade social da Biblioteconomia. Além disso, fazem parte de um rol de outras que
podem e devem ser exploradas e investigadas nos sertões, periferias e capitais desse Brasil pelos
bibliotecários. É de suma importância que esse profissional assuma sua responsabilidade social e
alinhe suas práticas aos preceitos de sustentabilidade requeridos pelas Organizações das Nações
Unidas.

�51

REFERÊNCIAS

ANDRÉ NETO, Antônio et al. Empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios. Rio de
Janeiro: FGV, 2013.
BAGGIO, Adelar Francisco; BAGGIO, Daniel Knebel. Empreendedorismo: conceitos e definições.
Revista de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, v. 1, n. 1, p. 25-38, 2014. Disponível em:
&lt;https://seer.imed.edu.br/index.php/revistasi/article/view/612&gt;.
BASTOS, Maria Flávia; RIBEIRO, Ricardo Ferreira. Educação e empreendedorismo social: um
encontro que (trans)forma cidadão. Revista Diálogo Educ., Curitiba, v. 11, n. 33, p. 573-594,
maio/ago. 2011. Disponível em:
&lt;ttps://periodicos.pucpr.br/index.php/dialogoeducacional/article/view/4438&gt;.
CAPELA, Sandra M. J. O empreendedorismo social e sua contribuição para formação da cidadania:
estudo de caso da Associação Solidariedade Sempre. In: SABINO, Rosi (Org.).
Empreendedorismo social. Londrina, 2014. p. 65-75. Disponível em:
&lt;http://www.isaebrasil.com.br/download/EmpreendedorismoSocial-Rosi-Sabinoorg.pdf#page=65&gt;.
CLINTON, Bill. Doar: como cada um de nós pode mudar o mundo. Rio de Janeiro: Agir, 2008.
CUNHA, Josiane Fonseca da. Bibliotecário, um empreendedor social: atividades desenvolvidas na
Faculdade São Francisco de Assis. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis, v. 14, n. 1, p.192-205, jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/652&gt;.
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: UNESP, 2001.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2010.
HARD, Stuart; MILSTEIN, Mark. Criando valor sustentável. Revista de Administração de
Empresas, São Paulo, v. 3, n. 2, maio 2004. Disponível em: &lt;https://rae.fgv.br/gv-executivo/vol3num2-2004/criando-valor-sustentavel&gt;.
HESSELBEIN, Francês; GOLDSMITH, Marshall; BECKHARD, Richard; SCHUBERT, Richard
F. A Comunidade do futuro: ideias para uma nova comunidade. São Paulo: Futura, 1998.
KRAUSE, G. A natureza revolucionária da sustentabilidade. In: CAVALCANTI, C. (Org.). Meio
ambiente, desenvolvimento sustentável e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 1997.
LINDEMANN, Catia. A busca pela Biblioteconomia Social por meio da Ciência da
Informação. 2014. 60f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) –
Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande,
2014. Disponível em:
&lt;http://repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/6000/BIBLIO%20SOCIAL.pdf?sequence&gt;.
MORAES, Marielle Barros de. Responsabilidade social bibliotecária (RSB): o que significa em
tempos de rupturas democráticas? In: SPUDEIT, Daniela; MORAES, Marielle Barros de (Org.).
Biblioteconomia social: epistemologia transgressora para o Século XXI. São Paulo: ABECIN

�52

Editora, 2018. Disponível em: &lt;http://abecin.org.br/data/documents/EBook_Biblioteconomia_Social_1.pdf. p.49-76&gt;.
OLIVEIRA, Edson Marques. Empreendedorismo social no Brasil: atual configuração, perspectivas
e desafios – notas introdutórias. Revista da FAE, v. 7, n. 2, 2004. Disponível em:
&lt;https://revistafae.fae.edu/revistafae/article/view/416&gt;.
ORTEGA Y GASSET, José. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos, 2006.
PARENTE, Cristina et al. Empreendedorismo social: contributos teóricos para a sua definição. In:
ENCONTRO NACIONAL DE SOCIOLOGIA INDUSTRIAL, DAS ORGANIZAÇÕES E DO
TRABALHO EMPREGO E COESÃO SOCIAL: da crise de regulação à hegemonia da
globalização, 14, Lisboa, Maio de 2011. Anais... Disponível em: &lt;https://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/61185/2/cparenteempreendedorismo000151867.pdf&gt;.
PARENTE, Cristina; QUINTÃO, Carlota. Uma abordagem eclética ao empreendedorismo social.
In: PARENTE, Cristina (Org.). Empreendedorismo social em Portugal. Porto: Universidade de
Porto, 2014. p. 11-69. Disponível em: &lt;https://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/73385/2/88711.pdf&gt;.
SCHNEIDER, Elton Ivan; CASTELO BRANCO, Henrique José. A caminhada empreendedora: a
jornada de transformação de sonhos em realidade. Curitiba: Intersaberes, 2012.
SHERA, J. H. Epistemologia Social, Semântica Geral e Biblioteconomia. Ciência da Informação,
Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, 1977. Disponível em: &lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/92&gt;.
SILVA, Maria de Fátima; MOURA, Laysce; JUNQUEIRA, Luciano. As interfaces entre
empreendedorismo social, negócios sociais e redes sociais no campo social. Revista de Ciências da
Administração, v. 17, n. 42, p. 121-130, ago. 2015. Disponível em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/view/2175-8077.2015v17n42p121/pdf_67&gt;.
SOUZA, Francisco das Chagas de. A escola de Biblioteconomia e a ancoragem da profissão de
bibliotecário. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 11, n. 2, n. 2, 2001. Disponível
em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/index.php/article/view/0000001436/5cb28a1fd6e5aa86a66a6ec87c63bd8
a&gt;.
SPUDEIT, Daniela; PRADO, Jorge Moisés Kroll do. Bibliotecas Parque e a Agenda 2030: análise
das atividades no Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São
Paulo, v. 13, n. esp. CBBD 2017. Disponível em: &lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/835&gt;.
SPUDEIT, Daniela; MORAES, Marielle Barros de (Org.). Biblioteconomia social: epistemologia
transgressora para o Século XXI. São Paulo: ABECIN Editora, 2018. Disponível em:
&lt;http://abecin.org.br/data/documents/E-Book_Biblioteconomia_Social_1.pdf&gt;.
THOMPSON, John L. The World of the Social Entrepreneur. The International Journal of Public
Sector Management, Bradford, Inglaterra, GB, v. 15, n. 5, p. 412-431, 2002.

�53

CAPÍTULO IV
O PAPEL DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA COMO INSTRUMENTO DE INCLUSÃO
SOCIAL

Maria do Socorro Soares Rodrigues
Laiana Ferreira de Sousa
Claudialyne da Silva Araújo
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva

1 INTRODUÇÃO

As bibliotecas comunitárias nascem em comunidades e periferias das grandes cidades e
também na zona rural de todo país. Essas organizações surgem, muitas vezes, do desejo dos
moradores de serem protagonistas na construção de sua cidadania, por meio do acesso à leitura, à
informação e ao conhecimento. Nesse contexto, a biblioteca comunitária tem um papel social de
grande relevância para a vida dessas pessoas.
Segundo Machado (2008), a biblioteca comunitária pode ser entendida como um projeto
social que possui autonomia perante instituições governamentais e que são geridas e organizadas
pela própria comunidade. A partir da sentença de Machado (2008), é possível reconhecermos a
biblioteca comunitária como uma entidade autônoma que pode promover o crescimento social de
sua comunidade, considerando a questão da inclusão e exclusão social nesses locais.
Sabe-se que a grande maioria da população, principalmente as que vivem em comunidades e
bairros das periferias, padece de um processo penoso de exclusão social. A exclusão se dá em todas
as áreas, seja educacional, profissional, cultural e social. Além desses, pode-se acrescentar outro
tipo de exclusão, que é a exclusão informacional, muito presente em nossa realidade. Nesse cenário,
acredita-se que a biblioteca comunitária é um caminho na tentativa de reverter o quadro de exclusão
informacional das comunidades, pois “[...] a informação é, portanto, direito de todos. É um bem
comum, que pode e deve atuar como fator de integração, democratização, igualdade, cidadania,
libertação, dignidade pessoal. Não há exercício da cidadania sem informação” (TARGINO, 1991, p.
155). Como se pode ver, a informação é um bem vital; é essencial para a garantia de direitos, e para
tanto, é necessário que a mesma esteja acessível.
As bibliotecas, de modo geral, têm como objetivo primordial disseminar a informação de

�54

acordo com a necessidade de seu público-alvo, no caso da biblioteca comunitária, à comunidade
localizada ao seu redor. É nesse contexto que destacamos o projeto Rede de Leitura Jangada
Literária, fruto da parceria com o Instituto C&amp;A por meio do Programa Prazer em Ler. O projeto foi
criado em 2013, e fundamenta-se na implantação de bibliotecas comunitárias nas periferias de
Fortaleza e São Gonçalo do Amarante, região metropolitana, estado do Ceará.
O programa tem por objetivo fomentar a criação e estruturação de bibliotecas comunitárias e
espaços de leitura em comunidades espalhadas pelo país; ele se desenvolve, geralmente, em
instituições de cunho social, como: Organizações Não Governamentais (ONGs), Associações de
Moradores, Conselhos Comunitários, entre outros. Um dos pontos mais importantes do programa é
o foco no incentivo à leitura, por meio de ações que estimulem esse processo, principalmente com o
uso do livro. Sabe-se que as dificuldades enfrentadas pelas bibliotecas públicas são uma constante,
e, em especial, as bibliotecas comunitárias, as quais não dispõem de recursos necessários para a
manutenção de seus espaços, bem como para a contratação de um bibliotecário, profissional esse de
fundamental importância para gerir a biblioteca e promover de modo eficaz o acesso ao livro e à
leitura. A realidade que se presencia diariamente é a escassez desses profissionais para atuarem nas
bibliotecas, sejam elas de qualquer tipologia.
No caso das bibliotecas comunitárias, recorre-se, portanto, à figura do mediador de leitura,
responsável por gerir a biblioteca na falta do bibliotecário. No projeto Rede Jangada Literária, o
mediador de leitura conta com a gestão de um bibliotecário, que assessora as oito bibliotecas
integrantes da rede. A escolha do mediador de leitura é feita a partir de alguns critérios, como, por
exemplo: sua ligação com a comunidade onde a biblioteca está inserida, e que prioritariamente seja
um morador local, jovens em idade escolar ou universitária e que, além dessa ligação com a
comunidade, demonstre apreço pela leitura.
Considerando o fato de a biblioteca comunitária ser um espaço de inclusão social, enfatizase o papel dos jovens a frente dessas bibliotecas, como mediadores de leitura, uma vez que a
biblioteca pode ser uma ponte para o alcance de objetivos, a realização de sonhos e a descoberta de
talentos entre esses jovens. Justifica-se essa análise, principalmente, pelo quadro social que se
apresenta nos bairros e comunidades das periferias onde as bibliotecas da rede estão localizadas,
como, por exemplo: IDH muito baixo; altos índices de analfabetismo entre crianças, jovens e
adultos; aumento exponencial da violência, especialmente, entre os jovens, bem como a
insuficiência de serviços públicos básicos como educação, saúde, transporte e lazer.
Além desses fatores, as bibliotecas comunitárias são o único equipamento cultural
disponível para o desenvolvimento da cultura e do lazer na população atendida, ou seja, crianças e
jovens, alvos mais vulneráveis. Como metodologia, utilizou-se a pesquisa participante, com uma

�55

exploração bibliográfica do tema, bem como de temas afins, a partir de textos sobre cidadania,
inclusão e exclusão informacional, informação e sociedade, biblioteca pública, conceitos e
definições sobre comunidade, entre outros.
Além do uso da bibliografia, realizou-se ainda a observação participante in loco dessas
bibliotecas e dos mediadores de leitura, uma vez que um dos autores deste artigo atua como
bibliotecário da Rede. Para tanto, como corpus de análise, têm-se os três mediadores de leitura de
três bibliotecas da Rede, a saber: a Biblioteca Comunitária Sorriso da Criança, localizada no bairro
Presidente Kennedy; a Biblioteca Famílias Reunidas, no bairro Padre Andrade; e a Biblioteca
Comunitária Literateca, de São Gonçalo do Amarante.
Desse modo, a fim de alcançar a proposta deste artigo, o mesmo possui sete seções. Na
primeira seção, é feita a introdução, cuja temática é contextualizada, como também expõe-se a
justificativa acerca da escolha do tema, os objetivos e a metodologia utilizada. Na segunda parte,
apresenta-se o referencial teórico sobre biblioteca comunitária e inclusão social, à luz de alguns
teóricos estudados. Por fim, apresenta-se a metodologia, os resultados obtidos e as considerações
finais.

2 O PAPEL DA BIBLIOTECA PARA PROMOÇÃO DA IGUALDADE E DA CIDADANIA

O Brasil é um país de grandes proporções e dimensões continentais, diferentes costumes,
grande riqueza natural e considerado o maior país da América do Sul. No entanto, sofre com
problemas sociais crônicos na saúde, segurança e em especial na educação. Apesar de todo seu
crescimento econômico e de ser o maior país da América do Sul, a questão da educação é sempre
um tema recorrente, principalmente pelos índices de analfabetismo7, que atualmente chegam a 8%
entre jovens de 15 a 19 anos.
É certo que esse quadro vem mudando ao longo do tempo, muitas vezes, por iniciativa da
própria população. No entanto, para as pessoas de baixa renda e que vivem em comunidades em
situação de vulnerabilidade social, a educação ainda é um problema a ser enfrentado. Essa
problemática é proveniente da origem do nosso país. Sobre isso, Paulo Freire (1967, p. 67) já
afirmava que,
[...] nossa colonização foi, sobretudo, uma empreitada comercial. Os nossos colonizadores
não tiveram — e dificilmente poderiam ter tido — intenção de criar, na terra descoberta,
uma civilização. Interessava-lhes a exploração comercial da terra.

7

PNAD-IBGE (2016) apud Retratos da Leitura no Brasil (2016).

�56

É perceptível na fala de Freire (1967) que, para os colonizadores, não era importante manter
uma relação de parentesco, de pertencimento com essa terra, fato que traz consequências até os dias
de hoje. A educação tem um papel fundamental para a construção da cidadania e igualdade social
de uma nação, de um povo, de uma comunidade. Nessa perspectiva, a biblioteca torna-se uma
parceria estratégica para o desenvolvimento econômico e social, especialmente quando
consideramos as ferramentas: livro, leitura, informação e conhecimento.
Mas, o que significa cidadania? O que caracteriza ser um cidadão? Ao tratar sobre esses
conceitos recorre-se às definições gregas de Aristóteles apud Targino (1991, p. 151): “homem livre
e que tem direito a exercer seus direitos”. No entanto, naquele período histórico, assim como hoje,
nem todos se encaixavam na definição de cidadãos. Targino (1991, p. 151) afirma que, “[...] a
cidadania é compreendida enquanto dimensão pública da participação dos homens na vida social e
política, ainda que, em antigas legislações, nem todos os habitantes da cidade fossem cidadãos”.
Esse fato é tão atual, quanto o foi no passado, visto que muitos são os que são excluídos de
seus direitos e, portanto, vivem à margem da sociedade. Ainda de acordo com Targino (1991),
pode-se
inferir que ser cidadão é ter consciência de seus deveres e acesso a seus direitos. A
cidadania se manifesta e se constrói a partir dessa conscientização e da participação política
e social dos homens na sociedade (TARGINO, 1991, p. 156).

Entendemos que essa prerrogativa de direitos e deveres passa, num primeiro momento, pelo
acesso à informação e ao conhecimento, sendo a escola e a biblioteca espaços primordiais para o
desenvolvimento do ser cidadão. Portanto, as bibliotecas, assim como as escolas, se destacam como
espaços de construção de conhecimento, disseminação do saber e transformação social.
Corroborando Targino (1991), a respeito da construção da cidadania, Petit (2008) afirma não ser
algo simples e fácil de conquistar, mas algo a ser alcançado.
Uma cidadania ativa --- não devemos esquecer isso --- não é algo que cai do céu, é algo que
se constrói. A leitura pode contribuir em todos os aspectos que mencionei: acesso ao
conhecimento, apropriação da língua, construção de si mesmo, extensão do horizonte de
referência, desenvolvimento de novas formas de sociabilidade [...] (PETIT, 2008, p. 53).

Assim, a biblioteca, seja ela pública, privada, escolar, universitária, especializada ou
comunitária exerce um importante papel de promoção não somente de informação, mas de
qualidade de vida e lazer para seus frequentadores.
[...] É sempre na intersubjetividade que os seres humanos se constituem, e suas trajetórias
podem mudar de rumo depois de algum encontro. Esses encontros, essas interações às
vezes são proporcionados por uma biblioteca [...] (PETIT, 2008, p. 53).

A afirmação de Petit (2008) é bem significativa para expressar o valor da biblioteca

�57

enquanto espaço de oportunidades e novas estratégias de vida. Infere-se, portanto, que onde existe
uma biblioteca, as possibilidades de crescimento e desenvolvimento local são substanciais. Nesse
contexto, as bibliotecas são redutos para transformação social, para construção de igualdade e
cidadania, possibilitando a garantia de direitos às comunidades onde estão inseridas.

3 COMUNIDADE NO CONTEXTO BRASILEIRO

Viver em grupo faz parte da história do homem desde os tempos mais remotos de sua
trajetória sob a terra. Foi assim com os primeiros habitantes e assim continua até os dias atuais. São
várias as nomenclaturas para descrever, ao longo do tempo, esses ajuntamentos de indivíduos:
tribos, clãs, aldeias, vilas e as cidades. Essas últimas têm se desenvolvido de forma tão acelerada,
principalmente pela explosão populacional que as acomete. Seus domínios se formam a partir de
ruas e bairros e se estendem desde o centro até as periferias.
Nessa configuração territorial, o Estado oferece aos indivíduos que ali vivem uma série de
instituições e serviços que se configuram em instrumentos capazes de prover a vida do coletivo. No
entanto, a forma como nasce essas ruas e bairros nem sempre se dá de modo planejado e
organizado, o que acarreta uma série de problemas estruturais e deficiência na prestação de serviços
essenciais para a população.
Nessa perspectiva, de inchaço populacional e desorganização dos espaços territoriais,
surgem as favelas e/ou comunidades. Feitosa (1998) expõe as causas desse fenômeno na sentença
abaixo.
A favela no Brasil é resultado do processo de desenvolvimento econômico por que passou o
país ao longo de sua curta história. Assim sendo, tem suas marcas fundantes no processo
capitalista adotado como recurso desenvolvimentista. Seu surgimento deriva da má
distribuição de renda e da divisão da sociedade em níveis hierárquicos, onde a grande
maioria da população sobrevive com baixos salários, enquanto uma minoria domina os
processos de produção dos bens e materiais do sistema capitalista (FEITOSA, 1998, p.
110).

O autor ainda complementa seu pensamento afirmando que o “desenvolvimento econômico
e ocupação ilegal de terras são tidos como as causas do surgimento das favelas nas cidades”
(FEITOSA, 1998, p. 110).
Portanto, quando pensamos no aumento exorbitante da população que ocorre nos meios
urbanos ou rurais e nas desigualdades sociais, fica claro que a afirmação do autor é muito coerente e
bem atual. Outro fator de destaque na concepção de Feitosa (1998) é a questão do território, ou seja,
o solo que é ocupado, no qual as pessoas vão construindo suas moradias. As favelas, portanto, são

�58

territórios onde se desenvolve a vida de seus moradores, e dentro desse contexto, também podemos
entender esses locais como espaços comunitários, cujos ocupantes usufruem dos mesmos serviços e
possuem as mesmas necessidades e dificuldades.
Nesse sentido, entende-se que favela não é diferente de comunidade. Neste trabalho,
optamos tratar o termo favela por comunidade, pois entendemos não existir diferença entre um
termo e outro, no que diz respeito ao coletivo que ali se constitui. Ainda, segundo Suaiden (1995),
“a comunidade é, pois, uma área de vida dotada de certo grau de coesão social, suas bases são:
localidade e consciência de si mesma. Uma comunidade ocupa sempre uma área territorial”. Logo,
percebe-se que Suaiden (1995) também aponta a questão do território como fator importante para
descrever a comunidade e assim corrobora o conceito de comunidade descrito pela Sociologia.
É (comunidade) essencialmente ligada ao solo, em virtude dos seus componentes viverem
de maneira permanente em determinada área, além da consciência de pertencerem, ao
mesmo tempo, ao grupo e ao lugar, e de partilharem o que diz respeito aos principais
assuntos das suas vidas. Têm consciência das necessidades dos indivíduos, tanto dentro
como fora do seu grupo imediato e, por essa razão, apresentam tendência para cooperar
estritamente (EBAH, DICIONÁRIO DE SOCIOLOGIA, ON-LINE)8.

A comunidade, no entanto, não pode ser vista somente do ponto de vista do territorial ou
local e sim do sentimento de pertencimento e da segurança que o coletivo proporciona aos seus
integrantes. Isso se observa no pensamento de Bauman (2003, p. 7), em que o autor afirma que a
“comunidade é um lugar ‘cálido’, um lugar confortável e aconchegante”. Para ele, “comunidade
sugere coisa boa”.
Esse pensamento, todavia, pode parecer contraditório e até ingênuo, já que o viver
coletivamente não é tão simples e fácil, pois existe tensão constante de todos os lados, uma vez que
a comunidade é formada por diferentes indivíduos com interesses diversos. De toda forma, Bauman
(2003) não é incoerente em sua exposição, pois como já mencionado, a comunidade ainda é um
lugar de refúgio, de abrigo e de pertencimento para as pessoas que ali residem.
Não é raro encontrar nessas comunidades, grandes deficiências econômico-sociais, pois,
quase sempre, estão longe do alcance dos recursos públicos, e, consequentemente, há ausência de
investimentos em serviços básicos, como: saúde, transporte, trabalho, segurança, cultura e
educação, infraestruturas essas que garantem a cidadania aos seus moradores.
Esses serviços e instituições que o Estado dispõe aos cidadãos das periferias e comunidades
quase sempre geram insatisfação, pois seu alcance é muito pequeno se considerarmos a quantidade
de pessoas que convivem num mesmo território. Órgãos essenciais como hospitais, postos de saúde
e escolas são insuficientes para atender a população aos seus arredores, sendo possível incluir,

8

Disponível em: &lt;http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAGZQAJ/dicionario-sociologia&gt;.

�59

também, nessa lista, as bibliotecas.
A cidade de Fortaleza, por exemplo, dispõe de apenas duas bibliotecas públicas: uma
estadual e uma municipal. A situação dessas bibliotecas públicas não é das melhores. A Biblioteca
Pública Estadual Governador Menezes Pimentel, atualmente, passa por uma reforma que se arrasta
já há dois anos, sem previsão de entrega à sociedade. É significativo dizer que a biblioteca pública
como instituição estatal voltada a suprir as necessidades informacionais do município ou do estado,
no entanto, não pode atender sozinha, de modo satisfatório, os seus usuários, e uma das razões para
a concretização desse fato, como visto, é a quantidade de bibliotecas públicas existentes na cidade,
uma vez que a biblioteca pública estadual atende não somente o morador fortalezense, mas também
todas as regiões do estado.
É nesse cenário de dificuldades, que a biblioteca comunitária surge como equipamento
cultural de fundamental importância para os bairros e comunidades que se encontram afastados da
biblioteca pública, seja do estado ou município. A biblioteca comunitária passa, então, a exercer o
papel dessas bibliotecas, pois, muitas vezes, é o único acesso da comunidade à leitura, informação,
conhecimento e ao lazer. Assim, a biblioteca comunitária assume uma responsabilidade bem mais
ampla em relação à sua comunidade; ela se destaca como ferramenta de inclusão social.

3.1 BIBLIOTECA COMUNITÁRIA
A biblioteca é tida como “templo do saber”, expressão muito usada para destacar sua
importância para o desenvolvimento econômico, social e cultural da humanidade. Sua origem
remonta desde o surgimento das antigas civilizações, em que sua principal função era armazenar
todo conhecimento produzido pelo homem. No entanto, ao longo do tempo, a biblioteca passou por
diversas transformações. Hoje, o armazenamento não mais se configura como aspecto mais
importante da biblioteca, e sim sua capacidade de alcançar seus usuários, de modo a atender suas
necessidades informacionais e sociais.
A biblioteca se divide, basicamente, em duas categorias: as públicas e as privadas, e dentro
do caráter público ou privado, temos seus diversos tipos: escolar, universitária, especializada e
comunitária, além da biblioteca pública. Cada tipo de biblioteca tem características que as
distinguem umas das outras. Ressalta-se, aqui, a biblioteca comunitária como foco deste artigo. No
entanto, antes de explorarmos o universo da biblioteca comunitária, vamos conhecer como se
configuram as outras tipologias de bibliotecas. Segundo Machado (2009, p. 58),

�60
de modo geral, as bibliotecas atendem as demandas de suas comunidades e são
caracterizadas por elas, ou seja, pelo seu público. A biblioteca universitária é criada por lei
federal, independente de ser vinculada a uma instituição de ensino superior ou privada [...]
enquanto que a biblioteca especializada está necessariamente atrelada a uma instituição e
atende as demandas informacionais do grupo de técnicos e especialistas vinculados
formalmente a essa instituição.

Fica claro que cada biblioteca objetiva atender as necessidades de seus usuários e que cada
uma possui características intrínsecas a eles. Além dessas categorias, tem-se, ainda, a biblioteca
pública, que, segundo a Federação Internacional das Associações de Bibliotecários e Instituições
(IFLA, 1994, não paginado), é
[...] porta de acesso local ao conhecimento, fornece as condições básicas para uma
aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o
desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais.

A biblioteca pública, assim, tem um importante papel para o desenvolvimento de seu país.
Ela nasce institucionalizada, ou seja, o Estado a provém de estrutura, equipamentos, recursos
financeiros e de pessoal e seu objetivo é atender as necessidades informacionais da sociedade em
nível de estado, município ou federação. Suaiden (1995, p. 19) afirma que,
a biblioteca pública, mantida pelo governo, tem por objetivo primordial preservar e difundir
o conhecimento, principalmente no que se refere à cultura local, e dentre todos os tipos de
bibliotecas é a única que possui realmente características de uma instituição social, tanto
pela amplitude de seu campo de ação como pela diversificação de seus usuários.

Nesse contexto do social, temos a biblioteca comunitária, que, assim como a pública, tem
seus objetivos direcionados a atender as demandas de informação e conhecimento da comunidade
onde está localizada. Machado (2008, p. 62) a descreve da seguinte forma:
[...] o emprego do termo biblioteca comunitária é mais apropriado para identificar o que
consideramos ser empreendimentos sociais que surgem do desejo e da necessidade de um
determinado grupo de pessoas em ter acesso ao livro, à informação e à prática de leitura,
num real exercício de cidadania [...]. Podemos identificar as bibliotecas comunitárias como
projetos vinculados a um grupo particular, que tem como objetivo atender esse mesmo
grupo, os quais possuem os mesmos problemas, os mesmos interesses e a sua própria
cultura, seja esse um grupo de especialista em paleontologia ou um grupo de moradores de
uma comunidade considerada de risco.

Observa-se, portanto, que a biblioteca pública e a biblioteca comunitária são semelhantes,
mas uma diferença significativa se destaca que é a forma como cada uma se constitui, pois, no caso
da biblioteca comunitária, ela nasce diretamente da comunidade e para a comunidade, não
possuindo nenhum vínculo com o poder público.
Almeida Júnior (1997, p. 94) descreve a biblioteca comunitária como,
[...] aquelas bibliotecas que atuavam junto aos seguimentos mais pobres das grandes
cidades, principalmente em bairros periféricos, mas que em nada ou talvez, em muito pouca
coisa, diferenciava das bibliotecas públicas tradicionais.

�61

O autor deixa claro que em sua concepção a biblioteca comunitária, nada mais é que uma
biblioteca pública situada nas periferias das cidades. Ele ainda esclarece que o termo “bibliotecas
comunitárias” “[...] é utilizado como forma de amenizar as ideias que acompanhavam a proposta de
bibliotecas populares” (ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 93). É preciso esclarecer que não
aprofundaremos a discussão sobre bibliotecas populares, neste trabalho. Considerando, portanto, as
características e similaridades entre a biblioteca comunitária e a biblioteca pública, evidencia-se a
importância da comunidade para essas organizações e que sua existência se explica a partir do
momento em que as mesmas respondem aos anseios da coletividade, atuantes como agentes de
inclusão social.
A partir desse quadro de desigualdade social e falta de expectativas por parte dos jovens, é
que se ressalta a importância da biblioteca comunitária. Como campo de observação para esta
pesquisa, delimitaram-se as bibliotecas comunitária integrantes da Rede de Leitura Jangada
Literária. Nesse sentido, cumpre aqui elaborar estratégias para conhecer os mediadores de leitura
dessa Rede e compreender os impactos dessas ações na formação dos mesmos.

4 METODOLOGIA

A fim de atingir o objetivo de evidenciar a biblioteca comunitária como ferramenta de
inclusão social, capaz de promover o desenvolvimento social de jovens residentes em comunidades
de risco, optou-se pela pesquisa participante, já que um dos autores deste artigo atua como
bibliotecário nas bibliotecas do projeto. De acordo com Brandão (2006, p. 12), entende- se a
pesquisa participante como:
[...] um repertório múltiplo e diferenciado de experiências de criação coletiva de
conhecimentos destinados a superar a oposição sujeito/objeto no interior de processos que
geram saberes e na sequência das ações que aspiram gerar transformações a partir também
desses conhecimentos.

O trabalho tem uma abordagem qualitativa de cunho exploratório, na qual se faz uso da
observação participante, da pesquisa bibliográfica e de campo. O universo amostral da pesquisa é
formado por três mediadores de leitura, que atuam em três bibliotecas comunitárias integrantes da
Rede de Leitura Jangada Literária.
Os três são jovens que desde criança participam de atividades nos projetos sociais; são
membros de grupos de jovens, de associações e de conselhos comunitários ou de órgãos de controle
social, como no caso de uma jovem mediadora que atualmente está como conselheira da linguagem
Literatura no Conselho Municipal de Política Cultural de Fortaleza. Esses mediadores também se

�62

destacaram desenvolvendo habilidades e talentos que contribuíram para o crescimento e a
visibilidade da biblioteca comunitária em suas comunidades, fato que justifica as escolhas por esses
sujeitos.
Os mediadores são identificados pelas iniciais de seus nomes e sobrenomes preservando,
assim, as identidades deles. Para coleta dos dados, optou-se pela aplicação de um questionário
contendo oito perguntas. Em um primeiro bloco de perguntas, abordamos seus dados pessoais,
como: nome completo, idade, endereço, sexo, biblioteca em que atua e escolaridade. Em outro
bloco, indagamos o papel da biblioteca em suas vidas, como eles a conheceram e o que mudou a
partir de suas atuações nesses ambientes.

4.1 ANÁLISE DOS DADOS

Para análise, apresenta-se um breve relato sobre o Projeto Rede de Leitura Jangada Literária
para, então, discorrer sobre a entrevista realizada com os mediadores de leitura do projeto.

4.1.1 Projeto Rede de Leitura Jangada Literária

As bibliotecas comunitárias, integrantes da Rede Jangada Literária, desenvolvem diversas
atividades em seus espaços, desde ações intrínsecas à sua função, como incentivo à leitura, até
ações de lazer, como jogos, brincadeiras, entre outros. A mediação de leitura, carro chefe do
Programa Prazer em Ler/Instituto C&amp;A, parceiro dessas instituições, é uma ação desenvolvida em
todas as bibliotecas da Rede. Dentre as atividades realizadas têm-se: a contação de história com o
uso do livro, a contação de história com uso de recursos teatrais, a leitura compartilhada, saraus
literários etc.
Essas bibliotecas também realizam atividades que envolvem a comunidade onde se
localizam, como: seminários sobre a elaboração de políticas públicas que contemplem o livro, a
leitura e a exemplo disto tem-se a construção do Plano Municipal de Livro, Leitura, Literatura e
Biblioteca de Fortaleza; exibição de filmes na rua; aulas de música; oferta de serviços e
informações utilitárias (confecção de currículos, busca por ofertas de trabalho); reuniões de
lideranças comunitárias; palestras com temas de interesse da comunidade, como, por exemplo:
saúde, habitação, alimentação, drogas, o primeiro emprego e pesquisas escolares diversas.
Apesar dessa variedade de serviços ofertados por esses espaços, eles enfrentam alguns

�63

problemas, principalmente no que diz respeito aos territórios onde as bibliotecas escolares se
localizam, pois, muitas vezes, é um lugar de extrema desigualdade social, cujo tráfico de drogas dita
as regras e a violência é sempre presente na vida dos moradores locais, situação que atinge
principalmente os jovens e adolescentes.
Esses grupos não recebem a atenção necessária por parte do poder público, especialmente a
educação de qualidade e o acesso à cultura, fatores imprescindíveis para o desenvolvimento de um
pensamento crítico e uma atitude cidadã. A Rede conta com a assessoria de uma bibliotecária que
acompanha os mediadores de leitura nas bibliotecas, uma vez que esses espaços não possuem
recursos necessários para a contratação de um bibliotecário para cada biblioteca.
Nesse sentido, essa função é assumida pelo mediador de leitura, ou seja, jovens, entre 18 e
29 anos, selecionados da própria comunidade onde a biblioteca se situa. Os mesmos devem estar
cursando nível superior em diversas áreas do conhecimento, principalmente àquelas afins à leitura,
como: Biblioteconomia, Pedagogia, Serviço Social, Administração e Letras. As bibliotecas
integrantes da Rede Jangada Literária situam-se dentro de organizações sociais que desenvolvem
diversas atividades direcionadas para as comunidades onde se localizam, tendo os jovens como
público primordial, uma vez que esses são os mais atingidos pela violência.
A seleção dos mediadores para essas bibliotecas se dá a partir da resolução de um
questionário, em que os mesmos expõem suas habilidades, experiências, vivências, anseios,
objetivos, bem como seus interesses na leitura, seus conhecimentos a respeito de biblioteca e se
frequentam a mesma.
Boa parte desses mediadores diz ter pouco contato com a biblioteca, com os livros e com a
leitura, salvo algumas exceções. Esse quadro, no entanto, começa a mudar gradualmente, pois, a
partir do momento em que começam a atuar nas bibliotecas, aos poucos eles descobrem um novo
mundo, uma oportunidade de se desenvolverem enquanto seres sociais e livres que são.

4.1.2 Análise das entrevistas com mediadores de leitura

Os mediadores de leitura selecionados para esta pesquisa são jovens com idade média entre
20 a 30 anos, sendo dois do sexo feminino e um do sexo masculino. Todos cursam nível superior,
vinculado às áreas de Pedagogia, Serviço Social e Publicidade e Propaganda. A partir das
entrevistas realizadas com os mediadores, identificou-se em suas falas, a importância que a
biblioteca comunitária teve/tem para seu desenvolvimento social, educacional, profissional e
cultural. Foram feitas duas perguntas principais sobre a biblioteca, a saber:

�64

a) Há quanto tempo trabalha na biblioteca comunitária como mediador de leitura? Como
a conheceu e quais suas motivações?
b) Você considera que a biblioteca comunitária contribuiu, de alguma forma, para o seu
crescimento profissional e pessoal, sob quais aspectos?
É perceptível na fala dos mediadores de leitura que a biblioteca conseguiu, de algum
modo, transformar suas vidas, seja no modo de pensar, de agir, de se relacionar com as pessoas e
com o mundo que os cerca. Nossa primeira entrevistada é a jovem mediadora de leitura S.E.A.S,
21 anos, estudante do 6º semestre de Pedagogia, moradora no bairro Presidente Kennedy:
“Atuo como mediadora de leitura desde o ano de 2013. Comecei como voluntária na ONG em 2012, em 2013 a
mesma fez uma parceria que garantiu recurso para contratação de mediadores de leitura, por estar atuando na
organização, a gestora me convidou para trabalhar na biblioteca. Conheço e utilizo a biblioteca desde criança,
sempre participava de oficinas e pegava livros, isso me motivou a oportunizar outras pessoas, pois o espaço
impactou minha vida e eu sempre tive o desejo de que outras pessoas também pudessem ter esse acesso”.

A fala da mediadora S.E.A.S demonstra uma relação de intimidade com a biblioteca, de
como esse contato começou bem cedo, quando ela ainda era criança e o desejo de que outras
pessoas também possam ter o acesso ao universo da biblioteca e sentir o impacto da mesma em
suas vidas. Machado (2008) corrobora a mediadora em destacar o papel dessas bibliotecas para o
desenvolvimento de suas comunidades e seus sujeitos. “Objetivamente, essas bibliotecas devem
criar mecanismos para colaborar no desenvolvimento da sua comunidade, potencializando os
próprios talentos dos indivíduos e das comunidades” (MACHADO, 2008, p. 51).
Ainda em relação à mediadora, foi possível identificar talentos, até então não
desenvolvidos, como escrever, principalmente a escrita de textos poéticos e de cordel, bem como a
criação de um blog para divulgar seus textos. Outra fala significativa da mediadora é o papel da
biblioteca comunitária como ferramenta que propiciou seu ingresso na universidade,
principalmente como fonte de informação e leitura:
“Sempre estudei em escola pública, por isso tive várias lacunas na minha formação, o acesso aos livros, informações
era bastante limitado e a biblioteca comunitária cumpriu um papel essencial, pois preencheu essa lacuna que a escola
deixou. Na biblioteca tive acesso a um vasto mundo de conhecimento, participei de oficinas, conheci gêneros textuais,
passei a ter mais autonomia e pensamento crítico. Eu acredito que só passei em uma universidade pública por conta
da biblioteca e da ONG, nunca fiz cursinho, mas a biblioteca possibilitou esse ingresso, pois impactou diretamente na
minha formação leitora, humana e crítica”.

A segunda entrevistada é E.N.O, 23 anos, estudante do 7º semestre de Serviço Social,
mediadora de leitura na Biblioteca Comunitária Literateca, moradora de São Gonçalo do
Amarante. Ela também ressalta toda a diferença que a biblioteca comunitária lhe proporcionou,

�65

em destaque para seu engajamento social e o empoderamento advindo de seu papel como
mediadora do conhecimento na biblioteca comunitária:
“Trabalho há 4 anos e 5 meses como mediadora, conheci a partir de uma seleção que ia fazer para outro cargo,
como Auxiliar Administrativo da Associação União das Famílias. Acredito que esse espaço é transformador e que
trabalhar como mediadora me torna mais empoderada e engajada socialmente. Muito bom saber que como
mediadora tenho o papel de mediar conhecimento e não somente por obrigação, mas por acreditar que a leitura
muda os homens que consequentemente muda o mundo”.

Assim como a primeira mediadora, a mediadora E.N.O destaca a biblioteca comunitária
como um espaço transformador que lhe proporciona empoderamento e engajamento social
necessários para sua atuação como cidadã, além de frisar o seu papel como mediadora do
conhecimento. Outro destaque que E.N.O dá à biblioteca comunitária, a partir de sua atuação
como mediadora de leitura, é o seu desenvolvimento crítico e seu crescimento pessoal,
profissional e social:
“A partir do meu trabalho na biblioteca pude perceber socialmente e politicamente como as situações funcionam,
cresci e fomentei a minha criticidade a partir das leituras e formações recebidas. Pessoalmente tornei- me mais capaz
de tomar minhas próprias decisões embasada não somente no emocional, mas no racional também. Foi a partir do
meu trabalho como mediadora que interessei-me pelo Serviço Social, pelas causas políticas e pelas causas sociais”.

O terceiro mediador de leitura é W.H.D.B, 28 anos, estudante do 2º semestre de
Publicidade e Propaganda, morador do bairro Presidente Kennedy. Sua experiência com a
biblioteca comunitária, assim como suas colegas mediadoras de leitura, é de intimidade com a
leitura e seu desejo de incentivar outras pessoas a desenvolver esse relacionamento com os livros:
“Trabalho há três anos como mediador de leitura, minha maior motivação é de poder ter o prazer de trabalhar no
universo que eu amo: livros, e saber que de alguma forma estou contribuindo para disseminar e incentivar a leitura e o
ato de ler nas pessoas assim como um dia também alguém me incentivou”.

Para W.H.D.B, sua atuação na biblioteca comunitária lhe permitiu crescer na esfera pessoal
e profissional:
“No âmbito profissional através de qualificação por meio das formações me incentivaram a buscar obter mais
conhecimento e de me qualificar para que eu pudesse ser um profissional qualificado na área que pretendo atuar; no
âmbito pessoal foi o amadurecimento de conceitos, ideias; emocional, o tratar as pessoas e saber se comunicar e ser
entendido por qualquer pessoa, saber me relacionar e conviver com pessoas de opiniões diferentes”.

A partir das falas dos mediadores de leitura, fica claro que as bibliotecas comunitárias
funcionam como espaços de multicultura, onde se desenvolvem diversas atividades direcionadas a
atender um público variado, desde crianças a idosos, podendo influenciar de modo positivo a vida
daqueles que atuam na linha de frente desses espaços, no caso, os mediadores de leitura.

�66

Esses mediadores atuam nessas bibliotecas não como bibliotecários, uma vez que não têm
formação para tal. No entanto, são mediadores entre o conhecimento e a comunidade, em que essas
bibliotecas se localizam, mantendo, assim, seus vínculos identitários e proporcionando a outros o
acesso às riquezas existentes na biblioteca.
Nota-se, ainda, que alguns mediadores, antes de atuarem nas bibliotecas comunitárias,
tinham pouco contato com os livros e a leitura; a biblioteca era um espaço distante de suas
realidades. Todavia, atualmente, a partir de suas atuações nesses espaços, esse quadro mudou. Os
jovens, no momento atual, dispõem de diversas oportunidades, tanto de crescimento profissional,
pessoal, bem como social. Logo, a biblioteca comunitária, agora, é uma parte importante de suas
vidas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento social e humano dos sujeitos perpassa seu acesso à leitura, à informação
e ao conhecimento, por meio, principalmente, da escola e da biblioteca. Essa última tem um papel
fundamental como ferramenta de inclusão social, em destaque, a biblioteca comunitária, pois ela
proporcionou o acesso à cidadania, seja como espaço de aprendizado, descobertas de habilidades,
ascensão profissional e educacional e como espaço de interação para os mediadores analisados
nesta pesquisa.
Trabalhar com o social é desenvolver habilidades para além da técnica; é entregar-se por
completo numa jornada sem limites, muitas vezes, sem retorno financeiro, mas de uma grandeza
imensurável. A biblioteca comunitária pode ser entendida como uma ferramenta capaz de
desenvolver habilidades e capacitar os sujeitos para os desafios da vida em comunidade, um ponto
de apoio para a tomada de decisões de interesse do coletivo e a mola propulsora de uma cidadania
plena. A partir das entrevistas, pode-se aferir que esses jovens despertaram o gosto literário no ato
de suas atividades, o que demonstra o quanto ações participantes colaboram para o desenvolvimento
tanto do mediador quanto dos leitores.
Além disso, percebe-se que as atividades desenvolvidas nas bibliotecas transformaram a
vida desses jovens, tornando esse momento não somente propício para formação profissional, mas
também para torná-los mais humanos, cientes do poder de transformação que possuem nas mãos. A
missão de mediar a leitura não é tarefa fácil, principalmente, quando se trata de um país de não
leitores; portanto, será sempre um desafio a ser enfrentado.
Dessa forma, ao passo em que os mediadores têm oportunidade de conhecer os serviços de

�67

uma biblioteca e desenvolver novas competências, eles também estão sendo contemplados pelo
programa, já que fazem parte da comunidade e são atingidos por uma série de riscos. Nas
bibliotecas comunitárias, eles desenvolvem o gosto literário, a criatividade, a imaginação e estão em
constante interação com os usuários que fazem parte da mesma comunidade. Demonstra-se,
portanto, a importância de projetos dessa natureza, que visam incluir, socialmente, jovens no
universo leitor e torná-los participantes e cientes dos direitos que possuem.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Bibliotecas públicas e bibliotecas alternativas.
Londrina: Editora UEL, 1997.
BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar,
2003.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues; STRECK, Danilo (Org.). Pesquisa participante: a partilha do
saber. Aparecida: Editora Ideias &amp; Letras, 2006.
FEITOSA, Luiz Tadeu. O poço da draga: a favela e a biblioteca. São Paulo: Annablume;
Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desportos, 1998.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.
Disponível em: &lt;https://yadi.sk/i/peLbChsk3J7rRs&gt; Acesso em: 02 out. 2017.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Fortaleza. [Cidades – panorama
–Fortaleza]. Disponível em: &lt;https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ce/fortaleza/panorama&gt;. Acesso em:
11 out. 2017.
MACHADO, Elisa Campos. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil. 2008. 184f.
Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
Disponível em: &lt;http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-07012009- 172507/ptbr.php&gt;. Acesso em: 15 dez. 2017.
PERIFERIA. MICHAELIS dicionário brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível
em:&lt;http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/periferia/&gt;. Acesso
em: 10 nov. 2017.
PESQUISA RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL. 4. ed. [São Paulo]: Instituto Pró-Livro,
2016. Disponível em:
&lt;http://prolivro.org.br/home/images/2016/Pesquisa_Retratos_da_Leitura_no_Brasil- 2015.pdf&gt;.
Acesso em: 20 fev. 2018.
PETIT, Michèle. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. São Paulo: Editora 34, 2008.

�68

SOCIOLOGIA. EBAH dicionário de sociologia online. Disponível em:
&lt;http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAGZQAJ/dicionario-sociologia&gt;. Acesso em: 24 set.
2017.
SUAIDEN, Emir José. Biblioteca pública e informação à comunidade. São Paulo: Global, 1995.
TARGINO, Maria das Graças. Biblioteconomia, informação e cidadania. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 20, n. 2, p. 149-160, jul./dez. 1991. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/reb/&gt;. Acesso em: 15 dez. 2017.
THE INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND
INSTITUTIONS. Manifesto da Ifla/Unesco sobre bibliotecas públicas. 1994. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/public-libraries/publications/PL-manifesto/pl-manifesto- pt.pdf&gt;.
Acesso em: 20 out. 2017.

�69

PARTE II

Bibliotecas no fomento à
leitura: o poder
transformador da leitura
em diferentes contextos
da sociedade

�70

CAPÍTULO V
QUARTA DA CONTAÇÃO: HISTÓRIAS CONTADAS POR CRIANÇAS

Karla Karinne Alcoforado Pinho Costa
Laiana Ferreira de Sousa
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva
Claudialyne da Silva Araújo

1 INTRODUÇÃO

Neste trabalho, discute-se o leitor que conta histórias e as contribuições advindas dessa
prática para o desenvolvimento de competências leitoras no início da infância. Desse modo, relatase como o ato de contar histórias favorece a aprendizagem e contribui para potencializar o
desenvolvimento da criatividade, da linguagem, da atenção e da memória.
A arte de contar histórias vem se destacando desde a antiguidade, até mesmo antes da
escrita. Hoje, é valorizada e reconhecida por ser um instrumento no processo educativo, pois é uma
excelente estratégia para despertar o gosto pela leitura desde o início da infância.
Infelizmente, a realidade brasileira anda a passos lentos no que diz respeito à formação de
leitores. Muitas vezes, as escolas utilizam metodologias que só afastam as crianças dos livros,
causando consequências desastrosas no aprendizado. Apesar disso, é, principalmente, na instituição
escolar, que o aluno tem o primeiro contato com os livros e com a sala de leitura, o que demonstra a
importância da biblioteca no âmbito da aprendizagem escolar.
É na escola que, na maioria das vezes, é apresentado o livro à criança pela primeira vez, por
isso a importância do desenvolvimento de ações que estimulem o gosto e o prazer da leitura
literária. Além disso, a organização de um lugar propício não somente para o compartilhamento de
livros com as crianças, mas também para a construção de um espaço onde elas se sintam
participantes, protagonizem ações de mediação de leitura e desenvolvam competências leitoras, é de
suma importância.
Foi pensando nisso que o Colégio Ari de Sá, localizado em Fortaleza - Ceará, desenvolveu o
projeto Quarta da Contação, há sete anos, com o objetivo de estimular a leitura nos alunos, de
maneira lúdica e eficaz. Toda quarta-feira, na Biblioteca Infantil, no horário dos intervalos, alunos,

�71

familiares e funcionários da escola se reúnem para contar histórias. Eles têm a oportunidade e a
liberdade de escolher uma história e contá-la para seus colegas.
Diante do exposto, este trabalho busca relatar as ações do Projeto Quarta da Contação, que
visa à formação de leitores das séries iniciais, por meio do protagonismo infantil. O intuito é
evidenciar a importância da contação de histórias para o desenvolvimento da linguagem,
estimulando a imaginação e a fantasia. Além disso, evidencia-se a leitura como instrumento
fundamental para o desenvolvimento educacional de qualquer indivíduo, instrumento esse
fortalecido quando adicionado à biblioteca escolar e às diferentes atividades desenvolvidas por ela,
no âmbito da escola.
Nesse contexto, levanta-se a seguinte questão: quais as contribuições da arte de contar
histórias para o desenvolvimento de competências leitoras nas séries iniciais?
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa,
realizada em uma instituição privada de ensino localizada em Fortaleza. Optou-se, também, pela
pesquisa participante, já que uma das autoras deste artigo atua como bibliotecária da instituição
onde o projeto é desenvolvido. Para tanto, além da observação e análise do comportamento dos
alunos que participam do projeto, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com professoras do
segundo ano do Ensino Fundamental I, responsáveis pelo processo de letramento dos alunos e
atuantes no Projeto Quarta da Contação. O intuito foi conhecer o impacto desse protagonismo
infantil, no que concerne à prática da contação de histórias, para o desenvolvimento de
competências leitoras, no contexto escolar.
Desse modo, a fim de alcançar a proposta deste artigo, a pesquisa se apresenta em sete
seções. A primeira, que constitui esta introdução, contextualiza a temática abordada e expõe a
justificativa acerca da escolha do tema, os objetivos e a metodologia utilizada. Na segunda parte,
apresenta-se o referencial teórico sobre contação de história e a biblioteca escolar, recorrendo aos
teóricos estudados. A seguir, são apresentadas a metodologia e os resultados obtidos neste estudo e,
finalmente, as considerações finais.

2 CONTANDO HISTÓRIAS NA ESCOLA PARA DESENVOLVER O GOSTO LITERÁRIO

Contar histórias é uma arte que existe desde muitos anos. Antigamente, homens e mulheres
se sentavam ao redor de fogueiras para contar e ouvir histórias, no intuito de trocar experiências,
transmitir ensinamentos, crenças, rituais, costumes, valores e mitos às futuras gerações, e que
pudessem ser perpetuados, conservando a cultura dos pais para os filhos e cultivando, assim, um

�72

laço de afetividade. A arte de contar histórias é um momento de confraternização e, ao mesmo
tempo, de absorver conhecimento.
Considerando as mudanças advindas de um novo paradigma social, marcado pela
conectividade e pelo acesso à informação via recursos digitais, o tempo para se ouvir uma história
já não é mais o mesmo. Hoje, os contadores de histórias apresentam-se nos palcos de espetáculos
com cenários e iluminação. Apesar dessas mudanças, sempre estamos contando histórias, pois,
constantemente, narramos fatos do nosso dia a dia e outras tantas histórias que nos aproximam
daquele antigo contador de história popular (SOUSA; LIMA; CAVALCANTE, 2017).
É notório o prazer nos olhos das pessoas ao ouvir uma boa história. O sujeito que escuta tem
a oportunidade de associar a realidade com a imaginação, pois certas histórias são como um estalo
para o despertar de novas ideias, de novas histórias. Afinal de contas, as “histórias existem para
serem contadas, serem ouvidas e conservarem aceso o enredo da humanidade. O contador narra
para se sentir vivo” (BUSATTO, 2006, p. 25).
Nesse contexto, a contação de histórias vem sendo valorizada e reconhecida como excelente
estratégia para o desenvolvimento da aprendizagem no processo educativo, principalmente devido
ao seu caráter lúdico, proporcionando, assim, o prazer de aprender e a superação de dificuldades de
aprendizagem. Busatto (2006) corrobora ao considerar que:
as histórias são verdadeiras fontes de sabedoria, que têm papel formador da identidade. Há
pouco tempo, elas foram redescobertas como fonte de conhecimento de vida, tornando-se
também um grande recurso para educadores. A tradição oral dos contos, não só não
reapareceu como está ganhando força nos últimos tempos (BUSATTO, 2006, p. 21).

É interessante que a contação de histórias faça parte da vida das pessoas desde a infância,
pois o hábito de ouvir histórias desde cedo auxilia na construção e no desenvolvimento da
identidade. Existe uma troca sensacional entre contador e o ouvinte, fazendo com que toda bagagem
cultural e afetiva dessas crianças aflore. “Contar histórias é uma arte porque traz significações ao
propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser” (BUSATTO, 2003, p. 10).
Além disso, a arte de contar história contribui para estimular a imaginação, já que, devido ao
seu aspecto lúdico,
o contar histórias é fermento para o imaginário. Elas nascem no coração e, poeticamente
circulando, se espalham por todos os sentidos devaneando, gatiando, até chegar ao
imaginário. O coração é o grande aliado da imaginação nesse processo de produção de
imagens significativas. Com o coração, a gente sente e vê com os olhos internos as imagens
que nos fazem bem (BUSATTO, 2006, p. 58).

Assim, a contação de histórias estimula o desenvolvimento social, emocional e cognitivo da
criança. É um momento em que a criança pode sonhar e viajar por lugares incríveis, onde ela pode

�73

ser a mocinha ou guerreira, a princesa ou a bruxa, pode estar no castelo ou num vilarejo, tudo é
possível por meio de uma história lida ou contada, pois a leitura proporciona essa magia.
Autores como Abramovich (1997), Meireles (1984) e Coelho (2002) consideram
fundamental que o contador de histórias desenvolva habilidades do contexto cênico, pois esse
precisa articular expressões e movimentações que se encaixem no enredo da história e, assim,
prender a atenção do ouvinte.
Para contar uma história é preciso saber como se faz, afinal podem se descobrir sons e
palavras novas, e por isso é importante que se tenha uma metodologia específica. É preciso
que quem conte, crie um clima de envolvimento, de encanto, e saiba dar pausas necessárias
para que a imaginação da criança possa ir além e construir seu cenário, visualizar seus
monstros, criar os seus dragões, adentrar pela sua floresta, vestir a princesa com a roupa
que está inventando, pensar na cara do rei... E tantas outras coisas mais...
(ABRAMOVICH, 1994, p. 20).

É importante a preparação do contador de histórias, pois, somente assim, ele poderá fazer
entonações e variações de vozes para dar o efeito necessário ao enredo. Entende-se que o adulto
pode contar qualquer história para as crianças, desde que o livro esteja condizente com a
compreensão, como afirma Abramovich (1997).
Qualquer história pode ser contada, [...] desde que ela seja bem conhecida pelo contador,
escolhida porque a ache particularmente bela ou boa, porque tenha uma boa trama, porque
seja divertida ou inesperada ou porque dê margem para alguma discussão que pretende que
aconteça, ou porque acalme uma aflição... O critério é do narrador... E o que pode se
suceder depois depende do quanto ele conhece suas crianças [...] (ABRAMOVICH, 1997,
p. 20).

No século XVIII, surgiram os primeiros livros direcionados às crianças. Destacaram-se
alguns escritores da época, como La Fontaine e Charles Perrault, focando suas obras no gênero
contos de fada que perpetua até os dias atuais. Seguindo essa linha de gênero, foram surgindo outros
escritores como os irmãos Grimm, Hans Cristian Andersen e também Monteiro Lobato, todos com
obras importantes para a Literatura Infantil.
Nessa época, a Literatura Infantil era considerada como uma mercadoria, principalmente
para a sociedade aristocrática. Mas, com o passar do tempo, esse formato foi sendo modificado com
a industrialização, o crescimento da sociedade e toda a modernização, aumentando,
consequentemente, a produção de livros.
Baseando-se nessa evolução, as escolas passaram a compreender a importância da Literatura
Infantil e do livro na vida escolar das crianças. De acordo com Lajolo e Zilberman (2002, p. 15), “a
escola passa a habilitar as crianças para o consumo das obras impressas, servindo como
intermediária entre a criança e a sociedade de consumo”.
No início do século XX, as obras didáticas produzidas e apresentadas para as crianças
tinham apenas um único objetivo, o de educar e criar um perfil de criança de acordo com as

�74

expectativas dos adultos. Os livros, dificilmente, tinham o objetivo de ser prazerosos e existiam
poucas obras que narravam situações do cotidiano das pessoas.
Atualmente, essas obras tomaram uma dimensão muito mais ampla e importante. Elas
oferecem à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo inquestionável. De acordo
com Abramovich (1997, p. 25), “quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar, de forma
mais clara, sentimentos que elas têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas
existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor,
perda, além de ensinarem infinitos assuntos”.
Outro fator importante é a escolha do espaço de leitura, o qual deve ser acolhedor,
convidativo e confortável, permitindo que as crianças circulem e falem livremente. Deve ser um
espaço propício não somente para o compartilhamento de livros com as crianças, mas também para
desenvolver teatro com fantoches, encenações com o uso de acessórios adequados, caracterizações
de personagens das histórias ou teatros em que as crianças sejam os personagens.
O uso de artifícios para prender a atenção do ouvinte também merece destaque. A técnica de
repetição é das mais favoráveis para conquistar e manter a atenção e o interesse do pré-leitor, pois,
na primeira vez que a história é contada para a criança, tudo é novidade. A partir da segunda vez, as
crianças já sabem o que acontecerá, então, elas procuram detalhes da história, assim como acontece
com os adultos em um bom livro lido ou em um belo filme visto.
Vale ressaltar que a família tem um papel fundamental nesse processo, pois a contação de
histórias, desde os primeiros meses de vida, influencia no processo de aquisição de leitura por
fruição, estando em segundo lugar a escola como agente educador, oferecendo não somente ações
de estímulos à leitura, mas, muitas vezes, o primeiro contato com o livro. Segundo Sandroni e
Machado (2000, p. 12), “a criança percebe desde muito cedo que livro é uma coisa boa, que dá
prazer”. As crianças pequenas apresentam interesse pelas imagens, sons, formas e figuras que os
livros possuem e, mais tarde, darão significados a elas, identificando-as e nomeando-as. Cumpre
aos adultos oportunizar esse primeiro contato com os livros.
É fundamental que a criança possa vivenciar a palavra e a escuta em todas as suas
possibilidades, explorando diferentes linguagens, capturando-as e apropriando-se do mundo
que a cerca, para que este se desvele diante dela e se torne fonte de interesse vivo e
permanente, fonte de curiosidade, de espantos de desejos e descobertas, numa dinâmica em
que ela se socialize e se manifeste de forma ativa, cri (ativa), participativa em qualquer
situação, não apenas “recebendo” passivamente, mas produzindo e (re) produzindo cultura
(JORGE, 2003, p. 97).

Nesse sentido, quando uma criança tem acesso ao livro desde cedo e percebe o prazer que a
leitura produz, maior será a chance de se tornar um adulto leitor, além de desenvolver uma postura
crítico-reflexiva extremamente relevante à sua formação cognitiva.

�75

Para alguns escritores, o gosto pela leitura está relacionado à questão do acesso ao livro; a
escola, como espaço público, deve favorecê-lo, criando oportunidades para que seja despertado nos
alunos o interesse pela leitura.

3 BIBLIOTECA ESCOLAR: UMA GRANDE ALIADA

A partir do desenvolvimento da imprensa por Gutenberg, no século XV, aumentaram o
número de publicações e, com isso, a importância da biblioteca, local indispensável à formação e ao
desenvolvimento intelectual dos indivíduos. Hoje em dia, as bibliotecas escolares têm sido criadas
para atender as escolas como um recurso de ensino-aprendizagem, pois a ideia de democratização
do saber por meio da leitura confirma a necessidade e a importância dessa instituição.
Na maioria das bibliotecas da Antiguidade, o acesso à leitura e à escrita era restrito a uma
parcela muito pequena da população. Em meados do século XIX, no Brasil, surgiram as primeiras
discussões sobre a necessidade de criação de bibliotecas escolares. Na época, referiam-se à palavra
“biblioteca” apenas como coleções de livros (VÁLIO, 1990).
A concepção que temos de biblioteca vem se transformando e se ajustando por meio da
própria história desse espaço. Para Fonseca (1992, p. 25), um novo conceito “é o de biblioteca
menos como coleção de livros e outros documentos, devidamente classificados e catalogados do
que como assembleia de usuários da informação”. Isso quer dizer que as bibliotecas não devem ser
vistas como simples depósitos de livros, mas devem ter seu foco voltado para as pessoas e ao uso
que essas fazem da informação, oferecendo meios para que essa circule da forma mais dinâmica
possível.
As bibliotecas podem ser classificadas como infantis, especializadas, públicas, nacionais,
comunitárias, de centro cultural, entre outras. Aqui, o foco será a biblioteca escolar. Para Pimentel
(2007, p. 23), a biblioteca escolar,
localiza-se em escolas e é organizada para integrar-se com a sala de aula e no
desenvolvimento do currículo escolar. Funciona como um centro de recursos educativos,
integrado ao processo de ensino-aprendizagem, tendo como objetivo primordial
desenvolver e fomentar a leitura e a informação.

A biblioteca escolar tem uma grande missão. De acordo com o Manifesto da Federação
Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias e da Organização das Nações Unidas para
a Educação, a Ciência e a Cultura (IFLA/UNESCO, 2005), ela promove serviços de apoio à
aprendizagem e livros aos membros da comunidade escolar, oferecendo-lhes a possibilidade de se
tornarem pensadores críticos e efetivos usuários da informação, em todos os formatos e meios.

�76

Segundo Souza et al. (2011, p. 2), “a biblioteca escolar foi criada para desenvolver o ensino formal,
sendo de sua competência, grande parcela no desenvolvimento da capacidade de ler”.
O estímulo à leitura não se trata do incentivo ao isolamento do indivíduo com o livro, mas
trata-se de muni-lo com conhecimento para que possa conviver e relacionar-se com o meio em que
vive. A leitura jamais será um ato isolado, pois carrega consigo vivências e relações que se
misturam e influenciam umas às outras, contribuindo para a interpretação dos textos lidos.
Conforme Lajollo (2005, p. 7), “ninguém nasce sabendo ler, aprende-se a ler à medida que se vive.
Se ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na
chamada escola da vida [...]”. Já Freire (2001) ressalta que a leitura não é somente para a criança,
mas tem sua importância em todas as fases da vida do indivíduo.
A biblioteca escolar, principal espaço mediador da leitura na infância, também se faz
presente como elemento de ligação entre professor e aluno no processo de aprendizagem. Observase, conforme Andrade (2002, p. 13), que “educadores – professores e bibliotecários – que acreditam
na biblioteca como recurso pedagógico eficiente, contam agora com evidências concretas para
mostrar que a biblioteca escolar pode fazer diferença na educação de crianças e jovens”.
Dessa forma, um dos papéis das bibliotecas escolares é proporcionar o desempenho da
prática da leitura como uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da cidadania e da
democratização da informação. Além disso, contribui para o desenvolvimento de atividades em sala
de aula, ao fornecer materiais que reforçam o conteúdo estudado e que proporcionam o
entretenimento. Esses processos possibilitam aos alunos melhor desenvolvimento de seu
aprendizado e o gosto pela leitura.
Uma escola deve ter como aliada uma biblioteca, cujo espaço deve ser atrativo, acolhedor,
com muitas atividades literárias, um acervo adequado à faixa etária e, principalmente, com
profissionais especializados para gerenciar todas as ações do setor. Caldin (2005, p. 1) demonstra
que,
além de despertar o gosto pela leitura como forma habitual de lazer, um dos objetivos da
biblioteca escolar é a formação do cidadão consciente e capaz de um pensamento crítico e
criativo. Isso significa uma maior participação do bibliotecário no processo cultural do qual
fazem parte, também, os professores, pedagogos, escritores e pesquisadores que vêem na
leitura um ato de conscientização do indivíduo.

A existência de uma biblioteca escolar ativa e dinâmica é um fator fundamental para que se
estabeleça o processo de ensino-aprendizagem e o incentivo à leitura, pois é o primeiro contato do
aluno com esse tipo de estabelecimento.

�77

A biblioteca deve ser entendida como um centro de cultura, entretenimento, apoio
pedagógico, enfim, “o coração da escola”. Nela, a leitura deve ser prazerosa, um lazer, uma
diversão, pois existem alunos que não têm nenhum incentivo em casa.
Segundo Pimentel (2007, p. 28), “[...] a biblioteca escolar deve ser encarada como um
espaço dinâmico e indispensável na formação do cidadão”. E, com base nessa citação, surge o papel
do bibliotecário, com muita responsabilidade de se atentar para garantir o acesso à leitura, de
manter a frequência dos alunos em horários livres ou em momentos com a turma e os professores. É
dever desse profissional deixar a biblioteca sempre de portas abertas para qualquer usuário,
envolvendo a participação dos pais, professores, funcionários da escola e toda a comunidade
escolar.

4 METODOLOGIA

A presente seção aborda a metodologia utilizada na elaboração do estudo, cujo objetivo
principal é relatar a experiência do desenvolvimento do Projeto Quarta da Contação. Segundo
Pedron (2001), metodologia é o caminho percorrido para se alcançar determinado fim. Ou seja,
metodologia é o conjunto de métodos e técnicas aplicados para se atingir um determinado objetivo.
O estudo tem caráter exploratório, visto que o “tema escolhido é pouco explorado e torna-se
difícil sobre ele formular hipóteses precisas” (GIL, 2010, p. 43). O objetivo da pesquisa exploratória
é proporcionar visão geral sobre determinado fenômeno, que pode servir de ponto de partida para
novos trabalhos sobre o tema abordado. Desse modo, a etapa inicial da pesquisa envolveu o
levantamento bibliográfico, em que foram consultados livros e artigos sobre o tema selecionado, já
que o levantamento bibliográfico visa ao esclarecimento de conceitos sobre o tema ou problema
estudado.
A pesquisa tem abordagem qualitativa, pois analisa os aspectos subjetivos que qualificam o
problema. O instrumento de coleta de dados utilizado foi a entrevista semiestruturada. O corpus de
análise foi constituído pelos alunos, com o levantamento de dados ocorrendo junto a professores e
educandos.
O universo da pesquisa é composto por aproximadamente 100 alunos e cinco professores.
Para este artigo, selecionou-se uma amostra correspondente a duas professoras do Ensino
Fundamental I e em torno de 60 alunos. Utilizou-se a amostragem intencional por conveniência,
pois as professoras foram escolhidas por estarem na escola no momento da realização da entrevista.

�78

A escolha da escola ocorreu devido a uma das autoras do artigo trabalhar como bibliotecária na
instituição.

5

PROJETO

QUARTA

DA

CONTAÇÃO:

ANÁLISE

DO

COMPORTAMENTO

INFORMACIONAL DE CRIANÇAS CONTADORAS DE HISTÓRIAS

O projeto de leitura e contação de histórias Quarta da Contação foi criado em 2011, na
Biblioteca Escolar do Colégio Ari de Sá Cavalcante, localizado em Fortaleza, com o objetivo de
atender a grande demanda de alunos que frequentavam a biblioteca no intervalo de aula. As
atividades do projeto ocorrem todas as quartas-feiras, momento em que as crianças selecionam uma
história para contar a seus amigos que estão presentes na biblioteca. Para o espetáculo, são
disponibilizados instrumentos de som, ou seja, microfone e caixa de som, além de acessórios, como
fantasias de livre escolha do aluno. Depois da narração, registra-se a presença do aluno com uma
foto sua e o livro de sua escolha para, posteriormente, expor a fotografia num painel da biblioteca. É
comum os alunos convidarem seus pais para visitarem o espaço e verem a exposição de fotos no
painel, momento de grande satisfação.
A partir da experiência com o desenvolvimento do projeto, surgiu o interesse de avaliar o
comportamento dessas crianças juntamente com o auxílio de duas professoras que participam das
ações. O intuito foi conhecer o impacto desse protagonismo infantil, no que concerne à prática da
contação de histórias, para o desenvolvimento de competências leitoras no contexto escolar.
Inicialmente, observaram-se os alunos, tentando entender que histórias eles mais gostavam
de contar para seus amigos. Percebeu-se que a grande maioria das meninas se interessava mais por
histórias de princesas, bailarinas e animais, enquanto os meninos se identificam mais com livros de
dinossauros, animais e comédias. A participação das meninas é bastante representativa, pois elas
frequentam mais o projeto, utilizam mais os acessórios e fantasias, gostam mais de tirar fotos; já os
meninos são mais práticos e objetivos quanto ao uso de acessórios e, geralmente, escolhem um
chapéu ou óculos, dentre outros.
Participa das atividades do projeto uma média de 40 alunos no turno da manhã e 20 alunos
no turno da tarde. Nota-se o desenvolvimento gradativo dos participantes no que concerne à leitura,
pois, no começo do ano, as crianças começam lendo muito devagar e escolhem poucos livros para o
empréstimo e, em pouco tempo, desenvolvem um verdadeiro cotidiano leitor. Foi unânime a fala
das crianças sobre a emoção de contar histórias com o microfone e com os recursos oferecidos para
os seus colegas assistirem: “Eu me sinto uma artista de televisão”.

�79

Muitos comentam que os pais ficam orgulhosos e felizes com a participação deles no
projeto, o que demonstra que esses alunos que contam histórias são também estimulados pelos pais
e familiares. Além disso, as crianças relatam que frequentam livrarias e teatro, o que demonstra a
importância desse estímulo para além da sala de aula. “O primeiro contato da criança com um texto
é feito oralmente, por meio da voz da mãe, do pai ou das avós, contando contos de fadas, trechos da
Bíblia, histórias inventadas...” (ABRAMOVICH, 1995, p. 20).
Em entrevista com as crianças envolvidas no projeto, a grande maioria comentou sobre a
influência das professoras nas salas de aula, que contam histórias em sala e conduzem os alunos até
a biblioteca, estimulando, dessa forma, o prazer pela leitura.
Entrevistando duas das principais professoras que participam desse projeto, as interlocutoras
comentaram sobre a satisfação de colher frutos com suas ações de incentivo à leitura. Falaram da
importância de organizar horários de aula de expressão oral e escrita para acontecerem na
biblioteca, como também reservam um tempo de visita a esse espaço para fazerem alguma leitura
com sua turma.
Segundo a professora Silva, é importante a leitura na vida das crianças, pois elas caminham
para uma formação de qualidade, de modo que se tornam mais criativas nas atividades curriculares
da escola e desenvolvem melhor as argumentações, ocasionando um excelente desempenho escolar.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir desta pesquisa, foi possível acompanhar o projeto Quarta da Contação e avaliar o
desenvolvimento de competências leitoras de alunos do Fundamental I. Nota-se que foi a partir da
ação da biblioteca da escola que o projeto atingiu uma ampla dimensão, com resultados notórios no
desenvolvimento emocional, cognitivo e social dos alunos.
Pensando na formação integral do aluno, a biblioteca propõe, por meio da contação de
história, formar a criança para a prática da liberdade, autonomia e construção da identidade e
personalidade. Quando a criança conta uma história, ela está se divertindo, estimulando a
imaginação, e todo esse desenvolvimento agrega excelentes resultados em sala de aula.
Assim, pode-se dizer que as histórias tratam de questões relativas à vivência social e coletiva
e, ao serem utilizadas na biblioteca, podem fornecer aos educandos formas de se relacionar com as
realidades externas e internas da dimensão humana. Não se trata apenas de entretenimento infantil,
mas também de fontes de conhecimento e imaginação.

�80

A partir do relato das professoras entrevistadas, percebeu-se que o contato com o livro e a
contação de história são essenciais, pois todos esses fatores intensificam o interesse e o prazer das
crianças para o universo literário, refletidos no desempenho dos alunos em sala de aula.
Dessa forma, conclui-se que a contação de histórias responde às necessidades afetivas e
intelectuais das crianças, gerando inúmeros benefícios para o leitor que conta histórias, pois, além
de instigar o gosto literário, amplia o vocabulário, desenvolve a linguagem oral e escrita, exercita o
poder de concentração, educa a atenção, dentre outros. Por isso, assume-se a importância em
desenvolver ações que dinamizem o espaço da biblioteca escolar e promovam o acesso à leitura
literária nas séries iniciais.

REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 4. ed. São Paulo:Scipione,
1994.
______. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Spicione, 1997.
______. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2001.
______. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 2003.
BUSATTO, Cléo. Contar e encantar: pequenos segredos da narrativa. Petrópolis: Vozes, 2003.
______. A Arte de contar histórias no século XXI: tradição e ciberespaço. Petrópolis: Vozes,
2006.
CALDIN, Clarice Fortkamp. Reflexões acerca do papel do bibliotecário de biblioteca escolar.
Revista ACB, Florianópolis, v. 10, n.2, p. 1-5, 2005.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise e didática. São Paulo: Moderna, 2000.
FREIRE, Paulo. Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos avançados, São Paulo, v. 15, n. 42,
2001.
IFLA/UNESCO. Manifesto IFLA/UNESCO para biblioteca escolar. IFLA, 1999. Disponível em:
&lt;http://archive.ifla.org/vii/s11/pubs/portuguese-brazil.pdf&gt;. Acesso em: 24 nov. 2018.
JORGE, L. S. Roda de histórias: a criança e o prazer de ler, ouvir e contar histórias. In: DIAS,
Marina Célia Moraes; NICOLAU, Marieta Lúcia Machado (Org.). Oficinas de sonho e realidade
na formação do educador da infância. Campinas: Papirus, 2003.
LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. Literatura infantil brasileira: história e histórias. 6. ed. São
Paulo: Ática, 1999.

�81

MEIRELES, Cecília. Problemas da literatura infantil. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1984.
PIMENTEL, Graça. Biblioteca escolar: técnico em multimeios didáticos. Brasília: Universidade de
Brasília, 2007.
SILVA, Lésia Fernandes; COSTA, Edna Aparecida da; MELLO, Ana Maria. Os contos que as
caixas contam. In: ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde et al. (Org.). Os Fazeres na Educação
Infantil. 11. edição. São Paulo: Cortez, 2009.
SOUSA, L. F.; LIMA, I. F. A.; CAVALCANTE, L. D. E. Vestindo o personagem: o contador de
histórias do século XXI. Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, 2017.
SOUZA, Maria Salete Daros de. A conquista do jovem leitor: uma proposta alternativa.
Florianópolis: UFSC, 1993.
VÁLIO, Else Benetti Marques. Biblioteca escolar: uma visão histórica. Transinformação,
Campinas, v. 2, n. 1, jan./abr. 1990.

�82

CAPÍTULO VI
IMPLANTAÇÃO DE BIBLIOTECAS EM TERMINAIS URBANOS DA GRANDE
VITÓRIA-ES: UM RELATO DE CASO9

Maria Aparecida de Mesquita Calmon
Suelen de Oliveira Campos
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO

Os estudos e projetos desenvolvidos sobre leitura têm sido uma constante na vivência de
profissionais e instituições, sobretudo daqueles (daquelas) que lidam com a informação e o
conhecimento para transformação social.
Dentre essas instituições, as bibliotecas se destacam, pois são elas propulsoras da
informação contida nas mais diferenciadas coleções que formam os acervos bibliográficos. Em
meio às atividades de formação e disseminação dos acervos, aliado aos serviços de referência que
atendem diferentes públicos, as bibliotecas e os bibliotecários acabam por estimular a prática da
leitura.
Assim, as bibliotecas se configurarem-se como espaços promotores da leitura. Cientes do
papel da leitura na vida dos indivíduos, seja quanto ao desenvolvimento intelectual, psicológico,
cultural e social, além da contribuição com o entretenimento, as bibliotecas colocam-se a serviço da
leitura, como também na formação de leitores.
Deveras, ao abraçar essa causa, as bibliotecas estão realizando uma atividade nobre para a
sociedade, pois a leitura fomenta a prática cidadã, como discorrido nos estudos de Diniz et al.
(2011) e Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014), dentre outros.
Além disso, há de se considerar que ao viabilizar a leitura, bibliotecas e bibliotecários estão
exercendo uma atividade inerente ao seu exercício profissional, mas também, não podemos
9

Os resultados finais deste relato de caso foram publicados no ano de 2016, na Revista Biblionline. Logo, o texto que
aqui se apresenta expõe esses e outros resultados, com algumas adaptações, sobretudo no que tange às mudanças
ocorridas, nos últimos anos, no Sistema de Transporte Rodoviário Urbano (TRANSCOL) da Grande Vitória, estado do
Espírito Santo.

�83

esquecer que elas e eles estão cumprindo o que está expresso em políticas públicas em favor da
leitura no Brasil, de modo a tornar a sociedade cada vez mais leitora.
No âmbito governamental, a criação do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) revestese dessa causa, mobilizando ações em prol da promoção da leitura. Assim, torna-se uma tarefa
conjunta, seja de pessoas, organizações e governo em unir esforços no sentido de promover
parcerias e redes de leitura em todo o país (BRASIL, 2011).
As bibliotecas procuram atender as disposições do PNLL, dentre outras determinações
normativas, seja nas esferas municipal, estadual ou federal. O objetivo principal é permitir que a
leitura passe a se manifestar como uma atividade prazerosa, que pode ser realizada em qualquer
ambiente, desmistificando o fato de que as pessoas não lerem por falta de tempo; por não terem
condições de adquirir um livro; porque passam boa parte do tempo no trabalho; porque não vão à
escola ou à biblioteca, dentre outras justificativas.
É com esse propósito que muitas bibliotecas, sobretudo as bibliotecas públicas ou
comunitárias, realizam projetos em que os livros vão ao encontro das pessoas. Esses projetos são
estimuladores, porque rompem as “desculpas” acima mencionadas, e acabam por incentivar as
pessoas ao hábito da leitura.
É comum perceber projetos conduzidos pelas bibliotecas em que os livros são expostos em
ambientes fora da biblioteca. É louvável essa atividade, pois a biblioteca adota uma postura próativa, indo ao encontro dos leitores. Além de irem ao encontro dos leitores, é preciso também,
conforme defendido na tese de Chartier (1994, 1998), conhecer o perfil dos leitores, de modo a
melhorar as condições, para que a prática da leitura se efetive, independente do local que o leitor
esteja.
Pensando nisso, foi implementado o Projeto Biblioteca Transcol, uma parceria firmada entre
a Biblioteca Pública do Estado do Espírito Santo e o Sistema de Transporte Coletivo Metropolitano
(TRANSCOL) da Grande Vitória, estado do Espírito Santo (ES). Uma das ações do projeto foi
instituir acervos bibliográficos nos terminais de ônibus existentes nas cidades que comportam essa
região metropolitana, de modo que as pessoas, ao passarem no local, pudessem retirar um livro e
realizar a leitura, seja em casa, ou dentro dos ônibus.
Acreditamos que esse projeto sustentou-se na estratégia de que, mesmo estando dentro de
um ônibus, e, normalmente, diante de altos engarrafamentos comuns nas cidades brasileiras, as
pessoas pudessem aproveitar o tempo ocioso para recorrer à prática da leitura.
Assim, este estudo disserta acerca dos espaços de leitura instituídos em locais externos às
bibliotecas físicas, haja vista implementar ações de fomento à leitura na sociedade. Objetiva
apresentar o Projeto Biblioteca Transcol, demonstrando a oferta de material informacional

�84

disponibilizado em terminais rodoviários de grande circulação e disponíveis aos usuários que
utilizam o sistema de transporte urbano da região metropolitana de Vitória. Tendo em vista
demonstrar o desenvolvimento do referido projeto, analisam-se as práticas de leitura e o perfil dos
leitores, assim como a percepção dos usuários desses espaços quanto ao material fornecido e as
condições ambientais para concretização da leitura.

2 DIÁLOGO COM A LITERATURA

No intuito de fundamentar as ideias propostas neste artigo acerca da importância da leitura e
da contribuição do bibliotecário e da biblioteca no fomento a essa prática, principalmente quanto à
elaboração de ações que estimulem essas práticas para além dos ambientes tradicionais das
bibliotecas, esta seção destina-se a apresentar reflexões que confirmem a importância e necessidade
em se realizar essas ações.
Assim, nos dois tópicos, a seguir, apresentam-se fundamentação teórica, considerando o
papel da biblioteca e do bibliotecário no estímulo às práticas leitoras, como também os ambientes
em que essa prática pode se realizar e qual o comportamento dos leitores nos mais variados
contextos e ambientes em que a leitura pode ser realizada.

2.1 A CONTRIBUIÇÃO DAS INSTITUIÇÕES E PROFISSIONAIS NO FOMENTO À
LEITURA: O PAPEL DA BIBLIOTECA E DO BIBLIOTECÁRIO

A leitura vem sendo muito questionada ao longo dos tempos, principalmente a partir do
momento que passou a ser vista como uma prática de transformação e desenvolvimento intelectual e
social. É por meio da leitura que se desenvolve a habilidade crítica e reflexiva, o que torna o leitor
capacitado a transformar sua realidade. Portanto, a leitura desperta o conhecimento do mundo,
sendo um instrumento propagador de cidadania (MARINHO, 1993).
Por estar relacionada à cidadania, assim como defende a tese de Marinho (1993), a leitura
torna-se objeto de preocupação de governantes, principalmente nos países de sistema democrático.
Ela ocupa (ou deveria ocupar) um lugar privilegiado nos planos governamentais, o que justifica a
criação de políticas públicas que assegurem a formação de uma sociedade leitora (ROSA;
ODDONE, 2006).

�85

Para que a sociedade se torne leitora, não basta apenas investir no sistema educacional, de
modo a reduzir o analfabetismo. É preciso, segundo Rosa e Oddone (2006), implementar programas
de incentivo à leitura, sendo necessário, também, demonstrar a importância do livro e das
instituições que se colocam a serviço de sua guarda e disseminação, como as bibliotecas.
Especificamente, no Brasil, observa-se um cenário desigual e contraditório, pois, ao mesmo
tempo em que há políticas públicas e programas governamentais em favor da leitura, do livro e das
bibliotecas, muitas medidas não são implementadas, o que transforma o país em uma nação com
poucos leitores (ROSA; ODDONE, 2006).
Segundo essas autoras, transformar o Brasil em um país de leitores constitui um grande
desafio, principalmente com os reflexos da sociedade da informação, em que novos suportes
informacionais surgem, o que demanda conhecimento no uso das novas tecnologias por parte do
leitor, e isso pode acarretar novos problemas na tentativa de incluir o cidadão nesse novo estágio da
sociedade.
Mesmo diante dessas dificuldades, é preciso considerar que a luta por uma sociedade leitora
não constitui apenas missão dos governos, mas também de outras instituições e profissionais
engajados com as causas sociais. Trata-se de um trabalho conjunto, em que esforços devem ser
comungados, assim como dispõe o PNLL, cuja meta principal é criar condições favoráveis para a
formação de leitores e o incentivo à leitura no Brasil (BRASIL, 2011).
De acordo com o referido programa, todo cidadão deve ter acesso ao livro e à leitura,
independente de quaisquer limitações desse sujeito. Portanto, esse programa coloca-se a serviço da
formação cidadã por meio da prática da leitura. Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014, p. 79), a
respeito do PNLL, consideram que
o documento legal determina que o país condicione a formação continuada de profissionais,
seja das escolas, seja das bibliotecas. Para atingir esse fim, deve ser viabilizada a produção
e distribuição de materiais de orientação, com vistas a promover parcerias e redes de
leitura. Também se recomenda no texto legal a ampliação e implementação de bibliotecas
escolares e dotação de acervos.

Considerando as reflexões dos autores citados, entende-se que as instituições educacionais,
como as escolas e as bibliotecas, devem ser disseminadoras e incentivadoras das práticas leitoras.
Os profissionais dessas instituições devem comportar-se como agentes educacionais, culturais e
sociais, tendo apoio, incentivo e investimento por parte das autoridades governamentais.
Assim, é necessário repensar o papel da biblioteca, a qual deve adquirir uma dimensão
educativa, como mediadora e formadora de leitores (prática de leitura), além de sua atuação como
agência modificadora “[...] do viver, do sentir e do pensar do indivíduo, ou seja, torná-los
verdadeiramente cidadãos” (MARINHO, 1993, p. 93).

�86

Sendo assim, depreende-se o importante papel que o bibliotecário possui quanto à formação
de uma sociedade leitora. Esse profissional não pode ser visto apenas como guardião dos acervos,
mas sim, como propagador da informação, contribuindo para o desenvolvimento cidadão, tendo em
vista conquistar “[...] igualdade de oportunidades sociais que possibilitem a todos os estudantes o
acesso ao conhecimento registrado” (CALDIN, 2005, p. 163).
Com efeito, o bibliotecário deve ser dinâmico e audacioso, desenvolvendo ações que
interfiram no cotidiano das pessoas. No que se refere ao incentivo à leitura, não resta dúvida de que,
a inovação e criatividade são primordiais para atrair os novos leitores. O bibliotecário deve fazer
com que a biblioteca seja um espaço divertido e agradável para que as pessoas tenham mais vontade
de frequentá-la. Projetos podem ser realizados nas unidades de informação para atrair e manter os
leitores interessados (PITZ; SOUZA; BOSO, 2011).
A adoção de projetos constitui uma forma valiosa para divulgar o trabalho prestado na
unidade de informação. Portanto, no que se refere à leitura, o desenvolvimento de projetos que
viabilizem o contato dos usuários com os materiais informacionais, que despertem o interesse pela
leitura, tais como dramatizações e contações de história constituem atividades criativas e inovadoras
(PITZ; SOUZA; BOSO, 2011).
Outro exemplo de atividades bibliotecárias criativas e inovadoras voltadas à propagação da
leitura diz respeito à construção de espaços de leitura, podendo esses espaços serem estruturados
fora do ambiente físico da biblioteca, o que permite uma atuação bibliotecária além da biblioteca
(SANTA ANNA; GREGÓRIO; GERLIN, 2014).
É evidente que os espaços de leitura criados fora da estrutura física da biblioteca ampliam os
laços de aproximação entre biblioteca e sociedade. Para Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014), essa
atuação é, sem dúvida alguma, uma atitude interventiva do bibliotecário, haja vista despertar a
importância e o interesse pela leitura a um número cada vez maior e diversificado de leitores.
Assim, projetos podem ser realizados no sentido de implementar espaços de leitura em diversos
locais de uma comunidade, seja em locais públicos de grande circulação, seja em locais mais
reservados e privativos, como no interior de empresas.

2.2 ALÉM DOS MUROS DAS BIBLIOTECAS: OS ESPAÇOS E PRÁTICAS DE LEITURA E O
PERFIL DO LEITOR

Considerando a atuação da biblioteca além de seu recinto, no que se refere à propagação da
leitura, assim como apontou Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014), ao estruturarem um espaço de

�87

leitura em instituição hospitalar, depreende-se que a biblioteca e demais instituições educacionais
devem ser um organismo dinâmico que vai ao encontro da sociedade, desenvolvendo um trabalho
interventivo e de mudanças.
Marinho (1993) reforça o trabalho árduo das escolas e bibliotecas na busca por uma
sociedade leitora. Segundo esse autor, no que se refere à biblioteca, essa unidade possui um caráter
social, e não pode se manter isolada, nem tampouco, restrita a atividades internas de seu recinto. Ao
contrário, ela deve extravasar suas paredes, indo ao encontro de leitores e promovendo ações que
fomentem a leitura em todas as partes e grupos da sociedade.
A biblioteca possui inúmeras contribuições e funcionalidades na sociedade, sendo a
propagação da leitura, uma de suas maiores responsabilidades. Mas essa missão não deve restringirse aos muros das unidades. Ao contrário, as atividades bibliotecárias devem atingir diferentes
contextos e instâncias (SANTA ANNA; GREGÓRIO; GERLIN, 2014). E, essa expansão torna-se
ainda mais fácil com o uso das novas tecnologias, em que a biblioteca se torna universal, sem muros
e até sem lugar específico, o que permite a propagação da biblioteca na sociedade (CHARTIER,
1994).
Promover ações de leitura em ambientes externos às instituições educacionais requer a
gestão de espaços específicos para acomodar os materiais informacionais, assim como proporcionar
condições físicas e adequadas ao leitor para que o processo de leitura se efetive. Os espaços de
leitura, segundo Barreto (2007, p. 44-45), apresentam-se “[...] como o lugar, o ambiente destinado
ao ato de ler, onde o corpo do leitor presentifica-se [...]”.
Por isso, ao se pensar nos espaços de leitura, segundo Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014),
deve-se considerar essas estruturas como locais que viabilizam a aprendizagem. Portanto, segundo
esses autores, a prática da leitura não pode ser realizada apenas em ambientes educacionais, na
família ou na biblioteca. Nesse contexto, entende-se que a leitura pode ser realizada por meio da
estruturação de ambientes de aprendizagem “[...] organizados fora do ambiente escolar e/ou da
biblioteca, podendo ser firmada em ambientes onde o público aproveita o tempo ocioso para
consolidação da leitura” (SANTA ANNA; GREGÓRIO; GERLIN, 2014, p. 85, grifo nosso).
Assim, no entendimento desses autores, constata-se que o bibliotecário expande sua atuação
profissional e cumpre sua missão de agente cultural e social ao adquirir competência informacional,
contribuindo, sobremaneira, no gerenciamento desses espaços destinados à leitura e aprendizagem.
Embora pareça um processo simplista, ao arquitetar um espaço de leitura, muitas questões
complexas estão envolvidas, assim como defendeu Chartier e Lebrun (1998). O ambiente que está à
volta do leitor, as condições estruturais oferecidas para acomodar esse sujeito são fatores
interferentes nas técnicas utilizadas por ele durante a realização da leitura. Esses autores também

�88

demonstram que o espaço físico, assim como as tecnologias que materializam os textos (os
suportes) são questões que repercutem na produção de sentido.
No que se refere às tecnologias utilizadas, é consenso na literatura que os recursos
informáticos viabilizam grandes mudanças no processo de leitura, assim como na definição do
perfil do leitor e sua interação com o texto lido e a produção de sentidos. Nesse enfoque das novas
tecnologias, evidencia-se que esses suportes provocam mutações nas práticas de leitura, e o uso da
eletrônica como forma de escrita e comunicação acentuou a capacidade de interação do texto com o
leitor, por conseguinte, aumentaram-se as técnicas e práticas de leitura na sociedade atual,
viabilizando, também, diferentes perfis de leitores (SANTA ANNA; PEREIRA, 2014). Sendo
assim, não resta dúvida de que “a revolução do texto eletrônico será, ela também, uma revolução da
leitura. Ler num monitor não é o mesmo que ler num códice [...]” (CHARTIER, 1994, p. 190).
Vê-se que a trajetória do escrito ao longo dos tempos é suficiente para demonstrar a
pluralidade de formas que podem ser utilizadas para a prática da leitura, o que demonstra ser a
leitura um processo dinâmico, mutante e plural (CHARTIER, 1994). Portanto, as práticas, técnicas
e metodologias de leitura existentes são das mais diferenciadas, tendo o leitor a oportunidade de
optar por um ou outro tipo, considerando questões espaciais, tecnológicas e contextuais
(CHARTIER; LEBRUN, 1998).
Levando em consideração essas questões que permeiam o contexto do leitor, nota-se a
consolidação de diferentes perfis de leitores. A esse respeito, refletem Santa Anna e Pereira (2014,
p. 1693):
O surgimento da escrita representa um grande marco histórico à leitura, condicionando o
surgimento de diferentes práticas de leitura ao longo do desenvolvimento das sociedades. É
graças aos recursos materiais ou suportes tecnológicos que a escrita pôde ser representada
graficamente, por conseguinte, diversificaram-se as técnicas, estratégias e metodologias de
se realizar a leitura, acarretando, outrossim, perfis diferenciados de leitores.

Assim, as diversas técnicas de leitura viabilizadas ao longo dos tempos repercutem na
formação do leitor contemporâneo, o qual deixa de ser um agente receptor, para ser um interagente,
assumindo um papel mais dinâmico e participativo na construção dos significados oriundos do
texto. Logo, diferentes técnicas de leitura podem ser utilizadas, caracterizando diversos perfis de
leitor que podem ser: contemplativo (que realiza leitura detalhada), movente (o qual utiliza variadas
fontes) ou imersivo (utiliza fontes contextualizadas com recursos da internet) (SANTAELLA,
2004).
Em suma, observam-se as complexidades que envolvem os espaços de leitura, logo,
confirma-se a importante missão do bibliotecário ao arquitetar e gerenciar esses ambientes, sendo

�89

necessário constante monitoramento das condições estruturais e contextuais e dos recursos que
permitem que a prática da leitura seja realizada e disseminada de forma efetiva na sociedade.

3 MÉTODO DA PESQUISA

A metodologia utilizada no desenvolvimento deste estudo caracterizou a pesquisa como
descritiva, no que se refere aos objetivos do estudo e pesquisa de campo, no que se refere aos
procedimentos técnicos utilizados.
Consideramos este estudo como descritivo, pois ele analisou a realidade de uma dada
população, ou seja, 32 usuários que frequentam os espaços de leitura estruturados em terminais
rodoviários, espaços esses denominados de Biblioteca Transcol. Também pode ser considerado
como descritivo, uma vez que utilizou como técnica de coleta de dados, formulário com perguntas
fechadas (11 perguntas).
No caso deste estudo, o ambiente de pesquisa delimitado foi o projeto desenvolvido por uma
instituição bibliotecária, denominado de Projeto Biblioteca Transcol, cujo objetivo desse projeto é
disponibilizar acervos de livros para leitores que frequentemente utilizam o sistema de transporte
coletivo, sendo esses acervos caracterizados como espaços de leitura inseridos nos terminais
rodoviários pertencentes ao sistema de transporte coletivo.
Quanto às técnicas para coleta de dados, utilizou aplicação de questionário a leitores das
Bibliotecas Transcol, bem como o estudo de observação junto aos bibliotecários que gerenciam o
projeto, com o intuito de coletar informações sobre a criação, desenvolvimento e monitoramento do
projeto.
No que se refere à abordagem do problema, este estudo classifica-se como qualiquantitativo, pois ao mesmo tempo que se analisam dados concretos e objetivos com base nas
respostas obtidas na aplicação do questionário, recorreu-se à indução, a partir das entrevistas com os
bibliotecários, bem como às reflexões oriundas da fundamentação teórica.

3.1 O PROJETO BIBLIOTECA TRANSCOL

Tendo em vista a fundamentação teórica discorrida, considera-se a Biblioteca Transcol
como um espaço de leitura gerenciado pela Biblioteca Pública do Estado do Espírito Santo, em
parceria com a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (CETURB), empresa essa

�90

que gerencia o sistema de transporte coletivo unificado dessa região, denominado de Sistema
Transcol.
Esse sistema adota a estrutura tronco-alimentadora, interligando diferentes linhas em
diversos terminais rodoviários, dispersos nos cinco municípios que compõem a região
metropolitana. Atualmente, o sistema possui um total de nove terminais interligados, com local
destinado ao embarque e desembarque de passageiros10. No interior dos terminais também há
diferentes lojas que prestam diversos serviços e/ou oferecem produtos variados aos usuários que
utilizam o sistema.
Levando em consideração a quantidade de pessoas que circulam nesses locais diariamente e
o tempo gasto na viagem dentro dos ônibus ou na espera nos terminais, foi instituído um acervo
contendo diferentes literaturas, tendo em vista incentivar a prática da leitura, durante a permanência
das pessoas nos terminais ou dentro dos coletivos.
Esses acervos foram expostos em prateleiras, no interior de uma sala, a qual possui também
computadores com acesso à internet. Esses espaços, denominados de Biblioteca Transcol, estão
presentes em todos os terminais da Grande Vitória. Logo, em 2018, o sistema consta com um total
de nove acervos.
Cada unidade possui em média um total de, aproximadamente, 2500 itens informacionais
(no caso, livros impressos). Esses acervos constam com diversas literaturas, seja ela científica,
acadêmica ou literária. No entanto, a maior parte do acervo está composta por obras de literatura.
Seu acervo é gerenciando pela Biblioteca Pública de Vitória, que é ligada à Secretaria de Estado da
Cultura (SECULT).
Os serviços prestados nesses espaços envolvem desde a consulta local aos materiais, bem
como o empréstimo domiciliar, podendo o usuário ler o livro dentro dos terminais enquanto espera
os ônibus, ou dentro dos ônibus durante o trajeto, ou até mesmo, em sua residência.
A figura 1 ilustra o interior das unidades, com destaque à disponibilização dos livros nas
estantes e computador para uso. A figura 2 apresenta a parte externa da biblioteca.

10

À época da coleta de dados, no ano de 2014, o Sistema Transcol era formado por dez terminais, logo, dez bibliotecas.
No entanto, no ano de 2018, um terminal foi desativado, o Terminal de Itaparica, restando apenas, no sistema, nove
terminais, portanto, nove bibliotecas.

�91
Figura 1 – Interior da Biblioteca Transcol

Fonte: Secretaria de Cultura (2018).
Figura 2 – Parte externa da biblioteca

Fonte: Secretaria de Cultura (2018).

Portanto, o projeto intitulado “Biblioteca Transcol” sustentou-se mediante ações voltadas à
instalação de unidades de locação de livros, nos terminais rodoviários do Sistema Transcol, pois,
nesses circulam parcela significativa do público-alvo do projeto. Os interessados se cadastram nas
próprias bibliotecas, retiram a carteirinha de associado na mesma hora, e podem locar,
gratuitamente, um livro por vez, pelo período de dez dias. Nesse sentido, o projeto está
incentivando a leitura e contribuindo para a melhoria do nível de informação e conhecimento das
populações menos favorecidas.
Fiel ao objetivo delimitado neste estudo, serão analisados, a seguir, os dados coletados em
campo, a partir da aplicação de questionário a 32 usuários-leitores das Bibliotecas Transcol. Entre
nove bibliotecas existentes à época da coleta de dados (2014), foram entrevistados três leitores em
cada uma delas, abordados aleatoriamente no momento da coleta. Em apenas uma biblioteca, por
ela ser maior, entrevistou-se um total de cinco leitores, também abordados aleatoriamente.

�92

Ressalta-se, também, que a partir do ano de 2016, foi adquirido o Software Sophia
Biblioteca para o gerenciamento das obras, gerando, assim, um catálogo sistematizado em rede.
Desse modo, os usuários podem realizar a consulta on-line, por meio de seu cadastro, o que
possibilita uma melhor comunicação efetiva entre a instituição e os seus usuários.
Tendo em vista demonstrar o desenvolvimento do referido projeto, o questionário foi
sistematizado de modo a contemplar três diferentes aspectos, que são: 1 - as práticas de leitura
adotadas pelos leitores desse sistema; 2 – o perfil desses leitores; e 3 - a percepção dos usuários
desses espaços quanto ao material fornecido e as condições ambientais para concretização da
leitura.

3.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.2.1. As práticas, técnicas e estratégias de leitura realizadas na Biblioteca Transcol

Na opinião dos 32 leitores entrevistados, no que se refere ao local mais adequado para
concretização da leitura, as opiniões se divergem. Para três leitores (9,4%), realizam a leitura dentro
dos ônibus, durante os trajetos; para dois leitores (6,2%), o local que eles mais leem é nos terminais,
quando estão à espera dos ônibus; já para 13 leitores (40,6%), a leitura é realizada em casa,
enquanto que para 14 leitores (43,8%), a leitura é realizada em diferentes locais, seja em casa, nos
ônibus ou nos terminais (gráfico 1).
Gráfico 1 – Local em que os leitores realizam a leitura
50
43,8

45

40,6

40
35
30
25
20
15
10

9,4
6,2

5
0
0
dentro dos ônibus

no terminal à
espera dos ônibus

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

em casa

no terminal e
em todos os locais
dentro dos ônibus
acima citados

�93

Percebe-se que a maioria dos entrevistados realiza o processo de leitura em qualquer local,
desde que haja condições para tal, ou seja, que o leitor esteja com tempo ocioso, tendo a leitura um
papel de complementação, assim como afirma Scliar-Cabral (2009), de que, a leitura exerce
influência sobre a mente. Assim, segundo essa autora, lê-se para ocupar a mente, uma forma de
aproveitar o tempo para adquirir novos conhecimentos e despertar o exercício mental.
Quando se indagou a respeito das técnicas, metodologias ou estratégias específicas que os
leitores utilizam, haja vista tornar o processo mais agradável e compreensível, constatou-se que,
para dez leitores (31,25%), prefere-se ler por capítulos, o que viabiliza maior organização das
ideias; já para 12 leitores (37,5%), realiza-se a leitura até que haja cansaço; por fim, novamente dez
leitores (31,25%) disseram que leem enquanto estão com o tempo ocioso (gráfico 2).
Gráfico 2 – Técnicas utilizadas no discorrer da leitura
40
35

37,5
31,25

31,25

30
25
20
15
10
5
0

0

leio por páginas

leio as partes
principais do livro,
como introdução, o
resumo e o final

0
leio por capítulos

leio até ficar
cansado

leio enquanto
permaneço em
tempo ocioso

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Percebe-se que a maioria dos leitores são verdadeiros “devoradores” de livros, pois leem até
aparecer o cansaço, ou seja, continuam lendo um texto desde que estejam conseguindo assimilar as
ideias. Nesse enfoque, dialogamos com Chartier (1998) ao mencionar Michel de Certeau,
destacando que o leitor nada mais é do que, um caçador que percorre terras alheias. Constatamos
que a maioria dos leitores da Biblioteca Transcol leem por prazer, tornando-se verdadeiros
caçadores de novas ideias dispersas nas linhas e entrelinhas escritas por um autor.
Perguntou-se, também, no âmago das práticas de leitura, a respeito da interação entre o leitor
e o suporte que materializa a escrita, nesse contexto, o livro impresso. Investigou-se a respeito da
utilização de recursos ou instrumentos auxiliares de modo que o processo de leitura fosse melhor

�94

desenvolvido. Assim, para oito leitores (25%), utiliza-se tampão de ouvido; para cinco leitores
(15,6%), prefere-se o uso da régua para delimitação das linhas do texto; também cinco leitores
preferem ler ouvindo música baixa; já dez leitores (31,25%) utilizam o dedo indicador como ponto
de marcação das linhas e palavras; por fim, apenas quatro leitores (12,5%) disseram ler sem o
auxílio de nenhum recurso (gráfico 3).
Gráfico 3 – Utilização de recursos para melhorar o desenvolvimento da leitura
35

31,25

30
25
25
20
15,6

15,6

15

12,5

10
5
0
utilizo tampão de utilizo régua para
ouvino para isolar delimtar as linhas
o barulho externo
da escrita

gosto de ler
ouvindo música
baixa

leio com ajuda
dedo indicador
para marcar as
linhas

leio sem nenhum
recurso auxiliar

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

De acordo com os dados obtidos do gráfico acima, resulta-se que há forte interação entre
texto e leitor, assim como defendeu Chartier (1994), de que o texto (como produto da escrita) e o
leitor estabelecem uma interação, podendo essa ser voltada ao sentido do texto (concentração)
quanto ao contato, considerando as tecnologias envolvidas no suporte textual.
O dedo indicador aparece como o recurso mais utilizado para facilitar a leitura e a grande
minoria não utiliza nenhum recurso. Curioso que alguns leitores preferem ler ouvindo música, já
outros optam pelo silêncio absoluto. Esses resultados confirmam as teorias de Chartier (1994,
1998), quando menciona que, ao longo dos tempos, inúmeras práticas de leituras vêm sendo
utilizadas, desencadeando perfis diferenciados de leitor, um processo integralmente dinâmico e
diversificado.
No entendimento de Hillesheim et al. (2011), é importante mencionar que o texto se constrói
no encontro com o leitor, na relação entre um e outro. Portanto, é evidente que não se pode
dissociar texto e leitor, e nessas relações em que cada leitor possui sua estratégia, sobretudo com os
diversos suportes que registram a escrita, é comum que, constantemente, sejam manifestadas novas
e adversas combinações.

�95

3.2.2 O perfil dos leitores das Bibliotecas Transcol

A princípio, investigou-se a quantidade e tipologia de livros utilizados pelos leitores. No que
se refere à quantidade de livros em que se realiza a leitura por mês, oito entrevistados (25%) leem
apenas um livro; 11 usuários (34,4%) leem um total de dois livros; três respondentes (9,4%) leem
três livros; e dez usuários (31,2%) leem quatro livros ou mais a cada mês (gráfico 4).
Gráfico 4 – Quantidade de livros lida mensalmente pelos usuários da Biblioteca Transcol
40
34,4

35

31,2

30
25
25
20
15
9,4

10
5
0
0
nenhum

um livro

dois livros

três livros

quatro ou mais

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Quanto às modalidades de literatura lidas pelos usuários, obteve-se que, a grande maioria,
26 leitores (81,25%) procura por romance; dois leitores (6,25%) preferem ler livros de autoajuda;
três leitores (9,37%) escolhem a literatura acadêmica; e, por sua vez, apenas um leitor (3,12%) lê
todas as modalidades de literatura mencionadas no questionário (gráfico 5).
Gráfico 5 – Modalidade de literatura utilizada pelos usuários da Biblioteca Transcol
90

81,25

80
70
60
50
40
30
20
10

6,25

9,37

0

3,12

0
histórias em
quadrinhos

romance

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

livros de autoajuda livros acadêmicos

todos

�96

Por meio da análise aos dois gráficos supracitados, entende-se que o público da Biblioteca
Transcol é um público leitor, sendo que boa quantidade lê quatro livros ou mais por mês, o que
afere um resultado significativo. O tipo de obra mais procurada é o romance, seguido por livros
acadêmicos e de autoajuda.
Recorrendo às reflexões de Chartier (1994, 1998), a partir desses dados, é importante
discorrer acerca da leitura silenciosa e extensiva, muito comum nas sociedades modernas, ao
contrário do que ocorria na sociedade antiga e medieval, em que se optava pela leitura em voz alta e
intensiva. Segundo o referido autor, essa mudança de um tipo de leitura para outra é consequência
provável do crescimento editorial, o qual proporcionou mais facilidade de acesso ao livro e à
leitura, permitindo que as pessoas lessem individualmente (leitura silenciosa) e uma maior
quantidade de livros (leitura extensiva).
O leitor do sistema Transcol realiza a leitura para diversos fins. De acordo com os dados
obtidos na pesquisa, a maioria, 10 respondentes (31,25%), realiza a leitura em casa com fins de
entretenimento; cinco leitores (15,6 %) leem nos ônibus e terminais por necessidades profissionais;
oito leitores (25%) leem nos ônibus e terminais a fim de aproveitar o tempo de espera; outros oito
leitores (25%) leem em casa a fim de adquirem conhecimentos; e, por fim, apenas um leitor
(3,12%) considera que lê por outros motivos (gráfico 6).
Gráfico 6 – Motivo que leva o leitor a utilizar os livros ofertados pela Biblioteca Transcol
35

31,25

30

25

25

25
20

15,6

15
10
3,12

5
0
ler durante
ler nos ônibus e nos ler em casa para
permanência nos
terminais como
admquirir
ônibus e terminais formar a aproveitar conhecimentos
por necessidade o tempo de espera
profissional e
acadêmica

ler em cada para
fins de
entretenimento

outro motivo

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Esse resultado vai ao encontro do que afirma Brito (2010), de que o leitor busca na leitura
diversos objetivos, tanto de cunho informacional, quanto para se instruir, obter e aprofundar
conhecimentos, entretenimento, prazer, por gosto, comunicabilidade e para melhor compreender o
meio em que se vive. Enfim, o sujeito busca na leitura sua satisfação em meio a diferentes
necessidades.

�97

A figura do leitor aparece no contexto atual repleto de mudanças, como um agente que sofre
interferências de inúmeros fatores externos durante o processo de leitura, fato esse que pode
viabilizar o desvio no real sentido de um texto quando idealizado por seu autor, no momento que é
decodificado pelo processo de leitura (CHARTIER; LEBRUN, 1998).
Para os leitores do Transcol, a maioria, 15 leitores (46,9%), recebe interferências de vários
fatores externos, como: barulho, luminosidade e postura em pé; para cinco entrevistados (15%), o
fator mais presente é o barulho; para 11 leitores (34,5%), o principal fator diz respeito à postura em
pé; e, ao final, para apenas um leitor (3,12%), não existem fatores interferentes (gráfico 7).
Gráfico 7 – Fator mais presente no cotidiano dos leitores da Biblioteca Transcol
50

46,9

45
40
34,5

35
30
25
20

15

15
10
3,12

5

0

0
barulho

luminosidade

postura em pé

todos os fatores
acima de igual
proporção

não existe nenhum
desses fatores

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Essas interferências nos remetem a afirmar que a leitura constitui um processo dinâmico,
complexo e subjetivo, conduzida e refletida única e exclusivamente pelo leitor que dela se apropria,
sendo expressa por meio de “[...] um gesto, individual ou coletivo, dependente das formas de
sociabilidade, das representações do saber ou do lazer, [e] das concepções da individualidade”
(CHARTIER, 1994, p. 173).
Os fatores externos aliados ao texto refletem diferentes ambiências, o que proporciona
diferentes modalidades de leitor. Na visão de Santaella (2004), na modernidade, existem três
categorias de leitores: o contemplativo, o movente e o virtual. De acordo com os leitores
entrevistados, a maioria, 20 sujeitos (62,5 %), acredita que a ambiência proporcionada pelo sistema
Transcol favorece a consolidação de um leitor contemplativo; para cinco leitores (15,6 %), são
leitores moventes; também cinco acham que são leitores imersivos; e por fim, apenas um
respondente (3,12%) considera ser outro tipo de leitor (gráfico 8).

�98
Gráfico 8 – Tipos de leitor, dadas as condições ofertadas pelas Bibliotecas Transcol
70

62,5

60
50
40
30
20

15,6

15,6

10

3,12

0
leitor contemplativo (que
leitor movente
leitor imersivo (virtual,
lê silenciosmante, de fragmentário (que ler de interativo com as novas
forma independente
forma dinâmica, atento
tecnologias)
aos detalhes,
comparanado o texto
lidocom outros textos

outro tipo de leitor

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Não resta dúvida de que o texto lido em voz alta ou de forma silenciosa, bem como o texto
materializado em tabletes de argila, papiro, pergaminho ou impresso em papel, assim como, a
ambiência e contexto ideológico na qual o leitor se situa desperta no leitor a transposição de um
mundo imaginário (registrado no suporte) a um mundo real (contextualizado) (CHARTIER;
LEBRUN, 1998).
A partir desse conjunto de fatores que permeiam a ambiência social, diferentes práticas de
leitura vão sendo desenvolvidas, fomentando diversos perfis de leitores. Como o contexto social é
mutante, aferimos que a leitura e suas práticas constituem um processo dinâmico e flexível,
consequentemente, proporcionaram e proporcionam pluralidade de leitores ao longo dos tempos.

3.2.3 A percepção dos leitores quanto às questões estruturais da Biblioteca Transcol

A Biblioteca Transcol foi instituída com o intuito, a priori, de despertar nos usuários do
sistema de transporte o gosto pela leitura, de forma que o tempo gasto nos terminais e nos ônibus
fosse aproveitado em prol da leitura. O acervo das unidades é formado por obras de literatura,
especificamente romances, sejam nacionais quanto estrangeiros. Analisando a percepção dos
leitores a respeito da qualidade dos materiais disponibilizados no acervo dessas unidades, para 21
leitores (65,7%), o material é de excelente qualidade, atendendo suas expectativas; logo, para onze

�99

leitores (34,3%), os materiais são bons, porém recomendam que o acervo poderia ser mais
diversificado (gráfico 9).
Gráfico 9 – Qualidade dos materiais disponibilizados pelas bibliotecas
70

65,7

60
50
40

34,3

30
20
10
0

0

0
Excelente qualidade. Me Não satisfazem minhas Não satisfazem minhas
Materiais são bons,
atendem
necessidades. Conteúdo necessidades. Conteúdo
porém poderiam
superficial
difícil entendimento diversificar mais o acervo
Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Por meio desses dados, percebe-se que, o acervo está atendendo as necessidades dos
usuários. Alguns consideram como melhoria a diversificação do acervo. De qualquer forma, é
preciso monitoramento por parte do bibliotecário, sendo indispensável que o profissional conheça
muito bem todo o seu acervo e o perfil de seus usuários, possibilitando satisfação dos leitores e
produção de conhecimento (DINIZ, 2011).
Quando indagados a respeito do que poderia ser feito para que a leitura fosse mais
concretizada, 22 leitores (68,75%) pensam que a unidade poderia oferecer mais materiais; dois
leitores (6,25%) sugerem a disponibilização de espaço com mesas e cadeiras; por fim, oito leitores
(25%) acham importante que o material emprestado tivesse um prazo mais estendido (gráfico 10).
Gráfico 10 – Opções adotadas pela biblioteca que poderiam viabilizar o hábito da leitura
80
70

68,75

60
50
40
25

30
20
6,25

10
0
Oferecer mais materiaias além
dos já disponibilizados
Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Disponibilizar espaço com
Estender o prazo de permanência
cadeiras e mesas nos terminais
do material com o leitor

�100

Nota-se que, na opinião dos leitores, a maioria considera como principal fator a ser pensado
na tentativa de incentivar a prática da leitura é diversificar as coleções que formam o acervo. Esse
resultado condiz com o que reza o PNLL ao dispor sobre a necessidade de ofertar livros em
diferentes formatos e que atenda as necessidades do público servido.
As unidades existentes nos terminais possuem acervo composto por livros em estantes e
alguns computadores para consulta ao acervo e para viabilizar acesso à internet. Não há
disponibilização de espaço para leitura com cabines, mesas e cadeiras. Ao perguntar aos leitores
sobre a montagem de um espaço para leitura, contendo mobiliário apropriado, 17 leitores (53,1%)
entendem que seria bom, pois aumentaria o poder de concentração; para seis leitores (18,7%), o
espaço seria bom, pois diminuiria problemas de postura, uma vez que usuários aguardam o
transporte em pé; já para três leitores (9,3%), esse espaço não ajudaria em nada, pois eles fazem as
leituras em suas residências; outros seis leitores também disseram que não ajudaria, pois eles fazem
as leituras nos ônibus (gráfico 11).
Gráfico 11 - Criação de espaços de leitura, com mesas e cadeiras, na biblioteca
60

53,1

50
40
30
18,7

20

18,7
9,3

10
0
Seria bom, pois
Seria bom, pois
aumentaria o poder de diminuiria problema de
concentração
postura

Não me auxiliaria em
nada, pois faça as
leituras em casa

Não me auxiliaria em
nada, pois faça as
leituras dentro dos
ônibus

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Percebe-se que a maioria considera a estruturação do espaço como viável. Assim, não basta
apenas oferecer as fontes, é preciso também, disponibilizar um espaço adequado e agradável
(BRASIL, 2011). Segundo Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014), a fim de despertar o gosto e
motivação dos leitores/educandos, faz-se imprescindível a estruturação de um espaço dinâmico,
interativo e acolhedor, o que exige criatividade e inovação por parte dos profissionais responsáveis
pelo gerenciamento do espaço.

�101

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo apresentou algumas características da Biblioteca Transcol, as práticas de
leitura realizadas, o perfil dos leitores e a percepção dos leitores quanto ao papel dessa unidade no
fomento à leitura. Logo, o objetivo da pesquisa foi atendido. De modo geral, constatou-se ser uma
ação válida a gestão desse projeto, uma vez que atende, em alguns aspectos, as recomendações do
PNLL.
A partir dos dados e das informações teóricas analisadas nesta pesquisa, constatou-se que o
cenário que reveste o imaginário do leitor é diversificado, e a prática da leitura pode ser realizada
em diferentes ambientes, não estando engessada unicamente nos espaços e instituições tradicionais,
como nas residências, nas instituições escolares ou nas unidades de informação. O ato de leitura
desperta no leitor a construção de novas habilidades e viabiliza a consumação do aprendizado, sem
considerar o espaço, a posição, enfim, independente da maneira como a leitura é praticada.
De modo geral, o estudo aplicado a 32 leitores da Biblioteca Transcol demonstrou que, a
grande maioria realiza as leituras em suas residências, com a finalidade de entretenimento. Essa
preferência pode ser justificada pelo fato da grande maioria considerar inúmeros fatores
ergonômicos que interferem no processo de leitura, como: barulho, luminosidade e postura em pé.
No que se refere às práticas de leituras oferecidas pela Biblioteca Transcol, em linhas gerais,
constatou-se que a leitura desenvolvida na referida unidade constitui um processo dinâmico,
mutante, plural e prazeroso, com práticas de leitura diversificadas, tendo o leitor diferentes
comportamentos durante a consolidação do ato ler.
Com efeito, constatou-se, no que se refere aos aspectos voltados ao perfil do leitor, que os
usuários das Bibliotecas Transcol leem diversos livros, tendo preferência por romances. Em linhas
gerais, esses livros são lidos de forma individual e com rapidez, o que caracteriza as leituras como
extensivas, no entanto, mesmo assim, os leitores não perdem a tendência contemplativa.
Os resultados obtidos a partir da percepção dos usuários quanto aos produtos e serviços
prestados pela Biblioteca Transcol permitem afirmar que, de modo geral, os leitores estão satisfeitos
e sendo despertados ao gosto e hábito pela leitura. Sugerem como melhoria a diversificação quanto
às modalidades de livros ofertados e a construção de um espaço específico para acomodar os
leitores.
Este estudo também demonstrou a viabilidade do projeto Biblioteca Transcol, até o
momento, ao adotar práticas que fomentem a leitura em diferentes espaços sociais, atendendo às
políticas públicas voltadas para a formação de leitores, assegurando o exercício da cidadania. O
contexto analisado na pesquisa viabiliza a formação de diferentes leitores, cujos objetivos ao

�102

praticar a leitura é aproveitar o tempo despendido ao se utilizar o transporte urbano na aquisição de
novas informações oriundas com a prática da leitura.
Com o término desta pesquisa e com os resultados obtidos a partir da Biblioteca Transcol,
bem como diante das recomendações propostas pelos planos governamentais a respeito da leitura,
recomenda-se a elaboração de outros projetos dessa natureza, em que a biblioteca seja vista como
um espaço sem fronteiras, no que diz respeito ao fomento à leitura. Sugerem-se pesquisas e projetos
que proponham, por exemplo, a inserção dos espaços de leitura em outros ambientes abertos de
grande circulação, tais como na estação ferroviária, no aeroporto e nos terminais rodoviários
intermunicipais existentes na região da Grande Vitória. A leitura não pode parar, pois se trata de um
processo transformador da realidade social.

REFERÊNCIAS
BARRETO, Angela Maria. Os espaços de leitura. Comunicação e Educação, v. 12, n. 1, p. 41-53,
jan./abr. 2007. Disponível em: &lt;http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/37618&gt;. Acesso
em: 14 fev. 2016.
BRASIL. Decreto n.º 7.559, de 1.º de setembro de 2011. Dispõe sobre o Plano Nacional do Livro e
da Leitura (PNLL) e dá outras providências. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/c civil_
03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7559.htm&gt;. Acesso em: 12 fev. 2014.
BRITO, Danielle Santos de. A importância da leitura na formação social do indivíduo. Revela,
Faculdade Dom Domênico, Guarujá, ano 4, n. 8, jun./2010. Disponível em:
&lt;http://www.fals.com.br /revela12/Artigo4_ed08.pdf&gt;. Acesso em: 12 fev. 2014.
CALDIN, Clarice Fortkamp. Reflexões acerca do papel do bibliotecário de biblioteca escolar.
Revista ACB, Florianópolis, v. 10, n. 2, p. 163-168, 2005. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/431/549&gt;. Acesso em: 12 fev. 2016.
CHARTIER, Roger. Do códice ao monitor: a trajetória do escrito. Estudos Avançados, v. 8, n. 21,
p. 185-199, 1994. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext
HYPERLINK "http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext%20&amp;pi%20d=S010340141994000200012"&amp; HYPERLINK
"http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext%20&amp;pi%20d=S0103-40141994000200012"pi
d=S0103-40141994000200012&gt;. Acesso em: 12 dez. 2015.
CHARTIER, Roger; CAVALLO, G. (Org.) História da leitura no mundo ocidental. São Paulo:
Ática, 1998.
CHARTIER, Roger; LEBRUN, Jean. A aventura do livro: do leitor ao navegador: conversações
com Jean Lebrun. São Paulo: Ed. da UNESP, 1998.

�103

DINIZ, Jaiene Gomes et al. O bibliotecário como agente incentivador da leitura: apresentação do
projeto de extensão Doutores da Leitura. In: ENCONTRO REGIONAL DE ESTUDANTES DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E GESTÃO DA
INFORMAÇÃO, 14, Anais eletrônicos. São Luiz: Universidade Federal do Maranhão, 2011.
HILLESHEIM, Betina et al. Leitura: entre leitor e texto. Fractal: Revista de Psicologia, v. 23, n.
2, p. 305-316, maio/ago. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/Fractal/article/view/398/521&gt;. Acesso em: 16
fev. 2016.
MARINHO, Raimunda Ramos. Leitura: um caminho para a cidadania. Transinformação,
Campinas, v. 5, n. 1, jan./dez. 1993. Disponível em: &lt;http://periodicos.puccampinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/viewFile/1650/1621&gt;. Acesso em: 14 fev. 2016.
PITZ, Juliana; SOUZA, Vanessa Aline; BOSO, Augiza Karla. O papel do bibliotecário escolar na
formação do leitor. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 16, n. 2, p.
405-418, jul./dez. 2011. Disponível em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/736/pdf_59&gt;.
Acesso em: 14 fev. 2016.
ROSA, Flávia Goullart Mota Garcia; ODDONE, Nanci. Políticas públicas para o livro, leitura e
biblioteca. Ciência da Informação, Brasília, v. 35, n. 3, p.183-193, set./dez. 2006.
SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil do leitor imersivo. São Paulo: Paullus,
2004.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Os suportes de informação e suas interferências na
formação do leitor. Revista Linha Mestra, n. 24, jan./jul. 2014. Disponível em:
&lt;https://linhamestra24.files.wordpress.com/2014/07/linha_mestra_24_19_cole_06_comunicacoes_i
lsa_josuelene.pdf&gt;. Acesso em: 14 fev. 2016.
SANTA ANNA, Jorge; GREGÓRIO, Elaine; GERLIN, Meri Nadia. Atuação bibliotecária além da
biblioteca: o espaço de leitura do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM).
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 77-88, jan./jun.
2014.
SECRETARIA DE CULTURA. Biblioteca Transcol. 2018. Disponível em:
&lt;https://secult.es.gov.br/bib-transcol&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.
SCLIAR-CABRAL, Leonor. Processamento da leitura: recentes avanços das neurociências. In:
COSTA, Jorge Campos da; PEREIRA, Vera (Org.). Processamento da leitura: recentes avanços
das neurociências. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. p. 48-58.
UNIVERSIDADE PARA TODOS. Projeto Biblioteca Transcol. 2014. Disponível em:
&lt;http://bibliotecatranscol.blogspot.com.br/&gt;. Acesso em: 16 fev. 2015.

�104

CAPÍTULO VII
LETRAMENTO INFORMACIONAL EM BIBLIOTECAS: PARA ALÉM DO PROCESSO
DE ALFABETIZAÇÃO

Rafael Ribeiro Rocha

1 INTRODUÇÃO

O avanço da tecnologia tem propiciado o acesso das pessoas à informação. Desde a chamada
“explosão informacional”, a propagação de conteúdos ganhou espaço na vida de muitos indivíduos
que, sedentos de conhecimento, procuraram fazer parte do mundo em que ocupavam. Afinal, o
pertencimento sempre foi algo urgente na vida de um cidadão e nada mais necessário que a
informação, uma vez que ela abre horizontes e tem a capacidade de mudar a história de toda uma
comunidade ou até mesmo de gerações.
De 1945, fim da Segunda Guerra Mundial, ao ano de 2018, o mundo assistiu as
transformações ocorridas nas variadas formas de armazenamento, organização e divulgação da
informação, sejam elas na propagação de conhecimentos científicos ou por meio dos meios de
comunicação de massa como jornal e revista, rádio e televisão e a internet. Diante disso, o
“comportamento informacional” da sociedade tem mudado consideravelmente, pois se antes as
pessoas adotavam uma postura mais passiva no recebimento da informação, atualmente, os
indivíduos exercem um papel mais participativo, uma vez que o acesso às tecnologias facilita essa
prática.
Sendo assim, é notável que empresas, institutos e bibliotecas têm atuado como repositórios
ou unidades de informação, cujo dever é o de estabelecer a manutenção e a divulgação desses
“objetos informacionais”. Gasque (2012, p.26) pondera que em meio à “difícil missão de formar
cidadãos reflexivos, críticos e autônomos”, a Biblioteconomia tem o intuito de auxiliar os cidadãos,
“usuários e não usuários de bibliotecas e unidades de informação”, na forma com que eles lidam
com as informações.
Os bibliotecários têm o poder não apenas de ser responsável pela gestão informacional, mas
também o de atuar como agente cultural e educacional, proporcionando o desenvolvimento dos
indivíduos, mediante a expertise na propagação da informação e do conhecimento para as pessoas.
A alfabetização, tal qual concebemos, é de extrema importância para a vida de uma pessoa. Afinal,

�105

ela conduz o ser humano à sua autonomia e ao seu respectivo lugar de fala, lugar no mundo. No
entanto, o letramento informacional vai além: ele direciona os usuários aos conteúdos necessários e
elementares para a sua vida. Por meio dessa prática, o bibliotecário ajuda a formar novos leitores,
aprimorar tal prática e a orientar o comportamento de todos que procuram estar inteirados em sua
comunidade ou espaço por meio da informação.
Pode-se considerar esse profissional da Ciência da Informação como o detentor de técnicas
que direcionam as pessoas às fontes corretas de informações em suas variadas formas. No entanto, o
enfoque que se dará, neste capítulo, está no espaço da biblioteca escolar e a importância que o
profissional da unidade de informação exerce na mediação dos usuários ao conhecimento
necessário. Para explicar aos leitores todos os lugares que contam com a presença do bibliotecário,
seria preciso mais de um capítulo, talvez um livro inteiro, mas a bibliografia da área sempre é
agraciada com pesquisas e análises aprofundadas, feitas por estudiosos que investigam com afinco
as nuances presenciadas e surgidas na área. A intenção, aqui, é falar e mostrar como uma prática
tem o poder de modificar para melhor a aproximação do aluno/cidadão à informação. O letramento
informacional tem essa força e o bibliotecário é o principal agente envolvido nessa habilidade.

2 METODOLOGIA

A escolha pelo tema surgiu a partir de um interesse, sobretudo na relação que a biblioteca
exerce com o usuário e vice-versa. Existem estudos primorosos acerca do letramento informacional.
Com isso, os autores citados neste capítulo são aqueles, cujas pesquisas bem fundamentadas
enriqueceram as investigações realizadas na área da Ciência da Informação.
A seção 3 “Letramento Informacional” procura explicar com base nas discussões de Gasque
(2012), Campello (2009) e Caregnato (2000) a origem da expressão ”Information Literacy” e os
caminhos que consolidaram a prática dentro da profissão dos bibliotecários. Além disso, destaca-se
o advento do letramento informacional aqui no Brasil e quais foram os principais pontos
vivenciados desde então pelos atuantes na área.
Já a seção 4 “Revisão de Literatura” traz a temática de forma mais aprofundada, convidando
o leitor a se inteirar de forma completa no assunto. Essa seção abordará os fundamentos teóricos
levantados por pesquisadores brasileiros acerca do letramento informacional. Questões como as
principais linhas de investigação e os problemas serão abordados, de forma bem sucinta,
considerando a abrangência que o tema já ganhara ao longo dos últimos anos.

�106

3 LETRAMENTO INFORMACIONAL
De acordo com Gasque (2012, p. 26), o termo “letramento informacional” foi adotado pela
primeira vez pelo bibliotecário norte-americano Paul Zukowski, em 1974, quando o relatório The
information service enviroment relationships and priorities foi publicado com o intuito de
promover a information literacy (letramento informacional) como ferramenta de acesso à
informação nas bibliotecas do país.
Ao longo dos anos, a preocupação com a forma de recebimento da informação por parte dos
usuários ganhou espaço não apenas nos Estados Unidos, mas em outras partes do mundo. Há que se
destacar um evento que foi o responsável por impulsionar o papel do letramento informacional na
prática educacional e bibliotecária: o National Forum on Information Literacy (NFIL), de 1990,
contando “com a participação de mais de 75 membros de instituições de educação, negócios e
organizações governamentais”. O objetivo principal era o de trazer luz à discussão sobre a
necessidade de conscientização acerca da importância do letramento informacional e de planejar
práticas voltadas para a orientação de aquisição das competências informacionais (GASQUE, 2012,
p. 27).
Segundo Campello (2009, p. 68), os bibliotecários tentavam provar suas influências no
processo de aprendizagem, baseando-se no conceito de information literacy. A pesquisadora ainda
ressalta que muitos desses profissionais já exerciam tal função, uma vez que eles “já vinham
desenvolvendo ação pedagógica mais ampla do que o referido termo implica e tinham consciência
de que esse trabalho exercia influência positiva na aprendizagem”.
Gasque (2012, p. 28) explica que o letramento informacional pode ser correspondido como
um processo no qual ocorre a ação de desenvolvimento de competências que induzem os usuários
na localização, acesso, organização e uso da informação, a fim de que essas etapas gerem
conhecimento, resultando em tomadas de decisão e resolução de problemas.
Embora o termo tenha surgido na década de 1970, a pesquisa sobre essa área ganhou espaço
aqui no Brasil apenas no final do século XX, por meio de uma análise bem detalhada realizada por
Sônia Caregnato sobre o letramento informacional no contexto das bibliotecas universitárias. A
partir de seu estudo, Caregnato abriu precedentes para que outros estudiosos desenvolvessem
pesquisas de extrema importância não só na área da Ciência da Informação, mas também na
Educação, tendo em vista o papel de educador que bibliotecários também exercem na mediação
entre a informação e o estudante/cidadão.

�107

4 REVISÃO DE LITERATURA

A teoria acerca do letramento informacional tem sido discutida de forma incessante nos
últimos anos. Aqui, no Brasil, por exemplo, a primeira vez que esse assunto veio à tona foi através
de um estudo, no qual Caregnato (2000) fez uma revisão acerca dos conceitos ligados à educação
dos usuários em bibliotecas universitárias. Além disso, sua pesquisa procurou evidenciar a
importância acerca da habilidade informacional em um contexto marcado pelo crescimento
considerável das informações no meio digital. Interessante lembrar que a sociedade do final do
século XX e início do XXI assistiu a uma transformação que mudaria para sempre a forma de obter
acesso a diversos conteúdos.
Naquela época, Caregnato (2000, p. 48) já demonstrava o desafio que surgiria com o
aperfeiçoamento das tecnologias da informação e a educação dos usuários frente às suas
necessidades. Caberia, então, às bibliotecas, o papel de conduzi-los por meio de habilidades que os
capacitariam para a “localização, seleção, acesso e utilização da informação”. A pesquisadora já
havia salientado o cenário que se delinearia a partir daquele momento.
No entanto as bibliotecas nem sempre têm cumprido eficientemente este seu papel. Elas
vivem hoje um momento especial, há uma pressão constante para que melhorem a
qualidade dos serviços prestados aos seus usuários, particularmente no momento em que se
observa uma mudança paradigmática em Ciência da Informação e Biblioteconomia, de uma
abordagem centrada em sistemas para uma abordagem centrada no usuário, e quando a
explosão dos recursos e fontes de informação, especialmente as eletrônicas, é esmagadora.
No Brasil, particularmente nas últimas duas décadas, recursos financeiros e humanos das
bibliotecas parecem ter sido primordialmente canalizados para a informatização, como
consequência alguns serviços foram penalizados, dentre eles destacam-se aqueles
relacionados ao atendimento do público, e em particular a educação de usuários. É
impossível discordar do empenho colocado em dominar e aplicar as tecnologias dos
computadores e das telecomunicações nas bibliotecas, pelo contrário, pode-se observar que
muito ainda deve ser realizado neste sentido. No entanto é preciso lembrar que bibliotecas
são instituições provedoras de serviços e todo e qualquer aplicação de tecnologia tem um
único objetivo: oferecer mais e melhores serviços aos usuários. A integração da tecnologia
da informação e educação de usuários, por exemplo, pode oferecer serviços que são
verdadeiramente centrados no usuário (CAREGNATO, 2000, p. 48).

A autora chama a atenção nesse parágrafo destacado quanto à prioridade que muitas
bibliotecas brasileiras passaram a ter com o aperfeiçoamento da informatização das unidades de
informação. No entanto, todo esse cuidado relegou o atendimento de usuários para segundo plano.
Isso postergou a educação do usuário, ou seja, houve uma preocupação acentuada com os
instrumentos e enfoque aquém do esperado com as pessoas que iam até os locais em busca de
informação.
Aproveitando que a abordagem sobre o letramento informacional estava começando a ser
delineado no Brasil, Caregnato (2000) apresentou algumas variantes que faziam referência à prática
da educação de usuários e suas respectivas competências. A pesquisadora comparou, então, as

�108

formas utilizadas ou discutidas por outros estudiosos da Ciência da Informação. O trabalho dos
bibliotecários em induzir os usuários a uma prática satisfatória diante dos conteúdos informacionais
recebeu algumas denominações, contestadas ao longo do tempo. Caregnato (2000) pontua que as
expressões “treinamento de usuários”, “instrução bibliográfica”, “educação de usuários” e
“desenvolvimento de habilidades” foram usadas de uma “forma quase indiscriminada” a fim de
designar tal prática. A utilização de tais termos evidenciava a evolução da compreensão dos teóricos
sobre “os fenômenos associados ao ensino/aprendizado e à informação”.
O estudo de Caregnato representa o pontapé inicial da discussão sobre o letramento
informacional no Brasil. É importante ressaltar que sua contribuição para a Ciência da Informação
abriu precedentes para que outras abordagens fossem realizadas ainda de forma mais ampla, uma
vez que a análise feita por Caregnato encontrou nas bibliotecas universitárias o objeto de estudo
para sua observação.
Diante da necessidade de abrir o leque sobre o letramento informacional, Gasque e
Tescarolo (2010) discutiram a viabilidade e o impacto que tal prática poderia trazer aos estudantes
do ensino básico. Para isso, os autores procuraram reforçar a ideia de que o conhecimento e o
acesso à informação são elementos essenciais para o aprendizado. Os estudiosos utilizaram a análise
de pesquisas realizadas pelo comitê de Desenvolvimento da Ciência e Aprendizagem, cuja
descoberta de três fatores acrescenta importantes pontos no ensino, a saber: conhecimentos prévios
e experiências, conhecimentos factuais e o processo metacognitivo.
A primeira dessas descobertas considera que o conhecimento só é de fato entendido como
tal quando processado a partir de um conhecimento prévio. Dessa forma, a informação
representa um elemento exógeno a ser transformado em conhecimento mediante a
interpretação e a compreensão de cada pessoa. O conhecimento, mesmo reconhecido como
experiência subjetiva, pessoal e intransferível, pode ser exteriorizado como informação para
outro ser humano por meio de símbolos, indícios, sinais, imagens, fala ou escrita. A
informação, incorporada pela aprendizagem, transforma-se em conhecimento que, portanto,
não se reduz ao resultado da experiência direta e imediata do sujeito sobre a realidade
(GASQUE; TESCAROLO, 2004), nem “a uma fórmula matemática ou à instrução para
computador: é arte, conselho, tecnologia, teoria e a motivação que está por trás de toda a
comunicação” (WURMAN, 1991, p. 361). A segunda descoberta refere-se a uma base
sólida de conhecimento factual, em que as relações entre fatos e ideias devem estar bemestruturadas e organizadas, de modo a facilitar a recuperação e aplicação. O planejamento
de tarefas, a percepção de padrões e a capacidade de gerar argumentos e explicações
razoáveis estão mais relacionados ao conhecimento factual do que se acreditava. As pessoas
devem assumir o controle da própria aprendizagem, identificando quando entendem e
precisam de mais informações, uma vez que a “compreensão profunda do assunto
transforma a informação factual em conhecimento utilizável” (BRANSFORD; BROWN;
COCKING, 2007, p. 35). A terceira descoberta reporta-se ao processo de metacognição,
capacidade catalisadora de um conjunto de atividades fundamentais para a aprendizagem,
principalmente a escolar. A metacognição corresponde à competência humana de antevisão
do próprio desempenho nas tarefas cognitivas, possibilitando o monitoramento do método
que se utiliza para se solucionar uma situação-problema ou do nível imediato de
compreensão e de domínio das mais diversas atividades cognitivas. Destaca-se que essa
competência de “identificar os limites do conhecimento que se tem no momento, e então
tomar providências para remediar a situação, é muito importante para aprendizes de todas

�109
as idades” (BRANSFORD; BROWN; COCKING, 2007, p. 74) (GASQUE; TESCAROLO,
2010, p. 49-50).

De acordo com Gasque e Tescarolo (2010), tais descobertas mostram a necessidade do aluno
do ensino básico frente ao aumento considerável da informação. Eles chamam a atenção para o
protagonismo que os estudantes devem ter, a fim de que adquiram estratégias, cuja importância se
dará na forma de seleção de “informações relevantes para torná-las significativas”. Em outras
palavras, é como se as pessoas relacionassem novas informações com o que já faz parte de seu
conhecimento e, a partir disso, fazer uma associação entre elas. Sendo assim, Gasque e Tescarolo
(2010) enfatizam que “quanto mais relações entre as informações o aluno consegue estabelecer,
menos mecânica se torna sua aprendizagem”. A importância do letramento informacional está
justamente nesse quesito, ou seja, ele é importante, a partir do momento em que se têm as
estratégias adequadas para lidar com algum conteúdo de forma satisfatória.
A presença do bibliotecário torna-se imprescindível durante esse processo. Campello (2009,
p. 19) pondera que as funções dos profissionais estão ligadas às práticas de democratizar o acesso
das pessoas à informação; além de tornar os usuários capacitados para o uso crítico dos bens
informacionais, promover condições que permitam a reflexão e a construção de ideias por meio da
leitura. A biblioteca escolar, por sua vez, exerce um papel de suma importância devido ao espaço
adequado para o desenvolvimento do letramento informacional (CAMPELLO, 2009, p. 19).
Embora seja inevitável relativizar a situação das bibliotecas escolares, em função das
múltiplas realidades vivenciadas pelas unidades de informação, algo que não pode passar
despercebido é o exercício da pesquisa escolar como a oportunidade dos bibliotecários para induzir
os alunos aos caminhos do letramento informacional. De acordo com Campello (2009, p. 19), a
pesquisa escolar funciona como uma estratégia didática inerente ao bibliotecário, uma vez que o
aluno pratica essa busca no ambiente da biblioteca. No entanto, evidencia-se uma necessidade de
aperfeiçoamento, tendo em vista que nem todos os usuários alcançavam de fato o que era desejado,
ou seja, recebiam condições para ter acesso à informação necessária. Os motivos levantados pela
pesquisadora foram variados, ora passando pela estrutura pedagógica da escola ora pela incoerência
de alguns professores que nem sequer liam os trabalhos realizados pelos alunos. Além disso, a
pouca motivação dos estudantes também influenciava muito na busca pela informação adequada. O
quesito estrutura também foi trazido para o cerne da discussão. Campello (2009, p. 21) enfatiza que:
Estudo feito em uma biblioteca pública (MARTUCCI, 1997), para investigar o processo de
busca e uso da informação por alunos dos ensinos fundamental e médio que iam à
biblioteca para cumprir tarefas de pesquisa solicitadas por seus professores, confirmou as
fragilidades do processo, ao verificar que o atendimento era feito de forma rápida, para que
o funcionário pudesse atender ao próximo usuário que aguardava sua vez. O aluno ‘recebe
o que lhe é dado e copia mecanicamente. Educar-se, pesquisando, significa copiar um
trecho curto, de um livro didático que lhe foi entregue, exatamente nas páginas indicadas, o

�110
mais rapidamente possível, para logo cumprir sua obrigação escolar’ (MARTUCCI, 1997,
p. 186).

Torna-se urgente o fato de o exercício de letramento informacional não depender somente
dos bibliotecários, mas de uma articulação a ser desenvolvida no espaço pedagógico. Sendo assim,
Campello (2009, p. 22) reitera que tal prática precisa ser pensada como uma atitude coletiva. A
implantação de programas voltados para o letramento informacional nas instituições escolares exige
a participação não apenas dos bibliotecários. A responsabilidade por tal processo também deve ser
atribuída à comunidade escolar com um todo (GASQUE; TESCAROLO, 2007 apud CAMPELLO,
2009, p. 22).
O estudo de Campello (2009) evidencia outras observações realizadas por Gasque e
Tescarolo, cujas análises lançaram luz sobre os desafios prementes e intrínsecos ao letramento
informacional no contexto da biblioteca escolar. A pesquisadora reitera as impressões obtidas por
Gasque e Tescarolo (2010) no que diz respeito aos percalços encontrados na busca pela informação.
Segundo Gasque e Tescarolo (2007 apud CAMPELLO, 2009, p. 22), a partir do momento em que o
desempenho de atividades voltado para a “pesquisa requer a aprendizagem de competências de
busca e uso de informação, os autores ampliaram o entendimento da questão” ao evidenciar os
seguintes desafios: “a dificuldade em mudar a cultura pedagógica, a formação inadequada dos
professores, a concepção de ensino-aprendizagem, a organização do currículo, a ausência de
infraestrutura adequada de informação”.
Dentro do ambiente escolar, o letramento informacional encontra seus desafios, mas a
articulação entre bibliotecários e profissionais da educação pode ser aprimorada cada vez mais.
Campello (2009, p. 28) pondera que a função pedagógica atribuída ao bibliotecário se desenvolveu
ao longo do tempo em um caminho fortalecido por atividades “implementadas em bibliotecas, como
por pesquisas acadêmicas, que possibilitaram a constituição de um aparato teórico/conceitual que
tem sustentado essas práticas”, reforçando o importante papel educacional da classe bibliotecária na
democratização da informação aos seus usuários.
Gasque (2012, p. 152) reforça que, para o letramento informacional ocorrer de maneira
reflexiva e significativa ao usuário, é preciso a presença de uma equipe multidisciplinar para fazer
valer a sua principal função: levar a informação às pessoas de uma maneira que seja propiciada
estratégias para sua utilização satisfatória. Gasque (2012, p. 152) especifica o papel dos envolvidos
nessa prática:
O professor em sala de aula deve implementar projetos conciliando a aprendizagem sobre o
conteúdo a ser pesquisado, por exemplo, ‘corpo humano’, ‘educação no Brasil’, ‘doença de
chagas’, e a aprendizagem dos conteúdos necessários à pesquisa. Exemplos desses
conteúdos são: ‘compreensão da organização da biblioteca’, ‘busca em bancos de dados’,
‘resumos’, ‘esquemas’, ‘estruturação da pesquisa de acordo com as normas da ABNT’,

�111
dentre outros. Por sua vez, o bibliotecário deve atuar inicialmente na formação do corpo
docente da instituição, orientando sobre os conteúdos necessários para realização da
pesquisa. Além da formação dos professores, os bibliotecários devem colaborar com os
projetos educacionais que ocorrem nos vários espaços de aprendizagem (sala de aula, laboratórios, biblioteca). Isso requer disseminar informação, promover palestras, oficinas. Cabe
à direção educacional e coordenadores propiciar e organizar a formação dos profissionais,
orientar e monitorar os processos pedagógicos, bem como propiciar uma abordagem
pedagógica centrada na resolução de problemas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nota-se uma preocupação iminente em relação aos mecanismos adotados para a prática do
letramento informacional. Reforça-se, a necessidade de conscientização dos bibliotecários em
relação à importância de seu papel na democratização da informação aos usuários. As pesquisas
evidenciam isso e abrem caminhos para novas abordagens, sejam elas realizadas em bibliotecas
universitárias, escolares, especializadas ou especiais.
Bibliotecas são locais ideais para a difusão do conhecimento. Quando dotados de
profissionais empenhados na divulgação dos conteúdos, esses redutos podem modificar a vida de
uma comunidade inteira. Em meio a tantos livros, materiais multimídias, periódicos, cartografias,
entre outros, é importante que se conte com a presença de pessoas que conheçam os meandros da
Biblioteconomia para autenticar a busca pela informação.
Os bibliotecários estão longe de exercer somente suas funções inerentes ao processo técnico,
tão importante para a organização da informação nos mais variados acervos. Todos eles também
atuam na mediação. A divulgação dos conteúdos aos leitores/usuários deve ser pensada de forma a
atingir sua excelência.
Isso significa que as pessoas necessitadas de informação precisam recebê-la de maneira
integral e sem ruídos, ou seja, livre de impedimentos, possibilitando a transformação de suas vidas.
Sendo assim, o profissional de Biblioteconomia tem a premissa social e educacional de utilizar as
estratégicas inerentes ao letramento informacional para democratizar o acesso à informação a todas
as pessoas, independente da cor, da crença, da orientação sexual, do gênero, da origem e da classe
social. Informação é um bem público e todos devem ter o direito de desfrutá-la com eficiência.

REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete Santos. Letramento informacional no Brasil: práticas educativas de
bibliotecários em escolas de ensino básico. 2009. 207f. Tese (Doutorado) – Programa de PósGraduação em Ciência da Informação, Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de

�112

Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. Disponível
em:&lt;http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/ECID-7UUPJY&gt;. Acesso em: 18
nov. 2018.
CAREGNATO, Sônia Elisa. O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das
bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede. Revista de Biblioteconomia e
Comunicação &amp; Comunicação, Porto Alegre, v. 8, 2000. Disponível
em:&lt;https://core.ac.uk/download/pdf/11883861.pdf&gt;. Acesso em: 17 nov. 2018.
GASQUE, K. C. G. D. Letramento informacional: pesquisa, reflexão e aprendizagem. Brasília:
Universidade de Brasília, 2012.
GASQUE, K.C.G.D; TESCAROLO, R. Desafios para implementar o letramento informacional na
educação básica. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, 2010. Disponível
em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010246982010000100003&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 18 nov. 2018.

�113

CAPÍTULO VIII
LEITURA COMO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO ENTRE A SUBJETIVIDADE DO
LEITOR E O CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO

Flávia Ferreira Abreu

1 INTRODUÇÃO

Muito se tem falado, pesquisado e publicado sobre o acesso à informação, sendo a leitura
uma das formas mais propícias de possibilitar esse direito. Um dos desafios desse processo é tornar
o leitor criativo e reflexivo, capacitado a agir com autonomia na sociedade. O leitor deve ser
compreendido como sujeito independente, que faz leituras diversas do texto, seja escrito ou oral, a
partir de seu contexto social, com liberdade de criar as próprias interpretações para os signos com
os quais interage. Mesmo com essa autonomia, a presença do mediador literário se faz necessária,
visto que ele auxilia na formação do leitor.
Para que possa mediar a leitura, o profissional que faz a mediação precisa ter conhecimento
de seu leitor e da literatura, visto que a capacidade de ler envolve todo o processo de saber do
mundo. Em face disso, Freire (1989, p. 11) sinaliza que a “leitura do mundo antecede a das
palavras. Desde o nascimento interagimos com elos culturais que nos proporcionam a construção da
nossa identidade individual e coletiva”.
A identidade coletiva pode ser entendida como “questão de saber quão profundas e
essenciais para a formação do indivíduo são as pressões e influências exercidas por essa sociedade
externa” (ELIAS, 1994, p. 34). Essa relação exercida entre os indivíduos e o mundo permite que
eles se conheçam e a partir das semelhanças e compartilhamentos, sintam-se pertencentes a um
grupo homogêneo, o que caracteriza a cultura coletiva. Já a identidade individual é um projeto de
caracteres próprios e exclusivos que vai sendo construído pelo desenvolvimento do indivíduo, que
lhe permite diferenciar dos demais.
A história da leitura é similar a outras práticas culturais humanas, pois a constituição dela
está relacionada ao contexto histórico que cada leitor se inseriu ao interpretar as variadas tipologias
textuais. Para Silveira e Moura (2007, p. 124), “toda prática de leitura se desenvolve e adquire
sentido a partir de um determinado contexto histórico e espaço temporal, conjugado com a

�114

subjetividade e anseios específicos de cada leitor”. Dessa forma, a leitura pode ser visualizada a
partir de diversos olhares que permitirão uma visão múltipla dos significados das informações.
A leitura permite que os leitores rompam barreiras e possam construir uma viagem pelo
contexto cultural que os unem à sociedade. Na crença de que a leitura se desenvolve a partir das
interpretações dos sujeitos históricos inseridos em um contexto social e temporal, a estética da
recepção se “constitui como um dos esforços mais originais sobre a questão da leitura” (SILVEIRA;
MOURA, 2007, p. 124).
A estética da recepção visa explicar que ao tratar de obras textuais, inacabadas e abertas a
inúmeros olhares interpretativos, a interpretação literária se interage entre o horizonte de
expectativas dos autores e as possíveis significações por seus leitores. Esse conceito “atribui a
leitura um efeito emancipatório que libera o leitor da busca por uma única e perfeita interpretação”
(SILVEIRA; MOURA, 2007, p. 125). Nesse sentido, leitor expõe sua visão interpretativa como
leitor, considerando seu conhecimento prévio, suas crenças, valores e contexto de vida.
Para a Ciência da Informação, a estética da recepção amplia o campo teórico de investigação
da leitura do bibliotecário a partir da especificidade de sua prática leitora, com vistas a uma
intervenção mediadora “[...] entre os signos informacionais presentes nos vários acervos com que
lida, e os inúmeros usuários que os acessa” (SILVEIRA; MOURA, 2007, p. 125). O bibliotecário
mediador está sujeito às interpretações do mundo que o permeia; logo, não busca registrar o original
dos acervos, mas permitir acesso, por meio de representações dos assuntos das obras inseridas na
unidade de informação.
Compreendendo a leitura como prática cultural que se desenvolve a partir da interação entre
a subjetividade de cada leitor e seu contexto social, busca-se analisar como a intertextualidade pode
auxiliar a mediação literária pelo bibliotecário, por meio de bases teóricas da leitura, formação do
leitor e o papel do bibliotecário como mediador social.

2 LEITURA E SEUS CONCEITOS

A leitura é um processo de aprendizado que permite ao indivíduo, à medida que acessa a
informação, conhecer seus direitos e deveres. Dessa forma, cria-se um olhar com uma dimensão
mais reflexiva da vida social, o que promove o exercício da cidadania. A leitura reflexiva será o
diferencial na compreensão do texto, proporcionando ao leitor as possíveis interpretações. Isso é
possível mediante às perspectivas do leitor, geradas por meio de seu conhecimento, o que distingue
a competência interpretativa entre os outros leitores.

�115

Portanto, a leitura manifesta-se como um direito de todos os cidadãos, os quais poderão
ampliar os horizontes críticos e culturais a respeito da vida em sociedade. Nesse sentido, as pessoas
poderiam desenvolver de forma mais efetiva o senso crítico e conquistariam decisões mais
assertivas em seu convívio social. Para Bobbio (2004, p. 17), em relação aos direitos, mesmo eles
estando expressos em princípios, políticas, convenções, dentre outras manifestações nacionais ou
internacionais, é necessário saber qual é “o modo mais seguro para garanti-los, para impedir que
apesar das solenes declarações, eles sejam continuamente violados”.
No que condiz à leitura no Brasil, acredita-se que o acesso a ela está engatilhando. Com
efeito, vale destacar a importância do acesso à informação e a relação desse acesso com a leitura.
Assim,
[...] criação de estruturas e o estímulo ao acesso e uso da informação tornam premente a
capacitação dos sujeitos para acesso aos códigos encerrados pela informação. Em um país
que detém baixos índices em desempenho de leitura e escrita é impraticável que os
cidadãos exerçam seus direitos sociais e políticos, que podem ser viabilizados a partir da
informação, caso não se invista de forma simultânea nos processos educacionais e de
acesso aos códigos da leitura (MARTINS; REIS, 2014, p. 169).

Seguindo essa linha de pensamento, é indispensável que a educação seja mais igualitária a
toda sociedade, de modo que as instituições educacionais tenham estruturas adequadas para o
desenvolvimento pessoal, profissional e social do sujeito. Portanto, é imprescindível que as escolas
tenham bibliotecas, para garantir o acesso à informação e à leitura, equipadas com profissionais
capacitados para que possam orientar os usuários. O papel do bibliotecário vai além da simples
indicação de um livro, mas no sentido da compreensão de ações políticas e interventivas, por meio
de uma leitura crítica da realidade.
Essa ação política, para Martins e Reis (2014, p. 169),
é o caminho fecundo para que os efeitos nocivos do capitalismo e da globalização sejam
minimizados, novos regimes de força se estabeleçam na luta pelo poder e, sobretudo, para
que o exercício dos direitos ou da coletividade decorra, enfim, do seu reconhecimento
necessário como condição de liberdade.

A sociedade, mediante visão e conhecimento críticos da política do país, possibilitados pela
leitura reflexiva e análise críticas do sistema social, terá condições mais efetivas de decidir sobre as
questões da nação, visto que é um direito de todos acessarem as informações públicas do Estado e
contribuírem com o desenvolvimento da nação.
Lajolo (1982, p. 59) concorda com a relação da leitura com o desenvolvimento da
criticidade do sujeito e conceitua o ato de ler como,
uma atividade que está muito além da decifração de signos linguísticos: Ler não é decifrar,
como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de
atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para

�116
cada um reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria
vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista.

Consoante a essa citação, a leitura não pode ser entendida como decifração, visto que o
leitor não se satisfaz com a superficialidade do texto, mas imerge nas acepções mais profundas dele.
Na condição de sujeito, ele não deve se contentar apenas com uma leitura única; pelo contrário,
deve levantar diversas possibilidades de análise sobre a intenção de quem escreveu o texto e ter
perspicácia suficiente para descobrir o sentido e atribuir-lhe valor (NASCIMENTO, 2014). A
capacidade de o leitor relacionar os textos permite uma leitura intertextual que possibilita a abertura
para novas leituras que se entrelaçam, de forma não linear, mas contextualizada. Assim, o leitor
manifesta-se como agente que, mediante a leitura crítica, é autônomo em tomar decisões, a partir do
que está expresso em um texto.
O ato de ler é altamente dependente da competência do leitor porque essa competência lhe
faculta a possibilidade de realizar suas inferências textuais e intertextuais. Tais inferências
dão condições a ele para que seja autônomo diante das ideias do texto e, frente a isso,
possa aceitar ou rejeitar as intenções do seu autor. Portanto, a leitura, por essa ótica, está
subordinada ao grau de conhecimento do leitor e também à sua capacidade de interpretar e
de inter-relacionar as ideias dos textos (NASCIMENTO, 2014, p. 28, grifo nosso).

Matêncio (1994, p. 42) também segue a linha análoga defendida por Nascimento (2014),
enfatizando acerca da postura ativa e interventiva do leitor, o qual possui conhecimentos prévios,
capazes de contextualizar e atribuir outros sentidos ao texto materializado em um suporte.
[...] A leitura, assim como a escrita, é uma atividade realizada de forma visual, por
movimento de globos oculares. Ao longo desse processo, os olhos não se fixam em cada
uma das palavras, como fariam pressupor as atividades de leitura na escola, mas identificam
um conjunto de palavras. Por outro lado, o leitor não é passivo frente ao texto, mesmo
que a escola o oriente nessa conduta: os sentidos que ele estabelece na leitura são
vinculados aos seus conhecimentos da atividade, da estrutura textual e de mundo; ao
longo desse processo ele cria, confirma ou rebate suas hipóteses acerca do que ali lhe é
exposto (MATÊNCIO, 1994, p. 42, grifo nosso).

Barroso (2006, p. 55) descreve a leitura, em sentido lato, com essas palavras:
[...] é, portanto, um processo de vivência, de observação, de relação e de aprendizagem
realizado pelo interesse do leitor. Assim a leitura é determinada por elementos internos ou
subjetivos e por elementos externos ou objetivos. Ou seja, há que se considerar, nesse
processo, tanto os lados sensitivos e sensoriais-emotivos do indivíduo, quanto as questões
externas a ele, isto é, os estímulos dos meios sociais, culturais e políticos do contexto no
qual está inserido.

Sob uma perspectiva institucional, abordamos o conceito de leitura expresso nos Parâmetros
Curriculares Nacionais, em que a leitura caracteriza-se como
[...] o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do
texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de
tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando
letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de

�117
seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o
uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar
decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos,
validar no texto suposições feitas (BRASIL, 1998, p. 69-70).

A partir desses fundamentos teóricos e com base na experiência profissional da autora deste
texto, considera-se a leitura como uma forma do leitor compreender o texto a partir de seu
conhecimento interno e sua relação com o saber que vem adquirindo a partir das diversas leituras
que faz da realidade em que está inserido.

3 LEITURA E LEITOR

Para compreender o escrito, o leitor depende de seus conhecimentos de mundo e de escrita
para decodificar os signos e dar sentido ao que lê. Essa interação da grafia com a leitura do mundo
possibilita a comunicação com o universo intimamente relacionado, seja com a escrita, pintura,
gravura e escultura ou qualquer outro signo que permita a interpretação variada, fruto da
subjetividade do leitor e do contexto histórico cultural em que o signo se originou.
Nessa seara, Antunes (2003, p. 70) acredita que
a atividade da leitura favorece, num primeiro plano, a ampliação dos repertórios de
informação do leitor. Na verdade, por ela, o leitor pode incorporar novas ideias, novos
conceitos, novos dados, novas e diferentes informações acerca das coisas, das pessoas, dos
acontecimentos, do mundo em geral.

O sentido da leitura é uma miscelânea dos novos conhecimentos advindos do texto, dos
saberes iniciais que o leitor já possui em relação ao objeto de que trata o texto. Assim, confirma
Antunes (2003, p. 78) “que não se pode ver no texto o que lá não está nem se pode ver apenas o que
lá está sobre a página. A leitura tem, assim, a dinâmica de qualquer outro encontro: seu sentido é de
agora e é de antes”.
Trata-se, portanto, de uma interação entre o sujeito que lê e o quê o texto lhe proporciona de
novo. À medida que o leitor for penetrando no texto, seus conhecimentos prévios serão
pressupostos básicos para que o sujeito tenha o domínio daquilo que lê. “Ao mergulhar na leitura,
aparece à necessidade de recorrer ao seu repertório intelectual para auxiliá-lo a compreender a
mensagem. É como se andasse para frente, mas, simultaneamente, a voltar seu olhar para trás”
(NASCIMENTO, 2014, p.31).
Souza e Gamba Junior (2002) consideram o encontro entre a leitura e o leitor como algo
mágico; o êxtase do processo de leitura está nessa interação, pois a leitura não é um ato solitário,

�118

mas a interação com as muitas vozes que ecoam no texto de um escritor e que só terão oportunidade
de se manifestar pela colisão marcada entre o leitor e o texto.
A leitura é comunhão, é o momento em que o indivíduo isolado tem a possibilidade de
reconhecer a sua inserção particular na história de uma época. Com base na narrativa de outrem, a
própria identidade do leitor se restabelece. Ler é um modo de viajar e deixar-se impregnar pela
névoa do desconhecido. O desafio maior que enfrentamos, hoje, é preservar a dimensão mágica da
leitura no contexto da utilização da tecnologia. Porém, esse novo modo de leitura instrumental
precisa partilhar com a leitura mágica a possibilidade de submeter-se ao tempo do leitor, a garantia
da atividade crítica, dando uma nova permanência histórica e cultural às narrativas que se
constituem e se renovam na grande temporalidade. O uso da tecnologia nos ambientes de estudos
proporciona o diálogo entre as ferramentas da construção do saber, gerando novas fontes de acesso
à aprendizagem (SOUZA; GAMBA JUNIOR, 2002).
O repertório intelectual conta muito, pois a diversidade de leituras está subordinada ao poder
de interpretação juntamente aos conhecimentos acumulados do leitor, que são decisivos para a
pluralidade de sentidos. Nesse aspecto, “um mesmo texto pode ser lido distintamente por leitores de
graus de conhecimentos diferentes e, de acordo com o ponto de vista de cada um, podem chegar a
conclusões diferentes” (NASCIMENTO, 2014, p. 33).
Todavia, deve-se ter ciência que o texto, mesmo oferecendo uma gama de probabilidades de
leitura, não pode ser lido arbitrariamente, de qualquer maneira, já que o sentido não está apenas no
leitor, nem no texto, mas na interação autor-texto-leitor, cabendo ao mediador literário e ao leitor
traçarem caminhos possíveis de interpretação baseados no texto. Por isso, “é de fundamental
importância que o leitor considere na e para a produção de sentido as sinalizações do texto, além
dos conhecimentos que possui” (KOCH, 2008, p. 217).
Zilberman (1988, p. 146), em face do comentário abaixo, destaca a importância da leitura
literária.
Que a leitura é importante, todos sabemos: a leitura ajuda o indivíduo a se posicionar no
mundo, a compreender a si mesmo e à sua circunstância, a ter suas próprias ideias. Mas a
leitura da literatura é ainda mais importante: ela colabora para o fortalecimento do
imaginário de uma pessoa, e é com a imaginação que solucionamos problemas. Com efeito,
resolvem-se dificuldades quando recorremos à criatividade, que, aliada à inteligência,
oferece alternativas de ação.

Faulstich (2008, p. 23) esclarece o que se deve considerar para que haja o entendimento de
um texto: “Entender um texto é compreender claramente as ideias expressas pelo autor para, então,
interpretar e extrapolar essas ideias”. Nesse momento, o sujeito deve ajustar as informações
contidas no contexto em análise às que ele possui em seu arquivo de conhecimento, baseado em
suas observações, experiências e vivências.

�119

4 FORMAÇÃO DO LEITOR

A proposta principal para formar o leitor é inserir a prática da leitura pela leitura. A partir
dessa prática, é possível viabilizar a formação e transformação de um leitor consciente e capaz de
dialogar com o texto, já que ambos são indissociáveis. O mediador literário pode se valer da
intertextualidade para auxiliar o leitor na busca pela leitura que procura, possibilitando, até mesmo,
a participação desse sujeito, mediante sua capacitação e aquisição de conhecimentos, na gestão da
sociedade, à medida que esse leitor passar a compreender melhor as questões políticas.
Azeredo (2007, p. 25- 26), assim, explica o conceito de intertextualidade.
Nenhum texto veicula informações cem por cento inéditas, assim como nenhum texto é
cem por cento novo no formato, ou gênero pelo qual essas informações são veiculadas.
Qualquer texto lembra, retoma ou evoca, implícita ou explicitamente, outro texto ou parte
de algum texto. A essa propriedade, que é também uma espécie de conhecimento
compartilhado – só que numa dimensão social e histórica -, chamamos intertextualidade,
um importante suporte de coerência.

O texto é uma espécie de ponte lançada entre conexões de saberes que permite ao leitor
visualizar sentidos que estão interligados a outros textos. O mediador, ao conhecer seu leitor,
poderá utilizar dessa relação textual para direcionar o leitor a novas possibilidades de leitura. O bom
leitor deve ter domínio da leitura, condição de convivência do indivíduo na sociedade.
Para Paulino et al. (2001, p. 35), “desde o momento em que aprendemos a ler, entramos no
mundo da escrita e subordinamo-nos às suas leis, reforçando nossa condição social, marcada pela
aquisição da linguagem”. Não é sem razão que estudiosos mostram que a escrita liga-se ao controle,
às leis sociais. Se sei ler, estou pronto para conhecer a lei, não podendo mais desrespeitá-la
impunemente. Por outro lado, estou pronto também para me deixar seduzir pelo texto e pelos
mundos que ele configura. Assim, a sedução e repressão se instalam no próprio processo de
alfabetização e letramento, por meio da capacidade de análise crítica da realidade social, na qual o
leitor está inserido e sujeito a transformar esse meio, por meio do seu poder de decisão de forma
mais consciente.
Portanto, formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que
possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que
estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem
ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de
elementos discursivos que comprovem sua interpretação e compreensão do texto (PAULINO et al.,
2001).
Os autores citados apresentam as características do leitor ideal, fundamentadas numa
concepção de leitura interativa.

�120

Importa perguntar, pois, qual o papel do bibliotecário na formação do leitor. Não o leitor
obediente, que preenche devidamente fichas de livros ou reproduz com propriedade
enunciados textuais. Mas o leitor que, instigado pelo que lê, produz sentido, dialoga com o
texto, com os intertextos e com o contexto, ativando sua biblioteca interna, jamais em
repouso. Um leitor que, paradoxalmente, é capaz de se safar até mesmo das camisas-deforça impostas pela escola e pela sociedade, na medida em que produz sentidos que fogem
ao controle inerente à leitura e à sua metodologia (PAULINO et al., 2001, p. 29).

Destarte, é de suma importância formar leitor capaz de criar sua própria análise, com o uso
do conhecimento do meio social em que vive, mediante uma visão crítica da sociedade e justamente
por ser um processo complexo que a formação de leitores se torna um bem inestimável para o
bibliotecário, pois o domínio da leitura e da informação pode significar libertação e participação
social do indivíduo na sociedade.

5 PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO COMO MEDIADOR SOCIAL

O bibliotecário mediador tem um papel social fundamental na formação do leitor crítico, ao
interpretar os conteúdos informacionais que se encontram sistematizados nos acervos das unidades
de informação, na tentativa de tornar mais acessíveis ao usuário as informações que demanda. Esse
profissional torna-se ouvinte do leitor e passa a conhecê-lo melhor, o que possibilita um trabalho
mais efetivo de mediação da leitura, não só pela literatura de ficção, mas pela leitura da sociedade.
Embasado em Soares (2009), assim como os desdobramentos de letramento literário e
letramento visual ajudam-nos a estabelecer estratégias de orientação de leitura, a atuação
bibliotecária se manifesta entre o sujeito que busca e o que pode ser encontrado no acervo, que
atenda as necessidades. Na perspectiva do letramento, observa-se o sujeito que aprendeu a não
apenas ler e escrever, mas adquiriu capacidade em utilizar-se da leitura e da escrita para interagir
criticamente com o seu meio social.
Ampliando esse raciocínio, entendemos que o acesso à leitura literária de qualidade leva o
indivíduo ainda mais longe: permite-lhe conhecer a si mesmo e ao universo do qual faz parte,
sendo, pois, um processo decisivo para o enriquecimento social, afetivo, ético e estético do leitor.
Em outras palavras, à literatura, como a qualquer forma de arte, cabe um papel potencialmente
humanizador do sujeito leitor.
O Projeto Clube da Leitura, desenvolvido em uma escola de Ensino Fundamental e Médio,
em que a autora deste artigo participou, vai ao encontro do pensamento de Soares (2009). O Clube
da Leitura com o objetivo de compartilhar e incentivar leituras percebeu o interesse dos leitores em
se tornar escritores. Para as mediadoras do projeto, essa não era a pretensão, porém, “a intimidade

�121

da escrita trouxe essa grata surpresa” (ABREU; BATISTA; OLIVEIRA, 2014, p. 12). Por
conseguinte, algum tempo depois, o projeto teve um livro publicado em 2014, e mais um em
processo de edição.
Esse projeto se norteia em fundamentos teóricos buscados no campo atual da Sociologia da
Leitura, que procura entender o desenvolvimento do gosto e da prática da leitura junto a crianças e
jovens numa perspectiva centrada no sujeito interessado, a partir do conhecimento e do respeito ao
seu contexto social pelo agente da leitura. Alguns membros do projeto retratam também, por meio
de teatro, suas concepções de vida e resposta ao estilo social a que estão inseridos, como pode ser
observado no Musical Entrilhas do Grupo Formigueiros, cujos próprios atores escreveram e
contracenaram episódios que demonstram a visão crítica deles acerca da sociedade em que vivem.
Refletindo com Orlandi (2012), ressalta-se qual seria a contribuição do bibliotecário nas
atividades de leitura: em relação às leituras previstas para um texto, a contribuição é modificar as
condições de produção de leituras do sujeito leitor, dando oportunidade a que ele construa sua
história de leituras. E, além disso, o leitor tem a possibilidade de estabelecer, quando necessário, as
relações intertextuais, resgatando a história dos sentidos do texto, sem obstruir o curso da história
desses sentidos.
O bibliotecário, sujeito capaz de possibilitar a transformação social por meio da educação,
precisa buscar parcerias que auxiliem na formação do leitor. O envolvimento da família, haja vista
estimular o hábito da leitura, pode ser a base diferencial que facilitaria o gosto literário pelo sujeito
desde a infância. Essa parceria com a família dos leitores, certamente, está de acordo com os
argumentos de Souza (2009), para quem, o ambiente determina as ações que os sujeitos realizarão.
O ato de ler foi de tal forma se afastando da prática individual que a tarefa que hoje se
solicita de profissionais da leitura, como professores, bibliotecários e animadores culturais, é
exorcizar o risco da alienação, muito embora eles possam acabar constituindo elo a mais e
inevitável cadeia de mediação que se interpõe entre o leitor e o significado do texto.
O bibliotecário precisa difundir e divulgar a importância da biblioteca, como unidade de
preservação, que ativa o conhecimento, estimulando a leitura. A biblioteca não pode ser considerada
como apêndice de uma instituição educacional; ela é a própria escola, pois é nesse espaço
informacional que os usuários podem encontrar tudo aquilo que precisam para a formação
acadêmica e cidadã deles, mediante a pluralidade de leituras que podem realizar da vida e do
mundo.
A biblioteca possibilita acesso à leitura e às informações para dar respostas e suscitar
perguntas aos educandos, configurando-se numa instituição, cuja tarefa centra-se na formação não
só instrutiva, como também no apoio informacional ao pessoal docente para atender as necessidades

�122

educacionais e sociais. A biblioteca precisa ser entendida como um espaço demonstrativo em que
interajam usuários e informação. Esse espaço democrático pode ser circunscrito a duas funções: a
função educativa e a formação cultural do indivíduo.

6 REFLEXÕES FINAIS

A partir da revisão teórica, percebeu-se que a leitura do texto não tem um sentindo único,
mas contempla uma construção de entendimento que envolve o conhecimento prévio do leitor - com
base no espaço social-temporal a que está inserido - além das novas ideias que lhe são apresentadas
pelo texto. A teoria da estética da recepção vem confirmar as diversas possibilidades de leitura a
partir da interação do horizonte de expectativas dos autores e as possíveis significações por seus
leitores, deixando claro que a interpretação do texto vai além dos conhecimentos do texto e a
compreensão deve se ater às informações do texto.
A intertextualidade se apresenta como indispensável para a compreensão da leitura e
formação do leitor, na proporção que permeia sobre a leitura do mundo em constante comunicação
com outras leituras realizadas pelo sujeito leitor. Por meio da contextualização intertextual, o
mediador literário pode traçar novos caminhos para atender a demanda dos leitores e direcioná-los a
leituras que permitam uma visão mais crítica da sociedade.
O bibliotecário como mediador social pode utilizar todas as possibilidades que a biblioteca
oferece, haja vista garantir a formação de um sujeito crítico e consciente de seu papel transformador
da sociedade, o que possibilita o exercício da cidadania. Isso é alcançado pelo fato de a biblioteca
configurar-se como um lugar de múltiplas funções, tanto de guarda, preservação, organização e
disseminação do conhecimento de um povo.
Nesse ambiente, o leitor terá contato com o saber, o que lhe garante a formação cultural,
social e identitária, proporcionando um conhecimento da realidade sociocultural, de modo que seja
capaz de tomar decisões mais assertivas em sua vida. Ao bibliotecário cabe, ainda, tornar possível o
acesso de forma eficaz a esse leitor do mundo.
Para que esse processo de acesso à leitura e informação possa se concretizar, é necessário
que haja políticas efetivas e estruturadas, no sentido de preparar os profissionais a caracterizarem-se
como mediadores nos espaços e ambientes de acesso à leitura e informação. Como mediadores, a
orientação é de que os profissionais propiciem a formação de cidadãos capazes de exercer seus
direitos sociais e políticos de maneira consciente.

�123

REFERÊNCIAS

ABREU, Flávia Ferreira; BATISTA, Geisa Mara; OLIVEIRA, Mônica Luiza Lages de (Org.). Hoje
tem clube. Belo Horizonte: Ava Editora, 2014.
ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro &amp; interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
AZEREDO, José Carlos de. Ensino de Português: fundamentos, percursos, objetos. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
BARROSO, Maria Veralice. A leitura da literatura no contexto da globalização: uma reflexão
acerca do ensino crítico de literatura nas escolas públicas do Distrito Federal. 2006. 140 f.
Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) - Programa de Pós-Graduação em Literatura,
Universidade de Brasília, Brasília, 2006. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/handle/10482/2234&gt;. Acesso em: 10 dez. 2015.
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília: Secretaria de Educação
Fundamental, 1998.
ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
FAULSTICH, Enilde Leite de Jesus. Como ler, entender e redigir um texto. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 2008.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo:
Cortez; Autores Associados, 1989.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. As tramas do texto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
LAJOLO, Marisa. Usos e abusos da literatura na escola república velha: Bilac e a literatura
escolar na república velha. Porto Alegre: Globo, 1982.
MARTINS, Ana Amélia Lage; REIS, Alcenir Soares dos. A informação pública como direito e
acesso ao poder: a Lei 12.527/2011 em debate. In: MOURA, Maria Aparecida (Org.). A
construção social do acesso público à informação no Brasil: contexto, historicidade e
repercurssões. Belo Horizonte: UFMG, 2014. p. 153-172.
MATÊNCIO, Maria de Lurdes Meirelles. Leitura e Produção de Textos e a Escola: reflexão
sobre o processo de letramento. São Paulo: Autores Associados, 1994.
NASCIMENTO, José Carlos Alves do. A prática da leitura no ensino fundamental: uma
abordagem à luz das novas concepções do ensino de língua portuguesa. 2014. 115f. Dissertação
(Mestrado em Ciências da Educação) - Escola de Educação, Administração e Ciências Sociais,
Universidade Lusofona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2014.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e Literatura. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

�124

PAULINO, Graça et al. Tipos de texto, modos de leitura. 2. ed. Belo Horizonte: Formato
Editorial, 2001.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da; MOURA, Maria Aparecida. A Estética da recepção e as
práticas de leitura do bibliotecário-indexador. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 12, p. 123-135, 2007. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v12n1/09.pdf&gt;.
Acesso em: 17 dez. 2015.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: UFMG, 2009.
SOUZA, Solange Jobim e; GAMBA JUNIOR, Nilton. Novos suportes, antigos temores: tecnologia
e confronto de gerações nas práticas de leitura e escrita. Revista Brasileira de Educação, Rio de
Janeiro, n. 21, p. 104-114, set./dez. 2002. Disponível
em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141324782002000300009&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 28 dez. 2015.
ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1988.

�125

CAPÍTULO IX
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS:
CRIAÇÃO DO ESPAÇO DE LEITURA PARA O LAZER NO AMBIENTE
UNIVERSITÁRIO

Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Taciane Gomes Rodrigues

1 INTRODUÇÃO

A Biblioteca Universitária do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais (BU-SB/UFMG) caracteriza-se como um órgão suplementar dessa instituição responsável
tecnicamente pelo provimento de informações necessárias às atividades de ensino, pesquisa e
extensão da universidade, como também pela coordenação técnica dos recursos informacionais das
25 bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas.
Além da biblioteca universitária, esse sistema é composto por uma biblioteca em cada
unidade acadêmica da UFMG e pelas Bibliotecas do Centro Pedagógico e do Colégio Técnico
(Escolas de Educação Básica e Profissional).
Em linhas gerais, as bibliotecas proporcionam informações específicas relativas às diferentes
áreas do conhecimento, tendo em vista fornecer condições adequadas para o efetivo funcionamento
das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Embora a biblioteca universitária tenha um aspecto muito particular, visto que coloca-se a
serviço da universidade, sendo considerada por muitos pesquisadores como uma biblioteca
especializada, como mencionado por Accart (2012), há de se considerar que seus serviços podem ir
muito além da instância universitária, sobretudo quanto ao papel desempenhado pela universidade,
no que tange ao desenvolvimento da sociedade.
Nesse contexto, a partir de um momento de reflexão junto à equipe gestora da BUSB/UFMG, pensou-se na possibilidade em instituir um espaço físico que oferecesse acolhimento
para a comunidade externa da UFMG, especificamente, no que tange à oferta de materiais
informacionais e estrutura física para acomodação de leitores.
Assim, houve o desejo da criação de uma biblioteca não acadêmica, com características
interativas e dinâmicas, possuidora de acervo especializado, voltado para o lazer, ou seja, material

�126

lúdico, literatura e entretenimento, os quais seriam utilizados para fomentar a prática da leitura no
ambiente da Biblioteca.
O espaço foi organizado, de modo a contemplar um ambiente alegre, colorido e ao mesmo
tempo acolhedor. A ideia era que a comunidade universitária, nos horários vagos, como horário de
almoço, ou mesmo entre uma aula e outra, pudesse ter o prazer e convívio com uma leitura
diferenciada; logo, a biblioteca cumpriria as funções híbridas necessárias às bibliotecas da
contemporaneidade: funções educativas, informativas, recreativas e culturais, como dito por Santa
Anna (2018).
Além disso, a comunidade externa também poderia usufruir do espaço, com vistas a
estabelecer um vínculo mais aproximado da instituição com a comunidade, viabilizando, portanto, o
compromisso da extensão universitária, como proclamado por Ferreira (2012).
Assim, foi instituído o Espaço de Leitura no prédio da Biblioteca Central 11, cujo objetivo é
proporcionar a leitura de lazer para a comunidade acadêmica e também para o público externo. Esse
espaço foi inaugurado no dia 10 de setembro de 2009, e contava com um acervo de
aproximadamente 2800 exemplares formados por obras de variados gêneros literários como poesia,
romance, literatura clássica, biografia, literatura infantojuvenil e artes, além de jornais, revistas,
informativos e obras em Braille.

2 O ESPAÇO DE LEITURA E SUA CRIAÇÃO

A criação do Espaço de Leitura na Biblioteca Central da UFMG está ancorada às reflexões
propostas na literatura científica até então publicada sobre a importância de adequação dos espaços
das bibliotecas às necessidades das comunidades, além do forte discurso sobre a Biblioteconomia
Social, como um campo emergente para o século XXI.
Em termos específicos, o Espaço de Leitura se incorpora da leitura para promover a busca
por uma sociedade inclusiva e democrática. A leitura aqui é valorizada por sua capacidade de
transformação na vida dos leitores. Isso porque, os leitores, na maioria das vezes, buscam algo que
“[...] sacie o desejo por conhecimento ou apenas por lazer e este objeto desejado muitas vezes tornase obscuro, de difícil acesso, já que nem sempre se pode incluir no dia a dia a leitura” (SANTOS,
2006, p. 1).

11

Biblioteca Central compreende o prédio de quatro andares que abriga a Biblioteca Central, os setores e divisões
técnicas e administrativas da Biblioteca Universitária, coordenadora do Sistema de Bibliotecas da UFMG. O Espaço de
Leitura funciona dentro do prédio da Biblioteca Central.

�127

Assim, é importante criar espaços de leitura em todos os cantos da sociedade, inclusive com
apoio das instituições (SANTA ANNA, 2017). Além disso, considera-se, também, que o leitor é um
agente muito particular, que realiza a leitura de diferentes formas, com diferentes recursos e em
várias localidades, conforme defendido na tese de Roger Chartier (2003).
Em termos práticos, o projeto voltado para criação da Sala de Leitura teve sua gênese, no
ano de 2006, quando em visita à Escola de Ciência da Informação da UFMG, o então candidato a
reitor, professor Ronaldo Tadeu Pena, ouviu da professora Vera Lúcia Furst, que à época era
membra do Conselho12 Diretor do SB/UFMG, a sugestão de criação de um espaço dedicado à
leitura para o lazer da comunidade acadêmica.
Depois de eleito como reitor, o então professor Ronaldo Pena manifestou interesse em
viabilizar a criação desse espaço e, com o apoio da diretora da BU-SB/UFMG, Maria Elizabeth e da
diretora de Cooperação Institucional, Maria Cecília Nogueira Lima, iniciaram-se as atividades de
construção do espaço. Definiu-se que o espaço seria no prédio da Biblioteca Central, a qual possuía
condições de infraestrutura mais adequadas a abrigar o acervo informacional. Definiu-se como local
de instalação, o lado esquerdo do térreo, logo na entrada do prédio, por ser amplo e bem próximo da
portaria, facilitando o acesso.
E assim, em 2007, foi dado início ao processo, contando com a elaboração do projeto
arquitetônico pelas arquitetas Marieta Cardoso Maciel e Valeria Soares de Melo Franco e o projeto
elétrico pelo Departamento de Manutenção e Operação da Infraestrutura da UFMG (DEMAI). A
participação da arquiteta Marieta Cardoso Maciel, que também era membra do conselho diretor da
BU-SB/UFMG, concebeu o projeto visando a redução de gastos com compra de mobiliário e ao
máximo aproveitamento dos recursos existentes.
O mobiliário utilizado foi composto por móveis existentes no prédio e também por cadeiras
doadas pela Escola de Arquitetura, móveis esses que necessitavam de reforma, orçada no valor de
R$ 3.020,00. A compra de mobiliário para esse espaço ficou restrita a vinte e sete estantes, dois
sofás de quatro lugares, duas mesas laterais e uma mesa de centro, conforme figura 1 e 2.

12

O Conselho Diretor é responsável por definir a política de gestão da Biblioteca Universitária – Sistema de Bibliotecas
da UFMG. É formado pela diretora da Biblioteca Universitária - Sistema de Bibliotecas da UFMG; por professores
indicados pela reitora; por representação do corpo técnico e administrativo e do corpo discente.

�128
Figura 1 – Estantes adquiridas para o Espaço de Leitura e Lazer na Biblioteca Universitária

Fonte: Dados da pesquisa (2018).
Figura 2 – Mobiliário para acomodação de leitores no Espaço de Leitura da Biblioteca Central

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

A compra das estantes foi realizada pela BU no valor de R$21.036,16. Para economia de
orçamento e como haviam sido doadas pela Escola de Arquitetura da UFMG, vinte e cinco cadeiras
(figura 3) foram reformadas juntamente com seis poltronas, sendo que foram realizados três
orçamentos e a empresa que apresentou o menor preço realizou trabalho de reforma em uma peça
para fins de avaliação, e após, procedeu-se à execução da reforma geral.

�129
Figura 3 – Materiais adquiridos por doação e submetidos a reformas

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

No que tange aos materiais informacionais, para composição do acervo, ele foi adquirido
mediante compra, junto a diferentes fornecedores e livreiros. A Biblioteca recebeu e conferiu os
livros que foram patrimoniados e catalogados com a colaboração dos bibliotecários do Sistema.
Também foram adquiridos uma tela para projeções, um projetor, quatro carrinhos para transporte de
livros e cento e sessenta bibliocantos, totalizando R$ 5.974,00. Foram firmados dois contratos para
fornecimento de jornais e revistas.
No que se refere à infraestrutura para acesso físico ao local, há uma rampa para
acessibilidade, conforme ilustrado na figura 4. Salienta-se a importância em se adequar os espaços
das bibliotecas, considerando as pessoas com necessidades especiais. Essa adequação faz da
biblioteca um ambiente de e para todos; trata-se, na verdade, da inserção dessas unidades na
sociedade inclusiva (FIALHO; SILVA, 2012), sociedade essa almejada para as próximas décadas
do século XXI, conforme as determinações da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, a
qual foi aderida pela Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), e
também pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), no intuito de se
viabilizar o desenvolvimento sustentável das sociedades do futuro, como descrito no estudo de
Dutra, Pinto e Geraldo (2017).

�130
Figura 4 – Adequação ao Espaço de Leitura e Lazer da BU/UFMG – rampa de acesso

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

E, assim, além da disponibilização de literatura de lazer, cultura e informação a toda
comunidade acadêmica e ao público em geral, o Espaço de Leitura tornou-se um espaço lúdico,
confortável, agradável e convidativo para a comunidade universitária, já logo na sua entrada,
conforme ilustrado na figura 5.
Figura 5 – Biblioteca universitária da UFMG, com destaque ao recinto destinado ao Espaço de Leitura e Lazer

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Por meio da figura 5, depreende-se o quanto é importante adequar o espaço das bibliotecas,
de modo que se transformem em ambientes acolhedores, desmistificando o estereótipo de que são,
tão somente, locais que estocam informação e conhecimento. Além de registrar o conhecimento por
meio dos acervos, as bibliotecas criam e recriam a realidade, por meio de adequações em suas
estruturas e nos serviços prestados, de modo a se reinventar, garantindo satisfação à comunidade
que a ela se dirige.

�131

Portanto, seja como espaço físico, como símbolo de uma ordem cósmica ou social ou como
forma visível da razão humana, as bibliotecas são lugares que guardam histórias e
despertam o fascínio e o encantamento. Lugares onde tais elementos se transmutam,
perturbando e excitando fantasias, irmanando o sonho com a ação, além de provocarem
medo e instigarem reações (SILVEIRA, 2012, p. 152).

Por meio do Espaço de Leitura, é possível entender o quanto a leitura tende a contribuir para
o enriquecimento das bibliotecas. A partir de uma reflexão mais ampla, é provável que esses
espaços transformem a vida das pessoas, pois, ao se sentirem acolhidas, amparadas e mediadas pela
leitura, certamente, manifesta-se o desenvolvimento emocional, intelectual e o fortalecimento da
autoestima e da satisfação humana.
Para Silveira (2014, p. 153), enquanto lugares de práticas culturais e enquanto espaço de
leitura, as bibliotecas e seus acervos adquirem “[...] a capacidade de interferir nos cenários sóciopolíticos em que se inserem, fazendo frutificar o saber acumulado e contribuindo para a preservação
e difusão de todo o legado cultural humano”.
A respeito da prática da leitura, principal atividade proposta e realizada na Sala de Leitura
para o Lazer na BC/UFMG, frisou a importância dessa proposta a ser aderida pelas unidades de
informação, independente se é especializada, pública, universitária e demais. O importante é que
todas as instituições unam esforços para que a leitura seja cada vez mais disseminada na sociedade,
como relatado no artigo de Santa Anna (2017).
Nas bibliotecas universitárias, a leitura deve se manifestar, haja vista o potencial dessa
prática no desenvolvimento crítico dos alunos. Nesse aspecto, instituir espaços que facilitem a
prática leitora é algo indispensável no ambiente universitário, pois, conforme relatado por Oriente,
Souza e Simões (2014, p. 162), a instituição cumpre o papel em “[...] estimular e subsidiar o hábito
e gosto pela leitura como também a pesquisa dos seus usuários [...]”. Portanto, bibliotecários e
demais atores que trabalham na universidade “[...] buscam incentivar cada vez mais a prática da
leitura, já que esta deve ser uma luta constante de toda a sociedade [...]”, em prol de uma sociedade
cada dia mais leitora.
Assim, o Espaço de Leitura foi instituído, configurando-se como um belíssimo espaço, algo
que ainda faltava para completar o Sistema de Bibliotecas com suas 25 bibliotecas acadêmicas. O
objetivo desse local é, em linhas gerais, preencher uma lacuna no atendimento ao grande e
diversificado público que transita diariamente no Campus Pampulha.
Segundo Araújo (2009, não paginado), em entrevista concedida à atual diretora do
SB/UFMG, nesse novo espaço, o usuário terá “[...] acesso a uma leitura descompromissada e
poderá preencher o seu tempo livre e momentos de lazer com a leitura de um best-seller, de uma
revista ou de jornal diário”.

�132

Dessa forma, com o término das atividades de planejamento e execução, em 2009, foi
inaugurado, sendo entregue à comunidade por meio de um ato solene. Nessa cerimônia, fizeram-se
presentes autoridades e pessoas envolvidas com o desenvolvimento do projeto, tais como: prof.
Ronaldo Tadeu Pena, Reitor da Universidade; Pró-Reitor de Planejamento, prof. Nagib Cotrim;
diretora de Cooperação Institucional, Maria Cecília Nogueira Lima; diretora e vice-diretora do
SB/UFMG, as bibliotecárias Maria Elizabeth de Oliveira Costa e Rosemary Tofani Motta; e, por
fim, a bibliotecária coordenadora da BC, Cleide Faria, dentre outros participantes (figura 6).
Figura 6 – Cerimônia de institucionalização do Espaço de Leitura

Fonte: Dados da pesquisa (2018).
– Foto: Diogo Domingues

Por meio da solenidade, o Espaço de Leitura e Lazer se consolida como uma extensão da
universidade, visto que ampliou as possibilidades do Sistema de Biblioteca, em levar informação,
conhecimento e, por que não, lazer e entretenimento para as pessoas. A criação do espaço e a
participação e engajamento dos profissionais, a grande maioria, vinculados à UFMG, demonstram o
quanto as instituições públicas precisam realizar com transparência os seus serviços, e possibilitar
que esses serviços estejam à disposição de toda a população, sem distinções. Isso representa uma
forma de prestação de contas para com a sociedade, acerca dos investimentos realizados com os
recursos públicos (figura 7).

�133
Figura 7 – Entrega e registro do Espaço de Leitura para toda a comunidade

Fonte: Dados da pesquisa (2018).
- Foto: Diogo Domingues

Nesse contexto, entendemos o valor da Biblioteconomia para toda a sociedade. O espaço
inaugurado foi feito pensando em todos os cidadãos, sejam eles vinculados ou não à universidade.
Por ser pública, e mesmo tendo um viés especializado, a instituição concretiza-se como o espaço de
todos os indivíduos, local onde poderão exercer a cidadania, sendo a leitura um direito a ser
exercido por todos os brasileiros.
Pensar no social é romper as desigualdades, é ir para outros locais, extravasando os muros
das instituições. Ir para instâncias onde as pessoas mais precisam de informação e de conhecimento.
É viabilizar o conhecimento universal para todos, independente de cor, classe, condição social,
orientação sexual, dentre outras particularidades do ser humano. Como há muito tempo discursou
Almeida Júnior (1999), as bibliotecas e seus profissionais precisam colocar-se a serviço das classes
sociais, exercendo um papel mais vigoroso frente às causas e aos problemas que permeiam o dia a
dia da sociedade. O intuito dessa intervenção com a sociedade, segundo o autor, é garantir a
consolidação de uma sociedade mais democrática e justa.
Após inauguração do Espaço de Leitura em 2009, foram desenvolvidos projetos para
incentivar o uso desse ambiente diferenciado e também realizada divulgação por meio de fôlderes,
panfletos, notícias no site do SB/UFMG e reportagens no Boletim da UFMG, acerca dos serviços
prestados à comunidade por esse novo espaço, além dos tradicionais serviços que já eram
oferecidos.
Para um efetivo funcionamento desse espaço, segundo Sá e Faria (2013, p. 2), foram
realizadas reuniões com os bibliotecários da Biblioteca Central, no intuito de “[...] desenvolver
projetos que incentivassem o uso desse ambiente diferenciado na universidade e também que
promovesse o incentivo à leitura por lazer [...]”.

�134

Assim, de acordo com as autoras citadas, os profissionais uniram esforços em prol de dar
continuidade à melhoria do ambiente. Portanto, outras ações foram sendo realizadas no decorrer dos
anos, no intuito de tornar o ambiente cada dia mais atrativo e com maior adesão por parte do
público usuário. O quadro 1 especifica alguns projetos realizados e as diversas ações a eles
vinculados, de modo a proporcionar o desenvolvimento e socialização do Espaço de Leitura na
instituição.
Quadro 1 – Projetos e ações desenvolvidas na Sala de Leitura e Lazer
PROJETO
PRINCIPAIS ATIVIDADES
Sugestão de leitura
Orientação e auxílio ao leitor sobre a escolha de livros.
Ciclo de palestras
Organização de palestras sobre obras literárias, autores,
personalidades etc.
Hora do conto e da leitura
Narração de estórias para um público pré-determinado com o
objetivo de incentivar o gosto pela leitura por lazer, promover
autores consagrados e divulgar importantes clássicos da
literatura.
Exposições bibliográficas temáticas
Realizada por meio de mostra em vitrines de obras reunidas
sobre diversos temas literários, políticos e culturais, visando o
incentivo à leitura e à divulgação do acervo do espaço para
toda a comunidade interna e externa da UFMG.
Exposições bibliográficas interativas
Reúne e expõe em vitrines abertas obras literárias e culturais da
biblioteca com datas comemorativas, que convidam o visitante
do Espaço de Leitura a interagir com o acervo, através da
leitura local e empréstimo domiciliar.
Exposições bibliográficas interativas
Proporciona o contato com outras formas de expressão
artísticas e valorização da leitura em diferentes suportes como
pintura, fotografia etc.
Organização de mostras de artes –Projeto Cinema Exibe na última sexta-feira do mês filmes baseados em obras
para Ler
literárias.
Visita ao Espaço de Leitura
Visita orientada ao local e ao acervo e faz descrição das
atividades desenvolvidas no setor para a comunidade interna e
externa da UFMG.
Fonte: Adaptado de Sá e Faria (2013, p. 2-3).

Importante destacar, também, que são utilizadas estratégias para divulgação do espaço, algo
muito importante para demonstrar à comunidade, os diferentes serviços oferecidos no espaço.
Dentre os vários canais de divulgação, cita-se, por exemplo, o Blog do Espaço de Leitura, o qual se
configura como uma rede social que visa a divulgação do espaço e das atividades desenvolvidas
nele e elabora a postagem de resumos, dicas culturais, lançamento de livros etc. (SÁ; FARIA,
2013).
O Espaço de Leitura vem se configurando, cada vez mais, como um espaço da comunidade,
cumprindo com o propósito a que foi criado, ou seja, ser um “[...] espaço de fruição e de lazer, e em
sua essência trata a leitura literária como sua principal função dentro da UFMG [...]” (FERRAZ;
PAIVA; REIS, 2016, p. 11). No entanto, conforme pesquisa realizada por essas autoras, desafios
persistem, o que requer, constantemente, a avaliação do espaço, a fim de identificar pontos fracos e
fortes, para fins de formular estratégias de melhoria. Dentre os pontos fortes, as autoras citam o
potencial em disponibilizar um local para leitura, estudos e ações culturais. Como pontos negativos,

�135

há de se considerar, a necessidade de maior envolvimento da extensão universitária, como também
conscientização do público-alvo acerca das atividades específicas a serem desenvolvidas no local.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Espaço de Leitura e Lazer, localizado na Biblioteca Central da UFMG, tem um acervo
diferenciado do mundo acadêmico com literatura voltada para o entretenimento, ou seja, destina-se,
primordialmente, para manifestação da leitura literária e atividades recreativas. Entende-se que o
próprio ambiente tem uma característica de conforto, colorido, aconchegante, tornando-se propício
para uma leitura descontraída, voltada para o lazer.
A logística do local o diferencia dos demais ambientes tradicionais de muitas bibliotecas
existentes no conjunto das 25 bibliotecas do SB/UFMG, como diferencia também dos demais
ambientes universitários do campus frequentados pela comunidade acadêmica, e também pelo
público externo. Trata-se, portanto, de um ambiente inovador, o qual fortalece o novo papel das
bibliotecas, preconizadas como espaços de interação e convívio, para diferentes públicos e com
múltiplas funcionalidades.
O público externo que busca a instituição e seus serviços diversificados, inclusive os
serviços de bibliotecas, como empréstimos de livros e utilização de salas de leitura para estudo
acadêmico, passa também a conhecer o espaço e os inúmeros serviços por ele oferecidos, como, por
exemplo, o Projeto "Cinema para Ler", cujo objetivo é mostrar a proximidade entre cinema e
literatura e o quanto o cinema pode incentivar a leitura.
Esse projeto, juntamente com as demais atividades realizadas no Espaço de Leitura, é
voltado para o social, ou seja, a Biblioteconomia Social. Os projetos e as atividades do Espaço de
Leitura almejam a democratização e socialização desse ambiente universitário e que não só a
comunidade acadêmica, como também o público externo, pode usufruir do espaço para uma leitura
descontraída e também para os diversos serviços oferecidos como promoção de encontros, eventos,
seminários e palestras.
Em linhas gerais, os serviços oferecidos colocam-se a serviço dos usuários em seus variados
contextos, em suas diferenciadas particularidades, considerando múltiplas necessidades, rompendose, assim, qualquer possibilidade de limitação entre o ser humano e a informação. Portanto, o
Espaço de Leitura manifesta-se como um elemento da Biblioteconomia Social, que encontra na
leitura e no acolhimento, uma forma de vencer desigualdades e promover a democratização da
informação na sociedade.

�136

REFERÊNCIAS

ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 2012.
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Polis;
APB, 1997.
ARAÚJO, Ana Rita. O prazer de ler por ler. 2009. Disponível em:
&lt;https://www.ufmg.br/boletim/bol1665/3.shtml&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
CHARTIER, Roger. Leitura e leitores na França do antigo regime. São Paulo: Ed. UNESP,
2003.
DUTRA, Sigrid; PINTO, Marli Dias de Souza; GERALDO, Genilson. Agenda 2030: uma proposta
de advocacy junto às bibliotecas universitárias de Florianópolis-SC. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 13, n. especial, p. 2606-2619, 2017. Disponível
em: &lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/939/959&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
FERRAZ, Marina Nogueira; PAIVA, Marília Abreu Martins; REIS, Débora Crystina. O Espaço de
Leitura da UFMG: uma biblioteca pública dentro da Biblioteca Universitária. Bibliotecas
Universitárias, Belo Horizonte, v. 3, n. 2, p. 19-32, jul./dez. 2016. Disponível em:
&lt;https://seer.ufmg.br/index.php/revistarbu/article/download/4572/pdf&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
FERREIRA, Rubens da Silva. Transpondo muros, construindo relações: uma reflexão sobre
bibliotecas universitárias e extensão no Brasil. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v. 9, n. 2, p. 75-88, jan./jun. 2012. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/index.php/article/download/19934&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
FIALHO, Janaina; SILVA, Daiane de Oliveira. Informação e conhecimento acessíveis aos
deficientes visuais nas bibliotecas universitárias. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 17, n. 1, p.153-168, jan./mar. 2012. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v17n1/a09v17n1.pdf&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
ORIENTE, Alice Pereira do; SOUZA, Ana Claúdia Medeiros de; SIMÕES, Angélica Clementino.
Espaço de livros e leitura: um estudo sobre a sala de leitura da Biblioteca Central da UFPB.
Biblionline, João Pessoa, v. 10, n. 2, p. 154-163, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/view/16363/12488&gt;. Acesso em: 30
nov. 2018.
SÁ, Rosilene Moreira Coelho de; FARIA, Cleide Vieira de. Espaço de leitura da Biblioteca Central
da UFMG: um relato de experiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., Florianópolis, Anais Eletrônicos...
Florianópolis: FEBAB, 2013. Disponível em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/download/1582/1583&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
SANTA ANNA, Jorge. A importância da leitura e as contribuições das instituições: em busca de
uma sociedade leitora no Brasil. Pró-Discente: Caderno de Produção Acadêmico-Científica,
Vitória, v. 23, n. 2, p. 34-53, jul./dez. 2017. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufes.br/PRODISCENTE/article/viewFile/18614/12627&gt;. Acesso em: 30 nov.
2018.

�137

______. A Biblioteca Universitária e sua intervenção no contexto social: fomentando práticas
multifuncionais. Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação, Brasília, v. 11, n. 2, p.
449-469, maio/ago. 2018. Disponível em:
&lt;http://periodicos.unb.br/index.php/RICI/article/view/27171/20937&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.
SANTOS, Marcus Vinícius Machado dos. A leitura como prática cotidiana e motivacional: da
infância ao crescimento intelectual e discernimento crítico. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v. 11, n. 1, jan./jun. 2006.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da. Um elogio à sedução, ou a biblioteca como espaço de
leitura. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 17, n. 4, p. 142-159, out./dez.
2012. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v17n4/09.pdf&gt;. Acesso em: 30 nov. 2018.

�138

PARTE III

A Biblioteconomia em
espaços e contextos de
vulnerabilidade

�139

CAPÍTULO X
PROJETO DE INSTALAÇÃO DO ESPAÇO DE LEITURA EM CLÍNICA PEDIÁTRICA
DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO13

Elaine Gregório

1 INTRODUÇÃO

A leitura se apresenta como uma fonte inesgotável de aquisição de informação e de
produção de conhecimento, sendo necessário, por meio dela, “[...] aprender a ler o mundo, dar
sentido a ele e a nós próprios [...]” (MARTINS, 2007, p. 34), possibilitando, com isso, que se
questione a realidade vivida e, por conseguinte, que se oportunize crescimento social e cultural.
Desse modo,
A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencial ainda
a própria vida do ser humano [...] parece ser o único meio de desenvolver a originalidade e
a autenticidade dos seres que aprendem [...] (SILVA, 2005, p. 42 apud SILVEIRA, 2011, p.
5).

Diversos profissionais trabalham com a criação das práticas de leitura, dentre eles, os
bibliotecários, que, constantemente, lidam com a formação de novos leitores em diversos ambientes
de informação, educação e cultura. Nesse sentido, não apenas a biblioteca torna-se palco de atuação
desse profissional ao desenvolver práticas alternativas interdisciplinares na área de leitura em
diversos espaços e tempos.
Dentre os diversos ambientes de desenvolvimento de práticas de leitura, destacamos o
hospital, que tem como missão promover assistência à saúde e, por consequência, o cuidado com a
vida (MELLO, 2008). Nesse ambiente, percebemos a relevância da dinamização da leitura ao
favorecer o contato com “[...] valores humanitários compartilhados por todos que trabalham na
organização. Isto, por certo, favorecerá a confiança tão almejada pelos pacientes para se deixarem
cuidar” (ZOBOLI, 2008, p. 7).
Podemos citar algumas atividades de leitura em hospitais fazendo com que seja parte de uma
estratégia terapêutica que drible parte dos problemas advindos da hospitalização, como a depressão,

13

Esta pesquisa contempla partes de um Trabalho de Conclusão de Curso de Biblioteconomia, defendido no ano de
2012. Alguns resultados foram apresentados no CBBD, de 2013 e outros publicados na Revista ACB, em 2014.

�140

entre outros sintomas. Nesse contexto de atuação, Caldin (2001 apud ALMEIDA, 2011) apresenta
uma experiência que dá visibilidade ao trabalho de leitura no ambiente hospitalar, ao contextualizar
essa prática como uma estratégia terapêutica que contribui para humanizar o tratamento hospitalar.
Caldin (2001) avalia o projeto Leitura infantil e Medicina pediátrica: como uma
aproximação de integração humana, desenvolvido pela Pontífica Universidade Católica do
Rio Grande do Sul e cinco sub-projetos vinculados ao projeto-matriz Por uma Política de
Incentivo à Leitura, da Universidade de Joinville. Estes projetos, desenvolvidos por
formandos e coordenados por professoras do Curso de Letras das Universidades citadas,
desenvolveram trabalho de terapia por meio da leitura na pediatria de hospitais de Porto
Alegre e de Joinville. Verificou-se que as histórias contadas às crianças diminuíam seu
estado de incapacidade e proporcionaram alívio temporário das dores e dos medos advindos
da doença e do ambiente hospitalar. O resgate do sonho, do imaginário e do lúdico forneceu
um suporte emocional às crianças enfermas. Os registros dos leitores de histórias
legitimaram a eficácia da biblioterapia em cultivar a leitura infantil como integradora no
processo de cura que abrange o corpo e a mente (CALDIN, 2001 apud ALMEIDA, 2011,
p. 5-6).

Como forma de refletir sobre a prática da leitura no ambiente hospitalar, recorremos a uma
experiência na qual se registra a participação de docentes e de graduandos do Curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), vinculados ao projeto de
extensão universitária Ideias e Práticas em Informação, Educação e Cultura. Dessa experiência,
também participaram profissionais da área da informação e saúde, que se propuseram a trabalhar
com a criação do projeto de extensão Leitura no ambiente hospitalar, desenvolvido no Ambulatório
Pediátrico do Hospital Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM).
Sendo assim, este texto versa sobre uma experiência de leitura em um contexto de alta
complexidade, o ambiente hospitalar. Pretende-se reforçar o fato de que bibliotecas e bibliotecários,
por meio do potencial dos acervos, viabilizam práticas de leitura que podem contribuir com a
melhoria dos pacientes ou, de alguma forma, interferir na pacificação dos demais personagens que
permeiam um ambiente hospitalar, como profissionais da saúde, familiares de pacientes e
acompanhantes.
O presente texto é um relato de experiência, cuja intenção principal é relatar a experiência de
implantação e dinamização da leitura no ambulatório do HUCAM e refletir acerca da atuação do
bibliotecário em projetos de leitura no ambiente hospitalar.

2 IMPLANTAÇÃO DO ESPAÇO DE LEITURA NO AMBIENTE HOSPITAR

As atividades de implantação do projeto de leitura no Ambulatório Pediátrico do HUCAM
iniciaram-se no primeiro semestre do ano de 2010, envolvendo um conjunto de atividades, dentre
elas, reuniões, encontros de formação e grupos de estudos. Ressalta-se, nesse processo, o

�141

estabelecimento de contato com os profissionais do hospital, momento em que se obteve permissão
para a realização do diagnóstico do perfil dos pacientes.
Na fase diagnóstica, resgataram-se, no banco de dados do ambulatório, informações
relacionadas ao atendimento realizado nos meses de fevereiro a dezembro de 2009. Com isso,
identificou-se a procedência de pacientes de todas as regiões do Estado do Espírito Santo (urbanas e
interioranas). Também se registrou o atendimento a usuários provenientes de outros Estados
brasileiros, tais como Minas Gerais (MG) e Bahia (BA).
Ao analisar o fluxo de atendimento (gráfico 1), percebeu-se que não houve registros de
atendimento no mês de janeiro, assim como, identificou-se que no mês de dezembro o ambulatório
funcionava praticamente até a metade do mês. Percebeu-se também que o atendimento
intensificava-se entre os meses de março e novembro.
Gráfico 1 – Atendimento no setor de ambulatório

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

As informações sobre o atendimento auxiliaram no processo de planejamento do
cronograma de atendimento do espaço de leitura, da mesma forma que os dados relacionados à
idade (gráfico 2) e ao gênero (gráfico 3) permitiram a identificação de que o público atendido seria
composto, em sua maioria, por crianças e pelo gênero feminino. Entretanto, a equipe não
desconsiderou como um público potencial o gênero masculino, bem como a classe de adolescentes,
jovens e adultos.

�142
Gráfico 2 - Idade dos usuários

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Gráfico 3 - Informações de gênero

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Em seguida, partiu-se para a observação das características da situação física e estrutural do
espaço que se mostraram insuficientes desde a época da implantação. Porém, o espaço foi adaptado
para receber o público-alvo, que seria composto por pacientes, acompanhantes e funcionários do
hospital.
Para garantir o atendimento a esse público, o acervo foi constituído em sua maioria por
obras infantojuvenis cedidas pelo GECHUFES. Também foram recebidas doações dos alunos do

�143

Curso de Biblioteconomia e outros membros da comunidade interna e externa à universidade. Desse
modo, foram acrescentados ao acervo obras de romance, poesia, contos, revistas em quadrinho,
periódicos de diversas áreas, CDs infantis e outros tipos de materiais que garantiram o início do
trabalho.
Após esse processo, a equipe organizou o evento denominado Atividades de formação na
área de leitura e narrativa oral: em busca de práticas diferenciadas. Destaca-se, nessa fase, a
participação de profissionais da saúde, docentes de Biblioteconomia da UFES e bibliotecários
formados que assumiram a função de condutores das discussões dos seguintes temas: humanização
do ambiente hospitalar; leitura e cidadania; narrativa oral; leitura de histórias; dramatização e
musicalização.

2.1 DINAMIZAÇÃO DO ESPAÇO DE LEITURA

A dinamização do espaço de leitura iniciou-se no segundo semestre de 2010, tendo
continuidade até o segundo semestre de 2011. Inicialmente, o espaço foi liberado para o trabalho
em apenas um dia da semana, tendo, com isso, o acompanhamento de uma bolsista do curso de
Biblioteconomia da UFES. Todavia, os profissionais do hospital utilizavam o acervo em outros dias
da semana.
As atividades desenvolvidas, no auditório do Ambulatório Pediátrico, inicialmente,
consistiram na disponibilização do acervo sobre mesas (figura 1), para, assim, facilitar o acesso aos
livros e a outros tipos de materiais disponíveis para as leituras.
Figura 1 - Exposição de partes do acervo do projeto

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

�144

A estratégia ocasionou numa boa recepção por parte dos pacientes e acompanhantes,
conforme pode ser observado no relato de uma das bolsistas do projeto:
Os pais aprovaram a iniciativa do projeto e nos disseram que chegam a ficar mais de cinco horas aguardando o
atendimento, e que seria muito bom se estivéssemos lá todos os dias, pois a leitura de livros e revistas ajuda a passar o
tempo de espera.

Assim, percebeu-se a necessidade da ampliação do atendimento no ambiente hospitalar,
tendo em vista que não apenas as crianças e os adolescentes demonstraram prazer ao entrar em
contato com o acervo do projeto. As histórias possibilitaram aos sujeitos desse espaço,
dinamizadores e usuários, diálogos acerca da saúde e da realidade das comunidades de origem.
Com a análise da experiência, percebeu-se que a competência em leitura exercitada naquele
ambiente evidenciou o aprender a ler o mundo e a dar sentido a ele, assim como, aos próprios
sujeitos (MARTINS, 2007).
Desse modo, o diálogo em torno da leitura permitiu aos sujeitos questionar a realidade
vivida e a perceber a importância dela para obter crescimento social e cultural. Segundo relato de
outra bolsista do projeto,
certa feita, uma mãe relatou que gostou muito do projeto, pois a escola em que seus filhos estudavam não possuía
biblioteca, e ali ela pôde vê-los lendo um livro. Ela relatou ainda que também estava lendo alguns livros infantis para
depois contar para seus filhos.

Diante desse contexto, identificam-se circunstâncias que propiciam a precariedade das
práticas de leitura em ambientes de educação e cultura e, por conseguinte, a realidade que é imposta
aos sujeitos cotidianamente.
No contexto da dinamização da leitura no espaço hospitalar (figuras 2 e 3), também foram
registrados diálogos compartilhados perante a situação de adoecimento, a angústia da espera na
instituição hospitalar, de abandono no contexto familiar, bem como, das dificuldades enfrentadas no
dia a dia. A prática vivida, então, em alguns momentos, viabilizada pela leitura dirigida, permitiu
momentos de reflexões e de aprendizagens nesse ambiente.

�145
Figura 2 - Usuários do ambulatório

Fonte: Dados da pesquisa (2012).
Figura 3 - Usuários do ambulatório

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Acerca da atuação dos discentes do Curso de Biblioteconomia da UFES, verificou-se que
trabalharam na revitalização14 do espaço de leitura, organizando, por exemplo, campanhas de

14

Trabalho realizado na disciplina Ação Cultural em parceria com o Projeto Ideias e Práticas em Informação,
Educação e Cultura, ambos ligados ao Departamento de Biblioteconomia da UFES.

�146

doação dos livros que resultaram na melhoria do acervo do projeto e em outras ações que visaram a
sua reestruturação.
Destacam-se ainda, nesse contexto, as atividades para a melhoria do ambiente, como a
confecção de painéis removíveis com temas de contos infantis (figura 4), tornando-o, assim, o
espaço mais atrativo. Os discentes também promoveram momentos de contação de histórias,
seguidos de desenhos que eram articulados com a leitura do texto das narrativas. Também
utilizaram técnicas relacionadas com leitura dirigida individualmente, música e expressão corporal.
Figura 4 - Revitalização do espaço

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

O contexto da disseminação registrada nos documentos dos projetos consubstancia o relato
de atividades que foram positivas tanto para o público-alvo quanto para os dinamizadores do
projeto. Além do exposto, a contribuição das ações para a formação do futuro bibliotecário pôde ser
verificada perante o relato de uma das discentes do curso de Biblioteconomia:
Minha participação no projeto foi curta, porém de grande valia para a vida profissional, mostrando uma possibilidade
de atuação do bibliotecário como agente cultural. Apesar de o projeto trabalhar com um público flutuante, a
participação das crianças foi bastante significativa.

Com a exposição da implantação e dinamização descrita até o momento, coexiste a
constatação do desaparecimento de praticamente todo o acervo do projeto no final do segundo
período de 2011. Paralela a essa realidade, evidencia-se o desaparecimento do mobiliário que
atendia ao público infantil no ambiente hospitalar.
Com o número reduzido de livros e a baixa participação do público em detrimento do
desfalque do acervo, restaram apenas poucos periódicos antigos e mutilados. Nos relatórios dos
projetos, registra-se também o extravio de gibis junto com a maior parte dos livros infantis,

�147

ocasionando na falta de interesse por parte dos pacientes e outros usuários em frequentar o espaço
de leitura.
Diante do exposto, no primeiro período de 2012, as atividades do Projeto de Extensão
Leitura no ambiente hospitalar foram transferidas para o Projeto de Extensão Ideias e Práticas em
informação, educação e cultura, com a finalidade de encontrar formas de reestruturar o trabalho,
que, na atualidade, continua sendo desenvolvido em espaços educacionais. Todavia, o interesse dos
alunos pela dinamização da leitura no ambiente hospitalar permanece, ocasionando em estudos de
Trabalho de Conclusão de Curso e em planejamentos de outras atividades extensionistas no
ambiente hospitalar. Por conseguinte, este relato aponta para a necessidade de continuidade do
trabalho, o que requer uma gestão que possa dar conta da dinamização da leitura na instituição
hospitalar.
Nesse sentido, só é possível conceber uma formação que implique ações que se constituam
num processo de construção coletiva com os sujeitos envolvidos. Entende-se que o movimento de
mudança das práticas e da organização do trabalho só se tornará efetivo por meio da
problematização dos modos de cuidar de gerir instituídos, se esses movimentos estiverem
conectados com as práticas de trabalho nos serviços de saúde, com seus trabalhadores e usuários
(HECKERT; NEVES, 2000 apud GUEDES; PITOMBO; BARROS, 2009).
A realidade exposta dá visibilidade à ausência de trabalhos mais efetivos na área do ensino,
da pesquisa e da extensão na universidade, voltados especificamente para essa realidade, tendo
como finalidade promover espaços de leitura na área de interesse da comunidade interna e externa à
instituição de formação. Conforme aponta Yunes (2004, p. 2),
no que toca a questão da leitura, a primeira necessidade de uma comunidade é reconhecer
esta prática como uma atividade que precede a maioria das conquistas sociais de seus
integrantes. Ela é o recurso que lhe permite obter informação sem depender muito de
intermediários e intérpretes, que situa cada um diante de uma série de possibilidades, que
lhe oferece opções para fazer-se um pouco menos autômato e mais responsável por seus
desejos e atitudes.

Nesse sentido, surge a necessidade de criação de políticas que possam prever a participação
do bibliotecário e de outros membros da comunidade, interna e externa à UFES, nesse contexto de
atuação, que se caracteriza como sendo inter e transdisciplinar. Torna-se importante colocar que,
para isso, não existe uma receita pronta e acabada, conforme expõe Yunes (2004, p. 5), mas sim,
possibilidades de conceber “[...] ações assumidas coletivamente em cada comunidade, com decisões
concertadas interinstitucionalmente que acolham as iniciativas e projetos para apoiá-los e expandilos”.

�148

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da experiência vivenciada no hospital universitário descrito neste estudo, percebe-se
o quanto a leitura, por meio das intervenções de bibliotecários, alunos e docentes da área de
Biblioteconomia e campos afins, muito pode contribuir para minimizar as angústias existentes no
ambiente hospitalar. Acreditamos, por meio deste relato, que a Biblioteconomia pode ir muito além
das bibliotecas, atingindo esses locais em que prevalecem instabilidades e sentimentos de medo,
dor, sofrimento, dentre outras sensações que inquietam ou incomodam o ser humano.
A leitura, a educação e a informação fundamentam a construção de uma sociedade crítica, na
qual a cultura é o elemento fundamental para que o desenvolvimento social dos sujeitos seja
efetivado. Questiona-se, então, sobre a importância de práticas de incentivo à leitura, bem como,
para o fato de que ações contribuem para a formação de novos leitores.
A prática da leitura não pode ser realizada apenas em ambientes educacionais, na família ou
na biblioteca. Ela pode ser realizada por meio da estruturação de ambientes de aprendizagem,
organizados fora do ambiente escolar e/ou da biblioteca, podendo ser firmada em ambientes onde o
público aproveita o tempo ocioso para consolidação da leitura. O bibliotecário expande sua atuação
profissional e cumpre sua missão de agente cultural e social ao adquirir competência informacional,
contribuindo, sobremaneira, no gerenciamento desses espaços destinados à leitura e aprendizagem.
A participação do profissional da informação, especificamente o bibliotecário, que lida
diretamente com o objeto livro, pode ser pensada como agente para disseminação e incentivo ao ato
de ler. Com o intuito de refletir acerca das potencialidades da profissão, apresentamos um relato de
experiência no qual se registra a atuação de docentes e discentes do Curso de Biblioteconomia da
UFES no Ambulatório pediátrico do HUCAM, vinculados ao Projeto de Extensão Universitária
Ideias e Práticas e Informação, Educação e Cultura do Departamento de Biblioteconomia dessa
universidade.
A mediação da leitura promovida no espaço pediátrico contribuiu para a discussão acerca da
importância da implantação de espaços como esse que visem a dinamização e o aprendizado em
práticas culturais envolvendo discentes. Espera-se que, com isso, os resultados do presente estudo
possam contribuir para o fomento de políticas dentro na universidade que valorizem o
desenvolvimento de práticas de leitura para crianças e adolescentes, e repensar no papel do
bibliotecário como mediador da leitura no referido contexto social.

�149

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Geyse Maria. A leitura como tratamento: diversas aplicações da biblioterapia. In:
ENCONTRO REGIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO,
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 14., Anais Eletrônicos... São
Luiz, MA. 2011. Disponível em:
&lt;http://rabci.org/rabci/sites/default/files/A%20LEITURA%20COMO%20TRATAMENTO%20dive
rsas%20aplica%C3%A7%C3%B5es%20da%20biblioterapia.pdf&gt;. Acesso em: 01 jan. de 2013.
GUEDES, C. R.; PITOMBO, L. B.; BARROS, M. E. B. Os processos de formação na Política
Nacional de Humanização: a experiência de um curso para gestores e trabalhadores da atenção
básica em saúde. Physis, Rio de Janeiro, v. 19, n. 4, 2009.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2007.
MELLO, Inaiá Monteiro. Humanização da Assistência Hospitalar no Brasil: conhecimentos
básicos para estudantes e profissionais. 2008. Disponível em:
&lt;http://www.hcnet.usp.br/humaniza/pdf/livro/livro_dra_inaia_Humanizacao_nos_Hospitais_do_Br
asil.pdf&gt;. Acesso em: 28 jan. 2013.
SILVEIRA, Letícia da Silva et al. Acessibilidade e Uso da Informação no Ambiente Hospitalar:
um estudo de caso na Sala de Leitura Tabajara Ruas do HCPA. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/senabraille/apresentacoes/Trabalhos/ArtigoAcessibilidade%20e%20Uso%20da%20Informacao%20no%20Ambiente%20Hospitalar.pdf&gt;.
Acesso em: 04 jan. 2013.
ZOBOLI, Elma; ANUNCIAÇÃO, Alan Lira da. Hospital: valores éticos que expressam sua missão.
Revista da Associação Médica do Brasil, v. 54, n. 6, p. 522-528, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ramb/v54n6/v54n6a17.pdf&gt;. Acesso em: 28 jan. 2013.
YUNES, E. Políticas públicas de leitura: maneira de fazê-las. Pensar no livro, n. 3, mar. 2004.

�150

CAPÍTULO XI
O BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO DO ENCARCERAMENTO: DAS INSTITUIÇÕES
ESCOLARES AOS PRESÍDIOS

Eni Maria Zanette

1 INTRODUÇÃO

Ser capaz de aprender, adquirir novos conhecimentos, descobrir, inventar, criar e inovar é
uma necessidade premente do homem moderno. Mais do que ter hábitos aperfeiçoados, é
importante ter flexibilidade e agilidade para adaptar-se às novas mudanças no mundo
contemporâneo. A biblioteca é fundamental para a formação e desenvolvimento humano e social,
constituindo-se como uma fonte propagadora de conhecimento.
Bibliotecas também podem viabilizar o exercício da cidadania, interferindo na formação
consciente do indivíduo, capacitando-o a exercer sua conduta em conformidade com regras,
costumes e demais fatores culturais legalmente aceitos e instituídos. Estando vinculadas a uma
organização específica, as bibliotecas podem exercer a missão socializadora, como acontece nas
bibliotecas prisionais.
Bibliotecas prisionais têm grande importância principalmente para a formação de práticas de
leitura, uma vez que os apenados não têm acesso a jornais, televisão, internet etc. Resta a
possibilidade dos livros como companheiros durante o ócio. No entanto, mesmo sabendo das
contribuições que as bibliotecas prisionais podem proporcionar, a realidade do sistema prisional
brasileiro confirma a falta de gestão e até mesmo a inexistência dessas unidades nos presídios
brasileiros.
Especificamente, refletindo o contexto do Estado do Espírito Santo, segundo o relatório do
Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), de 2008, sobre a situação das bibliotecas no
Sistema Penitenciário, na meta 16, que trata das bibliotecas, descreve que o acervo das bibliotecas
instaladas nas quatro unidades prisionais no Espírito Santo é formado por doações.

Para a

dinamização desse acervo, em geral, é indicado um preso para atuar, que segundo o referido
relatório, conforme transcrito, tal preso é designado para atuar na função de bibliotecário (BRASIL,
2008). Isso vem demonstrar o desconhecimento do Estado quanto ao papel desse profissional e a

�151

importância de sua atuação enquanto mediador e orientador do acesso à informação em sistemas
prisionais.
Esse desconhecimento pode estar relacionado a diferentes fatores, tanto no que se refere à
formação profissional, bem como quanto à divulgação no mercado das novas contribuições que o
profissional pode proporcionar a diferentes espaços que demandem de informação. Sobre essa
questão, faz-se necessário definir um perfil profissional que se deseja, sendo também
imprescindível o desenvolvimento de ações que “[...] divulguem o profissional para o mercado
empregador” (VALENTIM, 2002, p. 118).
Nesse contexto, partiu da seguinte questão norteadora de pesquisa: de que forma a biblioteca
pode contribuir para otimizar a gestão do sistema prisional considerando, em caráter geral, a
realidade nacional e, em caráter particular, a realidade do Espírito Santo? Por decorrência dessa
indagação, o presente texto manifesta-se com a perspectiva de caracterizar as contribuições da
biblioteca contemplando como elemento estratégico a atuação do bibliotecário em ambientes
prisionais, destacando a realidade do sistema prisional brasileiro, em especial, a realidade do Estado
do Espírito Santo.
Metodologicamente, utilizou-se da pesquisa bibliográfica, conduzida por meio da consulta a
livros e artigos científicos que versam sobre esse assunto, tendo em vista buscar embasamento
teórico que justificasse a contribuição do bibliotecário e da biblioteca no contexto prisional.
Além da pesquisa bibliográfica, recorreu-se à pesquisa documental, analisando documentos
jurídicos de natureza primária, os quais fornecem informações para sustentar as atividades a serem
realizadas na unidade prisional. Dentre os documentos primários consultados, citam-se: as regras,
regulamentos, resoluções, portarias, diretrizes e leis do sistema prisional brasileiro e do Estado do
Espírito Santo.

2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

De acordo com a British Broadcasting Corporation Brasil (BBC/BRASIL, 2012), em 28 de
dezembro de 2012, a população carcerária no Brasil obteve o 3º maior aumento do mundo. Nos seis
primeiros meses desse ano, o país apresentou um crescimento de 6% e se continuar com essa
tendência, em breve, será um dos três países do mundo com maior população carcerária absoluta.
Além disso, as condições precárias do sistema prisional brasileiro dificultam a prática de programas
para ressocialização dos presos.

�152

Segundo Kawaguti (2012), o Brasil tem um sistema prisional superlotado, além de um
déficit de vagas de quase duzentos mil. Por meio da fiscalização de Direitos da Organização das
Nações Unidas, o Brasil recebeu como recomendação melhorar as condições das prisões e enfrentar
o problema da superlotação. Conforme levantamento da Pastoral Carcerária para a população
prisional, maior parte dos encarcerados tem baixa escolaridade, é formada por negros ou pardos,
não possui emprego formal e é usuária de drogas.
De acordo com Souza (2008), o perfil do preso brasileiro em sua maioria absoluta é formado
por pessoas pobres. A escolaridade desses compreende 70% com ensino fundamental incompleto e
10,5% de analfabetos. A atividade educativa é desenvolvida por apenas 18%, portanto, 72% estão
em total ociosidade. É uma população jovem, em que mais da metade está na faixa de 18 a 29 anos
entre homens e mulheres. Quase metade dos aprisionados está sob essa condição por causa de
roubos seguidos pelo tráfico de entorpecentes, dentre outros motivos. A reincidência representa
80% dos presos que saem e voltam a cometer crime.
O Sistema Penitenciário Brasileiro apresenta muitas dificuldades e os presos, cada vez mais,
estão convivendo em celas superlotadas, com precárias condições de sobrevivência e com grande
predominância de violência.
Diante disso, percebe-se que o artigo 1°, inciso III, da Constituição Brasileira de 1988, que
dispõe sobre a Dignidade da Pessoa Humana e o artigo 5º, inciso III, ao descrever que “[...]
ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante [...]”, estão sendo
violados (BRASIL, 1988, p. 13).

O sistema penitenciário brasileiro ainda não oferece

possibilidades de apoio para que o detento seja ressocializado.
Ao Estado, compete fazer cumprir essas garantias, que estão asseguradas no artigo 10 da Lei
nº 7.210, de 11 de julho de 1994, conhecida como Lei de Execução Penal (LEP) (BRASIL, 1984).
A Lei 12.245, de 24 de maio de 2010, altera o artigo 83 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1994,
para autorizar a instalação de salas de aulas nos presídios (BRASIL, 2010).
Conforme a LEP, em seu artigo 21, em atendimento às condições locais, cada
estabelecimento será dotado de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida
de livros instrutivos, recreativos e didáticos (BRASIL, 1984).

�153

3 OS SISTEMAS PRISIONAIS E AS BIBLIOTECAS

3.1 DIRETRIZES INTERNACIONAIS
Em 25 de maio de 1984, por meio da Resolução 1984/4715, o Conselho Econômico e Social
da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou treze procedimentos para a aplicação efetiva
das Regras Mínimas, conforme artigo 40 a seguir transcrito: “Cada estabelecimento prisional terá
uma biblioteca para o uso de todas as categorias de presos, devidamente provida com livros de
recreio e de instrução, e os presos serão estimulados a utilizá-la” (UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO, 2013, não paginado). Entre os treze procedimentos, constam a previsão de uma biblioteca
disponibilizada a todos os presos para fins de instrução e recreação.
Em 1985, a Federação Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA),
mediante ao Comitê Permanente da La Sección de Bibliotecas para Personas en Condiciones
Desventajosas (LSDP) reconheceu a necessidade de oferecer serviços bibliotecários e de
informação para um número maior de pessoas que cumprem condenação em unidades prisionais em
todo o mundo. Dentro da seção de usuários especiais, criou um grupo de trabalho sobre bibliotecas
prisionais, com o objetivo de elaborar normas internacionais para esse tipo de serviço. Assim,
durante cinco anos seguidos, uma equipe organizou e desenvolveu conferências, oficinas, reuniões
objetivando aumentar os conhecimentos sobre biblioteca prisional e coletar informações como
subsídio na elaboração e publicação das diretrizes (LEHMANN; LOCKE, 2007).
A primeira publicação das Diretrizes para Bibliotecas Prisionais, a Guidelines for Library
Services to Prisoners ou Pautas para serviços bibliotecários para reclusos foi editada pelo francês E.
Kaiser, em 1992, e traduzido para o espanhol, em 1993. Em sua segunda edição, em 1995, já incluía
informações mais específicas sobre os serviços. Em 2001, o Comitê Permanente da LSDP propôs a
atualização das pautas. Um novo grupo de trabalho assumiu o compromisso de examinar como os
sistemas de bibliotecas públicas haviam expandido os serviços para os indivíduos sob condição de
reclusão, devendo realizar as seguintes atividades: atualizar as informações relativas ao estado atual
das bibliotecas prisionais existentes e conhecidas; e, atualizar as informações sobre as normas
existentes e sobre os métodos utilizados para oferta de serviços pelas bibliotecas. Como resultado

15

As Regras mínimas para tratamento de prisioneiros foram adotadas pelo 1º Congresso das Nações Unidas sobre
Prevenção do Crime e Tratamento de Delinquentes, realizado em Genebra (em 1955), e posteriormente, aprovada pelo
Conselho Econômico e Social da ONU, mediante a sua resolução 663 C I (XXIV), de 31 de julho de 1957, aditada pela
resolução 2076 (LXII), de 13 de maio de 1977 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2014).

�154

dessa investigação, foi publicada a 3ª edição das diretrizes, em 2007, na versão em língua espanhola
(LEHMANN; LOCKE, 2007).
A IFLA e a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura
(UNESCO), em seu Manifesto sobre Bibliotecas Públicas, incluíram, em 1994, as diretrizes para a
oferta de serviços e materiais específicos, para usuários que, por algum motivo, não podem ter
acesso aos serviços e materiais, como pessoas hospitalizadas e detentos (IFLA, 2012). Estabeleceu
ainda que, os serviços devem ser fisicamente disponíveis a toda comunidade. A IFLA espera que
seja oferecida a esses grupos uma coleção renovada.
Assim, diante do exposto, pode-se inferir que, no âmbito internacional, as instituições
reconhecem que a biblioteca é um instrumento de reinserção para o recluso. Na descrição das
características das bibliotecas prisionais, em alguns países - apresentada por Garcia-Perez (2001) há situações, em que os bibliotecários tomaram a iniciativa na promoção de ações decisivas para o
crescimento dos serviços. A biblioteca pública tem um papel importante, por meio do serviço
bibliotecário, de renovar o acervo e buscar fundos. Cada país aplica seus próprios critérios, não
existindo uma norma internacional comum a todos, apenas diretrizes.
Lehmann e Locke (2007), editores das diretrizes ou pautas, descrevem que o objetivo das
Pautas para serviços bibliotecários para reclusos é atuar como uma ferramenta para apoiar
projetos, aplicações e a evolução desses serviços para prisioneiros. Essas diretrizes internacionais
adaptadas sem dificuldades em qualquer local revelam uma aceitação dessas propostas pela maioria
dos países, cujas políticas governamentais locais e nacionais apoiem a existência de bibliotecas
prisionais.
As diretrizes são instrumentos para projetos de novas bibliotecas e avaliação das existentes.
Em caso de não haver diretrizes específicas para a região, as diretrizes propostas pela IFLA e
UNESCO podem ser aplicadas. Servem ainda, como uma declaração geral de princípios sobre os
direitos dos reclusos a ler, aprender e ter acesso à informação. Essas diretrizes são aplicadas à
população de cinquenta ou mais reclusos.

Também são extensivas aos bibliotecários,

administradores

prisionais,

de

bibliotecas,

autoridades

legislativas

e

administradores

governamentais e demais autoridades responsáveis pela administração e financiamento das
bibliotecas prisionais.
De acordo com Lehmann e Locke (2007), as diretrizes para bibliotecas prisionais tiveram
contribuição de vários documentos mundiais. Dentre eles, citam-se:


regras mínimas para o tratamento de prisionais - regra 40: dispõe essa pauta que cada
estabelecimento prisional terá uma biblioteca para o uso de todas as categorias de presos,

�155

devidamente provida com livros de recreio e de instrução, e os presos serão estimulados a
utilizá-la;


la Carta del Lector: instituída em 1994, elaborada pelo Comitê Internacional do Livro e a
Associação Internacional de Editores, publicadas pela UNESCO, declarando que a leitura é
um direito universal;



o Manifesto sobre a Biblioteca Pública da IFLA/UNESCO, de 1995: convoca as
bibliotecas públicas a servir seus reclusos;



el Informe Education em La Prisión: escrito pelo Conselho Europeu, firmado em
Estrasburgo, no ano de 1990, incluindo um capítulo sobre biblioteca prisional. Esse
documento recomenda que as bibliotecas prisionais, para funcionarem, precisam seguir os
mesmos padrões profissionais de uma biblioteca da comunidade; devem ser administradas
por um bibliotecário profissional; satisfazer os interesses e necessidades de uma população
heterogênea; e oferecer livre acesso aos detentos e disponibilizar uma variedade de
atividades relacionadas à alfabetização e leitur.
Lehmann e Locke (2007) ainda mencionam que as pautas para serviços bibliotecários

prescrevem:


alcance: sua aplicação se estende a todos os centros onde existam pessoas encarceradas,
presos, prisões, centros preventivos de prisão, centros de detenção, hospitais e outras
instituições prisionais. São diretrizes válidas para adultos e menores;



administração: a redação das diretrizes para a prestação de serviços bibliotecários deve ser
desenvolvida pelas autoridades nacionais ou prisão local. Essa norma deve enunciar, de
forma clara, a missão e objetivos, assim como as fontes de financiamento e
responsabilidades administrativas para os serviços bibliotecários.

As diretrizes para

bibliotecas prisionais devem servir de base para o desenvolvimento de procedimentos
bibliotecários locais, tratando temas como atividades operacionais da biblioteca;


a coleção: o controle da administração e o financiamento para as bibliotecas prisionais
variam para cada país (Ministério da Justiça Nacional, Governo, Município, Biblioteca
Pública, o Sistema de Bibliotecas, Ministério da Educação e Cultura). Em alguns casos,
diversas organizações governamentais dividem essa responsabilidade, tendo um acordo,
contrato legal que explique a contribuição de cada parte e os serviços que oferecem.
Recomendam, ainda, que a coleção disponha de uma quantidade mínima de 100 livros,
sendo possível o empréstimo de dois títulos por semana para cada recluso. Também, há
orientações quanto às instalações físicas e equipamentos;

�156



quadro de pessoal: recomendam que sejam bibliotecários profissionais com preparação e
habilidades adquiridas na universidade. Na pauta 6.2, recomenda-se que todas as prisões que
tenham mais de 500 detentos devem contar com um profissional em tempo integral e para as
unidades que tenham acima de 1000 devem ter em seu quadro dois bibliotecários. Para as
unidades prisionais que tenham uma população menor, podem reduzir o número de horas de
trabalho do bibliotecário da seguinte forma: população de: 0 a 300 – o bibliotecário terá 24
horas de trabalho semanal. Para a população de 301 a 499, o profissional terá a carga horária
de 30 horas. O resto de profissionais para atender ao quadro de pessoal será selecionado de
acordo com as necessidades da unidade;



responsabilidade: a instituição responsável pela biblioteca deve assegurar no seu orçamento
previsão de recursos para cobrir gastos com pessoal, salários, materiais de biblioteca, acesso
às redes etc.
De acordo com Mischiati e Valentim (2005), o bibliotecário deve ser capaz de atuar de

forma criativa e eficaz, identificando demandas de informação de seus usuários. É responsável pelo
processamento de informações nos diversos tipos de documentos e suportes, existentes no acervo, e
deve dispensar todo conhecimento no tratamento, armazenamento, disseminação, busca e
recuperação da informação. Ainda, segundo as autoras citadas, esse profissional deve ser
conhecedor de novas tecnologias, pois cabe a ele o desenvolvimento de novos serviços, e ser capaz
de atender às expectativas de seus usuários.

3.2 REGULAMENTAÇÃO EM ÂMBITO NACIONAL

No Brasil, inexistem diretrizes ou regulamentação específica sobre características de
bibliotecas em sistemas prisionais, mesmo havendo previsibilidade em diversas legislações e
regulamentações. Durante a pesquisa documental, identificaram-se documentos de amplo alcance,
como a Constituição e a própria Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a qual estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação, a (LDB), dentre outras legislações que, em sua funcionalidade,
oferecem garantias quanto ao usufruto de direitos considerados universais. Analisaram-se, também,
documentos de âmbito internacional com efeito direto nas práticas nacionalmente adotadas pelo
sistema prisional brasileiro, no que se refere, principalmente, à educação e à existência de
bibliotecas.

�157

Na Constituição de 1988 (BRASIL, 1988), reconhecem-se os direitos sociais, dentre eles o
direito à educação, estendido de forma universal aos sujeitos. Esse direito social também alcança o
recluso, incluindo aqueles que não o alcançaram na idade própria.
Sobre a sua regulamentação no Brasil a partir da LDB, cabe salientar a recomendação
prescrita aos sistemas de ensino de assegurar aos jovens e adultos oportunidades educacionais
apropriadas às condições de existência: de vida e de trabalho (CONSELHO NACIONAL DE
EDUCAÇÃO, 2010).
Conforme descreve Claude (2005), educação é a ferramenta indispensável para o
crescimento pessoal, amplia o conhecimento, o saber e o discernimento. É um direito social,
porque, no contexto da comunidade, promove o desenvolvimento da personalidade humana.
Representa um direito econômico, porque favorece a autossuficiência econômica, mediante ao
trabalho. É cultural, porque a comunidade internacional orientou a educação no sentido de construir
uma cultura universal de direitos humanos. A educação é o pré-requisito fundamental para o
indivíduo atuar plenamente como ser humano na sociedade moderna.
Nesse contexto, é bem-vinda a afirmação de Muakad (1990, p. 25), quando discursa que “a
prisão deve ter o mesmo objetivo que tem a educação da infância na escola e na família: preparar o
indivíduo para o mundo a fim de subsistir ou conviver tranquilamente com seus semelhantes”.

3.2.1 Decisões do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP)

As Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil foram regulamentadas pela
Resolução nº 14, de 11 de novembro de 1994, do Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária (CNPCP), consolidada em reunião de 17 de outubro de 1994 e considerando a decisão
do Comitê Permanente de Prevenção ao Crime e Justiça Penal das Nações Unidas, do qual o Brasil
é membro e considerando ainda o disposto na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de
Execução Penal).
Essas Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil obedecem aos princípios da
Declaração Universal dos Direitos do Homem, aos tratados, convenções e regras internacionais de
que o Brasil é signatário (CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E
PENITENCIÁRIA, 1994).
As instruções para a assistência educacional estão previstas na resolução CNPCP nº 14/94,
nos artigos 38 ao 42. Compreendem a instrução escolar na formação profissional do preso,
prescrevendo que instrução primária e cursos de alfabetização são obrigatórios a todos os presos

�158

que não as possuem. A regra 41 determina que os estabelecimentos prisionais estejam constituídos
de biblioteca organizada com livros de conteúdo informativo, educativo e recreativo, adequados à
formação cultural, profissional e espiritual do preso. No artigo 42 está previsto o direito ao preso
participar de cursos por correspondência, rádio ou televisão (CONSELHO NACIONAL DE
POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 1994).
A Resolução nº 1, de 20 de março de 1995, também do CNPCP, viabiliza a aplicação das
Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil, em todos os Estados e no Distrito Federal
em cumprimento à orientação ditada pela Resolução n. 2.858, de 20 de dezembro de 1971, da
Assembleia Geral da ONU e em conformidade com a Resolução CNPCP nº 01/95 (CONSELHO
NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 1995).
O artigo 1º da resolução CNPCP nº 01/95 recomenda às secretarias, responsáveis pelos
assuntos penitenciários nos Estados e no Distrito Federal, a adequação de seus Estatutos,
Regulamentos ou Regimentos Penitenciários, em conformidade com a Resolução CNPCP nº 01/95
(CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 1995).
Em seu artigo 2º, solicita aos Conselheiros Penitenciários dos Estados e do Distrito Federal
que implementem ações e medidas no sentido de efetivar a aplicação das Regras Mínimas para o
Tratamento do Preso no Brasil, considerando que a atuação do Poder Executivo e a assistência do
Poder Judiciário, com apoio do Ministério Público, são imprescindíveis para o êxito social do
cumprimento da pena ou da medida de segurança, na dinâmica do diálogo entre os seus
destinatários e a comunidade (CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E
PENITENCIÁRIA, 1995).
A Resolução nº 3 do CNPCP, de 11 de março de 2009, dispõe sobre as Diretrizes Nacionais
para a Oferta de Educação nos estabelecimentos penais. Tal resolução levou em consideração:


as propostas encaminhadas pelo Plenário do I Seminário Nacional de Educação nas Prisões
(de 2006);



o protocolo de intenções firmado entre os Ministério da Justiça e da Educação com o
objetivo de fortalecer e qualificar a oferta de educação nas prisões;



a responsabilidade dos Ministérios da Educação e da Justiça quanto ao fomento e indução de
políticas públicas de Estado no domínio da educação nas prisões, estabelecendo as parcerias
necessárias junto aos Estados, Distrito Federal e Municípios;



o disposto na Constituição Federal de 1988, na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, bem
como na Resolução nº 14, de 11 de novembro de 1994, desse Conselho, que fixou as Regras
Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil; e

�159



o Projeto Educando para a Liberdade, fruto de parceria entre os Ministérios da Educação e
da Justiça e da Representação da UNESCO no Brasil (CONSELHO NACIONAL DE
POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 2009).
Considerando os documentos antecedentes, tal resolução constitui-se como uma referência

fundamental para subsidiar o desenvolvimento de uma política pública de educação no contexto
prisional, feita de forma integrada e cooperativa, e representa novo paradigma de ação a ser
desenvolvido no âmbito da Administração Penitenciária.
Em seu artigo 2º, garante que as ações de educação no contexto prisional devem estar de
acordo com a legislação educacional em vigor e na Lei de Execução Penal. No artigo 3º e inciso I,
deve-se atender aos eixos pactuados no Seminário Nacional pela Educação nas Prisões, ocorrido em
2006 (CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 2000). Os
eixos propostos nesse evento devem contemplar:


gestão, articulação e mobilização;



formação e valorização dos profissionais envolvidos na oferta de educação na prisão; e



aspectos pedagógicos.
Em seu inciso IV – trata do quesito biblioteca, recomendando que essa unidade deve “[..]

estar associada às ações de fomento à leitura, tendo em vista atender a população carcerária e aos
profissionais que trabalham nos estabelecimentos penais” (CONSELHO NACIONAL DE
POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 2009).
Prevê, ainda, que sempre que possível, devem ser promovidos vínculos entre comunidade e
familiares do preso, ações de inclusão, acessibilidade, respeito ao gênero e às etnias etc. Essa
Resolução faz registro sobre aspectos da gestão da educação no contexto prisional, responsabiliza as
autoridades dos estabelecimentos a propiciar espaços físicos adequados às atividades educacionais
(salas de aula, bibliotecas, laboratórios etc.) e integrar as práticas educativas às rotinas da unidade
(CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, 2009).

3.2.2 Decisões do Conselho Nacional de Educação

A Resolução nº 2, de 19 de maio de 2010, da Câmara de Educação Básica do Conselho
Nacional de Educação (CEB/CNE), definiu as principais Diretrizes Nacionais para a oferta de
educação para jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais.
Com essa resolução, a responsabilidade de oferecer educação é atribuição direta do órgão
responsável pela educação nos Estados, no Distrito Federal (Secretaria de Educação ou órgão

�160

equivalente) e deverá ser realizada em articulação com os órgãos responsáveis pela sua
administração penitenciária, exceto as penitenciárias federais, que são de responsabilidade do
Ministério da Educação (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010).
No artigo 3º dessa resolução, estão as orientações para a oferta de educação para jovens e
adultos em estabelecimentos penais. O inciso II indica as fontes de financiamento, delegadas ao
Ministério da Educação, privilegiando os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de
Educação Básica (FUNDEB) e outras estaduais e federais. O inciso III, abaixo transcrito, salienta a
importância das ações complementares, incluindo–se a implementação, recuperação e manutenção
de bibliotecas:
[...] estará associada às ações complementares de cultura, esporte, inclusão
digital, educação profissional, fomento à leitura e a programas de implantação,
recuperação e manutenção de bibliotecas destinadas ao atendimento à população privada
de liberdade, inclusive as ações de valorização dos profissionais que trabalham nesses
espaços (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010, não paginado, grifo nosso).

O artigo 9º prescreve que a oferta de educação profissional nos estabelecimentos penais
deve seguir as Diretrizes Curriculares Nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação,
inclusive com relação ao estágio profissional supervisionado concebido como ato educativo. O
artigo 11º, seguidamente, prescreve ações exclusivas para educadores, gestores e técnicos que
atuam nos estabelecimentos penais. O parágrafo primeiro do artigo 11º apresenta as orientações
para os docentes que atuam nos espaços penais e as recomendações quanto à habilitação, porém não
consta nenhuma recomendação para o profissional de Biblioteconomia para atuar na biblioteca
(CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010).
De forma complementar à Resolução CEB/CNE nº 04/2010, que define as Diretrizes
Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica, o artigo 21º define as etapas da educação básica
e prevê no inciso VII, a garantia para as pessoas em situação de privação de liberdade, “[...] de
adolescentes em regime de acolhimento ou internação, jovens e adultos em situação de privação de
liberdade nos estabelecimentos penais” (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010, não
paginado).

3.2.3 Decisões de âmbito federal

A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (LEP), em seus artigos 17º ao 21º, também trata da
assistência educacional, prescrevendo a criação de bibliotecas. A biblioteca está confirmada no
artigo 21º, quando dispõe que: “em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada

�161

estabelecimento de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros
instrutivos, recreativos e didáticos” (BRASIL, 1984, não paginado).
Refletindo sobre o teor do artigo 21º da LEP, entende-se que, em atendimento às condições
locais, dotar-se a cada estabelecimento de uma biblioteca, refere-se a uma biblioteca formada dentro
das recomendações legais com previsão de um bibliotecário para a gestão dessa biblioteca, levando
em consideração o tipo de usuário específico e o gerenciamento do acervo, adentrando-se ao perfil
dos usuários.

Esse profissional deve facilitar o acesso e a disseminação da informação com

consciência de seu papel social.
No artigo 10º da LEP, está a responsabilidade do Estado, que é oferecer “[...] assistência ao
preso e ao internado [...], objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em
sociedade”. No artigo 11º – inciso IV, encontra-se a garantia da assistência educacional ao preso,
com destaque para os seguintes aspectos:


previsão para a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado
(conforme artigo 17);



obrigatoriedade na oferta do ensino de 1º grau e integrado ao sistema escolar (conforme o
artigo 18);



ensino profissional ministrado em níveis de iniciação e aperfeiçoamento técnico (artigo 19);



ensino profissional para a mulher (conforme artigo 19, parágrafo único);



previsibilidade de convênios com entidades públicas e privadas para a oferta de atividades
educacionais (conforme artigo 20) (BRASIL, 1984a).
Em maio de 2010, a Lei 12.245, de 24 de maio de 2010, alterou o artigo 83 da LEP, para

autorizar a instalação de salas de aula nos presídios (BRASIL, 2010).
A LEP significou um avanço sendo fortalecida por outras resoluções e diretrizes, tornandose um grande desafio para que seja proporcionado e exigido das autoridades competentes, o seu
cumprimento. Embora a LEP não mencione o bibliotecário para atuação nas bibliotecas prisionais,
entende-se a necessidade desse, uma vez que há escolas em funcionamento. Cabe ao conselho de
classe lutar pela ocupação desse profissional nas escolas prisionais.

3.2.4 Regulamentação de âmbito estadual: o caso do Estado do Espírito Santo

O Sistema Prisional do Estado do Espírito Santo, em relação à etnia dos detentos, indica que
o percentual de pardos e negros representa 78% do total dos detentos e 4,6% são procedentes da
zona rural (BRASIL, 2012).

�162

Em relação à existência de bibliotecas em unidades prisionais desse Estado, consta
registrado no Relatório da Situação Atual do Sistema Penitenciário - Bibliotecas, produzido pelo
Ministério da Justiça (BRASIL, 2008), a existência de quatro bibliotecas. Porém, consta no relatório
do CNMP de 2013 que, das 37 instituições prisionais, há 32 bibliotecas instaladas (CONSELHO
NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, 2013).

Não há relato das atividades que são

desenvolvidas na biblioteca, nem referências dos profissionais que atuam nesses ambientes.
Por iniciativa da Secretaria de Justiça (SEJUS), o Programa Educacional Portas Abertas
para a Educação promove campanha de doação de livros (Livro Aberto), desde 2009. O acervo de
livros das bibliotecas prisionais é proveniente dessa campanha permanente. As bibliotecas das
unidades prisionais do Estado do Espírito Santo têm o objetivo de estimular a leitura e democratizar
o acesso aos livros e suporte para os detentos que estudam nessas unidades (PORTAL DO
GOVERNO DO ES, [2009?]).
Essas bibliotecas contribuem para o trabalho educacional que está sendo desenvolvido nos
ambientes prisionais como reeducação e garantia da remição da pena pela educação.
Essa situação de quase inexistência de bibliotecas funcionando de forma efetiva como um
recurso ressocializador, formador e de incentivo à leitura também foi identificada em recente
pesquisa produzida pelo Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (IASES,
2013), especificamente observando as práticas de leitura e condições da biblioteca disponibilizada
na Unidade de Internação Metropolitana (UNIMETRO), situada no município de Vila Velha (ES),
com capacidade para 120 socioeducandos, entre 17 a 20 anos e 11 meses.
Os resultados obtidos nessa pesquisa indicaram que as práticas de leitura subsistem “[...]
muito mais por força e interesse do agente e da equipe pedagógica, do que propriamente por
iniciativa e política explícita do órgão”. Os dados também coletados, por meio de pesquisa
documental e entrevista realizada com a equipe pedagógica indicaram a ausência de investimentos
regulares, de recursos financeiros e de profissionais habilitados. Sobre a situação da biblioteca, os
dados apontaram para a existência de um espaço adaptado designado Espaço Livre Reconstruir,
composto de estantes, livros, filmes e DVD’s doados, uma mesa e poucas cadeiras plásticas e um
sofá.
Essa realidade evidenciada nos órgãos gestores responsáveis pela ressocialização de
adolescentes e jovens em conflito com a lei anuncia e retrata a situação caótica do sistema prisional
brasileiro, especialmente a realidade do Estado do Espírito Santo. O nosso jovem em conflito com a
lei também não tem sido contemplado em seus direitos fundamentais.
No que se refere à regulamentação dos estabelecimentos penais para o Estado do Espírito
Santo, essa menção está prescrita na Portaria nº 332-S, de 2 de julho de 2003, que constitui o

�163

Regimento Padrão dos Estabelecimentos Prisionais do Estado do Espírito Santo e atende
rigorosamente os Princípios Gerais da Lei de Execução Penal e as Regras Mínimas para Tratamento
dos Presos, instituídas pela ONU (ESPÍRITO SANTO, 2003).
De acordo com o Regimento Padrão dos Estabelecimentos Prisionais do Estado do Espírito
Santo, as unidades prisionais do Estado constituem-se em Sistema Administrativo de Execução da
Pena, administrado pela Diretoria Geral dos Estabelecimentos Penais (DIGESP).
Conforme disposto no art. 3º, os regimes de execução administrativa da pena são
desenvolvidos, por meio de:


I - unidade de Segurança Máxima;



II - unidade de Segurança Média;



II - unidade de Segurança Mínima;



IV - unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico.
No capítulo I, seção IV, trata da Assistência Educacional e Qualificação Profissional. De

acordo com os artigos 79º e 80º, a assistência educacional compreenderá a instrução escolar, até o
primeiro grau, educação de base, profissionalização rural e urbana e desenvolvimento sóciocultural. O programa de educação será mais diretivo e intensificado nas unidades prisionais de
regime fechado. De acordo com o parágrafo único do art. 80º, o preso em regime semiaberto terá
acesso, por opção, a cursos de segundo grau e superior, obedecendo a legislação em vigor
(ESPÍRITO SANTO, 2003).
O Regimento Padrão prevê ainda em seu art. 81º, que o ensino de primeiro grau será
obrigatório, integrando-se ao sistema escolar da unidade federativa, em consonância com o regime
de trabalho da unidade prisional e as demais atividades socioeducativas e culturais. O parágrafo
único desse artigo trata do ingresso ao sistema prisional e a triagem escolar (ESPÍRITO SANTO,
2003).
Em seu artigo 82º, trata das atividades educacionais, que podem ser objeto de ação integrada
ao Fundo de Amparo ao Preso (FUNAP) e conveniadas com outras entidades públicas, mistas e
particulares, que se disponha a instalar escolas, cursos e oficinas profissionalizantes nas unidades
prisionais (ESPÍRITO SANTO, 2003).
O ensino profissionalizante é tratado no artigo 83º do referido regimento e poderá ser
ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico, atendendo às características da
população urbana e rural, segundo aptidões individuais e demanda do mercado. Assim, dispõe o
referido Diploma:
Art. 84º. A unidade prisional disporá de biblioteca para uso geral dos presos, providas de
livros de literatura nacional e estrangeira, técnicos, didáticos e recreativos.

�164
Parágrafo Único. A unidade prisional, através dos órgãos competentes, poderá promover
convênio com entidades públicas ou particulares para ampliação da biblioteca, com a
doação de livros ou programas de bibliotecas volantes (ESPÍRITO SANTO, 2003, não
paginado).

O Regimento Padrão dispõe nos artigos 127º e 128º as recomendações para uso da
biblioteca. Assim, está descrito:
Art. 127º. A unidade prisional disporá de uma biblioteca e o acesso do preso ao acervo darse-á:
I - para uso na própria biblioteca;
II - para uso na própria cela.
Art. 128º. Os livros deverão ser cadastrados, utilizando-se fichas para consultas no local e
nas retiradas para leitura em cela.
§ 1º Qualquer dano ou desvio será ressarcido na forma prevista neste Regimento Padrão,
sem prejuízo da sanção disciplinar correspondente.
§ 2º Durante o cumprimento da sanção disciplinar poderão ser retirados os livros
pertencentes à biblioteca que se encontrarem na posse do infrator.
§ 3º Quando das saídas, sob quaisquer modalidades, o preso deverá devolver os livros em
seu poder (ESPÍRITO SANTO, 2003, não paginado).

O capítulo 3, em seu artigo 129º, trata dos meios de comunicação e recomenda que o recluso
possa ter acesso à leitura e outros meios de comunicação adquiridos às expensas próprias ou por
visitas, desde que submetidos à apreciação da direção da unidade prisional, que avaliará a sua
contribuição ao processo educacional e ressocializador (ESPÍRITO SANTO, 2003).
Tendo como base o aspecto legal do Regimento Prisional do Estado do Espírito Santo e a
alta quantidade de detentos existentes nos presídios capixabas, conforme o regime, é possível
observar que há um grande número de detentos que podem ser incentivados com a leitura.

4 PRÁTICAS DO BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO PRISIONAL

Morigi, Vanz e Galdino (2002, p. 140), descrevendo sobre o bibliotecário e suas práticas na
cidadania, concluíram que a educação é um fator decisivo para que o cidadão possa lutar pelo
exercício e respeito de sua cidadania. O bibliotecário deve ter a responsabilidade social de
proporcionar, como educador, o acesso à informação para que a cidadania efetive-se. Recomendam
que o bibliotecário não deve priorizar apenas as atividades técnicas, mas que busque elementos
teóricos ligados às ciências humanas, para que possa exercer sua atividade profissional de forma
consciente e ética.
Reafirmam que o conhecimento é adquirido, por meio da aprendizagem tácita com a
interação dos sujeitos com o mundo em que vivem. À escola, cabe proporcionar o conhecimento
formal, em que o indivíduo recebe as mais variadas informações. Para Targino (1991, p. 155), não
há exercício da cidadania sem informação, pois para que se possam cumprir deveres e reivindicar os

�165

direitos políticos, sociais e civis, é indispensável a posse da informação. A informação é um bem
comum a todos e faz parte do processo educativo.
O bibliotecário é o profissional que trabalha e trata a informação para torná-la acessível ao
usuário. É responsável pela organização, tratamento e disseminação das informações, garantindo as
boas condições dos materiais armazenados e facilitando o acesso à informação. É ele quem oferece
suporte e disponibiliza informação para a tomada de decisão.
A Biblioteconomia preconiza ações de competência do profissional bibliotecário, um
conjunto de práticas orientadas para que possa trabalhar nos dias atuais em que as transformações
sociais e tecnológicas ocorrem com grande rapidez.
De acordo com o Código de Ética do Bibliotecário, em seu art. 7º, o qual dispõe que o
bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
[...] a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se
recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo; b) tratar os
usuários e clientes com respeito e urbanidade; c) orientar a técnica da pesquisa e a
normalização do trabalho intelectual de acordo com suas competências (CONSELHO
FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002, não paginado).

A Special Libraries Association (SLA), uma organização de bibliotecários especializados,
elaborou um estudo sobre as competências e as habilidades que os bibliotecários devem apresentar
para trabalhar nos dias atuais, considerando as grandes transformações sociais e tecnológicas que
vêm ocorrendo. Segundo o citado estudo, as principais competências que os bibliotecários do século
XXI devem possuir são: conhecimento profundo em recursos informacionais, impressos e
eletrônicos e a capacidade de administrar serviços de informação para atender as necessidades dos
usuários (COMPETÊNCIA PARA OS BIBLIOTECÁRIOS DO SÉCULO XXI, 2012).
Especificamente sobre as atribuições e competências de um bibliotecário que atua em
sistemas prisionais, podemos citar três documentos orientadores:
[...] a American Library Association (ALA) editou o “Library standards for adult
correctional institutions” em 1992, a Library Association (LA) editou as “Guidelines for
Prison Libraries” em 1997 e a International Federation of Library Associations and
Institutions (IFLA) editou em 2005 a última versão das “Internacional Guidelines for
Library Services to Prisoners”. Para além de competências mais específicas ou adaptadas à
realidade do meio prisional, as competências destes bibliotecários são semelhantes às do
bibliotecário da Biblioteca Pública presentes no Manifesto da UNESCO (1994),
relacionadas com a informação, a literacia, a educação e a cultura (EIRAS, 2007, p. 4).

Conforme Perez-Pulido (1997), o início dos programas de leitura nas prisões ocorreu em
1870, a partir do Congresso Nacional de Prisões, em Cincinatti, nos Estados Unidos. As primeiras
normas para biblioteca em prisões americanas surgiram em 1915 publicadas pela American Library
Association (ALA), e atualizadas em 1981, definindo o serviço bibliotecário das prisões como um
suporte e oportunidade para o programa de reabilitação.

�166

Ainda, segundo a autora, em 1981, a Britânica Library Association (LA) publica normas
nacionais para avaliar os níveis do serviço inglês. Países como Canadá, Holanda e Tailândia
possuem normas reguladoras para o serviço bibliotecário nas prisões, o contrário da maioria de
outros países (PEREZ-PULIDO, 1997).
Especificamente, no que se refere às atividades que o bibliotecário pode desenvolver no
âmbito da biblioteca prisional, Carvalho (2016) menciona o desenvolvimento de práticas que
viabilizem o acesso à informação para a comunidade usuária. O acesso à informação constitui uma
das mais importantes missões das bibliotecas, seja elas de natureza prisional, pública, escolar,
comunitária e/ou especializada.
Segundo Carvalho (2016), as bibliotecas prisionais podem funcionar como interlocutoras
com as demais modalidades de bibliotecas, de modo a promover o acesso à informação,
considerando a diversidade de perfis de usuários, os quais se manifestam como os sujeitos da
informação. Essa articulação entre as diversas modalidades de bibliotecas formaria uma prática
reticular de bibliotecas.
Em síntese, é possível elencar quatro categorias de atuação informacional no âmbito da
biblioteca inserida em presídios, conforme demonstrado no quadro 1.
Quadro 1 – Categorias e formas de atuação do bibliotecário na biblioteca prisional
Categoria
Principais formas de atuação (atividades)
Alfabetização/Letramento Informacional
Uso do acervo; Serviço de referência, dentre outras.
Trabalho/Profissão/Emprego
Criação de guias, cartilhas, folhetos e demais
materiais sobre emprego e trabalho; Serviço de
informação utilitária, dentre outras.
Entretenimento e Lazer
Ação cultural; Identificação dos principais interesses
culturais dos sujeitos/usuários como teatro, dança,
desenho, pintura, música etc., visando oferecer
materiais específicos, dentre outras.
Relações Humanas
Transmissão de mensagens, conteúdos e materiais
sobre relações humanas; Criação de guias, cartilhas,
manuais, folhetos, folders, índices e outros materiais
sobre relações humanas, dentre outras.
Fonte: Adaptado de Carvalho (2016).

As quatro categorias descritas por Carvalho (2016) correspondem à somatória de atividades
que podem ser realizadas pelo bibliotecário, tendo em vista promover, de forma criativa e
inovadora, a concretização do que é proposto em cada categoria, consolidando o potencial da
biblioteca para com seu público-avo, o que condiciona, nesse contexto, a consolidação da cidadania.
Sobre a contribuição do bibliotecário para a inclusão social, de acordo com Vicentini e
Mileck (2000) citado por Viapiana (2008), é necessário que os profissionais da informação estejam
capacitados no uso das tecnologias de informação disponíveis e receptivos para trabalhar em
equipes multidisciplinares.

�167

Conforme Eiras (2007, p. 6), o bibliotecário dentro do ambiente prisional enfrenta muitos
desafios e encontra também muitas oportunidades, devido à grande intervenção social. Para o autor,
é na biblioteca prisional que o bibliotecário irá exercer seu papel social, enquanto mediador e
orientador no acesso à informação e conhecimento. A atuação desse profissional, mediante
atividades educativas desenvolvidas nesse espaço na tentativa de ressocializar os usuários, fá-lo um
agente transformador na vida de cada detento.
O bibliotecário é o elemento chave dentro da biblioteca prisional, e para sua atuação,
algumas competências são indispensáveis. Eiras (2007) apresenta as mais necessárias para esse
ambiente, como: ter equilíbrio emocional, postura dinâmica, ter cultura geral relevante, ser uma
pessoa com grande capacidade de adaptação e ser um bom comunicador (dependendo do país, deve
ter conhecimento em outra língua, pois no ambiente prisional há pessoas de outros países). A
liderança é indispensável para trabalhar com esse tipo de usuário, além de ser indispensável ter
criatividade, gostar do que faz, ser um profissional que explore as diversidades culturais e étnicas,
ser criativo, ter boa atenção e possuir conhecimento em legislação penal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A biblioteca no ambiente educacional é de suma importância, pois tem sido o elo facilitador
para o ensino e para a aprendizagem. Para isso, seu acervo deve atender aos objetivos da instituição
mantenedora, ser diversificado, ter quantidade suficiente e ser adequado ao perfil do usuário que se
pretende atender. Além disso, deve estar organizado de acordo com as normas biblioteconômicas e
disposto em ambiente agradável.
As bibliotecas prisionais não são conhecidas como outras modalidades, mas independente da
sua especialidade é como qualquer outra biblioteca que oferece informação, cultura e lazer. A
criação dessas bibliotecas está em crescimento contínuo. A inserção em regulamentos, leis
internacionais, nacionais e estaduais indicam as tendências à concretização dessa realidade.
Observa-se a mudança de pensamento das pessoas em relação à reeducação prisional e
conscientização da contribuição que a biblioteca pode proporcionar a esses usuários, embora o
despertar para a necessidade de um profissional da área de Biblioteconomia ainda não tenha
acontecido. Tanto em âmbito brasileiro quanto no Estado do Espírito Santo, a concretização das
recomendações legais, no que tange à consolidação de bibliotecas prisionais, contendo bibliotecário
como gestor da informação ainda constitui uma utopia, mesmo possuindo uma legislação
transparente e fundamentada quanto a essa questão.

�168

Durante o levantamento bibliográfico, foi verificado que há exigências legais para a criação
de bibliotecas e vaga informação para o perfil do preso que atua no espaço da biblioteca e nenhuma
informação quanto à capacitação para o detento responsável pela biblioteca. Não identificamos
dados sobre os serviços oferecidos e, segundo as informações coletadas, concluiu-se que os serviços
bibliotecários não estão atendendo aos seus usuários com a qualidade necessária e recomendada
pelas diretrizes devido à falta de profissional qualificado em Biblioteconomia.
O avanço da educação prisional e sua regulamentação constante na legislação sinalizam para
a necessidade de debates, discussões, fóruns, no intuito de despertar os dirigentes e autoridades
competentes quanto à compreensão do verdadeiro trabalho do bibliotecário e o comprometimento
de sua inserção no ambiente prisional.
A Lei nº. 12.244, de 24 de maio de 2010, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas
nas instituições de ensino do Brasil, prevê a instalação de bibliotecas em todas as instituições de
ensino públicas e privadas do país, considerando biblioteca escolar a coleção de livros e outros
materiais bibliográficos independente do suporte destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura.
Em seu parágrafo único do artigo 2º, prevê a obrigatoriedade de um acervo mínimo na biblioteca
para cada aluno matriculado e em seu artigo 3º, confirma o respeito à profissão do bibliotecário
(BRASIL, 2010).
Entende-se que, se no ambiente prisional já se encontra a escola, a biblioteca e os alunos,
porém falta o profissional bibliotecário para auxiliar na gestão educacional e contribuir com a
gestão administrativa com a reeducação desse interno, oportunizando o acesso à leitura e
informação (BRASIL, 2010).
Foi possível mediante a literatura analisada, verificar o desconhecimento dos dirigentes
quanto à formação da coleção do acervo, bem como as políticas que norteiam o trabalho nesse
ambiente. De acordo com as informações coletadas, ficou claramente demonstrado que a
composição do acervo é feita apenas de doações, sem apresentar os critérios relevantes para um
bom desenvolvimento da coleção e o conhecimento das características de seus usuários, seus
interesses culturais, educacionais etc.
A biblioteca prisional deve ter em seu objetivo principal a reintegração social dos detentos
por meio das atividades educacionais que serão desenvolvidas e de apoio à formação escolar. Deve
viabilizar o acesso à informação e à educação. Deve promover a leitura como uma forma de
reintegração social e fortalecimento de vínculos da comunidade prisional e seus familiares.
Portanto, a atuação do bibliotecário no espaço prisional deve ser de apoio à gestão prisional, pois é
ele o orientador para o acesso ao conhecimento.

�169

Assim, infere-se que a inserção de um bibliotecário no quadro de funcionários do sistema
prisional, melhoraria o acesso às bibliotecas, devido ao conhecimento da área, podendo serem
criados vários espaços de leitura e diversas atividades de incentivo à leitura. Desse modo, acreditase que deva ser pensado na organização desse espaço chamado de biblioteca e na formação da
coleção que irá compor o acervo, bem como suas políticas.
A questão inicial que norteou a presente pesquisa objetivou caracterizar a contribuição
potencial da biblioteca na gestão de sistemas prisionais. Após exaustivas consultas a documentos e
literatura de natureza técnico-científica, principalmente ligada ao campo da Biblioteconomia,
identificaram-se dois conjuntos de recomendações e de possibilidades de ações típicas ou
apropriadas para esse ambiente: a) as diretrizes recomendadas por organismos internacionais
governamentais ou não, que prescrevem parâmetros desejáveis de ações a serem implementadas; e
b) os relatos de experiência que descrevem práticas bem sucedidas de instituições e profissionais.
Portanto, com base na consulta a diferentes materiais publicados na literatura especializada
ou instituídos no contexto prisional, é possível concluir que a biblioteca tem o potencial de
funcionar como um organismo ou departamento da unidade prisional que condiciona, por meio de
práticas em prol da cidadania, a ressocialização dos usuários do presídio. Sendo assim, o
bibliotecário assume o compromisso em atuar de forma criativa, por meio de atividades que
despertem aos usuários a alfabetização/letramento, a inserção no mercado de trabalho, o
entretenimento e lazer, e, por fim, práticas em prol da humanização nas relações sociais.
Quando ao final desta pesquisa, após análise a uma ampla lista de ações possíveis e
desejáveis, compreende-se que, no contexto prisional brasileiro, especificamente no Estado do
Espírito Santo, há muito que fazer, pois se tem a previsibilidade legal da biblioteca, mas não se tem,
de fato, essa realidade amplamente implementada ou viabilizada a sua potencialidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado
Federal Subsecretaria de Edições Técnicas, 2007.
______. Departamento Penitenciário Nacional. Formulário categoria e indicadores preenchidos:
Espírito Santo - ES. 2012. Disponível em: &lt;http://portal.mj.gov.br/ main.asp?View={D574E9CE3C7D-437A-A5B6-22166AD2E896} &amp;BrowserType=IE&amp; LangID=ptbr&amp;params=itemID%3D%7BC3 7B2AE9%2D4C68 %2D4006%2D8B16%
2D24D28407509C%7D%3B&amp;UIPartUID=%7B2868BA3C%2D1C72%2D4347%2DBE11%2DA2
6F70F4CB26%7D&gt;. Acesso em: 16 jul. 2013.

�170

______. Departamento Penitenciário Nacional. Relatório da situação atual do sistema
penitenciário nacional: bibliotecas. Brasília, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.govome.com/web/?q=relatorio+da+situa%C3%A7%C3%A3o+atual+do+sistema+pen
itenciario+bibliotecas&amp;hl=br&gt;. Acesso em: 05 jun. 2013.
______. Lei Federal n° 7.210, de 11 de julho de 1984a. Institui a Lei de Execução Penal. Brasília,
11 de julho de 1984. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7210.htm &gt;. Acesso em: 15 fev. 2013.
______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação
Nacional. Disponível em: &lt;http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf&gt;. Acesso
em: 01 ago. 2013.
______. Lei nº 12.245, de 24 de maio de 2010. Altera o art. 83 da Lei no 7.210, de 11 de julho de
1984. 2010a. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2010/Lei/L12245.htm&gt;. Acesso em: 10 jun. 2013.
CARVALHO, Jonathas. Bibliotecas prisionais: perspectivas pedagógicas de atuação
biblioteconômica. Revista Biblioo: Cultura Informacional, Rio de Janeiro, jul. 2016. Disponível
em: &lt;http://biblioo.cartacapital.com.br/bibliotecas-prisionais/&gt;. Acesso em: 19 set. 2017.
CLAUDE, Richard Pierre. Direito à educação e educação para os direitos humanos. Revista
Internacional de Direitos Humanos, São Paulo, ano 2, v. 2, n. 2, p. 36-63. 2005.
COMPETÊNCIA para os bibliotecários do século XXI. Adaptado do relatório Competencies for
Special Librarians of the 21st Century" da SLA. 1996. Disponível em:
&lt;http://anawanessabbastos.blogspot.com.br/2012/07/competencias-para-os-bibliotecarios-do.html&gt;.
Acesso em: 05 ago. 2013.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução CFB nº 42 de 11 de janeiro de
2002. Dispõe sobre o Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia. Disponível em:
&lt;http://www.crb14.org.br/UserFiles /File/C%c3%b3
digo%20de%20%c3%89tica%20Bibliotec%c3%a1rio.pdf&gt;. Acesso em: 12 ago. 2013.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica (Brasil). Resolução nº
4, de 14 de julho de 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica.
Disponível em: &lt;http://www.profdomingos.com.br/federal_resolucao_cne_ceb_04_2010.ht&gt;.
Acesso em: 03 ago.2013.
CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA (Brasil). Resolução
nº 14, de 11 de novembro de 1994. Publicada no D.O.U de 2 de dezembro de 1994. Disponível
em: &lt;http://portal.mj.gov.br/main.asp?View={E9614 C8C-C25C-4BF3-A23898576348F0B6}&amp;BrowserType=NN&amp;LangID=pt-br&amp;params=itemID%3D%7B
D4BA0295%2D587E%2D40C6%2DA2C6%2DF741CF662E79%7D%3B&amp;UIPartUID=%7B2868
BA3C%2D1C72%2D4347%2DBE11%2DA26F70F4CB26%7D&gt;. Acesso em: 10 jun. 2013.
CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA (Brasil). Resolução
nº 3, de 11 de março de 2009. Publicada no D.O.U de 5 de março de 2009. Disponível em:
&lt;http://ws.mp.mg.gov.br/biblio/informa/030411637.htm&gt;. Acesso em: 02 jul. 2013.

�171

CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA (Brasil). Resolução
nº 1, de 20 de março de 1995. Aplicação das Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no
Brasil. Publicada no D.O. U. em 23 de março de 1995. Disponível em:
&lt;http://portal.mj.gov.br/main.asp?View={E9614C8C-C25C-4BF3-A238-98576348F0B6}
&amp;BrowserType=NN&amp;LangID=pt-br&amp;params=itemID%3D%7 BD4BA0295%2D587E
%2D40C6%2DA2C6%2DF741CF662E79%7D%3B&amp;UIPartUID=%7B2868BA3C%2D1C72%2D
4347%2DBE11%2DA26F70F4CB26%7D&gt;. Acesso em: 05 ago. 2013.
CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. A visão do Ministério Público
brasileiro sobre o sistema prisional brasileiro. Brasília: Conselho Nacional do Ministério
Público: CNMP, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.govome.com/web/?q=visao+do+ministerio+p%C3%BAblico+brasileiro+sobre+o+sist
ema+prisional&amp;hl=br&gt;. Acesso em: 31 ago. 2013.
EIRAS, Bruno Duarte. Uma janela para o mundo: biblioteca e bibliotecário em meio prisional. In:
CONGRESSO NACIONAL DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTA,
9., 2007, Ponta Delgada (Açores). Anais... Lisboa: BAD, 2007. Disponível em:
&lt;http://www.apbad.pt/Downloads/congresso9/COM59.pdf&gt; Acesso em: 15 fev. 2013.
ESPÍRITO SANTO (Estado). Portaria nº 332-S, de 2 de julho de 2003. Regimento Padrão dos
Estabelecimentos Prisionais do estado do Espírito Santo. Vitória, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.sejus.es.gov.br/download/Portaria_322_S.pdf&gt;. Acesso em: 20 jul. 2013.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES E INSTITUIÇÕES BIBLIOTECÁRIAS
(IFLA). Diretrizes da IFLA para bibliotecas públicas. Brasília: Brinquet de Lemos, 2012.
GARCIA-PEREZ, Maria Sandra. Um acercamiento a las bibliotecas de los centros penitenciários.
Boletim de la Asociación Andaluza de Bibliotecarios, n. 62, p. 79-89, mar. 2001. Disponível em:
&lt;http://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?cod igo=113356&gt;. Acesso em: 10 abr. 2013.
INSTITUTO DE ATENDIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO (IASES).
Violações de direitos humanos no sistema prisional do Espírito Santo. 2013. Disponível em:
&lt;http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/SistemaPrisionalES_2011.pdf&gt;. Acesso em: 10
ago. 2014.
KAWAGUTI, Luis. Brasil tem 4ª maior população carcerária do mundo e deficit de 200 mil vagas.
BBC Brasil, São Paulo, maio 2012. Disponível em:
&lt;http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120529_presos_onu_lk.shtml&gt;. Acesso em: 31
maio 2013.
LEHMANN, Vibeke; LOCKE, Joanne. Pautas para serviços bibliotecários para reclusos. La
Haya, IFLA Headquarters. 2007. Disponível em:
&lt;http://new.pensamientopenal.com.ar/16022009/situacion13.pdf&gt;. Acesso em: 24 ago. 2013.
MISCHIATI, Ana Cristina; VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Reflexões sobre a ética e a atuação
profissional do Bibliotecário. Transinformação, Campinas, n. 17, v. 3, p. 209-220, set./dez. 2005.
MUAKAD, Irene Batista. Prisão albergue. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1990.
MORIGI, Valdir José de; VANZ, Samile Andréa de Souza; GALDINO, Karina. O bibliotecário e
suas práticas na construção da cidadania. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,

�172

Florianópolis, v. 7, n. 1, p. 134-147, jan./jul. 2002. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/index.php/racb/article/viewArticle/390/479&gt;. Acesso em: 12 out. 2011.
PEREZ-PULIDO, Margarita. Averca de lãs bibliotecas de prisiones y sus servicios. Educacion y
Biblioteca, Madri, n. 85, p. 40-44, dez. 1997. Disponível em:
&lt;http://gredos.usal.es/jspui/bitstream/10366/113436/1/EB09_N085_P40-44.pdf&gt;. Acesso em: 27
jun. 2013.
PORTAL DO GOVERNO DO ES. Programa educacional da secretaria da justiça promove
campanha para arrecadar livros. [2009?]. Disponível em: &lt;http://goves.jusbrasil.com.br/politica/1423701/programa-educacional-da-secretaria-da-justica-promovecampanha-para-arrecadar-livros&gt;. Acesso em: 05 ago. 2013.
SOUZA, Fátima. Como funcionam as prisões. 2008. Disponível em:
&lt;http://pessoas.hsw.uol.com.br/prisoes4.htm&gt;. Acesso em: 31 maio 2013.
TARGINO, Maria das Graças Leite. Olhares e fragmentos: cotidiano da biblioteconomia e ciência
da informação. Teresina: EDUFPI, 2006.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Regras Mínimas para o Tratamento de reclusos.
2014. Disponível em: &lt;http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Direitos-Humanos-naAdministra%C3%A7%C3%A3o-da-Justi%C3%A7a.-Prote%C3%A7%C3%A3o-dos-Prisioneirose-Detidos.-Prote%C3%A7%C3%A3o-contra-a-Tortura-Maus-tratos-e-Desaparecimento/regrasminimas-para-o-tratamento-dos-reclusos.html&gt;. Acesso em: 30 jul. 2014.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Formação: competências e habilidades do profissional da
informação. In:______ (Org.). Formação do profissional da informação. São Paulo: Polis, 2002.
p. 117-132.
VIAPIANA, Sueli. A contribuição do profissional bibliotecário nos desafios da inclusão social.
Sociedade e Cultura, 2008. Disponível em: &lt;http://www.webartigos.com/artigos/a-contribuicao-doprofissional-bibliotecario-nos-desafios-da-inclusao-social/8540/#ixzz2cYwOCJ8f&gt;. Acesso em: 20
ago. 2013.

�173

CAPÍTULO XII
PRÁTICAS INFORMACIONAIS DE PRESAS GESTANTES DO CENTRO DE
REFERÊNCIA A GESTANTE PRIVADA DE LIBERDADE DO MUNICÍPIO DE
VESPASIANO-MG: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Andreza Gonçalves Barbosa
Adriana Bogliolo Sirihal Duarte

1 INTRODUÇÃO
[...] a informação não é somente determinada por um fator externo que se ajusta
perfeitamente às necessidades, de acordo com o estudo do Comportamento informacional
propõe, há um conjunto de fatores humanos, pessoais, individuais, coletivos que
determinam sua aderência, de maneira que suas características são microssociológicas,
melhor dizendo, propondo-se ao exercício de olhar para o micro para responder ao
macrossocial (BERTI; ARAÚJO, 2017, p. 395).

O texto aqui apresentado é fruto de dissertação de Mestrado defendida em vinte de
dezembro de 2017 no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Escola
de Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Procuramos
compreender as práticas informacionais de mulheres grávidas e mães presas de um Centro de
detenção específico para elas em Minas Gerais.
Sabemos que no cárcere microsociedades são formadas. Dessa maneira, assim como
acontece fora dos muros da prisão, os sujeitos cativos são produtores e disseminadores de
informação. Ressalta-se que por meio de aparatos legais contidos, por exemplo, na Lei n. 7210, Lei
de Execução Penal (LEP), de 1984, cujo objetivo é humanizar o sistema, por meio de medidas
socioeducativas e ressocializadoras, os cativos têm acesso dentre outros à assistência educacional.

2 BREVE HISTÓRICO

O Centro de Referência a Gestante Privada de Liberdade (CRGPL) foi fundado em 2009, e é
modelo de referência nacional no que tange aos cuidados com mulheres presas mães e gestantes. O
local tem capacidade para receber até oitenta mulheres. À época da pesquisa, o quantitativo de
internas era de 42 mulheres entre 19 a 46 anos de idade. Ao completarem o quinto mês de gravidez

�174

nas prisões tradicionais, essas mulheres são encaminhadas para o Centro para receberem um
tratamento mais humanizado durante a gestação. Caso a criança complete um ano e a mãe não
tenha cumprido sua pena, a guarda da criança é concedida à família. Quando há recusa dos
familiares em receber a criança, ou mesmo quando a presa não possuir familiares que possam
assistir o filho, ele é encaminhado para um abrigo e lá permanecerá durante o período de reclusão
da mãe podendo, conforme o caso, serem adotados.
Alguns postos de trabalho são oferecidos por empresas dentro do Centro. No momento da
pesquisa, duas empresas estavam instaladas no local, sendo uma de etiqueta e uma de lacre. Além
disso, algumas presas trabalhavam na cozinha ou em atividades de limpeza. Algumas presas
exerciam função de cuidadora, ou seja, eram responsáveis pelos cuidados dos filhos de outras
presas, enquanto trabalhavam ou estudavam. A presa que necessita do serviço arca com a
remuneração da cuidadora, pagando por isso o valor de sessenta reais mensais.
O Centro conta com uma mini-biblioteca denominada "Vovozona", nome escolhido pelas
apenadas. A biblioteca conta com livros de assuntos variados, além de uma Caixa Estante, projeto
idealizado pela Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais. Conforme a necessidade,
os livros contidos na caixa podem ser trocados mediante solicitação da direção à Biblioteca Pública
Estadual de Minas Gerais.
A mini-biblioteca é cuidada por uma apenada que fica responsável pela organização do
espaço, empréstimo e cobrança de livros. No CRGPL existe um local destinado ao apoio jurídico.
Ademais, um defensor público visita mensalmente o Centro e chama as presas para falar de seus
casos. Elas também têm acesso a atendimento médico e psicológico. No Centro, são realizadas
algumas palestras voltadas para saúde e cuidados com bebê/criança.
A maioria das apenadas do Centro são oriundas de famílias de baixa renda, advindas de
ambientes de alto risco social. A maioria dos crimes cometidos está relacionado a drogas. O quadro
abaixo apresenta o perfil das onze entrevistadas. Ordenamos o quadro por ordem de entrevista.

�175
Quadro1 - Perfil das entrevistadas
Nome
Idade
Escolaridade

Crime

Condenação

Primeira
Gravidez?

Quantidade de
Filhos

Flor do
Campo

47

F1

Homicídio

13 anos

Não

3

Girassol

20

F2

Tráfico

5 anos e 10 meses

Não

3

Tulipa

25

F2

Latrocínio

13 anos

Não

2

Copo de Leite

21

EM

Tráfico

4 anos e 2 meses

Sim

-

Antúrio

19

EM

Tráfico e
Munição

NI

Sim

1

Alfazema

25

EM

Tráfico

NI

Não

1

Magnólia

21

EM

Tráfico

4 anos e 2 meses

Sim

-

Violeta

32

F1
EM

NI

4anos e 6 meses

Não

5

Rosa

21

Tráfico

12 anos

Não

2

Crisântemo

21

Tráfico e
Homicídio

13 anos

Não

1

Gardênia
29
EM
Tráfico
NI
Não
Fonte: Elaborado pelas autoras
Legenda: F1= Fundamental 1; F2 = Fundamental 2; EM = Ensino Médio; NI = Não Informado.

3

F2

Partindo do pressuposto de que informação e conhecimento são condições sine qua non para
melhoria de vida das pessoas, buscamos compreender as práticas informacionais dessas mulheres
no que tange ao acesso, busca e compartilhamento de informação em um contexto que, apesar de
exclusivo às mães e futuras mães, mostra-se frágil e adverso na busca de reabilitação e,
concomitantemente, analisar as barreiras encontradas por essas mulheres na busca por informação,
sobretudo informações que elas julgassem serem úteis e necessárias às suas vidas no cárcere.
Utilizamos das técnicas de entrevista semiestruturada e observação participante para
compreendermos melhor o contexto estudado.

3 PRÁTICAS INFORMACIONAIS

As práticas informacionais estão inseridas no terceiro paradigma da Ciência da Informação
descrito por Capurro (2003) como paradigma social, abordagem essa originada por meio dos
estudos de Jesse Shera sobre a epistemologia social da informação, confrontando os estudos
anteriores focados nos paradigmas físico e cognitivo. O termo começou a aparecer na literatura de

�176

information seeking em meados das décadas de 1960 e 1970, porém estudos mais aprofundados
sobre o tema se iniciaram a partir da primeira década do século XXI (SAVOLAINEN, 2007).
Essa abordagem salienta a importância de enxergar o indivíduo comum, inserido em um
contexto social e que necessita e busca informação para o seu dia a dia na vida cotidiana. Ou seja,
fora do ambiente de trabalho os indivíduos precisam estar informados e, pensando nessa perspectiva
inserida na Ciência da informação, faz se necessário compreender as práticas informacionais e as
diferentes formas de interação entre as pessoas com o objetivo de entender como elas se informam.
Savolainen (2007) define as práticas informacionais como a investigação de elementos de
busca, uso e compartilhamento de informação, segundo o contexto dos indivíduos. Para Talja
(2005), a diferença existente entre práticas informacionais e comportamento informacional é que a
primeira está voltada para estudos relacionados a pesquisas mais centradas nos campos sociológico
e contextual.
Por não existir uma definição única para o termo, alguns autores vêm desenvolvendo
algumas conceituações em seus estudos. Para Marteleto (1995, on-line), as práticas informacionais
são "mecanismos mediante os quais os significados, símbolos e signos culturais são transmitidos,
assimilados ou rejeitados pelas ações e representações dos sujeitos sociais em seus espaços
instituídos e concretos de realização". Para Araújo (2017),
estudar as práticas informacionais constitui-se num movimento constante de capturar as
disposições sociais, coletivas (os significados socialmente partilhados do que é
informação, do que é sentir necessidade de informação, de quais são as fontes ou recursos
adequados) e também as elaborações e perspectivas individuais de como se relacionar com
a informação (a aceitação ou não das regras sociais, a negociação das necessidades de
informação, o reconhecimento de uma ou outra fonte de informação como legítima,
correta, atual), num permanente tensionamento entre as duas dimensões, percebendo como
uma constitui a outra e vice-versa (ARAÚJO 2017, p. 221).

Percebe-se nos conceitos elencados, a prevalência de que existe uma dimensão coletiva na
ação de cada sujeito, possibilitado por meio das interações sociais e em determinados contextos.
Dessa maneira, esse sujeito recebe, usa, produz, dissemina e compartilha informação.

4 DIÁRIO DE CAMPO

Elaboramos um diário de campo explicitando o dia a dia da pesquisa. Optamos por escrevêlo em primeira pessoa para aproximarmos o leitor da experiência vivenciada. Todos os nomes
constantes a seguir são fictícios para preservar a identidade das entrevistadas. Atribuímos a elas
nomes de rosas ou flores.

�177

O CRGPL está situado na região rural de Vespasiano. Para quem vai de transporte coletivo duas linhas de ônibus realizam o trajeto partindo da estação Morro Alto, já em Vespasiano. O ponto
de parada do ônibus situa-se às margens da Linha Verde, num local com poucas residências. Após
atravessar uma grande passarela, avista-se uma rua estreita. De um lado existe uma clínica de saúde
mental, e do outro, algumas casas similares a chácaras.
Enquanto seguia por essa rua, observei que vários moradores chegavam com muitas sacolas
de compras realizadas em outros bairros, pois próximo ao CRGPL não há estabelecimentos
comerciais. Após alguns minutos de caminhada, avistei o grande muro rosa do Centro. Adiante,
subi uma rampa e bati no portão de ferro, portão esse que contava com uma pequena abertura na
parte superior. Um agente me atendeu e solicitou que lhe entregasse um documento de
identificação, o Registro Geral (RG) para conferência. O sol estava forte e ali permaneci
aguardando por um bom tempo. Quando o portão se abriu, fui recebida com um bom dia até
animado. Como estava de mochila, o agente pediu para que eu retirasse apenas o material que
utilizaria, ou seja, agenda, gravador, caneta e uma garrafa de água. Quanto ao celular, tive que
deixá-lo em um armário, juntamente com meu RG.
Após passar pela porta, cujos funcionários identificam se possuímos ou não algum objeto de
metal, fui conduzida pelo agente até a lateral da entrada onde me deparei com uma agente feminina.
Como estava na condição de pesquisadora, não passei pela revista íntima. Dessa forma, entrei em
um pequeno quarto onde as revistas acontecem. A agente passou um detector de metal em meu
corpo e solicitou-me que retirasse o tênis e levantasse a blusa.
Quando estive na Secretaria e Defesa Social (SEDS), pediram-me para que nos dias da
pesquisa, não vestisse roupas vermelhas. Caso estivesse usando brincos, o mesmo teria que ser bem
pequeno. A não utilização de saias ou vestidos também foi uma exigência. Tive que assinar um
caderno de controle, onde foram anotados todos os pertences que precisei para conduzir as
entrevistas.
Após esse procedimento, levaram-me a uma sala e pediram que eu aguardasse a pedagoga,
pois ela iria me acompanhar todos os dias. Ao avistar a pedagoga, lembrei-me de que já a conhecia,
pois ela já trabalhava no Centro desde 2016, época em que fui explicar e esclarecer questões
relativas à pesquisa para a direção. Foi naquele mesmo ano que participei de uma palestra realizada
no pátio coberto do Centro. À época, o ginecologista que atendia as presas falava sobre gravidez e
higiene. Sentei-me junto delas e, quando surgiam dúvidas, conversava com algumas delas acerca do
assunto da palestra. Determinados assuntos causavam muitas gargalhadas, outros descontentamento
e reclamações. Ressalto que em nenhum momento fui identificada como pesquisadora às presas;
isso só ocorreu quando realizei a primeira entrevista.

�178

Saindo da sala da pedagoga, a primeira porta permite o acesso a um dos pátios do Centro,
cercado por uma tela espessa e por um portão. O primeiro pátio me fez recordar dos pátios de
escola, com algumas mesinhas para a turma se reunir. Tal espaço é reservado para os dias de visita.
Entramos novamente em outro corredor onde estavam agentes à porta. Novamente, tive de assinar
outro caderno de controle. Depois de alguns minutos, o cadeado do portão que dá acesso à primeira
ala foi aberto. Logo na entrada, avistei a biblioteca "Vovozona" que estava com as portas abertas.
Defronte à biblioteca estavam duas presas. Cumprimentamo-nos com um bom dia e uma
delas estava com uma menina no colo, bem alegre, que logo quando me avistou, pediu-me colo.
Nesse momento, olhei para a pedagoga com um olhar de quem procura permissão e ela acenou
permitindo que eu carregasse a criança. Entrei na biblioteca com a criança no colo e percebi que o
local estava organizado.
A presa Tulipa cuida do espaço e disse gostar muito do trabalho. Quando saí, Flor do
Campo, mãe da criança que estava comigo, chegou, pois havia ido buscar sua filha para prepará-la
para o almoço. Flor do Campo foi mãe aos 46 anos no Centro. Além da filha que completaria um
ano de idade em alguns dias, ela tinha outros dois filhos. Flor do Campo nasceu e foi criada na roça,
acostumada a lidar com a terra; disse sentir muita falta da mãe e dos irmãos.
Como a hora do almoço se aproximava e simultaneamente iniciaria o procedimento16, a
pedagoga pediu para voltarmos à sala dela até o término do horário do primeiro almoço. No
primeiro horário, as presas acompanhadas de seus filhos saem das alas e almoçam no refeitório. As
presas que estão grávidas recebem os alimentos (marmitex) nos quartos. Perguntei o porquê da
separação de horário e o porquê de algumas poderem almoçar no refeitório e outras receberem o
marmitex. A pedagoga me explicou que muitas crianças estão em idade de comer alimentos sólidos,
por isso faz-se necessário o trituramento desse alimento até formar uma espécie de “papinha”, o que
não seria possível fazer nos quartos. Outra justificativa é o fato de o espaço ser pequeno e não
comportar muitas pessoas. Após o almoço das internas, é servido o almoço dos funcionários. Fui
convidada para almoçar com eles.
A comida nos foi servida pela janela da cozinha e com a porta fechada. Lá dentro trabalham
algumas presas e uma chefe de cozinha que não é presa. O Centro conta com uma nutricionista que
monta o cardápio da semana. Cheguei até a janela, uma das internas me recebeu com um sorriso e
perguntou-me o que gostaria que colocasse no prato. No dia foi servido arroz, feijão, salada e um
tipo de carne. Como sou vegetariana, não me interessei em saber qual carne seria. Peguei o prato e
os talheres quando a interna que me serviu gritou perguntando se eu não queria a sobremesa. Voltei

16

O procedimento é o nome dado à hora em que o Centro está com poucas agentes de vigia, devido a saída ou retorno
de almoço e/ou outras atividades.

�179

para pegar e ela me entregou um pudim de chocolate que estava em uma embalagem de plástico
fechada com uma tampa. Enquanto almoçava, observava as conversas das agentes e outros
funcionários. O assunto era sobre situações cotidianas, novelas, festas, roupas; tudo ocorria entre
olhares e sorrisos comedidos.
Após o almoço, entramos novamente no primeiro corredor, mas não pude iniciar a entrevista
imediatamente devido ao procedimento. Como a pedagoga tinha outras atividades a fazer, ela me
deixou na primeira ala até que conseguíssemos autorização para, assim, começar a entrevista. Iniciei
uma conversa com as agentes do portão; conversamos sobre o Centro. Quando passava alguma
interna no corredor, elas me falavam: aquela é fulana, aquela é sicrana, e começavam a me contar
sobre o delito por elas cometido.
Aproveitei e pedi para caminhar pelo corredor e pátio até que a pedagoga retornasse. Obtive
autorização e assim o fiz. Andei devagar, entrei nos quartos, cumprimentava as internas, escutava
muito ruído de criança e perfume de sabonete de bebê, pois muitos, naquela hora, estavam tomando
banho. Cada passo que eu dava era acompanhado por olhares atentos das agentes.
Precisei encher minha garrafa de água. Ao perguntar a uma agente onde poderia encontrar
um bebedouro, ela me olhou com um olhar de desconfiança, e antes de me apontar o lugar, pediu
para verificar minha garrafa. Entreguei-lhe a garrafa, ela a balançou, abriu a tampa, e depois me
indicou o bebedouro. Sei que medidas de segurança devem ser seguidas no cárcere, mas, naquela
hora, senti uma angústia e comecei a pensar como deveria ser difícil suportar uma vida confinada
sob vigia.
Em seguida, a pedagoga apareceu e disse que, naquela hora, poderíamos iniciar as
entrevistas. No corredor apareceu Flor do Campo e a pedagoga perguntou se ela gostaria de fazer
parte da entrevista. Meio desconfiada, Flor do Campo aceitou. Fomos ao refeitório, nos sentamos
em uma das mesas. A pedagoga e uma agente ficaram próximas, a uma distância suficiente para
escutar o que conversávamos.
Quando me vi de frente a Flor do Campo, minha primeira entrevistada, a aparente
tranquilidade deu espaço a certa ansiedade. Por mais que tivesse me preparado para aquele
momento, ainda assim me senti um pouco perdida. Tentei demonstrar estar o mais tranquila
possível. Apresentei-me, expliquei do que se tratava a pesquisa e pedi a ela para ler o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Ela me disse que não precisava, pois confiava em mim.
Todavia, enfatizei sobre a importância de ler o documento, pois ele detalhava elementos
importantes sobre a pesquisa, inclusive podendo ela, a qualquer momento, desistir da entrevista. Ela
concordou e leu todo o documento, assinou e iniciamos a entrevista. Flor do Campo era dona de um

�180

par de olhos extremamente azuis, seus cabelos já brancos ultrapassavam a altura da cintura; isso
ficava mais evidente por ela ser uma mulher de baixa estatura.
Pedi a ela que me contasse um pouco sobre sua história de vida. Ela disse que era da roça,
que quando foi presa estranhou muita coisa que ela antes nem sabia que existia.
Quando falava da família, principalmente da mãe, seus olhos ficavam marejados. Parávamos
um pouco até que ela se recomposse e continuávamos após alguns instantes. Durante a entrevista,
ela chegou a me perguntar se eu não havia conhecido seu pai, o Sr. (nome do pai). Segundo ela, ele
tinha um problema mental e perambulava pelo mundo aos berros. Flor do Campo já é avó de um
menino que mora no interior de Minas. Segundo relatou, toda a família, exceto uma irmã, ainda
mora na cidade em que ela nasceu. Flor do Campo, seu filho e o marido encontram-se presos pelo
mesmo crime, homicídio; teriam assassinado uma mulher que ameaçava sua sogra. Ela afirma que
todos são inocentes.
Começamos a falar sobre escola e ela disse que estava prestes a se formar na quarta série do
ensino fundamental. A formatura aconteceria na sexta-feira, último dia da pesquisa. Fiquei curiosa
pra saber como seria a cerimônia. Ela estava feliz e ansiosa para o momento, pois como ela mesma
ressaltou, o que aprendeu ninguém poderia tirar-lhe, e por isso, era muito grata a todos do Centro.
Com relação à saúde dela e da filha, Flor do Campo contou que sua gravidez foi de alto risco e que
todos da área de saúde do Centro, assim como agentes e direção, eram muito atenciosos com ela, e
que, se estivesse na roça, não teria acesso a um bom hospital no momento do parto.
Flor do Campo disse, durante a entrevista, que estava passando por momentos tristes, pois
em poucos dias aconteceria a separação dela e da filha. A filha seria entregue à sua irmã que
morava em outra cidade. Como a filha iria completar um ano em poucos dias, uma festinha de
aniversário seria oferecida no Centro, o que poderia, por alguns instantes, amenizar a dor da
separação. Como Flor do Campo é uma presa com bom comportamento e esforçada, a direção
estava tentando transferi-la para uma Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC),
que funciona como um modelo alternativo ao sistema carcerário tradicional.
Essas unidades não possuem celas, assemelhando-se bastante com o modelo do Centro. Ao
término da entrevista, Flor do Campo disse sonhar com a liberdade e, assim que estiver livre,
voltará para a roça para criar a filha e ficar junto da família.
Durante aquele dia, realizei outras entrevistas. Ao passar pelos corredores e pátios, muitas
presas me cumprimentavam como dona ou senhora. Boa tarde dona, boa tarde senhora. Achei
curioso e perguntei à pedagoga se aquela abordagem era normal. Ela me disse que era uma maneira
respeitosa de tratamento. Já passava das 15 horas e mudamos o local das entrevistas; fomos para o
segundo pátio. Logo na entrada, percebi algo não notado: uma citação grafada numa parede do pátio

�181

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta. Não há ninguém que explique e ninguém
que não entenda" e abaixo, a autoria: Cecília Meireles. Achei impactante, pois no cárcere uma das
palavras mais escutadas é liberdade.
O pátio encontrava-se cheio, a televisão é ligada e o lanche da tarde servido. No Centro as
presas podem assistir TV pela manhã, à tarde e à noite. Os aparelhos são dispostos em dois pátios,
no pátio coberto da primeira ala e no coberto da segunda ala. Elas assistem à novela da tarde e aos
filmes veiculados após a novela. À noite, assistem à novela das vinte horas. Devido à mudança de
horário, as presas solicitaram à direção que a TV ficasse ligada por mais uma hora, pois a novela
acabava por volta de 22:30. O pedido foi aceito e após o horário fixado, a TV é desligada. A novela
sensação do momento era "A Força do Querer", cujo assunto central da trama tratava de uma
mulher casada, mãe de família, que ao ter o marido preso por tráfico, também se envolve com o
crime para ajudá-lo. Essa é a história vivida pela maioria das presas, e talvez, por isso, era a mais
assistida no Centro. Eis a arte imitando a vida.
Ao término do primeiro dia, fui até a direção e perguntei se poderia participar da formatura.
A diretora me autorizou e disse que a cerimônia aconteceria na sexta-feira, às nove da manhã.
No segundo dia, passei pelos mesmos procedimentos. Como já me tornara uma figura
conhecida no Centro, já era cumprimentada com sorrisos mais largos e olhares mais amenos. Ao
passar por uma interna que havia entrevistado no dia anterior, cumprimentei-a pelo seu nome. Nesse
momento ela se virou, olhou para mim e disse: “Dona! a senhora lembra do meu nome?” - e saiu
falando para as outras presas próximas sobre o ocorrido. Naquele momento, vivi na pele o que até
então tinha lido somente em livros e artigos, a questão da importância do nome. O nome nos dá
identidade, nos torna importantes. Ao adentrar o cárcere, uma das primeiras coisas que o sujeito
perde é o nome, passando a ganhar um número de Levantamento Nacional de Informações
Penitenciárias (INFOPEN) que o seguirá por toda a estadia no cárcere.
Nesse dia, as entrevistas foram realizadas em uma pequena sala, onde as agentes
responsáveis pelo local guardam seus pertences. Para chegar ao local, passei por um corredor e
dentro de uma sala encontravam-se algumas presas fazendo crochê. Descobri que elas fazem
trabalhos manuais que são expostos e vendidos em uma feira realizada na Cidade Administrativa
(Sede do Governo do estado). O dinheiro arrecadado com as vendas é dividido entre aquelas que
participam das oficinas.
Durante uma das entrevistas, escutei um burburinho vindo do pátio. Perguntei a entrevistada
o motivo do alvoroço e ela disse que era dia de entrega do papel higiênico. Parei a entrevista para
ela pegar o dela; fiquei na porta observando como tudo acontecia. As agentes chegam com um
carrinho de compras e chamam cada presa para pegar dois rolos. A entrevistada, ao retornar, falou-

�182

me que aquele era um bom dia, pois estavam recebendo dois, pois, às vezes, recebiam apenas um
rolo que deveria durar 15 dias. Segundo informações do Centro, as presas recebem um kit a cada 15
dias, composto por sabão em barra, absorvente, creme dental e sabonete.
Nesse dia em específico, tive que esperar para dar continuidade às entrevistas devido ao
procedimento. Enquanto aguardava, aproveitei para explorar outros locais como a sala de trabalho
artesanal e as salas onde as aulas eram ministradas; corri e fui até a biblioteca para dar mais uma
olhada nas obras. Percebi que havia muitos livros de autoajuda, alguns espíritas de Zibia Gasparetto
e Chico Xavier, algumas bíblias, livros de literatura variados e lá estava ela, a Caixa Estante,
trancada. Fiquei curiosa para ver os livros nela contidos, mas nesse dia as duas diretoras já haviam
ido embora. Sabia que não teria oportunidade de vê-la aberta até o final da pesquisa, pois já estava
atrapalhando bastante a rotina do Centro. Senti-me como intrusa em certos momentos, pois, para a
realização das entrevistas, mudou-se um pouco a rotina do Centro, e nem todos viam tal mudança
com bons olhos.
Durante a pesquisa, descobri que o Centro era uma das primeiras unidades a receber o
projeto Rodas de Leitura do Serviço Voluntariado de Assistência Social (SERVAS) em Parceria
com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP). Nesse projeto, voluntários ensinam
aos presos resenhar um livro. O objetivo principal do projeto é incentivar o gosto pela leitura para
que essa passe a ser uma constante na vida dos internos. No final de cada ciclo, que dura um mês,
os presos têm que fazer a resenha do livro e, caso o juiz daquela comarca aceite, e desde que o preso
(a) consiga tirar uma nota mínima, ele pode remir quatro dias de pena. Achei interessante a
iniciativa e no mesmo dia liguei para a coordenadora do projeto que permitiu minha participação,
desde que conseguisse autorização da diretoria.
Consegui autorização da direção e, nesse dia, fiz as entrevistas pela manhã para que às 14h
horas pudesse participar do Projeto Rodas de Leitura. Fui para a entrada do Centro, pois quis
acompanhar todo o processo desde o início. Às 14h em ponto, duas voluntárias chegaram, passaram
pelo mesmo procedimento na entrada. Apresentei-me a elas, que já sabiam da minha participação, e
nos dirigimos até a sala de aula, onde oito internas já nos aguardavam. Duas estavam carregando as
crianças de quem elas eram cuidadoras. As crianças estavam inquietas. Com o intuito de ajudar, me
ofereci para carregá-las enquanto elas assinavam a lista de presença. Nesse dia, elas aprenderam a
fazer a introdução de uma resenha.
No mesmo dia, conheci Gardênia, mulher falante, que se identificou com algumas partes do
livro trabalhado "Cinderela Pop". Como ela foi uma das primeiras a terminar a introdução,
conversei um pouco com ela, que me disse que também se formaria na sexta-feira; ela iria
completar o nono ano. Perguntei a Gardênia se ela aceitaria participar da minha pesquisa após a

�183

formatura, ela aceitou o convite. Às 15:30 h, as internas foram liberadas, pois o carro do Servas que
leva os voluntários já estava estacionando em frente ao Centro.
Os dias se passaram e, enfim, o dia da formatura havia chegado. Compareci ao Centro,
conforme combinado, bem cedo, pois a formatura começaria às nove da manhã. Logo atrás de mim,
chegou o músico que já havia sido professor das presas e que, nas formaturas, atuava como
voluntário, bem como a diretora do sistema de educação, professores e um pastor. Demoramos
muito para entrar nesse dia, pois os instrumentos do músico foram quase completamente
desmontados na revista.
Quando entrei, encontrei-me com a pedagoga que estava numa correria, pois ela era a pessoa
encarregada a organizar a cerimônia. O dono de uma loja de aluguel de becas estava chegando,
entregou a sacola para ela. A pedagoga pediu para que eu ficasse ao seu lado em todos os
momentos, a fim de evitar alguma confusão, pois o Centro, naquele dia, estava cheio. Seguimos
rumo ao almoxarifado e lá estava Flor do Campo, sentada, sendo maquiada por uma agente. Os
cabelos foram trançados com cuidado. Todas estavam preocupadas em fazer uma maquiagem
perfeita para a ocasião.
A pedagoga pegou a beca e a deixou sobre a mesa. Alguém havia solicitado a presença dela
em outro setor e ela me pediu para ficar ali, na maquiagem, aguardando seu retorno. Flor do Campo
já estava com a maquiagem feita. Faltava apenas vestir a beca. Quando começaram a vesti-la, viram
que a beca tinha ficado muito longa para ela. Pronto, naquele momento, a relativa tranquilidade deu
lugar ao desespero. Procuraram por linha e agulha para ajustarem a roupa, mas nada encontraram.
No intuito de ajudar, peguei um grande grampeador e perguntei se poderia ajudar. Elas deixaram e
fui grampeando a barra da beca com muito cuidado para um lado não ficar maior do que o outro e
para que os grampos ficassem escondidos. Flor do Campo já estava pronta. Faltava a outra
formanda, Gardênia.
A agente me chamou para segui-la e, quando chegamos no outro pátio, deparamo-nos com
um problema. Gardênia ainda estava escovando os cabelos. Sua colega de ala tentava escová-los o
mais rápido possível, mas seu cabelo, apesar de pouco cumprimento, era bastante volumoso. Ela
começou a chorar dizendo que sem os cabelos bem escovados não participaria da formatura. Em seu
dia especial, queria estar bonita. Fizemos um mutirão para ajudá-la, pois os convidados já estavam
inquietos e a hora estava passando. Foi um “segura cabelo” ali, segura aqui, enquanto a agente
começava a maquiá-la.
Após tanto sufoco, trabalho terminado. Gardênia ainda se sentia triste com a franja de seu
cabelo que, segundo ela, tinha ficado mal escovada. Como não tínhamos espelho (proibido no local)
para mostrar-lhe o bom resultado da escova, fiquei pensando em um modo de ajudar. Se ao menos

�184

estivesse com meu celular, poderia tirar uma foto e mostrar-lhe como ficou. Olhei para a mão da
pedagoga, ela portava uma câmera profissional. Sugeri que ela tirasse uma foto de Gardênia para
mostrar-lhe o cabelo. E assim fizemos. Após ver sua foto, ela se acalmou um pouco e seguimos
correndo para a cerimônia.
Quando chegamos ao pátio da cerimônia, era visível o descontentamento no rosto de todos,
decorrente do atraso, com certa razão, pois foram quase 40 minutos de espera. A cerimônia foi
iniciada com o Hino Nacional tocado no saxofone. Todas as presas estavam presentes para
prestigiarem as colegas formandas. Gardênia estava tão emocionada, que lágrimas se misturaram a
sorrisos. Aliás, de todos os presentes, ela foi a única que cantou em alto e bom tom todo o Hino.
Quando o pastor começou a proferir a bênção, a comoção foi geral. A presença da religião
evangélica no cárcere é algo comum. Mesmo quem não se converte à religião costuma frequentar os
cultos que são realizados em dias específicos. As formandas, ao fim da cerimônia, receberam alguns
presentes. Em seguida, muitas fotos e gritos de comemoração e alegria ecoavam no ambiente. A
cerimônia de formatura é também um incentivo para que outras presas comecem a estudar.
Quando o pátio já estava vazio, iniciei a entrevista com Gardênia, que ainda estava
preocupada com a franja e a todo momento me perguntava se eu achava se ela tinha "saído bem na
foto". Por alguns instantes, caímos na gargalhada relembrando o sufoco do dia. Após a entrevista,
fiquei sabendo que aquele também era o “dia da beleza”.
O dia da beleza acontece às quintas-feiras para as mães, e às sextas-feiras para as gestantes.
Nessas ocasiões, elas podem utilizar secadores e chapinhas disponibilizados pelo Centro, assim
como fazer as unhas utilizando alicates e esmaltes de uso pessoal. Elas recebem também uma
lâmina para poderem se depilar. Aos sábados, todas as presas que trabalham no Centro podem
utilizar secador e chapinha. Todos os materiais são distribuídos e conferidos no dia. No caso da
lâmina, após a devolução, confere-se se esse objeto está completo.
Minha última entrevistada foi Crisântemo, moça nova, que a todo instante queria me
intimidar, mostrando-se superior às outras, dizendo-se destemida de tudo e de todos. O que percebi,
no entanto, é que chega um momento em que, devido ao tempo de convivência, parece que
começamos a nos habituar com o lugar. É como se as coisas que ali acontecem não fossem mais
novidade, passando a ser consideradas comuns. Diante disso, não me intimidei e prossegui com a
entrevista. No meio da entrevista, a cuidadora do filho de Crisântemo entregou o filho à mãe, pois
teria aula naquele instante. A partir daí, o semblante da mãe mudou, e a entrevista que até então se
resumia a respostas curtas e ríspidas, transformou-se numa conversa amorosa, envolvendo mãe e
filho. A entrevista tornou-se mais amena, e em determinado momento, Crisântemo disse que se

�185

alguém na sua infância tivesse lhe ensinado o que era certo e errado, ela poderia ter trilhado um
caminho diferente. Refleti e pensei em quantas Crisântemos existem por aí.
Ao final das entrevistas, fui aos setores para agradecer a atenção e a ajuda. No último
momento, caminhei também pelos corredores com o intuito de agradecer novamente a cada presa
participante da pesquisa, mas, devido à dinâmica do local, não foi possível rever todas elas.
Enquanto me retirava do pátio, uma delas gritou: "Tchau, dona Andreza! Vá com Deus! Boa
sorte!”.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como o objetivo da pesquisa era compreender as práticas informacionais dessas mulheres
no que tange ao acesso, busca e apropriação de informações que lhes fossem úteis, concluímos que
o acesso à informação é mediado pelos setores jurídico, psicológico, médico, pelos agentes
penitenciários, pela família durante as visitas e também entre as próprias presas, principalmente as
que tinham mais experiência de cárcere.
Percebemos, por meio da análise de dados realizada mediante aos relatos, que as presas são
mulheres ativas no que tange à busca por informação. Durante as visitas que acontecem aos
domingos, elas mantêm-se informadas sobre outros familiares, sobre os filhos que geralmente estão
sob os cuidados das avós maternas, sobre as novidades do ambiente externo e a respeito dos
companheiros que, geralmente, encontram-se presos em unidades prisionais da Região
Metropolitana de Belo Horizonte.
Quesito importante observado refere-se à atenção dessas mulheres em relação às penas que
lhes serão infligidas, especialmente pelo fato de serem mães ou gestantes – e também com a saúde
dos seus filhos (as). Para isso, recorrem ao setor de saúde disponível no Centro.
Para garantirem seus direitos e manterem-se informadas sobre eles, elas recorriam ao setor
jurídico que, segundo os relatos, apesar de alguns entraves, conseguiam suprir suas necessidades
informacionais jurídicas. Ainda, segundo os relatos, as barreiras encontradas por elas na obtenção
de informação jurídica dizem respeito à dificuldade em obter contato com os defensores públicos;
reclamaram da troca recorrente dos defensores responsáveis por seus casos, pois isso acarretava no
atraso dos processos das mesmas. Apesar de o Centro oferecer palestras sobre saúde, higiene e
cuidados com a criança, as presas disseram ser importante inserir na programação palestras que
explanassem sobre questões jurídicas, de modo a esclarecer algumas dúvidas.

�186

Constamos que havia grande empenho por parte da direção local e da pedagoga em
incentivar as presas na continuidade dos estudos. Participar das atividades escolares, além de
permitir a remição de pena, tornou-se uma prática expressiva para reduzir o ócio no cárcere.
No que tange às práticas de leitura e ao uso da biblioteca, as apenadas disseram que o faziam
como um passatempo nas horas livres, ou, às vezes, eram incentivadas por outras presas que
indicam-lhes obras que tivessem lido e gostado. A leitura da Bíblia servia como um acalanto nas
horas de tristeza, saudade e solidão. Os livros mais procurados eram os de romance e religiosos. Foi
interessante observar em alguns relatos, que algumas presas já possuíam o hábito da leitura no
cotidiano, antes de serem presas, chegando a indicarem alguns livros durante a entrevista. Outras
disseram que a leitura, além de remir pena conforme rege a Regulamentação 44/2013 17 do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), era importante para obterem conhecimento e que assim poderiam
conhecer um novo mundo.
Concluímos que a privação do convívio externo, principalmente familiar, faz com que essas
mulheres lutem para terem de volta aquilo que foi perdido, sobretudo a liberdade e, para isso, elas
utilizam dos aparatos que lhes são oferecidos no Centro como, por exemplo, o apoio jurídico. Dessa
maneira, por mais hostil que o ambiente prisional possa parecer, a realização de práticas para
suprirem as necessidades informacionais das apenadas não deixam de acontecer.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. O que são "práticas informacionais"? Informação em Pauta,
Fortaleza, v. 2, número especial, p. 218-236, out. 2017. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufc.br/informacaoempauta/article/view/20655/31068.&gt;. Acesso em: 24 out. 2018.
BERTI, IIemar Christina Lansoni Wey; ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila de. Estudos de usuários e
práticas informacionais: do que estamos falando? Informação &amp; Informação, Londrina, v. 22, n.
2, p. 380-401, maio/ago. 2017. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/31462/22020&gt;. Acesso em: 04
out.2018.
BRASIL. Lei nº 7210, de 11 de julho de 1984. Institui a Lei de Execução Penal. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 13 jul. 1984. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7210.htm&gt;. Acesso em: 02 out. 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Recomendação Nº 44 de 26/11/2013. Dispõe sobre
atividades educacionais complementares para fins de remição da pena pelo estudo e estabelece

17

Ementa: Dispõe sobre atividades educacionais complementares para fins de remição da pena pelo estudo e estabelece
critérios para a admissão pela leitura, conforme estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

�187

critérios para a admissão pela leitura. Disponível em: &lt;http://www.cnj.jus.br/busca-atosadm?documento=1235&gt;. Acesso em: 15 out. 2018.
CAPURRO, Rafael. Epistemologia e ciência da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte: ANCIB, 2003. Disponível em: &lt;http://www.capurro.de/enancib_p.htm&gt;. Acesso em: 23
out. 2018.
MARTELETO, Regina Maria. Cultura informacional: construindo o objeto informação pelo
emprego dos conceitos de imaginário, instituição e campo social. Ciência da Informação, Brasília,
v. 24, n. 1, jan./abr. 1995. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/index.php/article/view/0000000810/7a0cb81963a4bbfe41e9b1dd8b0a3d8
f/&gt;. Acesso em: 27 out. 2018.
SAVOLAINEN, Reijo. Information behavior and information practice:
reviewing the “umbrella concepts” of information-seeking studies.TheLibrary
Quarterly, Chicago, v. 77, n. 2, p. 109-132, 2007. Disponível em:
&lt;http://www.journals.uchicago.edu/doi/pdfplus/10.1086/517840&gt;. Acesso em: 23 out. 2018.
TALJA, Sanna. The domain analytic approach to scholar's information
practices. In: FISHER, Karen; ERDELEZ, Sanda; MCKECHNIE, Lynne (Ed.).
Theories of Information Behavior. Medford: Information Today, 2005. p. 123-127.

�188

CAPÍTULO XIII
A REMIÇÃO DE PENA PELA LEITURA: O LUGAR DA BIBLIOTECA PRISIONAL NO
PROCESSO DE RESSOCIALIZAÇÃO

Ana Karisse Valença Silva Azevedo
Edivanio Duarte de Souza
"Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como
sendo-o vós mesmo também no corpo”.
(HEBREUS, 13:1).

1 INTRODUÇÃO

A sociedade se organiza numa rede complexa de pessoas, cada uma com sua razão de
existência e, por conseguinte, exercendo papel fundamental para o seu funcionamento. As
diferentes instituições são responsáveis, segundo Lakatos e Marconi (2010), pela definição de
normas e valores específicos dessa conformação social, considerando contextos e finalidades.
A relação entre as pessoas e as instituições mantém e transforma as estruturas sociais. O
homem, na concepção de Durkheim (1978), não pode ser humano senão vivendo em sociedade,
pois é ela que leva os diversos sujeitos a considerar os interesses coletivos e não apenas os
individuais. Isso significa, essencialmente, aprender a viver em comunidade, neutralizar as paixões
e os instintos, obedecer à lei e, em sentido amplo, atender ao contrato social.
A escola e a família, historicamente, procuram formar sujeitos moral e eticamente
comprometidos com o ideal de sociedade. Com efeito, para Setton (2005), as principais instituições
que participam da formação sociocultural da criança são a escola e a família. A falha de qualquer
uma dessas instituições pode ser definitiva para um lapso na construção do caráter humano. O fato
de essas serem essenciais, contudo, não significa que estejam disponíveis a todos, o que pode afetar
na formação de parcela da sociedade, acarretando formas de agir incompatíveis com o que se
considera aceitável e/ou de acordo com a lei, levando-a a situações legitimamente desaprovadas e
passíveis de penalidades legais.
As necessidades básicas do sujeito nessa situação precisam ser supridas pelo Estado, que
deve promover as condições necessárias para a sobrevivência, sem comprometer sua dignidade, e
reeducação para o convívio nos limites do contrato social. A situação de superlotação em que se
encontram os presídios não permite, porém, que o tratamento do preso seja individual e

�189

personalizado, impedindo, em grande medida, a otimização dos resultados no que diz respeito à
ressocialização. Com o objetivo de não deixar essas pessoas à mercê da própria sorte, o sistema
penitenciário tem se utilizado de medidas reintegradoras que incentivam o sujeito a se redescobrir
como cidadão consciente de suas ações e ser racional com capacidade para refletir e decidir acerca
de sua própria vida.
A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, mais conhecida como Lei de Execução Penal (LEP),
busca tornar esses sujeitos úteis a si mesmos e à sociedade. As formas de reintegração têm ocupado
lugar de importância considerável nos debates acerca do cárcere, numa tentativa de afastamento da
reincidência na criminalidade e de reinserção do apenado no convívio social (BRASIL, 1984). Essa
reinserção exerce papel fundamental na formação social, política e econômica dos sujeitos. A
efetividade das medidas capazes de auxiliar na reintegração desses sujeitos à sociedade deve,
portanto, ser de interesse do Estado e da sociedade como um todo.
Nesse horizonte, a leitura é uma prática vista como alternativa para a erradicação da
reincidência criminal, que hoje não é apenas um agravante da criminalidade primária, mas passa a
ser a “espinha dorsal” das carreiras criminais (FANDIÑO MARIÑO, 2002). É importante
considerar, a partir de Freire (1997, p. 11), que o ato de ler “[...] não se esgota na decodificação pura
da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do
mundo”. E mais: “[...] a educação modela as almas e recria os corações, ela é a alavanca para as
mudanças sociais” (FREIRE, 1997, p. 28).
Então, por intermédio da leitura, os apenados poderão alcançar a consciência plena dos atos
praticados, assim como de suas consequências, pois essa é capaz de renovar o sujeito e mostrar que
o conhecimento liberta (OLIVEIRA, 2013, p. 92) e abre espaço para experiências culturais,
exercendo o papel de agente transformador de fundamental importância.
Pensando nisso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Recomendação nº 44,
de 26 de novembro de 2013, instaura a inserção da remição de pena pela leitura no Brasil, que
incentiva os tribunais em todo país a instituírem esse tipo de projeto nos estabelecimentos penais
correspondentes (BRASIL, 2013).
De acordo com o CNJ, essa recomendação já está consolidada em quase todo o país com o
objetivo de contribuir com a promoção da cultura de paz nos estabelecimentos penitenciários,
oportunizando aos apenados o direito ao conhecimento, à educação, à cultura e ao desenvolvimento
da capacidade crítica, por meio da leitura e da produção de resenhas, e, por conseguinte, possibilitar
a remição pelo estudo (BRASIL, 2015). Infelizmente, por causa da ausência de informação e
conhecimento, nem todos os encarcerados reconhecem os benefícios que a leitura traz para suas
próprias vidas.

�190

Sobre isso, Setton (2005) afirma que a prática educativa não é apenas um processo de
aprendizagem formal e sistemático, mas uma prática que influencia diretamente no cotidiano das
relações sociais, possibilitando o crescimento da circulação de informações. Destarte, o sistema
prisional que tem como finalidade reformar sujeitos se utiliza da informação para reinseri-los na
comunidade.
O fato é que promover o acesso à informação é uma tarefa que pode parecer fácil, mas
carrega a complexidade de escolhas adequadas, principalmente, na instituição penitenciária, que
lida com um público específico e cujo acesso à leitura indiscriminada não é adequado. Para que a
circulação de informações ocorra de forma a contribuir com o processo de ressocialização e a
leitura possa cumprir seu objetivo no meio carcerário, se fazem necessárias algumas condições.
Nesse conjunto, destaca-se a disponibilidade de biblioteca e profissionais especialistas em
informação, que tracem estratégias para promover o uso de fontes e recursos informacionais
diversos, considerando o projeto ressocializador.
A mediação do bibliotecário se torna indispensável para que ele seja a ponte entre o livro e o
leitor. Desta forma, a leitura não será apenas uma obrigação ou uma forma de sair dos limites do
presídio, mas de introduzir o apenado em um mundo diferente que trará de volta sua humanidade e
as condições para uma vida nova.
Este capítulo, organizado em cinco seções, tem como finalidade abordar a prática de remição
de pena pela leitura no processo da ressocialização. A primeira seção aborda a contextualização
temática, a delimitação e os apontamentos da discussão. A segunda seção discute sobre a
responsabilidade da sociedade e do governo com a vida e a dignidade das pessoas que se encontram
encarceradas, visto que sua ressocialização trará benefícios para todos. A terceira seção aborda os
benefícios da prática da leitura, principalmente, dentro do cárcere, destacando como ela pode
contribuir na reestruturação das vidas desses sujeitos. A quarta seção discute a importância da
instituição biblioteca e do bibliotecário como agentes ressocializadores dos sujeitos em situação de
cumprimento de pena. Por fim, na quinta seção, são apresentadas algumas considerações e
perspectivas de aprofundamento da temática em discussão.

2 A RESSOCIALIZAÇÃO COMO INTERESSE SOCIAL

Para que a sociedade funcione de maneira adequada, torna-se necessário que os
componentes desta organização descubram em que setor eles poderão se inserir, exercendo sua
função social, política e econômica. A rigor, faz-se necessário que a sociedade disponha de espaços

�191

para que todos os cidadãos operem em sintonia com sua finalidade, realizando atividades
consideradas lícitas, de forma a não ferir as diretrizes da comunidade. O primeiro obstáculo para o
alcance deste ideal é justamente o fato de que o sistema econômico capitalista utilizado em grande
parte do mundo contemporâneo, incluindo no Brasil, não dispõe de espaço para a inserção
igualitária de todos os sujeitos nos diversos meios de produção.
Nesse contexto, Figueiredo Neto et al. (2005) esclarecem que a classe social é uma divisão
gerada pela distribuição desigual de influência sobre os recursos relevantes de uma sociedade. A
posse dos ativos produtivos determina o que as pessoas obtêm, o chamado bem-estar material, e o
que devem fazer para conseguir o que obtêm, que seriam as oportunidades. E mais, o que se tem
implica diretamente naquilo que se pode vir a ter, gerando um círculo vicioso do qual poucos
conseguem se safar.
Os sujeitos que se encontram encarcerados, em sua maioria, são resultado deste sistema que
agride o ideal de sociedade, marginalizando parte da sociedade.
O desenvolvimento preconizado pela sociedade capitalista esteve amparado na economia,
ou seja, no aumento de riquezas materiais. Tal processo garantiu progresso considerável na
ampliação tecnológica e no bem-estar de parcela da sociedade. Em contrapartida, provocou
extremos de privação, pobreza e marginalização social para grande parcela da população
dessa mesma sociedade (CUNHA, 2010, p. 158).

Além disso, a violência instaurada no Brasil, nos últimos anos, resulta em penitenciárias
cada vez mais parecidas com depósitos de infratores, que entram e saem do sistema sem mudança
alguma na forma de pensar e de agir. Assim, o Estado perde o controle financeiro e logístico dos
presídios, o que pode acarretar na privação de alguns direitos previstos em lei, tais como
alimentação, saúde, segurança, trabalho, remuneração, previdência social, descanso, recreação, e
exercício de atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas, desde que compatíveis
com a execução da pena.
A forma de ver e de aplicar a pena sofreu várias alterações ao longo dos anos, na medida em
que a delinquência deixa de ser vista como um comportamento natural ou uma característica
biológica do sujeito e, por conseguinte, sua reintegração social deixa de ser vista como uma forma
de tratamento adequado relativa a outro tipo de doença. No século XXI, o conceito de pena tem
como referência o castigo daqueles que ferem os preceitos morais de uma sociedade instituída. A
pena pode ser privativa de liberdade, restritiva de direitos ou de multa (MIRABETE; FABBRINI,
2015). De modo geral, seja como for, a pena obriga o sujeito a reparar seus atos de forma que
pareça justa ao ofendido.
Para Faustino e Pires (2009), a punição entendida como vingança e tendo como alvo
prioritário o corpo do condenado não era mais suficiente, do ponto de vista social, político e

�192

econômico. Desta forma, diferentemente dos tempos mais remotos, cujas primeiras prisões foram
inspiradas no sistema de mosteiros da Idade Média e impunham ao condenado o silêncio e a leitura
da Bíblia, a ressocialização agora seria resultado de um processo individual de reflexão e de
arrependimento que o infrator efetivaria sobre si mesmo. Esse processo seria possível pelo fato de
que, sendo ele um ser racional e consciente, também poderia, racional e conscientemente,
arrepender-se do mal praticado e, por conseguinte, empreender autotransformações (FAUSTINO;
PIRES, 2009). O sujeito, então, seria protagonista de sua transformação e único responsável por sua
readaptação, numa relação consigo mesmo, utilizando-se dos poucos recursos disponibilizados para
esse fim.
O resultado dessa mudança de entendimento é que as prisões se transformam em ambientes
que buscam tornar os apenados conscientes de seus direitos e deveres, e prontos para o retorno ao
convívio em sociedade, em que a reintegração social do apenado é uma das preocupações centrais.
O sistema penitenciário, nesse contexto, passa a ter um papel determinante na reinserção adequada
do cidadão na sociedade com o restabelecimento de seus direitos e deveres, sem que haja o retorno
à prática de delitos. Por outro lado, se, mesmo após a liberação do sujeito do sistema prisional, não
é possível constatar mudanças positivas de comportamento, isso condiciona a população a pensar
que o sistema prisional é realmente “A escola do crime”, que é cada vez menos visto como lugar de
reintegração.
Existem dois grandes problemas em a prisão assumir esse papel. O primeiro é um dos
princípios fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil, a “dignidade da pessoa
humana” (BRASIL, 1988), conforme o qual, mesmo sendo delinquentes, os sujeitos encarcerados
continuam sendo seres humanos que necessitam de cuidados e atenção. O segundo, por sua vez, é
de ordem estrutural e física, na medida em que é constantemente constatada a incapacidade que os
presídios brasileiros têm de comportar todas essas pessoas. O

conceito

de

reinserção,

para

Figueiredo Neto et al. (2009), diz respeito ao conjunto de atributos que permitem ao sujeito tornarse útil a si mesmo, à sua família e à sociedade. Com efeito, é importante considerar que o
fundamento da prática de reintegração é a assistência na aquisição de meios necessários para a
reinserção do sujeito na sociedade.
Desse ponto de vista, tanto as oportunidades de trabalho quanto os programas educativos e
de treinamento ocupacional para os apenados devem, em tese, reduzir a reincidência e ajudar o
apenado a se preparar para a procura de emprego quando liberado. Pode ser lembrado que o ócio
prisional é, frequentemente, visto como um fator estimulador de recidivismo (FANDIÑO
MARIÑO, 2002).

�193

Nesse contexto, devem ser pensadas políticas públicas que minimizem os efeitos agressivos
do aprisionamento, levando-se em conta que a pessoa condenada perde seu segundo maior bem, o
direito à liberdade, considerando-se que o primeiro é o direito à vida.
Com essa nova perspectiva, pode-se perceber e incentivar a valorização do sujeito, e de sua
capacidade de (re)adaptação de maneira positiva, o que acarretará em benefícios para ele, para a
sociedade e para o Estado. Segundo Faustino e Pires (2009), então, a finalidade da pena não está
apenas ligada à economia, mas também à esfera política, que visa ao controle e disciplina do
apenado, estando os dois vinculados, contribuindo para o mesmo objetivo, a saber, o entendimento
e aceitação das relações sociais vigentes.
As penitenciárias são, quase sempre, caracterizadas por falta de espaço, submissão de muitos
a poucos que detêm o “poder” interno, poucas condições que possibilitem a preferência por um
caminho alternativo e um sistema que os encaminha de volta ao ponto de onde partiram. Essa
situação, muitas vezes, agrega atributos intensificadores do comportamento inadequado que já
apresentavam. Fandiño Mariño (2002) afirma que a prisão tem induzido, ao invés de reduzido a
reincidência de prática delituosas, o que demonstra a falha da efetividade da prisão, que visa
recuperar esses sujeitos e reintegrá-los à sociedade.
Problemas de inúmeras ordens afetam diretamente todas as tentativas de reinserção dos
apenados e instauram a situação calamitosa que frequentemente assola os sistemas prisionais do
Brasil, que sobrevivem em condições precárias. A reincidência criminal é um dos grandes
problemas do sistema penitenciário e da sociedade como um todo. Para diminuí-la, o Estado se
utiliza das chamadas medidas ressocializadoras para os apenados tomarem consciência de si
mesmos e da sociedade em que se encontram inseridos.
A ressocialização, portanto, é de importância essencial para o Estado, visto que a
reincidência criminal afeta todos os setores da sociedade, inclusive o econômico. Porém, esta não é
uma preocupação que cabe somente ao ente estatal, embora as pessoas que vivem na sociedade
sigam como se o que acontece dentro das penitenciárias não fosse do interesse de todos, mas
exclusivamente a responsabilidade do Estado de punir aqueles que não merecem ser parte da
comunidade.
A ressocialização tem a potencialidade de devolver a dignidade humana àqueles que, dadas
as condições sociais, sequer acreditavam que um dia a possuíram. Por este motivo, a reintegração
do apenado é um dever de todos, cabendo, por conseguinte, averiguar se ela está sendo bem
planejada e aplicada, posto que, com medidas efetivas, pode-se começar a observar diminuição da
reincidência que envergonha o sistema prisional brasileiro.

�194

3 A LEITURA NO CÁRCERE: UMA PRÁTICA RESSOCIALIZADORA

Dadas as condições dos presídios brasileiros, as medidas ressocializadoras são alternativas
para impedir, ou pelo menos diminuir, o retorno dos sujeitos que cumpriram pena à prática
criminosa.
A leitura tem sido vista como uma medida ressocializadora que assume o papel de agente
restaurador ou até mesmo formador de estruturas basilares da educação de pessoas encarceradas.
Ocorre que muitos nunca tiveram acesso a um livro ou se viram capazes de ler, visto que a leitura é
largamente tida como prática e costume de pessoas afortunadas, sábias e inteligentes. Barroco
(2004, p. 83) afirma que “a leitura é, acima de tudo, uma construção de significados, apresentandose, portanto, a decodificação de grafemas apenas como um meio de acesso ao texto”. Essa
construção de significados é responsável por dotar a leitura de resultados positivos em ambientes de
ensino.
No cárcere, a leitura encontra morada por vários fatores; o principal deles é a superação do
ócio, dada a situação em que pouco ou nada se tem a fazer, contrapondo ao tempo longo em que
muitos presos permanecerão nesse ambiente. Por esse motivo, seguindo a já anteriormente citada
Recomendação nº 44 do CNJ, os sistemas prisionais em todo país têm instaurado a remição de pena
pela leitura. Mesmo que a principal intenção dos apenados, no início, seja apenas se livrar de uma
pena e esta não ser a ideal, é suficiente para que os benefícios da leitura comecem a aparecer.
Para além dos limites do ócio, Oliveira (2013) apresenta como benefícios da leitura a
otimização, a compreensão, o aprendizado e a experiência. O ato de ler amplia os horizontes e ajuda
na compreensão do porquê das coisas, tem a ver com as formas de expressão do sujeito, e é
responsável por ligar historicamente o leitor ao que é lido. Dessa forma, a leitura é um processo de
compreensão sensorial, emocional, intelectual, fisiológico, neurológico, cultural, econômico e
político. Trata-se de uma experiência pessoal e intransferível, sendo, portanto, a interpretação
submetida ao conhecimento, às experiências e à sensibilidade de cada um.
A leitura, então, transforma convicções subjetivas do leitor, mesmo aquelas que não se
mostram cotidianamente, mas que afetam consideravelmente sua forma de existir e ver o mundo, o
que, consequentemente, dirige suas ações e relações consigo mesmo e com a sociedade à que
pertence. Isso significa a compreensão de que uma das formas possíveis para recuperar a dignidade
outrora perdida pelos apenados é por meio da leitura, que auxilia no desenvolvimento do senso
crítico, na medida em que vai além da escolarização, mas faz com que os sujeitos envolvidos com
esse processo produzam sentido para suas vidas e construam conhecimento individual, de acordo
com a vivência de cada um.

�195

O ato de ler concretiza-se através da busca da velha informação e da nova informação. A
velha informação está directamente ligada aos designados schemata (esquemas cognitivos
associados a um dado conhecimento já armazenado e organizado), sendo o processo da
inferência que decide os esquemas a revelar para tratamento da nova informação
(BARROCO, 2004, p. 85).

Por esse motivo, apesar de algumas fragilidades porventura existentes nos projetos e nas
práticas de remição de pena pela leitura, podem-se considerar alguns resultados positivos do que a
leitura pode fazer por reeducandos em todo o Brasil. A leitura viabiliza junto aos apenados
reflexões acerca de como o mundo e a sociedade funcionam; é capaz de fazê-los entender que,
apesar de ser difícil encontrar espaço num sistema que parece repeli-los, é possível e
recompensador. O ato de ler é capaz de quebrar as correntes sociais a que eles estão presos e incitálos a almejar suas autonomias.
Para além da formação, a leitura pode afetar positivamente os sujeitos encarcerados em seu
processo de reformação. Por esse motivo, é importante que o Estado garanta as condições ideais, ou
o mais próximo disso, para que a leitura aconteça e possa cumprir seu papel. Essas condições são
compostas, entre outros, por materiais de trabalho, fontes de informação adequadas e tecnologias
que facilitem a prática de leitura. Além disso, os recursos humanos utilizados também são
importantes para que a leitura seja eficaz, ou seja, a presença de profissionais adequados para que
haja o incentivo à leitura, a seleção adequada de títulos, a organização e a disseminação dessa
literatura.
Com efeito, esta situação só pode ser concretizada diante de um estudo de usuários
igualmente bem elaborado e aplicado para que as fontes de informação sejam adequadamente
adquiridas, tornando-se indispensável a presença do bibliotecário. Além desse, se faz necessário o
espaço físico da biblioteca, que seja apresentado como local responsável por assegurar o saber,
promover a cultura, proporcionar o ócio e o lazer, e educar e formar (BARROCO, 2004). Com essas
condições, a leitura se torna um agente ressocializador de importância imensurável para aqueles que
almejam a reintegração na sociedade.

4 AGENTES RESSOCIALIZADORES NO CONTEXTO DA LEITURA

Conforme já discutido, a ressocialização dos apenados é um interesse de todos e a leitura,
um instrumento eficaz nesse processo. Nesse mesmo horizonte, as bibliotecas prisionais se tornam
indispensáveis para que o trabalho seja completo e os resultados, correspondentemente satisfatórios.

�196

Além dos benefícios para a sociedade, a biblioteca é um direito previsto por lei aos presos.
“[...] Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para
uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e didáticos”
(BRASIL, 1984). Tendo o Estado reconhecida a importância das bibliotecas em lei, deve-se,
portanto, manter sua posição e contribuir com as condições para implantá-las.
A biblioteca prisional é vista por muitos como um favor desmerecido aos apenados. Essa
infeliz perspectiva acaba por perpetuar o afastamento da responsabilidade do Estado e da sociedade
para com a ressocialização dos que se encontram encarcerados. Isso acontece porque, para muitos, a
biblioteca, num estabelecimento prisional, é um luxo a que a própria população livre não tem
acesso. E, talvez, por esse motivo, a biblioteca prisional como um direito dos presos é pouco ou
nada discutida. Esse estado de carência acarreta a sensação de que as penitenciárias que a possuem
receberam um favor do Estado, quando na verdade é apenas este ente cumprindo sua obrigação na
ressocialização do preso. Não se pode perder de vista que:
o direito à educação pressupõe de imediato o direito ao acesso à informação, uma vez que a
informação é parte do processo educativo. [...] A informação é um direito social do
indivíduo e o acesso a ela é exatamente esse direito de ser informado, o direito de saber das
coisas, numa linguagem muito simples (MORIGI; VANZ; GALDINO, 2002, p. 142).

Reconhecido o importante papel da leitura em ambientes prisionais, vem o questionamento
da necessidade de uma biblioteca. Afinal, para que tirar os presos das celas? A entrega dos livros
nas celas não é suficiente? Ocorre que a biblioteca não é apenas um local de guarda de livros, mas
um espaço de disseminação de informação e de cultura, que permite aos apenados um (re)acesso à
sua cidadania e à sua dignidade.
Apesar de se referir a bibliotecas públicas, é importante mencionar o amplo e fundamental
papel desta instituição apontado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e
a Cultura18 (UNESCO, 1994), ao afirmar que as bibliotecas devem promover a democracia, a paz, o
bem-estar, o repouso espiritual dos cidadãos, a tolerância, a pluralidade de pensamentos, a educação
para todos e o acesso a informações diversas.
Pode-se afirmar que, respeitando os limites do que é permitido para sujeitos em situação de
cárcere, os objetivos citados acima devem ser cumpridos também pela biblioteca prisional. A
relevância dessa instituição é reafirmada quando a LEP coloca como ponto a ser mensurado em

18

Acrônimo de United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. A UNESCO é uma agência
especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), fundada em 4 de novembro de 1946 e sediada em Paris, com
a finalidade de contribuir com a paz e segurança no mundo por intermédio do desenvolvimento e da implementação de
planos, projetos e ações de educação, ciência e cultura.

�197

censos penitenciários “[...] a existência de bibliotecas e as condições de seu acervo [...]” (BRASIL,
1984).
Outro ponto que vale a pena destacar é a Lei Federal de nº 13.163, de 9 de setembro de 2015,
que modifica a LEP e estabelece a oferta do Ensino Médio nas Penitenciárias. Por esse lado,
começa-se a pensar nos benefícios não apenas de uma biblioteca prisional para apenados, mas
também tudo que a biblioteca escolar pode fazer por eles na condição de alunos (COSTA et al.,
2016). O fato é que, sob essa perspectiva, esta biblioteca, agora com carga dupla de
responsabilidade, tem o dever de formar e reformar sujeitos por intermédio, respectivamente, da
assistência educacional e da reinserção social.
A biblioteca prisional não pode atuar como um repositório de livros; é preciso que seja um
organismo em crescimento, na concepção da quinta Lei de Ranganthan (2009) 19 e, por isso,
necessita passar por todos os processos técnicos e administrativos próprios de uma biblioteca, assim
como pelo trabalho de estudo de usuário e desenvolvimento de coleções.
É importante considerar que, além da biblioteca, faz-se necessária a presença de um
bibliotecário. Essa constatação decorre, além da existência de atividades privativas desse
profissional, da prática de complexos processos informacionais que envolve este tipo de instituição.
As bibliotecas que atendem a leitores em ambiente prisional, levando em consideração os
diferentes níveis de literácia e as condições em que se encontram, devem servir como
centros de informação, fornecendo recursos que supram as necessidades básicas de
informação, que compreendem a recuperação da informação, a leitura recreativa e a
aprendizagem. Tomando como referências as características da clientela, faz-se necessário
formar suas coleções, levando em consideração a questão da censura em relação ao direito
dos presos e, concomitante, a escolha adequada, de modo que esses conteúdos sejam úteis
no processo de transição do apenado ao convívio da sociedade (TONIN; SOUZA, 2014, p.
49).

Um leitor que se forma dentro do sistema prisional, possivelmente, será um leitor fora dele,
que procurará aprimoramento de seus conhecimentos e continuar ampliando seu acesso à
informação.
Morigi, Vanz e Galdino (2002, p. 141) chamam a atenção para a responsabilidade social da
biblioteca, mas também do bibliotecário, quando afirmam que “a informação é considerada um bem
simbólico e o seu acesso é essencial para que a cidadania se efetive de forma plena, sendo assim o
profissional deve colocar-se de forma ativa diante de sua responsabilidade social como educador”.
O bibliotecário precisa se colocar num local de agente transformador na atuação da biblioteca como
espaço de ressocialização dos sujeitos.

19

Também conhecidas como as Leis da Biblioteconomia, Ranganathan, a partir de estudos sobre as condições das
bibliotecas, desenvolveu cinco leis, a saber: os livros são para serem lidos, todo leitor tem seu livro, todo livro tem seu
leitor, poupe o tempo do leitor, e uma biblioteca é um organismo em crescimento (RANGANATHAN, 2009).

�198

Apesar de não constar explicitamente a necessidade de um bibliotecário em bibliotecas
prisionais, em seu art. 21, cap. V, a LEP se preocupa com as condições dos acervos de bibliotecas
penitenciárias como fator a ser observado nos censos sobre educação em prisões, visto que aquelas
seriam primordiais para o desenvolvimento dessas, e para o auxílio do preso em sua ressocialização
(BRASIL, 1984). Dessa forma, considera-se que, para a reeducação ser bem-sucedida dentro da
prisão, se faz necessária a presença do bibliotecário, pois ele é o profissional que consegue manter
um acervo em condições ideais para uso devido e melhor aproveitamento.
Assim como qualquer outra biblioteca, a prisional precisa realizar diversos serviços de
qualidade, tais como formação e desenvolvimento de coleções (seleção, aquisição, avaliação e
desbastamento), estudos de uso e de usuários, catalogação, classificação, atendimento aos usuários e
empréstimos, entre outros.
Não se pode perder de vista que os presos têm preferências literárias e se faz necessário o
incentivo, por meio de obras que possam ser de seu interesse. Por isso, é preciso uma seleção de
livros adequados baseada num estudo de usuário que leve em consideração a situação peculiar em
que se encontra cada um deles, mas, acima de tudo, que os leve para o caminho do que é
considerado correto, que os incentive a procurar uma nova forma de viver e os leve a reflexões de
onde estão e para onde querem ir.
Coincidência ou não, um dos livros mais requisitados pelos internos das quatro
penitenciárias federais é “Crime e castigo”, de Dostoiévski. Um clássico da literatura
mundial, a obra conta a história de um jovem que enfrenta dilemas morais e existenciais
após decidir matar uma agiota. “Nota-se, nessa obra, a que ponto o ser humano pode chegar
por causa do dinheiro”, escreveu um detento em uma resenha sobre o livro. “Crime e
castigo” foi a primeira obra a ser doada para o projeto, que foi criado em 2009 na
Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). A doação partiu de juízes federais do Paraná.
Desde então, se espalhou por diversas cadeias pelo país (LINDEMANN, 2017).

É reconhecida a relevância de estudo de usuário completo que leve em consideração as
condições de privação, mas ainda que faça com que o gosto do leitor tenha relevância. O
bibliotecário possui duas principais atribuições em bibliotecas: primeiro, e mais conhecida (ainda
que aquém do ideal), é a técnica, por meio de atividades como as já citadas; a segunda tem a ver
com o trabalho social do bibliotecário, que vai desde a promoção do acesso à informação, passando
pelo fomento da leitura e a formação de leitores, à potencialização do resgate da autonomia e da
construção da cidadania (COSTA et al., 2016).
Os serviços bibliotecários permitem aos prisioneiros o uso mais proveitoso de seu tempo,
como também lhes possibilitam ampliar seus desenvolvimentos pessoais e obter conhecimentos
gerais que contribuam para aliviar a tensão do enclausuramento. Porém, até os próprios
bibliotecários parecem desconhecer esse fato, e agem como se suas obrigações fossem meramente
técnicas e como se a sua própria responsabilidade social fosse nula.

�199

A falta de um bibliotecário fere o processo de ressocialização e faz com que o trabalho da
biblioteca e, consequentemente, da leitura seja sofrido e que atue de forma superficial, e, ainda, que
alguns objetivos sejam alcançados. Assim, sem a atuação profissional, não é possível a
consolidação do papel desses para a ressocialização em larga escala, atingindo a totalidade dos
presos que se propõem a ler.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ressocialização dos sujeitos em cumprimento de pena é a medida a ser tomada para a
redução do recidivismo criminal, pois é por meio dela que os sujeitos serão realocados na sociedade
e encontrarão seu espaço de forma legal. O sucesso da ressocialização dentro dos presídios
influencia a sociedade como um todo de forma positiva, pois, além de desafogar o sistema prisional,
devolve a dignidade do apenado, diminui custos do governo e diminui a criminalidade na
comunidade, visto que o ex-apenado não será mais um perigo para a sociedade, desde que o
processo de reinserção seja efetivo.
Na medida em que a ressocialização é um benefício de todos, passa a ser responsabilidade
não só do sistema prisional, mas da sociedade em geral. Primeiro, o Estado na condição de provedor
deve munir o sistema das condições necessárias para a efetivação dos processos necessários. A
sociedade tem o papel de acompanhar e cobrar do Estado medidas e condições melhores na
execução do processo. E, complementarmente, os apenados, que devem utilizar todos os benefícios
que lhes são oferecidos de forma responsável, para melhor aproveitamento dos recursos do Estado.
A leitura, nesse processo, é vista sob uma perspectiva de prática transformadora de caráter e,
consequentemente, de vidas e destinos, na medida em que, por intermédio dela, o preso encontra
libertação mental, quando consegue se ver fora dos muros do encarceramento a partir de sua
imaginação. A leitura proporciona conhecimento, entretenimento, resgate à dignidade, incentivo à
educação, melhora no vocabulário e aprimoramento da escrita dos sujeitos encarcerados. Além de
promover a reflexão acerca de suas condições e do ambiente em que se encontra, a leitura pode
auxiliar o sujeito na compreensão da sociedade em que se insere, do papel que ele assumia como
delinquente e, como contraponto, do papel que ele pode vir a assumir na condição de sujeito
reformado pelo Estado. Por esses e outros motivos, a leitura é considerada uma das medidas
eficazes de ressocialização de apenados em todo o país.
A biblioteca e o bibliotecário se apresentam como componentes das condições necessárias à
efetiva ação da leitura como medida ressocializadora. A biblioteca atua como local de reinserção na

�200

cultura, cujos apenados conseguem exercitar sua capacidade de escolha e seu senso de
responsabilidade para com o patrimônio estatal. Com a visita à biblioteca, o preso começa a se
familiarizar com o convívio fora das celas e tem acesso aos serviços oferecidos pela biblioteca
prisional, que pode ser uma biblioteca escolar, visto que muitos dos apenados concluem seus
estudos dentro da prisão.
O bibliotecário, por sua vez, vem como um agente capaz de possibilitar o melhor
aproveitamento do espaço da biblioteca e da leitura, visto que sua presença otimiza o tempo do
leitor, por meio de diversos serviços. A atuação desse profissional é de importância fundamental
para a prática da leitura, desde a seleção de títulos que sejam adequados e desejáveis, até a atuação
social do profissional, que ajudará a devolver a dignidade desses sujeitos.
A biblioteca, o bibliotecário e a leitura considerados em conjunto podem fazer com que a
experiência carcerária seja menos ociosa, e mais proveitosa, na forma como incentiva os presos ao
encontro com a informação que necessitam, que os levará para reflexões e lugares que antes não
tiveram oportunidade de estar. Há, contudo, um processo de exclusão, porque, embora querendo
participar, o sujeito não encontra em si mesmo condições para isso, por não saber ler, escrever ou
até organizar as ideias em um texto. A rigor, alguns apenados permanecem sem oportunidade de
recuperar o tempo e a informação que perderam. Dessa forma, os projetos de remição de pena pela
leitura não podem ser desvinculados da educação básica, na medida em que ela dará condições
necessárias para essa participação.
Para aperfeiçoamento dos projetos de remição de pena pela leitura, é imprescindível a
participação do bibliotecário para que, numa relação interdisciplinar entre Biblioteconomia, Ciência
da Informação, Direito, Psicologia, Serviço Social e áreas afins, considere-se o contexto cultural e o
regime de informação do ambiente prisional. Essas condições, certamente, promoveriam a melhor
qualificação e o maior aprofundamento na execução dos projetos, sendo possível, assim, o alcance
de resultados melhores e de maior abrangência.

REFERÊNCIAS

BARROCO, J. A. Bibliotecas escolares e formação de leitores. Braga, 2004.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF:
Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Presidência da República. Decreto-lei nº 12.433, de 29 de junho de 2011. Altera a lei
7.210 de 11 de julho de 1984. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20112014/2011/lei/l12433.htm&gt;. Acesso em: 16 dez. 2018.

�201

BRASIL. Presidência da República. Lei nº. 7.210, de 11 de julho de 1984. Institui a Lei de
Execução Penal. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7210.htm&gt;. Acesso
em: 22 ago. 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Recomendação nº 44, de 26 de novembro de 2013.
Dispõe sobre atividades educacionais complementares para fins de remição da pena pelo estudo e
estabelece critérios para a admissão pela leitura. Brasília, DF, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=1235&gt;. Acesso em: 15 abr. 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Remição pela leitura já é realidade em diversos presídios
brasileiros. CNJ Conselho Nacional de Justiça, 30 jun. 2015. Disponível em:
&lt;http://cnj.jus.br/noticias/cnj/79760-remicao-pela-leitura-ja-e-realidade-em-diversos-presidiosbrasileiros&gt;. Acesso em: 15 dez. 2018.
COSTA, A. et al. Bibliotecas prisionais catarinenses e ausência do bibliotecário. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 874-886, ago. 2016. Disponível
em: &lt;https://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/view/1256/pdf&gt;. Acesso em: 09 dez. 2018.
CUNHA, E. L. Ressocialização: O desafio da educação no sistema prisional feminino. 2010. 21f.
Tese (Doutorado) - Curso de Letras, Universidade Estadual Paulista, Campinas, 2010. Disponível
em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v30n81/a03v3081.pdf&gt;. Acesso em: 18 jun. 2018.
DURKHEIM, E. Educação e Sociologia. Rio de Janeiro: Melhoramentos e Fundação Nacional de
Material Escolar, 1978.
FADIÑO MARIÑO, J. M. Análise comparativa dos efeitos da base socioeconômica dos tipos de
crime e das condições de prisão na reincidência criminal. Sociologias, Porto Alegre, n. 8, p. 220244, jul. 2002. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/soc/n8/n8a10&gt;. Acesso em: 07 jun. 2018.
FAUSTINO, E. R.; PIRES, S. R. A. A ressocialização como finalidade da prisão: algumas
considerações sobre seu significado. Sociedade em debate, Pelotas, v. 2, n. 15, p. 91-109, jun.
2009. Disponível em: &lt;http://revistas.ucpel.tche.br/index.php/rsd/article/view/355/312&gt;. Acesso
em: 15 dez. 2018.
FIGUEIREDO NETO, M. V. et al. A ressocialização do preso na realidade brasileira: perspectivas
para as políticas públicas. Âmbito jurídico, Rio Grande, 2009. Disponível em:
&lt;http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=6301&gt;. Acesso em: 19
ago. 2018.
FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 32. ed. São Paulo:
Cortez, 1996.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Sociologia geral. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
LINDEMANN, C. Livros que libertam: detento bate record no Programa Remição pela Leitura.
Biblioteconomia social, maio, 2017. Disponível em:
&lt;https://biblioteconomiasocial.blogspot.com/2017/05/livros-que-libertam-detento-baterecord.html&gt;. Acesso em: 07 dez. 2018.
MIRABETE, J.; FABBRINNI, R. N. Manual de direito penal. 31. ed. São Paulo: Atlas, 2015.

�202

MORIGI, V. J.; VANZ, S. A. S.; GALDINO, K. O bibliotecário e suas práticas na construção da
cidadania. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 7, n. 1, p.134-147,
jan. 2002. Disponível em: &lt;http://www.brapci.inf.br/index.php/article/download/11082&gt;. Acesso
em: 11 dez. 2018.
OLIVEIRA, R. H. S. Leitura que liberta: uma análise sob a ótica da portaria conjunta 276/12 de
remição pela leitura. Cadernos da Escola de Direito e Relações Internacionais, Curitiba, v. 1, n.
19, p.66-94, jan. 2013. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/cadernosdireito/article/view/3028&gt;. Acesso
em: 20 jan. 2018.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA
(UNESCO). Manifesto da IFLA/UNESCO sobre as bibliotecas públicas 1994. Paris, 1994.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos/Livros,
2009.
SETTON, M. G. J. A particularidade do processo de socialização contemporâneo. Tempo social:
revista de sociologia da USP, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 335-350, nov. 2005. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ts/v17n2/a15v17n2&gt;. Acesso em: 12 set. 2018.
TONIN, J. H. C.; SOUZA, E. D. A seleção de fontes de informação em bibliotecas prisionais do
Estado de Alagoas: do direito às condições de acesso à informação do usuário apenado. Ciência da
Informação em Revista, Maceió, v. 1, n. 1, p. 47-63, jan./abr. 2014. Disponível em:
&lt;http://www.seer.ufal.br/index.php/cir/article/download/1303/904&gt;. Acesso em: 15 abr. 2018.

�203

CAPÍTULO XIV
A FUNÇÃO DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA NAS REGIÕES INACESSÍVEIS AO
CONHECIMENTO

Igor de Souza Bento
Ana Carolina Silva da Cunha
Gleice Pereira

1 INTRODUÇÃO

Na antiguidade, o homem já criara meios de registrar o conhecimento para que auxiliasse as
gerações futuras na sobrevivência e no desenvolvimento. A informação com o passar do tempo e
com o avanço tecnológico teve vários tipos de formatos, desde seu início com pinturas rupestres até
a atualidade com documentos digitais.
Vivemos na sociedade do conhecimento, em que a mesma pessoa o consome, produz e
disponibiliza em rede via youtube, facebook, twitter ou outras ferramentas, as quais criam novos
valores, porém, o conhecimento encontra-se fragmentado. Segundo Morin (2013), em tais
condições, as mentes jovens perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes e integrálos em seus conjuntos.
Por meio da análise à história da humanidade, a biblioteca se mostrou palco das mudanças
de pensamento da sociedade e até a atualidade seu poder não pode ser despercebido mesmo perante
uma sociedade permeada de links e informações que aumentam “vertiginosamente nos bancos de
dados, nos hipertextos e nas redes” (LÉVY, 1999, p. 13).
Para isso, precisamos traçar um panorama da sociedade atual e os desafios contemporâneos
e como a biblioteca pode auxiliar nas incessantes mudanças da humanidade. A biblioteca
comunitária é um importante centro de disseminação da informação, incentivo à leitura e de acesso
democrático.
Também possui grande potencial incentivador de desenvolvimento da fala e escrita de
crianças e adultos de uma comunidade, além de, no caso de biblioteca já informatizada, ser uma
grande chance de inclusão digital para seus frequentadores. A biblioteca comunitária fornece a seus
usuários espaço para pesquisa e estudo; oferece o resgate da cultura popular e proporciona
autonomia na busca, cabendo somente ao usuário avaliar o que é mais relevante para a sua pesquisa.

�204

A biblioteca comunitária quando bem estruturada e com o acervo atualizado para atender
todas as possibilidades de busca, tende a cativar o leitor e conquistar sua frequência no ambiente.
Nesse espaço, é importante que o mediador se mostre sempre solícito e disposto a oferecer um
serviço de qualidade. Desse modo, o usuário adquire, cada vez mais, independência em suas buscas,
podendo realizá-las posteriormente sem supervisão. A biblioteca comunitária valoriza a
comunidade, promove o exercício da cidadania, não há diferença social, todos possuem o mesmo
acesso à informação, o que incentiva a educação.
Objetiva-se, neste estudo, conceituar o que vem a ser uma biblioteca comunitária, buscando
analisar a potência dessa unidade de informação como disseminadora, e realizar um breve relato
acerca da realidade de uma dessas instituições e o acesso à informação que a mesma oferece.
O interesse pela abordagem do tema biblioteca comunitária surgiu ao realizarmos no ano de
2015 uma visita técnica à Biblioteca Comunitária do Bairro Laranjeiras, cidade de Serra, Estado do
Espírito Santo, em que foi possível presenciar, no momento da visita, o admirável trabalho sendo
realizado, e vimos a importância dessa biblioteca para a comunidade, na qual está localizada, e o
número significativo de usuários atendidos diariamente.
Assim, buscou-se realizar um estudo de caso na biblioteca comunitária de Laranjeiras,
utilizando o método de entrevista estruturada, com visita in loco para realizar a coleta de dados,
sendo a análise dos dados de teor qualitativo.

2 DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À INFORMAÇÃO

Dilúvio, assim exemplifica Lévy (1999), relacionando o evento bíblico a atual quantidade de
informação acessível à maioria das pessoas. Do século XX voltado para produção de tecnologia, a
sociedade da informação passou a ser a sociedade do conhecimento no século XXI, produzindo
conhecimento em tempo real, desfazendo antigas estruturas de poder, ao mesmo tempo em que deu
luz às novas.
Mesmo com grandes avanços tecnológicos e científicos, com dados tão importantes sendo
acessados, desaprendemos lidar com a vida e nosso relacionamento com os outros, ao buscarmos
respostas às dificuldades enfrentadas; notamos que cada tempo do saber aponta uma direção; esse
fenômeno ocorre, pois, o conhecimento produzido encontra-se fragmentado e desconexo e mesmo
utilizando ferramentas de alto poder de recuperação, selecioná-las de forma adequada se torna um
desafio (MORIN, 2001; MOSÉ, 2013).

�205

Além do aumento de informação, há o aumento populacional, aproximando, cada vez mais,
os excluídos. Observamos, assim, os desdobramentos de um movimento que começou há muitos
anos em todas as esferas da sociedade. Portanto, cabe a nós,
[...] apenas que permaneçamos abertos, benevolentes, receptivos em relação à novidade,
que tentemos compreendê-la, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim
reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta
da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural (LÉVY, 1999, p.
12).

Morin (2003) enfatiza a necessidade de “uma cabeça bem-feita”, que não devemos apenas
acumular o saber sem primeiro selecionar e organizar de forma que tenha sentido, e em vez de
acumular o saber, o que realmente importa é dispor ao mesmo tempo de aptidão geral para colocar e
tratar os problemas e de princípios de organização que permitam ligar os saberes e lhes dar sentido.
Criada junto com a democratização do acesso à informação e produção de conhecimento, a
proposta do sistema de ensino tem induzido a redução e fragmentação da complexidade ao simples,
pois fraciona os problemas, eliminando, assim, as oportunidades de um julgamento corretivo ou de
uma visão a longo prazo.
A informação é a base do conhecimento; sem ela não adquirimos o saber. Segundo Barreto
(1994, p. 1),
a informação, quando adequadamente assimilada, produz conhecimento, modifica o
estoque mental de informações do indivíduo e traz benefícios ao seu desenvolvimento e ao
desenvolvimento da sociedade em que ele vive.
Assim como agente mediador na produção do conhecimento, a informação qualifica-se, em
forma e substância, como estruturas significantes com a competência de gerar
conhecimento para o indivíduo e seu grupo.
A questão que se coloca agora é a de como se trabalhar com a informação enquanto
estruturas significantes, no sentido de direcioná-la ao seu propósito de produtora de
conhecimento para a sociedade. Como se organiza, controla e distribui de maneira correta,
política e socialmente, a informação, considerando a sua ingerência na produção do
conhecimento.

As bibliotecas públicas, incluindo, é claro, a biblioteca comunitária, tem um papel enorme
na educação de seus usuários, visto que é um espaço onde se encontra acesso à informação para o
desenvolvimento do conhecimento. Dessa forma, a biblioteca contribui para o letramento
informacional, que surge a partir do momento que se observa a demanda de auxiliar as pessoas a
desenvolver habilidades e competências na busca e recuperação da informação, tornando-as capazes
de aprender de forma autônoma ao longo da vida.
Serviços de referência e de educação de usuários foram criados para auxiliar os leitores a
entender a estrutura peculiar daquele espaço e a lidar com as fontes de informação ali existentes.
Segundo Campello (2009), focalizar as competências das pessoas e não no serviço da biblioteca,
contribui para a aprendizagem. Esse cuidado do bibliotecário é refletido na maneira como a

�206

informação é disponibilizada ao usuário, e seu interesse em conhecer como seu público acessa
aquela informação.
“O desenvolvimento da inteligência geral requer que seu exercício seja ligado à dúvida,
fermento de toda atividade crítica [...], o conhecimento comporta, ao mesmo tempo, separação e
ligação, análise e síntese” (MORIN, 2003, p. 22-24). A leitura crítica pode propiciar esse ambiente
de desenvolvimento.
A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá, e a que me
dou, e cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito. Ao ler não me
acho no puro encalço da inteligência do texto como se fosse ela produção apenas de seu
autor ou de sua autora (FREIRE, 1996, p. 15).

A partir do momento em que nos envolvemos com novos pontos de vista, por meio da
leitura, adentramos em um “mundo novo”. A esse respeito, Sartre (2008, p. 78) declara que:
[...] quando todos os caminhos estão barrados, a consciência precipita-se no mundo mágico
da emoção, precipita-se por inteiro, degradando-se, ela é nova consciência diante do mundo
novo, com essa presença a si mesma, sem distância, de seu ponto de vista sobre o mundo.

É necessário, portanto, estar em contato com os mais diferentes tipos de conhecimento. As
bibliotecas, que por décadas se mostraram símbolo do saber para uma minoria rica e dominante, por
volta do século VXIII, passa a abrir as suas portas a todos. Para Foucault (1997 apud
LAPLANTINE, 2006, p. 1),
antes do final do século XVII, o homem não existia, como também o poder da vida, a
fecundidade do trabalho ou a densidade da linguagem, é uma criatura muito recente que o
demiurgo do saber fabricou com suas próprias mãos há menos de duzentos anos [...] uma
coisa em todo caso é certa, homem é uma invenção e a arqueologia de nosso pensamento
mostra o quanto é recente, e quão próximo talvez seja seu fim.

Dentre os vários tipos de bibliotecas, destacamos a biblioteca comunitária pela proximidade
com os usuários e pela característica de surgir ou ser implantada no bojo de uma comunidade que,
em um dado momento, conscientizou-se que a informação traria mudanças significativas a seus
utilizadores.

3 BIBLIOTECA COMUNITÁRIA: O QUE É?

Primeiramente, para que se discorra sobre biblioteca comunitária é necessário entendermos
o que viera ser uma comunidade, e, por definição, comunidade é estado do que é comum, ou seja,
um agrupamento social que se caracteriza por acentuada coesão baseada no consenso espontâneo
dos indivíduos que o constituem. Bauman (2003, p. 7-8) define comunidade como:

�207

[...] um lugar “cálido”, um lugar confortável e aconchegante [...] lá fora, na rua, toda sorte
de perigo está à espreita, temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção com quem
falamos e a quem nos fala, estar de prontidão a cada minuto [...] Aqui, na comunidade
podemos relaxar – estamos seguros, não há perigos ocultos em cantos escuros (com certeza,
dificilmente um “canto” aqui é “escuro”).

No delinear da história, foi notada a necessidade de reunir as informações, com o fim de
produzir conhecimento. Com isso, surgiu a biblioteca, uma organização de caráter cultural com
acervo de informação organizado e que presta serviços informacionais à comunidade, que
corresponde ao alvo de seu trabalho (CAVALCANTI; CUNHA, 2008). Na definição tradicional, é
um espaço físico em que se guardam livros, porém a mesma possui uma complexidade superior a
essa definição: a biblioteca é todo espaço – físico, virtual ou híbrido – destinado a uma coleção de
informações que se encontra nos mais diversos formatos como o impresso, digital, 3D, dentre
outros.
As tipologias ou modalidades de unidade de informação são determinadas pelas funções e
serviços ofertados pela mesma, pela comunidade a que se destina, e pela instituição em que ela está
vinculada. Essas unidades podem ser de critério multidisciplinar, ou seja, aquelas que atendem o
público em geral, ou podem ser específicas e possuir conteúdo especializado em determinada área
do conhecimento e atingir um público-alvo, também, bem delimitado. Dentre os principais tipos de
bibliotecas existentes, podemos listar a pública, universitária, comunitária, escolar e especializada.
Segundo Machado (2008), as bibliotecas comunitárias e os espaços públicos de informação
foram as maneiras com que a comunidade encontrou para levar acesso à informação para seus
membros e também de combater as desigualdades sociais.
A biblioteca comunitária é um importante agente social, que auxilia no desenvolvimento
intelectual da comunidade, pelo fato de possuir interface de atendimento direto com os usuários e
permitir uma interação dos mesmos no que diz respeito ao acesso, trazendo, assim, possíveis
crescimentos pessoais, intelectuais e profissionais para os freqüentadores, a maioria, membros
pertencentes à comunidade.
De acordo com Machado (2009, p. 6),
objetivamente, essas bibliotecas devem criar mecanismos para colaborar no
desenvolvimento da sua comunidade, potencializando os próprios talentos dos indivíduos e
das comunidades, constituindo-se como espaços públicos voltados para emancipação, onde
a prática cidadã possa aflorar de forma inovadora, criativa e propositiva. Nessa linha de
pensamento, pudemos identificar algumas particularidades que as distinguem da biblioteca
pública: a forma de constituição: são bibliotecas criadas efetivamente pela e não para a
comunidade, como resultado de uma ação cultural; a perspectiva comum do grupo entorno
do combate à exclusão informacional como forma de luta pela igualdade e justiça social; o
processo de articulação local e forte vínculo com a comunidade; a referência espacial:
estão, em geral, localizadas em regiões periféricas; e, o fato de não serem instituições
governamentais, ou com vinculação direta aos Municípios, Estados ou Federação.

�208

Cidadania é um status concedido àqueles que são elementos integrais de uma comunidade
(TARGINO, 1991). Observamos, porém, que não há mais limites Estado-nação; podemos dizer que,
atualmente, há um cidadão do mundo proveniente da globalização e relação diferente de espaço.
Sobre a reforma do pensamento,
[...] além disso, todos os problemas particulares só podem ser posicionados e pensados
corretamente em seus contextos, e o próprio contexto desses problemas deve ser
posicionado, cada vez mais no contexto planetário (MORIN, 2003, p. 14).

A aprendizagem também deve oferecer a possibilidade de contextualizar, ter espaço ao
debate e também deve contribuir para o enraizamento de cada sujeito na sua história e cultura
vinculando-o a história da humanidade e do próprio mundo. O sistema capitalista em seu estímulo
ao consumo continua a cercear a informação apenas para os que possam pagar por ela. A biblioteca
deve acentuar seu caráter cultural, diversificando seus serviços e dispondo de informação utilitária,
para benefício de seu público-alvo. Como nos lembra Targino (1991, p. 1),
[...] é preciso conscientizar o bibliotecário de que o objeto de sua profissão é a informação e
de que ele deve agir como catalisador e difusor do conhecimento dentro da comunidade,
advindo daí seu potencial político como autor de mudanças sociais. É urgente transformar o
bibliotecário em instrumento de democratização da informação [...] cumpre-nos então,
neste momento, exercer nossa função de educador, dentro de determinados objetivos
definidos democraticamente pela comunidade [...].

Apesar dos autores pioneiros no tema bibliotecas comunitárias contextualizarem sobre o
fato de a biblioteca comunitária ser criada a partir de insumos da própria comunidade, Todêska
(1984, p. 18) afirma que “[...] são raríssimos no país inteiro os casos de bibliotecas que tenham, de
fato nascido por iniciativa da comunidade, e mais ainda, tenham-se desenvolvido de acordo com os
interesses e necessidades dessa mesma comunidade”.
Em meio a esses raríssimos casos, podemos destacar a biblioteca comunitária de Laranjeiras,
pois, a mesma, segundo relatos de profissionais que ali atuam desde seu nascimento, surgiu por total
interesse da própria comunidade, ou seja, feito pelos moradores para atender as necessidades da
própria comunidade.

4 BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DE LARANJEIRAS

A história do bairro Parque Residencial Laranjeiras começou com a chegada dos primeiros
moradores no final do mês de abril de 1978, ocasião em que as unidades habitacionais começaram a
ser entregues aos seus compradores, nesse caso, denominados de cooperativados.

�209

É necessário notar a natureza de cooperativa habitacional desse conjunto residencial, tendo
como

órgão

administrador

a

Cooperativa

Habitacional

dos

Trabalhadores

Capixabas

(COOPHABCAP), estando a orientação técnica dessa cooperativa a cargo do Instituto de
Orientação às Cooperativas Habitacionais do Espírito Santo (INOCOOPES) - que dirigiu, no caso,
o processo de formação dessa cooperativa.
Logo no primeiro mês de vivência, a população residente, de forma espontânea, começou a
fazer referência aos problemas de infraestrutura existentes, tais como: transporte coletivo deficiente,
água potável em condições inadequadas ao consumo, segurança pública, telefones públicos,
ausência de calçadas nas ruas, áreas públicas de lazer, escola pública, manutenção de áreas verdes,
asfaltamento deficiente, dentre outros problemas de importância para comunidade. Assim,
convocou-se uma reunião para que os moradores discutissem essas questões e apontassem formas
mais eficientes de encaminhamento. Nessa primeira reunião, constatou-se a necessidade de
organizar a população em torno de uma associação dos moradores. Inicialmente, foi formada uma
comissão provisória de seis membros para já encaminhar as reivindicações levantadas, proceder a
organização da associação dos moradores e apresentar um anteprojeto de Estatutos.
A Associação de Moradores do Parque Residencial Laranjeiras foi oficialmente fundada no
dia 23 de julho de 1978, cujo objetivo principal era o de assegurar os moradores do bairro a
efetivação dos seus direitos fundamentais, buscando solução dos problemas, promovendo o seu
desenvolvimento comunitário e proporcionando a seus associados condições para realização das
funções de habitar, trabalhar, recrear, desenvolver e manifestar.
Pela necessidade expressa pelos próprios moradores, surgiu a ideia inicial da criação de uma
biblioteca no centro comunitário, que seria um espaço para leitura, pesquisa e empréstimo.
Aprofundando-se mais da necessidade da comunidade, entendeu-se que o tipo de biblioteca a ser
desenvolvida não poderia ser da forma tradicional e sim, uma biblioteca viva, dinâmica,
participativa, vinculada a todas as iniciativas culturais e reivindicativas do bairro.
Estipulou-se como objetivo de a biblioteca ser realmente comunitária, participando das lutas
contra tudo aquilo que causasse impedimento da realização cultural da comunidade. A intenção foi
de transformar a biblioteca comunitária no centro cultural do bairro, onde se concentrasse todas as
iniciativas da comunidade e apoio às novas manifestações culturais populares.
Quando se tornou difundida a ideia da criação da biblioteca comunitária, obteve-se todo o
apoio do bairro e de pessoas de fora, materializando em inúmeras doações de livros, bem como, o
incentivo e a colaboração, não só com doações de livros, mas também, com conhecimentos técnicos
oriundos da Biblioteca Pública Estadual e da Associação dos Bibliotecários.

�210

Em 31 de outubro de 1981, foi realizada, no Centro Comunitário da Associação de
Moradores, uma festa para o ato de fundação da Biblioteca comunitária, que contou com o apoio do
Departamento Estadual de Cultura e uma programação com diversas apresentações culturais.
Em sua estrutura real, a biblioteca comunitária pertence à associação de moradores, é
patrimônio do bairro, politicamente livre, independentemente de qualquer conotação políticopartidária, sendo que as decisões tomadas para seu fundamento e administração partem da própria
comunidade.
O movimento diário é constante, pois todos os integrantes da comunidade podem fazer uso dos
serviços dessa unidade de informação, desde o empréstimo ao uso de internet gratuita.

5 O COTIDIANO DA BIBLIOTECA

Foi realizada uma entrevista estruturada com uma colaboradora da Biblioteca Comunitária
de Laranjeiras, buscando ouvir relatos sobre o nascimento da biblioteca e a sua jornada de atuação
até os dias de hoje. Os resultados dessa investigação são apresentados, a seguir.

- Porque as bibliotecas comunitárias, em geral, têm dificuldades em se firmarem?
- Porque no geral elas são mantidas pela associação de moradores; no entanto, quando muda a chefia da associação
surgem novos interesses; alguns têm consciência da importância da biblioteca, e outros não. Um exemplo claro deste
fenômeno pode ser constatado no bairro Feu Rosa do mesmo município; existia a biblioteca comunitária, mas, quando
mudou a chefia da presidência do bairro houve conflitos de interesses e a biblioteca foi fechada, pois na visão da nova
gestão, a mesma não era relevante.

- A política interfere na criação e mantenimento dessas bibliotecas?
- Infelizmente em sua normalidade a política do nosso país não favorece a educação. Em diversas questões podemos
constatar a influência da mesma na educação e no acesso à informação, e com pesar digo que ela tem grande
influência e na maioria das vezes não favorável. Também existem muitas disputas de poder de ego.

- A que se atribui a longa permanência da biblioteca aqui no bairro Laranjeiras?
- A biblioteca nos primórdios de sua existência era administrada pelos próprios moradores do bairro. Em seguida por
necessidade e exigência da chefia da associação de moradores da época foi contratado um bibliotecário, que teve
grande influência no desenvolvimento da biblioteca. Passado algum tempo com a mudança da chefia da associação, o
profissional foi desligado; logo em seguida fui convidada a atuar nessa unidade, e com bastante louvor me orgulho do
trabalho que aqui exerço até os dias atuais. Fui muito bem recebida pela comunidade; pude contar com o apoio de
todos. Grande foi minha satisfação ao atuar na Biblioteca Comunitária de Laranjeiras; já tive a oportunidade de me
aposentar, porém, devido ao amor às atividades que exerço, não o fiz; ainda não estou pronta para me desvincular da
biblioteca, e o fato de não haver outro profissional preparado para me substituir pesou na minha decisão de adiar

�211
minha aposentadoria. Existem profissionais contratadas da associação que me auxiliam durante determinado período
de funcionamento da biblioteca. Retomando o foco da pergunta, acredito eu que a biblioteca permanece em
funcionamento até os dias de hoje devido ao grande interesse por parte da própria comunidade.

- Sobre o acervo...
- A biblioteca recebe doações entregues diretamente nela. No início seus colaboradores eram os próprios moradores
por meio de ações voluntárias, pois nas esquinas das ruas do bairro eram colocadas caixas, e os moradores
depositavam ali os livros doados, e a associação disponibilizava um veículo que passava recolhendo as doações. Logo
mais adiante com a mudança da liderança da associação de moradores, foi percebida a importância da biblioteca e a
necessidade de um profissional da informação para gerenciar essa unidade. 90% do acervo da biblioteca é constituído
por doações.

- Como é feita a manutenção da biblioteca e do seu acervo?
- Não há verba disponibilizada diretamente para investir na biblioteca. No início, a prefeitura financiava as
assinaturas de jornal, porém este benefício foi cortado. Atualmente, a biblioteca consegue manter as assinaturas
graças a uma máquina de xerox, que é cobrado um valor simbólico pelo serviço de cópias e isso contribui na renda da
biblioteca; os demais custos de funcionamento são custeados pela associação de moradores; não é direciona verba
periodicamente para renovação de acervo e manutenção da estrutura física da biblioteca, sendo os frutos do lucro com
o serviço de cópias revertidos em pequenos reparos e aquisição de alguns livros para compor o acervo.

- Como é o dia-a-dia da biblioteca? Existe algum quantitativo de usuários atendidos
diariamente?
- Em média são atendidas cerca de oitenta pessoas por dia. O atendimento ao usuário desta unidade se diferencia de
certa forma das tradicionais unidades de informação. O primeiro paradigma quebrado é que não existe silêncio na
biblioteca, pois, para que seja funcional, a mesma precisa ser atrativa para seus usuários; na maioria dos casos os
atendimentos aos usuários são todos bem-sucedidos.

- Qual o diferencial no atendimento aos seus usuários?
- O nosso acervo é organizado de maneira a atender com exatidão e rapidez os nossos usuários, por exemplo, um livro
de biografia que são “romanceados”, mas, a biografia é pouco procurada, e a partir da experiência diária sei que o
mesmo fica melhor localizado em um local destinado a baixa demanda, então o coloco nas estantes menos utilizadas
objetivando a dinamização do acervo e a economia de espaço nas estantes com localização mais estratégica. Outro
exemplo para que se compreenda a organização do nosso acervo, seria o da seção de ocultismo, que possui
determinada localização, porém, devido a tendências momentâneas os romances mediúnicos começaram a chegar em
grande quantidade, e com o objetivo de facilitar a recuperação do material para o usuário, desvinculamos estes
romances da sessão de ocultismo, os reclassificamos e os disponibilizamos nas estantes mais visíveis; com isso,
obtivemos grande agilidade no atendimento ao usuário.

- Nos dias atuais contamos com o acesso à internet. Qual era a realidade da biblioteca antes do
advento das tecnologias em redes?

�212
Sempre houve muito empenho no atendimento ao usuário, tanto agora quanto no início, por exemplo, quando um
usuário buscava por determinado assunto fazíamos o serviço de referência de forma manual, pegávamos os livros nas
estantes e procurávamos o assunto desejado, e quanto mais se conseguia localizar materiais pertinentes para os
usuários mais satisfação, nós, colaboradores, tínhamos. Depois do advento da internet, houve uma queda na demanda
de pesquisas, apesar do ambiente aconchegante que temos a oferecer aos nossos usuários.

- A biblioteca comunitária de Laranjeiras possui parceiros?
Temos parceria com o projeto Sol Nascente da Rede Aica, inaugurado em 2002. O projeto atende adolescentes e jovens
que, por terem cometidos atos infracionais, receberam, pelo Juizado da Infância e da Juventude, a liberdade assistida
comunitária e a prestação de serviço à comunidade, medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente como alternativa à privação da liberdade. Nessa parceria, recebemos os jovens infratores para estagiarem
na biblioteca; o intuito é a reintegração social desses jovens, na maioria das vezes são jovens competentes e dedicados,
muitos pedem autorização para atuarem uma carga horária além da que lhes foi dada como sentença, pois se
identificam com o trabalho e com nosso acolhimento; aos usuários são apresentados como colaboradores da biblioteca
e não como infratores que estão cumprindo medida; eles nos auxiliam bastante no dia-a-dia. Infelizmente, no atual
momento, só possuímos esse parceiro. Uma coisa que me chateia um pouco é a falta de eventos; acredito que deveria
ter uma equipe específica para elaboração dos mesmos, pois não sou dinâmica o suficiente para fazer as atividades
rotineiras da biblioteca e cuidar de eventos.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível constatar, neste estudo, que a procura dos cidadãos por um espaço onde possam
adquirir informações para aprimorar seus conhecimentos é progressiva. A biblioteca comunitária é
um exemplo de inserção das classes menos favorecidas, pois os usuários possuem acesso
democrático à informação, além de contribuir moral e eticamente para o desenvolvimento dos
cidadãos. O conceito de cidadania para jovens de comunidades pobres ainda é algo abstrato e é
essencial que a comunidade trabalhe isso. A implantação da Biblioteca Comunitária no Bairro
Parque Residencial Laranjeiras contribuiu para a formação cidadã dos seus moradores.
As bibliotecas comunitárias, diferentemente das escolares, não fazem parte de um projeto
pedagógico; elas proporcionam a seus usuários um mundo de informações diferenciadas. Seguindo
essa linha de raciocínio, a Biblioteca Comunitária de Laranjeiras tem exercido com maestria seu
papel social, pois seu acervo é multidisciplinar e seus usuários, apesar de serem membros da mesma
comunidade, demandam diferentes necessidades informacionais.
Empiricamente, se analisarmos à risca a definição de letramento informacional, veremos que
o mesmo discorre sobre formação e desenvolvimento de competências e habilidades que tornem os
usuários autônomos pesquisadores de informação. Logo, a partir desse conceito, podemos dizer que

�213

a unidade de informação aqui trabalhada não realiza essa atividade, pois não existem políticas ou
ações voltadas para esse seguimento. É possível constatar algumas das questões que motivem à falta
dessas atividades: a primeira delas é a falta de profissionais com formação acadêmica adequada, e a
segunda diz respeito à ausência de políticas específicas, com equipes de trabalho direcionadas a
ampliar os serviços oferecidos.

REFERÊNCIAS

BADKE, T. Biblioteca popular: uma experiência no bairro das Laranjeiras. Palavra-Chave, São
Paulo, n. 4, p. 18-9, maio, 1984.
BARCELLOS, B. F. Ação Cultural em Biblioteca especializada: relato de estágio. In: ENCONTRO
REGIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 14., Anais Eletrônicos. . . [S.l.]: [s.n.], 2011.
BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: J. Zaha, 2003.
BERNARDINO, M. C. R.; SUAIDEN, E. J. O papel social da biblioteca pública na interação entre
informação e conhecimento no contexto da ciência da informação. Perspectivas em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, n. 16, p. 29-41, out./dez. 2011.
BLANK, C. K.; SARMENTO, P. S. Bibliotecas comunitárias: uma revisão de literatura.
Biblionline, João Pessoa, v. 6, n. 1, p. 142-148, jan./jun. 2010.
BRETTAS, A. P. A biblioteca pública: um papel determinado e determinante na sociedade. Biblos:
Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Rio Grande, v. 24, n. 2, p. 101-118,
jul./dez. 2010.
CAMPELLO, B. Letramento informacional: função educativa do bibliotecário na Escola. Belo
Horizonte: Autêntica, 2009.
COMUNIDADE. Que conceito. São Paulo. Disponível em:
&lt;http://queconceito.com.br/comunidade.&gt; Acesso em: 12 out. 2017.
CUNHA SALASÁRIO, M. G. Biblioteca especializada e informação: da teoria conceitual à prática
na biblioteca do laboratório de mecânica de precisão. Revista ACB, Florianópolis, v. 5, n. 5, 2000.
FIGUEIREDO, N. Serviços oferecidos por bibliotecas especializadas: uma revisão da literatura.
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 3/4, n. 11, p. 155-168,
jul./dez. 1978.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e
Terra, 1996.
LAPLANTINE, F. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2006.

�214

LEVY, P. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.
MACHADO, E. C. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil. In:
ENCONTRONACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 10., 2009, João
Pessoa. Anais Eletrônicos... João Pessoa: UFPB, 2009.
______. Uma discussão acerca do conceito de biblioteca comunitária. RDBCI: Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 7, n. 1, p. 80-94, ago. 2009.
______; VERGUEIRO, W. Bibliotecas Comunitárias como prática social no Brasil. CRB-8 Digital,
São Paulo, v. 3, n. 1, p. 3-11, ago. 2010.
MACHADO, Frederico Borges; SUAIDEN, Emir José. O papel da biblioteca pública e seus
desafios frente aos avanços tecnológicos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis. Anais Eletrônicos... Florianópolis: FEBAB, 2013.
MORIN, E. A Cabeça Bem-Feita. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
MOSÉ, V. A escola e os desafios contemporâneos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
PASCON, G. M. F. S.; SANTOS, S. G. Biblioteca Especializada: uma avaliação qualitativa. CRB8 Digital, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 31-39, abr. 2011.
RUSSO, M.; SILVA, S. S. A. Biblioteca pública em ação: o estudo de caso da Biblioteca Parque
Manguinhos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais Eletrônicos... Florianópolis:
FEBAB, 2013.
SANTOS, M. B. Biblioteca universitária: acesso à informação e conhecimento. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, [S.l.]. Anais Eletrônicos... [S.l.]:
[s.n.], 2012. p.1 – 12.
SOUSA, M. M. A biblioteca universitária como ambiente de aprendizagem no ensino superior.
2009. Dissertação (Mestrado em Ciência da Computação) - Escola de Comunicações e Artes,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
TARGINO, Maria das Graças. Biblioteconomia, informação e cidadania. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 20, n. 2, p.149-160, jul./dez. 1991.

�215

CAPÍTULO XV
“O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS”20: SALA BRAILLE DA BIBLIOTECA
PÚBLICA DE LAGOA SANTA-MG

Paula Mariano
Tatiana Brandão

1 INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea vem passando por várias transformações ao longo do tempo em
relação ao uso da informação. É essencial um profissional que possua habilidades e competências
que viabilizem aos usuários um serviço que contribua para a transformação social, por meio da
democratização do acesso à informação. O bibliotecário deve ser um profissional atuante nessa
sociedade, cuja informação é fundamental para o seu desenvolvimento em que deve gerir a
informação e o conhecimento, atuando tanto como mediador informacional, quanto educacional,
conforme explica Píres (2013, p. 3):
[...] os bibliotecários podem contribuir, ajudando na formação do intelectual do leitor,
promovendo o hábito da leitura e incentivando a cultura, visando informar e educar o
usuário no uso da informação, facilitando o processo de construção do conhecimento uma
vez que esse se dá pela função da disseminação da informação e dando condições de
autonomia ao consulente capacitando, orientando quando ao uso da informação, usando
também os produtos e serviços da biblioteca, pois, esta tem a informação como seu objeto
de trabalho e que são de suma importância para o aprendizado [...].

Atualmente, um dos maiores desafios dos bibliotecários diz respeito ao seu papel como
agente transformador na sociedade. Por meio do enfoque informacional e das mudanças ocorridas
na sociedade, o profissional da informação assume suas competências adotando e disseminando
práticas transformadoras na sociedade. Sobre o papel do bibliotecário, Píres (2013, p. 6) enfatiza
que:
como líder de uma unidade informacional trabalha constantemente para melhorar os
aspectos sociais e educacionais da sociedade contemporânea. O bibliotecário deve estar
consciente dessa sua missão e consciente que é um agente de mudanças ou que pode tornarse transformador social, por meio do correto tratamento da informação, pois, conforme
Barreto (2002, p. 56) “[...] quando corretamente transmitida tem o poder de modificar o
estoque mental de saber do indivíduo trazendo benefícios para o seu desenvolvimento e
para o bem estar da sociedade em que vive”, o que implica em uma formação social
perfeitamente contemplada no seu escopo.

20

SAINT-EXUPERY, Antoine. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

�216

O bibliotecário é, então, dentro da sua área de atuação profissional, agente transformador da
sociedade, uma vez que contribui de maneira efetiva para uma formação social dos indivíduos,
disseminando a informação, sendo um facilitador no processo de construção do conhecimento do
indivíduo.
Em relação à democratização do acesso à informação no Brasil, a atuação das Bibliotecas
Públicas é fundamental: "As bibliotecas públicas são o único meio de acesso, para a maioria dos
brasileiros sem recursos, a livros, revistas e jornais, indispensáveis para sua inclusão e participação
na sociedade da informação e do conhecimento” (LIRA, 2007, p. 11).
A inclusão de todos os indivíduos na sociedade da informação está no cerne das Bibliotecas
Públicas, conforme preconizado pela Federação Internacional de Associações e Instituições
Bibliotecárias (IFLA) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
(UNESCO):
os serviços da biblioteca pública devem ser oferecidos com base na igualdade de
acesso para todos, sem distinção de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua ou
condição social. Serviços e materiais específicos devem ser postos à disposição dos
utilizadores que, por qualquer razão, não possam usar os serviços e os materiais
correntes, como, por exemplo, minorias linguísticas, pessoas deficientes, hospitalizadas ou
reclusas (IFLA; UNESCO, 1994, p. 1, grifo nosso).

Sobre o processo de inclusão, Malheiros e Cunha (2018, p. 154) enfatizam que o acesso à
informação é fundamental e destacam que “a participação das bibliotecas no processo de inclusão
social traz autonomia, permitindo que a pessoa tenha a liberdade de escolha das informações de que
necessita”.
Nesse contexto, a Biblioteca Pública Municipal de Lagoa Santa possui um serviço específico
para um grupo que está à margem da sociedade da informação: os deficientes visuais. Para que esse
serviço se concretizasse e tivesse seus objetivos alcançados, foi necessário que as bibliotecárias
fizessem mais do que reunir e colocar material acessível à disposição; era preciso fazer com que
esses leitores fossem à biblioteca.
Foi fundamental que o bibliotecário fosse ao encontro das pessoas com deficiência visual,
uma vez que se tratava de um leitor especial, que em sua maioria, até então, não tinha acesso aos
livros e nunca havia ido até a biblioteca. O primeiro contato foi feito pessoalmente em suas
residências, uma entrevista a domicílio para estudo de usuários potenciais. O desafio era então
tornar a pessoa com deficiência usuária e frequentadora regular da Biblioteca Pública, otimizando o
acesso aos recursos especializados. Foi preciso oferecer meios que atraíssem o leitor para dentro da
biblioteca, colocando-o em contato direto com o material acessível, oportunizando o acesso ao
livro, à leitura e à informação. Para isso, foi disponibilizado transporte fornecido pela prefeitura, ida

�217

e volta, uma vez por semana. Essa medida garantiu a frequência assídua desse grupo, permitindo a
continuidade na evolução e acompanhamento de cada leitor de acordo com suas peculiaridades.
Nesse momento, o bibliotecário, como agente disseminador de informação e transformador
social, assume um importantíssimo papel na formação de leitores, dando oportunidade de acesso à
informação para indivíduos totalmente à margem da sociedade da informação e do conhecimento.
Foi oferecido um ambiente favorável ao gosto pela leitura, tornando-os leitores reais. A criação de
um ambiente agradável e funcional foi possível, por meio dessa relação estabelecida na primeira
abordagem, feita pessoalmente no início do projeto na casa da pessoa com deficiência, que vem se
fortalecendo ao longo dos anos.
Percebe-se que é um desafio suprir as reais necessidades dos deficientes visuais e apresentar
soluções que mudem as questões dos fatores que limitam o acesso à informação por parte das
pessoas com deficiência visual e propor soluções que mudem de fato essa realidade. Foi preciso que
se fizesse uma adequação da biblioteca às necessidades das pessoas com deficiência visual:
aquisição de acervo acessível e de equipamentos com recursos de tecnologia assistiva; adequações
do espaço físico e oferecer atendimento especializado. A importância do bibliotecário nessa
adequação ao ambiente para esse tipo de usuário está diretamente relacionada aos resultados
alcançados. Na prática, as mudanças adotadas nos diversos contextos tornaram acessíveis as
informações em seus diversos formatos aos deficientes visuais, proporcionando-lhes uma
transformação em sua vida, sua realidade e sua atuação na sociedade.

2 BREVE HISTÓRICO DA SALA BRAILLE

A Biblioteca Pública Municipal Padre Agenor de Assis Alves Pinto, localizada no município
de Lagoa Santa, Minas Gerais, vem se destacando pelas ações de inclusão desenvolvidas
especialmente na Sala Braille. Esse setor é resultado do empenho de sua equipe para ofertar livros
acessíveis para as pessoas com deficiência visual da cidade.
Em 2008, a Biblioteca Pública de Lagoa Santa recebeu a visita de um jovem com deficiência
visual, morador da zona rural, que procurava livros para estudar. Esse jovem levou livros em tinta
para que outra pessoa pudesse ler para ele. A força de vontade dele para vencer as dificuldades e
seguir com seus sonhos de fazer uma faculdade comoveu a equipe da Biblioteca Pública que desde
então, passou a empreender esforços para que livros acessíveis destinados às pessoas com
deficiência visual fossem ofertados pela Biblioteca Pública.

�218

Foram feitas pesquisas sobre aquisição de livros acessíveis, como fazer atendimento às
pessoas com deficiência visual, visitas técnicas a instituições especializadas e entrevistas com
potenciais usuários de um Setor Braille. Os recursos existentes na Biblioteca e na prefeitura foram
direcionados para o Projeto Sala Braille; recursos junto à iniciativa privada também foram
levantados. Uma Sala na Biblioteca foi disponibilizada para abrigar o acervo acessível e para
receber as pessoas com deficiência.
Assim, nasceu o projeto: "O essencial é invisível aos olhos: Sala Braille da Biblioteca
Pública" que vem sendo desenvolvido desde 2011 e atende crianças, jovens e idosos da comunidade
com qualquer grau de deficiência visual.
Além do empréstimo de livros acessíveis, são oferecidas diversas atividades visando à
inclusão social e à acessibilidade na biblioteca: sessões de cinema com recurso acessível
(audiodescrição); roda de leitura; inclusão digital para pessoas com deficiência visual (Dosvox,
NVDA, internet); oficina de iniciação ao alfabeto braile; e excursões a instituições culturais.
O objetivo geral do projeto é promover a inclusão de pessoas com deficiência visual da
cidade de Lagoa Santa, por meio da democratização do acesso à informação, cultura e leitura. Entre
os objetivos específicos destacam-se: fomentar ações de incentivo à leitura para pessoas com
deficiência visual ofertando livros acessíveis (braile e audiolivros) e promover atividades de
incentivo como Hora da História, Palestras e Saraus; promover a inclusão digital para pessoas cegas
ou com baixa visão: realizando oficinas por meio de programas de leitores de tela disponíveis para
download gratuito como Dosvox e NVDA para digitação e uso da internet; democratizar o acesso à
cultura e à arte, promovendo sessões de cinema com recurso acessível, organizando excursões a
instituições culturais como: museus, teatros, galerias de arte e ser um espaço de convivência e
interação, referência para pessoas com qualquer grau de deficiência visual da comunidade.
A Sala Braille da Biblioteca Pública Padre Agenor de Assis Alves Pinto é o único espaço
destinado a pessoas com deficiência visual na cidade de Lagoa Santa, e se tornou um local de
encontro, espaço de convivência e interação social. Com isso, está se tornando também uma
referência para outros municípios que desejam promover a acessibilidade em suas bibliotecas
públicas, especialmente para atender pessoas com deficiência visual.

3 CRIAÇÃO E IMPLATAÇÃO DA SALA BRAILLE

O processo de criação e implantação do Projeto "O essencial é invisível aos olhos: Sala
Braille da Biblioteca Pública" passou pelas seguintes etapas: aquisição do acervo acessível;

�219

diagnóstico dos usuários potenciais; capitação de recursos e otimização dos já existentes;
catalogação, indexação e disponibilização dos itens para o empréstimo; inauguração da Sala Braille
da Biblioteca Pública; e monitoramento e avaliação dos resultados. Duas bibliotecárias,
funcionárias da Biblioteca Pública Municipal, formaram uma equipe e coordenam o Projeto. O
primeiro passo foi realizar visitas técnicas nas instituições especializadas e referências estaduais que
atendiam pessoas com deficiência visual: Setor Braille da Biblioteca Pública Estadual Luís de Bessa
e o Instituto São Rafael, ambos situados em Belo Horizonte, Minas Gerais. Essa etapa foi
fundamental para iniciarmos o projeto.

3.1 DIAGNÓSTICO DOS USUÁRIOS POTENCIAIS

Segundo Malheiros e Cunha (2018, p. 154), para oferecermos as informações adequadas aos
usuários, é necessário identificarmos quais são as demandas informacionais por meio dos estudos de
usuários e complementam: "no caso dos usuários com deficiência visual, o compromisso do
profissional da informação e o valor do seu trabalho são essenciais pelas dificuldades enfrentadas
por esses usuários, pois na sua quase totalidade as informações não são adaptadas às suas
necessidades especiais”. Após as visitas técnicas em instituições especializadas no atendimento a
pessoas com deficiência visual, a etapa seguinte foi levantar o diagnóstico dos usuários potenciais
da Sala Braille. Foi realizado um levantamento do número de pessoas com deficiência na cidade de
Lagoa Santa. A equipe visitou a residência, traçou o perfil dos usuários e fez o cadastramento de 45
pessoas com deficiência visual no município. Foram levantados dados, mediante aplicação de um
questionário que apontou as necessidades específicas de cada um dos entrevistados.
Há casos de cegueira total e baixa visão decorrentes de doenças como: toxoplasmose,
diabetes, glaucoma e catarata congênita. Detectamos um alto índice de depressão, muitos não saíam
de casa, o que agravava o estado emocional e físico. Muitos não utilizavam bengalas, por não
saberem usar ou não poderem comprar ou por possuírem alguma resistência. Perguntamos aos
entrevistados quais seriam suas expectativas, sonhos e desejos. Constatamos que alguns tinham o
desejo de voltar a estudar, outros de aprender a usar o computador, ter ou retomar o contato com a
leitura, ir a um local de convivência e troca de experiências na cidade, sair de casa e ter atividades
de lazer como passeios a museus, cinema e teatro. Todos os entrevistados foram cadastrados nos
registros de leitores da Biblioteca Pública.
A programação de atividades da Sala Braille foi estruturada em função das expectativas,
desejos e sonhos das pessoas com baixa visão ou cegueira total. Constatou-se a necessidade de se

�220

ofertar oficinas de locomoção e mobilidade para pessoas com deficiência visual, excursões
culturais, curso de inclusão digital, oficinas de iniciação ao alfabeto Braile e de arte, roda de leitura,
palestras, entre outras.

Ao poucos, todas essas atividades foram sendo incorporadas à rotina da

Sala Braille, à medida que conseguíamos os recursos necessários junto à Prefeitura Municipal,
empresas, ONGs e outras instituições especializadas.

3.2 ACERVO: AQUISIÇÃO DE MATERIAL ACESSÍVEL

Até então, o acervo da biblioteca pública municipal não contatava com nenhum título de
livro acessível para pessoas com deficiência visual. Para iniciarmos a aquisição de materiais
acessíveis, foi realizado o cadastro da Biblioteca Pública de Lagoa Santa na Fundação Dorina
Norwill, ONG de São Paulo, que produz e distribui livros Braille, falados e digitais acessíveis
gratuitamente para bibliotecas e outras organizações de todo o Brasil.
Outro cadastro foi feito no Instituto Benjamim Constant (IBC), com sede no Rio de Janeiro,
que é o centro de referência nacional para questões relativas à deficiência visual. O Instituto
capacita profissionais da área da deficiência visual, assessora escolas e instituições em geral e
oferece reabilitação física. Dessa instituição, a Sala Braille recebeu placas em thermoform
(esquemas, mapas e tabelas em alto relevo para pessoas com deficiência visual), alguns materiais
didáticos acessíveis para o ensino do alfabeto Braile, ciências, matemática, português e audiolivros.
A Biblioteca Pública ainda participou do edital do Programa de Doação e Patrocínio da
Cimentos Liz, empresa que atua na cidade. Foi contemplada em duas edições seguidas neste
Programa, em 2011 e 2012. Isso permitiu a compra de audiolivros e mobiliário para armazená-los.
Foram adquiridos clássicos da literatura nacional, estrangeira e infantojuvenis.
Como foi diagnosticado que boa parte dos deficientes visuais da cidade não sabia ler em
Braile ainda, a aquisição de audiolivros foi fundamental para ampliar e diversificar o acervo
acessível da Sala. Para efetuar o cadastro nas instituições referidas e participar do edital da
Cimentos Liz, foi obrigatório apresentar os dados dos usuários cadastrados que seriam beneficiados
pelo projeto.

�221

3.3 CATALOGAÇÃO, INDEXAÇÃO E DISPONIBILIZAÇÃO PARA O EMPRÉSTIMO

Adquiridos os itens da coleção acessível, todo o material passou pelo processo de
catalogação, indexação e preparo para o empréstimo. O catálogo é automatizado, o software
utilizado é livre, o Openbiblio.

3.4 OTIMIZAÇÃO DOS RECURSOS JÁ EXISTENTES

Todos os recursos já existentes e disponíveis na Biblioteca Pública e na Prefeitura Municipal
de Lagoa Santa que seriam necessários para o projeto foram otimizados e direcionados para esse
fim: recursos humanos, espaço físico e mobiliário, transporte e lanche.

3. 4. 1 Espaço Físico e Mobiliário

Para implantação da Sala Braille foi disponibilizada uma sala no prédio da Biblioteca com
acesso independente que foi adaptada para receber as pessoas com deficiência visual. Outros
recursos já existentes foram utilizados na sala, como: mobiliário, computadores para uso individual,
data show, tela de projeção, aparelho de som, caixa de som amplificadora e material de escritório.

3.4.2 Recursos humanos

A equipe é composta por funcionários efetivos da Biblioteca Pública Municipal de Lagoa
Santa, que são:


duas bibliotecárias: idealizadoras e coordenadoras do projeto, as quais são funcionárias
efetivas do município, o que garante continuidade e estabilidade do trabalho que vem sendo
desenvolvido desde 2011;



um agente administrativo: funcionário efetivo portador de deficiência visual com
conhecimentos em Braile e recursos em tecnologia assistiva: Dosvox e NVDA;



duas monitoras acompanhantes dos usuários: funcionárias efetivas, dinâmicas e pró-ativas e
muito atenciosas com o público atendido.

�222

A equipe da Sala Braille procura participar sempre que possível de cursos voltados para a
questão da Acessibilidade em Bibliotecas Públicas para aprimorar o atendimento e oferecer novos
serviços.

3.4.3 Transporte

As dificuldades em relação à mobilidade urbana são um obstáculo ainda maior para as
pessoas com deficiência, e acabam limitando a interação social; muitos evitam sair de casa, e esse é
um dos motivos.

Assim, um recurso fundamental para o desenvolvimento do projeto foi o

transporte fornecido pela Prefeitura Municipal, uma vez por semana. Uma kombi com duas
monitoras busca os usuários cadastrados interessados em casa e após três horas de atividades
individualizadas são levados para suas respectivas residências. Oferecer transporte foi fundamental,
pois facilita o deslocamento dos usuários da Sala com segurança, comodidade e gratuidade,
garantindo frequência dos interessados. O transporte trouxe ainda um impacto muito importante ao
garantir a frequência regular, sendo possível registrar a evolução dos participantes e o impacto do
projeto em suas vidas; a maioria dos frequentadores mais assíduos estão no projeto desde 2011.

3.4.4 Lanche

Pelo perfil socioeconômico do grupo atendido pela Sala Braille, identificamos a necessidade
de se ofertar lanche para os usuários. É servido suco, leite, biscoitos e café, toda terça-feira, antes de
se iniciar as atividades programadas com duração de três horas dentro da Sala Braille. É também
um momento em que o grupo confraterniza e conversa sobre suas rotinas e vivências.

4 INAUGURAÇÃO DA SALA BRAILLE DA BIBLIOTECA PÚBLICA

Após todo esse processo de organização e implantação, a Sala Braille da Biblioteca Pública
de Lagoa Santa foi inaugurada em outubro de 2011 e foi instituída pela Lei Municipal n. 3482/2013,
que regulamenta o funcionamento e a instalação da Sala Braille da Biblioteca Pública, legitimando
e contribuindo para a continuidade e manutenção do projeto, assegurando que todo material

�223

adquirido para esse projeto por meio de doação, compra ou prêmios, permaneça e seja destinado
exclusivamente à Sala Braille.
Ao longo do tempo, o projeto Sala Braille foi sendo consolidado e reconhecido pelo trabalho
desenvolvido e resultados alcançados. Foi um dos agraciados pelo 8º Prêmio Viva Leitura Categoria Bibliotecas Públicas - 2016 (PNLL); vencedor do 22º Concurso FNLIJ - Os Melhores
Programas de Incentivo à Leitura junto a Crianças e Jovens de Todo o Brasil – 2017; recebeu
menção honrosa no IX SENABRAILLE - Federação Brasileira de Bibliotecários. É um projeto
reconhecido e acolhido pela comunidade local. A Sala Braille se tornou um espaço, um lugar de
convivência e interação social para as pessoas com deficiência visual da cidade.

5 ATIVIDADES OFERECIDAS

O atendimento aos participantes do projeto é individualizado, buscando atender as demandas
e respeitar as especificidades e necessidades de cada frequentador. Atualmente, a Sala Braille da
Biblioteca Pública de Lagoa Santa presta às pessoas com qualquer grau de deficiência visual da
cidade os seguintes serviços:
1. empréstimo de livros acessíveis: áudio livro e livros em braile; edições em fonte ampliada;
2. curso de informática para pessoas com deficiência visual: uso dos leitores de tela programas
(Dosvox e NVDA) e internet;
3. roda de leitura;
4.

palestras de temas de interesse do público atendido (saúde, alimentação, direitos da pessoa
com deficiência);

5. sessão de cinema com recursos acessíveis: audiodescrição;
6. oficinas de artes que desenvolvem aspectos sensorial, sócio afetivo, motor e cognitivo;
7. excursões culturais: visita a museus, teatro, universidades etc.;
8. orientações para locomoção e mobilidade (uso da bengala);
9. serviço de informação utilitária: disponibiliza informação e orienta sobre formas de acesso
aos direitos das pessoas com deficiência e aos programas sociais do governo.

A Sala Braille segue o horário de funcionamento da Biblioteca Pública Municipal: segunda a
sexta-feira das 7:30h às 18:00h. Sempre nas manhãs de terças-feiras, acontece o atendimento
personalizado, com acompanhamento individual dos monitores quando são oferecidas as atividades
como: oficina de inclusão digital para pessoas com deficiência visual, oficinas de arte, sessões de

�224

cinema com audiodescrição, entre outras, de acordo com a programação mensal da Sala Braille. Os
usuários da Sala Braille têm também a opção de agendar dia e horário para serem atendidos e
buscarem livros a serem emprestados. A equipe empreende todos os esforços possíveis para
adequar os atendimentos à disponibilidade de horário dos usuários da Sala.

6 AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DE RESULTADOS

A avaliação e o monitoramento do trabalho desenvolvido são feitos mensalmente. A equipe
se reúne em um primeiro momento com os frequentadores da sala, depois a equipe faz sua análise e
promove as adequações necessárias.
O trabalho desenvolvido é individualizado, e buscamos atender as necessidades específicas
de cada um dos usuários da Sala Braille. Assim, apresentaremos alguns casos dos frequentadores
mais assíduos da sala, apontando como evoluíram durante o projeto para descrever alguns
resultados (quadro 1).
Quadro 1 - Avaliação e resultados
CASO 1:
Dona Isabel
62 anos de idade

Diagnóstico: 2011

Evolução: 2018

Cegueira total decorrência da Diabetes.
Bordadeira aposentada. Escolaridade: nível
médio.
Saía pouco de casa.
Não sabia utilizar computador.

Digita, imprime, envia e recebe e-mails,
pesquisa na internet.
Escreveu um livro utilizando o programa
Dosvox.
Frequenta diariamente a Sala Braille.
Atualmente, está aprendendo a utilizar as redes
sociais.
Evolução: 2018

Diagnóstico: 2011

CASO 2:
Eliane

Cegueira total retinose.
Nível
de
escolaridade:
fundamental
incompleto. Depressão. Não saía de casa.
Sem noção de informática. Sem acesso aos
benefícios sociais, mesmo tendo direito.

Aluna da EJA, concluindo o ensino médio.
Mais comunicativa, mais integrada na
sociedade. Recebe benefício LOAS. Utiliza a
internet para ouvir aulas sobre os temas e
disciplinas estudados em sala de aula. É
considerada a melhor aluna de sua classe.
Apresenta ótimas notas.
Atualmente, tem pretensão de prestar ENEM
para cursar faculdade de Administração.

Diagnóstico: 2011

Evolução: 2018

Cegueira total. Não utilizava computador.
Não conhecia o programa Dosvox.

Leva livros em Braile semanalmente. Digita e
imprime textos e acessa a internet para escutar
vídeos no Youtube.

Diagnóstico: 2011

Evolução: 2018

40 anos de idade

CASO 3: Maria
Fernanda
10 anos de idade

CASO 4:
Dona
Mercês

Maria

Cegueira Retinose.
Analfabeta. Não saía de casa.

Não tem interesse em aprender informática nem
Braile, mas participa de algumas atividades
culturais promovidas pela Sala: Sarau e Cine

�225
69 anos de idade
Diagnóstico: 2015

Braile, palestras.
Gosta de ouvir os audiolivros.
Evolução: 2018

CASO 5: Anísio
Baixa visão, perda progressiva: Meningite.
Nível médio. Aposentado. Não tinha noção
de informática.
Saía pouco de casa.
Fonte: Elaborado pelas autoras (2018).
35 anos de idade

Aprendendo digitação. Mais comunicativo,
interage bem com os demais frequentadores.
Utiliza e conhece o Dosvox.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entre as etapas de implantação do Projeto, o levantamento do diagnóstico dos possíveis
frequentadores foi fundamental. Fazer a primeira abordagem pessoalmente em domicílio foi
essencial no processo. A partir desse momento, os entrevistados sentiram-se seguros e motivados
para participarem do Projeto e frequentarem a Biblioteca Pública. Para a equipe da Biblioteca, foi
importante direcionar os serviços, de acordo com os anseios e expectativas do público-alvo, ficando
claro, naquele momento, que o trabalho deveria ser individualizado. Sendo um leitor especial, era
necessário criar o elo de confiança e de credibilidade, que foi fortalecido ao longo do tempo,
mediante ao atendimento especializado.
Dar voz e ouvir os usuários é imprescindível para conhecer e atender suas demandas. É o
próprio público-alvo que vai indicar o caminho a ser seguido, pois são eles que indicam o que
precisam, de acordo com a demanda pessoal, uma vez que, em linhas gerais, o ‘público-alvo’ é
singular. Quando se trata de inclusão, é preciso estar atento às especificidades e particularidades de
cada uma das pessoas atendidas; é um trabalho individualizado.
Além disso, disponibilizar transporte gratuito, com monitores, garantiu a frequência dos
interessados no Projeto. A questão da mobilidade urbana que apresenta inúmeras dificuldades é
ainda mais complexa para as pessoas com deficiência. Oferecer essa alternativa para sanar esse
dificultador foi essencial para garantir a regularidade da frequência, garantindo que a evolução dos
participantes acontecesse de forma gradativa e que os resultados fossem monitorados e registrados.
Vivemos em uma sociedade que, infelizmente, não é inclusiva, nem acessível. Grupos
minoritários vivem marginalizados, enfrentam ainda mais obstáculos do que a maioria para terem
acesso a direitos básicos. Os bibliotecários, no exercício de sua profissão, podem contribuir de
maneira efetiva para transformar essa realidade. Eles são os profissionais responsáveis por
disseminar a informação, oportunizando a formação social do indivíduo de forma autônoma para o
pleno exercício de sua cidadania. Os bibliotecários são facilitadores no processo de construção do

�226

conhecimento, dentro da sua área de atuação profissional, cujo objetivo principal é a
democratização do acesso à informação para todos.

REFERÊNCIAS

FUNDAÇÃO DORINA NOWILL. A fundação. 2018. Disponível em:
&lt;https://www.fundacaodorina.org.br/&gt;. Acesso em: 24 set. 2018.
IFLA; UNESCO. Manifesto sobre bibliotecas públicas 1994. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/public-libraries/publications/PL-manifesto/pl-manifesto-pt.pdf&gt;.
Acesso em: 28 ago. 2018.
INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT. Sobre o IBC. 2018. Disponível em:
&lt;http://www.ibc.gov.br/&gt;. Acesso em: 24 set. 2018.
LAGOA SANTA (município). Lei Municipal n. 3482, de 2013. Institui a Sala Braille da Biblioteca
Pública de Lagoa Santa. 2013. Disponível em:
&lt;https://www.lagoasanta.mg.gov.br/index.php/educacao-noticias/4823-biblioteca-publica-de-lagoasanta-recebe-premio-nacional-viva-leitura-2&gt;. Acesso em: 24 set. 2018.
LIRA, Guilherme de Azambuja. Biblioteca Nacional: desenvolvimento do modelo brasileiro de
biblioteca acessível para pessoas com deficiência e idosos. Inclusão Social, Brasília, v. 2, n. 2,
p.10-13, abr./set. 2007. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/05/pdf_4da4622c1f_0010180.pdf&gt;. Acesso em: 21
ago. 2018.
MALHEIROS, Tânia Milca; CUNHA, Murilo Bastos da. As bibliotecas como facilitadoras no
acesso à informação por usuários com deficiência visual. RDBCI: Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 16, n. 1, p. 146-170, out. 2017. Disponível
em: &lt;https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8650318&gt;. Acesso em: 28
ago. 2018.
PIRES, Erik André de Nazaré. O bibliotecário como agente transformador social: sua importância
para o desenvolvimento da sociedade informacional através da disseminação da informação.
Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 2, 2013. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/view/2202&gt;. Acesso em: 21 ago.
2018.
SAINT-EXUPERY, Antoine. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2005.
SUPERINTENDÊNCIA DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS E SUPLEMENTO LITERÁRIO DE
MINAS GERAIS. Sistema Estadual de Bibliotecas. 2018. Disponível em:
&lt;http://www.bibliotecapublica.mg.gov.br/index.php/pt-br/&gt;. Acesso em: 24 set. 2018.

�227

CAPÍTULO XVI
A INFORMAÇÃO UTILITÁRIA COMO UM DIREITO DO CIDADÃO: DAS
BIBLIOTECAS PÚBLICAS AOS CENTROS DE REFERÊNCIAS21

Helba Aparecida Borges
Maria de Lourdes Franklin Maia

1 INTRODUÇÃO

A informação utilitária como o nome sugere é a informação que conduz o cidadão em um
determinado contexto ou situação, definida como um conjunto de “[…] informações de ordem
prática, que auxiliam na solução de problemas que normalmente aparecem no cotidiano das
pessoas, em todos os sentidos […]” (CAMPELLO, 1998, p. 35). O conhecimento da informação
utilitária é primordial para que todos possam exercer plenamente seus direitos e deveres, desde o
mais simples como horário de ônibus à complexidade de leis das quais se possa colher benefícios
constitucionais a seu favor. Dentro das bibliotecas comunitárias, essa informação pode ser definida
como “[…] uma prática coletiva desenvolvida não somente PARA a comunidade, mas COM a
comunidade […]” (CARVALHO, 2014, p. 1).
Nessa perspectiva, a falta da informação utilitária em nossas unidades de informação nos
leva a constatar uma lacuna latente e dada a relevância da ausência da informação utilitária, surge o
motivo de inquietação deste estudo.

Partindo desse princípio, se fez necessário um trabalho de

pesquisa, a fim de expor a temática e investigar o quanto nossas unidades de informação estão
sensíveis a esse quesito.
Campello (1998, p. 35) menciona que a expressão informação utilitária tem sido empregada
por bibliotecários com vistas a auxiliar na solução de problemas que normalmente aparecem no
cotidiano das pessoas, envolvendo “[...] desde os mais simples aos mais complexos, abrangendo,
por exemplo, assuntos ligados à educação, emprego, direitos humanos, saúde, segurança pública e
outros”. Almeida Júnior (1997), além de concordar com Campello (1998), destaca que a realidade
das bibliotecas públicas demonstra o não oferecimento desse tipo de informação aos seus usuários;

21

Texto originalmente publicado na Revista ACB, em 2015. Adaptações foram realizadas, sobretudo no que tange aos
conceitos teóricos e ampliação dos resultados.

�228

as bibliotecas, em geral, se restringem, apenas, a oferecer materiais bibliográficos e auxiliando
alunos, pesquisadores e consulentes em pesquisa.
A falta da informação utilitária atingiu diretamente as autoras deste texto, pois, por uma
delas ser portadora de necessidades especiais (PNE), e ao ter ciência de alguns direitos concedidos
por Lei às PNE para aquisição de um veículo, fez-se necessário dar início aos procedimentos e
assim usufruir e consequentemente fazer valer seu direito de ir e vir já fragilizado por pertencer ao
grupo PNE.
A Lei nº 8.989/1995 isenta as PNEs de alguns impostos, tais como Impostos sobre Produtos
Industrializados (IPI), Impostos sobre Operações Financeiras (IOF), perfazendo, aproximadamente,
23% de Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).
Com a alegria de ter esses direitos adquiridos, Helba Aparecida Borges, por ser (PNE),
recorreu ao processo de isenção e descontos para aquisição de sua Carteira Nacional de Habilitação
(CNH) e posteriormente um carro. Nesse ponto, o saber onde achar a informação utilitária é
primordial, evitando momentos embaraçosos. Porém, o caso descrito neste texto não foi de fácil
acesso e essa lacuna no saber onde encontrar ou a quem recorrer para conseguir tais informações
acabou por trazer, à época, grande transtorno, pois envolveu um conjunto de regras, inúmeros
procedimentos, pormenores burocráticos e enfadonhos, gerando uma sensação de fragilidade,
desgaste emocional e físico, acompanhado de muito constrangimento, por parte da requerente.
A constatação dessa lacuna foi o combustível que impeliu este estudo, a fim de demonstrar a
exposição da ausência da informação utilitária, nas unidades de informação. Para tanto, se fez
necessário elencar um tipo de unidade de informação, sendo o objeto do nosso estudo, a Biblioteca
Pública Estadual do Estado do Espírito Santo.
Com base na democratização da informação, o estudo tem o objetivo geral de verificar como
a literatura e bibliotecas públicas estaduais abordam o tema “Democratização da informação
utilitária”, elencando, também, os conceitos relativos à democratização da informação e informação
utilitária.

2 CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS

Mantidas pelo poder público, as bibliotecas públicas tem como objetivo prestar serviço de
informação a todos sem restrição, concordando com as disposições do Manifesto da Federação
Internacional de Bibliotecas (IFLA) e da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e
Cultura (UNESCO).

�229
Todos os grupos etários devem encontrar documentos adequados às suas necessidades. As
coleções e serviços devem incluir todos os tipos de suporte e tecnologias modernas
apropriados assim como fundos tradicionais. É essencial que sejam de elevada qualidade e
adequadas às necessidades e condições locais. As coleções devem refletir as tendências
atuais e a evolução da sociedade, bem como a memória da humanidade e o produto da sua
imaginação. As coleções e os serviços devem ser isentos de qualquer forma de censura
ideológica, política ou religiosa e de pressões comerciais (IFLA, 1994, não paginado).

Fonseca (2007) estabelece que as bibliotecas públicas viabilizam o acesso à leitura e a
formação de leitores, sendo assim um espaço de desenvolvimento das práticas leitoras, formando
leitores críticos com grande contribuição para cidadania. Portanto, cabem às bibliotecas públicas,
proporcionar “[...] a igualdade de acesso para todos sem restrição de idade, raça, orientação sexual,
status social etc. e na disponibilização à comunidade de todo tipo de conhecimento [...]”
(BIBLIOTECA NACIONAL DO BRASIL, 2000, p. 1).

2.1 A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

As principais funções da democracia são a proteção dos direitos humanos fundamentais,
como as liberdades de expressão, de religião, a proteção legal e as oportunidades de participação na
vida política, econômica e cultural da sociedade. O Brasil é regido por sistema democrático, em que
todos têm direito de opinião, de expressão das próprias opiniões e de acesso às informações
(ESCOBAR, 2014). Sendo assim, democratizar a informação nada mais é do que tornar a
informação acessível a todos.
A democratização da informação, tão fortemente evidenciada através da Sociedade da
Informação, realçou a importância do papel social da Biblioteca Pública e seu contributo
para a formação de uma sociedade mais democrática, os conceitos de Democracia e
Cidadania, Aprendizagem ao Longo da Vida, Desenvolvimento Econômico e Social, bem
como a Diversidade Cultural e Linguística, estão evidenciados em muitos documentos
produzidos nos últimos anos que destacam o papel da Biblioteca Pública na Sociedade da
Informação (BEZERRA, 2013, p. 3-4).

O ser humano, em geral, vive em sociedade, em que a informação é ferramenta básica para
sobrevivência. Uma simples informação, como horário de transporte, vagas de emprego, ou
aspectos mais amplos e complexos, como as dificuldades de entendimento aos direitos expostos nas
legislações, são alguns tipos de informações essenciais para garantir a convivência em um meio
social. Essas informações, segundo Campello (1998) e Almeida Júnior (1997), são caracterizadas
como informação utilitária.
Segundo Campello (1998), esse tipo de informação surgiu nos Estados Unidos, em meados
do século XX, também recebendo o nome de informação para a sobrevivência, por estar, naquele
momento, muito ligada à população de baixa renda, cujos meios de acesso à informação eram

�230

escassos e restritos a pequena parcela populacional, informações essas consideradas as mais
importantes e básicas para os usuários, auxiliando-os a resolverem situações problemáticas, tais
como: conhecer seus direitos como cidadãos, utilizar um serviço público, identificar oportunidades
de emprego, entre outras.
Para Figueiredo (1992), a informação utilitária foi apresentada primeiramente pelas
bibliotecas norte-americanas, com sua gênese atrelada ao período pós-segunda guerra mundial. No
entanto, ao longo do tempo, ela se estendeu às bibliotecas públicas de diversos países, porque,
segundo a autora, naquele momento, as nações estavam em crise e os cidadãos viviam momentos
caóticos como: desemprego, falta de serviços, saúde, assistência hospitalar, educação, dentre muitos
outros problemas.
Na visão de Suaiden (1995, p. 63), a informação utilitária pode ser conceituada como:
[...] um serviço que pode ser prestado pela biblioteca pública, objetivando a disseminação
de informações para que as pessoas possam resolver problemas diários como tirar
documentos, conseguir bolsas de estudos, matricular seus filhos na escola, conseguir
emprego, saber a programação de cinema, teatro, televisão e outras atividades culturais,
conseguir informações sobre as atividades do governo etc.

A informação utilitária torna-se de crucial importância, sendo um objeto de estudo não
apenas das bibliotecas públicas, mas abrangendo todas as áreas da Ciência da Informação, conforme
enfatizado por Monteiro e Silva (2014, p. 66):
na área de Ciência da Informação, os estudos voltados para Serviços de Informação
Utilitária ainda são carentes. Tendo em vista a sua importância para a sociedade, isso não
deveria ocorrer, já que a atuação pretendida pelos serviços de informação utilitária é a que
melhor aproxima essa área com a sociedade.

Monteiro e Silva (2014) ainda destacam que a informação utilitária desempenha um papel
primordial na sociedade, já que a sua promoção, por meio de serviços próprios denominados de
Serviços de Informação Utilitária, tem em seu escopo funcional, informações de ordem prática que
são de fácil compreensão e alvitram atender um público interessado em cessar sua necessidade por
informações que serão utilizadas em um momento desejado.

3 INFORMAÇÃO UTILITÁRIA EM BIBLIOTECA PÚBLICA: ESTUDO EM CAMPO

Embora seja comprovada a necessidade das bibliotecas brasileiras também terem em seu
acervo assuntos de natureza utilitária, o que se constata, na atualidade, é a escassez de materiais
informacionais dessa natureza. Apesar de o seu surgimento ser datado do século XX, Campello
(1998, p. 7) constatou que, no cenário brasileiro, poucas tentativas foram realizadas no intuito de

�231

implementar serviços de informação utilitária, e as poucas iniciativas realizadas não foram
suficientes para tornar esses serviços parte integrante da biblioteca e nem para desenvolver nos
bibliotecários a consciência de sua importância.
Conforme sinaliza a autora,
[...] algumas experiências têm sido relatadas, mas são casos isolados. Não se pode ignorar
que a implantação de um serviço deste tipo exige mais do que reunir uma coleção de fontes,
mesmo que relevantes e atualizadas; o comprometimento da equipe com o auxílio efetivo
ao usuário talvez seja o fator mais importante para o sucesso do serviço (CAMPELLO,
1998, p. 7).

Assim sendo, para saber como uma biblioteca pública estadual dissemina a informação
utilitária foram elaboradas questões, mediante aplicação de entrevista junto ao bibliotecário gestor
da unidade visitada. O objetivo dessa investigação foi o de verificar como a literatura e bibliotecas
públicas estaduais abordam o tema “Democratização da informação utilitária”.
O estudo em campo representa uma verificação e análise in loco, cujo objetivo é estudar a
realidade dos indivíduos, grupos, comunidades, instituições, entre outros segmentos (GIL, 2010).
No que diz respeito à técnica de entrevista, segundo Marconi e Lakatos (1999, p. 94), ela pode ser
compreendida como o “[...] encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha
informações a respeito de um determinado assunto [...]”.

3.1 ANÁLISE E DISCUSSÕES DE RESULTADOS

Com intuito de elucidar o objetivo da pesquisa, foi elaborado um roteiro contendo perguntas
abertas e fechadas a serem respondidas pelo bibliotecário responsável pela gestão da biblioteca
pública, em face de dois aspectos: coletar dados a respeito dos propósitos da unidade de
informação, e dados referentes à informação utilitária, descrevendo como esse tipo de informação é
considerado tanto pelos profissionais quando pelo usuário que usufrui dos produtos e serviços
biblioteconômicos oferecidos pela unidade. As respostas obtidas e analisadas estão dispostas a
seguir.

ASPECTOS RELACIONADOS À UNIDADE DE INFORMAÇÃO

A primeira pergunta teve a intenção de indagar sobre a proposta principal da biblioteca
pública, de modo a identificar quais seus objetivos e interesses básicos (quadro 1).

�232
Quadro 1 - Objetivo principal da biblioteca
PERGUNTA

RESPOSTA DO BIBLIOTECÁRIO
ENTREVISTADO

Qual o objetivo principal da biblioteca pública ao Independente de todas as atividades bibliotecárias
prestar serviços e produtos à população capixaba?
realizadas pela unidade, o objetivo maior que perfaz
todos os demais está relacionado às necessidades
demandadas pela comunidade na qual a biblioteca
atende.
Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Atender o usuário é o principal objetivo do profissional de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, sendo que essa preocupação se vê amplamente traduzida na literatura da área. Embora
muitas atividades bibliotecárias sejam de suma importância para que a qualidade dos produtos e
serviços oferecidos seja alcançada, de modo geral, tudo é realizado em prol de um único objetivo:
atender necessidades da comunidade usuária (ALMEIDA JÚNIOR, 2003).
A segunda pergunta indagou a respeito do foco principal das atividades realizadas pelos
profissionais (quadro 2).
Quadro 2 – Foco principal da unidade
PERGUNTA

RESPOSTA DO BIBLIOTECÁRIO

Qual o foco principal das atividades realizadas pelos
profissionais?

A unidade de informação está sustentada no
paradigma do usuário, com vistas a considerar suas
necessidades no momento de elaborar os produtos e
serviços de informação.

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Essa constatação é proclamada com louvor por inúmeros teóricos, pois observando essa
filosofia, a unidade torna-se um organismo útil, logo, torna-se valorizada pela sociedade. Com
efeito, ao desvincular as atenções, tão somente, para o acervo, os serviços de atendimento e
acolhimento ao usuário tende a se tornar uma das atividades mais comuns das bibliotecas públicas.
Assim, o serviço de referência é atividade central para que usuários encontrem as informações de
que desejam, bem como uma alternativa estratégica utilizada pela unidade para conhecer seus
usuários. Desse modo que,
[...] os bibliotecários de referência são profissionais que atuam na linha de frente, como
mediadores da informação, ou seja, no atendimento às necessidades de informação dos
usuários, que possuem conhecimentos sobre o perfil dos usuários, sobre as fontes de
informação e sobre as principais estratégias de busca para obter a informação solicitada
(ROSTIROLLA, 2006, p. 18).

Por meio dos serviços de atendimento/acolhimento, o perfil do usuário e suas necessidades
são manifestados aos profissionais. A esse respeito, quando questionado sobre quem são os usuários

�233

que frequentam a unidade, a respondente declara serem pessoas à procura de informações para
estudo e lazer (quadro 3).
Quadro 3 – Público-alvo da biblioteca
PERGUNTA

RESPOSTA DO BIBLIOTECÁRIO
ENTREVISTADO

Qual o público real (que frequenta assiduamente) desta
unidade? Além do público real, a biblioteca está
preparada para atender usuários potenciais (outros
usuários que não frequentam)?

O público que frequenta assiduamente a biblioteca está
relacionado a jovens e adultos que buscam consultas e
empréstimos para estudo e lazer. A biblioteca tem
condições físicas de atendimento a outros usuários
potenciais e tem prestado serviço ao público
diferenciado como os de deficiência visual e especiais
por parceria entre a APABB, haja vista que o espaço
poderá sim atender a novos projetos e programas
fundamentalmente.

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

No momento atual, a biblioteca atende em maior quantidade estudantes e pesquisadores,
além de leitores que encontram na leitura o exercício do lazer. Contudo, é importante refletir acerca
da preocupação da unidade em inovar com projetos direcionados a outros públicos, sobretudo
àqueles que possuam dificuldades em alocar-se ao recinto da biblioteca, como os portadores de
necessidades visuais, de modo a oferecer condições ergonômicas mais apropriadas, atentando-se às
dificuldades enfrentadas pela comunidade (quadro 4).
Quadro 4 - Preocupações com a comunidade
PERGUNTA

RESPOSTA DO BIBLIOTECÁRIO

Existe alguma preocupação (ou projeto) direcionada
aos problemas enfrentados pelos cidadãos da
comunidade? Em caso positivo, relate.

Sim. Temos atendimento a pessoas de públicos
diferenciados como os deficientes visuais pelo setor
Braille e também cedemos espaço para as reuniões e
oficinas para os usuários da APABB que atuam
semanalmente no setor infantil.

Fonte: Dados de pesquisa (2018).

A reestruturação dos espaços físicos e dos serviços bibliotecários, de modo geral, está
relacionada não apenas às informações a serem oferecidas, mas também, à garantia de acesso e de
conforto para quem utiliza o espaço e os serviços prestados. Assim, aferimos que a biblioteca
pública precisa se adequar ao uso por parte do deficiente visual, dentre outras necessidades
especiais apresentadas pelos usuários, com o fim de desenvolver um atendimento com qualidade,
objetivando, consequentemente, abrir as portas a todos os cidadãos, independente de qualquer
especificidade apresentada pelos indivíduos que frequentam o espaço.

�234

ASPECTOS RELACIONADOS À INFORMAÇÃO UTILITÁRIA

A respeito dos tipos de informação oferecidos à comunidade, evidenciou-se, com base nas
respostas da entrevistada, que, a informação para estudo e pesquisa é a única modalidade de
informação oferecida, não sendo encontrada nenhuma informação e/ou serviço úteis ao dia a dia do
cidadão (quadro 5).
Quadro 5 – Informação oferecida à comunidade
Que tipo de informação é oferecido à comunidade?
ALTERNATIVAS
Informação bibliográfica.
Informação para estudo e pesquisa.
Informação referente ao cotidiano do cidadão
(emprego, saúde, previdenciárias, FGTS, PIS, etc.).
Serviço de informação ao cidadão (SIC).
Informações para esclarecimento rápido e preciso
para resolução de problemas do cotidiano do
cidadão.
Outros. Especificar.
Fonte: Dados da pesquisa (2018).

RESPOSTA DO BIBLIOTECÁRIO
ENTREVISTADO
X
X

Constata-se que a unidade não oferece informação utilitária; vale lembrar que a não oferta
desse tipo de informação ou serviço pode ser um dos motivos que torna as bibliotecas com baixa
frequência de usuários (ALMEIDA JÚNIOR, 1997).
Nota-se que a informação mais procurada é a informação bibliográfica, informação
direcionada a trabalhos escolares e pesquisas universitárias. A biblioteca pública, ao oferecer
somente essas modalidades de informação, segundo Almeida Júnior (1997), passa a suprir uma
deficiência da biblioteca escolar, pois os usuários ao não encontrar o atendimento que desejam
nessas unidades recorrem à biblioteca pública em busca da informação para estudo e pesquisa.
O fato de que a informação utilitária é pouco procurada nessa unidade de informação não
deve ser pretexto para que esse tipo de informação não seja ofertada. Faz-se necessário, nesse
contexto, que os serviços e produtos informacionais oferecidos pelas bibliotecas sejam divulgados,
de modo que os indivíduos saibam das inúmeras possibilidades e da agregação de valor que as
bibliotecas e seus profissionais podem proporcionar à sociedade (SUAIDEN, 1995).
Adentrando-se a serviços específicos de informação utilitária, em muitas localidades,
sobretudo em comunidades carentes, é comum notar os chamados Serviços de Informação ao
Cidadão, também denominado por muitos como “Centros de Referências”. Na visão de Almeida
Júnior (1997), a construção desses espaços deve-se ao fato da biblioteca não cumprir seu papel
social, não oferecendo informação utilitária para o cidadão. O mesmo autor defende a necessidade
de construir espaços no interior das bibliotecas, a fim de oferecer serviços de informação utilitária,
tornando a unidade, um elo entre cidadão e sociedade.

�235

Nesse contexto, ao indagar-se ao respondente: “Qual a preocupação maior para esta
unidade em relação às necessidades emergenciais do cidadão, consideradas como utilitárias?
Aqui, nesta unidade, prioriza-se o Serviço de Informação ao Cidadão (SIC)?”. Com essa pergunta,
obteve-se a seguinte resposta:
“A preocupação maior atualmente da biblioteca está relacionada ao atendimento de usuários em geral, considerando
que os programas e projetos são desenvolvidos de acordo com a procura dos serviços; em consideração a serviços de
informação utilitária ainda não há projeto específico para este fim”.

Ora, se a biblioteca não oferece esse tipo de informação, constatamos uma lacuna por ela
consumada. A esse respeito, o papel social do bibliotecário não é cumprido. Ao contrário, a
biblioteca como instituição social deveria atuar de forma ampla, rompendo os “muros” das
tradicionais bibliotecas físicas e prestando assistências em diversos espaços, garantindo com a
socialização do conhecimento (CARVALHO, 2012).
Os SICs desenvolvidos em espaços além das unidades de informação, certamente serão
melhores gerenciados se contar com a participação de profissionais específicos e adequados às
atividades da disseminação da informação. Portanto, ao ser questionada sobre o fato de não se ter a
presença do bibliotecário, em órgãos do governo, como o Centro de Referência e Assistência Social
(CRAS) e a Casa do Cidadão, em Vitória, ambos disseminadoras de informação utilitária, a
bibliotecária entrevistada considera que
“[...] se tivesse um bibliotecário nesses espaços contribuiria bastante para a organização da informação e surgimento
de novos serviços entre as secretarias de ação social, educação e cultura”.

Nota-se que os bibliotecários possuem conhecimento acerca do valor que a informação
utilitária pode desempenhar à sociedade. Presume-se que, o fato da unidade não oferecer
informação utilitária ao público, deve-se não ao desconhecimento do profissional, mas sim, a
inúmeros outros fatores de ordem pública, falta de recursos, de infraestrutura, dentre outros entraves
vivenciados pelas bibliotecas mantidas pela administração pública brasileira.
Desse modo, questionou-se a respeito de como inserir essa nova preocupação nos fazeres
biblioteconômicos, que deverão adentrar-se também a serviços de informação utilitária. Perguntouse: “De modo geral, vocês consideram como válido a preocupação das bibliotecas com os
problemas sociais? Acreditam que as bibliotecas poderiam contribuir para a construção da
cidadania ao viabilizar a democratização da informação? De que forma esse processo poderia ser
concretizado? Relate”. Assim, obteve-se a seguinte resposta:
“Sim, acredito que a Biblioteconomia pode contribuir em várias áreas devido a sua transversalidade e um ponto de
partida para este processo seria o engajamento dos profissionais nos assuntos ligados a democracia exercendo
atividades em associações, ONGs e também em conselhos representativos da sociedade civil”.

Constata-se a visão moderna da profissional, possuindo conhecimento acerca dos serviços
bibliotecários que não devem se resumir tão somente aos espaços de bibliotecas, mas sim, serem

�236

ampliados para outros segmentos sociais, podendo o profissional atuar em outras organizações,
sobretudo em empresas do terceiro setor, atuando, seja como consultor, como mediador da
informação ou como agente histórico/cultural, garantindo para sua inserção e contribuição na
construção de uma sociedade inclusiva (RIBAS; ZIVIANI, 2007).
A fim de concluir a entrevista, a partir dos dados até então coletados, indagou-se como a
informação utilitária poderia ser melhor gerenciada por esta unidade de informação. Segundo a
respondente:
“Sim, mas essa questão está ligada ao organograma da política pública, onde dividem as funções de cada
departamento ou setor, neste conceito a informação utilitária fica sob as responsabilidades das secretarias de ação
social e não das pastas de educação e cultura, que normalmente são gestoras de bibliotecas públicas”.

Novamente, percebem-se as mazelas do serviço público, de modo especial, a falta de uma
gestão efetiva que assegure aos profissionais da informação, a garantia de trabalho, em que haja
necessidade de um árduo, íntegro e consistente tratamento, gerenciamento e disseminação da
informação registrada, de modo que seja viabilizado o uso da informação.
Os profissionais da informação possuem competências e habilidades para desempenhar
funções relativas ao uso da informação pela sociedade, favorecendo a produção de novos
conhecimentos, bem como a consolidação do exercício da cidadania, garantindo melhores
condições de vida a todos os cidadãos (RIBAS; ZIVIANI, 2007). Se não há projetos voltados para a
inserção dos serviços de informação utilitária no bojo das unidades de informação, faz-se necessário
levar os profissionais da informação até os espaços produtores dessa modalidade de informação.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo apontou que na biblioteca pública analisada há distância entre a unidade e o
oferecimento de informação utilitária, estando a biblioteca equiparada, tão somente, à preparação e
disseminação de informações voltadas para estudo, pesquisa e lazer, não tendo atenção especial da
administração pública na elaboração de projetos em prol da construção de serviços de informação
utilitária no espaço da unidade.
A pesquisa detecta que o bibliotecário possui conhecimento a respeito das funcionalidades
da informação utilitária, além de ter uma visão do campo de atuação em outros espaços,
especialmente junto a secretarias e órgãos que lidam com informação de ordem utilitária, e que
deveriam ser disseminadas para todas as comunidades, favorecendo o despertar da função social do
profissional da informação, agregando valor no cotidiano de vida dos indivíduos.

�237

Por isso, dialogamos com Almeida Júnior (1997), ao propor a construção dos Centros de
Referência em comunidades, de modo que nesses espaços sejam oferecidas informações
direcionadas à vivência e convivência das pessoas, em um contexto social. Os Centros de
Referência passam a ser considerados como extensões das bibliotecas, levando aos locais mais
distantes das regiões centrais, muitas das vezes, locais considerados como zonas de risco ou de
grande vulnerabilidade social, informações que as pessoas precisam para exercer seus direitos,
como cidadãos de um país democrático.
Desse modo, os serviços de informação utilitária podem ser oferecidos no próprio recinto da
biblioteca, em conjunto com os serviços de cunho educacional, como também podem ser
estruturados em locais externos. Reforçamos, por meio deste texto, a importância em se construir e
gerenciar esses serviços nos locais mais afastados, como em periferias e zonas rurais, como também
adjacentes aos locais onde os órgãos públicos oferecem os serviços de apoio à população.
No intuito de se construir e gerenciar esses serviços, consideramos viável a necessidade de a
biblioteca conhecer a realidade dos cidadãos e discriminar as informações caracterizadas como de
natureza utilitária. Assim, na construção dos serviços, o modelo proposto por Monteiro e Silva
(2014) (figura 1) pode ser utilizado, em que a biblioteca conduz todo o processo, desde o
conhecimento das necessidades, até a diferenciação dos tipos de informações e sua distribuição em
diferentes formas de prestar os serviços.
Figura 1 – Modelo para gestão dos serviços de informação utilitária

Fonte: Monteiro e Silva (2014, p. 64).

Em suma, com base nesses relatos e segundo o estudo de Monteiro e Silva (2014), confirmase, aqui, a responsabilidade social da Biblioteconomia e da Ciência da Informação e seus
profissionais modernos, tendo eles a missão de transmitir o conhecimento para aqueles que
necessitam, constituindo uma responsabilidade social, e essa responsabilidade parece ser o
verdadeiro

fundamento

dessas

áreas,

viabilizando

a

participação

do

profissional

no

desenvolvimento humano e social. Souza (2013) sinaliza que a biblioteca na contemporaneidade

�238

deve estruturar-se em prol da comunidade servida, rompendo toda e qualquer barreira que impeça o
acesso à informação, tornando-se, assim, um espaço democrático, que se adéqua às necessidades da
população, colocando-se a favor das causas sociais, sobretudo em defesa das classes menos
favorecidas.
Reforçamos, por meio da reflexão descrita neste texto, que a Biblioteconomia é uma área
que muito pode oferecer às pessoas que se encontram, de alguma forma, “às margens” da sociedade.
E, viabilizar serviços de informação utilitária já representa o primeiro passo que promova
estratégias para eliminar as desigualdades sociais, e construir uma sociedade mais humana,
eliminando quaisquer formas de preconceitos, discriminação e diferenças culturais, raciais,
econômicas e sociais.

REFERÊNCIA

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Sociedade e biblioteconomia. São Paulo: Polis,
1997.
______. Biblioteca Pública: avaliação de serviços. Londrina: Eduel, 2003.
BERNARDINO, Maria Cleide Rodrigues; SUAIDEN, Emir Jose. O papel social da biblioteca
pública na interação entre informação e conhecimento no contexto da ciência da informação.
Perspectivas em Ciência da Informação, v. 16, n. 4, p. 29-41, out./dez. 2011. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v16n4/v16n4a04.pdf&amp;gt;&gt;. Acesso em: 28 jul. 2014.
BEZERRA, Fabíola Maria Pereira. A biblioteca pública e a infoinclusão: democratização da
informação para usuários idosos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., Anais eletrônicos.... Florianópolis:
FEBAB, 2013. Disponível em: &lt;&amp;lt;file:///C:/Users/aluno-ccje/Desktop/1284-1297-1-PB.pdf&amp;gt;&gt;.
Acesso em: 01 jun. 2014.
BIBLIOTECA NACIONAL DO BRASIL. Biblioteca Pública: princípios e diretrizes. Rio de
Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. de Processos Técnicos, 2000.
BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. História da
instituição. 2014. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.secult.es.gov.br/?id=/espacos_culturais/hotsites/biblioteca_publica/instituicao/hito
ria/&amp;gt;&gt;. Acesso em: 28 jul. 2014.
BRASIL. Lei nº 8.989 de 1995. Dispõe sobre a Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
- IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como
por pessoas portadoras de deficiência física, e dá outras providências. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8989.htm&amp;gt;&gt;. Acesso em: 25 jul. 2014.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Fontes de informação utilitária em bibliotecas públicas. Revista
de Biblioteconomia de Brasília, v. 22, n.1, p.35-46, 1998. Disponível em:

�239

&lt;&amp;lt;http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/03/pdf_8c5db462f9_0008815.pdf&amp;gt;&gt;. Acesso
em: 28 jul. 2014.
CARVALHO, Jonathas Luiz. Necessidades de informação e satisfação do usuário: algumas
considerações no âmbito dos usuários da informação. InCID: Revista Ciência da Informação e
Documentação, Ribeirão Preto, v. 3, n. 2, p. 102-123, jul./dez. 2012. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/48656/52727&amp;gt;&gt;. Acesso em: 20 dez. 2012.
ESCOBAR, Juliana Lúcia. A Internet e a Democratização da Informação: proposta para um estudo
de caso. In: ENCONTRO DOS NÚCLEOS DE PESQUISA DA INTERCOM, 5., Anais... [S.l.]:
[S.n.], 2014. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R1363-1.pdf&amp;gt;&gt;. Acesso em:
01 jun. 2014.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECÁRIOS - IFLA. Manifesto da
ifla/unesco sobre bibliotecas públicas. 1994. Disponível em: &lt;&amp;lt;
http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htm&amp;gt;&gt;. Acesso em: 01 jun. 2014.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Serviços de referência e informação. São Paulo: Polis, 1992.
FONSECA, Edson Nery da. Introdução à biblioteconomia. 2. ed. São Paulo: Briquet de Lemos,
2007.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MACHADO, Frederico Borges; SUAIDEN, Emir José. O papel da biblioteca pública e seus
desafios frente aos avanços tecnológicos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., Anais
eletrônicos.... Florianópolis: FEBAB, 2013. Disponível em: &lt;&amp;lt;file:///C:/Users/alunoccje/Desktop/1284-1297-1-PB.pdf&amp;gt;&gt;. Acesso em: 01 jun. 2014.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa: planejamento e
execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de
dados. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. 3. ed. São
Paulo: Ática, 2001.
MONTEIRO, Samuel Alves; SILVA, Jonathas Luiz Carvalho. Serviços de informação utilitária em
bibliotecas universitárias. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19,
n. 1, p. 61-68, jan./jun. 2014. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/918/pdf_87&amp;gt;&gt;. Acesso em: 01 jun. 2014.
RIBAS, Claudia; ZIVIANI, Paula. O profissional da informação: rumos e desafios para uma
sociedade inclusiva. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n. 3, p. 47-57, set./dez.
2007. Disponível em: &lt;&amp;lt; http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/638&amp;gt;&gt;. Acesso
em: 11 maio 2014.
ROSTIROLLA, Gelci. Gestão do conhecimento no serviço de referência em bibliotecas
universitárias: uma análise com foco no processo de referência. 2006. 174 f. Dissertação

�240

(Mestrado em Ciência da Informação)– Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação,
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.
SOUZA, Maria Aparecida Lemos. Biblioteca Pública inclusiva: adaptar para Renovar. CRB-8
Digital, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 33-41, ago. 2013. Disponível em:
&lt;&amp;lt;http://www.crb8.org.br/UserFiles/File/Artigo_Biblioteca%20P%C3%BAblica%20inclusiva%
20adaptar%20para%20renovar.pdf&amp;gt;&gt;. Acesso em: 27 jul. 2014.
SUAIDEN, Emir. Biblioteca pública e informação à comunidade. São Paulo: Global. 1995.

�241

CAPÍTULO XVII
O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECA PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS: UMA
BIBLIOTECA PARA TODOS

Alessandra Soraya Gino Lima
Gildete Santos Veloso

1 INTRODUÇÃO

Historicamente, as bibliotecas sempre estiveram relacionadas às necessidades da
comunidade em que estão inseridas.
Em Nipur, há mais de 5 mil anos, surgia a primeira biblioteca formada por uma coleção de
tábulas de argila que representavam o formato físico dos documentos da época.
Foram surgindo, então, diversas bibliotecas até a lendária Biblioteca de Alexandria, marcada
por vários ataques e culminando com sua destruição por um incêndio.
O Clero controlava o acesso à informação durante a Idade Média e as bibliotecas
funcionavam em mosteiros. No século XVIII, surgiram as primeiras bibliotecas universitárias. As
bibliotecas públicas vêm do século XIX, sob a ótica moderna de disponibilizar gratuitamente
grandes acervos sobre temas variados.
Em Portugal, a Biblioteca Nacional, localizada em Lisboa, criada em 1796, contrariava a
tendência da época em funcionar apenas para os eruditos, oferecendo seus serviços ao público em
geral.
As bibliotecas brasileiras surgiram em 1550, situadas nos colégios jesuítas. A Biblioteca
Nacional, fundada em 1810, com um acervo de 70 mil volumes vindos de Portugal, era consultada
apenas pelos nobres. Em 1814, ela foi aberta a todos, mas a consulta permaneceu para a nobreza,
uma vez que a maioria da população era analfabeta.
Segundo Santos e Rodrigues (2013), a Biblioteconomia acompanha as bibliotecas desde
então, por isso pode ser considerada como uma das disciplinas mais antigas, cujo propósito é
sistematizar

conhecimentos

relativos

disseminação, acesso e uso da informação.

à

seleção,

aquisição,

armazenamento,

tratamento,

�242

Desse modo, podemos dizer que a função social está intrínseca à Biblioteconomia,
bibliotecas públicas e bibliotecários. Trabalha-se alicerçado nas demandas que a sociedade impõe,
mediando o acesso à informação de forma igualitária.

2 BIBLIOTECAS PÚBLICAS

As bibliotecas públicas cumprem importante papel social, pois são agentes transformadores
que conseguem atuar em locais onde a leitura, a informação e a cultura não chegam facilmente, o
que proporciona o uso dos seus serviços de extensão a esses locais.
Comungam com o Manifesto da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e
Cultura (UNESCO), para Bibliotecas Públicas, em que estão atrelados, os seus objetivos
institucionais:


criar e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância;



apoiar a educação individual e a auto-formação, assim como a educação formal a todos os
níveis;



assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa;



estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens;



promover o conhecimento sobre a herança cultural, o apreço pelas artes e pelas realizações e
inovações científicas;



possibilitar o acesso a todas as formas de expressão cultural das artes do espetáculo;



fomentar o diálogo inter-cultural e a diversidade cultural;



apoiar a tradição oral;



assegurar o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação da comunidade local;



proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de
interesse;



facilitar o desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática;



apoiar, participar e, se necessário, criar programas e atividades de alfabetização para os
diferentes grupos etários.
Segundo Cesarino (2007, p. 7), os serviços da biblioteca pública devem ser gratuitos,

apoiados por uma legislação específica e financiados pelo poder público. A biblioteca pública
configura-se em componente essencial de uma estratégia a longo prazo para o desenvolvimento
cultural do país, do estado e do município. Desempenha papel fundamental, específico e

�243

complementar às bibliotecas comunitárias, escolares, universitárias e especializadas, formando, com
elas, uma rede de acesso à informação e à leitura.
Além disso, há de se considerar, também, que as bibliotecas públicas incorporaram em suas
funções, o atendimento aos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), conforme
determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da agenda 2030, acerca do
desenvolvimento das nações nas primeiras décadas do século XXI.
A agenda 2030 é um documento elaborado pela ONU, em 2015, com intuito de nortear os
trabalhos das organizações em relação à economia, ao meio ambiente e ao desenvolvimento social
até o ano de 2030. Além dos países membros, diversas outras organizações da sociedade civil
auxiliaram por mais de dois anos na criação e revisão do texto, incluindo a Federação Internacional
de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA). Nesse documento, são listados 17 objetivos
gerais e, a partir de cada um deles, diversos objetivos específicos, nos quais as autoridades
nacionais se baseiam para implementar mudanças em seus países, formando um movimento global
de melhoria social.
Segundo a IFLA (2015), as bibliotecas podem servir de apoio para o cumprimento de
diversos objetivos da agenda, pois são instituições públicas com um papel importante no
desenvolvimento da sociedade. De acordo com Pires (2015) e outras instituições, os principais
objetivos que podem ser implantados pelas bibliotecas, especialmente as públicas, são os seguintes:
a) Objetivo 1 – erradicação da pobreza: proporcionar acesso público à informação e recursos que
geram oportunidades de melhoria de vida da população; capacitação das pessoas possibilitando a
aquisição de novas habilidades necessárias para a educação e o emprego.
b) Objetivo 3 – saúde e bem-estar: tornar públicas informações sobre saúde, bem-estar, segurança
alimentar e prevenção de doenças por meio de intervenções, preferencialmente em regiões de
vulnerabilidade social, como palestras, campanhas de conscientização, rodas de conversa e
divulgação de material de pesquisa, sobretudo do Guia Alimentar para a População Brasileira
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014), contribuindo para que todas as famílias sejam saudáveis.
c) Objetivo 4 – educação de qualidade: oferecer um ambiente seguro, confortável e acessível para
estudantes, com equipes que apoiem a educação continuada e que auxiliem na busca pela
informação de todos os estudantes.
d) Objetivo 5 – igualdade de gênero: disponibilizar um local seguro e confortável para encontros e
discussões sobre o tema; informar e conscientizar mulheres de todas as idades a respeito de seus
direitos e de situações abusivas vivenciadas por elas no dia a dia; executar projetos de alcance
externo ao ambiente da biblioteca, cujo objetivo seja apoiar e informar mulheres sobre a
importância da luta pela liberdade das mulheres e pela igualdade de gênero.

�244

e) Objetivo 9 – indústria, inovação e infraestrutura: oferecer à comunidade espaços agradáveis e
inclusivos, em que custos não sejam barreiras para a adaptação do ambiente e, de modo geral, para
aquisição de informação; disponibilizar acesso aos meios tecnológicos, como internet e
computadores.
f) Objetivo 10 – redução das desigualdades: proporcionar acesso equitativo à informação
promovendo inclusão social, política e econômica.
g) Objetivo 13 – ação contra a mudança global do clima: difundir o acesso a informações sobre o
assunto para motivar a população a uma mudança de hábitos, bem como uma participação ativa nas
decisões políticas e administrativas de suas cidades para fiscalizar as medidas tomadas por elas.
h) Objetivo 16 – paz, justiça e instituições eficazes: oferecer para toda população, principalmente
as de regiões mais carentes, meios de acompanhamento das medidas propostas e aprovadas pelo
governo, sociedade civil e outras instituições; capacitar as pessoas para que compreendam e
desenvolvam as habilidades necessárias para a utilização dessas informações; oferecer espaços para
que as pessoas possam se reunir e se organizar em movimentos com esses fins.

2.1 BIBLIOTECA PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS

Frente a essas considerações feitas pela IFLA, torna-se evidente as funções das bibliotecas
públicas no Brasil de hoje – como as mais democráticas instituições de caráter cultural e
educacional as quais, sem dúvida alguma, tem a vocação nata para exercer um papel social de
grande relevância na inserção da sociedade brasileira na modernidade globalizada e informada. Em
Minas Gerais, não seria diferente. Diante desse panorama, a Biblioteca Pública Estadual de Minas
Gerais procura vincular suas atividades aos objetivos propostos pela Agenda 2030. Dentre os
objetivos já incorporados nas ações ali desenvolvidas, destacamos:
a) Objetivos 1, 4 e 8 – Erradicação da pobreza, Educação de qualidade e Trabalho decente e
crescimento econômico: existem projetos como o do Curso de Braille e o Bordados e Teatros que
são de cunho educativo que visam a capacitação da população gerando novas oportunidades de
emprego e de geração de renda, bem como os grupos de estudos de inglês, direito e português que
acontecem no Setor Braille.
b) Objetivo 5 – Igualdade de gênero: são organizadas exposições com o intuito de conscientizar e
empoderar mulheres e meninas, como a exposição “Violência: não se acostume com essa ideia” e as
exposições temáticas dos setores, por exemplo, a de “Protagonistas e Heroínas”, do Setor
Infantojuvenil.

�245

c) Objetivo 9 – indústria, inovação e infraestrutura: os dois prédios que compõem a Biblioteca
Pública Estadual de Minas Gerais, a Sede Luiz de Bessa e o Anexo Professor Francisco Iglésias, são
acessíveis a pessoas com deficiência; além disso, o Laboratório de Informática do Prédio Anexo
oferece à população computadores conectados à internet.
d) Objetivo 10 – redução das desigualdades: a Biblioteca desenvolve projetos de extensão que
levam acesso à leitura, informação e cultura a comunidades de regiões com vulnerabilidade social
de Belo Horizonte e a Região Metropolitana, como a Caixa Estante e o Carro Biblioteca.
e) Objetivo 13 – ação contra a mudança global do clima: promove hábitos mais sustentáveis e
conscientiza a população por meio de palestras, exposições com essa temática e ao dar
protagonismo a esse tema na elaboração de projetos.
f) Objetivo 16 – paz, justiça e instituições eficazes: é desenvolvido o projeto Jornada do Direito
que possibilita a interação entre pessoas leigas e profissionais e estudantes da área, levando essas
pessoas a adquirir noções básicas a respeito de conhecimentos jurídicos.
O alinhamento dos objetivos gerais das bibliotecas, em especial das bibliotecas públicas,
com as ações propostas pela IFLA para o cumprimento da Agenda 2030 e o desenvolvimento
sustentável se faz necessário, uma vez que suas ações de promoção cultural têm um caráter
universal, pois atingem todos os âmbitos da sociedade, a exemplo os projetos desenvolvidos pela
Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais que sempre visam à democratização do acesso ao
conhecimento.
Vamos, então, destacar as ações desenvolvidas pela Biblioteca Pública Estadual de Minas
Gerais realizadas em seus diversos setores, tais como: Setor Infantojuvenil, Coleções Especiais,
Setor Braille, Galeria Paulo Campos Guimarães e Passarela Cultural, Setor de Referência e Estudos,
Carro-Biblioteca e Caixa-Estante, assim como a Diretoria do Sistema Estadual de Bibliotecas
Públicas Municipais. Ao longo de seus 64 anos de existência, a Biblioteca vem atendendo
demandas bastante significativas que promovem a inclusão sociocultural de diversas camadas da
sociedade e cumprem importante papel no cenário cultural de Belo Horizonte, por meio de cerca de
400 atividades por ano. Algumas atividades já contam com recurso de acessibilidade. Elas já estão
consolidadas e têm mais de cinco anos de continuidade, fazendo parte da programação fixa da
instituição.


Aula na Biblioteca: criado em 2009, esse projeto tem por finalidade ser uma ponte entre a

universidade e a comunidade, em especial aos jovens em formação. Promove o encontro entre
professores e profissionais de diversas áreas do conhecimento, promovendo palestras e debates com
temas contemporâneos, a fim de despertar para a diversidade cultural existente no acervo da
Biblioteca e que está ao alcance de todos por meio da leitura.

�246



Jornada do Direito: ciclo de palestras e debates sobre vários temas ligados à área jurídica

em linguagem que possa atender a comunidade em geral. Os palestrantes convidados são
professores universitários especialistas nas áreas que vão abordar.


Em Destaque: exposição mensal temática de livros, entre outros materiais que forneçam

informações e referências sobre determinado tema, visando despertar o interesse e a curiosidade dos
usuários em um espaço pensado e organizado para permitir que se consultem livremente as obras
em exposição. Bimestralmente, são realizadas intervenções culturais que abordam o tema exposto
no mês em curso, como: palestra, mesa redonda, apresentação musical, cinema etc. O tema pode
estar ligado ao calendário cultural de Minas Gerais, mas permite a inserção de outros enfoques,
como: sugestões de leitores, instituições de ensino e do Comitê de Educação do Circuito Liberdade,
onde a Biblioteca está inserida.


MUMIA: a Biblioteca participa da Mostra Udigrudi Mundial de Animação – MUMIA,

desde 2012. O festival reúne diversos filmes de animação (cerca de 34 países participantes).


Visitas Guiadas: em atividade desde 2006, as visitas têm uma trajetória particular no campo

de ações ligadas à cultura; seu êxito deve-se à cooperação que se estabeleceu entre a Biblioteca
Pública e setores da sociedade interessados em participar de iniciativas em favor da leitura. O
visitante encontrará um espaço organizado, de acesso fácil aos livros e um ambiente estimulante de
promoção da leitura. A visita apresenta e situa o usuário potencial dentro do espaço da Biblioteca
Estadual de Minas Gerais, as dimensões do uso dos seus serviços e a importância de tudo que ela
oferece.


Clube de Leitura de Quadrinhos: encontro de leitores de uma mesma obra em quadrinhos

para expressarem suas opiniões e críticas sobre ela.


Encontros com a Leitura: ciclo de palestras com especialistas, pessoas de renome e

escritores com o objetivo de buscar, por meio da discussão, a reflexão e valorização do espaço da
biblioteca, do livro e da leitura. Destinado a profissionais que atuam com o incentivo à leitura e
literatura como professores, bibliotecários, mediadores de leitura, estudantes entre outros.


Hora do Conto e da Leitura: narração e leitura de histórias que visa dinamizar o uso do

acervo da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, aproximando crianças e adolescentes do
universo literário e contribuindo para a formação de leitores. Setores: Caixa-Estante, CarroBiblioteca e Infantojuvenil.


Roda de Leitura: atividade conduzida por um leitor-guia (professor, escritor...) com o

objetivo de aproximar crianças, adolescentes e adultos de textos literários, por meio de um diálogo
que explore os aspectos vivenciais presentes na literatura. Uma troca de experiências de leitura
entre os participantes. Setores: Carro-Biblioteca e Infantojuvenil.

�247



Clube de Leitura: encontro de leitores de uma mesma obra para expressarem suas opiniões

e críticas sobre ela, explorarem o gênero literário em questão e conhecerem outros autores e livros
afins, com o intuito de incentivar o gosto pela leitura. Setores: Braille, Caixa-Estante, CarroBiblioteca e Infantojuvenil.


Encontro com o Escritor: bate-papo com escritores de literatura infantil, juvenil e adulta

com vistas a aproximar o leitor do autor, promovendo um diálogo sobre o processo de criação de
livros, bem como sobre a obra, estilo, motivações e experiências de leitura dos escritores. Um
encontro também que oferece a oportunidade de os leitores ouvirem dos próprios autores a leitura
de seus textos publicados. Setores: Braille, Caixa-Estante, Carro-Biblioteca e Infantojuvenil.


Apresentações Teatrais: apresentações teatrais inspiradas e livros de literatura

infantojuvenil e adulta existentes no acervo da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Setores: Braille, Caixa-Estante, Carro-Biblioteca e Infantojuvenil.


Livro Fora da Estante: exposições que destacam mensalmente um tema de interesse

cultural. As publicações relativas ao tema são retiradas de seus lugares nas estantes, e reunidas em
uma só prateleira temática, com o objetivo de chamar a atenção do leitor para o assunto proposto.
Setor: Carro-Biblioteca.


Exposição Temática: exposições de livros com o objetivo de divulgar o acervo e autores

específicos. Setor: Infantojuvenil, Empréstimo Domiciliar e Hemeroteca Histórica.


Exposições de Artes: exposições de artes visuais e literárias, selecionadas por meio de

Edital Público, contando ainda com escritores para lançamentos de livros, com o objetivo de
mostrar e divulgar trabalhos de novos artistas. Setor: Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães e
Passarela Cultural.


Painel Descobrindo o Autor: espaço destinado para destacar autores e ilustradores da

literatura infantojuvenil, cujos leitores têm a oportunidade de conhecer mais o seu autor/ilustrador
preferido, seus trabalhos, biografias, leituras, motivações, livros publicados e ampliar suas
possibilidades na escolha de livros. Setor: Infantojuvenil.


Oficina de Origami: após contação de histórias os participantes fazem personagens,

animais, flores e o que mais imaginarem com a técnica origami. Setor: Caixa-Estante.


Inventar e brincar: é só começar!: apresentação de repertório de brinquedos e brincadeiras

e abordagem da importância do brincar para o desenvolvimento da criança. Setor: Infantojuvenil.


Lançamento de Livros: os setores da DEAR oferecem a possibilidade de reserva de seus

espaços para receberem escritores em eventos de lançamentos de livros. Setores: Braille, CaixaEstante, Carro-Biblioteca e Infantojuvenil.

�248



Curso: promoção de cursos com temas de interesse para os leitores e também para os

servidores da Biblioteca. Os cursos são ministrados pela própria equipe da Biblioteca e também por
profissionais reconhecidos no mercado. Setores: Braille, Caixa-Estante, Carro-Biblioteca e
Infantojuvenil.

Desde a sua fundação, em 1954, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais tem como
premissa a acessibilidade e a inclusão.
A década de 1960 foi muito importante para o fortalecimento da Biblioteca. Foram
instituídos os serviços de maior alcance social. Surgiram o Carro-Biblioteca, o setor Infantojuvenil,
as primeiras ações institucionalizadas do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais e o
Setor Braille. Esse foi criado em 1965 tornando-se um equipamento importante para a prática da
leitura acessível, não só na Capital, mas também em toda a região metropolitana de Belo Horizonte,
tendo como diferencial o fato de possuir em seu quadro funcional pessoas com deficiência visual,
aptas a melhor perceber as demandas dos usuários.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146, de 6 de julho de 2015)
define:
Art. 3o Para fins de aplicação dessa Lei, consideram-se:
I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e
autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e
comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações
abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural,
por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida;
II - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem
usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os
recursos de tecnologia assistiva;
III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada
à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando a sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

�249

2.1.1 Setor Braille

O Setor Braille se caracteriza por ser um espaço de trabalho e convivência, cujos princípios
são fundamentados na promoção humana, no voluntariado e na inclusão social. O Setor possui
como objetivo oferecer às pessoas com deficiência visual o acesso irrestrito à cultura e informação,
por meio de livros acessíveis em braille, audiolivros, equipamentos adaptados, bem como pela
realização de atividades de incentivo à leitura e trabalho voluntário.
Configura-se numa referência em acessibilidade para bibliotecas e outros espaços culturais,
num trabalho caracterizado pela permanência e continuidade dos serviços oferecidos e por isso
mesmo garantindo uma credibilidade junto à comunidade como um todo.
Mensalmente, o Setor atende cerca de 1.000 pessoas com deficiência visual (cegos e baixa
visão). É um público muito heterogêneo, que abrange classes sociais variadas, múltiplas faixas
etárias (adolescentes, jovens, adultos e idosos), diversificados gêneros, tendo cada indivíduo desse
coletivo, demandas individuais bem distintas (estudo para concursos, leitura de materiais
científicos, leitura de textos em formatos digitais, gravação de apostilas, empréstimos de livros em
braille, audiolivros e filmes com audiodescrição, uso de tecnologias assistiva, inscrição para
concursos etc.).
O Setor Braille possui um acervo diversificado composto por obras literárias de autores
brasileiros e estrangeiros nos mais variados formatos (cerca de 2000 títulos em braille, 1800
audiolivros e, aproximadamente, 60 filmes com audiodescrição), abrangendo as diversas áreas do
conhecimento.
O Setor também promove atividades inclusivas de incentivo à leitura que estimulam o gosto
e o hábito de ler entre os seus usuários, norteadas pelos princípios da acessibilidade, a saber:


Cine Braille: atividade desenvolvida a cada dois meses, que tem como objetivo exibir
filmes com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, no teatro da biblioteca
pública. No final de cada sessão, o voluntário do Setor, Ronaldo Toledo, conduz uma
discussão sobre os aspectos do filme. São realizados, mais ou menos, seis encontros por ano.



Curso de Braille: ministrado pelo servidor Alexandro Alves Lima, tem o objetivo de
proporcionar aos voluntários cadastrados no Setor e às pessoas com deficiência visual e seus
parentes a oportunidade de aprender a ler e escrever por meio do Sistema Braille. O referido
curso tem carga horária de 60 horas, com duração de seis meses. É promovido um curso por
ano.

�250



Serviço Voluntário: leitura viva voz de voluntários para os usuários do setor, de materiais
para estudos de educação continuada, concursos públicos e didáticos que não são
disponíveis em braille.



Café com Poesia: narração e leitura de poesias para pessoas com deficiência visual.



Tempo para Ler: apresenta textos curtos de determinado autor fomentando discussão sobre
literatura.

2.1.2 Carro-Biblioteca

O Carro-Biblioteca e a Caixa-Estante são os serviços de extensão da Biblioteca Pública
Estadual de Minas Gerais. Criado em 1960, o Carro-Bilioteca possui como maior premissa a
democratização do acesso à leitura para comunidades em condições socialmente vulneráveis que
não possuem bibliotecas ou equipamentos culturais. Por meio de sua atuação, são desenvolvidas
atividades de incentivo e mediação de leitura junto a cinco bairros de Belo Horizonte, atendidos
semanalmente no período da manhã. Conta com um acervo de aproximadamente 25.000 livros,
dentre eles literatura brasileira, estrangeira e infantojuvenil, além de revistas adultas e infantis.
Desde sua implantação, o Carro-Biblioteca atendeu as necessidades de leitura e informação
de diversas comunidades e promoveu ações culturais em vários formatos e temáticas. Foram mais
de 37 comunidades contempladas ao longo desses 58 anos de atuação. Por isso, o serviço do CarroBiblioteca tornou-se uma referência cultural, nesse cenário.

2.1.3 Caixa Estante

Já o serviço de Caixa-Estante foi criado em 1969 e, desde então, tem possibilitado o
convívio com os livros fora dos muros da Biblioteca, por meio do atendimento a instituições
públicas e não governamentais de Belo Horizonte e região metropolitana. Hoje, a Caixa-Estante
está presente em 15 instituições, tais como creches, penitenciárias, centros socioeducativos, casa de
semiliberdade, Lar dos Meninos e APAE.
Possui um acervo de aproximadamente oito mil títulos, contemplando literatura brasileira,
estrangeira e infantojuvenil, além de revistas adultas e infantis.

�251

A Caixa-Estante permanece nas instituições por três anos e, além da democratização da
leitura e do acesso à informação, tem como objetivo sensibilizar as instituições as quais atende, no
intuito de que elas criem suas próprias bibliotecas.
As ações voltadas para a promoção da leitura desses dois serviços de extensão estão em
consonância com as recomendações da UNESCO e do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura
e Bibliotecas de Minas Gerais, principalmente, em atendimento ao eixo 1, que trata da
democratização do acesso à leitura e ao eixo 2, o qual discorre sobre o fomento à leitura e à
formação de mediadores.

3 CONCLUSÃO

O espaço democrático da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, com toda sua
diversidade de público e de atividades, constitui um ambiente propício ao desenvolvimento social
dos indivíduos. O processo de inclusão sociocultural acontece quando, nesse ambiente, asseguramos
a democratização do acesso à informação, contribuindo com a diminuição das desigualdades sociais
e estimulando, cada vez mais, o uso da biblioteca como forma de ampliação de conhecimento.
Guimaraens (2018) reflete o trabalho desenvolvido na Biblioteca Pública Estadual de Minas
Gerais quando assegura:
A biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos
seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros:
Os serviços da biblioteca pública devem ser oferecidos com base na igualdade de acesso
para todos, sem distinção de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua ou condição
social. Serviços e materiais específicos devem ser postos à disposição dos utilizadores que,
por qualquer razão, não possam usar os serviços e os materiais correntes, como, por
exemplo, minorias linguísticas, pessoas deficientes, hospitalizadas ou reclusas. Todos os
grupos etários devem encontrar documentos adequados às suas necessidades. As coleções e
serviços devem incluir todos os tipos de suporte e tecnologias modernas apropriados assim
como fundos tradicionais. É essencial que sejam de elevada qualidade e adequadas às
necessidades e condições locais. As coleções devem refletir as tendências atuais e a
evolução da sociedade, bem como a memória da humanidade e o produto da sua
imaginação. As coleções e os serviços devem ser isentos de qualquer forma de censura
ideológica, política ou religiosa e de pressões comerciais.

REFERÊNCIAS

BIBLIOTECA NACIONAL (BRASIL). Coordenadoria do Sistema Nacional de Bibliotecas
Públicas. Sociedade de amigos da Biblioteca Nacional. Um olhar diferenciado sobre a
Biblioteca Pública: impactos da gestão inovadora: manual do participante. Rio de Janeiro:
Fundação Biblioteca Nacional, 2009.

�252

BRASIL. Decreto n. 6.949, de 16 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os
Diretos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30
de março de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, 26 Ago. 2009. Disponível em:
&lt;www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/.../decreto/d6949.htm&gt;. Acesso em: 24 jul. 2015.
BRASIL. Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília. 2000. Disponível em:
&lt;HTTP://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10098.htm&gt;. Acesso em: 09 nov. 2018.
CABRAL, Ana Maria; REIS, Alcenir Soares dos. Democratização da informação e da leitura:
desafios do Carro-Biblioteca. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA, 2., Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2004.
CASTRO, César. História da biblioteconomia brasileira. Brasília: Thesaurus, 2000.
CESARINO, Maria Augusta da Nóbrega. Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa: 50 anos de
cultura. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, Superintendência de
Bibliotecas Públicas, 2006.
FONSECA, C. R. et al. Acessibilidade em bibliotecas: um estudo de caso. Porto Alegre: UFRS,
2012.
GUIMARAENS, Lucas. Bibliotecas e o diálogo transcultural. [S.l.]: [S.l.], 2018.
IFLA. As bibliotecas podem promover a implementação da agenda 2030. 2015. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/documents/sdgs-insert-pt.pdf&gt;.
Acesso em: 01 dez. 2018.
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS. Os
servicos da Biblioteca Pública: directrizes da IFLA/UNESCO. [S.l.]: Liberpolis; Caminho, 2003.
LINDERMANN, Catia et all. Por uma Biblioteconomia mais social: interfaces e perspectivas.
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 21, n. 22, p. 707-723,
ago./nov. 2016.
MAZZONI, A. A. et al. Aspectos que interferem na construção da acessibilidade em bibliotecas
universitárias. Ciência da informação, Brasília, DF, v. 30, n. 2, p. 29-34, maio/ago. 2001.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para
o Desenvolvimento Sustentável. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_desenvsust/Agenda2030completoportugus12fev2016x.pdf
&gt;. Acesso em: 02 dez. 2018.
PIRES, Fernando. Agenda 2030 da ONU e as bibliotecas. Tecnologias e Ciências da Informação,
ago. 2015. Disponível em: &lt;http://tci.fernandop.info/agenda-2030-da-onu-e-as-bibliotecas/&gt;.
Acesso em: 09 dez. 2018.
RABELLO, Odília Clark Peres. O deficiente visual e a Biblioteca Pública Estadual Luiz de
Bessa. Belo Horizonte: UFMG, 1989.
SANTOS, Ana Paula Lima dos. Biblioteconomia: gênese, história e fundamentos. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 116-131, jul./dez. 2013.

�253

SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DE MINAS GERAIS. Superintendência de
Bibliotecas Públicas de Minas Gerais. Disponível em: &lt;http://www.cultura.mg.gov.br&gt;. Acesso
em: 06 out. 2012.
SUAIDEN, Emir José. Biblioteca pública brasileira: desempenho e perspectivas. São Paulo: Lisa;
INL, 1980.
TOJAL, Amanda Pinto da Fonseca et al. Caderno de acessibilidade: reflexões e experiências em
exposições e museus. São Paulo: Expomus, 2010.

�254

PARTE IV

Práticas bibliotecárias
em face do movimento
associativo

�255

CAPÍTULO XVIII
POR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E IGUALITÁRIA: O PAPEL DO MOVIMENTO
BIBLIOTECÁRIO NA DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO

A evolução da sociedade tem sido acompanhada pela manifestação de diferentes tendências
no decorrer da história humana que proporcionam a delimitação ou divisão do espaço social em
relação ao tempo ou momento histórico vivenciado, determinado por hábitos, culturas, formas de
organização social e política, dentre outros elementos que, em conjunto, caracterizam a
heterogeneidade das práticas humano-sociais.
A heterogeneidade é, talvez, o traço mais marcante e peculiar do ser humano e das relações
sociais que estabelece com seus semelhantes. E são essas diferenciações que possibilitam as
transformações, consideradas como impulsos promotores da mudança, em que concepções e
paradigmas vão sendo questionados e repercutem na ruptura desses e, por conseguinte, formação de
novas ideologias.
A ruptura de determinadas crenças e propósitos é fruto da inquietação do ser humano acerca
do sistema que rege a sociedade em um determinado momento, não sendo, portanto, uma atividade
simples e súbita. Contempla, normalmente, um longo período, em que as práticas sociais, sobretudo
no que tange ao sistema de controle social, vão sendo rejeitadas, determinando a formação de novas
ideologias, apoiadas por grupos e forças que acabam, em determinado momento, estabelecendo uma
forma de controle hegemônico sobre os demais grupos.
Sob uma perspectiva histórica, econômica e política, as sociedades buscam estabelecer
formas de organização social, e, para essa organização, manifestam-se as formas de controle, as
quais são geradas e conduzidas por meio de grupos que exercem, sob uma determinada condição, a
autoridade sobre o sistema social. Surge, especificamente, o sistema político, representado por
indivíduos que, por possuírem similaridades de pensamento sobre determinadas crenças, valores e
acepções, organizam-se para defender interesses em comum e estabelecer as formas de controle sob
o que acreditam para melhoria da sociedade.

�256

No âmago do sistema político da contemporaneidade, não resta dúvida acerca do papel
desempenhado pela democracia, em que a autoridade está no povo e para o povo, sendo os líderes
políticos, em quaisquer contextos, escolhidos mediante o direito de indicação de cada indivíduo. As
sociedades democráticas, portanto, possibilitam alternativas que tendem a eliminar opressões e
desigualdades. Isso é alcançado, certamente, mediante a universalização dos direitos e por meio da
ampliação de acesso à educação e ao conhecimento.
A democratização do conhecimento é uma das maiores conquistas das sociedades
democráticas, sendo acelerada, no decorrer das últimas décadas do século XX, por meio da
passagem de uma sociedade que restringia o conhecimento às classes elitizadas, para uma sociedade
que pluralizou as formas de acesso e, dessa maneira, abriu espaços para a participação de todos os
indivíduos, independente de condição social, na construção do conhecimento e, por decorrência, no
desenvolvimento intelectual e crítico dos cidadãos.
Democratizar o conhecimento não é, simplesmente, disponibilizá-lo, mediante estratégias de
divulgação. Trata-se de um fazer muito mais complexo, que envolve comprometimento de
profissionais, haja vista promover o controle e a gestão, permitindo, o uso efetivo e lícito do
conhecimento. Além do empenho e engajamento de profissionais, faz-se necessária a participação
dos agentes governamentais, no intuito de promover políticas de apoio e garantir maiores
investimentos para as classes envolvidas com essa causa.
O movimento político a favor dos direitos dos cidadãos e, especificamente, a defesa da
prática profissional se consolida por meio da formação de grupos envolvidos com os interesses das
classes profissionais. Os profissionais envolvidos com a democratização do conhecimento, como os
bibliotecários, merecem destaque nesse contexto de lutas e defesas de direitos, pois, são eles que
gerenciam o fluxo da informação que possibilita a geração de conhecimento.
Além de atuarem com as práticas de organização do conhecimento, normalmente realizada
em unidades e serviços de informação, como bibliotecas, arquivos, centros culturais, dentre outros,
os bibliotecários também possibilitam práticas de disseminação do que é produzido, permitindo, por
decorrência, o uso do conhecimento, para fins de desenvolvimento individual e social.
Essas difíceis e louváveis atividades, essenciais para consolidar a democratização do
conhecimento - considerada como o alvo das sociedades democráticas – a fim de serem melhores
realizadas, requerem maior valorização e reconhecimento por parte das autoridades políticogovernamentais e da própria sociedade, o que justifica a inserção dos bibliotecários no âmbito
político, uma causa urgente e necessária.
Discorrer sobre democratização do conhecimento permite reforçar a contribuição das
práticas biblioteconômicas na gestão e disseminação do conhecimento na sociedade. Com efeito,

�257

não é possível refletir sobre o papel desse profissional, sem destacar a contribuição do movimento
associativo, o engajamento de grupos, com propósitos semelhantes e que unem-se em defesa dos
direitos da classe, garantindo, portanto, melhorias ao fazer profissional, e, como consequência,
viabilizando condições adequadas para a prática cidadã, também considerada como fruto e essência
da democracia.
No âmbito bibliotecário, acreditamos ser de suma importância o discurso acerca da
participação desses profissionais com as causas sociais, sobretudo em sociedades democráticas. É
essa participação que possibilita o acesso e uso democrático ao conhecimento e a mudança de vida
das pessoas. Por sua vez, essa participação se intensifica por meio do engajamento de grupos ou
lideranças, ligadas à classe. Assim, é indissociável a relação estabelecida entre democratização,
movimento bibliotecário em defesa da classe e o alcance de uma sociedade mais justa e igualitária.

2 DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E O MOVIMENTO BIBLIOTECÁRIO:
LUTAS EM FAVOR DA CLASSE PARA UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E
IGUALITÁRIA

A história e evolução do conhecimento na sociedade, ao longo dos tempos, têm revelado o
quanto esse elemento tem interferido nas formas de relacionamento e o estabelecimento do poder
entre os grupos sociais. Acontecimentos históricos marcantes, como a invenção da imprensa, a qual
possibilitou novas formas de socialização do conhecimento (BURKE, 2003), como também, o
desenvolvimento das tecnologias digitais, as quais promoveram o compartilhamento e participação
coletiva mais intensa na construção do conhecimento (BURKE, 2012), foram decisivos para
viabilizar o acesso universal e democrático ao saber humano.
A democratização do conhecimento não pode ser considerada, tão somente, como uma
prática ou fazer relativo à disponibilização ou disseminação do que é gerado com o conhecimento.
Trata-se de um processo mais abrangente, visto que permite garantir, de forma universal eliminando-se quaisquer limitações - o acesso ao conhecimento. Ademais, ao democratizar, são
oferecidas condições para que as pessoas possam participar, de forma interventiva, na construção de
novos conhecimentos e agregação de valor para a evolução da sociedade (TEIXEIRA, 2001).
O processo de democratizar o conhecimento envolve diversos agentes, pois sustenta-se em
práticas diversificadas, realizadas em inúmeros espaços da sociedade. Além do aparato tecnológico
que vem contribuindo, cada vez mais, para garantir o acesso ao conhecimento, é preciso que outros

�258

fazeres sejam realizados, envolvendo, também, ações pedagógicas que viabilizem a aprendizagem e
o desenvolvimento dos indivíduos (RAMOS; ROSSATO, 2017).
Em uma primeira instância, a democratização é promovida por meio do acesso à
informação, considerando os registros gráficos armazenados em acervos documentários, os quais
precisam ser gerenciados, a fim de tornarem-se passíveis de recuperação. Essa constitui a essência
dos serviços e das unidades de informação, em que o bibliotecário, na condição de agente
informacional, propicia condições para garantir a transferência do que está contido nos acervos para
os utilizadores (BARROS, 2003).
Como

agentes

de

disseminação

do

conhecimento,

os

bibliotecários,

atuantes

tradicionalmente em bibliotecas, centros de informação e em variados locais que demandem
serviços informacionais, cumprem o papel de promover a formação instrutiva e crítica dos sujeitos,
mediante práticas pedagógicas, comunicativas e de assistência às necessidades específicas dos
usuários. Em linhas gerais, essas funções realizadas por esses agentes possuem uma dimensão
social, que vai muito além de procedimentos técnicos e operacionais. Isso porque, no exercício da
função bibliotecária, independente do contexto de manifestação dessas funções, há necessidade de
promover o acesso e mediação da informação, em diferentes mídias, no intuito de que “[...] as
pessoas sejam capazes de refletir e desenvolver um senso crítico para exercer seus direitos, sua
cidadania e viver em uma sociedade mais justa e igualitária [...]” (LINDEMANN; SPUDEIT;
CORRÊA, 2016, p. 707, grifo nosso).
Em uma instância mais profunda, a democratização se concretiza quando são realizadas
intervenções que contribuem para o uso da informação e a transformação dela em conhecimento,
uma tarefa que acarreta melhorias no contexto de vida dos sujeitos. Isso envolve um conjunto de
ações promovidas pelo sistema social, haja vista desencadear oportunidades que viabilizem
melhores condições de vida. Logo, mediante ao uso da informação e seu valor para a cidadania,
desperta-se o crescimento econômico (ROCHA, 1999).
Acreditamos que os bibliotecários, nas múltiplas atividades que realizam, exercem
contribuições para a democratização do conhecimento, seja em termos de disseminação quanto ao
uso da informação para manifestação da cidadania. Por consequência desse processo, há relação
entre fazer bibliotecário e desenvolvimento pessoal e social. Mais que isso, em uma sociedade
altamente competitiva da pós-modernidade, e diante dos ideais democráticos e valores humanos que
visam a ordem mundial, para o progresso das nações futuras, é possível constatar o contributo do
fazer bibliotecário com o desenvolvimento sustentável da sociedade.
O aprofundamento acerca dessa relação tem sido acatado em âmbito internacional, tendo
destaque as ações e propostas acatadas pela Federação Internacional de Associações e Instituições

�259

Bibliotecárias (IFLA), a qual reconhece o papel das bibliotecas e dos profissionais, para o alcance
dos propósitos do desenvolvimento sustentável para o mundo, conforme proposto na Agenda 2030
da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com os ideais da ONU, para o
desenvolvimento futuro do planeta, a IFLA convoca toda a classe bibliotecária e as unidades e
serviços que envolvem os bibliotecários colocarem-se a serviço dessa causa. O quadro 1 expõe os
principais objetivos do desenvolvimento sustentável e as principais ações a serem desenvolvidas
pela prática bibliotecária.
Quadro 1 – A prática bibliotecária em favor do desenvolvimento sustentável
Objetivos do desenvolvimento sustentável
Principais ações bibliotecárias
Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em - Acesso público à informação e recursos que geram
oportunidades para melhorar a vida das pessoas;
todos os lugares
- Capacitação para adquirir novas habilidades
necessárias para a educação e o emprego;
- Informação para apoiar o processo de tomada de
decisões para combater a pobreza por parte dos
governos, da sociedade civil e do setor empresarial.
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e - Pesquisas e dados agrícolas para que os cultivos sejam
melhoria da nutrição e promover a agricultura mais produtivos e sustentáveis;
- Acesso público para produtores agrícolas a recursos
sustentável
em rede, como, por exemplo, preços de mercado local,
informes meteorológicos e novos equipamentos.
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar Pesquisas disponíveis em bibliotecas médicas e
hospitalares que apoiem a educação e melhorem a
para todos, em todas as idades
prática médica dos provedores de cuidados médicos;
-Acesso público à informação sobre saúde e bem-estar
nas bibliotecas públicas para contribuir com que todas
as pessoas e famílias sejam saudáveis.
Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de - Equipes dedicadas que apoiem a educação na primeira
qualidade,
e
promover
oportunidades
de infância (educação continuada); - Acesso à informação
e à pesquisa para estudantes em todo o mundo;
aprendizagem ao longo da vida para todos
- Espaços inclusivos onde os custos não sejam uma
barreira para adquirir novos conhecimentos e
habilidades.
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as - Espaços de encontro seguros e agradáveis; Programas e serviços pensados para satisfazer as
mulheres e meninas
necessidades de mulheres e meninas como direito e
saúde;
- Acesso à informação e tecnologias que permitam as
mulheres desenvolver habilidades no mundo dos
negócios.
Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da - Acesso à informação de qualidade sobre boas práticas
que permitam desenvolver projetos locais de gestão da
água e saneamento para todos
água e saneamento;
- Acesso livre e seguro à eletricidade e iluminação para
ler, estudar e trabalhar.
Construir infraestruturas resilientes, promover a - Uma ampla estrutura de bibliotecas públicas,
industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a especializadas e universitárias e com profissionais
qualificados;
inovação
- Espaços agradáveis e inclusivos;
- Acesso a tecnologias digitais, como por exemplo, com
internet de alta velocidade que não se encontra
disponível em todo lugar.
- Espaços neutros e agradáveis que permitam a
Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
aprendizagem para todos, incluindo os grupos
marginalizados, como os imigrantes, os refugiados, as

�260

Tornar as cidades e os assentamentos humanos
inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

minorias, os povos indígenas e pessoas com deficiência;
- Acesso equitativo à informação que promova a
inclusão social, política e econômica.
- Instituições confiáveis dedicadas a promover a
inclusão e o intercâmbio cultural;
- Documentação e conservação do patrimônio cultural
para as futuras gerações.

Fonte: Adaptado de IFLA (2016).

A Agenda 2030 da ONU tem sido acatada pela IFLA, como também vem sendo refletida no
âmbito brasileiro, sendo transmitida a todos os profissionais e demais agentes, a contribuição da
biblioteca para uma sociedade desenvolvida economicamente, instrutivamente, culturalmente,
enfim, socialmente. No Brasil, a Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários (FEBAB)
destaca-se como pioneira e incentivadora dessa causa para todas as instâncias do país.
A responsabilidade da Biblioteconomia, portanto, transcende as funções técnicas e
operacionais que há muito tempo permeou a profissão. Abrem-se, nesse contexto, um debate mais
profundo e fecundo, com vistas a consolidar o campo da Biblioteconomia Social, ou seja, como
descrito por Almeida Júnior (1997), esse campo contempla as questões sociais, que vão além dos
muros das instituições.
Todavia, é preciso considerar que essa abrangência nas práticas bibliotecárias não depende,
apenas, de profissionais da documentação e informação. É preciso engajamento da classe, o que
depreende o fortalecimento das questões políticas, as quais viabilizarão maiores investimentos
públicos, construção de políticas sociais, reconhecimento profissional, fiscalização, dentre outras
ações a serem realizadas pelos bibliotecários que se inserem nos movimentos defensores dos
direitos da classe, como: movimentos associativos, entidades de classe, conselhos de classe, dentre
outras entidades que promovem o fortalecimento e a jurisdição da prática profissional.
Confirmamos, aqui, o engajamento dos bibliotecários com as causas sociais,
especificamente, no âmbito daqueles que se inserem na luta pela democracia, considerando
propósitos em comum, haja vista, condições adequadas para o desenvolvimento da Biblioteconomia
na sociedade. Acerca dos agentes envolvidos com a causa política em defesa da profissão, não se
trata de anarquismo, mas do atendimento aos ideais e princípios norteadores do Estado Democrático
de Direito, que busca gerar condições para uma sociedade mais justa e igualitária a todos os
cidadãos.
Essas lutas nascem da percepção de que determinadas situações e práticas sociais são
desrespeitosas. Quando os sujeitos percebem que as condições de autorrealização, em
alguma de suas dimensões, são-lhes cerceadas pelos atos de outros seres humanos, tendem
a sentir-se indignados e esse sentimento pode desencadear ações políticas. Isso não
significa que o desrespeito conduza necessariamente à indignação e à luta [...]
(MENDONÇA, 2012, p. 121).

�261

Na Biblioteconomia, confirmamos o quanto faz-se necessário o engajamento com as
questões políticas, de modo que a profissão esteja resguardada juridicamente, como também, sejam
direcionados recursos para manutenção das bibliotecas e apoio aos serviços bibliotecários, os quais
visam, em linhas gerais, a democratização do conhecimento, com vistas a romper desigualdades e
alcançar o desenvolvimento sustentável.
Embora o engajamento político na área da Biblioteconomia seja necessário, no Brasil, a
vivência cotidiana permite constatar uma participação ainda pouco representativa. Como discorrido
na obra de Almeida Júnior (1997), acerca da Biblioteconomia e a relação com a sociedade, os
bibliotecários não podem ser apolíticos. Ou melhor, precisam formar grupos que denunciem
injustiças e cobrem investimentos e valorização por parte das autoridades. Ademais, “nós
precisamos atingir a população carente, a população carente de informações. Não será com essa
postura apática, passiva e reacionária da biblioteca de hoje que o conseguiremos [...]” (ALMEIDA
JÚNIOR, 1997, p. 92).
Trata-se de assumir uma postura pró-ativa, interventiva, de envolvimento com a sociedade,
que transcenda os limites físicos das bibliotecas e dos acervos. Esse deve ser o perfil almejado para
o profissional deste século. Isso quer dizer, também, que não basta apenas criar bibliotecas em toda
parte. Essa ação apenas é vazia, visto que atitudes de mudança e de gestão precisam ser instituídas.
Por fim, “[...] é preciso que o bibliotecário que atuar nessas bibliotecas [...] seja consciente da sua
real função social; [...] que saiba que o seu trabalho pode e deve alterar pensamentos e
comportamentos [...]” (ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 92, grifo nosso).
[...] é preciso que ele vá até a população, que ele procure o povo, que ele trabalhe com a
comunidade. Nós precisamos de uma Biblioteconomia subversiva. Nós precisamos de uma
Biblioteconomia guerrilheira, que subverta a ordem das atuais prioridades; que procure,
busque, constantemente, os interesses populares, que esteja voltada para os oprimidos
(ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 92).

A difícil tarefa social direcionada aos bibliotecários justifica a participação dos movimentos
políticos em defesa da classe. No âmbito profissional, esse movimento representa formas de
organização social, pautadas em princípios comuns, e comungados pelos membros do grupo, que
estabelecem medidas de controle e intervenções que garantam a legitimidade, autoridade, jurisdição
e reconhecimento do fazer profissional na sociedade (ABBOTT, 1988).
No Brasil, destacam-se como principais grupos inseridos na causa política (órgãos de classe)
em defesa da profissão:


FEBAB: tem a missão de defender e incentivar o desenvolvimento da profissão, cujos
objetivos principais são: congregar as entidades para tornarem-se membros e instituições

�262

filiadas; coordenar e desenvolver atividades que promovam as bibliotecas e seus
profissionais; e apoiar as atividades de seus filiados e dos profissionais associados (FEBAB,
2018);


Sistema Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e Conselhos Regionais de
Biblioteconomia (CRBs): constitui uma estrutura administrativa criada para favorecer o
planejamento e a execução de ações articuladas dirigidas à fiscalização do exercício da
profissão de bibliotecário, no Brasil (CFB, 2018);



Associações profissionais: corresponde a uma sociedade civil sem fins lucrativos, de
âmbito regional, que congrega entidades e pessoas físicas, atuantes na área da
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CFB, 2017);



Sindicatos: têm como alguns objetivos: defender os direitos dos bibliotecários, estimulando
a sua organização; participar das negociações coletivas de trabalho, garantindo o
cumprimento dos acordos coletivos; lutar pelo fortalecimento da categoria e pela
consciência da classe; colaborar com o poder público e o setor privado na solução dos
problemas da categoria. Esses objetivos podem variar de entidade para entidade (CFB,
2017).

A união de esforços desses órgãos - considerados como grupos sociais que se inserem em
prol da causa da profissão bibliotecária – representa, conforme mencionado na teoria abbottiniana,
forças emergentes do campo profissional, cujo objetivo é demonstrar, perante a sociedade,
sobretudo diante das demais profissões, o campo de atuação profissional, evitando forças
antagônicas, que ameacem a existência da profissão (ABBOTT, 1988).
O esquema representado na figura 1 demonstra a interação desses grupos em prol de um
objeto comum: viabilizar condições para o desenvolvimento da profissão bibliotecária.

�263
Figura 1 – Representatividade dos órgãos de classe em favor da causa bibliotecária

CRBs

FEBAB

Sindicatos

Bibliotecários,
práticas
bibliotecárias e
bibliotecas

Associações

CFB

Fonte: elaborado pelo autor (2018).

No âmbito do associativismo, há controvérsias acerca da concepção política propriamente
dita, visto que, como dito por Kerstenetzky (2003, p. 132), a participação associativa, por si só, “[...]
não seja capaz de neutralizar os efeitos negativos das desigualdades socioeconômicas sobre a
igualdade política, bem como seja em si mesma uma incubadeira de discursos politicamente
abrangentes [...]”. De qualquer forma, seja como for, acreditamos que, mesmo implicitamente, esse
movimento intensifica e fortalece o compromisso profissional e, portanto, insere-se nas causas
sociais, em prol da melhoria de grupos sociais, aqui, representados pelos bibliotecários. Além disso,
a cobrança junto aos órgãos governamentais, como também, as práticas de fiscalização exercidas
pelos órgãos de classe caracteriza uma missão política dos envolvidos, que viabiliza, diretamente, a
legitimação de uma profissão, como também, indiretamente, propicia a democratização do
conhecimento e, por conseguinte, a busca pelo desenvolvimento sustentável, como proposta da
Agenda 2030 da ONU.
Com o intuito de se alcançar a democratização do conhecimento, por tratar-se de um
processo complexo, como descrito por Ramos e Rossato (2017), as instituições, profissões, agentes
políticos, representantes governamentais, dentre outros personagens e entidades precisam trabalhar
de forma conjunta, para que a sociedade viabilize a prática cidadã, alcance o desenvolvimento
sustentável e a democracia atinja seus propósitos.
Bibliotecas são espaços de informação e conhecimento que sempre estiveram ligadas à
evolução das sociedades. Logo, o fazer dos agentes envolvidos com elas precisa, também, ser
respaldado e valorizado. O novo modelo de biblioteca, aberta, acessível, livre de censura,
direcionada a todas as classes sociais é uma conquista da sociedade moderna, a qual tem como mola
propulsora dessa conquista, o sistema social democrático (BURKE, 2003).

�264

Os espaços de informação e as práticas realizadas em prol da disseminação que vise gerar
conhecimento e agregar valor aos cidadãos é um dos maiores compromissos dos agentes públicos
que se colocam a serviço da democracia. Portanto, tanto a biblioteca e os personagens a ela
relacionados precisam estar engajados com a democratização do conhecimento e exercendo a
responsabilidade social almejada pela democracia (SOUSA et al., 2014).
Assim, reforçamos o papel desempenhado pela Biblioteconomia, no processo de
democratização do conhecimento, considerando, principalmente, o envolvimento e atuação
politizada de muitos grupos de bibliotecários. Essa atuação manifesta-se como uma prática
mediadora entre as necessidades do fazer bibliotecário e o compromisso da sociedade em viabilizar
condições adequadas para o fortalecimento da área e a melhoria contínua dos produtos, serviços,
práticas e unidades informacionais. Por meio da leitura à figura 2, é possível visualizar essa relação
entre os agentes de controle social (o Estado) e engajamento dos órgãos de classe bibliotecária para
benefícios da profissão, haja vista atingir a democratização do conhecimento e, por conseguinte, o
desenvolvimento sustentável das nações.
Figura 2 – Órgãos de classe atuando junto ao Estado para fortalecimento das práticas bibliotecárias
-Poder governamental
Recursos públicos
Administração pública
Políticas públicas
Legislação

- Entidades de classe
- Conselhos de classe
- Associações

- Democratização do
conhecimento

- Serviços de informação
- Centros de documentação
- Centros de referência
- Ações culturais
- Bibliotecas públicas
- Bibliotecas especializadas
- Bibliotecas acadêmicas
- Bibliotecas escolares
-Bibliotecas itinerantes

- Desenvolvimento
sustentável
Fonte: elaborado pelo autor (2018).

Conforme reforçado por Sousa et al. (2014, p. 37), os bibliotecários, como profissionais da
informação, tem uma participação acentuada com a gestão da informação para promoção e uso do
conhecimento. Esses profissionais têm a função de “[...] contribuir para a reversão das realidades de
exclusão, e assegurar a igualdade do acesso à informação, a promoção da cidadania e do
conhecimento a todos os cidadãos”.
O compromisso social é, portanto, o que sustenta o fazer dos bibliotecários. E esse
compromisso com a sociedade perfaz pela democratização do conhecimento, para garantir a
cidadania e o desenvolvimento sustentável. Essa responsabilidade atribuída à classe e todas as
estruturas e serviços a ela pertencentes somente é alcançada com a valorização, legitimação,

�265

reconhecimento e a oferta de recursos adequados advindos do Estado. E é nesse contexto que
grupos se formam, em prol de uma atuação política para mediar essa relação do Estado e da própria
sociedade com a classe bibliotecária.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A participação do bibliotecário na democratização do conhecimento é um compromisso
muito mais abrangente do que a mera gestão de acervos informacionais. Envolve a preocupação e
responsabilidade com as causas sociais, o que demanda, além da disseminação da informação,
desenvolver mecanismos para uso do conhecimento e transformação da vida dos cidadãos,
proporcionando, portanto, o desenvolvimento da sociedade.
O movimento bibliotecário promove inúmeras práticas profissionais, sendo que, na atual
conjuntura, a partir dos princípios democráticos, são cobradas ações mais abrangentes por parte da
classe, sobretudo no que tange à eliminação das desigualdades sociais e à consolidação da
cidadania. É nesse contexto de mudanças e, ao mesmo tempo, cobranças, que precisa surgir um
comprometimento mais politizado de alguns profissionais, com maior engajamento junto aos órgãos
de classe, de modo a fortalecer a classe bibliotecária, no intuito de que possa exercer as funções que
lhe são exigidas.
O movimento político direcionado aos bibliotecários envolve a participação desses
profissionais junto aos órgãos de classe, como também, em instâncias governamentais, ocupando
cargos políticos, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, ou atuando em ministérios e
secretarias do governo, com cargos de apoio às atividades públicas. Salientamos que essa
participação é necessária, pois, é dessa forma, que a profissão estará respalda, uma vez que é
representada politicamente, sendo direcionados recursos e demais benefícios que garantam a sua
sobrevivência, desenvolvimento e cumprimento de suas responsabilidades junto à sociedade.
Ao findar este texto, espera-se que ele seja capaz de promover uma reflexão mais profunda,
com vistas a despertar o engajamento dos bibliotecários com as causas sociais. A missão do
bibliotecário precisa ser revista e reformulada, de modo que as questões sociais sejam fundidas ao
fazer técnico e operacional, tornando-se uma prática mais abrangente que viabilize a transformação
individual e social, rumo a uma sociedade mais justa, igualitária e, por fim, que resulte no
desenvolvimento sustentável das nações. Também espera-se o aumento da participação nos
movimentos políticos, visto que a omissão a essa causa tende a comprometer o desenvolvimento da
área e o cumprimento das funções bibliotecárias exigidas pela sociedade democrática.

�266

REFERÊNCIAS
ABBOTT, Andrew. The system of professions: an essay on the division of expert labor. Chicago:
The University of Chicago Press, 1988.
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Polis;
APB, 1997.
BARROS, Maria Helena. Disseminação da informação: entre a teoria e a prática. Marília: [s.n.],
2003.
BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 2003.
______. Uma história social do conhecimento II: da enciclopédia à wikipédia. Rio de Janeiro:
Zahar, 2012.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA (CFB). Bibliotecários: legislação e órgãos de
classe. 2017. Disponível em: &lt;http://www.cfb.org.br/wpcontent/uploads/2017/01/1SlideInicial.pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
______. Regimento interno. 2018. Disponível em: &lt;http://www.cfb.org.br/institucional/regimentointerno/&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS (FEBAB). Missão e
histórico. 2018. Disponível em: &lt;http://www.febab.org.br/sobre/historico/&gt;. Acesso em: 07 nov.
2018.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSOCIAÇÕES E INSTITUIÇÕES BIBLIOTECÁRIAS
(IFLA). As Bibliotecas podem promover a implantação da Agenda 2030. 2016. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/documents/sdgs-insert-pt.pdf&gt;.
Acesso em: 09 nov. 2018.
KERSTENETZKY, Celia Lessa. Sobre associativismo, desigualdades e democracia. Revista
brasileira de ciências sociais, v. 18, n. 53, p. 131-180, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v18n53/18082.pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
LINDEMANN, Catia; SPUDEIT, Daniela; CORRÊA, Elisa Cristina Delfini. Por uma
Biblioteconomia mais social: interfaces e perspectivas. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa
Catarina, Florianópolis, v. 21, n. 22, p. 707-723, ago./nov. 2016. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1211/pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Democracia e desigualdade: as contribuições da teoria do
reconhecimento. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, v. 1, n. 9, p. 119-146, set./dez.
2012. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/rbcpol/n9/05.pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
RAMOS, Wilsa Maria; ROSSATO, Maristela. Democratização do acesso ao conhecimento e os
desafios da reconfiguração social para estudantes e docentes. Revista Eletrônica de Educação, v.
11, n. 3, p. 1034-1048, set./dez. 2017. Disponível em:
&lt;http://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/viewFile/1906/655&gt;. Acesso em: 07 nov.
2018.

�267

ROCHA, Marisa Perrone Campos. A questão cidadania na sociedade da informação. Ciência da
Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 40-45, jan./abr. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v29n1/v29n1a4.pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.
SOUSA, Ana Lívia Mendes de et al. A ação do bibliotecário na garantia do acesso e do direito à
informação nas bibliotecas públicas. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da
Informação, v. 28, n. 2, p. 37-45, jul./dez. 2014. Disponível em:
&lt;https://periodicos.furg.br/biblos/article/download/4262/3334&gt;. Acesso em: 09 dez. 2018.
TEIXEIRA, Adriano Canabarro. Internet e democratização do conhecimento: repensando o
processo de exclusão social. 2001. 129f. Dissertação (Mestrado em Educação), Departamento de
Educação - Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2001. Disponível em:
&lt;http://usuarios.upf.br/~teixeira/livros/Livro.pdf&gt;. Acesso em: 07 nov. 2018.

�268

CAPÍTULO XIX
VIVÊNCIAS E PRÁTICAS NO ÂMBITO DO CONSELHO REGIONAL DE
BIBLIOTECONOMIA

Álamo Chaves de Oliveira Pinheiro

1 INTRODUÇÃO
As sociedades – nas idades antiga, média e moderna – desenvolveram formas de
organização para tornar possível a vida em grupo e a coexistência de diferentes grupos. As
sociedades se organizam em torno de interesses e aspectos comuns, visando a vida e a segurança
coletiva.
Se pensarmos historicamente, podemos dizer que a primeira forma conhecida de
organização da sociedade está descrita nos livros bíblicos. O personagem Abraão possuía um filho –
Ismael – gerado pela sua criada Agar e outro filho – Isaque – gerado pela sua esposa Sara. A certa
altura, Sara exige que o patriarca expulse a criada e o filho de suas terras, uma vez que Agar a tem
destratado. Abraão diz à criada que ela deve ir embora com o filho. Eles partem dali e se
estabelecem no deserto. A história diz que Isaque deu origem ao povo hebreu ao passo que Ismael
originou as nações árabes. A passagem bíblica que relata a construção e a destruição da Torre de
Babel é outra história que nos dá conta de formas de organização social: segundo o livro de
Gênesis, a humanidade falava um único idioma em toda a Terra. Após o episódio conhecido como o
Grande Dilúvio, parte da humanidade ruma para as terras do Oriente e, ali, decidem construir uma
grande torre que tornasse possível ao homem alcançar o céu. Para evitar esse tipo de
empreendimento humano, diz a história bíblica que Deus teria descido dos céus e misturado as
vozes dos homens para que eles se confundissem e não pudessem entender uns aos outros. Dessa
forma, os homens se dispersam por todo o mundo. Embora não esteja explícito no livro bíblico,
pressupõe-se que homens que falavam uma mesma nova língua se juntaram e formaram novas
comunidades baseadas nos novos grupos linguísticos.
Esses exemplos bíblicos mostram formas macro de organização da sociedade, uma vez que
estão ligadas à origem de povos e nações. Entretanto, quanto mais uma sociedade se desenvolve,
mais ela irá dispor de formas de micro organização, uma vez que estarão ligadas aos interesses dos
indivíduos em si, dentro de um plano maior, como um povo ou uma nação. Essas formas de

�269

organização em um ambiente micro podem se constituir em razão do interesse comum de um
ajuntamento de pessoas. Por exemplo: grupos de pessoas com pensamentos políticos similares
podem formar partidos políticos. Pessoas que seguem uma mesma fé podem se agrupar numa única
religião.
Alguns grupos são formados no século XIX, no Ocidente. Entretanto, outras formas de
organização social são formadas no início do século XX no formato pelo qual são conhecidos nos
dias de hoje. Algumas dessas formas de organização são conhecidas como movimentos
associativos. A partir de 1950, assistimos a um salto nos avanços tecnológicos. É quando se inicia a
era Moderna. É também quando as formas de organização da sociedade se fortalecem e se
expandem.
No Brasil, surgem sindicatos, grêmios, associações, entre outros movimentos associativos, e
instituições que já existiam – como os partidos políticos –, que se tornam mais robustas e se
multiplicam.

2 UM BREVE HISTÓRICO

Em 1808, D. João VI chegou ao Brasil fugindo das invasões napoleônicas que ocorriam na
Europa. Em sua comitiva estava a então Real Biblioteca. Um decreto expedido em 29 de outubro de
1810 determina a fundação da Real Biblioteca no Brasil, hoje denominada Fundação Biblioteca
Nacional (FBN) e localizada no Rio de Janeiro. Atualmente, a Organização das Nações Unidas para
a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) a considera uma das dez maiores bibliotecas
nacionais do mundo. A FBN também detém o título de maior biblioteca nacional da América Latina
(FBN, 20--?).
Criada por Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco e conhecida como Biblioteca Central dos
Barris, a Biblioteca Pública do Estado da Bahia (BPEB), inaugurada em 1811, é considerada a
primeira biblioteca pública da América Latina (IPHAN, 2013).
Em 1821, o bibliotecário Luís Joaquim dos Santos Marrocos assume o cargo de prefeito da
Real Biblioteca, no qual permanece até 1825. Em 1822, frei Antônio de Arrábida é nomeado
autoridade máxima da Biblioteca, cargo que passa a ter o nome de bibliotecário (FBN, 20--?).
Também em 1822, a Real Biblioteca passa a receber um exemplar de todas as obras, folhas
periódicas e volantes impressos na Tipografia Nacional, fato precursor do que hoje é a Lei do
Depósito Legal. A Real Biblioteca passa a se chamar Biblioteca Nacional, em 1876 (FBN, 20--?).

�270

Em 1915, dentro das instalações da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, foi criado o
primeiro Curso de Biblioteconomia no Brasil. Considerado o primeiro da América Latina e o
terceiro no mundo, o curso seguia o modelo da École de Chartres, na França, tido como o melhor
existente à época (FBN, 20--?).
Outros cursos surgiram em São Paulo, nos anos de 1929 e de 1936, ensejando a criação, em
1932, da Associação Paulista de Bibliotecários (APB), a primeira entidade de classe da área de
Biblioteconomia no Brasil.
Em 1954, acontece, em Recife (PE), o primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação (CBBD). Alguns dos temas do evento foram “A situação atual do leitor brasileiro e
ensino profissional”, “Processos técnicos”, “Bibliotecas públicas, infantis, de escolas primárias e
especializadas” e “Bibliografias, associações bibliotecárias e legislação profissional” (FEBAB, 20-?).
Uma grande conquista para a área foi a publicação, em 1958, da Portaria n.º 162 do
Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), que garantiu que a profissão de bibliotecário
fosse regulamentada no Serviço Público Federal e, posteriormente, incluída no 19º Grupo das
Profissões Liberais.
Com sede e foro na cidade de São Paulo, surge em 26 de julho de 1959, a Federação
Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), com
a missão de “defender e incentivar o desenvolvimento da profissão e com o objetivo de congregar
as entidades para se tornarem membros, coordenar e desenvolver atividades que promovam as
bibliotecas e seus profissionais, apoiar as atividades de seus filiados e dos profissionais associados”,
entre outros (FEBAB, 20--?).
Todos esses fatores irão culminar na consolidação de uma grande conquista para os
bibliotecários brasileiros no ano de 1962, quando a aprovação da Lei n.º 4084 coroou todo o
trabalho realizado por diversas entidades desde então, ao regular, até hoje, o exercício da profissão
no Brasil e estabelecer as prerrogativas dos portadores de diploma em Biblioteconomia no país.
Também em 1962, com sede e foro no Distrito Federal, foi criado o Conselho Federal de
Biblioteconomia (CFB), com jurisdição em território nacional, nos termos da Lei n.º 4.084/62, do
Decreto n.º 56.725/65 que a regulamenta e a Lei n.º 9.674/98. O CFB é uma autarquia federal
dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia administrativa, patrimonial e
financeira, atualmente constituído por quatorze membros efetivos e três suplentes, designados pelo
título de Conselheiros Federais, todos brasileiros natos, bacharéis em Biblioteconomia, com
mandato trienal, eleitos nos termos legais e na forma prevista do regimento interno da instituição
(CFB, 2002?). Laura Garcia Moreno Russo foi a primeira presidente do CFB.

�271

O CFB tem a missão de orientar, supervisionar e disciplinar o exercício da profissão de
bibliotecário em todo o território nacional, bem como o de contribuir para o desenvolvimento da
Biblioteconomia em todo o Brasil. Além disso, o CFB exerce ações administrativo-executiva,
normativa, regulamentar, consultiva, supervisora, disciplinar e contenciosa, como instância
originária ou recursal (CFB, 2002?).
Por volta de 1990, o CFB elaborou um Projeto de Lei que alteraria a Lei n.º 4084/62. Nesse
documento, a intenção era garantir que as atividades de tratamento, registro e recuperação da
informação, independentemente do suporte, fossem executadas exclusivamente por bibliotecários.
A Lei n.º 9.674 foi promulgada em 1998 para complementar a Lei n.º 4084/62 no que tange à
normatização de denúncias e o enquadramento de pessoas não habilitadas na Lei de Contravenções
Penais, bem como o pagamento de multa em caso de descumprimento do que está previsto no texto
legal (CFB, 2002?).
No dia 6 de outubro de 2017, o CFB publicou a Resolução nº 184/2017, que dispõe sobre a
obrigatoriedade da indicação do nome e do registro profissional do bibliotecário nos documentos e
fichas catalográficas sob sua responsabilidade. De acordo com a decisão, é obrigatório citar o
número de registro no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB), após a assinatura de qualquer
trabalho relacionado com as atividades biblioteconômicas em quaisquer empreendimentos e por
quaisquer meios. Pela Resolução, o número do registro do profissional no CRB deve constar abaixo
das fichas catalográficas de publicações de quaisquer natureza e trabalhos acadêmicos.
Atualmente, o CFB é composto por 14 CRBs que abarcam todo o território nacional. São
eles: CRB-1 (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), CRB-2 (Pará, Amapá e
Tocantins), CRB-3 (Ceará e Piauí), CRB-4 (Pernambuco e Alagoas), CRB-5 (Bahia e Sergipe),
CRB-6 (Minas Gerais e Espírito Santo), CRB-7 (Rio de Janeiro), CRB-8 (São Paulo), CRB-9
(Paraná), CRB-10 (Rio Grande do Sul), CRB-11 (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), CRB-13
(Maranhão), CRB-14 (Santa Catarina) e CRB-15 (Paraíba e Rio Grande do Norte).
Por deliberação do CFB, em 1º de março de 2010, o CRB 12ª Região, que compreendia o
Estado do Espírito Santo, foi transformado em uma delegacia vinculada ao Conselho Regional de
Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), de Minas Gerais, com sede em Belo Horizonte. Dessa forma,
os bibliotecários que residem no Espírito Santo são registrados no CRB-6, juntamente com os que
vivem em Minas Gerais.

�272

3 O CRB-6

O CRB da 6ª Região (CRB-6), criado com a publicação da Resolução CFB nº. 4 de 12 de
julho de 1966, é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público,
autonomia administrativa e financeira, cuja sigla, jurisdição e sede são designadas em resoluções
específicas do CFB.
Sua estrutura atual é composta pelas comissões permanentes e obrigatórias de: Ética
Profissional, Licitação e Tomada de Contas e Fiscalização Profissional. Também compõem a
estrutura do Conselho as comissões de: Legislação e Normas e Divulgação. Existem, ainda,
comissões temporárias para atender demandas específicas do CRB-6. Algumas dessas comissões
são: Bibliotecas Escolares, Medalha Professora Etelvina Lima, Eventos, Recursos Humanos,
Patrimônio e Eleitoral.
A diretoria do Conselho é composta pelos seguintes cargos: Presidente, Vice-presidente,
Diretor Financeiro (antigo Tesoureiro), Diretor Administrativo e Diretor Técnico (antigos Primeiro
e Segundo Secretários).
Os diretores de escolas de Biblioteconomia bem como os coordenadores de cursos de
Graduação em Biblioteconomia de Minas Gerais e do Espírito Santo e os presidentes das
associações de classe mineiras e capixabas são membros natos do Conselho, de acordo com o
disposto no Art. 21 da Lei 4.048/62.
A gestão do Conselho é composta por 15 conselheiros efetivos e quatro conselheiros
suplentes, com três anos de mandato. A eleição de uma chapa ocorre por escrutínio secreto e
maioria de votos dentre as chapas registradas no pleito. Um conselheiro pode atuar em duas gestões
seguidas, sendo vedada a participação em um terceiro mandato consecutivo.
O trabalho realizado pelos conselheiros é totalmente voluntário, não cabendo quaisquer tipos
de remuneração direta ou indireta.
A bibliotecária Annaiz Maria Pereira Vial foi a primeira presidente do CRB-6, entre 1967 e
1969. Ela foi a primeira bibliotecária registrada em Minas Gerais, sendo, portanto, a portadora do
registro profissional CRB-6/0001. Vial também foi a segunda presidente da Associação de
Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG).
O Conselho é obrigado a cumprir os requisitos previstos na Lei de Acesso à Informação
(LAI), que exige a apresentação de balancetes – os quais incluem despesas com diárias e ajuda de
custo, entre outros. As informações podem ser consultadas com mais detalhes no site:
www.crb6.org.br.

�273

O CRB-6 tem a missão de fiscalizar o exercício da profissão, impedindo e punindo as
infrações à legislação vigente em sua jurisdição, que são os estados de Minas Gerais e Espírito
Santo.

3.1 A VIVÊNCIA NOS CONSELHOS REGIONAIS DE BIBLIOTECONOMIA

Em geral, a sociedade e os próprios bibliotecários possuem uma ideia equivocada do que é e
para que servem os conselhos profissionais. Não é raro encontrar quem questione a existência dos
conselhos e mesmo a sua atuação.
É importante ter em mente que a função de um conselho é: 1) registrar os profissionais aptos
a exercer a profissão, na qual se graduaram, dentro da jurisdição do conselho; 2) fiscalizar a atuação
desses profissionais; 3) supervisionar a ética profissional; 4) disciplinar a classe; e 5) julgar os
profissionais inscritos nos respectivos quadros.
Para que isso ocorra, os conselhos profissionais, enquanto autarquias federais, cobram uma
anuidade dos bibliotecários registrados em suas jurisdições. Essa anuidade é um tributo estabelecido
pelo CFB e corrigido anualmente. O objetivo da cobrança da anuidade é a sustentabilidade da
instituição. Ou seja, serve para o pagamento dos salários dos funcionários, das diversas assessorias,
aluguéis, contas em geral, materiais de insumo e de papelaria, diárias, entre outras despesas. Toda a
estrutura logística e de material humano para que as atividades dos conselhos aconteçam demandam
custos. Custos esses supridos com a cobrança da anuidade.
O critério utilizado pelo CFB para o cálculo do valor da anuidade leva em consideração a
variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total do valor arrecadado com o pagamento da
anuidade pelos profissionais inscritos, 25% é obrigatoriamente direcionada para o CFB. Esse
percentual é denominado cota-parte e todos os conselhos no Brasil estão obrigados a enviar o valor.
Os 75% restantes permanecem no conselho de origem.
É importante ressaltar que o objetivo dos conselhos é proteger a sociedade dos maus
profissionais. Por exemplo, o Conselho Regional de Medicina, por meio do registro dos bacharéis
em Medicina e da fiscalização dos médicos registrados, pode garantir que determinado profissional
está apto a exercer sua profissão. Da mesma forma, o CRB-6, ao fiscalizar bibliotecas em todo
Estado de Minas Gerais e Espírito Santo, garante à sociedade que o bibliotecário ali presente está
apto a exercer suas funções. Logo, não é função dos conselhos proteger a classe profissional. Mas,
indiretamente, isso acaba acontecendo, uma vez que se uma biblioteca não possui bibliotecário, a

�274

instituição será autuada pelos fiscais do Conselho e terá um prazo para a contratação de um
profissional. Obviamente, a instituição irá contratar um bibliotecário com suas obrigações regulares
perante o CRB-6, que somente dará baixa no processo daquela instituição mediante comprovação
da contratação de um profissional. Dessa forma, a sociedade tem a certeza de contar com
bibliotecários habilitados ao passo que os bibliotecários em geral são beneficiados, indiretamente,
pelas vagas de emprego abertas pelas fiscalizações realizadas. Isso gera um círculo que se
retroalimenta.
Para fins de esclarecimento, a função primária de proteger a classe profissional compete aos
sindicatos. São os sindicatos que, entre outras ações, promovem a defesa dos direitos dos
bibliotecários, estimulam a organização da classe, participam das negociações coletivas de trabalho,
intercedem pelo cumprimento dos acordos coletivos, agem em prol do fortalecimento da classe e
colaboram com o poder público e o setor privado para solucionar problemas da área como um todo.
Já existiu um sindicato mineiro de bibliotecários, mas, atualmente, não existe sindicato.
Diversos movimentos, nos últimos anos, se engajaram na tentativa de restabelecer um sindicato em
Minas, mas, nenhuma tentativa prosperou.
Em São Paulo, o Sindicato dos Bibliotecários, Cientistas da Informação, Historiadores,
Museólogos, Arquivistas, Documentalistas, Auxiliares de Biblioteca e de Centros de Documentação
no Estado de São Paulo (SINBIESP), criado em 22 de agosto 1985, representa legalmente os
bibliotecários atuantes no Estado. Um de seus principais objetivos é a defesa da categoria
profissional liberal, composta de profissionais autônomos, servidores públicos, trabalhadores
assalariados e aposentados. O SINBIESP oferece assessoria jurídica, atendimento a empresas,
tabelas de recomendações salariais e convênios com outras instituições.
Coletivamente, existe um pensamento equivocado no qual essa função de proteção aos
bibliotecários cabe aos conselhos profissionais. Por isso, é importante ressaltar o papel de cada
entidade.
Da mesma forma, é creditada às associações de bibliotecários a luta pela proteção da classe.
O que também é um equívoco. As funções de uma associação podem variar. Em terras mineiras,
existe a ABMG, cuja missão é
[...] congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas em biblioteconomia,
ciência da informação e áreas afins. Defender os interesses e apoiar as reivindicações dos
associados. Representar os associados junto aos órgãos da classe nacionais e internacionais,
aos órgãos públicos e privados e incentivar o aprimoramento da profissão e o
desenvolvimento cultural através de cursos, congressos, seminários, palestras e outros
(ABMG, 2018?).

Alguns estados do Brasil, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, possuem associações
de bibliotecários fortes e representativas. A Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB) edita a

�275

Revista ACB, indexada no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES), e livros pela Editora ACB. Além disso, realiza desde 1982, o evento
estadual “Painel Biblioteconomia em Santa Catarina”, atualmente em sua 36º edição. A ACB
também possui uma loja virtual para venda de produtos personalizados. Em Porto Alegre, a
Associação Rio-Grandense de Bibliotecários (ARB) congrega bibliotecários, bacharéis e estudantes
de Biblioteconomia, técnicos e estudantes do curso técnico em Biblioteconomia do Estado do Rio
Grande do Sul. A ARB possui uma forte comunicação institucional, que atinge, inclusive, outros
estados do país.
Esses esclarecimentos sobre as diversas entidades de classe são importantes para que a
sociedade e também os bibliotecários direcionem melhor suas demandas. É direito de qualquer
pessoa reclamar junto aos conselhos a falta de bibliotecários qualificados na biblioteca da escola em
que seus filhos estudam, por exemplo.
Lançando um olhar para as instituições públicas de educação regular de ensino básico,
fundamental, médio e/ou técnico, é possível perceber a situação crítica e alarmante das bibliotecas
dessas escolas. O que deveriam ser bibliotecas, na verdade, são depósitos desorganizados de livros,
em sua maioria livros velhos, obsoletos, em mau estado de utilização e conservação, livros didáticos
fora do período de uso, ou livros sem qualquer relação com o ensino regular. Esses espaços,
normalmente, ficam a cargo de professores com os mais variados problemas físicos, psicológicos ou
outros que impedem seu aproveitamento em sala de aula. Na maior parte dos casos encontrados
pelos bibliotecários-fiscais, não há qualquer organização do acervo das escolas públicas, não há
prestação de serviços minimamente estruturados, bem como não há políticas de uso e de
desenvolvimento do que deveria ser uma biblioteca.
Nesses casos, quando o bibliotecário-fiscal identifica a ausência de um bibliotecário na
biblioteca, a instituição é notificada e recebe um prazo para regularizar a situação. Caso a
instituição não contrate um bibliotecário para sua biblioteca, a mesma é intimada para um
julgamento, no qual o responsável pela instituição tem a oportunidade de apresentar uma defesa
para a irregularidade e, consequentemente, propor a solução do problema, ou seja, assumir um
compromisso de contratar um bibliotecário e encaminhar as provas da contratação do profissional
dentro de determinado prazo. Caso a instituição não contrate um bibliotecário, o Conselho pode
aplicar uma multa, cujo valor será decidido pelos conselheiros.
Não é raro que prefeitos ou secretários de educação e/ou cultura dos municípios fiscalizados,
ou seus advogados, compareçam ao julgamento no plenário do Conselho. A justificativa dada,
normalmente, gira em torno de um problema comum a quase totalidade das cidades brasileiras: a
inexistência do cargo de bibliotecário. Para que haja o cargo no município, é necessário que os

�276

vereadores criem o cargo na Lei Orgânica Municipal. No Estado, a criação do cargo é uma
incumbência dos deputados. Além disso, é necessário definir valores que entrarão no orçamento
municipal ou estadual para custear o salário dos novos profissionais a serem admitidos via concurso
público.
Obviamente, o movimento para criar um novo cargo não é algo simples. Uma solução
encontrada por prefeitos em Minas Gerais foi a contratação de profissionais terceirizados
temporariamente até que a Câmara realize todos os trâmites para abertura de concursos.
E, no tocante a concursos públicos, um problema constantemente encontrado pelos
conselhos são as diferenças salariais existente entre bibliotecários e outras profissões de nível
superior. Muitas vezes, o salário oferecido para bibliotecários é inferior ao oferecido para as outras
profissões de nível superior. Não é raro também que a exigência para que se ocupe a vaga de
bibliotecário seja possuir Ensino Médio – em detrimento do Curso de Graduação em instituição
reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e o devido registro no CRB. Nesses casos, o
Conselho encaminha para a organizadora do concurso, bem como para a prefeitura municipal, um
ofício no qual se questiona o edital publicado. Na maioria das vezes, o edital é corrigido, seja
equiparando o salário oferecido para o cargo de bibliotecário aos demais cargos de nível superior,
seja especificando a exigência de diploma em curso superior em Biblioteconomia e o registro
profissional no CRB.
Lançando um olhar para as instituições privadas de ensino básico, fundamental, médio e/ou
técnico, a situação normalmente encontrada não é menos complexa. Escolas pequenas,
especialmente as de ensino infantil, não possuem bibliotecas ou possuem a chamada “sala de
leitura”. Em geral, essas escolas particulares utilizam as mais diversas justificativas para tentar
explicar a inexistência de uma biblioteca ou a administração da “sala de leitura” por professores.
Diante da falta de instrumentos legais, o CRB se vê, muitas vezes, de mãos atadas em relação à
melhor forma de proceder para com as escolas infantis de pequeno porte.
A Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, dispõe sobre a universalização das bibliotecas
escolares nas instituições de ensino do País. É sabido que a falta de profissionais suficientes para
atender a totalidade das bibliotecas nas escolas de todo o Brasil impedirá o cumprimento dessa meta
dentro do prazo. Um Projeto de Lei, apresentado pela deputada Laura Carneiro, propôs uma nova
definição de biblioteca escolar e a criação de um Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares
(SNBE), com vistas a tentar atender a Lei nº 12.244.
Entretanto, a própria Lei nº 12.244 é utilizada por diretores ou coordenadores pedagógicos
de escolas particulares, os quais alegam que somente a partir do ano 2020 são obrigados a
constituírem uma biblioteca em suas escolas. Em julgamentos ocorridos no plenário do CRB,

�277

alguns proprietários de instituições privadas de ensino afirmaram que iriam fechar as bibliotecas de
suas escolas até o ano 2020. O objetivo de fechar suas bibliotecas é o de não precisar contratar
bibliotecários. Nesses casos, se, realmente, a biblioteca é fechada, não há qualquer outra ação que o
Conselho possa realizar em prol do bibliotecário. Se não tem biblioteca, não há obrigatoriedade de
bibliotecários.
A Comissão Temporária de Bibliotecas Escolares do CRB-6, por exemplo, tem realizado
intensos trabalhos de esclarecimentos e conscientização em relação às bibliotecas escolares, infantis
e juvenis. Um dos parceiros da Comissão nessa empreitada é o Grupo de Estudo em Bibliotecas
Escolares (GEBE), da Escola de Ciência da Informação, da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Além de campanhas e ações pontuais, foram realizadas diversas reuniões com o Governo
do Estado de Minas Gerais e com prefeituras, com o objetivo de tratar da situação das bibliotecas
nas escolas públicas.
Uma realidade desoladora que se apresenta em bibliotecas escolares e públicas ocorre em
pequenas cidades interioranas. Os salários oferecidos em cidades muito pequenas, em geral, são
baixos, seja em instituições privadas, seja na esfera municipal. Mas, essa é uma realidade
compartilhada por profissionais de outras áreas, como professores e pedagogos. Infelizmente, não
existe solução fácil. E, por isso, muitos bibliotecários não aceitam mudar para essas cidades por um
baixo salário. Isso acarreta a falta de profissionais em grande parte do interior do Brasil. Os cursos a
distância foram pensados como uma forma de suprir essa carência de profissionais, mas, ainda
assim, não será o bastante para sanar esse problema. Num primeiro momento, o País precisa tomar a
decisão de que Educação é uma prioridade institucional e, num segundo momento, essa situação
passa por questão econômica e de planejamento.
A situação só é um pouco acalentadora em três casos: nas empresas privadas, nas
universidades públicas e nas instituições particulares de ensino superior.
Nas empresas privadas, há uma crescente necessidade de organização e tratamento de
informações. É necessário criar ferramentas e sistemas que disponibilizem informações confiáveis
de forma rápida para que os gestores possam tomar decisões. Também é importante desenvolver
formas de registrar, disseminar e compartilhar o conhecimento dos profissionais como um todo.
Além disso, vive-se uma era de digitalização. Os arquivos estão cada vez mais em formato
eletrônico e não somente físico. Para atender a essas demandas, as empresas privadas buscam
profissionais aptos a trabalhar com informações e com a gestão do conhecimento.
As universidades públicas, especialmente as federais, por serem mantidas pelo próprio
Governo, conseguem manter um plano de carreira atrativo o bastante para atrair os melhores
profissionais. O próprio tamanho dessas universidades, que muitas vezes possuem campi em

�278

diferentes cidades, culmina na criação de um grande número de postos de trabalho para suas
bibliotecas. As bibliotecas universitárias oferecem diversos serviços especializados para seus
usuários. Logo, cada bibliotecário ou grupo de bibliotecários, possui uma função bem específica. E
isso requer um número grande de profissionais. Além disso, por ser uma instituição de ensino, os
profissionais são constantemente incentivados a se qualificar o que irá impactar em melhores
salários.
As instituições particulares de ensino superior são avaliadas permanentemente pelo MEC
para fins de credenciamento e reconhecimento de cursos. Embora os instrumentos de avaliação
utilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)
tenham sido aperfeiçoados, uma grande parte dos itens avaliados se relacionam com a biblioteca.
Por exemplo, o site da biblioteca precisa conter uma relação de, no mínimo, dez títulos de
periódicos virtuais, relacionados a cada um dos cursos oferecidos pela instituição. Além disso,
tópicos como bibliografias básica e complementar por unidade curricular, acervos voltados para
educação a distância (EAD) e trabalhos de conclusão de curso (TCC) também sofreram alterações.
Por isso, as instituições privadas de ensino superior demandam a figura do bibliotecário para
atender os requisitos mínimos legais. Entretanto, cabe aqui uma observação: o objetivo de uma
instituição privada é o lucro. Logo, não é possível, principalmente dada a conjuntura econômica por
que passa o País, ter uma vasta equipe para realizar e gerenciar os serviços prestados por essas
bibliotecas. Prevalece aqui o conceito de “fazer mais com menos”, ou seja, prestar o máximo de
serviços com o menor número de profissionais possíveis. Não é raro uma instituição particular de
ensino superior com várias unidades ou campi deslocar o acervo, bem como os profissionais de uma
biblioteca, para outra no período de avaliação do MEC. Infelizmente, o bibliotecário se sujeita a
esse tipo de manobra por receio de demissão. Muitas instituições chegam ao ponto de contratar
bibliotecários apenas por um pequeno período correspondente ao tempo de avaliação do MEC e, em
seguida, demite o profissional, podendo até mesmo fechar a biblioteca, após o curso ser autorizado
a funcionar. Existe também uma realidade, na qual um único bibliotecário responde pela gestão de
várias bibliotecas de uma mesma instituição, algumas vezes, em diferentes cidades.
Essas são situações de difícil controle e solução em razão da falta de denúncias. Caberia, aí,
talvez, uma ação do Sistema CFB/CRBs junto ao MEC para garantir o pleno funcionamento dessas
bibliotecas e manutenção do posto de trabalho para o bibliotecário, após a autorização dos cursos
avaliados.
Em outros tipos de instituições como empresas de tecnologia, pesquisa e comunicação,
museus, bancos, empresas de engenharia e transporte, editoras, agências de fomentos e inovação,
autarquias, fundações, entre outras similares, o campo para atuação do bibliotecário vem se

�279

mostrando promissor. Em geral, esses trabalhos exigem conhecimentos interdisciplinares e atuação
transversal. É importante que o bibliotecário não leve a cabo os ensinamentos muitas vezes
ideológicos ensinados nas escolas de Biblioteconomia, mas que busquem outras qualificações
complementares em áreas correlatas, de acordo com o seu gosto pessoal. Um bom início é realizar
um curso de especialização, além de participar de eventos de porte nacional, como o eDOC, o
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), o
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), entre tantos outros. Os conselhos
costumam participar ativamente desses e de outros eventos, seja na divulgação, seja na organização
e realização do evento em si.
É importante ressaltar, ainda, os trabalhos de divulgação realizados pelos conselhos. O
CRB-6, normalmente, tem o maior destaque nacional nessa área. A título de exemplo, entre 2012 e
2017, durante a 16º e a 17º gestões, foi publicado um Boletim Eletrônico Informativo com cinco a
seis notícias por edição, semanalmente, o que resultou em mais de 50 boletins eletrônicos, com mais
de 250 notícias, por ano. Isso totaliza 1.500 notícias institucionais produzidas nesses seis anos de
atuação. É um volume de material inédito entre os Conselhos de Biblioteconomia. Além disso, o
CRB-6 manteve um blog institucional, no qual foram publicadas mais de 7.000 matérias,
segmentadas da seguinte forma: 3.600 notícias gerais, além daquelas publicadas no Boletim
Eletrônico semanal, mais de 400 cursos divulgados, mais de 2.200 eventos, mais de 370 vagas de
empregos anunciadas, mais de 140 dicas de publicações técnicas, mais de 130 convites para defesas
de teses e dissertações, entre outros conteúdos de interesse dos bibliotecários. Ainda na área de
divulgação e comunicação institucional, o Conselho editou e publicou a Revista CRB-6
INFORMA, com assuntos atuais, regularmente, a cada seis meses. Todas as mais de 7.000 matérias
e todas as edições da Revista podem ser consultadas em: http://blog.crb6.org.br. O CRB-6 também
está presente e mantêm intensa divulgação nas redes sociais: Facebook, Instagram, YouTube, Flickr
e Twitter. O Facebook e o Twitter contavam com dois conteúdos diários, cada um, o que resultou
em aproximadamente 1.400 publicações por ano. Isso totaliza 8.400 publicações únicas nesses seis
anos de gestão. A conta no Twitter foi descontinuada em 2018, por decisão da 18º gestão do CRB-6.
Para ressaltar a importância da Biblioteconomia, das bibliotecas e dos bibliotecários para a
sociedade como um todo, foram realizados, aproximadamente, 25 eventos como palestras,
seminários e mesas-redondas, também entre 2012 e 2017, tanto em Minas Gerais, como no Espírito
Santo. Esses eventos, em sua maioria, eram direcionados, principalmente, à classe política, a
diretores de instituições de ensino, a empresas - sobretudo as privadas - que contratam
bibliotecários, a órgãos públicos e também para estudantes de Biblioteconomia, como forma de
aproximar a academia dos conselhos. Em algumas ocasiões, os eventos foram realizados em

�280

parceria com outras instituições, como a associação de bibliotecários, universidades e também com
empresas privadas.
Um tema doloroso para o CRB são as denúncias por motivação ética. Embora raros, é
possível denunciar um bibliotecário por infringir a ética profissional. Todo o trâmite do processo até
a ocorrência do julgamento que irá determinar a cassação ou não do registro do profissional acusado
é longo e desgastante, uma vez que envolve a avaliação minuciosa de documentos, relatórios,
provas, além da audição de testemunhas e advogados. O CRB-6, por exemplo, tem trabalhado,
intensamente, para orientar os bibliotecários mineiros e capixabas sobre questões éticas e de
moralidade na postura profissional. Em tempos de redes sociais e de fake news, o bibliotecário,
enquanto profissional que deve zelar pela informação de qualidade, não deve se aventurar por
caminhos que levem à propagação da desinformação. Tampouco deve ser um porta-voz de discurso
que preguem o ódio, a intolerância e o desrespeito. O bibliotecário tem aí a oportunidade de ser um
agente transformador da sociedade.
É preciso esclarecer, também, a questão do técnico em Biblioteconomia. Muitos
profissionais têm o entendimento de que o técnico em Biblioteconomia pode vir a tomar o lugar dos
bibliotecários. Mas isso não procede. A legislação é bem clara ao estabelecer que a coordenação e a
administração de bibliotecas são atividades privativas do bibliotecário. Um técnico não pode
responder pela gestão de uma biblioteca. O técnico deve ser visto como um auxiliar de biblioteca
super capacitado, e não como um concorrente.
Um ponto que merece atenção é o sentimento de pertença dos bibliotecários capixabas.
Desde 2010, quando o CFB transformou o então CRB-12 numa delegacia do CRB-6, houve quem
acreditasse que o tratamento dado às questões relacionadas à fiscalização no Estado do Espírito
Santo não atendessem plenamente os anseios dos profissionais daquele Estado. Ainda hoje, é
possível encontrar bibliotecários que acreditam que os profissionais capixabas estão “alojados
dentro do CRB de Minas”. Entretanto, esse pensamento está equivocado. E o empenho demonstrado
pelo CRB-6 nas questões que envolvem o Espírito Santo corrobora isso. A bem da verdade, é
correto dizer que o CRB-6 é um conselho, cuja jurisdição são os estados do Espírito Santo e Minas
Gerais, em igualdade de condições.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Autarquias são pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei específica, que dispõem
de patrimônio próprio e realizam atividades típicas do Estado, de forma descentralizada. O CRB-6,

�281

por ser uma autarquia federal, está sujeito ao controle do Tribunal de Contas da União (TCU). É
importante ressaltar que a entidade nunca foi alvo de intervenção desde sua criação.
Os conselhos profissionais são autarquias federais e, por isso, cobram dos profissionais neles
registrados uma anuidade para custear todas as despesas necessárias para fiscalizar o exercício da
profissão na sua área de jurisdição.
Assim como os primeiros grupos humanos se formaram em torno de interesses comuns,
como ocorre nas histórias bíblicas, os bibliotecários devem se organizar em movimentos
associativos, como os grupos de trabalho, os sindicatos, as associações e os conselhos, entre outros,
para fortalecer a área.
É importante que os bibliotecários enxerguem nos seus conselhos um aliado e não um
inimigo a ser combatido. Os conselhos precisam do apoio de todos os envolvidos: sociedade e
bibliotecários. Somente assim será possível construir um país em que todos tenham acesso a
informações de qualidade e ao conhecimento humano. Somente assim a Educação será de fato um
direito assegurado para todos.
O CRB-6, em particular, conta com uma equipe de servidores excepcionais, sempre prontos
para atender leigos, estudantes de Biblioteconomia e bibliotecários prontamente e da melhor forma
possível. Gerente, assistentes de diretoria, assistentes administrativos, bibliotecários-fiscais, auxiliar
de serviços gerais, estagiários e aprendizes dão o melhor de si diariamente para que o Conselho
possa cumprir bem o seu papel. Certamente, o mesmo se aplica a todos os demais CRBs do Brasil.
É papel dos bibliotecários, em geral, buscar apoio no seu Conselho, contribuir com
sugestões e material para divulgação, denunciar infrações à ética profissional, participar das
plenárias abertas, ler os comunicados oficiais, votar nas eleições para novos conselheiros e,
obviamente, estar em dia com suas obrigações financeiras.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO DE BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS (ABMG). Missão. (2018?).
Disponível em: &lt;http://abmg.org.br/sobre-a-abmg/missao/&gt;. Acesso em: 20 nov. 2018.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA (CFB). Bibliotecário: legislação e órgãos de
classe. Brasília: CFB, (2012?).
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DA
INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES (FEBAB). Missão e histórico. (20--?). Disponível em:
&lt;http://www.febab.org.br/sobre/historico/&gt;. Acesso em: 20 nov. 2018.

�282

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL (FBN). Histórico. (20--?). Disponível em:
&lt;https://www.bn.gov.br/sobre-bn/historico&gt;. Acesso em: 20 nov. 2018.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Biblioteca
Aloísio Magalhães. (2013?) Disponível em: &lt;https://biblioam.wordpress.com/2013/04/25/primeirabiblioteca-publica-do-brasil/&gt;. Acesso em: 20 nov. 2018.

�283

CAPÍTULO XX
PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO ASSOCIATIVO: ASSOCIAÇÃO DE
BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS E O SEU GRANDE DESAFIO

Andrea de Paula Brandão Martins
Aurea Regina Guimarães Tomasi

1 MOVIMENTO ASSOCIATIVO E PARTICIPAÇÃO

Os movimentos associativos são processos políticos sociais que permitem articulações
interinstitucionais, a participação e a prática associativa como uma escolha para vida política,
buscando uma identidade de classe, sentimento de pertencimento, seja geográfico, seja cultural e
profissional, aqui especificamente de bibliotecários e áreas afins, como a Arquivologia e
Museologia, no universo da Ciência da Informação. O movimento associativo pressupõe a gestão
social, articulações para interação e ações integradas, sendo de fundamental importância ter como
princípio a participação. Um dos grandes desafios, hoje, em tempos de redes sociais e
“comportamentos líquidos e/ou fugazes” continua sendo estabelecer adesão, fortalecimentos dos
laços e convergência de interesses e objetivos na construção de bens coletivos. Também constitui
um desafio superar a desmotivação, a participação incipiente por valores que buscam a necessidade
de “Sermos Juntos” em uma sociedade tão desigual e opressora. Os espaços associativos precisam
ser vistos e entendidos como espaços das possibilidades e das oportunidades, sejam culturais,
político-ideológicas, profissionais-mercadológicas, sócio-culturais e desenvolvimento de valores
que agreguem importância às profissões, às pessoas e ao papel profissional enquanto sujeito social e
coletivo que contribui para o desenvolvimento regional e do país.
Entendendo

a

importância

desses

espaços

associativos,

vislumbram-se

infinitas

possibilidades de superação das causas já há muito apontadas por diversos autores como
determinantes para até passado recente esvaziamento das associações profissionais de classe, não
sendo, contudo, uma particularidade da Biblioteconomia, sendo esse fenômeno reconhecido em
outras profissões em nível nacional e internacional.

Podemos elencar pouco interesse em

participação coletiva de classe e associações de representação de classe profissional, falta de
formação política, questões culturais, isolamento em rotinas de trabalho incompatíveis, apesar das

�284

tecnologias disponíveis e a prática participativa ser muito desgastante, exigindo disponibilidade de
tempo, dedicação, continuidade de estudo como rotina etc.

1.1 O SENTIDO PARA A PRÁTICA ASSOCIATIVA POR MEIO DA GESTÃO SOCIAL E DA
PARTICIPAÇÃO

Para dar sentido ao engajamento da prática associativa na perspectiva dos bibliotecários, há
que se pensar sobre a importância da gestão social como referência para se pensar as relações
advindas das práticas associativas e voluntárias, carregadas de valores e ideologias. Relações
estabelecidas entre sujeitos individuais e/ou coletivos, entre sociedade civil e Estado, permeadas
pela busca de poder, pelos ideais de construção coletiva, por espaços de atuação pública, social e
profissional, estando presente nas relações de trabalho e classe social.
Desde a década de 1990, diversos autores vêm trabalhando o desenvolvimento do conceito
de Gestão Social, que começaria nos moldes da gestão pública evoluindo para a complexidade das
relações estabelecidas no tecido social, envolvendo políticas públicas, legislação, responsabilidade
social, transformação cultural, inclusão, ou seja, na perspectiva da interdisciplinaridade,
multidisciplinaridade, transdisciplinaridade. Cada vez mais, adotada para o entendimento da
participação para o desenvolvimento local, autores como Singer (1999), Dowbor (1999), Carvalho
(1999), Fischer (2002), Tenório (2002), Maia et al. (2005), entre tantos outros defendem a gestão
social como possibilidade de estabelecer e interpretar forças que se tencionam nesse tecido das
relações complexas, levando em consideração critérios e valores culturais, propósitos da ação, foco
das ações do cenário político, poder local, local dos empreendimentos. Nesse processo, também se
questionam quais atores sociais participam direta ou indiretamente das ações, quais objetivos e
metas se quer alcançar, com que instrumentos, técnicas e recursos, quais parâmetros a nortear o
desenvolvimento em qualquer área da sociedade e do conhecimento.
A participação em movimento associativo requer compreensão e entendimento desse
universo de termos importantes que se relacionam, bem como os transversais e suas funções no
processo histórico-social, a saber alguns muito importantes: construção coletiva, práticas
democráticas, direito e cidadania, justiça, bem-estar social, ética, qualidade de vida, acesso a postos
de trabalho, equidade na distribuição de renda e inclusão social, a importância dos atores sociais
como os trabalhadores, população, organizações sociais, universidades, associações de classe, a
sociedade civil, sindicatos, indivíduos, grupos e coletividades, organizações não governamentais, e

�285

a possibilidade de alcançar um protagonismo no processo de construção democrática de qualquer
movimento na defesa de intenções e interesses, sejam compreendido de forma imediata ou não.
Quais objetivos se buscam e que se pretende alcançar? Quais ações necessárias? Qual é o
foco para tanto investimentos de tempo, dinheiro. Qual o sentido para a participação?
Compreendendo a importância do associativismo, gestão social e autogestão, das forças que se
tencionam e das necessárias para mudanças efetivas, somente, assim, a partir dessa compreensão,
encontram-se respostas para a pergunta emblemática que muitos fazem diante da possibilidade de
ingressarem para um conselho regional de classe, para um movimento sindical ou para as
associações de classe profissional e, aqui, especificamente, de bibliotecários. Geralmente,
perguntam: “O que a instituição tem para oferecer ao profissional?”.
Ora, quando ouve as histórias de bibliotecários abnegados, e se entende gestão social como
dedicação, planejamento de ações estratégicas, planos de ação, usando instrumentos adequados a
cada processo social em um contínuo permanente, marcado pela presença de várias gerações,
surgindo, aí, como bem descreve Pedro Demo (1993, p. 67), “perspectiva de processo histórico
cultural de algo permanentemente em construção, uma vez que não se faz gestão social a fim de se
alcançar desenvolvimento, inovação ou até mesmo o desenvolvimento local sem participação”. A
participação é uma “conquista para a vida”, complementando com a ideia de que ela é “a
característica de uma política social centrada nos próprios interessados, que passam a autogerir ou
gerir a satisfação de suas necessidades”. A autopromoção, autogestão no sentido de emancipação e,
ainda, a participação “[...] não pode ser entendida como uma dádiva, algo ofertado, e sim como
processo histórico, uma conquista” (DEMO, 1993, p. 18).
Superação de crises político-financeiras foi bandeira quase que permanente dos movimentos
sindicais e associativos no Brasil, também vivenciada na Associação de Bibliotecários de Minas
Gerais (ABMG), como já registrado em estudo de caso de autoria de Borges e Romanelli (2011),
que estiveram por muitos anos à frente da associação. E ainda, para Borges e Romanelli (2011, p.
1), esse afastamento e isolamento das associações e não participação podem acontecer devido aos
inúmeros problemas de gestão, pelo desinteresse da classe trabalhadora em zelar pela mesma, pela
falta de comprometimento e muitas vezes falta de ousadia por parte dos bibliotecários. Uma vez
absorvidos em suas rotinas de trabalho, como refletir ou perceber outros espaços que precisam de
sua participação? Como se comprometerem? É preciso unir a qualificação à participação na
associação. O sujeito social vai imprimir o conhecimento, o status de sua persona na imagem da
associação, com sua presença e adesão. Foi assim no início da criação da Federação Brasileira das
Associações Bibliotecárias (FEBAB), das associações no Brasil e dos cursos de Biblioteconomia; e
com a ABMG, não seria diferente.

�286

Como a associação de bibliotecários ainda por muitos, é vista como local físico a ser
desenvolvido, é preciso em face das possibilidades tecnológicas refletir sobre isso, sobre
“desenvolvimento local”, que Dawbor (1999) vai imprimir uma importância na necessidade de
conhecer o local imediato de atuação, em que esteja inserido, definindo, ainda, a informação como
algo imprescindível ao desenvolvimento social, afirmando que “pessoas desinformadas não
participam, e sem participação não há desenvolvimento”. Dessa forma, há que se considerarem
estratégias de produzir conhecimento participando, sendo um processo de aprendizagem, como bem
referido por Demo (1993).
Para os autores Dallari (1983), Bordenave (1986) e Demo (1993), a participação deve ser
entendida como conquista para a vida, parte intrínseca da gestão social, demandando em sua
natureza a gestão das articulações entre os atores sociais em função de um desenvolvimento que
pode ser local, mais imediato, como pode também ser em nível regional, nacional ou global. Tendo
em vista as contribuições dos autores aqui citados sobre gestão social, participação e
desenvolvimento local, o associativismo e as práticas associativas podem ser tratados a partir das
contribuições desses mesmos autores.
De acordo com Boschi (1986), associar-se é uma arte, requer habilidades, senso de justiça,
ações e interesses coletivos. O universo associativo brasileiro, há muito estudado, tem seus limites
pautados pela legislação, impedindo que haja expansão das ações coletivas. Ganança (2006, p. 115)
salienta que o associativismo brasileiro tem sofrido o esvaziamento de seus espaços, bem como
crises financeiras, dificultando suas gestões. Tem também sofrido influências burocráticas do
Estado, inclusive ônus de taxas e impostos. Situação que pode ser muito agravada na atual
conjuntura política no Brasil em que tramitam projetos no Congresso Brasileiro para criminalização
de manifestações de práticas associativas, movimentos sociais e sindicais, mais uma vez a
importância da não obrigatoriedade de adesão aos movimentos, evidenciando a conscientização
para a importância dos mesmos e apoio por associação livre, expressando o amadurecimento
político dos bibliotecários independentes de qualquer ideologia partidária.
Entender isso é tão importante para a consolidação e até mesmo longevidade e alcance dos
movimentos,

desempenho

dos

profissionais

engajados

no

movimento

associativo,

e

desenvolvimento das associações, que apontamos critérios que foram estabelecidos por Demo
(1993) quanto à qualidade política das associações, como representatividade, legitimidade,
participação de base e autossustentação. Contudo, Ganança (2006, p. 116) pontua que o
associativismo brasileiro é muito diversificado em sua composição, distante do que se pauta em
busca da democracia e cidadania, em decorrência do próprio processo político cultural do país, e
hoje tendendo ao retrocesso das mentalidades, com o alinhamento dos atores de ideologias de

�287

extrema direita em nível nacional e internacional que não veem, nem demonstram apoio as práticas
democráticas e defesa do Estado de Direito, causando muita apreensão, principalmente no âmbito
universitário e externo a ele. E, ainda, em termos de representatividade, legitimidade,
autossustentação e participação de base, segundo o autor Ganança (2006), fica evidente tratar-se de
um fenômeno não encontrar esses quatro critérios propostos por Demo nos diversos tipos de
associação no Brasil.
Apesar das dificuldades, as associações, no Brasil, não deixaram de existir ou de serem
criadas, tampouco de crescer (BOSCHI, 1986), mesmo que minimamente, desde a década de 1990
(GANANÇA, 2006).

Contudo, há que se tratar da gestão da participação nesses espaços

associativos, podendo pensar em habilidades para exercê-la nas associações de classe profissional,
como afirmam em seus estudos Almeida Júnior (1997), Walter (2008) e Ferreira e Pereira (2011),
como já mencionado o trabalho corpo a corpo, a promoção dos encontros chamando os
bibliotecários a vivenciar esses espaços associativos como um processo de formação em práticas
associativas, de militância, a partir da experiência propositiva e concreta.
Na perspectiva da gestão social ainda em construção, recebendo significados instituídos a
partir de modelos políticos, econômicos, culturais, a participação é inserida na perspectiva de
processo histórico. Ela se configura e reconfigura também pelo mesmo processo histórico cultural
de cada época. Para a promoção do desenvolvimento local, é a partir das relações, dos nexos que
desses conceitos se estabelecem - indissociáveis, na medida em que a gestão social tende a ser
democrática em prol da cidadania, e da inclusão social, que valores políticos, éticos e morais vão
sendo mais bem compartilhados e entendidos por aqueles que querem fazer a diferença, como nos
ensina os autores Demo (1993), Tenório (1998), Fischer (2002) e Maia (2005).
A participação na perspectiva da gestão social deve ser apreendida em seus significados de
importância numa construção individual e coletiva, vista como aprendizado, exercida e planejada
como um projeto de vida para a ação individual ou coletiva em função de um desenvolvimento
local. Esse deve ser visto como parte ou resultado da gestão social, da ação coletiva, participação
associativa interdisciplinar entendida e aprimorada, sendo vista como parte integrante ou
consequência da outra. Intrinsecamente, ligados à gestão social, participação e desenvolvimento
local devem ser tidos como processo. Não há gestão social sem participação, assim como não há
desenvolvimento local sem a possibilidade de gestão social das práticas associativas participativas,
como destacado nos estudos de Dallari (1983), Bordenave (1986), Demo (1993), Tenório (1998),
Fischer (2002) e Maia, (2005). Em linhas gerais, esses autores, pela convergência de ideias, nos
ajudam nas reflexões de entendimento de que a participação é algo a ser estabelecido como

�288

processo contínuo de aprendizado. Os sujeitos sociais devem atuar como protagonistas de suas
próprias histórias individuais e coletivas.
Em seu trabalho, Demo (1993) apresenta a participação como algo a ser vislumbrado,
conquistado e exercido, sempre visto e delineado como processo histórico.
A participação supõe compromisso, envolvimento, presença em ações por vezes arriscadas
e até temerárias. Por ser processo, não pode totalmente ser controlada. [...] é preciso encarar
o poder, a partir dele e, então, abrir os espaços de participação numa construção (DEMO,
1993, p. 20).

A partir dessa citação, a participação deve ser entendida como algo a ser construído, sendo
importante para o desenvolvimento do sujeito social e coletivo, para o mundo do trabalho, suas
relações para com a comunidade da qual faz parte e a sociedade. O autor chama a atenção para
conflitos e embates que surgem das disputas pelo poder de participação, com sentido em um
processo histórico, atentando para os canais de participação, como esses são usados e como se
desenvolvem e devem ser vistos, ou seja, instrumentos importantes para a participação. Ressalta-se,
ainda, a importância da participação na organização da sociedade civil, no caso específico dos
movimentos sociais, bem como os sindicais e associativos, trazendo a dimensão do trabalho,
estando a associação de bibliotecários inserida nesse contexto.
Na perspectiva da construção coletiva, do processo histórico sociológico, a participação em
órgãos representativos se faz cada vez mais necessária e valorizada, na medida em que seja vista
[...] a participação enquanto resultado do processo de construção social, portanto, sujeito a
fatores históricos e culturais. Nesse sentido, a participação parece manter uma relação
direta com a capacidade individual ou coletiva de interagir, cooperar, associar-se e confiar,
isto é com o chamado capital social (MARTINS, 2002, p. 52).

A participação como um processo de aprendizagem “é empenho pessoal por um aprendizado
difícil das regras e meios de se fazer, ouvir, entender e atender” (MARTINS, 2002, p. 52). O autor
demonstra não se tratar de coisa simples, sendo, muito pelo contrário, parte da complexidade da
vida. Para superação dos desafios e limitações, demandas por habilidades e técnicas para mediação
de conflitos que advirão naturalmente das tentativas e empreendimentos que se fizerem necessários,
sejam em quaisquer áreas da vida do sujeito social. União da arte da técnica da atitude
interdisciplinar (BOSCHI, 1986; MARTINS, 2013; SANTOS, 2007).
Então, no processo participativo, existem planejamento e ações estratégicas, estabelecendose relações de reciprocidade, buscando uma identidade e objetivos comuns. A participação é algo
que requer investimento, seja de tempo, estudo, gestão e planejamento. Requer que o sujeito seja
intimamente engajado no processo, enquanto Demo (1993) se atém à postura do sujeito de estar
sempre buscando algo idealizado e inacabado. Bordenave (1986, p. 16-17) vem reforçar essa idéia,

�289

enfatizando que “participar é fazer parte, tomar parte, ter parte”; enfim, a participação é vista como
“autogestão”, seja em nível individual ou coletivo.
Na esfera individual, a participação como autogestão permite inferir que sujeitos sociais
participam de algo, consciente ou inconscientemente, procurando satisfazer suas necessidades
individuais ou coletivas. Bordenave (1986, p. 16-17) reafirma a ideia de que “a participação é o
caminho natural para o homem exprimir sua tendência inata de realizar, fazer coisas, afirmar-se a si
mesmo e dominar a natureza e o mundo”.
A ideia de autogestão pode ser um meio, um instrumento para se alcançar a autopromoção.
Essa ideia é defendida por Demo (1986, p. 482), quando se refere à conquista competente dentro do
processo histórico. A vida moderna se dá principalmente na área do trabalho, pela capacidade de
fazer algo, gerir a carreira profissional, ser eficiente e competente. A mesma ideia deveria ser
aplicada por todos que querem ver a democracia consolidada, os direitos sociais garantidos, o
avanço das práticas associativas, das ações coletivas. Demo preconiza que a participação tem
também objetivos, sendo eles, além da autopromoção já apresentada, “a realização da cidadania, a
implementação de regras democráticas de jogo, controle de poder, controle da burocracia, o
estabelecimento da negociação e a construção de uma cultura democrática” (DEMO, 1986, p. 475).
Na perspectiva da participação para o desenvolvimento local, Martins (2002, p. 52)
demonstra a responsabilidade de cada um em buscar, construir, lutar defendendo seu direito pela
qualidade de vida. Tudo o que envolva o fazer humano, o estar no mundo já nos torna parte
integrante de algum “sistema ou complexidade de coisas”. Relações serão estabelecidas em maior
ou menor grau, sejam de livre escolha ou não. E ainda sobre participação:
[...] sua prática envolve a satisfação de outras necessidades [...] como a interação com os
demais homens, a autoexpressão, o desenvolvimento do pensamento reflexivo, o prazer de
criar e recriar coisas e a valorização de si mesmo pelos outros (afetiva e instrumental, fazer
coisas com os outros é mais eficaz e eficiente que fazê-las sozinho) (BORDENAVE, 1986,
p. 17).

Essa ponderação do autor chama a atenção para os dias atuais, em que mesmo com avanço
das tecnologias informacionais e de comunicação ainda há forte tendência ao individualismo, sendo
preciso repensar a vida, princípios e valores que norteiam as decisões, seja na esfera individual ou
coletiva. O autor direciona seu parecer para a importância das reflexões em torno dos poderes
instituídos, ética e incertezas:
O que fazemos e outras pessoas fazem podem ter consequências profundas, de longo
alcance e de longa duração, consequências que não podemos ver diretamente nem predizer
com precisão. Entre as ações e seus efeitos existe enorme distância – tanto no tempo como
no espaço – que não podemos sondar usando nossas capacidades inatas e ordinárias de
percepção, e sendo assim dificilmente podemos medir a qualidade de nossas ações
mediante pleno inventário de seus efeitos (BAUMAN, 2006, p. 24).

�290

Tanto Bordenave (1986) quanto Bauman (2006) fazem um chamado à participação
consciente, para que o sujeito reflita sobre suas decisões, ao falar sobre incertezas e ética. Pode-se
inferir que os autores incitam à participação coletiva, à interação, para que das relações possam
surgir novas formas de atuação, outras possibilidades de escolhas. Nesse sentido, em relação à ética,
e valores principalmente na contemporaneidade, destaca-se a participação política, porque essa
passa por um conjunto de regras e valores, princípios que darão condições para que os sujeitos
sociais façam suas escolhas individuais e coletivas.
Quanto à natureza associativa do ser humano, essa é vista por Dallari (1983, p. 36) como
uma necessidade da natureza humana, dizendo que “o direito e dever de participação política são
duas faces da mesma realidade”. E, ainda, que a “participação intensa e constante de muitos é
necessária para impedir que alguns imponham uma ordem injusta, que sempre acaba sendo
prejudicial para todos”. Dessa maneira, tanto Demo, Bordenave e Dallari como Bauman defendem a
construção conjunta, mostrando a impossibilidade do avanço se não houver empenho consciente,
diversidade de atores no processo e engajamento político.
Os autores ressaltam a importância do trabalho colaborativo, interdisciplinar, intersetorial e
defendem a importância da qualidade participativa do sujeito protagonista, contribuindo para o
desenvolvimento do próprio sujeito, das organizações, setores, grupos e movimentos sociais,
políticas públicas etc.
A partir das contribuições desses autores, juntamente com as contribuições de Martins
(2002, p. 52), sobre a participação para o desenvolvimento local, fica evidente que as pessoas
precisam estar atentas ao que possuem, onde estão, como participam. E devem refletir sobre suas
capacidades e habilidades em criar redes interativas e relacionais sobre o aprendizado coletivo,
sobre como as organizações aprendem, adotando postura consciente perante os desafios a serem
enfrentados localmente, no imediato. Sobre a importância da dimensão humana e o sentido de lugar,
ele acrescenta:
[...] esta é a escala humana, que se identifica pela relação entre as pessoas, entre estas e o
seu entorno (ambiente, empresas e instituições), pautada na interdependência e na
comunidade de interesses, mas também, e principalmente, no cotidiano conflitante e
solidário vivido em comum (MARTINS, 2002, p. 54).

Estabelecidas as redes e fortalecidas as relações, a busca por soluções dos problemas
individuais e coletivos torna-se possibilidade. Experiências felizes tendem a promover o grupo cada
vez mais para a aceitação de uma nova cultura, de uma mudança de paradigma rumo ao trabalho
colaborativo, integrado, com posturas mais propositivas e assertivas. E também com oportunidades
a partir das experiências, das práticas, de adquirir habilidades superando desafios e mediando
conflitos de interesses, tendo sempre como resultado, o aprendizado coletivo.

�291

A aprendizagem coletiva e o conhecimento construído a partir da gestão social poderão
explicar comportamentos individuais e coletivos no tempo presente, refletindo no desenvolvimento
local ou não. Para entender a complexidade da vida dos tempos atuais, requer-se uma prédisposição ao trabalho intersetorial, interdisciplinar. Para tanto, implica o entendimento dos
processos, ajuda mútua, descentralização da gestão, principalmente da gestão pública. Um sujeito
interdisciplinar é exigido a todo o momento para que as coisas possam avançar no sentido do
desenvolvimento, seja ele mais imediato, local, regional ou global.
Para Santos (2007), a atitude interdisciplinar deve ser compreendida como um
posicionamento face aos outros atores envolvidos nos processos, sejam eles de construção do
conhecimento, problemas a serem enfrentados tendo em vista um processo educativo. Pensando a
participação política como aprendizado para a vida, tanto movimento quanto atitude leva a crer na
relação que se estabelece entre o sujeito social e os espaços de participação, sejam quais forem. Há
que se buscar esse conhecimento do espaço de atuação, das regras, do cotidiano das pessoas, na
interação. Assim sendo, demandando do sujeito participativo uma atitude interdisciplinar que seria
um posicionamento frente a realidade da vida, procurando conhecer seu ambiente, principalmente
em face de tomada de decisões importante para si e para o coletivo.
Em questões de militância em prol de uma reconfiguração da realidade, o sujeito
interdisciplinar requer não perder a perspectiva de processo a médio e longo prazo para se obter
resultados. Saber esperar, ser capaz de ceder, negociar, ter reciprocidade, comprometimento,
dedicação, desapego do que já não serve mais. Humildade em assumir o que não sabe, buscar ajuda,
ser solidário, ter empatia para que seja possível um diálogo aberto e franco, assertividade e buscar
fazer o melhor possível. A atitude interdisciplinar requer maturidade.
A participação mais assertiva requer domínio de certos instrumentos, como bem pontua
Demo (1993), planejamento, ações estratégias bem pensadas e articuladas. Santos (2007), sobre o
aprendizado e o trabalho interdisciplinar, contribui no sentido de demonstrar que a discussão e as
recomendações já estão há muito colocadas no sentido da gestão das próprias atitudes e também
coletivas demandando entendimento e aplicabilidade do que está posto.
Sabe-se que o acesso e uso da informação e do conhecimento é algo imprescindível para que
se promova a inclusão social, o acesso a políticas públicas, aos direitos sociais, à cidadania, sendo
esse ideal perseguido pelo bibliotecário educador. É preciso avançar em direção à militância
política, ampliando os espaços de atuação para além das organizações do “trabalho”. Dar suporte ao
desenvolvimento em várias áreas do conhecimento, com relação direta com a educação;
participando dos processos educativos é uma premissa para o desenvolvimento. Há na literatura,
estudos que reconhecem o papel socioeducacional do bibliotecário, sendo aquele que:

�292

[...] promover a competência em informação torna-se a chave ao desenvolvimento
socioeconômico sustentado e porque está diretamente ligado à inclusão social. A
incorporação e mobilização de atitudes, conhecimentos e habilidades direcionadas ao
exercício pleno da cidadania é o coração da inclusão social e da sustentabilidade. Também
inclui a aceitação das diferenças, a valorização da diversidade, o direito de pertencer e
buscar a constante melhoria de si mesmo e da sociedade. Os bibliotecários tornam-se
mediadores pedagógicos e agentes educacionais de transformação social (DUDZIAK, 2007,
p. 88).

Juntamente a essa dimensão do papel social-educacional do bibliotecário, a contribuição de
Demo (1993, p. 70) relaciona a qualidade participativa ao exercício da cidadania. Diz-se que a
“cidadania é a qualidade social de uma sociedade organizada sob a forma de direitos e deveres
majoritariamente reconhecidos”. Assim, a reflexão passa não somente pela função social e
educacional do bibliotecário, mas também pela necessidade da qualidade participativa ao exercer a
sua profissão, a sua cidadania no mundo do trabalho, com o profissional consciente de seus deveres
e defendendo os direitos sociais e coletivos.
Para compreender um pouco a participação dos bibliotecários em espaços políticos, torna-se
necessário lançar mão do conceito da gestão social da participação em órgãos de representação de
classe. Sobre o campo da gestão social, Fischer (2002) propõe tratar-se do:
[...] campo do desenvolvimento social, que se constitui como um processo, a partir de
múltiplas origens e interesses, mediados por relações de poder, de conflito e de
aprendizagem. Para a autora, o entrelaçamento das dimensões praxiológicas e
epistemológicas já acumuladas apontam uma “proposta pré-paradigmática” da gestão
social. Nesta perspectiva da gestão social estão especialmente identificados como sujeitos
os indivíduos, grupos e coletividades interessadas, mediados por redes ou por
interorganizações (FISCHER, 2002 apud MAIA, 2005, p. 10).

Sobre a participação política em órgãos de classe, especificamente a ABMG, percebe-se que
há muito ainda por compreender e fazer, repensando a contribuição individual de cada um, e dos
grupos, demandando estudos que resgatem as personalidades que fizeram a história da
Biblioteconomia e o movimento associativo em Minas Gerais. Há poucos registros sobre os
bibliotecários que se destacaram no processo histórico, embora o que não quer dizer que não tenha
havido esses sujeitos empreendedores e dedicados ao longo de seus 58 anos. Enxergar para além
das estruturas burocráticas formais, se o bibliotecário é participativo ou apenas um associado é
importante. Como ficou registrado a participação e a contribuição de cada um na construção
coletiva de classe também torna-se relevante.
No que se refere à qualidade política das associações, Demo (1993, p. 117) afirma que,
embora não seja possível um “modelo pronto” a ser seguido, ainda assim, é preciso estabelecer
critérios de avaliação. Dentro dos processos participativos e dos movimentos associativos,
definimos os quatro critérios de qualidade política de associações: “representatividade,
legitimidade, participação da base, autossustentação”.

�293

Tendo em vista o campo da gestão social apresentado por Fischer (2002) na investigação
sobre a participação dos bibliotecários na associação, os critérios são parâmetros a serem
considerados; os bibliotecários com suas demandas também precisam ser cada vez mais ouvidos
sobre a sua atuação no mercado profissional, e o que esperam dos órgãos de participação, das
associações, como veem a atuação da mesma e se, se reconhecem como parte importante, nesse
processo.
Conhecer as lideranças, seu processo de engajamento e envolvimento com a associação é
fundamental para o reconhecimento identitário da classe bibliotecária com os movimentos de
interesse, as causas mais imediatas, projetos, mobilizações para ações coletivas etc. Assim sendo, a
qualidade política dos “gestores” da associação deverá indicar a expressão da representatividade,
sendo esse o primeiro critério a ser observado (DEMO, 1993).
O segundo critério a ser obedecido é a legitimidade, em que a importância estaria na
“qualidade política do processo participativo, quando estiver fundado em estado de direito”. Será
que todos entendem e veem no seu trabalho que têm o direito a se expressarem, participarem da
associação? E os objetivos buscados pela mesma contribuem para essa valorização da imagem e o
fazer bibliotecário? Ainda, segundo Demo, “no plano de uma associação, a legitimidade se forja
com base nos estatutos que, neste sentido, seriam uma obra-prima dos membros”. O autor destaca
que ser sócio é diferente de ser membro e completa sobre o estatuto:
[...] lá se coloca de comum acordo, como alguém se torna membro da associação, como se
desliga, como se fazem os chefes e se os impugnam, quais direitos e quais deveres são de
todos, como funciona no dia-a-dia, como praticam reuniões, como se legisla e se julga, e
assim por diante (DEMO, 1993, p. 119).

Há uma crítica do autor no que se refere à atenção culturalmente dispensada apenas à
dimensão, ao aspecto burocrático da construção dos estatutos de associações, ressaltando que há
preocupação somente com a formalidade legal, não se importando em aprofundar-se no aspecto que
seria o próprio “compromisso político”. Enfatiza, ainda, que ser membro de uma associação
significaria ser “parte integrante, consciente, compromissada, o verdadeiro dono e a autêntica
origem da associação”. O membro seria o ser cidadão exercendo a cidadania participativa, “é a
cidadania organizada que funda a legitimidade de todos os processos participativos”.
Como terceiro critério, pontua o autor a participação da base. Destaca-se que “a qualidade
política de uma associação se decide nesse parâmetro, porque na mobilização organizada da base
demonstra se existe ou se é uma farsa”:
[...] o que é indispensável é a intensidade participativa, a coesão organizada e
compromissada ideologicamente, a realização conjunta de um projeto comum, sentido e
definido como comum, na vibração da identidade de propósitos, de passado e de futuro
(DEMO, 1993, p. 21).

�294

O quarto critério é o que de fato vai dizer se a associação é emancipada, resultado da
autopromoção. A autossustentação é fundamental para o cotidiano e manutenção da associação,
sua liberdade de ação. Os associados têm que apreender o sentido educativo-participativo de
pertencer e participar, sentindo-se parte da associação e que ela é sua. Demo (1993, p. 124) acredita
que “os processos participativos não resumem sua qualidade política somente na face política”. Os
associados precisam comparecer financeiramente, assumindo compromissos socioeconômicos. As
associações não podem sobreviver somente com “ideias, compromissos, ideologias, mobilizações”,
precisando saber resolver a questão dos recursos materiais. Para isso, há que se lançar mão de muito
engajamento, trabalho colaborativo, inteligência e criatividade e buscando por recursos alternativos
e por atividades produtivas que possam capitalizar a associação, como bem defendido os cursos de
capacitação e educação continuada por várias gestões que passaram pela associação.

2 A ASSOCIAÇÃO DE BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS (ABMG)

2.1 IDENTIDADE PROFISSIONAL: BIBLIOTECÁRIO PARTICIPATIVO

As reflexões sobre identidade profissional impactadas pelo advento das tecnologias e o
aprimoramento contínuo das mesmas despertam sentimentos ambíguos, contraditórios. Nos
primórdios, o profissional da informação lidava diretamente com o caos informacional e
instrumentos rudimentares; hoje, continuamos mergulhados no caos exponencial e ilimitado de
informações, há tecnologia de ponta e a falsa sensação de que tudo estaria sob controle caiu por
terra; é que hoje se domina e se conhece de tudo um pouco. Essa realidade impacta a identidade
coletiva se pensarmos a aldeia global e a rapidez com que temos que responder a situações em
tempo real. Hoje, nos falta o tempo necessário para a elaboração do pensamento, das ideias e o
reconhecimento da parcela de responsabilidades sobre os processos individuais e coletivos,
principalmente os de impacto nas transformações sociais e de visão de mundo. Com tanta
tecnologia, todos nós podemos nos sentir cidadãos do mundo, mas as mudanças locais de que
realmente precisamos não acompanham a quantidade de informação que estamos expostos. As
informações são desproporcionais e como podemos de fato utilizá-las em nosso cotidiano, em nossa
vida, em nossa comunidade, representa um dos maiores desafios da atualidade; sem contar,
também, que o sofrimento hoje passa pela síndrome do pensamento acelerado.

�295

Muito se fala sobre a identidade profissional do bibliotecário, os desafios apresentados a
esses profissionais, podendo a reflexão ser conduzida com expressivos trabalhos desde a década de
1990 por Almeida Júnior (1997), Castro (2000), Souza (2002, 2004), Dudziak (2007) e Lima e
Lima (2009). Desde a virada do milênio, Castells (2000), Sturt Hall (2002) e Bauman (2005)
colaboraram com suas reflexões sobre o estar no mundo na perspectiva da construção da identidade
coletiva e impactos tecnológicos, dos desafios que todos teríamos que enfrentar, seja como sujeito
participativo ou não, de algum movimento social. Assim, toda a reflexão passa por pensarmos o
mundo conectado por redes interativas e infinitas possibilidades de encontros virtuais após a queda
do paradigma tempo e espaço, muito embora, para tal inclusão digital, é preciso haver investimento,
disposição e letramento.
Muito se escreveu sobre o esvaziamento das associações e a falta de disposição para o
encontro físico presencial, fenômeno que atinge a sociedade como um todo e a pressão para a
produção e utilização de serviços virtuais digitais de acesso remoto. Na prática profissional,
percebe-se a tendência priorizando o encontro, por meio de conferências de acesso remoto, grupos
de estudos virtuais; enfim, tudo que a tecnologia possa proporcionar e, assim sendo, o encontro
presencial fica preterido e cada vez mais a desumanização, pois o instrumento que nos expõe a
todos é o mesmo também que afasta, nos inviabiliza e nos camufla em meio a tantas possibilidades
de recursos num mundo virtual.

2.2

O DESAFIO DO CONTATO E DA PERSUASÃO: O ENCANTAMENTO PELA

ORALIDADE

A fundação da ABMG partiu do desejo de alguns bibliotecários que levaram o curso para a
Universidade Federal de Minas Gerais, que antes era ministrado pelo Instituto Nacional do Livro
(INL), sendo criada em 17 de junho de 1960. A participação no processo para a fundação da
associação teve inspiração em nível regional, internacional e localmente, sendo um desejo e
proposta de Etelvina Lima.
Naquela época, Minas Gerais contava com poucos bibliotecários, mas a união de todos foi
importante para o crescimento e transferência do curso para a UFMG. Desde os primórdios da
profissão no Brasil, grande parte dos profissionais, por várias gerações, se interessou pela carreira
pelo gosto à leitura e por questões culturais. No início, os cursos eram bem marcados pela presença
feminina e em grande maioria pelo pouco conhecimento sobre a profissão. Há registros da vasta

�296

área de atuação da entidade, sejam em instituições públicas ou privadas, em carreira técnica,
docência e pesquisa, em gestão pública, cargos políticos e carreira jurídica.
Sobre a avaliação que podemos fazer hoje do patrimônio cultural (memória) e material
(sede, ensino e infraestrutura), a associação, nos seus 58 anos de vida ininterruptos, passou por altos
e baixos, contudo, sempre marcada pela livre associação e pelo encontro de pessoas e interesses.
Cada liderança teve seu perfil diferenciado dentro do que foi possível no contexto sócio, político,
ideológico e econômico.
Contudo, o maior patrimônio da associação sempre foi os bibliotecários, as pessoas que
dedicaram parte de suas vidas para que as coisas acontecessem ao longo do tempo de sua história.
Foram tantos bibliotecários, que os registros merecem estudo histórico à parte e aqui, como já
mencionado, com nome de Etelvina Lima, fica a homenagem às gerações de bibliotecários
comprometidas com a associação, não sendo possível citar todos, neste texto, devido à relevância de
cada um, por meio de suas ações individuais e coletivas para o movimento associativo.
Em 58 anos, a associação tem sido forte e com muita credibilidade entre os bibliotecários.
Há um reconhecimento de legitimidade e representação, contudo, ainda, assim, precisa ampliar seu
alcance junto às escolas de formação, sejam públicas ou privadas, mostrando de que maneira vem
atuando e toda a sua potencialidade de desenvolvimento em que a Biblioteconomia social tem muito
o que oferecer para a cidadania, informação estratégica para a inclusão social, para o
desenvolvimento de um povo/nação, para o desenvolvimento do país. O movimento associativo tem
muito o que contribuir para essa formação, podendo complementar a formação curricular que,
muitas vezes, não permite vivenciar processos inseridos na sociedade, como proposição de projetos
de leis, informações para movimentos sociais, informação utilitária, gestão social, dentre muitos
outros.
Os registros passam pela organização e participação de importantes Congressos Brasileiros,
sendo o Biblos 2000 (CBBD), trazendo retorno financeiro e visibilidade de entidade no mundo
bibliotecário, além de tantos outros cursos, palestras, workshops, oficinas, encontros, visando a
educação continuada dos bibliotecários, arquivistas e pessoas interessadas em Biblioteconomia e
Ciência da Informação. Dessa forma, a avaliação cultural é imensurável, além de ter contribuído
com muitas oportunidades de trabalho aos associados, não só preparando-os para o mercado, como
indicando para empresas que procuravam a ABMG, como referência de empregos e prestação de
serviços demandados.
A memória viva do movimento associativo nos leva a crer que, de fato, o maior patrimônio
cultural hoje da associação, são os profissionais bibliotecários e sua oralidade; precisamos ouvir os
profissionais que sempre estiveram presentes nos trabalhos da associação. Segundo Cléa Borges,

�297

bibliotecária que sempre esteve presente junto à associação, talvez “seja a única associação de
Bibliotecários do Brasil que tem maior patrimônio imobiliário, com sede própria”, sendo essa uma
conquista muito grande, resultado da participação de abnegados profissionais, muito empenho e
gestão estratégica. Hoje, a ABMG possui três salas bem localizadas no centro de Belo Horizonte:
duas no Edifício Hotary, próximo ao Museu Inimá de Paula; e uma no circuito histórico Praça da
Liberdade, com razoável infraestrutura.
A associação tem participação de profissionais ativos e principalmente aposentados. Os
profissionais ativos atuam em gerenciamento de bibliotecas públicas e privadas, na esfera
municipal, estadual e federal, escolares, universitárias, comunitárias e de saneamento, professores
de universidade, contadores de história, profissionais liberais, empresários, bibliotecas de órgãos
públicos etc. Geralmente, há demandas para cursos preparatórios para concursos públicos,
atualizações e formação continuada. Os aposentados são pessoas que têm perfil para trabalharem
em movimento associativo, e com vasta experiência por terem sido presidente de Conselho, de
associação, superintendente em órgão público, que gostam e queiram colaborar com a classe, pois o
trabalho é voluntário, demandando disponibilidade de tempo, habilidades diversas, perfil,
compromisso com educação continuada e atuação política; os aposentados em convergência de
interesses com os ativos demandam por oportunidades de lazer, entretenimento, viagens nacionais e
internacionais para conhecer bibliotecas e museus, espaços alternativos e encontros festivos para
confraternização etc.
A associação tem recebido demandas do profissional liberal de iniciativa privada, num
mercado cada vez mais concorrido e permanência nos postos de trabalho e valorização da profissão
e salários. Merece estudos, o fenômeno da valorização dos estágios, pois, enquanto ainda em
formação acadêmica e a desproporcionalidade no ingresso ao mercado após a formação com
salários compatíveis, os profissionais saem altamente qualificados de seus cursos. Há um
movimento dormente e renitente junto à associação pela criação de um sindicato de classe ou a
evolução da associação, transformando-a em sindicato.
Paralelo a essa situação reflexiva, diante das necessidades dos profissionais de lutarem por
inserção ao mercado de trabalho garantindo os postos e melhores condições de trabalho e salários,
podemos inferir, ainda, a pouca adesão e participação dos estudantes e profissionais da área de
Ciência da Informação, sejam técnicos de nível médio, ou graduandos ainda em formação e
profissionais já inseridos no mercado de trabalho.
Há os que defendam que a identidade para a formação associativa em movimentos de classe
precisa e deve passar pela formação acadêmica também; outros já defendem que se trata de perfil,
identificação com as causas coletivas; outros acreditam nas questões políticas ideológicas para o

�298

não envolvimento, bem como a questões financeiras e, hoje, talvez, se acentue com a legislação da
não obrigatoriedade em participação financeira em entidades de classe. Contudo, refletir sobre a
natureza das instituições coletivas quando estruturam em seus estatutos “a garantia para livre
adesão” já seria um indício da maturidade política, do uso da liberdade em escolher participar,
contribuindo para as causas coletivas.
A ABMG tem conseguido estabelecer alianças, difundindo a sua missão de congregar
bibliotecários e profissionais afins. Como toda instituição, a associação tem seus altos e baixos,
contudo, ainda assim, a baixa adesão sinaliza que é preciso investimentos na interação e ações
coletivas integradas, trabalhando a visibilidade e o sentido de pertencimento sem perder de vista a
importância da interdisciplinaridade com outras áreas de conhecimento.
O reconhecimento da legitimidade de representação se percebe sim, porque a ABMG vem
atuando há 58 anos ininterruptos. A maior parte de sua vida foi uma associação forte e com muita
credibilidade entre os pares e bibliotecários.
A articulação da associação com a categoria profissional precisa ser entendida e praticada de
todas as formas possíveis, em encontros festivos, corpo a corpo, site atualizado, telefonema, emails, redes sociais diversas e cada vez mais em alta, reuniões presenciais, participação da diretoria
nos cursos, palestras, network, workshops de outros órgãos, e mediante à divulgação dos trabalhos
de consultoria, assessorias, dos profissionais atuantes no mercado de trabalho, obviamente
acompanhando a evolução tecnológica, mas visando mais confiabilidade e agilizada nas
informações que se pretende divulgar.
Precisa buscar a interação da classe e o senso de voluntariado precisa ser ampliado para os
trabalhos e filiações, aumentando a rentabilidade que permitirá investimentos em áreas estratégicas
como marketing, estruturação de cursos, contratando pessoas para melhor gestão da associação e
isso somente será possível com a colaboração e com um contingente expressivo de profissionais
bem sucedidos e abnegados.
Atualmente, com a nova gestão recentemente empossada, permitiu sentir o prenúncio de
novos tempos na associação, com um trabalho mais planejado, reflexivo, colaborativo, buscando
assertividade, engajamento político, motivando a todos a pensar e valorizar a ascensão da
Biblioteconomia social. Nesse contexto, pressupõe ações junto àqueles que estão à margem social,
os mais necessitados de informações que venham transformar suas realidades de vida com projetos
sociais, e ações inovadoras que permitam, de fato, a inclusão social e o acesso à leitura, cultura,
artes e ao sistema educacional.
Desde sua fundação, no ano de 1960, na ABMG, encontram-se, ainda, hoje, associados que
se aproximaram da mesma na década de 1970 e empenharam-se para a sua consolidação e

�299

reconhecimento. São atores em destaque, cuja própria história de vida se confunde, entrelaçando-se
com a história da associação.
Com esse espaço de interação, perseguindo-se a ideologia da importância da participação
para a identidade coletiva do bibliotecário, persiste-se em mostrar o valor social da profissão de
bibliotecário. Esse milita exaustivamente, mesmo que, inversamente, o retorno do reconhecimento
da classe, às vezes, não seja na mesma proporção. “Preservar a memória”, promovendo a
aproximação do passado com a atualidade, por meio da oralidade, estimulada pela possibilidade do
encontro entre passado e presente torna importante o espaço físico da associação e, nesse sentido,
da oralidade somada à tecnologia. Para Almeida Júnior (1997),
uma associação [...] uma entidade de classe deveria surgir da necessidade de união de
pessoas vinculadas a uma área profissional comum, com um ou mais objetivos específicos
[...] deve ser construída a partir e com as necessidades das bases – entendida como a
totalidade ou uma parcela dos profissionais da área (ALMEIDA JÚNIOR, 1997, p. 109).

A princípio, o encontro de várias gerações deveria promover ou estimular bibliotecários a
conhecer as questões atuais com olhar sobre a experiência do passado. Estimula-se o engajamento na
associação como uma oportunidade de resgatar a memória, mesmo que seja na oralidade. A história
da Biblioteconomia mineira deve ser pauta permanente da agenda da associação.
Enquanto uns querem preservar a memória, outros, em face do advento das tecnologias,
querem o rompimento com o passado ampliando fronteiras, inclusive para o acolhimento na
associação de outros profissionais, como tem sido, nos últimos anos, de acordo com o Estatuto, os
arquivistas, museólogos, todos pertencentes à área de Ciência da Informação. Além do Estatuto,
quais ações são empreendidas? Os bibliotecários, por serem os fundadores da ABMG, têm
consciência dessa relação? Os arquivistas e museólogos têm conhecimento dessa possibilidade de se
associarem? Como percebem essa realidade?
Dessa relação, ainda não totalmente estabelecida, talvez seja possível identificar o sentimento
de pertencimento que os associados tenham para com a associação, como está sendo visto, e se existe
mesmo essa aproximação entre os profissionais dos primórdios da associação com a atualidade e
quais vínculos estão de fato estabelecidos.
Adotando os critérios sobre a qualidade política da associação, pode-se inferir sobre os “reais
motivos” de interesse pela participação ou não participação dos bibliotecários, arquivistas,
museólogos e analistas de sistemas informacionais.
Quais estímulos favorecem a aproximação dos mesmos com a associação são questões que
estimulam o encontro para a reflexão em busca de respostas, e de como agregar, de fato, pessoas para
o trabalho associativo. Ações que poderão funcionar como estratégias para avançar rumo à inovação
no sentido de uma nova reconfiguração da associação de bibliotecários, detectando as possíveis

�300

necessidades de mudanças de mentalidade e comportamentais, do profissional que lida com o caos
informacional, de modo geral, em relação à associação. Parte dos motivos para participação ou não
participação possivelmente estabelece “nexus” com o que os autores citados neste texto classificaram
como critérios de qualidade política de associações. O não reconhecimento desses critérios, por parte
das instituições ou pelos associados, pode dificultar o engajamento em ações coletivas, em
movimentos de interesse da classe.
Segundo Demo, é preciso participar conscientemente, acentuando que “a maior inteligência
da participação está em mostrar-se tão necessária quanto viável”, sublinhando-se a importância de
um planejamento considerado pelo autor como um “instrumento de participação”. “Entretanto, assim
o cremos, não somente no sentido de pelo menos não estorvar processos participativos, mas
igualmente no sentido de colaborar em sua motivação” (DEMO, 1993, p. 42).
Essa citação vem mostrar que a participação está para além do discurso, requer muito trabalho
e que a sua qualidade e planejamento dependem da autocrítica, da capacidade de autoavaliação de
cada sujeito social envolvido no seu fazer. Sobre o dever de participação política, pode-se concluir e
acrescentar aos apontamentos de Demo (1993):
[...] todo indivíduo exerce alguma influência sobre o meio social em que vive e sofre
influência desse meio por mais que procure isolar-se [...] a participação não depende de se
desejar ou não, pois mesmo aqueles que não tomam qualquer atitude são utilizados pelos
grupos mais ativos, visto que o silêncio e a passividade são interpretados como sinais de
concordância com as decisões dos grupos dominantes (DALLARI, 1983, p. 34).

Ou seja, a oportunidade do encontro valoriza os registros sobre o profissional e sobre a
Biblioteconomia, passando também pela oralidade, pela oportunidade de contar e preservando a
memória, no próprio espaço físico da associação. As ações planejadas estratégicas devem permear
iniciativas nesse sentido. Mas também a não participação pode deixar lacunas que outros grupos de
pessoas mais organizados e articulados poderão ocupar espaços, desde que queiram e não
encontrando resistências, já que há o esvaziamento das associações, de modo geral. É preciso
refletir sobre essa realidade, se seria esse o destino dos sindicatos, grêmios e associações de classe
com o impacto das tecnologias.
Finalizando, a ABMG, sendo parte integrante dos movimentos associativos do Brasil,
merece estudo histórico, resgatando sua documentação arquivística, suas histórias, principalmente,
por meio da oralidade de muitos bibliotecários atuantes desde o início de sua fundação.

�301

REFERÊNCIAS
ALMEIDA JÚNIOR, O.F.A. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Polis, 1997.
BARBALHO, C.R.S. Planejamento estratégico: uma análise metodológica. Informação &amp;
Informação, Londrina, v. 2, n. 1, p. 29-44, jan./jun. 1997. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000001490 &amp;dd1=50bcf&gt;. Acesso em: 30 maio
2013.
BAUMAN, Z. Ética pós-moderna. 3. ed. São Paulo: Paulis, 2006.
BAUMAN, Z. Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahaer, 2005.
BORDENAVE, J.E. O que é participação. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
BORGES, M.C.; ROMANELLI, M.L.C. How can libraries, librarians and library associations be or
not to be successful on developing countries: case study - Minas Gerais Library Association, Brasil.
In: IFLA WORLD LIBRARY AND INFORMATION CONGRESS: 77th, 13-18 August 2011, San
Juan, Puerto Rico. IFLA General Conference and Assembly: IFLA, 2011. Disponível em:
&lt;http:// Conference. Ifla.org/ifla 77&gt;. Acesso em: 20 dez. 2012.
BOSCHI, R. A arte da associação. Rio de Janeiro: Vértice, 1986.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a
profissão de Bibliotecário e regula seu exercício. Brasília, DF, Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, 02 jul. 1962.
CARVALHO, J.M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 13. ed. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2010.
CARVALHO, M.C.B. Alguns apontamentos para o debate. In: RICO, E.M.; RAICHELIS, R.
(Org.). Gestão social: uma questão em debate. São Paulo: Educ/IEE/PUCSP, 1999. p. 19-29.
CASTELLS, M. O poder da identidade. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
CASTRO, C.A. História da Biblioteconomia brasileira. Brasília: Thesaurus, 2000.
DAGNINO, E. Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania. In:
DAGNINO, E. (Org.). Os anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1994.
DALLARI, D.A. O que é participação política. São Paulo: Brasiliense, 1983.
DEMO, P. Participação é conquista. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1993.
DEMO, P. Precariedades de práticas associativas. Cadernos de Estudos Sociai, Recife, v. 2, n. 2,
jul./dez. 1986.
DEUS, C.C.R.D. Evolução das bibliotecas universitárias e suas relações com as políticas
educacionais no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO, 24., 2011, Maceió. Anais..., Maceió, Alagoas, 2011.

�302

DOWBOR, L. A gestão social em busca de paradigma. In: RICO, E.M.; RAICHELIS, R. (Org.).
Gestão social: uma questão em debate. São Paulo: Educ/IEE/PUCSP, 1999.
DOWBOR, L. Educação e desenvolvimento local. São Paulo: Cortez, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.linagalvani.org.br/pdfs/Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%
20Desenvolvimento%20Local%20-%20Ladislaw%20Dowbor.pdf&gt;. Acesso em: 08 ago. 2013.
DUDIZIAK, E.A. Information literacy: principles, philosophy and practice. Ciência da
Informação, v. 32, n.1, p. 23-35, 2003.
DUDZIAK, E.A.A. O bibliotecário como agente de transformação em sociedade complexa:
integração entre ciência, tecnologia, desenvolvimento e inclusão social. Ponto de Acesso, Salvador,
v. 1, n. 1, p. 88-98, jun. 2007.
FERREIRA, M.M.; EVANGELISTA, R.; PEREIRA, J.S. O profissional bibliotecário no Maranhão
e sua relação com os órgãos de classe. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., Maceió, ago. 2011, Anais..., Maceió,
2011.
FISCHER, T. Poderes locais, desenvolvimento e gestão: introdução a uma agenda. (Org.). Gestão
do desenvolvimento e poderes locais: marcos teóricos e avaliação. Salvador: Casa da Qualidade,
2002. p. 12-32.
FONSECA, E.N. Introdução à biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2007.
FONSECA, E.N. Ser ou não ser bibliotecário e outros manifestos contra a rotina. Brasília:
ABDF, 1988.
GANANÇA, A.C. Associativismo no Brasil: características e limites para a construção de uma
nova institucionalidade democrática participativa. 134 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade de
Brasília, Brasília, 2006. Disponível em: &lt;http://repositorio.unb.br/handle/10482/6650&gt;. Acesso em:
13 ago. 2013.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2002.
KIRK, J.; TODD, R. Information literacy: challenging roles for information professionals. In:
NATIONAL INFORMATION LITERACY CONFERENCE: THE AUSTRALIAN AGENDA,
1992, Adelaide. Proceedings..., Adelaide: US AL, 1995. p. 126-135.
LIMA, C.C.; LIMA, K. A autoimagem do bibliotecário versus a visão social: uma análise da
valorização profissional. 2009. 83 f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Instituto de
Ciências Humanas, Comunicação e Artes, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2009.
MAIA, M. Gestão social: reconhecendo e construindo referenciais. Revista Virtual Textos &amp;
Contextos, n. 4, ano IV, dez. 2005.
MARTINS, S.R.O. Desenvolvimento local: questões conceituais e metodológicas. Interações:
Revista Internacional de Desenvolvimento Local, v. 5, p. 51-59, set. 2002.
MARTINS, L.R. O trabalho: categoria central na vida humana1. Disponível em:
&lt;http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:2v4dpPj-uU8J:scholar.
google.com/&amp;hl=pt-BR&amp;as_sdt=0,5&gt;. Acesso em: 30 jul. 2013.

�303

PEREIRA, J.S.; EVANGELISTA, R.L. Formação política do bibliotecário maranhense. In:
ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO,
GESTÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 33., João Pessoa, 2010. Anais..., João Pessoa, 2010.
RAICHELIS, R. Gestão social: uma questão em debate. São Paulo: PUC, 1999.
RASCHE, F. Ética em bibliotecas públicas: representações de ética de profissionais da
informação bibliotecários. 2005. 280f. Tese (Doutorado em Ciência da informação) - Programa de
Pós-Graduação em Ciência da informação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
2005.
SANTOS, E.H. A interdisciplinaridade como eixo articulado do ensino médio e do ensino técnico
de nível médio integrado. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica.
Ensino médio integrado à Educação Profissional: integrar para que? Brasília, DF, 2007. p. 139153.
SINGER, P. Alternativas da gestão diante da crise do trabalho. In: RICO, E.M.; RAICHELIS, R.
(Org.). Gestão social: uma questão em debate. São Paulo: Educ/IEE/PUCSP, 1999. p. 55-66.
SOUZA, F.C. Biblioteconomia, educação e sociedade. Florianópolis: UFC, 1993.
SOUZA, F.C. Ética e deontologia: textos para profissionais atuantes em bibliotecas. Florianópolis:
UFSC, 2002.
SOUZA, F.C. O nome profissional “bibliotecário” no Brasil: o efeito das mudanças sociais e
econômicas dos últimos anos do século. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Florianópolis, n. 18, p. 90-106, 2004.
SPUDEIT, D.F.A.O. et al. O processo de socialização na construção da identidade dos
bibliotecários em Santa Catarina. 2010. 131f. Dissertação (Mestrado) - Centro de Ciências da
Educação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2010.
SPUDEIT, D.F.A.O.; FÜHR, F. Sindicatos de bibliotecários: história e atuação. Transinformação,
Campinas, v. 23, n. 3, p. 235-249, set./dez. 2011.
TENÓRIO, F.G. (Coord.). Gestão social: metodologia e casos. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação
Getúlio Vargas, 2002.
VASCONCELOS, M.L.C.R. Movimento associativo ascenção ou desintegração. Caderno
Brasileiro de Biblioteconomia, v. 1, n. 1, p. 3-5, set. 1980.
WALTER, M.T.M.T. Identidades, valores e mudanças: o poder da identidade profissional. Em
Questão, Porto Alegre, v. 10, n. 2, 2008.
WALTER, M.T.M.T. Bibliotecários do Brasil: representações da profissão. 2008. Tese
(Doutorado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade de
Brasília, Brasília, 2008.

�304

À GUISA DE CONCLUSÕES
BIBLIOTECONOMIA SOCIAL: O FUTURO EM PERSPECTIVA

Jorge Santa Anna

1 MAS AFINAL, O QUE É BIBLIOTECONOMIA SOCIAL?

A Biblioteconomia é uma área de conhecimento, porque tem suas origens em tempos
remotos da sociedade e foi se desenvolvendo, ao longo dos períodos históricos, deixando de ser um
fazer técnico para se aperfeiçoar, a partir de métodos cientificamente construídos. Trata-se, como
dizia Shera (1977), de uma construção coletiva, pautada em ações concretas existentes no dia a dia
das instituições e dos profissionais, sem perder, contudo, o aspecto humano, social e
epistemológico, com base em princípios e argumentos teóricos que possibilitam a sua evolução.
Essa área de conhecimento tem um potencial extraordinário para a sociedade, como também
permeia todas as demais áreas do saber humano, uma vez que possibilita a “limpeza”, separando, ou
melhor, organizando o conhecimento produzido e tornando-o passível de ser recuperado. Como
dizia Andrade (1976), é ela que alimpa as escolhas dos estudiosos de toda suja confusão, o que
permite o desenvolvimento das demais áreas científicas, das profissões e da sociedade, em geral.
Com base nesses argumentos, a priori, é possível constatar a dependência da sociedade e do
mundo à Biblioteconomia. Ela sempre esteve presente e acompanha o desenvolvimento
tecnológico, mesmo que se reinventando, tornando-se mais fortalecida, “de cara nova”, sobretudo a
partir da incorporação dos recursos digitais nas práticas de organização, representação e
disseminação do conhecimento.
Trazemos à discussão, nosso ilustre professor Edson Nery da Fonseca (2007), ao proferir
que o significado da palavra, talvez, possa trazer uma concepção pejorativa e que, certamente, não
consegue representar a amplitude das funções e do louvor atribuído à Biblioteconomia, aos
bibliotecários e às bibliotecas. De qualquer forma, o referido teórico salienta que enquanto
existirem

sociedades

humanas,

haverá

bibliotecas,

e

é

de

fundamental

importância

considerar/valorizar o papel da leitura, do leitor e do profissional que proporciona o acesso à
informação.
É certo que o papel inestimável da biblioteca sempre existiu, mas, ao contrário do que
muitos, erroneamente, pensam, é a partir das últimas décadas, em face do crescimento dos

�305

movimentos sociais e dos princípios básicos que regem as sociedades democráticas que as
bibliotecas acabaram se fortalecendo. A tecnologia não inibe a atuação bibliotecária e o poder das
bibliotecas, nem, tampouco de outras instituições de informação e educação. É como salienta Lévy
(1999), é um novo tempo, em que as pessoas interagem de outra forma, por meio dos recursos
digitais, consolidando uma cultura interativa, uma sociedade integrada.
E, é nesse novo tempo, que o poder hegemônico e opressor que, durante séculos, conduziu a
sociedade, torna-se cada vez mais vulnerável, estimulando o desejo de uma sociedade libertadora,
em que os direitos humanos e democráticos ganham destaque, logo, a educação (FREIRE, 1996),
em conjunto com a informação (McGARRY, 1999), tornam-se os recursos mais almejados,
necessários para inibir as desigualdades e garantir o estabelecimento de sistemas sociais menos
opressores e mais pacíficos e libertadores.
A valorização atribuída à informação e à educação, como discorrido pelos teóricos citados,
estimula o desenvolvimento de uma nova sociedade, portanto, de uma nova Biblioteconomia, em
que velhos paradigmas passam a caminhar em paralelo com outros paradigmas. Observa-se a
transformação de uma biblioteca que tem como atividade básica a custódia, para uma unidade de
informação que prioriza o acesso e, mais recentemente, o uso para fins de desenvolvimento humano
e social.
Nessa discussão, é bem-vindo o discurso de Capurro (2003), acerca dos paradigmas que
sustentam a Ciência da Informação, e as proximidades dessa ciência com a Biblioteconomia
permitem garantir, ainda mais, o fortalecimento dessa última, como uma técnica, uma disciplina,
uma ciência, uma área de conhecimento essencial para a sociedade do futuro.
Capurro (2003) considera como principais paradigmas, o físico, o cognitivo e o social. O
primeiro diz respeito aos registros gráficos em que a informação se utiliza para ganhar forma, se
materializar. Nesse aspecto, associemos tal paradigma à formação dos acervos, atividade tradicional
das bibliotecas; o paradigma cognitivo é aquele em que a informação se dinamiza em fluxos e pode
ser recuperada por diferentes usuários, considerando as necessidades de cada um. Assim, os fazeres
bibliotecários que viabilizam o atendimento ao usuário, as estratégias de disseminação e
recuperação da informação podem ser um exemplo da ocorrência desse paradigma; por fim, o
paradigma social é aquele que se relaciona ao uso; ele vai além da materialidade da informação, na
forma documental, e alcança instâncias mais elevadas, em que os usuários agregam valor à
informação, à medida que fazem uso dela em seus contextos de vida. O paradigma social, portanto,
pode ser assimilado às tentativas das bibliotecas em elevar os serviços para além das instituições, de
modo a preocupar-se, não apenas, com a custódia e o acesso, mas o uso da informação, tendo uma
aplicabilidade prática e útil na vida dos indivíduos.

�306

No âmago da Biblioteconomia contemporânea, acreditamos que os paradigmas da Ciência
da Informação são incorporados à Biblioteconomia, não sendo eles excludentes, mas caminham
juntos, formando um conjunto que acaba por caracterizar uma área cada vez mais fortalecida e
diversificada. A Biblioteconomia não é a ciência da custódia, do acesso e nem, tão somente, do uso,
mas, podemos dizer, que, nos tempos atuais, ela contempla esses três aspectos, sendo, portanto, uma
ciência mista, uma ciência híbrida, e, por assim dizer, os profissionais e as unidades de informação
recebem essa mesma pluralidade de funções, sustentados por um paradigma híbrido.
É a partir do desenvolvimento das sociedades democráticas, em favor do exercício da
cidadania, resultado alcançado, sobremaneira, a partir das revoluções do século XIX e XX, tais
como Industrial, Francesa e Tecnológica (BELL, 1974) que assistimos, hoje, uma sociedade em que
somente sobrevive quem se adapta. Com efeito, para essa adaptação, é preciso conjugar o misto de
paradigmas, de modo a atender as diferentes necessidades e anseios da sociedade. No caso da
Biblioteconomia, uma ciência híbrida, que utiliza dos fundamentos teóricos da Ciência da
Informação e da Epistemologia Social (SHERA, 1977), entendemos que seja necessário comungar
dos aspectos físicos, cognitivos e sociais (figura 1).
Figura 1 - Conjugação dos paradigmas físico, cognitivo e social para uma ciência híbrida
FÍSICO:

COGNITIVO:

Acervos

Serviços

informacionais

informacionais

SOCIAL:
Questões e práticas
sociais

BIBLIOTECONOMIA CONTEMPORÂNEA:
bibliotecas e bibliotecários na sociedade
Fonte: Elaborado pelo autor (2018).

A Biblioteconomia na atual sociedade se apresenta como uma ciência e profissão mista,
plural ou híbrida, em que são conjugados os três principais paradigmas discorridos no âmbito dos
estudos da Ciência da Informação, como defendido na tese de Capurro (2003). Embora essa seja a
realidade, não há como negar as fortes tendências do ambiente tecnológico e a preocupação
premente dos Estados Democráticos com as causas sociais. Por isso, reforçamos os argumentos
propostos por Shera (1977), acerca do fortalecimento de uma área que tem seu espaço de ocupação,
tão somente, para o benefício da sociedade. Logo, nota-se a prevalência de um dos principais
campos inerentes à Biblioteconomia, a Biblioteconomia Social.

�307

A Biblioteconomia Social é a disciplina que se ocupa com as questões que não se limitam ao
ambiente da biblioteca. Podemos dizer que esse campo aproxima, cada vez mais a biblioteca da
sociedade, de modo que os serviços criados, tradicionalmente, para serem oferecidos em uma
unidade, passam a ser oferecidos em outras instâncias e contextos muito além dos muros das
instituições, como ensinado por Almeida Júnior (1997).
A Biblioteconomia Social tem como objetivo as causas, os problemas, as necessidades, as
tendências da sociedade. Ela se manifesta em contextos desinstitucionalizados, ou seja, não se
prende a um único espaço formal institucionalizado, mas torna-se autônoma, capaz de aproveitar
outras possibilidades a serem oferecidas fora do ambiente institucional (LANCASTER, 1983).
As questões e práticas sociais passam a ser o foco dos produtos e serviços bibliotecários.
Eles convergem os espaços sociais em suas múltiplas facetas, por meio de uma biblioteca pública,
democrática e de qualidade, que preza pela cidadania, pelos direitos humanos, pela igualdade social,
pelo respeito às diferenças, que adentra-se à cultura da nação e que conduz os projetos, políticas e
demais ações no âmbito político (ALMEIDA JÚNIOR, 1997).
Colocar-se a serviço das causas sociais tem sido uma das principais preocupações dos
Estados Democráticos. A agenda governamental, seja em âmbito de Brasil ou internacionalmente,
cada vez mais, tem como base a garantia de direitos e deveres, uma luta conjunta das nações em
prol da erradicação da pobreza e fortalecimento da igualdade. Essa tendência vem se aproximando,
também, da Biblioteconomia, sobretudo dos órgãos de classe. A Agenda 2030 da Organização das
Nações Unidas, em conjunto com outras ações que prezam pelo desenvolvimento sustentável das
nações, é a comprovação desse empreendimento por parte da classe bibliotecária.
Portanto, embora tenhamos como base os três paradigmas da Ciência da Informação
(CAPURRO, 2003), cabe afirmar que um desses se sobressai, ou seja, temos um paradigma
emergente (SANTOS, 2000), que é o paradigma social. Por conseguinte, a Biblioteconomia Social é
um campo emergente no decorrer das próximas décadas do século XXI. Além disso, há de se
considerar que o paradigma social é mais abrangente, logo, os demais paradigmas inserem-se ao
paradigma social, visto que os acervos e os serviços informacionais, conforme as necessidades dos
usuários, são elementos do ambiente social.
Em síntese, a Biblioteconomia Social é a disciplina que adentra-se às causas sociais,
considerando como causas sociais todos os elementos do ambiente social e todas as ocorrências da
sociedade. Dentre essas causas, destacam-se, principalmente, os serviços oferecidos que garantam a
consolidação dos princípios democráticos e dos direitos humanos, em busca de uma sociedade mais
justa e igualitária. Portanto, nesse aspecto, a Biblioteconomia Social perpassa diferentes contextos,
em que presenciam-se casos de desigualdades e/ou vulnerabilidades, injustiças, explorações,

�308

conflitos, situações de preconceitos, desrespeitos, ambientes propícios a sentimentos de angústias,
aflição, dentre outras muitas situações em que, por meio do acesso à informação, de alguma forma,
os problemas existentes nesses contextos possam ser solucionados ou minimizados.
Os bibliotecários que comungam da Biblioteconomia Social são aqueles que investem cada
vez mais nas causas sociais, seja por meio da elaboração de projetos que levem informação, cultura,
entretimento e educação a todos os cidadãos, sem qualquer tipo de limitação temporal ou espacial,
como também, sem qualquer tipo de discriminação, respeitando as peculiaridades de cada ser
humano. E essas atividades passam a ser oferecidas em ambientes que extravasam as paredes das
bibliotecas. Ou seja, a Biblioteconomia Social tem uma forte tendência de ir além, de ir ao encontro
dos usuários, de se fazer presente nos espaços sociais, ampliando os horizontes da unidade de
informação.

2 O QUE SE ESPERA DA BIBLIOTECONOMIA NO SÉCULO XXI?

A Biblioteconomia Social é a grande aposta para o século XXI, visto que contempla ou
abarca os demais paradigmas existentes nas unidades de informação da contemporaneidade. Formar
acervos, gerenciar serviços de acesso e garantir o uso desses serviços para fins de disseminação da
informação é a função central (ou deveria ser) de qualquer biblioteca. Portanto, a biblioteca é feita
pela e para a sociedade, devendo se tornar um ambiente cada vez mais democrático, dinâmico,
híbrido e inovador.
Está comprovada a contribuição da informação e da educação para o desenvolvimento da
sociedade. Também estão cada vez mais percebíveis, os esforços das nações em prol da construção
de sociedades mais democráticas e igualitárias, com base na cidadania. Diante dessa necessidade
social, ou melhor, dessa tendência da sociedade contemporânea, presumimos que a Biblioteconomia
Social tende a se fortalecer a cada dia.
Para que esse fortalecimento ocorra, é preciso a união de esforços de todos os envolvidos
com a área, seja os profissionais inseridos em qualquer modalidade de biblioteca, ou atuante em
qualquer tipo de serviço de informação; seja de docentes e pesquisadores; seja de estudantes ou
órgãos de classe, dentre outros agentes. A questão não é achar culpados para os problemas que
permeiam o fortalecimento da área, mas sim, cada um assumir o seu compromisso, em contribuir
para garantir o reconhecimento e valorização por parte da sociedade. Acreditamos que é por meio
do reconhecimento, que o fortalecimento se consolidará.

�309

Além do compromisso em expandir os serviços biblioteconômicos, em mostrar o potencial
da Biblioteconomia, compromisso esse dos envolvidos com a área, é preciso, por outro lado,
despertar a valorização por parte da sociedade, sobretudo dos gestores públicos, haja vista conceder
políticas públicas que garantam o desenvolvimento das bibliotecas e dos serviços informacionais.
Assim, conforme a figura 2, por meio do engajamento por parte dos envolvidos com a área e do
reconhecimento/valorização por parte da sociedade, a Biblioteconomia Social tende a ser
fortalecida.
Figura 2 - Fortalecimento da Biblioteconomia Social: engajamento + valorização

ENGAJAMENTO PROFISSIONAL
Agentes envolvidos com a área

FORTALECIMENTO

BIBLIOTECONOMIA SOCIAL
VALORIZAÇÃO/RECONHECIMENTO
Agentes sociais (empregadores,
gestores públicos etc.)

Melhorias à sociedade

Fonte: Elaborado pelo autor (2018).

Conforme esquematizado na figura 2, é possível presumir um futuro esperançoso para a
Biblioteconomia Social. O futuro que se espera, e que, certamente, toda a sociedade quer e precisa,
é um futuro em que a informação - oferecida por meio dos serviços bibliotecários - tenha cada vez
mais utilidade prática na sociedade, e que esses serviços sejam realizados, principalmente, em
contextos onde as pessoas mais precisam.
Para que isso ocorra é preciso atender duas exigências: 1 - que os bibliotecários continuem
extravasando os muros das bibliotecas ao elaborarem serviços que vão além das instituições e que
lutem para demonstrar as potencialidades da área; 2 – que a sociedade, representada por
empregadores e gestores públicos - possa reconhecer o potencial desses serviços e criem/gerenciem
políticas que envolvam os profissionais e que utilizem dos serviços bibliotecários para
desenvolvimento das organizações e, por conseguinte, para o desenvolvimento da própria
sociedade.
No que se refere ao reconhecimento do potencial da Biblioteconomia Social para o futuro, é
esperada a participação cada vez mais intensa do poder privado e, especificamente, do poder
público. Assim, é preciso a oferta de recursos, infraestrutura e condições de trabalho adequadas para
os profissionais. É preciso diversificar os ambientes de atuação, permitindo que os profissionais
sejam inseridos nas diferentes secretarias e órgãos, atuando além das unidades. É preciso envolvê-

�310

los em equipes multiprofissionais, haja vista contribuírem com sugestões inovadoras, garantindo
melhoria contínua ao que é oferecido à população. Enfim, é preciso conhecer melhor e dar o devido
reconhecimento e oportunidade, para que o desejo de uma sociedade mais justa e igualitária possa
ser alcançado.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Biblioteconomia e Sociedade. São Paulo: Polis,
1997.
ANDRADE, Mario. Os filhos da Candinha. São Paulo: Martins, 1976.
BELL, Daniel. O Advento da Sociedade Pós-Industrial. São Paulo: Cultrix, 1974.
CAPURRO, Rafael. Epistemologia e ciência da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - ENANCIB, 5., 2003. Belo Horizonte. Anais...
Belo Horizonte: UFMG, 2003.
FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos,
2007.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz
e Terra, 1996.
LANCASTER, Frederic. A biblioteconomia futura: preparando para uma carreira nãoconvencional. Wilson Library Bulletin, p. 747-753, maio 1983.
LÉVY, Pierre. Cibercultrua. São Paulo: Editora 34, 1999.
MCGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória. Brasília:
Briquet de Lemos, 1999.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: Contra o desperdício da
experiência. São Paulo: Cortez, 2000.
SHERA, Jesse. Epistemologia social, semântica geral e Biblioteconomia. Ciência da Informação,
Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977.

�311

EQUIPE
ELABORADORA

DADOS
BIOGRÁFICOS

�312

DADOS BIOGRÁFICOS

Adriana Bogliolo Sirihal Duarte: Professora Associada do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal de Minas Gerais.
E-mail: &lt;bogliolo@eci.ufmg.br&gt;.

Álamo
Chaves
de
Oliveira
Pinheiro:
Bibliotecáriodocumentalista da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Especialista em Gestão de Pessoas pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Bacharel em
Biblioteconomia pela UFMG. Cursou disciplinas do Mestrado em
Ciência da Informação e do Mestrado em Gestão e Organização
do Conhecimento da UFMG. Foi Diretor de Informações
Estratégicas da empresa Praxis Softwares Gerenciais. Foi Vicepresidente e Tesoureiro do Conselho Regional de Biblioteconomia
6º Região (CRB-6).
E-mail: &lt;o.arietino@yahoo.com.br&gt;.

Alessandra Soraya Gino Lima: Graduada em Biblioteconomia
pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pós–
Graduação em Biblioteconomia e gestão. Atualmente, é diretora
da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, onde atua no
gerenciamento da organização de acervos bibliográficos,
promoção de atividades culturais de incentivo ao livro e à leitura,
na disseminação da informação e na preservação do patrimônio
bibliográfico relativo a Minas Gerais.
E-mail: &lt;alessandragino@yahoo.com.br&gt;.

Ana Carolina Silva da Cunha: Bibliotecária. Graduada pela
Universidade Federal do Espírito Santo (2018).
E-mail: &lt;anacarolinacunha2003@yahoo.com.br&gt;.

�313

Ana Karisse Valença Silva Azevedo: Graduada pelo Curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas (2018). Foi
pesquisadora do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação
Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (PIBIC/CNPq) no Projeto "As relações étnico-raciais na
organização do conhecimento: uma análise no sistema de
Classificação Decimal de Dewey” e monitora da disciplina de
"Representação Temática 1" do Curso de Biblioteconomia.
E-mail: &lt;karisseazevedo@gmail.com&gt;.

Andrea de Paula Brandão Martins: Mestrado Profissional pelo
Centro Universitário UNA BH em Gestão Social Educação e
Desenvolvimento
Local
(2013).
Especialização
em
Gestão
Estratégica da Informação pela Escola de Ciência da Informação
(ECI), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2005).
Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas
Gerais (1998). Bibliotecária documentalista lotada na Universidade
Federal de Minas Gerais – Sistema de Biblioteca Universitária da
Faculdade de Direito.
E-mail: &lt;dedehbrandao@hotmail.com&gt;.

Andreza Gonçalves Barbosa: Bacharela em Biblioteconomia pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre e Doutoranda
em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação ( PPGCI) da Escola de Ciência da Informação
(ECI), na UFMG .
E-mail: &lt;goncalvesandreza@hotmail.com&gt;.

Aurea Regina Guimarães Tomasi: Graduação em Ciências Sociais
pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Universidade
Federal de Minas Gerais (1979); Pós-Graduação em Ciências Sociais
Aplicadas à Educação - Faculdade de Educação da UFMG (1982);
Mestrado em Ciências da Educação - Université René Descartes ParisV Sorbonne (1994) e Doutorado em Ciências da Educação Université René Descartes Paris, V Sorbonne (2005).
E-mail: &lt;aureagt@gmail.com&gt;.

�314

Claudialyne da Silva Araújo: Doutoranda e Mestra em Ciência da
Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB).
Docente do curso de Arquivologia da Universidade Estadual da
Paraíba (UEPB). Graduada em Biblioteconomia pela Universidade
Federal da Paraíba.
E-mail: &lt;claudialynearaujo@gmail.com&gt;.

Claudia Barbosa dos Santos de Souza: Bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro (Unirio). Arquivista, graduada pela Universidade Federal
Fluminense (UFF). Pós-Graduação em MBA Gestão Empresarial e
Sistemas de Informação pela UFF. Atuou como estagiária de
Biblioteconomia: Sesc Departamento Nacional: 03/2017 a 11/2018;
Biblioteca da Alerj: Outubro/2016 a Fevereiro/2017; Biblioteca
jurídica da PGM-RJ: junho a setembro/2016; Biblioteca Central da
Unrio em 2016. Atuou como arquivista, Coordenadora de
Documentação em empresas privadas de médio e grande porte. –
Período:2008 a 2016.
E-mail: &lt;claudia.bs.souza@gmail.com&gt;.

Daniela Spudeit: Professora no curso de Graduação em
Biblioteconomia e no Programa de Pós-Graduação de Gestão da
Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).
É doutoranda e possui Mestrado em Ciência da Informação pela
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especialista em
Gestão de Unidades de Informação e em Didática do Ensino
Superior. Possui bacharelado em Biblioteconomia e licenciatura em
Pedagogia.
E-mail: &lt;danielaspudeit@gmail.com&gt;.

Edcleyton Bruno Fernandes da Silva: Doutorando pelo Programa
de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento da
Universidade Federal de Minas Gerais (PPGGOC-UFMG). Mestre em
Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência
da Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB).
Graduado em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba.
Membro do Grupo de Pesquisa Informação, Aprendizagem e
Conhecimento (GIACO) do Conselho Nacional de Pesquisa e
Desenvolvimento (CNPq).
E-mail: &lt;biblioebfs@yahoo.com.br&gt;.

�315
Elaine
Meneguci
Gregório:
Bibliotecária,
graduada
pela
Universidade Federal do Espírito Santo (2013). Atuou como estagiária
em unidades de informação e documentação como: recursos humanos
e arquivo do Instituto Federal do Espírito Santo; Biblioteca
universitária - período junho de 2012 a agosto de 2015. Atua em
empresa de Comunicação na área de arquivo e catalogação e
descrição de imagens. Trabalha em consultoria de arquivo jurídico.
E-mail: &lt;ellaine.grego@gmail.com&gt;.

Eni Maria de Souza Pinto Zanetti: Graduada em Biblioteconomia
e Administração. Mestre em Engenharia de Produção. Atuante no
ramo educacional. Compõe o editorial da Revista Atalaia. Professora
e Coordenadora de Curso Técnico, Membro da CPA e Bibliotecária da
Faculdade Castelo Branco.
E-mail: &lt;e.zanetti@oi.com.br&gt;.

Edivanio Duarte de Souza: Doutor em Ciências da Informação
pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011). Mestre em
Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (2004).
Graduado em Direito pela Faculdade Estácio de Alagoas (2014) e
em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (1999).
Professor do Curso de Biblioteconomia e do Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de
Alagoas, atuando na linha de pesquisa “Produção, Mediação e
Gestão da Informação".
E-mail: &lt;edivanioduarte@gmail.com&gt;.

Flávia Ferreira Abreu: Possui Graduação em Biblioteconomia pela
Universidade Federal de Minas Gerais (2010). Atualmente, é
mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação/UFMG. Tem experiência na área de Ciência da
Informação, com ênfase em Gestão da Informação, atuando
principalmente nos seguintes temas: leituras compartilhadas,
biblioteca itinerantes, mediação de leituras e em gestão de sistema
da informação.
E-mail: &lt;flaviaabreu2911@gmail.com&gt;.

�316
Gildete Santos Veloso: Graduada em Biblioteconomia pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É servidora da
Secretaria de Estado da Cultura (SEC), desde 1996, onde já
exerceu as funções de coordenadora do Setor Braille e
coordenadora do Serviço de Caixa Estante. Desde agosto de 2011,
ocupa o cargo de Diretora de Extensão e Ação Regionalizada
(DEAR) na Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento
Literário (SUBSL).
E-mail: &lt;dear.sub@cultura.mg.gov.br&gt;.

Gleice Pereira: Doutora em Ciências da Informação pela
Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Tecnologia
Educacional pela Universidad de Salamanca (1993). Especialista em
Documentação e Informação pela Universidade Federal do Espírito
Santo (1990) e bacharel em Biblioteconomia pela Universidade
Federal do Espírito Santo (1989). Atualmente, é professora
assistente do Departamento de Biblioteconomia da Universidade
Federal do Espírito Santo.
E-mail: &lt;gleicepereira@gmail.com&gt;.

Helba
Aparecida
Borges:
Bibliotecária,
graduada
pela
Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiências nas
áreas de Bibliotecas Públicas e Escolares, com participação em
projetos sociais.
E-mail: &lt;helba@yahoo.com.br&gt;.

E-mail: paularenatamariano@gmail.com

Igor de Souza Bento: Bibliotecário, graduado pela Universidade
Federal do Espírito Santo (2018).
E-mail: &lt;igorsouzabento@gmail.com&gt;.

�Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Atua no ramo
da prestação de serviços informacionais, ministrando aulas de
Metodologia
Científica,
Normalização
Bibliográfica
e
Estruturação/Revisão de textos acadêmico-científicos, além de
orientações e consultorias diversas na área da Ciência da
Informação e Pesquisa e Estudos Acadêmicos. É membro do
comitê editorial e assessor do Periódico Pró-Discente, do Programa
de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES).
E-mail: &lt;professorjorgeufes@gmail.com&gt;.

Karla Karinne Alcoforado Pinho Costa: Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Especialista em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Faculdade
Católica de Fortaleza/Acesso Educacional. Atualmente, atua como
Bibliotecária do Colégio Ari de Sá Cavalcante em Fortaleza.
E-mail: &lt;karlakarinne@aridesa.com.br&gt;.

Laiana Ferreira de Sousa: Graduada em Biblioteconomia pela
Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutoranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestra
em Ciência da Informação pela UFPB. Especialista em Educação à
Distância pela UFC. Especialista em Teorias da Comunicação e
Imagem pela UFC. Atualmente, atua como Supervisora Pedagógica
e de Monitoramento e Avaliação do Núcleo de Tecnologias e
Educação a Distância em Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Ceará (NUTEDS/FAMED/UFC). Professora
de Pós-Graduação nas áreas de Gestão Estratégica e Unidades de
Informação e Gestão em Bibliotecas Públicas e Escolares.
E-mail: &lt;laiana_ffsousa@hotmail.com&gt;.

Maria Aparecida de Mesquita Calmon: Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES). Pós-Graduação em Biblioteca Escolar. Graduanda em
Arquivologia pela UFES.
E-mail: &lt;macalmom@hotmail.com&gt;.

317

�318

Maria de Lourdes Franklin Maia: Bibliotecária, graduada pela
Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiências nas áreas
de Bibliotecas Públicas e Escolares, com participação em projetos
sociais.
E-mail: &lt;lourdesfranklim@gmail.com&gt;.

E-mail: paularenatamariano@gmail.com

Maria do Socorro Soares Rodrigues: Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Especialista em Gestão de Bibliotecas Públicas e Escolares pela
Universidade
Católica
de
Fortaleza/Acesso
Educacional.
Atualmente, é Bibliotecária da Universidade Estadual do Ceará –
Centro de Humanidades – Campus Fátima.
E-mail: &lt;msoares425@gmail.com&gt;.

Maria Elizabeth de Oliveira Costa: Bibliotecária do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Geria (UFMG). Possui
Mestrado em Tecnologia e Gestão em Educação a Distância pela
Universidade Federal Rural de Pernambuco. Doutoranda do
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento, na Escola de Ciência da Informação da UFMG.
Presidente da Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais.
Exerceu o cargo de diretora do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no
período 2006-2013. Atua principalmente em áreas temáticas que
abrangem as seguintes questões: Bibliotecas Universitárias Gestão de Pessoas, Gestão em Unidade de Informação, Biblioteca
Digital, Competência Informacional, Extensão Universitária e
Ensino a Distância.
E-mail: &lt;mabethcosta@gmail.com&gt;.

Paula Renata Mariano: Bacharel em Biblioteconomia pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em
Gestão Pública e em Gestão de Projetos Sociais. Atua há 14 anos
em biblioteca pública, elaborando e coordenando projetos
culturais, sociais e de inclusão, através do incentivo à leitura,
promovendo a democratização do acesso à informação.
E-mail: &lt;paularenatamariano@gmail.com&gt;.

E-mail: paularenatamariano@gmail.com

�319

Rafael Ribeiro Rocha: Aluno do 4º período do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Possui Graduação em Comunicação Social – Habilitação
em Jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá de Belo
Horizonte (2012). Trabalhou como estagiário na Biblioteca do
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais –
Campus I. Atualmente, exerce o cargo de estagiário na
Gerência-Geral de Documentação e Informação (GDI) da
Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
E-mail: &lt;ribrocc18@gmail.com&gt;.

Sara Suyane de Sousa Rodrigues: Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Graduanda em Letras Português pela UFC/Universidade Aberta
do Brasil (UAB). Especialista em Gestão de Bibliotecas Públicas
e Escolares pela Faculdade Católica de Fortaleza/Acesso
Educacional. Atualmente, atua como bibliotecária escolar no
Colégio Santo Inácio em Fortaleza.
E-mail: &lt;sarasuyane.00@gmail.com&gt;.

Suelen de Oliveira Campos: Arquivista/Bibliotecária.
Complementação Pedagógica em História. Especialista em
Gerenciamento de Projetos/ História e Tecnologia em
Informática na Educação.
E-mail: &lt;suelenoc@gmail.com&gt;.

Taciane Gomes Rodrigues: Bibliotecária, graduada pela
Universidade Federal de Minas Gerais. Pós-Graduação em
Gestão Estratégica da Informação. Atuou como estagiária em
unidades de Informação e documentação como: Arquivo do
Departamento De Pessoal/UFMG, 2009 a 2010; Biblioteca
Universitária UFMG – período outubro 2010 a março 2011;
Assembleia Legislativa de Minas Gerais no período de
fevereiro 2011 a dezembro de 2011. Trabalhou como
bibliotecária documentalista em Empresas como: Manabi S/A
e Construtora Andrade Gutierrez. Trabalha com Normalização
documentária.
E-mail: &lt;tacianegomees@gmail.com&gt;.

�320

Tatiana Soares Brandão: Graduada em Biblioteconomia e
Letras (UFMG). Especialista em Gestão de Projetos Sociais.
Atua na Biblioteca Pública da cidade de Lagoa Santa - MG,
onde cresceu e reside. Elabora e coordena projetos culturais,
sociais e de inclusão, através do incentivo à leitura,
fomentando a democratização do acesso à informação.
E-mail: &lt;tatianasb10@gmail.com&gt;.

E-mail: tatianasb10@gmail.com
Valéria Rodrigues de Oliveira Pozzatti: Mestre em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio
de Janeiro (UniRio, 2016). Graduada em Biblioteconomia
pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, 2001).
Especialização em Educação a Distância pela Universidade
Católica de Brasília (2006). Atualmente, é coordenadora da
biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Espírito Santo (IFES), Campus de Vila Velha.
E-mail: &lt;valeriapozzatti@gmail.com&gt;.

�321

Esta é uma obra editada pela:

ABMG

Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício
Rotary, Sala 608

Como referenciar esta coletânea no todo:
SANTA ANNA, Jorge; SILVA, Edcleyton Bruno Fernandes da; COSTA, Maria
Elizabeth de Oliveira da (Org.). Biblioteconomia Social: possíveis caminhos para
construção da cidadania. Belo Horizonte: ABMG, 2018. 320 p.

�322

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="41">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="50728">
                  <text>ABMG - Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="50729">
                  <text>A ABMG tem como principal missão congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas em Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins. Defender os interesses e apoiar as reivindicações dos associados. Representar os associados junto aos órgãos da classe nacionais e internacionais, aos órgãos públicos e privados e incentivar o aprimoramento da profissão e o desenvolvimento cultural  através de cursos, congressos, seminários, palestras e outros.meuip.co</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51204">
                <text>Biblioteconomia social: possíveis caminhos para construção da cidadania</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51205">
                <text>Jorge Santa Anna</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51206">
                <text>Edcleyton Bruno Fernandes da Silva</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51207">
                <text>Maria Elizabeth de Oliveira Costa</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51208">
                <text>ABMG</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51209">
                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51210">
                <text>ABMG Editora</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51211">
                <text>2018</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51213">
                <text>978-85-85259-01-3</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51214">
                <text>Texto</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51215">
                <text>Biblioteconomia Social</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51216">
                <text>Cidadania</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51217">
                <text>O livro está dividido em quatro partes e subdivido em vinte capítulos, abordando temas ligados à Biblioteconomia Social e à utilização da leitura, como meio transformador nos diferentes espaços físicos e contextos da sociedade, objetivando a democratização do acesso à informação como forma de conscientizar o cidadão, visando minimizar as desigualdades sociais</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="48">
            <name>Source</name>
            <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51218">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68107">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="26">
        <name>ABMG</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4608" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3678">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/43/4608/Caminhando_Tratado_de_Marraqueche_Manual_IFLA_CBDA3-FEBAB_2020.pdf</src>
        <authentication>2a5bc4d669767556f29a56f4cdbffd94</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="51295">
                    <text>Caminhando
Implementação do Tratado de Marraqueche para
pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras
dificuldades para ter acesso ao texto impresso
Um guia prático para bibliotecários
Com comentários a partir da proposta brasileira de Implementação do
Tratado de Marraqueche disponível para Consulta Pública no
período de maio a julho de 2020.

1

�CAMINHANDO
Implementação do Tratado de Marraqueche para
pessoas cegas, com deficiência visual ou com
outras dificuldades para ter acesso ao texto
impresso
Um guia prático para bibliotecários
Com comentários a partir da proposta brasileira de Implementação do Tratado de
Marraqueche disponível para Consulta Pública no período de maio a julho de
2020.

De autoria de
Jessica Coates
Christiane Felsmann
Teresa Hackett
Karen Keninger
Francisco Martinez Calvo
Victoria Owen
Anthea Taylor
Katya Pereyaslavska
Flora van den Berg
Editado por
Victoria Owen

Responsável por esta edição em português
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira

2

�Prefácio
O Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso a obras publicadas para pessoas cegas,
com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso
apresenta uma oportunidade sem precedentes de acesso a obras impressas para as pessoas
cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso.
As bibliotecas desempenham um papel fundamental na facilitação do acesso, e este guia
foi concebido para permitir que equipes de todo e qualquer tipo de bibliotecas tornem as
etapas práticas e finais para entregar materiais nas mãos de leitores com dificuldades para
ter acesso ao texto impresso.
Como ex-diretora dos serviços bibliotecários da Biblioteca Canadense CNIB para cegos e excoordenador do Programa Estratégico de Direitos Autorais e Outros Assuntos Legais da
Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Institutos (IFLA/CLM), estou
especialmente satisfeita em ver que o Tratado de Marraqueche permite um melhor acesso
às obras impressas e que, entre os beneficiários, estão inclusos leitores cegos e também
com baixa visão.
As informações neste guia estão organizadas como uma FAQ (Perguntas frequentes),
respondendo a perguntas e fornecendo links para mais informações. Pretende ser um
ponto de partida, um modelo, disponível para personalização do Tratado de Marraqueche
em cada país. Esperamos que, uma vez que o guia seja personalizado de acordo com as leis
de cada país, ele seja publicado no site da IFLA.
Este guia foi possível graças ao generoso financiamento da World Blind Union, da
Universidade de Toronto, da IFLA e da Associação Canadense de Bibliotecas de Pesquisa
(CARL). Sou imensamente grata aos financiadores, meus coautores e outros colaboradores
deste guia; juntos, estamos trabalhando para acabar com a escassez de livros1 a que
padecem as pessoas com dificuldades para acessar o texto impresso em todo o mundo.
Victoria Owen
Bibliotecário Chefe
Universidade de Toronto Scarborough
Toronto Canadá
Março 2018

1

“Existe uma escassez global de livros. É um grande problema. Sem livros, jornais e revistas, as pessoas são
isoladas da vida”. Do livro O Tratado de Marraqueche: ajudando a acabar com a escassez mundial de livros
[The Marrakesh Treaty – Helping to end the global book famine]. OMPI, 2016 [PDF]

3

�Sobre esta edição brasileira
No período de maio a julho de 2020, a Secretaria Especial da Cultura (SECULT) abriu consulta
pública2 para coleta de informações, sugestões e comentários da sociedade a respeito da
minuta de Decreto para a regulamentação do Tratado de Marraqueche.
O Tratado, que foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 9.522, de 8 de outubro de 2018,
visa facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com
outras dificuldades para acesso ao texto impresso.
Entendendo que a participação das bibliotecas brasileiras é crucial neste momento e
visando oferecer-lhes recursos qualificados e aprimorados para consulta e atualização no
tema, a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto (CBDA3) da Federação
Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) se
responsabilizou pela tradução deste Manual da IFLA e, também, por sua adaptação à
minuta em discussão na já referida consulta pública.
Deste modo, trata-se de uma obra de caráter provisório, que poderá ser útil
especificamente neste momento, mas que deverá ser atualizada tão logo o decreto seja
definitivamente aprovado no país.
Esperamos que nossos profissionais possam sanar suas dúvidas e se sintam motivados a
participar de maneira pró ativa e objetiva da Consulta Aberta em andamento.

Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Presidente da Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto – CBDA3
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientista da Informação e Instituições FEBAB
São Paulo, Brasil
Junho 2020

2

https://cultura.gov.br/secult-abre-consulta-publica-para-regulamentacao-do-tratado-de-marraqueche/

4

�Sumário
Prefácio ..................................................................................................................................... 02
Sobre esta edição brasileira ....................................................................................................... 03
Reconhecimentos ...................................................................................................................... 07
Introdução .................................................................................................................................. 08
Introdução da edição brasileira .................................................................................................. 09
Pontos importantes antes de começar ...................................................................................... 12
Siglas ........................................................................................................................................... 12
Tratado de Marraqueche: fundamentos ................................................................................. 14
1. O que é o Tratado de Marraqueche? .................................................................................... 14
2. Qual efeito possui o Tratado de Marraqueche? ................................................................... 14
3. Por que o Tratado de Marraqueche foi adotado? ................................................................ 14
4. As bibliotecas estavam envolvidas no desenvolvimento do Tratado de Marraqueche? ....... 14
5. Quais países aderiram ao Tratado de Marraqueche? ............................................................ 15
6. Quem se beneficia com este Tratado? .................................................................................. 16
Bibliotecas e o Tratado de Marraqueche ................................................................................. 16
7. Como o Tratado de Marraqueche apoia os serviços de biblioteca? ...................................... 16
8. Minha biblioteca é qualificada para prestar serviços sob o Tratado de Marraqueche?......... 16
9. Minha biblioteca é obrigada a prestar serviços sob o Tratado de Marraqueche? ................. 17
10. O que as bibliotecas podem fazer sob o Tratado de Marraqueche? ................................... 17
11. Que obras são cobertas pelo Tratado de Marraqueche? .................................................... 18
12. O que é um formato acessível? ........................................................................................... 18
13. Como as bibliotecas compartilham obras acessíveis? ......................................................... 18
14. Minha biblioteca precisa manter registros? ........................................................................ 19
15. Como sei que a pessoa que solicita o serviço pode se beneficiar do Tratado? .................. 20

Serviços de livros acessíveis ..................................................................................................... 20
16. Quais serviços de livros acessíveis já existem e minha biblioteca é qualificada a participar? 20
17. Como posso descobrir outras bibliotecas com coleções acessíveis? .................................. 21
18. Como as bibliotecas podem tornar seus formatos acessíveis possíveis de serem descobertos
para outras bibliotecas? ............................................................................................................ 22
19. Minha biblioteca pode cobrar pelo fornecimento de um serviço de livros acessível? ....... 23
20. As bibliotecas precisam pagar royalties?............................................................................. 23

5

�21. Como funciona o conceito de disponibilidade comercial do Tratado de Marraqueche?.... 23

Trabalhando com formatos acessíveis .................................................................................... 24
22. Há uma barreira digital (tipo DRM)

na obra não acessível. É possível removê-lo? ...... 24

23. A licença de recursos eletrônicos não permite que a biblioteca copie ou distribua uma obra.
O que eu posso fazer? ............................................................................................................... 24
Leituras adicionais ................................................................................................................... 25
Criando formatos acessíveis .................................................................................................... 25
24. Onde encontro informações sobre como criar documentos em formato acessível?......... 25

Outros Guias do Tratado de Marraqueche ............................................................................. 25
25. Existem outros guias para o Tratado de Marraqueche? .................................................... 25

Agradecimentos .............................................................................................................. 26

6

�Reconhecimentos
“Quando leio um livro, duas coisas são essenciais: escolher o livro certo e lê-lo bem. E é aqui que o
Tratado de Marraqueche me ajuda, a aumentar o número de livros aos quais tenho acesso e permitir
encontrá-los em todo o mundo e, em particular, no melhor lugar de todos os tempos, em uma
biblioteca. Com este guia, as bibliotecas contribuirão para que o sonho do Tratado de Marraqueche
se torne realidade para milhões de cegos, deficientes visuais ou com outras dificuldades para ter
acesso ao texto impresso.”
Bárbara Martín
Segundo Vice-Presidente, União Europeia de Cegos (EBU)
Gerente do Gabinete Técnico de Assuntos Europeus da ONCE

“O Tratado de Marraqueche é um acordo internacional de importância crucial para pessoas com
dificuldade de acesso ao texto impresso que, durante muito tempo, vêm lutando pelo acesso a livros
e conhecimento. Quando o Tratado estiver implementado, todos os profissionais envolvidos com as
bibliotecas poderão assegurar igualdade de oportunidades de leitura, aprendizagem e recreação
por meio da literatura. Este guia oferece conselhos práticos para bibliotecários públicos,
acadêmicos, escolares e especializados sobre como atingir esse objetivo em todo o mundo e em
seus próprios países”.
Kirsi Ylänne
Coordenadora da Seção IFLA de Bibliotecas que atendem pessoas
com dificuldade de acesso ao texto impresso.
Especialista em acessibilidade, Biblioteca Celia, Finlândia

“Por muito tempo, nós, pessoas com deficiência visual e com dificuldade de acesso ao texto
impresso em todo o mundo, tivemos acesso negado à leitura e à aprendizagem, que são
fundamentais para nossa participação plena e igualitária na educação, no emprego e em nossas
comunidades. O Tratado de Marraqueche traz consigo a promessa de remover as barreiras que
impedem nosso acesso aos livros em formatos que possamos ler, e também compartilhar o que está
disponível com nossos irmãos e irmãs com deficiência visual nos países em desenvolvimento, que
até agora não conseguiram acesso nem aos poucos livros disponíveis. De fato, acreditamos que o
Tratado de Marraqueche é o desenvolvimento mais significativo na vida de pessoas cegas e com
deficiência visual desde a invenção do Braille, quase 200 anos atrás”.

Penny Hartin
Diretor Executivo
União Mundial dos Cegos

7

�Introdução
Quando os Estados membros da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) adotaram
o Tratado de Marraqueche para pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso, em 2013,
eles se comprometeram a remover as barreiras legais ao acesso a livros e outros materiais de leitura
para pessoas cegas, com visão parcial ou com problemas de acesso ao texto impresso, como dislexia.
Eles abriram o caminho para lidar com uma das principais causas da escassez3 de livros - o fato de
que menos de 7% dos livros4 publicados são disponibilizados globalmente em formatos acessíveis,
como Braille, áudio e letras grandes e formatos digitais DAISY.
Em setembro de 2016, quando o Tratado de Marraqueche entrou em vigor, esse compromisso se
tornou realidade para os países que aderiram ao Tratado administrado pela OMPI. Criou a obrigação
de introduzir as alterações exigidas pelo Tratado no direito nacional.
Desde então, muitos países têm estado ocupados em alinhar suas leis de direitos autorais com o
Tratado de Marraqueche, seja porque são parte do Tratado ou porque pretendem aderir ao Tratado
em futuro próximo. As principais mudanças na lei devem garantir que uma cópia em formato
acessível possa ser feita e fornecida a uma pessoa com deficiência ou a uma instituição, como uma
biblioteca, dentro de um país ou por meio de empréstimo transfronteiriço.
As bibliotecas são centrais para o sucesso deste Tratado inovador, e os bibliotecários têm um papel
fundamental em sua implementação. Os benefícios econômicos e sociais serão enormes e
transformarão os serviços de informação para usuários com dificuldade de acesso ao texto
impresso.
Este é um guia prático para bibliotecários sobre como começar a usar o Tratado de Marraqueche e
como fazer uso pleno de seus novos direitos. Destina-se a bibliotecas de todos os tipos e tamanhos,
desde bibliotecas especializadas que já prestam serviços a pessoas com deficiência, até bibliotecas
que desejam iniciar esses serviços.
Destina-se, principalmente, aos países que aderiram ao Tratado de Marraqueche e onde a
implementação nacional está concluída ou em andamento, para que as bibliotecas estejam prontas
a oferecer serviços aprimorados aos clientes com dificuldade de acesso ao texto impresso. Quando
o maior número possível de bibliotecas usufruir do Tratado, elas estarão contribuindo para
finalmente acabar com a escassez do livro.
Teresa Hackett
Gerente de direitos autorais e bibliotecas
EIFL - Informação Eletrônica para Bibliotecas

3

“Existe uma escassez global de livros. É um grande problema. Sem livros, jornais e revistas, as pessoas são
isoladas da vida”. Do livro O Tratado de Marraqueche: ajudando a acabar com a escassez mundial de livros
[The Marrakesh Treaty – Helping to end the global book famine]. OMPI, 2016 [PDF]
4
Op. cit

8

�Introdução à versão brasileira
O Brasil foi um dos países, juntamente com Equador e Paraguai, a apresentar a proposta em 2004,
elaborada pela União Mundial de Cegos (WBU), no Comitê Permanente de Direitos de Autor e
Direitos Conexos da OMPI (Organização Mundial da Propriedade Industrial), tendo trabalhado
ativamente para a ampliação do número de ratificações junto a outros países para a plena
implementação do Tratado.
Em termos internacionais, o Tratado de Marraqueche assinado em 2013, entrou em vigor em 30 de
setembro de 2016, após a sua ratificação por vinte países. O Brasil foi um dos 20 países que o
ratificaram, tendo feito isto em dezembro de 2015, após passar por aprovação, em dois turnos, pelo
Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, incorporando-se com status de emenda
constitucional ao ordenamento jurídico brasileiro.
Mas somente em 08 de outubro de 2018, foi publicado o Decreto n° 9.522, promulgando o Tratado
de Marraqueche no país, considerado como um avanço significativo no debate dos Direitos Autorais,
em especial das limitações e exceções, na medida em que viabiliza o acesso de obras intelectuais
para um público que merece um tratamento sob condições especiais.
Seguindo as mesmas orientações do Tratado, o qual deixa em aberto algumas possibilidades para a
livre escolha dos países signatários, faz-se necessário a aprovação e publicação de novo Decreto
estabelecendo sua regulamentação e adaptando-o à realidade nacional.
Portanto, no período de maio a julho de 2020, está em Consulta Pública a minuta do Decreto que
tratará desta regulamentação, sendo a participação das bibliotecas brasileiras crucial (a chamada
inicial da Consulta encontra-se disponível em: http://cultura.gov.br/secult-abre-consulta-publicapara-regulamentacao-do-tratado-de-marraqueche/).
A proposta em análise foi consolidada por um Grupo de Trabalho composto por representantes da
sociedade civil (membros da FEBAB, instituições que prestam serviços a cegos, Organização Nacional
de Cegos do Brasil-ONCB), de representantes do governo e de representantes dos editores
universitários, Câmara Brasileira do Livro, Sindicato Nacional dos Editores de Livros e Editoras em
geral.
Este Manual visa esclarecer todas e quaisquer dúvidas do profissional bibliotecário para que se
efetive de maneira fluída sua participação. Mas antes de darmos continuidade a ele, é necessário
ter em mente de maneira clara – e que se considere também - os distintos marcos legais brasileiros
que sustentam os avanços já obtidos em termos da garantia do direito humano de acesso à
informação a pessoas com distintos tipos de deficiências.
•

Foi mencionado que o Tratado de Marraqueche é o segundo tratado de direitos humanos
aprovado no Brasil com status de emenda constitucional. O primeiro foi a Convenção

9

�Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência aprovada com o rito especial previsto na Emenda Constitucional n° 45, de 2004,
para os tratados de direitos humanos. Dentre seus artigos podem ser citados o Art. 9 que
trata da acessibilidade em geral, o Art. 24 que tem como foco o direito à educação em todos
os níveis e modalidades, o Art. 30 sobre direito à cultura, esportes e lazer, dentre outros.
•

Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva de 2008
(http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf
/
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=16690politica-nacional-de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacao-inclusiva05122014&amp;Itemid=30192 ?

•

Plano
Nacional
de
Cultura
–
Lei
12.343/2010
–
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12343.htm),
Vale
mencionar especificamente a Meta 29 – que visa garantir que as pessoas com deficiência
possam ter acesso aos espaços culturais, seus acervos e atividades
(http://pnc.cultura.gov.br/category/metas/29/ )

•

Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL – instituído por meio da Portaria Interministerial
Nº 1.442, de 10 de agosto de 2006, pelos ministros da Cultura e da Educação.
(http://antigo.cultura.gov.br/pnll) E, em 1º de setembro de 2011, o decreto Nº 7.559 define
quatro princípios básicos: (1) a democratização do acesso ao livro; (2) a formação de
mediadores para o incentivo à leitura; (3) a valorização institucional da leitura e o
incremento de seu valor simbólico; e (4) o desenvolvimento da economia do livro como
estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional. Neste
momento, já surge também a questão da deficiência e do formato acessível.
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7559.htm)

•

A partir de 2018, este Programa passa a sofrer uma série de modificações (Lei Nº 13.696,
de 12 de julho de 2018) e, em 23 de julho de 2019, é publicado o Decreto 9.930/2019
extinguindo o Conselho Consultivo do Plano Nacional do Livro e Leitura
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9930.htm) .

•

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – 13.146/2015 – destinada a assegurar
e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais por pessoas com deficiência. O Tratado de Marraqueche se sustenta na
Convenção que lhe dá origem, da qual podem ser citados o Art. 68: ‘O poder público deve
adotar mecanismos de incentivo à produção, à edição, à difusão, à distribuição e à
comercialização de livros em formatos acessíveis, inclusive em publicações da
administração pública ou financiadas com recursos públicos, com vistas a garantir à pessoa
com deficiência o direito de acesso à leitura, à informação e à comunicação’.
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm)

10

�•

Política Nacional de Leitura e Escrita – Lei 13.696/2018 – considera a estratégia permanente
de promoção do livro, da leitura, da escrita, da literatura e das bibliotecas de acesso público
no Brasil. Aqui também se aborda a questão de livros em múltiplos formatos acessíveis e a
garantia
do
acesso
para
pessoas
com
diferentes
deficiências.
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13696.htm)

Tendo em vista que o Tratado de Marraqueche já foi incorporado ao ordenamento jurídico interno
com status de emenda constitucional, fazem-se necessárias alterações na legislação que trata da
matéria de direitos autorais no Brasil, uma vez que a atual Lei de Direitos de Autor (LDA) (Lei n°
9.610/1998) ainda não foi reformada de modo a incorporar os dispositivos do Tratado. Assim, o que
a reforma da LDA deve buscar é harmonizar a legislação interna e garantir segurança jurídica para
quem vai atuar.
Neste contexto, é imprescindível uma intensa atuação em termos de advocacy do profissional da
informação e bibliotecário, frente à Consulta Pública em curso para a regulamentação do Tratado
de Marraqueche no Brasil, bem como a um futuro projeto de Lei para adequação da LDA.

11

�Pontos importantes antes de começar

5

●

Este guia se propõe a explicar os conceitos básicos que todos os países que aderem ao
Tratado de Marraqueche devem aplicar. Na maioria dos países, no entanto, a legislação
nacional exige uma emenda. Conforme esclarecido na introdução brasileira deste
manual, o Tratado de Marraqueche goza de status de emenda constitucional, porém a
segurança jurídica exige tanto a adequação da Lei de Direito de Autor brasileira,
estabelecendo limitações e exceções explícitas para o cumprimento do Tratado, quanto
a regulamentação infralegal de questões necessárias para a sua implementação.
Encontra-se para Consulta Pública o decreto de Regulamentação pelo período de maio
a julho de 2020.

●

Como os governos têm certa liberdade ao incorporarem o Tratado de Marraqueche às
leis nacionais, as implementações nacionais podem variar um pouco. (Para promover o
acesso contínuo globalmente, a IFLA se opõe à introdução de restrições desnecessárias.)

●

Por esse motivo, este guia deve ser considerado uma explicação dos direitos gerais que
devem estar disponíveis em todos os países em que o Tratado de Marraqueche foi
implementado. Especificamente no caso brasileiro, ele deverá ser observado e
estudado visando a participação do profissional bibliotecário neste momento de
consulta pública para a implementação do Tratado e consequente reformulação da
legislação de direitos de autor.

●

Para maiores informações sobre o estado da arte da implementação do Tratado de
Marraqueche no Brasil, contate a Secretaria Nacional de Direitos Autorais e Propriedade
Intelectual (SDAPI) da Secretaria Especial de Cultura (direito.autoral@cidadania.gov.br)
ou também a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto da FEBAB
(cbda3@febab.org.br)

●

Se sua biblioteca já estiver prestando serviços a pessoas com uma gama mais ampla de
deficiências (por exemplo, surdez) de acordo com a legislação nacional, a adesão ao
Tratado de Marraqueche não afeta esses serviços5.

●

Embora este guia se concentre no uso de bibliotecas, uma ampla gama de instituições,
bem como beneficiários individuais, se enquadra no escopo do Tratado de Marraqueche
e podem usar suas disposições.

●

Este é um guia com informações de âmbito internacional, mas principalmente um guia
nacional, exclusivamente para este período de Consulta Pública para implementação do
Tratado de Marraqueche no Brasil

●

Traduções do Guia da IFLA6 para outros idiomas são bem-vindas.

●

O guia geral da IFLA pode ser atualizado periodicamente. Especificamente esta versão
adaptada a este momento brasileiro de consulta pública, certamente, deverá ser

A IFLA se opõe a quaisquer novas restrições sobre outras deficiências.

6 https://www.ifla.org/copyright

12

�atualizada posteriormente a fim de pontuar especialmente os novos ditames previstos
quando da aprovação e publicação do Decreto.
●

ATENÇÃO - Especificamente nesta adaptação à Consulta Pública Brasileira, a expressão
"dificuldade de acesso ao texto impresso" é a tradução oficial de "Print
Disabled/Disabilities" adotada pela legislação brasileira. Mas deve ser entendida como
qualquer dificuldade de leitura que impeça uma pessoa de acessar um texto (seja qual
for o seu suporte, impresso ou digital) em condições análogas às pessoas que não
possuem qualquer deficiência ou dificuldade."

Siglas
Siglas utilizadas neste Guia:
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●

CBDA3 - Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto
DAISY - Sistema de Informação Digital Acessível
FEBAB - Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientistas da Informação e
Instituições
IFLA - Federação Internacional de Associações de Bibliotecas
LDA - Lei de Direitos de Autor
ONCB - Organização Nacional de Cegos do Brasil
ONU – Organização das Nações Unidas
OMPI – Organização Mundial da Propriedade Intelectual
PNLE – Programa Nacional de Leitura e Escrita
PNLL – Plano Nacional do Livro e da Leitura
SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros
UNCRPD - Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
WBU - União Mundial de Cegos

Aviso Legal
As informações neste documento não constituem aconselhamento jurídico. A IFLA e a Comissão
Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto da FEBAB não assumem nenhuma responsabilidade
pelas informações contidas neste documento e se eximem de toda responsabilidade em relação a essas
informações. Em caso de dúvidas, procure aconselhamento jurídico local.

13

�O Tratado de Marraqueche: fundamentos
1. O que é o Tratado de Marraqueche?
O Tratado de Marraqueche (http://www.wipo.int/wipolex/en/details.jsp?id=13169) (versão em
formato acessível http://www.wipo.int/wipolex/en/details.jsp?id= 14613) é um tratado adotado
em 2013 pelos Estados membros da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), uma
agência especializada das Nações Unidas. O título completo é “Tratado de Marraqueche para
Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras
Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso”7.
É o primeiro tratado de direitos autorais com princípios de direitos humanos em sua essência, com
referências específicas à Declaração Universal dos Direitos Humanos e à Convenção da ONU sobre
os Direitos das Pessoas com Deficiência (UNCRPD).

2. Que efeito tem o Tratado de Marraqueche?
Pela primeira vez, se cria uma estrutura jurídica internacional que permite a criação e distribuição
de cópias em formato acessível para pessoas com dificuldades para acessar o texto impresso, assim
como o compartilhamento de livros acessíveis promovendo o intercâmbio transfronteiriço. Segundo
o Tratado de Marraqueche, se beneficiam as pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso,
que incluem: as cegas, as que têm deficiência visual, ou de percepção, ou de leitura e as que não
conseguem focalizar os olhos ou segurar ou manipular um livro.

3 Por que o Tratado de Marraqueche foi adotado?
O Tratado de Marraqueche foi adotado para remover as barreiras de direitos autorais que impediam
o acesso a obras impressas para pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso. Apenas cerca
de 7% das obras publicadas são disponibilizadas globalmente em formatos acessíveis, e nos países
em desenvolvimento, onde 90% das pessoas cegas e com deficiência visual vivem, esse número é
inferior a 1%8. Esse problema é parcialmente devido aos obstáculos criados pelas distintas leis de
direitos autorais existentes. Obstáculos estes que o Tratado procura remover.

4. As bibliotecas estavam envolvidas no desenvolvimento do Tratado de
Marraqueche?

7

Importante verificar a última nota do item PONTOS IMPORTANTES ANTES DE COMEÇAR para esclarecer a
adoção da expressão “dificuldade de acesso ao texto impresso” utilizada na versão brasileira.
8 Do livro O Tratado de Marraqueche: ajudando a acabar com a escassez mundial de livros [The Marrakesh
Treaty – Helping to end the global book famine]. OMPI, 2016 [PDF]

14

�Sim9. O projeto de tratado foi proposto pela primeira vez aos Estados membros da OMPI pela
Organização Mundial dos Cegos (WBU). A IFLA e outros parceiros da biblioteca apoiaram fortemente
as negociações ao longo de mais de cinco anos na OMPI e participaram da Conferência Diplomática
em Marraqueche, que levou à adoção do Tratado. Governos individuais buscaram conselhos e
comentários de suas organizações nacionais de cegueira e visão subnormal e associações de
bibliotecas.
Agora, os bibliotecários estão trabalhando arduamente para garantir que os benefícios do Tratado
sejam maximizados e que as bibliotecas desempenhem seu papel pleno de ajudar a acabar com a
escassez10 de livros que sofrem as pessoas com dificuldade para acessar o texto impresso.

5. Quais países aderiram ao Tratado de Marraqueche?
Para obter uma lista atualizada dos países que aderiram ao Tratado de Marraqueche, consulte o
site da OMPI em http://www.wipo.int/treaties/en/ShowResults.jsp?lang=en&amp;treaty_id=843.
No caso do Brasil, todas as informações, datas e decretos referentes à adesão brasileira estão
descritas na introdução brasileira intitulada “Introdução à versão brasileira”.

6. Quem se beneficia do Tratado?
De acordo com o Tratado, qualquer pessoa com dificuldade para acessar texto impresso pode se
beneficiar do Tratado.
Esta incapacidade de acesso pode ser causada por uma deficiência visual, como cegueira ou baixa
visão; uma deficiência no desenvolvimento ou na aprendizagem, como dislexia e autismo; ou uma
deficiência física, como doença de Parkinson e paralisia.
Especificamente no caso brasileiro, a minuta do Decreto de Implementação que se encontra para
Consulta Pública até final de julho de 2020, (http://participa.br/sdapi/consulta-publica-no-012020minuta-do-decreto-de-regulamentacao-do-tratado-de-marraqueche) diz em seu Art. 2º.
“Consideram-se beneficiários para os efeitos deste Decreto as pessoas cegas, com deficiências
visuais, físicas ou com qualquer outra deficiência ou dificuldade que impeça ou prejudique a leitura,
a compreensão ou a manipulação de textos impressos de uma forma substancialmente equivalente
à de uma pessoa sem essas deficiências ou dificuldades”.

9

A Organização Mundial dos Cegos (WBU) redigiu a primeira versão do Tratado, que foi modificada durante
as negociações. Os Estados membros da OMPI Brasil, Equador e Paraguai propuseram o tratado na OMPI.
10
“Existe uma escassez global de livros. É um grande problema. Sem livros, jornais e revistas, as pessoas são
isoladas da vida”. Do livro O Tratado de Marraqueche: ajudando a acabar com a escassez mundial de livros
[The Marrakesh Treaty – Helping to end the global book famine]. OMPI, 2016 [PDF]

15

�Segundo a proposta internacional do Tratado, a deficiência não precisa ser permanente11. Indivíduos
que sofrem de cegueira temporária, por exemplo, podem se beneficiar enquanto a condição
persistir.
Pessoas com outras deficiências como surdez, não são cobertas pelo Tratado de Marraqueche,
embora possam ser cobertas pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Uma pessoa
que é surda-cega se qualifica de acordo com o Tratado.

Bibliotecas e o Tratado de Marraqueche
7. Como o Tratado de Marraqueche apoia os serviços de biblioteca?
Uma vez implementado na legislação nacional, o Tratado de Marraqueche transforma os serviços
de biblioteca para pessoas com incapacidade de acesso ao texto impresso:
A) Ao eliminar as barreiras legais para criar e compartilhar obras em formato acessível,
aumenta imediatamente a quantidade de material de leitura disponível para os usuários
com dificuldade de acesso ao texto impresso.
B) Economiza tempo, dinheiro e esforço, porque as bibliotecas podem reunir seus recursos em
um país, em uma região ou mais longe. As bibliotecas podem coordenar a produção de
obras, o que resultará em menos duplicação de esforços, evitando que um mesmo livro seja
convertido várias vezes no mesmo idioma em diferentes países.

8. Minha biblioteca é qualificada para prestar serviços sob o Tratado de
Marraqueche?
A proposta do Tratado prevê que qualquer biblioteca ou outra organização que forneça serviços
sem fins lucrativos tem o direito de fazer uso do Tratado ao atender clientes com dificuldade de
acesso ao texto impresso. No Tratado de Marraqueche, eles são referidos como entidades
autorizadas.
Além disso, uma entidade com fins lucrativos reconhecida pelo governo como prestadora de
serviços para pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso sem fins lucrativos também pode
ser qualificada como entidade autorizada12.
Na consulta pública para o Decreto de Implementação do Tratado no Brasil, o Art. 6 diz que
Entidades autorizadas são organizações públicas ou privadas sem finalidade lucrativa, reconhecidas
para, sob o amparo das limitações previstas no Tratado, produzir exemplares de obras em formatos

11

WBU Guide, p. 32.
The WBU Guide to the Marrakesh Treaty: Facilitating Access to Books for Print-Disabled Individuals,
p. 29. WBU Guide available at http://www.worldblindunion.org/English/our-work/our-priorities/Pages/WBUGuide-to-the-Marrakesh-Treaty.aspx.
12

16

�acessíveis e disponibilizá-las aos beneficiários, bem como obter ou ter acesso a obras em formatos
acessíveis por meio de outras entidades autorizadas, sem a necessidade de autorização ou
remuneração ao autor ou titular da obra.
E no parágrafo 2, existe a menção explícita: “As entidades autorizadas atuam em benefício da sociedade e desempenham, como
obrigações institucionais ou dentre suas atividades, ações na área da educação, formação
pedagógica, leitura adaptada ou acesso à informação, como bibliotecas, estabelecimentos
de ensino, instituições de assistência social, instituições representativas das pessoas com
deficiência e outras organizações”.

9. Minha biblioteca é obrigada a prestar serviços sob o Tratado de
Marraqueche?
O Tratado de Marraqueche não impõe a obrigação de fornecer cópias em formato acessível; simplesmente confere o direito de produzir, fornecer, importar e exportar uma cópia acessível. A
proposta em análise no Brasil menciona explicitamente que a entidade interessada em ser
reconhecida como “entidade autorizada” deverá solicitar seu respectivo reconhecimento.

10. O que as bibliotecas podem fazer sob o Tratado de Marraqueche?
Uma biblioteca pode fornecer e/ou produzir uma cópia acessível diretamente à pessoa com
deficiência ou a alguém agindo em seu nome, como um cuidador ou tutor legal, por exemplo.
A biblioteca também pode fornecer ou receber uma cópia acessível de outra biblioteca ou
instituição do país, ou de outro país, que aderiu ao Tratado de Marraqueche13.
Na proposta em consulta pública do Brasil, vale frisar que as bibliotecas com interesse nesta troca
com outros países, deverão solicitar o reconhecimento como “entidade autorizada”, conforme
disposto no parágrafo 1, do Art. 6 do Capítulo 3:
“Cabe às entidades autorizadas, sem a necessidade de autorização do autor ou do titular
dos direitos autorais, promover o intercâmbio transfronteiriço de obras em formatos
acessíveis com entidades autorizadas e beneficiários de outras partes contratantes do
Tratado”.
Mais detalhes sobre as ações possíveis para as bibliotecas; quando registradas como entidade
autorizada, podem ser visualizadas no Capítulo 3 da minuta em consulta pública.

13

Além disso, uma biblioteca pode receber cópias em formato acessível de qualquer país,
independentemente de o outro país ter ratificado o Tratado de Marraqueche ou não. Em alguns países, a lei
nacional também pode permitir o envio de cópias acessíveis a países que não aderiram ao Tratado,
expandindo assim a disponibilidade de obras acessíveis a bibliotecas e indivíduos com dificuldades de acesso,
onde quer que estejam. Tratado de Marraqueche, Art. 6; Guia WBU, p. 56

17

�Na proposta do Decreto em análise, uma biblioteca poderá produzir uma cópia em formato acessível
de uma obra, bem como armazenar e catalogar a obra.

11. Que obras são cobertas pelo Tratado de Marraqueche?
Na proposta do Tratado estão incluídas obras e notações textuais, como livros, e-books, audiolivros,
jornais, revistas científicas e partituras musicais, além de ilustrações e imagens relacionadas.
O Tratado se aplica não apenas às obras publicadas, mas também às obras disponibilizadas
publicamente, como material em repositórios digitais e servidores de pré-prints.
Trabalhos audiovisuais, como filmes, não são cobertos, embora trabalhos textuais incorporados em
trabalhos audiovisuais, como um DVD multimídia educacional, estejam incluídos.
Na consulta pública aberta no Brasil, tem-se a definição das obras cobertas pelo Decreto, no Art. 3
do capítulo 2:
“Consideram-se obras para efeitos do presente Decreto as obras literárias e artísticas que
abrangem todas as produções do domínio literário, científico e artístico, em forma de texto,
notação ou ilustrações conexas, independentemente do suporte ou do formato tecnológico
em que tenham sido publicadas ou licitamente tornadas disponíveis ao público, incluindo a
forma sonora, como audiolivros, e sob o formato digital”.

12. O que é um formato acessível?
Um formato acessível é qualquer formato que permita que uma pessoa com incapacidade de acesso
leia o trabalho tão confortavelmente quanto uma pessoa sem deficiência. Na proposta brasileira em
consulta pública esta definição se encontra em aberto.
Exemplos típicos de formatos acessíveis incluem: Braille, letras ampliadas e livros em formato de
áudio. Também inclui formatos digitais, como livros DAISY (Sistema de Informações Digitais
Acessíveis) somente com áudio, ou livros DAISY com texto completo (texto destacado sincronizado
com o áudio, podendo ser com narração humana ou voz sintetizada), EPUB3 (formato E-book com
recursos de acessibilidade incorporados) e LKF (comumente usado em países de língua russa).
Além disso, documentos em formatos comuns como Word ou PDF também podem ser facilmente
acessíveis.
Como norma geral, é válido qualquer tipo de adaptação que permita cumprir com os objetivos do
Tratado, porém sem excedê-los.

13. Como as bibliotecas compartilham obras acessíveis?

18

�Não há um procedimento único para trocar obras acessíveis entre bibliotecas. Os fluxos de trabalho
de empréstimo entre bibliotecas dependerão do formato da obra e de como o interessado prefere
recebê-lo, da frequência das solicitações e da infraestrutura existente para fornecer esses serviços.
Por exemplo, podem ser utilizados sistemas de “empréstimos entre bibliotecas” para o
fornecimento de documentos entre bibliotecas ou outra plataforma segura de troca digital.
Os mecanismos de intercâmbio devem ser simples e diretos, principalmente se o intercâmbio
internacional for incentivado. Por exemplo, plataformas online como o Dropbox
(https://www.dropbox.com/h) podem ser usadas para compartilhar links para recursos entre
bibliotecas.
Para exemplos de serviços de livros acessíveis, consulte a pergunta 15.

14. Minha biblioteca precisa manter registros?
As disposições do Tratado relativas à manutenção de registros estão sujeitas a diferentes
interpretações, de modo que os requisitos reais, se houver, devem ser aplicáveis às leis nacionais.
O Tratado é claro ao deixar expresso que quaisquer práticas de manutenção de registros devem ser
estabelecidas pelas bibliotecas, não por uma agência governamental. De qualquer forma, é uma boa
prática manter registros (como as bibliotecas costumam fazer para outros tipos de transações), por
exemplo, para mostrar que pessoas e instituições elegíveis estão sendo atendidas, se e quando essas
informações forem solicitadas pelas autoridades competentes.
De acordo com o Tratado, as bibliotecas estabelecem e seguem suas próprias práticas em questões
como destinatários elegíveis para benefício, como limitar a distribuição a bibliotecas e pessoas
qualificadas, como desencorajar a distribuição de cópias não autorizadas e como manter os
cuidados no manuseio de cópias acessíveis.
O escopo dos registros sobre esses assuntos não deve diferir significativamente daqueles que você
mantém para seus outros serviços.
Ainda, segundo o Tratado, a biblioteca também deve esforçar-se por respeitar a privacidade da
pessoa com dificuldade de acesso ao texto impresso em uma base igual a outras pessoas.
Na Consulta Pública brasileira, no parágrafo 4, Art. 6 do capítulo 3, a proposta é que
“§4° As entidades autorizadas deverão manter um registro das obras em formatos acessíveis
produzidos e distribuídos, com o devido respeito à privacidade dos beneficiários.”
Novamente, no Tratado, recomenda-se que as diretrizes de melhores práticas para a prestação de
serviços acessíveis sejam elaboradas em consulta com outros fornecedores, de acordo com a
legislação nacional.
As diretrizes devem incluir boas práticas para estabelecer a elegibilidade dos beneficiários,
procedimentos para o devido cuidado na produção e distribuição de formatos acessíveis e impedir
usos não autorizados.

19

�A biblioteca também deve esforçar-se por respeitar a privacidade da pessoa com dificuldade de
acesso ao texto impresso da mesma maneira que quaisquer outras pessoas.
Recomenda-se que as diretrizes de melhores práticas para a prestação de serviços acessíveis sejam
elaboradas em consulta com outros fornecedores, de acordo com a legislação nacional.

15. Como sei que a pessoa que solicita o serviço pode se beneficiar do
Tratado?
Garantir que a pessoa a quem entregamos um trabalho em formato acessível seja um dos
beneficiários legítimos do Tratado é, sem dúvida, a melhor maneira de fazê-lo funcionar
corretamente. De fato, além do tipo de formato usado, a distribuição do trabalho é realizada com
os mais altos controles de segurança em todos os níveis, sendo uma prioridade ao usar essa exceção.
De acordo com o Decreto em Consulta Pública no Brasil, o capítulo 1º, que trata especificamente
sobre os beneficiários menciona que:
“Parágrafo único. A comprovação da deficiência ou dificuldade, quando necessária, poderá
se dar pelos seguintes meios:
I – laudo assinado por profissional habilitado em área de conhecimento relevante para a
caracterização da deficiência ou dificuldade;
II - avaliação psicopedagógica realizada por profissionais ou equipes da escola ou do sistema
de ensino, quando aplicável;
III - avaliação biopsicossocial de deficiência, conforme o Art. 2º, § 1º, da Lei 13.146, de 6 de
julho de 2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência; ou
IV - registro no Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Cadastro-Inclusão)
a que faz referência o Art. 92 da Lei 13.146, de 2015.”

Serviços de livros acessíveis
16. Quais serviços de livros acessíveis já existem e minha biblioteca é
qualificada a participar?
Em termos internacionais existem os seguintes serviços disponíveis:
●

O Serviço Global de Livros do Accessible Books Consortium facilita o serviço de troca de
materiais em formato acessível
(http://www.accessiblebooksconsortium.org/portal/en/index.html).

●

Accessible Content ePortal = conteúdo acadêmico para instituições pós-secundárias
canadenses (https://ocul.on.ca/node/2192).

20

�●

Bookshare (https://www.bookshare.org/cms/).

●

Serviços em grupos de idiomas específicos, como o TifloLibros para Espanhol (http://www.tiflolibros.com.ar/).

●

Hathi Trust (https://www.hathitrust.org/accessibility).

●

Internet Archive (https://archive.org/details/librivoxaudio).
Entre em contato com cada organização para saber como participar.

No Brasil, temos duas situações:
1) Bibliotecas universitárias atuando em rede, por exemplo a REDE REBECA - Rede Brasileira
de Estudos e Acervos Adaptados (REBECA): Experiência de cooperação entre Instituições de
Ensino Superior para fomentar a oferta de material informacional acessível para pessoas
com deficiência visual (https://repositorio.unb.br/handle/10482/34650).
2) Rede de Leitura Inclusiva, mantida pela Fundação Dorina Nowill em parceria com bibliotecas
públicas e especializadas de todo o país. (redeleiturainclusiva.org.br)

17. Como posso descobrir outras bibliotecas com coleções acessíveis?
Muitos países têm um serviço nacional de bibliotecas especificamente para pessoas com tal
deficiência e também organizações sem fins lucrativos que prestam serviços. Eles são idealmente
configurados para trocar materiais com sua biblioteca.
Tanto a Seção da IFLA Biblioteca que Prestam Serviços a Pessoas com Dificuldade de Acesso ao Texto
Impresso (https://www.ifla.org/lpd) como a Seção Serviços de Biblioteca para Pessoas com
Necessidades Especiais (https://www.ifla.org/lsn) podem ajudar a identificar e entrar em contato
com bibliotecas em diversos locais. Consulte também a Seção de Bibliotecas Nacionais da IFLA para
obter ajuda em localizá-las, ou especificamente, a de seu país. (https://www.ifla.org/nationallibraries).
No que se refere às fontes de livros acessíveis para pessoas com deficiência visual e dificuldade de
acesso ao texto impresso, a própria OMPI tem compilado tais dados. Sua lista inclui bibliotecas e
fornecedores
comerciais
em
todo
o
mundo
(http://www.accessiblebooksconsortium.org/sources/en/).
Outras fontes de informação interessantes são: as associações de bibliotecas, consórcios de
bibliotecas, universidades (algumas das quais oferecem serviços de apoio à deficiência) e
organizações para pessoas com deficiência, incluindo a World Blind Union
(www.worldblindunion.org) com informações em inglês, francês e espanhol, e a International
Dyslexia Association (https: //dyslexiaida.org/) e seus membros.
Na América Latina, a Union Latina Americana de Ciegos ULAC - também é uma excelente fonte de
informação sobre diversos assuntos relacionados ao público cego. https://www.ulacdigital.org/
Disponibiliza online uma publicação discorrendo especificamente sobre o Tratado de Marraqueche

21

�e seu impacto na região - http://www.ulacdigital.org/wp-content/uploads/2019/12/ComunicadoULAC-CERLALC-sobre-imp-lementacio%CC%80n-Tratado-Marrakech-1.pdf
No Brasil, o Grupo de Trabalho em Acessibilidade e a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e
Acesso Aberto; ambas da FEBAB, estão desenvolvendo o Diretório Brasileiro de Serviços e Produtos
Acessíveis oferecidos por bibliotecas e instituições públicas e privadas, municipais, estaduais ou
federais, o qual poderá ser utilizado como fonte de informação e referência. (gtacess@febab.org.br
ou cbda3@febab.gov.br).
Em São Paulo, a Biblioteca Pública Municipal Louis Braille do Centro Cultural de São Paulo possui o
maior acervo Braille do país. Foi planejada e equipada para atender portadores de deficiência visual
e reúne em seu acervo livros didáticos, técnicos, literários, infanto-juvenis e periódicos em Braile e
áudio. A biblioteca também atua como editora, produzindo livros em Braile e livros falados. Possui
computadores adaptados para que os deficientes visuais tenham acesso à internet. O acervo inclui
obras didáticas e paradidáticas para alunos do ensino fundamental, médio e universitário, literatura
infanto-juvenil, obras de ficção, com clássicos da literatura brasileira e portuguesa e periódicos
falados. (http://centrocultural.sp.gov.br/bibliotecas/)
O Sistema de Bibliotecas Públicas Municipais da cidade de São Paulo (atendendo ao Projeto de Lei
3542/19) mantém Núcleos para Pessoa com Deficiência Visual distribuídos pelas regiões da cidade
visando maior abrangência desses acervos. O mesmo ocorre em várias cidades do interior e em
outras capitais.

18. Como as bibliotecas podem facilitar para que outras entidades descubram
suas obras em formato acessíveis?
A criação de uma biblioteca mundial acessível foi um dos pontos chave dos defensores do Tratado
de Marraqueche. Portanto, tornar disponível as obras, já em formato acessível para todas as
bibliotecas do mundo, é crucial.
A maneira mais eficaz de conseguir isso é incluindo metadados específicos no registro do catálogo,
como: tipo de formato, versão / código, tamanho do arquivo etc., de acordo com os padrões
internacionais de catalogação.
Também é recomendável que as bibliotecas participem de qualquer esquema de compartilhamento
de informações ou catálogos que opere em sua jurisdição local. Se não existir, pode ser útil
considerar iniciar um.
Em termos nacionais, um bom começo para uma possível construção de um catálogo eletrônico
nacional é a manutenção atualizada e acessível do Diretório Brasileiro de Serviços e Produtos
Acessíveis oferecidos por Bibliotecas públicas e privadas, proposto pela FEBAB.

19. Minha biblioteca pode cobrar pelo fornecimento de um serviço de livros
acessível?

22

�Para tirar proveito do Tratado de Marraqueche, a biblioteca deve fornecer o serviço de livros
acessíveis sem fins lucrativos. A biblioteca pode recuperar custos para cobrir a produção e/ou
distribuição, quando necessário.

20. As bibliotecas precisam pagar royalties?
O Tratado de Marraqueche permite que os países decidam se os detentores de direitos autorais
devem ser remunerados pela criação de uma cópia14. Se a sua lei nacional adotou essa disposição
voluntária, sua biblioteca pode ser obrigada a pagar royalties pela cópia da obra.
A proposta que está em Consulta Pública no Brasil não contempla tal pagamento.

21. Como funciona o conceito de "disponibilidade comercial" do Tratado?
Se o seu país tiver uma disposição em sua lei de direitos autorais referente à "disponibilidade
comercial"15, sua biblioteca não poderá criar um livro em um formato acessível se esse livro tiver
sido disponibilizado no formato específico exigido pelo usuário e estiver comercialmente disponível
nesse formato (por exemplo, para compra em livrarias ou online)16. Essa condição também pode se
aplicar aos livros que você está importando para seus usuários de outro país do Tratado de
Marraqueche; depende das disposições da lei de cada país.
No caso brasileiro, a consulta pública em vigor até julho de 2020, não inclui esta cláusula em sua
redação, mas existe a solicitação e justificativa para que isto seja introduzido. A FEBAB já se
posicionou veemente contra esta cláusula, conforme pode ser lido em seu website
(http://www.febab.org.br/cbda3/consulta-tratado-marraqueche/).

Trabalhando com Formatos Acessíveis
22. Há uma barreira digital (tipo DRM por exemplo) no trabalho não acessível.
Posso removê-lo?
Sob o Tratado de Marraqueche, os países são obrigados a garantir que as barreiras digitais não
impeçam as pessoas com deficiência de usar ou acessar um livro. No entanto, o Tratado não
especifica claramente como isso deve ser implementado, ficando a decisão a cargo de cada país,
considerando-se sua própria legislação.

14

A IFLA se opõe aos royalties por obras em formato alternativo.
A IFLA se opõe à introdução de uma verificação de disponibilidade comercial que introduz encargos
administrativos desnecessários as bibliotecas e dificulta a criação de cópias em formato acessível, em
detrimento do serviço de livros acessíveis da biblioteca.
16
Uma verificação de "disponibilidade comercial" envolve um esforço razoável para localizar a obra; isso
também significa que a obra está disponível dentro de um prazo razoável, a um preço razoável.
15

23

�O resultado é que, na maioria dos países, uma medida de proteção tecnológica digital ou outro
sistema de controle de cópias que interfira na criação da cópia em formato acessível deve poder ser
legalmente removido. No entanto, as regras exatas relacionadas a como fazer isso podem diferir de
país para país.
No Brasil, a proposta do Decreto em Consulta Pública menciona no Art. 15
“A utilização dos dispositivos técnicos e dos sinais codificados mencionados nos incisos I e II
do Art. 107 da Lei no. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, não poderá constituir obstáculo a
garantia dos direitos dispostos neste Decreto.”

23. A licença de recursos eletrônicos não permite que a biblioteca copie ou
distribua uma obra. O que eu posso fazer?
O Tratado não diz respeito à relação entre licenças e exceções de direitos autorais, portanto, antes
de fazer uma cópia acessível é melhor rever cuidadosamente os termos gerais da licença e também
reler a lei de direitos autorais de seu país.
Primeiro, verifique se a licença de recursos eletrônicos contém uma cláusula geral informando que
nada na licença limita os direitos do licenciado sob a lei nacional ou internacional (ou algo
semelhante). Caso isso aconteça, você poderá contar com suas exceções nacionais,
independentemente de quaisquer restrições de uso na licença.
Caso contrário, você precisará verificar a lei nacional. Em muitos países, a licença tem precedência
sobre a lei e você deve respeitar os termos da licença.
A boa notícia é que vários países protegeram suas exceções contra essa substituição por termos de
licença, permitindo, assim, que cópias sejam feitas de acordo com a lei de direitos autorais.
Notavelmente, a implementação do Tratado de Marraqueche pela União Europeia faz exatamente
isso; os estados membros da UE devem garantir que a exceção que permite a realização de cópias
em formato acessível não possa ser substituída por uma licença.

24

�Leitura adicional
Criando formatos acessíveis
24. Onde encontro informações sobre como criar documentos em formato
acessível?
●

O Bookshare criou um guia útil para criar formatos acessíveis, em inglês:
https://benetech.org/about/resources/.

●

O DAISY Consortium possui ferramentas de criação e produção em
http://www.daisy.org/tools/production.

Outros Guias de Marraqueche
25. Existem outros guias para o Tratado de Marraqueche?
Sim, o EIFL criou um guia de advocacy para bibliotecas: http://www.eifl.net/resources/marrakeshtreaty-eifl-guide-libraries-english. Esta publicação se encontra traduzida para o português pela
Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto e pode ser localizada no site da FEBAB.
A União Mundial dos Cegos criou o GUIA WB para o quadro jurídico do Tratado de Marraqueche,
cujo formato da versão eletrônica em português, pode ser acessado em:
http://www.worldblindunion.org/English/our-work/ourpriorities/Documents/WBU%20guide%20to%20Marrakesh%20Treaty-Portuguese.docx

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento produziu um guia intitulado Nosso Direito
ao Conhecimento, somente em inglês, com versões em formatos acessíveis de Braille eletrônico,
DAISY,
áudio
(MP3)
:
http://www.asiapacific.undp.org/content/rbap/en/home/library/democratic_governance/hiv_aid
s/our-right-to-knowledge--legal-reviews-for-the-ratification-of-th .html

25

�Agradecimentos
Obrigado a todos que contribuíram para a publicação deste guia:

Ingvild Aanensen
Diego Anthoons
Jonathan Band
Saskia Boets
Vincent Bonnet
Donna Bourne-Tyson
Chris Corrigan
Jim Fruchterman
Sarah Guay
Susan Haigh
Penny Hartin
Nina Kassis Adamo
Hiroshi Kawamura
Dick Kawooya
Lina Kouzi
Koen Krikhaar
Kari Kummeneje
Patricia LaCivita

Versão original
Jelena Lešaja
Mike L. Marlia
Ariadna Matas
Bárbara Martin Muñoz
Denise Nicholson
Kristina Passad
Geert Ruebens
Winston Tabb
Brad Turner
Pentti Vattulainen
Lisa Wadors
Nancy Weiss
Stephen Wyber
Zhang Xuechan
Ma Yan
Kirsi Ylänne
Yasmine Youssef
Sha Yunke

Edição brasileira
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Walter Eller do Couto
Sigrid K Weiss Dutra
Telma de Carvalho
Thiago Maciel Costa Oliveira
Aline Iramina

26

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="43">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51262">
                  <text>CBDA³ - Comissão Brasileira de Direitos Autorais e&#13;
Acesso Aberto</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51296">
                <text>CAMINHANDO - Implementação do Tratado de Marraqueche para pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso: um guia prático para bibliotecários</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51297">
                <text>Tratado de Marraqueche&#13;
Acessibilidade&#13;
Deficiência Visual&#13;
Acesso a informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51298">
                <text>No período de maio a julho de 2020, a Secretaria Especial da Cultura (SECULT) abriu consulta pública2 para coleta de informações, sugestões e comentários da sociedade a respeito da minuta de Decreto para a regulamentação do Tratado de Marraqueche.&#13;
O Tratado, que foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 9.522, de 8 de outubro de 2018, visa facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para acesso ao texto impresso.&#13;
Entendendo que a participação das bibliotecas brasileiras é crucial neste momento e visando oferecer-lhes recursos qualificados e aprimorados para consulta e atualização no tema, a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto (CBDA3) da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) se responsabilizou pela tradução deste Manual da IFLA e, também, por sua adaptação à minuta em discussão na já referida consulta pública.&#13;
Deste modo, trata-se de uma obra de caráter provisório, que poderá ser útil especificamente neste momento, mas que deverá ser atualizada tão logo o decreto seja definitivamente aprovado no país.&#13;
Esperamos que nossos profissionais possam sanar suas dúvidas e se sintam motivados a participar de maneira pró ativa e objetiva da Consulta Aberta em andamento.&#13;
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira&#13;
Presidente da Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto – CBDA3&#13;
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientista da Informação e Instituições - FEBAB&#13;
São Paulo, Brasil&#13;
Junho 2020</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51299">
                <text>Coates, Jessica&#13;
Felsmann, Christiane&#13;
Hackett, Teresa&#13;
Keninger, Karen&#13;
Martinez Calvo, Francisco&#13;
Owen, Victoria&#13;
Taylor, Anthea&#13;
Pereyaslavska, Katya&#13;
van den Berg, Flora</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51300">
                <text>Victoria Owen&#13;
IFLA&#13;
FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51301">
                <text>08/07/2020</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51302">
                <text>Ferreira, Sueli Mara Soares Pinto (Responsável pela edição em Português)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="46">
            <name>Relation</name>
            <description>A related resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51303">
                <text>Getting Started with the Marrakesh Treaty - a Guide for Librarians (https://www.ifla.org/publications/node/71175)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51304">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51306">
                <text>Guia</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51307">
                <text>https://www.ifla.org/publications/node/71175 [Versão Original em Inglês]</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51308">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="48">
            <name>Source</name>
            <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51309">
                <text>NOTA: Adaptado à minuta proposta para a regulamentação brasileira de julho de 2020.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68113">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="33">
        <name>Acessibilidade</name>
      </tag>
      <tag tagId="34">
        <name>CBDA3</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4561" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3631">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/4561/Bibliote_Viva_Estado.pdf</src>
        <authentication>b64a89b99690340cd56d1179e3cedf54</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="50677">
                    <text>Biblioteca
viva
Todo Estado pode ter
bibliotecas de qualidade!

�Biblioteca
viva
Caro (a) Governador (a),
Os dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) ligado ao
Ministério da Cultura aponta que temos no país 6102 bibliotecas públicas

municipais, distritais, estaduais e federais, presentes nos 26 estados e no

Distrito Federal, sendo: 503 na Região Norte, 1.847 na Região Nordeste, 501 na
Região Centro-Oeste, 1958 na Região Sudeste e 1293 na Região Sul. Com esse
quadro elas se constituem no equipamento cultural mais presente no
território nacional.

Nós, bibliotecários da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários e Instituições – uma instituição sem �ins lucrativos que há mais
de 50 anos milita para que as bibliotecas sejam um direito da população,

juntamente com suas Associações �iliadas nos diversos Estados da Federação,

gostaríamos de falar sobre melhoria das bibliotecas públicas pois entendemos

que podemos contribuir com seu Estado visando fortalecer e/ou construir um
projeto de Biblioteca Viva para a sua

comunidade. Assim, temos a

competência necessária para prestar assessoria, capacitar as pessoas que

estão à frente das bibliotecas e auxiliar em outras informações que poderão
consolidar o projeto.

1

�Biblioteca
viva
Diferentemente do que muitos pensam as bibliotecas são equipamentos
culturais imprescindíveis para a população e não são espaços apenas para
guardar livros.

Elas não serão substituídas pelo computador, pois o que

acontece nas bibliotecas é algo muito rico, muito além do Google e do Facebook.
Da mesma forma que o cinema não substituiu o teatro, nem a TV o cinema, as

Da mesma forma que o
cinema não substituiu o
teatro, nem a TV o cinema,
as bibliotecas têm sua
linguagem própria e têm
seu objetivo principal:
transformar vidas!

bibliotecas têm sua linguagem própria e têm seu objetivo

principal: transformar vidas! Mas o que leva a população a
pensar isso, que as bibliotecas são algo ultrapassado? É o

desconhecimento do potencial que elas têm, pois na
realidade são poucas as pessoas que tiveram a

oportunidade de estar em bibliotecas em suas vidas. Além

de guardar livros, elas devem possuir acervos atualizados,
acesso à internet, jogos, brinquedos e também contar com

uma equipe especializada (bibliotecários e auxiliares) para atender a
comunidade. Além disso, as bibliotecas devem prestar serviços diversos que

promovam a inclusão e contribuam com a formação cidadã, como, por exemplo,
auxiliar na elaboração de currículo, prestar informações sobre programas

sociais que sua cidade e seu estado dispõem, ensinar a navegar na internet e
muito mais.

2

�Biblioteca
viva
O que queremos enfatizar é que as bibliotecas são equipamentos relativamente

simples de serem mantidos e os resultados que podem atingir são enormes.

Precisamos de Bibliotecas Vivas, dinâmicas e participativas! Isso quer dizer
bibliotecas onde a comunidade encontra facilidades, ofertas culturais e podem
expandir seu repertório de conhecimento.

Bibliotecas são locais de pessoas e não apenas de livros, por isso devem possuir

ambientes agradáveis, convidativos que estimulem a criatividade, o encontro e
o aprendizado. Muitas bibliotecas já estão caminhando para esta direção, de
serem bibliotecas vivas. Seguem alguns exemplos de bibliotecas estaduais que

mantém programação diversi�icada, para todos os públicos e funcionam aos
�inais de semana e feriados.

Que tal ampliarmos essa iniciativa

em seu Estado?

3

�Biblioteca
viva

Biblioteca de São Paulo: informações disponíveis em http://bsp.org.br/

Biblioteca Parque Villa Lobos informações disponíveis pelo http://bvl.org.br/

4

Fotos: http://arquiteturadebibliotecas.blogspot.com.br

�Biblioteca
viva
Biblioteca Pública Estadual do Acre
informações disponíveis pelo http://bpeac.blogspot.com.br/

Fotos: http://arquiteturadebibliotecas.blogspot.com.br

E há outras bibliotecas no interior do Estado de São Paulo, que também

comungam do conceito de Bibliotecas Vivas. Os exemplos destacados
referem-se ao Estado de São Paulo onde quebraram o paradigma da biblioteca

ser entendida apenas como um espaço de estudo, pois também realizam
projetos que fazem muita diferença na vida das pessoas. São elas:

5

�Biblioteca
viva
A Biblioteca Pública Municipal de Garça com o projeto Rota da Leitura,
dirigido à população da zona rural que recebe livros em suas casas e
descobre um mundo de possibilidades. Esse projeto é mantido com
voluntários da biblioteca e atua há quase 30 anos.

A Biblioteca Pública Municipal de Guarujá com a Horta Fitoterápica que
promove acesso à leitura. Nesse caso, a comunidade estava interessada em
saber o real valor das ervas para a saúde e a biblioteca realizou uma parceria
com uma médica local que explica os bene�ícios ou male�ícios das ervas para
a saúde das pessoas. A biblioteca passou também a cuidar da horta.
A Biblioteca Pública Municipal de Guarulhos instaurou o Projeto Clarear
para realizar audiodescrição em atividades da biblioteca. A partir de
treinamento recebido, a biblioteca ampliou o acesso às suas dependências e
atraiu novos leitores, especialmente as pessoas cegas. Também foi ampliado
o número de livros acessíveis

A Biblioteca pública Municipal de Presidente Prudente. Realiza o Salão do
Livro que já atinge 52 municípios da região. A leitura está ao alcance de
todos.

Ilustrações: Joana Lira / Caderno Notas de Biblioteca,5. Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

6

�Biblioteca
viva
Temos a certeza que as bibliotecas de seu Estado também podem desenvolver
projetos que tenham muito signi�icado para as pessoas, como por exemplo,
apoiar na busca de empregos, auxiliar as pessoas a alcançarem os bene�ícios
sociais disponíveis em âmbito municipal, estadual ou federal, articular com os
artistas da cidade apresentações para resgatar a história da cidade e das
pessoas. En�im, a biblioteca como um importante equipamento cultural e social
pode realizar ações em parceria com os Estados, apoiando o cumprimento dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030 da ONU.

Portanto, queremos reforçar que as bibliotecas são aliadas
para a promoção de melhoria na qualidade de vida das
pessoas, por esse motivo lutamos sempre para termos cada
vez mais e melhores bibliotecas, em todo o território.

7

�Biblioteca
viva
Pedimos que o (a) senhor (a) pense nesta possibilidade e converse
conosco pessoalmente ou pelos contatos abaixo:
Alagoas: Associação Alagoana dos Pro�issionais em Biblioteconomia – AAPB.
Av. Tomás Espíndola, 326, Centro Comercial Farol, sala 203/204, Bairro Farol
Maceió - AL - 57051-000.
Telefone: (82) 98844-1636/ 99974-2562 | E-mail: aapb.alagoas@gmail.com /
presidencia@aapb.org.br / contato@aapb.org.br | Facebook: @aapbalagoas

Ceará: Associação dos Bibliotecários do Ceará - ABCE
Av. Santos Dumont, 1687 – 2º andar Sala 204, Aldeota | Fortaleza – CE - 60415-520
Telefone: ( 85) 9 8600.2622 | E-mail: abcceara@gmail.com
Site: www.abcce.org.br | Facebook: @abceara
Distrito Federal: Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal - ABDF
SCRN 702-703, Bl G, Ed Coencisa nº49 Salas 101/102 | Brasília – DF -70710-750
Telefone: ( 61) 3326-3835 | E-mail: abdf@abdf.org.br | Site: www.abdf.org.br

Goiás: Associação dos Bibliotecários de Goiás – ABG Rua Santarém, s/n, Quadra 13 Lote
27 Setor Serrinha /Goiânia – GO - 74970-676
Telefone: (62) 3218-2183 | E-mail: bibliotecariosgo@gmail.com
Site: www.abgo.com.br | Facebook: @bibliotecariosgoias817.3
Mato Grosso do Sul: Associação Pro�issional de Bibliotecários de Mato Grosso do Sul –
APBMS Rua Mamanguape, nº 108 – Bairro Santo Eugênio
Campo Grande -MS – 9.060-380
Telefone: (67) 99614-3065 / 991871965 / 99184-8967
E-mail: apbmscg@gmail.com | Facebook: @apbms

8

�Biblioteca
viva
Minas Gerais: Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais - ABMG
Rua Guajajaras, 410, sala 608 e 609 – Ed. Rotary | Belo Horizonte – MG - 30180-100
Telefone: (31) 3222-5325 | E-mail: abmg21gestao@gmail.com
Site: www.abmg.org.br | Facebook:
&lt;www.facebook.com/groups/351250474899339/?fref=ts&gt;

Paraíba: Associação Pro�issional de Bibliotecários da Paraíba – APBPB
Rua Rodrigues de Aquino, 320, sala 203 – 1 andar – Ed. Pasteur
João Pessoa – PB - 58013-030
Telefone: (83) 99628-4756 | E-mail: apbparaiba@gmail.com | Facebook: @apbpb
Paraná: Associação Bibliotecária do Paraná - ABPR
Rua: Monsenhor Celso, 225 – conj. 1102 | Curitiba – PR - 80010-150
Telefone: (41) 3322-5377 / (41) 3323-4694 | E-mail: abpr@abpr.org.br
Facebook: @biblioparana

Pernambuco: Associação Pro�issional de Bibliotecários de Pernambuco - APBPE
Rua Gervásio Pires, 674 – Boa Vista | Recife – PE - 50060-090
Telefone: (81)3221-2282 (81) 99631-8270 (81) 99620-7751
E-mail: apbpemail@gmail.com / denifm@hotmail.com
Facebook: APBPE - Associação Pro�issional de Bibliotecários de Pernambuco

Piauí: Associação de Bibliotecários do Estado do Piauí - ABEPI
Av. Miguel Rosa, 3400/Sul | Teresina – PI - :64000-490
Telefone: (86) 9900-6086 / (86)8824-3454 | E-mail: abepi.2009@hotmail.com
Site: http://abepiaui.webnode.com.br/

9

�Rio de Janeiro: Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de
Janeiro (REDARTE/RJ) Praça Tiradentes, 10 – Sala 905 – Centro
Rio de Janeiro – RJ – 20060-070
E-mail: redarterj@redarterj.com
Site: https:www.redarterj.com | Facebook: @redarterio
Rio Grande do Norte: Associação Pro�issional de Bibliotecários do Rio Grande do Norte UFRN - Biblioteca Central
Zila Mamede Campus Universitário, s/n Lagoa Nova - Caixa Postal 1524 59.072-970
Natal - RN
Telefone: (84) 3215.3852 (84) 9600-0175 / Fax: (84) 3215-3856
E-mail: apbern@hotmail.com.br / manuellaoliveira@hotmail.com.br
Rio Grande do Sul: Associação Rio-Grandense de Bibliotecários - ARB
Av. Benjamin Constant, 1468 sala 301 – Bairro São João | Porto Alegre
Rio Grande do Sul – 90550-002
Telefone: (51) 9428-8860| E-mail: arb@arb.org.br | Site: www.arb.org.br |
Facebook:@arb.rs

Santa Catarina: Associação Catarinense de Bibliotecários - ACB
Av. Josué di Bernardi, 239 – Ed. Jowi – Sala 302 – Bairro Campinas São José – SC - 8101-200
Telefone: (48) 3035-4871| E-mail: acb@acbsc.org.br | Site: www.acbsc.org.br
Facebook: @acbo�icial | YouTube: ACB - Associação Catarinense de Bibliotecários

Sergipe: Associação Pro�issional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe – APBDSE
Rua Deputado Euclides Paes Mendonça, 784 – Salgado Filho | Aracaju- SE - 49020-460
Telefone:(79) 3243-3999 | E-mail: contato@apbdse.org.br / presidencia@apbdse.org.br
Site: www.apbdse.org.br | Facebook: Apbdse Bibliotecarios

10

Fonte: Caderno Notas de Biblioteca,5. Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 2013.
Disponível pelo http://www.spleituras.org.br/wp-content/uploads/2013/05/Notas5_web-1.pdf

Biblioteca
viva

�Biblioteca
viva

Rua Avanhandava, 40 ‐ Conj. 108/110
Bela Vista CEP 01306-000
São Paulo ‐ SP ‐ Brasil
www.febab.org.br
febab@febab.org.br
secretaria@febab.org.br
Facebook: @febabfederacao

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50678">
                <text>Cartilha para Estados: Biblioteca Viva - Todo Estado pode ter bibliotecas de qualidade </text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50679">
                <text>Bibliotecas Públicas&#13;
Cartilha</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50680">
                <text>Caro (a) Governador (a), Os dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) ligado ao Ministério da Cultura aponta que temos no país 6102 bibliotecas públicas municipais, distritais, estaduais e federais, presentes nos 26 estados e no Distrito Federal, sendo: 503 na Região Norte, 1.847 na Região Nordeste, 501 na Região Centro-Oeste, 1958 na Região Sudeste e 1293 na Região Sul. Com esse quadro elas se constituem no equipamento cultural mais presente no território nacional. Nós, bibliotecários da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições – uma instituição sem fins lucrativos que há mais de 50 anos milita para que as bibliotecas sejam um direito da população, juntamente com suas Associações filiadas nos diversos Estados da Federação, gostaríamos de falar sobre melhoria das bibliotecas públicas pois entendemos que podemos contribuir com seu Estado visando fortalecer e/ou construir um projeto de Biblioteca Viva para a sua comunidade. Assim, temos a competência necessária para prestar assessoria, capacitar as pessoas que estão à frente das bibliotecas e auxiliar em outras informações que poderão consolidar o projeto. Diferentemente do que muitos pensam as bibliotecas são equipamentos culturais imprescindíveis para a população e não são espaços apenas para guardar livros. Elas não serão substituídas pelo computador, pois o que acontece nas bibliotecas é algo muito rico, muito além do Google e do Facebook. Da mesma forma que o cinema não substituiu o teatro, nem a TV o cinema, as bibliotecas têm sua linguagem própria e têm seu objetivo principal: transformar vidas! Mas o que leva a população a pensar isso, que as bibliotecas são algo ultrapassado? É o desconhecimento do potencial que elas têm, pois na realidade são poucas as pessoas que tiveram a oportunidade de estar em bibliotecas em suas vidas. Além de guardar livros, elas devem possuir acervos atualizados, acesso à internet, jogos, brinquedos e também contar com uma equipe especializada (bibliotecários e auxiliares) para atender a comunidade. Além disso, as bibliotecas devem prestar serviços diversos que promovam a inclusão e contribuam com a formação cidadã, como, por exemplo, auxiliar na elaboração de currículo, prestar informações sobre programas sociais que sua cidade e seu estado dispõem, ensinar a navegar na internet e muito mais. O que queremos enfatizar é que as bibliotecas são equipamentos relativamente simples de serem mantidos e os resultados que podem atingir são enormes. Precisamos de Bibliotecas Vivas, dinâmicas e participativas! Isso quer dizer bibliotecas onde a comunidade encontra facilidades, ofertas culturais e podem expandir seu repertório de conhecimento. Bibliotecas são locais de pessoas e não apenas de livros, por isso devem possuir ambientes agradáveis, convidativos que estimulem a criatividade, o encontro e o aprendizado. Muitas bibliotecas já estão caminhando para esta direção, de serem bibliotecas vivas. Seguem alguns exemplos de bibliotecas estaduais que mantém programação diversificada, para todos os públicos e funcionam aos finais de semana e feriados.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50681">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50682">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50683">
                <text>2017</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50684">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50686">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50687">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68086">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="23">
        <name>BibliotecasPublicas</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4562" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3632">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/4562/Bibliote_Viva_Municipio.pdf</src>
        <authentication>40ebbfd4d8030869e54d2ced5aaa9a03</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="50688">
                    <text>Biblioteca
viva
Todo município pode ter
bibliotecas de qualidade!

�Biblioteca
viva
Caro (a) Prefeito (a),
Os dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) ligado ao
Ministério da Cultura aponta que temos no país 6102 bibliotecas públicas

municipais, distritais, estaduais e federais, presentes nos 26 estados e no

Distrito Federal, sendo: 503 na Região Norte, 1.847 na Região Nordeste, 501 na
Região Centro-Oeste, 1958 na Região Sudeste e 1293 na Região Sul. Com esse
quadro elas se constituem no equipamento cultural mais presente no
território nacional.

Nós, bibliotecários da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários e Instituições – uma instituição sem �ins lucrativos que há mais
de 50 anos milita para que as bibliotecas sejam um direito da população,

juntamente com suas Associações �iliadas nos diversos Estados da Federação,

gostaríamos de falar sobre melhoria das bibliotecas públicas pois entendemos

que podemos contribuir com seu município visando fortalecer e/ou construir
um projeto de Biblioteca Viva para a sua

comunidade. Assim, temos a

competência necessária para prestar assessoria, capacitar as pessoas que

estão à frente das bibliotecas e auxiliar em outras informações que poderão
consolidar o projeto.

1

�Biblioteca
viva
Diferentemente do que muitos pensam as bibliotecas são equipamentos
culturais imprescindíveis para a população e não são espaços apenas para
guardar livros.

Elas não serão substituídas pelo computador, pois o que

acontece nas bibliotecas é algo muito rico, muito além do Google e do Facebook.
Da mesma forma que o cinema não substituiu o teatro, nem a TV o cinema, as

Da mesma forma que o
cinema não substituiu o
teatro, nem a TV o cinema,
as bibliotecas têm sua
linguagem própria e têm
seu objetivo principal:
transformar vidas!

bibliotecas têm sua linguagem própria e têm seu objetivo

principal: transformar vidas! Mas o que leva a população a
pensar isso, que as bibliotecas são algo ultrapassado? É o

desconhecimento do potencial que elas têm, pois na
realidade são poucas as pessoas que tiveram a

oportunidade de estar em bibliotecas em suas vidas. Além

de guardar livros, elas devem possuir acervos atualizados,
acesso à internet, jogos, brinquedos e também contar com

uma equipe especializada (bibliotecários e auxiliares) para atender a
comunidade. Além disso, as bibliotecas devem prestar serviços diversos que

promovam a inclusão e contribuam com a formação cidadã, como, por exemplo,
auxiliar na elaboração de currículo, prestar informações sobre programas

sociais que sua cidade e seu estado dispõem, ensinar a navegar na internet e
muito mais.

2

�Biblioteca
viva
O que queremos enfatizar é que as bibliotecas são equipamentos relativamente

simples de serem mantidos e os resultados que podem atingir são enormes.

Precisamos de Bibliotecas Vivas, dinâmicas e participativas! Isso quer dizer
bibliotecas onde a comunidade encontra facilidades, ofertas culturais e podem
expandir seu repertório de conhecimento.

Bibliotecas são locais de pessoas e não apenas de livros, por isso devem possuir

ambientes agradáveis, convidativos que estimulem a criatividade, o encontro e
o aprendizado. Muitas bibliotecas já estão caminhando para esta direção, de
serem bibliotecas vivas. Seguem alguns exemplos de bibliotecas estaduais que

mantém programação diversi�icada, para todos os públicos e funcionam aos
�inais de semana e feriados.

Que tal ampliarmos essa iniciativa

em seu município?

3

�Biblioteca
viva

Biblioteca de São Paulo: informações disponíveis em http://bsp.org.br/

Biblioteca Parque Villa Lobos informações disponíveis pelo http://bvl.org.br/

4

Fotos: http://arquiteturadebibliotecas.blogspot.com.br

�Biblioteca
viva
Biblioteca Pública Estadual do Acre
informações disponíveis pelo http://bpeac.blogspot.com.br/

Fotos: http://arquiteturadebibliotecas.blogspot.com.br

E há outras bibliotecas no interior do Estado de São Paulo, que também

comungam do conceito de Bibliotecas Vivas. Os exemplos destacados
referem-se ao Estado de São Paulo onde quebraram o paradigma da biblioteca

ser entendida apenas como um espaço de estudo, pois também realizam
projetos que fazem muita diferença na vida das pessoas. São elas:

5

�Biblioteca
viva
A Biblioteca Pública Municipal de Garça com o projeto Rota da Leitura,
dirigido à população da zona rural que recebe livros em suas casas e
descobre um mundo de possibilidades. Esse projeto é mantido com
voluntários da biblioteca e atua há quase 30 anos.

A Biblioteca Pública Municipal de Guarujá com a Horta Fitoterápica que
promove acesso à leitura. Nesse caso, a comunidade estava interessada em
saber o real valor das ervas para a saúde e a biblioteca realizou uma parceria
com uma médica local que explica os bene�ícios ou male�ícios das ervas para
a saúde das pessoas. A biblioteca passou também a cuidar da horta.
A Biblioteca Pública Municipal de Guarulhos instaurou o Projeto Clarear
para realizar audiodescrição em atividades da biblioteca. A partir de
treinamento recebido, a biblioteca ampliou o acesso às suas dependências e
atraiu novos leitores, especialmente as pessoas cegas. Também foi ampliado
o número de livros acessíveis

A Biblioteca pública Municipal de Presidente Prudente. Realiza o Salão do
Livro que já atinge 52 municípios da região. A leitura está ao alcance de
todos.

Ilustrações: Joana Lira / Caderno Notas de Biblioteca,5. Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

6

�Biblioteca
viva
Temos a certeza que a biblioteca de seu município também pode desenvolver
projetos que tenham muito signi�icado para as pessoas, como por exemplo,
apoiar na busca de empregos, auxiliar as pessoas a alcançarem os bene�ícios
sociais disponíveis em âmbito municipal, estadual ou federal, articular com os
artistas da cidade apresentações para resgatar a história da cidade e das
pessoas. En�im, a biblioteca como um importante equipamento cultural e social
pode realizar ações em parceria com os municípios, apoiando o cumprimento
dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030 da ONU.

Portanto, queremos reforçar que as bibliotecas são aliadas
para a promoção de melhoria na qualidade de vida das
pessoas, por esse motivo lutamos sempre para termos cada
vez mais e melhores bibliotecas, em todo o território.

7

�Biblioteca
viva
Pedimos que o (a) senhor (a) pense nesta possibilidade e converse
conosco pessoalmente ou pelos contatos abaixo:
Alagoas: Associação Alagoana dos Pro�issionais em Biblioteconomia – AAPB.
Av. Tomás Espíndola, 326, Centro Comercial Farol, sala 203/204, Bairro Farol
Maceió - AL - 57051-000.
Telefone: (82) 98844-1636/ 99974-2562 | E-mail: aapb.alagoas@gmail.com /
presidencia@aapb.org.br / contato@aapb.org.br | Facebook: @aapbalagoas

Ceará: Associação dos Bibliotecários do Ceará - ABCE
Av. Santos Dumont, 1687 – 2º andar Sala 204, Aldeota | Fortaleza – CE - 60415-520
Telefone: ( 85) 9 8600.2622 | E-mail: abcceara@gmail.com
Site: www.abcce.org.br | Facebook: @abceara
Distrito Federal: Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal - ABDF
SCRN 702-703, Bl G, Ed Coencisa nº49 Salas 101/102 | Brasília – DF -70710-750
Telefone: ( 61) 3326-3835 | E-mail: abdf@abdf.org.br | Site: www.abdf.org.br

Goiás: Associação dos Bibliotecários de Goiás – ABG Rua Santarém, s/n, Quadra 13 Lote
27 Setor Serrinha /Goiânia – GO - 74970-676
Telefone: (62) 3218-2183 | E-mail: bibliotecariosgo@gmail.com
Site: www.abgo.com.br | Facebook: @bibliotecariosgoias817.3
Mato Grosso do Sul: Associação Pro�issional de Bibliotecários de Mato Grosso do Sul –
APBMS Rua Mamanguape, nº 108 – Bairro Santo Eugênio
Campo Grande -MS – 9.060-380
Telefone: (67) 99614-3065 / 991871965 / 99184-8967
E-mail: apbmscg@gmail.com | Facebook: @apbms

8

�Biblioteca
viva
Minas Gerais: Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais - ABMG
Rua Guajajaras, 410, sala 608 e 609 – Ed. Rotary | Belo Horizonte – MG - 30180-100
Telefone: (31) 3222-5325 | E-mail: abmg21gestao@gmail.com
Site: www.abmg.org.br | Facebook:
&lt;www.facebook.com/groups/351250474899339/?fref=ts&gt;

Paraíba: Associação Pro�issional de Bibliotecários da Paraíba – APBPB
Rua Rodrigues de Aquino, 320, sala 203 – 1 andar – Ed. Pasteur
João Pessoa – PB - 58013-030
Telefone: (83) 99628-4756 | E-mail: apbparaiba@gmail.com | Facebook: @apbpb
Paraná: Associação Bibliotecária do Paraná - ABPR
Rua: Monsenhor Celso, 225 – conj. 1102 | Curitiba – PR - 80010-150
Telefone: (41) 3322-5377 / (41) 3323-4694 | E-mail: abpr@abpr.org.br
Facebook: @biblioparana

Pernambuco: Associação Pro�issional de Bibliotecários de Pernambuco - APBPE
Rua Gervásio Pires, 674 – Boa Vista | Recife – PE - 50060-090
Telefone: (81)3221-2282 (81) 99631-8270 (81) 99620-7751
E-mail: apbpemail@gmail.com / denifm@hotmail.com
Facebook: APBPE - Associação Pro�issional de Bibliotecários de Pernambuco

Piauí: Associação de Bibliotecários do Estado do Piauí - ABEPI
Av. Miguel Rosa, 3400/Sul | Teresina – PI - :64000-490
Telefone: (86) 9900-6086 / (86)8824-3454 | E-mail: abepi.2009@hotmail.com
Site: http://abepiaui.webnode.com.br/

9

�Rio de Janeiro: Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de
Janeiro (REDARTE/RJ) Praça Tiradentes, 10 – Sala 905 – Centro
Rio de Janeiro – RJ – 20060-070
E-mail: redarterj@redarterj.com
Site: https:www.redarterj.com | Facebook: @redarterio
Rio Grande do Norte: Associação Pro�issional de Bibliotecários do Rio Grande do Norte UFRN - Biblioteca Central
Zila Mamede Campus Universitário, s/n Lagoa Nova - Caixa Postal 1524 59.072-970
Natal - RN
Telefone: (84) 3215.3852 (84) 9600-0175 / Fax: (84) 3215-3856
E-mail: apbern@hotmail.com.br / manuellaoliveira@hotmail.com.br
Rio Grande do Sul: Associação Rio-Grandense de Bibliotecários - ARB
Av. Benjamin Constant, 1468 sala 301 – Bairro São João | Porto Alegre
Rio Grande do Sul – 90550-002
Telefone: (51) 9428-8860| E-mail: arb@arb.org.br | Site: www.arb.org.br |
Facebook:@arb.rs

Santa Catarina: Associação Catarinense de Bibliotecários - ACB
Av. Josué di Bernardi, 239 – Ed. Jowi – Sala 302 – Bairro Campinas São José – SC - 8101-200
Telefone: (48) 3035-4871| E-mail: acb@acbsc.org.br | Site: www.acbsc.org.br
Facebook: @acbo�icial | YouTube: ACB - Associação Catarinense de Bibliotecários

Sergipe: Associação Pro�issional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe – APBDSE
Rua Deputado Euclides Paes Mendonça, 784 – Salgado Filho | Aracaju- SE - 49020-460
Telefone:(79) 3243-3999 | E-mail: contato@apbdse.org.br / presidencia@apbdse.org.br
Site: www.apbdse.org.br | Facebook: Apbdse Bibliotecarios

10

Fonte: Caderno Notas de Biblioteca,5. Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 2013.
Disponível pelo http://www.spleituras.org.br/wp-content/uploads/2013/05/Notas5_web-1.pdf

Biblioteca
viva

�Biblioteca
viva

Rua Avanhandava, 40 ‐ Conj. 108/110
Bela Vista CEP 01306-000
São Paulo ‐ SP ‐ Brasil
www.febab.org.br
febab@febab.org.br
secretaria@febab.org.br
Facebook: @febabfederacao

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50689">
                <text>Cartilha para Municípios: Biblioteca Viva - Todo município pode ter bibliotecas de qualidade</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50690">
                <text>Bibliotecas Públicas&#13;
Cartilha</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50691">
                <text>Caro (a) Prefeito (a), Os dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) ligado ao Ministério da Cultura aponta que temos no país 6102 bibliotecas públicas municipais, distritais, estaduais e federais, presentes nos 26 estados e no Distrito Federal, sendo: 503 na Região Norte, 1.847 na Região Nordeste, 501 na Região Centro-Oeste, 1958 na Região Sudeste e 1293 na Região Sul. Com esse quadro elas se constituem no equipamento cultural mais presente no território nacional. Nós, bibliotecários da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições – uma instituição sem fins lucrativos que há mais de 50  anos milita para que as  bibliotecas sejam um direito da  população, juntamente com suas Associações �iliadas nos diversos Estados da Federação, gostaríamos de falar sobre melhoria das bibliotecas públicas pois entendemos que podemos contribuir com seu município visando fortalecer e/ou construir um projeto de Biblioteca Viva para a sua comunidade. Assim, temos a competência necessária para prestar assessoria, capacitar as pessoas que estão à frente das bibliotecas e auxiliar em outras informações que poderão consolidar o projeto. Diferentemente do que muitos pensam as bibliotecas são equipamentos culturais imprescindíveis para a população e não são espaços apenas para guardar livros. Elas não serão substituídas pelo computador, pois o que acontece nas bibliotecas é algo muito rico, muito além do Google e do Facebook. Da mesma forma que o cinema não substituiu o teatro, nem a TV o cinema, as bibliotecas têm sua linguagem própria e têm seu objetivo principal: transformar vidas! Mas o que leva a população a pensar isso, que as bibliotecas são algo ultrapassado? É o desconhecimento do potencial que elas têm, pois na realidade são poucas as pessoas que tiveram a oportunidade de estar em bibliotecas em suas vidas. Além de guardar livros, elas devem possuir acervos atualizados, acesso à internet, jogos, brinquedos e também contar com uma equipe especializada (bibliotecários e auxiliares) para atender a comunidade. Além disso, as bibliotecas devem prestar serviços diversos que promovam a inclusão e contribuam com a formação cidadã, como, por exemplo, auxiliar na elaboração de currículo, prestar informações sobre programas sociais que sua cidade e seu estado dispõem, ensinar a navegar na internet e muito mais. O que queremos enfatizar é que as bibliotecas são equipamentos relativamente simples de serem mantidos e os resultados que podem atingir são enormes. Precisamos de Bibliotecas Vivas, dinâmicas e participativas! Isso quer dizer bibliotecas onde a comunidade encontra facilidades, ofertas culturais e podem expandir seu repertório de conhecimento. Bibliotecas são locais de pessoas e não apenas de livros, por isso devem possuir ambientes agradáveis, convidativos que estimulem a criatividade, o encontro e o aprendizado. Muitas bibliotecas já estão caminhando para esta direção, de serem bibliotecas vivas. Seguem alguns exemplos de bibliotecas estaduais que mantém programação diversificada, para todos os públicos e funcionam aos finais de semana e feriados.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50692">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50693">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50694">
                <text>2017</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50695">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50697">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50698">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68087">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="23">
        <name>BibliotecasPublicas</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4556" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3626">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/4556/Competencia-em-informacao-de-reflexoes-as-licoes-aprendidas.pdf</src>
        <authentication>14671cb39f53807b9a1180d1e62a5141</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="50614">
                    <text>��REGINA CELIA BAPTISTA BELLUZZO
GLÓRIA GEORGES FERES
ORGANIZADORAS

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO:
DE REFLEXÕES ÀS LIÇÕES APRENDIDAS

��COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO:
DE REFLEXÕES ÀS LIÇÕES APRENDIDAS
Regina Celia Baptista Belluzzo
Glória Georges Feres
(Organizadoras)

Aída Varela

Lysiane Wanderley dos Santos

Alejandro Uribe Tirado

Márcia Rosetto

Ana Isabel Vasconcelos

Margarida Cardoso

Aurora Cuevas Cerveró

Maria Elisa S. E. Madeira

Bernadete Campello

Maria Giovanna Guedes Farias

Daniela Melaré Vieira Barros

Maria Isabel C. da Franca

Daniela Piantola

Maria Joaquina Barrulas

Elisabete Adriana Dudziak

Marilda M. Coelho

Elizete Vieira Vitorino

Marilene Lobo Abreu Barbosa

Elmira Simeão

Mônica Pinheiro

Glória Bastos

Regina Celia Baptista Belluzzo

Glória Georges Feres

Tatiana Neves Cosmo

Leonor Valfigueira

�7

CIP – Catalogação na Publicação______________
C737
Competência em informação: de reflexões às lições aprendidas /
Organizadoras Regina Celia Baptista Belluzzo, Glória
Georges Feres. – São Paulo, SP: FEBAB, 2013.
Modo de acesso: Word Wide Web.
ISBN: 000-00-000-0000-0
1. Competência em informação. 2. Information literacy. 3. Ciência
da informação. 4. Letramento informacional. I. Belluzzo, Regina
Celia Baptista, org. II. Feres, Glória Georges, org.
CDU: 025.52

Bibliotecária responsável: Sabrina Vaz da Silva - CRB 10/2243
Índices para catálogo sistemático:
Serviço de Referência e Informação – 025.52
Serviços aos Usuários – 025.5
Ciência da Informação – 020

Diretoria da FEBAB
Presidente: Sigrid Karin Weiss Dutra (SC)
Vice-Presidente: Adriana Cybele Ferrari (SP)
Diretor Administrativo e Financeiro: Márcia Elisa Garcia De Grandi (SP)
Diretor de Comunicação e Publicação: Marli Machado (SC)
Diretor de Promoção de Eventos: Maria Fazanelli Crestana (SP)
Diretor de Formação Política e Profissional: Iza Antunes de Araújo (DF)
Diretor Regional Centro-Oeste: Eunice Franco (MS)
Diretor Regional Nordeste: Carlos Wellington Martins (MA)
Diretor Regional Norte: Hercilia Jeane Oliveira (TO)
Diretor Regional Sudeste: Maria Clea Borges (MG)
Diretor Regional Sul: Maria de Lourdes Blatt Ohira (SC)

Marli Machado
Assessoria Especial à Publicação do Livro.

�8

AGRADECIMENTOS

A FEBAB agradece a todos que colaboraram na concepção, elaboração,
contribuição e editoração deste livro, considerando que somente se chegou à
sua publicação porque muitos esforços foram conjugados para tanto
especialmente ao IBICT, UNESP e UnB.

�9

�10

SUMÁRIO

Prefácio.....................................................................................................

7

Prefácio Internacional.............................................................................. 9
Apresentação das Organizadoras..........................................................

11

Presentación de las Organizadoras.......................................................

23

Organizers Presentation.......................................................................... 36
Eixo Temático I – Trajetórias da Inserção do Tema da Competência
em Informação no Brasil como parte das Linhas de Gestão
da FEBAB.................................................................................................. 57

Capítulo 1 - Competência em Informação: vivências e aprendizado..

58

Regina Celia Baptista Belluzzo

Capítulo 2 - Competência em Informação: uma trajetória de
Descobertas e pesquisa..........................................................................

74

Márcia Rosetto
Eixo Temático II – Formação e Atuação do Profissional da Informação
e a Transversalidade da Competência em Informação............................103

Capítulo 3 - Formar profissionais de informação: desafios e
possibilidades do modelo pedagógico do e-learning da Universidade
Aberta Portuguesa..................................................................................... 104
Glória Bastos e
Ana Isabel Vasconcelos
Capítulo 4 – A disciplina Competência Informacional no currículo
do Curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação
da UFMG: compromisso com a função educativa
do bibliotecário........................................................................................ 120
Bernadete Campello
Capítulo 5 – Competência informacional dos profissionais da

�11

Informação vinculados a instituições de educação
superior (IES)............................................................................................ 142

Capítulo 6– Desenvolvimento de competências informacionais,
científicas e tecnológicas: responsabilidade do ensino superior
com parceria entre a docência e a biblioteca........................................ 169
Aída Varela;
Marilene Lobo Abreu Barbosa e
Maria Giovanna Guedes Farias
Capítulo 7 – Bibliotecário como agente multiplicador da
competência informacional e midiática.................................................... 202
Elisabete Adriana Dudziak
Capítulo 8 – Hangout: redes sociais e o cruzamento de campos
no contexto organizacional...................................................................... 218
Maria Joaquina Barrulas;
Margarida Cardoso; Mónica Pinheiro e
Leonor Valfigueira
Capítulo 9 – Literacia da informação: o potencial educativo do
virtual como estratégia pedagógica.......................................................

238

Daniela Melaré Vieira Barros
Capítulo 10 – Inovação e Competência em Informação: uma
experiência teórico-prática com pós-graduandos em
Ciência da Informação.............................................................................

259

Glória Georges Feres
Eixo Temático III – Aplicações e Lições Aprendidas com
Programas Institucionais no Contexto Brasileiro................................. 284
Capítulo 11 – A experiência da organização e participação no
evento para a publicação da “Declaração de Maceió: marco na

�12

legitimação da Competência em Informação no Brasil....................... 285
Elmira Simeão e
Regina Celia Baptista Belluzzo
Aurora Cuevas Cerveró
Alejandro Uribe Tirado
Capítulo 12 – A Competência em Informação na Rede de
Bibliotecas do SESC: das origens à revisão de
práticas de gestão.................................................................................

300

Lysiane Wanderley dos Santos
Capítulo 13 – Relato de experiência de um Programa de
Competência em Informação no ambiente empresarial
com apoio da educação à distância:
case TRANSPETRO.................................................................................. 315
Marilda M. Coelho;
Maria Elisa S.E. Madeira;
Maria Isabel C da Franca e
Tatiana Neves Cosmo

�13

�14

PREFÁCIO

A informação é considerada um bem de valor na sociedade atual,
denominada sociedade da informação e do conhecimento, sendo fator
fundamental

para

o

desenvolvimento

e

a

inovação.

A

produção

e

disseminação, bem como geração e reconstrução de conhecimento ocorrem
em

larga

escala,

cada

vez

mais

influenciados

pelo

paradigma

e

desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação.
O setor produtivo é dependente do uso inteligente da informação para a
construção do conhecimento e sua incorporação no cotidiano das pessoas,
havendo exigência cada vez maior do desenvolvimento da Competência em
Informação, que se apresenta como um conjunto de habilidades essenciais
para que as pessoas possam movimentar-se nesse novo ambiente de modo a
identificar suas necessidades, buscar fontes de informação pertinentes e
relevantes, avaliá-las, selecionar informações relevantes, sintetizá-las e aplicálas à realidade.
A Competência em Informação é um movimento mundial liderado pela
IFLA e UNESCO, uma área ainda emergente no Brasil. Entretanto, a FEBAB
vem se engajando e criando espaços de mobilização e discussão em torno
dessa temática desde 2004, por entender que ações que promovam essa
competência são importantes para toda a sociedade por contribuírem para que
as pessoas alcancem novas condições de vida a partir do conhecimento e, com
isso, passem a buscar novas oportunidades e serem verdadeiros sujeitos
históricos, com valor social enquanto pessoas, além de agregarem valor
econômico às organizações em que se inserem, contribuindo, ainda, para o
desenvolvimento da sociedade como um todo.
A FEBAB, como é relatado em partes desta obra, teve um papel
importante na introdução dessa temática no Brasil, principalmente a partir da
sua participação nos eventos e Seções da IFLA onde o tema vem fazendo
parte da agenda, mediante a realização de workshop, ciclos de palestras,
seminários, Oficinas, etc. Em 2009, durante o XXIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia , Documentação e Ciência da Informação- CBBD, em BonitoMS foi realizado um Atelier de Competência em Informação, e, 2011 no XXIV

�15

CBBD realizado na cidade de Maceió-AL, ocorreu o Seminário de Competência
em Informação (I) – (FEBAB/IBICT/UnB), cujo resultado foi o lançamento da
Carta de Maceió. Em 2013, durante o XXV CBBD, novamente acontecerá o II
Seminário em Competência da Informação (FEBAB/IBICT/UNB/UNESP).
Além do lançamento dessa obra, que pretende apresentar um pouco das
realizações da Federação Brasileira De Associações de Bibliotecários e
Cientistas da Informação com referência à Competência em Informação,
procede-se à reunião de textos de autores nacionais que contribuíram com o
desenvolvimento do tema no País e também de autores de outros países que
sempre prestigiaram as ações aqui desenvolvidas.
Como Presidente da FEBAB muito nos honra disponibilizar esta obra
que, além da abordagem histórica, apresenta também importante contribuição
para os bibliotecários no exercício de seu papel de mediadores e para os
pesquisadores para a condução de novas e instigantes pesquisas.

Sigrid Karin Weiss Dutra
Presidente da FEBAB
Gestão 2011 - 2014

�16

PREFÁCIO INTERNACIONAL

Este livro reúne excelentes experiências de desenvolvimento da
Competência em informação, e, muito especialmente, uma declaração que
define o primeiro posicionamento dos profissionais da informação do Brasil
sobre a importância do desenvolvimento destas capacidades, o que confere
importância e relevância a esta contribuição para os profissionais das distintas
áreas,

tais

como:

informação,

educação,

comunicação

e

tecnologia,

possibilitando o fortalecimento de seus programas de ação, ou até mesmo,
como um guia para aqueles que estão pensando em criar iniciativas com essa
temática em suas instituições e comunidades.
O Brasil é um país reconhecido por seu imenso território e também
por ser um líder industrial em razão de sua economia. Destaca-se, ainda, pela
realização de importantes investimentos em educação e infraestrutura
tecnológica, as quais poderão ter um impacto potencial se os seus cidadãos
desenvolverem a Competência em Informação para construir eficaz e
eficientemente o conhecimento que necessitam. O sistema educacional tem a
grande responsabilidade de formar pessoas com capacidade cognitiva para
acessar os benefícios que oferece a chamada sociedade do conhecimento,
assim como para formar atores decisivos para os destinos do país. Uma nação
que, de forma especial, requer esforços diversificados para eliminar as lacunas
socioeconômicas de natureza vária, especialmente as cognitivas, as quais têm
como componente vital a Competência em Informação, uma vez que permitem
ao indivíduo saber alimentar-se intelectualmente, para tomar melhores
decisões em seu trabalho, em sua vida diária e sobre sua saúde, seu trabalho
e, sobretudo, para aprender a aprender ao longo da vida, em um mundo de
transformações que requer constante mudança e evolução de conhecimentos.
Sou um apaixonado e um ator convicto quanto ao desenvolvimento
da Competência em Informação e, portanto, alegro-me muito ao ver este livro
organizado por Regina Celia Baptista Belluzzo, uma profissional com larga
história de trabalho desta competência no Brasil e em parceria com Glória
Georges Feres, considerando que ambas fazem excelente aporte no campo da
ciência da informação e disciplinas afins, isto porque a obra incentiva o trabalho

�17

e a preparação de melhores aprendizes e melhores cidadãos, a fim de
contribuir e de se beneficiar do desenvolvimento deste grande país que é o
Brasil.

Com respeito e admiração,

Jesús Lau
jlau@uv.mx / www.jesuslau.com
Universidad Veracruzana
Boca del Río, Veracruz, México

�18

APRESENTAÇÃO DAS ORGANIZADORAS

Resumo em Português

Esta publicação trata da Competência em Informação em diferentes
ênfases

e

contextos.

Adotou-se

o

pressuposto

de

que

os

fatores

preponderantes da sociedade atual são: informação, conhecimento e a
tecnologia. A crescente evolução dos elementos tecnológicos permitiu o acesso
e uso da informação na sociedade contemporânea e tem revolucionado
significativamente o modo de viver, pensar, agir e comunicar, alterando
radicalmente as estruturas sociais baseadas nos moldes tradicionais de
produção do conhecimento. A informação, enquanto um bem social deve estar
em articulação com a universalização das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC), a qualificação dos indivíduos e o processo educativo como
forma de “aprender a aprender”. Entretanto, como há excesso de informação e
uma grande velocidade na sua geração e transferência, em decorrência
surgem novas exigências em termos de competências para sua produção e
comunicação.
Assim, são palavras de ordem do panorama social contemporâneo:
criação, desconstrução, renovação, interconexão e colaboração, em busca de
uma inteligência coletiva. Considera-se que a transformação que repercute nas
formas de trabalhar, informar e comunicar, com certeza, traz consigo a
sociedade da informação, designando o processo de mudanças com base no
uso da informação para gerar conhecimento. Mas, mudanças ágeis da
sociedade exigem das pessoas a reciclagem constante e permanente de seu
estoque de conhecimento e, embora a tecnologia permita o acesso à
informação, ela por si só não operacionaliza o processo de conhecimento.
Portanto, não basta criar apenas condições de acesso e uso à informação, por
tratar-se de uma tarefa complexa, isso demanda uma educação de qualidade,
envolvendo o desenvolvimento da Information Literacy ou Competência em
Informação (CI) nos mais diversos níveis.
Essa competência é também denominada como competência
informacional, alfabetização informacional, letramento informacional etc.,
destacando-se que a Organização das Nações Unidas para a Educação,

�19

Ciência e Cultura (UNESCO), em documento recentemente publicado (2013)
adotou a expressão “Competência em Informação” como terminologia para o
Brasil e a International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA)
a inseriu na logomarca de sua identificação. Acha-se inserida no espectro de
fatores que compõem o cenário da sociedade contemporânea, sendo
considerada uma área de estudos e pesquisa já consagrados na literatura
especializada internacional e em países desenvolvidos, mas, no contexto
brasileiro ainda constitui matéria carente de base teórica para sua melhor
compreensão e implementação nas práticas e lides desde a educação básica,
abrangendo todos os níveis escolares formais, além do contexto de
aprendizado corporativo de organizações.

Em decorrência, é preciso

desenvolver ações para sensibilizar gestores, educadores e profissionais da
informação no sentido de que trabalhem de forma integrada a fim de se
oferecer condições básicas que ultrapassem os muros da mera transmissão de
conceitos reprodutores de conhecimento e de informações. Certamente, essa é
a grande missão de todos para que a Competência em Informação possa ser
de fato uma realidade na vida dos cidadãos como condição sine qua nonao
desenvolvimento e à inovação.

Proposta

A partir das contribuições e do envolvimento da FEBAB com o tema
“Competência em Informação” surgiu a proposta desta coletânea, com
contribuições a partir de diferentes abordagens, inclusive com enfoques
multidisciplinares, buscando-se oferecer fundamentos teóricos e práticos,
sendo que os capítulos ficaram a cargo de docentes e profissionais de caráter
nacional e internacional, possuidores de expertise envolvendo esse tema. Isso
permitiu que, cada qual em sua especialidade, apresentasse a sua “leitura e
convicções” próprias da temática como um todo.

Estrutura

A coletânea ora apresentada compreende ao todo 13 capítulos, cuja
distribuição foi concebida a partir da definição de três eixos temáticos: Eixo

�20

Temático I – Trajetórias da inserção do tema da Competência em Informação
no Brasil como parte das linhas de gestão da FEBAB-SP, onde são
apresentados dois textos (Capítulo 1 e 2) envolvendo as origens do
envolvimento de docentes e pesquisadoras e as experiências vivenciadas com
a FEBAB com inúmeras atividades que compõem uma trajetória histórica.
O primeiro capítulo, intitulado “Competência em Informação:
vivências e aprendizados” de autoria de Regina Celia Baptista Belluzzo tem o
intuito de apresentar um briefing histórico-conceitual sobre a Competência em
Informação, mas, principalmente, descrever uma linha do tempo onde estão
inseridas algumas das atividades e parcerias que têm constituído trajetória de
vida da autora a partir do encontro com esse assunto e da curiosidade e
interesse em poder conhecê-lo melhor e provar da satisfação de vê-lo estar
deixando de ser considerado apenas emergente no Brasil.
Por sua vez, o segundo capítulo, apresenta a trajetória da
Competência em Informação consolidadas em políticas orientadas para a
construção de sociedades embasadas na informação e conhecimento. Intitulase “Competência em Informação: uma trajetória de descobertas e
pesquisas”

e

sua

autoria

é

de

Márcia

Rosetto

que

descreve

o

desenvolvimento e recomendações a partir de eventos promovidos pela
UNESCO e seguida por vários países do mundo, onde foram lançados as
declarações dos mesmos como compromisso para o desenvolvimento da
Competência em Informação. Além disso, apresenta conceitos da Competência
em Informação e mídias e as experiências pessoais e profissionais
desenvolvidas para a divulgação e implementação da Competência em
Informação em âmbitos da FEBAB, nacional e internacional. Finaliza com a
apresentação de pesquisa desenvolvida como pós-doutoranda e que envolveu
inter-relações entre a História da Ciência e a Ciência da Informação, tendo
como a Competência em Informação como o elo de interação entre ambas.
Na sequência, são apresentados os capítulos 3 a 10, que
constituíram o Eixo Temático II – Formação e atuação do profissional da
informação e a transversalidade da Competência em Informação.
O terceiro capítulo tem como título “Formar profissionais de informação:
desafios e possibilidades do modelo pedagógico do e-learning da
Universidade Aberta Portuguesa”, cuja autoria é de Glória Bastos e Ana

�21

Isabel Vasconcelos. Apresenta a experiência da Universidade Aberta
portuguesa no que respeita à formação de profissionais da informação em
ensino a distância na modalidade de e-learning. Focam-se algumas questões
decorrentes da implementação do processo de Bolonha, articuladas com a
concepção de um modelo pedagógico virtual. O modelo da Universidade
Aberta assenta em quatro linhas de força: a aprendizagem centrada no
estudante, o primado da flexibilidade, o primado da interação e o princípio da
inclusão digital. Estas quatro vertentes nortearam o design dos cursos e uma
prática pedagógica que pretende corresponder aos anseios dos estudantes e
às necessidades da sociedade, ressaltando a importância de uma reflexão
crítica, social e profissionalmente contextualizada. Através da aplicação de um
questionário aos estudantes do 1.º curso de pós-graduação em Ciências da
Informação e da Documentação, recolheram-se informações e apreciações
relativas a dois grandes eixos: a aplicação do modelo pedagógico virtual e a
pertinência social e profissional do curso no tocante, em especial, quanto às
variáveis que compõem a Competência em Informação. Os resultados obtidos
revelam uma visão bastante positiva sobre as duas dimensões em análise,
confirmando as perspectivas que em termos internacionais têm sido apontadas
para a já apelidada terceira geração na pedagogia da educação à distância.
O quarto capítulo, que se intitula “A disciplina Competência
Informacional no currículo do Curso de Biblioteconomia da Escola de
Ciência da Informação da UFMG: compromisso com a função educativa
do bibliotecário” tem como autora Bernadete Campello e relata uma
experiência pioneira com a disciplina Competência Informacional, criada em
2005 no currículo do Curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da
informação da UFMG, atendendo à demanda por um conteúdo que explorasse
os aspectos teóricos do conceito, mas principalmente que criasse um espaço
para a mobilização de habilidades informacionais do futuro bibliotecário. A base
da disciplina é a aprendizagem por questionamento, tendo a pesquisa como
princípio educativo. A avaliação é feita numa perspectiva formativa, inspirada
em concepções cognitivistas, construtivistas e socioculturais da aprendizagem.
A disciplina representa um compromisso com a função educativa do
bibliotecário, conforme proposta por autores que compreendem que a

�22

Biblioteconomia/Ciência da Informação conta com conhecimentos úteis que
auxiliam as pessoas a aprenderem com a informação.
O quinto capítulo, de autoria de Elizete Vieira Vitorino e Daniela
Piantola, intitula-se “Competência Informacional dos profissionais da
informação vinculados a instituições de educação superior (IES)” e tem
como propósito contribuir para a elaboração de um corpus teórico sobre
Competência Informacional dos profissionais da informação vinculados a uma
Instituição de Educação Superior. Apresenta as complexidades que o ambiente
informacional também exige, demonstrando que o importante é a existência de
um núcleo central de princípios e práticas da Ciência da Informação. Tal núcleo
se “alimentará” das representações sociais dos Profissionais da Informação
como verdades – passageiras ou não – sobre a realidade vivida. Descreve
resultados de pesquisa de campo, utilizando de perguntas abertas para um
conjunto de treze dirigentes de Bibliotecas vinculadas às IES catarinenses, pois
se trata de indivíduos de alguma forma representativos dessa coletividade.
Como resultado, as autoras ainda propõem a criação de Princípios para o
Desenvolvimento da Competência Informacional (PDCIn) no âmbito da
formação inicial (graduação). Mencionam que a formação continuada
(educação de adultos que têm experiência) demanda questionamentos que nos
obrigam a repensar a formação profissional e a revisar a missão e as práticas
de determinado conjunto de profissionais, como o caso dos Profissionais da
Informação.
O sexto capítulo, cujo título é “Desenvolvimento de competências
informacionais, científicas e tecnológicas: responsabilidade do ensino
superior com parceria entre a docência e a biblioteca”, de autoria de Aida
Varela Varela; Marilene Lobo Abreu Barbosa e Maria Giovanna Guedes
Farias,é uma revisão de literatura, cujo objetivo é refletir sobre o sistema de
formação em competências informacionais, científicas e tecnológicas para o
fortalecimento da formação no ensino superior e na atuação profissional,
buscando identificar problemáticas e definir competências para os estudantes.
Para isso, apresentam-se diversos conceitos sobre competência informacional,
a partir dos trabalhos realizados pela Association of College and Research
Library, American Association of School Librarians, e por especialistas, a
exemplo de, Castañeda, González, Marciales, Barbosa y Barbosa, Kuhlthau,

�23

Belluzzo, entre outros. Mostra também a relevância das inovações tecnológicas
na educação, como estratégias para romper barreiras de tempo e de espaço,
bem como a incorporação de soluções tecnológicas à metodologia de ensino
universitário, tal como o desenvolvimento de plataformas que se convertam em
bibliotecas e aulas permanentes de aprendizagem, ao tempo em que se
procura correlacionar a aplicação destes recursos pedagógicos e tecnológicos
à renovação das competências. As autoras concluem que é responsabilidade
das instituições de ensino e bibliotecas socializar o conhecimento e preparar
massa crítica, capaz de perceber, identificar, analisar, sintetizar e avaliar a
informação, apropriando-se criticamente do saber, na perspectiva de que esteja
apto, intelectual e moralmente, para inovar e criar novos conhecimentos,
aplicando-os em prol do desenvolvimento da sociedade.
O capítulo sete tem como autora Elisabeth Adriana Dudziak e se
intitula

“Bibliotecário

como

agente

multiplicador

da

competência

informacional e midiática”. Parte do pressuposto de que a existência de
sinais persistentes e fortes leva a considerar a crescente importância da mídia
e da informação na sociedade contemporânea. Não que no passado essa
importância fosse menor, ressalta a autora, apenas agora ambas se constituem
como elementos co-evolucionários pervasivos em praticamente todas as
sociedades. Dispositivos móveis, redes sociais, blogs, facebook, twitter e novos
recursos midiáticos convivem com modelos tradicionais de comunicação e
informação. Diante dessa ambiência, traz uma reflexão sobre a realidade, a
emergência de uma identidade renovada do profissional da informação
bibliotecário, que depende do rompimento com estruturas e modelos mentais
muitas vezes arraigados, que impedem seu próprio desenvolvimento e
engajamento nessa sociedade mutável e dinâmica. Como sugestão de
atividades que podem ser úteis aos profissionais da informação dedicados à
promoção da Competência em Informação e em mídia. Apresenta ainda uma
descrição e exemplificação das principais competências profissionais do
bibliotecário a partir das experiências relacionadas às práticas pedagógicas da
autora. Também apresenta uma relação de ações que podem ser
implementadas no espaço da biblioteca enfatizando a importância da
elaboração de um plano de aula para visualizar melhor as atividades do
bibliotecário como educador. Encerra com a afirmação de que cabe ao

�24

profissional bibliotecário educador promover a educação para a Competência
em Informação e mídia, e, atuar como agente educacional que pode motivar
mudanças importantes e integrar de maneira mais ampla ao processo
educacional.
O capítulo 8, com o título “Hangout: Redes sociais e o cruzamento
de campos no contexto organizacional” têm como autoras Maria Joaquina
Barrulas, Margarida Cardoso, Mónica Pinheiro e Leonor Valfigueira. Aqui são
apresentados resultados de um estudo exploratório realizado no âmbito de um
projeto mais vasto (work in progress) que estuda a utilização de redes sociais e
pretende questionar o papel, relevância, potencialidades e limitações destas
nas organizações. A partir do conceito de campo na acepção de Bourdieu, são
identificados os espaços sociais e espaços informacionais que se cruzam em
contextos organizacionais, o que envolve a competência no acesso e uso da
informação.

Escolheram-se

os

Laboratórios

Científicos

como

terreno

experimental por serem organizações de conhecimento intensivo, em que a
criação, partilha e uso do conhecimento constituem a sua atividade principal e
a rede social linkedin, por ser a rede profissional online mais utilizada à escala
global é destacada.
O capítulo 9, cuja autoria é de Daniela Melaré Vieira Barros, tem
como título “Literacia da informação: o potencial educativo do virtual como
estratégia pedagógica” tem como pressuposto que a emergência das
literacias propõe um desafio para a Ciência da Informação no sentido de
desenvolver estratégias, com o uso das tecnologias, a fim de facilitar uma
dinâmica de aprendizagem do usuário para que saiba encontrar, utilizar e
gerenciar a informação. Para essa autora, essa emergência advém da
sociedade em que vivemos e que nos inunda de forma rápida e contínua com
conteúdos em diversos formatos e com diversos objetivos. Em decorrência,
discorre sobre a literacia da informação, visualizada como um conjunto de
competências de aprendizagem necessárias para aceder, avaliar e usar a
informação de forma eficiente. Assegura que ela pode ser desenvolvida,
aprimorada ou até mesmo aprendida como um potencial educativo. Pensando
neste potencial, traz o relato de experiência com o desenvolvimento no curso
de pós-graduação em Ciência da informação da Universidade Aberta em
Lisboa da Disciplina de “U.C Literacias da Informação”, sendo que a autora

�25

defende o uso da metodologia à distância para a realização de um trabalho de
aprendizagem da literacia da informação enquanto estratégia de ensino
mediado por tecnologias. Dessa forma, ainda oferece uma análise das
estratégias didático-pedagógicas e dos resultados obtidos com o curso em
questão, considerando que facilitam ao profissional da informação vivenciar
uma forma inovadora de ensino e aprendizagem do acesso e uso da
informação para a construção do conhecimento.
No capítulo 10, intitulado como “Inovação e Competência em
Informação: uma experiência teórico-prática com pós-graduandos em
ciência da informação”, conta-se com a autoria de Glória Georges Feres.
Constitui-se em relato de experiência na condição de docente colaboradora e
convidada para oferecer conteúdo específico sobre “Inovação e Competência
em Informação” na Disciplina de “Competência em Informação, Redes de
Conhecimento e Inovação”, durante o 1º semestre de 2013 e junto ao
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (UNESP-Campus de
Marília), na Linha de Pesquisa: Gestão, Mediação e Uso da Informação. É
apresentado o ementário que envolveu o desenvolvimento da Competência em
Informação e sua inter-relação com redes humanas de construção de
conhecimento como diferencial para a inovação, tendo como foco o
desenvolvimento dessas redes e sua interação com diferentes recursos
informacionais, bem como quanto à aprendizagem e independência em gerar
conhecimento inovador e sua aplicabilidade à realidade social. A autora
destaca que dentre as atividades de leitura, análise e síntese desenvolvidas, foi
realizada uma oficina com os pós-graduandos apoiada em dinâmica de grupo,
cujas estratégias pedagógicas envolveram diferentes etapas: 1ª – Divisão dos
grupos de trabalho; 2ª – Teórica – Aula expositiva e palestra dialogada; 3ª Trabalho em grupo com a leitura e análise de síntese elaborada como texto
instrucional fornecida pelo docente e consulta aos padrões e indicadores de
Competência em Informação de Belluzzo; e 4ª – Comparação entre o textosíntese e os padrões e indicadores de Competência em Informação e
estabelecimento da inter-relação entre a Competência em Informação e a
inovação.

�26

Quanto ao Eixo Temático III – Aplicações e lições aprendidas com
Programas Institucionais no contexto brasileiro acham-se representado pelos
capítulos 11 a 13.
O capítulo 11, de autoria de Elmira Simeão e Regina Celia Baptista
Belluzzo intitula-se como “A experiência da organização e participação em
evento para a publicação da “Declaração de Maceió”: marco na
legitimação da Competência em Informação no Brasil”. As autoras buscam
evidenciar as experiências havidas e práticas desenvolvidas de forma
concomitante e que puderam servir como apoio e mobilizadoras para a
realização do I Seminário sobre a temática da Competência em Informação,
envolvendo especialmente a FEBAB e a UNB/FCI. Apresentam também a
trajetória da FEBAB em promover eventos sobre a temática e as experiências
da UnB/FCI. Destaca-se que, para a FEBAB, em especial, a realização desse
evento trouxe consigo o interesse e uma demanda latente por parte dos
profissionais da informação para que houvesse a abertura desse espaço de
reflexão e debates sobre a situação da “Competência em Informação” no
contexto brasileiro, contando também com o compartilhamento de experiências
e práticas desenvolvidas por pesquisadores e profissionais nas Bibliotecas e
Serviços de Informação de vários países, culminando sua participação efetiva
no processo de formação de base teórica com a publicação de vários artigos
na Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação (RBBD) e de
traduções de autores internacionais de renome e expertise nessa temática que
são veiculados em meio eletrônico. Além disso, ressalta-se que a FEBAB,
enquanto membro associado se fez representar nas reuniões e grupos de
trabalho nacionais e internacionais que envolvem a International Federation of
Library Associations and Institutions (IFLA) e a sua Information Literacy Section
(InfoLit), no sentido de trocar experiências e ampliar o conhecimento sobre a
Competência em Informação, a fim de contribuir para a consolidação dessa
temática como área de atenção primária no país. Para as experiências da
UnB/FCI, são relatadas aquelas que envolvem desde o acompanhamento e
desenvolvimento de projetos de pesquisa sobre formação de Competência em
Informação em 2006, quando professores da UnB publicaram o livro
“Alfabetização Digital e Acesso ao conhecimento” com especialistas de outros
países; uma descrição das contribuições dos brasileiros com destaque para

�27

relatos de projetos de inclusão digital com Agentes Comunitários de Saúde e o
planejamento de cursos a distancia com o propósito de desenvolver um
trabalho de mediação com os profissionais do Programa Saúde da Família,
ligado ao Sistema Único de Saúde do Brasil; o projeto ALFINBRASIL,
financiado pela Agencia Española de Cooperación Internacional para el
Desarrollo (AECID) com equipe de trabalho formada por professores, alunos e
investigadores da Universidade Complutense de Madri (UCM) e Universidade
de Brasília (GPCI/FCI/UnB) e que propiciou a capacitação de usuários da
Biblioteca Nacional de Brasília, publicando posteriormente o livro “Biblioteca
Nacional de Brasília, Pesquisa e Inovação” (Thesaurus); e, mais recentemente,
em 2012/2013, integrando alunos de Iniciação Científica, Mestrado e
Doutorado o projeto de formação de Competência em Informação para alunos
da Universidade de Brasília (2011- atual) e que deverá ser implantado
brevemente pela instituição. Finalizando, as autoras fazem menção para o
“Seminário Competência em Informação: cenários e tendências”, organizado
pela FEBAB, IBICT e a Faculdade de Ciência da Informação da Universidade
de Brasília que aconteceu como um evento paralelo durante o XXIV Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação.
Destacando que apresentou um cenário da Competência em Informação na
sociedade

contemporânea,

promovendo

a

reflexão,

discussão

e

compartilhamento de experiências e práticas desenvolvidas por pesquisadores
e profissionais nas Bibliotecas e Serviços de Informação de vários países,
sendo seu principal resultado o documento considerado como um marco da
legitimação da Competência em Informação no Brasil – a “Declaração de
Maceió”.
O capítulo 12, que se intitula “A Competência em Informação na
rede de bibliotecas do SESC: das origens à revisão de práticas de
gestão”, tem como autora Lisyane Wanderley dos Santos e relata as
propostas desenvolvidas pelo Departamento Nacional do Serviço Social do
Comércio - Sesc para a capacitação em Competência em Informação para
bibliotecários da instituição. Parte de premissas de que a gestão de unidades
de informação no contexto atual apresenta desafios que vão além do papel
tradicional da Biblioteca, considerando isso como um processo complexo, que
envolve muito mais do que conhecimento e experiência no assunto: exige do

�28

profissional compreensão e avaliação sistêmica de processos. Ressalta que no
passado, a principal finalidade da Biblioteca era entendida como sendo uma
área de guarda e repositório da informação e que, atualmente, o objeto da
Biblioteca está ampliado: agrega múltiplas funções e interações com outras
áreas do conhecimento. Essas novas demandas sociais exigem do
bibliotecário um olhar que ultrapassa o tratamento técnico da informação. É
necessário desenvolver competências e habilidades para cumprir o papel de
um agente social qualificado e servir de canal entre o que é produzido e o que
é consumido, incentivando o acesso, o uso dos acervos e base de dados
desenvolvendo ações voltadas à educação continuada. Traz menção para que
isso implique em uma gestão criativa da informação e subentende a percepção
das formas de acesso, seleção, articulação e organização das informações, a
apreensão e concepção de contextos globais na compreensão do seu caráter
multidimensional e das relações entre o todo e cada uma das partes. Apresenta
o perfil do bibliotecário e o trabalho da Rede Sesc de Bibliotecas e destaca a
importância da sistematização de projetos de capacitação sob o enfoque da
Competência em Informação, a fim de efetuar revisão dos processos de gestão
buscando a inovação e a pró-atividade dos seus recursos humanos que atuam
em Biblioteca. Finaliza com a reflexão também sobre as competências
necessárias a esses profissionais para melhorar o desempenho frente as suas
atividades, na perspectiva de uma atuação mais alinhada aos paradigmas da
contemporaneidade
Conhecimento,

e

diretrizes

destacando

que

da

Sociedade

suas

da

atribuições

Informação
são

e

do

multifacetadas:

desenvolvem os processos de referência e tratamento técnico do acervo, ações
integradas de orientação à pesquisa e incentivo à leitura, orientações e
capacitação e supervisão rotineiras dos auxiliares de biblioteca e estagiários,
dentre outros aspectos vinculados à administração da(s) unidade(s) de
informação e de assessoramento ao desenvolvimento pleno da área nos seus
respectivos estados.
O capítulo 13, é um relato considerado como experiência pioneira
em área empresarial no Brasil e se intitula “Relato de experiência de um
programa de Competência em Informação no ambiente empresarial com
apoio da educação à distância: Casetranspetro” e tem como autoras
Marilda M. Coelho; Maria Elisa S. E. Madeira; Maria I. C. da Franca italiana N.

�29

Cosmo. As autoras partem do pressuposto de que o advento da tecnologia da
informação facilitou os processos de produção e organização da informação,
entretanto, aumentou a complexidade do seu acesso e avaliação e o
consequente entendimento de como usá-la de maneira efetiva. Além disso,
também destacam a ausência de uma cultura organizacional que valorize o uso
dos serviços de biblioteca e a gestão das informações técnicas de engenharia,
destacando a dificuldade de acessá-las e utilizá-las de forma inteligente para a
construção do conhecimento na Transpetro, empresa de logística de transporte
de combustível, o que pode comprometer o desenvolvimento das atividades
com a segurança requerida. Apontam as dificuldades que decorre dessa
situação para o processo de tomada de decisão e a necessidade de melhorar
os processos de gestão, acesso, uso e avaliação das informações técnicas e
estratégicas, o que motivou o Centro de Informação e Documentação - CID a
criar um Programa de Competência em Informação, cuja finalidade é assegurar
que todos os colaboradores da empresa desenvolvam as habilidades
informacionais requeridas a um desempenho operacional e estratégico eficaz.
Em função da atuação de âmbito nacional da Empresa, o programa foi
desenvolvido em parceria com as Gerências de Recursos Humanos e de
Comunicação Institucional e utilizando a metodologia de blended learning, que
combina o ensino presencial e à distância. Assim sendo, são descritas e
apresentadas à metodologia desenvolvida e as diferentes etapas da criação do
Programa de Competência em Informação no ambiente empresarial. Traz
menção também para a pretensão de colaboração com a construção de um
projeto corporativo de Competência em Informação para a todas as empresas
do Sistema Petrobras, que possa também servir como um benchmarking para
outras organizações, considerando-se o cenário de mercado competitivo que
se apóia na economia informacional da sociedade contemporânea. Ao final,
são apresentados os resultados alcançados e os esperados com o
desenvolvimento do programa o qual se encontra em constante avaliação,
buscando a melhoria contínua, além de contribuir com algumas “dicas de boas
práticas” para o desenvolvimento de programas de Competência em
Informação.

�30

PRESENTACIÓN DE LAS ORGANIZADORAS

Resumen em español (Tradución de Aurora Cuevas Cerveró)

Esta publicación trata sobre Competencias en Información en diferentes
contextos y énfasis. Hemos adoptado la hipótesis de que los factores
preponderantes en la sociedad actual son: información, conocimiento y
tecnología. La tendencia cada vez mayor de elementos tecnológicos permitió el
acceso y uso de la información en la sociedad contemporánea y ha revolucionado
significativamente la forma de vivir, pensar, actuar y comunicar, alterando
radicalmente las estructuras sociales basadas en las formas tradicionales de
producción de conocimiento. La información, como un bien social, debe estar en
relación con la universalización de las Tecnologías de la Información y la
Comunicación (TIC), la cualificación de las personas y el proceso educativo como
una forma de "aprender a aprender". Sin embargo, al haber demasiada
información y una gran velocidad en su generación y transferencia, surgen nuevas
exigencias en términos de competencias para su producción y comunicación.

Así son las consignas del paisaje social contemporáneo: creación,
deconstrucción, renovación, interconexión y cooperación en la búsqueda de una
inteligencia colectiva. Se considera que la transformación que repercute en las
formas de trabajar, informar y comunicar, ciertamente, trae consigo la sociedad de
la información, designando el proceso de cambios basado en el uso de la
información para generar conocimiento.

Pero los cambios ágiles de la sociedad exigen de las personas un reciclaje
constante y permanente de su capital de conocimiento y, aunque la tecnología
permita el acceso a la información, por sí sola no hace posible el proceso de
conocimiento. Así que no basta con crear las condiciones para el acceso y uso de
la información, ya que es una tarea compleja que exige una educación de calidad,
involucrando el desarrollo de a

Information Literacy o competencias

informacionales (CI) en los más diversos niveles.

�31

Esta competencia también se conoce como competencia informacional,
alfabetización informacional, letramento informacional, etc., Hemos de destacar
que las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO), en
un documento recientemente publicado (2013) adoptó el término "Competencia en
información "como terminología para Brasil y la International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA) lo incluyó en el logotipo de su identificación.
Se encuentra incluido en el espectro de factores que conforman el paisaje de la
sociedad contemporánea, y se considera un área de estudio y de investigación,
consagrado en la literatura especializada internacional y en países desarrollados,
pero en el contexto brasileño es una cuestión aún carente base teórica para una
mejor comprensión e implementación en las prácticas y discusiones desde la
educación básica, que abarca todos los niveles de educación primaria, además de
aprendizaje corporativo de las organizaciones. Por lo tanto, es necesario
desarrollar acciones para sensibilizar a los gestores, educadores y profesionales
de la información sobre la necesidad de trabajar de forma integrada con el fin de
proporcionar las condiciones básicas que sobrepasen los muros de la mera
transmisión de conceptos que reproduzcan los conocimientos e informaciones.
Ciertamente, esa es la gran misión de todos para que la competencia en
información pueda ser de hecho, una realidad en la vida de los ciudadanos como
condición sine qua non para el desarrollo y la innovación.

Propuesta
A partir de las aportaciones y la participación de FEBAB con el tema
"Competencia en Información" surgió La propuesta de esta colección, con la
colaboración de diferentes enfoques, incluyendo enfoques multidisciplinarios ,
buscando ofrecer fundamentos teóricos y prácticos, siendo así que los capítulos
quedaron bajo la responsabilidad de docentes y profesionales, nacionales e
internacionales, poseedores de experiencia sobre este tema. Esto permitió que
cada uno en su especialidad, presentase su "lectura y convicciones" propias de la
temática en su conjunto.

Estructura

�32

La colección que aquí se presenta, cuenta con un total de 13 capítulos,
cuya distribución fue concebido a partir de la definición de tres ejes temáticos:
Eje Temático I – Trayectorias de inserción

del tema de la Competencia

informacional en Brasil como parte de lãs líneas de gestión de FEBAB-SP,
donde son presentados dos textos (capítulos 1 y 2) que incluyen los orígenes
de la participación de los docentes e investigadores y las experiencias
vivenciadas con FEBAB con numerosas actividades que conforman una
trayectoria histórica.

El

primer

capítulo,

titulado

"Competencia

en

Información:

experiencias y aprendizajes", escrito por Regina Celia Baptista Belluzzo tiene
como objetivo presentar un briefing histórico conceptual sobre la competencia
en información, pero sobre todo describir una línea de tiempo en la que se
encuentran algunas de las actividades y colaboraciones que han constituido
trayectoria en la vida de la autora desde el encuentro con ese asunto y la
curiosidad e interés en llegar a conocerlo mejor y saborear la satisfacción de
ver lo que ya no se considera sólo incipiente en Brasil.

El segundo capítulo presenta la trayectoria de la alfabetización en
información consolidada en las políticas destinadas a la construcción de
sociedades basadas en la información y el conocimiento. Se titula
"competencia

en

informacion:

un

camino

de

descubrimiento

e

investigación" y su autoría es deMarcia Rosetto que describe el desarrollo y
las recomendaciones a partir de eventos organizados por la UNESCO y
seguido por varios países del mundo, donde fueron lanzadas las declaraciones
de los mismos como compromiso para el desarrollo de la alfabetización
informacional. Además de esto, se presentan los conceptos de alfabetización
en información y medios de comunicación y las experiencias personales y
profesionales desarrolladas para la difusión y aplicación de la alfabetización
informacional en las áreas de FEBAB, nacional e internacional. Concluye con la
presentación de la investigación desarrollada como becario postdoctoral y que
involucra interrelaciones entre la Historia de la Ciencia y la Ciencia de la
Documentación, con la competencia en información como el eslabón de la
interacción entre ellos.

�33

A continuación se muestran los capítulos 3-10, que constituyen el eje temático
II - Formación e actuación del profesional de la información y la transversalidad
de la Competencia en Información.

El tercer capítulo se titula "Formar profesionales de la Información:
retos y posibilidades del modelo pedagógico de e-learning en la
Universidad Abierta de Portuguesa", cuya autoría es de Gloria Bastos y Ana
Isabel Vasconcelos. Se presenta la experiencia de la Universidad Abierta de
Portugal en cuanto a la formación de los profesionales de la información en
enseñanza a distancia modalidad de e-learning. La atención se centra en
algunas cuestiones derivadas de la aplicación del proceso de Bolonia,
articuladas con la concepción de un modelo pedagógico virtual. El modelo de
Universidad Abierta se basa en cuatro líneas de fuerza: un aprendizaje
centrado en el estudiante, la primacía de la flexibilidad, la primacía del principio
de la interacción y la inclusión digital. Estos cuatro factores guiaron el diseño de
los cursos y una práctica pedagógica

que pretende coincidir con las

expectativas de los estudiantes y las necesidades de la sociedad, haciendo
hincapié en la importancia de una reflexión crítica, social y profesionalmente
contextualizada. Mediante la aplicación de un cuestionario a los alumnos de 1 º
curso de postgrado en Ciencias de la Información y Documentación, se
recopilaron informaciones y apreciaciones relativas a dos grandes áreas: la
aplicación del modelo pedagógico virtual y la relevancia social y profesional del
curso respecto, en particular sobre las variables que conforman la competencia
informacional. Los resultados revelan una visión bastante positiva sobre las dos
dimensiones del análisis, lo que confirma que las perspectivas en términos
internacionales han sido apuntadas para la ya denominada tercera generación
en la pedagogía de la educación a distancia.

El capítulo cuarto, que se titula "La disciplina Competencia
Informacional en el plan de estudios del Curso de Biblioteconomía de la
Escuela de Ciencias de la Información de la UFMG: Compromiso con la
función educativa del bibliotecario” tiene como autora a Bernadet Campello
y relata una experiencia pionera con la disciplina competencia informacional,
establecida en 2005 en el plan de estudios del Curso de Biblioteconomía de la

�34

Escuela de Ciencias de la Información de la UFMG con el objetivo de satisfacer
la demanda de contenidos que explorasen los aspectos teóricos del concepto,
pero principalmente que crease un espacio para la movilización de de las
habilidades informacionales del futuro bibliotecario. La base de la disciplina es
el aprendizaje basado en problemas tomando la investigación como principio
educativo. La evaluación se hace desde una perspectiva formativa inspirada
en

concepciones

cognitivistas,,

constructivistas

y

socioculturales

de

aprendizaje. La disciplina representa un compromiso con la función educativa
del bibliotecario conforme lo propuesto por autores que entienden que la
Biblioteconomía / Ciencia de la Información cuenta con conocimientos útiles
para ayudar a las personas a aprender con la información.

El quinto capítulo, cuyas autoras son Elizete Vieira Vitorino y Daniela
Piantola se titula “Competencia Informacional de los profesionales de la
información vinculados a instituciones de educación superior (IES)” y
tiene como propósito contribuir a la elaboración de un corpus teórico sobre
Competencia Informacional de los profesionales de la información vinculados a
una institución de educación superior. Presenta la complejidad que exige el
ambiente informacional demostrando que lo importante es la existencia de un
núcleo central de principios y prácticas de Ciencias de la Información. Ese
núcleo se “alimentará” de las representaciones sociales de los profesionales de
la información como verdades – pasajeras o no – sobre la realidad vivida.
Describe resultados de investigación de campo, usando preguntas abiertas
para un grupo de trece directivos de Bibliotecas vinculadas a los IES de
Catarina ya que se trata de individuos de alguna forma representativos de esa
colectividad. Como resultado, las autoras también proponen la creación de
Principios para el Desarrollo de las Competencias Informacionales (PDCIn)
dentro de la formación inicial (Graduación). Menciona que la educación
continua

(educación

de

adultos

que

tienen

experiencia)

demandan

planteamientos que nos obligan a repensar la formación profesional y a revisar
la misión de las prácticas de un determinado conjunto de profesionales, como
el caso de profesionales de la información.

�35

El sexto capítulo, titulado "Desarrollo de habilidades informacionales,
científicas y tecnológicas: la responsabilidad de la educación superior en
colaboración con la docencia y la biblioteca”, de Aida Varela Varela,
Marilene Abreu Lobo Barbosa y Maria Giovanna Guedes Farias es una revisión
de la literatura, cuyo objetivo es reflexionar sobre el sistema de formación en
habilidades informacionales, científicas y tecnológicas para fortalecer la
formación en la educación superior y la práctica profesional con el fin de
identificar los problemas y definir las competencias de los estudiantes. Para
ello, se presentan diversos conceptos sobre alfabetización informacional, a
partir de los trabajos realizados por la Association of College and Research
Library, American Association of School Librarians, y por especialistas por
ejemplo

Castañeda, González, Marciales, Barbosa y Barbosa, Kuhlthau,

Belluzzo,entre otros. También muestra la importancia de la innovación
tecnológica en la educación, como estrategias para romper las barreras del
tiempo y del espacio, así como la incorporación de soluciones tecnológicas
para la metodología de la enseñanza universitaria, como el desarrollo de
plataformas que se convierten en bibliotecas y aulas

permanentes de

aprendizaje al tiempo que se busca correlacionar la aplicación de estos
recursos pedagógicos y tecnológicos a la renovación de las competencias. Las
autores llegan a la conclusión de que es responsabilidad de las instituciones
educativas y bibliotecas socializar el conocimiento y preparar masa crítica,
capaz de percibir, identificar, analizar, sintetizar y evaluar la información
apropiándose críticamente del saber desde la perspectiva de que esté en
forma, intelectual y moralmente, para innovar y crear nuevos conocimientos,
para su aplicación en el desarrollo de la sociedad.

El séptimo capítulo tiene como autora a Adriana Elisabeth Dudziak y se
titula "bibliotecario como agente multiplicador de la alfabetización en
información y medios de comunicación." Parte del presupuesto de que la
existencia de señales fuertes y persistentes conducen a considerar la creciente
importancia de los medios de comunicación e información en la sociedad
contemporánea. No es que en el pasado esto fuera menos importante, señala
la autora, sólo que ahora ambas se constituyen como elementos que

�36

evolucionan paralelamente y resultan omnipresente en prácticamente todas las
sociedades.
Dispositivos móviles, redes sociales, blogs, Facebook, Twitter y nuevos
recursos de comunicación coexisten con los modelos tradicionales de
comunicación e información. Esta situación reclama una reflexión sobre la
realidad, la emergencia de una identidad renovada del bibliotecario profesional
de la información, que depende de la ruptura con las estructuras y los modelos
mentales a menudo arraigados, impidiendo su desarrollo y su participación en
esta sociedad dinámica y cambiante. Como actividades sugeridas que pueden
ser útiles para profesionales de la información dedicados a promover la
alfabetización en información y medios de comunicación presenta también una
descripción y ejemplificación de las principales competencias de los
bibliotecarios a partir de las experiencias relacionadas con las prácticas
pedagógicas de la autora. También se presenta una lista de acciones que se
pueden implementar en la biblioteca haciendo hincapié en la importancia de
desarrollar una planificación de las clases para visualizar mejor las actividades
del bibliotecario como educador. Concluye con la afirmación de que es tarea
del maestro bibliotecario promover la educación para la alfabetización
mediática e informacional y actuar como agente educativo que puede motivar
cambios importantes a integrar de manera más amplia en el proceso educativo.

El capítulo 8 cuyo título es "Hangout: Redes Sociales y cruce de
campos en el contexto de la organización" tiene como autores a Maria
Joaquina Barrulas, Margarida Cardoso, Mónica Pinheiro y Leonor Valfigueira.
Aquí

se presentan los resultados de un estudio exploratorio dentro de un

proyecto más amplio (trabajo en curso) que estudia el empleo de las redes
sociales y pretende cuestionar el papel, la pertinencia, el potencial y las
limitaciones de estas organizaciones. Desde el concepto de campo, en el
sentido de Bourdieu, se identifican los espacios sociales y espacios de
información que se cruzan en contextos organizacionales, lo que implica la
competencia en el acceso y uso de la información. Fueron elegidos los
Laboratorios Científicos como área experimental por ser organizaciones de
conocimiento intensivo, en el que la creación, distribución y uso del

�37

conocimiento constituyen su actividad principal y la red social LinkedIn, por ser
la red profesional online más utilizado a nivel mundial más destacada
El Capítulo 9, cuya autoría es de Melare Daniela Vieira Barros, se titula "La
alfabetización informacional: el potencial educativo de lo virtual como
estrategia pedagógica" y presupone que la emergencia de las alfabetizaciones
proponen un reto para Ciencias de la Información en el sentido de desarrollar
estrategias, con el uso de tecnologías para facilitar al usuario una dinámica de
aprendizaje para que sepa encontrar, usar y gestionar la información. Para esta
autora, esta emergencia proviene de la sociedad en que vivimos y que nos inunda
de forma rápida y continua con contenidos en diferentes formatos y con diferentes
objetivos. Como resultado, se refiere a la alfabetización informacional, vista como
un conjunto de habilidades necesarias para acceder, evaluar y usar la información
de manera eficaz. Asegura que puede ser desarrollada,, mejorada o incluso
aprendida como un potencial educativo. Pensando en este potencial relata la
experiencia del desarrollo del curso de postgraduación en Ciencias de la
Información por la Universitat Oberta de Lisboa en la disciplina "UC Information
Literacy", y la autora defiende

el uso de la metodología a distancia para la

realización de un trabajo de aprendizaje de la alfabetización en información, a
través de una estrategia de enseñanza mediada por la tecnología. De esta forma
incluso ofrece un análisis de las estrategias didáctico-pedagógicas y de los
resultados obtenidos con el curso en cuestión, considerando que facilitan al
profesional de la información una experiencia innovadora de enseñanza y
aprendizaje respecto al acceso y uso de la información para la construcción del
conocimiento.

En el capítulo 10, titulado "Innovación y competencia informacional:
una experiencia teórica y práctica con estudiantes de postgrado en ciencias
de la información", se cuenta con la autoría de Gloria Georges Feres. Constituye
un relato de experiencia desde la perspectiva de docente colaboradora e invitada
a ofrecer contenido específico sobre "Innovación y Competencia en Información"
en la disciplina "Competencia en Información, Redes de Conocimiento e
Innovación" durante el primer semestre de 2013, en el contexto del Programa de
Postgraduación en Ciencias de la Información (UNESP, Campus de Marília) en la

�38

Línea de Investigación: Gestión, mediación y uso de información. Se muestra la
agenda que implicó el desarrollo de la alfabetización en información y su
interrelación con las redes humanas de construcción del conocimiento como un
diferencial para la innovación, centrándose en el desarrollo de estas redes y su
interacción con los diferentes recursos de información, así como el aprendizaje y
la autonomía en la generación de conocimiento innovador y su aplicabilidad a la
realidad social. La autora señala que entre las actividades de lectura, análisis y
síntesis desarrollada, se realizó un taller con los estudiantes de postgrado
apoyado en la dinámica de grupo, cuyas estrategias pedagógicas incluyeron
diferentes etapas: 1º - División de los grupos de trabajo; 2º - Teoría – Clase
expositiva y conferencia dialogada; 3º - Trabajo en grupo con la lectura y el
análisis de la síntesis elaborada como texto instructivo facilitado por el profesor y
consulta de los estándares y los indicadores de competencia en información de
Belluzzo; y 4º - Comparación entre el texto-síntesis y las normas e indicadores de
competencia en información y establecimiento de interrelación entre la
competencia la información y la innovación.

En cuanto al Eje Temático III - Aplicaciones y lecciones aprendidas con
Programas Institucionales en el contexto brasileño, se encuentra representado por
los capítulos 11 a 13.

El capítulo 11, escrito por Elmira Simeón y Regina Celia Baptista Belluzzo
se titula "La experiencia de organizar y participar en el evento para la
publicación de la" Declaración de Maceió: "marco para la legitimación de la
alfabetización informacional en Brasil." Las autoras tratan de poner de relieve
las experiencias relativas a las prácticas desarrolladas al mismo tiempo y que
pudieran servir de apoyo y movilización para lograr la realización del Seminario
sobre el tema de la Competencia en Información, involucrando especialmente a
la FEBAB y la UnB / FCI. Presentan también la trayectoria de FEBAB para
promover eventos sobre el tema y las experiencias de UnB / FCI. Es de destacar
que, para FEBAB, en particular, la realización de este evento ha traído interés y
una demanda latente por parte de los profesionales de la información de modo
que hubiese apertura de este espacio de reflexión y debate sobre la situación de
la "Competencia de la Información" en el contexto brasileño, contando también

�39

con

el

intercambio

de

experiencias

y prácticas

desarrolladas

por

los

investigadores y los profesionales de las bibliotecas y servicios de información en
varios países, culminando su participación efectiva en el proceso de formación de
la base teórica con la publicación de varios artículos en la Revista Brasileña de
Biblioteconomía

y

Documentación

(RBBD)

y

traducciones

de

autores

internacionales y reconocida experiencia en este tema que se llevaron a cabo en
medios electrónicos. Por otra parte, cabe destacar que la FEBAB como miembro
asociado, estuvo representada en las reuniones y grupos de trabajo nacionales e
internacionales que incluyen la International Federation of Library Associations
and Institutions (IFLA) e la Information Literacy Section (InfoLit),), en el sentido de
intercambiar experiencias y ampliar conocimientos sobre

competencias en

información con el fin de contribuir a la consolidación de este tema como un área
de atención primaria en el país. Las experiencias de la UnB / FCI relatadas
incluyen el desarrollo y seguimiento de proyectos de investigación sobre d
formación en Competencias informacionales desde 2006, cuando profesores de la
UnB publicaron el libro "Alfabetización digital y acceso al conocimientos" con
especialistas de otros países; incluyen también una descripción de las
contribuciones del proyecto IDEIAS con énfasis en los informes de proyectos de
inclusión digital con Agentes Comunitarios de Salud o planificación de cursos a
distancia con el fin de desarrollar una labor de mediación con los profesionales del
Programa de Salud de la Familia, conectado al sistema Único de Salud de Brasil;
Otra contribución es el proyecto ALFINBRASIL, financiado por la Agencia
Española de Cooperación Internacional para el desarrollo (AECID) con el equipo
de trabajo formado por profesores, estudiantes e investigadores de la Universidad
Complutense de Madrid (UCM) y la Universidad de Brasília (GPCI /FCI /UnB) y
que capacitó a usuarios de la Biblioteca Nacional de Brasilia, publicando
posteriormente el libro "Biblioteca Nacional de Brasilia, Investigación e
Innovación" (Thesaurus), y más recientemente en 2012/2013, la integración de los
estudiantes de postgrado, maestría y doctorado en el proyecto formación en
competencias en información para estudiantes de la Universidad de Brasilia (2011
- actual) y que deberá ser implementado en breve por la institución. Por último, los
autores hacen referencia al "Seminario sobre Competencia en

Información:

Escenarios y Tendencias", organizado por FEBAB, IBICT y la Facultad de
Ciencias de la Información de la Universidad de Brasilia, que tuvo lugar como un

�40

evento paralelo durante el XXIV Congreso Brasileño de Biblioteconomía,
Documentación y Ciencias de la Información destacando que presentaron un
escenario de las competencias en información en la sociedad contemporánea,
promoviendo la reflexión, la discusión y el intercambio de experiencias y prácticas
desarrolladas por investigadores y los profesionales de las bibliotecas y servicios
de información de varios países, siendo su principal resultado el documento
considerado como un marco de legitimación de la competencia en información en
Brasil - la "Declaración de Maceio."

El capítulo 12, titulado "La alfabetización informacional en la red de
bibliotecas SESC: de los orígenes a la revisión de las prácticas de gestión",
cuya autoría es de

Lisyane Wanderley dos Santos relata las propuestas

desarrolladas por el Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio Sesc para la capacitación en competencias informacionales de los bibliotecarios
en la institución. Parte del supuesto de que la gestión de

las unidades de

información en el contexto actual presenta desafíos que van más allá del papel
tradicional de la biblioteca, considerando esto como un proceso complejo que
implica mucho más que conocimiento y experiencia en el tema: requiere la
comprensión y evaluación sistémicos de los procesos. Señala que en el pasado,
la principal finalidad de la biblioteca era entendida como un lugar de custodia y
repositorio de información y que, en la actualidad, el objeto de la biblioteca se ha
ampliado: añade múltiples funciones e interacciones con otras áreas del
conocimiento. Estas nuevas demandas sociales requieren del bibliotecario una
mirada que va más allá del procesamiento técnico de la información. Es
necesario desarrollar competencias y habilidades para cumplir el papel de un
agente social cualificado y servir de enlace entre lo que es producido y lo que se
consume, fomentando el acceso, el uso de los acervos y bases de datos,
desarrollando acciones dirigidas a la formación continua. Menciona lo que esto
implica en una gestión creativa de la información, y sobreentiende la percepción
de las formas de acceso, selección, articulación y organización de la información,
la aprensión y concepción de contextos globales en la comprensión de su
naturaleza multidimensional y de las relaciones entre el todo y cada una de las
partes. Presenta el perfil del bibliotecario y el trabajo de la Red de Bibliotecas
SESC y destaca la importancia de sistematización de los proyectos de

�41

capacitación con un enfoque en competencias en Información con el fin de llevar
a cabo la revisión de los procesos de gestión buscando la innovación y la
proactividad de sus recursos humanos que actúan en la Biblioteca. Termina con la
reflexión sobre las habilidades necesarias para que estos profesionales puedan
mejorar el desempeño frente a sus actividades, desde la perspectiva de una
actuación más alineada con los paradigmas de la contemporaneidad y las
directrices de la Sociedad de la Información y el Conocimiento, señalando que
sus funciones son múltiples: el desarrollo de los procesos de referencia y
tratamiento

técnico de la colección, acciones integradas de orientación a la

investigación y fomento de la lectura, la orientación, la formación y supervisión
rutinaria de auxiliares de biblioteca y becarios, entre otros aspectos relacionados
con la administración de la(s) Unidad (es) de información y asesoramiento al
pleno desarrollo del área en sus respectivos estados..
El capítulo 13 es un relato considerado como pionero en el área
empresarial en Brasil, y se titula "Relato de experiencia de un programa de
alfabetización en información en el entorno empresarial para apoyar la
educación a distancia: caso Transpetro" y sus autoras son Marilda M. Coelho,
Maria Elisa S. E. Wood, María I. C. de Francia y Tatiana N. Cosmo. Las autoras
parten de la hipótesis de que el advenimiento de la tecnología de la información
ha facilitado los procesos de producción y organización de la información, sin
embargo, aumento la complejidad de su acceso y evaluación y el consiguiente
entendimiento de cómo utilizarla de manera eficaz. Además, también destaca la
ausencia de una cultura organizacional que valora el uso de los servicios
bibliotecarios y la gestión de información técnica del área de ingeniería poniendo
de relieve la dificultad de su acceso y uso de forma inteligente para construir
conocimiento en la empresa Transpetro, empresa de logística de transporte de
combustible, lo que puede poner en peligro el desarrollo de actividades con la
seguridad requerida.
Señalan las dificultades que derivan de esa situación para el proceso de
toma de decisiones y la necesidad de mejorar los procesos de gestión, acceso,
uso y evaluación de la información técnica y estratégica, lo que motivó al Centro
de Información y Documentación - CID a crear un programa de Competencias en
información, cuyo objetivo es garantizar que todos los empleados de la empresa

�42

desarrollen las habilidades informacionales necesarias para el desempeño
operacional y estratégico eficaz. En función de la actividad de ámbito nacional de
la empresa el programa ha sido desarrollado en colaboración con la Gerencia de
Recursos Humanos y de Comunicaciones Institucional y el uso de la metodología
de blended learning, que combina la enseñanza presencial y a distancia. Así, se
describen y se presentan la metodología y las diferentes etapas de la creación del
Programa de Competencia en Información en el ámbito empresarial.
Menciona también la pretensión de colaboración con la construcción de un
proyecto empresarial de Competencias en Información para todas las empresas
del Sistema Petrobras, que también pueda servir como un benchmarking para
otras organizaciones considerándose el escenario de mercado competitivo que se
apoya en la economía informacional de la sociedad contemporánea. Por último,
se presentan los resultados obtenidos y los esperados con el desarrollo del
programa, que se encuentra en constante evaluación, buscando la mejora
continua además de contribuir con algunas “recomendaciones de buenas
prácticas" para el desarrollo de programas de alfabetización informacional.

Regina Celia Baptista Belluzzo
Glória Georges Feres

�43

PRESENTATION OF THE ORGANIZERS

Abstract in english

This publication is about Information Literacy in different contexts and
emphasis. It was adopted the hypothesis that the predominant factors in the
current society are: information, knowledge and technology. The increasing
evolution of technological elements allowed the access and use of the
information in the contemporary society and has revolutionized significantly the
way of living, think, act and communicate, changing radically the social
structures based in the traditional forms of production of knowledge. The
information, as a social good, has to be in relation with the globalization of the
Technologies of the Information and the Communication (TIC), the qualification
of the people and the educational process as a form to "learn to learn".
However, when there are too many information and a big speed in its
generation and transfer, this arise new exigencies in terms of competencies for
its production and communication.
Thus, they are consigns of the contemporary social landscape: creation,
deconstruction, renewal, interconnection and cooperation in the research of a
collective intelligence. It is considered that the transformation that reverberate in
the forms to work, inform and communicate, certainly results in the information
society, designating the process of changes based in the use of the information
to generate knowledge. But the speed society changes demand of people a
constant and permanent recycling of its capital of knowledge and, although the
technology allow the access to the information, by itself it does not make
possible the process of knowledge. Therefore, it is not enough to create the
conditions for the access and use of the information, since it is a complex task
that demands an education of quality, involving the development of Information
Literacy or competency in information (CI) in the most diverse levels.
This competency is also called information competency, information
literacy, etc., emphasizing that the United Nations Educational, Scientific and

�44

Culture Organization (UNESCO), in a recently document published in 2013,
adopted the term Information Literacy as a terminology for Brazil and the
International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) included
it in the logotype of its identification. It is included in the spectrum of factors that
conform the scenario of the contemporary society, and it is considered as an
area of study and investigation, consecrated in the specialized international
literature and in developed countries, but in the Brazilian context, it is still a
question which lacks of a theoretical base for a better understanding and
implementation in the practices and discussions from the basic education, that
covers all the levels of primary education, in addition to corporate learning of the
organizations. Therefore, it is necessary to develop actions to sensitize the
agents, educators and professional of the information on the need to work in an
integrated way in order to provide the basic conditions that exceed the walls of
the mere transmission of reproducer concepts of knowledge and information.
Certainly, that is the big mission of all, so that the Information Literacy can be in
fact, a reality in the life of the citizens as a sine qua non condition for
development and innovation.

Proposal

From the contributions and the participation of FEBAB with the subject
“Information Literacy” the proposal of this compilation was made with the
collaboration of different approaches, including multidisciplinary approaches,
looking to offer the theoretical and practical foundations. Chapters are under the
responsibility of educational and professional, national and international,
holders of expertise on this subject. This allowed that each one in its specialty
have presented its own "reading and convictions" of the thematic as a whole.

Structure

�45

The compilation here presented has a total of 13 chapters, whose
distribution was conceived from the definition of three thematic axes: Thematic
Axis I – Paths of insertion of the subject of the Information Literacy in Brazil as a
part of the management lines of FEBAB, where there are presented two texts
(chapters 1 and 2) that include the origins of the participation of the educational
and researchers and the lived experiences of FEBAB with numerous activities
that conform a historical path.
Chapter 1: "Information Literacy: experience and learning”, which
author is, Regina Celia Baptista Belluzzo has like aim to present a brief
historical concept on the Information Literacy, but especially describes a
timeline where there are included some of the activities and collaborations that
have constituted a path of life of the author from the meeting with this subject
and the curiosity and interest in arriving to know it better and check the
satisfaction to see that it is no longer considered only incipient in Brazil.
Chapter 2 "Information Literacy: a path of discovering and
researches", which author is

Marcia Rosetto, presents the path of the

Information Literacy consolidated in the destined politics to the construction of
societies based in the information and knowledge. It describes the development
and the recommendations from events organized by UNESCO and followed by
several countries worldwide, where there were launched its statements as a
commitment for the development of the Information Literacy. In addition to this,
it presents the concepts of Information Literacy and media and the personal and
professional experiences developed for the diffusion and application of the
Information Literacy in the national and international areas of FEBAB. It
concludes with the presentation of the investigation developed like scholar
postdoctoral and that involve interrelationships between the History of Science
and Documentation Science, having the information literacy as the link of the
interaction between them.
In the sequence they are presented, chapters 3 to 10 that constitute the
Thematic Axis II - Education and performance of the professional of the
information and the transversality of the Information Literacy.

�46

Chapter 3: "To educate professional of the Information: challenges
and possibilities of the pedagogical model of e-learning in the Portuguese
Open University", whose authors are, Gloria Bastos and Ana Isabel
Vasconcelos. It presents the experience of the Portuguese Open University
regarding the education of the professionals of the information in distance
education in the modality of e-learning. There are focused some derivative
questions of the application of the process of Bologna, articulated with the
conception of a virtual pedagogical model. The model of Open University is
based in four lines of strength: the learning centralized in the student, the
primacy of the flexibility, the primacy of the principle of the interaction and the
digital inclusion. These four factors guided the design of the courses and a
pedagogical practice that intends to coincide with the expectations of the
students and the needs of the society, highlighting the importance of a critical
reflection, social and professionally contextualized. By means of the application
of a questionnaire to the students of 1 º course of postgraduate in Information
Science and Documentation there were collected information and relative
assessments of two big axes: the application of the virtual pedagogical model
and the social importance and professional of the course concerning, in
particular on the variables that conform the information literacy. The results
reveal a quite positive vision on the two dimensions of the analysis and it
confirms that the perspectives in international terms have been aimed for the
already designated third generation in the pedagogy of distance education.
Chapter 4: "Disciplines It Information Literacy in the curriculum of
the Course of Librarianship in the School of Information Science at the
UFMG: Commitment with the educational function of librarians" which
author is, Bernadete Campello,

relates a pioneering experience with the

discipline of information literacy, established in 2005 in the curriculum´s Course
of Librarianship in the School of Sciences of the Information at the UFMG with
the aim to satisfy the demand of contents that explored the theoretical
appearances of the concept, but mainly

that it created a space for the

mobilization of the informational skills of the future librarians. The base of the
discipline is the questioning learning, having the investigation like educational
principle. The evaluation is made from a formative perspective inspired in

�47

cognitive, constructivist and socio-cultural conceptions, of learning. The
discipline represents a commitment with the educational function of librarians as
proposed by authors that understand that the Librarianship /Information Science
has useful knowledge to help the people to learn with the information.
Chapter 5: “Information Literacy of the professionals of the
information linked to institutions of upper education (IES)” whose authors
are Elizete Vieira Vitorino and Daniela Piantola, aim to contribute to the
preparation of a theoretical corpus on Information Literacy of the professionals
of the information linked to an upper education institution. It presents the
complexity that demands the informational environment showing that the
important is the existence of a central core of principles and practical of
Sciences of the Information. This core will be “feed” by the social
representations of the information professionals as truths – passengers or no –
on the reality lived. It describes the results of the field survey, using open
questions for a group of thirteen directors of Libraries linked to the IES of Santa
Catarina State since it takes individuals that in some way are representative of
this collectivity. As a result, the authors also propose the creation of Principles
for the Development of the Information Literacy (PDCIn) inside the initial
education (Graduation). It mentions that the continuous education (education of
adults that have experience) requires approaches that force us to rethink the
professional education and to review the mission of the practices of a certain
group of professionals, like the case of professionals of the information.
Chapter 6: "Development of informational literary, scientific and
technological: the responsibility of the upper education in collaboration
between the teaching and the library", which authors are: Aida Varela Varela,
Marilene Abreu Lobo Barbosa and Maria Giovanna Guedes Farias is a review
of the literature, whose aim is to think about the teaching system in
informational literary, scientific and technological to strengthen the teaching in
the upper education and the professional practice in order to identify the
problems and define the competencies of the students. To reach this, there are
presented diverse concepts on informational literacy, from the works made by
the Association of College and Research Library, American Association of
School Librarians, and by specialists as for instance, Castañeda, González,

�48

Martial, Barbosa and Barbosa, Kuhlthau and Belluzzo, amongst other. It shows
also, the importance of the technological innovation in the education as
strategies to break the barriers of time and space, as well as the incorporation
of technological solutions for the methodology of the university education, like
the development of platforms that turn into libraries and permanent class of
learning and at the same time reach to correlate the application of these
pedagogical and technological resources to the renewal of the competencies.
The authors have concluded that it is responsibility of the educational
institutions and libraries to socialize the knowledge and prepare critical mass,
able to perceive, identify, analyze, sensitize and evaluate the information
critically securing the knowledge from the perspective that it will be in shape,
intellectual and morally, to innovate and create new knowledge to be applied to
the development of the society.
Chapter 7: "Librarian as Multiplier Agent of the Information Literacy
and Media", which author is Adriana Elisabeth Dudziak: takes as a premise
that the existence of strong and persistent signals drive to consider the
increasing importance of the media and information in the contemporary
society. It does not mean that in the past these were less important, signals,
point out the author, only that now both are elements that evolve simultaneously
and result omnipresent in practically all the societies. Mobile devices, social
networks, blogs, Facebook, Twitter and new resources of communication
coexist with the traditional models of communication and information. This
situation requires a reflection on the reality, the emergency of an identity
renewed of the professional librarian of the information, that depends on the
split with the structures and mental models often rooted, that avoid its
development and its commitment in this dynamic and mutable society. As
suggested activities that can be useful for professionals of the information
devoted to promote the information literacy and media. It presents also a
description and exemplification of the main competencies of the librarians from
the experiences related with the pedagogical practices of the author. Also it
presents a list of actions that can be implemented in the space of the library,
pointed out the importance to develop a planning of the class in order to
visualize better the activities of the librarian as an educator. It concludes with

�49

the affirmation that it is task of the professional librarian to promote the
education for the media and informational literacy and act like educational agent
that can motivate important changes to integrate in a large way in the
educational process.
Chapter 8: "Hangout: Social Networks and crossing fields in the
organization context", which authors are: Maria Joaquina Barrulas, Margarida
Cardoso, Mónica Pinheiro and Leonor Valfigueira. Here there are presented the
results of an exploratory study inside a wider project (work in course) that
studies the employment of the social networks and intends to question the
paper, the relevance, the potential and the limitations of these organizations.
From the concept of field, in the sense of Bourdieu, there are identified the
social spaces and spaces of information that cross in organizational contexts,
which involves the competition in the access and use of the information. They
were chosen the Scientific Laboratories like experimental area as they are
organizations of intensive knowledge, in which the creation, distribution and use
of the knowledge constitute its main activity and the social network LinkedIn, for
being the on-line professional network more used in worldwide level is
highlighted.
Chapter 9: "The Information literacy: the educational potential of the
virtual like pedagogical strategy" whose author is. Melare Daniela Vieira
Barros has a premise that the emergency of the literacy’s propose a challenge
for the Information Science in the sense to develop strategies, with the use of
technologies to make easy to the user a dynamics of learning so that he can
find, use and manage the information. For this author, this emergency comes
from the society where we live and that floods us of fast and continuous form
with contents in different formats and with different aims. As a result, it refers to
the information literacy, view like a set of necessary competencies to access,
evaluate and use the information in an efficient way. It ensures that it can be
developed, improved or even learnt like an educational potential. Thinking in
this potential the author relates the experience of the development of the post
graduate course of Sciences of the Information by the Open University of
Lisbon in the discipline "UC Information Literacy’s", and the author defends the
use of the distance methodology for the realization of a work of learning of the

�50

information literacy, through a strategy of education mediated by technology. In
this way even offers an analysis of the didactic strategies-pedagogical and of
the obtained results with the mentioned course, considering that it facilitates to
the professional of the information an innovative experience of education and
learning with regard to the access and use of the information for the
construction of knowledge.
Chapter 10: "Innovation and information literacy: a theoretical and
practical experience with of post graduation students in sciences of the
information", which author is Gloria Georges Feres. It constitutes a report of
her experience from the perspective of educational collaborator when invited to
offer a specific content on "Innovation and Information Literacy" in the
disciplines, "Information Literacy, Knowledge and Innovation Networks" during
the first semester of 2013, in the context of the Post graduate Program in
Sciences of the Information (UNESP, Campus of Marília) in the line of
Investigation: Management, mediation and use of the information. It shows the
diary that involved the development of the information literacy and its
interrelationship with the human networks of construction of the knowledge like
a differential for the innovation, centering in the development of these networks
and its interaction with the different resources of information, as well as the
learning and the autonomy in the generation of innovative knowledge and its
applicability to the social reality. The author point out that among the activities of
reading, analysis and synthesis developed, a workshop was performed with the
post graduate student supported in the dynamics of group, whose pedagogical
strategies included different stages: 1º - Division of the groups of work; 2º Theory – Class expositive and dialogued lectures; 3º - Work in group with the
reading and the analysis of the synthesis elaborated like instructive text
facilitated by the teacher and query of the standards and the indicators of
Information Literacy of Belluzzo; and 4º - Comparison between the synthesis
text- and the norms and indicators of information literacy and establishment of
interrelationship between the information literacy and innovation.

�51

Regarding the Thematic Axis III - Applications and lessons learnt with
Institutional Programs in the Brazilian context, they are represented on chapters
11 to 13.

Chapter 11: "The experience to organize and participate in the event for
the publication of the" Maceió Statement: "frame for the legitimacy of the
information literacy in Brazil." Which authors are, Elmira Simeón and Regina
Celia Baptista Belluzzo They reach to highlight the relative experiences to the
concomitant practices developed that could serve of support and mobilization to
attain the realization of the Seminar on the subject of Information Literacy,
involving especially FEBAB and UnB/FCI. They present also the path of FEBAB
to promote events on the subject and the experiences of UnB /FCI. It is to stand
out that, for FEBAB, in particular, the realization of this event has brought
interest and a latent demand by part of the professionals of the information so
that there were opening of this space of reflection and debate on the situation of
the "Information Literacy" in the Brazilian context, explaining also with the
exchange of experiences and practical developed by the researchers and the
professionals of the libraries and services of information in several countries,
culminating their effective participation in the process of education of the
theoretical base with the publication of several articles in the Brazilian Magazine
of Librarianship and Documentation (RBBD) and translations of international
authors and recognized experience in this subject that carried out in electronic
means. On the other hand, it fits to stand out that FEBAB as an associated
member, was represented in the meetings and groups of national and
international work that include the International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA) and the Information Literacy Section
(InfoLit),), in order to exchange experiences and expand knowledge on
information literacy with the goal to contribute to the consolidation of this subject
as an area of primary attention in the country. For the experiences of the
UnB/FCI are reported those who include the development and follow-up of
projects of investigation on the training in Information Literacy from 2006, when
professors of the UnB published the book "Digital Literacy and Access to
Knowledge" with specialists of other countries; they include also a description of

�52

the contributions of the project of digital inclusion with Community Health
Agents and the planning of distance courses with the goal to develop a work of
mediation with the professionals of the Program of Family Health, linked to the
Unique Health System of Brazil; the project ALFINBRASIL, funded by the
Spanish Agency of International Cooperation for the development (AECID) with
the team of work formed by professors, students and researchers of the
Universidad Complutense of Madrid (UCM) and the University of Brasília (GPCI
/FCI /UnB) and that allow the training to users of the National Library of Brasilia,
publishing later the book "National Library of Brasilia, Investigation and
Innovation" (Thesaurus), and recently in 2012/2013, the integration of the
students of post graduation, master and PhD in the project training in
information literacy for students of the University of Brasilia (2011 - current) and
that it will be implemented briefly by the institution. Finally, the authors make
reference to the "Seminar on Information Literacy: Scenarios and Tendencies",
organized by FEBAB, IBICT and the Faculty of Sciences of the Information of
the University of Brasilia, that took place as a parallel event during the XXIV
Brazilian Congress of Librarianship, Documentation and Sciences of the
Information standing out that they presented a scenario of the information
literacy in the contemporary society, promoting the reflection, the discussion
and the exchange of experiences and practical developed by researchers and
the professionals of the libraries and services of information of several
countries, the main result being the document considered like a frame of
legitimacy of the information literacy in Brazil - the "Statement of Maceio."
Chapter 12: "The information Literacy in the Network of Libraries
SESC: from the origins to the review of management practices", which
author is, Lisyane Wanderley dos Santos, relates the proposals developed by
the National Department of the Social Service of Commerce - Sesc for the
qualification on information literacy of the librarians of the institution. It takes as
a premise that the management of the units of information in the current context
presents challenges that go beyond the traditional role of the library,
considering this like a complex process that involves much more than
knowledge and experience in the subject: it requires from the professional the
understanding and systematic evaluation of the processes. It signals that in the

�53

past, the main purpose of the library was understood like a place of custody and
repository of information and that, actuality, the object of the library has
expanded: it adds multiple functions and interactions with other areas of the
knowledge. These new social demands require of the librarian an approach that
goes further of the technical processing of the information. It is necessary to
develop competency and skills to fulfill the role of a social agent qualified and
serve as a link between what is produced and what is consumed, boosting the
access, the use of the collection and data bases, developing actions headed to
the continuous education. It mentions that this involves a creative management
of the information, and presumes the perception of the forms of access,
selection, articulation and organization of the information, the apprehension and
conception of global contexts in the understanding of its multidimensional
nature and of the relations between the whole and each one of the parts. It
presents the profile of the librarian and the work of the Network of Libraries
SESC and stands out the importance of systematization of the projects of
qualification with an approach on information literacy with the goal to carry out
the review of the processes of management searching the innovation and the
proactivity of the human resources which act in the Library. It finishes with the
reflection on the necessary skills of these professionals to improve their
performance in front of their activities, from the perspective of a more ranged
performance with the paradigms of the contemporaneous and the guidelines of
the Information and Knowledge Society, pointing out that their functions are
multiples: it develop the processes of reference and the technical treatment of
collections, integrated actions of orientation to the investigation and promotion
of reading, the orientation, the training and routine supervision of assistants of
library and internships, amongst other aspects related with the administration of
the Unit (s) of information and advice to the full development of the area in their
respective states..
Chapter 13: " Experience Report of a Program of Information literacy
in the business surroundings to support the distance education: case
Transpetro", is a report considered like pioneer in the business area in Brazil,
and their authors are Marilda M. Coelho, Maria Elisa S. E. Madeira , María I. C.
Of Franca Italiana N. Cosmo. The authors take the hypothesis that the advent

�54

of the technology of the information has facilitated the processes of production
and organization of the information; however, it increases the complexity of its
access and evaluation and the consequent understanding of how to use it in an
effective way. Besides, also it stands out the absence of an organizational
culture that put in value the use of the library services and the management of
technical information of the area of engineering highlighting the difficulty of its
access and use in an intelligent form to build knowledge in the company
Transpetro, company of logistics of transport of fuel, that can put in danger the
development of activities with the security required. They point out the
difficulties that result of this situation for the process to take decisions and the
need to improve the processes of management, access, use and evaluation of
the technical and strategic information, that motivated to the Centre of
Information and Documentation - CID to create a program of information
literacy, whose aim is to guarantee that all the employees of the company
develop the necessary informational skill for an efficient performance
operational and strategic. In function of the activity of national field of the
company the program has been developed in collaboration with the
Management of Human Resources and of Institutional Communications and the
use of the methodology of blended learning, that combines the face-to-face
education and to distance. In this way, they describe and they present the
methodology and the different stages of the creation of the Program of
Information Literacy in the business environment It mentions also the intention
to collaborate to build a corporate project of Information Literacy for to all the
companies of the Petrobras System, which may be a benchmarking for other
organizations, considering- the scenario of a competitive market that it is
supported by the informational economy of the contemporary society. Finally,
there are presented the reached and expected with the development of the
program

which is in constant evaluation, seeking for a continuous

improvement, besides to contribute with some “ recommendation of good
practices” for the development of the information literacy.
Regina Celia Baptista Belluzzo
Glória Georges Feres

�55

SOBRE OS AUTORES

Aida Varela Varela

Mestre e Doutora em Ciência da Informação. Professora do Instituto de Ciência
da Informação da Universidade Federal da Bahia. Líder do Grupo de Pesquisa
em Ciência da Informação, Cognição e Construção do Conhecimento –
COGNICIC.
CV: http://lattes.cnpq.br/8203377212170649
Contato: varela@ufba.br

Alejandro Uribe Tirado

Candidato ao Doutorado em Documentação Científica na Universidade de Granada,
Professor / Investigador na Escola Interamericana de Biblioteconomia, Grupo de
Investigação em "Informação, Conhecimento e Sociedade" da Universidade de
Antioquia (Medellín-Colombia). Atuou como Observador Externo no I Seminário de
Competência em Informação.
Contato:
auribe@bibliotecologia.udea.edu.co
auribe@correo.ugr.es
http://alfincolombia.blogspot.com
http://alfiniberoamerica.blogspot.com

Ana Isabel Vasconcelos

Professora Auxiliar no Departamento de Humanidades, Universidade Aberta.
Contato: ana.vasconcelos@uab.pt

�56

Aurora Cuevas Cerveró
Doutora em Ciência da Informação e Professora de Literatura na Universidade
Complutense de Madrid, Espanha. Atuou como Observadora Externa no I
Seminário sobre Competência em Informação.
Contato: accerver@bib.uc3m.es

Bernadete Campello

Doutora em Ciência da Informação, Professora titular da Escola de Ciência da
Informação da UFMG, responsável pela disciplina Competência Informacional.
Tem experiência na área de Biblioteconomia, atuando principalmente nos
seguintes temas: biblioteca escolar, biblioteca e aprendizagem, competência
informacional no ensino básico, fontes de informação e educação em
biblioteconomia.
CV: http://lattes.cnpq.br/6477409101333398
Contato: bscampello@gmail.com

Daniela Melaré Vieira Barros

Pedagoga,

Especialista

em

Instrucional

Designer,

Especialista

em

Administração em Educação a Distância, Mestrado em Engenharia das Mídias
para a Educação Euromime- Erasmus Mundus- Portugal, Espanha e França,
Mestrado em Educação pela UNESP- BRASIL, Doutorado em Educação
UNESP-BRASIL, Doutorado em Educação pela UNED- Madrid, Pós-Doutorado
pela UNICAMP e a UNED. Docente da Universidade Aberta – Lisboa - Portugal
Departamento de Educação e Ensino a Distância.
CV: http://lattes.cnpq.br/0904025003390641
Contato: dbarros@uab.pt

�57

Daniela Piantola

Bacharel em Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina.
Bacharel em Letras Português e Italiano e licenciada em Letras ( Italiano) pela
Universidade de São Paulo. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada
pela Universidade de São Paulo (USP) com pesquisa voltada para o estudo da
narrativa moderna italiana. Atua como revisora de textos. Ex-bolsista do CNPQ,
com pesquisa sobre competência informacional. Experiência na área de ensino
e tradução de línguas italiana e inglesa.
CV: http://lattes.cnpq.br/0530346224537097
contato:

Elisabeth Adriana Dudziak

Bacharel em Biblioteconomia pela ECA-USP. Mestre em Ciências da
Comunicação pela Universidade de São Paulo, ênfase CI - Ciência da
Informação. Doutora em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, ênfase TTO - Trabalho, Tecnologia e Organização.
Professora Titular da Universidade Paulista - UNIP no Instituto de Ciências
Humanas. Professora de pós-graduação nas FAINC - Santo André/ Curso de
Sistemas de Informação. Professora de Curso de EaD em parceria com a
FEBAB. Diretora da Divisão de Gestão de Desenvolvimento e Inovação do
Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Unidersidade de
São Paulo (DT-SIBIUSP). Revisora de periódicos científicos nas áreas da
Ciência da Informação e Engenharia. Membro da IFLA (International Federation
of Library Association). Membro do Elsevier Innovation Explorers. Linhas de
Pesquisa: ciencia da informação e engenharia de produção.
CV: http://lattes.cnpq.br/8150926690780957

�58

Elizete Vieira Vitorino

Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Santa Catarina,
Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa
Catarina na área de Gestão da Qualidade em Bibliotecas e Doutorado em
Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área
de Mídia e Conhecimento e Educação a Distância (EaD). Atualmente é
Professora do Departamento de Ciência da Informação (CIN), Centro de
Ciências da Educação (CED), da Universidade Federal de Santa Catarina,
Curso

de

Biblioteconomia.

Atua

principalmente

nas

seguintes

áreas:

organização e tratamento da informação, profissionais da informação,
metodologia científica, metodologia da pesquisa, educação a distância e
ensino-aprendizagem e Competência Informacional. Atualmente, é Professora
Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
(PGCIN) em nível de Mestrado, cujas pesquisas, disciplina e orientações
mestrado e graduação se desenvolvem na área de Competência informacional
(Information

Literacy).

É

lider

do

Grupo

de

Pesquisa

Competência

Informacional (GPCIn) cadastrado no CNPq e certificado pela UFSC.
CV: http://lattes.cnpq.br/7540571280471559

Elmira Simeão

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Piauí.
mestrado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília. Atua
na área de editoração, formação de acervos e competência informacional.
Exerce, desde 2010, a Direção da Faculdade de Ciência da Informação da
Universidade de Brasília. É Professora na Faculdade de Ciência da
Informação, na graduação em Biblioteconomia e no Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília. Tem
experiência na área de Comunicação, com ênfase em Publicações Eletrônicas
e Editoração, atuando principalmente nos seguintes temas de pesquisa:

�59

tecnologia da informação, editoração, comunicação, ciência da informação,
informação e saúde, comunicação extensiva, competência em Informação e
inclusão digital. É líder do grupo de Pesquisa Competência Informacional
certificado pelo Conselho Nacional de Pesquisa do Ministério de Ciência e
Tecnologia (MCT).
CV: http://lattes.cnpq.br/7033301273963724

Glória Bastos

Professora Auxiliar no Departamento de Educação e Ensino a Distância,
Universidade Aberta.E-mail: gloria.bastos@uab.pt

Glória Georges Feres

Graduação

em

Biblioteconomia

e

Documentação

Biblioteconomia e Documentação de São

Carlos.

pela

Escola

de

Especialização

em

Documentação - FESPESP. Mestrado e Doutorado em Educação para a
Ciência- Área de Ensino de Ciências pela Universidade Estadual Paulista Júlio
de Mesquita Filho (UNESP). Membro do Grupo de Pesquisa em Ensino de
Ciências. Docente em cursos de graduação e pós-graduação na área de
Metodologia da Pesquisa Cientifica e Trabalho de Conclusão de Curso - TCC.
Assessora da FEBAB para assuntos de Comunicação e Editoração de
Publicações, com experiência nas áreas de atuação: Educação científica,
Ensino de Ciências, Metodologia científica, Gestão da informação e
Competência em informação.
CV: http://lattes.cnpq.br/0525674414045441
Contato: gloriaferes@gmail.com

Leonor Valfigueira

�60

MSc Estudos de Informação e Bibliotecas Digitais, ISCTE, IUL, PT (Portugal)

Lisyane Wanderley dos Santos

Bibliotecária - Assessor Técnico de Biblioteca - Departamento Nacional do
Sesc - e-mail: lisyane@sesc.com.br

Marcia Rosetto

Graduação em Biblioteconomia e Documentação pela ECA USP. Mestrado em
Ciências da Comunicação pela ECA USP. Doutorado em História da Ciência
pela PUC SP. Atualmente, coordena projetos na Biblioteca da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da USP. Tem experiência em arquitetura de sistemas
de informação; concepção, desenvolvimento e implementação de sistemas
automatizados com ênfase em catálogos online, bibliotecas digitais e virtuais
com utilização de formatos metadados como MARC 21 e Dublin Core.
Experiência em organização e dinamização de cursos e treinamentos
especializados na área de automação e mediação da informação, e
organização de eventos na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação.
CV: http://lattes.cnpq.br/8926305589139284

Margarida Cardoso

MA em Antropologia dos Movimentos Sociais, FCSH-UNL, PT (Portugal)

�61

Maria Elisa S. E. Madeira

Graduada em Português-Literatura. Especialista em Gestão do Conhecimento.
Pós-Graduada em Administração de Negócios. Consultora Técnica da
Transpetro,

Coidealizadora

e

coresponsável

pelo

Planejamento

e

desenvolvimento do Programa e desenvolvedora Instrucional dos Cursos à
distância. Integrou o grupo de especialista que elaboraram a Declaração de
Maceió.

Maria Giovanna Guedes Farias

Graduada em Comunicação Social (Habilitação: Jornalismo) pela Universidade
Estadual da Paraíba. Curso de especialização em Marketing e Novas Mídias
promovido pelo Umweltzentrum des Handwerkskammer Trier – Alemanha.
Mestre em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba. Doutoranda do
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade
Federal da Bahia. Membro do Grupo de Pesquisa Ciência da Informação,
Cognição e Construção do Conhecimento – COGNICIC
CV: http://lattes.cnpq.br/3383299470190507
Contato: mgiovannaguedes@gmail.com

Maria Isabel C. da Franca

Bibliotecária, Arquivista MBA em Documentação Científica e Redes de
Informação, Coordenadora do Centro de Informação e Documentação da
Transpetro e co-idealizadora e co-responsável pelo e do Planejamento e
desenvolvimento do Programa e revisora dos cursos.

�62

Maria Joaquina Barrulas

Ph.D. Information Management, U. Sheffield, UK Contacto: Maria Joaquina
Barrulas,INESC- INOV, Rua Alves Redol, 9 - 1000-029 Lisboa - Portugal
Joaquina.barrulas@inov.pt Joaquina@gmail.com

Marilda M. Coelho

Bibliotecária do Centro de Informação e Documentação da Transpetro,
Especialista MBA em

Inteligência

Competitiva,

Co-idealizadora

e co-

responsável pelo planejamento e desenvolvimento do Programa, conteudista
dos cursos e Instrutora dos cursos presenciais.Integrou o grupo de especialista
que elaboraram a Declaração de Maceió. Membro da do Comitê da Seção 42
de Competência em Informação da IFLA.

Marilene Lobo Abreu Barbosa

Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Bahia e
licenciada em Letras Vernáculas pela Universidade Católica do Salvador; tem o
Diplôme dÉtudes Approfondies en Information Scientifique et Technique, pela
Université Aix-Marseille III e o Mestrado em Ciência da Informação. Professora
do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia.
Membro do Grupo de Pesquisa Ciência da Informação, Cognição e Construção
do Conhecimento – COGNICIC. Experiência nas áreas de gestão da
informação

e

competências,

de

serviços

formação

de

informação,

profissional,

comunicação e biblioteconomia.
CV: http://lattes.cnpq.br/9871475655316036
Contato: marilene@ufba.br

inteligência

tecnologias

de

competitiva,

informação

e

�63

Mónica Pinheiro
MSc Estudos de Informação e Bibliotecas Digitais, ISCTE, IUL, PT (Portugal)

Regina Celia Baptista Belluzzo

Graduação

em

Biblioteconomia

e

Documentação

pela

Escola

de

Biblioteconomia e Documentação de São Carlos. Graduação em Direito pela
Faculdade de Direito de São Carlos. Mestrado em Ciências da Comunicação
pela Universidade de São Paulo e doutorado em Ciências da Comunicação
pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor permanente do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (UNESP-Marília,
integrante da Linha de Pesquisa; Gestão, Mediação e Uso da Informação; e do
Programa de Pós-Graduação em TV Digital: Informação e conhecimento
(UNESP-Bauru), integrante da Linha de Pesquisa: Gestão da Informação e
Comunicação para Televisão Digital. Experiência na área de Ciência da
Informação, com ênfase em Gestão da Qualidade em Sistemas de Informação,
atuando principalmente nas seguintes áreas: competência em informação,
bibliotecas universitarias, gestão da informação, sociedade do conhecimento e
information literacy.
CV: http://lattes.cnpq.br/0812422122265124

Tatiana N. Cosmo

Bibliotecária do Centro de Informação e Documentação da Transpetro,
Especialista em Gestão do Conhecimento e Gestão de Pessoa e revisora dos
cursos do Programa de competência em Informação.

�64

Eixo Temático I

Trajetórias da Inserção do Tema da Competência em
Informação no Brasil

�65

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: VIVÊNCIAS E APRENDIZADOS

Regina Celia Baptista Belluzzo

1 INTRODUÇÃO
O tema “Competência em Informação” é algo que nos inquieta e
preocupa desde o início dos anos 2000, quando nos deparamos com o mesmo
em meio a uma abordagem à literatura internacional junto às bases de dados
da área de Ciência da Informação, em busca do aprofundamento de outros
assuntos que, naquele momento, eram foco de nossa atenção como docente e
pesquisadora. A partir de então, a cada dia nos envolvemos cada vez mais em
lides de pesquisa e de experiências práticas relacionadas com esse tema e
seus desdobramentos, acreditando, a exemplo do que ocorre em outros países
há algum tempo, na importância e relevância de sua consolidação para o
contexto brasileiro.
Este trabalho tem o intuito de apresentar um briefing históricoconceitual sobre a Competência em Informação, mas, principalmente,
descrever uma linha do tempo onde estão inseridas algumas das atividades e
parcerias que têm constituído trajetória de vida a partir do encontro com esse
assunto e da curiosidade e interesse em poder conhecê-lo melhor e provar da
satisfação de vê-lo deixar de ser considerado apenas emergente no Brasil.
Espera-se poder contribuir com uma visão mais próxima da
concepção que tem norteado as ações desenvolvidas em torno desse tema,
em diferentes momentos e espaços, no decorrer de 12 anos de pesquisas,
estudos e aplicações práticas. Não há a pretensão de trazer considerações
definitivas, determinadas e bem delimitadas. Ao contrário, o intuito é promover
mais um exercício reflexivo do que trazer certezas, considerando as
peculiaridades dos próprios objetos em descrição.
Os resultados são, portanto, sintetizados neste documento e poderão
nortear futuras reflexões e novas ações estratégicas para que tenhamos a
Competência em Informação inserida nas políticas públicas brasileiras como
uma área de atenção primária e condição sine qua non ao desenvolvimento e
inovação sociais.

�66

2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: REFLEXÕES INICIAIS

Quando se trata de refletir e descrever aspectos relacionados à
Competência em Informação como uma área do campo da Ciência da
Informação, percebe-se de forma marcante tanto a sua natureza interdisciplinar
quanto a falta de unanimidade em sua concepção. Assim, vale lembrar que na
sociedade contemporânea são múltiplos os conceitos e terminologias que
envolvem a competência em diferentes áreas de conhecimento tais como:
Educação, Psicologia e a Administração, por exemplo. Além disso, muitas são
as discussões sobre em que bases se fundamentam a emergência da lógica da
competência na formação educacional, no ambiente de trabalho nas
organizações e na relação das pessoas com a informação.
Inicia-se por apresentar as bases teóricas mais importantes que
nortearam a condução de nossas reflexões e práticas com a Competência em
Informação ao longo de uma década. Assim, a primeira abordagem refere-se
ao conceito de competência.
De acordo com o projeto Definition and Selection of Competencies
(DeSeCo), uma competência é definida como:
a habilidade de se encontrar com sucesso demandas individuais ou
sociais, ou de realizar uma atividade ou uma tarefa. […] Cada
competência é construída em uma combinação de habilidades
cognitivas e práticas relacionadas, de conhecimento (inclusive de
conhecimento tácito), de motivação, de orientação do valor, de
atitudes, de emoções, e de outros componentes sociais e
comportamentais que juntos podem mobilizar para a ação eficaz
(OECD, 2001, s.p.).

De acordo com a European Commission (2004, s.p.):
a competência é considerada como uma combinação das
habilidades, do conhecimento, das aptidões das atitudes, e, ainda,
inclui a disposição de aprender para aumentar o know-how […] As
competências chaves representam um pacote transferível e
multifuncional do conhecimento, além das habilidades e das atitudes
que todos os indivíduos necessitem para o crescimento e
desenvolvimento pessoal, inclusão e trabalho.

Estas definições refletem claramente as nuances principais do
conceito da competência. Entretanto, a primeira referência à mobilização do
conhecimento foi de Perrenoud (1999). Sob esse enfoque, ser competente é ter

�67

capacidade de ativar e de usar o conhecimento, lidando com determinadas
situações e problemas de uma área em meio às suas atividades ou práticas
decorrentes. Perrenoud menciona que a “noção de competência tem múltiplos
sentidos” e que a competência exige “que se coloque em ação um repertório de
recursos (conhecimentos, capacidades cognitivas, capacidades relacionais
[...])” (PERRENOUD, 1999, p.16).
Uma segunda visão refere-se à reflexão e ao uso de habilidades
meta cognitivas como pré-requisitos para toda a competência chave,
considerando-se que uma competência requer mais do que a habilidade de
aplicar algo que foi aprendido a uma situação original. Além disso, as
competências não podem ser separadas dos contextos práticos em que são
adquiridas e aplicadas. Assim, outros autores estabelecem uma relação entre o
conceito de competência e o mundo do trabalho, procurando defini-la como
sendo um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionados e
que afetam parte considerável das atividades desenvolvidas e o desempenho
das pessoas, podendo ser medida segundo padrões pré-estabelecidos e
melhorada de acordo com os interesses das organizações (FLEURY; FLEURY,
2001; MIRANDA, 2004).
De acordo com Bolívar (2009), o conceito da competência é
articulado ao princípio da “aprender a aprender” e da cidadania, sendo que isso
está no âmago de todas as competências chaves. Do mesmo modo, a ideia da
competência acha-se também ligada claramente ao conceito do aprendizado
ao longo da vida.
Na literatura especializada, ainda, destaca-se a contribuição de
Alencar (2000) com a ênfase dada à necessidade de valorização das
habilidades inerentes às competências para a produção de novas ideias e
atitudes criativas. Ressalta-se também o estudo de Predebon (2001) e suas
concepções e afirmações envolvendo as questões do desenvolvimento da
criatividade humana na sociedade contemporânea, cuja característica principal
é seu embasamento em economia baseada na informação e no conhecimento.
O importante a enfatizar é que a utilização da criatividade requer a existência e
promoção de espaços dinâmicos e interativos e atividades que permitam o
acesso e uso da informação para a aquisição e a produção do conhecimento -

�68

o que envolve a Competência em Informação - sendo este um dos grandes
desafios da sociedade contemporânea.
Com base nesses princípios teóricos e nos estudos e pesquisas
empreendidos em trajetória como docente e gestora de serviço de informação
acadêmico durante mais de três décadas, foi possível estabelecer uma
definição de Competência em Informação como uma área de importância
fundamental na sociedade da informação e do conhecimento e que se reproduz
a seguir:
Processo contínuo de interação e internalização de fundamentos
conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais
à compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da
fluência e das capacidades necessárias à geração do conhecimento
novo e sua aplicabilidade legal e ética ao cotidiano das pessoas e das
comunidades ao longo da vida (BELLUZZO, 2001).

Destaca-se que a natureza do campo de estudo da Competência em
Informação envolve conjuntos de ideias em relação ao conhecimento aplicado
para interpretar e compreender situações ou fenômenos e se fundamenta, em
especial, em teorias da ciência da informação (com foco centrado no uso da
informação), da educação, dos estudos de comunicação e na sociologia. O
objetivo do novo conhecimento é entendido como fomento da vida pessoal e
social. A ênfase se localiza na interpretação mais do que nas descobertas. Os
resultados de um novo conhecimento são, em geral, protocolos ou
procedimentos que podem ser avaliados em termos práticos.
É

possível

identificar

três

requisitos

fundamentais

para

a

Competência em Informação na sociedade contemporânea:


Competência em Informação para a cidadania: compromisso ativo
com a comunidade, política e desenvolvimento global mediante o livre
acesso e o uso crítico de dados e informação.



Competência em Informação para o crescimento econômico: fomento
do desenvolvimento de empresas já existentes e de nova criação
mediante o uso criativo e intensivo do conhecimento e a combinação
eficiente dos serviços de informação.



Competência em Informação para a empregabilidade: educação,
formação e desenvolvimento contínuo de todos os conhecimentos,

�69

habilidades e estratégias necessárias para o acesso e o êxito
econômico.
O que se pode observar, a partir de estudos elaborados por
organismos internacionais (DELORS, 1998) na identificação de qual cenário
neste século poderá se desenvolver a educação e as dimensões no contexto
de suas transformações, é que o interesse na Competência em Informação tem
crescido fortemente

em diferentes

segmentos da

sociedade, quando

relacionados a tais requisitos.

3 PRINCIPAIS VIVÊNCIAS E CONTRIBUIÇÕES AO TEMA

Diante do exposto, sentiu-se a necessidade de analisar os fatores
que estão moldando esse novo movimento do desenvolvimento humano, sendo
necessário elaborar novas estratégias para realizar os objetivos perseguidos e
desenvolver as formas que a informação e a participação dos envolvidos
estarão se efetivando, inclusive considerando-se o paradigma tecnológicosocial vigente.
Desse modo, motivada por buscar conhecer melhor o tema e suas
nuances, iniciamos estudos centrados nessa área, tendo apresentado os
primeiros resultados no Simpósio de Engenharia de Produção (SIMPEP)
promovido pela Faculdade de Engenharia – UNESP/Bauru, em 2001 e que
enfocou principalmente a questão da Competência em Informação e sua
relação com a fluência científica e tecnológica. A principal contribuição
consistiu

em

síntese

teórico-conceitual

sobre

essa

competência

e

considerações sobre a necessidade do desenvolvimento da mesma em
diferentes níveis educacionais, a fim de que haja a sua aplicação com
efetividade nas lides de pesquisa como um dos aspectos da contribuição ao
desenvolvimento

científico

e

tecnológico

para

o

bem-estar

coletivo

(BELLUZZO, 2001). Na oportunidade, oferecemos também algumas diretrizes
norteadoras envolvendo esse tema emergente, o que implicou em apresentar
uma nova forma de Gestão da Informação adaptadas de Association for
College and Research Libra Ries /USA envolvendo as principais habilidades
para a aquisição da fluência científica e tecnológica: saber determinar quando a
informação é necessária; acessar a informação desejada em diferentes

�70

formatos e suportes, com efetividade; avaliar a informação obtida e interpretá-la
criticamente; internalizar a informação analisada e incorporá-la ao repertório de
conhecimento individual; usar a informação internalizada efetivamente para
alcançar um objetivo pré-determinado e específico; ter a compreensão do uso
da informação para o desenvolvimento coletivo sob a ótica da responsabilidade
social, ética e legalidade, e, desenvolver essas habilidades como condições
para a educação hoje, estendendo-se a sua aplicação ao longo do processo de
aprendizado contínuo dos cidadãos (BELLUZZO, 2001).
Na seqüência de nossas lides em torno do aprofundamento de
conhecimento sobre a Competência em Informação e de sua aplicabilidade em
nosso

contexto,

desenvolvemos

pesquisa

exploratório-descritiva

nessa

temática como parte do Pós-Doutorado realizado junto ao Programa de Gestão
Escolar da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UNESP- Araraquara.
O interesse esteve voltado à oferta de parâmetros de avaliação da
Competência em Informação em programas de formação continuada de
professores. A escolha do universo de pesquisa recaiu sobre o PEC Formação Universitária, da Secretaria de Estado da Educação do Estado de
São Paulo (SP) oferecido no Campus de Marília (SP) e constituído de 16
classes, localizadas em diferentes cidades de regiões do Estado de São Paulo.
Contou-se

com

a

participação

de

32

tutores/orientadores

e

507

professores/alunos de ensino fundamental (1ª a 4ª séries) como população de
interesse. Como contribuição final dessa pesquisa, foi apresentada proposta de
padrões e indicadores de performance como parâmetros norteadores à
consecução de ações voltadas à inserção, desenvolvimento e avaliação de
princípios e conceitos, sob o enfoque da Competência em Informação
(BELLUZZO;

KERBAUY,

2004).

Dentre

essas

ações,

entendeu-se

a

importância da existência de programas educacionais para o desenvolvimento
da Competência em Informação como uma condição indispensável ao acesso
e uso inteligente da informação e a construção de conhecimento aplicável à
inovação e desenvolvimento social no Brasil.
Após essa etapa, procedeu-se à busca de teoria da aprendizagem
que poderia ser utilizada como apoio ao desenvolvimento de programas dessa
natureza, sendo que nos deparamos com a de Ausubel (1963, 1968) intitulada
como “aprendizagem significativa”. Assim, embasada nesses princípios,

�71

considerou-se que, a partir de uma nova informação ancorada (assimilada) em
conhecimentos preexistentes na estrutura cognitiva de quem aprende (que são
significativas para ele) é que efetivamente ocorrerá a aprendizagem. Ainda,
pode-se dizer que a aprendizagem significativa acontece quando um conceito
implica em significados claros, preciso, diferenciados e transferíveis. Vale
lembrar que, derivados dessa concepção teórica, surgiram os conceitos e
aplicações dos mapas conceituais, os quais se assemelham às representações
gráficas denominadas como diagramas e que indicam as relações entre
conceitos-palavras. Foram criados por Novak; Gowin (1999), pesquisadores da
Universidade de Cornell (EUA), que na década de setenta os acrescentaram à
aprendizagem significativa como um recurso pedagógico. Como resultado do
projeto de pesquisa desenvolvido no pós-doutorado, foi possível elaborar e
apresentar como contribuição à área uma ferramenta intitulada inicialmente
Diagrama de Construção da Árvore Semântica (BELLUZZO, 2003; BELLUZZO;
KOBAYASHI; FERES 2004; BELLUZZO; BARROS, 2005) e que, atualmente,
se denomina Diagrama Belluzzo®, sendo apoiado em tutorial que se encontra
em fase de melhoria em nova versão em desenvolvimento.
Durante quatro anos, desde a conclusão do pós-doutorado, foram
desenvolvidas oficinas de trabalhos com o intuito de incentivar a leitura e o
senso crítico da comunidade em geral, no sentido de contribuir para o
desenvolvimento da Competência em Informação, área de atenção primária da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO) para os países desenvolvidos e em desenvolvimento na sociedade
do conhecimento. As atividades, realizadas com bibliotecários e professores
convidados, tiveram o apoio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo
e da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da
Informação e Instituições (FEBAB) e como abrangência algumas regiões do
Estado de São Paulo, assim como a Região Metropolitana da capital, além de
capitais das diferentes regiões brasileiras.
Ainda, nesse sentido, criamos o Grupo Assessor para Competência
em Informação junto à Presidência da FEBAB e que vem promovendo, desde
2004, atividades em prol da divulgação dessa temática, como por exemplo:
realização de palestras, organização de workshops e oficinas, cursos
presenciais e na modalidade a distância, como parte integrante de suas linhas

�72

de gestão. Alguns desses eventos podem ser considerados como marcos para
a reflexão e debates de profissionais de várias áreas do conhecimento no
Brasil, contribuindo para a divulgação e consolidação da situação da
Competência em Informação também em intercâmbio com especialistas de
outros países.
Dentre os eventos que pudemos organizar e colaborar merece
destaque o 1º Workshop “Competência em Informação” (Information literacy)
desenvolvido em 2005, em Curitiba (PR), durante o XXI Congresso Brasileiro
de Biblioteconomia e Documentação e Ciência da Informação (CBBD-FEBAB)
e que contou com a presença de Jesus Lau (México), uma referência
internacional para as questões de Competência em Informação, enquanto
representante da International Federation of Library Associations and
Institutions (IFLA) e como convidado especial do evento. Em sua explanação,
fundamentou-se nos aspectos centrais que envolvem desde questões
relacionadas às bibliotecas, seu papel no ensino-aprendizagem, conceitos e
princípios de alfabetização informativa, habilidades e competência, definições
da American Library Association e da IFLA sobre a Competência em
Informação, até os desafios que dos bibliotecários para o planejamento e
implementação de programas de desenvolvimento da Competência em
Informaçãona sociedade contemporânea. Uma das recomendações oriundas
desse evento é que os órgãos competentes pudessem sugerir a inclusão do
tema Competência em Informação e de outros ligados à educação no currículo
dos cursos de biblioteconomia e ciência da informação, o que ainda é situação
emergente e motivo de discussões entre pares.
Desde então, em uma linha do tempo mais recente, foi possível dar
continuidade à nossa trajetória como docente e pesquisadora nessa área,
tendo produzido outras contribuições como resultado dessa vivência. Uma
delas diz respeito à parceria realizada com FEBAB, Universidade de Brasília
(UNB) e Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e
que permitiu a coordenação e desenvolvimento do Seminário: Competência em
Informação: cenários e tendências, que foi realizado como um evento paralelo
durante o XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e
Ciência da Informação (Brasília-DF, 2011). O objetivo foi apresentar o cenário
da Competência em Informação na sociedade atual, promovendo a reflexão,

�73

discussão e compartilhamento de experiências e práticas desenvolvidas por
pesquisadores e profissionais nas Bibliotecas ou Serviços de Informação. Além
disso, pretendeu-se oferecer subsídios à elaboração de diretrizes e políticas
que possam servir como parâmetros norteadores ao acesso e uso da
informação de forma inteligente visando à construção do conhecimento e sua
aplicabilidade aos diferentes contextos. Como resultado e contribuição de
relevância para a área foi elaborada e divulgada a “Declaração de Maceió
sobre Competência em Informação”, documento que vem sendo citado em
outros eventos nacionais e internacionais, contribuindo para a evidência e
reconhecimento de que o Brasil é um dos países que também está focado
nessa direção, embora ainda com certa timidez.
Destaca-se também outra possibilidade de contribuir para as
discussões sobre a Competência em Informação no Brasil, o fato de haver
participado da coordenação do Atelier: Função Social da Biblioteca Escolar
no Contexto da Sociedade de Informação, realizado em outubro de 2011, em
São Paulo (SP) durante o II Fórum Internacional de Biblioteconomia Escolar,
criado pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, 8ª. Região e pela Diretoria
Regional da International Association School Librarianship (IASL) para America
Latina e Caribe, no contexto do Programa Mobiliza dor Biblioteca Escolar –
construção de uma rede de informação para o ensino público, constituído pelos
Sistemas: Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e Conselho Regional de
Biblioteconomia (CRB). O objetivo do Atelier foi promover a integração entre
diversos atores em prol da composição de ações que corroborem para uma
alteração do panorama vivido pela biblioteca escolar brasileira, além de
estimular a troca de ideias e de experiências bem como sistematizar e
disseminar iniciativas e projetos na área de bibliotecas escolares em
articulação com programas de Competência em Informação. O evento reuniu
pesquisadores, acadêmicos, bibliotecários, educadores, entidades de classe,
políticos, representantes de órgãos públicos das áreas de Educação e Cultura,
formadores de opinião, docentes e pessoas interessadas em refletir sobre a
reconstrução, ou seja, a edificação sob um olhar mais minucioso da
biblioteconomia escolar. Ressalta-se que o Grupo de Trabalho 3 Transversalidade da Competência em Informação nas Bibliotecas Escolares
promoveu excelente debate e recomendações para as questões que envolvem

�74

a competência em informação e as bibliotecas escolares. Em especial,
destacou que a mobilização, ou seja, a ação deve ocorrer com intuito de mudar
a filosofia da aprendizagem, complementar a formação do bibliotecário,
conscientizar o professor sobre a importância da Ciência da Informação e
modificar a arquitetura física da escola para favorecer a localização da
biblioteca no ambiente, a qual deve constituir um projeto pedagógico para se
inserir proativamente na proposta institucional da escola.
Outra vivência de interesse foi haver participado como formadora do
Programa de Alfabetização e Letramento (2011/2012) (MEC/ UNESP-FCBauru), quando desenvolvemos experiência muito enriquecedora com cerca de
400 professores/tutores que representaram as escolas municipais de todas as
regiões do Estado de São Paulo e efetuaram a multiplicação em cascata do
seu aprendizado aos professores/cursistas em suas cidades de origem. O
trabalho pedagógico envolveu dois fascículos: “Organização e uso da biblioteca
escolar e das salas de leitura” e “O livro didático em sala de aula”, sendo que
procuramos inserir o conceito de Competência em Informação nesses
conteúdos, utilizando-se a metodologia do uso do Diagrama Belluzzo® como
apoio para mostrar a importância dessa competência e do trabalho integrado
entre o bibliotecário e o professor durante a formação básica das pessoas. Os
portfólios construídos pelos alunos/cursistas e divulgados ao final do programa
demonstraram que eles haviam assimilado e incorporado em suas atividades
alguns dos padrões e indicadores da Competência em Informação com
propriedade.
Por sua vez, uma experiência que trouxe resultados positivos foi à
participação como Consultora Externa em ações de gestão das Bibliotecas da
Rede Serviço Social do Comércio/Departamento Nacional (SESC/DN) voltados
à reflexão, discussão e implementação de referencial que possibilitasse aos
participantes a construção coletiva de projetos de integração biblioteca/escola,
sob enfoque da Competência em Informação. Iniciou-se com um projeto piloto
e pioneiro em 2006, em Santa Catarina (Florianópolis, Lages, Chapecó e
Criciúma) e, mais recentemente, em 2011, em sua extensão para o contexto de
toda a Rede no Brasil, apoiado no Curso de Competência em Informação
(Módulo 1 e 2), que foi realizado pelo SESC/DN, com apoio da Rede SESC de
Desenvolvimento Técnico (Teleconferência). Foi utilizada a modalidade de

�75

educação à distância, envolvendo a participação de bibliotecários, professores
e outros profissionais que atuam nessa rede no contexto nacional. Como
principais resultados foram apresentados projetos institucionais a serem
desenvolvidos pela Rede de Bibliotecas, sendo que sua implementação foi
viabilizada a fim de se criar a cultura da informação nos usuários e implementar
ações estratégicas de desenvolvimento da Competência em Informação nessa
ambiência.
Ressalta-se que o despertar do interesse pela área tem motivado
participação e contribuições da direção e dos bibliotecários da Rede SESC nos
eventos promovidos pela FEBAB.
Em continuidade ao processo de ensino e aprendizagem iniciado e,
partindo-se da premissa que a sociedade contemporânea apresenta novas
exigências de condutas de gestão e de competências pessoais, profissionais e
sociais dos profissionais da informação no que tange às questões de acesso e
uso da informação de forma inteligente e sua aplicabilidade à construção do
conhecimento, entendeu-se ser, ainda, de importância desenvolver a palestra
“O papel dos profissionais da informação em serviços de informação e de
conhecimento” e a atividade em grupo“Contribuição dos profissionais da
informação ao desenvolvimento da Competência em Informação”durante o
Encontro Nacional de Bibliotecários, no Rio de Janeiro (RJ) (SESC – DN/2012).
O objetivo precípuo foi oferecer referencial à atualização de princípios e de
práticas de condutas de gestão aos profissionais que atuam nas bibliotecas do
SESC, enquanto mediadores do desenvolvimento da competência de acesso e
uso inteligente da informação, considerada um diferencial das pessoas neste
século e balizadora da produção de conhecimento, da inovação e do
desenvolvimento social – a Competência em Informação.
Na contínua mobilização para a valorização e desenvolvimento da
competência em informação no nosso contexto, aceitamos convite para
assessorar projeto nesse sentido junto à área empresarial, evidenciando-se a
preocupação das organizações com essa temática no ambiente de trabalho.
Assim, pode ser considerada pioneira a empresa Petrobras Transporte S.A –
Transpiro, maior armadora da América Latina e principal empresa de logística e
transporte de combustíveis do Brasil.Esse trabalho está em desenvolvimento
sob a responsabilidade do Centro de Informação e Documentação – CID, que

�76

se insere no âmbito nacional da empresa.Desenvolve-se em parceria com a
Gerência de Recursos Humanos/Desenvolvimento e Motivação, sendo que
esta última teve participação importante e singular na criação do programa e,
atualmente, é o desenvolvedor instrucional dos cursos à distância, auxiliando
também na promoção dos cursos presenciais que compõem o programa.
Considera-se que para o desenvolvimento do programa foi essencial a criação
de uma equipe multidisciplinar, o uso de recursos para desenvolvimento de
cursos à distância, elaboração de um plano de comunicação e apoio gerencial.
Os resultados mais relevantes observados são: a intensificação do uso dos
serviços do Centro de Informação e Documentação, inserção do programa em
outros projetos da empresa e reconhecimento de que a Competência em
Informação em âmbito empresarial é fundamental para a tomada de decisão
segura e confiável, havendo, inclusive, uma contínua divulgação do programa
mediante a participação da equipe responsável nos eventos promovidos pela
FEBAB e IFLA.
Finalizando, no tocante a esta última ambiência, pode-se ressaltar
que existe estreita relação entre a Competência em Informação e o trabalho
nas organizações, sendo que autores como Eaton; Bawden (1991) afirmaram
haver um interesse emergente para essa área em diferentes espaços de
trabalho. Além disso, vale lembrar que Abell; Oxbrow (2001) confirmam essa
afirmação ao mencionarem o termo “Competência em Informação corporativa”
e englobando a compreensão do valor e significados estratégicos da
informação e do conhecimento para as organizações. Para tanto, consideraram
principalmente a questão do uso da informação pelos gestores e colaboradores
e suas características e requisitos nesses ambientes produtivos.
Acredita-se, inclusive, que nas organizações, esse crescente
interesse pela Competência em Informação possa criar novas oportunidades
para os profissionais da informação em poder estender expertise na adoção de
princípios de gestão com foco no cliente e nas práticas voltadas ao centro de
atenção para os seus negócios. Este é também um contexto motivador para
dar continuidade à trajetória e vivência iniciadas em 2000 e constitui, dentre
tantos outros, um dos próximos desafios...

�77

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Buscou-se apresentar as principais reflexões e vivências que
permearam a trajetória pessoal e profissional envolvendo o tema Competência
em Informação e seus desdobramentos. Entretanto, muitas outras ações
aconteceram e continuam a ocorrer em continuidade a tais processos de
aprendizado e de compartilhamento, envolvendo oportunidades de atuação
como Vice-Presidente da FEBAB (Gestão2008-2011) e Coordenadora do
Grupo Assessor de “Competência em Informação” criado em 2008 por essa
instituição e como docente e pesquisadora junto ao Programa de Pósgraduação em TV Digital, Informação e Conhecimento (UNESP- Bauru) e ao
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (UNESP- Marília), com
a responsabilidade de oferecer disciplinas e orientação em torno do tema e
seus relacionamentos, o que tem gerado produtos que podem ser
considerados como contribuições teórico-práticas de interesse para a área.
Considerando-se a trajetória e o cenário descritos ao longo da linha
do tempo que destacamos, pode-se finalizar oferecendo amplas considerações
sobre o que se acredita ser os requisitos principais para o desenvolvimento da
Competência em Informação no contexto brasileiro:
•

Existência de espaços de intercâmbio e participação por meio do
fomento de práticas pedagógicas e informacionais, tendo como base a
filosofia da educação para todos.

•

Estabelecimento de estreita relação entre as bibliotecas e as escolas,
mediante trabalho integrado e conjunto, com o intuito de promover a
leitura e a pesquisa.

•

Garantia do acesso e uso da informação de forma inteligente para a
geração de conhecimento às comunidades assistidas e populações
vulneráveis.

•

Atualização de princípios e práticas de condutas de gestão da
informação àqueles que atuam como mediadores e multiplicadores no
desenvolvimento da Competência em Informação, contribuindo com a
inovação e o desenvolvimento social.

�78

Além disso, ressaltam-se algumas situações desafiantes às
experiências e ao desenvolvimento da Competência em Informação:
•

Desconhecimento sobre as questões que envolvem a Competência em
Informação e sua relação com os pilares da educação para o século XXI
e o direito universal de acesso à informação, presentes em Manifestos
da UNESCO e em políticas públicas nacionais e mundiais.

•

Necessidade de sensibilização dos gestores públicos e de instituições
privadas para a importância do desenvolvimento da Competência em
Informação como parte integrante de uma ambiência de expressão e
construção individual e coletiva e sua relação com o exercício da
cidadania e com o aprendizado ao longo da vida.

•

Criação

e

implantação

de

Programas

de

Desenvolvimento

da

Competência em Informação, apoiados na formação de Comunidades
de Aprendizagem, que possam estar atuando com efetividade na
utilização de modelos de educação tradicionais e inovadores a fim de
contribuir com a inclusão social no Brasil.
Espera-se que, em futuro próximo, as questões da Competência em
Informação assumam condição de “Agenda de Estado” no país e que
possamos, dessa forma, contribuir efetivamente para a inovação e o
desenvolvimento social, exercício da cidadania e aprendizado ao longo da vida.

REFERÊNCIAS

ABELL, A.; OXBROW, N. Competing with knowledge: the information
professional in the knowledge age. London: Library Association, 2001.
ALENCAR, E.M.L.S. de O processo da criatividade. São Paulo: Makron
Books, 2000.
AUSUBEL, D.P. The psychology of meaningful verbal learning. New York:
Grune&amp; Straton, 1963.
_______ Educational psychology: a cognitive view. New York: Holt, Hinehart
&amp; Winston, 1968.

�79

BELLUZZO, R.C.B. A information literacy como competência necessária à
fluência científica e tecnológica na sociedade da informação: uma questão de
educação. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO DA UNESP, 7.,
2001. Anais....Bauru-SP: UNESP, 2001. Disponível em:
http://www.simpep.feb.unesp.br/ana8.html. Acesso em: 12 fev. 2013.
BELLUZZO, R.C.B.; KERBAUY, M.T.M. Em busca de parâmetros de avaliação
da formação contínua de professores do ensino fundamental para o
desenvolvimento da information literacy. ETD – Educação Temática Digital, v.
5, n.2, p.129-139, 2004.
BELLUZZO, R.C.B. Relatório final do pós-doutorado em gestão escolar.
Araraquara: UNESP, 2003.
______; KOBAYASHI, M. do C. M.; FERES, G.G. Information literacy: um
indicador de competência para a formação competente de professores na
sociedade do conhecimento. Educação Temática Digital, Campinas, v.6, n.1,
p.81-99, dez. 2004.
______.; BARROS, D.M.V. Pesquisas virtuais: metodologias e usos. In:
JESUS, A.C. (Org.) Gestão da informação. São Paulo: UNESP, 2005.
BOLÍVAR, A. Aprender a aprender a lo largo de la vida. Multitarea. Revista de
Didáctica, v. 4, p. 87- 144, 2009.
DELORS, J. (Org). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo:
Cortez/Brasília: MEC: UNESCO, 1998.
EATON, J.J.; BAWDEN, D. What kind of resource is information? International
Journal of Information Management, Amsterdam, v.11, n.2, p. 156-165, June,
1991.
EUROPEAN COMMISSION. Key competencies for lifelong learning: a
European reference framework.2004. Implementation of “Education and
Training 2010”. Working group B “Key competencies”. European Commission.
Directorate General for Education and Culture. Disponível em:
&lt;http://ec.europa.eu/education/policies/2010/doc/ basicframe.pdf&gt;. Acesso em:
12 fev. 2013.
FLEURY, A.; FLEURY, M.T.L. Estratégias empresariais e formação de
competências: um quebra-cabeça caleidoscópico da indústria brasileira. 2. ed.
São Paulo: Atlas, 2001.
MIRANDA, S.V. Identificando competências informacionais. Ciência da
Informação, Brasília, v.33, n.2, p.112-122, maio/ago. 2004.
NOVAK, J.D.; GOWIN, B. Aprender a aprender. 2. ed. Lisboa: Plátano, 1999.
OECD. Definition and selection of competencies (DeSeCo). 2001.Disponível
em:
http://www.oecd.org/fr/edu/enseignementsuperieuretapprentissagedesadultes/d
efinitionandselectionofcompetenciesdeseco.htm.Acesso em: 6 fev. 2013.

�80

PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1999.
PREDEBON, J. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 3. ed. São
Paulo: Atlas, 2001.

�81

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: UMA TRAJETÓRIA DE
DESCOBERTAS E PESQUISA
Marcia Rosetto
1 INTRODUÇÃO
Em recente evento promovido pela United Nations Educational,
Scientific and Cultural Organization (UNESCO), International Conference Media
and Information Literacy for Knowledge Societies, junho de 2012 (Moscou),
como parte dos programas Literacy Decade 2003-2012 e World Summit on the
Information Society (WSIS) das Nações Unidas, foram identificadas e
consolidadas estratégias para o desenvolvimento de políticas orientadas para a
construção de sociedades embasadas na informação e conhecimento. Nessa
ocasião foi lançada a Declaração de Moscou1 com doze recomendações
relativas à “Competência em Informação e Mídias (CIM)”, que consiste num
conjunto de conhecimentos, atitudes e habilidades necessárias para que a
pessoa reconheça quando a informação é necessária, quando e como obter a
informação, como avaliar criticamente e organizá-la para usos futuros, e como
utilizar e compartilhar de forma ética e efetiva. As doze recomendações estão
na Figura 1.
Figura 1 – Declaração de Moscou para Competência em Informação e Mídias (CIM)
Individual

Sociedade

1 Reconhecimento e consciência
2 Integração às políticas nacionais
3 Intercâmbio de experiências
4 Mudanças estruturais e reformas
5 Integração a currículos
6 Suporte de redes e organizações profissionais
7 Pesquisa e desenvolvimento de ferramentas
8 Desenvolvimento de normas
9 Construção de CIM relativo a competências
10 Dialogo intercultural e cooperação internacional
11 Investimentos em processos de longo termo
12 Promoção e proteção dos direitos humanos

Comunidade

F
Fonte: UNESCO (2012) Traduzido pela autora
1

A Declaração de Moscou faz parte de um conjunto de documentos que vem sendo propostos nos
últimos dez anos em encontros internacionais com o objetivo de analisar e divulgar o tema/escopo sobre
Competência em Informação, e cujos resultados das discussões se consolidam em Declarações como as
de: Praga (2003), Alexandria (2005), Ljubjana (2006), Toledo (2006), Lima (2009), Paramillo (2010),
Murcia (2010), Maceió (2011), Fez (2011), Havana (2012).

�82

Nesse mesmo ano, na cidade de Havana (Cuba), ocorreu o
Seminário Lecciones aprendidas com ALFIN en Iberoamérica, realizado no
âmbito do Congresso Internacional de Información – INFO 2012,quando foi
apresentada a Declaração de Havana,

2

constituindo-se em mais um marco

decisivo quanto à importância da Competência em Informação e sua relação
com outras vertentes de alfabetizações e competências.

3

Num período de dez

anos declarações vem sendo elaboradas com o objetivo de consolidar
aspectos chave de competências nas dimensões conceitual, filosófica e
propositiva de ações que ressaltam compromissos necessários para colocar
práticas em movimento para a concretização de uma perspectiva de trabalho
colaborativo, e a criação de redes para o crescimento da Competência em
Informação em todos os países.
Desde

2000,

a

UNESCO

estabeleceu

o

programa

4

intergovernamental The Information for All Programme (IFAP) com o propósito
de criar novas oportunidades de equidade de acesso à informação em nível
mundial, e esse programa está integrado aos programas regulares da
instituição, em especial com as áreas de informação, comunicação e
Competência em Informação. Vem ainda, publicando trabalhos nessa temática
e realizando parcerias com organizações internacionais, particularmente com
as que atuam na gestão e preservação de informações como a International
Federation Library Association (IFLA). Além disso, realiza workshops com a
participação de profissionais de vários países com o intuito de capacitar e
ampliar a disseminação e inserção do tema nas agendas nacionais. Nesse

2

Alejandro Uribe Tirado, Declaración de La Habana. 15 Acciones de ALFIN desde Iberoamerica.
Tradução para o portugués realizada pela Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo e disponível no site
http://www.ifla.org/files/assets/information-literacy/publications/Declaration/Compet.Declara-deHavana.2012.Portu-Brasil.pdf
3
Verifica-se na literatura brasileira que o termo Information literacy, adotado na literatura internacional,
vem sendo traduzido como competência informacional, alfabetização informacional, letramento
informacional e Competência em Informação, expressão que está sendo adotada para o presente
trabalho e em conformidade com o documento da UNESCO “Overview of Information Literacy Resources
Worldwide” (HORTON, 2013, p.31).
4
O IFAP publica documentos sobre políticas da sociedade da informação, manuais de como operar
programas nessa temática, e conduz website com um observatório. As prioridades estabelecidas pelo
programa são: Informação para o desenvolvimento, Acessibilidade à informação, Competência em
informação, Ética no uso da informação, Preservação da informação, Estabelecimento de políticas
nacionais para a sociedade da informação. Destacam-se as publicações editadas, a saber: 1) Towards
information literacy indicators, 2008; 2) Undestanding information literacy: a primer, 2008. Disponívelem:
http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/intergovernmentalprogrammes/information-for-all-programme-ifap/.Acesso em: 15 fev. 2013.

�83

sentido, a UNESCO criou para esse fim um logo específico como marco legal
de difusão como consta na Figura 2.
Figura 2 – Logo da UNESCO para difusão da Competência em Informação 5

Fonte: Horton Junior (2013, p. 10)

A UNESCO identifica que atualmente as pessoas vivem num mundo
onde a qualidade da informação determina as escolhas e ações, incluindo a
capacidade de vivenciar a liberdade e construir habilidades para a própria
determinação e desenvolvimento (WILSON, 2011). Usar tecnologias, os vários
tipos de mídia se provedores de informação são variáveis que devem ser
consideradas para o acesso à informação e conhecimento. Dessa forma,
propõe um conjunto de diferentes tipos de competências, com ênfase na
Competência em Informação quanto ao acesso, avaliação e uso ético, que
estão identificadas na Figura 3, incluindo todos os tipos de recursos de
informação – orais impressos e digitais-conectados com os diversos tipos de

5

Overview of Information Literacy Resources Worldwide

�84

competências como, por exemplo, Competência em Sistemas Computacionais,
Competência em Tecnologias Digitais e Competências Culturais.6
Figura 3 – Competência em Informação e Mídias (CIM) - UNESCO

Competência
emMídias

Competência
em Informação
Liberdade
de Expressão

Competência
emTecnologias
Digitais

Competência
em Informação
e Mídias

Competência
emBibliotecas

Competência
emIntern
et

Competência
em Sistemas
Computacionais

Competência
em Informações
veiculadas
na Imprensa

Fonte: UNESCO (2011) Traduzido e elaborado pela autora

A Competência em Informação deve ser compreendida como uma
das áreas que requer um aprendizado, e se constitui num processo contínuo de
interação e internalização de fundamentos conceituais quanto à compreensão
da informação, sua articulação e abrangência em busca da fluência e das
capacidades necessárias à geração de novos conhecimentos.

2 DA COMPETÊNCIA A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO COMO
CARACTERÍSTICAS SOCIAIS E EDUCACIONAIS
Na década de 1970, deu-se início a inúmeras análises, acadêmicas
e empresariais, associadas a diferentes instâncias de compreensão do que
seria competência em termos da pessoa (as competências do indivíduo), das
6

International Conference Media and Information Literacy for Knowledge Societies 24-28 June, 2012,
Moscow, Russian Federation. Overview, 2012.p.1 (http://www.unesco.org/new/en/communication-andinformation/resources/news-and-in-focus-articles/in-focus-articles/2012/media-and-information-literacy-forknowledge-societies)

�85

organizações (as core competences) e dos países (sistemas educacionais e
formação de competências) (FLEURY; OLIVEIRA JUNIOR, 2001). Seguindo as
perspectivas propostas por esses estudos, Fleury e Fleury (2001, p.183-196)
destacam que:
O conceito de competência é pensado como um conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de
capacidades humanas) que justificam um alto desempenho,
acreditando-se que os melhores desempenhos estão fundamentados
na inteligência e personalidade das pessoas. Em outras palavras, a
competência é percebida como estoque de recursos que o indivíduo
detém.

Os autores destacam ainda que competência é o saber agir
responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar e transferir
conhecimentos, recursos e habilidades que agreguem valor econômico à
organização e valor social ao indivíduo. Nessa abordagem, o que está implícito
quando se fala em competência é quando há competência em ação. É saber
mobilizar o repertório individual em diferentes contextos e como efetivar a
entrega para o meio no qual se insere (FISHER, 2008).
Na esfera da educação e da pesquisa, esses requisitos são
estabelecidos como de capital importância para os docentes, pesquisadores e
alunos, considerados como interagentes,

7

que necessitam ter competências

específicas no trato da informação. Nesse fluxo, incluem-se os documentos, os
repositórios de informação onde estão disponíveis, e também as formas de
articulação construídas quanto ao tratamento e a organização das informações
e do corpus documental produzido durante os estudos e pesquisas.
De modo geral, a competência deve ser vista como um elemento
social importante e contextualizado; também deve ser considerada numa
multiplicidade de valores e estilos de vida, e que vem sendo utilizada de modo
extensivo no campo da educação, resultando em mudanças de políticas
educacionais, e afetando os processos e os currículos. Durante os estudos
realizados no âmbito do projeto DeSeCo, P. Perrenoud, dentre outros
especialistas que colaboraram com o esse projeto, propõe um conjunto de
7

Interagente é o sujeito participante dos processos de comunicação de forma ativa, sendo este um
(re)construtor das mensagens que lhes são apresentadas. Este modelo de receptor é o inverso do modelo
clássico de sistemas de comunicação, onde o receptor absorve aquilo que lhe é proposto e não retrabalha
a informação para gerar novos conhecimentos (PRIMO, 2003).

�86

competências chave, a serem consideradas em nível mais universal (Quadro
um) e que devem ser vistas como uma reflexão que exige certo grau de
flexibilização, considerando as mudanças que existem no mundo real, os
contextos sociais e de temporalidade (TIANA, 2004).
Quadro 1 - Competências chave identificadas por P. Perrenoud
Competências chave
- Ser capaz para identificar, avaliar e justificar os recursos, direitos, limites e
necessidades.
- Ser capaz, individualmente ou em grupo, de organizar e conduzir projetos e
desenvolver estratégias.
- Ser capaz de analisar situações, relacionamentos e campos de força
sistematicamente.
- Ser capaz de cooperar, agir em sinergia e participar em situações de
coletividade e compartilhar lideranças.
- Ser capaz de construir e operar organizações democráticas e sistemas com
ações coletivas.
- Ser capaz de gerenciar e resolver conflitos.
- Ser capaz de atuar sob-regras, usando-as e elaborando-as.
- Ser capaz em construir atitudes negociáveis em situações de diferenças
culturais.
Fonte: Tiana (2004) traduzido e elaborado pela autora.

Quando em situações de cunho mais acadêmico ou como da área
gerencial, Perrenoud destaca que existem situações similares quanto à
utilização de competências que são na realidade um exercício político e não
apenas técnico e científico. Selecionar competências exige a adoção de certa
visão de humanidade e sociedade (PERRENOUD, 2004).
Segundo Machado, parece estar mais claro que tanto a formação
escolar básica, como a formação profissional, justificam-se muito mais na
sociedade atual como formas de desenvolvimento de competências pessoais,
por meio de dados, informações e conhecimentos inseridos em cenário de
valores socialmente acordados que contribuem para a realização de infinitas
potencialidades dos seres humanos, destacando-se nesse contexto a
criatividade (MACHADO, 2002). Seguindo esses princípios, Durand identifica
que existem três dimensões em relação às competências, que passamos a
relacionar no Quadro 2.

�87

Quadro 2 – Dimensões das competências propostas por Durand
Conhecimento

Compreende uma série de informações assimiladas e
estruturadas pelas pessoas, que lhes permitem entender o
mundo, ou seja, o saber acumulado ao longo da vida,
derivado da informação que, por sua vez, deriva de um
conjunto de dados que são séries de fatos ou eventos
isolados. Considere-se que informação são dados
percebidos pela pessoa, com relevância, propósito e
causam impactos em seu julgamento ou comportamento.

Habilidade

Está relacionada ao saber como fazer algo ou à
capacidade de aplicar e fazer o uso inteligente e produtivo
do conhecimento adquirido, ou seja, de instaurar
informações e utilizá-las em uma ação, com vistas a
atingir um propósito específico. Considera-se que
habilidades podem ser classificadas em intelectuais
(abrangendo essencialmente processos mentais de
organização e reorganização de informações) e como
motoras ou manipulativas (pressupondo uma coordenação
neuromuscular).

Atitude

Como terceira dimensão da competência, diz respeito aos
aspectos sociais e afetivos relacionados aos estados
complexos do ser humano que afetam o comportamento
em relação a pessoas, coisas e eventos, determinando a
escolha de um curso de ação.
Fonte: Durand (2006, p. 32) Elaborado pela autora

Complementarmente a esse cenário, nos últimos anos foram
constituídos padrões e indicadores internacionais que oferecem noções de
realizações acadêmicas no desenvolvimento de competências pelas pessoas;
como exemplo pode-se citar os estabelecidos pelo programa PISA referente a
três (3) domínios de competências:


Competência em leitura: compreensão, uso, e reflexão de textos
escritos,

com

o

propósito

de

atingir

objetivos,

desenvolver

conhecimentos e potenciais, e participação na sociedade.


Competência matemática: identificação e compreensão matemática e
realização

de

julgamentos

bem

fundamentados

sobre

jogos

matemáticos, que são necessários tanto para os indivíduos na vida
corrente como futura a ser construída, de forma que sejam cidadãos
conscientes e reflexivos.


Competência

científica:

capacitação

em

usar

o

conhecimento

científico, identificando questões e utilizando conclusões baseadas em

�88

evidências no sentido de compreender e ajudar na realização de
decisões sobre o mundo natural e as mudanças que são feitas através
da atividade humana (Programme for International Student Assessment).

Em conferência realizada no Congresso Internacional Enseñanza de
las Ciências, em 2009 (Barcelona), sobre a inserção do conceito de
competência na educação científica N. Sanmartíidentifica que a introdução
desse conceito se constituiu no mundo laboral e na formação de profissionais,
e advém do relatório elaborado por Jacques Delors para a UNESCO
(SANMARTÍ, 2009). 8
Além de instituições em nível internacional que vem realizando
estudos e pesquisas com escopos mais amplos, pode-se verificar que em
vários países o tema competência (literacy) também é objeto de estudos, como
nos Estados Unidos da América. A preocupação a essa temática já se fazia
presente desde os anos 1980, quando se iniciaram inúmeras propostas de
reformas na área educacional (GIBSON, 2008). As várias etapas que refletem
a realização desses estudos encontram-se sumarizadas na Figura 4 com os
documentos que apresentaram impacto no contexto americano e internacional.
Dentre as várias competências identificadas por esses estudos, inclui-se a
Competência em Informação (information literacy) considerada como um tópico
importante a ser inserido em programas curriculares.
Nesse sentido, em 1989, os profissionais da área da Biblioteconomia
e Ciência da Informação iniciam uma articulação mais formal em reconhecer a
inserção desse conceito nas práticas de capacitação dos usuários de serviços
de informação.

8

O relatório de Jacques Delors resultou dos trabalhos desenvolvidos de 1993 a 1995, e publicado em
1996 pela Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI da UNESCO, com a qual
colaboraram educadores de vários países. Publicado no Brasil pela Editora Cortez em 1998 sob o título
de “Educação um tesouro a descobrir”, são apresentados no capítulo 4 os quatro pilares da educação ao
longo da vida: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser, onde
encontra-se inserida a questão da “competência pessoal” a ser considerada no mundo organizacional.
(DELORS, J. Os quatro pilares da educação, 1998. Disponível em: http://4pilares.net/text-cont/delorspilares.htm).

�89

Figura 4 – Documentos sobre Competência em Informação, 1981 a 2002

1981

• Relatório - "The modern american college: responding to the new realities of diverse students
and chaging society"

•
1982

Livro - "Learning library: concepts and methods for effective bibliographic instruction"
• Livro - "Theories of bibliographic education: designs for teaching"
• Relatório - "A nation risk"

1983

• Relatório - "Boyer's college: the undergraduate experience in America"
• Livro - "Conceptual frameworks for bibliographic education"
• Livro - "Bibliographic instruction: the second generation"
• Instalação - "ALA Presidential Committee on Information Literacy"

1987

•

Instalação - "National Forum on Information Literacy"
• Relatório - "Definição de tópicos para a Information Literacy"

1989

• Relatório - "Scholarship reconsidered: priorities of the professoriate"
• Instalação - "National Forum on Information Literacy" (NFIL)

1990

•
1998

Relatório - "A progress report on Information Literacy : an update on the American Library
Association Presidential Committee on Information Literacy: Final Report"
• Padrões - "Information Literacy Standards for Student Learning by AASL and AECT"

•
2000
•
2002

Padrões - "Information Literacy Competency Standards for Higher Education by The
Association of College and Research Libraries - ALA"
Documento - "Characteristics of Best Practices of Information Literacy Programs" lançado
durante a ALA Annual Conference

Fonte: Gibson, (2008) Elaborado pela autora.

Ao analisar como esse tema estaria sendo tratado no Brasil,
Machado (2002) assinala que numa sociedade em que o conhecimento se
transformou no principal fator de produção, é natural que muitos conceitos
transitem entre os universos da economia e da educação. Dessa forma,
competência se insere tanto no discurso dos administradores da chamada
“economia do conhecimento”, como no contexto educacional em que a noção
de competência é mais fecunda e abrangente, mantendo, com a ideia de
disciplina,um importante vínculo à medida que os currículos se constituem num
mapeamento do conhecimento considerado relevante a ser ensinado como
intuito de tornar as pessoas competentes. O ponto fundamental seria o fato de

�90

que as competências representariam potenciais a serem desenvolvidos sempre
em contextos de relações significativas, prefigurando ações a serem realizadas
em determinado âmbito de atuação.
Segundo Belluzzo (2001), tais competências fornecem a condição
de se exercer a autonomia intelectual, condição essencial para as exigências
das capacidades de: iniciativa, decisão, domínio cultural (geral e técnico),
domínio lógico (saber pensar e resolver) e psicológico (perceber os significados
e significações), permitindo aprender a aprender, assimilando, criticando e
aprimorando a ciência e a tecnologia. Para tanto, é necessária a fluência
científica e tecnológica que deve estar presente em todos os estágios de uma
pesquisa científica, caracterizada como sendo uma atividade intelectual que
visa a responder às necessidades humanas.

2.1 Competência em Informação: condição para o acesso e uso da
informação
Saber reconhecer a necessidade de informação9 e as formas para
se efetivar o acesso, avaliação e uso da informação são ações consideradas
como competências necessárias para o desenvolvimento pessoal e profissional
numa sociedade identificada da informação e do conhecimento. Nesse cenário,
a pessoa deve ter um conjunto de aptidões que lhe assegurem o domínio de
todas as fases do ciclo informacional, para usar ao longo da vida, em quaisquer
formatos e suportes, incluindo as tecnologias de informação e comunicação
(BELLUZZO; ROSETTO, 2005).
Nos vários temas analisados em estudos e pesquisas realizadas
pela Ciência da Informação, desde o inicio do século XXI, encontram-se os
relacionados

ao

comportamento

informacional

e

à

Competência

em

Informação, considerados como tópicos essenciais e estratégicos na
concepção de programas que visam à construção de competências/habilidades
no uso da informação, em ambiências tradicionais e virtuais. Dentre os autores
que destacam a Competência em Informação como sendo uma disciplina
9

Conforme Miranda (2004), necessidade de informação é compreendida como um estado ou um
processo no qual uma pessoa percebe a insuficiência ou inadequação dos conhecimentos necessários
para atingir objetivos e/ou solucionar problemas, sendo essa percepção composta de dimensões
cognitivas, afetivas e situacionais.

�91

essencial está R. E. Rubens, identificando-a como sendo um dos aspectos de
estudos sociais a ser desenvolvido pela área (RUBIN, 2004).
Essa temática encontra-se presente em diversas agendas de
conferências e encontros promovidos por entidades associativas e cursos da
área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, gerando um crescimento na
participação de profissionais na configuração de instruções e como consultores
na organização de currículos (ELMBORG, 2006). Embora esse assunto possua
uma considerável experiência relatada em nível internacional, no Brasil se
apresenta num estado inicial de difusão e investigação, e começa a aparecer
na literatura brasileira com relatos de estudos teóricos e de experiências de sua
aplicação.
A expressão Information Literacy (Competência em Informação) foi
empregada por Paul G. Zurkowski em 1974, em relatório elaborado para a
Nacional Commission um Libra Ries and Information Ciência com o título Tem
Information Ser vice Environment Relationships and Priorities. Related Paper
n.5 que delineava a necessidade de “ajudar os alunos e cidadãos de modo
geral a manejar rapidamente o volume enorme de informação e de dados no
contexto das tecnologias” (GIBSON, 2008). Posteriormente, Christina Doyle,
em pesquisa realizada nos anos 1990, estabelece que para ser uma pessoa
competente em informação são necessários os atributos relacionados a seguir:


Reconhecer uma informação com apuro e completude é a base para se
efetuar uma decisão com inteligência.



Reconhecer a necessidade de informação.



Formular questões com base nas necessidades de informação.



Identificar fontes potenciais de informação.



Desenvolver com sucesso estratégias para busca de informação.



Acessar fontes de informação incluindo o uso de computadores e outras
tecnologias.



Avaliar a informação recuperada.



Organizar a informação para a aplicação prática.



Integrar novas informações num conjunto de conhecimentos já
existentes.

�92



Usar a informação de forma crítica para resolução de problemas
(DOYLE, 1994).
A partir daí, esse conjunto de habilidades passou a ser base de

estudos e pesquisas proporcionando condições favoráveis para a construção
do conceito da Competência em Informação sob o enfoque do preparo das
pessoas para se tornarem efetivamente usuários de informação. Em seu livro
The History of Information Literacy, C. Gibson relata as várias etapas de sua
construção nos Estados Unidos, e que essa noção não seria nova na medida
que, em 1853, John Henry Newman no livro The Idea of a University (1907) já
evidenciava a importância desse assunto para a educação.
Dentre as muitas conceituações propostas efetivadas encontra-se a
elaborada pela The Association of College and Research Libraries (ACRL),
quando estabelece que “Competência em Informação é um conjunto de
habilidades requeridas das pessoas para reconhecer quando a informação é
necessária e ter habilidade para localizar, avaliar, e usar com efetividade a
informação recuperada.” (The Association of College and Research Libraries,
2000).
Em 2003, com o apoio institucional da UNESCO, foi lançada a
primeira Declaração Towards an Information Literate Society, em Praga, que
destacava a Competência em Informação como:
Conhecimento relativo às necessidades de informação de uma
pessoa, e a habilidade para identificar, localizar, avaliar, organizar e
efetivamente criar, usar e comunicar informação para tratar de
questões, ou resolução de problemas; isso é um pré-requisito para
participar eficazmente na sociedade da informação, e é uma parte
básica dos direitos humanos ao longo da vida (UNESCO, 2003.
Tradução nossa).

Esses conceitos construídos se tornariam base para as inúmeras
atividades na área, destacando-se a promovida pela UNESCO em novembro
de 2005, em parceria com a IFLA, quando é realizado um colóquio especial
sobre o tema na Biblioteca de Alexandria (Egito), como parte da World Summit
on the Information Society (WSIS) das Nações Unidas10 ocasião em foi lançado

10

Informações sobre World Summit on the Information Society (WSIS) está disponível em:
websitehttp://archive.ifla.org/III/wsis.html. Acesso em: 15 fev. 2013.

�93

o Alexandria Manifesto on Libraries, the Information Society in Action ,que vai
consolidar os elementos chave de Competência em Informação:


Competências são necessárias para se reconhecer as necessidades de
informação e para localizar, avaliar, aplicar e criar informação dentro de
contextos culturais e sociais.



Competências são condições que propiciam vantagens para os
indivíduos, organizações (especialmente as pequenas e médias),
regiões e nações.



Competências são elementos chave para o acesso, o uso e a criação
efetiva de conteúdo e dar apoio ao desenvolvimento econômico, à
educação, à saúde e aos serviços, e a todos os outros aspectos das
sociedades contemporâneas e, desta forma, fornecer os fundamentos
vitais para atingir as metas da Declaração do Milênio e da Cúpula
Mundial da Sociedade da Informação.



Competências abrangem o aprendizado, o pensamento crítico e as
habilidades interpretativas que cruzam as fronteiras profissionais para
capacitar indivíduos e comunidades. (IFLA, 2006, tradução nossa).
Devido a essas características sociais e educacionais, estudos e

projetos na área de Competência em Informação vêm se expandindo, sendo
estabelecido que a necessidade de se conhecer as competências específicas
dos indivíduos e grupos deve fazer parte dos esforços e práticas desenvolvidas
pelas bibliotecas e de seus profissionais no sentido de analisar e propor
procedimentos que propiciem a capacitação quanto ao acesso e apropriação
da

informação

pelas

pessoas,

visando

à

transformação

em

novos

conhecimentos.
Para Belluzzo (2005, p.50), o termo Competência em Informação
vem sendo utilizado com diferentes significados, e também como sinônimo de
habilidades, capacidades, conhecimento e saber. A partir das análises e
experiências na área educacional, a autora propõem que:
Competência em Informação constitui-se em processo contínuo de
interação e internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e
de habilidades específicas como referenciais à compreensão da
informação e sua abrangência, em busca da fluência e das
capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua
aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo
da vida.

�94

Belluzzo (2007) identifica, ainda, que o desenvolvimento dessa
competência implica em múltiplos aspectos em relação ao manejo da
informação para a geração do conhecimento e, com base nas concepções
propostas por C.S. Bruce, que estão descritas no Quadro 3, assinala que essas
abordagens podem se realizar durante o desenvolvimento de atitudes
referentes ao uso e domínio da informação e em quaisquer formatos.
Quadro 3 – Concepções de Competência em Informação por C. S. Bruce
Construção do

Extensão

Concepções

Tecnologia

Fontes

Informação

Controle

(foco

da

de

como

da

principal)

informação

informação

processo

informação

Segundo

Usar

Conhecer

Estraté-

Organiza-

plano

tecnologias

fontes de

gias

ção da

para

informa-

aplicadas

informação

pessoal de

numa

ção de

recuperar e

ção e

pelo

mediante

conhecimen-

perspectiva

forma

comunicar

acessar

informação

usuário em sistema de

conhecimento

do

Saber

(análise

conhecimento

(valores)

crítica)

(intuição)

Construção

Usar o

de uma base conhecimento

to em uma

Usar a
informa-

pessoal, com inteligente

com

situações

fácil uso

nova área de

o uso da

e sábia

habilidade

novas

para

interesse

criatividade e

em

intuição para

benefício

construção de

da

recuperar

novos pontos coletivida-

Terceiro
plano

Uso
da
informação

Uso

Tecnologia

Tecnologia

da

da

da

informação informação informação

Tecnologia

de vista.

de

Tecnologia

Tecnologia

da

da

da

informação

informação

informação

Fonte: Bruce (2003) Traduzido e elaborado pela autora

Complementando os estudos sobre essa questão, modelos para o
desenvolvimento de aprendizagem de Competências em Informação surgiram
para apoiar professores, bibliotecários e gestores de ensino. Alguns exemplos
de modelos concebidos são: Taxonomies of the School Library Media Program
e The Organized Investigator (Circular Model), ambos de David Loertscher11;
The Big6 Skills Information Problem-Solving Approach to Information Skills
Instruction de Michael B. Eisenberg e Robert E. Berkowitz; INFOZONE de
Assiniboine South School Division of Winnipeg, Canada; Pathways to Knowledg
Follett’s Information Skills Models de Marjorie Pappas e Ann Tepe; The

11

BOND (2013); LOERTSCHER e WOOLS (2005); MACKENZIE (1999).

�95

Research Cycle de Jamie Makenzie; Information Literacy: Dan’s Generic Model
de Dan Barron.
Além disso, padrões e indicadores de performance em Competência
em Informação também foram estabelecidos para dar sustentabilidade aos
programas de ensino e às práticas de capacitação nos procedimentos de
busca, recuperação e uso da informação. No Quadro 4 estão relacionados os
principais padrões existentes.
Quadro 4-Padrões de Competência em Informação da ACRL/SCONUL/CUAL
Information Literacy
Competency Standards of
Higher Education da
ACRL/ALA

SCONUL’s the Seven
Pillars of Information
Literacy

CUAL’s Australian and
New Zealand Information
Literacy Framework

Determinar o alcance da
informação requerida.

Reconhecer a necessidade
de obter informação.

Reconhecer a necessidade
de informação e determinar
a natureza e nível de
informação necessária.

Acessar a informação com
eficácia e eficiência.

Distinguir entre as diferentes Encontrar a informação que
formas de cobrir a
necessita de maneira eficaz
necessidade.
e eficiente.

Avaliar de forma crítica a
informação e suas fontes.

Avaliar criticamente a
Estabelecer estratégias para
informação e o processo de
localizar a informação.
busca da informação.

Incorporar a informação
selecionada em sua própria
base de conhecimentos.
Utilizar a informação de
maneira eficaz para realizar
tarefas específicas.

Compreender a problemática
econômica legal e social que
está no entorno do uso da
informação e acessá-la de
forma ética e legal.

Localizar a informação e
acessá-la.

Gerenciar a informação
reunida ou gerada.

Acessar e avaliar a
informação.

Aplicar a informação anterior
e a nova para construir
novos conceitos ou criar
novas formas de
compreensão.

Organizar, aplicar e
comunicar a informação.

Utilizar a informação com
sensatez e se mostrar
sensível às questões
culturais, éticas,
econômicas, legais e sociais
que envolvem o uso da
informação.

Sistematizar a informação e
criar nova informação.
Fonte: The Association of College and Research Libraries (ACRL), Information Literacy
Competency Standards of Higher Education da ACRL/ALA; The SCONUL seven pillars of
information literacy; The Council of Australian University Librarians (CUAL), CUAL’s Australian
and New Zealand Information Literacy Framework. Tradução e quadro elaborado pela autora.

Os padrões e indicadores de performance servem como parâmetros
norteadores à consecução de ações voltadas à inserção, desenvolvimento e
avaliação de Competência em Informação, a serem adotadas em situações de

�96

pesquisa e em atividades realizadas pelas pessoas de modo geral. Segundo
Catts e Lau (2008, p.16).
Padrões e indicadores são importantes e contínuos e oferecem os
termos de competências requeridas em diferentes níveis da
capacidade humana e também os elementos que integram esses
processos. As habilidades são desenvolvidas em conjunção com as
habilidades em tecnologias de informação e comunicação devido às
ambiências digitais onde se encontram as fontes de informação,
combinando habilidades cognitivas e técnicas para o acesso e uso da
informação.

Essa temática, na região Ibero-Americana, também faz parte de
vários estudos e a, partir da análise realizada por A. Uribe Tirado, foi elaborada
uma linha de tempo12 com os trabalhos provenientes dos países desse
universo e que está disponível no web site Alfabetización Informacional en
Iberoamérica. Estado del Arte (ALFIN). Pode-se verificar a presença de autores
brasileiros a partir dos anos 2000, como por exemplo: Regina C.B. Belluzzo
(2001), Elizabeth A. Dudziak (2001), Maria Helena Hatschbach (2002),
Bernadete Campello (2003), entre outros. Essas iniciativas também fazem
parte da agenda de atividades dos profissionais de informação, assim como
das entidades representativas que promovem eventos e cursos.
De acordo com Hatschbach e Olinto (2008, p.27), a necessidade de
desenvolvimento de habilidades para o melhor uso da informação faz parte da
agenda da área de educação e informação, resultante da interação da Ciência
da Informação com as teorias educacionais vinculadas às novas abordagens
adotadas por essa área, pressupondo que:
A habilidade em solucionar problemas, a aprender criticamente, com
autonomia e continuamente (aprender a aprender), são princípios
educacionais contemporâneos incorporados à área da Ciência da
Informação [...] sendo que a habilidade em definir, planejar e
desenvolver um determinado tema de pesquisa, de forma crítica,
analítica, ética, é um destaque da pedagogia atual para todos os
níveis de ensino.

Nesse sentido, devido à importância dessa questão, a mesma vem
ultrapassando as fronteiras da Ciência da Informação e ganhando luz própria
como área de estudo e com uma interface com outras áreas do conhecimento
12

A Linha do Tempo está disponível em: http://alfiniberoamerica.blogspot.com.br/.

�97

entre as quais a educação, as ciências sociais, a psicologia cognitiva, a
comunicação, o marketing, o direito e a informática, e isso se deve às
demandas da sociedade da informação.
Em decorrência dessas características de interdisciplinaridade,
Belluzzo; Feres e Basseto (2011), realizaram um estudo de natureza teóricoexploratória para verificar os elos que possam existir entre a Ciência da
Informação e a Competência em Informação, propiciando uma visão voltada
para o estabelecimento de um quadro com indicadores conceituais,
considerados de maior relevância e pertinência e para uma representação das
dimensões que possam envolver as concepções e articulações entre as duas
áreas.
Nesse sentido, pode-se destacar que a Competência em Informação
tem múltiplos olhares e possui uma extensão estratégica para as pessoas em
todas facetas sociais. É um processo que envolve um conjunto de demandas
complexas, incluindo aptidões, habilidades e atitudes para a avaliação, acesso
e uso da informação em contextos genéricos e particulares, tanto para o
desenvolvimento pessoal como para a empregabilidade, e no exercício da
cidadania e inclusão social.

3 EXPERIÊNCIAS PESSOAIS NA ESFERA DA COMPETÊNCIA EM
INFORMAÇÃO: PRÁTICAS PROFISSIONAIS E ACADÊMICAS
A primeira década dos anos 2000 pode ser considerada como uma
época de maior impacto e divulgação sobre a temática Competência em
Informação.Nesse mesmo período, como membro da IFLA e da Diretoria
Executiva da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas
da Informação e Instituições (FEBAB), tivemos a oportunidade de nos
aproximar, de forma contínua, às questões relacionadas a esse assunto.
É também a partir desse momento que a IFLA vai realizar iniciativas
de estudos e divulgação, em especial durante os congressos anuais, inserindo
a temática de forma estratégica nas agendas de suas Seções e vertentes
profissionais. Em 2003, no Congresso de Berlim (Alemanha), destaca-se a
realização do Workshop Using Assessment as a Tool to Improve Teaching and
Improve Learning, organizado pela Seção Information Literacy, antes

�98

denominada User Education Roundtable13 com o objetivo de analisar as teorias
e as práticas até então existentes sobre a Competência em Informação versus
a ambiência das bibliotecas.
No congresso de 2004, Buenos Aires (Argentina), a Competência
em Informação foi abordada pelas inúmeras Seções, que podem ser
verificadas na programação do evento14 destacando-se:


Palestra Information literacy for lifelong learning, por Abdelaziz Abid, da
UNESCO, Paris (França), quando identifica que “Competência em
Informação é a base de aprendizagem ao longo da vida. É comum a
todas disciplinas, ambientes de aprendizagem e em todos os níveis de
educação”.



Lançamento, pela Seção Information Literacy do International guidelines
for information literacy standards - a draft for discussion, cujaversão final
foi efetivada em 2007e traduzida para o português como Diretrizes sobre
desenvolvimento de habilidades em informação para a aprendizagem
permanente; realização da palestra En la búsqueda de los parámetros
de la evaluación del desarrollo de programas oficiales de formación de
profesores bajo del enfoque da information literacy: de la sistematización
de los principios al ofrecimiento de directrices direccionadas al contexto
brasileño, ambas realizadas pela Profa. Dra. Regina Célia Baptista
Belluzzo enquanto membro da Diretoria Executiva da FEBAB, período
de 2005 a 2008.



Pela Seção Free Access to Information and Freedom of Expression
(FAIFE), destacam-se as palestras Libraries for lifelong literacy:
informacy as a way of supporting unrestricted access to information in
developing countries, quevai subsidiar a edição de uma série de
publicações para a divulgação do acesso à informação e a importância
da Competência da Informação nesse processo. Dentre elas encontra-

13

A mudança do nome foi efetivada em 2002, tendo como principal propósito ampliar a cooperação
internacional sobre o desenvolvimento de habilidades no uso da informação nos variados tipos de
bibliotecas. O foco da Seção é verificar os aspectos referentes à Competência da Informação, incluindo a
educação do usuário, estilos de aprendizagem, o uso de computadores e mídias, recursos de redes,
parcerias com professores de faculdades para a elaboração de programas educacionais, educação a
distância, e treinamento de bibliotecários nas práticas e técnicas de ensino. Além disso, a Seção
desenvolve programas para a disseminação sobre a temática e trabalha com as outras Seções da IFLA
para a elaboração de workshops e projetos relativos à instrução de competências profissionais.
Disponível em: http://www.ifla.org/information-literacy. Acesso em: 15 fev. 2013.
14
Programa disponível em http://archive.ifla.org/IV/ifla70/index.htm. Acesso em: 15 fev. 2013.

�99

se o trabalho Access to books, libraries and information literacy:
Adoption of IFLA/UNESCO Manifestos and Guidelines by public and
school libraries in South América, elaborado por Marcia Rosetto
(FEBAB), e publicado no World Health Organization Technical Report
Series, v. vi, p. 125-134, 2006 15.
A partir das experiências vivenciadas e da literatura especializada,
foram realizadas atividades e participações com o propósito de divulgação e
pesquisa sobre o tema e que estão relacionados a seguir:


2004 – Promoção, pela FEBAB, do Workshop O desenvolvimento da
Competência

em

Informação:

desafios

e

perspectivas,

com

a

coordenação da Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo e
organização de Marcia Rosetto (FEBAB), com o apoio institucional do
SENAC São Paulo e CRB/8ª. Região.


2004 – Promoção, pela FEBAB, do IV Ciclo de Palestras, com o
temaCompetência
coordenação

em Informação

daProfa.

Dra.

(Information

Regina

Célia

Literacy),

Baptista

com

a

Belluzzo

e

organização de Marcia Rosetto (FEBAB), com o apoio institucional do
SENAC São Paulo.


2004 – Promoção, pela FEBAB, do 1º. Seminário sobre Competência
em Informação (Information Literacy), como parte da programação oficial
da Bienal Internacional do Livro em São Paulo, no Palácio das
Convenções do Anhembi, com a coordenação da Profa. Dra. Regina
Célia Baptista Belluzzo, e organização de Marcia Rosetto (FEBAB), com
o apoio institucional da Câmara Brasileira do Livro (CBL).



2004 e 2005 – Organização de cinco Oficinas de Trabalho sobre
Competência em Informação: um diferencial das pessoas no século XXI,
com a participação deaproximadamente 500 bibliotecários da rede de
bibliotecas públicas paulista das regiões: Área Metropolitana de São
Paulo, Bauru, São Carlos, Sorocaba, Vale do Paraíba. As oficinas foram
realizadas nas respectivas regiões, com a organização de Marcia
Rosetto enquanto Coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas

15

Publicação disponível
Acesso em: 20 fev. 2013.

em

http://www.ifla.org/files/assets/faife/publications/theme-report-2006.pdf.

�100

Públicas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e com a
coordenação da Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo.


2005 – Promoção, pela FEBAB, do Workshop Competência em
Informação durante a realização do XXI Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), em
22 de julho de 2005, Curitiba (Paraná), com a coordenação da Profa.
Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo, e organização de Marcia Rosetto
(FEBAB).



2005 - Realização da Palestra Contribuição ao desenvolvimento da
Competência em Informação em bibliotecas públicas paulistas: uma
experiência com apoio de oficinas de trabalho, por Regina Célia Baptista
Belluzzo

e

Marcia

Rosetto,

no

XXI

Congresso

Brasileiro

de

Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), julho
de 2005, Curitiba (Paraná).


2005 -Realização da Palestra Library e Reading - social inclusion
through reading enhancement and library projects in Brazil, por Marcia
Rosetto,no Colloquium on Information Literacy and Life Long Learning,
na Biblioteca de Alexandria(Egito), 6 a 9 de novembro de 2005.



2006 – Realização, pela FEBAB, de edição temática em Competência
em Informaçãona Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação
(RBBD), v. 2, n. 2 (2006), com a coordenação da Profa. Dra. Regina
Célia Baptista Belluzzo e Profa. Dra. Glória Georges Feres.



2006 – Realização da Palestra Bibliotecas, Información y Conocimiento:
Desafíos

para

que

el

bibliotecario

latinoamericano

promueva

alfabetización eninformación, por Marcia Rosetto, no Congresso World
Library and Information Congress: 72nd IFLA General Conference and
Council, 20 a 24 agosto de 2006, Seoul (Coréia).


2006 – Participação com o Pôster Information Literacy: development of
workshops on literacy maps use, por Marcia Rosetto e Regina Célia
Baptista Belluzzo, no Congresso World Library and Information
Congress: 72nd IFLA General Conference and Council, 20 a 24 agosto
de 2006, Seoul (Coréia).

�101



2008 – Promoção da Palestra Construção de Cidadania em Cidades
Multiculturais

pela

Profa.

Dra.

Regina

Célia

Baptista

Belluzzo,

representando a FEBAB na área da Ciência da Informação, Eixo
temático – Inclusão, Equidade e Direitos no X Congresso Internacional
de Cidades Educadoras, São Paulo, promovido pela Associação
Internacional de Cidades Educadoras (AICE), 24 a 26 de abril, Palácio
das Convenções do Anhembi.


2008 - Promoção de Palestra Competência em informação subsídios
para a construção do saber contemporâneo, por Marcia Rosetto no
Congresso Internacional Biblioteca y Sociedad - Textos, Autores y
Bibliotecas, promovido pela Universidad Nacional de Córdoba, 24 a 26
de setembro de 2008, Córdoba (Argentina).
Com a realização de estudos e atuações na esfera profissional e

nomovimento associativo, conforme as atividadesrelacionadas iniciamos
também uma maior atuação na esfera acadêmica e na organização e
dinamização de processos voltados para a educação continuada na área de
documentação e informação, considerando a Competência em Informação
como parte integrante do mesmo, ecuja ampliação se deu nos últimos dez anos
em nível internacional e nacional.
Dessa forma, em 2008 elaboramos um projeto de pós-graduação
nessa área, e que se consolidou com a realização de pesquisa no Centro
Simão Mathias de Estudos em História da Ciência, CESIMA juntamente com o
Programa de Estudos Pós- Graduados em História da Ciência da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC SP), por ser um espaço de reflexão
e contextualização das Ciências Exatas e Naturais com interface com as
múltiplas áreas do conhecimento, incluindo as Ciências Humanas, no caso
específico

a Ciência

da

Informação.Os estudos foram desenvolvidos

considerando as inter-relações existentes entre a História da Ciência e Ciência
da Informação, e tendo como fator de interação a Competência em Informação.
A pesquisa teve como principal propósito oferecer uma contribuição
na perspectiva de construção de metodologia teórico-prática, e a aplicabilidade
e validação de padrões de Competência em Informação desenvolvidos a partir
de padrões internacionalmente aceitos, e adequados ao contexto brasileiro e
sendo estabelecidos como parâmetros norteadores e fator essencial à

�102

formação de alunos, professores e pesquisadores da área da História da
Ciência.

Na primeira parte da pesquisa a interação foi evidenciada mediante

a análise de documentos localizados e obtidos de George Sarton 16 e Paul
Otlet17, entre outros autores, e complementados por fontes de informação que
propiciaram determinar variáveis que levaram a inferências de que as duas
áreas em foco possuem elos de interação em dimensões tais como: na
intersecção documentos e fontes de informação, nas perspectivas de estudos
cientométricos/bibliométricos, pesquisas na área da comunicação científica e
construção

de

árvores

do

conhecimento

científico

(representação

e

classificação). Para a História da Ciência, os documentos e fontes de
informação são a base da realização de estudos e pesquisas sobre o fazer
científico, inserido em diferentes épocas e em seu próprio contexto. Quanto à
Ciência da Informação, trata-se do próprio objeto de sua estruturação como
campo científico, alinhado às perspectivas da comunicação humana, ao
registro do conhecimento e à memória intelectual da civilização, necessidades
e uso da informação, contexto social e institucional e tecnologias da
informação.
Na segunda parte, a partir dos resultados encontrados através de
realização de oficinas de trabalho e entrevistas, foi possível sistematizar
ereconstruir significados do que se constitui a Competência em Informação e
como essa nova disciplina poderia se tornar um elo de interação entre a
História da Ciência e Ciência da Informação, considerada como um
instrumental necessário para a acessibilidade e usabilidade de documentos e
fontes em pesquisas, e durante o processo de construção do conhecimento e
inovação em História da Ciência e no fortalecimento das inter-relações com a
Ciência da Informação.
A fluência científica (Competência Científica),

18

enquanto vertente

da Competência em Informação, está presente em todas as etapas dapesquisa
16

George Sarton (1884-1956) Considerado como um dos principais articuladores para institucionalização
da História da Ciência e criador das primeiras bibliografias nessa área.
17
Paul Otlet (1868-1944) criador da Classificação Decimal Universal e responsável pela adoção do termo
“documentação”.
18
Devido a pluralidade semântica, esse tema vem sendo identificado por diferentes expressões como:
letramento científico, alfabetização científica, esculturação científica. (SASSERON e CARVALHO, 2011).
Competência Científica, de modo mais geral, entende-se como a compreensão sobre ciência, o domínio e
uso de conhecimentos científicos, e seus desdobramentos e aplicações em diferentes esferas da
sociedade. O termo foi adotado por Paul Hurd nos anos 1950, época em que se verificou maior
preocupação quanto ao ensino na área das ciências, de suas dimensões sócio-culturais, das práticas que

�103

científica, na medida em que a competência é entendida como domínio de
conteúdos, de métodos, das técnicas, das várias ciências, e das habilidades
específicas de cada área de formação e de cada forma de saber e de cultura
(BELLUZZO, 2001). As etapas que compõem o processo da Competência
Científica são representadas por David V. Loertscher em seu Modelo Circular
de Pesquisa (LOERTSCHER, 2003), dentre os vários modelos mencionados no
item 2.1. Esse autor considera um cenário onde a informação é a base
essencial de uma sociedade e o manejo e uso dependem de infraestrutura que
permita o engajamento dos alunos, professores e pesquisadores de forma que
haja reconhecimento de todos os caminhos a serem percorridos durante a
realização do estudo/pesquisa. Ao transpor tais princípios para as condições de
acesso e uso da informação, Belluzzo (2005) assinala que o modeloproposto
por Loertscher, e adotado por esse estudo, propicia a visualização das etapas
a serem vencidas para a realização de uma pesquisa e as mesmas estão
representadas nos sete (7) estágios propostos, compondo um ciclo de ensino e
aprendizagem para que as pessoas aprendam e desenvolvam as capacidades
inerentes ao processo de estudo e pesquisa.
Nesse sentido, a partir dos resultados obtidos durante as etapas de
nossa pesquisa, pôde-se identificar a possibilidade de se estabelecer uma
continuidade e fortalecimento de programas de formação que permitam
complementar aqueles que já são realizados pelo CESIMA, destacando-se o
desenvolvimento, de modo curricular, da Competência Científica como vertente
da Competência em Informação, enquanto fator de interação entre as duas
áreas,

bem

como

as

atividades

relacionadas

com

a

organização,

representação e uso da informação/conhecimento, quanto às formas de acesso
aos repositórios de informação, em meios tradicionais e eletrônicos (digitais e
virtuais), às metodologias de pesquisa, produção de textos científicos, e as
habilidades destacadas pelos sujeitos/interagentes participantes do estudo.
Uma proposta conceitual foi elaborada para a organização de uma
forma mais explicitada dessa interação, que se encontra na Figura 5, tendo
como eixo central o acesso e uso de documentos e fontes de informação, com
vinham representando impactos econômicos e políticos, além de sua influência no modo de vida das
pessoas. Os vários estudos realizados nessa área desde essa época tratam a questão das origens do
conhecimento científico e como é utilizado e destacado, incluindo também a comunicação científica
(LAUGKSCH, 2000).

�104

inter-relação entre as perspectivas de estudos e pesquisas em História da
Ciência, e a Competência em Informação, elo de intersecção com a Ciência da
Informação.
Figura 5 – Mapa conceitual para a construção da Competência em Informação
para acesso e uso de documentos e fontes em História da Ciência

Fonte: Elaborada pela autora

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das etapas relacionadas a uma trajetória profissional, foi
possível identificar um processo de aproximações e apropriações de
conhecimento teórico e prático relacionado à Competência em Informação.
Como resultado, apresentou-se uma “linha do tempo” que envolveu inúremas
vivências e descobertas e que motivaram a realização da pesquisa de

�105

doutorado. Assim, também se buscou contribuir e fornecer subsídios para a
continuidade

de

possíveis desdobramentos visando

à

construção

de

instrumentos que propiciem a consolidação de competências na promoção do
acesso e uso de documentos e informações.
Ressalta-se que o objetivo geral da pesquisa foi a identificação da
Competência em Informação, na vertente Competência Científica, como fator
de interação da História da Ciência com a Ciência da Informação, e também
propor uma metodologia e consolidar parâmetros de avaliação com vistas à
transposição e aplicabilidade desses princípios junto aos pesquisadores da
área de História da Ciência, reconhecidamente emissores ereceptores de
informação e geradores de conhecimento científico. Assim, uma proposta
conceitual para a organização de forma mais explicitada dessa interação foi
elaborada (Figura 5, item 3), tendo como eixo central o acesso e uso de
documentos e fontes de informação e com uma inter-relação entre as
perspectivas de estudos e pesquisas em História da Ciência, e a Competências
em Informação, elo de intersecção com a Ciência da Informação.
Dessa forma, uma possível continuidade do desenvolvimento
histórico iniciado desde o princípio por essas duas áreas, identificado através
de George Sarton e Paul Otlet, puderam ser verificadas e cujas ações tiveram
importantes reflexos na organização e acesso à informação científica. De igual
maneira, pode-se ressaltar a possibilidade de desenvolvimento de programas,
em ambas áreas, que visam à construção de instrumentos para a consolidação
daCompetência em informaçãoe suas vertentes, possibilitando a construção do
conhecimento científico in continuum na sociedade.

REFERÊNCIAS
THE ASSOCIATION OF COLLEGGE AND RESEARCH.Information
literacycompetence standards for highereducation, 2000.Disponível em:
http://www.ala.org/acrl/standards/informationliteracycompetency. Acesso em:
30 nov. 2010.
BELLUZZO, R.C.B. A information literacy como competência necessária à
fluência científica e tecnológica na sociedade da informação: uma questão de
educação. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO-SIMPEP, 7,
2001. Anais..., Bauru- SP: UNESP, 2001. Disponível em:
http://www.simpep.feb.unesp.br/ana8.html. Acesso em: 12 fev. 2013.

�106

BELLUZZO, R.C.B.; KERBAUY, M.T.M. Em busca de parâmetros de avaliação
da formação contínua de professores do ensino fundamental para o
desenvolvimento da information literacy. ETD – Educação Temática Digital, v.
5, n.2, p.129-139, 2004.
BELLUZZO, R.C.B.; ROSETTO, M. A competência em informação: um fator
de integração entre a biblioteca e a escola. Curitiba, 2005. (Palestra proferida
no XXI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação – CBBD)
______. O uso de mapas conceituais para o desenvolvimento da competência
em informação: um exercício de criatividade. In: PASSOS, R.; SANTOS,
G.C.(Orgs).Competência em informação na sociedade da aprendizagem.
Bauru: Kairós, 2005, p. 29-53.
______. Construção de mapas: desenvolvendo competências em informação
e comunicação. Bauru: Cá entre Nós, 2007.
BELLUZZO, R.C.B., FERES, G.G.; BASSETO, C. A competência em
informação como um fator crítico de sucesso para a pesquisa na área de
ciência da informação: transferência de princípios para reflexão. In: Encontro
da Associação de Educação e Investigação em Ciência da Informação da
Iberoamérica e o Caribe – EDICIC, 11. 2011. Anais…,. Marília: UNESP,
2011.p.1-13.
BOND, T. Information literacy models and inquiry learning models.
Disponível em:http://ictnz.com/author.htm. Acesso em: 15 fev. 2013.
BRUCE, C. S.Las siete caras de la alfabetización en información en la
enseñanza superior.” Anales de documentación, 6, 2003, p.289-294.
CAMPELLO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva
para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3,
p. 28-37, set./dez.2003.
CATTS, R.; LAU, J.Towards information literacy indicatiors.Paris: UNESCO,
2008.
THE COUNCIL OF AUSTRALIAN UNIVERSITY LIBRARIANS (CUAL). CUAL’s
Australian and New Zealand Information Literacy Framework. Disponível em:
www.library.unisa.edu.au/learn/infolit/Infolit-2nd-edition.pdf. Acesso em: 15 fev.
2013.
DELORS, J. Os quatro pilares da educação, 1998. Disponível em:
http://4pilares.net/text-cont/delors-pilares.htm. Acesso em: 15 fev. 2013.
DOYLE, C. S. Information literacy in information society: a concept for the
information age. Syracuse: ERIC Cleanringhouse on Information e Technology,
1994.
DUDZIAK, E. A. A Information Literacy e o papel educacional das bibliotecas.
São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado) – Escola de Comunicações e Artes

�107

da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2001. Disponível
&lt;http://www.teses.usp. br/teses/disponiveis/27/27143/tde-30112004151029/&gt;. Acesso em: 2 mar 2013..

em:

DURAND, E.T. L’alchimie de la compétence. Revue Française de Gestion, v.
32, n. 160, p. 261-292, p. 2006.
ELMBORG, J. Critical information literacy: implications for instructional practice.
Journalof Academic Librarianship, v. 32, n. 2, p. 192-199, 2006.
FISHER, A. L.et al. Absorção do conceito de competência em gestão de
pessoas: a percepção dos profissionais e as orientações adotadas pelas
empresas.In: DUTRA, J.; FLEURY, M.T.L.; RUAS, R. L. (Orgs.).
Competências: conceitos, métodos e experiências. São Paulo: Atlas,
2008.p.331-350.
FLEURY, M.T.L.; OLIVEIRA JUNIOR, M.M. Gestão estratégica do
conhecimento: integrando aprendizagem, conhecimento e competências. São
Paulo: Atlas, 2001.
FLEURY, M.T.L.; FLEURY, A. Construindo o conceito de competência. RAC,
edição especial, p.183-196, 2001.
GIBSON, C. The history of information literacy.In: COX, C. N; LINDSAY, E.
B.Information literacy instruction handbook.Chicago: Association of College
and Research Libraries, 2008.p.10-25.
HATSBACH, M.H.L. Information literacy: aspectos conceituais e iniciativas
em ambiente digital para o estudante de nível superior. 2002. Dissertação
(Mestrado- Ciência da Informação)- UFRJ/ECO- MCT/IBICT, Rio de Janeiro.
HATSCHBACH, M.H.L.; OLINTO, G. Competência em informação: caminhos
percorridos e novas trilhas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, nova série, v.4, n.1, p. 20-34,2008.
HORTON JUNIOR, F.W. Overview of Information Literacy Resources
Worldwide. Paris: UNESCO, 2013. 221p.
IFLA. Faróis da Sociedade da Informação - Declaração de Alexandria sobre
Competência informacional e aprendizado ao longo da vida. In: National Fórum
on Information Literacy. Disponível em:
http://www.ifla.org/III?wsis?BeaconInfSoc-pt.html19/7/2006.Acesso em: 15 fev.
2013.
LAUGKSCH, R.C. Scientific literacy: a conceptual overview. Science
Education, v. 84, n. 1, p.71-84, 2000.
LOERTSCHER, D.V. California project achievment: brief guide &amp; handouts.
Salt Lake City: Hi Willow Research &amp; Publishing, 2003.
LOERTSCHER, D. V.; WOOLS, B. Competência em informação: ajudando
bibliotecários a aplicar a pesquisa no ensino da habilitação básica em obtenção

�108

de informação pelos usuários – a importância da interface humana. In:
PASSOS, R.; SANTOS, G.C. (Orgs). Competência em informação na
sociedade da aprendizagem. Bauru: Kairós, 2005, p. 55-96.
MACHADO, N.J. Sobre a ideia de competência. In:______. As competências
para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da
avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.p.137-154.
MACKENZIE, J. The reseach cycle. The Educacional Technology Journal, v.
9, n.4, 1999. Disponível em: http://www.fno.org/dec99/rcycle.html. Acesso em:
15 fev. 2013.
MIRANDA, S.V. Como as necessidades de informação podem se relacionar
com as competências informacionais. Ciência da Informação,v. 35, n. 3,
p.p.99-114, 2004.
NEWMAN, J.H. The idea of a University.1907. Disponível em:
http://www.newmanreader.org/works/idea/. Acesso em: 13 fev. 2013.
PERRENOUD, P. The key to social fields. In: Developing key competencies in
education: some lessons from international experience. Paris:
UNESCO/International Bureau of Education, 2004.
PRIMO, A. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por
computador. In: Congresso Brasileiro de Ciências da
ComunicaçãoINTERCOM,26.Anais... 2003. Belo Horizonte, 2003.
PROGRAMME for International Student Assessment (PISA). Disponível em:
http://www.pisa.oecd.org/dataoecd/10/61/48852548.pdf. Acesso em: 15 fev.
2013.
RUBIN, R. E. Foundations of library and information science. New York,
Neal-Schuman Publishers, 2004.
SASSERON, L.H.; CARVALHO, A.M.P. Alfabetização científica: uma revisão
bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências, v.16, n. 1, p. 59-77,
2011.
SANMARTÍ, N. Qué câmbios implica la introducción del concepto de
competência en la educación científica? Barcelona, 2009. (Palestra
realizada no VIII Congresso Internacional sobreInvestigaciónen Didática de las
Ciencias – Enseñanza de las Ciencias en un mundo en transformación.)
The SCONUL seven pillars of information literacy: a research lens for higher
education, 2011. 14p.
TIANA, A. Developing key competencias in education systems: some lessons
from international studies and nacional experiences. In: ______. Developing
key competencies in education: some lessons from international
experience.Paris: UNESCO/International Bureau of Education, 2004. p. 35-80.

�109

UNESCO.The Prague Declaration.Towards on information literate society,
2003.
UNESCO. Logo. Disponível em: http://www.infolitglobal.info/logo/en/download.
Acesso em: 20 nov. 2011.
UNESCO.The Information for All Programme (IFAP). Disponível em:
http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/
intergovernmental-programmes/information-for-all-programme-ifap/. Acesso
em: 20 fev. 2012.
UNESCO. Disponível em: http://www.unesco.org/new/en/communication-andinformation/resources/news-and-in-focus-articles/in-focus-articles/2012/mediaand-information-literacy-for-knowledge-societies. Acesso em: 15 fev. 2013.
UNESCO. Manisfesto for media education. Disponível em:
http://www.manifestoformediaeducation.co.uk/2011/02/ruth-zanker/. Acesso
em: 15 fev. 2013
WILSON, C.et al. Media and information literacy: curriculum for teachers.
Paris: UNESCO, 2011.

�110

Eixo Temático II

Formação e Atuação do Profissional da Informação e a
Transversalidade da Competência em Informação

�111

FORMAR PROFISSIONAIS DE INFORMAÇÃO: DESAFIOS E
POSSIBILIDADES DO MODELO PEDAGÓGICO DE E-LEARNING DA
UNIVERSIDADE ABERTA PORTUGUESA
Glória Bastos
Ana Isabel Vasconcelos
1 DESAFIOS EDUCATIVOS
UNIVERSIDADE ABERTA

NO

SÉCULO

XXI:

RESPOSTAS

NA

O ensino a distância tem constituído uma aposta decisiva, sobretudo
quando se pretendem formar populações adultas, geralmente integradas no
mercado de trabalho, e/ou geograficamente dispersas. Se a questão dos
constrangimentos geográficos, aliada a uma tentativa de chegar a um número
significativo de estudantes constituiu, de fato, uma das preocupações
essenciais na educação a distância durante o século XX, em termos de
estratégias organizacionais das universidades a distância, nas quais se inclui a
Universidade Aberta (UAb), os avanços nas tecnologias da informação e
comunicação, ocorridos sobretudo na última década desse século, trouxeram
novas possibilidades (GARRISON, 2000). Verificamos, assim, que o enfoque
atual se centra mais na questão transacional do processo educativo, em que as
dimensões de participação, interação e colaboração se refletem com maior
ênfase (ANDERSON e DRON, 2011).
Sendo a Universidade Aberta a única instituição pública portuguesa
de ensino superior vocacionada para o ensino a distância, com uma história de
25 anos (comemorados exatamente em 2013), viveu alterações significativas
no contexto do ensino superior europeu decorrentes, por um lado, da
introdução das novas tecnologias no ensino e, por outro, do chamado processo
de Bolonha.
Assim, dando resposta às diretrizes emanadas do denominado
processo de Bolonha, concretizou-se na UAb um conjunto de ações que
procuraram responder aos desafios educativos de uma forma refletida e
estruturada. Por um lado, continuando a estar atentos a uma preocupação
fundamental que desde a criação desta instituição norteou as opções
respeitantes à oferta pedagógica, isto é, identificar necessidades profissionais

�112

no tecido social português e propor formações graduadas adequadas. Por
outro, incorporando inovações pedagógicas e tecnológicas próprias dos novos
modelos de educação em contexto virtual, o que se consubstanciou na
conceção de um modelo pedagógico próprio.
Refletindo brevemente sobre alguns aspetos decorrentes do
processo de Bolonha, refira-se que este processo teve em vista a construção
de um espaço europeu de ensino superior propício ao estabelecimento de
redes de intercâmbio e de cooperação, quer a nível do ensino quer da
investigação. Dentre os objetivos propostos, está o estabelecimento de
estruturas curriculares equivalentes, facilitando assim a mobilidade e
promovendo níveis de competitividade, o que obrigou os vários países
signatários do documento de Bolonha a reformular os cursos em oferta. O novo
desenho curricular assentou, genericamente, na organização do ensino
superior em 3 graus, baseado num sistema de créditos, denominado ECTS
European Credit Transfer System (ECTS), unidade que quantifica o esforço
despendido em horas de estudo/trabalho. Este padrão de referência comum
permite oferecer, em todo o espaço europeu, cursos e especializações
semelhantes e comparáveis em termos de conteúdos e de duração, e conferir
diplomas de valor reconhecidamente equivalente tanto acadêmica como
profissionalmente.
Neste contexto, a UAb deu início ao processo não só de adequação
dos seus cursos mas também de criação de novos ciclos de estudo, todos eles
enquadrados agora por uma nova dinâmica estabelecida pelo modelo
pedagógico virtual da Universidade Aberta. Este modelo pedagógico pressupõe
a existência de uma sala de aula virtual (atualmente com recurso ao sistema
moodle) onde se procura implementar processos de aprendizagem dinâmicos e
interativos. Podemos apontar como elementos estruturantes desse modelo as
perspetivas construtivistas em relação a uma aprendizagem de qualidade:
neste sentido, a aprendizagem deve ser situada (contextualizada), significativa
(motivada) e colaborativa e o conhecimento deve ser distribuído e partilhado.
O modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta assenta em
quatro linhas de força: a aprendizagem centrada no estudante, o primado da
flexibilidade, o primado da interação e o princípio da inclusão digital (PEREIRA
et al., 2007, p. 10). Em relação aos dois primeiros princípios, o estudante é

�113

visto como um indivíduo ativo e empenhado no processo de aprendizagem,
capaz de construir o seu conhecimento, e “integrado numa comunidade de
aprendizagem” (p. 11); sendo igualmente um estudante adulto, muitas vezes
com responsabilidades familiares e profissionais, a flexibilidade constitui um
elemento importante, permitindo a gestão individual do trabalho, quer no
acesso aos conteúdos quer na realização das atividades propostas. Os dois
pilares anteriores ligam-se ainda ao primado da interação, que para além dos
processos inerentes aos anteriores modelos de ensino a distância (interação
estudante-conteúdos e estudante-professor) privilegia de fato a relação
estudante-estudante, através da criação de grupos de discussão (p. 13) que
potenciam o envolvimento dos estudantes no grupo-turma, promovendo a
partilha e a construção conjunta de conhecimento. Finalmente, a questão da
inclusão digital é particularmente importante na sociedade atual, e nesse
sentido o modelo, ao centrar-se no ensino na modalidade de e-learning, cria
condições, por si só, para a promoção dessa inclusão; por outro lado, prevê a
criação de estratégias educativas específicas que possibilitem a aquisição e
desenvolvimento da literacia digital dos estudantes, como seja a frequência de
um módulo de ambientação à aprendizagem online (p. 15).

2 OFERTA FORMATIVA NA ÁREA DAS BIBLIOTECAS

Os cursos oferecidos na área das Bibliotecas/Ciência da Informação
têm decorrido de necessidades identificadas em termos socioprofissionais e de
dinâmicas estruturais que se desenvolveram e ampliaram em Portugal,
sobretudo a partir da última década do século XX.
Neste contexto, surge em 2003/2004 o curso de mestrado em
Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares (primeiro no país), destinado a
docentes que, nas escolas do ensino básico e secundário, coordenam as
bibliotecas. Devido ao grande investimento que o Ministério da Educação vinha
fazendo na requalificação destes espaços e respetiva organização, havia, por
parte da classe dos professores, grande necessidade de formação pósgraduada específica nesta área. Também pela primeira vez, no sistema
educativo português, surgia um organismo especificamente dedicado ao

�114

desenvolvimento destes espaços – o gabinete da Rede de Bibliotecas
Escolares (criado em 1996; cf. http://www.rbe.min-edu.pt/np4/home).
O mesmo tipo de investimento havia sido realizado anteriormente
para as bibliotecas públicas, através de um programa de recuperação e
requalificação de espaços, financiado pela União Europeia, e que desde 1987 é
responsável pela abertura de Bibliotecas Municipais renovadas, envolvendo
arquitetos de renome internacional. Dirigidos por técnicos superiores, estes
espaços dispõem de um corpo de funcionários que, muitas vezes sem
preparação formal específica, contam com a experiência adquirida nessa
função e com conhecimentos provenientes de cursos breves ministrados pela
Associação Portuguesa de Bibliotecários. Arquivistas e Documentalistas
(APBAD). Avaliada esta situação e estudado o perfil destes profissionais, com
apoio em documentos de referência internacionais (nomeadamente o EuroReferencial I-D, 2005 (ECIA, 2005), a UAb desenhou um curso de 1.º ciclo,
enquadrado no novo modelo de Bolonha. Quatro anos decorridos sobre o
funcionamento deste curso de licenciatura em Ciências da Informação e da
Documentação, impunha-se dar-lhe continuidade, o que se materializou na
criação de uma pós-graduação, propiciando agora uma formação avançada
num conjunto de temáticas consideradas de grande relevância para um
exercício de qualidade das profissões associadas a esta área.
Estes três níveis e âmbitos de formação oferecidos pela UAb têm
respondido às necessidades de formação de um conjunto de profissionais que,
na maior parte dos casos, se encontram atuando há vários anos em bibliotecas
(escolares, públicas e outras), que tiveram, pelas circunstâncias acima
expostas de forma resumida, um grande incremento. Nos parágrafos seguintes
descreve-se, com brevidade, esta oferta da Universidade Aberta para a
formação de profissionais na área da Ciência da Informação e com
cruzamentos também às Ciências da Educação, como é o caso da formação
de professores bibliotecários.

2.1 Curso de Mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares

A criação do curso de especialização pós-graduada (em 2003) e de
mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares (em 2004) surgiu

�115

num momento em que o acesso à informação e ao conhecimento constituem
desafios que se impõem à sociedade em geral e, em particular, ao contexto
educativo. Na escola atual, a biblioteca escolar emerge como um elemento
central para a difusão e consolidação do conhecimento, constituindo, ademais,
um

recurso

essencial

no

processo

pedagógico.

Os

seus

objetivos

fundamentais, como se encontram expressos em manifestos e documentos
orientadores internacionais (cf., por exemplo, School Library Guidelines,
IFLA/UNESCO, 2002), abrangem domínios como o desenvolvimento da
literacia e da Competência em Informação, apoio ao ensino e à aprendizagem,
desenvolvimento da consciência cultural e social. Para cumprir estes
propósitos, é fundamental a existência de profissionais habilitados para o
exercício de funções coordenadoras em bibliotecas escolares e centros de
recursos educativos, nomeadamente em nível de organização, planejamento e
gestão.
A criação oficial do cargo de professor bibliotecário, em 2009, tornou
mais pertinente esta formação e a descrição do perfil funcional acarretou novas
responsabilidades, também em nível da formação. Procurando responder a
estas exigências mas também pretendendo projetar o trabalho realizado no
futuro, o curso fundamenta-se em quatro grandes paradigmas: i) permanente
atualização de conhecimentos com relevância para a área da biblioteca
escolar; ii) desenvolvimento de competências de reflexão, concepção,
comunicação e avaliação; iii) cultivo de uma atitude de questionamento
adequado que permita a abertura à investigação, e iv) sentido de
aprendizagem ao longo da vida, caracterizado pela continuidade no
aprofundamento. Consideramos ainda que o mestre em Gestão da Informação
e Bibliotecas Escolares deverá estar atento às transformações e solicitações do
tecido social, em geral, e escolar, em particular, à evolução das tecnologias da
informação e comunicação, desenvolvendo ações práticas e de pesquisa que
visem transformar a biblioteca escolar num verdadeiro espaço educativo.

2.2 Ciclo de estudos (licenciatura) em Ciências da Informação e da
Documentação

�116

Este ciclo de estudos destina-se a uma população adulta,
maioritariamente integrada no mercado de trabalho desta área, sendo o perfil
deste público-alvo marcado por conhecimentos empíricos pouco alicerçados
em leituras ou estudos de referência neste âmbito. Por outro lado, o nível de
ensino formal anteriormente frequentado por esta população denotava lacunas
em áreas disciplinares cujos saberes são consensualmente considerados
indispensáveis a um profissional deste ramo. A identificação destas
fragilidades, articulada com os domínios elencados e especificados em
documentos internacionais de referência relativos ao perfil de competências
exigido a um profissional deste nível, determinou a concepção deste curso.
Assim, para além de um núcleo estruturante, que integra unidades
curriculares no âmbito da informação, tecnologias, comunicação e gestão, o
plano curricular inclui uma dimensão cultural multifacetada que é condição
relevante para o profissional da informação, na medida em que, na maior parte
dos casos, aquele atua num contexto marcado pela constante interação com o
meio social e cultural envolvente. Esta dimensão exige uma capacidade de se
relacionar de forma ativa com a inovação e estar aberto a uma aprendizagem
permanente, princípios estruturantes que o Processo de Bolonha vem destacar.
Os licenciados nesta área deverão assim responder às necessidades
específicas dos contextos de trabalho, que podem ser em ambiente escolar, de
biblioteca pública ou em instituições e organismos diversos que necessitem de
um profissional qualificado.

2.3 Curso de
Documentação

pós-graduação em

Ciências

da Informação e

da

Alicerçada nos níveis de proficiência atingidos com a formação de
base acima referida, a UAb concebeu este curso de formação de profissionais
de informação em torno de três objetivos: i) aprofundamento de elementos
relacionados com a representação da informação e de ações avançadas na
área do tratamento documental, com ênfase na análise de conteúdo; ii) estudo
aprofundado sobre domínios no âmbito da gestão de sistemas e serviços de
informação, essencialmente focado na análise de boas práticas; iii) reflexão

�117

crítica sobre questões ligadas à formação de usuários, em vertentes como a
ética da informação e a literacia informacional.
Para atingir estes propósitos, concebeu-se um conjunto de unidades
curriculares que privilegiaram as seguintes áreas: ciências da informação nas
vertentes da representação da informação e gestão dos recursos documentais;
tecnologia aplicada a sistemas de informação; gestão e planejamento
estratégico dos serviços de informação; e metodologia do trabalho científico
com vista à elaboração de projetos e concepção e aplicação de instrumentos
de coleta de dados de pesquisa.
Tratando-se, uma vez mais, de estudantes inseridos no mercado de
trabalho, impunha-se uma estreita e substantiva ligação reflexiva entre estas
áreas de formação e o contexto real de trabalho, pelo que se dedicou um
módulo específico a esta articulação, que denominamos “prática profissional”.
O número de créditos atribuído a cada unidade curricular foi calculado em
função dos elementos já anteriormente referidos e também dos processos de
ensino e de aprendizagem desenvolvidos, nomeadamente, o estudo autônomo,
a discussão em fórum, o desenvolvimento de trabalho colaborativo e as
diversas atividades de avaliação. A componente de prática profissional decorre
em contexto real, através de um protocolo entre a UAb e os locais de trabalho
dos estudantes, sendo esta prática orientada por um docente da Universidade
(em função da área do projeto a implementar) e localmente tutoreada e
supervisionada, segundo o enquadramento metodológico da coordenação do
curso.
No que respeita ao perfil de saída, este desenho curricular
determina: i) a formação de um profissional atento às transformações e
mudanças sociais e tecnológicas com influência direta na sua atividade e com
capacidade para refletir e intervir adequadamente em contexto de trabalho; ii) a
formação de um profissional com competências para conceber, integrar e
avaliar projetos de desenvolvimento locais ou numa esfera de ação mais
ampla, na área científica do curso; iii) a formação de um profissional com
capacidade para interagir com os pares e com o público numa atitude de
disponibilidade, colaboração e de compartilhamento de práticas e de saberes.

�118

3 ESTUDAR EM E-LEARNING: MOTIVAÇÕES E BALANÇO
Com o intuito de avaliar a pertinência e eficácia do desenho
curricular e da vertente pedagógica que vimos explicitar, apresentam-se alguns
dados coletados junto dos estudantes da 1.ª edição do curso de pós-graduação
em Ciências da Informação e da Documentação, através da aplicação de um
questionário. No grupo dos 13 estudantes inquiridos (2 homens e 11 mulheres),
todos se encontram exercendo funções em serviços de informação e a maioria
tem mais de 5 anos de serviço (cf. gráficos 1 e 2), o que confere uma
consistência à turma, decorrente de uma situação profissional semelhante e de
um contacto com realidades e rotinas laborais não muito díspares.
Gráfico 1 – N.º de anos de serviço.

Gráfico 2 – Local de trabalho.

Biblioteca
pública
Biblioteca
escolar

de 1 a 5
de 6 a 10

Biblioteca
Universitá
ria

mais de 10

Nas perguntas formuladas, interessou-nos, em especial, coletar
informações e apreciações relativas a dois grandes eixos: a aplicação do
modelo pedagógico virtual e a pertinência social e profissional do curso. Antes
ainda de avançarmos para as questões relativas à primeira vertente,
consideramos

importante,

para

melhor

ler

os

resultados

e

dissipar

interpretações menos adequadas, indagar as motivações que levaram estes
estudantes a frequentar o curso (cf. gráfico 3). Das 8 hipóteses sugeridas, não
nos surpreende o fato do “desenvolvimento de competências profissionais” se
apresentar como a principal razão de escolha do curso, sendo o fator
“integração da componente de prática profissional”, maioritariamente, a última a
ser selecionada. Uma apreciação comparativa entre estes extremos indica que
os estudantes pretendem adquirir formação para um melhor desempenho
profissional, mas desvalorizam o fato de lhes ser facultada essa prática, muito

�119

provavelmente porque essa componente se sobreporia, no seu entender, à sua
atividade/realidade profissional19.
As duas razões posicionadas em 2.º e 3.º lugar –“aprofundamento
dos conhecimentos teóricos” e “valorização pessoal”, respectivamente –,
apresentam-se como duas faces da mesma moeda, na medida em que ambas
contribuem para o crescimento individual destes profissionais, denotando a
proximidade

percentual

destas

escolhas,

uma

vontade

expressa

de

investimento de ordem pessoal. Surpreendente e pouco articulado com estas
opções, mas, de certo modo concordante com as principais razões que
costumam motivar a frequência do ensino formal por adultos (cf. SELWYN,
GORARD e FURLONG, 2006), é o fato de a hipótese “progressão na carreira
profissional” surgir como a 4.ª razão mais valorizada (das 8 possíveis), até
porque, dado o contexto economico, não será expectável, a curto prazo, que tal
venha a acontecer, já que a maioria dos elementos do grupo trabalha em
organismos do estado20. Uma possível explicação será o relativamente baixo
nível etário dos estudantes, que permite um horizonte temporal laboral ainda
relativamente alargado e uma projeção de expectativas mais positivas no
futuro. O gráfico 3 revela ainda que foi dada menor importância ao plano
curricular, e a escolha do regime de ensino não se deveu à sua mais valia tout
court, mas antes à flexibilidade que o próprio modelo acautela no que respeita
à gestão do tempo por parte de cada estudante.
Gráfico 3 – Razões para frequentar o curso.
25,0%
20,0%
15,0%

17,5%

18,2%
15,4%

13,7%

12,4%
8,5%

7,9%

10,0%

6,4%

19

Integração
componen…

Pertinência
do plano…

Valorização
pessoal

Preferência
ensino on-…

Preferência
ensino on-…

Desenvolvim
ento de…

Aprofundam
ento de…

0,0%

Progressão
na carreira…

5,0%

Como veremos mais adiante, esta atitude desvalorativa alterou-se depois da frequência do curso.
Referimo-nos aqui a uma particularidade no atual panorama laboral português, em que não são
permitidas temporariamente progressões na carreira profissional dos funcionários do estado.
20

�120

A unidade de ensino é desenvolvida na plataforma de e-learning
adaptada na UAb, constituindo o meio preferencial da relação professorestudante(s) e estudante(s)-estudante(s). Este é o ambiente integrador de
aprendizagem virtual, que pretende ser facilitador do estudo e da discussão
das matérias, estimulando a autonomia reflexiva e a participação colaborativa.
Sendo estas duas dimensões pedagógicas fundamentais para a educação à
distância na atualidade (cf. ANDERSON e DRON, 2011), interessou-nos
indagar como é que este grupo de estudantes percebe um conjunto de
competências/capacidades visadas no curso.
O gráfico 4 revela-nos que a competência mais valorizada –
“reflexão crítica” – é exatamente a que aponta para a confluência das duas
dimensões acima mencionadas. Esta competência pressupõe a reflexão
individual e autonoma que é evidenciada e enriquecida através de uma das
ferramentas mais utilizadas no processo de ensino-aprendizagem: o fórum. Na
verdade, este é, na sala de aula virtual, o local de encontro e debate de
conteúdos, exigindo, ao estudante, que reflita criticamente sobre as diversas
problemáticas, resultando desse diálogo uma construção conjunta de
conhecimentos. São estas várias facetas de um mesmo poliedro que são
percebidas pelos estudantes e refletidas na escolha de determinadas
hipóteses, dentre as que foram apresentadas. A construção conjunta do
conhecimento, apontada em 2.º lugar, é ainda favorecida pela realização de
tarefas em grupo, propiciadoras do trabalho colaborativo.
As dimensões referidas apontam de forma inequívoca para a
importância da interação social na construção do sucesso do percurso
formativo e das aprendizagens realizadas, e esta tem sido, na verdade, uma
vertente essencial do modelo pedagógico, em especial nos cursos pósgraduados, constituindo um fator decisivo para o sucesso e satisfação dos
estudantes. De fato, a nossa experiência, neste e noutros cursos, tem
demonstrado que a criação de comunidades de aprendizagem, em que os
níveis de interação e de troca de ideias têm um peso significativo, proporciona
experiências mais diversificadas e de melhor qualidade, representando
igualmente um fator de motivação para o aluno (SHIN, 2003) e diminuindo por
esta via os índices de abandono. A interação reduz a distância e cria um
sentimento de proximidade, que potencia a self-realization e a self-expression,

�121

seguindo as reflexões de McConnell (2006) para as comunidades em elearning. O design dos cursos aqui referidos, sobretudo em nível de pósgraduação, pretende seguir os princípios que este autor identificou (p. 15-16) a
partir das investigações realizadas com cursos em e-learning. Ressalta,
portanto, a importância de uma reflexão crítica, social e profissionalmente
contextualizada, realizada no seio de comunidades de aprendizagem,
permitindo a construção conjunta do conhecimento. Estes aspectos emergem
como elementos centrais no processo de aprendizagem online, ultrapassando
uma dimensão de interação mais solitária e unilateral do estudante com os
conteúdos, própria de vários modelos de ensino à distância (e mesmo em
sistemas de e-learning).
Embora não tão evidente para os alunos, a capacidade de “organizar
ideias” é uma condição indispensável para uma profícua participação na
discussão, já que a mesma se desenvolve na forma de expressão escrita,
convocando todas as exigências deste meio de expressão e comunicação.
Gráfico 4 – Competências/capacidades desenvolvidas no curso.
25,0%
21,1%
20,0%

17,4%

19,6%
17,4%
15,6%

15,0%
8,9%

10,0%
5,0%

organizar
ideias

partilhar
recursos

construir
conheciment
os de forma
conjunta

debater
conteúdos

reflexão
crítica

pesquisa

0,0%

A menor pontuação atribuída à “partilha de recursos” pode explicarse pela forma como os recursos de aprendizagem são disponibilizados no
ensino online. Devido ao crescente número de documentos digitais, esta
componente da coleção das bibliotecas virtuais e dos repositórios institucionais,

�122

complementados com textos disponibilizados na própria plataforma, em acesso
restrito, constituem os elementos de apoio bibliográfico preferenciais.
No contexto desta pós-graduação, recordamos que o plano
curricular integra uma unidade de prática profissional. O gráfico 5 contém,
precisamente, os resultados que pretendem avaliar a pertinência social e
profissional do curso, solicitando, aos respondentes, como elemento de
apreciação, eventuais benefícios decorrentes da articulação entre a unidade de
aprendizagem online e a unidade“Prática Profissional” presencial.
Das possibilidades enunciadas, os respondentes valorizaram muito
positivamente o facto de a articulação entre as duas componentes
(online/presencial)

“promover

o

reconhecimento

do

trabalho

e

das

competências do estudante na instituição de acolhimento”, que, no presente
caso, significa o seu próprio local de trabalho. Este resultado, relacionado com
a importância já anteriormente detetada de valorização pessoal (cf. gráfico 3),
deixa transparecer que o reconhecimento da competência profissional é um
elemento importante a ter em conta, na atenção que se deve dar à visibilidade
do trabalho dos estudantes junto da entidade empregadora. Neste sentido, a
disseminação dos trabalhos realizados e o acompanhamento local da
execução do projecto de cada estudante favorecem esse reconhecimento.
A importância atribuída à vertente “reflexão crítica”, já acima também
detectada (cf. gráfico 3), é aqui reiterada pelo número de respondentes que
consideraram muito pertinente a articulação entre os conteúdos das unidades
curriculares e o projeto que cada um concebeu e implementou no âmbito da
prática profissional. Tal situação deve-se também ao fato de se exigir que a
implementação do projeto seja sistematicamente analisada pelo estudante e
monitorada por quem o está a acompanhar localmente, bem como pelo
docente da UAb.

�123

Gráfico 5 – Articulação entre a unidade em e-learning e a de prática profissional
12
10
8
6
4
2
0
Permite responder
Promove a
Permite refletir de
Propicia boa
Promove o
a necessidades da articulação entre os forma consistente articulação entre os reconhecimento do
instituição de conteúdos das UC e sobre as práticas conteúdos das UC e trabalho e das
acolhimento
as tarefas diárias
os projetos da
competências do
pratica profissional
estudante na
instituição de
Pouco
acolhimento
Satisfatório
Bastante

No contexto das matérias abordadas, foi dada a possibilidade de aos
estudantes para conceberem um projeto adequado e que respondesse às
necessidades e aos interesses dos serviços de informação onde decorreria a
prática profissional. Apenas com uma exceção, esta possibilidade foi cumprida,
tendo-se verificado, em alguns casos (mencionados na avaliação final
solicitada pelo questionário, numa pergunta aberta), a integração de novos
processos e métodos de trabalho. No caso de uma aluna, pela proficiência
demonstrada, passou a assumir uma nova área de trabalho, o que contraria a
desvalorização da existência de prática profissional como motivação para a
escolha do curso, indicado na última coluna do gráfico 3.
A avaliação pessoal sobre a frequência do curso, efetuada em
pergunta aberta, confirma os dados já obtidos. Em relação à modalidade de
ensino, sobressaem expressões como, “partilha de conhecimentos” e de
“experiências”,

“aprendizagem

flexível”,

“autonomia”

e

“interação”,

mencionados praticamente por todos, ainda que acrescem ideias como
“sentido de pertença” ou a “solidariedade” existente entre colegas. A forma
como percebem esta experiência educativa confirma os dados e estudos
realizados por vários investigadores

(cf.,

por exemplo,

SHIN, 2003;

MCCONNELL, 2006; KEHRWALD, 2008; QUINTAS-MENDES, MORGADO e
AMANTE, 2010), atestando que, quando convenientemente organizada e

�124

dinamizada, a educação online revela-se extremamente dinâmica e rica em
termos sociais e pedagógicos.
Nesta linha, importa ainda mencionar que dois dos respondentes
estabelecem um confronto com experiências anteriores no ensino presencial,
sublinhando, por comparação, a maior “presença” e acompanhamento por
parte dos docentes. Na verdade, nesta parte do questionário notamos nos
respondentes a necessidade de explicitar de forma mais específica e
pormenorizada, do que era possível nas questões anteriores, de caráter
fechado, as suas apreciações sobre a experiência educativa vivida. Sem a
pretensão de, neste contexto, alargar a discussão sobre estes aspetos, importa
no entanto mencionar que os elementos que sobressaem confirmam a
importância de vetores que a investigação no âmbito da educação online tem
vindo a destacar, nomeadamente os apontados pelo modelo Community of
inquiry (COL): presença social, presença cognitiva e presença do professor
(GARRISON, 2007; SWAN, GARRISON e RICHARDSON, 2009).
A questão da gestão do tempo, muito presente em todas as
avaliações, é mencionada na sua duplicidade: por um lado, esta modalidade de
ensino favorece uma gestão mais flexível; por outro, exige dos estudantes uma
organização e uma auto-disciplina consideráveis. Curiosamente, um dos
intervenientes aponta como esta exigência se transformou numa competência
que transportou para outras dimensões da sua vida pessoal e profissional. Uma
das respondentes sublinha igualmente a maior auto-confiança que ganhou com
a frequência do curso, ultrapassando algumas inibições, já que se exige ao
estudante uma presença ativa e substantiva na sala de aula virtual. O que a
princípio pode ser encarado como dificuldade, quando adequadamente
enquadrado (nomeadamente pela função mediadora do docente), acaba por se
transformar numa oportunidade de crescimento pessoal. Em suma, afirma-se
que esta é uma modalidade de ensino “amigável”, “eficaz” e “exigente”.
Em relação aos comentários que podemos categorizar como
incidindo sobre o currículo do curso, encontramos qualificativos como
“pertinente”, “rico”, “atualizado” e “extremamente organizado”, apontando-se
também, na maioria dos depoimentos, a mais valia para a prática que já
desenvolvem. Como sugestões para o futuro, surge o desejo expresso (duas
ocorrências) de uma mais ampla utilização de ferramentas web, com a

�125

experimentação de novos ambientes virtuais, o que será certamente um
desafio para os docentes, já que essa integração requer, naturalmente, uma
ponderação sobre as suas vantagens pedagógicas.

3 REFLEXÕES FINAIS

Se o modelo pedagógico criado e implementado na Universidade
Aberta se alicerça, entre outros aspectos, e na linha de princípios matriciais da
aprendizagem em ambientes virtuais, na importância de uma aprendizagem
situada e contextualizada, também na formação nas áreas que aqui abordamos
é preciso salientar a importância do contexto, seguindo nomeadamente as
reflexões de Furtado (2007). Num tempo de consolidação da sociedade em
rede, tal como a pensou Castells, são os contextos que acabam
verdadeiramente por conferir suporte a essas redes. Contextos de formação,
contextos de aprendizagem ou contextos profissionais tão especiais como
aqueles em que se situam os estudantes dos cursos que aqui mencionamos.
Nas bibliotecas escolares, públicas, universitárias ou em outro tipo de centro de
documentação, o profissional de informação tem a sua ação enquadrada numa
realidade composta agora por uma componente virtual que acrescenta novos
desafios e exige novas competências. Perante estas circunstâncias, quase que
poderíamos afirmar que o e-learning acaba por favorecer o desenvolvimento de
capacidades fundamentais nesses profissionais, se considerarmos esses
ambientes e as características do modelo de formação realizado.
No caso da Universidade Aberta, e concretamente nos cursos aqui
referenciados, trabalhamos com adultos inseridos no mercado de trabalho, que
colocam exigências muito específicas a este novo momento da sua formação.
São estudantes que valorizam um sistema estruturado e claro, com ligação à
experiência, conferindo assim significado ao processo de aprendizagem. As
oportunidades para a reflexão crítica e para a construção conjunta de
conhecimento, que são tão valorizadas pelo grupo de estudantes sobre o qual
incidiu um olhar mais detalhado, confirmam também as virtualidades mais
significativas do modelo pedagógico aplicado.

�126

REFERÊNCIAS

ANDERSON, T.; DRON, J. Three generations of distance education pedagogy,
International review of research in open and distance learning, v. 12, n. 3,
2011.
ECIA - CONSELHO EUROPEU DAS ASSOCIAÇÕES DE INFORMAÇÃO E
DOCUMENTAÇÃO. Euro-Referencial I-D. 2. ed. Lisboa: INCITE, 2005.
FURTADO, J. A. O papel e o pixel. Do impresso ao digital: continuidades e
transformações. Lisboa: RIADNE, 2007.
GARRISON, R.. Theoretical challenges for Distance Education in the 21st
century: a shift from structural from transactional issues. The International
Review of research in Open and Distance Learning, v. 1, n. 1, p. 1-17, 2000.
Disponível em :&lt;http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/2/333&gt;.
GARRISON, D. R. Online community of inquiry review: social, cognitive and
teaching presence issues. Journal of Asynchronous Learning Networks, v.
11, n. 1, p. 61-72, 2007.
IFLA/UNESCO.School library guidelines, 2002. Disponível em:
http://www.ifla.org/publications/the-iflaunesco-school-library-guidelines-2002.
KEHRWALD, B. Understanding social presence in text-based online learning
environments.Distance Education, v. 29, n. 1, p. 89-106, 2008.
MCCONNELL, D. E-Learning groups and communities. Open University
Press/ McGraw-Hill, 2006.
PEREIRA, A. et al. Modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta.
Lisboa: Universidade Aberta, 2007.
QUINTAS-MENDES, A.; MORGADO, L.; AMANTE, L. Comunicação
mediatizada por computador e educação online: da distância à proximidade. In:
SILVA, M.; ZUIN, L. P. A. Educação online: cenário, formação e questões
didáctico-metodológicas. Rio de Janeiro: Editora WAK. 2010.
SELWYN, N; GORARD, S.; FURLONG, J. Adult learning in the digital edge.
London/New York: Routledge, 2006.
SHIN, N. Transactional presence as a critical predictor of success in distance
learning. Distance Education, v. 24, n. 1, 2003.
SWAN, K.; GARRISON, D. R.; RICHARDSON, J. C. A constructivist approach
to online learning: the Community of Inquiry framework. In: PAYNE, C. R. (Ed.)
Information technology and constructivism in higher education:
progressive learning frameworks. Hershey, PA: IGI Global, 2009, p. 43-57.

�127

A DISCIPLINA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NO CURRÍCULO DO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA ESCOLA DE CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO DA UFMG:
COMPROMISSO COM A FUNÇÃO EDUCATIVA DO BIBLIOTECÁRIO
Bernadete Campello

1 INTRODUÇÃO

O conceito de competência informacional vem sendo discutido com
bastante

freqüência

desde

a

década

de

1980,

na

área

de

biblioteconomia/ciência da informação, a ponto de, em 2005, ser publicado um
artigo com o sugestivo título de Debatendo definições de competência
informacional: basta! 1(OWUSU-ANSAH, 2005). Nele, o autor argumentava que
as controvérsias existentes entre as inúmeras definições de competência
informacional eram irrelevantes e que prevaleciam pontos em comum.
Considerava que manifestações de competência informacional já haviam sido
suficientemente identificadas em inúmeras listas de habilidades, em definições
de comportamentos e em descrições de processos apresentadas na literatura
até aquele momento, havendo concordância entre seus autores com relação
aos seguintes aspectos: 1) havia deficiência na formação do usuário para usar
informações, principalmente eletrônicas; 2) seria papel da biblioteca ajudar
nessa formação; 3) nas escolas, essa formação deveria ser integrada ao
currículo; 4) essa formação poderia fornecer conceitos e instrumentos para que
os alunos avançassem de forma autônoma na sua aprendizagem. Atualmente,
o corpo crescente de conhecimentos originado de estudos empíricos que vêm
sendo desenvolvidos na área de ciência da informação, e que exploram os
diversos ambientes e perspectivas da competência informacional (DUDZIAK,
2010), contribui para clarear o conceito e permitir aplicações consistentes.
Considerando-se, portanto, que seja papel da biblioteca ajudar no
desenvolvimento de habilidades informacionais, é preciso avançar e determinar
a legitimidade da participação do bibliotecário no processo, bem como o grau
1

Edward K. Owusu-Ansah é professor e coordenador de competência informacional e de educação de
usuários no College of Staten Island, City University of New York, USA.

�128

em que ele pode e deve participar, explicitando-se melhor sua função educativa
no que diz respeito ao desenvolvimento da competência informacional nos
usuários.
Entende-se que essa legitimidade é sustentada não só pelo
conhecimento científico que a área vem consolidando, mas também pela
prática educativa que a profissão construiu ao longo do tempo. De fato, podese considerar a criação da noção de trabalho de referência, que ocorreu
durante o primeiro congresso da American Library Association - ALA, em 1876,
como a mais antiga manifestação formal do papel educativo do bibliotecário.
Naquela ocasião, formalizou-se o trabalho de referência como o auxílio
prestado

pelo

bibliotecário

ao

usuário

para

ajudá-lo

a

entender

o

funcionamento da biblioteca e das fontes de informação adequadas para
atender às suas necessidades (TYCKOSON, 1997). Um passo adiante foi dado
com a prática da educação de usuários que tornou mais clara essa função
(CRAVER, 1986), a qual foi se consolidando ao longo do tempo, com base nas
pesquisas acadêmicas da ciência da informação, principalmente nos estudos
de usuários de vertente cognitivista, como os de Kuhlthau (2004) que, por sua
vez, possibilitaram a construção de um aparato teórico que se mostra capaz de
sustentar adequadamente as práticas educativas bibliotecárias (CAMPELLO,
2010; CAMPELLO, 2012).
No seu texto clássico Misión del Bibliotecario, originado da palestra
que proferiu em 1935, durante o 2º Congresso Mundial de Bibliotecas e
Bibliografia, em Madrid, Ortega y Gasset (2006) mostrou como compreendia
essa missão. Ele entendia que havia três papéis centrais na profissão do
bibliotecário, que atualmente podem ser assim expressos: (1) formar acervos
estruturados e coerentes; (2) organizar esses acervos, como forma de
potencializar seu uso e (3) ajudar os usuários a aprender com esses acervos.
Esse último papel representa o que denominamos de função educativa do
bibliotecário, que pode ser sintetizada como “ajudar o usuário a desenvolver
habilidades que lhe possibilitem aprender com a informação”.
Assim, a responsabilidade dos cursos de formação de bibliotecários
está posta e, no Brasil, alguns estudos revelam como os futuros profissionais
estão sendo educados para assumir sua função pedagógica (CAMPELLO e

�129

ABREU, 2005; MATA, 2009; SANTOS, 2011) e como os cursos estão
assimilando (ou não) essa responsabilidade (SOUSA e NASCIMENTO, 2010).

2 PRESSUPOSTOS E PRINCÍPIOS

A reforma curricular ocorrida na Escola de Ciência da Informação da
UFMG, em 2009, foi a oportunidade para a inclusão do tema competência
informacional no Curso de Biblioteconomia. Houve, na época, consenso entre
os docentes do curso sobre a necessidade desta inclusão e foi então criada a
disciplina Competência Informacional2, obrigatória, com 30 horas/aula, 2
créditos, ministrada no 5º período, em regime concentrado3, de 4 horas aulas
semanais, durante 8 semanas (1° bimestre)4. Desde então, ao longo desses 4
anos5, venho ministrando a disciplina, nos três turnos em que o curso é
oferecido.
Dois pressupostos justificam a disciplina:
1) a necessidade de explicitar o papel educativo do bibliotecário,
fazendo com que, desde sua formação, ele tenha consciência desse
papel;
2) a necessidade de explorar os aspectos teóricos do conceito, mas
principalmente de criar um espaço para a mobilização de habilidades
informacionais do futuro bibliotecário.
Sabe-se que a aprendizagem pela pesquisa é a maneira mais rica de
possibilitar a mobilização de habilidades informacionais e, portanto, a estratégia
didática utilizada na disciplina é a pesquisa orientada (CAMPELLO, 2008), em
que todas as atividades se dão a partir de questionamentos propostos aos
alunos pela professora. É a pesquisa como princípio educativo, em que, ao
contrário dos métodos instrucionistas, o

estudante pesquisa,

explora

informações e “elabora com mão própria”, sob orientação do professor (DEMO,
2007).
2

Ementa: Competência informacional(Código:OTI-088)
O movimento da competência informacional: conceitos, origem, evolução, influências. Competência
informacional, leitura e letramento. Aprendizagem por meio da informação. Habilidades informacionais.
Desenvolvimento de habilidades informacionais em diferentes contextos e suportes.
3
A aula em regime concentrado de 4 horas propicia tempo para o desenvolvimento mais eficiente das
atividades.
4
Outra disciplina de 30 horas/aula é oferecida no 2º bimestre.
5
Até o 2º semestre de 2012, a disciplina foi oferecida para 12 turmas, distribuídas entre os três turnos:
matutino, vespertino e noturno.

�130

A disciplina é embasada também no conceito de currículo em
espiral, segundo o qual a aprendizagem se dá quando o estudante revisita as
mesmas áreas de conhecimento várias vezes e, a cada vez, atinge um nível
maior de compreensão. O currículo em espiral pressupõe que o professor
trabalhe repetidamente os mesmos conteúdos (neste caso, o mesmo
processo), cada vez com maior profundidade, para permitir que o aluno
modifique continuamente as representações mentais que esteja construindo
(BRUNER, 1966). Assim, ao longo da disciplina, o aluno tem oportunidade de
passar

por

quatro

processos

de

pesquisa,

e

de

aperfeiçoar

seus

conhecimentos em cada um deles, exercitando habilidades informacionais e
refletindo sobre elas. Ao final, além de entender o conceito de competência
informacional como base para sua ação educativa como bibliotecário, o aluno,
tendo exercitado suas próprias habilidades, estará em melhores condições de
orientar usuários no processo de pesquisa e de busca de informações.
Tendo em vista o caráter da disciplina, a avaliação é feita numa
perspectiva formativa, inspirada em concepções cognitivistas, construtivistas e
socioculturais da aprendizagem, diferentemente dos modelos normativos,
tradicionais, que buscam contabilizar erros e acertos. Na avaliação formativa o
foco é no processo e na possibilidade dada ao aluno de refletir sobre sua
aprendizagem (FERNANDES, 2006).

3 ESTRUTURA DA DISCIPLINA

As atividades são distribuídas em sete encontros, de quatro horas,
mais um encontro de duas horas, completando a carga horária de 30 horas (ver
Esquema no Anexo 1).

1º encontro
A aula começa com a exploração, por meio de conversa
descontraída, do conhecimento que os alunos já têm sobre o conceito de
competência informacional que, geralmente, se mostra fragmentado e
perpassado por dúvidas. A partir daí, o conceito é sintetizado pela professora
através de explanação, quando são expostas as diversas noções e relações
que o perpassam. A explanação é registrada no quadro branco (Anexo 2), na

�131

forma de um esquema, que é construído ao longo da fala sem uso de recursos
fixos como o Power Point, já que ela é feita a partir dos conhecimentos dos
alunos.
Ao ouvir a explanação (que dura de 20 a 30 minutos) os alunos já
começam a mobilizar uma habilidade informacional que chamamos de “escuta
atenta”. Ao final da explanação, a professora leva-os a se conscientizarem de
sua habilidade de ouvir e aprender pela escuta, chamando atenção para
recursos que podem ser utilizados nesse processo, como as anotações, e para
a necessidade de atenção e silêncio. Nesse momento, os alunos parecem
começar a refletir sobre o nível de suas habilidades informacionais e, ao longo
da disciplina, percebem sua importância e valorizam a oportunidade que têm
de refiná-las. Assim, ao final deste encontro, os alunos obtêm um
conhecimento mais consolidado do conceito, ao mesmo tempo em que
começam a refletir sobre sua própria capacidade de aprender com
informações.
Ao final da explanação sobre o conceito de competência
informacional, a professora deixa claro que aquela é uma construção feita a
partir de suas próprias leituras e compreensão. E levanta a questão: “Será que
outros autores que escrevem sobre competência informacional têm essa
mesma compreensão do conceito?”
Algumas hipóteses são levantadas pelos alunos e, a partir daí, a
professora sugere que eles pesquisem a questão. É então definido com clareza
o objetivo do que será o primeiro trabalho da disciplina: “Verificar se há
divergência na noção de competência informacional entre autores brasileiros
que estudam o tema”. Clareado o objetivo, discute-se a metodologia que será
utilizada e geralmente há consenso de que a análise textual é o método mais
adequado, combinando-se que cada aluno fará a análise de um texto, sendo
este um trabalho individual.
Discutem-se, em seguida, as características dos textos a serem
selecionados para análise, as bases de dados a serem pesquisadas e
possíveis estratégias de busca. Forma-se o entendimento de que deva ser um
texto acadêmico, de autoria de professores e/ou pesquisadores, entendendo-se
também que deva ser um artigo de periódico ou trabalho de evento, já que não
há tempo para leitura de textos longos como livro, dissertação ou tese. Para

�132

que sejam escolhidos e analisados textos variados, é bom que seja feita uma
combinação prévia com relação às datas dos textos, ficando determinado
número de alunos responsável por determinado ano. Mesmo assim, costumam
aparecer textos repetidos, o que não constitui um problema pois, na discussão
posterior, percebe-se que a análise e interpretação feitas por alunos que leram
o mesmo texto se complementam.
Fica estabelecido que a localização do texto deva ser feita em base
de dados acadêmica, adequada para o tipo de texto desejado. Discute-se a
estratégia de busca, aproveitando-se para esclarecer que o conceito de
competência informacional pode se apresentar com terminologia variada:
Competência

em

Informação,

alfabetização

informacional,

letramento

informacional, literacia informacional, ou mesmo no original information literacy.
É necessário nesse momento, esclarecer para os alunos que o
trabalho, apesar de aparentemente simples, constitui uma pesquisa, e que
deve ser realizado com o rigor exigido para tal. Seguem-se esclarecimentos
sobre a apresentação do trabalho, sendo feitas as seguintes exigências:
apresentação escrita, num texto curto (uma página), mas contendo as partes
principais

do

texto

acadêmico

(título,

objetivo,

metodologia,

análise

propriamente dita, conclusão e referência), a ser apresentado e discutido no
encontro seguinte.
Combina-se que a análise será feita com base no conhecimento
adquirido na explanação feita pela professora, buscando-se identificar no texto
escolhido as características nela presentes, concluindo se há convergência ou
divergência nas ideias.
Os alunos seguem então para a biblioteca ou para o laboratório de
informática a fim de localizar o texto e iniciar a análise, trabalhando de forma
independente.

2º encontro
Na aula seguinte, antes de começar a discussão dos trabalhos
realizados, há uma conversa para verificar se houve dificuldades na localização
dos textos, sendo que normalmente não há. Os alunos explicam que
encontraram quantidade razoável de textos e tiveram que fazer uma escolha,
alguns falando sobre os critérios que utilizaram para escolher. Mencionam as

�133

bases de dados que utilizaram, geralmente a base de periódicos da Biblioteca
da ECI (PERI), Google Acadêmico, Scielo ou Portal Capes. Tem início a
apresentação e discussão, começando com a identificação dos autores de
cada texto escolhido e analisado6, confirmando-se a natureza acadêmica do
texto e a origem institucional dos autores. Geralmente, aparecem autores de
diversas universidades, com boa representatividade geográfica, ficando claro
que a noção de competência informacional está presente nas agendas de
pesquisa de várias instituições da área de ciência da informação no Brasil.
A seguir, os alunos expõem suas análise, mostrando os pontos de
convergência e/ou divergência que encontraram. Ao final é feita uma síntese
que geralmente mostra a tendência de convergência de idéias sobre o conceito
de competência informacional entre autores brasileiros. Nesse momento, há
uma avaliação coletiva, com a professora, solicitando aos alunos que
verifiquem se seu trabalho está completo, incluindo título (que deve ser
significativo7), objetivo, metodologia, análise, conclusão e a referência
corretamente normalizada. Geralmente, durante a discussão e avaliação
coletivas, muitos alunos percebem falhas no seu trabalho e pedem para
refazer, o que é permitido, considerando que a disciplina utiliza a avaliação
formativa. Embora as correções possam ser feitas à mão, muitos alunos pedem
para “passar a limpo” e entregar depois, o que também é permitido, dentro de
um limite de tempo estipulado pela professora. Esse processo revela que estão
refletindo sobre sua aprendizagem e aprendendo a identificar lacunas na sua
base de conhecimento (BOWLER, 2010), uma habilidade fundamental para
avançar.
Ao finalizar o primeiro trabalho, além da habilidade de escutar, o
aluno teve oportunidade de exercitar outras, tais como: localizar, selecionar,
interpretar, parafrasear, sintetizar e compartilhar informações, elaborar um
texto acadêmico completo e normalizado, exercendo tarefas de pesquisador,
pois apesar de ser um trabalho simples, é exigido o rigor científico na
elaboração das ideias, principalmente na conclusão que deve responder à
questão proposta: “Há divergência na noção de competência informacional
entre autores brasileiros que estudam o tema?” Essa exigência é reforçada nos
6

Os nomes dos autores e suas instituições são anotados no quadro.
A exigência de um título significativo dá ao aluno oportunidade de refletir sobre seu trabalho, pois o título
tem que sintetizar em poucas palavras o conteúdo, levando o aluno a fazer um exercício de abstração.
7

�134

trabalhos subseqüentes, pois nota-se que a maioria dos alunos divaga na
conclusão. Observa-se também uma tendência a fazerem o resumo do texto,
sem focar a questão de pesquisa, mostrando que têm dificuldade em dialogar
com o autor. Essas dificuldades vão sendo resolvidas, à medida que eles têm
oportunidade de realizar outros trabalhos semelhantes.
O final da discussão, que mostra a existência de muitos trabalhos
teóricos sobre competência informacional no Brasil, serve de “gancho” para o
segundo trabalho. Lembrando que a estratégia didática da disciplina é baseada
no questionamento e na pesquisa, é proposta a seguinte questão: “Vimos que
há diversos pesquisadores estudando a competência informacional no Brasil.
Mas será que ela está sendo praticada nas bibliotecas? Há bibliotecários
ensinando habilidades informacionais para seus usuários?”
Para este trabalho é estabelecido então o seguinte objetivo:
“Verificar se os bibliotecários brasileiros estão exercendo sua ação educativa,
ensinando habilidades informacionais para seus usuários”. Discute-se em
seguida qual metodologia deve ser utilizada. Alguns sugerem visita a
bibliotecas e entrevista com bibliotecários, mas ao final concorda-se que,
considerando-se o pouco tempo disponível, será utilizada a análise textual,
com cada aluno analisando um texto, sendo este também um trabalho
individual. A professora levanta a questão de que tipo de texto pode servir para
alcançar o objetivo proposto e conclui-se que é o relato de experiência. Buscase identificar o que caracteriza esse tipo de documento e onde é geralmente
publicado.

Conclui-se

que

seus

autores

são

bibliotecários

e

não

professores/pesquisadores, e que eles são publicados geralmente em anais de
eventos, ou com menos freqüência, como artigos de periódico. Fica combinado
que o relato deve descrever uma experiência realmente implementada, com
apresentação de resultados, evitando-se textos que sejam apenas projetos.
Discutem-se estratégias de busca, lembrando que para localizar esse tipo de
texto terão provavelmente de ser utilizadas expressões como treinamento de
usuários,

educação

de

usuários,

trabalho

de

referência,

orientação

bibliográfica, orientação da pesquisa escolar, e outras que caracterizam a ação
educativa nas bibliotecas.
As exigências para elaboração do trabalho são discutidas: será um
texto escrito, também na forma de texto acadêmico, agora com extensão um

�135

pouco mais longa (duas páginas), que deve estar pronto para ser discutido no
encontro seguinte. A análise será feita com base nas etapas de uma ação
educativa formal, devendo-se identificar no relato os seguintes pontos: o
objetivo da ação educativa, as habilidades que o bibliotecário pretende ensinar
para os usuários; a estratégia (ou estratégias) didática utilizada; se houve
avaliação; que concepção teórica embasou a ação.
Esclarecidas as dúvidas, os alunos seguem para a biblioteca ou para
o laboratório de informática a fim de localizar o texto e realizar a análise,
trabalhando de maneira independente. A professora fica disponível para
verificar se o texto escolhido é adequado ao objetivo do trabalho, antes que o
aluno inicie a análise.

3º encontro
Na aula seguinte, são inicialmente discutidas as dificuldades
encontradas para a realização do segundo trabalho e geralmente muitos alunos
expõem problemas que tiveram para achar o texto exigido. Percebem que esse
tipo de texto (relato de experiência) é mais difícil de localizar que o primeiro e
alguns revelam que solicitaram ajuda ao bibliotecário de referência ou à
professora para ter a certeza de que o texto seria adequado. Outros, que não
buscaram ajuda, não percebem que o texto que escolheram foi inadequado, o
que resulta num trabalho sem sentido.
Segue-se a identificação dos autores dos relatos, observando-se
que são bibliotecários que atuam em bibliotecas (geralmente universitárias ou
escolares). Nesse momento, os alunos já percebem que há vários
bibliotecários exercendo uma função educativa, pois diferentes relatos são
mencionados. Em seguida, é feita a discussão, buscando-se verificar se os
pontos definidos para análise (o objetivo da ação educativa, as habilidades que
o bibliotecário pretende ensinar para os usuários; a estratégia  ou estratégias
 didática utilizada; se houve avaliação; que concepção teórica embasou a
ação) foram identificados. Os alunos expressam a dificuldade que tiveram para
identificar os pontos, e consideram que os relatos são pouco claros nas
descrições que fazem. Mas concluem que a ação educativa vem ocorrendo na
prática, embora poucos relatos mencionem o conceito de competência

�136

informacional. Alguns alunos ainda insistem em fazer o resumo do texto,
mostrando que não conseguiram explorar nele os aspectos solicitados.
Em seguida é feita a avaliação coletiva, quando os alunos têm
oportunidade de rever seu trabalho com base nas apresentações dos colegas e
fazer correções, antes de entregar à professora. Aqueles que fizeram o
trabalho usando textos inadequados são orientados a fazer a avaliação
suplementar, que será descrita mais à frente.
Ao final deste trabalho o estudante teve oportunidade de exercitar as
mesmas habilidades anteriores (localizar, selecionar, interpretar, parafrasear,
sintetizar e compartilhar informações, elaborar um texto acadêmico completo e
normalizado) e muitos percebem que a experiência adquirida no primeiro
trabalho ajudou-os a melhorar seu desempenho.
Na segunda parte da aula, a professora esclarece que para haver
uma ação educativa eficaz são necessários instrumentos que sistematizem
esta ação, e dá como exemplo a metodologia proposta no livro Como usar a
biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental, de
Carol Kuhlthau8 (2002), fazendo uma síntese da proposta. Ao final da
apresentação é discutida a viabilidade de colocar esta metodologia em prática.
Os alunos percebem que ela é muito avançada para a realidade das escolas e
bibliotecas brasileiras e que não é uma tarefa fácil, não bastando ao
bibliotecário querer realizá-la.
Essa discussão origina a questão que servirá de base para o terceiro
trabalho: “Que fatores são necessários para que o bibliotecário possa exercer
sua função educativa e implemente programas e atividades de competência
informacional nas escolas?”. Define-se então o objetivo do terceiro trabalho:
“Identificar fatores que influenciam a ação educativa do bibliotecário”. Aqui, a
metodologia utilizada é a análise de um texto que descreve o processo de
implantação de um programa de ensino de habilidades informacionais em uma
escola de educação básica (MENDES, 2008), que será usado por todos os

8

Como usar a biblioteca na escola constitui um programa de competência informacional, a ser
desenvolvido desde a educação infantil até as últimas séries do ensino fundamental, explicitando e
detalhando habilidades informacionais que crianças e jovens precisam adquirir e apresentando sugestões
de atividades sequenciais para ensinar o uso da biblioteca e de fontes de informação. Baseia-se na
perspectiva construtivista da aprendizagem e na teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget.

�137

alunos. A professora distribui cópia do texto e faz comentários gerais sobre ele,
a fim de preparar a leitura dos alunos.
Neste terceiro trabalho é incluído um referencial teórico para
sustentar a análise. São dois estudos, que identificaram fatores que
contribuíram para o sucesso na implementação de programas de educação de
usuários em escolas norte-americanas (KUHLTHAU, 1996; HOWARD, 2010).
Uma síntese desses estudos, explicitando cada fator (Anexo 3) é entregue aos
alunos que a utilizarão para analisar o relato de Mendes (2008), identificando
nele a presença (ou não) dos fatores citados por Kuhlthau (1996) e Howard
(2010)9. Essa síntese também é discutida em sala de aula, garantindo que os
alunos compreendam claramente cada um dos fatores a serem identificados.
Seguem-se esclarecimentos sobre como o trabalho deve ser apresentado:
trabalho escrito, contendo as partes principais do texto acadêmico (título,
objetivo, metodologia, referencial usado para análise, análise propriamente
dita, conclusão e referências), a ser discutido no encontro seguinte.
Esclarecidas todas as dúvidas a respeito do trabalho, os alunos são
liberados para elaborá-lo.

4º encontro
A aula se inicia com a mesma rotina das anteriores: conversa
preliminar sobre dificuldades encontradas na elaboração do terceiro trabalho.
Não são relatadas dificuldades de localização já que o material foi fornecido
pela professora. Feito isso, é realizada a discussão, verificando-se se cada um
dos fatores mencionados por Kuhlthau e Howard estava, ou não, presente na
fala da autora do relato e em que trecho isso fica evidente. Os alunos
percebem que alguns fatores se mostram com clareza no texto e que outros
são mais difíceis de serem identificados, e aprendem que precisam estar
atentos para perceber essas nuances e para redigir seu trabalho de forma a
mostrá-las.
Em seguida é feita a avaliação coletiva, quando os alunos têm
oportunidade de, aproveitando as apresentações dos colegas, reverem seu
trabalho e fazer correções, antes de entregar à professora. Embora as
9

Considerando-se a dificuldade que os alunos demonstram para leitura do inglês, e do tempo que a
leitura dos dois textos demandaria, essa síntese, elaborada pela professora, é necessária .

�138

correções possam ser feitas a mão, muitos alunos pedem para “passar a limpo”
e entregar depois, o que é permitido, dentro de um limite de tempo estipulado
pela professora.
Aqui também são exercitadas as mesmas habilidades anteriormente
mencionadas de interpretar, parafrasear, sintetizar e compartilhar informações,
elaborar um texto acadêmico completo e normalizado, sendo os alunos levados
constantemente a refletir sobre sua aprendizagem. Em todos os trabalhos
aprendem a gerenciar o tempo, já que estão realizando tarefas com prazo
definido.

A pesquisa completa
Além das três atividades descritas acima, há outro trabalho de
pesquisa, que é iniciado no 2º encontro. Esse é um trabalho de maior fôlego,
mais extenso, desenvolvido ao longo da disciplina e que dá ao aluno a
oportunidade de passar por todas as etapas do processo de pesquisa. Embora
os três trabalhos mencionados anteriormente incorporem as principais
características de um trabalho de pesquisa (estabelecimento da questão,
definição

de

objetivos,

escolha

da

metodologia,

coleta

de

dados,

interpretação/análise e elaboração do relato), são atividades curtas e
individuais.
O trabalho completo, ao contrário, é realizado ao longo da disciplina,
por um período de cinco semanas, de maneira mais independente e em grupo
(de 4 a 5 alunos). Tem início no final do 2º encontro, quando a professora
propõe uma questão, que é originada da noção do papel educativo do
bibliotecário. A questão é assim elaborada: “A profissão de bibliotecário vem se
tornando a cada dia mais complexa, incorporando dimensões variadas, sendo
o bibliotecário chamado a desempenhar funções de organizador, de gerente e
de educador. Embora seja uma profissão pouco reconhecida pela sociedade
em geral e marcada por estereótipos, ela se consolidou e é uma profissão
regulamentada. Além disso, alcançou um status acadêmico, com cursos de
formação em nível superior e um corpo de conhecimentos significativo. Quais
foram então as pessoas que contribuíram para que a biblioteconomia
alcançasse tal nível de desenvolvimento? Que problemas elas enfrentaram?
Que resultados obtiveram?”

�139

A professora propõe então que cada grupo escolha uma pessoa
para pesquisar, explorando o conhecimento que os alunos já possuem. Essa
técnica de brainstorming faz com que alguns nomes sejam lembrados. Poucos
grupos, mais articulados, decidem imediatamente por um nome que já
conhecem. No outro extremo, há os que não fazem idéia do que escolher e,
numa posição intermediária, fica a maioria dos alunos que têm algumas idéias
de nomes, mas se mostram indecisos para fazer a escolha. Combina-se então
que, no próximo encontro, os grupos tragam pelo menos dois nomes com que
desejam trabalhar, ou confirmem os que já escolheram. Em seguida, discute-se
em que tipo de fontes deverão buscar informações para encontrar nomes
significativos. Algumas sugestões são feitas: enciclopédias, livros sobre história
da biblioteconomia, internet. Esclarecidas as dúvidas, os grupos são liberados
para trabalhar independentemente.
No encontro seguinte (final do 3º encontro) cada grupo apresenta ou
confirma o nome escolhido e alguns grupos já mostram uma percepção sobre a
quantidade de informações que terão disponíveis para realizar o trabalho:
alguns afirmam que há material suficiente e outros que terão de realizar mais
buscas. A professora alerta sobre a necessidade de delimitar o tema em função
da quantidade de material versus o tempo disponível: alguns grupos terão de
escolher apenas uma faceta do biografado, no caso daqueles que têm muitas
realizações e sobre os quais há muito material.
Nesse momento começam a surgir perguntas sobre aspectos
práticos do trabalho: como será a apresentação, data de apresentação, valor
do trabalho. A professora esclarece que o trabalho será apresentado
oralmente, dali a quatro semanas, no penúltimo dia de aula. Cada grupo terá
cerca de 15 minutos para apresentação, sendo permitida a utilização de no
máximo quatro slides. Esta quantidade pequena de slides exige que o grupo
use esse recurso de forma equilibrada, exibindo informações sucintas que
orientam a apresentação oral, evitando que exponham textos pesados e
apenas leiam as informações que coletaram.
Esclarecidos esses pormenores, os alunos são orientados a retomar
a coleta de informações e a elaborar um sumário com os tópicos que
pretendem incluir na apresentação, trazendo para discutir com a professora no
próximo encontro.

�140

No encontro seguinte (final do 4º encontro), cada grupo apresenta
seu sumário, com os tópicos que pretende abordar sobre no trabalho. Nesse
momento, podem-se perceber as diferenças no ritmo de cada grupo: alguns,
além de terem definido os tópicos que pretendem abordar, já encontraram
material suficiente, enquanto outros ainda demonstram ter dúvidas sobre a
pessoa que escolheram para pesquisar.
Parte dos dois encontros posteriores (5º e 6º) é usada para
orientação dos grupos, que têm liberdade para procurar ou não ajuda da
professora. A maioria dos grupos faz isso, enquanto poucos declaram que
estão com o trabalho sob controle e que não precisam de auxílio, utilizando o
tempo para adiantar o trabalho. Como o objetivo é fazer com que os alunos
passem pelo processo de pesquisa (a ênfase é no processo e não no produto),
eles têm liberdade de usar o tempo como julgarem necessário. A professora
apenas alerta que ao final do 6º encontro todos os grupos devem estar com o
material pronto para apresentação.
O 7º encontro é todo dedicado às apresentações dos cerca de 10
trabalhos10. Cada grupo tem por volta de 15 minutos para apresentar, utilizando
os quatro slides permitidos. As apresentações revelam que, ao pesquisarem
sobre a pessoa que escolheram, os alunos desenvolvem admiração por seu
trabalho e por suas realizações. O conjunto das apresentações mostra um
amplo painel de pessoas dedicadas à causa da Biblioteconomia, revelando
fatos muitas vezes desconhecidos pelos alunos, que se mostram admirados
com a riqueza das realizações dos biografados. Ao final da aula, é feita uma
síntese, buscando-se caracterizar os biografados de acordo com suas
contribuições à Biblioteconomia: na pesquisa, no ensino, no movimento de
classe, na profissão, etc. ressaltando-se as diferentes personalidades e
atitudes

necessárias

para

a

construção

da

profissão:

conhecimento,

persistência, espírito de luta, criatividade, etc.
Na pesquisa completa destacam-se as habilidades de interpretar,
compreender e memorizar o que lêem, pois a apresentação exige que
exponham o que aprenderam oralmente, com o apoio apenas de um roteiro.
Trabalhar em grupo e gerenciar o tempo são outras habilidades exercitadas.
10

Como as turmas são compostas de cerca de 50 alunos e os grupos têm de quatro a cinco
componentes,são necessários os quatro horários para as apresentações.

�141

No 8º e último encontro, realiza-se a discussão do processo de
pesquisa pelo qual os alunos passaram. Utilizando o modelo de Carol Kuhlthau
(Anexo 4), a professora analisa cada etapa do processo a partir das
experiências vividas pelos próprios alunos. Em seguida, é feita a apresentação
do artigo Aprendizagem pela pesquisa: busca e uso de informações na
produção de conhecimento, de Campello et al. (2010), que relata um estudo
sobre como estudantes de 2° grau realizam uma pesquisa sob orientação de
professores e bibliotecário. Assim, além de vivenciar seu próprio processo, os
futuros bibliotecários têm oportunidade de conhecer como o processo é
vivenciado por usuários de uma biblioteca e que papel o bibliotecário pode
exercer para ajudá-los a aprender com informações.Refletem sobre como
passaram por cada etapa, as ações que realizaram, os sentimentos que
experimentaram e sobre o que pensaram, avaliando-se como pesquisadores, e
testando sua capacidade de apoiar seus futuros usuários em suas pesquisas.

As avaliações suplementares
As avaliações suplementares são provas de múltipla escolha,
realizadas ao final do 4º, 5º e 6º encontros, com a finalidade de dar aos alunos
que não fizeram os trabalhos individuais (mas que participaram das
discussões) oportunidade de obter uma nota11. Cada prova suplementar é feita
com base em dois textos escolhidos pelo professor. Assim, para realizá-las,
têm oportunidade de conhecer mais sobre o assunto e de exercitar um tipo de
prova que enfrentarão em concursos para bibliotecário. Como a disciplina
trabalha com a concepção de avaliação formativa, mesmo sendo as provas
suplementares objetivas, os alunos têm espaço para explicar suas opções.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A disciplina Competência Informacional representa, portanto, um
compromisso com a função educativa do bibliotecário, conforme proposta por
autores que compreendem que a Biblioteconomia/Ciência da Informação conta
com conhecimentos úteis que auxiliam as pessoas a aprenderem com a
11

Aos alunos que fizeram os trabalhos, mas que desejarem melhorar sua nota, também é permitido fazer
a prova suplementar.

�142

informação. Essa função foi explicitada por Martucci (2002), que mostrou a
natureza peculiar da ação pedagógica do bibliotecário:
[...] o bibliotecário pode ser visto como um bibliotecário-professor,
convivendo com usuários-alunos. A biblioteca pode ser concebida
como uma escola sem paredes, sem currículo e conteúdos
estabelecidos, com salas de aula sem número definido de alunos e o
bibliotecário de referência encarado como o coordenador do processo
de formação ao disponibilizar e orientar o uso da informação no limite
do conhecimento produzido e registrado, a partir da experiência
anterior do aluno e de sua necessidade de formação (MARTUCCI,
2000, p. 103).

Assim, a disciplina procura concretizar a função educativa do
bibliotecário, fazendo com que os futuros profissionais se conscientizem de sua
competência para ajudar os usuários a aprender com informações. Essa
competência é desenvolvida nas disciplinas do curso, mas é importante que o
aluno conte com um espaço específico em que seja preparado para
compreender que partes desse conjunto de conhecimentos serão úteis para
seus usuários. A disciplina Competência Informacional propicia esse espaço.
Os princípios pedagógicos que sustentam a disciplina são
construtivistas e combinam com a perspectiva em que as habilidades
informacionais devem ser ensinadas: em um ambiente de aprendizagem
flexível, que respeite o estilo e o ritmo de aprendizagem do aluno, dando-lhe
oportunidade de se envolver ativamente na aprendizagem e de exercitar
continuamente as variadas habilidades típicas do pesquisador competente, isto
é, aquele que tem curiosidade, prazer e autonomia na produção do
conhecimento. A aprendizagem por questionamento propicia maior motivação
do aluno, que interagindo com os textos, busca respostas e não apenas copia e
reproduz trechos e opiniões de autores.
A forma como a disciplina é oferecida permite que o processo de
pesquisa seja experimentado recursivamente, dando ao estudante condições
de aperfeiçoar cada vez mais suas habilidades de pesquisador e a desenvolver
paulatinamente capacidades de pensamento abstrato e aprendizagem
independente.
A coletivização das experiências, realizada nas discussões feitas
após cada trabalho, dá ao aluno oportunidade de compartilhar suas

�143

descobertas e de aprender com a vivência dos colegas, num ambiente de
colaboração.
O papel do professor é fundamentalmente o de orientador, que
propõe questões, esclarece pontos, guia na busca de soluções, explora os
conhecimentos prévios dos estudantes, mas ao mesmo tempo aponta falhas e
mostra caminhos.
As questões aqui descritas constituem apenas exemplos, sendo
necessário que o professor busque continuamente outras para enriquecer e
atualizar o programa. O importante é que as questões propostas sejam
passíveis de serem trabalhadas no tempo disponível, dando ao aluno
condições de passar pelo processo e chegar às suas próprias conclusões.

REFERÊNCIAS

BOWLER, L. A taxonomy of adolescents metacognitive knowledge during the
information search process. Library and information Science Research, v.
32, p. 27-42, 2010.
BRUNER, J. S. The process of education. Cambridge, MA: HarvardUniversity
Press, 1966.
CAMPELLO, B. et al.Aprendizagem pela pesquisa: busca e uso de informações
na produção de conhecimento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 11., 2010. Anais eletrônicos. Rio de Janeiro:
ANCIB, 2010. Disponível em:
&lt;http://enancib.ibict.br/index.php/xi/enancibXI/paper/view/410/230&gt;. Acesso
em: 19 fev. 2013.
CAMPELLO, B. Biblioteca escolar: conhecimentos que sustentam a prática.
Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
CAMPELLO, B. Del trabajo de referencia hacia la alfabetización informacional:
la evolución del papel educativo del bibliotecario. Investigación
Bibliotecológica, v. 24, n. 50, p. 83-108, enero/abril, 2010. Disponível em:
&lt;http://www.ejournal.unam.mx/ibi/vol24-50/IBI002405006.pdf&gt;. Acesso em: 04
fev. 2013.
CAMPELLO, B. Pesquisa orientada. In: ______. Letramento informacional:
função educativa do bibliotecário na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p.
41-52.

�144

CAMPELLO, B.; ABREU, V.L.F.G. Competência informacional e a formação do
bibliotecário. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 10,
n. 02, p. 178-193, 2005. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/2/150&gt;. Acesso
em: 19 fev. 2013.
CRAVER, K. W. The changing instructional role of the high school library media
specialist, 1950-84: a survey of professional literature, standards, and research
studies. School Library Media Quarterly, v. 14, n. 4, p. 183-191, 1986.
Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/aasl/aaslpubsandjournals/slmrb/editorschoiceb/infopower/s
elctcraver&gt;. Acesso em: 19 fev. 2013.
DEMO, P. Saber pensar. 5. ed. São Paulo: Cortez/ Instituto Paulo Freire, 2007.
DUDZIAK, E. A. Competência informacional: análise evolucionária das
tendências da pesquisa e produtividade científica em âmbito mundial.
Informação&amp;Informação, Londrina, v. 15, n. 2, p. 1 - 22, jul./dez. 2010.
Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/7045/6994&gt;.
Acesso em: 19 fev. 2013.
FERNANDES, D. Para uma teoria da avaliação formativa. Revista Portuguesa
de Educação, v. 19, n. 2, p. 21-50, 2006.
HOWARD, J.K. The relationship between school culture and the school library
program: four case studies. School Library Media Research, v. 13, 2010.
Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/aasl/sites/ala.org.aasl/files/content/aaslpubsandjournals/slr/
vol13/SLR_RelationshipBetween.pdf &gt;. Acesso em: 19 fev. 2013.
KUHLTHAU, C. C. Como usar a biblioteca na escola: um programa de
atividades para o ensino fundamental. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
KUHLTHAU, C. C. Implementing a process approach to information skills: a
study identifying indicators of success in library media programs. In: CLYDE, L.
A. Sustaining the vision: a collection of articles and papers on research in
school librarianship. Castle Rock, Co.: IASL, 1996. p. 89-98.
KUHLTHAU, C. Seeking meaning: a process approach to library and
information services. 2. ed. Westport, CT: Libraries Unlimited, 2004.
MARTUCCI, E. M. Revisitando o trabalho de referência: uma contribuição
teórica para a abordagem interpretativa de pesquisa. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 99-115, 2000. Disponível
em: &lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/130/316&gt;.
Acesso em: 19 fev. 2013.
MATA, M.L. da. A competência informacional de graduandos de
Biblioteconomia da região sudeste: um enfoque nos processos de busca e
uso ético da informação. 2009. Dissertação. (Mestrado em Ciência da

�145

Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual
Paulista / UNESP, Marília, 2009. Disponível em:
&lt;http://www.marilia.unesp.br/Home/PosGraduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/mata_ml_me_mar.pdf&gt;. Acesso
em: 19 fev. 2013.
MENDES, K. R. D’O. Dados sobre a disciplina produção do conhecimento
para a reportagem sobre biblioteca escolar [mensagem pessoal].
Mensagem recebida por Thaís Furtado (Revista Pátio). Niterói, 26 set. 2008.
ORTEGA Y GASSET, J. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos,
2006. 82 p.
OWUSU-ANSAH, E. K. Debating definitions of information literacy: enough is
enough! Library Review, v. 54, n. 6, p. 366-374, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.glib.hcmus.edu.vn/hiep/baiviet/il1.pdf&gt;. Acesso em: 19 fev. 2013.
SANTOS, T.F. Competência informacional no ensino superior: um estudo
de discentes de graduação em Biblioteconomia no Estado de Goiás. 2011.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Ciência da
Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2011. Disponível em:
&lt;http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/8906/1/2011_ThalitaFrancodosS
antos.pdf&gt;. Acesso em: 19 fev. 2013.
SOUSA, R.S. C.; NASCIMENTO, B.S. Competências informacionais: uma
análise focada no currículo e na produção docente dos cursos de
biblioteconomia e gestão da informação. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v.15, n.2, p. 130-150, jul./dez., 2010. Disponível
em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/730&gt;. Acesso em: 19 fev.
2013.
TYCKOSON, D. What we do: reaffirming the founding principles of reference
services. Reference Librarian, n. 59, p. 3-13, 1997.

�146

ANEXO 1
Esquema das atividades realizadas em cada encontro
Encontro h/a Atividades
1º

4

Explanação

sobre

o

conceito

de

competência

informacional
Proposta do 1º trabalho (individual)
Trabalho independente
2º

4

Discussão do 1º trabalho
Proposta do 2º trabalho (individual)
Pesquisa completa: proposta
Trabalho independente

3º

4

Discussão do 2º trabalho
Apresentação da metodologia para um programa de
competência informacional
Proposta do 3º trabalho (individual)
Pesquisa completa: escolha do tema

4º

4

Discussão do 3º trabalho
Pesquisa completa: elaboração da estrutura
Prova suplementar 1 (substitui o 1º trabalho)

5º

4

Pesquisa completa: orientação por grupo
Pesquisa completa: período livre para elaboração
Prova suplementar 2 (substitui o 2º trabalho)

6º

4

Pesquisa completa: orientação por grupo
Pesquisa completa: finalização do trabalho
Prova suplementar 3 (substitui o 3º trabalho)

7º

4

Pesquisa completa: apresentação

8º

2

Seminário final

�147

ANEXO 2
Registro da explanação sobre o conceito de competência informacional

ANEXO 3
Fatores que contribuíram para o sucesso na implementação de
programas de educação de usuários em escolas norte-americanas
Síntese dos artigos
HOWARD, Jody K. The relationship between school culture and the school library program:
four case studies. School Library Media Research, v. 13, 2010.
KUHLTHAU, C. C. Implementing a process approach to information skills: a study identifying
indicators of success in library media programs. In: CLYDE, L. A. Sustaining the vision: a
collection of articles and papers on research in school librarianship. Castle Rock, Co.: IASL,
1996. p. 89-98.
Elaborada pela Profa. Bernadete Campello para uso na disciplina Competência
Informacional, da Escola de Ciência da Informação da UFMG (2009)
Os estudos acima identificaram os seguintes fatores que contribuíram para o sucesso na
implementação de programas de educação de usuários em escolas norte-americanas:
1. Biblioteca escolar estabelecida que tinha:
- espaço físico atraente e funcional
- boa coleção
- acesso a fontes de informação externas (internet)
- equipe formada por bibliotecário graduado e por auxiliares
- era utilizada sistematicamente pelos alunos
2. Ênfase no trabalho em equipe
3. Prazer no trabalho em equipe
4. Respeito ao conhecimento e à competência dos membros da equipe
5. Apoio do diretor ao programa
6. Investimento em planejamento e avaliação das atividades
7. Interesse dos estudantes
8. Crença nas teorias construtivistas
9. Alta expectativa, por parte da escola, com relação ao desempenho dos estudantes e da
equipe escolar.

�148

ANEXO 4
Fases do Processo de busca de informação – ISP

Fase
Início do
trabalho
Seleção do
assunto

Ação
O professor
propõe a tarefa
Escolher o
assunto

Exploração de
Explorar o
informações
assunto
Definição do
Definir o foco
foco
Coleta de
Procurar e reunir
informações
informações
Apresentação
Finalizar e
do trabalho
preparar para
apresentar
Avaliação
Rever o
processo

Sentimento
Insegurança, ansiedade,
desinteresse
Otimismo (quando escolhe),
pessimismo (quando demora a
escolher)
Confusão, falta de confiança
Clareza
Confiança, interesse
Satisfação ou desapontamento

-----------------------------------------------

Fonte: Adaptado de KUHLTHAU, C. Seeking meaning: a process approach to library and
information services. 2nd. ed. Westport, CT: Libraries Unlimited, 2004.

�149

COMPETÊNCIA INFORMACIONAL DOS PROFISSIONAIS DA
INFORMAÇÃO VINCULADOS A INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
(IES)1
Elizete Vieira Vitorino
Daniela Piantola
1 INTRODUÇÃO
A mente não reproduz ou copia a realidade,
mas a reconstrói de modo transformador, o que
implica risco de interpretação, naturalmente.
(adaptado de DEMO, 2012, p. 10)
O mundo vivido é uma fonte de significados sobre a realidade e se
atualiza num processo de transformação constante. Quando estudamos a
realidade social e o Profissional da Informação vinculado a Instituições de
Educação Superior, nosso objetivo é compreender a vida cotidiana desse
indivíduo e também sua face coletiva.
O Profissional da Informação enquanto dirigente de uma biblioteca
de Instituição de Educação Superior (IES)2 catarinense, num dado momento
histórico, conhece e compreende a realidade que circunda sua profissão e
busca resolver os enigmas da sua existência. São seus saberes em
transformação que interessam, é uma sociedade pensante que nos fortalece na
busca por esclarecimentos de uma realidade vivida.
Essa é a questão primordial que aqui apresentamos: buscamos
observar e compreender por intermédio do discurso coletivo uma parcela dos
achados da pesquisa “Competência Informacional: construção social sob o

1

Este capítulo é resultado da publicação de dois artigos apresentados no XI Encontro Nacional de
Pesquisa em Ciência da Informação (XI ENANCIB 2010) e XII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência
da Informação (XII ENANCIB 2011), cujos conteúdos foram “revisitados”. Os títulos e a autoria dos artigos
originais são os seguintes: Competência Informacional: o discurso dos Profissionais da Informação
dirigentes de bibliotecas vinculadas a Instituições de Educação Superior (IES) – saberes em
transformação, Elizete V. Vitorino e Daniela Piantola. Disponível em:
http://congresso.ibict.br/index.php/xi/enancibXI/paper/view/52);
O desenvolvimento da Competência Informacional: “achados e perdidos” no discurso dos Profissionais da
Informação dirigentes de bibliotecas vinculadas a Instituições de Educação Superior (IES), Elizete V.
Vitorino, Daniela Piantola. Disponível em: http://enancib.ibict.br/index.php/xii/enancibXII/paper/view/918).
2
O Ministério da Educação (BRASIL, 2010) atualmente define IES como Instituição de Educação
Superior, que podem ser instituições privadas de ensino superior comunitárias, confessionais e
filantrópicas ou constituídas como fundações, ainda que tenham finalidade lucrativa (BRASIL, 1995).

�150

olhar do Profissional da Informação Bibliotecário”3, iniciada no ano de 2006 e
finalizada no ano de 2012e, assim, comunicar os resultados e contribuir para a
elaboração de uma base teórica e conceitual sobre Competência Informacional
para o contexto brasileiro.
As representações sociais dos Profissionais da Informação descritas
neste trabalho referem-se a duas importantes fases da referida pesquisa:
primeira, os discursos dos Profissionais da Informação quanto à idéia sobre a
noção da Competência Informacional e, segunda, o desenvolvimento da
Competência Informacional a partir da formação inicial e continuada desses
profissionais.
Assim sendo, são destacados a seguir os referenciais conceitual e
teórico, bem como as opções metodológicas e os principais resultados desses
dois momentos da pesquisa, fundamentais para as considerações e
proposições apresentadas ao final do capítulo.

2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL

Ao fazermos uso da noção de Competência Informacional, cabem
alguns esclarecimentos iniciais. O termo, oriundo da tradução de Information
Literacy, tem sido utilizado e interpretado das mais variadas formas desde seu
surgimento na década de 1970 (BAWDEN, 2001). No entanto, das traduções
que se têm estudado e de seus usos, inclusive, percebeu-se tais
nomenclaturas como compartimentos de um complexo. Ao adotarmos nesta
pesquisa o termo Competência Informacional, entendemos, por exemplo, que
“alfabetização” e “letramento” são partes do termo mais amplo – a
Competência Informacional – a qual engloba, como já assinalou Dudziak (2003,
p.24), um conjunto de letramentos necessário a esse complexo (cultural,
tecnológico, acadêmico, comunicacional entre outros). Usar outros termos
levaria, desse modo, a uma simplificação da importância da Competência
Informacional e da necessidade do seu desenvolvimento pleno.

3

Pesquisa financiada pelo CNPq,Edital MCT/CNPq 03/2008 - Ciências Humanas, Sociais e Sociais
Aplicadas; número do processo: 400590/2008-5.

�151

Preferimos o termo “competência”4 não porque este não tenha
defeitos – para Demo (2012) todo conceito é limitado pelo ponto de vista do
observador, assim o são sua multiculturalidade e a sua história –, mas porque
permite realçar a formação do ser humano, tanto pessoal (para si) quanto
coletiva (para o outro), orientando seu desenvolvimento para contextos
complexos mais éticos.
Optamos,

então,

neste

trabalho,

pelo

emprego

do

termo

Competência Informacional (inclusive em maiúsculas, ao adotarmos o
substantivo próprio) por entendermos que este carrega uma carga semântica
mais complexa e adequada ao tratamento do tema direcionado ao adulto e ao
Profissional da Informação.
Competência Informacional significa saber quando e por que se
necessita de informação, onde encontrá-la e como avaliá-la, utilizá-la e
comunicá-la de maneira ética (ABELL et al., 2004). Essa noção implica alguns
aspectos a considerar: a necessidade de informação, os recursos disponíveis;
o “como” encontrar a informação, a necessidade de avaliar resultados; o
“como” trabalhar com os resultados e explorá-los e ainda, e sobretudo, ética e
responsabilidade na utilização; o “como” comunicar e compartilhar resultados e
o “como” utilizar o que foi encontrado.
Diversos autores (CAMPELLO, 2003; DUDZIAK, 2003, 2007;
POSSOBON et al., 2005; VARELA e GUIMARÃES, 2006) apontam aspectos
voltados à importância do desenvolvimento da Competência Informacional.
Dudziak (2007, p.89), por exemplo, afirma que “[...] a existência de cidadãos
emancipados e socialmente incluídos depende da capacidade de todos
(coletividade), e de cada um, de desenvolver continuamente a competência em
informação, o aprender a aprender e o aprendizado ao longo da vida”.
Para a Association of College and Research Libraries (ACRL), que
define padrões de Competência Informacional para o Ensino Superior, a
4

Partindo-se da noção de competência apresentada por Perrenoud (2000, p.15), o termo significa “uma
capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação. Tal capacidade
passa por operações mentais complexas, que permitem determinar e realizar uma ação. As competências
profissionais constroem-se, em formação, mas também ao sabor da navegação diária de um profissional,
de uma situação de trabalho à outra, na experiência, no mundo vivido. As aprendizagens para a
competência devem ser consideradas em função de dimensões que evoquem ações e experiências
concretas (OLLAGNIER, 2004). Para Rios (2006), a competência só faz sentido quando se reflete
criticamente sobre os interesses que orientam a prática, as intenções que a movem, o destino que terão
as ações, no contexto amplo da sociedade. É preciso trabalhar com a perspectiva coletiva presente na
noção de competência: a competência se amplia na construção coletiva, na partilha de experiências, de
reflexão.

�152

fluência em informação é uma estrutura intelectual para compreender,
encontrar, avaliar e usar a informação – atividades que podem ser realizadas
em parte por intermédio da fluência em tecnologia, em parte utilizando-se de
métodos de pesquisa sólidos, mas principalmente por meio de discernimento e
raciocínio. Dudziak (2007, p. 93) pondera: “a competência é construída pelo
olhar do outro, a percepção que os outros têm sobre nossas ações”. Na
realidade, para a autora, “a construção da competência nunca termina, pois é
um processo dinâmico de auto-renovação e transformação pessoal [...]”.
A participação dos Profissionais da Informação – especialmente
aqueles que atuam em bibliotecas vinculadas à educação superior brasileira –
no processo de desenvolvimento da Competência Informacional, nas faces
individual e coletiva, leva a crer na necessidade de se empregar estratégias
pedagógicas e de facilitar a aprendizagem em informação, como afirma
Meneses Placeres (2008). Somos favoráveis, assim como Meneses Placeres
(2008), à função que deve desempenhar o Profissional da Informação como
docente na aprendizagem em informação. A autora demonstra a necessidade
de um “olhar transversal” sobre o tema e identifica, a partir de seus estudos,
que se podem analisar os ambientes de trabalho, os Profissionais da
Informação como parte desse processo, os programas de Competência
Informacional ou a aprendizagem dos alunos. Nosso foco, neste capítulo, se
concentra nos Profissionais da Informação dirigentes de bibliotecas vinculadas
a IES5 e nos discursos a eles atribuídos.

3 A REALIDADE DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL

Ao desenvolver sua teoria sobre a sociologia do conhecimento,
Berger e Luckmann (2005) declaram que a realidade é construída socialmente
e que a sociologia do conhecimento deve analisar o processo em que este fato
ocorre. Neste capítulo, adotamos as noções de “realidade” e de “conhecimento”
definidas por Berger e Luckmann (2005, p. 11): a primeira, como uma
5

Concordamos com Barreto (2008) que um propósito da Ciência da Informação é o de conhecer e fazer
acontecer o tênue fenômeno de percepção da informação pela consciência, percepção esta que conduz
ao conhecimento do objeto percebido. A informação – sob este foco – e na perspectiva da “competência
em” comporta, pois, um elemento de sentido: é um significado transmitido a um ser consciente por meio
de uma mensagem inscrita em um suporte espacial-temporal – impresso, sinal elétrico, onda sonora etc.
(LE COADIC, 1996).

�153

qualidade pertencente a fenômenos que reconhecemos terem um ser
independente de nossa própria volição, ou seja, não podemos desejar que não
existam, e a segunda como a certeza de que os fenômenos são reais e
possuem características específicas.
Na proporção em que todo conhecimento humano desenvolve-se,
transmite-se, mantém-se e transforma-se em situações sociais, procuramos
apresentar o processo pelo qual isso se realiza quando tratamos do
Profissional da Informação e do que este compreende como “realidade” sobre o
tema Competência Informacional. Acredita-se, tal qual Berger e Luckmann
(2005, p. 14), que “a sociologia do conhecimento diz respeito à análise da
construção social da realidade”, realidade esta quepode se manifestar em
produtos da atividade humana – objetivações, que servem de índices mais ou
menos duradouros dos processos subjetivos dos sujeitos. Por exemplo: uma
atitude subjetiva de “paixão pelo trabalho” pode ser expressa por um certo
número de fatores, como, por exemplo, número de horas trabalhadas,
dedicação ao trabalho, participação em diversas atividades, formação
continuada etc.
Mas a realidade da vida cotidiana não se constitui unicamente de
objetivações, é somente possível por causa delas. Algo decisivamente
importante na objetivação é a significação, isto é, a produção humana de
sinais. A linguagem e os discursos produzidos por ela – a realidade – podem
ser caracterizados como o mais importante sistema de sinais da sociedade
humana (BERGER e LUCKMANN, 2005): as objetivações comuns da vida
cotidiana são mantidas primordialmente pela significação linguística.
Para Moscovici (2003), este é um dos mais marcantes fenômenos
do nosso tempo: a união da linguagem e da representação social da realidade
ao modo de compreender e intercambiar maneiras de ver as coisas. Uma
realidade é ao mesmo tempo objetiva e subjetiva e, por isso, qualquer
adequada compreensão teórica relativa a ela deve abranger ambas as
perspectivas. Isso significa participar da dialética da sociedade, num
movimento de exteriorização, objetivação e interiorização. Focalizaremos,
neste capítulo, a realidade subjetiva, ou seja, a realidade tal como é apreendida
na consciência individual dos Profissionais da Informação sobre a Competência

�154

Informacional e não como é definida em quaisquer instâncias/organizações
(BERGER e LUCKMANN, 2005, p. 196).
Mas, uma vez que nunca é totalmente socializada, a realidade
subjetiva não pode ser totalmente “descortinada”, por isso ao se constituir
produtos históricos da atividade humana, todos os universos socialmente
construídos modificam-se, e a transformação é realizada pelas ações concretas
dos seres humanos (BERGER e LUCKMANN, 2005). Esse é seu caráter móvel
e circulante – as representações dessa realidade também o são. Em suma, há
uma plasticidade uma estrutura dinâmica, operando em um conjunto de
relações e de comportamentos que surgem e desaparecem, junto com as
representações sociais da realidade.
Uma representação social constitui-se, então, de um sistema de
valores, ideias e práticas, com a dupla função de estabelecer uma ordem para
que as pessoas orientem-se em seu mundo material e social e possam
controlá-lo e, ainda, que a comunicação seja possível entre os membros de
uma comunidade, fornecendo-lhes um código para nomear e classificar, sem
ambigüidade, os vários aspectos de seu mundo e da sua história individual e
social (DUVEEN, 2003 apud MOSCOVICI, 2003). Pessoas e grupos criam
representações no decorrer da interação, comunicação, cooperação, enfim,
nas relações humanas. Disso decorre que as representações têm forte noção
coletiva, pois não são criadas por um indivíduo isoladamente. Mas isso não
significa, como afirma Moscovici (2003), que esse modo de criação subverta a
autonomia das representações em relação à consciência individual e coletiva, e
sim que, uma vez criadas, elas adquirem “vida própria”, circulam, se
encontram, se atraem e se repelem e dão oportunidade ao nascimento de
novas representações, enquanto velhas representações morrem: é a
transformação que se instala, ora passageira, ora cristalizando-se.
É possível afirmar, portanto, que o mais importante – nas
representações sociais – é a natureza da mudança, na qual tais
representações se tornam capazes de influenciar o comportamento do
indivíduo participante de uma coletividade. Dessa forma, elas são criadas,
internamente, mentalmente, e o processo coletivo se insere como o fator
determinante dentro do pensamento individual (MOSCOVICI, 2003). A
realidade da vida cotidiana apresenta-se, sob essa perspectiva, como um

�155

mundo intersubjetivo, um mundo onde o sujeito participa juntamente com
outros sujeitos.
Há um modo habitual e tradicional de pesquisar o que pensa, ou
acha, ou sente determinada coletividade sobre um dado tema, que implica
utilizar a abordagem quantitativa de pesquisa, buscando um atributo
quantificável na população pesquisada. Não é esse o modo de pesquisar que
privilegiamos neste capítulo, embora o consideremos igualmente importante
para as pesquisas nas Ciências Sociais Aplicadas.
Para Lefèvre e Lefèvre (2005), esse modo de pesquisar é
inadequado quando o que interessa é o pensamento coletivo, porque não
permite uma correta apreensão desse pensamento como objeto de
investigação. Segundo os autores, quando se quer conhecer o pensamento de
uma comunidade sobre um dado tema, é preciso realizar uma pesquisa de
abordagem qualitativa, já que, para os pensamentos serem acessados na
qualidade

de

expressão

da

subjetividade

humana,

precisam

passar

previamente, pela consciência humana. E “[...] tal acesso só pode se dar
através de pesquisas qualitativas de base indutiva, capazes de recuperar e
resgatar os pensamentos contidos nessa consciência” (LEFÈVRE; LEFÈVRE,
2005, p.9) de tal modo a proporcionar a geração ou reconstrução de
qualidades, como é o caso do pensamento coletivo.
A opção metodológica para o discurso que apresentamos nos itens
seguintes sobre a noção de Competência Informacional e sobre o
desenvolvimento desta, constitui-se na utilização do Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC).
Preocupa-nos o que os Profissionais da Informação “conhecem”
como “realidade” em sua vida cotidiana, o que se constitui nos tecidos de
significados – numa forma de patchwork complexo – sobre o tema em questão.
Para alcançar esse propósito, o “dito algo” como acentuam Lefèvre e Lefèvre
(2005) é sempre um discurso. Sendo assim, “[...] se estará descrevendo muito
melhor e muito mais adequadamente os pensamentos de indivíduos e
coletividades quando esses estiverem sendo coletados, processados e
apresentados sob a forma de discurso.” Foi o que trouxemos: o discurso sobre
Competência Informacional, utilizando para isso perguntas abertas para um
conjunto de treze dirigentes de Bibliotecas vinculadas às IES catarinenses –

�156

todas, inclusive vinculadas à ACAFE6, pois se trata de indivíduos de alguma
forma representativos dessa coletividade.
Isso só se tornou viável na medida em que se deixou que esses
participantes da pesquisa se expressassem mais ou menos livremente, ou seja,
que produzissem discursos a partir das perguntas a eles apresentadas no
momento da entrevista. Tal procedimento contou com um roteiro prévio de
doze perguntas7, cujas respostas foram gravadas em gravador analógico8,
transcritas na íntegra e analisadas de acordo com a técnica do Discurso do
Sujeito Coletivo (DSC) e de aspectos teórico-conceituais sobre Competência
Informacional. Como resultado, foi criado o DSC, que é a organização dos
dados qualitativos de natureza verbal, obtidos nos depoimentos dos dirigentes
das bibliotecas das IES, consistindo na análise do conteúdo das respostas à
entrevista, extraindo-se de cada depoimento as ideias centrais (IC) e/ou
ancoragens9 (AC) e as correspondentes expressões-chave (ECH) das ideias
centrais ou ancoragens semelhantes, compondo-se um discurso-síntese na
primeira pessoa do singular.

4 A COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NOS DISCURSOS

Os discursos dos dirigentes apresentados e analisados nos itens
seguintes, na quase totalidade, são de profissionais com formação inicial (curso
de graduação) em Biblioteconomia e idade média de 43 anos. Foram 13 (treze)
profissionais entrevistados, distribuídos nas várias regiões do Estado de Santa
Catarina, localizado no Sul do Brasil (de um total de 17 profissionais dirigentes
vinculados a IES, segundo os dados da Associação Catarinense das
Fundações Educacionais (ACAFE, 2010)). O curso de graduação desses
profissionais foi concluído nos anos 1980 na Região Sul do Brasil, a maior
6

Em 1974, os presidentes das fundações criadas por lei municipal e da fundação criada pelo Estado
constituíram a Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE), entidade sem fins
lucrativos, com a missão de promover a integração dos esforços de consolidação das instituições de
Ensino Superior por elas mantidas, de executar atividades de suporte técnico-operacional e de
representá-las junto aos órgãos dos Governos Estadual e Federal (ASSOCIAÇÃO..., 2010).
7
Um pré-teste foi aplicado a um grupo inicial constituído de Profissionais da Informação, alunos da
disciplina Competência Informacional, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação (PGCIN) da Universidade Federal de Santa Catarina.
8
Um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi lido e assinado pelos participantes da
pesquisa.
9
As ancoragens, por demandarem um estudo em profundidade (ideologia presente nos discursos), não
serão objeto de estudo deste capítulo.

�157

parte na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC). Quanto à formação continuada, no que se
referem à pós-graduação, os profissionais já possuem título de especialista,
obtido também, na sua maioria, em instituições da Região Sul do País. Uma
das perguntas iniciais do instrumento de coleta de dados indagou se o
profissional sempre trabalhou em biblioteca ou se atuou em outras áreas. Há
dirigentes que atuaram ou atuam também como professores na própria IES ou
em outros espaços profissionais.
O grupo correspondente ao DSC dos próximos itens atua há 14
anos, em média, na profissão. Chama a atenção o tempo de atuação na IES
que é em média de 12 anos10. Os dirigentes das bibliotecas estão registrados
nas instituições com diversas funções, que variam de Bibliotecário, Gestor de
Biblioteca, Coordenador de Biblioteca, Bibliotecário Chefe, entre outros, e a
forma de registro vai desde o regime celetista (com carteira assinada) até
portarias emitidas pelas IES para o cargo específico.
Os dados apresentados nos itens seguintes referem-se ao discurso
dos Profissionais da Informação sobre a Competência Informacional, sobre as
fragilidades ou a “falta de Competência em Informação”; sobre a noção de
informação em si; sobre a compreensão do universo informacional; e, sobre a
formação inicial e continuada para o desenvolvimento da Competência
Informacional. Em primeiro lugar, o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é
apresentado e, logo a seguir, são formulados comentários e também reflexões
sobre seus conteúdos.

4.1Eu sou competente em informação, pois...
DSC
Gerencio informações o dia todo, todos os dias, o tempo todo e disponibilizo
informações a quem necessita. Estou sempre pronto a disseminar a informação e
a auxiliar o usuário a encontrar a informação, pois ajudo o meu usuário da melhor
maneira, sempre dando um sentido àquela pesquisa e também nunca deixando
sem uma resposta. Eu busco informação onde quer que ela esteja. Essa é a
missão da nossa biblioteca: é informar. Essa é a nossa missão! Porque eu estudei
10

A experiência na profissão e na função são elementos que reforçam os resultados desta pesquisa, a
medida que configura uma certa coerência em termos de representações sociais, já que todas as
instituições estão vinculadas, de algum modo, à ACAFE, o que as torna membros de uma comunidade
com características comuns.

�158

pra isso, porque eu fiz um Curso de Biblioteconomia que trabalha a informação.
Eu busquei o conhecimento, eu procuro estar atualizado na área de
Biblioteconomia, sempre fazendo algum curso, porque eu acho que eu estou
sempre buscando novas ferramentas, novas formas de atender àcomunidade,
buscando, de todas as maneiras, o que tem de novo, pois possuo habilidade para
o que faço. Hoje, com a experiência, eu sei separar a visão do bibliotecário e a
visão da pessoa que vem em busca da informação, pois com a experiência a
gente aprende a ver o lado da pessoa que está em busca da informação. Então eu
acho que essa é uma habilidade que a gente só desenvolve com a experiência.
Mas, ainda assim, sou competente em informação, principalmente, pois gosto do
que eu faço.

Para Lloyd (2006) tornar-se competente em informação consiste em
um processo holístico influenciado por relações sociais, físicas e textuais com a
informação, as quais demandam uma série de práticas e atestam a
complexidade e a variedade das fontes de informação dentro de um contexto.
A Competência Informacional, como uma metacompetência, se constitui como
uma faculdade criadora, permitindo a aquisição de novas habilidades e novos
conhecimentos (LLOYD, 2003). É o que se pode observar na afirmação “[...]
sou competente em informação, principalmente, pois gosto do que faço”: há
nas palavras o sentido de estar conectado à profissão de tal forma que isso é o
que importa na realidade vivida, ou seja, uma harmonia entre o saber e o sentir
que se torna relevante quando estamos tratando da Competência Informacional
no âmbito individual e coletivo.
Langford (1998) sugere que isso implica um ato de comunicação e,
se a comunicação envolve codificação e decodificação de informação em uma
variedade incontável de registros, então toda competência constrói-se como
Competência Informacional, daí sua importância.
Mas há o outro lado. Estamos falando de um mundo vivido onde
nem sempre o profissional se sente competente em informação, ou seja, onde
o “lado perverso”, ou até “o propósito maior” da informação, se descortina: o da
desinformação (DEMO, 2000). O item seguinte procura mostrar o sentimento
de não ser competente em informação, segundo os Profissionais considerados
“da informação”.

�159

4.2Eu não sou competente em informação, pois...
DSC
Às vezes, eu não tenho o conhecimento técnico.Às vezes alguém vem me
perguntar alguma coisa muito específica sobre algum assunto aí eu digo que
acredito que seja assim, mas precisa ser confirmado... nisto eu não sou tão boa
quanto noutra área. Porque muitas vezes deixo falhas nas respostas à
necessidade deinformação de muitas pessoas e quando abrange assuntos que eu
não conheço... na verdade não conheço tudo... é lógico que há limitações. A
questão de falar com o grande público isso é uma coisa que eu sei que tenho que
trabalhar e isso é bastante difícil pra mim. É como se eu não soubesse passar a
informação. Acho que no dia a dia, no trabalho às vezes, na disseminação da
informação, não para os usuários da biblioteca, mas para os meus funcionários
mesmo. A gente tem alguns paradigmas por ser mais velho, por ter começado o
no curso mais tarde. Eu ainda tenho muita resistência à máquina. Mas é uma
coisa que eu já estou perdendo. Tenho uma certa dificuldade com a informática,
com as novas tecnologias. Talvez na parte de bases de dados. Eu sei que o
serviço tem mais para oferecer e nós não utilizamos, porque falta capacitação.
Quando surge uma nova ferramenta e eu não vou buscar o conhecimento eu me
sinto incompetente. Eu acho que isso ainda me faz deficiente. Falta em mim,
enquanto Profissional da Informação é talvez um pouco mais de gestão da
informação. Talvez a gente não tenha tido muita informação (na graduação) e
assim mesmo depois de formado ainda não tem muita literatura a esse respeito.
Falta em mim, enquanto Profissional da Informação é talvez um pouco mais de
experiência e eu acho que é isso que me faz falta – a experiência a respeito da
gestão da informação. A velocidade da informação está muito rápida, rápida
demais, então eu penso que tem sempre que cuidar, porque hoje é informação e
amanhã já é ultrapassada. É muita informação pra se repensar o dia todo. Ás
vezes a gente se perde, a gente falha: é humano. E por mais que você tente,
sempre tem alguma coisa que te faz repensar: será que eu fiz direito? Será que
era isso mesmo? Eu sinto que eu não consigo acompanhar o montante de
informação que é gerado hoje. Eu diria que é um pouco de “stress informacional”:
é muita informação, são muitas as fontes, as inovações são várias. Mas penso
que é um resultado dessa nova era.

Quando se percebem falas que mencionam “eu sinto que me falta...”
no discurso dos Profissionais da Informação, uma reflexão se faz necessária:
tal qual assinala Ollagnier (2004, p. 194), “a formação considerada como vetor
de

aquisição

de

saberes

eruditos não

pode

mais ser considerada

independentemente da operacionalização potencial a ela associada”. Sobre
essa noção dinâmica no tempo, no espaço e nas relações com o mundo, a
formação permite, por meio do aprendizado contínuo de novos conhecimentos,
questionar de forma crítica a posição pessoal do indivíduo diante do mundo e,
portanto, sua relação com o saber.

�160

Em artigo não tão recente assim, mas particularmente importante
para este tópico, Bruce (1999) realizou uma investigação sobre vivências em
Competência Informacional entre vários tipos de profissionais. A autora
identificou no mundo vivido – o espaço de trabalho desses profissionais –
importantes processos, tais como: o monitoramento do ambiente informacional,
o gerenciamento da informação, a memória corporativa e a pesquisa e
desenvolvimento, conﬁrmando que a Competência Informacional deveria ser
considerada como parte signiﬁcativa da natureza educacional de indivíduos e
da coletividade.

4.3Fale sobre a palavra informação...
DSC
Informação é tudo. É tudo, é o nosso dia a dia. É o que a gente fala, é o que a
gente vê, é o que a gente sente. Informação é necessária para tudo na vida... para
você conversar com um amigo, para você desenvolver sua função, para a relação
interpessoal. Então, pra mim, a informação é o que está permeando o tempo
todo...éa forma como você lida com o trabalho através das informações.
Informação é tudo o que você tem para a sua formação. Muitas vezes você
desiste de tomar uma decisão em função das informações que obteve antes disso.
Hoje eu penso assim: tudo é informação! Informação é tudo na vida! E ela é tudo
num todo e em qualquer lugar. A informação faz parte da nossa construção
enquanto ser e também ajuda as outras pessoas – a nós e aos outros - ela faz
parte da essência humana. É algo assim... é algo precioso, pois a informação
tanto pode facilitar uma série de coisas, ou por outro lado, às vezes a falta de um
detalhe na informação, uma coisa mínima, como por exemplo não conseguir
acessar um determinado documento, ou algo que você está procurando, então
você percebe que é um bem precioso... É algo assim...muito importante,porque
ela te leva ao conhecimento, a adquirir conhecimentos. Que palavra ampla! E para
nós, Profissionais da Informação, lidar com isso às vezes é uma coisa angustiante.
Ela é muito geral. Eu posso falar:eu estou em busca de informação, mas que tipo
de informação, qual o suporte que você precisa? Pode ser várias coisas, ou às
vezes é só uma pequena informação lá no dicionário e às vezes aquela
informação vai me custar dias... semanas... de pesquisa. Pra mim é uma palavra
que tem um sentido muito amplo. É tudo aquilo que se manifesta, tudo aquilo que
a gente percebe através dos nossos sentidos. É o que a gente fala, é o que a
gente vê, é o que a gente sente, é o que a gente capta através do olhar, da
audição, da palavra... Informação é conhecimento. É a distribuição disso... é
passar para alguém alguma coisa, por mínima que seja. Então ela representa
muito mais do que números, ela representa conceitos, ela representa
investigação, ela representa resultados, certo? Informação é o que você conhece!
É uma doação, sabe... distribuir um sorriso, você captar a necessidade de
informação de uma pessoa, de uma criança, de um velhinho e você ajudar essa
pessoa. Na minha prática seria a matéria prima do meu trabalho. É a base. Só que
essa informação precisa ser tratada, ela precisa ser recuperável, ela precisa ser

�161

disponibilizável, também. Então ela acaba sendo um fator primordial em qualquer
lugar. Pelo cenário em que a gente vive hoje não dá pra viver sem informação.
É o que você tem!

Robredo (2003) reconhece que a forma como percebemos a
informação, ou seja, a aparência com a qual ela nos é apresentada, muda a
noção que temos de informação, e, ainda segundo o autor, essa percepção
depende da forma como foi codificada para ser processada, duplicada,
armazenada, transmitida e convertida em conhecimento, que provoca uma
ação, uma reação, uma ordem, um bloqueio e que pode ser convertida, a partir
de um acervo de conhecimentos em informação novamente para quaisquer
fins, ou por outro lado em desinformação (DEMO, 2000).
Bawden (2001), a fim de obter uma noção da escala do uso dos
termos relacionados à Competência Informacional ao longo do tempo 11,
localizou alguns trabalhos que evidenciaram o significado de literacy, ou
competência, como o ato de poder fazer uso eficiente da informação, obtida por
intermédio da posse de habilidades para conectar-se à informação necessária
e sobreviver na sociedade. Isso envolve a integração de escutar, falar, ler,
escrever e pensar criticamente, o que capacita o profissional a reconhecer e
usar a linguagem apropriada a situações sociais diferentes. Para tanto, a meta
é uma competência ativa, que permite que as pessoas usem a linguagem para
aumentar sua capacidade de pensar, de criar, de interrogar, a fim de
efetivamente desenvolver conhecimento individual e também coletivo e
participar da sociedade. O uso adequado dos recursos informacionais nas
situações que se apresentam no mundo do trabalho, pode contribuir para o
alcance dessa meta.

4.4 Para compreender o universo informacional eu...
DSC
Busco recursos técnicos, visuais, tecnológicos, o acervo e procuro mecanismos
para que as pessoas tenham acesso a essa informação. Eu preciso estar sempre
utilizando esses recursos e buscando novos recursos, busco informações mais

11

Na sua pesquisa realizada entre os anos de 1980 e 1999, encontrou seis termos relacionados, alguns
usados como sinônimos: competência informacional; competência computacional; competência eletrônica
informacional; competência em Biblioteconomia; competência em meios de comunicação; competência
em rede e competência digital.

�162

atualizadas para ver o que é que tem de ferramentas, de recursos para poder dar
conta dessa quantidade, para compreender esse universo. Procuro ler bastante –
leituras diversas; leio as revistas semanais na Internet, na medida do possível. Eu
me atualizo bastante... eu gosto de ler artigos na Internet, eu busco informações
em artigos científicos da minha área e também das áreas que são afins à
Biblioteconomia. Procuro me atualizar. Eu estou sempre fazendo cursos de
atualização, tento não parar de estudar e me reciclar sempre. Eu procuro me
inteirar, certo? Me inteirar do que existe. Eu busco estudar esse complexo
informacional: preciso estar atualizado. Sempre estou debatendo com
bibliotecários da biblioteca: a gente discute, troca ideias, apesar de às vezes a
gente não conseguir colocar em prática.Tem os profissionais da ACAFE: como a
gente faz uma rede, quando tem alguma dúvida, com certeza alguém vai te dar
algum retorno,nem que seja para dizer- olha eu não fiz mas eu conheço. Bom...
primeiro eu tenho que saber o que eu quero. Ah! Selecionar! Selecionar o que se
vai fazer. Porque você não pode pegar tudo, sem saber se aquilo ali é concreto.
Preciso de dados. Então: compreender o universo informacional de que, de quem,
aonde... É um universo geral? Estamos falando de quê? Vou direto na Internet. A
Internet é uma grande aliada. O Google é o “deus” de tudo. A gente pode achar
qualquer coisa pelo Google. Então, quando eu quero uma informação, primeiro a
Internet, depois eu vou aos livros. Agora nós temos uma ferramenta
poderosíssima. Mas, na verdade, a Internet é para o bem e para o mal, é preciso
saber usar! Eu necessito de mais intercâmbio... de mais viagens. Tenho que
interligar esse universo. Hoje para eu ter uma visão sistêmica da biblioteca eu
tenho que conhecer todos os setores. Eu tenho que interligar catalogação,
classificação, atendimento, empréstimo, catraca... É o todo. É a visão sistêmica: o
todo interconectado. Pra eu compreender esse complexo informacional eu tenho
que interligar todas as partes.

Em suas descobertas, Bawden (2001) revela que a utilização de
recursos informacionais não é sinônimo de Competência Informacional, mas
sim uma parcela desta. Esse conjunto de habilidades inclui, atualmente, o
conhecimento do leque de escolhas de meios de comunicação e formatos em
que a informação é fornecida, o que levaria um indivíduo de nível mínimo de
mera conscientização ao nível de uma bem-sucedida pesquisa. Nesse aspecto,
o autor, baseado nos seus estudos, sugere que a habilidade no uso de
recursos informacionais – ou a competência biblioteconômica – inclui a
avaliação da informação obtida pela mídia: televisão, rádio, jornais, revistas, e
(crescentemente) Internet, e a decodificação, análise e produção de mídia
impressa e eletrônica. Se levarmos em consideração o que nos diz Mueller
(2004) sobre o objetivo da ação profissional, que é dar soluções aos problemas
que provocam aquelas necessidades, as tarefas de natureza objetiva ou
subjetiva pretendem atender problemas oriundos da realidade ou da tecnologia.
É na prática profissional que se necessita classificar o problema, refletir,

�163

argumentar sobre ele e agir para solucioná-lo. Esse conjunto de habilidades,
comportamentos e atitudes diante do fenômeno informacional se desenvolve
por meio da experiência, mas também ser inserido na formação inicial dos
futuros Profissionais da Informação, com inserções acadêmicas ao mundo do
trabalho.

5 O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NOS
DISCURSOS
Os itens seguintes dão conta do DSC relativo à formação inicial e
continuada para a Competência Informacional, segundo os Profissionais da
Informação.

5.1 A formação inicial para o desenvolvimento da Competência
Informacional...
DSC
Não. Eu acho que não... Eu tenho certeza que não. Não foi nada suficiente. Quer
dizer... eu saí da graduação com uma sensação de não ter aprendido
absolutamente nada. Então a gente vê que a formação é muito fraca. Mas também
sei que o curso de graduação não dá conta de tudo: tenho consciência disso.
Porque a gente não tem administração, a gente não tem orientação na parte de
recursos humanos. Na graduação eu tive apenas uma disciplina que era
administração de bibliotecas. Essa disciplina no meu curso foi muito fraca: a gente
teve um professor que não se empenhou muito. Então já saí da faculdade sem
muito conhecimento nessa área. A gestão de pessoas foi a principal coisa que eu
senti falta. Na parte de gestão de bibliotecas... e eu acho que deveria ter no nosso
curso: Contabilidade... eu acho que gestão de custos dentro de uma biblioteca é
muito importante. Eu diria assim: que conhecimento nunca é demais: os cursos
que eu fiz contribuíram muito para a minha atuação aqui, para o conhecimento
profissional e para a bagagem que eu adquiri. Eu fiz a especialização que me
ajudou bastante. Na verdade, em qualquer profissão você tem que ter uma
educação permanente. Então tudo o que aparece eu não me omito de participar.
Nos capacitarmos faz a diferença! Eu vejo que a minha formação ajudou muito e
me deu o embasamento sim! Eu acredito sinceramente que o curso de graduação
te abre uma porta; ele te permite entrar [no trabalho] e dali pra frente é contigo. Eu
acho que foi assim no meu curso também. Eu sei que o curso de graduação não
dá conta de tudo: tenho consciência disso. A graduação só deu a técnica. A
técnica foi boa. Tanto é que eu falo que eu não tive dificuldade quando eu comecei
a trabalhar, porque na verdade você é muito exigido na técnica quando você é
novato. Se tem uma coisa que eu me orgulho é de ter feito esse curso. Ah! Faltou
alguma coisa? Claro que faltou! Porque o dia a dia sempre traz alguma coisa
diferente, alguma coisa nova. Na verdade qualquer curso habilita para a profissão,
mas se você quiser algo mais você tem que procurar. Eu acho que uma coisa que
ajudou também foi o fato de estar estagiando junto com a faculdade, porque muito

�164

do que eu já via na faculdade eu já conseguia enxergar nos locais onde eu fazia
estágio. E é na prática que a gente vê: é a questão de jogo de cintura, questão da
gente perceber, de intuição. O que eu aprendi de conhecimento técnico eu aprendi
porque a minha grande sorte, eu penso, foi na última fase ser bolsista da
[biblioteca universitária]... E lá eu aprendi muito – tecnicamente: classificação,
catalogação e como funciona internamente uma biblioteca. Esse conhecimento
profissional, essa bagagem que eu tenho hoje é devido à experiência que eu já
tive. Foi pela experiência mesmo, pelas oportunidades. Depois você vai
desenvolvendo seu espírito crítico, se posicionando de outras formas. Porque o
dia a dia sempre traz alguma coisa diferente, alguma coisa nova: não dá para
achar que fez uma faculdade e que aquilo vai te bastar para o resto da vida!
Mesmo porque a inovação é no dia a dia. E em toda essa trajetória eu amadureci
muito. Eu acho que essa experiência de ser jogado assim... sem experiência... é
importante.. pois só assim você vai aprender. O dia a dia da gente é que faz a
gente ficar experiente. É essa constante mudança e a própria prática: a gente
aprende muito com o fazer... é muito diferente... faz muita diferença... Mas eu
também tive ótimos professores. Se tem uma coisa que eu me orgulho é de ter
feito esse curso. Porque eu também tive uma excelente “leva” de professores.
Eram excelentes, não porque sabiam tudo, mas porque quando aparecia alguma
coisa eles corriam atrás e traziam prá gente. Eu nunca saí de uma disciplina com
dúvidas acerca do que eu poderia ter feito com o conhecimento gerado na sala de
aula. Não posso reclamar da minha graduação: eu me orgulho de ter feito, porque
eles me abriram muitos horizontes! Eu tive professores ótimos [...] bem rígidos até!

O DSC construído a partir das falas dos Profissionais da Informação
revela aquilo que, segundo eles, careceu de maior atenção na formação inicial.
Ao que nos parece, o conhecimento voltado ao saber fazer e à técnica
propriamente dita (áreas de organização e tratamento da informação e de
normalização, por exemplo) recebeu mais atenção na formação inicial (a
graduação). Os estágios realizados em bibliotecas ao longo da formação inicial
proporcionaram o desenvolvimento da Competência Informacional. Mas foi na
prática, na experiência profissional, no dia a dia, que os profissionais revelaram
outros aprendizados importantes: o pensamento crítico, o “jogo de cintura”.
Esse aprendizado aguçou a intuição, o saber fazer adequado à ação
profissional e à mudança constante do cenário informacional.
Mesmo assim, por mais que a educação se configure como
primordial no desenvolvimento da Competência Informacional para esses
profissionais, esta ainda aparece no DSC como “funcional ao mercado”, ou
seja, o atendimento às necessidades do “mercado”, e este por sua vez não se
interessa propriamente por educação, mas pelos efeitos funcionais em termos
de manejo do conhecimento (DEMO, 2001, p. 17). Quando o profissional
admite que a formação inicial (graduação) foi suficiente para a prática

�165

profissional, está aceitando igualmente que o trabalho precisa de gente bem
educada. Na prática, a necessidade é de “treinamento técnico”, que se
desvincula das dimensões estética (sensível, criativa), ética e política12. Estas
últimas, em contrapartida, servem mais para incluir do que para excluir. Ao
contrário, a técnica pura e simples isola o profissional num determinado tempo
e lugar onde aquele conhecimento foi aprendido.
Expressões como: saí preparado da faculdade e o curso de
graduação foi suficiente, aqui extraídas do DSC propositadamente, revelam a
representação que alguns profissionais ainda têm sobre a formação para o
“mercado”:
Eu acredito que eu saí preparado da faculdade e que o curso de graduação foi
suficiente. Na época eu não atuava em bibliotecas. A minha intenção era um
diploma. Hoje, eu sei que eu podia ter aproveitado muito mais. Mas a
responsabilidade é minha.

Essa visão reducionista da formação e da relação desta com o
mundo do trabalho tem suas explicações: a educação, até bem pouco tempo (e
ainda acontece em alguns espaços), se configurava como uma reprodução dos
saberes. Expressões como “passar o conhecimento” ou “o meu conhecimento
não entra na cabeça do aluno” ou ainda “transmitir conhecimento” eram a
tônica em muitos cursos de graduação.
A formação inicial voltada à dimensão técnica também provoca seus
reflexos no desenvolvimento da Competência Informacional de adultos, pois
“só o diploma universitário não resolve, é preciso cada vez mais fazer a
distinção de formação e conhecimento” (LAMOUNIER, 2010): este último se
amplia e se renova“ao sabor” da formação contínua.

5.2 A formação continuada para o desenvolvimento da Competência
Informacional...
DSC
Sempre...estou fazendo cursos... aqui... fora. Já fiz alguns cursos da área da
Biblioteconomia: não da parte técnica, mas cursos onde você procura conhecer
um pouco desta área. Na área tecnológica eu sempre estou me atualizando. Onde
12

Conforme Rios (2006) a competência se concretiza quando estão presentesna formação inicial e
continuada, as dimensões técnica, estética, ética e política.

�166

tem uma oportunidade eu estou buscando. Fiz os cursos para o meu
conhecimento, pra ter outra visão, inovação e também para oferecer, pois eu não
posso dar aquilo que eu não tenho, então a partir do momento que eu construo e
me aproprio desse conhecimento eu também posso oferecer isso às pessoas que
estão ao meu redor, pois não tem significado nenhum eu construir esse
conhecimento e eu não socializar.Busco por isso, porque eu sei que eu preciso e
muito mais. Eu fiz para me tornar um profissional mais completo, buscando
melhorar minha prática do dia a dia, buscando o relacionamento com os
profissionais da área (eu acho que é muito importante quando você consegue
trocar com os profissionais [...] e buscando a realização mesmo). Porque é o meu
perfil, é o que eu gosto. Eu achava que estava me faltando um desafio [...] e que
eu precisava de uma formação melhor.Então, eu fui em busca de conhecimento,
porque eu tive muito conhecimento, muita bagagem na área de processamento
técnico de livros, mas na área de periódicos eu não tinha, então eu fui em busca
de quem sabia [...] Para reciclar, para me atualizar. Então eu acho que só a
graduação não te dá garantia de nada... tem que se especializar... tem que fazer
outras coisas... já pensei em fazer mestrado também, mas depois acabei
desistindo, pois é uma coisa que exige mais dedicação... e aí trabalhar ao mesmo
tempo não tem como... e também não é qualquer lugar que tem... aí foi ficando
para segundo plano [...] Eu achei legal essa área de administração, porque eu
podia unir as duas coisas – eu pensava assim: ou na área de administração ou na
área de informática. Eu gostei mais dessa área de administração. Os demais
cursos foram para atualização... e também a convivência, conhecer outros
bibliotecários, eu acho isso importante... tem que sair do evento com o e-mail de
alguns bibliotecários e isso é legal, para caso no dia a dia se tenho uma dúvida
recorro aos meus amigos bibliotecários que eu tenho na minha lista do MSN,
porque é bom esse contato. Pra me atualizar mesmo... e quando há necessidade
na prática... se há algumas alterações... precisa estar atualizado... ou às vezes até
na parte das normas técnicas... precisa estar atualizado... e nem sempre fazer os
cursos... mas às vezes é bom fazer, pois nas discussões dos cursos a gente
aprende novas coisas, não é? Mais para atualização mesmo...
informações...Sempre pensando na minha melhoria... sempre pensando em ajudar
o nosso cliente e também uma questão de melhoria pessoal, também, nesse
sentido. Eu não me vejo sem participar. Certo? Porque eu não conheço tudo,
sempre vou e aprendo. Por mais que... mesmo que seja de outra área como eu
falei antes. De outras áreas também nos trazem... nos fazem agregar mais valor à
produção, trazem algumas práticas [...]: é um meio que eu tenho hoje de melhorar,
de aprimorar o meu conhecimento, principalmente na área. E outra questão que
eu acho muito importante é a possibilidade da ampliação da rede de
relacionamentos, porque é muito bom ter contato com o Brasil inteiro, e trocar. A
gente fazia muito isso, este ano parou um pouco. Eu escrevi artigo. [...] Sempre
trocando... buscando trocar... Necessidade de me atualizar, de aprender cada vez
mais, de buscar, de não ficar numa mesmice. Eu gosto de estar sempre
aprendendo, incorporar coisas novas e é uma necessidade aqui na biblioteca.
Para o gestor, o planejamento estratégico é a ferramenta administrativa melhor
que se tem e a cada mil gestores, um gosta [desta ferramenta de gestão]. Porque
eu gosto do planejamento e é uma coisa que e vou trabalhar sempre.

Neste item, e a fim de obter o DSC sobre o desenvolvimento da
Competência Informacional e as suas atitudes quanto à formação ao longo da
vida dos profissionais entrevistados, indagou-se: Você fez outros cursos

�167

(oficina, palestra, seminário, painel etc.) ao longo do curso de graduação em
Biblioteconomia e depois da conclusão deste?Quais? Você pode citar os três
mais importantes? E você poderia dizer por que fez esses cursos? Caso
negativo, você poderia dizer por que não fez cursos?
O DSC mostra um profissional preocupado com o desenvolvimento
da Competência Informacional, já que todos os entrevistados realizaram e
realizam a formação contínua. As respostas às três primeiras indagações foram
agrupadas por ordem de ocorrência (da mais citada para a menos citada) e
assim se configuraram: a) com maior número de ocorrência: cursos de
capacitação na própria IES (cursos de gestão – este foi o mais citado),
comportamento organizacional, gestão do conhecimento, seminários sobre
gestão de pessoas; pós-graduação em nível de especialização (Gestão de
Bibliotecas; Gestão Universitária; Paradigmas Emergentes em Recursos
Informacionais e Marketing) e Painel de Biblioteconomia em Santa Catarina; b)
com duas ocorrências: cursos sobre o Pergamum13 (encontros de
atualização, capacitação sobre módulos específicos – aquisição de obras, por
exemplo); MARC 2114 (módulo bibliográfico); Seminário nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU); e, c) com uma ocorrência: curso na área de
Pedagogia, encontros da ACAFE, reuniões profissionais internas e externas à
IES, seminários na UFSC, a comemoração dos 25 anos do Curso de
Biblioteconomia

na

UFSC,

Curso

de

Empreendedorismo

(na

própria

universidade), biblioteca digital, relacionamento interpessoal, treinamento no
Portal da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior), Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência
da Informação (CBBD), classificação, normalização, Curso Biblioteconomia
para Concursos, curso sobre o AACR215, Psicologia (psicodrama), infometria,
indexação, linguagens de indexação, planejamento estratégico, curso de
Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), curso de inglês.
É fato: o desenvolvimento da Competência Informacional, sob o
olhar desses profissionais, tem maior foco na área de gestão, seja da
biblioteca, seja voltada às pessoas, ou às atividades administrativas.
13

Sistema de gerenciamento de acervos criado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC
Paraná).
14
Formato de intercâmbio bibliográfico utilizado na catalogação de acervos.
15
Código de Catalogação Anglo-Americano.

�168

Portanto, a educação voltada à Competência Informacional,
caracterizada pela importância dada aos profissionais à formação continuada é
apontada, segundo o DSC, como forma de possibilitar a inovação, a
sensibilidade (ampliar a visão), mas também como forma de atender ao outro
(para poder compartilhar aquilo que é individual com o coletivo). A atualização
profissional é importante, pois é um desafio (e o DSC revela como as situações
desafiadoras são importantes para esses profissionais). A atualização
profissional se dá preferencialmente na área de Administração (e nas
subáreas), nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), mas também
acontece nas disciplinas técnicas da profissão, com fins de aprimoramento
profissional às novas teorias e técnicas. As redes de relacionamentos, sejam
elas via TIC ou via participação em eventos profissionais das áreas de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação são apontadas como
partícipes do desenvolvimento da Competência Informacional.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nosso propósito de contribuir para a elaboração de um corpus
teórico sobre Competência Informacional, esperamos, foi alcançado, pois lidar
com as complexidades do ambiente informacional exige também uma forma
complexa e ampla de competência: a Competência Informacional. O que é
importante, segundo esse olhar, é que exista um núcleo central de princípios e
práticas da Ciência da Informação. Tal núcleo se “alimentará” das
representações sociais dos Profissionais da Informação como verdades –
passageiras ou não – sobre a realidade vivida. Esse núcleo inclui: a) quanto à
competência informacional: disponibilização de informações a quem
necessita, atualização de conhecimentos adquiridos, habilidades para exercer
a profissão; experiências na profissão; gosto pelo exercício da função –
experiências de quem é apaixonado pela profissão; b) quanto ao que não é
competência informacional: não ter conhecimento técnico, ter dificuldades de
comunicação, pensar que a idade está avançada ou se sentir “velho” na
função, sentir dificuldades com as novas tecnologias (TIC), falta de
conhecimento e de experiência em Gestão da Informação,dificuldades em
acompanhar a velocidade da informação/explosão informacional; c) quanto ao

�169

entendimento da noção de informação:informação faz parte da essência
humana, é algo precioso, é o que se manifesta por meio dos sentidos, é
sinônimo de conhecimento, de doação, de matéria-prima e de posse; d)
quanto à compreensão do universo informacional:utilização adequada de
recursos (ferramentas, fontes etc.), leitura intensa, atualização, discussão e
troca de ideias com o coletivo, definição clara de objetivos, seleção, coleta de
dados, acesso à Internet, intercâmbio e desenvolvimento da visão sistêmica,
para atuação em situações complexas; e e) quanto à formação inicial e
continuada para o desenvolvimento da Competência Informacional: a
educação para a Competência Informacional ao considerar as dimensões
técnica, estética, ética e política em equilíbrio, conduzirá à tomada de
conhecimento sobre o “saber fazer” em doses suficientes à formação
profissional e da muito rica e necessária apropriação do desenvolvimento da
sensibilidade e da criatividade, do “viver junto” com o outro – o seu colega de
profissão, o outro profissional, o usuário da biblioteca, do senso crítico,
necessário à tomada de posição e à atitude profissional.
De tudo o que foi dito no DSC sobre a Competência Informacional
na formação inicial e continuada dos Profissionais da Informação, ponderamos
que, ao adotar um conjunto de princípios, considerados “compromissos
epistemológicos e metodológicos” no dizer de Ollagnier (2004, p. 189), se
estará caminhando rumo ao desenvolvimento desta metacompetência.
Sob essa perspectiva, a criação de Princípios para o Desenvolvimento da
Competência Informacional (PDCIn) no âmbito da formação inicial (graduação)
e na formação contínua (educação de adultos que têm experiência) demanda
questionamentos que nos obrigam a repensar a formação profissional e a
revisar a missão e as práticas de determinado conjunto de profissionais, como
o caso dos Profissionais da Informação.
Por outro lado, quando os PDCIn são baseados no discurso dos
sujeitos e na realidade destes, são eles próprios – os sujeitos – quem nos
dizem qual o caminho mais adequado a trilhar para a Competência
Informacional. Essa visão implica uma concepção das aprendizagens
relacionadas a percursos de vida, experiência e postura intelectual e emocional
dos

atores

sociais.

Assim,

adotaremos,

como

primordial,

que

o

desenvolvimento da Competência Informacional designa toda atividade

�170

organizada com o objetivo de favorecer atitudes, conhecimentos e aptidões,
assim como a interiorização de valores que permitam ao formando (o aluno de
graduação, o profissional em serviço) exercer, de maneira crítica (no sentido da
ética) e criativa (no sentido da sensibilidade), de acordo com os casos, seu
papel na sociedade (no sentido da política) (OLLAGNIER, 2004, p. 190).
Essa visão exige que se façam escolhas educativas fundamentais,
norteadas pelas seguintes questões (inspiradas em TARDIF, 2008): que tipo de
profissional nós queremos formar? Quais valores e quais compromissos nós
queremos defender? Que base de conhecimentos e da Competência
Informacional os estudantes (no caso da formação inicial) e profissionais (no
caso da formação contínua) devem possuir ao final da sua formação? Quais as
exigências comuns que devem guiar as práticas individuais e coletivas de
formação (atenção à interdisciplinaridade)? Como será organizada a formação
para o desenvolvimento da Competência Informacional (do ponto de vista de
sua estrutura quanto ao seu funcionamento, de seus conteúdos e duração)
para satisfazer essas exigências? Quais são os papéis que se esperam da
equipe de formadores, assim como dos alunos e profissionais que fizerem
parte da formação?
Tendo levado em conta tais indagações, os PDCIn que propomos
são os seguintes (baseados em TARDIF, 2008):a) integrar as disciplinas do
programa de formação, evitando a fragmentação curricular (como já ocorre
em algumas ações interdisciplinares); b) os formadores devem primar pelo
trabalho coletivo (discussões coletivas) e pela partilha de planos de ensino
(como já ocorrem em algumas IES nas reuniões por fases/períodos) – isso irá
se refletir futuramente na prática profissional e na conduta profissional com os
demais colegas de profissão; c) a formação profissional, voltada ao
desenvolvimento da Competência Informacional, precisa promover parcerias
e vínculos com a prática e com o mundo do trabalho; d) a formação precisa
ser uma coformação, isto é, o aluno ou profissional é autor do seu
aprendizado e de seu desenvolvimento (aprender elementos essenciais de
sua profissão – nas dimensões técnica, estética, ética e política) e isso deve
levar em conta a subjetividade dos alunos ou profissionais e seus conceitos
sobre a profissão da informação e submetê-los a um trabalho de
transformação, principalmente para uma prática reflexiva (DEMO, 2012); e) a

�171

avaliação

do

programa

de

desenvolvimento

da

Competência

Informacional deve ser contínua – passando pela fase inicial, intermediária e
ao final do curso – pois precisa envolver o conjunto de componentes do
programa e avaliar o progresso e o êxito de cada um, ao invés de comparar
com o desempenho de outras pessoas; f) a autoavaliação e a avaliação
pelos pares devem ser estimuladas; g) a formação deve ser baseada na
profissão, ou seja, o centro de gravidade está na ação profissional, pois
somente assim sustenta a evolução da profissão; h) a formação precisa ser
voltada à Competência Informacional, nas respectivas dimensões já
anunciadas, e não apenas na formação de um técnico (formação voltada à
pesquisa científica, à teoria e prática, ao saber argumentar e lidar com o
coletivo e com o outro, ao saber considerar que a atividade profissional pode
ser aperfeiçoada e desenvolvida por meio de inovações, à orientação por uma
ética profissional cujo valor principal está no coletivo, ao reconhecimento do
caráter provisório e incompleto de seus próprios conhecimentos e da sua
Competência Informacional e à admissão da necessidade do desenvolvimento
desta); i) a construção do conhecimento se dá pelos laços com os
conhecimentos anteriores – isso fortalece a resolução de problemas, a
tomada de decisão, o debate, a discussão; j) a formação teórica, a formação
científica e a formação prática precisam estar em sintonia (DEMO, 2012)e,
mais precisamente, o aprendizado tanto de conteúdos quanto de métodos e
técnicas deve estar articulado com o aprendizado da prática profissional; k) a
formação deve fornecer subsídios para que o aluno ou profissional saiba
mobilizar a Competência Informacional nas situações complexas que
encontra, privilegiando as habilidades necessárias às atividades (algumas
dimensões da Competência Informacional podem, sim, receber maior atenção
na formação inicial, por outro lado, o equilíbrio será alcançado na formação
contínua, quando as demais dimensões serão então apreendidas, tendo em
vista o contexto que se apresenta naquele momento ao profissional); l) cabe
aos formadores, prever e definir as bases de conhecimentos intelectuais,
culturais e teóricos que serão incorporados à formação; m) a formação deve
conduzir a um adulto e a um profissional preocupado com o equilíbrio
individual e coletivo, que seja uma pessoa de convicção e de paixão pelo seu
trabalho, de compaixão e de boa vontade diante de outrem (as dimensões

�172

estética e política aí se encontram); e n) o desenvolvimento da Competência
Informacional é um continuum (isto é, a profissionalização se estende por
toda a carreira e por toda a vida – na formação inicial, na fase de inserção no
espaço de trabalho e na profissão, e na fase de formação contínua – no
exercício da profissão).
Os princípios elencados, ao serem incorporados à formação,
promovem o desenvolvimento da Competência Informacional do Profissional da
Informação. Há que se ressaltar as palavras de Ribeiro (2006, p.13) quando se
refere às teorizações eurocêntricas aplicadas ao povo brasileiro: “nosso
passado não tem sido o alheio, nosso presente não era necessariamente o
passado deles, nem nosso futuro um futuro comum”, o que também podemos
afirmar sobre as teorias advindas de outras culturas sobre Competência
Informacional. Por esse motivo, compreender a realidade dos profissionais
atuantes no Brasil, provavelmente, auxiliará educadores a elaborar currículos
que sejam relevantes e transferíveis para a prática profissional em informação
nesse cenário. A forma na qual a Competência Informacional é vivenciada no
universo do trabalho pode influenciar a maneira de ensinar e de experimentar
situações complexas ainda nos cursos de graduação.
Seguindo esse norte, Bruce (1999) sugere que o ensino e a
aprendizagem para desenvolver a Competência Informacional pode acontecer
quando o sujeito – individual e coletivo – experimentar o uso eficaz da
informação em formas novas e crescentemente mais complexas e estar aberto
a vivenciar possibilidades de mudança e transformação pessoal. Para
educadores, isso significa algumas novas direções neste campo: encontrar
formas de auxiliar os sujeitos a acessar/vivenciar por si mesmos as quatro
dimensões da Competência Informacional, a partir do DSC aqui expresso;
elaborar tarefas de aprendizado que, sistematicamente, incorporem as ideias
evidenciadas no DSC, ou uma seleção delas; enfatizar a natureza social da
Competência Informacional, conforme vivenciada pelos sujeitos; reconhecer a
importância

dessas

vivências

em

Competência

Informacional

no

desenvolvimento ou endossamento de currículos – isso ajudaria a encontrar e
a preencher lacunas. Quanto à formação inicial e continuada, sugerimos como
Bruce (1999) e Demo (2012), a necessidade de: a) continuar a enfatizar mais
as habilidades conceituais e agilidades intelectuais do que a tecnologia da

�173

informação ou a habilidade de localizar a informação; b) lembrar que treinar
pessoas para usar várias formas de pacotes de software ou tecnologias não se
constitui em educação para a Competência Informacional; e c) ensinar
tecnologia de forma que as pessoas se sintam confortáveis com a adoção e
com a mudança.
São essas as nossas provocações para educadores e Profissionais
da Informação, a fim de que se tornem os agentes do desenvolvimento da
Competência Informacional e da transformação em seus espaços de trabalho e
no mundo vivido.

REFERÊNCIAS

ABELL, A. et al. Alfabetización en información: la definición de CILIP (UK).
Boletín de la Asociación Andaluza de Bibliotecarios, n. 77, Dic. 2004, p. 7984. Disponível em: &lt;http://www.aab.es/pdfs/baab77/77a4.pdf&gt;. Acesso em: 27
fev. 2013.
ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DAS FUNDAÇÕES EDUCACIONAIS (ACAFE).
Disponível em: &lt;http://www.acafe.org.br/new/index.php?endereco=conteudo/
institucional/memoria.php&gt;.Acesso em: 27 fev. 2013.
BARRETO, A. de A. Uma quase história da ciência da informação. Data Grama
Zero – Revista de Ciência da Informação, v.9, n.2, abr. 2008. Disponível em:
&lt;http://www.dgz.org.br/abr08/Art_01.htm &gt;. Acesso em: 27 fev. 2013.
BAWDEN, D. Information and digital literacies: a review of concepts. Journal of
Documentation, v.57, n.2, p. 218-259, mar. 2001. Disponível em:
&lt;http://www.emeraldinsight.com/Insight/viewPDF.jsp?Filename=html/Output/Pu
blished/EmeraldAbstractOnlyArticle/Pdf/2780570203.pdf&gt;. Acesso em: 27 fev.
2013.
BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade: tratado de
sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2005.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Instituições... Disponível em:
&lt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1246
7&amp;Itemid=783&gt;. Acesso em: 27 fev. 2013.
BRUCE, C. S. Workplace experiences of information literacy. International
Journal of Information Management, v.19, n.1, p.33-47, 1999. Disponível em:
&lt;http://www.personal.kent.edu/~wjrobert/images/WorkplaceInfoLit.pdf &gt;.
Acesso em: 27 fev. 2013.

�174

CAMPELLO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva
para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3,
p. 28-37, set./dez.2003.
DEMO, P. Ambivalências da sociedade da informação. Ciência da
Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 37-42, maio/ago. 2000.
DEMO, P. Educação e conhecimento: relação necessária, insuficiente e
controversa. 2.ed. Petrópolis, RJ : Vozes, 2001. (Coleção Temas Sociais).
______.Habilidades e competências no século XXI. 3. ed. Porto Alegre :
Mediação, 2012.
DUDZIAK. E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da
Informação, Brasília. v.32, n.1, jan./abr. 2003. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/123&gt;. Acesso em: 12.
fev. 2013.
DUDZIAK, E. A. Information literacy and lifelong learning in Latin America: the
challenge to build social sustainability. Information Development, London,
v.23, n.1, p. 43-47, Feb. 2007.
LAMOUNIER, Bolivar. Só o diploma universitário não resolve... Expogestão
2010: as lições que eles deixaram. Diário Catarinense, Florianópolis, p.21-21,
23 maio 2010. Economia.
LANGFORD, L. Information literacy: a clarification. School libraries
worldwide, n. 1, jan. 1998,p. 59-72. Disponível em:
&lt;http://vnweb.hwwilsonweb.com/hww/results/results_common.jhtml;hwwilsonid
=PAPGXAIRWFLERQA3DINCFF4ADUNGIIV0&gt;. Acesso em: 3 dez. 2008.
LE COADIC, Y-F. A ciência da informação. Brasília, DF: Briquet de Lemos,
1996.
LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C. O discurso do sujeito coletivo: um novo
enfoque em pesquisa qualitativa (desdobramentos). 2. ed. Caxias do Sul:
EDUCS, 2005. (Coleção Diálogos).
LLOYD, A. Information literacy: the meta-competency of the knowledge
economy? An exploration paper. Journal of Librarianship and Information
Science, v. 35, n.2, jun. 2003. p. 87-92. Disponível em:
&lt;http://lis.sagepub.com/content/35/2/87.full.pdf+html&gt;. Acesso em: 27 fev.
2013.
LLOYD, A. Information literacy landcapes: an emerging picture. Journal of
Documentation, v. 62, n. 5, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.emeraldinsight.com/journals.htm?articleid=1571837&amp;show=abstrac
t&gt;. Acesso em: 27 fev. 2013.

�175

MENESES PLACERES, G.Aproximaciones teóricas a la evaluación de la
alfabetización informacional en la educación superior. Acimed, 2008, v.18, n.1.
Disponível em:
&lt;http://sid.uncu.edu.ar/nuevosibi/sibired/alfin/AproximacionTeoricasEvaluacionALFIN-EducacionSuperior.pdf &gt;. Acesso em: 27 fev. 2013.
MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social.
4.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
MUELLER, S. P. M. Uma profissão em evolução: profissionais da informação
no Brasil sob a ótica de Abbott – proposta de estudo. In: BAPTISTA, Sofia
Galvão; MUELLER, Suzana Pinheiro Machado (org.). Profissional da
informação: o espaço de trabalho. Brasília, DF: Thesaurus, 2004. (Estudos
Avançados em Ciência da Informação, 3)
OLLAGNIER, E. As armadilhas da competência na formação de adultos. In:
DOLZ, J.; OLLAGNIER, E. (Org.). O enigma da competência em educação.
Porto Alegre: Artmed, 2004.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar: convite à viagem.
Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
POSSOBON, K. R. et al. Alfabetização informacional: um estudo do nível de
competências dos calouros do Curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTACAO E CIENCIA DA INFORMACAO, 21.,
17- 22 jul. 2005, Curitiba. Anais... Curitiba: CBBD, 2005.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo:
Companhia das Letras, 2006.
RIOS, T. A. Compreender e ensinar: por uma docência de melhor qualidade.
6. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
ROBREDO, J. Da ciência da informação revisitada aos sistemas humanos
de informação. Brasília, DF: Thesaurus, 2003.
TARDIF, Maurice. Princípios para guiar a aplicação dos programas de
formação inicial para o ensino. Porto Alegre: Encontro Nacional de Didática e
Prática de Ensino, 14, 2008, Porto Alegre, RS. Anais.. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2008. CD-ROM.
VARELA, A. V.; GUIMARÃES, I. Apreensão e construção do conhecimento
científico: descompasso entre necessidades informacionais e pensamento
crítico. Liinc em Revista, v. 2, n. 2, p. 120-133, set. 2006. Disponível em:
&lt;www.ibict.br/liinc/include/getdoc.php?id=201&amp;article=30&amp;mode=pdf&gt;. Acesso
em 27 fev. 2013.

�176

DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS,
CIENTÍFICAS E TECNOLÓGICAS: RESPONSABILIDADE DO ENSINO
SUPERIOR COM PARCERIA ENTRE A DOCÊNCIA E A BIBLIOTECA
Aida Varela Varela
Marilene Lobo Abreu Barbosa
Maria Giovanna Guedes Farias

1 INTRODUÇÃO

Em

uma

sociedade

em

rede,

é

esperado

que

surjam

questionamentos quanto ao grau de compreensão das informações que
circulam; ao modo como ocorre o fluxo informacional; e quanto às dificuldades
no acesso e uso da informação e sua aplicação para a construção do
conhecimento. Hoje, por exemplo, ao se desenvolver uma pesquisa virtual, nos
milhões de sites de busca da Internet, embora informações sobre todas as
áreas do conhecimento possam ser encontradas em grande quantidade, novos
problemas, neste percurso, são criados, tornando complexo o processo de
busca e uso da informação.
É mister destacar que a efetividade do fluxo da informação
dependerá de dois elementos fundamentais: as barreiras, que filtram, distorcem
ou impedem o fluxo; e as linguagens utilizadas na socialização do
conhecimento. Depreende-se que, da qualidade presente nas atividades do
fluxo de informação, dependerá a qualidade dos produtos e serviços que o
permeiam e dele decorrem, como as publicações científicas.
A sociedade contemporânea requer que o conhecimento científico
seja socializado em prol do pleno exercício da cidadania, sendo imprescindível,
para isso, o domínio das competências científicas, aqui entendidas como a
capacidade de ler, comprender e escrever sobre a ciência e a tecnologia.
Perrenoud (1999) afirma que as competências utilizam, integram e mobilizam
conhecimentos para enfrentar um conjunto de situações complexas, implicando
também a capacitação para atualização dos saberes.
O ensino superior e o acesso à ciência incluem ações básicas de
apreensão, acesso a sistemas conceituais e linguísticos, manuseio de

�177

tecnologias e representação de imagens científicas. Estas ações envolvem
elementos cognitivos, criativos e motivacionais, para a construção ativa do
indivíduo, que possui capacidade de usar experiências previamente adquiridas,
para alçar-se a novas situações. Para o fortalecimento da atitude científica do
indivíduo, apresentam-se os seguintes princípios: a) a informação científica
passa por uma análise lógica, compreensiva ou sintático-semântica e de
contexto; b) a pesquisa envolve a trajetória do observar, do analisar e do
transcender, o que inclui: coletar e relacionar dados; definir o problema; usar
vocabulário e conceitos específicos; levantar e verificar hipóteses para
solucionar problemas; além de generalizar, universalizar regras, leis e
princípios; c) a explicitação do conhecimento científico, pelo sujeito, prescinde
da organização do pensamento, com base em experiências e análises de
sucessos e dificuldades na busca de alternativas, vivenciando-se a análise,
para se chegar à generalização; e desenvolvendo-se a síntese, para chegar-se
às conclusões.
Por conseguinte, a competência informacional é considerada um
processo de aprendizagem, que promove a produção do conhecimento, em
especial do científico, desde que esse processo seja realizado de forma
consciente, reflexivo e contextualizado. A aprendizagem está intrinsecamente
relacionada com a aquisição do conhecimento, e, como tal, perpassa as várias
fases do comportamento informacional. Atinge-se, assim, a premissa
pedagógica que tem sido denominada no jargão da área de – aprender a
pensar –, o que abrange internalizar conceitos, procedimentos, atitudes e
valores, consistindo em mudanças cognitivas, relativamente, permanentes,
resultantes das inter-relações entre a nova informação, a reflexão e a
experiência prévia.
Na ideologia construtivista, tecer sentidos congrega a aplicação de
processos de análise, síntese, identificação, comparação, agrupamento, entre
outros. Isto representa a posição mais desenvolvida e sustentada das
vanguardas

pedagógicas

contemporâneas,

alcançando

um

consenso

emergente entre a comunidade acadêmica, no que tange à lógica científica, à
transferência

de

conhecimento

e

à

aprendizagem.

Sem

dúvida,

o

construtivismo pedagógico tem seus pilares nos mais importantes avanços dos
estudos da epistemologia e da psicologia durante o século XX, ao considerar o

�178

conhecimento como uma construção do ser humano e não como uma cópia da
realidade. Um dos maiores aportes do construtivismo é o papel ativo do sujeito
no processo de conceituação e de reconhecimento da existência de elementos
pessoais, matizes e acepções na representação individual.
Com

base

em

diferentes

concepções,

a

Competência

em

Informação constitui-se num processo contínuo de interação e internalização
de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas,
elementos referenciais para a compreensão da informação e de sua
abrangência, em busca da fluência e da capacidade necessárias à geração do
conhecimento novo e sua aplicação ao cotidiano das pessoas e das
comunidades, ao longo da vida (BELLUZZO, 2007).
O acesso ao conhecimento é um processo complexo, intenso e
extenso, enquanto os estudos sobre o comportamento humano no processo de
construção do conhecimento, integrando o mundo objetivo e subjetivo,
caracterizam-se por duas grandes incertezas: a incerteza cognitiva e a
histórica. Existem três princípios da incerteza na aquisição do conhecimento: o
cerebral – o conhecimento não é o reflexo da realidade, mas sempre a
tradução e construção desta realidade; o físico – o conhecimento dos fatos
sempre depende da interpretação; o epistemológico – resulta da crise dos
fundamentos da certeza na filosofia, a partir de Nietzsche, e depois, na ciência,
a partir de Bachelard e Popper (MORIN, 1998).
Embora sejam reconhecidas inúmeras questões a sererm debatidas
sobre a competência, a intenção deste artigo é a de discutir o conceito e as
estratégias

usadas

na

educação

superior

formal

e

informal,

no

desenvolvimento de competências informacionais, científicas e tecnológicas, na
perspectiva do fortalecimento da formação acadêmica e, consequentemente,
do seu impacto qualitativo na atuação profissional, identificando problemáticas
e definindo competências para a população em foco.

2 COMPETÊNCIAS INFORMACIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

O uso da informação e sua transformação em conhecimento
pressupõem

competências

e

habilidades

intelectuais,

constituídas

por

operações mentais, como decodificação, interpretação, controle e organização

�179

do conhecimento. A decodificação e a interpretação, por sua vez, incluem
atividades de leitura, conhecimento prévio, para o estabelecimento de relações,
e, comparação de vários pontos de vista, além da avaliação. Já controle e
organização do conhecimento estão relacionados com a organização da
informação, mediante o uso de instrumentos cognitivos, como esquemas,
mapas conceituais e elaboração de textos.
Todo conhecimento constitui, ao mesmo tempo, uma tradução e
uma reconstrução, a partir de sinais, signos, símbolos, sob a forma de
representações, ideias, teorias, discursos. A organização do conhecimento
comporta operações de ligação (conjunção, inclusão, implicação) e de
separação (diferenciação, oposição, seleção, exclusão). O processo é circular,
passando da separação à ligação, da ligação à separação, e, além disso, da
análise à síntese, da síntese à análise, acionado pelo desenvolvimento de
competências informacionais, científicas e tecnológicas.
Dadas as condições atuais da sociedade da informação e do
conhecimento,organizações

científicas

e

profissionais

no

âmbito

da

biblioteconomia e ciência da informação, bem como especialistas da área temse debruçado sobre a temática das competências informacionais produzindo
estudos teóricos valiosos. Uma mostra disto são os trabalhos realizados pela
Association of College and Research Library (ACRL, 2000), pela American
Association of School Librarians (AASL, 1998), por Castañeda-Peña et al.
(2010), Barbosa et al. (2010), entre outros. Os aportes realizados por estes
estudos contribuem para a conceituação da noção de competência, além de
elencar um conjunto de habilidades para o manejo da competência
informacional.
As competências informacionais compreendem um conjunto de
habilidades que são requeridas para reconhecer necessidades de informação e
capacidade para buscar, avaliar e utilizar eficazmente a informação obtida
Association of College and Research Library (ACRL, 2000). Desenvolver estas
competências faz-se cada vez mais premente, devido às mudanças
tecnológicas e à proliferação de recursos informacionais, diante dos grandes
volumes de dados, nas diversas mídias, e produzidos em grande velocidade.
Tomando como referencial os estudos da ACRL (2000), Marciales et al (2008),
concebe competência informacional como:

�180

[...] o produto das relações tecidas entre as adesões e crenças, as
motivações e atitudes do sujeito epistêmico, construídas ao longo de
sua história, situados em contextos de aprendizagem, formais e não
formais, supondo a apropriação da informação através do acesso, da
avaliação e da usabilidade (MARCIALES et al. 2008).

A competência informacional pode ser explicada como uma ação
conjunta da escola e da biblioteca, integrada ao processo do letramento, em
que professores e bibliotecários desenvolvem ações em parceria (CAMPELLO,
2006).
O ALFIN-EEES, programa de Alfabetização Informacional do Espaço
Europeu de Educação Superior, classifica as competências em: tecnológicas,
quando se referem à teoria e à prática do acesso, seleção e utilização,
avaliação e gestão dos recursos tecnológicos; e informacionais, chamadas
também de educação em informação, ou alfabetização informacional, porque
compõem um processo de aprendizagem, constituído de três momentos, quais
sejam: a) busca da informação – habilidades de localizar e recuperar
documentos e de manejar equipamentos tecnológicos; b) disseminação da
informação – habilidades de produzir, representar e divulgar a informação; c) e
uso da informação – habilidades de pensar, estudar e pesquisar sobre a
informação (PINTO MOLINA, 2005).
No âmbito acadêmico, há ainda que se destacar as competências
científicas, que surgem a partir de necessidades inerentes ao ensino, à
pesquisa e à inovação do conhecimento, além da extensão. Mantilla Quintero,
Morales Godoy, Gómez Flórez (2011) referem-se às competências científicas
como a capacidade, do sujeito, de estabelecer relações com as ciências,
concebendo-as como sistemas de conhecimentos úteis para a vida e
indicadores para a ação, presumindo a compreensão de linguagens abstratas e
a construção de representações ou modelos para a explicação de fenômenos,
bem como, o uso adequado de instrumentos, tecnologias e fontes de
informação. Neste sentido, as ciências devem ser concebidas, também, como
escolas de racionalidade ou práticas paradigmáticas, o que pressupõe
argumentar racionalmente pontos de vista, consultar fontes primárias para
resolver problemas, reconhecer pontos de vista válidos e comunicar o
pensamento de forma clara e coerente.

�181

Quando um indivíduo tem de lidar com uma situação-problema, no
momento de enfrentá-la, toda sua experiência (conhecimentos, vivências,
aprendizagens etc.) é reivindicada e se une, para solucionar esta situação da
melhor maneira possível. A partir dessa generalização, podem-se precisar os
conceitos de competência informacional e competência científica.
Enfim, o conceito de competência científica pressupõe a apreensão
do conhecimento cientifico, pelo sujeito, que passa a compreender e explicar
os fenômenos e resolver os problemas sociais, com base na ciência.
As competências tecnológica e informacional fundamentam-se em
habilidades, que promovem o pleno sucesso educativo, como o uso de fontes
informacionais e dos recursos da tecnologia da informação e da comunicação,
por exemplo, utilizar as principais ferramentas de Internet; conhecer as
características básicas de equipamentos e infraestruturas informáticas
necessárias para acessar a Internet; diagnosticar a informação da qual se
necessita; encontrar a informação que se busca e recuperá-la com agilidade;
avaliar a qualidade, autenticidade e atualidade da informação que se queira,
inclusive considerando alguns indicadores; avaliar a idoneidade da informação
obtida para ser utilizada em cada situação concreta; aproveitar as
possibilidades de comunicação que a Internet oferece; avaliar a eficácia e
eficiência da metodologia empregada na busca de informação e na
comunicação através da Internet. (PINTO MOLINA, 2005).

3 RENOVAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS, MEDIANTE APLICAÇÃO DE
INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS MEDIADAS PELAS TECNOLOGIAS
INFORMACIONAIS
A chegada das denominadas tecnologias da informação e
comunicação às diferentes esferas da sociedade e, em particular, à educação,
representou renovação substancial dos métodos, formas de organização e
processos de ensino na educação superior, e, de acordo com alguns autores,
promoveu

autêntica

revolução

pedagógica

(EHRMANN,

1999;

ÁREA

MOREIRA, 2005). Mas essa mudança não pode consistir apenas na mera
incorporação de novas tecnologias nos modelos tradicionais de educação
universitária. O desafio para o futuro é que as universidades não só inovem

�182

com o uso de tecnologias, mas também, renovem suas concepções e práticas
de ensino, o que significa mudar o modelo da educação superior como um
todo, reformulando o papel do professor, os processos de ensino e
aprendizagem, bem como a dimensão temporal e espacial da atividade
pedagógica (AREA MOREIRA, 2005), configurando-se também como uma
oportunidade de ressignificar os modelos de competências.
Uma das inovações mais profundas que levam a universidade a
incorporar as tecnologias à metodologia de ensino é a Internet, a qual permite o
desenvolvimento de plataformas que se convertem em bibliotecas e aulas
permanentes de aprendizagem. Consequentemente, o problema não é apenas
mera transmissão do saber, mas ensinar os alunos a lidar, de modo racional,
com a quantidade avassaladora de informação disponível no mundo da ciência.
A rede transforma substancialmente os modos, formas e tempos de
interação entre professores e alunos. As novas tecnologias permitem aumentar
consideravelmente

a

comunicação

entre

docentes

ealunos,

independentemente do tempo e do espaço. Antes, o docente era a única
referência que os alunos tinham para o acesso ao conhecimento, detendo o
monopólio do conhecimento em sua área, na medida em que dominava
conceitos, teorias, procedimentos, métodos, literatura, tendências etc. Para
qualquer estudante, a única forma alternativa de acesso ao conhecimento de
uma disciplina científica era a busca de textos em uma biblioteca. Hoje, a
Internet abre uma gama de oportunidades, permitindo o acesso a várias fontes
de informação.
Uma

parte

importante

da

literatura

sobre

competências

informacionais, em jovens universitários, tem-se concentrado em estudos de
estratégias de busca de informação, tanto em fontes impressas como em
digitais. Em geral, considera-se que não existe uma competência inata nos
jovens, e que, aparentemente, tem-se dado pouca atenção às questões
relacionadas com as estratégias de formação dos estudantes, no que diz
respeito ao acesso e uso da Internet na educação superior (KIRKWOOD,
2008). Em contrapartida, estudos desenvolvidos por Weiler (2004) descobriram
que os estudantes superestimam suas habilidades e experiências na Internet,
eles sentem que adquiriram as habilidades necessárias na escola secundária e

�183

que os motores de busca são tudo o que eles precisam para fazer pesquisas
bem-sucedidas (SWANSON, 2006).
Uma revisão das pesquisas sobre comportamento de busca da
informação permite ver a heterogeneidade dos estudos, tanto quantitativos
como qualitativos, nos quais a observação direta é usada como uma das
formas de produção de conhecimento sobre as ações do usuário, com ênfase
em três fatores: cognitivos, emocionais e físicos. Só recentemente se
exploraram os fatores sociais e culturais associados aos usuários das
informações (MARTZOUKOU, 2005; BILAL, 2000).
Grande parte das pesquisas sobre busca da informação focalizou
modelos de arquitetura que descrevem os traços e as fases do processo de
busca e recuperação de informações em diferentes contextos. O modelo de
Kuhlthau et al. (1990) um dos mais utilizados na educação, descreve tanto o
processo de busca de informação (iniciação, seleção, apresentação de
exploração, formulação, coleta), como os sentimentos, pensamentos e ações
que ocorrem no processo de construção do conhecimento. Este modelo tem
sido utilizado tanto para o diagnóstico, como para a intervenção educativa.
Com relação às variáveis afetivas que estão envolvidas no processo de busca
de informações, identificam-se também vários sentimentos, como confiança,
decepção, frustração, confusão, otimismo, satisfação, incerteza e ansiedade,
dependendo do perfil dos usuários, buscadores iniciantes ou especialistas em
um

assunto

ou

disciplina

(KUHLTHAU;

HEINSTRÖM;

TODD,

2008,

WHITMIRE, 2003, ONWUEGBUZIE e JIAO, 1998). Assim, os recém-chegados
ao ensino superior, que não têm conhecimento prévio para avaliar as fontes de
informação, tendem a adotar critérios superficiais para julgar a credibilidade
dos resultados de busca (WATHEN; BURKELL, 2002, SWANSON, 2006). O
quadro 1 apresenta alguns modelos de formação por competência no âmbito
universitário e a descrição deles.

�184

Quadro 1 - Modelos de formação por competência no âmbito universitário

Autores

Descrição

Drummond, Nixon y
Wiltshire

Propõem que o desenvolvimento de competências pode dar-se
de vários modos: integrado ao planejamento curricular; paralela
ou isoladamente; e em atividades baseadas em projetos.
Apresentam um marco para o desenvolvimento de quatro tipos de
competências genéricas: gestão de si mesmo; gestão da
informação; gestão de outros; e gestão de tarefas.
O modelo se baseia no trabalho de excelência da High School
Voorhees, no qual as competências são vistas como êxito do
resultado dos estudantes.

Bennet, Dunne y Carré
Modelo Estadunidense
Modelo de
aproximação
fenomenológica aos
atributos dos
estudantes.

Mostra duas interpretações das competências. A primeira faz
referência a aspectos da capacidade humana, tais como:
erudição, cidadania eaprendizagem continuada. A segunda está
mais relacionada com os saberes disciplinar Hes referidos à:
investigação; autonomia pessoal e intelectual; compreensão ética
social e profissional; e comunicação.

Modelo promovido pelo Neste modelo, o conceito de competência surge com a intenção
de promover a transparência e o mútuo reconhecimento dos
Projeto Tuning
resultados, sob um espírito não normativo, e sim orientador.
Fonte: García (2007)

Estudos recentes sobre o modo como os alunos acessam e usam
fontes de informações digitais, obtidas em particular na Internet, sugerem que o
acesso imediato mudou a opinião dos jovens sobre o processo de investigação,
porque eles esperam encontrar a informação rapidamente e sem esforço, e a
seleção de temas é guiada, principalmente, pela sua disponibilidade
(HOLLIDAY e LI, 2004). Apontaram também que jovens digitalizam páginas online de forma rápida e eles clicam em hiperlinks repetidamente, em vez de ler
sequencialmente; tendem a mover-se rapidamente de uma página para outra,
passam pouco tempo lendo ou digerindo a informação e têm dificuldade de
elaborar juízos sobre a relevância das páginas que recuperam na busca de
informação (ROWLANDS et al., 2008).
As pesquisas demonstram também que os estudantes estão
preocupados, sobretudo, em verificar se a informação é atual, se é completa,
avaliar fatos e opiniões, buscar fontes para validar a informação on-line,
verificar quem é o autor e quais são as suas qualificações e credenciais
(METZGERA; FLANAGINA; ZWARUN, 2003). Da mesma forma, as questões
de tempo e níveis de dificuldade, na obtenção de informações, são questões de
interesse dos alunos, mais do que os problemas de precisão da informação

�185

(WEILER, 2004), por isso, alguns destes critérios dão conta de uma estratégia
de busca superficial, que tende a validar a informação a partir de ideias
anteriores ou da simplicidade e buscando informações em sites conhecidos
(MARTINEZ VIDAL; MONTERO MAURO; PEDROSA BORRINI, 2010).
É

interessante

notar

que

alguns

estudos

têm-se

centrado

especificamente em identificar perfis de busca de informação, associados às
diferenças entre fatores psicológicos e hábitos de estudo (HEINSTRÖM, 2005);
a estilos cognitivos (WANG; HAWK e TENOPIR, 2000), e também, a partir de
uma visão sociocultural (CASTAÑEDA-PEÑA et al., 2010), mostrando como o
perfil

se

manifesta,

vinculando

motivações,

crenças

e

capacidades

transversalizadas pelas histórias e experiências dos sujeitos que se relacionam
com a informação, no meio acadêmico e no cotidiano. Um estudo realizado na
Colombia (CASTAÑEDA-PEÑA et al., 2010) caracterizou diferentes perfis de
competência informacional de estudantes universitários e apontou três práticas
habituais de busca de informação: coletoras, verificadoras e reflexivas.
No perfil coletor, observa-se que o Google e Wikipedia são
utilizados como ferramentas de busca e o uso de palavras-chave ébásico na
tarefa para iniciar a pesquisa, no entanto, percebe-se a falta de planejamento
na busca da informação e esta tende a ser copiada textualmente das fontes
selecionadas. No perfil verificador, o usuário busca fontes de informação em
páginas ou sites de dados considerados confiáveis (como bancos de dados,
bibliotecas, arquivos de pesquisa); as fontes de informação são selecionadas
sob diferentes pontos de vista sobre a mesma matéria e são verificadas por
meio da análise da relação entre os textos encontrados na internet e os textos
disponíveis na biblioteca, em qualquer formato. O uso do Google obedece
fundamentalmente a limitações de tempo. O perfil do usuário reflexivo é
aquele que, quando busca as fontes de informação, tende a começar pela
formulação de suas próprias perguntas e planejamento de busca. As fontes de
informação de páginas academicamente reconhecidas são selecionadas e
validadas com outras fontes reconhecidas e com o próprio ponto de vista. A
análise e avaliação das informações são orientadas pelas questões,
formuladas no início da pesquisa (CASTAÑEDA-PEÑA et al., 2010).
Nessa

perspectiva,

para

exemplificar

as

competências

informacionais em estudantes universitários, apresentam-se, no quadro 2 o

�186

procedimento, o indicador de rendimento e a ação nos três procedimentos a
seguir: como o estudante determina a natureza e o alcance da informação
necessária; como ele acessa a informação eficaz e eficientemente; e também
como o estudante avalia a informação e suas fontes de maneira crítica e
incorpora a informação selecionada na base de seus conhecimentos e sistema
de valores.
Quadro 2 - Competências informacionais
Procedimento

Indicador de
rendimento
Define e articula a
necessidade
da
informação

Ação
Consulta instrutores e participa de discussões
de classe, do grupo de trabalho, de pares,
para identificar um tema de pesquisa, ou
necessidade de outro tipo de informações.
Explora as fontes de informação
aumentar a familiaridade com o tema.

para

Identifica quando a informação é produzida
formal e informalmente, organizada e
divulgada.

O estudante
delineia a
natureza e o
alcance da
informação
necessária

Identifica variedade de
tipos e formatos de
fontes potenciais da
informação

Analisa os custos e
benefícios para adquirir
a informação necessária

Reconhece que o conhecimento pode ser
organizado em subtemas que influenciam a
forma de acesso à informação.
Identifica o valor e diferenças de recursos
potenciais numa variedade de formatos (por
exemplo, bancos de dados, multimídia, página
web, conjunto de dados, áudio e dados
visuais).
Analisa a disponibilidade de informação
requerida e toma decisões sobre a ampliação
de informação de processos de busca para
além dos recursos locais (empréstimo entre
bibliotecas, utilizando recursos de outros
lugares).
Considera a possibilidade de usar um novo
idioma ou habilidade, a fim de acessar a
informação necessária para compreender seu
contexto.

�187

Quadro 2 - Competências informacionais( continuação)
Procedimento

Indicador de
rendimento

Ação

Identifica palavras chaves, sinônimos e termos
relacionados à informação necessária.
Seleciona um vocabulário controlado especifico
da disciplina ou fontes de recuperação da
informação.
Constrói uma estratégia de busca usando os
Constrói e implementa comandos apropriados para o sistema de
estratégias de busca de busca de informação (operadores boleanos,
modo eficiente
truncamento e proximidade para os motores de
busca, organizadores interno)

O estudante
acessa a
informação eficaz
e eficientemente

Refina a estratégia de
busca se necessário

Extrai, registra e gerencia
a informação e suas
fontes

Resume as ideias
principais extraídas da
informação compilada

O estudante
avalia a
informação e
suas fontes de
maneira crítica e
Articula e aplica critérios
incorpora a
iniciais
para avaliar tanto
informação
a
informação
quanto suas
selecionada na
fontes
base de seus
conhecimentos e
sistema de
valores
Sintetiza ideias principais
para construir novos
conceitos

Implementa estratégias de busca em vários
sistemas de recuperação da informação,
utilizando diferentes interfaces de usuário,
motores de busca com diferentes linguagens
de comando.
Avalia a quantidade, qualidade e relevância de
resultados de busca para determinar se os
sistemas de recuperação alternativos ou
métodos de investigação devem ser utilizados.
Identifica lacunas nas informações obtidas e
determina se a estratégia de busca deve ser
revisada.
Repete a busca usando a estratégia revista
sempre que necessário
Seleciona entre as diversas tecnologias a mais
adequada para a tarefa de extrair a informação
necessária (copiar e colar, funcionalidade do
sistema usado na busca, cópia, scanner, etc.).
Cria um sistema para organizar a informação.
Diferencia entre os tipos de fontes citadas e
compreende os elementos e sintaxe correta de
uma citação para uma ampla gama de
recursos.
Registra toda a informação relevante para
consultas futuras.
Lê o texto e seleciona as ideias principais.
Interpreta conceitos textuais com suas próprias
palavras e seleciona dados com precisão.
Identifica material que pode ser apropriado e o
cita como nota de rodapé.
Examina e compara a informação de diversas
fontes com o fim de avaliar a confiabilidade,
correção validade, autoridade, oportunidade e
ponto de vista.
Reconhece o contexto cultural, físico, ou outro
em que a informação foi criada e compreende o
impacto do contexto na interpretação da
informação.
Elabora uma síntese inicial, quando possível,
em um nível mais alto de abstração para
construir novas hipóteses que podem requerer
informação adicional.

�188

Quadro 2 - Competências informacionais ( continuação)
Procedimento

O estudante
entende os
assuntos
econômicos,
legais e sociais
que compõem o
entorno do uso
da informação e
o acesso e uso
ético e legal da
mesma

Indicador de
rendimento

Ação

Entende os aspectos
éticos, legais e
socioeconômicos da
informação e das
tecnologias da
informação ao redor.

Identifica e analisa os temas relacionados com
acesso gratuito versus acesso por honorários
da informação
Respeita a propriedade intelectual, direitos de
autor e o uso justo de material com direitos
autorais.
Usa senhas e outras formas de identificação
para o acesso aos recursos de informação.

Segue as leis,
regulamentos e políticas
institucionais
relacionadas com o
acesso e uso dos
recursos de informação.

Reconhece o uso das
fontes de informação da
comunicação do produto
ou resultado.

Aceita as políticas institucionais sobre acesso
aos recursos de informação.
Preserva a integridade dos recursos de
informação, equipamentos, sistemas e
instalações.
Compreende situações de plágio e não
apresenta trabalho atribuível aos outros como
seu próprio.
Seleciona um estilo de documentação
apropriado e a utiliza de forma consistente
para citar as fontes.

Fonte: Adaptado de Mantilla Quintero, Morales Godoy e Gomez Flórez (2011).

Observa-se que os recursos cognitivos, simbólicos e valorativos,
adquiridos durante a socialização dos primeiros anos de escolaridade,
influenciam nas competências informacionais dos estudantes que ingressam no
ensino superior.
Além das competências informacionais, os estudantes do ensino
superior prescindem do domínio de competências científicas e compete à
docência

universitária

e

ao

bibliotecárioestimular

a

valorização

e

o

desenvolvimento destas competências, alinhando-se às visões científica,
acadêmica e do mundo do trabalho. O conjunto dessas atividades integra o
sujeito à sociedade. mediante o desenvolvimento de competências essenciais
para compreender fatos e fenômenos, estabelecer relações interpessoais, além
de analisar e refletir sobre a realidade complexa que envolve a nova
organização mundial. Outrossim, entende-sea biblioteca universitária como um
lastro de conhecimento subjacente e estimulante ao ensino e ao acesso à
ciência, mediante um processo dinâmico de aprendizagem que transcende o
apoio

à

sala

de

aula,

às

atividades

laboratoriais

e

extensionistas,

�189

potencializando o habitus contínuo de aprendizagem e de internalização da
atitude científica (OCDE, 2006). No quadro 3 apresentam-se indicadores de
competências científicas que podem servir de subsídios para experiências,
objetivando que o estudante conceba a ciência como sistema de conhecimento
util para a vida e como indicativo para ações advindas dos vários paradigmas
sob os quais é explicada a ciência.
Quadro 3 – Competências Científicas
Padrão

Indicador de
rendimento

O estudante
Compreende linguagens
concebe as
abstratas e constrói
ciências como
representações ou
sistemas de
modelos para a
conhecimento
explicação de fenômenos.
utéis para a vida
e como
Usa adequadamente
indicativos para a instrumentos, tecnologias
ação.
e fontes de informação.
O estudante
concebe as
ciências como

práticas
paradigmáticas.

Reconhece pontos de
vista válidos e comunicao de forma clara e
coerente
Escolhe uma determinada
área do conhecimento e
um tema que tenha a
intenção de conhecer
melhor como funciona e
cria um método para
investigá-lo.

O estudante
pensa
cientificamente.

Compreende e domina (por nível) línguagens
abstratas que permitem o acesso a
representações conceituais.
Constrói representações ou modelos de
explicação dos fenômenos ou eventos que
utilizam noções ou conceitos da ciência.
Usa compreensivamente instrumentos,
tecnologias e fontes de informação.

Argumenta pontos de vista em razões,
Argumenta racionalmente fenômenos ou eventos.
seus pontos de vista e as
Acessa e utiliza representações, métodos e
fontes primárias para
fontes apropriadas para resolver um problema
resolver problemas.
ou para explicar um fenômeno ou evento.

escolas de
racionalidade ou

Ação

Reconhece a existência e a validade de
diferentes formas de aproximação dos
problemas, atendendo a natureza dos mesmos
e os interesses dapesquisa.
Compartilha conhecimentos e expressa
claramente e coerentemente os próprios pontos
de vista.
Observa um fenômeno, propõe uma explicação
e testa.
Tenta aproximar-se da realidade; aplica
conhecimentos; recorre a modelos ou outros
trabalhos relacionados; e tenta aplicar uma
técnica.
Elabora perguntas sobre o tema; levanta
hipóteses; observa e comprova,

Pensa racionalmente, buscando explicações,
contrabalançando os argumentos a favor e
Entende que tudo é uma contra.
maneira de se interpretar Usa princípios do método científico, chegando a
o mundo, que não existe perguntas mais refinadas; vai diversificando,
chegando a outras perspectivas.
uma verdade, uma
realidade científica,
Relaciona coisas separadas; demonstra; usa
sempre se chega a
linguagem adequada; reconhece influências
respostas provisórias. culturais.
Reconhece que a ciência é um produto histórico
e social, além de ser produto de uma lógica do
pesquisador.

�190

Quadro 3 – Competências Científicas (continuação)
Padrão

O estudante
desenvolve a
atitude científica

Indicador de
rendimento
Analisa, questiona,
seleciona, avalia,
separando elementos
subjetivos e objetivos de
um fenômeno,
distinguindo ciência de
magia, demonstrando
causas e relações
racionais que podem ser
conhecidas e
transmitidas.

Ação
Questiona a veracidade das certezas; explica
problemas, obstáculos e aparências; busca
estruturas universais e necessárias das coisas
investigadas; busca medidas, padrões e
critérios; busca leis gerais de funcionamento dos
fenômenos; busca a regularidade, a constância,
a frequência, a repetição e a diferença das
coisas; demonstra e prova resultados obtidos
durante a investigação.
Articula: o problema de pesquisa e o significado
dele para o campo científico; as questões de
pesquisa e os pressupostos; a formulação da
pergunta do problema de maneira pertinente,
clara, concisa, dando abertura para várias
possibilidades
de
resposta,
levando
à
compreensão do tema a ser investigado; a
possibilidade da proposta de estudo ser
cumprida de acordo com o tempo e recursos
disponíveis; a construção das questões de
pesquisa a partir da teoria; as respostas
encontradas.

O estudante
desenvolve
estrutura e
comunica o
significado do
problema
investigado, de
acordo com o
processo
científico.

Apresenta
adequadamente o
problema, as hipóteses,
os objetivos, o marco

Estabelece: a pertinência e abrangência da
revisão bibliográfica; a coerênciada metodologia
adotada com o problema, amostra e
especificação dos critérios de seleção; validade e
confiabilidade dos instrumentos e procedimentos,
para a execução da investigação e para a coleta
de dados e análise da informação.

conceitual, a revisão

Analisa e argumenta: o ajuste entre os
mecanismos utilizados para categorizar os dados
e a compreensão de seus resultados; o rigor,
metodologia, os achados
pertinência e originalidade na análise dosdados;
e interpretações, a
a adequação da interpretação dos dados, tanto
em relação aos que respondem as questões de
redação, entre outros.
pesquisa como os discrepantes; a justificativa e
contrastes das diferenças significativas-tanto em
nível quantitativo como qualitativo-com outros
trabalhos realizados ou que se realizam,
atualmente, nomesmo campo de conhecimento;
a interpretação dos resultados como questões de
trabalho que possam guiar futuras investigações;
a clareza e compreensão na comunicação dos
resultados-uso de tabelas, ilustrações, figuras etc
bibliográfica, a

Apresenta: adequação do título ao conteúdo do
trabalho;
visualização
dos
aportes
da
investigação, por meio da coerência entre
propostas explicitadas na introdução e no
resumo; pontuação e correção de estilo.
Fonte: Ampliado e adaptado de Hernández (2005).

�191

A partir desse quadro, conclui-se que as competências científicas
relacionam-se com a trajetória da elaboração do trabalho científico, quando
interpreta fontes de informação, distingue entre o essencial e o acessório,
utiliza modos diferentes de representar essa informação, vivência situações
que permitem o desenvolvimento das capacidades de exposição de idéias,
defesa e argumentação; distingue textos analíticos e sintéticos, nos quais é
evidenciada a estrutura lógica do texto em função da abordagem de assuntos.
Estas competências também incluem atitudes pertinentes ao
trabalho científico, tais como, curiosidade, perseverança, seriedade no trabalho
– por exemplo, respeitando e questionando os resultados obtidos –; a reflexão
crítica sobre a pesquisa realizada, a flexibilidade para aceitar o erro e a
incerteza, a reformulação do trabalho, o desenvolvimento do sentido estético
para apreciar a beleza dos objetos, os fenômenos físicos e naturais,
respeitando a ética e a sensibilidade de trabalhar em ciência, e avaliando seu
impacto na sociedade e no ambiente (BELUZZO, 2007).
Dada a natureza social e cultural da competência informacional, esta
não se desenvolve de maneira uniforme na sociedade. Existem fatores de
ordem familiar, econômica e histórica, que incidem tanto no acesso dos
indivíduos à informação, como na oportunidade de utilizar as tecnologias de
informação e comunicação. Além das condições de acesso, os hábitos
parecem estar ligados à socialização primária, às ocupações dos pais, às
qualificações profissionais obtidas e às experiências escolares que de alguma
forma influenciam o modo como os alunos se relacionam com fontes
deinformação.
De acordo com Schommer (1990), as crenças epistemológicas não
são características inatas ou fixas de um indivíduo, mas evoluem com o tempo
e as experiências de aprendizagem são fatores influentes, especialmente, no
que se refere às crenças sobre o conhecimento formal. As dimensões da
epistemologia pessoal, de acordo com o autor são: a estrutura ou a
complexidade do conhecimento, sua estabilidade ou certeza, as fontes, a
velocidade de aquisição e capacidade de aprendizagem (inata ou evoluida).
Schommer demonstrou que essas crenças poderiam influenciar na cognição e
compreensão das tarefas acadêmicas e na aprendizagem escolar (HOFER,
2001; RODRIGUEZ e CANO, 2006).

�192

Em termos da epistemologia pessoal, é importante reconhecer
diferentes facetas das crenças, ou seja: são formados na infância e
permanecem resistentes a provas contraditórias, tendem a agir como filtros de
informação, reforçando o conhecimento e pensamento já existentes e, até certo
ponto, fixam-se até o ensino superior (SWANSON, 2006).
Para entender o significado de tais crenças, leva-se em conta os
dois aspectos: fontes de informação preferidas pelos estudantes, de acordo
com a confiança que lhes é conferida, e os critérios de seleção utilizados.
Fontes de informação preferidas pelos estudantes: fontes de informação
racionais

(originadas

nas

universidades,

as

organizacionais

ou

as

governamentais, a biblioteca, os livros); fontes de informação confiavéis e de
base: Wikipedia, apesar de ser considerada como não confiável.
As fontes de informação estão relacionadas com diferentes
experiências significativas dos estudantes (na escola e na universidade), que
os levam a selecionar umas por confiáveis e outras por básicas e outras por
não serem confiáveis ou que apresentam algum risco. Digno de nota é o fato
de que os jovens consideram modificação livre de informações, como uma
prática que prejudica a precisão e confiança, mas ao mesmo tempo ignora os
aspectos positivos da dimensão colaborativa de criação de conteúdos e dos
conceitos de auto-regulação, nos quais se baseia a enciclopédia digital
(WHITMIRE, 2004).
Alguns estudos apontam que os processos de busca de informações
na Internet são afetados por perspectivas epistemológicas dos sujeitos
(WHITMIRE,

2003;

HOFER,

2004,

RODRIGUEZ

e

CANO,

2006).

Particularmente, tem sido observado como as crenças influenciam as decisões
tomadas pelos estudantes universitários, quando buscam e avaliam fontes de
informação; sobre as formas como se usam as técnicas de busca; e sobre a
capacidade de reconhecer a autoridade. Estes estudos também mostram as
estreitas relações que existem entre essas crenças e julgamentos reflexivos
feitos pelos jovens sobre vários domínios do conhecimento (WHITMIRE, 2004).

�193

4 TRAJETÓRIAS NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS

As novas metodologias de aprendizagem orientam estudantes a
desenvolverem sua capacidade de autonomia e utilizam a mediação, como
estratégia para ajudá-los a decifrar o emaranhadao de informações. A
biblioteca universitária, como o repositório das informações científicas e
acadêmicas, deve partilhar a responsabilidade pela capacitação do usuário no
desenvolvimento de competências informacionais e tecnológicas.
O movimento de Alfabetização Informacional - ALFIN, na X
Conferência de Gestão da Informação, em Madri, em 2008, advertiu que os
bibliotecários não devem só ensinar procedimentos mecânicos de busca de
informações, mas, sim, desenvolver as competências que permitam ao aluno
aprender a pensar e dominar o processo instrucional e que os docentes não
devem considerar os bibliotecários como meros distribuidores de livros, mas
como atores no cenário educacional.
O letramento informacional significa criar as condições para que o
indivíduo adquira nível ideal de competição, de modo que ele possa chegar à
autonomia e passe a comportar-se de forma responsável no uso da
informação, não só no meio acadêmico, mas também noambiente de trabalho.
Pode-se afirmar que o aluno alcança o letramento informacional
quando adquire as seguintes competências: demonstra destreza na procura da
informação que precisa; analisa-as e seleciona-as de forma eficiente; organizaas de forma adequada; usa-as e comunica-as de forma eficaz, na perspectiva
da construção do conhecimento (COMISIÓN MIXTA CRUE/REBIUN/TIC,
2009). Para se chegar a este domínio, o planejamento pedagógico deve
contemplar os seguintes itens: metas e objetivos compatíveis com os
programas acadêmicos; incorporação das competências informacionais nos
planos de estudo acadêmico; enfoque na colaboração de bibliotecários e
docentes; ênfase na aprendizagem centrada no aluno; fomento no pensamento
crítico e reflexivo.
Uma das assertivas da Association of College &amp; Research Libraries
(ACRL), uma divisão da American Library Association, (ASSOCIATION OF
COLLEGE &amp; RESEARCH LIBRARIES, ACRL, 1998) sobre o assunto é que,
para ser considerado alfabetizado em informação, o indivíduo deve estar

�194

preparado para reconhecer o valor e utilidade da informação, particularmente
no seu contexto de vida, e dominar a habilidade de localizar, avaliar e utilizar,
de forma eficaz , a informação necessária ao desempenho de suas atividades.
Sobre o assunto, em 2003, o Information Literacy Meeting of
Experts, organizado pela US National Commission on Library and Information
Science e o National Forum on Information Literacy, que resultou na
Declaração

de

Praga,

"Towards

an

Information

Literate

Society"

(http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/PragueDecla
ration.pdf), e um dos enunciados do documento é que a competência
informacionalestá voltada para a capacitação, no sentido de preparar o sujeito
para atender suas necessidades de informação, devendo ser assumida como
um pré-requisito que possibilita sua inserção na sociedade da informação e,
também,

como parte fundamental do direito

humano

àaprendizagem

permanente .
Comungando destes princípios, o ALFIN - Espaço Europeu do
Ensino

Superior

(ALFIN-EEES)

destaca

em

seu

portal

(http://www.mariapinto.es/alfineees), o que intitula de movimento da pedagogia
informacional, com o lema –ensinar a aprender na Sociedade da Informação –,
centrando-se na hipótese educativa e utilizando adequadamente a informação
no processo ensino e aprendizagem, o que pressupõe repensar as estratégias
até então utilizadas e criar uma nova arquitetura de estratégias, cuja essência é
a aprendizagem para a vida e ao longo dela. Sintetizando o ALFIN-EEES
enuncia como competências essenciais: aprender a aprender; aprender a
buscar, avaliar, analisar, sintetizar e comunicar informações, na perspectiva de
gerar conhecimento; aprender a trabalhar em equipe; usar a tecnologia como
recurso de aprendizagem.
Na visão do Conselho Universitário de Bibliotecários Australianos,
enunciada em 2004 (COUNCIL OF AUSTRALIAN UNIVERSITY LIBRARIANS,
2004), o letramento não é uma ação mecânica, outrossim, envolve uma
compreensão de princípios e objetivos, voltados para o desenvolvimento de um
conjunto de competências
Por sua vez, o Chartered Institute of Library and Information
Professionals (CILIP), do Reino Unido, em 2004, declarou que compete ao
letramento informacional: saber quando e por que se precisa de informações;

�195

onde encontrá-las; e como avaliá-las, usá-las e comunicá-las, de maneira ética.
Chartered Institute of Library and Information Professionals, Cilip, (2005).
Para o plano REBIUN, o domínio das competências e habilidades
informacionais possibilita aos estudantes continuar aprendendo, de modo
autônomo, ao longo da vida (REBIUN, 2008). 2010 foi o ano chave, pois
representou a consolidação de um espaço comum europeu de ensino e
pesquisa (EEES), quando se harmonizaram os sistemasdeeducação superior e
a implantação de um modelo comum de aprendizagem ativa e permanente . "O
grande desafio em 2010 será o de integrar as bibliotecas como agentes e
serviços essenciais do modelo educacional", anunciava o REBIUN, em 2009.
No âmbito internacional, a UNESCO1, objetivando preparar os
sujeitos e as camadas sociais para se inserir, agir, intervir e usufruir
plenamente

da

sociedade

do

conhecimento,

vem

adotando

medidas

estruturantes, na expectativa de que criem os alicerces desta base. Dentre as
ações, organizou uma série de eventos, intitulados Workshop Training-theTrainers in Information Literacy, durante o ano de 2008, apoiados e realizados
por onze instituições de ensino ao redor do mundo. O programa objetivou
capacitar multiplicadores, tornando-os proficientes na busca, manuseio e uso
inteligente dos recursos e fontes informacionais, preparando-os para difundir os
métodos, técnicas e práticas inerentes ao desenvolvimento de habilidades e
competências informacionais entre grupos sociais.
Sob a coordenação do professor Forest Woody Horton, a UNESCO
levou a público, recentemente, o livro Overview of Information Literacy
Resources Worldwide2, que reúne conteúdos sobre competência informacional
e realizações da ALFIN, em diversos idiomas e com conteúdos de diversos
países.
Também como iniciativa supranacional, a IFLA, com o apoio da
UNESCO, vem incentivar a implantação e expansão do movimento de
alfabetização informacional e, para tanto, criou o portalInfoLitGLOBAL3
corrdenado pelo professor da Universidad Veracruzana, no México, Jesus Lau.
O sítio divulga as iniciativas da área, bancos de dados dos países sobre o
1

http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php-URL_ID=25623&amp;URL_DO=DO_TOPIC &amp; URL_SECTION=201.html
Disponível em:
&lt;http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/news/overview_info_lit_resources.pdf&gt;
3
Disponível em: (http://www.infolitglobal.info/directory/en/browse/category/publications/serials),
2

�196

assunto, tutoriais para capacitação de usuários, diretórios de organizações e
especialistas, eventos etc., sobre a temática da competência informacional,
com destaque para o programa ALFIN. O documento Information Literacy: an
international state of the art report, de Lau (2007), um incentivador do
movimento na América Latina e no mundo, também está postado neste site.
Diante da recorrência desta temática, outras instituições vêm
buscando definir uma série de princípios gerais, critérios e normas que
permitam identificar o usuário alfabetizado em informação. Destaca-se, dentre
elas,

a

Associação

Americana

de

Bibliotecários

Escolares

American

Association of School Librarians-AASL, que estabelece três categorias e dentro
de cada uma delas, critérios com alguns indicadores, isto é, aspectos do
domínio de cada competência, para sua valorização. Para promover a
cooperação internacional entre todo tipo de bibliotecas e desenvolver
programas, a ALFIN e a IFLA (International Federation of Library Associations)
apresentam normas para a alfabetização informacional, apontando três
aspectos básicos inter-relacionados – acesso, avaliação e uso – para que os
usuários possam constituir-se em aprendizes de fato da informação.
São muitas as universidades e instituições bibliotecárias que
orientam seus programas de treinamento de usuário pelos pressupostos do
ALFIN, a exemplo da Universidade Carlos III, de Madrid4 que, integrada a este
movimento, por meio de sua biblioteca, oferece cursos fundamentados nas
premissas do ALFIN. A Universidade Pompeu Fabra, também da Espanha 5 é
outro exemplo de integração ao ALFIN, que realiza cursos para a formação em
competências informacionais e informáticas e divulga o vídeo¿Porqué son
importantes tener las competencias informacionales e informáticas?
Pode-se

citar,

ainda,

o

Programa

de

Desenvolvimento

de

Competências no Uso da Informação, da Universidad de La Laguna6
(Universidad de San Fernando de La Laguna, ULL), em Tenerife, território
autônomo da Espanha, no Arquipélago das Ilhas Canárias, que oferece
treinamento com foco no desenvolvimento de competências informacionais
para sua clientela, reforçando-o com um tutorial, que os orienta sobre o uso do
4

http://www.uc3m.es/portal/page/portal/biblioteca/aprende_usar/alfabetizacion_informacion
http://www.upf.edu/bibtic/es/serveis/formacio/index.html
6
http://www.bbtk.ull.es/Private/folder/institucional/bbtk/Servicios/Formacion/Tutoriales/tutorialesflash/Catal
ogo.html
5

�197

catálogo eletrônico, tipos de buscas, tipos de documentos, uso de índices,
como guardar e enviar resultados de busca, além de como utilizar os recursos
e serviços da biblioteca.
Na

América

Latina,

um

dos

promotores

da

alfabetização

informacional é o professor da Escola Interamericana de Biblioteconomia, da
Universidade de Antioquia, em Medellín, na Colômbia, Alejandro Uribe Tirado,
que lidera a ação em seu país, divulgando o movimento, mediante alguns
instrumentos

das

redes

sociais

como

os

disponíveis

em

&lt;http://alfincolombia.blogspot.com&gt; e &lt;http://ci2-colombia.blogspot.com&gt;, bem
como, estuda sua expansão na América Latina e no espaço ibero-americano
no sitio &lt;http://alfiniberoamerica.blogspot.com&gt;. Tirado apresentou o trabalho
Progresso e Perspectivas na América Latina em Literacia da Informação: uma
visão a partir da publicação acadêmico-científica e aweb 1.0 e 2.0, em abril de
2010 em Cuba, no Congresso Internacional de Informação, em que identificou
conteúdos e espaços de comunicação sobre competência informacional, na
América Latina, Espanha e Portugal. Por meio destes blogs, do RepositorioWiki Alfabetización informacional en Iberoamérica e do Mapa ALFIN
Iberoamérica/Bibliotecas

y

Proyectos7,

contempla

estudos

teóricos,

experiências, pesquisas, publicações, cursos, notícias, programas etc., sobre a
literacia da informação na Colômbia, na América Latina e nos países iberoamericanos, inclusive o Brasil.
Ainda na Colômbia, há que se distinguir o trabalho das profesoras
Nora Elena Rendón Giraldo e Edilma Naranjo Vélez, ambas da Escuela
Interamericana de Bibliotecologia, da Universidad de Antioquia, que resultou na
criação do Modelo de Formación de Usuários de la Información – MOFUS, de
2008, cujo objetivo é incentivar e orientar os profissionais de informação a
realizarem, de modo sistemático, científico e didático, as ações de
desenvolvimento

de

competência

informacional

(RENDÓN

GIRALDO;

NARANJO VÉLEZ, 2008).
Também, a Biblioteca Pedro Grases, da Universidad Metropolitana
de Caracas, Venezuela, abriga o Programa de Desenvolvimento de

7

&lt;http://alfiniberoamerica.wikispaces.com/&gt; e &lt;http://bit.ly/9hu80u&gt;

�198

Competências no Uso da Informação, divulgando-o por meio de vídeos,
postados na Internet.
Ainda no âmbito da América Latina, merece destaque o estudo da
professora Judith Licea Arenas, da Faculdade de Filosofia e Letras, da
Universidade Nacional Autônoma do México, que aponta indicadores
científicos, sociais e bibliométricos, sobre o estado da literacia no entorno
iberoamericano. Na visão de Licea (2009), as competências informacionaistêm
um impacto direto sobre os conhecimentos, competências e habilidades
profissionais. Neste aspecto, enquadram-se como – conhecimentos: realizar
pesquisas on-line, selecionar os recursos de informação, citar corretamente,
identificar o uso correto a ser dado às informações; – habilidades: utilizar os
operadores booleanos, localizar os materiais na biblioteca, ordenados de
acordo com qualquer sistema de classificação, fazer mapas mentais, registrar
recursos bibliográficos utilizados, distinguir fontes de informação (primária,
secundária e terciária); –atitudes: entusiasmo para o uso de livros e da
biblioteca, sentimento de pertencimento à comunidade de usuários da
biblioteca,atitude positiva para livros e bibliotecas como fonte de aprendizagem,
e não como um armazém, satisfação de ler, compartilhar experiências de
leitura, considerar os autores de livros como pessoas reais, ver a ordenação da
biblioteca como indispensável. (LICEA, 2009).
Na Argentina, a professora Ana Chiesa, de Córdoba, produz e
mantém o sítio ALFIN Argentina8, cujo lema é: "Aprender a ler, escrever
conhecimento",
alfabetização

com

o

objetivo

informacional

e

deagregar

desenvolver

pessoas
projetos

interessadas

que

incentivem

na
e

desenolvam ações promotoras de uma cultura em informação e aprendizagem
permanente na sociedade Argentina e da América Latina, onde o sítio tem
muita ressonância.
No Brasil, há algumas iniciativas isoladas na perspectiva de
aplicação dosprincípios e práticas da information literacy, como, por exemplo, o
trabalho desenvolvido com bibliotecas escolares pelo Grupo de Estudos em
Biblioteca Escolar9, liderado pela professora Bernadete Campello, da Escola de
Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais.
8
9

&lt;http://alfinenargentina.blogspot.com.ar/&gt;
&lt;http://gebe.eci.ufmg.br/&gt;

�199

Também devem ser referenciados os esforço de especialistas, no
sentido de aprofundar o corpo teórico e de criar conhecimento sobre
competência informacional, com o desenvolvimento de estudos e projetos de
pesquisa sobre este assunto, e também promover a aplicação de metodologias
e técnicas da área, tudo isto afinado com a ALFIN. Enquadram-se nesta
situação, dentre outros especialistas, Regina Célia Baptista Belluzzo 10
professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, da UNESP-Marília,e do Programa de Pós-Graduação em TV
Digital:

Informação

e

conhecimento,

da

UNESP-Bauru,

com

muitas

publicações, projetos e cursos ministrados, abordando a temática da
competência informacional, tais como os projetos –2010/2012,Competência em
Informação e suas aplicações em gestão e uso da informação; Validação de
padrões e indicadores de Competência em Informação junto às organizações,
com apoio da abordagem da aprendizagem significativa e do uso de mapas
conceituais; Validação de padrões e indicadores de Competência em
Informação junto às organizações, com apoio da abordagem da aprendizagem
significativa e do uso de mapas conceituais; e Mapeamento da Competência
em Informação na TVDigital.
Outro nome-referência na área da Competência Informacional, é o
de Elisabeth Adriana Dudziak11, bibliotecária, professora titular no Instituto de
Ciências Humanas da Universidade Paulista (UNIP) e do curso de pósgraduação em Sistemas da Informação, nas FAINC, em Santo André, que tem
fomentado a literatura da área com estudos, inclusive com a dissertação de
mestrado, defendida na USP, em 2001 – A Information Literacy e o Papel
Educacional das Bibliotecas – e projetos de pesquisa, como Competência em
Informação, 2001, e Competencias Info-midiaticas na educacao superior, 2009,
dentre outros.
Em termos institucionais, nesta abordagem das competências
informacionais, com foco no movimento ALFIN, merece destaque a atuação de
um grupo de professores da Universidade de Brasília – Antônio Miranda, Elmira
Simeão, Emir Suaiden, André Bertúlio e Fabiane Freitas – em parceria com
professores da Universidade Complutense de Madrid – Aurora Cuevas
10
11

&lt;http://lattes.cnpq.br/0812422122265124&gt;
&lt;http://lattes.cnpq.br/8150926690780957&gt;

�200

Cerveró, Alejandro Sanchis e Maria Antonia Garcia Moreno – que criaram o
projeto AlfinBrasil, cujo objetivo é desenvolver competências informacionais e
digitais entre os usuários da Biblioteca Nacional de Brasília, bem como formar
multiplicadores, estimulando, como consequencia, a aprendizagem contínua.
Uma das ações do projeto é a realização de oficinas de capacitação em
informação, na qual são apresentados, aos alunos, critérios para avaliação da
informação,

sobretudo

na

Internet,

contemplando

diferentes aspectos,

objetivando preparar o aluno para analisar fontes de informação e estabelecer
limites no que se relaciona com seu campo de interesse de assunto. O projeto
tem estimulado a discussão sobre a implantação de programas de competência
informacional no Brasil, com apresentação em eventos, e já rendeu dois livros
sobre o assunto (SIMEÃO et al., 2011). O projeto piloto foi apresentado no
XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação, em 2011, em Maceió, AL (PROJETO, 2011).
Ressalta-se, ainda, a divulgação, com textos completos, no
RepositorioE-Lis:

E-prints

in

Library

and

Information

Science

(http://eprints.rclis.org/),sobre biblioteconomia e ciência da informação, de 1
698 títulos sobre Information Literacy e 754, em competências informacionais.
Também,

o

Sistema

de

Informação

Científica

Redalyc

(http://redalyc.uaemex.mx/), que reúne revistas científicas da América Latina,
Espanha e Portugal, registra 758 títulos sobre Information Literacy e 95 títulos
sobre competências informacionais.
Têm obtido muita ressonância, também, os eventos internacionais,
de algum modo relacionados com a temática da competência informacional e
do Movimento ALFIN, ocorridos em diversos lugares do planeta, nos últimos
dez anos, com a participação de especialistas, que, em geral, têm-se
preocupado em produzir um documento final e consensual, de cunho
conceitual, filosófico, político e propositivo, com o fim de declarar e reafirmar os
princípios e propostas da comunidade envolvida com a consolidação do
movimento. Este documento tem tomado o formato e características de
“declarações” e, assim, têm sido intitulados. Já foram elaboradas as
declarações de Praga, 2003; Alexandria, 2005; Toledo, 2006; Lima; 2009;
Paramillo, 2010; Murcia, 2010; Maceió, 2011; Fez, 2011 e Havana, 2012. Esta
ultima, reafirma a concepção de que as competências informacionais devem

�201

ser trabalhadas como temas transversais, em conjunto com as demais
competências e habilidades, dirigidas aos sujeitos sociais aprendentes,
permeando a ação educativa como um todo, desde o ensino fundamental, e na
perspectiva da educação ao longo da vida. A Declaração de Havana em 2012,
destaca também o papel político do movimento, no sentido de obter condições
conjunturais políticas, econômicas e de infraestrutura para realização dos
programas da área, de modo abrangente, ampliando cada vez mais a
população beneficiada. Reforça também o incentivo ao trabalho colaborativo e
em rede, agregando grupos sociais regionais, locais e entre países,
envolvendo, organizações, especialistas e comunidade (DECLARAÇÃO, 2012).
Por fim, observa-se que, como consequência de todo este
movimento e reconhecimento do papel estruturante que as competências
informacionais exercem na formação do sujeito, as universidades estão
incluindo o desenvolvimento de competências no delineamento de novos
planos de estudo, sendo que, nos EUA e na Austrália, a política nacional de
educação já contempla a temática das competências informacionais, inserindoas em seus planos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de compreender as
concepções, a destreza e a atitude dos nativos digitais diante do universo
informacional e, sobretudo, para assinalar a diferença entre estes e os nãonativos. Os estudantes universitários da atualidade, basicamente nasceram na
era digital e, como tal, estão acostumados com a velocidade da informação,
com os textos gráficos e o uso do hipertexto. Já os imigrantes digitais, como a
maioria dos professores, fazem incursões no mundo digital e é comum que
usem a Internet como uma segunda alternativa na busca de informações,
porém mantendo a ênfase da sua formação, por exemplo, preferindo ler em
formato impresso um documento originalmente eletronico. Estas diferenças
podem se apresentar como obstáculos no momento da transferência da
informação e do processo de aprendizagem, sobretudo se não se
reconhecerem e respeitarem as crenças, habilidades, preferências, motivações
e práticas de uso habitual do estudante na busca da informação.

�202

Com efeito, a literatura explora uma visão de competência
informacional como uma prática social, que se caracteriza por responder às
exigências dos contextosespecíficos. Neste sentido, vale refletir sobre
perspectivas de integração da CI ao currículo universitário, contemplando
questões relativas à facilitação do diálogo entre professores e estudantes e
sobre o uso de soluções tecnológicas, como a Internet, nas práticas de estudo,
na leitura e na avaliação de fontes de informação acadêmicas e não
acadêmicas.
Pelo exposto, avaliando conceitos, ideias, práticas e experiências
aqui destacados, pode-se afirmar que a competência informacional é uma
estratégia formativa, a ser desenvolvidada ao longo do período escolar, como
uma competência transversal, sobretudo porque cria as bases para a busca da
formação ao longo da vida.
Não obstante, o que vem ocorrendo, na universidade, é a submissão
do jovem estudante à saturação e excesso de informações fragmentadas,
podendo isto converter-se em umobstáculo epistemológico para a análise, a
reflexão crítica e a construção do conhecimento. Outrossim, professores e
bibliotecários devem, em conjunto, equipar essas novas gerações de
competências genéricas em gestão da informação para realizar sua autoaprendizagem, de modo a ter filosofia e elementos positivos das redes sociais,
de modo a criar espaços que incentivem cooperação e intercâmbio de ideias
essenciais para a sociedade, com sucesso, promovendo transformações em
prol do bem-estar da humanidade. Graduados que demonstram domínio de
habilidades e competências serão valorizados, pois agregam valor ao seu
ambiente profissional. Por consequência, para alcançar esta meta, socializar o
conhecimento, saber olhar, analisar, avaliar e aprender a usá-lo representará,
com certeza, a nova fonte de riqueza para todo o graduado que quer competir
na nova economia do conhecimento.
Vale ressaltar o papel das bibliotecas universitárias, como elementos
preponderantes nesta cadeia de atores que concebem, preparam, agem e
proporcionam o desenvovlimento das competências informacionais e da atitude
científica nos estudantes, no entanto,é aconselhável que se orientem por
algumas premissas, tais como, acolhimento às recomendações do ALFIN,
avaliando e promovendo a adaptação de seus princípios, normas e técnicas ao

�203

meio específico; a alta expertise, que a própria equipe da biblioteca deve
apresentar competência informacional, no sentido de conhecer bem os canais
e fontes de informação, os métodos, técnicas e estratégias de busca,
recuperação e acesso à informação e às suas fontes especializadas, bem
como, lidar com perícia com o usuário, sabendo reconhecer suas necessidades
informacionais eaplicando estratégias cognitivas, mediadoras, didáticas e
comunicativas inovadoras.
Por fim, conclui-se que, no âmbito institucional, o programa de
desenvolvimento de competências informacionais deve ser integrado ao
planejamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade,
concebido como uma estratégia didática estruturante, que permite, ao aluno,
realizar suas tarefas cotidianas, mas que transcende à sala de aula e ao
período acadêmico, pois alicerça as bases da educação permanente e da
competência profissional e ao longo da vida. O trabalho tem maior
possibilidade de êxito pleno, quando professores e docentes assumem a
causa, de modo coeso, comungando dos mesmos ideais e atuando
cooperativamente, e quando há uma conjugação de esforços assumida pelas
autoridades acadêmicas e administrativas da universidade, que atuam dando
os subsídios políticos, pedagógicos e de infraestrutura.

REFERÊNCIAS

AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARY (AASL). Information
literacy standards for student learning. Chicago: American Library
Association (ALA), 1998.
ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCHLIBRARIES (ACRL).
Information literacy competency standards for higher education. Chicago:
American Library Association, 2000.
AREA MOREIRA, M. Documento marco de REBIUN para la CRUE: adquisición
de competencias en información, una materia necesaria en la formación
universitaria. La Laguna, 2007. Disponível em:
&lt;http://rebiun.org/export/docReb/resumen_adquisicion_41FF98.doc&gt;.
AREA MOREIRA, M. Internet en la docencia universitaria: webs docentes y
aulas virtuales. Tenerife: Universidad de La Laguna, Departamento de
Didáctica e Investigación Educativa, 2005. Disponível em:
&lt;http://webpages.ull.es/users/ manarea/guiadidacticawebs.pdf&gt;

�204

BARBOSA, J. et al. Reconceptualización sobre competencias informacionales.
Revista de Estudios Sociales, p. 121-142, 2010.
BELLUZZO, R.C.B. Construção de mapas: desenvolvendo competências e
informação. 2. ed. rev. atual. Bauru: Cá Entre Nós, 2007.
BILAL, D. Children's use of the yahooligans! web search engine. Cognitive,
physical and affective behaviors on fact-based search tasks. Journal of the
American Society for Information Science, v. 51, n. 7, p.646-665, 2000.
CAMPELLO, B.S. A escolarização da competência informacional. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação: Nova Série, São Paulo, v.2,
n.2, p.63-77, dez. 2006.
CAMPELLO, B.S. Letramento informacional no Brasil: práticas educativas
de bibliotecários em escolas de ensino básico. Tese (Doutorado em Ciência da
Informação) – Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de
Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.
CASTAÑEDA-PEÑA, H. et al. Recolectores, verificadores y reflexivos: perfiles
de la competencia informacional en estudiantes universitarios de primer
semestre. Revista Interamericana de Bibliotecología, v. 33, n. 1, jan./jun., p.
187-209, 2010.
CHARTERED INSTITUTE OF LIBRARY AND INFORMATION
PROFESSIONALS (CILIP). Alfabetización en información: la definición de
CILIP (UK). Library + Information Update, v. 5, n. 1-2,p. 24-25, jan.-fev.,
2005. Tradução de Cristóbal Pasadas Ureña, Biblioteca, Facultad de
Psicología, Universidad de Granada, a partir do original.
COMISIÓN MIXTA CRUE-TIC y REBIUN. Competencias informáticas e
informacionales en los estudios de grado. Madrid, 2009. Disponível em:
&lt;http://www.rebiun.org/doc/documento_competencias_informaticas.pdf &gt;.
COUNCIL OF AUSTRALIAN UNIVERSITY LIBRARIANS. Information literacy
standards. Canberra, 2001. Disponível em: &lt;www.caul.edu.au&gt;. Acesso em:
23 abr. 2012.
CUNHA, M.B.da. A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZeroRevista de Ciência da Informação, v.11,n.6,dez. 2010.
DECLARAÇÃO de Havana, 2012. Disponível em:
&lt;http://alfiniberoamerica.blogspot.com&gt; Acesso em: 20 fev. 2013.
EHRMANN, S. C. Access and/or Quality? Redefining Choices in the
ThirdRevolution. Educom Review, v. 34, n.1, jan./feb.1999.
GARCÍA, M. J. Realidad y perspectivas de la formación por competencias
en la universidad. Bellaterra: Universitat Autònoma de Barcelona, 2007.

�205

HEINSTRÖM, J. Fast surfing, broad scanning and deep diving. The influence of
personality and study approach on students seeking behavior. Journal of
documentation, v. 61, n. 2, p. 228-247, 2005.
HERNÁNDEZ, C. A. ¿Qué son las “competencias científicas”? In: FORO
EDUCATIVO NACIONAL “PARA COMPRENDER Y TRANSFORMAR EL
MUNDO” . Bogotá, 2005. Anais…Bogotá: Ministerio de Educación Nacional,
2005. p.1-30,
HOLLIDAY, W.; LI, Q. Understanding the millennials: updating our knowledge
about students to improve library instruction. Reference Services Review, v.
32, n. 4, p. 356-366, 2004.
HOFER, B. Personal epistemology research: implications for learning and
teaching. Journal of Educational Psychology Review, v. 1, n. 4, p. 353-383,
2001.
HOFER, B. Epistemological understanding as a metacognitive process: thinking
aloud during online searching. Educational Psychologist, v. 39, n. 1, p. 43-55,
2004.
KIRKWOOD, A. Getting it from the web: why and how online resources are
used by independent undergraduate learners. Journal of Computer Assisted
Learning, v. 24, p. 372-382, 2008.
KUHLTHAU, C. et al. Validating a model of the search process: a comparison of
academic, public and school library users. Library and Information Science
Research, v. 12, n. 1, p.5-32, 1990.
KUHLTHAU, C.; HEINSTRÖM, J.; TODD, R. The information search process
revisited: is the model still useful? Information Research, v. 13, n. 4, 2008.
paper 355. Disponível em: &lt;http://InformationR.net/ir/13-4/paper355.html&gt;.
Acesso em: 20 fev. 2013.
LAU, J. Information Literacy: an international state of the art report. 2007.
Disponível em: &lt;www.infolitglobal.info&gt;. Acesso em: 28 fev. 2013.
LICEA DE ARENAS, J. La alfabetización informacional en el entorno
hispanoamericano. Anales de Documentation, n.12, p.93-106, 2009.
Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/3897/1/70261-292021-1-PB.pdf&gt;.
Acesso em: 10 mar. 2013.
MANTILLA QUINTERO, D.; MORALES GODOY, K.; GÓMEZ FLÓREZ, L. C.
Diseño de un sistema de formación de competencias, a propósito de la
apropiación de la noción de propiedad intelectual, apoyado en tecnología de la
información (TI). Zona próxima, Colombia, n. 15, p. 22-39, jul./dez. 2011.
Disponível em:&lt;rcientificas.uninorte.edu.co/index.../zona/.../2357&gt;. Acesso em:
28 fev. 2013.
MANUAL para la formación en competencias informáticas e informacionales
(CI2). Madrid, 2012. Tradução e adaptação de Handbook for information

�206

Literacy Teaching, de la Universidad de Cardiff (tercera revisión, 2009,
Documentos/crue.Tic y Rebiun.
MARCIALES, G.; GONZÁLEZ, L.; CASTAÑEDA, H.; BARBOSA, J.
Competencias informacionales en estudiantes universitarios: una
reconceptualización. Universitas Psychologica, p. 643-654, 2008.
MARTÍNEZ VIDAL, R. D.; MONTERO MAURO, Y. H.; PEDROSA BORRINI, M.
E. Creencias epistemológicas, estrategias de búsqueda de información, y
criterios para validar la información de la web. Revista electronic de
Investigación educativa, v. 12, n.1, p. 1-26, 2010. Disponível em:
&lt;http://redie.uabc.mx/vol12no1/contenido-contenido.html&gt; Acesso em: 20 fev.
2013.
MARTZOUKOU, K. Review of web information seeking research:
considerations of method and foci of interest. Information Research, v. 10, n.2,
2005. Paper 215. Disponível em: &lt;http://InformationR.net/ir/102/paper215.html&gt;. Acesso em: 20 fev. 2013.
METZGERA, M.; FLANAGINA, A.; ZWARUN, L. College student web use,
perceptions of information credibility, and verification behavior. Computers &amp;
education, n. 41, p. 271-290, 2003.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 2. ed. rev. e aum., Rio de Janeiro:
Bertrand, 1998.
OCDE. Habilidades y competencias del siglo XXI para los aprendices del
neuvo milenio en los países de la OCDE. España. Ministerio de Educación,
Cultura y Deporte. Instituto de Tecnologías Educativas. 2006. Disponível em:
&lt;www.ite.educación.es&gt;. Acesso em: 21 de fev 2012.
OLAVE, Y. La naturaleza sistémica de los sistemas de información: una
ampliación conceptual del enfoque teórico y prácticopara su diseño.
Bucaramanga: Universidad Industrial de Santander, 2006.
ONWUEGBUZIE, A.; JIAO, Q. The relationship between library anxiety and
learning styles among graduate students: implications for library instruction.
Library and Information Science Research, v. 20, n. 3, p. 235-249, 1998.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Artmed: Porto
Alegre, 1999.
PINTO MOLINA, M. Habilidades y competencias de gestión de información
para aprender a aprender en el Marco del Espacio Europeo de Enseñanza
Superior. Universidad de Granada, 2005. (Portal ALFIN - EEES). Disponível
em: &lt;http://www.um.es/dp-lengua-espa/documentos/habilidadescompetencias.pdf&gt; Acesso em: 20 abr. 2012.
PROJETO ALFINBRASIL: modelo piloto para a promoção de competências em
informação nas oficinas de capacitação dos usuários da Biblioteca Nacional de
Brasília. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24, Maceió, AL, 2011.

�207

Anais... Sistemas de Informação, Multiculturalidade e Inclusão Social.
Elaborado por Elmira Simeão e outros. Disponível em:
&lt;febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xxiv/paper/viewFile/.../406&gt; Acesso
em: 20 fev. 2013.
REBIUN. Guía de buenas prácticas para el desarrollo de las competencias
informacionales. 2008. Disponível em:
&lt;http://rebiun.org/export/docReb/guia_buenas_practicas.doc&gt; Acesso em: 10
mar. 2013.
RENDÓN GIRALDO, N. E.; NARANJO VÉLEZ, E. Modelo de formación de
usuários de la información – MOFUS. Medellin, Colombia: Universidad de
Antioquia, Escuela Interamericana de Bibliotecologia, Centro de
Investigaciones em Ciência de LaInformación. Grupo de Investigación em
Usuários de la Información, 2008.
RODRÍGUEZ, L.; CANO, F. The epistemological beliefs, learning approaches
and study orchestrations of university students. Studies in Higher Education,
v. 31, n. 5, p. 617-636, 2006.
ROWLANDS, I. et al. The Google generation: the information behaviour of the
researcher of the future. Aslib Proceedings, v. 60, n. 4, p.290 - 310, 2008.
Disponível em:
&lt;http://www.emeraldinsight.com/journals.htm?articleid=1733495&gt;Acesso em:
28 fev. 2013.
SCHOMMER, M. Effects of beliefs about the nature of knowledge on
comprehension. Journal of Educational Psychology, n. 82, p. 498-504, 1990.
SIMEÃO, E. et al. Direito e acesso à informação para inclusão social no
ALFINBRASIL. IN: CUEVAS, A; SIMEÃO, E (Org.). Biblioteca Nacional de
Brasília: pesquisa e inovação. Brasília: Thesaurus, 2011.
SWANSON, T. Information literacy, personal epistemology and knowledge
construction: potential and possibilities. College &amp; Undergraduate Libraries,
v. 13, n. 3, p. 93.112, 2006.
UNESCO. Towards Media and Information Literacy Indicators. 2010.
Disponível em: &lt;http://www.alfared.org/blog/informaci-n-general/1219&gt;. Acesso
em: 28 fev. 2013.
UNESCO. la Educación encierra un tesoro: Informe a la UNESCO de la
Comisión Internacional sobre la Educación para el Siglo XXI. Elaborado por J.
Delors e outros, Ediciones. UNESCO, 1996. Disponível
em:&lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590so.pdf&gt; Acesso
em 20 fev. 2013.
URIBE TIRADO, A. Avances y perspectivas de ALFIN en Iberoamérica: una
mirada desde la publicación académico-científica y la web 1.0 y 2.01. In:
CONGRESO INTERNACIONAL DE INFORMACIÓN. Cuba, 19 a 23 de abril de
2010. La Sociedad del Conocimiento y sus aspectos críticos. Disponível
em: &lt;alfiniberoamerica.blogspot.com/&gt; .Acesso em: 28 fev. 2013

�208

WANG, P; HAWK, W.B; TENOPIR, C. Users interaction with world wide web
resources: an exploratory study using a holistic approach. Information
Processing &amp; Management, v. 36, n. 2, p. 229-251, 2000.
WATHEN, C. N.; BURKELL, J. Believe it or not: factors influencing credibility on
the Web. Journal of the American Society for Information Science and
Technology, n. 53, p. 134-144, 2002.
WEILER, A. Information-seeking behavior in generation y students: motivation,
critical thinking, and learning theory. The Journal of Academic Librarianship,
v. 31, n. 1, p. 46-53, 2004
WHITMIRE, E. The relationship between undergraduates´ epistemological
beliefs, reflective judgment, and their information seeking-behavior.
Information Processing and Management, n. 40, p. 97-111, 2004.
WHITMIRE, E. Epistemological beliefs and the information-seeking behavior of
undergraduates. Library and Information Science Research, v. 25, n. 2,
p.127-42, 2003.

�209

BIBLIOTECÁRIO COMO AGENTE MULTIPLICADOR DA COMPETÊNCIA
INFORMACIONAL E MIDIÁTICA
Elisabeth Adriana Dudziak
1 INTRODUÇÃO

Profundas mudanças têm impactado os sistemas sociais e
educacionais. Os parâmetros sociais, políticos, educacionais e trabalhistas
continuam a ser alterados pelos constantes desenvolvimentos tecnológicos. A
convergência dos meios de comunicação, definida a partir da crescente
interatividade nas redes e interoperabilidade de sistemas, desenha um
ambiente cada vez mais complexo, no qual as múltiplas facetas da informação
se manifestam em distintos níveis.
Diante dessa realidade, a emergência de uma identidade renovada
do profissional da informação bibliotecário depende do rompimento com
estruturas e modelos mentais muitas vezes arraigados, que impedem seu
próprio desenvolvimento e engajamento nessa sociedade mutável e dinâmica.
O presente Capítulo tem por objetivo apresentar uma reflexão e
sugerir atividades que podem ser úteis aos profissionais da informação
dedicados à promoção da Competência em Informação e em mídia, sem o
intuito de ser uma referência exaustiva sobre o tema.

2 CONSTITUIÇÃO DA COMPETÊNCIA INFO-MIDIÁTICA

Há sinais persistentes e fortes que nos levam a considerar a
crescente importância da mídia e da informação na sociedade contemporânea.
Não que no passado essa importância fosse menor, apenas agora ambas se
constituem como elementos co-evolucionários pervasivos em praticamente
todas as sociedades. Dispositivos móveis, redes sociais, blogs, facebook,
twitter e novos recursos midiáticos convivem com modelos tradicionais de
comunicação e informação.
Na ambiência digital, as chamadas mídias pós-massivas determinam
novos rumos para a comunicação, enfatizando a descentralização das
informações, a personalização, o diálogo, ao mesmo tempo em que revelam a

�210

complexidade das interdependências. Os chamados movimentos virais que
hoje surgem nesses ambientes digitais e se espalham com uma rapidez antes
inimaginável forjam uma nova realidade, baseada no efêmero e volátil
fenômeno comunicacional.
Para os mais jovens, essa realidade é particularmente natural,
explícita e presente. Por conta disso, os meios tradicionais de aprendizagem
não mais seduzem a juventude. Tal constatação exige novas abordagens, cada
vez menos focadas em conteúdos cognitivos estocáveis, e mais direcionadas
ao desenvolvimento da Competência em Informação e em mídia, com foco no
desenvolvimento da inteligência. Em síntese, não é possível dissociar
informação e mídia.
Durante a última década, a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a International Federation of
Library Associations and Institutions (IFLA) têm se envolvido ativamente na
promoção desses temas como requisitos fundamentais para a construção de
uma sociedade inclusiva e equitativa. Nos países centrais como os Estados
Unidos, Reino Unido e Austrália essas atividades encontram-se bastante
adiantadas, enquanto que na América Latina a oferta desses serviços ainda é
incipiente. Existe a necessidade de produzir conteúdos voltados ao
atendimento das necessidades locais e nacionais, com a utilização de recursos
tecnológicos avançados, que estejam disponíveis à população e ao estudante
onde quer que esteja.
A Competência em Informação ou competência informacional, bem
como a competência midiática tornaram-se, nos últimos anos, temas relevantes
na área educacional e, principalmente, nas bibliotecas. A cargo dos
bibliotecários, a promoção do valor da Competência em Informação, junto à
comunidade escolar, acadêmica ou social tem sido um desafio, sob vários
aspectos.
Entendida como condição prévia para a efetiva participação na
Sociedade da Informação, a Competência em Informação é um direito humano
básico relacionado ao exercício pleno da cidadania, ao aprender a aprender e à
aprendizagem ao longo da vida. Mais do que representar um conjunto de
habilidades, a competência informacional (information literacy) engloba a
consciência da necessidade informacional e a capacidade para identificar,

�211

localizar, obter, avaliar criticamente, organizar e utilizar informações de maneira
eficaz, a fim de resolver problemas, preencher lacunas de conhecimento ou
criar

novos

conhecimentos,

modificando

situações

e

implementando

mudanças.
De modo análogo, a competência em mídia (mídia literacy) resulta
da convergência de conhecimentos, habilidades e atitudes mobilizados para o
uso e compreensão dos meios e processos de comunicação, que ocorrem em
sociedades tecnologicamente avançadas.
A Declaração de Moscow (2012) enumera as bases da competência
info-midiática:

1. A Competência em Informação e Mídia (Media and Information Literacy MIL) é um pré-requisito para o desenvolvimento sustentável eaberto das
Sociedades do Conhecimento plurais, inclusivas e participativas, que
agregam as instituições, organizações, comunidades e indivíduos que as
compõem.
2. A Competência Info-midiática (CIM) é definida como uma combinação de
conhecimentos, atitudes, habilidades e práticas necessárias para acessar,
analisar, avaliar, usar, produzir e comunicar informação e conhecimento de
maneira criativa e ética, com respeito aos direitos humanos e às leis.
3. Os indivíduos info-mídia competentes (competentes em informação e
mídia) podem usar diversos meios, fontes de informação e canais em sua
vida privada, vida profissional e pública. Eles sabem quando e quais
informações precisam, para que, onde e como obtê-las. Entendem quem
criou essas informações e porque, assim como compreendem os papéis,
responsabilidades e funções dos meios de comunicação, fornecedores de
informação e instituições de memória. São capazes de analisar
informações, mensagens, idéias, crenças e valores transmitidos a partir
das mídias e por qualquer tipo de produtores de conteúdo, podendo aferir e
validar

as

informações

encontradas

com

base

em

critérios

contextualizados.
4. A Competência em Informação e em mídia estende-se para além da
informação e das tecnologias de comunicação para abranger o
aprendizado, o pensamento crítico e habilidades de interpretação que

�212

perpassam e vão além das fronteiras profissionais, educacionais e sociais.
MIL (CIM) aborda todos os tipos de mídia (oral, impressão, analógica e
digital) e todas as formas e formatos de recursos informacionais.
Diante dessa realidade, cabe repensar o papel e os objetivos da
atuação do bibliotecário como agente promotor da competência info-midiática.
Do ponto de vista educacional, essa reflexão se apresenta ainda mais
complexa, porque envolve diferentes instâncias de percepção, apropriação e
aplicação de conceitos e práticas, muitas vezes novos e desafiadores para os
próprios profissionais.

3

O

BIBLIOTECÁRIO

EDUCADOR

FRENTE

AOS

DESAFIOS

DA

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E EM MÍDIA

A criação de conteúdos relativos à competência informacional e
midiática visando a implementação de ações educacionais demanda do
profissional

da

informação

um

profundo

conhecimento

de

conceitos,

procedimentos, normas e atitudes relacionados ao planejamento pedagógico e
às atividades didáticas, bem como um sólido conhecimento dos processos de
investigação e localização da informação em diferentes mídias (incluindo o
conhecimento das estratégias e mecanismos de busca, assim como as fontes
de informação, formais e informais), a avaliação, organização e utilização de
informações para a construção de conhecimentos em mídias diversas.
Além da clareza conceitual e pragmática, o bibliotecário que atua no
ambiente educacional em geral acaba por incorporar as atividades de criação,
disponibilização e divulgação das ações e materiais educativos e informativos,
em meios impressos ou eletrônicos, na forma de orientações, treinamentos,
tutoriais, aulas, dinâmicas, jogos, vídeos e palestras. Também cabe a ele a
iniciativa de estabelecer parcerias com administradores, docentes e outros
profissionais, no sentido de promover ações educacionais ou, ainda, articular e
tornar efetivas as diversas medidas administrativas e pedagógicas necessárias,
no âmbito do plano estratégico institucional, visando a inclusão da
Competência em Informação e em mídia como integrantes do projeto
pedagógico e curricular.

�213

Diante deste quadro, é essencial que o bibliotecário seja, ele
mesmo, mais do que competente, proficiente em informação, preparado para
utilizar distintas mídias e capacitado pedagogicamente, de forma a produzir
material educacional interessante, motivador e de qualidade, atuando não só
como profissional de referência, como também educador e articulista. O
bibliotecário deve encontrar mecanismos para incorporar ao seu dia a dia a
atividade essencial de manter-se bem informado. Também é prioritário que
aprimore sempre sua capacidade de investigação a partir do exercício da
pesquisa, da busca e uso da informação, sua capacidade de prospectar o
futuro, a partir do acompanhamento de temas relevantes como tecnologia,
ciência, economia e educação.
Também deve continuamente melhorar ainda mais sua capacidade
de organização, de tempo, de materiais e de estudo, bem como de tomada de
decisão. Todos estes aspectos contribuem para o desenvolvimento da
proficiência informacional e a melhoria da capacidade de abstração, fatores
decisivos para o desenvolvimento pessoal e profissional. Além de trabalhar
diariamente estes aspectos, cumpre ao profissional bibliotecário dedicado à
promoção da Competência em Informação e em mídia ter conhecimento de
alguns parâmetros de conduta, que podem exigir maior ou menor dedicação
para serem alcançados, dependendo de sua trajetória pessoal, personalidade e
visão de mundo.
Como agente transformador ou multiplicador das boas práticas
associadas à informação e ao aprendizado tem consciência de certos aspectos
e comportamentos profissionais e pessoais a serem incorporados. A partir de
uma série de experiências anteriores relacionadas às práticas pedagógicas, foi
possível condensar as ideias a seguir.

3.1 Competências profissionais do bibliotecário

A) Tem como prioridades o relacionamento pessoal e a liderança na
implementação da mudança.
EXEMPLOS: Estabelece relacionamento pessoal com os alunos, colegas e a
comunidade em geral. Desenvolve uma abordagem de colaboração com o
diretor, professores e outros funcionários. Oferece um ambiente propício à

�214

aprendizagem. Pesquisa e implanta novas estratégias instrucionais e mantémse atualizado quanto às mais recentes tecnologias de informação. Participa de
atividades institucionais e administrativas, engajando-se em grupos influentes,
que tomam decisões importantes sobre o desenvolvimento curricular.

B) Fornece liderança colaborativa no programa de planejamento e de
ensino para garantir tanto o acesso físico como intelectual à informação.
Incentiva as atividades de leitura e frequencia à biblioteca.
EXEMPLOS: Defende a integração da competência em mídia e informação às
estratégias de ensino desenvolvidas em sala de aula, através de programas
colaborativos e parcerias com docentes. Desenvolve com os professores uma
abordagem coordenada que promova o uso da informação através de
atividades de tomada de decisão, resolução de problemas e estratégias de
investigação, integradas tanto na sala de aula quanto na biblioteca. Fornece
liderança para a leitura e para os programas de pesquisa integrados às
disciplinas. Colabora com os docentes na formulação de objetivos de
avaliação, de modo a inserir os critérios que avaliam a Competência em
Informação e mídia.

C) Tem conhecimento das diretrizes curriculares e recomendações
educacionais relativas às áreas de conhecimento nas quais atua.
EXEMPLOS: Tem conhecimento de novos currículos e as implicações para a
sua execução. Oferece apoio aos professores através da divulgação de novas
ferramentas e recursos informacionais e tecnológicos que podem auxiliá-los em
suas atividades pedagógicas e investigativas.

D) Procura compreender as necessidades dos alunos e promove sua
inserção

social,

emocional,

intelectual

e

a

satisfação

de

suas

necessidades.
EXEMPLOS:

Compreende

os

diferentes

estágios

de

amadurecimento

intelectual e emocional dos jovens e adultos, procurando responder às distintas
necessidades e interesses estudantis. Trabalha com os professores no sentido
de estimulá-los a utilizar recursos midiáticos que promovam o bem estar dos
alunos e o aprendizado pró-ativo, atendendo aos diferentes estilos de

�215

aprendizagem, bem como auxilia na inclusão de alunos com necessidades
especiais.

E) Tem conhecimentos técnicos para avaliar recursos de aprendizagem
em diferentes formatos e mídias, tanto em cursos presenciais quanto a
distância, a fim de apoiar os programas educacionais.
EXEMPLOS: Auxilia os administradores e docentes na seleção de recursos
pedagógicos e sua utilização adequada. Avalia materiais, obras, versões de
bases de dados e determinados softwares. Seleciona os melhores livros,
revistas, materiais audiovisuais e recursos eletrônicos específicos para as
áreas curriculares nas quais atua. Compila guias de recursos e fontes de
informação em sua área de conhecimento. Zela pela seleção e administração
de coleções de materiais de qualidade, que apoiem as disciplinas e unidades
de ensino.

F) Desenvolve e promove a utilização eficaz dos recursos informacionais
em todos os formatos e mídias.
EXEMPLOS: Promove a leitura em todas as instâncias educacionais.
Desenvolve temas e celebrações, além de organizar exibições e exposições
temáticas que reflitam o currículo ou o apoiem, na forma de enriquecimento
cultural e informacional. Projeta e produz materiais instrucionais em mídias
diversas para fins específicos. Auxilia os alunos e professores no uso eficaz
dos recursos e tecnologias, para que possam produzir novos conhecimentos.
Fornece orientações sobre o acesso a informações adequadas a necessidades
específicas. Compreende a concepção e a estrutura das mídias, das bases de
dados bibliográficas, bibliotecas digitais e outros recursos informacionais.
Realiza pesquisas complexas, responde a perguntas sobre a utilização de
recursos locais e remotos. Auxilia os alunos e professores na utilização de
recursos e ferramentas de apresentação, impressão e multimídia. Apoia
colegas que estão acessando serviços de informação a partir dos diferentes
ambientes escolares.
G) Utiliza tecnologia de informação apropriada para adquirir, organizar e
disseminar informações.

�216

EXEMPLOS: Estabelece, mantém e ensina o uso de um catálogo on-line do
acervo da biblioteca. Contribui para a arquitetura da informação de websites e
páginas de disciplinas. Estabelece ligações entre a página da biblioteca e as
demais páginas da instituição. Informa a comunidade sobre os direitos autorais
e a propriedade intelectual.

H) Planeja e gerencia programas, serviços e pessoal para apoiar os
objetivos educacionais da instituição.
EXEMPLOS: Desenvolve procedimentos para que a relação custo-eficácia da
seleção,

aquisição,

organização,

gestão

e

utilização

dos

recursos

informacionais seja positiva. Recruta, seleciona, treina e motiva voluntários.
Gerencia espaços e equipamentos utilizados nos programas instrucionais.
Desenvolve planos de marketing para públicos específicos e atividades
específicas.

I)Avalia programas e serviços.
EXEMPLOS: Procura ativamente as oportunidades de melhoria e se esforça
para que programas e serviços sejam percebidos como excelentes pelos
clientes. Realiza avaliações regulares dos serviços e produtos oferecidos,
usando ferramentas tais como questionários, grupos focais e entrevistas.
Prepara relatos orais e escritos sobre programa em desenvolvimento. Elabora
regularmente relatórios de suas atividades e confere com os parceiros a
realização das atividades programadas. Realiza pesquisas relacionadas à
solução de problemas de gestão da informação. Demonstra como a biblioteca e
os serviços de informação podem adicionar valor para a instituição e para a
vida da comunidade educacional. Concentra programas e serviços sobre as
novas necessidades.

3.2 Competências pessoais do bibliotecário

A) Está empenhado (a) em ser excelente.
EXEMPLOS: Procura feedback e o utiliza para seu aperfeiçoamento
contínuo. Celebra o próprio sucesso e o sucesso dos outros. Tem orgulho
de um trabalho bem feito. Compartilha novos conhecimentos com outras

�217

pessoas em conferências e através da literatura profissional. Pesquisa
textos sobre educação como base para melhorar sua atuação como
bibliotecário educador.

B) Procura novos desafios e oportunidades, tanto dentro como fora da
biblioteca.
EXEMPLOS: assume novas funções na comunidade escolar que requerem
uma liderança na área da informação. Utiliza a biblioteca e as fontes de
informação para resolver uma variedade de problemas informacionais.
Expande o acervo da biblioteca além dos tradicionais meios de
comunicação, como livros e revistas, incluindo outros materiais e cria a
"biblioteca sem paredes".

C) Procura visualizar o panorama.
EXEMPLOS: Vê a biblioteca e os seus serviços de informação como parte
do processo maior de tomada de decisões da instituição. Antecipa
tendências e proativamente realinha a biblioteca e serviços de informação
para tirar proveito delas.

D) Busca parceiros e forma alianças.
EXEMPLOS: Fornece liderança na gestão da informação. Forma parcerias
com outras bibliotecas para a partilha dos recursos. Procura alianças com
fornecedores para melhorar os produtos e serviços. Faz alianças com
pesquisadores em educação e outrosbibliotecários para realizar estudos e
obter informações relevantes para suas práticas, cultivando seu networking.

E) Cria um ambiente de respeito mútuo e confiança.
EXEMPLOS: Conhece e valoriza os próprios pontos fortes e os pontos
fortes de outros que o complementam. É confiável. Valoriza e reconhece as
contribuições de outras pessoas na resolução de problemas.

F) Possui uma efetiva capacidade de comunicação.

�218

EXEMPLOS: Executa reuniões de forma eficaz. Apresenta ideias de forma
clara e com entusiasmo, tanto oralmente e por escrito. Solicita feedback
sobre habilidades de comunicação para auto-aperfeiçoamento. Utiliza
tecnologias das redes sociais (Facebook, blogs, wikis e sites) para
conectar-se com seus pares e com jovens leitores. Aprende sobre as
tecnologias

que

dão

suporte

ao

ensino-aprendizagem,

inclusive

videoconferência e e-learning.

G) Trabalha bem com outras pessoas em uma equipe.
EXEMPLOS: procura de oportunidades para participação em equipes.
Solicita tutoria de outros quando necessário. Busca formas de aprimorar
seu desempenho pessoal e o desempenho de outros.

H) Fornece liderança.
EXEMPLOS: procura oportunidades para a liderar. Exercita a liderança
quando trabalha em equipes.

I) É flexível e positivo em tempos de mudança.
EXEMPLOS: está disposto a assumir diferentes responsabilidades e
responder às novas necessidades. Mantém uma atitude positiva e ajuda
aos outros a fazerem o mesmo. Procura por soluções. Utiliza a tecnologia
como um facilitador.
No espaço da Biblioteca diversas ações podem ser implementadas,
desde o aprimoramento dos processos de atendimento, direcionado à
satisfação das necessidades dos clientes, até as atividades de orientação de
ingressantes e veteranos, a partir de palestras, jogos e dinâmicas. A fim de
disseminar a Cultura da Informação, os profissionais da biblioteca podem ainda
organizar eventos culturais e exposições temáticas, científicas ou não. São
formas de convidar os clientes a frequentar a biblioteca.
Além dessas iniciativas, o próprio bibliotecário poderá ministrar aulas
em parceria com os docentes, aprimorando suas competências educacionais e
incluindo conhecimentos, habilidades e atitudes pedagógicas e didáticas.
Enquanto a Pedagogia é a ciência que tem a educação (fenômeno social
historicamente condicionado) como objeto de estudo, a Didática refere-se às

�219

estratégias e técnicas utilizadas no processo de ensino-aprendizagem. A
prática das aulas e palestras facilita este processo e torna o bibliotecário mais
desenvolto e tranquilo. Elaborar um plano de aula pode auxiliar o bibliotecário a
visualizar melhor suas atividades como educador.

4 ELABORANDO UM PLANO DE AULA

Um plano de aula deve ser elaborado com base no programa da
disciplina no qual se insere. Um programa de disciplina possui uma estrutura
básica, composta pelos seguintes elementos: nome da disciplina, código, carga
horária, créditos, nome do professor, ementa (resumo), objetivos (geral e
específicos), conteúdo programático, metodologia de ensino, recursos didáticos
a serem utilizados, avaliação e programação aula a aula. Um plano de aula
possui uma estrutura semelhante. A seguir, são descritas as principais etapas
de elaboração de um plano de aula.

1º. Passo: definir o tema da aula
O tema a ser dado em uma aula ou parte de uma aula, deve estar coordenado
com o programa da disciplina. Em parceria com os docentes, o bibliotecário
pode elaborar aulas ou atividades extra-curriculares.

2º. Passo: definir o(s) objetivo(s)
Os objetivos sempre são definidos a partir de verbos. Traduzem as
competências a serem desenvolvidas pelos alunos. Os objetivos devem ser
redigidos de modo a possibilitar a verificação do aprendizado ao término da
aula/atividade. Portanto, é preciso dedicar especial atenção a este passo, a fim
de elaborar objetivos que realmente possam ser verificados e que tenham
relação direta com os conteúdos de aprendizagem definidos.

3º. Passo: definir os conteúdos de aprendizagem
O bibliotecário deve estar atento ao aprendizado holístico de seus alunos. Para
tanto, é necessário trabalhar conteúdos de aprendizagem variados, sejam eles
cognitivos,

procedimentais

ou

atitudinais.

Além

dos

conteúdos

de

aprendizagem, é necessário que o tema e as atividades sejam significativos

�220

para os alunos, ou seja, que sejam relevantes. Com base na orientação
construtivista, o aprendizado só é possível quando ocorre um processo
deliberado de apreensão de uma nova informação à estrutura cognitiva préexistente. Para que se opere uma mudança no aprendiz (o aprendizado), essa
informação deve fazer sentido para ser incorporada. No universo do jovem,
isso ocorre quando é cativado e as mídias digitais funcionam como
catalisadoras desse aprendizado.

4º. Passo: reunir materiais e textos
De acordo com os objetivos, os materiais multimídia que servirão de base à
aula deverão ser selecionados e/ou produzidos. O bibliotecário também é
produtor de conteúdos em distintas mídias. Ainda assim, é importante manter o
foco nos objetivos e ater-se ao conteúdo.

5º. Passo: criar uma estratégia que conduza aos objetivos
A estratégia (ou metodologia) e os recursos didáticos a serem utilizados em
aula devem levar em conta as características dos estudantes (idade, curso,
interesses, motivações, horário), e o aprendizado ativo. A abordagem didática
para alunos de cursos universitários deve ser de educação de adultos, mesmo
que muitos ainda apresentem comportamento de adolescente. De início, é
necessário incluir o aluno na decisão dos conteúdos a serem abordados,
abrindo-se às sugestões e obtendo sua concordância. A partir daí, estabelecese um compromisso entre as partes, de modo que o aluno é co-autor do
processo. Isto garante seu envolvimento e participação. A estratégia que
proporciona o aprendizado efetivo é aquela que requer uma participação ativa
do aprendiz.
Aprendizagem por descoberta: por meio da apresentação de
alternativas, princípios e relações, o conteúdo é organizado em espiral,
permitindo ao aluno ver um mesmo tópico com diferentes níveis de
profundidade. O próprio aluno descobre as relações e constrói novas estruturas
cognitivas. O professor deve desafiar seus alunos a progredir, motivando-os a
descobrir o mundo, discutindo os aspectos envolvidos e dialogando. Quatro
princípios explicam o processo de ensino/aprendizagem:

�221



motivação (a partir da motivação intrínseca e de reforço);



estrutura (organização e ordenamento da informação);



sequência (visando a melhor compreensão);



reforço (feedback da ação).

Aprendizagem pela resolução de problemas: utilizando problemas
reais, os alunos aprendem buscando soluções, a partir da organização de
informações, compreensão de enunciados, análise crítica de situações e das
consequências da tomada de decisão (escolhas). Os problemas não devem
servir para testar competências e sim para possibilitar o desenvolvimento das
estruturas cognitivas, afetivas e motoras. Não se admite somente uma solução,
várias soluções são válidas, assim como seus desdobramentos. O aprendizado
ocorre durante o processo que evolui da percepção do problema, até a
proposição de uma solução. São os alunos que devem resolver os problemas,
não os professores que apenas orientam o processo.
Fases do processo:


apresentação de uma situação pouco estruturada;



elaboração do enunciado do problema (sentença que o define
claramente);



elaboração de hipóteses alternativas;



pesquisa e uso de informações que possam apoiar a resolução;



alteração das hipóteses com base nas novas informações;



encontro de soluções, com base em um raciocínio claro e no
estabelecimento de condições.



apresentação da solução.



reutilização dos resultados para novas situações.

Aprendizagem

por

projetos:

o

aprendizado

ocorre

pela

investigação centrada na busca por inovações, o fazer diferente, a partir da
elaboração de projetos. O tema é transdisciplinar e permite que vários
docentes colaborem com o bibliotecário na realização do projeto. É um
processo que envolve investigação, estudo, observação da realidade e
proposta de solução estruturada.

�222

6º. Passo: organizar a sequência das atividades
Toda aula deve ter uma parte introdutória, seu desenvolvimento e um
fechamento. Na parte introdutória, o bibliotecário deve despertar o interesse de
seus alunos, prendendo sua atenção. Podem ser utilizadas perguntas ou
situações diferentes que possam despertar a motivação para as atividades.
Perceber a utilidade do assunto, de aplicação prática na vida, o envolvimento
emocional do bibliotecário, são aspectos que motivam os alunos e promovem
seu real envolvimento nas atividades. O desenvolvimento da aula vai depender
das estratégias e objetivos. O fechamento deve possibilitar aos alunos
recapitular os conteúdos vistos. Pode ser também o momento para alguma
atividade recreativa ou de descontração, deixando uma boa sensação ao
término da aula.

7º. Passo: avaliar os resultados
Avaliar se os objetivos foram alcançados demanda a verificação do
aprendizado, que pode dar-se a partir da entrega de trabalhos, testes, autoavaliações ou ainda, observação dos alunos durante o processo. O
bibliotecário também deve fazer uma reflexão sobre seu desempenho
(confiança, organização, criatividade, interesse, flexibilidade são aspectos a
serem considerados). Os jovens gostam de ser desafiados a partir de
atividades novas. Estas são apenas algumas orientações, pois não existem
normas ou modelos padronizados. O ideal é sempre usar a criatividade para
motivar o aprendiz.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os desafios aos profissionais da informação perpassam várias
instâncias. As condições atuais dos ambientes educacionais apontam para
direções diferenciadas, nas quais os estudantes são desafiados a gerir seu
próprio aprendizado, a partir da intensa relação com diferentes canais de
comunicação.
Como gestor do espaço escolar que é a biblioteca, o bibliotecário
tem oportunidade de se integrar de maneira mais ampla ao processo

�223

educacional. Nessa condição, atua como agente educacional que pode motivar
mudanças importantes para si e para os outros.
Diante das novas configurações de comunicação e informação, cabe
ao

profissional

bibliotecário

educador promover

a

educação

para

a

Competência em Informação e mídia, de tal sorte que proporcione o
aprendizado significativo por parte dos estudantes.
Suplantando velhos hábitos e rotinas educacionais que não mais
cativam crianças e jovens, o bibliotecário tem oportunidade de experimentar
novos modelos e configurações de ensino/aprendizado. Nessa direção, agrega
valor ao próprio trabalho e à comunidade.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ALA. American Library Association. Report of the Presidential Committee on
Information Literacy: Final Report. 1989. Disponível em: &lt;
http://www.ala.org/acrl/nili/ilit1st.html &gt; Acesso em: Aug. 2000.
ATORES responsáveis pela educação e seus papéis. Rio de Janeiro: Brasport,
2011.
BREIVIK, P. S. Putting libraries back in the information society. American
Libraries, v.16, n.1, 1985.
BRUCE, C.S. Seven faces of information literacy. Adelaide: Auslib Press,
1997.
DEMO, P. Educação e qualidade. Campinas: Papirus, 1994. (Coleção
Magistério: formação e trabalho pedagógico).
DOYLE, C.S. Information literacy in an information society: a concept for
the information age. New York: Syracuse University, 1994.
DUDZIAK, E.A. Information literacy as an emancipatory process directed to
social inclusion in a knowledge society. In: IFLA GENERAL CONFERENCE
AND COUNCIL WORLD LIBRARYAND INFORMATION CONGRESS, 72.,
2006, Seoul. Proceedings. Seoul: IFLA, 2006. Disponível em: &lt;http://www.ifl
a.org/IV/ifl a72/papers/082-Dudziak-en.pdf&gt;. Acesso em: 2 jul. 2007.
DUDZIAK, E.A. A Information Literacy e o papel educacional das
bibliotecas. São Paulo. Dissertação (Mestrado) – ECA-USP, 2001.
EISENBERG, M.B. Big 6: Teaching information problem solving. Emergency
Librarian, Mar/Apr, 1998.

�224

HANDBOOK of Information literacy. Cardiff University. 2009. Disponível em:
http://www.cardiff.ac.uk/insrv/educationandtraining/infolit/hilt/. Acesso em: 23
ago. 2010.
KUHLTHAU, C.C. Inside the search process: information seeking from the
user's perspective. Journal of the American Society for Information
Science, v.42, n.5, p. 361-71, 1991.
KUHLTHAU, C.C. Seeking meaning. Norwood: Ablex, 1993.
ILO. TICW-project – TIA papers: training of trainers. Disponível em:
http://www.ilo.org/public/english/region/asro/bangkok/child/trafficking/downloads
/tia-f.pdf&gt;. Acesso em: 12 jul. 2009.
LITTO, F.M. Um modelo para prioridades educacionais numa sociedade de
informação. Pátio Revista Pedagógica, Porto Alegre, v.1, n.3, 1997/1998.
MOSCOW DECLARATION ON MEDIA AND INFORMATION LITERACY.
Moscow: UNESCO/IFAP/IFLA, 2012. Disponível em:
&lt;http://www.ifla.org/files/assets/information-literacy/publications/moscowdeclaration-on-mil-en.pdf&gt;. Acesso em: 14 mar. 2013.
MASETTO, M. (Org.) Docência na universidade. Campinas: Papirus, 1998.
MENOU, M. A sociedade de aprendizagem: uma nova abordagem do
desenvolvimento e um desafio para os profissionais da informação.
Florianópolis, 2000. (Apostila do curso).
PERRENOUD, P. As competências para ensinar no século XXI: a formação
dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.
RAIÇA, D. (Org) Tecnologias para a educação inclusiva. São Paulo:
Avercamp, 2008.
YOUTH PEER EDUCATION Training the trainers manual. Disponível em:
&lt;http://www.fhi.org/NR/rdonlyres/etxv6fdjhg3ok6dalzsndcq6eftwrntfcohbvgzu4x
zinaoqe2n6uz42n6vuc5v2dxso3dn54o7b2a/YPeerTOTfull1enyt.pdf&gt;. Acesso
em: 12 jul. 2009.
ZABALA, A. Prática educativa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

�225

HANGOUT: REDES SOCIAIS E O CRUZAMENTO DE CAMPOS NO
CONTEXTO ORGANIZACIONAL
Maria Joaquina Barrulas
Margarida Cardoso
Mónica Pinheiro
Leonor Valfigueira
Hangout: "A favorite place for spending time; also: a place
frequented for entertainment or for socializing"
(http://www.merriam-webster.com/dictionary/hangout)
1 CAMPOS INFORMACIONAIS

A noção de campo surge regularmente na temática informacional,
assumindo diversos significados, remetendo para a relevância do contexto e as
dinâmicas que nele se encerram, ou por ele perpassam. Johnson (2003)
propõe que consideremos o enquadramento do campo (information field) e a
trajetória ou trilha informacional (information pathway), que combinados
traduzem, simultaneamente, um certo caráter estável do contexto, com um
peso significativo das realidades da infraestrutura. O campo informacional
engloba os estímulos informacionais e pode ser entendido como um espaço
constituído por recursos e barreiras, uma rede interpessoal de comunicação e
terminais de informação; ao mesmo tempo, o caráter dinâmico e continuamente
construído do referido contexto está patente, uma vez que a noção de trajetória
ou trilha informacional designa a capacidade do indivíduo alterar o seu
ambiente informacional em função da seleção de diferentes estímulos. Por
exemplo, na escolha de novos media, na vigilância sobre determinadas fontes,
pessoas ou grupos na sua rede. Esta noção dinâmica cruza-se com a de
Pettigrew, que procura delimitar o momento informacional: o terreno
informacional (information ground, PETTIGREW, 1999) tem características
ambientais, quase implícitas, associadas ao comportamento e desempenho
dos agentes perante uma dada tarefa, na qual se integra a facilitação da
partilha. Uma abordagem sistemica realça os equilíbrios e desequilíbrios,
referenciando a ecologia informacional (information ecology, CHOO, 2002) e o
“ambiente informacional” (TAYLOR, 1991).

�226

Sublinhando a natureza construída do contexto, Sonnenwald (1999)
refere o horizonte informacional como um cruzamento de fatores oferecendo
referências. O ambiente proporciona a referência informacional para a ação.
Recuperando noções anteriores, também este horizonte corresponde de forma
abrangente à noção de campo de Bourdieu, uma vez que independentemente
dos recursos informacionais que mobiliza, ele é determinado social e
individualmente. Os horizontes informacionais são abstrações intensas,
“espaços de soluções densamente povoados” (SONNENWALD, 1999, p. x).

2 CAMPOS COMO ESPAÇOS SOCIAIS

Para Bourdieu, a sociedade estrutura-se através de espaços sociais
conjugados, contextos de cruzamento das formas de poder, articulação dos
capitais que cada um detém. A estes espaços sociais Bourdieu (2001)
denominou campos,
[...] ao mesmo tempo como um campo de forças, cuja necessidade se
impõe aos agentes que nele se encontram cometidos, e como um
campo de lutas no interior do qual os agentes se enfrentam, com
meios e fins diferenciados segundo a sua posição na estrutura do
campo de forças. (p. 32)

A noção de campo de Bourdieu, porque implica uma configuração de
relações, uma rede estruturada e estruturante que orienta o contexto, traduz-se
em interações, transações e eventos ocorridos (GRENFELL, 2008; THOMSON,
2008 apud GRENFELL, 2008). O campo abrange quer os aspetos objetivos,
quer os subjetivos, dos fenômenos sociais (GRENFELL, 2008). A análise do
campo engloba o conhecimento que sobre ele é desenvolvido, mas também as
práticas que geram esse conhecimento, e que se relacionam eventualmente
mais com aspetos subjetivos do que com os objetivos associados aos
fenómenos sociais (BOURDIEU, 2001; THOMSON, 2008 apud GRENFELL,
2008).
No campo acumulam-se e mobilizam-se capitais diferenciados: o
econômico – que inclui dinheiro e bens; o cultural, que inclui aspetos como o
conhecimento, o gosto, entre outros; o social, que diz respeito às redes de
relações em presença; e o simbólico, próximo da noção de status do agente,

�227

que assim se associa ao potencial de troca dos capitais, ou seja, funciona
como mecanismo de conversão que reverte a favor de quem o possui e
manipula (THOMSON, 2008 apud GRENFELL, 2008). Os capitais referidos
parecem integrar os fatores contextuais que induzem a variabilidade das
atividades informacionais, tal como aponta Courtright (2007), referindo que em
média são delineados um a dois fatores contextuais que contam para a
variabilidade das atividades informacionais, encontrados tanto em estudos no
contexto de organizações como em estudos Library &amp; Information Science (LIS)
que incluem a sociabilidade, as tarefas ou situações, problemas, aspetos
culturais, regras e recursos institucionais, características e mudanças
tecnológicas e nas relações de poder.
Assim é possível enunciar, em associação com os restantes, o
capital informacional, que a par de outros permite navegar entre campos,
selecionando os mecanismos de ação e os capitais para implicar a cada
momento, fazendo otimizar o capital simbólico na posse do agente. O campo
de poder parece ter relação direta não só com o capital simbólico mas também
com o capital informacional, isto é, a posse da informação para o jogo do
agente, em função da conversão de capitais que este consegue fazer, e dos
campos onde escolhe jogar.
Todos estes campos se traduzem em espaços informacionais, isto é,
“redes interpessoais associadas a terminais de informação (por exemplo
computadores com acesso à internet), embebidos no contexto físico”
(SAVOLAINEN, 2006, s.p., trad. livre). Bem, não apenas no contexto físico, que
como Savolainen afirma serve para estabilizar as referências do agente, mas
diríamos, também nos espaços sociais antes referidos, ou seja, cada campo
onde se cruzam os diversos capitais gera espaços informacionais específicos,
e inerentemente a necessidade de transição entre eles. Da transição entre
campos

se

fazem

as

trajetórias

(BOURDIEU,

2001)

informacionais

(SAVOLAINEN, 2006), definidas pelo autor como a “estrada que alguém segue
para obter as respostas às suas perguntas num determinado campo
informacional”, seja ele resultante e projeção de um campo social, seja ele
resultante do cruzamento ou da transição entre campos.
Schek et al. (2002) referem uma noção de espaços informacionais
bem mais concreta, como “coleções de dados e serviços semanticamente

�228

relacionados” (SCHEK et al., 2002, s.p., trad. livre). Desta noção partem para
três abstrações, uma global, associada a todos os documentos e serviços que
podem ser acessados, um espaço informacional global que inclui documentos
linkados, como a Internet (HEATH e BIZER, 2011); uma segunda associada a
bases localmente circunscritas (intranet), parte do espaço informacional global
e uma terceira noção, “o espaço de informação pessoal que respeita à
perspetiva de um indivíduo sobre um espaço local, delineado à medida das
necessidades no seu contexto” (SCHEK et al. 2002, s.p., trad. livre). Diríamos
que é partindo desta terceira noção, das necessidades do indivíduo –
convertido em agente – que espreitamos sobre os espaços comunitário e
global, e sobre eles lançamos os nossos capitais de diferentes formas. E esse
jogo de capitais responde a um ou vários caminhos informacionais que
queremos percorrer, conforme os campos em que nos mexemos: profissionais,
de aprendizagens, outros. Como referem Bertelsen e Bødker (2001), ao
estudarem os espaços informacionais associados ao trabalho (num contexto
específico):
[...] os espaços informacionais comuns têm vários centros e periferias,
são compostos de regiões sobrepostas. A aprendizagem tem lugar na
relação com os movimentos e justaposições de informação, que
decorrem num espaço informacional comum carregado de
informação. (p. 16)

As tecnologias de informação permitem assim rever a noção de
espaço informacional, na tradução de um espaço analógico para um espaço
digital: ele aumenta, tornamo-nos, como diz Floridi, organismos informacionais
– inforgs – e tudo isto sucede através da reorganização quer do nosso
ambiente – ou dos campos onde os agentes se movimentam –, quer da forma
como interagimos com ele (FLORIDI, 2007), ou seja, das redes a que nos
conectamos alternadamente.
Floridi (2007) propõe o conceito de infoesfera para designar “todo o
ambiente informacional constituído por todas as entidades informacionais
(incluídos os agentes informacionais também)” (p. 59), incluindo as
características específicas dos referidos espaços, a forma como as interações
geram processos informacionais, abrangendo os espaços analógicos e offline.
Lave (1991) associa de forma evidente esta noção de infoesfera com ao

�229

cruzamento de capitais, ao propor a arena informacional que contém “os
aspectos contextuais não diretamente negociáveis pelo indivíduo, sendo eles
físicos, econômicos, políticos, e resultado de uma organização social
determinada e que acontece no espaço e no tempo (p. 150), como um cenário
associado não só ao contexto mas também pela sua interação com outros. O
foco, o alvo da atenção, é sempre relacional (ANDERSON, 2007, online).

3 SOCIAL MEDIA E REDES SOCIAIS

À medida que progredimos nas trajetórias informacionais, com e
entre os pares, desenvolvemos espaços informacionais de síntese (NECHES,
1998), de confluência, que oferecemos às nossas redes de relação, ou seja,
que partilhamos com o campo onde assentamos o nosso registo em cada
momento. Easley e Kleinberg afirmam, sobre as redes sociais informacionais,
que elas mesmas estão organizadas num sistema de rede, isto é, agrupam-se
em comunidades sucessivas, com elementos distintivos nas páginas mais
relevantes, facilitando a pesquisa e a adoção de tecnologias através da
organização nesta estrutura de rede (EASLEY e KLEINBERG, 2010). Tierney
(2006) chama a atenção para os princípios que permitem a partilha flexível de
conhecimento, e que funcionam tal como com o sistema neurobiológico:
dinamismo, distribuição, flexibilidade, interactividade, condições do eficaz
funcionamento de uma rede social. Castells (2002) salienta o essencial
associado à sociedade em rede, a) uma economia em rede; b) a transformação
dos princípios orientadores do trabalho; c) a transformação da sociabilidade – a
emergência do individualismo na rede; d) a transformação do reino da
comunicação, incluindo os media; antevê, mesmo, novas formas de estado.
Nesta sequência, o autor foca a atenção no setor público, sobre o qual diz que
urge a sua reforma em função da sociedade em rede em que se insere. Van
Dijk (2006), por outro lado, afirma uma nova infraestrutura societal, sugerindo
que se desenrolam alterações fundamentais ao nível das comunicações, sendo
que os novos media estão integrados, são interativos e usam o código digital.
Entre outros aspetos, o autor salienta que a estrutura em rede conecta todos, o
público e o privado, diluindo as suas separações.

�230

Ao falar de redes sociais, importa distinguir entre o que em inglês se
designa por social media e por social networks. Social media engloba uma
variedade de tecnologias que permitem a criação e troca de conteúdos gerados
pelo utilizador, permitindo-lhe passar de consumidor passivo a produtor ativo.
Ou seja, serviços baseados na Internet que tornam possível, ao indivíduo,
comunicar, criar e partilhar conteúdos, colaborar com outros (KIM et al., 2010;
LERMAN, 2007). Os social networks estão associados à disponibilização, na
internet, destes serviços. Aparentemente, uma das características mais
relevantes e continuamente referidas relativa ao software social é a
possibilidade de os utilizadores recorrerem aos media sociais como suporte
para os conteúdos que produzem. Rede social, por outro lado, é também um
conceito teórico usado em ciências sociais para estudar o relacionamento entre
indivíduos, grupos e organizações, bem como para descrever a estrutura social
determinada por essas relações. Em português, a expressão redes sociais
popularizou-se com o uso coloquial indistinto para descrever tanto os media, as
tecnologias, como para o uso que delas é feito pelos indivíduos. Neste artigo
utilizamos também a expressão redes sociais nesta acepção, focando em
particular as redes sociais em contextos organizacionais.
De entre as mais populares à escala global, podemos distinguir:


Projetos colaborativos como a Wikipedia;



Blogs (individuais e coletivos), e microblogs como o Twitter;



Comunidades de conteúdos multimédia como o YouTube ou Instagram;



Comunidades agregadoras de conteúdos, discussão, jogos, tendo o
Facebook como expoente máximo actual de aceitação/utilização;



Mundos sociais virtuais como a Second Life;



Redes sociais profissionais como o LinkedIn.

3.1 Redes sociais profissionais: o LinkedIn
A rede LinkedIn1 foi fundada por onze pessoas, entre as quais Reid
Hoffman, em 2002, e lançada oficialmente em maio de 2003. É considerada
atualmente a maior rede profissional do mundo, com mais de 200 milhões de
1

http://www.linkedin.com

�231

utilizadores em 200 países2. É uma empresa de capital aberto, tendo como
missão “conectar profissionais do mundo todo, tornando-os mais produtivos e
bem-sucedidos” (www.linkedin.com). Esta rede liga milhões de pessoas através
dos seus perfis profissionais, permitindo a pesquisa mútua ou para
recrutamento. Permite o conhecimento da rede social do utilizador (pelo próprio
e pelos que lhe estão associados), possibilitando ver o número e intensidade
das ligações entre os perfis relacionados. Aí, torna possível a existência de um
espaço de informação e contatos, troca de ideias, oportunidades quer a
empregadores quer a quem procura emprego, num ambiente controlado e em
que é suposto, por causa da visualização do grau das relações, a perceção da
confiança na rede. A informação que cada um dá sobre si próprio é aquela que
é partilhada com outros profissionais. A plataforma facilita a criação de um
perfil com estrutura à semelhança de um curriculum vitae, onde acrescem as
recomendações de amigos, bem como a possibilidade de associar ao perfil
testemunhos de outros membros da rede, que podem facilitar uma contratação.
Para além desta funcionalidade de rede social na quase literal acepção da
expressão, o LinkedIn permite também a criação e associação a grupos.
A fácil criação de grupos torna possível criar e encontrar
comunidades de

interesses específicos, enquanto

a

participação em

discussões no âmbito destes grupos propicia o acompartilhando e obtenção de
informação, aumentar o conhecimento sobre tópicos do seu interesse e,
obviamente, apresentar-se à comunidade como conhecedor ou apenas
interessado em dada matéria. No LinkedIn, os grupos enquadram-se numa
categorização pré-definida de sete tipos específicos: Antigos alunos (Alumni),
Conferências, Organizações (Corporations), Não lucrativos (Non profit),
Networking, Profissional, Outro. Esta precategorização é limitativa, mas não
parece constituir barreira à criação de grupos. No LinkedIn existe controle
sobre o que se compartilha, podendo em qualquer altura o utilizador atualizar a
informação que disponibiliza. No que se refere à participação em grupos, é
possível restringir a possibilidade de acesso público aos grupos em que
participa um utilizador.

2

"History of Linkedin."Sophisticated Edge. N.p., n.d. Web. March 10, 2013;
&lt;http://www.sophisticatededge.com/history-of-linkedin.html&gt;.

�232

4 LABORATÓRIOS CIENTÍFICOS COMO “KNOWLEDGE INTENSIVE
ORGANIZATIONS”

Os laboratórios científicos são lugares de produção de conhecimento
por especialistas, tendo acesso a uma vasta quantidade de recursos
(bibliotecas, bases de dados, projetos de investigação) e pessoas (estudantes
de doutoramento, professores, investigadores). Para Knorr-Cetina (1999) o
conhecimento obtido sobre as culturas epistêmicas dos laboratórios é
extensível a outros contextos numa sociedade de conhecimento (CHOO,
2007), podendo assim ser vistos como organizações de conhecimento
intensivo. Numa abordagem crítica das “universidades como organizações de
conhecimento intensivo” Greenwood (2009) inclui nas características das
“organizações

de

conhecimento-intensivo”

a

capacidade

de

transferir

conhecimento para além das fronteiras da organização e grupos profissionais
que a criaram (aumentando a cadeia de valor do conhecimento produzido num
cenário especializado) e o compartilhamento de características com learning
organizations, nomeadamente a capacidade de “modificar criativamente as
suas

estruturas,

comportamentos

e

alinhamento

com

o

ambiente”

(GREENWOOD, 2009, p.2).

4.1 Os laboratórios científicos em Portugal

No âmbito do Sistema Científico e Tecnológico Nacional Português
(SCTN), há dois tipos de instituições de investigação com a designação de
Laboratório: Os Laboratórios do Estado e os Laboratórios Associados. Em
Portugal existem 9 Laboratórios do Estado (LE) e 26 Laboratórios Associados
instituições privadas, sem fins lucrativos, financiadas pelo Governo para
desenvolverem investigação científica (Fonte: FCT) 3
Os laboratórios do Estado (LE) de acordo com o artigo 3º., DL
125/99 (FCT) 4 tem
o propósito explícito de prosseguir objectivos da política científica e
tecnológica adoptada pelo Governo, mediante a prossecução de
actividades de investigação científica e desenvolvimento tecnológico
e de outros tipos […], tais como actividades de prestação de serviços,
3 4

Fundação para a Ciência e a Tecnologia, &lt;http://www.fct.pt&gt;.

�233

apoio
à
indústria,
peritagens,
regulamentação e outras.

normalização,

certificação,

Conforme artigo 6º., DL 125/99 (FCT)5
As instituições particulares de investigação que assumam a forma de
instituições privadas sem fins lucrativos e que gozem do estatuto de
utilidade pública, bem como as instituições públicas de investigação
que não revistam a natureza de laboratórios do Estado, podem ser
associadas, de forma especial, à prossecução de determinados
objectivos de política científica e tecnológica nacional, mediante a
atribuição do estatuto de instituição associada ou laboratório
associado.

No âmbito do estudo exploratório selecionamos um LE (LAB1) e um
LA (LAB 2), com as seguintes características: O LAB1 desenvolve investigação
nas áreas da Energia e Geologia para responder a necessidades sociais,
apoiar políticas públicas e desenvolver a área empresarial. Tem cerca de 400
colaboradores, distribuídos por 5 locais a nível nacional, incluindo um espaço
museológico.

As

atividades

de

investigação

deste

laboratório

são

desenvolvidas no âmbito de colaborações e redes nacionais e internacionais
em organizações situadas em todos os continentes. O LAB1 desenvolve
atividade sistemática na rede social Facebook, de nível organizacional formal.
No seu portal organizacional encontra-se visível a ligação para o perfil do
Laboratório no Facebook mas não para o LinkedIn, apesar de ter também um
perfil nesta rede. Encontra-se, atualmente, desenvolvendo uma estratégia mais
abrangente no que toca às redes sociais, no âmbito de um programa para
modernização administrativa.
O LAB2 é um LA que faz investigação na área da Física
Experimental de Altas Energias, Astro partículas, Instrumentação, Computação
Avançada e Física Médica. Tem cerca de 180 colaboradores, distribuídos em 3
núcleos em nível nacional. As atividades de investigação deste laboratório são
desenvolvidas essencialmente no âmbito de colaborações internacionais em
organizações situadas no continente Europeu e Americano, ao abrigo de
memorandos de entendimento ou contratos-programa específicos. Compartlha
ainda recursos humanos e técnicos com um grande número de grupos de
investigação

em

universidades

portuguesas

e

instituições

nacionais,

nomeadamente as infraestruturas de computação GRID usadas atualmente por
5

Fundação para a Ciência e a Tecnologia, &lt;http://www.fct.pt&gt;.

�234

mais de 150 instituições de investigação, de diferentes áreas científicas. Na
página web, o LAB2 não assume nenhuma presença estratégica nas redes
sociais. A maior parte da comunicação para o exterior é assíncrona e não
interativa. Não oficialmente, ou pelo menos, não visivelmente em nível
institucional, o LAB2 possui um perfil no Facebook e uma página LinkedIn, à
qual muitos dos colaboradores se encontram conectados.

5 METODOLOGIA: "AGNÓSTICOS" E "ESTRÁBICOS"

Na acepção de campo, engloba-se o conhecimento que sobre este é
produzido (BOURDIEU, 2001), incluindo a metodologia e os métodos para sua
concretização. Aqui deveríamos particularizar o conhecimento de teor
antropológico para dar conta de como este campo disciplinar tem operado no
que nomeámos como infoesfera (FLORIDI, 2004) e que poderemos designar
aqui como ecossistema digital, englobando nele todos os media digitais, na sua
diversidade e penetração, em níveis individual e coletivo, local e global, e o
conhecimento que deles se produz (COLEMAN, 2010).
As dicotomias que povoam os discursos disciplinares sobre os
media digitais, como outros discursos mais ou menos hegemônicos
(WISEMAN, 2009), obscurecem outros modos de circulação, translação ou
acesso à informação que se tornam progressivamente mais visíveis no
aprofundamento etnográfico. De acordo com a revisão “estratégica” de
Coleman (2010), a corrente etnográfica sobre terrenos digitais, que se
consolida progressivamente a partir dos anos 90, “provincializa” os média
digitais, revelando como os terrenos digitais se articulam, de fato, como lugares
em vez de “não-lugares” (AUGÉ, 1994), algo que teoricamente não pode ser
plenamente antecipado. Nos estudos sobre a ciência, assistira-se à passagem
da sociologia mertoniana da ciência para as etnografias do laboratório
(LATOUR e WOOLGAR, 1979), que impôs a distinção entre visões normativas
e visões empíricas e revelou a ciência como atividade eminentemente social
(KNORR-CETINA, 1999). O ordenamento digital do conhecimento científico,
nomeadamente no que se pode denominar de e-science, vem prolongar o
questionamento metodológico necessário para evitar a miopia antropológica:
"Uma hiperligação numa base de dados, tal como uma apresentação numa

�235

conferência, ou conversa ao microscópio, constitui uma forma de prática
científica" (HINE, 2007).
Hine (2007) sublinha a necessidade de realizar uma abordagem
etnográfica que permaneça agnóstica em relação ao fenómeno que estuda:
Quando se estuda e-science é importante um envolvimento crítico
com as afirmações sobre a capacidade transformadora de novas
tecnologias e adoptar metodologias que permaneçam agnósticas
diante dessas afirmações: Uma abordagem conectiva à etnografia é
promissora a este respeito.

Trata-se da mesma diferença entre aquilo que se acredita ser o
fenômeno e aquilo que é efetivamente, entre uma abordagem normativa e
etnográfica. Ou, por outras palavras, as de Augé, trata-se de praticar o
"estrabismo metodológico": "Condenado ao estrabismo metodológico, o
etnólogo não pode perder de vista nem o lugar imediato da sua observação,
nem as fronteiras pertinentes dos seus acessos exteriores"(AUGÉ, 1994, p.
122).
Mas como permanecer agnóstico, ou estrábico? Hine propõe essa
alternativa, fazendo-nos sair out of the box. Virando-se para uma perspetival
global, a etnografia conectiva de Hine procura as mobilidades e as conexões
estabelecidas, mais do que a localização de um dado objeto de estudo. Esta
perspetiva metodológica enquadra as formas de mediação tecnológica da
comunicação, explorando a transposição de fronteiras e barreiras físicas. A
etnografia conectiva consiste ela mesma num cruzamento. Cruza observações
online e offline e perspetivas analíticas, por um lado assumindo a “necessidade
de contacto efetivo com os interlocutores”, por outro colocando o problema da
“representatividade do grupo escolhido” (AUGÉ, 1994, p. 20). No âmbito deste
artigo, que explora também a possibilidade de uma etnografia, a abordagem
conectiva sugerida por Hine propõe vias para o questionamento dos resultados
preliminares. Imaginemos o "hangout", a ferramenta de videoconferência
incorporada no gmail, onde a construção deste artigo começou, como
(simultaneamente ou à vez?) lugar e não-lugar:
Na realidade concreta do mundo de hoje, os lugares e os não-lugares
confundem-se, interpenetram-se. A possibilidade do não-lugar nunca
está ausente de um lugar, seja ele qual for [...] Os lugares e os não-

�236

lugares opõem-se (ou interpelam-se) como as palavras e as noções
que permitem descrevê-los (AUGÉ, 1994, p.112).

Embora descorporizadas, interagindo apenas com as imagens umas
das outras, às vezes com voz e outras vezes perdendo-a, ficando só com
mímica e com o texto que complementa ou substitui a interação vocal, entre
ruídos de alguns terminais perturbando a comunicação, acompanhadas de
muito perto ou de longe pelos animais domésticos, interrompendo a chamada
para concluir o jantar que se faz ao fogo, e que precisa de ser desligado, ou
acompanhando com um chá a conversa, cada uma das autoras esteve dentro
(das suas casas) e fora (nos ecrãs) diante das outras co-autoras, ao mesmo
tempo convidando-as a entrar na sua esfera pessoal e excluindo-as.
Imaginemos considerar as redes sociais como o espaço relacional dentro dos
não-lugares digitais. Os terrenos digitais atravessados por estas possibilidades
relacionais das redes sociais configuram-se como lugares e não-lugares, a
divisão não é estanque: "O lugar e o não-lugar são, sobretudo, polaridades
esquivas: o primeiro nunca se apaga completamente e o segundo nunca se
realiza totalmente" (AUGÉ, 1994, p. 84, 85).

5.1 Métodos

Neste artigo apresentam-se os resultados iniciais de um estudo
exploratório realizado no âmbito de um projeto mais vasto (work in progress)
que estuda a utilização de redes sociais em contextos organizacionais vastos.
Escolheram-se os Laboratórios Científicos como terreno experimental por
serem

organizações de

conhecimento intensivo,

em

que

a

criação,

compartilhamento e uso do conhecimento constituem a sua atividade principal
(core activity).
O estudo pretende comparar Laboratórios Científicos, identificando
espaços sociais e espaços informacionais que se cruzam em contextos
organizacionais, questionar o papel, relevância e potencialidades e limitações
dos “social media”, o acesso (permitido, estimulado ou mitigado) dos
colaboradores às redes sociais nos locais de trabalho e as consequências na
socialização

e

no

compartilhamento/criação

de

conhecimento,

nas

organizações. O estudo exploratório, como foi referido, versou dois

�237

Laboratórios nacionais: um Laboratório de Estado (LAB1) e um Laboratório
Associado (LAB2). O critério utilizado para a escolha dos 2 Laboratórios foi o
da máxima variação (“maximum variation sampling - purposefully picking a wide
range of variation and dimensions of interest”, PATTON, 1990), uma vez que se
pretendia nesta fase identificar padrões comuns que emergem em condições
de variação disciplinar (campos). Assim, foi escolhido um laboratório científico
pluridisciplinar com estatuto legal de LE e outro de teor específico e mais
homogéneo no que se refere à área de atividade desenvolvida, com estatuto
legal de LA, cuja descrição foi feita na seção 4.1.
A rede LinkedIn, foi escolhida, para esta fase exploratória, por
constituir uma das principais, ou a mais utilizada “rede profissional de contactos
online”, como acima se refere (3.1). A coleta de dados foi efetuada na
plataforma LinkedIn, que permitiu a consulta e visualização de grupos por
organização, de entre os indivíduos que os tornaram públicos/visíveis.

5.2 A informação coletada

Dos dados dos colaboradores coletados nos perfis de LinkedIn dos
dois Laboratórios, apesar de públicos foram omitidos, tendo sido coletados em
Fevereiro de 2013. Identificaram-se os Laboratórios tendo-se selecionado, para
cada um deles, todos os indivíduos que indicavam trabalhar para as respetivas
organizações (140 perfis visíveis de 184 pertencentes ao LAB1 e 78 perfis
visíveis de 98 pertencentes ao LAB2). Desses, selecionaram-se os primeiros
50 colaboradores de cada um dos Laboratórios, tendo-se registrado todos os
elementos de afiliação aos respectivos Grupos de que faziam parte, cuja
síntese se encontra na tabela 1. Embora a dimensão dos dois laboratórios seja
diferente, o número de indivíduos foi idêntico para a neutralizar, de forma a
possibilitar a perceção de outros fatores associados à sua caracterização
isolando este aspeto.
Do total dos 50 colaboradores de cada um dos Laboratórios, 13
perfis de colaboradores do LAB1 não pertenciam a nenhum grupo ou não os
tinham tornado visíveis, ao passo que no LAB2 eram 29 os perfis que não
apresentavam afiliações a grupos ou não os tinham visíveis.

�238

Tabela 1 - Síntese dos dados recolhidos (Fevereiro de 2013, LinkedIn).

LAB1

LAB2

Colaboradores c/ perfil no LinkedIn

184

98

Colaboradores c/ perfil visível

140

78

13/50

29/50

290

149

N.º médio de grupos p/ indivíduo

6

3

N.º de grupos c/ 2 ou mais colaboradores

40

24

Aspects de sinters

Colaboradores s/ pertença a grupos
Total de grupos de pertença

N.º de grupos comuns aos 2 laboratórios

11

Fonte: Elaborado pelas autoras

Quanto ao total de grupos de pertença, foram registados um total de
290 para o LAB1 e 149 para o LAB2. Como a tabela 1 ilustra, o número de
grupos, com dois ou mais colaboradores, encontrado para o LAB1 foi 40 e para
o LAB2 foi 24. Foram ainda identificados 11 grupos comuns aos dois
Laboratórios. Em termos de tipologia de grupos com dois ou mais
colaboradores, de acordo com as sete categorias disponíveis no LinkedIn e já
anteriormente descritas, apenas «Corporate Group» e «Conference Group»
não foram encontradas (ver gráfico 1).

5.3 Breve análise exploratória

Alguns aspectos sobressaem da coleta exploratória efetuada,
nomeadamente:
a) A homogeneidade dos campos disciplinares poderá estar relacionada com
uma menor dispersão por grupos, no LinkedIn, tendo em conta a diferença
entre o número médio dos integrantes do Lab1 (6) e do Lab2 (3); esta
particularidade poderá, por sua vez, resultar de fatores de fechamento no
compartilhamento de grupos de integrantes, entre os elementos de um
mesmo laboratório; no entanto, a esta possibilidade não podemos deixar de
acrescentar uma enorme dispersão nos integrantes verificada em ambos os
laboratórios, o que poderá pôr esta hipótese em perspetiva e apelar assim a

�239

uma análise mais complexa, “explorando a transposição de fronteiras e
barreiras físicas” (HINE, 2007, p.), para além do digital.
b) Há diferenças substanciais nas categorias dos grupos cooptados, por
exemplo quando vemos a diferença nos integrantes de grupos profissionais
(Lab1, 54,9%; Lab2, 31,6%). Seria confortável associar as tipologias a
campos concretos, o profissional, o campo do poder (networking), o campo
cultural (alumni)… simplesmente, se por um lado a divisão está patente, e o
cruzamento de integrantes também, por outro lado a denominação das
categorias no LinkedIn não é determinante em termos de taxonomia, uma
vez que o que uns entendem como «profissional» tem as mesmas
características que o que outros entendem como de «networking». Também
esta indefinição confirma o cruzamento de campos, mas pede uma análise
qualitativa aprofundada para conhecer os integrantes com maior grau de
definição, de acordo com o que esses espaços sociais conjugados
representam para os indivíduos;
c) O Lab2 parece manter uma associação substancialmente maior a grupos
de Alumni, o que pede uma análise também mais aprofundada, mas que
pode derivar de aspetos como a média de idades dos investigadores, as
exigências academicas disciplinares, as práticas e cultura organizacional,
algum componente se mantenha escondido mas que, por exemplo, facilite a
mobilidade profissional através da ligação à academia e aos antigos
colegas de curso; a ocorrência de um maior fluxo de bolsistas em presença
quer habitualmente, quer em alternativa, no momento em que a informação
é coletada;
d) Particular atenção deve ser dada ao desenho do estudo, nomeadamente no
que toca ao posicionamento das próprias investigadoras nas suas redes,
que se cruzam e determinam também o que se encontra visível/invisível. A
possibilidade de incorporar a noção de palcos de Goffman (The
Presentation of Self in Everyday Life, 1959) parece oferecer espaço para a
discussão das formas como os indivíduos escolhem apresentar-se, nas
redes sociais também, pela forma como gerem a visibilidade/invisibilidade
aos grupos de integrantes (por exemplo, prestígio associado à integração a
determinado grupo). Algo que só um estudo de natureza qualitativa poderá
ajudar a compreender;

�240

e) Dado o caráter prescritivo da tecnologia, nomeadamente no que concerne
ao condicionamento de ações e comportamentos possíveis, torna-se
necessário tornar a infra-estrutura em que assentam as redes estudadas
visíveis por forma a não confundir padrões de comportamento prescritos
pela tecnologia com padrões de comportamentos culturais.
Figura 1 - Síntese dos dados coletados: tipologia de grupos, perfis %
(Fev. 2013, LinkedIn).

Fonte: Elaborada pelas autoras

No que respeita às temáticas dos grupos detectados, sugerem uma
incidência forte do campo disciplinar, embora seja possível antever a
separação entre engenheiros e cientistas, como alternativa de análise. Alguns
aspetos nesta word cloud6 podem ser de exploração interessante, tais como
aqueles que potencialmente encerrarão diferenças num contexto que não o
português,
Figura 2 – Word cloud das denominações temáticas dos grupos (Fev. 2013,
LinkedIn).

Fonte: Elaborada pelas autoras

6

Word cloud: Imagem com representação gráfica das palavras utilizadas nos nomes dos grupos a que
pertenciam 2 ou mais indivíduos. O tamanho das palavras é proporcional ao número de vezes que a
palavra foi utilizada. Processado com IBM Word Cloud.

�241

6 CONCLUSÕES

As diferenças exploradas, mesmo que superficiais, entre os dois
laboratórios, sugerem que um conjunto de fatores permanece escondido,
passível de investigação, dando a conhecer as interações e cruzamentos de
campos no contexto organizacional. Questões que se colocam para o
prosseguimento do trabalho, com implicações no desenho do estudo, incluem o
desenho de estratégias de coleta do que os indivíduos tornam visível e o que
ocultam, formas de enunciação de integração a grupos e noção de prestígio no
cruzamento entre os diversos campos.
Da informação coletiva bem como das questões levantadas em
termos analíticos, sugere-se a necessidade da realização de uma abordagem
de caráter qualitativo, eventualmente uma proposta etnográfica (HINE, 2007),
ou seguindo a metodologia de estudo de caso (YIN, 2011), com inquirição
direta de utilizadores e observação de contextos organizacionais, tendo em
vista a necessidade de conhecer a situação dos grupos pesquisados no que
concerne à literacia da informação.

REFERÊNCIAS

AGGER, B. The virtual self: a contemporary sociology.
Malden/Oxford/Victoria: Blackwell, 2004.
AUGÉ, M. Não-Lugares: introdução à antropologia da sobremodernidade.
Venda Nova: Bertrand, 1994.
BERTELSEN, O. W.; BØDKER, S. Cooperation in a massively distributed
information space. In: Proceedings of the Seventh European Conference on
Computer Supported Cooperative Work. Bonn, Germany, 16-20 September
2001, p. 1-18, 2001.
BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da acção. Lisboa: Celta, 2001.
CALHOUN, C. Pierre Bourdieu, in the Blackwell companion to major
contemporary social theorists. Oxford/ Melbourne/Berlin: Blackwell, 2003.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. Lisboa: Gulbenkian, 2002.
CASTELLS, M., Part I, The knowledge society: from knowledge to policy. In:
CASTELLS, M.; CARDOSO, G. (Eds.), The network society: from knowledge

�242

to policy. Washington, DC: Johns Hopkins Center for Transatlantic Relations,
2005.
CHOO, C.W. Information management for the intelligent organization: the
art of scaning the enviroment. 3rd Ed. Medford, New Jersey: Information Today,
2002.
CHOO, C-W. Information seeking in organizations: epistemic contexts and
contests. Information Research, 2007, v. 12, n. 2. Disponível em:
&lt;http://InformationR.net/ir/12-2/paper298.html&gt;. Acesso em: 04 fev. 2013.
COLEMAN, G. Ethnographic approaches to digital media. Annual Review of
Anthropology, v. 39, p. 487-585, jun. 2010.
COLEMAN, G.; HILL, M. How free became open and everything else under the
sun. M/C: A Journal of Media and Culture, v. 7, n. 3, jul. 2004. Disponível em:
http://www.media-culture.org.au/0406/02_Coleman-Hill.php. Acesso em: 04 fev.
2013.
Courtrigh, C. Context in information behavior research. Annual Review of
Information Science and Technology, v.41, n.1, p.273-306, 2007.
EASLEY, D.; KLEINBERG, J., Networks, crowds and markets: reasoning
about a highly connected world, draft version 13 Fev. 2010. Cambridhe
University Press, 2010.
FISCHER, M. Four genealogies for a recombinant anthropology of science and
technology. Cultural Anthropology, v. 22, n. 4, p. 539-615, 2007.
FLORIDI, L.. The Information Society, v. 23, n. 1, p. 59-64, 2007.
GREENWOOD, D. J. Are research universities knowledge-intensive learning
prganizations? In: JEMIELNIAK, D.; KOCIATKIEWICZ, J. (Eds.) Handbook of
research on knowledge-intensive organization, Hershey/ New York:
Information Science Reference, 2009, p. 1-19.
GRENFELL, M. (Ed.) Pierre Bourdieu: key concepts. Trowbridge: Cromwell,
2008.
HEATH, T.; BIZER, C. Linked Data: Evolving the Web into a Global Data
Space. In: Synthesis lectures on the semantic web: theory and technology,
v. 1, n.1, p. 1-136, 2011.
HINE, C. Connective Ethnography for the exploration of e-science. Journal of
Computer-Mediated Communication, v. 12, n. 2, Jan. 2007. Disponível em:
&lt;http://jcmc.indiana.edu/vol12/issue2/hine.html &gt;. Acesso em: 24 fev. 2013.
JOHNSON, D. On contexts of information seeking. Information processing
and management, v. 39, n.5, p. 735-760, 2003.

�243

KI, Y et al.. Building broadband: strategies and policies for the developing
world. Washington DC: World Bank-Global Information and Communication
Technologies (GICT) Department, 2010.
KNORR-CETINA, K. Epistemic cultures how the sciences make knowledge.
Cambridge, MA: Harvard University Press, 1999.
LATOUR, B. ; WOOLGAR, S. Laboratory life: the social construction of
scientific facts. Princeton: Princeton University Press, 1979
LAVE, J. Cognition in practice: mind, mathematics and culture in everyday
life. Cambridge: University Press, 1991.
LERMAN, K. User participation in social media: Digg study.Paper apresentado
na Web Intelligence and Intelligent Agent Technology Workshops –
IEEE/WIC/ACM
International
Conferences.
2007.
Disponível
em
http://arxiv.org/PS_cache/ arxiv/pdf/0708/0708.2414v1.pdf. Acesso em: 23 fev.
2013.
NECHES, R. et al. Collaborative Information Space Analysis Tools, D-Lib
Magazine, 1998.
PATTON, M. Q. Qualitative evaluation and research methods. Newbury
Park, California, 1990
PETTIGREW, K. E. Waiting for chiropody: contextual results from an
ethnographic study of the information behavior among attendees at community
clinics. Information Processing &amp; Management, v. 3, n. 6, p. 801-817, 1999.
SAVOLAINEN, R. Spatial factors as contextual qualifiers of information seeking,
Information Research, v. 11, n. 4, paper 261, 2006.
SCHEK, H. et al. Infrastructure for Information Spaces. In: Proceedings of
advances in databases and information systems, 6th East European
Conference, ADBIS 2002, Bratislava, Slovakia, September 8-11, s/p.
SONNENWALD, D. et al. Designing to support situation awareness across
distances: an example from a scientific collaboratory. Information processing
and management, v. 40, p. 989-1011, 2004.
SOUZA, M. C. The future of the structural theory of kinship. In: WISEMAN, B.
(Ed.), The Cambridge companion to Lévi-Strauss, New York: Cambridge
University Press, 2009. p. 80-99.
STAKE, R. E. Qualitative research: studying how things work. New
York/London: The Guilford Press, 2010.
TAYLOR, R.S. Information use environments . In: DERVIN. B. (Ed.) Progress
in Communication Sciences, v. 10, p. 217-225,1991.

�244

TIERNEY, T. Collective cognition: neural fabrics and social software, John
Wiley and Sons, p. 36-37. Disponível em: &lt;http://www.greesnspine.ca/&gt;.
Acesso em: 9 jan. 2006.
VAN DIJK, J., The network society: social aspects of new media, 2 ed.
London, Thousand Oaks/ New Delhi: Sage, 2006.
YIN, R. K. Qualitative research: from start to finish. New York/London: The
Guilford Press, 2011.

�245

LITERACIA DA INFORMAÇÃO: O POTENCIAL EDUCATIVO DO VIRTUAL
COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA
Daniela Melaré Vieira Barros

1 INTRODUÇÃO

A sociedade da informação e do conhecimento surge de alguns
fatores que apresentam transformação, quando comparados, com o que seria o
seu significado tradicional: o tempo, o espaço e o virtual. De fato, contrapondo
o físico, o virtual tem características e necessidades diferentes o que requer
outras competências e capacidades. Uma nova forma de comunicar, acessar e
lidar com a informação modificaram essas lógicas preestabelecidas (LÉVY,
1999, 1996).
A revolução tecnológica, originária das tecnologias digitais, tornou-se
a base material desta nova sociedade. Segundo Castells (2001) a “nossa
cultura material”, sofre alterações, com a evolução das tecnologias da
informação, surgindo um novo conceito de informacionalismo. Neste conceito,
as tecnologias são a ferramenta indispensável na manipulação da informação
pelos indivíduos, bem como na produção econômica e na cultura material deste
contexto.
Existem duas questões primordiais no centro desta sociedade, a
primeira sobre o como gerar conhecimento e a segunda a difusão da
informação. O conceito de informação, como matéria-prima está na base do
conhecimento. A literacia da informação segundo Catts e Lau (2008), Belluzzo
(2003, 2005) e Dudziak (2001), geralmente definida como um conjunto de
competências de aprendizagem necessárias para acessar, avaliar e usar a
informação de forma eficiente é o que distingue os usuários, os que são
autônomos e os que dependem de outros para acessarà informação de que
necessitam.
A qualidade da informação, o acesso àinformação, o entendimento
da informação, o compartilhamento da informação e o excesso de informação
são questões que definem as novas competências de uso da informação e
delineiam uma nova literacia da informação. A informação passa a ser um

�246

elemento essencial na sociedade atual e sua gestão definitiva para o espaço
profissional em que se atua.
Pensando nesse contexto e nas novas competências da literacia da
informação para o profissional da ciência da informação é que será
desenvolvidoo capítulo a partir de um ambiente educativo no desenvolvimento
de um curso a distância.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O presente capítulo tem por objetivo analisar estratégias didáticopedagógicas que facilitam ao profissional da ciência da informação condições
de experimentar o ensino da literacia da informação através do uso das
tecnologias.
Os objetivos específicos são:


Apresentar um modelo de educação a distância, seus aspectos didáticos
e a sua relação com a aprendizagem da literacia da informação.



Destacar estratégias pedagógicas com o uso das tecnologias que
facilitam o trabalho de ensino da literacia da informação por meio dos
profissionais da ciência da informação.
Justifica-se este estudo pela importância em ter referenciais que nos

ajudem a construir práticas de colaboração entre investigadores da área de
forma aberta, e que valorizam as novas tendências e perspectivas atuais para
a área da ciência da informação. Além disso, pretende-se contribuir para
diminuir a necessidade de construir reflexões mais amplas e sistematizar
formatos de trabalho da área em questão, em especial, na formação contínua
do profissional mediante cursos à distância.
A metodologia utilizada no desenvolvimento da pesquisa aqui
apresentadateve como referencial teórico autores da área da educação, ciência
da informação e tecnologias. Para tanto, o estudo desenvolvido foi de fôro
qualitativo,realizado

por

meio

de

uma

análise

descritiva

–apoiada

emreferenciais bibliográficos, reflexões e discussões – observadas no espaço
da “Unidade Curricular Literacias da Informação”, do curso de Pós-graduação
em Ciências da Informação da Universidade Aberta ( Lisboa/ Portugal).

�247

Apresentaremos inicialmente a metodologia de trabalho da Universidade
Aberta, em seguida a estrutura do contexto da pesquisa realizada e, por fim, as
estratégias pedagógicas desenvolvidas, seus fundamentos e o seu potencial.

2.1 A Universidade Aberta: a educação à distância e o e-learning no
ensino superior
O modelo pedagógico da Universidade Aberta, segundo Pereira, et
al. (2007) está fundamentado em quatro grandes linhas: a aprendizagem
centrada no estudante, o primado da flexibilidade, o primado da interação e o
princípio da inclusão digital. Estas linhas norteiam a organização do ensino, o
papel do estudante e do professor, a planificação, concepção e gestão das
atividades de aprendizagem a ser proposta aos estudantes, a tipologia de
materiais a ser desenvolvida e a natureza da avaliação das competências
adquiridas. No caso particular da Universidade Aberta, o modelo pedagógico
assenta no e-learning avançado, utiliza a plataforma Moodle customizada e sua
organização, em linhas gerais de forma objetiva é composta pelos seguintes
elementos:
 O Plano da Unidade Curricular, que pode ser denominado o
documento-guia norteador do processo de aprendizagem. Ali o
estudante encontrará os objetivos, competências, conteúdos, recursos
que utilizará para a aprendizagem, calendário, modos de avaliação e a
organização do cartão de aprendizagem com as indicações para a
elaboração dos e-fólios adstritos a este elemento. Esses itens
correspondem a todo o conjunto para que o processo de ensino e
aprendizagem ocorra.
 As atividades formativas são o conjunto de atividades para que o
estudante desenvolva a sua aprendizagem de acordo com o conteúdo
estudado. Não existem valores atribuídos e são autocorrigidas pelo
próprio estudante com as indicações de avaliação disponibilizadas.
 Os e-fólios são as atividades realizadas durante o semestre e aos quais
são atribuídos valores. São no máximo três atividades e, de acordo com
os conteúdos estudados na Unidade Curricular.

�248

 Os Fóruns de trabalho e os Fóruns de dúvidas são para a
comunicação, o diálogo e a reflexão referentes aos conteúdos
estudados, o primeiro (entre estudantes) e o segundo (dos estudantes
com os docentes). Existem também fóruns de ajuda e de notícias que
são direcionados a informações e problemas de ordem técnica que
poderão surgir.
 A avaliação contínua e/ou exame, são as modalidades de avaliação,
de escolha possível, pela qual os estudantes podem optar no início de
cada semestre em cada Unidade Curricular. Aqueles que escolhem a
avaliação contínua devem realizar os e-fólios e o p-fólio (prova final).
Aqueles que escolhem o exame realizam somente a prova final (exame).
Todo o trabalho desenvolvido dentro do modelo da Universidade
Abertaestá perfeitamente fundamentando na aprendizagem do estudante.
Privilegia uma educação de qualidade, aberta e a distância. Dentro desse
modelo é que a “Unidade curricular Literacias da informação” do curso de Pósgraduação em Ciências da Informação foi construída.A unidade curricular está
organizada com um plano curricular, descrito a seguir.
Desse modo, os objetivos que devem ser alcançados pelos
estudante são:caracterizar a literacia da informação; utilizar o potencial
educativo do profissional da ciência da informação através da literacia da
informação; identificar os diferentes serviços e experiências para o profissional
da ciência da informação associado às fontes de informação e à educação
(bibliotecas escolares, públicas, universitárias); saber selecionar os recursos,
dispositivos e ferramentas das tecnologias digitais que potencializam a literacia
da informação.
A partir desses objetivos as competências a serem alcançadas são:
a caracterização da literacia da informação; a caracterização do potencial
educativo do profissional da ciência da informação através da literacia da
informação; a caracterização dos diferentes serviços e experiências para o
profissional da ciência da informação associadas às fontes de informação e à
educação (bibliotecas escolares, públicas, universitárias) e, por fim, a seleção
de recursos, dispositivos e ferramentas das tecnologias digitais que
potencializam a literacia da informação.

�249

O programa desta unidade curricular desenvolve-se em 4áreas
temáticas:
1. Sociedade da informação e do conhecimento com novos paradigmas.
2. As novas competências do profissional da ciência da informação.
3. Literacia da informação para a sociedade atual.
4.O potencial educativo da Literacia da Informação com o uso das Tecnologias
Digitais.
A metodologia de trabalho é caracterizada pelo modelo pedagógico
da universidade juntamente com as orientações que os estilos de
aprendizagem fazem para o desenvolvimento das estratégias pedagógicas.
Mediante uma pedagogia voltada ao desenvolvimento do indivíduo e
a aquisição de competências, a teoria dos estilos de aprendizagem facilita a
compreensão das diversas formas de aprender e as características das
mesmas no processo de aprendizagem. Alonso e Gallego (2002) destacaram
que os estilos de aprendizagem são preferências e tendências altamente
individualizadas de uma pessoa, que influenciam em sua aprendizagem.
Conforme os autores, existem quatro estilos definidos: o ativo, o reflexivo, o
teórico e o pragmático. O estilo ativo valoriza dados da experiência,
entusiasma-se com tarefas novas e é muito ativo; o estilo reflexivo atualiza
dados, estuda, reflete e analisa; o estilo teórico é lógico, estabelece teorias,
princípios, modelos, busca a estrutura, sintetiza; e o estilo pragmático aplica a
ideia e faz experimentos.
A teoria dos estilos de aprendizagem contribuiu muito para a
construção do processo de ensino e aprendizagem e para a aquisição do
conhecimento, porque considera as diferenças. A seguir, compreendear-se-á
melhor os fundamentos da teoria. Paralelamente aos estilos temos a questão
das competências e habilidades que se estruturam sobre os discursos e as
novas formas de conhecimento que a sociedade da informação exige e
possibilita ao mesmo tempo. Conhecimentos pontuais, mas conectados ao
grande espaço que vivenciamos, flexíveis, mas com objetivos bem definidos,
tecnológicos e acessíveis.

�250

2.2 A teoria de estilos de aprendizagem e as tecnologias

A teoria não tem por objetivo medir os estilos de cada indivíduo e
rotulá-lo de forma estagnada, mas, identificar o estilo de maior predominância
na forma de cada um aprender e, com isso, elaborar o que é necessário
desenvolver

nesses

indivíduos,

em

relação

aos

outros

estilos

não

predominantes. Esse processo deve ser realizado com base em um trabalho
educativo que possibilite que os outros estilos também sejam contemplados na
formação do aluno
A teoria de estilos de aprendizagem, portanto nos facilita entender o
significado das tecnologias para a educação. Com o uso das tecnologias e os
princípios dessa teoria se dá a oferta de possibilidades que as interfaces,
ferramentas, recursos e aplicativos multimídias oferecem para atender as
preferências e individualidades (BARROS, 2009).
Considerando essas assertivas, a teoria de estilos pode nos facilitar
muitas diretrizes para entender o como aprender e ensinar no virtual. Essas
diretrizes são: o atendimento das individualidades dos estudantes; a ênfase no
processo metodológico e a ampliação dos processos de avaliação na
construção do conhecimento do aluno; oferta de aplicações multimídia que
atendam as necessidades de aprendizado dos indivíduos; melhoria das
possibilidades

de

aprendizagem

no

processo

educativo

online

e

a

democratização das formas de ensino, segundo Alonso e Gallego (2000, 2004).
Esses argumentos são compreendidos na medida em que se
percebe que a teoria de estilos facilita uma diversidade de diretrizes sobre
como as pessoas aprendem. Essas diretrizes podem ser utilizadas para a
compreensão dos processos de aprendizagem nos espaços virtuais. Sobre a
aprendizagem no virtual destaca-se o que foi denominado nos estudos
realizados por Barros (2005) para explicar a maneira de uso da virtualidade de
forma didático-pedagógica, a virtual literacy ou a competência na virtualidade
que é o uso dos aplicativos das tecnologias para transformar o conhecimento
em informações, dados e imagem. Essa modificação do processo de
construção do conhecimento para o ensino e a aprendizagem se estabelece
pelos elementos do virtual (LÉVY, 1996).

�251

Com base nesses elementos podemos dizer que o virtual se
estabelece como paradigma na educação a partir do que definimos como
“forma” e “conteúdo”.
Quando falamos de “forma” estamos nos referindo as possibilidades
que se apresentam nas interfaces digitais, nos recursos, nas ferramentas e
demais elementos que possibilitam formas de uso e facilitam serviços.
Especificamente as cores, as letras, os hiperlinks, os formatos, os vídeos, o
som, imagens, etc. Isso é um potencial para o trabalho educativo, diferente de
se trabalhar somente com os recursos não multimídias das aulas comuns ou
educação tradicional (BARROS, 2012b).
Já

os

“conteúdos”

referem-se

àsopções

apresentadas

pelo

recursoque tem como conteúdo próprio, para potencializar informações,
imagens e produção de conhecimento. Essas interfaces multimídias ou
também chamados recursos apresentam uma série de elementos visuais e
sonoros que facilitam e potencializam o trabalho de ensino tanto para o
docente na construção de materiais como para o aluno na sua própria
construção de materiais e de efetivações de seu aprendizado (BARROS,
2012b).
Portanto, os estudos realizados sobre essa temática, juntamente
com a teoria de estilos, facilitam o estabelecimento de um perfil de
aprendizadodas pessoas no virtual e as formas de direcionar as aplicações
didático-pedagógicas, para o processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com investigações anteriormente desenvolvidas por
Okada e Barros (2010) o tipo de aprendizagem que ocorre no espaço virtual é
aquela que se inicia pela busca de dados e informações, após um estímulo
previamente planejado. Em seguida a essa busca, ocorre a organização do
material de forma particular, de acordo com a elaboração, a organização, a
análise e a síntese que o usuário realiza simultaneamente, produzindo uma
aplicação multimídia dos instrumentos disponibilizados.
Barros (2011, 2012a) considera que o uso das tecnologias,
conjugado com os princípios desta teoria, possibilita que as interfaces,
ferramentas, recursos e aplicações multimídia atendam às características e
preferências individuais dos usuários, acrescentando ainda, que a teoria de

�252

estilos pode-nos facilitar muitas diretrizes para entender o como aprender e
ensinar no virtual.
A partir de estudos realizados por Barros (2012a) pode-se entender
que o espaço virtual possibilita maneiras de aprendizagem diferenciadas das
formas de aprendizagem do ensino presencial. Entretanto, os estilos de
aprendizagem visualizados no espaço virtual têm características perfeitamente
identificáveis dentro do paradigma do virtual e seus elementos. A mesma
autora desenvolveu um instrumento de identificação do estilo de uso do espaço
virtual, identificando a existência de quatro tendências de uso do espaço virtual,
integradas em quatro categorias, designadas por:


Estilo de uso participativo no espaço virtual, considera a participação
como elemento central, no qual o indivíduo deve estar familiarizado
neste espaço. Além disso, para realizar um processo de aprendizagem
no virtual, é necessária a presençade metodologias e materiais que
dêem prioridade ao contato com grupos online, que solicitem pesquisar
situações online, realizem trabalhos em grupo, fóruns de discussão e
ações que impliquem no envolvimento dosmateriais desenvolvidos.



Estilo de uso busca e pesquisa no espaço virtual, tem como elemento
central para a aprendizagem a necessidade de fazer pesquisa online,
procurar informações de todos os tipos e formatos. Este estilo
caracterizou-se como busca e pesquisa, no qual o usuário aprende
mediante a procura, seleção e organização do conteúdo. Os materiais
de aprendizagem devem estar voltados para a produção e sínteses que
englobem a pesquisa de um conteúdo.



Estilo de estruturação e planejamento no espaço virtual, tem como
elemento central a necessidade de desenvolver atividades que
valorizem as aplicações para a elaboração de conteúdos e de atividades
de planejamento. Estas atividades devem basear-se em teorias e
fundamentos sobre o que se está pesquisando.



Estilo de ação concreta e produção no espaço virtual, tem como
elemento central a necessidade de realização dos serviços online e a
rapidez na realização desse processo.
A partir dessa caracterização, na continuação dos estudos

realizados, foram desenvolvidos perfis estratégicos e pedagógicos para cada

�253

um dos estilos de uso do espaço virtual, facilitando assim a metodologia de
ensino à distância e o desenvolvimento da literacia da informação. A seguir,
são detalhadas no quadro 1 as prioridades nas estratégias de aprendizagem
para cada um desses estilos de uso do espaço virtual.
Quadro 1: Estilos de uso do espaço virtual e as estratégias de aprendizagem.
Prioridades nas estratégias de
aprendizagem no virtual:

Estilos de uso do espaço virtual

Estilo de uso participativo no espaço virtual,
considera a participação como elemento
central, no qual o indivíduo deve estar
familiarizado neste espaço.






Ter contato com grupos online,
Pesquisar situações online,
Realizar trabalhos em grupo,
Participar e interagir em fóruns de
discussão,
 Realizar
ações
auto-didatas
de
organização ou estruturação que utilizem
os materiais desenvolvidos e pesquisados
na disciplina.

Estilo de uso busca e pesquisa no espaço
virtual, tem como elemento central para a
aprendizagem a necessidade de fazer
investigação online, pesquisar informações
de todos os tipos e formatos.

 Realizar pesquisas e investigações em
vários contextos online,
 Selecionar e organizarconteúdos por áreas
ou temas de interesse,
 Utilizar os materiais de aprendizagem das
disciplinas para a produção de sínteses ou
resumos que englobem pesquisa de um
conteúdo específico.

Estilo de estruturação e planejamento no
espaço virtual, tem como elemento central a
necessidade de desenvolver atividades que
valorizem as aplicações para a elaboração
de conteúdos e de atividades de
planejamento.

 Organizar conteúdos de forma lógica,
sequenciados e dentro de uma estrutura
hierárquica,
 Estruturar e desenvolver planeamentos
para pesquisa e organização do material
recolhido da web,
 Todas as atividades devem basear-se em
teorias e fundamentos para que a lógica
esteja presente no raciocínio.

 Produzir objetosonline a partir do conteúdo
estudado,
Estilo de ação concreta e produção no
 Colocar em prática as competências
espaço virtual, tem como elemento central a
adquiridas dos conteúdos estudados com
necessidade de realização dos serviços
os serviços dos formatos digitais,
online e a rapidez na realização desse

Utilizar serviços online que estimulam e
processo.
motivam a rapidez e a possibilidade de
criar e construir.
Fonte: Barros (2013)

Tendo em conta os aspectos referidos, pode-se realizar na Unidade
Curricular

ministrada

no

curso,

estratégias

pedagógicas

para

o

desenvolvimento de atividades que facilitassem aos estudantes sugestões de
uso das tecnologias para a literacia da informação. Este tema será analisado
posteriormente neste texto.

�254

2.3 O cenário do estudo realizado

Conectados virtualmente os estudantes do curso de pós-graduação
em ciência da informação têm durante dois semestres algumas unidades
curriculares e a unidade curricular estudada faz parte desse conjunto de U.C
que o estudante deve realizar durante o primeiro semestre do curso de pósgraduação. A estrutura do curso pode ser visualizada no quadro 2.

Quadro 02: Estrutura do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Informação
e da Documentação Departamento de Humanidades – Universidade Aberta
Portugal
Estrutura
Curricular
e
Créditos:
1.º
semestre

2.º
semestre

3.º
trimestre

1 ECTS = equivale a 26 horas de trabalho/
estudo
U.Cs = Unidades Curriculares
 Análise de conteúdo e indexação (8 ECTS )
 Literacia da informação (6 ECTS )
 Gestão
da
informação
e
recursos
documentais (8 ECTS)
 Direito e ética da informação (6 ECTS)
 Sistemas de informação e bibliotecas
digitais (8 ECTS)
 Planeamento estratégico de serviços de
informação (8 ECTS)
 Metodologias de investigação (8 ECTS)
E-Marketing e comunicação integrada (8
ECTS)
 Prática Profissional (20 ECTS)

Plataforma Moodle
customizada de acordo
com o Modelo
pedagógico da
Universidade
Os cursos são
totalmente assíncronos

Os cursos são
totalmente assíncronos

Realizada pelo
estudante na área de
trabalho

Fonte: Elaborado pela autora.

A U.C ocorreu durante o primeiro semestre do ano 2012/2013
(outubro de 2012 a fevereiro de 2013). O desenvolvimento das estratégias
pedagógicas foram realizadas a partir do modelo pedagógico previamente
estruturado, com flexibilização e, portanto, ajustável aos objetivos e propostas
inovadoras da área pedagógica.
Apresentamos a seguir o direcionamento pedagógico estruturado
para cada tema e pensado para os objetivos e competências a serem
alcançados
A

literacia

da

informação

pode

ser

vivenciada

no

seu

desenvolvimento mediante o uso de tecnologias e nada melhor do que realizar

�255

isso no próprio curso que os estudantes participam para que possam entender
de forma objetiva e clara o como podem aplicar o tema nos seus espaços de
trabalho.
Como já mencionado, aqui destacamos novamente o conceito de
literacia da informação, no caso de Belluzzo (2003) que analisa como literacias
da informação ou a information literacy:
[...] área de estudos e de práticas que trata das habilidades para
reconhecer quando existe a necessidade de se buscar a informação,
está em condições de identificá-la, localizá-la e utilizá-la efetivamente
na produção do novo conhecimento, integrando a compreensão e uso
de tecnologias e a capacidade de resolver problemas com
responsabilidade.

Enfatizamos também o que aparece em García (2003) e Trindade
(2002) sobre a literacy como uma capacidade e uma forma de comportamento,
ou seja, a aptidão para compreender e utilizar informação escrita em atividades
diárias, em casa, no trabalho e na comunidade, para alcançar metas pessoais
e desenvolver conhecimento e potencial (possibilidades) próprios.
Partindo desses referenciais a construção da unidade curricular
baseia-se na relação entre os temas centrais cujo fio condutor é a informação e
o digital. A relação entre os conteúdos pode ser visualizada na figura 1.

Figura 1: Relação entre os temas desenvolvidos na Unidade Curricular de
Literacias da Informação do curso de pós-graduação.
Literacias da
Informação.

O potencial educativo da
literacias da informação
com o uso das
tecnologias digitais
interativas.

O que é a literacia
da Informação.

Sociedade da
Informação e do
Conhecimento.

Novas competências
do profissional das
ciências da
Informação.

Fonte: Elaborado pela autora.

�256

Os temas foram organizados a partir de textos que fundamentam a
área em que o estudante pudesse conhecer ou para aqueles que já conheciam
o tema em questão ou já haviam estudado algo a respeito, pudessem
aprofundar o seus referenciais e reflexão sobre o tema para compreender os
elementos e características que facilitaram o desenvolvimento da literacia da
informação no contexto atual.
Paralelamente à leitura dos conteúdos em diversos formatos (textos,
ppts, imagens e vídeos) os alunos desenvolveram reflexões e comentários nos
fóruns disponibilizados. Esses fóruns eram colaborativos, em alguns havia
intervenção do docente e, em outros,ocorreu diálogo somente entre os
estudantes.
Nos fóruns de intervenção dos docentes haviam perguntas ou
atividades diferenciadas para que fossem direcionadas as reflexões dentro de
várias abordagens e características do tema e que eram de importância para
os estudos ali organizados. Essa organização das perguntas e atividades
dentro dos fóruns foi elaborada mediante a teoria dos estilos de aprendizagem.
A dinâmica diferenciada do trabalho de comunicação nos fóruns ocorreu na
medida em que os alunos puderam desenvolver práticas participatórias e
colaborativas na criação e construção de percepções novas sobre os assuntos
tratados (DIAS, 2012). Os fóruns não tinham tempos estipulados ou
delimitados, mas sim dinâmicas de trabalho que motivavam as práticas
participativas.
Os trabalhos que os alunos realizaram dentro do tema alternaram
entre estratégias individuais com colaboração ou em grupo. Os grupos eram de
no máximo 4 pessoas para um público de 20 estudantes, todos com alguma
experiência emtrabalhos na área da ciência da informação.
As atividades individuais estavam voltadas mais à reflexão e escrita
sobre o conteúdo estudado e as percepções realizadas sobre a leitura
aprofundada dos temas. Já os trabalhos em grupo estavam voltados às
pesquisas online e construções de exemplos de acordo com o conteúdo
estudado. Neste item é que pudemos organizar atividades em que os
estudantes aprenderam como desenvolver e ampliar a literacia da informação
através da Competência em Informação, utilizando os serviços e recursos da
web.

�257

O principal exercício realizado foi a construção de uma proposta de
um espaço online educativo com base nos estudos da literacia da informação.
Era somente uma proposta, não foi necessário realizar o espaço online, mas
dar a visualização de como ficaria este espaço. O tema foi deixado à livre
escolha dos estudantes, devendo ser mas algo que os profissionais da ciência
da informação pudessem contribuir com a sociedade (usuários em geral,
colaboradores ou estudantes). A proposta deveria conter: tema, público alvo,
aplicativo(s) a serem utilizados, o conteúdo, a organização no espaço online do
conteúdo e a gestão desse conteúdo. Poderia ser um blog, uma rede, uma
página web, uma wiki, um curso online aberto, etc. Deveria ser algo que
pudessem aplicar ou ser útil em suaatuação profissional.
O uso das tecnologias como recurso aberto e serviço gratuito,
juntamente com a literacia da informação dentro desse espaço constituiu um
processo interessante de aprendizagem para os estudantes. Provocaram
interrogações sobre como construir algo que pudesse “ensinar e colaborar”
com os usuários para a aprendizagens relacionadas com a literacia da
Informação.
Esta atividade que incluía todos os estilos de aprendizagem facilitou
a aplicação do significado da literacia da informação para o profissional da
área. O mais interessante é que esta estratégia pedagógica deu bons
resultados e realizou um trabalho mais amplo do que se pensava porque
estimulou o desenvolvimento de propostas que seriam aplicáveis nos seus
espaços de trabalho dentro das literacias da informação.
Para visualização do ambiente Moodle da Unidade Curricular, as
figuras 2 e 3 apresentam informações de como era estruturado o ambiente no
início e, em seguida, exemplifica-se como estava estruturado cada um dos
temas trabalhados.

�258

Figura 2 – Imagem da Unidade Curricular Literacias da Informação

Fonte: Elaborado pela autora.

Figura 3 -Nova Imagem da Unidade Curricular Literacias da informação

Fonte: Elaborado pela autora.

Este cenário do estudo, nos conduziu para reflexões que auxiliaram
no desenvolvimento de estratégias sobre o desafio dos estudantes em
vivenciar a literacia da informação como potencial educativo.

�259

Para ilustrar estas observações, foram destacadasas estratégias
utilizadas nos fóruns de trabalho e nas atividades e exercícios dos temas
desenvolvidos juntamente com as competências relacionadas a literacia da
Informação. Essas observações ressaltamcomo as estratégias facilitavam o
desenvolvimento ou a aplicação dessas competências dentro da própria
Unidade Curricular.

Quadro 3 - As estratégias utilizadas e o potencial de desenvolvimento para a
Literacia da Informação.
Estratégias
Curricular

desenvolvidas

na

Unidade

Trabalhos
individuais
voltados
ao
desenvolvimento das percepções sobre o estudo
e leitura dos conteúdos disponibilizados mediante
reflexão
pessoal
sobre
os
conteúdos
(disponibilizados em vários formatos mediáticos)
em cada tema.
 Fóruns disponibilizados para cada estilo de
aprendizagem com base nos estudos dos
estilos de uso do espaço virtual.
 Fóruns colaborativos (interação estudantes
docentes estudantes).
 Fóruns entre os estudantes (interação entre
estudantes).
 Fóruns com perguntas (3 ou 4 questões
chave sobre o tema)
 Fóruns com a realização de mapas
conceituais (individualmente disponibilização
de mapas conceituais sobre o tema
estudado).

Realização de pesquisas orientadas com
(Guias didáticas)

Potencial de desenvolvimento para a
Literacia da Informação com base em
algumas das novas competênciasdentro da
Literacia da informação
 Aquisição e atualização de conhecimentos
sobre o meio profissional;
 Aquisição e atualização de conhecimentos
sobre o meio profissional

 Interação com utilizadores e clientes;
 Apresentação e disponibilização da
informação.

 Pesquisa de informação / formação de
utilizadores;
 Organização e atualização da informação;
 Análise e representação da informação;
 Identificação e validação das fontes de
informação;

Construção de uma proposta prática de ensino da
literacia da informação nos seus espaços de
 apresentação e disponibilização da
trabalhoque deveriam utilizar os recursos da web
informação.
2.0
Fonte: European Council of Information Associations (2005)

Podemos observar no quadro 3 que as novas competências
mencionadas são transversais as estratégias aplicadas.O que realizamos foi
destacar a relação mais evidente entre as estratégias e as competências para
melhor visualização e compreensão.

�260

O

desafio

de

disponibilizar

aos

estudantes

estratégias

de

aprendizagem que ajudassem a desenvolver a literacia da informação
mediante o uso das tecnologias foi muito significativo, porque além de
experimentarem as sugestões de atividades os estudantes puderam ampliar a
sua literacia e também ter algumas ideias sobre como poderiam realizar
propostas de ensino da literacia da informação.
O

princípio

de

uma

pedagogia

da

literacia,

de

acordo

comPereira(2006), em que a prática situada é claramente o princípio
pedagógico

central,

em

que

o

autor

fundamenta

social,

cultural

e

psicologicamente. Nesta concepção pedagógica, podemos entender que a
finalidade da prática situada é a de proporcionar experiências de ação didática
informal e que no trabalho desenvolvido realizaram a convergência entre a
literacia da informação e a ação pedagógica.

2.4 O potencial educativo do virtual como estratégia pedagógica

Tendo por base o conceito de Perrenoud (1999) que destaca a
competência como o desenvolvimento de capacidades do indivíduo em atitudes
que requeiram subsídios da inteligência para solucionar situações-problema.
Também as reflexões sobre habilidade na área de educação, de acordo com
Perrenoud e Thurler (2002), deve ser considerada como transposição do que
foi

aprendido

ao

atitudinal.

Essa

perspectiva

destaca

uma

postura

interdisciplinar nas atitudes, é um caminho que está além da ação. Esse não é
o fim do processo, mas sim a forma de mobilizá-lo.
Podemos entender que de acordo com as competências e
habilidades, o trabalho realizado dentro da “U.C das Literacias da Informação”,
facilitou a mobilização do que foi aprendido ao atitudinal, com o tripé
tecnologias, literacias da informaçãoe processos educativos.
Facilitar ideias e percepções sobre como desenvolver experiências
em que os usuários, clientes, estudantes ou colaboradores na área da ciência
da informação possam aprender a utilizar a literacia da informação como um
recurso pessoal e de competência para a busca do conhecimento e
aprendizagens individuais, foi um desafio que tentamos superar com as

�261

estratégias pedagógicas que utilizamos no desenvolvimento da Unidade
Curricular.
Segundo Dias (2012) existe uma crescente necessidade na
diminuição de fronteiras entre educação formal e informal, nomeadamente
através da pedagogia da participação nas práticas de mediação social e
cognitiva. Enquanto meios para a elaboração e sustentabilidade dos processos
de inovação. A pedagogia da participação relaciona-se com a colaboração, as
comunidades, a imersão nos ambientes digitais, as redes, a construção dos
cenários de educação no ambienteonline.
O trabalho que se realizou na U.C, potencializa uma experiência ao
aluno, de educação informal na estruturação de uma proposta com o uso de
tecnologias para uma experiência online e educativa.
O momento em que vivenciamos se concretiza por iniciativas online
e oferta de experiências que nada maisse referemà educação informal. Essa
tendência das redes, comunidades e serviços da web, nos faz pensar a
literacia da informação neste processo e o como preparar os estudantes da
ciência da informação para se adaptarem a isso e usufruir dessas
possibilidades na área em que atuam.
Podemos analisar que a educação àdistância no modelo pedagógico
da Universidade Aberta, juntamente com as estratégias pedagógicas com base
nos estilos de aprendizagem facilitaram e muito a organização de experiências
dentro da Unidade Curricular. Transformaram o tema das literacias da
informação em uma proposta entendida e desenvolvida pelo estudante, tanto
pessoalmente na sua literacia da informação como difusor enquanto elaborador
de propostas com o uso das tecnologias para o desenvolvimento de
orientações, cursos, sites ou até mesmo comunidades nesta área. Para
finalizar deixamos caracterizado alguns dos exemplos das propostas realizadas
pelos estudantes recentemente na Unidade Curricular no quadro 4.

�262

Quadro 4 - Exemplos de propostas realizadas pelos estudantes a partir dos
estudos na Unidade Curricular
Projeto
INFOTEKA
–
Centro
de
Literacia
Informacional
Página web criada
interface Webnote

na

Objetivos:
Planificar e executar a criação de um espaço de trabalho da Biblioteca
diretamente vocacionado para atividades de promoção da literacia
informacional, na sua vertente educacional, que visa uma capacitação
social e a integração do indivíduo no mundo a que pertence para:
Favorecer o desenvolvimento de novas experiências de ensino, apoiando
ativamente os docents.
Desenvolver acções educativas de promoção da literacia para a
comunidade dos alunos do ensino básico dos 1º, 2º e 3º Ciclos nas
Bibliotecas Escolares.
Desenvolver ações educativas, culturais e sociais destinadas aos alunos
a fim de prevenir a iliteracia e de combater a exclusão e o abandono
escolar.

Projeto
Bibliotec@ar
Elaborado em uma página
web criada na interface
Blog.

Projeto Blog Informar
Realizado em uma página
web criada na interface
Blog

Disponibilizar ofertas de iniciativas para incrementar o uso de práticas
conducentes ao desenvolvimento de competências nas várias literacias.
Objetivos:
A construção de um espaço online que pudesse armazenar materiais
que iríamos construir no sentido de desenvolver nos alunos algumas das
principais competências relativas à literacia da informação ( pesquisa em
ciência da informação) serviu de base à ideia de realizar um Programa
de formação para a Literacia da Informação que conjugasse o espaço
sala de aula e a Biblioteca escolar.
Para tanto elaborar um Plano de formação para a Literacia da
Informação, que tenha como base o Projeto Educativo do Agrupamento
Escolar que se insira no Plano anual de atividades da Biblioteca escolar.
Objetivo:
Este espaço pretende criar uma consciência social sobre a importância
da leitura, promover o acesso ao livro e à leitura, assumindo-a como fator
de desenvolvimento individual e de progresso coletivo e criar um
ambiente social favorável à leitura.
Além disso, este blog tem como objetivos específicos partilhar leituras,
criar e desenvolver o gosto pelo livro e pela leitura, formar leitores
competentes e fornecer recursos e ferramentas para localizar, avaliar e
usar a informação.

Fonte: Elaborado pela autora

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O curso de literacias da informação da pós-graduação facilita um
trabalho de aprendizagem ativa aos estudantes para que ao final da Unidade
Curricular possam propor formas de trabalhar com os usuários com o uso das
tecnologias.
As estratégia de ensino com o uso das tecnologias ampliaram as
possibilidades de desenvolvimento e compreensão da literacia da informação.

�263

Realizamos aqui análises das estratégias didático-pedagógicas que oferecem
ao profissional da ciência da informação condições de motivar e mobilizar
competências para o desenvolvimento de propostas e ações dentro da sua
realidade.
Para tanto, apresentamos um modelo de educação à distância, seus
aspectos didáticos e a sua relação com a aprendizagem da literacia da
informação e destacamos as estratégias pedagógicas que facilitam o trabalho
de ensino da literacia da informação para os profissionais da ciência da
informação.
Acreditamos que este estudo deverá contribuir para a ampliaçãode
referenciais que nos ajudam a construir práticas de colaboração entre
investigadores da área de forma aberta, e que valorizam as novas tendências e
perspectivas em cursos de formação continuada atuais na área de formação
que envolve a ciência da informação.

REFERÊNCIAS

ALONSO, C. M.; GALLEGO, D. J.; HONEY, P. Los estilos de aprendizaje:
procedimientos de diagnóstico y mejora. Madrid: Mensajero, 2002.
AlONSO, C.; GALLEGO, D. Aprendizaje y ordenador. Madrid: Editorial
Dykinson, 2000.
ALONSO, C. M.; GALLEGO D. J. Tecnologías de la información y la
comunicación. Disponível em: &lt; http://dewey.uab.es/pmarques/&gt;. Acesso em:
07 jan. 2004
BARROS, D. M. V. Virtual literacy: mediação para a informação e a
aprendizagem In: PASSOS, R.; SANTOS, G. C. Orgs. Competência em
Informação para a aprendizagem. Bauru: Editora KAIRÓS, 2005. p.15-30.
BARROS, D. M. V.Guia didático sobre tecnologias da comunicação e
informação para o trabalho educativo na formação docente. Rio de
Janeiro: Vieira e Lent, 2009.
BARROS, D.M.VEstilo de aprendizagem colaborativo para o elearning. Revista Linhas,v.12, n.2. 2011. Disponível
em: http://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/view/2402,
BARROS, D.M.V. Estilos de aprendizaje y las tecnologías: medios
didácticos en lo virtual. Editorial Académica Española, Madrid, 2012a.

�264

BARROS; D.M.V. Estilos de aprendizagem e as tecnologias: guias didáticas
para o ensino fundamental. (mimeo) 2012b.
BARROS, D.M.V Qualidade e inovação didático-pedagógica para o ensino
superior: os estilos de aprendizagem na metodologia de ensino a
distância e elearning. Proposta científico –pedagógica, 2013.(mimeo)
BELLUZZO, R. C. B. A formação contínua do professor na sociedade do
conhecimento. Palestra proferida no dia 8/04/2003, na UNESP de Araraquara,
no programa de pós-graduação em Educação Escolar, 2003.
BELLUZZO, R. C. B. Gestão da informação, do conhecimento e da
documentação. In: JESUS, A. C. de. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de
formação: gestão da informação. São Paulo: Paginas &amp; Letras, 2005.p.67-80.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. 3.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.v.1
CATTS, R.; LAU, J. Towards information literacy indicators: conceptual
framework paper. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em:
http://www.unesco.org/new/en/counication-and
DIAS, P. Comunidades de educação e inovação na sociedade digital.
Educação, Formação &amp; Tecnologias, v.5, n.2, p.4-10, 2012. [Online],
Disponível em:&lt;http://eft.educom.pt.&gt;.
DUDZIAK, E. A. A information literacy e o papel educacional das
bibliotecas. 2001. 203f. Dissertação de Mestrado em Ciências da Informação Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
EUROPEAN COUNCIL OF INFORMATION ASSOCIATIONS. 2005. EuroReferencial I-D. Lisboa: Incite. Disponível em http://www.moodle.univab.pt/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&amp;id=1583901. Acesso em: 3
dez. 2012.
GARCIA, A. F. Literacia y técnicas de aprendizaje. In: CONFEDERACION DE
ORGANIZACIONES EMPRESARIALES DE CASTILLA Y LEON. La formacíon
empresarial con e-learning, Valladolid: Junta de Castilla y León, 2003.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
LÉVY, P. O que é virtual. São Paulo: Editora 34, 1996.
OKADA, A. ; BARROS, D.M.V. de. Ambientes virtuais de aprendizagem aberta:
bases para uma nova tendência. 2010. Disponível em:
http://oro.open.ac.uk/29310/1/teccogs... Acesso em: 23 fev.2013.

PEREIRA, A. et al. Modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta,
Lisboa: Universidade Aberta, 2007.

�265

PEREIRA,I.S.P. Para uma pedagogia situada e explícita da literacia escolar. In:
Revista Portuguesa de Educação, v.19, n.19, p.177-184, 2006. Disponível
em:http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rpe/v19n1/v19n1a08.pdf.
PERRENOUD, P. Construir competências desde a escola. Porto Alegre:
Artmed, 1999.
PERRENOUD, P.;THURLER, M. G. As competências para ensinar no
século XXI. Porto Alegre:Artmed, 2002.
TRINDADE, M. de N. Literaria: teoria e prática orientações metodológicas. São
Paulo: Cortez, 2002.

�266

INOVAÇÃO E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA
TEÓRICO-PRÁTICA COM PÓS-GRADUANDOS EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO 1
Glória Georges Feres

1 INTRODUÇÃO

Quando se fala em inovação surge à ideia de que a inovação ocorre
somente no meio empresarial e em ambientes altamente tecnológicos. Mas, o
que seria exatamente inovar? Em que consistiria a inovação e para que serve?
Quem e como se pode inovar? Qual a relação da Competência em Informação
e a inovação? As respostas às essas perguntas são importantes para que as
organizações e as pessoas possam trilhar novos caminhos em busca de uma
maior realização, competitividade e sustentabilidade dos negócios.
Considerando-se tais circunstâncias, na condição de docente
colaboradora convidada para oferecer conteúdo específico sobre “Inovação e
Competência em Informação” na Disciplina de “Competência em Informação,
Redes de conhecimento e Inovação”, durante o 1º semestre de 2013
(março/abril) junto ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação
(UNESP-Campus de Marília) na Linha de Pesquisa: Gestão, Mediação e Uso
da Informação. Seu ementário envolveu o desenvolvimento da Competência
em Informação e sua inter-relação com redes humanas de construção de
conhecimento como diferencial para a inovação, tendo como foco o
desenvolvimento dessas redes e sua interação com diferentes recursos
informacionais, bem como quanto à aprendizagem e independência em gerar
conhecimento inovador e sua aplicabilidade à realidade social.
Dentre as atividades de leitura, análise e síntese desenvolvidas
durante a realização da disciplina, foi realizada uma oficina com os pósgraduandos apoiada em dinâmica de grupo, cujas estratégias pedagógicas
envolveram as seguintes etapas: 1ª – Divisão dos grupos de trabalho; 2ª –
Teórica – Aula expositiva e palestra dialogada; 3ª - Trabalho em grupo com a
1

Refere-se à Oficina realizada em março de 2013, como atividade da Disciplina de “Competência em
Informação, Redes de conhecimento e Inovação”, junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação/ UNESP-Campus de Marília, sob a responsabilidade da Profa. Dra. Regina Celia Baptista
Belluzzo.

�267

leitura e análise de síntese elaborada como texto instrucional fornecida pelo
docente e consulta aos padrões e indicadores de Competência em Informação
compilados e adaptados por Belluzzo (2007); e 4ª– Comparação entre o textosíntese e os padrões e indicadores de Competência em Informação e
estabelecimento da inter-relação entre a Competência em Informação e a
inovação.
Tanto a fundamentação teórica que apoiou as etapas como os
resultados obtidos com a comparação e sínteses efetuadas pelos grupos de
pós-graduandos são descritos, a seguir, como contribuição às reflexões e
lições aprendidas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Inicia-se por salientar que a inovação nas organizações é a
exploração de novas ideias para melhorar os negócios, criando vantagens
competitivas e gerando sucesso nos resultados. Organizações que apresentam
uma maior capacidade de inovação têm maior competitividade. Portanto, a
necessidade de inovação nas organizações exige novas habilidades e novos
conhecimentos, ou seja, mudanças nas formas habituais do “fazer” na
organização.
A inovação pode ser realizada pela organização, individualmente ou
em parceria com outras instituições ou também adaptando ideias de outras
organizações/instituições nacionais e estrangeiras. Assim sendo, a inovação
pode

ocorrer

em

qualquer

setor

da

economia,

incluindo

serviços

governamentais como saúde e educação, pois a inovação é decorrente de um
novo olhar para as mesmas ações.
A Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
(OCDE) define a inovação como “a implementação de um produto (bem ou
serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo
método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de
negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”
(2005). Portanto, a inovação ocorre quando se procura colocar em prática
ideias e métodos diferentes, que resultem em novos produtos e processos
inovadores.

�268

Há várias formas de inovar, sendo que podem ser destacadas áreas
de inovação, Mattos (2008) tais como:
a) Inovação em produtos (bens ou serviços): envolvem mudanças
significativas nas potencialidades de produtos e serviços, ou seja,
desenvolvimento de produtos novos, ou aperfeiçoamentos significativos
para

produtos

existentes,

atendendo

melhor

às

necessidades,

incorporando facilidade de uso ou outras características funcionais;
b) Inovações de processo: aprimoramento ou desenvolvimento de novas
formas de produção ou de discribuição de bens ou de novos meios de
prestação de serviços, ou seja, mudança no como se faz (mudanças nos
equipamentos ou na organização ou em ambos);
c) Inovação tecnológica: ocorre quando a inovação é resultado da
aplicação de conhecimentos obtidos por meio da pesquisa científica
aplicada

a

produtos

ou

processos

de

produção,

com

novas

funcionalidades e efetivos ganhos de qualidade ou produtividade,
resultando em maior competitividade.
d) Inovação de marketing é a implementação ou desenvolvimento de novos
métodos de marketing e comercialização, com mudanças significativas
na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do
produto em sua promoção ou na fixação de preços.
e) Inovação organizacional que visa à melhoria do desempenho de uma
empresa por meio de novos métodos de organização e gestão no local
de trabalho ou nas relações da empresa com o mercado, fornecedores
ou distribuidores, por meio da redução de custos administrativos ou de
custos de transação. É, portanto, a implementação de um novo método
organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do
seu local de trabalho ou em suas relações externas.
De modo geral, as organizações são o centro da inovação. É por
meio delas que as tecnologias, invenções, produtos, chegam ao mercado.
Entretanto, a inovação é também importante para o setor público e pouco se
sabe sobre o processo de inovação em setores não orientados ao mercado. As
inovações, mesmo as mais simples, podem envolver algum dispêndio de
recurso financeiro ou, pelo menos, a mobilização de recursos humanos e
organizacionais. Dessa forma, as universidades, centros de pesquisa, agências

�269

de fomento, investidores, governo e organizações com seus clientes,
fornecedores, concorrentes ou outros parceiros, formam um sistema de
inovação

que

exercem

diversas

funções:

ora

de

pesquisa

e

de

desenvolvimento, oura de investimento ou de subsídios a projetos.
Assim, pode-se dizer que a abrangência e intensidade da inovação
são variáveis. Quanto à intensidade a inovação pode ser incremental, radical
ou revolucionária e quanto à abrangência ela pode ser para a organização,
para o mercado ou para o mundo.
Inovação quanto ao grau de intensidade, segundo Mattos (2008)
pode ser:
a) Inovação incremental: quando existe melhoria no que se faz e /ou
aperfeiçoamento do modo como se faz, e que se tornam mais desejados
pelos seus clientes/consumidores e, portanto, mais competitivos.
b) Inovação radical: quando as novas ideias resultam em produtos ou
processos totalmente novos, que antes não existiam no mercado.
c) Inovação revolucionária: quando os novos produtos têm um impacto tão
grande sobre o sistema produtivo que podem, tornar obsoletas as bases
tecnológicas existentes.
Inovação quanto ao grau de abrangência ou alcance pode ser:
a) Inovação para a organização: quando a novidade implementada está
limitada ao âmbito da organização, mesmo que utilize conhecimentos
técnicos já dominados e difundidos, o objetivo é promover mudanças
significativas nos resultados.
b) Inovação para o mercado: quando a organização é a primeira a
introduzir a inovação no seu mercado.
c) Inovação para o mundo: quando os resultados das mudanças são
introduzidos pela primeira vez em todos os mercados, nacionais e
internacionais, no mundo todo (MATTOS, 2008)
Portanto, para que a inovação ocorra, há necessidade de se dar à
devida importância ao cenário competitivo vigente, estar alinhado aos objetivos
da organização, desenvolver e internalizar ferramentas de gestão do processo
de inovação e que sejam desenvolvidos ambientes adequados, principalmente
condições institucionais, legais e de trabalho para que as pessoas possam ter
boas ideias e inovar. Para estarem de acordo com esse processo, as pessoas

�270

que compõem a organização são solicitadas no desenvolvimento dos seus
conhecimentos, habilidades e competências.

2.1Como surgem ideias?

Boas ideias podem ter origem durante conversas informais,
observação de procedimentos, comentários sobre uso de determinadas
tecnologias, opiniões de clientes, análise da concorrência, análise do mercado
e notícias. Mas, para que as ideias possam ser aproveitadas e transformadas
em inovações economicamente bem sucedidas, é preciso que estas ideais
brotem nas organizações.
As organizações para serem inovadoras e competitivas, devem
estimular a criatividade e comprometimento entre as pessoas, pois em um
ambiente favorável as ideias novas fluem de diversas origens. Para que isso
ocorra há necessidade de implementação de práticas favoráveis à inovação,
além de ser preciso ter consciência do que é realmente inovador e qual a sua
importância para as organizações, pois não existe um modelo único para que
ocorra a inovação, mas sim um ambiente que propicie condições favoráveis à
inovação, que pode ser resumidas em três grupos, segundo o Movimento Brasil
Competitivo – MBC (MATTOS, 2008).


Difusão de informações: ter uma comunicação aberta e
constante, que possibilite a liberdade de expressão e
ageração e o acúmulo de ideias.



Qualificação das pessoas: investir na capacitação constante
das pessoas, tanto em suas áreas de conhecimento quanto
em outras complementares para que estes saibam onde
procurar informações que venham a agregar conhecimento e
ideias criativas e inovadoras.



Reconhecimento do esforço coletivo: incentivar e premiar
novas ideias, mesmo quando não tenham resultados
imediatos.

Um ambiente inovador é interativo, de aprendizagem permanente,
com redes humanas conectadas, do trabalho em equipe e da troca de
experiências, de modo a buscar constantemente por fazer melhor e diferente,

�271

sempre. As tecnologias de gestão ou o modo de organização e gerência
desses ambientes de trabalho precisam estar constantemente sendo inovados
para permitir manifestação e uso produtivo das capacidades criativas dos seus
colaboradores.
Em suma, as organizações e as pessoas estão constantemente em
fase de competições, para assegurar seu espaço no mercado e para que isso
ocorra

evidentemente

há

risco

nos

processos

inovativos

e

o

não

enfrentamento, ou enfrentamento tardio pode acarretar em perda de mercados
para empresas inovadoras. As pessoas precisam ser competentes para
atuarem nesses mercados e aprender a buscar ideias no cotidiano da vida.
Mas, para tanto é imprescindível que as pessoas possuam pré-requisitos de
como acessar as informações de modo que possam usá-las e transformá-las
em ideias inovadoras.

2.2 Organizações inovadoras: principais características

As principais características das organizações inovadoras na visão
de Tidd; Bessant; Pavitt (2008) são:
 Visão compartilhada, liderança e desejo de inovar: a inovação tem a
ver com mudança e aprendizagem e com a ruptura de padrões préestabelecidos requerendo o apoio e envolvimento do alto escalão da
organização.
 Estrutura organizacional adequada: modelos flexíveis e hierarquias
horizontais têm mostrado que estão mais propensas a inovar, já que o
processo de tomada de decisões tende a ser menos engessado e acaba
por fomentar interação e criação de vínculos maiores entre as pessoas.
 Indivíduos-chave: são os líderes ou campeões de projetos de
inovação, que assumem a figura de facilitadores e interlocutores do
processo de inovação e têm a responsabilidade de defender a causa e
levar entusiasmo por meio de todo sistema organizacional.
 Capacitação

e

desenvolvimento

contínuo:

o

desenvolvimento

permanente de conhecimentos e habilidades da equipe é fundamental

�272

para permitir que essa esteja preparada para agir no momento em que
surge uma oportunidade de inovar.
 Inovação com alto envolvimento: cada indivíduo deve ser capaz de
desenvolver e pensar em inovações relacionadas aos processos em que
está envolvido; a soma desses esforços pode trazer impactos profundos.
 Trabalho de equipe eficaz: grupos têm mais a oferecer na fluência de
geração de ideias e de flexibilidade nas soluções e a combinação de
pessoas com conhecimentos multifuncionais tem contribuído para
melhorias de maior qualidade e impacto.
 Atmosfera criativa: sua construção envolve políticas de comunicação e
procedimentos, sistemas de recompensa e reconhecimento, políticas de
formação e desdobramento de estratégias de relacionamento e
compartilhamento.
 Foco externo: a inovação tem se tornado um processo aberto,
envolvendo a colaboração de redes externas que produzem melhores
resultados do que somente dentro da organização.
 Comunicação extensiva: a solução de conflitos e a melhoria na clareza
e frequência da comunicação dependerão de diversos canais,
considerando-se que a resolução de problemas depende da combinação
de diferentes conhecimentos que podem estar amplamente distribuídos
pela organização.
 Aprendizagem

organizacional:

a

inovação

é

um

ciclo

de

aprendizagem, que envolve um processo de experimentação, prática,
reflexão e consolidação e a gestão desse processo cria condições de
aprendizado ao longo da vida, favorecendo o sucesso das inovações
futuras (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
É necessário, portanto, que uma plataforma para a criatividade
individual esteja presente no ambiente das organizações inovadoras, tendo
como base:
 A presença de sentimentos de confiança e respeito.
 A harmonia nas equipes.
 A prática das virtudes de compartilhar ideias e de respeitar as
diferenças.
 A valorização das pessoas, da equipe e da rede.

�273

 O reconhecimento das potencialidades individuais e coletivas.
 A oferta de oportunidades para a produção e troca de ideias.

2.3 Criatividade e inovação

Comumente as pessoas associam a ideia de que para haver
inovação, basta haver criatividade. Sendo assim, entende-se criatividade como
a geração de novas ideias e a inovação como a implementação bem sucedida
dessas ideias na prática. Dessa forma, criatividade é apenas o primeiro passo
para que se possa inovar, pois além de boas e novas ideias, há necessidade
de saber reconhecer oportunidades para poder aplicar as novas ideias na
prática, solucionando problemas de forma bem sucedida e obtendo demanda
no mercado. A partir disso tem-se algo inovador.
A criatividade está relacionada com processos de pensamento,
imaginação, intuição e originalidade. Trata-se de características importantes
para um profissional de sucesso. Pode-se dizer que pessoas criativas estão
constantemente buscando novas maneiras de resolver os novos problemas e
os velhos problemas, não se contentando apenas em saber o que deve ser
feito, e sim se perguntando sempre como fazer melhor e diferente. As
organizações que estimulam a criatividade estão também estimulando a
flexibilidade, a visão de futuro, a autonomia, os trabalhos em equipes, a
liderança, a troca de experiências, a aprendizagem coletiva e a busca de
soluções alternativas etc.
A criatividade é um processo do psiquismo, que possibilita utilizar
novos recursos na solução de problemas nas organizações. Segundo Felippe
(2008) a criatividade humana não é temporal, é um patrimônio do ser humano e
que deve ser compartilhado pela sociedade, ou seja, deve-se criar ou inovar
algo a ser aproveitado pela sociedade ou até mesmo quebrar paradigmas
vigentes. Não há hora marcada para ter boas ideias, ela é consequência da
sistematização e motivação das pessoas em ver a realidade sob um novo
olhar. Portanto, na prática, ninguém inventa nada sozinho, mas aproveitando o
conhecimento existente e produzido por outros.
Pode-se dizer que a criatividade está relacionada à resolução de
problema, particularmente àqueles não convencionais. A primeiracontribuição

�274

foi desenvolvida pelo psicólogo Graham Wallas, em 1926, quando propôs o
“modelo de pensamento criativo” nas fases de:
1) Conscientização – coleta de informações sobre o problema a ser
solucionado. Envolve a pesquisa, em um esforço consciente na
busca pela solução do problema;
2) Incubação – é a utilização de processos mentais inconscientes
desimpedidos pelo intelecto literal;
3) Iluminação ou insight – é a essência na criação, acontece quando
a ideia surge na mente, de forma pronta. É a solução pura e
genial para o problema;
4) Verificação – é a fase de teste. Nela é verificada a qualidade da
ideia em termos práticos (WALLAS apud ALVES et al. 2008).
O processo de criatividade requer a descoberta de relações não
usuais, onde a pessoa que possui maior criatividade parece manter um
compromisso, um equilíbrio livre e espontâneo entre exploração inconsciente e
o controle racional. Em verdade, pode-se dizer que tarefas criativas são mais
motivadoras do que as puramente repetitivas. Criar é algo que pertence à
natureza humana, por isso as pessoas se realizam por meio de valores
criadores, valores vivenciais e de atitude. Desse modo, reconhecer e estimular
o

processo

de

crescimento

criativo

promove

o

desenvolvimento

da

personalidade.
Em síntese, a criatividade é a capacidade de associar, selecionar,
reestruturar, organizar e transformar experiências passadas, conhecimentos e
percepções

presentes,

produzindo

combinações

únicas.

Todos

tem

possibilidade de desenvolver habilidades e qualidades criativas, cada um de
acordo com a sua potencialidade básica natural, ou seja, do seu patrimônio
cultural.
Assim sendo, criatividade não é meramente uma questão de
técnicas e habilidades, mas, sobretudo de uma atitude mental no trato de
problemas e de ideias. Somente habilidades técnicas não produzem resultados
satisfatórios sem uma atitude mental correta que leve a ver o mundo sob
diferentes perspectivas e a trilhar caminhos nunca antes tentados. Requer
coragem, para apresentar as ideias e seguir tentando, sem medo dos fracassos

�275

criativos. Além disso, pode-se dizer, que a criatividade e a intuição ocorrem no
nível da subjetividade das pessoas que atuam nas organizações, permitindo a
flexibilização das redes humanas. Surge da capacitação do intelecto, do
raciocínio e do conhecimento. Myers Briggs (apud GEOCITIES, 2000),
identifica quatro tipos de pessoas que teriam características intuitivas:


As solucionadoras de problemas – pessoas que tendem a serem
independentes e impessoais, com maior propensão para considerar
modo como os outros poderão afetar os seus projetos. Geralmente,
sentem-se encarregados da missão de realizar uma possibilidade de
solução;



As facilitadoras – são pessoas mais animadas, com capacidade
para lidar com as pessoas. São extremamente preceptivas em
relação às maneiras de ver as pessoas e inspirá-las;



As criadoras – são as pessoas mais independentes, em qualquer
campo de atuação. A intuição lhes possibilita uma percepção das
possibilidades;



As harmonizadoras – interessam-se naturalmente pelas pessoas e
se preocupam com a harmonia. Sentem-se estimulados pelas
dificuldades do bem estar humano, resolvendo-as de maneira
engenhosa (BRIGGS apud GEOCITIES, 2000).

Dessa forma, podemos dizer que a intuição ocorre no nível da
subjetividade das pessoas que atuam nas organizações permitindo a
flexibilização das redes humanas. Surge da capacitação do intelecto, do
raciocínio e do conhecimento. O relacionamento visando à cooperação tornouse ponto central da nova forma organizacional e passou a ocupar papel
relevante nos empreendimentos modernos. A cooperação está relacionada,
quase sempre, ao desenvolvimento que gera e a interação.
Alguns modelos e atitudes mentais são essenciais para o
pensamento criativo e são apresentados no quadro 1.

�276

Quadro 1 – Dimensão dos modelos e atitudes mentais
MODELOS E ATITUDES
MENTAIS

DIMENSÃO
Criatividade requer uma disposição permanente para investigar,
procurar entender e obter novas informações sobre as coisas
que nos cercam. Para se tornar uma pessoa mais criativa você
deve aprender a perguntar “por quê?” e “e se…?” e incorporar
estas perguntas ao seu modo de vida.
As pessoas criativas não fogem dos desafios, mas os
enfrentam perguntando “como eu posso superar isto?”. Elas
têm uma atitude positiva e veem em cada problema uma
oportunidade de exercitar a criatividade e conceber algo novo e
valioso.

Curiosidade

Confrontando desafios
Coragem!

Descontentamento construtivo

As pessoas criativas têm uma percepção aguda do que está
errado no ambiente ao seu redor. Contudo, elas têm uma
atitude positiva a respeito desta percepção e não se deixam
abater pelos erros. Ao contrário, elas transformam este
descontentamento em motivação para fazer algo construtivo.
Criatividade requer uma mente receptiva e disposta a examinar
novas ideias e fatos. As pessoas criativas têm consciência e
procuram se livrar dos preconceitos, suposições e outros
bloqueios mentais que podem limitar o raciocínio.
As pessoas muito criativas são hábeis em adotar diferentes
abordagens na solução de um problema. Elas sabem combinar
ideias, estabelecer conexões inusitadas e gerar muitas
soluções potenciais. Elas adoram olhar as coisas sob diferentes
perspectivas e gerar muitas ideias.

Mente aberta

Flexibilidade

As pessoas criativas sabem que há um tempo para desenvolver
ideias e outro para julgá-las. Elas têm consciência que toda
ideia nasce frágil e precisa de tempo para maturar e revelar seu
valor e utilidade antes de ser submetida ao julgamento.

Suspensão do julgamento

A capacidade de se concentrar nos detalhes sem perder de
vista o todo é uma habilidade fundamental das pessoas
criativas. A visão do todo lhe dá os caminhos para estabelecer
conexões entre informações e ideias aparentemente
desconexas.
Pessoas que acreditam que um problema pode ser resolvido
acabam por encontrar uma solução. Para elas nenhum desafio
é tão grande que não possa ser enfrentado e nenhum problema
tão difícil que não possa ser solucionado.

Síntese

Otimismo

As pessoas muito criativas não desistem facilmente de seus
objetivos e persistem na busca de soluções, mesmo quando o
caminho se mostra longo e os obstáculos parecem
intransponíveis.

Perseverança

Eterno aprendiz

Liberdade e responsabilidade

Frequentemente, a solução criativa nasce de combinações
inusitadas, estabelecendo analogias e conexões entre ideias e
objetos que não pareciam ter qualquer relação entre si. A
matéria prima para estas analogias e conexões são os fatos
observados e os conhecimentos e experiências anteriores que
a pessoa traz consigo. É através de seu patrimônio cultural que
cada pessoa pode dar seu toque de originalidade. Este
patrimônio cultural nasce e se alimenta de uma atitude de
insaciável curiosidade e de prazer em aprender coisas novas.
Pessoas que sabem fazer distinção em entre fazer e agir,
enxergando que ética não é só qualidade ou excelência no
fazer, mas a busca por atingir a qualidade no agir, que é a
dimensão interior do ato. Fazer é a dimensão externa do ato.

Fonte: Adaptado de Siqueira (2007)

�277

A interação leva ao compartilhamento, impulsiona os fluxos de
informação e de conhecimento que são decorrentes do movimento de uma
rede e determinados pelos vínculos que se configuram e reconfiguram. Esses
são elementos que podem constituir uma rede de conhecimento.
Nas redes flexíveis, as organizações relacionam-se horizontalmente,
com poder de influência e de ação semelhantes. As redes sociais e de
conhecimento podem ser consideradas redes flexíveis, nas quais os atores
ganham competências pessoal e empresarial, valendo-se de suas relações,
que movimentam a informação e constroem conhecimento (CASAROTTO
FILHO; PIRES, 1999).
As redes de conhecimento enfatizam a criação de valores comuns
por todos os seus membros, movimentam-se por meio do compartilhamento da
informação, visando a reunião e a criação de novos conhecimentos. As redes
de conhecimento fortalecem a capacidade de pesquisa e de comunicação em
todos os membros na rede.
Essas

redes

de

conhecimento

identificam

e

implementam

estratégias que exigem maior empenho dos responsáveis na tomada de
decisões, isso porque movimentam o conhecimento dentro de políticas e
práticas adotadas pelos participantes (CREECH; WILLARD, 2001).
O conhecimento coletivo nas organizações difere em suas
dimensões e essas diferenças devem refletir no valor e utilidade estratégica
desse conhecimento. Entender os elementos constitutivos do conhecimento é a
base para se entender uma classificação do conhecimento coletivo da
organização.
O conhecimento coletivo é formado a partir do conhecimento
explícito, ou seja, aquele que pode ser representado, documentado e,
sobretudo, transposto a outras pessoas de forma clara e objetiva.
As organizações possuem conhecimento disseminado e compartilhado por
todos, entretanto existem também diversos estoques ou conjuntos de
conhecimento pertencentes a indivíduos, pequenos grupos ou áreas funcionais,
sendo importante codificar e simplificar esse conhecimento para torná-lo
acessível à organização como um todo, transformando-o em conhecimento
coletivo.

�278

A inovação decorrente dessas redes possibilita o crescimento
organizacional e o desenvolvimento de uma cultura de cooperação,
principalmente para as organizações baseadas em informação e conhecimento
que têm como foco promover o conhecimento e a especialização dos
colaboradores e criar redes internas dessas fontes humanas do conhecimento.
A diversidade das equipes que trabalham em redes promove a
criatividade e a inovação, porque pessoas com diferentes acervos patrimoniais
e de experiências, assumem perspectivas diversas na abordagem de
problemas. Podem-se destacar alguns benefícios das organizações em rede,
tais como: construção do conhecimento; abandono com mais facilidade de
abordagem e práticas tradicionais, desenvolvimento tecnológico; novos
negócios e abertura de mercado, criando vantagem competitiva; aumento da
qualidade e da produtividade de serviços, produtos, e processos; e,ascensão
pela transferência de tecnologia e pela sistematização de processos.
A inovação pode ser motivada pela necessidade social ou
alavancada pelo desenvolvimento tecnológico. É importante salientar, que a
formação dos profissionais para o desenvolvimento de competências no uso
das tecnologias, será muito importante para o desenvolvimento da criatividade
necessária aos processos inovadores.
Em síntese, pode-se dizer que a inovação é a exploração bem
sucedida de novas ideias. É a habilidade para aplicar soluções criativas para
problemas, ou oportunidades, para realçar ou para enriquecer a vida das
pessoas. Seu relacionamento com a criatividade é apresentado na figura 1.
Figura 1 – Relação entre criatividade e inovação

�279

Criatividade
1 Conscientização/Preparação/pesquisa/
transformação
Criatividade
(Qual é o problema/questão ?)
Inovação

2 Incubação
(Foco de pensamento/tema)
3 Iluminação
(Ideias/ conhecimento existente)

4 Verificação
(Avaliação)
5 Implementação
(Produto ou processo inovador)

6 Redes de conhecimento
nas organizações
(Relacionamentos e
Compartilhamento e fluxos de
informação )

Fonte: Modelo do processo criativo de Wallas adaptado de Pinheiro; Burini (2006) pela
autora.

O que se pode observar é que, de fato, existe uma inter-relação
estreita entre a criatividade e a inovação, uma vez que em todas as fases do
“Modelo Criativo de Wallas” existe dependência para o acesso e uso da
informação e também para o know-how das pessoas com um único propósito inovar. Ressalta-se que esse propósito nas organizações faz com que a
criatividade seja acionada para criar novos produtos ou serviços que possam
trazer vantagem competitiva. Em especial, isso se acentua quando se trata de
espaços criativos também inovadores – as redes de conhecimento, onde os
relacionamentos e o compartilhamento produzem novas dinâmicas nos fluxos
de informação decorrentes. Têm importância e grande relevância nessa
ambiência organizacional os filtros de informação para que o conhecimento
coletivo possa ser construído em bases ideais para a solução de problemas.

�280

2.4 Filtros de informação para a solução de problemas nas organizações

Infelizmente, a maior parte do que nos é proposto, são soluções que
se assemelham a um bloco de pedra sem grande utilidade ou difíceis de
esculpir. O conteúdo que é de fato a obra que precisamos surge envolto em
informação ou aplicações desnecessárias que quase sempre ocultam a beleza
(função) da escultura, isto é, a usabilidade pertinente.
Nós podemos filtrar informação de acordo com os nossos interesses
ou atividades específicas ou até nas nossas preferências, mas, a quantidade
de informação a retirar permanece sempre uma interrogação, principalmente
quando trabalhamos em ambientes de redes de conhecimento.
Quando filtramos informação nós podemos enveredar por um destes
caminhos:


Uma filtragem cognitiva, isto é, a avaliação de conteúdo
segundo uma abordagem estatística que se baseia na
ocorrência de um conjunto de palavras-chave para identificar
ou reconhecer as informações pertinentes e uma abordagem
simbólica que tenta fazer uma análise da relação entre o
conteúdo de documentos (objetos para filtrar) e o interesse do
utilizador.



Uma filtragem econômica, mais ligada ao consumo de
recursos (dimensão, tempo, etc.,).



Uma filtragem colaborativa (ou social), realizada com base nas
opiniões de outros e que as redes sociais tão generosamente
produzem através dos seus curadores temáticos.

Estes são filtros que nos ajudam a desenvolver novas competências
para podermos tratar com eficácia dentro das organizações os enormes
volumes de dados não estruturados. O novo profissional deve estar preparado
para entender e liderar esta revolução nos ambientes de trabalho por meio de:


Coletas: de muitas formas diferentes de informações e dados
obtidas a partir de dentro e fora da organização

�281



Análises: desenvolvimento de novos conhecimentos a partir
dessa informação, por exemplo, descobrir padrões de
comportamento do cliente.



Táticas: utilizar estas informações de forma colaborativa
(redes humanas de conhecimento).



Resultados: para melhorar tanto a produtividade e estratégica
tomada de decisão em tempo real.

Para a melhor compreensão da dimensão dessas dimensões há
necessidade da caracterização do que venham a ser o dado, a informação e o
conhecimento para a construção de conhecimento significativo.

2.4.1 Dado, informação e conhecimento
Segundo Setzer (2001, p. 1) “dado é uma sequência de símbolos
quantificados ou quantificáveis”, portanto, um texto é um dado, porque as letras
são símbolos quantificados, como também são dados, fotos, figuras, sons
gravados

e

animação,

pois

podem

ser

quantificados.

Um

dado

é

essencialmente uma unidade matemática e puramente sintática, podendo ser
descritos através representações formais estruturais. Sendo quantificados eles
podem ser armazenados em um computador e processados por ele.
Assim, dentro de um computador, trechos de um texto podem ser
ligados virtualmente a outros trechos, por meio de contiguidade física ou por
endereços da unidade de armazenamento formando assim, estruturas de
dados. Comandos podem fazer a ligação de um ponto de um texto a uma
representação quantificada de uma figura, de um som etc.
O

processamento

de

dados

em

um

computador

limita-se

exclusivamente a manipulação estrutural dos mesmos, e é feito por meio de
programas. Estes são sempre funções matemáticas e, portanto são “dados”.
A informação é uma abstração informal, porque não pode ser
formalizada por meio de uma teoria lógica ou matemática, que está na mente
de alguém, representando algo significativo para essa pessoa. Se a informação
estiver armazenada em um computador, sua representação será em forma de
dados. Essa representação pode ser transformada pela máquina, como na
formatação de um texto, o que seria uma transformação sintática. A máquina

�282

não pode mudar o significado, mas pode embaralhar os dados de modo que
eles passem a ser ininteligíveis pela pessoa que os recebe, deixando de ser
uma informação para as pessoas. Assim, não é possível processar informação
diretamente em um computador, porque para isso, temos que reduzi-la a
dados. Entretanto, os dados, desde que inteligíveis, são sempre incorporados
por

alguém

como

informação,

porque

os

seres

humanos

buscam

constantemente por significação e entendimento, e, dessa forma ela pode ser
propriedade interior de uma pessoa ou ser recebida por ela.
Ao ler um texto, uma pessoa pode absorvê-lo como informação,
desde que o compreenda. Pode-se associar a recepção de informação por
meio de dados à recepção de uma mensagem. Porém, a informação pode
também ser recebida sem que seja representada por meio de dados ou
mensagens.
Pode-se, portanto distinguir dado de informação, pois o primeiro é
puramente sintático e a segunda contém necessariamente semântica,
significado. Não se processa e introduz semântica em um computador, porque
a máquina é puramente sintática, não possuindo qualquer entendimento, não
podem pensar porque lhes falta a nossa semântica.
Para ocorrer o conhecimento há necessidade de uma abstração
interior, pessoal, de algo que foi experimentado, vivenciado por alguém e não
sendo possível sua descrição o que se descreve é a informação. Também não
depende apenas de uma interpretação pessoal, como a informação, pois
requer uma vivência do objeto do conhecimento. Portanto, pode-se dizer que o
conhecimento está no âmbito puramente subjetivo do homem e não está
sujeito a representações em um computador. O que se tem é a informação
inserida por meio de uma representação em forma de dados, em síntese, a
informação pode ser prática ou teórica e o conhecimento é sempre prático. A
informação está associada à semântica. Conhecimento está associado com
pragmática, isto é relaciona-se com alguma coisa existente no mundo real do
qual se tem uma experiência direta.
Valentim

(2002)

menciona

que

os

dados,

informações

e

conhecimento estruturados são aqueles acessados dentro ou fora da
organização e podem estar inseridos nos bancos e bases de dados internos e
externos, além das redes de compartilhamento, publicações impressas e

�283

outros. Além disso, os dados não estruturados, para essa autora, são
produzidos externamente à organização, porém sem a filtragem e tratamento.
Assim, os filtros são necessários para a compreensão do que ocorre
com a geração do conhecimento, solução de problemas nas organizações,
capacidade de executar uma tarefa no mundo real, trabalhar em redes
colaborativas com competência e habilidades necessárias ao cenário das
organizações contemporâneas em rede.

2.5 Redes, conhecimento e novas formas de poder
As tecnologias e sistemas de informação inovadores introduzem
também novas lógicas de evolução territorial, inclusive alargando a importância
do espaço informacional. Nota-se a expansão de redes que operam em todos
os campos de atividades e em tempo real e a conformação de comunidades
virtuais. Os formatos organizacionais que privilegiam a interação e a atuação
conjunta dos mais variados atores - tais como redes, arranjos e sistemas
produtivos e inovativos - vêm se consolidando como os mais adequados para
promover a geração, aquisição e difusão de conhecimento e inovações. A
proliferação de redes de todos os tipos é considerada como a mais marcante
inovação organizacional associada à difusão do novo padrão. Esses novos
formatos

assumem

importância

por

favorecerem

os

processos

de

aprendizagem coletiva, cooperação e a dinâmica inovadora. Por um lado,
ressalta a tendência à maior integração das diferentes funções e unidades de
uma mesma organização. De outro, observam-se novos padrões de
cooperação e competição entre os diversos atores políticos, sociais e
econômicos. A interligação de organizações produtoras, fornecedoras,
comercializadoras e prestadoras de serviços e destas com outras operações
inovadoras. Nesse sentido, são crescentemente dependentes tanto das TIC,
como de informação e conhecimento.
Destaca-se, contudo, que a apropriação de conhecimentos possui
especificidades que não podem ser ignoradas. Sem ser necessário entrar na
discussão sobre apropriação de bens coletivos, ressaltamos que conhecimento
e informação são recursos intangíveis que podem ser usados simultaneamente
por várias pessoas e sem problemas de esgotamento. Ao contrário do que

�284

ocorre com os bens materiais, o consumo de informação e conhecimento não
os destrói, assim como seu descarte geralmente não deixa vestígios materiais.
Assim, foi proposto por Castells (2005) que as redes se constituem
em um novo modus operandi da sociedade e que a difusão lógica de redes
modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos
produtivos e de experiência, poder e cultura. Portanto, as reflexões aqui
realizadas indicam que a nova economia está organizada em torno de redes
globais de capital, gerenciamento e informação, cujo acesso a know-how
tecnológico é vital para a produtividade e competitividade.
O próprio conceito de rede, oferecido por Castells (2005), é bem
simples e se constitui em um conjunto de nós interconectados que se
apresentam como estruturas abertas, capazes de expandir de forma ilimitada,
mas, que por sua flexibilidade e maleabilidade, se transformam em um
excelente mecanismo para atuar na complexidade da configuração da
sociedade contemporânea organizada em torno de redes globais de capital,
gerenciamento e informação.
Para Población; Mugnaini; Ramos (2009, p.626), rede é um “[...]
conjunto de nós e laços com relações ilimitadas e híbridas articuladas entre
sujeitos, objetos e discursos, que interagem no mundo real e virtual. Por
analogia, estrutura sem fronteiras; comunidade não geográfica”.
A compreensão dessa nova ambiência nas organizações traz
consigo também a importância de se destacar a existência de elos entre a
inovação, criatividade e a Competência em Informação, enquanto dimensões
de sustentação em mercado competitivo.

2.6 Inovação, criatividade e Competência em Informação (CI)
Surge uma nova área de atenção primária nas organizações – a
gestão eficiente e eficaz da informação e do conhecimento e a criação do
capital intelectual. As pessoas geram capital para as organizações por meio de
suas competências (habilidades e educação), atitudes (condutas) e capacidade
de inovar (criatividade e agregação de valor).

�285

Os dados, tecnologia, estruturas e sistemas, rotinas e procedimentos
organizacionais

são

influenciados

pela

informação

e

conhecimento,

dependendo das competências individuais e coletivas.
Para Zarifian (2001) a competência compreende a colocação de
recursos em ação em uma situação prática, sendo, portanto, a iniciativa sob
acondição de autonomia, que supõe a mobilização de recursos pessoais e
internos

(adquiridos,

solicitados

e

desenvolvidos

pelas

pessoas

em

determinada situação) e os coletivos (trazidos e colocados à disposição das
organizações). Assim, pode-se dizer que o conceito de competência vai sendo
construído, a partir mesmo, do agir concreto e situado dos sujeitos.
Como de fato existe uma necessidade de criar novas competências,
destaca-se a Competência em Informação, para produzir significado ao tratar o
volume de dados e informações que são disponibilizados hoje e, acima de
tudo, com a necessidade de produzir significado verdadeiro.
A Competência em Informação compreende “habilidades para
encontrar, avaliar, interpretar, criar e aplicar a informação disponível na
geração de novos conhecimentos” (BELLUZZO; KOBAYASHI; FERES, 2004,
p. 95).
Podemos mencionar outros conceitos que também contribuíram para
a compreensão da Competência em Informação, destacando-se autores como
Dudziak (2003, p.28) que menciona ser:
Processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais,
atitudinais e de habilidades necessárias à compreensão e interação
permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a
proporcionar um aprendizado ao longo da vida.

Vale lembrar que as atividades relacionadas com a CI acham-se
diretamente relacionadas às fases apresentadas na figura1. O desafio agora foi
estabelecer essa inter-relação para poder compreender e desenvolver a CI nos
ambientes de trabalho considerados como redes de conhecimento, mediante o
desenvolvimento da etapa 4 da oficina.

�286

3 RESULTADOS OBTIDOS
Os grupos de pós-graduandos que participaram desse desafio (G1,
G2 e G3) envolveram 15 alunos inscritos no Programa de Pós-Graduação em
níveis de Mestrado e Doutorado, sendo um deles na condição de ouvinte.
Os participantes fizeram a leitura e interpretação do texto-síntese
com a complementação de princípios teóricos dados na etapa 2 (aula
expositiva e palestra dialogada) e, em seguida, efetuaram a leitura dos padrões
e indicadores de CI (BELLUZZO, 2007) para estabelecer a inter-relação entre a
criatividade, a inovação e a CI. Os resultados obtidos acham-se representados
na figura 2, constituindo a síntese da visão dos pós-graduandos no
estabelecimento da comparação e inter-relação entre a fundamentação teórica
e os padrões e indicadores de CI (BELLUZZO, 2007).
Figura 2 - Relação entre a CI, Criatividade e Inovação

Criatividade

CI-Padrão 1 – Reconhece a necessidade
de informação

1 Conscientização/Preparação/pesquisa/
transformação
Criatividade
(Qual é o problema/questão ?)
Inovaç
ão
de informação
CI – Padrão 2 - Acessa a informação
necessária com efetividade

2 Incubação
(Foco de pensamento/tema)
3 Iluminação
(Ideias/ conhecimento existente)

CI – Padrão 4 - Usa a informação
necessária com efetividade para
obter um resultado

4 Verificação
(Avaliação)

5 Implementação
(Produto ou processo inovador)
CI – Padrão 3 - Demonstra conhecimento da maior parte
das ideias da informação obtida e avalia criticamente

CI – Padrão 5 - Compreende a ambiência e
acessa e usa a informação ética e legalmente

6 Redes de conhecimento
nas organizações
(Relacionamentos e
Compartilhamento e fluxos de
informação )

Fonte: Elaborado pela autora

�287

Observa-se pelos resultados sintetizados na figura 2 que houve
consenso em relação à comparação entre as fases do modelo do processo
criativo de Wallas (figura 1) e os padrões e indicadores de CI (BELLUZZO,
2007) no que se refere às fases: fase 1 (conscientização/preparação/
pesquisa/transformação) considerando-se que todos os grupos indicaram o
padrão 1 (reconhece a necessidade da informação) como sendo pertinente a
essa fase; fase 3 (iluminação) ao mencionarem que o padrão 2 (acessa a
informação necessária com efetividade tem pertinência com essa fase; fase 4
(verificação) onde o padrão 3 ( demonstra conhecimento da maior parte das
ideias da informação obtida e avalia criticamente)foi mencionado como
relacionado à esta fase; fase 5 ( implementação)uma vez que o padrão 4 (usa
a informação necessária com efetividade para obter um resultado) foi
identificado como sendo relacionado com a mesma e a fase 6 (redes de
conhecimento nas organizações) quando foi indicado o padrão 5 ( compreende
a ambiência e acessa e usa a informação ética e legalmente). Entretanto,
houve divergência nas inter-relações estabelecidas entre os grupos para a fase
2 (incubação) porque os pós-graduandos indicaram os padrões 1 (reconhece a
necessidade de informação), padrão 2 (acessa a informação necessária com
efetividade) e padrão 3 (demonstra conhecimento da maior parte das ideias da
informação obtida e avalia criticamente) individualmente.
Ressalta-se que as atividades relacionadas com a CI, representadas
pela figura 2, podem ser consideradas como diretamente relacionadas aos
padrões e indicadores em análise e que, compreendem na fase de Criatividade
e incubação, levantar questões e manter o foco de pensamento, o
reconhecimento da necessidade da informação, indicados pelo padrão 1.
Quanto à questão de Iluminação, as ideias, entende-se ser o padrão 3
relacionado a ela, possibilitando a demonstração do conhecimento da maior a
parte das ideias da informação obtida e avaliação crítica. O padrão 4 volta-se
para a implementação do produto ou processo inovador e o padrão 5,
compreende a ambiência e o acesso e uso da informação de forma ética, tanto
pessoal como coletivamente. A divergência de visão apresentada pelos pósgraduandos justifica-se pela flexibilidade no uso e aplicabilidade dos padrões e
indicadores de CI com relação aos contextos das organizações e conhecimento

�288

coletivo, ressaltando-se também a diversidade de modelos mentais dos
participantes, em razão de suas individualidades.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mas como incentivar e expandir a Competência em Informação pelo
maior número possível de pessoas nas organizações para o uso da criatividade
e da inovação? A primeira etapa é concernente ao formato de gestão da
própria organização. Se ela não permitir o afloramento destas características
nos seus colaboradores, a criatividade ficará latente ou apenas restrita aos
projetos pessoais de cada um, mas não terá lugar na sua vida profissional.
Outros aspectos que inibem o desenvolvimento da criatividade são,
por exemplo, a falta de reconhecimento ao colaborador ou à equipe que fez um
excelente trabalho, um clima de muita pressão e estresse para a obtenção de
resultados em curto prazo, a falta de flexibilidade das lideranças, o conflito
entre equipes de trabalho, a falta de estímulo a trabalhos de equipes interfuncionais, poucos treinamentos ou estes são deficientes, a ausência de
aprovação de recursos para a implantação de novas ideias. Ou seja, uma
empresa que sabe da importância de se oferecer produtos e serviços
inovadores, porém que não propicia um clima organizacional que facilite a
criatividade e a inovação.
A criatividade por si só não basta. É preciso implementá-la.
Transformá-la em uma inovação concreta através de novos produtos, serviços,
formas de gestão etc., senão ela não passa de uma elucubração mental e não
se transforma em ação.
Atualmente, não existe uma única categoria profissional mais
preparada para gerar novas ideias e criar estratégias bem fundamentadas para
sua implementação, o diferencial está nas pessoas que aprenderam a construir
conhecimento, criando estratégias e implementando com sucesso as ideias,
em atendimento a demandas do mercado de produtos e serviços. Afinal, esse
novo profissional vai estar inserido em ambiente de trabalho, ainda, pouco
propício para trabalhar em uma nova ideia consistente que possa solucionar
um problema real, sem estudar a situação e buscar informação para construir

�289

boas estratégias,

em

decorrência

da ausência

de

políticas para

o

desenvolvimento de uma“cultura da informação”.
Considerando-se esse cenário, pode-se dizer que a sociedade
contemporânea está carente de um aprendizado com significado ante a
necessidade de uma mudança radical de costumes, pensamento e postura: de
uma postura de estimulo a produção criativa através de individualização de
tarefas, estimulo a competição interna ou premiação financeira dos
funcionários, para uma postura de cooperação, aprendizagem contínua e
compartilhamento de informação e conhecimento. Essa nova postura,
certamente, compreende um conjunto de conhecimentos, habilidades e
atitudes envolvendo o acesso e uso inteligente da informação para a
construção de conhecimento e sua aplicabilidade ao contexto social - a
“Competência em Informação”.

REFERÊNCIAS

ALVES, A. C. et al. O modelo de criatividade trevo fractal como gerador de
ideias, conceitos e solução técnica para a melhoria de um processo produtivo.
In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 28. 2008. Rio
de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ENEGEP, 2008. p. 1-14. Disponível em:
&lt;http://www.pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/ebook/2008/CONGRESSOS/Nacionai
s/2008%20-%20enegep/10.pdf&gt;. Acesso em: 5 fev. 2013.
BELLUZZO, R. C. B.; KOBAYASHI, M. C. M.; FERES, G. G. Information
Literacy: um indicador de competência para a formação permanente de
professores na sociedade do conhecimento. ETD – Educação Temática
Digital, Campinas, v.6, n.1, p.81-99, dez. 2004. Disponível em:
&lt;http://www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/article/view/2009&gt;. Acesso
em: 5 fev. 2013.
BELLUZZO, R.C.B. Construção de mapas: desenvolvendo competências em
informação e comunicação. 2. ed. rev. e atual. Bauru: Cá Entre Nós, 2007.
CASAROTTO FILHO, N.; PIRES, L. H. Redes de pequenas e médias
empresas e desenvolvimento local: estratégias para a conquista da
competitividade global com base na experiência italiana. São Paulo: Atlas,
1999.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
CREECH, H.; WILLARD, T. Strategic intentions: managing knowledge networks
for sustainable development. Winnipeg: IISD – International Institute for
Sustainable Development, 2001. Disponível em:

�290

&lt;http://www.iisd.org/pdf/2001/networks_strategic_intentions.pdf&gt; Acesso em:
13 fev. 2013.
DUDZIAK. E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da
Informação, Brasília. v.32, n.1, jan./abr. 2003. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/123&gt;. Acesso em: 12.
fev. 2013.
FELIPPE, M. I. A criatividade como diferencial. RH em síntese, v. 4, jul/ago.
1998.
GEOCITIES. Intuição e criatividade. 2000. Disponível em:
&lt;http://wayback.archive.org/web/20000101000000*/http://geocities.yahoo.com.
br/fclino2000/RH.doc&gt;. Acesso em: 13 fev.2006.
ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO - OCDE. Gabinete Estatístico das Comunidades Européias.
Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre
inovação. 3. ed. [Brasília]: FINEP, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.mct.gov.br/upd_blob/0026/26032.pdf&gt;. Acesso em: 10 fev. 2013.
PINHEIRO, A. C. F. B.; BURINI, E. R. V. A criatividade como competência
básica para a inovação tecnológica na transformação do conhecimento em
riqueza. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENSINO DE ENGENHARIA COBENGE, 34. 2006, Passo Fundo. Anais... Passo Fundo: Ed. Universidade
de Passo Fundo, 2006. p. 6.82-6.90. Disponível em:
&lt;http://www.abenge.org.br/CobengeAnteriores/2006/artigos/6_37_541.pdf&gt;.
Acesso em: 13 fev. 2006.
POBLACIÓN, D. A.; MUGNAINI, R.; RAMOS, L. M. S. V. C. (Org.) Redes
sociais e colaborativas em informação científica. São Paulo: Angellara,
2009.
SETZER, V. W. Os meios eletrônicos e a educação: uma visão alternativa.
São Paulo: Escrituras, 2001.
SIQUEIRA, J. 10 atitudes das pessoas muito criativas. 2007. Disponível em:
&lt;http://criatividadeaplicada.com/2007/07/04/10-atitudes-das-pessoas-muitocriativas/&gt;. Acesso em: 05 mar. 2013.
TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. Gestão da inovação. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2008.
VALENTIM, M.L.P. Inteligência competitiva em organizações: dado, informação
e conhecimento. DataGramaZero – Revista de Ciência da informação, v.3,
n.4, ago. 2002.
ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas,
2001.

�291

Eixo Temático III

Aplicações e Lições Aprendidas com Programas
Institucionais no Contexto Brasileiro

�292

A EXPERIÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO DO EVENTO
PARA A PUBLICAÇÃO DA “DECLARAÇÃO DE MACEIÓ”: MARCO NA
LEGITIMAÇÃO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NO BRASIL
Elmira Simeão
Regina Celia Baptista Belluzzo
Autora Cuveas Cerveró
Alejandro Uribe Tirado

1 INTRODUÇÃO

A participação dos grupos de trabalho e obstinação da comissão
organizadora para a concretização exitosa do primeiro Seminário “Competência
em Informação: cenários e tendências”, realizado em 2011 no XXIV Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD),
resultaram, oportunamente,na divulgação pública da “Declaração de Maceió”,
primeiro documento do gênero produzido pelo seminário e publicado sobre o
tema no Brasil. O fato do movimento ter surgido no âmbito de um evento tão
importante demonstra o interesse pontual dos profissionais pelo tema. Em 2013
programa-se a segunda edição do trabalho no XXV CBBD, o que dará aos
participantes a real noção do crescimento das atividades de desenvolvimento
da Competência em Informação nos mais diferentes espaços (bibliotecas,
escolas, empresas, etc.), cuja temática central será "Competência em
Informação e as Populações Vulneráveis: de quem é a Responsabilidade?".
Entre

os

parceiros

que

apoiaram

o

evento,

que

teve

o

reconhecimento da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e
Cientistas da Informação (FEBAB), destacam-se a Faculdade de Ciência da
Informação da Universidade de Brasília (FCI/UnB), e o Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). O trabalho foi coordenado pelas
professoras Regina Celia Baptista Belluzzo (Vice-Presidente da FEBAB e
Coordenadora do Grupo Assessor sobre “Competência em Informação” da
Federação) e Elmira Simeão (Diretora da Faculdade de Ciência da Informação
da Universidade de Brasília e Coordenadora do Grupo de Pesquisa
“Competência em Informação” da UnB/Cnpq). A professora Aurora Cuevas

�293

Cerveró, da Universidade Complutense de Madrid (Espanha), e o professor
Alejandro Uribe Tirado (Universidade de Antióquia - Colômbia), serviram como
observadores externos e especialistas no tema, colaborando também na
organização do evento.
O propósito deste capítulo é evidenciar as experiências havidas e
práticas desenvolvidas de forma concomitante e que puderam servir como
apoio e mobilizadoras para a realização do I Seminário sobre a temática da
Competência em Informação, envolvendo especialmente a FEBAB e a
UnB/FCI.

1.1 Experiência da FEBAB

A FEBAB, a fim de consolidar linha de ação estratégica em suas
ações de gestão, ofereceu a oportunidade da realização do Seminário
“Competência em Informação: cenários e tendências”, em 2011, durante o
XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação (CBBD), tendo efetuado parceria com a UnB/FCI e o IBICT. Esse
evento resultou do interesse e de demanda latente por parte dos profissionais
da informação para que houvesse a abertura desse espaço de reflexão e
debates sobre a situação da “Competência em Informação” no contexto
brasileiro, contando também com o compartilhamento de experiências e
práticas desenvolvidas por pesquisadores e profissionais nas Bibliotecas e
Serviços de Informação de vários países.
Em verdade, desde o ano de 2004 a FEBAB demonstrou
preocupação com a questão da “Competência em Informação no contexto
nacional e internacional”, promovendo eventos, palestras, oficinas no sentido
de despertar o interesse dos profissionais da informação e de diferentes
comunidades e levar à reflexão e práticas nessa área. Para oferecer maior
visibilidade e garantia de sustentação de suas ações estratégicas de gestão,
criou também, em 2008, um Grupo Assessor especificamente para tratar desse
tema, sob a Coordenação da Profa. Dra. Regina Celia Baptista Belluzzo,
culminando sua participação efetiva no processo de formação de base teórica
com a publicação de vários artigos na Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação (RBBD) e de traduções de autores internacionais de renome e

�294

expertise

nessa

temática

que

são

veiculados

em

meio

eletrônico

(www.febab.org.br).
Além disso, ressalta-se que a FEBAB, enquanto membro associado
se fez representar nas reuniões e grupos de trabalho nacionais e internacionais
que envolvem a International Federation of Library Associations and Institutions
(IFLA) e a sua Information Literacy Section (InfoLit), no sentido de
trocarexperiências e ampliar o conhecimento sobre a Competência em
Informação, a fim de contribuir para a consolidação dessa temática como área
de atenção primária no país. Assim, in continuum acredita-se que a instituição
em sua trajetória possa alcançar identidade reconhecida no cenário que
compõe a sociedade contemporânea em direção a um futuro melhor. Eis o
desafio...

2.2 Experiências da UnB/FCI

A FCI acompanha e desenvolve projetos de pesquisa sobre
formação de Competência em Informação desde 2006, quando professores da
UnB publicaram com especialistas de outros países o livro “Alfabetização
Digital e Acesso ao conhecimento”, quarto volume da série “Comunicação da
Informação Digital”. Naquela oportunidade, se discutia na pós-graduação o
impacto das tecnologias de informação como indutoras de interdisciplinaridade.
A adaptação de teorias e metodologias relacionadas ao tratamento técnico da
informação, principalmente no tocante aos formatos convencionais, próprio de
concepções da biblioteconomia e da Ciência da Informação, transformara-se
em desafio para todas as áreas do conhecimento. Os textos que compõem o
livro pressupõem o direito à informação como aspecto primordial da cidadania,
com exemplos de mecanismos de alfabetização digital e inclusão social. Prérequisito na construção da Sociedade da Informação, do conhecimento ou da
educação (como queiram os mais aguerridos), sempre com a compreensão da
necessidade de tratamento de conteúdos em redes para efetivo lucro e
usufruto social.
Como conclusão para a proposta editorial, também se apontou a
necessidade de revisão das políticas públicas de educação, acesso e uso da
informação. Os autores mostraram-se engajados no campo da Ciência da

�295

Informação e áreas afins para romperem barreiras mostrando no livro conceitos
e rotinas técnicas do que se vislumbrava no âmbito da organização do
conhecimento registrado, com a oportunidade de integração de áreas
diferentes, mas convergentes. O conceito de redes sociais e amarras
simbólicas também entravam nas discussões.
Em 2008, com a aproximação na UnB de pesquisadores do campo
da saúde coletiva com os da área de comunicação e informação, integrados
também com professores da Universidade Complutense de Madri (Espanha), a
ênfase foi a implementação de um vasto programa de capacitação no âmbito
informacional que orientasse professores (convergindo para as questões de
comunicação científica); A organização do primeiro treinamento sobre
Competência em Informação ocorreu para os Agentes Comunitários de Saúde.
A área de Saúde Coletiva no Brasil, com instituições consolidadas e
reconhecidas tais como a fundação Oswaldo Cruz e a Organização PanAmericana da Saúde (OPAS), organização internacional especializada em
saúde, que mantém um forte investimento no setor de organização da
informação e também nas metodologias que preveem capacitação no uso de
novos recursos.
Depois da realização da I Conferência Ibero-Americana de
Comunicação da Informação em Saúde (I CIACIS), em dezembro de 2007, os
grupos se aproximaram para viabilizar projetos de capacitação para
profissionais de diversos níveis. O evento, promovido pela Universidade de
Brasília (UnB), teve a FIOCRUZ BRASÍLIA e a OPAS como principais
parceiros. De forma geral, as mesas redondas, oficinas, palestras e sessões
dialogadas discutiram melhores mecanismos de compartilhamento e uso das
informações sobre saúde, com diversas perspectivas. Palestrantes brasileiros e
estrangeiros ressaltaram a importância de uma comunicação que leve em
consideração as diferentes culturas e necessidades informacionais e o tema
das competências ganhou fôlego para o empreendimento que significaria a
realização do primeiro projeto de capacitação de Agentes Comunitários de
saúde, com o tema da Competência em Informação.
Em 2008, como parte da serie Tempus (FCI/NESP), projeto editorial
de professores envolvidos com o tema da formação em “Informação e saúde
Coletiva” foi publicado (em espanhol) como oitava edição da série o livro

�296

“Competencias en Información y Salud Pública”, com um levantamento
significativo das experiências brasileiras e também no contexto de países como
Espanha e México. Apresenta-se nessa importante obra da Professora Dra.
Aurora Cuevas trabalhos de investigação no âmbito universitário e experiências
de profissionais ligados à Ciência da Informação de vários países envolvidos
com a temática de “Competência Informacional” e “Alfabetização em
informação”, temas de grande relevância, e quando associados aos conteúdos
de saúde pública, mostram impacto social imediato. O livro foi estruturado em
cinco partes: Ciudadanía, Gestión y evaluación, Educación, Tecnología y
Bibliotecas Públicas. Esta divisão permitiu retratar o tema de forma ampla e
integradora reunindo aspectos que ajudam a compreender a projeção social,
política e humana do tema, associando a pesquisa em Ciência da Informação,
com um panorama da pesquisa no período. Mostram-se na edição tendências
das políticas de informação para a saúde na União Européia, e a ação de
agentes educadores em saúde como forma de inclusão social, indicando
dificuldades e tendências de pesquisa no Brasil e em outros países da IberoAmérica.
A alfabetização em informação como instrumento de integração
social compreende a utilização inteligente da informação em benefício próprio e
dos demais, provocando a produção de novas informações, somadas às
experiências, atitudes, crenças e valores pessoais, com uma dimensão
educadora e integradora. Atualmente são muitas as instituições sociais e
culturais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (UNESCO), a International Federation of Library Associations and
Institutions (IFLA) ou a American Library Association(ALA), que convidam as
bibliotecas e centros educativos a promover competências de alfabetização em
informação entre seus usuários. Em 2010/2011 construiu com especialistas
espanhóis

modelo

de

avaliação

orientado

para

a

saúde

coletiva,

chamadoprojeto IDEIAS (projeto de investigação bilateral Inclusión Digital y
Educación Informacional para Salud – parceria da Universidad Complutense de
Madri e Universidade de Brasília) gerando livros publicados no Brasil e
Espanha:

CUEVAS

CERVERO,

A.

SIMEÃO,

E.

(Coord.)

intitulado:

“Alfabetización informacional e inclusión digital, hacia un modelo de

�297

infoinclusión social. Gijón: TREA, 2011, com versão em português publicado no
Brasil pela Thesaurus (DF).
Dentre as contribuições dos brasileiros destacam-se relatos de
projetos de inclusão digital com Agentes Comunitários de Saúde e o
planejamento de cursos à distancia com o propósito de desenvolver um
trabalho de mediação com os profissionais do Programa Saúde da Família,
ligado ao Sistema Único de Saúde do Brasil. Para desenvolver o Programa de
Competência em Informação alinhou-se estratégias e ações práticas de fases
distintas. A tarefa embrionária teve pesquisa apoiada nas oficinas de
capacitação. O Programa organizou-se em oficinas de capacitação sobre
informação, pesquisa e comunicação apoiadas na tecnologia e uso da internet
usando como monitores os estudantes de biblioteconomia da UnB. Dentro
dessa pesquisa se desenvolveram investigações para a avaliação de
resultados apoiadas por especialistas da Universidad Complutense. Dos
pesquisadores espanhóis (Modelo IDEIAS) retirou-se a contribuição na
avaliação da proposta para outras propostas de capacitação, fora do contexto
da saúde, mas apoiadas no ajustamento de aspectos importantes da
metodologia utilizada.
O

projeto

IDEIAS

se

associou

a

uma

pesquisa

realizadaparalelamente por um grupo de especialistas da Universidade
Tiradentes (Sergipe), chamadoProjeto de Inclusão Digital dos Agentes
Comunitários de Saúde, financiado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia
para Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil, gerando
várias publicações.
Em 2010, o projeto ALFINBRASIL, financiado pela Agencia
Española de Cooperación Internacional para el desarrollo (AECID) com equipe
de trabalho formada por professores, alunos e investigadores da Universidade
Complutense de Madri (UCM) e Universidade de Brasília (UnB) desenvolveu
capacitação de usuários da Biblioteca Nacional de Brasília, publicando
posteriormente o livro “Biblioteca Nacional de Brasília, Pesquisa e Inovação”
(Thesaurus). Apresenta-se proposta de gestão de uma Política de Informação e
Comunicação para a Biblioteca Nacional de Brasília, sobretudo destacando o
plano de acervamento, com uma justificativa do mérito, dos objetivos – geral e
específicos

–

e

suas

principais

ações

estratégicas

e

operacionais,

�298

responsabilidade técnica e status de evolução. Integrado a modelos teóricos de
comunicação

mais

avançados

(Comunicação

Extensiva

e

em

redes

comunicacionais Todos-Todos), o planejamento estratégico para uma política
de comunicação social integrada da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) é um
dos

passos

decisivos

na

concretização

das

ideias

de

suaprimeira

administração. A meta principal era a formação e desenvolvimento de um
acervo brasilianista e com obras sobre a ciência, a cultura e a arte brasileiras.
Com a operacionalização de ações estratégicas previstas na Política de
Informação e Comunicação, seria possível a criação de canais de diálogo
permanente entre as entidades representativas da sociedade e a Biblioteca
Nacional de Brasília com produtos e serviços de informação.
Um dos projetos que não obteve apoio do Governo do Distrito
Federal foi aimplementação de uma biblioteca de inclusão social, que
funcionaria em prédio anexo, atendendo a população de baixa renda com
iniciativas para capacitação e atendimento ao cidadão em oficinas de
capacitação. A proposta de “acervamento continuado” teve o apoio de
organismos internacionais, com uma metodologia que previu a instalação de
softwaresmodernos e o apoio direto da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa
(RNP) e o MCT/IBICT na formulação de uma proposta de incorporação de
tecnologia

de

informação.

O

projeto

ALFINBRASIL

(Alfabetización

Informacional en la Biblioteca Nacional de Brasília - BNB) nasceu em janeiro de
2010 com o objetivo de promover competências informacionais e digitais. O
projeto era dirigido para os usuários da BNB e tinha como objetivo estimular a
capacitação em informação, a valorização do contexto e das técnicas
bibliotecárias, estimulando a aprendizagem contínua no espaço da biblioteca
(apresentado no XXIV CBBD, realizado em Maceió-AL e promovido pela
FEBAB). Em fevereiro de 2011 foi iniciado o programa de capacitação de
“Competências em Informação” dirigido aos usuários da BNB, com a realização
das

primeiras

oficinas.

A

certificação

pelo

Conselho

Nacionalde

Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do grupo de pesquisa
intitulado ”Competência em Informação”, liderado pelas professoras Elmira
Simeão e Aurora Cuevas (UCM/Espanha), também aconteceu em 2011.
Mais recentemente, em 2012/2013, integrando alunos de Iniciação
Científica, Mestrado e Doutorado o projeto de formação de Competência em

�299

Informação na Biblioteca Central da Universidade de Brasília BCE (2011- atual)
deverá ser implantado pela instituição. A decisão de implementar um programa
de “Competência em Informação para o ensino de graduação na UnB”, é uma
tentativa estratégica de melhorar a condição de atendimento dos alunos, que
possuem um grande acervo e materiais especializados disponíveis dentro e
fora da universidade. O ensino da graduação brasileira atualmente peca por
não tratar de forma adequada e nem utilizar estrategicamente as informações
educativas disponíveis em milhares de documentos eletrônicos disponíveis nas
bases de dados nacionais e internacionais.
É importante destacar que o projeto trabalha tanto a capacitação
individual, quanto as habilidades coletivas nos processos de comunicação dos
alunos. Para atingir os objetivos propostos para as oficinas, as dinâmicas e
atividades serão adaptadas considerando o perfil do aluno e a função do futuro
profissional. A atividade é complementada com uma permanente avaliação das
ações e a disseminação de produtos e serviços, como livros, apostilas, guias
de fontes, artigos científicos, etc. Tudo pode ser colocado na página web do
projeto, bem como nas páginas do Moodle, que servem de apoio para as
disciplinas de cada curso. Todas as dinâmicas que incluem tanto habilidades
com o uso de equipamentos e softwares, quanto de letramento digital e
competências leitoras, de pesquisa e de comunicação serão transformadas em
módulos também para o ensino à distância (EAD).
Pretende-se ao final das oficinas, que os alunos estejam aptos para
uma comunicação colaborativa, integrando as habilidades desenvolvidas para
um ambiente de comunicação extensiva, ou seja, com recursos múltiplos e
informação multidimensional. Nas oficinas eles também deverão produzir
materiais com planejamento estratégico (com metas, discutido em equipe)
visando à realização de campanhas e ações integradas. Vários recursos serão
utilizados, como uso de blog (ferramenta), produção de vídeos, pesquisa no
google, etc. Tudo tem a supervisão de monitores de graduação e pósgraduação. Em sua construção metodológica a pesquisa tenta indicar
caminhos futuros que poderão subsidiar ações de apoio ao aperfeiçoamento
dos currículos dos cursos de graduação.
Nesse esforço é necessário também introduzir módulos de
Competência em Informação para a montagem de oficinas por EAD (ensino à

�300

distância), método que deverá ser empregado para expansão do trabalho em
outras localidades. O projeto visa aperfeiçoar a metodologia utilizada nas
oficinas de capacitação sobre informação, pesquisa e comunicação apoiadas
na tecnologia e uso da internet. Alguns temas servem como motivação.
Discute-se, por exemplo, o papel das instituições que detém informação,
questões relativas à informação da imprensa e a informação na escola e na
sociedade que convive com a internet.
Vale lembrar que, no caso do ensino superior, em vários países a
biblioteca universitária serve de apoio para o desenvolvimento das oficinas e
essa unidade poderia servir de base para o trabalho. No Brasil, no entanto, isso
apresenta alguma dificuldade, já que as bibliotecas não recebem incentivos
para

trabalhos

dessa

natureza

com

investimentos

para

assumirem

integralmente o papel de promotoras da Competência em Informação. Na
Europa e América Latina já existem trabalhos importantes que utilizam a
Competência em Informação no âmbito das bibliotecas acadêmicas.
Diante

do

exposto,

pode-se

reiterar

que

as

experiências

mencionadas, contribuíram efetivamente para que se buscasse estabelecer
laços mais estreitos com pesquisadores e estudiosos da Competência em
Informação e, para tanto, foram efetuadas parcerias que permitiram a criação e
a realização do I Seminário para reflexão e discussão sobre esse tema, o que
contou com a contribuição de convidados nacionais e internacionais que se
fizeram

presentes

na

forma

de

documento

envolvendo

diretrizes

e

recomendações – a “Carta de Maceió sobre a Competência em Informação” consideradas um marco de legitimação dessa temática no Brasil.

3 I SEMINÁRIO NO CONTEXTO DO CBBD: DESENVOLVIMENTO E
ESTRATÉGIAS DE AÇÃO

O Seminário: Competência em Informação: cenários e tendências,
organizado pela FEBAB, O IBICT e a Faculdade de Ciência da Informação da
Universidade de Brasília aconteceu como um evento paralelo durante o XXIV
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação. O seminário realizado no dia 9 de agosto de 2011, apresentou um
cenário da Competência em Informação na sociedade contemporânea,

�301

promovendo a reflexão, discussão e compartilhamento de experiências e
práticas desenvolvidas por pesquisadores e profissionais nas Bibliotecas e
Serviços de Informação de vários países. O esforço criou subsídios à
elaboração de diretrizes e políticas que podem servir como parâmetros
norteadores ao acesso e uso da informação de forma inteligente visando à
construção do conhecimento e sua aplicabilidade aos diferentes contextos. O
evento foi um marco importante, poisa partir das discussões realizadas por
quase sessenta especialistas de diversas áreas, foi criada e promulgada a
“Declaração de Maceió”.
Na Abertura Oficial do evento, os especialistas convidados
(internacionais e nacionais) mostraram um panorama da Competência em
Informação na América Latina, com experiências em Bibliotecas Escolares,
Públicas, Universitárias e Empresas. A definição dos Grupos de Trabalho (GTs)
conduziu a discussão do seminário complementado com experiências
apresentados pelos especialistas convidados (internacionais e nacionais).
Durante as dinâmicas, foram apresentadas as seguintes questões
para os grupos de especialistas:
1 – O que se considera como sendo Competência em Informação em face ao
cenário e tendências apresentados pelos especialistas?
2 – Como efetuar a mobilização para o desenvolvimento da Competência em
Informação?
3 – De acordo com os indicadores (Definição de prioridades, Identificação de
destinatários, Garantia de formação, Investimentos em recursos, Concretização
de ações estratégicas), quais as diretrizes que poderão nortear organismos e
instituições parao fomento e o desenvolvimento no contexto brasileiro da
Competência em Informação como condição indispensável ao enfrentamento
dos

desafiosda

sociedade

da

informação,

do

conhecimento

e

da

aprendizagem?
Após discussão interna, os especialistas preencheram seus
relatórios apontando:
1. Definição de prioridades a serem estabelecidas como metas para as
estratégias de ação.
2. Identificação de destinatários de programas de CI

�302

3. Garantia de formação, envolvendo a criação de políticas públicas e a
inserção da cI nos currículos em diferentes níveis educacionais.
4. Investimentos em recursos por parte do governo e de outos organismos
e instituições interessadas.
5. Concretização de ações estratégicas, mediante o estabelecimento de
parcerias e alianças entre profissionais da informação, órgãos
representativos

da

área,

bibliotecas,

empresários

e

instituições

governamentais.
Durante o evento foram divulgadas algumas publicações sobre essa
temática com os trabalhos dos especialistas convidados (internacionais e
nacionais). Além disso, as reflexões, discussões foram sintetizadas com o
apoio da metodologia de trabalho em grupo para uma análise geral com pontos
de discussão comuns. A metodologia, especialmente desenhada para esse
evento, estimulou a participação de todos os presentes, com a apresentação,
ao final de relatórios conclusivos das abordagens, cenários e tendências de
Bibliotecas

Universitárias,

Bibliotecas

Escolares,

Ensino

à

Distância,

Experiências corporativas e Bibliotecas Públicas. Os Grupos de Trabalho foram
formados e distribuídos de acordo com o seu foco central de interesse e das
experiências de seus participantes e cada GT escolheu um relator para que os
resultados das discussões pudessem ser socializados ao final.
Ao término dos trabalhos dos GTs, os resultados foram relatados
oralmente com a socialização das respostas obtidas e, em seguida, o relatório
de finalização de cada GT foi entregue à Coordenação do Seminário para que
integrasse parte do documento final. Depois de um debate exaustivo, e
propositivo foi finalizada e divulgada pelas instituições apoiadoras do evento
(FEBAB, IBICT e UNB), o documento intitulado “Declaração de Maceió sobre a
Competência em Informação”. O documento foi formalmente apresentado na
plenária final do CBBD e amplamente divulgado pelas instituições e
especialistas no Brasil e exterior.
O evento deu a todos a possibilidade de refletir, discutir e apresentar
algumas diretrizes que devem nortear políticas, com propostasque servirão de
subsídios à implementação de ações estratégicas envolvendo a Competência
em Informação no contexto brasileiro - área de atenção primária ao
desenvolvimento humano, cidadania, aprendizado ao longo da vida e inovação.

�303

Como resultado das discussões e debates, destacam-se as principais diretrizes
e reflexões que compuseram a “Declaração de Maceió”:
1 As bibliotecas e outras instituições relacionadas com a informação estão
conclamando a fomentar a melhoria dos níveis educacionais de toda a
população, mediante formação para o desenvolvimento humano e
profissional, atividades de promoção da leitura, para o exercício da cidadania
e o aprendizado ao longo da vida.
2 As bibliotecas e outras instituições relacionadas com a informação devem
estabelecer parcerias para

ações estratégicas

e

políticas públicas

envolvendo o sistema de educação obrigatória. Destaca-se a base inicial
para a capacitação no uso da informação, o papel social da biblioteca
escolar como centro de recursos para a aprendizagem e o desenvolvimento
de Competência em Informação.
3 As escolas de formação em Biblioteconomia e Ciência da Informação
deverão integrar conteúdos relativos à Competência em Informação nos
seus projetos político-pedagógicos.
4 As associações profissionais deverão dar prioridade a oferta de atividades de
formação contínua, incluindo desafios decorrentes da necessidade da
Competência em Informação, a fim de propiciar atualização de acordo com
as tendências contemporâneas.
5 As bibliotecas, instituições, organismos e profissionais interessados no
fomento e promoção da Competência em Informação deverão estabelecer
relações locais, regionais, nacionais e internacionais, para a coordenação e
desenvolvimento de ações conjuntas.

O tema Competência em Informação é de grande impacto social e
tem evoluído no conjunto das pesquisas realizadas sobre a Sociedade da
Informação no Brasil. A pesquisa contínua e o debate durante eventos como o
CBBD contribuem para o desenvolvimento de metodologias que contribuam
para o desenvolvimento de habilidades no uso e tratamento da informação,
indispensáveis, se forem utilizadas com fins estratégicos e com o domínio de
ferramentas da internet e de outros recursos informacionais. O objetivo é
contribuir para a melhoria dos processos de Competência em Informação e

�304

trocar experiências e conhecimentos que possam enriquecer a formação
profissional.

BIBLIOGRAFIA

ABELL, A. et al. Library Information Update. Boletín de la Asociación
Andaluza de Bibliotecarios, v. 4, n. 1-2, p. 24-25, Jan.-Febr. 2005.
FERNÁNDEZ VALDÉS, M. M.; ZAYAS MUJICA, R. Normas de competencias
informacionales para el Sistema Nacional de Información en Salud. Acimed,
Vancouver, v.17, n.4, 2008.
LAU, J. Directrices internacionales para la alfabetización informativa.
Sección de Alfabetización Informativa / IFLA, 2004.
MENDONÇA, A. V. M. Informação e comunicação para inclusão digital.
Brasília: Editora do Departamento de Ciência da Informação e Documentação
da Universidade de Brasília, 2008.
______. A integração de redes sociais e tecnológicas: análise do processo
de comunicação para nclusão gigital. Tese (Doutorado)- Programa de PósGraduação em Ciência da Informação. Departamento de Ciência da
Informação. Universidade de Brasília. Brasília, 2007.
MIRANDA, A.; SIMEÃO, E. A conceituação de massa documental e o ciclo de
interação entre tecnologia e o registro do conhecimento. DataGramazero.
Disponível em: &lt;http://, http://www.dgzero.org/dez02/F_I_dgz.htm 2002&gt;.
Acesso em: dez. 2002.
MIRANDA, A.; SIMEÃO, E. (Org.). Alfabetização digital e acesso ao
conhecimento. Brasília: Universidade de Brasília, 2006. 257 p. Série
Comunicação da Informação Digital, n. 4.
MORIN, E. Da necessidade de um pensamento complexo. In: MARTINS, F. M.;
SILVA, J. M.da. Para navegar no século XXI: tecnologias do imaginário e
cibercultura. 2. ed. Porto Alegre: Editora Sulina/ EDIPUCRS, 2002.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. 3. ed. Porto Alegre:
Editora Sulina, 2007.
SIMEÃO, E. Comunicação extensiva e informação em rede. In: Série
Comunicação da Informação Digital, Departamento de Ciência da
Informação e Documentação Brasília: Unb/CID, 2006. v. 2

�305

ANEXO 1
Universidade de Brasília
Faculdade de Ciência da Informação

DECLARAÇÃO DE MACEIÓ SOBRE A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Vivemos em uma sociedade mediada pela informação, porém, os
recursos para seu acesso, uso, avaliação e comunicação são insuficientes para
atender às demandas da cidadania. Em decorrência, é necessária a formação
para o desenvolvimento da Competência em Informação que atenda a essas
demandas.
Os Grupos de Trabalho do Seminário Competência em Informação:
cenários

e

tendências,

realizado

no

XXIV

Congresso

Brasileiro

de

Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, consideram
importante transmitir à sociedade as suas principais reflexões:
1 As bibliotecas e outras instituições relacionadas com a informação estão
conclamando a fomentar a melhoria dos níveis educacionais de toda a
população, mediante formação para o desenvolvimento humano e
profissional, atividades de promoção da leitura, para o exercício da cidadania
e o aprendizado ao longo da vida.
2 As bibliotecas e outras instituições relacionadas com a informação devem
estabelecer parcerias para

ações estratégicas

e

políticas públicas

envolvendo o sistema de educação obrigatória. Destaca-se a base inicial
para a capacitação no uso da informação, o papel social da biblioteca

�306

escolar como centro de recursos para a aprendizagem e o desenvolvimento
de Competência em Informação.
3 As escolas de formação em Biblioteconomia e Ciência da Informação
deverão integrar conteúdos relativos à Competência em Informação nos
seus projetos político-pedagógicos.
4 As associações profissionais deverão dar prioridade a oferta de atividades de
formação contínua, incluindo desafios decorrentes da necessidade da
Competência em Informação, a fim de propiciar atualização de acordo com
as tendências contemporâneas.
5

As bibliotecas, instituições, organismos e profissionais interessados no
fomento e promoção da Competência em Informação deverão estabelecer
relações locais, regionais, nacionais e internacionais, para a coordenação e
desenvolvimento de ações conjuntas.
Os participantes do Seminário sobre Competência em Informação:

cenários e tendências se comprometem a envidar esforços junto às
instituições, organismos e associações de sua abrangência profissional e
geográfica, para conquistar o apoio público no reconhecimento das
considerações deste documento.

Maceió, Alagoas, Brasil, 09 de agosto de 2011.

�307

A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NA REDE DE BIBLIOTECAS DO
SESC: DAS ORIGENS À REVISÃO DE PRÁTICAS DE GESTÃO.
Lisyane Wanderley dos Santos
1 INTRODUÇÃO

A partir da Revolução Industrial ocorreram grandes mudanças no
cenário mundial, gerando impactos no ambiente informacional. A evolução
tecnológica alterou significativamente os métodos de trabalho. Os mecanismos
de produção passaram a depender de conhecimentos que exigem um
trabalhador criativo, crítico e pensante preparado para agir rapidamente frente
às mudanças dessa nova sociedade mais dinâmica e competitiva, o que
implica

na

necessidade

de

se

desenvolver

novas

competências

(PERRENOUD, 1999).
No século XXI, as bibliotecas enfrentam questões ligadas não
somente às condições de ampliação e democratização do acesso, mas
também de como promover a efetiva capacitação do usuário para a utilização
do repertório informacional, uma vez que é necessário desenvolver
capacidades de interpretação, avaliação, organização da informação e seu uso
para apropriação de conhecimentos, habilidades e valores, para transitar nesse
novo ambiente.
Nessa

sociedade,

em

permanente

transformação,

onde

a

informação, tecnologia, comunicação e conhecimento interagem, a qualificação
profissional torna-se indispensável. No que se refere ao bibliotecário, implica
numa revisão das práticas tradicionais e no desenvolvimento de competências
e habilidades que transcendem o domínio dos conteúdos técnicos da
Biblioteconomia (BAPTISTA, 2002; SILVA; CUNHA, 2002; BORGES, 2004,
VITORINO, 2009).
A gestão de unidades de informação no contexto atual apresenta
desafios que vão além do papel tradicional da Biblioteca. É um processo
complexo, que envolve muito mais do que conhecimento e experiência no
assunto: exige do profissional compreensão e avaliação sistêmica de
processos. No passado, a principal finalidade da Biblioteca era entendida como
sendo uma área de guarda e repositório da informação. Atualmente o objeto da

�308

Biblioteca está ampliado: agrega múltiplas funções e interações com outras
áreas do conhecimento. Essas novas demandas sociais exigem do bibliotecário
um olhar que ultrapassa o tratamento técnico da informação. É necessário
desenvolver competências e habilidades para cumprir o papel de um agente
social qualificado e servir de canal entre o que é produzido e o que é
consumido, incentivando o acesso, o uso dos acervos e base de dados
desenvolvendo ações voltadas à educação continuada, pois segundo Belluzzo,
(2007) informação não é sinônimo de conhecimento. Este implica em uma
gestão criativa dessa informação e subentende a percepção das formas de
acesso, seleção, articulação e organização das informações, a apreensão e
concepção

de

contextos

globais

na

compreensão

do

seu

caráter

multidimensional e das relações entre o todo e cada uma das partes.
A partir dessas premissas, o capítulo propõe-se a apresentar as
iniciativas do Departamento Nacional do Sesc para a capacitação dos recursos
humanos de suarede de Bibliotecas, nos princípios da Competência em
Informação, como início de um processode desenvolvimento técnico na
perspectiva deaprimoramento constantepara enfrentar os desafios impostos
aos profissionais no mundo globalizado e em permanente transformação.

2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NO SÉCULO XXI

Os novos paradigmas da Sociedade da Informação no século XXI
impõem múltiplas abordagens para a mediação do acesso e utilização dessa
massa documental e têm gerado a formulação de várias teses e trabalhos no
sentido de embasar os referenciais teóricos necessários à construção de
competências e saberes para o domínio dos processos de gestão do
conhecimento, agora sob a ótica da aprendizagem e educação permanente.
Competência em Informação ou Information Literacy é um conceito
que vem sendo bastante discutido em fóruns técnicos internacionais e, em
síntese, consiste na habilidade em localizar, organizar e utilizar a informação
de maneira qualificada e efetiva para determinados objetivos, ajudando as
pessoas a tomarem decisões, resolverem problemas e realizarem pesquisas. A
Competência em Informação também está vinculada à capacidade que o
indivíduo desenvolve no sentido de chamar para si a responsabilidade do

�309

aprendizado contínuo em áreas de interesse pessoal ou profissional
(CAMPELLO, 2003).
Os conceitos da Competência em Informação que nortearam a linha
de capacitação iniciadas pelo Departamento Nacional do Sesc, em 2006, na
área de Biblioteca, estão baseados em alguns teóricos, dentre os quais alguns
podem ser destacados.
Para Dudziak (2003), a competência em informação pode ser
consideradacomo um processo contínuo de internalização de fundamentos
conceituais, atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação
permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a
proporcionar um aprendizado ao longo da vida.
Em outro conceito, Hatschbach (2002), menciona que a Information
Literacy, inserida na Sociedade da Informação, permite a aprendizagem de
uma maneira autônoma, para que por meio dela se consolidem novos
conhecimentos e se desenvolvam pensamentos críticos (buscando o bem-estar
individual e coletivo), assim como também apresenta um enfoque em
habilidades para o uso de bibliotecas, estudos, tecnologias de manipulação de
informação. Portanto, para que se agregue valor à informação é necessário
saber “aprender a aprender”.
Belluzzo (2009), por sua vez conceitua a Competência em
Informação como processo contínuo de interação e internalização de
fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas. Entretanto,
ressalta que isso constitui referenciais à compreensão da informação e de sua
abrangência em busca da fluência e das capacidades necessárias à geração
do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das
comunidades ao longo da vida.
Os papéis tradicionais da biblioteca, centrados na organização e
gestão de repertórios de dados, embora intrínsecos à natureza dessa Área do
Conhecimento, não são mais suficientes para enfrentar os desafios que esse
novo contexto impõe.Para uma atuação eficiente e alinhada aos paradigmas da
Sociedade da Informação é fundamental a revisão dessa ênfase: o enfoque
passa a ser a informação e o protagonista o usuário e as ações de mediação
da Competência em Informação mais focada no usuário. O atual volume e fluxo
intenso de informações em múltiplos formatos, fontes, ambientes físicos e

�310

virtuais, aliadas às novas ferramentas tecnológicas e de comunicação implicam
na necessidade de um redesenho do perfil do bibliotecário do Sesc na
perspectiva de rever o atual modelo: de gestor de acervos e banco de dados
para mediador qualificado que dá a ênfase na recuperação e difusão
qualificada da informação, conforme apontam Belluzzo e Feres (2009),
[...] a ênfase nos processos de gestão passa a ser a necessidade de
aperfeiçoar continuamente os processos da cadeia produtiva,
mediante o aprendizado e inovação permanentes onde a informação
assume um novo significado no contexto social contemporâneo: de
uma condição estática (acervos) para uma ação dinâmica (acesso e
uso).

Portanto, é necessário que o bibliotecário desenvolva uma visão
sistêmica da biblioteca, onde o usuário ganha lugar de destaque e todos os
serviços passam a ser pensados em função dele.

3 O SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
O Serviço Social do Comércio – Sesc, criado em 1946, pela
Confederação Nacional do Comércio, é uma entidade de direito privado, sem
fins lucrativos, mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e
turismo, com atuação em todo âmbito nacional. Tem como objetivo prioritário,
contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores do comércio
e seus dependentes e da sociedade em geral.
A instituição está presente em 273 cidades em todos os estados
brasileiros e no Distrito Federal e, como uma entidade de prestação de serviços
e cunho socioeducativo, sua atuação se dá no âmbito do bem-estar social
dentro das áreas de Saúde, Educação, Cultura, Lazer e Assistência, através de
ações de caráter eminentemente educativo que têm como perspectiva maior o
desenvolvimento integral dos indivíduos, de modo a torná-los capazes de
buscarem a melhoria das suas condições de vida.
A entidade tem modelo de gestão descentralizado, no qual cada
estado do país constitui um Departamento Regional autônomo para a criação e
execução de projetos e atividades, mas que atuam, contudo, sob a orientação
do Departamento Nacional, que tem a função de planejar, definir diretrizes,

�311

coordenar e acompanhar a execução das atividades da instituição em nível
nacional (SESC, 2004).
No conjunto de ações do Programa Cultura se insere a Biblioteca
com as funções de promover ações destinadas ao desenvolvimento, acesso e
uso de recursos informacionais em qualquer meio ou suporte, físico ou digital,
organizados segundo padrões técnicos, sob a coordenação direta de um
profissional bibliotecário, visando apoiar pesquisas, incentivar a leitura e a
multiplicação de saberes.
[...] considerando a importância do acesso e difusão da informação,
para atender às demandas dos cidadãos do séc. XXI, o programa
Cultura deve atuar através da Biblioteca, na estruturação e
desenvolvimento de bibliotecas e salas de leitura, fixas ou
ambulantes, propiciando acesso às diferentes obras escritas,
iconográficas ou audiovisuais, brasileiras e estrangeiras. Por meio de
registros do conhecimento organizados, sejam em suportes físicos,
digitais ou eletrônicos, como também em ambientes virtuais, o Sesc
deve ser um mediador qualificado, propiciando a aproximação do
indivíduo à posse da informação, comprometendo-se com a formação
de leitores, especialmente dos textos literários, além de fornecer
condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma
tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural
dos indivíduos e dos grupos sociais [...] (SESC, 2013)

4 A REDE SESC DE BIBLIOTECAS E AS DIMENSÕES DO TRABALHO DO
BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO.
Atualmente, a Rede Sesc de Bibliotecas é composta por cerca de
350 bibliotecas, instaladas nas unidades de prestação de serviço, distribuídas
em 26 estados do Brasil e no Distrito Federal. Essas unidades de informação
funcionam com duas vertentes de atendimento: biblioteca fixa e biblioteca
ambulante.
As bibliotecas fixas são espaços especializados instalados em
unidades operacionais da capital ou interior de cada estado. Podem ser abertas
ao público em geral ou atender a públicos específicos, como é o caso das
bibliotecas escolares e infantis, unidades de hospedagem e projetos especiais.
Na modalidade ambulante, como um serviço de extensão das bibliotecas fixas,
o atendimento ao usuário é desenvolvido por meio de sacolas ambulantes ou
caixas estantes e caminhões-biblioteca.

�312

Na maioria dos Departamentos Regionais existe uma biblioteca
central, situada na respectiva Sede Administrativa, que é responsável pelo
tratamento técnico do acervo documental das unidades de informação de cada
estado. O serviço de referência nas bibliotecas centrais é restrito ao quadro
técnico do Departamento Regional.
As bibliotecas disponibilizam um amplo e variado acervo de
documentos em diversos suportes físicos e mídias digitais, para viabilizar a
consulta gratuita e irrestrita ao público em geral e o serviço de empréstimo
domiciliar para a clientela previamente cadastrada. A ação educativa engloba o
atendimento aos estudantes dos segmentos de ensino fundamental, médio e
pré-vestibular, das redes públicas e privadas de ensino, para apoio bibliográfico
às pesquisas escolares e concursos.
São promovidas de forma regular e sistemática ações de incentivo e
ampliação do repertório de leitura por meio de atividades próprias ou em
parceria com as áreas artístico-culturais e de Educação da própria Instituição
ou da comunidade.
Desde 1992, o acervo de documentos está totalmente informatizado
e todas as bibliotecas da rede inclusive aquelas situadas em localidades do
interior de cada estado, possuem computadores destinados a consultas na
internet.
Além do atendimento regular para estudantes e adultos em geral,
cada biblioteca dispõe de espaços especialmente ambientados para atender às
crianças e leitura informal de jornais e revistas.
Segundo suas características e alinhada à missão e valores da
Entidade, a Rede Sesc de Bibliotecas caracteriza-se como pública,
entendendo-se o conceito de pública na esfera de prestação de serviços a
qualquer perfil de usuário, indistintamente e, nessa perspectiva exercem
múltiplas funções:


Informacional - oferecendo acesso a recursos informacionais em
diversos suportes físicos, digitais e ambientes virtuais para atender às
demandas dos vários segmentos de público.



Cultural - apoiando atividades culturais, que visem à formação do
cidadão crítico através do estímulo à criatividade, reflexão, expressão e
senso estético.

�313



Educacional - fornecendo apoio à educação formal e informal através da
oportunidade de acesso e uso da informação, contribuindo para
minimizar as desigualdades sociais e para democratização da educação.
As bibliotecas são administradas por bibliotecários, com apoio de

auxiliares de biblioteca e estagiários de Biblioteconomia. De acordo com as
especificidades dos respectivos planos de cargos em cada Departamento
Regional, os bibliotecários podem exercer a função de Coordenação ou de
Responsável pela Atividade. Numa outra vertente, podem atuar como
bibliotecário responsável pela biblioteca técnica, setor de documentação ou
pelas bibliotecas abertas ao público em geral, bibliotecas infantis ou escolares.
No que se refere aos processos de gestão da Rede Sesc de
Bibliotecas, e, em função das características e diversidade de perfis de público,
entende-se que o bibliotecário do Sesc é um gestor de informação. Suas
atribuições são multifacetadas: desenvolvem os processos de referência e
tratamento técnico do acervo, ações integradas de orientação à pesquisa e
incentivo à leitura, orientações e capacitação e supervisão rotineiras dos
auxiliares de biblioteca e estagiários, dentre outros aspectos vinculados à
administração da(s) unidade(s) de informação e de assessoramento ao
desenvolvimento pleno da área nos seus respectivos estados.
Por sua vez, no que tange à ação em Educação, a biblioteca do
Sesc

ampliou

sua

atuaçãopressionada

pelas

lacunas

da

ação

governamental.Há uma demanda muito grande de estudantes em busca de
conteúdos didáticos para apoio às denominadas “pesquisas escolares”. Com a
explosão das tecnologias de informação, a biblioteca também abriu espaço
para a Internet como uma das ferramentas auxiliares e complementares aos
conteúdos do acervo físico. O papel do bibliotecário como um dos atores e
parceiros no ambiente educacional torna-se fundamental, na medida em que se
reconhecem nesse profissional a capacidade de colocar ao dispor a
mediaçãodo acesso à informação para seu usuário.
Dessa forma, o grande desafio que se impõe ao bibliotecário do
Sesc, diante das demandas informacionais do século XXI e as novas
ferramentas tecnológicas, é o de desenvolver competências e habilidades para
inserir os conceitos e práticas da Competência em Informação nos projetos e
práticas educativo-culturais desenvolvidas na Instituição.

�314

5 AS VERTENTES DE CAPACITAÇÃO NA ÁREA DE BIBLIOTECA,
DESENVOLVIDOS PELO SESC
Desde

a

implantação

da

ação

Biblioteca

no

Sesc,

foram

desenvolvidas diversas ações de capacitação focadas nos aspectos da
Administração da Atividade, uma vez que, se fazia necessário primeiramente,
organizar o acervo documental e definir os parâmetros e regulamentos das
bibliotecas recém-implantadas de acordo com os critérios institucionais. Por
outro lado, a demanda por capacitação baseava-se também no aumento das
ações de natureza educativa, vinculadas à prática da “pesquisa escolar”. Até
então as capacitações eram destinadas quase que exclusivamente aos
bibliotecários numa perspectiva tecnicista para dar referencial teóricometodológico às questões vinculadas ao tratamento dos acervos, serviço de
referência, ações de incentivo à leitura e à literatura e aqueles demandados
para a instrução no uso do software adotado no processo e automação da base
de dados das bibliotecas.
Qualquer que seja o recorte, várias oportunidades de qualificação
são oferecidas. Os bibliotecários participam sistematicamente de reuniões
técnicas, Congressos, Seminários, visitas técnicas e treinamentos com o
objetivo de aperfeiçoar ou reciclar conteúdos técnicos ligados à gestão das
unidades de informação. Com o advento do IP.TV1 no Departamento Nacional
do Sesc, foi possível diminuir a periodicidade entre os eventos, bem como
ampliar o contingente de participação e o alcance dessas propostas.
Conscientes

das

rápidas

transformações

da

sociedade

contemporânea e da exigência de novas posturas profissionais no que tange às
questões de acesso e uso da informação e sua aplicabilidade à construção do
conhecimento e que, a gestão da informação vai além da coleta,
armazenamento e disseminação de informações, incluindo principalmente o
acesso e uso de forma inteligente para construir o conhecimento e aplicá-lo à
realidade, repensamos a linha de capacitação desses profissionais no sentido
de incluir a linha da Competência em Informação, em dois enfoques:

1

O sistema IP.TV (Internet Protocol Televison ) é uma plataforma de TV interativa que opera em redes IP,
possibilitando múltiplas possibilidades de interação, como reuniões técnicas à distância e
1
videoconferências

�315



Complementar e atualizar a formação acadêmica
Por se tratar de uma rede nacional os currículos acadêmicos de

nível superior são bastante diferenciados. As capacitações nesse viés se
dariam no sentido de sensibilizar esse profissional para que ele mesmo se
torne competente para manejar diferentes recursos e ferramentas para ampliar
seu conhecimento e na perspectiva da atualização profissional e educação
autogerenciada e permanente.


Mediação qualificada da informação
Em outra dimensão, as capacitações conduziriam para apropriação

de repertório de conhecimentos e habilidades que o torne um mediador
qualificado para lidar com as demandas do usuário da rede de bibliotecas do
Sesc tanto nas questões ligadas ao serviço de referência tanto para o
planejamento, execução e avaliação das ações interdisciplinares com as áreas
de atuação do Sesc e parceiros, com ênfase nas ações educativo-culturais, na
perspectiva da ação educativa permanente:
[...] tendo em vista que isso exige desse profissional novas reflexões
e novas práticas, a demanda por competência informacional implica
não só a capacitaçãodo próprio profissional no manejo e na
disponibilização de uma variedade de recursosinformacionais para as
comunidades nas quais esteja inserido, mas de agir no sentido de
tornar também informacionalmente competentes os integrantes
dessas comunidades. Tal competência implica tanto a capacitação
para articular pesquisas, quanto à de colocar ao dispor saberes e
conhecimentos produzidos nestas comunidades, em um novo modus
operandi da sua função de referência (SESC, 2013b).

6 OS PROJETOS DE CAPACITAÇÃO DESENVOLVIDOS PELO SESC SOB
O ENFOQUEDA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
Com esse propósito, o Sesc, através do Departamento Nacional,
deu início, em 2006, a um projeto de capacitação em Competência em
Informação.
As capacitações elencadas a seguir, foram ministradas pela
Professora Doutora Regina Célia Baptista Belluzzo cujo trabalho, que
reputamos como um dos pioneiros na sedimentação dos princípios da
Competência em Informação no Brasil, está em sintonia com a linha de

�316

atuação desenvolvida no Sesc na busca da excelência na prestação de
serviços no viés da ação em Biblioteca.


Competência em informação: um diferencial para a integração
Biblioteca/Escola “- 2006”.
O objetivo dessa capacitação foi dar início a um processo de

reflexões e discussões teóricas dos bibliotecários e educadores, para uma
revisão de práticas no sentido de formular de estratégias eficazes para
mediação das consultas escolares, realizadas nas bibliotecas, na expectativa
da construção de conhecimentos efetivos de acordo com os processos de
aprendizagem.


Público:
A proposta piloto foi desenvolvida com 25 profissionais das unidades

operacionais do SESC Santa Catarina em Florianópolis, Lages, Criciúma e
Caçador que coordenam os projetos integrados Biblioteca e Educação.


Metodologia:
A capacitação presencial foi realizada em 40 horas, através de

aulas expositivas com interações e a oficina de construção coletiva na
elaboração de um diagrama utilizando metodologia própria.


Programa:
Conceitos de Competência em Informação; as múltiplas linguagens

e as dimensões de competência; a interação Biblioteca/Educação.


Curso “Competência em Informação” - 2011
Nessa proposta, com o mesmo objetivo da capacitação de 2006,

ampliamos o atendimento para bibliotecários, auxiliares de biblioteca e
estagiários de Biblioteconomia, na perspectiva de envolver todos os recursos
humanos das bibliotecas da rede nacional, além dos educadores que
desenvolvem os projetos em parceria com a Biblioteca em todos os estados
onde o Sesc atua.

�317



Público:
Foram capacitados 229 profissionais de 24 Estados e do Distrito

Federaldas unidades operacionais do Sesc nas capitais e cidades do interior.


Metodologia:
A capacitação foi desenvolvida em 24 de duração, sendo duas

baterias de 4 sessões de 3 horas de videoconferência em dias subsequentes,
nos meses de março e abril.
As duas baterias foram intercaladas por atividades de colaboração,
fóruns virtuais, dirigidas e com tutoria da assessoria externa, monitoria da
equipe de Biblioteca do Departamento Nacional do Sesc, com a mediação de
profissionais de TI e EAD, no uso das ferramentas tecnológicas específicas,
num total de 60 horas de trabalho.
Esse conteúdo foi desenvolvido mediante palestra dialogada com as
salas de videoconferência do Sesc, em cada Departamento Regional
participante, com apoio de recurso audiovisual, fóruns, chats e textos
complementares que foram inseridos na plataforma tecnológica em rede e
disponibilizados para consulta permanente.
Além dos referenciais teóricos a capacitação contou com a oficina
virtual de construção coletiva. Os projetos de finalização das atividades foram
postados na plataforma de EAD.


Programa:
Sociedade e transformações; incentivo à leitura e à pesquisa;

conceitos e modelos de Competência em Informação; ciclo da Competência em
Informação; padrão e indicadores da Competência em Informação; oficina
virtual de construção coletiva.


Palestra “O papel dos profissionais da informação em serviços de
informação e de conhecimento” e, ainda, a Atividade em Grupo
“Contribuição dos profissionais da informação ao desenvolvimento
da Competência em Informação”- 2012

�318

Realizada por ocasião do Encontro Nacional de Bibliotecários da
Rede Sesc de Bibliotecas, realizado no Departamento Nacional do Sesc, no
Rio de Janeiro).


Público:
Participaram 40 bibliotecários que coordenam as Redes de

Biblioteca do Sesc nos 26 estados do país e Distrito Federal.


Metodologia:
A Palestra e a Atividade em Grupo foram desenvolvidas pela

Assessora Externa em 6 horas-aula, mediante o apoio da modalidade de
“Palestra dialogada” e o uso de recursos multimídia.


Programa:
Organizações Contemporâneas; profissionais da informação e

transformações; competências dos Profissionais da Informação; desenvolvendo
a Competência em Informação; fatores de Influência no Desempenho do
Profissional da Informação e o trabalho em grupo “Contribuição dos
profissionais da informação ao desenvolvimento da Competência em
Informação”.

5.1Comentários conclusivos

O desenvolvimento de projetos de capacitação com o objetivo da
promoção da Competência em Informação tem fomentado um efeito
multiplicador para a realização de ações locais, considerando-se o público
alcançado pelo projeto. A rede do Sesc é bastante capilarizada. A abrangência
nacional favorece a divulgação de iniciativas vinculadas aos princípios da
Competência em Informação em cidades distantes do eixo sudeste/sul que em
sua maioria não dispõe ou estão geograficamente afastadas dos fóruns de
discussão e eventos em Biblioteconomia e têm poucas possibilidades de
acesso a capacitações dessa natureza.
Vários desdobramentos dessas ações já estão em curso. Alguns
profissionais estão desenvolvendo projetos piloto direcionados à orientação

�319

bibliográfica das fontes documentais disponíveis nos respectivos acervos,
criando ou sistematizando manuais para apoio aos usuários da Biblioteca geral
e aos estudantes das Escolas do Sesc na formulação de trabalhos escolares.
Outras iniciativas incluem a orientação para a utilização adequada da Internet
em parceria com os professores, como suporte confiável para a busca de
informações tanto de natureza utilitária, quanto àquelas de suporte às
demandas do currículo escolar.
O Departamento Nacional concluiu, em 2012, o documento
normativo “Perfil profissional – análise de funções – Bibliotecário”, que faz parte
da Série Perfis Profissional da instituição, baseado nos conceitos de
construção de competências e habilidades necessárias ao desenvolvimento
das atribuições afetas ao exercício da função de bibliotecário da Instituição.
Alguns desses conceitos foram utilizados para subsidiar a elaboração deste
capítulo.
Está sendo delineado, também, um documento que propõe aos
gestores do Sesc, a atualização dos conceitos técnico-metodológicooperacionais para toda a Rede Sesc de Bibliotecas pautados na concepção e
abordagens que se fazem necessárias a ação da Biblioteca, neste século XXI,
onde as proposições na linha da Competência em Informação têm papel
relevante.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O capítulo visou apresentar de maneira sucinta as iniciativas do
Departamento Nacional do Sesc, na área de Biblioteca, para incorporar os
conceitos da Competência em Informação em suas ações da capacitação e
desenvolvimento de referenciais teóricos, para a Rede Sesc de Bibliotecas, nas
suas várias vertentes de atuação.
Essas iniciativas deverão produzir um efeito multiplicador na
perspectiva de incentivar a formulação e sistematização de novas propostas na
linha da Competência em Informação, somando esforços para a construção de
uma sociedade mais justa através do acesso universal ao conhecimento, ao
aprendizado que incentiva uma participação ativa do profissional da informação
e o usuário desta informação, população na perspectiva da construção de

�320

competências que envolvem o acesso e uso da informação para a construção
de conhecimento para toda a vida.
Vinculadas às iniciativas institucionais de capacitação, o desafio que
se impõe ao profissional bibliotecário do Sesc diante das demandas
informacionais do século XXI é se tornar um aprendiz. É necessário se
apropriar dos conhecimentos da formação acadêmica e desenvolver novas
competências para se tornar um agente qualificado dos processos de gestão e
de

mediação

do

conhecimento

numa

sociedade

em

permanente

transformação, contribuindo, dessa forma, para a construção de valores
humanos mais justos.

REFERÊNCIAS

BAPTISTA, S.G. Habilidades necessárias para o profissional atuar na era da
informação: uma reflexão sobre as tendências do mercado. In: CONGRESSO
DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,
20, 2002, Fortaleza. Anais eletrônicos... Fortaleza: Associação dos
Bibliotecários do Ceará, 2002.
BELLUZZO, R.C.B. Construção de mapas: desenvolvendo competências em
informação e comunicação. 2.ed. ver. e atual. Bauru: Cá Entre Nós, 2007.
BELLUZZO, R.C.B.; FERES, G.G. Competência em Informação: um diferencial
da qualidade em publicações científicas. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação. São Paulo: v.5, n.1/2, p.70-83, jul./dez.
2009.
BORGES, M.A.G. O profissional da informação: somatório de formações,
competência e habilidades. In: BAPTISTA, S.G.; MUELLER, S.P.M. (Org.).
Profissionais da informação: o espaço de trabalho. Brasília: Thesaurus,
2004. p. 55-69.
CAMPELLO, B. S. O movimento da competência informacional: uma
perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília,
v. 32, n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003.
DUDZIAK, E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da
Informação, Brasília.v.32, n.1, jan./abr. 2003. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/123&gt;. Acesso em: 12
mar. 2011.
HATSCHBACH, M. H. L. Information literacy: aspectos conceituais e
iniciativas em ambiente digital para o estudante de nível superior. 2002.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - IBICT, UFRJ, Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro, 2002.

�321

PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre:
Artmed, 1999.
SESC. Departamento Nacional. Diretrizes gerais de ação do Sesc. Rio de
Janeiro: Sesc, Departamento Nacional, 2004.
______.Departamento Nacional. Bibliotecário. Rio de Janeiro: Sesc,
Departamento Nacional, 2013. (Perfil profissional: análise de funções ).
______. Departamento Nacional. Política cultural. Rio de Janeiro: Sesc,
Departamento Nacional, 2013b.
SILVA, E.L.; CUNHA, M.V. A formação profissional no século XXI: desafios e
dilemas. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 3, p. 77-82, set./dez. 2002.
VITORINO, E.V. Princípios epistemológicos à competência informacional do
profissional da informação. In: CONGRESO ISKO-ESPANÃ, 9., 2009, Valencia.
Anais... Valencia: Editorial UPV, 2009. p. 48-69.

�322

RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMPROGRAMA DE COMPETÊNCIA EM
INFORMAÇÃO NO AMBIENTE EMPRESARIALCOM APOIO DA EDUCAÇÃO
À DISTÂNCIA: CASETRANSPETRO
Marilda M. Coelho
Maria Elisa S. E. Madeira
Maria I. C. da Franca
Tatiana N. Cosmo
1INTRODUÇÃO

Com a evolução da sociedade da informação, diferentes categorias
profissionais, inclusive a classe bibliotecária, através de políticas de ações
pedagógicas, têm atuado com práticas educativas no sentido de estimular o
desenvolvimento decompetências que permitam aos indivíduos o domínio das
habilidades em informação e a capacidade de “aprender a aprender”.
Em função do baixo uso dos serviços da biblioteca e dos sistemas
de gerenciamento de documentos e da dificuldade dos usuários em localizar,
acessar, avaliar a informação necessária para a tomada de decisão e mesmo
em transformá-la em conhecimento, a Transpetro, empresa brasileira de
logística e transporte de combustível, empenhada em simplificar esse cenário
informacional, a favor do crescimento pessoal e profissional de seus
colaboradores, inovouao lançar o Programa de Competência em Informação.
Idealizado pelo Centro de Informação e Documentação (CID) em conjunto com
a Gerência Executiva de Recursos Humanos, o Programa é destinado a todos
os colaboradores, e objetiva construir profissionais que possuam uma atuação
inovadora, transparente e socialmente responsável. Essa decisãopode ser
considerada como uma iniciativa pioneira no contexto nacional, uma ação
estratégica amplamente apoiada pela alta administração da empresa, por
considerar que a informação é o principal insumo para a tomada de decisão
ágil, segura e confiável.
Sendo considerada uma ação estratégica e prioritária para
desenvolver em cada colaborador as habilidades informacionais, o Programa
foi lançado numa cerimônia e transmitido por videoconferência para todas as
Unidades da Empresa. Contou com a presença do Presidente e de toda a Alta
Administração. O lançamento do Programa contou ainda, com uma palestra

�323

sobre o tema,proferida pela expert em Competência em Informação Dra.
Regina Célia Baptista Belluzzo, intitulada Competência em informação: um
desafio à excelência da gestão nas organizações contemporâneas. Essa teve
como objetivo apresentar o conceito aos presentes e assim conseguir o apoio
de todos, a fim detransformá-los em formadores de opinião e multiplicadores do
programa junto as suas equipes.

2

EMBASAMENTO TEÓRICO E CONCEITUAL

No mundo atual, a sociedade e, em especial a classe bibliotecária,
vêm vislumbrando o surgimento de novas áreas do conhecimentoque buscam
representar de forma mais clara as atividades demandadas pelo profissional da
informação. Desta busca pelo aprimoramento de suas habilidades e
sensibilizada com a transformação do ambiente informacional a classe
bibliotecária mundial iniciou estudos que pudessem desenvolver nos indivíduos
habilidades que lhes permitissem o acesso à informação e o seu uso efetivo.
Deste

movimento

nasceu

a

Competência

em

Informação

(Information Literacy) que foi ratificada no Colóquio em Nível Superior sobre
Competência Informacional e Aprendizado, realizadoem Alexandria, Egito e
promovido pela The United Nations Educational, Scientific and Cultural
Organization/International Federation of Libraries Associations and Institutions
(UNESCO/ IFLA) em 2005. Em decorrência disso resultou a Declaração de
Alexandria sobre Competência em Informação e Aprendizado ao Longo da
Vida, onde foi declarado que:
a competência informacional e o aprendizado ao longo da vida são os
faróis da Sociedade da Informação, iluminando os caminhos para o
desenvolvimento, a prosperidade e a liberdade. A competência
informacional está no cerne do aprendizado ao longo da vida. Ele
capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar,
avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas
metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito
humano básico em um mundo digital e promove a inclusão social em
todas as nações (UNESCO/IFLA, 2005).

A Competência em Informação é estudada por vários especialistas
bibliotecários e profissionais da informação em todo o mundo, consolidando-se
no cenário mundial como uma temática de atenção primária por todos os

�324

governos de países desenvolvidos. Essa consolidação é evidenciada através
da motivação da classe bibliotecária de estimular o desenvolvimento da
Competência em Informação em seus países. Seguindo o exemplo da
UNESCO/IFLA,

órgãos

da

classe

no

âmbito

internacional,

têm

elaboradosemelhantes declarações em seus países. No Brasil, um conjunto de
especialistas da área se reuniu em Maceió, Alagoas, em 2011 no "Seminário
Competência em Informação: Cenários e Tendências", e elaborou a
Declaração de Maceió durante o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação, organizado pela Federação Brasileira de Bibliotecários,
Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB). Conforme comenta em seu
blog, Elizete Vitorino (2013) a função dessa declaração é:
mostrar a importância do tema para a nação e conclamar órgãos
governamentais para investir maciçamente em atividades de
desenvolvimento da Competência em Informação no contexto
brasileiro, tanto na formação inicial quanto na formação continuada.
(VITORINO, 2013)

Acredita-se que essas ações globais tem estimulado o surgimento
de novos programas em diferentes seguimentos da sociedade, seja no
ambiente acadêmico ou empresarial.
A Competência em Informação tem sido conceituada pelos
especialistas sob enfoque de natureza vária. A seguir, apresentam-se alguns
conceitos que são considerados os mais representativos para alcançar os
objetivos do Programa aqui apresentado.
Segundo Doyle (1994), especialista precursora na definição do
conceito, a Competência em Informação “[...] é um conjunto integrado de
habilidades, conhecimentos e valores ligados à busca, acesso, organização,
uso e apresentação da informação na resolução de problemas, utilizando para
tanto, opensamento crítico” (DOYLE, 1994).
Todos os estudos realizados por especialistas no mundo e também
no Brasil utilizam este conceito como base referencial e estrutural para o
desenvolvimento de programas ou projetos na área. Além desse material,
tivemos a oportunidade de fazer aleitura de trabalhos de outrosespecialistas
que auxiliaram no processo de entendimento e desenvolvimento do programa.

�325

O primeiro documento utilizado como referencial teórico para realizar
o plano de ação do programa foi “Diretrizes sobre desenvolvimento de
habilidades em informação paraa aprendizagem permanente”, organizado pela
IFLA. Dele, o principal aspecto que permitiu o melhor entendimento do conceito
pela equipe, foi a afirmativa de Lau de que,
O desenvolvimento de habilidades em informação e a aprendizagem
permanente têm uma relação estratégica e de apoio mútuo, o que
traz como resultado uma situação crítica para todo indivíduo,
organização, instituição ou nação-estado na sociedade global de
informação. Estes dois modernos paradigmas deveriam, de forma
ideal, estar unidos para trabalhar de forma uníssona e sinérgica, um
com o outro, se as pessoas e as instituições precisam sobreviver e
competir no século 21 e futuramente (LAU, 2009, p.12).

Todo esse entendimento fez com que a equipe do projeto
percebesse a importância do desenvolvimento de um programa no ambiente
empresarial. E incentivou a buscar parcerias, o que permitiu o desenvolvimento
do plano de ação com uma visão sistêmica dentro da organização.
Belluzzo (2006, p. 82). contribuiu com o entendimento teórico
conceitual da equipe quando afirmou que a
Competência em Informação apóia-se em princípios que envolvem
aplicação de técnicas e procedimentos ligados ao processamento e
distribuição de informações, com base no desenvolvimento de
habilidades e no uso de ferramentas e suporte tecnológicos.

Esse entendimento permitiu à equipe estender a abrangência dos
cursos a serem oferecidos, partindo para uma atuação além dos serviços de
biblioteca. Promovendo o uso de recursos tecnológicos, tais como as bases de
dados e sistemas de gerenciamento de documentação de engenharia, cursos
de organização de drive de rede, etc.
E finalmente, para complementar o processo da compreensão sobre
a importância do desenvolvimento de um programa de Competência em
Informação no ambiente empresarial, foi usado como referencial teórico o
conceito de Miranda, que afirma que a Competência em Informação:
[...] é uma competência que perpassa processos de negócio,
processos gerenciais e processos técnicos diversos, bem como
diferentes partes de uma mesma organização ou atividade. Seria
desejável que as competências informacionais fizessem parte do rol

�326

de competências dos mais variados profissionais, atividades e
organizações (MIRANDA, 2004).

Observa-se aqui que a Competência em Informação é vista como
um dos requisitos do perfil do profissional que necessita de informação em seu
trabalho, não importando o tipo de atividade. É essa, portanto, a principal
motivação da empresa em realizar este programa, poisa mesma acreditaque a
Competência em Informação transita em todos os níveis dos diversos
processos da organização. Além disso, considera-se, que a Competência em
Informação deva fazer parte sim das competências dos seus colaboradores.E é
baseado nessas premissas que as diversas atividades do Programa, dentre
elas os cursos presenciais e à distância, estão sendo desenvolvidos voltados
para o aprimoramento e desenvolvimento das habilidades de informação dos
seus colaboradores.
Após todo esse entendimento iniciou-se o plano de ação do
Programa que teve como orientação primária os conceitos relacionados com as
habilidades em informação das Diretrizes da IFLA, representados na Figura 1.
Figura 1 – O Conceito de Habilidades em Informação

Fonte: Tradução de IFLA - Diretrizes sobre Desenvolvimento de Habilidades em Informação
para a aprendizagem permanente

�327

Considera-se, entretanto, importante apresentar neste texto o
entendimento desses conceitos pela equipe envolvida no programa, os quais
foram úteis para definição do enfoque de atuação. Assim sendo, conforme Lau
(2006) esses conceitos são:
 Fluência em informação – Capacidade ou domínio da Competência em
Informação.
 Educação do usuário – Método geral para ensinar aos usuários o
acesso à informação.
 Instrução de Biblioteca – Enfoque na atenção em habilidades de
interação com as bibliotecas.
 Orientação no uso de Biblioteca – Capacitação de usuários na busca
e recuperação da informação.
 Competência

em

Informação

–

Combinação

de

disposições,

capacidadese metas das habilidades em informação.
 Capacitação

de

usuário

–

Enfoque

na

atenção

às

atitudes

informacionais.
 Desenvolvimento de habilidades em informação - Processo de
facilitar a capacitação paraobtenção de habilidades de informação.
Com este embasamento o Centro de Informação e Documentação CID em parceria com a Gerência de Recursos Humanos selecionou algumas
dessas habilidades e promoveu o Programa de Competência em Informação
para todos os níveis de carreira dos colaboradores da empresa. Desta maneira,
apresentam-se no Quadro 1 as habilidades desenvolvidas pelo programa até a
presente data e seus principais produtos.
Quadro 1- Habilidades desenvolvidas pelo Programa X Cursos desenvolvidos
HABILIDADES

PRODUTOS

Desenvolvimento
de  Cursos presenciais e à distância sobre os diversos
habilidades em informação
conceitos Competência em Informação.
Educação de Usuários
 Treinamentos dos usuários no uso dos serviços e
bases de dados disponibilizadas pelo CID.
Capacitação de Usuários
 Treinamentos
em
gerenciamento
de
documentaçãotécnica de engenharia e no uso de
ferramentas de GED/ECM.
Instruções de Biblioteca
 Uso do portal e do sistema de solicitação de serviços
técnicos – SST
Uso da Informação
 Cursos de organização da informação, especialmente
de Arquivos eletrônicos em drive de rede.
 Cursos de uso ético da informação.
Fonte: Elaborado pelas autoras

�328

Acreditando que o desenvolvimento da Competência em Informação
possibilita ao indivíduo alcançar melhores resultados na vida pessoal,
acadêmica e profissional ao longo da vida e em decorrência disso, o torna
capaz de reconhecer suas necessidades de informação e obter habilidades
para localizar, avaliar e usá-la efetivamente.Certamente, foi apoiada nessa
visãoque

a

Alta

Administração

da

Empresa,

acreditou

e

patrocinou

odesenvolvimento do Programa de Competência em Informação.

3

OBJETIVOS

O Programa busca desenvolver nos colaboradores da Empresa
acompetência necessária para obter informações e pensar criticamente, no
âmbito da sua vida profissional, acadêmica e pessoal. Sendo assim, os
principais objetivos para o desenvolvimento do Programa são:
 Desenvolver a Competência em Informação para todos os colaboradores,
na Sede e em todas as Unidades da empresa, distribuídos em todo o
território nacional.
 Promover a conscientização dos colaboradores para adquirir habilidades
informacionais que refletirá em pensar criticamente, minimizar a ansiedade
pela busca de informação, em toda sua trajetória profissional, acadêmica e
social e em sintonia com as necessidades de informação da empresa.
 Promover o uso dos serviços da biblioteca e do sistema de gerenciamento
eletrônico de documentação técnica de engenharia (GED/ECM).
 Funcionar como instrumento integrador das diferentes áreas da empresa e
proporcionar o melhor acesso e uso da informaçãopropiciando a
disseminação do conhecimento.
Em

suma,

desenvolvimentodesse

a

empresa

Programa,

visa,

por

desenvolver

meio
nos

da

implantação

colaboradores

e
a

capacidade de aprender a buscar a informação com independência e de
maneira estratégica. E através disso, atingir a excelência na busca pela
informação e autonomia para a geração e disseminação do conhecimento, fator
crítico para a inovação no ambiente competitivo.

�329

4

DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA

O Centro de Informação e Documentação (CID), tendo como dever
fornecer os seus serviços a todos os colaboradores e desafiado pela extensão
e distribuição geográfica da empresa, se sentiu motivado a desenvolver o
Programa de Competência em Informação. A mobilização de esforços da
equipe do CID para lançar o programa se concretizou através daparceria
firmada com a Gerência de Recursos Humanos e com a conquista doapoio da
Alta Administração da Transpetro.
Desse modo, o Programa foi implantado utilizando metodologias,
técnicas, tecnologias e capacitação que desenvolvam habilidades em
informação nos colaboradores, através da utilização de cursos mediados pela
educação à distância – EAD, que já eram realizados pela Gerência de RH por
uma equipe de profissionais dedicados à criação de cursos nessa modalidade.
O Programa previu também outras atividades complementares, como:
teleconferências, cursos presenciais, dinâmicas, palestras e participação em
eventos. Ou seja, foi utilizado, blended learning, uma combinação de modelos
de ensino, visando à melhoria do processo de aprendizagem da Competência
em Informação na Empresa.
Como aporte referencial da fase de elaboração do projeto (parte
prática), o Programa teve a experiência de um curso desenvolvido pelo
bibliotecário Souto (2007) da Universidade Corporativa Petrobras. Esse curso
tinha sido direcionado originalmente aos alunos de um MBA em Gerenciamento
de Projetos, que foi ministrado por meio de tecnologia EAD e intercalado com
aulas presenciais. Ele foi a base para montar a estrutura dos cursos do
programa, usando a tecnologia de ensino à distância.

4.1 Metodologia

Para a implementação dos cursos de educação à distância o
Programa de Competência em Informação foi utilizada a plataforma SABA –
ambiente virtual de aprendizagem utilizado na Universidade Corporativa
Petrobras. Este ambiente permite a interatividade entre os alunos, tutores e
monitores através de recursos do próprio ambiente. Assim, combinando

�330

tecnologias de aprendizagem, gestão de pessoas e colaboração, a plataforma
SABA oferece soluções que permitem o desenvolvimento do conhecimento
individual e coletivo e promove o aprendizado contínuo.
Segundo Délors (2001) a modalidade de educação continuada que
se refere à prática educativa e ao processo ensino-aprendizagem que leva os
profissionais a aprender-a-aprender, saber pensar, criar, inovar, construir
conhecimentos e participar ativamente de seu próprio crescimento. Essa
fundamentação foi escolhida pela Transpetro em função do alcance deste tipo
de metodologia, o que é muito importante para a empresa, considerando sua
atuação em todo o território nacional. A empresaentende que dessa forma, a
formação dos profissionais não pode ficar restrita a um determinado período de
estudo, considerando que grande parte das informações obtidas nos cursos
estará obsoleta, pela própria natureza dinâmica desse conhecimento. Surge,
então, a necessidade real da educação à distância que promoverá
umaprendizado contínuo e a atualização profissional em função das
necessidades advindas das aceleradas mudanças sociais e tecnológicas que
aumentaram consideravelmente a produção de informação e a disseminação
do conhecimento.
A Equipe do Programa de Competência em Informação da
Transpetro, coordenada pelo Centro de Informação e Documentação - CID e
pelaGerência de Desenvolvimento e Motivação de Recursos Humanos, optou
assim, pordisseminar o projeto de forma ampla, segura e interativa utilizandose do recurso de EAD, já em uso na Empresa.

4.2 Benefícios da tecnologia de EAD na Transpetro

Os principais impactos e benefícios do uso datecnologia de
educação à distância para a empresa são:
 Permitir a participação de colaboradores lotados em qualquer Unidade da
empresa;
 Atualizar conhecimentos e habilidades de forma mais ágil;
 Atender um maior número de colaboradores;
 Atender demandas específicas de determinadas áreas;

�331

 Acompanhar as atividades com apoio de Monitores;
 Trazer experiências diferenciadas e personalizadas para dentro da sala de
aula virtual;
 Implementar a educação continuada e permanente na empresa;
 Reduzir significativamente os custos com deslocamentos de equipes em
capacitação.
Foi apoiada nos benefícios da EaD que os cursos do Programa de
Competência em Informação da Empresa foram desenvolvidos e conforme
descrito por Vitorino:
o movimento transformador da educação para a competência
informacional exige mudanças no modo de pensar e nas crenças e
valores dos educadores, responsáveis pela construção do seu próprio
conhecimento. A estruturação de uma educação que privilegie a
competência
informacional
(information
literacy)
não
é
questãosimples: demanda planejamento, engajamento e deve ser
considerada sistematicamente. Ao se desenvolver projetos
pedagógicos com foco no desenvolvimento da competência
informacional, torna-se necessário repensar crenças, práticas e partir
para a ação (VITORINO, 2009, p.43).

Assim sendo, acredita-se que os recursos de EaD permitem o
desenvolvimento dessa aprendizagem contínua, possibilitando ainda, segundo
Vitorino (2009) a “presencialidade”, aﬂexibilidade, a “distancialidade”,e uma
maior interação entre os indivíduos, apossibilidade real para a construção do
conhecimento e para o desenvolvimento da Competência em Informação.

4.3 Planejamento dos cursos

Os cursos ofertados pelo programa, como já foi mencionado
anteriormente,

têm

como

premissas

básicas

o

desenvolvimento

das

habilidades definidas nas Diretrizes da IFLA (Figura 1) e também nos conceitos
abordados neste documento e na literatura especializada. Ressalte-se a
carência de estudos e pesquisas no tocante às questões que envolvem a
Competência em Informação na área empresarial, no cenário nacional, daí
algumas dificuldades iniciais para o planejamento e design do programa.
Em função da já mencionada atuação em âmbito nacional da
Empresa, ao planejar os cursos optou-se por utilizar de forma ampla os

�332

recursos da tecnologia de EaD, mas é claro, não deixando derealizar cursos e
eventos presenciais, como forma de disseminação e sensibilização dos
colaboradores. Como resultado do processo de definição dos cursos, no
Quadro 2 são apresentados os cursos já elaborados ou em fase de elaboração,
até a presente data.
Quadro 2: Programa de cursos em EaD
HABILIDADES

CURSOSÀ DISTÂNCIA

Visão Geral de Competência em Informação: Objetivos,
conceitos, Atributos e Aplicação no dia a dia.
Básico I de Competência em Informação: Identificação da
necessidade de informação, Canais e fontes de informação e
Desenvolvimento
avaliação de fontes de informação.
das Habilidades de
Visão Geral GED/ECM - Gerenciamento eletrônico de documentos
Informação
-: Conceitos, Objetivos, Benefícios e Funcionalidades básicas.
Visão Geral de GEDTRANS: Objetivos, Benefícios, Conceitos,
Funcionalidades básicas, Aplicações, Diretrizes para uso da
ferramenta.

Capacitação de
usuários

Uso da Informação

Básico II de Competência em Informação: Recursos
Tecnológicos na Era Digital, Sistemas de Recuperação de
Informação Técnica e Científicae Redes de Informação.
Competência em Informação na prática I: Organização da
informação e de Arquivos eletrônicos em drive de rede.
GEDTRANS: Estratégiade pesquisa.
Competência em Informação na prática II: Uso ético da
informação, Transformação da Informação em Conhecimento,
Aprendizado ao longo da vida.
Fonte: Elaborado pelas autoras

Considerando que os cursos desenvolvidos serão utilizados pelos
colaboradores da Transpetro, a abordagem utilizada foi a instrucional para
adultos (Andragógica1). Alguns estudiosos apontam que a velocidade de
aprendizagem do adulto torna-se mais lenta, exigindo outras expectativas e
metodologia de ensino-aprendizagem. Acreditamos, entretanto, que outros
fatores, tais como motivação, status social, background educacional, nível
profissional e inteligência influem mais na aprendizagem do que a idade em si.
Pesquisas demonstram que o aluno com mais idade inserido num
programa de educação é, em geral, intelectualmente tão capaz quanto os
participantes mais jovens e seu desempenho equivale ao dos demais. Foi
também observado que os adultos que continuam a participar de atividades
1

Andragogia é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcolm
Knowles, na década de 1970. O termo remete a um conceito de educação voltada para o adulto, em
contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças (do grego paidós, criança).

�333

educativas aprendem mais efetivamente do que adultos comparáveis que não
o fazem. Igualmente, os adultos aprendem mais efetivamente quando se
permite que sigam seu próprio tempo. Para não trabalharmos o processo de
uma forma cansativa, utilizamos a andragogia. Entende-se que o adulto possui
a autonomia necessária a uma aprendizagem baseada em tecnologia da
informação e comunicação correspondente à maturidade psicológica que
somente eles podem exercer. O conteúdo dos cursos é interativo e promove o
aprendizado e retenção do conhecimento através da alternância constante
entre apresentação de temas, conceitos, processos e procedimentos e sua
imediata utilização em desafios (jogos), questões e interações.
A apresentação dos conteúdos é feita por meio da utilização de
avatares – personagens virtuais humanizados – que interagem virtualmente,
representando as funções de instrutor e aluno, que trazem o conteúdo central
do curso como a “problemática” de seus diálogos. Assim, as informações são
apresentadas de forma a que o aluno venha a identificar suas dúvidas
recorrentes e consiga a explanação da temática, ilustrada e exposta na tela.
Figura 2 – Apresentação inicial do atores do curso

Fonte: Elaborado pelas autoras

A dinâmica do curso mantém o aluno como agente ativo de seu
próprio aprendizado, sendo constantemente solicitado a interagir com o

�334

conteúdo durante a apresentação dos conceitos e, principalmente, com as
atividades de fixação, como por exemplo, a dinâmica da roleta do acaso e
trilha, (Figura 3). Eles são quizzes (jogos interativos) para fixação e revisão, o
qualpermite ao aluno rever todo o conteúdo antes de realizar a avaliação.
Figura 3 – Roleta de Acaso e Trilha

Fonte: Elaborado pelas autoras

As diversas etapas que compõem o processo de construção deste
projeto foram baseadas na:
a) construção de um ambiente de ensino inteligente e assíncrono;
b) construção de materiais instrucionais customizados, interativos e
inovadores, visando atender os diferentes estilos cognitivos de
aprendizagem do público-alvo, previamente ou não identificados;
c) o ambiente de ensino inteligente criado por conteudistas (experts no
assunto) e o núcleo EAD da Empresa responsáveis pela adaptação
deste conteúdo aos diferentes estilos cognitivos dos alunos.
Os cursos foram projetados para promover o aprendizado de forma
auto-suficiente, ou seja, sem a necessidade de instrutores ou tutores.
Entretanto, a adição de tutoria e de um ambiente de colaboração é sempre
positiva no sentido de promover adicionalmente o aprendizado, retenção, ou
mesmo, o aprofundamento dos temas apresentados no curso (adição da
abordagem interacionista).

�335

Para promover a sensação de acompanhamento e condução do
aluno foram desenvolvidos e utilizados “avatares” especiais, personagens que
acompanham o aluno durante todo o conteúdo e tem o objetivo de estabelecer
uma relação pessoal, estimular e chamar a atenção para pontos importantes do
conteúdo. Eles foram criados à imagem e semelhança de uma usuária de
biblioteca e de um bibliotecário, o que permite a "personalização" de dois
indivíduos discutindo os conceitos expostos nos cursos. Veja-os na Figura 4.
Figura 4 – Avatar

Fonte: Elaborado pelas autoras

Na elaboração dos cursos, considerou-se também os seguintes
princípios:
a) Adultos são motivados a aprender na medida em que experimentam – A
cada três ou quatro páginas de cadacurso, devem serinseridas atividades
práticas de fixação que promovem a experimentação de conceitos recém
apresentados.
b) A orientação de aprendizagem do adulto está centrada na sua aplicação
prática para a vida e/ou trabalho; por isto o seu programa de aprendizagem
deve privilegiar situações práticas – Os temas e conceitos são
apresentados sob a forma de situações reais do dia a dia (diálogos,
solicitações, ações, etc.) que promovem a identificação com o ambiente e
situações efetivamente vivenciados pelos alunos.
c) A experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender; por isto, o centro
da metodologia da educação do adulto é a análise das experiências – Ao

�336

longo do curso o aluno é solicitado a analisar situações práticas para
identificar suas vantagens / desvantagens, pontos fortes / pontos fracos,
erros / acertos, etc.
d) A educação de adultos deve considerar as diferenças de estilo, tempo, lugar
e ritmo de aprendizagem – Considerou-se que o público para este curso é
formado por pessoas adultas e dinâmicas, com necessidade de adquirir
elementos para reforçar a confiança na realização de seus serviços. Em um
curso de educação à distância o aluno imprime seu próprio ritmo de
aprendizado;
e) A tecnologia utilizada para o desenvolvimento dos cursos em EaD, permite
que o aluno tenha acesso às diferentes fases dos cursos acessando o
sumário, consultando o glossário para se familiarizar com os termos
técnicos e ainda, consultar a bibliografia utilizada para o desenvolvimento
dos cursos, caso ele tenha interesse em aprofundar seus conhecimentos.
Figura 5 - Sumário

Figura 6 – Glossário

�337

Figura 7 - Anexos

O Programa lançou mão da utilização dos cursos em EaD também
como fator de motivação. No Quadro 3 são apresentados os recursos
utilizados.
Quadro 3 – Fatores de motivação

Metáfora

Atividades
interativas

Através de pesquisa com a equipe do CID, foram detectados
assuntos de interesse comuns. Desta forma os cursos tem uma
metáfora com alguma situação que seja familiar e de interesse
do público alvo.
A metáfora tem dois objetivos:
Motivacional: Como se trata de um determinado assunto de
interesse geral, inserido de forma lúdica ao conteúdo, desperta
o interesse do aluno.
Pedagógico: Alinhamento do conteúdo com características da
metáfora escolhida, proporcionando referências com um
assunto que ele já conhece, ajudando, desta forma, na
construção do conhecimento.
Foram disponibilizadas atividades interativaspara que: o
aluno possa testar e reforçar o aprendizado e obter uma
postura ativa diante do curso.

Interação

O aluno interage com o conteúdo e não apenas em atividades.
Toda a informação, para ser acessada, necessita de uma ação
do aluno.

Jogos

Jogos de simulação que permitem aos alunos experimentarem
os conceitos que estão sendo aprendidos.

Avatar e

Personagem(s) que acompanha(m) o aluno durante todo o
conteúdo e tem o objetivo de estabelecer uma relação pessoal,
estimulá-lo e chamar a atenção para pontos importantes do
conteúdo.

Personagem
Secundário

Fonte: Elaborado pelas autoras

�338

4.4 Descrição das fases do programa

Para alcançar seus objetivos os trabalhos foram orientados por fases
básicas de ação, descritas na régua do tempo (Figura 8). Em todas as fases do
projeto os resultados se delinearam nas demais fases e devem ser utilizadas
como lições aprendidas. As fases de ação foram divididas conforme régua do
tempo, definida na figura 8.
Figura 8 – Cronograma do Programa

Fonte: Elaborado pelas autoras (2011)

 Fase 1: (Pré-projeto)
Consistiu em realizar os seguintes procedimentos:
 Levantamento das necessidades para o desenvolvimento do tema;
 Identificar as parcerias para construção dos produtos;
 Definir a equipe do projeto;
 Definir as ferramentas para criação dos produtos.

�339

 Fase 2: (Kick-off)
Foi o momento em que foi dado o start Inicial ao projeto, com ele foi
possível:
 Oficializar a criação do Projeto juntos aos gestores;
 Comunicar às áreas envolvidas;
 Definir o patrocinador;
 Otimizare viabilizar os custos.

Esta fase do projeto foi importante, pois a conquista do patrocínio da
Alta Administração forneceu todo o suporte e apoio que um programa desse
nível necessita.
 Fase 3: (Análise e planejamento)
Nessa fase a equipe se dedicou a:
 Elaborar o Planejamento;
 Elaborar os cronogramas iniciais para as diversas fases do projeto;
 Criar o Plano de Mobilização e Comunicação.
Esta fase envolveu também a definição de como alcançar os
objetivos determinados durante a análise e expandir a fundamentação
instrucional. São partes integrantes dela:
 Descrever o público-alvo para cada atividade,
 Conduzir a análise da aprendizagem;
 Desenhar os objetivos e mapas de objetos (conteúdos dos cursos);
 Selecionar as lições aprendidas de cada fase;
 Dar sequência às atividades de instrução.
O produto da fase de análise e planejamento é a definição do
modelo instrucional, onde são especificadas as características do conteúdo e
do aluno. Em geral, os princípios do projeto são aplicados em contextos e
conteúdos diversos. A seqüência de instrução é especificada com base na
dependência lógica do domínio de conhecimento e na hierarquia dos objetivos
da aprendizagem, que resultará no produto Mapa de Objetos de Aprendizagem
a ser criado na próxima fase do projeto (Fase 4 – Desenvolvimento).

�340

 Fase 4: (Desenvolvimento)
Nesta fase, foram desenvolvidos todos os produtos: cursos, as
instruções de trabalho, as simulações interativas, as mídias usadas e a
documentação. Esse foi o momento em que efetivamente a elaboração dos
cursos se iniciou. A fase consistiu em:
 Análise detalhada do Planejamento;
 Levantamento dos conteúdos dos cursos
 Criação dos Mapas de Objetos de Aprendizagem e da Estrutura
 Desenvolvimento da Identidade Visual;
 Roteirizarão e produção dos cursos e materiais didáticos;
 Criação da Web de Suporte
 Quality Assurance da Produção e acertos nos produtos, que consiste na
certificação de qualidade do produto.
 Fase 5: (Avaliação dos produtos)
Esse foi o momento de realizar a medição da eficiência do ensino e
aprendizagem, a qual ocorre ao longo de todo o processo do design
instrucional (criação dos cursos), dentro das fases, entre as mesmas e após a
implementação do programa.
 Fase 6: (Instalação e Homologação)
Consiste na fase de instalação e homologação do produto no
ambiente

de

aprendizagem

virtual

da

Universidade

Corporativa

e

disponibilização aos alunos.
 Fase 7: (Lançamento do Programa)
O lançamento ocorreu com a utilização do sistema deteleconferência
para toda a empresa em nível nacional e contou com a participação da Alta
Administração e da Profa. Dra Regina Célia BaptistaBelluzzo, expert em
Competência em Informação,que ministrou uma palestra de apresentação do
conceito, para um melhor entendimento do assunto pelos participantes e obter
o apoio desses como formadores de opinião.Na oportunidade o Presidente da
Empresa enfatizou em sua fala que:

�341

“Hoje, a geração de informação cresce de maneira espantosa. Mas,
se você não tiver capacidade, não for habilitado e treinado a ter
competência informacional, não conseguirá alcançar o essencial
para sua atividade. E, em uma companhia como a nossa, se não
houver crescimento do conhecimento, haverá desperdícios de
talentos. (MACHADO, Presidente da Transpetro, abril de 2001).

O lançamento contou ainda, com a divulgação do evento no Jornal
Mural da Empresa, tendo como destaque a informação de que mais uma vez a
empresa inova lançando um programa considerado pioneiro para o
contextonacional, até o presente momento.
 Fase 7: (Implementação):
Esta fase refere-se à efetiva entrega para usodos cursos. Deve
fornecer aos alunos compreensão do material, suporte aos objetivos e garantia
da transferência de informação do conjunto instrucional para o trabalho. É o
momento da realização dos cursos e da aplicação de uma Pesquisa de Reação
ao final de cada módulo. Feedback avaliativo: avaliação (e reavaliação)
periódica dos objetivos educativos. Após o final da capacitação, verificar se
houve de fato a transformação. O que mudou? A capacitação cumpriu o que se
propôs transformar? Como era antes da capacitação? Como ficou após ela ter
sido ministrada? A capacitação foi bem sucedida? Em caso positivo, por quê?
Emcaso negativo, quais seriam as lacunas havidas? O que mudar para que as
próximas ações de capacitação atinjam um maior índice de satisfação e de
aplicabilidade?

5

PLANO DE MOBILIZAÇÃO E COMUNICAÇÃO

O objetivo principal do Plano de Comunicação é a divulgação do
Programa de Competência em Informação para a capacitação dos empregados
da Empresa, em função das necessidades atuais da organização. Assim, como
parte integrante da estratégia do Programa de Competência em Informação, o
plano de mobilização e comunicação deve anunciar e promover as atividades
deste programa, com a finalidade de posicioná-lo de forma positiva e de

�342

maneira a proporcionar o sucesso no processo de aprimoramento da
capacitaçãodos colaboradores.
Portanto, a comunicação adotada envolveu diferentes públicos e
vários canais, visando alcançar a eficácia e a eficiência na comunicação, para
envolver e obter o compromisso de todos, nas áreas direta ou indiretamente
impactadas neste processo de aprendizado e desenvolvimento.
O plano de comunicação tem como premissas básicas:
 Toda a equipe de projeto é agente do processo de comunicação.
 Desenvolver e cultivar a marca (identidade) do projeto – criando e
mantendo sua identidade.
 Estabelecer padrões de comunicação e garantir a sua consistência.
 Ser consistente com o tom e conteúdo das mensagens.
 Reforçar a mensagem coletiva, criando oportunidades de aprendizado que
mostrem como as mudanças são importantes.
 Sempre que possível marcar o“momento”, compartilhar sucessos, promover
reconhecimento e recompensar o sucesso (este passo é importantíssimo na
fase de capacitação).

Os instrumentos sugeridos que fazem parte do plano de mobilização
e comunicação são:
 Criação de identidade visual.
 Criação de página dentro da Intranet da Empresa para o projeto (notícias,
avisos, materiais de treinamento específicos)
 Lançamento oficial do programa através de vídeo conferência pelo
Presidente da Empresa;
 Divulgação do programa e dos conceitos nas Revistas da Emrpesa
 Divulgação de matéria no Portal e Mural daEmpresa na Sede e nas suas
Unidades Organizacionais para disseminar o conceito e incentivar as
inscrições nos cursos.
 Divulgação do programa em eventos realizados pelas áreas de negócios e
externos.

�343

A criação de uma identidade visual visou o desenvolvimento da
marca do projeto e promover uma maior repercussão em todo o planejamento
de comunicação. Ela consistiu em:
 Criação do slogan para motivar a participação dos colaboradores;
Sugestões a discutir: Competênciaem Informação – um novo olhar para
a inovação.
 Confecção de Banners do Programa para divulgação do projeto na
empresa;
 Criação de Avatar
 Criação de uma logomarca

A equipe decidiu por utilizar nos materiais de divulgação a
logomarca do Centro de Informação e Documentação - CID (Figura 9), e a logo
da Competência em Informação definida pela UNESCO no congresso da IFLA
em 2010 (Figura 10)2

Figura 9 – Logo do CID

Figura 10 – Logo da Competência
em Informação

Com o objetivo de promover as inscrições nos cursos de EaD, a
Gerência de Recursos Humanos, cumprindo a determinação do Presidente
encaminhou para todas as gerências regionais umarecomendação para a
inscrição de seus colaboradores nos cursos. Essa ação por parte da Alta
Administração, de certa forma, reforça o plano de comunicação, pois, acreditase que uma recomendação desse nível, pelo menos motiva os colaboradores a
compreender melhor a importância desse assunto.

2

Este logo foi atualizado recentementee pode ser encontrado em HORTON JUNIOR, F. W. Overview of
information literacy resources worldwide. Paris: UNESCO, 2013.

�344

6

RESULTADOS

Os serviços oferecidos por bibliotecas e centros de informação
devem ser avaliados pelos indicadores de desempenho da ISO 11620:2008. O
propósito desses indicadores é funcionar como ferramenta de avaliação da
qualidade e eficácia dos serviços, recursos e outras atividades fornecidas pela
biblioteca, e também a eficiência dos recursos alocados. Essa medição tem a
finalidade de fornecer subsídios para o processo de tomada de decisão, no
sentido de decidir com base em fatos e dados. Entretanto, saber definir o que
deve ser medido e avaliado não é uma tarefa simples. Determinar que medidas
devem ser realizadas depende da complexidade do processo que se deseja
avaliar, da sua importância em relação às metas estabelecidas e da
expectativa de uso destas informações (CALLADO, CALLADO e ALMEIDA,
2008).
A

Competência

em

Informação

consiste

em

um

assunto

relativamente novo e em função do caráter inovador do Programa é necessário
estar sendo sempre avaliado. Entretanto, considerando a intangibilidade de
avaliação dos processos desenvolvidos pelo programa para verificar os
objetivos e metas alcançados, considera-se esta uma tarefa difícil de ser
realizada.
Todavia acredita-se que o processo de aprimoramento do programa
só é viável através da definição de indicadores de medição. Assim, visando
atender aos objetivos do programa e tendo como referência a ISO 11620:2008
os indicadores de resultados que medem os esforços para aferir a qualidade do
programa são: a comparação entre a quantidade de inscrição/desistência/
conclusão e da avaliação realizada pelos alunos ao final dos cursos.
Os indicadores de resultados para identificação do impacto do
programa na empresa que atendem aos objetivos práticos do programa são:
mapeamento da quantidade de usuários que utilizam os serviços e recursos da
biblioteca e a quantidade de usuários cadastrados como usuários no
GED/ECM.

�345

6.1 Resultados alcançados

Podemos considerar que ocorreu uma significativa participação dos
colaboradores nos cursos à distância, apenas com 03 cursos oferecidos pelo
Programa: Visão Geral, Básico I e Básico II. Conforme representado no
gráfico1.
Gráfico 1: Panorama Geral - turmas dos cursos de Competência em
Informação

336

40
Turmas
Inscritos

1019

688

Concluídos
Desistentes

Fonte: Elaborado pelas autoras

Alguns resultados concretos podem ser visto no gráfico 1, onde
destaca-se que em 40 turmas abertas para os 3 cursos à distância, foram
computados 1019 inscritos, número representativo considerando que se tratam
de cursos em EAD e que existe uma resistência em realizá-los tendo em vista
que esses devem ser realizados no horário de expediente juntamente com as
atividades diárias. Vale destacar ainda, que os 688 concluintes representam
67,51% dos inscritos, um percentualsignificativo. Considera-se relevante este
quantitativo

de

participantes,

pois

estes

alunos

podem

ser

tornar

multiplicadores do Programa, a partir do momento que conseguiram perceber a
importância dos cursos, encontrando tempo para realizá-los durante o horário
de trabalho. Já que os cursos à distância foram disponibilizados na intranet e
de formaassíncrona. Deve-se considerar também que os cursos foram
disponibilizados na condição de conteúdo complementar, não obrigatório, para
formação e/ou aperfeiçoamento no desenvolvimento dos profissionaisda
Transpetro.

�346

Através de pesquisa realizada foi identificado que 66% dos alunos
que desistiram da realização dos cursos indicaram a falta de disponibilidade de
tempo como o principal motivo da não conclusão.
Acredita-se que os alunos que finalizaram os cursos são os que
realmente se interessam e percebem a aplicação teórica e prática dos
conteúdos abordados no Programa de Competência em Informação. Como
também, são aqueles que tiveram um maior entendimento e compreensão da
importância de acessar, avaliar e usar a informação e um reconhecimento da
necessidade de informação segura e confiável para a melhoria dos trabalhos
através do desenvolvimento das habilidades de informação. Conforme
demonstrado na pesquisa realizada para avaliação dos cursos (gráfico 2):

Gráfico 2: Habilidades desenvolvidas pelo Programa de Competência em
Infomação
a) Identificação das necessidades de
informação
48%

12

48%

b) Identificação de fontes de informação

43,5% 43,5%
10

39%

c) Avaliação de fontes de informação

8

d) Elaboração de estratégia de pesquisa

6

d) Aprender a utilizar os serviços disponíveis
pela biblioteca

4

8%
2

0

e) Outra (Indicar)
Não Respondeu

0
07. Em sua opinião, que habilidades da Competência em Informação podem ser
aprimoradas pela modalidade de educação a distância?

Fonte: Elaborado pelas autoras

Os alunos consideraram que a elaboração de estratégia de pesquisa
e utilização dos serviços de biblioteca são as principais habilidades de
informação que podem ser aprimoradas pelos cursos com o uso de educação à
distância, apresentando percentuais de 48% cada.
No gráfico 3, percebe-se que o curso Básico II que tem como
conteúdo a apresentação de Sistemas de Recuperação de Informação Técnica
e Científica, de diversas Fontes de Informação Eletrônicas e de Redes de
Informação disponibilizadas via internet foi o que proporcionalmente teve o
maior número de pessoas que se inscreveram e que concluíram o curso.

�347

Demonstrando como os colaboradores necessitam de orientação quanto ao
uso das tecnologias de informação de forma crítica e racional, e assim
contribuindo para a melhoria de seu desempenhoprofissional.
Gráfico 3: Total de alunos por curso

390

400

348

350

Visão Geral

300

280

CI Básico - I

239

250

293

200

CI Básico- II

150
100

169

50

102

15 13 12

110
124

0

Fonte: Elaborado pelas autoras

Mediante parceria firmada com a Gerência de Recursos Humanos
conseguiu-se introduzir também os cursos presenciais de Introdução a
Competência em Informação e do Sistema de Gerenciamento Eletrônico de
Documentos Técnicos de Engenharia (GED/ECM) da Empresa, no curso de
formação dos novos técnicos operacionais admitidos. Promover estes cursos
para esse público teve como um dos objetivos apresentar o conceito e o
Programa de Competência em Informação para incentivá-los a realizar os
cursos à distância. Visou-se também capacitá-los no uso da ferramenta de
GED/ECM e principalmente conscientizá-los da importância do uso efetivo da
informação nas atividades técnicas operacionais desenvolvidas pelos mesmos.
Foram realizadas 28 turmas, com a participação de 380 técnicos
operacionais, o que representa 17,57% desses profissionais. Ressalta-se que
os cursos na Universidade Petrobras foram oferecidos somente a partir de
2010, quando iniciamos o programa.
Apesar do tamanho da Empresa e de sua atuação em âmbito
nacional,

o

percentual

atingido

pode

ser

considerado

relevante

se

�348

considerarmos que esse é um programa pioneiro e que apesar do apoio da
altaadministração, ele não foi ainda amplamente entendido por todos os níveis
gerenciais. E que não foi possível alcançar ainda uma sensibilização por parte
dos colaboradores sobre a importância do desenvolvimento da Competência
em Informação de forma abrangente conforme os objetivos propostos pelo
Programa.

6.2 Resultados esperados

Para o mapeamento dos resultados esperados, os indicadores de
desempenho da ISO 11620:2008 que serão utilizados para avaliação do
programa são:


Recursos, Acesso e Infra-Estrutura - Indicadores de desempenho que
medem a adequação e disponibilidade de recursos de biblioteca e
serviços,



Uso - indicadores de desempenho que medem o uso da biblioteca e de
seus recursos e serviços, e



Eficiência – indicadores de desempenho que medem a eficiência de
recursos e serviços enfocando o custo de não localizar uma informação
Buscando alcançar estes resultados pretende-se realizar um

processo de reestruturação e reavaliação do Programa e, para tanto, serão
utilizados os indicadores citados acima com a metodologia definida pela ISO
11620:2008.
E, finalmente, espera-se que o programa seja uma “sementinha”
plantada no âmbito da biblioteconomia brasileira, principalmente para a classe
atuante no ambiente empresarial, no sentido de promover programas similares
a este em suas empresas.

7

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo teve como objetivo apresentar relato de experiência do
desenvolvimento de um Programa de Competência em Informação
utilizando os recursos de ensino à distância, em área empresarial no
contexto brasileiro, possivelmente uma ação pioneira e inovadora, com apoio

�349

de plataforma de EAD. Espera-se com a sua realização poder contribuir com
novos projetos e com a construção de conhecimento em uma área consolidada
no ambiente internacional e, ainda, considerada emergente no país.
Pretende-se colaborar com a construção de um projeto corporativo
de Competência em Informação para todas as empresas do Sistema Petrobras,
que possa também servir como um benchmarking para outras organizações,
considerando-se o cenário de mercado competitivo que se apóia na economia
informacional da sociedade contemporânea.
Finalmente, ficam aqui algumas dicas que podem ser consideradas
importantes para aqueles que pretendem iniciar um projeto de Competência em
Informação de igual natureza ao que a Transpetro tem implementado:
 1º passo: estude o assunto e compreenda a importância de um projeto
como este, para os colaboradores da sua empresa,
 2º passo: elabore um plano de ação,
 3º passo: de posse desse plano, conquiste o apoio da alta
administração, ou patrocinadores, pois sem esse apoio não existe
projeto que consiga ter sustentabilidade,
 4º passo: seja perseverante, pois além do apoio dos stakeholders, é
necessário haver um entendimento dos colaboradores da importância do
desenvolvimento das habilidades de informação.

REFERÊNCIAS

BELLUZZO, R.C.B. O uso de mapas conceituais e mentais como tecnologia de
apoio à gestão da informação e da comunicação: uma área interdisciplinar da
competência em informação.Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, v. 2, n.2, p.78- 89, 2006.
CALLADO, A.L.C.; CALLADO, A.A.C; ALMEIDA, M.A. A utilização de
indicadores de desempenho não-financeiros em organizações agroindustriais:
um estudo exploratório. Organizações Rurais &amp; Agroindustriais, Lavras, v.
10, n. 1, p. 35-48, 2008.
DOYLE, C. S. Information literacy in an information society: a concept for
the information age. Syracuse, N.Y.: ERIC Clearinghouse on Information &amp;
Technology, SyracuseUniversity, 1994.

�350

MIRANDA, S.V. Como as necessidades de informação podem se relacionar
com as competências informacionais. Ciência da Informação, Brasília, v. 35,
n. 3, p. 99-114, set./dez. 2006.
SOUTO, L.F. Competência informacional: curso EAD. Rio de Janeiro:
Petrobras/RH/UP/EGN,2007.
TRANSPETRO. Jornal Mural. Rio de Janeiro, 15 de abril, 2011.
UNESCO. INTERNACIONAL FEDERATION LIBRARY ASSOCIATION. Faróis
da Sociedade da Informação: declaração de Alexandria sobre competência
informacional e aprendizado ao longo da vida. Egypt, 2005. Disponível em:
http://www.ifla.org.sg/III/wsis/BeaconInfSoc-pt.html. Acesso em: 10 maio 2009.
VITORINO, E. V. A perspectiva da competência informacional na educação à
distância (EaD). Informação &amp; Sociedade, João Pessoa, v.19, n.2, p. 37-44,
maio/ago. 2009.
______. GPC. In: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Competência
Informacional (Web Blog) Disponível em:
&lt;http://gpcin.webnode.com.br/servi%c3%a7os/&gt;. Acesso em: 27 fev. 2013.

Menção de agradecimento: Não podemos deixar de mencionar nosso
agradecimento especial pela colaboração permanente que recebemos da
Mestra Drª Regina Belluzzo, durante o desenvolvimento desse programa. E
também não só por ter aceitado o convite da Empresa para ser a conferencista
convidada no lançamento do programa, mas também nos acompanhando na
revisão do conteúdo dos cursos e desse capítulo.

�351

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50615">
                <text>Competência em informação: de reflexões às lições aprendidas</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50616">
                <text>Competência em informação&#13;
Information literacy&#13;
Ciência da informação&#13;
Letramento informacional</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50617">
                <text>Esta publicação trata da Competência em Informação em diferentes ênfases e contextos. Adotou-se o pressuposto de que os fatores preponderantes da sociedade atual são: informação, conhecimento e a tecnologia. A crescente evolução dos elementos tecnológicos permitiu o acesso e uso da informação na sociedade contemporânea e tem revolucionado significativamente o modo de viver, pensar, agir e comunicar, alterando radicalmente as estruturas sociais baseadas nos moldes tradicionais de produção do conhecimento. A informação, enquanto um bem social deve estar em articulação com a universalização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a qualificação dos indivíduos e o processo educativo como forma de “aprender a aprender”. Entretanto, como há excesso de informação e uma grande velocidade na sua geração e transferência, em decorrência surgem novas exigências em termos de competências para sua produção e comunicação. Assim, são palavras de ordem do panorama social contemporâneo:  criação, desconstrução, renovação, interconexão e colaboração, em busca de uma inteligência coletiva. Considera-se que a transformação que repercute nas formas de trabalhar, informar e comunicar, com certeza, traz consigo a sociedade da informação, designando o processo de mudanças com base no uso da informação para gerar conhecimento. Mas, mudanças ágeis da sociedade exigem das pessoas a reciclagem constante e permanente de seu estoque de conhecimento e, embora a tecnologia permita o acesso à informação, ela por si só não operacionaliza o processo de conhecimento. Portanto, não basta criar apenas condições de acesso e uso à informação, por tratar-se de uma tarefa complexa, isso demanda uma educação de qualidade, envolvendo o desenvolvimento da Information Literacy ou Competência em Informação (CI) nos mais diversos níveis. Essa   competência   é  também   denominada   como  competência informacional,   alfabetização   informacional,   letramento   informacional   etc., destacando-se  que  a  Organização  das  Nações  Unidas  para  a  Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em documento recentemente publicado (2013) adotou a expressão “Competência em Informação” como terminologia para o Brasil e a International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) a inseriu na logomarca de sua identificação. Acha-se inserida no espectro de fatores que compõem o cenário da sociedade contemporânea, sendo considerada uma área de estudos e pesquisa já consagrados na literatura especializada internacional e em países desenvolvidos, mas, no contexto brasileiro ainda constitui matéria carente de base teórica para sua melhor compreensão e implementação nas práticas e lides desde a educação básica, abrangendo todos os níveis escolares formais, além do contexto de aprendizado corporativo de organizações. Em decorrência, é preciso desenvolver ações para sensibilizar gestores, educadores e profissionais da informação no sentido de que trabalhem de forma integrada a fim de se oferecer condições básicas que ultrapassem os muros da mera transmissão de conceitos reprodutores de conhecimento e de informações. Certamente, essa é a grande missão de todos para que a Competência em Informação possa ser de fato uma realidade na vida dos cidadãos como condição sine qua nonao desenvolvimento e à inovação.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50618">
                <text>Regina Celia Baptista Belluzzo (organizadora)&#13;
Glória Georges Feres (organizadora)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50619">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50620">
                <text>2013</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50621">
                <text>Aída Varela&#13;
Alejandro Uribe Tirado&#13;
Ana Isabel Vasconcelos&#13;
Aurora Cuevas Cerveró&#13;
Bernadete Campello&#13;
Daniela Melaré Vieira Barros&#13;
Daniela Piantola&#13;
Elisabeth Adriana Dudziak&#13;
Elizete Vieira Vitorino&#13;
Elmira Simeão&#13;
Glória Bastos&#13;
Glória Georges Feres&#13;
Leonor Valfigueira&#13;
Lysiane Wanderley dos Santos&#13;
Márcia Rosetto&#13;
Margarida Cardoso&#13;
Maria Elisa S. E. Madeira&#13;
Maria Giovanna Guedes Farias&#13;
Maria Isabel C. da Franca&#13;
Maria Joaquina Barrulas&#13;
Marilda M. Coelho&#13;
Marilene Lobo Abreu Barbosa&#13;
Mônica Pinheiro&#13;
Regina Celia Baptista Belluzzo&#13;
Tatiana Neves Cosmo</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50622">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50624">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="50625">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68081">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="1539" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="1005">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/5/1539/DA21_Report_IFLA_PT-BR.pdf</src>
        <authentication>34cfa9f5f72eedf16a32b43215c1a6c3</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20074">
                    <text>DA2I

DESENVOLVIMENTO E ACESSO
À INFORMAÇÃO 2019
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE • TRABALHO DIGNO E CRESCIMENTO ECONÔMICO • REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES • AÇÕES RELATIVAS AO CLIMA • PAZ, JUSTIÇA E INSTITUIÇÕES FORTES

Federação Internacional
de Associações e
Instituições
Bibliotecárias

GRUPO DE TECNOLOGIA
&amp; MUDANÇA SOCIAL
UNIVERSIDADE de WASHINGTON
Faculdade de Informação

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

A

DA2I.ifla.org

�A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias
(IFLA) é a principal entidade internacional que representa os interesses dos
serviços bibliotecários e de informação, bem como dos seus usuários. A
IFLA trabalha para promover um campo forte e globalmente unido de
bibliotecas como uma força propulsora de sociedades letradas, informadas
e participativas, e coloca a importância do acesso à informação no centro
de seus valores. Com membros em quase 150 países, a instituição é tanto
a voz mundial da profissão de bibliotecário quanto da informação, e o centro
principal para desenvolver padrões, partilhar boas práticas, capacitar e criar
conexões entre bibliotecas e associações de bibliotecas em nível mundial.
O Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology &amp; Social
Change Group - TASCHA] da Faculdade de Informação da Universidade
de Washington explora o papel das tecnologias digitais na construção de
sociedades mais abertas, inclusivas e igualitárias. O TASCHA é um elo de
pesquisa multidisciplinar cujo trabalho tem ajudado organizações
internacionais, governos, organizações da sociedade civil e bibliotecas
públicas nos Estados Unidos e em mais de 50 outros países.
Gostaríamos de agradecer as contribuições de nossos autores
convidados, bem como das equipes da IFLA e do TASCHA, cujos
trabalhos tornaram este relatório possível, em especial as contribuições
de Maria Violeta Bertolini e May Oostrom-Kwok (IFLA), e Chris Jowaisis,
Chris Coward e Doug Parry (TASCHA)
O relatório original foi criado graças às contribuições de muitas pessoas
que ajudaram a desenvolver o conceito e a selecionar os indicadores
utilizados. Seus nomes estão destacados no relatório de 2017, e suas
contribuições ainda são percebidas nesta edição.
Desejamos agradecer, em especial, à Fundação Bill e Melinda Gates, cujo
generoso apoio tornou este relatório possível.

�Prefácio

O papel da informação em nossas sociedades nunca foi
tão importante. A informação é facilitadora, matéria-prima,
fonte de inovação e criatividade. Dar a todos o acesso à
informação é garantir que todos tenham a oportunidade de
aprender, crescer e tomar melhores decisões para si e para
os que estão ao redor.

GLÒRIA PÉREZ-SALMERÓN
Presidente, Federação Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias

Em plena era da informação, isso é uma necessidade. Aqueles que não
possuem acesso são deixados para trás, privados de um meio essencial de
melhorar sua própria situação, são banidos da vida cultural, econômica, social
e cívica.
Por isso, estou tão convencida do poder das bibliotecas como motores da
mudança. Elas são garantidoras desse acesso, não apenas por meio da
possibilidade física de se encontrar um livro ou ficar on-line, mas por
fornecer o espaço e o apoio para garantir que todos possam realizar o
potencial da informação.
Acredito firmemente que, embora cada vez mais nossas vidas se
desenvolvam no ambiente on-line, as bibliotecas se tornaram mais vitais
- como pontos físicos de encontro, como locais para pedir orientações,
como instituições com uma clara vocação para ajudar suas
comunidades.
Por meio de seu trabalho, podemos garantir que a informação se torne
uma força para a igualdade e um acelerador do desenvolvimento, tanto
ao redor do mundo quanto nas diferentes áreas políticas.
Portanto, saúdo calorosamente esta segunda edição do relatório de
Desenvolvimento e Acesso à Informação. Sou grata a todos os nossos
autores - especialmente aos nossos autores convidados - por suas
contribuições. Espero que seu trabalho contribua para um maior
reconhecimento do acesso à informação e apoio a ele para todos os que
possam contribuir para uma vida melhor.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

i

�Introdução

GERALD LEITNER
Secretário-Geral, Federação Internacional de
Associações e Instituições Bibliotecárias

O acesso à informação é essencial para a capacitação dos indivíduos, a
eficácia das políticas e a responsabilização dos governos. Quando todos
podem desfrutar da informação, ela é um motor do desenvolvimento
sustentável em todas as suas dimensões. Quando está ausente,
insuficiente ou desigual, as oportunidades são perdidas, as decisões são
piores e o progresso é sufocado. As bibliotecas são vitais para assegurar
que todos possam se beneficiar do acesso à informação, tornando as
sociedades mais fortes e justas uma realidade para todos.
Este relatório - o segundo da série posterior à primeira edição, em 20171
- fornece mais evidências, exemplos e análises dessa contribuição e do
papel das bibliotecas na sua concretização. Ele está explicitamente
focado na Agenda de 2030 das Nações Unidas e em seus Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fornecem tanto uma afirmação
da importância do acesso à informação para o desenvolvimento, quanto
um marco para se pensar sobre como realizar seu potencial.
O objetivo deste relatório é fornecer uma exploração do acesso à informação
como um motor do desenvolvimento. Ao fazer isso, ele busca informar a tomada
de decisão sobre a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável. O relatório foi elaborado para ser aplicável a todos os níveis sobre
a melhor forma de construir sociedades mais fortes, justas e sustentáveis, tanto
com base nas discussões ocorridas no Fórum Político de Alto Nível das Nações
Unidas quanto nos debates nos níveis nacional e local. Portanto, é destinado a
legisladores e conselheiros, bem como a todos que buscam formas mais
eficazes para apoiar o desenvolvimento, e aos bibliotecários e funcionários de
bibliotecas que podem ajudar a implementá-lo.
Essa introdução, portanto, oferece uma atualização sobre o entendimento
do acesso à informação aplicado neste relatório, uma discussão sobre as
principais questões emergentes desde a última edição, e um panorama dos
capítulos que seguem.

Acesso significativo à informação e o papel das bibliotecas
Quando se refere ao acesso à informação, este relatório adota uma
abordagem deliberadamente ampla, sublinhando a importância do acesso
“significativo”. Isso reflete o entendimento de que a disponibilidade física e
jurídica da informação — o lado da oferta — não pode fazer diferença
quando as pessoas não têm as habilidades, a confiança e as condições
sociais e culturais para aplicá-la — o lado da demanda.
Em outras palavras, uma conexão física de internet, ou leis que assegurem a
transparência de dados públicos ou acesso aberto à pesquisa financiada com
dinheiro público, só pode ter pleno efeito se todos puderem utilizar plenamente
essa informação.
Essa é uma abordagem que encontra suas raízes na Agenda de 2030 das
Nações Unidas. A Agenda faz referência ao acesso à informação, mais ou
menos explicitamente, em 20 metas, incluindo comprometimento para
desenvolver
infraestruturas,
promover
competências,
combater
as
desigualdades e promover as liberdades.
Uma parte importante deste relatório é, portanto, baseada em um conjunto
de indicadores que exploram essas quatro facetas, ou “pilares” do acesso à
informação: conectividade física com a internet, habilidade, contexto
ii

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Falhar na garantia de acesso significativo à informação
prejudica o indivíduo, antes e acima de tudo. Ele perde
informações que podem ajudá-lo a tomar melhores
decisões, ou perde oportunidades de aprender e
comunicar-se.
social e cultural, e legislação. Esses pilares são explicados em mais detalhes
no Capítulo 1, mas, resumidamente, ilustram as condições que precisam ser
atingidas para possibilitar a realização do potencial de acesso à informação.
Em uma situação em que todas as peças estão no lugar, todos podem
entrar on-line, sem injustas barreiras práticas, financeiras ou culturais.
Podem encontrar uma ampla gama de informações não distorcidas, e têm
a capacidade de tomá-las, avaliá-las e aplicá-las para promover suas
próprias vidas ou as vidas dos que estão ao seu redor.
Isso não ocorrerá se faltar um único elemento. Sem uma conexão à internet, há
menos oportunidades de aprendizado, de comunicação e de criação. Sem
condições sociais e culturais favoráveis, grupos inteiros podem ser excluídos —
particularmente mulheres —, mas também os afetados pela pobreza ou que
tenham uma situação jurídica inferior (como os refugiados). Sem as leis corretas,
o conteúdo disponível on-line é distorcido, e as pessoas são incapazes de criar
seus próprios materiais ou compartilhar suas opiniões. E sem habilidades, as
informações não podem ser encontradas ou aplicadas de forma eficaz.
Uma falha na garantia de acesso significativo à informação prejudica
o indivíduo, antes e acima de tudo. Eles perdem informações que
podem ajudá-los a tomar melhores decisões, ou perdem
oportunidades de aprender e comunicar-se.
Entretanto, isso também traz custos em termos de redução da eficácia das
políticas. Se uma população não for informada sobre os sistemas e programas
de desenvolvimento, não for capaz de compreender ou interagir com
informações sobre saúde pública, ou não puder interagir com serviços públicos
on-line, o governo é menos capaz de atingir seus objetivos. Quem governa
também depende de um bom acesso à informação para orientar sua própria
elaboração de políticas ou diretrizes, enquanto que sua prestação de contas às
pessoas e parlamentos requer acesso para funcionar.
A inabilidade de encontrar, entender, usar e criar informações pode, portanto, levar
a uma variedade de resultados negativos. Em contrapartida, os indivíduos e
sociedades que conseguem acessar e fazer uso da informação estão em uma
posição muito mais forte para alcançar êxito agora e no futuro. Para evitar que
diferentes níveis de acesso significativo à informação conduzam a divisões de
desenvolvimento sustentadas ou crescentes, há a necessidade de intervenção.
Em termos de políticas, os governos podem atuar para melhorar suas pontuações
em cada um dos indicadores identificados neste relatório, por meio de reformas que
favoreçam a conectividade, a igualdade, a educação e as liberdades fundamentais.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

iii

�Como parte disso, o suporte a sistemas eficazes de bibliotecas pode ser
um passo extremamente poderoso. As bibliotecas conectadas podem
fornecer um ponto de partida e uma complementação para as conexões
de internet domésticas generalizadas. Podem trabalhar juntamente com
as escolas como fornecedoras de competências, desde a alfabetização
básica até o pensamento crítico mais elevado, e representar uma porta de
entrada para as oportunidades de aprendizagem continuadas. Estão
abertas a todos e, portanto, constituem um lugar onde as barreiras sociais
e culturais podem ser superadas, e onde os indivíduos podem começar a
participar da vida cívica.

Evolução desde 2017
Vale a pena refletir sobre as mudanças observadas no panorama da
informação desde o primeiro relatório, em julho de 2017. Claramente,
dois anos é um período de tempo relativamente curto. Entretanto, três
mudanças parecem particularmente relevantes no contexto de um
relatório focado no acesso à informação.
Uma primeira questão diz respeito à taxa de progresso da conexão de
pessoas à internet. Embora exista um consenso geral de que mais de 50%
da conectividade à internet foi alcançada em 2018 2, ainda há muito a ser
feito. Além disso, a taxa de crescimento das conexões parece estar
diminuindo, o que significa que se corre o risco de faltarem muitas décadas
para que todos os que pretendem ter acesso à internet possam tê-lo.
Essa é uma grande preocupação, dado que, ainda que a
conectividade com a internet não seja condição suficiente para o
acesso significativo à informação, é uma condição necessária. As
conexões também são essenciais para que as bibliotecas possam
prestar muitos dos serviços pelos quais contribuem para o
desenvolvimento. São essenciais novas abordagens e o uso integral
das infraestruturas existentes.
Uma segunda questão relaciona-se à emergência de desinformação
deliberada como uma questão política. Isso teve implicações
significativas para a confiança nas informações encontradas na
internet, e levou a clamores para maior intervenção governamental.
De forma mais positiva, esse fenômeno também sublinhou a
necessidade de desenvolver mais competências na utilização da
internet. Essas podem ajudar as pessoas não apenas a compreender e
avaliar as informações que encontram, mas também aplicá-las, partilhálas e criá-las.
Como nunca, há, indiscutivelmente, uma maior
compreensão da necessidade de construir o conhecimento, as
capacidades e as atitudes para serem internautas efetivos.
Ligada à segunda questão, está a da regulamentação do conteúdo em
geral. O poder da internet como um meio de compartilhar e acessar
informações tem estimulado os esforços para controlá-la, para fins
políticos, de segurança ou sociais. O surgimento de novas ferramentas,

iv

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�tais como tecnologias de filtragem, torna essa perspectiva mais viável
do que no passado.
Como tal, temos visto clamores - incluindo, algumas vezes, das
próprias grandes plataformas - para que haja regulamentação. Além
do risco de simplesmente consolidar a posição dos principais agentes
como os únicos atores que podem aplicar novas regras, as
regulamentações desproporcionais representam uma ameaça à livre
expressão e ao acesso à informação que fizeram da internet um
motor de transformação.

A segunda edição
Como a segunda edição do relatório sobre Desenvolvimento e Acesso à
Informação, esta publicação fornece mais provas da contribuição do
acesso para o desenvolvimento. Coloca uma ênfase particular sobre o
lugar das bibliotecas na consecução desse objetivo.
Pela primeira vez, entretanto, fornece alguns insights ao longo do
tempo, com base em um conjunto de indicadores de acesso à
informação identificados acima. O Capítulo 1 explora essas
evoluções, destacando a preocupação de que o crescimento do
número de indivíduos que usam a internet não é, muitas vezes,
acompanhado de progressos na educação, igualdade de gênero e de
liberdades.
O Capítulo 2 aborda a perspectiva da biblioteca, baseando-se em uma
gama de novos exemplos de onde as bibliotecas estão fazendo a
diferença. Destaca, em particular, os múltiplos benefícios de diversas
atividades bibliotecárias, as quais podem levar a resultados positivos em
várias áreas. Com frequência, esses exemplos mostram o que pode ser
alcançado quando uma conexão com a internet está associada a
iniciativas adicionais.
Os Capítulos 3 a 7 enfocam, por sua vez, cinco dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável enfatizados em 2019 - ODS 4 (educação),
ODS 8 (trabalho digno e crescimento econômico), ODS 10 (redução de
desigualdades), ODS 13 (ações relativas ao clima) e ODS 16 (paz, justiça
e instituições fortes). Cada capítulo explora os aspectos relacionados à
informação de um Objetivo e suas metas associadas, estabelecendo
como elas contribuem tanto para a efetividade das políticas quanto para
a obtenção dos resultados. Em cada caso, as formas pelas quais as
bibliotecas podem ajudar são explicadas. Uma conclusão, então, reúne
algumas das lições aprendidas nos diferentes capítulos.
Juntas, essas perspectivas oferecem uma mensagem clara. O acesso
significativo à informação é um poderoso acelerador de
desenvolvimento e, ao proporcionar isso, as bibliotecas são parceiros
essenciais para o desenvolvimento. Apelamos aos governos e a todos
os envolvidos na elaboração de políticas de desenvolvimento
sustentável que as ajudem a realizar o seu potencial.

1.

Garrido, M e Wyber, S. (Eds.). (2017). Relatório de Desenvolvimento e Acesso à Informação, da2i.ifla.org

2.

Vide, por exemplo: https://news.itu.int/itu-statistics-leaving-no-one-offline/

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

v

�DA2I

vi

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Índice
Prefácio

i

Introdução

ii

Capítulo 1

3

Progresso rumo a um significativo acesso à informação, e ameaças
emergentes

Capítulo 2

17

Tornar significativo, tornar igualitário: o papel das bibliotecas na
geração de desenvolvimento

Capítulo 3

23

Educação de qualidade e aprendizado continuado para todos - Um
enfoque nas pessoas

Capítulo 4

29

O acesso à informação para o trabalho digno e o crescimento
econômico

Capítulo 5

37

Desigualdades: as bibliotecas e a partilha do conhecimento

Capítulo 6

45

Acesso à informação e mudança climática

Capítulo 7

51

Objetivo 16: A paz, a justiça e as instituições fortes dependem do
acesso à informação

Conclusão

57

Colaboradores

60

Bibliografia

64

�DA2I

2

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 1
Progresso rumo a um significativo acesso
à informação, e ameaças emergentes
Este capítulo fornece um panorama do progresso feito por vários países
para alcançar um acesso significativo à informação entre 2015 e 2018, no
contexto da Agenda 2030 das Nações Unidas e dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODSs). O ano base, 2015, foi escolhido para
corresponder ao ano em que os ODSs foram estabelecidos pela
Assembleia Geral das Nações Unidas.1

MARIA GARRIDO, MICHELLE
FELLOWS, e BREE NORLANDER
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de
Washington

Ao longo deste relatório, o acesso significativo à informação é definido
como “os direitos e habilidades para usar, criar e partilhar informações de
maneiras que sejam significativas para cada indivíduo, comunidade ou
organização.”2 Essa abordagem baseada em direitos reconhece como uma
combinação de fatores estruturais nos níveis social, político e econômico se
manifesta em contextos locais e mundiais para promover (ou impedir) a
capacidade de acesso significativo à informação que contribui para um
desenvolvimento mais equitativo e sustentável.3

Por que medimos o progresso no acesso significativo
à informação
A Agenda de 2030 da ONU “é um plano de ação para as pessoas, o
planeta e a prosperidade” com a promessa de que “ninguém será
deixado para trás”.4 O acesso significativo à informação pode melhorar
os tipos de progresso previstos nos 17 Objetivos incluídos na Agenda.
A ascensão da internet e da rede social expandiu profundamente a
gama de interações possíveis entre os indivíduos, as comunidades, as
organizações e os governos, fornecendo oportunidades crescentes de
colaboração para combater a pobreza e a desigualdade, produzir e
consumir informações cívicas e participar de ações sociais e políticas. 5
Entretanto, não há garantia de que o acesso às tecnologias de
informação e comunicação (ICTs, na sigla em inglês), ou as
oportunidades que viabilizam, levarão a uma mudança social equitativa
ou inclusiva. Isso é particularmente verdadeiro quando se consideram
as condições necessárias para que o acesso à informação responda, de
forma significativa, aos principais desafios da sociedade — como descrito
no Marco para o Desenvolvimento e o Acesso à Informação:6 (1) a
disponibilidade de infraestrutura de conectividade física, (2) as
habilidades para usar as ICTs, (3) o contexto social da informação, e (4)
o ambiente jurídico e político. De fato, devido às barreiras enfrentadas
continuamente nestas áreas por muitas das populações mais vulneráveis
e isoladas do mundo, é muito possível que uma distribuição desigual do
acesso à informação contribuirá para alguns tipos de marginalização que
prejudicam os esforços de desenvolvimento.
Aqui estão alguns dos motivos pelos quais medimos o progresso:
O acesso significativo à informação possibilita uma mudança de baixo
para cima que apoia uma ampla gama de objetivos de desenvolvimento
sustentável consagrados na Agenda de 2030 da ONU.
Há provas robustas7 de como as tecnologias de informação e comunicação,
e as mudanças sociais que geram, foram alavancadas para promover o
desenvolvimento sustentável em contextos altamente diversos e em uma
ampla variedade de domínios, tais como o desenvolvimento da força de
trabalho, a igualdade de gênero, a justiça social e o crescimento econômico.
Em 2019, o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

3

�Sustentável (HLPF, na sigla em inglês) enfocará suas análises temáticas anuais
sobre os ODSs relacionados à educação, ao emprego, à desigualdade e à boa
gestão da coisa pública, de forma que esses domínios são de particular interesse
neste capítulo.
O acesso significativo à informação deve ser tornado mais igualitário e
inclusivo.
Em um mundo cada vez mais movido pela interconectividade e pela comunicação
onipresente, o acesso significativo à informação é uma necessidade e um direito.
Nas duas últimas décadas, fizemos grandes avanços em direção ao aumento da
conectividade e da alfabetização digital para bilhões de pessoas. Ainda assim,
para muitas comunidades ao redor do mundo, o progresso tem sido frustrado por
desigualdades sociais e econômicas fundamentais, as quais permanecem em
vigor.8 Ainda estamos longe de atingir uma sociedade da informação
verdadeiramente inclusiva e igualitária.
Os avanços tecnológicos afetarão cada vez mais o progresso dos ODSs, não apenas
em termos de como as pessoas acessam e usam a informação, mas também das
ramificações sociais, culturais e políticas de assuntos relacionados que emergem.
No ecossistema de informação complexo e em evolução da atualidade, é mais
importante do que nunca se atingir o acesso significativo e igualitário à
informação. Desafios emergentes, tais como a desinformação, a segurança
on-line e a privacidade dos dados, a monopolização do acesso e curadoria da
informação, e novas restrições à liberdade de informação exacerbam ainda
mais as desigualdades sociais e econômicas profundamente enraizadas, as
quais impedem o progresso em múltiplas frentes.

Como medimos o progresso no acesso significativo à informação
Para monitorar o progresso feito pelos países rumo a um acesso significativo à
informação, selecionamos 17 indicadores nas quatro dimensões do Marco para
o Desenvolvimento e o Acesso à Informação. 9 Esse marco foi desenvolvido
pelos autores em 2017 e reflete um consenso geral entre os pesquisadores,
profissionais de desenvolvimento e legisladores informados de que o acesso
físico à tecnologia da informação por si só não é suficiente para construir uma
sociedade mais igualitária e participativa. O contexto social, político e cultural
da criação e do uso da informação é vital para destravar a natureza
transformacional dos recursos de informação e melhorar o bem-estar das
pessoas e suas comunidades.
Medir a contribuição do acesso significativo à informação para o desenvolvimento
sustentável é um esforço complexo, determinado, em parte, pela disponibilidade
de dados entre os países de ano a ano.10 Resumir os dados também é tarefa
desafiadora; por exemplo, agrupamos os países por região ou nível de renda para
destacar as tendências, mas fazer isso pode mascarar as diferenças entre os
países dentro de uma região. As classificações regionais refletem as usadas no
Relatório de 2016 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 11 No âmbito
desse sistema, os países são divididos em 10 regiões distintas — nove regiões
geográficas e uma região econômica, que é um grupo de 55 países
“desenvolvidos” (de um total de 228 países). As classificações de renda aplicamse a quatro categorias de renda estabelecidas pelo Banco Mundial: baixa, médiabaixa, média-alta e alta.12
Para uma visão mais abrangente do progresso rumo ao acesso significativo à
informação em nível de país, estimulamos os leitores a utilizar outras
ferramentas relacionadas à iniciativa de Desenvolvimento e Acesso à
Informação (DA2I, na sigla em inglês), incluindo os painéis DA2I13 e o Mapa do
Mundo de Bibliotecas da IFLA e suas Histórias dos ODS (uma ferramenta de
monitoramento que fornece estudos de caso sobre como as bibliotecas estão
promovendo os ODSs com seus trabalhos).

Olhar para o futuro
Este capítulo divide-se em três seções, cada uma correspondendo a uma
dimensão do acima mencionado Marco para o Desenvolvimento e o
Acesso à Informação.
4

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�• Seção 1 – Infraestrutura e uso da conectividade – mostra os avanços que o mundo
fez rumo ao estabelecimento de uma infraestrutura de conectividade mais inclusiva,
como evidenciado pela cobertura expandida da rede de banda larga móvel e por uma
proporção crescente de internautas.
• Seção 2 – O contexto social da adoção e do uso – mostra como o nível de instrução
dos jovens mudou nos últimos anos, inclusive com uma tendência ascendente na
conclusão da educação secundária superior (N. R.: equivalente ao 1º – 3º anos do
ensino médio no Brasil) e uma diminuição contínua da diferença de gênero entre
homens e mulheres nos quatro níveis educacionais.
• Seção 3 – O ambiente jurídico e político – mostra como as liberdades online e off-line estão diminuindo em vários países.

1. Infraestrutura e uso da conectividade
No contexto dos ODSs, a infraestrutura de conectividade física
(especificamente para a internet móvel e fixa) desempenha um papel
importante no apoio à inclusão econômica e no fornecimento de uma rota
para uma distribuição mais igualitária do conhecimento e dos recursos.
Para essa dimensão, incluímos indicadores em duas áreas de
conectividade:
1.
2.
3.
4.
5.

População coberta por pelo menos uma rede móvel 3G (ITU, na sigla em inglês)
Percentual de famílias com acesso à internet (ITU)
Assinaturas ativas de banda larga móvel por 100 habitantes (ITU)
Assinaturas de banda larga fixa por 100 habitantes (ITU)
Percentual de indivíduos que usam a internet (ITU)

Ao observar as mudanças na conectividade de 2015 a 2016, vemos um
padrão claro de melhora da conectividade em todas as regiões e em
praticamente todos os indicadores, continuando uma tendência de
crescimento sustentado. Países de renda média-baixa e de renda baixa
alcançaram alguns dos progressos mais significativos.

1.1 A cobertura de redes sem fio 3G alcançou 82% da
população mundial
Entre 2015 e 2016, a cobertura das redes sem fio 3G expandiu para alcançar
quase 82% da população do mundo, ou seja, mais de 6 bilhões de pessoas.
Em nível regional,14 o sudeste da Ásia, o norte da África, o Cáucaso e a Ásia
Central, o sul da Ásia e a África Subsaariana registraram os maiores
progressos em termos de cobertura. Embora os países de baixa renda tenham
atingido quase 50% da cobertura 3G (por população) em 2016, ainda estão
bem atrás da média mundial. Em nível de país, a infraestrutura de
conectividade na Bolívia, na Ucrânia, na Groenlândia, em Serra Leoa, na
Argélia e no Nepal registrou o maior aumento percentual da cobertura de rede
3G em 2016 em comparação com 2015.

1.2 Quase metade das residências no mundo tem acesso à internet
O número de famílias com acesso à internet em casa por meio de redes
fixas ou móveis aumentou de 45% (2015) para 48% (2016) no mundo
todo. Apesar desse avanço modesto, há diferenças bem significativas
entre as regiões. Enquanto na América Latino e no Caribe 46% da
população tinha acesso à internet em casa, na África Subsaariana e na
Oceania apenas 16% e 14%, respectivamente, tinham esse recurso de
conectividade. De acordo com a ITU (International Telecommunication
Union - União Internacional de Telecomunicações) (2018), o aumento de
lares com acesso à internet pode ser parcialmente motivado por um
aumento no uso de dispositivos móveis para acessar a internet em casa,
e não por qualquer outra mudança nas conexões de banda larga fixa. 15
Enquanto os indicadores de acesso à internet em casa, as assinaturas de
banda larga móvel e a cobertura 3G aumentaram de 2015 para 2016, a
banda larga fixa registrou uma queda insignificante (0,3 ponto percentual)
no número de assinaturas. Uma explicação possível para o maior
aumento na banda larga móvel do que nas assinaturas de banda larga
fixa pode ser o fato de que a banda larga fixa continua a ser relativamente
cara em países de baixa renda, nos quais, conforme concluído pela
Comissão de Banda Larga, a banda larga fixa custa, em média, mais do
dobro que a banda larga móvel.16
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

5

�1.3 Mais da metade da população do mundo usa a internet
Comparado a outros indicadores de infraestrutura de conectividade, o uso da
internet apresentou a mudança mais dramática, passando de 47,1% (2015) para
51,6% (2016) da população, um aumento de 9,6%. Entre 2015 e 2016, o maior
aumento percentual de internautas foi em países de baixa renda (24,9%) e de
renda média-baixa (11,2%). Em nível regional, a Oceania, o sudeste da Ásia e
o sul da Ásia tiveram o maior aumento percentual de internautas em comparação
com 2015. Embora muitos dos países dessas regiões ainda estejam abaixo da
média mundial, eles continuam a dar passos positivos rumo ao acesso físico
universal à informação em algumas das áreas que enfrentam mais desafios
econômicos ao redor do mundo. (Vide Imagem 1: Progresso regional em
infraestrutura e uso da conectividade de 2015 a 2016).
Em nível de país, nove entre os 10 países que tiveram o maior crescimento da
população que usa a internet estão na África Subsaariana. Desses nove
países, Serra Leoa, Tanzânia, Guiné, Gabão e Moçambique registraram o
maior aumento no número de indivíduos que usam a internet em comparação
com o ano anterior. O Gabão, por exemplo, aumentou o percentual de sua
população que usa a internet de 7% em 2010 para quase 50% em 2016. De
acordo com o Banco Mundial (2018), por meio de uma combinação de
investimentos em infraestrutura de banda larga e da formulação de uma
estratégia digital que estabeleceu um ambiente regulatório mais propício ao
investimento e à concorrência no país, o custo do acesso à internet no Gabão
caiu de uma média de US$18 para US$2.80 por mês. 17

Imagem 1: Progresso regional em infraestrutura e uso de conectividade de 2015 a 2016
(percentual da população)
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Cáucaso
e Ásia
Central

Ásia
Oriental

América
Latina e
Caribe

Cobertura da rede 3G em 2015

Norte da
África

Oceania

Sudeste
da Ásia

População de internautas em 2015

Sul da
Ásia

África

Ásia

Subsaariana Ocidental

Regiões
desenvolvidas

Mundo

2016

Fonte: Grupo de Tecnologia e Mudança Social da ITU - Universidade de Washington

1.4 O percentual de internautas tem aumentado constantemente, mas os desafios
relacionados às desigualdades de gênero e à acessibilidade dos preços da
internet ainda permanecem
A diferença no acesso à internet, considerando-se o gênero, aumentou de 11%
em 2015 para 12% em 2016. Quando se objetiva a participação verdadeiramente
inclusiva e igualitária, é importante observar a conectividade em relação a
diferentes populações, especialmente os grupos historicamente excluídos,
como mulheres e meninas. As pesquisas mostram que mulheres e meninas
enfrentam, com frequência, desafios particularmente difíceis relacionados às
normas sociais e culturais que fazem com que tenham menos probabilidade que
os homens e os meninos de acessar, usar, possuir e criar tecnologia digital e
desenvolver ainda mais suas habilidades digitais. 18 Por exemplo, um estudo
abrangente recentemente publicado sobre o estado da igualdade de gênero no
acesso, nas habilidades e na liderança em tecnologias de informação e
comunicação (ICT) contestou a suposição comumente aceita de que os altos
níveis de adoção do telefone móvel reduziram a disparidade de gênero digital.
Em vez do esperado, a pesquisa mostrou que a diferença persiste nos três
domínios em diversos países, 19 e essa situação é exacerbada ainda mais no
caso das mulheres que vivem em zonas rurais. 20

6

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�De acordo com a ITU (2016), a proporção de homens que usam a internet
continua a ser maior que a proporção de mulheres em dois terços dos países
onde há dados disponíveis, embora não esteja claro em que medida a situação
melhorou nos últimos anos. As estimativas da ITU indicam uma divisão crescente
ao longo de um período de um ano, com a disparidade de gênero em relação ao
uso de internet aumentando de 11% em 2015 para 12% em 2016 (ITU, 2016).
Em nível regional, as estimativas da ITU demonstraram que a diferença de
gênero foi maior na África (23%), e nos Estados Árabes (18%) e menor nas
Américas (2%) para os países que constaram do relatório.21
A acessibilidade dos preços é um importante determinante do acesso
das pessoas à informação
A análise realizada pela Alliance for Affordable Internet (A4AI - Aliança para a
Internet com preços acessíveis) sugere um progresso considerável nos últimos 10
anos em assuntos relacionados à acessibilidade de preços da internet,
especialmente com a redução de preços para serviços móveis. 22 Entretanto, a
incapacidade das pessoas de custearem uma conexão de internet básica
permanece uma das maiores barreiras de acesso. 23 A A4AI define a acessibilidade
como 1GB de dados móveis que custam 2% ou menos do rendimento mensal médio
da pessoa, calculado com base na Renda Nacional Bruta per capita. 24 O último
relatório da A4AI mostra que em 2017 mais de 2 bilhões de pessoas no mundo
ainda viviam em países onde os dados móveis tinham preços inacessíveis. A A4AI
encontrou diferenças de preços consideráveis entre as regiões. Por exemplo, os
dados móveis foram os mais baratos na Ásia (1,54% da renda) versus, por exemplo,
América Latina e Caribe (3,58% da renda) e África (8,76% da renda). Apenas quatro
países africanos atingiram a meta de acessibilidade de preços (Tunísia, Nigéria,
Maurício e Egito).25

2. O contexto social de adoção e uso: oportunidades
de educação para os jovens
Enquanto a infraestrutura de conectividade física fornece às comunidades as
bases tecnológicas para o acesso à informação, o contexto social da adoção e do
uso molda a forma como os indivíduos se envolvem com essa infraestrutura. Uma
multiplicidade de fatores – incluindo a dinâmica social em torno da pobreza, da
raça, da etnia, da desigualdade de gêneros, e uma diversidade de normas sociais
e culturais – influencia a capacidade das pessoas de acessarem e utilizarem a
informação de maneira significativa em suas vidas cotidianas.
Em diversos países, pessoas jovens enfrentam níveis mais altos de pobreza,
desemprego, subemprego e marginalização geral do que os adultos mais
velhos,26 o que justifica o estabelecimento das metas relativas aos jovens nos
ODSs 4 (educação para todos) e 8 (emprego digno) na Agenda de 2030 da ONU.
A análise a seguir enfoca os jovens para ilustrar como o contexto social afeta o
acesso significativo à informação. Especificamente, consideramos o nível de
instrução e seus efeitos sobre as oportunidades para os jovens.
A educação é fundamental para melhorar os meios de subsistência dos
indivíduos, das famílias e das comunidades, e é um veículo importante por
meio do qual crianças e jovens podem aspirar a uma melhora em seus meios
de subsistência. Entretanto, a educação pode manifestar as desigualdades
existentes em muitos países, dificultando o futuro dos jovens.
O acesso significativo à informação está estreitamente ligado à educação.
Claramente, a possibilidade de se conectar à internet pode abrir novas
possibilidades interessantes de acessar materiais e ferramentas de
aprendizagem. Entretanto – de forma crucial – a relação também ocorre na
outra direção, com uma gama de competências, desde a alfabetização
básica até a alfabetização da informação crítica de nível superior, sendo
necessária para otimizar o acesso à informação.
Com isso, vemos que alguns jovens – os com competências para utilizar
a tecnologia e a informação de maneira significativa – podem encontrar
recursos e oportunidades on-line para complementar seus meios de
subsistência ou perspectivas de trabalho, enquanto outros perdem
essas oportunidades. Apenas a conectividade física não pode superar
as barreiras impostas ao acesso significativo à informação se as
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

7

�oportunidades de educação e formação não existirem ou só estiverem
disponíveis para poucos.
Para este relatório, nossa análise baseia-se em dados provenientes de
um indicador:
1. Nível de instrução, isto é, o nível mais alto de formação obtido por
indivíduos com idade igual ou superior a 25 anos – ensino médio e
faculdade (UNESCO)
No geral, ao observar as mudanças no contexto social entre 2006 e 2015,27
vemos uma tendência ascendente na conclusão do ensino secundário
superior* para os países participantes da pesquisa, e estamos mais
próximos de alcançar a igualdade de gênero no ensino primário e no
primeiro ciclo do ensino secundário**, com a parcela de mulheres que obtêm
um bacharelado ultrapassando, na verdade, a parcela de homens.

2.1 A conclusão do ensino secundário superior para os indivíduos com
idade igual ou superior a 25 anos aumentou para 34% no mundo todo
As métricas do nível de instrução – o nível mais alto de instrução que o indivíduo alcançou
– fornecem uma imagem das oportunidades que crianças e jovens têm de progredir ao
longo do percurso educacional. Nossa análise mostra uma tendência ascendente
crescente, em nível mundial, na conclusão do ensino secundário superior. Entre 2006 e
2015 (o último ano com dados disponíveis), as taxas do nível de instrução referentes à
educação secundária superior, sendo este o nível mais elevado obtido, aumentaram de
25,5% para 34,4%. Enquanto isso, os níveis de instrução referentes ao primeiro ciclo do
ensino secundário, sendo este o nível mais alto obtido, variaram ligeiramente de 15,6%
para 16,9%. Entretanto, a conclusão do bacharelado, sendo este o nível mais alto obtido,
diminuiu de 17,8% em 2011 para 14,2% em 2015. (Vide Imagem 2: Tendências do nível
de instrução por nível de formação, 2010-2015.)
Imagem 2: Tendências do nível de instrução por nível de formação, 2010-2015
(percentual da população)
40

35

30

25

20

15

10

5

0
2010
Primário

2011
Primeiro ciclo do secundário

2012
Secundário superior

2013

2014

2015

Bacharéis

Fonte: UNESCO
Nota: O número de países participantes da pesquisa varia ano a ano
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington

Uma importante tendência observada nos últimos 10 anos nos países
participantes da pesquisa é que a igualdade de gêneros, no que concerne
às taxas de nível de instrução, foi alcançada nos níveis de ensino primário
e no primeiro ciclo do ensino secundário.28 Ainda há uma disparidade com
relação ao nível do ensino secundário superior, mas as mulheres superaram
os homens na proporção de conclusão do bacharelado (sendo este o mais
alto grau obtido) desde 2006. (Vide Imagem 3: Tendências do nível de
instrução por gênero, 2010-2015.)
*(N. R.: equivalente ao 1º – 3º anos do ensino médio no Brasil)
**(N. R.: equivalente ao 6º – 9º anos do ensino fundamental no Brasil)

8

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Imagem 3: Tendências do nível de instrução por gênero, 2010-2015
(percentual da população)
Mulheres

Homens

90

90

80

80

70

70

60

60

50

50

40

40

30

30

20

20

10

10

0

0
2010

Primário

2011

2012

2013

Primeiro ciclo do secundário

2014

2015

Secundário superior

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Bacharéis

Fonte: UNESCO
Nota: O número de países participantes da pesquisa varia a cada ano
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington

Os estudos demonstram que os níveis de renda nacional estão diretamente
relacionados ao nível de instrução educacional 29 e as tendências recentes
mostram um progresso positivo, particularmente nos países de renda médiabaixa. De 2014 a 2015, o nível mais alto de grau de instrução para países com
renda média-baixa aumentou tanto na modalidade de nível secundário superior
(de 22% para 36%) quanto no nível de bacharelado (de 9% para 14%).
Em nível regional, os países da África Subsaariana registraram os progressos
mais significativos ao aumentar as taxas de nível de instrução no nível
secundário superior entre 2014 e 2015 (de 12% para 26%). O percentual de
pessoas que obtiveram um bacharelado como o nível de instrução escolar mais
elevado na região caiu de 5% para 3% no mesmo período. A obtenção do grau
de bacharel também diminuiu de 17% para 11% na Ásia Ocidental, mas
cresceu ligeiramente de 2014 a 2015 no Cáucaso e na Ásia Central, regiões
“desenvolvidas”, Ásia Oriental, América Latina e Caribe e Sudeste da Ásia.
Entretanto, a observação dos países “desenvolvidos” ao longo de um período
de dois anos mostra uma tendência descendente na obtenção do bacharelado,
de 20% em 2013 para 15% em 2015.

3. O ambiente jurídico e político: direitos políticos,
direitos civis e a liberdade na rede
O pilar dos ambientes jurídico e político do Marco DA2I relaciona-se ao
ponto até o qual os países implementaram os tipos de objetivos baseados
nos direitos, e as práticas equitativas e participativas que apoiam um
acesso significativo à informação. Isso inclui garantir os direitos das
pessoas à liberdade de expressão, de associação, de participação
política, de ação cívica e segurança e privacidade on-line.
A relação entre as liberdades e o acesso à informação está consagrada
na Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Objetivo 16 dos
ODSs, e particularmente na Meta 16.10, a qual busca “garantir o acesso
público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo
com a legislação nacional e os acordos internacionais.”30
Quando essas liberdades são restringidas, as pessoas são incapazes de
fazer uso pleno do acesso à informação, não apenas para participar da
vida cívica, mas também para comunicar e criar conteúdos
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

9

�relevantes para o benefício de outros. Tais controles rigorosos podem
ter um efeito desencorajador sobre o jornalismo, a pesquisa e a
disponibilidade para buscar informações pessoais.
Esta seção apresenta o estado do mundo no que diz respeito aos direitos
políticos, às liberdades civis e às liberdades on-line. Baseia-se nos índices
da Freedom House (Casa da Liberdade), cujos esforços na coleta de dados
abrangentes avaliam o estado do mundo (e tendências ao longo do tempo)
em uma gama de assuntos, incluindo o direito à informação. 31
Os dois índices usados são:
1. Liberdade no Mundo
2. Liberdade na Rede.

3.1 A liberdade no mundo continua a declinar
O índice de Liberdade no Mundo criado pela Freedom House é composto por
duas classificações separadas sobre direitos políticos e liberdades civis.
• Classificação dos Direitos Políticos: Avalia a capacidade das
pessoas de participar do processo eleitoral, assegurar o pluralismo
político e responsabilizar o governo.
• Classificação das Liberdades Civis: Avalia em que medida as pessoas
podem exercer a liberdade de expressão e de crença, se podem
associar-se e reunir-se livremente, e se existe um estado de direito
igualitário que proteja as liberdades sociais e econômicas.
O índice combinado de Liberdade no Mundo retrata um quadro sombrio
do estado do mundo no que diz respeito ao direito à informação para
todas as pessoas, com implicações gritantes para o futuro da
democracia. De acordo com a Freedom House,32 2018 marca o 12º ano
consecutivo com queda nas classificações relativas aos direitos políticos
e às liberdades civis no mundo. Atualmente, quase 40% das pessoas no
mundo vivem em países classificados como não livres e um quarto vive
em países classificados como só parcialmente livres. 33
Nossa análise mostra que, entre 2010 e 2018, a liberdade declinou na
maioria das regiões do mundo e em quase todos os níveis de renda dos
países. Entre 2017 e 2018, os países de alta renda e de renda média-alta
tiveram os maiores declínios em sua pontuação de liberdade combinada –
incluindo democracias maduras, onde muitos poderiam esperar que as
liberdades não faltariam. Em nível regional, das 10 sub-regiões da ONU,
apenas três (Ásia Oriental, Cáucaso e Ásia Central, e Oceania) registraram
um aumento de liberdade nos dois últimos anos, mesmo esses ligeiros
aumentos regionais foram impulsionados apenas por um grupo de países,
e quase todos os países dentro dessas regiões permanecem parcialmente
livres ou não são livres.34
Os países que registram melhora em matéria de direitos políticos e
liberdades civis, com frequência, viram apenas pequenas melhoras em
suas pontuações, embora diversos países – tais como Angola, Etiópia
e Equador35 – tenham tido pontuações significativamente melhores
devido a importantes desdobramentos que resultaram em expansões
das liberdades. (Vide Imagem 4 para os países que registraram os
maiores ganhos e perdas de liberdade em 2018).

10

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Imagem 4: Países com os maiores ganhos e declínios na pontuação geral em matéria de liberdade, 2017-2018.
Gabon
Tunísia
Turquia
Tanzânia
Maldivas
Polônia
Malta
Líbia
Hungria
Uganda
Sudão
Somália
Jamaica
Haiti
Guatemala
Angola
Afeganistão
Nepal
Equador
Uzbequistão
Timor- Leste
Iraque
-10

Livre

-8

Parcialmente Livre

-6

-4
-2
Mudança na pontuação a partir de 2017

0

2

4

Não Livre

Fonte: Freedom House
Nota: As pontuações refletem melhora ou deterioração dos direitos políticos e das
liberdades civis. Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington.

3.2 Liberdade no Mundo: direitos políticos e liberdades civis
Observando-se os diferentes componentes que constituem os
subíndices da Freedom House em matéria de direitos políticos e
liberdades civis, vemos que na Ásia Ocidental e no Cáucaso e Ásia
Central, os regimes autoritários limitaram ainda mais a capacidade das
pessoas de ter eleições justas e livres. 36 (Vide Imagem 5: Ganhos e
perdas, por região, em matéria de liberdades civis e direitos políticos,
2017 - 2018). Em 2018, comparado ao ano anterior e em relação a outras
regiões, o Norte da África registrou os maiores declínios em múltiplas
áreas, incluindo: o direito à associação e à organização; garantias da
autonomia dos povos e direitos individuais; pluralismo político e
funcionamento adequado do governo por meio da implementação de
salvaguardas contra a corrupção e o nepotismo; e abertura e
transparência no governo.
Embora a causa principal desse declínio das liberdades varie conforme
a região e o país, algumas tendências emergentes afetaram os países
em diferentes níveis de desenvolvimento social, econômico e político.
Talvez a tendência mais preocupante seja a ascensão do autoritarismo
e de governos populistas em diversos países, inclusive em Estados com
longa e estabelecida tradição democrática. 37 Estimulada por uma
crescente desigualdade social e econômica, a desconfiança geral das
pessoas acerca de um sistema político que consideram corrupto e
ineficiente, juntamente com a onda atual de desinformação e
manipulação da informação nas mídias sociais, está criando as bases
para que as forças autoritárias ganhem poder político às custas de
nossos direitos políticos e liberdades civis. 38

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

11

�Imagem 5: Ganhos e perdas, por região, em matéria de liberdades civis
e direitos políticos, 2017-2018, expressos em variação percentual
Cáucaso e Ásia Central

Pluralismo
Político

Regiões Desenvolvidas

6,90

Funcionamento
do Governo

1,27

0,00

Processo
Eleitoral

0,83

0,37

9,52

Estado de Direito

0,00

0,32

Autonomia Pessoal
e Direitos dff
Individuais gffdh

4,08

Liberdade de
Expressão e
de Crença

5,26

1,13

Direitos de
Associação e
de Organização

4,55

0,55

Ásia Oriental

0,29

América Latina e Caribe

Pluralismo Político

3,33

0,48

Funcionamento
do Governo

5,26

1,56

Processo
Eleitoral

0,00

1,54

Estado de Direito

0,00

0,66

0,00

0,54

Liberdade de
Expressão e
Crença

3,33

0,67

Direitos de
Associação e de
Organização

0,00

Autonomia
Pessoal e Direitos

Individuais

Norte da África

Pluralismo Político
Funcionamento
do Governo
Processo
Eleitoral

1,35

Oceania

0,60

12,12

3,13

11,76

0,79

12,50

Estado de Direito
0,69

9,09
Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

8,57

0,00

Liberdade de
Expressão
e de Crença

2,78

0,00

11,54

0,84

Direitos de
Associação e
de Organização

Sudeste da Ásia

Pluralismo
Político

0,00

Funcionamento do
Governo

2,13

Processo
Eleitoral
Estado de Direito
Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

12

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Sul da Ásia

1,96

0,00

2,00

3,08

2,04

2,08

0,00

0,00

Liberdade de
Expressão e
de Crença

1,12

0,00

Direitos de
Associação e
de Organização

4,08

0,00

�África Subsaariana

Pluralismo
Político
Funcionamento
do Governo
Processo
Eleitoral
Estado de Direito

0,00

2,05

2,96

7,69

2,65

42,00

2,32

2,63

Autonomia Pessoal
e Direitos
Individuais

0,00
1,82

Liberdade de
Expressão e
de Crença

2,78

Direitos de
Associação e de
Organização

0,74

Direitos Políticos

Ásia Ocidental

1,59
0,00

Direitos Civis

Fonte: Freedom House
Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington.

3.3 Liberdade na rede
A classificação “Liberdade na Rede” rastreia os obstáculos ao acesso à
internet, os limites ao conteúdo da internet e as violações dos direitos dos
usuários em 65 países. De acordo com o último relatório da Freedom House
sobre a Rede (2018), 34% da população mundial vivia em países
classificados como “não livres” e 33%, em países classificados como
“parcialmente livres”. Apenas 20% das pessoas viviam em países onde seus
direitos de acesso à internet estavam garantidos.39
Nossas liberdades de acesso à rede já vinham diminuindo há sete anos
consecutivos e, em 2018, esta tendência continuou por um oitavo ano.
De acordo com o último relatório sobre “Liberdade na Rede”:
Dos 65 países avaliados, 26 estão em declínio geral desde junho de
2017, comparados com 19 que registraram melhoras na rede. [No geral],
17 governos aprovaram ou propuseram leis restringindo a mídia on-line
em nome do combate às “notícias falsas” e à manipulação on-line, e 18
países aumentaram a vigilância, frequentemente evitando a supervisão
independente e enfraquecendo a criptografia para obter acesso irrestrito
aos dados. (Freedom House, FON 2018)
Nossa análise sugere que os países de baixa renda sofreram as maiores
perdas nas liberdades on-line de 2015 a 2016, seguidos pelos países de
renda média-alta. Países do Norte da África e do Cáucaso/Ásia Central
registraram a maior diminuição das liberdades on-line em 2016. As
Filipinas, a Turquia e a Arábia Saudita estavam entre os 30 países onde
os governos tentaram manipular o diálogo político e cívico e espalhar
desinformação ao empregar exércitos de “formadores de opinião” para
promover certas agendas políticas e reduzir a oposição na mídia social. 40
A China, o Irã, a Síria, a Etiópia, a Arábia Saudita, o Bahrein, o Paquistão,
Cuba, o Uzbequistão e o Vietnã foram os 10 países com as maiores
restrições às liberdades on-line no mundo em 2016.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

13

�O caminho adiante
Quando observamos os progressos feitos pelas regiões e pelos países
para alcançar o acesso significativo à informação e seu uso entre 2015
e 2018, vemos resultados variados. Os ganhos em conectividade e
educação são compensados por perdas nas liberdades individuais. Em
vez de fazermos sérias incursões para alcançar o acesso significativo à
informação para todos, nossos indicadores mostram que, em geral,
estamos correndo no lugar. Aparentemente, para cada passo adiante, o
mundo deu um passo para trás. Por exemplo:
Houve progresso significativo na construção de infraestruturas de
conectividade, particularmente em países de baixa renda e países de renda
média-baixa, mas essas infraestruturas permanecem subutilizadas.
A existência de infraestrutura de conectividade física é fundament al
para garantir o direito ao acesso significativo à informação. Entretanto,
a capacidade real das pessoas de acessar e usar essa infraestrutura
é determinada por diversos fatores sociais, incluindo pobreza, acesso
a oportunidades igualitárias de educação e empregos dignos para
mulheres e homens, e a presença de um marco jurídico e político que
proteja os direitos de todas as pessoas. Apesar de avanços
significativos na disponibilidade de tecnologias de informação e
comunicação, houve um progresso insignificante para se resolver a
expressiva disparidade de gênero que persiste no uso dessas
tecnologias. E embora a conectividade, particularmente através de
conexões móveis, tenha se tornado mais barata na maioria dos países,
o preço permanece sendo uma barreira intransponível para muitas
pessoas ao redor do mundo.
Uma observação positiva é que o nível de instrução continua a
aumentar em todas as regiões do mundo.
A educação é fundamental para melhorar os meios de subsistência dos
indivíduos, das famílias e das comunidades, e é um veículo importante por
meio do qual crianças e jovens podem aspirar a um emprego digno.
Entretanto, o desempenho educacional pode refletir as desigualdades
existentes em muitos países, dificultando as possibilidades dos jovens. Com
isso, vemos que alguns jovens – os com acesso físico, recursos financeiros e
competências digitais para utilizar a tecnologia e a informação de maneira
significativa – podem encontrar recursos e oportunidades on-line para apoiar
seus meios de subsistência ou perspectivas de trabalho. Porém, quando as
oportunidades de educação, treinamento e emprego não são distribuídas
igualitariamente, os jovens enfrentam obstáculos que o acesso à informação,
por si só, não pode ultrapassar.
Enquanto isso, um declínio generalizado das liberdades é um presságio
de problemas para o futuro da democracia em todo o mundo.
Os limites excessivos às liberdades têm consequências evidentes para a
democracia, pois as sociedades perdem o poder das vozes das pessoas
para decidir a orientação política de seus países. A liberdade de expressão
é a pedra angular da participação política e dos direitos civis e incorpora um
conjunto de valores democráticos que afetam cada aspecto do acesso
significativo à informação. Uma abordagem baseada em direitos de acesso
à informação reconhece que o direito à informação impacta também todos
os outros direitos. Esses direitos são interdependentes e indivisíveis.
Conforme as vidas das pessoas se tornam ainda mais interconectadas
devido às nossas interações on-line, a garantia dos direitos das pessoas à
participação livre e segura em diferentes espaços on-line é mais importante
do que nunca. A noção da internet como uma tecnologia de libertação está
diminuindo à medida que os governos ao redor do mundo estão, cada vez
mais, vigiando seus cidadãos, utilizando a mídia social para espalhar
desinformação e manipular seus eleitores para obter ganhos políticos, e não
protegendo seus povos contra violações de privacidade.
14

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�A escassez de dados sobre indicadores importantes permanece um
obstáculo aos nossos esforços.
Nossos esforços para rastrear o progresso dos países e regiões rumo
ao alcance do acesso significativo e uso da informação estão
severamente prejudicados pela falta de disponibilidade de dados
relevantes. Durante o período entre 2015 e 2018, os dados de muitos
dos 17 indicadores incluídos no marco de DA2I não foram atualizados
ou tornados públicos. Em um mundo supostamente repleto de dados, a
realidade é que há lacunas importantes de dados nos principais
indicadores sociais e econômicos. A escassez de dados não apenas
limita nossa capacidade de avaliar o progresso dos países, como, talvez
ainda mais importante, restringe de forma significativa a concepção de
políticas baseadas em provas que verdadeiramente tratem das
necessidades das diversas comunidades em cada país.

1.

Este capítulo é o segundo fascículo, após o relatório de DA2I publicado em 2017. Vide: Garrido, M. &amp; Wyber, S. Eds. (2017)

2.

Vide: Garrido &amp; Fellows, 2017: 11

3.

Para uma discussão mais aprofundada sobre a importância da abordagem baseada em direitos em relação à Agenda da ONU de 2030, vide,
por exemplo: Nussbaum, (2001) Esterhuysen, A., (2016) e Souter, D., (2016)

4.

https://sustainabledevelopment.un.org/post2015/transformingourworld

5.

Há um volume de pesquisa extenso e bem estabelecido dedicado ao estudo das contribuições do acesso à informação com a finalidade
de fazer avançar os objetivos sociais e econômicos. Numerosos estudos nas áreas de comunicação, especialmente a de comunicação de
desenvolvimento (por exemplo, Castells, 1996; Melkote, 2000; Wilkins, 2000; Castells, Fernandez, &amp; Sey, 2009; Toyama, 2011 Heeks,
2010; Sey et al., 2015; Donner, 2016) e ciências da informação (por exemplo, Burnett &amp; Jaeger, 2011), e, mais recentemente, na área de
engenharia e design centrados no homem (por exemplo, Starbird, 2018) lançaram luz sobre as diferentes formas pelas quais as
comunidades, as organizações da sociedade civil, os governos e as agências internacionais usaram diversos recursos de informação e
comunicação para promover a mudança social

6.

Vide Garrido &amp; Fellows, (2017)

7.

Vide nota de rodapé 5

8.

Vide Pew Internet Research (2016); ITU, (2016 ,2017, 2018); Garrido &amp; Fellows (2017); e EQUALS Research Group, (2019); entre outros.

9.

Vide: Anexo 3 (Glossário dos indicadores de DA2I) está disponível aqui: https://da2i.ifla.org/

10. Para obter informações sobre nossa metodologia e uma discussão sobre os desafios enfrentados, vide Anexo 1 (Processo de Pesquisa)
e Anexo 2 (Curadoria, Processamento e Estratégia de Análise de Dados) aqui: https://da2i.ifla.org/node/50
11. Uma lista de países e sua classificação regional está disponível no Anexo 2 (Curadoria, Processamento e Estratégia de Análise de Dados)
aqui: https://da2i.ifla.org/node/51
12. Informações sobre a classificação do grupo de renda feita pelo Banco Mundial podem ser encontradas aqui:
https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/378834-how-does-the-world-bank-classify-countries
13. Os painéis de DA2I serão divulgados em julho de 2019. Consulte nosso site para obter atualizações: http://tascha.uw.edu/
14. Médias regionais recebem um peso conforme a população do país.
15. Vide: ITU (2018)
16. Vide: Broadband Commission [Comissão da Banda Larga] (2018)
17. Para obter informações sobre o Projeto de Comunicações do Eixo da África Central feito pelo Banco Mundial, vide:
http://projects.worldbank.org/P108368/centralafrican-backbone-apl1a?lang=en
18. Vide, por exemplo: EQUALS Research Group (2019) e ITU (2016, 2017, e 2018)
19. Para uma análise abrangente sobre o estado da disparidade de gênero em matéria de ICT [Tecnologias de Informação e Comunicação], vide:
EQUALS Research Group (2019)
20. Vide: Web Foundation [Fundação Web] (2016)
21. Vide: ITU (2016)
22. Vide: Affordability Report [Relatório de Acessibilidade de Preços] (2018)
23. Ibid
24. Mais informações sobre essa definição de acessibilidade de preços, bem como uma lista dos custos de banda larga móvel por
país, estão disponíveis em https://a4ai.org/mobile-broadband-pricing-data/.
25. Ibid
26. Vide, por exemplo: ILO (2017, 2018); UNESCO (2017, 2018); e UNDP [Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas] (2016)
27. Os dados relativos a 2016 não foram incluídos na análise devido ao pequeno número de países que informaram os dados pertinentes a esse indicador
naquele ano (n=2) 28.
28. UNESCO (2016 e 2017)
29. Vide, por exemplo: ILO (2017, 2018), UNDP (2016)
30. Vide Garrido, Fellows e Koepke (2017)
31. Vide a Metodologia da Freedom House: https://freedomhouse.org/report/methodology-freedom-world-2019
32. Freedom House (2018)
33. Ibid
34. Ibid
35. Ibid
36. Freedom House (2018)
37. Mozilla Foundation [Fundação Mozilla] (2018)
38. Vide: Freedom House (2017 e 2018)
39. Freedom House (2018b)
40. Ibid

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

15

�DA2I

16

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 2
Tornar significativo, tornar igualitário:
o papel das bibliotecas na geração
do desenvolvimento
O fornecimento de acesso à informação é a principal missão das
bibliotecas. Ao adquirir, preservar e organizar as informações e ao permitir
aos usuários que as leiam e as apliquem, as bibliotecas há muito têm
estado no centro de nossa infraestrutura cultural e de pesquisa. São
guardiãs de grande parte do patrimônio documental do mundo, bem como
as fontes das matérias-primas para a inovação.

STEPHEN WYBER
Gestor, Política e Advocacia, Federação Internacional
de Associações e Instituições Bibliotecárias

Também têm uma importante missão social. No século XIX, a construção
de bibliotecas fazia parte do esforço para educar e capacitar os que não
pertenciam à elite. Complementando o movimento para desenvolver os
direitos trabalhistas e a educação universal, as bibliotecas integraram parte
de uma nova provisão de serviços – e oportunidades – a todos.
Embora o mundo tenha mudado, a principal missão das bibliotecas permanece
relevante e, provavelmente, mais do que nunca. À medida que se torna cada
vez mais claro o que pode ser alcançado com a informação, torna-se cada vez
mais imperativo que todos tenham a possibilidade de se beneficiar.
Os custos do não acesso são claros. Conforme detalhado no capítulo anterior,
quem não dispõe de acesso significativo à informação perde oportunidades de
emprego ou de empreender, não consegue envolver-se em pesquisas e
inovação ou na vida cívica, e é impedido de comunicar-se com amigos,
familiares e com quem partilha de seus interesses.
Ademais, a falta de acesso pode afastar as pessoas de suas culturas e, no
nível mais básico, das informações de que precisam para tomar as
decisões certas para si e suas comunidades.
A falta de capacidade para encontrar, acessar, aplicar e criar informações
pode, muitas vezes, reforçar a desvantagem social e econômica, que pode,
por sua vez, aumentar ainda mais as barreiras para o acesso à informação.
Isso, com efeito, cria um gargalo ao desenvolvimento igualitário, tornando
mais difícil a realização dos objetivos da Agenda da ONU de 2030. Como
pretende mostrar este capítulo, as bibliotecas podem proporcionar uma
forma eficaz de sair dessa situação.
Como mostra o Mapa do Mundo de Bibliotecas da IFLA, existem, pelo
menos, 2,3 milhões de bibliotecas pelo mundo. Embora muitas sirvam a
comunidades específicas (tais como as bibliotecas de escolas, bibliotecas
acadêmicas ou especiais - isto é, bibliotecas institucionais ou
parlamentares), o que inclui mais de 357 mil bibliotecas públicas, com a
missão de ajudar todos os seus usuários. Isso representa um enorme
recurso em potencial.
Entretanto, as bibliotecas não existem em um vácuo. Dependem de
diversas condições para existir e serem capazes de cumprir suas missões.
Obviamente, o financiamento é crucial, não apenas para ter um edifício e
equipe adequados, mas também para o acervo e a infraestrutura.
As bibliotecas têm uma relação de mão dupla com os diversos elementos do Marco
de Desenvolvimento e Acesso à Informação (DA2I). Beneficiam-se de um bom
desempenho em cada um dos quatro pilares do Marco, mas, principalmente,
também os apoiam. Na verdade, há um forte potencial para um círculo virtuoso.
Este capítulo explorará essas questões e ilustrará a contribuição que as
bibliotecas adequadamente equipadas podem oferecer. Por fim, relacionará
os exemplos discutidos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

17

�Bibliotecas e conectividade
O primeiro pilar do Marco de DA2I enfoca
a capacidade dos indivíduos de se
conectarem à internet, seja por uma
conexão por fios ou cabos (ou uma
combinação destas e a Wi-Fi), seja por
meio de banda larga móvel. Obviamente,
os usuários de bibliotecas também se
beneficiam da conectividade, e, de fato, as
bibliotecas, cada vez mais, demandam
isso para desempenhar suas missões.
Entretanto, esta seção argumenta que o
fornecimento de acesso público à
internet em bibliotecas é uma parte
fundamental de qualquer estratégia de
conectividade, inclusive nos países mais
avançados. Isso porque o acesso à
internet em bibliotecas representa uma
proposta de valor singular, não apenas
como um trampolim para uma maior
proporção de conexões domésticas,
mas também como complemento para
tal, mesmo que alguns países se
aproximem de 100% no uso da internet.
Em resumo, há uma forte relação de
mão dupla entre as bibliotecas e o bom
desempenho do primeiro pilar do Marco
de DA2I.
Como destacado no primeiro capítulo, o
custo permanece como uma barreira
importante para o uso da internet. O
acesso público em bibliotecas fornece
uma resposta a essa questão,
especialmente quando um esforço é
realizado para garantir que os custos
sejam zero ou o mínimo possível para
quem, de outra forma, não poderia pagar.
Entretanto, o custo é relativo. Quando
alguém vê um grande valor em algo,
estará pronto para pagar um alto preço.
Em contrapartida, se sentir que um
produto ou serviço tem pouco valor, não
estará disposto a pagar nem mesmo um
pequeno valor. Ao oferecer acesso
gratuito ou de baixo custo, as bibliotecas
podem ajudar a superar essa situação,
dando aos novos usuários uma
oportunidade de experimentar a internet
por si próprios. Ao descobrir o que está
disponível, os usuários podem tornar-se
mais dispostos, mais cedo ou mais
tarde, a pagar por uma conexão
doméstica.
Também acontece que, mesmo nos
países mais bem conectados, diversas
pessoas permanecem desconectadas,
por necessidade ou por escolha. Por
todas as razões explicitadas na
introdução, descrevendo os impactos da
pobreza informacional, a presença de
bibliotecas como uma opção de recurso
é
fundamental.
Como
será
posteriormente discutido neste capítulo,
as bibliotecas também oferecem apoio e
18

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

treinamento
complementares
fundamentais que geralmente não estão
disponíveis para um usuário doméstico.

Estudo de caso 1: bibliotecas e
redes comunitárias, Perafita,
Espanha
Uma maneira promissora pela qual as
bibliotecas
podem
apoiar
a
conectividade
é
agindo
como
plataformas e centros de encontro para
redes comunitárias. Essas são redes
locais de internet, de propriedade da
comunidade e por ela administradas,
em vez de grandes provedores de
serviços de internet. Centradas nas
necessidades de uma área local,
provaram ser um meio eficaz de
proporcionar uma conectividade melhor
e mais ampla do que a que o mercado
oferece.
No caso do projeto guifi.net, na
Catalunha, Espanha, a biblioteca da
aldeia de Perafita tornou-se o nó para
uma
ampliação
da
rede.
Considerando-se a posição central da
biblioteca, e o fato de que ela já estava
conectada à internet de alta
velocidade, era um local ideal para
colocar um transmissor. Entretanto,
de forma crucial, ela já oferecia um
telecentro e, por isso, era um bom
local para organizar oficinas e
discussões. A própria biblioteca
observou um maior uso de seus
próprios recursos, enquanto o uso da
internet na comunidade como um todo
aumentou acentuadamente.1

Estudo de caso 2: ‘crianças no
tablet’, Kibera, Quênia
Embora os telefones estejam cada vez
mais onipresentes, muitas vezes, não
são adequados para o aprendizado ou
outras formas mais profundas de
interação com a informação. Por
exemplo, o acesso à tecnologia ainda é
raro no assentamento informal de
Kibera, no Quênia, onde vivem cerca
de um milhão de pessoas. Os jovens
que lá vivem também têm dificuldades
com a educação, sem que ninguém
pertencente ao assentamento jamais
tenha conseguido entrar em escolas
“nacionais” de prestígio, para as quais
o ingresso depende do desempenho
nas provas.2
Para combater isso, o Kenya National
Library Service [Serviço de Biblioteca
Nacional do Quênia] criou o “Kids on
the Tab” [Crianças no Tablet], um
programa que dá às crianças locais o
acesso a tablets pré-carregados com
conteúdo educacional, bem como
apoio para que aprendam a aproveitar
ao máximo a internet como um todo. O

programa funciona com uma agência
educacional e complementa o sistema
formal de educação, com o objetivo de
tornar a aprendizagem mais interativa,
envolvente e eficaz - algo que não seria
possível de outra forma mesmo para
aqueles que, de fato, tinham acesso a
smartphones.
Os resultados foram impressionantes. Já no
início, o programa teve um número de
inscritos superior à oferta de vagas. Um
terço de seus participantes obtiveram
admissão ao ensino médio em escolas
nacionais. As crianças também se tornaram
mais entusiasmadas com a aprendizagem e
desenvolveram competências e habilidades
digitais importantes. Após conseguirem
uma melhor educação na juventude, suas
perspectivas são muito melhores.

Bibliotecas,
igualdade

competências

e

O segundo e o terceiro pilares do Marco
de DA2I abordam os contextos social e
cultural, bem como a capacidade dos
usuários
e
consumidores
de
aproveitarem ao máximo o acesso à
informação.
Esses pilares estão
estreitamente associados aos esforços
para proporcionar maior igualdade e
sistemas de educação eficazes – áreas
com as quais as bibliotecas contribuem
fortemente.
No tocante às competências, as
bibliotecas têm dois pontos fortes que
são únicos. O primeiro é a excelência e
a experiência de sua equipe para
acessar e utilizar a informação. A
biblioteconomia é uma profissão focada
em aprender a navegar no mar de
informações disponíveis, e em ensinar
os outros a fazer o mesmo.
Esse ensino pode consistir em ajudar os
usuários a encontrar o livro ou a
informação correspondente às suas
necessidades. Entretanto, também
implica desenvolver a alfabetização
informacional entre os usuários. Essa é
a competência que permite aos outros
saber onde encontrar, como avaliar e de
que forma utilizar a informação. Com a
crescente preocupação em torno dos
impactos da desinformação deliberada,
a capacidade de identificar a diferença
entre o confiável e o não confiável é uma
resposta vital (com muito menos
repercussões negativas do que os
esforços para banir as “notícias falsas”).

�As pessoas mais velhas são particularmente suscetíveis a serem privadas do acesso
à informação, considerando o risco de serem deixadas para trás por um mercado
focado em novos dispositivos e em usuários mais jovens.
O segundo ponto forte é o fato de que
as bibliotecas estão abertas a todos,
em todos os estágios de suas vidas.
Elas tanto complementam as escolas
(e podem, até mesmo, precedê-las ao
ajudar a desenvolver a alfabetização na
primeira infância) quanto proporcionam
uma
segunda
oportunidade
permanente para quem não obtêm
êxito de imediato na educação formal.
Considerando-se as rápidas mudanças
no ambiente da informação, esse papel
é particularmente vital.
Nesse
contexto, as bibliotecas podem
fornecer elas próprias as competências
capazes de promover o emprego, a
inclusão e o envolvimento cívico, de
maneira mais ou menos formal, ou
podem atuar como uma plataforma
para que outros grupos ofereçam
treinamento.
Além do treinamento de competências,
as bibliotecas também podem ajudar a
resolver formas de desigualdade
resultantes de uma gama de fatores
sociais e culturais. Por exemplo, grupos
inteiros – mulheres e meninas,
migrantes e refugiados, pessoas mais
velhas, portadores de deficiências –
podem ser excluídos das oportunidades
de se beneficiarem com a informação.
Essa exclusão pode ocorrer por meio de
regras formais e práticas culturais (o
direito de possuir um telefone, por
exemplo), uma incapacidade de usufruir
dos serviços públicos (devido a
questões linguísticas), ou uma simples
incapacidade de se adaptar às
necessidades.
Como destacado na introdução, pode
haver o risco de um círculo vicioso em
que os indivíduos ou
grupos
marginalizados também não tenham
acesso às informações de que precisam
para melhorar suas vidas. Isso, por sua
vez, apenas reforça sua exclusão. Tem
havido discussões sobre a ligação entre
pobreza de informação e outras formas
de pobreza e, portanto, sobre a
necessidade
de
intervenções
(principalmente por meio de bibliotecas)
para romper esse círculo.
Aqui, também, as bibliotecas têm um
papel a desempenhar ao oferecer um
serviço universal. Isso decorre tanto da
natureza do espaço que fornecem
quanto do desenvolvimento dos serviços

para
atender
às
necessidades
específicas. O Relatório de 2017 de
DA2I, por exemplo, ilustrou o papel
particular das bibliotecas na promoção
da igualdade de gênero no acesso à
3
informação.
Estudo de caso 3: gen connect
[conexão gen], Shoalhaven,
Austrália
O potencial das bibliotecas como uma
plataforma para o fornecimento de
competências inclusivas é realçado
pelas Bibliotecas de Shoalhaven, na
Austrália. Em uma comunidade de cerca
de 100.000 pessoas, quase um terço das
famílias é composto por pessoas idosas
que nunca tiveram filhos ou cujos filhos
4

se mudaram.

As
pessoas
mais
velhas
são
particularmente suscetíveis a serem
privadas do acesso à informação,
considerando o risco de serem deixadas
para trás por um mercado focado em
novos dispositivos e em usuários mais
jovens. Isso pode resultar, por exemplo,
em solidão e não aproveitamento dos
serviços do Governo disponíveis on-line.
Como resultado, a biblioteca de
Shoalhaven decidiu atuar para ajudar a
garantir que todos os residentes da
cidade pudessem desenvolver as
competências necessárias para utilizar
as novas tecnologias.
Em vez de oferecer cursos formais, a
biblioteca buscou as escolas locais para
encontrar jovens voluntários, os quais
ficaram mais que satisfeitos em partilhar
suas habilidades na utilização de
dispositivos e serviços. As pessoas mais
velhas, então, puderam beneficiar-se de
uma hora grátis, por semana, de apoio
individual de seus novos e mais jovens
“tutores”, no escopo do “Gen Connect”.
Embora para os mais velhos, a
aprendizagem fosse o aspecto mais
importante do que viam como um
programa altamente bem sucedido, a
chance de conectar-se com os membros
mais jovens da comunidade ficou em
segundo lugar. Os próprios jovens
tutores particularmente gostaram das
relações criadas. No geral, o Gen
Connect não apenas desenvolveu
competências digitais, mas também
ajudou a combatera exclusão e construiu

um senso mais forte de comunidade.
Estudo de caso 4: leitura para os cães,
Bascortostão, Federação Russa
As pessoas portadoras de deficiências
estão, especialmente, em risco de
usufruir de menores oportunidades
educacionais que os demais, em virtude
da falta de materiais e apoio relevantes,
o que aumenta seu potencial de serem
excluídas na velhice. Particularmente,
as crianças com deficiências podem
sofrer com a falta de confiança de ler em
voz alta para os adultos e seus pares, o
que os impede de fazê-lo e, portanto, de
desenvolver uma habilidade fundamental
para o aprendizado, em geral.
Bibliotecas na República Russa de
Bascortostão têm buscado romper
esse círculo ao oferecer a terapia de
leitura canina – leitura para os cães em
vez
de
pessoas.
Tem
sido
demonstrado que isso pode remover a
hesitação ou o constrangimento que as
crianças poderiam sentir de outra
forma.
Esse serviço tem sido
particularmente útil para famílias mais
pobres, que não podem custear
opções particulares mais caras.
O programa levou a uma maior
confiança na leitura e na comunicação
com os outros, e ajudou a desenvolver
a competência das crianças de ter
empatia com os outros, levando a uma
5

maior integração social.

Case study 5: learn to discern, Ukraine
Dada a preocupação com a
desinformação deliberada on-line, o
exemplo do projeto Aprender a
Discernir, comandado pela IREX, na
Ucrânia, é poderoso. Em uma época de
alta tensão política, os ucranianos têm
sido submetidos ao uso da informação
de forma amplamente politizada, com o
risco da criação de um sentimento de
6

apatia e desinteresse da população.

A abordagem da IREX objetiva ir além
do
conteúdo
tradicional
de
alfabetização da mídia, principalmente

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

19

�porque muitas pessoas atualmente
acessam suas notícias pelas redes
sociais em vez dos sites tradicionais de
notícias. Por meio de um currículo
interativo talhado para o ambiente e as
necessidades da mídia local, e da
formação de 428 treinadores de
alfabetização midiática de base, foi
possível criar cursos tanto nas
bibliotecas
quanto
em
outras
instituições. Com uma abordagem em
cascata, os que participaram dos cursos
foram, então, incentivados a disseminar
o aprendizado com aqueles ao seu
redor, complementado por outdoors em
locais públicos. De maneira crucial, os
que
trabalham
em
bibliotecas
garantiram que o projeto fosse aberto a
pessoas de todas as idades em todo o
país, e não limitado aos jovens.
The project has had a measurable
impact, with half of participants regularly
fact-checking news three months after
the course, up from 21 percent before.
Ninety- two percent had checked news
at least once, and 91 percent shared the
skills gained. Meanwhile, a survey of the
people who saw
the billboards and advertising campaign
in its first two weeks showed that 54
percent identified that they needed
media literacy training.
Outros exemplos
Ao fornecer competências, é preciso
adaptar o conteúdo às necessidades
dos indivíduos. As necessidades
específicas dos jovens – em particular
os que podem estar em risco de
marginalização por outras razões, tais
como falta de habitação ou sexualidade
– podem representar um desafio
específico, mas a dedicada equipe da
biblioteca e a disposição para ouvir
7

podem fazer a diferença.

desempenho nessa área, quanto
contribuíram para ela.

estar bem informados.

É claro que as próprias bibliotecas
beneficiam-se
da
liberdade
de
expressão (inclusive da liberdade de
publicação), o que apoia um forte fluxo
de novos livros, artigos e ideias. Sem
essa oferta, as bibliotecas não teriam
muita informação à qual dar acesso.
Infelizmente,
existem
diversos
exemplos de leis (e um medo delas,
ensejando a autocensura) fazendo com
que materiais sejam censurados ou
mesmo retirados das estantes das
bibliotecas.

11

As bibliotecas também são menos
capazes de apoiar os pesquisadores e
os autores quando há menos liberdade.
Quem faz pesquisa confia na liberdade
acadêmica para prosseguir em seu
trabalho, em consonância com o seu
melhor juízo.
Entretanto, como mencionado, as
bibliotecas também ajudam a tornar
os direitos uma realidade. Em um
nível básico, a relação entre a
liberdade de expressão e o livre
acesso à informação está clara na
Declaração Universal. Ao dar às
pessoas a possibilidade de ler e
aprender, as bibliotecas capacitamnas a criar.
As bibliotecas também apoiam a
governança transparente e participativa.
Muitas perceberam seu potencial como
lugares para ajudar os usuários a
aproveitar as iniciativas abertas dos
governos,
para
incentivar
a
conscientização e o envolvimento
políticos. Há também exemplos de
bibliotecas que simplesmente ajudam os
usuários a entender seus próprios
9

direitos e, assim, colocá-los em prática.
A mesma necessidade de adaptar a
programação está presente em outros
grupos de risco. Há exemplos de
bibliotecas
que
desenvolveram
programas para apoiar o emprego e o
empreendedorismo entre mulheres (na
China e no Norte da Macedônia), entre
ciganos (na Croácia) ou entre
imigrantes (na Suécia), para apresentar

Por fim, as bibliotecas podem apoiar os
esforços para construir sociedades mais
pacíficas e estáveis, não apenas pela
promoção da inclusão nos seus serviços
e acervos, mas também como
instituições de memória que podem
10

possibilitar a cura e a reconciliação.

8

apenas poucos casos.

Bibliotecas e liberdades
O quarto pilar do marco de DA2I
analisa as legislações fundamentais
que dizem respeito à liberdade de
expressão e à liberdade de acesso à
informação. Como nas seções
anteriores, as atividades das
bibliotecas tanto ganharam melhor
20

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Ao
trabalhar
com
a
União
Interparlamentar,
a
biblioteca
desenvolveu
um
programa
de
treinamento para a equipe local, com os
bibliotecários parlamentares de outros
países dedicando um tempo para
partilhar conhecimentos e práticas. O
resultado foi um serviço de pesquisa
operacional cujo trabalho, mesmo no
primeiro ano, foi usado por quase todos
os
membros
do
parlamento,
notavelmente em questões como
violência doméstica, empréstimos
internacionais para o desenvolvimento

Estudo de caso 6: Biblioteca
Parlamentar, Myanmar
Em Myanmar, como parte da transição
para a democracia, a necessidade de
uma biblioteca parlamentar eficaz foi
reconhecida pelo governo e pelos
doadores. Com os membros do
parlamento ganhando novos poderes
para examinar as decisões do executivo
e responsabilizá-lo em nome de seus
eleitores, os parlamentares precisavam

e reforma da legislação fundiária.

Estudo de caso 7: centro de acesso à
informação jurídica, Nova Gales do
Sul, Austrália
Embora a lei seja aplicada nos
tribunais,
esses
não
são,
normalmente, os melhores lugares
para acessar informações jurídicas.
As próprias bibliotecas jurídicas
tendem a estar localizadas dentro das
universidades, e, portanto, não
necessariamente
acessíveis
ao
público em geral. Entretanto, a
experiência dos bibliotecários jurídicos
é, sem dúvida, útil para as pessoas
que procuram entender e fazer valer
os seus direitos.
O Legal Information Access Centre
(LIAC - Centro de Acesso à
Informação Jurídica), localizado em
Nova Gales do Sul, na Austrália, tem
um recorde de quase 30 anos na
oferta de acesso à justiça por meio do
serviço Find Legal Answers (Encontre
Respostas Jurídicas) em bibliotecas
públicas.
O LIAC resulta da colaboração entre a
Biblioteca Estadual de Nova Gales do
Sul e a Fundação de Leis e Justiça de
Nova Gales do Sul; esse centro
produziu
materiais
que
são
compreensíveis ao público em geral,
bem como treinou bibliotecários
públicos para ajudar as pessoas a
utilizarem esses materiais.
As
bibliotecas, então, têm trabalhado com
organizações que representam grupos
que podem ter maiores necessidades
de apoio, como a Associação dos
Locatários. O serviço recebeu um
feedback quase que unanimemente
positivo dos usuários, cujo número está
12

crescendo acentuadamente.

�Outros exemplos
Nos Estados Unidos, uma rede está
desenvolvendo o potencial das
bibliotecas como centros onde o
público pode usufruir ao máximo dos
dados abertos. A natureza pública,
mas menos formal, das bibliotecas as
tornam um lugar ideal para os
indivíduos trabalharem com essas
informações. A Biblioteca Pública de
Chattanooga, por exemplo, está
operando, desde 2014, o portal de
dados abertos on-line da cidade e,
atualmente, hospeda 280 bases de
dados que receberam centenas de
milhares de visitas.13
Medellín, na Colômbia, também
testemunhou
um
exemplo
poderoso das bibliotecas que
atuam, inclusive, como centros
para a armazenagem de dados
abertos, neste caso, sobre poluição
do ar. A Fundação Makaia
trabalhou em conjunto com as
bibliotecas municipais e locais para
instalar sensores de poluição nas
agências, e, assim, fornecer aos
usuários
o
treinamento
em
alfabetização de dados para serem
capazes
de
interpretar
as
informações recebidas. O projeto
tem tido forte participação, com um
aumento da compreensão sobre a
questão da poluição do ar, e maior
envolvimento nas discussões do
governo municipal sobre como
reduzi-la.14
Há, também, esforços para
incentivar o envolvimento no
processo político em nível
nacional nos Estados Unidos. A
Biblioteca Pública Columbus,
em Wisconsin, organizou uma
1.
2.
3.
4.
5.

6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.

Votação Infantil, incentivando
os jovens tanto a ver como a
democracia funciona quanto a
discutir
os
méritos
dos
diferentes candidatos. 15 Uma
campanha maior no decorrer
das eleições intermediárias, em
novembro
de
2018,
testemunhou as bibliotecas do
país incentivando a participação
e envolvimento dos eleitores
nas questões. Enquanto isso,
em Taiwan, na China, as
bibliotecas identificaram tópicos
importantes
de
discussão
política
nas
eleições
e
forneceram cursos e listas de
leitura
aos
usuários
de
bibliotecas
para
que
compreendessem melhor as
questões subjacentes.16

Conclusão:
ODS

A conexão

Os exemplos dados neste trabalho
fornecem ilustrações, de todo o
mundo, da contribuição que as
bibliotecas podem dar para fortalecer
cada um dos pilares do acesso
significativo à informação no âmbito
do Marco de DA2I. Ao possibilitar a
conectividade e o acesso à
tecnologia, ao proporcionar o
desenvolvimento de competências e
o aprendizado a todos (mesmo a
quem
está
sob
risco
de
marginalização) e ao fortalecer a
democracia e a responsabilização, as
bibliotecas
estão
fazendo
contribuições reais.

seções. Isso reflete a insistência na
Agenda de 2030 da ONU de que as
ações em diferentes áreas de
desenvolvimento
estão
interconectadas. Também é um
lembrete de que as bibliotecas estão
bem posicionadas para apoiar a
realização de todos os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável.
No resto do Relatório deste ano sobre
Desenvolvimento
e
Acesso
à
Informação, os especialistas discutirão
o papel do acesso à informação na
concretização de cinco dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável em
foco no Fórum Político de Alto Nível de
2019. 17 Em cada uma dessas áreas,
há provas de como as bibliotecas
podem fazer a diferença.
Os diversos impactos das intervenções
nas bibliotecas também retomam o
conceito
de
“aceleradores
de
desenvolvimento”
proposto
pelo
Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento. 18 Isso estabelece
uma abordagem ao planejamento que
identifica ações que podem trazer o
progresso em várias frentes por meio
da resolução dos principais “gargalos”.

– Como apresentado na introdução, se
a pobreza informacional – a falta de
acesso significativo à informação – é
um gargalo, então, as bibliotecas do
mundo parecem ser um forte
exemplo
de
acelerador
de
desenvolvimento. O único desafio
agora é garantir que todas elas
tenham o reconhecimento e o apoio
de que precisam para alcançar esse
Um ponto a ser destacado é que
potencial.
muitos dos exemplos dados poderiam
ser citados em mais de uma das

Baig, R. (2018)
Histórias dos ODS da IFLA, Biblioteca em Kibera, o maior assentamento informal da África, melhora o acesso à informação,
https://librarymap.ifla.org/stories/
Vide ensaio de Nancy Hafkin, discutindo a interação de gêneros e o acesso à informação em Garrido, M. and Wyber, S. (2017), Development
and Access to Information [Desenvolvimento e Acesso à Informação] 2017
Histórias dos ODS da IFLA: Conectando Gerações na Biblioteca, https://librarymap.ifla.org/stories/Australia/CONNECTING-GENERATIONS-TOBUILDTECHNOLOGY-SKILLS-AT-THE-LIBRARY/125
Histórias dos ODS da IFLA: Crianças portadoras de necessidades especiais leem para cães para desenvolver competências linguísticas na biblioteca,
https://librarymap.ifla.org/stories/Russian-Federation/CHILDREN-WITH-SPECIAL-NEEDS-READ-TO-DOGS-TO-DEVELOP-LANGUAGE-SKILLS-ATTHE-LIBRARY/127
IREX (2019)
Walsh, B. (2018)
FLA (2019)
American Association of Law Librarians (2014) [Associação Americana de Bibliotecários Jurídicos]
IFLA (2018)
Fraser e Myat Kyaw (2015)
Scarf, P. (2016)
Poon, L. (2019)
Makaia (2017)
Fesemye, C. (2018)
Lin and Zhong (2016)
ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 8 (Trabalho Digno e Crescimento), ODS 10 (Redução de Desigualdades), ODS 13 (Ações Relativas ao
Clima) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Fortes).
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento: www.undp.org

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

21

�DA2I

22

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 3
Educação de qualidade e
aprendizagem contínua para
todos – Foco nas pessoas
O objetivo do ODS 4
Quando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) foram adotados
pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 2015, foram bem acolhidos
pelos Estados-Membros, pela sociedade civil e por outras partes interessadas. A
Agenda 2030 visa proporcionar um quadro de referência universal para o
desenvolvimento sustentável que possa unir esforços para melhorar vidas e
salvar o planeta.

DR KATARINA POPOVIĆ
Secretária-Geral, Conselho Internacional de
Educação de Adultos

Na sequência dos 15 anos da Agenda de Desenvolvimento do Milênio, os ODSs
não só trouxeram novos temas para a agenda (como mudanças climáticas,
desigualdade econômica, inovação, consumo sustentável, paz e justiça), como
também se destacaram por seu caráter universal, na medida em que atribuíram
responsabilidades tanto aos países industrializados desenvolvidos quanto aos
países em desenvolvimento. Houve também uma maior ênfase no caráter
interligado dos objetivos e na noção de que o sucesso em uma área poderia
desbloquear o potencial das outros.
Esse é, em grande medida, o caso da educação. Toda a Agenda 2030 reflete
claramente essa visão da importância transversal de uma resposta educacional
adequada. A educação é explicitamente formulada como um objetivo autônomo
– Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 ("Garantir uma educação de
qualidade, inclusiva e equitativa, bem como promover oportunidades de
aprendizagem permanente para todos"), mas também é considerada crucial para
a realização de muitos outros objetivos. A educação e a aprendizagem
permanente são o fio condutor que atravessa a implementação de todos os 17
ODSs.
As expectativas da educação são muito altas: É um pré-requisito para a redução
da pobreza, bem como para a ocupação remunerada e o trabalho digno. É
também crucial para o crescimento sustentável, a construção da coesão social, a
prosperidade e a promoção dos direitos humanos, bem como da igualdade. Os
objetivos estão claramente expressos nas metas do ODS 4 (ONU, 2015),
enquanto numerosas metas e indicadores relacionados à educação também
estão contidos em outros ODSs.
O acesso à informação é um fator-chave para o sucesso aqui. Parafraseando
Paulo Freire, quando as pessoas não sabem ler as palavras nem o mundo, não
têm possibilidades de mudar suas próprias vidas, nem a situação em nível
nacional, nem tampouco de ter informações e conhecimentos sobre as questões
pelas quais poderiam lutar em nível global.
É fato que, em nível governamental, existe um forte enfoque na necessidade de
reunir dados e informações confiáveis como "chave para a tomada de decisões"
para apoiar a implementação da Agenda. Isso abrange a reunião de dados e
informações a partir dos mecanismos de comunicação existentes, o
desenvolvimento de novas metodologias para a coleta de dados e "esforços para
reforçar as capacidades estatísticas nos países em desenvolvimento".
Quando se trata do acesso à informação por "pessoas comuns" – para quem
toda a agenda é criada – há uma ampla referência ao "acesso à informação" (no
ODS 16), mas também muitas referências à informação para uso prático, tais
como informação "sobre reservas alimentares", "serviços de saúde, inclusive para
planejamento familiar", ou "informação e consciência para o desenvolvimento
sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza".
Isso é
complementado pelo debate sobre a eliminação do fosso digital e a
disponibilização de "acesso às tecnologias da informação e das comunicações"
e "acesso universal à internet a preços razoáveis".
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

23

�Nos países que lutam com dificuldades orçamentárias ou com a falta de
capacidade para desenvolver políticas, a falta de acesso à informação pode
impedir o progresso. Mesmo que existam medidas em âmbito nacional ou regional,
não está claro se a informação relevante estará acessível a todos.
O acesso à informação é também
essencial para que a educação
alcance a todos. Os potenciais
estudantes precisam saber sobre as
oportunidades
disponíveis,
precisam
interagir
com
a
informação como parte do processo
de aprendizagem. Tanto eles
quanto o governo precisam de
informação para avaliar o sucesso
das iniciativas políticas nas áreas.
Este estudo explora algumas das
questões-chave na concepção e
implementação do ODS 4, e como o
acesso à informação contribui para
o sucesso.

2. Pessoas, não políticos:
ajudando todos a aprender.
Uma primeira questão fundamental
advém do fato de a Agenda 2030
como um todo – e, claro, o ODS 4 –
estar centrada nas pessoas. Como
resultado, as pessoas devem estar
no centro da sua implementação e
beneficiar-se
da
mudança
transformadora que promete, em
vez de estarem simplesmente
sujeitas às decisões dos outros. Se
informação é poder, o acesso à
informação é crucial para que as
pessoas sejam empoderadas e,
portanto, os ODSs alcançados.
No entanto, existe o risco de que
sejam envidados mais esforços
para reforçar as capacidades dos
governos,
notadamente
para
monitorizar o progresso (o que é de
fato importante, mas não deve ser o
único foco), do que para apoiar o
acesso de todos à informação.
Considerando que quem tem
acesso à informação relevante
detêm o poder, é crucial que o
acesso
à
informação
seja
observado como um direito humano
ou cívico, como também o direito de
todas as pessoas a quem a Agenda
se dirige, para que possam assumir
o papel de agentes de mudança.
Quando se fala em garantir os
direitos dos indivíduos, é importante
recordar o lema da Agenda 2030:
"Ninguém fica para trás." Em outras
palavras, deve ser para todos os
países e grupos de pessoas.
Ninguém deve ser excluído. Mas
24

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

isso continuará apenas no plano
das boas intenções, se as coisas
continuarem como estão. Quando
se trata de educação e informação,
devemos observar as condições
enfrentadas por pelo menos dois
grupos.
Em primeiro lugar, as pessoas nos
países
menos
desenvolvidos
enfrentam diversas formas de
marginalização e privação. Nos
países que lutam com dificuldades
orçamentárias ou com a falta de
capacidade
para
desenvolver
políticas, a falta de acesso à
informação
pode
impedir
o
progresso. Mesmo que existam
medidas no âmbito nacional ou
regional, não está claro se as
informações relevantes estarão
acessíveis a todos. A vasta
experiência demonstrou que uma
orientação adequada é útil em
termos de troca de informações
sobre
as
possibilidades
de
educação, ofertas e disposições
que possam ser adequadas,
especialmente na educação não
formal. Esse pode ser o caso de
todos, desde pessoas em grandes
áreas urbanas que vivem em
condições de favela até pessoas em
zonas rurais remotas, que estão
completamente
isoladas
de
qualquer fonte de informação
relevante. Elas correm o risco de
desconhecer as possibilidades de
que dispõem, mesmo que existam,
reduzindo a eficácia até mesmo das
políticas mais bem concebidas.
O mesmo princípio aplica-se no
contexto das fases de definição da
agenda do ciclo político. Aqui, existe
o risco de uma comunicação
unilateral em que os "beneficiários"
– especialmente em países menos
desenvolvidos – são receptores
passivos de informação que foi
selecionada, moldada, "embalada",
interpretada e distribuída em
centros de poder que excluem a
participação de "pessoas comuns".
As narrativas dos ODSs e os meios
de implementação são criados
principalmente pelos atores globais,
e os "beneficiários" são, na melhor
das hipóteses, informados sobre
isso. Raramente têm sequer a
oportunidade de dar feedback ou de

participar de forma ativa
processos de transformação.

nos

Em segundo lugar, os adultos e as
pessoas idosas correm também o
risco de ficar para trás no contexto
dos esforços de educação. Nos
ODSs, os adultos aparecem como
um grupo-alvo apenas no Objetivo
4.6 - relacionados à alfabetização e
aritmética, com indicadores de
sucesso
muito
vagos
("uma
proporção substancial de adultos...").
A referência à "aprendizagem
permanente” também não ajuda.
Embora o conceito já tenha sido bem
acolhido por seus esforços para
promover a educação contínua, que
coloca o aluno no centro, não
cumpriu o que prometeu e deixou a
porta aberta a uma concentração de
recursos nos alunos mais jovens, em
detrimento dos mais velhos. Além
disso, enfocar na pessoa e insistir
nos indivíduos acabaram por dar aos
adultos
plena
responsabilidade
pessoal (sobretudo financeira) por
sua aprendizagem, o que diminuiu a
responsabilidade do Estado. A
ênfase na educação não formal e na
aprendizagem em geral (em vez de
na educação) enfraqueceu as
estruturas educativas e o apoio
institucional, colocando os resultados
educativos no topo da agenda
(negligenciando ao mesmo tempo as
estruturas
e
os
processos
educativos). Assim, a aprendizagem
permanente continuou como um
quadro vazio no qual a educação de
adultos
desapareceu.
A
marginalização desse setor ganhou
um instrumento poderoso, uma
desculpa apoiada pela abordagem
política de alto nível. (Orlović e
Popović, 2018, p. 7)
Os adultos também pertencem ao
grupo que, em comparação com os
jovens, têm menos acesso à
informação sobre as possibilidades e
opções de educação.

�Isso pode ocorrer por razões
geográficas, econômicas ou políticas,
ou porque existe um estigma social,
vergonha ou más experiências
educativas
anteriores
que
os
impedem de procurar informações,
chances,
oportunidades
e
perspectivas.
O aumento da importância atribuída
ao acesso digital da informação pode
renegá-los ainda mais – muitos
estudos mostram que os adultos e as
pessoas mais velhas podem ter
relutância ou menos êxito na
utilização das TICs (Tecnologias da
Informação e da Comunicação). Um
enfoque exclusivo nos recursos
digitais priva-os dos materiais a que
estão habituados, como os materiais
físicos existentes nas bibliotecas, e
minimiza suas chances de obter
aconselhamento
significativo,
relevante e adequado sobre tipos de
informação, áreas de conhecimento e
métodos de aprendizagem que
podem
obter
nas
estruturas
educativas.

3. Tecnologias digitais – uma
ferramenta necessária, mas
não uma solução infalível
Se há uma característica dominante
da nova Agenda, é a fé nas TICs e
na digitalização como uma "solução
infalível". O alto nível de confiança
no poder da tecnologia baseia-se
em vários projetos bem sucedidos
onde
telefones
celulares
ou
computadores vêm sendo usados
para alcançar objetivos com
determinado grupo-alvo.
Não se pode negar que as tecnologias
digitais desempenham um papel
especialmente
central
na
implementação da Educação 2030 e
do ODS 4.
Mas é errado
compreender a informação apenas
num contexto digital. Nem toda a
informação é digital e nem todo o
conhecimento tem de ser, ou deveria
ser, baseado em informação digital.
Concentrar-se na informação digital e
negligenciar
outros
tipos
de
informação leva à perda de áreas e
fontes de informação e conhecimento
mais amplas.
Deve-se também lembrar que o
pronto acesso à internet e às
ferramentas digitais ainda não é
uma realidade para grande parte do
mundo e da população humana. A
difusão da Internet veio com uma
"fosso digital" entre ricos e pobres.

Afirmando que é universal, a
Agenda 2030 corre o risco de ver o
mundo através das lentes da
realidade
dos
países
mais
desenvolvidos. Chakravorti adverte:
"Uma vez que os atores digitais
globais localizam-se no Norte
Digital, grande parte das queixas
das sedes administrativas ainda são
sobre problemas do Norte Digital. É
tempo de reconhecermos que o Sul
Digital está pronto para forjar o seu
próprio caminho. Suas atitudes e
engajamento com a tecnologia são
diferentes."
(2018)
Isso
tem
definitivamente um impacto na
forma como as tecnologias são
utilizadas na educação e como a
informação é recebida e tratada em
diferentes partes do mundo.
É também fundamental não tomar um
meio para atingir um objetivo. Embora
as TICs possam ser um grande apoio
aos esforços educativos, são apenas
um instrumento; as "boas e velhas
questões" da educação permanecem:
Qual é o conteúdo? Quem está
criando e para quem? Que tipo de
informação deve ser dada, pensada e
como?
Quem está fazendo o
monitoramento e a avaliação e como?
Todos os usuários são realmente
capazes de assumir todo o processo
educativo, sem orientação, apoio ou
feedback?
Algumas
plataformas
interativas
oferecem resposta limitada a essas
questões, mas está longe de ser verdade
que a Internet possa substituir partes
importantes do sistema educativo. É
também cada vez mais evidente que
existem riscos associados à utilização
extensiva da Internet e das redes sociais
entre os jovens. As tecnologias digitais e
as
redes
sociais
efetivamente
revolucionarão nosso mundo e a forma
como vivemos e trabalhamos, mas não
de forma excepcionalmente positiva.
Na educação de adultos, há muitos
grupos-alvo que precisam de mais
do que as competências para utilizar
a tecnologia digital para se tornarem
aprendizes
independentes.
Especialmente
com
grupos
marginalizados
de
baixa
alfabetização, a motivação é de
importância crucial. Um professor
ou facilitador incentivador, um grupo
e ambiente de apoio, bem como
métodos
e
atmosfera
empoderadores
são
mais
importantes para esse tipo de
grupo-alvo, e desempenham um
papel crucial na redução do risco de
evasão escolar.

Além disso, uma aprendizagem
eficaz exige, por vezes, sair da zona
de
conforto
e
experimentar
dissonâncias
cognitivas
ou
desconforto quando os nossos
estereótipos ou "pontos cegos" são
questionados.
Ler livros que
resistiram ao teste do tempo, ter um
professor reflexivo que inspira
pensamentos críticos, ou ter a
experiência do contato direto com as
artes visuais são ações cujo impacto
não deve ser subestimado no
processo de educação, mesmo que
não possam ser capturados em
metas ou indicadores.
As complexas questões da motivação
humana, da relutância, do medo, da
vergonha e das necessidades
dificilmente podem ser resolvidas por
soluções tecnológicas rápidas. A
questão não reside, obviamente, em
saber se a tecnologia digital deve ser
utilizada, mas sim como. Uma
abordagem mista é necessária, mas
parece ser ignorada ou negligenciada
no ODS 4.

4. Educação e interação
significativa com a informação
Um foco na "oferta" de educação também
pode ignorar o fato de que o
conhecimento,
especialmente
na
educação de adultos, é criado através da
comunicação bidirecional. A abordagem
unidirecional, que corre o risco de ser o
caso com o atual entendimento mais
restritivo de "acesso à informação",
assume fontes de informação fixas,
estáveis e confiáveis, de um lado, e
receptores passivos, do outro.
Essa é uma compreensão muito
tradicional, mesmo obsoleta, da
educação e do ensino, e cada vez mais
inadequada, especialmente para a
educação de adultos. Para serem
agentes ativos no fornecimento do
desenvolvimento, as pessoas precisam
de ser capazes de ser cocriadoras do
conhecimento baseado na informação.
Em relação ao ponto anterior, uma
condição fundamental para a cidadania
ativa é o pensamento crítico. As pessoas
são capazes de refletir sobre o seu
próprio processo de aprendizagem e
como lidarão com as contradições,
dificuldades e desafios desse

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

25

�processo? Elas têm as competências
mais amplas (incluindo valores éticos)
que poderiam se opor às "notícias
falsas" e ao mau uso da mídia digital?
São necessários esforços muito mais
intensos para desenvolver o acesso
crítico à informação, bem como a
alfabetização mediática, permitindo aos
cidadãos questionar as fontes de
informação, avaliá-las e reconhecer
vários
tipos
de
propaganda,
manipulação e fraude. Com efeito, o
pensamento crítico e a leitura crítica da
informação são ainda mais essenciais à
medida que o papel das TICs cresce,
mas não podem coroar-se de êxito
apenas pela utilização das TICs.
Muitos dos problemas atuais que o
mundo está enfrentando não se devem
à falta de conhecimento digital puro,
mas à falta de competências e atitudes
relacionadas. Isso requer muito mais do
que a capacidade física para apoderarse de um livro ou conectar-se à internet.
Os espaços não virtuais e a interação
com recursos escritos são importantes,
não só para as técnicas de leitura e
escrita, que são cruciais para as
competências de alfabetização, mas
também
para
reconhecer
e
compreender três aspectos cruciais da
informação: contexto, conteúdo e
significado.

5. Além das métricas, um foco
necessário nos resultados e
recursos
Há implicações decorrentes da
forte concentração na medição1,
que pode levar à negligência de
todas as áreas da educação e dos
fatores-chave que estão na base do
sucesso.
Certamente, é positivo que tenha
havido um impulso para escolher
indicadores
que
sejam
"cientificamente
robustos
e
baseados em evidências" (UNSD,
2015). Eles ajudam a tornar a
coleta de dados mais confiável e
transparente, como também fácil
de monitorar. No entanto, essa
abordagem corre o risco de criar
uma espécie de "mantra", em que
"o que escolhermos medir ditará
para onde se dirigem as atividades
dos Estados" (Long, 2015). Os
indicadores correm o risco de
impulsionar a agenda, "colocando
a mensurabilidade em primeiro
lugar e as preocupações políticas
mais amplas que não podem ser
facilmente
simplificadas
em
26

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

Exemplo: "Ang Guro kong Pulis", uma campanha de biblioteca
móvel em Manila
Embora as Filipinas tenham uma das maiores taxas de alfabetização entre
os países do Sudeste Asiático, ainda há uma lacuna na alfabetização e uma
necessidade de alcançar a inclusão na educação. As lacunas são
especialmente evidentes na comunidade (crianças, jovens fora da escola
etc.), onde a falta de salas de aula e professores é uma questão importante.
A fim de responder a alguns desses desafios, o projeto educativo "Ang Guro
kong Pulis" foi lançado sob a liderança do Distrito Policial de Manila. O
projeto visa oferecer educação básica grátis para crianças de rua. Como
parte do projeto, um dos veículos da polícia foi carregado com vários livros
e transformado em uma biblioteca móvel, e vários policiais visitaram as ruas
do Roxas Boulevard em Manila.
A partir de outubro de 2018, eles ofereceram os livros às crianças, com a
ideia de mantê-las afastadas das drogas e das armas. Depois dos sucessos
iniciais, os pais das crianças também foram incluídos no programa; eles
vinham acompanhar e agentes da polícia com formação em educação, que
foram encarregados de ensinar e trazer livros, começaram a ensinar os pais
também. A biblioteca móvel tem agora 11 paradas ou estações, com o
objetivo de aumentar o número.
A polícia fornece refeições aos participantes, enquanto várias faculdades e
universidades têm ajudado realizando seminários sobre drogas, crime e
primeiros socorros básicos, bem como apoiando o programa por meio da
doação de livros antigos e materiais de escrita. Os livros são usados para
ensinar educação básica, oferecendo aulas de leitura e escrita básica em
inglês e filipino, matemática e educação cívica. Essa é uma solução de
longo prazo que tenta apoiar as crianças de rua por meio da educação, mas
com o potencial de incluir também as comunidades.

segundo lugar". (Freistein, 2017).
Essas
amplas
preocupações
podem incluir metas menos
facilmente quantificáveis, como a
democracia (Smith, 2018).
No caso da educação, a agenda
Educação 2030 simula ser isenta
de valor, mas as suas metas e
indicadores têm uma função social
e organizacional inegável. Isso
carrega um conceito educacional
particular e baseia-se em um
sistema de valores particular, que
molda suas dimensões sociais,
"sua
onipresença
e
poder,
particularmente sobre aqueles que
são demasiadamente incapazes de
resistir a eles" (Freistein, 2017).
Tanto a Agenda 2030 da ONU como
a Agenda 2030 da Educação têm
um forte foco nos resultados
educacionais em vez de nos
processos e resultados menos
facilmente mensuráveis, com uma
consequência de se negligenciar
áreas de educação superior para
além do ensino e da formação
profissional
(EFP)
e
das
competências. Isso leva a uma

subestimação da importância da
criação do conhecimento em áreas
importantes da vida humana, como
a que se fornece pelas bibliotecas,
bem como de coisas como arte,
criatividade e pensamento crítico.
Paralelamente,
existe,
naturalmente, uma necessidade
de investimento. Estima-se que
US$ 3 trilhões serão necessários
anualmente para alcançar uma
educação inclusiva, equitativa e
de qualidade para todos (ODS
4).
O
Relatório
de
Monitoramento
Global
da
Educação estimou que os
países de baixa e média renda
enfrentariam um déficit de
financiamento anual de US$ 39
bilhões
em
2015-2030
(UNESCO, 2015). Ao mesmo
tempo, o investimento em
educação está diminuindo em
todo o mundo, tanto sob a forma
de despesa interna como de
ajuda
oficial
ao
desenvolvimento.

�Em primeiro lugar, temos de ser
realistas quanto às possibilidades de
recorrer ao financiamento privado e à
mobilização de recursos internos,
tendo em conta tanto a necessidade
de assegurar um enfoque contínuo
nos objetivos de interesse público da
política educativa, como a ironia de
que são frequentemente os impostos
mínimos pagos pelas multinacionais
privadas que faz com que os
governos não tenham dinheiro
suficiente para gastar.

6. O papel das bibliotecas
Como já foi referido várias vezes, as
bibliotecas
têm
um
papel
potencialmente
valioso
a
desempenhar na realização do ODS
4 e, em especial, na resposta a
alguns
dos
desafios
acima
mencionados. O trabalho delas não é
apenas sobre o "bom e velho" hábito
de ler livros.
Há estudos recentes de Vesna
Crnogorac que apontam para o
importante papel das bibliotecas na
democratização da sociedade e na
transformação
de
sociedades
fechadas em democracias. "Mais do
que nunca, na longa história das
bibliotecas, há a responsabilidade de
criar as condições para o livre acesso
às fontes de conhecimento e
informação, independentemente das
diferenças
(étnicas,
políticas,
religiosas, éticas). A biblioteca – por
natureza uma instituição democrática
– serve à sociedade por meio do
cidadão individual, que encontra um
lugar onde pode alcançar a liberdade
de expressão e o livre acesso à
informação. Estamos num momento
histórico de respeito pelos valores
democráticos, e a biblioteca pública
precisa redefinir seu papel de
tradicional para contemporâneo [...] A
biblioteca pública como um "ponto de
acesso" para os cidadãos na área da
liberdade de informação ajuda a
alcançar
a
transparência
e

implicitamente poderia permitir o
exercício desse direito de livre acesso
à informação de importância pública.
(Crnogorac, 2016)
O acesso à informação está
diretamente ligado ao conhecimento,
à democracia e à proteção dos
direitos humanos, e as bibliotecas
públicas são locais onde esses
valores se encontram. Além disso, a
biblioteca é um local de cooperação
de vários parceiros e partes
interessadas, um centro para a
comunidade local e suas atividades,
bem como um centro de orientação
para a investigação, a pesquisa e a
aprendizagem.
As bibliotecas acolhem as pessoas
em risco de serem deixadas para
trás, promovem o desenvolvimento
de competências de informação
crítica e outros comportamentos
que permitem que todos façam
melhor uso da informação para a
educação (e que podem não ser tão
facilmente medidos), e oferecem um
espaço para que pessoas de todas
as idades venham e aprendam. Ao
mesmo tempo em que há
necessidade de mobilizar todos os
recursos
para
fornecer
desenvolvimento, é necessário
utilizar plenamente as bibliotecas.
No entanto, esse papel das
bibliotecas não é suficientemente
abordado na Agenda 2030 da ONU,
notadamente no ODS 4. Levando em
conta todas as dificuldades que a
implementação da agenda da
Educação
enfrenta,
dificilmente
podemos dar-nos ao luxo de
renunciar a um recurso tão poderoso
e importante aliado nos nossos
esforços.

7. Conclusão
A Agenda 2030 enfatiza os dados e
informações,
especialmente
no
contexto do monitoramento da

implementação da Agenda, com o
ODS 4 naturalmente incluído nos
esforços. O Instituto de Estatística2 da
UNESCO está de fato utilizando esses
dados para alertar para as lacunas na
implementação e convida claramente
"países,
doadores,
organizações
internacionais e cidadãos empenhados
– a defender a educação no próximo
Fórum Político de Alto Nível sobre
Desenvolvimento Sustentável", uma
vez que mesmo "os dados mais
básicos mostram que estamos longe
do objetivo de garantir que todas as
crianças estejam na escola e em
processo de aprendizagem até 2030".
Mas é óbvio que uma abordagem
ao ODS 4 focada apenas em
padrões e escolas perde em
termos de educação não formal e a
aprendizagem
permanente.
Crucialmente, também negligencia
o papel do acesso à informação
como veículo de transparência e
porta de entrada para a educação
de adultos.
Além disso, um acesso significativo à
informação constitui a base do
conhecimento e deve ser visto como
condição
prévia
para
o
desenvolvimento de competências de
pensamento crítico e de cidadania
democrática, em que os dados e as
informações brutas seriam escolhidos,
ligados, refletidos e avaliados de forma
crítica. O papel das bibliotecas também
é importante, uma vez que as TICs e a
internet devem ser vistas como uma
ferramenta útil, mas não como uma
solução mágica.
O acesso à informação é uma
condição prévia importante para
atingir os objetivos do ODS 4. Sem
pleno reconhecimento disso no
discurso sobre a Agenda 2030,
acompanhado
de
maior
investimento na educação e na
aprendizagem permanente, grandes
grupos de pessoas ficarão para trás
até 2030.

1.

Comparativamente, há poucas discussões sobre como apoiar a implementação e quase nenhuma lição aprendida com os
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. "A euforia 'pós-2015' não considera o fato de que a maioria das questões que atrasaram
o sucesso do movimento dos ODMs e a Educação para Todos (EPT) não foram resolvidas ou até pioraram. A forte convicção
contemporânea de que a falta de indicadores claros e mensuráveis foi um dos principais problemas não tem base na evidência
da pesquisa ou na análise contextual...". (Popović, 2015). Criticando os efeitos dos testes de alto risco na motivação e
aprendizagem dos alunos, Amrein e Berliner nos lembram que "devemos lembrar a sabedoria do comentário do fazendeiro de
que pesar um porco todos os dias nunca o mais gordo. Definitivamente, é preciso poupar" (2003). Arriscamo-nos a concentrarnos apenas num número limitado de sucessos e a ignorar os desperdícios que ocorrem quando problemas graves, sistêmicos e
estruturais deixam de ser resolvidos porque não aparecem nos indicadores.

2.

O Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) insta: "Precisamos de dados para acompanhar o progresso ao longo do tempo.
Precisamos de dados para identificar as barreiras ao acesso e à qualidade da educação. Precisamos de dados desagregados
para garantir que nenhuma criança fique para trás. Precisamos de dados que apoiem as prioridades nacionais. Precisamos de
dados que sejam comparáveis internacionalmente. Precisamos de dados que demonstrem o que funciona, para que os recursos
possam ser canalizados para o máximo de impacto". (Montoya, 2019).

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

27

�DA2I

28

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 4
Acesso à informação para o trabalho
digno e o crescimento econômico
Acesso à informação e às tecnologias da informação e da
comunicação (TIC) para um desenvolvimento econômico mais
inclusivo, emprego e oportunidades de trabalho digno
A realização e a medição da Agenda 2030 implicará uma disposição
multidimensional de soluções. Nesse sentido, a Agenda salienta a importância de
seus meios de implementação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) por meio da mobilização de recursos financeiros e do
desenvolvimento de capacidades e tecnologia, bem como por meio da geração
de dados e do reforço institucional. Nomeadamente, a Agenda considera que as
tecnologias da informação e da comunicação (TIC) desempenham um papel
facilitador e de apoio nesse contexto, o que confirma a sua importância para a
abertura de grandes possibilidades para a aceleração do progresso humano (Del
Rio et al, a publicar).

STEFANIA L. CANTONI; TATIANA
JEREISSATI &amp; LEONARDO M.LINS
Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento
da Sociedade da Informação
(Cetic.br), Centro Brasileiro de Informação em Rede
(NIC.br)

À medida que avançamos para as Sociedades do Conhecimento1, a informação
e o conhecimento têm um impacto cada vez mais significativo na vida das pessoas
(UNESCO, 2003). Assim, o acesso à informação pode ser considerado um
processo complexo que engloba "os direitos e a capacidade de usar, criar e
compartilhar informações de forma significativa para cada indivíduo, comunidade
ou organização", conforme declarado no Relatório de Desenvolvimento e Acesso
à Informação (DA2I) de 2017 (Garrido &amp; Wyber, 2017, p. 15).
Nesse contexto, tem sido amplamente observado que as TICs podem
desempenhar um papel fundamental na melhora do acesso e partilha da
informação, reduzindo potencialmente os custos de produção, partilha,
distribuição e visualização da informação e do conhecimento, o que é essencial
para o funcionamento democrático das sociedades e para o bem-estar de cada
indivíduo. As TICs podem, portanto, capacitar os indivíduos, permitindo que
exerçam seus direitos, sejam economicamente ativos e adquiram novas
competências. Além disso, a Internet e as comunicações móveis aceleraram
enormemente o ritmo e o volume de informação disponível, bem como o seu
alcance até mesmo nas partes mais remotas do mundo2.
Além disso, o acesso a serviços móveis pode trazer novas oportunidades
econômicas para as populações de baixa renda, por exemplo por meio de serviços
como o m-banking (mobile banking – serviços bancários por celular ou tablet) e o
comércio eletrônico. Não só a inclusão financeira é um aspecto importante para
as pequenas empresas e o empreendedorismo, como também o m-banking e o
microcrédito podem reduzir os custos de transação e fomentar o crescimento
econômico. Ademais, em muitos setores – como a saúde, a educação, o mercado
de trabalho, a alimentação e a agricultura – um amplo conjunto de serviços,
soluções e recursos baseados nas TICs podem conduzir a transformações que
podem promover o desenvolvimento social, econômico e político de forma
sustentável.
Nesse cenário, espera-se que as TICs assumam cada vez mais tarefas rotineiras
e analíticas, não só confinadas a tarefas manuais na manufatura, mas também a
tarefas analíticas de tomada de decisão (Comissão Europeia, 2016)3. Por
conseguinte, é muito importante que as pessoas possuam as competências
necessárias para utilizar as funções elementares das TICs de forma significativa
e eficiente. Como mostra o relatório da Comissão Europeia sobre as TICs para o
trabalho (2016), são necessárias competências digitais em todos os tipos de
trabalho, incluindo empregos fora dos escritórios. Notadamente, a maioria dos
empregos exigem competências digitais básicas, incluindo a capacidade de
comunicar-se via e-mail ou mídia social, criar e editar documentos, pesquisar
informações ou proteger informações pessoais online. Os indivíduos que não
possuem competências digitais correm, por conseguinte, o risco de
marginalização não só no mercado de trabalho, mas também na vida cotidiana.
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

29

�As TICs, portanto, atravessam
todos os setores da economia e da
sociedade, e a internet pode ser um
importante
catalisador
de
desenvolvimento para indivíduos,
comunidades e países. Elas podem,
por exemplo, fornecer acesso
amplo e crescente a informações,
serviços e aplicativos que podem
agregar valor à vida das pessoas,
aumentar sua produtividade e
permitir que acessem novas
oportunidades (ITU, 2016, p. 91).
Nesse sentido, embora dentro do
quadro dos ODSs haja poucas
menções específicas às TICs, elas
podem potencialmente contribuir
para todos os ODSs.
Em especial para alcançar o
trabalho digno e o desenvolvimento
econômico – Objetivo n.º 8 dos
ODSs –, o crescimento econômico
terá de ser promovido de forma
sustentada, inclusiva e sustentável,
juntamente com a promoção do
emprego produtivo e do trabalho
digno para todos. A esse respeito,
as TICs, ao facilitarem o acesso à
informação, podem desempenhar
um papel importante, contribuindo
para o empreendedorismo, a
criação de empregos, a educação e
a formação, a produtividade e o
crescimento
econômico,
a
criatividade e a inovação, bem
como a inclusão financeira.
Esse capítulo analisa a forma como
as TICs podem potencialmente
contribuir para a realização do ODS
8, melhorando o acesso à
informação e oferecendo um
conjunto de soluções e serviços
possibilitados nas TICs. Examina os
numerosos aspectos a considerar
para alavancar as TICs para o
trabalho digno e o crescimento
econômico, tanto individual como
organizacional. Aborda igualmente
os obstáculos e as condições para
um
acesso
significativo
à
informação
e
aos
serviços
financeiros. Por último, enfatiza a
importância do monitorização dos
ODSs e defende a necessidade de
indicadores harmonizados para
esse fim.

1. As TICs e o acesso à
informação
Ao considerar as TICs como um meio
para melhorar o acesso à informação,
a relação entre TICs e ODSs emerge
como
um
truísmo;
as
TICs
potencialmente aumentam o acesso à
30

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

informação, o que por sua vez pode
capacitar os indivíduos, permitindolhes exercer melhor seus direitos, ser
economicamente ativos e produtivos,
aprender
e
aplicar
novas
competências e encontrar melhores
meios
para
ganhar
a
vida.
Empoderados dessa forma, podem
potencialmente participar na tomada
de decisões e responsabilizar os seus
governos, enriquecendo a sua
identidade e expressão culturais.
Assim, o acesso à informação é crucial
para o enriquecimento do processo
coletivo
de
construção
do
conhecimento, bem como para o
desenvolvimento econômico, social e
político (IFLA, APC &amp; TASCHA, 2014;
ISOC, 2015; Banco Mundial, 2016).
O ODS 8, preocupado com o trabalho
digno e o crescimento econômico,
estabelece
quatro
metas
que
abrangem diferentes aspectos que
requerem acesso à informação, tais
como: emprego produtivo, educação e
formação, produtividade econômica,
empreendedorismo, criatividade e
inovação. Para que as pessoas
aprendam
e
usem
novas
competências que possam ser
relevantes
para
o
trabalho,
especialmente
em
um
mundo
dinâmico e em mudança, o acesso à
informação é um passo importante em
um processo complexo. Não só o
acesso à informação requer précondições físicas, sociais e legais
específicas, como também a própria
informação precisa ser transformada
em conhecimento para ser útil.
Além disso, quando se pretende
alcançar o pleno e produtivo emprego
e trabalho decente para todas as
mulheres e homens, deve-se ressaltar
que "a relação entre igualdade de
gênero e acesso à informação é uma
complexa cadeia de eventos que se
reforçam em um ciclo de feedback"
(Hafkin, 2017, p. 83). Em uma nota
semelhante, o acesso à informação e
ao conhecimento – juntamente com
recompensas econômicas – é crucial
para o desenvolvimento de uma
economia criativa e, em vista da
crescente contribuição das indústrias
criativas à produção econômica
nacional, a maioria dos países está
buscando adotar políticas para
desenvolver suas indústrias criativas e
fortalecer sua competitividade na
economia global (UNESCO, 2013a).
Tendo em conta os seus aspectos

diretos e secundários, as TICs podem
potencialmente contribuir para a
realização de um trabalho digno e para
o crescimento econômico, melhorando
o acesso à informação tanto por parte
dos indivíduos como das organizações.

1.1. As TICs para melhorar o
acesso das pessoas à informação
As TICs permitem potencialmente que
as pessoas, em qualquer parte do
mundo, tenham acesso à informação e
ao
conhecimento
quase
instantaneamente (ITU, 2005). Em
particular, ao expandir a base de
informação, reduzir os custos de
informação e pesquisa, e criar bens de
informação, as TICs podem facilitar a
pesquisa, a correspondência e a
partilha de informação e contribuir para
uma maior organização e colaboração
entre os agentes econômicos (Banco
Mundial, 2016).
Particularmente na agricultura, as TICs
podem ser utilizadas para manter os
trabalhadores informados sobre os
preços, os fatores de produção ou as
novas
tecnologias,
reduzindo
potencialmente o tempo e os custos,
bem como o atrito e a incerteza,
eliminando viagens dispendiosas e
facilitando a coordenação com os
comerciantes. Em suma, as TICs
podem
potencialmente
afetar
o
desenvolvimento econômico, uma vez
que podem ajudar a reduzir os
obstáculos ao acesso à informação e os
custos dos serviços. Por exemplo, uma
transação mutuamente benéfica pode
ser dificultada se duas partes não
conseguirem se encontrar ou adquirir
informações
suficientes
para
prosseguir com a transação com
confiança; em tais casos, os custos da
transação são infinitamente altos. Um
exemplo do uso da tecnologia para
superar os custos dos serviços é o
surgimento de plataformas de comércio
eletrônico – ambientes onde a oferta e
a demanda se encontram – que têm
facilitado aos produtores encontrar
clientes (Banco Mundial, 2016).
Além disso, ao abordar o emprego
pleno e produtivo e o trabalho digno, o
Objetivo 8.5 - "Alcançar emprego pleno
e produtivo e trabalho digno para todas
as mulheres e homens, incluindo os
jovens e as pessoas com deficiência, e
salário igual para trabalho de igual
valor" reconhece explicitamente a
necessidade de inclusão. Ademais, o
indicador

�8.5.1 mede a remuneração horária
média dos trabalhadores do sexo
feminino e masculino, por profissão,
idade e deficiência, e o indicador 8.5.2
aborda a taxa de desemprego, por
sexo, idade e status da deficiência.
Em termos de emprego inclusivo, de
acordo com o Relatório Global da
UNESCO (2013b), as pessoas com
deficiência são muito mais propensas
a
ficar
desempregadas
ou
economicamente inativas, e mesmo
aquelas que são economicamente
ativas muitas vezes ganham menos
do que seus pares sem deficiência.
Nesse
sentido,
os
avanços
tecnológicos podem abrir novos
caminhos para a inclusão social,
aprendizagem,
emprego
e
participação das pessoas com
deficiência (UNESCO, 2013). Com
efeito, as TICs podem permitir
múltiplos meios de comunicação –
voz, texto e gestos – facilitando o
acesso à informação por parte das
pessoas com deficiência, bem como a
interação social, abrindo assim
oportunidades
significativas
e
generalizadas de empregabilidade e
produtividade econômica4. Além
disso, o teletrabalho pode permitir
que as pessoas se envolvam com o
trabalho remotamente, fora do
escritório (Banco Mundial, 2016),
superando
as
dificuldades
relacionadas ao deslocamento.
Ademais, para atingir o objetivo 8.5
em particular – bem como toda a
Agenda 2030 – os Estados-Membros
devem suprimir as disparidades de
gênero (digitais), para que as
mulheres
possam
beneficiar-se
plenamente do acesso à Internet e
dos recursos que as TICs podem
proporcionar.
Geralmente,
as
mulheres tendem a ser mais pobres
do que os homens e ter menos
acesso à educação, além de ocupar
posições de menos poder nas
empresas e na política. Dito isso,
existem muitas desigualdades e
barreiras enfrentadas pelas mulheres
que as impedem de beneficiar-se
plenamente
das
oportunidades
oferecidas pelas TICs, incluindo
aquelas relacionadas a normas
sociais, divisão de trabalho baseada
em gênero, estereótipos de gênero e
até mesmo violência de gênero
(UNCTAD, 2014). No entanto, as
TICs
podem
potencialmente
aumentar as oportunidades das
mulheres para o emprego, o
empreendedorismo e o bem-estar
social em áreas que estão cada vez
mais inseridas na vida cotidiana,

como a facilitação de transações
financeiras, o preenchimento de
formulários do governo e a
comunicação com outros ao redor do
mundo (Garrido, Fellows &amp; Koepke,
2017). Assim, em diferentes esferas,
incluindo a social e a econômica, as
mulheres podem lucrar com as TICs,
uma vez que estas podem muitas
vezes evitar a necessidade de
mobilidade e ajudar a superar as
barreiras de acesso à informação.
Isso, por sua vez, facilita decisões
mais esclarecidas e pode aumentar
as
oportunidades
econômicas
(UNCTAD, 2014). Finalmente, para
além do acesso, outras barreiras
devem ser consideradas à medida
que as mulheres procuram utilizar
eficazmente a informação5 (Hafkin,
2017).
Garrido &amp; Wyber (2017) argumentam
que lacunas distintas no acesso a
oportunidades de educação e
formação contribuem para os níveis
de desemprego entre os jovens.
Portanto, um maior acesso à
informação poderia presumivelmente
contribuir
para
desenvolver
competências e a empregabilidade
geral, o que está relacionado com a
realização do Objetivo 8.6 - "Reduzir
substancialmente a proporção de
jovens
não
empregados,
em
processo de educação ou formação".
As ferramentas e os recursos de TIC,
como os cursos abertos online
(MOOCs)6 e os recursos educativos
abertos (OERs na sigla em inglês)7,
podem facilitar a aquisição de
competências e promover a formação
profissional e a aprendizagem
permanente8.

1.1.1. TICs para as competências
de aprendizagem e competências
para a utilização das TICs
Capacitar indivíduos requer não apenas
a provisão de acesso à informação, mas
também as competências para
transformá-la em conhecimento9 – para
ser capaz de buscar informações,
avaliá-las criticamente e criar novas
informações e conhecimentos. Além
disso, à medida que as pessoas
desenvolvem as competências e
recursos para obter, compartilhar, criar
e expressar informações, constroem
mecanismos poderosos para enfrentar
os desafios que entendem ser os mais
urgentes (Garrido, Fellows &amp; Koepke,
2017).
Dito
isso,
as
TICs
podem
potencialmente expandir o acesso à
educação e abrir novas possibilidades,

eliminando condicionalismos espaciais e
temporais, mas as competências digitais
são fundamentais para que contribuam
eficazmente para reduzir a proporção de
jovens – e adultos – que não trabalham,
não estudam nem seguem qualquer
formação. Não é de surpreender que o
ODS 4 Objetivo 4.4 suscite um "aumento
substancial do número de jovens e
adultos que possuem competências
relevantes,
incluindo
competências
técnicas e profissionais, para o emprego,
o trabalho digno e o empreendedorismo",
e um indicador relacionado refere-se
explicitamente às TICs: 4.4.1 "Proporção
de jovens e adultos com competências
em tecnologias da informação e da
comunicação (TICs), por tipo de
competência".
Em outras palavras, embora as TICs
possam alavancar a aprendizagem de
competências relacionadas com o
emprego, é necessário possuir as
competências essenciais para utilizar as
TICs e acessar a informação de forma
mais geral. Isso vai além das
competências digitais básicas para o uso
adequado
das
ferramentas:
as
competências digitais geralmente são
compostas
de
alfabetização
computacional,
informativa
e
comunicativa (Hinostroza, 2017). Tais
competências incluem a capacidade de
utilizar o computador para investigar, criar
e comunicar-se em diferentes esferas da
vida – em casa, na escola, no local de
trabalho e, em geral, na sociedade
(Fraillon et al., 2013, citado em
Hinostroza, 2017, p. 16).
Por último, os cenários futuros apontam
para a emergência de novas categorias
de empregos, no contexto do avanço das
tecnologias, substituindo parcial ou
totalmente outros. Isso significa que os
conjuntos de competências exigidas em
ocupações antigas e novas vão mudar
em muitas áreas e transformar como e
onde as pessoas trabalham. Isso implica
transições difíceis para milhões de
trabalhadores e a necessidade de
investimento
proativo
no
desenvolvimento de uma nova onda de
alunos ágeis e talentos qualificados de
forma geral10 (WEF, 2018). Nesse
contexto, muitos enfatizam a relevância
do desenvolvimento de um conjunto
particular de competências – ou seja,
competências do século 21 – agrupadas
em quatro áreas: competências de vida e
carreira; competências de aprendizagem
e
inovação
(pensamento
crítico,
comunicação,
colaboração
etc.);
assuntos-chave e temas do século 21
(linguagem, matemática,

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

31

�ciência, finanças, ecologia
etc.); e informação, mídia e
competências
tecnológicas
(Hinostroza, 2017).

1.2. Informação, criatividade e
inovação possibilitadas pelo
acesso à informação por meio
das TICs
Dado que a informação é atualmente
divulgada mais rapidamente do que
nunca e que constitui um trunfo
essencial para a competitividade
econômica, é importante que tanto as
empresas
como
os
governos
promovam formas de desenvolver as
competências necessárias para que a
informação seja utilizada de forma
criativa e inovadora. Uma vez que a
informação é considerada fundamental
para
aumentar
a
produtividade
econômica, os custos irrecuperáveis
para sua criação devem ser superados.
No entanto, embora o custo de
produção da informação seja elevado, o
mesmo não acontece com a sua
reprodução (Shapiro &amp; Varian, 2002). À
medida que a utilização das TICs
aumenta e a informação torna-se mais
amplamente divulgada, o custo do
acesso a essa informação diminui. Isso
coloca o seguinte desafio às empresas:
há
um
número
crescente
de
concorrentes capazes de reproduzir a
informação
produzida
pelas
organizações. Por conseguinte, dado
esse ambiente mais competitivo, as
empresas
devem
desenvolver
estruturas organizacionais capazes de
responder rapidamente às mudanças
tecnológicas e de mercado.
O objetivo 8.2 requer "níveis mais
elevados
de
produtividade
econômica
por
meio
da
diversificação,
modernização
tecnológica e inovação, incluindo
a concentração em setores de
elevado valor agregado e com
grande intensidade de mão-deobra". O acesso e a partilha da
informação são cruciais para a
promoção da inovação, e uma
vez que esta se torne rotina nas
organizações, pode levar a uma
maior produtividade econômica e
diversificação tecnológica, uma
vez que o ecossistema em que
funciona permite a criação de
nova informação. À medida que a
inovação é internalizada pelas
empresas, isso, por sua vez,
promove uma cultura dinâmica,
em que o espírito empreendedor
e
a
criatividade
são
recompensados, e pode levar à
32

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

criação de novos empreendimentos
que ofereçam soluções para os
mais
diversos
problemas
e
necessidades. Em ambientes em
que a inovação é a regra, há uma
procura de empregos de qualidade
que
exigem
capacidades
específicas dos indivíduos e das
empresas.
É importante salientar que um maior
acesso à informação não conduz
necessariamente à geração de valor
para todos; do mesmo modo, a par da
disseminação da informação, existe
uma concorrência mais intensa entre
as empresas, precisamente porque a
maior circulação da informação
permite que mais atores tenham
acesso a mais mercados, já que a
facilidade de internalização da
informação pode levar à melhora dos
processos e ao desenvolvimento de
novos produtos. Portanto, do ponto de
vista da criação de valor econômico,
a maior circulação de informação é
simultaneamente uma oportunidade e
um
desafio:
quem
conseguir
transformar
melhor
e
mais
rapidamente o acesso à informação
em conhecimento e, por sua vez, em
inovação,
obterá
vantagens
competitivas difíceis de serem
mudadas.
O Objetivo 8.3 visa a "promover
políticas
orientadas
para
o
desenvolvimento que apoiem as
atividades produtivas, a criação de
emprego digno, o empreendedorismo, a
criatividade e a inovação". O acesso e a
utilização eficientes e produtivos da
informação são essenciais para que as
empresas possam criar e participar em
ecossistemas dinâmicos, em que a
produção de conhecimento, juntamente
com a sua utilização na prática, leva à
inovação e ao espírito empreendedor,
favorecendo o surgimento de setores
dinâmicos e o crescimento econômico.
A disseminação das TICs facilita a
produção de conhecimento e sua
partilha de forma gratuita, favorecendo
a entrada de vários atores no processo
ou o desenvolvimento de produtos.
Ambientes abertos – em que o acesso
e a partilha de informação não são
restringidos – são mais propícios à
criação de conhecimento e inovação.
Por último, a ideia de promover
ambientes abertos e favoráveis à livre
circulação da informação para fomentar
a criação de conhecimento e a inovação
aplica-se tanto aos Estados-nação
como às empresas.

2. Serviços financeiros como TIC
- soluções habilitadas
Um vasto conjunto de serviços públicos e
privados – tanto online como offline, que
são potencializados pelas TICs, bem
como soluções e recursos possibilitados
pelas TICs – pode promover o
desenvolvimento social, econômico e
político
de
forma
sustentável,
contribuindo em domínios como a
educação, a saúde, as finanças, o
mercado de trabalho e a administração
pública.
Atualmente, 2 bilhões de indivíduos (e
200 milhões de empresas) em economias
emergentes não têm acesso a poupança
e a crédito, e não participam plenamente
do sistema financeiro formal (McKinsey
Global Institute, 2016), o que os impede
de participar em atividades econômicas
que poderiam transformar suas vidas,
como também lhes bloquear o
desenvolvimento econômico11. A inclusão
financeira é particularmente relevante
para as populações vulneráveis e pode
contribuir para uma maior segurança e
estabilidade. Isso permite, por exemplo,
planejar melhor o futuro ou responder a
acontecimentos
inesperados
(Diniz,
2018).
A Agenda 2030 reconhece que a inclusão
financeira é vital para as pequenas
empresas e o empreendedorismo e, em
particular, o Objetivo 8.10 visa a "reforçar
a capacidade das instituições financeiras
nacionais a incentivar e expandir o
acesso de todos aos serviços bancários,
de seguros e financeiros”. Da mesma
forma,
um
indicador
relacionado
explicitamente refere-se às TICs: 8.10.2
"Proporção de adultos (15 anos ou mais)
com conta em banco ou outra instituição
financeira ou em prestador de serviços
financeiros móveis.”
Nesse contexto, as TICs – juntamente
com as competências e a confiança para
utilizá-las – podem contribuir para
melhorar a qualidade, a variedade e o
âmbito dos microsserviços financeiros,
bem como responder a algumas das
necessidades inerentes à vida cotidiana
das pessoas com baixos rendimentos,
historicamente excluídas do sector
financeiro por serem consideradas de alto
risco e menos rentáveis.
As plataformas digitais, por exemplo,
oferecem muitas possibilidades para
facilitar a inclusão de serviços

�Por meio da Internet, da banda larga e das infraestruturas de TICs baseadas em telefones
móveis, as pessoas que vivem na pobreza podem aumentar a capacidade de melhorar sua
situação econômica, com acesso a serviços financeiros confiáveis que podem proporcionar
uma rede de segurança vital.
financeiros importantes: pagamento,
crédito, poupança e seguros. O acesso
por meio de um dispositivo móvel pode
ajudar a superar muitos dos problemas
associados à inclusão financeira:
Programas como o banco móvel
combatem
a
questão
do
distanciamento; as transferências de
dinheiro entre pares evitam altos custos
de transação; a oferta de novas formas
de estabelecer crédito ajuda quem luta
contra a falta de histórico de crédito; e a
criação de novos modelos de negócios
aborda a falta de alfabetização e
educação
financeira
entre
os
financeiramente
excluídos
(Diniz,
2018). Em países com baixos níveis de
inclusão financeira entre uma grande
proporção da população, as inovações
relacionadas às TICs no campo dos
serviços
financeiros
incluem
correspondentes
bancários
sem
agência, dinheiro eletrônico e contas de
poupança básicas (contas de baixo
custo) (Ontiveros, Martin Enriquez &amp;
Lopez Sabates, 2014, citado em Del Rio
et al, a publicar).
Por meio da Internet, da banda larga e
das infraestruturas de TIC baseadas em
telefones móveis, as pessoas que
vivem na pobreza podem aumentar a
capacidade de melhorar sua situação
econômica, obtendo acesso a serviços
financeiros confiáveis que podem
proporcionar uma rede de segurança
vital. A partir da abertura de uma conta
e da realização de transações básicas,
como transferências de dinheiro e
pagamentos de contas, os usuários
podem passar para serviços financeiros
mais avançados, como empréstimos e
produtos de seguros. O maior acesso a
serviços financeiros viabilizado pelas
TICs pode, por sua vez, incentivar o
investimento, estimulando a criação de
empregos e o crescimento econômico
(The
Earth
Institute,
Columbia
University &amp; Ericsson, 2015).

3. Condições para um
acesso
significativo
à
informação e para o acesso
aos serviços financeiros
A estrutura de Desenvolvimento e
Acesso à Informação (DA2I),
desenvolvida
pela
Federação

Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias (IFLA na
sigla em inglês), em parceria com o
Grupo de Tecnologia e Mudança
Social
da
Universidade
de
Washington,
propõe
quatro
dimensões interdependentes que
influenciam o acesso à informação
e sua capacidade de avançar nos
ODSs, como segue:
1. Infraestrutura de acesso à
informação e comunicações: a
conectividade
(e
recursos
materiais) que estabelece a
conexão física com a informação.
2. Contexto social de uso: a
variedade de fatores locais e
culturais que moldam a forma
como os usuários envolver-se-ão
com a informação.
3. Capacidades: o conjunto de
conhecimentos
funcionais,
competências e recursos que uma
população desenvolve ao longo
do tempo e que molda a natureza
de como a informação é usada ou
não usada.
4. Panorama jurídico e político: as
políticas
e
os
quadros
regulamentares que promovem ou
dificultam a conectividade, a
acessibilidade, a inclusividade e
os direitos.
A esse respeito, para garantir o
acesso à informação – bem como a
soluções possibilitadas pelas TICs –
devem ser satisfeitas determinadas
condições prévias, como a existência
de infraestrutura adequada (banda
larga fixa e móvel) e de dispositivos
(computadores,
telefones
etc.)
necessários para a ligação à Internet.
O acesso à Internet por intermédio de
dispositivos móveis é cada vez mais
importante nos países menos
desenvolvidos e nas zonas rurais e
remotas, uma vez que os dispositivos
móveis se tornaram a principal porta
de acesso à Internet para muitos. Os
smartphones podem potencialmente
conectar um número crescente de
pessoas a recursos de conhecimento,
oportunidades
de
emprego
e
amenidades culturais. No entanto,
deve-se notar que "quem depende de
seus smartphones para acessar a

internet encontra restrições como limites
de dados e telas pequenas, e o
dispositivo não é sua ferramenta favorita
para a aprendizagem pessoal em casa.
Em vez disso, quem possui smartphone,
mas não com banda larga em casa,
depende de um tipo de "ecossistema
alternativo", que é uma combinação de
uso de seus dispositivos móveis com
outros recursos, como computadores e
Wi-Fi, disponíveis em bibliotecas
públicas" (Anderson &amp; Horrigan, 2013).
Igualmente importantes para o acesso à
informação são os pontos de acesso
público à Internet, tais como telecentros e
bibliotecas, em particular em países ou
áreas
com
menor
conectividade
doméstica12. Além de manter uma série de
recursos de informação, muitas bibliotecas
oferecem múltiplas formas de acesso às
TICs, geralmente gratuitas, bem como o
acesso a livros, documentos, periódicos e
bancos de dados em bibliotecas ou
remotamente por meio de sites, juntamente
com serviços móveis. Além disso, os
bibliotecários
têm
um
papel
a
desempenhar, orientando quem tem pouca
experiência no acesso à informação e/ou
na utilização das TICs (Hafkin, 2017): além
do acesso, as bibliotecas podem
potencialmente ajudar as pessoas a
compreender as informações que obtêm.
Consequentemente, as bibliotecas apoiam
o ODS 813 , ao proporcionar ao público
acesso à informação e o necessário
treinamento
de
competências
–
especialmente aos excluídos digitais – para
a procura de emprego. Por exemplo, o
pessoal qualificado da biblioteca pode
prestar assistência com inscrições online e
atividades relacionadas a encontrar um
emprego (IFLA, 2016).
Assim, mesmo quando existe
conectividade
física,
são
necessárias
capacidades
específicas
para
identificar,
encontrar e utilizar a informação
existente
e
utilizá-la
potencialmente para melhorar as
condições
de
vida
–
particularmente o emprego e a
formação – e para gerar novas
informações.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

33

�Portanto, o acesso à informação e ao
conhecimento requer competências
de alfabetização digital, alfabetização
midiática (compreensão de vários
tipos de mídia e formatos pelos quais
a informação é transmitida) e
alfabetização
informacional
(habilidades para buscar, avaliar, usar
e criar informações de forma eficaz
para alcançar objetivos pessoais,
sociais, ocupacionais e educacionais)
(UNESCO, 2018, citado em Del Rio et
al,
a
publicar).
Tendo
em
consideração que a Agenda 2030
promete que "ninguém ficará para
trás", é da maior importância
considerar um avanço gradual na
inclusão digital, desde o acesso às
TICs até a sua utilização. Dado que
um aspecto importante do fosso
digital14 refere-se à falta de
competências,
essas
são
fundamentais para garantir que as
pessoas possam beneficiar-se das
TICs e ter um acesso significativo à
informação, evitando reproduzir as
desigualdades.
Dito isso, além da conectividade e
das capacidades da internet, a
informação deve ser: relevante e
disponibilizada (gerada, tornada
pública e ativamente divulgada por
todas as partes interessadas, além
de ser social e economicamente
relevante);
acessível
(potencialmente acessada por todos,
sem dificuldade, independentemente
do idioma, cultura, localização
geográfica ou nível de competência);
e acessível em termos de custo de
acesso (UNESCO, 2018, citado em
Del Rio et al, a publicar).
Juntamente com o elevado custo das
telecomunicações, as micro e
pequenas empresas enfrentam outro
obstáculo ao acesso aos serviços
financeiros: muitas vezes não têm
capacidade para utilizar serviços
financeiros baseados nas TICs,
devido a uma infraestrutura de
comunicação deficiente e à falta de
suporte regulatório. Elas são muitas
vezes prejudicadas pela prevalência
de tecnologias obsoletas e custos
proibitivos de instalação de novas
tecnologias, e sofrem com a falta de
pessoal
qualificado
e
baixas
competências de alfabetização digital
(The Earth Institute, Columbia
University, &amp; Ericsson, 2015). Mais
uma vez, o desenvolvimento de
competências e o treinamento são,
por conseguinte, condições prévias
para que estas empresas tenham
acesso aos serviços financeiros
proporcionados pelas TICs. Em
34

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

países onde o desemprego ou o
subemprego são um problema
crescente, a expansão das micro e
pequenas empresas pode criar
oportunidades de emprego vitais. Ao
abordar os baixos níveis de
alfabetização digital e promover o
acesso
a
serviços
financeiros
orientados
pelas
TICs,
os
formuladores de políticas podem dar
um indispensável e muito necessário
impulso aos ODSs relacionados ao
desenvolvimento
de
pequenas
empresas (The Earth Institute,
Columbia University, &amp; Ericsson,
2015, p. 39).

4.
Monitoramento
das
conquistas dos ODSs: a
necessidade de indicadores
harmonizados &amp; conclusões
sobre as TICs
O acesso à informação é uma questão
que atravessa toda a Agenda 2030 e,
portanto,
é
acompanhado
por
indicadores organizados de acordo com
diferentes objetivos e metas. Da
mesma forma, todos os objetivos e
metas dos ODSs são interdependentes
e devem ser perseguidos em conjunto,
uma vez que o progresso em uma área
muitas vezes depende do progresso em
outras.
Para o acompanhamento e revisão do
progresso para alcançar os ODSs, 10
critérios foram estabelecidos pela
Comissão de Estatísticas da ONU para
a
coleta
de
Indicadores
de
Monitoramento Global robustos, a ser
compilados por agências internacionais
usando dados desagregados dos
sistemas estatísticos nacionais. Dados
atuais e utilizáveis são essenciais para
a tomada de decisões fundamentadas,
o monitoramento do progresso e a
avaliação dos resultados.
Nesse contexto, as TICs são
explicitamente reconhecidas como um
meio transversal de execução da
Agenda, bem como por seu papel
fundamental na medição do progresso
em
todos
os
aspectos
do
desenvolvimento sustentável. Com
efeito, é importante que todos os
domínios
em
que
as
TICs
desempenham um papel relevante
sejam adequadamente medidos e
acompanhados. Para tanto, é crucial
dispor de indicadores de TICs
comparáveis em nível internacional,
baseados
em
definições
e
metodologias acordadas em comum,
que permitam aos atores políticos e a
outras partes interessadas identificar as
tendências e os desafios relacionados

com as TICs.
Nos últimos anos, o Centro Regional de
Estudos para o Desenvolvimento da
Sociedade da Informação (Cetic.br), um
departamento do Centro Brasileiro de
Informação em Rede (NIC.br), vem
contribuindo ativamente para debates
internacionais sobre a padronização de
indicadores e definições metodológicas
para a produção de estatísticas de TICs.
O Centro realiza várias pesquisas
nacionais autônomas sobre as TICs –
como a TIC Domiciliar e a TIC Empresa
– que são essenciais para a coleta e
disseminação de dados relacionados às
TICs, em nacional e internacional. Isso
permite uma melhor compreensão do
papel das TICs na facilitação do acesso
à informação e à educação por parte de
indivíduos e organizações, por exemplo.
As metodologias seguidas pelo Cetic.br
para esses levantamentos estão
alinhadas
com
os
parâmetros
estabelecidos
pelas
organizações
internacionais, incluindo a União
Internacional de Telecomunicações
(UIT) e a Conferência das Nações
Unidas
sobre
Comércio
e
Desenvolvimento (UNCTAD). Portanto,
o
Centro
recolhe
indicadores
internacionalmente acordados sobre
TICs que permitem comparações entre
países, mas também produz uma vasta
gama de dados nacionais relevantes,
desagregados
por
variáveis
socioeconômicas importantes e que
permitem uma maior compreensão dos
contextos locais. Esse processo é crucial
para
monitorizar
os
impactos
socioeconômicos das TICs e a
realização da Agenda 2030 em geral.

5. Conclusões
As TICs estão fortemente ligadas ao
acesso e à utilização da informação,
que
são
importantes
para
o
desenvolvimento
econômico,
a
educação, a formação e o emprego. As
TICs podem desempenhar um papel
importante na promoção de um
desenvolvimento mais inclusivo e
sustentável. Em particular, as mulheres
e as pessoas com deficiência, bem
como os jovens, mencionados nos
objetivos 8.5 e 8.6, podem beneficiar-se
grandemente
das
oportunidades
oferecidas por essas tecnologias.
No entanto, mais do que nunca, o
acesso à informação exige as
competências
necessárias
para
acessar, utilizar, partilhar e adequar as
ferramentas oferecidas pelas TICs, a
fim de garantir que todos os benefícios
sejam iguais e que ninguém

�fique para trás. Se as disparidades
sociais e digitais não forem
superadas,
as
desigualdades
podem
ser
ainda
mais
reproduzidas e as pessoas com
competências – digitais, cognitivas,
competências do século XXI –
podem
estar
mais
bem
posicionadas para encontrar um
emprego e ganhar melhores
salários. A esse respeito, o
desenvolvimento de competências
digitais relacionadas com o
tratamento da informação para
jovens e adultos é prioritário, em
especial
para
os
grupos
identificados como potencialmente
desfavorecidos econômica ou
socialmente.
Devido à maior divulgação do
acesso e utilização das TICs, a
informação
circula
mais
eficientemente entre indivíduos,
comunidades e organizações,

aumentando suas oportunidades
de
adquirir
e
desenvolver
conhecimentos que possam ser
úteis ao processo produtivo,
favorecendo
o
crescimento
econômico inclusivo. Para as
empresas, o desafio consiste em
transformar essa maior circulação
de informação em melhor tomada
de decisão e conhecimento para a
inovação e, ao fazê-lo, apoiar a
Objetivo 8.2 e o Objetivo 8.3.
Tanto para acessar a informação
por intermédio das TICs quanto
para utilizar serviços e recursos
das
TICs,
como
serviços
financeiros, há muitas condições
que têm de ser satisfeitas para
garantir que ninguém fique para
trás. Ter acesso à informação por
intermédio das TICs implica ter
conectividade – em dispositivos
móveis, em casa, em espaços
públicos, como bibliotecas, ou

outros locais – mas também
desenvolver
as
competências
necessárias
para
utilizar
a
informação de forma significativa,
para fins relevantes. O acesso à
informação deve ser entendido como
um processo complexo que depende
da disponibilidade de informações
relevantes, bem como de preço
razoável e acessibilidade.
Por fim, à luz do papel fundamental
que o acesso à informação
desempenha na consecução do ODS
8 e do potencial oferecido pelas TICs
para melhorar o seu acesso,
utilização, criação e partilha, é da
maior importância que sejam
recolhidos
dados
pontuais
e
relevantes para informar os atores
políticos e acompanhar o progresso
dos
objetivos
acordados
internacionalmente, como a Agenda
2030.

1.

De acordo com a UNESCO, as Sociedades do Conhecimento baseiam-se em quatro princípios, a saber: liberdade de expressão; igualdade de acesso à
educação; acesso universal à informação, especialmente no domínio público; e expressão da diversidade cultural. Construída sobre o conceito de Sociedade da
Informação, a pluralidade inerente ao conceito de Sociedades do Conhecimento "implica diversidade, variedade e acesso à escolha", onde "as pessoas possam
acessar e trocar informações e ideias de qualidade que sejam relevantes para sua vida e desenvolvimento" (UNESCO, 2003:2).

2.

Por exemplo, como a agricultura é cada vez mais intensiva em conhecimento, as TICs podem ajudar os agricultores a melhorar os rendimentos das culturas e a
produtividade das empresas por meio de um melhor acesso à informação de mercado, previsões meteorológicas, programas de formação e outros conteúdos
online adaptados às suas necessidades.

3.

De acordo com as TICs para o trabalho: Relatório sobre competências digitais no local de trabalho (Comissão Europeia, 2016), a utilização das TICs – nos
estados membros da UE – aumentou significativamente nos últimos cinco anos em mais de 90% dos locais de trabalho, sendo que os locais de trabalho
microdimensionados registraram aumentos limitados em comparação com os de maior dimensão. Além disso, 38% dos locais de trabalho relatam que a falta de
competências digitais tem impacto no seu desempenho.

4.

No entanto, como aponta o Banco Mundial (2016), a mera existência de tecnologia não é suficiente para eliminar a lacuna na inclusão socioeconômica das
pessoas com deficiência, pois é necessário um ecossistema adequado para promover a implementação de tecnologias digitais acessíveis.

5.

A esse respeito, vale a pena mencionar o papel das bibliotecas no empoderamento das mulheres por intermédio das TICs, conforme descrito no Resumo da
Publicação Para Além do Acesso "Capacitação de mulheres e meninas por meio das TICs nas bibliotecas" (2012) [Beyond Access Issue Brief "Empowering
Women and Girls Through ICT at Libraries" (2012)], disponível em http://beyondaccess.net/wp-content/uploads/2013/07/Beyond-Access_GirlsandICT-IssueBrief.pdf

6.

Um MOOC é um curso online que visa à participação ilimitada e acesso aberto via web. Além dos materiais tradicionais do curso, tais como palestras filmadas,
leituras e grupos de problemas, muitos MOOCs fornecem ferramentas interativas com fóruns de usuários para apoiar as interações da comunidade entre alunos,
professores e auxiliares de ensino (AEs), bem como feedback imediato para testes rápidos e tarefas.

7.

Recursos educacionais abertos (OERs) são materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa em qualquer meio – digital ou outro – que residam no domínio público
ou tenham sido liberados sob licença aberta que permita acesso, uso, adaptação e redistribuição sem custos por outros, sem restrições ou com restrições
limitadas. Para saber mais, acesse https://en.unesco.org/themes/building-knowledge-societies/oer.

8.

A aprendizagem permanente está relacionada com o ensino voluntário e automotivado, realizado fora da escola, com o objetivo principal de melhorar o
desenvolvimento pessoal ou profissional Para saber mais, acesse http://uil.unesco.org.

9.

A mídia tradicional, as organizações da sociedade civil e as instituições públicas, como as bibliotecas, podem contribuir para a tradução de informações em
conhecimento acessível e uso orientado, "preparando informações, estendendo recursos informativos para comunidades carentes e oferecendo espaços sociais
para convocar, aprender, criar e resolver problemas em suas comunidades" (Garrido, M. &amp; Wyber, 2017, p. 11).

10. Note-se que nos referimos às potencialidades das TICs para os trabalhadores e futuros trabalhadores adquirirem competências e, ao fazê-lo, prepararem-se para o
mercado de trabalho. No entanto, tal como o Fórum Econômico Mundial declara no relatório O Futuro do Emprego de 2018, destaca-se uma série de implicações e
prioridades imediatas para as diferentes partes interessadas, como as empresas e os governos. "(...) Imperativo para alcançar essa visão positiva do futuro do
emprego será um movimento econômico e social dos governos, empresas e indivíduos no sentido de uma aprendizagem ágil e permanente, bem como estratégias
e programas inclusivos de reciclagem e atualização de competências em todo o espectro profissional. As competências interpessoais relacionadas com a tecnologia
e não cognitivas estão a tornar-se de forma paralela cada vez mais importantes, e existem oportunidades significativas para parcerias inovadoras e criativas entre as
partes interessadas dos governos, empregadores da área, prestadores de serviços de educação e outros para experimentar e investir em novos tipos de ensino e
formação que serão mais úteis para os indivíduos neste novo contexto do mercado de trabalho" (WEF, 2018, p. 22).
11. De acordo com o McKinsey Global Institute (2016), a adoção e uso generalizados de finanças digitais poderiam aumentar o PIB de todas as economias
emergentes em 6%, ou US$ 3,7 trilhões, até 2025.
12. Essas medidas incluem "recursos que permitam a qualquer membro do público utilizar a preços acessíveis os computadores com conexão de banda larga,
juntamente com as ferramentas TICs associadas, como impressoras e escâneres, bem como o apoio técnico à utilização da Internet". As instalações de acesso
público podem ser "telecentros" ou "centros multimídia comunitários" (CMCs), ou " cybercafés" privados, construídos com o apoio do Estado. A localização de
serviços de acesso público em instituições existentes situadas na comunidade, como bibliotecas e correios, é muitas vezes um método particularmente eficaz de
implementação do acesso público" (IFLA, APC &amp; TASCHA, 2014).
13. Vários exemplos de como as bibliotecas têm apoiado o emprego em todo o mundo podem ser encontrados no documento da IFLA Uma Missão de Justiça Social:
Bibliotecas, Emprego e Empreendedorismo [A Social Justice Mission: Libraries, Employment and Entrepreneurship], disponível em
https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/libraries-development/documents/libraries_and_social_justice.pdf
14. 14. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o termo "fosso digital" refere-se à diferença entre indivíduos,
famílias, empresas e áreas geográficas em diferentes níveis socioeconômicos, tanto em relação às oportunidades de acesso às tecnologias da informação e da
comunicação (TICs) quanto ao uso da internet para uma ampla variedade de atividades (OCDE, 2001, p. 5).

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

35

�DA2I

36

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 5
Desigualdades: bibliotecas e
compartilhamento de conhecimentos
Essa dissertação explora o papel das bibliotecas no compartilhamento de
conhecimento, concentrando-se especialmente em sua expressão digital e nas
formas pelas quais elas podem contribuir para a redução da pobreza. Começa
por estabelecer o contexto em termos dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) e da distinção entre conhecimento "aberto/público" e
"fechado/privado". A próxima seção explora questões importantes em torno
dos significados e do uso da "informação" e "conhecimento", as necessidades
que as pessoas pobres e marginalizadas têm de conhecimento, e a
importância de obter mais evidências sobre como as bibliotecas, tanto virtuais
quanto reais, podem ser usadas para influenciar a redução da pobreza. A
penúltima parte do ensaio examina então as diversas formas pelas quais as
bibliotecas podem ser usadas para reduzir as desigualdades, e inclui dois
estudos de caso contrastantes, o Movimento Biblioteca Pública Indiano e as
microbibliotecas portuguesas. A dissertação conclui com recomendações
sobre como superar os obstáculos enfrentados por um uso mais amplo das
bibliotecas para reduzir a desigualdade.

P. TIM H. UNWIN
Royal Holloway, Universidade de Londres

Contexto: aberto e púbico, ou fechado e privado?
O Conhecimento é poderoso. Tem, portanto, tendência a ser utilizada pelos ricos
e poderosos ao longo da história para manter o seu status e perpetuar as
desigualdades a seu favor. No entanto, sempre houve também os que tentaram
partilhar mais amplamente o conhecimento, muitas vezes com base na moral de
que o conhecimento é, de fato, empoderador e pode transformar as estruturas
sociais e políticas. Isso é tão verdadeiro hoje, quando o conhecimento formal
está sendo cada vez mais mediado por tecnologias digitais, como foi no passado
distante, quando o conhecimento era amplamente compartilhado por meio de
livros. O ODS 10, que se concentra na redução das desigualdades, fornece uma
importante alavanca por meio da qual tais agendas podem ser promovidas na
próxima década.

ODS 10: o objetivo problemático
Os esforços recentes para reduzir a pobreza centraram-se, em geral, sobretudo
no crescimento econômico e não na redução das desigualdades. A Agenda
2030 e os ODSs (ONU, 2015) continuam, portanto, em grande parte, a centrarse no crescimento econômico que está no cerne dos anteriores Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODMs) das Nações Unidas de 2000. No entanto,
os ODSs são muito mais em número, e procuram combinar os interesses de
crescimento econômico dos ODMs com preocupações sobre mudanças
ambientais e sustentabilidade. Eles também incluem uma tensão importante,
representada pelo ODS 10, aparentemente deslocado: reduzir a desigualdade
dentro e entre os países. Esses focos que se concentram em aumentar o
crescimento e reduzir a desigualdade competem entre si, porque o crescimento
econômico quase sempre tem sido historicamente associado ao aumento da
desigualdade, a menos que seja dada uma atenção muito considerável
especificamente para compartilhar os benefícios desse crescimento
amplamente em toda a sociedade (Oxfam, 2019). Os processos que dão origem
a essas desigualdades foram drasticamente aumentados pela concepção e
difusão de tecnologias digitais em evolução cada vez mais rápida (Unwin,
2018). No entanto, os 10 objetivos do ODS 10 não fazem menção direta às
formas pelas quais o conhecimento pode ser usado para reduzir a
desigualdade, nem ao uso de tecnologias digitais para isso.
Para compreender essa tensão entre crescimento e desigualdade, é essencial
abordar a distinção entre pobreza relativa e absoluta (Unwin, 2007). Em
essência, quem defende uma medida absoluta de pobreza, como incorporado
nos ODMs e na maioria dos ODSs, assim o faz com base na noção positiva de
individualidade e competição, enquanto quem defende
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

37

�um padrão relativo o faz na crença
normativa de que as pessoas
também são comunais e devem
organizar atividades econômicas de
forma cooperativa (O'Boyle, 1999).
O domínio esmagador das noções
de direitos humanos "individuais" em
vez de "comunitários" (Unwin, 2014)
no sistema da ONU e além, e o
poder das grandes corporações
globais na governança internacional
contemporânea, têm alimentado
essa ênfase na maximização do
crescimento em vez de minimizar a
desigualdade. A pobreza absoluta
pode, de fato, ser reduzida apenas
pelo crescimento econômico, mas a
pobreza relativa não. Os ODSs e o
Fórum Político de Alto Nível sobre
Desenvolvimento Sustentável (FAN)
não reconheceram suficientemente
essa tensão e, por conseguinte,
também não criaram mecanismos
por meio dos quais as desigualdades
prejudiciais possam ser reduzidas.

Conhecimento privado e público
A posse de conhecimento por
indivíduos ou comunidades é central
para as relações de poder associadas
a esse equilíbrio de ênfase entre
pobreza
absoluta
e
relativa.
Historicamente, em sociedades com
tradição em alfabetização, a palavra
escrita tem sido um meio importante
para
registrar
e
compartilhar
informações e ideias por quem sabe
ler e tem acesso a textos. Bibliotecas
fixas, portanto, desempenharam um
papel crucial como repositórios de
conhecimento.
Sociedades
com
tradições
orais
em
contraste
transmitia o conhecimento por
intermédio da palavra falada mais
acessível de sagas, poesias e
narração de histórias. No entanto,
ambas as tradições tinham estruturas
de poder significativas: as bibliotecas
ajudavam a manter o poder nas
tradições de alfabetização; os direitos
de iniciação e as estruturas

hereditárias serviam às tradições orais.
Ambas procuraram equilibrar o
secretismo e a abertura, mas de
formas diferentes. No entanto, parece
haver uma distinção útil que pode ser
feita aqui entre alfabetização e
individualismo, por um lado, e
tradições orais e comunitárias, por
outro. Os meios de partilha dentro de
ambos os tipos de sociedade são
diferentes, e é necessário realizar mais
investigação sobre a medida em que
cada um deles está relacionado com a
desigualdade.
O desenvolvimento do acesso à
informação e ao conhecimento nas
sociedades
alfabetizadas
está
razoavelmente bem documentado.
Os livros primitivos tinham de ser
copiados laboriosamente à mão, e por
isso eram caros. Como conhecimento
é poder, eles eram normalmente
mantidos nas bibliotecas "privadas"
das elites. Novas formas de
impressão na Europa começaram a
democratizar a distribuição de
conhecimentos a partir do século XV,
mas a ideia de bibliotecas "públicas"
só começou realmente a tomar forma
na Europa no século XIX (Harris,
1999), como resultado de pressões
morais e econômicas para melhorar a
vida dos pobres. É importante
observar, entretanto, que outras
tradições muito mais adiantadas
buscavam
também
compartilhar
conhecimento dentro das sociedades
letradas. No Cairo, no início do século
XI, por exemplo, (al-Hakim bi-Amr
Allah, também conhecido como Abu
Ali Mansur), o sexto califa fatimida
fundou a (Dar al-Alem, Casa do
Conhecimento),
que
foi
especificamente concebida para
permitir
ao
público
adquirir
conhecimento.
Informação,
conhecimento
e
desigualdade
Há fortes argumentos de que a

criação de bibliotecas públicas, em
vez de apenas bibliotecas privadas,
pode desempenhar um papel
importante ao permitir que todos
acessem a informação e a processem
para
moldar
seus
próprios
conhecimentos. No entanto, para que
isso aconteça, as pessoas têm de ser
alfabetizadas e capazes de acessar o
conteúdo dessas bibliotecas; tais
argumentos também tendem a
privilegiar as tradições alfabetizadas
em detrimento das orais. O advento
das tecnologias da informação e da
comunicação
(TICs)
também
proporcionou uma oportunidade
valiosa para ampliar as noções de
compartilhamento de conhecimento
público comunitário, especialmente
por meio de uso de software livre, de
código
aberto,
e
recursos
educacionais abertos, bem como pela
criação de bibliotecas virtuais ou
digitais (IFLA &amp; UNESCO, 2011). Tais
distinções entre público e privado são
muito semelhantes à diferença entre
as
abordagens
comunitária
e
individual para a redução da pobreza
(Tabela 1). Na prática, esses
conceitos, mostrados como opostos
binários na Tabela 1, geralmente se
confundem entre si e estão em ambos
os extremos dos espectros, mas são
mostrados aqui dessa forma porque
refletem
conceitualizações
fundamentalmente diferentes da
pobreza, do papel das bibliotecas,
dos conteúdos, das tecnologias
digitais e do desenvolvimento.
A UNESCO, em particular, tem
desempenhado durante muito tempo
um forte papel na defesa de que mais
apoio deve ser dado à criação de
sociedades do conhecimento nas
quais todos os cidadãos possam
acessar e usar as informações de que
necessitam para ter vidas realizadas
(Mansell &amp; Wehn, 1998; UNESCO,
2005). Como Souter (2010, p.11)
resumiu, "Por

Tabela 1: Oposições binárias: pobreza, bibliotecas e conteúdo
Conceito de
pobreza

Soluções para
a redução da
pobreza

Bibliotecas

Tipo de
Sociedade

Conteúdo

Software

Direção

Absoluto

Individual
(crescimento
econômico)

Privadas

Principalmente
alfabetizadas

Conteúdo exclusivo

Conteúdo
fechado

Principalmente de
cima para baixo

Relativo

Comunitária
(redução da
desigualdade)

Públicas

Principalmente
orais

Acesso aberto
(especialmente
recursos educacionais
abertos)

Fonte aberta
e livre

Encoraja a
abordagem de
baixo para cima

38

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Sociedades do Conhecimento, a
UNESCO considera as sociedades
nas quais as pessoas têm a
capacidade não apenas de adquirir
informações, mas também de
transformá-las em conhecimento e
compreensão, o que as capacita a
melhorar seus meios de vida e
contribuir para o desenvolvimento
social e econômico de suas
sociedades". Tais ideias reforçam a
noção de que a informação e o
conhecimento são essenciais para o
desenvolvimento efetivo e, portanto,
que a superação da pobreza e da
desigualdade de informação é uma
parte importante de qualquer agenda
de desenvolvimento global (Haider &amp;
Bawden, 2007). Entretanto, existem
desafios
consideráveis
na
concretização dessa visão, alguns
dos quais, considerados mais
importantes, são explorados mais
adiante.

Conhecimento marginal e de elite
Tradicionalmente, os bibliotecários
têm servido como guardiões do
conhecimento, decidindo o que deve
existir numa biblioteca e o que deve
ser excluído. Isso significa que as
bibliotecas
geralmente
oferecem
acesso a conhecimentos de elite.
Quase por definição, eles também têm
sido a preservação do conhecimento
alfabetizado em vez do conhecimento
oral. As pessoas e comunidades
pobres e marginalizadas também têm,
no entanto, imensos recursos de
conhecimento. Ao passar informações
por intermédio de tradições orais, elas
sabem, por exemplo, como sobreviver
em ambientes onde um banqueiro, um
acadêmico ou um político alfabetizado
"com boa formação" não seriam
capazes de sobreviver nem por alguns
dias.
No entanto, as TICs começaram a ser
utilizadas para subverter conceitos
tradicionais,
de
duas
formas
principais: pela utilização de áudio e
vídeo, que já não requerem
competências
de
alfabetização
tradicionais para o seu acesso, e pela
permissão de que qualquer pessoa
com acesso à Internet e a um
dispositivo de entrada possa transferir
conteúdos
multimídia.
Alguns
bibliotecários e instituições há muito
que estão ativamente empenhados na
democratização do conhecimento. O
Arquivo de Som da BBC no Reino
Unido, por exemplo, fundado em
1936, contém centenas de milhares de
gravações de áudio que datam do

século 19. Mais recentemente, a
Ryerson University no Canadá
desenvolveu
iniciativas
para
incorporar conhecimentos indígenas
em suas práticas (Sloan, 2018), e
Horrigan (2015) também destacou
as maneiras pelas quais as
bibliotecas nos EUA estão mudando
em resposta ao desejo das pessoas
de usá-las para fornecer novos
serviços. Como os exemplos na
próxima seção também enfatizam,
muitas
iniciativas
enfocam
especialmente as maneiras pelas
quais novos tipos de bibliotecas
podem servir às comunidades
marginalizadas.
Nunca se deve esquecer que as
pessoas
marginalizadas
com
poucos recursos ainda têm um
conhecimento muito poderoso. É
apenas um tipo de conhecimento
diferente do conhecimento que os
ricos consideram importante. Essa
dissertação sugere que ambos os
tipos de conhecimento devem ser
considerados como igualmente
"valiosos" em qualquer tipo de
discurso de desenvolvimento.

Desigualdades: ver e ouvir os
pobres e marginalizados
Ao contrário dos ODMs, o ODS 10
fornece um quadro muito mais claro
do que considera desigualdade, e
nos últimos anos tem havido alguma
evidência de que as agências da
ONU e alguns governos estão
reconhecendo a necessidade de
equilibrar o crescimento econômico
com a atenção à desigualdade,
mesmo que apenas por causa da

constatação de que as desigualdades
crescentes prejudicam o crescimento
(Cingano, 2014; UNESCO, 2018). Há,
assim, uma compreensão saudável e
crescente de que a pobreza e a
desigualdade não devem ser vistas
apenas em termos econômicos. As
formas
como
as
diferentes
características humanas e dimensões
da vida se cruzam e reforçam a
pobreza suscitaram um interesse
renovado, destacando como certos
grupos de pessoas tendem a ser
constantemente marginalizados. Os
processos associados ao crescimento
econômico, especialmente como
resultado do surgimento de novas
tecnologias digitais, trabalham para
mantê-las na pobreza. Entre essas
pessoas estão incluídas as que
apresentam deficiência, jovens fora
da escola (crianças em risco de viver
e trabalhar nas ruas), meninas e
mulheres
(especialmente
em
sociedades patriarcais tradicionais),
minorias étnicas e refugiados.
É muito importante que as vozes
desses indivíduos e comunidades
marginalizados sejam ouvidas, não
só dentro dos países onde vivem,
mas também globalmente na
formulação de políticas e iniciativas
tais como o próprio processo dos
ODSs. As suas histórias têm de
estar
nas
bibliotecas
dos
funcionários públicos e dos atores
políticos, que por sua vez têm de
começar a

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

39

�desenvolver estratégias com os mais virtuais e digitais desde a sua
marginalizados e não para os mais origem, em meados da década
marginalizados.
de 1990, tenha tido muitos
benefícios, tais como a não
ocupação de muito espaço físico
Necessidades, acesso, experiência
(continua a ser necessário que os
e utilização
A presença de uma biblioteca, real ou servidores
hospedem
o
virtual, não significa necessariamente conteúdo),
a
disponibilidade
que irá beneficiar os marginalizados e permanente, a facilidade de
reduzir as desigualdades. Ao nível mais pesquisa, a possibilidade de
simples, se as pessoas não souberem preservação de textos e imagens
como acessar uma biblioteca, não e o fornecimento de recursos
poderão se beneficiar do seu conteúdo, multimídia,
subsistem
ainda
se não puderem ler o texto, não muitas questões sobre como elas
poderão aprender com ele; se não devem
ser
financiadas,
o
houver nada de relevante para as suas equilíbrio
entre
conteúdos
necessidades, não serão capacitadas. abertos e proprietários, a medida
Por inúmeras vezes, as iniciativas das em que permitem a interação
bibliotecas
e
as
soluções
de comunitária e, em última análise,
aprendizagem
online
foram se aumentam ou reduzem as
desenvolvidas para as pessoas pobres, desigualdades. Embora algumas
na esperança de que os seus
conteúdos mudem vidas para melhor,
mas como esses esforços não
compreenderam
os
princípios
fundamentais da necessidade, acesso,
experiência
e
utilização,
não
conseguiram fornecer os resultados
pretendidos. Isso levou a um
ressurgimento do interesse pelos
significados da alfabetização e ao
reconhecimento de que ela deve agora
ir muito além da capacidade de ler
textos em uma página para incluir a
alfabetização digital, ou as habilidades
necessárias para acessar conteúdo
online e dar sentido a ele (Wagner,
2011, 2017). Se as pessoas não
conseguem acessar as tecnologias
digitais e depois encontrar o conteúdo
ou a informação que lhes possa ser útil,
também nunca irão se beneficiar do
potencial que foi criado.

Bibliotecas como lugares
As tecnologias digitais transformaram a
compreensão de lugar e espaço.
Tradicionalmente,
as
bibliotecas
públicas eram lugares físicos onde as
pessoas iam ler, estudar, obter
informações
ou
pedir
livros
emprestados. Eram lugares onde se
formavam comunidades e onde se
fomentavam grupos de leitura ou de
aprendizagem. Progressivamente, à
medida que as tecnologias digitais se
tornam mais populares e os conselhos
locais reduzem as despesas, muitas
dessas bibliotecas entram em crise. No
Reino Unido, por exemplo, foi relatado
em 2016 que quase 350 bibliotecas
haviam fechado nos últimos seis anos,
com perda de 8.000 empregos (The
Guardian, 2016; mas veja também
Horrigan, 2015). Embora a rápida
expansão das bibliotecas
40

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

estejam sendo transformadas em
centros digitais, muitas vezes são os
já privilegiados que mais se
beneficiam com isso, em vez dos
mais pobres e marginalizados.

A necessidade de evidências e dados
Os desafios da evidência na seção
anterior destacam a importante
necessidade de mais dados e
evidências para chegar a decisões
sobre o impacto relativo de
diferentes tipos de soluções
bibliotecárias para reduzir a
desigualdade. Como observam
Garrido e Fellows (2017), é notável
que os ODSs não mencionem o
acesso à informação como um fator
específico
na
redução
da
desigualdade. Por conseguinte, é
necessário

O Movimento Indiano das Bibliotecas Públicas (IPLM na sigla em inglês)
O acesso a informações relevantes e úteis tem sido um desafio para as pessoas
pobres e as comunidades marginalizadas na Índia. Tradicionalmente, o acesso à
informação estava voltado para as elites, e as bibliotecas públicas têm
desempenhado um papel importante na democratização desse acesso. No
entanto, a oferta de bibliotecas é espacialmente variável, com 80 a 90% das
bibliotecas públicas localizadas em apenas seis estados indianos, principalmente
no sul; muitas delas também têm acesso limitado para os usuários e, muitas
vezes, oferecem apenas um serviço de referência e de empréstimo tradicional.
O IPLM foi, portanto, criado para revitalizar as bibliotecas públicas da Índia e
trazê-las de volta ao convencional como centros de conhecimento e de
informação inclusivos. Experiências de outros centros de serviços multimídia em
diversos lugares do mundo indicam que eles têm o potencial de fornecer muitos
serviços diferentes. Os programas IPLM em curso fornecem sessões de
conscientização de saúde, conteúdo educacional e orientação vocacional tanto
online como nos locais em que eles estão situados. É também dada especial
atenção à formação relevante dos bibliotecários, para que estes tenham as
competências necessárias para ajudar os usuários a se beneficiar dos seus
recursos e informações. No entanto, os custos envolvidos são elevados, e muito
do seu trabalho inicial foi financiado por agências externas, como a Fundação Bill
e Melinda Gates.

�Inúmeras vezes, as iniciativas das bibliotecas e as soluções de aprendizagem online
foram desenvolvidas para as pessoas pobres, na esperança de que os seus
conteúdos mudassem vidas para melhor, mas como esses esforços não entenderam
os princípios fundamentais da necessidade, acesso, experiência e utilização, não
conseguiram fornecer os resultados pretendidos.
que haja muito mais exploração e
investigação sobre as formas pelas
quais esse acesso, especialmente
por meio de bibliotecas físicas e
virtuais, pode permitir que as
pessoas e comunidades mais
marginalizadas e vulneráveis sejam
beneficiadas.
Também
são
necessários muito mais dados
sobre a utilização de "bibliotecas" e
repositórios digitais por pessoas
marginalizadas, e até que ponto
essa utilização pode reduzir as
desigualdades, para que se possam
criar
melhores
políticas
de
desenvolvimento
baseadas
no
conhecimento.

muito
considerável
e
uma
mudança na mentalidade de quem
defende o uso das TICs para atingir
os ODSs, longe da ênfase no
crescimento econômico e rumo à
redução das desigualdades.
As tecnologias móveis constituem
um meio muito importante de
comunicação e de partilha de
conhecimentos,
havendo
atualmente mais assinaturas de
serviços móveis do que pessoas
no planeta. No entanto, esse uso é
espacialmente muito variável,

continuam a ser um meio valioso pelo
qual as pessoas mais marginalizadas
podem efetivamente acessar e utilizar
tecnologias e recursos digitais.
Quando esses são verdadeiramente
multifuncionais e multimídia, podem
de forma efetiva servir como locais
onde as pessoas em áreas isoladas
podem acessar conhecimentos de
saúde, educativos, culturais e
econômicos e partilhar as suas
próprias experiências online, se assim
o desejarem. Contudo, devem ser
adequadamente planejados e

Bibliotecas que abordam
as desigualdades
As fronteiras entre o virtual e o
real, e mesmo entre os seres
humanos e as máquinas em geral,
estão se tornando cada vez mais
indistintas. No entanto, esses
conceitos retêm valor e são
particularmente úteis para ajudar
a
compreender
como
as
bibliotecas podem abordar as
desigualdades.

O virtual…
A explosão de informação e
recursos de aprendizagem online
ao longo da última década tem sido
notável, e muitas pessoas agora
têm literalmente o conhecimento do
mundo na ponta dos dedos por
intermédio da internet. Entretanto,
quase
metade
(48,8%)
da
população mundial ainda não está
usando a internet (ITU, 2018). As
tecnologias digitais continuam a
servir
principalmente
às
necessidades e interesses das
pessoas mais ricas e não das mais
pobres. Assim, para reduzir as
desigualdades,
é
essencial
aumentar o acesso, permitir que as
pessoas possam utilizar esses
recursos de informação e que os
conteúdos sejam relevantes para
as suas necessidades. Todos
esses três exigem um esforço

com os países africanos e outros
estados
menos
desenvolvidos
apresentando ainda taxas muito
mais
baixas.
Embora
essas
tecnologias possam ser utilizadas
para aumentar a partilha de
conhecimentos relevantes entre os
mais marginalizados, é necessário
fazer muito mais para apoiar e
implementar políticas e iniciativas
que se concentrem nessa questão.

… e o real
Os telecentros multifuncionais têm
sido amplamente criticados e
podem muito bem ser apenas uma
característica
transitória
da
passagem de modelos comunitários
para modelos individuais de
atividade humana. No entanto,
demonstraram
uma
resiliência
considerável (como nesta ilustração
de um telecentro em Bario, uma
comunidade isolada em Sarawak), e

dotados de recursos e devem ser
tomadas medidas para atenuar os
numerosos aspetos negativos da
utilização digital, especialmente para
as crianças (UNICEF, 2017).
No entanto, as bibliotecas são muito
mais do que apenas locais onde a
informação e o conhecimento são
transacionados.
Elas
também
desempenham
papéis
sociais,
culturais e políticos importantes. Em
um mundo digital cada vez mais
individualizado,
dominado
pelo
intercâmbio
econômico,
elas
continuam a ser lugares onde a alma
de uma sociedade pode ser
encontrada e moldada.

Enfrentamento dos obstáculos
Se ignorarmos os pobres em nosso
meio, perdemos nossa humanidade e
nossas almas. Para quem acha que
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

41

�é errado que 26 pessoas –
principalmente do sexo masculino
(n=25) dos EUA (n=15), das quais pelo
menos 10 fizeram fortuna no setor de
tecnologia – possuam o equivalente ao
que têm os 3,8 bilhões de pessoas mais
pobres do mundo (Oxfam, 2019), os
obstáculos que impedem o progresso
rumo ao ODS 10 devem ser
identificados e superados. Três
principais passos são essenciais:
 Reconhecer que a redução das
desigualdades tem a ver com a
vontade de fazer, e não com
dinheiro. Para que o sistema da
ONU como um todo, bem como
líderes específicos de governos,
comecem
a
reduzir
as
desigualdades em seus

estados, é preciso que se
concentrem nesse objetivo acima da
recente ênfase que foi colocada no
crescimento econômico. Deixar de
fazer não só é moralmente errado,
como terá um impacto muito
significativo no sistema econômico
global, na coesão social e na
estabilidade política.
 Alcançar acesso universal a preços
acessíveis à conectividade digital
de alta qualidade. Em um mundo
cada vez mais dominado pelo
compartilhamento de informação
via tecnologias digitais, é essencial
que estas sejam acessíveis,
confiáveis
e
suficientemente
rápidas em todo lugar, para que as
pessoas e comunidades pobres e

marginalizadas
possam
potencialmente se beneficiar da
aquisição dos conhecimentos que
elas permitem.
 Servir os interesses dos pobres e
marginalizados. O acesso por si
só, porém, é insuficiente. As
oportunidades de informação e
comunicação proporcionadas pela
tecnologia devem ser relevantes
para as necessidades dos mais
marginalizados, que, por sua vez,
devem poder utilizá-las para seu
próprio empoderamento. É aqui
que os bibliotecários e bibliotecas,
virtuais e reais, continuam a ter um
papel crucial para a melhor
formação de sociedades.

Microbibliotecas: um exemplo de Portugal
Ao contrário dos problemas enfrentados pelas grandes bibliotecas
tradicionais, o movimento das microbibliotecas reflete uma abordagem mais
ascendente e comunitária ao compartilhamento de conhecimento. Em muitos
casos, como em Portugal e no Reino Unido, isso tem sido apoiado por
fundações de empresas de telecomunicações, oferecendo antigas cabines
telefônicas para utilização como microbibliotecas, reforçando mais uma vez a
ligação entre as TICs e a partilha de conhecimento, embora num idioma muito
diferente. Em Portugal, por exemplo, a Fundação PT (2018) "reutiliza as
antigas cabines telefônicas e estabelece parcerias com autarquias locais e
outras instituições, para a adaptação, colocação e promoção de
microbibliotecas que visam reforçar os laços comunitários, promover a
cidadania, incentivar a leitura e promover o amor pelo livro num espaço
totalmente inesperado". Desde o final dos anos 2000, tais iniciativas
floresceram globalmente, com o movimento Pequena Biblioteca Gratuita
[Little Free Library] afirmando ter atingido cerca de 75.000 bibliotecas
registradas em 85 países até 2018, e outras iniciativas, como o Projeto
Parada do Livro [The Book Stop Project] nas Filipinas, criando redes de
espaços móveis para redes de bibliotecas instantâneas [pop-up] em áreas
urbanas (Rhodes, 2018).

42

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

43

�DA2I

44

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 6
Acesso à informação e mudança
climática
A Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) adotou os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) universais em 2015. Os 17 ODSs abordam
os três aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. A ONU
pretende atingir as metas definidas o mais tardar até 2030. Os ODSs são de
relevância universal, ou seja, as nações em todos os níveis de desenvolvimento
estão igualmente comprometidas com a sua implementação.

KARL FALKENBERG
Professor e Palestrante Independente, ex-DiretorGeral para o Meio Ambiente, Comissão Europeia

Os ODSs fazem parte da Resolução 70/1 da ONU, que estabelece a Agenda
para o Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo. Destaca em
particular as pessoas, o planeta, a prosperidade, a paz e a parceria. Reconhece
que o mundo enfrenta enormes desafios de desigualdade, degradação
ambiental global e insegurança. Requer às nações que trabalhem para a
realização dos objetivos por meio de uma parceria global revitalizada, baseada
num espírito de solidariedade global reforçada, destinada a não deixar ninguém
para trás. Dá importância à governança democrática e à participação de todas
as partes interessadas e de todas as pessoas. A plena participação das pessoas
requer empoderamento, alfabetização e acesso à informação.
Entre os muitos desafios que o planeta enfrenta, as alterações climáticas são
verdadeiramente globais. A ciência compreendeu como a atividade humana
nesse planeta, largamente baseada em fontes de energia fósseis, está poluindo
sua atmosfera, conduzindo assim a um aumento mais rápido da temperatura
global por que o planeta jamais passou. Para esse processo, é irrelevante onde
as emissões de gases de efeito estufa são produzidas, todas essas emissões
na atmosfera contribuem igualmente para o aquecimento. Os cientistas referemse aos últimos 70 anos como a grande aceleração. A população mundial
explodiu de 3 bilhões em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente e espera-se
que cresça para mais de 10 bilhões em 2050. Os padrões de produção e
consumo humanos estão exercendo uma forte pressão sobre os limitados
recursos naturais do nosso planeta. Os ciclos do fosfato e do nitrato estão
atingindo níveis críticos e a água potável e os solos férteis estão sob pressão,
bem como os ecossistemas e a biodiversidade. E a mudança climática já está
acontecendo, como evidenciado pelas condições climáticas mais extremas do
planeta.
É importante observar que os efeitos das alterações climáticas não são iguais
em todos os continentes do planeta. Embora seja verdade que as alterações
climáticas conduzem ao aquecimento global, é necessário compreender que
esse efeito é considerado com base em uma média. Isso não significa
explicitamente que as temperaturas estarão subindo de forma linear em todos
os lugares do planeta. A realidade individual é definida pelas condições
climáticas locais. O aquecimento global modificará essas condições climáticas
de forma dramática, tornando o clima local mais errático e mais extremo. O
planeta passará por ventos mais fortes e furacões que serão potencializados por
águas oceânicas mais quentes; períodos de chuvas mais fortes, mas também
secas mais longas; mudanças dramáticas de temperatura em zonas tropicais; e
invernos potencialmente mais rigorosos em zonas temperadas. A tradução
precisa do aquecimento global em condições climáticas do dia-a-dia local ainda
é um desafio científico, mas está ficando claro que a parte mais pobre do planeta
provavelmente será a mais atingida. Em primeiro lugar, porque quase todo o
crescimento demográfico recente do planeta ocorreu no mundo menos
desenvolvido, e essa tendência continua. A Índia, a China, o Sudeste Asiático,
o Brasil e o México passaram por esse crescimento, e a África está em processo
de juntar-se ao grupo — colocando-nos no caminho para mais de 10 bilhões de
homens e mulheres no planeta até 2050. Esse crescimento ocorreu em grande
parte nas zonas tropicais, onde o aquecimento tornará as condições de vida
particularmente difíceis.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

45

�Muito mais pessoas precisam de acesso à informação. Elas precisam da
capacidade de compreender a comunicação e de mudar o seu comportamento
individual. Elas também precisam claramente traduzir o seu conhecimento
aperfeiçoado em direito democrático de eleger líderes que façam a coisa certa.
Em segundo lugar, trata-se de
regiões pobres, com pessoas que
não
dispõem
dos
recursos
financeiros para se protegerem
contra os efeitos das alterações
climáticas. Algumas ilhas baixas e
regiões costeiras serão submersas
pela elevação do nível do mar,
chuvas como as das monções
destruirão casas, e períodos
prolongados de seca conduzirão a
uma escassez extrema de água
potável. A produção de alimentos
também será substancialmente
prejudicada. As populações pobres
serão as mais afetadas pela
destruição
progressiva
dos
ecossistemas mundiais e pela
insuficiente
capacidade
de
fornecimento de alimentos e bebidas
ao ser humano.

O que é preciso fazer?
Precisamos agir para mitigar as
causas das alterações climáticas
provocadas
pelo
homem
e
precisamos
adaptar-nos
às
consequências inevitáveis do que já
provocamos. Essas ações devem ser
coordenadas em nível global. A
Convenção Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança Climática
(UNFCCC na sigla em inglês) busca
alcançar um consenso entre as
nações sobre quais medidas urgentes
são necessárias. Mas ainda temos
uma série de líderes mundiais que
negam o óbvio, e muitos indivíduos
têm consciência insuficiente sobre as
consequências da situação atual. São
necessárias melhoras substanciais
do lado do conhecimento, bem como
esforços importantes de atenuação
para reduzir substancialmente a
utilização de combustíveis fósseis
nas economias mundiais. Fontes
alternativas de energia estão sendo
desenvolvidas, com um forte enfoque
na eficiência, num esforço para viver
com menos dependência desse
recurso. A produção de alimentos
também contribui substancialmente
para as mudanças climáticas. As
dietas humanas com menos ênfase
em carne, em açúcar e em sal podem
contribuir para abrandar as alterações
46

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

climáticas. O setor dos transportes é
também, na sua forma atual, um
grande contribuinte para as emissões
de CO². E o grande setor da
habitação precisa tornar-se mais
eficiente em termos energéticos, por
intermédio de melhores sistemas de
aquecimento e arrefecimento e de
melhor isolamento.
É importante ressaltar que os pontos
de ruptura conhecidos precisam ser
evitados, porque se ultrapassados,
eles acelerariam drasticamente a
mudança climática. Um exemplo
significativo é o risco de liberação de
quantidades muito substanciais de
metano, hoje capturado sob o gelo
permanente. O metano é um gás com
efeito estufa 30 vezes mais forte do
que o CO². A ciência está enfatizando
todos esses efeitos de forma mais
precisa.
É aqui que a ligação com a
informação, a alfabetização e a
educação fica óbvia. Muito mais
pessoas precisam de acesso à
informação. Elas precisam da
capacidade de compreender a
comunicação e de mudar o seu
comportamento individual. Elas
também
precisam
traduzir
claramente
seu
conhecimento
aperfeiçoado em direito democrático
de eleger líderes que façam a coisa
certa. O que o planeta precisa é de
acesso significativo à informação, ou
seja, informação clara e confiável,
que tenha sido revista por pares
quanto à sua qualidade científica e
verificada profissionalmente quanto
à sua verdade — um grande desafio
na era das notícias falsas e fatos
alternativos! A mídia jornalística terá
de
desempenhar
um
papel
importante, mas as comunidades
locais
podem
ou
precisam
desenvolver
sua
própria
compreensão
com
base
em
informações
escritas.
Aqui
novamente, as bibliotecas podem
desempenhar
um
papel
na
apresentação de acesso não filtrado
à mais ampla gama de escritos
científicos.
A informação está disponível hoje numa

magnitude sem precedentes. Os painéis
científicos internacionais, como a
Plataforma Intergovernamental sobre
Alterações Climáticas (IPCC), reúnem
cientistas qualificados de várias áreas da
ciência, bem como de vasta área
geográfica e, certamente, dependem do
acesso à informação científica global e
atualizada. Eles produzem modelos
revisados por pares que não só explicam
as causas profundas das mudanças
climáticas, mas também fornecem
ferramentas de análise que preveem com
crescente
probabilidade
as
consequências da inação. Muitas partes
do planeta tornar-se-ão inabitáveis para a
humanidade, devido ao aumento das
temperaturas, secas, elevação do nível
do mar etc. Com as mudanças
tecnológicas, o acesso à informação hoje
em dia depende mais frequentemente
dos instrumentos de pesquisa digital.
Basicamente, substituímos a palavra
"pesquisa" por "Google". É tão fácil,
quando há acesso à internet. Mas poucas
pessoas entendem que sua pesquisa é
filtrada por meio de algoritmos, que
tentam oferecer informações que
confirmam, em vez de desafiar, as
opiniões mantidas anteriormente. Esses
sistemas dividem eficazmente as nossas
sociedades de uma forma sem
precedentes, criando mesmo a aceitação
de fatos alternativos, um conceito
completamente errôneo.
As bibliotecas devem desempenhar um
papel importante na resolução desse
problema. Elas podem ajudar as pessoas
a verificar as informações sem um filtro e
a ter acesso a todo o espectro do
conhecimento científico. É claramente
mais difícil fingir nos EUA que as
alterações climáticas são apenas um
truque chinês/europeu para enfraquecer
a economia estadunidense, quando a
NASA e seus serviços militares estão
entre as principais fontes das alterações
climáticas em curso e das expectativas de
desenvolvimentos futuros. Confrontar
concepções errôneas com evidências
revisadas por pares de uma ampla gama
de fontes independentes parece-me
representar a melhor esperança de

�chegar a uma avaliação racional da
realidade, em vez de crenças
ideológicas. Pode-se argumentar
que a mudança dramática das
condições meteorológicas pode ser
observada
também
pelos
desinformados. Muitas comunidades
tradicionais que sobrevivem da
natureza para obter comida e bebida
de fato notarão a mudança.
Perceberão a migração de animais,
tanto em terra como nos mares,
devido ao aquecimento global.
Notarão que árvores e florestas
inteiras estão deslocando-se para
áreas anteriormente mais frias e que
suas
culturas
típicas
estão
desaparecendo. Isso pode ser
evidente para as pessoas que ainda
vivem da natureza, mas menos para
as muitas que se mudaram para as
megacidades, mas o que é
necessário
para
todos
é
compreender a ligação direta entre a
atividade humana e as alterações
climáticas. Onde a atitude das
pessoas ainda é influenciada
principalmente
pelo
fatalismo
religioso, é difícil argumentar a favor
da mudança dos padrões de
produção e consumo humanos.
Quando
as
pessoas
não
compreendem
a
importante
capacidade de vinculação dos gases
do efeito estufa com as zonas
úmidas, solos, florestas e oceanos,
continua a ser difícil convencê-las de
que esses ecossistemas precisam
ser protegidos. É preciso ter
consciência de que o lixo plástico
pode ser uma ameaça direta à vida
na terra e nos oceanos, pondo em
risco a própria sobrevivência da
humanidade no planeta.
O mesmo raciocínio aplica-se às
medidas de adaptação necessárias.
Abandonar terras para serem
utilizadas como área de transbordo
para os rios é politicamente difícil.
Impedir a construção em áreas
conhecidamente
inundáveis
é
igualmente difícil. Como dito certa
vez por um ministro europeu do Meio
Ambiente: investir em proteção
contra as inundações é impopular
porque significa aumentar os
impostos. Aparecer em áreas
inundadas com botas de borracha e
mostrar empatia é muito popular!
Pessoas desinformadas tendem a
tomar decisões desinformadas! As
bibliotecas são, mais uma vez, uma
importante fonte de informação
sólida, sempre que possível com
revisão por pares. E torna-se
absolutamente necessário que as
bibliotecas
sejam
devidamente

geridas, mostrando da forma mais
transparente possível a literatura
disponível sobre as alterações
climáticas. As bibliotecas também
poderiam procurar orientar as
pessoas na direção dos artigos ou
livros mais revisados por pares e
organizar oficinas em torno das
soluções
discutidas
multilateralmente para mitigação e
adaptação. A literatura também
está repleta de sugestões de
soluções
inteligentes
para
adaptação.
O
papel
dos
manguezais para proteger as
costas e a manutenção das
florestas terrestres são apenas dois
exemplos. Os manguezais e as
florestas aglutinam CO² e servem
também como dissipadores desse
elemento. As florestas tendem a
manter o solo da melhor forma, em
particular no que diz respeito à
absorção de água. Isso ajuda a
prevenir inundações após chuvas
fortes,
ou
até
mesmo
deslizamentos. As árvores nas
cidades têm um efeito de ar
condicionado, tornando as ondas
de calor mais toleráveis à saúde
humana.
No caso de todos os 17 ODSs, é
verdade que o Objetivo 13 (Ação
Climática) não pode ser alcançado
isoladamente. Não garantiremos as
medidas de mitigação e adaptação
necessárias se não combatermos
com êxito a pobreza e a fome, se
não oferecermos condições de
trabalho dignas às pessoas, se não
eliminarmos a discriminação de
gênero, se não capacitarmos as
pessoas em formas democráticas
de
governança,
se
não
protegermos os ecossistemas em
terra e nos nossos oceanos etc.
Precisamos superar a mentalidade
de
silo
(pensamento
individualizado) que predomina em
nosso
mundo
altamente
especializado. Na Europa, as
ONGs
verdes
pressionaram
durante anos pelo uso de motores
diesel, acreditando que eles eram
mais eficientes e emitiam menos
gases de efeito estufa. Descobriuse então que os motores a diesel
emitem mais nitratos e mais
partículas finas, e são a principal
causa
das
400.000
mortes
prematuras por ano devido à má
qualidade do ar ambiente nas
cidades europeias. É preciso evitar
desenvolver
soluções
para
problemas específicos sem testar
essas soluções em relação a toda a
lista de ODSs. Isso pode parecer

ambicioso, mas é o único caminho
seguro para um futuro sustentável para
a humanidade nesse planeta azul.
Algumas dessas coisas podem parecer
óbvias para os informados. Mas o
planeta está povoado por pessoas que
nunca ouviram falar das descobertas
científicas e do grande consenso em
torno das causas das alterações
climáticas e das suas ameaças cada
vez maiores. Isso não é uma crítica;
infelizmente, continua a ser uma
realidade. As pessoas diretamente
expostas aos efeitos visíveis das
alterações climáticas tendem a
perceber que algo está errado. Mas
não é do conhecimento geral que a
atividade humana é uma das principais
causas da mudança dramática. O
elevado número de seres humanos no
planeta deveria ser mais amplamente
reconhecido
como
um
fator
contribuinte. Nos anos 1950, o planeta
era povoado por 3 bilhões de pessoas.
Hoje somos 7 bilhões e esperamos
ultrapassar os 10 bilhões nos próximos
20 a 30 anos. A capacidade de carga
do planeta azul chamado Terra está-se
tornando seriamente dilatada! Quase
todo o crescimento demográfico está
ocorrendo
em
países
menos
desenvolvidos. A demanda por
recursos para uma vida decente está
crescendo exponencialmente! A maior
parte da atual qualidade de vida na
parte industrializada do mundo é
alimentada por recursos energéticos
fósseis. Muitos dos nossos alimentos
são produzidos à custa das florestas e
das zonas úmidas, e as nossas dietas
com base em carne não apenas são
pouco saudáveis para os que
desfrutam de um bife por dia, como
também constituem uma grande fonte
de emissões dos gases de efeito
estufa.
Como pode uma melhor forma de
governo lidar com todos esses
desafios? A resolução da ONU sobre
os ODSs destaca o papel da
governança democrática e do respeito
pelo estado de direito. Ambos os
conceitos necessitam de cidadãos
informados para exercerem seus
direitos democráticos e reivindicarem
seus direitos individuais ao abrigo do
estado de direito imparcial. Informação
e educação são cruciais para ambos. E
as bibliotecas são uma ferramenta
fantástica
para
compartilhar
conhecimento
humano.
Não
surpreende que os regimes ditatoriais
tendam a destruir livros e bibliotecas,
como ficou demonstrado durante o
reinado fascista na Alemanha ou, mais
recentemente, durante a ocupação dos
DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

47

�extremistas islâmicos e a destruição
parcial de Timbuktu.
Ao longo dos séculos, o acesso às
bibliotecas tornou-se mais aberto,
compartilhando conhecimento muito
além de um pequeno número de
elites. Combater o analfabetismo
continua a ser dramaticamente
importante. Os ODSs representam
uma tentativa de superar a
crescente especialização do mundo
de hoje. O mundo precisa de
especialistas para avançar o
conhecimento coletivo. Mas o
mundo
também
precisa
de
generalistas que compreendam as
línguas dos especialistas e os levem
a
interagir
para
avaliar
adequadamente
todas
as
consequências, não apenas os
efeitos individuais da mentalidade de
silo. Exemplos da falta de uma
análise holística são abundantes.

48

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

A mudança para motores diesel em
carros na Europa foi motivada
também pela luta contra a mudança
climática, sem considerar a
significativa
poluição
do
ar
ambiente pelas emissões de
nitrogênio e partículas finas. Da
mesma forma, na transição para as
energias renováveis, a introdução
de grandes barragens para a
produção de eletricidade muitas
vezes não leva em conta as
necessidades de água potável das
populações a jusante, para não
falar dos problemas das zonas
úmidas a jusante e da agricultura.
As políticas sustentáveis terão de
ser políticas holísticas. Os 17 ODSs
têm impacto uns sobre os outros, e
apenas
as
políticas
que
efetivamente consideram todas as
questões de forma equilibrada
acabarão
por
conduzir
a
sociedades sustentáveis.

Os conhecimentos científicos sobre
essas interações estão crescendo e
sendo documentados, por exemplo,
sob a forma do vínculo agroalimentar
ou de uma compreensão mais
profunda do funcionamento dos muitos
ecossistemas do planeta. É importante
que o maior número possível de
pessoas tenha acesso a essas
descobertas, a fim de chegar às
conclusões
adequadas
ao
seu
comportamento pessoal e, talvez ainda
mais importante, utilizar seu direito de
voto em governos que buscarão
políticas
sustentáveis.
Continuo
convencido de que a urgência de
implementar
mudanças
para
a
sustentabilidade exige regulamentação
governamental.
A mudança de
comportamento individual de mais de 7
bilhões
de
pessoas
levará
simplesmente demasiado tempo para
manter o aquecimento global abaixo
dos 2 graus Celsius.

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

49

�DA2I

50

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Capítulo 7
Objetivo 16: A paz, a justiça e as instituições
fortes dependem do acesso à informação
As últimas duas décadas presenciaram mudanças significativas na percepção
dos benefícios e perigos da tecnologia. Essas mudanças refletem a complexa
relação entre as capacidades das tecnologias digitais de hoje, como são
reguladas e controladas, e nossa capacidade de atingir o ODS 16.

DOROTHY GORDON
Presidente do Programa Informação para Todos
da UNESCO

As preocupações extrapolaram o acesso, a razoabilidade de preços e vários
tipos de fossos digitais para agora incluir assimetrias de informação,
neutralidade da rede, domínio de plataforma, modelos de negócios de
exploração de dados, viés algorítmico, preocupações com privacidade e
segurança, bem como notícias falsas. O poder das redes sociais para
informar e mobilizar a sociedade civil celebrada durante a "Primavera
Árabe" está agora justaposto contra a manipulação da opinião pública e o
"municiamento" das mesmas plataformas no contexto das eleições. Por
exemplo, o escândalo da Cambridge Analytica1, amplamente coberto pela
mídia convencional, fornece insights reais sobre os negócios de "perfis" de
mídias sociais.

SDG 16
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveisi.
16.10: Assegurar o acesso público à informação e proteger as
liberdades fundamentais, em conformidade com a legislação
nacional e os acordos internacionais.

Ferramenta que também é usada para radicalizar a juventude e promover o
extremismo violento na sociedade civil, a mídia social trouxe muitos à
percepção de que a concentração de poder na "grande tecnologia" (os
principais atores tecnológicos, baseados principalmente nos EUA e na
China, que dominam a curadoria, acesso e controle da informação) merece
maior atenção. Ao mesmo tempo, a rápida implantação de combinações de
novas tecnologias que medeiam o acesso à informação – como a
inteligência artificial, a Internet das coisas e, naturalmente, o big data
(grandes volumes de dados) – reforça a necessidade de dispor de um
público mais bem informado e empenhado, capaz de fazer escolhas
tecnológicas que sejam do seu interesse.
Este capítulo enfocará os aspectos da governança do ecossistema de
informação e o potencial para um maior envolvimento cívico em torno das
questões de acesso público à informação e, em particular, o Objetivo 16.10.
As recomendações centram-se no papel das bibliotecas para educar, informar
e engajar desde a comunidade até aos níveis globais.

Sociedades do conhecimento inclusivo - UNESCO
A internet foi originalmente concebida como um bem público. A "abertura" que
nos permite criar conteúdo, inovar e acessar informações online está sob
constante ameaça e ataque de uma série de forças, incluindo a "grande
tecnologia", entre outros. Como afirma o Relatório de Saúde da Internet 2019
do Mozilla:

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

51

�Como as guerras começam nas mentes dos homens e das mulheres, é nas mentes dos
homens e das mulheres que as defesas da paz devem ser construídas. Constituição da
UNESCO
"... em 2019, a abertura da internet
está tão radical -- e tão ameaçada -como nunca antes. Os governos de
todo o mundo continuam a restringir o
acesso à internet de diversas
maneiras, desde a censura total até a
exigência de pagamento de impostos
para usar a mídia social, passando
pelo fechamento ou desaceleração da
internet para silenciar a dissidência.
Poderosos lobistas estão ganhando
lutas por regimes de direitos autorais
mais
restritivos,
e
grandes
plataformas
tecnológicas
nos
prendem a sistemas proprietários."2

Essas realidades recordam-nos a
necessidade de nunca considerar os
nossos direitos como garantidos.
A UNESCO é uma organização
multilateral dentro do sistema da ONU
que defende vigorosamente uma
internet livre e aberta através da
cooperação internacional, capacitação
e assistência técnica aos seus EstadosMembros. 3 Há muitos anos que está
engajada nessa agenda, enfatizando o
potencial da internet dentro de seu
objetivo de desenvolver "sociedades do
conhecimento inclusivas baseadas na
liberdade de expressão, no acesso
universal
à
informação
e
ao
conhecimento,
no
respeito
à
diversidade cultural e linguística, bem
como na educação de qualidade para
todos".4

A UNESCO e suas organizações
irmãs da ONU, como a União
Internacional de Telecomunicações,
desempenharam
um
papel
fundamental na Cúpula Mundial
sobre a Sociedade da Informação
(CMSI, 2003 e 2005), que mapeou
as implicações da tecnologia da
informação para o desenvolvimento,
incluindo a internet, e reforçou as
abordagens
multissetoriais
na
governança
da
internet.
O
envolvimento
continua
por
intermédio do fórum anual da CMSI
e das reuniões e conferências
regulares convocadas sobre o
acesso à informação na era digital.

A UNESCO está comprometida com a
construção
de
sociedades
do
conhecimento sustentáveis por meio de
seus principais programas, incluindo os
intergovernamentais, como o Programa de
Informação para Todos da UNESCO
[Information for All Programme - IFAP]. A
IFAP foi fundada quando os governos
membros e parceiros se comprometeram a
aproveitar as novas oportunidades da era
da informação para criar sociedades
equitativas por meio de um melhor acesso
à informação.5 Em 2011, a IFAP lançou um
código de conduta para a internet que
permanece relevante até hoje.

Trecho do Código de Ética da IFAP para a Sociedade da
Informação 36 C/49 Anexo
O Conselho Intergovernamental do Programa Informação para Todos da
UNESCO .... tem por base um conjunto de valores, direitos básicos e
obrigações na sociedade da informação que devem nortear as ações e
serem observadas pelos membros da sociedade da informação.
1. A Internet em particular e as TICs em geral devem ser reconhecidas
como um serviço público fundamental para a construção de uma sociedade
da informação centrada nas pessoas, inclusiva e orientada para o
desenvolvimento. Elas são cruciais para promover o exercício e o gozo dos
direitos humanos e das liberdades fundamentais universalmente
reconhecidas.
[…]
4. A informação deve ser disponibilizada, acessível e a preços razoáveis a
todos os grupos linguísticos, culturais e sociais e a ambos os sexos,
incluindo as pessoas com deficiências físicas, sensoriais ou cognitivas e as
pessoas que falam línguas minoritárias. A Internet e outras TICs servirão
para reduzir o fosso digital e implantar tecnologias e aplicativos que
garantam a inclusão.

Domínio da plataformaii
Em uma reunião da Comissão Federal de Comunicações dos EUA realizada em janeiro de 2019, o Presidente do
Subcomitê Antitruste da Câmara dos Deputados, David Cicilline, D-R.I., abriu o programa com palavras fortes sobre
o comportamento anticompetitivo percebido por parte do Google, tanto como guardião quanto por sua explosão de
compra, na qual engoliu empresas menores. Essa "concentração de poder" cria "impactos perniciosos em uma
imprensa livre e diversa", disse Cicilline, especialmente "na ausência de um mercado competitivo". Ele citou
relatórios sobre a capacidade do Google de manipular o tráfego em suas redes de anúncios, bem como com seus
leitores e usuários. Tudo isso afeta "tanto as empresas de notícias tradicionais quanto as editoras digitais", disse
Cicilline. "A internet gratuita e aberta... é incompatível com esta tendência para a centralização online."
"É vital que o Subcomitê Antitruste da Câmara aborde essas questões em uma investigação de cima para baixo
[para determinar] se o uso do poder de mercado prejudica o processo competitivo online", disse ele. "Não podemos
ter uma democracia sem uma imprensa livre e diversa" – que dê aos editores "condições de igualdade para negociar
com plataformas dominantes".

52

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�A IFAP promove ativamente a reflexão
internacional sobre os desafios éticos,
legais e sociais das sociedades do
conhecimento.
Por
exemplo,
a
UNESCO e a IFAP trabalham
ativamente
para
combater
a
radicalização online dos jovens. A
Internet tem sido adotada por grupos
extremistas violentos, cada vez mais
eficazes na utilização das TICs para
promover o ódio e a violência, com base
em motivos étnicos, religiosos e
culturais. Esses grupos utilizam a
Internet para ampliar os seus esforços
de sensibilização e recrutamento,
especialmente entre os jovens, através
da criação de comunidades online de
alcance mundial, nas quais as opiniões
e os comportamentos extremistas
violentos podem ser encorajados. Em
uma observação mais otimista, a IFAP
tem laços de cooperação de longa data
com a IFLA para promover seus
objetivos comuns, incluindo aqueles na
área de alfabetização informacional e
aprendizagem permanente.
Em 2015, os 195 Estados-Membros da
UNESCO comprometeram-se com a
universalidade da internet e quatro
princípios fundamentais que podem ser
resumidos na sigla R.O.A.M. (em
inglês): a internet deve ser:
1. Baseada nos Direitos humanos;
2. Aberta;
3. Acessível a todos, e
4. Alimentada pela participação de
múltiplas partes interessadas.
Esses princípios ROAM ancoram os
indicadores de universalidade da
internet (IUI na sigla em inglês), que são
"destinados como ferramenta de
pesquisa voluntária para que as partes
interessadas reúnam evidências para
avaliar as estruturas nacionais da
internet, particularmente nas áreas de
mandato da UNESCO, para aumentar a
compreensão do ambiente nacional da
internet, e para fornecer uma base de
evidências para a formulação de
políticas pelos governos e outras partes
interessadas".6 A IUI é liderada pelo
IPDC [International Programme for the
Development of Communication –
Programa
Internacional
para
o
Desenvolvimento da Comunicação].7
Se alguém perguntasse a pessoas
comuns sobre os princípios ROAM e
os indicadores de universalidade da
Internet, poucas teriam alguma ideia.
A implantação voluntária da IUI, que
pode mesmo ser feita em nível
comunitário,
talvez
alterará
gradualmente essa situação. A IUI
muda de forma decisiva a discussão
para enfocar a melhora do acesso à
informação
com
vistas
ao
desenvolvimento
sustentável,
distanciando-se de seu foco histórico

em infraestrutura, e lembra-nos da
necessidade de fazer perguntas
importantes, tais como: Quem são os
guardiões do conteúdo? Como se
controla e se cuida do conteúdo? Em
quais línguas estão os disponíveis os
conteúdos na Internet? E como o
acesso
à
informação
difere
dependendo de quem você é e onde
você se encontra? Essas questões
são relevantes em todos os países e
são também dimensões importantes
do trabalho da IFAP.

Jardins murados em encostas
escorregadias – registros
como polícia de conteúdo
A ICANN [Internet Corporation for
Assigned Names and Numbers Corporação da Internet para Atribuição
de Nomes e Números] é uma
organização sem fins lucrativos
registada na Califórnia desde 1998. É
responsável
por
coordenar
a
manutenção e os procedimentos das
diversas bases de dados relacionadas
com os espaços de nomes e espaços
numéricos da internet, assegurando o
funcionamento estável e seguro da
rede.8 A sua missão, tal como consta no
icann.org, é "ajudar a garantir uma
Internet global estável, segura e
unificada". Na linguagem cotidiana, a
ICANN gerencia tudo o que vem depois
do ponto em um endereço da web, por
exemplo: .com, .org, .biz ou .ru. Esses
são conhecidos como TLDs (top level
domains) ou domínios de nível superior.
Quando um TLD não representa um
país ou um território, é conhecido como
TLD genérico (gTLD).

Os TLDs são geridos por registros. São
empresas que historicamente têm
desempenhado um papel importante na
saúde técnica da internet. Há 35 anos,
sete TLDs foram criados pela Fundação
Nacional de Ciência dos EUA, incluindo
.com, .org e .net. Em 2012, depois de
quase uma década de discussões sobre
políticas e construção de consenso
dentro da estrutura de tomada de
decisões de múltiplos participantes da
ICANN, foram feitos pedidos para novos
gTLDs. Exemplos de novos gTLDs
solicitados e delegados incluem ".africa",
".baby" e ".bible". O objetivo declarado do
exercício foi aumentar a concorrência, a
escolha do consumidor e a inovação e
expansão do sistema de nomes de
domínio genéricos de primeiro nível para
outros idiomas além do inglês, incluindo
chinês, cirílico e árabe.
Apesar dos trabalhos preparatórios, a
aplicação do regime dos novos gTLD
continua
a
suscitar
controvérsia.
Considera-se que as grandes empresas
e as organizações bem estabelecidas
têm
uma
vantagem
injusta
na
candidatura a determinados gTLDs, bem
como em sua gestão. Alguns criaram
"jardins murados", introduzindo regras e
restrições que limitam o acesso aos
nomes de domínio de segundo nível por
empresas e até mesmo por rivais
ideológicos.
Talvez de igual ou maior preocupação, a
delegação de novos gTLDs significou
uma nova versão do contrato de registro.
Em sua iteração original, os registros
estavam preocupados com a saúde da
infraestrutura da internet e os interesses
do público – incluindo os registradores
(aqueles de nós que registramos nomes

"Quando começamos a ICANN, há 20 anos, muitos de nós concordamos
fervorosamente com o Comitê Consultivo Governamental sobre o fato de
que estávamos supervisionando a Internet e seu sistema de nomes de
domínio como um recurso público. Apoiamos um modelo em que as
diversas partes da comunidade criaram regras para os registros e
registradores; a ICANN e seus registros mantiveram-se religiosamente
afastados da camada de conteúdo da Internet. Nosso trabalho foi ajudar
a manter a infraestrutura da internet segura e estável. Mas agora alguns
dos novos registros genéricos de nomes de domínio de primeiro nível
parecem pensar que podem fazer qualquer coisa: aumentar os preços e
criar o conteúdo e as regras de "remoção de nomes de domínio" que
quiserem– sem o devido processo, sem lei, sem justiça. Eles chamam
seus registros de 'jardins murados', mas esses registros minam as
liberdades e direitos fundamentais da internet com a censura imposta.”
– Kathy Kleiman, bolsista do Centro de Política de Tecnologia da
Informação da Universidade de Princeton e cofundadora do grupo de
usuários não comerciais da ICANNiv

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

53

�de
domínio
para
nossas
organizações, nossas empresas,
passatempos e bairros). Hoje em
dia, os poderes de registro estão
sendo estendidos em larga escala,
tal como reflete esta declaração:
"Um operador de registro é
responsável por serviços que
incluem administração de banco de
dados de clientes, publicação de
arquivos de zona, operação de DNS
e
DNSSEC,
marketing
e
determinação de políticas”.9
O
seguinte
extrato
de
um
comentário público postado em
relação a mudanças na forma como
o .org é gerenciado fornece um
resumo das implicações dessas
mudanças, e a caixa abaixo oferece
contexto ao detalhar uma política
antiabuso real.

A Internet não tem fronteiras (em
teoria), mas o que é legal depende
da jurisdição. O Relatório de
Tendências de 2013 da IFLA 10
identifica isso como o desafio
contínuo de regular uma Internet
global sem fronteiras em um nível
supranacional enquanto acomoda
jurisdições e quadros jurídicos
nacionais
sobrepostos
e
concorrentes. Os tipos de razões
abertas apresentadas no ponto B
da
política
antiabuso
acima
referida não esclarecem qual a
jurisdição aplicável. Na verdade,
"quaisquer leis aplicáveis, regras
ou requisitos governamentais,
pedidos de aplicação da lei"
parecem indicar que qualquer
governo pode solicitar que um
registro tome providências e
suspenda, cancele ou transfira
qualquer registro ou transação ou
que o bloqueie. Também não há
clareza sobre o que constituiria

Um trecho de uma verdadeira política antiabuso
(compromissos voluntários) inclui a seguinte cláusulaiii:
O operador de registro reserva-se o direito, a seu exclusivo critério, a
qualquer momento e sem limitação, de recusar, suspender, cancelar ou
transferir qualquer registro ou transação, bem como bloquear qualquer
nome de domínio, colocá-lo em espera ou estado semelhante, conforme
considerar necessário para qualquer uma das seguintes situações:
A. proteger a integridade e a estabilidade do registro;
B. cumprir quaisquer leis aplicáveis, regras ou requisitos
governamentais, pedidos de aplicação da lei ou qualquer processo de
resolução de litígios;
C. cumprir os termos deste Contrato de Registro e da Política Antiabuso
dos Operadores de Registro;
D. o registrante não mantém a Informação Whois atualizada;
E. a utilização do nome de domínio viola as políticas de utilização
aceitável do Operador de Registro, ou os direitos de terceiros ou as
políticas de utilização aceitável, incluindo a violação de qualquer direito
de autor ou marca registrada, entre outros; ou
F. conforme necessário, durante a resolução de uma disputa.

exatamente uma infração de
conteúdo. A situação não só é
perigosa para os registradores,
como também introduz novas
vulnerabilidades para os registros,
pois eles podem abrir-se a ações
judiciais ao aceitar determinados
pedidos e negar outros. Também
não há clareza sobre o que
constituiria
exatamente
uma
infração de conteúdo.
Os defensores dos Compromissos de
Interesse Público e das mudanças nas
responsabilidades
dos
registros
argumentam
que
esses
são
necessários para que alguns dos
elementos criminosos da internet – por
exemplo,
tráfico
de
crianças,
pornografia
e
promoção
do
extremismo
violento
–
sejam
controlados.
No entanto, o que constitui e não constitui
conteúdo aceitável não é apenas
discutível, mas estão ancorados na
história e na cultura. A censura pode
afetar pessoas reais e, muitas vezes, os
mais vulneráveis da sociedade. Baixar
um nome de domínio significa perder
páginas da web, e-mails e listservs –
identidades
online
inteiras
de
organizações, empresas, causas e ideias
pessoais. Mudar o papel da ICANN e dar
aos
registros
a
capacidade
de
estabelecer regras, aplicá-las como
juízes e executores sem o devido
processo – em um cenário que desafia a
justiça natural – não pode ser saudável
para a boa governança, a liberdade de
expressão e os direitos que são
fundamentais para uma internet livre.
Conforme comentário público sobre as
alterações às regras do .org coloca: "Os
'Compromissos de Interesse Público'
obrigatórios e voluntários já estão sendo
usados para justificar a censura imposta
pelos registros ao conteúdo da Internet nos
novos gTLDs. Eles são totalmente
inadequados para os TLDs tradicionais,

Os "Compromissos de Interesse Público" convidam de forma irrefutável à regulamentação do discurso
e do conteúdo da Internet
"Os chamados 'Compromissos de Interesse Público' obrigatórios e voluntários são um conjunto de requisitos que foram acrescentados
aos acordos de registro para os novos domínios de nível superior. Eles foram criados e impostos pela equipe da ICANN sem a
participação da comunidade. Pretendem impor aos registros e agentes de registro uma obrigação geral de regulamentar o conteúdo
dos sítios e aplicações de internet para impedir a "violação dos direitos de autor", "práticas enganosas" ou outras "atividades contrárias
ao direito aplicável" e "aplicar consequências para essas atividades, incluindo a suspensão do nome de domínio". Essas disposições,
de fato, redirecionam o sistema de nomes de domínio de um sistema global de identificadores únicos de recursos de informação para
torná-lo um regulador global de discurso, no qual os usuários de internet em todo o mundo devem estar em conformidade com um
conjunto vago e inconsistente de leis nacionais, interpretadas e aplicadas por inúmeras corporações privadas, ou correr o risco de
perder seus nomes de domínio. Além disso, são diretamente contrárias à declaração de missão da ICANN, segundo a qual "a ICANN
não deve regulamentar (ou seja, impor regras e restrições) os serviços que utilizam os identificadores únicos da Internet ou o conteúdo
que esses serviços possuem ou fornecem".
54

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�especialmente o .org, e para as
circunstâncias
especiais
de
milhões de nomes de domínios
registrados em organizações
dedicadas à livre expressão e
envolvidas em questões legais,
incluindo avaliações de empresas
e seus produtos, serviços e
práticas”.
A questão é: como permitimos que
isso acontecesse? Infelizmente, há
muito poucas pessoas, além do
pessoal especializado remunerado de
organizações
com
orçamentos
saudáveis, que acompanham o que
acontece na ICANN. Seus processos
envolvendo
múltiplas
partes
interessadas são complicados de
seguir e compreender, mesmo para
aqueles que trabalham nesse campo.
Há muito poucos profissionais com a
combinação
necessária
de
competências
legais,
técnicas,
organizacionais e políticas. A maioria
das
pessoas
e
organizações
interessadas do "Sul Global" não pode
se dar ao luxo de participar de forma
consistente nas muitas reuniões que
são centrais para o trabalho da
ICANN.
As
bibliotecas
estão
posicionadas de forma exclusiva para
fornecer os espaços para acesso
remoto às assembleias da ICANN.
Podem organizar debates públicos
sobre essas questões, informar,
educar e desenvolver soluções reais.
O trabalho da ICANN é central para
uma internet robusta que nos permita
acessar o conteúdo de que

precisamos, em linha com os
princípios do ROAM da UNESCO.
Temos de prestar mais atenção à
forma como nosso mundo virtual está
organizado e é governado. Jardins
murados no contexto de uma internet
que se supõe ser livre e aberta merece
muita pesquisa e análise.

Conclusão
A Internet é fundamental para a nossa
capacidade de acesso à informação.
Estima-se que 4,5 bilhões de usuários
da Internet acessam regularmente
conteúdo online, muitas vezes usando
seus telefones celulares. O número de
usuários de internet está aumentando
rapidamente, com algumas estimativas
indicando que mais de 1 milhão de
pessoas entram online pela primeira
vez a cada dia. Muitos países têm
recursos limitados de alfabetização
informacional e, portanto, os usuários
têm poucas ferramentas para fazer
escolhas seguras e atualizadas sobre
como acessar informações online.
Aprendem fazendo, aprendem com
seus pares, seus filhos e, às vezes,
aprendem com os predadores. [O
relatório Desenvolvimento e Acesso à
Informação [Development and Access
to Information] de 201711 destaca o
potencial das bibliotecas para fazer a
diferença ao cultivar capacidades. As
pessoas
precisam
entender
as
implicações das escolhas tecnológicas
que fazem.

poucas pessoas na minha vizinhança
fizeram qualquer observação. Mesmo em
mercados
"antigos"
de
internet
relativamente sofisticados, as pessoas
levaram tempo para entender como a
Cambridge Analytica usava o perfil para
distorcer as eleições. Não havia
precedente, nada em suas experiências
que eles pudessem usar para explicar.
Para algumas pessoas, apenas a palavra
algoritmo é suficiente para persuadi-las a
desconectar-se. A parcialidade algorítmica
tem demonstrado trabalhar contra a justiça
para todos, ao caracterizar certas raças
como
inerentemente
imorais
ou
perigosas.12 Os criminosos que promovem
o extremismo violento online sabem que
muitos dos jovens vulneráveis aos quais se
dirigem não compreendem como estão
sendo manipulados. Essas são ameaças
reais, não virtuais, aos resultados do ODS
16.

As mudanças no papel da ICANN tiveram
implicações no potencial de censura
online, e a responsabilidade representa um
desafio, assim como decidir como melhor
gerenciar a regulamentação de uma
Internet sem fronteiras globais em nível
supranacional, acomodando jurisdições
legais
nacionais
sobrepostas
e
concorrentes. Há uma série de questões
que
requerem
um
envolvimento
fundamentado mais amplo. Precisamos
que as discussões tornem-se gerais para
sair do Fórum de Governança da Internet.
As
bibliotecas
têm
um
histórico
comprovado de locais que promovem o
engajamento cívico. Temos de estar mais
bem informados sobre a forma como
funciona o ecossistema de informação em
Quando o governo dos EUA aprovou a que nos encontramos hoje. Os sistemas de
lei CLOUD, que lhe dá acesso aos educação formal têm um papel como
também a mídia, e as bibliotecas têm um
dados armazenados no exterior,
papel potencialmente importante.

i Ver https://www.un.org/sustainabledevelopment/
ii Extraído da Política de Uso Aceitável e Antiabuso da Donuts Inc:https://donuts.domains/about/policies/acceptable-use/. Tais regras são, no entanto, comuns e
esse exemplo é também representativo de outros registros.
iii Ver https://www.multichannel.com/blog/platform-dominance-privacy-antitrust-5g-dominate-sotn-industry-assessment-as-internetinfrastructure-fades
iv Citação recebida por e-mail
v Trecho de: https://mm.icann.org/pipermail/comments-org-renewal-18mar19/2019q2/003200.html. Ver estatutos da
ICANN:https://www.icann.org/resources/pages/governance/bylaws-en/#article1
1. Ver https://www.theguardian.com/uk-news/2019/mar/17/cambridge-analytica-year-on-lesson-in-institutional-failure-christopher-wylie
2. Ver https://internethealthreport.org/2019/understand-the-issue-openness/
3. A missão da UNESCO é forjar uma cultura de paz, fomentando a geração e o intercâmbio de conhecimentos ... por meio da cooperação internacional,
da capacitação e da assistência técnica aos seus Estados-Membros. Trabalha para criar as condições para um verdadeiro diálogo entre culturas e povos,
baseado no respeito mútuo e no respeito pelos valores comuns. Ver unesco.org
4. Ver https://en.unesco.org/internetuniversality
5. Ver https://en.unesco.org/programme/ifap
6. Ver https://en.unesco.org/internetuniversality
7. Ver https://en.unesco.org/programme/ipdc
8. Ver estatutos da ICANN:https://www.icann.org/resources/pages/governance/bylaws-en
9. Ver ICANNWiki: https://icannwiki.org
10. Relatório de Progresso da IFLA: https://trends.ifla.org/literature-review/cross-cutting-political-and-regulatory-trends
11. Garrido, M. &amp; Wyber, S. (Eds.). (2017). Desenvolvimento e Acesso à Informação 2019 Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias
Haia.
12. Noble, S. U. (2018). Algorítimos da opressão: Como as ferramentas de busca reforçam o racismo. New York, NY, U.S.: New York University Press.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

55

�DA2I

56

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�Conclusão
Em consonância com a tônica na interligação das ações políticas no âmbito
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), o acesso à
informação é tanto um objetivo em si mesmo como um meio de alcançar
outros objetivos. O relatório sobre Desenvolvimento e Acesso à Informação,
portanto, concentra-se tanto em medir o progresso para um acesso
significativo à informação como em mostrar os benefícios que ela pode
trazer.
Essa – a edição de 2019 do relatório – permite uma primeira análise do
desempenho de diferentes países e regiões ao longo do tempo nas quatro
áreas-chave identificadas na edição de 2017: conectividade física,
competências, normas sociais e culturais, e ambiente jurídico.
O relatório destaca a conectividade à internet como tendo sido uma área de
forte desempenho global, com um número de países fazendo grandes
avanços rumo ao acesso à internet a preços acessíveis. No entanto,
continua a verificar-se uma forte variação, tanto dentro das regiões como
entre elas. Nós permanecemos longe de um mundo onde todos têm a
capacidade de conectar-se a preços acessíveis.
Mais preocupante, as desigualdades que existem off-line também aparecem
online. Por exemplo, as disparidades entre homens e mulheres na Internet
– a diferença entre a porcentagem de homens e a porcentagem de mulheres
que utilizam a Internet – aumentaram. Há também um quadro misto de
competências, em que o número crescente de pessoas com educação póssecundária mascara as diferenças entre os países. O quadro é mais sombrio
no que diz respeito ao ambiente jurídico, com cada vez mais países
classificados como não livres ou apenas parcialmente livres.
De um modo geral, embora haja razões para ser positivo, é evidente que o
acesso significativo à informação está longe de ser uma realidade para
todos, em todas as suas dimensões. Quando um grupo goza de acesso mais
significativo do que outro, ou quando é restringido para todos por intermédio
das ações do governo ou de atores privados, o acesso à informação não
pode contribuir plenamente para o desenvolvimento sustentável.
O Capítulo 2 enfatiza como as bibliotecas podem desempenhar um papel
positivo. Salienta que o trabalho das bibliotecas depende da conectividade
e das liberdades fundamentais, mas pode também apoiá-las, criando um
ciclo virtuoso. Além disso, as bibliotecas são parceiras fundamentais dos
governos nos esforços para promover a igualdade, o emprego e as
competências. Como o capítulo salienta, uma única atividade de biblioteca
pode, de fato, contribuir para uma série de objetivos políticos diferentes,
realçando o papel dessas instituições como aceleradores do
desenvolvimento.
Os cinco capítulos temáticos reforçam essas mensagens. Os capítulos 4
(ODS 8 – trabalho digno e crescimento) e 6 (ODS 13 – ação climática)
fornecem provas de como o acesso à informação pode ser fundamental para
o êxito dos esforços políticos em prol do emprego, da inclusão financeira e
da luta contra as alterações climáticas.
No âmbito local, o acesso é um meio fundamental para garantir que as
pessoas possam aproveitar as oportunidades disponíveis para aprender e
ganhar dinheiro, bem como para adotar comportamentos mais respeitadores
do ambiente. Mas também é importante em termos globais, por exemplo,
para os pesquisadores que trabalham para monitorizar e desenvolver
respostas às alterações climáticas, bem como para os atores políticos que
tomam decisões com base em seu trabalho.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

57

�Ao longo desses capítulos, o potencial das bibliotecas está claro. São lugares onde o acesso à
informação pode tornar-se uma realidade para todos, independentemente do contexto,
gênero, recursos ou outros fatores. Elas podem fornecer o apoio de que as pessoas precisam
para desenvolver habilidades e aproveitar oportunidades.
O Capítulo 3 (ODS 4 - Educação
de Qualidade) não só enfatiza o
valor do acesso à informação
como meio de fazer a ligação
entre
as
pessoas
e
as
oportunidades,
mas
também
destaca que, para o acesso ser
eficaz, precisamos ir além de
pensar apenas na conectividade.
Realça
a
necessidade
de
competências mais sofisticadas
para que as pessoas possam tirar
proveito da informação digital.
Talvez de forma contraditória,
essas são muitas vezes mais bem
fornecidas por meio do ensino e
do apoio presencial.
Os capítulos 5 (ODS 10 - Reduzir
Desigualdades) e 7 (ODS 16 - Paz,
Justiça e Instituições Fortes)
exploram a necessidade de prestar
atenção à forma como a própria
informação é fornecida. Eles
observam que, para que o acesso
seja ferramenta para o progresso
equitativo, a forma como a
informação
é
recolhida
e
apresentada é importante. Se não
tomarmos cuidado, a informação
corre o risco de reforçar o poder de
um grupo sobre outro, ou de ser
distorcida pelas ações de atores
comerciais ou estatais. Quando isso
acontece, o poder de acesso à
informação é enfraquecido ou
anulado.
Ao longo desses capítulos, o
potencial das bibliotecas está claro.
São lugares onde o acesso à
informação pode tornar-se uma
realidade
para
todos,
independentemente do contexto,
gênero, recursos ou outros

58

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

fatores. Elas podem fornecer o apoio
de que as pessoas precisam para
desenvolver habilidades e aproveitar
oportunidades.
As
instituições
centradas no público, com uma
competência única no tratamento da
informação (e uma consciência
crescente dos impactos das suas
decisões), podem também ajudar a
combater os riscos de distorção ou
discriminação. Como tal, ajudam a
garantir que o acesso à informação
realize o seu potencial como
acelerador de desenvolvimento.
O que este relatório significa para os
ODSs? Uma primeira mensagem
fundamental é a necessidade de
políticas coordenadas e combinadas.
Uma abordagem parcial, centrada, por
exemplo, na conectividade sem
considerar as competências, as
liberdades ou a igualdade, conduzirá a
resultados
não
otimizados.
Os
governos devem cumprir o seu
compromisso de tratar os ODSs, e
particularmente aqueles relacionados
ao acesso à informação, como um todo
coerente, e não escolher entre seus
diferentes elementos.
Uma segunda implicação é que
enfrentar os desafios globais, como
as alterações climáticas, exige
abordagens globais para o acesso
à informação. O Objetivo do
Desenvolvimento Sustentável 17 já
se refere à transferência de
tecnologia, mas não há razão para
que isso não aconteça também com
a informação. De fato, o acesso
global à informação promete
permitir que os beneficiários de
transferências
de
tecnologia
desenvolvam
suas
próprias
soluções em vez de simplesmente
serem "portadores" das ideias de
outros.

Uma
terceira
implicação
é
a
necessidade de continuar a centrar-se
em indicadores significativos no âmbito
das Nações Unidas. A desagregação
por gênero e nível socioeconômico já
está na agenda, mas ainda está longe
de estar completa. Enquanto isso, a
medição dos objetivos dos ODSs que
mencionam acesso é menos que
satisfatória. Uma vez que o acesso à
informação desempenha um papel
fundamental na eficácia de outras
iniciativas políticas, trata-se de uma
lacuna significativa que merece ser
preenchida.
Uma quarta implicação – que já está a
ser abordada de forma independente
pelo Painel de Alto Nível para
Cooperação Digital, criado pelo
Secretário-Geral das Nações Unidas –
é a necessidade de refletir sobre a
forma como a própria informação é
gerida. O tipo de informação disponível,
a forma como é partilhada e com quem
é partilhada tem grandes impactos em
situações do mundo real.
A implicação final é a necessidade de
considerar o potencial das bibliotecas
como um meio fundamental de
proporcionar acesso à informação.
Infraestrutura pré-existente e familiar,
com experiência na gestão e no acesso,
são parceiros lógicos, desde o nível
local até ao nível global, no apoio ao
desenvolvimento global.

�DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

59

�Colaboradores

Karl Falkenberg
Karl Falkenberg tem 40 anos de experiência em negociações internacionais para
a União Europeia. Sua carreira começou com as negociações sobre o comércio
de têxteis, e passou a maior parte desse tempo em negociações multilaterais,
incluindo a negociação do acordo institucional que estabelece a Organização
Mundial do Comércio.
Ele também negociou um grande número de acordos bilaterais de livre comércio,
antes de tornar-se Diretor-Geral de Meio Ambiente da UE. Nesse cargo, ele tratou
de temas como Mudanças Climáticas, Biodiversidade, uma série de convenções
ambientais internacionais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)
no sistema da ONU.
Desde julho de 2017, ele tem trabalhado como professor independente e
consultor em comércio, meio ambiente e sustentabilidade.

Michelle Fellows
Michelle é pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology
&amp; Social Change - TASCHA] da Escola de Informação da Universidade de
Washington (UW). Ela usa métodos mistos de pesquisa e avaliação para
responder perguntas relacionadas ao acesso à informação, desenvolvimento de
competências e resultados de programas.
Muito do seu trabalho concentra-se na forma como as bibliotecas públicas apoiam
o bem-estar da comunidade e promovem o desenvolvimento. Ela também tem
grande interesse em alfabetização (informação, web, digital, dados). Michelle é
graduada em Administração Pública (MPA) e em Biblioteconomia e Ciência da
Informação (MLIS) pela Universidade de Washington.

Dr Maria Garrido
Maria é Diretora e Pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social da
Escola de Informação da Universidade de Washington (UW). Experiente na
realização de estudos com múltiplos países que abrangem diversas regiões
geográficas, grande parte de sua pesquisa concentra-se na apropriação das
tecnologias de informação e de comunicação (TICs) para catalisar a mudança
social, especificamente em comunidades que enfrentam desafios sociais,
políticos e econômicos.
Muito interessada no papel das TICs nos movimentos sociais, na
empregabilidade dos jovens e no desenvolvimento de competências, Maria tem
trabalhado em estreita colaboração com organizações da sociedade civil, ONGs,
bibliotecas públicas e financiadores de desenvolvimento para conduzir pesquisas
participativas que resultam em recomendações acionáveis para políticas e
práticas.
Maria está atualmente liderando um esforço de pesquisa de vários anos
enfocando o papel do acesso à informação no avanço dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). É doutora em Comunicação pela
Universidade de Washington e mestre em Relações Internacionais pela
Universidade de Chicago.

60

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Dorothy Gordon
Dorothy Gordon é Presidente do Conselho Intergovernamental do Programa
Informação para Todos da UNESCO e membro do Conselho do IITE - Instituto de
Tecnologia da Informação em Educação da UNESCO. Foi a Diretora-Geral fundadora
do Centro de Excelência em TIC Ghana-India Kofi Annan, um instituto especializado em
formação tecnológica e investigação, cargo que ocupou durante mais de uma década.
Trabalha globalmente como assessora política, avaliadora, gestora de projetos e
consultora de gestão organizacional.
Ao longo de sua carreira de 30 anos em desenvolvimento internacional e tecnologia,
ela ocupou cargos de gerência na ONU e em empresas de consultoria de gestão global
em quatro continentes, envolvendo responsabilidades de supervisão de projetos e
programas multimilionários.
Ela é membro do Grupo de Intervenientes Não Comerciais da ICANN. Como forte
defensora da importância da construção de ecossistemas locais robustos de inovação
baseados em tecnologias de código aberto, ela atua no conselho e como mentora de
uma série de start-ups e de ONGs para mulheres da área de tecnologia. Ela é formada
pela Universidade de Gana e pela Universidade de Sussex, Instituto de Estudos de
Desenvolvimento, onde estagiou como economista de desenvolvimento. Ela trabalha
tanto em inglês como em francês.

Stefania Lapolla Cantoni
Stefania Lapolla Cantoni trabalha para o Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), um departamento do
Centro Brasileiro de Informação em Rede (NIC.br).
Stefania tem trabalhado em estreita colaboração com o papel das tecnologias da
informação e da comunicação (TICs) para o desenvolvimento, principalmente com
atividades de sensibilização sobre o uso das TICs para alcançar e medir os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs).
Possui mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, Brasil, e
bacharelado na mesma área pela Universidade de Entre Ríos, Argentina.

Gerald Leitner
Gerald Leitner assumiu o cargo de Secretário-Geral da IFLA em junho de 2016. Ele
é responsável pela direção estratégica e operacional e gestão financeira da IFLA.
Em 2017, Gerald Leitner iniciou o projeto Visão Global da IFLA, com o objetivo de
construir um campo de bibliotecas mais forte e mais unido globalmente, mais capaz
de promover sociedades letradas, informadas e participativas. Nesse contexto,
liderou um debate global ambicioso, envolvendo bibliotecas em 190 EstadosMembros das Nações Unidas, além de lançar novos projetos como o Mapa da
Biblioteca do Mundo e supervisionar uma expansão no envolvimento da IFLA com
bibliotecas globais.
Gerald Leitner trabalhou em cargos de direção em organizações internacionais e
nos setores cultural, científico e educacional da Áustria. Antes de tornar-se
Secretário-Geral da IFLA, foi Secretário-Geral da Associação Austríaca de
Bibliotecas. Nesse cargo, supervisionou reformas fundamentais na formação de
bibliotecários públicos, organizou o maior festival de literatura da Áustria e
desenvolveu novos serviços de TI para bibliotecas. Colaborou estreitamente com o
governo, assegurando o lugar das bibliotecas na agenda política.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

61

�Gerald foi presidente do Bureau Europeu de Associações de Informação e
Documentação de Bibliotecas (EBLIDA na sigla em inglês) e membro de
órgãos consultivos nacionais e internacionais nos setores cultural, educativo
e científico. Ele é altamente experiente na negociação com políticos,
autoridades, grupos de pressão, editores, artistas, empresas e parceiros
estratégicos. Em 2017, foi distinguido com a Cruz de Honra Austríaca em prol
da Ciência e da Arte.
Gerald estudou literatura e história na Universidade de Viena e, após os seus
estudos, trabalhou como jornalista, editor-chefe da revista Austrian Library e
chefe de formação de bibliotecários públicos na Áustria.

Bree Norlander
Bree Norlander é pesquisadora do Grupo de Tecnologia e Mudança Social
(TASCHA) da Escola de Informação da Universidade de Washington (UW). Ela
recebeu seu M.L.I.S. [Master of Library and Information Science - Mestrado em
Biblioteca e Ciência da Informação] da iSchool da Universidade de Washington,
especializando-se em Ciência e Curadoria de Dados.
Seu projeto principal enfocou a coleta e análise de dados sobre revistas de
Acesso Aberto, que ela e seus colaboradores continuam a manter no
FlourishOA.org. Ela também trabalha como gerente de projetos para o
programa Alfabetização em Dados Abertos [Open Data Literacy] da UW iSchool.
Sua pesquisa centra-se na curadoria de dados abertos e na análise de dados
abertos de formas novas e criativas para avançar e expandir o conhecimento
científico.

Drª Katarina Popovic
A Dra. Katarina Popovic é Secretária-Geral do ICAE [International Council for Adult
Education - Conselho Internacional de Educação de Adultos] e Professora do
Departamento de Andragogia, Faculdade de Filosofia da Universidade de
Belgrado, professora visitante em várias outras universidades e Presidente da
Sociedade Sérvia de Educação de Adultos.
É membro do Hall da Fama da Educação Internacional para Adultos e Educação
Continuada [International Adult and Continuing Education Hall of Fame], editora
chefe da revista Estudos andragógicos [Andragogical Studies] e autora de
numerosas publicações; foi vice-presidente da EAEA durante vários anos e
coordenadora do DVV internacional alemão para o Sudeste da Europa,
desenvolvendo numerosos projetos na área da educação, em várias funções –
como conselheira política, avaliadora, elaboradora de currículos e formadora.
A sua área de especialização é a educação e formação de formadores e
professores - é formadora certificada em educação de jovens e adultos (Suíça),
autora do primeiro Currículo Global de Formação de Professores Adultos, com
centenas de sessões de formação ministradas em todo o mundo para professores
em educação de jovens e adultos, e numerosas publicações sobre aprendizagem
permanente e educação de adultos.
Como Secretária-Geral da ICAE, ela monitora e apoia a implementação das
agendas globais, especialmente os ODSs e a Educação 2030. Ela é
copresidente do Grupo de Partes Interessadas da Academia e Educação no
sistema DESA da ONU, membro do Grupo Diretor do Mecanismo de
Coordenação do HLPF e membro da Aliança Global para a Alfabetização.

62

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

�Professor Tim Unwin
O Professor Tim Unwin é Professor Emérito de Geografia (desde 2011) e Presidente da
Cátedra UNESCO na TIC4D (desde 2007) na Royal Holloway, Universidade de Londres,
e Professor Honorário na Universidade de Lanzhou, na China. Foi Secretário-Geral da
Organização
de
Telecomunicações
da
Commonwealth
[Commonwealth
Telecommunications Organisation - CTO] de 2011 a 2015, e Presidente da Comissão de
Bolsas de Estudos da Commonwealth, de 2009 a 2014.
É membro do Painel Consultivo Digital do Departamento para o Desenvolvimento
Internacional, do Reino Unido, e do Conselho Consultivo Internacional de Computação e
Sociedade, da Universidade das Nações Unidas. Em 2018-19, liderou a coordenação de
21 agências da ONU em nome da UNESCO e do UNICEF para desenvolver uma
estratégia sistêmica sobre o futuro da educação e da aprendizagem para o Comitê de
Alto Nível sobre Programas da ONU.
Seu influente livro Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento
[tradução livre de Information and Communication Technologies for Development], foi
publicado pela Cambridge University Press em 2009, e seu último livro Reclaiming ICT4D
foi publicado pela Oxford University Press em 2017. Grande parte de sua pesquisa e de
seus escritos concentra-se atualmente nas desigualdades causadas pelas TICs e no que
é preciso fazer para garantir que os mais pobres e mais marginalizados possam
beneficiar-se.
Ele é membro do UKRI GCRF Centro de Migração Sul-Sul (UKRI GCRF South-South
Migration Hub) (2019-23) com orçamento de 20 milhões de libras esterlinas, que realiza
pesquisas sobre o uso de tecnologias digitais por migrantes, cofundador da TEQtogether
(uma iniciativa para mudar as atitudes e comportamentos dos homens em relação às
mulheres e à tecnologia), e também é conhecido por sua pesquisa sobre a história e
geografia do vinho. Ele foi nomeado Companheiro da Ordem Mais Distinta de São Miguel
e São Jorge [Companion of the Most Distinguished Order of St. Michael and St George CMG] na lista de Honra do Aniversário de 90 anos da Rainha em 2016, por seus serviços
à Commonwealth.

Stephen Wyber
Stephen Wyber é Gerente de Política e Defesa de Direitos da Federação Internacional de
Associações e Instituições Bibliotecárias, onde lidera os esforços para construir uma
compreensão do papel das bibliotecas e influenciar a formulação de políticas.
Antes de fazer parte da IFLA em 2016, trabalhou na Embaixada Britânica em Paris e na
Delegação Permanente do Reino Unido na Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE). É licenciado em Política Europeia pela
Universidade de Wales, Aberystwyth, e possui mestrado pelo College of Europe.

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

63

�Bibliografia
Capítulo 1
Progresso rumo a um significativo acesso
à informação e ameaças emergentes
• Alliance for an Affordable Internet. (2018)
Affordability Report, 2018. Washington,
D.C. Retrieved March 7, 2019, from https://
a4ai.org/affordability-report/report/2018/.
• Broadband Commission. (2018). The State
of Broadband 2018: Catalyzing Sustainable
Development. Geneva: Retrieved
January 20, 2019, from the International
Telecommunications Union: https://www.
itu.int/dms_pub/itu-s/opb/pol/S-POLBROADBAND.19-2018-PDF-E.pdf
• Castells, M. (1996). The Rise of the Network
Society, 469. Oxford: Blackwell.
• Castells, M., Fernandez-Ardevol, M., Qiu, J.
L., &amp; Sey, A. (2009). Mobile communication
and society: A global perspective.
Cambridge, Massachusetts: The MIT Press.
• Donner, J. (2016). After Access: Inclusion,
Development, and a More Mobile Internet.
Cambridge, Massachusetts: The MIT Press
• EQUALS Research Group. (2019). Taking
Stock: Data and Evidence on Gender
Equality in Digital Access, Skills and
Leadership. Macau: United Nations
University. Retrieved March 3, 2019,
from https://www.itu.int/en/action/
gender-equality/Documents/EQUALS%20
Research%20Report%202019.pdf
• Esterhuysen, A. (2016). Why focus on
economic, social and cultural rights?
Reflections on trends, achievements
and challenges in building a global
movement working for human rights on
the internet. Global Information Society
Watch 2016. Economic, social and cultural
rights and the internet. Johannesburg,
South Africa: Association for Progressive
Communications. Retrieved January 15,
2019, from https://www.giswatch.org/sites/
default/files/Giswatch2016_web.pdf
• Freedom House. (2018). Freedom
on the Net 2018: The Rise of Digital
Authoritarianism. New York City: Freedom
House. Retrieved March 10, 2019, from
https://freedomhouse.org/sites/default/files/
FOTN_2018_Final%20Booklet_11_1_2018.
pdf
• Freedom House. (2017). Freedom on the
Net 2017: Manipulating Social Media to
Undermine Democracy. New York City:
Freedom House. Retrieved March 15, 2019,
from https://freedomhouse.org/report/
freedom-net/freedom-net-2017
• Garrido &amp; Fellows. (2017). The State of
Access to Information and Development
in the United Nations 2030 Agenda. In
Garrido, M. &amp; Wyber, S., Eds. (2017)
Development and Access to Information.
The Hague: International Federation of
Library Associations and Institutions. See
https://da2i.ifla.org/sites/da2i.ifla.org/files/
uploads/docs/da2i-2017-full-report.pdf

• Heeks, R. (2010). Do information and
communication technologies (ICTs)
contribute to development? Journal of
International Development, 22(5), p. 625640.
• International Labour Organization. (2017).
Global Trends for Youth 2017: Paths to a
better working future.
• Geneva: ILO. Retrieved February 26, 2019,
from https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/
public/---dgreports/---dcomm/---publ/
documents/publication/wcms_598669.pdf
• International Labour Organization. (2018).
World Employment Social Outlook: Trends
for women 2018. Geneva: ILO. Retrieved
February 26, 2019, from https://www.ilo.
org/global/research/global-reports/weso/
trends-for-women2018/WCMS_619577/
lang--en/index.htm
• International Telecommunications
Union. (2016). ICT Facts and Figures,
2016. Geneva: ITU. Retrieved February
17, 2019, from https://www.itu.int/
en/ITU-D/Statistics/Documents/facts/
ICTFactsFigures2016.pdf
• International Telecommunications Union.
(2017). ICT Facts and Figures, 2017.
Geneva: ITU. Retrieved February 17,
2019, from https://www.itu.int/en/ITU-D/
Statistics/Pages/facts/default.aspx
• International Telecommunications Union.
(2018). Measuring the Information Society
Report. Geneva: ITU. Retrieved February
17, 2019, from https://www.itu.int/en/
ITU-D/Statistics/Documents/publications/
misr2018/MISR2018-ES-PDF-E.pdf
• GSMA. (2018). Connected Women:
The Mobile Gender Gap Report 2018.
London: GSMA Association. Retrieved
March 2, 2019, from https://www.gsma.
com/mobilefordevelopment/wp-content/
uploads/2018/04/GSMA_The_Mobile_
Gender_Gap_Report_2018_32pp_WEBv7.
pdf
• Melkote, S. R. (2000). Reinventing
Development Support Communication
to Account for Power and Control
in Development. Redeveloping
Communication for Social Change:
Theory, Practice, and Power, 39.
• Mozilla Foundation. (2018). Internet
Health Report 2018. Mountain View,
California: Mozilla Foundation.
Retrieved March 21, 2019, from https://
d20x8vt12bnfa2.cloudfront.net/2018/
ShortVersionInternetHealthReport_2018.
pdf
• Nussbaum, M.C. (2001). Women and
human development: The capabilities
approach (Vol. 3). Cambridge: Cambridge
University Press.

• Garrido, M. &amp; Wyber, S., Eds. (2017).
Development and Access to Information.
The Hague: International Federation of
Library Associations and Institutions. See
https://da2i.ifla.org/sites/da2i.ifla.org/files/
uploads/docs/da2i-2017-full-report.pdf

• Pew Research Center. (2019). Smartphone
Ownership Is Growing Rapidly Around
the World, but Not Always Equally.
Washington, D.C.: Pew Research
Center. Retrieved March 1, 2019, from
https://www.pewglobal.org/2019/02/05/
smartphone-ownership-is-growingrapidly-around-the-world-but-notalways-equally/pg_global-technologyuse-2018_2019-02-05_0-01/

• Gigler, B. (2011). Informational Capabilities:
The Missing Link for the Impact of ICT on
Development. E-Transform knowledge
platform working paper No. 1. World
Bank, Washington, D.C. Retrieved from
https://openknowledge.worldbank.org/
handle/10986/19011.

• Souter, D. (2016). ICTs, SDGs and
economic, social and cultural rights.
Global Information Society Watch 2016:
Economic, social and cultural rights
and the internet. Johannesburg, South
Africa: Association for Progressive
Communications. Retrieved from https://

64

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

www.giswatch.org/sites/default/files/
Giswatch2016_web.pdf
• Starbird, K., Dailey, D., Mohamed, O.,
Lee, G., and Spiro, E.S. (2018). Engage
Early, Correct More: How Journalists
Participate in False Rumors Online during
Crisis Events. In Proceedings of the 2018
CHI Conference on Human Factors in
Computing Systems, p. 105. ACM, 2018.
• Starbird. K. (2017). Examining the
Alternative Media Ecosystem through
the Production of Alternative Narratives
of Mass Shooting Events on Twitter.
Presented at Tenth International AAAI
Conference on Web and Social Media
(ICWSM 2017), Montreal, Canada.
• Taylor, K., &amp; Silver, L. (2018). Smartphone
Ownership Is Growing Rapidly Around
the World, but Not Always Equally.
Washington, D.C.: Pew Research
Center. Retrieved March 10, 2019, from
https://www.pewglobal.org/2019/02/05/
smartphone-ownership-is-growingrapidly-around-the-world-but-not-alwaysequally/
• Toyama, K. (2011, February). Technology
as amplifier in international development.
In Proceedings of the 2011 iConference
(pp. 75-82). ACM.
• United Nations Development Program.
(2016). Human Development Report 2016:
Human Development for Everyone. New
York: UNDP. Retrieved March 10, 2019,
from http://hdr.undp.org/en/content/
human-development-report-2016-humandevelopment-everyone
• United Nations Educational, Scientific and
Cultural Organization. (2016). Education
for people &amp; planet: Creating sustainable
futures for all. Paris: UNESCO. Retrieved
March 5, 2019, from https://unesdoc.
unesco.org/ark:/48223/pf0000250392
• United Nations Educational, Scientific and
Cultural Organization. (2017). Reducing
global poverty through universal primary
and secondary education. Policy Paper 32/
Fact Sheet 44. Paris: UNESCO. Retrieved
March 3, 2019, from https://unesdoc.
unesco.org/ark:/48223/pf0000250392
• Web Foundation (2016). Women’s
Rights Online Digital Gender Gap Audit.
Washington D.C.: World Wide Web
Foundation. Retrieved March 20, 2019,
from https://webfoundation.org/research/
digital-gender-gap-audit/
• World Bank. (2018). Gabon: leading ICTconnected country in Central and Western
Africa thanks to judicious investments.
Washington, D.C.: World Bank. Retrieved
on March 20, 2019, from https://www.
worldbank.org/en/news/feature/2018/06/25/
gabon-leading-ict-connected-countryin-central-and-western-africa-thanks-tojudicious-investments

Capítulo 2
Tornar significativo e equitativo: o papel
das bibliotecas no processo de
desenvolvimento
• American Association of Law Librarians
(2014). Law Libraries and Access to
Justice: A Report of the American
Association of Law Libraries Special
Committee on Access to Justice.
Retrieved April 27, 2019, from https://
legalaidresearch.org/wp-content/uploads/
aall-law-libraries-access-justice-2014.pdf

�• Baig, R. (2018). Libraries and Community
Networks – A Collection of Win-Win
Opportunities, in IFLA (2018) Trend Report
Update 2018. Retrieved from https://
trends.ifla.org/update-2018, p. 17.
• Fesemye, C. (2018, November 9).
Columbus Public Library Holds Kids
Vote, Columbus Journal, Retrieved April
28, 2019, from https://www.wiscnews.
com/columbusjournal/news/local/
columbus-public-library-hosts-kidsvote/article_4bf8616c-a5c4-5231-b2bc6cc628655211.html
• Fraser, M., and Myat Kyaw, A. (2015).
Developing a research service for
the Hluttaw/Parliament of Myanmar.
Retrieved from https://www.ifla.org/
files/assets/services-for-parliaments/
preconference/2015/23_myanmar_paper.
pdf, p. 7.
• Garrido, M., and Wyber, S. (2017).
Development and Access to Information
2017. da2i.ifla.org.
• IFLA (2018). Understanding, Inclusion,
Healing, Remembrance – An Article on
Libraries and Peace. Retrieved April 27,
2019, from https://www.ifla.org/files/
assets/hq/topics/libraries-development/
documents/peace_day_2018_article.pdf
• IFLA (2019). Children with Special Needs
Read to Dogs to Develop Language Skills
at the Library. Retrieved from https://
librarymap.ifla.org/stories/RussianFederation/CHILDREN-WITH-SPECIALNEEDS-READ-TO-DOGS-TO-DEVELOPLANGUAGE-SKILLS-AT-THE-LIBRARY/127
• IFLA (2019). A Social Justice
Mission – Libraries, Employment and
Entrepreneurship. Retrieved April 28, 2019,
from https://www.ifla.org/publications/
node/91970
• IREX (2019). Learn to Discern (L2D) –
Media Literacy Training. Retrieved April
28, 2019, from https://www.irex.org/
project/learn-discern-l2d-media-literacytraining
• Lin, W. C., &amp; Zhong, R. (2016). Citizen
Participation, Controversial Social Issues,
and the Information Services of Public
Libraries: the Perspective of Librarians in
Taiwan. Retrieved from http://library.ifla.
org/1405/1/079-lin-en.pdf
• Makaia (2017). Significant Experiences in
Open Data. Retrieved April 27, 2019, from
https://makaia.org/significant-experiencesin-open-data/
• Poon, L. (2019, February 9). Should
Libraries be Guardians of their Cities’
Public Data? CityLab. Retrieved from
https://www.citylab.com/life/2019/02/
libraries-public-information-city-datadigital-archive/581905/
• Scarf, P. (2016). Free, online and in your
public library: delivering legal information
to the community. Presented at the 2016
World Library and Information Congress,
Columbus, United States. Retrieved from
http://library.ifla.org/1373/1/179-scarf-en.
pdf
• Walsh, B. (2018). Public library and private
space: Homeless queer youth navigating
information access and identity in Toronto.
Presented at IFLA WLIC 2018. Retrieved
May 1, 2019, from http://library.ifla.
org/2144/1/114-walsh-en.pdf

Capítulo 3

Capítulo 4

Educação de qualidade e aprendizagem
permanente para todos - Um enfoque nas
pessoas

Acesso à informação para o trabalho digno e
o crescimento econômico

• Amrein, L. A. &amp; Berliner, C. D., (2002).
High-Stakes Testing, Uncertainty, and
Student Learning. Education Policy
Analysis Archives, 10(18).
• Chakravorti, B. (2018). Technology May
Seek To Flatten The World, But The
“Digital South” Will Chart Its Own Course.
Retrieved in March 2019 from https://www.
oecd-forum.org/users/79580-bhaskarchakravorti/posts/36382-technology-mayseek-to-flatten-the-world-but-the-digitalsouth-will-chart-its-own-course
• Crnogorac, V. (2016). The role of libraries
in democratization of society on the
example of right to free access to
information. (Ph.D. thesis.) Filozofski
fakultet u Zagrebu, Department of
Information Science
• Freistein, K. (2017). The Organisation
Effect of Global Development Indicators –
the Case of the Sustainable Development
Goals. Working paper. Retrieved in March
2019 from https://www.researchgate.net/
publication/319242309
• Long, G. (2015). Sustainable Development
Goal Indicators are technical, but also
political. Global Policy. Retrieved
in March 2019 from https://www.
globalpolicyjournal.com/blog/14/05/2015/
sustainable-development-goal-indicatorsare-technical-also-political
• Montoya, S. (2019). Join the Push for SDG
4 Data. UIS. Retrieved in March 2019 from
https://sdg.uis.unesco.org/2019/02/25/jointhe-push-for-sdg-4-data/
• Orlović, V. and Popović, K. (2017). Lifelong
learning for sustainable development –
is adult education left behind? In W. L.
Filho, M. Mifsud, P. Pace (Eds.). Handbook
of Lifelong Learning for Sustainable
Development. Wiesbaden: Springer.
• Popović, K. (2015). MDG and EFA – from
the mud to the stars and back: What went
wrong? A reminder. In U. Gartenschlaeger,
E. Hirsch, Adult education in an
interconnected world. Cooperation
in lifelong learning for sustainable
development.IPE, International
Perspectives in Adult Education. DVV
international, Bonn.
• Smith, J. (2017). How the UN’s Sustainable
Development Goals undermine
democracy. Retrieved in March 2019
from https://qz.com/africa/1299149/howthe-uns-sustainable-development-goalsundermine-democracy/
• UN (2015). Transforming our world:
the 2030 Agenda for Sustainable
Development. New York: GA United
Nations.
• UNSD. (2015). Open Consultation on
Grey Indicators: Compilation of Inputs by
the Observers of IAEG-SDGs and Other
Stakeholders (9-15 December 2015).
Retrieved in March 2019 from https://
unstats.un.org/sdgs/iaeg-sdgs/openconsultation-3/
• Wulff, A. (2018). The quest for public
funding for education and SDG 4.
Retrieved in March 2019 from https://
worldsofeducation.org/en/woe_homepage/
woe_detail/15907/the-quest-for-publicfunding-for-education-and-sdg-4-byantonia-wulff

• Anderson, M. &amp; Horrigan, J.B. (2016,
October). Smartphones help those
without broadband get online, but don’t
necessarily bridge the digital divide.
FacTank News in the
Numbers. Retrieved from http://www.
pewresearch.org/fact-tank/2016/10/03/
smartphones-help-those-withoutbroadband-get-online-but-dontnecessarily-bridge-the-digital-divide/
• Del Rio, O.S., Martínez Osés, P.J.,
Martínez-Gómez, R. &amp; Pérez, S.M (in
press). ICT For Sustainable Development.
Recommendations for Public Policies That
Guarantee Rights.
• Diniz, E. (2018). Chapter 6.1: An
Introduction to Financial Services. Lecture
presented at Tech for Good: The Role of
ICT in Achieving the SDGs. Retrieved from
https://www.edx.org/course/tech-for-goodthe-role-of-ict-in-achieving-the-sdgs
• The Earth Institute, Columbia University
&amp; Ericsson. (2016). (Rep.). Sustainable
Development Solutions Network.
Retrieved from http://www.jstor.org/stable/
resrep15879
• European Comission (2016). ICT for
work: Digital skills in the workplace. Final
Report. Retrieved from https://ec.europa.
eu/digital-single-market/en/news/ict-workdigital-skills-workplace
• Garrido, M. &amp; Wyber, S. Eds. (2017).
Development and Access to Information.
International Federation of Library
Associations and Institutions: The Hague.
Retrieved from https://da2i.ifla.org/sites/
da2i.ifla.org/files/uploads/docs/da2i-2017full-report.pdf
• Garrido, M., Fellows, M. &amp; Koepke, L.
(2017). The State of Access to Information
and Development in the United Nations
2030 Agenda. In Garrido, M. &amp; Wyber,
S.Eds. (2017). Development and Access to
Information. International Federation of
Library Associations and Institutions: The
Hague.
• Hafkin, N.J (2017). A2I for Gender Equality.
In Garrido, M. &amp; Wyber, S.Eds. (2017).
Development and Access to Information.
International Federation of Library
Associations and Institutions: The Hague.
• Hinostroza, J.E. (2017). ICT, education and
social development in Latin America and
the Caribbean. Retrieved from https://cetic.
br/media/docs/publicacoes/1/PolicyPapersMinistros-TIC-ENG-web.pdf
• IFLA (2016). Access and Opportunity for
All. How libraries contribute to the United
Nations 2030 Agenda. Retrieved from
https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/
libraries-development/documents/accessand-opportunity-for-all.pdf
• IFLA, APC &amp; TASCHA (2014). Public
Access: Supporting Digital Inclusion
for All. Retrieved from https://www.
ifla.org/files/assets/hq/topics/librariesdevelopment/documents/ifla-apc-tascha_
english_20140509.pdf
• ISOC (2015). Internet Society Global
Internet Report 2015. Retrieved from
https://www.internetsociety.org/
globalinternetreport/2015/assets/
download/IS_web.pdf
• ITU (2005). WSIS Outcome Documents.
Retrieved from https://www.itu.int/net/
wsis/outcome/booklet.pdf

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

65

�• ITU (2016). Measuring the Information
Society Report. Retrieved from http://
handle.itu.int/11.1002/pub/80de56e8-en
• McKinsey Global Institute (2016). Digital
finance for all: Powering inclusive growth
in emerging economies. Retrieved from
• https://www.mckinsey.com/~/media/
McKinsey/Featured%20Insights/
Employment%20and%20Growth/How%20
digital%20finance%20could%20boost%20
growth%20in%20emerging%20economies/
MGI-Digital-Finance-For-All-Executivesummary-September-2016.ashx
• Shapiro, C. &amp; Varian, H. (2002).
Information rules: A strategic guide to
the network economy. Boston: Harvard
Business School Press.
• UNCTAD (2104). Measuring ICT and
Gender: an Assessment. Retrieved from
http://unctad.org/en/PublicationsLibrary/
webdtlstict2014d1_en.pdf
• UNESCO (2003). From the Information
Society To Knowledge Societies. Retrieved
from http://www.unesco.org/new/
fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/wsis_
geneva_prep_background_paper.pdf
• UNESCO (2013a). Renewing the
Knowledge Societies Vision for Peace and
Sustainable Development. Retrieved from
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/
pf0000224531
• UNESCO (2013b). UNESCO global report:
opening new avenues for empowerment:
ICTs to access information and knowledge
for persons with disabilities. Retrieved
from https://unesdoc.unesco.org/
ark:/48223/pf0000219767
• World Bank (2016). World Development
Report 2016: Digital Dividends.
Washington, D.C.: World Bank.
doi:10.1596/978-1-4648-0671-1.
• World Economic Forum (2016). The Future
of Jobs Report 2018. Employment, Skills
and Workforce Strategy for the Fourth
Industrial Revolution. Retrieved from
http://www3.weforum.org/docs/WEF_
Future_of_Jobs.pdf
Capítulo 5
Desigualdades: bibliotecas e partilha de
conhecimentos
• (material retrieved in January 2019)
• Congano, F. (2014). Trends in income
inequality and its impact on economic
growth. OECD Social, Employment
and Migration Working Papers, 163.
Paris: OCED. Retrieved from https://doi.
org/10.1787/5jxrjncwxv6j-en.
• Garrido, M. &amp; Fellows, M. (2017). Access
to information and the Sustainable
Development Goals. In M. Garrido &amp; S.
Wyber (Eds), Development and access to
information (9-14). The Hague: IFLA.

66

DESENVOLVIMENTO E ACESSO À INFORMAÇÃO 2019

• The Guardian (2016). Libraries facing
‘greatest crisis’ in their history. The
Guardian, 29 March 2016. Retrieved from
https://www.theguardian.com/books/2016/
mar/29/libraries-facing-greatest-crisis-intheir-history.
• Haider, J. &amp; Bawden, D. (2007).
Conceptions of “information poverty”
in LIS: a discourse analysis. Journal of
Documentation, 63(4), 534-537.
• Harris, M.H. (1999). History of libraries of
the Western World (4th ed.). Lanham, MD:
The Scarecrow Press.
• Horrigan, J. (2015). Libraries at the
crossroads: The public is interested in
new services and thinks libraries are
important to communities. Washington,
DC: Pew Research Center. Retrieved from
http://www.pewresearch.org/wp-content/
uploads/sites/9/2015/09/2015-09-15_
libraries_FINAL.pdf.
• IFLA &amp; UNESCO (2011). IFLA/UNESCO
manifesto for digital libraries. Bridging the
digital divide; making the world’s cultural
and scientific heritage available to all.
Retrieved from https://www.ifla.org/files/
assets/digital-libraries/documents/iflaunesco-digital-libraries-manifesto.pdf.
• ITU (2018). Measuring the Information
Society 2018. Geneva: ITU. Retrieved from
https://www.itu.int/en/ITU-D/Statistics/
Pages/publications/misr2018.aspx.
• Mansell, R. &amp; Wehn, U. (1998). Knowledge
societies: information technology for
sustainable development. Oxford: OUP.
• O’Boyle, E.J. (1999). Toward an improved
definition of poverty. Review of Social
Economy, 15(3), 281-301.
• Oxfam (2019). Pubic good or private
wealth? Oxford: Oxfam GB. Retrieved from
https://oxfamilibrary.openrepository.com/
bitstream/handle/10546/620599/bp-publicgood-or-private-wealth-210119-en.pdf.
• PT Foundation (2016). PT Foundation
transforms old telephone box into a
micro library. Retrieved from https://
www.telecom.pt/en-us/media/noticias/
Pages/2016/outubro/cabina_transformada_
microbiblioteca_coimbra.aspx.
• Rhodes, E. (2018). Books on the street:
the rise of micro-libraries. Financial Times
Magazine, 3 August 2018. Retrieved from
https://www.ft.com/content/1ec94b6a951a-11e8-b747-fb1e803ee64e.
• Sloan, W. (2018). Decolonizing the library:
Ryerson University Library &amp; Archives
takes steps to rethink its practices,
incorporate indigenous knowledges,
Ryerson Today, June 2019. Retrieved from
https://www.ryerson.ca/news-events/
news/2018/06/decolonizing-the-library.

• Souter, D. (2010). Towards knowledge
societies: a review of UNESCO’s action in
implementing the WSIS outcomes. Paris:
UNESCO. Retrieved from http://uis.unesco.
org/sites/default/files/documents/towardsinclusive-knowledge-societies-a-review-ofunescos-action-in-implementing-the-wsisoutcomes-inclusive-knowledge-societieswsis-communication-ict-2010-en.pdf.
• UN (2015). Resolution adopted by the
General Assembly on 25 September 2015:
70/1. Transforming our world: the 2030
Agenda for Sustainable Development.
(A/RES/70/1). Retrieved from http://www.
un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=A/
RES/70/1&amp;Lang=E .
• UNESCO (2005). Towards Knowledge
Societies. Paris: UNESCO. Retrieved from
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/
pf0000141843.
• UNESCO (2018). Global Education
Meeting 2018, 3-5 December, https://
en.unesco.org/themes/education/
globaleducationmeeting2018.
• UNICEF (2017). State of the world’s
children 2017: Children in a digital world.
New York: UNICEF. Retrieved from
https://www.unicef.org/publications/files/
SOWC_2017_ENG_WEB.pdf.
• Unwin, T. (2007). No end to poverty.
Journal of Development Studies, 45(3),
929-953.
• Unwin, T. (2018). ICTs, sustainability and
development: critical elements. In A.R.
Sharafat and W.H. Lehr (Eds), ICT-centric
economic growth, innovation and job
creation (pp.37-71). Geneva: ITU.
• Wagner, D.A. (2011). What happened
to literacy? Historical and conceptual
perspectives on literacy in UNESCO.
International Journal of Educational
Development, 31, 319–323.s
• Wagner, D.A. (2017). Learning as
development: Rethinking international
education in a changing world. New York,
NY: Routledge.
Figuras
1.

Crianças refugiadas afegãs no
Paquistão: entre as mais pobres e
marginalizadas (Fonte: Autor, 2016)

2.

TS A Biblioteca Central do Estado
observa o Dia Internacional da Criança
Menina (Fonte: Movimento Indiano de
Bibliotecas Públicas (Indian Public
Library Movement),
http://www.iplm.in/gallery. html)

3.

Telecentro em Bario, Sarawak, Malásia (Fonte: Autor,
2017)

4.

Microbiblioteca em Ponta
Delgada, São Miguel, Açores,
Portugal (Fonte: Autor, 2018)

�© 2019 pela Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA)
e pelo Grupo de Tecnologia e Mudança Social, Universidade de Washington (TASCHA).
Os direitos autorais dos capítulos 3-7 são de posse de seus autores, que concederam o
direito não-exclusivo de publicar aqui as suas obras.

Esta obra e todas as suas partes componentes encontram-se licenciadas pela Creative
Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Para visualizar uma cópia dessa
licença, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/

Citation: ‘Garrido, M. &amp; Wyber, S. Eds. (2019) Development and Access to Information.
International Federation of Library Associations and Institutions: The Hague’.

ISSN 2588-9036 (Print)
ISSN 2588-9184 (Online)
IFLA Headquarters
P.O. Box 95312
2509 CH The Hague
The Netherlands
www.ifla.org
Contact: DA2I@ifla.org
Website: DA2I.ifla.org

�Traduzido por Lívia Aguiar Salomão e Hamilton Costa de Almeida
Revisado por Maria Iracema Lima Martin
Serviço de Tradução e Interpretação do Senado – SETRIN/SGIDOC
05 de setembro de 2019

68

DEVELOPMENT AND ACCESS TO INFORMATION 2019

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="5">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="7154">
                  <text>IFLA</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20075">
                <text>Desenvolvimento e Acesso à Informação 2019</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20076">
                <text>Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA)&#13;
Educação de Qualidade&#13;
Trabalho Digno e Crescimento Econômico&#13;
Redução das Desigualdades&#13;
Ações Relativas ao Clima&#13;
Paz, Justiça e Instituições Fortes</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20077">
                <text>A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) é a principal entidade internacional que representa os interesses dos serviços bibliotecários e de informação, bem como dos seus usuários. A IFLA trabalha para promover um campo forte e globalmente unido de bibliotecas como uma força propulsora de sociedades letradas, informadas e participativas, e coloca a importância do acesso à informação no centro de seus valores. Com membros em quase 150 países, a instituição é tanto a voz mundial da profissão de bibliotecário quanto da informação, e o centro principal para desenvolver padrões, partilhar boas práticas, capacitar e criar conexões entre bibliotecas e associações de bibliotecas em nível mundial. O Grupo de Tecnologia e Mudança Social [Technology &amp; Social Change Group - TASCHA] da Faculdade de Informação da Universidade de Washington explora o papel das tecnologias digitais na construção de sociedades mais abertas, inclusivas e igualitárias. O TASCHA é um elo de pesquisa multidisciplinar cujo trabalho tem ajudado organizações internacionais, governos, organizações da sociedade civil e bibliotecas públicas nos Estados Unidos e em mais de 50 outros países. Gostaríamos de agradecer as contribuições de nossos autores convidados, bem como das equipes da IFLA e do TASCHA, cujos trabalhos tornaram este relatório possível, em especial as contribuições de Maria Violeta Bertolini e May Oostrom-Kwok (IFLA), e Chris Jowaisis, Chris Coward e Doug Parry (TASCHA) O relatório original foi criado graças às contribuições de muitas pessoas que ajudaram a desenvolver o conceito e a selecionar os indicadores utilizados. Seus nomes estão destacados no relatório de 2017, e suas contribuições ainda são percebidas nesta edição. Desejamos agradecer, em especial, à Fundação Bill e Melinda Gates, cujo generoso apoio tornou este relatório possível. </text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20078">
                <text>IFLA - International Federation of Library Associations</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20079">
                <text>IFLA</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20080">
                <text>2019</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20081">
                <text>Lívia Aguiar Salomão (Tradução Português)&#13;
Hamilton Costa de Almeida (Tradução Português)&#13;
Maria Iracema Lima Martin  (Revisão Português)&#13;
Serviço de Tradução e Interpretação do Senado – SETRIN/SGIDOC (Tradução Português)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20082">
                <text>Recurso Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20083">
                <text>Relatório</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20084">
                <text>Brasil</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65905">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="3">
        <name>ifla</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="1537" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="1002">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1537/Design_Thinking_para_Bibliotecas_2017.pdf</src>
        <authentication>e1765d1d36cc4b900f8c06239dd8071b</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20049">
                    <text>DESIGN
THINKING
PARA

BIBLIOTECAS

W W W. D ESIGN T H IN K IN GFO R LIBR A R IES. C O M

PR IMEIR A ED . / D O IS MIL E D EZESSET E

PRIMEIRA EDIÇÃO

UM TOOLKIT PARA
DE SIGN C ENT RADO NO USUÁRIO

1

�Prefácio à tradução
brasileira
Este toolkit foi traduzido para o português
com a finalidade de auxiliar quem trabalha em
bibliotecas e enfrenta diariamente desafios para
ver seus objetivos gerarem resultados.
É um material destinado àquelas pessoas que não
se contentam com pouco, que buscam mais, que
querem mais, que são audaciosos e destemidos!
Podem ser profissionais de bibliotecas públicas,
comunitárias,
escolares,
universitárias,
especializadas, não importa a tipologia, importa
querer realizar grandes feitos e abrir a mente ao
novo, ao inesperado, à surpresa. Todos que tenham
gana e um brilho no olhar conseguirão aproveitar
as técnicas e a metodologia cuidadosamente
preparadas por pessoas que estão buscando
inovar com o que já tem e fazer a diferença em suas
práticas de trabalho.
São ferramentas simples, mas que os profissionais
terão a oportunidade de aprender de forma
sistematizada, por etapas. Ao organizá-las fica
evidenciada a apresentação didática de cada
passo a ser trabalhado e executado para benefício
de quem utilizará e se apropriará de tudo isso: o
usuário. Este toolkit tem como princípio o Design
Thinking centrado no humano, ele é o início, o
meio e o fim de todo o processo descrito. Trata-se,
sem dúvida, de um guia extremamente útil para
todos aqueles que desejam efetivar uma mudança
significativa e significante nas bibliotecas onde
atuam. E os bibliotecários podem ter papel
preponderante na adoção dessa metodologia em
seus ambientes de trabalho.
É importante ressaltar, que as informações
aqui compiladas são estudos de casos ocorridos
em países de língua inglesa, com relatos de
profissionais de bibliotecas públicas americanas
e dinamarquesas, que serviram de base para os
estudos. Embora nossa realidade seja distinta,
acreditamos que as abordagens utilizadas
por esses profissionais são passíveis de serem
reproduzidas em qualquer situação. Ainda
mais quando nos deparamos com limitações
orçamentárias e ausência de políticas públicas
para a área, torna-se mais necessário buscar
métodos que possam mostrar onde realmente
devem ser investidos os esforços que garantam a
satisfação das comunidades.

Com a leitura do material será possível reafirmar
que uma biblioteca é um local de construção
de conhecimentos, um lugar de convivência
e compartilhamento de ideias, sensações,
descobertas, habilidades e valores. Se percebemos
que estamos longe dessa definição é mais uma
razão para que este guia possa se tornar um
companheiro inseparável e fiel das equipes, amigos
da biblioteca, da comunidade, dos usuários, dos
gestores e do poder público.
Esse material foi originalmente produzido pela
IDEO com o patrocínio da Fundação Bill &amp; Melinda
Gates. A Federação Brasileira de Associações
de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições – FEBAB entendendo a importância
de disseminar esse material entre os profissionais
brasileiros, buscou e obteve as autorizações
devidas para fazer sua tradução para o português.
Mas para tornar possível esse material, contamos
com o trabalho voluntário da Profa. Adriana
Maria de Souza que traduziu todo o toolkit e da
Paula Azevedo que apoiou sua revisão. Além disso,
tivemos a importante parceria do Instituto de
Políticas Relacionais para finalizá-lo agregando
a tradução do caderno de exercícios. Obrigada
Daniela Greeb e Vanessa Labigalini!
Não poderíamos deixar de mencionar nossos
agradecimentos à Maria Vitória Santos Gonçalves
que fez a diagramação e a Pilar Pacheco da
Fundação Bill &amp; Melinda Gates.
Como podem observar um grupo de pessoas se
comprometeu para concretizar esse trabalho
que agora compartilhamos, desejando muito que
a abordagem Design Thinking para Bibliotecas
possa ajudar a todos que desejam realizar um
trabalho cada vez melhor em suas bibliotecas!
Boa leitura a todos!
Adriana Maria de Souza
Responsável pela Tradução
Adriana Cybele Ferrari
Presidente da FEBAB

2

�Sumário

CA P ÍTU LO 1

IN T ROD U Ç ÃO

p. 4

—————
�C A P ÍTU LO 2

IN SPIRAÇ ÃO

p. 26

—————
CA P ÍTU LO 3

ID EAÇ ÃO

p. 50

—————
CA P ÍTU LO 4

IT ERAÇ ÃO

p. 80

—————
CA P ÍTU LO 5

ESC AL AN D O

p. 103

—————
G L O SSÁRIO

p. 118

3

�CAPÍTULO

1

INTRODUÇÃO
Bem-vindo ao toolkit de Design
Thinking para bibliotecas.
Este capítulo introdutório vai orientá-lo para a abordagem de Design
Thinking e mostrará como você pode usar este toolkit no contexto de sua
biblioteca. Estamos felizes que você esteja interessado em aprender a
criar melhores soluções para seus usuários e sua comunidade!

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

E S TE TO OLKIT
É PA RA VOCÊ!
—————–—

E STE TOOL KIT POD ER Á AJUDÁ- L O A C RIAR SO L U Ç Õ ES
PA RA OS S EUS DESAF IOS DIÁR IOS
Embora as bibliotecas já existam há séculos, nunca houve um tempo tão propício
para refletir sobre o futuro delas. Em muitas comunidades espalhadas pelo
mundo, as bibliotecas públicas ainda são os únicos espaços nos quais qualquer
pessoa, independentemente da educação ou do nível de habilidade, pode ter
acesso à informação.
Apesar de vitais, muitas bibliotecas permanecem subutilizadas e têm orçamentos
e recursos limitados. Os desafios enfrentados pelos bibliotecários são reais,
complexos e variados. Em face à rápida evolução no panorama da informação,
bibliotecários precisam de novas respostas, que exigem novas perspectivas,
ferramentas e abordagens. Por uma questão de clareza, vamos abordar os
bibliotecários em todo este toolkit, mas, na realidade, sabemos que qualquer
colaborador dentro do ambiente de uma biblioteca se beneficiará com o uso do
Design Thinking em seu dia a dia de trabalho.
É importante notar que algumas bibliotecas modificaram suas abordagens e
perspectivas para se ajustarem às necessidades do século XXI. Por exemplo:
as bibliotecas estão, continuamente, reenquadrando suas finalidades e
ofertas, baseando-se em bibliotecas como polos de serviços aos cidadãos, ou
seja, um espaço de convivência, de compartilhamento e colaboração, além de
uma plataforma para a experimentação. Nossa esperança é que este uso seja
mais diversificado no futuro. Hoje vocês têm a oportunidade de se tornarem
embaixadores da mudança.
D E S IGN TH INKING É UM A DESSAS AB O RD AG EN S
Nós criamos este toolkit para apresentar um caminho de trabalho que o
ajudará a fortalecer sua biblioteca, entendendo a necessidade de seus usuários
e envolvendo sua comunidade como nunca antes, por meio de um método que
nós chamamos de Design Thinking. Várias indústrias, particularmente as de
negócios e de educação, têm utilizado por décadas esta abordagem “focada nas
pessoas”, visando à resolução de problemas. Neste toolkit, adaptamos o método
para o ambiente das bibliotecas. Você aprenderá todas as etapas para desenvolver
melhores serviços, usar as ferramentas e aprimorar as experiências de seus
usuários.

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

U M CHAMAD O À AÇÃO

QU EM SO M OS?

Seja na função de bibliotecário ou membro de
uma equipe de biblioteca é sua missão melhorar
a sociedade, facilitando o conhecimento.
Essa facilitação precisa começar com a
comunidade. A fim de evoluir continuamente
e melhorar as ofertas da biblioteca, você terá
um profundo entendimento das necessidades
de sua comunidade de usuários e não-usuários.
Ninguém conhece tão bem essas comunidades
quanto você – o bibliotecário que trabalha
nelas.

A IDEO é uma consultoria global de design
que contribui para a criação de inovações, tais
como: o primeiro mouse e o primeiro laptop
para a Apple. A IDEO aplica sua abordagem
centrada no ser humano para orientar a
inovação e o crescimento de startups de líderes
globais, bem como o setor público, de educação,
de saúde e social.

Sabemos que seus dias, frequentemente, são
muito ocupados e as demandas de um sistema
de biblioteca são intensas, mas esta é mais
uma razão para empregar novos caminhos e
pensar no dia a dia de seu trabalho. Você pode
perguntar a si mesmo: “E quanto à falta de
recursos e financiamentos?” e nossa resposta
é: comece mudando o seu pensamento do que
não tem, para o que tem. A mudança viável e
imediata é inteiramente possível, dentro das
restrições existentes e nem todas as inovações
são inéditas. Há um ditado popular de que a
“criatividade ama restrições”; então, mantenha
a mente aberta e deixe esta abordagem inspirar
você para encontrar: uma nova perspectiva
em seu trabalho. Esperamos que aceite nosso
convite.

Você pode estar perguntando a si mesmo:
“o que eles sabem sobre bibliotecas e como
podem relacionar seu trabalho a elas?” Como
consultores, trabalhamos com clientes e
assuntos nos quais nós não somos especialistas.
Estudamos o problema com profundidade e,
então, oferecemos um novo ponto de vista para
os clientes, no intuito de resolvê-lo de uma
forma integrada/sistêmica. Por isso, enquanto
você não se considerar um “designer”, sabemos
que uma nova visão pode, realmente, trabalhar
a seu favor. Você não precisa ser um especialista
em design para usar os métodos de Design
Thinking.
Além disso, graças ao financiamento da
Fundação Bill &amp; Melinda Gates, por meio do
Programa Global de Bibliotecas, passamos
mais de um ano trabalhando em estreita
colaboração com bibliotecários para criar este
toolkit. Também tivemos parceiros como: a
Biblioteca Pública de Chicago, dos EUA e a
Aarhus – Bibliotecas Públicas da Dinamarca.
Observamos mais de 40 bibliotecários
em 10 países e, então, sintetizamos nosso
aprendizado.

6

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

O que é Design
Thinking?
—————–—
D E S IGN TH INKING É TANTO UMA AB ORD AG EM C O M O
U MA CONS C IÊNCIA
Design Thinking é uma abordagem criativa ou uma série de etapas que o ajudarão a desenhar,
satisfatoriamente, soluções para a sua biblioteca. Se você pensa sobre isso como um diagrama,
existem soluções de Design Thinking na interseção de três fatores: desejo, factibilidade
e viabilidade. Em outras palavras, quando a solução é desejável, financeiramente viável e
tecnologicamente factível, a inovação acontece já que esses fatores coexistem.

VIABI L ID AD E
( N E G Ó CI O S)

DESEJO

IN OVAÇ ÃO

(HU M ANO)

FAC TIBILIDAD E
( TÉ C N IC O)

Embora possa parecer temeroso à primeira vista, Design Thinking é, na verdade, um processo
profundamente empático e intuitivo, incluindo habilidades que todos nós temos de forma inerente,
mas que com frequência negligenciamos. Em outras palavras, você não precisa ser um designer para
usar ferramentas criativas e solucionar problemas. Em vez disso, Design Thinking confia em sua
habilidade de ser intuitivo, reconhece seus padrões para construir ideias que ressoam emocional e
racionalmente, e de ser expressivo, por meio de uma ação. O processo de Design Thinking começa
avaliando as necessidades das pessoas e é por isso que anda de mãos dadas com a metodologia que
chamamos de “design centrado no ser humano”.
Design Thinking é também um jeito de pensar, porque você começa a ver o mundo com a visão de
um designer, mesmo que não o seja. Pensar como um designer não se trata de saber como projetar,
e sim sobre abraçar o desconhecido e ser criativo em face à ambiguidade. Adotar uma consciência
que permita que você veja problemas como oportunidades e proporcione a confiança para criar
soluções transformadoras. Sabemos que esta abordagem pode ser diferente do caminho que você
normalmente utiliza, e a ideia de não conhecer o resultado final pode parecer assustadora, mas
tenha em mente que é importante para confiar no processo.

7

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO: O QUE É DESI GN T H INKING?
EXEMPLO 1

EXEMPLO 2

Abaixo há um exemplo que apresenta o valor
do Design Thinking. A seguir há um trecho da
Creative Confidence (Confiança Criativa) –
livro dos fundadores da IDEO: Tom &amp; David
Kelley:

Aqui há um outro exemplo de Design Thinking
em um contexto educacional: Design Thinking
para Educadores:

Uma das minhas histórias favoritas sobre
confiança criativa é a de Doug Dietz, designer
em GE Healthcare. Recentemente ele estava
trabalhando em um novo projeto de aparelho
de ressonância magnética. Um dia, quando
observava seu projeto no hospital, ele encontrou
uma jovem paciente caminhando para a sala de
exames com os pais. A jovem estava visivelmente
aterrorizada, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Ao ver a expressão dela, o técnico imediatamente
chamou o anestesiologista.
Neste momento, sua perspectiva mudou para
sempre e então soube que havia feito uma
mudança. Ele se inscreveu em um curso da
Stanford d.school, onde aprendeu como superar o
desafio, do ponto de vista do design centrado no ser
humano, que acabaria por ajudá-lo a fazer exames
de ressonância magnética menos aterrorizantes
para crianças e jovens. Doug sabia que não seria
capaz de garantir um financiamento significativo
para redesenhar o aparelho de ressonância
magnética a partir do zero, por isso focou na
experiência. Ele e sua equipe transformaram
o aparelho de ressonância magnética numa
história de aventura, com o paciente estrelando o
papel principal. Aplicaram decalques coloridos no
exterior da máquina e em cada superfície da sala,
abrangendo os equipamentos, chão, teto e paredes.
Eles também criaram um script para o técnico
conduzir os pacientes através da aventura.
Em alguns dos protótipos incluíram um navio
pirata; um leme projetado na abertura da câmara
tornou a área menos claustrofóbica, e o paciente
tinha de pegar um tesouro no peito do pirata,
no final do exame. Com esses novos designs, o
número de pacientes que passou a necessitar de
sedação diminuiu drasticamente. Os pacientes
ficaram mais felizes. Os hospitais deixaram de ser
apavorantes e se tornaram mais agradáveis. Sua
maior conquista, porém, foi quando, certa vez,
uma menina perguntou a sua mãe após o exame:
“podemos voltar amanhã?”

Michael Schurr, professor em Nova York,
percebeu que nunca havia perguntado aos
seus alunos o que os faria se sentirem mais
confortáveis na sala de aula. Ele tinha passado
horas montando conteúdos para o quadro
de avisos da sala de aula, mas os alunos não
haviam notado. Então começou um projeto
de Design Thinking com o seguinte desafio de
design: “Como a sala de aula pode ser projetada
para atender melhor às necessidades dos meus
alunos?” Ele decidiu falar diretamente com
eles, para descobrir o melhor design para o Exemplo 1
ambiente.
Enquanto entrevistava seus alunos, percebeu
que o problema era que eles não olhavam o
quadro de avisos.
Baseado nisso, Michael foi capaz de redesenhar
sua sala de aula, a partir das necessidades e
desejos de seus alunos. Ele baixou o quadro
de avisos para que seus alunos, realmente,
pudessem ver o conteúdo e criou um espaço
mais confortável para eles estudarem. Após
fazer esses pequenos ajustes, seus alunos
ficaram mais engajados e se moveram com Exemplo 2
mais fluidez no espaço da sala de aula. Agora,
Michael constantemente envolve os alunos
para ajudá-lo de forma mais eficaz para moldar
sua experiência de aprendizagem. Ele está
usando o design de reimaginar a sala de aula,
através da “lente dos olhos” de seus alunos.

Trate um problema a partir de uma abordagem
criativa, como Doug fez e muitas novas
oportunidades se apresentarão.

8

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

O Processo de Design
Thinking
—————–—
O processo de Design Thinking é mais adequado quando pensado a partir de
um sistema de sobreposição de fases, em vez de uma sequência de medidas
ordenadas. Você deverá ter em mente três fases: inspiração, ideação e iteração.
Uma vez que transita de uma ideia a uma oferta sustentável, você “começa a
escalar”; isso significa que sua ideia tem amplo impacto e capacidade de realizar
uma mudança organizacional e, até mesmo, sistêmica. Você desenvolverá um
profundo entendimento de cada fase do Design Thinking aprendendo sobre
projetos específicos que a IDEO tem completado ao longo dos anos.
Além disso, enquanto você se move através dessas fases, é importante que
saiba que o processo não é linear, ele alterna entre pensamentos convergentes
e divergentes, abstratos e concretos.

O P R OC ESSO D E DESIG N T HIN KIN G
IDEAÇÃO

COMEÇANDO

ESCALANDO

INSPIRAÇÃO

ITERAÇÃO

9

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO: O PROCESS O DE DESIGN T H INKING

INSPIRAÇÃO
é sobre a elaboração de
um desafio de design
e a descoberta de
novas perspectivas e
oportunidades.

IDEAÇÃO
ITERAÇÃO
é sobre gerar ideias e é sobre a experimentação
como fazê-las tangíveis.
contínua com base no
feedback do usuário.

Eu tenho um desafio.

Eu aprendi algo.

Eu tenho um protótipo.

Como posso
abordá-lo?

Como eu
interpreto e
expresso minhas
ideias?

Como posso
testá-lo e
melhorá-lo com
os usuários?

A A BORDA GEM É...

A C O N SC IÊN C IA É...

CENTRADA NO U SUÁR IO

O J E I TO DE P E N S A R

A abordagem começa e termina com as
necessidades do usuário (em oposição às
necessidades da biblioteca). A biblioteca,
como uma organização, dará continuidade
quando você colocar o usuário em primeiro
lugar.
A PREND ER FAZE N D O

É sobre “sair de trás de sua mesa”, mobilizar
pessoas, sair da zona de conforto e “sujar as
mãos”.
E X PERI MENTO

Não é um processo linear, demanda
flexibilidade e uma vontade constante de
evoluir.

Trata-se de olhar o mundo pelo olhar de uma
criança e com a mente de um principiante. É
estar disposto a aprender algo novo sobre a
biblioteca que você conhece tão bem.
C O N F I A NÇA CR I AT I VA

Trata-se de perder o medo do fracasso e da
crítica, ficar bem quando não souber a resposta
“certa” e enxergar a beleza na imperfeição.
OT I MI STA

É a crença de que os problemas são apenas
oportunidades disfarçadas e que poucas
pessoas trabalhando juntas em um novo
caminho podem mudar o futuro para melhor.

10

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

Uma Nota Sobre Linguagem
—————–—
A terminologia usada para descrever o processo de Design Thinking pode variar
muito. Na verdade, nem mesmo o termo “design centrado no ser humano” vs
“design thinking” é universal entre os seus praticantes. Para o propósito deste
toolkit, utilizamos design centrado no ser humano como sendo a filosofia e as
origens da metodologia descrita aqui, enquanto o Design Thinking refere-se à
prática literal da abordagem e da consciência.
Conforme você explora outros recursos contidos neste documento, poderá
notar várias descrições diferentes para cada fase do processo concebido, nas
quais todas tratam do mesmo processo geral, embora possam ser divididas em
diferentes seções e títulos.

TER M OS ALT ERN AT IV OS

I NS P I RAÇ Ã O

IDEAÇÃO

ITE RAÇÃO

Explorar

Idealizar

Implementar

Descobrir

Criar

Experimentar

Escutar

Prototipar

Entregar

Interpretar

Evoluir

Empatizar

Testar

Definir
CU RIO S O S OBR E OUTR OS
TERM O S N E STE TOOLK IT ?

Tivemos muito cuidado em clarificar nossos termos ao construir este toolkit,
para que fique tão compreensível quanto possível. Enquanto muitos dos termos
utilizados no processo de design têm se tornado comuns, em vários contextos,
reconhecemos que há dúvidas para muitas bibliotecas que ainda não conhecem
os termos que utilizamos. Por essa razão, providenciamos um glossário (p. 117)
de definições ao final deste toolkit para a sua referência.

Veja nosso glossário p. 117

11

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

Como é o processo em
ação?
—————–—
Uma equipe de Design Thinking de quatro bibliotecários de bibliotecas infantis e
um gerente da Biblioteca Pública de Chicago (CPL) uniram-se para pensar sobre
crianças e o conceito de brincar. Inspirados por suas crenças compartilhadas, de
que o ato de brincar é essencial para o desenvolvimento da criança, colocaram
a seguinte questão: “Como poderíamos integrar o ato de brincar, nos serviços
centrais da CPL para as crianças?
I NS PIRAÇÃ O
Para reunir inspiração, a equipe conduziu
entrevistas e observações no Museu Infantil
de Chicago, Bronzeville, Exploratorium e em
outras bibliotecas. Entrevistaram especialistas
sobre o tema, incluindo dois bibliotecários
que defenderam pontos de vista opostos — um
defendeu o ato de brincar e o outro mostrou-se
cético em relação ao seu valor. Essas entrevistas
demonstraram à equipe as várias posições
sobre o ato de brincar na biblioteca e a gama
de suportes e desafios que poderiam enfrentar
em seu projeto de design. Finalmente, a equipe
entrevistou três famílias para entender como
usavam a biblioteca e como ela se encaixava no
contexto mais amplo da vida deles.

Uma das fotos tiradas durante uma entrevista com dois irmãos. A equipe pediu que as crianças
participassem de um exercício de colagem para ajudar a articular melhor seus desejos e suas
necessidades em um espaço da biblioteca.

12

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO:
C O M O É O PROCESS O EM AÇÃO?
I DE AÇÃ O
Usando como inspiração a pesquisa elaborada,
a equipe começou a gerar ideias. Através de
várias reuniões compartilharam suas histórias
e experiências, reunindo informações que
resultaram em muitas ideias que poderiam
guiar o seu design.
A seguir estão as quatro conclusões da equipe:
· As bibliotecas são percebidas como o terceiro
lugar mais seguro, entre a escola e o lar,
portanto, há potencialmente mais aderência
para experimentações;
· A biblioteca deveria ser parte do processo de
investigação da vida de uma criança;
· Parentes e bibliotecários têm a tendência
de querer controlar, ou mesmo, estruturar
o brincar; assim, novos programas têm de
equilibrar a necessidade de controle com a
necessidade de flexibilidade que é inerente às
atividades lúdicas;
· Os pais de crianças em idade escolar querem
que haja uma divisão entre o brincar e o estudar.
A equipe, rapidamente, desenvolveu maneiras
de transformar suas ideias em implementação
e protótipos. Em apenas cinco horas,
utilizaram materiais de construção básicos
(principalmente do núcleo de espumas e
brinquedos) para chegar a um novo tipo de
espaço para as crianças, que permitisse a
contação de história uns aos outros. Através
da brincadeira, as crianças poderiam usar
adereços e ferramentas de desenho para
aprender a criar uma história com começo,
meio e fim, numa estrutura narrativa. Para
tornar a ideia tangível, o pessoal da biblioteca
fez o protótipo do design de uma forma física
e incluiu nele vários elementos da contação de
histórias performativas, com um fundo – feito
a partir de um núcleo de espuma com uma
projeção de vídeo –, trajes simples e bonecos
feitos à mão.

Fotos que capturam o protótipo que a equipe criou
dentro das pilhas de papel existentes nas bibliotecas,
usando materiais como: bonecos, papel de construção,
projetor e um laptop.

13

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO:
C O M O É O PROCESS O EM AÇÃO?
I TE RAÇÃ O
O primeiro protótipo da equipe foi o de uma
janela na biblioteca, dedicada à narrativa
interativa no ramo de Chinatown em Chicago. A
equipe criou um palco, com fundo grande para
os contos de fadas, forneceu roupas e vários
suportes para as crianças usarem durante
as cenas. Além disso, montaram um local de
escrita ao lado das janelas, com um quadro
magnético para escrever histórias e adicionar
detalhes ao palco. O objetivo era envolver as
crianças na criação e na representação das
histórias. Intencionalmente, houve pouca
facilitação ou envolvimento dos bibliotecários,
como acontece com muitos ramos do sistema
Chinatown, o que foi prontamente atendido.
Enquanto o minipiloto estava acontecendo,
a equipe recolheu os feedbacks dos pais e das
crianças para observações. Uma classe do
jardim da infância amou o espaço aberto para
a troca de livros. As ideias foram atrativas,
principalmente, ao público mais jovem.
A equipe aprendeu dois pontos importantes
que formaram o minipiloto: primeiro,
descobriram que as crianças mais velhas
eram demasiadamente autoconscientes para
atuarem em um espaço aberto. Segundo,
as crianças estavam mais interessadas em
desenhar do que em escrever no quadro. Elas
não estavam criando histórias, mas desenhando
imagens. Além disso, com base em suas
observações, a equipe questionou a satisfação
das crianças em relação à dramatização na
frente de outras crianças versus a interação
com elas.
Inspirados por essa pergunta e por outros
aprendizados, a equipe planejou um novo
minipiloto. Um evento que tanto celebrou o
interesse das crianças por desenhar, quanto
a capacidade de criarem novas histórias.
No evento, as crianças foram convidadas a
produzir histórias em quadrinhos, usando
personagens existentes, conhecidos dos livros
que elas amavam, ou criar novos personagens
conforme a imaginação delas. As crianças
poderiam responder às histórias uns dos
outros, produzindo juntos uma história em
quadrinhos coletiva e em tempo real. Este
evento focou mais na interação do que no
desempenho. Uma vez que era ao vivo, a equipe

estava muito mais envolvida, conduzindo
atividades que instigassem as crianças a
colaborarem, convidando-as a desenharem
histórias em quadrinhos nos caixilhos das
janelas e criando os próprios minilivros,
desenhados em quadrinhos.
Novamente, a equipe realizou entrevistas e
observações durante o evento. Constataram
que as crianças estavam dispostas a colaborar
em contar histórias e entenderam o conceito de
uma história com um começo, meio e fim claros.
As crianças também adoraram a atividade de
escrever nas paredes, o que elas não poderiam
fazer em casa.
A partir da iteração de suas experiências, elas
aprenderam várias coisas novas:
· As famílias precisam de estrutura nas
atividades, em graus variados, pelo menos até
que o jogo na biblioteca se torne rotineiro;
· As famílias precisam de permissão para falar
alto, elas não estão acostumadas a isso em um
ambiente de biblioteca;
· Alguns funcionários precisaram mudar a
visão sobre ruído e controle, isso pode exigir
treinamento e uma mudança na filosofia da
equipe.

Fotos da janela da contação de histórias, durante o
segundo minipiloto da equipe.

A equipe observa duas crianças na atividade da escrita,
durante o primeiro minipiloto.

14

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO:
C O M O É O PROCESS O EM AÇÃO?
E SCAL A NDO
Com base nessas duas atividades, um novo
desafio de design surgiu: – Como poderíamos
traduzir nossas ideias em diferentes partes?
A equipe havia passado pelo processo de
Design Thinking e agora pensava em como
dimensionar a ideia para outros locais.
De acordo com o líder da equipe, John Glynn,
perceberam que: “Teriam um impacto maior
nas brincadeiras se se concentrassem menos
em ferramentas (como materiais lúdicos e
brinquedos) e muito mais nos serviços e nas
funções como bibliotecários”.
Como experimentaram vários contextos, a
equipe continuou a aprender que uma ideia pode
ser ajustada a diferentes ambientes e culturas.
A princípio têm utilizado os conhecimentos
adquiridos em várias áreas, na concepção de
conteúdos que promovem a brincadeira como
tema central do espaço. Ao compartilharem
o que aprenderam com o processo, esperam
influenciar a conversão do espaço existente
na nova construção. A esperança é de que cada
parte desempenhe um serviço, um espaço e um
programa que demonstre o valor da brincadeira
e da contação de histórias na aprendizagem
infantil.

(Topo) A equipe criou um framework que abordou a importância de cada espaço, o que permitiu
avaliar a própria prontidão para um novo tipo de oferta de brincadeiras.
(Inferior) Uma representação arquitetônica do novo espaço para crianças no bairro de Albany
Park, em Chicago, que inclui nas paredes, as janelas com as histórias do primeiro protótipo do
projeto da equipe.

15

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

Por que isso é valioso
aos bibliotecários?
—————–—
Além de descobrir soluções para os desafios do dia a dia, a prática do Design
Thinking ajudará você e a sua biblioteca a desenvolverem uma nova forma
de trabalho. Certamente, o Design Thinking começa quando envolve os seus
utilizadores, mas a partir desse ponto, pode se espalhar por toda a organização e
proporcionar vários benefícios, tanto para a biblioteca quanto para os usuários.

I NT ERNAMENTE: PA R A A
BIBL IOT EC A

· Mais confiança criativa;
· Melhores processos de
gerenciamento de projetos;
· Forte cultura colaborativa;
· Estratégia para a tomada de
decisão.

PA R A A MBO S

A

ideia de que a inovação é
cara é um equívoco! Tudo
o que você precisa é olhar para o
seu mundo de uma nova maneira
e ser capaz de ver todas as
possibilidades que já existem.”.
Equipe da Biblioteca Pública
de Chicago focada em uma
programação para adolescentes

E X T E R N A M E N T E : PA R A O S
USUÁRIOS

· Mais envolvimento;

· Aumento da capacidade de
resposta às necessidades dos
usuários;

· Aumento na satisfação;

· Priorização e evolução de
serviços eficazes.

· Novas formas de conexão junto à
comunidade;
· Mais defensores e juízes da
biblioteca.

16

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

IN T R OD UÇÃO

Quem pode utilizar?
—————–—
V OCÊ PODE USAR D ESIGN THIN KIN G PARA EN F REN TAR
Q U A LQU E R DESAF IO.
Quando as pessoas pensam em design, muitas vezes pensam na estética em
relação à forma, ou em objetos tangíveis, tal qual o desenho de uma cadeira. Porém,
o Design Thinking como processo pode ter um impacto muito mais amplo, e você
pode usá-lo para resolver todos os tipos de desafios de sua biblioteca, incluindo:
programas, espaços, serviços e sistemas.

D

ê pequenos passos, o seu
design não tem de ser um
projeto completamente novo.
Às vezes, o ideal é melhorar uma
ideia que já existe em alguns
detalhes.
Biblioteca Pública de Chicago

Com isso em mente, entrevistamos bibliotecas parceiras, em todo o mundo,
e criamos um catálogo de tipos de desafios que as bibliotecas comumente
enfrentam. Estes desafios são apresentados em forma de perguntas: “Como nós
podemos...?” Como você mesmo pode perceber, há muitas respostas e soluções
possíveis para cada desafio.
Esperamos que este catálogo inspire ideias na maneira como você vai utilizar
o Design Thinking em sua biblioteca, uma vez que cada qual enfrenta desafios
diferentes. Por isso, convidamos você e sua equipe a escolherem um desses
desafios para ser resolvido com base nos exercícios que em breve iremos
apresentar.

PR OGR AM AS

SERV IÇ O S

ESPAÇ OS

SIST EM AS

17

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO: QUEM PODE UT ILIZAR?

P R OGRAMAS

SE RV IÇ OS

Programas de bibliotecas são ótimos meios
para se começar a usar Design Thinking, uma
vez que apresentam uma série de eventos
fáceis de construir, modificar e interagir. Como
bibliotecário, você provavelmente já é um
“mestre designer” de vários programas, tais
como: um desafio de leitura no verão ou uma
série de palestras. Ao projetar programas, você
pode considerar de que forma serão facilitados.
Os conteúdos e os recursos de que pode
precisar e o contexto (físico ou virtual) em que
eles ocorrem.

Embora os programas sejam, tipicamente,
ofertas específicas de tempo, como aulas; os
serviços são, muitas vezes, uma oferta sistêmica
dos quais as pessoas não só participam, mas
usam e defendem. Design de serviços, muitas
vezes, se concentra em fazer com que os
sistemas estejam por trás dos serviços, como
a comunicação ou a tecnologia em benefício
do usuário. Alguns bons exemplos incluem: a
entrega de uma refeição leve para um almoço na
Índia, um serviço de táxi sob demanda e, claro, o
empréstimo de um livro da biblioteca! Grandes
serviços aproveitam o poder da biblioteca, dos
bibliotecários e de todos os recursos existentes
para mover a sociedade para frente.

Exemplos
Como poderíamos... apoiar e diferenciar os
programas de alfabetização infantil para
crianças, envolvendo toda a família?
Como poderíamos... projetar um programa
de aprendizado, baseado em games que
incentivem a prática: ‘criando e fazendo’ na era
digital?

E SPAÇOS
Ambientes físicos sinalizam as pessoas de
como devem se comportar e influenciam
a forma como elas se sentem. Tenha em
mente que o espaço não é, necessariamente,
influenciado pela estética, como a cor da tinta
na parede. O que importa é a forma como as
pessoas reagem à cor e o que elas fazem. No
Design Thinking falamos pouco sobre espaços
que “captam” impressões e mais sobre espaços
que “agem” sobre estas. Quando repensar um
espaço de biblioteca, considere as restrições
de construção, circulação, fluxo de usuários
e ferramentas específicas do ambiente que
possam torná-lo um espaço mais interativo.

Exemplos
Como poderíamos... criar uma experiência
de interface amigável na web, ao usuário que
conhece o cenário digital do século XXI?
Como poderíamos... prestar assistência
relevante ao público adulto, quanto ao
aprendizado sobre Tecnologia da Informação,
especialmente àqueles que relutam em pedir
ajuda?

SIST EM AS
Em maior escala, sistemas representam várias
partes integradas, relações e necessidades, o
que pode ser pensado como uma rede ou uma
organização. Os exemplos incluem: um sistema
bancário, um programa de refeição por toda a
cidade e novamente o sistema de biblioteca.
Projetar sistemas significa integrar vários
serviços interdependentes, de modo a gerar
impacto. Desafios envolvem, muitas vezes, uma
estratégia de alto nível em torno de prioridades,
políticas e comunicações essenciais.

Exemplos

Exemplos

Como poderíamos... criar um ambiente
acolhedor na biblioteca que incentive os
usuários relaxarem e permanecerem por mais
tempo?

Como poderíamos... produzir design em
parcerias mutuamente benéficas – com
as escolas locais e outras instituições
educacionais?

Como poderíamos... aproveitar o espaço não
utilizado, ou redistribuir o espaço para que
os usuários descubram mais sobre o que a
biblioteca pode oferecer?

Como poderíamos... redesenhar métricas em
bibliotecas para que as pessoas compreendam
o seu valor de uma forma mais significativa e
emocional?
18

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

IN T R OD UÇÃO

Como este toolkit se
apresenta
—————–—
Este toolkit é dividido em duas partes: um guia que consiste em leituras e
referências, e um livro de atividades que o ajudará a aprender utilizando seus
próprios métodos. Quaisquer notas no calendário, para cada método e exercício
são puramente sugestões. A utilização de todo o toolkit pode levar de 5-8 horas por
semana, durante as próximas seis semanas, mas pode se estender ou antecipar,
dependendo de quanto tempo você tem disponível com a sua equipe.
U MA
NOTA
SOBR E
O
D E S E NV OLVIM ENTO D ESTE
T OOL KIT

terá tanto aprofundamento no processo, mas
ajudará a começar. Se o seu tempo é limitado,
recomendamos que pule para:

Reconhecemos que este toolkit tem algumas
limitações que gostaríamos de abordar e
esclarecer antes de avançarmos. No Design
Thinking, você não pode projetar para todos
e não poderíamos criar este toolkit com essa
abrangência. Reconhecemos que:

Aquecimento: Design – uma melhor viagem –
localizado no Livro de Atividades, que o fará
experimentar todas as fases do processo em
menos de uma hora;

· Em primeiro lugar, existe um preconceito
linguístico. Estamos nos EUA e, ao mesmo
tempo, temos trabalhado com bibliotecários
de todo o mundo e o nosso principal meio
de comunicação tem sido no idioma inglês.
Nossa esperança é que ao escrevermos o
toolkit inicialmente em inglês, na sequência,
outros possam traduzi-lo para aumentar a
acessibilidade;
· Em segundo lugar, oferecemos muitos
exemplos neste toolkit que têm viés para os
EUA e a Europa. Isso decorre do nosso trabalho
direto com a Biblioteca Pública de Chicago e
a Biblioteca Pública de Aarhus. No entanto,
tentamos realizar o nosso melhor para incluir
muitos exemplos de diferentes contextos em
todo o mundo.

Guia Prático: um documento em separado,
que você pode baixar a partir de: www.
designthinkingforlibraries.com que resume
a abordagem de Design Thinking em poucas
palavras.

SE N T IN D O -SE PRO N T O?
SE N T IN D O -SE N ERV OSO?
A verdade é que sabemos por experiência que
qualquer pessoa pode aprender e usar o Design
Thinking para criar impacto, necessitando
somente de prática e de preparação. Com isso
em mente, use as próximas três seções para
ajudá-lo a preparar a sua biblioteca para o
Design Thinking:

S EU TEM P O ESTÁ LIMITAD O? P U L E PAR A:
· �No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 1, Atividade 5, página 10

1. Uma conversa sobre Liderança
O argumento para utilizar o Design Thinking
em bibliotecas, do ponto de vista de um líder.

DURAMENTE PRESSIONADO
PELO TEMPO?

2. A formação da equipe 101
Dicas para a criação de equipes de sucesso.

Ao ler este toolkit, acreditamos que você
possa experimentar o processo com base
em múltiplas linhas do tempo. Se você tiver
apenas uma hora, um dia ou um mês, não

3. Hábitos + Logística
Formas de trabalho que facilitarão sua jornada
no aprendizado sobre Design Thinking.

19

�UMA CONVERSA SOBRE
LIDERANÇA
Em colaboração com a IDEO, as equipes da Biblioteca Pública de Aarhus e
da Biblioteca Pública de Chicago têm usado a abordagem de Design Thinking para

melhorar a experiência do usuário. Na entrevista a seguir foi solicitado aos líderes das
instituições para refletirem sobre o valor da abordagem e os conselhos que dariam para aqueles que são
iniciantes no processo.

Q: POR TER ADOTADO EM SUA
BIBLIOTECA OS MÉTODOS DE
DESIGN THINKING, QUAIS OS
BENEFÍCIOS QUE CONSIDERA QUE
SUA COMUNIDADE OU USUÁRIOS
RECEBEM?
Rolf (Aarhus): Eu acho que os nossos usuários
recebem dois benefícios principais: o primeiro é
que suas necessidades e demandas são levadas a
sério, e elas são ouvidas, tendo suas necessidades
reconhecidas como recursos ativos em um
processo de transformação da biblioteca. Não
são meros consumidores passivos de serviços,
portanto, é o que você poderia chamar de um
benefício democrático. O segundo é que as ideias
dos usuários são realmente transformadas em
algo novo, ou melhor, em termos de serviços.
Brian (Chicago): Tem sido documentado que
a inovação revolucionária, na maioria das vezes,
acontece apesar dos esforços da organização para
inovar. Novos serviços e produtos de sucesso são,
muitas vezes, escondidos da vista de todos, sendo
criados por acidente ou iniciados por líderes
desonestos. A boa notícia para as bibliotecas é
que apoiar a inovação não precisa ser caro ou
altamente elaborado. Acreditamos que podemos
desbloquear as melhores ideias dentro de
nossas equipes, encorajando-as a envolveremse profundamente com experiências da vida dos
usuários. Design Thinking permite que a equipe
se liberte da abordagem típica de solução de
problemas, seguindo um roteiro que conduza a
insights que, por sua vez, conduzam à ação. Já não
temos que inventar um processo, cada vez que
quisermos resolver um problema ou buscar uma
nova ideia. A ênfase em Design Thinking sobre a
experimentação de baixo custo nos permite testar
ideias, sem grandes investimentos de tempo ou
recursos. Já não precisamos construir um novo
programa sem antes sabermos se ele será eficaz.

Q: QUAIS FORAM OS BENEFÍCIOS
DE SUA EQUIPE AO TRABALHAREM
EM PROJETOS DE DESIGN
THINKING?
Rolf: Os membros da equipe envolvidos em
Design Thinking têm aprendido muito, em
vários níveis. Aprenderam concretamente sobre
projetos, por exemplo: como os usuários preferem
a funcionalidade de certos pontos de serviços
na biblioteca? Talvez o mais interessante é que
eles tenham assimilado sobre como o papel do
colaborador na biblioteca se transforma em um
papel de facilitador. Com os métodos de Design
Thinking, eles estão lá para ajudar a impulsionar
novas perspectivas e ideias entre a equipe e os
usuários.
Brian: Refletindo sobre o nosso primeiro ano
trabalhando com a IDEO e Aarhus, podemos
dizer, com certeza, que a nossa comunidade se
beneficiou com os novos e revitalizados serviços
como resultado desse compromisso. Um benefício
que não havia sido plenamente antecipado foi o
impacto positivo causado na nossa equipe e na
cultura organizacional, na forma de incentivo
à equipe, ferramentas e responsabilidades
para explorarem novos serviços, gerando uma
mudança de cultura. O sucesso e o fracasso,
a partir dos quais nós também aprendemos,
reforçaram a confiança na nossa capacidade
coletiva de conduzir e criar uma base sólida para
projetar o futuro da Biblioteca Pública de Chicago.
Q: POR QUE VOCÊ ACREDITA QUE
SEJA IMPORTANTE CONHECER E
UTILIZAR DESIGN THINKING EM
BIBLIOTECAS?
Rolf: Acredito que as bibliotecas podem
aprender e se beneficiar grandemente, a partir
de métodos que são desenvolvidos em outros

setores da sociedade. Eu também creio que as
bibliotecas têm a vantagem de serem pioneiras
em comparação a outras instituições do setor
público, onde as demandas governamentais
de uma cultura de ‘não podemos falhar’ pode
colocar restrições sobre a capacidade de pensar
fora da caixa.
Brian: Em resposta a um mundo em constante
mudança, as empresas do setor privado têm usado
design centrado no ser humano para resolver
problemas difíceis e construir novos produtos
e serviços. As organizações sem fins lucrativos
e do setor governamental podem usar a mesma
abordagem para enfrentar os desafios no âmbito dos
respectivos ambientes. As bibliotecas públicas têm
evoluído com sucesso para atender às mudanças
do mundo e de muitas maneiras são mestres da
evolução. Mesmo assim, temos de acelerar nossa
evolução e é nesse ponto que o Design Thinking
pode ajudar.
Q: COMO LÍDER, QUAL SERIA O
SEU CONSELHO MAIS IMPORTANTE
A UM LÍDER DE BIBLIOTECA,
CONSIDERANDO COMO APOIAR
O DESIGN THINKING EM SUA
INSTITUIÇÃO?
Brian: Se você está certo de suas prioridades e
visão, Design Thinking é uma ferramenta poderosa
para chegar onde necessita. Também pode ajudar
a construir uma cultura organizacional necessária
ao sucesso em longo prazo.
Rolf: Discutir com os membros da equipe como
você gostaria de aplicar o Design Thinking: quais
os temas ou questões relevantes? Em seguida,
basta testá-lo com os usuários, não é tão difícil
de usar e eu garanto que os resultados serão
expressivos.

20

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO

PREPARAÇÃO:

Construindo equipes 101
—————–—

Equipes fortes são os motores que
impulsionam o Design Thinking para frente.

I

ncentivar equipes distintas –
sendo os membros da equipe
representantes de diferentes
áreas da biblioteca e por serem
de diferentes origens e terem
experiências que podem levar
a colaborações criativas mais
fortes e a muito mais.
Sidsel Bech-Petersen, um
transformador de bibliotecas –
Aarhus Bibliotecas Públicas

No Design Thinking, o seu melhor trabalho será feito com uma equipe. Ao
embarcar no processo, você pode usar este guia com um único praticante, mas
é altamente recomendável trabalhar em grupo, a fim de aprender como se sente
ao ser parte de uma equipe de projeto. Dessa forma, promovemos colaborações
eficazes, que irão impulsionar o projeto ainda mais do que se estivessem em seu
próprio país.

T R ABAL H E DENTR O D E
S UA ROTINA
Sabendo que seu tempo é limitado, considere
reuniões de equipe para planejamento dentro
da programação existente. A rotina irá ajudá-lo
a encontrar tempo para comprometer-se com
este exercício.

C OME CE COM POUCOS
A equipe trabalhará melhor se consistir de
um grupo de duas a cinco pessoas. Alguns
dizem que três membros na equipe é o número
ideal, de modo que, se houver um desacordo
entre duas pessoas, a terceira poderá ajudar a
definir a questão. Em qualquer caso, começar
em um grupo menor fará com que seja mais
fácil coordenar os horários e tomar decisões.
Se você sente que há pessoas fora da equipe,
faça com que elas participem como “uma
extensão da equipe principal” e envolva-os em
brainstorming, sessões de feedback ou para
ajudá-los a conseguirem se encaixar quando
for mais útil.

AB RA OS O L HO S PARA A
D IV ERSID AD E
Selecionar pessoas que tenham diferentes
perspectivas sobre um problema e, portanto,
possam contribuir a partir de ângulos
diferentes, será uma grande chance de se chegar
a soluções surpreendentes. Os membros do
seu grupo terão diferentes estilos de trabalho,
personalidades e preferências para encontrar
tempo para discutir essas diferenças em uma
primeira reunião.

21

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO: PRE PARAÇÃO - C ONST RUINDO
E QU I P E S 1 01
C OMPARTILHE O LOCAL
Será mais fácil agendar um tempo juntos
e se conhecerem se você e sua equipe já
estiverem no mesmo local (ou pelo menos nas
proximidades). Você também terá mais chance
de conhecer e discutir o progresso de forma
espontânea, se forem próximos.

P ERMITA- S E UM TEM P O
S O ZINHO
Enquanto a maior parte deste trabalho deve
ser feita com uma equipe, certifique-se de se
permitir um tempo de trabalho individual, a
partir de um progresso solitário, significativo de
pensamento, processamento e planejamento.

S ELE CIONE
E Q U IPE

UM

LÍD ER

SE L EC ION E OU T ROS PAPÉIS
PARA SU A EQU IPE
Achamos que as equipes trabalham melhor
quando todos têm responsabilidades e
participações distintas sobre o conteúdo do
projeto. Pense em outras funções para as
quais as pessoas possam contribuir na sua
equipe, dependendo de suas personalidades
e afinidades individuais. Incluímos uma
atividade que pode ajudar a determinar esses
papéis. Veja a página 6 do Livro de Atividades.

DE

Como uma equipe pensa sobre suas
respectivas responsabilidades, restrições
de cronograma e conhecimentos, o líder da
equipe precisará:
· Facilitar discussões da equipe, garantindo que
todos sejam ouvidos e resolver os conflitos;
· Estar familiarizado com este toolkit.
Aconselhamos a leitura, através dos capítulos e
das referências adicionais ao final de cada um
deles;
· Monitorar o andamento do projeto e atualizar
outras partes interessadas fora da equipe, se
necessário.
Como líder da equipe, provavelmente gastará
muito mais tempo do que os outros membros
da equipe organizando seu grupo em torno de
atividades de Design Thinking. Você também
deverá considerar o seu nível de liderança, no
que diz respeito à sua equipe. Não é adequado
se apresentar tão superior, a ponto de os outros
se sentirem intimidados a contribuir; no
entanto, você deve ser experiente o suficiente
em sua organização, ter profunda ligação com
a comunidade e se sentir completamente
capacitado para tentar algo novo.

As equipes nas bibliotecas públicas de Aarhus
incluíram 4-5 pessoas. Muitas vezes, uma mistura
de não bibliotecários ou bibliotecários com diferentes
áreas de foco podem garantir uma diversidade de
perspectivas.

P RO N TO PA R A DETER MI NA R A S ATRIBUIÇÕES DA
EQ U IP E??
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 1, Atividade 3, página 6.

22

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

IN T R OD UÇÃO

PREPARAÇÃO:
Hábitos e Logística
—————–—
D E S IGN TH INKING POD E PAR EC ER U M PROC ESSO
C ONFU S O, M AS PEQUENOS HÁ B IT OS PO D EM AJU D ÁL O A MANTER C LAR EZ A E OR D EM .

E

nvolva a equipe em todo
o processo, se as pessoas
perdem diferentes partes do
projeto é difícil se reunir para
projetar mais tarde.
Equipe de bibliotecas públicas
de Aarhus, refletindo sobre o
envolvimento da equipe

O espaço de projeto de uma equipe de Chicago consiste em uma mesa comum, materiais e um amplo espaço na
parede para postar pensamentos e ideias.

23

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

I N T R ODUÇÃO: PRE PARAÇÃO - H ÁB ITOS E
LOGÍ ST I CA
MA NTE NH A UM ESPAÇ O
PA RA O PROJETO
O processo de Design Thinking requer um
espaço para a sua equipe trabalhar, mas
você não vai precisar de muito – até mesmo
uma parede pode ser o suficiente. O espaço
permitirá que armazene suas ideias e seus
pensamentos em uma localização central
e dará à equipe uma lembrança física do
trabalho que tem sido feito. Use as paredes ou
grandes placas perfuradas para as imagens
inspiradoras ou as notas que fizer, a partir de
sua pesquisa, para que a equipe possa estar
continuamente imersa em seu aprendizado.
Lembretes visuais compartilhados ajudarão a
equipe a acompanhar o progresso e manter o
foco no desafio. Se você se sentir preso, tente
uma mudança de cenário e passe para um
espaço diferente, caso as placas forem móveis.

O TE MPO DA EQUIPE
Esclareça a equipe toda, antecipadamente,
sobre o tempo que será preciso para o projeto.
Crie convites no calendário e notifique outros
colegas de fora da sua equipe principal com
quem você trabalhará no projeto de design,
para definir as expectativas em torno de sua
programação. A maneira mais fácil de perder
o foco é pular reuniões ou se sentir “puxado”
em muitas direções. Planeje suas reuniões
com a maior antecedência possível, se houver
variações de uma semana para outra.

MONTE U MA ESTR ATÉGIA
D E COMU NICAÇÃO
Em sua primeira reunião, determine como
você e sua equipe gostariam de se comunicar.
Organize e anote informações com o contato
de todos e preferências, quando estarão
disponíveis e onde podem ser encontrados.
Assim que começar a documentar seu projeto,
você também pode criar uma plataforma
digital semelhante para armazenar mídias e o
progresso do projeto, como o Google Docs, um
blog no Wordpress ou Tumblr.

VISU AL IZ E
Expressar suas ideias de forma visual é uma
das etapas para o processo de Design Thinking.
Quando articulamos ideias com fotos ou
desenhos, em vez de palavras, aguçamos a
imaginação dos outros a estabelecer ideias de
uma forma mais significativa e memorável. As
pessoas podem imediatamente compreender
o que está acontecendo em uma imagem – elas
podem apontar seus detalhes, interpretá-la de
diferentes maneiras e facilmente construir
uma ideia a partir dela.

EX T ERIO RIZ E
Exteriorizar as suas ideias que andam de
mãos dadas com o visual. Externalização é
sobre partilhar as suas ideias, pensamentos,
dúvidas e preocupações. Em vez de escrever
pensamentos em seu notebook, tente escrever
em letras grandes em um post-it para um
membro da equipe ver. Seus pensamentos não
se perderão na conversa, uma vez que podem
ser afixados na parede. Post-its ou pequenas
notas também requerem um espaço limitado de
palavras para que você não escreva um ensaio,
forçando-o (e a outros) a escrever pensamentos
da forma mais sucinta possível.

DOCUMENTE
CUIDADOSAMENTE
A fim de causar uma mudança real em sua
biblioteca, você terá outras pessoas envolvidas
no projeto, além de sua equipe principal; talvez
a liderança ou a comunidade mais ampla à qual
você servirá. Conte a história do seu trabalho,
mostre o processo para criar impacto. Preparese para o sucesso, documente o seu projeto,
tanto quanto você possa, ao longo do caminho.
Pode ser útil nomear alguém de sua equipe
como um conteudista designado para registrar o
progresso de cada reunião. Traga materiais para
documentar o que for feito, como: caneta, papel,
gravação de voz e, mais importante, uma câmera
(ou celular com câmera) onde quer que vá; assim,
você poderá capturar momentos importantes.
Crie o hábito de carregar, organizar e legendar
fotos ou mídias no fim de cada dia ou semana

Boa sorte
e divirta-se!

24

�Referências
L E IA

EX ERC ÍC IO S

DESIGN T H IN K I NG PA R A I NOVAÇÃO
S O C IAL

CU RS O D.S CHO O L CRA S H

http://www.ideo.com/images/uploads/
thoughts/2010_SSIR_DesignThinking.pdf

————— 		

————— 		
AS DEZ FAC ES DA I NOVAÇÃO

http://www.tenfacesofinnovation.com/tenfaces/
index.htm

————— 		
DESIGN KIT

http://www.designkit.org/

————— 		
DESIGN C EN TR A D O NO S E R H U M A NO PA RA
INOVAÇÃO S OCI A L

Primeiros passos e leituras de Classe 1
http://plusacumen.org/human-centered-design-for-social-innovation-course-materials/

			
http://dschool.stanford.edu/dgift/

ASSIST IR
ID EO CEO TIM BROWN ’S TED TA L K

http://www.ted.com/talks/tim_brown_on_creativity_and_play

————— 			
F U N DA D O R DA ID EO DAV ID KEL L EY ’S TED
TA L K

http://www.ted.com/talks/david_kelley_how_to_
build_your_creative_confidence

—————

						
THE ID EO D EEP D IV E - S HO P P ING CART
V ID EO

http://www.youtube.com/watch?v=M66ZU2PCIcM

—————

						
CO N F IA NÇA CRIATIVA

http://www.designkit.org/mindsets/3

25

�CAPÍTULO

2

INSPIRAÇÃO
Criar soluções significativas para a
sua biblioteca começa por encontrar
inspiração no mundo ao seu redor e
alcançar uma profunda compreensão
das necessidades das pessoas.			
A fase de inspiração refere-se a escutar, observar e estar aberto para
o inesperado. Embora possamos, às vezes, pensar sobre a inspiração
a partir de algo que acontece conosco, inspiração no Design Thinking
é uma exploração ativa com direito a preparação. A fase de inspiração
irá capacitá-lo com novas experiências e perspectivas e lhe dará uma
grande base para as próximas etapas do projeto.

26

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

INSPIRAÇÃO

Resumo

�PA S S O 1

D EF IN A U M D ESAF IO D E D ES I GN

p. 28

· Identifique o público-alvo p. 29
· �Identifique o problema p. 30
· Trabalhando com restrições pg. 32

—————
�PA S S O 2

EX PL ORE M ÉT O D O S D E PESQ U I S A

p. 34

· Visão geral de métodos p. 35
· Use entrevistas p. 37
· Entreviste especialistas p. 38
· Observações p. 39
· Experiências de imersão p. 40
· Experiências análogas p. 41

—————
�PA S S O 3

PL AN EJE SU A PESQU ISA p. 42
· Prepare as entrevistas p. 43
· Como conduzir uma entrevista p. 44

—————
PA S S O 4

D OC U M EN T E D U RAN T E PESQ U I S A
· Seja organizado p. 46

p. 45

—————
EST U D O S D E C ASO
· Gutcheck p. 47
· Serviço de namoro chinês

p. 47

p. 48

—————
REF ERÊN C IAS

p. 49

27

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 1

DE F INA UM
DE SA FIO DE
DE SIGN
—————–—
O primeiro passo para encontrar inspiração é refletir sobre os tipos de desafios
que foram adaptados para Design Thinking em bibliotecas: programas, espaços,
serviços ou sistemas. Pode haver desafios operacionais a serem enfrentados,
tais como: questões de falta de pessoal, prateleiras ineficientes ou o processo de
aquisição de tecnologia. Não deixe que isso o desanime. A mudança é um processo
que pode ser incremental, evolucionário ou revolucionário, dependendo do que
você criar (a oferta) e para quem (os usuários). Ao iniciar o Design Thinking,
recomendamos que tenha como objetivo criar soluções evolutivas, que significam
o desenvolvimento de novas ideias para os usuários já existentes ou alavancar as
ideias existentes para novos usuários.

PASS O

1

de

N O VA S O F E R TA S

Evolucionário Revolucionário
USUÁRIOS EXISTENTES

NOVOS USUÁRIOS

Adicional

Evolucionário

O F E R TA S E X I S T E N T E S

Para definir o seu desafio, primeiro identifique um grupo de usuários e um
problema a ser resolvido. A partir daí, você vai enquadrar o desafio na forma de
uma pergunta e determinar um cronograma apropriado para o seu projeto.
28

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : D E FI NA UM DESAFIO DE DESIGN

IDENTIFIQUE O PÚBLICO-ALVO
O primeiro passo para a definição de seu desafio de design é identificar o públicoalvo. O que aprendemos ao longo dos anos é que, quando você projeta algo com
“todos” em mente, você não projeta para ninguém. O objetivo do Design Thinking
não é criar um projeto de design de ‘tamanho único’, mas para se concentrar
em um problema para um grupo específico de pessoas. Isso não quer dizer que
outros grupos de usuários também não irão amar a sua ideia, mas, como ponto
de partida para o projeto, será importante descrever um público-alvo específico
e significativo.
C ONCE NTRE-SE NAS
Q U E S TÕE S DOS
U S UÁRIOS , NÃO NAS
S UAS
Voltando à ideia de design centrado no ser
humano, é hora de voltar sua atenção para os
seus utilizadores. Sabemos que você tem uma
farta lista de questões que deseja abordar,
mas para fins deste projeto, estamos nos
concentrando em seus usuários. Pergunte a si
mesmo: “O que preciso para atingir um grupo
de usuários adolescentes?” versus “Como
fazer para que mais adolescentes utilizem
a biblioteca?” Se puder explicar por que é
importante trabalhar em um desafio destinado
a esse tipo de usuário, você estará pronto para
começar.

C OM EC E C O M U M A
C OM U N ID AD E
Uma
ótima
maneira
para
definir
comportamentos
é
identificar
uma
comunidade de pessoas em sua biblioteca.
Exemplos de comunidades incluem: grupos
que realizam reuniões de genealogia, crianças
que visitam a biblioteca para a “hora do conto”,
ou adolescentes que jogam videogames em
computadores. Pense sobre as comunidades
que conhece bem, grupos que encontra
muitas vezes, ou que tenham provocado sua
curiosidade. Você estará mais propenso a ter
essas relações pessoais, em sua biblioteca local,
em oposição a uma grande biblioteca central.
Por isso, recomendamos situar o seu desafio em
uma comunidade que você conheça bem.

PASS O

1

de

C OMPORTAM ENTOS vs.
D E MOGRA FIA
O seu público-alvo deve ser definido com base no
comportamento dos usuários e em seus dados
demográficos. Demografia isolada, como: idade,
sexo e nível socioeconômico não apresentam
uma imagem muito ampla das pessoas.
Descobrimos que as camadas mais profundas
dos comportamentos, crenças e valores de um
usuário fornecem subsídios muito mais ricos
ao projeto. Exemplos de comportamentos
incluem: a maneira com que as pessoas usam
a tecnologia, a biblioteca, como interagem e
assim por diante. Comportamentos tendem a
sobrepor a demografia e são, geralmente, mais
fáceis de projetar.
Na Biblioteca Pública de Chicago, o público-alvo de
um bibliotecário consistia de estudantes de língua
inglesa, ilustrados aqui.

29

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

PA SS O 1 : D EFI NA UM DESAFIO DE DESIGN

IDE NT IFIQU E O
PR OB LEMA
Depois de ter selecionado o público-alvo, pense nos tipos de problemas que
eles enfrentam na biblioteca. Em vez de focar na falta de recursos, considere o
que deseja para o seu grupo de usuários. Pode ser que eles tenham um problema
inerente. Por exemplo: se os seus usuários são “pessoas idosas que não sabem
como usar computadores” o problema é óbvio, a partir dos comportamentos que
identificou de imediato. Se são “pessoas que vêm até a biblioteca para reuniões
de grupos de interesse em genealogia”, você pode começar a pensar sobre quais
seriam os seus problemas. No que você poderia ajudá-los? O que considera um
obstáculo ou uma fonte de frustração para eles? Talvez não tenham um acesso
adequado aos arquivos de que precisam ou o espaço que eles usam não é bem
projetado para as suas necessidades. Nesta fase inicial, será necessário definir
um problema, mas tenha em mente que isso vai mudar, conforme você aprende.
Comece a partir de alguma referência e esteja aberto para deixar o problema se
desenvolver.

/ GLOSSÁRIO

C

oloque uma base sólida para
seu projeto desde o início
– escolha um grupo de usuários
específico para se concentrar
antes de se comprometer com
qualquer outra coisa.
Mark Kaplan, bibliotecário
Bezazian da Biblioteca Pública de
Chicago.

PASS O

1

LÍD E R D E E Q U I P E

D E TE RMINE UM ESCOP O
RE A LIS TA

D IM EN SION AN D O A
OPORT U N ID AD E

Para definir uma equipe de sucesso, considere
um escopo viável ao identificar um problema.
Você pode ter sonhos sobre como melhorar
as
organizações,
tornando-as
menos
burocráticas, ou para mudar a percepção
generalizada da biblioteca. No entanto, a chave
para a definição de um desafio é enquadrar um
problema no tempo e nos recursos que você
tem. Sentimos que esses grandes sonhos só
podem ser resolvidos por meio de projetos,
cuidadosamente, em escopos tangíveis.
Depois de criar uma solução adequada a um
projeto relativamente pequeno de design, você
pode demonstrar o que é possível, e escalá-lo
para ter um impacto mais amplo.

Pense em como transformar o seu desafio em
uma oportunidade. Fazemos isso por escrito,
o que chamamos de: “Como poderíamos…?”.
A amplitude e a profundidade dessa pergunta
são cruciais: se você fizer uma pergunta muito
ampla, não vai saber por onde começar. Faça
uma pergunta mais sucinta e correrá o risco de
ter a criatividade sufocada.

de

Na Biblioteca Regional de Vinnytsia, na Ucrânia,
uma equipe mapeia os possíveis desafios para seu
público-alvo de usuários com deficiência
30

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : D E FI NA UM DESAFIO DE DESIGN

Aqui estão algumas simples orientações para seguir quando elaborar o seu desafio, combinando
público-alvo e problema:
1. Concentre-se em um grupo de usuários específicos da biblioteca;
2. Certifique-se de que sua pergunta trata-se de um problema;
3. Deixe espaço para explorar oportunidades em várias soluções;
4. �Certifique-se de que é viável concluir o projeto em 5-6 semanas
(ou qualquer cronograma que tenha considerado apropriado com a sua equipe).

Aqui estão dois exemplos de questões de design que foram criados pelas equipes da Biblioteca
Pública de Chicago. Incluímos versões de perguntas que são muito amplas e muito sucintas, e as
versões finais que são mais apropriadas. Além disso, certifique-se de concentrar a pergunta no
usuário.

EXEMPLO 1

EXEMPLO 2

Ampla: Como poderíamos atrair adolescentes
para a biblioteca?

Ampla: Como poderíamos incentivar mais o uso
de jogos na biblioteca?

Sucinta: Como poderíamos propiciar
competências digitais para os adolescentes?
Apropriada: Como poderíamos criar serviços
digitais relevantes para adolescentes carentes
que visitam a biblioteca depois da escola?
O exemplo “amplo” sugere uma questão muito
abrangente para responder a um projeto de
design. Também é problemático porque se
refere “à obtenção de um usuário para realizar
algo” que você deve evitar na pergunta: “Como
poderíamos?”. Design Thinking não é sobre
controlar o seu utilizador, é sobre como fazer um
trabalho melhor para suprir às suas necessidades.
O exemplo “sucinto” é muito focado na solução e
não no problema como um todo. Uma pergunta
para um projeto bem-sucedido permite a
exploração de múltiplas possibilidades para
uma solução. Além disso, as perguntas não
consideram o comportamento dos usuários;
a frase “para adolescentes” não é indicativa
de suas necessidades. O termo “relevantes” se
concentra em um grupo de usuários específicos
e no comportamento deles na biblioteca para a
resolução de um problema e oferece o potencial
para explorar várias soluções. Também foca o
suficiente para que você possa, profundamente,
explorar a questão sobre 5-6 semanas do
cronograma.

Sucinta: Como poderíamos incentivar as
crianças a brincarem com fantasias durante
eventos de contação de histórias?

PASS O

1

de 4

Apropriada: Como poderíamos introduzir mais
jogos em eventos da biblioteca para as crianças
que não podem utilizá-los na escola?
Você pode observar os mesmos padrões neste
exemplo. O “amplo” no exemplo não é adequado
em um curto espaço de tempo; o exemplo
“sucinto” é muito focado em uma solução direta,
e não o suficiente sobre o problema maior. O
“apropriado” abre possibilidades a múltiplas
soluções e demonstra a necessidade deste grupo
de usuários em particular.

31

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : D E FI NA UM DESAFIO DE DESIGN

TRABALHANDO COM
RESTRIÇÕES
Agora que você já pensou em um grande desafio de design, é hora de considerar
algumas restrições que esteja enfrentando. Elas podem parecer assustadoras,
mas aprendemos, ao longo dos anos, que os melhores projetos nascem de difíceis
restrições. O que parece ser um conjunto de limitações pode, realmente, ajudar
a diminuir e se concentrar nos verdadeiros desafios. Restrições também podem
ajudar a perceber outras opções criativas que, sem elas, não seriam normalmente
consideradas.

O RÇAME NT O

M AT ERIAIS

Este pode ser o maior obstáculo. Aqui estão
algumas perguntas que o auxiliarão a pensar
sobre o projeto:

Faça um balanço das fontes existentes,
tecnologia e ferramentas de que você já
dispõe, a fim de tornar a sua solução de design
possível. Considere:

· �Você tem um orçamento? Se sim, quanto?
· �Você precisa captar recursos para completar
o seu projeto? Se sim, onde e como pode obter
isso?
· �A equipe tem o talento necessário ao projeto?
·�
Você precisará alocar dinheiro para a
contratação de ajuda externa para completar
o projeto?
· �������Pense no que pode construir. Você precisa
reservar um orçamento para isso?
· �Como parte da pesquisa, o que você precisa
para incentivar os participantes a se
engajarem no projeto? Talvez considerar
cartões-presente ou um café como um
pequeno gesto de agradecimento?

·�
Quais tipos de fontes para prototipagem
você tem ou pode precisar? (Papel, cola, fita,
tesouras, canetas etc.);

PASS O

1

de

·�
Quais ferramentas tecnológicas você tem
ou pode precisar? (Telefones, computadores,
impressoras etc.);
· �������Que outros materiais você já tem ou pode
precisar? (Gravador de áudio para entrevistas,
post-its, placas grandes para a exibição de
post-its, notebooks para os membros da equipe
etc.)

Na Biblioteca Pública de Aarhus, os bibliotecários
organizaram caixas para que canetas, fitas e outros
materiais estivessem sempre disponíveis
32

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : D E FI NA UM DESAFIO DE DESIGN

FORMA ÇÃO DE EQUIPE

C RO N O G RAM A

No Capítulo 1, falamos sobre formação de
equipe e em como criar equipes fortes. Além de
ter uma equipe interdisciplinar, esteja pronto
para mudá-la ou para substituí-la ao longo do
projeto. Isso é normal. Tente manter o mesmo
pessoal da equipe, mas fique atento para
considerar outros especialistas, se necessário.
Faça a si mesmo as seguintes perguntas:

A criação de um plano de trabalho sólido e de
um calendário viável com metas é uma parte
crítica do escopo delimitado do processo. Na
IDEO, gostamos de imprimir grandes cartazes
do calendário que delineiam prazos, datas de
viagem, reuniões intercaladas, férias e muito
mais, de modo que esses fatores do cronograma
sejam visíveis por todos da equipe. Pense sobre
as perguntas abaixo, como você planejaria seu
cronograma:

·�
Quanto
tempo
cada
pessoa
pode,
razoavelmente, se dedicar a este projeto?
Como os membros da equipe poderão ter
diferentes níveis de responsabilidades com
base nas restrições existentes?
· �Será que a equipe precisa trabalhar fora do
horário normal de expediente? Como eles
poderiam ser incentivados a fazê-lo?
· �Como os membros da equipe dedicam o
tempo para esse projeto e como outras
pessoas poderiam ajudá-los em suas funções?
Alguém precisa aprovar a participação dos
membros da equipe nesse projeto como a
equipe de liderança da biblioteca?

· Você tem uma data de início para o projeto?
· �Você tem um prazo de entrega para quando
quiser testar a sua primeira solução?
· �Você tem datas e etapas principais a serem
priorizadas?
· �Qual é a flexibilidade em seu cronograma? As
coisas nem sempre saem como planejado!
Por fim, sobre a duração de tempo dedicado
ao projeto: sugerimos que você dedique de
4-8 horas por semana, durante 5-6 semanas,
que é uma estimativa aproximada com base
no número de horas que antecipam leituras
e atividades a serem realizadas. Embora não
seja uma quantidade insignificante de tempo
a cada semana, sabemos, por experiência,
que é imprescindível manter o ritmo durante
todo o processo, especialmente quando você
está se dedicando a aprender novos conceitos,
sendo muito importante permanecer na tarefa
e estar focado nos objetivos, ao lado de seus
companheiros de equipe para que as ideias
possam realmente emergir.

PASS O

1

de

4

P RO N TO PA R A DEFINIR O
D ES A F IO D O PR OJ ETO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 2, Atividade 1, página 16

33

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

PA SS O 2

E X PL O RE
MÉ TO DOS DE
P ESQ U ISA
—————–—
Ao contrário de pesquisas no cenário das bibliotecas, a pesquisa em Design
Thinking diz respeito a escutar, observar e estar aberto ao inesperado. O projeto
de design, como o chamamos, refere-se a abrir possibilidades em vez de validar
ou fornecer evidências. Com direito a preparação, essa fase pode inspirá-lo ao
novo, a novas perspectivas sobre o seu desafio e lhe ofertar uma grande base para
as próximas etapas do projeto.
Na fase de pesquisa, você planejará e realizará indagações minuciosas para
compreender melhor os usuários e o problema, o que levará a novas descobertas
e ideias. Esteja pronto e aberto a descobertas surpreendentes sobre a sua
biblioteca, seus usuários, e os problemas que pretende resolver. Esperamos que
essa pesquisa o inspire a ver a sua biblioteca com um novo olhar.

/ GLOSSÁRIO

I

novação começa com as
pessoas, não com as ideias.
Aprender com os usuários em
primeiro lugar é fundamental. As
pessoas estão na vanguarda deste
processo. Ao dedicar o tempo para
entrevistar e observar os nossos
usuários, podemos aprender o
que é realmente importante para
eles. Permanecemos relevantes e
colocamos nossa energia e nossos
recursos onde vemos o maior
impacto.
Equipe da Biblioteca Pública de
Chicago, refletindo sobre suas
pesquisas.

PASS O

2

de 4

Yulia, bibliotecária da Ucrânia, queria entender melhor as necessidades dos usuários com deficiência. Sua equipe visitou um centro de reabilitação local e discutiu os hobbies e interesses dos usuários durante o almoço.

34

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Visão Geral dos Métodos
Em seu projeto, você provavelmente usará a maioria dos métodos de pesquisa listados
abaixo. Você também pode querer incorporar métodos adicionais, incluídos no fim de
nossa lista. Cada projeto exige uma abordagem diferente para pesquisar, mas para começar,
recomendamos que comece com estes métodos principais.
Os métodos principais o ajudarão a ter uma compreensão mais profunda do usuário como
pessoa, por meio de conversas, observações, e, literalmente, colocando-se no lugar dele.
Tenha em mente que as pessoas nem sempre fazem o que dizem, e nem sempre dizem como
se sentem. É o seu trabalho, enquanto realiza a pesquisa, tentar reconhecer as nuances e as
contradições para compreendê-las, tanto quanto possível.

DIGA

PENSE

SINTA
FAÇA

MÉ TODOS DE P ESQUISA

PASS O

2
E N T RE V I S TA S C OM OS USUÁR IOS
Um dos fundamentos do Design Thinking é
entender o usuário. Por meio de entrevistas, você
pode capturar necessidades, valores e crenças dos
usuários. Para realizá-las, pense em quem você
projetará, e considere o líder da biblioteca, a equipe
e a comunidade.

E NT R E VI STAS COM ESPECI AL I STAS
Entrevistas com especialistas são uma ótima maneira
de aprender rapidamente várias informações sobre o
seu problema. Pense em quem são os pesquisadores
ou organizações inspiradoras no cenário de seu
Design Thinking.

Utilize essa opção quando:
Precisar de uma compreensão básica das
necessidades, dos valores e das crenças dos
usuários. Essas entrevistas são ideais no início do
projeto.

Utilize essa opção quando:
Quiser obter rapidamente uma compreensão
melhor do problema em que está trabalhando. Essas
entrevistas são ideais no início do projeto.

E X P E RI Ê N C I AS IME R SIVAS
Esse método, que permite empatia com o seu
usuário, também é conhecido como observação
participativa. Imergindo-se em uma nova
experiência, você pode entender melhor as
motivações, os pensamentos e os sentimentos dos
usuários num determinado momento. Por exemplo,
se você estivesse projetando para uma pessoa cega,
você poderia mergulhar nessa experiência, tentando
executar tarefas simples com os olhos vendados.
Utilize essa opção quando:
Quiser vivenciar uma profunda empatia com o seu
usuário, e ver a sua biblioteca através de seus olhos.

de 4

OB SERVAÇÃO
Muitas vezes, as pessoas dizem e fazem coisas
muito diferentes. Enquanto as entrevistas o ajudam
a entender valores e crenças dos entrevistados, a
observação pode revelar comportamentos reais. Ao
observar: tome nota das expressões faciais de uma
pessoa, a linguagem corporal, o estilo de andar, e
como interage com os outros e o mundo.
Utilize essa opção quando:
Quiser entender melhor as necessidades e os
comportamentos reais dos usuários.

SOL UÇÕES AN ÁL OGAS
Experimentar soluções análogas pode ajudar a ver
o seu desafio sob nova perspectiva: considerando
atividades, emoções e comportamentos que
compõem a experiência de seu desafio. Em seguida,
olhe para soluções fora da biblioteca que tenham
aspectos em comum com o seu desafio. Por exemplo:
se você estiver pensando sobre uma introdução
a brincadeiras em eventos da biblioteca, você
poderá visitar um museu para crianças, uma loja de
brinquedos, um show de marionetes, entre outros.
Utilize essa opção quando:
Quiser explorar o seu problema de um ponto de vista
diferente.
35

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Visão Geral dos Métodos
M É TODOS D E P ESQUISA ADIC IO N AIS
A coleção de métodos de pesquisa do design é ampla, diversa e sempre crescente. Além dos métodos
fundamentais, sinta-se livre para experimentar os métodos adicionais a seguir. Eles podem ajudálo a aprimorar conhecimentos específicos que você gostaria de aprender e podem ser grandes
complementos às suas conversas com os usuários.

DIÁRIO PES S OA L

EN S A I O F O T O G R Á F I C O

M A PA DE J O R N A DA

Peça aos usuários para que anotem reflexões de determinados momentos ou temas no fim do dia. Isso
lhes fornecerá tempo para pensar de forma pessoal
e ininterrupta.

Ofereça aos usuários uma câmera descartável
e uma lista de objetos e/ou experiências para
fotografar durante o dia todo. Isso fornece aos
participantes uma perspectiva visual em primeira
mão, descobrindo o que é importante para eles em
parte de sua vida cotidiana. Você terá acesso a “um
dia visual” da vida do usuário.

Peça aos usuários para criarem uma linha do tempo
de uma experiência pessoal. Eles deverão mapear
como se sentiram em diferentes pontos, ao longo
do caminho. Use o mapa como um ponto de partida
visual para a conversa.

Utilize essa opção quando:
Quiser aprender sobre a experiência do usuário durante um longo período de tempo.

Utilize essa opção quando:
Quiser comparar e contrastar as diferentes
experiências e realidades diárias de um grupo de
usuários.

CARDSO R TIN G

CONCEITOS

Crie uma série de cartões com uma única palavra ou
imagem e peça para os usuários priorizarem o que é
mais ou menos importante, interessante ou relevante
para eles.

Estes são uma série de desenhos e conceitos que
acompanham explicações. Conceitos podem ser discrepantes, destinados a incitar uma forte reação, ou
as primeiras ideias para começar a construir protótipos.

Utilize essa opção quando:
Quiser restringir os usuários a um conjunto de ideias, ou quando quiser entender os padrões de julgamento de valor entre eles.

Utilize essa opção quando:
Quiser feedback antecipado sobre por que os usuários gostam ou não gostam de certas características.

Utilize essa opção quando:
Quiser discutir um sistema complicado ou uma
série de interações com o usuário. (O processo de
compra de um carro é um bom exemplo).

PASS O

2

de

4

P RO N TO PA R A LISTAR IDEIA S PA RA O S MÉTODOS DE
P ES Q U IS A?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 2, Atividade 2, pág. 20

36

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

ENTREVISTAS COM OS USUÁRIOS
O princípio fundamental do Design Thinking é simples: aprendemos com as
pessoas. Enquanto você tem o próprio ponto de vista, pressupostos, interesses
e objetivos é importante deixá-los temporariamente de lado para aprender com
outras pessoas. Esta abordagem o incentiva a passar mais tempo com as pessoas
e ganhar uma percepção mais profunda e inspiradora sobre a vida delas. Sabemos
também que pode ser intimidante abordar pessoas que você não conhece e fazer
uma infinidade de perguntas. Mas tudo isso se torna mais fácil com a prática e a
preparação. Aqui é onde começa.
BRA INS TOR M ING PAR A
E N CONTRAR OUTR OS
P ERFIS
As
entrevistas
com
usuários
são
essencialmente conversas com pessoas que
fazem parte de um grupo que você gostaria de
entender melhor para o desenvolvimento do
seu projeto. Imagine um mapa com todos os
perfis de opiniões e um ponto de vista sobre o
seu desafio de design, tais como: funcionários
da biblioteca e organizações comunitárias
locais. Escolha com quem você quer aprender e
como deseja entrar em contato com eles.

P ENS E OS EXTR EM OS
Normalmente as pessoas escolhem um
determinado público-alvo para pensar sobre
design, mas identificar e entrevistar indivíduos
que estejam extremamente familiarizados
ou que desconheçam totalmente um produto
ou serviço pode destacar questões-chave do
desafio e fornecer informações valiosas para a
melhoria. Imagine pessoas com as quais talvez
você queira conversar e que representem
comportamentos
extremos:
usuários
fantásticos, não usuários, leais, céticos ou
campeões, por exemplo.

P LANE JE A INTER AÇÃO E A
L OGÍS TICA
Reflita sobre como exatamente você quer que
a interação com o usuário se apresente. Onde
você quer encontrá-lo? Existe alguma atividade
que vocês podem desenvolver juntos para
enriquecer a conversa? Quais perguntas você
fará a ele? As entrevistas geralmente duram
cerca de 45-60 minutos, e sugerimos não mais
do que três pessoas presentes na ocasião.

R E C RU T E PART IC IPAN T ES
Você precisará se conectar com as pessoas
que deseja entrevistar. Não tema procurálas nas redes pessoais – pergunte a seus
amigos, familiares e outros colegas que
possam ter uma rede mais extensa, para ver
quem estaria interessado em ajudar em seu
projeto. Você também pode recrutar usuários
da biblioteca. Mesmo que não os conheça, as
pessoas geralmente ficam interessadas em
compartilhar o que sabem, especialmente
se você lhes disser que seu objetivo é criar
mudanças positivas na biblioteca. Uma
maneira de aumentar o interesse é oferecer um
incentivo, como um certificado de presente,
um café ou qualquer outro pequeno gesto de
agradecimento.

PASS O

2

de

EXEMPLO
Uma equipe da Biblioteca Pública de Aarhus
estava trabalhando no propósito de entender
as necessidades relacionadas ao uso da
tecnologia na biblioteca. Eles se conectaram
à rede social para recrutar uma variedade de
usuários, alguns que eram tecnologicamente
experientes e outros que tinham pouca
experiência com a tecnologia, como o usuário
retratado aqui. Eles enviaram e-mails para
amigos e familiares e conseguiram vários
participantes para as entrevistas. Conduziram
entrevistas de uma hora com os usuários na
casa deles para aprender sobre as necessidades
relativas à tecnologia na biblioteca. Como
parte da entrevista, a equipe de design pediu
para examinar os telefones dos usuários e
quaisquer outros dispositivos que eles usavam
regularmente. No fim da entrevista, eles deram
aos participantes dois ingressos de cinema
gratuitos.
37

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Entrevistas com especialistas
Entrevistas com especialistas são exatamente como se apresentam: entrevista
com alguém que tenha profundo conhecimento em uma área que seja parte
integrante do seu projeto. Especialistas podem ser especialmente úteis quando
é preciso aprender sobre uma grande quantidade de informações, em um
curto espaço de tempo, ou se você deseja saber o que é de ponta dentro de um
campo. Use sua própria rede para encontrar especialistas que irão inspirá-lo.
Simplesmente envie e-mails às pessoas e veja se elas estão dispostas a falar com
você, ou conectá-lo com outros especialistas.
E SCOL H A O SEU ÂNGULO
Escolha especialistas com base em seu objetivo.
Você está procurando alguém com uma opinião
radical, ou você quer ganhar uma visão mais
histórica do que está realizando, ou mesmo do
que não tem? Obtenha opiniões diferentes para
equilibrar suas informações.

ES TAB EL EÇ A U M A
C ON V ERSA PRO D U T IVA
Planeje cuidadosamente como deseja que a
conversa flua. Considere pedir ao especialista
para ajudá-lo ativamente a trabalhar em um
conceito inicial. O uso de ferramentas de
videoconferência como o skype permitirá
que você compartilhe e desenvolva conceitos
visuais em tempo real.

EXEMPLO

EXEMPLO

Para um projeto sobre o futuro das bibliotecas
públicas, a IDEO entrevistou um professor e
um bibliotecário da Universidade de Chicago,
Mansueto Library. Sua biblioteca tem duas
partes: uma delas se destina à coleção clássica
de monografias, e a outra é um sistema
maciço de armazenamento subterrâneo que
disponibiliza livros usando recuperação
automática. Esse sistema subterrâneo é para
livros raros. Dos peritos, aprendemos um
ponto de vista interessante sobre o futuro
das bibliotecas. Eles sentiram que, embora
as monografias possam eventualmente estar
inteiramente disponíveis digitalmente, ainda
haverá uma necessidade de livros raros e
especiais impressos em bibliotecas. Isso torna
os sistemas de armazenamento, como o da
Mansueto especialmente importante para o
futuro do livro.

Para um projeto sobre o envolvimento de
adolescentes na Biblioteca Pública de Chicago,
a equipe de bibliotecários entrevistou o diretor
de Serviços para Adolescentes da própria
biblioteca, Jeremy Dunn, no escritório dele.
Certifique-se de considerar colegas de trabalho
em sua biblioteca como possíveis especialistas
para a entrevista.

PASS O

2

de 4

38

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Observações
A observação é uma parte importante do Design Thinking, porque as pessoas
podem dizer uma coisa e depois fazer outra. Na verdade, muitas vezes as pessoas
desconhecem os atos que realizam. Tudo que você puder apreender sobre as
motivações e os valores de uma pessoa em uma entrevista de usuário será útil
para entender o comportamento real através da observação. A observação pode
se tornar uma de suas melhores ferramentas para o Design Thinking. A chave é
manter seus olhos abertos ativamente e olhar para o que os seus usuários estão
fazendo, dentro e fora da biblioteca.

PLANEJE SUAS OBSERVAÇÕES
Escolha um grupo, evento ou atividade que
você gostaria de observar. Ou se você trabalha
diretamente com os usuários, passe algum
tempo observando comportamentos relevantes
para o projeto; pode ser durante uma entrevista.
Peça às pessoas para mostrar como elas agem
e mantêm a rotina diária. Fique atento para
qualquer coisa interessante ou inesperada.

PASS O

2

de

RE FL ITA S OB R E O QUE
O BS E RV OU
Imediatamente após a sua observação, reflita
sobre os momentos que considerou mais
interessantes. Capture-os nos post-its ou em
seu caderno, para que você possa compartilhar
com sua equipe de uma maneira precisa, vívida
e visual.

EXEMPLO
Em um projeto de saúde na IDEO, entrevistamos
uma mulher que estava tomando vários
medicamentos prescritos. Como era artrítica, o
entrevistador perguntou se ela tinha dificuldade
para abrir a medicação. Ela respondeu: “não”. O
entrevistador pediu para ela mostrar como fazia
para abrir os medicamentos. Ela, então, usou
um moedor de carnes para abrir a tampa dos
remédios. Este foi um aprendizado importante
para a equipe, porque a mulher tinha encontrado
uma solução para facilitar a abertura de suas
medicações, embora fosse uma solução muito
extrema. Eles nunca teriam aprendido isso, se
não tivessem observado o comportamento real
da entrevistada.

39

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Experiências
Imersivas
Experiência imersiva, também conhecida como observação participativa, é
praticada por etnógrafos e é muito útil para o Design Thinking. É uma excelente
oportunidade para criar empatia com os seus usuários e entender o mundo, do
ponto de vista deles. Embora você não possa passar um fim de semana com os
seus usuários, você pode se programar para encontrá-los em um ambiente que
seja conhecido ou da rotina deles.
NOV O OLHAR
Por trabalhar em uma biblioteca diariamente,
você desenvolveu hábitos e perspectivas
arraigados. Uma ótima maneira de trazer um
novo olhar à rotina do seu dia a dia é se colocar
no lugar do usuário. Passe um dia como se
fosse ele na biblioteca: procure um livro, use
o computador ou se dirija aos espaços que
geralmente não visita. Se estiver trabalhando
com crianças, olhe ao redor, a partir do ponto
de vista dela. Se você estiver trabalhando
com pessoas que usam cadeira de rodas, tente
contornar a cidade ou a biblioteca em uma
delas. Essas experiências mudarão a maneira
como você vê o mundo.

PASS O

2

de

NOVA S E XP ER IÊNCIAS
Outra opção é procurar novas experiências
que possam ajudá-lo a criar empatia com os
usuários. Por exemplo: se você está procurando
novas ideias sobre maneiras de fornecer opções
de alimentos mais baratos e saudáveis para
pessoas interessadas, você pode visitar uma
cafeteria de baixo custo ou um restaurante de
fast food durante o seu almoço. Espere na fila,
peça uma refeição e observe o espaço ao redor.

EXEMPLO
Em um projeto sobre o aumento de renda de
pequenos agricultores para o IDE na Etiópia,
a equipe de design da IDEO passou a noite em
Arsi Negelle, e lavrou os campos da família,
na manhã seguinte. Durante a noite, a equipe
conseguiu ir além das histórias comuns que
as pessoas contam às ONGs e, em vez disso,
aprendeu sobre os planos íntimos de um
fazendeiro para o futuro.
40

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E X P LORE MÉTODOS DE PES QUISA

Experiências análogas
Você provavelmente está familiarizado com o conceito de uma analogia. É um
processo de pensamento associativo, que permite a transferência do significado
de um assunto para outro. A pesquisa análoga utiliza a inspiração de um contexto
ou de uma experiência diferente que não esteja relacionada ao assunto de seu
projeto, de modo que possa ajudá-lo a ter uma nova perspectiva.

BRA INS TOR M ING D E
E X PE RIÊ NCIAS ANÁLOGAS
Pense em experiências que estão fora da sua
área de atuação, mas que de alguma forma
tenham alguma conexão com o seu objetivo
de pesquisa. Por exemplo, se o seu objetivo
é criar uma comunidade, pense em grupos
que obtiveram sucesso fazendo isso. Uma
equipe que trabalha na intenção de criar uma
comunidade para um projeto de uma faculdade
on-line entrevistou um ex-Navy SEAL para
entender como eles estruturaram campos de
treinamento para criar vínculos intencionais
entre os recrutas.
Pergunte a si mesmo quais são os diferentes
papéis que a biblioteca desempenha. No
contexto do desafio que você gostaria de
resolver, quais são os problemas ou as situações
análogas existentes que poderiam inspirá-lo?

EXEMPLO 1
Considere a biblioteca como um ‘terceiro
lugar’. Um terceiro lugar é um espaço social
Exemplo 1

separado da casa e do local de trabalho. Quais
são os outros terceiros lugares que você poderia
explorar? Talvez uma cafeteria ou um centro
comunitário.
Considere a biblioteca como um centro de
aprendizagem. Neste contexto, um cenário
análogo poderia ser um museu, um centro
cultural, ou mesmo uma escola.
Outras configurações análogas que poderíamos
imaginar para as bibliotecas são playgrounds,
mercados, cafeterias com internet, jardins
comunitários e parques.

PASS O

2

de 4

EXEMPLO 2
Para um projeto de Design Thinking em uma
biblioteca na Dinamarca, a IDEO explorou
atividades com crianças e famílias. Eles
consideraram a biblioteca como um espaço
para exposições interativas; então, decidiram
visitar o museu local para se inspirar. No
museu, encontraram exposições interativas
destinadas a adultos, mas expandidas ao público
infantil, e eles encontraram um espaço criativo,
envolvente para crianças e adultos participarem
de projetos de artes e oficinas.

41

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

PA SS O 3

P LA NE JE SUA
P ESQ U ISA
—————–—
Uma ótima maneira de começar a se preparar para a pesquisa é criar uma lista de
desejos do seu plano ideal. Pense nos métodos que melhor o ajudarão a entender
os usuários e a responder perguntas. Comece escolhendo o método de pesquisa
e veja como poderá documentá-lo: se você está fazendo suas observações na
biblioteca, poderá, provavelmente, tirar fotos e filmar. Se estiver fazendo suas
observações em um website, talvez seja necessário obter permissão para tirar
fotografias e filmar.

/ GLOSSÁRIO

O

s passeios de campo foram
valiosos. Conseguimos nos
inspirar e nos abrir a novas ideias.
Aprendemos que a mudança
não precisa ser tão difícil. Ao
preparar sua lista de desejos,
saiba que essas viagens valem o
tempo que levam para chegar lá
e ver o que outras organizações
estão fazendo. Saímos inspirados
e
entusiasmados
com
as
possibilidades da CPL.
Equipe da Biblioteca Pública de
Chicago, refletindo sobre pesquisas.

Uma maneira de nos prepararmos para essas experiências é fingir que somos
turistas visitando outro país pela primeira vez. Imagine que você é novo em sua
biblioteca para que possa vê-la sob um novo olhar.
PASS O

3

P ERGU NTE SEGUINDO AS
P ES S OA S AO SEU R ED OR
Como parte de sua entrevista, você pode
ter uma experiência imersiva ao pedir para
acompanhar alguém, durante o seu dia ou
rotina. Aproveite para fazer perguntas sobre
o que a pessoa está fazendo no decorrer do
processo.

C OLOQU E - SE NO LUGAR
D O U S UÁRIO
Em vez de acompanhar alguém e se você
experimentasse ficar na biblioteca como se fosse
um usuário? Por exemplo: você poderia participar
de uma oficina, procurar um livro, escrever ou
ler na biblioteca durante o dia. Tente ver sua
biblioteca do ponto de vista do usuário.

de 4

C APT U RE O Q U E V Ê
Fotografe e anote tudo o que você vê, ouve,
sente, cheira e gosta durante uma visita de
campo. Capture citações diretas, sempre que
possível. Anote seus pensamentos imediatos
sem se preocupar com uma interpretação.
				

F OT O G RAF E
As fotografias ajudam a lembrar com quem
você conversou e o que viu. Fotografias tiradas
durante as entrevistas tornarão sua pesquisa
mais visual, significativa e fácil de se lembrar e
navegar. Sempre pergunte aos entrevistados se
é possível tirar fotografias, e nunca as use para
outra coisa além do projeto interno.

P RO N TO PA R A O
P L A N EJA M E NTO DE
P ES Q U IS A?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 2, Atividade 4, pág. 23

42

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3 : P LANE J E SUA PE S QUISA

Prepare as
entrevistas
As entrevistas são essencialmente conversas, mas isso não significa que
elas sejam fáceis. Ao falar com os participantes da pesquisa, tente fazêlos se sentirem à vontade, como se vocês estivessem tomando café juntos.
Pode ser surpreendente, mas realizar uma entrevista com um tom casual
exige uma preparação rigorosa.
Depois de agendar as entrevistas, planeje o que quer obter, pois entrevistas
são conversas e você não quer que elas sejam excessivamente formais, mas
facilitará o seu processo se tiver uma lista de perguntas. Elas funcionam
como uma referência para garantir que contemple todos os tópicos para
a discussão, mas você sempre pode fazer perguntas que não estejam
incluídas no roteiro de discussão.
I DE NTIFIQUE OBJETIVOS
Como equipe, reflita sobre o objetivo do seu
desafio de design. Faça algumas perguntas
básicas: Por que estou fazendo a pesquisa? O
que estou tentando descobrir? Saiba que a parte
mais valiosa em criar um roteiro de discussão é
o pensamento dentro dele.

O RGA NIZE SUAS
P ERGU NTA S

· �Aprofunde: Faça perguntas sobre esperanças,
medos e ambições. É melhor que essas
perguntas sejam abertas, pois se referem
sutilmente ao seu desafio de design. No
exemplo de uso da biblioteca pela família,
mais tarde, na entrevista, você pode fazer
perguntas como: “Quais são suas esperanças e
sonhos para seus filhos?”

de

PE RG U N TAS EST RAT ÉG IC AS

Uma boa regra é começar com perguntas fáceis,
então vá fundo. Isso dará ao entrevistado tempo
para se sentir confortável com você.

Faça questões de forma aberta. Isso o ajudará
explorar ainda mais o seu desafio, além dos
temas interessantes que você descobre durante
as conversas de maior profundidade.

·�
Reúna dados demográficos relevantes em
primeiro lugar. Pergunte às pessoas a idade
delas, o que fazem para viver, se têm filhos etc.

TE N T E PERG U N TAS C O M O:

·�
Comece com perguntas simples, porém
importantes. Você deseja capturar ideias
amplas antes de se aprofundar nos detalhes.
Por exemplo: se estiver entrevistando alguém
que faz parte de uma família que usa a
biblioteca, comece dessa maneira: “Fale-me
por que você leva seus filhos à biblioteca?” ou
“Como foi a última visita que sua família fez à
biblioteca?”.

PASS O

3

· “Conte-me sobre uma experiência...”
· “Conte-me a história de...”
· “Conte-me sobre a última vez que você...”
· “Quais são as melhores/piores partes sobre...?”
· “Você pode me ajudar a entender melhor
sobre...?”
					
Incentive as pessoas a contarem a história
delas e evite perguntas que levem a respostas
fechadas de sim/não.

43

4

�COMO

CONDUZIR
UMA

E N T R E V I S TA
Depois de recrutar participantes, você precisará entrevistá-los. Aqui estão diretrizes
gerais para seguir.
E S TA B E L E Ç A C O N F I A N Ç A C O M O S
E N T R E V I S TA D O S

Crie uma atmosfera de confiança. Inicie a conversa
de forma espontânea. Fale sobre um assunto
que não esteja relacionado com a pesquisa para
fazer o entrevistado se sentir confortável, isto é,
quebre o gelo. Esteja atento ao espaço em que se
encontra, e certifique-se de ter um nível adequado
de privacidade.
·E
� scute pacientemente, não interrompa e permita
realizar pausas para dar aos participantes tempo
para pensar;
·U
� se gestos não verbais, tais como: contato visual,
balance a cabeça e sorria para tranquilizar os
participantes que estão envolvidos. Mantenha o
interesse no que eles estão dizendo;			
				
· I� ncentive os participantes a demonstrarem
de forma clara o que estão dizendo. Peça aos
participantes que mostrem o objeto ou o espaço do
qual estejam falando;
·P
� eça aos participantes que façam um desenho sobre o
que estão falando;
·T
� ente perguntar “por quê?” em resposta a perguntas
consecutivas.						
						
SAIBA O QUE PROCURAR

Procure por indícios que revelem com o que as
pessoas se importam e tenha em mente que elas
podem se contradizer. O que as pessoas “dizem”
é muitas vezes diferente do que elas realmente
“fazem”.					

·P
� rocure pistas nas coisas que cercam as pessoas ou
na maneira como elas se conduzem;
·O
� bserve as soluções, alternativas e os ajustes
que as pessoas fazem para tornar um sistema ou
uma ferramenta melhor para atender às suas
necessidades.			
CAPTURE O QUE VÊ

Fotografe e anote tudo o que vê, ouve, sente, cheira
e gosta durante uma visita de campo. Capture
citações diretas, sempre que possível. Anote seus
pensamentos imediatos sem se preocupar com
uma interpretação.				
C A P T U R E C I TA Ç Õ E S

Durante sua entrevista, capture citações
importantes, em vez de interpretar o que acha que
a pessoa está dizendo. Mais tarde, ao compartilhar
com sua equipe, você terá um registro mais
preciso de quem é a pessoa – nos seus termos e na
sua língua.
							
			
TENHA CALMA

				
Não se preocupe em fazer com que a experiência
faça sentido num primeiro momento. Mais
adiante poderá influenciar o projeto de um modo
que você nunca imaginou.

44

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4

DO C U MENTE
DU RA N TE A
P ESQ U ISA
—————–—
Após uma entrevista, é fácil sentir-se sobrecarregado com a quantidade de
informações recolhidas. Dedique um tempo, logo após uma sessão de entrevista,
para capturar o que observou, pois isso o ajudará sobremaneira mais tarde, quando
você contar as histórias a sua equipe. Planeje de 10 a 20 minutos extras, após uma
entrevista ou observação, para que você possa compartilhar suas impressões iniciais
com os colegas de equipe, enquanto estiverem com a mente fresca. É importante que
isso não ocorra na frente da pessoa que você acabou de entrevistar; por isso, se você
estiver na biblioteca, dirija-se a um local distante do olhar dessa pessoa. Compare
experiências e impressões, mas não se preocupe em interpretar as histórias relatadas
nesse momento.

PASS O

4

de

4

P ES QU IS A TOP 5
Uma maneira simples de fazer isso é registrar
as cinco impressões mais importantes, algo
que chamamos de: Pesquisa Top 5. Leva
apenas alguns minutos e você terá uma base
satisfatória para a fase de Ideação. Existem
várias coisas que você pode considerar e incluir
em sua pesquisa Top 5. Há citações ou histórias
memoráveis? O que foi mais surpreendente?
O que foi interessante saber sobre a maneira
como o usuário interagiu com o ambiente?
Considere quaisquer perguntas que você
gostaria de explorar na sua próxima entrevista.
Capture perguntas ou ideias que surgirem,
após a entrevista, para adicionar ao seu guia de
entrevistas.

Q U ER M A IS DICAS S OBR E
D O CU M EN TAÇÃO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 2, Atividade 5, página 25

45

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : D OCUME N TE DURA NT E A PES QUISA

Organize-se
Uma prática importante para desenvolver, enquanto se está fazendo
pesquisa é organizar todas as informações coletadas. No fim do dia, não se
esqueça de enviar as fotos e os vídeos e manter suas anotações para exibilas em seu espaço de trabalho, para que você possa, facilmente, vê-los e
acessá-los. Quanto mais organizado você for ao realizar a pesquisa, mais
eficientemente você completará as próximas fases do projeto.

T ENHA UMA EQUIPE PAR A
D OCU ME NTAR

US E F ERRAM EN TAS
ON L IN E

Será mais fácil manter o hábito de se organizar,
se você tiver alguém na sua equipe para essa
responsabilidade. Se você ainda não tem,
pense em alguém da equipe que seria ideal
para organizar e arquivar, continuamente, as
informações de pesquisa. Essa pessoa também
poderia ficar encarregada de imprimir fotos
e capturar com uma câmera o progresso da
equipe.

Há inúmeras ferramentas on-line para ajudá-lo
a se organizar. Abaixo estão recursos gratuitos
que poderá usar, especialmente se você está
realizando muitas pesquisas, ou tem uma
equipe extensa envolvida em seu projeto de
design. Se não estiver familiarizado com esses
recursos, recomendamos tentar usá-los com a
sua equipe; embora nem todas as ferramentas
se ajustem perfeitamente a todos, pode ser
moroso ficar na tentativa e ter receios de
cometer erros.

A RQUI VAND O
—————–—
Basecamp é um aplicativo de gerenciamento de
projetos na web. Tem função de calendário, pode
armazenar todos os tipos de arquivos originais que
serão compartilhados com a sua equipe. Se houver
alguma alteração ou discussão no Basecamp, uma
notificação será imediatamente enviada a sua equipe,
para que você possa acompanhar o andamento,
inclusive se sua equipe não estiver no mesmo local.
Dropbox é um serviço que permite arquivar vídeos,
fotos e outros documentos na “nuvem”, ou seja, online, para que você possa acessar esses documentos
de qualquer lugar. Este é um ótimo recurso para
compartilhar arquivos grandes que não podem ser
enviados por e-mail.
COLABORAND O
—————–—
Google Docs é a nossa ferramenta número um,
recomendada para a colaboração escrita. Use-a para
capturar perguntas, documentar notas de reuniões
e criar um campo compartilhado de insights ou
informações. O Google Docs será útil para capturar
todos os pensamentos colocados pela equipe e por
você nos post-its.

PASS O

4

de

P L A N E JA N DO
—————–—
Doodle é um serviço na web usado para planejar
reuniões com várias pessoas. Use Doodle para
encontrar um tempo mutuamente satisfatório para
você e outras pessoas se encontrarem.
Com o Google Calendar, você pode convidar pessoas
da equipe usando o mesmo calendário e compartilhar
datas especiais, compromissos e horários de reunião.
Será útil quando estiver coordenando pesquisas,
reuniões mais longas com a equipe ou sessões de
feedback dos usuários.
C O MPA RT I LHA N DO
—————–—
Wordpress é um blog. Constitui uma ótima
plataforma para capturar reflexões sobre o projeto.
À medida que avança em seu projeto de design,
é importante aproveitar o tempo para escrever e
refletir sobre o progresso de sua equipe.
Google Plus é excelente se você tiver uma conta no
Google – se ainda não tiver, nós recomendamos que
faça uma. Google Plus é uma rede social que permite
ver atualizações de amigos e grupos. Use o Google
Plus para compartilhar inspirações entre sua equipe,
tais como: websites, fotos e vídeos.

46

4

�ESTUDO DE CASO

		

No. 1

“Gutcheck”

O DESAFIO
O câncer colorretal é a segunda principal causa de morte
nos Estados Unidos e afeta tanto homens quanto mulheres.
O controle preventivo é a melhor maneira de detectá-lo no
início, sendo o período em que o tratamento é mais eficaz, mas
apenas metade das pessoas com 50 anos ou mais o realizam.
Para resolver o problema, a IDEO fez uma parceria com o
Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), do
governo dos EUA.

VISÃO GERAL
Para entender o porquê de as pessoas não realizarem o
controle do câncer colorretal, a IDEO conduziu pesquisas
em uma variedade de contextos. Esses métodos incluíram:
entrevistas extensas: em casa, com pacientes que enfrentam
condições crônicas ou agudas; observações de conversas
entre paciente e médico; discussões com diferentes tipos de
médicos e reuniões com especialistas. A equipe descobriu que
o desafio está na lacuna comunicacional entre os médicos e
os pacientes. Enquanto os médicos têm o conhecimento para
explicar a importância de um controle da área colorretal e os
diferentes tipos de exames, os pacientes são os especialistas
quando se trata de conhecer seu próprio estilo de vida, bem
como qual tipo de tratamento caberá para si.

POR QUE A INSPIRAÇÃO FOI
I M P O R TA N T E ?
Por meio da pesquisa, a equipe percebeu que era preciso
construir uma ferramenta para facilitar e melhorar as
conversas. Amy Schwartz, designer da IDEO, explica como
uma variedade de métodos de pesquisa iluminou o fato de
que “os médicos são de Marte e os pacientes são de Vênus”.
Em outras palavras, ao observar pacientes e médicos se
comunicarem, a equipe compreendeu quão diferentes eles
eram ao abordarem a questão da doença. A equipe teve de criar
empatia ou ver o desafio sob o ponto de vista do usuário que,
neste caso, era o paciente.
Para a inspiração, eles procuraram situações análogas onde um
não especialista (tal qual o paciente) e o perito (os médicos)
tiveram de se comunicar para tomarem uma decisão juntos.
Schwartz aponta para a dinâmica entre um “estilista de cabelo”
e o cliente. Enquanto o estilista compreende as diferentes
técnicas entre cortes de cabelos distintos, as necessidades
de um cliente estão além dos cortes (looks) e são baseadas em
escolhas de seu estilo de vida: como quantas vezes, durante o
ano, ele deseja cortar o cabelo ou quanto tempo irá gastar para
manter o estilo.

A solução de design foi um toolkit de comunicação, com
depoimentos em vídeo de pacientes, cartazes, folhetos e
camisetas – que apoiaram a jornada de tomada de decisão do
paciente, desde a percepção de diferentes opções de controle
até a melhoria da saúde.

47

�ESTUDO DE CASO

No. 2

“Serviço de Namoro Chinês”
O DESAFIO
Uma das principais plataformas de encontros on-line na
China tem mais de 70 milhões de usuários registrados, mas em
comparação com o website, a taxa de retenção de usuários para
o aplicativo da empresa foi baixa. Ao mesmo tempo, as pessoas
sentiram que a experiência de namoro era muito transacional.
Como resultado, a empresa pediu à IDEO para aplicar técnicas
de jogos (gamify) a esse grupo de usuários, com o objetivo de
desenhar um relacionamento mais forte, tornando-o mais
divertido e romântico.

VISÃO GERAL
A equipe sabia que eles queriam aprender mais sobre o
público-alvo de jovens solteiros e sobre o comportamento
deles durante o namoro. Assim, experimentaram duas
técnicas de pesquisa inovadoras: diários de fotos e discussões
em grupo. Para os diários fotográficos, a equipe pediu a
quatro homens e mulheres para criarem um diário do Dia dos
Namorados composto de “selfies etnográficos”, ou imagens
que tiraram de si mesmos ao longo do dia. Esta foi uma
oportunidade para analisar não só o que os usuários disseram
valorizar, mas o comportamento deles também. Além disso, a
equipe organizou uma discussão de grupo que começou com
uma festa e evoluiu para um grupo de bate-papo on-line, com
o objetivo de aprender mais sobre o jogo coletivo, diversão e
amor.
Em última análise, a IDEO redesenhou o aplicativo da empresa,
passando de uma plataforma que, anteriormente só permitia
que os usuários se comunicassem por e-mail, a um aplicativo
que oferecesse uma variedade de maneiras lúdicas e sociais

de interagir. Por exemplo: sobre o que as pessoas gostam de
consultar, a sua família e os amigos, quem eles namoram; desse
modo, o aplicativo passou a ser um elemento social.

POR QUE A INSPIRAÇÃO FOI
I M P O R TA N T E ?
Você pode observar que a entrevista do usuário um a um é
uma base sólida para a pesquisa, mas é um ponto de partida,
não o ponto final. Não tenha receio em ser criativo, como fez
essa equipe com diferentes métodos de pesquisa. “Quem está
contando a história e a forma como conta é o que importa”, disse
o designer IDEO Ge Jin. “Quando as pessoas estão contando as
próprias histórias de forma descontraída, é aí que obtemos a
informação mais perspicaz.” Não apenas isso, mas os pontos
mais tocantes ou as oportunidades que você tem para se
conectar com os seus usuários, sendo a melhor oportunidade
para construir confiança. A equipe construiu confiança com
os participantes da pesquisa por meio de múltiplos canais
tecnológicos. Hospedar um bate-papo do grupo on-line como
uma forma de pesquisa foi benéfico em dois níveis: permitiu
que os designers observassem a dinâmica do grupo, com mais
profundidade e fizessem as perguntas nas quais não puderam
pensar durante as entrevistas individuais. Além disso, era uma
nova oportunidade e um novo modo de se conectar com os
usuários e, portanto, outra chance de ganhar a confiança deles.
Enquanto nós vemos, frequentemente, a tecnologia como uma
barreira à conexão, este é um grande exemplo da tecnologia
que permite nos relacionarmos de uma nova maneira.

48

�Referências
L E IA

ASSISTA

TO OL KIT DE D E S I G N T H I NK I NG PA R A
E D UCADOR ES – 2 A . E D I ÇÃO

D ES IG N CEN TRA D O NO S ER HU M A NO EM
AÇÃO

Discover Chapter
http://www.designthinkingforeducators.com/

—————				
DESIGN T H IN K I NG M ÉTO D O S D E
IN SPIR AÇÃO

Saiba mais sobre os diferentes métodos de descoberta utilizados pela equipe IDEO.org, como parte
de um projeto de estufas limpas na Tanzânia. Faça
o download da entrega final do projeto:
http://bit.ly/cookstovesdeliverable

http://www.designkit.org/methods

—————

—————

EM PATIA

Como as Restrições Inteligentes Impulsionam a
Criatividade
http://blogs.hbr.org/2013/01/how-intelligent-constraints-dr/

Emi Kolawole, editor residente no d.School da
Universidade de Stanford, fala sobre a importância da empatia no Kit de Design.
http://www.designkit.org/mindsets/4

49

�CAPÍTULO

3

IDEAÇÃO
A fase de Ideação transforma sua
pesquisa em insights acionáveis que se
tornarão a base para o design tangível.
		
Pelo que aprendeu na fase de Inspiração, você desenvolverá insights que
o ajudarão a definir oportunidades de design. Através de brainstorming,
chegará a muitas ideias. Finalmente, vai tirá-las de sua mente e transformálas em algo tangível, que poderá testar no mundo real.

50

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

IDEAÇÃO

3 / IDEALÇAO

RESUMO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIRO

�PA S S O 1

C O N T E HIST ÓRIAS

p. 52

· Compartilhe histórias com sua equipe

p. 52

—————
PA S S O 2

EN C ON T RE T EM AS

p. 54

· Identifique padrões p. 54
· Um olhar atento: Evolução de suas notas p. 55
· Transforme temas em insights p. 56
· Aplique frameworks p. 58
· Um olhar atento: Frameworks em ação p. 59

—————
�PA S S O 3

C RIE B RAIN ST O RM IN G S PRO N T O S
· Modelo de como podemos fazer perguntas

p. 60

p. 60

—————
PA S S O 4

G ERE ID EIAS

p. 61

· Configure um brainstorming p. 61
· Um olhar mais atento: Regras de brainstorming
· Como: Faça suas ideias visuais p. 64
· Facilite um brainstorm p. 66
· Use votação para selecionar ideias p. 67

p. 63

—————
PA S S O 5

C RIE PROT Ó T IPO S

p. 68

· Crie um mapa conceitual p. 68
· Crie um plano de jogo de prototipagem p. 70
· Um olhar mais atento: Quebre um conceito p. 71
· Um olhar mais atento: Formas para prototipar p. 72
· Planeje um dia de construção p. 74

—————
EST U D O S D E C ASO

pg. 77

· Merenda Escolar pg. 77
· Projeto Brooks Pure pg. 78

—————
REF ERÊN C IAS

pg. 79

51

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

PA SS O 1

C ON TE H I S TÓRIA S
—————–—
Até agora, você conversou com muitas pessoas e explorou novas perspectivas
sobre o seu desafio. É hora de compartilhar o que aprendeu com a sua equipe, a
fim de começar a desenvolver novas ideias e reconhecer temas.

/ GLOSSÁRIO

D

espendia-se muito tempo,
mas
ganhamos
muito
mais percepções das viagens
de campo e das entrevistas que
pudemos dialogar com a equipe
inteira. Essas experiências que
não foram compartilhadas por
meio de narrativas foram quase
desperdiçadas.
John Glynn, bibliotecário infantil
na Biblioteca Pública de Chicago.

Compartilhe histórias
com sua equipe
Compartilhar histórias é contar histórias com uma intenção específica: destacar
áreas ricas de oportunidades. Algumas equipes podem ter se dividido, ao conduzir
a pesquisa, enquanto outras realizaram todas as pesquisas em conjunto. De
qualquer forma, agora é fundamental reservar tempo para contar histórias. É
quando você pode mergulhar em diferentes perspectivas do usuário e obter uma
compreensão mais profunda do seu desafio de design, no contexto da vida das
pessoas.

PASS O

1

de

5

LÍD E R D E E Q U I P E

MONTE U MA SESSÃO DE
C ONTA ÇÃO DE HISTÓR IAS
Para cada entrevista, experiência análoga
ou experiência de pesquisa, recomendamos
que planeje pelo menos 15 minutos para
contar histórias a sua equipe. Certifique-se de
preparar a sala com bastante espaço e distribua
canetas e post-its para todos os membros da
equipe. Imprima fotos de cada experiência e
tenha fita adesiva pronta para afixar na parede.

RE V E ZE
Volte à sua lista de experiências de pesquisa,
organizadas por tipo e tente compartilhálas cronologicamente. Se você está contando
a história é sempre útil rever as notas
documentadas, durante sua entrevista ou
observação.

ES C U T E AT IVAM EN T E
Enquanto escuta uns e outros, você e seus
companheiros de equipe devem comparar e
contrastar as coisas que aprenderam. Onde
existem opiniões diferentes? Onde há tensão
e onde há contradições? Procure por padrões
que surgirem.

A equipe de bibliotecários em
Aarhus entrevistou uma família
inteira ao mesmo tempo, então,
eles contaram as histórias de
cada um, das perspectivas dos
membros da família.

52

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : C ON TE HI STÓRI AS

COMO CONTAR UMA BOA
HISTÓRIA
· �Use detalhes e descrições vívidas ao contar
histórias
· �Evite generalizações, julgamentos ou
avaliações
PARA UMA ENTREVISTA /
OBSERVAÇÃO:
·D
� etalhes Pessoais: Quem você conheceu?
(Nome, idade, localização, ocupação,
familiares)
·H
� istórias Interessantes: Qual foi a história
mais memorável e/ou surpreendente que
essa pessoa lhe contou? Se você fez um Top 5
da pesquisa, olhe para trás nesses destaques
para ajudá-lo a refrescar sua memória. Se foi
uma observação, o que você poderia extrair da
expressão facial, linguagem corporal e ações
nesse contexto?

C APT U RE AS
IN F O RM AÇ ÕES EM
PE Q U EN AS PART ES
Enquanto uma pessoa estiver falando, outras
devem tomar notas em post-its. Certifiquese de escrever em letras grandes e de forma
legível o suficiente para que todos possam
ver as notas. Use frases concisas ou que todos
na sua equipe possam entender facilmente.
É particularmente útil incorporar citações
significativas para representar a voz do
participante.

M OST RE SU AS N OTAS
Colete todas as notas de sua sessão de contação
de histórias e coloque-as na parede de forma
ordenada. Comece com fotos, detalhes básicos
da pessoa ou visita. É importante organizá-las
para que você possa seguir em suas anotações
e construir, a partir delas, os próximos passos.
PASS O

1

·B
� .V.B: Este é um acrônimo (em inglês) para
ajudá-lo a lembrar de Comportamentos,
Valores e Crenças: o básico para chegar aos
relacionamentos profundamente funcionais
e emocionais que a pessoa tem com o
tópico do desafio. Quais foram os rituais ou
comportamentos exclusivos dessa pessoa? O
que mais valorizava? No que esse participante
acredita?
·M
� otivações / Barreiras: O que motiva essa
pessoa? Do que mais gosta? O que representou
uma barreira para essa pessoa? O que achou
frustrante?

de

Q U ER A P RE NDER MAIS
S O BRE A CAPT UR A DE
HISTÓ RIA S?

·C
� ontexto: Qual era o contexto (casa,
escritório, espaço de trabalho, outros)? Se foi
na biblioteca, como interagiu com o espaço?

· �Consulte: “Um olhar mais atento:
Evolução das suas notas” página 54

·Q
� uestões Restantes: Quais perguntas você
exploraria se tivesse outra conversa com este
participante?

· �No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 2, página 29

PARA UMA EXPERIÊNCIA DE
IMERSÃO OU ANÁLOGA:
· �Detalhes do local: Onde ocorreu e como o local
se conecta ao seu desafio?
·�
Histórias interessantes: Qual foi a parte
mais memorável ou surpreendente da visita?
Como a experiência lhe forneceu uma nova
perspectiva sobre o seu desafio?

5

Um exemplo de como uma equipe exibiu suas
notas, antes de contar histórias umas às outras.

53

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2

ENCONTR E TE M AS
—————–—
Você tem seus post-its na parede, fotos de suas visitas e as anotações de cada
experiência. Agora é hora de desenhar as conexões em toda a sua pesquisa para
identificar padrões e temas.

Identifique Padrões
Olhe para todas as suas notas e comece a observar onde surgem os padrões.
Enquanto estava contando histórias, na última etapa, quais citações, ideias ou
pensamentos surgiram? Estes são, provavelmente, o ponto de partida para temas,
que andam de mãos dadas com insights que impulsionarão o seu design.
PASS O

I NFORMAÇÕES
A GRUPA DAS

R E C ON HEÇ A
R E L AC ION AM EN T OS

A partir de entrevistas e experiências
de pesquisa, organize as informações
relacionadas, dentro do agrupamento de
seu quadro. O que a maioria das pessoas
mencionou? Quais as questões óbvias?
À medida que você começar a agrupar as
informações com a sua equipe, certifique-se de
discutir quaisquer discordâncias sobre onde as
informações estão agrupadas.

Você descobrirá que as informações agrupadas
terão relações umas com as outras. Como elas
estão relacionadas? Qual é o ponto em comum?
Não tenha medo de agrupar e reagrupar suas
categorias; este é um processo não linear,
e os relacionamentos irão mudar à medida
que continue a processar e organizar novas
informações. Ao definir o relacionamento, você
pode formular melhor um tema acionável que
se aplique a cada nota agrupada.

O L H E A LÉ M D A SUP ER F ÍC IE
Identifique quais informações parecem extrair
mais energia de sua equipe. Quais anotações
provocam mais questionamentos e os
convidam a construir pensamentos? As notas
que têm mais impacto são muitas vezes as que
indicam lutas ou oportunidades. Essas notas
têm mais potencial para conduzir a um insight.

EN C O N T RE M AN C HET ES
VI ÁV EIS

Nomeie os agrupamentos que acabou de
definir com um título prático, uma frase curta
que resuma as informações abaixo, mas com
profundidade suficiente para que fique claro
de imediato. Onde houver necessidade ou
oportunidade, o título deve indicar o problema
e auxiliará no processo de gerar ideias.

2

de

5

P RO N TO PA R A IDENTIFICAR
PA D RÕ ES?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 3, página 30

54

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

EVOLUÇÃO
DE

S U A S N O TA S
Ao longo da Ideação, a perspectiva do seu
desafio evoluirá e mudará. Ao entender
profundamente
essas
observações,
você terá mais chance de deixá-las
inspirá-lo a ter novas ideias. A chave
é deixar sua pesquisa evoluir, através
de várias etapas. Mantenha-se focado
em transformar aprendizagens em
soluções. Tenha tempo para se organizar
e dar sentido à informação. Quanto mais
profundamente você interpretar suas
descobertas – em vez de tirar conclusões
precipitadas – mais estará aberto a novas
ideias que poderão surpreendê-lo. Pode
ser um pouco desconfortável no início,
mas fique onde está. Ao interpretar seus
pensamentos, extrairá mais insights não
óbvios, que o levarão a melhores soluções.

INSIGHTS
Insights são declarações que interpretam
padrões em sua pesquisa. Eles podem
fornecer uma nova compreensão ou
perspectiva sobre uma questão. Você
terá insights, a partir da informação
que organizou, sendo profundamente
relevantes para o desafio em suas
mãos. Eles podem não ser novas
descobertas, porém o auxiliarão a uma
nova compreensão das aprendizagens
interligadas que você acumulou.

APRENDIZAGENS

TEMAS

Aprendizagens é aquilo que você registra
de sua pesquisa, no nível mais básico, ao
compartilhar histórias: citações diretas,
anedotas, primeiras impressões, notas
sobre o ambiente, notas sobre o que foi
mais memorável ou surpreendente e uma
coleção de Top 5 da pesquisa.

Os temas surgem quando você organiza
os aprendizados. Eles indicam uma
questão ou necessidade abrangente. É
importante manter o nome do tema,
bem como as aprendizagens associadas
a ele no quadro, de modo que não perca
a sua linha de raciocínio ao passar para a
próxima fase.

COMO PODERÍAMOS

IDEIAS

(HMWS)
A pergunta “Como poderíamos (do inglês
How Might We’s - HMWS)” na fase de
sessões de brainstorming, comparada
com “Defina um desafio de design”, a
primeira será muito mais estratégica
do que a segunda, e você poderá fazer
outras, em oposição a apenas uma.
Além disso, em vez de se preocupar se a
questão é muito ampla ou muito limitada,
concentre-se em criar questões que
sejam motivadoras, emocionantes e que
tenham potencialidade para solucionar.
Esta fase será abordada na Etapa 3.

Ideias são conceitos gerados durante uma
sessão de brainstorming. Elas podem ser
práticas e simples ou ousadas e loucas.
Recomendamos que você crie tantas
ideias quanto possível, e as represente
como esboços visuais, tanto quanto você
puder. Esta fase será abordada mais
adiante na Etapa 4.

55

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : ENCONTRE TEM AS

Transforme temas em
insights
Insights são expressões concisas do que você aprendeu com as atividades de
pesquisa. Combinam observação com deduções para criar um novo significado.
Eles refletem uma compreensão do assunto em questão e são inesperados, não
óbvios e interessantes. Insights permitem que você veja o mundo de uma nova
maneira e são os catalisadores de novas ideias.
Alguns critérios para sólidos insights incluem o seguinte: Boas ideias são...

INTUITIVAS
Elas fazem sentido com
base no instinto. Elas
são surpreendentes e
verdadeiras.

N ÃO Ó B V IAS
Elas iluminam algo sob a
superfície. Representam o que
chamamos de: “Então, o quê?”,
o que significa que há uma
resposta para esta questão.

GE RADOR AS
Elas sugerem oportunidades para
novas ideias e conceitos.

AD EREN T ES
Elas são concisas,
corajosamente declaradas
e se repetem na discussão
entre a equipe.

PASS O

2

de

5

P RO N TO PA R A
TRA N S FO RMAR T EMAS EM
IN S IG HTS?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 4, página 31

56

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E NCONTRE TEM AS

T EN HA T EM A S V I ÁV E I S

R ED E F IN A S UAS IN F ORM AÇÕE S

Dê uma olhada nos temas que você criou para
cada um de seus agrupamentos e se certifique
de que eles se concentram em uma necessidade.
À medida que você molda os temas em insights,
desejará escrever instruções completas, por
exemplo: “não há nenhum incentivo financeiro
para que os distribuidores entreguem frutas
na comunidade.” Escreva a frase completa em
um post-it e marque seu agrupamento com esta
nova sentença.

Experimente o texto e a estrutura que
melhor comuniquem suas ideias. Procure
sentenças curtas e ousadas que representem,
corajosamente, aquilo em que você acredita,
com base em sua pesquisa. Uma fórmula que
pode seguir:

P RI ORI Z E I N S IG H T S A O
C ONT RÁ RI O D E SE U D E SA FI O
Revisite seu desafio de design: como suas
percepções se relacionam com o desafio? Quais
insights são mais fortes e relevantes? Este é
o momento de olhar pela janela e escolher as
3-5 ideias mais importantes, enquanto edita
partes de informações que podem ser menos
importantes.

As pessoas precisam / querem / têm ______,
mas / apesar / por causa de _____.
Exemplo: As pessoas precisam de ajuda com os
recursos eletrônicos disponíveis na biblioteca,
mas são intimidadas pela equipe, por trás do
suporte de TI.
O BTE N H A UM A PE RS PE CTIVA
E XTE RN A
Uma vez que você tenha vários insights
formados, considere convidar alguém que não
pertença à sua equipe para ler suas ideias. Esta
nova perspectiva poderá ajudá-lo a filtrar quais
percepções são ousadas, frescas e frutíferas.

PASS O

2

de

EXEMPLO
A IDEO.org fez parceria com o Grupo
Consultivo de Assistência aos Pobres (CGAP)
para orientá-los sobre novas formas de
poupar, acessíveis aos mexicanos de baixa
renda. Quando a equipe da IDEO.org começou
a realizar pesquisas na cidade do México,
aprenderam que as pessoas estavam, de fato,
economizando e de maneiras incrivelmente
diversas. Entretanto, esses métodos de
poupança estavam fora do sistema bancário
formal e, muitas vezes, não eram comentados
por pessoas na comunidade em uma linguagem
relacionada à poupança. Baseado nessa
importante informação, a equipe começou a
desenvolver uma série de produtos genéricos,
ao invés de substituir o comportamento
informal de economia no qual os mexicanos de
baixa renda já estavam engajados

57

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : E NCONTRE TEM AS

Aplique Frameworks
Agora que você tem ideias sólidas, é hora de encontrar a maneira correta de
comunicá-las. Frequentemente canalizamos nossas percepções em estruturas
para que possamos fazer o seguinte: 1. Tornar a informação mais visual e
2. Explorar mais profundamente as relações que os insights representam.
Frameworks ajudam a organizar os pensamentos e fornecem estrutura para uma
interpretação adicional.

E STE JA CONF OR TÁVEL,
MA S NÃO INATIVO

R E V ISE Q U AN D O
NEC ESSÁRIO

O ato de encontrar temas, desenvolver insights
e, em seguida, comunicá-los de maneira
significativa é provavelmente, a parte mais
mentalmente exaustiva do processo de Design
Thinking. Isso acontece porque você pode
sentir como se não estivesse se movendo
em nenhuma direção específica, e há mais
perguntas do que respostas. Tente suspender
a descrença do momento e concentre-se no
que você pode, razoavelmente, interpretar.
Você está em um processo de criação, de
novas informações e leva uma quantidade
significativa de energia mental e tempo para
moldar esses pensamentos.

Sentindo-se preso a um framework? Sinta-se
livre para tratá-lo, simplesmente, como esboço
em um papel e passar para o próximo, sabendo
que você pode voltar a ele. Frameworks nunca
são perfeitos na primeira tentativa, e nós o
encorajamos a vê-los como uma ideia em
desenvolvimento. Experimentar múltiplos
frameworks permite que você se preocupe
menos sobre o aperfeiçoamento de um
paradigma e mais sobre ver, rapidamente,
várias maneiras de olhar para um problema.
Não trate qualquer framework de forma
muito preciosa – eles são destinados a serem
discutidos, construídos, criticados, rasgados e
reconstruídos.

PASS O

2

de

RE FL ITA S OB R E O
PA NORAMA M AIOR
À medida que pensa sobre frameworks
que representam ou integram as suas
percepções, recue e pense sobre o panorama
maior do problema. O processo de dar
sentido às suas descobertas é, muitas vezes,
alternativamente
divergente
(sensação
expansiva e multidirecional) e convergente
(sentindo-se conclusivo e preso em uma
direção), e este é um daqueles momentos em
que você quer ser divergente. Como você pode
ser mais exploratório em seus insights? O que
seus frameworks podem mostrar, a partir das
ideias criadas? Como seus frameworks podem
lançar luz a uma ideia sobre novas regras,
relacionamentos ou percepções?

Um exemplo de como explorar
vários frameworks durante um
workshop com as Bibliotecas
Públicas de Aarhus.

58

5

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

FRAMEWORKS
EM

AÇÃO
Aqui estão alguns exemplos de frameworks que você pode experimentar,
enquanto aprende a comunicar suas ideias de uma nova forma.
A LT O EN GA JA MEN T O

C O MPO R TA MEN T O
D E C O MPR A S
PO R N AV EGA Ç Ã O
(IN T ER N ET )

SEDUZIR

E N T R AR E NGAJAR

SAIR

C O MPO R TA M E N T O
D E C O MP RAS
D IR EC IO N AD O

AM PL I AR
BA IX O EN GA JA MEN T O

JORNADA DE SERVIÇO

DOIS POR DOIS

A jornada do usuário é um ótimo lugar para começar a pensar
sobre uma experiência, um trabalho ou um processo ao longo do
tempo. Uma jornada de serviço é essencialmente, um diagrama
ou mapa que ilustra os humores e comportamentos de um
usuário antes, durante e depois de usar um serviço, mostrando
como se sente em diferentes estágios da experiência. Quais
são os pontos altos e baixos, emocionais da perspectiva do
usuário, bem como pontos de dor (momentos de luta ou
desapontamento) e momentos de oportunidade?

Esta ferramenta ajuda a mapear aspectos de comportamentos
e qualidades. Ela destaca as tensões entre categorias e pode
apontar para as oportunidades de design dentro de cada
quadrante. Que tipos comportamentais de usuários você está
projetando? Se você está pensando sobre os tipos de usuários, o
que iria movê-los de um quadrante para outro?

BIBLIO T E CÁRI O S

C R IA N Ç A S

C O N D U TOR E S

CONDUT OR E S

E M O C I O NAIS

FUNCIONAIS

C O N TA D O R ES
D E H IST Ó R IA

PA R EN T ES

EQ UIPE
N ÃO
BIBLIO T E CÁRI O S

DIAGRAMAS DE VENN

M A PA D E R E L A C I O N A M E N T O

Diagramas de Venn são maneiras simples de expressar
relações, sobreposições e interseções entre ideias. Pense sobre
os tamanhos dos círculos, bem como o grau em que eles se
sobrepõem. Qual é o ponto ideal e o que está fora dos círculos?

Um mapa de relacionamento visualiza um conjunto de
stakeholders em seu serviço ou sua organização. Também pode
representar um fluxo de processos e conexões de um sistema
maior.

59

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3

C R IE
B R A INSTORM
P R O N TOS
—————–—
Os insights que você criou servem como pontos de partida para gerar ideias. Eles,
provavelmente, já indicam uma necessidade ou oportunidade; agora, o truque
é transformar essas declarações de insights em uma pergunta que gere muitas
ideias.

MODELO DE COMO
PODERÍAMOS FAZER
PERGUNTAS

PASS O

3

de

5

Você agora formará outra rodada de “Como poderíamos” (HMW) perguntar. As
perguntas nesta fase são sobre a criação de um cenário para um brainstorming
produtivo, em vez de delinear a finalidade de um projeto inteiro.
D E S E NV OLVA PER GUNTAS
A PROPRIA DAS
Construa perguntas que comecem com: “Como
poderíamos...?” Esta pergunta atua como um
convite à abertura e à exploração. Novamente,
há perguntas HMW para brainstormings que
podem ser muito sucintas ou muito amplas.
O ponto-chave aqui é assegurar que a questão
seja suficientemente ampla para permitir
múltiplas soluções e sucinta o suficiente para
fornecer direção imediata para possibilidades.
Se descobrir que suas perguntas já implicam
em uma determinada solução, diminua o zoom
e pergunte a si mesmo: por que você deseja
essa solução? Em seguida, incorpore em sua
pergunta HMW. Por exemplo:

Insight:
As pessoas precisam de ajuda com os recursos
eletrônicos disponíveis na biblioteca, mas elas
ficam intimidadas pela equipe de suporte de TI.
Questão:
Como poderíamos ajudar as pessoas que
procuram recursos eletrônicos a se envolverem
com o suporte de TI de uma nova maneira?

P RO N TO PA R A FOR MULAR
P ERG U N TA S DE HMW ?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 5, página 32

ES C O L HA PERG U N TAS D E
BR AIN ST ORM IN G
Selecione três de suas melhores perguntas
HMW para a sessão de brainstorming. Confie
em seu instinto e escolha as perguntas que acha
que são excitantes e possuem potencial maior
para gerar ideias. Certifique-se de selecionar as
perguntas que julgue importantes de resolver,
mesmo que elas pareçam difíceis de responder.
60

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4

GE R E
I D E IA S
—————–—

B

rainstorming várias ideias
na equipe, esboçando e
escolhendo ideias para avançar, o
que gerou muito entusiasmo para
encaminhar o projeto.
Equipe da Biblioteca Pública de
Chicago

Uma das melhores maneiras de gerar muitas ideias ao mesmo tempo é criando
uma sessão de brainstorming. Pode parecer que brainstorming seja selvagem e
desestruturado, mas é realmente uma atividade focada que envolve disciplina e
preparação. Depois de praticar a criação de um brainstorming, você achará que
pode, facilmente, incorporar este tipo de atividade geradora em outras reuniões
e sessões de trabalho em equipe.

Configure um brainstorming
Pense em uma sessão de brainstorming como um tipo especial de reunião. Você
deve considerar os participantes, o espaço, o calendário e os recursos. Tenha
algum tempo para configurar adequadamente e obter o máximo de sua sessão.

PASS O

4

de

61

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : G E RE I DE IAS

C ONVI D E U M G R UPO
DIVERS I F I C A D O D E PE SSO A S

LÍ DER DE EQUIPE

Um brainstorming é um grande momento
para explorar a experiência de outras pessoas,
além de sua equipe principal. Pense em
convidar outros colegas e funcionários, líderes,
especialistas ou outras pessoas que você
acredita que estariam interessadas em seu
desafio de design. Tente incluir um total de 6 a
8 pessoas.

No início de seu brainstorming e, às vezes,
durante todo o processo, você pode se referir
às perguntas que esteja abordando, bem como
outras informações do projeto. Aproveite para
exibir quadros de sua pesquisa que mostrem
com quem conversou, o que visitou, e os
insights que levaram ao brainstorming, no caso
de alguém ficar curioso sobre sua viagem até o
momento. Além disso, certifique-se de que seu
brainstorming seja escrito com letras grandes e
afixado na parede, com espaço vazio para novas
ideias.

LÍD E R D E E Q U I P E

R E S ERVE U M E SPA Ç O
Dependendo do número de pessoas em seu
brainstorming, escolha uma sala (que pode ser
o espaço do seu projeto atual) que seja ampla e
que possam ser afixados na parede post-its com
as ideias e as anotações do grupo. Certifique-se
de que tenham cadeiras suficientes para todos
se sentarem e espaço para se movimentarem.
Você também pode exibir placas das imagens/
notas de sua pesquisa que os levem a ideiaschave.
LÍDER D E EQ U I P E

PREPARE O ESPAÇO COM MATERIAIS
Reúna materiais, tais como: post-its, canetas,
marcadores, fita adesiva e papel (costuma-se
cortar papel tamanho carta na metade, para
esboços de conceito maiores). Além disso,
nunca subestime o poder de algumas bebidas
e lanches na sala, para manter os níveis de
energia em alta.

C O N S E RV E AS PARE D E S

C RO N O M ET RE O T EM PO
Um bom brainstorming nunca se prolonga
por muito tempo. Pode parecer que, quanto
mais tempo durar um brainstorming, mais
ideias você receberá, mas na verdade um
brainstorming produtivo geralmente dura de
45 minutos a uma hora. Se você tiver tempo,
poderá gastar os primeiros cinco minutos
informando a todos sobre a experiência do
projeto e dedicar cerca de 15 minutos a cada
pergunta depois disso. Se você perceber a
energia caindo, logo no início de uma questão,
sinta-se livre para avançar. Atribua o papel de
cronometrista a alguém em sua equipe para
certificar-se de que seu ritmo permanece
focado no alvo.

PASS O

4

de

62

5

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

REGRAS DE
BRAINSTORMING
Estas sete regras farão com que sua sessão de brainstorming seja focada, eficaz e divertida. Introduza as
regras no início de cada brainstorming para garantir que haja acordo entre a equipe em segui-las.

EVITE O JULGAMENTO

UM DIÁLOGO POR VEZ

Não há ideias ruins em um brainstorming, então, mantenha sua
crítica para si mesmo. Você quer criar um espaço seguro que
incentive, até mesmo, as pessoas mais tímidas a contribuírem
com ideias.

Todas as ideias devem ser ouvidas, de modo que apenas uma
pessoa fale de cada vez. Aguarde a sua vez de compartilhar e
certifique-se de que todo o grupo esteja ouvindo.

SEJA VISUAL
INCENTIVE IDEIAS AMBICIOSAS
Não há momento melhor do que em um brainstorming para
trazer à tona ideias loucas e ambiciosas. Mesmo que uma ideia
não pareça realista, ela pode gerar uma ideia para outra pessoa.

C O N S T R U A A PA R T I R
DAS IDEIAS DOS OUTROS
Quando você ouve a ideia de um colega de equipe, pense “e ...”
em vez de “mas ...” para ser o mais gerador e aberto possível.
Pense em como você combinaria ou estenderia as ideias em um
novo território.

Desenhe suas ideias, em vez de apenas escrevê-las. As figuras e
os esboços simples podem dizer muito mais do que as palavras
e serão mais fáceis de recordar e de serem construídas. Para
saber mais sobre como ser visual, confira o item COMO a seguir.

VÁ PA R A A Q U A N T I D A D E
Defina um objetivo ambicioso para o número de ideias que você
quer gerar e, em seguida, tente superá-lo. Descobrimos que a
melhor maneira de encontrar uma boa ideia é primeiramente
ter muitas ideias, por isso tente não adivinhar enquanto produz
rapidamente muitas possibilidades.

MANTENHA-SE FOCADO NO TEMA
Mantenha o seu brainstorming à mão, focado na pergunta:
Como poderíamos? Mantenha um ritmo que cria um ímpeto em
torno do tema, evitando a retórica e a filosofia desconhecidas.

63

�COMO:

FA Ç A I D E I A S
VISUAIS

Parte 1 de 2

Uma das chaves para conceitos criativos e eficazes é tornar
suas ideias visuais. Isso ajuda os outros a entenderem
imediatamente a sua ideia, deixando a porta aberta para que
possam construir ou interpretá-la de maneira significativa.
Acreditamos firmemente que qualquer pessoa pode ser visual,
mas é necessária alguma prática. Durante o seu tempo livre,
amplie suas habilidades esboçando os itens abaixo.

Em breve, você descobrirá que a comunicação visual é quase
sempre mais eficaz (e divertida!) do que uma explicação
escrita. Quando você começar a praticar, certifique-se de
ter espaço suficiente para se mover livremente, não apenas
as mãos, mas todo o seu corpo. Tenha uma pilha de papel de
rascunho em branco pronta, e apenas continue praticando até
que comece a fluir de suas mãos com facilidade.

L I N H A S R E TA S

CÍRCULOS

Pode parecer surpreendente, mas círculos e linhas
são os blocos de construção para quase 80% do que
você vai precisar quando esboçar. Comece com
linhas. Em vez de desenhar timidamente uma série
de linhas, pense em uma linha reta como um tiro
direto do ponto A ao ponto B. Desenhe dois pontos
e, em seguida, mantenha seu olho fixo no ponto B,
ao colocar a caneta no ponto A. Visualize onde você
quer que a caneta vá e confiantemente desenhe
esses traços.

Círculo é o outro melhor amigo quando se trata de
criar ótimos visuais. Pare de se preocupar em criar
o círculo “perfeito” e concentre-se em desenhar
rapidamente muitos círculos, do pequeno ao
grande. Concentre-se em uma forma consistente
e no peso da caneta no papel. Finalmente, uma
vez que você obteve o movimento, tente fazer seus
pontos de partida e de parada se encontrarem em
um círculo bonito e liso.

Linhas retas para criar:
· Quadros
· Setas
· Quadrados
· Sombras
· Retângulos · Estruturas
							

Círculos para criar:
· Cabeças
· Nuvens
· Ciclos

· Textura
· Setas Curvadas

64

�COMO

FA Ç A I D E I A S
VISUAIS

Parte 2 de 2

PESSOAS

CENAS

O segredo para desenhar pessoas é a abstração.
Figuras humanas são ok, mas o próximo passo
(que é tão fácil!) é usar um círculo como uma
cabeça e uma forma como um corpo. Cabeças são
surpreendentemente fáceis. Tudo que você tem a
fazer é um círculo para o contorno de um rosto. Use
mais dois círculos para os olhos, e semicírculos
para as orelhas e os cabelos.

Se alguma parte do seu conceito ou ideia ocorrer
dentro de uma casa, considere a configuração do
local, usando alguns traços simples para indicar
um espaço ou sala. Use caixas e cubos que possam
representar um edifício, ou uma visão panorâmica.
Variando as dimensões de um cubo, é possível
produzir prateleiras, mesas, paredes, pisos ou
outros aspectos de um ambiente.

						

				

F E R R A M E N TA S

Quando esboçamos ideias em torno do serviço,
muitas vezes incorporamos ferramentas comuns
e interfaces, como a tela do iPad, ou que possam
contribuir para o conceito geral. Pratique desenhar
círculos e linhas com ligeiras curvaturas nas
bordas para formar objetos, como: telas do iPhone,
quiosques, laptops e outros dispositivos.

SEQUÊNCIAS E JORNADAS

Para alguns conceitos é importante esboçar uma
sequência de eventos, ao longo do tempo. Isto é
especialmente verdadeiro, se você estiver retratando
uma jornada do usuário, por meio de uma série de
etapas. Por exemplo: o que acontece em casa, no
caminho para a biblioteca, na biblioteca e após uma
visita. Nesses casos, numere a sequência para que fique
claro o que acontece primeiro e use setas, para mostrar
a progressão. Tente realçar as partes de seu esboço em
cada estágio que sentir que seja mais importante para
a compreensão da ideia.

65

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : G E RE I DE IAS

Facilite um Brainstorm
Agora que você criou uma sessão de brainstorming é hora de garantir que
funcione bem. Aqui estão algumas dicas sobre como criar uma atmosfera segura
e positiva para que a equipe possa ter grandes ideias.

LÍD E R D E E Q U I P E

SELECIONE UM FACILITADOR
A pessoa que criar o brainstorming ou o líder
da equipe deve facilitar a sessão. Facilitação
significa entender as regras de brainstorming,
o que significa que você não vai participar tanto
da criação da ideia, mas sim de como capturar
as ideias da equipe.

LÍDE R D E E Q U I P E

DÊ UMA INTRODUÇÃO
No início da sessão de brainstorming, reserve
algum tempo para explicar o propósito da
atividade, especialmente para aquelas pessoas
que não estão na equipe principal do projeto.
Além disso, revise as regras de brainstorming
e pergunte se alguém tem alguma dúvida antes
de começar.
LÍD ER D E EQ U I P E

DISTRIBUA MATERIAIS
Reúna sua equipe perto da parede em que
você coloca os seus post-its. Certifique-se de
que todos os participantes têm um bloco de
notas e uma caneta. Verifique se todos têm fita
adesiva para colar as ideias na parede. Lembrese que todos devem escrever e desenharem
com letras grandes, para que as ideias estejam
perfeitamente visíveis.

C ERT IF IQU E-SE D E QU E
C AD A ID EIA F O I O U V ID A E
C APT U RAD A
Concentre-se em uma solicitação de
brainstorming, uma a uma, e esforce-se para
ter uma conversa por vez. Se as pessoas falam
ao mesmo tempo umas com as outras, correse o risco de se perder ideias e elas não se
sentirão tão acolhidas em participar. Se você é
o facilitador, certifique-se de que cada pessoa
sustente sua ideia ao explicá-la. Se você tiver
um esboço de uma ideia, adicione um título,
pois ajudará as pessoas a gravarem o nome ou
frase para a ideia que estão vendo.

M AN T EN HA
ELEVAD A

A

C

ompartilhar
ideias
visualmente, ou pensar em
voz alta juntos é uma habilidade
importante que realmente ajudou
a equipe a permanecer unida.
O compartilhamento visual por
meio de esboços e post-its é uma
prática que recomendamos, mas
ainda precisamos nos lembrar
de fazer isso em reuniões. Não é
natural, mas algumas de nossas
reuniões
mais
produtivas
incorporaram métodos visuais
de compartilhamento e gravação.
Equipe da Biblioteca Pública de
Chicago

PASS O

4

de

EN ERG IA

Certifique-se de que o ritmo do brainstorming
permanece rápido e dinâmico. Cada ideia
deve levar apenas 15-20 segundos para ser
explicada, e todos devem falar para que não se
torne um monopólio de ideias. Mude para um
novo brainstorming a cada 15 minutos.

P RO N TO PA R A
BRA IN STO RM?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 3, página 33

66

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : G E RE I DE IAS

Use votação para
selecionar ideias
Imediatamente após um brainstorming gerador, tome nota do entusiasmo e da
energia que sua equipe tem em torno de determinadas ideias. Faça uma votação
para escolher as melhores ideias que apontará a concentração de votos das
ideias que contagiem a todos, criando áreas de “calor” e “energia”. Ao votar em
ideias no grupo, você pode envolver mais amplamente os outros e assim obterá o
alinhamento de como poderá avançar.

PASS O

4

I DE IA S AGR UPADAS

D ISC U TA O S RESU LTAD O S

Passe alguns minutos após o brainstorming
para agrupar ideias semelhantes ou
relacionadas.

Dê um passo atrás em suas ideias e veja onde
existem áreas mais pontuadas e, portanto,
a maioria dos votos. Com a equipe, avalie as
ideias mais promissoras e decidam quais delas
desenvolver. Seja realista sobre o número que
você pode conduzir – aponte duas ou três ideias
para começar.

V OTE NOS FAVOR ITOS
Use adesivos (nós usamos pontos coloridos) ou
post-its para indicar um “voto” em uma ideia.
Dê à sua equipe, um número limitado de pontos
– por exemplo: 3-5, dependendo do número
de ideias que você tiver. Limitar o número
de votos garante que as pessoas escolham as
ideias que proporcionam mais confiança. Peça
à equipe para votar em ideias que tenham: 1.
probabilidade de êxito/sucesso; e 2. frescor e
inovação.

de

67

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5

C R IE
P R O TÓ T IPOS
—————–—
Agora é hora de começar a fazer com que suas principais ideias sejam tangíveis.
Um protótipo, ou uma representação física do seu conceito, permite compartilhar
uma ideia com outras pessoas, obter feedback e aprender a aperfeiçoá-lo. Você
pode fazer protótipos praticamente de qualquer coisa. Nesta sessão, você
aprenderá como iniciar a prototipagem e no próximo capítulo verá como pode
aperfeiçoar os protótipos para auxiliar no contexto de seus usuários.

Crie um Mapa Conceitual
Revisite suas melhores ideias e considere como pode transformá-las em
protótipos. Como parte desta etapa, você refinará a intenção de seu conceito,
com base em algumas perguntas-chave. Trabalhando juntos ao descrever suas
ideias, a equipe terá mais compreensão compartilhada do que você quer alcançar
e dividirá as tarefas, prototipando mais facilmente.

PASS O

5

de

Mantenha os post-its de brainstorming
que descrevam suas ideias principais
– eles são o ponto de partida para um
mapa conceitual.

68

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5 : C RI E PROTÓTI P OS

AVA LIE S U AS M ELHOR ES
I DE IA S

QU EB RE A EX PERIÊN C IA
D O U SU ÁRIO

Olhe para trás em seu brainstorming e para
as ideias que receberam mais pontuação na
votação. Como equipe, avalie as ideias com
base nas perguntas abaixo, que podem ajudálo a julgar qual delas poderia ser melhor para
começar a prototipagem. Isso não significa
que as outras ideias desaparecerão. Você pode
certamente mantê-las em torno de seu “arquivo
de ideia promissora” e buscá-las mais tarde.

Qualquer conceito que tenha pensado terá
início, meio e fim para o usuário experimentálo. Embora você possa apenas ter um ou dois
post-its de seu brainstorming que mencionam
a sua ideia, é hora de desfazer o significado por
trás do conceito e realmente expandir cada
estágio do programa, serviço ou espaço que
você esteja imaginando. Desenhe uma viagem
ou uma série de cenas, começando com um
esboço e alguns pontos sobre quem seja o seu
usuário ideal. Certifique-se de cobrir todas as
perguntas abaixo em seu mapa conceitual:

· �Instintivamente de que maneira você está
entusiasmado com essa ideia?
· Quão inovadora e arejada é essa ideia?
· �Quão prática, realista e viável é essa ideia?

· Quem é o seu usuário? Quais são os
comportamentos
e/ou
características
definidoras?

D E S TIL E A ID EIA

· �Como o usuário ouve sobre o conceito? Como
você constrói a consciência?

Com sua equipe, usando uma grande folha
de papel, resuma sua ideia em uma única
frase. No topo do papel, dê ao seu conceito um
título. Coloque em post-its seu brainstorming
relacionado a essa ideia, para que você tenha
um lembrete de onde ela se originou. Escreva
alguns pontos sobre como essa ideia afetará o
seu desafio e o usuário que você está abordando.

· Como o usuário realmente começa a usar o
conceito?

PASS O

5

de

5

· �O que está acontecendo enquanto o usuário
está experimentando o seu conceito? Quem
está envolvido ou o que mais é necessário?
· �Depois que o usuário experimenta o conceito,
o que acontece?
· �Como o conceito ajuda o usuário em longo
prazo?
· �O usuário defende o conceito e fala sobre ele
com os outros?

P RO N TO PA R A CR IAR UM
M A PA CO NCEITUAL?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 7, página 34

69

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5 : C RI E PROTÓTI P OS

Crie um plano de jogo
de prototipagem
Depois de ter criado um mapa conceitual, pode parecer assustador prototipar
tudo de uma vez. No lugar disso, concentre-se nos protótipos que você aprenderá
com os testes. Por agora, concentre-se em fazer com que ideias tornem-se reais
entre sua equipe. Esses protótipos iniciais servirão de base para a experimentação
real, sobre a qual você aprenderá mais no próximo capítulo.

FAÇA AS PERGUNTAS CERTAS

PRIORIZE OS PROTÓTIPOS

Não podemos enfatizar o suficiente que a
chave para o sucesso da prototipagem seja
fazer as perguntas certas. Se sua pergunta for
muito ampla, você não aprenderá tanto quanto
gostaria. Sob cada um dos estágios de seu
mapa conceitual, anote a única questão mais
importante para responder sobre esta parte na
experiência do usuário.

Olhe para trás, nas perguntas que você está
esperando para responder. Quais são as mais
importantes e urgentes? Para quais você sente,
honestamente, que não tem resposta? Quais
perguntas têm pressupostos inerentes? Essas
perguntas são provavelmente as que você deve
prototipar primeiro. Classifique as partes de
seu mapa conceitual em ordem de prioridade e
escolha as partes superiores 1-2 de seu conceito
para o protótipo.

Por exemplo: diga que o seu desafio é ajudar
crianças com a lição de casa, em programas de
alfabetização pós-escolar. Se a primeira parte
do seu conceito lida com inscrever-se para
aulas particulares on-line, a sua “pergunta
para responder” neste momento pode ser: “Os
usuários estariam dispostos a fazer logon em
um sistema de inscrição para lição de casa?”
A partir daí, pense sobre como você gostaria
de testar esta pergunta. Isso poderia significar
a criação de uma maquete de uma tela de
computador ou de uma série de telas, esboçadas
simplesmente em um pedaço de papel. Você
poderia explicar ao seu usuário o que o site
apresenta, como explorar o programa de lição
de casa e perguntar se estaria disposto a se
inscrever e usar esse sistema.

PASS O

5

de

P RO N TO PA R A CR IAR
U M P L A NO DE J OGO DE
P ROTOTIPAGEM?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 8, página 38

70

5

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

QUEBRE UM
CONCEITO
Lembre-se de que um protótipo é essencialmente uma resposta
tangível a uma questão teórica. Em vez de testar uma ideia
completa, protótipos o ajudarão a responder a perguntas muito
específicas dentro de uma ideia. Se você fizer uma pergunta
muito ampla, ou um protótipo muito elaborado, poderá não
encontrar as respostas que está procurando e perderá tempo no
processo de design.

CONCEITO: CENTRO DE
ACONSELHAMENTO MÓVEL

Exemplo de partes de conceitos transformadas em protótipos:

Impressão de informações sobre sessões de aconselhamento
em papel e sacos de plástico que as lojas de bebidas alcoólicas
são obrigadas a usar.

Como parte de um workshop, uma equipe estava pensando em
novas maneiras de ajudar jovens dependentes de álcool. O grupo
teve a ideia de criar centros de aconselhamento móveis que
poderiam visitar bairros diferentes. A equipe decidiu construir
um protótipo-modelo de escala do centro de aconselhamento
móvel. Embora esse protótipo tenha ajudado a equipe a obter
mais clareza sobre o que o centro pode parecer, não os ajudou
a responder às perguntas específicas sobre como as pessoas
poderiam interagir com o centro e qual o impacto que poderiam
ter.
Aqui estão maneiras de quebrar essa ideia maior em protótipos
menores e tangíveis:

CO NCEITO PART E 1:
Aprendendo sobre as sessões de aconselhamento sobre álcool.
PROTÓT IP O:

PERGU NTA ESPECÍFICA:
Há publicidade para sessões de aconselhamento em locais
onde os usuários podem, naturalmente, tornar as pessoas mais
propensas a responder?

CO NCEITO PART E 2 :
Inscrever-se para uma sessão de aconselhamento.
PROTÓT IP O:
Configurar uma linha direta de apoio, em que amigos e
familiares que conhecem alguém lutando contra um vício,
possam chamar e conectar conselheiros com essas pessoas.
PERGU NTA ESPECÍFICA:
Trabalhar com redes de amigos e familiares é mais ou menos
eficaz do que com outras rotas?

CO NCEITO PART E 3 :
Centros que ajudam pessoas a permanecerem sóbrias após o
aconselhamento.
PROTÓT IP O:
Um sistema de suporte flexível que permita que as pessoas
criem o próprio mix de boletins de e-mail, grupos de apoio e
registro de chamadas.
PERGU NTA ESPECÍFICA:
As pessoas querem projetar os próprios sistemas de suporte e,
em caso afirmativo, quais são as formas preferidas de suporte
que o centro pode oferecer?
71

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

F O R M A S PA R A
P R O T O T I PA R

Parte 1 de 2

Você pode representar suas ideias de infinitas formas. A
prototipagem não se trata de acertar na primeira vez, por isso
recomendamos que experimente muitos métodos para ver o
que pode funcionar com a ideia que está prevendo. Reúna os
materiais que você pode utilizar e comece a construir!

M AT E R I A I S

Modos de prototipar:

UM MODELO
Junte uma simples representação tridimensional de sua ideia.
Isso pode ser um modelo em escala ou uma experiência em
escala real que você pode percorrer com sua equipe.

Muitos desses materiais podem pertencer ao jardim de infância
e está aprovado. Encontre todos os materiais com os quais você
acredita que seria divertido trabalhar e que não sejam muito
caros.
· Papel: Papel de construção, cartaz, qualquer papel pesado,
foam core (placas de papel em PVC), papelão, caixas;
· Adesivo: colas, pistola de cola quente, fita adesiva;
· Canetas: marcadores, giz de cera, lápis de cor;
· Tecidos: bolas de algodão, feltro, pano;
·��Materiais de artesanato: varas de picolé, tintas, pincéis,
cordas, cachimbo;
· Ferramentas: réguas, tesouras, fita métrica, grampeadores
Um exemplo de uma apresentação usando um modelo com recursos
existentes, tais como: blocos de espuma, um guarda-chuva, papel de
construção e assim por diante.

Para um projeto IDEO, a equipe prototipou uma ferramenta cirúrgica
relativamente complexa usando um marcador, um cartucho de filme vazio
e um clipe (à esquerda). Esse protótipo simples ajudou a imaginar uma
nova maneira de criar um dispositivo médico, muito mais ergonômico
para cirurgiões (produto final à direita).

72

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

F O R M A S PA R A
P R O T O T I PA R

Parte 2 de 2

U M A M A Q U E T E D I G I TA L
Maquete, uma ferramenta digital com esboços de telas em
papel. Cole o papel na tela de um dispositivo, como um telefone
ou computador para imitar o contexto de uma interação digital.

U M A P R O PA G A N D A
Crie uma maquete de um anúncio que promova a sua ideia, se
for um programa, um serviço ou um espaço. Pense em como
você construiria a consciência da oferta e como comunicaria o
seu valor para diferentes usuários.

U M A D R A M AT I Z A Ç Ã O
Experimente a sua ideia. Coloque-se no lugar das pessoas,
na situação e descubra as perguntas que elas poderiam fazer.
Considere a montagem de adereços, uniformes ou outras
ferramentas que a pessoa que está encenando a ideia possa
precisar para despertar o interesse de um usuário na biblioteca.

Uma equipe de projetos criou um flyer simulador que anuncia um
conceito de saneamento para um usuário em potencial. Um protótipo
como este pode ajudá-lo a entender como você se comunicaria com os
seus usuários.

U M E S PA Ç O R E N O VA D O

Como parte de um projeto da IDEO para reinventar a farmácia, um
membro da equipe prototipou uma interação de serviço, desempenhando
o papel de um novo guia de saúde, o que ajudou a equipe a entender melhor
o que uma conversa de consultoria pode nos fazer sentir.

Se o seu protótipo diz respeito ao design do espaço, veja se
poderá prototipar dentro desse espaço existente ou criar uma
cena que descreva o que o ambiente deve fazê-lo sentir. Fique à
vontade para construir fora do mobiliário existente e lembre-se
de manter as coisas representacionais. (Por exemplo: no mundo
da prototipagem, as caixas de papelão podem ser cadeiras, e os
‘carrinhos de guardar livros’ podem funcionar como estantes!)

Uma equipe criou um protótipo de elementos em um espaço para crianças
usando um carrinho de rodas como “prateleiras”, almofadas de assento e
brinquedos.
73

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5 : C RI E PROTÓTI P OS

Planeje um dia de ação
Uma das melhores maneiras de começar a prototipagem de maneira rápida e
divertida é planejar o que chamamos de “faça o dia” ou “make-a-thon”. Reservar
um dia ou metade de um dia com sua equipe para começar a agir é um ótimo modo
de entrar no clima de construção rápida e intuitiva. Na concepção da abordagem
do Design Thinking, acreditamos que traduzir ideias rapidamente em protótipos
tangíveis é muito mais valioso do que planejar meticulosamente uma nova ideia
a ser realizada durante um longo período de tempo. Este é o motivo pelo qual
acreditamos que você possa aprender muito mais – e mais barato – com um
protótipo simples, melhor do que com um esforço grande, caro e que ponha em
risco não somente o dinheiro, mas o tempo. Chamamos esses protótipos simples
de “baixa fidelidade”.
Sabemos que a ideia de prototipagem pode parecer assustadora no início,
especialmente se você sempre teve dificuldade. Desde quando você usa artesanato
e constrói objetos com as mãos? Recorde quando você era uma criança e não
tinha nenhuma inibição sobre o desenho ou o brincar, seja lá com o que você
tivesse à mão. Você era engenhoso, energizado e corajoso. Tente recordar essa
memória ao começar a prototipagem.

É

importante saber que a
primeira ideia do protótipo
pode não ser a “certa” –
provavelmente não será – mas
isso não é o produto final! Você
tem que começar de algum lugar
e apenas fazê-lo.
Equipe da Biblioteca Pública de
Aarhus

PASS O

5

de

5

P RO N TO PA R A PLANEJAR
U M D IA D E AÇÃO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 3, Atividade 9, página 39

Equipe em Aarhus trabalhando rapidamente para se concentrar em uma ideia de protótipo
durante o seu dia de trabalho.

74

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5 : C RI E PROTÓTI P OS

LÍD E R D E E Q U I P E

A JU S TE U M CALENDÁR IO E
O BJE TIV OS PAR A O DIA
Faça os dias funcionarem melhor, quando bem
programados e cronometrados. Ter restrição
de tempo pode ajudar você e sua equipe a sentir
a pressão e a emoção de construir algo novo
em apenas algumas horas. Defina um objetivo
juntos para criar pelo menos 2-3 protótipos de
um conceito, até o fim de seu dia de trabalho e
divida sua equipe em subequipes, se você tiver
pessoas suficientes para fazê-lo.

FALE ME NOS, FAÇ A M AIS
Considere este mantra durante a prototipagem:
gaste menos tempo discutindo uma ideia e
mais tempo usando suas mãos para construir
ou esboçá-la. Este não é o momento de ter
longas conversas ou argumentos filosóficos. E
sim de agir, intuitivamente, sem o medo do que
os outros vão pensar. Não é sobre ter a resposta
certa, é sobre ter pelo menos uma resposta.
Deixe a crítica e a discussão intelectual para
mais tarde.

RE CUPE RE
E SPA ÇO

M ATER IAIS

PR AT IQ U E O
C OM PART IL HAM EN T O D E
SE U PRO T Ó T IPO
Reserve um tempo no fim do dia para sua equipe
principal se reunir e rever o que você criou.
Se tiver membros da equipe externos – como
membros da comunidade interessados fora
de sua equipe, ou outros parceiros – este pode
ser um bom momento para envolvê-los no dia
da realização. Se você tiver vários protótipos
dentro de sua equipe, apresente-os uns aos
outros e, se possível, tente experimentar os
protótipos uns dos outros, mesmo em situações
de brincadeira ou “faz de conta”.

PASS O

5

de

E

Revise a lista de materiais em “Um olhar mais
atento: Formas para Protótipos (p. 71)” e colete
o maior número possível. Reserve um espaço
em sua biblioteca onde você possa se espalhar.
As coisas podem ficar um pouco confusas como
no começo de seu protótipo.

Em um dia de trabalho na Biblioteca Pública de Aarhus, a equipe compartilha e explica
seu protótipo a outras equipes de bibliotecas e funcionários.

LE M B RE-SE D E FAL HAR
PARA F REN T E
Alguns protótipos o farão se sentir bem,
enquanto outros não. Tente não pensar no
que parece ser um fracasso, porque de fato
quando falhamos aprendemos algo novo.
Antes mesmo de começar a construir, abrace
a ideia de que um protótipo que não funcionar
poderá oferecer sabedoria de como você poderá
avançar (chamamos essa ideia de “falhar para
frente”). Leia o próximo capítulo para saber
como receber o feedback mais produtivo das
pessoas e como isso impulsiona o processo de
design.

75

5

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 5 : C RI E PROTÓTI P OS

E X E M P L O : O C P L FA Z O D I A
Como parte do Make Day, uma equipe de
bibliotecários na Biblioteca Pública de Chicago
se concentrou em criar um espaço de cotrabalho dentro da biblioteca, prototipando
um conceito em torno de uma classe focada
na publicação. O conceito era uma classe em
pequena escala que ensinaria aos usuários
interessados como publicar um livro on-line.
Em apenas algumas horas, a equipe discutiu
como o conceito funcionaria, reorganizou
os móveis no espaço da biblioteca para
representar um possível ambiente de sala de
aula e criou uma comunicação para divulgar a
ideia do programa.

Mark Kaplan, líder da equipe na Biblioteca Pública de Chicago, explica o
protótipo da equipe no final do Make-Day para outros funcionários e líderes
da biblioteca.

PASS O

5

de

A equipe prototipou um calendário digital, de um mês de programação, para
espalhar a consciência aos usuários, usando materiais simples como papel
colorido e marcadores.

A equipe sonhava em ter um bar-café integrado ao seu
conceito de sala. Então fizeram um protótipo simples
sinalizando o café e as “xícaras” de papel para representar a ideia.
76

5

�ESTUDO DE CASO

O DESAFIO

		

No. 1

“Merenda Escolar”

Quando o sino do intervalo tocou, no Distrito Escolar Unificado
de São Francisco (SFUSD), 72% daqueles que podiam pagar
a merenda não estavam comparecendo. O distrito já havia
contratado a Revolution Foods, uma fornecedora que serve
algumas das refeições mais nutritivas do país; assim, não se
tratava apenas de comida. Tratava-se da experiência de comer
na escola. Em um mundo em que os alunos estão acostumados a
expressar as opiniões sobre as mídias sociais, eles não tinham voz
na formação de suas experiências sobre a merenda.

P O R Q U E A I D E A Ç Ã O F O I I M P O R TA N T E
Como discutimos, a fase de design não é inteiramente linear,
a equipe de design passou da pesquisa para a ideação, voltou à
pesquisa e depois à ideação, antes de sintetizar suas descobertas.
Para cada pessoa que encontraram, a equipe compartilhou as três
citações mais memoráveis, bem como as três perguntas de “Como
poderíamos?” e três ideias de soluções-dirigidas. Esse processo de
alternância rápida, entre as fases de inspiração e ideação, resultou
em mais de 50 conceitos no final da fase de pesquisa.

VISÃO GERAL
Trabalhando juntos com mais de 1.300 alunos, pais, líderes sindicais,
nutricionistas, diretores, coordenadores, professores e grupos
comunitários, a IDEO e o SFUSD trabalharam para redesenhar a
merenda escolar. A equipe descobriu uma variedade de barreiras,
incluindo o fato de que o distrito tinha capacidade limitada para
o atendimento ao cliente. Os alunos esperavam em longas filas,
correndo para terminar e se alimentando em espaços improvisados.
Muitas crianças simplesmente optavam por comer fora da escola
com os amigos, ou optavam por não comer.			
				
A equipe desenvolveu recomendações para três experiências
apropriadas à idade: alimentação comunitária, espaços projetados
pelos alunos e novas plataformas tecnológicas. Para ter certeza
de que essas ideias iriam lidar com o déficit operacional, a IDEO
trabalhou em estreita colaboração com o SFUSD para desenvolver
um modelo de negócio robusto, considerando milhares de dados,
tais como: o custo por refeição para ser entregue (delivery) e onde
o ketchup seria colocado na lanchonete.
Em setembro de 2013, a Junta Escolar Unificada de São Francisco
expressou entusiasmo unânime pelo trabalho da IDEO, abrindo
o caminho para essa nova visão de “merenda centrada no aluno”.

Os participantes da oficina dividiram-se em grupos e passaram uma
hora preparando e desenvolvendo protótipos para apresentar ao grupo.

Com base na percepção de que o distrito deve passar de um modelo dependente de reembolso, para um que incorpore parcerias estratégicas, a
equipe surgiu com a ideia de combinar chefs nas escolas para preparar
a refeição.

A equipe, em seguida, organizou um workshop para mapear seis
cenários orientados para o futuro com as partes interessadas. Um
dos exemplos de cenário foi chamado de “refeição inteligente”,
onde os alunos poderiam usar seus smartphones para encomendar
a refeição pela manhã, dando uma sensação de escolha para o aluno
e ajudando o sistema a prever a demanda. Eles, então, “viraram
a esquina” rapidamente de ideias de brainstorming para fazer
protótipos de baixa fidelidade – no caso da refeição inteligente
–, este era um quiosque de papelão com uma prateleira para um
aplicativo de pedido habilitado para iPad. Seguido de atividades,
com rodadas de envolvimento da comunidade (oficinas, pesquisas
on-line, uma exposição pública e muito mais), a equipe considerou
todas as ideias importantes, através da lente de factibilidade,
desejo e viabilidade e para avaliar se valeu a pena prosseguir.

A equipe organizou workshops com as partes interessadas para envolver
todos os participantes no processo de design.
77

�ESTUDO DE CASO

No. 2

“Projeto Brooks Pure”

O DESAFIO
A Brooks Sports, empresa de calçados, roupas e acessórios de alto
desempenho, foi reconhecida como uma marca para corredores
profissionais, mas assumiu uma nova missão de criar tênis de
corrida que são “um passeio perfeito para cada passo”. Apesar
de seu sucesso, Brooks queria ampliar sua clientela. Não só
estava perdendo a tendência em relação a sapatos ultraleves e/ou
“corrida descalça”, como tinha um desejo de entender melhor as
necessidades dos corredores. Por isso, se aproximou da IDEO para
obter ajuda.

VISÃO GERAL
Três projetos colaborativos concentrados em ajudar Brooks a
entender melhor as necessidades emocionais dos corredores e
a cumprir sua promessa de marca, lançada com seus primeiros
sapatos leves, chamados PureProject Collection.
Para descobrir o papel que as pessoas desempenham na vida, a
equipe realizou entrevistas em contexto e fez compras ao lado de
“corredores não oficiais” com idades entre 25-35 anos, nos Estados
Unidos e na Europa, um grupo que incluía novos corredores, por
diferentes razões, e pessoas que correm três vezes ou menos por
semana. A equipe aprendeu que esses corredores queriam uma
experiência de corrida mais simples e descontraída, mas também
queriam a tranquilidade de um sapato confortável, autêntico e
verdadeiro.
A colaboração resultou em uma coleção de calçados e a história de
uma marca que atrai tanto corredores novos quanto experientes,
por se concentrar no simples, na alegria de correr. Brooks
PureProject promove com seus sapatos uma experiência natural,
utilizando materiais leves e palmilhas adaptáveis. As vendas
dispararam. Os sapatos PureProject estão disponíveis para
compra em mais de 35 países e em mais de 700 lojas nos Estados
Unidos.

A equipe gerou ideias em conjunto sobre o sapato do sonho, usando materiais
de baixa fidelidade como feltro e pistolas de cola quente, para atender às necessidades dos corredores sobre o “sentimento” de uma corrida

P O R Q U E A I D E A Ç Ã O F O I I M P O R TA N T E ?
Em vez de confiar nas sugestões de um projeto interno ou na
análise de tendências, a equipe conversou com uma série de
corredores diretamente. Eles traduziram sua pesquisa nos
seguintes insights, além de outros:
·�
Como os tênis de corridas tornaram-se excessivamente
tecnológicos e complicados, as pessoas são mais atraídas para
sapatos com funções intuitivas e design proposital;
· �As pessoas querem encontrar sapatos que se encaixam em suas
necessidades e estilo único e se sintam confiantes em sua escolha;
· �Existem tipos distintos nas experiências de corrida. Às vezes, os
corredores querem “sentir” ao se conectarem à corrida. Outros
preferem “flutuar”, desfrutando amplo amortecimento e se
conectando a fones de ouvido para relaxar.
Baseando-se para além dessas introspecções, a equipe perguntou:
“Como poderíamos alcançar as necessidades dos corredores que
querem “sentir” mais do que “flutuar”? E como poderíamos criar
sapatos que se encaixem nos estilos únicos das pessoas, ao mesmo
tempo em que tornamos as funções dos sapatos mais intuitivas
e simplificadas? Para gerar mais ideias, a equipe planejou uma
sessão conjunta de brainstorming que incluía não só designers
IDEO, mas também a equipe de clientes da Brooks. O grupo
representou uma diversidade de corredores e juntamente com eles
idealizou o próprio protótipo dos “sapatos dos sonhos” feito com
tecido, fita adesiva, papelão e outros materiais de baixa fidelidade.
Esses protótipos representaram um estilo único e as necessidades
de cada um dos corredores, além de definirem atributos de design
para a linha de calçados icônicos do PureProject. Em última
análise, a discussão sobre a experiência de corrida evoluiu para
um debate sobre um espectro emocional, permitindo que os
corredores escolhessem como eles gostariam de experimentar a
corrida.

Os participantes dos grupos “desfocados” criaram uma variedade de
protótipos malucos para projetar seus sapatos ideais

78

�Referências
L E IA

ASSISTA

TO OL KIT DE D E S I G N T H I NK I NG PA R A

D ES IG N THIN KING PA RA ED UCA D OR ES

E D UCADOR ES, 2 A E D I ÇÃO

CU RS O ED U TÓ P IA : 3 S EM A NA S, ID E AÇÃO

Capítulos de Interpretação e Ideação
http://www.designthinkingforeducators.com/
—————				
MÉTODOS DE I D E AÇÃO K I T D E D E S I G N

http://www.designkit.org/methods
—————				

AC UMEN + C URS O S D E I NOVAÇÃO S O CIA L

Leituras de Classe 2: Ideate

A fase de Ideação em ação
· Melissa Rohde está trabalhando com uma
comunidade na Índia rural para projetar novas
maneiras de diminuir a escassez de água e
melhorar a segurança alimentar. Saiba mais sobre
sua jornada através da fase de Ideação:
http://bit.ly/HCDinIndia
· �Carla Lopez reflete sobre alguns dos desafios que
sua equipe enfrentou durante a fase de Ideação de
um projeto IDEO.org, referente a novas formas de
fornecer treinamento técnico para agricultores
no Quênia rural:
http://bit.ly/JKandIDEOorg

Ouça da IDEO e de educadores sobre como eles
trabalham com ideias.
http://www.edutopia.org/design-thinking-for-educators-ideation-week-three
—————		
A BRACE A A M BIG U IDA D E

Patrice Martin, Co-Lead at IDEO.org, discute ambiguidade no Design Kit.
http://www.designkit.org/mindsets/4
—————		
FAÇA- O

Krista Donaldson é designer e CEO da D-Rev,
uma organização em São Francisco que projeta
dispositivos médicos para melhorar a vida de
pessoas vivendo com menos de US$ 4 por dia. Ela
discute como fazer prototipagem no Kit de Design.
http://www.designkit.org/mindsets/4		
						

79

�CAPÍTULO

4

ITERAÇÃO
A fase de iteração leva suas ideias a
evoluírem com base no feedback do
usuário. Sua primeira ideia, muitas
vezes, não é a melhor, e você deve iterar,
ou construir a partir dessa ideia para
melhorá-la.
			
Nesta fase, você começará a colocar seus protótipos em ação,
coletando feedback e desenvolvendo, ainda mais, o seu conceito. A
abordagem do Design Thinking nem sempre é linear, então você pode
achar que precisa retornar aos estágios anteriores do processo, a fim
de continuar a evolução de suas ideias, experiências e perspectivas, o
que lhe dará uma grande base para as próximas fases do projeto.

80

�ITERAÇÃO

RESUMO

�PA S S O 1

REF L ITA SO B RE IT ERAÇ ÃO

p. 82

—————
�PA S S O 2

O B T EN HA F EED B AC K D O U SUÁ R I O
· Planeje entrevistas de feedback
· Facilite bons feedbacks p. 87
· Sintetize feedback p. 88

p. 85

p. 85

—————
PA S S O 3

EX EC U T E U M M IN IPIL OT O
· Design um minipiloto

p. 89

p. 89

· Um olhar mais atento: Design um minipiloto

p. 92

—————
PA S S O 4

AVAL IE SEU PROG RESSO
· Integre feedback em tempo real
· Reavalie seu conceito p. 97

p. 95

p. 95

—————
EST U D O S D E C ASO

p. 99

· Swipesense pg. 99
· TI no Espaço da Biblioteca

p. 100

—————
REF ERÊN C IAS

p. 102

81

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1

RE F L ITA SOBRE
I T E R A Ç ÃO
—————–—
O design iterativo é baseado em um processo de prototipagem e experimentação.
Você cria conceitos tangíveis, reúne feedback de usuários, sintetiza informações
e desenvolve o seu conceito. Em uma situação ideal, você começa com protótipos,
testa seus protótipos na biblioteca e, eventualmente, implementa sua ideia para
se tornar parte da oferta dos serviços prestados.
É importante notar que a iteração leva tempo. Diferentemente das fases de
inspiração e ideação, você pode passar por várias rodadas de iteração em seu
conceito, antes de estar pronto para implementar completamente uma ideia. O
objetivo aqui é criar uma série de testes, ou minipilotos, que continua a construir
em seu protótipo inicial, e para permanecer aberto à ideia de que o feedback do
usuário o leva para direções que talvez você possa não ter antecipado. Pense nisso
como uma versão informada e deliberada de tentativa e erro de algo, sabendo que
seu conceito é imperfeito e que se está continuamente aprendendo a melhorar ao
longo do caminho.

PASS O

1

de

P R OTOT I PAGE M – M INI P I LOTO – IMPLEMENTAÇÃO

Nessa etapa do processo, projetaremos distinções dentro das iterações de sua
ideia, à medida que elas se desenvolvem em uma sequência de três modos:
prototipagem, minipiloto e implementação.

Equipe na Biblioteca Pública de Aarhus
criando um protótipo, usando materiais
simples e de baixa fidelidade.

82

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : R E FLI TA S OBRE ITERAÇÃO

P R OTOT I PAGE M ,

como você
aprendeu no último capítulo, é o passo
inicial para tornar as ideias tangíveis. O ato
de prototipagem transforma ideias em sua
cabeça e as coloca de uma forma que pode ser
entendida pelos outros. Protótipos são muitas
vezes incompletos e de baixa fidelidade, sendo
suficientemente
representacionais
para
alguém entender ou imaginar sua ideia. Neste
contexto, eles também se tornam os blocos de
construção para um minipiloto.

MINIPILOT OS

transformam
protótipos em experiências mais completas
para seus usuários de bibliotecas. Planejar
e executar um minipiloto permite que
você desenvolva seu conceito para uso no
mundo real. Ao executar minipilotos (ou
experimentos, como às vezes os chamamos),
você reunirá evidências para avançar na
direção da implementação de seu conceito.
Ao contrário de um protótipo, os minipilotos
para esse projeto devem operar e funcionar
sem demasiada explicação para os usuários. As
pessoas devem conseguir usá-los de maneira
independente, sem orientação ou facilitação
de sua equipe. Enquanto os pilotos não são
menos precisos que um protótipo, ainda
estão incompletos, mas úteis tanto para gerar
feedback quanto para evoluir seu conceito.

PASS O

1

Uma equipe de design da IDEO quis projetar um novo
processo de diagnóstico para tornar os aparelhos
auditivos mais acessíveis na Índia rural. Eles
desenvolveram um minipiloto treinando técnicos e
passaram vários dias em aldeias experimentando
o processo diagnóstico em pessoas que tinham
problemas para ouvir. Eles aprenderam muito
rapidamente – mesmo após as primeiras sessões – que
seu protótipo era muito complexo para os usuários e
precisava ser simplificado.

de

O Maker Lab é um espaço que representa a implementação de uma ideia em torno de um hacker
ou laboratório orientado a criadores dentro da biblioteca. Embora seja plenamente funcional e
sustentável diariamente, ele ainda continua a iterar e mudar dependendo das necessidades da
comunidade ao longo do tempo.

83

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : R E FLI TA S OBRE ITERAÇÃO

I MP L E M E NTAÇÃO

sucesso que criou a partir da fase do minipiloto.
		
À medida que você passar da prototipagem
para o minipiloto, você fará perguntas como:

é colocar
sua ideia no mundo de uma forma mais
permanente. Isso não significa que seja uma
solução final! Você pode continuar a iterar,
mas sua solução está agora em um estágio no
qual você está pronto para introduzir a ideia ao
lado de suas ofertas existentes. Muitas vezes,
equiparamos a implementação com a criação
de um projeto-piloto; em outras palavras, é
uma execução mais completa ou o julgamento
de uma ideia, por um longo período de tempo.
A implementação é muitas vezes possibilitada
por um grupo maior de partes interessadas
que ajudam a colocá-la no mundo, incluindo
parceiros, liderança e outros funcionários.
Nesta fase, a sua solução terá de ser testada e
medida com base nas métricas e indicadores de

· �Isso é valioso para o meu público-alvo?
· Em qual aspecto do protótipo vale a pena
evoluir?
À medida que você passa dos minipilotos para
a implementação completa, fará perguntas
ligeiramente diferentes:
· Isso é sustentável ao longo do tempo?
· Possui potencial para se tornar uma oferta
básica?

O gráfico a seguir distingue cada parte da iteração:
PR OT ÓT IPO

M I N I PI L OTO

I M PL EM EN TAÇÃO

(Elaborando uma ideia)

(Experimentando-a ao vivo) (Tornando-a sustentável)

P RO P Ó S I T O

Faz uma ideia
imediatamente tangível

Deliberadamente concebido
Uma expressão completa da
com a intenção de responder a
visão de seus componentes
perguntas específicas

P RO P Ó S I T O

Pode envolver os usuários

Funcional e durável o
Funcional para usuários, sem suficiente para os usuários
precisar de explicação
usarem durante um período
de tempo

P RO P Ó S I T O

Provoca reações nos usuários

Começa criando
evidências e pode
descobrir novas métricas

Altamente medido,
orientado para a validação

P RO P Ó S I T O

Orientado para insights-chave

Orientado para
questões-chave

Orientado por métricas ou
indicadores de sucesso

CE N Á RI O

Em um ambiente de “teste” ou
de segurança, como o espaço
da equipe

Ao vivo e em tempo real
dentro da biblioteca

Atua com serviços existentes,
de forma permanente

CE N Á RI O

Não necessariamente dentro
de um contexto real

Contextual

Adaptável a vários sites

FIDELIDADE

Baixa fidelidade e
simplesmente representativa
de uma ideia

Fidelidade que qualquer
usuário entenderia

Parece e funciona
como algo real

FIDELIDADE

Feito rapidamente e usado
para pensar em ideias

Requer um planejamento
extensivo e o desenvolvimento
de ideias

A execução de uma ideia
totalmente formada

FIDELIDADE

Habilitado pela equipe
principal de design

P E RÍ O D O

Cria instâncias ou
maquetes finitas

PASS O

1

de

P RO N TO PA R A R EFLET IR
S O BRE ITERAÇÃO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 4, Atividade 1, página 42

Habilitado tanto pela equipe
central, quanto pelos parceiros Habilitado por uma grande
ou por outro pessoal da
rede de stakeholder
biblioteca
Natureza altamente iterativa e
episódica

4

Realizado por um longo
período de tempo

84

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2

OBTENHA FEEDBACK
DOS USUÁRIOS
—————–—
Na fase de Ideação, você criou protótipos, agora é hora de usá-los para
obter feedback do usuário, que é uma das ferramentas mais valiosas no
desenvolvimento de uma ideia.
		
Em Design Thinking há pelo menos dois pontos em que é fundamental falar
com as pessoas: no início de um projeto, para obter inspiração, e quando se tem
protótipos, ou minipilotos, para obter feedback. Mesmo nesta fase, o feedback que
você recolhe precisa ser gerador para que se possa adaptar continuamente o seu
protótipo. O feedback ainda será exploratório em oposição à validação baseada.
Não se trata de saber se a ideia é certa ou errada, e sim como realizar a melhor
ideia.

PLANEJE ENTREVISTAS
DE FEEDBACK

PASS O

2

de

4

—————–—

Entrevistas de feedback têm algumas das mesmas qualidades das entrevistas
anteriores, mas você estará mais focado em aprender o que os usuários pensam de
seu protótipo, ao contrário de aprender sobre a vida dos usuários em geral. Você
precisa obter feedback honesto, tanto positivo quanto negativo, a fim de evoluir
em suas ideias. Aqui estão algumas dicas sobre como conduzir entrevistas de
feedback.

C ONS IDE RE OS M ATER IAIS

D EF IN A QU AL T EST E

Decida o contexto onde deseja compartilhar
sua ideia. É útil estar em um ambiente informal
com o qual você esteja familiarizado? Ou
você aprenderá ao máximo observando o seu
protótipo no contexto onde será usado?

Determine
que tipo de feedback está
procurando: Você quer feedback sobre a
primeira impressão de sua ideia? Você está
tentando saber se as pessoas iriam participar
de uma nova atividade que você projetou?
Você está se perguntando como as pessoas
se comportariam de forma diferente com seu
novo conceito? Crie uma lista que irá lembrá-lo
dos objetivos de sua pesquisa.

Como parte de um projeto da IDEO sobre o uso
de energia doméstica, obtivemos o feedback
de um casal, mostrando-lhes uma maquete de
um aplicativo para iPad que iria ajudá-los a
economizar energia. Usando uma interface
de tela de papel, a equipe perguntou ao casal o
que funcionou bem e o que precisava de mais
esclarecimentos.

85

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : OBTE N HA FEE DBAC K DOS USUÁRIOS

S ELE CIONE PAR TICIPANTES
PA RA FE E DB AC K

Como parte de sua estratégia
de feedback, uma equipe
IDEO improvisou conversas
com pessoas na rua para
ouvir o pensamento delas
sobre os seus trajetos
diários. A equipe veio
preparada com esboços e
perguntas organizadas em
uma prancheta para serem
capazes de obter rapidamente
reações dos transeuntes.

As pessoas que viram o desenvolvimento da
sua ideia podem fornecer feedback detalhado,
enquanto aquelas novas no conceito podem
ajudá-lo a compreender quais os aspectos
que são mais atraentes ou difíceis. Considere
quais as perspectivas mais importantes. Com
base nisso, crie uma lista de pessoas que você
deseja envolver no processo de feedback e com
quem você aprenderá mais. Às vezes, o feedback
mais frutífero vem de uma discussão curta e
espontânea. Inclua pessoas que você conheceu
durante sua pesquisa de campo, bem como
novos participantes. Lembre-se, você pode
obter pessoas em suas redes sociais e entre os
patrocinadores da biblioteca.

P LANE JE A INTER AÇÃO E A
L OGÍS TICA
Determine um local de reunião e um período
de tempo para suas sessões de feedback.
Considere pedir aos participantes que usem
seu protótipo antes de conhecê-lo. Uma boa
conversa de feedback é uma mistura de reações
espontâneas ao seu protótipo, bem como
perguntas estruturadas destinadas a comparar
as opiniões de várias pessoas sobre o mesmo
tópico. Prepare um guia de perguntas que o
ajude a navegar pelos dois lados.

E SCOL H A PER GUNTAS
A BE RTA S
Revisite as perguntas que surgiram durante o
desenvolvimento de sua ideia. Escolha aquelas
que deseja incluir em sessões de feedback. Com
sua equipe, discuta outras áreas para explorar.
				

ES T RU T U RE PERG U N TAS
PARA IN C EN T IVAR A
C ON ST RU Ç ÃO D E ID EIAS

PASS O

2

de

Formule suas perguntas para que elas levem
a um feedback construtivo e incentivem os
participantes a construírem suas ideias, como:
				
· �“ Você pode descrever o que o estimula mais
sobre essa ideia e por quê?”		
· �“Se você pudesse mudar alguma coisa nesse
protótipo, o que seria?”
· �“O que você gostaria de melhorar com essa ideia?”
· “O que você não gosta nessa ideia?”
				
Organize suas perguntas de acordo com a
seguinte estrutura:			
		
1. �
Inicie com impressões gerais. Deixe os
participantes partilharem os pensamentos
iniciais sobre o seu conceito.		
			
2. Peça feedback específico sobre sua ideia.
			
3. �Abra a discussão e incentive uma conversa
mais ampla.
					
Crie um formato legível de guia de perguntas
para que você possa olhar para ele rapidamente
durante a conversa.
86

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 2: O BT E N HA F EE DB AC K DO U SUÁ RI O

FACILITE BONS
FEEDBACKS

É

—————–—
O ingrediente mais importante em uma conversa de feedback é a honestidade:
as pessoas podem se sentir tímidas sobre dizer-lhe o que realmente pensam de
sua ideia, se sabem que você está investindo muito nela. Crie uma configuração
que incentive uma conversa aberta e pense nas dicas a seguir ao realizar sua
entrevista.

importante perguntar o
que os usuários gostam
sobre o protótipo, mas é tão mais
importante perguntar do que
NÃO GOSTAM... as pessoas não
querem ferir seus sentimentos,
mas você aprenderá muito mais
com essas respostas em oposição
ao que eles gostam.
Marianne, Equipe de IT nas
Bibliotecas Públicas de Aarhus

C ONV IDE HONESTAM ENTE
E DÊ ABE RT UR A

ADAPT E
SE G U E

Apresente o protótipo como um esboço em
que você esteja trabalhando. Deixe claro que
o desenvolvimento de sua ideia ainda está
em andamento e que ainda não gastou muito
tempo em aperfeiçoar os detalhes do protótipo.
					

Incentive os participantes a construírem
sobre a ideia, e mude seu protótipo à medida
que continuar. Esteja pronto para eliminar ou
mudar aspectos da ideia.
				

FIQU E NE U T R O

Apresente todos os conceitos com um tom
neutro. Não fique na defensiva. Escute
todos os comentários e tome nota, tanto dos
comentários positivos quanto dos negativos.
				

À

M ED ID A

QUE

PASS O

2

de

4

C APT U RE F EED B AC KS

Conversas de feedback são ricas em
informações e as impressões sutis das reações
de um participante são, muitas vezes, as mais
importantes para se lembrar. Reserve algum
tempo, logo após a sessão, para capturar o que
você observou. Discuta como melhorar seu
protótipo e extrair ideias para uma próxima
iteração imediatamente. Planeje algum tempo
extra, depois de uma sessão de feedback, para
que você possa compartilhar suas impressões
logo após a conversa, quando ela ainda está
fresca em sua mente.
P RO N TO PA R A PLANEJAR E
FACIL ITA R FEEDBACK?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 4, Atividade 2, página 43

87

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PAS S O 2: OBT ENHA F E ED B AC K DO S U SUÁ R I O S

SINTETIZE COMENTÁRIOS
—————–—
Feedback é valioso para o desenvolvimento de uma ideia, mas também pode ser
bastante confuso. O que você escuta de diferentes usuários pode ser contraditório,
ou pode não se alinhar com os seus objetivos. Classifique as respostas recebidas e
decida o que integrar na sua próxima iteração.

COMPARTILHE SUAS
IMPRESSÕES
Discuta com sua equipe e compare os
aprendizados de cada um. Tome notas ao
considerar os seguintes avisos:
			
· �O que os participantes valorizam mais?
· O que os deixa excitados?
· O que os convenceria sobre a ideia?
· �Quais partes os participantes gostariam de
melhorar?
· O que não funcionou?
· O que precisa de mais investigação?

A GRU PE OS F EEDBAC KS
Compartilhe as impressões captadas, logo
após suas conversas de feedback. Anote em
post-its. Classifique e agrupe o feedback:
O que foi recebido positivamente? Quais

preocupações surgiram? Quais sugestões e
compilações você encontrou?
				

AVAL IE A REL EVÂN C IA

Reserve um momento para revisitar onde
você começou. O que você estava tentando
aprender? Olhe para seus aprendizados e ideias
anteriores. Qual era a sua intenção original?
Será que ela ainda é verdadeira com base no
feedback que você recebeu?
				

PASS O

2

de

4

P RIORIZ E O F EED B AC K

O que é mais importante para tornar sua ideia
um sucesso? Classifique suas anotações e crie
uma visão geral do feedback ao qual deseja
responder. Você pode priorizar mudanças onde
as pessoas viram barreiras e enfatizar o que foi
bem recebido. Então, iterar! Crie um protótipo
novo e melhorado que você possa compartilhar
ou adaptar ao seu protótipo existente. Passar
por vários ciclos de feedback irá ajudá-lo a
melhorar o seu conceito. Você aprenderá mais
sobre isso nas próximas etapas.

P RO N TO PA R A SINT ET IZAR
F EED BACK?
No Livro de Atividades, vá para Capítulo
4, Atividade 3, página 45

Uma equipe discute o feedback e compara as descobertas, logo após testar um protótipo.
88

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3

E X E CU TE UM
MI NIPIL OTO
—————–—
Um minipiloto está situado entre fazer um protótipo e implementar uma ideia.
Enquanto um protótipo torna uma ideia tangível, o minipiloto é uma maneira
de evoluir o seu protótipo em uma experiência para os usuários. Fornece uma
possibilidade de melhorar sua ideia antes de comprometer-se inteiramente com
ela e com seus usuários da biblioteca. Aqui está uma visão geral do que deve ter
em mente ao executar um minipiloto em sua biblioteca.

V

ocê tem que prototipar
com intenção: ver os
protótipos como uma ferramenta
de aprendizagem – não se trata
de experimentação aleatória,
é experimentar com uma meta
e uma hipótese para o que vai
acontecer.
Equipe de Bibliotecas Públicas de
Aarhus

DESIGN DE UM MINIPILOTO
Existem várias maneiras de projetar seu minipiloto. Você pode ter um evento
inesperado de um dia ou uma hora para que os usuários se envolvam com sua
ideia; você também pode produzir um evento de vários dias ou um experimento
contínuo de longo prazo. Mais importante ainda, você deve garantir que esteja
testando uma hipótese e respondendo a perguntas-chave que irão ajudá-lo a
desenvolver a ideia ainda mais.
D E S E NV OLVA UM A
H IPÓTE S E
Com base no que você aprendeu até agora
sobre o protótipo, os seus usuários e os seus
comportamentos, qual é a sua hipótese sobre o
que acontecerá durante o minipiloto? Qual é o
cenário ideal? Sua hipótese pode nem sempre
estar correta, mas irá ajudá-lo a articular
objetivos, suposições e expectativas.

D E S E NV OLVA PER GUNTASC H AV E
Isso é crítico – sem perguntas-chave, você
está testando sem um objetivo dirigido sobre
o que precisa aprender. Com apenas algumas
perguntas-chave, que deseja explorar, estará
mais bem preparado sobre o que fazer para o

PASS O

3

de

seu minipiloto. Uma das armadilhas comuns de
criar um minipiloto após seus protótipos iniciais
é pensar que ele tem que ser muito elaborado
ou de alta fidelidade. Isso é um equívoco! Em
vez disso, pense em sua experiência como
um julgamento verdadeiramente focado,
especificamente criado apenas para responder
às suas perguntas-chave.
À medida que você desenvolve suas perguntaschave, considere:
· �O que é mais importante aprender a fim de
melhorar a sua ideia?
·�
Em qual parte da ideia você está mais
inseguro? Como isso pode ser desenvolvido
em uma questão-chave?
· �Quais são os pressupostos construídos em seu
minipiloto? Como isso pode ser transformado
em questões-chave, ou então você não assume
nada?

89

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3 : EX E CUTE UM MI NI PILOTO

EXEMPLO

D EF IN A O C O N T EX T O

A equipe da IDEO.org projetou um negócio
envolvendo água, nutrição e saúde para ter três
componentes: um vendedor porta a porta, um
quiosque local, onde as pessoas poderiam se
inscrever para entrega de água e produtos de
saúde e um serviço de entrega, que trouxesse
água limpa à casa dos clientes.

Planeje o site para o seu minipiloto. Ao
contrário de um protótipo, seu minipiloto
deve estar baseado em um contexto relevante.
Por exemplo: se você estiver projetando aulas
de alfabetização digital na biblioteca, poderá
configurar seu minipiloto em um laboratório
de informática ou em um local com acesso a
recursos digitais. Ao pensar sobre o contexto
do seu minipiloto, considere:

Eles criaram três minipilotos que examinaram
essas ideias de forma mais detalhada ao
longo de vários dias. Para obter o máximo de
sua experiência, eles se concentraram nas
seguintes questões-chave:
1. As pessoas só querem água potável, ou
gostariam de água limpa para realizar
outras tarefas também (como lavar, limpar e
cozinhar)?
2. As pessoas estão dispostas a pagar por
algo antecipadamente sem poder vê-lo (por
exemplo: pagando por água que será entregue
no dia seguinte)?
3. Faz sentido vender produtos de saúde e
nutrição ao lado da água?
Até o final do primeiro dia do minipiloto, eles
tinham 10 ordens de água para entregar aos
clientes pagantes e aprenderam sobre uma
tonelada desse conjunto inicial de clientes.
Como eles desenvolveram um conjunto
específico e focado de perguntas-chave, antes
de começar a experimentar, eles poderiam se
concentrar em respostas e aprendizados que
iriam impulsioná-los para a próxima iteração.

Pessoas vendendo para a empresa Smart Life.

· �Com base nas suas perguntas-chave, é melhor
que o minipiloto ocorra dentro ou fora da
biblioteca?
·�
Se você está escolhendo uma localização
específica para o seu minipiloto, considere seu
público-alvo. Onde o público provavelmente
irá?
· �Onde você tem mais recursos e permissão
para experimentar? Pense em um contexto
onde você terá mais poder e capacidade de
assumir riscos.

PASS O

3

de

· �Em que contexto você está mais propenso a
envolver os usuários? Se deseja aumentar suas
chances de obter um bom feedback, você pode
escolher um contexto no qual a interação do
usuário já esteja acontecendo naturalmente.

Para entender melhor o contexto do ramo de seu
próximo minipiloto, membros de uma equipe da
Biblioteca Pública de Chicago visitaram o local
antecipadamente para planejar como sua ideia poderia
se adequar ao espaço existente.
90

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3 : EX ECUTE UM M INI PILOTO

I DE NTIFIQUE R EC UR SOS

C RIE U M PL AN O

Seu minipiloto exigirá recursos e ao planejar,
considere o que vai precisar. Muitas vezes,
a execução de um minipiloto exigirá mais
esforço e mais recursos do que um simples
protótipo, uma vez que envolve a produção da
representação de uma ideia para um usuário
sem muita explicação. Como ele também estará
presencialmente dentro do seu ambiente, você
pode alertar e envolver outros funcionários
e partes interessadas na execução do seu
minipiloto. Considere o seguinte ao coletar
recursos para sua próxima iteração:

Para começar, você também quer projetar um
plano. Olhe para trás, para o mapa conceitual que
criou quando começou a prototipagem. Você
levou tempo e, esperançosamente, aprendeu
algumas coisas novas sobre o que funcionou e
o que não funcionou nesses protótipos. Agora
está pronto para potencialmente integrar mais
desses momentos ancorados pelos protótipos
anteriores.

· �Quais permissões você precisa para iniciar?
Você pode engajar os outros para que eles se
sintam envolvidos de forma positiva?
· �Quem você precisará avisar antecipadamente?
Relembre aos mais céticos que este minipiloto
é provisório, e aqueles que não fazem nada
para melhorar os serviços, terminam por não
fazer nada e permanecem dentro do status
quo. E isso não é o que o Design Thinking faz.

O próximo passo é fazer duas coisas: seu
minipiloto deve melhorar e integrar os
protótipos que já fez, e você deve explorar como
pode construir outras partes do mapa para criar
uma experiência mais completa do usuário.
Você também pode achar útil reenquadrar seu
mapa conceitual em outras estruturas para a
experiência de design.

PASS O

3

de

4

· �De quem é a hora de agendar? A que horas você
vai conduzir o seu minipiloto? Ele precisa ser
pessoal ou facilitado de alguma forma?
·�
Que materiais adicionais você precisa?
Novamente, pense no mínimo possível para
executar a ideia com base nas perguntas que
você está tentando responder.

P RO N TO PA R A PR OJ ETAR
U M M IN IP ILOTO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 4, Atividade 4, página 46

91

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

DESIGN UM
MINIPILOTO

Parte 1 de 3

Como você já tem um mapa conceitual para a sua ideia, pode usar as seguintes instruções para ajudar a
desenvolver seus pensamentos enquanto planeja seu minipiloto. Essas instruções ajudam a visualizar
experiências para que você possa garantir que está pensando sobre a perspectiva da melhor imagem de sua ideia.

JORNADA DO USUÁRIO

FRAMEWORK DE SERVIÇOS

ESPA Ç O S

ATRA I A

E N T RE

E MPE NHE -SE SAÍDA

AMPLIE
FUN Ç Õ ES

Seu mapa conceitual já pode levar em conta uma sequência
de eventos que definam a jornada do usuário. Ao categorizar
partes de uma experiência nestes momentos especifícos, você
pode garantir que sua equipe esteja considerando a experiência
completa, e não apenas a prototipagem de uma parte isolada
dessa experiência. Aqui está um exemplo de um conjunto de
fases de uma jornada:
AT R AIA
· Como você compartilha a consciência de sua ideia ao usuário?
· O que se torna atraente para o público-alvo?
E NT R E
· �Qual é a experiência que o usuário percebe em seu conceito
pela primeira vez?
· Qual é a primeira impressão?
E M PEN H E- SE
· Como o usuário interage com sua ideia?
· Quais são os benefícios funcionais e emocionais na utilização?
SA ÍDA
· O que acontece no final da experiência?
· O que os usuários levam da experiência?
AM PL IE
· �Após usar o conceito ou ideia, o que acontece com o usuário?
· Como o usuário poderá continuar usando seu conceito?

FER R A MEN TA S

Se você estiver criando um serviço na biblioteca, também pode
ser útil mapear seu minipiloto em termos de um framework
de serviços. Acreditamos que qualquer serviço é formado
essencialmente de três componentes: espaços, funções
(pessoas) e ferramentas. Assegurar que você tenha pensado
em todos os três como partes de seu serviço pode garantir que
tenha cuidadosamente considerado a experiência completa do
usuário do seu serviço.
ES PAÇO S
Que espaço o seu serviço requer?
Como é o ambiente e como se comporta?
F U NÇÕ ES
Quem poderia facilitar o uso do serviço?
Existem funções que já conhece ou somente novas envolvidas
no serviço?
O seu serviço requer alguma capacitação para executar as
funções?
F ERRA M EN TA S
Quais ferramentas e recursos o seu serviço exigirá?
As ferramentas são construídas ou incorporadas dentro dos
espaços ou funções de alguma forma?

Uma placa demonstrando uma jornada do usuário,
semelhante a esboços e ideias para cada parte da
jornada.
92

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

DESIGN UM
MINIPILOTO

Parte 2 de 3

CASA / DIAGRAMA VENN BIBLIOTECA
Outra maneira muito simples de mapear o seu minipiloto é
pensar em como ele pode impactar o usuário, tanto em sua casa
quanto na biblioteca. Muitas vezes você pensa em usuários
sempre dentro do contexto da biblioteca, mas pode ser muito
útil imaginar como seu minipiloto pode trabalhar enquanto
os usuários estão em casa. Desenhe um diagrama Venn com
um círculo representando a “casa” e o outro representando a
“biblioteca” e pense nas seguintes perguntas:
CASA
· �Como os usuários podem acessar
informações sobre sua ideia em casa?
· �Como os usuários podem ficar
conectados ao seu conceito em casa?
· �Como os usuários falariam sobre o seu
conceito para amigos ou familiares?

CASA

B I B L I OTECA Matthew, um dos membros da equipe do projeto, falando com outros

B IB L IOT ECA
· �Como os usuários podem se envolver
com seu minipiloto na biblioteca?
Em toda a biblioteca?
· �Como o usuário encontra o
minipiloto?

EXEMPLO
B IB L IOT ECA P Ú B L I CA D E C H I CAG O
EV EN TO PAR A A D O L E S C E NT E S
Uma equipe da Biblioteca Pública de Chicago preparou seu
desafio de design com o desejo de criar atividades para atrair
adolescentes para a biblioteca. Por meio de entrevistas com os
usuários, tiveram uma visão de que os adolescentes precisavam
de estrutura suficiente para permanecerem comprometidos,
mas também de alguma liberdade para explorar e improvisar.
Os adolescentes precisavam de um equilíbrio entre atividades
estruturadas e não estruturadas. Durante um dia de construção,
a equipe criou um espaço móvel de atividades para adolescentes
que oferecia estrutura e liberdade de forma a incentivar a auto
expressão. Em seguida, eles entrevistaram os adolescentes para
obter feedback sobre a ideia inicial. Com base nesse feedback,
a ideia começou a evoluir para uma experiência de laboratório
de mídias, onde os adolescentes poderiam sair e experimentar
novas formas de mídias digital e analógica.

funcionários da biblioteca sobre seu protótipo inicial, que inclui cortinas
para representar paredes e caixas de papelão que simulavam altofalantes.

Em sua jornada de transição, o que eles aprenderam em seu
primeiro protótipo de um minipiloto foi que a equipe gastou
tempo desenvolvendo uma hipótese e dando forma a perguntaschave. Algumas das perguntas incluíram: Os adolescentes
estariam interessados em atividades analógicas e digitais? De
quanta facilitação os adolescentes precisavam? Quanto tempo
seria necessário para a biblioteca realizar um evento como este?
A equipe implantou seu primeiro minipiloto em uma filial em
Chicago. Prepararam uma sala com minipiloto, com estações
para: música digital, uma cabine para selfie, pintura e uma
máquina de escrever manual. Cada estação foi conduzida
por um bibliotecário que gentilmente ajudou a facilitar as
atividades

Matthew, um bibliotecário apaixonado por música, mostra aos
adolescentes como fazer música usando um iPad durante o primeiro
minipiloto da equipe.
93

�U M OL H A R M A I S AT E NTO :

DESIGN UM
MINIPILOTO

Parte 3 de 3

Para surpresa da equipe, os adolescentes não estavam muito
interessados na mídia digital, mas queriam pintar e brincar com
a máquina de escrever. As atividades que não exigiram muita
intervenção dos bibliotecários despertaram maior interesse
nos adolescentes. Eles também perceberam que as atividades
oferecidas provavelmente precisavam ser realizadas após as
aulas, em uma área particular, o que deveriam ter como parte
de seu laboratório, complementando as atividades existentes
na comunidade local. Depois de sintetizar seu aprendizado, a
equipe começou a planejar sua próxima iteração.
Para tanto, a equipe desenvolveu ainda mais o conceito,
aprendendo sobre o contexto local da biblioteca escolhida
e montou um espaço com atividades menos digitais e mais
analógicas. Uma das atividades que os adolescentes adoraram
foi o mural de pintura nas paredes, usando tinta lavável. A partir

Uma adolescente pintando um mural com tinta lavável, na segunda
experiência da equipe na Biblioteca de Chicago Legler.

A equipe descobriu que as atividades mais analógicas, como a pintura,
a contação de histórias e a máquina de escrever, eram novidades para os
adolescentes acostumados com tecnologia digital, tornando-se as mais
procuradas no evento.

de suas observações, a equipe constatou que os adolescentes
gostavam da sensação de quebrar as regras, fazendo algo na
biblioteca que não seriam capazes de fazer em casa – como
pintar as paredes com o que eles queriam!
A equipe continuou a iterar e desenvolveu um programa
para adolescentes chamado Make Noise (Faça Barulho), um
programa após as aulas para os adolescentes confraternizarem
e criarem. Foi um programa contínuo, uma vez por semana em
uma filial da biblioteca. A partir dessas experiências, a equipe
foi capaz de influenciar a criação de um grupo de bibliotecários
de adolescentes dentro da Biblioteca Pública de Chicago, e
ajudou a mentorear outros bibliotecários, na esperança de
desenvolverem programações para este público.

Um cartaz divulgando o programa para os adolescentes.

94

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4

AVA L IE SEU
P R O GRE SSO
—————–—
Depois de coletar o feedback do usuário e observá-lo no contexto de seu
minipiloto, sintetize essas informações para avaliar o seu progresso. Grande
parte da fase de iteração é sobre ser reflexivo; você estará constantemente tendo
feedback e trabalhando com sua equipe para construir a próxima iteração. Neste
ponto, também recomendamos a avaliação de restrições práticas, porque em
breve você começará a considerar como vai sustentar seu minipiloto e como
poderá implementar suas ideias de forma mais contínua.

INTEGRE FEEDBACK
EM TEMPO REAL

PASS O

4

de

—————–—

Muito trabalho girou em torno do desenvolvimento de sua ideia, e agora é hora de
manter o ímpeto. Reflita sobre o que você aprendeu usando essa informação para
melhorar sua ideia.

Nicole Steeves, bibliotecária da
Biblioteca Pública de Chicago, faz
um tour por um espaço renovado de
Aprendizagem da Língua Inglesa e
recebe feedback imediato de um grupo
de tutores de línguas.

95

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : AVALI E SEU P ROGRESS O

RE V IS E A AP R END IZ AGEM
Compare as notas da mesma forma que
fez, depois de receber feedback sobre seus
protótipos iniciais. Uma vez que, em um
minipiloto, você terá tido mais tempo para
observar os usuários em um contexto natural,
certifique-se de não esquecer as sutilezas sobre
o modo como os usuários interagiram com sua
ideia. Tome nota sobre sua conversa. Considere
os seguintes avisos:
					
· O que os participantes valorizaram mais?
· O que os deixou excitados?
· O que os convenceria sobre a ideia?
· Quais partes os participantes gostariam de
melhorar?
· O que não funcionou?
· O que precisa de mais investigação?

P R OCU RE O INESPER AD O
Uma das maneiras mais produtivas de
refletir sobre o seu minipiloto é procurar
por comportamentos surpreendentes ou
inesperados dos usuários. Se um usuário
interagiu com a experiência de uma maneira
que você não pretendia, ou que você não previu,
muitas vezes, esse comportamento pode
ser mais útil do que se tivesse agido como o
esperado. Discuta com sua equipe se alguém
notou comportamentos inesperados dos
usuários durante o minipiloto. As observações
podem incluir nuances, tais como: o trajeto/
percurso do caminho, as expressões faciais, a
linguagem corporal, e assim por diante.

R E V ISE SU AS
PE RG U N TAS-C HAV E
Revisite as perguntas-chave que desenvolveu
e projetou em seu minipiloto. Quais perguntas
você respondeu e quais ainda permanecem?
Quais perguntas podem ser mudadas, com base
no que você aprendeu até agora? Que novas
perguntas você formularia, baseadas em seu
último minipiloto?
				

ID EN T IF IQ U E AS
PR ÓX IM AS ETAPAS

Olhe seu mapa conceitual e todas as estruturas
que você desenvolveu ao projetar seu minipiloto. Discuta com sua equipe como gostaria de
avançar na próxima iteração. Considere perguntas como:
· �O que é desejável, viável e factível tanto para
os usuários quanto para a biblioteca?
· Que partes do minipiloto melhor abordam o
desafio original de design?

PASS O

4

de

4

· O que ainda é necessário resolver como
equipe?

P RO N TO PA R A INT EGR AR
F EED BACK?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 4, Atividade 5, página 49

96

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 4 : AVA L I E S EU P RO G RE SS O

REAVALIE SEU
CONCEITO

S

uas
primeiras
ideias
raramente são as melhores,
então, a maneira de melhorar as
coisas é tentar e errar em nosso
caminho para um futuro melhor.
Líder da Biblioteca Pública de
Chicago

—————–—
Você agora sintetizou o feedback de seu minipiloto e a ideia evoluiu ao longo do
caminho percorrido desde o desafio original de design, através de Inspiração,
Ideação e, agora, Iteração. Aproveite um momento para parabenizar a sua
equipe por trabalhar com afinco desde o início, por meio do processo de Design
Thinking. Este é um primeiro grandioso passo para fazer a mudança acontecer
em sua biblioteca!
No próximo capítulo, você aprenderá mais sobre como implementar sua ideia
com um programa de trabalho, serviço ou espaço, ao lado do que já existe em
sua biblioteca. Geralmente leva várias rodadas de pilotagem e reflexão antes
que você possa estar pronto para pensar sobre a implementação. Não hesite em
revisar as primeiras fases da abordagem – Inspiração e Ideação – e reutilizar
esses métodos de forma a iterar o caminho a seguir. Ao reavaliar seu conceito,
considere os pontos abaixo.
S EJA CAU TELOSO PAR A
I NTE GRAR NOVAS IDEIAS
Seu minipiloto pode ter gerado outras ideias
relacionadas, mas separadas. Recomendamos
que você capture essas ideias e as salve para
mais tarde, em vez de tentar integrá-las ao
minipiloto existente. É tentador lançar tantas
ideias novas quanto possível, para ver o que
geram nos usuários. O perigo aqui é perder o
foco na intenção-chave e nas perguntas-chave
que você quer responder com seu minipiloto.
Em vez disso, considere revisitar essas ideias
mais tarde, ou talvez, em paralelo com uma
equipe de projeto diferente.

E X AMINE O ESC OP O
Pense no seu escopo original, ou na amplitude
de investigação para o seu projeto. Foi
expandido ou contratado? Se expandiu,
pergunte-se se você ainda tem foco suficiente
para direcionar seu desafio original de design
diretamente. Se foi contratado, pergunte se
terá um impacto suficientemente grande junto
ao público-alvo, cuja ideia você acredita que
fará a diferença. Considere: a implementação
é possível? É impactante o suficiente para ser
lançada?

PASS O

4

de 4

D EF IN A OB JET IV O
Através de iterações múltiplas, tenha em
mente que seus objetivos e suas hipóteses
para seu minipiloto podem mudar. Além disso,
suas ideias sobre o que torna um minipiloto
bem-sucedido também mudarão. No campo
da biblioteca, as métricas para o sucesso
frequentemente se resumem a medidas
quantitativas como circulação e frequência
do programa. No entanto, outros indicadores
de sucesso serão importantes para o
desenvolvimento de sua ideia. Comece a avaliar
sua mini experimentação-piloto usando outros
tipos de métricas significativas, tais como:
· �Duração do diálogo entre bibliotecário e
usuário;
· Número de usuários envolvidos através do
“boca a boca”;
· Número de visitas de usuários pela primeira
vez à biblioteca;
· Número de novas relações formadas entre
bibliotecários e usuários.

97

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : AVALI E SEU P ROGRESS O

M

uitos pilotos juntos somam
grande impacto. Por meio
de inúmeras iterações, mantenha
o foco em seu desafio de design,
sua intenção de design e continue!
Coach de Design Thinking

Equipe focada na programação de adolescentes, acompanhando o progresso, explicando claramente os principais
aprendizados, até agora, em uma lista. Você pode achar útil organizar sua aprendizagem, ao longo do tempo, para
que possa com precisão articular o progresso para as partes externas interessadas.

A PRE NDE R É A UNIDADE
D O S U CE S S O
Encorajamos você a ver o número de
aprendizados de cada minipiloto, como a
unidade para medir o sucesso. Acreditamos
que você pode ter um minipiloto que atraia
centenas de usuários, mas ainda não terá êxito
se a equipe não aprender nada de novo, a partir
da experiência. Da mesma forma, o minipiloto
pode atrair apenas alguns visitantes e não ter
impacto na circulação. Mas se você aprendeu
mais sobre seus usuários e de que forma pode
melhorar sua ideia, ainda é um sucesso.
LÍD ER DA E Q U I P E

PLANO DE EXPERIMENTAÇÃO
CONTINUADA
Minipilotos exigem vários recursos e
capacidades, ou seja: dinheiro, tempo e pessoas.
Ao planejar suas próximas perguntas e o
minipiloto para responder a essas perguntas,
comece a construir um plano sobre como você
pode trabalhar de forma eficiente e produtiva
com testes contínuos ao longo do tempo.
			

PASS O

4

de

Estime os prazos
Especifique a quantidade de tempo que
precisará para criar a próxima iteração do
seu conceito. Você precisa de tempo para a
preparação? Alguém precisa de capacitação?
Deseja usar um horário de reunião existente de
forma diferente? Você já terá aprendido muito
em termos de quanto tempo leva para produzir
um minipiloto com sua equipe.		
		
Especifique materiais			
Faça uma lista de todos os materiais que você
precisará alterar ou iterar em seu conceito.
Esses materiais estão disponíveis em sua
biblioteca? Você precisará comprar novos
ativos?
				
Calcule recursos financeiros		
Novamente sabemos que o dinheiro pode ser
um recurso escasso no contexto da biblioteca.
Não deixe isso desencorajá-lo. Muitas ideias
exigem pouco e, às vezes, nenhuma verba.
Discuta a maneira de tornar sua ideia real
com recursos limitados desde o início como
sendo um desafio. Além disso, considere
oportunidades para explorar os orçamentos
existentes. Pense em maneiras criativas sobre
como obter fundos ou usar recursos que você
tenha nas mãos.
98

4

�ESTUDO DE CASO

		

No. 1

“Swipe Sense”

O DESAFIO

P O R Q U E A I T E R A Ç Ã O F O I I M P O R TA N T E ?

Vamos aos hospitais na esperança de melhorarmos, mas, em
muitos casos, eles só nos deixam mais doentes. De acordo com os
Centros de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 2 milhões
de americanos contraem infecções hospitalares, resultando em
100 mil mortes e mais de US$ 30 bilhões em custos para o sistema
de saúde por ano. Os especialistas concordam: simplesmente
melhorar os hábitos de lavagem das mãos da equipe pode evitar
essas infecções desnecessárias. Os graduados da Universidade de
Northwestern, Mert Iseri e Yuri Malina fundaram a SwipeSense,
Inc., em 2012, com o objetivo de incentivar uma boa higiene das
mãos com o uso de dispensadores de gel inteligentes e portáteis e
uma plataforma de monitoramento na web.

Mert descreveu os quatro estágios de iteração do SwipeSense:
o primeiro passo foi reconhecer um hábito comum: as pessoas
passam as mãos na calça para “limpá-las”. Assim, Iseri e Malina
tiveram a ideia de aproveitar esse hábito natural para uma solução
de higienização das mãos. A equipe precisava de uma maneira
rápida e fácil de tirar a ideia da mente deles de uma forma tangível.
Assim, para o seu primeiro protótipo, cortaram o topo de um
bastão de desodorante e aderiram-no às suas calças para limpar
as mãos. Então, eles consideraram seus usuários, as pessoas que
trabalham em hospitais, e as observaram participando com vários
protótipos para entender o que funcionou e o que não funcionou.

VISÃO GERAL
Enquanto os hospitais têm abundância de pias comunitárias e
dispensadores de higienização de mãos, os cuidadores, devido à
falta de tempo, simplesmente não os usam, e o monitoramento
de lavagem das mãos ainda é feito manualmente, com caneta e
papel. Para descobrir por que a adesão é tão baixa, Mert e Yuri
passaram semanas observando o pessoal do Sistema de Saúde
na Universidade da Costa Norte. Eles perceberam que a equipe
médica havia limpado as mãos, friccionando-as, o que levou a uma
visão importante para brainstorming de possíveis soluções.
O SwipeSense fez parceria com a IDEO para prototipar produtos e
abordagens alternativas, tanto no domínio físico quanto no digital.
A equipe trabalhou em conjunto para testar mais de 70 iterações
para o projeto. Enquanto o objetivo permaneceu o mesmo –
eliminar as infecções hospitalares – o escopo do projeto mudou
a cada iteração. Além do simples dispositivo desinfetante para as
mãos, a equipe examinou como poderia fornecer mais dados sobre
a higienização das mãos para gerar valor agregado aos negócios da
SwipeSense e ao sistema de saúde em geral.

“É um processo de ir e vir. Você precisa ser humilde o suficiente
para saber que sua primeira ideia é provavelmente péssima”, diz
Mert e acrescenta: “Só construa o quanto você precisa para obter
algo, e não tanto para encontrar uma resposta, mas para fazer uma
pergunta melhor”.
Ao observar os usuários interagirem com seu protótipo, a equipe
moveu-se em uma direção que era baseada na ação “swipe to
squeeze” (tradução: deslize para espremer). Eles então projetaram
o sistema em torno de criar um dispensador de gel com a função de
fornecer dados de higiene. Em cada etapa, as questões mudaram
e o escopo do projeto também. Em última análise, o projeto não
foi apenas sobre higienização das mãos, mas sobre a comunidade
médica em geral.
À medida que continuam iterando protótipos, eles prosseguem
projetando em direção ao objetivo de algo que é viável, confiável
e comercialmente desejável. Mas, como Mert afirmou, “o trabalho
não acaba até que você tenha resolvido o problema. Não há um
momento em que haja uma versão final, porque o universo está em
constante mudança e sempre teremos de tornar nosso produto mais
valioso”. Enquanto o SwipeSense lançou um sistema patenteado
em 2013 – um design fácil de usar que se encaixa facilmente – o
hospital esfrega e registra quando os usuários desinfetam suas
mãos – a equipe sabe que continuarão iterando. Seu objetivo final:
salvar 100 mil vidas perdidas a cada ano.

A equipe esboçou uma variedade de possíveis iterações.
Um protótipo inicial do SwipeSense.

99

�ESTUDO DE CASO

“TI no Espaço da Biblioteca”

No. 2

Página 1 of 2

O DESAFIO
Na biblioteca de Aarhus, na Dinamarca, a equipe embarcou em
um desafio de design com a seguinte pergunta: Como poderíamos
expandir as habilidades de tecnologia para pessoas com diferentes
níveis de conhecimento e experiência?

VISÃO GERAL
A equipe começou o projeto entrevistando uma variedade
de patrocinadores de bibliotecas com diversas habilidades
em tecnologia. Para captar uma ampla perspectiva, a equipe
conversou com vários usuários e não usuários de bibliotecas,
incluindo uma mãe que quase não usava tecnologia (por exemplo:
não enviou nenhum e-mail e não sabia como fazer o download de
aplicativos), bem como um jovem profissional muito esclarecido
tecnologicamente. Eles também realizaram entrevistas com
especialistas e um bibliotecário responsável pela tecnologia,
assim como com o chefe dos arquivos da cidade. Para cada
uma das entrevistas, a equipe surgiu com a pergunta: “Como
poderíamos?” que se enquadrou na necessidade desses usuários
em suas maiores questões do desafio de design.

Um resumo de algumas das entrevistas realizadas com os usuários que
a Equipe de TI entrevistou, com uma questão-chave levantada em cada
entrevista.

Dorthe, bibliotecária de Aarhus à esquerda, ajuda um usuário no
minipiloto do iPad Spa.

Com base nesses dados, a equipe apresentou uma ideia inicial
chamada iPad Spa, onde as pessoas poderiam levar seu iPad para a
biblioteca, aprender sobre os recursos em seu dispositivo e baixar
novos aplicativos. A metáfora do spa foi usada porque o serviço
seria personalizado, uma interação oferecida por bibliotecários
aos usuários. Por meio da experimentação, eles rapidamente
aprenderam que sua campanha de conscientização – colocando
panfletos em livros – não era eficaz, e que a sessão de uma hora de
duração era muito longa para os usuários. Além disso, o serviço foi
rapidamente se transformando em uma oficina de TI, um serviço
de ajuda de TI existente, em oposição ao que foi enfatizado nas
recomendações do aplicativo.
Em sua próxima iteração, a equipe de TI focou mais
deliberadamente em recomendações pessoais. Eles prototiparam
uma ideia em torno da comunicação de “4 bons aplicativos” (4
Good Apps), em vez de colocar panfletos em livros, colocaram-nos
estrategicamente em torno da biblioteca, em seções relevantes.

Uma das ideias principais que a equipe descobriu era o fato de
haver muito mais novatos em tecnologia do que se imaginara
originalmente. Eles tinham assumido que “iniciantes” consistiam,
principalmente, de idosos. Quando visitaram Eva, a mãe que não
usava o e-mail com frequência em casa, notaram que ela tinha
um folheto para um programa de habilidades tecnológicas na
biblioteca, direcionado para idosos. Eva sentia-se desconfortável
em participar sabendo que não se encaixava na faixa etária
pretendida. Além disso, outros usuários queriam recomendações
de aplicativos para se manterem atualizados sobre tópicos como
livros, mas que fossem provenientes de um consultor confiável,
com gosto semelhante.
Com a ideia de conceito “4 Good Apps”, a Equipe de IT colocou
panfletos em locais relacionados aos assuntos nas estantes;
por exemplo: este cartaz de 4 bons apps cozinhando foi colocado na seção de livros de gastronomia.

100

�ESTUDO DE CASO

“TI no Espaço da Biblioteca”

Ao conversar com os usuários da biblioteca num formato de
interceptação rápida, ou seja, em forma de entrevistas rápidas, a
equipe de IT aprendeu que os usuários gostam de discutir quais
aplicativos são mais interessantes, quais eles usam e o que outros
usuários recomendam.

No. 2

Página 2 de 2

P O R Q U E A I T E R A Ç Ã O F O I I M P O R TA N T E ?
A equipe em Aarhus passou por várias iterações em seu minipiloto
e rapidamente prototiparam soluções que foram formalizadas
pelo aprendizado anterior de iteração. Dessa forma, eles foram
capazes de descobrir as partes do protótipo às quais as pessoas
responderam bem e puderam amplificar essas características para
a próxima iteração. “Não tenha medo de evoluir em seu desafio de
design”, disse a líder da equipe, Marianne Krogbaek. “Isso pode
mudar, dependendo da contribuição do usuário, e você quer ter
certeza de que ainda está apaixonado por isso.”
Marianne e sua equipe passaram pelo processo, já reconhecendo
o fato de que sua primeira ideia, provavelmente, não era a melhor.
Mas, em vez de planejar uma série formal de eventos e colocar
uma tonelada de recursos no planejamento de um “Spa iPad”
contínuo, eles usaram o Design Thinking para testar o conceito de
maneira simples e de baixa fidelidade com alguns usuários. Isso
levou a expressivos aprendizados ao longo de suas iterações que
agora estão sendo incorporados em muitas de suas ofertas de TI.

A equipe de TI realizando interceptações de usuários para discutir as
reações das pessoas sobre “4 Good Apps”.

Essas observações ajudaram a equipe em sua terceira iteração,
um conceito em torno de conversas de aplicativos sociais. Um
bibliotecário facilitou o diálogo entre os usuários sobre aplicativos,
tirando a pressão do bibliotecário em ser um especialista do
assunto e dando aos usuários o fórum para comparar notas sobre
um aplicativo entre eles. A equipe aprendeu que essas conversas
eram mais animadas e relaxantes do que as sessões de ajuda de
TI, nas quais os bibliotecários ofereciam suporte individual.
Ao reunir assim múltiplos usuários houve a percepção de que
esse formato era mais informal e atrativo. A equipe agora está
adotando conversas facilitadoras em vários de seus programas de
ajuda de TI, dando aos usuários um fórum mais confortável para
aprender uns com os outros, em vez de confiar unicamente em um
bibliotecário.

“Nossas iterações não foram conduzidas apenas pelos usuários,
mas também pelo envolvimento da equipe”, disse Marianne. Ter
uma equipe extensa, proveniente de outras equipes, não somente
acelerou o aprendizado e o processo de produção necessários,
como também, a execução dos minipilotos. Além disso, também
explorou como a equipe seria capaz de sustentar esses serviços ao
longo do tempo. Em uma nota final, Marianne aconselha: “Apenas
certifique-se de se levantar de trás de sua mesa ou fora do seu
espaço do projeto! Você vai aprender muito mais mostrando um
protótipo ou executando um minipiloto aos seus usuários do que
você jamais faria em sua sala de reuniões de equipe”.

Usuários discutindo aplicativos durante a série de “conversas sobre
aplicativos sociais da equipe de TI”.
101

�Referências
L E IA

ASSISTA

TO OL KIT DE D E S I G N T H I NK I NG PA R A
E D UCADOR ES, 2 A E D I ÇÃO

D ES IG N THIN KING PA RA ED UCA D OR ES
THE ID EO TOY L A B P ROTOTYP ES A NEW
EL M O A P P

Capítulos de Experimentação e Evolução
http://www.designthinkingforeducators.com/

—————		

		

MÉTODOS DE I M P L E M E NTAÇÃO K I T D E
DESIGN

http://www.designkit.org/methods

—————		

			

AC UMEN + C URS O D E I NOVAÇÃO S O C I A L

Leituras de Classe 4: Protótipos

A fase de Iteração em ação
· �A equipe Pepper Eater está trabalhando na
Etiópia rural para criar uma ferramenta simples
que melhore drasticamente o processamento de
pimenta. Saiba mais sobre os métodos de prototipagem que a equipe está usando como parte do
processo de projeto centrado no ser humano:
http://bit.ly/MiJSC4
· �Kevin Kung do MIT está trabalhando em um projeto no Quênia para transformar resíduos orgânicos em carvão vegetal. Saiba mais sobre a jornada
de Kevin por meio do processo de prototipação de
projeto centrado no ser humano aqui:
http://bit.ly/HCDinKenya

http://www.youtube.com/watch?v=-SOeMA3DUEs

—————		

			

CU RS O ED U TO P IA D ES IG N THIN KING PAR A
ED UCA D O RES, 4 S EM A NA S

Como você traz ideias para a vida?
http://www.edutopia.org/design-thinking-for-educators-experimentation-evolution-week-four

—————		

			

ITERA R, ITERA R, ITERA R

Gaby Brink, fundador e designer-chefe da Tomorrow Partners e CEO da Sparkwise, discute
a importância da iteração no Kit de Design.
http://www.designkit.org/mindsets/7

—————		

			

A P REN DA P EL A FA L HA

Tim Brown, CEO da IDEO, discute a concepção
dos experimentos em Design Kit.
http://www.designkit.org/mindsets/1

102

�CAPÍTULO

5

ESCALANDO
Escalar é sobre planejamento e sobre
colocar sua ideia no mundo, de uma
maneira permanente.
Isso pode significar levar sua ideia minipiloto para vários novos
contextos, ou evoluir a ideia ainda mais, para torná-la sustentável em
longo prazo. Esta fase ajudará a levar a experimentação, para o próximo
nível de implementação, mas isso não significa que a evolução da ideia
para por aí. Você aprenderá a contar uma história convincente em
torno de sua ideia, compor um roteiro de longo prazo e continuamente
orientar seu projeto, uma vez que está instalado e funcionando.
Durante esta fase, você também terá a chance de refletir sobre tudo
o que aprendeu até agora e pensar sobre como apoiar outros que
gostariam de aprender sobre o processo de Design Thinking.

103

�ESCALANDO

RESUMO

�PA S S O 1

C O N T E SU A HIST ÓRIA
· Crie uma apresentação

p. 105

p. 105

—————
PA S S O 2

D ESEN V O LVA U M ROT EIRO

p. 107

· Construa um plano p. 107
· Avalie resultados p. 109

—————
�PA S S O 3

AD M IN IST RE O PROJET O
· Planeje a administração

p. 111

p. 111

—————
PA S S O 4

D ESEN V OLVA ESTA F ERRAM E N TA
· Mentorar outros p. 112
· Compartilhe seu feedback conosco p. 113

p. 112

—————
EST U D OS D E C ASO
· Equipe Limpa
· Innova p. 116

p. 114

p. 114

—————
REF ERÊN C IAS

p. 117

104

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 1

C ON TE SUA
H I S TÓ RIA
—————–—
Para implementar o seu conceito, você provavelmente precisará da aquisição
de um grupo maior de stakeholders. Comunicar ao outro sobre o trabalho que
você faz, o valor de sua ideia e seu potencial na biblioteca é fator central para
o processo de Design Thinking. Na IDEO, dedicamos tempo para elaborar essa
comunicação de forma convincente, para que outros se tornem inspirados pelo
trabalho e queiram se envolver. Leia sobre dicas e técnicas que irão ajudá-lo a
construir uma narrativa forte para conquistar mais apoio.

CRIE UMA APRESENTAÇÃO

PASS O

1

de

4

—————–—
Antes de elaborar a sua apresentação, pense sobre a grande variedade de pessoas
que serão o seu público e como você se comunicará com ele. Pense em quem mais,
fora da sua equipe central, precisará ouvir a história para ser capaz de apoiar o
crescimento de sua ideia em plena implementação. Quanto mais pessoas você
envolver em todo o sistema, mais pessoas vão entender como o Design Thinking
pode levar a melhores serviços na biblioteca.

(Foto abaixo à esquerda) Marianne
Krogbaek, das Bibliotecas Públicas de
Aarhus, fazendo uma apresentação
para contar a história do progresso de
sua equipe.

P RO N TO PA R A CR IAR UMA
A P RES EN TAÇÃO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 5, Atividade 1, página 53

105

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 1 : C ONTE SUA HISTÓRIA
FOCO E M UM PR OP ÓSITO
Pense em sua apresentação como uma
ferramenta de defesa (advocacy). Você pode
usar uma apresentação envolvente para:
· Pedir mais financiamento ou apoio;
· Apresentar sua ideia a possíveis parceiros;
· Refletir sobre o progresso da organização;
· Recrutar mais membros da equipe;
· Criar mais impulso para seu projeto.

C ONS IDE RE SEU P ÚBLICO
A sua apresentação é um veículo de comunicação para muitos tipos de stakeholders, incluindo:
· A liderança de sua organização;
· Seu público-alvo;
· Outros usuários, além de seu grupo-alvo;
· Seus colegas;
· Membros da equipe externos que não foram
fortemente envolvidos;
· Parceiros potenciais fora da sua organização;
· O público em geral.
Construa uma história lógica e acessível e, a
partir daí, ajuste sua apresentação a diferentes
públicos. Tenha em mente que a apresentação
deve fazer sentido para todos, mesmo aqueles
que não estão familiarizados com o Design
Thinking.

ES C O L HA U M F ORM AT O
Depois de ter pensado sobre o propósito e o público de sua apresentação, escolha como você
gostaria de apresentar, a fim de alcançar as
pessoas certas. Você apresentará para um grupo? Você enviará uma apresentação de slides
por e-mail? Ou você fará dos dois modos e para
isso precisará de uma apresentação flexível que
possa ser modificada?

ORG AN IZ E A SU A
NARRAT IVA
Crie uma progressão lógica em sua narrativa
usando o formato sugerido abaixo. Talvez
você queira enquadrar a apresentação com
um “tom”, ou uma rápida chamada à ação para
seu público. Uma sugestão para a sequência de
apresentação:
· �Apresente-se:
Quem é você? Quem é sua equipe?
·D
� efina seu desafio:
Qual o problema que você observou, e
quem são os usuários?

PASS O

1

de

· I� nspiração:
Com quem você conversou, o que observou, e
quais foram os principais aprendizados?
· I��� deação:
Quais conceitos você encontrou e como os
prototipou?
· I� teração:
Qual feedback você recebeu e como
construiu a partir desse feedback com uma
experimentação contínua?
·U
� m apelo à ação:
Qual é o próximo passo para sua equipe?
Uma equipe de uma escola criou um
“Guia de Aprendizagem Investigativa”,
um folheto para novos professores que
gostariam de aprender sobre as atividades
de Design Thinking.

106

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 2

DE SE N V OLVA
U M RO TEIRO
—————–—
Para criar um plano em longo prazo, comece por articular seus objetivos em longo
prazo. Ao pensar sobre o futuro do seu conceito, considere as seguintes perguntas:
Quais são seus objetivos finais? Como você imagina sua ideia tornando-se parte
da biblioteca de uma forma sustentável?

CRIE UM PLANO
—————–—

Agora você precisará criar um roteiro, ou cronograma para implementar
metas. Pense em marcos, metas significativas e secundárias semanalmente. As
mudanças revolucionárias, sem dúvida, levarão mais tempo, mas você precisa
começar por algum lugar com um plano.

PASS O

2

de 4

EXEMPLO

C ONS IDE RE
C RONOGRAM AS D E CUR TO
E L ONGO P R AZ O
Desafie sua equipe a pensar sobre o que pode ser
realizado em diferentes momentos. O que você
precisa realizar em curto prazo? Talvez precise
de duas semanas para construir um projeto
instantâneo. Mas também considere um
cronograma mais longo. O que você precisará
realizar em um ano? Talvez tenha métricas
que precisam ser reavaliadas em seis meses
e, em seguida, novamente em um ano. Como
acompanha o seu progresso contra a linha
do tempo, você pode achar que ela vai mudar
dependendo de uma variedade de fatores.

No Camboja, uma equipe do IDE, uma
organização internacional sem fins lucrativos,
notou que a maioria de suas soluções buscou
as “ofertas existentes” da matriz de inovação,
uma vez que a organização tinha um grupoalvo altamente definido. No entanto, as
soluções abrangeram uma gama daquelas
que se encaixam em projetos e programas
atuais para novas áreas de ofertas. A equipe
também identificou soluções que começariam
timidamente com adaptações às soluções e
aos clientes existentes, mas que com o tempo
ajudariam a organização a migrar para outros
patamares. Enquanto muitas organizações são
inicialmente atraídas pela ideia de inovações
revolucionárias, na realidade, a canalização
para a inovação que se concentra em
capacidades ou metas de clientes já existentes
pode ser a estratégia mais forte para um
próximo período

107

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : DE SENVOLVA UM R OT EIRO

C OORDE NE OS
A CONTE CIMENTOS
Considere os prazos ou outros marcadores no
tempo que poderiam afetar seu projeto. Por
exemplo: há ciclos de financiamento para estar
ciente?
Cada um deles está detalhado nas seções
seguintes deste capítulo:
· Pilotando seu conceito;
· �Criando e contando sua história para
conquistar a adesão de stakholders;
· �Medindo o impacto do seu projeto na
biblioteca;
· Administrando seu projeto ao longo do
tempo.
Aqui está uma amostra. Você não tem que
seguir exatamente isso, mas sugerimos uma
ideia de como você pode criar o seu próprio
plano. Como o processo de Design Thinking é
iterativo e não linear, nós o conceituamos como
um processo cíclico.

PA PÉ IS E
RE S PONS ABILID ADES
Quem são os membros principais da equipe e
quais são seus papéis? Elaboração de papéis
originalmente definidos para a equipe,
designar papéis para os estágios-piloto e de
implementação. Alguém que era originalmente
um redator pode agora se tornar um conteudista
oficial no blog. Considere, também, o papel que
seus parceiros irão desempenhar; você pode
precisar deles para defender e apoiar o seu
projeto.

PI L OT O
O próximo passo é executar um piloto. No
capítulo Iteração, abordamos a diferença entre
protótipos, experimentos ou minipilotos e
pilotos. Como lembrete, os pilotos são uma
expressão completa do conceito. Como um
minipiloto funciona por conta própria, mas é
mais funcional e durável para que possa ser
usado durante um longo período. Iteração
pode continuar durante a fase piloto, mas
você quer ter certeza de que a nova iteração
parece e funciona como uma coisa real que
pode existir junto com outros serviços. Os
pilotos são altamente medidos e validados,
usando métricas para que você possa coletar
evidências sobre o impacto e o valor de seu
conceito na biblioteca.
Há muitas considerações antes de lançar até
mesmo um pequeno piloto. Aqui estão algumas
coisas a considerar:
				
· �Parceiros: Que parceiros você vai precisar?
Os parceiros são partes interessadas que o
ajudarão a defender seu processo. Poderiam
ser colegas das bibliotecas, gestores, líderes
de bibliotecas ou mesmo líderes políticos.

PASS O

2

de

4

· �Pessoal: Quem são os membros principais da
equipe e quais são seus papéis?
·L
� ocalização: Isso acontecerá em sua
biblioteca? Em uma biblioteca diferente?
·R
� ecursos: O que você precisará para um
piloto em andamento?
·M
� étricas: Como você medirá o impacto de
seu piloto?
P RO N TO PA R A CONST RUIR
U M ROTEIRO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 5, Atividade 2, página 55

108

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA S S O 2: D E S EN VO LVA UM ROTE I RO

AVALIE RESULTADOS
—————–—

As métricas são os padrões de medida pelos quais determinadas instâncias,
como eficiência, desempenho e progresso são avaliadas. Elas são uma maneira
de rastrear os resultados do seu piloto ao longo do tempo. Medir os resultados é
fundamental para o ciclo de aprendizagem. Sem uma boa avaliação do impacto
que uma solução tem feito, muitas vezes, não há informações suficientes sobre a
direção da próxima rodada de projetos. Medir o impacto é importante para todos
– o implementador, o financiador, a equipe de projeto e a comunidade. Medição
de resultados ajuda as pessoas a entenderem onde investir melhor seus recursos.
É uma oportunidade para avaliar e planejar o futuro.
O objetivo das métricas é mostrar o efeito do seu novo serviço na biblioteca. Para
seu piloto, considere o que medir para demonstrar esse efeito. Nas bibliotecas,
as métricas para o sucesso são muitas vezes medidas quantitativas, como
circulação e frequência do programa. No entanto, outros indicadores de sucesso
serão muito importantes para o desenvolvimento de sua ideia. Recomendamos
pensar em dois fatores: as métricas que sua organização irá avaliar e as que
refletem o que você aprendeu ao desenvolver seu conceito.

PASS O

2

de

Explore os seguintes tipos de indicadores métricos, que você pode usar para
medir o sucesso. Esses indicadores ajudam a medir os efeitos positivos ou
negativos, intencionais ou não intencionais do seu piloto.

109

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 2 : DE SENVOLVA UM R OT EIRO

T IPOS DE IND IC ADOR ES
COND UZIND O
—————–—

O impacto de algumas soluções pode levar
tempo, de meses a anos para se tornar evidente
em qualquer lugar. Nesses casos, faz sentido
acompanhar os principais indicadores. Estes
são medidas quantitativas que revelam uma
mudança que pode ser estreitamente associada
ao seu projeto. Por exemplo: se parte do objetivo
é aumentar o número de crianças que leem
novos livros, um indicador principal seria o
número de livros infantis verificados durante o
minipiloto. Se seu objetivo é começar um novo
clube do livro, um indicador principal seria o
número de pessoas que atendem aos clubes
do livro. Indicadores principais poderiam
ser medidos através de dados coletados da
biblioteca, como atendimento e circulação.
Você também pode coletar esses dados, por
meio de uma pesquisa realizada ao final de um
evento.
A NÁLOGO
—————–—

Às vezes é difícil ver o impacto direto. Isso é
especialmente verdadeiro quando o seu desafio
de design é sobre algo que não é imediatamente
tangível ou visível, como, por exemplo, construir
uma comunidade ou melhorar as relações.
Nesses casos, tente encontrar um indicador
que logicamente levaria você a concluir que seu
objetivo está sendo cumprido. Por exemplo: se
seu objetivo é fazer com que os adolescentes
se envolvam mais em sua biblioteca, você
pode medir quantos adolescentes se conectam
entre si e formam relacionamentos em uma
oficina ou curso. Indicadores semelhantes
podem ser coletados, por meio de entrevistas e
observações.
CONS C I ÊNC I A
—————–—

Quando seu objetivo envolve pessoas para
engajar ou adotar algo novo, o primeiro passo
é saber se eles estão cientes da solução ou
design. Medir a conscientização é um bom
indicador precoce para ajudar a entender quão
grande o impacto da solução pode ser. Medir a
conscientização é mais adequado por meio de
um levantamento ou interceptações rápidas na
biblioteca.

E NG A JA ME N TO
—————–—

Como a consciência, medir o número de
pessoas que estão envolvidas em um novo
programa é muitas vezes significativo. Por
exemplo: se o objetivo é aumentar o acesso dos
adolescentes a programas criativos, o número
de adolescentes que procuram ativamente
e participam do programa é um indicador
significativo. Você também pode medir quantos
adolescentes permanecem em um programa,
ao longo do tempo, e quantos deles falam aos
seus amigos sobre isso. Os indicadores de
envolvimento podem ser coletados por meio de
entrevistas e pesquisas.
ALT E R AÇÕ E S DI NÂ MI CA S
—————–—

Quando uma nova solução é introduzida, é
importante acompanhar as mudanças que
ocorrem ao longo do tempo na comunidade,
na biblioteca e até mesmo nas famílias.
Essas mudanças podem ser completamente
inesperadas e, às vezes, são positivas, outras,
negativas. É crucial olhar para essas mudanças
no início da implementação. Os indicadores
de mudança dinâmica são frequentemente
recolhidos através da observação. Você também
pode olhar para as mudanças longitudinais,
fazendo pesquisas em diferentes momentos,
para ver como as respostas evoluem ao longo
do tempo.

PASS O

2

de

4

P RO N TO PA R A AVALIAR OS
RESU LTA D OS?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 5, Atividade 3, página 56

110

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 3

A DMINISTRE
O PRO JETO
—————–—
Uma vez que você tem um piloto, irá querer acompanhar a sua evolução como
um programa de vida, serviço, espaço ou sistema. Tenha em mente que, como
o mundo muda constantemente, você deve atender à sua ideia e adaptá-la
em conformidade com essas mudanças. Se as necessidades de seus usuários
mudam, o conceito precisará evoluir. Em outras palavras, o processo de Design
Thinking está em andamento a fim de sustentar um conceito desejável, viável e
factível ao longo do tempo. Chamamos esse processo – em que você, sua equipe e
os stakeholders cuidam do projeto ao longo do tempo tempo – de administração.

Plano Para a Administração
—————–—

PASS O

3

de

4

Os objetivos fundamentais de uma administração são: recrutar ajuda, assegurar
a continuidade e checar para determinar se o conceito ainda é bem-sucedido e o
que precisa mudar para que ele melhore.
RECRUTE AJUDA
Você não tem de assumir pessoalmente
esse projeto para sempre. É sua decisão,
individualmente ou em equipe, permanecer
total ou perifericamente envolvido. Ao
planejar a administração, pense em quem na
biblioteca será convidado a compartilhar a
responsabilidade de seguir em frente. Faça com
que o seu plano para o futuro seja claro a todos
os envolvidos.

GARANTA A CONTINUIDADE

CHECAR
À medida que você se afastar do projeto
original, considere agendar verificações
para acompanhar o progresso de sua ideia.
Dependendo do seu nível de envolvimento
com o projeto, neste ponto você agendará
reuniões de marco com a equipe de
administração para checar o trabalho. Essa
checagem o ajudará na continuidade e
permitirá que você aprenda quando adequar
seu conceito.

P RO N TO PA R A PLANEJAR A
A D M IN ISTRAÇÃO?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 5, Atividade 4, página 57

A continuidade é uma parte central da
administração. Como a sua ideia começa
a deslanchar, de que modo você garantirá
que ela mantenha sua proposição de valor
central? E se o seu conceito for sazonal, e só
funcionar durante o verão? Como você mantém
a consistência? Crie planos para sua ideia de
permanecer de forma consistente em lugares
diferentes, com pessoas diferentes ano a ano.
111

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

PA SS O 4

DE SE NV O LVA E S TA
F ERR A M EN TA
—————–—
Reflita sobre sua experiência. O processo de design centrado no ser humano
diz respeito a colaboração criativa e a tirar você da sua zona de conforto. Há
um grande valor em refletir sobre esse processo, a fim de melhorar e construir
confiança para o seu próximo projeto. Depois de ter terminado o processo,
reserve tempo para refletir com o grupo sobre a dinâmica da equipe, os estilos
de trabalho e como foi colaborar como designers. Ao criar uma apresentação e
elaborar a história do seu projeto, muitas memórias e aprendizados irão emergir.
Acompanhe-os para discutir no grupo e certifique-se de compartilhar suas
reflexões com sua equipe de design.

/ GLOSSÁRIO

N

ossa estrutura evoluiu
naturalmente, e nosso líder
de equipe também foi um jogador
de equipe. Nós nos encontramos
como uma equipe completa e
consistente. Tivemos muita sorte
em manter as coisas divertidas
naturalmente para a maioria dos
membros da nossa equipe.
Uma reflexão sobre a experiência
de Design Thinking
de uma equipe da Biblioteca
Pública de Chicago

MENTORAR OUTROS
Agora que você concluiu um projeto de Design
Thinking, você pode inspirar outros a iniciar
seus próprios projetos. Talvez você se encontre
em uma posição de mentor de um novo grupo ou
como facilitador do processo de Design Thinking
em um novo contexto. Aqui, oferecemos algumas
dicas sobre mentoria.

PASS O

4

de

· �Saber quais as partes difíceis e ajudar os outros
a partir delas. As partes mais difíceis são muitas
vezes encontradas em insights poderosos, que
deverão ser passados para o design. Esteja
preparado para ajudar os outros por meio
dessa fase mais complexa de interpretação e de
significação.
·�
Ensinar aos outros como reconhecer linhas
produtivas versus improdutivas. Volte para o
desafio de design da equipe como um lembrete
de como permanecer na pista.

Equipe na Biblioteca Pública de Chicago oferecendo uma apresentação a outros bibliotecários na Próxima Conferência de Biblioteca sobre como projetar melhores serviços
· �Ajudar com o planejamento dos próximos passos nessa área.

do processo. Ajudar os outros quanto ao que
esperar e estar preparado sobre a possibilidade
de as etapas levarem mais tempo.

· �Seja um defensor de uma equipe de design.
Empodere-a para que alcance os objetivos,
obtenha mais recursos e consiga a adesão de
stakeholders.
· Ajudar a dar forma e facilitar a dinâmica da
equipe.
112

4

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

PA SS O 4 : D E SENVOLVA E STA F ERRAMENTA

EXEMPLO
Nicole Steeves, bibliotecária de Língua e
Literatura da Biblioteca Pública de Chicago,
passou por vários processos de Design
Thinking. “Projetar Design Thinking é mais
fácil pela segunda vez”, reflete Nicole. “Algo
que entendi mais completamente, depois de
fazer mais de um projeto de Design Thinking,
é o raciocínio por trás de usar esse processo
em tudo. Ou seja, qualquer um pode conceber
a ideia de ter um laboratório de projetos de
arte para adolescentes, após a aula, ou colocar
mesas e cadeiras em um espaço para aprendizes
de língua inglesa, ou qualquer outra coisa. Mas,
se a pessoa não usar o Design Thinking para
executar suas decisões, ela se arrisca a não
ter uma resposta muito boa para o porquê fez
isso. Com o projeto de Design Thinking, posso
dizer que aquelas escolhas existiram para falar
aos usuários da biblioteca e aos especialistas
do assunto. E isso é importante porque, no
mundo da biblioteca, nós nos preocupamos
em permanecermos relevantes. Contudo, o
Design Thinking é um método cuidadosamente
direcionado para a resolução de problemas
e tomada de decisões que auxiliem os
bibliotecários a serem eficazes sem se basear
em suposições, tendo a certeza de que o projeto
– seja ele qual for – atenderá às necessidades
dos usuários.
Nicole utiliza esse argumento para os colegas
céticos, quando eles perguntam sobre o valor
do Design Thinking. Você pode ter colegas
na biblioteca que já podem estar a bordo, mas
estão cansados do compromisso e dos longos
passos do toolkit.
Nicole, ao mentorar outras equipes, aprende
sobre o Design Thinking. Ela enfatizou
a importância do destemor em tentar
vigorosamente os métodos do toolkit, e como
isso poderia ser contagiante de uma forma
positiva para os outros. Inicialmente, Nicole
colocou muitas perguntas novas para o
processo, incluindo: “Eles realmente querem
que façamos [entrevistas, protótipos, exercícios,
vídeos etc.]?” Nicole disse: “Minha resposta foi
sempre sim, e que sempre vale a pena – e, em
pouco tempo, aquelas perguntas foram embora”.

Nicole Steeves, bibliotecária e coach de Design Thinking da Biblioteca Pública de Chicago,
refletindo sobre a prática desse método em vários projetos.
PASS O

4

de

4

C OM PART IL HE SEU
F EED B AC K C O N O SC O
Finalmente, queremos seus comentários para
que possamos evoluir no toolkit e torná-lo mais
útil e relevante para bibliotecas no mundo todo.
Considere-o um protótipo, também! Permitanos saber o que funcionou, o que foi confuso
e o que podemos fazer para melhorá-lo. Além
disso, se você embarcou em seu próprio projeto,
deixe-nos saber sobre isso! Compartilhe sua
experiência enviando-nos suas histórias
pessoais, fotos de seus protótipos e reflexões
sobre o processo. Envie-nos uma nota em:
www.designthinkingforlibraries.com

P RO N TO PA R A R EFLET IR
S O BRE A S SUAS
EXP ERIÊNCIAS?
No Livro de Atividades, consulte o
Capítulo 5, Atividade 5, página 58

113

�ESTUDO DE CASO
“Equipe Limpa”

No. 1

Página 1 de 2

O DESAFIO

VISÃO GERAL

Cerca de um bilhão de habitantes das cidades, em todo o mundo,
não dispõe de instalações sanitárias adequadas em suas casas. Em
Kumasi, Gana, uma cidade de 2,5 milhões de habitantes, menos
de 20% da população tem saneamento básico em casa. Muitas
pessoas caminham longas distâncias para irem a banheiros
públicos; outros recorrem a “sanitários voadores” (sacos plásticos
jogados fora depois de usados). A Unilever e a Água e Saneamento
para Pobres Urbanos (WSUP) contrataram a IDEO.org para
ajudar a projetar um serviço adequado de coleta de resíduos
sanitários a fim de fornecer uma solução completa de saneamento
nos domicílios.

A equipe da IDEO.org começou por passar um tempo com as
famílias em Kumasi, para aprender sobre suas necessidades e
desejos de saneamento. Um membro da equipe da IDEO.org,
Danny Alexander, recorda: “A parte mais difícil – mas a mais
fascinante – de trabalhar em saneamento é o tabu que envolve o
assunto. Muitas vezes, é impossível fazer perguntas diretamente e,
em vez disso, é preciso ser criativo, fazer perguntas sobre vizinhos,
amigos, etc.” A equipe também se baseou em ferramentas de
design centradas no ser humano, como observar pessoas dentro
de suas casas para obter insights sobre seus estilos de vida.

A primeira entrega Uniloo.

A fase de ideação foi um salto rápido, da aprendizagem à
prototipagem e envolveu considerar não só o produto físico, mas
também modelos de serviços diferentes de uma perspectiva de
logística e negócios. A equipe fez perguntas-chave como: O que
as pessoas gostam no visual? Como funcionaria um banheiro
de desvio de urina? Será que as pessoas ficariam confortáveis
com militares entrando em suas casas? Ao construir vários
protótipos e modificar os banheiros portáteis existentes, a equipe
colocou elementos tangíveis do serviço nas mãos dos ganenses.
Eles aprenderam como o serviço deveria ser posicionado,
desenvolvendo ideias iniciais em torno de marketing e promoção,
e perceberam limitações técnicas, tais como a escassez de água
que limitaria a capacidade de descarga.
Em última análise, a equipe de design da IDEO.org retornou a Kumasi,
para testar quatro protótipos de vasos sanitários e sem descarga nas
casas dos usuários por algumas noites. Quando voltaram para verificar,
descobriram que os banheiros de água-descarga tinham transbordado.
Embora este modelo tenha sido inicialmente o favorito, a questão do
estouro combinado com vários outros desafios resultou em banheiros
de água-descarga sendo unanimemente rejeitados. Foi então que um
vencedor surgiu – o banheiro Uniloo – um teste-piloto inicialmente
conduzido com cerca de 60 famílias, em 2011. O piloto mostrou que os
chefes de família de baixa renda em Kumasi gostavam dos banheiros
da Uniloo e estavam dispostos e interessados em pagar pelo serviço, o
que foi muito menos dispendioso do que o custo para o uso de banheiro
público, para uma família de cinco pessoas. Trabalhando com uma
equipe local, o projeto continua em escala. Até o final de 2012, a Equipe
Limpa estava atendendo 106 famílias e havia iniciado a produção de
1.000 novos banheiros da Uniloo; e, em janeiro de 2013, uma carga
de 384 tanques Uniloo chegou a Kumasi. Até o outono de 2014, eles
tinham 550 banheiros e um novo local centralizado.

114

�ESTUDO DE CASO
“Equipe Limpa”

No. 1

Página 2 de 2

POR QUE OBTER A ESCALA É
I M P O R TA N T E ?
A criação de uma série de pilotos durante a escala leva em conta
vários fatores importantes.
A adesão: A aquisição da comunidade foi crucial. Assim, a equipe
se reuniu com o governo local, os chefes locais (os Ashanti) e o
departamento municipal de água, (KMA) em Kumasi, para obter
feedbacks. Também promoveram uma reunião da prefeitura com
empresários locais e um operador de caminhão a vácuo para ver
se eles iriam comprar em uma franquia do serviço ou se inscrever
para operar com a Equipe Limpa. Isso ajudou a concluir que a
parceria com a Unilever foi uma boa escolha, já que era uma marca
bem respeitada na comunidade local.
Contação de histórias: O boca a boca, com vizinhos conversando
com outros vizinhos, era parte integrante do crescimento do
programa. As mesmas pessoas que estavam “comprando” o
conceito, também precisavam ajudar a compartilhar histórias
atraentes sobre o valor da Equipe Limpa e servir como
embaixadores não oficiais do programa.

O design: Ao projetar os banheiros, a equipe teve de considerar
se o tipo de produto físico seria capaz de crescer na escala Equipe
Limpa imaginada. Isso significava considerar tudo, desde o custo
da biodegradabilidade até a capacidade de fabricação.
Marca: A equipe aprendeu que tudo o que parecia feito à mão
não foi levado a sério. A marca e a publicidade – assim como tudo:
desde o logotipo até os uniformes dos militares – precisavam
parecer profissionais. Por ter um olhar consistente no sentido
de ter banheiros ao redor da comunidade, o programa tornouse não só uma iniciativa de diálogo, mas também algo que era
reconhecível e confiável.
Parcerias locais: O plano de negócios foi construído em torno
da criação de um modelo de negócio sustentável. Isso significava
construir uma equipe local no terreno que pudesse conversar
com os usuários, entender as normas e os costumes locais, coletar
feedback e executar as operações do dia a dia.

Uma marca consistente foi vital para a campanha Equipe Limpa, incluindo uniformes para todos os membros da equipe.

115

�ESTUDO DE CASO

No. 2

“Innova”

O DESAFIO
Apesar de uma classe média emergente e uma economia em rápida
expansão, o sistema educacional do Peru ocupa o 65º lugar entre
65 países. As Escolas Innova sabiam que poderiam fazer melhor.
Seus dirigentes imaginavam uma educação de classe mundial
a um preço acessível para a juventude carente do Peru, mas não
podiam fazê-lo sozinhos.

VISÃO GERAL
Em parceria com a IDEO para redesenhar toda a experiência e
estratégia de aprendizagem do Innova K-11, a equipe desenvolveu
um currículo, estratégias de ensino, salas de aula e edifícios, bem
como planos operacionais e um modelo financeiro subjacente
para administrar a rede de escolas. Depois de muita pesquisa, a
equipe focou em quatro inovações-chave:
·�
Aprendizagem autodirigida, por meio de um modelo que
combinasse experiências com professores, em pequenos grupos,
com a aprendizagem digital autodirigida.
·�
Edifícios multimodais que permitissem flexibilidade com
espaços comunitários, laboratórios de mídias e cafés.
· �Suporte aos professores, por meio de um Centro de Recursos
para Professores on-line que incluísse um banco de dados de
mais de 18 mil planos de aula personalizados, baseados na nova
abordagem pedagógica.

POR QUE OBTER A ESCALA FOI
I M P O R TA N T E ?
A equipe Innova é a prova de que nenhuma ambição é muito
grande. Conceber um sistema escolar inteiramente novo é um
empreendimento enorme. O esforço colocado no projeto e a
observância do contexto maior e de longo prazo, desde o início
– do modelo acadêmico ao projeto de construção, dos recursos
físicos e digitais ao apoio aos professores – foi crucial. Assim
como construir qualquer negócio, isso significou mapear o todo
para um modelo financeiro sustentável.
Em cada ponto do roteiro, a Innova teve de considerar uma rede
de decisões interdependentes que representavam inúmeros
compromissos. Um aumento do número de estudantes significou
um aumento das receitas dos estudantes, mas também apontou
para a necessidade de mais professores e aumento dos salários
dos professores; o uso de espaços compartilhados apresentou
uma escala menor para salas de aula individuais e um aumento em
espaços flexíveis e polivalentes.
Para a Innova, priorizar partes do roteiro foi essencial para
planejar o lançamento da escola, durante um período de dois anos
e meio. A equipe mapeou cada componente passando pelo modelo
acadêmico, seus espaços até o modelo de treinamento digital e
mostrou a linha do tempo de progressão, desde sua construção,
passando pelo seu refinamento até o de escalonamento.

·�
Um modelo de negócios integrado que impulsionasse a
acessibilidade e aproveitasse as economias de escala, oriundos
da construção de uma rede de escolas e ferramentas construídas
centralmente, como sistemas de dados para permitir que a rede
aprendesse em conjunto.
Quando esta publicação for lançada as Escolas Innova serão a
maior rede privada de escolas no Peru, com 30 escolas a um baixo
custo de US$ 130 por aluno ao mês. De acordo com o Ministério
da Educação do Peru, que conduz testes nacionais em todas as
escolas privadas e públicas, o desempenho de 2013 da Innova foi
três vezes a média nacional em matemática e duas vezes a média
nacional em comunicação. Em última análise, o trabalho permitiu
que a Innova fizesse exatamente o que esperavam: construir
mais escolas que dessem à próxima geração do Peru a chance de
competir na economia global.

A abordagem de aprendizagem combina autodireção e tempo do grupo.
116

�Referências
L E IA

ASSISTA

TO OL KIT DE D E S I G N T H I NK I NG PA R A
E D UCADOR ES, 2 A E D I ÇÃO

CU RS O ED U TO P IA D ES IG N THIN KING PAR A
ED UCA D O RES – 5 S EM A NA S

Capítulos de Evolução
http://www.designthinkingforeducators.com/

Próximos passos
http://vimeo.com/46066965

—————		

—————		

		

MÉTODOS DE I T E R AÇÃO K I T D E D E S I G N

http://www.designkit.org/methods

—————		

			

AC UMEN + C URS O D E I NOVAÇÃO S O C I A L

Leituras de Classe 5: Avançar

			

OTIM IS M O

John Bielenberg, cofundador da Future Partners,
discute o otimismo face aos desafios difíceis no
Kit de Design.
http://www.designkit.org/mindsets/6

117

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

GL OSSÁ RIO
/ O nível mais básico de informação que você grava em sua
pesquisa, incluíndo: citações diretas, anedotas, primeiras impressões, notas
sobre o ambiente, notas sobre o que foi mais memorável ou surpreendente e
muito mais.
A PR EN D IZA G E N S

/ Descreve a imperfeição ou incompletude de uma ideia;
denota que a expressão da ideia não requer muito tempo ou dinheiro e, portanto,
oferece pouco ou nenhum risco. É o oposto de alta fidelidade, que muitas vezes
exige um investimento de tempo e, em alguns casos, de dinheiro.
B A IXA FID ELIDA DE

/ Geração de ideias, opiniões, pontos de vista sobre o processo
de design, entre equipes, especialistas, comunidade a ser atendida, visando
entender e compartilhar a realização de algum experimento, solução, protótipo
etc.
B R A IN S TOR M

/ Retorno espontâneo e honesto dos usuários, a partir de conversas
sobre o que pensam de um protótipo feito pela equipe de design.

�FEED B A C K

/ Representam estruturas construídas, a partir de percepções,
sensações para organizar os pensamentos, as ações sobre algo.
FR A MEWOR K S

/ Uma sessão de trabalho de meio dia ou de dia
inteiro dedicada a transformar ideias e conceitos em protótipos tangíveis. Make
Day envolve os recursos mais básicos de prototipagem, tais como: papelão, papel
colorido, tesoura e post-its.

MA K E D AY OU M A KE -A -T H O N

/ O estágio após a prototipagem, quando você testa o protótipo com
os usuários em um contexto natural. Também chamamos de fase experimental
de minipiloto, e ela precede a fase piloto completa.
MIN IPILOTO

/ No contexto do design thinking, é o processo de explorar o desafio
e reunir a inspiração que irá conduzir o design. Isso é feito através de entrevistas
com usuários e especialistas, experiências imersivas e análogas e outros métodos.
PES QU IS A

/ Também conhecido como implementação, este é o ato de colocar sua
ideia no mundo de uma forma permanente, juntamente com ofertas existentes.
Nesta fase, a sua solução terá de ser testada e medida com base em métricas e
ainda pode iterar dependendo do seu desempenho.
PILOTO

PR OTÓTIPO

/ Uma manifestação grosseira, de brincadeira, tangível da sua

118

�1 / INTRODUÇÃO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 / ESCALANDO

/ GLOSSÁRIO

GL OS S ÁR I O

ideia. O protótipo é considerado de baixa fidelidade e uma forma representativa
do seu conceito.
/ Pessoa ou entidade que tem uma participação no projeto,
uma solução, ou de alguma forma é impactado por ele. Exemplos de partes
interessadas: beneficiários, conselheiros, líderes, membros da comunidade, etc.
S TA K EHOLD ER

/ Guia de etapas, leituras, referências e ferramentas para
desenvolver melhorias ou soluções para os desafios de design de bibliotecários,
profissionais e equipes de bibliotecas.
TOOLK IT

/ Cliente ou grupo de clientes para quem você está projetando.
Nota: um usuário pode incluir alguém que não usa a biblioteca.
U S U Á R IO

119

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
      <file fileId="1003">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1537/Design_Thinking_para_Bibliotecas_Caderno_de_Atividades_2017.pdf</src>
        <authentication>e1a467553b082aeb1dd3ab28c9fbf98b</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20050">
                    <text>PRIMEIRA EDIÇÃO

DESIGN THINKING

FIRST EDITION / TWO THOUSAND FIFTEEN

MANUALDE
ATIVIDADES
UM TOOLKIT PARA DESIGN
CENTRADO NO USUÁRIO

WWW.DESIGNTHINKINGFORLIBRARIES.COM

PARA BIBLIOTECAS

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

Índice

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO pg. 3

CAPÍTULO 2

INSPIRAÇÃO pg. 15

CAPÍTULO 3

IDEAÇÃO pg. 27

CAPÍTULO 4

ITERAÇÃO pg. 41

CAPÍTULO 5

ESCALANDO pg. 52

2

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO1

Introdução

ATIVIDADE 1

APRESENTAÇÕES
15 minutos

A melhor maneira de aprender é fazendo, assim
para cada capítulo do manual você verá
atividades associadas com os métodos
delineados nas leituras. Se você é o líder, nós o
encorajamos a facilitar essas atividades com a
sua equipe, juntando os materiais da lista abaixo
antes de marcar uma próxima reunião. Os
tempos anotados para cada atividade são uma
estimativa, então pode ser que sua equipe leve
mais ou menos tempo do que os mencionados.
Atente ao andamento de sua equipe em relação
ao tempo estimado e planeje o tempo.

pg. 4

ATIVIDADE 2

QUEBRANDO O GELO: TELEFONE VISUAL

pg. 5

15 minutos

ATIVIDADE 3

DETERMINAÇÃO DOS PAPÉIS DAS
EQUIPES pg. 6
15 minutos

MATERIAIS NECESSÁRIOS
· Cópia impressa do manual
atividades (1 por pessoa)
· Papéis em branco ou cadernos

de

ATIVIDADE 4

HÁBITOS E LOGÍSTICA pg. 9
15 minutos

· Canetas coloridas, ou equivalentes
· Post-it ou equivalente
ATIVIDADE 5

AQUECIMENTO: DESENHAR UMA MELHOR
TROCA pg. 10
50 minutos

ATIVIDADE 6

REFLEXÃO SOBRE DESIGN THINKING pg. 13
15 minutos

3

�ATIVIDADE 1

APRESENTAÇÕES

15 min

Como design thinking, é importante abraçar sua “mente de principiante”, para abordar problemas como um aprendiz, mesmo que você já
saiba muito a respeito dele. Sua mente de principiante anseia aprender e está disposta a experimentar. Use alguns minutos para responder
as perguntas abaixo e depois discuta as respostas com a sua equipe.

Qual é o seu nome?

Onde você trabalha?

Por que você está interessado no toolkit?

O que você gostaria de aprender com esse toolkit?

O que você gostaria de fazer daqui há cinco anos?

Conte uma história a respeito da última atividade que você tentou realizar. Foi emocionante
ou assustadora? Ser um principiante te ajudou?

4

�ATIVIDADE 2

QUEBRANDO O GELO: TELEFONE VISUAL 15 min
É importante ser visual durante o processo de design thinking. Pensar visualmente também pode te ajudar a “desenrolar” em pontos
chave. Esse exercício ‘quebrando gelo’ o ajudará a conhecer seus companheiros de equipe, enquanto pratica a habilidade de interpretação
visual.

NOTA: Você precisará de pelo menos três pessoas da equipe
para essa atividade. Cada membro da equipe vai precisar de um
pedaço de papel em branco e uma caneta.

PASSO 1

PASSO 3

·Todos do grupo devem escrever uma frase (boba ou

· Desdobre o papel que você acabou de receber para revelar
apenas o desenho (não a frase)
· Escreva uma nova frase abaixo do desenho, descrevendo o que
você vê
· Dobre o papel três vezes para esconder a primeira frase, o
desenho e a última frase

séria) no topo de seu pedaço de papel
·Dobre o topo do seu pedaço de
papel para esconder a frase
·Passe seu papel para a pessoa a
sua direita

· Passe para a direita

—————–—

—————–—

PASSO 2

PASSO 4

·Desdobre o papel que você acabou de receber para revelar a
frase

Desdobre o papel que você recebeu para revelar apenas a última
frase

·Desenhe o que você vê

· Desenhe o que você lê

·Dobre seu papel para esconder a frase do topo, dobre

· Dobre o papel quatro vezes

novamente para esconder o desenho abaixo dela
· Passe para a direita
·Passe o papel para a direita
Repita até que o papel original volte para você.
Desdobre e veja quanto a história mudou!

�5

�ATIVIDADE 3

DETERMINAÇÃO DOS PAPÉIS
Essa atividade pode ajudar a determinar quem na sua equipe será responsável pelas diversas partes do projeto.
Se alguém assume um certo papel, isso não significa que outro membro da equipe não possa ajudar com essa
responsabilidade, mas é uma boa ideia ter uma noção geral de quem é responsável por certas tarefas.

Use esses cartões de funções para ajudar a iniciar uma discussão a
respeito dos papéis nas equipes. Sua equipe pode ter ou não todos
esses papéis e as pessoas podem ter mais de um papel. Siga esses
passos:
1. Cada membro da equipe deverá cortar os cartões de funções.
2. Individualmente, leia cada cartão e ordene os cartões de acordo
com quanto cada função combina com a sua personalidade,
habilidades ou qualidades.

OAGENDADOR
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Agendador pode ser o líder, ou outra pessoa da
equipe. Essa pessoa é responsável por comparar e
gerenciar os horários da equipe e, assegurar que a
equipe está progredindo nas atividades pontualmente.
QUALIDADES

Você valoriza eficiência e execução de tarefas. Ama
coordenar e manter projetos e equipe no caminho
certo. Você também tem livre acesso ao cronograma
dos outros membros da equipe e demandas de tempo
para que você possa planejar os melhores horários e
ambientes para completar o trabalho.

15 min
Pag. 1 de 3

3. Reúna-se com a sua equipe novamente e discuta o resultado da
ordenação dos cartões. O que cada um avaliou como principal?
Alguns membros terão percepções diferentes de outros e isso
irá ajudar a impulsionar uma discussão significativa. Use esse
tempo para chegar a um acordo quanto aos papéis dos membros
da equipe.
* Para mais informações a respeito desses papéis, leia As Dez
Faces da Inovação (veja capítulo 1, seção de referências).

ODOCUME NTADOR
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Documentador é responsável por capturar o progresso
da equipe a cada passo. Isso significa tudo desde
garantir que os membros estão escrevendo seus
pensamentos em papel ou post-its, até tirar fotos de
entrevistados e blogar a respeito de sua experiência, se
escolher fazer isso. Esse é um papel absolutamente
essencial na equipe e irá ajudar a todos se sentirem mais
organizados e produtivos.
QUALIDADES

Você é incrivelmente organizado e dedicado a tomar
notas. Seus arquivos e anotações são arquivados de
maneira lógica e localizar informações a qualquer
momento é seu talento especial. Além disso, você é bom
em gravação de multimídia e sempre tem uma câmera
nas mãos, pronta para tirar uma foto de qualquer coisa
que te inspire.

6

�ATIVIDADE 3

DETERMINAÇÃO DOS PAPÉIS

15 min
Pag. 2 de 3

OCONECTOR
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Conector é a força durante a fase de Inspiração e
Iteração e é essencial para recrutar e encontrar
experiências de pesquisas interessantes. Esse papel é
sobre conectar a equipe a usuários, experts e
experiências que a equipe possa se beneficiar por um
acesso direto à comunidade para obter insights.

OANTROPOLOGISTA
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Antropologista floresce na fase da Inspiração e
impulsiona a equipe para estruturar (e reestruturar) o
problema durante o processo. Essa pessoa ajuda a guiar
o restante da equipe aos insights profundos que
impulsionam o design. Acima de tudo, essa pessoa
constantemente busca por formas de inspirar a equipe
com sua constante curiosidade sobre as pessoas.

QUALIDADES

Você faz associações entre ideias e pessoas
rapidamente e sabe que as experiências mais
inspiradoras vêm através de simples conversas com
pessoas da comunidade. Você é o eixo dos
relacionamentos e parece conhecer quase todos os
usuários que frequentam a sua biblioteca.

OINTÉRPRETE
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Intérprete está relacionado de perto com o
Antropologista, essa pessoa ajuda a guiar as
evidências da fase de Inspiração em insights que
geram ideias. O intérprete traduz pesquisas em
perguntas e temas que irão alimentar o design. O
intérprete especialmente ajuda a evitar que a equipe
fique pulando imediatamente de um insight para uma
solução, mas encoraja a equipe a contemplar padrões
e contradições na pesquisa.

QUALIDADES

Um polinizador cruzado, você consegue encontrar
ligação entre ideias e pessoas distintas. Contrário a
ambiguidade, você consegue fazer links entre ideias e
frequentemente pensa em metáforas. Você é mente
aberta e ama residir entre o espaço aberto e o
questionamento intelectual.

QUALIDADES

Você se conecta rapidamente e inatamente à
experiência humana e as pessoas frequentemente se
abrem com você de maneira que não o fazem com
outros. Você é um pensador altamente intuitivo, que
tem energia e prazer em observar a interação com
produtos e serviços dentro e fora da biblioteca. Por
esse motivo você sempre “vê” coisas que passam
desapercebidas e tem uma curiosidade insaciável de
sempre perguntar “Por que? ” a respeito do mundo.

OSALTADOR
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Saltador tira obstáculos do caminho do projeto para
empoderar a equipe o máximo possível. Esse papel é
fundamental na negociação com acionistas, liderança ou,
trabalhando com burocracia para ajudar a manter a equipe
produtiva. O saltador briga por tempo, recursos e
orçamento para o projeto de design, frequentemente
pensando sobre caminhos criativos para isso.
QUALIDADES

Você é um resolvedor de problemas incansável e adora
enfrentar desafios em território desconhecido. Nenhuma
questão é grande ou pequena demais para você enfrentar,
sempre pensando sobre o que é possível ao invés de viver
coagido. Pessoas são atraídas a você devido ao seu
imenso otimismo e força na organização.

7

�ATIVIDADE 3

DETERMINAÇÃO DOS PAPÉIS

15 min
Pag. 3 de 3

OCONTADORDEHISTÓRIAS
—————–—
RESPONSABILIDADES

O Contador de Histórias captura a imaginação da sua
equipe e ajuda a desenvolver narrativas distintas e
generativas envolvendo o desafio de design
escolhido. O Contador de Histórias entrelaça emoção
e inspiração para criar uma história convincente sobre
seu projeto. Esse é um papel crítico na comunicação
do projeto com o mundo exterior, seja por escrito,
vídeo, fotografia ou outros meios.

QUALIDADES

Você sabe que se comunicar com as pessoas é
contando uma boa história. Você consegue resumir
diversas ideias e conceitos em uma história sucinta
capaz de fazer os outros escutarem. Pessoas te
procuram para traduzir, articular e expressar ideias de
forma realmente autêntica e enfática.

8

�ATIVIDADE 4

HÁBITOS &amp; LOGÍSTICA

15 min

O líder da equipe deve guiar essa discussão. Como grupo, discuta cada diretriz envolvendo hábitos e logística, determine se haverá algum
problema e mapeie soluções em potencial.

TEMPO

SUPRIMENTOS

Com cada capítulo, o conjunto de atividades deve levar ao menos
de duas a três horas. Você terá de uma a duas horas para fazer a
leitura antes de cada reunião. Tenha em mente que será
necessário tempo adicional fora dos horários das reuniões para
pesquisa e experimentação durante fases posteriores.

Cada membro da equipe deve imprimir o toolkit e levar em cada
reunião.

CALENDÁRIO

· Canetas, lápis, marcadores, papel em branco.

Marque reuniões regulares no calendário. Marque as datas que os
membros possam estar ausentes e planeje de acordo ou
reprograme.

LOCAL

O líder da equipe será responsável por organizar com a equipe
e providenciar:

· Post-its, se disponíveis; caso não, papéis cortados em
quadrados e fita adesiva para prendê-los na parede.
Durante a fase de Ideação, sua equipe precisará juntar e levar
suprimentos de prototipagem para a reunião. Você terá mais
detalhes a frente.

Garanta um espaço de reuniões para a duração total do projeto. Você
pode marcar workshops na casa de alguém, escola, escritório, igreja?

DOCUMENTAÇÃO
LIDERANÇA
Nas reuniões, os líderes de equipe irão liderar a discussão e
facilitar as atividades. Eles são responsáveis por coordenar os
membros das equipes e suprir o que for necessário.

É importante fotografar o processo: quadros de post-its, visitas de
pesquisa, observações e vocês mesmos! Esses recursos visuais
irão elevar suas histórias enquanto vocês dividem seus progressos
e sucessos com um público maior. Nós também esperamos que
vocês dividam suas histórias conosco, para que nós possamos
continuar a deixar esse toolkit melhor!

ESTABELEÇA REGRAS
Recomendamos que sua equipe pare para estabelecer algumas
regras ou normas de como vocês gostariam que a reunião
funcionasse. Aqui estão algumas perguntas para começar:
· Como você pode estruturar as reuniões e projetar o espaço
para garantir que um ambiente de confiança mútua e de
respeito seja criado?
· Como o feedback (positivo e negativo) pode ser comunicado
para que cada indivíduo e o grupo tirem o máximo proveito?
· Você consegue pensar em outras regras que irão fazer com que
as reuniões ocorram mais suavemente?

ESCREVA O NOME DA SUA EQUIPE
Sua equipe deve escolher um nome. Divirtam-se e escolham algo distinto e que represente sua equipe ou desafio.

9

�ATIVIDADE 5

EXERCÍCIO DE AQUECIMENTO

50 min

DESENHANDO UMA MELHOR TROCA. Design thinking começa com entrevistas profundas e pesquisa qualitativa. Pag. 1 de

3
Isso nos ajuda a ter um melhor senso das pessoas para quem estamos projetando. Para essa atividade, dividam-se em grupos de dois (três se
sua equipe tiver número ímpar de pessoas). Entreviste seu companheiro e troque. Observe o tempo para cada parte da atividade.

ENTREVISTA: 10 MINUTOS
(Entreviste seu parceiro por 5 minutos e então troquem os papéis)
Entreviste seu parceiro. Comece entendendo a sua rotina matinal. Pergunte não apenas sobre
logística, mas pensamentos: descubra como ele sente determinada coisa, o que ele gostaria
que fosse diferente, o que ele gosta, o que está no caminho dele. Seu trabalho é escutar e
aprender, então não tenha medo de perguntar “Por que? ” Escreva as anotações de sua
entrevista no espaço abaixo.
ALGUMAS TÉCNICAS QUE VOCÊ PODE TENTAR
· Tente perguntar “Por que? ” em resposta a cinco respostas consecutivas de seu parceiro.
· Peça a seu parceiro que visualize sua rotina matinal com um desenho ou diagrama.

10

�ATIVIDADE 5

EXERCÍCIO DE AQUECIMENTO

50 min
Pag. 2 de 3

DESENHANDO UMA MELHOR TROCA. continuação…

NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO: 5 MINUTOS
Tire cinco minutos para reler suas anotações sobre a entrevista com seu parceiro.
Escreva as respostas para as perguntas abaixo.

QUAIS SÃO OS TRÊS ÚNICOS ASPECTOS
DA TROCA COM SEU PARCEIRO?

QUAIS SÃO AS TRÊS NECESSIDADES QUE
SEU PARCEIRO ENFRENTA A CADA
MANHÃ?

BRAINSTORM: 10 MINUTOS
Agora é sua chance de pensar em algumas soluções que possam ter relação com as necessidades do seu parceiro.
Trabalhe com seu parceiro e esboce quatro a seis formas radicais de melhorar a rotina. Você deve focar em ideias
para seu parceiro e seu parceiro deverá focar em ideias para você. Entretanto, trabalhem juntos e tentem encontrar
algumas ideias que possam melhorar a rotina de ambos. Não se preocupem em ser perfeitos, escrevam suas ideias
rapidamente para capturá-las. Use mais papel se precisar!

11

�ATIVIDADE 5

EXERCÍCIO DE AQUECIMENTO
DESENHANDO UMA MELHOR TROCA. continuação…

50 min
Pág. 3 de 3

PROTÓTIPO: 10 MINUTOS
Ok, hora de ser tangível. Fazer algo visual ou físico vai te ajudar a imaginar melhor as
possibilidades e armadilhas da sua solução, bem como explicar mais facilmente para os
outros. Seu protótipo pode ser um modelo, diagrama ou um desenho mais detalhado. Uma
boa ideia é pegar tesouras, papel cartão, fita adesiva, canetões (ou qualquer outra coisa que
esteja à mão) e faça com que a ideia fique visual.

FEEDBACK: 5 MINUTOS
Divida suas ideias favoritas com outro grupo. Peça um feedback para eles. Não venda suas ideias; explique-as de
maneira simples e descubra o que eles realmente pensam. O que os anima sobre as suas ideias? Como eles as
mudariam ou melhorariam?

12

�ATIVIDADE 6

REFLEXÃO

15 min

Parabéns por completar sua primeira incursão em design thinking! Normalmente você repetirá as fases de Ideação e Iteração
e continuará a construir suas ideias se baseando em feedback adicional. Porém, como seu tempo é valioso, vamos tirar alguns
minutos para refletir sobre o que você aprendeu a respeito do processo de design thinking.

REFLITA

COMPARTILHE

Tire cinco minutos para refletir a respeito das
seguintes questões. Escreva suas respostas
rapidamente no seu caderno ou em post-its.

Agora, junte-se com sua equipe:
· Divida seu protótipo com o grupo. Você tem ideias para
refinar mais sua ideia baseada no feedback recebido?

· O que você aprendeu com a experiência de
prototipagem durante esse mini desafio de
design?

· Dívida e discuta seus “Ahas” com o grupo. Houveram
ideias similares ou diferentes?

· Houve alguma parte do processo que foi
particularmente surpreendente ou útil, ou que foi
um momento “aha”? Os “ahas” podem ser
chaves, novas perspectivas em um assunto,
comentários ou questões memoráveis, surpresas,
desafios, ou pensamentos divididos a partir
desse workshop.
· Quais partes do processo de design thinking
você acha que são particularmente úteis ou
perspicazes para enfrentar desafios na
biblioteca?

13

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AE S

CAPÍTULO 1

COISAS
APRENDIDAS

Checklist

PARABÉNS POR TERMINAR O PRIMEIRO PASSO
DA ABORDAGEM DE DESIGN THINKING!

Esperamos que essa seção tenha ajudado você a entender como
o design thinking pode ajudar com os desafios do dia a dia na
biblioteca. Esperamos que você esteja ansioso para colocar o
processo em prática nos próximos capítulos.
Ao final de cada capítulo nós daremos um checklist que
resuma os passos e atividades associadas com cada fase da
abordagem. Sinta-se à vontade para usar essa lista como outro
ponto de verificação para ter certeza que que você e sua equipe
estão prontos para seguir para a próxima fase.
Agora você deve ter completado os seguintes passos:
 Formado sua equipe de design 


 Informou à liderança e outras partes interessadas que você
está aprendendo design thinking












Praticou pensamento visual com um quebrando o gelo

Determinou os papéis da equipe

Discutiu hábitos, logística e cronograma com sua equipe

Completou o Aquecimento: Projetar uma comunidade
melhor



 Refletiu a respeito de design thinking com uma equipe

14

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO 2

Inspiração
ATIVIDADE 1

DEFINA UM DESAFIO DE DESIGN pag. 16
MATERIAIS NECESSÁRIOS

2 horas

· Imprima uma cópia do toolkit (1 por
pessoa)
· Papel em branco ou caderno
· Canetas de ponta fina ou equivalente
· Post-its ou equivalente
· Câmera

—————
ATIVIDADE 2

EXPLORE MÉTODOS DE PESQUISA pag. 20
1 - 2 horas

—————
ATIVIDADE 3

EXERCÍCIO EXTREMO DE PESQUISA pag. 21
15 minutos

—————
ACTIVITY 4

EXERCÍCIO ANÁLOGO DE PESQUISA pag. 22
15 minutos

—————
ACTIVITY 5

PLANEJE E CONDUZA A PESQUISA pag. 23
A ser determinado pela sua equipe, já que vai
acontecer ao longo de vários dias

—————
ACTIVITY 6

DOCUMENTAÇÃO DURANTE A PESQUISA
pag. 25

15 minutos após cada entrevista ou observação

15

�ATIVIDADE 1

DEFINA UM DESAFIO DE DESIGN

2 horas

Antes de escolher um desafio, explore 2 a 3 opções para encontrar o tipo ideal de projeto.
Pag 1 de 4
OPÇÃO DE PROJETO 1
Qual é o grupo de usuários?

Quais são os problemas que eles têm que você poderia resolver?

Há potencial para explorar múltiplas soluções?

É possível de completar em 5-6 semanas?

D Ê A N O T A P A R A C A D A D E S A F I O D E D E S I G N, E N T Ã O S O M E S U A P O N T U A Ç Ã O
Considerando que o projeto com a maior pontuação é uma dimensão que pode ajudá-lo a selecionar seu projeto.
MÍNIMA

MÁXIMA

Instintivamente, quanto animado você está com esse desafio?

1

2

3

4

5

Qual o potencial de impacto que esse desafio tem em sua comunidade?

1

2

3

4

5

Quão possível é finalizar esse desafio nas próximas 5-6 semanas?

1

2

3

4

5

T O TA L =

16

�ATIVIDADE 1

DEFINA UM DESAFIO DE DESIGN

2 horas

Antes de escolher um desafio, explore 2 a 3 opções para encontrar o tipo ideal de projeto.
Pag 2 de 4
OPÇÃO DE PROJETO 2
Qual é o grupo de usuários?

Quais são os problemas que eles têm que você poderia resolver?

Há potencial para explorar múltiplas soluções?

É possível de completar em 5-6 semanas?

D Ê A N O T A P A R A C A D A D E S A F I O D E D E S I G N, E N T Ã O S O M E S U A P O N T U A Ç Ã O
Considerando que o projeto com a maior pontuação é uma dimensão que pode ajudá-lo a selecionar seu projeto.
MÍNIMA

MÁXIMA

Instintivamente, quanto animado você está com esse desafio?

1

2

3

4

5

Qual o potencial de impacto que esse desafio tem em sua comunidade?

1

2

3

4

5

Quão possível é finalizar esse desafio nas próximas 5-6 semanas?

1

2

3

4

5

TOTAL=

17

�ATIVIDADE 1

DEFINA UM DESAFIO DE DESIGN

2 horas

Antes de escolher um desafio, explore 2 a 3 opções para encontrar o tipo ideal de projeto.
Pag 3 de 4
OPÇÃO DE PROJETO 3
Qual é o grupo de usuários?

Quais são os problemas que eles têm que você poderia resolver?

Há potencial para explorar múltiplas soluções?

É possível de completar em 5-6 semanas?

D Ê A N O T A P A R A C A D A D E S A F I O D E D E S I G N, E N T Ã O S O M E S U A P O N T U A Ç Ã O
Considerando que o projeto com a maior pontuação é uma dimensão que pode que pode ajudá-lo a selecionar seu projeto.
MÍNIMA

MÁXIMA

Instintivamente, quanto animado você está com esse desafio?

1

2

3

4

5

Qual o potencial de impacto que esse desafio tem em sua comunidade?

1

2

3

4

5

Quão possível é finalizar esse desafio nas próximas 5-6 semanas?

1

2

3

4

5

TOTAL=
18

�ATIVIDADE 1

DEFINA UM DESAFIO DE DESIGN
Uma vez que você tenha selecionado a opção de projeto com a maior pontuação, você irá
escrever uma pergunta de design para lhe ajudar a conter o escopo. Escreva duas perguntas de
‘Como nós poderíamos’

2 horas

Pag 4 de 4

1. Como nós poderíamos…

2. Como nós poderíamos…

Para cada uma avalie, como: Muito ampla? Muito limitada? Tamanho perfeito?

SUPOSIÇÕES &amp; ASPIRAÇÕES
Tire cinco minutos para responder sozinho as perguntas abaixo e mais cinco minutos para discutir suas respostas com a equipe. Se
ajudar, use post-it para organizar seus pensamentos e procure por perspectivas únicas, bem como sobreposições na base de
conhecimento de sua equipe.

Quais os aspectos do desafio que você já sabe muito a respeito? Quais são suas suposições?

Onde estão os aspectos do desafio de design que você precisa aprender mais? O que você não sabe?

Para você, como aparenta ser o sucesso nesse projeto?

19

�ATIVIDADE 2

EXPLORE MÉTODOS DE PESQUISA 1-2 horas
Recomendamos tentar o maior número de métodos de
pesquisa possível. Não é necessário seguir nenhuma ordem
específica, mas como via de regra, suas entrevistas com
usuários e observações, provavelmente terão mais impacto em
sua pesquisa sendo de prioridade máxima para sua equipe.
Com tempo limitado, quais experiências de pesquisa você
mais quer tentar?

Pense a respeito de usuários extremos, quando você pensa
a respeito de quem você poderia querer entrevistar e
observar.
Para te ajudar a começar, pense em ideias para
participantes de pesquisa ou experiências e, se prepare para
dividir suas ideias com sua equipe.

QUAIS CLIENTES VOCÊ IRÁ ENTREVISTAR?
(Recomendamos começar com 4-5 entrevistas de usuários.)

COM QUAIS EXPERTS VOCÊ VAI FALAR?
(Recomendamos começar com 1-3 entrevistas com experts.)

ONDE VOCÊ FARÁ OBSERVAÇÕES?
(Recomendamos tentar ao menos uma sessão de observação.)

QUAIS EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS VOCÊ VAI PLANEJAR?
(Recomendamos ao menos uma experiência de imersão que irá te ajudar a ter empatia com seus usuários.)

QUAIS ANÁLOGOS VOCÊ PODE EXPLORAR?
(Tente identificar e explorar ao menos uma instância de inspiração análoga. As próximas páginas oferecem
exercícios adicionais para fazer brainstorm a respeito de outras experiências.)

VOCÊ QUER USAR ALGUM DOS MÉTODOS DE PESQUISA ADICIONAIS?

20

�ATIVIDADE 3

EXERCÍCIO EXTREMO DE PESQUISA

15 min

Tipicamente, organizações de design vistas como seu principal cliente, mas identificando e entrevistando indivíduos que são
extremamente familiares, ou completamente não familiares com um produto ou serviço frequentemente irá destacar assuntoschave do desafio de design. Esses “usuários extremos” dão insights valiosos e uma nova perspectiva ao seu desafio de design.

ESCREVA SEU DESAFIO DE DESIGN

QUEM PODERIA SER SEU USUÁRIO TÍPICO?

IMAGINE QUEM PODERIA SER O USUÁRIO EXTREMO Considere fatores físicos, cognitivos, sociais e culturais.
Alguém que é completamente não familiar com o serviço.

Alguém que é extremamente familiar com o serviço.

Alguém que não ligaria para esse serviço de forma alguma.

Alguém que tem necessidades refinadas e particulares.

Alguém que escolheria intencionalmente não usar
esse serviço.

Alguém que demonstra comportamentos radicais
relacionados com esse serviço.

21

�ATIVIDADE 4

EXERCÍCIO ANÁLOGO DE PESQUISA

15 min

Uma das melhores formas de inovar é procurar por inspiração em diferentes campos. O simples ato de procurar por ideias em um
contexto diferente pode trazer à mente muitas novas ideias. Por exemplo, um cirurgião pode ter insights sobre como organizar seus
suprimentos médicos ao visitar uma loja de hardware; um funcionário de companhia aérea pode ter ideias sobre o check-in
observando a recepção de um hotel.

Identifique cenários inspiradores análogos, liste todas as atividades distintas (verbos) ou emoções (substantivos) que você
possa pensar para esse cenário. Em um lava-rápido, por exemplo, as atividades incluem esperar na fila, lavar, secar e pagar.
Bons cenários análogos poderiam incluir algumas ou todas essas atividades—por exemplo, cortar o cabelo ou ir a uma
lavanderia. Tire um momento para fazer o brainstorm de diversas possibilidades análogas de pesquisa abaixo. Nós demos
alguns exemplos em cinza para estimular seu pensamento.

AMOSTRA DE DESFIO DE DESIGN

SEU DESAFIO DE DESIGN

COMO NÓS PODERÍAMOS MELHORAR A
EXPERIÊNCIA DE FAZER CHEK-IN NO
AEROPORTO?

COMO NÓS PODERÍAMOS…?

QUAIS ATIVIDADES &amp; EMOÇÕES ESTÃO
COMPREENDIDAS NESTA EXPERIÊNCIA?

QUAIS ATIVIDADES &amp; EMOÇÕES ESTÃO
COMPREENDIDAS NESTA EXPERIÊNCIA?

chegada
espera na fila
sentir-se ansioso

FAÇA BRAINSTORM DE OUTRAS SITUAÇÕES
QUE INCORPORAM ATIVIDADES SIMILARES.

FAÇA BRAINSTORM DE OUTRAS SITUAÇÕES
QUE INCORPORAM ATIVIDADES SIMILARES.

hotéis
cinemas
consultórios de dentista

22

�ATIVIDADE 5

PLANEJE E CONDUZA A PESQUISA
tempo a ser determinado pela sua equipe

Pag 1 de 2

ESCREVA SUA LISTA DE DESEJOS
Quem ou o que está no topo da sua lista de desejos de pesquisa? Sabendo que você não pode ir a todas as
entrevistas, escreva seu planejamento ideal em uma lousa com sua equipe e organize as experiências ou pessoas
pela metodologia.
RECRUTE PARTICIPANTES E PROVIDENCIE EXPERIÊNCIAS
Uma vez que você tenha identificado com quem você gostaria de falar e o que você gostaria de ver, você precisará
criar um plano de divulgação. Recrute participantes aproximando-se de pessoas na biblioteca, usando o facebook,
mandando e-mails ou fazendo ligações para coordenar a agenda. Recrutamento leva algum tempo, então é melhor
começar logo as entrevistas e continuar recrutando ao longo do caminho.

QUAL É O SEU PLANO PARA RECRUTAR PARTICIPANTES?
QUEM

ORGANIZAÇÃO

INFORMAÇÕES DE CONTATO

QUEM NA EQUIPE IRÁ RECRUTAR?

QUAL É O SEU PLANO PARA PROVIDENCIAR EXPERIÊNCIA DE IMERSÃO OU ANÁLOGAS?
ONDE

ORGANIZAÇÃO

INFORMAÇÕES DE CONTATO

QUEM NA EQUIPE IRÁ PROVIDENCIAR?

23

�ATIVIDADE 5

PLANEJE E CONDUZA A PESQUISA
Pag 2 de 2

PREPARE-SE PARA ENTREVISTAS
Agora é hora de criar um guia preparatório para suas
entrevistas. É melhor criar seu guia de perguntas em grupos
de duas ou três pessoas. Você provavelmente precisará de
mais espaço que essa folha de papel, então use seu caderno
para escrever perguntas adicionais. Comece fazendo
perguntas a partir da estrutura abaixo. Para uma entrevista
de 30 minutos, recomendamos ter ao menos 20 perguntas.
Você pode não usar todas elas, especialmente por que você
vai fazer perguntas de follow-up e conversar, mas caso o
entrevistado seja tímido, ter perguntas extras ajuda.

DICA!
Que informação demográfica você pode precisar para sua
entrevista? Talvez você queira saber de onde eles são e
quantos filhos têm. Faça essas perguntas de forma
amigável e sem julgamentos.
Quais são as perguntas específicas que você pode fazer
para começar a conversa e ajudar as pessoas a se
sentirem confortáveis?
Comece com perguntas fáceis e amplas. Lembre-se de
manter suas perguntas abertas.
Então vá mais fundo. Agora escreva ao menos mais 10
perguntas que irão lhe ajudar a ir mais fundo e entender
melhor as expectativas, medos e ambições dessa pessoa:

tempo a ser determinado pela sua equipe

EXEMPLODEGUIADEDISCUSSÃO
Esse Guia de Discussão diz respeito a um projeto de como criar
programas melhores para adolescentes na biblioteca. A meta das
entrevistas foi aprender mais a respeito de como os adolescentes passam
seu tempo e quais as suas aspirações.
Visão dos adolescentes sobre as bibliotecas
· Conte-nos o que pensa a respeito das bibliotecas.
· O que você aprendeu na biblioteca de sua escola?
· O que você tem lido atualmente?
· Quais são as coisas que você não gosta a respeito da biblioteca?
· O que você gostaria de poder fazer na biblioteca?
Atividades fora da escola
· Conte-nos o que você faz depois da escola.
· Quais são suas atividades favoritas em casa?
· Que outros lugares você vai por diversão? Para aprender? Para ficar
com seus amigos? O que você gosta a respeito desses lugares?
· Conte-nos o que você faz nos finais de semana.
Aspirações para o futuro
· O que você gostaria de poder fazer na escola?
· Qual é a melhor parte do seu dia na escola?
· Quais são seus planos após a escola?
Quais são suas aspirações de carreira? O que você sonha em fazer?

SELECIONE PAPÉIS
Indique uma pessoa para conduzir a entrevista. Essa pessoa
fará grande parte das perguntas, o que simplifica a
conversa para o participante. Escolha outra pessoa para
anotar durante a entrevista. Se houver um terceiro membro
da equipe presente, ele pode focar em observar o sujeito
que está sendo entrevistado e seu entorno. Recomendamos
não ter mais membros da equipe presente, pois mais
pessoas podem confundir o seu entrevistado. Cada membro
da equipe deverá praticar os diferentes papéis com
diferentes entrevistados, então, sinta-se livre para trocar os
papéis a cada entrevista.

Quem irá:
Conduzir a entrevista?

Anotar?

Tirar fotos/fazer
vídeos?

24

�ATIVIDADE 6

DOCUMENTE SUA PESQUISA

15 min

CAPTURE SEU TOP 5 DE PESQUISA
Reúna-se com seus colegas de equipe por cinco minutos após cada entrevista ou observação para começar a
capturar o que aprenderam. Você pode realizar essa reunião em qualquer lugar, porém deve ser em seguida de
cada entrevista. Tente capturar suas principais ideias após cada sessão. Isso irá ajudá-lo a se lembrar dos insights
quando for para a fase de ideação. Escreva cada uma das suas pesquisas Top 5 em um post-it (ou equivalente), e
coloque-os em uma sala ou quadro que você possa utilizar para contar histórias em sua próxima reunião.
Onde você deixará os post-its do seu Top 5 de pesquisa? Como você irá organizá-los?

DICA!
ARQUIVE E ORGANIZE
Após cada entrevista, além do seu Top 5 de pesquisa, é bom ter o hábito de arquivar e organizar suas fotos.
Fazemos uma pasta para cada participante em nosso computador e selecionamos nossas imagens mais
inspiradoras e informativas. Essas você pode dividir com sua equipe durante a fase de Ideação.
Quem estará no comando, organizando, selecionando e imprimindo as fotos?

25

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO2

COISAS
APRENDIDAS

Checklist

PARABÉNS POR CONSEGUIR PASSAR PELA FASE DE
INSPIRAÇÃO!
Essa é uma das fases mais recompensadoras, você começa a ver
os usuários de sua biblioteca de novas formas e entender suas
necessidades e seus desejos mais profundamente.
Agora, você deverá ter completado o seguinte:








Definido um desafio de design
Explorado métodos de pesquisa
Conduzido várias entrevistas de usuários
Conduzido diversos outros métodos de pesquisa como um
mix de entrevistas com experts, observação, experiências
análogas e imersivas e outras


 Documentado e organizado sua pesquisa, incluindo
fotos e anotações

 Dividido impressões iniciais com sua equipe

26

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO3

Ideação

ATIVIDADE 1

REFLITA SOBRE PESQUISA pag. 28
30 minutos

—————
MATERIAL NECESSÁRIO

ATIVIDADE 2

· Imprima uma cópia do
toolkit (1 por pessoa)
· Papel em branco ou caderno

DIVIDA HISTÓRIAS
2+ horas

· Canetas grossas, ou equivalente
· Notas adesivas ou equivalente
· Câmera
· Lanches para as sessões de
brainstorm e prototipagem
· Espaço amplo para as sessões de
brainstorm e prototipagem
· Suprimentos de prototipagem

pag. 29

—————
ATIVIDADE 3

IDENTIFIQUE PADRÕES pag. 30
30 minutos

———
ATIVIDADE 4

TRANSFORME TEMAS EM INSIGHTS pag. 31
1 - 2 horas

—————
ATIVIDADE 5

FORME PERGUNTAS “COMO NÓS
PODERÍAMOS” pag. 32
30 minutos

—————
ATIVIDADE 6

BRAINSTORM pag. 33
1 hora

—————
ATIVIDADE 7

CRIE UM MAPA CONCEITUAL pag. 34
2 horas

—————
ACTIVIDADE 8

CRIE UM PLANO DE PROTÓTIPOS
1 hora

pag. 38

—————
ATIVIDADE 9

PLANEJE UM DIA DE FAZER pag. 39
4+ horas

27

�ATIVIDADE 1

REFLITA SOBRE PESQUISA
Parabéns por completar sua pesquisa da fase de Inspiração!
Você também aprendeu sobre a segunda fase do processo,
Ideação. Há diversas ideias nesse capítulo em particular,
então, planeje refletir sobre o que você aprendeu até agora

30 min

com a sua equipe. Você terá tempo de dissecar e sintetizar
a pesquisa em si com os próximos passos, então foque em
simplesmente refletir a respeito do processo. Discuta as
seguintes questões:

Qual foi a parte mais surpreendente ou difícil da fase de Ideação?

Quais são as suas ideias-chave após ter lido o capítulo de Ideação? Quais métodos você mais quer tentar com a
sua equipe?

28

�ATIVIDADE 2

DIVIDA HISTÓRIAS

2+ horas

Essa atividade envolve dividir histórias com a sua equipe para que você possa começar o processo de Ideação.

1. FAÇA UMA LISTA
Comece fazendo uma lista de todas as pessoas com as
quais sua equipe conversou e os lugares que cada um de
vocês visitou como parte da sua pesquisa.

2. IDENTIFIQUE BURACOS
Identifique os tipos de pesquisa que o seu grupo conseguiu
ou não conduzir. Vocês ainda têm buracos óbvios em sua
pesquisa? Vocês têm um plano para tentar preencher esses
buracos?

3. DIVIDA HISTÓRIAS
Agora é hora de compartilhar histórias sobre as pessoas
com quem vocês conversaram e os lugares que vocês
visitaram. Comece do topo da lista que você fez. Use em
torno de 10 minutos para cada pessoa ou lugar.

DICA!
Se você tirou fotos e tem acesso a uma impressora,
imprima algumas das melhores fotos de cada entrevista ou
local e pendure-as na parede, conforme segue pela sua
lista. Isso irá ajudar a sua equipe a se organizar e lembrar
detalhes enquanto vocês começam a visualizar seus
pensamentos.

4. CAPTURE O QUE TODOS ESTÃO
DIZENDO
Enquanto você escuta seus colegas de equipe contar
histórias, escreva notas e observações sobre o que eles
estão falando. Use frases concisas e completas que todos
em sua equipe possam entender facilmente. Tente captar
citações. Elas são uma forma poderosa de representar a voz
de um participante. Faça uma pequena observação em cada
post-it para facilitar a classificação e o agrupamento.
Escreva grande o suficiente (e legível o suficiente!) para
que todos consigam ler suas anotações. Seja o mais visual
possível!

5. PENDURE SUAS ANOTAÇÕES NA
PAREDE
Quando você terminar de falar com um entrevistado em
particular, pendure as notas adesivas na parede, embaixo
da foto da pessoa (caso vocês tenham); se vocês não
tiverem uma foto, escrevam o nome da pessoa em um postit no topo. Deveria haver uma seção separada na parede
para cada pessoa entrevistada. Quando possível, deixe
fotos e citações juntas para conseguir contar uma história
rica.

Aqui está um esboço do que você deveria dividir a respeito
de cada pessoa com as quais vocês conversaram:
· Detalhes pessoais: quem vocês conheceram?
(nome, profissão, idade, localização, etc.)
· Histórias interessantes: qual foi a história mais
memorável e surpreendente contada?
· Motivações: com o que essa pessoa mais se
interessa? O que a motiva?
· Barreiras: o que frustra essa pessoa?
· Interações: o foi tão interessante sobre a forma que a
pessoa interagiu com o ambiente?
· Perguntas remanescentes: que perguntas você gostaria
de explorar se você conversasse novamente com essa
pessoa?

29

�ATIVIDADE
3
3

IDENTIFIQUE PADRÕES
30 min
Nessa atividade, você irá identificar padrões em sua pesquisa e transformar informações
agrupadas em temas acionáveis.

1. ENCONTRE AS GEMAS
A partir das anotações que sua equipe acabou de colar na parede, cada membro da
equipe deve escolher 5 notas que acharem mais interessantes ou perspicazes. Tire
essas notas do grupo e coloque-as em uma área da parede em branco com bastante
espaço em volta dela. Vamos chamar essas notas adesivas de “gemas”.

2. COMO EQUIPE, FAÇA AGRUPAMENTOS COM AS
INFORMAÇÕES EM TEMAS
Revise as “gemas” que sua equipe selecionou e tente organizá-las em grupos
parecidos ou categorias. Esses são os “agrupamentos”. Muitas pessoas mencionaram
as mesmas coisas? Há comportamentos repetidos? Quais assuntos eram óbvios? Você
ouviu afirmações conflitantes? Há alguma explicação para esse conflito?

3. ENCONTRE EVIDÊNCIAS QUE DEEM SUPORTE
Rapidamente revise o restante de suas anotações na parede (as “não-gemas”).
Encontre notas adicionais que deem suporte aos agrupamentos criados. Você pode
incluir alguma fotografia ou observações visuais que substanciem as categorias que
sua equipe criou?

4. REFINE SEUS AGRUPAMENTOS
Crie um mínimo de três e um máximo de cinco agrupamentos. Não tenha medo de
reagrupar a informação se houver outros agrupamentos que façam mais sentido para
você e sua equipe. Há algum agrupamento novo que você talvez precise criar? Há
agrupamentos já existentes que podem ser combinados?

5. ESCREVA TÍTULOS ACIONÁVEIS
Para cada um dos agrupamentos que você criou, crie um título para o eles, como
“Importância da proximidade da biblioteca” ou “Oportunidades diárias de troca”.

�ATIVIDADE 4

TRANSFORME TEMAS EM INSIGHTS

1 - 2 horas

Agora é a hora de transformar seus temas em insights.
Grandes insights tem um grande design, então é importante
não se apressar por essa parte do processo. Nessa atividade,
vocês irão praticar interpretação, então é importante olhar
para a sua pesquisa de forma não literal e tentar discernir o

“por que” por trás dos temas que surgirem. Tente evitar a
tentação de pensar em soluções imediatas para problemas
que borbulharam em sua pesquisa e, ao invés disso, pense
a fundo sobre as diversas razões desses problemas
existirem.

1. REFERENCIE SEU DESAFIO DE DESIGN

3. REFINE E REVISE

Garanta que seu desafio de design esteja escrito grande e
visível para a equipe inteira durante o processo. Conseguir
referenciar seu desafio rapidamente facilitará esse
exercício, pois os ajudarão a conectar seus insights com a
pergunta que vocês de fato estão tentando responder.

Uma vez que vocês tenham algumas frases sobre cada
tema, trabalhe com sua equipe para revisar e reescrever
seus insights até que a equipe tenha capturado os melhores
e atraentes insights relacionados com cada tema. Revise o
desafio de design. Quais são os Top 3-5 insights que
melhor atendem seu desafio?

2. FAÇA SUA DECLARAÇÃO TEMÁTICA
ACIONÁVEL
Volte ao título dos seus temas. Para cada tema, rascunhe
frases concisas que expliquem por que o tema que vocês
identificaram descreve um desafio para as pessoas da
comunidade, com as quais vocês conversaram. Lembre que
um insight combina observação e inferência, então vocês
precisarão interpretar além do tema para formar insights.
Sintam-se livres para trabalhar individualmente, ou como
um grupo.

4. PEÇA UMA SEGUNDA OPINIÃO
Peça para alguém de fora de sua equipe central para olhar
para os insights que vocês criaram e veja quais parecem
mais interessantes e significativos. Lembrem que bons
insights são: intuitivos, não óbvios, geradores e
memoráveis.

EXEMPLO
Tema: Importância da proximidade com a biblioteca
Formato do insight: Pessoas precisam/têm/
querem ______, mas/apesar/por causa de _____.
Insights possíveis:
· Pessoas querem participar dos eventos centrais da
biblioteca, mas se sentem intimidadas por terem que
planejar uma viagem à cidade para poder conseguir
· Muitas pessoas interagem apenas com a biblioteca mais
próxima de suas casas, apesar de haverem outras
bibliotecas que possam suprir suas necessidades perto de
seus trabalhos ou escolas
· Se as pessoas moram longe da biblioteca, elas tendem a ir
menos frequentemente, porém elas tendem a passar mais
tempo procurando e fazendo perguntas para obter o
máximo da visita
(Esses são insight completos e fabricados e não devem
desviar seus próprios processos de desenvolver insights!)

31

�ATIVIDADE 5

FORME PERGUNTAS “COMO NÓS PODERÍAMOS”

30
min

Pense nesse round de perguntas ‘Como Nós Poderíamos’ como uma plataforma de lançamento para a Ideação.
Vocês irão selecionar seus três insights favoritos da última atividade e transformá-los em um brainstorm gerador
e anotar as informações.

1. SELECIONE INSIGHTS
Selecione seus três insights favoritos em equipe, com sorte esses terão relação com três diferentes temas e grupos de
informação. Isso dará mais variedade às perguntas ‘Como Nós Poderíamos’ que vocês criarem. Além disso, se esforce para
selecionar relatos que transmitam uma nova perspectiva ou senso de possibilidade. Escreva esses insights.

2. RASCUNHE PERGUNTAS “COMO NÓS PODERÍAMOS” (CNP)
Trabalhe individualmente por alguns minutos para tentar transformar os relatos selecionados em perguntas CNP. Leia as
dicas descritas no manual e preste bastante atenção aos exemplos para entender o que é amplo ou sucinto demais.
Muito amplo: CNP redesenhar a sobremesa?
Muito sucinto: CNP criar uma casquinha de sorvete para toma sorvete sem pingar?
Ideal: CNP redesenhar o sorvete para que ele seja mais lucrativo?

3. REFINE PERGUNTAS CNP
Divida suas perguntas CNP com a equipe. Então trabalhe com a equipe para refinar suas perguntas CNP até que elas pareçam
ser perguntas fortes que vocês estão animados para responder como parte do seu brainstorm. Lembre-se, elas não devem ser
nem muito amplas, nem muito sucintas.

32

�ATIVIDADE 6

BRAINSTORM

1 hora

Agora que vocês criaram algumas boas perguntas Como Nós Poderíamos para seu desafio de design, você está pronto para
começar a gerar ideias! Alavanque o poder criativo da equipe fazendo um brainstorm com 6-8 pessoas e seguindo os passos desta
atividade.

1. ESCOLHA PERGUNTAS CNP

5. COMECE O RELÓGIO!

Escolha 3 perguntas CNP que pareçam emocionantes e que
faça vocês terem ideias imediatamente.

Use 15 minutos em cada pergunta CNP, uma ideia para
cada nota adesiva, e seja visual! Pendure as ideias na
parede embaixo da primeira pergunta CNP, conforme sua
equipe fala cada uma delas em voz alta. Certifique-se que
está escutando as ideias dos outros enquanto pensa em sua
próxima ideia. Siga para outras perguntas CNP quando a
energia cair ou após aproximadamente 15 minutos.

DICA!
A parte mais importante de um brainstorm de sucesso é
preparar boas perguntas CNP. Lembrem-se de escolher
perguntas importantes, mesmo que elas soem difíceis de
resolver.

2. ORGANIZE O BRAINSTORM
Escolha um lugar com uma mesa e cadeiras suficientes
para todos. Escreva suas perguntas CNP bem grande em
uma parede e garanta que haja espaço suficiente para
colocar suas ideias. Todos devem ter uma pilha de post-its
e uma caneta esferográfica. Como um bônus, você pode
pensar em levar lanches ou outras guloseimas para a sessão
de brainstorm.

3. INTRODUZA O DESAFIO
Façam um brainstorm facilitador introduzindo o projeto à
equipe e o desafio que representa. Revise as regras do
brainstorm com a equipe e pergunte a todos se há alguma
pergunta até agora. Estabeleça uma meta ideal de
quantidade, caso queira, para desafiar o grupo para
conseguir o maior número de ideias possíveis.

6. CRIE UM MAPA QUENTE DE IDEIAS
FAVORITAS
Se houver tempo após o brainstorm, peça aos participantes
da reunião para votar em suas ideias favoritas para aquela
sessão. Lembre-se de distribuir seus votos baseando-se em
ideias que aparentem ser as mais inovadoras e com maior
chance de sucesso.

7. CAPTURE IDEIAS PROMISSORAS
Após o brainstorm, frequentemente há muitas ideias
coladas na parede. Agrupe e organize as ideias de maneira
despojada para começar a entendê-las. Tire fotos das suas
perguntas CNP favoritas e das ideias/rascunhos mais
promissores em post-its ou papel, para que não as esqueça.
Arquive e organize essas fotos para que você não perca as
origens desses conceitos futuros.

4. VOLTE SUA ATENÇÃO PARA AS
PRIMEIRAS PERGUNTAS CNP
O facilitador deverá ler a pergunta em voz alta.

33

�ATIVIDADE 7

CRIE UM MAPA CONCEITUAL

2 horas
Pag 1 de 4

Nessa atividade você deverá revisitar suas ideias principais e remodelá-las na preparação para a prototipagem.

1. AVALIE SUAS MELHORES IDEIAS
Após um brainstorm, classifique suas ideias principais se baseando nas perguntas abaixo, que podem ajudá-lo a decidir qual ideia para
começar a prototipagem.
MÍNIMO

MÁXIMO

Instintivamente, quanto animado você está com essa ideia?

1

2

3

4

5

Quão fresca e inovadora essa ideia parece ser?

1

2

3

4

5

Quão prática, realista e possível é essa ideia?

1

2

3

4

5

Com a equipe, compare as notas das suas ideias.
Aquela com a maior nota será a mais promissora.

TOTAL=

2A. OLHE NOVAMENTE PARA SUA IDEIA SELECIONADA
Guarde o post-it original que descreve a ideia que você gostaria de começar a elaborar o protótipo. Tome notas
dessa ideia junto com o desafio de design para que você saiba sobre o que era a ideia original. Como o exemplo
abaixo:
EXEMPLO

34

�ATIVIDADE 7

CRIE UM MAPA CONCEITUAL
Nessa atividade você deverá revisitar suas ideias principais e remodelá-las na preparação para a prototipagem.

2 horas
Pag 2 de 4

2B. REFINE A IDEIA
Use esse formulário, ou responda essas perguntas usando post-its em um quadro. Escrever as respostas a essas
perguntas ajudará você a se alinhar com sua equipe quanto ao propósito e essência da ideia.

DESAFIO DE DESIGN:

PERGUNTAS “COMO NÓS PODERÍAMOS”:

IDEIA SELECIONADA:

DESCREVA A IDEIA:

PLACE POST-IT NOTE
HERE OR REDRAW THE
IDEA YOURSELF
COMO ESSA IDEIA TERÁ IMPACTO AO DESAFIO
QUE VOCÊ ESTÁ SE DIRIGINDO?

35

�ATIVIDADE 7

CRIE UM MAPA CONCEITUAL
Nessa atividade você deverá revisitar suas ideias principais e remodelá-las na preparação para a prototipagem

2 horas
Pag 3 de 4

3A. DESTRINCHE A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO
Pegue sua melhor ideia e desenhe uma jornada ou uma série de cenas baseadas na experiência do usuário com
essa ideia. Comece com um rascunho e alguns pontos de atenção a respeito de quem é seu usuário ideal. Aqui
está a continuação do nosso exemplo:

O usuário:

EXEMPLO

Primeira geração de
imigrantes, crianças nascidas
nos EUA.

Uso:

Consciência:

Balizar crianças com ponto
de consciência. Fazer o
marketing do aplicativo para
aprender inglês em escolas.

Uso na biblioteca

Aplicativo +
uso:

Fazer o download de aplicativos
nos quais os recursos de tradução
estão disponíveis no sistema de
biblioteca.

Advogue:

abiblibibbbbibli

oteca:

O usuário clica em
“reservar” para retirar um
dicionário Inglês-Polonês
pelo aplicativo.

Ele vai então até a biblioteca
para melhor navegar pelo livro
reservado com linguagem
bilíngue.

Ele recebe um marcador de livros no
dicionário que o encoraja a espalhar a
ideia do app. Ele então dá o marcador
com as informações do app a um amigo.

36

�ATIVIDADE 7

CRIE UM MAPA CONCEITUAL
Nessa atividade você deverá revisitar suas ideias principais e remodelá-las na preparação para a prototipagem.

2 horas
Pag 4 de 4

3B. DISTRINCHE A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO
Quando você destrinchar a experiência do usuário em uma série de passos, você perceberá que a sua ideia não é
tão simples ou estática, mas um conjunto de diversos componentes. Começa a surgir aquilo que chamamos de
mapa conceitual, que ajuda a visualizar a experiência como um todo e numerosas dimensões de uma única ideia.
Certifique-se que você tenha contemplado as seguintes questões enquanto rascunha em post-its:
Quem é o seu usuário? Quais são seus comportamentos definidores e/ou características?
Como o seu usuário ouve o conceito? Como você constrói consciência?
Como o seu usuário de fato começa a usar o conceito?
O que acontece enquanto o seu usuário vivencia seu conceito? Quem ou o quê mais está envolvido e é necessário?
Após o usuário vivenciar o conceito, o que acontece depois?
Como o conceito ajuda o seu usuário a longo prazo?
O seu usuário advoga para o conceito e conta aos outros a respeito?

DICA!
COLOQUE O MAPA EM UMA PAREDE
Durante essa atividade, certifique-se de responder essas perguntas com post-its ou outros rascunhos e os coloque
na parede. Isso ajuda a equipe a visualizar a experiência do usuário colaborativamente e irá ajudar a entender
melhor essa jornada como uma sequência de passos.

37

�ATIVIDADE 8

CRIE UM MAPA DE PROTÓTIPOS 1 hora
Nessa atividade você irá analisar cada momento do seu mapa conceito e decidir que parte prototipar.

1. FAÇA PERGUNTAS-CHAVE
Para cada momento do seu mapa conceitual, comece escrevendo perguntas específicas que você gostaria de
responder conectado a cada momento da experiência. Por exemplo, com o que você está mais interessado em
termos de como os usuários irão se comportar? Onde você acha que o conceito pode estar mais fraco e o que você
quer saber para melhorá-lo?
Em seguida, pense a respeito da coisa mais minimalista e de baixa fidelidade que você precisaria construir para
responder essa pergunta específica. Abaixo de cada post-it discuta e escreva com sua equipe:

Qual é a pergunta-chave mais importante para responder?

Como poderíamos construir o protótipo minimalista, de baixa fidelidade para testar isso?

2. PRIORIZE PROTÓTIPOS
Olhe novamente para todas as perguntas que você gostaria de responder. Quais parecem ser as mais
importantes e urgentes? Ranqueie as partes do seu mapa conceitual em ordem de prioridade e escolha de 1-2
partes mais importantes do seu conceito para o protótipo.

38

�ATIVIDADE 9

PLANEJE UM DIA DE FAZER

4+ horas

Agora vocês não só escolheram seu conceito favorito, mas afunilaram algumas partes do mapa conceitual que gostaria de
saber mais a respeito. É hora de começar a fazer! Para começar o processo e colocar as mãos à obra, recomendamos separar
um tempo para hospedar um dia de fazer com sua equipe. Planeje com antecedência esse evento, pois irá ocupar um tempo
maior e irá demandar bastante energia da sua equipe.

1. FAÇA A PROGRAMAÇÃO E A META
PARA O DIA
Estabeleçam uma meta conjunta para criar ao menos 1-2
protótipos de um conceito ao final do seu dia de fazer e
então divida sua equipe em subequipes se houver número
suficiente de pessoas para isso.

2. JUNTE SUPRIMENTOS E ESPAÇO
Revise a lista de suprimentos em “Um olhar mais de
perto: formas de prototipar” e junte quantos desses você
conseguir. Guarde um espaço na sua biblioteca onde você
possa se espalhar e fazer bagunça.

3. PRATIQUE COMPARTILHAR SEU
PROTÓTIPO
Arrume um tempo ao final da sessão para se reunir com a
equipe inteira e revise o que vocês criaram. Peça a cada
subequipe ou pessoa para explicar o protótipo e faça uma
encenação ou performance de cada um. Faça perguntas no
momento para clarear a intenção do protótipo.

4. DOCUMENTE O PROCESSO
Se possível, tire fotos para capturar o processo de
prototipagem. Você ficará espantado quando olhar para
trás e ver quantas coisas vocês criaram em tão pouco
tempo e, pessoas de fora da sua equipe ficarão curiosas
sobre o processo de documentação.

5. TOQUE AQUILO QUE TIVER APRENDIDO
DURANTE O FAZER
Enquanto vocês mostram os protótipos um para o outro,
comece a articular como a ideia tomou forma e o processo
de torná-la verdadeira. Ás vezes mudamos coisas em cima
da hora enquanto estamos construindo, pois fazer as
coisas serem tangíveis revela melhores possibilidades de
design. No próximo capítulo, você começará a pensar a
respeito de como trará seus protótipos à vida e aprender
ainda sobre usuários reais.

39

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO3

COISAS
APRENDIDAS

Checklist

PARABÉNS POR TERMINAR A FASE DE
IDEAÇÃO!

Essa é possivelmente a fase mais longa, uma vez que é sobre
entender todas as suas descobertas, usar o poder de interpretação
para traduzir insights em realizações tangíveis da sua ideia:
protótipos! Enquanto você pratica mais o design thinking, criar
uma ponte entre pesquisa e design se tornará mais fácil, porém
por enquanto, provavelmente tomará bastante tempo e discussão
entre os membros da sua equipe.
Até agora você deverá ter completado o seguinte:
 Refletido a respeito de sua pesquisa

 Compartilhado histórias com a sua
equipe da fase de Inspiração

 Identificado padrões em sua pesquisa

 Tornar temas de insight em insights acionáveis

 Realizado brainstorm de perguntas “Como Nós Poderíamos” 

 Feito ao menos uma sessão de brainstorm

 Criado um mapa conceitual da sua ideia

 Criado um plano de jogo de prototipagem

 Feito ao menos um protótipo

40

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO4

Iteração
MATERIAIS NECESSÁRIOS
· papel (branco e colorido)
· fita adesiva
· Post-its (ou notas adesivas)
· Canetas coloridas

ATIVIDADE 1

REFLITA SOBRE ITERAÇÃO
20 minutos

pag. 42

—————
ATIVIDADE 2

PLANEJE &amp; FACILITE O FEEDBACK
DOS PROTÓTIPOS pag. 43
2+ horas

—————
ATIVIDADE 3

SINTETIZE O FEEDBACK pag. 45
1 hora

—————
ATIVIDADE 4

FAÇA UM MINIPILOTO pag. 46
Tempo a ser determinado pela equipe

—————
ATIVIDADE 5

RECEBER &amp; INTEGRAR
FEEDBACK AO VIVO
pag. 49

Tempo a ser determinado pela equipe

—————
ATIVIDADE 6

REAVALIE SEU CONCEITO

pag. 50

41

�ATIVIDADE 1

REFLITA SOBRE ITERAÇÃO
Parabéns por criar seu primeiro protótipo!
Você agora teve a experiência de fazer uma ideia tangível
para que outros possam reagir, o que é um dos passos mais
importantes na abordagem do design thinking. Porém, o
processo de design não acaba aqui. Agora é hora de pensar
em como iterar, ou evoluir seu design.

20 min

Nas leituras, nós mostramos como seus protótipos se
desenvolvem em minipilotos e eventualmente como
pilotos, que são implementados no centro dos serviços de
sua biblioteca. Tire um tempo e reflita a respeito das
distinções entre as diferentes iterações da sua ideia,
discutindo as seguintes questões com a sua equipe.

Por que você acha que iteração é importante?

Quais são outros exemplos de coisas (produtos, serviços, espaços e outros) na biblioteca que passaram por
múltiplas iterações? Qual foi o ponto de partida e onde acabou?

Revise a diferença entre os termos: protótipo, minipiloto e piloto.

42

�ATIVIDADE 2

PLANEJE &amp; FACILITE O FEEDBACK
DOS PROTÓTIPOS
20 min
É hora de testar o protótipo que você criou com alguns usuários. Aqui estão algumas diretrizes Pag 1 de 2
para seguir quando estiver planejando e facilitando feedback produtivo. Tenha certeza que sua equipe
concorde com o plano de feedback e tente escolher um momento quando quase todos possam participar das
sessões de feedback.

DEFINA O QUE TESTAR

SELECIONE PARTICIPANTES DE FEEDBACK

Com sua equipe, determine que tipo de feedback você está
buscando. Reescreva e ordene as perguntas-chave que vocês
desenvolveram para começar a prototipar. Quais são as suas
metas de pesquisa?

Crie uma lista de pessoas das quais você gostaria de receber
feedback. Podendo incluir pessoas que viram o desenvolvimento
da sua ideia ou pessoas que você nunca tinha visto antes.
Certifique-se que esses participantes poderão estar presentes
durante as sessões de feedback agendadas.
Nome de um participante:

Por que queremos o feedback da pessoa:

Quem da equipe de projeto irá recrutar:

Nome de um participante:

Por que queremos o feedback da pessoa:

Quem da equipe de projeto irá recrutar:

Nome de um participante:

Por que queremos o feedback da pessoa:

Quem da equipe de projeto irá recrutar:

Nome de um participante:

Por que queremos o feedback da pessoa:

Quem da equipe de projeto irá recrutar:

43

�ATIVIDADE 2

PLANEJE &amp; FACILITE O FEEDBACK
DOS PROTÓTIPOS
20 min
Pag 2 de 2
PLANEJE O FEEDBACK DO GUIA DE PERGUNTAS
Crie um guia de perguntas que irá ajudar a estruturar suas
conversas de feedback. Formule suas perguntas para que elas
levem a feedback construtivo e encoraje os participantes a
incrementar sua ideia, como:
· Você pode descrever o que te anima mais a respeito dessa
pergunta e por que?
· Se você pudesse mudar alguma coisa a respeito desse
protótipo, qual seria?

Organize suas perguntas de acordo com a seguinte
estrutura:
1. Comece com impressões gerais. Deixe os participantes
falarem seus pensamentos iniciais sobre seu conceito.
2. Peça feedback específico sobre sua ideia.
3. Abra e encoraje uma discussão mais ampla.

·O que você gostaria de melhorar a respeito dessa ideia?
· O que você não gosta a respeito dessa ideia?

SEU GUIA DE PERGUNTAS:

DICA!
FACILITE BOM FEEDBACK
Durante sua sessão de feedback, consulte nossas dicas sobre como receber feedback frutífero:
1. Convide honestidade e abertura

3. Adapte-se rapidamente

2. Fique neutro

4. Capture feedback imediatamente

44

�ATIVIDADE 3

SINTETIZE O FEEDBACK

1 hora

Com a sua equipe, encontre um entendimento coletivo daquilo que correu bem e aquilo que poderia ser
melhorado em seu protótipo. Fale com os seus companheiros de equipe, após cada sessão de teste para que
os aprendizados do seu feedback ainda estejam frescos e memoráveis.

QUEM, O QUE, ONDE?

INDO ALÉM

· Onde você testou o protótipo?

· O que os convenceria da ideia?

· Como você o testou?

· O que precisa de mais investigação?

· Para o que você estava testando?

O BOM
· O que os participantes valorizam mais?
· O que os deixou animados?

AGRUPAR O FEEDBACK
Como equipe, discutam as reações que você recebeu pelo seu
protótipo. Comece dividindo as impressões que você capturou
logo após as suas conversas de feedback. Anote em post-its.
Classifique e agrupe o feedback: O que foi positivamente
recebido? Que preocupações surgiram? Que sugestões e
construções você encontrou?

O RUIM
· Quais partes os participantes gostariam de melhorar?
· O que não deu certo?

O INESPERADO
· Aconteceu algo que você não esperava?
· Houve momentos em que você percebeu algo significante
(momentos “eureca” ou “aha”)?

IDENTIFIQUE OS PRÓXIMOS PASSOS
Tire alguns minutos para revisitar seu mapa conceitual. Olhe
para seus aprendizados e ideias anteriores. Qual era sua
intenção original? Ela ainda é verdadeira, baseando-se no
feedback recebido?
Quais são os próximos passos que você daria para melhorar
seu protótipo? Liste os três que você acha que são os mais
importantes de tratar em sua próxima Iteração.
1.

2.

3.

45

�ATIVIDADE 4

FAÇA UM MINIPILOTO

Tempo determinado pela equipe

Pag 1 de 3
Agora que você criou uma série de protótipos e pediu
feedback dos usuários sobre esses protótipos. Chegou o
momento de desenhar um minipiloto, que deveria fazer
parte da configuração da sua biblioteca sem necessitar muita
explicação sua. É uma oportunidade de observar como os

usuários podem interagir com a sua ideia em um cenário
mais natural, sem você ter que explicar como funciona. Seu
minipiloto poderá integrar diversos protótipos, mas ainda é
focado em uma hipótese específica com o objetivo de
responder perguntas-chave.

DESENVOLVA UMA HIPÓTESE
Qual é o cenário ideal? Como você imagina que o usuário irá interagir com seu minipiloto?
Discuta com a equipe e escreva sua hipótese:

DESENVOLVA PERGUNTAS-CHAVE
Ao contrário de um protótipo, que pode ser mais exploratório por natureza, não podemos enfatizar o suficiente
que minipilotos são construídos envoltos de perguntas-chave muito específicas. Minipilotos são planejados,
desenhados e feitos baseando-se em encontrar respostas para essas perguntas. Tente pensar em três perguntaschave que você quer responder. Considere:
· O que é mais importante aprender para melhorar sua ideia?
· Qual parte da ideia você está mais incerto a respeito? Como isso pode se tornar uma pergunta-chave?
· Quais suposições estão incorporadas em seu minipiloto? Como elas podem ser transformadas em perguntas
para que você não suponha nada?
Perguntas-chave para nosso minipiloto:

1.

2.

3.

46

�ATIVIDADE 4

FAÇA UM MINIPILOTO

Tempo determinado pela equipe

Pag 2 de 3
DEFINA UM CONTEXTO E UM LOCAL
O ambiente que você escolher para o seu minipiloto dá dicas e sinais que irão ajudar os usuários a entender como se engajar com sua
ideia. Com a sua equipe, faça o brainstorm de três opções para uma configuração de minipiloto e dê a nota para cada opção baseado nos
seguintes parâmetros.
(por exemplo, setor de literatura do 2o andar)

1. Nome do cenário:

MÍNIMO

MÁXIMO

Quanto relevante é esse cenário para o meu público-alvo?

1

2

3

4

5

Quanto controle a equipe consegue ter nesse cenário?

1

2

3

4

5

Qual a probabilidade de conseguirmos ter conversas espontâneas com usu ários nesse
cenário?

1

2

3

4

5

TOTAL=

2. Nome do cenário:

(por exemplo, a cafeteria do outro lado da rua da biblioteca)

MÍNIMO

MÁXIMO

Quanto relevante é esse cenário para o meu público-alvo?

1

2

3

4

5

Quanto controle a equipe consegue ter nesse cenário?

1

2

3

4

5

Qual a probabilidade de conseguirmos ter conversas espontâneas com usu ários nesse
cenário?

1

2

3

4

5

TOTAL=

3. Nome do cenário:

(por exemplo, o lobby da biblioteca)

MÍNIMO

MÁXIMO

Quanto relevante é esse cenário para o meu público-alvo?

1

2

3

4

5

Quanto controle a equipe consegue ter nesse cenário?

1

2

3

4

5

Qual a probabilidade de conseguirmos ter conversas espontâneas com usu ários nesse
cenário?

1

2

3

4

5

TOTAL=
Discuta a nota final com a sua equipe e use esse comentário para
alinhar um cenário para seu minipiloto. Quanto mais alta a nota final,
maiores as chances de ter um lugar no qual vocês possam
produtivamente aprender com seu piloto!
47

�ATIVIDADE 4

FAÇA UM MINIPILOTO

Tempo determinado pela equipe

Pag 3 de 3
IDENTIFIQUE RECURSOS
Seu minipiloto precisará de recursos. Enquanto planeja, considere o que irá precisar. Há diversos
componentes a serem pensados e você pode atribuir tarefas a cada membro da equipe. Discuta os
seguintes tópicos:












Peça permissões
Dê avisos e alertas com antecedência para as pessoas/equipe apropriada
Programe o piloto
Programe com membros da equipe e envolvimento com qualquer pessoa fora da equipe imediata
Consiga suprimentos
Providencie tempo de preparação

CRIE UM PLANO
Volte ao mapa conceitual que vocês criaram quando começaram a prototipar e, a partir dele, crie o
minipiloto. O minipiloto deveria integrar e melhorar os protótipos que vocês já fizeram e vocês devem
explorar como poderiam construir outras partes do mapa para criar uma experiência de usuário mais
completa. Vocês também poderão considerar uma reformulação em seu mapa conceitual para o design
do minipiloto. Volte no texto para mais informações. Crie seu plano com cada membro da equipe e,
então, coloque em post-its em um grande quadro em seu espaço.

48

�ATIVIDADE 5

RECEBER &amp; INTEGRAR
FEEDBACK AO VIVO
Tempo a ser determinado pela equipe
Volte para a Atividade 2 e passe pelos mesmos exercícios, revisando o feedback do seu minipiloto. Além
disso, complete as atividades abaixo para aproveitar as aprendizagens que vocês obtiveram nesse processo.
Com o tempo, quando fizer pilotos, você fará esse exercício diversas vezes.

ESCREVA OBSERVAÇÕES

REVISE SUAS PERGUNTAS-CHAVE

Discuta com a sua equipe se alguém percebeu comportamentos ou
ações não esperadas dos usuários durante a fase de protótipo.
Observações podem incluir nuances como: o caminho, as
expressões faciais, a linguagem corporal, etc.

Revisite as perguntas-chave que vocês desenvolveram enquanto
faziam o design do minipiloto. Quais perguntas vocês
responderam com o minipiloto e quais ainda continuam sendo
perguntas em aberto? Quais perguntas podem ter mudado,
baseando-se no que vocês já aprenderam? Quais novas perguntas
vocês têm baseando-se em seu último minipiloto?

IDENTIFIQUE OS PRÓXIMOS PASSOS
Olhe para o seu mapa conceitual e as estruturas desenvolvidas para explorar o design do seu experimento.
Discuta com sua equipe como você gostaria de seguir para a próxima Iteração. Considere perguntas como:
O que parece desejável, possível e viável tanto para os usuários quanto para a biblioteca?

Que partes do minipiloto melhor se dirigem ao desafio de design original?

O que ainda precisamos resolver como equipe?

49

�ATIVIDADE 6

REAVALIE SEU CONCEITO
Parabéns!
Sua equipe conseguiu vivenciar com
sucesso a abordagem de design thinking.
Deem um tapinha em suas costas. Vocês
progrediram muito em direção a fazer
um melhor design de soluções para
usuários em sua biblioteca.

Esperamos que vocês possam continuar fazendo pilotos,
dando um passinho para trás e avaliando o progresso em
direção ao desafio de design. A beleza da Iteração é que sua
ideia continua melhorando com o tempo, conforme você
coloca mais tempo e energia para o design de melhores
soluções. Sente-se com sua equipe e discuta como você
gostaria de evoluir com seu minipiloto. Esperamos que todos
da equipe ainda tenham paixão pelo seu desafio para vê-lo
realizado, implementando uma de suas ideias!

EXAMINE O ESCOPO
Pense a respeito das estratégias e metas maiores da biblioteca. Como que a intenção do seu desafio se alinha com
essa estratégia? A implementação é possível? É razoável o suficiente para lançar? Tem potencial para se tornar
uma oferta central? O que precisa mudar para se tornar uma oferta central? Discuta esses tópicos com sua equipe
e considere falar a respeito da liderança em sua biblioteca.

ESTABELEÇA METAS
Por meio de Iterações múltiplas, tenha em mente que suas metas e hipóteses para o seu minipiloto poderão mudar.
Com sua equipe, faça um brainstorm de métricas significativas que possam ajudá-los a estabelecer metas para o
desafio seguinte. Esses indicadores são frequentemente não-tradicionais, porém tão importantes quanto a métrica
típica que vocês possivelmente sempre utilizaram.
Nossos indicadores de sucesso:

PLANEJE PARA EXPERIMENTAÇÃO CONTINUADA
Se você gostaria de continuar fazendo pilotos de maneira contínua, e pode prever que seu minipiloto irá crescer,
considere os recursos que você precisa para esse fim. Para criar um roteiro e pedir mais suporte com recursos, siga
para o próximo capítulo. Escalando.

50

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO4

COISAS
APRENDIDAS

Checklist

VOCÊ PASSOU PELO PROCESSO DE
DESIGN THINKING!

Reflitam em equipe a respeito de todo o trabalho que fizeram até
agora para introduzir mudanças positivas em sua biblioteca.
Vocês aprenderam novas metodologias, técnicas e práticas, as
quais esperamos que tenham mudado a forma com que vocês
pensam a respeito daquilo que oferecem a seus usuários como
biblioteca. Além disso, vocês deram um passo crítico na
Iteração, levando suas ideias para o mundo, criando um
experimento vivo com o qual seus usuários podem interagir.
Esse é o caminho mais rápido para aprender a respeito de como
melhorar suas ideias.
Agora, você já deve ter determinado o seguinte:

















Refletido com sua equipe sobre a fase de Iteração

Planejado &amp; Facilitado o Feedback dos Protótipos

Sintetizado o Feedback

Feito o design do Mini Piloto

Recebido &amp; Integrado Feedback Vivo

Reavaliado Seu Conceito

51

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO5

Escalando

ATIVIDADE 1

CRIE UMA APRESENTAÇÃO
4 horas

pag. 53

—————
ATIVIDADE 2

FAÇA UM ROTEIRO
2+ horas

pag. 55

—————
ATIVIDADE 3

AVALIE OS RESULTADOS pag. 56
2 horas

—————
ATIVIDADE 4

PLANEJE PARA GESTÃO pag. 57
1 hora

—————
ATIVIDADE 5

REFLITA SOBRE SUA EXPERIÊNCIA pag. 58
1 hora

52

�ATIVIDADE 1

CRIE UMA APRESENTAÇÃO

4 horas

Use um tempo para imaginar sua apresentação como ferramenta de apoio. Você pode usar
uma apresentação convincente para:
Pag 1 de 2
· Pedir mais financiamento ou suporte
· Recrutar mais membros da
· Introduzir sua ideia para possíveis parceiros
equipe
· Refletir sobre progresso com uma organização maior
· Dar um impulso maior para o seu projeto

Por que você apresentará sua história?

Em seguida, crie uma progressão lógica em sua narrativa
usando o que sugerimos:
· Apresente-se: Quem é você? Quem é a sua equipe?
· Defina seu desafio: Que problemas você viu e quem são os
usuários?
· Inspiração: Com quem você conversou e quem observou, e
quais os aprendizados principais?

Qual é a meta da apresentação?

· Ideação: Que conceitos você criou e como você os
prototipou?
· Iteração: Que feedback você recebeu e como você construiu
em cima desse feedback com experimentação continuada?
· Um apelo à ação: Qual é o próximo passo para a sua equipe
e como membros da audiência poderiam te ajudar com os
próximos passos?

Quem é a sua audiência?

Onde você irá apresentar?

Baseado nas informações acima, qual formato você
vai escolher?

53

�ATIVIDADE 1

CRIE UMA APRESENTAÇÃO

4 horas
Pag 2 de 2

Inclua experiências e aprendizados interessantes em sua
narrativa. Faça um brainstorm com sua equipe para incluir
algumas anedotas em sua história, incluindo:

· Quais momentos da experiência foram mais recompensadores?

· Qual foi a coisa mais surpreendente que você aprendeu enquanto
procurava por inspiração?

· Quais fotos e visuais ilustrativos e provocativos irão dar melhor
suporte à sua história?

· Qual foi a ideia mais absurda que surgiu no
brainstorm? O protótipo mais criativo?

Use o conteúdo desse exercício e os templates de slides a
seguir para construir sua história:

passo 1

· Quais partes do processo foram mais difíceis?

APRESENTE-SE
· Quem é a sua equipe?
· Quais são os seus papéis?
· Quais são os pontos interessantes
a respeito deles e de seus papéis?

passo 3
APRENDENDO COM OS
USUÁRIOS
· Como você conduziu a pesquisa?
· O que se destacou para você na pesquisa?
· Quais são os Top 5-10 temas /
insights mais abrangentes?

Exemplo:

Exemplo:

passo 5
PRÓXIMOS
PASSOS
· Como o seu experimento muda os serviços
oferecidos para melhor?
· O que você quer tentar em seguida e que
levará as suas experiências ainda mais
longe?
Exemplo:

EQUIPE _______

NOSSOS INSIGHTS
PRÓXIMOS PASSOS?
FOTO
DO
LOCAL
FOTO
DA
PESSOA

NOSSA EQUIPE

passo 4
EXPERIMENTAÇÃO E ITERAÇÃO
·O que você criou com base em seu
desafio e sua pesquisa?
·O que você aprendeu com esse
experimento?
·Como você usou o feedback para evoluir
seu protótipo?
Exemplo:

passo 2
DEFINA O DESAFIO
· Com qual desafio você começou?
· Quais grandes questões você está
explorando?
· Como os desafios são relevantes para a
biblioteca?

NOSSO PROTÓTIPO

Exemplo:

NOSSO DESAFIO
NOSSOS
APRENDIZADOS

54

�ATIVIDADE 2

FAÇA UM ROTEIRO 2+ horas
Se você estiver pronto para começar a planejar o futuro de sua experimentação, comece trabalhando com a
sua equipe para construir um roteiro e um cronograma para iteração e desenvolvimento continuados.

1. ESTABELEÇA METAS

2. CRIE UMA LINHA DO TEMPO

Quais são suas metas finais para esse projeto?

biblioteca?

Projete um cronograma ideal para fazer seu projeto em escala e
implementá-lo. Pense sobre o que você gostaria de conseguir em
curto e longo prazos. Essa é uma lista de incumbências que você
pode incluir, com exemplos de quanto tempo cada item deve
levar:

O que você precisa para fazer sua ideia acontecer?

· Elaborar a apresentação do projeto (3 dias)

Como você quer que sua ideia tenha impacto na

· Persuadir as partes interessadas (1 semana)

comunidade?

· Conseguir financiamento e recursos necessários para
iterações adicionais (4 semanas)

Como você imagina sua ideia começando a fazer parte da

Quem você precisa envolver?

· Planeje para lançamento ao vivo do piloto completo (2 semanas)
· Estabeleça a métrica para o lançamento (1 semana)
· Verifique o piloto cada semana pelos próximos 6 meses
O cronograma após criar seu primeiro protótipo e minipiloto é
bastante variável, como você deve considerar diversas
contingências para dar vida à sua ideia. Seu cronograma depende
dos recursos necessários para lançar o piloto completo, pessoas
que precisam estar envolvidas e, quanto tempo irá levar para
fazer uma experiência mais evoluída para seus usuários.

55

�ATIVIDADE 3

AVALIE
OS RESULTADOS 2
3

horas

Para avaliar o impacto de uma solução piloto, é importante ter uma visão sistêmica e holística.
Nós o encorajamos a olhar para além de sua métrica usual, de medir como sua ideia está sendo
desempenhada. Tente o seguinte exercício ou desenvolva o seu próprio.

1. LISTE OU MAPEIE TODOS OS STAKEHOLDERS QUE A SUA
SOLUÇÃO PODERÁ INFLUENCIAR DE MANEIRA POSITIVA, NEGATIVA
OU NEUTRA.
O formato de mapa funciona bem para esse exercício, pois mostra conexões de
network entre os stakeholders. Tente criar uma lista completa. Lembre-se de incluir
stakeholders que a sua equipe não esteja diretamente focada, como: fundadores,
pessoas da mesma comunidade ou de comunidades adjacentes, que não estejam
recebendo benefícios diretos, e stakeholders não-humanos, como: animais, o ambiente
e os recursos naturais. Ponha esse mapa ou lista em um lugar que você possa consultar
com frequência.

2 . CONFORME VOCÊ VÊ E BUSCA OS EFEITOS DA AVALIAÇÃO,
ESCREVA-OS NA LISTA OU MAPA.
Codifique por cor os stakeholders que foram beneficiados pela solução e aqueles que
tiveram experiências negativas. Se possível, quantifique o valor dos efeitos com um
sistema de medida padronizado. Usando o que você aprendeu aqui, continue a fazer
Iteração de sua solução para encontrar formas de aumentar os efeitos positivos e os
efeitos menos negativos.
4. EXAMINE O VALOR EM REDE DAS SOLUÇÕES.
Veja esse exercício como uma forma de aprender e desafiar a equipe a melhorar as
soluções para fazer os resultados serem mais e mais positivos.
Reveja as leituras onde discutimos os tipos de indicadores para o sucesso, incluindo
liderança, analogias, consciência, engajamento e mudanças na dinâmica. Discuta o
seguinte com sua equipe:
· Que indicadores irá usar para o seu projeto?
· Quais são as suas metas?
· O que você pode medir? No curto e longo prazos?

56

�ATIVIDADE 4

PLANEJE PARA A GESTÃO

1 hora

Enquanto sua solução fica mais sustentável, é crítico planejar como seu projeto será administrado, ou
guiado, com o tempo. No processo de design thinking, as ideias nunca param de ser iteradas e melhoradas,
então, estabelecer um plano administrativo é a chave para garantir que a sua ideia continue relevante e útil
para seu público-alvo.

1. RECRUTE AJUDANTES

2. CHECK-INS

Pense a respeito de quem em sua equipe e na
biblioteca será convidado a dividir a responsabilidade
para ir adiante. Aqui estão diversos papéis a serem
considerados:

Comece a marcar reuniões com bastante antecedência
com a equipe administradora do trabalho.
Frequentemente você terá uma equipe diferente e,
que todos poderiam estar em locais completamente
diferentes. Checagens periódicas vão ajudar com a
continuidade e permitir que você aprenda quando
adaptar seu conceito.

· Conselheiro
· Auxiliar de prototipagem
· Observador
· Arrecadador de verbas
· Facilitador
· Publicitário

57

�ATIVIDADE 5

REFLITA SOBRE A SUA EXPERIÊNCIA

1 hora
Pag 1 de 2

MEUS PONTOS FORTES E MINHAS FRAQUEZAS
Tire um tempo para refletir a respeito do seu crescimento pessoal. Você provavelmente se sentiu mais confortável durante algumas
partes do processo de design centrado no ser humano do que em outras. Isso é completamente normal. Lembre-se das últimas quatro
aulas. Quais áreas pareceram mais naturais? Onde você teve dificuldades? Por que? Para cada fase do processo de design
(Inspiração, Ideação, Iteração) marque onde você se classifica no eixo entre “Eu tive dificuldade” e “Eu me sobressaí”. Abaixo
disso, escreva algumas frases do porquê.

EU TIVE DIFICULDADE

EU ME SOBRESSAÍ

Por que? Qual foi o seu maior momento “aha” nesse estágio?

EU TIVE DIFICULDADE

EU ME SOBRESSAÍ

Por que? Qual foi o seu maior momento “aha” nesse estágio?

EU TIVE DIFICULDADE

EU ME SOBRESSAÍ

Por que? Qual foi o seu maior momento “aha” nesse estágio?

58

�ATIVIDADE 5

REFLITA SOBRE A SUA EXPERIÊNCIA

1 hora
Pag 2 de 2

Pense a respeito daquilo que você gostou e do que não gostou a respeito de trabalhar em uma equipe de design, desse toolkit e, do
processo de design thinking como um todo.

DISCUTA OS TÓPICOS ABAIXO
Dinâmica de Equipe
·Como foi trabalhar em uma equipe de design? Vocês gostaram de trabalhar juntos?
·Qual foi o momento mais inspirador para a sua equipe?
·Qual foi o mais frustrante?
·Houve momentos de conflito ou de divergências? Como a sua equipe chegou a uma solução?

O Toolkit
·Quais são os melhores aspectos do toolkit?
·Quais são as partes mais fracas?
· Imagine que tenhamos recebido uma doação generosa para melhorar nosso
toolkit. Você poderia nos dar três sugestões sobre onde começar? Mandenos esse feedback em: hello@designthinkingforlibraries.com

1.

2.

3.

Você!
Membros da sua equipe provavelmente se sentiram mais confortáveis durante algumas partes do processo de design thinking que em
outras. Isso é perfeitamente normal e uma das razões pelas quais ter uma equipe interdisciplinar é tão importante. Pense no processo.
·Quais áreas pareceram mais naturais para os membros de sua equipe? Foi durante a fase de Inspiração? A fase de Ideação? Iteração?
·Onde os membros da equipe tiveram dificuldade? Por que?
·Houveram habilidades faltando em sua equipe? Quais foram elas?
·Se você pudesse desenhar um novo membro para sua equipe para o próximo desafio de design, que habilidades ele teria?

59

�1 /COMEÇANDO

2 / INSPIRAÇÃO

3 / IDEAÇÃO

4 / ITERAÇÃO

5 /OBTENÇÃOD AESCALA

CAPÍTULO5

COISAS
APRENDIDAS

Checklist

PARABÉNS POR LEVAR SUA IDEIA PARA O
PRÓXIMO NÍVEL E AO CAMINHO DA
IMPLEMENTAÇÃO!
Esperamos que vocês tenham aprendido muito e tenha otimismo
para fazer com seu projeto seja mantido e mais permanente no
contexto de sua biblioteca.
Então o que vem depois? Armado com essa abordagem de
design mais centrado no ser humano, discutam se faz sentido se
manterem juntos como equipe enquanto estiverem
administrando sua ideia. Alternativamente, você pode querer
seguir em outra ideia individualmente, ou com novos membros
da equipe para se envolver. Obrigada por ceder um pouco de
seu tempo para aprender a respeito de design centrado no ser
humano. Divirta-se por aí!
Agora, você deve ter completado o seguinte:














Criado Apresentação

Feito um Plano de Roteiro

Avaliado Possíveis Resultados

Planejado para administrar

Refletido Sobre sua Experiência

60

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20051">
                <text>Design Thinking para Bibliotecas: um toolkit para design centrado no usuário</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20052">
                <text>Design Thinking&#13;
Design Centrado no Usuário&#13;
Experiência do Usuário&#13;
Planejamento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20053">
                <text>Este toolkit foi traduzido para o português com a finalidade de auxiliar quem trabalha em bibliotecas e enfrenta diariamente desafios para ver seus objetivos gerarem resultados. É um material destinado àquelas pessoas que não se contentam com pouco, que buscam mais, que querem mais, que são audaciosos e destemidos! Podem ser profissionais de bibliotecas públicas, comunitárias, escolares, universitárias, especializadas, não importa a tipologia, importa querer realizar grandes feitos e abrir a mente ao novo, ao inesperado, à surpresa. Todos que tenham gana e um brilho no olhar conseguirão aproveitar as técnicas e a metodologia cuidadosamente preparadas por pessoas que estão buscando inovar com o que já tem e fazer a diferença em suas práticas de trabalho. São ferramentas simples, mas que os profissionais terão a oportunidade de aprender de forma sistematizada, por etapas. Ao organizá-las fica evidenciada a apresentação didática de cada passo a ser trabalhado e executado para benefício de quem utilizará e se apropriará de tudo isso: o usuário. Este toolkit tem como princípio o Design Thinking centrado no humano, ele é o início, o meio e o fim de todo o processo descrito. Trata-se, sem dúvida, de um guia extremamente útil para todos aqueles que desejam efetivar uma mudança significativa e significante nas bibliotecas onde atuam. E os bibliotecários podem ter papel preponderante na adoção dessa metodologia em seus ambientes de trabalho. É importante ressaltar, que as informações aqui compiladas são estudos de casos ocorridos em países de língua inglesa, com relatos de profissionais de bibliotecas públicas americanas e dinamarquesas, que serviram de base para os estudos. Embora nossa realidade seja distinta, acreditamos que as abordagens utilizadas por esses profissionais são passíveis de serem reproduzidas em qualquer situação. Ainda mais quando nos deparamos com limitações orçamentárias e ausência de políticas públicas para a área, torna-se mais necessário buscar métodos que possam mostrar onde realmente devem ser investidos os esforços que garantam a satisfação das comunidades. Com a leitura do material será possível reafirmar que uma biblioteca é um local de construção de conhecimentos, um lugar de convivência e compartilhamento de ideias, sensações, descobertas, habilidades e valores. Se percebemos que estamos longe dessa definição é mais uma razão para que este guia possa se tornar um companheiro inseparável e fiel das equipes, amigos da biblioteca, da comunidade, dos usuários, dos gestores e do poder público. Esse material foi originalmente produzido pela IDEO com o patrocínio da Fundação Bill &amp; Melinda Gates. A Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições – FEBAB entendendo a importância de disseminar esse material entre os profissionais brasileiros, buscou e obteve as autorizações devidas para fazer sua tradução para o português. Mas para tornar possível esse material, contamos com o trabalho voluntário da Profa. Adriana Maria de Souza que traduziu todo o toolkit e da Paula Azevedo que apoiou sua revisão. Além disso, tivemos a importante parceria do Instituto de Políticas Relacionais para finalizá-lo agregando a tradução do caderno de exercícios. Obrigada Daniela Greeb e Vanessa Labigalini! Não poderíamos deixar de mencionar nossos agradecimentos à Maria Vitória Santos Gonçalves que fez a diagramação e a Pilar Pacheco da Fundação Bill &amp; Melinda Gates. Como podem observar um grupo de pessoas se comprometeu para concretizar esse trabalho que agora compartilhamos, desejando muito que a abordagem Design Thinking para Bibliotecas possa ajudar a todos que desejam realizar um trabalho cada vez melhor em suas bibliotecas! Boa leitura a todos! Adriana Maria de Souza Responsável pela Tradução; Adriana Cybele Ferrari Presidente da FEBAB.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20054">
                <text>IDEO&#13;
Global Libraries&#13;
</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20055">
                <text>Instituto de Políticas Relacionais, FEBAB &amp; IDEO</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20056">
                <text>2017</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20057">
                <text>Chicago Public Library&#13;
Aarhus Public Libraries&#13;
Adriana Maria de Souza (Tradução Português)&#13;
Paula Azevedo (Revisora Português)&#13;
Maria Vitória Santos Gonçalves (Diagramação Português)&#13;
Daniela Greeb (Tradução Português - Caderno de Exercícios)&#13;
Vanessa Labigalini (Tradução Português - Caderno de Exercícios)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20058">
                <text>Recurso Eletrônicp</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20061">
                <text>Brasil</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="41047">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65903">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6173" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5239">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/55/6173/Diretorio_Brasileiro_de_Bibliotecas_Acessiveis.pdf</src>
        <authentication>919ce05ebf096a4ab0b6d2ead3779067</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="70203">
                    <text>DIRETÓRIO BRASILEIRO
DE

BIBLIOTECAS
ACESSÍVEIS

�Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da
Informação e Instituições - FEBAB
Gestão: 2020-2023
Presidente: Jorge Moisés Kroll do Prado (SC)
Vice-Presidenta: Adriana Cybele Ferrari (SP)
Diretor Administrativo e Financeiro: Anderson de Santana (SP)
Diretor de Comunicação e Publicação: Catia Rejane Lindemann (RS)
Diretor de Promoção de Eventos: Sigrid Karin Weiss Dutra(SC)
Diretor de Formação Política e Profissional: Priscila Machado Borges Sena (SC)
Diretoria Regional Centro-Oeste: Ana Catarina Côrtez de Araujo (MS)
Diretoria Regional Nordeste: Marcos Paulo Viana (BA)
Diretoria Regional Norte: Jorge Luiz Cativo Alauzo (AM)
Diretoria Regional Sudeste: Adriana Maria de Souza (SP)
Diretoria Regional Sul: Marcelo Votto Texeira (SC)
Conselho Fiscal 1: Leonilha Maria Brasileiro Lessa (CE)
Conselho Fiscal 2: Elenise Maria de Araújo (SP)
Conselho Fiscal 3: Denise Maria da Silva Batista (RJ)
Conselho Fiscal Suplente 1: Clemilda dos Santos Sousa (CE)
Conselho Fiscal Suplente 2: Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (SP)

Grupo de Trabalho de Acessibilidade em Bibliotecas
Composição:
Coordenação:
Elenise Maria de Araujo (SP)
Integrantes:
Adriana Cybele Ferrari (SP)
Ana Catarina Cortêz de Araújo (MT)
Catia Rejane Lindemann (RS)
Claire Cascaes de Aquino (SC)
Clemilda dos Santos Sousa (CE)
Danielle da Silva Pinheiro Wellichan (SP)
Fabiana de Jesus Cerqueira (BA)
Geisa Müller de Campos Ribeiro (GO)
Keyla Rosa de Faria (GO)
Diagramação: Vicente Santos Gonçalves
Revisão: Clemilda S. Sousa, Danielle S. P. Wellichan e
Keyla R. de Faria
Revisão Bibliográfica: Lívia Maria Caetano da Costa
Agradecimentos: Leonilha Maria Brasileiro Lessa

�Sumário
O PROJETO
O Projeto pela FEBAB�
3
A idealização do Diretório Brasileiro de Bibliotecas
Acessíveis�4
Apresentação da Obra �
6

DIRETÓRIO (POR ESTADO)
ACRE�
ALAGOAS�
AMAZONAS�
BAHIA�
CEARÁ�
DISTRITO FEDERAL�
ESPÍRITO SANTO�
GOIÁS�
MARANHÃO�
MATO GROSSO�
MATO GROSSO DO SUL�
MINAS GERAIS�
PARÁ�
PARAÍBA�
PARANÁ�
PERNAMBUCO�
PIAUÍ�
RIO DE JANEIRO�
RIO GRANDE DO NORTE�
RIO GRANDE DO SUL�
RONDÔNIA�
RORAIMA�
SANTA CATARINA�
SÃO PAULO�
SERGIPE�
TOCANTINS�

10
11
13
14
17
20
22
24
27
29
30
32
37
39
40
41
43
44
46
48
50
52
53
56
63
65

ACESSIBILIDADE
Símbolos de Acessibilidade�67

GT DE ACESSIBLIDADE EM BIBLIOTECAS
Sobre o Grupo�73

Referências�75

1

�2

�O Projeto

O Projeto pela

FEBAB

Garantir informação de qualidade, em suportes que atendam as
mais variadas necessidades das pessoas é uma das principais premissas
das bibliotecas. E esta premissa não nasce somente do direito individual
do cidadão em ter acesso à informação, mas também pelo acolhimento
e empatia.
Desde 2017, a FEBAB vem alinhando sua atuação junto aos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, pautando
reflexões, produzindo instrumentos de apoio (guias, manuais, webinars,
eventos, entre outros) e articulando-se com a sociedade civil organizada
e governo. Este alinhamento reflete-se para os profissionais de todo o país,
em que bibliotecárias e bibliotecários trabalham em prol de bibliotecas
mais acessíveis, com instalações, tecnologias, produtos, serviços e uma
mentalidade atitudinal permeando tudo isso.
Este Diretório Brasileiro de Bibliotecas Acessíveis nasce desse
contexto. Nosso Grupo de Trabalho de Acessibilidade em Bibliotecas
idealizou e construiu esta publicação de modo a fornecer a todas as
bibliotecas ricas informações sobre o que elas estão oferecendo às
pessoas com algum tipo de deficiência. Espero que você se inspire e
adote (ou adapte) as ações aqui apresentadas para a biblioteca em
que você trabalha.
É nosso compromisso trabalharmos por bibliotecas por um mundo
melhor!

Jorge Moisés Kroll do Prado
Presidente da FEBAB

3

�O Projeto

Diretório Brasileiro de
Bibliotecas Acessíveis

A idealização do

O Grupo de Trabalho em Acessibilidade em Bibliotecas (GT-ACESS)
da Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários (FEBAB)
promoveu durante o ano 2020 um levantamento para identificar o
potencial e a realidade das bibliotecas brasileiras sobre os acervos em
formato acessível, equipamentos de Tecnologia Assistiva, produção de
conteúdo acessível sob demanda e as iniciativas de capacitação para
usuários com deficiência.
Os dados obtidos a partir deste levantamento estão compilados
nesta obra intitulada “Diretório Brasileiro de Bibliotecas Acessíveis” que
tem por objetivo tornar-se uma fonte de referência sobre as bibliotecas
brasileiras de instituições públicas e privadas, municipais, estaduais ou
federais e de todas tipologias existentes que declararam dispor de
serviços e/ou instalações para atender às pessoas com deficiência.
Além disso, essa publicação pretende, por um lado, conscientizar
e alertar gestores, bibliotecários(as) e a comunidade em geral sobre
a necessidade de adequação dos espaços, serviços e atitudes das
Bibliotecas frente às demandas e direitos das pessoas com deficiência
e, por outro, ser um instrumento de informação para que todos e todas
possam localizar espaços acessíveis nas diversas regiões do país.
Essa iniciativa está alinhada à Agenda 2030 da ONU que apregoa
que “ninguém pode ficar para trás”.
Se a Biblioteca de sua instituição dispõe de recursos para
atendimento das pessoas com deficiência, convidamos a acompanhar
as atividades do GT ACCESS pelas nossas redes sociais, pois teremos novas
oportunidades para agregar suas informações aos produtos realizados
pela FEBAB.
Elenise Maria de Araujo
Coordenadora do GT-Acess

4

�5

�O Projeto

Apresentação da Obra
O Diretório Brasileiro de Bibliotecas
Acessíveis foi idealizado para reunir e
divulgar as iniciativas e recursos das
instituições que disponibilizam ao público
serviços e produtos inclusivos que envolvem
os seguintes aspectos:

universitária, comunitária, especializada,
pública e multinível1;
- URL da biblioteca (endereço/site);
- Caracterização de recursos que a
biblioteca ou rede oferece quanto
ao conteúdo acessível, serviços para
pessoas com deficiência, tecnologia
assistiva, capacitação para pessoas
com deficiência e outros;

(a) Acervos em formato acessível;
(b) Equipamentos de tecnologia assistiva;
(c) Capacitação para usuários com
deficiência.
A
metodologia
utilizada
para
reunir estas informações foi por meio de
questionário com perguntas abertas e
de múltipla escolha no Google Forms
para identificar as instituições quanto
aos aspectos de acessibilidade acima
citados. Após a divulgação nas redes
sociais da FEBAB e do GT-Acess foi possível
compilar 152 respostas que demonstram
“parcialmente” o panorama nacional de
Bibliotecas Acessíveis no Brasil.

- Identificação do tipo de conteúdo
acessível que a biblioteca ou rede
oferece;

Os resultados da pesquisa foram
organizados em ordem alfabética nas
seguintes categorias:

- Identificação do perfil do público com
maior frequência que na biblioteca ou
rede.

- Dos Estados da República Federativa
do Brasil;

Faz-se necessário destacar alguns
aspectos sobre os termos utilizados na
elaboração desta obra, pois, as questões
que envolvem a área da acessibilidade
são comumente permeadas por variações
temporais que podem causar discussões
conceituais.

- Identificação dos equipamentos e
programas disponíveis na biblioteca ou
Rede;
- Descrição dos tipos de capacitação
oferecidas pela biblioteca ou rede aos
usuários com deficiência;

- Das instituições respondentes;
- Caracterização da instituição (nome
completo da instituição que representa,
endereço completo, telefone, cidade e
CEP e Estado);

Desta forma, optou-se em apresentar
abaixo os principais termos utilizados e seus

- Órgão ou entidade (nível de
abrangência:
Municipal,
Estadual,
Federal
organização
não
governamental, fundação);
-

Tipologia

de

biblioteca

1
[...]
organização
que
atende
às
necessidades de um público de diferentes níveis
de processos formativos (nível médio, técnico e
superior) e, consequentemente, diferentes níveis
de necessidades e competências informacionais.
(ALMEIDA, GARCIA, FREIRE,2020).

(escolar,
6

�O Projeto

respectivos conceitos, adotados pelo GTAcess para elaboração do documento e
do instrumento de coleta de dados. São
eles:

diminuição da capacidade de perceber
som, se comunica pela fala e apresenta
perda de grau leve ou moderado);
diferente da surdez (a pessoa é incapaz de
ouvir o som, apresenta uma perda severa
ou profunda e geralmente se comunica
pela Língua Brasileira dos Sinais (Libras).
Para pessoas surdas, sinalizantes da Libras,
é importante o profissional intérprete de
Libras/Língua Portuguesa para mediar
a comunicação com a comunidade
ouvinte em todos os ambientes (escola,
universidades, atendimentos médicos, no
trabalho…) (SKLIAR, 2005; SANTANA, 2007);

Pessoa com deficiência: aquela
que tem impedimento de longo prazo
de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, o qual, em interação com
uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade
em igualdade de condições com as demais
pessoas. (BRASIL, 2015).
Entre as pessoa com deficiência
temos as seguintes características:

c) Deficiência visual: pela limitação
ou perda da funções básicas do olho e
do sistema visual, o que pode ocasionar
a cegueira, na qual a acuidade visual é
igual ou menor que 0,05 no melhor olho,
com a melhor correção óptica; ou a baixa
visão, que significa acuidade visual entre
0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor
correção óptica; os casos nos quais a
somatória da medida do campo visual em
ambos os olhos for igual ou menor que 60o;
ou a ocorrência simultânea de quaisquer
das condições anteriores (BRASIL, 2004);

a) Deficiência física: alteração
completa ou parcial de um ou mais
segmentos do corpo humano, acarretando
o comprometimento da função física,
apresentando-se sob a forma de paraplegia,
paraparesia, monoplegia, monoparesia,
tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia,
hemiplegia,
hemiparesia,
ostomia,
amputação ou ausência de membro,
paralisia cerebral, nanismo, membros com
deformidade congênita ou adquirida,
exceto as deformidades estéticas e as
que não produzam dificuldades para o
desempenho de funções.(BRASIL, 2004).

d)
Deficiência
mental2
(intelectual): funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, com
manifestação antes dos dezoito anos
e limitações associadas a duas ou mais
áreas de habilidades adaptativas, tais
como: comunicação; cuidado pessoal;
habilidades sociais; utilização dos recursos
da comunidade; saúde e segurança;
habilidades
acadêmicas;
lazer;
e
trabalho(BRASIL, 2004);

Pessoa com mobilidade reduzida:
aquela que tenha, por qualquer motivo,
dificuldade de movimentação, permanente
ou temporária, gerando redução efetiva
da mobilidade, da flexibilidade, da
coordenação motora ou da percepção,
incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa
com criança de colo e obeso. (BRASIL,
2015).

e)
Transtorno
do
Espectro
Autista
(TEA):
são
distúrbios
do
neurodesenvolvimento caracterizados por
dificuldades na interação e comunicação
social, padrões estereotipados e repetitivos

b) Deficiência auditiva: de acordo
com a Lei n.5.296/04, deficiência auditiva
é a perda bilateral, parcial ou total de 41
decibéis (dB) ou mais, comprovada por um
audiograma em frequência de 500, 1000 e
2000 hertz. (BRASIL, 2004).

2
Não utilizamos mais deficiência mental desde
2004 (Declaração de Montreal), o recomendado é
deficiência intelectual. Mantém-se em documentos
históricos, nos atuais, o recomendado é que se utilize
o termo atualizado.

IMPORTANTE: existe distinção entre:
deficiência auditiva (a pessoa tem uma
7

�O Projeto

de comportamento e desenvolvimento
intelectual irregular. Os sintomas começam
cedo na infância e apresentam grande
variação, por isso, não é recomendada a
generalização (HONORA; FRIZANCO, 2015);

teclados colmeia e com contraste; mouse
especiais, por exemplo com acionador
de pressão, acionado com movimento de
cabeça, roller mouse ou trackball; canetas
interativas como “pentop”.

f) Deficiência múltipla: pessoa que
apresenta duas ou mais deficiências
associadas.

Quanto aos programas: para leitores
de tela; reconhecimento de OCR para
digitalização e edição de textos; sistema
computacional baseados no uso intensivo
de síntese de voz; ferramentas que traduz
conteúdos digitais (texto, áudio e vídeo)
em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS);
programas para conversão de livros em PDF
para formatos legíveis por screenreaders.

Braille: o sistema Braille é um processo
de escrita e leitura baseado em 64 símbolos
em relevo, resultantes da combinação de
até seis pontos dispostos em duas colunas
de três pontos cada. Pode-se fazer a
representação tanto de letras, como
algarismos e sinais de pontuação. Ele é
utilizado por pessoas cegas ou com baixa
visão, e a leitura é feita da esquerda para a
direita, ao toque de uma ou duas mãos ao
mesmo tempo. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL, 2021).

Libras: Língua Brasileira de Sinais. Não
existe uma língua de sinais universal; cada
país possui a sua própria, e, no Brasil, utilizase a Libras. As línguas de sinais são as línguas
naturais das comunidades surdas. Atribui-se
às línguas de sinais o status de língua porque
elas também são compostas por níveis
linguísticos: o fonológico, o morfológico, o
sintático e o semântico. Ao contrário do
que muitos imaginam, as línguas de sinais
não são simplesmente mímicas e gestos
soltos, utilizados pelos surdos para facilitar
a comunicação. Ela possui toda uma
estrutura gramatical específica.(INSTITUTO
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL,2021).

Conteúdo acessível: representam
qualquer material produzido ou disponível
na biblioteca que podem ser qualificados
como: livros, revistas, catálogos ou qualquer
outro material em Braille; audiobook
(MP3), livros falados, áudio-livro, e-books,
livros editados que foram digitalizados ou
passaram por um processo de mudança
de diagramação; livros em libras, livros com
fontes ampliadas; coleções disponíveis em
bibliotecas virtuais com a função ativa
para áudio; material didático; literatura
específica para deficiências como autismo;
recursos multimídia e vídeo em libras.

Tecnologia Assistiva: área que
contempla recursos e equipamentos
que contribuem para proporcionar ou
ampliar habilidades funcionais de pessoas
com deficiência e consequentemente
promover Vida Independente e Inclusão.
(SARTORETTO e BERSCH, 2021).

Equipamentos
e
programas:
representam um conjunto de máquinas ou
dispositivos que permitem que a pessoa
com deficiência possa utilizar com ou sem
auxílio de terceiros.
Quanto aos equipamentos: regletes,
scanners, dispositivo ativado por voz que
se anexa em óculos, lupas eletrônicas e
manuais, display braille (linha Braille) ou
terminal braille; impressora e máquinas de
escrever braille, impressora 3D; teclados
especiais com ampliação das teclas,
8

�9

�Diretório - Acre

ACRE

Biblioteca Municipal de Rio Branco
End.: Estrada da Usina, 1117, Morada do
Sol, Rio Branco - AC, CEP 69918-061
Tel.: não informado
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível
Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

10

�Diretório - Alagoas

ALAGOAS

Associação de Cultura e Meio Ambiente e
Desportos de Barreiras de Coruripe

Biblioteca Municipal Dr. Luís Beltrão
Mavignier

End.: Av. Manoel Ursulino Santos Filho, 82,
Couripe - AL, CEP 57230-000
Tel.: (82) 99187-6116
Site: não informado

End.: Av. Senador Rui Palmeiras, s/n,
Maragogi - AL, CEP 57955-000
Tel.: não informado
Site: não informado

Tipologia: Biblioteca Comunitária

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Braille

Oferece: Computadores, aula para
pessoas idosas, pesquisa, empréstimo de
livros, jornada ampliada, roda de leitura

Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Não informado

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Palestras, reuniões

11

�Diretório - Alagoas

Biblioteca Pública Municipal Jorge Matheus
de Lima
End.: Praça Basiliano Sarmento, S/N,
Centro, União dos Palmares - AL, CEP
57800-000
Tel.: (82)3281-2120
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Braille, didáticos, obras literárias, poemas,
cordel, descrição de obra, livros em libras
Equipamentos: Linha braille, lupas manuais
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

Biblioteca Publica Municipal Prof. Josefa
Duarte Madeiro
End.: Praça José Teófilo da Silva, Jacaré
dos Homens - AL, CEP 57430-000
Tel.: (82) 98102-4275
E-mail: bmjacaredoshomens@gmail.com
Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física
Oferece: Rampa de acesso, literatura
Equipamentos: Linha Braille
Programas: Não informado
Capacitações: Não possui

12

�Diretório - Amazonas

AMAZONAS

Biblioteca Braille do Estado do Amazonas

Senac Amazonas

End.: Bloco C do Sambódromo – Av. Pedro
Teixeira, 2565, Dom Pedro, Manaus – AM,
CEP 69040-000
Tel.: (92) 3622-0869
Site: https://cultura.am.gov.br/portal/
biblioteca-braille/

End.: Av. Visc. de Itanhaém, 863 - Cidade
Nova I, Manaus - AM, CEP 69058-730
Tel.: (92) 3641-2002
Site: www.am.senac.br/biblioteca

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Tipologia: Biblioteca Escolar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livro em braille, áudiolivro

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Braille, livros em áudio, livros ampliados,
livros digitalizados, cursos de instrumentos
musicais para pessoas com deficiências
visuais

Equipamentos: LInha braille
Programas: Dox Vox
Capacitações: Não informado

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille, impressora
braille, mouse
Programas: Programas leitores de tela,
Balabolka, NVDA, Brailendo, Dosvox,
Despeech
Capacitações: Cursos de braille, cursos
de sorobã, cursos de informática, cursos
de música, cursos de audiodescrição e
formação de leitores
13

�Diretório - Bahia

BAHIA

Biblioteca Municipal Professor Aristóteles
Pires de Carvalho

Biblioteca de Extensão
End.: R. Gen. Labatut, 27, Subsolo - Barris,
Salvador - BA, CEP 40070-100
Tel.: (71) 3127-6035
Site: http://www.fpc.ba.gov.br/modules/
noticias/index.php?topic_id=4

End.: Praça Imaculada Conceição, s/n,
Centro, Juazeiro - BA CEP 48903-575
Tel.: não informado
E-mail: bibliotecaaristoteles@hotmail.com

Tipologia: Biblioteca Pública Estadual

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livro em braille, áudiolivro, livros com fonte
ampliada

Equipamentos: Livros de braille e
áudiolivros

Equipamentos: Não informado

Programas: Não informado

Programas: Não possui

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

14

�Diretório - Bahia

IF-Baiano
Campus Serrinha

Sistema de Bibliotecas
Universidade Estadual de Feira de Santana

End.: Estrada Vicinal de Aparecida, s/n,
Aparecida, Serrinha - BA, CEP 48700-000
Tel.: (75) 98301-8269
Site: https://www.ifbaiano.edu.br/
unidades/serrinha/
Tipologia: Biblioteca Multinível

End.: Universidade Estadual de Feira de
Santana, Sistema Integrado de Bibliotecas,
Avenida Transnordestina, s/n, Novo
Horizonte, Feira de Santana - BA, CEP
44036-900
Tel.: (75) 31618006
E-mail: http://www.sisbi.uefs.br/

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivro

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Equipamentos: Teclados (ampliados)

Oferece: E-books, Braille, áudiolivros

Programas: Não informado

Equipamentos: Scanner, computador com
programa de voz

Capacitações: Curso básico em libras

Programas: Não possui

IF-Baiano
Campus Xique-Xique

Capacitações: Treinamento para
funcionários

End.: Rodovia BA 052, Km 468, s/n, Zona
Rural, Xique-Xique - BA, CEP 47400-000
Tel.: (74) 3664-3500
Site: https://www.ifbaiano.edu.br/
unidades/xique-xique/biblioteca/
apresentacao/

Universidade Federal da Bahia
End.: R. Barão de Jeremoabo, s/nº, Ondina,
Salvado - BA CEP 40170-290
Tel.: (71) 3283-6067
Site: www.sibi.ufba.br

Tipologia: Biblioteca Multinível

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, dicionário de libras

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivro, texto adaptado (partes
de revistas, livros)

Equipamentos: Teclado com letras
ampliadas
Programas: NVDA, leitores de tela

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
impressora braille

Capacitações: Reconhecimento de
ambiente, treinamento para utilização do
Pergamum, oficina de libras

Programas: Programas leitores de tela,
Programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Curso de audiodescrição
15

�Diretório - Bahia

Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
End.: Centro de Ciências da Saúde Av.
Carlos Amaral, 1015, Cajueiro, Santo
Antônio de Jesus - BA CEP 44430-622
Tel.: (75) 3632-1830
Site: www.ufrb.edu.br/bibliotecaccs
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Tecnologia assistiva
Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
End.: Rua Juraci Magalhães, 3528-9600,
Jequiezinho, Jequié - BA CEP 45205-490
Tel.: não informado
Site: http://www2.uesb.br/biblioteca/
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Braille
Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

16

�Diretório - Ceará

CEARÁ

Biblioteca Pública Municipal Francisco Lima
Botelho

Biblioteca Estadual do Ceará
End.: Avenida Presidente Castelo Branco,
255, Centro, Fortaleza - CE, CEP: 60010-000
Tel.: não informado
Site: não informado

End.: Travessa Nossa Senhora do Carmo,
38, CE CEP: 63370-000
Tel.: (88) 9926-8259
Site: não informado

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille e áudiolivros

Oferece: Conteúdo em formato
acessível, livros editados (impresso que foi
digitalizado mudando a diagramação)

Equipamentos: Linha braille, impressora
braille, teclados (ampliados)

Equipamentos: Não informado

Programas: Programas leitores de tela

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

17

�Diretório - Ceará

IF-Ceará
Campus Crato

IF-Ceará
Campus Iguatu

End.: Rodovia CE 292, Km 15, Bairro Gisélia
Pinheiro, Crato - CE, CEP 63115-500
Tel.: (88) 3586-8160
Site: https://ifce.edu.br/crato

End.: Rodovia Iguatu/Várzea Alegre, km 05,
s/n, Vila Cajazeiras, Iguatu-CE, CEP 63503790
Tel.: (88) 3582-1000
Site: https://ifce.edu.br/iguatu

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual e Física

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
revistas em braille, áudiolivros

Oferece: Sem serviços direcionados, braille

Equipamentos: Impressora braille

Equipamentos: Impressora braille (fora de
uso)

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não possui

IF-Ceará
Campus Fortaleza

IF-Ceará
Campus Jaguaribe

End.: Av. Treze de Maio, 2081, Benfica,
Fortaleza - CE, CEP 60040-531
Tel.: (85) 3307-3681
Site: https://ifce.edu.br/fortaleza

End.: Rua Pedro Bezerra de Menezes, 387,
Bairro Manoel Costa Moraes, Jaguaribe CE, CEP 63475-000
Tel.: (88) 3522-1117
Site: https://ifce.edu.br/jaguaribe

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
e-books

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, e-books

Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Não informado

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

18

�Diretório - Ceará

IF-Ceará
Campus Jaguaruana

Secretaria Municipal De Educação de
Juazeiro do Norte

End.: Avenida Dr. Antônio da Rocha
Freitas, 1566, Jaguaruana - CE, CEP 62823000
Tel.: (85) 9 9142-2975
Site: https://ifce.edu.br/jaguaruana

End.: R. Quinze de Novembro, S/N, São
Miguel, Juazeiro do Norte - CE, CEP 63010480
Tel.: (88) 3511-5407
Site: https://ifce.edu.br/fortaleza

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Escolar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Oferece: Atendimento em LIBRAS

Oferece: Não possui serviços

Equipamentos: Não possui

Equipamentos: Não informado

Programas: Não possui

Programas: Não informado

Capacitações: Não possui

Capacitações: Não informado
Universidade Federal do Ceará

IF-Ceará
Campus Maranguape
End.: CE-065 Km 17, S/N , Bairro Novo
Parque Iracema, Maranguape - CE, CEP
61940-750
Tel.: não informado
Site: https://ifce.edu.br/maranguape

End.: Seção de Atendimento a Pessoas
com Deficiência Biblioteca de Ciências
Humanas - 1º andar Av. da Universidade,
2683, Bloco 4, Benfica, Fortaleza - CE, CEP
60020-970
Tel.: (85) 3366-7655
Site: https://biblioteca.ufc.br/pt/bibliotecaacessivel/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Sem serviços direcionados
Equipamentos: Não informado

Oferece: Conteúdo em formato
acessível, livros editados (impresso que foi
digitalizado mudando a diagramação)

Programas: Não possui

Equipamentos: Teclados (ampliados)

Capacitações: Não possui

Programas: Programas leitores de tela,
leitor autônomo
Capacitações: Uso de bases de dados,
pesquisa científica

19

�Diretório - Distrito Federal

DISTRITO FEDERAL

Ministério da Mulher, da Família e dos
Direitos Humanos

Câmara dos Deputados
End.: Palácio do Congresso Nacional
Praça dos Três Poderes, Câmara dos
Deputados - Anexo II, Cedi, Biblioteca,
Bairro Zona Cívico-Administrativa, Brasília –
DF, CEP 70160-900
Tel.: (61) 3216-5660
Site: https://www2.camara.leg.br/acamara/documentos-e-pesquisa/
biblioteca

End.: Setor Bancário Sul - Quadra 2, Bloco H
- Lote 08, térreo, Brasília - DF, CEP 70073-902
Tel.: (61) 2027-3310
Site: https://bibliotecadigital.mdh.gov.br/
jspui/
Tipologia: Biblioteca Especializada
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Tipologia: Biblioteca Parlamentar

Oferece: Tecnologia assistiva

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Equipamentos: Utilizou-se critérios,
parâmetros técnicos e condições de
acessibilidade para a implantação
da Biblioteca Digital. Foram realizadas
mudanças no contraste e tamanho
das letras. Foram incluídos ícones na
parte superior da página da biblioteca
digital, para que permita mostrar o texto
em tamanho aumentado (ícone +A)
ou decrementado (ícone A-), além do
ícone de alteração de contraste. No link
“Acessibilidade” o usuário é direcionado
para uma página sobre os recursos de
acessibilidade e orientações gerais com
o objetivo de facilitar sua navegação.
Apresenta-se uma lista de ferramentas,
acessórios, aplicativos, com detalhes de

Oferece: Tecnologia assistiva, livro em
Braille, áudiolivro, e-books
Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
linha braille
Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Não informado

20

�Diretório - Distrito Federal

onde obtê-las, como instalá-las e utilizá-las.
Disponibilizou-se as seguintes informações:
teclas de atalho, tamanho do texto,
ferramentas úteis nos navegadores,
leitores de tela, mouse controlado por
movimentos da cabeça, reconhecimento
de fala, tradução automática de
conteúdos de Língua Portuguesa para
a Libras e/ou para legendas em Língua
Portuguesa. Constituem-se como recursos
disponibilizados para serem consultados
por qualquer usuário
Programas: DOSVOX, NVDA, Orca,
VoiceOver, eViCam, HeadMouse,
Dictanote, Demo note, Speechnotes,
VLibras, Hand TalK, Transcriber para o
WhatsApp
Capacitações: Não informado

Senac Distrito Federal
End.: SEUPS 703/903 conj.A, s/n, parte A,
Brasília - DF, CEP 70390-039
Tel.: não informado
Site: https://www.df.senac.br/faculdade/
biblioteca/
Tipologia: Biblioteca Multinível
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille
Equipamentos: Livros em braille
Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

21

�Diretório - Espírito Santo

ESPÍRITO SANTO

Biblioteca Municipal de Vitória Adelpho Poli
Monjardim

Biblioteca Municipal Maria Geaquinto
End.: Av. Doutor José Farah, 75, Centro,
Jerônimo Monteiro - ES, CEP 29550-000
Tel.: não informado
Site: não informado

End.: Rua Muniz Frere, 23, Centro, Vitória ES, CEP 29015-140
Tel.: (27) 3381-6926
Site: www.vitoria.es.gov.br/biblioteca

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Parlamentar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivro

Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Não informado

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Auxílio na pesquisa para
usuario com deficiência intelectual

Capacitações: Oficina para contadores
de histórias

22

�Diretório - Espírito Santo

Biblioteca Municipal Zoé Rodrigues Missagia
End.: Av. Coronel Antônio Duarte, s/nº,
Centro, Iconha - ES, CEP 29280-000
Tel.: (28) 3537-2003
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Livros com fontes ampliadas
Equipamentos: Scanners, mouse
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

23

�Diretório - Goiás

GOIÁS

Associação Down de Goiás

Biblioteca Braille José Alvares de Azevedo

End.: Nona Avenida, nº 20, Setor Leste, Vila
Nova, Goiânia - GO, CEP 74643-080
Tel.: (61) 3216-5660
Site: não informado

End.: Centro Cultural Marieta Teles
Machado, Praça Dr. Pedro Ludovico
Teixeira, 02, St Central, Goiânia - GO, CEP
740003-010
Tel.: (62) 3201-4617
Site: https://www.cultura.go.gov.br/
centros-culturais/todas-as-unidades/2institucional/2256-biblioteca-braille.html

Tipologia: Biblioteca Comunitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Tipologia: Biblioteca Pública Estadual

Oferece: Serviços para pessoas com
Síndrome de Down, profissionais
especialistas, braille, recursos multimídias,
livros com fontes ampliadas

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivro, livros com fontes
ampliadas e em formato Daisy

Equipamentos: Não possui
Programas: Não informado

Equipamentos: Scanners, impressora braille

Capacitações: Oficinas de leitura via
webconferência, com crianças e jovens
com Síndrome de Down

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Aulas de informática e
capacitação para o uso de tecnologias
assistivas.

24

�Diretório - Goiás

Biblioteca Municipal Dante Mosconi

Laboratório de Acessibilidade Informacional
Biblioteca Central
Universidade Federal de Goiás

End.: Av.Goias, 1433, Vila Frei Domingos,
Jataí - GO, CEP 75800-000
Tel.: (61) 3521-1151 / (62) 3521-1701
Site: não informado

End.: Av. Esperança, s/nº, Campus
Samambaia, Goiânia - GO, CEP 74690-900
Tel.: (61) 3521-1151 e (62) 3521-1701
Site: www.bc.ufg.br/laboratório-deacessibilidade-informacional

Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros em libras

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Equipamentos: LInha braille

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
serviços para pessoas com deficiência,
tecnologias assistivas, capacitação para
pessoas com deficiência e adaptação
de materiais, braille e outros formatos
mediante solicitação

Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille, impressora
braille, teclados (ampliados), notebooks
para empréstimos, cadeira de roda

IF-Goiás
Campus Inhumas
End.: Avenida Universitária, quadra única,
S/n, Inhumas - Goiás, CEP 75402-583
Tel.: (62) 3511-2403
Site: www.ifg.edu.br

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Tipologia: Biblioteca Multinível

Capacitações: Atendimento às pessoas
com deficiência e tecnologias assistivas

Perfil do Público: Pessoas com Deficiência
Fisíca
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro, braille
Equipamentos: Ampliadores de fontes
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

25

�Diretório - Goiás

Universidade Federal de Jataí
End.: Rua Riachuelo, 1530, Setor Samuel
Grahan, Jataí - GO, CEP 75804-020
Tel.: (62) 3606-8202
Site: https://portalufj.jatai.ufg.br/
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda
Oferece: Tecnologia assistiva
Equipamentos: Óculos (OrCam-ver nome),
lupas eletrônicas, linha braille, impressora
braille, teclados (ampliados)
Programas: Leitores de tela
Capacitações: Não informado

26

�Diretório - Maranhão

MARANHÃO

Faculdade de Balsas

Universidade CEUMA

End.: BR-230, S/N, Balsas - MA, CEP 65800000
Tel.: (99) 3542-5500
Site: https://www.unibalsas.edu.br/

End.: Rua Josué Montello, 1, Renascença II,
São Luís - MA, CEP 65075-120
Tel.: não informado
Site: http://www.ceuma.br/portal/?page_
id=3326

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoas com Deficiência
Fisíca

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros editados (livro impresso com
diagramação modificada)

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
e-book

Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
teclados (ampliados), mouse

Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

27

�Diretório - Maranhão

Universidade Federal do Maranhão
End.: Avenida dos Portugueses, 1966, Vila
Bacanga, São Luís - MA CEP 65080-805
Tel.: não informado
Site: https://portais.ufma.br/PortalUnidade/
dib/
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
e-book, informações em Libras
Equipamentos: Lupas eletrônicas, teclados
(ampliados)
Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

28

�Diretório - Mato Grosso

MATO GROSSO

Biblioteca Pública Estadual Estevão de
Mendonça

Biblioteca Pública Municipal Geraldo Gomes
Faria

End.: Rua Antônio Maria Coelho, 151,
Centro, Cuiabá - MT, CEP 78005-420
Tel.: (65) 3613-9240
Site: http://www.bibliotecapublica.mt.gov.
br/

End.: R. Itararé, 1353, Centro, Jaciara - MT,
CEP 78820-000
Tel.: (66) 3461-4812
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: não informado

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Oferece: Conversão de materiais para
braille ou áudiolivros

Equipamentos: Não possui

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lLinha braille, impressora braille, mouse

Programas: Não possui
Capacitações: Não possui

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Não possui

29

�Diretório - Mato Grosso do Sul

MATO GROSSO DO SUL

Biblioteca Comunitária Roda Viva
Estação Leitura

Biblioteca Pública Municipal de Terenos
End.: R. Isaac Cardoso, Centro, Terenos MS, CEP 79190-000
Tel.: não informado
Site: www.facebook.com/
bibliotecaterenos

End.: Rua Plínio de Arruda Leite, sn, Nova
Aquidauana, Aquidauana - MS, CEP
792000-000
Tel.: não informado
Site: https://www.facebook.com/
Biblioteca-Comunit%C3%A1ria-RodaViva-343265615730141

Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros com fontes ampliadas, braille,
áudiolivros, livros acessíveis

Tipologia: Biblioteca Comunitária

Equipamentos: Não informado

Oferece: Livros em libras

Programas: Não informado

Equipamentos: Não informado

Capacitações: Não informado

Programas: Não informado

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Capacitações: Não informado

30

�Diretório - Mato Grosso do Sul

IF-Mato Grosso do Sul
Campus Dourados
End.: Rua Filinto Müller, 1790, Jardim Canaã
I, Dourados - MS, CEP 79833-520
Tel.: (67) 3410-8500
Site: https://www.ifms.edu.br/campi/
campus-dourados
Tipologia: Biblioteca Multinível
Perfil do Público: Não informado
Oferece: Não informado
Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado
IF-Mato Grosso do Sul
Campus Coxim
End.: Rua Salime Tanure, S/N, Santa Tereza,
Coxim - MS, CEP 79400-000
Tel.: (67) 3291-9600
Site: http://biblioteca.ifms.edu.br/
pergamum/biblioteca/index.php
Tipologia: Biblioteca Multinível
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda e Intelectual
Oferece: Tecnologia assistiva, alguns livros
da Biblioteca Virtual (Pearson) possuem a
função de áudio
Equipamentos: Mouse (mouse bigtrack
trackbal, tclik padrão, mouse e teclado
especial, mouse trackman marble, ovniclik
oc65 (pequeno) acionador de pressão,
roller mouse)
Programas: Não informado
Capacitações: Oficina sobre libras com
o apoio da Tradutora e Intérprete de
linguagem de sinais.
31

�Diretório - Minas Gerais

MINAS GERAIS

Biblioteca do Instituto de Ciências Humanas
e Sociais
Universidade Federal de Ouro Preto

Biblioteca Arnaldo Oliveira
Escola Superior Dom Helder Câmara
End.: R. Álvares Maciel, 628, Santa Efigênia,
Belo Horizonte - MG, CEP 30150-250
Tel.: (31) 2125-8800
Site: http://domhelder.edu.br/

End.: R. do Seminário, s/n, Mariana - MG,
CEP 35420-000
Tel.: (31) 3557-9414
Site: http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/
novosite/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros editados (livro impresso com
diagramação modificada), braille, e-book

Oferece: Tecnologia assistiva, Scanners,
Lupas manuais,
Equipamentos: Programas leitores de
tela,l linha braille, leitor autônomo, lupas,
reglete, computadores com softwares
acessíveis

Equipamentos: Scanners, mouse
Programas: Programas leitores de tela,
Programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não possui

32

�Diretório - Minas Gerais

Biblioteca Municipal de Frutal

Biblioteca Pública Municipal Jornalista
Virgílio Carlos

End.: Rua Senador Gomes, 26, Frutal - MG,
CEP 38200-034
Tel.: (34) 3423-48937
Site: não informado

End.: Rua Santo Antônio, 160, Centro, Ouro
Branco - MG, CEP 36420-000
Tel.: não informado
Site: não possui

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros com fontes ampliadas

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Equipamentos: Piso tátil, sinalização em
braille, scanners, teclados (ampliados),
Mouse

Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado

Programas: Não informado, Programas
leitores de tela

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

Biblioteca Pública Municipal Professora
Rosaria Maciel

Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

End.: Rua Espirito Santo 1061, Centro,
Araújos -MG, CEP 35603-000
Tel.: (37) 3288-1741
Site: não possui

End.: Praça da Liberdade, 21, Savassi, Belo
Horizonte - MG, CEP 30140-010
Tel.: (31) 3269-1166
Site: não informado

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Oferece: Não possui

Oferece: Capacitação para pessoas com
deficiência, livros com fontes ampliadas

Equipamentos: Não possui
Programas: Não possui

Equipamentos: Scanners, óculos (OrCamver nome), lupas eletrônicas, linha braille,
impressora braille

Capacitações: Não possui

Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Ensino de leitura e escrita
braille, palestra de como recepcionar
pessoas com deficiência eventos

33

�Diretório - Minas Gerais

Capacitações: não possui

Biblioteca Pública Municipal Juscelino
Kubitschek de Oliveira

Centro Universitário Presidente Antônio
Carlos

End.: Praça Prof. Jacy de Assis, s/n, Centro,
Uberlândia - MG, CEP 38400-121
Tel.: (34) 3236-9625
Site: não informado

End.: Rodovia MG-338, Km 8, Portão B,
Colônia Rodrigo Silva - MG, CEP 36201-143
Tel.: (32) 3339-4900
Site: http://biblioteca.site.unipac.br/

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Serviços para pessoas com deficiência,
Tecnologia assistiva, capacitação
para pessoas com deficiência, braille,
áudiolivros, livros ampliados

Oferece: Tecnologia assistiva
Equipamentos: Teclado em braille, lupas
eletrônicas, lupas manuais, teclados
(ampliados)

Equipamentos: Óculos (OrCam-ver nome),
lupas eletrônicas, linha braille, teclados
(ampliados), mouse, reglete, máquina de
datilografia braille, monitores LCD com tela
de toque, glassouse

Programas: Dosvox, VLibras, Programas
leitores de tela
Capacitações: Não informado

Programas: Programas leitores de tela
Centro Universitário Presidente Antônio
Carlos
Campus Lafaiete

Capacitações: Alfabetização em braille
para videntes e não videntes, apoio
pedagógico para pessoa com deficiência
visual

End.: Rodovia MG-482, Km 3, Bairro
Gigante, Conselheiro Lafaiete - MG, CEP
36402-115
Tel.: não informado
Site: http://biblioteca.site.unipac.br/

Centro Cultural Corrente do Bem
End.: Rua Santa Rita, 207, Santa Rita, Santa
Luzia - MG, CEP 33080-090
Tel.: (31) 99135-7839
Site: www.bibliotecacorrentedobem.com

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Tipologia: Biblioteca Comunitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivro

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille, livros com fontes
ampliadas e literaturas para autistas

Equipamentos: Teclado ampliado
Programas: Dosvox

Equipamentos: Linha braille

Capacitações: Não informado

Programas: Não possui
34

�Diretório - Minas Gerais

Centro Universitário UNA

Faculdades ALFA Unipac

End.: Av. Cristiano Machado, 11157, Vila
Suzana, Belo Horizonte - MG, CEP 31744007
Tel.: (31) 9 9185-6044
Site: não informado

End.: Rua Eng. Célso Murta, 600, Olga
Correa, Teófilo Otoni - MG, CEP 39803-087
Tel.: (33) 3529-4750
Site: http://biblioteca.site.unipac.br/
Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência

Equipamentos: Piso tátil, sinalização em
Braille, scanners, teclados (ampliados),
Mouse

Equipamentos: Scanners
Programas: Leitores de tela

Programas: DosVox, VLibras, Programas
leitores de tela

Capacitações: Não informado

Capacitações: Treinamento para utilização
da biblioteca e dos softwares disponíveis

Faculdade Alfa de Almenara

Faculdade Presidente Antônio Carlos
Campus Aimorés

End.: Rua Mário José de Souza,11, Parque
São João, Almenara - MG, CEP 39900-000
Tel.: (33) 3721-1098
Site: http://alfadealmenara.phlnet.com.br

End.: R. Pedro Nolasco, 1376, Centro,
Aimorés - MG, CEP 35200-000
Tel.: (33) 3267-4888
Site: https://alfaunipacaimores.phlnet.com.
br

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Equipamentos: Teclados (ampliados),
computadores, teclado contraste, piso
tátil, corrimão, cabine adaptada para
cadeirante e espaçamento adequado
das estantes para cadeirante

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivros
Equipamentos: Teclados (ampliados),
mouse

Programas: VLibras, DosVox, Programas
leitores de tela

Programas: DosVox, VLibras
Capacitações: Não possui

Capacitações: Não informado

35

�Diretório - Minas Gerais

Site: http://biblioteca.site.unipac.br/

Faculdade Presidente Antonio Carlos
Campus Itabrito

Tipologia: Biblioteca Universitária

End.: Rua Cecília Almeida da Rocha, 291,
Novo Itabrito, Itabrito - MG CEP 35450-000
Tel.: não informado
Site: biblioteca.site.unipac.br

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, e-books, livros com
fontes ampliadas

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Equipamentos: Teclado ampliado, óculos
(OrCam-ver nome), lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille,

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books
Equipamentos: Lupas manuais, teclados
(ampliados)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar), Dorina Nowill , NVDA,
Dosvox

Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

Capacitações: Prepara o deficiente visual
para ser usuário dos sistemas Dosvox, Jaws,
Virtual Vision e NVDA, possibilitando acesso
à área de Informática.

Faculdade Presidente Antonio Carlos
Campus Itanhandu
End.: Rua Alexandre Moreira, 291, Centro,
Itanhandu - MG, CEP 37464-000
Tel.: (35) 3361-1349
Site: https://unipac12.phlnet.com.br

Universidade Presidente Antônio Carlos
Campus Uberaba
End.: Avenida Leopoldino de Oliveira, 4245,
Centro, Uberaba - MG, CEP 38050-590
Tel.: (34) 3326-5600
Site: não informado

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
e-books, livros em braille

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Equipamentos: Não informado

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Programas: Dosvox
Capacitações: Não informado

Equipamentos: Teclados (ampliados)
Programas: DosVox, programas leitores de
tela

Fundação Presidente Antonio Carlos
Campus Governador Valadares

Capacitações: Não informado

End.: Rua Manoel Byrro, 241, Vila Bretas,
Governador Valadares - MG, CEP 35032620
Tel.: não informado
36

�Diretório - Pará

PARÁ

IF-Pará
Campus Tucuruí

Sesc Ananindeua

End.: Av. Brasília, s/n - Vila Permanente,
Tucuruí - PA
Tel.: (94) 3778-4684
Site: https://tucurui.ifpa.edu.br/

End.: Av. Governador Hélio Gueiros, 110,
Coqueiro, Ananindeua - PA, CEP 67120370
Tel.: (91) 3235-7448
Site: https://sesc-pa.com.br/unidade-9-1Sesc_em_Ananindeua

Tipologia: Biblioteca Multinível

Tipologia: Biblioteca Escolar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Não informado
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros com fontes ampliadas

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Impressora braille

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

37

�Diretório - Pará

Biblioteca Pública Arthur Vianna

Universidade Federal do Pará
Campus Ananindeua

End.: Av. Gentil Bittencourt, 650, Nazaré,
Belém - PA, CEP 66035-340
Tel.: não informado
Site: www.fcp.pa.gov.br

End.: Tv. We Vinte e Seis, 2, Coqueiro,
Ananindeua - PA, CEP 67130-660
Tel.: (91) 3201-7041
Site: https://www.biblio.
campusananindeua.ufpa.br/

Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille, áudiolivro

Oferece: Tecnologia assistiva

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
impressora braille

Equipamentos: Não informado

Programas: Programas leitores de tela,
Programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: DosVox e NVDA
Capacitações: Não informado

Capacitações: Oficinas braille
Universidade Federal do Pará

Universidade do Estado do Pará

End.: R. Augusto Corrêa, 1, Guamá, Belém PA, CEP 66075-110
Tel.: não informado
Site: bc.ufpa.br

End.: Tv. Perebebuí, 2623, Marco, Belém PA, CEP 66095-662
Tel.: (91) 3131-1774 / (91) 98112-0887
Site: www.uepa.br

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livros editados (livro impresso com
diagramação modificada), livros em
Braille, alguns livros com fonte ampliada,
livros em formato TXT e PDF

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille
Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas
Programas: Não informado

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, impressora braille, mouse

Capacitações: Não possui

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar), NVDA
Capacitações: Auxílio no uso do NVDA e
teclado
38

�Diretório - Paraíba

PARAÍBA

Universidade Federal da Paraíba
Campus I

Universidade Federal da Paraíba
Campus II

End.: Cidade Universitária, s/n, João Pessa
- PB, CEP 58050-085
Tel.: (83) 3216-7300
Site: www.biblioteca.ufpb.br

End.: BR 079, Km 12, Areia - PB, CEP 58397000
Tel.: não informado
Site: http://www.cca.ufpb.br/bscca/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, tecnologia assistiva, braille

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
e-books

Equipamentos: Scanners, impressora braille

Equipamentos: Não informado

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

39

�Diretório - Paraná

PARANÁ

Senac Curitiba Centro

Senac Maringá

End.: Rua André de Barros, 750, Centro,
Curitiba - PR, CEP 80010-080
Tel.: (41) 3219-4870
Site: https://www.pr.senac.br/biblioteca/

End.: Avenida Colombo, 6225, Maringá –
PR, CEP: 87020-000
Tel.: (44) 3218-5126
Site: https://www.pr.senac.br/biblioteca/

Tipologia: Biblioteca Multinível

Tipologia: Biblioteca Multinível

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, e-books, braille

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, recursos de acessibilidade em
ambiente digital

Equipamentos: Não possui

Equipamentos: Não possui

Programas: Programas leitores de tela

Programas: Programas leitores de tela,
DosVox

Capacitações: Não possui

Capacitações: Não possui

40

�Diretório - Pernambuco

PERNAMBUCO

Biblioteca Central
Universidade Federal de Pernambuco

Faculdade de Direito do Recife
Universidade Federal de Pernambuco

End.: Av. Reitor Joaquim Amazonas Cidade Universitária, Recife - PE, 50740-570
Tel.: (81) 2126-8094
Site: https://www.ufpe.br/sib/bibliotecacentral

End.: Praça Adolfo Cirne, s/n, Bairro da
Boa Vista, Recife - PE, CEP 50050-060
Tel.: (81) 2126-7876
Site: https://www.ufpe.br/ccj/bibliotecasetorial

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livro editado (livro impresso com
diagramação modificada), e-books, livros
com fontes ampliadas

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livro editado (livro impresso com
diagramação modificada)
Equipamentos: Scanners

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, impressora braille, teclados
(ampliados), mouse, cadeira de rodas
para empréstimo

Programas: Programas reconhecimento
OCR (para digitalizar e editar)
Capacitações: Não informado

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Não possui

41

�Diretório - Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco
End.: Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade
Universitária, Recife - PE - CEP: 50670-901
Tel.: (81) 2126-8806 / (81) 2126-8807
Site: http://www.biblioteca.ufpe.br/
pergamum/biblioteca/index.php
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro
Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
teclados (ampliados), Mouse
Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Palestras

42

�Diretório - Piauí

PIAUÍ

Colégio Diocesano
End.: R. Barroso, 363, Centro Sul, Teresina PI, CEP 64000-200
Tel.: (86) 2107-4400
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Escolar
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro
Equipamentos: Impressora braille
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

43

�Diretório - Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO

Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

Instituto Brasileiro de Museus
Museu Imperial

End.: Rua Dr. Xavier Sigaud, 150, Urca, Rio
de Janeiro - RJ, CEP 22290-180
Tel.: não informado
Site: não informado

End.: Rua da Imperatriz, 220, Centro,
Petrópolis - RJ, CEP 25610-320
Tel.: (24) 2233-0362 / (24) 2233-0368
Site: https://museuimperial.museus.gov.br/
biblioteca/

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Tipologia: Biblioteca Especializada
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Em processo de adequação
para acessibilidade

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, livros com fonte
ampliada e acervos digitalizados

Equipamentos: Em processo de
adequação para acessibilidade
Programas: Em processo de adequação
para acessibilidade

Equipamentos: Scanners
Programas: Programas reconhecimento
OCR (para digitalizar e editar)

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não possui

44

�Diretório - Rio de Janeiro

Universidade Estácio de Sá

Universidade do Grande Rio
Professor José de Souza Herdy

End.: Avenida Presidente Vargas, 642, 13º
Andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ, CEP
20071-001
Tel.: (21) 2206-9811
Site: não informado

End.: Rua Professor José de Souza Herdy,
1160, Jardim Vinte e Cinco de Agosto,
Duque de Caxias - RJ, CEP 25071-202
Tel.: (81) 2126-7876
Site: www.unigranrio.com.br

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivros

Equipamentos: Lupas manuais, teclados
(ampliados)

Equipamentos: Não informado

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

Universidade Federal Fluminense
Campus do Gragoatá
End.: Rua Professor Marcos Waldemar de
Freitas Reis, S/N, Blocos N, São Domingos,
Niterói - RJ, CEP 24210-201
Tel.: não informado
e-mail: bfv.sdc@id.uff.br
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física
Oferece: Livros com fontes ampliadas
Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
linha braille, impressora braille
Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

45

�Diretório - Rio Grande do Norte

RIO GRANDE DO NORTE

Biblioteca Setorial de Música “Padre Jaime
Diniz”
Escola de Música da UFRN

Biblioteca Central Zila Mamede
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
End.: Rua da Biblioteca, S/N, Campus
Universitário, Lagoa Nova, Natal - RN,
Caixa Postal 1524, CEP 59078-970
Tel.: (84)3342-2260 Ramais 201, 202 e 203
Site: www.sisbi.ufrn.br/bczm

End.: Av. Passeio dos Girassóis, s/n, Campus
Universitário, Lagoa Nova, Natal - RN | CEP
59078-190
Tel.: (84) 3342-2229
Site: http://bibliotecaemufrn.blogspot.
com/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Capacitação para pessoas
com deficiência, livro editado (livro
impresso com diagramação modificada),
materiais em braille, e-books, serviços para
pessoas com deficiência, tecnologia
assistiva, capacitação para pessoas com
deficiência e descrição de imagens

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
livro editado (livro impresso com
diagramação modificada), livro em braille,
áudiolivro, material com fonte ampliada
Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
impressora braille, teclados (ampliados),
mouse

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille, impressora
braille, teclados (ampliados), repositório,
orientação e mobilidade de informação
acessível

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Treinamentos em
tecnologias assistivas.

46

�Diretório - Rio Grande do Norte

Capacitações: Treinamento de
tecnologias assistivas; orientação à
pesquisa bibliográfica e normalização
de trabalhos acadêmicos; orientação e
mobilidade; visita guiada.

Senac Alecrim
End.: Av. Alexandrino de Alencar, 556,
Alecrim, Natal - RN, CEP 59030-350
Tel.: (84) 4005-1072
Site: https://www.rn.senac.br/
Tipologia: Biblioteca Especializada

Repositório de Informação Acessível
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

End.: Biblioteca Central Zila Mamede, Rua
da Biblioteca, S/N, Campus Universitário,
Lagoa Nova, Natal - RN, Caixa Postal 1524,
CEP 59078-970
Tel.: (84) 3342 2260 Ramal 235
Site: ria.ufrn.br

Oferece: Tecnologia assistiva, áudiolivros,
e-books
Equipamentos: Não informado
Programas: Programas leitores de tela

Tipologia: Biblioteca Digital

Capacitações: Não informado

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Universidade do Grande Rio
Professor José de Souza Herdy

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, livro editado (livro impresso
com diagramação modificada), Arquivos
digital adaptado de capítulos de livros,
livros, artigos, partituras e trabalhos
acadêmicos

End.: Rua Professor José de Souza Herdy,
1160, Jardim Vinte e Cinco de Agosto,
Duque de Caxias - RJ, CEP 25071-202
Tel.: (81) 2126-7876
Site: www.unigranrio.com.br

Equipamentos: Não especifícado

Tipologia: Biblioteca Universitária

Programas: Dspace

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Capacitações: Orientação a navegação
e pesquisa no Repositório de Informação
Acessível (RIA)

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivros
Equipamentos: Não informado
Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

47

�Diretório - Rio Grande do Sul

RIO GRANDE DO SUL

Biblioteca Pública Municipal Olavo Bilac

Biblioteca Pública Municipal Prof.ª Elsa
Hofstätter da Silva

End.: Rua Buenos Aires, 938, Centro, Santa
Rosa - RS, CEP 98780-735
Tel.: não informado
Site: biblioteca.santarosa.rs.gov.br

End.: Rua Tiradentes, 256, Centro, Nova
Petrópolis - RS, CEP 95150-000
Tel.: (54) 3281-2299
Site: não possui

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Oferece: Áudiolivro, braille

Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Scanners, mouse

Programas: Não informado

Programas: Não possui

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não possui

48

�Diretório - Rio Grande do Sul

Biblioteca Pública Municipal Vianna Moog

Prefeitura Municipal de Estrela

End.: R. Osvaldo Aranha, 934, Centro, São
Leopoldo - RS, CEP 93010-040
Tel.: (51)3592-9133
Site: www.facebook.com/
bpmViannaMoog/

End.: Rua Bruno Schwertner, 181, Centro,
Estrela - RS, CEP 95880-000
Tel.: não informado
Site: https://www.facebook.com/
BibliotecaPublicaMunicipaldeEstrela

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, livros com fonte
ampliada

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, livros com fonte
ampliada e libras

Equipamentos: Mouse

Equipamentos: Não informado

Programas: Não possui

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Não possui

Capacitações: Não informado

IF-Farroupilha
Campus São Borja

Universidade Federal do Pampa
Campus Alegrete

End.: Rua Otaviano Castilho Mendes, 355,
Betim, São Borja - RS, CEP 97670-000
Tel.: (55) 431-0500
Site: https://www.iffarroupilha.edu.br/saoborja?view=default

End.: Avenida Tiarajú, 810, Ibirapuitã,
Alegrete - RS, CEP: 97546-550
Tel.: (55) 3421 8403 Ramal 5021
Site: https://sites.unipampa.edu.br/sisbi/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física e Intelectual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Oferece: Não informado

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivros, braille, livros com fontes
ampliadas

Equipamentos: Não especificado
Programas: Não possui

Equipamentos: Scanners

Capacitações: Não informado

Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

49

�Diretório - Rondônia

RONDÔNIA

Biblioteca Estadual Dr. José Pontes Pinto

Biblioteca Municipal Viveiro das Letras

End.: Av. Farquar, 1793, Pedrinhas, Porto
Velho - RO, CEP 76801-019
Tel.: (69) 8491-4318
Site: http://www.rondonia.ro.gov.br/
funcer/institucional/biblioteca-publicaestadual-doutor-jose-pontes-pinto/

End.: Av. Jatuarana, 5068, Cohab, Porto
Velho - RO, CEP 76808-082
Tel.: não informado
Site: bibliotecaviveirodasletras.page.link/br

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Braille

Tipologia: Biblioteca Pública

Equipamentos: Em fase de aquisição

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Programas: Em fase de aquisição

Equipamentos: Teclados (ampliados)

Capacitações: Nnão possui

Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

50

�Diretório - Rondônia

IF-Rondônia
Campus Cacoal
End.: Rodovia BR 364, Km 228, Lote 2A,
Zona Rural, Cacoal - RO, CEP 76960-970
Tel.: (69) 3443-2445
Site: https://portal.ifro.edu.br/cacoal/
Tipologia: Biblioteca Multinível
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, livros em braille, livros em formato
Mecdayse
Equipamentos: Não informado
Programas: Não possui
Capacitações: Não possui

51

�Diretório - Roraima

RORAIMA

IF Roraima
Campus Boa Vista Zona Oeste

Universidade Federal de Roraima
Campus Paricarana

End.: Rua Prof. Nonato Chacon, 1976,
Laura Moreira (Conjunto Cidadão), Boa
Vista - RR, CEP 69.318-000
Tel.: (95) 3194-2700
Site: https://www.ifrr.edu.br/campi/zonaoeste

End.: Av. Cap. Ene Garcez, 2413,
Aeroporto, Boa Vista - RR, CEP 69304-000
Tel.: não informado
Site: www.bc.ufrr.br

Tipologia: Biblioteca Especializada

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books,
braille

Oferece: Não informado

Equipamentos: Teclados (ampliados)

Equipamentos: Teclados (ampliados),
Mouse

Programas: Programas leitores de tela

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

52

�Diretório - Santa Catarina

SANTA CATARINA

Biblioteca Pública Ary Cabral

Associação Beneficente da Indústria
Carbonífera de Santa Catarina
End.: Rua Pascoal Meller, 73, Bairro
Universitário, Criciúma - SC, CEP 88805-380
Tel.: (48) 3431-7500 / 0800-648-7600
Site: https://web.satc.edu.br/institucional/
biblioteca/

End.: Praça da Cidadania - R. Pref.
Germano Schaeffer, 110, Centro 1, Brusque
- SC, CEP 88350-170
Tel.: (47) 3396-8113
Site: http://www.sisbin.ufop.br/bibichs/
novosite/

Tipologia: Biblioteca Multinível

Tipologia: Biblioteca Pública

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Intelectual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books,
digitalização de materiais conforme
demanda, biblioteca virtual da Pearson

Oferece: Capacitação para pessoas com
deficiência, braille, áudiolivro
Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
linha braille, teclados (ampliados), mouse

Programas: Não informado
Capacitações: Aulas individuais de braille,
leitura em braille, empréstimo de material

Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Não informado

53

�Diretório - Santa Catarina

Centro Universitário Avantis

Universidade do Estado de Santa Catarina

End.: Av. Marginal Leste, 3600 - Estados,
Balneário Camboriú - SC, CEP 88339-125
Tel.: (47) 3363-0631
Site: https://www.uniavan.edu.br/

End.: Av. Madre Benvenuta, 2007,
Itacorubi, Florianópolis - SC, CEP 88035-901
Tel.: não informado
Site: www.udesc.br/bu

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, e-books, atendimento em
libras

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, e-books, digitalização de material
impresso

Equipamentos: Scanners, teclados
(ampliados)

Equipamentos: Scanners, lupas manuais,

Programas: Programas reconhecimento
OCR (para digitalizar e editar), NVDA

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Atividades de inclusão
social

Capacitações: Não informado

Senac Tubarão

Universidade do Extremo Sul Catarinense

End.: Rua Amarildo José da Rosa, 1600,
Revoredo, Tubarão - SC, CEP 88704-650
Tel.: (48) 3632-5414
Site: https://portal.sc.senac.br/portal/site/
biblioteca#

End.: Av. Universitária, 1105 - B,
Universidário, Criciúma - SC, CEP 88806-000
Tel.: (48) 3431-2590
Site: http://www.unesc.net/biblioteca

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surdas

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivros, livros em libras

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, e-books, braille, digitalização

Equipamentos: Scanners, impressora braille

Equipamentos: Scanners

Programas: Programas leitores de tela

Programas: Programas reconhecimento
OCR (para digitalizar e editar), programas
leitores de tela

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado

54

�Diretório - Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade Federal de Santa Catarina

End.: Av. Pedra Branca, 25, Cidade
Universitária Pedra Branca, Palhoça – SC,
CEP 88137-272
Tel.: não informado
e-mail: http://www.unisul.br/biblioteca/

End.: Campus Universitário, Acesso
Trindade, Biblioteca Universitária,
Florianópolis - SC, CEP 88040-900
Tel.: (48) 3721-9310
Site: http://portal.bu.ufsc.br e https://cabu.
bu.ufsc.br

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda

Oferece: Programa de Promoção da
Acessibilidade, braille, áudiolivros,
e-books, livro editado (livro impresso com
diagramação modificada), livros em
braille, livros com fontes ampliadas

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
serviços para pessoas com deficiência,
tecnologia assistiva e capacitação sobre
acessibilidade e pessoas com deficiência,
braille, áudiolivros, livros editados, livros em
LIBRAS, livros fontes ampliadas, material
pedagógico (educação básica), material
cartográfico

Equipamentos: Scanners, impressora braille,
Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille, teclados
(ampliados), mouse, teclado colmeia,
teclado com contraste, máquina Braille,
gravador, MP3, sistema FM, materiais para
pessoas com baixa visão (pincel atômico),
tablets, notebooks, reglete e mesa
adaptada com regulagem de altura

Capacitações: Todas as capacitações
ofertadas para o público geral é
adaptada de acordo com a demanda
em parceria com o Programa de
Promoção da Acessibilidade

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)
Capacitações: Não possui

55

�Diretório - São Paulo

SÃO PAULO

Biblioteca Central
USP Ribeirão Preto

Biblioteca do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região - São Paulo

End.: Avenida dos Bandeirantes, 3900,
Monte Alegre, Ribeirão Preto - SP, CEP
14040-030
Tel.: (16) 3315-3533
Site: http://www.bcrp.prefeiturarp.usp.br/

End.: Rua Marquês de São Vicente, 235,
Barra Funda, São Paulo - SP, CEP 01139-001
Tel.: (11) 5087-0199
Site: https://ww2.trt2.jus.br/institucional/otrt-2/biblioteca/

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Especializada

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Tecnologia assistiva, e-books,
digitalização de material didático
solicitado pelo usuário

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
Serviços para pessoas com deficiência,
Tecnologia assistiva, e-books, biblioteca
virtual, conversor de texto para LIBRAS

Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
linha Braille, aparelho de digitalização e
leitura Sara CE

Equipamentos: Lupas eletrônicas, lupas
manuais, linha braille

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela,
Jaws, HandTalk
Capacitações: Não possui

Capacitações: Pesquisa em base de
dados

56

�Diretório - São Paulo

Biblioteca Louis Braille
Centro Cultural São Paulo

a equipe de atendimento, vigilantes
e equipe de limpeza dos espaços de
atendimento ao público

End.: Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, São
Paulo - SP, CEP 01504-000
Tel.: (11) 2065-8100
Site: http://www.centrocultural.sp.gov.br/
livreacesso/biblioteca_braille.html

Centro Universitário Assunção
End.: R. Afonso Celso, 671/711, Vila
Mariana, São Paulo - SP, CEP 04119-060
Tel.: (11) 5087-0199
Site: https://www.unifai.edu.br/home

Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro, livros braille, livro com fonte
ampliada e vídeo com libras

Oferece: Tecnologia assistiva, livro
editado (livro impresso com diagramação
modificada), digitalização de livros
para deficientes visuais, conversão de
livros em PDF para formatos legíveis por
screenreaders

Equipamentos: Scanners, óculos (OrCamver nome), lupas eletrônicas, linha braille,
impressora braille
Programas: Programas leitores de tela

Equipamentos: Scanners, lupas manuais,
teclados (ampliados), fones de ouvido

Capacitações: Cursos de grafia e leitura
braille, pedagogia

Programas: Programas leitores de tela

Biblioteca Mário de Andrade
End.: R. da Consolação, 94, República, São
Paulo - SP, CEP 01302-000
Tel.: (11) 3775-0003
E-mail: https://www.prefeitura.sp.gov.br/
cidade/secretarias/cultura/bma/

Capacitações: Treinamento para utilização
dos terminais de consulta da biblioteca e
catálogo web

Tipologia: Biblioteca Pública

End.: Rua Professor Pedreira de Freitas,
401/415, Tatuapé, São Paulo - SP, CEP
03312-052
Tel.: (11) 2942-1488 ramal 1407
Site: www.drummond.com.br

Centro Universitário Carlos Drummond de
Andrade

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato
acessível, serviços para pessoas com
deficiência, tecnologia assistiva, áudiolivro,
atendimento via Central de Intermediação
em LIBRAS (CIL)

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Equipamentos: Óculos (OrCam-ver nome),
lupas manuais

Oferece: Tecnologia assistiva, áudiolivro

Programas: Não informado

Equipamentos: Impressora braille, teclados
(ampliados)

Capacitações: Capacitações para

Programas: Programas leitores de tela
57

�Diretório - São Paulo

Centro Universitário Senac Santo Amaro

Capacitações: Não informado

End.: Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, 823,
Jurubatura, São Paulo - SP, CEP 04696-000
Tel.: não informado
Site: https://www.sp.senac.br/jsp/default.
jsp?newsID=a18511.htm&amp;testeira=386

Centro Universitário Facens
End.: Rodovia Senador José Ermírio de
Moraes, 1425, Castelinho km 1,5, Alto da
Boa Vista, Sorocaba - SP, CEP 18087-125
Tel.: (15) 3238-1188
E-mail: https://www.facens.br/institucional/
setores/biblioteca

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual, Auditiva/Surda

Tipologia: Biblioteca Pública

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille, áudiolivros, e-books,
livros com fontes ampliadas, livro editado
(livro impresso com diagramação
modificada)

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Tecnologia assistiva
Equipamentos: Scanners, impressora braille,
teclados (ampliados), mouse

Equipamentos: Scanners, óculos (OrCamver nome), lupas eletrônicas, lupas
manuais, impressora braille, teclados
(ampliados), Pentop Caneta Interativa
(Dorina)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Não informado
Centro Universitário São Camilo

Capacitações: Não possui

End.: Av. Nazaré, 1501, Ipiranga, São Paulo
- SP, CEP 04263-200
Tel.: 0300 017 8585
Site: https://portal.saocamilo-sp.br/
biblioteca/

Escola de Engenharia de São Carlos
Universidade de São Paulo
End.: Av. Trab. São Carlense, 400, Parque
Arnold Schimidt, São Carlos - SP, CEP13566590
Tel.: (16) 3373-9247 / (16) 3373-9257
Site: www.biblioteca.eesc.usp.br

Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
áudiolivro, Braille, livros em Libras, e-books,
livros com fontes ampliadas

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Tecnologia assistiva, áudiolivros

Equipamentos: Lupas eletrônicas, teclados
ampliados, scanners

Equipamentos: Lupas eletrônicas, mouse

Programas: Programas leitores de tela

Programas: Programas leitores de tela

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado
58

�Diretório - São Paulo

Escola de Negócios Sebrae-SP Alencar Burti

Instituto de Física de São Carlos
Universidade de São Paulo

End.: Alameda Nothmann, 598, Campos
Elíseos, São Paulo - SP, CEP 01216-000
Tel.: não informado
Site: http://www.escolasebraesp.com.br/
biblioteca

End.: Av. Trabalhador São-Carlense, 400,
Parque Arnold Schimidt, São Carlos - SP,
CEP 13566-59
Tel.: (16) 3373-8063 / (16) 3373-9778 ou 9779
e-mail: https://www2.ifsc.usp.br/biblioteca/

Tipologia: Biblioteca Especializada

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Não informado

Oferece: Tecnologia assistiva, áudiolivro,
livro braille, livro com fonte ampliada,
vídeo com LIBRAS

Oferece: Não informado

Equipamentos: Scanners, lupas eletrônicas,
impressora braille, mouse

Programas: Não informado

Equipamentos: Scanners, mouse

Capacitações: Não informado

Programas: Programas leitores de tela

Museu de Zoologia
Universidade de São Paulo

Capacitações: Não informado

End.: Av. Nazaré, 481, Ipiranga, São Paulo SP, CEP 04263-000
Tel.: (11) 2065-8100
Site: www.mz.usp.br

Faculdade de Saúde Pública
Universidade de São Paulo
End.: Av. Dr. Arnaldo, 715, Cerqueira César,
São Paulo - SP, CEP 01246-904
Tel.: (11) 3061-7711
Site: www.biblioteca.fsp.usp.br

Tipologia: Biblioteca Especializada
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Tipologia: Biblioteca Universitária

Oferece: Acessibilidade predial

Perfil do Público: Não informado

Equipamentos: Não informado

Oferece: Não informado

Programas: Não informado

Equipamentos: Não informado

Capacitações: Não possui

Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

59

�Diretório - São Paulo

Prefeitura Municipal de Lorena

Senac Americana

End.: Praça Conde Moreira Lima, s/n,
Centro, Lorena - SP, CEP 12607-010
Tel.: (12) 3157-7665
E-mail: prefeituramunicipal@lorena.sp.gov.
br

End.: R. Dr. Angelino Sanches, 800, Vila São
Pedro, Americana - SP, CEP 13466-490
Tel.: (19) 3621-1350
Site: http://www.sp.senac.br/
jsp/default.jsp?template=1745.
dwt&amp;testeira=1811&amp;unit=AME&amp;sub=1

Tipologia: Biblioteca Pública

Tipologia: Biblioteca Universitária

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille, áudiolivro, livros em
fontes ampliadas

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
conteúdos acessíveis, adequação de
materiam sob demanda

Equipamentos: Lupas eletrônicas, linha
braille, teclados (ampliados)

Equipamentos: Não informado

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Não informado

Capacitações: Possui capacitações de
acordo com a necessidade dos usuários

Senac Aclimação

Senac Mogi-Guaçu

End.: Rua Pires da Mota, 838, Aclimação,
São Paulo - SP, CEP 01529-000
Tel.: (11) 3795-1299
Site: www.sp.senac.br/biblioteca

End.: R. Adélino Damião, 55, Jardim
Paulista, Mogi Guaçu - SP, CEP 13840-402
Tel.: (19) 3019-1155
Site: https://www.sp.senac.br/senac-mogiguacu

Tipologia: Biblioteca Especializada

Tipologia: Biblioteca Escolar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual, Auditivas/Surda e Intelectual

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Física

Oferece: Tecnologia assistiva, Scanners,
Adaptação de conteúdo para surdo

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille

Equipamentos: Scanners, óculos (OrCamver nome), lupas eletrônicas, lupas
manuais, linha braille, termo fusora, ece e
impressora braille e tinta

Equipamentos: Teclados (ampliados
Programas: Não informado

Programas: Programas leitores de tela

Capacitações: Não informado

Capacitações: Não informado
60

�Diretório - São Paulo

Sistema Integrado de Bibliotecas do
Município de São Carlos

Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, tecnologia assistiva,
capacitação para pessoas com
deficiência, braille, livros em LIBRAS,
livros com fontes ampliadas, áudiolivro,
profissionais especializados em braille

(OrCam-ver nome), lupas eletrônicas,
lupas manuais, linha braille, impressora
braille, teclados (ampliados), ampliador
acoplado à TV; caneta scanner (falante)
Pentop; computadores desktop; conjunto
Thermo Chef Ultimate Cooking Utensil Bbq
Fork Spatula Probe It Speaks; Evacu Trac;
impressora 3D; impressora braille 4X4 Pro
Braille Embosser Index; impressora braille
Romeo Pró-50; lente de aumento esférica;
linha braille Focus 40 blue; lupa eletrônica
portátil Eye-C; máquinas de escrever
Perkins Braille, notebook da marca ACER;
notebook da marca Dell; rotuladora braille;
scanner “Book Reader” plustec V200;
scanner portátil A4c APP-Tech; scanner
SARA CE, scanner scanjet 5590 HP; scanner
scanjet pró 2500 f1 HP; teclado braille
stantard Leadership

Equipamentos: Scanners, impressora braille,
teclados (ampliados), mouse, recursos
para estimulação sensorial

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Programas: Programas leitores de tela,
programas reconhecimento OCR (para
digitalizar e editar)

Capacitações: Prientação na pesquisa
bibliográfica; auxiliar na elaboração do
TCC e outros trabalhos; orientar na busca
de material bibliográfico interno e externo;
produzir material acessível; PDF X Word;
áudio, TXT; estimular a leitura;
promover integração dos usuários com
deficiências visual; digitalização (conforme
direitos autorais 9.610/98); palestras para
alunos de licenciatura da Unicamp sobre
acessibilidade; descrição de imagens
(gráfico, figuras, tabelas);
agendamento de solicitação de palestra
sobre Acessibilidade

End.: R. São Joaquim, 735, Vila Monteiro
(Gleba I), São Carlos - SP, CEP 13560-300
Tel.: (16) 3372-2471 / (16)3372-3493
e-mail: http://sibi.saocarlos.sp.gov.br
Tipologia: Biblioteca Pública
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual

Capacitações: Atividades para os usuários
da biblioteca e apoio à comunidade
escolar
Universidade Estadual de Campinas
End.: Zeferino Vaz, R. Sérgio Buarque
de Holanda, 421, Cidade Universitária,
Campinas - SP, CEP 13083-859
Tel.: (19) 3521-6484
Site: http://www.sbu.unicamp.br
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, braille, áudiolivros, e-books
Equipamentos: Scanners, óculos

61

�Diretório - São Paulo

Universidade Federal de São Carlos
End.: Rod. Washington Luiz SP-310, s/n, km
235, São Carlos - SP, CEP 13565-905
Tel.: (16) 3351-8135
E-mail: https://www.bco.ufscar.br/
Tipologia: Biblioteca Comunitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille
Equipamentos: Não informado
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

62

�Diretório - Sergipe

SERGIPE

Biblioteca Pública Estadual Epifânio Dória

Colégio Estadual Alceu Amoroso Lima

End.: Rua Dr. Leonardo Leite, s/n,13 de
Julho, Aracaju – SE, CEP 49020-150
Tel.: (79) 3179-1907
Site: https://biblioteca.seduc.se.gov.br

End.:R. Alceu Amoroso Lima, S/N - Atalaia,
Aracaju - SE, 49037-020
Tel.: (79) 3179-4612
Site: não informado

Tipologia: Biblioteca Universitária

Tipologia: Biblioteca Escolar

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Perfil do Público: Pessoa com Deficiência

Oferece: Conteúdo em formato acessível,
braille, áudiolivro

Oferece: Tecnologia assistiva
Equipamentos: Não informado

Equipamentos: Não informado

Programas: Não informado

Programas: Não informado

Capacitações: Não informado

Capacitações: Curso básico de braille,
iniciação ao Soroban, curso cásico de
orientação e mobilidade, produção de
material especialzado para pessoas com
deficiências visuais

63

�Diretório - Sergipe

Universidade Federal de Sergipe
Polo São Cristóvão
End.: Av. Marechal Rondon, s/n, Jardim
Rosa Elze, São Cristóvão - SE, CEP49100-000
Tel.: não informado
Site: não informado
Tipologia: Biblioteca Universitária
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Visual
Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivro
Equipamentos: Lupas eletrônicas, linha
braille
Programas: Não informado
Capacitações: Não informado

64

�Diretório - Tocantins

TOCANTINS

IF-Tocantins
Campus Palmas
End.: AE 310 Sul, Avenida LO 05, s/n, Plano
Diretor Sul, Palmas - TO, CEP 77021-090
Tel.: (63) 3236-4009
Site: http://www.ifto.edu.br/palmas/
campus-palmas/ensino/biblioteca
Tipologia: Biblioteca Multinível
Perfil do Público: Pessoa com Deficiência
Auditiva/Surda
Oferece: Serviços para pessoas com
deficiência, áudiolivros, braille
Equipamentos: Lupas manuais
Programas: Programas leitores de tela
Capacitações: Visita orientada à
biblioteca em libras, treinamento em
LIBRAS no uso do sistema da biblioteca

65

�66

�Acessibilidade

Símbolos de

Acessibilidade

Desenhado pela Unidade de Desenho Gráfico do Departamento de Informação
Pública das Nações Unidas, em Nova York, a pedido da Divisão de Reuniões e Publicações do
Departamento de Assembléia Geral e Gestão de Conferências das Nações Unidas. Inclui a
acessibilidade à informação, serviços, tecnologias de comunicação, bem como o acesso físico. O
logotipo simboliza a esperança e a igualdade de acesso para todos. Ele foi revisto e selecionados
pelos Grupos Focais sobre Acessibilidade, trabalhando com a Força-Tarefa Internacional sobre
acessibilidade no Secretariado das Nações Unidas. O grupo é composto por organizações da
sociedade civil eminentes, incluindo as organizações das pessoas com deficiência, tais como
pessoas com mobilidade reduzida Internacional do Povo, o Disability Alliance International,
Rehabilitation International, Leonard Cheshire Internacional e Human Rights Watch, entre outros.
Esta figura humana universal com os braços abertos simboliza inclusão para as pessoas de todos
os níveis, em todos os lugares.

Símbolo Internacional de
Acesso
A
indicação
de
acessibilidade
das
edificações,
do
mobiliário, dos espaços
e dos equipamentos
urbanos deve ser feita
por meio do símbolo
internacional de acesso.

Deficiência Visual

Audiodescrição

O símbolo internacional
de
Pessoa
com
Deficiência Visual deve
indicar a existência de
equipamentos,
mobiliário e serviços para
Pessoa com Deficiência
Visual.

Indica a acessibilidade
nos
programas
de
televisão, exibição de
vídeos e projeção de
filmes de cinema.

67

�Acessibilidade

Cão-Guia
Pessoa com Deficiência Visual que possui o cão como um guia. Por lei,
todo local deve permitir a entrada do animal.

Braille
O Braille é um sistema de escrita e leitura tátil para cegos. Inventado
pelo francês Louis Braille, o alfabeto, cujos caracteres são indicados por
pontos em alto relevo, se tornou bastante popular e eficiente.

Baixa Visão
Indica pessoas que tem baixa visão quando apresenta 30% ou menos de
visão no melhor olho, após todos os procedimentos clínicos, cirúrgicos e
correção com óculos comuns.

Deficiência Auditiva
Visto em locais que oferecem acessibilidade, algum tipo de ajuda ou
acesso para surdos. Também pode ser usado para identificar uma
pessoa com deficiência auditiva. No Brasil, motoristas com deficiência
auditiva podem usar um adesivo com esse símbolo no para-brisas do
carro. O adesivo não é obrigatório, mas pode ajudar na interação com
outros motoristas e autoridades.

Símbolo Telebobina (aro magnético)
Utilizado para indicar que o local possui um sistema de aro magnético
instalado. Dessa forma, basta colocar o seu aparelho no modo “T”
(telecoil) e o sistema de som do ambiente será transmitido diretamente
para o seu aparelho auditivo ou implante coclear. Locais com esse
sistema são praticamente inexistentes no Brasil, mas em outros países é
possível encontrá-lo em cinemas, teatros, igrejas, museus, trens, táxis e
caixas de lojas.

68

�Acessibilidade

Audição Assistida
Indica que no local há alguma forma de tecnologia que fornece
acessibilidade para Pessoa com Deficiência Auditiva/Surda/Surda,
seja na forma de sistema FM, telebobina ou alguma outra opção
que transmita o som diretamente para o aparelho do usuário. Por
exemplo: museus que oferecem audioguias para ouvintes, também
podem oferecer aparelhos portáteis especialmente para quem usa
aparelho auditivo ou implante coclear. Este símbolo também pode vir
acompanhado com o “T” do telecoil.
Closed Caption (legendas ocultas)
Indica que a programação televisiva ou um vídeo possui legendas
ocultas que podem ser ativadas. Esse símbolo pode ser visto em
programas de TV, caixas de DVDs ou em vídeos na internet. No Brasil,
todo aparelho de TV à venda deve possuir um receptor de legendas
ocultas e todos os canais abertos são obrigados a transmitir legendas
em sua programação. Ainda não há legislação para vídeos na internet.

Opened Caption (legendas visíveis)
As legendas visíveis são aquelas legendas que já vêm no vídeo e não
podem ser desativadas. São as legendas que costumamos ver em
filmes estrangeiros transmitidos em cinemas e canais de televisão.
Também é possível encontrar esse tipo de legenda em filmes nacionais
com sessões voltadas para deficientes auditivos, propaganda política
ou vídeos mudos feitos para serem assistidos em ambientes públicos
(como em ônibus, metrô e elevador). O símbolo em si, é raro de se ver.
Telefone para Surdos
Indica que a programação televisiva ou um vídeo possui legendas
ocultas que podem ser ativadas. Esse símbolo pode ser visto em
programas de TV, caixas de DVDs ou em vídeos na internet. No Brasil,
todo aparelho de TV à venda deve possuir um receptor de legendas
ocultas e todos os canais abertos são obrigados a transmitir legendas
em sua programação. Ainda não há legislação para vídeos na internet.

Símbolo do Intérprete de Libras
Para profissionais que se trabalham e atuam na comunicação em
Libras.

69

�Acessibilidade

Surdocegueira
A representação do símbolo da surdocegueira para identificação da
acessibilidade, consiste em um pictograma sobreposto a uma base
retangular, branca e ao alto. Deve ser representado a cores ou em
preto e tons de cinza sobre a base retangular branca.

Deficiência Intelectual
Limitações significativas no funcionamento intelectual e no
comportamento adaptativo, que aparecem nas habilidades
conceituais, sociais e práticas, antes dos 18 anos. A pessoa com
deficiência intelectual não é necessariamente considerada incapaz de
exercer sua cidadania.

Pessoas com Nanismo
O nanismo foi incluído na lista de deficiências físicas desde 2004. Com
isso, na teoria, várias leis beneficiam e ajudam na qualidade de vida de
quem convive com a condição. No entanto, o símbolo do nanismo tem
pouca popularidade e menor aplicação nos centros urbanos.

Pessoa Ostomizada
O símbolo se caracteriza pela figura de uma pessoa com um curativo
na barriga.
Pessoas ostomizadas são aquelas que passaram por cirurgia que abre
uma passagem no abdômen, chamada ostoma, para a colocação
de uma bolsa coletora de fezes e urina. Em geral, o procedimento é
necessário no caso de câncer no reto, no intestino grosso e na bexiga e
em pessoas atingidas por perfurações nessa região.
Transtorno do Espectro Autista – TEA
O símbolo mundial da conscientização sobre o Transtorno do Espectro
Autista – TEA consiste em uma fita com peças de quebra-cabeça
multicoloridas e deverá ser inserido nas placas de atendimento
prioritário, conforme determina a Lei Estadual nº 16.756, de 07 de junho
de 2018 de São Paulo.

70

�Acessibilidade

Telefone com amplificador sonoro
Indica que aparelho de telefone possui um controle de volume
amplificado que pode ser usado por pessoas que possuem perda
auditiva leve ou moderada.

71

�72

�O GT de Acessibilidade em Bibliotecas

Sobre o
O GT-Acess foi criado em janeiro
de 2018 a partir da necessidade de
fornecer subsídios para que os profissionais
bibliotecários tenham instrumentos e
informações básicas para atenderem as
pessoas com deficiência em suas mais
diversas nomenclaturas e especificidades
possibilitando a todos, sem distinção, o
acesso à informação, ao conhecimento e
à cultura.

Grupo

• Sustentabilidade (usuário e empresas
podem contribuir na atualização do
site);
• Atualidade (as fontes de referência
sobre acessibilidade, como normas,
leis e decretos devem ser atualizadas
constantemente);
• Viabilidade
econômica
(manterá
relação com empresas que oferecem
produtos e serviços para acessibilidade
no Brasil e no Exterior);

O grupo tem por objetivos:
• Contribuir na elaboração de políticas
internas e protocolos de atendimento
que sejam inclusivos, que busquem
incessantemente eliminar as barreiras
físicas e atitudinais que se colocam na
vida das pessoas com deficiência;

• Praticidade (apoio na elaboração de
projetos de captação de recursos para
adaptação dos espaços em Bibliotecas
e Centros de Documentação para
promover a acessibilidade);

• Desenvolver um instrumento (checklist)
para análise da acessibilidade em
bibliotecas e centros de documentação
que
elenca
8
categorias
de
acessibilidade (arquitetônica, mobiliário
e
equipamentos,
comunicacional,
informacional,
metodológica,
instrumental, programática e atitudinal);

• Aplicabilidade (o instrumento permite
acesso a produtos para acessibilidade
que podem integrar o projeto
desenvolvido a partir da plataforma).
2. Participação na organização
do SENABRAILLE, maior evento nacional
promovido pela FEBAB que objetiva
estimular a discussão e a troca de
experiências entre os profissionais que
trabalham nas bibliotecas, sobretudo, para
atender o público com deficiência;

• Propiciar um espaço para difusão e
compartilhamento de material de apoio,
como artigos e pesquisas realizadas
no âmbito da Biblioteconomia sobre o
tema;

3. Manter ativa as discussões sobre
o tema entre os profissionais da área
de Biblioteconomia e demais áreas que
trabalham com a acessibilidade em todas
suas dimensões e/ou categorias.

• Colaborar na formação de equipes para
atuarem em Bibliotecas promovendo a
acessibilidade.
Estabeleceu 3 eixos de trabalho:

Entre em contato conosco em
gtacess@febab.org.br e acesse https://
www.acoesfebab.com/acessibilidade.

1. Produção do checklist online de
acessibilidade para Bibliotecas e Centros
de documentação seguindo os princípios
de:
73

�74

�Referências

Referências
ALMEIDA, Jobson Louis Santos de; GARCIA, Joana Coeli Ribeiro; FREIRE,
Gustavo Henrique de Araújo. Teoria da contingência no contexto
capacitante da biblioteca multinível. Perspectivas em Ciência da
Informação, [s.l.], v. 25, n. 1, p. 160-178, jan. 2020. FapUNIFESP (SciELO).
DOI 10.1590/1981-5344/3875. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pci/a/
krNfxypWrKQ3YqGhXgVvc8m/abstract/?format=html&amp;lang=pt. Acesso em:
4 jun. 2021.
BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 5296, de 2 de dezembro de
2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá
prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de
dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou
com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência
da República, 2 dez. 2004. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm. Acesso em: 4 jun. 2021.
BRASIL. Presidência da República. Lei nº 13146, de 06 de julho de 2015.
Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da
Pessoa com Deficiência). Brasilia, DF: Presidência da República, 6 jul. 2015.
Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2015/
lei/l13146.htm. Acesso em: 4 jun. 2021.
INSTITUTO FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Centro Tecnológico de
Acessibilidade. Glossário de termos. Bento Gonçalves: IFRS, 2018. Disponível
em: https://cta.ifrs.edu.br/materiais-de-apoio/glossario-de-termos/. Acesso
em: 4 jun. 2021.
SKLIAR, Carlos (org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. 3. ed. Porto
Alegre: Mediação, 2005.
SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.
Símbolos de Acessibilidade. São Paulo: Secretaria Municipal da Pessoa com
Deficiência, 2019. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/
secretarias/pessoa_com_deficiencia/a_imprensa/ index.php?p=262211.
Acesso em: 19 maio 2021.
SARTORETTO, Mara Lúcia; BERSCH, Rita. O que é Tecnologia Assistiva?
Assistiva Tecnologia e Educação. [S.l.], 2021. Disponível em: https://www.
assistiva.com.br/tassistiva.html. Acesso em: 4 jun. 2021.

75

��</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="55">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70197">
                  <text>Grupo de Trabalho - Acessibilidade em Bibliotecas</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70198">
                  <text>Bibliotecas&#13;
Acessibilidade&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="41">
              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70199">
                  <text>O GT-Acess foi criado em janeiro de 2018 a partir da necessidade de fornecer subsídios para que os profissionais bibliotecários tenham instrumentos e informações básicas para atenderem as pessoas com deficiência em suas mais diversas nomenclaturas e especificidades possibilitando a todos, sem distinção, o acesso à informação, ao conhecimento e à cultura.&#13;
O grupo tem por objetivos:&#13;
Contribuir na elaboração de políticas internas e protocolos de atendimento que sejam inclusivos, que busquem incessantemente eliminar as barreiras físicas e atitudinais que se colocam na vida das pessoas com deficiência;&#13;
Desenvolver um instrumento (checklist) para análise da acessibilidade em bibliotecas e centros de documentação que elenca 8 categorias de acessibilidade (arquitetônica, mobiliário e equipamentos, comunicacional, informacional, metodológica, instrumental, programática e atitudinal);&#13;
Propiciar um espaço para difusão e compartilhamento de material de apoio, como artigos e pesquisas realizadas no âmbito da Biblioteconomia sobre o tema;&#13;
Colaborar na formação de equipes para atuarem em Bibliotecas promovendo a acessibilidade;  </text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70200">
                  <text>FEBAB</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="45">
              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70201">
                  <text>FEBAB</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="70202">
                  <text>2020</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70204">
                <text>Diretório Brasileiro de Bibliotecas Acessíveis</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70205">
                <text>Bibliotecas&#13;
Acessibilidade&#13;
Guia de Bibliotecas&#13;
</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70206">
                <text>O Grupo de Trabalho em Acessibilidade em Bibliotecas (GT-ACESS) da Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários promoveu durante o ano 2020 um levantamento para identificar o potencial e a realidade das bibliotecas brasileiras sobre os acervos em formato acessível, equipamentos de Tecnologia Assistiva, produção de conteúdo acessível sob demanda e as iniciativas de capacitação para usuários com deficiência. Os dados obtidos a partir deste levantamento estão compilados nesta obra intitulada “Diretório Brasileiro de Bibliotecas Acessíveis” que tem por objetivo tornar-se uma fonte de referência sobre as bibliotecas brasileiras de instituições públicas e privadas, municipais, estaduais ou federais e de todas as tipologias existentes que declararam dispor de serviços e/ou instalações para atender às pessoas com deficiência. Além disso, essa publicação pretende, por um lado, conscientizar e alertar gestores, bibliotecários(as) e a comunidade em geral sobre a necessidade de adequação dos espaços, serviços e atitudes das Bibliotecas frente às demandas e direitos das pessoas com deficiência e, por outro, ser um instrumento de informação para que todos e todas possam localizar espaços acessíveis nas diversas regiões do país. Essa iniciativa está alinhada à Agenda 2030 da ONU que apregoa que “ninguém pode ficar para trás”. Se a Biblioteca de sua instituição dispõe de recursos para atendimento das pessoas com deficiência, convidamos a acompanhar as atividades do GT ACCESS pelas nossas redes sociais, pois teremos novas oportunidades para agregar suas informações aos produtos realizados pela FEBAB.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70207">
                <text>Grupo de Trabalho de Acessibilidade em Bibliotecas&#13;
Coordenação:&#13;
Elenise Maria de Araujo (SP)&#13;
Integrantes:&#13;
Adriana Cybele Ferrari (SP)&#13;
Ana Catarina Cortêz de Araújo (MT)&#13;
Catia Rejane Lindemann (RS)&#13;
Claire Cascaes de Aquino (SC)&#13;
Clemilda dos Santos Sousa (CE)&#13;
Danielle da Silva Pinheiro Wellichan (SP)&#13;
Fabiana de Jesus Cerqueira (BA)&#13;
Geisa Müller de Campos Ribeiro (GO)&#13;
Keyla Rosa de Faria (GO)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70208">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70209">
                <text>2021</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70210">
                <text>Diagramação: Vicente Santos Gonçalves&#13;
Revisão: Clemilda S. Sousa, Danielle S. P. Wellichan e Keyla R. de Faria&#13;
Revisão Bibliográfica: Lívia Maria Caetano da Costa</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70211">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70212">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70213">
                <text>Diretório</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70214">
                <text>Brasil</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="33">
        <name>Acessibilidade</name>
      </tag>
      <tag tagId="51">
        <name>GT-Acess</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="4602" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="3672">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/41/4602/EmpreendedorismoeBiblioteconomia.pdf</src>
        <authentication>85ed2b8e080d65334560857e39b08fa9</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="51235">
                    <text>0

�1

EMPREENDEDORISMO
BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE
DA INFORMAÇÃO: OUTROS
CAMINHOS E POSSIBILIDADES

�2

JORGE SANTA ANNA
EDCLEYTON BRUNO FERNANDES DA SILVA
MARIA ELIZABETH DE OLIVEIRA COSTA
(Organizadores)

EMPREENDEDORISMO
BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE
DA INFORMAÇÃO: OUTROS
CAMINHOS E POSSIBILIDADES

Belo Horizonte
ABMG
2018

�3

© 2018 Jorge Santa Anna
2018 Editora ABMG
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização
escrita dos autores.

COMISSÃO AVALIADORA:
- Professor Mestre Jorge Santa Anna – Universidade Federal do Espírito Santo
- Professor Mestre Edcleyton Bruno Fernandes da Silva – Universidade Federal da Paraíba
- Bibliotecária Mestra Maria Elizabeth de Oliveira Costa – Universidade Federal de M.
Gerais
NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
REVISÃO TEXTUAL E NORMALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
PROJETO GRÁFICO E FORMATAÇÃO DA CAPA: Norma Padrão - Apresentação e divulgação
do trabalho científico
MONTAGEM DA CAPA: Norma Padrão
PRODUÇÃO GRÁFICA: Norma Padrão
ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS - ABMG
Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício Rotary,
Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Demais membros: Jorge Santa Anna, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Andrea
Brandão, Graciane Borges, Taciane Rodrigues e Maria Clea Borges

�4

AGRADECIMENTOS
Agradecemos a todos os envolvidos nas atividades de desenvolvimento
desta obra, sobretudo os que acreditaram em registrar os conteúdos
textuais manifestados ao longo das seções deste livro, tais como
organizadores, autores, revisores, normalizadores e prefaciadores.
A todos os membros da Associação de Bibliotecários de Minas Gerais,
gestão 2018-2021.
À Norma Padrão – Apresentação e Divulgação do Trabalho Científico pelo
serviço gráfico realizado na capa e contracapa da obra.
À Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerias, especificamente às
bibliotecárias Alessandra Gino e Fátima Falci, pela criação dos registros
catalográficos.
À Escola de Ciência da Informação, da Universidade Federal de Minas
Gerais, especificamente ao Centro de Extensão pela contribuição em
oportunizar o evento de lançamento do livro e, também, aos alunos
Andreza Gonçalves, Jéssica de Sá e Vinicius Alves de Souza, pela
organização e monitoria nesse momento.
A todos os bibliotecários e bibliotecárias do Brasil pelo incentivo e pelas
energias positivas manifestadas nas redes sociais e/ou em outros canais
de

comunicação/divulgação, no

decorrer

do

desenvolvimento

deste

trabalho.
Nosso muito obrigado!
Os organizadores
Belo Horizonte, 20 de dezembro de 2018.

�5

“A sociedade moderna, principalmente com o uso da
eletrônica, tem propiciado a ampliação no uso da
informação, o que permite repensar os fazeres
profissionais, identificando oportunidades que vão além
das práticas tidas como tradicionais” (LANCASTER,
1983).

�6

PREFÁCIO
Antes de tudo, uma pergunta para você, caro(a) leitor(a): Acredita que
todas

as

pessoas

do

mundo

têm

a

capacidade

de

desenvolver

competências empreendedoras?
Enquanto refletes sobre a pergunta, adianto que para muita gente a
resposta será não, mas muitos acreditarão piamente que sim. Ao me
deparar com a abordagem efetiva do empreendedorismo (no livro:
Effectuation - Elementos da Expertise Empreendedora), desenvolvida e
difundida pela pesquisadora Saras Sarasvathy (da Universidade de
Virgínia),

percebi

que

práticas

inovadoras

e

comportamentos

empreendedores podem ser desenvolvidos, desde que sejam trabalhados
constantemente.
Assim

como

Sarasvachy

observou

práticas

empreendedoras

sendo

realizadas por pessoas comuns, você poderá ver na presente obra Empreendedorismo Bibliotecário na Sociedade da Informação:
outros caminhos e possibilidades –, textos (de abordagem efetiva)
que comprovam que algo significativo e transformador pode ser feito com
poucos recursos e que a transpiração tende a gerar a ação.
A

primeira

parte

deste

livro

aborda

como

o

fenômeno

do

empreendedorismo pode ser uma luz à realidade brasileira, uma vez
que a identificação de boas práticas podem levar atores sociais a obter
novas

perspectivas

para

a

transformação

de

ambientes

e

de

profissões. Por tal motivo, esta seção destaca a transversalidade do
empreendedorismo, a inovação e o espírito empreendedor, e introduz o
empreendedorismo e a cultura empreendedora como diferenciais do
bibliotecário no fomento da Biblioteconomia. Dessa maneira, terás a
possibilidade de visualizar como o empreendedorismo se enquadra como
um elemento fundamental na Biblioteconomia e Ciência da Informação,

�7

bem como para a construção da cidadania nessa era de Transformação
Digital.
Acerca da última assertiva, posso ressaltar que o contexto da Sociedade
da Informação leva ao surgimento de espaços ressignificados, criação de
novos produtos que alteram a vida de usuários, desenvolvimento de uma
economia baseada em serviços que suprem dores (necessidades) de
públicos segmentados. Por isso, adaptar-se ao meio é uma tarefa que
todo ser humano deve fazer, sobretudo, o empreendedor bibliotecário.
Com base nessa discussão, lhe faço uma nova pergunta: O que é um
empreendedor?

Normalmente,

algumas

palavras

associadas

a

este

indivíduo são: criativo; inovador; empresário; diferente, e; visionário. E
muitas podem ser as definições, mas destaco uma que li no livro ‘Vai lá e
faz’, de Tiago Matos [(2017, p. 20), um dos fundadores da Perestroika],
em que o empreendedor é apontado como “aquele que tem consciência
de seu empoderamento”. É aqui onde a Parte II deste livro se centra,
por um motivo ímpar: as bibliotecas foram e continuam sendo espaços de
informação que podem transformar vidas quando rompem suas fronteiras.
Por isso, os estudos desta segunda parte do livro te apresentarão um
debate sobre o processo de desinstitucionalização da biblioteca e do
bibliotecário.
Um empreendedor é “aquele que não aceita a realidade de maneira
resignada” (MATOS, 2017, p. 20). Acredito que essa citação de impacto
define bem o empreendedor bibliotecário, pois esse agente de mudanças
não fica inerte aos acontecimentos em seu cotidiano. Neste ínterim, a
Parte III desta obra insere o tema da reconstrução das funções da
Biblioteconomia em face às novas práticas dos bibliotecários,
bibliotecas e centros de documentação contemporâneos (públicos e
privados), assim como a origem de serviços de consultoria em acervos
documentários.

�8

Já alguns dos casos destacados na Parte IV desta obra representam uma
abordagem efetiva do Empreendedorismo Bibliotecário no Brasil, já que
apresentam ações bibliotecárias inovadoras realizadas por pessoas
comuns que decidiram fazer algo diferente: prestar um serviço além da
atuação tradicional, conservadora e estereotipada do bibliotecário. Esta
seção

apresenta estudos sobre

a atuação

da

Biblioteconomia em

programas de formação de usuários, inovação na gestão de sistemas de
bibliotecas públicas e na normalização de trabalhos acadêmicos, a atuação
do bibliotecário na editoração de periódico e na criação de um próprio
negócio. Esta parte do livro é a minha favorita, pois reforça o impacto
social que o empreendedorismo bibliotecário pode gerar na vida das
pessoas e como o profissional da informação pode ascender no mercado
ao suprir necessidades específicas.
Portanto, os estudos apresentados aqui, estimado(a) empreendedor(a),
demonstrará que a conjuntura social e a revolução digital que vivemos
requerem uma abordagem focada no atendimento de novas dores e
anseios informacionais. Logo, pensar fora da caixa é uma boa forma de
fazer algo inovador, diferente e imprescindível para a vida das pessoas.
Por fim, faço uma última pergunta e para esta te deixo refletindo
enquanto devora as páginas desta efetiva obra: Qual a última vez que
você fez algo pela primeira vez?

Guilherme Alves
Doutorando e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE)

�9

SUMÁRIO

REFLEXÕES INICIAIS ...................................................................14
PARTE I - EMPREENDEDORISMO

E

SEUS

REFLEXOS

NAS

PROFISSÕES .................................................................................18
Capítulo I - A transversalidade do empreendedorismo no contexto atual 19
Capítulo II - Inovação e espírito empreendedor: aplicabilidades na Ciência
da Informação ................................................................................32
Capítulo

III

-

Empreendedorismo

como

um

campo

potencial

ao

bibliotecário ....................................................................................50
Capítulo IV - Iniciativas de fomento à cultura empreendedora na
Biblioteconomia ...............................................................................62
PARTE II – DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DA BIBLIOTECONOMIA ..80
Capítulo V - Desinstitucionalizando o bibliotecário e a biblioteca: para além
dos muros das instituições ................................................................81
Capítulo VI - Desinstitucionalizar a biblioteca à luz da função social ..... 116
PARTE III – REPENSANDO A BIBLIOTECA E O BIBLIOTECÁRIO .. 124
Capítulo

VII

-

O

pensamento

de

David

Lankes

para

uma

nova

Biblioteconomia ............................................................................. 125
Capítulo VIII - Bibliotecas contemporâneas como espaços de convivência
................................................................................................... 140
Capítulo

VIV

-

Equipes

em

bibliotecas

universitárias:

liderança

e

autossuficiência ............................................................................. 153
Capítulo X - Consultoria em acervos documentários: relato de experiência
em uma universidade privada ......................................................... 159
Capítulo XI - O trabalho bibliotecário em centro de documentação de um
hospital privado............................................................................. 169

�10

PARTE

IV

-

AÇÕES

BIBLIOTECÁRIAS

INOVADORAS

E

INCENTIVADORAS COMO CONTRIBUIÇÃO PARA O PROFISSIONAL
E PARA A SOCIEDADE ................................................................. 179
Capítulo XII - Crescimento profissional por meio do magistério: relato de
experiência em docência universitária em Biblioteconomia .................. 180
Capítulo

XIII

-

desenvolvimento

Programas
de

de

competências

formação

de

informacionais

usuários
na

para

UFMG:

o

uma

experiência inovadora entre a Biblioteca Universitária e a Escola Ciência
da Informação .............................................................................. 189
Capítulo XIV - Inovação nas bibliotecas públicas: foco nas pessoas ...... 212
Capítulo

XV

-

Normalização

em

trabalhos

acadêmicos:

atividades

inovadoras para um novo segmento de atuação bibliotecária .............. 225
Capítulo XVI - Atuação bibliotecária na gestão de um sistema de
biblioteca: implantação de um modelo de estágio para a competência
informacional ................................................................................ 239
Capítulo XVII - Bibliotecário atuante na editoração de periódico: relato de
caso na Revista Pró-Discente .......................................................... 253
Capítulo XVIII - Criando seu próprio negócio: o bibliotecário como
consultor independente .................................................................. 266
À GUISA DE CONCLUSÕES: DAS BIBLIOTECAS PARA O MUNDO: UM
NOVO PROFISSIONAL EM ASCENSÃO ......................................... 290
DADOS BIOGRÁFICOS................................................................. 292

�11

REFLEXÕES INICIAIS
Jorge Santa Anna
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva
Maria Elizabeth de Oliveira Costa

As transformações ocorridas na sociedade contemporânea têm refletido
diretamente no modo com que a biblioteca, o bibliotecário e a área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação devem se manifestar, no intuito
de satisfazer as necessidades informacionais decorrentes do amplo
mercado da informação.
Durante

muito

tempo,

os

fundamentos

da

profissão

bibliotecária

estiveram ancorados às atividades técnicas de tratamento de acervos,
comumente realizadas em bibliotecas. No entanto, o momento atual exige
a

redefinição

e

a

recaracterização

das

práticas

profissionais,

por

conseguinte, ocasiona o surgimento de novas oportunidades, de modo que
as potencialidades da área possam ser mais bem aproveitadas.
O mercado da informação expandiu os fazeres dos profissionais, os quais
não se limitam a ocupar postos de trabalho, tão somente, em uma
unidade de informação, por exemplo. A atuação torna-se cada dia mais
desvinculada das instituições, e essa desinstitucionalização abre outros
caminhos e possibilidades, as quais se concretizam por meio de ações
inovadoras, logo, empreendedoras.
Assim, o livro que ora se apresenta é um estímulo aos profissionais acerca
do que pode ser feito pelo bibliotecário que possibilite a ampliação do seu
fazer profissional. O interesse da obra é demonstrar que o momento atual
exige muito mais dos bibliotecários e as oportunidades existem e se

�12

manifestam, quando temos atitudes inovadoras e nos colocamos a serviço
da sociedade, não se restringindo, apenas, à gestão de acervos.
Por contemplar ações inovadoras, que vão além das instituições de
informação, os capítulos descritos nesta obra aproximam-se de um tema
ainda em consolidação – o empreendedorismo na Biblioteconomia - e que,
certamente, engaja-se, cada vez mais, no cotidiano dos profissionais em
todas as áreas de conhecimento.
Não

é

pretensão

do

livro

aprofundar-se

no

empreendedorismo

bibliotecário, mas trazer reflexões iniciais, pautadas nas atividades e
projetos de sucesso, realizados por bibliotecários. Os autores envolvidos
com esta obra acreditam que os bibliotecários devem expandir seus
conhecimentos,

por

meio

de

suas

habilidades,

transformando

conhecimento e inovação em realidade.
A iniciativa em reunir um compêndio de textos que versam sobre ações
inovadoras

inerentes

ao

fazer

e

à

prática

bibliotecária

nasceu,

primeiramente, da inquietação por parte da atual diretoria da Associação
de Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG), acerca da necessidade de se
identificar nichos de atuação bibliotecária no amplo e diversificado
mercado da informação.
Além disso, outro fator provocador na escrita deste livro deve-se às
discussões e ações no desenvolvimento de outro livro, direcionado ao
tema da Biblioteconomia Social, cujo planejamento permitiu a reflexão
sobre assuntos ligados à inovação, logo, a qualidade das discussões dos
envolvidos com o citado livro motivou a organização de uma nova obra,
com viés mais direcionado às práticas empreendedoras.
É

importante

esclarecer

sobre

o

poder

transformador

da

atitude

empreendedora. A atual diretoria da ABMG comunga da ideia de que o

�13

bibliotecário

precisa

apoiar-se

no

tripé

inovação,

transformação

e

superação. Com essa postura, o abstrato cede espaço ao concreto; o
impossível torna-se possível; melhoramos como profissionais, cidadãos e
como seres humanos; temos a oportunidade de ajudar e transformar
vidas; enfim, vamos muito além do que esperávamos, transformando
sonhos em realidade, bastando, apenas, acreditar e engajar-se.
As discussões sobre a ideia em publicar uma obra desta natureza
iniciaram-se no grupo whatsApp da associação, no mês de julho de 2018,
em que a ideia foi tomando forma e proporções mais elevadas, sendo
alguns desejos considerados como impossíveis, na visão de alguns,
naquele momento. Mas, ancorados em uma postura audaciosa, típica do
perfil empreendedor, a equipe partiu para a ação, o que possibilitou a
elaboração desta coletânea, em um período de apenas, seis meses.
Acreditamos ser essa conquista um exemplo simples de iniciativa
empreendedora,

sobretudo

pelas

contribuições

que

a

obra

poderá

provocar no pensamento, na reflexão e no comportamento dos leitores.
Como toda publicação no formato de livro, esperamos que a obra seja
utilizada para benefício do mercado de trabalho ou da academia,
facilitando o fazer de profissionais, estudantes, pesquisadores e docentes,
inseridos em todos os cursos e profissões correlatos às áreas da
informação.
Portanto, colocamos à disposição da comunidade científica e profissional
um livro, cujo tema é de suma relevância e precisa ser debatido com mais
intensidade, de modo a fortalecer a área da Biblioteconomia, no decorrer
das próximas décadas. Acreditamos e reforçamos que os profissionais
possuem potencialidades e precisam fazer uso delas, e as oportunidades
existem, sendo necessário reconhecê-las.

�14

A conformidade de relações entre a necessidade e a satisfação de
informação requer características peculiares, inerentes aos bibliotecários.
Compreender o funcionamento desse ciclo é elemento de destaque para
os profissionais. A inovação e o conhecimento tornam-se insumos cada
vez mais procurados na contemporaneidade em busca de soluções para os
problemas informacionais da sociedade.
Que desperte-se maior engajamento da profissão em prol de ações
inovadoras,

como

também,

maior

conhecimento

na

sociedade,

principalmente dos agentes governamentais, sobre o potencial da área,
proporcionando mais valorização, reconhecimento e condições adequadas
para os profissionais exercerem suas intervenções. Assim, por meio da
união de esforços, acreditamos que seja possível a redefinição de uma
nova

Biblioteconomia,

cada

vez

mais

inovada,

interventiva

e

empreendedora.
Por fim, esperamos que esta obra estimule a discussão acerca do que
pode ser feito pelos bibliotecários que extravase as rotinas tradicionais de
trabalho, comumente realizadas nas bibliotecas ou fora delas. Desejamos
que as leituras contribuam para a mudança de pensamento e maior
conscientização a respeito da prática e postura empreendedora, mas o
desejo maior é que as discussões estimuladas com este livro despertem a
transformação, e, o primeiro passo para isso é partir para a ação,
acreditando em nosso potencial para a mudança. Portanto, vamos à luta?
Mãos à obra!

�18

PARTE I

Empreendedorismo e
seus reflexos nas
profissões

�19

CAPÍTULO I
A TRANSVERSALIDADE DO EMPREENDEDORISMO NO CONTEXTO
ATUAL
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
O empreendedorismo é um termo utilizado no âmbito corporativo que
teve sua criação e desenvolvimento no decorrer do século XX, influenciado
pelas teorias contemporâneas da Administração, especificamente, as Teorias
dos Sistemas Abertos e a Teoria Contingencial, cujos fundamentos dessas
teorias pautam-se na necessidade de se criar estratégias para adequação aos
desafios da sociedade, sobretudo a competitividade.
O termo foi elaborado e passou a ser utilizado como um tema de
pesquisa científica, a partir das transformações do mercado globalizado. No
entanto, o sentido dicionarizado do termo remonta às sociedades primitivas e
os diversos períodos históricos, tendo destaque, principalmente, nomes ligados
à ciência, às artes e à cultura de cada época.
Em cada um dos estágios evolutivos da sociedade, verificamos a
presença de pessoas que acreditavam no poder de modificar a realidade, ou
seja, acreditavam que podiam desenvolver algo diferente, a ponto de garantir
melhoria a si mesmo e/ou ao contexto em que estavam inseridos. Esses
personagens tinham como estímulo a crença na inovação. Por almejarem a
inovação,

caracterizavam-se

como

indivíduos

sábios,

esperançosos

e,

principalmente, audaciosos.
É perigoso tentar citar nomes, neste texto, de pessoas com esse perfil,
visto que correríamos o risco de deixar de mencionar muitos indivíduos
empreendedores. De qualquer forma, as conquistas realizadas por esses
indivíduos que hoje os elegemos como precursores de algum acontecimento ou

�20

invenção,

certamente,

pertencem

a

agentes

com

características

empreendedoras.
Portanto, o empreendedorismo está no ser humano, assim como está a
ação de pensar, de refletir, de viver, as quais são típicas do ser humano. O
diferencial é que o indivíduo empreendedor almeja por inovação, não tendo
resistência a mudança e apresenta características proativas. Mesmo que essas
sejam qualidades humanas, nem todos os seres humanos a desenvolvem no
mesmo potencial.
Assim, é possível relacionar o empreendedorismo a um conjunto de
habilidades que permitem ao indivíduo provocar um diferencial, que ocasione
benefícios, de modo a enaltecê-lo no comparativo com outras ações que são
comumente realizadas. O empreendedorismo se sustenta na inovação,
criatividade e na audácia.
Percebe-se que o empreendedorismo é uma prática imprescindível nos
contextos de competitividade. Ou seja, a inovação se faz necessária, à medida
que determinados elementos percebem a necessidade de se sobressair em
relação aos demais elementos de um grupo ou contexto social, profissional
e/ou, principalmente, organizacional.
E, assim, os estudos sobre essa prática se fortalecem no âmbito
empresarial, quando as organizações sentiram os impactos da Revolução
Industrial e do avanço das tecnologias, em que o aumento no número de
concorrentes despertou a necessidade das empresas apostarem no diferencial
do que oferecem a seus clientes.
Falar em competitividade, sobretudo no contexto organizacional, nos
instiga dialogar com Porter (1993), para quem, as empresas precisam romper
os modelos de negócios pautados na repetição e na produtividade, para
avançarem no atendimento e na oferta de serviços e produtos que despertem
o gosto dos clientes, de modo a obterem vantagens competitivas em relação
aos concorrentes.
E a vantagem competitiva é um desafio da sociedade contemporânea,
pois é ela quem garante a sobrevivência das organizações. Porter (1993)
defende a ideia de que a competitividade está presente em todas as instâncias

�21

da sociedade, envolvendo empresas, profissões, agentes governamentais,
organizações sem fins lucrativos, dentre outros elementos. A globalização do
mercado exige que a criatividade e a inovação sejam as bases que garantirão o
crescimento e a permanência no amplo, diversificado e mutante mercado
atual.
O

espírito

empreendedor,

portanto,

precisa

estar

impregnado

às

empresas e também aos profissionais deste século. E ele não é excludente, no
sentido

de

que

se

limita

apenas

ao

ambiente

corporativo,

ou

aos

administradores e gestores organizacionais. Por conseguinte, não se pode
afirmar que seja, também, apenas objeto de estudo da Administração.
Ao contrário, o empreendedorismo é um dos temas que possui uma alta
carga transversal, ou seja, ele perfaz todas as áreas de conhecimento, como
também não exclui nenhuma pessoa, independente de classe social, de ramo
de atuação, de nível educacional, dentre outras particularidades.
É como diz Chiavenato (2003), ao proferir que, empreendedor é aquele
que acredita em algo e se dispõe a fazê-lo, mediante engajamento, expertise e
força de vontade. As organizações, segundo esse autor, precisam investir no
capital

humano,

desenvolvidas

pois

grandes

é

dele

que

habilidades

se

descobrirão,

para

ou

consolidação

melhor,
de

serão

práticas

empreendedoras benéficas para a empresa e para a sociedade.
Embora o tema empreendedorismo seja típico do último século e que
ainda venha se evoluindo, em algumas áreas, é possível afirmar que tal tema
está presente nas práticas profissionais e organizacionais, independente de
qual profissão seja e a que ramo empresarial a organização se adentre.
A

Administração,

como

ciência

clássica

nos

estudos

sobre

empreendedorismo, tem a delimitação de seu campo de atuação cada vez mais
difuso, uma vez que suas teorias e técnicas, sobretudo no que tange à gestão
e ao planejamento, perpassa por todas as outras áreas do conhecimento. E,
assim, é com o empreendedorismo. Ele é um tema difuso que, mesmo tendo
suas origens e grande parte dos estudos se inicie no campo da Administração,
ele é incorporado a outras áreas e profissões, de modo a se tornar cada vez
mais transversal.

�22

Dentre as diversas áreas do saber que utilizam do empreendedorismo
para fortalecer seu campo de atuação, ampliando-o para outros segmentos de
trabalho, está a Biblioteconomia. O empreendedorismo nesse campo do
conhecimento vem ganhando forças, principalmente, pela biblioteca se
modificar às necessidades dos usuários. E, essa tendência tem ocasionado um
campo

fértil,

de

modo

que

a

área

biblioteconômica

possa

ter

suas

potencialidades mais aproveitadas junto à sociedade.
Portanto, o presente texto traz reflexões sobre as principais definições do
empreendedorismo, sua característica transversal na sociedade moderna e
breves discussões acerca de possíveis aplicações empreendedoras na área da
Biblioteconomia.

2

EMPREENDEDORISMO:

CRIATIVIDADE,

INOVAÇÃO,

AUDÁCIA

E

TRANSVERSALIDADE
A compreensão científica do termo empreendedorismo é atribuída a
Richard Cantillon, um cientista econômico que utilizou o termo pela primeira
vez, no ano de 1725, ainda no século XIII, atribuindo o termo a pessoas
corajosas que não se intimidam em assumir riscos. No decorrer dos tempos, o
termo foi superficialmente atribuído às pessoas que ocupavam cargos de
gestão em grandes corporações. Ao longo do século XIX e iniciar do XX,
empreendedores passam a ser as pessoas com espírito de investimento, com
potencial

para

realizar

grandes

transações

financeiras

e

comerciais

(DORNELLAS, 2008).
É somente no século XX que o empreendedorismo desvinculou-se, ou
melhor, deixou de estar relacionado (para muitos quase sinônimo) a gerentes
e passou a sustentar-se na inovação. Assim, empreendedorismo diz respeito a
indivíduos e organizações que inovam, criam, investem e redefinem produtos e
serviços, haja vista atender as necessidades dos clientes de forma criativa e
satisfatória (CUSTÓDIO, 2011).

�23

O significado do termo empreendedorismo remete à capacidade criativa
e inovadora, pois, segundo o Dicionário On-line de Português (2018),
empreendedor é aquele que tem a capacidade de projetar novos negócios ou
de idealizar transformações inovadoras ou arriscadas em companhias ou
empresas.
O verbete ainda traz a significação de que empreender está associado à
vocação de uma pessoa, à aptidão ou habilidade de desconstruir, de gerenciar
e de desenvolver projetos, atividades ou negócios. Trata-se da reunião dos
conhecimentos e das aptidões relacionadas com essa capacidade (DICIONÁRIO
ON-LINE DE PORTUGUÊS, 2018).
Para Chiavenato (2003), o empreendedorismo corresponde à ação de
empreender, a qual se desenvolve, apenas, em indivíduos que conseguem
mesclar conhecimentos adquiridos, com valores, senso crítico e capacidade de
instigar ou promover a mudança. Sujeitos com esse perfil, normalmente,
possuem sensibilidades especiais para prever os acontecimentos e traçar
planos de ação capazes de levar ao sucesso do que desejam criar. Assim,
segundo esse autor, o empreendedor identifica pontos fracos, pontos fortes,
ameaças e oportunidades, transformando ideias em realidade, com o intento
de se auto-beneficiar e beneficiar, também, a coletividade.
[...] Por ter criatividade e um alto nível de energia, o empreendedor
demonstra imaginação e perseverança, aspectos que, combinados
adequadamente, o habilitam a transformar uma ideia simples e mal
estruturada em algo concreto e bem sucedido no mercado [...]. O
empreendedor é a essência da inovação no mundo, tornando obsoletas
as antigas maneiras de fazer negócio [...] (CHIAVENATO, 2003, p. 05).

Conforme discorrido na literatura de Administração, as características de
um empreendedor, na verdade, são habilidades que ele conseguiu desenvolver
de forma estratégica, tendo em vista aproveitar melhor sua imaginação.
Características

muito

peculiares

permeiam

o

perfil

de

uma

pessoa

empreendedora, tal como criatividade, audácia, perseverança, senso crítico,
dentre outras. Essas habilidades são conjugadas ao conhecimento adquirido
pelo sujeito, seja decorrente de sua experiência de vida, ou adquirido por meio
de estudos (DORNELAS, 2008).

�24

Ainda a respeito do perfil do empreendedor, Dolabela (1999) apresenta
algumas características muito

comuns nas pessoas consideradas como

empreendedoras, que são: normalmente são influenciadas por outras pessoas;
possuem autonomia, autoconfiança e otimismo; são audaciosas, prestativas e
visionárias; tem facilidade em aprender com os erros; consegue fixar metas e
alcançá-las; luta contra padrões impostos; procura diferenciar o que faz; tem a
capacidade em descobrir nichos de mercado; possui comprometimento.
Embora o autor citado apresente muitas outras características, as poucas
descritas já são suficientes para demonstrar que o perfil empreendedor não é
exclusivo de uma ou outra profissão. Também não se pode afirmar que uma ou
outra empresa, com esse ou aquele perfil, ou cultural organizacional, não
esteja propensa a se manifestar como adapta do empreendedorismo. O
empreendedorismo, assim, é tema transversal, que perpassa todas as áreas do
conhecimento, em todos os seus aspectos, e vem assumindo lugar de
destaque nas políticas econômicas dos países desenvolvidos e em vias de
desenvolvimento (BAGGIO; BAGGIO, 2014).
Souza (2012) concorda com a reflexão de que o empreendedorismo está
presente em todas as áreas de conhecimento e precisa fomentar as políticas
governamentais, de modo a proporcionar o desenvolvimento social, cultural e
profissional das nações. Além disso, a autora destaca a importância do tema
ser debatido não apenas na vivência profissional, mas é preciso que seja
incorporado na formação profissional, por meio das práticas educativas.
Consoante ao movimento de que toda a população deva desenvolver e
assumir uma postura empreendedora, têm-se desenvolvido, nos últimos
anos, diversas iniciativas de implantação do empreendedorismo na
educação, seja como tema transversal às diversas disciplinas do
currículo, seja como disciplina propriamente dita, constante do currículo
de instituições educacionais formais de educação básica e superior,
privadas e públicas (SOUZA, 2012, p. 80).

O empreendedorismo como tema transversal precisa ser incorporado no
dia a dia de todos os profissionais, tornando-os mais proativos e capacitados a
inovar constantemente as práticas profissionais nos mais diferenciados
contextos e instituições. Empreender é ter visão de futuro e proporcionar
ganhos de competitividade para as empresas, sobretudo daquelas que

�25

investem em seus recursos, como forma de garantirem a consolidação das
vantagens competitivas (MAXIMIANO, 2006).
Empreender é aceitar o desafio na busca por um objetivo previamente
planejado e incorporado nas ações que visarão o alcance do que foi proposto.
É ter visão de futuro, com vistas ao crescimento do negócio que se deseja
obter, mesmo que seja a curto, médio ou longo prazo. Com efeito, o
empreendedor é aquela pessoa que deseja investir em seu próprio negócio,
adquirindo autonomia e se fortalecendo para alcançar metas e objetivos,
conforme

planejado

empreendedorismo

previamente.
aproxima-se

É

das

a

partir

dessa

técnicas

e

concepção

teorias

que

o

administrativas,

sobretudo no que tange à gestão e ao planejamento (MAXIMIANO, 2006).
Por contemplar técnicas e teorias da Administração, depreendemos que a
prática empreendedora está impregnada a qualquer cotidiano profissional,
podendo ser o ponto de partida para a criação dos próprios negócios dos
profissionais em suas áreas de atuação específicas.
As inovações tecnológicas, organizacionais e de mercado têm
impulsionado profundas transformações no mundo do trabalho.
Diversas profissões com conteúdos inovadores estão sendo
criadas,
visando
acompanhar
o
ritmo
das
mudanças.
Transformações estruturais nas relações de trabalho também têm sido
observadas.
Como
consequência
dessas
transformações,
o
empreendedorismo tem sido a alternativa para a geração de emprego e
renda [...] (WRIGHT; SILVA; SPERS, 2010, p. 174).

Para Cupertino e Mendonça (2012), empresário é o profissional ou
agente que atua no mercado corporativo, por meio da oferta de produtos e
serviços. Esse agente pode estar vinculado a uma organização, de forma
institucionalizada, regido por normas e integrado a um ambiente coletivo,
como também pode atuar de forma mais independente, com equipe mais
reduzida, ou até mesmo, de forma individual. O empreendedor, grosso modo,
é

um

empresário

que

possui

habilidades

estratégias

que

visem

o

desenvolvimento do negócio que gerencia.
Por caracterizarem-se como empresários inovadores, os empreendedores
adquirem competências e habilidades múltiplas, o que lhes proporcionam
facilidade em tomar decisões, monitorar as equipes de trabalho, elaborar
planos e conduzi-los, dentre outros requisitos fundamentais exigidos para os

�26

profissionais de sucesso. Esse perfil multifacetado, híbrido e inovador permite
constatar que o empreendedor, de um modo geral, também assume
características gerenciais (GALVAN, 2014), e, como se sabe, a gestão é um
processo administrativo presente em todas as áreas de conhecimento, como
também em todas as profissões e organizações, uma vez que engloba os
segmentos sociais em suas diferentes instâncias e contextos.

3

EMPREENDEDORISMO

E

BIBLIOTECONOMIA:

POSSÍVEIS

ARTICULAÇÕES
Considerando

que

todas

as profissões e

áreas do

conhecimento

aproximam-se do empreendedorismo, com a Biblioteconomia não seria
diferente. Essa aproximação tem se fortalecido, tanto no contexto brasileiro
quanto mundial, com a chegada da sociedade da informação, em que o recurso
informação tornou-se o insumo básico de desenvolvimento das pessoas e das
organizações (VALENTIM, 2002).
A informação é a base de sustento das sociedades, pois ela gera
conhecimento que, ao ser contextualizada e utilizada, agregará valor ao
indivíduo, em seu contexto profissional e social. Assim, bibliotecários e
profissionais da informação são considerados como agentes capazes de
organizar esse recurso e possibilitar que ele esteja disponível para uso, o que
ocasiona novas funções a serem exercidas pelas bibliotecas, pelas unidades de
informação, enfim, pelos profissionais capacitados a gerenciar os acervos e os
fluxos de informação (LE COADIC, 2004).
Os profissionais da informação possuem uma gama de possibilidades a
serem exercidas, em face da competitividade do mercado globalizado. Ao
mesmo tempo em que mudanças ocorrem em todo o mercado, proporcionando
a redefinição e até o desaparecimento de algumas áreas e profissões, por
outro lado essas transformações, sobretudo a partir do uso das tecnologias
digitais, viabilizam a manifestação de novas possibilidades de trabalho
(BAPTISTA; MUELLER, 2004).

�27

A sociedade da informação se sustenta no tripé inovação, formação e
aprimoramento. Ela exige que os profissionais desempenhem funções que vão
muito além do trabalho tradicional, na maioria das vezes, tal trabalho está
pautado em um fazer eminentemente técnico, em que pese a repetição de
tarefas. A sociedade atual requer o desenvolvimento de competências que
permitam ao profissional inovar, de modo a se destacar no mercado,
adquirindo ganhos de competitividade. Portanto, na área da Biblioteconomia,
outros campos de atuação surgem, o que requer, a formação continuada do
profissional e a aquisição de habilidades específicas que proporcionem um
perfil cada vez mais empreendedor (SANTA ANNA; PEREIRA; CAMPOS, 2014).
Portanto, os bibliotecários têm a possibilidade de ampliarem os postos de
trabalho, atuando de forma tradicional, por meio do vínculo empregatício,
como também podem montar seus próprios negócios, por meio da prestação
de serviços, oferecida a pessoas jurídicas como privadas (SANTA ANNA,
PEREIRA, 2014).
O espírito empreendedor do bibliotecário tem sido bastante relatado na
literatura, embora a realidade brasileira ainda apresente um profissional que
se prende muito aos postos de trabalho considerados como tradicionais.
Mesmo havendo recomendações acerca das possibilidades de atuação que vão
além dos muros das instituições, como trabalhar em centros de documentação,
em bibliotecas especializadas, no ramo da consultoria informacional, na
normalização da informação, dentre outros nichos, a maior empregabilidade
volta-se

ao

trabalho

em

bibliotecas

públicas,

mediante

prestações

de

concursos (SANTOS et al., 2016).
Para Spudeit (2016), o empreendedorismo na Biblioteconomia brasileira
está engatilhando. Muitas iniciativas, mesmo que incipientes, vêm fortalecendo
a adentração do empreendedorismo na área biblioteconômica, estimulando
profissionais a montarem equipes especializadas que prestam variados serviços
e consultorias em empresas públicas quanto privadas.
A consultoria é um segmento promissor, pois ela estimula o profissional
a se tornar polivalente, ou seja, capaz de solucionar os problemas dos clientes,
oferecendo-lhe resoluções mais adequadas e satisfatórias. O termo consultoria

�28

informacional, embora seja amplo e ainda pouco difundido na literatura e na
vivência prática, provoca uma aproximação do bibliotecário com o mercado da
informação, pois o condiciona ao status de gestor da informação, conhecedor
dos problemas organizacionais e com criatividade e audácia suficiente para
propor melhoria às empresas (MILANO; DAVOK, 2009).
Assim, as aproximações entre Biblioteconomia e empreendedorismo
tornam-se cada vez mais evidentes e, como em toda profissão, o bibliotecário
empreendedor é aquele que inova, que acredita em seu potencial (SPUDEIT,
2016), que reconhece as dificuldades presentes em seu contexto de trabalho e
tem a capacidade de propor alternativas adequadas e consistentes para
solucionar as dificuldades das organizações, tornando-as cada vez mais
competitivas e em constante desenvolvimento (SANTA ANNA; PEREIRA;
CAMPOS, 2014).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este texto apresentou argumentos teóricos que estimulam a reflexão
sobre a ampliação dos fazeres profissionais do bibliotecário, em que a
sociedade da informação é considerada como a “mola-propulsora” para
garantir

a

expansão

dos

fazeres

profissionais,

o

que

possibilita

uma

aproximação cada vez mais nítida das práticas empreendedoras às atividades
bibliotecárias.
Ademais, o texto também discorreu apontamentos sobre os conceitos
básicos de empreendedorismo, a origem desse campo na Administração, como
também a sua transversalidade, ou seja, sua aproximação e utilização em
diferentes profissões, áreas do conhecimento e organizações da sociedade.
Constatamos, a partir das reflexões propostas, que o empreendedorismo
é uma corrente de pensamento vinculada às teorias da Administração, com
foco nas técnicas gerenciais e no processo de planejamento empresarial, cujo
objetivo é promover a fusão entre conhecimento adquirido por um indivíduo e

�29

habilidades que lhe são peculiares, de modo a formar um perfil profissional que
almeja pela mudança e pela inovação.
Como a mudança e a inovação são dois conceitos que permeiam o
empreendedorismo, podemos dizer que o empreendedor é o sujeito que possui
inúmeras habilidades que provocarão a concretização desses conceitos. Assim,
é exigido de um perfil empreendedor, principalmente, ter características como
criatividade, criticidade, autonomia e audácia.
Com

efeito,

o

empreendedorismo

perpassa

todas

as

áreas

de

conhecimento, o que atesta ser ele um tema transversal, o qual precisa ser
praticado, mas, primeiramente, precisa ser estimulado, e esse estímulo,
começa

na

formação

profissional.

Assim,

ao

considerarmos

o

empreendedorismo como uma habilidade, entendemos que todos podemos
incorporá-lo em nosso cotidiano, desde que adotemos estratégias para
desenvolver as habilidades específicas e necessárias para garantir o alcance de
nossos objetivos, por decorrência, que tenhamos a capacidade em elaborar
produtos e serviços que atendam os desejos dos clientes, o que proporciona
ganhos de competitividade.
Por fim, essas breves considerações são suficientes para demonstrar a
necessidade e importância de buscarmos uma maior interação ou aproximação
do empreendedorismo com o fazer bibliotecário. Que a sociedade da
informação e as transformações ocorridas possibilitem aos bibliotecários
explorarem melhor suas habilidades e competências profissionais, conforme as
necessidades do mercado, e, a partir disso, seja ampliada e fortalecida a
prestação de serviços, a criação de empresas, o descobrimento de novos
postos de trabalho, enfim, a consolidação de práticas empreendedoras no
âmbito da Biblioteconomia.

REFERÊNCIAS
BAGIO, Adelar Francisco Baggio; BAGIO, Daniel Knebel. Empreendedorismo:
conceitos e definições. Revista de Empreendedorismo, Inovação e
Tecnologia, v. 1, n. 1, p. 25-38, 2014. Disponível em:

�30

&lt;https://seer.imed.edu.br/index.php/revistasi/article/viewFile/612/522&gt;.
Acesso em: 15 dez. 2018.
BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER, Suzana Pinheiro Machado (Org.).
Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília: Thesaurus,
2004.
CHIAVENATO, Idalberto. Remuneração, benefícios e relações de trabalho:
como reter talentos na organização. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
CURPERINO, Marcos Pereira; MENDONÇA, Jane Correa Alves.
Empreendedorismo: Planejamento de Negócios Formais no Mercado
Informal. 2012. Disponível em:
&lt;https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos12/48316565.pdf&gt;. Acesso em:
15 dez. 2018.
CUSTÓDIO, Telma Padilha. A importância do empreendedorismo como
estratégia de negócio. 2011. 60f. Monografia (Curso de Administração) –
Departamento de Administração, Centro Universitário Católico Salesiano
Auxilium, Lins, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.unisalesiano.edu.br/biblioteca/monografias/53972.pdf&gt;. Acesso
em: 10 dez. 2018.
DICIONÁRIO ON-LINE DE PORTUGUÊS. Empreendedorismo. 2018.
Disponível em: &lt;https://www.dicio.com.br/empreendedorismo/&gt;. Acesso em:
10 dez. 2018.
DOLABELA, Fernando. Oficina do Empreendedor: a metodologia de ensino
que ajuda a transformar conhecimento em riqueza. São Paulo: Editora Cultura,
1999.
DORNELAS, José. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 3.
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
GALVAN, Luciane. O cenário do empreendedorismo no Brasil e a atuação
dos empreendedores como gestores. 2014. 38f. Monografia (Graduação
em Administração de Empresas) – Faculdade de Administração, Contabilidade
e Economia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2014. Disponível em:
&lt;http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/graduacao/article/view/221
29 &gt;. Acesso em: 10 dez. 2018.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. 2 ed. Brasília: Briquet
de Lemos, 2004.
MAXIMIANO, Antônio Cesar. Administração para Empreendedores. São
Paulo: Prentice Hall, 2006.

�31

MILANO, Manoelle Cristine Dalri; DAVOK, Delsi Fries. Consultor de informação:
serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas de Biblioteconomia e
Gestão da Informação. Revista ACB, Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 253-278,
jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658/726&gt;. Acesso em: 27 mar.
2018.
PORTER, Michael. A Vantagem Competitiva das Nações. Rio de Janeiro:
Editora Campus, 1993.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação
bibliotecária: o bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173,
jul./dez. 2014. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/95 6/pdf_96&gt;. Acesso em: 28
mar. 2018.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice; CAMPOS, Suelen de Oliveira. Sociedade
da informação x biblioteconomia: em busca do moderno profissional da
informação (MIP). Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 68-85, jan./jun. 2014. Disponível
em: &lt;http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/viewFile/293/293&gt;. Acesso em: 17
ago. 2018.
SANTOS, Priscila Reis dos et al. Inserção no mercado de trabalho e a
empregabilidade de bacharéis em Biblioteconomia. Perspectivas em Ciência
da Informação, Belo Horizonte, v. 21, n. 2, p. 14-32, abr./jun. 2016.
Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v21n2/1413-9936-pci-21-0200014.pdf&gt;. Acesso em: 10 dez. 2018.
SOUZA, Silvana Aparecida de. A introdução do empreendedorismo na educação
brasileira: primeiras considerações. Educação &amp; Linguagem, v. 15, n. 26, p.
77-94, jul./dez. 2012. Disponível em:
&lt;file:///C:/Users/ECI/Desktop/T&amp;D/3291-9706-2-PB.pdf&gt;. Acesso em: 10 dez.
2018.
SPUDEIT, Daniela (Org.) Empreendedorismo na Biblioteconomia. Rio de
Janeiro: Agencia Biblioo, 2016.
VALENTIM, Marta Lígia Pomin. Formação: competências e habilidades do
profissional da informação. In: ______. Formação do profissional da
informação. São Paulo: Polis, 2002. p. 117-132.
WRIGHT, James Terence; SILVA, Antonio Thiago Benedete Silva; SPERS,
Renata Giovinazzo. O mercado de trabalho no futuro: uma discussão sobre
profissões inovadoras, empreendedorismo e tendências para 2020. Revista de
Administração e Inovação, São Paulo, v. 7, n. 3, p. 174-197, jul./set. 2010.

�32

CAPÍTULO II
INOVAÇÃO E ESPÍRITO EMPREENDEDOR: APLICABILIDADES NA
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Munic Santos

1 INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, a informação tem sido considerada o principal recurso
que sustenta as práticas sociais. Em diversos segmentos da sociedade, seja no
âmbito profissional, ou na vida pessoal e social, as pessoas precisam de
informação, a fim de se manterem atualizadas e se inserirem nas novidades e
tendências que surgem a cada dia.
A busca por informação passou a ser uma necessidade obrigatória do ser
humano, o que tem proporcionado o surgimento de um novo mercado, em que
a informação representa a matéria-prima que sustenta essa atual sociedade,
manifestando-se como o insumo básico de desenvolvimento das nações e, por
fim, o recurso que ocasiona o aprimoramento profissional.
Assim, nas últimas décadas do século XX e iniciar do século seguinte,
estamos inseridos na chamada Sociedade da Informação, em que indivíduos,
organizações e profissões buscam por informação, a fim de se tornarem
reconhecidos e valorizados em um mercado cada dia mais instável e
competitivo. O chamado mercado da informação desponta-se como um
segmento

de

mercado

caracterizado

pela

necessidade

de

se

produzir

conhecimento e gerar inovações.
É devido à busca incessante por informação e, como consequência, a
geração de conhecimento, que mudanças ocorrem a todo momento. Manter-se
atualizado e adaptar-se às mudanças passaram a ser uma obrigatoriedade
diária, sobretudo no âmbito profissional. Aqueles que, por um motivo ou outro,
não acompanham essas transformações, certamente, correm o risco de

�33

perderem seus postos de trabalho. Portanto, uma das principais ocorrências da
Sociedade da Informação, principalmente com o avanço tecnológico, é o
aumento do desemprego em nível mundial.
Por outro lado, mesmo com as exigências do mercado atual, nota-se o
surgimento ou expansão de novos postos de trabalho, ou seja, à medida que
muitas práticas profissionais desaparecem, outras surgem, ou são substituídas
por novas necessidades. Portanto, o mercado da informação manifesta-se
como um mercado promissor para os profissionais inovadores, criativos e
estratégicos.
Por ser movido pela informação, esse mercado, provavelmente, requer
profissionais capacitados à prática de tratamento e gestão da informação, de
modo que a informação esteja disponibilizada para quem dela desejar. Assim,
segundo

Smit

(2000), os profissionais que

lidam

diretamente

com

a

informação, como os arquivistas, museólogos e bibliotecários, passam a ser
reconhecidos e requeridos para organização da informação e do conhecimento
na sociedade.
Estudo defendido por Baptista (2004) demonstrou as possibilidades de
atuação dos profissionais da informação1, principalmente com o uso das
tecnologias digitais. Segundo essa autora, vivemos um dilema na Sociedade da
Informação, pois, ao mesmo tempo que a tecnologia diminuiu o emprego, ela
também proporcionou o surgimento de novos postos de trabalho, exigindo dos
profissionais mais empenho e demonstração de suas potencialidades.
Santa Anna e Pereira (2014) também concordam com essa ideia de que
o mercado da informação é promissor para o profissional da informação,
principalmente aqueles que desejam trabalhar de forma autônoma, prestando
serviços informacionais em diversos segmentos. Os autores defendem que, a
atuação profissional no atual mercado, ao contrário do que muitos pensam,
tende a se ampliar, haja vista o potencial que os profissionais da informação
possuem no tratamento, organização e disseminação da informação.

1

O termo profissionais da informação, neste artigo, refere-se aos arquivistas, bibliotecários e
museólogos, como apresentou o estudo de Smit (2000).

�34

Para que isso ocorra, também estamos cientes da necessidade de
aprimoramento

profissional,

ou

seja,

o

profissional

precisa

adquirir

conhecimentos múltiplos, possuir habilidade e competências diversificadas, e,
principalmente,

ter

espírito

empreendedor.

A

formação

desse

perfil

diversificado, certamente, inicia-se no decorrer da formação acadêmica, tal
como disposto nos estudos de Bahia e Seitz (2009) e Silva (2013).
Artigo recente publicado por Santa Anna (2017) destacou a necessidade
de os profissionais da informação adquirirem status de um profissional
moderno, denominados de moderno profissional da informação. Nesse estudo,
são identificadas quatro competências do profissional que são: comunicação e
expressão; técnico-científicas; gerenciais; e sociais e políticas, sendo que as
escolas devem estar em constante processo de renovação curricular, de modo
a formar profissionais, cada dia mais polivalentes.
Sendo assim, o presente texto traz discussões relevantes acerca das
potencialidades dos profissionais da informação, tais como bibliotecários,
arquivistas e museólogos ao se inserirem no amplo mercado da informação, e,
por meio de práticas inovadoras e atitudes empreendedoras tendem a ampliar
cada vez mais a empregabilidade no âmbito da Ciência da Informação.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: A FORMAÇÃO DE UM NOVO MERCADO
A atual sociedade em que vivemos possui como principal característica a
produção em massa de documentos. Esses documentos estão disponibilizados
em variados suportes, e contêm informação para uso da sociedade, como
também preservação da memória coletiva de uma nação, sendo que tais
informações sustentam as práticas desenvolvidas em diversos segmentos da
sociedade,

seja

na

indústria,

no

entretenimento,

na

educação,

nas

organizações, nos serviços, no comércio, dentre outros (CASTELLS, 2003).
Segundo Castells (2003), nas últimas décadas, a informação tem sido a
principal fonte de riqueza para os países, sendo utilizada como estratégia para
a tomada de decisões e produção de novos conhecimentos, principalmente nas

�35

atividades empresariais. Portanto, vivemos em um novo estágio da sociedade,
que migrou da Era Industrial, em que o foco era as atividades industriais, para
a Era da Informação, em que o centro das atenções está na inovação.
Assim, a Sociedade da Informação é um novo estágio da sociedade, que,
segundo Castells (2003), além do crescente número de publicações e
disseminação do saber, esse estágio da sociedade possui cinco características
principais, que são: tem a informação como matéria-prima; está condicionada
à capacidade de penetração dos efeitos das novas tecnologias; está sustentada
na lógica de redes; apresenta-se como um contexto flexível; e converge
tecnologias específicas, haja vista formar um sistema integrado.
No que se refere à origem dessa sociedade, há divergências nas opiniões
de diversos estudiosos, sendo que muitos atribuem o início dessa sociedade a
partir da invenção da imprensa, ainda no século XV. No entanto, as
transformações mais intensas da explosão documental ocorreram a partir do
uso das tecnologias de comunicação e informação (TICs), influenciadas com os
impactos da Revolução Industrial (SANTOS; CARVALHO, 2009).
Nesse sentido,
A sociedade da informação pode ser vista como uma organização
geopolítica dada a partir da terceira revolução industrial, com impacto
direto no uso da informação e das tecnologias da informação e
comunicação (TICs). O termo surge como uma mudança de paradigma
técnico-social presente na sociedade pós-industrial, visando o uso da
informação como moeda para a sociedade em constituição naquele
momento [...] (SANTOS; CARVALHO, 2009, p. 45).

Observamos que a Sociedade da Informação é influenciada pelo processo
da explosão bibliográfica, como também, pelo uso das tecnologias digitais, o
que promoveu o aparecimento de um novo mercado, em que a economia
industrial cedeu espaço para a economia globalizada, originando novas formas
de organização social e redefinição de produtos e serviços oferecidos no
mercado de trabalho e nas relações entre países do mundo todo (BORGES,
2004).
Para essa autora, a direção principal da sociedade moderna está no uso
da informação. Portanto, nesse tipo de organização social, “[...] a informação
ocupa um lugar substantivo e se torna uma fonte de riqueza, pelo qual se

�36

produz um crescimento rápido das tecnologias de informação e comunicação
que afeta todos os setores da sociedade [...]” (BORGES, 2004, p. 57). Nesse
contexto,
O processo de globalização desencadeou uma integração contínua da
economia global, impactando vários setores da vida econômica e social
dos países, das instituições, das empresas e dos indivíduos, com
profundas alterações na estrutura vigente: um fluxo crescente de capital
entre fronteiras geopolíticas; o aparecimento de novos mercados e
oportunidades [...] (BORGES, 2004, p. 57, grifo nosso).

Conforme discorrido no estudo de Borges (2004), o mercado de trabalho
transformou-se com as mudanças promovidas na Sociedade da Informação,
sendo que novas oportunidades são esperadas, principalmente para os
profissionais que organizam a informação na sociedade.
Concordando com Borges (2004), Santa Anna e Pereira (2014) também
reforçam o surgimento de novas oportunidades advindas, justamente, das
mudanças provocadas pela sociedade atual. Segundo esses autores, a
prestação

de

serviços

informacionais

representa

uma

das

maiores

possibilidades para o profissional da informação que queira garantir seu espaço
de atuação em um mercado competitivo.
No iniciar do século XXI, no Brasil, diversos estudos foram desenvolvidos
acerca da atuação do profissional da informação no contexto da Sociedade da
Informação, tais como nos ensinam Baptista (2000), Baptista (2004), Borges
(2004), dentre outros. Trata-se, na verdade, de um mercado em expansão
para os profissionais que lidam, direta ou indiretamente com a informação,
sendo que a oferta abundante de informação requer seu gerenciamento, de
modo que agregue valor aos usuários da informação, como relatado no estudo
de Barreto (2000).
Assim, o mercado da informação possui tendências para formação de
novos postos de trabalho, mesmo que esses não sejam por meio de vínculos
empregatícios, mas garantam formas de atuação diferenciadas para diversos
profissionais, principalmente os encarregados com a produção e uso da
informação, de modo a atender as necessidades e demandas dos diversos
atores e elementos da sociedade (BARRETO, 2000; BAPTISTA, 2004; SANTA
ANNA; PEREIRA, 2014).

�37

2.1 AS TENDÊNCIAS DO MERCADO DA INFORMAÇÃO
O mercado da informação é fruto das transformações sociais que
rodeiam a sociedade contemporânea, em que a informação é distribuída como
se fosse uma mercadoria, só que essa mercadoria possui um aspecto
simbólico, pois, mesmo sendo consumida, ela permanecerá consumível, por
um tempo e espaço, que será determinado por sua qualidade e validade
(BARRETO, 2000).
A natureza intangível da informação proporciona novas formas de
gestão, como também sua distribuição em canais diferentes do que,
normalmente, se apresenta com o uso de um objeto tangível (BARRETO,
2000). É por isso que novas práticas profissionais são requeridas na atual
sociedade, exigindo dos profissionais o desenvolvimento de serviços voltados
para garantir o uso da informação, conforme as necessidades e contextos dos
usuários, haja vista que a informação é a base para a tomada de decisões,
principalmente nas empresas (SANTOS, 2016).
Segundo Baptista (2000, p. 91), o mercado da informação é instável, ou
seja, as transformações acontecem a todo momento. Para Valentim (2000), os
problemas existentes requerem a atuação estratégia dos profissionais, de
modo que as necessidades da sociedade possam ser atendidas. Logo, segundo
essas autoras, presenciamos um dilema, ou seja, ao mesmo tempo,
vivenciamos tempos de instabilidade e tempos promissores para muitas
profissões, principalmente àquelas ligadas ao gerenciamento e tratamento
informacional.
Sendo assim, o mercado da informação pode proporcionar a diminuição
da oferta de emprego, no entanto, com grande frequência, observa-se o
crescimento do fenômeno da terceirização e a possibilidade de se trabalhar
com a prestação de serviços, como dito por Baptista (2000). Para essa autora,
[...] se a tecnologia tem se mostrado favorável, deve ser dominada,
evitando assim invasões de outras áreas e transformando concorrentes
em parceiros. É uma época de mudanças e não de acomodação. Alguns
autores mostram um futuro de ameaças e oportunidades, onde será
vencedor o profissional capaz de entender melhor os novos paradigmas
da sociedade da informação e de se adaptar aos novos tempos
(BAPTISTA, 2000, p. 91).

�38

O mercado da informação não está repleto de ameaças, mas essas
devem ser vistas como oportunidades para os indivíduos que se dispõem a
encarar desafios, ter espírito empreendedor e visão de futuro, buscando
ampliar suas competências e habilidades, de modo a tornarem-se reconhecidos
e requeridos para solucionar os problemas informacionais existentes nesse
novo contexto (SANTOS, 2016).
As atividades profissionais são ampliadas com o surgimento das novas
tecnologias (BAPTISTA, 2004), em que o mercado tem buscado profissionais
cada dia mais polivalentes, ou seja, que não se fecham aos conhecimentos
técnicos

pertencentes

à

sua

formação

profissional.

Ao

contrário,

profissionais podem exercer atividades diferenciadas, desde

os

o trabalho

tradicional realizado em unidades de informação, como arquivos, centros de
documentação, bibliotecas, dentre outros, como também contribuir na gestão
da informação em organizações, haja vista contribuir com a tomada de
decisões. Além disso, pode atuar, também, no ramo cultural, oferecendo
informações úteis que favorecem a garantia dos direitos do cidadão (SANTOS,
2016).
Para o citado autor, o mercado de trabalho para o profissional da
informação, no contexto da Sociedade da Informação, divide-se em mercado
tradicional como mercado emergente. Considera que o mercado tradicional
está voltado aos fazeres de organização da informação registrada, processos
de trabalho realizados mais intensamente nos arquivos e bibliotecas. Por sua
vez, o mercado emergente é aquele ainda pouco percebido aos olhos da
sociedade e de muitos profissionais, mas que se aponta como oportunidades
valiosas de contribuição desses profissionais para a resolução de problemas
existente no cotidiano empresarial, institucional, cultural, econômico e, de
modo geral, cotidiano social.
Portando, o profissional deve adotar um perfil diversificado, dinâmico,
interdisciplinar e difuso, o que condiciona sua atuação em diferentes nichos de
mercado, principalmente no que tange à prestação de serviços informacionais,
exercendo atividades que o caracterize como um consultor em informação
(SANTA ANNA; PEREIRA, 2014).

�39

Com o perfil voltado à consultoria, o profissional deve investir em sua
formação continuada, de modo a enriquecer seus conhecimentos sobre
diferentes áreas de conhecimento, como no domínio de tecnologias e
percepção de melhorias em variados ambientes e situações. Desse modo,
semelhante ao estudo de Santa Anna e Pereira (2014), Ferreira (2003)
também defende essa atuação interdisciplinar, de modo que o profissional se
torne, a cada dia, mais híbrido. Resumidamente, “[...] tendo em vista que as
profissões

da

informação

têm-se

caracterizado

pela

variedade

e

pela

multiplicidade de suas funções, parece plausível que um mesmo profissional
realize,

ao

mesmo

tempo,

atividades

consideradas

tradicionais

e

emergentes” (FERREIRA, 2003, p. 45, grifo nosso).
Mesmo possuindo uma tendência forte para a prestação de serviços,
ampliando o campo de atuação dos profissionais da informação, pesquisa
desenvolvida por Loureiro e Januzzi (2007) constatou que a grande maioria
dos trabalhadores ocupados em atividades de informação, no Brasil, se
mantém no perfil tradicional, ou seja, atuam como empregados com carteiras
assinadas em órgãos privados e públicos.
Esse fato se deve a muitos fatores, seja ele relacionado à formação
acadêmica proporcionada pelas instituições de ensino, como também a falta de
divulgação das capacidades do profissional, o que gera falta de conhecimento
dos empregadores sobre as contribuições dos profissionais da informação para
suas

instituições

(FERREIRA,

2003).

Portanto,

no

atual

mercado

da

informação,
Ao que tudo indica, existe demanda no mercado por profissionais da
informação, mas há falta de oportunidade para os profissionais de
informação vindos da área da ciência da informação, bem como de uma
formação acadêmica em que estes possam se habilitar para o
desenvolvimento, a implantação e a operação de dispositivos para
filtrar, analisar, sintetizar e disseminar essa avalanche de informações
(FERREIRA, 2003, p. 42).

Na visão de Santa Anna e Pereira (2014, p. 170), a atual realidade do
mercado da informação tende a provocar o que os autores chamam de
processo de “[...] desterritorialização que, por sua vez, ocasionam a
desinstitucionalização da profissão [...]”, ou seja, com a ruptura do tempo e do

�40

espaço, fenômeno ocasionado com o uso das tecnologias digitais, o profissional
pode atuar em diversos contextos, sem necessariamente, estar vinculado a um
segmento de mercado e empresa específica.
Tornando-se autônomo e ampliando suas competências, certamente, no
mercado, haverá “[...] necessidade de se criar novos espaços de atuação,
focado

na

inovação,

flexibilidade

e

liberdade,

rompendo

os

vínculos

empregatícios, mas gerando novas ocupações [...]” (SANTA ANNA; PEREIRA,
2014, p. 170), tendência essa que provoca a conscientização dos profissionais
acerca da aplicação de suas potencialidades nos diversos segmentos da
sociedade, motivando os profissionais a adquirirem práticas e espírito
empreendedor,

a

ponto

de

adquirirem

o

status

de

empreendedores

informacionais (GARCIA, 2011).

3 EMPREENDEDORISMO NA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
A informação representa um dos principais elementos da sociedade
moderna,

como

profissionais

da

também

constitui

informação.

o

Portanto,

objeto

de

trabalho

entendemos

que

principal
a

Ciência

dos
da

Informação, no atual momento, como campo de conhecimento, adquire mais
valor e reconhecimento, uma vez que se torna mais útil às práticas sociais
(SANTA ANNA, 2015).
Os métodos e técnicas específicas de tratamento da informação,
descritos pela Ciência da Informação, logo de início, nos fazem perceber a
valiosa contribuição dessa ciência para a Sociedade da Informação. Isso
porque,
A Ciência da Informação apresenta-se como uma área responsável pelo
gerenciamento da informação, proporcionando aos usuários da
informação, seu uso efetivo, conforme as reais necessidades
demandadas. O crescente aumento da informação na sociedade
proporciona dificuldades na localização de informações relevantes para
os cidadãos, o que viabiliza a necessidade de gerenciamento, com vistas
a selecionar as informações requisitadas pela demanda (SANTA ANNA;
PEREIRA, 2014, p. 165).

�41

Assim, a Ciência da Informação torna-se um campo de conhecimento
que promove práticas empreendedoras nos profissionais que se colocam a
serviço da gestão da informação e do conhecimento, de modo a garantir
segurança nos processos de trabalho direcionados a tornar a informação
armazenada, recuperada e disseminada. Ao serem difundidas, práticas são
realizadas em prol do uso dessa informação, à qual servirá como estímulo ao
desenvolvimento, seja de organizações, indivíduos ou da nação (GARCIA,
2011).
Sendo assim, segundo o mesmo autor, os profissionais da informação
podem atuar nas diversas fases do ciclo da informação, desde a origem dos
documentos, seu armazenamento e gestão, até o momento em que a
informação agrega valor para as organizações e para a sociedade, garantindo,
por meio do acesso à informação, a efetiva tomada de decisões.
A esse respeito, pode-se afirmar que:
A sociedade atravessa um momento de transição, influenciada pela
crescente utilização das novas tecnologias e o acúmulo de informações
que, para serem usadas com precisão, precisam ser gerenciadas e
transferidas, o que requer a formação de profissionais da informação
capacitados à condução do ciclo e do fluxo da informação, tornando
a informação mais acessível e agregando valor às necessidades dos
usuários da informação (SANTA ANNA, 2015, p. 14, grifo nosso).

As atividades voltadas à gestão do ciclo da informação são complexas,
mas de suma importância para as organizações e para a sociedade como um
todo. Diversos problemas merecem ser resolvidos, o que condiciona a
contratação de prestadores de serviços com especialidade nessas atividades, o
que determina a redução de custos para as organizações, como também, a
oportunidade de novos campos de atuação, principalmente, por parte dos
profissionais que desejam criar seus próprios negócios (BAPTISTA, 2000).
Essas discussões são suficientes para demonstrar quantos desafios
surgem no mundo moderno, cabendo ao profissional da informação adquirir
um espírito empreendedor, capacitando-se continuadamente. A esse respeito,
Garcia (2011, p. 112, grifo nosso) nos diz que, em um cenário composto por
resistência às mudanças e modelos mentais limitantes, o profissional da
informação “[...] precisa ser proativo e combativo, perseverante e focado na

�42

sua missão de apoiar a produção e o uso estratégico da informação e do
conhecimento

em

toda

a

competências

representam,

organização
na

[...]”.

verdade,

Ainda

“[...]

as

reflete

que

características

essas
dos

empreendedores corporativos (ou intra-empreendedores): pessoas dotadas
de competências e energia transformadora tais que sustentam a concepção e
implantação de novas soluções nas organizações”.
Analisando as diversas necessidades que se afloram na sociedade, como
também as dificuldades em se implementar metodologias e processos de
trabalho para garantir o uso da informação relevante, percebemos a formação
de um novo nicho de mercado no âmbito da Ciência da Informação, a prática
do empreendedorismo por parte dos profissionais que se especializam nessa
área de conhecimento (ARAÚJO; CARVALHO, 2011).
A literatura até então publicada no Brasil apresenta número significante
de pesquisas que versam sobre esse tema, contemplando estudos sobre
atuação de bibliotecários, arquivistas e museólogos na prática empreendedora.
Embora a maioria dos estudos esteja direcionada ao exercício do bibliotecário,
entendemos que o espírito empreendedor não se prende a um tipo de
profissional específico, mas estende-se a qualquer indivíduo que tenha visão
de futuro, visando a inovação, como nos ensina Dornellas (2008).
O referido autor esclarece que o empreendedorismo constitui um
processo amplo, em que indivíduos com perfis diferenciados e que buscam
algo novo, planejam ideias, tendo em vista garantir a transformação de ideias
em oportunidades, sobretudo em um momento de turbulência ou instabilidade.
Empreendedor é quem tem a capacidade de transformar as dificuldades e
desafios em estratégias que, de alguma forma, lhe tragam benefícios.
Especificamente, no âmbito dos serviços informacionais, o estudo de
Prado e outros (2014, p. 63) conceituou empreendedor como sendo
[...] termo utilizado para qualificar, ou especificar, principalmente,
aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de se
dedicar às atividades de organização, administração, execução;
principalmente na geração de riquezas, na transformação de
conhecimentos e bens em novos produtos – mercadorias ou serviços;
gerando um novo método com o seu próprio conhecimento. É o
profissional inovador que modifica, com sua forma de agir, qualquer
área do conhecimento humano.

�43

A prática do empreendedorismo envolve, primordialmente, criatividade,
criação

de

valor,

espírito

aventureiro,

audácia,

busca

por

inovação,

determinação, foco e estabelecimento de estratégias para elaboração de
planos consistentes que tendem a garantir o sucesso das ideias que serão
transformadas

em

grandes

oportunidades,

proporcionando

o

sucesso

almejado. Esse conjunto de características forma o perfil de um profissional
empreendedor, o qual tende a transformar seus sonhos em realidade (COSTA;
CERICATO; MELO, 2007).
Inseridos em um contexto globalizado e instável e, ao mesmo tempo,
com o valor atribuído à informação, os profissionais que lidam com a
informação podem expandir suas práticas profissionais, atuando na consultoria
informacional, como relatado por Santa Anna e Pereira (2014), como também
no gerenciamento da informação para a tomada de decisões nas organizações
(GARCIA, 2011), em especial no trato com a documentação arquivística, como
nos ensina Santa Anna (2015).

3.1 A CONSULTORIA EM SERVIÇOS INFORMACIONAIS
O empreendedorismo como um movimento que provoca a formação de
profissionais empreendedores, que apostam na inovação e na ampliação de
seus

negócios,

encontra

no

campo

da

Ciência

da

Informação,

boas

possibilidades de ser aplicado. Isso se dá, principalmente, pelo fato do
profissional envolver-se com o trinômio dado, informação e conhecimento
(SANTOS, 2016). Esse profissional, portanto, “[...] atua com a gestão da
informação e do conhecimento no contexto de uma cultura organizacional”
(SANTOS, 2016, p. 28).
Por envolver-se com uma cultura específica, o profissional deve possuir
inúmeras competências, habilidades e domínios variados de conhecimento
(VALENTIM, 2000), o que tende a esse profissional desenvolver um perfil de
prestador de serviços (BAPTISTA, 2000). Esses serviços podem ser voltados à
oferta de produtos e serviços definidos pelos clientes, como também podem

�44

representar uma intervenção no sentido de diagnosticar problemas, haja vista
formular

propostas

de

melhoria

para

os

desafios

enfrentados

pelos

contratantes dos serviços (OLIVEIRA, 1999 apud ARAÚJO; CARVALHO, 2011).
Por isso, dentro do empreendedorismo aparece o processo de prestação
de serviços que pode se manifestar no contexto da consultoria. A consultoria
teve sua gênese no século XX, na área da Administração, em virtude do
aumento da competição entre as empresas e as necessidades das empresas
adotarem

estratégias

para

inovarem

(OLIVEIRA,

1999

apud

ARAÚJO;

CARVALHO, 2011).
A consultoria empresarial pode ser conceituada como “[...] um processo
interativo de um agente de mudança externo à empresa, o qual assume a
responsabilidade de auxiliar os executivos e profissionais da referida empresa
nas tomadas de decisões, não tendo o controle direto da situação” (OLIVEIRA,
1999 apud ARAÚJO; CARVALHO, 2011, p. 4).
No que se refere à prestação de serviços informacionais, a literatura
apresenta o conceito de consultoria informacional. Para Santa Anna e Pereira
(2014, p. 166), a consultoria informacional
[...] diz respeito ao conjunto de ações que visam auxiliar a realização de
um feito. Compreende a intervenção de alguém (do consultor), munido
de habilidades, competências e instrumentos técnicos, tendo em vista,
contribuir para que uma dada atividade alcance os resultados a que se
propõe. Mesmo tendo sua gênese na Administração e direcionando-se
com mais ardor ao âmbito empresarial, a consultoria passou a ser
adotada por outras ciências, estendendo-se a outros ambientes.

Para os autores supracitados, o consultor informacional não deve
oferecer as soluções dos problemas, mas, partindo-se do princípio de que a
informação é o caminho que fomenta a elaboração de estratégias para a
solução de problemas, o consultor em informação insere-se nesse contexto,
com a finalidade de propor alternativas.
Estudo feito por Milano e Davok (2009, p. 258), acerca do papel
desempenhado por profissionais na área da informação, sobretudo os
bibliotecários, demonstrou que a consultoria informacional é “[...] uma
prestação de serviços e, portanto, um bem intangível, que será oferecido para

�45

satisfazer um desejo ou necessidade sem a posse de um bem físico, exceto
relatórios parciais e finais [...]”.
Milano e Davok (2009, p. 258) nos ensinam que o profissional que se
dedica à prestação da consultoria nos serviços informacionais comporta-se
como um intelectual, detentor de muitos conhecimentos, tendo em vista “[...]
a capacidade de análise e síntese e com inúmeras variáveis componentes do
conjunto de problemas importantes para o desfecho de uma avaliação técnica
correta [...]”. O domínio variado de conhecimento desse profissional visa a
garantir qualidade do que é ofertado. Portanto, “[...] ele deve fazer com que o
consumidor/usuário perceba os seus serviços como algo palpável, oferecendolhe um serviço de qualidade”.

4 REFLEXÕES FINAIS
Os conteúdos analisados na pesquisa bibliográfica indicam que o mercado
atual, com o uso cada vez mais crescente das tecnologias digitais, promove
conflitos, redução de emprego e até desaparecimento de muitas áreas e
profissões. No entanto, esse mercado não pretende ser excludente para
aqueles que se capacitam, ou seja, o mercado abre portas para novas
possibilidades de

atuação, em um verdadeiro ciclo

de transformações

contínuas.
Como a informação representa a matéria-prima da sociedade atual,
expectativas promissoras são esperadas para os profissionais da informação,
principalmente àqueles que apresentam um perfil empreendedor, de modo a
atuar na prestação de serviços informacionais, sendo necessário valorizar e
investir em sua formação profissional, seja ela acadêmica quanto continuada.
Assim, o empreendedorismo torna-se um tema relevante e apropriado a ser
discutido na área da Ciência da Informação, com foco nos campos da
Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia.
Com isso, recomendamos a união de todos os envolvidos com essas
áreas, de modo que, esforços sejam realizados em prol da conscientização

�46

acerca das potencialidades desses profissionais e de sua formação adequada
para resolver os problemas sociais e encontrar/ocupar seu amplo espaço de
atuação no mercado de trabalho, caso contrário, outros profissionais poderão
ocupar

esses

informação.

postos

destinados,

Reformulação

dos

especificamente,
currículos,

ações

aos
de

profissionais
divulgação

da
das

potencialidades dos profissionais da informação, entre os próprios profissionais
e os empresários, além da luta por direitos, políticas públicas e leis mais
justas, são algumas ações que podem contribuir com a valorização do
profissional no amplo e diversificado mercado da informação da atualidade.

REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Rita de Cássia Pereira de; CARVALHO, Andréa Vasconcelos.
Consultoria informacional: campo de trabalho emergente para o profissional
da informação. 2011. Disponível em:
&lt;http://rabci.org/rabci/sites/default/files/CONSULTORIA%20INFORMACIONAL
%20campo%20de%20trabalho%20emergente%20para%20o%20profissional
%20da%20informa%C3%A7%C3%A3o.pdf&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.
BAHIA, Eliana Maria dos Santos; SEITZ, Eva Maria. Arquivista empreendedor.
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 14, n. 2, p.
468-481, jul./dez. 2009. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/viewFile/720/pdf_7&gt;. Acesso em: 09
maio 2017.
BAPTISTA, Sofia Galvão. Profissional da informação, autônomo ou empresário,
novas perspectivas de mercado de trabalho. Perspectiva em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 91-98, jan./jun. 2000. Disponível
em: &lt;portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/550&gt;. Acesso
em: 09 maio 2017.
______. As oportunidades de trabalho existentes na internet na área de
construção de unidade de informação. In: ______; MUELLER, Suzana Pinheiro
Machado (Org.). Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília:
Thesaurus, 2004.
BARRETO, Aldo Albuquerque. O mercado da informação no Brasil. Informação
e Informação, Londrina, v. 5, n. 1, p. 25-34, jan./jun. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1659/1411
&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.

�47

BORGES, Maria Alice Guimarães. O profissional da informação: somatório de
formações, competência e habilidades. In: BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER,
Suzana Pinheiro Machado (Org.). Profissional da informação: o espaço de
trabalho. Brasília: Thesaurus, 2004. p. 55-69.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra,
2003.
COSTA, Alexandre Marino; CERICATO, Domingo; MELO, Pedro Antônio de.
Empreendedorismo corporativo: uma nova estratégia para a inovação em
organizações contemporâneas. Revista de Negócios, Blumenau, v. 12, n. 4,
p. 32-43, out./dez. 2007. Disponível em:
&lt;http://proxy.furb.br/ojs/index.php/rn/article/viewFile/637/563&gt;. Acesso em:
10 maio 2017.
DORNELAS, José Carlos Assis. Transformando ideias em negócios. 4. ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
FERREIRA, Danielle Tiago. Profissional da informação: perfil de habilidades
demandadas pelo mercado de trabalho. Revista Ciência da Informação,
Brasília, v. 32, n. 1, p. 42-49, jan./abr. 2003. Disponível em:
&lt;revista.ibict.br/ciinf/article/view/1018&gt;. Acesso em: 10 maio 2016.
GARCIA, Leonardo Guimarães. Inteligência competitiva com enfoque
empreendedor: ensino e pesquisa na Graduação em Ciência da Informação,
InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto, v.
2, n. 2, p. 111-124, jul./dez. 2011. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/pbcib/article/view/14927&gt;. Acesso
em: 09 maio 2017.
LOUREIRO, Mônica de Fátima; JANNUZZI, Paulo de Martino. Profissional da
informação: inserção no mercado de trabalho brasileiro. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 12, n. 2, p. 23-48, maio/ago.
2007. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v12n2/v12n2a03.pdf&gt;.
Acesso em: 09 maio 2017.
MILANO, Manoelle Cristine Dalri; DAVOK, Delsi Fries. Consultor de informação:
serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas de Biblioteconomia e
Gestão da Informação. Revista ACB, Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 253-278,
jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658/726&gt;. Acesso em: 10 maio
2017.
PRADO, Maria de Lourdes et al. Empreendedor individual: uma modalidade de
empreendedorismo emergente. Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Campinas, v. 12, n. 3, p. 59-74, set./dez. 2014.
Disponível em:

�48

&lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1594/pdf_
73&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.
SANTA ANNA, Jorge. Arquivística no universo da Ciência da Informação:
práticas profissionais em reconstrução. Biblionline, João Pessoa, v. 11, n. 2,
p. 5-18, 2015. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/25204/15175&gt;.
Acesso em: 09 maio 2017.
______. O arquivista como moderno profissional da informação: análise de
competências à luz da literatura e da formação curricular. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 15, n. 2, p. 289307, maio/ago. 2017. Disponível em:
&lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8644523/p
df_1&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.
______; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação bibliotecária: o
bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173, jul./dez. 2014.
Disponível em: &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/956/pdf_96&gt;.
Acesso em: 09 maio 2017.
SANTOS; Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa; CARVALHO, Angela
Maria Grossi de Carvalho. Sociedade da informação: avanços e retrocessos no
acesso e no uso da informação. Informação e Sociedade: Estudos, João
Pessoa, v. 19, n. 1, p. 45-55, jan./abr. 2009. Disponível em:
&lt;www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/viewFile/1782/2687&gt;. Acesso em:
09 maio 2017.
SANTOS, Juliana Cardoso dos. Atuação do profissional da informação no
processo de inteligência competitiva organizacional. Revista Brasileira de
Educação em Ciência da Informação, Brasília, v. 3, n. 2, p. 26-50, jul./dez.
2016. Disponível em:
&lt;http://abecin.org.br/portalderevistas/index.php/rebecin/article/view/42&gt;.
Acesso em: 09 maio 2017.
SILVA, Ismaelly Batista dos Santos. Consultoria arquivística aplicada à
gestão de produtos e serviços de informação no NDPI/UFPB. 2013.
Disponível em:
&lt;http://www.liber.ufpe.br/ctcm2013/anais/files/7b.CAAGPSI_NDPIUFPB.pdf&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.
SMIT, Johanna. O profissional da informação e sua relação com as áreas de
Biblioteconomia/Documentação, Arquivologia e Museologia. In: VALENTIM,
Marta Lígia (Org.). Profissionais da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 119-134.

�49

VALENTIM, Marta Lígia Pomin. O moderno profissional da informação:
formação e perspectiva profissional. Encontros Bibli: Revista de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, n. 9, jun. 2000.
Disponível em: &lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/viewFile/15182924.2000v5n9p16/5058&gt;. Acesso em: 09 maio 2017.

�50

CAPÍTULO III
EMPREENDEDORISMO COMO UM CAMPO POTENCIAL AO
BIBLIOTECÁRIO
Vinicius Alves dos Santos

1 INTRODUÇÃO
Transformações

geralmente

estabelecem

obstáculos

para

alguns

indivíduos. Como se habituou a exercer as mesmas práticas é mais confortável
realizar da mesma maneira. Porém, no mercado de trabalho, isso não é
possível na maioria das vezes. Com o alto desenvolvimento tecnológico, o
fenômeno da globalização e a rápida obsolescência de alguns itens e ações
devido ao molde de antigos contextos, a busca por inovações se faz
necessária. Essa ação pode ser denominada de empreendedorismo.
A discussão da seguinte elaboração circunda em torno de apresentar o
conceito de empreendedorismo, disponibilizar informações sobre o caráter do
empreendedor, e de processos que viabilizam uma atitude empreendedora.
Tem por objetivo também abordar sem muitas pretensões de aprofundamento,
a indolência dos Cursos de Biblioteconomia e dos profissionais da informação,
diante da evolução técnica, e da primordialidade de adaptações, releitura
mercadológica e da constatação das necessidades das organizações, unidades
de informação e seus respectivos usuários.
A investigação se deu por intermédio de revisão de literatura, com uma
estratégia

de

busca

abarcando

as

expressões:

“Empreendedorismo

e

Biblioteconomia”, “Empreendedorismo”, “Economia Criativa” e “Engenharia de
Produção e Empreendedorismo”. Pesquisou-se no Google Acadêmico dentro da
opção disponível no Portal Capes, e no Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). A biblioteca recorrida após a pesquisa no
sistema foi a Professor Emílio Guimarães Moura da Faculdade de Ciências

�51

Econômicas da UFMG.

Será perceptível ao final da leitura deste texto, a

precisão de incorporar esse conceito na realidade bibliotecária, para incentivar
e manifestar com maior relevância, os dispositivos do campo de estudos.

2 BIBLIOTECONOMIA E EMPREENDEDORISMO
A Biblioteconomia é um campo de estudo que desde o seu princípio com
os seus instrumentos, possui uma busca pelo agrupamento e organização de
informações, e o tratamento representativo para uma posterior recuperação,
diante do fluxo informacional e o surgimento de novas informações. Os
sujeitos ao se inserirem na área aprendem os mecanismos que viabilizam tal
elocução, para empregá-los em bibliotecas, unidades de informação e demais
organizações. Mesmo porque, todas as instituições estão sempre lidando com
informação. Alguns instrumentos que podem ser citados são a catalogação
descritiva, a análise de assunto, a tradução, as linguagens de indexação, entre
outros.
Um grande obstáculo que vem se erguendo, é o desinteresse e a
consequente desatualização dos profissionais, não se inteirando acerca das
novas tecnologias e suas respectivas inovações, para a oportunização de
serviços e produtos informacionais, de acordo com as demandas de um mundo
globalizado e em pleno desenvolvimento tecnológico. Pode-se perceber a
notoriedade dessa sentença anterior, ao se analisar os currículos dos Cursos de
Graduação em Biblioteconomia no

Brasil, e a crescente ocupação de

administradores e pessoal da computação, na apropriação de encargos antes
destinados aos bibliotecários.
Há um consenso expresso por Santos (1987) em relação aos aspectos
econômicos de uma pátria, de que:
o nível de desenvolvimento econômico e social de uma nação pode ser
avaliado pela eficiência com que são produzidos bens e serviços, os
quais uma vez absorvidos elevam a qualidade de vida e o grau de bemestar de sua população (SANTOS, 1987, p. 1).

�52

Tal premissa e silogismo foram desenvolvidos relacionados a uma
perspectiva macro, uma estrutura muito mais complexa, porém, trazendo essa
interpretação para o recorte do oferecimento de serviços e produtos
informacionais, esse preceito pode ser vislumbrado no relacionamento com a
prática bibliotecária e com os seus usuários. A medida sobre o sucesso do
desenvolvimento dos trabalhos elaborados por um profissional da informação é
a dimensão da satisfação de sua clientela ao atender as suas buscas.
Ponderando acerca dessa realidade de instabilidade que a área enfrenta, um
conceito

denominado

de

Empreendedorismo

pertencente

ao

campo

da

Administração, se torna eficiente e eficaz para o problema evocado.

2.1 DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDORISMO E DOS
EMPREENDEDORES
O empreendedorismo manifestou-se em uma conjuntura de avanços
tecnológicos, de desenvolvimento e alicerçamento do capitalismo no século XIX
(ROMEIRO; SPUDEIT, 2014, p. 2). Empreendedorismo equivale a uma ação
realizadora e inovadora, que impulsiona recursos e se dispõe a correr riscos
para começar e perseguir um objetivo (MAXIMIANO, 2011). Schumpeter
(1942) citado por Maximiano (2011) corrobora esse raciocínio, dizendo que:
[...] os empreendedores inovam não apenas pela identificação de
formas de usar as invenções, mas também pela introdução de novos
meios de produção, novos produtos e novas formas de organização.
Essas inovações [...] precisam de tanta ousadia e habilidade quanto o
processo de invenção (SCHUMPETER, 1942 apud MAXIMIANO, 2011, p.
1).

Há dois tipos de empreendedores: o comum e o bem-sucedido.
Características eminentes em pessoas com um proceder empreendedor comum
são apresentadas no quadro 1.
Quadro 1 - Características de empreendedores comuns
Perseverança
Faculdade de conviver e suportar a indeterminação e incerteza
Utilização de modo diligente dos recursos

�53
Criatividade e imaginatividade
Atenção aos resultados
Fonte: Filion (2000, p. 3).

Já os empreendedores bem-sucedidos, de acordo com Filion (2000),
possuem as particularidades descritas no quadro 2.
Quadro 2 - Características de empreendedores bem-sucedidos
Valores e cultura de empreendedorismo adquiridos por meio de contato com, pelo
menos, um modelo empreendedor durante a sua juventude
Experiência em negócios
Diferenciação
Intuição
Envolvimento
Trabalhadores incansáveis
Sonhadores realistas (visionários)
Líderes
Trabalham em rede com moderação
Têm o seu próprio sistema de relações com os empregados
Controladores do comportamento das pessoas ao seu redor
Aprendizagem dos seus próprios padrões
Fonte: Filion (2000, p. 3).

Os sujeitos que querem ser empreendedores bem-sucedidos devem
perseguir essas características (pelo menos as possíveis em certos aspectos).
É com clareza que a adoção de uma perspectiva e uma cosmovisão traz
consigo benefícios e inovações, assim como dispêndios e renúncias dentro de
uma

trajetória.

Cabe

ao

indivíduo

que

busca

uma

“habilitação

empreendedora”, avaliar e qualificar a estrutura e contexto, nos quais se
encontra, para assumir os riscos e potencializar tanto o desenvolvimento
pessoal, quanto o aprimoramento do negócio, em relação aos propósitos
engendramentos.

�54

2.2 VANTAGENS E DESVANTAGENS
O ato de empreender detém benesses e ao mesmo tempo renúncias,
para o alcance dos objetivos planejados e esperados, porque como a pessoa
está se inserido em uma conjuntura inovadora, entende-se que está se
dispondo a correr riscos, e a se esforçar acima do comum, além de realizar
abdicações no tocante à zona de conforto em que se encontra. De acordo com
Maximiano (2011), o empreendedorismo detém as seguintes vantagens e
desvantagens:
*Vantagens:
-

Autonomia: ou seja, a capacidade e a liberdade de tomar decisões.

-

Desafio: o estímulo e impulso de criar algo novo; tal comportamento
pode ser fonte de aprazimento para algumas pessoas.

-

Controle financeiro: toma decisões e possui controle sobre as opções, em
relação às escolhas que faz com os recursos financeiros.

*Desvantagens:
-

Sacrifício pessoal: como já foi dito, será demandado do empreendedor
competências e esforços descomunais, o que exigirá renúncia de
compromissos e agendas cotidianas, muitas vezes.

-

Sobrecarga de responsabilidades: o empreendedor representa para si
mesmo muitas vezes, a própria chefia.

-

Margem de erro: as grandes empresas possuem recursos astronômicos,
caso haja alguma falha. Já um empreendedor se vier a efetuar algum
erro, pode gerar consequências desastrosas, levando inclusive à falência
da unidade ou do próprio negócio, se o mesmo trabalhar de modo
autônomo.

�55

2.3 PLANEJAMENTO
Para um sujeito que se aventura na prática empreendedora, ele carece
de possuir, antes de qualquer implementação, um planejamento. Alday (2000)
diz que:
planejar é a palavra apropriada para se projetar um conjunto de ações
para atingir um resultado claramente definido, quando se tem plena
certeza da situação em que as ações acontecerão e controle quase
absoluto dos fatores que asseguram o sucesso no alcance dos
resultados. É necessário um plano para se construir uma ponte, pilotar
um avião, transplantar um rim, abrir um novo escritório numa outra
cidade ou lançar um novo produto (ALDAY, 2000, p. 4).

Em todas as profissões e em diversas nuances da existência, o ser
humano precisa se planejar se almeja alcançar um êxito mais certeiro, acerca
do esforço que está realizando em relação a uma nova ideia. O planejamento
permite a organização, gerenciamento, controle e previsão (em grande parte
das vezes), dos serviços prestados, ou, nessa conjuntura, do empreendimento.
Com o planejamento, o bibliotecário em sua profissão pode mapear e
contemplar o desenvolvimento de cada um dos processos desenvolvidos.
Deve-se dizer que tomar decisões é o âmago do planejamento e dos atos
administrativos como um todo. Um empreendedor precisa reconhecer que
deliberar é parte essencial do seu trabalho, além de gerar alternativas e indicar
possíveis caminhos de sucesso. Maximiano (2011) diz:
decisões são escolhas que você faz, como resultado do julgamento de
alternativas. As alternativas nascem da avaliação de problemas e
oportunidades. Há diversos tipos de decisões administrativas (ou
gerenciais), relacionadas com os seguintes aspectos da empresa e do
trabalho do empreendedor (MAXIMIANO, 2011, p. 17).

Tomar

decisões

é

ter

a

capacidade

de

realizar

a

leitura

do

enquadramento em que se encontra e identificar as características do local ou
público-alvo; além disso, é optar por determinados caminhos que irão
contribuir para o desenvolvimento dos serviços. O decisor deve ter de modo
claro que ele detém encargos inerentes ao futuro e objetivos, a administração
dos recursos e a resolução dos problemas que surgirem (MAXIMIANO, 2011).

�56

2.4 O CAPITAL DE RISCO
É importante racionalizar que o indivíduo pode ser guiado devido às
escolhas que realiza ao fracasso de sua ideia. Uma recomendação ao
empreender, o que não é um imperativo, mas um conselho consciente e eficaz,
e que pode auxiliar durante o planejamento de um novo propósito, é o
chamado “Capital de Risco”. Battini (1985) citado por Santos (1987) diz que
capital de risco equivale à reunião de recursos diferentes, na qual o sujeito se
compromete a ser um associado ativo, aceitando, dessa maneira, se envolver
com os riscos do êxito ou da falência do projeto, estando clara a possibilidade
de perda do recurso disponibilizado. Quando se engendra um novo serviço, é
necessário possuir essa reserva, entendendo que podem haver perdas.

3

A

APLICAÇÃO

DO

EMPREENDEDORISMO

NA

PRÁTICA

BIBLIOTECÁRIA
Munido de tais ferramentas e métodos expostos neste texto, além dos
conhecimentos da área em si, o bibliotecário deve se aventurar em
empreendimentos,

seja

autonomamente

ou

atuando

dentro

de

uma

organização, para alavancar a própria trajetória profissional e oferecer
inovações aos seus clientes. Em muitas conjunturas, o bibliotecário permanece
letárgico, por não contemplar as modificações da jornada profissional e a
usabilidade

da informação

na contemporaneidade, se

distanciando

dos

contextos de seus usuários e da modernização do espaço ou dos serviços e
produtos, que podem ser oportunizados.

3.1 PASSOS PARA EMPREENDER
O primeiro passo que proponho para movimentar essa transformação é
partir do pressuposto de que o bibliotecário necessita de conhecer, com certa

�57

densidade, os usuários reais e potenciais da instituição e/ou do público que lida
fora de um ambiente institucional formal; faz-se necessário conhecer seus
perfis,

preferências,

necessidades,

sugestões

e

melhorias

para

serem

efetuadas. Após a coleta e identificação desses fatores, o profissional da
informação pode aprimorar e adaptar os serviços e produtos que são
disponibilizados, e também ter uma maior percepção do que não é viável
fomentar, por não se encaixar dentro das precisões do usuário. É preciso em
todo o tempo avaliar.
O segundo passo é averiguar quais são os recursos financeiros e
humanos disponíveis, para implementar as modificações e inovações no
ambiente; “existe a quantidade adequada para as circunstâncias?” “Possuo
uma reserva de recursos caso haja algum fracasso no processo?” “Quais são os
riscos?” É importante passar por essa fase, porque é um dos principais
fundamentos para o início dos empreendimentos, e a aplicação do conceito
“Capital de Risco”.
Após essas duas ações, é importante o bibliotecário e sua equipe, se
houver, pesquisarem as principais tendências, novas tecnologias, trabalhos
que podem ser prestados que diferenciem a unidade ou o serviço e,
consequentemente, o profissional, de outros que oferecem o comum, o
ordinário. O bibliotecário deve frequentar encontros, congressos e simpósios,
que retratam as atualidades no campo da informação, nacionalmente e
internacionalmente. Ou seja, estar atento é primordial.
Depois de apreender inúmeras informações, o profissional da informação
deve se reunir com sua equipe ou se for atuante desacompanhado, se
“separar” e ponderar sobre tudo o que foi adquirido informacionalmente. Por
intermédio dessa ação e de todos os passos anteriores, o bibliotecário irá
mapear e controlar os processos que serão desenvolvidos. Em seguida,
elaborará os serviços e produtos; e realizará testes com uma parcela dos
usuários. Se a resposta for positiva, irá averiguar se existe a possibilidade de
aprimoramentos e implementará, oficialmente, o que foi planejado. Se for
negativa, deve buscar refazer ou transformar a dinâmica do trabalho.

�58

3.2 AVALIAÇÃO
Um dos principais erros dos bibliotecários é a ausência de avaliar os serviços,
seja antes ou posteriormente. Os mecanismos de planejamento em torno do
empreendimento devem ser cíclicos. O profissional deve constantemente
analisar e classificar suas funções e negócios, para perceber a qualidade e
satisfação de sua clientela. Almeida (2005) expressa que
a principal função da avaliação é produzir conhecimentos relativos à
unidade de informação, à organização em que esta se situa e a seu
ambiente, para servir de subsídio [...]. A avaliação possibilita a escolha
certa, ou seja, a correta definição dos objetivos no momento da
concepção do plano. Na implementação do plano, produz informações
que contribuem para a maior produtividade e para a melhoria da
qualidade. No final do processo, permite comparar resultados esperados
e conseguidos, conhecer o nível de satisfação do público-alvo [...]
(ALMEIDA, 2005, p. 11).

Tal elocução permite uma perspectiva mais fundamentada e holística,
sem perder de vista todo o processo pelo desenvolvimento e incumbência das
atividades, avaliando os serviços utilizados. A avaliação conscientemente
também impõe metas: de onde se está saindo e aonde se quer chegar com as
transformações que serão inseridas. E o mais notável, permitirá constantes
aprimoramentos

dos

serviços

e

consequentemente,

da

qualidade

e

contentamento do público-alvo, como retratou Almeida (2005).

3.3 O BIBLIOTECÁRIO FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS
Pode parecer que o último subtópico deste texto esteja desconexo do
assunto principal do artigo, porém, detém profunda inerência. Empreender
demandará

do

profissional

da

informação

atualização

acerca

dos

conhecimentos sobre os instrumentos da Biblioteconomia, mas similarmente,
se informar sobre as novas tecnologias. Uma grave dificuldade no campo é que
inúmeros sujeitos têm aprendido das competências biblioteconômicas e
aparelhados das novidades do design e da informática; e porque não dizer da

�59

administração, tem se sobressaído e demonstrado certo perigo à classe dos
graduados em Biblioteconomia.
Isso ocorre pela desatualização dos currículos em grande parte dos
cursos de graduação, e também do conformismo que os profissionais possuem
em relação ao conhecimento adquirido e às novas potencialidades. O
empreendedorismo se mostra como central, nesse cenário. É imprescindível
inovar, estar atento e acompanhar as modificações das necessidades das
organizações, para conceder constante “revaloração” e reconhecimento do
campo. Não são somente os currículos passíveis de críticas das universidades
que contam com o Curso de Biblioteconomia, mesmo porque o procedimento
para remodelá-los é extremamente burocrático. Os profissionais precisam se
mover em direção às novidades, e se reformarem para perpetuar a
atratividade dos serviços, e alavancar o campo para que outros tenham
interesse em se formarem, e as empresas na contratação do profissional.
Há

um

conceito

recente

denominado

de

“economia

criativa”

ou

“economia cultural”, que pode ser definido como a aptidão criativa relacionada
com atividades como design, artes, cinema, entre outros (COSTA; SOUZASANTOS, 2011). Geralmente, esse termo é aplicado em contextos macros, das
grandes metrópoles, porém, como a economia é uma ciência que equivale ao
diagnóstico da produção, distribuição e consumo dos rendimentos e das
propriedades, é passível de aplicação nas ações particulares, mesmo porque,
uma sociedade é composta por vários sujeitos. Empreender caminha lado a
lado da criatividade, da ação de ponderar sobre questões modernas e
renovadoras.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apostar é sinônimo de empreender. Logo, inovar e correr riscos na
sociedade da informação exercendo a prática bibliotecária, em que as
transformações são extremamente rápidas, se faz imprescindível. Ver as
novidades e possibilidades no mercado e as novas oportunidades de aplicação

�60

dos instrumentos com um diferencial demonstrarão a potencialidade da
Biblioteconomia e seus profissionais, nesse novo cenário. A questão é que os
bibliotecários carecem de cessar e de negligenciar seu papel frente ao mercado
e à sociedade, e ocupar os locais que lhe pertencem.
Não somente as bibliotecas, mas as grandes organizações e o próprio
corpo social, diante do tamanho fluxo informacional e a velocidade da criação
de dados, apontam para a indispensabilidade do fazer biblioteconômico. As
grandes empresas precisam de sujeitos que ordenem seus documentos,
mapeiem seus processos, construam seus projetos, classifiquem seus itens,
cataloguem seus objetos e organizem suas informações, mas com a distinção
de realizar todas essas ações, muitas vezes, em sistemas complexos, ou
propor a fabricação dos mesmos, com um olhar organizacional e fluido. Esse
ato pode ser nomeado como empreendedorismo. O bibliotecário, com suas
competências, é capaz de servir ao mercado e contribuir para que as unidades
de informações e empresas, de um modo geral, impulsionem estruturas e
cooperem para o desenvolvimento social e econômico de qualquer que seja a
nação e/ou instituição.

REFERÊNCIAS
ALDAY, H. E. C. O planejamento estratégico dentro do conceito de
administração estratégica. Revista FAE, Curitiba, v. 3, n. 2, p. 9-16,
maio/ago. 2000. Disponível em:
&lt;https://revistafae.fae.edu/revistafae/article/view/505&gt;. Acesso em: 16 nov.
2018.
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de
informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
COSTA, Armando Dalla; SOUZA-SANTOS, Elson Rodrigo. Economia criativa:
novas oportunidades baseadas no capital intelectual. Economia e tecnologia,
Curitiba, v. 25, n. 1-8, abr./jun. 2011. Disponível em:
&lt;https://revistas.ufpr.br/ret/article/view/26832/17797&gt;. Acesso em: 16 nov.
2018.
FILION, Louis Jacques. Empreendedorismo e gerenciamento: processos
distintos, porém complementares. RAE Light, São Paulo, v. 7, n. 3, p. 2-7,

�61

jul./set. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/rae/v40n3/v40n3a13.pdf&gt;. Acesso em: 16 nov.
2018.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Administração para empreendedores.
2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
ROMEIRO, Nathália Lima; SPUDEIT, Daniela. A formação do bibliotecário
empreendedor com foco na gestão de serviços de informação. In: SEMINÁRIO
DE PESQUISA DA FESPSP, 3., Anais eletrônicos… São Paulo: Fundação
Escola e Sociologia Política de São Paulo, 2014 Disponível em:
&lt;https://www.fespsp.org.br/seminario2014/anais/GT5/1_A%20FORMACAO_D
O_BIBLIOTECARIO.pdf&gt;. Acesso em: 16 nov. 2018.
SANTOS, Silvio Aparecido dos (Org.). Criação de empresas de alta
tecnologia, capital de risco e os bancos de desenvolvimento. São Paulo:
Pioneira, 1987.

�62

CAPÍTULO IV
INICIATIVAS DE FOMENTO À CULTURA EMPREENDEDORA NA
BIBLIOTECONOMIA
Daniela Spudeit
Jorge Luiz Cativo Alaúzo
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva
“O empreendedorismo é visto como uma revolução silenciosa que será
para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século
XX”
Jeffry Timmons2

1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
O empreendedorismo é uma temática abordada consistentemente na
área da Administração, mas na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
ainda é um desafio, haja vista a corrente tradicional, o perfil profissional e a
cultura técnica que demarcam a profissão. Contudo, empreender na área de
gestão da informação, que se configura como objeto do fazer profissional do
bibliotecário, é algo que já existe desde a década de 1980, com alguns
bibliotecários pioneiros, conforme indicam as pesquisas desenvolvidas por
Spudeit (2016), Laurindo et al. (2016) e Madalena (2018), recentemente.
Foi pensando nessa conjectura, que, em 2014, começaram algumas
iniciativas na Biblioteconomia para pesquisar essa temática com o objetivo de
reunir as experiências de diferentes bibliotecários e bibliotecárias brasileiros
para socializar e divulgar as boas práticas, consolidar conhecimentos,
desenvolver competências profissionais voltadas para as necessidades reais do
mercado e principalmente, fomentar uma cultura mais empreendedora na

2

Jeffry A. Timmons era um professor americano de empreendedorismo, conhecido como um
pioneiro de pesquisa e educação em empreendedorismo. Durante sua carreira, Timmons
publicou vários livros e mais de cem artigos.

�63

área, ou seja, mais proativa, mais engajada, mais inovadora, mais sustentável
e responsável, socialmente.
Para entender o que é cultura empreendedora, foco deste estudo, é
importante pontuar que a origem do termo empreendedorismo não é recente,
pois remonta ao início do século XVI, com as grandes navegações quando
havia exploração de novas terras e trocas comerciais. Porém, o conceito foi se
construindo ao longo dos séculos e atualmente caracteriza-se como: a)
atividade empreendida por um sujeito ao abrir seu próprio negócio ao perceber
oportunidades para inovar nos serviços e produtos; b) relaciona-se a um novo
perfil e comportamento que deve ser desenvolvido por pessoas de diferentes
áreas, formações e independente de ser funcionário público, privado ou dono
do

seu

próprio

negócio

que

envolve

a

transformação

de

ideias

em

oportunidades para atender demandas específicas de seu ambiente profissional
ou social.
Existem pessoas com perfil empreendedor atuando nas empresas, nas
organizações não governamentais, nas igrejas, nas associações, nas ruas, no
governo, entre outros. Empreender não relaciona-se somente à busca do lucro
financeiro ou capital, mas sim a mobilização de recursos (financeiros, pessoas,
materiais, tecnológicos etc.) para colocar ideias em prática que possam: a)
melhorar o ambiente ou comunidade; b) atender necessidades locais,
regionais, nacionais e internacionais; c) trazer benefícios pessoais, individuais
e

coletivos;

d)

sustentabilidade
instituições.

fazer

a diferença

financeira

Dessa

forma,

para

na

vida

diferentes

torna-se

das

tipos

essencial

pessoas;
de

e

e)

organizações

desenvolver

gerar
e/ou

competências

empreendedoras nas pessoas para que sejam capazes de se engajar e
transformar sonhos em realidades.
Com o objetivo de apresentar algumas iniciativas e fomentar a cultura
empreendedora na Biblioteconomia, essa pesquisa relata algumas experiências
e práticas disseminadas por bibliotecários e bibliotecárias de diferentes regiões
do país que estão disponíveis no Portal EmpreendeBiblio 3 e também das

3

Disponível em: &lt;http://empreendebiblio.com/&gt;.

�64

discussões que teve nas últimas três edições do Fórum de Inovação e
Empreendedorismo na Biblioteconomia (FIEB)4, realizado no Brasil.

2 EMPREENDEDORISMO E A CULTURA EMPREENDEDORA
Foi a partir da década de 1990 que a sociedade passou a usar recursos
tecnológicos de forma mais popular, se tornando acessíveis a uma grande
massa e causando implicações em atividades de ensino e laborais, fortalecendo
ações, programas e iniciativas voltadas ao empreendedorismo a nível mundial
(DORNELAS, 2014).
Dessa forma, atualmente, o empreendedorismo é visto como “uma
revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a Revolução
Industrial foi para o século XX”, segundo Jeffry Timmons (1990 apud
DORNELAS, 2014, p. 7). Ou seja, tem tanta importância e traz inúmeras
transformações socioeconômicas para a sociedade quanto foi a mudança no
modo de produção de manufatura para maquinofatura no século XVIII,
movimento que iniciou na Inglaterra e se expandiu para toda Europa e depois
para demais países.
Jean Baptist Say (1767-1832), economista francês, se referia ao
empreendedor para diferenciar o indivíduo que consegue transferir recursos
econômicos de um setor com baixa produção para um setor com produção
elevada e com maiores rendimentos (DRUCKER, 1987). Ou seja, é aquele que
transforma ideias em oportunidades, aquele que assume riscos e cria algo
novo para fazer a diferença e transformar a realidade em que vive.
As últimas três décadas foram marcadas pelo crescimento da atuação e
de investigações voltadas para o empreendedorismo em nível mundial,
segundo Thomas e Mueller (2000), e mais recentemente na investigação
bibliométrica realizada por Almeida e Zouain (2016) que mostram o aumento
do interesse nas pesquisas e iniciativas acerca do empreendedorismo no
mundo, coadunando com o que Jeffry Timmons pontuou na década de 1990.
4

Disponível em: &lt;http://www.fieb.net.br&gt;.

�65

É importante destacar que existem diversos fatores que explicam esse
movimento empreendedor, como as mudanças do mundo do trabalho
(legislação, tributos, contratos, oferta e demanda, entre outros), a própria
globalização, novas formas de comunicação, informação e de relacionamento
justificam uma postura diferenciada de comportamento na forma de perceber e
entender as relações de trabalho e suas demandas mercadológicas, assim
como o empreendedorismo como objeto de pesquisa.
Nesse

sentido,

é

preciso

incentivar

o

ensino

e

a

formação

empreendedora na Biblioteconomia para que cada vez mais os profissionais
possam aplicar seus conhecimentos e habilidades desenvolvidas em projetos
que agreguem valor cultural para a sociedade ou possam criar e gerir seus
próprios negócios, prestando serviços na área de gestão da informação e
contribuindo para a inovação das empresas e também colaborando para
atendimento de demandas da sociedade.
Foi pensando nisso que algumas pesquisas estão sendo realizadas como
no caso do trabalho “Empreendedorismo na Biblioteconomia e Ciência da
informação: uma revisão de literatura no âmbito nacional e internacional”
apresentado no Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação e
Biblioteconomia (ENANCIB) deste ano que apresenta um panorama das
pesquisas sobre essa temática e também publicado no capítulo do livro
“Inovação em Biblioteconomia: temas transversais”5. No que tange ao ensino,
o trabalho “Formação para o empreendedorismo nos cursos de bacharelado e
licenciatura

em

Biblioteconomia,

Ciência

da

Informação

e

Gestão

da

Informação no Brasil” apresentado no Congresso de Gestão Estratégica da
Informação, Empreendedorismo e Inovação (CGEI)6 e publicado na Revista
Perspectivas em Gestão &amp; Conhecimento7 que analisa como as instituições
brasileiras que ofertam os cursos de Biblioteconomia, Ciência da Informação e

5

Disponível gratuitamente em:
&lt;http://www.editoraargos.com.br/farol/editoraargos/ebook/inovacao-em-biblioteconomiatemas-transversais/707862/&gt;.
6
Disponível em: &lt;http://pgcin.paginas.ufsc.br/2017/02/14/congresso-de-gestao-estrategicada-informacao-empreendedorismo-e-inovacao-cgei/&gt;.
7
Disponível em: &lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pgc&gt;.

�66

Gestão da Informação estão contemplando o ensino de empreendedorismo em
seus currículos.
Além da pesquisa, do ensino, da realização de eventos e projetos
interdisciplinares, o incentivo à criação de empresa júnior no âmbito dos
cursos de Biblioteconomia dentro das universidades também é uma excelente
oportunidade para fomentar uma cultura mais empreendedora na área. Reis
(2017) realizou uma pesquisa sobre empresa júnior na área de Biblioteconomia
e criou uma proposta para implementação na Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro (UNIRIO), ressaltando a necessidade desse espaço dentro da
universidade para promover iniciativas e uma formação mais empreendedora
dentro da Biblioteconomia. Romeiro e Spudeit (2014) citam que, atualmente,
somente 13% dos cursos de Biblioteconomia têm empresa júnior na área para
incentivar os estudantes a empreenderem enquanto ainda estão na graduação,
destacando-se Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal de
Santa Catarina, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de
São Carlos e Universidade Estadual Paulista.
Há também as atividades voltadas para extensão que as universidades
podem realizar para oportunizar uma formação mais empreendedora, pois são
consideradas “incubadoras naturais” de ideias e tem total infraestrutura para
dar

suporte

aos

professores

e

estudantes

no

desenvolvimento

do

empreendedorismo. As universidades precisam entender os problemas e
demandas sociais para buscar soluções por meio da implementação de
projetos.
A instituição de ensino superior, por sua característica de produção e
disseminação do conhecimento, tem um compromisso social em
promover o desenvolvimento tanto dos profissionais que se formam e
passam por ela, como da sociedade de forma ampla. Para esta questão
do empreendedorismo avançar no interior das universidades é vital o
papel dos gestores universitários na orientação para a formação e
disseminação da cultura empreendedora (MELO, 2014, p. 26).

Uma das ações de extensão que podemos citar é o caso do projeto
“Empreendedorismo na Biblioteconomia: ensino, formação e atuação” realizado
no curso de Biblioteconomia na UNIRIO, entre 2014 e 2015, que teve como
objetivo

promover

capacitações

para

desenvolver

competências

�67

empreendedoras. O projeto foi realizado com alunos do curso de Licenciatura
em Biblioteconomia para que os mesmos buscassem subsídios teóricos,
didáticos e metodológicos para promover um curso aberto à comunidade. O
curso foi ministrado em duas edições pelos próprios estudantes de forma
voluntária. Ao longo do curso, foi criada uma apostila com conteúdos,
exemplos e atividades, a qual, posteriormente, resultou na edição do primeiro
livro sobre o assunto “Empreendedorismo na Biblioteconomia” publicado em
2016 pela editora Biblioo, do Rio de Janeiro. Outra ação que resultou do
projeto, foi a criação do Portal EmpreendeBiblio, em 2016, que ainda será
apresentado neste texto.
Também

teve

a

realização

do

projeto

de

extensão

“Práticas

Empreendedoras na Área de Gestão da Informação” feito no âmbito do Curso
de Graduação em Biblioteconomia e da Pós-Graduação em Gestão da
Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina, cujo objetivo é
desenvolver o empreendedorismo na área de gestão da informação, projeto
esse iniciado em 20188. Essas práticas se deram por meio da promoção de
workshops para capacitação profissional ao desenvolvimento de competências
empreendedoras, para formação na elaboração de projetos via Lei Rouanet e
submissão na plataforma SALIC, uso do design thinking no desenvolvimento
de projetos para serviços de informação, aplicação das boas práticas do
PMBOK, no planejamento de serviços de informação, modelagem de negócios
de informação a partir da metodologia CANVAS, uso de metodologias ágeis em
serviços de informação, aplicação do Lean Office na gestão de unidades de
informação, linhas de crédito à inovação e agências de fomento, coaching para
profissionais da informação, entre outros temas relacionados às práticas
empreendedoras e intraempreendedoras na Biblioteconomia.
Dessa forma, acredita-se que estaremos fomentando uma cultura mais
empreendedora que trará benefícios a médio e longo prazo para a visibilidade,
consolidação e fortalecimento da profissão que estará mais próxima das
demandas sociais e mercadológicas, ou seja, de fato cumprindo seu papel na
sociedade.
8

O projeto termina em dezembro de 2019.

�68
A cultura empreendedora é uma estratégia para lidar com as tendências
do mundo do trabalho. O papel de formação de opinião e multiplicação
do saber da universidade possibilita a disseminação da cultura
empreendedora, gerando valores empreendedores que priorizam a
geração e distribuição de riquezas, a inovação, a cidadania, a ética, a
liberdade em todos os níveis educacionais e, acima de tudo o respeito
ao homem e ao ambiente (PORTAL; DUHÁ, 2005, p. 155).

As principais razões para se disseminar a cultura empreendedora são:
auto realização, estimular o desenvolvimento, incidir no desenvolvimento local,
apoiar a pequena empresa, ampliar a base tecnológica, responder ao
desemprego, apontar armadilhas a serem evitadas e reorientar o ensino
brasileiro (DOLABELA, 1999). De acordo com Aiub (2002), uma das estratégias
para a disseminação da cultura empreendedora nas universidades está
fundamentada na formação de docentes para que esses introduzam a temática
do empreendedorismo no conteúdo das diversas áreas do conhecimento. Para
esse autor, a criação dessa cultura está ligada a uma educação empreendedora
que proporcione um ambiente favorável, por meio da formação de pessoas que
estimulem o empreendedorismo.

3 PORTAL EMPREENDEBIBLIO
O Portal EmpreendeBiblio9 surgiu como uma proposta para ser um
espaço para disseminar o conceito e as boas práticas do empreendedorismo na
Biblioteconomia, bem como enfatizar a importância do bibliotecário antever
novas oportunidades de negócios na área de informação frente às demandas
do mercado e da sociedade. Esse canal é um dos resultados de um projeto de
extensão intitulado “Empreendedorismo na Biblioteconomia: ensino, formação
e atuação”, realizado no curso de Licenciatura em Biblioteconomia na
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O projeto teve
uma proposta inovadora, não somente pelo tema que instiga curiosidade, mas
também pelo formato em que o mesmo foi planejado com uma abordagem
interdisciplinar.

9

Disponível em: &lt;www.empreendebiblio.com&gt;.

�69

O Portal reúne notícias e informações sobre empreendedorismo na
Biblioteconomia com sugestões de leituras, divulgação de eventos, artigos
sobre abertura de empresas, incubadoras, investidos, modelos e planos de
negócios, intraempreendedorismo, entre outros. Destaca-se como conteúdo do
Portal, a coluna “Depoimentos” que reúne vídeos com relatos de experiências
de bibliotecários que criaram suas empresas. Nesse espaço, os profissionais
discorrem sobre os desafios, aprendizagens, dão dicas, falam de suas
dificuldades, expectativas e outras informações importantes para quem deseja
empreender na área. Tem também a Coluna “Oportunidades de negócios na
área” que funciona como observatório de boas práticas e socialização de nichos
para quem deseja empreender, apontando demandas do mercado e ideias de
negócios relacionados à gestão da informação.
Para dinamizar o espaço, conta com a participação de colunistas que
eventualmente relatam suas experiências como foi o do bibliotecário Rodrigo
Pereira, CEO da Triagem Consultoria de Mato Grosso do Sul, que abordou
sobre prospecção de clientes. Teve também do bibliotecário Thiago Giordano
Siqueira que relatou sobre a experiência de um projeto social chamado
“Expedição Barco Biblioteca no Amazonas” como um case de empreendimento
social realizado nas comunidades ribeirinhas de Manaus. Também teve uma
coluna com a participação da bibliotecária, proprietária da empresa T-Shirts
Mural, que falou sobre o empoderamento por meio do empreendedorismo na
área.

4

FÓRUM

DE

INOVAÇÃO

E

EMPREENDEDORISMO

NA

BIBLIOTECONOMIA
O FIEB é um evento idealizado por/para bibliotecários empreendedores
de

diferentes

aprendizagem,

regiões
o

do

país

que

compartilhamento

tem
e

a

como

objetivo

troca

de

oportunizar

experiências

a

sobre

empreendedorismo e inovação na Biblioteconomia, reunindo, debatendo e
aproximando bibliotecários do país.

�70

É promovido por um grupo de bibliotecários atuantes em campos dos
mais diversos segmentos e também por alguns docentes do curso de
graduação em Biblioteconomia das mais variadas universidades do país. A
ideia do evento é reunir estudantes de graduação e bibliotecários interessados
em empreender e inovar, vislumbrando novas perspectivas e possibilidades de
atuação em seu campo profissional.
O evento busca discutir temas relevantes relacionados à Biblioteconomia,
assim como as condições das práticas desses em seus ambientes de trabalho,
permitindo o encontro de profissionais da informação dos diversos estados
brasileiros.
As temáticas propostas têm extrema relevância para a compreensão de
que existem diferentes espaços e formas de atuação e ocupação de um
mercado, a partir da promoção de ações que valorizem e aumentem a
perspectiva profissional, criando uma nova identidade a bibliotecários pela
sociedade.
Com essa proposta, a primeira edição do evento aconteceu em São
Paulo, no ano de 2016, e reuniu 116 profissionais de 15 diferentes capitais
brasileiras, com o desejo de compartilhar experiências sobre inovação e
empreendedorismo na Biblioteconomia com o tema “Ações inovadoras nos
múltiplos campos de atuação profissional”. Esse evento ocorreu no auditório da
Biblioteca de São Paulo (BSP) e foi realizado com o apoio da Associação
Brasileira de Profissionais da Informação (ABRAINFO) e da Federação Brasileira
das Associações de Bibliotecários (FEBAB) e teve patrocínio do Conselho
Federal de Biblioteconomia. Além disso, contou com apoio e parceria da Digital
Libraries, Content Mind, Biblioteca de São Paulo, SP Leituras - Governo do
Estado de São Paulo, Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB), Hostel
Paulista, RFID Brasil, EBSCO Host, Agência e Revista Biblioo e BiblioIdeias.
Além de apoiadores e o patrocínio obtido, inovou-se na forma de captar
recursos para um evento da área, quando a organização do evento buscou
apoio solidário para ajudar a custear algumas despesas do evento, já que o
evento é promovido por um grupo de profissionais de forma independente de
instituições da área. Dessa forma, foi criada uma campanha de captação

�71

coletiva na plataforma Benfeitoria10, intitulada “Eu quero apoiar o FIEB”,
disponibilizada num período de 90 dias entre os meses de abril e julho,
indicadas as metas, destinação da aplicação dos recursos, se alcançadas as
metas e recompensas para quem colaborasse. A campanha contou com a
participação de 23 profissionais benfeitores e arrecadou cinco mil e oitenta
reais a partir da ação solidária e colaborativa de profissionais e algumas
empresas da área.
Na primeira edição, o evento teve na programação, a palestra de
abertura com o professor Gil Giardelli que tratou do "E-Futuro? A era digital e a
inovação radical". Em seguida, palestraram ainda Maria José Caixeta de
Oliveira,

consultora

do

SEBRAE

de

São

Paulo,

que

tratou

sobre

“Empreendedorismo como opção de carreira: desafios e oportunidades”.
A série de painéis temáticos com experiências profissionais abordou
temas como “Capital intelectual, Gestão de pessoas e parcerias estratégicas”
com o bibliotecário Fabiano Caruso, sócio-diretor da Personates, idealizador e
gestor da ExtraLibris; teve a bibliotecária Guilma Vidal Viruez, sócia fundadora
da Data Coop, primeira cooperativa da América Latina criada por profissionais
da informação para prestar serviços em Documentação; e também a
bibliotecária Renate Land diretora na Egrégora Inteligência.
Outro

painel

de

experiências

tratou

da

“Apresentação

de

produtos/serviços e prospecção de clientes” com o bibliotecário Diego Abadan,
sócio-fundador

da

Lepidus

Tecnologia,

Neide

de

Sordi,

diretora

da

InnovaGestão – Consultoria em Informação Ltda, Rodrigo Pereira, DiretorProprietário da Triagem Consultoria de Mato Grosso do Sul, e de Todeska
Badke, diretora da EDOC Capacitação.
O terceiro e último painel de experiências relativo ao tema da edição foi
sobre a “Inovação e os novos campos de atuação”, mostrando que as
bibliotecas já não são os únicos espaços da atuação profissional e trouxe a
bibliotecária

Cláudia

Guzzo,

da

Guzzo

Projetos/Solidaridad

Network,

a

bibliotecária Laura Pimentel, que atua com user experience na UOL, e a
bibliotecária Paula Azevedo Macedo, consultora de Inovação na área de design
10

Disponível em: &lt;www.benfeitoria.com/&gt;.

�72

thinking na EMBRAER. Nessa edição, teve também o lançamento do livro
“Empreendedorismo na Biblioteconomia” organizado por Daniela Spudeit e
editado pela Biblioo.
No ano de 2017, foi a vez do Rio de Janeiro sediar o evento, cujas
novidades foram: o planejamento de um Tour à Feira Internacional do Livro e
um Bibliotour cultural em que os participantes foram acompanhados por dois
guias turísticos percorrendo museus, bibliotecas e principais pontos do Rio de
Janeiro. A outra novidade dessa edição foi a submissão de trabalhos
relacionados ao tema, cujos autores submeteram cases conforme orientações
de edital e quatro deles foram aprovados e disponibilizados em galeria digital
no site do evento.
Nessa segunda edição, reuniu 101 participantes e o tema “Atitude
empreendedora”

foi

direcionado

para

identificação

de

características

profissionais que desmistificam o ato de empreender à abertura de empresas
ou de negócio próprio, principalmente quando o insumo da prestação de
produtos e serviços está relacionado ao contexto informacional.
O evento aconteceu no auditório da Associação Comercial do Rio de
Janeiro, no segundo sábado de setembro. Teve o apoio da REDARTE, FEBAB,
ACB, SEBRAE-RJ, Anjos do Brasil, Agência Biblioo, Mural Interativo do
Bibliotecário, Data Coop, Rio Criativo e For All Assinaturas e livros Ltda.
Também teve patrocínio exclusivo do Conselho Federal de Biblioteconomia.
A programação da edição contou com três palestras: uma sobre
“Empreendedorismo Informacional na era da Mobilidade” proferida por Cláudio
Starec, jornalista e professor dos programas de Pós-Graduação da ESPM e da
Fundação Getúlio Vargas (RJ); depois teve a fala “O pitch (quase) perfeito para
alavancar o sucesso” do professor Fábio Moreira, professor e empreendedor
atuando na empresa FM Treinamentos e Palestras, e por fim, a palestra de Didi
Guerreiro da Escola Rio Criativo sobre a “Economia Criativa e o papel das
incubadoras para novos empreendimentos”.
Duas

foram

as

mesas

redondas

realizadas:

uma

sobre

“Empreendedorismo em múltiplos campos de atuação” que contou com a
presença de Chico de Paula da Agência Biblioo, Thalita Gama relatando sua

�73

experiência com a criação do Blog Santa Biblioteconomia, Alex Branco da GED
Brazil Tecnologia e Inovação e Alisson de Castro da ABRAINFO. A segunda
mesa foi sobre o “Intraempreendedorismo e Inovação em múltiplos campos de
atuação” com Leandro Pacheco do SEBRAE (RJ), Andréa Nascimento do Wood
Mackenzie e Leonardo Souto do BNDES.
Finalizando a programação do evento e ressaltando algumas percepções
e estereótipos que os líderes de negócio têm sobre o bibliotecário e seu
trabalho, foi apresentado um case internacional com Norma Palomino, chefe de
Serviços

Bibliotecários

no

Banco

Interamericano

de

Desenvolvimento

(Washington, DC, USA) que, por webconferência, falou sobre “Como a atitude
empreendedora recria a identidade do bibliotecário”
Em 2018, o evento ampliou ainda mais as discussões sobre inovação e
empreendedorismo em suas diversas vertentes na região de Mato Grosso do
Sul, tendo como tema “Empreendedorismo social”. Contando com painelistas
de destacada atuação nacional na área, o evento reuniu 88 profissionais das
diversas capitais brasileiras. Ocorreu no auditório da Santa Casa, em Campo
Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 08 de setembro de 2018, com apoio da
Triagem Consultoria, SEBRAE/MS, Content Mind Capacitação Profissional,
FEBAB, Santa Casa, Associação Profissional de Bibliotecários de Mato Grosso
do Sul (APBMS) e patrocínio da Bibliotheca e do Conselho Regional de
Biblioteconomia da 1º Região.
A

programação

contou

com

palestra

de

abertura

intitulada

“Empreendedorismo social focado em negócios de impacto social” com Leandra
Costa, consultora SEBRAE e diretora do Living Lab (MS). Também teve duas
mesas temáticas, sendo a primeira sobre “Empreendedorismo social feminino
na Biblioteconomia” com a participação de Franciele Garcês da Umanus (MG),
Catia Lindemann da FEBAB e presidente da Comissão Brasileira de Bibliotecas
Prisionais (RS), e da bibliotecária Ketty Valencio da Livraria Africanidades (SP),
mediada

por

Nathalia

Romeiro

(RJ).

A

segunda

mesa

foi

sobre

“Intraempreendedorismo social em bibliotecas e projetos de leitura” com a
presença da bibliotecária Paola Nascimento (SC), do bibliotecário Thiago

�74

Giordano, que falou sobre o projeto Expedição Barco Biblioteca do Amazonas,
do bibliotecário Leonardo Vieira (MS) e mediação de Alyson Souza.
A novidade dessa edição foi a submissão, avaliação e apresentação oral
de cases sobre empreendedorismo social no evento. O primeiro trabalho
apresentado

foi

“A

sala

de

leitura

comunitária

como

facilitadora

do

empreendedorismo social” de autoria de Flávia Aparecida Alencar Muglia
Pelegrinelli. O segundo contemplou “O empreendedorismo no contexto de
formação do aluno graduando e pós-graduando” de Maria Cristina Palhares e
de Marcelo Dias de Carvalho. A pesquisa do terceiro foi sobre “A gestão da
propriedade intelectual na Fundação Ezequiel Dias: um rumo à gestão da
inovação” de Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Marina Rezende Santos
Coelho, Marina Vasconcelos Vilaça Santos e Rodrigo Souza Leite. Por fim, o
case “Marketing de relacionamento: estudo de caso da associação dos
bibliotecários de Goiás” de autoria de Lays Sousa Amaral e Tainá de Sousa
Gomes. Todos os trabalhos apresentados tiveram mediação da Coordenadora
da Comissão Técnica e Científica, professora Daniela Spudeit (SC), sendo
reunidos

numa

coletânea

empreendedorismo

social

publicada
da

Revista

em

uma

Brasileira

edição
de

especial

sobre

Biblioteconomia

e

Documentação (RBBD) da FEBAB.
Em relação às últimas edições do evento, percebe-se que as temáticas
destacam as diferentes oportunidades de negócios na área informacional e a
necessidade de atuação de bibliotecários em novos nichos de mercado.
Ressaltam a importância da atitude empreendedora e da boa comunicação no
perfil dos empreendedores que pretendem ocupar novos mercados e o cenário
do empreendedorismo social que se relaciona a pensar globalmente, mas agir
localmente buscando estratégias e parcerias para melhorar o ambiente em que
vivem. O empreendedor social tem uma preocupação além do capitalismo ou
acumulação de lucro, pois produz soluções e serviços para resolver problemas
sociais.
Realizadas três edições e definida a cidade de Curitiba como sede do
evento em 2019, evidencia-se que o evento tem aproximado geograficamente
os participantes que buscam interação e novos aprendizados a partir de

�75

relatos, debates, mesas temáticas e cases sobre o tema. Entre esses temas,
alguns são relevantes e emergentes, sendo destacados na figura 1, a seguir.
Figura 1 - Nuvem de tags com temáticas do FIEB

Fonte: Autoria própria (2018).

No que diz respeito ao perfil dos participantes e dos palestrantes, é
possível perceber que nas três edições o evento reuniu um total de 305
participantes de 20 estados brasileiros. Cumpre dizer que as cidades que
sediam o evento acabam tendo um número representativo de inscritos, seja
pela existência de instituições que oferecem cursos de áreas afins com
interesse no tema, seja pelas parcerias firmadas com instituições locais, entre
elas, aquela que sedia o local do evento, cuja contrapartida, amplia ainda mais
o número de participantes do estado.
O percentual de participantes por estado, dentre o total de inscritos nas
últimas três edições do Fórum, são indicados no gráfico 1, a seguir.

�76
Gráfico 1 - Percentual de participantes por estado nas edições do FIEB

Fonte: Autoria própria (2018).

No que tange aos desafios futuros, percebe-se que existe a necessidade
de promover novas edições em cidades da região norte, nordeste e também no
sul do país para oportunizar que pessoas de outras regiões possam ir ao
evento e também firmar parcerias com instituições que desejam fomentar uma
cultura mais empreendedora na Biblioteconomia.
Também é premente observar que o formato do evento organizado por
um grupo de bibliotecários de diferentes lugares do país de forma autônoma
das instituições da área apresenta benefícios, pois confere uma independência
no que tange à programação, ações, parcerias, dinâmicas do evento e até
mesmo na forma de captação de recursos.
Entretanto, a captação de recursos para organizar as próximas edições
do evento é algo que precisa de atenção maior das comissões organizadoras
para viabilização e sustentabilidade financeira do evento, principalmente no
que tange às parcerias firmadas. Alguns editais para apoio a eventos (como
das fundações de amparo à pesquisa, CAPES, CNPq, entre outras) privilegiam
eventos científicos e/ou promovidos por instituições renomadas da área. Então,
é necessário que se pense em alternativas viáveis para captar recursos de
diferentes formas para pagamento de despesas com palestrantes e demais
custos envolvidos.

�77

5 BREVES CONSIDERAÇÕES
Empreender remete à ação de pessoas que realizam algo, mobilizam
recursos e correm riscos para colocar suas ideias em prática, seja como
funcionários dentro de empresas e organizações públicas, ou como donos dos
seus próprios negócios, denotando a necessária e oportuna importância de
fomentar uma cultura empreendedora na área de Biblioteconomia.
Esse fomento às iniciativas empreendedoras na Biblioteconomia vem
sendo fortalecido pela difusão de publicações, divulgação de pesquisas, pela
criação de portais e eventos sobre o tema que, consequentemente, aproximam
um número cada vez maior de profissionais participantes de diferentes
instituições e regiões do país. O crescente interesse amplia a realização de
pesquisas/atividades ligadas às práticas bibliotecárias que oportunizam maior
visibilidade à profissão e contribuem para a formação de uma geração de
bibliotecários mais proativos, engajados e inovadores que buscam uma
atuação mais sustentável e responsável, socialmente.
É possível identificar na Biblioteconomia muitos profissionais que têm
perfil empreendedor com uma consciência social coletiva que desenvolvem
ações e projetos, de forma voluntária ou não, voltados à melhoria da
educação, acesso à informação, promoção da leitura e da cultura, contribuindo
para a visibilidade das ações da Biblioteconomia para a sociedade, fortalecer a
responsabilidade social da profissão e para o alcance de alguns objetivos de
desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU (principalmente os
objetivos 4 e 10).
Dessa forma, este capítulo apresentou algumas iniciativas para fomentar
a cultura empreendedora na Biblioteconomia, relatando experiências e práticas
disseminadas por bibliotecários e bibliotecárias de diferentes regiões do país
que estão disponíveis no Portal EmpreendeBiblio e também das edições do
FIEB realizadas no Brasil para que inspirem outros profissionais, universidades
e instituições da área.
É

preciso

incentivar

o

ensino

e

a

formação

empreendedora

na

Biblioteconomia para que, cada vez mais, os profissionais possam aplicar seus

�78

conhecimentos e habilidades desenvolvidas em projetos que agreguem valor
cultural para a sociedade ou possam criar e gerir seus próprios negócios,
prestando serviços na área de gestão da informação e contribuindo para a
inovação das empresas e também colaborando para atendimento de demandas
da sociedade. Assim como aconteceu com a Revolução Industrial do século
XVIII, o Empreendedorismo também é um caminho sem volta.

REFERÊNCIAS
AIUB, George Wilson. Inteligência empreendedora: uma proposta para a
capacitação de multiplicadores da cultura empreendedora. 2002. 106f.
Dissertação (Mestrado) - Centro Tecnológico, Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2002. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/83109 &gt;. Acesso em: 05
dez. 2018.
ALMEIDA, G. O.; ZOUAIN, D. M. Mapeamento da literatura sobre
empreendedorismo: uma abordagem bibliométrica. Biblionline, v. 12, n. 2,
2016. Disponível em: &lt;http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/v/a/20156&gt;.
Acesso em: 06 dez. 2018.
DOLABELA, Fernando. Oficina do Empreendedor. 6. ed. São Paulo: Cultura,
1999.
DORNELAS, J. C. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2014.
DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor: entrepreneurship. São
Paulo: Pioneira, 1987.
LAURINDO, Kariane et al. Empresas criadas por bibliotecários no Brasil: uma
análise em relação ao perfil e ramos de atuação. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 676-696,
ago./nov. 2016. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1209/pdf&gt;. Acesso em: 01 dez.
2018.
MADALENA, Críchyna da Silva. Competências empreendedoras para
prestação de serviços de informação por bibliotecários no Brasil. 2018.
240f. Dissertação (Mestrado em Gestão da Informação), Universidade do
Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.

�79

MELO, Michelle Bianchini de. Cultura empreendedora na Universidade
Federal de Santa Catarina: o Centro Tecnológico como espaço de práticas
empreendedoras. 2014. 137f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão
do Conhecimento), Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/128799/3297
53.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y&gt;. Acess em: 10 dez. 2018.
POLEZA, Mariangela et al. Formação para o empreendedorismo nos cursos de
bacharelado e licenciatura em Biblioteconomia, Ciência da Informação e Gestão
da Informação no Brasil. Revista Perspectivas em Gestão &amp;
Conhecimento, João Pessoa, 2019 (no prelo). Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pgc&gt;.
REIS, Andreza Santos dos. Empresa júnior em Biblioteconomia: proposta
de implementação de empresa júnior para a Escola de Biblioteconomia da
UNIRIO. 2017. 100f. Trabalho de conclusão de curso (Curso de
Biblioteconomia), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2017. Disponível em:
&lt;http://www.unirio.br/unirio/cchs/eb/arquivos/Andreza%20Santos%20dos%2
0Reis.pdf&gt;. Acesso em: 05 dez. 2018.
ROMEIRO, Nathália Lima; SPUDEIT, Daniela. A formação do bibliotecário
empreendedor com foco na gestão de serviços de informação. In: SEMINÁRIO
DE PESQUISA DA FESPSP, 3., 2014, São Paulo. Anais... São Paulo: Fespsp,
2014. p. 1-17. Disponível em:
&lt;https://www.fespsp.org.br/seminario2014/anais/GT5/1_A%20FORMACAO_DO
_BIBLIOTECARIO.pdf&gt;. Acesso em: 02 dez. 2018
SPUDEIT, Daniela (Org.). Empreendedorismo na Biblioteconomia. Rio de
Janeiro: Biblioo, 2016.
SPUDEIT, Daniela et al. Empreendedorismo na Biblioteconomia e Ciência da
informação: uma revisão de literatura no âmbito nacional e internacional. In:
INOMATA, Danielly Oliveira; TREVISOL NETO, Orestes (Org.). Inovação em
Biblioteconomia: temas transversais. Chapecó: Argos, 2018. Disponível em
&lt;http://www.editoraargos.com.br/farol/editoraargos/ebook/inovacao-embiblioteconomia-temas-transversais/707862/&gt;. Acesso em: 06 dez. 2018.
THOMAS, A. S.; MUELLER, S. L. A Case for Comparative Entrepreneurship:
Assessing the Relevance of Culture. Journal of International Business
Studies, v. 31, n. 2, p. 287-301, 2000.

�80

PARTE II

DESINSTITUCIONALIZAÇÃO
DA BIBLIOTECONOMIA

�81

CAPÍTULO V
DESINSTITUCIONALIZANDO O BIBLIOTECÁRIO E A BIBLIOTECA: PARA
ALÉM DOS MUROS DAS INSTITUIÇÕES11
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
A evolução da biblioteca e do bibliotecário reforça, cada vez mais, o
potencial deles no desenvolvimento da sociedade. Ao longo do tempo, esse
profissional e a instituição tradicional a que está comumente acostumado em
trabalhar, a biblioteca, vêm sofrendo transformações, de modo a adequar-se
às necessidades da sociedade.
Esse

fato

demonstra

que

a

área

da

Biblioteconomia

tem

uma

característica peculiar e de suma importância: a capacidade em se adaptar. Ou
seja, mesmo, no decorrer dos períodos históricos, em vez de ser substituída ou
até mesmo de desaparecer - como pode ocorrer com qualquer profissional
e/ou instituição – ele/ela se fortalece, sobretudo por ter um potencial para a
inovação.
Dentre os principais aspectos que garantem essa possibilidade de
adaptação, de inovação, de crescimento, enfim, de desenvolvimento, diz
respeito à desinstitucionalização. A desinstitucionalização da informação, como
discorrido por Lancaster (1983), é um acontecimento promovido pela evolução
dos suportes tecnológicos, sobretudo no que tange à criação das bases de
dados

e

sistemas

de

recuperação

de

informação,

cada

vez

mais

automatizados.

11

Este texto teve os resultados parciais publicados na Revista ACB, em 2015. Algumas
adaptações foram realizadas e outros resultados foram acrescentados para esta nova
publicação.

�82

Desinstitucionalizar a informação, segundo esse autor, é sair de um
único suporte, tornando a informação dinâmica, a ponto de ser acessada em
diferentes formatos, visto que adquire uma nova forma. Além disso,
desinstitucionalizar a informação é fazer com que ela possa ser acessada fora
dos ambientes das instituições.
Essa profecia proclamada por Lancaster (1983) é confirmada nos dias de
hoje, com o surgimento da internet. É possível, com a utilização dos recursos
digitais, possibilitar a construção de ambientes interativos, em que a
informação, ao mesmo tempo em que torna-se mais acessível, também pode
ser compartilhada, rompendo-se as limitações de tempo e de espaço.
É como nos ensina Lévy (2010) acerca do surgimento de um novo
espaço de interação entre as pessoas e os recursos informacionais. O
ciberespaço é um ambiente que congrega diferentes partes do mundo, onde as
pessoas podem manter contatos e compartilhar informações, conhecimentos,
além de realizar práticas sociais das mais diferenciadas. Nesse novo ambiente
de convivência, o ciberespaço, surge uma cultura embasada no digital, a
cibercultura, a qual se configura como uma tendência do século XXI que afeta
as pessoas e as instituições dessa atual sociedade.
A cibercultura é a cultura do digital, mediada por meio dos recursos
tecnológicos e manifestada no ambiente digital. Trata-se de uma tendência a
se consolidar cada vez mais, “[...] que inevitavelmente modifica hábitos
sociais, práticas de consumo cultural, ritmos de produção e de distribuição da
informação e cria novas formas de sociabilidade e de comunicação social [...]”
(LÉVY, 2010, p. 22).
A partir dessa contextualização, e considerando como base de discussão
os

conceitos

de

desinstitucionalização

da

informação,

ciberespaço

e

cibercultura, este texto toma forma ao relacionar esses conceitos com as
transformações que o bibliotecário e as bibliotecas sofreram ao longo dos
tempos.
O foco da discussão aqui proposta não está no aprofundamento dos
conceitos mencionados, mas, por meio deles discorrer acerca das novas
características, perfil almejado, competências e habilidades profissionais, por

�83

conseguinte, novos campos de atuação que surgem para o bibliotecário na
sociedade contemporânea.
Assim, entende-se que os bibliotecários, devido à capacidade de
transformação

e

adaptação

que

possuem,

adéquam-se

a

diferentes

ambiências, ampliando seu campo de atuação ao exercer atividades variadas,
seja no âmbito das bibliotecas convencionais quanto nas digitais, seja em
centros de documentação, no gerenciamento da informação organizacional,
podendo atuar também, na prestação de serviços informacionais, com uma
postura autônoma e empreendedora.
O presente artigo objetiva refletir a evolução das competências,
habilidades e atribuições do bibliotecário ao longo dos tempos, sobretudo no
que se refere aos reflexos da sociedade contemporânea. Para tanto, o estudo
utiliza os seguintes objetivos específicos: contextualiza a trajetória evolutiva
das bibliotecas; apresenta as transformações oriundas com o uso das
tecnologias da informação e comunicação (TICs); reflete acerca das novas
competências e habilidades do bibliotecário na atualidade; e, por fim, expõe os
novos campos de atuação bibliotecária, enfatizando as novas práticas advindas
com a prestação de serviços.

2

TRAJETÓRIA

EVOLUTIVA

DAS

BIBLIOTECAS:

DE

DEPÓSITO

A

CENTROS DE DISSEMINAÇÃO
A produção de conhecimento constitui uma das atividades mais marcante
durante o desenvolvimento das civilizações humanas. O homem produz
conhecimento desde o momento que se relaciona com o ambiente externo, na
tentativa de modificá-lo, viabilizando formas mais facilitadas de vivência e
convivência.
Nas sociedades orais, a transmissão de informações consolidava-se por
meio da fala. A produção de conhecimento, genericamente, era viabilizada
mediante os encontros ou eventos presenciais, em que eram transmitidas as
experiências, vivências, sucessos e fracassos alcançados pelos grupos sociais.

�84

Esse momento fortemente marcado pela oralidade constitui um dos primeiros
estágios de produção e transmissão de conhecimento humano, denominado de
oralidade primitiva (LEVY, 1993).
No entanto, a produção de conhecimento começa a crescer à medida que
o homem criou formas de representação da informação que o cercava e
conseguindo, por meio do registro, transmiti-la para gerações futuras. Essa
capacidade ampliou as possibilidades de armazenamento e transmissão da
informação entre diferentes povos, concretizado com o uso dos canais de
comunicação.
A transmissão de informação gera conhecimento à medida que modifica
um contexto, uma realidade humana, eliminando problemas existentes,
facilitando as relações entre humanos e natureza e, garantindo para o
desenvolvimento

da

civilização.

Por

meio

do

registro,

divulga-se

o

conhecimento para outrem, o que viabiliza a perpetuação das culturas criadas
por diferentes grupos. McGarry (1999) afirma que se não houvesse registro e
as pessoas instruídas de um grupo fossem eliminadas por uma catástrofe, a
identidade do grupo estaria em grave perigo de desaparecimento.
A prática de registrar é típica dos povos pré-históricos, utilizando essas
sociedades de signos primitivos, normalmente em forma de desenhos
realizados nas cavernas a respeito dos grandes eventos por eles realizados.
Essa capacidade em exteriorizar seus fazeres, extrapola as potencialidades do
poder da memória humana, sustentada unicamente pela mente, para tornar-se
uma memória externalizada (memória exossomática), que significa, grosso
modo, fora do corpo (MCGARRY, 1999).
Embora as diversas sociedades existentes foram se desenvolvendo com
base no conhecimento que produziam, os povos ágrafos não tinham as
mesmas condições apropriadas para viabilizar mudanças, como aconteceu a
partir da criação da escrita. A escrita revolucionou as formas de representação
e armazenamento da informação, antes condicionada com o uso da memória,
o que permitia que muitas informações fossem perdidas com facilidade.
Os registros escritos permitem o “congelamento” da fala, tornando a
informação registrada e podendo ser recuperada em momentos futuros. Os

�85

registros para serem formados precisam dos signos que, por sua vez, precisam
de um suporte tecnológico a fim de materializar os códigos que representam as
informações (MCGARRY, 1999).
Segundo esse autor, diversos suportes foram utilizados para armazenar
informação, sendo eles, a fim de não serem perdidos, armazenados em
espaços específicos, constituindo durante toda a Antiguidade, as tradicionais
bibliotecas, locais destinados à pesquisa e à meditação, prática realizada de
modo especial, na ampliação do conhecimento filosófico.
Esses acontecimentos representam a gênese das bibliotecas, embora
possuindo características e contextos bem diferenciados da biblioteca que se
desenvolveu em meio aos paradigmas instituídos pelas revoluções científicas e
tecnológicas dos períodos históricos que se sucederam. Para Morigi e Souto
(2005, p. 190),
desde as primeiras bibliotecas, essa palavra tem sido empregada para
designar um local onde se armazenam livros. Porém, nem sempre foram
livros os materiais que preenchiam as bibliotecas. Historicamente, os
suportes para a informação variaram de formato seguindo a tecnologia
utilizada pelo homem. Já foram usados materiais como tabletas de
argila, rolos de papiro e pergaminho e os enormes códices que eram
enclausurados nos mosteiros medievais.

Em linhas gerais, as bibliotecas existentes na Antiguidade possuíam um
fim único, voltado a assegurar a grande produção intelectual desse período.
Assim, nessa época, o conhecimento produzido pelas ciências era armazenado
nas bibliotecas de modo a ser conservado, tendo em vista ser recuperado em
momento futuro, garantindo, dessa forma, para a preservação da memória
coletiva dos povos antigos.
No entendimento de Milanesi (2002, p. 9), as coleções armazenadas nas
bibliotecas da Antiguidade visavam a “[...] buscar-o-que-foi-guardado e de
guardar-o-que-foi-registrado
atividades

essas

que

(e

de

objetivavam

registrar-o-que-foi-imaginado)
“[...]

manter

viva

a

[...]”,

memória

da

humanidade, forma essa em constante aperfeiçoamento”.
Para Martins (2001), as bibliotecas da Antiguidade diferenciavam-se
entre si, não pela modalidade de usuários, uma vez que essa unidade não se
preocupava com a disseminação da informação (preocupação maior era com a

�86

preservação/conservação do material produzido), mas pela divisão, conforme
os tipos de suporte que acondicionavam as informações.

Inicialmente, era

mais comum encontrar bibliotecas minerais e, posteriormente, foram criadas
bibliotecas vegetais e minerais.
Na Idade Média, as bibliotecas continuaram exercendo sua função
voltada

para

a

custódia

da

informação,

constituindo

um

local

para

armazenamento/depósito do saber. No entanto, em virtude da hegemonia da
Igreja em relação ao poder social, evidenciou-se uma sociedade teocêntrica,
cuja atividade econômica mais intensa era a agricultura.
Assim, a produção de conhecimento desse período foi reduzida e as
bibliotecas tornaram-se espaços limitados, direcionados aos monges, que
zelavam pelas coleções produzidas pelos filósofos. Nota-se que, a atividades de
leitura, de pesquisa e de produção de conhecimento era restrita a pessoas
autorizadas pela Igreja, tendo os monges o papel essencial na guarda e
preservação das obras existentes no acervo. Nesse contexto,
o acesso a esses acervos guardados nos mosteiros limitava-se aos que
pertenciam a ordens religiosas ou eram aceitos por elas. Ler e escrever
eram habilidades quase exclusivas dos religiosos e não se destinavam a
leigos. Os monges contabilizavam o seu capital pelo tamanho e
quantidade de suas bibliotecas [...] (MILANESI, 2002, p. 23).

Durante a Idade Média, as bibliotecas limitaram-se à estocagem dos
acervos, destacando-se como atividades maiores dos monges copistas: o
armazenamento, acondicionamento, preservação e conservação de livros
(MARTINS, 2001).
No final da Idade Média, com o crescimento dos mosteiros voltados para
a formação de religiosos, surgem as primeiras universidades, fato esse que
desencadeia a necessidade de ampliar o acesso ao conhecimento armazenado
nas bibliotecas. Aparecem as primeiras bibliotecas universitárias, estando elas
ligadas

às

ordens

religiosas,

porém

questionava-se

seu

valor

como

propagadoras apenas da religiosidade. Não resta dúvida de que, essas
bibliotecas “[...] são as que mais se aproximavam do conceito atual de
biblioteca como espaço de acesso e disseminação democrática de informação”
(MORIGI; SOUTO, 2005, p. 191).

�87

No entanto, algumas revoluções do século XV serviram de base para
romper as concepções disseminadas pela Igreja, nascendo, assim, um novo
período histórico, a Idade Moderna, fortalecida com as ideias renascentistas, o
estabelecimento do Estado laico e as conquistas advindas das Grandes
Navegações.
Além desses acontecimentos, a invenção da imprensa por Gutemberg
representa o nascimento de uma nova era, aumentando a distribuição de
informação, por conseguinte, favorecendo a democratização da informação
mundo afora, aumentando as possibilidades de acesso a um número ilimitado
de registros impressos. Essa inovadora tecnologia desencadeou uma revolução
nas comunicações, alargando consideravelmente a circulação da informação, o
que provoca alterações nos modos de pensar e nas interações sociais
(RIBEIRO; CHAGAS; PINTO, 2007).
A partir da tecnologia da impressão e o fim da Idade Média, as
bibliotecas deixam de ser administradas por religiosos, tornando-se, aos
poucos, locais públicos, de fácil acesso, e o conhecimento vai sendo propagado
mundo afora (BURKE, 2003).
Nessa época, a biblioteca adquire uma nova concepção: em vez de
somente armazenar, ela oferece a informação, favorecendo, com isso, seu
crescimento acelerado nos séculos que se sucederam, tendo forte influência
das grandes revoluções sociais ocorridas ao longo dos tempos modernos
(BURKE, 2003).
Até essa reviravolta, os paradigmas na qual se apoiavam as instituições
bibliotecárias consideravam a biblioteca como uma unidade de informação
voltada para a custódia, caracterizada como um depósito de livros trancados e
acorrentados. No entanto, as revoluções do período moderno rompem com
essa tradição, tornando a biblioteca um espaço democrático, vislumbrando
uma nova modalidade de biblioteca, a biblioteca pública, na qual está
preocupada com a comunidade em que está inserida e para quem são
destinados seus produtos e serviços de informação (MORIGI; SOUTO, 2005).
Vê-se que a tecnologia da impressão foi o estopim para condicionar as
grandes transformações que deram origem ao desenvolvimento do Estado

�88

Moderno

e

a

independência

de

muitas

colônias,

tornando

as

nações

independentes em busca de crescimento social, econômico e tecnológico.
No âmbito das bibliotecas, após o surgimento do Estado laico, o
conhecimento

passa a ser

dominado

pelo

Estado,

sendo

a biblioteca

frequentada por indivíduos pertencentes às classes elitizadas, que de alguma
forma, exerciam poder de dominação na sociedade (BURKE, 2003). É
importante destacar também que, o acesso às bibliotecas era limitado a uma
minoria pelo fato de haver altos índices de analfabetismo nessas sociedades
(MCGARRY, 1999).
No século XVIII, a partir das ideias iluministas e com os princípios
estabelecidos pela Revolução Francesa, sustentada nos lemas da liberdade,
fraternidade e da igualdade, novos paradigmas passam a ambientar as
bibliotecas.

Além

dos

ideais

franceses,

o

crescimento

do

número

de

publicações, sobretudo com o surgimento do periódico científico (MUELLER,
2000), desperta uma nova modalidade de biblioteca, permeada pelos
processos de democratização e socialização do conhecimento, tornando a
biblioteca uma instituição democrática, voltada para resolução dos problemas
sociais (MARTINS, 2001).
A explosão bibliográfica representou o fator que mais repercutiu nas
transformações

em

que

passam

as

bibliotecas

na

contemporaneidade.

Considerada por muitos como um fenômeno comum as todas as áreas do
conhecimento e talvez a característica mais visível das literaturas científicas,
ela pode ser definida como “[...] a quantidade crescente de documentos
científicos produzidos e a rapidez com que esse número aumenta. Esse
fenômeno não é novo, pois vem ocorrendo de maneira exponencial desde o
estabelecimento da ciência moderna e da publicação dos primeiros periódicos,
no fim do século XVII” (SOLA PRICE, 1963 apud MUELLER, 2000, p. 21).
Ora, durante os quatro grandes períodos da história das civilizações,
percebe-se que a biblioteca esteve a serviço da informação, no entanto
tratando-a de diferentes formas: nos três primeiros estágios, as práticas
bibliotecárias eram voltadas com mais vigor para a guarda, conservação e
preservação da informação registrada, tendo o fim de fornecer ao usuário,

�89

quando necessário, a posse do item informacional (SANTA ANNA, 2013a). Na
Idade Contemporânea, essa preocupação ainda existe, todavia, as bibliotecas
preocupam-se em viabilizar o acesso à informação registrada (figura 1).
Figura 1 – A informação e as bibliotecas ao longo dos tempos
IDADE ANTIGA

IDADE MÉDIA

IDADE MODERNA

GUARDA/CONSERVAÇÃO/POSSE

CONTEMPORANEIDADE

ACESSO

Fonte: O autor, com base em Martins (2001), Milanesi (2002) e Santa Anna (2013a).

Analisando o trajeto histórico das bibliotecas após o surgimento da
imprensa, entende-se que essas instituições entraram em um processo de
aperfeiçoamento tecnológico, fato esse que contribuiu no despertar da
explosão bibliográfica.
O desenvolvimento tecnológico e os novos paradigmas instituídos pela
sociedade contemporânea favorecem a concepção de ideias inéditas a respeito
da disseminação da informação e seu uso pela sociedade, em face das novas
necessidades impostas pelo espaço social, pautado na informação como
insumo básico no desenvolvimento pessoal, cultural e econômico de uma
nação. Nesse contexto, a biblioteca também é influenciada por essas novas
ambiências, redefinindo suas políticas, seus objetivos, seus métodos, técnicas
e procedimentos de trabalho (MORIGI; PAVAN, 2003).
Martins (2001) traça uma linha imaginária dos quatro estágios evolutivos
das bibliotecas, com o aparecimento da indústria editorial: laicização,
democratização, especialização e socialização. A laicização diz respeito ao
primeiro momento em que as bibliotecas deixaram de ser gerenciadas pela
Igreja e passaram a ser dominadas pelo poder burguês. A democratização
compreende o período permeado pela Revolução Francesa, motivada por um
sistema social democrático. A especialização decorre da necessidade de

�90

oferecer informação a públicos leitores com necessidades diferenciadas (figura
2).
Figura 2 – Os estágios evolutivos da biblioteca após a invenção da imprensa
SOCIALIZAÇÃO

ESPECIALIZAÇÃO

DEMOCRATIZAÇÃO

LAICIZAÇÃO
CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA EDITORIAL
IDADE MODERNA
Fonte: O autor, com base em Martins (2001).

Desenvolvidos de formas simultâneas, os estágios relacionavam-se entre
si; os três primeiros convergiram para um estágio de maior abrangência, a
socialização, em que a biblioteca “[...] não apenas abriu largamente as portas,
mas ainda saiu à procura de leitores [...]”; as bibliotecas saem do isolamento e
inserem-se na integração desejando “[...] satisfazer as necessidades do grupo,
assumindo-se a postura de um organismo carregado, dinâmico, multiforme da
coletividade” (MARTINS, 2001, p. 325).
Comparando esses fatos com os dias atuais, percebem-se semelhanças
no que diz respeito ao grande volume de informação que é disponibilizada
hoje, principalmente nos meios eletrônicos. Nesse novo contexto da Sociedade
da Informação, tornou-se necessário desenvolver estratégias e proﬁssionais
competentes capazes de selecionar, organizar e recuperar informações
pertinentes aos leitores, sejam eles virtuais ou não (RIBEIRO; CHAGAS;
PINTO, 2007).
No estágio da socialização, os usuários buscam a biblioteca a fim de
adquirem conhecimento a respeito do uso dos novos canais de comunicação
que são instituídos pela evolução tecnológica. Adentrando-se a essa nova

�91

realidade em que as informações passaram a ser disseminadas em outros
suportes que não apenas o livro, especialmente com a disponibilização da
informação na internet, as bibliotecas devem sair “[...] da postura de
armazenadoras de informações para assumir uma postura centrada no
processo de comunicação, o que significa abandonar a filosofia de posse e
investir na filosofia de acesso [...]” (CARVALHO; KANISKI, 2000, p. 37).
Segundo essas autoras, essa nova postura da biblioteca em viabilizar o
acesso envolve um processo de interação entre diferentes indivíduos, de modo
a favorecer o compartilhamento de recursos informacionais, o trabalho em
rede, minimizando pontos deficitários e eliminando barreiras. Santa Anna
(2013a) sinaliza que, o processo de socialização nas bibliotecas representa um
momento de comunhão e ao mesmo tempo de transformação, redefinindo os
propósitos da unidade ao migrar-se da posse informacional ao acesso.
Vislumbra-se, a partir desse discurso, que o papel da internet, o qual
imprimiu um novo espaço de trabalho: o ambiente virtual, desencadeia o
aparecimento de uma nova modalidade de biblioteca, a biblioteca virtual,
oferecendo acesso aos mais diferenciados tipos de informação, socializadas a
partir da conexão entre redes eletrônicas (SANTA ANNA, 2013a).
À medida que as bibliotecas evoluem-se, os bibliotecários que as
conduzem também sofrem diversas transformações, adentrando-se a novos
perfis que requerem competências e habilidades contínuas, com vistas a
adaptarem-se a essas transformações, aprimorando suas capacidades de
gerenciamento em fase dos novos desafios instituídos no bojo dessas unidades
de informação.
Segundo Martins (2001), na contemporaneidade, a biblioteca é fruto das
condições sociais e ideológicas iniciadas na Renascença, proporcionando a
partir dessa época, a figura de um profissional especializado e capacitado para
gerenciá-la. Até meados do século XIX as bibliotecas empregavam eruditos e
escritores para essa função, pois a profissão de bibliotecário ainda não era
reconhecida,

embora

as

práticas

tradicionais

biblioteconômicas

estiveram presentes no contexto dessas instituições.

sempre

�92

Com a democratização da informação, novos paradigmas são instituídos
nas bibliotecas, viabilizando o surgimento do processo de especialização e
socialização. A partir desses últimos estágios evolutivos, as atenções passam a
ser voltadas para as necessidades do público, fator determinante na melhoria
da qualidade dos produtos e serviços oferecidos. A biblioteca torna-se um
organismo vivo e dinâmico, a serviço de públicos diversificados e conduzida
por novas formas de gestão, deixando de atentar-se apenas ao acervo para
direcionar seus propósitos ao usuário, a fim de conhecer melhor suas
demandas (FIGUEIREDO, 1994).

3 OS REFLEXOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS NAS BIBLIOTECAS E NOS
BIBLIOTECÁRIOS CONTEMPORÂNEOS
A evolução das bibliotecas ao longo dos diferentes períodos históricos
constituintes da sociedade humana esteve caracterizada pela utilização de
diferentes tecnologias que contribuíram, e contribuem, para a criação da
informação registrada a compor os diferentes estoques de informação.
Nota-se que as mudanças ocasionadas a essas unidades de informação
dizem respeito à utilização de diferentes aparatos tecnológicos, que além de
armazenarem a informação, tornando-a registrada, também contribuem com a
oferta de diferentes serviços bibliotecários, como exemplo, os catálogos online, os serviços de alertas, as estratégias de busca etc., serviços esses que
favorecem

os

processos

de

armazenamento,

busca,

recuperação

e

disseminação da informação em ambiente digital.
No entanto, essas mudanças não afetam diretamente os propósitos
bibliotecários, que continuam, independente do tipo de tecnologia empregada,
os mesmos: disseminar informação a diferentes públicos e variadas instâncias,
viabilizando a construção de conhecimento.
Segundo Santa Anna (2013a), desde o aparecimento dos primeiros
registros do conhecimento, tendo os tabletes de argila e os rolos de papiro e
pergaminho, a sua máxima representação, até as páginas eletrônicas da

�93

internet, a biblioteca fidelizou-se à sua principal finalidade: organizar,
preservar,

tratar

e

disseminar

informação,

adequando-se

a

usuários,

ambientes e contextos diferenciados.
Na contemporaneidade, a biblioteca está sustentada no paradigma da
socialização, devendo adentrar-se à sociedade em redes, utilizando diversos
canais

comunicativos,

com

vistas

a

tornar-se

interativa

com

outras

instituições, facilitando a transmissão de informação, de forma contínua e
instantânea, rompendo-se barreiras geográficas (MADUREIRA; VILARINHO,
2010).
O uso de tecnologias sofisticadas representa uma alternativa viável e
efetiva, e ao mesmo tempo necessária no gerenciamento da informação
produzida na sociedade. Sem o aperfeiçoamento e utilização desses recursos,
seria impossível gerenciar todo o conhecimento produzido no mundo, de modo
a torná-lo recuperável. O aumento da produção de conhecimento não é algo
recente, mas constitui o resultado de um longo percurso, conforme refletido
por McGarry (1999, p. 90).
Se voltarmos o olhar para a história da informação registrada, a partir
de nossa posição vantajosa do “aqui e agora” [...], veremos uma
torrente de acontecimentos que começou placidamente com a invenção
da escrita, vagueou até a impressão da imprensa, e aí começou a tomar
o aspecto de um rio cauteloso. A capacidade de gravar e transmitir
informações orais, visuais e auditivas aumentou ainda mais a vazão
desse rio até se tornar elegante dizer que estamos sendo “inundados”
por uma torrente de dados e informações (MCGARRY, 1999, p. 90).

Não resta dúvida de que, na atual conjuntura, a biblioteca vem se
constituindo como um espaço destinado a fornecer o acesso a todo tipo de
fonte de informação a qualquer usuário, desprendendo-se as limitações de
tempo e espaço. Esse processo de interação da biblioteca com seus públicos,
sem medir as fronteiras geográficas somente é conseguido com o apoio das
TICs, ocasionando um processo acentuado de “desterritorialização” (SANTA
ANNA, 2013b).
Nesse sentido, as tecnologias da informação representam a possibilidade
mais concreta para expandir a cooperação interinstitucional e com isso ampliar
e diversificar os pontos de acesso à informação. Entretanto, para assumir a
posição de provedora de acesso à informação, as bibliotecas precisam rever

�94

seus

processos,

repensando

a

dimensão

dos

serviços

e

produtos

desenvolvidos, pois o usuário de hoje diferencia-se daquele que “apertava
parafusos” na era industrial (CARVALHO; KANISKI, 2000, p. 37).
Diante da explosão informacional e com o avanço das novas tecnologias,
Cunha (2010) considera que a revolução da biblioteca, nesse contexto, é
permeada por quatro períodos marcantes que são: era tradicional moderna,
era automatizada, era eletrônica e, por fim, a era virtual. A esse respeito,
Santa Anna (2013b) defende que as metamorfoses sofridas pelas bibliotecas
ao longo das eras apontam para uma mudança crucial nas bibliotecas do
terceiro milênio, pois, com o advento da sociedade da informação, essas
organizações adotaram um novo espaço (ciberespaço) e uma nova interface
que amplia a capacidade comunicativa e interativa com os usuários mundo
afora, flexibilizando a atuação do usuário em relação aos serviços e produtos
por elas oferecidos.
O uso do ciberespaço proporciona a ampliação da oferta de serviços e
produtos de informação, favorecendo novas formas de acesso e uso da
informação registrada no ambiente virtual. Surgem, assim, as potencialidades
das bibliotecas digitais, estando elas relacionadas com o acesso por meio de
redes

a

recursos

informacionais

disponíveis

em

sistema

de

base

computadorizada, de modo a despertar “[...] oportunidade de melhoria da
qualidade dos produtos e dos serviços da biblioteca que devem visar à
eficiência, à qualidade, ao serviço orientado ao usuário e ao retorno de
investimento, mesmo que de forma indireta, otimizando a prestação de
serviços [...]” (REZENDE, 2000, p. 52).
Ora, se a internet viabiliza a formação de novos produtos e serviços a
serem prestados pelas bibliotecas, infere-se que o profissional que a gerencia
deverá acompanhar essas mudanças advindas com o uso do ambiente digital,
reconstituindo novas formas, técnicas e métodos biblioteconômicos, com vistas
a garantir uma efetiva gestão dos produtos e serviços disponibilizados no
ambiente digital.
Vê-se que, a internet traz inúmeros benefícios, configurando-se como
“[...] rede de maior importância para as bibliotecas, funcionando como um

�95

canal na localização e recuperação da informação, auxiliando o bibliotecário a
se tornar um provedor de informação [...]” (MARCHIORI, 1997, p. 2).
Segundo Alvarenga (2006, p. 97), os fazeres bibliotecários tendem a se
evoluir para um novo estágio em que as práticas tradicionais de tratamento,
de gestão e de disseminação sejam aplicadas ao novo ambiente de trabalho.
Cabe ao bibliotecário que atua nessas ambiências, adaptar-se a situações
complexas devido às constantes inovações e desafios impostos pela internet.
Assim, é preciso enfatizar que, com o ambiente digital, “[...] mudam-se os
meios, sofisticam-se os instrumentos e surgem nomes novos para designar
coisas novas e velhas. Entretanto, a essência das coisas permanece”.
Segundo Ribeiro, Chagas e Pinto (2007), essas mudanças permitiram o
reconhecimento da necessidade de um profissional com formação especializada
que pudesse tratar tecnicamente os materiais existentes na biblioteca. Desse
modo, devido à permanência da especialização e da socialização no âmbito das
bibliotecas contemporâneas, o bibliotecário para acompanhar seus usuários,
tende a se aperfeiçoar constantemente e se ambientar com as várias
possibilidades de recursos na sua área (MARTINS, 2001 apud RIBEIRO;
CHAGAS; PINTO, 2007), valorizando, assim, ações que garantam sua
formação continuada, de modo a atender as constantes mudanças e
exigências, tanto da sociedade, quanto dos usuários da informação.
O

aparecimento

das

bibliotecas

digitais

juntamente

com

a

disponibilização da informação na internet representa a configuração de um
novo paradigma para os profissionais da informação (BAPTISTA, 2004). Esse
fato desencadeia uma nova realidade, oferecendo novas oportunidades e
facilidades aos consumidores da informação, libertando-os “[...] de sua
dependência

de

intermediários,

eliminando

barreiras

e

proporcionando

oportunidades para o acesso direto aos produtos de informação em qualquer
hora ou local e de forma independente [...]” (SILVA; LOPES, 2011, p. 1).
Nota-se que a informação no espaço digital requer gerenciamento, fato
esse que demonstra a contribuição das práticas bibliotecárias nesse novo
espaço interativo. Ademais,

�96
[...] uma série de catálogos de bibliotecas já estão acessíveis em toda a
rede, para que qualquer um, de qualquer lugar do mundo, possa
pesquisar em recursos bibliográficos os mais variados. Entretanto,
algumas bases de dados e produtos comercializáveis pela rede irão
exigir acordos e licenças para que a biblioteca possa acessá-los e
disponibilizá-los (SHAW, 1994 apud MARCHIORI, 1997, p. 2).

O uso acentuado das TICs no gerenciamento da informação torna-se um
fator de grandes mudanças, refletindo na formação de novas organizações,
novos

consumidores,

logo,

também

evidencia

a

definição

de

novos

profissionais que lidam com a informação. Muitos se arriscam a afirmar, de
forma equivocada, que os profissionais e serviços de informação tendem a
extinguir-se em um futuro próximo.
No entanto, essas mudanças são desafios a serem superados, e, ao
contrário, em vez de representarem ameaças, consolidam-se como novidades
que sustentam a formação de novas e promissoras oportunidades.
Valentim (2002) considera que o “[...] tripé informação, tecnologias da
informação e telecomunicações muda a sociedade, e, consequentemente,
muda suas demandas [...]”. Todavia, os profissionais inseridos no mercado da
informação devem atuar nesse contexto com uma postura investigativa e
crítica, “[...] de modo que possam assumir essas mudanças sociais de forma
natural [...]” (VALENTIM, 2002, p. 125).
Conforme estudo proclamado por Borges (2004, p. 56), o “[...] avanço
tecnológico alterou a noção de espaço e de tempo [...]”, ocasionando ao
mercado consumidor a oferta de serviços e produtos cada dia mais
sofisticados, provocando o aparecimento de alguns e o desaparecimento de
outros. Assim, “[...] a tecnologia tornou-se, ao mesmo tempo, ‘oportunidade’ e
‘risco’” (BORGES, 2004, p. 56).
Nesse contexto, observa-se que a tecnologia, ao mesmo tempo em que
desemprega, ela oferece outras formas de trabalho, visando atender às novas
necessidades geradas. Para Baptista (2004), as tecnologias juntamente com as
pressões advindas da globalização aumentam o desemprego, porém, ampliam
as oportunidades de trabalho em níveis mundiais.
Entende-se que essas mudanças oriundas com a expansão da tecnologia
viabilizam novas oportunidades, permitindo aos profissionais explorarem

�97

melhor suas potencialidades, sendo necessário, para isso, inovar e instruir-se
continuadamente. No campo da Biblioteconomia, essa tendência tende a
aflorar-se no decorrer do século XXI. Isso porque, as oportunidades de atuação
profissional ampliam-se a cada dia, podendo o profissional atuar em novos
ambientes,

com

novas

funcionalidades,

tornando-se

um

profissional

requisitado, autônomo, criativo e adaptativo, graças à desinstitucionalização da
informação.

4

UM

PROFISSIONAL

EM

EVOLUÇÃO:

NOVAS

COMPETÊNCIAS,

HABILIDADES E ATRIBUIÇÕES DOS BIBLIOTECÁRIOS
Conforme

analisado,

o

bibliotecário

teve

seu

reconhecimento

na

sociedade mundial a partir do século XIX, em virtude das transformações que
as bibliotecas atravessavam, sobretudo com o uso de novos artefatos
tecnológicos, assim como, devido à explosão da informação e com a
necessidade de atender as exigências do público, com vista a oferecer serviços
e produtos de qualidade.
No entanto, a prática bibliotecária data dos primórdios, devido à
necessidade de organização e preservação dos registros do conhecimento
gerados pela sociedade. Para Ortega (2004), essa prática apresenta uma longa
história de atividades de organização e conservação de documentos, desde o
início da escrita até a época moderna, no século XV, quando recebeu novos
insumos em função da invenção da imprensa e do Renascimento científico e
cultural.
A partir das revoluções científicas do século XVIII, os séculos seguintes
foram permeados por constantes mudanças no que se refere aos direitos e
deveres do cidadão e a liberdade de acesso a esses direitos, garantindo para a
consolidação da cidadania (FIGUEIREDO, 1994). Assim, a profissão de
bibliotecário

torna-se

cada vez

mais necessária, tendo

em vista, um

profissional capacitado a exercer atividades de organização, por conseguinte,

�98

ao auxílio na localização e disponibilização da informação registrada a todos os
cidadãos.
Em âmbito brasileiro, as primeiras bibliotecas foram criadas sob
comando dos jesuítas, e apenas no século XX que o profissional foi legalmente
reconhecido. Antes disso, no início do referido século, segundo Castro (2000),
o ensino de Biblioteconomia foi instituído, sendo oferecido pela Biblioteca
Nacional (tendo influência da escola humanista francesa École de Chartes) e
pelo Colégio Mackenzie em São Paulo (sob influência tecnicista da escola
americana Columbia University).
É apenas no ano de 1962, por meio da Lei 4.084/62, que foi instituída a
profissão

bibliotecária.

Segundo

esse

Diploma,

constituem

principais

atribuições desse profissional: atuar na organização, direção e execução dos
serviços técnicos de repartições públicas federais, estaduais, municipais e
autárquicas e empresas particulares concernentes às seguintes matérias e
atividades: o ensino de Biblioteconomia; a fiscalização de estabelecimentos de
ensino

de

Biblioteconomia

reconhecidos,

equiparados

ou

em

via

de

equiparação; a administração e direção de bibliotecas; a organização e direção
dos serviços de documentação; e, a execução dos serviços de classificação e
catalogação de manuscritos e de livros raros e preciosos, de mapotecas, de
publicações oficiais e seriadas, de bibliografia e referência (BRASIL, 1962).
No artigo sétimo da referida Lei também está descrito que os bacharéis
em Biblioteconomia terão preferência, quanto à parte relacionada à sua
especialidade nos serviços concernentes a: padronização dos serviços técnicos
de Biblioteconomia; inspeção, sob o ponto de vista de incentivar e orientar os
trabalhos de recenseamento, estatística e cadastro das bibliotecas; publicidade
sobre material bibliográfico e atividades da biblioteca; planejamento de difusão
cultural, na parte que se refere a serviços de bibliotecas; organização de
congresso, seminários, concursos e exposições nacionais ou estrangeiras,
relativas à Biblioteconomia e Documentação ou representação oficial em tais
certames (BRASIL, 1962).
Essa lei estabelece as principais atividades a serem desempenhadas por
um profissional que possua o Diploma de Biblioteconomia em escola

�99

devidamente reconhecida. Também são descritos nessa lei, as obrigações dos
conselhos de classe em defender os interesses da profissão e das escolas em
formar profissionais comprometidos em oferecer serviços úteis à sociedade.
Vê-se que, nessa época, década de 1960, a explosão bibliográfica estava
consolidando-se, no entanto a revolução tecnológica era vista como um
acontecimento do futuro. As atribuições dos bibliotecários naquele contexto
estavam voltadas exclusivamente para a atuação em bibliotecas, atuando,
sobremaneira, na organização dos acervos bibliográficos impressos e nas
atividades de gestão das bibliotecas no atendimento aos usuários e às
demandas informacionais.
Com a incorporação do bibliotecário na Classificação Brasileira de
Ocupações (CBO), notadamente com sua inserção na categoria de profissional
da informação, novas atribuições lhe são conferidas. Assim, os profissionais da
informação
[...] trabalham em bibliotecas e centros de documentação e informação
na administração pública e nas mais variadas atividades do comércio,
indústria e serviços, com predominância nas áreas de educação e
pesquisa. Trabalham como assalariados, com carteira assinada ou como
autônomos, de forma individual ou em equipe por projetos, com
supervisão ocasional, em ambientes fechados e com rodízio de turnos.
Podem executar suas funções tanto de forma presencial como a
distância (CBO, 2002 apud FIGUEIREDO; SOUZA, 2007, p. 13, grifo
nosso).

Segundo
eventualmente,

os

autores

trabalham

supramencionados,

em

posições

esses

desconfortáveis

profissionais,
durante

longos

períodos e sob pressão, levando à situação de estresse. As condições de
trabalho são heterogêneas, variando desde locais com pequeno acervo e sem
recursos informacionais a locais que trabalham com tecnologia de ponta.
Conforme exploram Figueiredo e Souza (2007), com base na CBO
(2002), constatam-se novas considerações do trabalho bibliotecário em face
dos novos desafios impostos pela sociedade contemporânea, sobretudo, com a
chegada

das

TICs

e

a

disponibilização

dos

serviços

e

produtos

biblioteconômicos no ambiente digital.
O referido documento trabalhista garante que o bibliotecário pode atuar
em unidades de informação com vínculo empregatício, como pode atuar de

�100

forma autônoma, na prestação de serviços. Também se alude sua participação
em outros ambientes que não sejam as bibliotecas presenciais, podendo ele
atuar na oferta de produtos e serviços por meio do ambiente digital (BRASIL,
CBO, 2002).
No entanto, mesmo estando respaldado por esses documentos legais,
infere-se que, as problemáticas surgidas com o uso acentuado das novas
tecnologias requerem um profissional detentor de novas competências e
habilidades, a fim de expandir suas práticas para outras instâncias, conforme
demandado pela sociedade.
Na visão de Madureira e Vilarinho (2010, p. 103), vive-se, na atualidade,
"[...] um processo evolutivo das bibliotecas e da informação registrada e o
bibliotecário precisa se preparar para assumir sua identidade de ‘cibertecário’.
Nesse sentido, ele é um desbravador, um pioneiro e o que produzir será a base
de uma nova visão de biblioteca e informação".
Nesse enfoque, atentando-se ao quinto postulado de Ranganathan
(2009), Santa Anna (2013a) disserta que as bibliotecas são organismos em
crescimentos e o bibliotecário também deve acompanhar essa (r)evolução,
adentrando-se às novas concepções paradigmáticas, a fim de garantir sua
importante função, qual seja, mediar a todos, informação de qualidade,
independente dos recursos, dos métodos e demais instrumentos empregados.

4.1 O MODERNO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
A sociedade contemporânea trouxe mudanças para todas as áreas do
conhecimento, despertando a necessidade dos profissionais reverem suas
práticas e adequá-las às novas necessidades demandadas por instituições e
por usuários. Diante da gama de desafios impostos, faz-se necessário a
adequação profissional ao trinômio: tecnologias, inovação e aprimoramento
(SANTA ANNA; PEREIRA; CAMPOS, 2014).
Um das alternativas encontradas pelas ciências, tendo em vista viabilizar
ações para resolveram questões problemáticas do mundo atual, é a utilização

�101

da interdisciplinaridade. Ter conhecimento amplo de vários campos do saber é
uma atividade requerida principalmente no universo da Biblioteconomia,
devendo os bibliotecários ampliarem suas competências, “[...] possuir um
conhecimento íntimo dos territórios intelectuais das disciplinas e dos atalhos
entre eles [...]” (MCGARRY, 1999, p. 170).
As novidades que permeiam o contexto social e que são refletidas nos
fazeres bibliotecários vêm sendo uma das maiores preocupações tanto de
profissionais, órgãos de classe, academia quanto de pesquisadores da área. As
interferências

acometidas

pelas

inovações

tecnológicas

aos

serviços

biblioteconômicos instigam os profissionais da área a (re)definirem seus
métodos e processos de trabalho, com vistas à adequação das demandas, bem
como à adaptabilidade da prática profissional.
Segundo Santa Anna, Pereira e Campos (2014), instigados com essas
preocupações, vários estudos foram realizados no sentido de conferir as novas
competências e habilidades direcionadas aos bibliotecários. O ponto inicial
dessas discussões é evidenciado a partir dos estudos financiados pela extinta
Federação Internacional de Bibliotecários (FID), no ano de 1992, sendo
aperfeiçoado, logo em seguida, com as pesquisas de Ponjuan Dante (2000).
Em linhas gerais, esses estudos dizem respeito ao novo perfil que o
bibliotecário deve adquirir em face dos acontecimentos advindos da Sociedade
da Informação. Os bibliotecários, diferente das competências que lhe foram
conferidas desde o início da oficialização da profissão, devem adquirir as
características

de

um

profissional

inovador,

denominado

de

Moderno

Profissional da Informação (MIP).
As competências do MIP não podem ser analisadas sobre uma ótica
excludente das características que durante muito tempo representou a base da
profissão de bibliotecário. Silveira (2008, p. 88) discute que “[...] construir um
novo perﬁl de atuação para os bibliotecários e inseri-los no rol das atividades
que impulsionam o moderno mercado da informação exigiu repensar os
atributos que por longa data deﬁniram o saber biblioteconômico”. A formulação
dessas

competências

deve

levar

em

consideração,

os

desafios

�102

contemporâneos, as novas demandas surgidas no meio social e levar em
consideração as práticas tradicionais da profissão.
Os fazeres biblioteconômicos na forma como foram concebidos com a
regulamentação da profissão no Brasil, em meados do século XX, estavam
voltados para atividades técnicas junto aos itens informacionais, constituídos,
em grande parte, por livros. Assim, o bibliotecário deveria “[...] possuir uma
formação voltada para a preservação da cultura humana; para o apoio à
educação como suporte ao processo de ensino-aprendizagem; para o estudo; à
pesquisa e para o planejamento e administração dos recursos informacionais
[...]” (SILVEIRA, 2008, p. 89).
Na atualidade, esses fazeres são regidos por novas competências, tendo
como fundamentação teórico-prática “[...] ampliar o escopo de conhecimentos
necessários à concretude de seu fazer proﬁssional, tendo em vista priorizar
premissas como: planejamento, gerência e processamento de sistemas de
informação, além da concepção e uso das recentes tecnologias da informação
e da comunicação – TICs” (SILVEIRA, 2008, p. 89).
A chegada do terceiro milênio foi marcada com o estabelecimento de
quatro competências e inúmeras habilidades, elaboradas no IV Encontro de
Diretores das Escolas de Biblioteconomia e Ciência da Informação do Mercosul,
realizado no ano de 2000, em Montevidéu. Como produto desse evento, foram
formalizadas as seguintes competências: competências de Comunicação,
Técnico-Científica, Gerenciais, Sociais e Políticas (VALENTIM, 2000).
As competências de Comunicação e Expressão dizem respeito às
atividades de capacitar e orientar os usuários para um melhor uso dos recursos
informacionais disponíveis em uma unidade de informação. Também referemse à elaboração de produtos de informação (bibliograﬁas, catálogos, guias,
índices, disseminação seletiva da informação etc.), e planejamento e execução
de estudos de usuários dos sistemas de informação (SILVEIRA, 2008).
As competências Técnico-Científicas envolvem o desenvolvimento e
execução do processamento de documentos em distintos suportes, unidades e
serviços de informação. Também abarcam as atividades de selecionar,
registrar, armazenar, recuperar e difundir a informação gravada em qualquer

�103

meio para os usuários de unidades, serviços e sistemas de informação; por
fim, também contemplam o ato de planejar, constituir e manipular redes
globais de informação (SILVEIRA, 2008).
Quanto às competências Gerenciais, Valentim (2000, p. 20) destaca-as
como aquelas voltadas para a gestão, abrangendo, holisticamente, as ações de
“[...] formular, dirigir, administrar, organizar e coordenar unidades, sistemas,
projetos e serviços de informação [...]”. Ponjuan Dante (2000) sintetiza essas
competências como os pilares para uma atuação efetiva, de modo que o
profissional tenha espírito de gestão e liderança, construindo mecanismos que
viabilizem a criação, a comunicação e a consolidação da informação entre
todos os atores da unidade informacional.
As competências Sociais e Políticas afloram para o papel social do
bibliotecário, devendo expandir seu fazer além das paredes da unidade. Para
Valentim (2000 apud SANTA ANNA; PEREIRA; CAMPOS, 2014, p. 80), nesse
quesito, caberá ao profissional fomentar uma atitude “[...] aberta e interativa
com

os

diversos

atores

sociais

(políticos,

empresários,

educadores,

trabalhadores e profissionais de outras áreas, instituições e cidadãos em geral)
que configuram o atual ciclo informacional [...]”.
Quanto às habilidades delegadas a esses profissionais, é importante
destacar que não há limites, podendo o profissional investir em sua formação
continuada, tendo em vista consolidar a melhoria contínua de seus fazeres.
Valentim (2000) descreve as principais habilidades propostas no IV Encontro
de Diretores das Escolas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Dentre
essas habilidades, destacam-se: utilizar as metalinguagens pertinentes à
preservação, organização e disseminação da informação; demarcar campos
especíﬁcos e integrar conteúdos de áreas correlatas em uma perspectiva
multidisciplinar; processar documentos, quaisquer que sejam os suportes,
linguagens e formatos de acordo com as teorias, paradigmas, métodos e
técnicas da área; desenvolver ações pedagógicas voltadas para melhoria do
desempenho proﬁssional e para ampliação do conhecimento em geral;
responder às demandas sociais determinadas pelas transformações que
caracterizam o mundo contemporâneo, dentre outras.

�104

A demonstração acerca da evolução da biblioteca e do bibliotecário em
fase

dos

desafios

impostos

pela

atual

sociedade,

sobretudo

com

o

desenvolvimento e uso das novas tecnologias nos serviços de informação, e
diante das novas competências e habilidades a serem adquiridas pelos
bibliotecários, mostram que eles adquirem um perfil diversificado.
Com esse perfil interdisciplinar e inovador ele pode, também, atuar em
inúmeros e diferenciados ambientes, podendo atuar na prestação de serviços
de informação, de forma autônoma, tornando-se um profissional independente
e com espírito empreendedor.

4.2 A QUESTÃO DA DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
Institucionalizar significa estar ligado a uma instituição, adentrando-se a
valores,

políticas

e

objetivos

conjuntamente

construídos

e

seguidos.

Desinstitucionalizar significa, grosso modo, deixar de ser institucionalizado
(FERREIRA,

1999).

No

âmbito

das

profissões,

o

profissional

desinstitucionalizado é aquele que não possui vínculos empregatícios com as
organizações, prestando serviços de foram autônoma/independente.
A desinstitucionalização na Biblioteconomia não é uma discussão recente,
pois foi proposta por Lancaster (1983), desde as últimas décadas do século XX.
Segundo ele, o bibliotecário que exerce atividades fora das bibliotecas ou de
organizações, sobretudo no ramo da prestação de serviços a diferentes
empresas, caracteriza-se como um agente de informação, considerado como
um bibliotecário free-lance.
Durante muitos anos, Lancaster atuou em bibliotecas públicas inglesas e
em organizações privadas norte-americanas, atuando na organização da
informação junto a sistema de recuperação da informação tanto manuais
quanto automatizados, o que lhe proporcionou grande conhecimento acerca do
futuro das atividades bibliotecárias com o crescimento da internet.
Embora a internet ainda não estivesse sendo utilizada por bibliotecas na
disponibilização de serviços e produtos de informação, Lancaster já previa os

�105

reflexos que as novas tecnologias proporcionariam às bibliotecas físicas e aos
profissionais que lidam com a informação nesses espaços. No entanto,
Lancaster considerava a evolução tecnológica, no âmbito das bibliotecas, como
a “mola propulsora” que ampliaria os fazeres biblioteconômicos, extrapolandoos para ambientes aquém da instituição biblioteca.
Na contemporaneidade, essa profecia confirma-se a cada dia. A
informatização da informação somente representa ameaça para aqueles
profissionais que não são inovadores e que não buscam a instrução a ponto de
não conseguirem adequarem-se ao novo contexto. Assim, as novas tecnologias
viabilizam oportunidades de maior reconhecimento da Biblioteconomia e sua
importância para a sociedade (LANCASTER, 1994).
Essa ampliação representaria a ascensão do profissional da área que,
deixaria de atuar de forma camuflada apenas em instituições de informação,
como as bibliotecas e centros de documentação, para atuar em outras
ambiências, desenvolvendo serviços de informação dos mais variados. Com
base

na

obra

de

Lancaster

(1983),

Baptista

(2000)

afirma

que

a

desinstitucionalização corresponde à aplicação de habilidades profissionais
bibliotecárias em ambientes que ultrapassam os muros das bibliotecas.
Conforme

pesquisa

de

Costa

e

Moraes

(1992),

o

processo

de

desinstitucionalização na Biblioteconomia - que vem de encontro com a
dependência da profissão à biblioteca e contribui para o desenclausuramento
do profissional, à busca do público potencial que deve servir - não é novo.
Lancaster observa que, no passado, alguns profissionais já exerciam suas
funções fora do âmbito da biblioteca. Ele cita como exemplo os bibliógrafos de
assuntos filiados à biblioteca da universidade alemã que, no início do século,
trabalhavam diretamente nos departamentos correspondentes à sua própria
área de especialidade.
Vislumbra-se a partir das discussões em torno da desinstitucionalização
na Biblioteconomia, que os campos de atuação dos bibliotecários tendem a
aumentar à medida que o profissional reconhece seu potencial em prestar
serviços

de

forma

individual

ou

de

forma

coletiva,

utilizando

suas

competências no gerenciamento da informação, assim como em sanar outras

�106

necessidades sociais. Nesse contexto, surgem diferentes nomes direcionados
ao bibliotecário, tais como: agente da informação (PAIVA, 1990), profissional
da

informação

independentes

(MUELLER,
(BAPTISTA,

1996),
2000).

consultor

informacional/profissionais

Independente

da

nomenclatura

que

recebam, o importante é considerar a ampliação dos campos de atuação do
bibliotecário contemporâneo.
Assim, o bibliotecário, de qualquer forma, amplia os horizontes da
profissão, podendo atuar no gerenciamento da informação, semelhantemente
às atividades profissionais realizadas em bibliotecas físicas, podendo atuar
também em outros setores da sociedade, como o setor cultural, garantindo
efetivação de seu papel social, na construção de uma sociedade mais cidadã.
Portanto, conforme descrito por Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014),
de que as bibliotecas na atualidade revestem-se de atividades diversificadas,
fomentando

ações

educacionais,

culturais

e

sociais,

infere-se

que

o

bibliotecário pode atuar no mercado, também, de forma autônoma em prol das
causas sociais, atuando como agente cultural e educacional, garantindo a
efetivação de uma sociedade mais democrática, inclusiva e igualitária
(DUDZIAK, 2007).
No que se refere à atuação na prestação de serviços em prol da gestão
da informação, Paiva (1990, p. 48) discute que, o profissional da informação,
diante das novas oportunidades surgidas, adquire o status de um agente de
informação. Segundo essa autora, no mercado moderno,
surgem novas atividades, que fogem totalmente àquelas efetuadas
tradicionalmente em bibliotecas e centros de documentação e
informação. A maioria dessas atividades está de alguma forma
relacionada à automação de serviços. Consultores, indexadores,
especialistas da informação e agentes da informação são um exemplo de
novas carreiras dentro da profissão do bibliotecário, para aqueles que
exercem essas atividades.

Pereira (2014) acredita que o trabalho em bibliotecas é louvável, porém
não é restrito para os bibliotecários que, mesmo com as funções apreendidas
nas instituições de ensino voltadas ao tradicional, é fundamental que os
bibliotecários sejam reconhecidos pelo seu próprio grupo e pela sociedade

�107

como profissionais aptos para atuar em qualquer tipo de ambiente onde a
informação é o principal “produto”.
Não resta dúvida de que o bibliotecário ao desinstitucionalizar-se deixará
de

atuar

apenas

nas

bibliotecas

para

exercer

atividades

em

outras

organizações, contribuindo na gestão da informação e do conhecimento
organizacional, selecionando informação de qualidade a auxiliar nos processos
decisórios. Segundo o estudo de Milano e Davok (2009, p. 254), esse
profissional

surge

nesse

segmento

prestando

serviços

de

consultoria

informacional em sua área de formação e auxiliando na transformação da
informação em conhecimento. Desse modo,
como gestor da informação, ele sabe que a informação é a matéria
prima do conhecimento, podendo assim atuar de forma direta ou
indireta nas organizações. Nessa direção, é importante conhecer a
atuação desse profissional na área de consultoria, para que os serviços
prestados possam ser completados e aperfeiçoados.

Surge, nesse contexto, o trabalho na área da consultoria informacional,
que, para Silva (2005), quem opta por trabalhar em consultoria tem maior
segurança nas instabilidades do que a pessoa que está empregada. Isso
porque quem mantém vínculo empregatício durante muitos anos – e por isso
acredita ser estável – tem menos possibilidades de concorrer no mercado, caso
seja demitido, do que o profissional de consultoria, que está no mercado todos
os dias.
Como

consultor

informacional,

o

profissional

da

Biblioteconomia

extrapola seus fazeres, atuando na prestação de serviços de assessoria e
consultoria, seja junto às unidades de informação, como junto a outras
empresas ou junto a pessoas físicas. O profissional, nesse ramo, pode prestar
assessoria técnica a publicações; subsidiar informação para tomada de
decisões; assessorar no planejamento de espaço físico da unidade de
informação; participar de comissões de normatização; realizar perícias;
elaborar laudos técnicos; realizar visitas técnicas; assessorar a validação de
cursos; participar de atividades de biblioterapia; preparar provas para
concursos; e participar de bancas de concursos (MILANO; DAVOK, 2009).

�108

Em tempos de globalização e em meio ao crescimento das TICs, a
desinstitucionalização permeia o contexto de todas as profissões, cabendo aos
profissionais saber reconhecer e retirar proveito dessas novas circunstâncias.
Desse modo,
se o cenário econômico mostra que existe diminuição da oferta de
emprego, por outro lado acontece o fenômeno da terceirização e a
possibilidade de se trabalhar com a prestação de serviços. Se a
tecnologia tem se mostrado favorável, deve ser dominada, evitando
assim invasões de outras áreas e transformando concorrentes em
parceiros. É uma época de mudanças e não de acomodação [...]
(BAPTISTA, 2000, p. 91).

O bibliotecário desinstitucionalizado desmistifica o estereótipo atribuído
aos

bibliotecários

tradicionais,

de

que

eles

representam

apenas

mero

“guardadores de livros”. Também são refutadas as constantes especulações
acerca da extinção desse profissional com o desaparecimento do livro e das
bibliotecas físicas. Ao contrário do que afirmam essas especulações, o
bibliotecário possui um futuro promissor, no decorrer dos próximos anos, em
relação ao novo papel da informação e sua utilidade na sociedade.
Na sociedade da informação, a autoimagem do bibliotecário está
mudando com o aumento de profissionais que lidam com a "informação" no
mercado de trabalho. Os bibliotecários estão mostrando que não são só
pessoas que lidam unicamente com a organização de bibliotecas, mas com
informação e documentação — o que lhes proporciona um campo bem mais
completo de atuação (PAIVA, 1990).
Fica

evidenciado

que,

ao

adentrar-se

à

desinstitucionalização,

o

bibliotecário, por tornar-se independente, certamente adquire características
empreendedoras. Segundo Valentim (1998), o mercado de trabalho destinado
a esses profissionais ainda representa uma minoria no contexto brasileiro,
diferente do que já vem ocorrendo em outros países, principalmente em países
desenvolvidos (BAPTISTA, 2000).
O profissional com perfil empreendedor deve ter uma visão proativa, ter
vontade de aprender e inovar, utilizando-se do aprendizado e do marketing, no
intento de conquistar novos mercados. Logo:

�109
neste mercado livre é necessário um profissional bibliotecário mais
empreendedor, mais ousado. Para o terceiro milênio o profissional da
informação deverá ser mais observador, empreendedor, atuante,
flexível, dinâmico, ousado, integrador, proativo e principalmente mais
voltado para o futuro. A formação, portanto, deve estar voltada para a
obtenção de um profissional que atenda essas características
(VALENTIM, 1998, p. 112).

A formação continuada do profissional certamente constitui a “veiamestra” para adequar-se a essas novas ambiências e conseguir atuar com
êxito em um mercado competitivo e globalizado, típico da contemporaneidade.
Conforme destacou Baptista (2000), o profissional precisa atualizar-se, investir
na educação continuada, fortalecer as associações de classe e principalmente
analisar as ameaças e transformá-las em oportunidades.
Nessa empreitada, evidencia-se uma participação colaborativa de vários
elementos ligados ao universo da Biblioteconomia, de modo que esforços
sejam envidados no sentido de que essa desinstitucionalização não seja uma
utopia ou a realidade de uma minoria, mas que seja a esperança de novos
rumos e progressões para toda a classe bibliotecária.
Assim, tanto profissionais, quanto movimento associativo, escolas de
formação, conselhos regionais e federais e sindicatos devem viabilizar ações de
divulgação dessas novas necessidades, transmitindo aos profissionais e à
sociedade essa nova contribuição que a Biblioteconomia tem a oferecer,
contribuindo para solucionar inúmeros problemas advindos com os paradigmas
contemporâneos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir deste estudo, é possível confirmar que o bibliotecário, durante
toda sua trajetória evolutiva, esteve fortemente atrelado à instituição
biblioteca,

caracterizando-se

como

um

profissional

institucionalizado,

realizando atividades das mais variadas, tendo em vista o contexto dos
diferentes períodos históricos e utilizando as tecnologias até então disponíveis
em cada período.

�110

Analisando a literatura sobre evolução das bibliotecas ao longo da
história, foi possível constatar que essas instituições durante muito tempo
estiveram voltadas para o armazenamento, preservação e conservação da
informação registrada. Contudo, especificamente com o desenvolvimento da
tecnologia impressa, novos rumos foram sendo conduzidos, tornando a
biblioteca um organismo em mutação, adentrando-se ao perfil dos usuários e à
democratização e socialização das informações, no intento de viabilizar a
produção de conhecimento.
A revolução tecnológica esteve presente em todos os estágios de
desenvolvimento das bibliotecas, porém, com o surgimento das TICs, típicas
da

sociedade

contemporânea,

esses

novos

artefatos

garantem

novas

estruturas e funcionalidades às bibliotecas, potencializando-as a gerenciar e
disseminar informação a todas as instâncias, tornando os processos de
trabalho cada dia mais inovadores.
O surgimento da internet e a disponibilização dos produtos e serviços
biblioteconômicos em ambiente virtual favoreceram o desdobramento de novos
paradigmas

no

âmbito

da

indústria

da

informação,

por

conseguinte,

desencadeou o surgimento de novas ambiências à Biblioteconomia. Assim,
tanto as unidades de informação, quanto os profissionais que as gerenciam são
afetados, de modo que a prática bibliotecária é redefinida, adquirindo os
bibliotecários, novas competências, habilidades e atribuições, com vistas a
torná-los adaptados em uma sociedade complexa.
Diante dessa atual conjuntura, o bibliotecário moderno deixa de ser um
profissional que realiza unicamente processos técnicos e tradicionais na
informação, para adquiri status de um Moderno Profissional da Informação,
dotado de inúmeras competências que vão caracterizá-lo como um profissional
diversificado, podendo exercer suas práticas em outros campos de atuação.
Diante dessas contingências, o estudo constata o surgimento de um
profissional

desinstitucionalizado,

que

além

de

exercer

suas

atividades

tradicionais nas bibliotecas, poderá, outrossim, atuar como profissional
independente, atuando como assessor, consultor, agente de informação,
contribuindo tanto no gerenciamento e disponibilização de informações para

�111

pessoas físicas quanto jurídicas, como poderá exercer, também, de forma
autônoma, ações educacionais e culturais, consolidando seu papel de agente
de transformação social.
Por meio desse novo perfil profissional do bibliotecário na sociedade
atual, presume-se que ele, ao adquirir uma postura inovadora, certamente irá
adquirir uma visão empreendedora, investindo em sua formação continuada e
na aquisição de novos e diferentes conhecimentos, fato esse que garantirá sua
permanência

no

mercado

por

longos

tempos,

desencadeando

seu

reconhecimento pela sociedade e sua importância no desenvolvimento social.
Com essa postura, desmistifica-se toda e qualquer especulação e previsão
exagerada a respeito da extinção desse profissional em face dos desafios
contemporâneos.
Também confirma-se, com base nessas reflexões, que o bibliotecário
contemporâneo mudou seu perfil profissional, deixando de ser um guardião de
livros para se um profissional desinstitucionalizado. Assim, com essas
transformações faz-se necessário a reformulação da legislação que assegura o
exercício profissional, de modo a contemplar essas novas potencialidades na
qual o bibliotecário utilizará a fim de solucionar inúmeros problemas sociais e
garantir sua ascensão no decorrer dos tempos futuros.

REFERÊNCIAS

ALVARENGA, Lidia. Organização da informação nas bibliotecas digitais. In:
NAVES, Madalena Martins Lopes; KURAMOTO, Hélio (Org.). Organização da
informação: princípios e tendências. Brasília: Briquet de Lemos, 2006.
BAPTISTA, Sofia Galvão. Profissional da informação, autônomo ou empresário,
novas perspectivas de mercado de trabalho. Perspectiva em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 91-98, jan./jun. 2000. Disponível
em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/550/467&gt;.
Acesso em: 19 ago. 2018.
______. As oportunidades de trabalho existentes na internet na área de
construção de unidade de informação. In: ______; MUELLER, Suzana Pinheiro

�112

Machado (Org.). Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília:
Thesaurus, 2004.
BORGES, Maria Alice Guimarães. O profissional da informação: somatório de
formações, competência e habilidades. In: BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER,
Suzana Pinheiro Machado (Org.). Profissional da informação: o espaço de
trabalho. Brasília: Thesaurus, 200. p. 55-69.
BRASIL. Lei 4.084 de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de
bibliotecário e regula seu exercício. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1950-1969/L4084.htm&gt;. Acesso
em: 17 ago. 2018.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação brasileira de
ocupações. 2002. Disponível em:
&lt;http://www.mtecbo.gov.br/busca/descricao.asp?codigo=2612-05&gt;. Acesso
em: 15 de ago. 2018.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada; KANISKI, Ana Lúcia. A sociedade do
conhecimento e o acesso à informação: para que e para quem? Ciência da
Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 33-39, set./dez. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a04v29n3.pdf&gt;. Acesso em: 15 ago.
2018.
CASTRO, César Augusto. História da Biblioteconomia Brasileira:
perspectiva histórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
CUNHA, Murilo Bastos da. A biblioteca universitária na encruzilhada.
DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação, v. 11, n. 6, dez. 2010.
Disponível em: &lt;http://www.datagramazero.org.br/dez10/Art_07.htm&gt;.
Acesso em: 20 fev. 2018.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. O bibliotecário como agente de transformação em
uma sociedade complexa: integração entre ciência, tecnologia,
desenvolvimento e inclusão social. PontodeAcesso, Salvador, v. 1, n. 1, p.
88-98, jun. 2007.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio- século XXI: o dicionário da
língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudo de uso e usuários da informação.
Brasília: IBCT, 1994.
FIGUEIREDO, Marco Aurélio Castro de; SOUZA, Renato Rocha. Aspectos
profissionais do bibliotecário. Encontros Biblio, Florianópolis, n. 24, p. 10-31,
jul./dez. 2007. Disponível em:
&lt;http://www.cursosavante.com.br/cursos/curso79/conteudo7785.pdf&gt;.
Acesso em: 12 ago. 2018.

�113

LANCASTER, Frederik. Future librarianship: preparing for an unconvencional
career. Wilson Library Bulletin, v. 57, p. 747-53, may 1983.
______. Ameaça ou Oportunidade?: O Futuro dos Serviços de Biblioteca à Luz
das Inovações Tecnológicas. Revista da Escola de Biblioteconomia UFMG,
Belo Horizonte, v. 23, n. 1, p. 7, jan./jun. 1994.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: O futuro do pensamento na
era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
______. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
MADUREIRA, Helaina Oliveira; VILARINHO, Lucia Regina. A formação do
bibliotecário para atuar em bibliotecas digitais: uma questão a aprofundar.
Perspectivas em Ciência a Informação, Belo Horizonte, v. 15, n. 3, p. 87106, set./dez. 2010.
MARCHIORI, Patricia Zeni. "Ciberteca" ou biblioteca virtual: uma perspectiva
de gerenciamento de recursos de informação. Ciência da Informação,
Brasília, v. 26, n. 2, 1997. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v26n2/v26n2-1.pdf&gt;. Acesso em: 16 ago. 2018.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da
biblioteca. 3. ed. São Paulo: Ática, 2001.
MCGARRY, Kevin. O Contexto dinâmico da informação: uma análise
introdutória. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
MILANESI, Luís. Biblioteca. Cotia: Ateliê Editorial, 2002.
MILANO, Manoelle Cristine Dalri; DAVOK, Delsi Fries. Consultor de informação:
serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas de Biblioteconomia e
gestão da informação. Revista ACB, Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 253-278,
jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658/726&gt;. Acesso em: 27 mar.
2018.
MORIGI, Valdir José; PAVAN, Cleusa. Entre o “tradicional” e o “virtual”: o uso
das tecnologias de informação e comunicação e as mudanças nas bibliotecas
universitárias. Florianópolis, Revista ACB, v. 8, n. 2, 2003. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/391/481&gt;. Acesso em: 15 abr.
2018.
MORIGI, Valdir José; SOUTO, Luzane Ruscher. Entre o passado e o presente:
as visões de biblioteca no mundo contemporâneo. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 10, n. 2, p. 189-206,
jan./dez. 2005. Disponível em: &lt;file:///C:/Users/alunoccje/Desktop/ARTIGO%20(1).pdf&gt;. Acesso em: 11 ago. 2018.

�114

MUELLER, Suzana Pinheiro. Formação profissional e educação continuada: que
profissional devemos ser? In: SIMPÓSIO BRASIL - SUL DE INFORMAÇÃO,
1996, Londrina. Anais... Londrina: UEL, 1996. p. 253-271.
ORTEGA, Cristina Dotta. Relações históricas entre Biblioteconomia,
Documentação e Ciência da Informação. Rio de Janeiro, DataGramaZero, v.
5, n. 5, out. 2004. Disponível em:
&lt;http://www.dgz.org.br/out04/Art_03.htm&gt;. Acesso em: 20 ago. 2018.
PEREIRA, Vanessa Ferreira Rodrigues. O bibliotecário no comércio
eletrônico: o surgimento de Um novo campo de atuação. 2014. 72 f. Trabalho
de conclusão de curso (Graduação em Biblioteconomia) - Escola de
Biblioteconomia, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2014.
PONJUÁN DANTE, Glória. Perﬁl del profesional de información del nuevo
milenio. In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.). Proﬁssionais da informação:
formação, perﬁl e atuação proﬁssional. São Paulo: Polis, 2000. p. 91-105.
REZENDE, Ana Paula de. Centro de informações jurídica eletrônico e virtual.
Brasília, Ciência da Informação, v. 29, n. 1, p. 51-60, jan./abr. 2000.
Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/cionline/artigos/&gt;. Acesso em: 16 ago.
2018.
RIBEIRO, Gerlaine Marinotte; CHAGAS, Ricardo de Lima; PINTO, Sabrine Lino
Pinto. O renascimento cultural a partir da imprensa: o livro e sua nova
dimensão no contexto social do século XV. Akrópolis, Umuarama, v. 15, n. 1
e 2, p. 29-36, jan./jun. 2007. Disponível em:
&lt;http://revistas.unipar.br/akropolis/article/viewFile/1413/1236&gt;. Acesso em:
11 ago. 2018.
SANTA ANNA, Jorge. (Re)pensando o fazer bibliotecário: da guarda
informacional ao acesso. In: SEMINÁRIO DE INFORMAÇÃO EM ARTE. Rio de
Janeiro: REDART, 2013a. 1 CD ROM.
SANTA ANNA, Jorge. A (r)evolução digital e os dilemas para a catalogação: os
cibertecários em atuação. In: INCONTRO INTERNACIONAL DE
CATALOGADORES, 9.; ENCONTRO NACIONAL DE CATALOGADORES, 2., Anais
Eletrônicos... Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2013b. Disponível em:
&lt;file:///C:/Users/aluno-ccje/Downloads/21-185-1-PB%20(2).pdf&gt;. Acesso
em: 15 abr. 2018.
SANTA ANNA, Jorge; GREGÓRIO, Elaine; GERLIN, Meri Nadia. Atuação
bibliotecária além da biblioteca: o espaço de leitura do hospital universitário
Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM). Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 77-88, jan./jun. 2014. Disponível
em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/953/pdf_89&gt;. Acesso em:
10 ago. 2018.

�115

SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice; CAMPOS, Suelen. Sociedade da
informação x Biblioteconomia: em busca do moderno profissional da
informação (MIP). Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 68-85, jan./jun. 2014. Disponível
em: &lt;http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/viewFile/293/293&gt;. Acesso em: 19
ago. 2018.
SILVA, Edna Lúcia; LOPES, Marili Isensee. A internet, a mediação e a
desintermediação da informação. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v. 12, n.
2, abr. 2011. Disponível em: &lt;http://www.dgz.org.br/abr11/Art_04.htm&gt;.
Acesso em: 15 ago. 2018.
SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Bibliotecários especialistas: guia de
especialidades e recursos informacionais. Brasília, DF: Thesaurus, 2005.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da. O bibliotecário como agente histórico:
do “humanista” ao “Moderno Profissional da Informação. Informação e
Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 18, n. 3, p. 83-94, set./dez. 2008.
Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1873/2275&gt;. Acesso
em: 17 ago. 2018.
VALENTIM, Marta Lígia. Profissional bibliotecário e as perspectivas sócioeconômicas neste final de século. In: ENCUENTRO DE DIRECTORES, 3 y
ENCUENTRO DE DOCENTESDE LAS ESCUELAS DE BIBLIOTECOLOGÍA DEL
MERCOSUR, 2., Chile, out. 1998. Anais eletrônicos... Santiago, 1998. p.
109-114. Disponível em: &lt;http://utem.cl/deptogestinfo/21.doc&gt;. Acesso em:
15 ago. 2018.
VALENTIM, Marta Lígia. Atuação e perspectivas proﬁssionais para o proﬁssional
da informação. In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.). Proﬁssionais da
informação: formação, perﬁl e atuação proﬁssional. São Paulo: Polis, 2000. p.
135-152.
VALENTIM, Marta Lígia. Formação: competências e habilidades do profissional
da informação. In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.). Formação do profissional
da informação. São Paulo: Polis, 2002. p. 117-132.

�116

CAPÍTULO VI
DESINSTITUCIONALIZAR A BIBLIOTECA À LUZ DA FUNÇÃO SOCIAL
Maria Aparecida de Mesquita Calmon
Suelen de Oliveira Campos
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é uma das instituições mais antigas do mundo. Embora
tenha sido estruturada, utilizada e gerida de forma diferente ao longo dos
tempos, sua capacidade de adaptação em face das transformações sociais
torna-a um organismo mutante, o qual acompanha as mudanças e se renova
constantemente, garantindo sua perpetuação.
Das páginas em argila às páginas da internet, a biblioteca vem servindo
o ser humano, principalmente à atividade de organização, tratamento,
preservação e disseminação da informação produzida na sociedade. É claro
que o modelo de biblioteca na qual o concebemos na modernidade muito se
distancia da concepção adotada nos diferentes períodos históricos, sobretudo
diante de sistemas ideológicos e hegemônicos.
No entanto, percebe-se, no decorrer dos tempos, que a biblioteca
sempre se colocou a serviço de alguém, logo, ela torna-se uma instituição
auxiliar, que contribui, que oferece, que acolhe, que tenta solucionar
problemas, que transforma.
A literatura apresenta grande quantidade de discussões a respeito das
diversas funções exercidas pela biblioteca. No mundo contemporâneo, diversos
estudos confirmam sua função informacional e educativa, mas também
reconhecem o seu papel social, de modo que biblioteca e sociedade sejam
cúmplices na produção de conhecimento e na melhoria da qualidade de vida
dos indivíduos.

�117

O uso de tecnologias digitais, certamente, é um dos fenômenos mais
interferentes na necessidade de se redefinir a biblioteca e o bibliotecário.
Atrelado a isso, tem-se o discurso acerca da interferência da biblioteca na vida
dos indivíduos, os quais, por meio do acesso à informação e educação,
tornam-se capazes de exercer seus direitos e deveres, o que confirma, a
relação da biblioteca com a prática cidadã.
Com a chegada do século XXI, diante das transformações socais, com o
aumento da produção bibliográfica e com a utilização das tecnologias
contemporâneas, parece que a biblioteca perde, para alguns, essa parceria e
reciprocidade que possui com o ser humano. De forma equivocada e até
exagerada, muitos se arriscam a afirmar que ela poderá ser extinta da
sociedade do futuro.
É evidente que a evolução tecnológica viabilizou novas formas de
gerenciamento da informação. De forma estratégica, a biblioteca utiliza dessas
tecnologias, permitindo que as práticas bibliotecárias presentes nas bibliotecas
físicas sejam transferidas para a realidade virtual, sem, contudo, dispensar as
práticas biblioteconômicas.
Não se pretende, neste texto, discorrer acerca dessa nova realidade que
se afora para a biblioteca moderna, pois muitos estudos já versam sobre essa
temática. Nem, tampouco, discutir a realidade atual, em que muitas bibliotecas
estão se tornando ambientes híbridos, oferecendo produtos e serviços em
diferentes formatos, tecnologias e recursos de acesso.
Mas, convém destacar que, as tecnologias contemporâneas não excluem
as práticas bibliotecárias, ao contrário, ampliam a cada dia as possibilidades da
atuação bibliotecária. Por conseguinte, pode-se afirmar que a biblioteca do
futuro não será extinta, como consideram alguns, mas, ao contrário, será
disponibilizada no novo ambiente de socialização: o ciberespaço.
Sendo assim, as bibliotecas físicas, certamente deixarão de existir ou
transformar-se-ão em verdadeiros “museus”. Essa constatação, embora esteja
provado que exigirá muito tempo para ser concretizada, vem sendo bastante
discutida.

�118

Assim, este estudo traz à baila fundamentos teóricos e reflexões que
refutam a constatação acima descrita. Ora, pensemos: se há consenso, na
atualidade, de que a biblioteca possui uma dupla função, ou seja, função
informacional e função social, logo, por meio das bibliotecas virtuais, a função
informacional passará a ser desempenhada por essas modalidades de
biblioteca.
Porém, ainda restará às unidades tradicionais (bibliotecas físicas) a
realização da função social, de modo que a função social caracterizará a
biblioteca como ambiente de socialização, de trocas de ideias, experiências,
um verdadeiro espaço de convivência.

2 MÉTODO DA PESQUISA
Devido ao aspecto teórico desta pesquisa, a metodologia será sustentada
na pesquisa bibliográfica, realizada por meio de levantamentos bibliográficos
em livros, artigos e trabalhos acadêmicos que descrevem a função social da
biblioteca.
Por meio do embasamento à função social da biblioteca, será discorrido
acerca da importância dessa função e sua contribuição para assegurar a
existência da biblioteca no futuro. Também serão utilizados como fundamentos
teóricos para garantir o alcance do objetivo proposto, reflexões propostas por
alguns autores brasileiros da área que também concordam com essa visão,
considerando a transformação da biblioteca em ambientes de convivência,
garantindo, assim, sua permanência por longas gerações.
Os livros utilizados na pesquisa referem-se a publicações renomadas da
área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Os artigos e trabalhos
acadêmicos foram recuperados do portal de periódicos da Capes e do acervo
da biblioteca virtual Scielo.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

�119

As sociedades modernas trazem como principal fator de inovação no
comparativo com as sociedades antigas, a preocupação com alguns conceitos
como:

cidadania,

igualdade,

democracia,

diversidades,

cultura,

multiculturalismo, dentre outros.
O Estado democrático possui em sua essência o dever de garantir o
pleno respeito pelas diferenças, tornando possível que indivíduos usufruem de
seus direitos e deveres, comportando-se como cidadãos vinculados a uma
nação.
Ao analisarmos esses conceitos, percebemos o quanto a função social do
Estado vem à tona, sobretudo em uma sociedade diversificada, considerada
como multicultural. E, garantir a concretização dessa função é um dever que
compete a governantes e instituições.
O

conceito

“biblioteca

multicultural”

foi

proposto

pela

Federação

Internacional de instituições bibliotecárias (IFLA) e pela Organização das
Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO), em 2008 e
refere-se, sobremaneira, às bibliotecas públicas que devem disponibilizar
acesso a todos de forma igualitária.
Segundo esse manifesto, a igualdade e o respeito devem prevalecer
nesses ambientes, configurando-os como legítimo espaço público, cujo objeto
principal seja “[...] atender as demandas sociais, oferecendo oportunidade
igualitária e democrática a todo cidadão que faz uso do seu espaço [...]”, não
apenas para buscar conhecimento ou cultura, mas também “[...] para fazer
deste espaço, palco para as reflexões diárias, para o debate participativo de
todos os problemas sociais e necessidades de cada cidadão” (BARROS, 2002,
p. 133, grifo nosso).
Observa-se que as bibliotecas, ao exercerem a função social, estão
cumprindo o dever de serem instituições sociais que se colocam a serviço de
acolher os indivíduos que estão inseridos no multiculturalismo. A função
cultural atribuída às bibliotecas há muito tempo vem sendo tratada pela
literatura.

�120

Aquino (2004) considera que as mutações sofridas pelas bibliotecas
caracterizaram-nas como espaços de informação, saber, conhecimento e
cultura. Mey e Silveira (2009) defendem que as bibliotecas existem para
viabilizar alternativa, possibilidade e oportunidade às pessoas. Ainda discutem
que as bibliotecas são espaços de liberdade, capazes de mudar a história da
humanidade.
De acordo com Ribas e Ziviani (2007), as bibliotecas devem se tornar
ambientes de convivência, oferecendo diversas atividades culturais, recreação,
entretenimento e lazer, dentre outras atividades procuradas pelos cidadãos da
comunidade. No entendimento dessas autoras, o papel social do profissional da
informação, juntamente com a biblioteca moderna é de extrema utilidade,
atuando de forma estratégica na disseminação da informação e utilizando-a
como instrumento e recurso de mobilização nas lutas por melhores condições
de vida da sociedade.
As bibliotecas tendem a se tornar centros de referência, um papel que,
segundo Almeida Junior (1997), já deveria caber à biblioteca pública. Segundo
esse autor, as bibliotecas devem estar abertas para fornecer informação
utilitária para a sociedade, ou seja, um centro de acolhimento que fornece
informações

sobre

emprego,

saúde,

cultura,

lazer,

dentre

inúmeras

necessidades existentes no cotidiano das pessoas.
Além de fornecer serviços utilitários à comunidade, ao caracterizar-se
como ambientes de convivência, a biblioteca torna-se espaços abertos para a
comunidade, permitindo que os objetivos da biblioteca “[...] sejam moldados
conforme as necessidades e desejos deste grupo, incluindo os referentes ao
lazer” (GONÇALVES, 2011, p. 134-135).
Ainda discutindo acerca do lazer, entretenimento e ações culturais, é
importante mencionar, segundo proferido no manifesto da IFLA e UNESCO
(2013), a respeito do papel das bibliotecas públicas que devem fornecer
recursos e serviços em diversos suportes, de modo a ir ao encontro das
necessidades individuais ou coletivas, no domínio da educação, informação e
desenvolvimento pessoal, e também de recreação e lazer.

�121

Conforme

disposto

nesse

mesmo

documento,

as

bibliotecas

desempenham “[...] um papel importante no desenvolvimento e manutenção
de uma sociedade democrática, ao dar aos indivíduos acesso a um vasto
campo de conhecimento, ideias e opiniões” (IFLA, 2013, p. 13, não
paginado, grifo nosso).
Discutindo acerca do papel do bibliotecário no futuro, entende-se que
esse

profissional

poderá

atuar

em

vários

segmentos

onde

demande

informação, cultura e lazer (DARABENSTOTT; BURMAN, 1997). Os autores
citados proferem ainda que as bibliotecas e seus profissionais deverão oferecer
serviços voltados à capacitação dos usuários e o mais importante a esse
profissional será saber “[...] trabalhar com indivíduos e grupos em vários
tipos de disciplinas e, mais ainda, estar habilitado ao manejo de bens
culturais, intelectuais” (DARABENSTOTT; BURMAN, 1997, p. 12, grifo nosso).
A função social da biblioteca está intensamente imbricada nas questões
culturais. Santa Anna, Gregório e Gerlin (2014) evidenciam que o bibliotecário
deve atuar de forma social, preocupado com a formação cidadã dos indivíduos,
inserindo-se no contexto cultural, atuando como agente que dissemina e
preserva a cultura de uma localidade.
Por fim, vê-se que, na atualidade, pelo menos na realidade brasileira, as
bibliotecas exercem com mais intensidade as funções informacionais do que
sociais. Se a sociedade passasse a perceber a função social da biblioteca,
certamente novas percepções seriam construídas a respeito do futuro da
biblioteca.
Na realidade brasileira ainda estamos presos à função informacional
apenas; no entanto, como exemplifica Lemos (2008), no contexto europeu,
essa realidade já vem sendo percebida, garantindo a permanência da
biblioteca nas sociedades vindouras.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por meio dos argumentos propostos neste

ensaio, percebe-se a

importância que a biblioteca exerce na sociedade, extravasando as atividades

�122

puramente informacionais e institucionalizadas, como consideram muitos.
Constata-se que, a trajetória evolutiva demonstra o quanto a biblioteca é
adaptativa e estratégica ao buscar novas formas de intervenção na sociedade.
Acredita-se, com base nessas considerações, que a função social da
biblioteca

abrirá

novos

espaços

de

trabalho,

tornando-as

centros

de

convivências, o que garantirá sua permanência no futuro, refutando, assim,
previsões exageradas e equivocadas.
Ao envolver-se com as questões sociais, a biblioteca torna-se um
ambiente democrático e, a partir disso, a função informacional ganha outras
dimensões, atuando no contexto de vida dos usuários, de modo que a
informação oferecida pelas bibliotecas possa agregar valor na vivência social.
Essa transfiguração oferecida pela função social permite que as práticas
informacionais realizadas nos acervos impressos, principalmente, tornem-se
desvinculadas da instituição mantenedora, ou dos suportes que possibilitam o
registro e a guarda informacional. Essa modificação confirma que a biblioteca,
o profissional que a sustenta e a própria Biblioteconomia tendem a se tornar
cada vez mais desinstitucionalizados, ou seja, contemplam instâncias muito
mais genéricas que extravasam os limites físicos dos acervos informacionais.
Com efeito, para que a função social se manifeste, a biblioteca assume
uma postura diferente, de modo a romper velhos paradigmas, pautados no
tecnicismo exagerado e na preocupação com a guarda em detrimento ao
acesso, para se tornar cada vez mais libertadora, democrática e flexível. Ou
seja, ela se desinstitucionaliza para se tornar dinâmica a ponto de atender as
múltiplas necessidades da sociedade.

REFERÊNCIAS
AQUINO, M. A. Metamorfoses da cultura: do impresso ao digital, criando novos
formatos e papéis em ambientes de informação. Ciência da Informação,
Brasília, DF, v. 33, n. 2, p. 7-14, maio/ago. 2004.
BARROS, P. A biblioteca pública e sua contribuição social para a
educação do cidadão. Ijuí: UNIJUÍ, 2002.

�123

DRABENSTOTT, K.; BURMAN, C. Revisão analítica da biblioteca do futuro.
Ciência da Informação, Brasília, v. 26, n. 2, 1997.
GONÇALVES, M. G. S. A Biblioteca Pública do Paraná como instrumento
de ação cultural: atividades e mediação da informação. Londrina: UEL, 2011.
IFLA; UNESCO. Manifiesto IFLA por la Biblioteca multicultural: la
biblioteca multicultural: portal de acceso a una sociedad de culturas diversas
en diálogo. 2008.
IFLA; UNESCO. Diretrizes da IFLA sobre os serviços da biblioteca
pública. 2. ed. Lisboa: De Gruyter saur, 2013.
LEMOS, A. B. de. Bibliotecas. In: CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA, Paulo da
Terra. Introdução às fontes de informação. Belo Horizonte: Autêntica,
2008.
RIBAS, C.; ZIVIANI, P. O profissional da informação: rumos e desafios para
uma sociedade inclusiva. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v.
17, n. 3, p. 47-57, set./dez. 2007.
SANTA ANNA, J.; GREGÓRIO, E.; GERLIN, M. N. Atuação bibliotecária além da
biblioteca: o espaço de leitura do Hospital Universitário Cassiano Antônio de
Moraes (HUCAM). Revista ACB, Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 77-88, jan./jun.
2014.

�124

PARTE III

REPENSANDO A
BIBLIOTECA E O
BIBLIOTECÁRIO

�125

CAPÍTULO VII
O PENSAMENTO DE DAVID LANKES PARA UMA NOVA
BIBLIOTECONOMIA
Emanuelle Geórgia Amaral Ferreira

1 INTRODUÇÃO
Dentre as transformações ocorridas no mundo contemporâneo (relações
sociais, política, econômica e tecnológica) a mais evidente é a tecnológica. As
tecnologias, efetivamente, impulsionam as mudanças de qualquer natureza. O
impacto na vida das pessoas é automático. As tecnologias no cotidiano
trouxeram novos padrões de comportamento. Vivemos um novo momento na
sociedade contemporânea, conforme pontua Lankes (2011), o momento é de
uma cultura participativa. As pessoas ao nosso redor estão se organizando. Os
cidadãos estão exigindo a participação nas decisões governamentais.
A 'mobilidade' que vivenciamos hoje deixa de ser puramente acesso a
uma tecnologia de informação e comunicação e torna-se 'comportamento'.
Com os smartphones e a web, a voz da comunidade é ampliada. As mesmas
pessoas que procuramos ajudar e disponibilizar o acesso à informação
expressam opiniões sobre a maneira como os produtos e os serviços são
oferecidos. Por outro lado, “uma parte da população mundial segue apartada
desse acesso, incluir essas pessoa segue sendo um problema econômico e,
também informacional” (ARAÚJO, 2018, p. 48).
Também, neste contexto, novos termos como a "pós-verdade" e as
denominadas "fake news" (notícias falsas) são fenômenos observáveis na
contemporaneidade, em que pessoas dão crédito a determinadas informações
por estar de acordo com suas crenças pessoais, independente de sua real
veracidade. As pessoas têm meios de verificar a veracidade das informações
disseminadas, seja pela mídia, seja nas redes sociais, mas há um desinteresse

�126

pela verdade, um apego a preconceitos, fundamentalismos, sobretudo, nesses
tempos de polarizações políticas e intolerâncias.
O que é surpreendente é que, através de todas essas mudanças e ainda
maiores ao longo dos séculos (o Renascimento, o Iluminismo, o
encanamento interno), o conceito de biblioteca sobreviveu. Para ser
mais preciso, o conceito de bibliotecas foi capaz de evoluir para atender
a um mundo em mudança (LANKES, 2011, p. 3, tradução nossa) 12.

As transformações tecnológicas impulsionaram mudanças também no
contexto

da

Biblioteconomia.

Desde

os

rolos

de

pergaminho,

ao

desenvolvimento da prensa de Gutemberg que permitiu a maior circulação de
informação, até a internet das coisas. Novos saberes e novas habilidades
foram necessários como resposta a esse novo contexto informacional.
Os bibliotecários e as bibliotecas têm um papel vital na promoção da
democracia e na erradicação das desigualdades dos direitos, desse modo, não
há tempo para a imparcialidade. A linguagem que usamos, a cor de nossa
pele, o lugar que crescemos e a nossa educação influenciam a maneira como
vemos, atribuímos significados e interagimos com o mundo. Não podemos ser
imparciais,

mas

podemos

ser

intelectualmente

honestos.

A

Nova

Biblioteconomia veio para consolidar tais valores.
R. David Lankes é professor e diretor da Escola de Biblioteconomia e
Ciência da Informação da Universidade da Carolina do Sul. É um apaixonado e
defensor dos bibliotecários e seu papel essencial na sociedade de hoje. Cunhou
o conceito da Nova Biblioteconomia oficialmente em 2011, com a publicação do
Atlas of the New Librarianship. As discussões iniciais em torno do conceito
começaram anteriormente. Em 2009, quando atuava como professor na
Universidade de Syracuse, foi o responsável pelo desenvolvimento do Mestrado
em Biblioteconomia e Ciência da Informação, cujas reflexões sobre a nova
maneira de pensar a Biblioteconomia foram iniciadas no âmbito de uma linha
de pesquisa específica sobre a temática. Posteriormente, o autor publicou as
seguintes obras sobre o assunto: Expect more: demanding better libraries for

12

What is amazing is that, through all of these changes and even greater ones over the
centuries (the Renaissance, the Enlightenment, indoor plumbing), the concept of the library
has survived. To be more precise, the concept of libraries has been able to evolve to meet a
changing world (LANKES, 2011, p. 3).

�127

today’s complex world, em 2012, e The New Librarianship field guide, em
2016.
No Brasil, a Nova Biblioteconomia de Lankes tornou-se amplamente
conhecida a partir do XXVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação (CBBD), ocorrido em julho de 2015. Na ocasião, Lankes foi o
conferencista e nos falou sobre sua obra publicada em 2012 “Expect More:
demanding better libraries for today’s complex world”. Durante a palestra,
surgiu a ideia de lançar o livro, capítulo a capítulo, a cada 15 dias, no site do
autor, para que o conteúdo fosse divulgado amplamente para a comunidade
bibliotecária brasileira. “Vamos pensar juntos uma Nova Biblioteconomia?” foi a
pergunta que nos levou a refletir e engajar em prol de uma Nova
Biblioteconomia, à medida que cada capítulo era traduzido. Em 2016, a
Federação

Brasileira

de

Associações

de

Bibliotecários

e

Cientistas

da

Informação (FEBAB) lançou a versão em português da obra, intitulada “Expect
more: melhores bibliotecas para um mundo complexo”.
Com a Nova Biblioteconomia, R. David Lankes (2011) vem com a
proposta de mostrar uma possibilidade de caminho a seguir, neste contexto de
mudanças, desafios e oportunidades. Logo na introdução do Atlas of the New
Librarianship,

o

autor

menciona

que

temos

muitos

anos

de

tradição

biblioteconômica como inspiração para o nosso futuro, "não como um conjunto
de algemas" nos vinculando (LANKES, 2011, p. 2).

Assim, ao propor uma

Nova Biblioteconomia, Lankes nos convida a focar nossas atenções para a
aprendizagem, o conhecimento e a ação social, não somente para a
catalogação, o suporte físico da informação ou a infraestrutura física da
biblioteca.
Com isso, não se trata de afirmar que a catalogação, os livros ou a
infraestrutura não sejam importante. Trata-se de reforçar tais elementos em
sua devida perspectiva: como instrumentos de trabalho do bibliotecário. O
futuro das bibliotecas não são os edifícios, embora possam permanecer por
séculos. O futuro das bibliotecas é o bibliotecário.
Ressalta-se que não compreendemos a Nova Biblioteconomia como uma
forma especial ou realmente nova de Biblioteconomia. A Nova Biblioteconomia

�128

é uma proposta de construção basilar para uma mudança na área como um
todo (LANKES, 2011, 2012, 2016a, 2016b). Em linhas gerais, a Nova
Biblioteconomia de Lankes nos dá uma nova perspectiva, um novo olhar para a
Biblioteconomia que conhecemos e que vínhamos praticando ao longo do
tempo. Nas linhas que seguem, apresentamos um panorama geral da Nova
Biblioteconomia proposta por R. David Lankes, enfatizando o aspecto da
facilitação na atuação do bibliotecário.

2

RESSIGNIFICANDO

A

BIBLIOTECONOMIA:

A

NOVA

BIBLIOTECONOMIA DE LANKES
A constituição de uma Nova Biblioteconomia consistiu de um longo
trabalho realizado por R. David Lankes para desenvolver uma nova abordagem
teórica e prática da Biblioteconomia que conhecemos e praticamos. No contato
com

diferentes

instituições,

professores

e

bibliotecários,

com

várias

publicações e em conferências realizadas em pelo menos três continentes
diferentes, Lankes (2011) concebeu o conceito de Nova Biblioteconomia.
O autor utiliza a palavra “comunidade” no sentido mais amplo, não
restringindo a determinado grupo ou espaço geográfico. No âmbito da Nova
Biblioteconomia, a comunidade é entendida como um grupo de pessoas que
possuem uma variável em comum e tem conhecimento disso. Nesse sentido,
Lankes (2011, 2012) esclarece que devemos encarar cada indivíduo da
comunidade como membro, e não como usuário, cliente ou outros termos que
usamos recorrentemente. Desse modo, os serviços das bibliotecas são para
atender as necessidades da comunidade e não para a comunidade. Esse é o
fundamento da Nova Biblioteconomia. Lankes (2012, p. 95) afirma ainda que
os bibliotecários e a biblioteca devem adicionar novos valores à comunidade,
valores que contribuam com uma melhoria, que sejam capazes de guiar a
comunidade para um crescente desenvolvimento.
A Nova Biblioteconomia utiliza-se do conceito fundamental de que o
conhecimento é criado por meio da conversação (LANKES, 2011, p. 2). Assim

�129

sendo, envolve uma reformulação da Biblioteconomia tendo como base o
conhecimento e a conversação. Nesse contexto, os bibliotecários, que são os
profissionais que lidam com o conhecimento, atuam como facilitadores da
conversação. Portanto, o exercício de uma Nova Biblioteconomia está
condicionado à atuação do bibliotecário. Lankes (2011, p. 15) afirma que a
missão dos bibliotecários é melhorar a sociedade facilitando a criação de
conhecimento em suas comunidades. A missão do bibliotecário é global, no
sentido de que, independente do seu local de atuação, seja uma biblioteca, ou
um escritório jurídico, ou um hospital, a missão permanece a mesma. O
estabelecimento de uma missão para o exercício da profissão possibilita ao
bibliotecário uma visão de mundo que o oriente na tomada de decisões e na
sua responsabilidade social enquanto indivíduo.
Lankes (2011, p. 15) critica os bibliotecários, afirmando que sua visão de
mundo é direcionada aos artefatos e ao que corriqueiramente chamamos de
técnica, pois, notoriamente há uma dificuldade em separar os objetivos a partir
das ferramentas que utilizamos para alcançá-los. Nenhuma habilidade ou
ferramenta nos define bibliotecários. Em vez disso, é nossa missão e uma
visão de mundo que acompanha.

Conforme afirma Lankes (2011, p. 29),

temos agora de construir os bibliotecários para promover uma sociedade
baseada no conhecimento. Desse modo, devemos desenvolver uma visão de
mundo que transcenda as ferramentas. Desenvolver uma visão de mundo é
vital para as possibilidades que o mundo contemporâneo nos apresenta.
Atividades tradicionais como a organização da informação e a manutenção do
conhecimento registrado são meios para um fim. Não é a finalidade única de
nossa atuação. Assim sendo, se continuarmos definindo tanto bibliotecários
quanto

a Biblioteconomia,

propriamente, pelas

funções que

executam,

estaremos nos limitando.
Mudanças profundas ocorreram em nossa sociedade, no tocante às
tecnologias e a conectividade, a demografia e as relações sociais.

Aliar as

tecnologias com um novo enfoque sobre as comunidades nos permite pensar
melhores bibliotecas para a comunidade (LANKES, 2012, p. 85). Nesse
aspecto, Lankes (2011, p. 3) afirma que, embora, a tecnologia tenha trazido

�130

uma mudança revolucionária, considerar a tecnologia como o "único motor de
mudança é míope ao extremo".

O grande desafio é ajudar as pessoas a

tirarem proveitos das ferramentas digitais (LANKES, 2012, p. 18). A
capacidade de mudar e antecipar são produtos de uma visão de mundo
(LANKES, 2011, p. 18). Com as tecnologias de informação e comunicação,
bibliotecas de todos os tipos estenderam-se para a rede, a fim de prover
acesso e para ser uma nova alavanca para o desenvolvimento digital do
conhecimento.

Com o avanço da tecnologia, precisamos de menos espaço

para realizar nossos trabalhos. Devemos ceder esse espaço à comunidade para
o comércio de ideias. Conectando-nos ao nosso público, nossas faculdades,
nossas empresas, nossas igrejas e nosso governo, nos tornamos mais
essenciais. Desse modo, a missão e os nossos valores perduram; as
ferramentas e funções que usamos para alcançar essa missão é que mudam
com o tempo. É o bibliotecário que faz as coisas acontecerem; é o responsável
pelo impacto da biblioteca. Inspirar e informar para melhorar comunidades
devem ser a busca incansável dos bibliotecários.
A visão de mundo da Nova Biblioteconomia de Lankes se baseia em uma
teoria

de

como

as

pessoas

aprendem,

denominada

Teoria

da

Conversação. Também é formada por outras teorias e conceitos fundamentais,
tais como:


a Teoria da Motivação, que inclui a Teoria da Atribuição, a Teoria
da Expectativa, a Teoria da Definição de Metas e a Teoria da
Autodeterminação. Em linhas gerais, a combinação de teorias de
motivação representa uma série de abordagens conceituais para a
questão do que leva uma pessoa à ação. Para cumprir a missão, é
importante que os bibliotecários entendam a motivação, sobretudo,
para compreender melhor por que os membros usam determinado
serviço e por que os não membros não o fazem;



a Criação de Sentidos, que pode ser exemplificada com o conceito
de Sense-Making, de Brenda Dervin, amplamente estudada pela
comunidade brasileira, sobretudo, nos estudos de usuários da
informação. O conceito é utilizado pela Nova Biblioteconomia como

�131

metodologia para determinar como os membros da biblioteca
percebem os problemas;


o Construtivismo, em que a ênfase está no aprendizado ativo. O
significado

da

aprendizagem

ocorre

de

maneira

individual.

Bibliotecários não fazem o aprendizado acontecer; em vez disso,
eles criam as condições para o aprendizado e satisfazem a
necessidade de aprendizado por parte do membro (LANKES, 2011,
p. 27);


o Pós-modernismo, o qual “é criado nesse contexto como uma
forma de enfatizar a ação individual e a interpretação no trabalho
de Biblioteconomia” (LANKES, 2011, p. 27, tradução nossa)13. Os
debates pós-modernistas são, frequentemente, debates sobre o
caráter daquele que está interpretando.

A

Teoria

aprendizado,

da

Conversação

colocando

o

foco

se
da

concentra

no

conhecimento

Biblioteconomia

e

no

diretamente

no

comportamento e os efeitos dos serviços no indivíduo. O autor utiliza
elementos da Teoria da Conversação, de Gordon Pask, para afirmar que o
conhecimento é criado pela comunidade por meio do diálogo. Desse modo,
Lankes (2011, p. 63) aponta que, enquanto profissionais, estamos no negócio
do conhecimento, e assim sendo, estamos no negócio da conversação. Os
bibliotecários atuam como facilitadores de conversação, buscando enriquecer,
capturar, armazenar e divulgar os diálogos de suas comunidades (LANKES,
2011).
A Biblioteconomia não é sobre os artefatos14, é sobre o conhecimento e a
facilitação da criação de conhecimento (LANKES, 2011, p. 43). Tal afirmativa
não significa dizer que os livros e os computadores não são importantes.
Trata-se de dizer que são ferramentas que servem para um propósito. No
século XVI, em 1597, Francis Bacon pontuou que "o conhecimento em si
mesmo é poder". Isso não mudou. Estamos no século XXI e o conhecimento é

13

“[…] is brought up in this context as a way of emphasizing individual action and
interpretation in the work of librarianship” (LANKES, 2011, p. 27).
14
O autor utiliza a palavra “artefatos” para designar “conhecimento registrado”.

�132

uma porta de infinitas possibilidades para atuação cidadã das comunidades. Os
livros e as coleções raras, as ferramentas multimídias e as páginas da web são
instrumentos para inspirar, educar e provocar conversas e, por conseguinte,
aprendizado. Os livros, o prédio da biblioteca ou o processamento técnico da
informação não são o fim. Independentemente da tipologia, Lankes (2012)
aponta que a missão das bibliotecas é criar uma nação de cidadãos proativos e
informados, porque o futuro da comunidade está nas decisões e nos talentos
dos cidadãos. O simples uso não é suficiente se não contribuir para ajudar as
comunidades a aprender e tomar melhores decisões.

2.1

A

FACILITAÇÃO

DOS

BIBLIOTECÁRIOS

NO

CONTEXTO

DA

NOVA

BIBLIOTECONOMIA
O estereótipo de que o bibliotecário é um profissional isolado e calado
precisa deixar de existir (LANKES, 2012, p. 97). De acordo com Lankes (2011),
é por meio da declaração de uma missão do bibliotecário estabelecida pela
Nova Biblioteconomia que o campo pode evoluir para enfrentar os novos
desafios. Para isso, o autor alerta que o bibliotecário deve compreender que o
conhecimento é um recurso exclusivamente humano, obtido por meio de
conversas ativas, não um artefato ou item da coleção.
Assim sendo, definida a missão do bibliotecário de “melhorar a sociedade
facilitando a construção do conhecimento em suas comunidades”, devemos dar
voz a principal interessada em toda essa mudança paradigmática nas
sociedades contemporâneas: a comunidade. Nesse aspecto, Lankes (2011, p.
28) pontua a importância de aliarmos a missão do bibliotecário ao apoio da
comunidade, criando o que ele denomina em seu Atlas of the New
Librarianship, de pacto social entre a comunidade e os bibliotecários.
Se esperamos apoio de nossas comunidades na forma de impostos,
linhas orçamentárias ou doações, não devemos nos esquivar de negociar
os termos nos quais somos apoiados. Se permitirmos que o
financiamento continue baseado em antigas percepções de repositórios
discretos de livros, logo descobriremos que o financiamento vai embora.
As pessoas dirão que não precisam de armazéns de livros e nos cortam.
Então será tarde demais para mostrarmos o que realmente temos feito:

�133
conhecimento e empoderamento (LANKES, 2011, p. 29, tradução
nossa)15.

Retomando a missão do bibliotecário, como você vê a facilitação? Lankes
(2011, p. 80-81) nos conta que todo bibliotecário que conheceu tinha uma
história, grande ou pequena, sobre pessoas. Em todas as histórias tinha
sempre uma conversa. O autor pontua que mesmo que tenha sido por um
momento ou de uma forma pequena, aquela conversa, aquela solução
informacional tornou o mundo – de cada membro – um lugar melhor. Para
Lankes (2011, p. 81), a facilitação verdadeira e bem sucedida é quando um
bibliotecário ajuda o membro da comunidade encontrar a sua própria história.
A biblioteca, para colocar isso em um contexto político, é uma instituição
do povo ou para o povo? Sua resposta a essa pergunta, em última
análise, define como você vê a facilitação. Se você é para o povo, você é
uma ferramenta e separada. Facilitar é atuar em uma população. Você
tem usuários e clientes, não membros. Se, ao contrário, você sente que
a biblioteca é do povo, então facilitar é envolver e ajudar a comunidade
porque você está se ajudando. Você tem membros. Se você se vê como
uma ferramenta para as pessoas, você tem um emprego. Se você se vê
como um membro da comunidade, você tem uma vocação - um
chamado - uma missão (LANKES, 2011, p. 66, tradução nossa) 16.

O conceito de “facilitar a criação de conhecimento” prevista na missão
que norteia a Nova Biblioteconomia está intimamente ligado aos princípios
associados com o desenvolvimento de uma aprendizagem independente. De
acordo com Lankes (2011, p. 65), de uma maneira inicialmente aplicada, já
que o "fim" é negociado com a comunidade, há quatro meios de o bibliotecário
contribuir com a facilitação:

15



acesso: construindo uma ponte entre os “conversantes”;



conhecimento: tendo o domínio necessário para conversar;

“If we expect support from our communities in the form of taxes, budget lines, or
endowments, we must not shy away from negotiating the terms on which we are supported. If
we allow the funding to continue based on old perceptions of quiet book repositories, we will
soon find that funding going away. People will say that they don’t need book warehouses and
cut us. Then it will be too late for us to show what we have really been up to: knowledge and
empowerment” (LANKES, 2011, p. 29).
16
“Is the library, to put this in a political context, an institution of the people or for the people?
Your answer to that question ultimately defines how you see facilitation. If you are for the
people, you are a tool and separate. To facilitate is to act on a population. You have users and
customers, not members. If, in contrast, you feel as I do that the library is of the people, then
to facilitate is to engage and help the community because you are helping yourself. You have
members. If you see yourself as a tool for the people, you have a job. If you see yourself as a
member of the community, you have a vocation—a calling—a mission” (LANKES, 2011, p. 66).

�134



ambiente: fornecendo uma plataforma onde um membro pode se
sentir seguro para participar; e



motivação: compreensão, apoio e, em alguns casos, transmitindo
o desejo de participar.

A

nossa

(catalogação,

formação
metadados,

em

Biblioteconomia

recuperação

da

está

focada

informação

no

etc.).

acesso
Estamos

habituados a focar no acesso material da informação, nos artefatos. No
entanto, o acesso para os membros é uma via de mão dupla na Nova
Biblioteconomia. Essa é uma parte fundamental da Nova Biblioteconomia: os
membros precisam de auxílio somente para conversar com outras pessoas,
mas também para fornecer acesso ao seu próprio conhecimento e artefatos
(LANKES, 2011, p. 67). Passar a maior parte do tempo trabalhando com os
membros da comunidade e organizações comunitárias, tornando seu conteúdo
acessível, focando a produção e não somente a compra, é o futuro dos
bibliotecários e das bibliotecas (LANKES, 2011, p. 67). Em linhas gerais, o
acesso é a maneira de conseguir com que uma pessoa participe de um diálogo,
seja por meio de artefatos ou de redes digitais. Além de possibilitar o acesso
aos

artefatos

e

ao

conhecimento

produzido

pela

própria

comunidade,

precisamos fornecer acesso ao espaço físico e digital da biblioteca. Para Lankes
(2011, p. 71), sendo o trabalho do bibliotecário facilitar a criação de
conhecimento por meio da conversação, as ferramentas construídas pelos
bibliotecários também devem fazê-lo. O grande diferencial desse aspecto da
Nova Biblioteconomia é o acesso a diálogos e conhecimentos reais, para
contribuir para a construção do conhecimento pela comunidade.
Fornecer acesso aos artefatos ou as conversas não é suficiente para o
conhecimento, haja vista a quantidade de informações disponíveis a qualquer
pessoa com acesso à internet. Há tempos, bibliotecários contribuem com a
necessidade de ir além de oferecer acesso e instrução, especialmente, nos
serviços de referência. Segundo Lankes (2011, p. 73), os bibliotecários, além
de transmitir todas as instruções sobre como pesquisar e avaliar fontes, devem
instruir sobre como transformar o novo conhecimento em uma conversa eficaz
(on-line, pessoalmente ou de outra forma), proporcionando um benefício para

�135

a comunidade. Ao participar de uma conversa, cada membro da comunidade
provavelmente vem com um conceito básico sobre determinado assunto, mas
com a participação adicionam mais conceitos ao seu conhecimento existente,
como resultado de um grande número de diálogos anteriores (LANKES, 2011,
p. 72). Em linhas gerais, no tocante ao conhecimento, os conceitos de Nova
Biblioteconomia exigem uma série de expansões em todos os tipos de
alfabetização. Nesse sentido, Lankes (2011) nos convida a olhar para
alfabetização como uma forma de empoderamento da comunidade. “Os
bibliotecários, eu diria, precisam enxergar a alfabetização como um meio de
adquirir poder - na maioria das vezes, poder para os que não têm poder”
(LANKES, 2011, p. 74, tradução nossa)17. Para Lankes (2011, p. 75), na Nova
Biblioteconomia, todos os perfis de bibliotecários promovem a alfabetização
para capacitar os membros: facilitando habilidades na aquisição de poder.
Ao propiciar conversas para construção do conhecimento coletivo pela
comunidade, preparando-as para participar como igual, por meio do acesso e
do conhecimento, depende do fornecimento de um ambiente seguro para
participar, criar e aprender. A segurança se refere a dois aspectos: a sensação
de segurança física, muitas vezes enfatizada nas configurações de biblioteca
pública que fornece segurança intelectual e cultural; e a segurança do uso dos
bibliotecários para facilitar o conhecimento em muitos contextos. Conceitos
como liberdade intelectual e privacidade são valores fundamentais de qualquer
biblioteca.
Aliada ao ambiente seguro, atraente e desafiador, a motivação é um
elemento complementar. Lankes (2011, p. 26) afirma que é fundamental que
os bibliotecários tenham uma melhor compreensão acerca da motivação. Isso
para compreender melhor porque os membros da comunidade usam o serviço
da biblioteca (e porque não-membros não utilizam). Assim sendo, o autor
aponta que os bibliotecários podem começar a motivar o uso da biblioteca,
tendo uma postura mais proativa na vida de seus membros e na construção do
conhecimento. Lankes (2011, p. 79) afirma, ainda, que o bibliotecário deve

17

“Librarians, I would argue, need to view literacy as a means of acquiring power — more
often than not, power for the powerless” (LANKES, 2011, p. 74).

�136

entender a motivação para construir serviços que não seja simplesmente útil
para os membros, mas que reconheçam as razões dos membros para utilizar o
serviço.
Em linhas gerais, os meios de facilitação mencionados são, em última
análise, uma forma de capacitar bibliotecários e membros (LANKES, 2011, p.
80). Ler, chamar a atenção das pessoas, motivar e mediar a comunicação
entre os membros da comunidade requerem um facilitador poderoso. Para
Lankes (2011), o poder de ser um bibliotecário está em não ver as pessoas
como problemas, mas como membros em necessidades - necessidade de
serviços, suporte, alfabetização e, sobretudo, o poder de criar e aprender, não
simplesmente necessidades para a sobrevivência. O bibliotecário nem sempre
esteve consciente de todo o poder e da responsabilidade em fazer uso do
poder. Sempre imerso em suas tarefas cotidianas de organizar e preservar, o
bibliotecário

pouco

se

dá

conta

de

sua

importância

na

sociedade

contemporânea. “Muitos bibliotecários revivem a história e estão presos num
conservadorismo profissional que privilegia o que eles fazem em detrimento
das razões por que o fazem” (LANKES, 2016a, p. 23). Corroborando a essa
afirmativa, Macedo (1986, p. 219) pontuou que “apesar de todo o progresso
científico, a Biblioteconomia e seus profissionais ainda teimam por manter a
velha atitude de encarar o conhecimento como algo pronto a ser adquirido e
reproduzido”.

Eis

conhecimento

não

o
é

grande
um

diferencial

algo

pronto

da
para

Nova

Biblioteconomia.

adquirir

e

reproduzir;

O
o

conhecimento é uma construção social e a missão do bibliotecário é facilitar a
criação do conhecimento com os membros da comunidade e não para a
comunidade. A comunidade é o verdadeiro acervo.
O bibliotecário é capaz de contribuir com a solução de problemas sociais
da comunidade se tornar-se parte da comunidade, não um prestador de
serviços informacionais. Samek (2007, p. 4) afirma que os bibliotecários
desempenham um papel importante na preservação e no apoio aos ideais de
tolerância, democracia, direitos humanos, direitos e memória coletiva em
muitas partes do mundo. Por meio de uma visão de mundo de uma
Biblioteconomia que transcenda as ferramentas para a organização da

�137

informação e manter o conhecimento registrado, o bibliotecário pode contribuir
com a erradicação do analfabetismo e facilitar a integração de sociedades
multiculturais, por exemplo. Assim sendo, o bibliotecário deve ajudar a
promover o livre acesso democrático e socialmente igualitário às informações.
“[...] Nas mãos de bibliotecários, o poder é a capacidade de fazer as nossas
comunidades e, finalmente, a nossa sociedade, um lugar melhor” (LANKES,
2011, p. 80). O bibliotecário não deve contribuir com a construção do
conhecimento pela comunidade porque é uma boa ideia, mas porque a ideia
deve ser essa. Pensar nas pessoas, no usuário, na comunidade, é uma
tendência contemporânea da área que pode ser observada em diferentes
vertentes. A Biblioteconomia que todos queremos deve ultrapassar fronteiras
(LANKES, 2016a).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a Nova Biblioteconomia, R. David Lankes nos convida a reafirmar as
raízes da Biblioteconomia não centrada no prédio da biblioteca, ferramentas e
coleções, mas no conhecimento, na comunidade e no avanço da condição
humana. A Nova Biblioteconomia de Lankes nos dá uma nova perspectiva, um
novo olhar, para a Biblioteconomia que conhecemos e que vínhamos
praticando ao longo do tempo. Em linhas gerais, o que as bibliotecas e os
bibliotecários fazem é facilitar a criação do conhecimento, e isso é apenas um
aspecto da missão, trabalhando para tornar a comunidade mais inteligente por
meio do fornecimento do acesso e da criação do conhecimento; ao fornecer
treinamentos, contribuindo com a aprendizagem; proporcionando segurança
física e intelectual e motivando a comunidade (LANKES, 2011, 2012). Embora
as ferramentas sejam importantes, a verdadeira definição de nossa profissão
ou de qualquer profissão é o seu impacto e uso. Nós não devemos nos definir
por nossos objetivos. Não somos organizadores, somos facilitadores. Nós não
somos colecionadores, mas aqueles que inspiram novas ideias. A mudança
fundamental é de coisas para o conhecimento humano.

�138

A construção de uma Nova Biblioteconomia sob uma base sólida de
dignidade humana, liberdade, justiça social e diversidade cultural requer que
os bibliotecários atuem de forma constante e implacável sobre as questões
sociais, políticas, culturais, legais, econômicas, tecnológicas e ideológicas
(SAMEK, 2007, p. 43). Ou seja, a chave para uma biblioteca bem sucedida e
para uma Nova Biblioteconomia é o bibliotecário.
realmente

desejam

melhorar

a

sociedade

por

Se os bibliotecários

meio

da

facilitação

do

conhecimento, eles não só devem ter suas vozes ouvidas, como também
trabalhar constantemente para melhorar a sociedade por meio da ação; assim,
os bibliotecários serão ativistas. Ser da comunidade no conceito e na ação é o
aspecto que merece destaque e atenção dos bibliotecários. Mais que oferecer
novos serviços e produtos com as tecnologias digitais é a relação com a
comunidade que muda. Trata-se de uma mudança na visão de mundo aliada a
missão do bibliotecário de contribuir com a facilitação da criação do
conhecimento para a melhoria das comunidades. “Vamos trabalhar juntos?”
(LANKES, 2016a, p. 169).

REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Biblioteconomia: fundamentos e desafios
contemporâneos. Folha de Rosto: Revista de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, v. 3, n. 1, p. 68-79, jan./jun. 2017.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila Araújo. O que é ciência da informação. Belo
Horizonte: KMA, 2018.
LANKES, R. David. The Atlas of new Librarianship. Cambridge: The MIT
Press, 2011.
LANKES, R. David. Expect more: demanding better libraries for today’s
complex world. Jamesville, NY: Riland Publishing, 2012.
LANKES, R. David. Expect more: melhores bibliotecas para um mundo
complexo. São Paulo: FEBAB, 2016a.
LANKES, R. David. The New Librarianship field guide. Cambridge: The MIT
Press, 2016b.

�139

MACEDO, Iara Ferreira de. A ideologia na Biblioteconomia: uma reflexão.
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 15, n.
2, p. 210-221, set. 1986.
SAMEK, Toni. Librarianship and human rights: a twenty-first century guide.
Oxford, England: Chandos, 2007.

�140

CAPÍTULO VIII
BIBLIOTECAS CONTEMPORÂNEAS COMO ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA
Rômulo Mansur Lauar Júnior

1 INTRODUÇÃO
Das figuras rupestres ao e-book, estamos diante de um grande e
paradoxal sistema de informações que, a cada dia, se avolumam e precisam,
de alguma maneira, ser organizadas e tratadas a ponto de estarem disponíveis
aos usuários e usuários pesquisadores. Ao passo que a pesquisa se avoluma e
todo o sistema de informações vai se integrando, vamos entrando numa seara
de tornar as bibliotecas em espaços de convivência, onde pessoas discutem
ideias, trabalham em consonância umas com as outras e novas perspectivas de
usabilidade dos espaços reservados a esse fim são pensadas.
Trazendo um breve histórico, cujos primeiros registros da trajetória
humana aparecem, temos algumas reflexões:
A história do homem é parte reduzida da trajetória humana uma vez
que a pré-história é muito maior. Os primeiros registros de ações e
reflexões são recentes. Da pedra, argila, papiro, pergaminho e papel à
memória das máquinas, o salto foi curto: poucos milhares de anos.
Nesse período, relativamente breve, o homem, em paralelo à
capacidade de registrar o pensamento, aprendeu a organizar esses
documentos, fazendo com que os registros precedentes fossem
determinantes do pensamento subsequente (MILANESI, 2002, p.15).

E, dessa forma, foi-se formando, por meio das informações, os
conhecimentos que tornam a Biblioteconomia uma ciência interdisciplinar, que
cuida

da

preservação,

recuperação,

organização

e

disponibilização

do

conhecimento para aqueles que o buscam.
Como nossa profissão é uma profissão essencialmente social, uma
profissão de mediação e de contato, de “fazer com o outro”, de fazer
para o outro, o bibliotecário só tem a ganhar com a colaboração com
outros profissionais. Esta tendência de trabalho interdisciplinar é uma
tendência mundial. Tudo indica, e esta é uma visão pessoal desta

�141
realidade, que esta maior visibilidade do bibliotecário tem levado os
profissionais de outras áreas a uma maior curiosidade com relação ao
nosso fazer (CUNHA, 2003, p. 43).

Citação

valorosa

de

Cunha,

em

que

o

autor

evidencia

a

interdisciplinaridade da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, nos
direcionando a uma relação de cooperação em relação aos profissionais de
outras áreas.
Dia após dia, temos visto que muitos meios estão sendo questionados e
inseridos nas bibliotecas com a finalidade de torná-las mais atraentes para a
nova geração que estamos vivenciando, onde os meios digitais são e fazem
parte do aprendizado adquirido por ela. Sendo assim, trataremos, neste
capítulo, das bibliotecas como espaço de convivência e suas particularidades,
apresentando novas maneiras e, acima de tudo, demonstrando a sua evolução
por

lapso

temporal,

além

de

observar

o

aspecto

empreendedor

dos

bibliotecários no exercício de suas funções, diante de um mercado que, a cada
dia, se abre mais, num leque de opções de atuação dos sujeitos ativos dessa
profissão, que vai desde as ciências médicas, exatas e jurídicas, entre tantas
outras.

2 DA IDADE ANTIGA À IDADE CONTEMPORÂNEA
Para melhor compreensão do contexto, buscaremos traçar uma breve
linha do tempo com o processo de evolução da sociedade e das suas
descobertas, ou seja, de onde viemos e como chegamos até os dias atuais.
Há cerca de 4000 anos, houve o surgimento da escrita, que veio dos
povos hebreus e persas que ocupavam as regiões da Mesopotâmia, Egito,
Grécia Antiga e Roma.
Seguindo os passos da história, damos um grande salto para a Idade
Média, que data do ano 476 d.c, marcada pelo feudalismo, pela queda do
Império Romano e também pelas cruzadas, em que foram difundidos muitos
conhecimentos que eram impostos aos povos a que esses impérios e as
cruzadas eram submetidos.

�142

A Idade Moderna, 1453 d.c, trouxe no seu bojo o renascimento, grandes
reformas, principalmente a religiosa, as navegações e o mercantilismo, sendo
possível a difusão de muitos conhecimentos na sociedade. Nesse período,
muitas culturas de diversos povos foram sendo descobertas e suas formas de
preservação, absorvidas pelos colonizadores, que se apropriavam e impunham
aos povos o seu modus vivendi. Nesse período, também vivenciamos a
Primeira Revolução Industrial, o Iluminismo, o descobrimento da América e,
por fim, o descobrimento do Brasil.
Concluímos esse rápido passeio pela história até chegarmos à Idade
Contemporânea, em 1789. Nela, podemos verificar a Revolução Francesa como
grande marco do período, a Segunda Revolução Industrial, trazendo mais
altivez à sociedade e mais conhecimento, maior interação entre os países e
grande difusão de ideias.
Na Idade Contemporânea, também vivenciamos as 1ª e 2ª Guerras
Mundiais, que tornaram o mundo mais dividido, tempo de grande avanço da
ciência por motivo da Guerra Fria traçada entre o oriente e ocidente, viagens
espaciais, avanço nas telecomunicações, corrida armamentista e grandes
desastres humanitários causados por governos fundamentalistas.
E, depois de tantas informações em um período relativamente curto de
nossa história, entramos na era da globalização. Era de integração social,
econômica, política e cultural, estabelecida entre os países do mundo.
Partimos de uma comunicação limitada, por meio de rádios e televisores,
até chegarmos na era da internet, que veio pôr fim a muitas barreiras que
atuavam contra a disseminação do conhecimento. Porém, devido a ela,
estamos tendo que nos adequar e aprender a lidar com o grande volume de
informações que nos chegam a todo instante.
Daí a necessidade de além de tornar a biblioteca como uma fonte de
informação muito importante e insubstituível para a preservação dos nossos
registros, fazer dela um espaço de convivência para que continue sendo
utilizada com intuito de pesquisas e de diálogo, novos ideários e de
transformação.

�143

3 AS BIBLIOTECAS E AS NOVAS TECNOLOGIAS
Quando falamos em biblioteca, de acordo com o site “bibliotecários sem
fronteiras”, temos o seguinte conceito:
Biblioteca (do grego βιβλιοϑήκη, composto de βιβλίον, “livro”, e ϑήκη,
“depósito”), na definição tradicional do termo, é um espaço físico em
que se guardam livros. De maneira mais abrangente, biblioteca é todo
espaço (concreto, virtual ou híbrido) destinado a uma coleção de
informações de quaisquer tipos, sejam escritas em folhas de papel
(monografias, enciclopédias, dicionários, manuais etc.) ou ainda
digitalizadas e armazenadas em outros tipos de materiais, tais como CD,
fitas, VHS, DVD e bancos de dados. Revistas e jornais também são
colecionados e armazenados especialmente em uma hemeroteca
(BIBLIOTECÁRIOS SEM FRONTEIRAS, 2008, não paginado).

Dessa maneira, notamos que, partindo dessa concepção, as bibliotecas
são espaços físicos que se destinam à guarda de livros, monografias,
dicionários, enciclopédias, entre outros tipos de mídias, inclusive bancos de
dados.
Com todo esse contexto, percebemos que, mediante a essa definição,
esses espaços físicos trazem por si uma perceptível e consensual vocação para
se tornarem lugares de convivência entre os seus usuários, utilizando seus
campos para debates e enfrentamentos de discussões sobre teorias e estudos
práticos.
Mundo afora, já vemos muitas bibliotecas bastante intuitivas, onde os
usuários são protagonistas e fazem grande parte do processo de estudos e
investigações com a ajuda dos meios que elas dispõem.
Laboratórios de informática, utilização de plataformas digitais, cujo
acervo encontra-se digitalizado, o que favorece o acesso aos documentos
quase que em tempo real, são facilidades das bibliotecas mais modernas, o
que não faz menos importante que essas mesmas informações estejam nas
estantes dispostas e prontas para consultas, de forma física.
É sensível que temos que nos ater aos novos tempos e perceber a força
da rede mundial de computadores e sua enorme atividade que se impõe sobre
todas as pessoas, os smartphones, tablets, leitores de livros digitais, páginas
direcionadas à leitura, bibliotecas digitais, repositórios, bases de dados e
outras maneiras de mídias que vêm surgindo para facilitar o acesso à leitura e

�144

informações contidas nas bibliotecas em todas as suas nuances. Além disso, é
evidente que essa tecnologia tem a capacidade de promover, a ponto de tornar
as bibliotecas centros de convivência mais efetivos entre as pessoas,
viabilizando a inclusão digital. Reforça-se que, mesmo sendo senso comum
que os meios digitais vieram para ficar e se aprimorar, ainda temos milhões de
pessoas que precisam se adequar, aprender e se aventurar por essas novas
faces das bibliotecas.
Cerveró e Gonzáles (2011) apregoam que “a inclusão digital tem como
interesse a inclusão de todas as pessoas na sociedade da informação,
especialmente os grupos com maiores dificuldades de acesso às Tecnologias da
Informação e Comunicação (TIC)”. Resta, aí, um grande aprendizado e
formalização de que, para que haja a convivência plena, temos que nos ater à
necessidade da inclusão, porque, sem a sua efetivação, não existe uma
comunicação real, qual seja, estaríamos falando em duas línguas diferentes no
mesmo espaço.
A Biblioteconomia, no seu fazer de atividades, estende-se por muitas
outras áreas, cujo bibliotecário, ou até mesmo o estudante de Biblioteconomia,
exerce funções diversas a sua atuação dentro (ou fora) das bibliotecas, salas
de leitura e centros de informação.
As possibilidades de atuação dos bibliotecários vêm, a cada dia,
alcançando

maior

espaço

na

sociedade

contemporânea,

tal

como

em

escritórios jurídicos na atividade de pesquisas jurídicas, no atendimento de
empresários que precisam de informações confiáveis, a respeito de temas que
lhes interessam; na análise de informações estratégicas do setor bancário,
com a finalidade de que esse setor incorra em menos riscos nas suas
atividades; dentre muitas outras atividades, possibilidades e campos de
atuação bibliotecária.
4 BIBLIOTECAS: CENTROS DE CONVIVÊNCIA?
Partindo do pressuposto de que uma biblioteca seja um lugar silencioso,
onde as pessoas não podem conversar para não comprometer o estudo alheio,

�145

apresenta-se esse questionamento, a fim de ser discutido e debatido neste
momento.
A informação é um fator de grande relevância para a formação das
pessoas, pois possibilita a liberdade de pensamento, de livre iniciativa, da
construção de sua própria cidadania. Não podemos coibir as diversas formas
de expressão nem mesmo cercear os cidadãos de uma sociedade civil
organizada, de ter acesso àquilo que almejam. Quaisquer que sejam os
espaços públicos, precisamos fazer com que as pessoas se apropriem e façam
uso dos conhecimentos adquiridos por meio de pesquisas, livros, filmes e
acesso à internet de maneira que a inclusão seja efetiva e não apenas, fazendo
alusão ao ilustre poeta mineiro Drummond de Andrade, “[...] apenas uma
fotografia na parede”.
Nos escritos de Saracevic, “a informação é fator vital tanto para a
subsistência do indivíduo como da sociedade. O grau de desenvolvimento de
uma sociedade pode ser evidenciado pela qualidade de informação disponível
para a sua comunidade”.
Subentende-se, portanto, que as bibliotecas têm seu papel reafirmado
como lugar onde as pessoas desenvolvem suas capacidades cognitivas,
fazendo, dessa maneira, uma sociedade mais plena de pessoas que tenham
discernimento, melhorando, assim, a qualidade de toda uma população.
O desenvolvimento da relação entre Ciência da Informação e Ciência da
Comunicação apresenta várias dimensões: um interesse compartilhado
na comunicação humana, juntamente com a crescente compreensão de
que a informação como fenômeno e a comunicação como processo
devem ser estudados em conjunto (VARELA, 2011, p. 1).

Por essa leitura, entendemos ainda mais o valor das bibliotecas como
centros de convivência, lugares onde as pessoas melhor se informariam e
formariam suas opiniões mediante ao acervo, mas também, do contato com
outros usuários.
Trazer as bibliotecas aos centros de convivência é um caminho para
fomentar o contato das pessoas com livros e com equipamentos culturais.
Precisamos, cada vez mais, aumentar a rede de bibliotecas públicas e levá-las
às periferias dos grandes centros, promovendo a interiorização para que as

�146

pequenas cidades do país também tenham mais opções de espaços de
convivência para seus cidadãos.
Trazer os centros de convivência às bibliotecas é parte de uma inversão
que nos dá a capacidade de fazer dos bibliotecários sujeitos ativos e capazes
de transformar seu fazer profissional dentro das unidades de informação para
além desses espaços; basta que esses sujeitos percebam os nichos de
mercado e trabalhem as suas habilidades adquiridas na academia.
A partir dessa caracterização das bibliotecas como espaços de convívio,
faz-se necessário ampliar a captação de frequentadores, resolver questões
ligadas ao grande número de pessoas, verificar a possibilidade de obter
alguma contraprestação com esse trabalho, dentre outras necessidades. Outro
ponto de grande relevância diz respeito ao fato de os profissionais gostarem do
que estão se propondo a fazer, e se nesses locais existe um mercado que
alimente seu empreendimento.

5 EMPREENDER COM BIBLIOTECONOMIA
Empreender no sentido estrito significa:
Criar opções de melhor desempenho, ganho ou lucro. Transformar
rotinas de trabalho de forma a gerar mais produtividade, ter ideias
inovadoras e desafiadoras. Capacidade de enxergar além do cotidiano,
solucionar com habilidades e criatividade. Ter visão de dono
(DICIONÁRIO INFORMAL, 2018, não paginado).

Proveniente das ciências administrativas, o empreendedorismo é cada
vez mais bem visto pelos bibliotecários, que, nas suas habilidades e funções,
conseguem desenvolver diversos trabalhos e atender áreas paradoxais por sua
vocação interdisciplinar.
Partindo desse pressuposto, em que a informação é a nossa matériaprima, da convergência de tecnologias, do antigo e do presente, das novas
formas de se qualificar e verificar informações importantes, faremos uma
breve comparação ao que diz respeito ao fazer bibliotecário, que é de
recuperar e disseminar informações aos usuários. Trocaremos usuários por

�147

clientes

e

elencaremos

algumas

das

formas

de

empreender

com

Biblioteconomia, discorrendo sobre três formas de empreendimentos que
podem ser utilizadas no contexto das bibliotecas contemporâneas, a saber:
-

Empreendimentos

empresariais:

Referem-se

à

criação

de

empresas, geração de lucro, empregos, movimenta a economia e agrega valor
à sociedade;
- Empreendimentos sociais: Instituições sem fins lucrativos que têm
sua atuação na área social ou por instituições privadas por meio da
responsabilidade

social,

investindo

em

soluções

de

desenvolvimento

sustentável e projetos culturais;
- Empreendimentos culturais: No Brasil, são entidades geralmente
mantidas pelo governo e não possuem fins lucrativos, como, por exemplo,
museus, teatros e bibliotecas.
Por meio desse contexto, percebemos como o empreendedorismo pode
contribuir bastante para a melhoria da vida das pessoas, bem como gerar
novas oportunidades de trabalho para os bibliotecários e promover a
reconstituição e redefinição das bibliotecas.
As opções oferecidas pelas novas formas de trabalho podem ser
bastante compensadoras. Espera-se que os profissionais tenham
criatividade para perceber mercados inexplorados, considerando sempre
as suas competências, habilidades e aptidões para lidar com o conteúdo
da informação e com o usuário da informação (REVISTA ACB, 2016, não
paginado).

É de total importância, a partir da citação anterior, que o bibliotecário
tenha em si um perfil empreendedor, o que facilita bastante sua inserção
nesse mercado gigantesco que se abre, fazendo com que novos olhares sejam
lançados à Biblioteconomia contemporânea e seus espaços de convivência.
Traçando um cenário do empreendedorismo no Brasil, temos várias
empresas que fomentam esse perfil e que dão suporte para quem quer se
aventurar nessa área:
- O SEBRAE viabiliza suporte a quem quer abrir seu próprio negócio;
- O Portal do empreendedor traz informações importantes e dicas sobre
como abrir novos negócios nas suas respectivas áreas;

�148

- A EndeavorBrasil está mais ligada à capacitação e ao networking entre
pessoas que querem partir para essa área, entre tantas outras empresas
júnior, que estão localizadas nas universidades e que prestam consultoria para
que pessoas que pretendem abrir seus negócios tenham maiores condições de
fazer suas ambições darem certo.

6 PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
Empreender é a palavra do futuro e do presente quando falamos de
Biblioteconomia. Cada vez mais, temos muitas oportunidades na área e vagas
que vão sendo abertas. No entanto, o volume de bibliotecários formados não é
suficiente

para

compô-las

no

gerenciamento

dos

grandes

centros

de

informação. Temos um volume grande de bibliotecas escolares, porém, as leis
que deveriam ser cumpridas, no Brasil, são atropeladas por interesses
financeiros e as escolas, bem como o Estado, não dão a importância
necessária.
É preciso estar atento tanto na formação quanto na atuação, buscar
caminhos, capacitação frequente e estar disposto a se relacionar com
profissionais de diversas áreas, o que trará, sem nenhuma dúvida, maior
know-how aos bibliotecários.
Entender de processos gerenciais, identificar as necessidades das
pessoas e dar a elas soluções reais, que as abasteça com as
informações solicitadas. O fornecimento de determinada prestação de
serviço, em geral por profissional qualificado e conhecedor do tema. O
serviço de consultoria oferecido ao cliente acontece por meio de
diagnósticos e processos e tem o propósito de levantar as necessidades
do cliente, identificar soluções e recomendar ações. De posse dessas
informações, o consultor desenvolve, implanta e viabiliza o projeto de
acordo com a necessidade específica de cada cliente (UNIVERSIDADE
ESTADUAL PAULISTA, 1998, p. 2).

A partir dessa premissa, percebemos a importância de agregar valor ao
perfil do bibliotecário, fazendo desse profissional um sujeito capacitado e apto
a atender os usuários e usuários pesquisadores de maneira objetiva e
qualificada, não apenas fornecendo bibliografias solicitadas, mas fomentando
pesquisas com seus conhecimentos.

�149

Temos, diante de nossos olhos, desafios, que nos revelam uma imensa
demanda de serviços e atividades que os bibliotecários podem cumprir de
forma eficiente. Entretanto, ainda precisamos de maior empenho nos cursos de
Biblioteconomia em formar empreendedores.
As disciplinas de empreendedorismo no curso de Biblioteconomia ainda
são poucas e os profissionais conhecem pouco do mercado, estando a mercê
dos estágios para terem essa percepção do “ir além” das estantes de livros,
para se estabelecerem num mercado cada dia mais competitivo.
Empresários da informação – este grupo é constituído por profissionais
da informação que criam empresas de fabricação e venda de produtos
ou serviços de informação, o produto da informação pode ser um banco
de informações especializadas, um programa de computador,
publicações, índices, catálogos etc. (LE COADIC, 1996, p. 6).

Com essa concepção, percebemos que o autor trata como “empresários
da informação” aqueles que criam empresas e vendem serviços de informação,
como também compartilham esses serviços para uma nova sociedade, como
tem sido evidenciado a partir do trabalho realizado pelos bibliotecários ao
ampliarem a função e o espaço da biblioteca, o que vem ao encontro com todo
o conteúdo que colocamos disposto, neste capítulo.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim, compreendemos que as bibliotecas contemporâneas como
centros de convivência são, na sua grande maioria, viáveis e que, nas suas
diferentes modalidades, poderão apresentar ao público práticas e dinâmicas
culturais que venham a atrair mais usuários no dia a dia.
Podem ser espaços convidativos, com variados perfis de atendimento e
que reúnam os mais distintos perfis de usuários, trazendo para si a grande
variedade de movimentos culturais que estão presentes na nação brasileira,
disponibilizando espaços que não sejam necessariamente para a leitura.

�150

As bibliotecas contemporâneas têm um caráter de diversidade, cujas
variadas classes sociais e idades podem discutir experiências, acessar a
internet, ler jornais, revistas e, também, fazer pesquisas.
Nesse contexto, com a grande utilização de meios digitais, é possível
trabalhar na construção de blogs, fortalecer espaços digitais para discussões,
estimular processos referentes à inclusão digital de crianças, jovens e adultos,
promover rodas de conversa, oficinas das mais variadas, dentre outras
atividades.
Bibliotecas contemporâneas têm muito mais que estudantes para
atender, elas têm a sociedade para servir, ajudar e desenvolver, ampliando
seus horários de atendimento, estendendo suas programações à sociedade civil
organizada, e mais: podem, ainda, construir vínculos com grupos sociais para
a música, espetáculos, contações de histórias, trabalhar com educação e
cultura e, dessa forma, criar um elo da população com o patrimônio que é de
cada cidadão por direito.
Por essa ótica, vemos que empreender vai muito mais além do que ter
apenas boas ideias; antes, faz-se necessário planejamento, percepção de
cenários, capacidade de verificar os movimentos da sociedade, ter espírito de
liderança, formar boas e eficientes parcerias que tenham os conhecimentos
necessários para o que se pretende fazer.
Durante a graduação, muitos estudantes já começam a perceber essas
singularidades da Biblioteconomia, uma vez que a maior parte dos estágios
que surgem são em tribunais, no Ministério Público, em escritórios de
advocacia, em associações de classe, e por aí vai.
Dessa forma, o caráter empreendedor da Biblioteconomia é fato
esclarecido e consumado entre os doutrinadores mais modernos desse campo
da Ciência da Informação, tendo, claro, as nossas bibliotecas nas suas várias
interfaces como nosso principal objetivo, mas também podemos e devemos
usar as nossas habilidades que o curso de Biblioteconomia nos proporciona
para empreender e fazer a profissão caminhar passo a passo com as novas
tecnologias e com a evolução da sociedade.

�151

Temos um futuro promissor, visto que a sociedade está em constante
evolução. Por esse motivo, temos que nos alinhar e não perder o compasso da
história, para que possamos fazer com que a profissão de bibliotecário se
perpetue e seja cada vez mais solícita às aspirações de um tempo em que as
informações são nossos desafios, tamanha a quantidade que nos é passada a
todo instante.

REFERÊNCIAS

BIBLIOTECÁRIOS SEM FRONTEIRAS. Bibliotecas. 2008. Disponível em:
&lt;https://bsf.org.br/2008/12/30/por-uma-definicao-de-biblioteca/&gt;. Acesso
em: 19 set. 2018.
CERVERÓ, Aurora Cuevas; GONZÁLES, Inmaculada Vellosillo. Inclusão Digital e
informacional como inclusão social. In: CUERVAS, Aurora; SIMEÃO, Elmira
(Cord.). Alfabetização Informacional e inclusão digital: modelo de
infoinclusão social. Brasília: Thesaurus, 2011. p. 55-70.
CUNHA, Murilo. O papel social do bibliotecário. Encontros Bibli: Revista
Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 8, n.
15, p. 41-46, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/99/5234&gt;. Acesso
em: 27 set. 2018.
DICIONÁRIO INFORMAL. Empreender. 2018. Disponível em:
&lt;https://www.dicionarioinformal.com.br/empreender/&gt;. Acesso em: 19 set.
2018.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília, DF: Briquet de
Lemos, 1996.
LINHA DO TEMPO. História Geral. 2018. Disponível em:
&lt;https://pt.slideshare.net/luiz-menezes/linha-do-tempo-histria-geralprofessor-menezes-54611990&gt;. Acesso em: 19 set. 2018.
MILANESI, Luís. Biblioteca. Cotia: Ateliê Editorial, 2002.
REVISTA ACB. Bibliotecário: atuação. 2016. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1209&gt;. Acesso em: 27 set.
2018.

�152

SARACEVIC, Tefko. Tecnologia da Informação e informação como utilidade
pública. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 1, p. 54-67, 1974.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. PRÓ-REITORIA DE ADMINISTRAÇÃO.
Noções básicas de consultoria interna em recursos humanos. São Paulo:
USP, 1998.
VARELA, Ainda. Informação e construção da cidadania. Brasília:
Thesaurus, 2011.

�153

CAPÍTULO VIV
EQUIPES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: LIDERANÇA E
AUTOSSUFICIÊNCIA
Patrícia Maria de Melo

“Nenhum problema é pequeno ou trivial se realmente pudermos fazer
algo a respeito” Richard P. Feynman
Dedicado à equipe da Biblioteca da FAE-UFMG

1 INTRODUÇÃO
O presente ensaio pretende discorrer sobre a relevância das equipes nas
bibliotecas

universitárias,

considerando

as

características

individuais

de

colaboração entre os integrantes e a liderança consciente do bibliotecário para
atingir as metas e os resultados pretendidos no Planejamento Estratégico da
Biblioteca.
A liderança do bibliotecário na Biblioteca Universitária é inquestionável,
já que ele detém o conhecimento técnico e o conhecimento teórico para gerir a
sua unidade. Inclusive, pesquisa em liderança é muito mais enfatizada na área
de gestão das bibliotecas. A formação da equipe é encontrada apenas como
tópico nas pesquisas e no planejamento. A gestão de pessoal é focada apenas
nos aspectos da liderança. Como se o líder fosse capaz de produzir excelentes
resultados com qualquer tipo de equipe. Os fracassos parecem ser advindos
principalmente de outras variáveis.
A abordagem aqui é sobre a importância das singularidades dos
integrantes da equipe que o bibliotecário vai liderar e a interação deles entre
si, inclusive, o ambiente físico que trabalham, ambiente que pode facilitar ou
dificultar a sua interação. É preciso valorizar uma equipe que aprenda em

�154

conjunto (FLORES, 2018, p. 43), que esteja motivada para prestar um
atendimento de qualidade ao usuário. Uma equipe que visualize metas claras e
compartilhadas por todos os seus integrantes. Que se responsabiliza, junto
com o bibliotecário, pelo Planejamento Estratégico a ser desenvolvido.
Nosso primeiro pensamento é o fato de que se a biblioteca é uma
unidade de informação especializada, os integrantes da equipe também podem
ser bibliotecários com diferentes formações. Os assistentes técnicos, muitas
vezes advindos de uma longa carreira servindo no setor por longos períodos,
possuem um conhecimento prático que às vezes, o bibliotecário ainda não
possui. E até outros servidores, que por terem tempo de trabalho no local,
consideram como seus o espaço da unidade. Nesse contexto, questiona-se:
Como a liderança do bibliotecário pode vislumbrar uma equipe efetiva e
saudável (FAQUETI, 2017), promovendo a cooperação entre os seus membros?
Nosso objetivo é pensar junto com o leitor pistas para favorecer a
autossuficiência e a saudável comunicação dos integrantes da equipe de uma
unidade de informação.

2 DESENVOLVIMENTO
Instaurar uma liderança efetiva é um desafio para o líder bibliotecário.
Antes de tudo é preciso conhecer as características pessoais de cada
funcionário que forma a equipe, como esse funcionário trabalha em grupo,
seus conhecimentos teóricos e técnicos. Até as habilidades e características
que às vezes podem não parecer relevantes para o trabalho em si, como
gostar de rapel, de viajar ou colecionar gibis, por exemplo. Tudo pode somar
nestes

tempos

Universitária.

de

transversalidade

Podemos

dizer

que,

a

que

antes

está

de

inserida

tudo,

antes

a

Biblioteca

mesmo

do

planejamento estratégico, de identificar seus usuários, de reconhecer seu
acervo, cabe ao bibliotecário identificar como a sua equipe interage com os
integrantes entre si e com ele mesmo (NUNES; CARVALHO, 2016). Salienta-se
que os integrantes da equipe são considerados os recursos humanos da

�155

unidade. E esse recurso é primordial para garantir o funcionamento e
desenvolvimento das atividades realizadas.
Muitas vezes, as habilidades de convívio entre os integrantes, a
facilidade para se adaptar às diferenças pessoais ou a habilidade de se
comunicar são preferíveis a um conhecimento técnico exacerbado. Por quê? A
técnica pode ser treinada, os conhecimentos podem ser adquiridos, contudo,
saber cooperar em equipe requer a instauração de

um processo de

comunicação eficaz, o que demanda um conhecimento elaborado. Uma
linguagem coerente entre os integrantes e com atitudes cordadas favorecem o
atendimento ao usuário e a realização dos trabalhos. Por isso, trabalhar em
equipe, segundo Faqueti (2017), é um elemento primordial no ambiente da
Biblioteca Universitária.
Ao adotar uma postura inteligente, o líder bibliotecário terá seu estilo
pessoal, pode ser um estilo mais autoritário ou mais colaborador, mas será
dele a capacidade de um comportamento mais flexível frente a sua equipe.
Uma capacidade de planejamento somada a uma equipe bem sincronizada
para trabalhar junto a ele fará com que o resultado seja mais efetivo e
inovador.
Quando você reconhece em sua equipe capacidades e habilidades, pode
pensar e repensar um planejamento mais coerente com os objetivos da sua
unidade, fazendo um planejamento consistente com os recursos disponíveis. E
a equipe torna-se o recurso primordial que o bibliotecário pode utilizar,
identificando suas competências, habilidades e necessidades de capacitação
para todos os integrantes.
A

liderança

do

bibliotecário,

sendo

uma

liderança

consciente

e

transformadora (O’DONNELL, 2010), é ponto pacífico em pesquisas na área,
cabendo-nos questionar as características de equipe mais produtiva em
Biblioteca Universitária, e essa característica produtiva se apresenta de forma
ampla. A curto, médio e longo prazo, quais as soluções mais eficazes para
atingir as metas pretendidas? E a qualidade do serviço ofertado pode variar de
acordo com determinada equipe? Podemos considerar a interação da equipe

�156

como arte, muito mais do que como uma técnica? Há algo a questionar e
discutir nesse quesito equipes cooperativas em BU? (FAQUETI, 2017).
Ocasionalmente, podemos passar por uma onda de desacerto pessoal,
mas

quando

um

indivíduo

é

cotidianamente

perturbador

no

trabalho,

precisamos pensar qual o ganho real para os projetos a serem desenvolvidos.
A atuação de alguns integrantes da equipe está interferindo no atendimento
aos usuários? Podemos optar ou não por manter esse indivíduo na equipe? Um
ou dois indivíduos podem comprometer recursos públicos ou empresariais em
prol de suas impossibilidades em trabalhar em grupo? Não sendo possível
encontrar meios da interação de todos da equipe, quais as estratégias o líder
pode utilizar? A missão e os valores da unidade sendo bem delimitados, com
metas claras em um Planejamento Estratégico, podem promover um trabalho
integrado?
Precisamos ter em mente nos nossos Planos Estratégicos em Biblioteca
Universitária, a atual necessidade de ter pessoas de diferentes capacidades na
equipe para atender uma sociedade cada vez mais complexa, a qual possui,
como consequência, usuários com demandas também mais complexas, o que
irá exigir a postura de um líder consciente e transformador, mas também uma
equipe acolhedora a novas aprendizagens e performances no trabalho em si.
Uma equipe que consegue ser funcional e cumpre metas, desfrutando de um
ambiente de trabalho agradável e produtivo, promovendo os vários tipos de
aprendizagem (FAQUETI, 2017).

3 CONCLUSÕES
Cabe ao líder, tomar para si a responsabilidade do desempenho dos
integrantes da sua equipe, responsabilizando-se quando a contratação ou
anuência ao receber uma pessoa em sua equipe que pode cooperar ou
comprometer todo o processo de trabalho. É necessário ter a capacidade em
identificar o perfil da pessoa a ser inserida na equipe, reconhecendo se o perfil
é o desejável para o planejamento da unidade e da própria equipe de trabalho.

�157

Com efeito, faz-se necessário esclarecer a responsabilidade da atuação final do
novo integrante. Faz parte das competências do bibliotecário reconhecer e
testar seus colaboradores, e quando a sua escolha é por uma liderança
compartilhada, a responsabilidade é de todo o grupo.
Então, desenvolver uma liderança consciente, em correspondência, uma
equipe cada vez mais autossuficiente é algo a se almejar. Exige-se do
bibliotecário um pensamento flexível para gerar novas ideias e soluções,
visando a integração de todas as pessoas envolvidas no processo. Significa
que, além de respeitar as singularidades individuais, necessita-se obter da
equipe a confiança necessária para os processos decisórios a serem acolhidos.
Há de se pensar em uma forma inclusiva, contudo, que abranja todo o
processo de gerenciamento da informação e dos objetivos da unidade a ser
gerenciada.
Há de se pensar em um Planejamento Estratégico sendo construído
conscientemente. Que ele seja avaliado pela equipe que vai protagonizá-lo e
não apenas pelo seu líder, o bibliotecário. Que a missão, objetivos e ações
sejam divulgados a todos os parceiros internos e externos da biblioteca. É
preciso ter atitudes que exigem muita comunicação e maturidade profissional.
Um desafio a ser partilhado por todos.

REFERÊNCIAS
CLEMENS, John. Liderança: o toque clássico. São Paulo: Best Seller, 1989.
MLODINOW, Leonard. Elástico: como o pensamento flexível pode mudar
nossas vidas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2018.
O'DONNELL, Ken. O espírito do líder: lidando com a incerteza permanente.
São Paulo: Integrare, 2010.
PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. Editorial. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, jan./mar. 2016.
Disponível em: &lt;http://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2572&gt;. Acesso em: 30
nov. 2018.

�158

PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. Editorial. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 21, n. 4, out./dez. 2017.
Disponível em: &lt;http://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2699&gt;. Acesso em: 30
nov. 2018.
PORTAL FEBAB. Liderança. 2018. Disponível em:
&lt;https://www.portal.febab.org.br/anais/article/download/1508/1509&gt;. Acesso
em: 28 nov. 2018.
RACHELS, James. Alguns pontos básicos sobre argumentos. In: RACHELS,
James; RACHELS, Stuart (Org.). A coisa certa a fazer: leituras básicas sobre
filosofia moral. Porto Alegre: AMGH, 2014. p. 32-40.

�159

CAPÍTULO X
CONSULTORIA EM ACERVOS DOCUMENTÁRIOS: RELATO DE
EXPERIÊNCIA EM UMA UNIVERSIDADE PRIVADA
Elaine Gregório

1 INTRODUÇÃO
A prestação de serviços vem ganhando forças no mundo moderno,
sobretudo à medida que as organizações perceberam as vantagens que podem
ser obtidas ao contratarem esse tipo de intervenção para realização das
atividades

organizacionais.

Essa

percepção

ganhou

força

diante

da

competitividade e da necessidade de poupar recursos, uma tendência do
mercado globalizado da atualidade.
A literatura de Administração é unânime ao valorizar a adoção de
estratégias que tornem as empresas mais competitivas. Para tanto, as
empresas adentram-se em um ciclo de redução de custos, gerenciando com
mais precisão o patrimônio organizacional (GONÇALVES, 1997). Visando
poupar custos, uma das medidas adotadas é a contratação de serviços que
visa, a priori, a redução de custos (BARROS, 2002).
Ao falar da prestação de serviços, uma pergunta fica no ar: esse tipo de
serviço pode ser realizado em bibliotecas? As unidades de informação, também
consideradas como organizações, podem contratar serviços bibliográficos,
tendo em vista adquirir vantagens com esse processo?
No que se refere aos profissionais que serão contratados, a literatura
vem desenvolvendo estudos no sentido de demonstrar que o bibliotecário pode
atuar no ramo da prestação de serviços, atendendo serviços dos mais
diferenciados e em diversas instituições. Estudo recente proferido por Santa
Anna e Pereira (2014, p. 169), por exemplo, destaca que aquele que atua na
prestação de serviços abre leque para a desvinculação do bibliotecário aos

�160

postos tradicionais de trabalho em bibliotecas. Desse modo, segundo os
autores mencionados, “[...] ao inserir-se em um mercado autônomo, rompemse os vínculos empregatícios e as responsabilidades do empregador para com o
empregado,

porém,

abrem-se

espaços

para

que

o

consultor

tenha

possibilidade de realizar novas conquistas, sendo mais dinâmico e inovador”.
A partir dessa questão, este estudo objetiva demonstrar, por meio de
relato de experiência, as vantagens adquiridas por uma biblioteca universitária
ao solicitar por meio de contrato provisório os serviços de tratamento e
organização de acervo bibliográfico. O relato narra os principais serviços
prestados pela equipe de bibliotecário-catalogadores contratados, assim como
apresenta as principais vantagens obtidas pela contratante ao viabilizar esse
tipo de serviço.

2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS
A prática empreendedora do bibliotecário torna-se cada vez mais
comum, na atual sociedade, visto que esse profissional tem compreendido a
necessidade de ocupar outros ramos de atuação, que vão muito além dos
serviços prestados por meio dos vínculos empregatícios realizados nas
tradicionais bibliotecas físicas, com foco, principalmente, em serviços de
aquisição, organização e disseminação de acervos (SANTA ANNA; PEREIRA,
2014).
A sociedade da informação proporcionou o surgimento de práticas
inovadoras, as quais passam a ser assumidas por todos os profissionais, nas
mais diferentes áreas do saber. Para Romeiro (2014), nessa sociedade, as
organizações centram suas atenções nos clientes, tendo em vista oferecer a
informação de forma rápida, segura e que proporcione a satisfação das
necessidades dos utilizadores.
A autora considera que a gestão torna-se um ponto de grande
preocupação do bibliotecário, na atual sociedade da informação, pois “[...] o
usuário/cliente deseja conteúdos cada vez mais selecionados e prontos num

�161

curto espaço de tempo. Cabe então ao bibliotecário, desenvolver estratégias
para poupar o tempo do usuário/cliente como dizia uma das Leis de
Ranganathan”. A partir desse fundamento, os profissionais buscam sair da
“zona de conforto” (ROMEIRO, 2014, p. 3), de modo a ocupar postos de
trabalho que demandem serviços de organização e sistematização de acervos,
prestando serviços, sem necessariamente estarem vinculados unicamente a
uma organização, como proferido por Santa Anna e Pereira (2014).
A prestação de serviços informacionais torna-se, portanto, o novo
paradigma do bibliotecário. Isso tem se consolidado em virtude das mudanças
ocasionadas com a sociedade da informação, com o uso dos recursos digitais,
aumento da competitividade, dentre outros fatores (SANTA ANNA; PEREIRA;
CAMPOS, 2014).
No âmbito da prestação de serviços informacionais, existem diversos
campos que podem ser ocupados, pois o mercado da informação é amplo, o
que demanda estratégias de organização da informação para tomada de
decisões no mercado corporativo (SILVA, 2005).
No entanto, um dos segmentos com grande potencial perfaz a oferta de
serviços direcionados à organização dos acervos bibliográficos, prática comum
realizada

em

quaisquer

modalidades

de

bibliotecas,

destacando-se

as

bibliotecas universitárias, as quais visam a fomentar as atividades de ensino,
pesquisa e extensão (LEITÃO, 2005).
Nesse sentido, Rossi, Costa e Pinto (2014, p. 111) acreditam que a
sociedade da informação e do conhecimento está pautada na experiência e no
conhecimento e, utiliza a informação para gerar novos conhecimentos
agregados aos produtos e serviços. Logo, as bibliotecas universitárias investem
no aperfeiçoamento dos serviços prestados para qualificação dos acervos
dispostos a uso da comunidade universitária.
Na visão de Silva e Rados (2002, p. 198), ao contextualizarem a
interferência do mercado globalizado nas organizações, frisam que:
As empresas e instituições deparam-se com a necessidade de aumento
da eficiência e qualidade nos serviços, para serem competitivas. Isto é
evidente quando se observa nas organizações sobrecarga de trabalho,
erros, retrabalhos e falta de definição clara das funções e procedimentos

�162
de cada funcionário, bem como falta de informações nas empresas sobre
seus processos.

Os autores citados destacam que, atingimos um momento de profundas
mudanças e, por decorrência, inquietações, cujas reais necessidades do
homem e das organizações modificam-se com a explosão permanente dos
processos de mudança e com a constante inovação tecnológica. Tais mudanças
também atingem as bibliotecas, que colaboram com a educação e possibilitam
acesso às diferentes fontes de informação.
Assim, reforça-se o papel do bibliotecário na gestão dos acervos
documentários, de modo a facilitar as atividades acadêmicas de alunos,
professores e demais envolvidos com a educação demandada nas instituições
de ensino superior, sejam elas públicas ou privadas.
Nas bibliotecas universitárias, o papel dos bibliotecários na prestação de
serviços de informação é fundamental, pois estes profissionais têm
contato direto com os usuários podendo identificar e adequar os serviços
às necessidades individuais dos mesmos. Porém, para que os
bibliotecários possam prestar um serviço de informação adequado,
atendendo aos objetivos institucionais e às expectativas de seus
usuários, é preciso que eles tenham, ou que desenvolvam competências
específicas para cada tipo de serviço prestado com intuito de atender o
usuário de forma eficiente e eficaz (ROSSI; COSTA; PINTO, 2014, p.
111).

O desenvolvimento de competências e habilidades representa a maior
exigência do mercado da informação, de modo que o bibliotecário reinvente
constantemente os seus serviços, atraindo a atenção das organizações para
contratação de seus serviços (SILVA, 2013).
Assim, mediante a oferta de serviços de qualidade, os bibliotecários
podem formar equipes multiprofissionais, atuando como consultores, conforme
as necessidades das organizações. É por de espírito empreendedor, da
capacidade de atuar em equipe, e com capacidade inovadora que poderá
identificar essas necessidades e montar as equipes a atuarem de forma
autônoma em diferentes empresas e segmentos da sociedade (MILANO;
DAVOK, 2009).
Segundo essas autoras, o bibliotecário surge no segmento da prestação
de serviços em consultoria informacional atuando em sua área de formação e
auxiliando na transformação da informação em conhecimento. Para Rossi,

�163

Costa e Pinto (2014), a consultoria realizada nas bibliotecas universitárias
representa um campo tradicional como também inovador e potencial ao
profissional da informação, o que reforça, por um lado, a contribuição para a
organização que contrata os serviços, como também, a necessidade de
dinamismo, inovação e proatividade, elementos básicos para o sucesso do
profissional que atua na gestão e organização das bibliotecas acadêmicas.

3 RELATO DA EXPERIÊNCIA
A biblioteca para quem os bibliotecários-consultores prestaram serviços
de organização de acervos bibliográficos está vinculada a uma instituição de
ensino superior, pertencente ao ramo privado, sendo o câmpus central
localizado no município de Vitória, estado do Espírito Santo (ES). Com o
crescimento no número de matrículas e a demanda por novos cursos, a
instituição estruturou dois novos câmpi, localizados em municípios vizinhos,
pertencentes à região metropolitana: Cariacica e Villa Velha. Ambos os câmpi,
a priori, foram contemplados com dez cursos (quadro 1).
Quadro 1 – Novos cursos instalados em dois novos câmpi
CÂMPUS
CURSOS
CÂMPUS
Psicologia
Arquitetura
Engenharia Mecânica
Engenharia Civil
CARIACICA
VILA VELHA
Engenharia de Produção
Educação Física
Serviço Social
Ciências Contábeis
Administração
Pedagogia
Fonte: Dados da pesquisa (2015).

CURSOS
Psicologia
Arquitetura
Engenharia Mecânica
Engenharia Civil
Engenharia Produção
Engenharia Química
Educação Física
Ciências Contábeis
Administração
Pedagogia

Logo, com a instituição desses câmpi e cursos, foram criadas duas novas
bibliotecas.
Para desenvolvimento do processamento técnico de cerca de 18.000
exemplares de livros que iriam atender a vinte cursos novos autorizados pelo
MEC e que seriam instituídos nesses dois novos câmpi, sendo a grade
curricular proposta para atender até o quarto período de cada curso, a

�164

instituição de ensino superior optou contratar profissionais formados, com e
sem experiência, para que pudessem prestar o serviço de atividades técnicas
na área de Biblioteconomia. A compra desse material ainda não foi
integralmente realizada. O processo será feito aos poucos, em etapas, sendo
que, no presente momento, foram adquiridos, apenas, 920 títulos, equivalendo
a 13.949 exemplares (primeira etapa).
O Grupo de Ensino, então, promoveu seleção de seis bibliotecários
(nessa primeira etapa) para atender a essa demanda por meio de contrato
temporário num período de quinze dias, sendo a carga horária de seis a oito
horas diárias. O trabalho foi coordenado por um bibliotecário da própria
instituição,

que

também

atuou

em

todas

as

etapas

das

atividades

desenvolvidas. As atividades se iniciaram em dois de agosto e foram
finalizadas em dezoito de setembro de 2014. O horário de trabalho foi
estabelecido para oito horas diárias com intervalo para almoço e lanche. As
atividades eram iniciadas de 7:00 da manhã as 21:30, intercalando de acordo
com o horário estabelecido via contrato.

3.1 DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
As atividades desenvolvidas contemplaram, de modo geral, ações
bibliotecárias de processamento técnico ou organização da informação, diluídas
em classificação, catalogação e indexação do material adquirido (livros).
Os livros eram entregues pelos fornecedores em caixas enviadas pelos
distribuidores e essas caixas eram abertas e separados os livros por títulos.
Esse serviço de separação dos itens, juntamente com as práticas de
etiquetagem dos livros e carimbos (após processamento técnico pelos
bibliotecários contratados) contou com o apoio de uma equipe de funcionários
da instituição, coordenada por auxiliares técnicos que supervisionavam essa
atividade de preparação dos livros, além dos bibliotecários da equipe
contratada que também desenvolviam essa atividade intercalando com as
atividades de tratamento bibliográfico.

�165

O contrato teve duração de quinze dias e nesse período foi inserido na
base do sistema para atender as duas novas unidades da instituição de ensino
um total de 436 títulos e 8.073 exemplares, divididos pelas seguintes áreas:
Generalidades, Filosofia, Religião, Ciências Sociais, Línguas, Ciências Puras,
Artes, Literatura, História e Geografia.
A classificação adotada na organização dos títulos no sistema foi a
Classificação Decimal de Dewey (CDD), também utilizada pela biblioteca
central. O sistema de gerenciamento foi o BiblioUp, software desenvolvido pela
empresa UpTech informática LTDA, na área de bibliotecas e centros de
documentação.
O Sistema Biblioup é responsável pelo gerenciamento da biblioteca, não
importando o tamanho da biblioteca e a simplicidade de uso do software. Ele
permite que tanto um bibliotecário profissional como qualquer auxiliar possa
utilizá-lo sem dificuldade. O Módulo de Biblioteca pode ser executado
independentemente do Módulo Acadêmico permitindo a aquisição apenas desse
módulo para bibliotecas (Informação verbal)18.
Não foi utilizada uma senha exclusiva para cada bibliotecário, pois não
era intenção da empresa verificar a produtividade individual de cada
bibliotecário e sim o cumprimento da atividade estabelecida.
O processo de cotação e compra foi feito por um bibliotecário e um
assistente técnico na área de Administração. O coordenador responsável por
cada curso enviou a lista dos títulos selecionados para atender as disciplinas do
primeiro ao quarto período de cada curso. Essa listagem dos títulos
requisitados para compra era enviada para três fornecedores distintos, em que
era optado quem fornecia melhor preço e condições de pagamento. Oitenta por
cento dos livros foram comprados com um único fornecedor que ofereceu
preço e condições de prazo. Vinte por cento restantes foi feito com os outros
dois fornecedores.

18

Notícia fornecida pela engenheira de computação, responsável pelo gerenciamento do
software Biblioup, durante treinamento realizado com os bibliotecários consultores, na data de
20 de outubro de 2014.

�166

O bibliotecário nessa fase responsável pela aquisição fazia a conferência
nos pedidos mediante análise de todos os títulos de acordo com as notas
fiscais que chegavam junto com os livros. As notas também eram enviadas via
e-mail e esse controle também era feito mediante planilha e do Projeto Político
Pedagógico (PPC) de cada curso em que a faculdade iria atender e apresentar
ao Ministério da Educação (MEC).
Foi destinado um dia para conhecimento do sistema e treinamentos dos
bibliotecários. O treinamento foi feito em apresentação geral do sistema e
demonstração das particularidades do software de biblioteca. Contudo, foi
focada apenas a área destinada ao cadastro de livros e impressão de etiquetas.
Após o treinamento os bibliotecários, foram instruídos a conhecer o sistema de
modo prático, cadastrando os títulos de forma minuciosa e gradativa. Foi
observado, nesta fase, que aqueles que tinham mais experiências nas
atividades de tratamento se sobrepunham aos outros e já estavam capazes de
sanar dúvidas, mesmo sem conhecer o sistema a fundo.
Na

primeira

semana

de

atividade

(período

de

28/08/2014

a

10/09/2014), foram cadastrados 153 títulos, num total de 3.639 exemplares.
Na segunda semana de atividade, foram cadastrados 289 títulos, num total de
4.434 exemplares. Esses dados comprovam que, na primeira semana de
atividade, os bibliotecários já apresentavam certo domínio para com o sistema,
bem como com todos os processos de classificação, indexação e catalogação.
O

processo

de

tratamento

intensificou-se

na

segunda

semana,

possibilitando constatar o crescimento de quase o dobro de livros inseridos na
base de cadastramento de títulos. Foi observado que os bibliotecários
desenvolveram agilidade e domínio, respeitando os procedimentos requeridos
na representação da informação e desencadeando um trabalho colaborativo,
competente e de qualidade.

�167

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da contratação temporária de bibliotecários para realizarem
serviços de tratamento de acervo bibliográfico, foi possível verificar inúmeros
benefícios alcançados pela instituição de ensino. Além do trabalho efetivo,
rápido e consistente realizado, observou-se que a biblioteca central não foi
prejudicada, uma vez que não precisou transferir bibliotecários e auxiliares do
corpo funcional para realizar o tratamento das novas coleções.
Com os benefícios alcançados, confirma-se a importância de empresas
contratarem consultores para tratamento de acervos, principalmente nos casos
de grandes demandas de material. Assim, os serviços rotineiros da unidade
não ficam prejudicados com o desfalque de pessoal. Por conseguinte, o
mercado da prestação de serviços torna-se um campo promissor para os
profissionais que desejam trabalhar de forma desvinculada.
As atividades realizadas pelos profissionais da informação em acervos
bibliográficos representam um segmento tradicional de atuação. Todavia, este
relato reforça a importância de os profissionais formarem equipes consultoras,
com profissionais qualificados ao exercício das atividades de organização dos
acervos,

além

de

criarem

estratégias

que

atraiam

a

atenção

dos

empregadores, haja vista fortalecer o marketing e o reconhecimento da equipe
junto ao mercado de trabalho.

REFERÊNCIAS
BARROS, Laura de. Gerenciamento do Trabalho Terceirizado. In: BOOG,
Magdalena (Coord.). Manual de Gestão de Pessoas e Equipes: Estratégias
e Tendências. São Paulo: Gente, 2002.
GONÇALVES, José Ernestro Lima. Os novos desafios da empresa do futuro.
Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 37, n. 3, p. 10-19,
jul./set. 1997. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/rae/v37n3/a03v37n3.pdf&gt;. Acesso em: 19 set.
2013.

�168

LEITÃO, Bárbara. Avaliação qualitativa e quantitativa numa biblioteca
universitária: grupos de foco. Niterói: Intertexto, 2005.
MILANO, Manoelle Cristine Dalri; DAVOK, Delsi Fries. Consultor de informação:
serviços prestados Por empresas de consultoria nas áreas de Biblioteconomia e
gestão da informação. Revista ACB, Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 253-278,
jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658/726&gt;. Acesso em: 27 mar.
2018.
ROMEIRO, Nathália Lima. A formação do bibliotecário empreendedor com
foco na gestão de serviços de informação. 2014. Disponível em:
&lt;https://www.fespsp.org.br/seminario2014/anais/GT5/1_A%20FORMACAO_D
O_BIBLIOTECARIO.pdf&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.
ROSSI, Tatiana; COSTA, Marília Damiani; PINTO, Costa Adilson Luiz.
Competências requeridas aos bibliotecários na prestação de serviços de
informação em bibliotecas universitárias. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 111-123, jan./jun. 2014.
Disponível em: &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/941/pdf_92&gt;.
Acesso em: 01 dez. 2018.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação
bibliotecária: o bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB,
Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173, jul./dez. 2014.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice; CAMPOS, Suelen de Oliveira. Sociedade
da informação x Biblioteconomia: em busca do moderno profissional da
informação (MIP). Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v. 10, n. 1, 2014. Disponível em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/293&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.
SILVA, Chirley Cristiane Mineiro da; RADOS, Gregório Jean Varvakis. Gestão de
serviços em bibliotecas: melhoria com foco no cliente. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 7, n. 1, 2002. Disponível
em: &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/viewFile/370/442&gt;. Acesso em:
01 dez. 2018.
SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Bibliotecários especialistas: guia de
especialidades e recursos informacionais. Brasília, DF: Thesaurus, 2005.
SILVA, Sabrina Vaz da. Qualidade na prestação de serviços em
bibliotecas universitárias brasileiras recém-criadas na região sul. 2013.
Disponível em: &lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/download/1640/1641
&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.

�169

CAPÍTULO XI
O TRABALHO BIBLIOTECÁRIO EM CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE UM
HOSPITAL PRIVADO
Igor de Souza Bento

1 INTRODUÇÃO
No mundo moderno, o bibliotecário está acostumado a limitar seus
ambientes de trabalho a bibliotecas, mas a literatura da área deixa claro que o
profissional da informação está apto a atuar em outros espaços de informação,
como, por exemplo, nos mais diversos centros de documentação.
De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o
bibliotecário é considerado, por excelência, como profissional da informação,
podendo ele
[...] trabalhar em bibliotecas e centros de documentação e
informação na administração pública e privada, nas mais variadas
atividades do governo, do comércio, da indústria e dos serviços, com
predominância nas áreas de educação e pesquisa. Pode ser um
trabalhador assalariado, com carteira assinada ou como autônomo,
trabalhar de forma individual ou em equipe e executar suas funções
tanto de forma presencial como a distância (MTE/CBO, 2002, não
paginado, grifo nosso).

Fica claro que o bibliotecário possui competências para atuar em várias
áreas, pois a Biblioteconomia é interdisciplinar, estando em sintonia com
diversos campos do conhecimento; logo, o bibliotecário não se deve ater a
bibliotecas como seu único meio de atuação.
Ao adquirir novas experiências, o bibliotecário inova na realização de
suas atividades, ampliando, assim, sua atuação em ambientes que extrapolam
os limites físicos da biblioteca (SANTA ANNA; GREGÓRIO; GERLIN, 2014).
Nesse contexto de ir além do ambiente tradicional, urge o que se denomina na
literatura de desinstitucionalização da informação, que, no caso específico do
bibliotecário, temos a formação de um profissional capaz de atuar em outros

�170

contextos que demandem tratamento, organização e oferta de informação a
diferentes

usuários

e

instituições.

Na

verdade,

esse

contexto

desinstitucionalizado propicia novas possibilidades ao profissional do futuro,
como discorrido no estudo de Lancaster (1983).
A

partir

dessa

oportunidade,

muitos

estudos

convergem

uma

aproximação cada vez maior da Biblioteconomia com o empreendedorismo.
Conforme descrito no Portal do Bibliotecário (2018), o empreendedorismo está
disseminado e se coloca como atividade fundamental para a geração de
riquezas, promovendo o crescimento econômico e aprimorando as condições
de vida da população, aparecendo ainda como importante fator de geração de
emprego e renda.
Ainda, conforme esse portal, o bibliotecário assume o perfil de gestor e
de empreendedor, toda vez que consegue promover serviços inovadores, que
vão muito além dos serviços e produtos tradicionais, ofertados em bibliotecas.
Assim, empreendedor é o termo utilizado para qualificar, ou especificar,
principalmente, aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de
se

dedicar

às

atividades

de

organização,

administração

e

execução,

principalmente na geração de riquezas, na transformação de conhecimentos e
bens em novos produtos – mercadorias ou serviços, gerando um novo método
com o seu próprio conhecimento. É o profissional inovador que modifica, com
sua forma de agir, qualquer área do conhecimento humano (PORTAL DO
BIBLIOTECÁRIO, 2018).
Segundo Silva (2005), o bibliotecário adquire o perfil de empreendedor,
uma vez que a sociedade da informação possibilitou a oferta de informação em
diferentes contextos. Assim, é errôneo considerar que esse profissional atue
apenas nas bibliotecas. Ao contrário, existe uma gama de segmentos que
podem ser identificados pelo profissional e que, mediante reconhecimento das
organizações, o bibliotecário poderá exercer atividades que contribuem com a
tomada de decisões e com os serviços específicos do local que presta as suas
atividades profissionais.
Dentre os diversos segmentos de atuação, pode-se citar os chamados
centros de documentação, os quais são considerados verdadeiras bibliotecas

�171

especializadas, podendo abranger as áreas de ciência e tecnologia, como
outros segmentos empresariais (LEMOS, 2008). Dentre os vários centros de
documentação, assim categorizados pelas empresas mantenedoras, existentes
no Brasil, destacam-se os centros de documentação hospitalares.
Esses centros caracterizam-se, de modo geral, como espaços reservados
para armazenar, tratar, recuperar e disseminar as informações produzidas nos
serviços médicos (prontuários), de modo a facilitar o trabalho dos profissionais
da saúde que ali atuam. Por possuir semelhanças com outros centros de
documentação inseridos em empresas, entendemos que o bibliotecário poderá
atuar no gerenciamento da informação existente no meio hospitalar.
A atuação do bibliotecário em centros de documentação, sobretudo os
empresarias, é uma temática que ganhou força nos últimos anos. No que se
refere à atuação do bibliotecário no contexto hospitalar, algumas pesquisas
também sinalizam a presença desse profissional no campo da saúde
(BERAQUET; CIOL, 2010).
Assim, este relato de experiência objetiva divulgar as principais
atividades e serviços bibliotecários realizados e requeridos em um centro de
documentação, vinculado a um hospital particular.
Serão descritos no relato, os principais serviços biblioteconômicos
realizados com os documentos gerados na instituição hospitalar, o fluxo da
informação documental, e as técnicas de tratamento, armazenamento e
disseminação da informação.
De acordo com a realidade vivenciada, reflete-se acerca da necessidade
e importância de se contratar bibliotecário, haja vista garantir resultados
satisfatórios e excelência nos serviços prestados pelo setor. Ao final,
apresentam-se os pontos positivos e negativos oriundos com a experiência,
recomendando ações que possam acarretar melhoria em toda a ambiência do
centro de documentação.

�172

2 BREVES CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS
O bibliotecário vem ampliando seus ramos de atuação, especificamente
com o surgimento da sociedade da informação. A ampliação dos suportes de
informação, aliado à valorização da informação como elemento estratégico
para tomada de decisões e inovação nas empresas são fatores essenciais que
permitem a construção de novas possibilidades de trabalho ao profissional
(LANCASTER, 1983).
Borges (2004) reforça que é preciso reconhecer as dificuldades ou
problemas vivenciados pelas organizações e, a partir disso, estabelecer planos
de oferta de trabalho, de modo que o profissional seja reconhecido por suas
potencialidades e possa contribuir, de alguma forma, para a resolução dos
problemas que permeiam o cotidiano das instituições.
O mercado de trabalho para bibliotecários é abrangente, sobretudo na
atualidade, com o valor atribuído ao recurso informação. Assim, entende-se
que esse profissional está habilitado a ocupar espaços de trabalho de
diferentes empresas, nos mais diferenciados segmentos produtivos. Portanto,
ele pode oferecer seus serviços na esfera pública quanto na privada ou no
terceiro setor (ONG’s), atuando em quaisquer dos setores econômicos
(agricultura, indústria ou serviços) ou ainda como autônomo (FIGUEIREDO;
SOUZA, 2007).
A ampliação quanto aos segmentos de atuação profissional é justificada
pelo fato de o profissional voltar sua prática “[...] ao tratamento, organização
e disseminação da informação, insumo este que se encontra em qualquer
instituição e que vem ganhando cada vez maior importância e valor para a
sobrevivência da [organização] no mercado [...]” (FIGUEIREDO; SOUZA, 2007,
p. 15, grifo nosso).
Biraquet e Ciol (2010) reforçam o potencial do bibliotecário nas unidades
hospitalares, em que tal profissional pode exercer funções no âmbito da
organização de documentos gerados com as atividades organizacionais (tais
como as funções exercidas nos centros de documentação hospitalar, ou em
arquivos especializados de clínicas), como também pode trabalhar diretamente

�173

com profissionais, como médicos e enfermeiros, haja vista contribuir com a
recuperação dos pacientes.
A Biblioteconomia tem que sair da biblioteca e das demais “caixas” onde
é exercida e ir, de uma vez por todas, para onde está seu cliente. Este
bibliotecário que está sendo vislumbrado no Brasil, mesmo não sendo
ainda um bibliotecário clínico, está construindo e abrindo caminhos
(BIRAQUET; CIOL, 2010, p. 127).

Assim, diante do contexto inovador, em que pese o fortalecimento de
uma prática empreendedora por parte do bibliotecário, alguns estudos
publicados nos últimos anos têm considerado a importância do bibliotecário ao
atuar nos centros de documentos dos hospitais. A participação do profissional
nessas unidades é de suma importância, pois facilita o trabalho da equipe
médica com o tratamento dos pacientes, na descrição de medicamentos,
dentre outras contribuições originadas à medida que se sistematiza e gerencia
os documentos gerados para cada diagnóstico em específico (BIRAQUET; CIOL,
2010, PIRES; RIBEIRO; KLEBERSSON, 2013).
Segundo Pires, Ribeiro e Klebersson (2013), os bibliotecários que atuam
em centros de documentação hospitalares precisam estar capacitados a
gerenciar informações que sejam de importância para a área clinica,
participando diretamente no tratamento do paciente. Assim,
[...] os bibliotecários clínicos atuam na eficiência da Informação
requisitada pela equipe clínica, tornando dessa forma a mesma de fácil
compreensão, acessível e disponível no momento em que é solicitada. A
mediação da informação prestada coloca esses profissionais como
membros da equipe médica, já que serão esses profissionais que
coletaram
Informações,
com
base
em
evidências
científicas
comprovadas, a melhor solução em tratamento de cura para o paciente
em questão.

A partir do estudo desenvolvido pelos autores supracitados, ficou
reforçado que a Biblioteconomia Clínica ressalta-se como mais uma área em
maximização

desses

profissionais

(bibliotecários)

aptos

a

tratarem

a

informação como fator de tomada de decisão, sendo, dessa forma, uma
profissão de diversificação profissional.
Essa diversificação é característica da área biblioteconômica, logo, um
perfil híbrido é almejado, no intento de que novos postos de trabalho possam
ser ocupados pelos profissionais, garantindo, desse modo, uma maior

�174

aproximação da prática empreendedora com as atividades bibliotecárias
(SANTA ANNA; PEREIRA, 2014).

3 RELATO DA EXPERIÊNCIA
Esta experiência teve duração de seis meses, com início em setembro de
2014 e com término em março de 2015. Os serviços foram estabelecidos por
meio de contrato pré-estipulado, com aviso antecipado que não haveria
renovação de contrato.
O centro de documentação, no qual foi realizada esta experiência, está
vinculado a um hospital privado de grande porte, situado em município
pertencente à região metropolitana. O hospital reúne em sua infraestrutura 74
leitos de apartamento de enfermaria; 95 leitos de apartamento individual; seis
leitos de UTI infantil; 18 leitos de neonatal; 32 leitos de UTI geral de adulto;
noves leitos de UTI coronariana; dois leitos de isolamento; cinco leitos de
Centro de Tratamento de Queimados (CTQ); consultórios médicos; laboratório
de análises clínicas e laboratório de análises patológicas. A unidade hospitalar
possui capacidade para atender mensalmente 18 mil pacientes. O corpo
funcional do hospital é composto por 1000 colaboradores, estando dividido em
diferentes setores que se encarregam de atividades adversas como: recursos
humanos,

almoxarifado,

tesouraria,

enfermarias,

consultórios,

copa,

manutenção e um centro de documentação.
O centro de documentação, também denominado pela instituição de
serviço de arquivo médico e estatístico (SAME), está situado no subsolo da
instituição

hospitalar,

sendo

dividido

em

três

repartições:

a

sala

de

recebimento dos prontuários médicos, denominada como SAME temporário, o
arquivo local do hospital intitulado SAME externo e um arquivo externo que se
encontra em um espaço alugado fora dos limites do hospital, pois o interno
não comporta a demanda da instituição.
Trabalham nesse centro cinco colaboradores, sendo: um coordenador,
três administradores e um gestor de sistemas e estatística. O referido setor

�175

possui

em

seu

corpo

de

funcionários

um

profissional

graduado

em

Biblioteconomia, no entanto está contratado como coordenador de setor.
No que se refere aos serviços realizados no referido centro de
documentação, destaca-se que no primeiro setor é realizado o tratamento da
informação, ou seja, o prontuário é recebido, organizado, analisado e
despachado para o arquivo local; o segundo setor tem a finalidade de guarda e
preservação do prontuário; já o terceiro exerce a mesma função do segundo.
O primeiro procedimento do tratamento da informação é o recebimento;
os prontuários são enviados ao SAME pelo setor de faturamento; eles chegam
em lotes, divididos por convênio e setor de internação. No ato de recebimento
é realizada a conferência dos documentos, e então, esses são lançados em
armários identificados como recebimento um, dois e três. Esse lançamento é
feito de forma eletrônica em um software integrado do hospital.
O segundo procedimento a ser realizado é a organização e análise dos
prontuários médicos, sendo eles organizados de forma hierárquica, e assim
que organizados eles passam por um ato de checagem, em que um
profissional

analisa

as

assinaturas

dos

atendentes

do

paciente.

Esses

atendentes englobam médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas,
dentre outros. Se for constatada pendência de assinatura nos prontuários, eles
são retirados dos armários de recebimento e lançados nos armários de análise.
Em seguida, os profissionais que deixaram pendências nos prontuários
são informados via e-mail, sendo ele enviado ao profissional e com cópia para
o seu coordenador e para o diretor do SAME. Assim que informada a
pendência, o profissional que a fez vai ao SAME, a fim de corrigi-la; quando
corrigidas as pendências, os prontuários são liberados para serem arquivados.
O terceiro procedimento consiste em colocar os prontuários em pastas e
lançá-los nos armários rolantes no SAME externo. Se, por algum motivo, esse
se encontrar lotado, os prontuários são lançados em caixas e enviados ao
espaço alugado fora dos limites do hospital.
No SAME, também é realizado o serviço de atendimento ao usuário, cujo
paciente e o setor jurídico do hospital podem ter acesso à cópia de

�176

prontuários, e os médicos têm o direito de visualizar os prontuários, mas não
podem, em nenhuma hipótese, fazer qualquer alteração no documento.
Todos esses processos se dão pela necessidade de se criar um método
de rastreamento dos prontuários, em que é necessário criar um registro de
mapeamento, para que os documentos possam ser recuperados, caso eles
sejam solicitados para cópia ou visualização.
A partir da vivência no SAME, analisando os procedimentos adotados
para organização, controle e recuperação dos prontuários gerados a partir da
atividade médica, é possível elencar alguns pontos positivos como negativos.
Em

linhas

gerais,

destacam-se

como

pontos

fortes

os

recursos

tecnológicos, o feedback por meio de indicadores, a criação de procedimento
operacional padrão (POPs) para a realização das atividades do setor, e, por
fim, um espaço físico adequado para desempenho das atividades.
No que se refere aos pontos fracos destaque especial pode ser conferido
à perda de informações pertinentes, por falta de conhecimento sobre a
importância da informação, pouco engajamento no exercício das atividades,
degradação física do ambiente de trabalho, falta de inovações e projetos que
acarretam na escassez de recursos financeiros para o setor. Além desses
pontos negativos, soma-se a causa/origem desses problemas que é a falta de
contratação de um bibliotecário que possa agir com suas competências e
habilidades no gerenciamento da informação produzida e na gestão de todo o
espaço informacional.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da experiência relatada, pode-se concluir que é notável a
necessidade de um profissional da informação para atuar nos centros de
documentação hospitalares, pois os serviços prestados no SAME são os
mesmos serviços que o bibliotecário recebe capacitação para realizar durante
toda sua formação acadêmica, desde a organização da informação até o
atendimento ao usuário. Tornam-se claro os prejuízos acometidos ao hospital,

�177

pelo fato de não possuir um profissional da informação legalizado e registrado,
pois o profissional coordenador do centro de documentação, em muitas vezes,
se torna omisso e menospreza, em alguns casos, suas próprias habilidades e
competências.
Conforme a literatura mencionada, o profissional da informação está
habilitado a atuar em ambientes de informação hospitalar, pois ele possui uma
visão diferenciada quando se trata do tratamento da informação, e no mais,
para criar políticas e projetos de inovação para esses setores, que, por falta da
contratação, reconhecimento e valorização desse profissional, esses setores
acabam sendo postos em últimos planos pelos investidores das instituições,
pois se não há bibliotecário, não há projetos, logo não haverá disponibilização
de verba para esses setores.
Por fim, é importante reforçar o potencial do bibliotecário ao atuar nos
centros de documentação hospitalar, em parceria com a equipe médica, de
modo que os diagnósticos de pacientes possam ser realizados com mais
segurança

e

confiabilidade.

Para

tanto,

é

preciso

que

bibliotecários

proporcionem estratégias de visibilidade do trabalho que pode ser oferecido
nas unidades hospitalares, por um lado, e, por outro, que essas instituições
deem o devido valor, oferecendo recursos que possibilitem uma efetiva
atuação bibliotecária.

REFERÊNCIAS
BERAQUET, Vera Silvia; CIOL, Renata. Atuação do bibliotecário em ambientes
não tradicionais: o campo da saúde. Tendências da Pesquisa Brasileira em
Ciência da Informação, Brasília, v. 3, n. 1, p. 127-137, jan./dez. 2010.
Disponível
em:&lt;http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/article/view/31/76&gt;. Acesso
em: 10 mar. 2015.
BORGES, Maria Alice Guimarães. O profissional da informação: somatório de
formações, competência e habilidades. In: BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER,
Suzana Pinheiro Machado (Org.). Profissional da informação: o espaço de
trabalho. Brasília: Thesaurus, 2004. p. 55-69.

�178

FIGUEIREDO, Marco Aurélio Castro de; SOUZA, Renato Rocha. Aspectos
profissionais do bibliotecário. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, n. 24, p. 10-31, 2007.
Disponível em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/09/pdf_4f47718632_0011961.pdf
&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.
LANCASTER, Frederik. Future librarianship: preparing for an unconvencional
career. Wilson Library Bulletin, v. 57, p. 747-53, maio 1983.
LEMOS, Agernor Briquet de. Bibliotecas. In: CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA,
Paulo da Terra. Introdução às fontes de informação. Belo Horizonte:
Autêntica, 2008.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. CBO, 2002. Disponível em:&lt;
http://www.mtecbo.gov.br/buscaResultado.asp?tituloavancado=bibliotec%E1ri
o&amp;S ubmit=+Procurar+&amp;familias=1&amp;ocupacoes=1&amp;sinonimos=1&gt; Acesso em:
25 mar. 2015.
PIRES, Nazaré; RIBEIRO, Célia Pereira; KLEBERSSON, Mayco.
Biblioteconomia clínica: espaço de atuação emergente para o bibliotecário
no século XXI. 2013. Disponível em: &lt;http://mba.eci.ufmg.br/sitenovo/wpcontent/uploads/Biblioteconomia-clinica-Pires-et-al.pdf&gt;. Acesso em: 01 dez.
2018.
PORTAL DO BIBLIOTECÁRIO. O bibliotecário empreendedor: pensando fora
da biblioteca. 2018. Disponível em:
&lt;http://portaldobibliotecario.com/bibliotecario/o-bibliotecario-empreendedorpensando-fora-da-biblioteca/&gt;. Acesso em: 01 dez. 2018.
SANTA ANNA, Jorge; GREGÓRIO, Elaine; GERLIN, Meri Nadia. Atuação
bibliotecária além da biblioteca: o espaço de leitura do Hospital Universitário
Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM). Revista ACB, Florianópolis, v. 19, n. 1,
p. 77-88, jan./jun. 2014.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação
bibliotecária: o bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173,
jul./dez. 2014. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/95 6/pdf_96&gt;. Acesso em: 28
mar. 2018.
SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Bibliotecários especialistas: guia de
especialidades e recursos informacionais. Brasília, DF: Thesaurus, 2005.

�179

PARTE IV

Ações bibliotecárias
inovadoras e
incentivadoras como
contribuição para o
profissional e para a
sociedade

�180

CAPÍTULO XII
CRESCIMENTO PROFISSIONAL POR MEIO DO MAGISTÉRIO: RELATO DE
EXPERIÊNCIA EM DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA EM BIBLIOTECONOMIA
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteconomia é uma profissão relativamente nova. No entanto, as
práticas bibliotecárias datam de tempos imemoriais, desde os primórdios da
civilização quando esses tiveram a necessidade de registrar suas práticas, sua
historicidade, seus costumes e suas tendências, objetivando garantir a
perpetuação do conhecimento às gerações futuras.
Devido

a

sua

interação

com

a

preservação

e

disseminação

do

conhecimento, a Biblioteconomia estende seus serviços a todas as áreas do
conhecimento. É graças a seu poder de integração inter e multidisciplinar que
ela adapta-se a diferentes épocas e contextos, tornando-se uma profissão
primordial e necessária ao crescimento das demais ciências existentes.
Assim, destaca-se a fala de Ortega Y Gasset (2006, p. 67) ao proferir
que “[...] essa profissão [a Biblioteconomia] é uma das mais importantes que
se pode imaginar”. Devido a seu amplo campo de atuação, a Biblioteconomia
encanta. Encanta, principalmente àqueles que se colocam a serviço da
disseminação da informação e geração de conhecimentos, no intento de
concretizar uma sociedade democrática e cidadã.
Conforme relatado por Andrade (1976, p. 36, grifo nosso), “[...] isso é a
grandeza admirável da Biblioteconomia! Ela torna perfeitamente acháveis os
livros como os seres, e alimpa a escolha dos estudiosos de toda suja
confusão. Este o seu mérito grave e primeiro [...]”.
Sendo assim, quem se gradua em Biblioteconomia coloca-se a serviço da
sociedade, podendo atuar em diferentes instâncias do mercado. Coloca-se a

�181

serviço da sociedade, também, aqueles que se dedicam ao exercício da
docência, que, por meio do método estabelecido por Paulo Freire, criam uma
relação recíproca com os aprendizes, de modo que a prática docente consolidase em meio ao “ensinar aprendendo”.
Nesse contexto, este relato objetiva expor as principais atividades
desenvolvidas por bibliotecário, referente ao segundo semestre de 2014,
lecionando a disciplina Formação e Desenvolvimento de Coleções, vinculada ao
Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES). O referido professor/bibliotecário foi selecionado por meio de Processo
Seletivo

realizado

pelo

Departamento

de

Biblioteconomia

da

referida

universidade e iniciou as atividades docentes no dia 27 de agosto de 2014.
Como fio condutor das atividades a serem desenvolvidas, foi aproveitado
o Plano de Disciplina dos semestres anteriores, considerando-se a consistência
e metodologia delineada no plano. Foram realizadas apenas pequenas
inserções no programa, após aprovação da Câmara Departamental, referente a
novas bibliografias a serem utilizadas.
Obedecendo ao calendário acadêmico da UFES, as aulas foram realizadas
de 27 de agosto a três de dezembro, sendo oferecidas, nas quartas e sextasfeiras, das 20 às 22 horas, conforme plano de horários definidos pelo
Departamento. Quanto ao número de discentes, em um primeiro momento,
estavam matriculados na disciplina, 28 alunos, sendo ampliado para 31 após o
processamento da segunda etapa de matrícula.
Também foi solicitada a autorização junto ao professor para abertura de
escopo para três alunos do curso de Arquivologia, o que foi oficialmente
autorizado e concretizado. Após processamento de matrículas, a turma esteve
composta por 34 discentes.

�182

2

BREVES

CONSIDERAÇÕES

TEÓRICAS

SOBRE

O

EXERCÍCIO

DA

DOCÊNCIA
O exercício da docência constitui um dos fazeres mais estratégicos e
provocativos no que se refere à aquisição/ampliação de conhecimento. O ato
de ensinar requer a preparação prévia do docente, mediante ao estudo e
pesquisa que o capacite ao domínio específico de determinada temática ou
área do conhecimento, viabilizando o processo de produção de conhecimento
individual.
Contudo, é louvável e ainda mais produtivo, aquele que conduz seus
métodos de ensino por meio da filosofia do ensinar aprendendo. Além de
produzir conhecimento individual e transmiti-lo ao alunado, o docente, nessa
concepção, ao mesmo tempo que ensina, também recebe conhecimentos do
alunado, firmando um processo educativo recíproco e interativo, com vistas a
despertar uma produção coletiva de conhecimento.
A sala de aula transforma-se em um ambiente de socialização, atuando o
docente como mediador que conduz as atividades mútuas de ensinoaprendizagem. Essa proposta de ensino revoluciona ou refuta a forma de
educação empregada de forma centralizada na figura do professor como centro
das atenções, caracterizando um processo de alienação (FREIRE, 2006).
As propostas freireanas consideram a incompletude do ser humano, logo,
o professor também está em constante aprendizado. Essa incompletude é
justificada, porque é “[...] impossível saber-se incabado e não se abrir ao
mundo e aos outros à procura de explicação, de respostas a múltiplas
perguntas” (FREIRE, 2006, p. 136). Assim, o professor é o personagem que
ensina e aprende ao mesmo tempo.
Mantendo uma relação pacífica e conjunta com o alunado, trocando com
eles informação, o professor capacita-os a adquirir competências e habilidades
essenciais para resolver problemas rotineiros presentes nas relações sociais,
como, ter capacidade em comunicar-se, tomar decisões, fundamentar suas
ideias, enfim, relacionar-se socialmente.

�183

O objetivo de formar alunos críticos, seguros e participativos, tendo em
vista concretizar seus objetivos de vida na sociedade deve ser uma das
preocupações dos professores da sociedade atual. Isso porque, segundo
Behrens (1999 apud RODRIGUES, 2010, p. 148, grifo nosso), “a sociedade
passa a exigir profissionais que tenham capacidade de tomar decisões, que
sejam autônomos, que produzam com iniciativa própria, que saibam
trabalhar em grupo, que partilhem suas conquistas e que estejam em
constante formação”.
A fim de atingir conhecimento e formar indivíduos transformadores é
preciso, também, que o professor adote métodos que incentive os discentes ao
hábito da pesquisa. Ensinar por meio da pesquisa desperta nos aprendizes o
espírito investigativo e inovador. Assim, segundo Piaget et al. (1974, p. 18,
grifo nosso), o verdadeiro professor é aquele que “[...] deixa de ser apenas um
conferencista e estimule a pesquisa e esforço, em lugar de contentar-se em
transmitir os problemas já solucionados”.
Mesmo cientes da importância do processo de pesquisa na educação
superior, muitos desafios ainda perfazem a consolidação dessa prática, pois a
pesquisa tem sido ensinada de uma maneira ineficiente, e, possivelmente com
algum

efeito

colateral

negativo.

Considera-se

importante

introduzir

o

estudante no processo real de conduzir pesquisa e não apenas em ler sobre o
assunto (WITTER, 1987).

3 ATIVIDADE DOCENTE: ENSINANDO E APRENDENDO
A disciplina Formação e Desenvolvimento de Coleções aborda assuntos
necessários à prática bibliotecária em unidades de informação, sejam elas
físicas ou digitais. Especificamente, essa disciplina viabiliza aos discentes a
possibilidade de conhecerem as estratégias para formar e desenvolver com
qualidade as coleções bibliográficas.
Assim, a disciplina, indiretamente, relaciona-se com as demais disciplinas
do curso, sobretudo, àquelas ligadas à organização e disseminação da

�184

informação, tendo em vista, concretizar cientificamente a gestão das coleções
que são incorporadas aos acervos das unidades de informação.
As atividades realizadas em sala de aula foram das mais variadas,
contemplando desde leitura de artigos e livros que abordam o processo de
formação e desenvolvimento de coleções, até visitas técnicas e pesquisas de
campo. Não resta dúvida de que a leitura da bibliografia básica representou
uma das maiores exigências da disciplina, acompanhada também da leitura de
artigos científicos publicados em revistas da Ciência da Informação, na qual
retratam temas correlatos à Gestão das Coleções.
Como estratégia de motivação da leitura textual, adotaram-se estudos
dirigidos, trabalhos em grupos e seminários circulares. As atividades de
pesquisa foram utilizadas como estratégia para desenvolver a competência
informacional nos discentes, além do espírito crítico em argumentar as ideias.
Assim, questões problematizadoras eram levantadas e os discentes eram
motivados

a encontrar

soluções científicas,

no

intuito

de

tornarem-se

capacitados a gerenciar processos e tomar decisões, atividades fins atreladas
ao processo de formar e desenvolver coleções.
A relação teoria-prática também foi essencial nessa disciplina, visto que
seu objetivo é capacitar os alunos para assumir com competência a gerência
de unidades de informação. Para tanto, consolidaram-se as visitas técnicas,
sendo uma realizada no setor de Aquisição da Biblioteca Central (BC) e outra
realizada no setor de Desbastamento (baixa demanda) da mesma unidade.
Visando aprimorar as atividades práticas, foram realizados estudos de
campo, em diferentes modalidades de bibliotecas, com vista a visualizar na
prática como os processos recomendados pela literatura eram concretizados no
âmbito

real.

Como

procedimentos

de

ensino,

foram

utilizados:

aulas

expositivas, orientações individuais e em grupo, análise e discussão de
trabalhos, estudos de casos, análise de políticas de desenvolvimento de
coleções e apresentação de seminário.
Quanto às atividades discentes, destacam-se as principais: leitura,
discussão e redação de textos, visitas técnicas, prova escrita, seminários,
estudo dirigido e exercícios (questões objetivas). No que se refere às

�185

tecnologias e recursos didáticos, citam-se como principais recursos: lousa e
giz, projetor multimídia, laboratório de informática, filmes, vídeos e textos
científicos.
Quanto ao processo avaliativo, conforme expresso no programa da
disciplina, foram utilizados os seguintes critérios: domínio cognitivo (85% da
classificação final): avaliou as capacidades de raciocínio e organização de
conhecimentos por meio de testes somativos sobre os conteúdos ministrados e
trabalhos escritos; domínio das atitudes e valores (10% da classificação
final): avaliou a situação do aluno no processo de ensino-aprendizagem
mediante à assiduidade e pontualidade (nível de assiduidade e pontualidade
nas aulas), empenho e motivação (nas atividades letivas solicitadas),
comportamento e relação com os outros (adequação do aluno às regras de
funcionamento das atividades letivas e respeito aos colegas e professor);
domínio das Aptidões/Capacidades (5% da classificação final): avaliou a
aplicação dos conhecimentos por meio da expressão escrita e oral (integração
dos conteúdos no discurso e rigor de terminologia escrita e oral) e autonomia
na aprendizagem (capacidade de iniciativa, aplicação dos conteúdos a novas
situações). Além desses parâmetros, durante as aulas, os discentes eram
monitorados, motivados a participar, a pesquisar, por conseguinte, esses
pormenores constituíram atribuição de pontos a serem somados na média
final.
É importante enfatizar que, a avaliação dos alunos considerou o
desenvolvimento do aprendizado durante toda a disciplina, baseando-se na
troca coletiva, mas individualizando cada aluno em suas experiências prévias e
sua construção de conhecimento.

4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
O exercício da docência voluntária agregou valor na capacitação do
docente/bibliotecário

voluntário

ao

viabilizar

o

compartilhamento

de

�186

conhecimentos, reciprocamente com os discentes da disciplina e demais
docentes do Curso de Biblioteconomia da UFES.
Evidenciou-se que o conhecimento adquirido coletivamente contribuiu no
crescimento de ambas as partes, tanto do docente quanto do alunado. Como
prova dos esforços despendidos em sala de aula de ambas as partes e como
resultado dessa experiência, as discussões em sala permitiram a escrita de um
artigo, de cunho teórico, sobre o processo de formação e desenvolvimento de
coleções, que foi apresentado no 18.º Seminário de Bibliotecas Universitárias,
que aconteceu em Belo Horizonte.
Após o processo avaliativo, realizado no final da disciplina, pôde-se
constatar que as atividades conduzidas ao longo da disciplina atingiram seus
reais objetivos, conferindo aos discentes novos valores e conhecimentos a
serem inseridos na prática quando forem atuar profissionalmente no mercado.
Confirma-se, assim, que o processo de aprendizado foi alcançado,
agregando valor na vida profissional dos alunos, bem como aprimorar as
experiências e vivências, de modo a torná-los mais capacitados, competentes e
habilidosos

a

resolverem

os

constantes

desafios

ocorridos

na

prática

profissional.
No que tange ao aprendizado adquirido pelo professor-bibliotecário,
constata-se a ampliação de conhecimento, uma vez que o método utilizado
pautou-se nas propostas freireanas, em que o conhecimento deve ser
socializado de forma dialógica, integrada, democrática e recíproca.
A relação dialógica firmada com os alunos permitiu a (re)construção de
valores e de opiniões por parte do conhecimento prévio dominado pelo
docente-bibliotecário. A experiência vivenciada nessa docência voluntária
contribuiu para o crescimento profissional do docente-bibliotecário, sobretudo
no que se refere à atuação em consultoria informacional, ramo principal
exercido pelo referido docente no mercado de trabalho.
Constata-se a assimilação acerca das teorias que fundamentam o
processo de formação e desenvolvimento de coleções, bem como os
pormenores que envolvem essa prática bibliotecária. A contextualização dos
assuntos abordados na disciplina foi fundamental para formar diálogos sobre

�187

os novos campos de atuação que o bibliotecário pode ocupar, ao se tornar um
profissional

híbrido,

com

capacidade

argumentativa

e

munido

de

conhecimentos para tomar decisões, reconhecendo suas potencialidades, a fim
de transformar desafios em oportunidades.
Assim, evidencia-se, por meio deste relato, a necessidade dos docentes
universitários ampliarem a forma de ensinar, em que um ensino técnico
precisa ser substituído por uma forma de ensinar contextualizada. Os futuros
profissionais precisam de um ensino que os estimule a utilizarem os
conhecimentos adquiridos para melhoria de vida das pessoas e essa melhoria é
alcançada mediante a intervenção do profissional.
Por meio deste relato, é possível perceber que o ensino pela pesquisa,
juntamente com a filosofia freireana, despertou inúmeras condutas ao alunado,
como: empenho, participação intensa, motivação, interesse e interação. Como
consequência desses fatos, os alunos demonstraram, por meio da avaliação,
satisfação quanto ao método adotado e a aquisição de novas condutas,
necessárias para transformá-los em profissionais capacitados a defender suas
crenças, valores e atitudes em face das relações sociais.
Essas são algumas das características fundamentais do profissional do
futuro, em frente a uma sociedade mutante e desafiadora. Os resultados
comprovam

que

o

ensino

pela

pesquisa

e

a

construção

coletiva

do

conhecimento são estratégias pedagógicas viáveis, haja vista alcançar o
processo de ensino-aprendizagem. No contexto da Biblioteconomia, infere-se
que esse método é ainda mais necessário, em virtude de envolver uma das
áreas de atuação desse profissional: o ramo da pesquisa, da busca e
recuperação de fontes de informação.
O

método

freireano

também

é

fundamental

ao

ensino

da

Biblioteconomia, em virtude da importância de se motivar ou estimular os
futuros profissionais a ocuparem os diversos segmentos de mercado que lhe
podem

ser

atribuídos.

Portanto,

ensinar

pela

pesquisa

e

compartilhar

conhecimento em sala de aula, como também, nas relações profissionais,
representa o primeiro passo para a construção de um novo perfil do
bibliotecário, caracterizado, principalmente, pela tendência empreendedora.

�188

Portanto, que atitudes inovadoras iniciem-se na própria sala de aula, por
meio da ação docente, a qual, se trabalhada de forma estimulante e
incentivadora, é possível que os futuros profissionais sejam encorajados a
assumir

compromissos

mais

complexos,

tornando

suas

ações

como

transformadoras da realidade e permitindo um melhor aproveitamento da
atividade bibliotecária no amplo mercado da informação.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Mario. Os filhos da Candinha. São Paulo: Martins, 1976.
ORTEGA Y GASSET, José. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de
Lemos, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica
educativa. 33. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
PIAGET et al. Educar para o futuro. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,
1974.
RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca. A abordagem do ensino com pesquisa: uma
alternativa pedagógica para o ensino de Biblioteconomia e Ciência da
Informação. TransInformação, Campinas, v. 22, n. 2, p. 147-167, maio/ago.
2010. Disponível em:
&lt;http://periodicos.puccampinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/4
92/472&gt;. Acesso em: 12 mar. 2015.
WITTER, Geraldina Porto. O ensino de metodologia científica em
Biblioteconomia: algumas considerações. Ciência da Informação, Brasília, v.
16, n. 2, p. 145-49, jul./dez. 1987.

�189

CAPÍTULO XIII
PROGRAMAS DE FORMAÇÃO DE USUÁRIOS PARA O
DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS NA UFMG:
UMA EXPERIÊNCIA INOVADORA ENTRE A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
E A ESCOLA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Beatriz Valadares Cendón
Maria Elizabeth de Oliveira Costa

1 INTRODUÇÃO
Visando

compartilhar

algumas

experiências

de

formação

de

competências informacionais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
este trabalho apresenta a metodologia utilizada no Programa Pró-Multiplicar da
Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) na
UFMG e em disciplinas do Curso de Graduação em Biblioteconomia da Escola
de Ciência da Informação. O estudo aborda uma experiência entre a Biblioteca
Universitária da UFMG e a Escola Ciência da Informação
universidade.

A

Biblioteca

Universitária

coordena

da mesma

tecnicamente

as

25

bibliotecas da UFMG, formando o Sistema de Bibliotecas Universitárias (BUSB/UFMG).
As experiências abordadas neste trabalho lidam com o desenvolvimento
de um dos aspectos da competência informacional que é o domínio do
conhecimento sobre a busca e recuperação da informação, particularmente da
utilização de fontes de informação científica como as bases de dados de texto
completo, referenciais ou de imagens. Apesar da indiscutível necessidade e
importância desse conhecimento, várias pesquisas, nacionais e internacionais,
bem como repetidas observações de profissionais da informação em suas
atividades de apoio à capacitação, demonstram que os usuários de bases de
dados possuem dificuldades na formulação de estratégias de busca, no uso de

�190

operadores

booleanos,

no

entendimento

conceitual

dos

sistemas

de

recuperação de informação e na diferenciação do conteúdo dos vários sistemas
(CONNAWAY; DICKEY, 2010; GUERRERO, 2009; HERNÁNDEZ SERRANO;
FUENTES

AGUSTÍ,

2011;

KOROBILI;

MALLIARI;

ZAPOUNIDOU,

2011;

MALLIARI; KOROBILI; ZAPOUNIDOU, 2011).
As

experiências

apresentadas

neste

trabalho

são

consideradas

experiências bem-sucedidas. O Programa Pró-Multiplicar foi concebido devido
ao reconhecimento pela Capes de deficiências na capacitação do usuário do
Portal de Periódicos. O Programa tinha como objetivo capacitar estudantes de
Pós-Graduação, portanto usuários finais, para se tornarem instrutores do uso
de recursos do Portal Capes. Esses alunos dominam o conteúdo de suas áreas
e são motivados para o uso do Portal pela necessidade do acompanhamento
atualizado da literatura científica mundial para o desenvolvimento de suas
pesquisas e de seus trabalhos acadêmicos. O desafio do Programa PróMultiplicar

era

Biblioteconomia

tornar
e

esses

Ciência

da

usuários,

sem

Informação,

formação

instrutores

específica

capacitados

em
para

transmitir não só o conhecimento sobre as diversas bases de dados,
referenciais ou de texto completo, bem como conceitos e técnicas sobre
sistemas de recuperação da informação (SRIs), estratégias e recursos de
busca.
Já na disciplina “Sistemas de Recuperação da Informação” do Curso de
Graduação em Biblioteconomia, os alunos serão futuros profissionais da
informação. Para esse grupo de alunos, um dos grandes desafios para o uso
das fontes internacionais de informação científica é a falta de domínio da
língua inglesa, idioma predominante nessas fontes. Além do conteúdo dos
registros, os manuais de uso e a documentação dessas fontes com as quais os
alunos

idealmente

devem

adquirir

familiaridade,

são

frequentemente

apresentados em idioma inglês. Entretanto, o conhecimento e o aprendizado
do uso das fontes de informação científica são imprescindíveis para a atuação
do bibliotecário, seja como mediador do uso dos SRIs, como orientador dos
usuários finais ou como instrutor em programas de capacitação de usuários.

�191

Em ambas as experiências, um fator imprescindível para o sucesso foi a
parceria entre a Escola de Ciência da Informação e a Biblioteca Universitária e
a colaboração dos bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFMG. As
experiências relatadas no presente trabalho diferenciam-se pelo público a que
se destinam os treinamentos, que por apresentarem perfis e necessidades
específicas, trazem desafios diferentes.

2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL
A competência informacional tem sido discutida por diversos grupos,
principalmente

nos

Estados

Unidos,

porém

o

assunto

ainda

é

pouco

considerado na literatura e em iniciativas no Brasil (HATSCHBACH, 2002),
surgindo somente a partir do início dos anos 2000.
Em artigo publicado em 2003, Dudziak (2003, p. 24) afirmava que a
information literacy” ainda era um termo pouco explorado, não possuindo uma
tradução para a língua portuguesa. “[...] Algumas expressões possíveis seriam
alfabetização

informacional,

letramento,

literacia,

fluência

informacional,

competência em informação”.
Segundo

Campello

(2003),

a

expressão

“information

literacy”

foi

mencionada pela primeira vez no país por Sônia Caregnato19 no ano 2000, que
a traduziu como “alfabetização informacional”. No ano 2002, Campello, em
trabalho publicado na perspectiva da biblioteca escolar, traduz o termo
“information literacy” para competência informacional (CAMPELLO, 2006),
embora afirmasse que o termo ainda estivesse em construção (CAMPELLO,
2003).
Gasque (2012) aponta que no Brasil, a literatura em Ciência da
Informação trata muitas vezes o termo competência (saber fazer, habilidade)
como sinônimo de “letramento informacional”. Para essa autora, o letramento

19

CAREGNATO, S. E. O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das
bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede. Revista de
Biblioteconomia &amp; Comunicação, Porto Alegre, v. 8, p. 47-55, 2000.

�192

informacional é um conceito flexível, que pode ser discutido e ampliado e que
no presente trabalho é tratado como competência informacional, definido
como:
[...] um processo de aprendizagem que favorece o aprender a aprender,
visto que engloba conceitos, procedimentos e atitudes que permitem ao
indivíduo identificar a necessidade de informação e delimitá-la, buscar e
selecionar informação em vários canais e fontes de informação, bem
como estruturar e comunicar a informação, considerando os seus
aspectos éticos, econômicos e sociais (GASQUE, 2012, p. 46).

Os precursores da competência informacional no país seriam os
bibliotecários que desenvolvem estudos na área de educação de usuários
(DUDZIAK, 2003). Além de Caregnato, primeira a mencionar o termo
competência informacional no país, merecem destaque como primeiros estudos
sobre competência informacional os trabalhos de Belluzzo (2001) que enfatiza
o caráter multidisciplinar do assunto, sendo abordado na área de Ciência da
Informação, Engenharia de Produção, Educação e outras; Dudziak, em 2001,
ao traçar uma trajetória histórica da competência informacional no exterior; e
Campello com trabalhos publicados no âmbito da biblioteca escolar nos anos
de 2003, 2006 e 2010 (SANTOS, 2011). Falando sob o ponto de vista dos
bibliotecários,

Campello

(2006)

aponta

que,

embora

os

pesquisadores

brasileiros trabalhem em diferentes perspectivas, eles têm em mente a
percepção de ser o momento oportuno para ampliar a função pedagógica da
biblioteca e de repensar o papel do bibliotecário como agente no processo da
competência informacional.
Nos últimos anos, tem-se notado um crescimento grande do número de
publicações sobre a competência informacional no país, chamando a atenção
de bibliotecários e cientistas da informação. Esse fato foi constatado na
dissertação apresentada por Santos (2011) a partir de uma análise realizada
nos periódicos de Ciência da Informação e trabalhos de Pós-Graduação strictu
sensu defendidos e publicados a partir do ano 2000. Corroborando essa
afirmação, Almeida, F. (2014) identificou 13 grupos de pesquisa no Brasil com
atuação direta ou com alguma de suas linhas de pesquisa voltadas para a área
de

competência

informacional.

Esses

dados

podem

ser

reflexos

do

�193

fortalecimento da área no país e em consequência disso, um aumento no
número de publicações sobre essa temática.
Quadro 1- Grupos de pesquisa sobre competência informacional no Brasil
Grupo

Líder

Competência em Informação –
UNB

Elmira Luzia Melo Soares
Simeão
Aurora Cuevas Cerveró

Ciência da Informação

Competência em Informação:
suas múltiplas relações – UEL

Linete Bartalo

Ciência da Informação

Competência Informacional
GPCIn – UFSC

Elizete Vieira Vitorino
Ana Claudia Perpetuo
Oliveira da Silva

-

Comportamento e competência
informacionais – UNESP
Comunicação
Científica
em
Saúde Pública – USP
Comunicação
e
Divulgação
Científicas – IBICT
Educação
científica
e
tecnológica
na
formação
profissional - IF-Catarinense

Área predominante

de

Ciência da Informação

Helen de Castro Silva Casarin

Ciência da Informação

Angela Maria Belloni Cuenca
Helene Mariko Ueno

Saúde Coletiva

Lena Vania Ribeiro Pinheiro

Ciência da Informação

Sirlei de Fátima Albino
Marouva Fallgatter Faqueti

Educação

Estudos
de
informação
e
avaliação
em
ciência
e
tecnologia e saúde – FIOCRUZ
Gestão da Informação e do
Conhecimento – UFMG
Grupo
de
Pesquisa
em
Informação – GPINFO
Grupo de Pesquisas e Estudos
em
Representação
do
Conhecimento e Tecnologias
da Informação e Comunicação
(GPERTIC) – UFS

Maria
Cristina
Soares
Guimarães
Eduardo Vieira Martins
Ricardo Rodrigues Barbosa
Marta Macedo Kerr Pinheiro
Gisela Eggert Steindel
Divino Ignacio Ribeiro Junior

Fabiano Ferreira de Castro

Ciência da Informação

Informação, Conhecimento
Inteligência Organizacional
UNESP

Marta Lígia Pomin Valentim
Daniela Pereira dos Reis de
Almeida

Ciência da Informação

e
–

Núcleo
de
Tecnologias
e
Luiz Roberto de Oliveira
Educação a Distância em
Lidia Eugenia Cavalcante
Saúde – NUTEDS – UFC
Fonte: (ALMEIDA, F., 2014, p. 33).

Ciência da Informação
Ciência da Informação
Ciência da Informação

Medicina

Apesar do crescimento do número de publicações e pesquisadores que
tratam do tema da competência informacional, de acordo com Gasque (2012),
houve um grande aumento de pesquisas, mas poucas as ações voltadas para a
formação de pessoas capacitadas em lidar com informação, representando
ainda um problema para o cenário brasileiro. Gasque (2008) admite que, no
Brasil, as discussões sobre

a competência informacional precisam ser

�194

intensificadas, tanto na educação básica quanto no ensino superior. De acordo
com essa autora, parece haver pouca preocupação em sistematizar um
programa de aprendizagem, com conteúdos de busca e uso da informação
integrado aos conteúdos e extensivo tanto a professores e alunos. Almeida, M.
(2014) ainda complementa as afirmações de Gasque (2008) ao considerar que
as pesquisas e estudos sobre a aplicação prática, políticas e implementação de
programas

de

desenvolvimento

de

competências

informacionais

nos

estudantes universitários brasileiros ainda são incipientes, sendo muito
importante que o sistema brasileiro de educação superior invista esforços para
que a formação em competências informacionais tenha presença garantida no
currículo acadêmico.
Para que se consiga superar o desafio do desenvolvimento das
competências informacionais na educação superior, os projetos e programas
em torno da competência informacional devem ser incluídos no currículo das
instituições de ensino superior e trabalhados de forma colaborativa e integrada
entre professores e bibliotecários de maneira que os alunos sejam “[...]
capazes de reconhecer o que eles precisam realizar, determinar se um
computador irá ajudá-los fazer, e, em seguida, ser capaz de usar o
computador como parte do processo de realizar sua tarefa” (EISENBERG;
DOUG, 2002, não paginado, tradução nossa).
Dessa forma, a função da biblioteca universitária que desempenha um
papel importante na formação acadêmica também se altera, indo além do
apoio instrumental às atividades de ensino e pesquisa, contribuindo para a
formação da competência informacional.

3 O PROGRAMA PRÓ-MULTIPLICAR NA UFMG
O Programa Pró-Multiplicar foi uma iniciativa da Capes, atualmente
descontinuado, que visava capacitar alunos bolsistas de Doutorado ou
Mestrado da Capes em instituições credenciadas pelo Portal para atuar como

�195

monitores e multiplicadores na divulgação e instrução sobre o uso do Portal de
Periódicos junto aos seus colegas de Graduação e Pós-Graduação.
Criado em 2008, o Programa foi implantado nas universidades do país,
tendo a UFMG aderido ao mesmo em 2010. De acordo com a Portaria que
instituiu o Pró-Multiplicar na UFMG, o programa tinha os seguintes objetivos
específicos:
a) incentivar os alunos e pesquisadores da instituição a utilizarem os
recursos do Portal na sua plenitude;
b) disseminar nas diversas áreas do conhecimento o uso do Portal nas
instituições participantes;
c) incentivar a utilização dos diversos recursos eletrônicos disponíveis no
portal de Periódicos e editores, facilitando, assim, o uso do mesmo pelos
grupos de pesquisa nas instituições; e
d) possibilitar que as instituições possuam alunos e profissionais [com]
“expertise” nos recursos do Portal de Periódicos nas diversas áreas do
conhecimento com o compromisso de disseminar informação e
promover treinamentos periódicos da comunidade acadêmica discente
(BRASIL, 2009).

A UFMG, por meio da Biblioteca Universitária que coordena tecnicamente
o Sistema de Bibliotecas (BU-SB/UFMG), já possuía, mesmo anteriormente à
sua adesão ao Pró-Multiplicar, a prática de oferecimento de cursos e
treinamentos sobre o uso do Portal para a comunidade acadêmica. Conforme
Cendón e Costa (2013, p.178),
para melhor atender à comunidade, a diretoria da BU-SB/UFMG criou,
em dezembro de 2009, o Setor de Apoio aos Usuários do Portal de
Periódicos da CAPES na UFMG, com o objetivo de cuidar do atendimento
ao usuário, aumentar a visibilidade do Portal e oferecer, para usuários e
bibliotecários, de forma contínua, programas de capacitação sobre a
utilização dos recursos disponíveis.

Nesse sentido, o Programa Pró-Multiplicar veio, portanto, ao encontro
das iniciativas existentes, fortalecendo e ampliando as práticas já adotadas no
sentido da capacitação do usuário e do aumento do uso do Portal.
O planejamento, desenvolvimento e implantação do Programa PróMultiplicar na UFMG seguiram as orientações fornecidas na Portaria da Capes
nº 144, de outubro de 2009, e contou com o trabalho em conjunto da BUSB/UFMG, Escola Ciência da Informação, Pró-reitora de Pós-Graduação e
Pesquisa, para que o programa atingisse os objetivos propostos. Assim, uma

�196

metodologia

visando

atividades,

cronogramas

e

programação

foram

desenvolvidas para a implementação do Programa Pró-Multiplicar na UFMG,
conforme quadro 2.








Quadro 2 - Planejamento para a formação dos multiplicadores
1º ETAPA – PLANEJAMENTO PARA A FORMAÇÃO DOS MULTIPLICADORES
Reuniões dos coordenadores do programa na UFMG
Reuniões entre coordenadores do programa na UFMG, Pró-Reitor de Pós-Graduação,
Diretores da Escola de Ciência da Informação e Biblioteca Universitária.
Convocação e seleção dos bolsistas multiplicadores
Carta inicial de convocação, dirigida a todos os programas de Pós-Graduação da instituição,
foi emitida pelo Pró-Reitor de Pós-Graduação.
Recebimento e gerenciamento das inscrições
Gerenciadas pelos bibliotecários do Setor de Apoio aos Usuários do Portal de Periódicos da
CAPES na Biblioteca Universitária, que mantiveram controle do número de inscritos, dos
seus programas de origem, das áreas do conhecimento a que pertenciam e dos demais
dados.
Atividades de divulgação no Boletim da UFMG e no Site da Biblioteca Universitária
Iniciou-se a publicação de matérias de divulgação nas mídias da UFMG.
Definição da infraestrutura laboratorial e de Internet
Com a previsão inicial do número esperado de inscrições no programa, percebeu-se que
seriam necessários para o treinamento quatro laboratórios. A Escola de Ciência da
Informação disponibilizou três Laboratórios. A Biblioteca Universitária disponibilizou a sua
sala de treinamentos. Todos contavam com aparelho de projeção multimídia e
computadores conectados à internet para alunos e professores.
Recursos Humanos da instituição para apoio ao programa
Para as diversas etapas, envolvendo desde a divulgação até as etapas de treinamento, o
Programa contou com uma equipe da UFMG, sendo: coordenadores do programa, um
técnico de informática disponível para o programa, um fotógrafo, uma jornalista, um
operador de audiovisual, para a gravação e transmissão dos treinamentos, um assistente
em administração e bibliotecários do SB/UFMG.
Fonte: Adaptado de Cendón e Costa (2013, p. 180-183).

É necessário ressaltar que, embora o presente trabalho focalize mais na
metodologia de treinamento dos multiplicadores, a qual será apresentada a
seguir, a implementação do programa na UFMG foi uma atividade complexa
que envolveu vários setores da Escola de Ciência da Informação, a Biblioteca
Universitária, além de outros setores competentes da UFMG. Exemplos das
atividades que fizeram parte do programa foram a transmissão das aulas via
internet para alunos remotos, sinalização do prédio onde foram ministradas as
aulas, divulgações do Programa no Boletim da UFMG, criação de site para o
projeto, gravação das aulas em DVDs, criação de pôsteres e folders com a
programação do evento e comunicações da Pró-Reitoria de Pós-Graduação com
os Programas de Pós-Graduação. Em conjunto, todas essas atividades, as
quais

são

descritas

detalhadamente

em

artigo

submetido

à

revista

�197

Perspectivas em Ciência da Informação, contribuíram para o sucesso do
programa.

4 A METODOLOGIA DO PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO
Na primeira etapa do programa, os multiplicadores, divididos em três
áreas do conhecimento, bem como bibliotecários dos sistemas de bibliotecas
da UFMG receberam, de técnicos da Capes e de representantes das editoras
presentes no Portal, 24 horas de treinamento e orientações sobre o Programa
Pró-Multiplicar, sobre o uso do Portal de Periódicos da Capes e das diversas
bases de dados. De posse dessa informação, os multiplicadores deveriam
repassar o treinamento recebido para outros usuários na instituição.
Com base no conteúdo ministrado pela Capes e pelas editoras e na lista
de alunos multiplicadores e bibliotecários participantes, elaborou-se um
calendário de aulas sobre o uso das bases de dados de cada uma das três
grandes áreas de conhecimento. Esse calendário previa aulas diárias, de
agosto até dezembro de 2010, designava o multiplicador responsável por cada
uma das aulas, bem como as datas em que se dariam os treinamentos
ministrados por eles e o horário e duração das aulas. A cada aluno
multiplicador foi designada uma base de dados, a qual ele deveria estudar em
profundidade. E lhe foram atribuídas duas aulas sobre essa base de dados.
Esse cronograma de aulas a serem ministradas pelos multiplicadores foi
anunciado globalmente na UFMG, podendo qualquer pessoa se inscrever, o que
dava ao aluno multiplicador um maior senso de sua responsabilidade quanto à
sua preparação e ao domínio do conhecimento a ser ministrado.
A metodologia adotada procurou garantir condições para que os
multiplicadores se preparassem adequadamente e se sentissem confiantes,
bem como responsáveis quanto ao conteúdo a eles atribuído, um cuidado que
foi fundamental para o sucesso das aulas. Na distribuição de encargos aos
alunos multiplicadores, buscou-se, realisticamente, atribuir tarefas factíveis e
compatíveis com os demais compromissos e demandas exigidas de um aluno

�198

de Pós-Graduação pelos seus cursos. Na definição do conteúdo a ser
ministrado pelos multiplicadores, considerou-se ainda o fato de que eles não
tinham formação na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação e que
haviam recebido, em apenas três dias, 24 horas de treinamento, com uma
grande sobrecarga cognitiva.
Para garantir a possibilidade de domínio, pelo aluno multiplicador, do
conteúdo a ele designado e, consequentemente, a qualidade dos treinamentos
que eles realizariam, utilizou-se como estratégia a definição de apenas uma
base de dados (ou um pequeno conjunto caso elas fossem muito simples ou
semelhantes) a qual o multiplicador deveria estudar dando-lhe condições assim
de conhecê-la a fundo e sentir-se seguro para ministrar o treinamento.
Preferencialmente, procurou-se alocar bases da área de conhecimento à
qual o aluno pertencia. Definiu-se ainda, para cada base de dados, um
bibliotecário em cada unidade para dar suporte aos alunos multiplicadores na
preparação das suas aulas e do material didático a ser utilizado.
Com a mesma preocupação, e com a autorização da Capes e das
editoras, as aulas ministradas pelos instrutores aos multiplicadores, no
treinamento inicial, foram filmadas e posteriormente editadas e gravadas em
DVDs. Esses foram disponibilizados para os multiplicadores, na Biblioteca
Universitária. Após consulta aos representantes das editoras, foi dada ao
multiplicador permissão para fazer cópias desses DVDs para seu estudo. O
multiplicador foi também informado sobre a existência de outros materiais
instrucionais disponíveis no site do Portal e da possibilidade de contato direto
com os representantes das editoras em caso de dúvidas.
A opção pela designação de apenas duas aulas para cada multiplicador
considerou os seus demais encargos e visou a concentração dos seus esforços
em um domínio mais restrito de conhecimento para possibilitar maior
segurança.
No último dia do treinamento dos alunos multiplicadores, todos os
participantes do treinamento foram reunidos para os esclarecimentos iniciais,
de como se daria o processo de multiplicação. Nessa reunião, dúvidas foram
esclarecidas bem como sugestões foram apresentadas pelos participantes

�199

havendo também oportunidade para aqueles que não se sentiram à vontade
com o conteúdo a eles designados de solicitarem alterações.
Quando, a partir de 20 de agosto de 2010, foram ministrados os
treinamentos

pelos

alunos

multiplicadores

formados,

a

metodologia

desenvolvida mostrou-se eficaz visto que, apesar de os alunos multiplicadores
não terem formação específica na área de Ciência da Informação ou em
Biblioteconomia, na avaliação realizada com eles, percebeu-se satisfação por
parte da maioria. Nessa avaliação, perguntou-se: 1) Como você avalia o
treinamento ministrado pelo aluno/colega multiplicador do programa? 2) Avalie
o local de realização do treinamento. 3) Avalie o conteúdo repassado no
treinamento. 4) Avalie a carga horária do treinamento. 5) Você já possuía
algum conhecimento da base apresentada? 6) Você teria condições de repassar
o conhecimento aprendido? 7) Apresente sugestões para os treinamentos
ministrados no Programa Pró-Multiplicar. Apesar dos alunos multiplicadores
não terem formação específica na área de ciência da informação, 98% dos
alunos treinados os consideraram excelentes ou bons como instrutores, e 97%
consideraram o conteúdo recebido excelente ou bom.
Após o encerramento e avaliação das atividades do Programa PróMultiplicar na UFMG, considera-se ter-se alcançado com sucesso os objetivos
pretendidos. Foram treinados, pelos instrutores da Capes e das editoras
presentes no Portal, 43 alunos multiplicadores e 17 bibliotecários que deram
suporte ao Programa. Após o treinamento pelos instrutores da Capes, os
alunos multiplicadores, por sua vez, realizaram 72 treinamentos para 293
alunos de Graduação e Pós-Graduação, conforme gráfico 1.
Gráfico 1 – Total de pessoas treinadas

Pró-Multiplicar
Total de pessoas treinadas - 2010
4
46
82

Fonte: Cendón e Costa (2013, p. 187).

70
91

Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

�200

Os gráficos a seguir mostram o resultado da avaliação sendo que, das
293 pessoas treinadas, 211 responderam ao questionário, sendo que 72%
consideraram os treinamentos excelentes. Observa-se, para essas questões, a
predominância da opção excelente que foi escolhida em cerca de 70% das
respostas. Ainda é importante notar que, dos respondentes, 76% afirmaram
que seriam capazes de retransmitir o treinamento recebido, conforme o gráfico
2, o que demonstra a boa assimilação.
Gráfico 2 – Condição de repassar o conhecimento

Condição de repassar conhecimnto
Sim

Não

Não informado
1%

23%

76%

Fonte: Cendón e Costa (2012, p. 26).

No que se refere aos alunos que receberam o treinamento dos alunos
multiplicadores, eles consideraram o repasse dos conhecimentos em sua
maioria como excelente, conforme gráfico 3.
Gráfico 3 – Conteúdo repassado

Conteúdo repassado
3%

Excelente

Bom

Regular

30%
67%

Fonte: Cendón e Costa (2012, p. 26).

�201

Registrou-se uma satisfação um pouco menor com a carga horária dos
treinamentos (apenas 32% a consideraram excelentes) e as respostas à
questão de número 7 da avaliação, qualitativa, que pedia sugestões para o
Programa, confirmam o desejo dos alunos que as aulas fossem mais longas e
mais aprofundadas. As respostas também indicam a necessidade de maior
divulgação do Portal e do conteúdo e uso de suas bases, já que 68% dos
respondentes

informaram

não

ter

conhecimento

prévio

do

conteúdo

ministrado.
A questão aberta elicitou ainda comentários dos usuários treinados que
indicam a demanda por material didático de suporte para as aulas, de maior
carga horária para exercícios práticos, e até mesmo de inserção do
treinamento

na

grade

curricular,

tornando-o

obrigatório

para

os

pós-

graduandos, o que demonstra o interesse do público-alvo pelo Portal e o valor
que eles perceberam no treinamento recebido. Abaixo, apresentam-se alguns
dos comentários dos usuários treinados pelo Pró-Multiplicar, os quais se
caracterizam como exemplos de sugestões apresentadas:


Aumentar a carga horária dos treinamentos (comentário feito pelos
alunos que receberam o treinamento das bases Mary Ann Lieberty,
SciFinder, BioOne e Optics InfoBase; Wilson Web e SpringerLink,
EndNote Web e Derwent Innovations Index, Science e Annual Reviews, e
ainda o treinamento geral sobre o Portal Capes);



Treinamento mais aprofundado e detalhado em cada uma das bases de
dados disponibilizadas pela Capes voltado para alunos de Pós-Graduação
da universidade (comentário feito por aluno que recebeu treinamento
sobre uso da Web of Science;



Treinamentos nos turnos da manhã, tarde e noite;



Maior divulgação;



Criar treinamento sobre seleção de palavras-chave, orientação sobre
normas para uso de palavras-chave. (comentário de aluno que recebeu
treinamento da base Emerald FullText);



Criar treinamentos voltados para assuntos de pesquisa, de Mestrado ou
Doutorado de cada um;

�202



Tornar o treinamento obrigatório aos alunos de Mestrado e Doutorado
(comentário

feito

por

aluno

que

recebeu

treinamento

na

base

Compendex);


Inserção do treinamento na grade curricular.

5 A DISCIPLINA SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Nesta seção, será relatada a metodologia adotada na parte prática da
disciplina “Sistemas de Recuperação da Informação”. Se as disciplinas sobre
esse assunto serviram de base para a criação da metodologia adotada no PróMultiplicar, a experiência adquirida no Programa também influenciou os
próximos oferecimentos da disciplina. Com base na metodologia desenvolvida
no Programa Pró-Multiplicar, para o ensino do uso de bases de dados na
disciplina buscou-se a parceria com a Biblioteca Universitária. Da mesma
forma que no Pró-Multiplicar procurou-se garantir condições para que os
alunos, ao mesmo tempo em que lhe eram atribuídas responsabilidades pelo
seu próprio aprendizado e pelo de seus colegas, sentissem que teriam o apoio
necessário para estarem confiantes quanto ao conteúdo a eles designado.
A disciplina consistia de uma parte teórica sobre sistemas de recuperação
da informação e de uma parte prática em que os alunos analisavam e
avaliavam um SRI com relação à sua organização e representação da
informação, recursos de busca, especificidades, serviços ao usuário, entre
outros aspectos abordados. Para a parte prática, adotou-se, da mesma forma
que no Programa Pró-Multiplicar, a restrição do material a ser trabalhado
privilegiando-se a profundidade e domínio do aprendizado ao invés da
amplitude do leque de bases a serem aprendidas. Os alunos fizeram
apresentações para os colegas e com tempo suficiente para uma explanação
detalhada e interativa da base e com aplicação de exercícios práticos e
avaliação.
Na

busca

da

parceria

com

a

Biblioteca

Universitária,

que

foi

indispensável, houve a preocupação de não sobrecarregar os bibliotecários que

�203

estavam colaborando com a disciplina. As bases de dados selecionadas foram
sugeridas pelos próprios bibliotecários, de acordo com as suas experiências e
competências, procurando minimizar a ampliação de suas tarefas. Por
sugestão deles, buscou-se, também, nessa seleção, representar as várias
áreas de conhecimento. Por questão de uniformidade, todas as bases deveriam
ser referenciais, textuais, bibliográficas e terem um tesauro. A exigência do
tesauro teve por objetivo garantir formulação de buscas complexas e o
aprendizado do uso de um vocabulário controlado. As bases selecionadas
foram:


SocINDEX (Ciências Sociais Aplicadas);



Educational Resources Information Center - ERIC (Ciências Humanas);



Library and Information Science Abstract - LISA (Ciências Sociais
Aplicadas);



Inspec (Ciências Exatas);



Compendex (Engenharias);



Derwent Innovations Index (Multidisciplinar).
A cada grupo de alunos, composto de quatro a seis integrantes foi

designada uma dessas bases de dados do Portal Capes e um bibliotecário para
apoiá-los

na

sua

aprendizagem.

Cada

grupo

deveria

preparar

três

apresentações, ao longo do semestre, com conteúdo adequado ao material
apresentado em sala de aula. A primeira apresentação de 15 minutos abordava
a base de dados, vista como um sistema de recuperação da informação,
incluindo informações sobre seu histórico, seu produtor e distribuidores. Na
segunda

apresentação,

os

alunos

cobriam

o

processo

de

seleção

de

documentos, sua estrutura e organização, forma de representação dos
documentos, recursos de busca oferecidos, recursos para disseminação dos
resultados e outras especificidades que variaram de base para base. Na
terceira, apresentou-se a prática de uso da base de dados. Os alunos deveriam
apresentar exercícios práticos e foram responsáveis pela avaliação dos
colegas. Durante as aulas, que se deram no laboratório de informática, os
integrantes dos grupos atuaram também como monitores sanando as dúvidas
e problemas encontrados pelos colegas nos exercícios interativos. Abaixo,

�204

apresentam-se detalhes de uma das atividades práticas da disciplina que
consistia na preparação e apresentação de uma base de dados.
Para se preparar para a apresentação, cada grupo de alunos deveria:
 entrar em contato com o bibliotecário designado para combinar um dia
para receber um treinamento sobre o seu uso;
 pesquisar sobre a base;


ler sua documentação e outros materiais e tutoriais indicados pelo
bibliotecário.

Para a apresentação da base de dados, as tarefas de cada grupo foram:


preparar apresentação interativa usando também a ferramenta Power
Point;



preparar um pequeno manual para uso da base para fornecer para os
colegas;



fornecer para os colegas indicação de outros materiais disponíveis para
estudo da base (tutoriais ou apresentações no site da Capes ou do
produtor);



preparar exercícios para os colegas;



preparar uma avaliação para os colegas;



atuar como monitores da turma no laboratório durante a apresentação, a
realização dos exercícios e da prova.

Os bibliotecários apoiaram os grupos das seguintes formas:


uma orientação/demonstração inicial sobre a base;



indicação onde encontrar mais materiais para estudo da base (site do
produtor, site da Capes);



esclarecimento de dúvidas;



verificação e aprovação, juntamente com o professor da disciplina, dos
exercícios e do material preparado pelos grupos para as apresentações.

Tópicos que deveriam constar da apresentação:
GERAL


Tipo da base, segundo a classificação de Lancaster;

�205



Histórico da base;



Produtor, distribuidores. Uma breve descrição do provedor. Que
produtos ele oferece e qual o seu público-alvo?;
CONTEÚDO



Assuntos/áreas do conhecimento da base cobre;



Materiais que são indexados pela base;



Período de cobertura da base,



Quantos registros têm a base;



Número de registros que são acrescentados anualmente;



Índice(s) que corresponde(m) à base;



Frequência de atualização da base on-line;



Forma de obtenção dos textos completos dos documentos.
ESTRUTURA



Campos da base, e seus códigos;



Campos pesquisáveis;



Existência de campos que são indexados por palavra e/ou por frase;



Palavras proibidas;



Campos de assunto.
REPRESENTAÇÃO



Existência de vocabulário controlado e explicação sobre ele (origem,
como utilizar);



Campos para busca por assunto;



Descrição do registro do tesauro.
BUSCA



Busca com operadores booleanos simples ou aninhados;



Operadores de proximidade;



Busca por expressões (phrase);



Operadores de comparação ou aritméticos;

�206



Outros operadores;



Outros tipos de busca;



Busca

em

campos

específicos/índices

especiais/vocabulário

controlado.
OUTROS


Modos de ordenação dos resultados;



Ajuda ou tutorial, status;



Formatos de saída;



Modos de emissão dos resultados;



Gravação da estratégia de busca;



Mecanismo de alerta.

PARTICULARIDADES / ESPECIFICIDADES DA BASE
Após a apresentação, os alunos deveriam fazer alguns exercícios e prova a
serem entregues. Esses deveriam ser pontuados pelos membros do grupo. A
prova deveria incluir questões sobre:


provedor e histórico da base de dados;



conteúdo;



representação;



busca (parte teórica e prática).

A avaliação dos alunos era baseada na apresentação e no material preparado
para a aula, tais como:


manual de uso da base que deveria ser distribuído para os colegas;



arquivo Power Point da apresentação;



exercícios interativos feitos durante a apresentação;



prova com parte teórica e parte prática.

�207

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em ambas as experiências apresentadas, além do aprendizado de
habilidades e conhecimentos sobre a fonte de informação, pode-se dizer que
foi atingido também o objetivo de mudanças de atitudes e valores, tanto dos
alunos instrutores como dos alunos treinados. Segundo um grupo de alunos,
em sua avaliação da disciplina,
foi possível perceber que os alunos tiveram um grande interesse pelas
bases apresentadas [...] A forma como cada base foi trabalhada
proporcionou ao grupo um aprendizado diferenciado com uma absorção
maior do conteúdo contido em cada base. A atividade avaliativa foi
fundamental para aprimorar o conhecimento das bases.

No caso da disciplina, como resultado desta metodologia, observou-se
uma grande motivação tanto dos alunos que participavam dos grupos quanto
dos colegas a quem o treinamento estava sendo ministrado, pela riqueza do
conteúdo do Portal Capes e um senso de responsabilidade para com a sua
apresentação para os colegas. A mesma motivação e entusiasmo foram
notados em relação aos bibliotecários que apoiaram os alunos, alguns dos
quais quiseram e puderam estar presentes nas apresentações dos alunos,
embora tal não fosse requerido.
Em relação ao Programa Pró-Multiplicar na UFMG, um dos pontos dignos
de nota foi a valorização do Programa pelos multiplicadores e seu entusiasmo
com o conteúdo sendo ensinado, o que foi objeto de comentários pelos
representantes das editoras e técnicos da Capes durante a realização do
treinamento. Merece ser mencionado o interesse e esforço de um grupo de
alunos da área de Ciências Biológicas que foi além das exigências do
programa, oferecendo, por sua própria iniciativa, para colegas e professores
em sua unidade, um treinamento mais extenso do que o que haviam recebido.
Esses alunos forneceram de espontânea vontade um treinamento de 30 horas
(24 horas e mais seis horas de exercícios práticos) em que utilizaram seu
domínio da área de conhecimento para criar outros exercícios e demonstrações
do uso e utilidade das bases de dados. Essa experiência foi ao encontro das
expectativas da Capes que esperava ao criar o Programa Pró-Multiplicar que

�208

“[...] a participação dos bolsistas trará um elemento novo ao treinamento que
se dará de colega para colega, destacando os conteúdos de interesse do
pesquisador” (BRASIL, 2009, p. 27). Sanler (2001, p. 25)20 citado por Del
Fiaco (2005, p. 85) apresenta também observações sobre os benefícios do
envolvimento maior do aluno no seu aprendizado:
Os métodos participativos levam o estudante a vivenciar situações
propícias que possibilitam sua conversão em um ente ativo, criador,
capaz de contribuir com o desenvolvimento do entorno social e sua
própria autotransformação. Além de desenvolver talentos individuais,
garante a formação de um alto grau de responsabilidade social e cidadã
(SANLER, 2001 apud DEL FIACO, 2005, p. 85).

O sucesso dessas experiências e os próprios comentários dos usuários
treinados

pelo

Programa

sugerem

que

seria

interessante

estudar

a

possibilidade de inserção do treinamento no uso do Portal na grade curricular.
Essa inserção poderia se dar de várias formas, sendo uma delas, por exemplo,
o ensino do uso do Portal como um módulo dentro de uma disciplina
introdutória ou de metodologia. A viabilização dessa ideia dependeria de uma
articulação

entre

bibliotecários,

professores,

colegiados

e

órgãos

da

universidade interessados na promoção da pesquisa e produtividade científica
de sua comunidade.
O caráter da instituição onde se deram as experiências, a UFMG, com
cursos de Graduação e Pós-Graduação em todas as áreas do conhecimento e a
variedade das bases de dados utilizadas também sugere a generalizabilidade
de seus resultados para outros ambientes.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Fernanda Gomes. Competência informacional no Portal de
Periódicos da Capes: uma análise a partir dos treinamentos de uso. 2014.
191f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da
Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014.

20

SANLER, Verônica Canflux. Métodos participativos. Universidad de la Habana: CEPES,
2001.

�209

ALMEIDA, Maria da Graça Gomes. La integración de la alfabetización
informacional (ALFIN) en la formación del estudiante universitario:
análisis de iniciativas en Brasil y España. 2014. 441f. Tese (Doctorado en
Documentación: Archivos y Bibliotecas en el Entorno Digital) - Departamento
de Biblioteconomía y Documentación, Universidad Carlos III de Madrid,
Getafe,2014.Disponível em:
&lt;http://earchivo.uc3m.es/bitstream/handle/10016/18885/tesis_almeida_2014
.pdf?sequence=1&gt;. Acesso em: 17 jul. 2014.
BELLUZZO, Regina Célia Baptista. A information literacy como competência
necessária à fluência científica e tecnológica na Sociedade da Informação: uma
questão de educação. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA
UNESP, 7., 2001, Bauru. Anais... Bauru: UNESP, 2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria n. 144 de 20 de outubro de 2009.
Aprova o Regulamento do Programa de Formação de Multiplicadores do Portal
de Periódicos - Pró-Multiplicar. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 out.
2009. Seção 1. p. 26-27. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/images/documents/ProMultiplicar_PO144
.pdf&gt;. Acesso em: 20 maio 2015.
CAMPELLO, Bernadete. A competência informacional na educação para o século
XXI. In: Biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. Belo
Horizonte: Autêntica, 2002. p. 9-11.
CAMPELLO, Bernadete. O movimento da competência informacional: uma
perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação,
Brasília, v. 32, n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003.
CAMPELLO, Bernadete. A escolarização da competência informacional. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 2, n. 2, p.
63-77, dez. 2006.
CAMPELLO, Bernadete. Perspectivas de letramento informacional no Brasil:
práticas educativas de bibliotecários em escolas de ensino básico. Encontros
Biblio, Florianópolis, v. 15, n. 29, p. 184-208, 2010.
CENDÓN, Beatriz Valadares; COSTA, Maria Elizabeth de Oliveira.
Planejamento, desenvolvimento e implantação do Programa Pró-Multiplicar da
CAPES na UFMG, Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte,
v. 18, n. 3, p. 175-191, jul./set. 2013. . Disponível em:
&lt;www.scielo.br/pdf/pci/v18n3/12.pdf&gt;. Acesso em: 20 maio 2015.
CENDÓN, Beatriz Valadares; COSTA, Maria Elizabeth de Oliveira. Programas de
formação de usuários para o desenvolvimento de competências informacionais.
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012,
Gramado. Palestras... Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, 2012. Disponível em:

�210

&lt;http://www.snbu2012.com.br/palestras/BEATRIZ_VALADARES.pdf&gt;. Acesso
em: 25 de maio 2018.
CONNAWAY, Lynn Silipigni; DICKEY, T Timothy J. The Digital Information
Seeker: Report of the Findings from Selected OCLC, RIN, and JISC User
Behaviour Projects. London: Higher Education Funding Council for England
(HEFCE) on behalf of JISC., 2010. Disponível em:
&lt;http://www.webarchive.org.uk/wayback/archive/20140615023510/http://ww
w.jisc.ac.uk/media/documents/publications/reports/2010/digitalinformationsee
kerreport.pdf &gt;. Acesso em: 20 maio 2018.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR
(CAPES). Missão e objetivos. Brasília, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/?option=com_pcontent&amp;view=pcontent&amp;
alias=missao-objetivos&amp;mn=69&amp;smn=74&gt;. Acesso em: 23 out. 2018.
DEL FIACO, Juliana Luiza Moreira. Métodos participativos: fundamentação
teórica e um plano de aula para a disciplina teoria geral da administração,
segundo o enfoque cultural e a teoria da atividade. Revista Administração,
v. 2, n. 2, p. 1-21, 2005. Disponível em:
&lt;http://revistas.unievangelica.com.br/index.php/administracao/article/viewFile
/127/102&gt;. Acesso em: 20 maio 2018.
DUDZIAK, E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Revista
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 32, n. 1, p. 23-35, jan./abr. 2003.
EISENBERG, Michael; DOUG, Johnson. Learning and Teaching Information
Technology--Computer Skills in Context. ERIC Clearinghouse em
Tecnologia da Informação: Syracuse, N.Y., 2002. Disponível em:
&lt;http://www.ericdigests.org/2003-1/skills.htm&gt;. Acesso em: 02 ago. 2018.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias. Letramento informacional:
pesquisa, reflexão e aprendizagem. Brasília: Faculdade de Ciência da
Informação/Universidade de Brasília, 2012. Disponível em:
&lt;http://leunb.bce.unb.br/bitstream/handle/123456789/22/Letramento_Inform
acional.pdf?sequence=3&gt;. Acesso em: 17 ago. 2018.
GÓMES HERNÁNDEZ, José Antonio. La alfabetización informacional y la
biblioteca universitaria. Organización de programas para enseñar el acceso y
uso de la información. In: GÓMES HERNÁNDEZ, José Antonio (Coord.).
Estrategias y modelos para enseñar a usar la información: Guia para
docentes, bibliotecários, y archiveros. Murcia: KR, 2000. p. 157-236.
GUERRERO, Janaína Celoto. Competência informacional e a busca de
informações científicas: um estudo com pós-graduandos da Faculdade de
Ciências Agronômicas da UNESP campus de Botucatu. 2009. 109f. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências,
Universidade Estadual Paulista, Marília, 2009. Disponível
em:&lt;http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos

�211

Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/guerrero_jc_me_mar.pdf&gt;.
Acesso em: 18 ago. 2018.
HATSCHBACH, Maria Helena de Lima. Information literacy: aspectos
conceituais e iniciativas em ambiente digital para o estudante de nível
superior. 2002. 108f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) –
Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2002. Disponível em: &lt;http://tededep.ibict.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=37 &gt;. Acesso em: 18 ago.
2018.
HERNÁNDEZ SERRANO, M. J.; FUENTES AGUSTÍ, M. Aprender a informarse en
la red: ¿son los estudiantes eficientes buscando y seleccionando información?
Teoria de la Educación: Educación y Cultura en la Sociedad de la
Información, v. 12, n. 1, p. 47-78, 2011.
KOROBILI, S.; MALLIARI, A.; ZAPOUNIDOU, S. Factors that Influence
Information-Seeking Behavior: The Case of Greek Graduate Students. The
Journal of Academic Librarianship, v. 37, n. 2, p. 155-165, 2011.
Disponível em:
&lt;http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S009913331100022X&gt;.
Acesso em: 20 maio 2015.
MALLIARI, A.; KOROBILI, S.; ZAPOUNIDOU, S. Exploring the information
seeking behavior of Greek graduate students: A case stugy set in the
University of Macedônia. The International Information &amp; Library Review,
v. 43, p. 79-91, 2011.
MARTÍ LAHERA, Y. Alfabetización informacional: análisis y gestión. Buenos
Aires: Alfagrama, 2007.
SANTOS, Thalita Franco dos. Competência informacional no ensino
superior: um estudo dos discentes de graduação em Biblioteconomia no
estado de Goiás. 2011. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Ciência da
Informação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação,
Universidade de Brasília, Brasília, 2011. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8906/1/2011_ThalitaFrancodosSa
ntos.pdf&gt;. Acesso em: 03 fev. 2017.

�212

CAPÍTULO XIV
INOVAÇÃO NAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS: FOCO NAS PESSOAS
Marina Nogueira Ferraz

1 INTRODUÇÃO

Existe uma tendência nos discursos contemporâneos que o conceito de
inovação quase sempre apareça vinculado à tecnologia, uma vez que a área
tem em seu cerne a inovação como elemento constituinte. No entanto, se
contextualizarmos a inovação para e nas bibliotecas públicas, essa ideia pode
adquirir novos contornos e dimensões.
As mudanças sociais, econômicas e tecnológicas vividas nos tempos
atuais, na chamada Era da Informação ou Sociedade da Informação, têm
trazido

como

consequência

o

desenvolvimento

das

tecnologias,

o

encurtamento das distâncias e, principalmente, a valorização da informação.
Porém, mesmo diante do quadro de um mundo globalizado, a desigualdade de
acesso à informação ainda persiste. As bibliotecas públicas podem e devem
desempenhar o papel de disseminadoras da informação e foram criadas para
esse fim.
Apesar dessa premissa, ao longo de sua trajetória, a biblioteca pública
desempenhou papel de biblioteca escolar — suprindo uma falta histórica no
Brasil e no mundo —, foi direcionada por interesses políticos e, principalmente,
nunca recebeu a devida atenção e reconhecimento como instituição, por
excelência, democrática e que atua como veículo para o desenvolvimento da
cidadania e acesso ao conhecimento. Ainda pouco frequentada pela maioria da
população, o papel da biblioteca pública vem passando por mudanças nas
últimas décadas, voltando-se para um desempenho dinâmico, vivo, integrado
às várias manifestações artísticas e atuando como importante instrumento de
caráter social, que contribui para o diálogo e a articulação da comunidade.

�213

As bibliotecas públicas têm sido objeto de interesse social e acadêmico,
principalmente a partir do século XX, com o fortalecimento dos conceitos de
direitos sociais, democratização, acesso à informação e aprendizagem ao longo
da vida.
Terminado

já

o

primeiro

decênio

do

século

XXI,

no

Brasil

e,

especificamente em Minas Gerais, ainda estamos almejando os mesmos
objetivos que outros países colocaram e cumpriram no século XX: a
universalização das bibliotecas públicas como condição para a plena cidadania,
da infância até o fim da vida.
Do papiro/pergaminho ao papel/bits e bytes; do formato de rolo aos
tablets, o livro vem se transformando, assim como as bibliotecas. Neste
capítulo, vamos conversar sobre como as mudanças de paradigma nas
bibliotecas públicas foram formas inovadoras de disseminar informação e de se
relacionar com a comunidade, entendendo que a inovação deve ser pensada
para além da tecnologia e que as pessoas são sempre a variável mais
importante dessa equação.

2 INOVAÇÃO
Vamos iniciar esta seção discutindo alguns conceitos de inovação
propostos por autores e diretrizes internacionais que abordam este tema. O
primeiro deles é o do Manual de Oslo, elaborado pela Organização para
Cooperação

e

Desenvolvimento

Econômico

(OCDE).

É

uma

publicação

institucional intergovernamental, de mais de 30 países, e “tem o objetivo de
orientar e padronizar conceitos, metodologias e construção de estatísticas e
indicadores de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) de países industrializados”
(OCDE, 2006, p. 9). No Manual, uma inovação é
a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou
significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de
marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios,
na organização do local de trabalho ou nas relações externas (OCDE,
2006, p. 55).

�214

Dessa maneira, inovação pode referir-se não só à criação de um produto,
mas também a um novo processo, modo ou método. Em uma visão ampliada,
podemos pensar como uma nova forma de ver e interagir. O Manual de Oslo
trouxe uma mudança para o termo, em relação a uma nova concepção de
inovação, não atrelada à tecnologia, como comentamos no início deste
capítulo.
Uma mudança é a remoção da palavra “tecnológica” das definições,
visto que a palavra evoca a possibilidade de que muitas empresas do
setor de serviços interpretem “tecnológica” como “usuária de plantas e
equipamentos de alta tecnologia”, e assim não seja aplicável a muitas
de suas inovações de produtos e processos (OCDE, 2006, p. 24).

Importante também observar que as inovações de valor não precisam
ser, necessariamente, mudanças grandiosas ou radicais e que podem
acontecer em diversos contextos, abrangendo diferentes impactos para
instituições e seus públicos de relacionamento. Esse conceito mais amplo e
realista de inovação nos ajuda a pensar em novos processos ou novos
objetivos de uma mesma missão da instituição. O texto de Tigre (2006, p.
107) discute os diferentes tipos de inovação e quais os fatores que interferem
ou motivam esse processo, classificando-as em incrementais, radicais e
sistêmicas.
As inovações incrementais são aquelas realizadas cotidianamente nas
organizações, por meio do processo de aprendizado. Já as inovações
radicais são descontínuas no tempo e no espaço e geralmente derivam
de atividades de P&amp;D. Inovações mais abrangentes e sistêmicas podem
dar origem a mudanças no paradigma técnico-econômico (TIGRE, 2006,
p. 107).

Nessa perspectiva de pensar em uma mudança que seja inovadora, os
serviços ganham destaque. Tigre (2006) comenta que a principal característica
dos serviços, como objetos intangíveis, está na interação com o cliente. O
projeto e o uso desses serviços baseiam-se na troca e armazenamento de
informações, proporcionando interações e experiências relevantes e até
complementares ao uso dos produtos tangíveis.
Os bens são produtos tangíveis, podem ser estocados e praticamente
não há interação entre clientes e processos de fabricação. Já os serviços
são intangíveis, geralmente não podem ser estocados e dependem da
interação com os clientes na medida em que a produção do serviço é

�215
concomitante ao consumo. A possibilidade de estocar serviços,
entretanto, vem crescendo com a difusão das TIC. Por serem intensivos
em informação, os serviços vêm ganhando cada vez mais importância
na economia do conhecimento. O crescimento dos serviços de
informação e comunicação pode ser observado em todas as áreas de
atividades econômicas, inclusive aquelas produtoras de bens tangíveis.
As funções de serviços são, por essência, complementares a outros
produtos (TIGRE, 2006, p. 147).

O foco na inovação de serviços fica evidenciado na valorização do cliente
(que no contexto das bibliotecas é mais comum designá-lo como usuários),
como veremos a seguir:
As inovações em serviços visam a alcançar os seguintes resultados:
• Obter maior flexibilidade de forma a atender as necessidades
individuais dos clientes.
• Facilitar a interação usuário-fornecedor.
• Aumentar a confiabilidade do serviço e torná-lo mais disponível
temporalmente (24 horas, 7 dias por semana).
• Aumentar a velocidade de produção e entrega do serviço,
aproximando-se do tempo real.
• Cumprir normas, padrões e atender a normas de segurança.
• Aumentar a produtividade na prestação do serviço.
A obtenção desses resultados depende não apenas da incorporação de
novas tecnologias da informação e da comunicação, mas também de
mudanças organizacionais e em processos (TIGRE, 2006, p. 149).

Discutindo esses conceitos no âmbito da inovação, é possível perceber
que as diferentes possibilidades na oferta de serviços requerem processos mais
interativos e dinâmicos, valorizando o cliente como peça fundamental. No
próximo tópico, vamos ver como a mudança de paradigma na Biblioteconomia
pode ser considerada uma forma de inovação para a área, numa perspectiva
de valorização do usuário e na concepção desse sujeito como aquele que
produz e pensa as bibliotecas.

3 BIBLIOTECAS
As bibliotecas públicas, desde seu surgimento na era moderna, foram
criadas segundo interesses políticos, econômicos e culturais, sofrendo todo o
tipo de pressão que esses interesses são capazes de produzir, uma vez que a
informação e o conhecimento configuram-se como objeto de poder e moeda de
barganha das classes dominantes.

�216

Na Inglaterra do século XIX, as bibliotecas públicas foram criadas com
um pensamento utilitário, para que a população tivesse entretenimento barato
e assim onerar pouco o Estado, como aponta Mueller:
Sua defesa ressaltava o baixo custo de um investimento que permitiria
dar ao povo acesso à boa literatura, fazendo das bibliotecas públicas o
meio mais econômico de se tentar manter homens exaustos e sem
dinheiro entretido em prazeres inocentes, e, portanto fora das prisões,
tribunais e asilos (MUELLER, 1984, p. 9).

Sua contribuição era de auxiliar na “ordem social”, “progresso da nação”
e “manutenção da democracia”, com ações voltadas para a leitura e educação
(SILVEIRA, 2014, p. 80). Com o passar do tempo, percebeu-se que as
bibliotecas públicas poderiam também contribuir para a socialização de seus
usuários e para o desenvolvimento intelectual dos sujeitos e das comunidades.
Percebe-se que a motivação de sua criação e desenvolvimento envolvia um
caráter utilitário para as bibliotecas públicas.
Nos Estados Unidos, também no Século XIX, as bibliotecas públicas
foram criadas com finalidade diferente. A intenção de educar o povo e
promover a manutenção da democracia justificava a criação das bibliotecas
públicas.
O movimento de auto-educação estava enraizado na crença da perfeição
inata do homem. A educação era vista como uma cura para todos os
problemas sociais. Segundo esta filosofia, a biblioteca pública era
considerada um meio capaz de espalhar a educação, tratando a todos
como iguais e colocando os recursos da nação ao alcance de todos,
independentemente de capacidades individuais (MUELLER, 1984, p. 11).

Segundo esses relatos de criação das primeiras bibliotecas públicas,
notamos o viés educacional e político presente desde seus primórdios. A essas
duas facetas soma-se a cultural, que foi reconhecida posteriormente devido ao
seu acervo generalista e por estar diretamente em contato com a população.
O aparecimento das bibliotecas públicas foi estimulado por objetivos
bem definidos, que representavam uma mudança radical dos objetivos
tradicionais das bibliotecas eruditas. Essa visão tradicional, assim como
a função educacional que a seguiu, não desapareceu no processo de
mudança. O que aconteceu foi antes uma adição de novos objetivos.
Como em qualquer mudança, houve aceitação e rejeição (MUELLER,
1984, p. 17).

�217

No século XX, começou uma mudança no entendimento de seu papel,
que passou de uma visão educacional, ampliando para a cultural em geral
(MUELLER, 1984, p. 14). O papel do bibliotecário também começou a mudar
na medida em que se responsabilizava não só em preservar os acervos, mas
também em estimular que as pessoas usassem as bibliotecas e que essas se
fizessem conhecidas por todos.
No Brasil, a primeira biblioteca foi a Biblioteca Real, aberta em 1808,
com acervo trazido de Portugal, juntamente com a corte, e instalada no Rio de
Janeiro. Era uma propriedade da coroa e foi aberta ao público somente em
1814 (FERNANDEZ; MACHADO, 2016, p. 37).
Na Bahia, em 1811, o coronel Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco
apresentou o Plano para o estabelecimento de uma biblioteca pública na cidade
de Salvador, oferecida a aprovação do Sr. Conde dos Arcos, capitão general,
em Salvador (AZEVEDO, 2012, p. 9). Em 13 de maio do mesmo ano, foi
inaugurada a primeira biblioteca pública brasileira, em Salvador, por iniciativa
de um senhor de engenho, com inspiração nas bibliotecas americanas e
europeias.
Ainda no século XIX, outras bibliotecas foram sendo criadas nas capitais,
iniciando, nesse momento, a história das bibliotecas públicas brasileiras.
Desde o surgimento das primeiras bibliotecas públicas, elas primaram
pela constituição de acervos diversos para públicos diversos, primeiro com o
intuito de preservação e também educacional e com o passar do tempo com
intenção cultural e de lazer, mas sempre desempenhando um papel social
relevante.
Perrotti e Pieruccini (2008), em uma reflexão sobre os paradigmas que
moldaram a atuação das bibliotecas, ponderam sobre a ampliação do acesso,
mas também controle das massas por uma elite cultural.
Ideais - e lutas - como a dos Iluministas resultaram, pois, na criação de
instituições pautadas pelo novo paradigma da difusão cultural,
referência que se estenderá até os dias que correm, em que pesem
evidências de seu esgotamento face às novas circunstâncias históricas
que colocaram a modernidade em crise. Nesse sentido, se as instituições
de difusão cultural, como, por exemplo, as bibliotecas públicas
estimuladas pelos filantropos ingleses do século XIX, significaram
possibilidade de acesso a informações e conhecimentos negados até

�218
então a diferentes segmentos populacionais, de outro lado,
representaram também ferramenta, visando à assimilação pelas massas
dos valores e comportamentos das elites culturais (PERROTTI;
PIERUCCINI, 2008, p. 1).

Historicamente, o primeiro paradigma seguido pelas bibliotecas públicas
era o paradigma da Conservação Cultural, seguindo uma lógica da
preservação do patrimônio material e imaterial. Nesse paradigma, as palavraschave seriam o controle e a reprodução cultural. O segundo paradigma seguido
foi o da Difusão Cultural, ligado à lógica da circulação da informação, que
visava a regulação social para uma assimilação cultural. Esse paradigma da
disseminação ainda é seguido pela maioria das bibliotecas públicas brasileiras.
O terceiro paradigma, que se faz conhecido mais recentemente e por isso
pouco seguido na realidade das bibliotecas brasileiras, é o da Apropriação
Cultural, no qual a mediação do saber é caminho para o Protagonismo
Cultural.
Na medida em que o sujeito entra em contato com culturas diversas e se
apropria dessa cultura, que passa por transformações decorrentes do seu
contexto, seu mundo simbólico e seus conceitos, torna-se um novo saber, que
contribui para a construção de sua identidade cultural.
Para os autores, as bibliotecas oscilam entre ideais conservacionistas e
difusionistas e acabam não respondendo às demandas do conhecimento que
auxiliem na relação com os signos. Para romper com esses ideais, os autores
propõem o paradigma da apropriação cultural, no qual o protagonismo dos
sujeitos é o objetivo.
Dessa forma, nem os dispositivos concebidos sob os ideais
conservacionistas, herdados da Antiguidade e da Idade Média, nem
aqueles pautados pelo difusionismo moderno atendiam aos nossos
propósitos, o que nos obrigou a romper com o conservacionismo e o
difusionismo do passado, atribuindo novos valores à assimilação e à
difusão. Foi assim que nomeamos e adotamos o paradigma da
apropriação cultural como referência de trabalho. Segundo ele,
conservação e difusão são categorias-meio, instrumentais, e não
categorias-fim nos processos culturais que nos interessavam. Em tal
circunstância, instituições de memória como as do passado, não serão
vistas como depósitos inertes a serem cultuados, mas repositórios
culturalmente marcados, onde contemporâneos podem se alimentar
para protagonizar o presente e o futuro (PERROTTI; PIERUCCINI, 2008,
p. 1).

�219

No paradigma da Apropriação Cultural os sujeitos não são meramente
receptores da informação, mas são capazes de utilizá-la de forma crítica. Esse
é novo modo de ver o sujeito, como um ser atuante, que vai em busca da
informação, que tem um projeto de conhecimento, que se responsabiliza por
suas escolhas e por seu caminho e extrapola a visão utilitária da informação.
É possível retomar aqui a ideia de inovação, especialmente nas
bibliotecas públicas. No contexto de poucos recursos econômicos destinados à
elas, pouca valorização da sociedade e de seus governantes, o paradigma da
Apropriação

Cultural

pode

parecer

utópico,

tendo

em

vista

que

a

universalização das bibliotecas ainda não é realidade no país. E, realmente é,
na maioria dos casos.
No entanto, ao pesquisarmos (FERRAZ, 2018) a visão de biblioteca
pública por seus usuários, em três municípios de Minas Gerais por meio de
entrevistas, aplicação de questionários e observação in loco, o que ficou
manifesto é que a inovação está em, justamente, voltar o olhar para as
pessoas que frequentam essas bibliotecas, entendendo o usuário como um
sujeito

ativo

no

processo

de

construção

e

avanço

das

bibliotecas

e

considerando as bibliotecas públicas como instituição importante para a
construção da identidade individual e coletiva, além da formação de um
repertório simbólico por meio das leituras que se faz e do espaço que se
compartilha. Sendo assim, o papel do bibliotecário como elo entre a instituição
e a comunidade fica ainda mais fortalecido e evidenciado.
Pelo viés da Apropriação Cultural, o espaço das bibliotecas torna-se local
de lazer e também de refúgio. Como lugar de lazer, onde os gostos e
preferências são considerados e o compromisso é tão somente com a própria
fruição. Na fala de vários usuários21, essa ideia já é uma realidade,
independentemente do tamanho da biblioteca.

Venho duas vezes por semana. Meu lazer é ler. Quando a
biblioteca está fechada, leio pela internet (S13 - AF).

É uma forma de lazer vir à biblioteca. Acaba sendo uma
viagem de lazer pela distância onde moro (S17 - BH).

21

AF: Águas Formosas; BH: Belo Horizonte; RP: Rio do Prado; S: Sujeito

�220

Na família já virou um hábito. É prazeroso, não é uma
obrigação (S38 - BH).

Eu gosto de ler. Também o lazer para as crianças, além de ser
um incentivo para elas crescerem (S39 - BH).

Como professora a gente tem sempre que saber uma variedade de
leitura. Como mãe, é um prazer mesmo. Eu tive uma família que me
incentivou. Trago meu filho, mesmo que ele ainda não leia, e eu leio pra
ele. Estar em contato com o ambiente da biblioteca. Quando retornei
ao Brasil, este foi o primeiro lugar que meu filho veio com a avó
materna. Como ela faz um curso de contação de histórias, viemos num
dia de evento e foi muito importante (S40 - BH).

Já como local de abrigo, a biblioteca é procurada, muitas vezes, por se
mostrar como um ambiente seguro. No entanto, mais que a segurança física,
os usuários relacionaram a biblioteca a um lugar de paz e muitas vezes de
refúgio. Uma segurança emocional.

Adoro entrar aqui, é lugar de paz. Quando estou nervosa
venho pra cá e a raiva passa (S5 - AF).

Os livros, a sensação de paz. Eu amo muito estar neste tipo de
ambiente. Quando preciso desabafar, eu venho para a Biblioteca.
Agora que chegaram os livros de doação eu venho mais (S7 - AF).

Comecei a frequentar a biblioteca com 5 anos. Meu tio trabalhava
e me levava. A convivência com os livros é muito importante. Não sou
de ter muito contato com os humanos, por isso tenho com os
livros (S9 - AF).

A única coisa que acho importante é que, pra mim que sofro uma
perseguição de empresários, aqui tem um descanso (S22 - BH).

É perto da minha casa e silencioso. Trago os materiais (S27 BH).

Depois que eu saí da casa do meu pai e fui pra casa da minha
noiva eu passei a vir mais. Pra mim é uma terapia (S33 - BH).

Venho para meu benefício próprio. Parece até egoísmo, mas o
bem que me faz é muito grande (S35 - BH).

A paz que tem aqui, o silêncio. E também as pessoas que tem
aqui (S50 - BH).

Esse sentido de apropriação fez com que um dos participantes da
pesquisa se referisse à biblioteca como sua própria casa, remetendo a uma
sensação de aconchego e conforto e como um lugar de refúgio também.
Você chega na biblioteca, tem um bom bibliotecário, um acervo de livro
maravilhoso, você não quer sair de lá, você quer morar lá dentro.
Gente, vou acampar aqui! Posso construir uma cabaninha aqui
dentro? (risos). Sério, só pra sair, pegar um livro na prateleira e voltar
pra dentro? É maravilhoso, é uma sensação muito boa, a gente se
sente em casa. Pelo menos a gente que gosta de ler. No caso, eu me
sinto, falo por mim. Eu acho maravilhoso, que a gente se sinta em casa.
Sério, se a gente tem um problema em casa, tipo, alguém treta
com você na rua, você chega na biblioteca, respira fundo assim,
ó, (barulho de respiro), acabou o problema, acabou (Entrevistado 2
- AF).

�221

Como a biblioteca participa de um projeto de transformação social, as
múltiplas formas foram descritas por um dos entrevistados, de forma bastante
peculiar.
Tem gente que vai para estudar, gente que vai lá pra pedir ajuda,
tipo, como inscrever no vestibular? Eu mesmo faço isso. Como
fazer isso? Como fazer aquilo? Me ajuda a fazer as questões do ENEM,
me ajuda a fazer inscrição no SISU, me ajuda a fazer inscrição no
PROUNI. Me ajuda, me ajuda! Eu acho que é um negócio muito
importante, porque, muita gente não tem computador em casa, e
não quer gastar dinheiro ou não tem condições de pagar uma lan
house. Então vai na biblioteca e usa o computador. Se não sabe usar, a
pessoa ajuda. Então, não é só livro literário, embora seja pra mim mais
importante do que pesquisa. Mas, no geral, eu acho muito importante,
porque, assim, tem a parcela de, de, como é que fala? De leitores
que vão lá por livros literários, tem os que vão lá pelo PC, os que
vão para pesquisa, seja lá o que seja. E a parcela que vai lá
estudar, na biblioteca. E tem a parcela que vai usar os
dicionários, pra usar os livros didáticos, que vai lá pra usar as
apostilas do ENEM, que vai lá pra isso e aquilo. É muito
importante porque é a única da cidade, fora a das escolas, né?
Embora tenha, é aquela coisa bem basiquinha. Lembrei da MC Loma,
bem basiquinha22 (Entrevistado 2 - AF).

Essa diversidade de usos da biblioteca pública a coloca em posição de
destaque

dentro

das

tipologias

de

biblioteca

no

que

diz

respeito

à

democratização do acesso e valorização das diferenças. Ainda que a maioria
das bibliotecas brasileiras esteja longe de realizar todo seu potencial, alguns
usuários que participaram da pesquisa reconheceram o trabalho desenvolvido
pelos bibliotecários e pelos funcionários das bibliotecas de suas cidades, o que
nos possibilita refletir sobre a importância do profissional conhecer a
comunidade em que atua e ser próximo das pessoas que lá frequentam.




22

É equilibrado, um bom atendimento, uma bibliotecária que atende bem.
Ela sabe onde está tudo de cabeça. Ela é muito disposta, diz que tal
é bom, tal é bom. E uma variedade melhor de livros. Tem umas
bibliotecas que você chega que ela nem levanta para ajudar. Isso
desestimula tanto, uma bibliotecária chata (S6 - AF).
Eu acho que o mais importante é o interesse dos bibliotecários.
Pois se não for uma pessoa interessada, fica um lugar ruim de ser
frequentado (S11 - AF).

VARELA NOTÍCIAS. Mc Loma explica gírias de Pernambuco: “pra você sair na rua bem
‘basiquinha’ falando”. Disponível em:&lt;http://varelanoticias.com.br/mc-loma-explica-as-giriasde-pernambuco-pra-voce-sair-na-rua-bem-basiquinha-falando/&gt;. Acesso em: 02 dez. 2018.

�222









Quanto mais conhecimento, melhor pra mim. E eu gosto demais
também. O que eu mais gosto é o jeito como eles me tratam.
Muito carinhoso (S12 - AF).
Acho importante ressaltar a qualidade do atendimento dos
profissionais da biblioteca (S18 - BH).
Conheci a Sandra [servidora do setor de Empréstimo] e ela me
orientava a achar os livros policiais. Ela que me apresentou muitas
coisas. Venho aqui há uns 10 anos (S21 - BH).
Proximidade, gentileza e educação dos funcionários, qualidade do
material que me atende (S28 - BH).
Pra mim é um lugar que as pessoas me tratam bem. A gentileza dos
funcionários. As pessoas te atendem bem. A presteza dos funcionários é
o mais importante (S49 - BH).
Eu li por sugestão do Glicélio Travessuras da menina má do Mario
Vargas Llosa. Eu gostei tanto do livro que aprendi espanhol só pra ler no
original. Gostei tanto de ler que estou aprendendo outros idiomas:
francês, inglês e estou aprendendo sozinha o italiano (S34 - BH).
A alma da biblioteca é a bibliotecária. A pessoa que ama os
livros, que cuida dos livros é ela. [...]. Quem movimenta uma
biblioteca são as bibliotecárias. Quem veste a camisa. Elas têm que
entender a realidade para servir aos usuários. Elas que têm fácil
acesso, respeitoso, ser entusiasmada. Eu senti que todas elas foram
tocadas por um verdadeiro sentimento do que é o Braille (S36 BH).

Um bibliotecário, para que esteja próximo de seus usuários, precisa
investir tempo nessa relação, pois é no contato do dia a dia, atento aos gostos
e necessidades de seus leitores, que será possível desenvolver um trabalho
relevante. Observando o trabalho e ouvindo os relatos dos bibliotecários das
bibliotecas visitadas, testemunhamos que, muitas vezes, o mesmo é bastante
solitário. Mas esse trabalho poderia ser compartilhado com colegas de
profissão

em

momentos

promovidos,

especialmente,

por

sistemas

de

bibliotecas, conselho de classe, associações e também pelo diálogo facilitado
pelas interações em cursos de formação continuada.

4 CONCLUSÃO
As tecnologias nos ajudam, pois facilitam e otimizam o trabalho do
bibliotecário, para que reste mais tempo para interagir com as pessoas de sua
comunidade.
As mudanças de paradigma que as bibliotecas têm passado foram formas
inovadoras de se adaptarem às mudanças sociais. Com o paradigma da

�223

Apropriação Cultural, o foco passa a ser o usuário e a relação que com ele se
estabelece. Estar aberto a essa experiência é o primeiro passo que bons
bibliotecários podem dar na direção da construção de bibliotecas mais vivas e
indispensáveis.

REFERÊNCIAS
AZEVEDO, Fabiano Cataldo de. 200 anos da primeira biblioteca pública do
Brasil: considerações histórico-biblioteconômicas acerca dessa efeméride.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 225, abr./jun. 2012.
FERNANDEZ, M. A. A.; MACHADO, E. C. Bibliotecas públicas: um
equipamento cultural para o desenvolvimento local. Recife: Centro de
Desenvolvimento e Cidadania, 2016.
FERRAZ, Marina Nogueira; DUMONT, Lígia Maria Moreira. Representações
sociais de biblioteca pública: a voz dos usuários do interior e da capital de
Minas Gerais. 2018. 172 f. Tese (Doutorado) – Escola de Ciência da
Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.
Disponível em: &lt;http://hdl.handle.net/1843/BUOS-B3UJYQ&gt;. Acesso em: 10
dez. 2018.
MUELLER, Susana Pinheiro Machado. Bibliotecas e sociedade: evolução da
interpretação de função e papéis da biblioteca. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 13, n. 1, p. 7-54, mar. 1984.
OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre
inovação. 3 ed. FINEP, 2006. Disponível
em:&lt;https://www.finep.gov.br/images/apoio-efinanciamento/manualoslo.pdf&gt;. Acesso em: 10 dez. 2018.
PERROTTI, Edmir; PIERUCCINI, Ivete. Infoeducação: Saberes e fazeres da
contemporaneidade. Infoeducação: Acesso e Apropriação de Informação na
Contemporaneidade, out. 2008. Disponível em:
&lt;http://infoeducacaousp.blogspot.com.br/2008/10/infoeducao-saberes-efazeres-da.html&gt;. Acesso em: 02 dez. 2018.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da. Biblioteca pública, identidade e
enraizamento: elaborações intersubjetivas ancoradas em torno da Luiz de
Bessa. 2014. 253f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de
Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,
2014.

�224

TIGRE, Paulo Bastos. Gestão da inovação: a economia da tecnologia no
Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

�225

CAPÍTULO XV
NORMALIZAÇÃO EM TRABALHOS ACADÊMICOS: ATIVIDADES
INOVADORAS PARA UM NOVO SEGMENTO DE ATUAÇÃO
BIBLIOTECÁRIA
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
A formação profissional interdisciplinar adquirida ao longo da trajetória
acadêmica tem proporcionado a definição de profissionais com múltiplas
competências, de modo que a atuação no mercado de trabalho desses
profissionais, em muitos casos, tende a extravasar os fazeres e os espaços de
ocupação tidos como tradicionais. Está inserido nesse contexto, o bibliotecário,
para quem, sua prática tem se estendido a diversos campos de atuação, não
se limitando, tão somente, à prática de organização de acervos, comumente
realizada em bibliotecas e centros de documentação.
O crescimento do mercado de trabalho para o bibliotecário, no Brasil,
tem sido um tema recorrente na literatura, sobretudo a partir da incorporação
das tecnologias digitais nos métodos e técnicas de representação de
conhecimento. Além disso, soma-se o fato de que, com o surgimento do
mercado da informação, a consultoria ou prestação de serviços no ramo
informacional é uma realidade em constante crescimento.
Diversos estudos, nas últimas décadas, mostraram que o bibliotecário
possui capacidade para atuar em atividades diversas, o que evidencia a
demarcação de vários segmentos de mercado. No entanto, a maioria dos
profissionais ainda se limita a exercer atividades no âmbito das unidades de
informação, havendo pouca presença de profissionais que atuam de forma
autônoma e empreendedora, mesmo com as potencialidades oriundas das
demandas informacionais do atual mercado (BAPTISTA, 2000; VALENTIM,

�226

2000; BAPTISTA; MUELLER, 2005; TABOSA; AGUIAR, 2011).
Embora o mercado considerado como tradicional - em que o profissional
vincula-se, normalmente, a uma instituição que demande serviços de
organização e tratamento de documentos – seja o que mais emprega, no
contexto brasileiro, muitos autores acreditam em um futuro promissor para
esse profissional, em que pese a ampliação das práticas profissionais. Nesse
aspecto, o estudo de Santa Anna e Pereira (2014), por exemplo, demonstrou a
participação do bibliotecário nas mais diferenciadas formas de consultoria. Por
sua vez, a inserção do bibliotecário no mercado da informação deve-se,
principalmente, às suas habilidade e competências, como também aos valores
e atitudes que esse profissional precisa adquirir, como relatam Santos e outros
(2016).
Portanto, evidencia-se que o mercado de trabalho da atualidade tem
viabilizado novas oportunidades de trabalho, pois, o bibliotecário além de atuar
nas unidades de informação “[...] pode também atuar em outros campos,
como no ramo cultural, como na gestão da informação em organizações e
ainda, pode atuar em ambiente web [...]” (SANTA ANNA; PEREIRA, 2014, p.
163). Dentre os inúmeros segmentos de mercado, destaca-se a atividade de
normalização, em que o bibliotecário constitui um profissional competente para
realização da normalização bibliográfica (SANTA ANNA, 2017), podendo atuar
de forma independente, por meio da parceria com outros profissionais,
formando grupos de normalizadores (SANTOS; SAMPAIO, 2014).
Sendo assim, este trabalho objetiva apresentar a atuação bibliotecária no
ramo da normalização bibliográfica, destacando o potencial dessa atividade
como um segmento de mercado para o bibliotecário da contemporaneidade.
Para tanto, discute-se a ampliação das práticas bibliotecárias no âmbito da
consultoria informacional; reflete-se sobre conceitos e atividades relativas à
normalização bibliográfica e apresenta relato de experiência de bibliotecário
nesse ramo de atuação.

�227

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 SEGMENTOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL AO BIBLIOTECÁRIO
O mercado de trabalho, nos dias atuais, tem se caracterizado por
constantes mudanças e instabilidades, sobretudo com as transformações
sociais oriundas do uso das tecnologias digitais. Embora essas transformações,
em muitos casos, têm promovido a diminuição da empregabilidade e até
mesmo o desaparecimento de muitas ocupações, evidencia-se a redefinição de
novas formas de trabalho, de modo que, a cada momento, expande-se a
atuação profissional para além dos fazeres e espaços tidos como tradicionais
(BAPTISTA, 2000).
Grande parte das transformações ocorridas no mercado deve-se ao uso
das tecnologias da informação e comunicação, as quais promoveram a
redefinição

das

práticas

de

trabalho,

por

conseguinte,

é

desejável

a

reformulação de perfis profissionais inovadores (VALENTIM, 2000). Para
Baptista (2000), ao mesmo tempo que o avanço tecnológico pode aumentar o
desemprego, por outro lado, ele gera outras possibilidades de atuação por
parte dos profissionais, sobretudo os que lidam com a informação.
O surgimento de novos suportes para abrigar a informação, certamente,
é uma oportunidade de ampliação da prática bibliotecária, o que viabilizou a
esses profissionais exercerem suas competências em diversos segmentos e
instituições, ao atuar no tratamento de documentos em variados formatos e
suportes (SANTOS et al., 2016).
Mesmo diante do surgimento de novas possibilidades de trabalho, os
profissionais são afetados, sobremaneira, “[...] pelo declínio do emprego
formal, pela informatização do ambiente de trabalho, pelo avanço das
tecnologias da informação e comunicação, pelo crescimento do emprego
parcial e precarização do emprego, pela rápida desqualificação do trabalhador,
por processos de reengenharia, terceirização, entre outros [...]” (SANTOS et
al., 2016, p. 19).
Portanto, a atuação profissional no ramo da prestação de serviços

�228

informacionais, também chamada de consultoria informacional, provavelmente,
tende a ser uma atividade que, ao mesmo tempo que proporciona prazer e
satisfação, tende a consolidar-se como um segmento de mercado bastante
demandado, conforme relataram Santa Anna e Pereira (2014).
Isso porque, a atuação bibliotecária no ramo da consultoria em
informação tende a proporcionar
[...] maior flexibilidade, liberdade e, principalmente, estabilidade ao
profissional. Estabilidade porque ao desvincular-se do tradicional
“serviço de carteira assinada”, o bibliotecário expande suas atividades,
consolidando-se como um prestador de serviços. E, essa desvinculação
é necessária, devido ao crescimento exagerado do desemprego,
ocasionado com a globalização, processo esse que, ao mesmo tempo em
que desemprega, aumenta o número de ocupações (SANTA ANNA;
PEREIRA, 2014, p. 163).

Com efeito, a atuação na prestação de serviços em informação, mesmo
que ainda não seja um mercado altamente ocupado, configurando-se como um
mercado de tendências para o futuro, conforme relatado no estudo de Valentim
(2000), observa-se que os profissionais da informação têm investidos na
formação continuada, uma vez que compreendem a necessidade de ampliar as
competências,

de

modo

a

atenderem

as

necessidades

informacionais

requeridas pela sociedade (SANTOS et al., 2016), o que evidencia a
participação mais intensa desses trabalhadores na consultoria em informação.
De modo geral, os bibliotecários, a fim de “[...] manterem-se atrativos para o
mercado e poderem alcançar o sucesso profissional, [...] precisam, de forma
mais exacerbada, caracterizar-se pelo polimorfismo e versatilidade” (SANTOS
et al., 2016, p. 19).
A necessidade atual do mercado tem sido um dos principais fatores que
interferem na busca por novos conhecimentos por parte do profissional, como
também tem sido um motivador na reformulação constante dos conteúdos que
são ministrados nos cursos de formação acadêmica (BAPTISTA; MUELLER,
2005). As competências e habilidades adquiridas por essa formação, seja ela
acadêmica ou continuada, tende a proporcionar a consolidação de um perfil
profissional diversificado, de modo que diversas práticas podem ser realizadas
pelos bibliotecários, com destaque especial, as atividades no âmbito da
organização do conhecimento, tal como a padronização da produção científica,

�229

o que requer um conhecimento acerca de normas e procedimentos para
permitir o acesso e transferência do conhecimento científico, como relato nas
pesquisas de Santos e Sampaio (2014).
No entendimento de Santa Anna (2017), os bibliotecários possuem
capacidade para atuar na normalização bibliográfica, permitindo, por meio
dessa prática, que as informações publicadas atendam a padrões e formatos
uniformes, tendo em vista permitir segurança, conforto e comodidade aos
usuários nos processos de acesso, transferência e uso da informação
acadêmico-científica.
Nesse âmago, a atividade normativa representa um fazer bibliotecário, o
qual pode ser realizado em diferentes espaços, com públicos dos mais
diferenciados. Trata-se, na verdade, de uma prática comumente realizada nas
bibliotecas, mas também pode ser realizada “[...] em outros contextos e
instâncias

para

qual

foi

requerida,

tendo

o

profissional

um

árduo

comprometimento com a organização do conhecimento registrado” (SANTA
ANNA, 2017, p. 70).
Portanto, a normalização bibliográfica caracteriza-se como uma atividade
inserida no âmbito da produção científica (SANTA ANNA, 2017), cujo objetivo
consiste em organizar e facilitar o acesso ao conteúdo abordado nos trabalhos
produzidos nos ambientes de ensino e pesquisa (SANTOS; SAMPAIO, 2014).
No entendimento desses últimos autores, faz-se necessário valorizar o
trabalho de normalização e as normas técnicas, que ajudam a definir e
estruturar ética e esteticamente os trabalhos acadêmicos, sendo que o
crescimento da demanda por serviços de normalização, no âmbito acadêmico,
desperta a formação de equipes especializadas em prestar esse tipo de
serviço, garantindo, dessa forma, a excelência das atividades realizadas
(SANTOS; SAMPAIO, 2014).

�230

2.2

ALGUNS

CONCEITOS

TEÓRICOS

SOBRE

NORMALIZAÇÃO

E

NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
A prática da normalização constitui uma atividade milenar. O ato de
adotar procedimentos uniformes a fim de garantir melhorias na execução de
uma tarefa ou permitir facilidades de uso com algum recurso é considerado
como uma forma inteligente de alcançar resultados mais satisfatórios, sem a
necessidade de despender desgaste ou esforço, seja ele intelectual quanto
físico (OLIVEIRA, 2007).
Inicialmente, a prática da normalização relaciona-se com a padronização
ou ainda a uniformidade. Tal prática, a priori, implica a adoção de padrões,
sendo

esses

considerados

como

medidores

da

qualidade

e

excelência

desempenhada por um produto, tarefa ou processo (OLIVEIRA, 2007).
Portanto,

normalizar

não

é

uma

prática

ilusória,

imprecisa

e

desnecessária, mas, trata-se de uma necessidade que permeia as relações do
homem com o meio ambiente em que convive. É preciso normalizar para que a
interação do homem com os recursos naturais e sociais sejam mais facilitados,
o que confere à normalização um conjunto de ações já realizadas nas
civilizações antigas (SOUTO, 1991).
No

contexto

informacional,

com

o

aumento

da

produção

de

conhecimentos na sociedade, permeada por uma ampliação acentuada do
número de registros do conhecimento, faz-se necessário o estabelecimento de
normas, haja vista garantir um melhor acesso, uso e disseminação da
informação armazenada em diferentes recursos e canais informacionais.
Aqui,
bibliográfica,

o

processo

tem

sua

normativo,
importância

considerado
garantida,

uma

como
vez

normalização
que,

sem

a

normalização, provavelmente, o processo comunicativo seria comprometido.
Normalmente, o trabalho de normalização bibliográfica pode ser realizado pelo
bibliotecário em seu cotidiano de trabalho, principalmente no ambiente da
biblioteca (BATISTA; OLIVEIRA, 2014).
Portanto, um dos locais mais apropriado para a prática da normalização é
a biblioteca universitária, a qual visa a oferecer serviços dos mais variados que

�231

fomentem as atividades universitárias diluídas em meio ao ensino, à pesquisa
e à extensão (ROSSI; COSTA; PINTO, 2014). No entanto, essa prática pode
ser realizada em inúmeros contextos e instâncias, desde que demande de um
profissional competente e comprometido com esse fazer (SANTOS; SAMPAIO,
2014).

3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se, metodologicamente, como uma pesquisa
exploratória, documental e relato de experiência de natureza qualitativa. É
exploratória, pois analisa a literatura até então publicada sobre o assunto;
caracteriza-se como documental, em virtude de considerar informações de
cunho

legislativo

e

institucionais/administrativas

referentes

à

atuação

bibliotecária na normalização; representa um relato de experiência, pois
descreve os principais resultados obtidos por um profissional após sua
formação em Biblioteconomia. Por sua vez, possui natureza qualitativa uma
vez que não se recorre à análise de dados numéricos, quantificáveis, mas a
informações teóricas e práticas.
O estudo bibliográfico foi realizado com base em materiais publicados
(sobretudo na modalidade artigo científico) que versam sobre a ampliação dos
fazeres bibliotecários no mercado de trabalho, com foco na participação desse
trabalhador na prestação de serviços informacionais, sobretudo no âmbito da
normalização bibliográfica. A pesquisa documental recorreu à análise de um
currículo de Graduação em Biblioteconomia, código de ética profissional e
documentos de divulgação do curso em questão. Por sua vez, o relato de
experiência baseou-se nas atividades realizadas por um bibliotecário, de forma
autônoma, desde sua formação acadêmica, no ano de 2012, até a presente
data, ano de 2018.

4 RESULTADOS ALCANÇADOS

�232

Considerando as reflexões propostas por grande parte da literatura,
entende-se que o bibliotecário pode atuar em diferentes segmentos de
mercado, ampliando suas práticas para diversos contextos que demandem
tratamento, organização e disponibilização da informação registrada. Em
virtude dessas discussões teóricas, o relato de experiência que ora se
apresenta expõe as principais atividades realizadas no âmbito do processo de
normalização bibliográfica.
Ressalta-se que as competências e habilidades para o exercício dessa
prática foram despertadas no relator desta experiência, no decorrer de sua
Graduação em Biblioteconomia. Por meio de diversas disciplinas ministradas no
curso em apreço, é possível evidenciar o conhecimento atribuído ao estudante,
acerca das técnicas específicas para normalizar documentos bibliográficos
(quadro 1).
Quadro 1 – Principais disciplinas que contribuem com o exercício da normalização bibliográfica
NOME DA DISCIPLINA
PRINCIPAL OBJETIVO
Normalização da Informação
Capacitar o aluno a reconhecer os diversos
documentos bibliográficos e as técnicas e métodos
de
normalização
propostos
por
órgãos
normalizadores, como a ABNT.
Fontes de Informação
Despertar a capacidade de reconhecimento e
identificação das características principais das
diversas fontes de informação que registram
conhecimento.
Representação Descritiva
Demonstrar o uso das técnicas de catalogação,
tendo em vista o registro de documentos em
acervos bibliográficos nos mais diferenciados
suportes.
Formação
e
Desenvolvimento
de Apresentar o processo dinâmico e relacional do
Coleções
desenvolvimento
de
coleções
em
acervos
bibliográficos, destacando as estratégias para se
gerenciar o acervo de forma relacional, sistemática
e racional.
Fonte: Dados da pesquisa (2017), adaptado de Universidade Federal do Espírito Santo (2012).

Como se percebe no quadro 1, em linhas gerais, as disciplinas
mencionadas garantem o conhecimento das características das diversas fontes
de informação, fato esse que tende a promover no futuro profissional
habilidades

e

competências

específicas

para

reconhecer

essas

fontes,

identificar a forma de normalizá-las, como também, facilita a extração dos
dados e a disposição desses, de acordo com o formato exigido pelos padrões
normativos.

Destaque

especial

à

disciplina

chamada

“Normalização

da

�233

Informação”, ao qual instrui o aluno ao exercício da prática normativa nos
diversos itens informacionais existentes.
Além

do

conhecimento

adquirido

nas

disciplinas,

outro

fator

determinante que viabilizou no relator o interesse pela atividade normativa, diz
respeito à atribuição da atividade normativa como uma das funções inerentes
ao bibliotecário ao integrar-se com o mercado de trabalho. O quadro 2
apresenta

essas

informações,

sob

a

perspectiva

legislativa

quanto

mercadológica.
Quadro 2 – Atividade normativa como uma atribuição ao bibliotecário
PERSPECTIVA
DESCRIÇÃO
Legal (Código de Ética do Bibliotecário) Art.7º – O Bibliotecário deve, em relação aos
usuários e clientes, [...] orientar a técnica da
pesquisa e a normalização do trabalho
intelectual de acordo com suas competências
(CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA,
2002, não paginado, grifo nosso).
Mercadológica (Divulgação do curso de Uma das áreas de atuação do bibliotecário é a área
Biblioteconomia)
da pesquisa, em que o profissional poderá atuar em
centros de pesquisa, no apoio a pesquisadores
(pesquisa bibliográfica, localização e aquisição de
fontes ou dados, normalização) e na pesquisa
aplicada
à
Biblioteconomia
(UNIVERSIDADE
FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2012, não
paginado, grifo nosso).
Fonte: Dados da pesquisa (2017), adaptado de Conselho Federal de Biblioteconomia (2002) e
Universidade Federal do Espírito Santo (2012).

Com efeito, as informações contidas no quadro 2 evidenciam a prática da
normalização como uma atividade que pode ser realizada no âmbito da
consultoria informacional, em que o profissional pode atuar com vínculo
empregatício em uma organização, ou poderá atuar de forma independente,
por meio da prestação de serviços a diferentes usuários, sejam eles pessoas
físicas quanto jurídicas, conforme demonstrado na pesquisa de Santa Anna e
Pereira (2014).
Portanto, a partir das discussões teóricas vivenciadas ao longo da
Graduação, bem como, a partir das descrições inerentes à prática normativa a
ser realizada pelo bibliotecário, conforme documento legal (código de ética) e
mercadológico (divulgação na página da instituição onde o curso é oferecido),
o relator desta experiência inseriu-se no ramo da consultoria em normalização.
Logo de início, as práticas normativas foram direcionadas, tão somente,
a discentes do Curso de Biblioteconomia. A partir dos três primeiros meses de

�234

experiência, os serviços passaram a ser ofertados a profissionais de quaisquer
áreas do conhecimento.
O constante crescimento da demanda por serviços informacionais no
âmago da produção científica, em especial da normalização, despertou a
necessidade

de

divulgação

desses

fazeres,

utilizando-se

de

canais

de

comunicação, tal como afixação de cartazes em instituições acadêmicas, como
também divulgação do trabalho em redes sociais. Com isso, a clientela foi
aumentando, o que provocou a necessidade de firmar parcerias com outros
bibliotecários interessados nessa prática profissional.
Importante atentar que essa parceria não concretizou a formação de
uma única equipe, a serviço dos mesmos serviços demandados. Ao contrário,
cada profissional possui seu próprio negócio e clientes, fomentando indicações
mútuas de clientes quando da impossibilidade de alguém não poder atender as
demandas. Essa colaboração resultou, também, como benefício, a troca de
conhecimento entre os três, nos casos de dúvidas e esclarecimentos sobre a
atividade normativa.
Ademais,

as

atividades

realizadas

exigiram

a

constante

capacitação/aprimoramento do profissional, além de frequente atualização dos
acontecimentos relativos à Biblioteconomia e demais áreas do conhecimento.
Assim, o profissional participou de diversos cursos de especialização, tais
como: normalização bibliográfica; uso das normas ABNT, ISO, VANCOUVER e
APA23; editor de texto aplicado a trabalhos acadêmicos; informática básica e
avançada; revisão textual, linguística e estilística textual; e, por fim, cursos de
atuação

pedagógica.

Destaca-se,

outrossim,

a

participação

assídua

do

normalizador em diversos eventos relacionados à Biblioteconomia e Ciência da
Informação, seja em nível nacional quanto internacional.
Como consequência das demandas e do aprimoramento profissional,
outras atividades passaram a ser realizadas, não se limitando, tão somente, às
práticas de normalização bibliográfica. Assim, na atualidade, são oferecidos

23

Essas quatro instituições caracterizam-se como órgãos normalizadores, inseridas,
respectivamente, em contextos específicos, tais como: no âmbito brasileiro, em nível
internacional, no âmago norte-americano e no contexto dos cursos da área de Psicologia.

�235

serviços de consultoria acadêmica, ou seja, o profissional atua na área de
pesquisa,

oferecendo

serviços

variados

que

favorecem

a

produção,

transferência e uso da informação científica. O quadro 3 resume (por ordem
quantitativa de demanda) os principais serviços oferecidos, os produtos que
recebem esses serviços e alguns usuários solicitantes dos serviços.
Quadro 3 – Principais serviços prestados no âmbito
realização
ORDEM DE
TIPOS DE
PRODUTOS
DEMANDA
SERVIÇOS
GERADOS
OFERECIDOS
1
Normalização
Monografias
e
bibliográfica
artigos
de
graduação,
teses
e
dissertações
2
Revisão
textual Monografias
e
(gramatical
e artigos
de
estilística)
graduação,
teses
e
dissertações
3
Levantamentos
Monografias
e
bibliográficos
artigos
de
graduação,
teses
e
dissertações
4
Lecionamento
Aulas
particulares,
treinamentos e
cursos
de
capacitação
5
Organização
de Catalogação,
acervos impressos indexação
e
e digitais
classificação de
acervos
diversos
6
Elaboração
de Fichas
produtos
de catalográficas e
representação
do etiquetagem
conhecimento
para acervos
Fonte: Dados da pesquisa (2017), elaborado pelo autor.

da produção científica x contexto de
PRINCIPAIS CLIENTES
Graduandos e pós-graduandos
instituições de ensino superior

de

Graduandos e pós-graduandos
instituições de ensino superior

de

Graduandos e pós-graduandos
instituições de ensino superior

de

Graduandos e pós-graduandos de
instituições de ensino; Capacitação
funcional a pessoas jurídicas
Unidades de informação de empresas
públicas e privadas
e acervos
pessoais
Editores e acervos pessoais

A leitura ao quadro 3 permite constatar que os serviços oferecidos são
dos mais variados, sendo que todos eles estão relacionados à produção e
disseminação do conhecimento, seja no âmbito científico, social, institucional
e/ou pessoal. Embora esses serviços estejam relacionados entre si e, na
maioria das vezes são complementares, garantindo o fluxo da comunicação
científica na sociedade, nota-se que a maior procura diz respeito à prestação
dos serviços no âmbito da normalização bibliográfica realizada em trabalhos

�236

acadêmicos, sendo que a maioria dos clientes pertence ao grupo dos
pesquisadores inseridos nos cursos de Graduação e Pós-Graduação, oferecidos
nas instituições de ensino e pesquisa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As discussões teóricas apresentadas pela literatura investigada neste
trabalho em conjunto com as descrições oriundas de documentos legislativos
quanto institucionais, como também o sucesso obtido na prestação de serviços
de consultoria na produção científica são suficientes para constatar que a
prática da normalização bibliográfica pode constituir, na atualidade, como um
segmento de mercado promissor para o bibliotecário.
Por meio da experiência relatada neste trabalho, desmistifica-se a
percepção de que os bibliotecários são capacitados a atuar, tão somente, nos
serviços tradicionais oferecidos em unidades de informação. Evidenciou-se que
a

formação

profissional

e

continuada

são

fatores

determinantes

na

consolidação de competências e habilidades para o exercício da prestação de
serviços no ramo informacional, sobretudo na normalização bibliográfica.
Que esses resultados possam estimular os bibliotecários a preencherem
as demandas existentes no mercado, no que tange a essa atuação profissional,
como também que seja reconhecido pela sociedade como um todo, o potencial
desse trabalhador, caracterizado como normalizador da produção bibliográfica.

REFERÊNCIAS
BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER, Suzana Pinheiro Mueller. Considerações
sobre o mercado de trabalho do bibliotecário. Informacion, Cultura y
Sociedad, Buenos Aires, n. 12, p. 35-50, 2005. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/976/2/ARTIGO_ConsideracoesMer
cadoTrabalhoBibliotecario.pdf&gt;. Acesso em: 25 abr. 2017.
BAPTISTA, Sofia Galvão. Profissional da informação, autônomo ou empresário,
novas perspectivas de mercado de trabalho. Perspectiva em Ciência da

�237

Informação, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 91-98, jan./jun. 2000. Disponível
em: &lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/550&gt;.
Acesso em: 28 abr. 2017.
BATISTA, Rafael Rodrigo do Carmo; OLIVEIRA, Rafael Alves de. O ponto e o
parêntese: uma avaliação de serviços eletrônicos para a elaboração de
referências. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.
19, n. 2, p. 245-259, jul./dez. 2014.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução CFB n. 42, de 11 de
janeiro de 2002. Dispõe sobre o Código de Ética do Bibliotecário. Disponível
em:
&lt;http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://www.medici
na.ufmg.br/biblio/arquivos/2011/Anexo01_29_07_2011.pdf&amp;gws_rd=cr&amp;ei=LJ
n_WJ6gJYnAwASa9YeABQ&gt;. Acesso em: 25 abr. 2017.
OLIVEIRA, B. M. J. F. Conversa sobre normalização de textos
acadêmicos. João Pessoa: Ed. Universitária UFPB, 2007.
ROSSI, Tatiana; COSTA, Marília Damiani; PINTO, Adilson Luiz. Competências
requeridas aos bibliotecários na prestação de serviços de informação em
bibliotecas universitárias. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 111-123, jan./jun. 2014. Acesso em: 25 abr.
2016.
SANTA ANNA, Jorge. Normalização bibliográfica no âmbito da transferência da
informação: de um fazer técnico a uma atuação humanista. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 22, n. 1, p. 61-76,
dez./mar. 2017. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1270&gt;. Acesso em: 25 abr.
2017.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação
bibliotecária: o bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173,
jul./dez. 2014. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/956/pdf_96&gt;. Acesso em: 25
abr. 2017.
SANTOS, Priscila Reis dos et al. Inserção no mercado de trabalho e a
empregabilidade de bacharéis em Biblioteconomia. Perspectivas em Ciência
da Informação, Belo Horizonte, v. 21, n. 2, p. 14-32, abr./jun. 2016.
Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v21n2/1413-9936-pci-21-0200014.pdf&gt;. Acesso em: 25 abr. 2016.
SANTOS, Mara Roxanne de Souza; SAMPAIO, Denise Braga Sampaio.
Normalização na prática: um breve relato sobre normalização e a experiência
do grupo de normalizadores. InCID: Revista de Ciência da Informação e

�238

Documentação, Ribeirão Preto, v. 5, n. 1, p. 151-165, mar./ago. 2014.
Disponível em: &lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/64890&gt;. Acesso
em: 25 abr. 2017.
SOUTO, Franklin Claudio Rache. Uma visão da normalização. Rio de Janeiro:
Qualitymark, 1991.
TABOSA, Hamilton Rodrigues; AGUIAR, Terezinha Pereira. O atual mercado de
trabalho para o bibliotecário no estado do Ceará. Biblionline, João Pessoa, v.
7, n. 1, p. 84-98, 2011. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/viewFile/9928/5798&gt;.
Acesso em: 26 abr. 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Curso de Biblioteconomia.
2012. Disponível em: &lt;http://www.biblioteconomia.ufes.br/%C3%A1reas-deatua%C3%A7%C3%A3o&gt;. Acesso em: 25 abr. 2017.
VALENTIM, Marta Ligia Pomim. Atuação e perspectivas profissionais para o
profissional da informação. In: VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Org.).
Profissionais da informação: formação, perfil e atuação profissional. São
Paulo: Polis, 2000. p. 135-152.

�239

CAPÍTULO XVI
ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA NA GESTÃO DE UM SISTEMA DE
BIBLIOTECA: IMPLANTAÇÃO DE UM MODELO DE ESTÁGIO PARA A
COMPETÊNCIA INFORMACIONAL
Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Rosemary Tofani Motta
Silvana Aparecida dos Santos

1 INTRODUÇÃO
A

Biblioteca

Universitária

(BU)

sempre

se

constituiu

um

espaço

privilegiado para contribuir efetivamente para a formação dos alunos. As BUs
têm como missão o apoio ao ensino, pesquisa e a extensão. E é dessa forma
que, ao longo dos anos, os bibliotecários vêm se desenvolvendo e dinamizando
produtos, serviços e até mesmo reestruturando divisões e setores das
bibliotecas,

para

acompanhar

a

evolução

atual,

e

assim,

prestar

um

atendimento de qualidade para a comunidade acadêmica e sociedade em
geral.
E, pensando assim, na atuação de uma gestão de um sistema de
bibliotecas, que surge a ideia de implantação de um projeto de ensino e
pesquisa fruto de uma parceria entre a BU, a Pró-Reitoria de Extensão e a
Escola de Ciência de Informação, desenvolvido com a finalidade de tornar a BU
um espaço de educação para a competência informacional. Com essa ação,
pretendeu-se beneficiar docentes e discentes da Graduação e Pós-Graduação.
No desenvolvimento desse programa, os que denominados alunosestagiários assumem com responsabilidade e comprometimento a condução do
seu processo de aprendizagem a partir do desenvolvimento das habilidades
fundamentais que são: aprender a aprender; a integração, em termos de
formação prática, aperfeiçoamento técnico-cultural, científico e relacionamento
humano; articulação prática/teoria/prática (COSTA et al. 2011).

�240

Essa parceria visou a capacitação técnica e o desenvolvimento de
competências para o exercício da profissão ou fins de preparação para o
trabalho e para o exercício da cidadania.
Este

artigo

visa

relatar

os objetivos desse

projeto24

na BU da

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sendo essa biblioteca a
coordenadora técnica do Sistema de Bibliotecas da UFMG (SB/UFMG) e se
contextualiza como instituição dinâmica que oferece espaços para a prática da
referida competência informacional, direcionada a todos os segmentos da
comunidade universitária e, em especial aos alunos da Escola de Ciência da
Informação.
A BU é um órgão suplementar vinculado à Reitoria, responsável
tecnicamente pelo provimento de informações necessárias às atividades de
ensino, pesquisa e extensão da universidade, como também pela coordenação
técnica, administração e divulgação dos recursos informacionais das 25
bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas da UFMG.

2 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO LABORATÓRIO DE FORMAÇÃO
COMPLEMENTAR
A BU, para o cumprimento de sua missão, possui divisões e setores
técnicos (ou atividades) que são verdadeiros laboratórios de conhecimento e
aprendizagem para os egressos dos cursos da Escola de Ciência da
Informação/UFMG e áreas afins. E, de acordo com seu organograma (anexo
1), são essas as divisões e setores técnicos:
Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras: responsável pelo tratamento
técnico dos acervos especiais como: a Coleção Faria Tavares, o Acervo Curt
Lange, a Coleção de Obras Raras, que reúne documentos, livros, periódicos,
mapas, correspondências e fotografias do século XVI ao século XX; a
Patrologia Migné, que abrange textos de filosofia patrística editados em latim e

24

Alterações no projeto, na gestão que o implantou e gestões posteriores não serão tema
deste artigo.

�241

grego; a Coleção Linhares – publicações periódicas editadas em Belo Horizonte
de sua fundação até a década de 1950; entre outras preciosidades.
Divisão de Formação e Desenvolvimento do Acervo: responsável pela
aquisição centralizada de periódicos nacionais e controle da aquisição
descentralizada de material bibliográfico da UFMG, controle patrimonial do
acervo do Sistema de Bibliotecas, doações e transferência de material
bibliográfico e desenvolvimento de política de acervos para o Sistema de
Bibliotecas/UFMG. Essa Divisão possui o Setor de Intercâmbio, responsável
pela aquisição de material bibliográfico em qualquer suporte físico, por meio de
doação ou permuta, seleção do material recebido e repasse às Bibliotecas do
Sistema a outras instituições.
Divisão de Tratamento e Tecnologia da Informação: responsável pela
supervisão, controle e registro dos dados bibliográficos da Base de Dados do
Sistema de Bibliotecas usando o Sistema Pergamum e com prática de
atividades técnicas e manuseio de instrumentos de apoio ao tratamento
técnico da informação (catalogação, classificação e indexação); apoio às
bibliotecas no uso e instalações de software (tais como: Scifinder Scholar 2007
- Chemical Abstracts, Oracle, Linux, Pergamun e outros) utilizados para o
gerenciamento da tecnologia da informação no Sistema de Bibliotecas. Essa
divisão, após o ano de 2014, passou por uma nova estruturação e conta,
atualmente, com três setores25: o Setor de Apoio à Catalogação, Setor de
Tecnologia da Informação (automação) e Setor de Suporte de Hardware e
redes.
Divisão de Planejamento, Gestão e Apoio a Projetos: responsável pelas
informações técnicas e gerenciais referentes ao Sistema de Bibliotecas,
assessoramento à Diretoria da BU no planejamento e gestão a partir do
fornecimento

25

de

informações

gerenciais

Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/ditti/&gt;.

relativas

à

organização

e

�242

administração da BU/Sistema de Bibliotecas; apoio ao desenvolvimento de
projetos e programas para o Sistema de Bibliotecas.
Divisão de Comunicação: responsável pelos serviços de informações da BUSB/UFMG tais como o Boletim Conexão, o Sítio da BU, bem como as
orientações às Bibliotecas do Sistema no que tange à divulgação da BU e do
Sistema de Bibliotecas.
Divisão de Gestão em Inovações Tecnológicas: envolve três setores/
atividades: 1) Setor de Apoio ao atendimento do Portal da CAPES na
UFMG: responsável pelo treinamento, capacitação de usuário do SB/UFMG,
apoio no agendamento de treinamentos na instituição; perguntas e respostas e
também contatos com o Helpdesk da CAPES na UFMG; 2) Setor de Apoio às
Bibliotecas-Polo da Educação à Distância, em parceria com o Centro de
Apoio

à

Educação

a

Distância

(CAED)

da

UFMG:

responsável

pelo

desenvolvimento de políticas para as bibliotecas e controle patrimonial do
acervo da UFMG nos polos de apoio presencial, assim como o planejamento de
serviços realizados por bibliotecas na educação a distância; acompanhamento
e supervisão dos serviços oferecidos a distância aos usuários de bibliotecas;
estabelecimento de procedimentos de atuação para as bibliotecas-polo perante
a organização de serviços a distância; organização do teletrabalho no setor de
bibliotecas e trabalho em equipes multidisciplinares, apoiando a educação a
distância; 3) Setor de Apoio à Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
na UFMG: responsável pela inserção das teses e dissertações defendidas na
UFMG na base de dados da BDTD/UFMG, para compor a base nacional de teses
e dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), na Network Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD),
divulgando e disponibilizando, na íntegra, a produção científica da UFMG em
rede mundial.
Centro de Extensão da Biblioteca Universitária: criado por iniciativa da
Diretoria da BU em 2008, e aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão UFMG,

�243

objetiva o apoio à realização de ações extensionistas desenvolvidas na/pela
BU. As ações de extensão são de significativa importância ao estabelecerem
um elo entre a universidade, bibliotecas e a sociedade, permitindo, além da
integração entre conhecimento acadêmico e conhecimento popular, estarem
associadas aos movimentos e às necessidades de diferentes setores sociais
efetivando, desse modo, a inclusão e a democratização do saber acadêmico.
Na BU-SB da UFMG, o Centro de Extensão tem como função proporcionar um
ambiente de interação entre os funcionários e usuários, fortalecendo as
Bibliotecas do Sistema em seu papel primordial de apoio ao ensino, pesquisa e
extensão junto à sociedade.

2.1 SERVIÇOS OFERECIDOS
A BU-SB/UFMG oferece os serviços: Consulta (local, por telefone,
correspondência, fax, e-mail, web); Empréstimo (domiciliar, entre bibliotecas);
Levantamento bibliográfico (manual e automatizado); Visitas orientadas;
Comutação bibliográfica; Orientação e normalização bibliográfica; Treinamento
de usuários; Alertas, Sumários correntes e Boletins Informativos; Exposições e
promoção de eventos. Também oferece, sistematicamente, programas de
capacitação dos usuários com o objetivo de habilitá-los na utilização das fontes
de informação, em formato eletrônico, disponibilizadas para a comunidade
acadêmica da UFMG. Programas como o Pró-Multiplicar da Capes que, por
meio de parcerias entre a Biblioteca Universitária e a Pró-Reitoria de PósGraduação objetivaram preparar os pós-graduandos para acesso à pesquisa
acadêmica e ampliação da utilização do Portal de Periódicos26. Essas atividades
podem se tornar um campo fértil para o desenvolvimento de estratégias de
aprendizagem continuada à formação básica do profissional.

26

O Programa Pró-Multiplicar se fundamenta em treinamento ministrado pela Capes na
instituição aos alunos bolsistas de Mestrado e Doutorado que, sob a coordenação de professor
e bibliotecário, na instituição, ficam responsáveis por repassar o conhecimento sobre o Portal
de Periódicos a alunos de Graduação e Pós-Graduação. Atualmente, o referido programa se
encontra descontinuado.

�244

O Sistema de Bibliotecas atende tanto os usuários da comunidade
interna (alunos do ensino fundamental, médio, técnico, graduação, pósgraduação, professores, pesquisadores e funcionários), como os usuários da
comunidade externa – de outras instituições, pesquisadores, alunos de
intercâmbio e demais visitantes. A média anual de empréstimo domiciliar é de
500.000 exemplares, para cerca de 70.000 usuários.
A BU-SB/UFMG se constitui, portanto, como unidade de significativa
relevância em seu espaço de atuação. Inserida no ambiente universitário como
apoio ao ensino, pesquisa e extensão, possui um corpo profissional altamente
qualificado e em aprendizagem contínua que se destaca no acompanhamento e
no

atendimento

qualificado

aos

seus

usuários

(em

todos

os

níveis),

proporcionando o acesso à informação confiável e em tempo hábil, o
tratamento e a guarda do acervo utilizando tecnologias de informação e de
ponta na área.
Embora a BU e as bibliotecas da Universidade recebam muitos alunos
para a prática do estágio supervisionado ou estágio curricular, essas atividades
são desenvolvidas isoladamente com certa autonomia tanto na definição de
locais e atividades quanto na elaboração de projetos, respectivamente, pelos
próprios discentes e orientadores, sem uma contextualização ou envolvimento
político-administrativo da coordenação da BU–Sistema de Bibliotecas.
Dessa forma, pretendeu-se apresentar a BU-Sistema de Bibliotecas,
como

um

espaço

próprio

à

prática

de

atividades

que

favorecem

a

complementação da capacitação técnica do futuro bibliotecário, bem como a
ampliação

das

relações

interpessoais,

a

troca

de

experiências,

o

desenvolvimento de um olhar crítico e da ética profissional.
Conforme GOMES (2008),
[...] nas atividades de acesso ao conhecimento estabelecido, ao
conhecimento registrado, os educadores, os espaços informacionais e
seus agentes são os mediadores que transmitem as informações
disponíveis, realizando, assim, as práticas informacionais.

Considera-se, então, que para o aluno, perpassar por todos esses
espaços de informação e suas práticas na BU–Sistema de Bibliotecas da UFMG
é, de

fato, uma experiência que

enriquecerá sua atitude

profissional

�245

estabelecendo a articulação e a interseção entre a informação, a comunicação
e a educação, a partir das quais se torna possível a geração de saberes
(GOMES, 2008).

3

COMPOSIÇÃO DO PROGRAMA: BASES REFERENCIAIS
Na UFMG, de acordo com a Resolução CEPE 02/2009 de 10/03/2009 27,

são

considerados

tipos

de

estágio:

Estágio

como

atividade

curricular

obrigatória; Estágio como atividade curricular optativa; Estágio como atividade
de enriquecimento curricular.
O estágio é uma importante fase da vida acadêmica estabelecendo-se
como o primeiro contato do aluno com o dia a dia das organizações e do
exercício profissional. É um momento próprio, no qual o aluno coloca em
prática o conhecimento teórico adquirido ao longo do curso, bem como, a
partir de um olhar crítico, tem oportunidade de avaliar as ações desenvolvidas
no local definido para realização dessa etapa, em relação à teoria e às
necessidades reais das organizações.
Portanto, a BU–Sistema de Bibliotecas se propôs a estabelecer a parceria
com a Pró-Reitoria de Extensão e Escola de Ciência da Informação da UFMG
para realização do Estágio curricular, assim como ampliá-la para outras
modalidades, a saber: Estágio como atividade curricular optativa e o Estágio
como atividade de enriquecimento curricular. Para realização desse propósito,
a BU apresentou as linhas gerais de um programa de estágio com ênfase:
-

Na aprendizagem em situação de trabalho onde o aprender e o
ensinar se incorporam ao cotidiano das organizações e ao processo de
trabalho, ou seja, as experiências de natureza teórica/conceitual terão

27

Considera o que determina a Lei 11.788 de 25/09/2008. Dispõe sobre o estágio de
estudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT,
aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996; revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de
março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o
art. 6o da Medida Provisória no 2.164-41, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências

�246

como finalidade a qualificação teórica metodológica dos serviços em
prática;
-

Na facilitação de transformações nas práticas profissionais e na
organização do trabalho à luz da problematizarão das experiências
cotidianas e coletivas;

-

No compromisso com as metodologias ativas de educação criando
espaços ao desenvolvimento investigativo no âmbito dos serviços de
gestão da informação.

A BU-Sistema de Bibliotecas da UFMG disponibilizou, então, os seus
espaços do fazer bibliotecário para a realização de práticas profissionais dos
alunos da graduação em Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e programa
de Pós-Graduação em Ciência da Informação, da Escola de Ciência da
Informação.
Para atender a essa finalidade, sugeriu-se a realização de atividades que
demandassem um maior grau de envolvimento do aluno inclusive a aquisição
de conhecimentos específicos para contribuir com os objetivos da biblioteca no
aperfeiçoamento,

na

criação

ou

na

implementação

de

atividades/serviços/ações.
O estágio tem como finalidade proporcionar o desenvolvimento de
atividades e ações que aliem a teoria e a vivência prática com autonomia e
elevado compromisso social, profissional, ou seja, permitindo aos egressos, da
Graduação ou da Pós-Graduação, a condição de sujeitos do processo de
aprendizagem.
especialização
bibliotecas,

Caracteriza-se,
para

centro

alunos
de

pois,

como

recém-formados

documentação

e

um
nas

aperfeiçoamento,
atividades

instituições

afins,

uma

chave
quer

de

sejam

administrativas, técnicas ou de pesquisa.
O programa de estágio foi desenvolvido contemplando cinco áreas ou
núcleos de atividades específicas: Administração e gestão; Processamento e
tratamento técnico da informação; Inovações tecnológicas; Acervos e coleções
especiais; e Qualidade e atendimento aos usuários. A opção pelo núcleo deverá

�247

ser requerida pelo candidato no momento de inscrição ao Estágio a partir de
uma carta de intenção concorrendo, assim, às vagas destinadas àquele núcleo.

4 OBJETIVOS DO PROGRAMA
Em linhas gerais, os objetivos do Programa foram:
- Capacitar o aluno estagiário na prática cotidiana de uma biblioteca de modo
que o mesmo assuma, sob orientação específica, o desempenho profissional de
acordo com as exigências e necessidades próprias do ambiente institucional de
um sistema informacional;
- Integrar as questões teóricas às questões práticas, vivenciadas ao longo do
curso, possibilitando a construção de conhecimento significativo pela ação–
reflexão–ação;
- Realizar atividades que aprimorem a prática profissional, integrando ensino,
pesquisa e extensão.
Enfim, a finalidade principal da proposta foi a capacitação do alunoestagiário de modo que o mesmo pudesse desenvolver um processo formativo
crítico, reflexivo
conhecer,

e

pesquisar

participativo;
e

aplicar

compartilhar
técnicas

de

experiências e
gestão

de

reflexões;

informação

e

conhecimento; criar, experimentar, produzir e disseminar coletivamente os
conhecimentos adquiridos nessa etapa.
A aprendizagem organizacional é abordada sob diversos focos, com
pontos convergentes relacionados à idéia da aprendizagem resultante da
experiência individual, das trocas de experiência e inter-relações entre
as pessoas e os grupos na organização, assim como a criação de
ambientes organizacionais favoráveis às práticas de aprendizagem
(GONÇALVES ZANGISKI et al., 2010, p. 1).

5 MODELO DA IMPLANTAÇÃO DA PROPOSTA
O modelo para implantação e desenvolvimento das ações do programa
teve como princípio básico a integração teoria/ensino/prática com momentos

�248

de atividades comuns como aulas, seminários, rodas de discussão, oficinas
pedagógicas, estudos de caso, dentre outras.
Nos momentos de prática, foi proposta a execução das atividades de
estágio nos locais de trabalho específicos ou locais de exposição de cada
núcleo temático.
Entendeu-se ou configurou-se como ambiente de exposição os locais e
áreas de desenvolvimento do programa em cinco núcleos principais:
-

Administração e gestão;

-

Processamento e tratamento técnico da informação;

-

Inovações tecnológicas;

-

Acervos e coleções especiais;

-

Qualidade e atendimento aos usuários.

Pretendeu-se o uso de ferramentas de Ensino a Distância para módulos
específicos de aquisição de conhecimentos, que poderiam ser totalmente a
distância ou módulos híbridos (contemplando também atividades presenciais).
Para o desenvolvimento e acompanhamento das atividades teóricas e
práticas, pretendeu-se o envolvimento de profissionais docentes da Escola de
Ciência

da

Informação

e

bibliotecários

da

BU-SB/UFMG

especialmente

dedicados a esse trabalho. Os docentes orientadores e os tutores técnicos
ficaram

responsáveis

pelo

acompanhamento

do

aluno-estagiário,

planejamento, discussão e avaliação das atividades teóricas e práticas.
As atividades práticas foram programadas para serem desenvolvidas nas
bibliotecas do SB/UFMG, de acordo com as especificidades de cada núcleo
temático.

a) Duração do Programa, Clientela e Seleção dos candidatos
Estágio Profissional: A duração dos estágios teve como carga horária
prevista entre o mínimo de 60 ao máximo de 200 horas.

�249

A sugestão para essa proposta foi de uma carga horária semanal de 12
horas, sendo oito horas de trabalho efetivo e quatro horas para estudo e
atividades pedagógicas envolvendo rodas de discussão, seminários, entre
outros.
O público-alvo constituiu-se dos alunos do curso de Biblioteconomia a
partir do quinto período sendo que, para os estágios com carga horária de 200
horas, os alunos deveriam estar cursando o último período do curso. O
processo

de

seleção

e

encaminhamento

dos

alunos-estagiários

ficou,

inicialmente, sob a supervisão do Colegiado de Graduação. A definição do
número de participantes e a sua distribuição interna entre as bibliotecas do
Sistema da UFMG ficaram sob a coordenação da BU.
b) Parceria e infraestrutura
Propôs-se

que

representantes

da

BU,

das

Bibliotecas

Setoriais,

juntamente com representantes do Colegiado de Graduação e da Escola de
Ciência da Informação estabelecessem essa parceria considerando, como
dimensão

fundamental

em

sua

efetivação

(definição

de

estratégias,

planejamento, execução e avaliação), a participação de todos os envolvidos.
Consideraram-se

como

elementos

essenciais:

a

clareza

das

responsabilidades, os papéis de cada parceiro, o registro e ampla divulgação
de todas as construções coletivas. Com isso, esperava-se garantir o acesso dos
parceiros com sucesso em seus objetos. Assim, o aluno/estagiário teria uma
experiência prática, a partir da realização de atividades de vivência, ensino e
aprendizagem, em acordo com as áreas técnicas estabelecidas pelo Colegiado,
cooperando para o crescimento da instituição por meio da aplicação coerente,
sistemática e mesmo criativa dos conhecimentos adquiridos durante o curso e
de acordo com as necessidades da BU–SB/UFMG. Dessa forma, a parceria
entre a Escola e a Biblioteca permitiria contribuir com a formação de
profissionais qualificados, com vivência e prática, beneficiando a sociedade
como um todo.

�250

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partindo do princípio de que a formação do profissional se completa a
partir da reflexão e da exposição à realidade vivenciada, de modo que o
conhecimento e o saber fazer se construam na tentativa de intervenção e
transformação dessa mesma realidade, pretendeu-se com o desenvolvimento
deste programa:
- Que os alunos-estagiários encarem com responsabilidade, comprometimento,
a condução do seu processo de aprendizagem a partir do desenvolvimento de
uma habilidade fundamental – a de aprender a aprender com a noção da
realização do trabalho sob mediação, sob o foco de uma equipe, interagindo
com as necessidades dos indivíduos, os desafios institucionais e a realidade
vivenciada;
- A integração, em termos de formação prática, aperfeiçoamento técnicocultural, científico e relacionamento humano;
- Articulação prática/teoria/prática e do envolvimento da Escola de Ciência da
Informação da UFMG com a BU e a BU, por sua vez, com o Sistema de
Bibliotecas da universidade;
- Capacitação técnica e o desenvolvimento de competências para o exercício
da profissão ou fins de preparação para o trabalho e para o exercício da
cidadania.
A BU é uma instituição dinâmica que oferece espaços para a prática da
competência informacional, direcionada a todos os segmentos da comunidade
universitária e em especial aos alunos dos cursos de Biblioteconomia, o que
possibilita à BU, manifestar-se como laboratório de aprendizado.
Esse envolvimento pode ser ampliado significativamente para as demais
áreas de Graduação e Pós-Graduação da Ciência da Informação (Arquivologia e
Museologia) como um espaço próprio à prática de atividades que favorecem a
complementação da capacitação técnica do futuro profissional, bem como a
ampliação

das

relações

interpessoais,

a

troca

de

desenvolvimento de um olhar crítico e da ética profissional.

experiências,

o

�251

Desse contato do discente com o exercício profissional, valorizando sua
capacidade técnica, incentivando sua criatividade, mas ao mesmo tempo
supervisionado e orientado, compreende-se que esse Programa seja uma
experiência válida que dê subsídio à formação técnica, humana e inovadora
dos sujeitos. E, nesse contexto, pretendeu-se, também, ampliar e consolidar a
parceria entre a BU-Sistema de Bibliotecas e a Escola de Ciência da
Informação, o que pode despertar nos futuros profissionais, a necessidade e
importância em se formar parcerias, quando da atuação no mercado de
trabalho, de forma a fortalecer, cada vez mais, a prática e a interação
bibliotecária, para benefício de toda a sociedade.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio
de estudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do
Trabalho – CLT [...] e dá outras providências. Brasília, 2008.
CAMPELLO, Bernadete Santos. O movimento da Competência Informacional:
uma perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação,
Brasília, v. 32, n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao/&gt;. Acesso em: 01 mar. 2010.
COSTA, Maria Elizabeth de Oliveira et al. Competência Informacional em
Biblioteconomia e Ciência da Informação: uma proposta de estágio para a
formação do futuro profissional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIENCIA DA INFORMAÇÃO, 24.,
Anais... Maceió: UFAL, 2011.
DECLARAÇÃO de Alexandria sobre competência informacional e aprendizado ao
longo da vida. Competência Informacional. 2010. Disponível em
&lt;http://www.ifla.org/III/wsis/BeaconInfSoc-pt.html&gt; Acesso em: 01 abr.
2010.
GOMES, H. F. Práticas pedagógicas e espaços informacionais da
Universidade: possibilidades de integração na constituição do espaço crítico.
2006. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade
Federal da Bahia, Salvador, 2006.

�252

GONÇALVES ZANGISKI, M.; PINHEIRO, E.; GOUVÊA, S. Uma discussão acerca
do papel da aprendizagem organizacional na formação de competências.
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 38, n. 1, maio 2010. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/ 1016/1344&gt;. Acesso em:
26 ago. 2010.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (FMG). Conselho de Ensino,
Pesquisa e Extensão. Resolução No 02/2009, de 10 de março de 2009.
Regulamenta o Estágio em cursos de Graduação da UFMG e revoga a
Resolução no 03/2006 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Belo
Horizonte: UFMG, 2009.

ANEXO 1
Figura 1 - Organograma da Biblioteca Universitária – Sistema de Bibliotecas

Fonte: site da BU28

28

Disponível em:
&lt;https://cerrado.bu.ufmg.br/bu/images/apresentacoesppt/organograma%20sb%20ufmg.pdf&gt;
.

�253

CAPÍTULO XVII
BIBLIOTECÁRIO ATUANTE NA EDITORAÇÃO DE PERIÓDICO: RELATO
DE CASO NA REVISTA PRÓ-DISCENTE
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
O mercado editorial de publicações tem demandado o aparecimento de
diversas atividades de trabalho, por conseguinte, inúmeros cargos, funções e
até profissionais especializados são requeridos para garantir a efetiva
comunicação e divulgação das informações publicadas em diversos recursos ou
fontes de informação registrada, tais como livros, periódicos, bases de dados,
sejam eles nos formatos impressos quanto eletrônicos.
Com efeito, o trabalho editorial tem se apresentado como um segmento
potencial de empregabilidade em diversas profissões, desde aquelas ligadas ao
desenvolvimento e estruturação das fontes de informação, até aquelas
envolvidas com a disseminação dessas fontes na sociedade. Trata-se de um
campo de trabalho originado em nossos primórdios e que vem se redefinindo
ao longo dos tempos.
Historicamente, ainda no período antigo das civilizações, manifestavamse os trabalhadores responsáveis pela comercialização de manuscritos, os
livreiros, os quais realizavam suas atividades em feiras livres (KNAPP, 1992).
No entanto, nessa época, em virtude da forte censura, as atividades eram
realizadas informalmente, sendo que esse quadro histórico transformou-se
radicalmente, a partir da invenção da imprensa, no século XV, e a partir do
processo de democratização do conhecimento, evidenciado nos séculos
seguintes, como apontou Burke (2003).
Além desses importantes acontecimentos históricos que contribuíram
para o crescimento do mercado editorial, pode-se citar, também, o nascimento

�254

dos periódicos científicos, a partir do século XVII. Os periódicos científicos são
considerados como um dos principais fatores que viabilizaram a explosão
documental vivenciada no século XX e, sua migração para o suporte eletrônico
acarretou, ainda mais, o crescimento das publicações que divulgam os achados
de pesquisas (RODRIGUES; MARINHO, 2009).
Portanto, a reconfiguração do mercado editorial consolida-se, de forma
intensa, com o surgimento do processo de editoração eletrônica, o qual, a cada
dia, redefine as atividades de comunicação, os recursos e ferramentas
utilizadas nessas atividades e, principalmente, o papel desempenhado pelos
profissionais que atuam nesse mercado.
Dentre os diversos profissionais atuantes nesse mercado, destaca-se,
sobremaneira, o bibliotecário, o qual possui competências e habilidades para
identificação, tratamento, organização, recuperação

e disseminação

das

diversas fontes de informação registrada. Logo, nos dias de hoje, observa-se a
ampliação das práticas bibliotecárias realizadas no âmago dos periódicos
científicos eletrônicos, segmento de mercado que viabiliza possibilidades
empreendedoras para esse e outros profissionais, as quais são demandadas
para garantir efetividade no fluxo da comunicação científica no ambiente
digital.
Nesse contexto, há de se concordar que, com a editoração eletrônica,
“[...] simplifica-se o processo, especializam-se as atividades e configuram-se
novas possibilidades de atuação para o bibliotecário, especialmente no que
tange à gestão e normalização de periódicos científicos [...]” (MAIOME;
TÁLAMO, 2008, p. 301, grifo nosso).
Embora a atuação em periódicos científicos venha se fortalecendo, sendo
muito discutida na literatura, é possível identificar um nicho de mercado para o
bibliotecário, ainda pouco explorado. Todavia, sustentamos nossos argumentos
na tese de que, esse profissional, no atual século, pode desenvolver
habilidades empreendedoras, independente do ramo de atuação ou segmento
de mercado que queira intervir e atuar, tendo em vista atender necessidades
específicas do público-alvo. Assim, o bibliotecário é um trabalhador capaz de
“[...] identificar e dirigir necessidades, e que pode implementar, vender, e

�255

avaliar iniciativas” (MATHEWS, 2007, p. 1).
Por decorrência dessas reflexões, apresenta-se este estudo preliminar,
cujo objetivo é apresentar atividades desempenhadas por bibliotecário no
processo de editoração de periódicos eletrônicos, de modo a confirmar as
possibilidades empreendedoras advindas desse contexto de trabalho.
Para

se

atingir

tal

objetivo,

têm-se

os

seguintes

procedimentos

intermediários, que são: 1 – contextualizar o trabalho bibliotecário no âmago
dos

periódicos

científicos

e,

2

-

identificar

possibilidades

de

atuação

empreendedora, haja vista as dificuldades e instabilidades enfrentadas com o
uso das plataformas digitais dos periódicos.
O presente texto versa sobre um relato de caso vivenciado por
bibliotecário junto à equipe editorial da Revista Científica Pró-Discente. O fazer
desse profissional se resumiu a auxílios prestados aos comitês científico e
editorial da revista, com o fim de que os trabalhos publicados apresentassem
melhor qualidade no que tange visibilidade e leitura textual, como também
auxílios na organização da informação disponibilizada na plataforma eletrônica
da revista.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O periodismo pode ser considerado como um dos grandes marcos
históricos na história dos registros gráficos do conhecimento, como também
provocou inúmeras transformações no mercado editorial e na forma com que
as pessoas buscam e acessam informação, sobretudo pelo fato dos periódicos
manifestarem-se como publicações de natureza contínua. No âmago científico,
os periódicos revolucionaram os fazeres científicos, provocando rapidez na
forma de se socializar os achados de pesquisa (RODRIGUES; MARINHO, 2009).
O uso da editoração eletrônica facilitou ainda mais as relações firmadas
entre cientistas, de modo que esse formato de periódico tem se evidenciado, a
cada dia, como a principal fonte de informação para a atualidade (OLIVEIRA,
2008). As peculiaridades desses registros, tais como sua continuidade, aliado

�256

ao crescimento do número de periódicos nas diversas áreas do conhecimento
demandou o uso de técnicas e métodos específicos para garantir o tratamento,
gestão, armazenamento e uso dessas publicações na sociedade (FACHIN;
HILLESHEIM, 2006).
As autoras supracitadas mencionam que as bibliotecas são consideradas
como espaços ou unidades de informação mais apropriadas para armazenar e
tratar

as

coleções

de

periódicos,

e

também

destacam

o

papel

dos

bibliotecários, considerados como profissionais da informação especializados
para tratar as coleções periódicas.
Todavia, a prática bibliotecária junto aos periódicos não deve se limitar,
tão somente, às atividades de organização dessas publicações. Além disso, os
bibliotecários podem atuar, também, no mercado editorial dos periódicos, como
relatado no estudo de Santana (2015, p. 13-14), para quem, a contribuição
desse profissional, no processo de produção editorial de periódicos científicos
permite “[...] tanto a aplicação de conhecimento específicos da área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, bem como de conhecimentos
relacionados a outras áreas profissionais [...]”, apresentando, portanto, uma
maior complexidade e, por conseguinte, exigindo do bibliotecário novas
competências e habilidades.
No

âmbito

da

editoração

eletrônica,

ressalta-se

que

novas

potencialidades são oriundas com esse processo, de modo que o bibliotecário
tende

a atuar

na condução

das etapas editoriais,

por

meio

de

seu

conhecimento em organização das informações no ambiente digital, o que
demanda, além das técnicas tradicionais de representação, o domínio no uso
das ferramentas presentes nas plataformas digitais. Assim, “[...] pensar em
editoração eletrônica é pensar num novo nicho de atuação profissional, abrindo
ainda mais esse leque de oportunidades” (MAIOME; TÁLAMO, 2008, p. 318).
Em

linhas

gerais,

essas

autoras

identificaram

três

importantes

atribuições demandadas aos bibliotecários quanto ao uso das plataformas
digitais que gerenciam os periódicos, que são: 1 - a normalização de
documentos; 2 - a análise de trabalhos técnico-científicos e, 3 - a organização
e gerenciamento de bases de dados virtuais.

�257

Estudo recente desenvolvido por Santana (2016, p. 22) evidenciou que
os fazeres bibliotecários em periódicos eletrônicos, embora ainda pouco
reconhecidos e concretizados, tendem a se tornar um potencial de atuação
desse profissional, o que pode consolidar a prestação de serviços bibliotecários
na gestão das plataformas, bases de dados e de todo o processo e fluxo
editorial demandado desse novo contexto. Assim:
É importante salientar que mudanças hoje observadas no âmbito das
equipes editoriais de periódicos científicos se deram muito em função
das transformações tecnológicas e da importância que os periódicos
assumiram no processo de comunicação e divulgação científica, que
exigem conhecimentos, habilidades e competências cada vez mais
específicos, dada as demandas que se impõem. Essas mesmas
mudanças possibilitam ao bibliotecário desempenhar papéis
estratégicos, bem como assumir funções com níveis maiores de
complexidade e responsabilidade nas equipes editoriais (SANTANA,
2016, p. 22, grifo nosso).

Assim, os bibliotecários, em conjunto com profissionais ligados a áreas
de Tecnologia, Design Gráfico, Comunicação, Marketing, dentre outras,
encontram oportunidades de exercerem atividades profissionais na editoração
eletrônica, uma vez que os sistemas e softwares utilizados nesse processo
precisam ser constantemente monitorados, permitindo que sejam exploradas
as possibilidades que esses recursos podem oferecer (COUTINHO; BUSE,
2014; SANTOS, 2016).
As equipes que atuam na gestão dos periódicos, normalmente, estão
envolvidas em diversas atividades, contempladas nas mais diferenciadas
etapas do extenso fluxo editorial, o que evidencia a presença de práticas
profissionais inerentes à gestão de cunho científico (a análise do conteúdo,
contemplando a avaliação do que será publicado), quanto à gestão de cunho
administrativo, ou seja, processos de trabalho que viabilizam o funcionamento
do software utilizado pelo periódico, quanto outras questões que possam afetar
a disponibilização do que é publicado nas edições (GUIMARÃES; DINIZ, 2014).
Em linhas gerais, na gestão científica, segundo os autores supracitados,
manifesta-se a presença dos editores, avaliadores, corpo editorial científico e o
comitê de política editorial. Por sua vez, a gestão administrativa é formada por
produtores editoriais e gráficos, gestores administrativos e financeiros,

�258

profissionais da comunicação e marketing.
De qualquer forma, para que esse conjunto de atividades diferenciadas
possam ser bem conduzidas e o fluxo da comunicação científica (processo
primordial que permeia o contexto de qualquer periódico científico) se realize
de forma efetiva, “[...] o periódico precisa de uma equipe interna e/ou externa
(terceirizada) consistente e comprometida, além de infraestrutura física e
tecnológica adequada” (GUIMARÃES; DINIZ, 2014, p. 458).
Nesse contexto, evidenciam-se as possibilidades empreendedoras que
podem surgir a partir das necessidades que se manifestam com a implantação
e aceitação, cada dia mais frequente, dos periódicos em formato eletrônico.
Desse modo, os bibliotecários, como outros profissionais da informação, por
possuírem habilidades e competências específicas para lidar com o tratamento,
organização e disseminação de objetos informacionais, como os periódicos,
têm um campo de trabalho promissor, sobretudo no que se refere à consultoria
ou

prestação

de

serviços

informacionais

para

os

periódicos

científicos

(SANTANA, 2016).
Normalmente, as complexidades demandadas nos processos de trabalho
com

os

periódicos

eletrônicos

requerem

a

formação

de

equipes

multiprofissionais, as quais os profissionais atuantes podem ser caracterizados
como empresários da informação, como relatado na obra de Le Coadic (2004).
Nas palavras desse autor, esse grupo é constituído por profissionais da
informação “[...] que criam empresas de fabricação e venda de produtos ou
serviços de informação, o produto da informação pode ser um banco de
informações especializadas, um programa de computador, publicações, índices,
catálogos etc.” (LE COADIC, 2004, p. 108).
Por fim, a editoração de periódicos, sobretudo a eletrônica, manifesta-se
como uma oportunidade viável para oportunizar práticas empreendedoras por
parte dos bibliotecários e demais profissionais que lidam com a informação, de
modo que, novos campos de trabalho possam ser formados, desencadeando ao
bibliotecário, um perfil multidisciplinar, com intervenções direcionadas à
consultoria prestada no amplo mercado da informação (FERNANDES; PIRES,
2012; COUTINHO; BUSE, 2014).

�259

3 RELATO DE EXPERIÊNCIA NA REVISTA PRÓ-DISCENTE
3.1 A REVISTA PRÓ-DISCENTE
O periódico Pró-Discente caracteriza-se como um caderno de produções
acadêmico-científicas, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação
e ao Centro de Educação, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Essa revista científica é adepta ao movimento de acesso livre ao
conhecimento e é editada, por meio de serviços voluntários prestados por
discentes de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, egressos do Programa de
Pós-Graduação e profissionais de áreas correlatas. Tem por objetivos promover
a divulgação da produção acadêmica sobre a educação nas suas múltiplas
relações e contribuir para debates de questões relacionadas com o contexto
educacional em suas diferentes dimensões.
O

periódico

analisado

caracteriza-se

como

especializado

na

área

educacional, priorizando pesquisas interdisciplinares que mantenham relações
com o campo educacional em seus possíveis desdobramentos, contextos e
instâncias da sociedade. Por estar vinculada a um programa de PósGraduação, a revista adota as mesmas linhas de pesquisa do referido
programa. Desse modo, têm-se quatro linhas de investigação, a saber:
diversidade e práticas educacionais inclusivas; educação e linguagens; cultura,
currículo e formação de educadores; e, por fim, história, sociedade, cultura e
políticas educacionais.
O periódico nasceu no ano de 1994, sendo publicado em formato
impresso até o ano de 2009, momento em que passou a ser editado,
exclusivamente, via eletrônica, por meio do software OJS. Em toda a existência
da revista, a periodicidade adotada foi a semestral, sendo que em cada
volume, são publicados entre seis e oito artigos, como também, além desses,
pode haver publicações de resenhas críticas de livros, entrevistas com
especialistas da área, dossiês e traduções inéditas de autores brasileiros e
estrangeiros.

�260

Por caracterizar-se como um periódico científico, adota o processo cego
de avaliação, realizado por pares. Assim, para ser publicado, o manuscrito
perpassa por um processo editorial, realizado por diversas equipes, cada qual
com atividades diferenciadas, porém dependentes uma das outras. Conforme
consta disponibilizado no site do periódico, como também, considerando os
dados coletados na observação participante, constata-se que existem duas
grandes equipes de trabalho: a equipe editorial e o conselho científico.
A equipe editorial é responsável em controlar o fluxo dos manuscritos,
recebendo-os a partir da submissão pelos autores e distribuindo-os para os
avaliadores, os quais compõem o conselho científico. A equipe editorial é
subdivida em quatro grupos, que são: editores chefes (dois pesquisadores da
área de Educação), editores executivos (quatro editores, em que cada um é
responsável por uma linha de pesquisa específica), comitê editorial (treze
profissionais, a maioria pós-graduandos da área educacional e vinculados a
instituições públicas e privadas) e

um comitê assessor (bibliotecário e

educadores especializados em design gráfico). Por sua vez, o comitê científico
é formado por 35 profissionais, a maioria docentes na área de Educação e
vinculados à UFES.

3.2 ATIVIDADES BIBLIOTECÁRIAS REALIZADAS
A vinculação do bibliotecário à equipe editorial oficializou-se no ano de
2014, permanecendo em vigor até o atual momento. A princípio, o profissional
teve que se especializar acerca do sistema utilizado pela revista, uma vez que
as atividades de organização e diagramação das novas edições são realizadas,
exclusivamente, pela plataforma do OJS, conforme demonstrado na figura 1.

�261
Figura 1 – Interface do OJS no âmago do periódico gerenciado pelo bibliotecário

Guias de acesso aos dados do
periódico

Menus para acesso aos status
dos artigos

Menus para acesso a edições e
inserção de novas edições
Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Como demonstrado na figura 1, o bibliotecário foi inserido na equipe
editorial da revista, de modo a exercer diversas funções, principalmente no
que se refere a auxiliar o papel do editor chefe (gestão administrativa) e o
papel do editor gerente (gestão científica).
Em linhas gerais, essas duas funções são sustentadas por inúmeras
atividades, concretizando-se após o processo de avaliação dos manuscritos
enviados à revista. Os manuscritos aprovados pelo comitê avaliador são
encaminhados via plataforma OJS ao editor gerente, sendo que esse
encaminha ao bibliotecário para que seja realizada as atividades de revisão
textual e normalização dos artigos. Após esse processo, manifestam-se as
atividades de tratamento, organização e disponibilização dos documentos (tais
como gestão dos metadados), e, logo em seguida, realiza-se o processo de
diagramação da estrutura que comporá a nova edição. Por fim, a nova edição
da revista é publicada.
A

figura

2

demonstra

as

principais

atividades

de

exclusiva

responsabilidade do bibliotecário, sendo que tais atividades são desenroladas
de forma processual, ocasionando - assim como acontece em outras fases da
editoração em que o bibliotecário não participa – um fluxo interativo, relacional
e contínuo.

�262
Figura 2 – Fluxo das principais atividades de responsabilidade exclusiva do bibliotecário

Envio dos manuscritos
aprovados
ao
bibliotecário

Atividades
revisão

textual

de

Atividades

e

de

tratamento

e

organização dos metadados

normalização

Atividades

de

diagramação

Publicação

de

nova

edição da revista
Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Por meio das análises às figuras supracitadas, evidencia-se que o
bibliotecário atua de forma interativa e multiprofissional com os demais
membros da equipe editorial da revista, como também em parceria com outros
profissionais ligados às áreas de Tecnologia, Design Gráfico, dentre outros.
Enfatizam-se, outrossim, que o bibliotecário exerce, a priori, os papéis de
assessor, junto ao editor da revista, cadastrando usuários, delimitando papéis
aos membros da equipe, melhorando a interface da revista, inserindo e/ou
atualizando as informações disponibilizadas no site da revista, conforme figura
1. Além disso, são delegadas a esse profissional funções exclusivas, de acordo
com suas habilidades na organização da informação. Portanto, essas atividades
constituem as etapas finais do fluxo editorial, de modo que, em linhas gerais,
elas visam melhorar a qualidade da escrita dos artigos, como também, efetivar
o tratamento documentário das publicações e, por fim, elaborar a estrutura
final da nova edição, a qual é, logo em seguida, disponibilizada ao público
(publicada) (figura 2).
Com efeito, essas atividades, de um modo geral, indicam a ampliação
das práticas bibliotecárias, confirmando a atuação do bibliotecário no âmbito
da editoração de periódicos. Essas contribuições ao fluxo do processo editorial,
por serem realizadas em periódico de acesso livre, desencadeou a atuação
voluntária do profissional, no entanto, essas mesmas atividades podem ser
realizadas no âmago dos periódicos de acesso restrito.

�263

Além disso, essas atividades, dependendo da gestão do periódico, podem
ser contratadas por profissionais externos, o que viabiliza possibilidades
empreendedoras para aqueles que desejam inserir-se na prestação de
serviços, ou seja, elas representam um segmento da consultoria informacional.
Ademais, por meio da observação ao trabalho do bibliotecário neste
periódico, evidenciam-se outras atividades mais complexas, que, na maioria
das vezes, não podem ser realizadas pela equipe editorial, o que demanda a
contratação de serviços especializados. Assim, é possível evidenciar algumas
intervenções de consultores nos periódicos, tais como: o monitoramento,
atualização e manutenção da plataforma e do sistema utilizado pela revista; a
construção de bases de dados para incorporar a memória publicada no
periódico; a elaboração de bancos de dados com vocabulários controlados,
tendo em vista facilitar o processo de busca e recuperação da informação; a
migração ou incorporação entre bases de dados, visando melhorias no
armazenamento e recuperação, dentre outras atividades.
Em suma, a editoração periódica nos ambientes digitais é um episódio da
história das ciências e da humanidade que reconfigurou os meios de
comunicação das pesquisas, logo, por estar em processo de consolidação,
desafios surgem com frequência, fato esse que demonstra a origem de novos
campos de atuação por parte de profissionais de inúmeras áreas do
conhecimento,

sobretudo

dos

profissionais

ligados

à

organização

da

informação, como os bibliotecários.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os procedimentos metodológicos utilizados neste artigo demonstraram a
atuação do bibliotecário na editoração de periódicos eletrônicos. Constatou-se
que esse profissional auxilia nas atividades de gestão do periódico, melhorando
a interface da revista e atribuindo papéis aos membros da equipe, como
também desempenha, de forma exclusiva, as atividades de revisão textual e
normalização; tratamento e organização de metadados; diagramação; e, por

�264

fim, publicação de nova edição.
Além dessas atividades, outras mais complexas se fazem necessárias,
como a manutenção do sistema de gerenciamento e elaboração de estratégias
que melhorem o armazenamento da produção científica e acarrete melhorias
no sistema de recuperação da informação.
Em conjunto, essas atividades manifestam-se como possibilidades
empreendedoras para os bibliotecários que podem atuar na prestação de
serviços, tendo em vista resolver os desafios que se colocam no processo de
editoração eletrônica dos periódicos. Que essas evidências despertem a
formação de profissionais especializados, de modo que esse segmento de
mercado seja ocupado pelo bibliotecário, oportunizando ainda mais o mercado
de trabalho para esse profissional.

REFERÊNCIAS
BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a
Diderot. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.
COUTINHO, Ana Josiele Ferreira; BUSE, Juliana. A criação de periódicos
eletrônicos na disciplina de editoração como práticas de ensino. Múltiplos
Olhares em Ciência da Informação, v. 4, n. 2, out. 2014. Disponível em:
&lt;portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/download/2549/1620&gt;
. Acesso em: 27 abr. 2017.
FACHIN, Gleisy Regina Bories; HILLESHEIM, Araci Isaltina de
Andrade. Periódico científico: padronização e organização. Florianópolis: Ed.
da UFSC, 2006.
FERNANDES, Enila Nobre Nascimento Calandrini; PIRES, Erik André de Nazaré.
O bibliotecário consultor: perfil profissional. Biblionline, João Pessoa, v. 8, n.
2, p. 62-73, 2012. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/12285/8638&gt;. Acesso
em: 27 abr. 2017.
GUIMARÃES, Luisa Veras de Sandes; DINIZ, Eduardo. Gestão de periódicos
científicos: estudo de casos em revistas da área de Administração. Revista de
Administração, São Paulo, v. 49, n. 3, p. 449-461, jul./ago./set. 2014.
Disponível em: &lt;200.232.30.99/download.asp?file=RAUSP_v49n3_449461.pdf&gt;. Acesso em: 27 abr. 2017.

�265

KNAPP, Wolfgang. O que é editora. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1992.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. 2. ed. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2004.
MAIOME, Giovana; TÁLAMO, Maria de Fátima. Atuação do bibliotecário no
processo de editoração de periódicos científicos. Revista ACB: Biblioteconomia
em Santa Catarina, Florianópolis, v. 13, n. 2, p. 301-321, jul./dez. 2008.
Disponível em: &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/522/659&gt;.
Acesso em: 26 abr. 2017.
MATHEWS, Brian. O bibliotecário como empreendedor: um projeto para
transformar o nosso futuro. ExtraLibris, 2007.
OLIVEIRA, Érica Beatriz Pinto. Periódicos científicos eletrônicos: definições e
histórico. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 18, n. 2, p. 6977, maio/ago. 2008. Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1701/2111&gt;. Acesso
em: 26 abr. 2017.
RODRIGUES, Jeorgina Gentil; MARINHO, Sandra Maria Osório Xavier. A
trajetória do periódico científico na Fundação Oswaldo Cruz: perspectivas da
Biblioteca de Ciências Biomédicas. História, Ciências, Saúde, Rio de Janeiro,
v. 16, n. 2, p. 523-532, abr./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v16n2/16.pdf&gt;. Acesso em: 27 abr. 2017.
SANTANA, Solange Alves. O bibliotecário e a editoração de periódicos
científicos: fazeres e competências. 2015. 80f. Trabalho de Conclusão de
Curso (Monografia) – Departamento de Ciência da Informação, Universidade
de São Paulo, USP, São Paulo, 2017.
SANTOS, Gildenir Carolino. Processo de criação de um periódico
científico. 2016. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/ppec/article/view/6975&gt;.
Acesso em: 27 abr. 2017.

�266

CAPÍTULO XVIII
CRIANDO SEU PRÓPRIO NEGÓCIO: O BIBLIOTECÁRIO COMO
CONSULTOR INDEPENDENTE
Graciane Silva Bruzinga Borges
Mayara Silva Gonçalves
Filipi Miranda Soares

1 INTRODUÇÃO
As

projeções

de

futuro

para

as

profissões

preveem

grandes

transformações no cenário atual, haja vista o advento da Inteligência Artificial
e do machine learning29. Nesse contexto, as possibilidades de atuação do
bibliotecário são promissoras, principalmente com a criação de seu próprio
negócio e a oferta de produtos e serviços voltados para múltiplos segmentos
do mercado, como o de consultoria independente para pessoas físicas e
jurídicas.
As atividades desempenhadas pelo bibliotecário podem ser observadas
ao longo do tempo, desde a Antiguidade, com a organização da informação em
papiros, até a época atual, com a utilização das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) aplicadas para o avanço da ciência e também para a
gestão da informação corporativa.
Na perspectiva das áreas de Biblioteconomia e da Ciência da Informação
(BCI), ao analisar, organizar e classificar um documento, o ser humano tem
como objetivo, mesmo que indiretamente, sua representação e, como
consequência, a recuperação da informação nele contida, bem como sua

29

O aprendizado de máquina (em inglês, machine learning) é um método de análise de dados
que automatiza a construção de modelos analíticos. É um ramo da inteligência artificial
baseado na ideia de que sistemas podem aprender com dados, identificar padrões e tomar
decisões com o mínimo de intervenção humana.
Disponível em: &lt;https://www.sas.com/pt_br/insights/analytics/machine-learning.html&gt;.

�267

utilização para a geração de novos conhecimentos e para solução de possíveis
problemas.
Para que o processo de recuperação da informação seja eficiente, é
imprescindível que se estabeleça em um primeiro momento sua organização e,
posteriormente, uma representação de forma consistente. A importância
dessas atividades advém da necessidade de o ser humano registrar e tornar
acessível o conhecimento produzido, e que nunca parou de ser criado. Com
isto, o papel do bibliotecário na sociedade é fundamental, considerando que
seu trabalho é essencialmente vinculado à gestão da informação e do
conhecimento.
Nesse cenário, a prestação de consultoria se diferencia por oferecer
diagnósticos aos problemas identificados no mercado e propor soluções
inteligentes para tal. O mercado de atuação desse profissional independente e
autônomo está em crescimento. O fato de ser um campo de atuação novo e
pouco conhecido justifica a pouca representatividade, o que desencadeia em
um espaço vago, sendo muitas vezes desempenhado por profissionais de
outras áreas. Esta realidade é observada atualmente no Brasil, porém, em
países mais desenvolvidos, a situação dos profissionais de consultoria
independente está consolidada. A diferenciação também ocorre no campo de
atuação: no Brasil os bibliotecários estão atuando mais na área de organização
e processamento de coleções e no exterior atuam em maior escala na área de
busca e recuperação da informação (BAPTISTA, 1998; VALENTIM, 1998;
ANNA; GRACE, 2014).
Assim, este

capítulo

tem

por

objetivo

apresentar

um relato

de

experiência de seus proponentes a respeito da atuação do bibliotecário como
consultor independente. Visa ressaltar a relevância desse segmento para o
fortalecimento da classe e discutir algumas possibilidades de produtos e
serviços oferecidos no mercado.

�268

2 O EMPREENDEDORISMO E A CONSULTORIA NA BIBLIOTECONOMIA
Empreendedorismo é um neologismo derivado do verbo empreender,
também

designado

competência

empreendedora,

significando

a

ação

deliberada de realizar ou de tentar realizar algo. O empreendedor estuda a
implementação e o desenho de um negócio, buscando ferramentas e soluções
empresariais para os problemas atuais e futuros30. O primeiro curso sobre
empreendedorismo foi ministrado em 1986, na Harvard Business School,
conforme citação de Larry Farrell, consultor de empresas norte-americano e
autor do livro The Entrepreneurial Age31 (DUARTE, 2011).
Já a pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial em relação ao
The Future of Jobs Report afirma que a resolução de problemas complexos
será a habilidade mais requisitada em 2020 (SCHWAB, 2016). Essa habilidade
é intrínseca às atividades desempenhadas pelo consultor, que visualiza, retrata
o

problema

e

oferece

soluções

em

produtos

e

serviços

comumente

desenvolvidos pelo bibliotecário.
Dessa forma, o perfil do consultor e a maneira com que ele se engaja
com as novas tendências do mercado influenciarão na consolidação de sua
trajetória desde sua formação como bibliotecário. A prática da profissão, a
gestão de projetos e as noções gerais de formalização do negócio são aspectos
também relevantes para um bom desempenho neste segmento, conforme
apresentado nas seções a seguir.

2.1 PERFIL DO PROFISSIONAL
Na

literatura,

profissional

identificam-se

empreendedor.

Em

diversos

geral,

os

estudos
autores

sobre
utilizam

o

perfil
os

do

termos

competência, habilidades, conhecimentos, qualidades e característica da

30

Daniel Nascimento e Silva, consultor e pesquisador em Administração. Fonte: Duarte
(2011).
31
Ver: Revista Exame, Editora Abril, edição 771.

�269

personalidade para identificar esse perfil (BAPTISTA, 2000; GLOSIENE, 2002;
CARDOZO; BARBOSA, 2004; SEBRAE, 2005; DALPIAN; FRAGOSO; ROZADOS,
2007).
Neste trabalho, porém, optou-se pela utilização do termo “competências”
para delinear o perfil do empreendedor. Isto porque subentende-se que não se
trata de “algo” intrínseco ao ser humano, como a personalidade ou qualidade,
mas sim algo que pode ser desenvolvido por cada indivíduo. Dessa forma, com
o intuito de apresentar as competências mais citadas na literatura da área,
identificaram-se algumas competências referentes ao perfil do profissional
empreendedor. Entende-se que tais competências poderão influenciar tanto o
indivíduo como o cliente, sua empresa e também o produto entregue (quadro
1).
Quadro 1 – Perfil do consultor refletindo em diversas áreas
Pessoal
Produtos e serviços
Age com proatividade
Resolve situações problemáticas
Apoia na autoimagem, na cultura da
liderança e na perseverança
Delineia objetivos maiores que o potencial
Trabalha com obstáculos significativos
ou as fontes existentes
Concentra-se na evolução individual
Sabe taxar e vender serviços e produtos
Lida com situações concretas
Foca na flexibilidade e rigor na qualidade
Predispõe-se a manter-se atualizado
dos serviços
Estabelece metas e objetivos que são
desafiantes e que têm significado pessoal
Corre risco calculado
Busca oportunidades e tem iniciativa
Cliente
Empresa
Define tarefas e papéis que criam uma
estrutura clara de organização
Planeja processos
Empenha-se em manter os clientes
Esboça e monitora sistematicamente seu
satisfeitos
negócio
Identifica as necessidades dos clientes
Conhece e explora a qualidade da sua
equipe
Detém boa estratégia de marketing
Fonte: elaborado pelos autores com base em Baptista (2000); Glosiene (2002); Cardozo;
Barbosa (2004); Sebrae (2005); e Dalpian, Fragoso e Rozados (2007).

Uma perspectiva também interessante são os chamados

blended

librarians. De acordo com Lima, Maculan e Borges (2017), essa é uma
expressão que apresenta ao bibliotecário uma ampliação de suas funções,
apontando para um novo perfil de profissional que deve considerar as
seguintes competências: 1) gestor de unidades de informação; 2) mediador de
recursos informacionais; e 3) educador voltado para o desenvolvimento de

�270

competência informacional da comunidade de usuários (neste caso, clientes) a
ser atendida. Assim, as competências do consultor influenciarão na forma
como o profissional trabalha e lida com seus clientes, bem como o escopo dos
produtos e serviços que ele oferece.

2.2 TRAJETÓRIA DE FORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO
A formação do bibliotecário consultor acontece antes, durante e após sua
graduação. As habilidades técnicas adquiridas ao longo do curso dão ao
estudante um panorama prático consistente. Com o foco no estudo das
disciplinas ofertadas na Graduação em Biblioteconomia, Silveira (2012)
apontou que, na região Sul do Brasil, 3/5 dos cursos possuem disciplinas,
cujos conteúdos focalizam a temática do empreendedorismo em suas grades
curriculares. Embora seja a representação de uma pequena parcela dos cursos
oferecidos no Brasil, pode-se inferir que o percentual de disciplinas que
proporcionam ao aluno subsídios para enfrentar o mercado de trabalho quanto
a este aspecto é relativamente considerável. Contudo, ao longo de sua
trajetória,

esse

complementares,

futuro
de

profissional

modo

a

deverá

aprimorar

buscar
suas

por

atividades

formações
e

seu

autodesenvolvimento.
A atualização do profissional é de suma importância, considerando que o
aprendizado deve ser renovado para evitar a obsolescência e a estagnação.
Porém, é necessário traçar um plano de carreira pessoal, que servirá como um
direcionador das ações, evitando atualizações que não contribuem para a meta
predeterminada. Realizar uma autoavaliação das potencialidades e fragilidades
é

fundamental

para

verificar

quais

pontos

devem

ser

aprimorados

e

melhorados, por isto a importância de um planejamento individual, que deve
estar em consonância com o plano de carreira. Geralmente, as atualizações do
bibliotecário acorrem durante cursos, palestras, eventos, especializações e
grupos de discussão.

�271

O processo de elaboração e publicação de artigos em periódicos e a
apresentação de trabalhos em eventos na área também contribuem para uma
reflexão quanto ao estado da arte de determinado segmento, assim como
reforçam o processo de comunicação entre os pares. A aproximação das
universidades com as empresas, instituições e com a sociedade em geral
possibilita a aplicação do conhecimento científico na prática do mercado.

2.3 PRODUTOS E SERVIÇOS
O bibliotecário é capacitado a desenvolver diversos produtos e serviços
na área de organização e tratamento da informação. Tais produtos e serviços,
teoricamente, lhe foram apresentados durante a graduação e podem ser
aplicados no mercado. Nessa área, normalmente, os futuros contratantes não
têm clareza quanto às soluções possíveis para suas demandas informacionais,
embora sejam notórias suas necessidades de organização e gestão.
Por outro lado, ocorre, em alguns casos, que mesmo os próprios
bibliotecários podem não identificar com facilidade a potencialidade comercial
de seu portfólio. Esse fato vem em consonância com Dalpian, Fragoso e
Rozados (2007, p. 104), ao afirmarem que a “área de Biblioteconomia tem,
por tradição, não buscar lucro e como sistemática a ideia de não cobrança de
seus serviços e produtos”. Contudo, entende-se que é sim necessário que o
profissional faça publicidade de seus produtos, a fim de que eles sejam
reconhecidos, bem como que o trabalho por ele desempenhado seja
valorizado.
As opções de produtos e serviços que podem ser oferecidas em uma
consultoria são várias, de forma que o apresentado a seguir não é limitante,
mas sim toma como base um breve apanhado da literatura (CARDOZO;
BARBOSA, 2004; SILVA, 2005; FREIRE; ALAUZO; SPUDEIT, 2017), alinhado
com algumas considerações advindas da experiência profissional dos autores
deste capítulo, tal como segue.

�272

Modelagem de soluções em Arquitetura da Informação (AI): a AI tem
como objetivo proporcionar uma estrutura lógica a fim de ajudar o usuário a
encontrar a informação de que necessita, tornando acessível o que já existe na
organização. Segundo Davenport (2000), o fato é de que as informações
dispersas na organização, originadas de diferentes fontes e armazenadas em
vários formatos, provocam dificuldade de acesso. Assim, a AI pode ser um
modelo para solucionar tais problemas via um planejamento informacional de
sistemas de gestão (LIMA, 2016). Dentro dessa perspectiva, as organizações32,
de modo geral, investem no desenvolvimento de Sistemas de Recuperação da
Informação (SRIs), acreditando que esses sistemas, por si só, podem resolver
os problemas de gerenciamento de dados e de documentos vivenciados
internamente. Tais sistemas têm como função armazenar, recuperar e
compartilhar

informações

estratégicas.

Dessa

maneira,

as

organizações

apostam na possibilidade de reúso de dados e no favorecimento dos processos
decisórios internos. Contudo, as chances de obtenção de soluções de SRI
eficazes não são muito animadoras, considerando um alto índice de projetos
que são planejados e executados de maneira inconsistente e/ou incompleta.
Uma das dificuldades técnicas vivenciadas pelas equipes multidisciplinares de
projetos de SRI é a ausência de metodologia para modelagem de domínio
corporativo. O resultado do processo de modelagem deverá ser refletido na
estruturação do sistema em si e também na elaboração dos instrumentos de
arquitetura que os compõem, atuando, diretamente, na gestão do fluxo
informacional corporativo. Assim, essa é uma das atividades inerentes ao
bibliotecário, que poderá atuar em equipes multidisciplinares em projetos de AI
que

visem

o

desenvolvimento

de

SRIs,

ou

mesmo

a

construção

e

implementação de páginas web.

32

De acordo com o Dicionário de Administração e Negócio, ORGANIZAÇÃO é a “denominação
genérica de empresas, entidades, instituições, firmas, associações, sociedades e outras formas
de organismos públicos e privados, produtores de bens ou de serviços, com finalidades
lucrativas ou não, personalidade jurídica e objetivos diversos, entretanto, sempre voltados
para o desenvolvimento e o bem-estar social [...]” (DUARTE, 2011, p. 802, grifo nosso).

�273

Construção de taxonomia corporativa: por definição, a taxonomia é
considerada uma classificação do tipo sistemática, sendo, no contexto da BCI,
uma ferramenta de organização intelectual que pode ser empregada tanto em
portais institucionais e bibliotecas digitais como em mecanismo de busca
(CAMPOS; GOMES, 2008). Para essas autoras, o processo de organização da
informação realizado por meio de uma taxonomia possibilita a alocação, a
recuperação e a comunicação de informações dentro de um determinado
sistema de maneira lógica por meio de sua funcionalidade de navegação. De
acordo com a norma ANZI/NIZO Z39.19,
Taxonomia Corporativa – Coleção de termos de um vocabulário
controlado constituído por termos preferidos, relacionados entre si e
organizados em uma estrutura hierárquica na qual cada termo está em
uma ou mais relações tipo pai/filho (geral/específico) em relação a outro
termo nessa taxonomia (AMERICAN NATIONAL INFORMATION
STANDARDS ORGANIZATION, 1980, p. 1).

Ainda no contexto da AI, as taxonomias podem ser elaboradas pelo
bibliotecário como artefatos, ou seja, entregáveis previstos em um projeto a
fim de subsidiar o processo geral de modelagem de domínio corporativo. O
principal motivo pelo qual os projetos de AI deveriam ser elaborados nas
empresas deveria ser uma real mudança de comportamento dos colaboradores
na manipulação e no uso dos documentos por meio dos quais o conhecimento
da organização é registrado. Sem esse entendimento, o resultado de tais
projetos

possivelmente

será

negativo.

Gerenciamento

de

informação

pressupõe gestão de mudança, afinal, em um cenário de desenvolvimento de
SRI, seu uso efetivo é (ou deveria ser) o principal objetivo da AI. Na
perspectiva de Davenport (2000, p. 202), para a implementação de uma AI
eficiente

é

necessário

considerar

que

ela

mude

a

maneira

como

os

colaboradores utilizam e lidam com as informações, do contrário não faria
sentido propô-la. Seguindo essa mesma linha, Lima (2016, p. 47) faz uma
análise histórico-conceitual do tema, afirmando que a AI “surgiu como uma
proposta para o design de estruturas informacionais em espaços digitais, e
posteriormente, como uma alternativa de modelo de gestão do conhecimento
nas organizações, e na estruturação de websites”. Assim, entendemos a

�274

influência e a contribuição do bibliotecário, nesse segmento, como de extrema
relevância, haja vista sua formação e capacitação na área de organização e
tratamento da informação.
Elaboração de índice de final de livro: esse tipo de índice diz respeito a
dispositivos tradicionais que fornecem uma visão geral do conteúdo do
documento. Normalmente, consiste nos conceitos mais importantes abordados
em um livro, com indicação para as páginas relevantes. Dessa forma, um
índice é uma lista alfabética de pessoas, lugares, assuntos etc., mencionada no
texto de uma obra, impresso no final do documento (MEKKI; NAZARENKO,
2005; CSOMAI; MIHALCEA, 2007).
Trata-se de um produto, normalmente solicitado e gerenciado pelo
mercado editorial com a participação de equipe de profissionais composta
geralmente pelo bibliotecário indexador. Para sua elaboração, é necessário ter
conhecimento aprofundado da temática relatada no livro, considerando que os
termos e frases devem ser representativos, e fornecerem as relações entre
eles (utilização de remissas). Para seleção dos termos e frases, utiliza-se o
princípio da indexação, comumente conhecido pelos bibliotecários. Os índices
enriquecem o livro, pois se constituem em um instrumento facilitador na busca
de informações pontuais dispersas ao longo do texto, demonstrando, ainda, a
preocupação da equipe editorial em proporcionar ao usuário um produto rico
para busca e recuperação de informações.
Normalização de documentos técnicos e científicos: de acordo com a
Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014, on-line),
[...] a normalização é, assim, o processo de formulação e aplicação de
regras para a solução ou prevenção de problemas, com a cooperação de
todos os interessados, e, em particular, para a promoção da economia
global [...]. Norma é o documento estabelecido por consenso e aprovado
por um organismo reconhecido, que fornece regras, diretrizes ou
características mínimas para atividades ou para seus resultados, visando
à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto [...].

Para esse tipo de serviço, o autor solicita a normalização, conforme as
regras predefinidas pela instituição de ensino na qual o trabalho será
submetido. Esse é um nicho de mercado permanente e aquecido, tendo em

�275

vista o imenso volume de monografias, dissertações e teses defendidas no
ensino superior no Brasil. Caracteriza-se como uma atividade minuciosa, na
qual o profissional deve ter domínio das regras a serem empregadas durante o
processo.
Organização e gestão documental de arquivos: campo de trabalho
desempenhado oficialmente por arquivistas formados; contudo, vale ressaltar
que por muitos anos teve, e ainda tem, lacunas atendidas por bibliotecários
que acabaram por se especializar nesta área. Atualmente, com uma maior
inserção de arquivistas no mercado, essa atuação tem ficado cada vez mais
equilibrada,

abrindo

espaço

para

parcerias

entre

os

profissionais.

As

organizações geram diversos arquivos que inclusive são essenciais para
registro histórico daquela instituição. Os procedimentos de organização (física,
eletrônica e digital) e a definição de tipos de acesso aos acervos e a elaboração
de instrumentos de gestão, como Tabela de Temporalidade Documental (TTD)
e Plano de Arquivo (PA) são produtos inerentes a esse nicho.
Organização,

implementação

e

automação

de

bibliotecas:

tradicionalmente desempenhado pelo bibliotecário que detém conhecimento
sobre o tratamento e a organização da informação dos materiais contidos em
uma biblioteca. Envolve processo de automação e digitalização de acervos,
bem como demanda de hardware e software especializados. O mercado
apresenta editais, principalmente provenientes de instituições públicas, para a
contratação de empresas terceirizadas especializadas nessa área.
Disseminação Seletiva da Informação (DSI): de acordo com Cunha e
Eirão (2012), do termo inglês Selective Dissemination of Information (SDI),
esse serviço era elaborado manualmente com base no acervo local de
periódicos, para a produção de listas selecionadas de títulos e artigos e a
distribuição de resumos a poucos usuários. Para os autores, a DSI pode
produzir um grande problema ou solução, referenciando duas das clássicas
Leis de Ranganathan (1963): “Poupe o tempo do usuário" e "Para cada leitor,

�276

seu livro". Trata-se de um serviço personalizado, de valor agregado e
direcionado para a necessidade particular de cada usuário. Nos últimos anos, a
DSI torna-se, com o aumento da demanda de informação e o crescimento da
tecnologia, um importante instrumento de suporte para as organizações que
desejam difundir informações de maneira prática e ágil. O trunfo da DSI reside
no poder conferido ao usuário em decidir o que deseja ou não receber
(CUNHA; EIRÃO, 2012). Assim, esse é um nicho no qual o bibliotecário
desempenha o serviço de referência, entendendo a necessidade do usuário e
traduzindo-a para uma linguagem documentária que facilite as buscas nas
fontes de informação. Dessa forma, fornece uma recuperação eficiente e
confiável das informações, assim como auxilia na disseminação seletiva da
informação, conhecendo a temática de interesse de seus usuários. As entregas
deste serviço preveem o fornecimento de informações adicionais e atualizações
das novas tendências da temática de interesse.

2.4 ETAPAS DO PROJETO
Há várias possibilidades para o desenvolvimento dos produtos e serviços
mencionados e uma delas é por meio da gestão do Ciclo de Vida de um
projeto. Nesta perspectiva, as metodologias em cascata, ou seja, aquelas que
apresentam linearmente a execução de fases e de etapas a serem cumpridas
uma após o término da anterior, mostram-se interessantes. Nesse sentido,
apresenta-se uma abordagem, composta de cinco fases.
Fase de Iniciação: para Trentim (2016), na fase de iniciação, o Termo de
Abertura autoriza formalmente o projeto. Este documento define os objetivos
do projeto, descrevendo sua necessidade e suas justificativas, podendo incluir
restrições de tempo e de custo, entre outras. Além disso, nomeia e dá
autoridade ao gerente de projeto. O responsável pelo termo de abertura é o
patrocinador do projeto.

�277

Fase

de

planejamento:

envolve

diversos

aspectos,

começando

pelo

engajamento dos stakeholders33 na coleta de requisitos e definição do escopo.
Além disso, o tempo e o custo são especificados no Plano de Projeto nesta
fase, que precisa considerar as comunicações, os recursos humanos, os riscos,
as aquisições e os stakeholders do projeto (TRENTIM, 2016).
Fase de execução: a execução começa mobilizando os recursos necessários
do projeto. Tirar o plano do papel exige muita colaboração e integração.
Durante a execução, o gerente de projeto é o responsável por orientar e
direcionar o trabalho, liderando a equipe do projeto para que as entregas
atendam aos requisitos e aos prazos planejados (TRENTIM, 2016).
Fase de controle: o gerente de projeto também é responsável pelo
monitoramento e controle, por meio de indicadores de desempenho, ações
preventivas e ações corretivas, para garantir que o projeto siga seu curso
dentro dos limites de tolerância. É importante ter um processo formal para
solicitação, aprovação e monitoramento de todas as mudanças do projeto
(TRENTIM, 2016).
Fase de encerramento: o término do projeto ocorre quando todas as
entregas são concluídas ou o projeto é cancelado, também possuindo
processos formais, devendo incluir sempre lições aprendidas, documentação do
projeto, encerramento dos contratos e aceitação final do cliente. Finalmente, o
autor

ressalta,

descontraidamente,

a

importância

de

comemorar

o

encerramento com seus stakeholders e com a equipe (TRENTIM, 2016).
Para o consultor iniciante, vale sinalizar uma estrutura mínima para
pensar no fluxo

de trabalho deste

profissional. Tal estrutura poderá,

futuramente, dar subsídios para a formalização das áreas e dos setores
internos da empresa. Uma modelagem de alto nível pode ser observada na
figura 1.

Stakeholders: conjunto de funcionários, acionistas, fornecedores, sociedade civil e meio
ambiente, considerados organizacionalmente como um todo em constante interação [...]
(DUARTE, 2011).
33

�278

Figura 1 – Fluxo de trabalho

Fonte: Elaborado pelos autores (2018).

Considera-se que o consultor deve traçar estratégias de marketing e
propaganda, metas iniciais de venda, definir sua metodologia de gestão de
projetos e, consequentemente, o ciclo de vida das ações inerentes a este,
assim como estar atento à execução de uma abordagem de pós-venda.

2.5 FORMALIZAÇÃO DO NEGÓCIO
Quanto à formalização do negócio, recomenda-se considerar a opção
pela microempresa ou pelo Microempreendedor Individual (MEI). De acordo
com Duarte (2011), microempresa corresponde a uma organização comercial,
industrial ou prestadora de serviço, de pequeno porte, definida em legislação
específica que lhe concede tratamento jurídico, fiscal e administrativo
diferenciado dos demais tipos de empresas.
Para o Sebrae, o trabalhador conhecido como informal pode se tornar um
MEI legalizado e passar a ter CNPJ, o que facilitará a abertura de conta
bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais (SERVIÇO
BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018a, on-line). Já
para a abertura de um negócio, a instituição recomenda alguns passos para
iniciar bem essa empreitada. Destaca que a abertura e o gerenciamento de
empresas exigem um conjunto de habilidades e conhecimentos e que é preciso
entender o mercado e o público, além de planejar bem o negócio. Uma boa
gestão considera estratégias de marketing, um fluxo de caixa controlado e

�279

passa também por muita criatividade e inovação (SERVIÇO BRASILEIRO DE
APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018b, on-line).

3 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
A GB Consultoria, MSG e Norma Padrão foram criadas por bibliotecários
que trabalham de forma autônoma e também por meio de parcerias. A
proposta desta seção é apresentar alguns aspectos do modelo de negócio das
empresas e a forma como atuam no mercado, bem como exemplificar
situações que decorrem da prática da consultoria, como descrito a seguir.

3.1 A CONCEPÇÃO DA GB CONSULTORIA EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO
A GB Consultoria em Gestão da Informação nasceu da vontade de sua
sócia fundadora em formalizar sua prestação de serviços especializados no
campo da Biblioteconomia, Ciência da Informação e assessoria de pesquisa
científica. Atuando no segmento desde o ano de 2003, a bibliotecária Graciane
Silva Bruzinga Borges, responsável técnica da empresa, sempre acreditou no
potencial da prestação de serviços e na elaboração de produtos de forma
autônoma.
No início do ano de 2016, a partir de um convite de parceria feito pela
então H2P Empreendimentos e Participações, consolidou-se a empresa no
formato MEI. À época, a demanda que se colocava era referente a um projeto
de consultoria no ramo ferroviário, visando ao desenvolvimento de um Sistema
de Gestão de conteúdos internos da companhia. Com o projeto bem-sucedido,
outros contratos se firmaram com empresas de múltiplos segmentos, em
projetos como: capacitação de equipe para elaboração de vocabulário
controlado, elaboração de vocabulário controlado e taxonomia corporativa,
elaboração de termo de referência para edital na área de gestão de arquivos,
dentre outros. Desde então, a GB vem incentivando outros profissionais a se

�280

enveredarem pelo campo da consultoria, haja vista os bibliotecários hoje à
frente da MSG Prestação de Serviços Especializados e da Norma Padrão.
Atualmente, a GB atua em dois pilares fundamentais. O primeiro deles
diz respeito aos serviços especializados para o meio acadêmico, incluindo
normalização de trabalhos científicos; editoração de anais de eventos;
confecção de e-books; realização de pesquisa e localização de dados,
informações e documentos; DSI e assessoria de pesquisa a mestrandos e
doutorandos. O segundo pilar diz respeito ao mercado de consultoria em
organização e tratamento da informação. Normalmente, neste segmento, as
demandas advêm de organizações de médio e de grande porte, especialmente
relacionadas às necessidades de gestão de recursos informacionais internos,
melhoramento

do

fluxo

de

informação,

processamento,

organização,

representação, recuperação e uso de dados. Nesse sentido, é sabido que as
organizações têm como recurso vital para sua cadeia produtiva os dados que
são por elas gerados ou administrados em seus fluxos de trabalho. Esse
conhecimento se encontra registrado em documentos disponíveis em vários
suportes, como os meios físico, eletrônico e digital, o que demanda uma
efetiva gestão. Nesse contexto, a GB atua dando suporte às organizações que
necessitam de projetos que visem ao desenho de soluções de Arquitetura
Corporativa. Assim, é a partir desse tipo de solução, que a camada de AI terá
condições de modelar os sistemas de gestão de conteúdos internos de forma
eficiente e compatível com o modelo de negócio do cliente.

3.1.1 As possibilidades de aproximação entre academia e mercado
Nos

bancos

acadêmicos,

muito

se

fala

da

necessidade

de

as

universidades ultrapassarem os “muros” que, em muitos casos, as fazem
distantes da sociedade. As iniciativas de aproximação entre universidade e
empresa é uma das vertentes que tentam diminuir essa distância, sendo esta
uma das motivações da GB. Atualmente, a empresa vem apostando no estudo
de metodologias científicas aplicáveis ao meio corporativo.

�281

Para tomar qualquer decisão no campo da ciência ou no meio
corporativo, é imprescindível que se tenha por base o maior e mais específico
número de estudos e projetos, semelhantes ao problema em questão, já
realizados e, naturalmente, os resultados já alcançados por meio destes
trabalhos. Desta forma, se contribui para o avanço da ciência e se apresentam
ao mercado as melhores práticas teoricamente fundamentadas na literatura
publicada de cada área.
Assim, a nova vertente apresentada pela GB é configurada pela
proposição de uma aproximação do mercado e da academia, por meio da
oferta de serviço especializado de pesquisa para apoio ao processo de tomada
de decisão no meio corporativo. Este nicho de mercado pressupõe duas
abordagens: 1) as organizações lidam com dificuldades concretas relacionadas
à identificação e escolha de melhores práticas para desenho de soluções; e 2)
profissionais que trabalham nesta área nem sempre podem contar com
metodologias ou instrumentos que auxiliem em projetos de consultoria de
diversos setores da companhia de uma maneira consistente e fundamentada
em bases acadêmicas. Assim, a GB vem inovando no mercado por meio da
oferta de produtos e serviços diferenciados, sempre garantindo a seus clientes
o rigor na manipulação de conteúdos proprietários, respeitando a produção
intelectual e seus direitos autorais. Sua prática é pautada na ética profissional
e em metodologia própria, oferecendo alto padrão de qualidade dos produtos
entregues.

3.2 A CRIAÇÃO DA MSG E A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS
No final da Graduação em Biblioteconomia, no ano de 2015, a
bibliotecária Mayara Gonçalves foi convidada para conhecer os trabalhos
prestados pela GB Consultoria, o que gerou curiosidade e identificação com o
trabalho desenvolvido por bibliotecários consultores. Com apoio e mentoria da
GB, foi criado o CNPJ de microempreendedor individual (MSG Prestação de
Serviços Especializados). Assim, a necessidade de trabalhar inicialmente com

�282

profissionais mais experientes no mercado e a identificação de sua própria
identidade como empresa são abordadas na próxima seção.

3.2.1 Os desafios da iniciação em consultoria e a tratativa com o
cliente
Quando o profissional decide formalizar sua empresa, surgem diversos
questionamentos e dúvidas. Primeiro, a responsabilidade solitária de expor o
nome e representar uma classe de profissionais. E, no caso da MSG, ser criada
por uma bibliotecária recém-formada, que detinha conhecimentos teóricos e
vislumbrava possibilidades de aplicação no mercado, porém não possuía
experiência, naquele momento, com contratos e funcionamento de uma
empresa.
O grande desafio de trilhar caminhos para chegar a ser um consultor
advém de muita prática e experiências com projetos executados. Esta
bagagem se adquire com os anos, e o obstáculo em transmitir confiabilidade
para o cliente e consigo mesmo no nascimento de uma empresa deve ser
sanada com parcerias e contatos com profissionais mais experientes, e
também dedicação em estudar um novo campo.
É fundamental entender que, embora a consultoria seja um trabalho
geralmente individual, a consulta e a mentoria do profissional mais experiente
no mercado são essenciais. Isto porque o novo profissional pode apresentar
lacunas e ir por caminhos que podem gerar desconforto e não serem os mais
eficientes, e o profissional experiente, ao apresentar sua forma de trabalho,
pode “iluminar” o novo consultor na sua própria maneira de atuar.
Além dos contatos, é preciso focar na razão de todo o trabalho
desenvolvido: o cliente. A forma de trabalho e comunicação com o cliente é o
que garantirá o sucesso do projeto. Primeiro, é preciso entender a necessidade
do cliente, para, posteriormente, propor uma solução viável, além de saber
escutar e manter-se atento para não se desviar do propósito de coletar o
máximo de insumos possíveis. Durante o projeto, as expectativas do cliente

�283

devem ser reavaliadas para que estejam em consonância com o produto
oferecido e para, ao final do projeto, receber o feedback e avaliar se o produto
ou serviço oferecido realmente foi eficiente para o cliente.
É preciso compreender que, no início de uma empresa, geralmente
representada por apenas um indivíduo, a postura profissional diante do cliente
será a visão que ele terá de sua empresa. Assim, comunicar-se com
propriedade sobre os produtos oferecidos e sobre a necessidade deste cliente
(por meio de estudo prévio de seu perfil) é essencial. A flexibilidade quanto a
possíveis perguntas e situações adversas também é fundamental para uma
boa tratativa com o cliente. Dessa forma, a clareza na comunicação é
primordial à eficiência de qualquer projeto, em que o objetivo central deve ser
sempre solucionar o problema, atendendo e indo além da expectativa do
cliente.

3.3 O DINAMISMO E A INOVAÇÃO DA NORMA PADRÃO
A Norma Padrão é uma startup que surgiu a partir da motivação de dois
amigos bibliotecários que atuaram como freelancers, normalizando trabalhos
durante a Graduação em Biblioteconomia, na Escola de Ciência da Informação
da UFMG, de forma cooperativa. Vislumbrando o campo da Apresentação do
Trabalho Científico como um nicho real de trabalho do bibliotecário, os sócios
decidiram reunir seus conhecimentos e investir em um novo empreendimento
no último ano da graduação. Inicialmente, atuaram em parceria com a GB
Consultoria em Gestão da Informação, empresa madrinha da Norma Padrão34.
As duas empresas continuam a atuar em parceria, assumindo demandas com
profissionalismo e dinamismo.
Para estruturar a empresa, a primeira decisão tomada foi criar a
identidade visual e a marca. Uma equipe especializada em marketing executou
uma pesquisa para encontrar a identidade visual do campo de normalização.

34

Para saber mais sobre a Norma Padrão, acesse: &lt;https://www.normapadrao.com.br/quemsomos&gt;.

�284

Os resultados da pesquisa apresentaram a origem da palavra “norma”, que em
latim significa “esquadro”. Por essa razão, o esquadro está presente na
logomarca da Norma Padrão, e foi o primeiro nome adotado pela empresa.
A etapa seguinte foi o registro da marca no Instituto Nacional de
Propriedade Industrial (INPI), instituição responsável por registrar marcas e
patentes no Brasil. O processo é lento e pode demorar até dois anos para ser
finalizado, mas é essencial para que a empresa consolide sua marca e possa
atuar com segurança no mercado nacional. Concomitantemente, a empresa foi
registrada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).
A estrutura orgânica da Norma Padrão é formada por dois bibliotecários,
responsáveis

técnicos

pelos

serviços

de

normalização

e

formatação,

diagramação textual, design de capa e diagramação de livros digitais (ebooks), principalmente. Os dois bibliotecários também são responsáveis
técnicos pelo serviço de Divulgação do Trabalho Científico, que envolve a
gestão de redes sociais acadêmico-profissionais, como LinkedIn, Google
Scholar, Research Gate e a elaboração e atualização do Currículo Lattes,
ferramentas importantes para dar visibilidade aos resultados de pesquisas e
aos próprios pesquisadores.
Os outros serviços oferecidos pela Norma Padrão, como tradução/versão
e revisão de língua e estilo de textos científicos, são executados em parceria
com outras empresas e profissionais formados na área de Letras. Dessa forma,
a empresa é capaz de atender totalmente as demandas do cliente referentes à
apresentação do trabalho científico, após a finalização da escrita. Não
obstante, o lema da Norma Padrão é: “Preocupe-se em escrever, e do mais a
gente cuida”.
A formalização da empresa e a construção de uma equipe multidisciplinar
competente são os esforços iniciais para a concepção do negócio, mas é
preciso que os clientes conheçam os serviços e a empresa. Por esse motivo, a
Norma Padrão investe em marketing digital e propaganda.

�285

3.3.1 Investimento em marketing e propaganda como estratégia de
crescimento no mercado
O marketing e propaganda ajudam a disseminar a Norma Padrão no
mercado e a apresentar seus serviços. O serviço de marketing deve ser
trabalhado conforme o perfil da empresa. No caso da normalização, o esforço
para elaborar campanhas é maior que em outros setores de prestação de
serviço, uma vez que não existem muitas empresas oferecendo este tipo de
serviço no mercado. Logo, antes de divulgar os serviços, é preciso planejar
como utilizar as linguagens verbal e não verbal para que o cliente em
potencial, sem conhecimento específico dos termos técnicos da normalização,
entenda que o que está sendo oferecido é exatamente o que ele procura.
O marketing digital é uma forma mais barata e ecologicamente correta
de divulgar os serviços. Com a funcionalidade de impulsionamento de
publicações nas redes sociais, como Facebook e Instagram, é possível
selecionar o perfil de interesse do público a ser alcançado (p. ex., estudantes
de graduação, pós-graduação, universidades, médicos etc.) e a cobertura
geográfica da divulgação. Em poucas horas, é possível que milhares de
pessoas visualizem uma campanha de desconto impulsionada pela empresa,
por exemplo.
As redes sociais da Norma Padrão são gerenciadas por profissionais. As
postagens são elaboradas conforme a identidade da empresa e publicadas em
momentos programados. Certas campanhas de desconto são programadas
para acontecerem sempre nas mesmas datas ao longo do ano. Outras
campanhas surgem de acordo com oportunidades, como apoio a eventos
científicos. É comum, também, que a Norma Padrão ofereça serviços como
permuta para obter divulgação em eventos científicos ou publicações de
interesse.

�286

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista o objetivo deste capítulo em fazer um paralelo entre a
atuação do bibliotecário como consultor independente e as possibilidades de
oferta de produtos e serviços no mercado, considera-se esta uma discussão
atual e relevante. A atuação do bibliotecário na consultoria é um campo ainda
em desenvolvimento, no entanto, de grande relevância para a sociedade.
Dispor do conhecimento teórico e aplicá-lo na prática é fundamental para
facilitar e divulgar este ramo de atuação do bibliotecário.
Por meio dos relatos de experiências apresentados, pôde-se observar
que o bibliotecário, como consultor independente, desenvolve diversas
habilidades,

e

conhecimentos

que
é

sua

constante

primordial

para

se

atualização
diferenciar

em
no

busca

de

segmento.

novos
Já

as

possibilidades de produtos e serviços oferecidos podem ser ampliadas para
outros contextos, além dos já tradicionalmente explorados, propondo-se, desta
forma, uma nova reflexão aos leitores.

REFERENCIAS
AMERICAN NATIONAL INFORMATION STANDARDS ORGANIZATION. NISO
Z39.19: Guidelines for the construction, format and management of
monolingual controlled vocabularies. New York: ANSI, 1980.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Normalização:
definição. [S.l.: s.n], 2014. Disponível em:
&lt;http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/o-que-e&gt;. Acesso em: 16 dez.
2018.
BAPTISTA, Sofia Galvão. Bibliotecário autônomo versus
institucionalizado: carreira, mercado de trabalho e comprometimento. 1998.
234 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação)– Universidade de Brasília,
Brasília, 1998. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/30517/1/1998_Sofia%20Galv%C3
%A3o%20Baptista.pdf&gt;. Acesso em: 10 nov. 2018.

�287

BAPTISTA, Sofia Galvão. Profissional da informação, autônomo ou empresário,
novas perspectivas de mercado de trabalho. Perspectiva em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. 91-98, jan./jun. 2000.
CAMPOS, Maria Luiza de Almeida; GOMES, Hagar Espanha. Taxonomia e
classificação: o princípio de categorização. DataGramaZero: Revista de
Ciência da Informação, v. 9, n. 4, ago. 2008.
CARDOZO, T. R. B.; BARBOSA, M. L. A. Políticas informacionais e práticas
pedagógicas para a formação do bibliotecário-empreendedor. In: ENCONTRO
NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA EM INFORMAÇÃO (CINFORM), 5., 2004,
Salvador. Anais eletrônicos... Salvador: [s.n.], 2004. Disponível em:
&lt;http://www.cinformanteriores.ufba.br/v_anais/artigos/marileneloboabreu.html&gt;. Acesso em: 20
nov. 2018.
CSOMAI, András; MIHALCEA, Rada. Investigations in Unsupervised Backof-the-Book Indexing. [Texas], 2007.
CUNHA, Murilo Bastos da; EIRÃO, Thiago Gomes. A atualidade e utilidade da
disseminação seletiva da informação e da tecnologia RSS. Encontros Bibli:
Revista eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v.
17, n. 33, p. 59-78, jan./abr. 2012.
DALPIAN, Juliana; FRAGOSO, Juliane Görgen; ROZADOS, Helen Beatriz Frota.
Perfil empreendedor do profissional da informação. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 99-115,
jan./jun. 2007.
DAVENPORT, Thomas H. Arquitetura da Informação. In: ______. Ecologia da
Informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da
informação. São Paulo: Futura, 2000. Cap. 9. p. 200-223.
DUARTE, Geraldo. Dicionário de administração e negócio. Edição Digital.
Kindle Book Br, 2011. Não paginado. Disponível em:
&lt;http://www.univas.edu.br/menu/biblioteca/servicosOferecidos/livrosDigitaliza
dos/administracao/DicionariodeAdministracaoeN-GeraldoDuarte.pdf&gt;. Acesso
em: 15 dez. 2018.
FREIRE, Fabriele da Silva; ALAUZO, Jorge Luiz Cativo; SPUDEIT, Daniela
Fernanda de Assis. Competências e campos emergentes para atuação de
bibliotecários, RACIn, João Pessoa, v. 5, n. 1, p. 81-102, jan./jun. 2017.
GLOSIENE, A. The information professional’s role in the today’s world &amp;
conference closing. [S.l.: s.n], 2002.
LIMA Gercina Ângela de; MACULAN, Benildes Coura Moreira dos Santos;
BORGES, Graciane Silva Bruzinga. Blended Librarians in Academic Libraries: a

�288

Brazilian Panorama. Rev. gen. inf. doc, [S.l.], v. 27, n. 2, p. 471-486, nov.
2017.
LIMA, Gercina Ângela de. Arquitetura da informação. In: MIRANDA, Roberto
(Org.). Arquitetura da informação na Câmara dos Deputados. Brasília:
Câmara dos Deputados, 2016. Cap. 2. p. 47-62.
MEKKI, Touria Aït El; NAZARENKO, Adeline. Using NLP to build the
hypertextuel network of a back-of-the-book index. [S.l.: s.n.], 2005.
RANGANATHAN, S. R. The five laws of library science. Bombay: Asia
Publishing, 1963.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação
bibliotecária: o bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173,
jul./dez. 2014.
SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS.
Abertura de empresa: 6 passos para iniciar bem o seu novo negócio. [S.l.:
s.n], 15 jan. 2018a. Disponível em:
&lt;http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/6-passos-parainiciar-bem-o-seu-novonegocio,a28b5e24d0905410VgnVCM2000003c74010aRCRD&gt;. Acesso em: 19
dez. 2018.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS.
Microempreendedor individual: o que é ser MEI. [S.l.: s.n], 24 out. 2018b.
Disponível em: &lt;http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/oque-e-ser-mei,e0ba13074c0a3410VgnVCM1000003b74010aRCRD&gt;. Acesso
em: 19 dez. 2018.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. O perfil
de um empreendedor de sucesso. [S.l.: s.n], 2005. Disponível
em:&lt;http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/artigos/o-perfil-deum-empreendedor-desucesso,ebd39fe28a3a4610VgnVCM1000004c00210aRCRD&gt;. Acesso em: 10
nov. 2018.
SILVA, Fabiano Couto Corrêa. Bibliotecários especialistas: guia de
especialidades e recursos informacionais. Brasília, DF: Thesaurus, 2005.
SILVEIRA, João Paulo Borges da. Formação empreendedora nos currículos dos
cursos de Biblioteconomia na Região Sul do Brasil. Biblionline, João Pessoa,
v. 8, n. 1, p. 32-41, 2012.

�289

TRENTIM, Mário. O que é gestão de projetos? Vídeo (4:13 min). 2016. Gestão
de Projetos &amp; Produtividade. Disponível em:
&lt;https://www.youtube.com/watch?v=mulzHJVCVFs&gt;. Acesso em: 05 nov.
2018.
VALENTIM, Marta Lígia. Profissionais da informação: formação, perfil e
atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000.
VALENTIM, Marta Lígia. Profissional bibliotecário e as perspectivas sócioeconômicas neste final de século. In: ENCUENTRO DE DIRECTORES, 3 y
ENCUENTRO DE DOCENTESDE LAS ESCUELAS DE BIBLIOTECOLOGÍA DEL
MERCOSUR, 2., 1998, Santiago. Anais... Santiago: [s.n.], 1998. p. 109-114.

�290

À GUISA DE CONCLUSÕES: DAS BIBLIOTECAS PARA O
MUNDO: UM NOVO PROFISSIONAL EM ASCENSÃO
Jorge Santa Anna
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva
Maria Elizabeth de Oliveira Costa

Inovação e empreendedorismo têm sido destaques em diversos setores,
desde a economia, política e (re)organização da sociedade. Introduzir essas
práticas no âmbito da Biblioteconomia tem se tornado desafios para os
profissionais da área e para aqueles que buscam essa formação.
Crescer no mundo, cuja informação e tecnologia estão modificando as
formas de vida, faz-nos pensar que podemos organizar e estruturar nossas
ações em busca de crescimento individual e organizacional. Nesse contexto,
cabe aos bibliotecários buscar compreender a forma de organização política,
econômica

e

social

e,

por

meio

dessa

compreensão,

utilizar

seus

conhecimentos de forma a buscar soluções para os problemas da sociedade.
Nesse âmbito, as bibliotecas ganham forças por se ornarem insumos
para o crescimento e desenvolvimento de pessoas, organizações e da
sociedade. Os profissionais que ali atuam podem se tornar pontes para o
futuro. Compreender os espaços de atuação profissional vai além do contexto
tradicional das bibliotecas. É preciso atentar-se para os caminhos que a
sociedade está seguindo e, nesse processo, atentar para o desenvolvimento
social e sustentável, o qual pode receber contribuições benéficas das
atividades inovadoras e empreendedoras realizadas nos diversos espaços
informacionais que permeiam a atual sociedade.
As

ações

inovadoras

e

empreendedoras

a

serem

realizadas

por

bibliotecários não requerem, em muitas das vezes, grandes esforços, mas,
ações conjuntas que promovam um diferencial, no intuito de despertar o
potencial que a prática bibliotecária pode oferecer. Cabe aos envolvidos com a
profissão, tais como alunos, professores e profissionais realizarem projetos

�291

interventivos e proporcionar estratégias de visibilidades dessas ações. Por
outro

lado,

cabe

à

sociedade,

representada,

principalmente,

pelos

empregadores e pelos órgãos governamentais, conhecer, reconhecer, valorizar
e dar condições para que a prática bibliotecária contribua com suas
potencialidades para o desenvolvimento das organizações e da sociedade com
um todo.
Embora o empreendedorismo no âmbito da Biblioteconomia ainda esteja
em processo de consolidação, os textos apresentados nesta coletânea são
suficientes para demonstrar que trata-se de um campo potencial para o
bibliotecário e de grande valor para a sociedade. Isso evidencia que o
empreendedorismo manifesta-se como uma oportunidade de ampliar os
fazeres profissionais, de modo que bibliotecários possam se “reinventar”,
enfrentando os desafios da sociedade contemporânea, e se adequando às
novas tendências, garantindo para a ascensão da área no decorrer das
próximas décadas.
Por meio da leitura e reflexões apresentadas nesta obra, entende-se que
empreender não se restringe a grandes ideias e projetos, mas contempla
outros

substantivos

(tais

como:

perseverança,

dedicação,

esforço,

planejamento, gestão, esperança, comprometimento), os quais podem estar
presentes no cotidiano de qualquer profissional, seja atuante em bibliotecas
universitárias, escolares, públicas, dentre outras, ou atuando junto a projetos
sociais, em favor das minorias, e com um propósito de transformação da
realidade, haja vista permitir melhores condições de vida para todos.
Ao findar dessas reflexões, pode-se considerar que o empreendedorismo
bibliotecário

seja

definido

como

uma

disciplina

ou

subcampo

da

Biblioteconomia, de aspecto interdisciplinar, que congrega estudos sobre
atitudes e comportamentos dos bibliotecários em prol da inovação para fins de
adequação aos problemas da sociedade. Esse conceito abrangente alude para
o fato de que a ação empreendedora é emergente, haja vista fortalecer o
potencial da área e garantir o seu desenvolvimento ao longo dos tempos.
Portanto,

que

possamos

ser

criativos,

comprometidos. O futuro está em nossas mãos!

inovadores,

audaciosos

e

�292

DADOS BIOGRÁFICOS

Beatriz Valadares Cendón: Professora Titular do Programa de PósGraduação em Gestão &amp; Organização do Conhecimento da Escola de
Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (Nível
5 - CAPES). Possui os títulos de Doutora e Mestre em Ciência da
Informação pela University of Texas at Austin (1996, 1990). Formada
em
Engenharia
Econômica
pela
Fundação
Dom
Cabral
(Especialização, 1984) e em Engenharia Civil pela Universidade
Federal de Minas Gerais (Graduação, 1980).
E-mail: &lt;bcendon@gmail.com&gt;.

Daniela Spudeit: Professora no curso de Graduação em
Biblioteconomia e no Programa de Pós-Graduação de Gestão da
Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). É doutoranda e possui Mestrado em Ciência da
Informação pela UFSC, especialista em Gestão de Unidades de
Informação e em Didática do Ensino Superior. Possui
bacharelado em Biblioteconomia e licenciatura em Pedagogia.
E-mail: &lt;danielaspudeit@gmail.com&gt;.

Edcleyton Bruno Fernandes da Silva: Doutorando pelo
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais
(PPGGOC-UFMG). Mestre em Ciência da Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB). Graduado em
Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba. Membro
do Grupo de Pesquisa Informação, Aprendizagem e
Conhecimento (GIACO) do Conselho Nacional de Pesquisa e
Desenvolvimento (CNPq).
E-mail: &lt;biblioebfs@yahoo.com.br&gt;.

�293

Elaine
Meneguci
Gregório:
Bibliotecária,
graduada
pela
Universidade Federal do Espírito Santo (2013). Atuou como
estagiária em unidades de informação e documentação como:
recursos humanos e arquivo do Instituto Federal do Espírito Santo;
Biblioteca universitária - período junho de 2012 a agosto de 2015.
Atua em empresa de Comunicação na área de arquivo e catalogação
e descrição de imagens. Trabalha em consultoria de arquivo jurídico.
E-mail: &lt;ellaine.grego@gmail.com&gt;.

Emanuelle
Geórgia
Amaral
Ferreira:
Bacharel
em
Biblioteconomia, Doutoranda e Mestra em Ciência da Informação
pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisadora do grupo
de pesquisa “Estudos em Práticas Informacionais e Cultura”
(EPIC/UFMG) cadastrado no CNPq. Possui a trajetória acadêmica
orientada pela extensão, pesquisa e ensino. Seus interesses de
pesquisa estão em torno da Biblioteconomia, com ênfase na Ciência
da Informação.
E-mail:

&lt;emanuelle.gaf@gmail.com&gt;.

Filipi Miranda Soares: Graduado em Biblioteconomia. Mestrando
em Gestão e Organização do Conhecimento, da Universidade
Federal de Minas Gerais. Intercambista acadêmico no curso Ciências
e Tecnologias da Documentação e Informação pelo Instituto
Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Portugal, ISCAP
(2016-2017). Ampla experiência na área de normalização técnica de
textos científicos. Consultor pela Norma Padrão.
E-mail: &lt;filipi@normapadrao.com.br&gt;.

�294

Graciane Silva Bruzinga Borges: Graduada em Biblioteconomia.
Mestre em Ciência da Informação, pela Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG). Doutoranda em Gestão e Organização do
Conhecimento/UFMG. Professora em Elaboração e Apresentação do
Trabalho
Científico/UFMG.
Professora
em
Elaboração
de
Monografia/Instituto
Mineiro
de
Ultrassonografia
(IMEDE).
Especializada em Normalização Documentária &amp; Arquitetura da
Informação. Membro da diretoria da Associação dos Bibliotecários
de Minas Gerais/ABMG. Consultora pela GB Consultoria em Gestão
da Informação.
E-mail: &lt;gracianebruzinga@gmail.com&gt;.

Guilherme Alves: Mentor de startups e apaixonado por educação
empreendedora. Doutorando e Mestre em Ciência da Informação
pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É Professor dos
Departamentos de Ciências Administrativas da UFPE, UNINASSAU e
FIP-PB. Consultor credenciado ao Sistema S nas áreas de
marketing, planejamento empresarial e inovação, onde foi
pesquisador, facilitador e consultor sênior do Programa Agentes
Locais de Inovação (ALI, cooperação técnica Sebrae e CNPq).
E-mail: &lt;guilherme.alves.santana@gmail.com&gt;.

Igor de Souza Bento: Bibliotecário, graduado pela Universidade
Federal do Espírito Santo (2018).
E-mail: &lt;igorsouzabento@gmail.com&gt;.

�295

Jorge Luiz Cativo Alauzo: Bibliotecário do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui Especialização em
Administração
e
Gestão
do
Conhecimento
pelo
Centro Universitário Internacional Uninter. Tutor na modalidade EaD
da empresa Content Mind Capacitação Profissional. Colaborador de
versões do software livre Biblivre. Editor do site Biblioteconomia
Digital.
E-mail: &lt;jcativo@gmail.com&gt;.

Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Atua no ramo
da prestação de serviços informacionais, ministrando aulas de
Metodologia
Científica,
Normalização
Bibliográfica
e
Estruturação/Revisão de textos acadêmico-científicos, além de
orientações e consultorias diversas na área da Ciência da
Informação e Pesquisa e Estudos Acadêmicos. É membro do comitê
editorial e assessor do Periódico Pró-Discente, do Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES).
E-mail: &lt;professorjorgeufes@gmail.com&gt;.

Maria Aparecida de Mesquita Calmon: Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES). Pós-Graduação em Biblioteca Escolar. Graduanda em
Arquivologia pela UFES.
E-mail: &lt;macalmom@hotmail.com&gt;.

�296

Maria Elizabeth de Oliveira Costa: Bibliotecária do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Geria (UFMG). Possui
Mestrado em Tecnologia e Gestão em Educação a Distância pela
Universidade Federal Rural de Pernambuco. Doutoranda do
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento, na Escola de Ciência da Informação da UFMG.
Presidente da Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais.
Exerceu o cargo de diretora do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no
período 2006-2013. Atua principalmente em áreas temáticas que
abrangem as seguintes questões: Bibliotecas Universitárias Gestão de Pessoas, Gestão em Unidade de Informação, Biblioteca
Digital, Competência Informacional, Extensão Universitária e
Ensino a Distância.
E-mail: &lt;mabethcosta@gmail.com&gt;.

Marina Nogueira Ferraz: É doutora e mestre em Ciência da
Informação pela Escola de Ciência da Informação da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). Possui graduação em
Biblioteconomia pela UFMG (2002) e graduação em Psicologia
pela FEAD (2012). Atualmente, é bibliotecária da Biblioteca J.
Baeta Vianna da Faculdade de Medicina da UFMG na área de
pesquisa bibliográfica em bases de dados da área de saúde
nacionais e internacionais e professora conteudista do curso de
Biblioteconomia do Centro Universitário Claretiano.
E-mail: &lt;marina.nogueiraf@gmail.com&gt;.

Mayara Silva Gonçalves: Graduada em Biblioteconomia.
Mestranda em Gestão e Organização do Conhecimento pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Experiência em
consultoria de normalização de trabalhos científicos e
acadêmicos; capacitação de equipes voltada para a excelência no
atendimento ao cliente; gestão da informação em arquivos físicos
e digitais; recuperação e organização de arquivos digitais em
instituição de Educação a Distância. Consultora pela MSG
Prestação de Serviços Especializados.
E-mail: &lt;mayara.biblio@gmail.com&gt;.

�297

Munic Santos: Graduada em Arquivologia pela Universidade
Federal da Bahia (UFBA).
E-mail: &lt;munycky@gmail.com&gt;.

Patrícia Maria de Melo: Possui Graduação em Psicologia pela
Universidade Federal de Minas Gerais, possuindo os títulos de
Bacharel em Psicologia (1996) e de Psicólogo (1996) e Licenciatura
em Psicologia (2002). Possui Pós-Graduação Lato Sensu em
Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Estadual de
Minas Gerais. Possui Pós-Graduação Lato Sensu em Alfabetização
pela Universidade Estadual de Minas Gerais e Graduação em
Biblioteconomia na mesma instituição.
E-mail: &lt;patriciacriscolo@gmail.com&gt;.

Rômulo Mansur Lauar Júnio: Graduado em Direito pela
UNIVALE. Graduado em Biblioteconomia pela Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). Pós-graduando em
Biblioteconomia pelo IPEMIG. Entre suas atuações destacamse: extensão universitária em Psicologia da Educação,
Tecnologia e Inovação, Gerenciamento de projetos, Docência do
Ensino Superior e Biblioteconomia, produção editorial e
bibliotecário editor. Atualmente, desenvolve projeto de
pesquisa em Biblioteca escolar e possui pesquisa desenvolvida
em Usuários da Informação.
E-mail: &lt;romulolauar@gmail.com&gt;.

�298

Rosemary Tofani Motta: Possui Mestrado em Ciências da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Graduação em Biblioteconomia pela UFMG. Atuou como ViceDiretora do Sistema de Bibliotecas da UFMG, eleita por duas
gestões e coordenadora do Laboratório de Preservação de
Acervos da Escola de Ciência da Informação da UFMG, onde
desenvolveu atividades de ensino, pesquisa e extensão ligadas
à conservação e preservação de acervos documentais.
E-mail: &lt;tofani@eci.ufmg.br&gt;.

Silvana Aparecida dos Santos: Possui Doutorado e Mestrado
em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação/Escola de Ciência da Informação da
Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/PPGCI/UFMG).
Possui especialização em Cultura Política, História e
Historiografia
(UFMG/FAFICH),
Gestão
Estratégica
da
Informação (ECI/UFMG) e Museologia (Fundação Mineira de
Arte). Possui Graduação em Biblioteconomia pela Escola de
Ciência da Informação (UFMG). É bibliotecária documentalista
da Universidade Federal de Minas Gerais, atuando na área de
arquivos.
E-mail: &lt;silsanter@gmail.com&gt;.

Suelen
de
Oliveira
Campos:
Arquivista/Bibliotecária.
Complementação Pedagógica em História. Especialista em
Gerenciamento
de
Projetos/História
e
Tecnologia
em
Informática na Educação.
E-mail: &lt;suelenoc@gmail.com&gt;.

�299

Vinicius Alves dos Santos: Graduando em Biblioteconomia
pela Escola de Ciência da Informação na Universidade Federal
de Minas Gerais. Estagiário na Divisão de Estoque da Editora
UFMG. Interesses em linhas de pesquisa ligadas ao Autismo e
Biblioteconomia, além das temáticas de Administração e
Planejamento.
E-mail: &lt;viniciusalves102011@hotmail.com&gt;.

�300

Esta é uma obra editada pela:
Esta é uma obra editada pela:

ABMG
ABMG
Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912.
Edifício Rotary, Sala 608
Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício Rotary, Sala
608

Como referenciar esta coletânea no todo:
Como referenciar esta coletânea no todo:
SANTA
ANNA,
Bruno da;
Fernandes
da; Elizabeth
COSTA, de
SANTA
ANNA,
Jorge;Jorge;
SILVA,SILVA,
EdcleytonEdcleyton
Bruno Fernandes
COSTA, Maria
Maria
Elizabeth
de
Oliveira
da caminhos
(Org.).para construção
Empreendedorismo
Oliveira
da (Org.).
Biblioteconomia
Social: possíveis
da cidadania. Belo
Bibliotecário
na
Sociedade
da
Informação:
outros caminhos e
Horizonte: ABMG, 2018. 320 p.
possibilidades. Belo Horizonte: ABMG, 2018. 300 p.

�301

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="41">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="50728">
                  <text>ABMG - Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="50729">
                  <text>A ABMG tem como principal missão congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas em Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins. Defender os interesses e apoiar as reivindicações dos associados. Representar os associados junto aos órgãos da classe nacionais e internacionais, aos órgãos públicos e privados e incentivar o aprimoramento da profissão e o desenvolvimento cultural  através de cursos, congressos, seminários, palestras e outros.meuip.co</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51220">
                <text>Empreendedorismo bibliotecário na sociedade da informação: outros caminhos e possibilidades</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51221">
                <text>Jorge Santa Anna</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51222">
                <text>Edcleyton Bruno Fernandes da Silva</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51223">
                <text>Maria Elizabeth de Oliveira Costa</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51224">
                <text>ABMG</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51225">
                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51226">
                <text>ABMG Editora</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51227">
                <text>2018</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51229">
                <text>978-85-85259-02-0</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51230">
                <text>Texto</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51231">
                <text>Empreendedorismo</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="51232">
                <text>Biblioteconomia</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51233">
                <text>Por contemplar ações inovadoras, que vão além das instituições de informação, os capítulos descritos nesta obra aproximam-se de um tema ainda em consolidação – o empreendedorismo na Biblioteconomia - e que, certamente, engaja-se, cada vez mais, no cotidiano dos profissionais em todas as áreas de conhecimento.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="48">
            <name>Source</name>
            <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51234">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="68108">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="26">
        <name>ABMG</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="1533" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="994">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1533/Gestao_de_estoques_de_informacao__-_Correa_ECD_2016.pdf</src>
        <authentication>67e430cd82c46ce894ac41c41e8abaac</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20011">
                    <text>��GESTÃO DE ESTOQUES
DE INFORMAÇÃO
Novos termos e novas posturas para um
novo contexto

ELISA CRISTINA DELFINI
CORRÊA

EDITORA FEBAB

�Editora FEBAB
Rua Avanhandava, 40 - Conj. 108/110
CEP 01306-000 – São Paulo - SP Brasil
tel: (11) 3257-9979
e-mail: secretaria@febab.org.br
site: http: www.febab.org.br/
© 2016 Elisa Cristina Delfini Corrêa
Conselho Editorial
Dra. Celia Zaher
Prof. Dr. Claudio Marcondes Castro Filho (USP)
Profa Dra. Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP)
Profa. Dra. Sueli Mara Pinto Ferreira (USP)
Profa. Dra. Telma de Carvalho (UFSE)
Profa. Dra. Valeria Martin Valls (FESPSP)
Profa. Dra. Zaira Zafalon (UFSCAR)Dra. Celia Zaher
Prof. Dr. Claudio Marcondes Castro Filho (USP)
Profa Dra. Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP)
Profa. Dra. Sueli Mara Pinto Ferreira (USP)
Profa. Dra. Telma de Carvalho (UFSE)
Profa. Dra. Valeria Martin Valls (FESPSP)
Profa. Dra. Zaira Zafalon (UFSCAR)

Corrêa, Elisa Cristina Delfini
Gestão de estoques de informação: novos termos e novas
posturas para um novo contexto [Recurso eletrônico] / Elisa
Cristina Delfini Corrêa - São Paulo : FEBAB , 2016

�ISBN 978-85- 85024-10-9
1. Gestão da informação 2. Serviços de informação 3.
Gestão de estoque de informação 4. Bibliotecário gestor I.
Título.
CDD 025.2

�Agradecimentos

Pode parecer clichê começar agradecendo a Deus e à
família, mas no meu caso seria impossível fazer de outro
jeito. Sem aquela força sobrenatural que vem do Pai
eterno e o apoio dos meus queridos de casa, não teria
escrito uma linha sequer! Em especial, minha gratidão à
minha publicitária favorita, Marina Corrêa, que criou a capa
deste livro e que sempre me salva com sua competência,
arte e carinho em diferentes ocasiões.
Minha gratidão também abraça amigos queridos que me
incentivaram, acreditaram, discutindo ideias comigo. No
caso deste livro, minha gratidão eterna a Lani Lucas,
colega de DBI e amigona de toda e qualquer hora.
Obrigada por sua paciência e dedicação, lendo e relendo
meus rascunhos e obrigada, também, por me apresentar à
sua vasta rede de relacionamentos profissionais.
Dani Spudeit, amiga querida, que leu os originais e fez
sugestões: muito obrigada. Agradeço, em especial, pela
ponte que você construiu, levando-me até o prof.
Waldomiro Vergueiro, a quem também sou imensamente
grata por prefaciar o livro.
Gratidão eterna também à Adriana Ferrari e à FEBAB, cuja
parceria na publicação acelerou a disseminação das ideias
aqui desenvolvidas e permitiu dar o start no tão ansiado
debate sobre o tema com a comunidade de bibliotecários
no país.
Finalmente, obrigada à UDESC e à FAED, por me
permitirem fazer o que gosto do jeito que gosto e, assim,
adquirir ricas experiências docentes e realizar pesquisas na
área de Gestão de Estoques de Informação. Essa
caminhada é o fundamento principal das páginas que vêm
a seguir.

�Sumário
Agradecimentos 5
Sumário 6
Prefácio 8
Introdução 13
1 - Então, por que falar em gestão? 20
2 - Para além dos acervos e das
coleções: estoques de informação 29
3 - Usuário, não. Interagente! 34
4 - Novos olhares para a gestão de
estoques de informação e suas etapas
42
4.1 Seleção 47
4.2 Aquisição 50
4.3 Avaliação 55

5 - Política de GEI: um capítulo à parte
59
5.1 Aspectos sociais e administrativos da Política de
GEI 64

�5.2 Proposta de roteiro atualizado para uma política de
gestão de estoques de informação 67

6 - Gestão de e-books: um desafio e
um aprendizado 72
6.1 Seleção 76
6.2 Aquisição 78
6.3 Gestão de e-books em bibliotecas 80

7 - Passado, presente, futuro... 84
Referências 86

�Prefácio

Este não é – ou não deveria ser - um desabafo
existencial. Deveria ser o prefácio para um livro, enfocando
o que ele traz de inovador, de questionador, de novo (e ele
tem muito, como espero demonstrar mais adiante, de cada
um desses adjetivos). Mas, por outro lado, ele também se
liga a mim por um aspecto, digamos assim, mais
emocional, pois fala de coisas sobre as quais me debrucei,
com maior ou menor sucesso, durante grande parte de
minha vida profissional. Daí, este tom inicial de desabafo.
Já se vão mais de 25 anos desde que publiquei um
pequeno e despretensioso livro denominado
Desenvolvimento de Coleções, pela Editora Polis, de São
Paulo. Escrito a partir do incentivo da presidência da
Associação de Bibliotecários de São Paulo; na época, o
livro abriu uma coleção que pretendia fornecer aos
bibliotecários brasileiros espécies de manuais ou guias de
atuação às várias atividades profissionais por eles
desenvolvidas. A ideia era a de ter uma série de livros
introdutórios, mais ou menos na linha da coleção “O Que
é” da Editora Brasiliense, também de São Paulo. Meu livro,
inclusive, seguia o modelo dessa coleção até mesmo no
tamanho (projeto gráfico que foi modificado nos
lançamentos seguintes da editora Polis).
Eu, então, atuava como professor de Biblioteconomia há
pouco tempo. Havia sido, de certa forma, “premiado” com
a temática do desenvolvimento de coleções ao ingressar na
carreira docente, sentindo falta de um material que
sistematizasse essa atividade e pudesse ser utilizado em
aula. Como se tratava de um tema relativamente recente
na Biblioteconomia – havia sido introduzido no programa
das escolas apenas em 1985, com a mudança do currículo
mínimo -, procurei, no livro, atender a dois requisitos:

�primeiramente, desenvolver um discurso de
convencimento, ou seja, um enfoque que cativasse o leitor
e o fizesse aceitar meus argumentos em relação à
importância do desenvolvimento de coleções na atividade
do bibliotecário; em segundo lugar, ser suficientemente
profundo, a fim de passar ao profissional todos os
principais aspectos dessa atividade.
Nos anos seguintes, aprofundei alguns aspectos desse
primeiro livro em outros que publiquei, em artigos escritos
por mim, em palestras e cursos que ministrei pelo país,
nos trabalhos acadêmicos que orientei, no curso que
ministrei na Escola de Comunicações de Artes da USP e
muitos outros por todo Brasil, nas muitas bancas de
avaliação de que participei. Acho que fiz um bom trabalho
de divulgação: nesses anos todos, o interesse pelo tema
aumentou no país, com bibliotecários criando espaços
formais dedicados ao desenvolvimento de coleções em
suas bibliotecas; muitas unidades de informação
elaboraram e puseram em prática documentos de política
de desenvolvimento de suas coleções; vários colegas
professores passaram a se dedicar ao tema
desenvolvimento de coleções, escrevendo, orientando e
publicando na área. E fazendo isso muito melhor do que
jamais poderia fazer, diga-se de passagem.
Eu poderia, assim, vestir meu pijama de aposentado ou
colocar minha cabeça no travesseiro e suspirar com a
sensação do dever cumprido.
Mas eu estaria mentindo se afirmasse que nada mais há a
ser feito. Pelo contrário. Tudo na vida muda. Nada é
estático ou definitivo. Ainda que redundante, até mesmo
um lugar comum, pouca coisa é mais verdadeira do que tal
axioma. A experiência me mostrou que as certezas mais
ferrenhas um dia são colocadas em dúvida. As convicções
mais entranhadas acabam se esvaindo. Prioridades, que
antes pareciam irremovíveis, deixam de ser absolutamente
importantes. Pena que, em geral, só descobrimos tudo isso
depois que já não faz mais tanta diferença...

�Não me surpreendi muito quando Elisa Cristina Delfini
Correa me apresentou o livro Gestão de Estoques de
Informação: Novos Termos e Novas Posturas para um
Novo Contexto. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde,
alguém colocaria em questão muitas das minhas certezas e
confesso que fiquei feliz por ter sido mais cedo, de forma
que eu pudesse presenciá-lo. Além disso, já havia
acompanhado alguns de seus artigos anteriores na
literatura e conhecia algumas de suas ideias. Assim, em
vez de passar pelas cinco fases do trauma - negação,
raiva, negociação, depressão e aceitação – preferi encarar
o livro de Elisa como uma continuidade do meu trabalho. E
confesso que, ao fim de sua leitura, não poderia pensar em
melhor maneira de alguém fazer isso.
Elisa escreve de uma forma leve, tranquila, utilizando um
estilo coloquial que eu aprecio muito e que sempre busquei
manter, embora nunca tenha conseguido utilizá-lo com o
mesmo nível de precisão e elegância com que ela o faz.
Esse aspecto me cativou imediatamente no livro e tenho
certeza de que também cativará a muitos de seus futuros
leitores.
O estilo leve e conversacional do livro, por outro lado, em
momento algum consegue empanar a profundidade de seu
conteúdo. A autora se dispõe, com a obra, a colocar em
xeque muito do que se pensava ou se pensa ainda na
especialidade antes denominada “desenvolvimento de
coleções” e, baseada em sua experiência na Universidade
do Estado de Santa Catarina e nas proposições do
professor Aldo Barreto, começa propondo uma nova
denominação para ela: Gestão de Estoques de Informação.
Segundo Elisa, a nova terminologia se justifica, porque
“essa mudança terminológica deve também implicar uma
mudança de visão, especialmente devido ao caráter
dinâmico que a palavra “estoque” poderá assumir”. Nesse
sentido, a autora é ousada e eu gosto muito disso.
Não posso deixar de concordar com ela. Terminologias
tais como “formação e desenvolvimento de coleções” -

�como proclama ainda o currículo mínimo nacional em
Biblioteconomia - ou apenas “desenvolvimento de
coleções” - como eu sempre defendi -, estão com os dias
contados. O mesmo parece ocorrer com tentativas de
mudança apenas paliativas, como “gestão de coleções” ou
“administração de acervos”. Nenhuma delas reflete mais a
realidade do mundo da informação que hoje está disperso
em ambientes concretos (os documentos físicos) e virtuais
(toda a gama de informação disponível nas redes
eletrônicas). “Estoque” tem um aspecto mais dinâmico, de
conjunto renovável, que me parece muito apropriado ao
conceito que se apresenta. Não sei se a terminologia
proposta por Elisa será bem recebida pelos profissionais
brasileiros, mas ela me parece bastante adequada e torço
para que encontre guarida na área. Vale lembrar, inclusive,
que ela já tem uma ressonância e encontra um precedente
na Biblioteconomia inglesa, que há tempos utiliza a
terminologia “stock management” para se referir ao
desenvolvimento de coleções.
A ousadia de autora, devo acrescentar, não se restringe
apenas ao que diz respeito à nova denominação para uma
antiga área. Ela vai além. Em seu segundo capítulo, propõe
o abandono da palavra “usuário” e a utilização do termo
“interagente”. Justifica essa transição, baseando-se na
conotação excessivamente passiva da palavra usuário
(com o que eu concordo) e na maior adequação da palavra
interagente para definir “o cidadão contemporâneo que
busca informação de forma autônoma, inclusive nas
bibliotecas” (com o que eu também concordo). A
continuidade de sua argumentação é bastante coerente e
ela destaca que “[...] Mesmo nas bibliotecas mais
tradicionais onde a participação do ‘usuário’ é quase nula,
ainda ali é possível perceber níveis de interação ou
interatividade”. Elisa exemplifica esse papel interativo das
bibliotecas, mencionando “as conhecidas ‘caixinhas de
sugestões’ para a seleção de obras a serem adquiridas ou,
ainda, os estudos de ‘usuários’, cujos resultados,
infelizmente, nem sempre se convertem em mudanças

�concretas na biblioteca”. E apela a colegas e pensadores
respeitados da Biblioteconomia, como minhas queridas
colegas, as duas Reginas (Obata e Belluzzo) que salientam
o papel de interação e de intermediação da biblioteca e do
bibliotecário.
O discurso de Elisa a favor do termo interagente é lógico,
conciso, claro, racional. Impossível não concordar com ela.
Mas, mesmo concordando, eu confesso que fico
desconfortável. A palavra “interagente” me incomoda.
Talvez, por ser muito longa. Talvez, por ser sob alguns
aspectos, artificial. Pode ser apenas implicância minha, de
velho caquético e atrasado que sou, mas não consigo
imaginar qualquer bibliotecário falando ou sequer
pensando algo do tipo “eu vou agora atender o meu
interagente” ou afirmando que precisa desenvolver um
“estudo de interagentes para ajudar no planejamento da
biblioteca”. Isso me leva a recear que a inclusão da palavra
interagente em nosso vocabulário venha colaborar mais
para enriquecer o dicionário de biblioteconomês do que,
propriamente, para modificar práticas e visões sobre
aqueles para quem os serviços de informação existem. Isso
me leva também a pensar que, talvez, o problema não
esteja realmente na substituição da palavra usuário por
outra, mas na acepção de que nós conseguimos fazer com
que ela receba em nossa prática no dia a dia. Eu me
lembro de Alice no País das Maravilhas, quando ela
conversa com HumptyDumpty:
Quando eu uso uma palavra - disse
HumptyDumpty num tom escarninho - ela
significa exatamente aquilo que eu quero
que signifique ... nem mais nem menos.
A questão - ponderou Alice – é saber se o
senhor pode fazer as palavras dizerem
coisas diferentes.
A questão - replicou HumptyDumpty – é
saber quem é que manda. É só isso.

�Não consigo deixar de lado a impressão de que ainda não
exploramos o suficiente a palavra “usuário” e que ela
continua tendo o viés passivo que Elisa denuncia (e com o
que eu concordo), mais por nossa própria culpa do que por
qualquer aspecto inerente ao próprio vocábulo. Mas,
provavelmente, estou errado nisso. De qualquer forma,
sinto que um grande esforço deve ser desenvolvido para
que a palavra interagente “pegue”, não apenas na
literatura especializada, mas também - e principalmente -,
na prática diária dos profissionais. E desejo sucesso a
todos que se dispuserem a essa tão louvável e necessária
missão.
Os capítulos restantes do livro são dedicados à discussão
das várias etapas da Gestão de Estoques de Informação, e
fico muito feliz em ver que aquelas, definidas para o velho
desenvolvimento de coleções, continuam válidas nesse
novo contexto, como o estudo de comunidade, a seleção, a
aquisição e a avaliação. Não sei se concordo totalmente
com a ênfase que a autora dá à doação como indicador de
participação da comunidade na constituição dos estoques
de informação, pois prefiro apontar a necessidade de uma
política pública para a constituição de estoques de
informação e a responsabilidade dos mantenedores das
unidades de informação na provisão desses estoques. Por
outro lado, costumo dizer que a doação é o maior indicador
do prestígio que a biblioteca tem na comunidade e acho
importante isso não se perder. Nesse sentido, qualquer
orientação que leve valorizar a participação do público na
constituição dos estoques de informação – nesse rol
incluída a doação -, deve ser incentivada. No entanto, é
importante também desenvolver a consciência de que nem
todo estoque de informação, oriundo de doações,
representa um conjunto coerente e útil à comunidade. Se
não se atentar a isso, corre-se o risco de tal como
acontece com os grandes meios de comunicação deste
país, valorizar de forma desatinada qualquer estoque de
informação organizado por pedreiros, catadores de lixo,
crianças que gostam de ler, projetos de crowdsorcing e

�assim por diante. Mas confesso meu preconceito: sou por
princípio desconfiado de iniciativas que se apoiam em
atividades voluntárias; acredito que elas só funcionam em
pequena escala, como em quermesses de igreja ou na
organização de cursos para idosos, por exemplo. E olha lá.
Achei especialmente interessante o capítulo em que Elisa
trata da necessidade e da formulação de uma política para
gestão de estoques de informação. Não poderia concordar
mais com ela, quando afirma que “A disponibilização da
política por meio eletrônico, através de páginas web,
parece um caminho natural para democratizar o acesso a
este documento nos dias atuais”. Em uma época em que a
transparência é fundamental, toda e qualquer iniciativa que
deixe às claras o projeto institucional por trás de qualquer
estoque de informação é não apenas desejável, mas pode
ser vista até mesmo como uma obrigação profissional.
Infelizmente, o número de unidades de informação que
parece ter essa preocupação no Brasil – conforme se pode
ver por survey, realizada pela autora em sites oficiais na
internet -, ainda está muito aquém daquilo que se poderia
imaginar ou do que seria desejável e necessário.
O livro encerra com um capítulo desafiador que trata da
gestão de e-books. Nessa área, Elisa está consciente de
que pisa em ovos, pois se trata de área ainda bastante
recente, sobre a qual pouca coisa está realmente
sedimentada. Cuidadosa, não cai na esparrela de acreditar
– e, pior ainda, defender, como muitos de nossos colegas
menos avisados acreditam e defendem -, que o surgimento
dos e-books coloca em risco a própria existência dos
estoques de informação. Afinal, se alguém pode criar o seu
próprio estoque no seu computador – de forma
relativamente barata, como acreditam muitos -, porque
necessitará de estoques formalmente constituídos por
bibliotecas, centros de documentação, arquivos e outras
unidades de informação? E por que os bibliotecários
precisariam se preocupar com eles nas diversas unidades
de informação? Pois é: por quê? Talvez, porque não vale a

�pena alguém ir juntando informações que jamais poderão
ser devidamente deglutidas, simplesmente por que alguém
pode fazer isso. Ou por que isto representaria uma perda
de tempo à maioria das pessoas. Assim, discutir o papel
dos e-books em estoques de informação, digamos assim,
“públicos”, parece importante e necessário, a fim de evitar
que os parcos recursos disponíveis para aquisição sejam
desperdiçados em obras que não atendam às
características tecnológicas disponíveis, estejam em
desacordo com o nível de familiaridade dos usuários – ou
melhor, dos interagentes - com esse recurso ou tenham
condições de atender, minimamente, a demanda que
suscitarão. Elisa apresenta ponderações preciosas e bem
fundamentadas nesse sentido e só posso torcer para que
sua voz seja ouvida e seguida.
Para terminar esse prefácio-desabafo (ou desabafoprefácio, sei lá...), eu gostaria de dizer que me sinto muito
honrado por ter sido escolhido para escrever algumas
palavras introdutórias neste livro. De certa forma, eu o
vejo – e espero que a autora não se sinta ofendida por isso
-, como a segunda edição ampliada e atualizada do meu
livro sobre desenvolvimento de coleções de cinco lustros
atrás. Mais ainda: como uma atualização muito superior a
qualquer uma que eu poderia ter feito. Assim, sinto que
agora posso, tranquilamente, se assim for a minha
vontade, vestir meu pijama de aposentado e descansar na
minha rede preferida, curtindo minhas netas, lendo os
livros que ainda não li, relendo aqueles de que gostei e
organizando a minha coleção de gibis – ou, para atualizar a
terminologia, o meu estoque de informações gráficassequenciais. Sei que a bandeira que empunhei durante a
minha vida profissional na Biblioteconomia segue em
ótimas mãos. Não consigo imaginar melhores.
Prof. Waldomiro Vergueiro

��Introdução
“ainda somos os mesmos
e vivemos como nossos pais”
(Belchior)

O mundo mudou. Não me considero muito velha, mas
já vivi o suficiente para ver as calças boca de sino
entrarem na moda, saírem dela, voltarem e saírem de
novo. Fiz curso de taquigrafia e datilografia, mas hoje em
dia utilizo tecnologias que cabem na palma da minha mão
para redigir textos e me conectar com o mundo inteiro.
Foi tudo muito rápido e continua sendo. A humanidade é
curiosa e criativa, tem sede pelo novo e, como resultado, a
cada dia chegam às nossas mãos novos produtos e
serviços diferenciados que remodelam o dia a dia em,
praticamente, todas as áreas. Vamo-nos adaptando e
introduzindo diferentes rotinas no nosso jeito de trabalhar,
comprar, divertir, viver.
A nova ordem, porém não é apenas tecnológica. Vivemos
tempos em que muitos conceitos antigos são repensados e
vemos a sociedade atual exigindo maior respeito à
natureza e às diferenças, lutando por uma vida mais justa
para todos.
Assuntos como política, cultura, educação, saúde e
religião, por exemplo, entram em um novo e amplo
debate, conduzido e mediado por redes sociais na Internet,
e uma nova onda de mobilização se faz sentir em todo o
planeta. Multidões vão às ruas clamar por seus direitos,
parecendo haver uma nova consciência da
responsabilidade cidadã, impulsionada por muito mais do
que alguns centavos acrescidos às passagens de ônibus.
Ao mesmo tempo, no entanto, percebemos que algumas

�coisas simplesmente não mudaram praticamente em nada.
Algumas instituições parecem resistir ao tempo e aos
ventos de mudança, permanecendo quase intactas. Os dias
continuam tendo 24 horas, apesar da sensação incrível de
que o tempo passa cada vez mais rápido. Problemas
sociais como pobreza e corrupção parecem existir desde
sempre e, apesar de estarmos em pleno século XXI, a
maioria de nós nasce, cresce, constitui família e,
inevitavelmente, um dia morre.
Que mundo estranho, cheio de contradições... O novo e o
velho se esbarram, caminham juntos, e cada um de nós é
feito desse antagonismo que é matéria prima do ser
humano e da sociedade em que vivemos.
Nessa caminhada, somos todos protagonistas tanto do
novo quanto na manutenção das tradições. Falo
primeiramente por mim enquanto mulher, mãe, esposa e
cidadã. Mas, também, enquanto profissional: sou
bibliotecária de formação e atuo como professora
formadora de novos bibliotecários.
Desse lugar é que pretendo discutir mudanças e tradições
ao longo das próximas páginas, pois se há uma área
profissional capaz de permanecer enraizada e fiel aos seus
princípios diante dos vendavais das mudanças sociais e, ao
mesmo tempo, transformar suas práticas a partir desses
mesmos ventos, essa é a Biblioteconomia.
Pense numa biblioteca de 100 anos atrás em seus
aspectos físicos. Imagine suas estantes com seus livros
organizados, suas mesas e cadeiras dispostas para a
consulta, o balcão de atendimento. Pense agora na
biblioteca do seu bairro hoje. Visualize suas estantes com
seus livros organizados, suas mesas e cadeiras e o balcão
de atendimento. Se tiver sorte, vai conseguir enxergar
alguns terminais de computador como diferença principal.
Agora, como bibliotecário, pense nos métodos e códigos
de catalogação e classificação de 100 anos atrás e, nos de
hoje. Se tiver sorte, vai conseguir enxergar alguns

�terminais de computador como diferença principal.
Por outro lado, dos livros acorrentados e silêncio sepulcral
ao ambiente interativo de hoje, muitas águas já passaram.
Esse mesmo ambiente físico com características tão
parecidas ontem e hoje, também é palco de mudanças
significativas, onde serviços de informação e leitura
criativos e inclusivos fazem muita diferença. Dois exemplos
para o começo da nossa conversa, um brasileiro e outro
estadunidense.
Uma biblioteca de encher os olhos e o coração
bibliotecário de orgulho e esperança é a Biblioteca de São
Paulo, localizada no espaço onde funcionava a
penitenciária, da qual se tem a triste lembrança de uma
das mais cruéis chacinas de que se tem notícia no Brasil: o
Carandiru.
Inaugurada em 2010 e mantida pelo Governo do Estado
de São Paulo, a Biblioteca tem uma proposta inovadora
que se concretiza através de projetos de leitura e inclusão
social, oferecidos em um ambiente colorido, agradável e
confortável. Como biblioteca pública, atende os mais
diferentes públicos de forma atenciosa e acolhedora.
Trata-se de um espaço onde o impresso e o eletrônico
convivem, oportunizando o acesso a obras físicas e digitais,
inclusive a pessoas com necessidades especiais. Nele, é
possível ler, assistir a filmes, ouvir músicas, pesquisar na
Internet, jogar.
Segundo estatísticas da biblioteca, no ano de 2013, mais
de 300 mil pessoas usufruíram desse espaço e dos serviços
que nele são oferecidos e mais de 16 mil participações em
projetos de ação cultural foram desenvolvidos1.
Considero essa iniciativa do governo estadual de São
Paulo uma virada de mesa sensacional. A quantidade de
jovens e adolescentes que frequentam a biblioteca chega a
emocionar. Trazer o mundo da leitura e da vida para um
lugar, anteriormente, ligado a atrocidades e morte é
simplesmente fantástico! A sociedade agradece.

�Biblioteca de São Paulo. Fonte: Biblioteca São Paulo

Como exemplo internacional, gostaria de mencionar a
Free Library, da Central Library of Philadelphia (Filadélfia,
EUA). Para além de seu espaço físico convencional, esta
biblioteca oferece diversos serviços essenciais à população,
como: orientação para buscar e encontrar emprego e
cursos de língua inglesa e preparatórios aos exames de
cidadania americana2. A biblioteca dispõe de diversos
‘ramos’, estendendo-se até o aeroporto da cidade ou áreas
com grande número populacional.

Free Library of Philadelphia, Aeroporto Internacional de
Philadelphia.
Fonte: http://intransit.blogs.nytimes.com/

Lankes (2012, p.129-130) conta que esta biblioteca
passou por uma situação constrangedora com a presença
de um grande número de moradores de rua, que entravam
para usar o banheiro e buscar um lugar para descansar
assim que suas portas eram abertas.
Para solucionar o problema, em vez de buscar formas de
livrar-se dos “incômodos” que este público poderia causar,

�os bibliotecários: 1. Contrataram esses homens e mulheres
como atendentes e responsáveis pela limpeza nos
banheiros; 2. Abriram um café financiado por um banco,
com equipamentos doados por uma grande rede de café
norte-americana e com o apoio das padarias da
comunidade que ofereciam a comida. Lá também
trabalhavam os sem-teto, que eram treinados e
gerenciados por antigos moradores de rua que estavam em
fase de transição profissionalizante.
Estes são apenas dois exemplos de como as bibliotecas
podem ser ao mesmo tempo tradicionais e inovadoras, sob
uma perspectiva social, que é justamente a razão de ser
desses espaços de informação. Os livros ainda estão nas
estantes, o balcão de atendimento ainda existe e as mesas
e cadeiras também fazem parte do cenário. Mas, elas
foram além, e é encantador reconhecer o potencial das
bibliotecas em sair do lugar comum e transformar vidas.
Contudo, este não é o tema central que quero abordar
nesta obra. Fiz toda essa introdução apenas para lembrar
que as bibliotecas podem ser muito mais do que a “caixa
de livros” que seu nome sugere. Fiz isso também para
reforçar a ideia de que os livros, dispostos nas estantes,
sem os quais seria (ainda) estranho pensar uma biblioteca,
possuem um importante papel social a cumprir.

A finalidade última de uma coleção ou acervo, seja físico
ou digital, é ser acessado para mudar vidas. Alguém já
disse que o melhor nome para biblioteca seria
‘personoteca’3, com o que eu concordo plenamente.
Ranganathan já sabia disso lá no início do século XX,
quando chamou a atenção para o fato de que os livros

�precisam ter seus leitores e que cada leitor deve ter o seu
livro. Isso é o básico da missão de uma biblioteca,
qualquer que seja a sua tipologia: da bebeteca, até a
especializada em assuntos dos mais complexos; o material
bibliográfico que comporá o seu acervo precisa ser pensado
e gerenciado de maneira voltada às pessoas que são o seu
público-alvo.
E aí chego ao meu verdadeiro objetivo: discutir a
formação e o desenvolvimento de coleções no contexto da
sociedade atual, sob o ponto de vista da gestão de
estoques de informação. Historicamente falando, a inclusão
da temática sobre as atividades biblioteconômicas,
voltadas à formação e desenvolvimento de acervos nos
cursos de Biblioteconomia no Brasil, remonta pouco mais
de 30 anos. Ou seja, anteontem.
Foi a partir daí que, efetivamente, houve uma atenção
maior e mais sistemática direcionada às questões relativas
aos cuidados que se deve tomar para selecionar, adquirir e
avaliar as obras que comporiam a coleção de uma
biblioteca brasileira.
Apesar de tão pouco tempo decorrido, o período entre a
década de 1980 e os dias atuais coincide com a época de
maiores mudanças no contexto informacional mundial. As
tecnologias de informação e comunicação alteraram
drasticamente o cenário da geração, fluxo, armazenamento
e uso da informação e, obviamente, há várias implicações
para as bibliotecas nesse novo contexto.
Portanto, formar e desenvolver coleções, hoje,
simplesmente não pode ser atividade realizada da mesma
forma como o foi há 30 anos. Por isso, como boa
bibliotecária, consciente de que manter suas raízes bem
firmadas é tão importante quanto empreender mudanças,
convido vocês a me acompanharem em uma releitura dos
principais termos que representam a criação e
desenvolvimento de acervos.
Esse ponto de vista nasce também da minha atuação

�como docente. Em 2002, ao iniciar a carreira como
professora do curso de Biblioteconomia, oferecido pela
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC),
assumi a disciplina de Gestão de Estoques de Informação,
a qual recebi assim, com esse nome, sem ter participado
do processo de mudança de nomenclatura, já que ainda
não fazia parte do quadro docente do Departamento de
Biblioteconomia e Gestão da Informação – DBI.
A mudança de nomenclatura ocorreu com a reformulação
curricular implantada em 2001, que deu um caráter
diferenciado ao curso, modernizando-o especialmente a
partir dos aspectos administrativos e tecnológicos da
formação profissional. A princípio, acreditei ser uma
tendência que, com o passar dos anos, naturalmente
haveria adesão de outros cursos que mudariam o título da
disciplina. De acordo com essa minha lógica, naturalmente,
artigos seriam publicados com a novidade na área de
Formação e Desenvolvimento de Coleções.
Não foi o que ocorreu. Numa pesquisa realizada no ano de
2011, verifiquei que de um universo de 37 cursos de
Biblioteconomia brasileiros, apenas 03 ofereciam a
disciplina com esse nome. A maioria esmagadora ainda
permanecia (e ainda permanece) oferecendo ‘Formação e
Desenvolvimento de Coleções’. Olhando um pouco mais
criticamente suas ementas e planos de ensino, mesmo as
03 disciplinas encontradas não apresentavam mudanças
significativas na abordagem do assunto ‘gestão de
estoques de informação’.
Esses dados me levaram a fazer muitas perguntas: por
que o título não emplacou? Será que vale a pena insistir
com ele? O que muda, afinal, se mudarmos o nome da
disciplina? A partir desses questionamentos, cheguei a
alguns pontos de reflexão iniciais que formam o conteúdo
deste livro, não havendo a menor pretensão de esgotar o
assunto, senão de apenas começar o necessário debate.
É preciso repensar a própria visão que se tem da
biblioteca em si e seus ‘usuários’ (termo que me causa

�incômodo). É preciso repensar o que significa ‘acervo’ nos
dias atuais e, como consequência natural, planejar tanto a
forma de gerenciá-lo quanto o perfil do profissional que
deverá fazer isso. E, aqui, abro um parênteses para pedir
desculpas pela quantidade de citações que o texto trará. A
argumentação que vem a seguir necessita de um chão
teórico firme para que possa sustentar as mudanças
terminológicas propostas.
Vivemos novos tempos, um novo contexto. Não podemos
nos conformar em repetir velhas práticas pensando em
obter novos resultados; Einstein diria que isso é loucura.
Prefiro seguir o que recomenda Giardelli (2012), citando
Gary Hamel: “não use velhos mapas para descobrir novas
terras” ou, em outras palavras, a partir do que já
conhecemos, podemos criar novas trilhas e chegar a
resultados melhores e mais interessantes.
Assim é que lanço a proposta de rediscutir a atividade
mais básica e milenar do bibliotecário: formar e
desenvolver a coleção de uma biblioteca. Proponho pensar
nessa atividade através de duas vertentes principais: a
administrativa e social. Para tal, nos capítulos que seguem,
abordaremos as tradicionais etapas do processo de Gestão
de Estoques de Informação à luz do contexto social
conectado e participativo em que vivemos atualmente.
Pretendo também repensar o papel do bibliotecário
enquanto gestor desses estoques: discutir as
características e atividades necessárias e desejáveis para
esse perfil de atuação. Além disso, suponho ser igualmente
essencial discutir a relação do bibliotecário e da biblioteca
com o seu interagente (termo que escolhi em substituição
a ‘usuário’). Dedicarei algumas páginas a esta reflexão
fundamental, até porque o ‘usuário’ de 30 anos atrás ficou
realmente para trás.
Este livro não tem por objetivo repetir o que já foi dito
sobre como formar e desenvolver coleções. Temos
literaturas excelentes que trazem com detalhes cada item
necessário dentro desse processo e, nesse aspecto, ainda

�são bastante atuais. O que desejo aqui é dizer o que ainda
não foi dito. Talvez pensado por muitos como eu, mas
ainda pouco explorado na literatura da área.
Sem perder de vista quem somos, enquanto
bibliotecários, pelo contrário, resgatando a verdadeira
essência da nossa atuação profissional, tentemos lançar
um novo olhar à biblioteca e sua comunidade, mais
precisamente à construção e desenvolvimento de seus
estoques de informação.
1 Dados da página da Biblioteca de São Paulo, disponível em:
http://bsp.org.br/fotos/
2 http://www.freelibrary.org/
3 Adriana Ferrari, atual presidente da Federação Brasileira de
Associações de Bibliotecários, acrescenta outras sugestões de termos
bem interessantes nessa linha de pensar a biblioteca voltada às
pessoas, como: pessoateca, gentoteca ou cidadâoteca. Genial, não
acham?

��1 - Então, por que falar em
gestão?
“O que importa não é de onde você vem
ou onde você está,
mas para onde você quer ir.”
David J. Schwarts

A palavra ‘gestão’ talvez nunca tenha sido tão
utilizada no meio acadêmico e empresarial como nos
últimos anos. Atualmente, no universo de estudos e
práticas biblioteconômicas, é muito comum ouvir falar
sobre gestão de bibliotecas, gestão da informação, gestão
de documentos, gestão do conhecimento, dentre outros
tantos.
Mas, o que é gestão? Encontrar uma definição clara do
termo não se mostrou tarefa simples para o
desenvolvimento deste livro. A primeira e mais óbvia
constatação seria a de que as atividades de gestão estão
intrinsecamente relacionadas à área de administração de
empresas. Sendo assim, é evidente que a busca
começasse por obras específicas dessa área do
conhecimento.
Vejamos o que diz o Dicionário Elucidativo de Termos
Administrativos (AMORIM; CLARES, 2005, p.97): “Gestão:
ato de gerir; gerência, administração; período ou termo de
um mandato, cargo ou função”. Para o propósito deste
livro, não considerei suficiente.
Próximo passo: percorrer obras de autores clássicos como
Chiavenato ou Drucker: igualmente frustrante. Embora
esses e outros autores discorram muito sobre o tema,
trata-se de tarefa quase heroica encontrar uma definição

�ou conceito específico que possa ser considerado “o”
conceito para explicar exatamente o que significa ‘gestão’:
”Há certamente tantas definições diferentes de gestão como
autores que escreveram sobre o assunto, e gestores que a
praticam. Estas diferenças surgem por uma variedade de
razões. Por vezes, a partir do debate irrelevante sobre se a
gestão é uma arte ou uma ciência; outras vezes, refletem os
diferentes pontos de vista a partir dos quais esse assunto é
abordado; e outras vezes, ainda, resultam dos diferentes
propósitos a que a definição se destina [...] Por um lado,
Peter Drucker, naquilo que é reconhecido como um dos
textos padrão sobre gestão, gasta três capítulos inteiros a
explorar “a natureza da gestão” [...] mas [...] nenhuma
definição simples e concisa de gestão é de facto
apresentada”. (GILES; STANSFIELD, 1980, p.9).

Talvez seja por isso que, dependendo da área do
conhecimento, surjam diferentes definições de gestão
aplicáveis a cada contexto. Contudo, Marques (2012, p.3)
traz uma definição de gestão um pouco mais interessante
ao nosso debate, de autoria de Robbins e Coulter (2009):
“Gestão é a coordenação e supervisão do trabalho de
outros para que as suas actividades sejam desempenhadas
eficiente e eficazmente” (grifos do autor).
Entram em cena as palavras ‘coordenação’ e ‘supervisão’,
que remetem às atividades de liderança no processo
administrativo e à ideia da eficiência e eficácia, ligadas
diretamente aos resultados que se espera obter.
Marques (op.cit) também cita Kay (1981) para quem
gestão é “o processo de tomada de decisão de como
afectar recursos limitados entre usos alternativos de
modo a optmizar determinados objectivos” (grifos do
autor).
A partir desta segunda concepção de gestão, percebe-se
que se trata de um processo, no qual decisões importantes
precisam ser tomadas, a fim de otimizar recursos para
atingir objetivos.
O texto de Marques é bastante didático e traz de forma
bem simplificada as etapas da gestão:

�Planejamento:
definir
os
objetivos
e
determinar com antecedência como atingilos;
Organização: estabelecer as relações entre
as pessoas e entre estas e os recursos
existentes;
Direção: Motivar, liderar e promover a
comunicação entre e com as equipes de
trabalho, a fim de alcançar os objetivos
propostos e resultados desejados;
Controle: Comparar objetivos definidos e
alcançados, corrigir falhas e desvios,
definindo novas ações.
Estes pontos são muito importantes para a discussão aqui
proposta, pois gerenciar/administrar demanda certos
conhecimentos e práticas organizacionais muito
específicas, que não devem ser realizadas de modo
intuitivo em nenhuma empresa. Tampouco em bibliotecas.
Hoje em dia são bastante evidentes as conexões entre a
Biblioteconomia e a Administração, ficando muito claras
suas aplicações especialmente nas questões gerenciais de
Unidades de Informação. Um bom número de artigos e
livros têm sido publicado, trazendo essa ligação entre as
áreas e discutindo as muitas variáveis e possibilidades de
aplicação de conceitos e atividades administrativas que
ajudam a organizar o trabalho bibliotecário, conferindo-lhe
maior eficiência e eficácia em diferentes processos.
Não é à toa que alguns cursos de Biblioteconomia
possuem em seus currículos diversas disciplinas voltadas a
estudos de Teorias Administrativas e a aspectos diversos
de gestão de bibliotecas e unidades de informação, por
exemplo, e isso se explica por conta da visão que temos
das bibliotecas enquanto organizações.

�Para atingir os objetivos, neste capítulo e voltando ao
nosso problema com o conceito de gestão, utilizaremos
duas definições encontradas em textos próprios da
Biblioteconomia. A primeira se encontra no Glossário de
Biblioteconomia e ciências afins (ARRUDA; CHAGAS, 2002,
p.104), onde gestão “consiste não só de um conjunto de
ferramentas, como também de uma adequada visão e
compreensão do negócio em si”.
Embora um tanto genérica, essa definição contribui, na
medida em que aponta a necessidade da adequação da
visão do gestor e de uma compreensão de negócio no
desenvolvimento das atividades gerenciais. De nada
adianta conhecer boas ferramentas se a visão for distorcida
ou não houver a compreensão exata a respeito da
biblioteca enquanto uma organização.
Mais completa e detalhada, a definição de autoria de
Garcia-Reyes, utilizada por Vergueiro e Miranda (2007),
aponta detalhes da atuação do gestor dentro do quadro
geral da administração de bibliotecas:
conjunto de funciones y técnicas integradas, de ejecucíon
simultânea, que deben aplicar de forma necesaria los cuadros
directivos, como responsables del trabajo de otros, para
lograr que la organización a la que pertencen funcione y
pueda alcanzar los propósitos que persigue” (GARCIA-REYES,
2007, p. 12).

Portanto, vemos que a partir de uma adequada visão
gerencial que permita a integração de funções e técnicas
de execução simultânea, coordenadas por pessoas em
cargos de liderança, detentoras da exata compreensão de
negócio que levará a biblioteca, enquanto organização, a
funcionar de maneira a atingir seus propósitos e objetivos,

�é o que podemos chamar de gestão no universo
bibliotecário.
Nessa direção, Maciel e Mendonça (2000) afirmam que,
independente do contexto e do tamanho, as bibliotecas
precisam ser pensadas como empresa, na qual as
atividades e projetos precisam ser gerenciados de modo a
obter resultados que devem ser avaliados constantemente.
A partir dessa concepção, as autoras dividem o trabalho
do gestor de bibliotecas e as tarefas necessárias para o dia
a dia dessas unidades de informação em diferentes funções
(como sugere Garcia-Reyes) de O&amp;M (Organização e
Métodos), que possuem como alvo a qualidade total.
Esse processo é permeado por uma sequência de tomadas
de decisão que colocam, sobre o bibliotecário, a
responsabilidade de escolher sempre o melhor caminho a
seguir para resolver os problemas de sua biblioteca. Assim,
eles se tornam gerentes de seu trabalho, estando em
cargos de mando ou não. (MACIEL; MENDONÇA, 2000,
p.15).
O propósito final de um processo de gestão de bibliotecas
é sempre o alcance de um nível de qualidade e excelência
em produtos e serviços de informação. No contexto da
Biblioteconomia é comum o uso do termo ‘gestão’, aplicado
basicamente nos processos de bibliotecas, relativos a
serviços, idealmente, com foco no ‘usuário’. Santos, Fachin
e Varvakis (2003, p.86) afirmam que:
Na gestão de serviços em bibliotecas, é fundamental e
necessária uma nova concepção de prestação de serviços,
fazendo uso das TIC e focando os usuários, ou seja, a
identificação da demanda de informações direcionadas e
específicas a cada segmento. É importante conhecer quem
são os usuários, quais são suas necessidades, promover uma
interação entre o fornecedor e o usuário da informação, dar
ênfase ao receber e analisar as solicitações de serviço,
detalhar as necessidades de cada usuário, especificar o tipo
de pesquisa ou de material bibliográfico necessário e mais
adequado àquele usuário.

Para administrar bibliotecas nos dias atuais, como visto na

�citação acima, é necessário que o gestor detenha,
também, conhecimento de tecnologias de informação e
comunicação direcionadas ao uso de equipamentos e
recursos eletrônicos, a fim de oferecer serviços de
informação adequados a uma comunidade que precisa ser
igualmente bem conhecida.

O bibliotecário gestor é o profissional responsável e
qualificado para exercer liderança em todo o processo que
envolve recursos e políticas administrativas necessárias ao
sucesso da biblioteca como um todo. Holanda e
Nascimento (2010) afirmam que o bibliotecário, gestor de
unidades de informação, deve desenvolver habilidades e
competências com aportes em um conjunto de
conhecimentos administrativos e tecnológicos de disciplinas
formativas que perpassam conteúdos como modelos
organizacionais, planejamento e tomada de decisões,
economia e políticas de informação dentre outras, que o
capacitem a gerenciar uma biblioteca com vistas ao
oferecimento de produtos e serviços de qualidade.
A literatura atual em Biblioteconomia tem dado ênfase
especial ao bibliotecário enquanto gestor. A partir desse
ponto de vista, o perfil de liderança do profissional que
gerencia bibliotecas é destacado e delineado, dando
evidência à sua capacidade de trabalhar em equipe e à
necessidade de adquirir conhecimentos específicos da
disciplina de Administração e de temas atuais sobre a
gestão organizacional. Assis e Maia (2014, p.187) afirmam
que esse bibliotecário “deve ser uma pessoa ágil e
dinâmica, com uma visão moderna de gestão e
organização”.

�Já o termo ‘gestor da coleção’ é raramente utilizado ao se
referir ao bibliotecário que atua com os estoques de
informação em bibliotecas. Verifica-se o uso do termo
‘gestor da informação’, englobando as atividades
específicas de pensar e organizar as coleções. Quando há
essa menção, encontra-se a orientação das atividades
relativas à formação e desenvolvimento de coleções sendo
próprias desse profissional como, por exemplo, em
Nascimento (2000, p.13), quando afirma que “o gestor de
informação tem de adotar metodologias para avaliar e
reajustar constantemente a coleção da biblioteca”.
Assim, também, Rodrigues e Azevedo (2012, p.38), ao
discorrer sobre o perfil do bibliotecário enquanto gestor da
informação em bibliotecas universitárias, afirmam que
dentre as suas atribuições estão as das atividades de
“organização, seleção, aquisição, armazenamento,
circulação, desenvolvimento de coleções, entre outras”.
De qualquer maneira, a partir de tudo o que vimos até
aqui, podemos delinear o perfil desse gestor e dizer que ele
deve ser alguém capaz de: coordenar e supervisionar a
equipe da biblioteca através de um processo de tomada de
decisão consciente e coerente, levando-a a oferecer
produtos e serviços de informação (com ou sem base
tecnológica), focados na sua comunidade de interagentes e
atingindo seus objetivos de maneira eficiente e eficaz. Em
relação à gestão específica dos estoques informacionais,
espera-se o mesmo desempenho.
Em bibliotecas de grande porte, com um número razoável
de bibliotecários atuando em diferentes setores, parece ser
mais fácil conseguir que esse papel seja cumprido de
maneira colaborativa e participativa. Mas e naquela
biblioteca pequena, lá naquela escola distante dos grandes
centros, onde o bibliotecário sozinho acumula todas as
funções possíveis e imagináveis (inclusive as que não estão
diretamente ligadas ao ambiente da unidade de
informação)? A gestão serve para esse contexto também?
O que se pretende discutir aqui é que, para além de

�estudos aprofundados de administração e da construção de
um processo hierárquico e delineado, segundo os
contornos clássicos das teorias administrativas, esse
bibliotecário responsável pela pequena biblioteca e por sua
coleção poderá considerar-se igualmente um gestor.
Isso por que a concepção de gestão que aqui se pretende
utilizar é aquela que tem como objetivo facilitar a vida
profissional do bibliotecário, oferecendo-lhe ferramentas e
ideias práticas de como otimizar seu trabalho através do
planejamento de suas atividades.
Foi publicado no blog chamado Bibliotecários Sem
Fronteiras (MURAKAMI, 2014) um post que sugere aplicar
a cultura organizacional do McDonald’s às bibliotecas. Os
aspectos abordados eram o da padronização, controle e
ferramentas de gestão, treinamento, comunicação eficiente
e rodízio de área/função.
O autor traz de forma simples alguns preceitos que, em
sua opinião (na verdade depoimento, já que trabalhou por
quatro anos em uma das lojas da rede) funcionam bem na
lanchonete e que, se aplicados corretamente nas
bibliotecas, poderiam resolver alguns problemas crônicos
como a dependência de funcionários que dominam as
tarefas de um setor; e termina a postagem dizendo que o
pessoal que trabalha no McDonald’s ganha pouco, mas é
mais animado do que o pessoal da biblioteca.
Sem entrar no mérito da aplicação sugerida, esse
exemplo representa bem o propósito deste livro: sem ter a
pretensão de ser um texto acadêmico que aprofunde
teorias administrativas, a ideia é trazer ao bibliotecário em
atuação uma visão estratégica de seu trabalho enquanto
gerente de uma unidade de informação, com foco dirigido
ao acervo como passível de receber uma gestão
especializada.

�Quando se pensa em acervos naquela perspectiva das leis
de Ranganathan, deve-se levar em conta a comunidade
que interagirá com eles. O material bibliográfico (físico ou
não) de uma biblioteca é a base da prestação de seus
serviços e produtos de informação. Sendo assim, as
coleções dessas unidades estão invariavelmente incluídas
nesse ambiente organizacional e, portanto, alvo de atenção
gerencial.
A necessidade de uma mudança de mentalidade
(adequação da visão) quanto ao acervo nesse aspecto, em
especial, não é nova e essa preocupação não é só minha.
Já nos idos da década de 1980, quando Vergueiro (1989)
lançou o livro Formação e Desenvolvimento de Coleções
(muito utilizado até hoje quando o assunto é a coleção da
biblioteca), o autor já argumentava em suas linhas o quão
importante é “o planejamento de acervos seletivos,
dinâmicos [...] acervos integrados à comunidade”
(VERGUEIRO, 1989, p. 14), e quão necessário se fazia
lançar esse olhar de maneira sistemática à coleção das
bibliotecas.
A essa altura, talvez alguns estejam pensando: mas se
Vergueiro já disse isso em 1989, se esse livro é um dos
mais conhecidos e utilizados pelos bibliotecários que
formam e desenvolvem coleções, por que rediscutir o
tema? E mais, por que falar em ‘gestão de estoques’,
quando já temos tão sedimentado o termo ‘formação e
desenvolvimento’?
Bem, em primeiro lugar, trata-se de demonstrar que as
etapas e características da formação e desenvolvimento de
coleções são nada mais, nada menos, do que etapas e
características próprias de gestão. Essa nomenclatura vem

�adequar o termo aos demais utilizados na Gestão de
Bibliotecas e/ou Unidades de Informação, atribuindo-lhe
uma denominação mais coerente com as práticas de
planejamento de acervos que ali devem ser desenvolvidas.
Em segundo lugar, específica e conscientemente dirigida
aos mais céticos quanto a levantar uma questão dessa
natureza em solo tupiniquim, venho afirmar que o termo
‘Gestão de Coleções’ é amplamente utilizado pelas
Biblioteconomias norte-americanas e inglesas. Isso é bem
simples de checar: você pode realizar uma rápida pesquisa
básica no Google e vai encontrar as conhecidas Políticas de
FDC com o nome de Collection Management Policy1
(Política de Gestão de Coleção).
Assumindo o termo ‘management’ de forma mais
institucional, a ALA (American Library Association),
Associação Norte Americana de Bibliotecários, disponibiliza
uma série de orientações e documentos relativos à gestão
das coleções, em seções especialmente dedicadas aos
profissionais que exercem esse papel junto aos diferentes
tipos de bibliotecas2.
Nela, o bibliotecário poderá encontrar, dentre outras,
informações sobre comitês e grupos de interesse formados
para discutir e orientar o bibliotecário gestor em suas
atividades de formação e desenvolvimento de coleções.
Dentre os documentos disponibilizados pela ALA, estão
diversos guias para orientar diferentes etapas do processo
de gestão de estoques de informação, como: seleção de
obras em áreas especializadas e preservação e estocagem
de itens bibliográficos.
Como argumento final e, talvez definitivo, gostaria de
analisar o uso do termo por um autor repetidamente citado
nos artigos e livros sobre formação e desenvolvimento de
coleções: G.Edward Evans. Lembra-se dele? Se você atua
com coleções, certamente sim.
Evans (1979) é autor de um dos diagramas mais
conhecidos sobre o processo de FDC, citado por Vergueiro

�em seus textos:

Fonte: VERGUEIRO, 1993.

Quantas vezes você já viu, estudou, discutiu e utilizou
essa figura? Pois bem, este autor lançou, em 2012, a sexta
edição do livro publicado em 1979, denominado até a
quinta edição de 2006 como: ‘Developing Library and
information center collections’ (Desenvolvendo coleções de
bibliotecas e centros de informação). A obra recebe agora
o sonoro título de ‘Collection Management Basics’ que inclui
o termo ‘gestão’ (management, grifo meu).
O autor comenta que há vários termos utilizados para
designar o processo de criar coleções, mas a preferência
ocorre pela utilização do termo ‘gestão de coleções’,
porque ele “reflete todos os aspectos que são requeridos
para a efetiva criação e manutenção das atuais coleções de
bibliotecas, desde o início até o fim”. (EVANS, SAPONARO,
2012, Cap.2, p.5. Tradução livre).
Para os autores (op.cit. Cap.2 p.10), o termo ‘gestão de
coleções’ é:
Mais amplo em seu escopo e, enquanto retém a meta de
encontrar a informação desejada pelas pessoas (um serviço à
população), de maneira a economizar o tempo no uso dos
recursos da biblioteca, ainda acrescenta elementos como

�preservação a longo prazo, aspectos legais do acesso e uso
de materiais e proporciona um esforço colaborativo com
outras instituições e pessoas a fim de prover o melhor custobenefício possível ao acesso. Esta nova definição é mais
ampla e dá ênfase ao pensar (em termos de tempo e
economia) a construção das coleções em longo prazo, bem
como a buscar os recursos informacionais tanto interna
quanto externamente.

Conforme já mencionado, gestão pressupõe
planejamento, acompanhamento, avaliação. Portanto,
gerenciar acervos significa mais que localizar, agrupar e
conservar. Significa definir e aplicar critérios de seleção,
aquisição, avaliação e preservação para disponibilização,
buscando atingir níveis cada vez mais elevados de
excelência na formação de um estoque informacional.
Significa também traçar metas de desenvolvimento e
expansão desse estoque, levando em consideração os
objetivos da instituição, as demandas informacionais
existentes e a serem criadas, considerando o contexto
político, social e econômico local/nacional/mundial.
Para atingir essas metas, é necessário planejar atividades
meio e fim, captando recursos humanos e financeiros
suficientes a sua execução e para atingir as metas
propostas e, nesse aspecto, a figura do gestor é
imprescindível.
Acredito que já temos argumentos suficientes para pensar
a formação e o desenvolvimento de coleções sob a
perspectiva da gestão. Podemos, agora, seguir ao próximo
ponto, a partir do qual sugiro analisarmos o acervo como
um estoque de informação a ser gerenciado.
1 Alguns exemplos: Biblioteca Pública de Birmingham (Inglaterra) e
da Universidade de Iowa (EUA):
http://www.bplonline.org/about/policy/CollectionManagement.aspx
http://www.lib.uiowa.edu/collections/
2 Collection Management Section (CMS):
http://www.ala.org/alcts/mgrps/cms e Collection Management
Resources: http://www.ala.org/alcts/resources/collect/collmgt

��2 - Para além dos acervos e das
coleções: estoques de
informação
“Todo leitor tem seu livro. Todo livro tem o seu leitor”
Ranganathan

O termo ‘estoque de informação’ é utilizado por
Barreto (2000), que o conceitua como “toda a reunião de
estruturas de informação. Estoques de informação
representam, assim, um conjunto de itens de informação
organizados (ou não), segundo um critério técnico dos
instrumentos de gestão da informação e com conteúdo que
seja de interesse de uma comunidade de receptores”.
Esses estoques, processados e disponibilizados para
acesso e uso de seus receptores, fornecem os subsídios
necessários para que uma interação seja instalada no
processo comunicativo da leitura, cujo resultado esperado
é a produção do conhecimento.
Para o autor, a informação produzida e estocada é
considerada como sendo algo material e passível de ser
processado, tecnicamente, em unidades de informação
(BARRETO, 1994):
A produção da informação, definida por nós como estruturas
significantes, operacionaliza-se através de práticas bem
definidas e se apoia em um processo de transformação
orientado por uma racionalidade técnica que lhe é específica;
representa atividades relacionadas à reunião, seleção,
codificação, redução, classificação e armazenamento de
informação. Todas essas atividades orientam-se para a
organização e controle de estoques de informação para uso
imediato ou futuro. Este repositório de informação representa
um estoque potencial de conhecimento e é imprescindível

�para que este se realize no âmbito da transferência de
informação [...] As estruturas significantes armazenadas em
bases de dados, bibliotecas, arquivou ou museus possuem a
competência para produzir conhecimento, mas que só se
efetiva a partir de uma ação de comunicação mutuamente
consentida entre a fonte (os estoques) e o receptor.

As atividades técnicas mencionadas por Barreto (1994)
correspondem às etapas da gestão desses estoques
comumente encontradas em bibliotecas. O cenário de
produção da informação, contudo encontra-se em franca
expansão num crescente verificado desde a invenção da
imprensa e potencializado ainda mais com a chegada da
informática e da Internet.
Assim, os estoques de informação podem também ser
considerados como todo o material bibliográfico “reunido,
selecionado, codificado, reduzido, classificado e
armazenado”. Essa “racionalidade técnica”, embora
abranja as demais atividades da gestão da biblioteca como
um todo, inclui as atividades de gestão, próprias da
formação e desenvolvimento das coleções. Segundo o
autor (op.cit.):
A crescente produção de informação precisa ser reunida e
armazenada, de forma eficiente, obedecendo critérios de
produtividade na estocagem, ou seja, o maior número de
estruturas informacionais deve ser colocado em menor
espaço possível dentro de limites de eficácia e custo. [...]
Assim, os estoques institucionais de informação, processados,
gerenciados e controlados para uso político e econômico,
constituem uma infocotextura que convive e permeia uma
superestrutura de informação. A esta se acrescentam,
também, os estoques potenciais de informação que se
encontram disponíveis, mas não em uma cadeia de produção,
obedecendo a um processamento técnico e armazenagem
contínua.

Diante de um vasto universo de informações a serem
estocadas, Barreto afirma que as atividades de controle do
caos informacional, ocasionado por um volume gigantesco
de informação produzida atende a três tipos de seleção “na
formação dos estoques de informação”. (BARRETO, 2000).
A primeira delas se refere ao ato de selecionar obras à

�composição de acervos:
A primeira seleção é a de itens de informação que vão entrar
para formar o estoque de informação, os acervos; os critérios
e a política de inclusão são determinados por mediadores que
atuam em nome dos receptores; todo ato de selecionar uma
parte de um todo representa um favorecimento daquela parte
e um ocultamento do todo não favorecido na escolha.

O autor tece comentários sobre aspectos indesejáveis no
que chama de economia da informação, atribuindo caráter
excludente nem sempre positivo ao processo seletivo,
como indicado na citação acima. Vamos abordar as formas
de minimizar esse efeito negativo no capítulo em que se
trata das etapas do processo de gestão de estoques de
informação, especificamente a de seleção.
A partir dos textos de Barreto, abrem-se as portas para
uma nova forma de nomear acervos e coleções de U.I., e o
que pretendo defender aqui é que essa mudança
terminológica deve também implicar uma mudança de
visão, especialmente devido ao caráter dinâmico que a
palavra “estoque” poderá assumir.
Quando falamos em acervos, pensamos em um
agrupamento de itens, geralmente em grande quantidade,
que tenha um dono, um possuidor (privado ou público).
Vejamos as seguintes definições e conceitos:
Dicionário Houaiss: grande quantidade;
montão, acumulação. Conjunto de bens que
integram o patrimônio de um indivíduo, de
uma instituição, de uma nação.
Dicionário Aurélio Buarque de Holanda:
grande
quantidade;
porção,
cúmulo,
montão. Conjunto de obras que fazem parte
de um patrimônio.
Um conceito de acervo para a área da Biblioteconomia,
apresentado pelo Glossário de Biblioteconomia e ciências
afins (BRASIL, 2011) não traz diferenças significativas:

�“conteúdo de uma coleção privada ou pública, podendo ser
de caráter bibliográfico, artístico, fotográfico, científico,
histórico, documental, misto ou qualquer outro”.
Pessoalmente, a ideia de acervo me leva a imaginar uma
sala muito alta, com estantes que vão até o teto, cheias de
livros muitos dos quais talvez nunca tenham sido sequer
abertos. Vejo nessa sala, também, uma mesa antiga,
clássica, de madeira. Ao lado, um pouco mais à direita e
perto de uma imensa janela está uma poltrona confortável
e, forçando um pouco mais a imaginação, vejo-me ali
sentada com um livro aberto no colo, tomando uma xícara
de chá.
É uma imagem linda, digna de orgulho para o dono e
mantenedor desse acervo espetacular, ainda que
imaginário. Porém, trata-se de algo muito particular,
dirigido a um seleto grupo de pessoas, ao qual, em minha
imaginação, estou incluída felizmente.
Quando se fala em coleção, os significados são os
seguintes:
Dicionário Houaiss: reunião ou conjunto de
objetos; reunião ordenada de objetos de
interesse estético, cultural, científico, etc.,
ou que possuem valor pela sua raridade, ou
que simplesmente despertam a vontade de
colecioná-los.
Dicionário Aurélio: Reunião de objetos da
mesma natureza; reunião de objetos
escolhidos por sua beleza, raridade, valor
documentário ou preço.
O Glossário de termos diz o seguinte sobre coleção:
“conjunto limitado, de um ou diversos autores, reunidos
sob um título comum, podendo cada livro ter título
próprio”. Trata-se de uma definição específica que não se
refere ao acervo geral de uma biblioteca e, portanto, não
aplicável a nossa discussão aqui.

�Essas definições nos levam ao questionamento, em
tempos de interatividade e colaboração, das ideias de
coleção e acervo que, apesar de válidas para expressar o
caráter de reunião e conservação em um local definido,
não seriam muito limitadas quando se pensa no potencial
de seus conteúdos informativos no ambiente das
bibliotecas. Esses termos expressam ainda uma visão de
posse, guarda e patrimônio que contribuem à manutenção
do imaginário de biblioteca enquanto guardiã e
colecionadora de raridades (preferencialmente) intocáveis.
Talvez seja exagero da minha parte, mas me parece que
acervos e coleções são apenas para olhar, para admirar
quando, com estoques, as coisas são diferentes. Vamos,
pois à definição de estoque:
Dicionário
Houasiss:
Quantidade
de
mercadoria armazenada para determinado
fim.
Dicionário Aurélio: Porção de mercadorias
armazenadas num depósito, numa loja.
Conjunto de mercadorias, matérias-primas,
produtos acabados ou quase acabados, etc.,
que constituem a propriedade de uma
empresa.
O Glossário de termos de Biblioteconomia e ciências afins
não apresenta o conceito de estoque, o que não chega a
surpreender, já que o termo é pouco utilizado pela área.
Dos conceitos de estoque acima descritos, merece
atenção o que se refere à finalidade para a qual a
“mercadoria” está armazenada. Um estoque não é uma
coleção, nem mesmo um acervo, apesar de serem
constituídos, incialmente, de um conjunto de itens
armazenados que pertencem a alguém. Eles não estão ali
reunidos apenas para a guarda e preservação. Eles estão
ali com um propósito definido: sair do armazém o mais
rápido possível. Nenhum empresário ou comerciante

�sensato gostaria de ver suas ‘estantes’ cheias de material
estocado (leia-se ‘encalhado’).

Falando em aquisição, a ideia de estoque remete
imediatamente ao conceito de materiais, cuja aquisição e
manutenção envolvem recursos que possuem valores e,
portanto, não devem em hipótese alguma permanecer
ociosos, empoeirando nas prateleiras. Segundo Moreira
(1998, p.1), é preciso lembrar que “estoque é investimento
e conta como parte do capital da empresa”. Por isso devem
circular e serem transformados em lucratividade para
quem neles investiu.
Da mesma forma, os estoques de informação necessitam
circular constantemente e, para isso, devem ser dinâmicos
e atrativos. Eles foram adquiridos e, portanto, houve um
custo para sua formação. Mesmo quando são adquiridos
por doação, os materiais informativos representam gastos
de manutenção e conservação que precisam justificar sua
permanência nas estantes.
Não faz sentido um investimento sem retorno e o mesmo
vale para as bibliotecas. Por isso, a gestão desses estoques
deve visar à criação e ao atendimento de demandas de
informação, com o fim de torná-los lucrativos diante dos
objetivos da instituição que mantém a unidade de
informação.
A literatura de Biblioteconomia é prodigiosa no que diz
respeito ao marketing de produtos e serviços de
informação, justamente porque há a consciência de que o
material informacional das bibliotecas não pode ficar
estocado sem uso constante. Isso representa prejuízo em
diversos níveis: social, institucional, financeiro e de

�imagem/visibilidade profissional. Sendo assim, gerenciar
criteriosamente as etapas de seleção, aquisição e avaliação
é fundamental para sua formação e desenvolvimento, com
vistas à obtenção de resultados positivos na disseminação
da informação e construção do conhecimento.
Portanto, pensar o acervo sob a perspectiva de estoque
de informação implica também o lucro, que é sempre um
objetivo a ser atingido, mesmo que não corresponda
necessariamente a valores financeiros. Para tanto, é bom
lembrar o caráter cíclico da gestão de estoques de
informação.
Assim como os estoques de maneira geral, os de
informação devem passar por revisões contínuas e
periódicas, pois têm como finalidade última o atendimento
à sua clientela específica. Devem ser constantemente
renovados e divulgados para que não fiquem parados nas
estantes. Ao contrário, devem ser “consumidos”, a fim de
gerar conhecimento.
O gestor desse estoque precisa acompanhá-lo de perto,
detectando seus pontos fortes e fracos, questionando as
razões de uma obra ou área em especial estar sendo
subutilizada ou superutilizada, criando mecanismos para
incentivar sua circulação e uso, fazendo-o circular o mais
que puder.
A finalidade principal de todo o investimento realizado
para a formação de um estoque de informação é a
utilização máxima desses itens pelo seu público-alvo,
tendo como norte dois polos em especial: os objetivos da
instituição mantenedora e sua comunidade de ‘usuários’.
Os objetivos institucionais geralmente são bem definidos e
claros através da missão e visão das organizações; estão
normalmente disponíveis aos interessados em geral e aos
bibliotecários que gerenciam suas unidades de informação.
Esses objetivos norteiam todas as atividades da
instituição/empresa e oferecem certa segurança no
desempenho das diferentes funções desenvolvidas por

�aqueles que nela trabalham.
No entanto, as diretrizes que devem nortear o
conhecimento da comunidade-alvo, nem sempre se
traduzem de forma objetiva e nem com tanta clareza.
Pode-se, a princípio, dizer que seria fácil afirmar que numa
biblioteca escolar ou universitária essa comunidade seria o
conjunto de pessoas que estudam ou trabalham na
escola/universidade. Ou que, numa biblioteca
especializada, haveria as pessoas empregadas por aquela
empresa ou instituição ou, ainda que, numa biblioteca
pública, trabalhariam pessoas que moram numa
determinada localidade.
Teoricamente sim. Mas, para além do óbvio, quero
lembrar que se trata de pessoas que, apesar de
constituírem grupos distintos são individuais e únicas. Para
elas é que a biblioteca existe (a cada leitor o seu livro,
lembra?). Olhar para esse público como uma massa de
‘usuários’, realmente, torna a tarefa mais fácil. Porém,
menos interessante, menos social, menos verdadeira.
Para formar um estoque capaz de circular
satisfatoriamente e atingir os objetivos de uma biblioteca
socialmente relevante, é preciso repensar a forma de
enxergar sua comunidade. Esse é o próximo ponto a
discutir.

��3 - Usuário, não. Interagente!1
“Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”.
Ray Kroc

O termo ‘usuário’ nunca me agradou. Por diversos
motivos, mas, principalmente, porque não expressa o que
um frequentador de biblioteca realmente é. É uma
daquelas palavras que formam o vocabulário de uma
determinada área e já que todo mundo usa, acaba-se
acostumando com ela, usando-a também.
Na verdade, apesar de constantemente utilizada, trata-se
de uma palavra incômoda para muitas pessoas há bastante
tempo. Já no início do século passado, Ranganathan
preferia chamar de ‘leitor’ àqueles que procuravam a
biblioteca para satisfazer demandas de informação.
Atualmente, percebe-se uma tendência em chamar de
‘cliente’ aos que frequentam o ambiente da biblioteca em
busca de seus produtos e serviços.
Lunardelli (2007) realiza uma análise léxica dos termos
‘cliente’ e ‘usuário’ e conclui que não é possível afirmar a
existência de um termo mais correto, apenas a busca de
sua melhor adequação às condições de cada situação. Faz
sentido, mas ainda não resolve a questão.
O termo ‘usuário’, quando se refere àquele que busca
informação no ambiente da biblioteca, assume os
seguintes significados:
É aquele que faz uso da informação para melhorar seus
trabalhos, pesquisas e conhecimentos. (CORTEZ, 1987,
p.200).
Pessoa que consulta ou pesquisa documentos num arquivo.
(CASTILHO, 1991, p. 130) (ARRUDA; CHAGAS, 2002, p.214)
Com referência a uma biblioteca, entendemos que os
usuários são aqueles que habitualmente utilizam um ou mais

�de seus serviços [...] usuário seria a pessoa que utiliza
intensamente e assiduamente não somente os serviços de
leitura, como também dos outros que as bibliotecas
proporcionam como a fotocópia, traduções, resumos
analíticos, bibliografias especializadas, etc. (BUONACORE,
1976, apud LUNARDELLI, 2007).

Em outras palavras e pedindo desculpas pela redundância,
usuário é aquele que usa a biblioteca e seus recursos de
informação ou quaisquer que sejam os serviços que
estiverem disponíveis nesse ambiente. Usa até mesmo o
bibliotecário ou as pessoas que trabalham na biblioteca,
como provoca Lankes em um excelente keynote chamado
“Killing Librarians” (Matando os bibliotecários), disponível
no Youtube2 (se você entende o inglês, recomendo
fortemente que ouça!). O termo sugerido por Lankes em
substituição a ‘usuário’ é ‘membros’, sendo assim coerente
com sua concepção de bibliotecas como sendo
comunidades, como veremos logo a seguir.
A conotação da palavra usuário carrega consigo uma ideia
de passividade, pois deixa implícito que a pessoa chega à
biblioteca e simplesmente faz uso (intenso ou não) daquilo
que lhe é oferecido. Entra, usa e sai. A criatividade, a
invenção, a interação e a intervenção não ficam explícitas
no termo.
Claro que esta é uma conclusão bastante simplista, mas,
por mais que o bibliotecário seja convidado a conhecer e
estudar esse usuário, saber suas intenções ao buscar a
biblioteca, descobrir o que lhe agrada e que necessidades
ele tem, a ideia de alguém que entra, usa e sai sempre vai
permanecer enquanto o termo for utilizado.
Por isso é preciso refletir mais sobre ele, ou melhor, sobre
sua pertinência e permanência no contexto atual.
‘Cliente’, na minha modesta opinião, também não se
mostra adequado, já que traz uma conotação de ‘negócio’
ao relacionamento biblioteca/frequentador. Creio que essa
visão, apesar de ter a vantagem de levar o bibliotecário e a
biblioteca a prestarem mais atenção a seu público-alvo do

�que a seus processos internos, a fim de oferecer serviços e
produtos mais adequados, ainda não promove a necessária
aproximação com o público-alvo da unidade de informação.
Apesar de argumentar sobre os aspectos gerenciais da
formação e desenvolvimento de coleções, este livro
também possui um viés assumidamente social e, portanto,
não me parece possível e nem viável, nos dias atuais,
enxergar a biblioteca como outra coisa a não ser uma
comunidade de interagentes em um lócus de construção do
conhecimento onde os conceitos de participação, troca e
interatividade/interação são fundamentais.
A biblioteca como comunidade é apresentada por Lankes
(2011), trazendo uma visão revolucionária do que pode
representar uma sala equipada com livros e conduzida por
um bibliotecário motivado. Na verdade, para o autor talvez
nem houvesse a necessidade de existir uma sala ou um
estoque de informação. Apenas um bibliotecário motivado
bastaria.
Uma biblioteca como comunidade significa um lugar de
aprendizado e conhecimento. Essa biblioteca faz parte do
que Lankes chama de “nova Biblioteconomia”, cujo
fundamento é a ideia de que “o conhecimento é criado
através da conversa” (2011, p.84). O óbvio é levantado
por Lankes ao discutir isso: para que seja uma conversa, é
preciso que pelo menos duas pessoas estejam envolvidas,
caso contrário, trata-se de um monólogo.
Um monólogo pode até informar, mas a conversa cria
conhecimento, porque pressupõe participação. Portanto,
para que a biblioteca seja um lugar de formação de
conhecimentos, não podemos ter apenas usuários, pois
estes usam, não participam. É preciso provocar o diálogo,
a conversa.
Ainda hoje, os processos de organização e gerência de
bibliotecas são criados de forma unilateral e impostos aos
‘usuários’: a participação dos ‘membros’ ou ‘clientes’ de
uma biblioteca raramente é requerida ou desejada. Nós, os

�bibliotecários, decidimos o layout, impomos regras e
obrigamos nossos ‘usuários’ a lidar com números e códigos
quase esotéricos, que não lhes fazem o menor sentido,
caso queiram localizar as obras que colocamos nas
estantes.
Esse processo não é nada participativo. ‘E nem poderia
ser, senão perderíamos o controle da biblioteca’, diriam os
bibliotecários mais conservadores. Aliás, ‘controle’ é uma
palavra bastante confortável para nós, mas que não
representa a atuação profissional adequada à sociedade
em que vivemos hoje.
Weinberger (2007) discute a capacidade criativa de
organização da informação digital, através da desordem
aparentemente caótica da Internet e dedica aos
bibliotecários seu livro. Não é sem propósito que faz isso,
pois é sua vontade expor nossa incapacidade de ‘controle’
por meio dos códigos de classificação que não conseguem
capturar o universo dos significados e dos assuntos,
resumindo-os em 10 classes e suas subdivisões:
O sistema de classificação decimal de Dewey não pode ser
consertado, porque o conhecimento em si é mutável, diverso,
imbuído dos valores culturais do momento. O mundo é
diversificado demais para qualquer sistema único de
classificação funcionar para todos, em todas as culturas, o
tempo todo. (WEINBERGER, 2007, p.57).

E é claro que nós, bibliotecários, sabemos disso e
entendemos que “o sistema original de Dewey chega a ser
constrangedor na era moderna” (op.cit., p.49). Mas
seguimos em frente com as mesmas práticas e
submetemos nossos ‘usuários’ à classificação imposta pela
biblioteca, mesmo em um mundo no qual eles são livres
para fazer buscas na Internet, usando suas próprias
concepções a respeito da melhor palavra chave para
encontrar o que quer ou precisa.
O autor ressalta o valor da informação filtrada, ‘tagueada’3
e classificada pelo ‘usuário’. Categorizar a informação está
ao alcance de todos na vida digital: “podemos estabelecer

�conexões e relacionamentos a um ritmo jamais imaginado.
Estamos fazendo isso juntos. Estamos fazendo isso em
público. [...] É assim que o significado brota. [...] a
construção pública do significado será o projeto mais
importante dos próximos cem anos”. (WEINBERGER, 2007,
p.227).
Mas isso não acontece na biblioteca. Poderia, mas não
acontece. Digo que poderia por dois motivos: primeiro,
porque já temos tecnologia barata e simples o suficiente
para que nossas bibliotecas, quase sem recursos, sejam
capazes de proporcionar a participação do ‘usuário’ em
seus processos internos. Não seria tão difícil, por exemplo,
criar/disponibilizar plug-ins nos softwares usados na gestão
das bibliotecas, a fim de permitir aos leitores a sugestão de
tags para ampliar os termos de busca de uma obra em seu
estoque. Segundo, porque as pessoas podem e querem
participar, e eu tenho como provar isso.
Tive o prazer de fazer parte, como membro da banca de
mestrado de Paula Balbis Garcia4, cuja pesquisa foi
baseada no conceito de excedente cognitivo, apresentado
por Shirky (2011). Este conceito supõe que as pessoas
escolarizadas desejam contribuir com o que sabem, em
seu tempo livre, para a construção coletiva do
conhecimento na sociedade.
Com base nisso, investigou as possibilidades de
participação ao que Garcia chamou de ‘leitor curador’ na
organização da metainformação do acervo da biblioteca
universitária da UFSC – Universidade Federal de Santa
Catarina. A pesquisadora recebeu um retorno
impressionante (tanto qualitativo quanto quantitativo) dos
alunos ‘usuários’ da BU/UFSC que responderam os
questionários.
Os resultados apontaram que há forte disposição destes
usuários em participar dos processos da biblioteca,
oferecendo sua contribuição voluntária em atividades por
eles mesmos sugeridas, como: recomendação de livros por
área, tradução de obras, elaboração de resenhas dos livros

�pertencentes ao seu estoque de informação e “adição de
palavras-chave/tags/categorias somente para
usuários cadastrados e utilizar dados de cadastro
para monitorar suas adições”. (GARCIA, 2014, p. 150.
grifo meu).
Diante desse contexto, a palavra ‘usuário’ se torna
constrangedora, assim como ainda é constrangedor o fato
de sermos tão ditatoriais naquilo que oferecemos aos
frequentadores das nossas bibliotecas.
Por este motivo, quero defender aqui o uso do termo
‘interagente’, em substituição ao inadequado ‘usuário’ em
vigor até hoje. Tenho plena convicção de que a proposta é
ousada, mas também acredito que seja necessária nos dias
atuais. Para isso, quero convidar o leitor a refletir comigo
sobre essa possibilidade, analisando o termo um pouco
mais de perto.
A palavra ‘interagente’ tem sido popularizada nos últimos
anos através do conceito de ‘interatividade’, que
acompanha os estudos mais recentes sobre o uso de
ferramentas tecnológicas e dos recursos digitais.
No contexto da sociedade conectada, cada usuário é um
potencial autor de conteúdo na Internet e, por isso, possui
um perfil marcado pelo alto nível de interatividade, tanto
com a informação em si, quanto com seus mediadores. O
termo usuário tem sido repensado em diferentes áreas do
conhecimento, como a comunicação, a informática e a
educação:
O termo “usuário”, tão utilizado nos estudos da
“interatividade”, deixa subentendido que tal figura está à
mercê de alguém hierarquicamente superior, que coloca um
pacote a sua disposição para uso (segundo as regras que
determina). Sendo assim, este trabalho defende o abandono
desse problemático conceito e preferirá adotar o termo
“interagente” (uma tradução livre de interactant, não raro
utilizado em pesquisas de comunicação interpessoal), que
emana a própria ideia de interação. (PRIMO, 2005, p.2/16).

Muito embora o que se verifica nas bibliotecas, ainda

�hoje, seja este cenário com regras determinadas e
impostas aos ‘usuários’; compartilho da opinião de Primo e
acredito que o termo interagente parece ser muito mais
adequado para definir o cidadão contemporâneo que busca
informação de forma autônoma, inclusive nas bibliotecas.
Utilizá-lo poderá significar uma abertura na visão que se
tem dessa personagem tão importante, possibilitando,
talvez, mudanças efetivas na Biblioteconomia, pois trará
destaque ao fator ‘interação’ em substituição ao fator ‘uso’.
Sou da opinião que isso poderá fazer uma grande
diferença.
Apesar de estar, geralmente, ligado à noção de
interatividade bastante utilizada em estudos recentes,
dirigidos à análise do uso de ferramentas tecnológicas, o
termo ‘interagente’ pode ser usado em diferentes
contextos, independentemente da relação com o
computador.
Jensen (1998, apud SEPÉ, 2006) afirma que “antes de ser
interatividade, o termo foi interação [...] um conceito que
geralmente significa: troca, influência mútua”. Assim,
infere-se que sua origem parte do processo comunicacional
existente mesmo antes do computador.
Dias e Chaves Filho (2003) afirmam que o significado
mais amplo da palavra interatividade, “baseada em termos
não computacionais, [significa] um espaço aberto à
discussão e à negociação, que permite a participação de
interlocutores”. (p.32).
Para os autores, interação combina o prefixo “inter” e o
termo “ação”, resultando no significado clássico “ação
entre”; retrata basicamente a atuação de um agente em
outro, em relação de mutualidade. (op.cit., p.34). Já, o
termo interatividade, pela mesma lógica, significa
“atividade entre” e ultrapassa o termo interação na medida
em que traz uma conotação de fluxo, de não linearidade.
A análise feita por Dias e Chaves Filho conclui que o
conceito de interatividade propõe uma nova configuração

�do processo comunicacional, no qual há uma troca, uma
ação partilhada que favorece a participação de
interlocutores e a intervenção dos envolvidos, um espaço
aberto à discussão e negociação, à leitura e produção
crítica e analítica.
Mesmo nas bibliotecas mais tradicionais onde a
participação do ‘usuário’ é quase nula, ainda assim é
possível perceber níveis de interação ou interatividade.
Cita-se, como exemplo mais clássico, a entrevista de
referência. Nela, a participação do
pesquisador/leitor/sócio/cliente – interagente - não apenas
é requerida, mas imprescindível.
Outro exemplo são as conhecidas ‘caixinhas de sugestões’
para a seleção de obras a serem adquiridas ou, ainda, os
estudos de ‘usuários’, cujos resultados, infelizmente, nem
sempre se convertem em mudanças concretas na
biblioteca.
Sobre os estudos de ‘usuário’, Rabello (1981) aponta que
eles têm, como objeto principal, a interação
usuário/biblioteca. Vejam: um artigo da década de 1980
levantando a questão da ‘interação’ do ‘usuário’ com a
biblioteca!
Este estudo define interação como “uma ação que se
exerce mutuamente entre duas ou mais coisas ou duas ou
mais pessoas [...] interação pode ser entendida como uma
ação conjunta” (op.cit., p.183). Com base nesses
conceitos, a autora conduz sua pesquisa sob o pressuposto
de que:
O campo de conhecimento relativo a usuário de biblioteca
tem como seu objeto a interação – entendida como interação
do usuário com a biblioteca, mas com ênfase no usuário [...]
torna-se usuário da biblioteca, parte da instituição, elemento
interno quando se relaciona com ela, mais especificamente
quando interage com ela. A interação é, portanto, o objeto de
estudo do campo. (RABELLO, 1981, p.184).

Portanto, não temos usuários, temos interagentes.
Rabello afirma que a biblioteca é um sistema de

�comunicação e que, como tal, deve estar interessada em
conhecer todos os aspectos que interferem nesse processo
comunicativo e, em especial, deve estar interessada no seu
relacionamento com o ‘usuário’. Para tal, precisa avaliar
constantemente “os instrumentos e políticas que adota
para facilitar essa interação”. (op.cit., p.190).
Chagas, Arruda e Blattmann (2000, não paginado)
também analisam a interação do usuário na busca de
informações num artigo em que pretende apontar
diretrizes aos bibliotecários que “atuam na interação com
os usuários diretamente na busca de informações para
realização de suas pesquisas”, ou seja, o bibliotecário de
referência.
Esses textos apenas refletem o quão inadequado, talvez,
seja o termo ‘usuário’, pois é enfatizado que o mais
importante na relação que a biblioteca deve manter com
aqueles que a frequentam é a interação. Os estudos acima
mencionados deixam claro que não há um simples ‘uso’
dos estoques, serviços ou recursos de uma biblioteca. Há
uma interação, uma troca, uma negociação entre as
partes, sendo que tanto influenciam quanto são
influenciadas. Há um diálogo, uma comunicação, mesmo
que em níveis menos elevados do que o necessário ou
desejado.
Além disso, nos dias atuais, fala-se muito sobre o
bibliotecário enquanto educador, sobre competências em
informação, bibliotecas híbridas. Termos mais recentes da
área (alguns ainda sem tradução), colocando o
bibliotecário como curador da informação, como ator nos
movimentos de advocacy5 e plenamente envolvidos com
pesquisadores em suas pesquisas, como os embedded
librarians6. Em todas essas possibilidades de atuação, fazse necessário o diálogo, a troca, a discussão e a
negociação. Fica muito mais difícil chamar o interagente de
‘usuário’ nesses contextos.
A ideia de interatividade ou interação permeia a noção de
biblioteca na atualidade. Obata (1999), com base na

�proposta de Perrotti (1996), apresenta o conceito de
biblioteca interativa como um espaço de expressão, que
“busca estabelecer relações de interação entre o sujeito e a
informação e cultura”. (OBATA, 1999, p.96).
A autora (idem) afirma que:
Identificou-se interação como a noção definidora da nova
concepção de biblioteca porque ela apresenta referências
como: a) o ator do processo é tanto um agente de atuação
como um objeto de orientação para si mesmo e para os
demais; b) como agente atuante, orienta-se para si mesmo e
para os outros, em todos os aspectos ou modalidades de
ação. (PARSONS, 1974, p. 172).

Para Obata (idem), a noção de interação fundamenta a
ideia de que “na Biblioteca Interativa, o sujeito não seja
somente um receptor, mas também um produtor. A
biblioteca deixa de ser apenas um espaço de difusão,
promoção ou disseminação da informação e cultura, deve
ser também um espaço de expressão”.
Para mim, foi uma grata surpresa encontrar a palavra
“usuário” ser mencionada entre aspas, no texto de Obata
(1999, p.99):
Há uma interpenetração entre os elementos da tríade do
sistema de informação [...] que transforma o “usuário” em
elemento constitutivo do processo como um todo. Ele faz
parte da linguagem do documento/acervo, ele está presente
na linguagem de representação, ele está presente, enfim, na
construção cotidiana da Biblioteca Interativa, como
protagonista de ações e interações.

Obata, neste artigo, refere-se a uma biblioteca interativa
em particular, criada em uma escola da periferia de São
Paulo, mas, pra mim, este deve ser o conceito de toda
biblioteca, independentemente de ela estar num contexto
escolar ou não. Toda biblioteca deve ser interativa em
múltiplos sentidos, promovendo sempre a participação e a
interação, assim como todo ‘usuário’ deve ser considerado
um interagente.
Assim, tanto faz ter como raiz a palavra interação ou
interatividade, o importante é olhar para esse personagem

�do cenário da informação e da biblioteca com outros olhos.
Percebê-lo como um parceiro, como alguém que não
apenas usará o que lhe oferecermos, mas que contribuirá
na construção do que queremos chamar de biblioteca
enquanto comunidade. É preciso reconhecer que ele é
parte constituinte do que uma biblioteca realmente
significa nos dias atuais e, na condição de interagente,
pode e deve ser um ator verdadeiramente participativo.
Isso fará toda a diferença.

Por fim, cabe destaque, nesta argumentação, a proposta
de Araújo (2012) para uma nova abordagem aos estudos
de usuário, mais uma vez apoiada no paradigma social de
Capurro (2003): a abordagem interacionista de estudos de
usuários de informação (grifo meu). Para o autor, interação
é o conceito chave para os estudos de usuário, pois se
mostra capaz de “integrar os avanços realizados nas
discussões contemporâneas do estudo de usuários e de
comportamento informacional com o paradigma social da
CI”. (op.cit., p.149, grifo meu).
Como argumentos, o autor aponta o significado de
interação como “ação recíproca”, afirmando que o usuário
não está nem totalmente determinado pelo ambiente, nem
alheio ou isolado dele. O mesmo vale para a informação,
cujos sentidos não são determinados apenas pelo
documento, pela mensagem em si ou pelo usuário, sendo
um resultado da interação entre esses elementos.
Araújo (2012, p.150) defende o uso do conceito de
interação, pois é o que “parece assim ser capaz de superar
algumas dicotomias que têm, historicamente, marcado o
campo: sujeito ativo/passivo, significado na mensagem/na

�mente do usuário, usuário cognitivo/emocional e cultural”.
Apesar de enfatizar o aspecto interacionista do estudo de
usuários e de colocar o conceito de interação em
patamares nunca antes colocados, a abordagem proposta
por Araújo não aponta para uma mudança terminológica
no conceito de ‘usuário’.
E é nesse sentido que a presente reflexão procura inovar:
é tempo de repensar não apenas o termo, mas,
especialmente, a forma como ele afeta a visão que se tem
da comunidade frequentadora das unidades de informação.
Não é apenas uma questão de mudança terminológica, é
uma questão de mudança cultural. Mudar a cultura da
biblioteca impositiva para uma cultura de participação se
faz necessário. As unidades de informação atuais, bem
como seus gestores precisam atentar para o fato de que,
atualmente, os ‘usuários’ são também coautores de boa
parte da informação existente nos mais diversos canais,
interagindo em seus processos de criação e fluxo,
especialmente no ambiente digital. E podem ser
construtores e autores do conhecimento em parceria com
bibliotecários.
É imprescindível atrair o público frequentador e utilizador
dos estoques de informação para uma parceria mais
efetiva dentro do ambiente da biblioteca e fora dela
também, estando presente na Internet através das mídias
sociais, estendendo o contato com seus interagentes
através desses canais.
Por isso, Belluzzo (2010) aponta para a necessidade de
um bibliotecário atuante como mediador e que seja
também um interagente, a fim de que possa desempenhar
suas atividades através da comunicação eletrônica.
Contudo, para mudar esse cenário, é indispensável muito
trabalho e uma nova consciência. Shirky (2011) afirma que
para haver efetiva participação, é preciso criar as
condições necessárias. Não basta haver a tecnologia
adequada, pois ela “possibilita esses comportamentos, mas

�não pode causá-los”. (op.cit., p.90). É importante criar as
oportunidades corretas, pois é diante delas que os
comportamentos mudam.
Enquanto as bibliotecas e os bibliotecários permanecerem
refratários às mudanças sociais, as oportunidades não
serão criadas. Enquanto o fato de um ‘usuário’ (que
esqueceu o título ou o autor) pedir o livro pela cor da sua
capa for motivo de piadas internas e não de incentivo para
a criação de mais uma forma de busca dos itens de seu
estoque de informação (o que custa escanear a capa e
criar um catálogo por cores?), nada vai mudar.
Somos nós, os gestores das bibliotecas e dos estoques de
informação, os responsáveis pela criação das
oportunidades de participação dos interagentes. Mas essa
não é a nossa cultura, ainda não. Quem sabe em breve.
Bem, apresentadas as considerações iniciais sobre as
razões da proposição de tais mudanças terminológicas,
podemos agora repensar cada etapa do processo de gestão
de estoques de informação à luz dessa nova perspectiva.
1 Um artigo científico sobre esse assunto, com o mesmo título, foi
publicado pela autora em dez/2014. Verificou-se essa necessidade
pois o termo ‘interagente’ passou a ser utilizado por alunos em textos
apresentados em eventos ainda sem a devida fundamentação teórica.
O artigo pode ser conferido no link
https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2014v19n41p23
2 https://www.youtube.com/watch?v=_CL1eCWObsg
3 etiquetada
4 Mestrado em Ciência da Informação, CIN/UFSC
5 Movimento de promoção da profissão, de bibliotecas ou serviços.

��4 - Novos olhares para a gestão
de estoques de informação e
suas etapas
“Não vemos as coisas como são, mas como somos”
Pedro Demo

As etapas da gestão de estoques de informação
consistem nas atividades básicas já difundidas e
executadas por quase a totalidade dos profissionais que
atuam em bibliotecas ou unidades de informação, quais
sejam: seleção, aquisição e avaliação, além de outras
atividades relacionadas ao acervo que permeiam o
processo como: preservação e restauração, por exemplo.
Embora sejam atividades clássicas da formação e
desenvolvimento de coleções, as mudanças provocadas
pelas tecnologias de informação e comunicação
introduziram novas características na maneira de
selecionar, adquirir e avaliar o material formador do
estoque das unidades de informação, mudanças que serão
abordadas mais adiante.
Esse ponto de vista aumenta ainda mais a necessidade de
um planejamento coerente e sistemático de acordo com os
objetivos da biblioteca, da instituição que a mantém e da
comunidade que representa seu público-alvo.
Uma das principais contribuições de Evans, ainda no
século passado, foi a apresentação da ideia de que o
processo de desenvolvimento de coleções é cíclico e
envolve não apenas o staff da biblioteca, mas a
comunidade também. Esta é uma das mais importantes
formas de pensar os estoques de informação: eles existem

�para a comunidade de leitores interagentes, senão não
teriam razão de ser e existir.
Por isso, antes de entrar na discussão sobre as etapas
propriamente ditas, será preciso pensar um pouco sobre o
primeiro e mais importante ponto de partida: o bom e
velho Estudo de Comunidade, amplamente conhecido
pelos bibliotecários (mesmo por que é parte integrante de
alguns de nossos currículos de graduação), mas nem
sempre aplicado no dia a dia da gestão de bibliotecas.
Sob a ótica da gestão de estoques de informação, o
Estudo de Comunidade1, além de oferecer as informações
básicas necessárias sobre o grupo de pessoas para quem a
biblioteca foi inicialmente criada, assume um caráter
diferenciado que não pode ser desprezado: o de pesquisa
de mercado.
Fala-se muito sobre pensar as bibliotecas como
organizações ou empresas, mas é bastante raro ouvir falar
em competitividade. O discurso mais frequente entre os
profissionais gira em torno de redes de cooperação e
compartilhamento, às quais sou totalmente a favor e
acredito serem, indiscutivelmente, necessárias entre
bibliotecas e bibliotecários no contexto atual.
Mas o outro lado da moeda acaba por ser esquecido: esse
mesmo contexto de rede também marca um cenário, no
qual a mediação direta entre leitor e informação está cada
vez mais facilitada pelas tecnologias de comunicação.
Essa concorrência pode ser muito desleal às bibliotecas,
pois sabemos que há uma grande variedade de formas de
acesso para além dos serviços nelas encontrados, e isto
deve ser observado com atenção. Por este motivo, as
bibliotecas chamadas ‘híbridas’ entram em cena com
frequência cada vez maior, e os estoques bibliográficos
impressos compartilham os catálogos com fontes de
informação eletrônicas disponibilizadas aos interagentes.
Obviamente que, contrariando todas as previsões
drásticas em relação ao fim das bibliotecas e do livro

�impresso, temos hoje um cenário de bibliotecas ainda
cheias de gente e de livros nas estantes, anulando (ao
menos por enquanto) o risco extremo de desaparecerem
do mapa. No entanto, isso não significa que não hajam
riscos.
Um deles é a acomodação que vem dessa certeza de que
jamais seremos extintos, induzindo-nos a criar um mundo
fechado entre nós, no qual autoexaltamos nossa
capacidade de sobrevivência e nosso valor social.
Inventamos um mundo paralelo em que o bibliotecário cria
‘esquemas táticos’ que só ele domina. Acreditamos
piamente em nossos códigos e técnicas de organização da
informação e, pior, acreditamos que os ‘usuários’ sempre
estarão submissos a esse nosso domínio. Seria bom
repensarmos essa teoria.
Outro problema é que parece não haver a percepção de
que uma concorrência saudável entre bibliotecas deveria
existir, especialmente na oferta de produtos e serviços que
atraíssem os leitores conhecidos como ‘usuários em
potencial’.
Claro que queremos todas as bibliotecas movimentadas e
cheias de pessoas, mas também é evidente que queremos
a nossa biblioteca assim. No entanto, o que de concreto
podemos fazer para provocar esse fluxo constante de
gente entrando e saindo (satisfeitas, claro) das nossas
unidades de informação? Como atrair o público ao acesso e
uso do nosso estoque tão criteriosamente construído?
Nada melhor do que oferecer serviços de informação
diferenciados, necessários e atraentes, ‘empacotados’ de
acordo com as reais necessidades e desejos da
comunidade, criativos no sentido de antecipar demandas e
divulgados no melhor estilo marqueteiro possível.
Assim é que entra o Estudo de Comunidade em sua
característica de pesquisa de mercado, permitindo
conhecer o entorno da biblioteca e usar essas informações
como insumo para desenvolver seus estoques de

�informação. É preciso saber bem quem é seu público, o
que espera da biblioteca, quais suas características e o que
está efetivamente acontecendo lá fora.
Vivemos tempos onde o neuromarketing2 é aplicado por
empresas comerciais: o sentimento dos clientes a respeito
de seus produtos é fundamental para que a empresa possa
formatá-los de maneira a agradar sua clientela a ponto de
a fidelizar. Isso mostra o empenho do comércio em aplicar
técnicas científicas, inclusive, para conhecer a fundo seu
público-alvo e lhe oferecer o produto ou serviço mais
próximo possível do que lhe é necessário e desejado.
Como, então, ‘fidelizar’ os interagentes de uma biblioteca?
Alguém já disse que as bibliotecas não precisam de sócios
ou usuários, mas sim de ‘fãs’. Esse também é o espírito do
‘engajamento’, buscado pelas empresas através do
marketing digital. Alcançar esse nível de integração sem
conhecer profundamente sua comunidade é tarefa
impossível.
Por isso é essencial aplicar técnicas de pesquisa para
coletar dados essenciais sobre a comunidade alvo dos
serviços e produtos de informação de uma U.I. As técnicas
de estudo de comunidade são facilmente encontradas na
literatura sobre formação e desenvolvimento de coleções,
especialmente no conhecidíssimo livro de Vergueiro
(1989), não sendo necessário, portanto, repeti-las aqui.

Uma vez entendida a necessidade desse primeiro passo
para desenvolver estoques de informação coerentes e
contextualizados, toda biblioteca deve, periodicamente,
realizar estudos dessa natureza. De posse dessas
informações, uma forma de analisá-los seria através do

�método SWOT, também conhecido como FOFA (sigla mais
simpática): forças, oportunidades, fraquezas e ameaças.
Essa análise é não apenas plenamente aplicável à gestão
de estoques de informação como ferramenta para o
planejamento estratégico dirigido ao desenvolvimento e
uso da coleção, como também se faz totalmente necessária
caso desejemos atingir metas cada vez mais excelentes
nas bibliotecas hoje em dia.
A análise FOFA, no contexto do Estudo de Comunidade,
abre as portas ao conhecimento do macro ambiente ao
qual a biblioteca está inserida. Valentim (2011) afirma
que:
Esse método propicia à organização realizar uma análise dela
mesma e de seu entorno, é uma maneira de conhecer a
condição de partida antes de definir as estratégias de ação
para o curto, médio e longo prazo. O método SWOT analisa
as forças internas em relação às oportunidades externas,
bem como as fraquezas internas em relação às ameaças
externas à organização, ou seja, analisa as condições de
partida frente às tendências e cenários futuros.

O conhecimento das fraquezas e forças dos estoques de
informação só será útil se conhecermos as ameaças e
oportunidades do macro ambiente da biblioteca. É preciso
saber cruzar dados internos e externos à biblioteca para,
realmente, construir e desenvolver um estoque que
interesse à comunidade, tornando-a mais atraente, visível
e socialmente relevante.
Conhecer as ameaças e oportunidades externas passa por
responder às seguintes perguntas, dentre tantas outras
possíveis: Que comunidade é essa onde a biblioteca foi
plantada? Quem são essas pessoas? Que idades elas têm?
Do que gostam? Quais características demográficas, sociais
e econômicas marcam essa comunidade? Qual o grau de
instrução dos membros dessa comunidade e quais seus
interesses de leitura e pesquisa? Quem são as pessoaschave dessa comunidade com as quais podemos fazer
parcerias? Como essa comunidade se expressa
culturalmente?

�Vergueiro (1989, p.35) afirma que essas respostas,
profundamente analisadas, “irão guiar não apenas todas as
etapas do desenvolvimento da coleção, mas também todo
o planejamento do serviço bibliotecário”. São elas que
determinam as necessidades de informação da comunidade
e correspondem à base fundamental para direcionar os
serviços da biblioteca que, realmente, desejar assumir sua
relevância social.
Estes dados permitirão mapear as possibilidades de inserir
a biblioteca no contexto exato de seu público-alvo, criando
um quadro, no qual poderão ser identificadas as
oportunidades e ameaças que nos permitam ajustar a
coleção e oferecer aos interagentes o que eles realmente
precisam e gostam em termos de informação.
Além disso, como tornar o ciclo de GEI verdadeiramente
democrático se não conhecermos e não nos conectarmos à
comunidade alvo da biblioteca? E se, ao final desse estudo,
chegar-se à conclusão de que sua comunidade anseia
por... ferramentas? Máquinas de costura? Guarda-chuvas?
Sementes para plantio?
Ofereça-os, ampliando a visão de ‘acervo’ ou ‘coleção’, a
exemplo do que faz a Biblioteca Pública de Basalto,
Colorado, EUA. O interagente ‘empresta’ as sementes e as
‘devolve’ com o fruto de sua plantação.

Fonte:

http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2013/fevereiro/bibliotec

�nos-estado-unidos-alem-de-livros.

Vergueiro encerra o capítulo sobre Estudo de Comunidade
com as seguintes palavras, que peço licença para tornar
minhas também:
O que se tentou passar com tudo o que foi dito, é que as
coleções precisam necessariamente ter um vínculo estreito
com a comunidade à qual se pretende que sirvam. Não
podem ir inchando “amebicalmente”, sem controle algum,
mesclando de forma aleatória os fundos disponíveis para
aquisição com as preferências pessoais do bibliotecário ou do
usuário. (VERGUEIRO, 1989, p.35-36).

Que fique, então, bem claro: planejar estoques de
informação sem realizar um bom estudo de comunidade
pode ser tão grave quanto abrir um negócio sem a devida
pesquisa de mercado: corre-se sério risco de investir
financeiramente em um produto ou serviço que
simplesmente não seja atraente para ninguém. O resultado
disso é uma provável falência. Situação triste em que,
provavelmente, encontram-se centenas de bibliotecas
espalhadas pelo país e pelo mundo.
Que fique claro, também, que a sociedade não é e nunca
foi estática. Isso significa dizer que um único estudo de
comunidade inicial não é suficiente e nem recomendável.
São muitos os fatores que podem implicar as mudanças
nessa comunidade; um gestor atento saberá que é preciso
acompanhar esse movimento, tornando flexível a gestão
dos estoques de acordo com essas variações.
O planejamento através da política de estoques de
informação é, portanto, uma das principais atividades
desse gestor. Sua atuação estratégica é essencial desde o
diagnóstico que precede sua formulação e passa por todas
as etapas de sua concretização, num processo cíclico e
interminável de negociação que envolve diferentes níveis
de tomadas de decisão. (MACIEL; MENDONÇA, 2000, p.
17-18).
O propósito principal das atividades desse gestor é suprir
demandas de uma clientela específica através da oferta de

�material informativo, o que leva ao conceito de estoque, já
discutido anteriormente.

Lankes (2012) faz uma excelente reflexão a respeito da
relação entre o desenvolvimento de coleções e o
conhecimento da comunidade. Em um texto publicado em
seu blog, o autor chama nossa atenção ao foco principal
das bibliotecas: as pessoas, a comunidade. Se o foco
estiver nas coleções: bibliotecas ruins. Se nos serviços:
bibliotecas boas. As bibliotecas excelentes entendem que a
coleção não é o que está colocado nas estantes, mas é a
própria comunidade: o “público e seus mundos”.
A teoria genial de Lankes é a de que o foco das bibliotecas
não deve estar no desenvolvimento da coleção, mas no
desenvolvimento da ‘conexão’, pois a informação está em
todos os lugares, inclusive nas pessoas. Estar em contato
constante, em relacionamento direto e numa busca
incessante do melhor conhecimento dessa comunidade é
essencial, portanto, a uma biblioteca excelente. A
ferramenta disponível? O Estudo de Comunidade!
Partindo dessas primeiras constatações, agora sim,
podemos analisar uma a uma cada etapa da GEI. Supondo
que meus leitores sejam estudantes ou profissionais
graduados em Biblioteconomia, pularei as conhecidas
definições para entrar diretamente na questão de por que
e como cada etapa deve ser vista sob a ótica da gestão.

�4.1 Seleção
Vergueiro (1989) afirma que a seleção é uma atividade
técnica e intelectual, tirando de cena a ideia de que seria
uma arte e desmistificando essa etapa antes considerada
altamente erudita, por muitos anos e em outras eras. Isso
indica que selecionar obras que comporão um acervo é
parte do corpo de tarefas que deve ser executada pelo
bibliotecário. Ele é a pessoa mais indicada, por que: 1.
Possui a formação acadêmica necessária; 2. Conhece a
instituição; 3. Conhece a biblioteca e; 4. Conhece a
comunidade (ou deveria).
Mas, como conciliar os recursos, geralmente restritos, os
interesses da instituição e as demandas da comunidade, a
fim de escolher o material bibliográfico (impresso ou
eletrônico) que fará parte do nosso pequeno universo
informacional? Como identificar o material apropriado, que
justifique a aquisição e seja efetivamente utilizado? E,
mais: como o bibliotecário conseguirá não se deixar levar
por suas preferências pessoais ou seu próprio ponto de
vista na hora da seleção? (não sou eu quem diz isso, são
EVANS e SAPONARO, 2012, cap. 2, p.14. Reclame com
eles).
A resposta está no planejamento e na habilidade do
bibliotecário gestor em tomar decisões, intrínseco ao
processo de gestão. Selecionar é decidir. E essa decisão
precisa ter como base critérios, previamente, definidos,
resultados do consenso entre as partes envolvidas. Este é
o primeiro argumento para considerar a seleção uma
atividade de gestão.
O bibliotecário, mesmo que seja o único a trabalhar na
biblioteca, não precisa e nem deve estar sozinho nessa
decisão. Na verdade, serão muitos os ‘selecionadores’, e
todos os interessados no acervo podem contribuir. Mas o
bibliotecário precisa liderar essa atividade desde a sua

�concepção, pois ele é quem conhece o escopo de seu
estoque, seus pontos fortes e fracos, bem como suas
prioridades.
Ele, o bibliotecário gestor deverá compor a comissão que
discutirá os critérios de seleção que serão adequados a
cada contexto específico e, por isso, não há receitas
universais prontas. Se a esta altura você esperava que
fosse apresentada uma lista de critérios, desculpe a
decepção.
Você, sua equipe e sua comunidade deverão pensá-los e
construí-los de acordo com a natureza e objetivos da sua
biblioteca, de maneira a tornar a etapa capaz de trazer
praticidade, objetividade e garantir bons resultados na
escolha3. Nisso eu tenho o apoio de Vergueiro (1995,
p.20): “cada profissional deverá procurar desenvolver os
critérios mais apropriados para a coleção pela qual é
responsável”.
O bibliotecário também deverá saber lidar com situações,
nas quais sua participação poderá ser limitada por certas
intransigências ou autoritarismo institucional. Nessas
horas, deverá ser um bom negociador: material para
argumentação ele terá de sobra, graças aos conhecimentos
que mencionamos acima e todos os dados que ele terá em
mãos para isso.
Além disso, outros fatores contribuem para um bom
planejamento de seleção:
o fato de estar em constante contato com o
comércio livreiro e conhecer bem o universo
de editoras e livrarias dentro de sua área de
atuação (instrumentos auxiliares de seleção
sempre são bem vindos);
ter recebido toda a capacitação técnica
necessária em sua graduação, através de
disciplinas que lhe forneceram ferramentas
para avaliar criticamente a qualidade de uma

�obra e conhecer as possibilidades de fontes
para a busca de materiais de interesse da
biblioteca (Fontes de Informação e Formação
e Desenvolvimento de Coleções/Gestão de
Estoques de Informação são dois exemplos
indiscutíveis);
possuir dados quantitativos referentes às
estatísticas de uso que, certamente, são
realizadas em sua biblioteca;
aproveitar sua proximidade diária com os
interagentes e suas questões de referência
para conhecer preferências e demandas;
conhecer a comunidade como um todo,
identificando tendências e antecipando
demandas.
Olhar a seleção como atividade de gestão implica também
atribuir–lhe características de racionalidade e eficiência
apenas possíveis através de planejamento e avaliação
constantes. Esses e outros atributos necessários estão
presentes na literatura de autores nacionais e estrangeiros
já consolidados. Alguns exemplos (todos os grifos são
meus):
A coleção deve ser desenvolvida de acordo com um plano
definido numa ampla base de generalizações. (HEINES,
1950, apud FIGUEIREDO, 1998, p.28).
Para que em qualquer biblioteca possa ser estabelecida uma
política de seleção, ou seja, conjunto das normas que irão
reger o dia a dia do trabalho dos selecionadores, é necessário
primeiro que estejam bem claros e delineados os objetivos da
biblioteca [...]; os autores são unânimes a este respeito, isto
é, de que deve existir uma declaração dos objetivos gerais
da biblioteca, relacionados com a instituição e à comunidade
que a ela serve”. FIGUEIREDO, 1998, p. 32).
Desenvolvimento
de
coleções
é
uma
função
de
planejamento [...] seleção é tomada de decisão. (EDELMAN,
1979, apud FIGUEIREDO, 1998, p.36).
A objetividade no processo de seleção é uma meta a ser

�constantemente almejada. (VERGUEIRO, 1995, p. 9).

Os termos em destaque nas citações revelam o caráter
essencialmente administrativo da seleção, reforçando a
ideia de que são tarefas que compõem um universo maior
relacionado à gestão da biblioteca como um todo, que
exigem o trabalho de planejamento prévio, definição de
critérios e metas a serem atingidas. Pressupõe um
monitoramento contínuo e a presença do gestor, cuja
liderança será capaz de levar a cabo os objetivos
propostos.
No entanto, o outro lado da moeda precisa ser resgatado:
as correntes administrativas atuais apontam as questões
emocionais que envolvem os processos de gestão, as quais
também devem ser consideradas. Um bom exemplo disso é
a Inteligência Emocional aplicada à gestão empresarial. No
caso da gestão de estoques de informação, especialmente
na etapa de seleção, tais questões devem também ser
levadas em conta.
Para Evans e Saponaro (2012), a seleção é o coração da
gestão da coleção, é o que mantém todo o processo vivo.
Uma atividade assim tão essencial obviamente implica o
peso de uma grande responsabilidade para o gestor que a
desenvolve. Portanto, questões emocionais são relevantes
e devem ser discutidas ainda na tomada de decisão do
selecionador.
No ótimo texto de Quinn (2007) é levantado esse debate
tão importante, ainda insuficientemente discutido, mas
essencial ao gestor de estoques de informação. O autor
lembra que a literatura sobre seleção costuma apresentar
listas de critérios racionais e cognitivos de escolha, que
servem para guiar os bibliotecários em seu trabalho, mas
são raros os autores que mencionam ser essa uma tarefa
que envolve também aspectos emocionais. Para ele, essas
decisões não são apenas uma questão racional, mas uma
questão do coração. (QUINN, 2007).
Para Quinn (op.cit, não paginado, tradução livre), “dado o

�elevado grau de incerteza inerente à tomada de decisões
na gestão de coleções, o processo não pode ser
considerado como estritamente lógico, analítico e racional”.
Segundo o autor, a emoção ou o afeto se somam ao
pensamento e à cognição no processo de seleção das
obras:
Um selecionador usa o pensamento para as decisões a serem
tomadas no desenvolvimento de coleções, e este pensamento
pode ser influenciado e levado em direções bem específicas,
que são resultado de suas experiências que envolvem sua
emoção ou estado de espírito. (QUINN, 2007, documento não
paginado)

Desse modo, o bibliotecário, consciente de que suas
emoções afetam o processo decisório de escolha de obras
que comporão o estoque de informação de sua biblioteca,
deverá cercar-se de cuidados para certificar-se de que seu
estado de espírito possa influenciar positivamente esse
processo. Significa usar sua intuição e memória afetiva,
por exemplo, a favor da tomada de decisão em relação a
um título:
As emoções com características de certeza, raiva ou
contentamento
geram
mais
confiança
na
escolha
(Heurísticas). Aquelas características de ansiedade ou
surpresa podem levar o bibliotecário a uma busca e análise
mais cuidadosas. (op.cit., tradução livre)

Esse ponto de vista emocional deve ser, portanto, levado
em consideração pelo bibliotecário gestor em sua tarefa de
coordenar a equipe de selecionadores ou mesmo de
exercer a atividade de seleção de obras.

�4.2 Aquisição
As atividades de aquisição são apresentadas como etapa
seguinte à da seleção. De modo geral, são atividades que
identificam, localizam e obtêm itens para a composição do
estoque de informação das bibliotecas, normalmente
realizadas através de compra, doação ou permuta. Até aí,
nenhuma novidade.
Ao pensarmos nos aspectos gerenciais que permeiam essa
atividade, logo vem à mente a necessidade de manter
cadastros e arquivos de fornecedores que registrem o
histórico das negociações, servindo de base às aquisições
futuras.
Em tempos de serviços automatizados, tais cadastros são
fáceis de serem criados e mantidos através do uso de
ferramentas tecnológicas. Os softwares de gerenciamento
de bibliotecas, por exemplo, facilitam a vida dos gestores,
oferecendo módulos dedicados ao registro e
acompanhamento das atividades de aquisição.
A literatura da área também é pródiga em oferecer
diretrizes para o bom andamento dessa atividade, sendo
comum encontrar exemplos de fluxogramas que retratam
passo a passo cada uma de suas etapas.
Talvez essa tarefa seja a mais facilmente conectada às
questões administrativas, pois há forte relação entre o
trabalho da biblioteca e os recursos financeiros da
instituição. Assim, já são bem conhecidas e aplicadas, por
exemplo, atividades de planejamento e otimização de
recursos orçamentários, supervisão e controle de cada uma
das atividades, desde a formalização do pedido aos
fornecedores até o pagamento, recebimento e conferência
dos materiais.
Quando a aquisição se faz através de compra,
especialmente, há diversas fontes de informação na área

�da Biblioteconomia que apresentam as diferentes
modalidades, suas vantagens e desvantagens às unidades
de informação.
Por isso, mais uma vez, não tenho aqui a pretensão de
apresentar um roteiro ou mesmo um manual que
identifique, conceitualmente, o universo de informações
sobre aquisição. Meu propósito, claramente assumido, é o
de refletir essas práticas nos dias atuais sob um ponto de
vista social e sob a ótica da gestão.
Sendo assim, gostaria de retomar aqui o diagrama de
Evans (1979), apresentado anteriormente, a fim de discutilo em relação à etapa da aquisição:

Fonte: VERGUEIRO, 1993.

Perceba que as etapas cíclicas apontadas pelo autor
possuem, em sua maioria, uma ligação direta representada
por setas. Na explicação do autor, as setas correspondem
ao nível de participação da comunidade no processo de
desenvolvimento de coleções. Quanto maiores elas forem
melhor será o nível. Percebeu que a única etapa que não
possui seta ligada à comunidade é a da aquisição?
Com toda a humildade possível diante da ousadia de

�discordar de um autor tão conceituado, gostaria de pensar
a razão dessa distinção. Uma primeira ideia que me
ocorreu, relacionada à ‘idade’ do diagrama, já que remonta
à década de 1970, é a de que, talvez, naquela época e
contexto, a concepção de participação dos interagentes
não seria tão desenvolvida como nos dias atuais.
No entanto, na nova versão do livro de Evans, em
parceria com Saponaro, lançada em 2012, os autores
reafirmam claramente essa relação demonstrada no
diagrama de 1979, quando dizem que “este é o único
ponto no processo de desenvolvimento de coleções que
envolve pouco ou nenhum “input” da comunidade [...]
Frequentemente, as pessoas que ajudam na seleção não
estão diretamente envolvidas nos trabalhos de aquisição
do material selecionado” (op.cit., p.47, c.2). Ou seja,
permanece a relação ‘zero’ entre aquisição e comunidade.
Vergueiro (1989, p.63) reproduz a mesma postura, pois
utiliza sem discutir esse ponto, a figura que ilustra o
processo de Evans, quando apresenta a etapa de
aquisição, afirmando que:
Deve ser entendida como uma etapa puramente
administrativa [...] veremos que a aquisição é a única a não
ter ligação direta com a comunidade. Isto acontece por que o
papel da aquisição, no processo, constitui-se em localizar e,
posteriormente, assegurar a posse, à biblioteca, daqueles
materiais que foram definidos pela seleção, como de
interesse.

Se formos considerar os trâmites administrativos e
financeiros da aquisição por compra, seremos obrigados a
concordar com Evans e Saponaro, assim como com
Vergueiro. Contudo, se levarmos em consideração que há
outras modalidades de aquisição, o diagrama não
representa uma das mais importantes formas de
participação comunitária no desenvolvimento dos estoques
de informação de uma biblioteca: a doação.

�Não podem ser desprezadas as outras modalidades de
aquisição, especialmente no Brasil, onde é muito comum
formar e desenvolver coleções, especialmente de
bibliotecas públicas, comunitárias e escolares por meio de
doações espontâneas e solicitadas. O censo nacional de
bibliotecas públicas municipais de 20094, por exemplo,
detém um quadro demonstrativo de que a opção mais
utilizada para aquisição é a doação (83%), estando a
compra, em segundo (e último) lugar, ocupando apenas
17%.
A participação através da doação de itens bibliográficos é
uma das mais importantes na relação entre biblioteca e
comunidade. Entregar livros que, anteriormente,
pertenceram a um acervo pessoal pode significar que há
um apreço do doador pela biblioteca, uma certeza intuitiva
de que seus livros serão bem cuidados e utilizados por
muitas outras pessoas, as quais aprenderão coisas novas e
crescer com eles.
É claro que nem todos os doadores são assim tão bem
intencionados. É sabido que muitas doações não passam
de um simples descarregar de lixo impresso e, para
situações como essas, há critérios de análise e seleção do
material doado, que devem ser seguidas e observadas.
Mas são muitos os casos em que bibliotecas pessoais
inteiras são entregues aos cuidados das mais diferentes
unidades de informação, nas quais, muitas vezes, famílias
de pessoas já falecidas, carinhosamente, abrem mão de
acervos valiosos, fazendo isso também como uma forma
de homenagear a pessoa amada e estender seu legado.
Há, assim, uma relação afetiva na doação que não é

�possível encontrar em nenhum outro tipo de aquisição. E
isso é muito valioso, pois estreita os laços com a
comunidade, agrega valor ao estoque de informação, tendo
a participação direta dos interagentes no processo de
desenvolvimento de seus estoques.
Além das doações espontâneas, outra forma de aquisição
possível em unidades de informação, geralmente não
vinculadas ao setor público, mais detidamente bibliotecas
comunitárias, é a captação de recursos através de
ferramentas de crowdfunding. O termo, traduzido para o
português, significa ‘financiamento da multidão’ ou
financiamento coletivo, como comumente é chamado no
Brasil e se trata de uma prática que vem crescendo nos
últimos anos.
O sistema de arrecadação de fundos acontece via internet
e funciona da seguinte maneira: alguém (pessoas ou
instituições) propõe um produto ou serviço a ser financiado
por pessoas desconhecidas que poderão se interessar por
ele, as quais decidem doar quantias em dinheiro para vê-lo
concluído. Normalmente, as quantias são estipuladas com
antecedência, tendo as seguintes garantias: caso o valor
não seja atingido, o dinheiro será devolvido e, em caso
positivo, alguma compensação será oferecida aos
doadores, depois de concretizado o projeto, nos âmbitos
equivalentes à doação recebida.
A partir do crowdfunding, artistas têm montado suas
peças, cantores têm lançado seus discos, startups
inovando tecnologias, e bibliotecas têm comprado livros.
Sim, você leu corretamente: bibliotecas têm comprado
livros.
Um exemplo a ser citado foi mencionado no site da
Revista Galileu5, no qual consta que foi lançado o Projeto
Librii por uma universidade norte- americana; que prevê a
criação de bibliotecas de baixo custo, com sinal wireless e
autossustentáveis na África. Para arrecadar fundos e
atingir seu objetivo, foi aberta uma chamada de
financiamento coletivo com alvo de 50 mil dólares.

�Outro exemplo recentemente divulgado por Rodriguez
Garcia (2014), através do Blog Infobibliotecas, é a
iniciativa espanhola de crowdfunding chamada Mecenable,
cujo financiamento coletivo é direcionado a projetos de
bibliotecas e que pode ser conferido através do link
http://www.infobibliotecas.com/es/blog/?p=844.

Fonte: http://www.yebothis.com/wpcontent/uploads/2014/07/librii3-w750.jpg

Na era de participação através da Internet, projetos dessa
natureza podem atingir bons resultados, pois o valor social
de uma biblioteca é algo, frequentemente, melhor
reconhecido pela ‘multidão’ do que pelas instituições e
políticas públicas. As chances de adesão podem ser bem
interessantes.
Outra forma para aquisição de estoques de informação,
que vem ganhando cada vez mais adeptos entre a classe
bibliotecária, é a realização de projetos de captação de
recursos externos à sua instituição de origem.
Eventualmente, são lançados editais públicos estaduais,
municipais ou mesmo federais, além da iniciativa privada,
que oferecem valores destinados à compra de material
bibliográfico para bibliotecas. Consórcios entre bibliotecas
também podem ser uma saída interessante.
Um gestor atento sabe que precisa ser criativo e
persistente na captação de recursos de modo geral, mas,
especialmente, para adquirir obras voltadas ao

�desenvolvimento de seus estoques. Infelizmente, vivemos
em um país onde, historicamente, prevalece uma cultura
que não valoriza - e nem prioriza - a compra de materiais
bibliográficos para bibliotecas, nem mesmo em muitas
instituições privadas não dependentes de recursos públicos
para sobreviver.
Todo esse contexto de dificuldades que os bibliotecários,
que lidam com a aquisição de livros e materiais
bibliográficos enfrentam, leva-nos a outro conceito que
deve ser analisado sob a perspectiva da gestão de
estoques de informação: a avaliação.

�4.3 Avaliação
Esta etapa detém uma conexão direta com a natureza
administrativa da gestão de estoques de informação,
especialmente por conta da utilização de metodologias
próprias para análises qualitativas e quantitativas que
avaliam o estado do estoque em diferentes aspectos.
O livro de Lancaster (1996), talvez, seja o mais conhecido
entre nós e também o que oferece orientações e
metodologias variadas e aplicáveis à etapa de avaliação.
Acredito que seja muito difícil encontrar um bacharel em
Biblioteconomia, graduado nas escolas brasileiras que
nunca tenha lido ou mesmo ouvido falar sobre ele.
Portanto, mais uma vez, não iremos aqui discorrer sobre
métodos e fórmulas de avaliação, mas cabe discutirmos
um pouco mais detalhadamente sua relação com a gestão
e o papel do gestor propriamente dito.
Avaliar trata-se, basicamente, de coletar dados que
permitam verificar o estado da arte do estoque de uma
unidade de informação. Através da análise desses dados, é
possível verificar se a etapa de seleção foi realmente bem
sucedida, se o material adquirido agrega mesmo valor à
comunidade de interagentes, se o estado físico das obras
está em boas condições, se as áreas de assunto cobertas
estão em equilíbrio e se o número de itens oferecidos
atende à demanda de utilização.

Mais uma vez, refere-se à identificação e análise dos
pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças, voltados

�agora à construção e desenvolvimento dos estoques de
informação já existentes. Disso resultam diferentes
processos de tomada de decisão importantes ao
bibliotecário gestor, por exemplo: a retirada definitiva de
obras que não respondem aos objetivos e metas da
biblioteca e de seu público-alvo, a projeção de formas de
divulgação e marketing para obras pouco utilizadas, mas
com valor em termos de conteúdo, ao planejamento com
vistas a trazer equilíbrio às diferentes áreas de cobertura,
a fim de que todas recebam a atenção necessária para seu
desenvolvimento.
A coleta desses dados deve ser feita de modo contínuo e
sistêmico, baseada em estudos qualiquantitativos de uso,
tendo como objetivo final a medição da qualidade e
adequação do material oferecido pela biblioteca.
(LANCASTER, 1996). Enfim, realiza um diagnóstico do
processo de gestão de estoques de informação que aponta
seus sucessos e fracassos.
Outro resultado desse diagnóstico é a checagem da
validade da Política de gestão de estoques da biblioteca. É
a etapa de avaliação que permite identificar se o
planejamento das ações da biblioteca, voltado ao seu
estoque de informação, está sendo validado ou se
necessita de ajustes. Segundo Vergueiro (1989, p.83), “a
avaliação permitirá ao bibliotecário verificar se as etapas
anteriores do processo, do estudo de comunidade ao
desbastamento, estão sendo realizadas de forma
coerente”.
Coerência: gosto da aplicação dessa palavra ao pensar os
estoques de informação. Todo o processo de gestão de
estoques de informação deve ser conduzido sob a batuta
da coerência, sendo conduzido pelo ‘fio de Ariadne’ que liga
cada etapa aos objetivos da instituição, da biblioteca e da
comunidade de interagentes. A avaliação permite verificar
se isso está acontecendo ou não e caberá ao gestor
encontrar os caminhos para corrigir eventuais falhas.
O grande problema ao avaliar estoques de informação, já

�mencionado por Vergueiro em 1989, é a ausência de
parâmetros e metodologias contextualizadas à realidade
brasileira. Ainda padecemos da falta de padrões nacionais
que sirvam como parâmetros na formação de estoques de
informação, bem como de diretórios nacionais de
publicações, a exemplo de muitos que conhecemos fora do
Brasil6.
Nesse quesito, mais uma vez saem à frente as bibliotecas
universitárias, pois contam com parâmetros quantitativos
bem definidos pelo MEC (Ministério de Educação e Cultura),
fazendo avaliações institucionais que incluem análise de
estoques de informação da biblioteca como um dos
indicadores de qualidade à instituição.
Mais que isso, não há parâmetros claros em relação aos
outros tipos de bibliotecas e, muitas vezes, somos
obrigados a seguir padrões internacionais que não
correspondem ao contexto brasileiro. Sobre a ausência de
parâmetros em bibliotecas escolares, por exemplo,
Gonçalves et al. (2004, p.25) afirmam que “os poucos
estudos desenvolvidos permitem dizer que a questão de
padrões numéricos para coleções de bibliotecas escolares
não constituiu uma questão prioritária para autores da
área no Brasil”.
Decorridos dez anos da data da publicação do artigo,
pouca coisa mudou, mas merece destaque a Lei
12.244/2010, sobre a universalização das bibliotecas
escolares, que prevê o mínimo de um título por aluno
matriculado. Desta forma, podemos afirmar um pequeno
avanço (embora ainda não implantado, pois prevê o prazo
de 10 anos para tal) no que tange à apresentação de um
parâmetro, mesmo que extremamente tímido em termos
de quantidade de acervo a ser oferecido.
Para as bibliotecas públicas, desconheço padrões
nacionais. O Sistema nacional de Bibliotecas Públicas –
SNBP, em suas diretrizes para formação de acervos7,
sequer menciona questões quantitativas a serem
observadas em seus critérios básicos. Assim, as bibliotecas

�públicas do Brasil seguem levadas pelos ventos de suas
diretorias, normalmente formadas por leigos que assumem
cargos de confiança e, portanto, muitas vezes, profundos
desconhecedores do assunto.
Porém, nem só de números sobrevive a avaliação dos
estoques de informação. A análise qualitativa se refere à
pertinência, atualidade e adequação dos conteúdos e
suportes aos objetivos da biblioteca já mencionados
anteriormente. Nesse aspecto, as dificuldades são
igualmente identificadas, pois a avaliação qualitativa
demanda a participação engajada de especialistas em cada
assunto coberto pelos itens bibliográficos disponíveis.
A literatura sugere diferentes estratégias, como a criação
de comissões com a participação de especialistas nas áreas
de cobertura do estoque de informação. Esta pode ser uma
boa estratégia, apesar das limitações dos especialistas,
apontadas pelo próprio Lancaster (1996), quanto à
imparcialidade ou à falta de familiaridade com áreas muito
específicas dentro de um campo do conhecimento.
Contudo, também é consenso entre os autores que
escrevem sobre o assunto que conseguir reunir uma
comissão dessa natureza não se trata de tarefa fácil.
Especialistas geralmente estão atolados em trabalhos,
pesquisas ou aulas e, raramente, têm disponibilidade de
tempo para participar da avaliação qualitativa de estoques
de informação. O desafio de motivá-los a que opinem
sobre o conteúdo de uma obra de interesse da biblioteca
continua e, atualmente, é possível facilitar o trabalho dessa
comissão através de ferramentas colaborativas, encontros
virtuais que podem ser promovidos pela biblioteca por
meio das mídias sociais.
Além disso, em alguns casos, o bibliotecário poderá ser
um especialista na área dedicada à sua biblioteca, o que
representa algo mais, atribuindo maior facilidade de
julgamento da qualidade do conteúdo de seu estoque em
parceria com demais membros da comissão.

�Assim como o crowdfunding pode ser uma saída
interessante para a aquisição, o crowdsourcing 8também se
apresenta como uma opção a mais para a avaliação. O
termo foi apresentado pela primeira vez pelos editores da
Revista Wired em 20069 e pode ser definido como uma
maneira de terceirizar a solução de problemas, antes
buscada internamente por empresas ou instituições
diversas, através de um convite aberto à multidão de
voluntários dispostos a oferecer seu excedente cognitivo.
Assim, por exemplo, foram criados o software Linux e o
navegador de Internet Mozilla Firefox.
No caso da avaliação de livros, novamente, a ‘multidão de
fontes’ pode ser útil, pois trata de uma ferramenta para a
solução de problemas e construção coletiva do
conhecimento. Através dela, pode ser solicitada a opinião
de especialistas sobre o conteúdo de determinadas obras,
contando com a participação voluntária de profissionais e
pessoas que pesquisam o tema.
A definição do termo, encontrada na Wikipedia,
ferramenta igualmente criada pelo sistema de
crowdsourcing, reforça essa possibilidade ao mencionar
que “Com crowdsourcing explícito, os usuários podem
avaliar determinados itens, como livros ou páginas da
web”.
Para essa tarefa poderão ser convidados a participar, por
exemplo, a comunidade acadêmica de uma universidade,
aproveitando o potencial da ‘multidão’ de pesquisadores lá
existentes. Dessa forma, haveria uma participação efetiva
dos interagentes da biblioteca universitária, a exemplo do
que constatou Garcia (2014) em sua pesquisa mencionada
anteriormente. Uma solução caseira com múltiplas
vantagens para a biblioteca!
Para isso, contudo, é necessário ao gestor possuir uma
visão mais ampla de seu trabalho junto aos estoques de
informação. Mais uma vez são requeridas características
como pró-atividade, capacidade de negociação e liderança,
a fim de pensar e concretizar estratégias na busca de

�soluções práticas para as atividades de gestão de estoques
de informação. É importante que no desenvolvimento do
processo de gestão de estoques de informação o seu
gestor seja responsável e criativo; com base em
metodologias que podem ser criadas por ele ou adaptadas
de outros contextos.
Em síntese: criatividade para sair do lugar comum é
fundamental para uma boa gestão de estoques em uma
unidade de informação. Isso e um bom planejamento, por
meio da Política de gestão de estoques, nosso próximo
assunto.

1 Caso seja necessário aprofundar o conhecimento sobre o Estudo
de Comunidade, sugiro a leitura dos textos de Vergueiro (1989,
1993), Vergueiro e Andrade (1996) e Figueiredo (1994)
2 “Neuromarketing é um campo novo do marketing que estuda a
essência do comportamento do consumidor. É a união do marketing
com a ciência e é considerado uma chave para o entendimento da
lógica de consumo, que visa entender os desejos, impulsos e
motivações das pessoas”
http://neurobusiness.com.br/neuromarketing.php
3 Sugiro buscar textos dos autores já recomendados sobre as
Políticas de Seleção.
4 http://forumleitura.org.br/wp-content/uploads/2014/04/Censobibliotecas-publicas-brasil.pdf .
5 http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI33467217770,00PROJETO+DE+CROWDFUNDING+PRETENDE+ABRIR+BIBLIOTECAS+DE+BAIXO+
6 Alguns exemplos: Ulrich’s Guide e Sociological Abstracts
7 http://snbp.bn.br/diretrizesacervo
8 Para saber um pouco mais sobre o assunto, este site traz bons
esclarecimentos: http://www.ibccoaching.com.br/tudo-sobrecoaching/entenda-o-que-e-crowdsourcing-e-a-nova-tendencia-daproducao-colaborativa-2/.
9 Informações da Wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing .

��5 - Política de GEI: um capítulo
à parte
“Não use velhos mapas para descobrir novas terras”
Gary Hamel

O que seria de nós que gostamos de viajar estar sem
mapas ou GPS (Global Positioning System) para chegar a
lugares desconhecidos ou de difícil acesso? Quem sai de
casa para uma viagem sem o devido planejamento, sem
consultar diferentes fontes para saber onde estão os
melhores hotéis (ou os mais baratos), os melhores
serviços, quais meios de transporte utilizar e que lugares
conhecer? É muito bom poder contar com a expertise de
quem já trilhou esses caminhos antes de nós, deixandonos um roteiro seguro a trilhar, não é mesmo?
Pois bem, planejar é fundamental em qualquer
empreendimento, seja pessoal ou profissional. Ter um
plano, traçar metas, indicar atividades necessárias,
estabelecer parcerias e determinar prazos são
fundamentos para o sucesso de um empreendimento e, em
muitos casos, um diferencial no alcance mais rápido e
certeiro de um objetivo qualquer.
Quando se fala em gestão, planejar é imprescindível. O
planejamento estratégico é característica essencial para o
bom funcionamento de qualquer organização.

�No caso dos estoques de informação, o planejamento é
igualmente essencial. Deve saber-se o estoque da
Biblioteca, que estoque se quer construir e quais as etapas
e atividades necessárias para atingir esse objetivo. Deve
também definir prazos e atribuir responsabilidades
específicas a pessoas/setores que desenvolverão as
atividades concernentes à gestão de estoques de
informação.
Nesse caso, o ‘mapa’ é um documento formal denominado
‘política’, que deve ser construído de forma democrática e
de acordo com o contexto de cada U.I. A política é, assim,
o documento norteador do gerenciamento de todas as
atividades que envolvem a formação e o desenvolvimento
dos estoques de informação.
Inicialmente, conhecida como ‘política de seleção’, surgiu
primeiramente como resposta à necessidade premente das
bibliotecas em estabelecer critérios de escolha de material
bibliográfico a ser inserido nas ‘coleções’, especialmente
ocasionadas pela explosão bibliográfica e pelo
desenvolvimento científico e tecnológico.
No Brasil, uma das primeiras menções ao documento de
política de seleção pôde ser verificada no texto pioneiro de
Antonio Miranda, datado de 1978, que reproduz trabalho
apresentado no evento IV Bienal Internacional do Livro &amp;
IV Assembleia das Comissões Permanentes da FEBAB
(Federação Brasileira de Bibliotecários), realizado em São
Paulo.
Em seu texto, Miranda faz um diagnóstico dos processos

�de seleção e aquisição em bibliotecas universitárias
brasileiras, onde conclui que a seleção era, na verdade,
feita pelos professores que entregavam listas para
aquisição de livros, sem nenhuma “ingerência do
especialista de biblioteconomia no processo decisório e
sem qualquer ajuste a uma política definida de
desenvolvimento do acervo informacional da biblioteca”.
(MIRANDA, 1978, p.14).
O autor afirma, na sequência de sua argumentação que, à
época de seu diagnóstico, eram raras as bibliotecas que
possuíam uma política de seleção “que planeje o seu
crescimento conforme um plano racional, estratégico e
equitativo” (idem). Como consequência, constata Miranda,
inexistia o bibliotecário de seleção e a literatura sobre o
assunto era “paupérrima” (nas próprias palavras do autor),
obrigando os poucos cursos de Biblioteconomia, que
incluíam o tema ‘seleção de material bibliográfico’ em seu
currículo, a usarem literatura estrangeira como base
teórica.
Esse cenário, em finais da década de 1970, demonstra o
quão incipiente ainda eram os primeiros passos, tanto para
o ensino sistemático de técnicas de seleção e aquisição de
material bibliográfico, quanto para o estabelecimento de
uma política formalizada e especificamente voltada à
formação e desenvolvimento de coleções em bibliotecas no
país. Contudo, marca a chegada desse olhar mais técnico e
racional às coleções brasileiras.
Miranda, através de seu texto, traz os primeiros
direcionamentos à formulação do que chama de ‘política de
desenvolvimento do acervo informacional’, apontando os
objetivos dessa construção que, além de oferecer
racionalidade e equilíbrio aos processos de seleção e
aquisição, possibilitaria às bibliotecas (1978, p.30):
determinar e estabelecer demandas e
prioridades segundo as necessidades de sua
comunidade;

�definir extensão e profundidade da cobertura
temática de sua coleção;
avaliar suas decisões a partir de revisões
periódicas da política e
contornar,
de
forma
inteligente,
as
oscilações orçamentárias da instituição
mantenedora.
Esse texto clássico trouxe as primeiras orientações
básicas sobre o documento de política que serve de
fundamento até os dias de hoje. Pioneiro e ao mesmo
tempo de vanguarda, chamava a atenção dos bibliotecários
no sentido de que a ênfase não deveria estar no acervo
enquanto documento em si, mas no seu conteúdo
informacional, independente do suporte ou formato.
Destaca também a necessidade de analisar o contexto e a
conjuntura da instituição mantenedora e o conhecimento
da comunidade de utilizadores.
Miranda, a partir de seu diagnóstico e da apresentação de
seu trabalho, instala no Brasil um novo olhar aos acervos,
dando início a este importante debate entre os
profissionais.
Poucos anos mais tarde, com a introdução da disciplina
‘Formação e Desenvolvimento de Coleções’ nos cursos
brasileiros em 1982, o tema ganhou destaque,
representando um grande avanço nesses estudos no Brasil.
(VERGUEIRO, 1993).
Lentamente, a Biblioteconomia brasileira foi tomando
consciência da importância desse documento capaz de
nortear as atividades dirigidas aos estoques de informação
e, a partir da década de 1980, percebe-se a introdução
deste tópico na literatura publicada no país.
Lima e Figueiredo abordam a questão da política em
artigo publicado, em 1984, pela Revista Ciência da
Informação e afirmam que um dos entraves ao
estabelecimento de uma política para as coleções residia

�na ausência de políticas institucionais, pois estas servem
de base e parâmetro no desenvolvimento de políticas de
seleção, aquisição e descarte.
O texto apresenta características do documento que,
segundo as autoras, deveria ser construído de forma
participativa, ou seja, a partir de uma comissão formada
com representação de ‘usuários’ e “deve ser flexível e
atualizada, e expressa de forma a facilitar as decisões e a
justificar a incorporação ou não de determinados itens”.
(LIMA; FIGUEIREDO, 1984, p.139).
Quase uma década depois do texto de Miranda, em um
artigo datado de 1987, Vergueiro faz uma análise da
relação entre censura e seleção de obras em bibliotecas e
constata que a política formal de formação e
desenvolvimento de coleções ainda era inexistente em boa
parte das bibliotecas brasileiras; “no Brasil, é comum
bibliotecas, principalmente as públicas, não possuírem
qualquer política para o desenvolvimento da coleção, sendo
esta atividade bibliotecária, sem dúvida, uma das mais
importantes, realizada, em grande medida, da forma mais
desorganizada possível”. (VERGUEIRO, 1987, p.25).
Vergueiro é um dos autores nacionais que mais
contribuíram para o estabelecimento de uma visão
administrativa dessas atividades no Brasil. Seu livro
publicado, em 1989, também aborda a política enquanto
documento norteador das etapas de gestão de estoques de
informação, dedicando um capítulo específico para esse
tópico. Nele, o autor apresenta os propósitos, objetivos e
vantagens do documento e destaca suas características
gerenciais, sociais e pedagógicas.
Para Vergueiro (1989), estabelecer uma política de
coleções representa uma “medida de bom senso” (p.24),
pois: torna expressamente público “o relacionamento entre
o desenvolvimento da coleção e os objetivos da instituição”
(p.25); “propicia ao bibliotecário oportunidade de auto
avaliação e reflexão sobre sua prática de desenvolvimento
de coleção” e “funciona como diretriz para as decisões do

�bibliotecário”. (p.25).
Klaes, já no início da década de 1990, propõe a criação de
um sistema de informações gerenciais para a tomada de
decisão no desenvolvimento de coleções, no qual enfatiza a
necessidade da criação de políticas como ferramenta
indispensável à gestão de acervos (KLAES, 1991, p.221):
Outro aspecto que necessita ser enfatizado refere-se à
política de desenvolvimento de coleções, a qual representa
um plano de ação, através de um conjunto de enunciados
que determinam objetivos e critérios para orientar a
atividade de desenvolvimento de coleções.

A autora afirma que tanto a ALA (American Library
Association) quanto a IFLA (International Federation of
Library Associations), importantes entidades internacionais
da área, “recomendam o estabelecimento de políticas de
desenvolvimento de coleções que sejam revisadas
periodicamente, a fim de se adaptarem às mudanças
eventualmente ocorridas nos programas acadêmicos”
(idem).
A publicação de livros e artigos nas décadas de 1970 até
os anos 2000 serviram como fundamento para o ensino e o
desenvolvimento das atividades de formação e
desenvolvimento de coleções em unidades de informação,
sempre dando ênfase à criação do documento norteador de
políticas de gestão.
Simone da Rocha Weitzel em 2006, já no século XXI,
publicou um livro dedicado inteiramente à orientação sobre
a elaboração de políticas em bibliotecas universitárias;
sendo, mais uma vez, definidos os objetivos desse
instrumento, apontando todas as etapas do processo de
GEI que envolvem sua preparação e que se constituem no
conteúdo prático do documento.
É destacada novamente a importância do estudo de
comunidade, as características gerenciais de planejamento
e acompanhamento do desenvolvimento da coleção e, por
fim, a autora apresenta o passo a passo da construção de
cada elemento que deve ser observado em sua formulação

�e apresentação final.
Vamos fazer as contas: de 1987 a 2006, um total de 19
anos. Desde o texto de Miranda até o de Weitzel (sem
contar outros publicados nesse intervalo, o que alongaria
demais esta narrativa) decorrem quase duas décadas, nas
quais os mesmos tópicos precisam ser conceituados,
definidos e reafirmados. Isso não faz você pensar? A mim
faz e por isso aqui estou eu, em 2015, retomando o
debate.
O fato é que, decorridos quase 25 anos da introdução da
questão da política de gestão de estoques de informação
no país, ainda não se pode afirmar que sua presença seja
unânime nas bibliotecas brasileiras. É bem verdade que as
bibliotecas universitárias estão à frente nesse quesito: as
políticas dedicadas aos estoques de bibliotecas
universitárias são muito mais frequentemente encontradas
do que nos demais tipos de unidades de informação.
Por este motivo, talvez, nos anos que seguem a primeira
década do século XXI, verifica-se a publicação de artigos
que sugerem a criação de políticas para bibliotecas
escolares (SILVEIRA; FIORAVANTE; VITORINO, 2007) e
especializadas (MIRANDA, 2007), por exemplo.
Sobre políticas para estoques de informação em
bibliotecas públicas, desconheço publicações além das
orientações gerais dadas pelo Sistema Nacional de
Bibliotecas Públicas – SNBP1 e do documento Biblioteca
Pública: princípios e diretrizes2 da Biblioteca Nacional.
Ressalto, contudo, que nenhum dos dois documentos
explicita a necessidade da criação de uma política para a
gestão de estoques de informação enquanto documento
formal que abranja todas as atividades e etapas desse
processo.
Em minha experiência docente, venho estudando e
pesquisando o tema ao longo de mais de 12 anos de
atuação e tenho comprovado que o número de políticas,
efetivamente, implantadas e colocadas em prática ainda é

�muito reduzido, à exceção das bibliotecas universitárias
como já foi dito. No contexto da minha cidade, por
exemplo, a cada ano me surpreendo ao levar alunos em
visitas a bibliotecas de naturezas diversas e descobrir que
a política, ou não existe, ou está apenas escrita no papel,
geralmente desatualizada e sem uma aplicação efetiva.
Mas, para não ser injusta, devo dizer que há bons
exemplos de políticas de diferentes tipologias de bibliotecas
disponíveis de Internet, inclusive públicas e escolares, que
listo a seguir para que o leitor possa conferir:
Biblioteca Pública Benedito Leite (São Luís,
Maranhão):
http://www.cultura.ma.gov.br/bpbl/index.php?
page=politica_colecao

Biblioteca
do
Conselho
Regional
de
Contabilidade
de
Santa
Catarina:
http://www.crcsc.org.br/arquivosSGC/ARQ3_20111031

Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do
Estado
de
São
Paulo:
http://www.aprendersempre.org.br/arqs/APOSTILA_PO

Ministério
da
Saúde:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_de

Biblioteca escolar estadual Joaquim Maria
Machado de Assis do Colégio Estadual de
Campo
Mourão:
http://www.cpmestadualcm.seed.pr.gov.br/redeescola/

Biblioteca
Central
da
UDESC:
http://www.udesc.br/arquivos/udesc/documentos/0_32
Como fruto dessas observações, dos levantamentos
bibliográficos e das análises de diversas políticas,
desenvolvi a proposta de um roteiro atualizado para
compor o conteúdo da política de gestão de estoques de
informação, apresentado no XXV CBBD - Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da

�Informação - realizado em Florianópolis em 20133.
No trabalho apresentado, oralmente, destaco algumas
características fundamentais da política, observadas na
literatura especializada da área e que refletem os pontos
acima abordados quanto ao caráter democrático e
gerencial da política de GEI.
Sobre este último aspecto, vale a pena detalharmos um
pouco mais, já que o objetivo deste livro é propor uma
abordagem da GEI sob o enfoque da gestão propriamente
dita.

�5.1 Aspectos sociais e administrativos da
Política de GEI
Uma das características de qualquer processo de gestão é
a existência de documentos formais que orientam e
permitem acompanhar e medir o sucesso de um
empreendimento em qualquer organização ou instituição. A
política de gestão de estoques de informação representa
esse instrumento que norteia a realização de cada etapa,
segundo parâmetros e critérios pré-estabelecidos pela
comissão que o formulou, garantindo também sua
continuidade independente da permanência dessa
comissão.
Os processos da gestão de estoques em bibliotecas
compreendem ações de planejamento que implicam a
utilização de metodologias próprias. A política representa o
roteiro no qual estão descritos, passo a passo, cada uma
das etapas desse processo com indicações de seus
responsáveis e todas as informações que os gestores
entendem serem necessárias à composição do documento,
que servirão também como subsídios para a tomada de
decisão diária na gestão da coleção de uma U.I., ou seja,
na seleção, aquisição, avaliação, desbaste, preservação e
conservação do acervo.
A existência e a utilização desse documento sobre gestão
de estoques, em última análise, garantem que o estoque
de informação seja formado e desenvolvido, a partir de
uma visão concatenada entre:
biblioteca/instituição/comunidade e não dependerá de
opiniões pessoais, tendências ou modismos, nem estará
sujeito a qualquer tipo de imposição ou censura, seja
institucional, política ou pessoal.
Como comentado, anteriormente, a formulação da política

�deve ser fruto de um processo democrático, elaborado com
a participação de toda a comunidade de interessados pelo
estoque de informação a ser disponibilizado. Silveira, Costa
e Silva (2012, p.2) ressaltam que “a construção coletiva de
um documento dessa natureza pode proporcionar à
instituição o estabelecimento de diretrizes pautadas em
decisões coletivas, além de propiciar aos colaboradores o
sentimento de valorização nos processos decisórios da
instituição à qual pertencem.”
Para Vergueiro (1989, p.26), é fundamental essa
participação da comunidade, pois o autor afirma que “o
ideal é que tal documento surja como resultado da
negociação entre o bibliotecário, responsável pelo
desenvolvimento da coleção, e aqueles a quem a mesma
se destina”.
Desta forma, a política deverá estar em consonância com
a missão e objetivos da instituição mantenedora e, ao
mesmo tempo, conhecer profundamente a comunidade
para a qual a biblioteca foi criada, a fim de estar também
de acordo com suas demandas. Esses dois polos
representam os horizontes para os quais o estoque deve
apontar, e a política deve refletir o consenso obtido,
democraticamente, entre todas as partes no que diz
respeito ao estabelecimento dos critérios de seleção,
aquisição e avaliação do material informativo da
instituição.
Além do caráter democrático de sua formulação, o
documento também assume sua característica social, à
medida que estiver disponível ao público, a qualquer
interagente que esteja interessado em conhecer ou tirar
dúvidas sobre todo o processo. Assim, a política deve estar
disponível para consulta a toda a comunidade, sendo capaz
de dirimir possíveis dúvidas, oferecer subsídios para ação e
tomada de decisão, possibilitando espaço na negociação
entre todas as partes interessadas.
Ao apresentar os objetivos de uma política de
desenvolvimento de coleções, Vergueiro (20--) afirma que

�se trata de um documento necessário aos bibliotecários e
às bibliotecas também por uma questão de ‘relações
públicas’, pois existe para informar à comunidade por que,
para que e para quem o acervo existe.

Nos anos de 2013 e 2014, durante a ministração da
disciplina de GEI, realizei levantamentos e análises de
políticas disponíveis pela Internet em parceira com os
alunos. Nosso universo de pesquisa foi constituído das
bibliotecas universitárias: primeiramente as catarinenses e,
depois, as de universidades federais em todo o país.
Contrariando a teoria destacada no quadro acima, os
resultados da primeira pesquisa mostraram que, de um
universo de 59 páginas web de Bibliotecas Universitárias,
apenas 08 disponibilizavam links para suas políticas de
gestão de estoques enquanto documento completo para
pesquisa pública. Destes, um link se encontrava
“quebrado” não levando a conteúdo algum. Sendo assim,
de um total de 59 páginas web das BUs catarinenses,
foram acessadas 07 políticas de Gestão de Estoques de
Informação, o que corresponde a apenas 8% do universo
analisado.
Ao ampliar a pesquisa para o universo de bibliotecas de
universidades federais em todo o país, os resultados
obtidos foram muito semelhantes. De um total de 63
universidades, encontramos 59 links para as bibliotecas.
Destas, apenas 07 disponibilizam o documento de política
de GEI na íntegra para acesso à comunidade de
interagentes e aos interessados de forma geral, ou seja,
11% do total. Para esta última pesquisa, segue um gráfico
muito bem feito pela querida colega Daniela Spudeit e

�apresentado no I Forum de Gestão de Coleções em
Unidades de Informação realizado em Natal, RN, em
novembro de 2014. A imagem permite a visualização por
regiões e facilita o entendimento do estado da arte acima
descrito:

Fonte: Spudeit, 2014

É bom deixar claro que o fato de não disponibilizar a
política via página web não significa que os documentos
não existam na U.I. Este, aliás, constitui-se excelente
problema para pesquisas futuras. No entanto, fica evidente
a falta de preocupação dos gestores desses estoques em
publicizar democraticamente o documento, como orienta a
literatura da área, deixando de aproveitar as facilidades de
acesso e comunicação que a Internet propicia.
Assim, pode afirmar-se que, talvez, ainda sejam
necessários muitos artigos e publicações de livros e textos
que ressaltem a importância desse documento de teor
administrativo e social para a gestão eficiente e coerente
dos estoques de informação em bibliotecas, universitárias
ou não.
Ao longo desses anos de pesquisas e estudos, os alunos e
eu realizamos, também, diversas análises nos conteúdos
de diferentes políticas de bibliotecas universitárias,
públicas, especializadas e escolares. Nosso objetivo era o

�de identificar quais aspectos das etapas do processo de
gestão de estoques de informação estavam contemplados,
realizando análise comparativa entre os documentos e os
pontos indicados na literatura. O resultado desses estudos
é apresentado a seguir em forma de uma proposta de
atualização de conteúdo, a partir de um roteiro organizado
em tópicos.

�5.2 Proposta de roteiro atualizado para uma
política de gestão de estoques de
informação4
Para chegar à composição final da proposta, foi realizada
uma análise comparativa entre textos dedicados à temática
‘formação e Desenvolvimento de Coleções’ e diferentes
políticas disponíveis através de páginas web de bibliotecas
públicas, especializadas e universitárias.
Os autores utilizados como referencial teórico foram:
Vergueiro (1989), Weitzel (2006), Sthrel (2012) e Lozano
(2012). A partir destas leituras, foram elencados todos os
pontos sugeridos pelos autores como necessários à
elaboração do documento em questão.
A partir dessa listagem, foi realizada uma análise
comparativa com vinte políticas de diferentes tipos de
bibliotecas. Deste total, no entanto, as políticas de
Bibliotecas Universitárias representam a maioria, com um
total de quinze documentos disponíveis. As demais se
referem a bibliotecas de órgãos públicos ou bibliotecas
públicas estaduais.
O elenco de itens resultante da análise apresenta o
panorama de tópicos existentes nos documentos,
contemplados na literatura que serviu como referencial
teórico.
O modelo sugerido está estruturado em elementos prétextuais, textuais e pós-textuais. Os elementos textuais
correspondem ao conteúdo da política que depende dos
objetivos específicos e da missão de cada biblioteca em
cada contexto. Os detalhamentos, portanto, deverão ser
incluídos de acordo com os critérios estabelecidos pelas
comissões em cada unidade de informação. Na construção

�do modelo foram incluídos elementos que, normalmente,
ficam de fora das políticas analisadas e, por isso mesmo,
formam um diferencial que torna a política mais completa.
São eles:
Estudo de Comunidade enquanto base para
descrição
da
clientela/público-alvo:
no
capítulo 4 deste livro, estão dispostas, com
detalhes, as razões pelas quais este item
deve ser levado a sério na gestão de
estoques de informação. Contudo, gostaria
de ressaltar novamente que, nesse contexto,
esse estudo equivale a uma ‘pesquisa de
mercado’ para a oferta de produtos e
serviços de informação, pois descreve a
clientela da U.I. e suas demandas. Por isso é
fundamental que se conheça sua existência
e que seja identificado o perfil de sua
comunidade
a
partir
desse
estudo
detalhado;
Participação e papel da biblioteca em
programas
cooperativos:
A
sociedade
contemporânea, digitalizada e conectada
possui características colaborativas e, hoje
em dia, atuar em rede é fundamental. As
bibliotecas, especialmente as públicas e
universitárias podem e devem participar de
sistemas
de
cooperação
nacionais
e
internacionais com base em seus acervos.
Essa atuação deve ser planejada também na
política, descrevendo os critérios e as formas
de cooperação, a disponibilização (ou não)
de
recursos,
indicando
a
relação
custo/benefício dessa participação (STHREL,
2010);
Biblioteca 2.0 e Repositórios Digitais:
Embora pudessem estar incluídos no item
‘estoques de informação’ como formatos

�eletrônicos,
merecem
destaque
estes
documentos, pois necessitam planejamentos
específicos
com
desenvolvimento
de
estratégias que exigem contratos com
provedores, consórcios, licenças e acordos
diferenciados que envolvem, dentre outras
questões, assuntos concernentes a direitos
autorais, dentro de um novo cenário para as
bibliotecas na atualidade. A seguir, discutese com mais detalhes a questão da gestão
de e-books. Além disso, grandes bibliotecas
(especialmente as universitárias) podem
ultrapassar o papel de mediadoras no uso
desses materiais, sendo também apoiadoras
em projetos de criação de materiais de
conteúdo eletrônico em parceria com
pesquisadores.
(ex.
Biblioteca
da
Universidade Harvard, EUA5).
Conservação e Restauração: Apesar de ser
uma atividade essencial na gestão de
acervos que, inclusive, costuma estar
presente muitas vezes de forma emergencial
na maioria das bibliotecas, a conservação e
restauração dos estoques de informação não
é um item encontrado com frequência nas
políticas de GEI disponíveis na web. Incluí-lo
na política significa pensá-lo, planejá-lo de
forma estratégica e preventiva, estendendo
ao máximo a vida útil de cada documento
pertencente ao estoque da instituição, esteja
ele em seu formato físico ou eletrônico.
Censura: refere-se à garantia de acesso livre
e democrático ao estoque que a U.I. reserva
a seus interagentes. A presença do item
Censura no documento deve deixar claro o
compromisso da biblioteca em garantir que a
comissão responsável por essa etapa seja
atenta em equilibrar interesses na formação

�e no desenvolvimento de uma coleção que
contemple pluralidade de pensamento e
diversidade cultural. Além disso, deve
também garantir à sua clientela a livre
escolha e amplo acesso ao seu acervo,
segundo a natureza e objetivos de cada
instituição.
Vamos nos deter um pouco mais neste item, considerado
polêmico; apesar de não ser obrigatório na política, pode
ser incluído como subseção da etapa de seleção,
conferindo credibilidade na transparência dos processos
que envolvem a gestão de estoques de informação.
É importante frisar que a questão da censura é tratada
pela literatura da área sob três aspectos principais,
segundo Vergueiro (1989, p.59): a censura legal ou
governamental, pressão individual ou de grupos e a
autocensura. Em momentos históricos distintos ou
dependendo de determinados sistemas de governo, essas
categorias de censura podem se apresentar com maior ou
menor força.
No entanto, merece atenção especial a ‘autocensura’ que,
segundo o autor (VERGUEIRO, idem):
Refere-se a uma questão inerente ao próprio profissional
bibliotecário que, sem o saber, realiza autopoliciamento para
evitar prováveis polêmicas; quando, no entanto, tal
policiamento é consciente e espontâneo, deixa de existir
autocensura para passar a existir a censura exercida pelo
bibliotecário. Afinal, a linha a dividir a censura da seleção do
material é, às vezes, muito tênue [...].

Portanto, este item representa importante papel em uma
política de gestão de estoques coerente, pois se propõe a
garantir tanto à Instituição a qual a biblioteca está
vinculada, quanto ao seu público-alvo e especialmente ao
bibliotecário-gestor, a manutenção de um serviço
democrático e desvinculado de eventuais interesses e
restrições pessoais.

�Os demais elementos seguem as etapas tradicionais dos
processos de gestão de estoques de informação, ou seja:
critérios de seleção (qualitativa e quantitativa) e seus
instrumentos auxiliares; políticas de aquisição (compra,
permuta, doação, intercâmbio) e as metodologias de
avaliação (qualitativa, quantitativa), indicando as decisões
que seguem aos resultados obtidos (desbastamento).
O documento também deve indicar a periodicidade com
que a política deve ser revisada. O processo de gestão de
estoques é sempre dinâmico, assim como o é a biblioteca.
Com a rapidez característica impressa pelas tecnologias da
informação na sociedade contemporânea, essa necessidade
se faz ainda mais premente, talvez, ainda num espaço de
tempo menor do que os dois anos geralmente indicados
nas políticas atuais.
Como elementos pós-textuais, sugere-se incluir modelos
de correspondências utilizados para a comunicação entre
os diversos atores envolvidos nos processos e mais o
termo de doação, essencial à transparência nessa
negociação entre gestor/interagente na formação do
acervo, através da participação direta da comunidade na
etapa de aquisição.
Assim, segue em forma de tópicos enumerados a lista
completa dos itens considerados necessários para uma
política de gestão de estoques de informação:
1. Elementos pré-textuais
rosto, sumário)

(capa,

folha

de

2. Parte introdutória
1. Informações
Institucionais
(identificação, missão, objetivos)
2. Informações da U.I.
missão, objetivos)

(identificação,

3. Definição, importância e objetivos da
política

�4. Estudo de comunidade (descrição da
comunidade de interagentes)
5. Participação e papel da biblioteca em
programas cooperativos
(nacionais e internacionais)
3. Estoques de informação
1. Materiais que o compõem (conteúdo e
formato)
2. Recursos financeiros disponíveis para
sua formação e desenvolvimento
(orçamentos institucionais centralizados/descentralizados,
captação de
recursos externos)
4. Desenvolvimento
informação

dos

estoques

de

1. Seleção
1. Responsabilidade
da
seleção
(atores, princípios, atribuições e
competências)
2. Critérios por tipo de obra e de
suporte físico
3. Instrumentos auxiliares (fontes para
seleção)
4. Seleção qualitativa
qualidade)

(critérios

de

5. Seleção quantitativa (número de
títulos e exemplares por tipo de
obra,
segundo parâmetros/recomendações oficiais ou demandas

�verificadas)
5. Aquisição
1. Prioridades
(definidas
segundo
orçamentos e objetivos estabelecidos)
2. Formas de aquisição (compra, doação,
permuta, intercâmbio)
3. Reposição de materiais (situações e
formas previstas para reposição)
6. Avaliação
1. Metodologias
1. Qualitativas
responsáveis)
2. Quantitativas
responsáveis)

(métodos
(métodos

e
e

2. Periodicidade (previsão de prazos para
elaboração)
3. Desbastamento
descarte)

(remanejamento,

7. Biblioteca 2.0 e Repositório Institucional
(políticas, critérios, responsáveis)
8. Conservação/Restauração
responsáveis)

(políticas,

9. Revisão da política (previsão)
10. Elementos pós-textuais
1. Modelos
de
correspondência
(documentos administrativos)
2. Formulário de doação
3. Referências bibliográficas
Estes são os itens sugeridos para a composição de uma
política mais completa. Obviamente, não é definitiva e nem
‘universal’, isto é, nem todos os itens podem ser

�interessantes a todas as bibliotecas. Contudo, representam
o universo que cobre todo o processo de gestão de
estoques de informação. A utilização, bem como a
adaptação a cada contexto dependerá da negociação que
cada gestor conduzirá com sua instituição e sua
comunidade.
A ideia aqui é propor um roteiro que seja útil como ponto
de partida para a redação do documento, de maneira a
incentivar a elaboração desse instrumento de gestão
essencial ao sucesso, eficiência e eficácia das atividades de
gestão de estoques em bibliotecas.
Um último ponto deve ser abordado, a fim de completar
esse diálogo sobre a atualização de termos às atividades
de gestão de estoques de informação no contexto atual: a
gestão e-books. Discutiremos isso a seguir.
1 http://snbp.culturadigital.br/diretrizesacervo/
2
http://consorcio.bn.br/consorcio/manuais/manualsnbp/ArquivoFinal28_08.pdf
3 http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1433
4 Boa parte deste conteúdo pode ser visto, também, no texto
apresentado no CBBD:
http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1433/1434
5 http://www.theverge.com/2012/4/23/2969913/harvard-libraryadvisory-council-journal-open-access

��6 - Gestão de e-books: um
desafio e um aprendizado
“O livro não deixa de ser livro quando muda de formato”
Edson Nery da Fonseca

Não é de hoje que grandes desafios são trazidos ao
gestor de estoques de informação pelas tecnologias. Cada
inovação introduzida nos suportes, nos quais a informação
contida leva o bibliotecário à necessidade de rever suas
formas de trabalhar com os documentos, de repensar a
maneira de selecionar, adquirir e estocar em sua biblioteca
os novos formatos.
Foi assim que, desde a criação das tabuletas de argila e
sua evolução para os papiros e pergaminhos, depois para o
papel e, nos últimos anos, os suportes eletrônicos e
digitais, o desenvolvimento de novos suportes sempre
desencadeou mudanças na atuação do bibliotecário e na
organização das bibliotecas.
Especificamente, quanto a esta última transformação,
muito já se discutiu entre os pesquisadores da área. Uma
das principais implicações do chamado ‘impacto’ das
tecnologias nas bibliotecas, bastante debatido, foi a da
transformação do paradigma da posse para o do acesso.
No cenário das bibliotecas e suas coleções, Figueiredo foi
uma das autoras que, na década de 1990, discutiu esse
‘impacto’ em seus textos. Vou aqui abrir um pequeno
parênteses, pois julgo necessário repensar, mesmo que
muito brevemente, a noção de ‘impacto’ antes de entrar no
assunto propriamente dito.
A palavra ‘impacto’ conduz à ideia de algo que cai
repentinamente sobre alguém sem aviso prévio, causando,

�em boa parte das vezes, danos e prejuízos inesperados.
Em relação à introdução das tecnologias na sociedade e,
em especial no nosso caso, na biblioteca, isso não é
totalmente verdade.
Compactuo com Pierre Lèvy, para quem inexiste o
‘impacto’ da tecnologia1, já que a tecnologia é uma
construção social e, portanto, humana, nossa. Essa noção
é pautada nos estudos da Sociologia da Técnica, e tenho
como base especialmente um texto de Benakouche (1999,
p.2), para quem: “responsabilizar a técnica pelos seus
“impactos sociais negativos”, ou mesmo seus “impactos
sociais positivos”, é desconhecer o quanto - objetiva e
subjetivamente - ela é construída por atores sociais, ou
seja, no contexto da própria sociedade”.
Dito isto, dentro do contexto estudado neste livro, não
foram poucas as ‘previsões’ feitas sobre a inserção da
tecnologia no trabalho com a informação e, também, no
ambiente das bibliotecas. Portanto, o termo ‘impacto’ não
se justifica: fomos bem avisados por autores como
Lancaster, por exemplo, que segundo Figueiredo (1995,
documento não paginado) ficou conhecido como o “profeta
da sociedade sem papel”.
Figueiredo apresenta essas ‘previsões’, indicando que,
desde a década de 1970, o assunto estava sendo abordado
entre pesquisadores da área. Em seu texto, datado de
1995, Figueiredo apresenta as ‘profecias’ de Lancaster nas
décadas de 1970 e 1980, que incluíam o uso de
computadores no ambiente das bibliotecas em duas
aplicações possíveis: automação das operações internas e
acesso a informações fora do ambiente da biblioteca.
Figueiredo ressalta que essa transição do papel para os
sistemas eletrônicos era vista por Lancaster como parte
previsível da evolução dos suportes, atenuando ainda mais
a noção de ‘impacto’ e reforçando o ponto de vista da
construção social desse processo.
Outros autores citados por Figueiredo, que também

�discutiram essa evolução nas décadas de 1980 e 1990,
foram Black (1981), Horowitz e Curtis (1982), Line (1983)
e Garson e Howard (1984), Fisher (1992). Todos avaliaram
as tendências de publicações eletrônicas de periódicos e
livros, apresentando as possibilidades e as implicações
(palavra que eu prefiro) que trariam às bibliotecas.
O fato é que com ou sem a licença dos bibliotecários, as
tecnologias estão incorporadas nos dois aspectos
‘previstos’ por Lancaster desde 1970 e, a cada dia,
apresentam novos desafios e possibilidades ao gestor das
unidades de informação como um todo e, também, ao
gestor de seus estoques.
Como um dos primeiros desafios postos aos bibliotecários,
as bases de dados eletrônicos se tornaram os produtos
iniciais a serem desenvolvidos por esses profissionais. No
Brasil, já na década de 1960, percebe-se a introdução
dessa novidade nas bibliotecas brasileiras, através da
atuação visionária da equipe de bibliotecários liderada por
Lidia Sambaquy e Célia Zaher, do IBBD – Instituto
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, predecessor
do hoje conhecido IBICT (Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia).
Assim foi estabelecida uma atuação tecnológica da
Biblioteconomia no Brasil: em 1968, os bibliotecários do
IBBD lançaram a primeira bibliografia brasileira na área de
Física, elaborada por processo automatizado,
representando uma grande inovação para a época.
(CORRÊA, 2008, p.94).
A partir daí, com a introdução dos sistemas
automatizados nas bibliotecas brasileiras, verifica-se a
atuação bibliotecária no contexto de bibliotecas digitais,
virtuais, eletrônicas, híbridas... Enfim, convivemos com
aparatos, produtos e serviços de base tecnológica no
ambiente das bibliotecas, com a participação de
bibliotecários especialmente na mediação e uso daqueles.
A história recente das bibliotecas demonstra que os

�avanços tecnológicos no campo da informação implicam
mudanças e adaptações exigidas do bibliotecário, que
resultam em alterações curriculares dos cursos de
graduação, com vistas a atualizar a formação profissional
em termos tecnológicos. Surge com força maior ainda a
necessidade de buscar formação continuada, aperfeiçoando
conhecimentos e atualizando o currículo pessoal do
profissional que deseja se destacar no mundo do trabalho
da atualidade.
Como analisado por Figueiredo na década de 1990, uma
das áreas de atuação nas bibliotecas, que também recebeu
os efeitos e implicações dos avanços tecnológicos nos
suportes de informação, foi a da gestão de estoques.
Segundo a autora, o desenvolvimento de coleções foi uma
das últimas áreas a serem ‘automatizadas’ e, dentre o
elenco de ‘impactos’ que sofreu, destacam-se os seguintes
‘problemas’, mencionados por Nissley (1993, apud
FIGUEIREDO, 1996, p.252-253): seleção e acesso
(questões de controle, qualidade, conteúdo e forma);
preservação; direitos autorais; aquisição.
Esses ‘problemas’ consistem, na verdade, em desafios
colocados aos bibliotecários ainda nos dias de hoje, alguns
deles sem uma definição clara até o momento, permeando
a oferta de bases de dados em geral, de periódicos
científicos e, mais recentemente, são assunto em pauta na
introdução de e-books nos estoques da biblioteca.

Se você está lendo este livro, provavelmente não há
necessidade de uma definição do que seja um e-book, até
mesmo por que a tradução do termo é autoexplicativa:
livro eletrônico. No entanto, vale a pena dar uma rápida

�pincelada em sua breve e recente história antes de entrar
nos meandros de sua gestão em bibliotecas.
Assim, voltamos à década de 1970, quando Michael Hart
cria o Projeto Gutemberg e inaugura a era dos livros
eletrônicos. O Projeto Gutemberg nasce com a filosofia de
que o melhor uso que se poderia fazer da computação
seria o armazenamento, a recuperação e a pesquisa de
todo o material encontrado nas bibliotecas. Sua missão,
portanto, seria a criação e a distribuição de livros
eletrônicos que pudessem ser reproduzidos
indefinidamente.
Com essa ideia e fazendo uso de uma quantidade
excepcional de horas de uso no “super computador Xerox
Sigma V no Laboratório de Pesquisa de Materiais da
Universidade do Illinois”2, Hart digita e disponibiliza a
primeira obra do Projeto: A declaração da independência
dos Estados Unidos da América, que enviou ao maior
número possível de pessoas presentes na Internet.
Atualmente, o projeto oferece, segundo informações de
sua página em português, mais de 38 mil livros eletrônicos
e gratuitos (de domínio público nos Estados Unidos da
América) em formato e-pub ou kindle. Todos os livros são
digitalizados de editores originais e oferecidos em ótima
qualidade para leitura em dispositivos eletrônicos.
Essa é a gênese dos e-books; o primeiro passo de uma
tendência que cresce a cada dia e alcança um número cada
vez maior de adeptos, tanto leitores quanto escritores e
editores. Tem chamado, igualmente, a atenção de
estudiosos e pesquisadores das áreas de leitura e
publicações, por exemplo.
Em outras palavras, os e-books marcam um novo
momento na história dos suportes da escrita e, como em
todas as outras etapas anteriores, chegaram às bibliotecas
causando frenesi.
Muitas dúvidas e grandes desafios cercam a introdução de
livros eletrônicos nos estoques de informação das

�bibliotecas e ainda não há (pelo menos não durante a
escrita deste livro) nenhum texto que oriente, com clareza,
de que maneira devem agir os bibliotecários nas questões
relativas à seleção, aquisição e preservação desse tipo de
obra. Este fato resulta no óbvio silêncio sobre o tópico nas
políticas de gestão de estoques de informação disponíveis
para consulta online.
Como professora da disciplina, saio à caça de informações
para preparar minhas aulas, e o material que passo a
seguir é resultado de leituras em blogs, da participação em
webinars de diferentes provedores ou de cursos de
capacitação oferecidos via web no Brasil e em outros
países, em especial, na língua espanhola3.
Alguns poucos artigos, publicados em periódicos ou
apresentados em eventos, fazem menção ao assunto e
auxiliam na composição deste texto. São apenas tópicos
que julgo importantes, devendo ser observados por um
gestor ao lidar com esse tipo de material informacional em
sua biblioteca e estão descritos a seguir.

�6.1 Seleção
Em termos de conteúdo, a literatura sobre formação e
desenvolvimento de coleções traz critérios gerais de
escolha de obras para composição de estoques de
informação que são plenamente aplicáveis à seleção de ebooks: autoridade, precisão, pertinência e atualidade de
conteúdo. Portanto, numa primeira conclusão óbvia, esses
fatores devem continuar sendo observados ao serem
escolhidos os títulos de e-books que serão disponibilizados,
já que os e-books a serem adquiridos deverão atender à
demanda dos interagentes e aos objetivos institucionais,
tanto quanto os livros impressos.
É importante lembrar que, além das obras adquiridas por
compra, há diversas fontes de acesso aberto, inclusive ebooks, que podem ser linkados ou disponibilizados para
download, a partir do site da biblioteca e oferecidos como
uma forma de ampliar seu estoque de informação. Um
bom exemplo é o da biblioteca Brasiliana Guita e José
Mindlin da USP que, atualmente, oferece cerca de 3.000
títulos.

�Fonte: https://www.bbm.usp.br/node/27

É bom lembrar que a oferta de material eletrônico de
acesso aberto não dispensa sua cuidadosa seleção, a fim
de conhecer a fonte e avaliar sua pertinência, utilizando
critérios específicos para análise de fontes de informação
eletrônica4.
Ainda no caso de fontes de acesso gratuito, devem ser
observados os tipos de licença que utilizam (domínio
público, open access, creative commons), bem como quais
são os formatos que apresentam (proprietários como o
kindle ou livres como e-pub ou pdf).
A oferta de e-books, no entanto, ainda não é tão
abundante quanto à de livros impressos, caminhando a
passos mais lentos do que o desejável no Brasil. Fora isso,
em se tratando, especialmente, de conteúdo técnico ou
científico, boa parte dos títulos oferecidos se restringe a
provedores estrangeiros (que dominam o mercado
mundial) e a obras em línguas diferentes do português.
Coloca-se, aqui, em destaque a pertinência dessas obras
ao público-alvo da biblioteca quanto à sua capacidade de
leitura e compreensão de textos em idiomas diferentes do
português.
Ao selecionar os e-books, é preciso saber quais os
recursos de leitura são oferecidos: leitura na tela, acesso a
texto completo, se há mudanças no tamanho das fontes e
cor do fundo, se a paginação é fixa ou variável, se há
possibilidade de fazer anotação nos textos, busca
amplificada, download, cópia, impressão, etc.
Além disso, é necessário pensar nos equipamentos
leitores - tipos de dispositivos e softwares - que a
biblioteca deverá disponibilizar ou instalar, considerando,
também, a adaptação dos interagentes a esses
equipamentos e à interface oferecida, bem como em todo o
treinamento necessário ao pessoal da biblioteca. Há quem
sugira um período de testes antes da compra propriamente
dita.

�O DRM – Digital Rights Management – direitos autorais de
acesso e uso de e-books – apresentam restrições e
controle por parte das editoras. É preciso avaliar se a
aquisição de obras sob DRM é interessante à biblioteca.
Outras questões também devem ser levadas em conta na
hora de selecionar não apenas os e-books, mas também
seus distribuidores e, dentre elas, a autoridade de editores
e autores. No entanto, selecionar e-books depende de uma
negociação mais ampla que envolve não apenas a escolha
dos títulos, mas de todo o ‘pacote’ oferecido à biblioteca
para sua aquisição.

�6.2 Aquisição
Alinhar as necessidades das bibliotecas às propostas dos
fornecedores de e-books é um grande desafio a ser
vencido. É preciso analisar bem as propostas, estudar os
modelos de negócio existentes e buscar a melhor
adequação aos interesses das bibliotecas. Ainda é muito
comum que as unidades de informação precisem optar pela
proposta ‘menos ruim’, submetendo-se às poucas e nem
sempre vantajosas ofertas dos fornecedores5.
No entanto, de forma bastante pontual, na hora de
adquirir os e-books, vários aspectos precisam ser
esclarecidos:
Trata-se de compra
licenciamento?

perpétua

ou

de

É feita por coleção (pacote) ou por títulos
individualmente?
Sob que demanda?
A biblioteca está pagando pelo acesso ou
pela propriedade?
O
acesso
oferecido
(monousuário)?

é

individual

O acesso é multiusuário, podendo mais de
uma pessoa acessar o mesmo título? Qual o
máximo de usuários simultâneos permitido?
O acesso é limitado em sua quantidade ou
ilimitado?
O empréstimo é diário ou semanal?
A biblioteca poderá acessar os registros
MARC?
Dialoga com
biblioteca?

o

software

de

gestão

da

�Qual a garantia de que a biblioteca continue
a acessar as obras no caso de um
distribuidor deixar de atuar no mercado?
E se houver mudança de formatos?
Possui serviço de suporte, treinamento e
atualização
sobre
novos
recursos
e
ferramentas?
É preciso tirar todas as dúvidas que surgirem e buscar
conhecer o mais profundamente possível, tanto o processo
de aquisição como o mercado de e–books, pois é temática
bem recente nas bibliotecas brasileiras e ainda estamos
reféns do mercado internacional, principalmente. O
contrato a ser celebrado com os provedores deverá ser
bom para todas as partes.
Alguns conselhos dados em webinar, realizado pela equipe
do Aprender 3C, são bastante úteis:
Gaste tempo estudando esse assunto;
Não se ‘case’ com nenhum provedor;
Analise bem todas as ofertas;
Negocie com os distribuidores, mas se
aproxime também dos editores e livrarias.
Esses conselhos são importantes, à medida que se faz a
análise dos prós e contras de cada modelo de negócio
oferecido, bem como as suas implicações para o
interagente em relação ao acesso e uso das obras.
Importante também conhecer o mercado nacional: quais
livrarias oferecem títulos em português, quais são e como
baixar os aplicativos exigidos ao download dos e-books,
que programas são necessários para computadores e
tablets, etc.
Em suma, para adquirir e-books é preciso saber:

�O que há (disponível no mercado e na
biblioteca);
Como acessar (local ou remotamente?
Através de links? É necessário autenticação
de ‘usuário’ ?)
Como usar (conhecer a interface e lidar com
os dispositivos leitores)
Como emprestar (orientar o passo a passo
para baixar os e-books no computador e
outros dispositivos)
Como estamos falando em gestão, é importante saber que
a decisão de adquirir e-books precisa ser pensada e
negociada com o staff da biblioteca e com a instituição. A
seguir, algumas ideias que podem ajudar.

�6.3 Gestão de e-books em bibliotecas
Além das atividades de seleção e aquisição, é preciso criar
um ambiente favorável ao uso dos e-books pelos
interagentes, preparando e capacitando, tanto o pessoal da
biblioteca quanto seus interagentes. Por ambiente
favorável, entenda-se: propício ao aprendizado constante,
com facilitadores atuando de maneira a que a interação
informação/tecnologia/biblioteca resulte na produção e
disseminação de novos conhecimentos.
Uma vez que a introdução de e-books nas bibliotecas
parece ser uma tendência, faz-se necessária a contratação
ou designação de um gestor específico para a coordenação
e promoção de e-books, caso o tamanho da biblioteca e o
número de bibliotecários deem suporte à criação deste
‘cargo’.
Esse gestor deverá possuir, além das habilidades e
competências esperadas de maneira geral, maior
desenvoltura no uso de dispositivos e na leitura de textos
eletrônicos e, também, dispender tempo e energia no
conhecimento das questões técnicas e legais que envolvem
a aquisição desse tipo de material. Seu trabalho também
deverá ser o de convencer seus colegas de trabalho a
‘comprarem a ideia’ da introdução dos e-books e vencerem
seus limites ou preconceitos em relação a esse novo
formato.

Assim, o gestor deverá criar um ambiente democrático
onde toda a equipe envolvida poderá discutir aspectos que

�circundam a introdução desse material nos estoques de
informação da biblioteca. Dentre os assuntos a serem
debatidos, que dizem respeito ao contexto e à realidade da
unidade de informação, destacam-se:
Barreiras econômicas e tecnológicas que
deverão ser vencidas;
As possibilidades de digitalizar o material
impresso;
Armazenamento local ou em nuvem de
conteúdo digital;
Uso ético dos e-books (respeito às licenças e
direitos legais).
Outra questão de fundamental importância diz respeito à
implantação de um programa de treinamento à equipe da
biblioteca, já que é essencial que todos saibam acessar os
e-books para que possam auxiliar os interagentes. As dicas
abaixo são preciosas6:
Elabore e aplique um teste de nivelamento antes de iniciar
o treinamento: cada membro da equipe deve experimentar
baixar e ler um ebook de cada plataforma disponível na
biblioteca e em, pelo menos, dois tipos de dispositivos
diferentes;
1. Aborde uma plataforma
dispositivo de cada vez,
necessário para que as
firmeza no aprendizado de
de iniciar a outra;

e um tipo de
dando o tempo
pessoas sintam
uma etapa antes

2. Comece com os mais interessados e
desenvoltos no uso de tecnologias. Eles
poderão multiplicar o treinamento com os
demais colegas;
3. Prepare guias de uso de cada dispositivo,
voltados ao acervo específico de e-books,

�que podem ser arquivados em um
repositório ou folder compartilhado na
biblioteca;
4. Ao final do treinamento, aplique outro teste
de conhecimento, oferecendo certificados de
capacitação aos que apresentarem bom
desempenho no aprendizado.
Esses passos garantirão uma equipe preparada para, não
apenas auxiliar no acesso e uso, mas também para
incentivá-los dentre a comunidade de interagentes. Seguese, então, outra etapa igualmente importante: a
divulgação e marketing desse material.
O investimento na aquisição de e-books costuma ser alto
e, como visto anteriormente, deve ser justificado através
de uma utilização frequente e constante do material pelos
interagentes. Além da condição primária e óbvia de
conhecer sua comunidade de interagentes para saber os
níveis de aceitação e demanda do material, para que toda
a comunidade saiba da existência dos e-books e, melhor
ainda, permaneça interessada em utilizá-los, uma forte
campanha de divulgação deve ser elaborada e colocada em
prática. Algumas ideias que podem ser interessantes:
Criar um evento para o lançamento do
estoque
adquirido,
em
que
toda
a
comunidade de interagentes deverá ser
convidada;
Divulgação massiva em toda instituição e
fora dela, utilizando canais locais de
divulgação e mídias sociais;
Disponibilizar treinamentos periódicos;
Criar e divulgar tutoriais para facilitar o uso;
Incluir divulgação nas visitas orientadas à
biblioteca (algumas bibliotecas aproveitam o
treinamento do portal da Capes e incluem o

�treinamento
de
acesso
plataformas de e-books).

e

uso

das

O gestor também deve atentar para o acompanhamento
de dados estatísticos de uso desse material, além de
projetar o crescimento futuro do estoque, tanto em
número de títulos, como na quantidade de acessos.
A gestão de e-books fortalece a gestão de estoques de
informação como atividade vital de unidades de
informação, pois acrescenta atividades importantes ao
processo do gerenciamento de estoques, ampliando seu
espectro de atuação e o leque de possibilidades de acesso
à informação.
Assim como, nas décadas de 1970 e 1980, havia
previsões negativas em relação às bibliotecas ameaçadas
pelas tecnologias, verifica-se, hoje, um discurso não muito
favorável à permanência e validade das atividades de
formação e desenvolvimento de coleções diante da oferta
de e-books7. Talvez isso fosse verdadeiro no caso de
desconsiderar os e-books como parte integrante dessa
‘coleção’ ou, como prefiro chamar, desse estoque de
informação.
Como discutido neste capítulo, tanto os livros digitais
adquiridos por compra quanto os acessados de forma
gratuita, são alvos de critérios de seleção, aquisição,
armazenamento e preservação. Desta forma, até mesmo
para quem visualiza o cenário drástico da extinção do livro
impresso, creio ser possível afirmar a sobrevivência da
gestão de estoques de informação. E, assim,
encaminhemo-nos para o final desta conversa.
1 O sociólogo afirma a inexistência do impacto tecnológico em
entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo em 1997, atribuindo o
uso de tecnologias como algo inerente à sociedade. A íntegra da
entrevista pode ser conferida no link:
www.ichca.ufal.br/.../biblioteconomia/.../pierre-levy-o-inexistenteimpacto-da-tecnolo..
2 https://www.gutenberg.org/wiki/PT-

�PG_Hist%C3%B3ria_e_Filosofia_do_Project_Gutenberg,_por_Michael_Hart
3 Em especial webinar da ProQuest e cursos da Aprender 3C
4 Sugiro os textos da professora Maria Inês Tomaél, pois dão
subsídios excelentes e devidamente testados para uma análise
consistente dessas fontes eletrônicas.
5 Para conhecer mais a fundo os diferentes modelos de negócio,
sugiro a leitura de Livro Digital e Bibliotecas (Serra, 2014). O capítulo
sobre a introdução dos livros digitais na biblioteca traz explicações
sobre os diferentes tipos de modelos disponíveis. O artigo de Costa e
Cunha (2014) também é muito esclarecedor e pode ser acessado no
link http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/26945
6 Adriana Gonçalves, em webinar da ProQuest
7 Veja postagem do blog Bibliotecários Sem Fronteiras, publicado
em 16/01/2015 sob o título “E-books e o desenvolvimento de
coleções

��7 - Passado, presente, futuro...
“Não existe o texto final, também porque não existe o
inicial.
Não é fixo. É nômade.”
Pedro Demo

A discussão proposta nestas poucas linhas não teve
a menor pretensão de ser absoluta ou definitiva. Como dito
logo de início, buscou-se apenas levantar uma reflexão
sobre a necessidade de atualizar termos técnicos voltados
às atividades de formar e desenvolver coleções, propondo
novos termos capazes de contemplar, de forma mais
contextualizada, uma das áreas mais importantes do fazer
bibliotecário: a gestão dos estoques de informação de uma
biblioteca.
Buscamos expor argumentos baseados na própria
literatura da área, nacional e estrangeira, a fim de colocar,
na pauta do dia das discussões profissionais sobre a gestão
do material informativo das unidades de informação, novas
possibilidades terminológicas com o fim explícito de
impulsionar o bibliotecário a uma nova postura profissional
diante do material informacional disponível nas bibliotecas.
Procurou-se conduzir o diálogo, a fim de apresentar uma
qualidade política que, segundo a concepção de Demo
(2011), deve dar ao texto a capacidade de não se mostrar
definitivo. Pelo contrário, precisa ser capaz de se manter
discutível, de se refazer, de continuar em constante
aprendizado.
Os questionamentos aqui levantados buscam despertar no
bibliotecário o interesse em sair do lugar comum, de se
inovar como profissional e, assim, reinventar sua área de
atuação, de se descobrir potencialmente criativo e atualizar
suas práticas de maneira democrática, respeitando e

�envolvendo todos os atores que podem e devem contribuir
para o sucesso das bibliotecas enquanto organismos em
movimento.
A gestão de estoques de informação (embora nem sempre
com esse título) tem sido matéria de pauta de toda e
qualquer biblioteca em todas as épocas da história da
humanidade. Selecionar, adquirir e preservar o estoque de
informação mais adequado a cada público sempre foi uma
das principais preocupações de todo bibliotecário atuante
em unidades de informação.
Passando de uma concepção de trabalho erudito e poético
a uma atividade técnica, propomos hoje que seja
considerada como um campo gerencial extremamente
importante ao desenvolvimento das bibliotecas e unidades
de informação.
Olhar o processo sob o ponto de vista da gestão,
entendendo as bibliotecas como um lócus de aprendizado e
geração de conhecimento e se relacionando com seu
público a partir da visão de interatividade: essas são as
propostas pensadas por mim nestas poucas páginas.
O potencial criativo e transformador das bibliotecas
depende, em grande parte, do pano de fundo que constitui
o estoque de informação por ela disponibilizado. Por isso, é
importante pensar e repensar sua gestão a partir de
pressupostos que valorizem o interagente, ampliando o
paradigma da biblioteca que simplesmente empresta livros
de forma descomprometida com seu contexto ou com a
qualidade do processo que antecede a chegada do livro à
estante e acompanha sua vida útil, tornando-a cada vez
mais útil por um período cada vez mais longo.
Novamente, reafirmo que os pontos aqui discutidos não
são definitivos: são propostas a serem discutidas e
testadas teórica e empiricamente, numa tentativa não
apenas de atualização terminológica, mas, especialmente,
de implantar um novo olhar para à gestão de estoques de
informação que resulte numa visão diferente da biblioteca

�e, quem sabe da própria Biblioteconomia. Uma nova
Biblioteconomia, como sugere Lankes.
O passo inicial está sendo dado e este livro representa um
convite para que, juntos, possamos abrir novos e
promissores caminhos às nossas bibliotecas e unidades de
informação.

�Referências
APRENDER 3C. Selección de libros electrónicos en
bibliotecas: todo lo que hay saber. Webinar. Disponível
em: http://es.slideshare.net/Aprender3C/seleccin-delibros-electrnicos-en-bibliotecas-todo-lo-que-hay-quesaber Acesso em: 04 fev.2015

ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Estudos de usuários:
pluralidade teórica, diversidade de objetos. In: ENCONTRO
NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,
9., 2008, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2008.
Disponível em:
http://bogliolo.eci.ufmg.br/downloads/ARAUJO%20Enancib%202008.
Acesso em 17 out 2014
______. Paradigma social nos estudos de usuários da
informação: uma abordagem interacionista. Informação e
Sociedade, João Pessoa, v.22, n.1, p.145-159,
jan./abr.2012. Disponível em:
http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/9896/0
Acesso em: 17 out.2014.
ARRUDA, S.M. de; CHAGAS, J. Glossário de
Biblioteconomia e áreas afins. Florianópolis: Cidade Futura,
2002.

ASSIS, C.C; MAIA, L.C.G. Análise do perfil de liderança do
bibliotecário gestor na cidade de Goiânia/GO. Informação e
Informação, Londrina, v. 19, n. 1, p. 185 – 205, jan./abr.
2014. Disponível em:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/14
Acesso em: 22 maio 2014.
BARRETO, A. A questão da informação. São Paulo em
Perspectiva, v.8, n.4, 1994. Disponível em:
http://aldoibct.bighost.com.br/quest/quest2.pdf Acesso em
26 maio 2014.
_______. Os agregados da informação. DataGramaZero,

�v.1, n.3, jun.2000. Disponível em:
http://www.dgz.org.br/jun00/Art_01.htm Acesso em 26
maio 2014.
BELLUZZO, R.C.B. O profissional da informação na era do
conhecimento: mediadores e interagentes? São Paulo,
2010. Slides. Disponível em:
http://pt.slideshare.net/monitorfabci/o-profissional-dainformao-na-sociedade-do-conhecimento-mediadores-einteragentes Acesso em: 20 out. 2014

BENAKOUCHE, T. Tecnologia é sociedade: contra a noção
de impacto tecnológico. Cadernos de pesquisa, n.17, set.
1999. Disponível em:
http://files.dirppg.ct.utfpr.edu.br/ppgte/divulgacao/seminarios/semin
Acesso em: 15 dez. 2014.

BRASIL. Ministério Público Federal. Procuradoria da
República no Tocantins. Glossário de termos de
Biblioteconomia e afins. Disponível em:
http://www.prto.mpf.mp.br/servicos/biblioteca/glossario_de_termos_
Acesso em 04 fev. 2015
BRASIL. Lei n. 12.244, de 24 de maio de 2010. Dispõe
sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de
ensino do País. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2010/Lei/L12244.htm Acesso em: 04 fev.2015
BRASIL. Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Acervo.
Disponível em:
http://snbp.culturadigital.br/diretrizesacervo/ Acesso em
04 fev.2015
BUONACORE, Domingo. Diccionario de Bibliotecología.
2.ed.aum. Buenos Aires: Ediciones Marymar, 1976.
CHAGAS, J. ; ARRUDA, S.; BLATMANN, U. Interação do
usuário na busca de informações. Disponível em:
http://www.ced.ufsc.br/~ursula/papers/interacao.html.
Acesso em: 10 nov. 2013
COSTA, R.P.; CUNHA, M.B. da. Modelos de negócios de

�livros eletrônicos para bibliotecas. In: CONGRESSO
INTERNACIONAL DO LIVRO DIGITAL, 5., 2014, São Paulo.
Anais… Disponível em:
http://www.congressodolivrodigital.com.br/arq-trabalhoscientificos/2014/TC2014-raquel-pereira-costa290614194029.pdf Acesso em: 04 fev.2015
DEMO, P. A força sem força do melhor argumento: ensaio
sobre “novas epistemologias virtuais”. Brasília: IBICT,
2011.
EVANS, G.E.; SAPONARO, M.Z. Collection management
basics. 6.ed. Library and Information Science text series.
2012. E-book.
FERREIRA, A.B.de H. Novo dicionário Aurélio da língua
portuguesa. São Paulo: Positivo, 2004.
FIGUEIREDO, N. Novas tecnologias: previsões e realidade.
Ciência da Informação, Brasília, v.24, n.1, abr. 1995.
Disponível em:
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/643
Acesso em 15 dez. 2014.
_______. Novas tecnologias: impacto sobre a formação de
coleções. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v.1, n.2, p.245-254, jul. dez. 1996. Disponível
em: www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=11634 Acesso
em 15 dez. 2014.
GARCIA, Paula Balbis. O excedente cognitivo na biblioteca
universitária: possibilidades de colaboração do leitor
curador na gestão da
metainformação do acervo. 2014. 198 p. Dissertação
(Mestrado) - Universidade
Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da
Educação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, Florianópolis, 2014.
GARCIA-REYES, C. J. Gestíon de unidades de informacíon.
In: VERGUEIRO, W.; MIRANDA, A.C.D.(orgs).

�Administração de unidades de informação. Gramado:
FURG, 2007. Cap. 1, p. 11-34.
GIARDELLI, G. Você é o que você compartilha. São Paulo:
Gente, 2012.
GILES, A.K.; STANSFIELD, M. The farmer as manager.
Mishawaka, EUA: G.Allen &amp; Unwin, 1980.
GONÇALVES et.al., Diagnóstico das bibliotecas escolares da
rede estadual de ensino de Belo Horizonte MG: a situação
dos acervos. Encontros Bibli, Florianópolis, n.17, 2004,
p.19-33. Disponível em:
http://www.redalyc.org/pdf/147/14701703.pdf Acesso em:
02 out. 2014.
GRANDE dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Disponível em: http://houaiss.uol.com.br/ Acesso em: 04
fev. 2015.
KAY, R. Farm management: planning, control and
implementation. New York: McGraw Hill, 1981.
KLAES, R.R. Sistema de informação gerencial para
desenvolvimento de coleções. Ciência da Informação,
Brasília, v.20, n.2, p. 220-228, jul./dez. 1991. Disponível
em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/359 Acesso
em: 12 dez.2014.
LANKES, D. The atlas of new librarianship. Cambridge: MIT
Press, 2011.
________. Expecting more: demanding better libraries for
today´s complex world. New York: R.David Lankes, 2012.
LIMA, R.C.M.de; FIGUEIREDO, N.M. de. Seleção e
aquisição: da visão clássica à moderna aplicação de
técnicas bibliométricas. Ciência da Informação, Brasília,
v.13, n.2, p. 37-50, jul./dez. 1984. Disponível em:
http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/202 Acesso em: 12
dez. 2014.
LOZANO, A.R.P. Gestión de La colección y su relación com
La planificación y evaluación de la biblioteca universitária.

�Gramado, 18 set. 2011. Palestra proferida no XXVII
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Disponível
em: http://www.snbu2012.com.br/programa/index.php.
Acesso em: 19 out. 2012.
LUNARDELLI, R.S.A. Usuários ou clientes de bibliotecas?
Uma reflexão do ponto de vista da lexicologia. Disponível
em: http://www.ofaj.com.br/textos_conteudo.php?
cod=134. Acesso em: 10 nov. 2013
MACIEL, A.C.; MENDONÇA, M.A.R. Bibliotecas como
organizações. Rio de Janeiro: Interciência, 2000.

MARQUES, C.A.F. A gestão e os gestores. Évora, Portugal:
Universidade de Évora, 2012. Disponível em:
https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/5138/1/A%20Gest%
Acesso em 21 maio 2014.
MIRANDA, A. Seleção de material bibliográfico em
bibliotecas universitárias brasileiras: ideias para um
modelo operacional. São Paulo: FEBAB, 1978.
MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Formação e
desenvolvimento de coleções em bibliotecas
especializadas. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João
Pessoa, v. 17, n. 1, p. 87-94, jan./abr. 2007.
MURAKAMI, T. McDonald’s X Bibliotecas, 29 mar. 2014.
Bibliotecários sem fronteiras. Disponível em:
http://bsf.org.br/. Acesso em: 19 maio 2014.
NASCIMENTO, M.A.R. do. Gestão da coleção de periódicos
científicos das bibliotecas universitárias brasileiras...
Disponível em:
snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t086.doc Acesso em 22
maio 2014

PRIMO, A.. Enfoques e desfoques no estudo da interação
mediada por computador. Limc, n. 45, 2005. Disponível
em:
http://smeduquedecaxias.rj.gov.br/nead/Biblioteca/Forma%C3%A7%
Acesso em: 10 nov. 2013.
PROQUEST. Webinars. Disponível em:

�https://proquestmeetings.webex.com/ec0701lsp11/eventcenter/recor
siteurl=proquestmeetingspt&amp;theAction=poprecord&amp;ecFlag=true&amp;recordID=70319622&amp;internalR
Acesso em: 04 fev. 2015
QUINN, B. Cognitive and affective process in collection
development. eScholarship Repository, 2007. Disponível
em: https://repositories.tdl.org/ttuir/bitstream/handle/2346/479/fulltext.pdf?sequence=1.
Acesso em: 16 jul. 2014
RABELLO, O.C.P. O usuário nos currículos de
Biblioteconomia. Belo Horizonte, R.Esc.Biblioteconomia
UFMG, v.10, n.2, p.179-192, set.1981.
ROBBINS, S. P.; COULTER, M.. Management. New Jersey,
2007
RODRIGUES, A.M.M.; AZEVEDO, A.W. Perfil do gestor da
informação em bibliotecas universitárias na região
metropolitana do Recife. Biblos, Lima, Perú, v. 1, n. 1,
2011. Disponível em:
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4530268
Acesso em: 22 maio 2014.
RODRIGUEZ GARCIA, C. Mecenable: uma nueva
herramienta para financiar proyectos em su biblioteca.
Blog Infobibliotecas. Disponível em:
http://www.infobibliotecas.com/es/blog/?p=844 Acesso
em: 15 dez. 2014.
SANTOS, L.C.; FACHIN. G.R.B.; VARVAKIS, G. Gerenciando
processos de serviços em bibliotecas. Ciência da
Informação, Brasília, v.32, n.2, p.85-94, maio/ago. 2003.
Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n2/17037.pdf Acesso em:
19 maio 2014.
SERRA, L.G. Livro digital e bibliotecas. Rio de Janeiro: FGV,
2014.
SILVEIRA, L.R., COSTA, M.de F. O., SILVA, D. de J.M.
Diretrizes para a construção democrática e participativa de

�uma política de formação e desenvolvimento de coleções
no núcleo integrado de bibliotecas da UFMA. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
17. Gramado, RS. 2012. Anais... Disponível em:
http://www.eventweb.com.br/snbu2012/homeevent/schedule.php?area=220 Acesso em: 18 out. 2012.
STHREL, L. Desenvolvimento de coleções: política. Slides.
Disponível em: http://pt.slideshare.net/leticia.strehl/2desenvolvimento-de-colees-poltica Acesso em: 16 out.
2012.
VERGUEIRO, W.C.S. Censura e seleção de materiais em
bibliotecas: o despreparo dos bibliotecários brasileiros.
Ciência da Informação, Brasília, v. 16, n.1, jan./jun. 1987.
Disponível em:
http://revista.ibict.br/ciinf/article/viewFile/266/266 Acesso
em: 12 dez. 2014.
______. Desenvolvimento de Coleções. São Paulo, APB:
Polis, 1989.

______. Políticas de desenvolvimento de coleções. [20--].
Slides. Disponível em:
http://www.eca.usp.br/departam/cbd/waldomiro/Disciplina%20Desen
%20Pol%EDticas%20DC.ppt#271,7 Acesso em: 18 maio
2014.

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
      <file fileId="995">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1533/Gestao_de_estoques_de_informacao__-_Correa_ECD_2016.1.epub</src>
        <authentication>4f5deb8be0cb6eea347114c5955d309d</authentication>
      </file>
      <file fileId="996">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1533/Gestao_de_estoques_de_informacao__-_Correa_ECD_2016.2.mobi</src>
        <authentication>2fc9bcc5ac554b472ef26c867093fb21</authentication>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20000">
                <text>Gestão de estoques de informação: novos termos e novas posturas para um novo contexto</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20001">
                <text>Gestão da informação&#13;
Serviços de informação&#13;
Gestão de estoque de informação&#13;
Bibliotecário gestor&#13;
</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20002">
                <text>Não me surpreendi muito quando Elisa Cristina Delfini Correa me apresentou o livro Gestão de Estoques de Informação: Novos Termos e Novas Posturas para um Novo Contexto. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, alguém colocaria em questão muitas das minhas certezas e confesso que fiquei feliz por ter sido mais cedo, de forma que eu pudesse presenciá-lo. Além disso, já havia acompanhado alguns de seus artigos anteriores na literatura e conhecia algumas de suas ideias. Assim, em vez de passar pelas cinco fases do trauma - negação, raiva, negociação, depressão e aceitação – preferi encarar o livro de Elisa como uma continuidade do meu trabalho. E confesso que, ao fim de sua leitura, não poderia pensar em melhor maneira de alguém fazer isso. Elisa escreve de uma forma leve, tranquila, utilizando um estilo coloquial que eu aprecio muito e que sempre busquei manter, embora nunca tenha conseguido utilizá-lo com o mesmo nível de precisão e elegância com que ela o faz. Esse aspecto me cativou imediatamente no livro e tenho certeza de que também cativará a muitos de seus futuros leitores. O estilo leve e conversacional do livro, por outro lado, em momento algum consegue empanar a profundidade de seu conteúdo. A autora se dispõe, com a obra, a colocar em xeque muito do que se pensava ou se pensa ainda na especialidade antes denominada “desenvolvimento de coleções” e, baseada em sua experiência na Universidade do Estado de Santa Catarina e nas proposições do professor Aldo Barreto, começa propondo uma nova denominação para ela: Gestão de Estoques de Informação. Segundo Elisa, a nova terminologia se justifica, porque “essa mudança terminológica deve também implicar uma mudança de visão, especialmente devido ao caráter dinâmico que a palavra “estoque” poderá assumir”. Nesse sentido, a autora é ousada e eu gosto muito disso. Não posso deixar de concordar com ela. Terminologias tais como “formação e desenvolvimento de coleções” - Não me surpreendi muito quando Elisa Cristina Delfini Correa me apresentou o livro Gestão de Estoques de Informação: Novos Termos e Novas Posturas para um Novo Contexto. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, alguém colocaria em questão muitas das minhas certezas e confesso que fiquei feliz por ter sido mais cedo, de forma que eu pudesse presenciá-lo. Além disso, já havia acompanhado alguns de seus artigos anteriores na literatura e conhecia algumas de suas ideias. Assim, em vez de passar pelas cinco fases do trauma - negação, raiva, negociação, depressão e aceitação – preferi encarar o livro de Elisa como uma continuidade do meu trabalho. E confesso que, ao fim de sua leitura, não poderia pensar em melhor maneira de alguém fazer isso. Elisa escreve de uma forma leve, tranquila, utilizando um estilo coloquial que eu aprecio muito e que sempre busquei manter, embora nunca tenha conseguido utilizá-lo com o mesmo nível de precisão e elegância com que ela o faz. Esse aspecto me cativou imediatamente no livro e tenho certeza de que também cativará a muitos de seus futuros leitores. O estilo leve e conversacional do livro, por outro lado, em momento algum consegue empanar a profundidade de seu conteúdo. A autora se dispõe, com a obra, a colocar em xeque muito do que se pensava ou se pensa ainda na especialidade antes denominada “desenvolvimento de coleções” e, baseada em sua experiência na Universidade do Estado de Santa Catarina e nas proposições do professor Aldo Barreto, começa propondo uma nova denominação para ela: Gestão de Estoques de Informação. Segundo Elisa, a nova terminologia se justifica, porque “essa mudança terminológica deve também implicar uma mudança de visão, especialmente devido ao caráter dinâmico que a palavra “estoque” poderá assumir”. Nesse sentido, a autora é ousada e eu gosto muito disso. Não posso deixar de concordar com ela. Terminologias tais como “formação e desenvolvimento de coleções” - concretas na biblioteca”. E apela a colegas e pensadores respeitados da Biblioteconomia, como minhas queridas colegas, as duas Reginas (Obata e Belluzzo) que salientam o papel de interação e de intermediação da biblioteca e do bibliotecário. (Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20003">
                <text>Corrêa, Elisa Cristina Delfini</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20004">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20005">
                <text>2016</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20006">
                <text>© 2016 Elisa Cristina Delfini Corrêa</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20007">
                <text>Recurso Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20009">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20010">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65900">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="1534" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="997">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.pdf</src>
        <authentication>eff9acf145e0ec76f2b969ffe77ec2aa</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="20024">
                    <text>��GESTÃO DE UNIDADES
DE INFORMAÇÃO

Organizadoras
DANIELA SPUDEIT
MARCIA SILVEIRA KROEFF

EDITORA FEBAB

�Editora FEBAB
Rua Avanhandava, 40 - Conj. 108/110
CEP 01306-000 – São Paulo - SP Brasil
tel: (11) 3257-9979
e-mail: secretaria@febab.org.br
site: http: www.febab.org.br/
© 2017 Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff
Conselho Editorial
Dra. Celia Zaher
Prof. Dr. Claudio Marcondes Castro Filho (USP)
Profa Dra. Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP)
Profa. Dra. Sueli Mara Pinto Ferreira (USP)
Profa. Dra. Telma de Carvalho (UFSE)
Profa. Dra. Valeria Martin Valls (FESPSP)
Profa. Dra. Zaira Zafalon (UFSCAR)Dra. Celia Zaher

i
Gestão de unidades de informação [Recurso eletrônico]/
Organizadoras: Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff –
São Paulo : FEBAB, 2017
p.: il.
Vários autores.
ISBN 978-85-85024-11-6
1. Serviços de informação – Administração 2. Unidades de
informação – Planejamento 3. Bibliotecários – Competências
I. Spudeit, Daniela II. Kroeff, Marcia Silveira
CDD 025.1

�SUMÁRIO
SUMÁRIO 5
APRESENTAÇÃO 7
PREFÁCIO 15
1 - PLANEJAMENTO EM AMBIENTES DE
INFORMAÇÃO 17
Marta Lígia Pomim Valentim

2 - GESTÃO DE PESSOAS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 39
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Tatiana Brandão Fernandes

3 - METODOLOGIAS PARA CONTROLE
DE QUALIDADE EM SERVIÇOS DE
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 54
Daniela Spudeit
Noeli Viapiana
Marcia Silveira Kroeff

4 - AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO 69
Ana Maria Pereira

5 - GESTÃO DE PROJETOS EM

�UNIDADES DE INFORMAÇÃO 86
Daniela Spudeit

6 - O PENSAMENTO ENXUTO COMO
FORMA DE OTIMIZAR O USO DE
RECURSOS E SIMPLIFICAR
OPERAÇÕES EM UNIDADES DE
INFORMAÇÃO 99
Crislaine Silveira
Jordan Paulesky Juliani
Marcelo Cavaglieri

7 - CONTABILIDADE PARA
BIBLIOTECÁRIOS: NOÇÕES DE
RECEITAS, GASTOS E PERDAS ÀS
UNIDADES DE INFORMAÇÃO 110
Eduardo Silveira
Daniele Feldman
Daniela Spudeit

8 - MARKETING, BIBLIOTECAS E
BIBLIOTECONOMIA: REVISÃO
CONCEITUAL E PRÁTICA 119
Eliezer Mendes Lopes
Angelica C. D. Miranda

9 - MÍDIAS SOCIAIS EM SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO 129

�Regina Fazioli

10 - SEGMENTAÇÃO DE CLIENTES NA
BIBLIOTECA: COMO CONHECER
MELHOR O SEU PÚBLICO E
CONTRIBUIR PARA O MARKETING DE
RELACIONAMENTO COM O CLIENTE
144
Denise Rodrigues So

11 - GESTÃO DA CARREIRA E
MARKETING PESSOAL DO
BIBLIOTECÁRIO 153
Helen Beatriz Frota Rozados

12 - CONSULTORIA NA ÁREA DE
GESTÃO SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
170
Valéria Martin Valls

AUTORES 178

�APRESENTAÇÃO
Drucker já dizia que o maior problema das instituições é a
falta de gestão. Dadas as constantes mudanças sociais e
mercadológicas, pensar em gestão é sempre um desafio
quando se trata de mobilizar recursos para atingir
resultados em prol de objetivos comuns. Se em grandes
empresas e organizações isso é fundamental, imaginem
pensar a gestão em unidades de informação que exige o
desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para
oferta de serviços voltados para a formação de capital
intelectual, social e humano.
Foi a partir dessa demanda que surgiu a ideia em convidar
profissionais e professores especialistas da área para
refletir e discutir sobre temáticas relacionadas à gestão de
unidades de informação. Sendo assim, essa obra versa
sobre gestão financeira, avaliação, planejamento, gestão
de processos, marketing, gestão de pessoas, controle de
qualidade, gestão de projetos, segmentação de cliente,
marketing de relacionamento, mídias sociais, entre outros
pontos que abarcam as demandas de ensino na formação
de bibliotecários gestores.
A obra busca oportunizar um aprofundamento em
diferentes temáticas que convergem para a formação de
competências gerenciais do bibliotecário que são
demandadas pela sociedade e pelo mercado no século XXI.
Acredita-se que seja necessário que os bibliotecários
tenham esses conhecimentos tratados nessa obra,
desenvolvam as habilidades necessárias, saibam usar
diferentes recursos, inovem em suas unidades de
informação e promovam um diferencial para esses
ambientes a fim de agregar valor às organizações no qual
estão inseridas e, principalmente, à comunidade atendida
por elas.
David

Lankes

defende

que

“bibliotecas

ruins

fazem

�coleções, bibliotecas boas realizam serviços, bibliotecas
excelentes criam comunidades”. É pensando nessa
contribuição social, que essa obra vem instrumentalizar os
bibliotecários para que usem técnicas e metodologias
gerenciais, transformando as unidades de informação
importantes espaços de busca e construção do
conhecimento em ambientes vivos que atendam às
demandas das comunidades em que estão inseridas.
.
Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff
(Organizadoras)

�PREFÁCIO
Recentemente, nas eleições para prefeito realizadas em
2016 no Brasil, os eleitores da cidade de São Paulo
ouviram muito a palavra “gestão”. Um dos candidatos
afirmou e repetiu dezenas de vezes na propaganda
televisiva e radiofônica, bem como em seus comícios
públicos e entrevistas midiáticas, não ser um político
tradicional, mas um “gestor”, alguém que tinha experiência
na administração de uma empresa e que tinha sido bemsucedido nessa tarefa. Além disso, bateu continuamente na
tecla de que todos os problemas enfrentados pela maior
cidade do país podiam ser resolvidos por ele, que era tudo
uma questão de “gestão” – e disso ele tinha, mais que
seus concorrentes, conhecimento de causa.
Esse discurso auto laudatório – como em geral são os
discursos dos políticos em busca de votos, diga-se de
passagem -, parece ter encontrado eco entre os eleitores
da maior metrópole brasileira, que acabaram por eleger
esse candidato no primeiro turno da eleição, num resultado
surpreendente para todos. Inclusive para o próprio
candidato, segundo consta.
Não sei dizer se os eleitores paulistanos têm efetivamente
uma ideia clara do que seja “gestão”. Não tenho segurança
para afirmar se sua escolha foi a mais correta ou a mais
equivocada possível. Não pretendo aqui analisar as
contingências que levaram a esse resultado das urnas, se
efetivamente foi esse discurso que garantiu o resultado
favorável ao candidato ou se existiram outros fatores
igualmente influentes. Isso não é tão importante agora,
pois o tempo provavelmente acabará tornando evidentes
as respostas para todas essas indagações. Mas faço
questão de começar a minha reflexão mencionando esse
fato, de forma a salientar o aspecto, sob um certo ponto de
vista, meio que “mágico” que a palavra adquiriu em termos

�de grande público – fator que provavelmente preponderou
para ela ser escolhida, pelos marqueteiros políticos, como
um bordão eleitoral naquele momento.
Nem tanto assim. Mas, tampouco, algo a ser minimizado.
Trata-se, no mínimo, de uma preocupação necessária. Se
vivêssemos em um mundo onde predomina a abundância
total de recursos, não haveria necessidade de nos
preocuparmos com a necessidade de bem utilizá-los. Mas a
realidade não é assim. Afinal, os recursos não são
ilimitados. Ao mesmo tempo, as demandas a serem
satisfeitas são em geral maiores que as possibilidades de
atendê-las. Isto é válido para qualquer área de atividade
ou de intervenção humana, dizendo atualmente respeito
tanto à área produtiva como à de lazer ou entretenimento,
ou à de serviços. Esta percepção já acompanha a
sociedade há muito tempo, mas começou a ter uma ênfase
maior a partir da revolução industrial, gerando
preocupações teóricas e aplicações práticas que levaram ao
estabelecimento de uma ciência com ela relacionada.
Escolas de pensamento foram construídas em torno da
gestão, com visões clássicas e mecanicistas sendo
substituídas
por
propostas
humanistas,
modelos
estruturais, propostas comportamentais e assim por
diante. Todas as esferas de atividade foram afetadas.
Todos os seres humanos estão sob sua égide. Não há como
fugir disso.
No entanto, a cada dia é mais comum nos deparamos
com exemplos de má gestão de recursos de todos os tipos,
em todos os aspectos da vida moderna, do que de
exemplos em sentido contrário. E somos ao mesmo tempo
vítimas e perpetradores desses exemplos, seja em termos
individuais, em nosso microcosmo, tanto profissional como
familiar, seja sob o aspecto mais macro, como
consumidores de produtos e serviços. Assim, é importante
que se direcione a devida atenção à problemática da
gestão em todos os seus aspectos e enfoques – de
pessoas, de recursos, de bens, de serviços, de processos -,

�de forma a se atingir o melhor resultado possível.
Infelizmente, no entanto, contrariamente ao que o discurso
do político mencionado na página anterior pode dar
eventualmente a entender, não se trata de encontrar
aqueles que tenham nascido com o dom divino de domínio
desse atributo e colocá-lo à frente de nossas instituições,
empresas, vilas, cidades, estados ou país que tudo será
resolvido. Como num passe de mágica. Trata-se, isto sim,
de desenvolver mecanismos que permitam a cada pessoa,
no desempenho de sua atividade, ter acesso aos
conhecimentos acumulados na área de gestão e saber
aplicá-los da forma apropriada. E o melhor momento para
isso, com toda certeza, é o da formação dos profissionais.
E aqui atinjo o ponto a que pretendia chegar desde o
início, pois foi a principal motivação para as professoras
Daniela Spudeit e Márcia Silveira Kroeff, ambas da
Universidade do Estado de Santa Catarina, organizarem o
livro sobre “Gestão de unidades de informação” que tenho
a honra de agora prefaciar. Sentindo que essa
problemática não se encontra suficientemente contemplada
na literatura especializada das áreas de Biblioteconomia e
Ciência de Informação, decidiram preencher essa lacuna,
conclamando um grupo de professores e profissionais a se
juntarem a elas no objetivo de fornecer parâmetros
seguros para atuação de todos aqueles que estão
envolvidos na gestão de unidades de informação.
Sonhadoras e ambiciosas, talvez. Visionárias e corajosas,
sem dúvida. E, mais que isso, com toda certeza,
propositivas e empreendedoras. Que bom!
Eu sou do tempo em que praticamente o único livro
existente sobre o tema “gestão de unidades de
informação” era um opúsculo de um autor norte-americano
chamado Gaston Lytton11, que tinha lá os seus méritos,
mas que, convenhamos, deixava muito a desejar. Depois
dele, felizmente, outros surgiram no mercado e eu mesmo
estive envolvido em alguns deles. Mas reconheço que já
faz algum tempo que os profissionais da área se ressentem

�da falta de uma obra que apresente respostas mais amplas
para suas inquietações e dúvidas sobre a gestão de
unidades de informação. Em minha opinião, as duas
colegas foram muito bem-sucedidas no atendimento desse
anseio, conseguindo agrupar um elenco de especialistas
que compõem um verdadeiro coral de vozes que
harmonicamente se completam.
Não vou detalhar o sumário do livro, que se encontra nas
páginas seguintes. Mas basta o leitor olhar a denominação
dos diversos capítulos e as pessoas que por elas ficaram
responsáveis para entender o meu entusiasmo com o
conteúdo desta obra. Confesso que, inicialmente, para ser
imparcial, tentei agir como advogado do diabo – ou, como
mais coloquialmente se diria, um verdadeiro espírito de
porco -, na leitura do livro, buscando encontrar brechas,
falhas, aspectos que deviam ser tratados e que haviam
sido deixados de lado por esquecimento ou desleixo. Não
os encontrei. É claro que existem diferenças entre os
diversos capítulos. Alguns capítulos foram bastante
aprofundados, provavelmente devido a tratarem de
problemáticas já bem equacionadas, tradicionais mesmo,
com autores e literatura já sedimentados em nossa área de
conhecimento. Enquanto outros tratam de problemáticas
ainda relativamente emergentes em nossa área. O
conjunto me satisfaz plenamente e acredito que ele
apresenta um panorama mais que abrangente das
questões envolvidas na gestão de unidades de informação.
No entanto, mesmo confessando acima minha tentativa
de imparcialidade, devo declarar, a bem da verdade, que
não consegui concretizá-la de todo. Seria essa uma tarefa
difícil ou talvez quase impossível para mim. Conheço
grande parte dos autores, muitos dos quais vi
praticamente desabrochar para a vida profissional,
enquanto com outros dividi horas e horas de inquietação
sobre os rumos da Biblioteconomia e Ciência da
Informação. Conheço a seriedade de cada um deles e a
dedicação com que se debruçaram sobre suas temáticas

�neste livro, pois dissertam sobre assuntos aos quais se
dedicaram durante grande parte de suas vidas, temas com
os quais têm grande proximidade, até mesmo afetiva, e
aos quais dedicam enorme preocupação, seja em sua
atividade profissional, em sua prática docente ou em seu
percurso acadêmico. Trata-se de alunos, colegas do tempo
de faculdade e de docência na área, bem como alguns de
meus orientandos de mestrado e doutorado (não falo em
ex-orientandos, pois sei que eles, tal como as ex-sogras,
não existem...). Todos, como diriam meus amigos
cubanos, são meus “hermanos del alma”, pessoas que
respeito, admiro e gosto. E pelas quais não hesito agora e
não hesitarei jamais em recomendar a leitura dos capítulos
que compuseram, sem qualquer dúvida de que estou
prestando um bom serviço a todos os futuros leitores.
Não tenho dúvida de que, tal como eu, todos terão uma
útil e prazerosa leitura.
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo
1 LITTON, Gaston. Administração de bibliotecas. São Paulo: McGraw
Hill do Brasil, 1975.

�1 - PLANEJAMENTO EM
AMBIENTES DE INFORMAÇÃO
Marta Lígia Pomim Valentim

1.INTRODUÇÃO

O

planejamento é um processo permanente e
contínuo que visa à definição dos objetivos, metas e
estratégias da ação de curto, médio e longo prazo. Em
outros termos, o planejamento consiste numa atividade
que deve ser realizada, continuamente, em ambientes
organizacionais de qualquer natureza ou tipo. O
planejamento pode ser compreendido como instrumento de
gestão que não se esgota com a simples elaboração de um
plano de ação, uma vez que planejar requer o
gerenciamento de políticas, programas, projetos e
procedimentos com distintas finalidades.
Planejar é uma atividade essencial para qualquer gestor
cumprir sua função e suas responsabilidades. A
administração clássica destacava quatro funções principais
ao exercício da gerência: planejar, organizar dirigir e
controlar. Gerenciar qualquer tipo de organização ou
unidade de trabalho exige competências e habilidades que
envolvem o saber pensar e o saber fazer o planejamento.
Chiavenato (2003) menciona que o gestor deve ter pelo
menos três competências e habilidades (Figura 1):
.

�Figura 1: Função, competências e habilidades do gestor.
Fonte: Adaptada de Chiavenato (2003, p. 4-5);
Maximiano (2004, p.66).

Conhecimento, perspectiva e atitude são as competências
essenciais para o gestor exercer sua função, mas, para
tanto, também é necessário que possua habilidades
conceituais, humanas e técnicas (Figura 1). Nessa
perspectiva, o planejamento se destaca como um
instrumento que pode desenvolver ou melhorar as
competências e habilidades supracitadas.
No intuito de melhor compreender o que seja planejar,
apresentam-se algumas definições:
"Planejamento é definido como ato ou processo de

�elaborar ou implantar planos, estabelecendo metas,
objetivos, políticas e procedimentos para uma
unidade social ou econômica" (WEBSTER, 2000).
"Trabalho
de
preparação
para
qualquer
empreendimento, segundo roteiro e métodos
determinados". (FERREIRA, 2006, p.510).
"Planejar é escolher um curso de ação e decidir
adiantadamente o que deve ser feito, em que
sequência, quando e como. O bom planejamento
procura considerar a natureza do futuro em que as
decisões e as ações de planejamento visam operar,
bem como o período corrente em que são feitos os
planos". (MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JR., 1998,
p.105).
"Função primordial a ser desempenhada. O
planejamento determina os objetivos a serem
atingidos e os tipos de controle necessários que a
administração da empresa deverá adotar. E, como
tal, o planejamento tem características próprias e
definidas". (FARIA, 1997, p.71).
Na literatura, é possível encontrar
planejamento; entre eles se destacam:

conceitos

sobre

"O planejamento não é um acontecimento, mas um
processo contínuo, permanente e dinâmico, que cria
objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas
para atingi-los e prevê os recursos necessários à
consecução desses objetivos". (ALMEIDA, 2000,
p.2).
"Função ou técnica dinâmica de administração. É
considerado um dos melhores métodos de preparar
uma organização às mudanças contínuas que
ocorrem
em
seu
ambiente".
(MEGGINSON;
MOSLEY; PIETRI JR., 1998, p.104).
"É o processo que implica a formulação de um

�conjunto de decisões sobre as ações futuras.
Planejar é decidir, antecipadamente, o que fazer".
(FARIA, 1997, p.73).
"O processo de planejar determina a direção a
seguir, mensurando os recursos disponíveis e os
necessários, implicando a compreensão da dinâmica
das mudanças oriundas do mercado [...]".
(BARBALAHO; BERAQUET, 1995, p.18).
Sendo o planejamento um processo permanente, contínuo
e voltado ao futuro, é fundamental estabelecer um
cronograma de ação. O processo decisório é subsidiado
pelo planejamento, propiciando maior racionalidade ao
decisor, ou seja, o gestor se vale de dados e informações
advindos do processo de planejamento. Além disso,
proporciona mais justeza e equilíbrio às decisões tomadas.
Há múltiplas direções ou caminhos potenciais a serem
seguidos, dificultando a tomada de decisão do gestor;
assim, o planejamento se torna um instrumento valioso
que alicerça o processo decisório como um todo, alinhando
as possibilidades de realização com os resultados futuros
que se quer alcançar.
O planejamento deve, necessariamente, abranger todos
os âmbitos organizacionais, isto é, estratégico, tático e
operacional. Outro aspecto importante é o que se refere ao
planejamento ser elaborado com a participação de todos os
sujeitos organizacionais, uma vez que propicia maior
alinhamento entre os âmbitos organizacionais, bem como
proporciona maior comprometimento de todos os sujeitos
organizacionais à implantação e execução do plano.
A característica do planejamento que deve ser observada
por todos os sujeitos organizacionais se refere à
flexibilidade, isto é, o planejamento deve ser dinâmico e,
portanto, flexível o suficiente para ser modificado em
função de variáveis não previstas que surjam no decorrer
do percurso.
Entre os benefícios do planejamento, dois deles se

�revelam importantes: a alocação de recursos [humanos,
materiais, sistemas informáticos, equipamentos, mobiliário,
layout, etc.];a definição de responsabilidades, isto é, quem
é responsável pela implantação e execução de uma
atividade/tarefa. Ambos são determinantes para que o
planejamento seja de fato exequível.
Conforme mencionado anteriormente, o planejamento é
um instrumento que propicia distintas opções para o gestor
decidir qual a direção mais adequada a ser seguida, bem
como subsidia a tomada de decisão, amenizando as
ambiguidades e incertezas do ambiente. O planejamento
enfoca os objetivos e metas definidos pela alta
administração, assegurando que os processos e atividades
estejam alinhados à missão e à visão organizacional. Além
disso, o planejamento gera mecanismos de controle
relacionados às políticas organizacionais, evidenciando os
pontos fortes e fracos, revelando os gargalos e as
oportunidades. Como um processo permanente e contínuo,
o planejamento necessita ser avaliado constantemente, de
modo a retroalimentar o processo e ajustá-lo no que for
necessário.

1.1 Fases e Tipos de Planejamento
Inicialmente, é necessário que o gestor obtenha
conhecimento sobre a realidade a ser planejada. Nessa
perspectiva, é fundamental pesquisar e identificar os
principais fatores que afetam determinado contexto e/ou
situação e, com base nesse conhecimento, propor a
melhoria do referido contexto/situação.
O diagnóstico é a primeira atividade do planejamento,
pois é necessário obter uma fotografia da realidade a ser
planejada, conforme mencionado, ou seja, após observar e
obter dados e informações relevantes sobre a organização,
estes devem ser analisados no intuito de gerar indicadores
sobre determinado contexto/situação. O diagnóstico deve
abranger: a estrutura organizacional; a gestão da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; os recursos

�humanos; o espaço físico; o ambiente Web; o
acervo/coleções
(armazenamento,
preservação
e
conservação); o processamento técnico; os sistemas de
informação (TIC); o atendimento ao usuário; os serviços
prestados; os produtos elaborados; o acesso e recuperação
da informação; a capacitação de pessoal e do público
usuário; entre outros elementos determinantes do
planejamento.
A partir do diagnóstico realizado, o gestor terá dados e
informações suficientes para responder as 6 (seis)
perguntas básicas à elaboração de qualquer tipo de
planejamento (Figura 2):

Figura 2: Perguntas essenciais para elaborar o
planejamento.
Fonte: Elaboração própria (2016).

Após elaborar o diagnóstico, inicia-se o prognóstico do
contexto/situação, o qual se refere à interpretação e
análise dos dados em relação às situações futuras, bem
como a previsão de problemas que possam ocorrer em
longo prazo. Objetiva estabelecer a relação entre a
realidade vivenciada [atual] e a futura [possível] e, para
tal, identifica quais são as alternativas exequíveis à
melhoria ou à solução do contexto/situação. O conjunto de
atividades
e
tarefas
executadas
no
âmbito
do
planejamento
são
acompanhadas
e
avaliadas,

�retroalimentando o processo como um todo.
O planejamento pode ser classificado, quanto a sua
natureza, de: estratégico, tático ou operacional; quanto ao
tempo, pode ser de longo, médio ou curto prazo.
O planejamento estratégico [ou institucional] é o
norteador dos diferentes planejamentos táticos ou
operacionais
desenvolvidos
em
uma
determinada
organização ou unidade de trabalho. Chiavenato e Sapiro
(2003, p.39) explicam que o planejamento estratégico “É
um processo de formulação de estratégias organizacionais,
no qual se busca a inserção da organização e de sua
missão no ambiente em que ela está atuando”.
O planejamento estratégico parte da definição da missão
e visão organizacional. A missão deve apresentar
claramente qual a razão de ser da organização. Por outro
lado, a visão deve determinar de que maneira a
organização quer ser reconhecida no futuro. A partir da
missão e visão, parte-se para a definição dos objetivos e
metas que devem ser integrados, de modo a alcançar os
resultados almejados e, por último, definir as estratégias
de ação que fluem dos objetivos e metas.
O planejamento tático é oriundo do planejamento
estratégico que, por sua vez, alinha o planejamento
estratégico aos operacionais, orientando o grau operacional
à execução das atividades e tarefas relacionadas ao
planejamento.
Nessa perspectiva, o planejamento estratégico, sob a
responsabilidade da alta administração, define a missão,
visão, objetivos e estratégias; o planejamento tático, sob a
responsabilidade de diretorias ou gerências [grau
intermediário],
administra
os
recursos
existentes,
distribuindo-os a partir das prioridades e/ou necessidades
identificadas no diagnóstico e prognóstico, anteriormente,
realizado; e o planejamento operacional, sob a
responsabilidade de departamentos ou seções, define as
responsabilidades, os procedimentos e o cronograma de

�ação para a execução das atividades e tarefas.
Nível

Planejamento

Conteúdo

Prazo

Características

Institucional

Estratégico

Genérico e
Sintético

Longo

Macro orientado, isto é,
abrange a organização
como um todo. Define os
objetivos e metas
estratégicas.

Intermediário

Tático

Menos
genérico e
mais
detalhado

Médio

Vincula-se a cada
unidade de trabalho
separadamente. Refere-se
aos meios e recursos para
atingir os objetivos e
metas propostos.

Operacional

Operacional

Detalhado e
analítico

Curto

Micro orientado, isto é,
aborda cada tarefa ou
operação separadamente.
Refere-se aos
procedimentos
operacionais que serão
executados
(responsabilidade, prazos,
etc.), para atingir os
objetivos e metas
propostos.

Figura 3: Níveis, tipos e características do planejamento.
Fonte: Adaptada de Chiavenato (2006, p.36).

Dessa maneira, uma rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação deve, obrigatoriamente, elaborar algum tipo
de planejamento. Nesse aspecto, vale ressaltar que, em
geral, este tipo de unidade de trabalho é vinculado a uma
organização maior e, portanto, os planejamentos devem
estar alinhados, de maneira a atender o que a organização
definiu como prioritário, sendo que a missão e a visão
organizacional subsidiam a elaboração do planejamento da
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação. Como
exemplo, menciona-se:
a. Universidade – Planejamento estratégico;
b. Rede ou Sistema de Biblioteca – Planejamento
tático;
c. Bibliotecas Setoriais – Planejamento operacional.

�Contudo, uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação também pode desenvolver seu próprio
planejamento estratégico, desde que esteja totalmente
alinhado ao planejamento estratégico da organização em
que está inserida. Para tanto, é necessário seguir as
seguintes etapas: 1) Definir a missão e a visão da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; Realizar o
diagnóstico; Efetuaro prognóstico; Elaborar o plano de
ação. Ressaltando, novamente, que este último é
composto pelo planejamento estratégico, planejamentos
táticos e operacionais, todos alinhados ao planejamento
estratégico da organização em que a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação está inserida. Como
exemplo, pode mencionar-se:
1. Rede ou Sistema de Biblioteca – Planejamento
estratégico;
b. Bibliotecas Setoriais – Planejamento tático;
c. Gerencias/Departamentos/Seções das
Setoriais – Planejamento operacional.

Bibliotecas

Chiavenato e Sapiro (2003) destacam que a missão
demonstra a responsabilidade e pretensões da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, define seu
‘negócio’ e delimita seu ambiente de atuação. A visão
estabelece os propósitos futuros da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação.
Para definir a missão, é necessário responder as seguintes
perguntas:
1. Qual a razão de ser da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
2. Qual é o ‘negócio’ da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
3. Quem é o usuário/público da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação?

�4. De que maneira a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação atua [meios e fins]?
5. Qual é o diferencial da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação?
Para definir a visão, é necessário responder as seguintes
perguntas:
1. Como a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação quer ser reconhecida no futuro?
2. De que maneira a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação deverá atender as demandas
informacionais e o público usuário no futuro?
3. Quais as principais oportunidades que podem surgir
à rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação?
4. Quais as principais ameaças que podem surgir à
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação?
5. Quando a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação quer atingir a visão ora elaborada?
Para a elaboração do planejamento de uma rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação vários aspectos devem
ser analisados, entre eles está a necessidade de planejar:
Formação e desenvolvimento do acervo/coleções;
Definir
modelos
e
instrumentos
para
processamento técnico do acervo/coleções;

o

Recursos tecnológicos, abrangendo todos
processos, atividades, serviços e produtos;

os

Serviços
usuário;

informacionais

prestados

ao

público

Produtos informacionais elaborados e oferecidos ao
público usuário;

�Espaço físico da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
Pessoas que atuam na rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Nessa perspectiva, compreende-se o planejamento como
um processo contínuo que exige do gestor da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação o
levantamento constante das necessidades do público
usuário, bem como a avaliação constante do uso dos
recursos informacionais. Além disso, o gestor deve
conhecer a indústria da informação [editoras, bancos e
bases de dados, provedores de conteúdo, fornecedores de
sistemas de informação, etc.]; necessita verificar o espaço
de armazenagem dos materiais e as condições de
preservação e conservação dos materiais (temperatura,
iluminação, ventilação, mobiliário, servidores, storage,
etc.), tanto no ambiente físico quanto no eletrônico/digital.
Para tanto, necessita monitorar as novas mídias e recursos
informacionais baseados em tecnologias de informação e
comunicação, de maneira a implantá-los de modo eficiente.
Evidencia-se, também, que é necessário planejar a
atualização do acesso, mediação e recuperação da
informação por parte do público usuário.
Em vista de tantos aspectos a serem planejados, é
essencial que haja um plano de educação continuada à
equipe que compõe a rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação, de modo que a capacitação seja uma
constante. Por último, planejar o compartilhamento
sistemático do conhecimento gerado no âmbito da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, advindo de
experiências vivenciadas ou de estudos sobre problemas
existentes.

2 PLANEJAMENTO FINANCEIRO
A rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação

�necessita desenvolver o planejamento, adequando-o à
missão, visão, objetivos e metas, bem como ajustá-lo às
condições orçamentárias, de infraestrutura e de pessoal.
Nessa
perspectiva,
o
planejamento
financeiro/orçamentário propicia a implantação do que foi
priorizado anteriormente e, por essa razão, é essencial que
a rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
possua um orçamento próprio, de modo que possa alocar
recursos à execução dos diferentes planos táticos e
operacionais elaborados, a fim de cumprir a missão, visão,
objetivos e metas estabelecidos.
O planejamento financeiro possibilita mensurar os custos
e os benefícios, ou seja, aloca recursos à implantação e
execução do que foi planejado, bem como estabelece
indicadores para mensurar os benefícios advindos do que
foi implantado. Lucion (2005, p.144) explica que o
planejamento financeiro é “[...] relativo às finanças, à
circulação e gestão do dinheiro e a outros recursos [...].
O planejamento financeiro/orçamentário possibilita alocar
adequadamente os recursos destinados à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, distribuindo-o
conforme as prioridades, anteriormente, estabelecidas no
planejamento estratégico. Dessa maneira, alocam-se os
recursos em programas ou projetos já discutidos e
instituídos, sendo que para cada etapa/fase são vinculados
os recursos necessários a sua execução.
Nessa perspectiva, evidencia-se que o planejamento
financeiro/orçamentário é fundamental para demonstrar a
previsão financeira da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação – seja no curto, médio ou longo prazo –,
bem como para controlar a execução de cada etapa/fase,
isto é, se de fato os recursos alocados para determinado
fim foram usados corretamente.
Vale ressaltar que a informação é um custo indireto nas
atividades significativas de qualquer tipo de organização,
ou seja, nem sempre adiciona diretamente valor monetário

�aos produtos e/ou serviços produzidos no ambiente
organizacional. Por essa razão, o valor da informação é
difícil de ser mensurado, uma vez que seu valor é
diretamente proporcional à necessidade e uso do
usuário/público usuário. Sendo assim, pode haver
dificuldade na criação de indicadores para medir os
benefícios advindos do que foi planejado e implantado.
Contudo, a informação pode ser mensurada pelo seu custo
monetário de aquisição. (Figura 4).
Custos Tangíveis
Materiais bibliográficos adquiridos;
Bancos e bases de dados adquiridos;
Equipamentos adquiridos;
Hardware e Software adquiridos;
Manutenção de equipamentos e
mobiliário;
Pessoal;
Tecnologias da informação e
comunicação adquiridos;
Material de consumo;
Treinamentos e capacitações;
Participação em eventos e visitas
técnicas;
Layout, mobiliário, m2;
Hora homem trabalhada;
Armazenagem, preservação e
conservação física, eletrônica e/ou
digital de materiais bibliográficos
adquiridos;
Uso de rede internet ou plataformas
especializadas no ambiente Web;
Etc.

Custos Intangíveis
Qualidade em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Produtividade em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Eficiência em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Eficácia em relação aos
processos e procedimentos
realizados;
Acesso e uso da informação
com competência, por parte do
público usuário;
Integridade dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Fidedignidade dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Consistência dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Relevância dos dados e
informações adquiridos para
acesso e uso do público
usuário;
Etc.

Figura 4: Valor versus custos.
Fonte: Elaboração própria (2016).

Nesse sentido, a rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação pode utilizar a equação custo-benefício para
justificar sua necessidade financeira/orçamentária, visto

�que, em qualquer tipo de organização, a receita advém de
um único lugar, sendo distribuída às áreas que a compõe.
Releva-se que os planejamentos que estiverem mais
alinhados à missão e à visão organizacional terão mais
probabilidade de obterem, integralmente, os recursos
solicitados.
A equação custo-benefício, conforme se denomina,
determina os custos e os benefícios do investimento em
relação a algo, bem como mede as perdas e ganhos em
termos de bem-estar à organização.
O planejamento financeiro/orçamentário é gerenciado
pela alta administração que, em geral, solicita a cada
unidade de trabalho o envio do orçamento necessário para
o ano seguinte, de modo a cumprir os objetivos e metas
estabelecidos
em
seus
planejamentos
táticos
e
operacionais. Desse modo, anualmente, nos meses de
setembro ou outubro, a rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação deve apresentar o orçamento para o
ano seguinte à alta administração. Nessa perspectiva, deve
preparar-se para elaborar o orçamento antes do período
padrão solicitado e, assim, obter orçamentos, comparar
preços, realizar visitas, e tudo o que for necessário ao
estabelecimento dos recursos financeiros para sua gestão
no ano seguinte consistentemente.

3 PLANEJAMENTO DE PESSOAL
As organizações são constituídas por pessoas que, por sua
vez, dependem delas para atingir os objetivos e metas
organizacionais e cumprir a missão e a visão institucional.
As pessoas compreendem as organizações como um meio,
pelo qual é possível alcançar os próprios objetivos, o que
não seria possível de outra maneira.
A necessidade de se gerenciar pessoas surge da
complexidade das atividades e tarefas organizacionais no
início do Século XX, após o impacto da Revolução
Industrial, tornando-se ação mediadora entre as

�organizações e as pessoas, de modo a diminuir o conflito
entre os objetivos organizacionais e os individuais,
considerados incompatíveis no âmbito das relações
trabalhistas. Há uma evolução quanto à compreensão do
que seja gerenciar pessoas. (Figura 5).
Departamento
Pessoal
Gestão focada na
burocracia e controle das
pessoas. A empresa é
mais centralizadora, e o
RH é visto como um
órgão fiscalizador.

Administração de
Recursos Humanos

Administração de Pessoas

Gestão mais dinâmica e
Gestão focada no gerenciamento
focada no
com e para as pessoas. Considera
desenvolvimento e na
os colaboradores como talentos
motivação das pessoas. dotados de capacidade, habilidades
Preocupa-se com o
e intenção de levar a empresa ao
interesse dos
sucesso.
colaboradores.

Figura 5: Evolução da visão e do foco relacionado à
gestão de pessoas.
Fonte: Knapik (2006, p.40).

Fischer (2001, p.19) conceitua gestão de pessoas como
sendo um “Conjunto de políticas, práticas, padrões
atitudinais, ações e instrumentos empregados por uma
empresa para interferir no comportamento humano e
direcioná-lo no ambiente de trabalho”.
Nessa perspectiva, o planejamento de pessoal ou de
recursos humanos é essencial. A rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação deve estabelecer políticas,
planos, programas e projetos que contemplem as pessoas,
visto que elas são determinantes para se alcançar os
objetivos e metas estabelecidos. Além disso, o
planejamento propicia garantir o equilíbrio entre os
interesses organizacionais e os interesses dos funcionários,
bem como contribui à melhoria do desempenho individual e
organizacional.
Chiavenato (2006, p.31) explica que “O planejamento de
recursos humanos é o processo de decisão a respeito dos
recursos humanos necessários, para atingir os objetivos
organizacionais dentro de determinado período de tempo”.
O planejamento de pessoal deve prever o quadro de

�funcionários necessários para atuar na rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, sendo, para tanto,
fundamental o conhecimento da situação do mercado de
trabalho na área, no que tange à média salarial e
competitividade [outra rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação empregadora]; bem como a situação da
formação na área, referente às competências e habilidades
adquiridas pelo futuro funcionário, visando responder as
demandas e necessidades da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Para elaborar o planejamento de pessoal, alguns aspectos
devem ser estabelecidos previamente; entre eles, destacase:
1. Definir o organograma da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, estabelecendo os níveis
hierárquicos;
2. Definir claramente e objetivamente o Quadro de
Distribuição de Trabalho (QDT), estabelecendo a
função, as responsabilidades e as tarefas que serão
executadas para cada cargo funcional;
3. Definir o plano de carreira que contemple o
desenvolvimento e a avaliação de desempenho
funcional;
4. Definir os direitos e deveres para cada cargo
funcional;
5. Definir os benefícios aplicáveis ao cargo, no caso do
correto cumprimento das responsabilidades e
tarefas;
6. Definir os ônus aplicáveis ao cargo, no caso de não
haver o cumprimento das responsabilidades e
tarefas.
Após os aspectos supracitados estarem implantados, o
planejamento de pessoal pode ser realmente iniciado. A
primeira etapa, conforme já mencionado anteriormente, éa

�elaboração de diagnóstico sobre a equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, objetivando a
identificação das atividades e tarefas executadas;
quantificar as atividades e tarefas executadas; descrever
objetivamente quem faz o quê; identificar as tarefas mais
importantes desenvolvidas; estabelecer os fluxos das
atividades principais; verificar a dinâmica dos processos
informacionais; detectar sobrecarga ou ociosidade de
trabalho; analisar o fracionamento do trabalho; analisar a
compatibilização de cargos e funções; analisar a formação
do pessoal em relação à tarefa efetuada.
A segunda etapa compreende a realização de reuniões
periódicas,
tanto
individuais
quanto
em
equipe,
objetivando ouvir opiniões e sugestões e, também,
verificar o cumprimento dos objetivos e metas. Nessa
etapa, o planejamento de pessoal deve proporcionar a
melhoria da comunicação inter e intra grupos da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação; propiciar
maior comunicação entre os processos, atividades e tarefas
de
diferentes
setores;
proporcionar
condições
e
infraestrutura às redes formais da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação; propiciar a consolidação das
redes informais da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação; oferecer maior equilíbrio entre os distintos
graus de decisão; racionalizar os fluxos de informação e de
comunicação; otimizar as atividades e tarefas e melhorar a
relação custo-benefício.
Na terceira etapa, o planejamento de pessoal deve definir
os valores que sustentarão as relações humanas da equipe
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Como exemplo, tem-se: valorizar todos igualmente;
valorizar a conduta ética e justa; valorizar a autonomia
responsável; valorizar a criatividade exequível; valorizar a
relação humana em detrimento do fazer bibliotecário;
valorizar a participação de todos no processo decisório.
Na quarta e última etapa do planejamento de pessoal são
estabelecidos os critérios à avaliação contínua dos

�funcionários, de maneira objetiva e transparente,
revelando justeza e coerência; o reconhecimento ao
desempenho do funcionário, criando mecanismos concretos
e satisfatórios de recompensa; ações de motivação que
gerem maior comprometimento por parte do funcionário;
programas de capacitação; criação de plano de carreira
horizontal e vertical, de modo a propiciar aos funcionários
a real possibilidade de crescimento no âmbito da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.

4 PLANEJAMENTO DA COMUNICAÇÃO
VISUAL, TÁTIL E SONORA
A comunicação pode ser compreendida como um sistema
de troca de mensagens [compreendida no sentido lato da
palavra] que envolve, pelo menos, um emissor e um
receptor. No âmbito de uma rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, a comunicação é fundamental; A
ABNT NBR 15.599 (2008, p.2) a classifica em:
1. Sonora: comunicação que acontece por meio de
sons e requer a percepção auditiva para sua
recepção;
2. Tátil: aquela que se dá, principalmente, por meio de
símbolos gráficos com texturas diferenciadas ou em
relevo ou pela emissão de impulsos vibratórios,
requerendo a percepção tátil para sua recepção;
3. Visual: comunicação que se dá por meio de
imagens e requer a percepção visual para sua
recepção.
Planejar a comunicação visual, tátil e sonora é essencial,
não só em relação à imagem da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, mas também ao público
usuário que poderá usufruir dos produtos e serviços
informacionais da melhor maneira possível. Há tipos de

�comunicação visual, tátil e sonora, conforme a ABNT NBR
9050 (2004):
a. Direcional: informa o caminho a seguir;
b. Identificacional: informa os pontos principais, os
serviços e produtos informacionais disponíveis, etc.;
c. Instrucional: informa os procedimentos para o uso
de materiais, coleções, equipamentos, etc.;
d. Normativa: informa as condições para uso, horário
de funcionamento, etc.;
e. Alerta restritivo ou proibitivo: informa sobre
questões
importantes
e
relativas
às
responsabilidades, deveres e direitos do público
usuário.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve estar alinhado ao tipo do público usuário que a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação atende como
por
exemplo:
cidadão
comum
[idosos,
jovens/adolescentes, crianças]; profissionais especializados
[advogados, médicos, engenheiros, educadores, etc.], ou
seja, a comunicação deverá ser adequada a cada tipo de
público. Do mesmo modo, é necessário que a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação atenda as
normativas de comunicação visual, tátil e sonora da
própria organização na qual está inserida (bancos,
indústrias, escolas, hospitais, órgãos públicos, etc.). Em
geral, há normativas específicas para cada tipo de
ambiente que deverão ser cumpridas.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve contemplar tanto o ambiente interno quanto o
externo. No caso do ambiente externo, a comunicação
ocorre fora das instalações da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, sendo necessário, geralmente,
recorrer a outras instâncias institucionais e, às vezes,
governamentais, que elaboram a comunicação visual, tátil

�e sonora desses ambientes. No âmbito do ambiente interno
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação, a
responsabilidade para implantar a comunicação visual, tátil
e sonora é do gestor responsável.
Entre os elementos que são planejados no âmbito da
comunicação visual está a logomarca da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação. Nessa perspectiva, é
necessário observar a logomarca: a) respeitar as cores e a
marca da organização na qual está inserida; b) respeitar o
tipo de organização na qual está inserida; c) aparecer em
todos os materiais impressos, eletrônicos e digitais: papéis,
cartões de visita, site, bancos e bases de dados, blogs,
redes sociais, etc.
O planejamento da comunicação visual, tátil e sonora
deve estabelecer a padronização das cores, tipos de fonte,
texturas e tamanhos; formas de fixação e exposição;
pictogramas;
uniformes
(se
houver);
materiais
promocionais, entre outros.

5 MANUAIS E INSTRUÇÕES NORMATIVAS
ORIUNDOS DO PLANEJAMENTO
Ao longo do processo de planejamento é necessário
elaborar, validar e implantar manuais e instruções
normativas que, por sua vez, auxiliam a execução do
planejamento. Cunha e Cavalcanti (2008, p.237)
mencionam que o manual administrativo é o “[...]
documento que contém as políticas, os regulamentos e os
procedimentos utilizados numa organização”. Os manuais
que contêm instruções detalhadas sobre um determinado
processo, atividade ou tarefa administrativa, técnica ou
operacional, visando ao bom desenvolvimento por parte de
seu executor, podem ser entendidos como documentos.
Cunha e Cavalcanti (2008, p.207) explicam que instruções
se constituem em “[...] um documento destinado a

�esclarecer determinado assunto, estabelecendo normas ou
condições de execução ou de funcionamento”. As
informações são dispostas de modo sistematizado e,
assim, constitui-se num instrumento facilitador ao
funcionamento da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. É um documento de consulta permanente que
os funcionários podem utilizar para sanar dúvidas e
executar os processos, atividades e tarefas com segurança.
Os manuais podem ser classificados da seguinte maneira:
a. Manual de Organização/Manual de Estrutura: enfoca
a própria rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação, a constituição de seus setores, seu
organograma;
b. Manual de Instruções, Manual de Normas e
Procedimentos, Manual de Processo, Manual de
Serviços: definem as diretrizes e como fazer o
trabalho
de
natureza
burocrática
de
uma
determinada rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação detalhadamente;
c. Manual de Formulários: define a finalidade do
formulário, seu preenchimento, a distribuição e a
sua utilização no âmbito da rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação;
d. Manual de Normas: semelhante a qualquer
regulamento interno ou regimento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
e. Manual de Sequência Administrativa: é descrito,
detalhadamente, as fases e as operações de cada
processo de uma rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação.
Os manuais são importantes para disseminar os
processos, atividades e tarefas de determinado setor, bem
como para analisar de que maneira são realizados, visando
à melhoria contínua. Além disso, são essenciais para a

�capacitação de novos funcionários, objetivando a execução
dos processos, atividades e tarefas com qualidade.
No planejamento é feito o diagnóstico, conforme
anteriormente mencionado; nessa etapa, identifica-se cada
processo, atividade e tarefa e, a partir disso, o
detalhamento dos referidos processos é elaborado,
atividades e tarefas em linguagem clara e objetiva, de
modo que qualquer funcionário possa compreender e
desenvolver
o
processo,
atividade
e
tarefa,
independentemente, do aval do funcionário originalmente
responsável.
Os manuais e as instruções normativas são elaborados
com a finalidade de informar quem não conhece
determinado processo, atividade ou tarefa; por essa razão,
são
documentos
que
devem
ser
atualizados
continuamente. Os manuais e as instruções normativas
devem ser amplamente disseminados a toda a equipe da
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação em
diferentes formatos, a fim deque sejam utilizados
realmente.
É importante que se defina um padrão organizacional para
esses tipos de documentos, de maneira que todos os
funcionários o reconheçam como tal. Nesse sentido, a
redação deve ser especializada e deve respeitar o ‘jargão’
da rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.

6 RELATÓRIOS DE PLANEJAMENTOS
Relatório é derivado do verbo relatar. Trata-se, portanto,
da ação e efeito de descrever algo. Cunha e Cavalcanti
(2008, p.320) afirmam que relatório de progresso é um
“[...] documento que registra informações atualizadas
sobre trabalhos em curso [...]”. O relatório final é um
documento que apresenta o resultado e as conclusões
finais oriundas de processos, atividades e tarefas
desenvolvidas em determinado contexto organizacional.
Sendo assim, é um documento que se caracteriza por

�conter informações que refletem determinado resultado, a
partir da descrição circunstanciada de fatos ocorridos na
gestão de uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação.
Há diferentes tipos de relatório no âmbito de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, podendo ser
gerais ou específicos como, por exemplo: relatório
financeiro, relatório de atividades, relatório de capacitação,
relatório de usos e usuários de informação, relatório de
visitas técnicas, etc.
O relatório é elaborado a partir de distintos objetivos e
propósitos,
isto
é,
depende
do
que
se
quer
relatar/reportar. Além disso, os relatórios podem ser
públicos ou privados; há relatórios que são elaborados
apenas para o consumo interno e, outros, ao consumo do
público externo à rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação.
Há distintos tipos de relatórios, entre eles pode citar-se o
‘relatório crítico’, que é mais pormenorizado, pois consiste
num texto em que uma determinada atividade é descrita
detalhadamente, inclusive o modo como foi desenvolvida;
e o ‘relatório síntese’, que é mais conciso, já que é
elaborado apenas sobre determinado viés, enfocando um
aspecto apenas.
No que tange à estrutura, os relatórios em contextos
organizacionais podem ser administrativos, financeiros,
estatísticos, de gestão, etc. O formato pode ser simples,
com títulos e subtítulos que indiquem os assuntos
descritos; ou complexo, contendo gráficos, imagens,
tabelas, diagramas, apêndices, resumos, notas de rodapé,
referências, etc. Os relatórios podem ser equilibrados,
realçando os assuntos importantes, descrevendo-os de
maneira precisa e exaustiva; podem ser simples, no intuito
de favorecer a leitura, portanto, descrições aprofundadas
devem ser evitadas; podem ser direcionados, destacandose apenas os assuntos relevantes.

�É importante observar tanto o estilo da linguagem quanto
a apresentação visual. Em relação à linguagem, o relatório
deve apresentar clareza e rigor, além disso, é necessário
respeitar o jargão da área, na qual a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação está inserida. Observar
a concordância verbal, o uso de verbos como: destacar,
ressaltar, observar, constatar, confirmar, verificar,
confirmar, etc. e, ainda, deve ser evitado o uso de
adjetivos que qualifiquem os serviços e produtos
desenvolvidos.
No relatório deve constara autoria, ou seja, quem redigiu,
preparou o relatório. Neste caso, pode ser o gestor, um
grupo de pessoas ou toda a equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação. A missão e visão
institucional e a da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação devem ser destacadas; descrição e o
detalhamento devem relacionar os objetivos e metas
definidos no planejamento, de maneira a indicar os
principais desenvolvimentos e avanços realizados, assim
como problemas encontrados, destacando as metas
atingidas.
Os indicadores técnicos e dados estatísticos podem ser
utilizados por meio da inserção de gráficos, tabelas,
quadros, etc. Além disso, é essencial destacar os
indicadores financeiros, por meio de tabelas e gráficos, a
fim de demonstrar os fluxos de entrada e saída dos
recursos financeiros destinados ao cumprimento de
objetivos e metas definidos no planejamento da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Os relatórios podem enfocar:
1. Serviços prestados e produtos elaborados;
2. Tecnologias
de
informação
e
comunicação
[inovações; automação; digitalização; etc.];
3. Gestão de pessoas [contratações; aposentadorias;
avaliação de desempenho; salário; etc.];

�4. Educação continuada [capacitação; treinamento;
etc.];
5. Usos [empréstimos in loco, domiciliares, entre
bibliotecas; consultas; comutação bibliográfica;
etc.];
6. Usuários [público real; público potencial; público
especializado; etc.].
7. Acervo físico, eletrônico e digital [armazenagem;
preservação; conservação; restauração; etc.];
8. Atividades voltadas ao ensino, pesquisa e extensão;
9. Produção científica da equipe da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação;
10. Organização e participação em eventos, cursos,
visitas técnicas;
11. Palestras proferidas, cursos/treinamentos realizados
ao público usuário;
12. Programas e projetos elaborados em andamento e
totalmente implantados.
Portanto, os relatórios devem destacar os resultados
obtidos a partir dos objetivos e metas constantes do
planejamento, bem como os benefícios trazidos à rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, ao público
usuário e à instituição.

7 MÉTODOS DE PLANEJAMENTO
Há vários métodos que podem ser aplicados na
elaboração e implantação do planejamento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação: PDCA; BIM;
Diagrama de Causa e Efeito; 5W2H; SWOT, entre outros.
Contudo, o planejamento pode ser elaborado e implantado
sem, necessariamente, ser usado um método.

7.1 Método PDCA

�A sigla PDCA se refere abreviatura das palavras ‘Plan’,
‘Do’, ‘Check’ e ‘Action’ na língua inglesa. Em português
significam: planejar, fazer, checar/verificar, agir. Este
método também é conhecido como Ciclo PDCA. Behr,Moro
e Estabel (2008, p.38) explicam que “O ciclo PDCA é uma
ferramenta para análise e melhoria de processos e
facilmente aplicada em processos de produção e de
serviços”.
A importância do planejamento (plan), da execução (do)
com qualidade, da necessidade da verificação (check) e da
implantação
de
ações
corretivas
(action)
são
determinantes para qualquer tipo de planejamento. Nessa
perspectiva, é fundamental estabelecer claramente os
elementos que compõem cada etapa do PDCA:
Plan (planejamento): estabelecer a missão, visão,
objetivos,
metas,
métodos,
técnicas
e
procedimentos
necessários
para
atingir
os
resultados desejados;
Do (execução): realizar, executar e implantar os
processos, atividades, tarefas e ações no prazo
estabelecido;
Check
(verificação):
monitorar
e
avaliar
periodicamente
os
resultados,
obtidos,
confrontando-os com os objetivos planejados
anteriormente
e
os
resultados
esperados,
consolidando
as
informações
e
elaborando
relatórios.
Act (agir): Agir de acordo com o avaliado; se
necessário, reelaborar o planejamento, de modo a
melhorar a qualidade, eficiência e eficácia,
aprimorando a execução e corrigindo eventuais
falhas.

�Figura 6: Método PDCA.
Fonte: Elaboração própria (2016).

No ciclo PDCA deve-se coletar dados, medir resultados,
compará-los com os objetivos e metas, no intuito de
adotar ações apropriadas; assim, na dinâmica deste ciclo
será necessário o emprego de ferramentas apropriadas à
coleta, o processamento e a disseminação de dados e
informações. É preciso que a dinâmica do PDCA seja
constantemente analisada em cada uma das etapas, de
maneira a estabelecer indicadores de resultado, visando ao
gerenciamento do plano de ação; como também, verificar
se os resultados são coesos com os objetivos iniciais. Os
indicadores se constituem em fonte importante à avaliação
e para a correção e ajustes do plano de ação.

7.2 Método BIM
A sigla BIM se refere à abreviatura das palavras ‘Barreira’,
‘Ideia’, ‘Melhoria’.
Segundo Cocco et al. (2011), o método BIM visa à
resolução de problemas identificados num ambiente
organizacional. O método BIM é desenvolvido em três

�etapas (Figura 6), cujo princípio é a obtenção da melhoria
contínua, ou seja, visa garantir que a barreira ou barreiras
identificadas sejam superadas ao longo do tempo, no
intuito de angariar resultados satisfatórios à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação.
Ainda, segundo Cocco et al. (2011, p.92), cada etapa
desenvolve três passos que abrangem: “[...] identificação,
análise e descoberta da causa fundamental da barreira,
[...] superação da barreira, desde a geração da solução em
si, até seu plano de implementação, [...] superação
definitiva [...] da barreira em questão, [...] garantir que a
superação da barreira traga os resultados esperados por
todos ao longo do tempo”.

Figura 7: Método BIM.
Fonte: Adaptada de Martens (2002, p.49 apud COCCO et
al., 2011, p.90).

7.3 Diagrama de Causa e
Efeito ou Diagrama de Ishikawa ou Diagrama

�de Espinha de Peixe (4M; 5M; 6M; 7M)
No intuito de elaborar o planejamento de uma rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, pode ser
usado o Diagrama de Causa e Efeito, também conhecido
como Diagrama de Ishikawa ou Diagrama Espinha de
Peixe. Behr, Moro e Estabel (2008, p.35) destacam que “O
objetivo da ferramenta está em evidenciar e organizar as
causas de determinado ‘problema’”. As causas e efeitos
podem se dividir no que se denomina de 4M, 5M, 6M ou
7M:
4M = método;
máquina.

matéria-prima;

mão-de-obra;

5M = método; matéria-prima;
máquina; medição.

mão-de-obra;

6M = método; matéria-prima;
máquina; medição; meio ambiente.

mão-de-obra;

7M = método; matéria-prima; mão-de-obra;
máquina; medição; meio ambiente; management
(gestão).

�Figura 8: Método Diagrama Causa e Efeito.
Fonte: Elaboração própria (2016).

7.4 Método 5W2H
Uma rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
que deseja elaborar o planejamento de maneira simples
pode aplicar o método 5W2H. Para que seja aplicado, é
necessário conhecer as causas do problema a ser
solucionado, por isso o diagnóstico deve ser realizado
anteriormente. Após a realização do diagnóstico é preciso
responder a cada um dos 5W e 2H. O método 5W2H se
refere às abreviaturas das seguintes palavras na língua
inglesa:
What- O que será feito (ações, etapas, descrição);
Why - Por que será feito (justificativa, motivo);
Where - Onde será feito (local);
When - Quando será feito (tempo, datas, prazos);
Who - Por quem será feito (responsabilidades pelas

�ações);
How - Como será feito (infraestrutura, métodos,
técnicas, procedimentos);
Howmuch- Quanto custará (custos ou investimentos
envolvidos).

Figura 9: Dinâmica do Método 5W2H.
Fonte: Elaboração própria (2016).

A primeira pergunta a ser respondida é ‘o que’ será feito?
Assim, devem ser estabelecidos os objetivos e metas a
serem alcançados no curto, médio e longo prazo.
Descrever as melhorias que serão realizadas nos
processos, atividades e tarefas desenvolvidos na rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.
A segunda pergunta é ‘por que’ será feito? Nessa
perspectiva, é necessário descrever os motivos, que
justificando-os, visando à melhoria de algo, resolver ou
amenizar um problema, diminuir um gargalo, promover
uma atividade, etc.

�A terceira pergunta é ‘onde’ (em que local) será feito?
Muitas vezes, esta parte do método 5W2H não é
desenvolvida, porque se considera que o local sempre será
a própria rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. Contudo, é importante detalhar o local em que
será executada a ação como, por exemplo, o
departamento/setor responsável.
A quarta pergunta é ‘quem’ vai realizar/fazer/executar? É
fundamental definir quem será responsável pela execução
da ação propriamente dita, alinhada aos objetivos e metas,
anteriormente, definidos na etapa ‘What?’. É importante
designar as pessoas certas, cujas competências e
habilidades estejam em consonância com os processos,
atividades e tarefas a serem realizadas, pois, caso
contrário, pode haver prejuízo na execução da ação.
A quinta pergunta é ‘quando’ será feito? Um bom
planejamento estipula os prazos [curto, médio e longo],
para que os objetivos e metas sejam alcançados. Nesta
etapa, é necessário o detalhamento da execução das
ações,
definindo
datas/prazos
concretos
para
o
desenvolvimento e o final de cada ação. O detalhamento
deve ser coerente com as condições da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, no que tange à
infraestrutura e aos recursos humanos, financeiros,
materiais, etc.
A sexta pergunta é ‘como’ será feito? É necessário
detalhar os processos que devem ser envolvidos para
atingir os objetivos e metas definidos anteriormente. É
necessário ser o mais específico possível, ou seja, quanto
mais detalhado melhor.
A sétima pergunta a ser respondida é ‘quanto’ irá
custar/gastar?
É
necessário
detalhar
os
custos/investimentos
necessários
à
implantação
e
desenvolvimento das ações que visam alcançar os
objetivos e metas definidos anteriormente. É necessário
ser o mais específico possível, ou seja, quanto mais
detalhado, melhor será o controle entre receitas e

�despesas.
O método 5W2H refere-se, basicamente, à maneira de
detalhar a execução de processos, atividades e tarefas, em
que são atribuídas as responsabilidades de cada sujeito
organizacional envolvido e, também, determinar como o
trabalho será realizado, o local, o motivo, o prazo e os
custos/investimentos para sua efetividade.
Além disso, por se referir a um método de detalhamento,
propicia ao gestor melhor controle de cada etapa/fase,
corrigindo e ajustando o que for necessário, ainda durante
o desenvolvimento e implantação do planejamento.

7.5 Método SWOT
A sigla SWOT se refere às abreviaturas das palavras
‘Strengths’, ‘Weakness’, ‘Opportunities’ e ‘Threats’ na
língua inglesa. Em português significam: forças, fraquezas,
oportunidades e ameaças, cuja sigla designada é FOFA.
Este método é muito utilizado na elaboração do
planejamento, visa propiciar uma análise da rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação e de seu entorno; é
uma maneira de conhecer a condição situacional antes de
definir as estratégias de ação de curto, médio e longo
prazo.
Pelo método SWOT são analisadas as forças internas em
relação às oportunidades externas, bem como as fraquezas
internas em relação às ameaças externas à rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, ou seja, analisa as
condições situacionais frente às tendências e cenários
futuros. O método proporciona aos gestores a obtenção
deum diagnóstico mais preciso da realidade da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação, como
também das perspectivas do ambiente externo, visto que
propicia a contextualização no âmbito micro e macro, local
e não local.
O método SWOT estabelece uma conexão entre a missão,
a visão e as ações estratégicas necessárias ao

�desenvolvimento da rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação. Assim, são estabelecidos os objetivos e as
metas que devem ser desenvolvidos em determinado
período.

Figura 10: Método SWOT.
Fonte: Elaboração própria (2016).

A avaliação interna e externa (Figura 6) é dividida em:
pontos fortes e fracos e ameaças e oportunidades, com a
finalidade de proporcionar um diagnóstico mais preciso à
elaboração do planejamento.
Forças/Fortalezas/Pontos Fortes: avaliação das
competências, infraestrutura, recursos financeiros,
pessoas, posição alcançada, diferenciais da rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação;
Fraquezas/Debilidades/Pontos Fracos: avaliação dos
aspectos que limitam ou reduzem a capacidade de
desenvolvimento da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação;
Oportunidades: avaliação dos aspectos externos à
rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação
que podem oferecer algum tipo de vantagem ou
oportunidade;

�Ameaças: avaliação dos aspectos externos à rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação que
podem impedir ou limitar seu desenvolvimento.
A matriz SWOT (Figura 7) é constituída a partir das
avaliações supracitadas e revelam a situação do
microambiente [rede, sistema, unidade e/ou serviço de
informação] e do macroambiente [contexto em que está
inserido]. A análise é muito importante para serem obtidas
informações relevantes, visando à definição das estratégias
de ação de curto, médio e longo prazo.

Figura 11: Elaboração da matriz SWOT
Fonte: Elaboração própria (2016).

Embora este método de análise seja eficiente, ele não
propiciará informações completas, caso não seja aplicado
em todos os ambientes que compõem a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação, isto é, é importante
que se faça a verticalização do método. Entre os aspectos
que devem ser levados em consideração para a análise do
ambiente interno, destacam-se os seguintes:

�a. aspectos organizacionais: estrutura da organização;
políticas, procedimentos e regras; rede de
comunicação; recursos e infraestrutura, entre
outros;
b. aspectos relacionados ao pessoal: redes de
relacionamento;
programas
de
treinamento;
sistema de avaliação de desempenho; sistema de
incentivos; condições de trabalho, entre outros.

Análise Interna
Pontos Fortes

Análise
Externa

Pontos Fracos

Oportunidades

Tirar o máximo
proveito dos pontos
fortes, de maneira
aproveitar ao máximo as
oportunidades
detectadas.

Desenvolver estratégias
que minimizem os efeitos
negativos dos pontos
fracos.

Ameaças

Tirar o máximo
As estratégias a
proveito dos pontos
desenvolver devem
fortes para minimizar os minimizar ou ultrapassar os
efeitos das ameaças
pontos fracos e, se possível,
detectadas.
fazer frente às ameaças.S

Figura 12: Matriz SWOT
Fonte: Elaboração própria (2016).

Apesar de a análise dos ambientes interno e externo ser
segmentada, a inter-relação entre eles existe e, muitas
vezes, são complementares; as oportunidades e as
ameaças surgem das forças e fraquezas organizacionais.
(LUPETTI, 2007).
As etapas/fases para realização do método SWOT são as
seguintes:
Realizar um brainstorm1 para elaborar uma lista das
forças e fraquezas da rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
1. Realizar um brainstorm para elaborar uma lista das

�oportunidades
e
ameaças
e
priorizá-las
externamente à rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação;
2. Criar uma matriz síntese relacionando forças a
consolidar, fraquezas a superar, oportunidades a
aproveitar e ameaças a evitar;
3. Propor estratégias de ação à rede, sistema, unidade
e/ou serviço de informação, baseadas na matriz
síntese.
É importante que a equipe da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação, envolvida na realização do método
SWOT, diferencie muito bem os fatores internos dos
externos, seja realista ao identificar as forças/pontos fortes
e as fraquezas/pontos fracos; saiba distinguir muito bem a
posição de partida (atual) e aonde se quer chegar
futuramente.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O planejamento é uma atividade crucial para qualquer
tipo de rede, sistema, unidade e/ou serviço de informação.
Planejar deve ser a primeira atividade desenvolvida por um
profissional da informação ao iniciar a função de gestor.
Conforme mencionado anteriormente, a primeira etapa do
planejamento é o diagnóstico que, por sua vez, propicia ao
gestor obter uma visão ampla e aprofundada da situação
em que se encontra a rede, sistema, unidade e/ou serviço
de informação.
Após analisar e avaliar as condições situacionais é
possível planejar o futuro da rede, sistema, unidade e/ou
serviço de informação; ressalta-se, nesse sentido, que as
decisões do gestor serão subsidiadas por dados e
informações fidedignos e confiáveis.
O planejamento reduz a ambiguidade existente no
ambiente, propicia mais segurança em relação à direção a

�ser seguida, diminui as injustiças referentes à distribuição
de recursos e não personaliza ações e decisões, visto que é
um instrumento construído coletivamente.
Planejar é primordial, a fim deque a rede, sistema,
unidade e/ou serviço de informação estabeleça coerência
entre a missão, visão, objetivos e metas definidos pela
equipe. O conhecimento gerado no processo de
planejamento retroalimenta os funcionários e, assim,
proporciona as condições necessárias ao desenvolvimento,
à criatividade e à geração de inovação para a rede,
sistema, unidade e/ou serviço de informação.

REFERÊNCIAS
ABNT. NBR 15.599: Acessibilidade: comunicação
prestação de serviços. Rio de Janeiro, 2008. 39p.

na

ACKOFF, R. L. A empresa democrática. Lisboa: DIFEL,
1996.
ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e
serviços de informação. 2.ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005. 144p.
BARBALHO, C. R. S.; BERAQUET, V. S. M. Planejamento
estratégico para unidades de informação. São Paulo:
Polis/APB, 1995. 69p. (Coleção Palavra-Chave, 5)
BEHR, A.; MORO, E. L. da S.; ESTABEL, L. B. Gestão da
biblioteca escolar: metodologias, enfoques e aplicação de
ferramentas de gestão e serviços de biblioteca. Ciência da
Informação, Brasília, v.37, n.2, p.32-42, maio/ago. 2008.
Disponível
em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1210/1388&gt;.
Acesso em: 1 jul. 2016.
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da
Administração. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
634p.
CHIAVENATO,

I.

Planejamento,

recrutamento

e

�seleção de pessoal. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. 152p.
CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento estratégico:
fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.415p.

COCCO, A. P. et al. Modelo de planejamento e gestão para
biblioteca especializada: método bibliobim. Percursos,
Florianópolis, v.12, n.2, p.84-104, jul./dez. 2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.periodicos.udesc.br/index.php/percursos/article/view/22
Acesso em: 1 jul. 2016.
CUNHA, M. B. da; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de
Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de
Lemos, 2008. 451p.
FARIA, J. C. Administração: introdução ao estudo. 3.ed.
São Paulo: Thomson/Pioneira, 1997. 168p.
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio. 3.ed. Rio
de Janeiro: Positivo, 2006. 2120p.
FISCHER, A. L. O conceito de modelo de gestão de
pessoas: modismo e realidade em gestão de recursos
humanos nas empresas brasileiras. In: DUTRA, J. S.
(Org.). Gestão por competências. São Paulo: Gente,
2001.118p.; p.9-22.
KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba:
IBPEX, 2006. 234p.
LUCION, C. E. R. Planejamento financeiro. Revista
Eletrônica de Contabilidade, v.1, n.3, p.142-160,
mar./maio
2005.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufsm.br/contabilidade/article/view/142/3955
Acesso em: 1 jul. 2016.
MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da
revolução urbana à revolução digital. 4.ed. São Paulo:
Atlas, 2004. 521p.
MEGGINSON, L. C., MOSLEY, D. C., PIETRI JR., P. H.
Administração: conceitos e aplicações. 4.ed. São Paulo:

�Harbra, 1998. 614p.
NEWMAN, W. H. Ação administrativa as técnicas de
organização e gerência. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1991.
432p.
OSBORN, A. F. Applied imagination: Principles and
procedures of creative problem solving. New York: Charles
Scribner's, 1953.
STEINER, G. A. Strategic planning: What every manager
must know. New York: Free Press, 1997.
WEBSTER'S
third
new
international
dictionary.3.ed.Springfield, Merriam-Webster, 2000.2783p.
CD-ROM

�2 - GESTÃO DE PESSOAS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Tatiana Brandão Fernandes

1. INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da vida humana, faz-se presente
a percepção de que o indivíduo sempre sentiu a
necessidade de viver em grupo. Inicialmente como forma
de sobrevivência de sua raça e, posteriormente, como
forma de organização, pela necessidade de divisão de
tarefas para garantir sua existência.
Com o passar dos tempos, o indivíduo passou a
estabelecer diversas relações, tais como sociais, de
trabalho, de educação e outras. A forma de organização
dos grupos sociais e suas relações foram se perpetuando
ao longo da história e com isso a relevância de estudar os
fatores existentes na interação dos seres e a realização de
suas atividades.
No contexto organizacional, observa-se a intensa
necessidade de relações pessoais de modo que contribuam
com a eficácia e eficiência na elaboração dos trabalhos a
serem delimitados para cada grupo, de modo que, juntos
somem o todo de uma fabricação de um produto ou serviço
com primazia.
As Unidades de Informação enquanto organizações
possuem missão, objetivos, serviços oferecidos, públicoalvo, estratégia de reconhecimento do ambiente a ser
servido e, portanto, necessitam de um gestor e de uma
equipe de profissionais para atuar nestes ambientes

�dinâmicos.
Planejar, organizar, dirigir e controlar são tarefa
desempenhada pelos gestores destas unidades e as demais
executadas pela equipe de profissionais com funções e
atribuições pré-definidas. A gestão de uma Unidade de
Informação perpassa pelas etapas de qualquer organização
e requer do gestor, um perfil compatível para esta
atividade, que saiba conduzir as pessoas de modo a tornálas produtivas e motivadas gerando assim bons resultados.
Neste sentido, este capítulo, buscará apresentar a Gestão
de Pessoas nas Unidades de Informação, se apropriando do
conceito da Administração e contexto histórico para
relacioná-lo com a prática do bibliotecário gestor nestas
unidades, afim de descrever como ocorre o processo de
gestão e as boas práticas identificadas na literatura.
Buscará também, discorrer acerca do bibliotecário
enquanto gestor, o perfil e competências necessárias para
esta função, assim como apresentar a Gestão por
Competências, como uma moderna metodologia de gestão
de equipes que busca avaliar os profissionais e conduzí-los
a tarefas de acordo com seu perfil. Tal avaliação permite
também treinar o profissional, para constituir habilidades
necessárias ao desempenho de suas funções.

2. GESTÃO DE PESSOAS
A Gestão de Pessoas surge como sendo um conjunto de
atividades essenciais para a motivação, treinamento e
desenvolvimento do pessoal de um grupo de trabalho,
visando a atingir as metas e objetivos de uma determinada
organização. (TOLEDO, 1978).
Harvey, Bowin e Havey (1996, p. 6) afirmam que a
Gestão de Pessoas é entendida como sendo "a gestão de
atividades tomadas para atrair, desenvolver, motivar e
manter uma força de trabalho de alto desempenho com a
organização".

�Assim, a Gestão de Pessoas pode ser entendida como a
atribuição de tarefas adequadas a cada indivíduo, de
acordo com suas competências e habilidades profissionais,
de modo a contribuir com as atividades desenvolvidas no
âmbito organizacional.
Observa-se a relevância da Gestão de Pessoas para o
contexto organizacional e globalizado que vivenciamos
para os dias atuais, prezando pelo bem-estar do fator
humano e aplicação de seus conhecimentos, suas
habilidades intelectuais e competências individuais na
realização de tarefas.
A Gestão de Pessoas está intrinsecamente relacionada
com as organizações, pois, na concepção de Chiavenato
(2010, p. 5) “o contexto em que se situa a Gestão de
Pessoas é representado pelas organizações e pelas
pessoas. Sem organizações e sem pessoas não haveria a
Gestão de Pessoas”.
Sendo assim, depreende-se a forte relação e dependência
existente entre as pessoas e as organizações, de modo que
uma contribui diretamente com os objetivos da outra, visto
que, diante da realização de um produto ou serviço, as
organizações dependem do fator humano para a sua
exequibilidade e eficiência e o fator humano depende das
organizações para atingir seus objetivos pessoais, fato este
que define as pessoas não mais como empregados
contratados, mas sim como parceiras das organizações.

2.1 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE O
SURGIMENTO DA GESTÃO DE PESSOAS
Em meados do século XVIII, com a Revolução Industrial,
observa-se uma intensa mudança no contexto social, no
qual os indivíduos adquirem um perfil baseado na produção
em escala, de modo que as relações pessoais são fundadas
na administração e gestão profissional.
É nesse século que se começa a despertar a preocupação
com a Gestão de Pessoas no mundo, também conhecida

�como Gestão/Administração de Recursos Humanos, visto
que é derivada do termo em inglês Human Resource
Management.
A origem da Gestão de Pessoas é advinda após o forte
impacto da Revolução Industrial com o intuito de minimizar
o conflito industrial entre os objetivos organizacionais e os
objetivos individuais das pessoas, que eram consideradas
incompatíveis e irreconciliáveis. (CHIAVENATO, 2009).
Diante de tamanha relevância, após 1900, o tema passa a
ser estudo na academia e então surgem os primeiros
cursos universitários e os livros científicos, despertando o
interesse e a importância da Gestão de Pessoas no meio
acadêmico. Nesse contexto, Henry Fayol, em 1916, aborda
a Gestão de Pessoas como uma função organizacional,
através da analogia da administração de empresas com a
anatomia.
Em meio a essas mudanças, no século XX, as
organizações passam a despertar seu olhar para além do
contexto externo e começam a se voltar para questões do
contexto interno de suas organizações. Desse modo, o
indivíduo passa a ser analisado em seus aspectos de
produção,
como
forma
de
contribuir
com
o
desenvolvimento das organizações.
É nesse cenário que surge a Escola de Administração
científica nos Estados Unidos, que possui as seguintes
ideias, conforme Dutra (2009, p. 28):
O homem é um ser eminentemente racional e que,
ao tomar uma decisão, conhece todos os cursos de
ação disponíveis, bem como as consequências da
opção por qualquer um deles;
Existe uma única maneira certa que, uma vez
descoberta e adotada, maximizará a eficiência do
trabalho;
Fixados os padrões de produção, era preciso que
fossem atingidos. Para isso eram necessários a

�seleção, o treinamento, o controle por supervisão e
o estabelecimento de um sistema de incentivos.
A junção dessas ideias fez emergir um modo de
organização de trabalho conhecido como paradigma
Taylorista ou Fordista, baseado nas concepções científicas
de Taylor e Ford, os pais da Administração Científica.
Porém, esse modelo de administração foi bastante criticado
por ser considerado o trabalho humilhante e degradante e
por não permitir o desenvolvimento das pessoas por si
mesmas. (DUTRA, 2009, p. 29).
Diante desse fato, em meados da década de 50, a Gestão
de Pessoas ia além da mediação de conflitos, passando a
ser responsável por administrar as pessoas de acordo com
a legislação trabalhista devido à ação sindical.
Na década de 60, a Gestão de Pessoas é voltada para a
operacionalização de captação, treinamento, remuneração
e informações dos indivíduos, mudando seu paradigma
conceitual e despertando para uma percepção das pessoas
como
recursos
fundamentais
para
o
sucesso
organizacional.
A década de 70 fica marcada por ter embasado diversas
críticas ao modelo até então estabelecido, sendo neste
momento que as pessoas passam a intervir nos diferentes
processos da organização, proporcionando assim a
construção de novos paradigmas conceituais e teóricos
sobre a Gestão de Pessoas.
Na percepção de Chiavenato (2009),
A partir da década de 1970 surgiu o conceito de
Administração de Recursos Humanos. Porém, ainda
sofrendo da velha miopia de visualizar as pessoas como
recursos produtivos ou meros agentes passivos cujas
atividades devem ser planejadas e controladas a partir das
necessidades da organização.

Em meados da década de 80, a Gestão de Pessoas tornase um elemento de estratégia para as organizações, que
começam a agregar valor ao fator humano, despertando

�um olhar voltado para a profissionalização do indivíduo
como forma de incentivar o uso de suas competências e
habilidades.
Nesse contexto histórico, percebe-se que a Gestão de
Pessoas passou por um processo evolutivo que possibilitou
a percepção da relevância da satisfação das necessidades
dos indivíduos como fator de investimentos em prol do
desenvolvimento das organizações.

3. A MODERNA GESTÃO DE PESSOAS
Na atualidade, a relação interpessoal tornou-se um
elemento a ser estudado visando à melhoria das atividades
a serem desempenhadas em grupos e à boa relação
humana em ambientes dinâmicos e competitivos.
A moderna Gestão de Pessoas compreende que lidar com
pessoas tornou-se uma necessidade, diante da premissa
que as organizações necessitam de recursos humanos,
para poderem permanecer em vantagem competitiva.
Sendo assim, observa-se que a Gestão de Pessoas é uma
área muito mais ampla do que se imaginava até o século
passado. Sua relevância organizacional provém da
aplicação das habilidades e competências humanas para a
realização das atividades necessárias para a produção de
bens e serviços.
Nesse contexto, Chiavenato (2010) desperta a percepção
de que:
A Gestão de Pessoas é uma área muito sensível à
mentalidade que predomina nas organizações. Ela é
extremamente contingencial e situacional, pois depende de
vários aspectos, como a cultura que existe em cada
organização, da estrutura organizacional adotada, das
características do contexto ambiental, do negócio da
organização, da tecnologia utilizada, dos processos
internos, do estilo de gestão utilizado e de uma infinidade
de outras variáveis importantes.

Tendo por base o pensamento de Chiavenato, depreende-

�se a relevância do fator humano, pois o indivíduo passa a
ser visto como um parceiro da organização que contribui e
interfe em todo o processo organizacional de uma
instituição, podendo inferir melhorias significativas e o
aumento da produção dessa determinada organização.
O processo de troca de informações, conhecimentos e
melhorias pode ser designado como um processo de
sinergia entre funcionários e empresa, de modo que ambos
promovam mudanças significativas para cada um. Dessa
forma, as organizações observam que os seus funcionários
podem ser considerados como parceiros da organização e,
por estarem internamente ligados às mesmas, podem
contribuir imensuravelmente com o desenvolvimento e
com os resultados da empresa. Em contrapartida, o
empregado direciona seu olhar para as suas necessidades
e expectativas, buscando dentro da organização os meios e
vantagens para seu sucesso e reconhecimento profissional.
Nessa perspectiva, cabe frisar que essa sinergia contribui
diretamente com alguns aspectos citados por Dutra (2009,
p. 25), tais como:
Produtividade e nível de qualidade dos produtos e
serviços;
Velocidade na internalização de novas tecnologias;
Otimização da capacidade instalada;
Criação de oportunidades para a aplicação das
competências organizacionais;
Velocidade de respostas para o ambiente/mercado.
Verifica-se que, diante do fato de as organizações
voltarem seus olhares para as questões de expectativas e
necessidades das pessoas, o contexto interno dessas
organizações aperfeiçoou-se e, diante das mudanças
sociais, tecnológicas e ambientais ocorridas ao decorrer
dos séculos, cada vez mais o indivíduo tem se preocupado
em cuidar de sua integridade física, mental, social e

�espiritual, buscando melhorias e qualidade de vida e, para
tanto despertado o interesse de desenvolver suas
competências e habilidades em prol das organizações que
oferecem esses aparatos.
Cabe às organizações saber lidar com a moderna Gestão
de Pessoas, buscando favorecer seus empregados através
de estímulos para seu desenvolvimento, bem como
oferecer condições para a construção de expectativas e
necessidades. Nessa mesma linha de pensamento, Dutra
(2009, p. 49) ressalta que o comprometimento das
empresas
se
“traduz
por
meio
de
respeito
à
individualidade, do estímulo e suporte à cidadania
organizacional,
do
contínuo
desenvolvimento
das
necessidades das pessoas e uma proposta transparente de
intenções”.
De modo geral, é relevante destacar que a eficácia no
novo modelo de Gestão de Pessoas é derivada da ênfase
para o talento das pessoas, do trabalho em equipe,
aprendizado corporativo, motivação de pessoal voltado
para a qualidade de vida e visão voltada para os ambientes
externos e internos da organização.

4. A GESTÃO DE PESSOAS E AS UNIDADES
DE INFORMAÇÃO
Quando falamos em organização, nos referimos a um
sistema de atividades conscientemente coordenadas de
duas ou mais pessoas, onde haja cooperação, pois uma
organização só existe quando há pessoas capazes de se
comunicar, dispostas a contribuir com a ação e a fim de
cumprirem um propósito comum. (BERNARD, 1971).
Na visão de Miranda 2001 (apud ALVES, 2004),
organização é a mobilização de recursos (naturais,
tecnológicos, humanos, físico-financeiros) para que o
planejamento organizacional possa ser executado com a

�máxima eficácia e eficiência.
Neste aspecto, “Unidades de Informação” é um termo
criado pela escola francesa para se referir a uma área de
atuação dos profissionais de informação, abrangendo
arquivos, bibliotecas, centros de documentação e museus,
remetendo ao ambiente físico de trabalho dos profissionais
dessa área. Dessa forma, as Unidades de Informação
podem ser consideradas organizações que coletam, tratam,
organizam e disponibilizam informações. (BUCKLAND,
1991).
Dentro de uma Unidade de Informação, faz-se necessária
uma Gestão de Pessoas capaz de proporcionar sinergia
entre as atividades desenvolvidas dentro desse âmbito,
visto que essas organizações que trabalham com o objeto
informação, necessitam de uma boa relação interpessoal,
de modo que funcionários possibilitem a realização da
missão e dos objetivos da Unidade de Informação.
Nessa vertente, vale ressaltar que a busca constante por
processo de Gestão de Pessoas faz parte da organização,
que visa cada vez mais à satisfação de seus funcionários
para que, motivados, executem suas tarefas com
eficiência.
Desse modo, vale ressaltar Alves, (2004, p. 38) quando a
autora infere sobre a importância da Gestão de Pessoas
dentro das Unidades de Informação e diz que:
O bibliotecário responsável por gerenciar a Unidade de
Informação é responsável para que sua instituição
(biblioteca) atinja os objetivos e as metas organizacionais,
as quais são voltadas para atender as expectativas dos
usuários. Para isto, é preciso gerenciar os recursos
humanos, ou seja, as pessoas que compõem sua equipe,
fazendo com que estejam motivados e abertos ao
desenvolvimento, a fim de corresponder ao trabalho e às
inovações.

Nesse sentido, desperta-se a necessidade de aplicar o
modelo da Moderna Gestão de Pessoas em Unidades de
Informação de modo que contribua diretamente com a

�valorização dos funcionários que atuam nas Unidades,
buscando assim aprimorar as atividades a serem
desempenhadas.
Percebe-se a relevância de compreender que gerir
pessoas dentro de Unidades de Informação é primordial
para que haja uma sinergia capaz de permitir que as
pessoas sejam facilmente administradas, de modo que elas
produzam suas atividades, buscando algo além de sua
satisfação pessoal, abrangendo para uma satisfação
profissional e motivacional, conforme cita Carvalho (2001,
p. 48) ao refletir que "a assimilação de um determinado
assunto é mais eficiente e interessante quando os
participantes sentem-se motivados em seu aprendizado".
Nessa mesma perspectiva, cabe refletir sobre a
necessidade dos funcionários de uma Unidade de
Informação de serem considerados como clientes internos
potenciais
de
uma
organização,
possibilitando
melhoriaspara os mesmos, bem como a definição de
atividades coerentes com as competências e habilidades de
cada um deles.
No âmbito de uma Unidade de Informação, os clientes
externos são denominados usuários, e suas necessidades
informacionais são o produto a ser consumido nessa
organização. Sendo assim, a satisfação de seus clientes vai
à contrapartida do nível de bom atendimento que os
mesmos recebem ao exporem suas necessidades aos
funcionários dessa Unidade.
Desse modo, cabe enfatizar que os usuários de uma
Unidade de Informação precisam, além de terem suas
necessidades
informacionais
sanadas,
um
bom
atendimento para que os mesmos sintam-se a vontade
para exporem seus anseios informacionais e busquem
auxílio dos profissionais da informação para terem acesso
aos documentos dessa Unidade, pois, conforme ressalta
Silva (2006?, p. 4) “Uma biblioteca, para atender bem os
seus usuários, tem que contar com um quadro de
funcionários com a autoestima elevada e satisfeita, pois

�isso é uma corrente que começa bem e termina melhor
ainda.”
A boa relação entre os clientes internos e externos de
uma organização favorece o clima organizacional, de modo
que as atividades diárias possam ser realizadas com
primazia e todos os clientes fiquem satisfeitos. O clima
organizacional é uma junção de características básicas de
saúde mental, que são definidas por Chiavenato (2009, p.
143), como sendo: “As pessoas sentem-se bem consigo
mesmas; As pessoas sentem-se bem em relação às outras
pessoas; e As pessoas são capazes de enfrentar por si as
demandas da vida.”
O clima organizacional é fator determinante para que as
organizações atinjam seus objetivos e seus clientes fiquem
satisfeitos, pois a satisfação é o elemento norteador para
uma organização, visto que é através dela que se pode
mensurar o bom desempenho de seus funcionários no
tocante a elaboração de suas atividades, bem como o
retorno de seus clientes em busca dos produtos que são
oferecidos pela organização.
Nas Unidades de Informação, o clima organizacional
favorece que os funcionários sintam-se satisfeitos e
reconhecidos quanto à realização de suas atividades e
contribuam com o processo de comunicação, o qual é de
suma importância dentro das Unidades de Informação. Já
os usuários sentem-se satisfeitos em serem bem
atendidos, assim como ao terem sanadas suas
necessidades
informacionais
através
um
processo
comunicacional eficiente e eficaz.
Dentro de uma Unidade de Informação, o processo
comunicacional é de suma importância, pois “O conceito de
comunicação está sujeito a algumas complicações
adicionais quando se trata de comunicação humana”, pois
é fundamental que o processo comunicacional seja
completo, de modo que o usuário receba as informações,
produtos das Unidades de Informação. (CHIAVENATO,
2009, p. 150).

�Para tanto, a Gestão de Pessoas deve contribuir com o
favorecimento da divulgação informacional entre seus
funcionários, possibilitando o fluxo da informação entre os
clientes internos e externos, de modo a estabelecer uma
ligação entre o usuário e a informação que ele necessita.
A Gestão de Pessoas, quando bem aplicada dentro de
uma Unidade de Informação, contribui com diversos
aspectos, desde a melhoria dos serviços realizados por
seus funcionários até a boa aceitação por parte de seus
usuários quanto aos serviços prestados por essa Unidade.
Dentro de uma Unidade de Informação, faz-se relevante
destacar a real necessidade do aperfeiçoamento do capital
humano, para que o mesmo sinta-se integrado à
organização e satisfeito quanto à busca por melhorias
profissionais.
Cabe às Unidades de Informação gerir as pessoas através
de estímulos que ofereçam o atingir das expectativas e
necessidades de seus empregados e assim construir um
ambiente agradável para o trabalho, possibilitando que as
informações sejam perpassadas para aqueles que dela
necessitam e assim seja possível atingir a meta dessas
organizações.
Nessa mesma linha de pensamento, destaca-se Pinto e
González (2010, p. 55) quando inferem que:
O sucesso ou fracasso de uma instituição depende, entre
outros fatores, da sensibilidade e habilidades das pessoas
que ocupam cargos de comando em reconhecer e
incentivar o desenvolvimento de sua equipe no conjunto de
conhecimentos, habilidades e competências necessárias
para que sejam atingidos os objetivos traçados pela
instituição.

O foco na Gestão de Pessoas dentro das Unidades de
Informação desperta para uma preocupação quanto à
qualidade dos serviços/produtos que estão sendo
disponibilizados por essas organizações e pela necessidade
de melhorias que possibilite que os funcionários atuem de
forma diversificada em seus setores de atuação, para que

�apliquem seus conhecimentos, habilidades e competências
como diferencial competitivo na organização.
Assim, é perceptível a real necessidade da aplicação da
Gestão de Pessoas nas Unidades de Informação como
mecanismo de integração entre os clientes internos e
externos e como forma de aperfeiçoar as atividades
existentes dentro dessas Unidades, com o objetivo
principal de atingir as metas, visões, missões e
objetivosdas Unidades de Informação.

5. O BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DE
PESSOAS
A rotina administrativa de uma Unidade de Informação
envolve além de atividades técnicas àquelas comuns as
funções administrativas como planejamento, organização,
direção e controle. O fluxo de trabalho e os serviços
prestados devem ser planejados e executados a partir dos
objetivos da unidade e do seu público-alvo.
O contexto onde está inserida a Unidade de Informação
deve ser assimilado pela equipe de colaboradores. Tais
profissionais devem possuir diferentes perfis e formação
específica para desempenharem as diferentes tarefas e
então oferecerem bons produtos e serviços.
Elaborar perfis de profissionais para desempenhar tarefas
em uma Unidade de Informação, formar equipes e conduzilas, assim como todos os recursos e serviços de
informação, é tarefa estabelecida ao gestor desta unidade.
Assim como em qualquer organização, para se formar
uma equipe, é necessário elaborar o perfil profissional
relativo a cada atividade que deverá ser desempenhada
com as competências e atribuições necessárias. A partir
disto, divulga-se o perfil com as exigências ao cargo
ofertado para posteriormente recrutar-se candidatos e
selecionar aquele que possuir o perfil compatível com atais

�exigências.
Uma vez que a equipe esteja formada, a gestão da
mesma não é tarefa simples, pois o gestor deve possuir a
perspicácia para lidar com os diferentes perfis e
subjetividades inerentes a cada pessoa. Ademais, o próprio
gestor deve possuir um perfil que agregue habilidades
técnicas, humanas e conceituais que, segundo Katz (apud
CHIAVENATO, 2003), são importantes para o desempenho
administrativo bem sucedido.
Nas Unidades de Informação, este perfil de gestão não é
diferente, assim como as funções administrativas, pois
Litton (1975) já dizia que, para administrar este setor, são
atribuídas funções diretivas, responsabilidades frente ao
público alvo e aos colaboradores atuantes neste ambiente.
A função diretiva consiste em assumir a responsabilidade
da operação de uma atividade ou setor, e implica em
competência técnica, largueza de pontos de vista,
inteligência social, capacidade para perceber o significado
das coisas, além de exigir coragem para levar até o fim
qualquer trabalho ou mudança programada.
As habilidades técnicas, conforme Chiavenato (2003),
envolvem os procedimentos de realização de uma
determinada atividade. É o caso de atividades específicas à
rotina de uma Unidade de Informação como: seleção,
aquisição, processamento técnico. O bibliotecário enquanto
gestor deve possuir o conhecimento técnico mesmo que
superficialmente, pois esta habilidade contribui para o
melhor direcionamento das tarefas, equipes e a avaliação
dos processos. Empiricamente, um gestor consegue melhor
delegar e avaliar os resultados quando possui habilidade
técnica.
Já as habilidades humanas são essenciais na Gestão de
Pessoas, pois envolvem a capacidade de comunicar,
motivar, liderar e gerenciar conflitos. O perfil do
bibliotecário gestor deve possuir essas características para
buscar a cooperação dentro da equipe e a sinergia. A
Gestão de Pessoas em uma Unidade de Informação deve

�buscar a satisfação dos colaboradores para que, uma vez
motivados, executem suas tarefas com eficiência e
eficácia. Um bom gestor saberá “trabalhar com pessoas e
por meio de pessoas” (CHIAVENATO, 2003, p. 3).
Para Motta (2003), a gestão é a arte de pensar, de decidir
e de dirigir: é a arte de fazer acontecer, de obter
resultados, mas que têm de ser alcançados por meio das
pessoas e numa interação humana constante. Neste
sentido, é possível dizer que o bibliotecário gestor
necessita possuir habilidades humanas, pois a este
compete liderar e motivar os seus colaboradores, traçando
metas e fazendo com que estas sejam alcançadas.
Já as habilidades conceituais envolvem a visão ampla da
própria Unidade de Informação, seu ambiente interno e
externo. Tal habilidade permite ao gestor planejar ações e
serviços direcionar a equipe para futuras mudanças
estratégicas. Além disso, um gestor com habilidades
conceituais está apto a empreender, trabalhar com teorias
e abstrações a partir da compreensão de como a Unidade
de Informação se relaciona com sua comunidade e como
mudanças em um ambiente macro podem afetar a sua
rotina.
As habilidades conceituais estão relacionadas com o
pensar, com o raciocinar, com o diagnóstico das situações e
com a formulação de alternativas de solução dos
problemas. Representam as capacidades cognitivas mais
sofisticadas do administrador e que lhe permitem planejar
o futuro, interpretar a missão, desenvolver a visão e
perceber oportunidades. (CHIAVENATO, 2003, p. 3)

Embora o bibliotecário, enquanto gestor de pessoas,
possa atuar em diversos ambientes, aqui estamos
discutindo as características necessárias a um gestor
independente da configuração do ambiente, que pode ser
um setor, uma organização ou mesmo uma equipe sem
estrutura organizacional estabelecida.
Após a apresentação das características necessárias ao
bibliotecário enquanto gestor de pessoas, Pinto e Moreiro

�González (2010) reúnem alguns procedimentos este pode
executar:
1. Agregar pessoas – incentivar e contribuir para a
formação do profissional e assim buscar constituir
equipes dinâmicas e motivadas. Elaborar plano de
qualificação, por exemplo;
2. Aplicar pessoas – por meio de estudo das
necessidades e tarefas desenvolvidas na UI ou
serviço de informação, estabelecer os perfis
necessários e atribuições a cada atividade além de
avaliar o desempenho (controle) com intuito
identificar pontos fortes e fracos, que irão conduzir
mudanças e aperfeiçoamento nos processos;
3. Desenvolver pessoas – uma vez constituído o
perfil para a atividade e direcionado o colaborador
com as características necessárias para esta, é
importante oferecer treinamento e proporcionar
uma administração horizontal que encoraje a
participação dos indivíduos, motivando-os e
desenvolvendo-os. O benchmarking é uma boa
estratégia e visa à observação de boas práticas
executadas por outras Unidades de Informação ou
setores que podem ser adotadas não só no
desenvolvimento de pessoas como em outras áreas
da gestão;
4. Manter pessoas – valorizar o capital intelectual
por meio de investimento em educação continuada,
elaborar plano de qualificação, buscar constituir
relações interpessoais saudáveis favorecidas pela
igualdade de comunicação. Gestão horizontal e
geração de desafios são práticas que podem gerar
um ambiente de trabalho de qualidade, estimulante
e satisfatório para as pessoas.
5. Recompensar pessoas - implantar plano de
carreira aos bibliotecários, favorecer a promoção a
partir do bom desempenho dos colaboradores e

�reconhecer o trabalho desenvolvido.
6. Monitorar pessoas – avaliar o desempenho
individual a partir de um plano traçado junto com
os colaboradores da UI. Esta ação subsidiará a
elaboração do plano de carreiras.
Tais processos devem estar em consonância com os
objetivos da instituição ou do serviço onde as equipes
estão inseridas, afinal, a Gestão de Pessoas, quando bem
desempenhada, gera bons resultados para a organização.
Para Pinto e Moreiro González (2010, p. 58), esses
processos devem estar relacionados de tal forma que se
“influenciam reciprocamente, sendo que cada um deles
tende a favorecer ou prejudicar os demais, quando bem ou
mal utilizados”.
Em algumas instituições, a Gestão de Pessoas é realizada
por um setor à parte, o setor de Recursos Humanos. Logo,
algumas ações podem não fazer parte das atribuições do
bibliotecário gestor, porém, deve haver uma cooperação
com o setor e a recomendação para atividades que
envolvam recrutar, recompensar, monitorar.
Estudos acerca da Gestão de Pessoas sempre ocorreram
e, cada vez mais, é perceptível que o sucesso da
organização depende muito mais do bom desempenho e
sinergia da equipe do que da estrutura física. As Unidades
de Informação, uma vez vistas como organizações, podem
se adaptar a estas teorias e buscar aplicar os conceitos a
sua prática.
Diferentes metodologias têm surgido a partir destes
estudos visando à condução das equipes por parte dos
gestores com um olhar individual, avaliando diferentes
competências para assim conduzi-las para que sejam
capazes de analisar situações, apresentar soluções e
resolver assuntos ou problemas.

6. GESTÃO POR COMPETÊNCIAS

�Uma organização emprega de maneira eficaz um indivíduo
competente que possui conhecimento, habilidades,
aptidões além de experiência para executar a atividade
para qual foi contratado. O processo de identificação de
competências é trabalhoso e envolve análise intensiva de
tarefas essenciais e necessárias de um campo, uma
especialidade ou uma função com a finalidade de identificar
claramente o conhecimento, experiência, habilidades e
personalidade necessárias para a realização de uma
atividade exemplar.
Chiavenato (2006, p. 4) define competência como “a
capacidade que um indivíduo tem de estudar, propor
alternativas e solucionar problemas”. O conhecimento
envolve a assimilação das informações, o saber, as
vivências relacionadas com as atividades desenvolvidas nas
organizações, aprendidas em cursos de graduação,
especialização,
capacitação.
Porém,
somente
o
conhecimento não é o bastante para que o indivíduo seja
considerado competente e responda positivamente às
necessidades do mercado, é preciso que este saiba aplicar
os conhecimentos na prática, agregando para si o conceito
de habilidade, que Chiavenato (2006, p.5) aponta como “a
capacidade de colocar em ação os conceitos e ideias
abstratas [...], transformando o conhecimento em ação
concreta”.
A atitude é a terceira qualidade exigida para que o
indivíduo seja considerado competente. Tal qualidade se
caracteriza com o comportamento do indivíduo diante dos
desafios mercadológicos, e envolve o estilo de ação e
reação diante das situações do cotidiano na organização.
Conforme Chiavenato (2006, p. 6):
[...] a atitude representa o estilo pessoal de fazer as coisas
acontecerem, a maneira de liderar, motivar, comunicar,
conduzir e levar as coisas para frente. Envolve o impulso e
a determinação de inovar, a convicção de melhorar
continuamente, o espírito empreendedor, inconformismo
com os problemas atuais, a maneira de trabalhar com
outras pessoas e fazer suas cabeças. (CHIAVENATO, 2006,

�p. 6).

Competência é o conjunto de conhecimento, habilidade e
atitude (CHA) trata-se de um conceito adotado por
diferentes áreas que trabalham com gestão. A seguir
apresenta-se um quadro elaborado por Lima (2014) com
as similaridades nos conceitos de Barbalho (2004) e
Hofmeister (2009) acerca dos elementos da competência:
Elementos da
competência
técnica

Hofmeister
(2009, p.79)

Em
suma:

Conhecimento

“Corresponde a uma série de
informações assimiladas e
estruturadas pelo indivíduo, que
lhe permitem entender o mundo,
ou seja, é a dimensão do saber.”

“É o ‘saber
adquirido’,
técnicas, teorias e
conceitos.”

Saber a
teoria/
técnica.

Habilidades

“Por sua vez está associada ao
saber-fazer, ou seja, a
capacidade de aplicar e fazer uso
produtivo do conhecimento
adquirido utiliza-lo em uma ação
com vista ao atingimento de um
propósito específico.”

“É o saber-fazer,
ou seja, é o
conhecimento
colocado em
prática.”

Elementos da
competência
comportamental
comportamental

Atitudes

Barbalho (2004, p.3)

Barbalho (2004, p.3)

Hofmeister
(2009, p.79)

Saber
fazer, por
em prática.

Em
suma:

“São
relacionadas ao
“É a dimensão do querer-saber- comportamento do
Querer
fazer, que diz respeito aos
colaborador, a
fazer, ser
aspectos sociais e afetivos
forma como ele
proativo e
relacionados ao trabalho”
age junto a
colaborativo
supervisores e
gestores.”

Quadro 1 – Elementos da competência: Conhecimento,
Habilidade e Atitude (CHA)
Fonte: Adaptado de Lima (2014, p. 20)

Segundo Hilsdorf (2013) competência pressupõe uma
ação que agrega valor diante de novas situações através
de critérios objetivamente mensuráveis como o saber
conceitualmente (qualificação) - conhecimento, saber fazer
(experiência funcional) – habilidade e saber agir

�(capacidade de obter resultados) – atitude.
No entanto, um indivíduo com competência não resulta
necessariamente no melhor desempenho da atividade ou
na conclusão de metas com eficácia, pois os melhores
resultados só são possíveis com a capacidade do gestor ou
da organização de conduzir e fazer melhor uso de seus
colaboradores, de realizar a gestão por competências
distribuindo-as ao longo de uma estrutura operacional
como é o caso das Unidades de Informação.
Neste sentido, a gestão por competências busca conhecer
o perfil do indivíduo, sua competência (conhecimento,
habilidade e atitude) para assim direcioná-los as atividades
que mais se adequam a cada perfil. São categorizados
profissional e funcionalmente, assim como o desempenho
também é analisado por níveis. No cenário da gestão por
competências, as mesmas são assumidas pelo indivíduo
conforme a sua posição na hierarquia e podem ser
adaptadas a diferentes configurações de trabalho conforme
Gonzalez (2010).
Para o profissional bibliotecário, Valentim (2002) atribuiu
competências necessárias para a atuação deste profissional
nos níveis técnico/ operacional e nível de gestão:
Competências de comunicação e expressão Aplicação de técnicas de marketing, liderança e de
relações públicas;
Competências técnico-científicas- Conhecimento
da execução do processamento de documentos em
distintos suportes em unidades, sistemas e serviços
de informação;
Competências gerenciais - Dirigir, administrar,
organizar e coordenar unidades, sistemas e serviços
de informação;
Competências sociais políticas - Planejar e
executar estudos de usuários, assessorar e intervir
na formulação de políticas de informação, etc.

�Tais atribuições podem servir de parâmetros para a
constituição de perfis para as diferentes atividades na UI,
cabe ao gestor identificar estas competências nos
colaboradores e assim direcioná-los a atividade ao qual
melhor se adapte, ou analisar potenciais colaboradores por
meio das competências listadas por Valentim (2002).
A gestão por competências é empregada em todos os
níveis da organização, neste sentido, a Unidade de
Informação pode ser um dos setores da administração a
ser envolvido neste processo. Conforme Filenga, Moura e
Rama (2010, p. 5) para que a organização implemente a
gestão por competências, é necessário que:
[...] esta identifique suas Competências individuais e
estabeleça os níveis de complexidade. Partindo da
concepção de que as Competências individuais, aliadas a
outros recursos formam as Competências organizacionais, é
necessário que a organização defina suas Competências
Essenciais, de acordo com seus Objetivos e Estratégias, e
posteriormente estabeleça quais são as Competências
Individuais necessárias.

O bibliotecário gestor pode adaptar este modelo para o
setor. Caso não haja o interesse da instituição, no
entanto,algumas etapas podem não ser realizadas, uma
vez que dependem da participação da instituição
mantenedora no processo como por exemplo a etapa de
plano de cargos e salários e oferta de treinamento.
Seguem as etapas do processo:
Conscientização da equipe: o gestor deve
apresentar os objetivos e reais motivos da
implantação da gestão por competências;
Definição das competências da Unidade de
Informação: a partir do estudo das atividades
desenvolvidas no ambiente da Unidade de
Informação, serão definidas as competências de
cada perfil que devem estar alinhadas aos objetivos
da UI e a missão da instituição mantenedora, se for
o caso.

�Definição
das
competências
de
cada
função/atividade: Descrição das tarefas e funções
e perfil desejado (competências) para cada função;
Identificar
as
competências
dos
colaboradores: Por meio da avaliação, identificar
as competências dos colaboradores (avaliação por
competências);
Desenvolver os colaboradores: A partir das
deficiências observadas na avaliação, é necessária a
criação de um plano de treinamento e qualificação.
Tal treinamento deve ser baseado nas competências
necessárias para o colaborador (necessita do aval
da instituição mantenedora);
Controlar, acompanhar o desenvolvimento dos
colaboradores: identificar os perfis talentosos
para novas atividades, analisar a equipe, motivar os
colaboradores e criar um plano de cargos e
promoções (necessita do aval da instituição
mantenedora).
O resultado das etapas de desenvolvimento de
colaboradores e controle/ acompanhamento poderá ser
utilizado pelo setor de recursos humanos, pois o mesmo
lida com treinamento e desenvolvimento além de
recomendar a promoção ou recompensa de acordo com a
política adotada pela instituição, segundo Filenga, Moura e
Ramal (2010).
Contudo, a metodologia de gestão por competências
surgiu com intuito de melhorar o desempenho
organizacional a partir do direcionamento dos perfis a
funções e atribuições compatíveis, além de avaliar os
indivíduos e contribuir para o seu reconhecimento e
valorização.

7. CONSIDERAÇÕES

�A Gestão de Pessoas em Unidades de Informação é uma
prática que precisa ser aplicada com o propósito de
favorecer o desempenho dos funcionários dentro da
organização, buscando construir um ambiente agradável e
de reconhecimento pessoal, profissional e motivacional que
favoreça o bom desempenho do fator humano dentro das
organizações.
É notório que a aplicação do novo modelo de Gestão de
Pessoas possibilita uma boa relação e uma sinergia capaz
de contribuir com as atividades a serem desempenhadas
na Unidade de Informação, visto que este novo modelo
possui uma visão direcionada para as necessidades dos
empregados que englobam o ambiente interno da
organização.
É possível depreender que é cada vez mais notória a
relevância de se estabelecer, dentro de uma Unidade de
Informação, uma Gestão de Pessoas pautada nas
competências de seus empregados, possibilitando que os
mesmos desempenhem suas funções de acordo com seus
conhecimentos, habilidades e atitudes, contribuindo por
sua vez com que a organização, atinja sua missão, visão e
objetivos.
É de suma importância que dentro de uma Unidade de
Informação exista um profissional gestor capacitado e
preparado para desenvolver uma administração de pessoal
adequada às necessidades da organização, de modo que
determine as funções e atividades de acordo com o perfil
de competência da cada empregado da instituição, como
forma de favorecer o desempenho das atividades e,
consequentemente, promover uma boa comunicação e um
ambiente de trabalho agradável, no qual as atividades
fluem de forma eficiente e eficaz.
O bibliotecário gestor necessita de algumas características
inerentes a sua atuação, que possibilitam uma visão
voltada para o fator humano como elemento primordial
para o bom desempenho de sua instituição. Dessa forma, o
gestor necessita incentivar e motivar seus empregados,

�alocando cada profissional a sua respectiva função de
acordo com a competência de cada um. Para tanto, faz-se
necessário identificar os perfis e características intrínsecas
de cada indivíduo.
Torna-se oportuno destacar que cabe ao bibliotecário
gestor a função de oferecer treinamentos e capacitações
para os colaboradores, de modo que permita aos mesmos
a possibilidade de crescimento, mudança de cargos e
funções, fato que promove a motivação dentro de sua
equipe, valorizando o capital intelectual dos mesmos.
Nessa perspectiva, essa forma de gestão possibilita que
os funcionários das Unidades de Informação criem de
incentivos e busquem o crescimento dentro das
organizações de acordo com suas competências e perfis
profissionais.
Para tanto, é relevante destacar que, dentre as
competências necessárias aos profissionais que atuam em
unidades de informação, destaca-se as competências que
podem variar de acordo com os setores se atuação de cada
profissional, tal como as competências de comunicação e
expressão que devem ser apresentadas em profissionais
que atuam no setor de Serviço de Informação e
Referência; as competências técnico-científicas que são
requeridas para os que atuam no setor de processamento
técnico e de informática da instituição; as competências
gerenciais são importantes para aqueles que atuam na
administração dos setores e administração geral da
instituição; e as competências sociais políticas que são
requeridas àqueles profissionais que atuam nos setores de
circulação e que tem contato direto com os usuários e suas
necessidades informacionais.
A competência de cada profissional que atua dentro de
uma Unidade de Informação possibilita a formação de
equipes fortes e capazes de realizarem as atividades que
são designadas à estes. Fato que possibilita que a
instituição atinja seus objetivos e forneça seus serviços ou
produtos de modo que seus usuários tenham um acesso de

�forma simples e prática.
Contudo, depreende-se que a Gestão de Pessoas é um
elemento primordial para as organizações e que dentro da
Unidade de Informação, é possível estabelecer melhorias
que atendem as necessidades dos seus clientes externos e
internos, possibilitando o bom desempenho de seus
empregados e em contrapartida o crescimento da
organização.

REFERÊNCIAS
ALVES, Roberta Caroline Vesú. A Gestão de Pessoas em
Unidades de Informação : a importância da capacitação no
uso de tecnologias. Revista de Iniciação Científica da
FFC, v. 4, n. 2, 2004. p. 32-51.

BARBALHO, Célia Regina Simonetti. Gestão baseada nas
competências. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS,
12.,
2004,
Recife.
Anais
eletrônicos...Recife:
UFPE,
2004.
Disponível
em:
&lt;http://xa.yimg.com/kq/groups/15419196/442772819/name/GESTA
Acesso em: 15 jul. 2016.
BERNARD, Chester I. As funções do executivo. São
Paulo: Atlas, 1971.
BUCKLAND, Michael. Information as a thing. Journal of
the American Society of Information Science, v.42, n.
05, p. 351-360, 1991.
CARVALHO, A.V. Treinamento: princípios, métodos e
técnicas. São Paulo: Pioneira, 2001.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração de recursos
humanos: fundamentos básicos. 7. ed. Barueri, Sp:
Manole, 2009.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo
papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2010.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a Teoria Geral da

�Administração. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Princípios da administração: o
essencial em teoria geral da administração. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2006.
DUTRA, Joel Souza. Gestão de Pessoas: modelos,
processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas,
2009.
FILENGA, Douglas; MOURA, Valéria F; RAMA, Ana Lúcia F.
Gestão por competências: análise metodológica e
proposição de um instrumento para Gestão de Pessoas.
XXXIV Encontro da ANPAD. 2010. Rio de Janeiro.
Disponível
em:
&lt;http://anpad.org.br/admin/pdf/gpr732.pdf&gt;. Acesso em:
12 jul. 2016.

GONZALEZ, Maria E. Workforce Competencies: Focus on
Urban
Public
Libraries.
2010.
Disponível
em:
&lt;https://www.ideals.illinois.edu/bitstream/handle/2142/18733/59.12.gonzalez.pdf?sequence=3&gt;. Acesso em: 12 jul. 2016.
HARVEY, D.; BOWIN, R. B.; HARVEY, D. F. Human
Resource Management: An Experiential Approach. New
Jersey: Prentice Hall, 1996.
HILSDORF, Carlos. O que é competência?. Disponível
em:
&lt;http://www.catho.com.br/carreirasucesso/colunistas/o-que-e-competencia&gt;. Acesso em: 14
jul. 2016.
HOFMEISTER, Deise Leia Farias. Planejamento e
desenvolvimento de Carreira. Curitiba: IESDE Brasil,
2009.
LIMA, Rosiane Pereira. Perfil do bibliotecário gestor de
biblioteca universitária na cidade de Manaus.
Originalmente apresentado como trabalho de conclusão de
curso. Manaus: UFAM, 2014.
LITTON, Gaston. Administração de bibliotecas. São
Paulo: McGraw do Brasil, 1975.

�MOTTA, Paulo Roberto. Gestão contemporânea: a
ciência e a arte de ser dirigente. 14 ed. Rio de Janeiro:
Record, 2003.
PINTO, Adilson Luiz; GONZÁLEZ, José Antonio Moreiro. O
profissional bibliotecário como gestor de pessoas.
Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Florianópolis, v. 15, n. 29, p.52-65,
2010.
SILVA, Dora Aparecida da. Gestão de Pessoas na
percepção de um bibliotecário: relações interpessoais da
biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG. Anais...XV
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. São
Paulo: SNBU, 2006?.
TOLEDO, F. Administração de pessoal: desenvolvimento
de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 1978.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Coord.). Formação do
profissional da informação. São Paulo: Polis, 2002.

�3 - METODOLOGIAS PARA
CONTROLE DE QUALIDADE EM
SERVIÇOS DE UNIDADES DE
INFORMAÇÃO
Daniela Spudeit
Noeli Viapiana
Marcia Silveira Kroeff

Nem

sempre foi preocupação das organizações a
qualidade dos produtos e serviços prestados, embora
atualmente seja tendência; foi somente no século XX, com
as grandes guerras mundiais e um conjunto de fenômenos
marcantes, que houve enfoque em pesquisas para a
criação de metodologias e processos, a fim de aferir a
qualidade e satisfação dos clientes. Na visão de Barbalho
(1997, p.47),
a qualidade pode ser entendida como um conjunto de
procedimentos que iniciam com o conhecimento das
necessidades e expectativas do cliente, influenciando na
confecção original (projeto) de um produto ou serviços,
bem como na sua confecção final, objetivando cativar,
manter e satisfazer o consumidor.

Paladini (2013, p. 21), explica que “historicamente a
gestão da qualidade nasceu, se criou em épocas de crise e
mudanças em organizações, que estavam sob forte
pressão, a partir da década de 50 após períodos de
guerras”.
O autor define gestão da qualidade como um “conjunto
das decisões que envolvem a produção da qualidade com

�critérios e medidas de excelência”, em que as decisões
são, quase sempre, de fundo estratégico e por esse motivo
tem implicações estratégicas nas instituições.(PALADINI,
2013, p. 21).
A gestão da qualidade em serviços de informação é um
conjunto de ações focadas estrategicamente ao sucesso da
organização, voltadas à melhoria dos serviços com ênfase
na ampliação das possibilidades de satisfação dos clientes.
Com o aumento da competitividade, advento da
globalização e da comunicação instantânea, as unidades de
informação se obrigam a acompanhar as mudanças da
sociedade e das organizações. As organizações, por sua
vez, procuram se tornar cada vez melhores, garantindo seu
valor, sua importância e seu lugar no cotidiano das
pessoas.
Sendo assim, nesse capítulo apresentamos as principais
metodologias e medidas de controle de qualidade, cada
uma com casos de aplicabilidade e que podem ser usadas
em unidades de informação. Foi feito um levantamento
bibliográfico para verificar os estudos realizados e as
respectivas metodologias usadas. São analisadas as
vantagens da aplicação das medidas de controle de
qualidade na promoção de serviços de informação, por
meio das normas da ISO, do Programa 5S, do Ciclo de
Deming (PDCA), ServQual e Balanced Scorecard, que são
exemplos de medidas e técnicas que podem ser usadas nas
unidades de informação.
Além dessas, há outras metodologias, porém é importante
enfatizar que as unidades de informação podem utilizar
diferentes ferramentas adotadas por organizações, desde
que contextualizadas, tendo a missão e demandas de cada
instituição e que sejam utilizadas como estratégia a
garantir a satisfação total de seus clientes, por meio da
prestação de serviços que atendam suas necessidades e
expectativas.
Quando se pensa em atender as expectativas do cliente

�de uma determinada unidade de informação, referimo-nos
à qualidade; a entrega de um produto e\ou serviço com
valor agregado e de qualidade.
Vergueiro (2002) explica que muitas questões em torno
da gestão da qualidade em serviços de informação são
encontradas em constante estudo na área da Ciência da
Informação e não se tornaram preocupações aos
profissionais da informação. Entretanto, em pesquisa
recente, Davok e Spudeit (2016) indicam que há aumento
no uso e aplicação de diferentes metodologias para o
controle da qualidade em unidades de informação como a
utilização das normas ISO, Ciclo de Deming (PDCA),
ServQual, Balanced Scorecard, entre outros.
A qualidade tem sido frequentemente relacionada ao
produto e à ideia de seu valor, vinculada sempre à
satisfação pelo serviço recebido. Entretanto, é preciso
distinguir qualidade e valor no caso da prestação de
serviços. Qualidade é a busca pela perfeição e a satisfação
por parte dos usuários. Segundo Longo (1996, p. 9),a
qualidade pode ser definida como:
[...] um valor conhecido por todos e, no entanto, definido
de forma diferenciada por diferentes grupos ou camadas da
sociedade — a percepção dos indivíduos é diferente em
relação aos mesmos produtos ou serviços; em função de
suas necessidades, experiências e expectativas.

De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 36), o valor está
ligado aos benefícios e custos tangíveis e intangíveis
percebidos pelo consumidor, combinando qualidade,
serviço e preço.
No caso das unidades de informação, quando o cliente
utiliza os serviços, o resultado imediato (satisfação) será a
percepção de ter sido atendido na sua necessidade
informacional, caso contrário haverá frustração pelo fato
de não ter conseguido/ obtido o que buscava naquele
momento.
Desta forma, o cliente perceberá a qualidade do serviço,
ao mesmo tempo em que poderá ter o resultado da sua

�busca, ou seja, uma informação, um documento
recuperado ou simplesmente a satisfação de ter usado a
unidade de informação com êxito.
É nesse momento que o cliente percebe a qualidade do
serviço de informação utilizado. Muitas vezes, ele nem
sabe direito o que busca, mas se a unidade de informação
disponibilizar todas as possibilidades, o cliente utilizará a
que melhor lhe convier, percebendo a qualidade envolvida.
Para o alcance dessa satisfação pelos clientes, as
organizações passaram a adotar diferentes metodologias e
ferramentas, a fim de controlar e gerenciar a qualidade na
produção de produtos e serviços, conforme será
apresentado a seguir.

2. METODOLOGIAS PARA CONTROLE DE
QUALIDADE
O controle da qualidade tem como objetivo primordial a
sobrevivência das organizações, a partir da satisfação total
dos clientes, por meio da prestação de bens e serviços que
atendam às suas necessidades e, de preferência, que
excedam as expectativas. Satisfação total implica ser
atendido com garantia de qualidade total, conforme
afirmam Longo e Vergueiro (2002). Na mesma linha, Silva
(1999, p.8) explica que:
A diferença fundamental ao se definir qualidade na
prestação de serviços é encontrada na subjetividade e na
dificuldade de estabelecer o que é qualidade, uma vez que
os clientes reagem diferentemente ao que parece ser o
mesmo serviço. Cada cliente possui uma determinada
percepção sobre qualidade; muitas vezes, esta diferença se
origina até mesmo do “estado de espírito do cliente” no
momento da prestação do serviço. As pessoas possuem
padrões diferentes de qualidade.

Pensar qualidade é não fechar em um único conceito para
definir tal expressão. A qualidade depende de alguns
fatores determinantes, pois é por meio deles que pode ser

�controlada e mensurada. Para que se avance no quesito
qualidade em unidades de informação, há de se ter clareza
do perfil dos clientes que usam os serviços oferecidos,
conhecer suas necessidades e preferências.
Paladini (2013) explica que a qualidade nasce da relação
da organização com o ambiente externo da organização,
configurando-se como uma avaliação que o cliente faz do
bem tangível ou do serviço adquirido por ele. Por esse
motivo, a partir da década de 1950 após a Guerra Mundial,
passou a haver preocupação com o controle da qualidade,
porém relacionada aos avanços na indústria bélica,
segundo o autor.
Shewhart, Feigenbaum, Deming, Juran, Crosby e Ishikawa
foram alguns nomes que se destacaram nesse contexto,
ficando conhecidos por gurus da qualidade, porque criaram
modelos, bases e metodologias para o controle da
qualidade, trazendo decisivas contribuições na construção
de processos de qualidade, principalmente no Japão e
Estados Unidos, o que posteriormente serviu de referência
a outros países.
Em pesquisa realizada por Davok e Spudeit (2016), cinco
metodologias para controle e gestão da qualidade se
destacam ao uso e aplicação em unidades de informação
na promoção de serviços de informação: normas da ISO,
Programa 5S, PDCA, ServQual e Balanced Scorecard são
medidas e técnicas que podem ser usadas nas unidades de
informação, desde que contextualizadas com a missão e
demandas de cada instituição, apresentadas a seguir:

2.1 NORMAS ISO
A International Organization for Standardization (ISO) foi
criada em 23 de fevereiro de 1947 em Genebra, na Suíça.
Iniciou-se a partir das normas militares e hoje está
presente em 161 países; no Brasil, é representada pela
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011,
p.39). A sigla “ISO" foi originada da palavra isonomia,

�sinônimo de igualdade, cujo objetivo é a padronização do
gerenciamento do sistema da qualidade, visando a sua
unificação de forma universal. Sua função é promover a
normatização de produtos e serviços, a fim de que a
qualidade daqueles seja permanentemente melhorada.
Com o advento do século XX, a gestão da qualidade se
torna importante a todos os tipos de organizações,
independente da sua razão de ser: provedoras de bens,
produtos e serviços, o que inclui também as unidades de
informação, hospitais, universidades, bibliotecas, etc.
Há diferentes tipos de normas em variadas áreas, tais
como na de linguística, informática, meio ambiente,
engenharia, gestão, etc. Nesse capítulo focaremos na ISO
9000 e a 11620, que têm relação direta com a qualidade
na prestação de serviços de informação.
Publicada em 1987, a ISO 9000 preocupa-se com o
estabelecimento de um modelo de gestão voltado à
qualidade, não com o controle da qualidade da forma como
sempre foi realizado em momentos específicos do processo
de produção. Procura introduzir essa preocupação desde o
processo inicial de planejamento à entrega final do produto
ao cliente, buscando torná-la sistemática, uma presença
viva na organização, que influencie o comportamento de
todos. (VERGUEIRO, 2002, p.17).

A série de normas ISO 9000 é formada por um conjunto
de diretrizes internacionais que norteiam os sistemas de
gestão da qualidade, fornecendo às organizações um
modelo a seguir, independente do porte, foco ou ramo de
negócios. Desde que foram criadas, na década de 80,
essas normas estão sendo adaptadas ao contexto social e
organizacional para fornecer as ferramentas necessárias à
certificação das instituições. Entretanto, não foi dentro das
empresas que as normas surgiram. Conforme explicado
por Hartmann (1998, p. 257):
As forças armadas de diversos países são a origem da ISO,
justificada pela necessidade de se estabelecer critérios aos
métodos em processos de garantia e melhoria contínua da
qualidade em todas as etapas produtivas dos fornecedores.

�Foi na década de 80 que as grandes empresas
perceberam essa necessidade de certificação, buscando
padrões para garantir a conformidade entre seus serviços e
produtos; por isso foi criado esse conjunto de normas que
compõem a série 9000. No Brasil, a agência certificadora é
a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
composta por comitês brasileiros que elaboram os projetos
de normas e os colocam em consulta pública para,
posteriormente, elaborar a versão definitiva a vigor.
Mello et al (2009, p.3) explicam que desde a primeira
edição das normas da série 9000, em 1987, elas já
sofreram diversas mudanças estruturais aplicadas na
versão de 1994 e depois atualizada em 2000, porém, “[...]
a ISO sempre tomou o cuidado de manter os requisitos
essenciais da versão anterior das normas”.
Em 2008, houve novamente a atualização das normas,
quando foram mantidas quatro normas primárias: ISO
9000: Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e
vocabulário; ISO 9001: Sistemas de gestão da qualidade –
Requisitos; ISO 9004: Sistemas de gestão da qualidade –
Diretrizes para melhoria de desempenho; e ISO 19011:
Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão da
qualidade e/ou ambiental.
A ISO 9001, muito usada nas organizações, compreende
os requisitos dos sistemas de gestão da qualidade. Mello et
al (2009, p. 5) explicam que “É a norma para fins
contratuais usada para avaliar a capacidade de uma
organização em atingir os requisitos dos clientes e os
regulamentares aplicáveis para, assim, satisfazer esses
clientes”.
A ABNT NBR ISO 9001 foi elaborada pelo Comitê
Brasileiro de Qualidade (ABNT/CB-25), sendo idêntica a
ISO 9001:2008 em conteúdo técnico, estrutura e redação.
A referida norma apresenta a abordagem de processo,
relação com a NBR ISO 9004, compatibilidade com outros
sistemas de gestão, escopo, generalidades, aplicação,
termos e definições, requisitos gerais e de documentação,

�responsabilidades da direção, gestão de recursos,
realização do produto, medição, análise e melhoria.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008).
O conjunto de normas ISO, série 9000, define um sistema
de gestão e orienta a implantação de processos de trabalho
com vistas à melhoria e garantia da qualidade de produtos
e serviços.
De acordo com a NBR ISO 9004:2000, a aplicação dos
princípios de gestão da qualidade não somente provê
benefícios diretos à organização, mas também contribui ao
desempenho global da organização, incluindo gestão de
benefícios, custos e riscos que são aspectos importantes
aos clientes e a outras partes interessadas. (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 2).
Nas unidades de informação é comum encontrar trabalhos
contendo relatos da aplicação da norma ISO 9000 e da ISO
11620. A série de Normas ISO 9000:2000 prevê uma
utilização que envolva todas as áreas das instituições, mas
não é uma norma específica da área de Biblioteconomia.
Porém, a Norma ISO 11620:2014 – Information and
documentation - Library performance indicators tem seu
foco nas bibliotecas.
A ISO 11620 apresenta requisitos aos indicadores de
desempenho em bibliotecas e orienta como implantá-los.
Faz parte da norma uma lista com as respectivas
descrições dos indicadores de desempenho. (Ver quadro
1).
Aspecto qualitativo
avaliado

ISO
11620

Descrição do
indicador

Dimensão

Tema

Atendimento dos
servidores

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Educação e cortesia dos
servidores

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Receptividade/disposição
de ajudar

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Eficiência

Pessoal de
apoio

Rapidez no atendimento

B.2.4.2

Satisfação dos

Eficiência

Pessoal de

�usuários
Conhecimento e
orientações dos
atendentes

B.3.3.2

Respostas corretas
dadas pelos
atendentes no auxílio
à pesquisa

Facilidade de encontrar
obras nas prateleiras

B.1.1.2

Disposição das
obras nas prateleiras

Número de livros
disponíveis

B.1.1.1

Variedade das obras
disponíveis

Condições de
infraestrutura

apoio
Eficiência

Pessoal de
apoio

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

Número de títulos
requeridos
disponíveis

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

B.1.1.1

Número de títulos
requeridos
disponíveis

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Acervo

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Conforto e
funcionalidade

Comunicação visual

B.1.1.3

Taxa de sucesso na
localização de obras

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Guarda volumes

B.2.4.2

Satisfação dos
usuários

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Serviços de acesso à
Internet

B.1.3.1.

Recursos,
acesso e
infraestrutura

Instalações

Empréstimos e
devolução livros

B.2.1.2

Acesso público a
estações de trabalho
por usuário
Empréstimos por
usuário

Utilização

Acervo

Capacidade de solução
de problemas

B.2.2.5

Atendimentos de
usuários em eventos
da biblioteca

Utilização

Acervo

Disponibilidade de
horário

B.2.2.1

Visitas à biblioteca
por universo

Utilização

Acesso

Consulta de acervo via
Internet

B.2.2.2

Percentual de
informações
requeridas por meio
dos sistemas
informatizados

Utilização

Acesso

Índice Geral de
Satisfação

B.2.4.2

Utilização

Geral

Satisfação dos
usuários

�Quadro 1 – Indicadores criados pela pesquisa interna
aos padrões sugeridos pela ISO 11620:2014

A ISO 11620:2014 fornece uma terminologia padronizada
dos indicadores de performance, além de descrições
sucintas da coleta e análise dos dados necessários. Alguns
pesquisadores da Ciência da Informação e bibliotecários
fizeram estudos focados no uso da ISO 11620 e da ISO
9000 em unidades de informação.
Rozados (2005) aborda aspectos de mensuração,
focalizando o uso de instrumentos de medição,
particularmente indicadores na avaliação de recursos de
informação, como as Normas Internacionais ISO 11620,
ISO 2098, o Projeto EQUINOX, além de um manual
publicado pela UNESCO.
Em outro estudo, Walter (2005) relata a experiência de
implantação da Norma ISO 9001:2000 – sistemas de
gestão da qualidade – requisitos na Biblioteca Ministro
Victor Nunes Leal, do Supremo Tribunal Federal,
descrevendo
os
requisitos
de
documentação
de
procedimentos, as alterações de rotinas e a padronização
do trabalho.
Por sua vez, Valls e Vergueiro (2006) apresentam uma
ampla revisão de literatura nacional e internacional,
focando na gestão da qualidade em serviços de informação
com base nas normas da série ISO 9000, descrevendo
várias experiências práticas e estudos teóricos que
analisam essa aplicação e demonstram, mesmo que de
forma genérica, como um processo de gestão da qualidade
pode ser conduzido.
A medição de desempenho em bibliotecas universitárias
por meio da ISO 11620 é o ponto central do trabalho de
Coletta e Rozenfeld (2007). Os autores apresentam
discussões sobre indicadores de desempenho para
bibliotecas universitárias com base na ISO 11620, porem é
importante lembrar que a implantação de sistemas de
medidas, em qualquer tipo de unidade de informação e

�independente de qual metodologia é adotada, requer o
comprometimento da alta gerência.
Na mesma linha, Celere e Pirani (2011) relatam a
utilização de indicadores de desempenho propostos pela
norma ISO 11620 no uso da coleção e rapidez no
processamento técnico, na biblioteca da Faculdade de
Direito de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo
(USP), a ISO 11620, como toda forma de trabalho que
segue um padrão incorpora qualidade ao serviço
apresentado, justamente pelo padrão de igualdade de atos
e ações.
Assim, entende-se ser necessário que os gestores tenham
certeza do propósito da unidade de informação; para tal, é
necessário que a mesma esteja estruturalmente preparada
e que tenha uma cultura voltada a isso. Nas organizações
não lucrativas, como é o caso da maioria das bibliotecas, o
comprometimento de toda a equipe deve ser maior,
inclusive o apoio incondicional e definitivo da alta gerência.
Cabe ressaltar que, embora a norma seja abrangente a
todos os tipos de bibliotecas, nem todos os indicadores de
desempenho são aplicáveis a todas elas, devido à grande
diversidade de estilos de bibliotecas existentes, e estas
limitações estão também relacionadas à norma.

2.2 PROGRAMA 5S
O programa 5s teve sua origem no Japão, pós-segunda
guerra mundial, quando o país precisava combater o
desperdício. Sem recursos naturais e devido à necessidade
de reconstruir o país, em maio de 1950, o professor Kaoro
Ishikawa apresentou um projeto. (COSTA et al., 1996).
Esse projeto, que originou o programa, retomava a
prática milenar de princípios educacionais daquele país em
que os pais passavam ensinamentos à vida dos filhos.
Nesses ensinamentos era encontrada, basicamente,
higiene, segurança, bem estar, sensatez e respeito ao
próximo. (COSTA et al., 1996).

�O programa tem esse nome, porque trata de cinco
conceitos básicos e simples, porém fundamentais no
sistema da qualidade.
O Programa 5S originou-se das palavras japonesas
iniciadas com “S”, denominados como sensos, que
significam a faculdade de apreciar, de julgar, de sentir, que
são: seiri (utilização), seiton (organização), seisou
(limpeza), seiketsu (saúde) e shitsuke (autodisciplina).
(Ver quadro 2).
O programa 5S pode ser entendido como interligado,
formando um sistema com os cinco sensos. (LEONEL,
2011, p.5).
Organização
(Seiri)
Arrumação
(Seiton)
Limpeza
(Seiso)

Estabelecer critérios para eliminar o desnecessário e obedecê-los;
Adotar o gerenciamento pela estratificação para definir prioridades;
Tratar das causas da sujeira.
Ambiente de trabalho arrumado; Leiaute e arrumação eficientes
(incluindo qualidade e segurança); Aumento da produtividade
através da eliminação do tempo gasto procurando coisas.
Grau de limpeza compatível com suas necessidades. Eliminação total
do lixo e da sujeira; Descobrir pequenos problemas, através de
inspeções de limpeza; Compreender que limpeza é inspeção.

Padronização Padrões de gerenciamento para manutenção dos 5S’s;
Gerenciamento visual inovador, para revelar anormalidades
(Seiketsu)
Disciplina
(Shitsuke)

Participação total no desenvolvimento de bons hábitos e locais de
trabalho que sigam as regras; Comunicação e feedback como rotinas
diárias

Quadro 2-Palavras japonesas que deram origem ao
Programa 5S.
Fonte: Adaptado de Osada (1992, p.34 e 35).

O Programa 5S busca a eliminação do desperdício (tudo
aquilo que gera custo extra), conforme explicam Costa et
al. (1996).
Silva (1999) expõe que, no Brasil, a partir de maio de
1991, o programa se desenvolveu nas organizações devido
à necessidade de sobrevivência e competitividade, aliada à
melhoria da qualidade de vida de seus colaboradores.

�As instituições passaram a utilizar o programa na busca
pela melhoria da qualidade que, naquele período, já estava
se tornando uma preocupação, que se perpetuou e
continua permanente nas instituições. A implantação de
uma metodologia 5S é tratada como ponto de partida no
gerenciamento, em busca da qualidade e produtividade.
Na literatura especializada da área, é possível encontrar
relatos de experiências de diferentes tipos de unidades de
informação que implementaram a metodologia 5S
conforme o caso de Vanti (1999), Rebello (2005), João,
Amaral e Prado (2013).
Vanti (1999) apresenta um estudo voltado à aplicação do
Programa 5S na Biblioteca da Faculdade de Veterinária da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A
autora explicou que houve uma capacitação dos
funcionários sobre o Programa e feito um diagnóstico da
unidade de informação, a fim de serem traçadas as
melhorias de acordo com a filosofia japonesa proposta pelo
Programa.
A aplicação do 5S, associado a um estilo participativo de
gestão, é encontrar soluções originais aos problemas mais
urgentes num contexto de recursos escassos. Conseguiuse alcançar uma substancial melhoria na prestação dos
serviços e criar um clima de confiança, autodisciplina e
responsabilidade, que resultaram em um ambiente de
qualidade no local de trabalho. Percebeu-se um aumento
na motivação e coesão grupal, conscientização dos
integrantes da equipe, o despertar da alegria, maior
interesse e boa vontade no desempenho das diversas
tarefas, conforme explica Vanti. (1999).
Rebello (2005) descreve a experiência da aplicação da
metodologia do Programa 5S no Serviço de Biblioteca e
Documentação Científica do Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo (SBDC-HU/USP) como
ferramenta à implantação de um programa de qualidade.
As estratégias usadas para a aplicação dos cinco sensos
(seleção, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina)

�tiveram como finalidade promover a mudança do
comportamento das pessoas e transformar o ambiente das
organizações. Em setembro de 1996 teve início a
implantação do Programa 5S no SBDC-HU/USP, a partir da
identificação das melhorias que poderiam ser inseridas ao
atestar a situação inicial da biblioteca, a fim de determinar
os principais problemas.
Como resultado, Rebello (2005) explica que o
desenvolvimento do Programa 5S criou um clima de
confiança e motivação entre os funcionários, o que resultou
em um ambiente de trabalho de qualidade, havendo gestão
participativa e delegação de “poderes”. Trouxe também a
prática de compartilhamento e produção de ideias, a
valorização do funcionário e o respeito mútuo entre eles.
Todos esses fatores permitiram maior interação e
mobilização em equipe, flexibilização da relação com o
chefe e maior determinação e ousadia na hora de decidir
algo importante. Devido à participação ativa de todos os
funcionários da biblioteca, o Programa 5S foi mantido e
tem obtido resultados visíveis e concretos na qualidade da
prestação de serviços nessa unidade de informação.
Em outra unidade de informação, João, Amaral e Prado
(2013) descrevem e analisam a implementação da
abordagem da qualidade por meio do Programa 5s numa
biblioteca universitária do Instituto de Física de São Carlos
(IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), que teve como
objetivo melhorar a qualidade de seus processos, produtos
e serviços.
Foi feita a análise dos resultados do Programa 5s na
unidade caso, no “antes” e no “depois” da implementação,
sendo assim possível identificar e analisar os benefícios, as
dificuldades e as melhores práticas da aplicação.
A identificação de melhorias do ambiente e de melhor
estruturação de seus processos de trabalho levou a
Biblioteca do IFSC - USP a criar um sistema de gestão
baseado nos critérios da qualidade, que trouxe mudanças
básicas e significativas como organização, limpeza,

�comportamento das pessoas e suas rotinas de trabalho. As
pessoas passaram a trabalhar de forma mais organizada e
a conservar melhor seus espaços de trabalho.
João, Amaral e Prado (2013) citam que essa
implementação possibilitou a redução de desperdícios,
criou mecanismos de padronização, limpeza e organização
das áreas de trabalho; consequentemente, melhor
prestação de serviços baseados em informação e o acesso
à informação aos usuários e, principalmente, as áreas
internas. O Programa 5s na unidade caso modificou o
cotidiano da Biblioteca IFSC-USP, melhorando processos,
produtos e serviços. O sucesso da implementação está
diretamente relacionado ao forte envolvimento da equipe
de trabalho e da administração da unidade caso, tornando
o processo de implementação mais suave.
Importante lembrar que o Programa 5s é um processo
que deve ser contínuo; desta maneira, a unidade de
informação possuirá ambiente adequado ao desempenho
sustentável em longo prazo, devendo ser visto como uma
mudança de cultura pelo reforço de bons hábitos. Portanto,
o programa 5S não pode ser inferido apenas ao arrumar,
ordenar e reutilizar, mas no desenvolvimento da qualidade
nas pessoas e da cultura organizacional.
No caso das bibliotecas, o programa 5s justifica-se, pois
sua aplicação nestes ambientes faz com que a unidade de
informação esteja em constante reavaliação, a fim de ser
mantido um espaço organizado, arrumado, limpo,
padronizado e disciplinado, mostrando-se agradável aos
seus usuários.

2.3 CICLO DE DEMING (PDCA)
O PDCA foi criado na década de 20 por Walter A. Shewart,
mas foi William Edward Deming, o “guru do gerenciamento
da qualidade”, quem disseminou seu uso no mundo todo. A
partir da década de 50, o ciclo PDCA passou a ser
conhecido também como “Ciclo Deming”. (DIB; SILVA,
2009, p. 55).

�Campos (2004) explica que, “PDCA” é a sigla das palavras
em inglês que designam cada etapa do ciclo: “Plan”,
planejar; “Do”, fazer ou agir; “Check”, checar ou verificar;
e “Action”, no sentido de corrigir ou agir de forma
corretiva.
O PDCA é considerado uma das primeiras ferramentas de
gestão da qualidade (ou ferramentas gerenciais) que
permite o controle do processo. É largamente utilizada por
corporações que desejam melhorar seu grau de gestão,
por meio do controle eficiente de processos e atividades
internas e externas, padronizando informações e
minimizando as chances de erros na tomada de decisões
importantes. (DEMING, 1990).
Importante ressaltar que, uma vez implantado, o PDCA
deve tornar-se uma constante dentro da empresa, um
verdadeiro círculo virtuoso, objetivando a melhoria
contínua.
É possível ver a aplicação do Ciclo de Deming em algumas
empresas e unidades de informação para melhorar a
qualidade dos serviços prestados.
Behr, Moro e Estabel (2008) defendem o uso de
diferentes ferramentas de gestão na avaliação da
qualidade dos serviços prestados por bibliotecas escolares,
citando alguns como brainstorming, diagrama de causa e
efeito, diagrama de Pareto, histograma, matriz de
priorização GUT, ciclo PDCA, fluxograma e 5W2H.
Apresentam ainda algumas situações de problemas e
dificuldades no âmbito da biblioteca escolar, exemplificadas
na utilização das ferramentas e a aplicação da junção de
três ferramentas (fluxograma, PDCA e 5W2H) para
avaliação dos serviços. As autoras enfatizam que o uso das
ferramentas propiciará aos usuários das bibliotecas um
espaço de convivência de aptidões intelectuais e
cognitivas, de cidadania e de acesso à informação para
todos, através da qualidade dos serviços prestados,
avaliados em programas e ferramentas de qualidade em

�serviços de informação para todos.
Dib e Silva (2009) apresentam um relato para
desenvolvimento de equipes nas bibliotecas, privilegiando
a aprendizagem, a interação, o papel da liderança e
comunicação nesse processo. Dessa forma, elaborou-se
uma metodologia que valorizasse o capital humano por
meio do desenvolvimento de competências técnicas e
habilidades interpessoais.
A metodologia compõe-se de cinco etapas: diagnóstico,
planejamento, execução, avaliação e acompanhamento,
baseada no PDCA e sendo implementada na biblioteca de
Direito da Rede Sirius da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), trazendo excelentes resultados.
A partir de uma revisão nos conceitos de Gestão do
Conhecimento e na metodologia criada por Shewhart e
consolidada por Deming, Pacheco et al. (2014)elucidam,
por meio de algumas proposições, como essas
metodologias
se
complementam
na
criação
do
conhecimento organizacional. Os autores defendem que os
objetivos da Gestão do Conhecimento e da Gestão da
Qualidade são congruentes quanto à criação de
conhecimento organizacional como forma de possibilitar a
melhoria contínua. Sendo assim, isso pode ser aplicado em
unidades de informação, visto que esses ambientes
também têm importante contribuição na gestão do
conhecimento.
Para as unidades de informação, o uso do PDCA se torna
uma ferramenta de gerenciamento muito eficaz, pois
agrega melhorias em todas as etapas do seu
gerenciamento, iniciando pelo planejamento, seguindo pela
ação, perpassando a verificação e finalizando na ação. O
ciclo de melhorias é contínuo e deve ser retomado sempre.

2.4 ServQual
Trata-se de uma ferramenta usada na gestão da
qualidade no setor dos serviços. Também conhecido como

�Modelo das Cinco Lacunas ou Gaps, foi desenvolvido por
Parasuraman, Zeithaml e Berry, em 1985, e do qual
resultou em 1988 na elaboração da escala de mensuração
chamada ServQual, cuja intenção era identificar falhas
(gaps) entre o serviço esperado pelo cliente e o serviço
prestado ao cliente, ou seja, o cliente avalia a qualidade do
serviço, comparando o que espera com o que obteve.
Considera que a qualidade da prestação de um serviço é
um constructo subjetivo que resulta da comparação feita
pelo cliente entre o grau de serviço percebido
(“percepção”) e o de serviço esperado (“expectativa”).
Ainda, segundo Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985),
ServQual é uma ferramenta usada no marketing dos
serviços, que recorre a cinco dimensões-chave para
comparar as expectativas do cliente com a sua percepção
sobre a categoria do serviço efetivamente recebido. Esta
comparação permite uma “análise de discrepâncias”, não
só no ponto de entrega do serviço, mas em vários pontos
da sua concepção e produção.
Contudo, o ServQual não fornece por si só informação
suficiente para identificar e decidir fundamentadamente as
prioridades de melhoria da qualidade do serviço.
A metodologia ServQual é um modelo universal e pode
ser aplicado em qualquer organização de serviços,
possibilitando uma avaliação numérica da qualidade do
serviço oferecido pela empresa, destacando os pontos
fortes e fracos. (CÖNSOLI; MARTINELLI, 2001). Para o
método ServQual, consideram-se cinco dimensões, tais
como:
Confiabilidade: atende ao cliente conforme o
combinado, mantendo a precisão, a consistência e a
segurança.
Receptividade: envolve desde a velocidade até a
prontidão no atendimento ao cliente.
Tangibilidade: envolve desde evidências físicas no

�qual o serviço está inserido, bem como funcionários
e equipamentos.
Empatia: envolve o carisma, a cordialidade, o
cuidado e a atenção a cada cliente.
Segurança: basicamente, descreve a simplicidade e
segurança nos serviços prestados.
Essas dimensões do modelo ServQual são consideradas
importantes para que a satisfação dos clientes seja
alcançada. Segundo Cardoso (2004), o que influencia a
satisfação do cliente são atributos como preço, qualidade e
vantagens que o produto oferece. De maneira que, o modo
como o cliente organiza, na mente, a informação sobre a
qualidade pode ser representada pelas cinco dimensões da
qualidade.
O modelo ServQual é constituído por 22 itens que
compõem as cinco Dimensões ou Determinantes da
Qualidade e são realizadas em duas etapas: a) mensuração
das expectativas dos clientes; b) mensuração das
percepções dos clientes em relação ao serviço prestado.
Nas últimas duas décadas, pesquisadores em ciência da
informação têm investigado o valor dos serviços em
bibliotecas, de acordo com as percepções, expectativas e
necessidades dos usuários. Em algumas unidades de
informação é possível perceber como foi implementada a
ServQual para mensurar a qualidade dos serviços
prestados.
Freitas, Bolsanello e Viana (2008) fizeram uma avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária
baseados no modelo ServQual onde foi empregada essa
escala à avaliação da qualidade dos serviços prestados pela
biblioteca, permitindo a identificação das fraquezas/
potencialidades e os aspectos críticos que devem ser
priorizados na melhoria da qualidade dos serviços
prestados.
As autoras explicam que foi elaborado um modelo de

�questionário
autopreenchimento,
contendo
questões
fechadas e fundamentadas nas dimensões e itens do
modelo ServQual, sendo adaptado à natureza do serviço
avaliado e composto por duas partes com 22 itens cada. A
primeira parte visava à captação das expectativas (E) dos
usuários quanto ao serviço prestado por uma biblioteca
considerada “ideal” e, a segunda parte, as percepções
destes usuários quanto ao desempenho (P) dos serviços
prestados pela biblioteca.
Por meio desse questionário e da utilização do software
LibQUAL+ para organizar os dados, foi possível verificar os
pontos críticos e elencar as prioridades de melhorias nos
serviços prestados. O ServQual se mostra uma
metodologia simples e prática, contribuindo para auxiliar
gestores
e
administradores
na
avaliação
e
no
monitoramento da qualidade de serviços em ambientes
corporativos.
Em outro exemplo de aplicação, Figueiredo, Mergulhão e
Rubi (2014) avaliaram a qualidade dos serviços prestados
pela Biblioteca do campus de Sorocabada Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar), sob a ótica de seus
usuários, utilizando o ServQual, considerado um
instrumento de mensuração que contempla cinco
dimensões de qualidade: aspectos tangíveis, confiabilidade,
presteza, segurança e empatia.
O estudo constatou que, na biblioteca em estudo, as cinco
dimensões apresentaram gaps entre o esperado e o
percebido pelos usuários.Os autores enfatizam que essa
metodologia de avaliação da qualidade em serviços é uma
das mais difundidas na literatura e aplicada pelos
prestadores de serviços.
Sampaio (2004) teve como objetivo estruturar um
programa de avaliação continuada da qualidade dos
produtos e serviços oferecidos no âmbito do SIBi/USP, de
acordo com a percepção dos usuários. Em 2001, a
elaboração de um trabalho delineou uma proposta de
modelo de avaliação baseado no ServQual que, após

�aprovação pelos gerentes das diversas bibliotecas do
SIBi/USP, a proposta foi repassada aos autores do trabalho
que durante o ano de 2001 reavaliou alguns itens da
proposta e implementou o programa efetivamente.
As principais metas dessa equipe foram: desenvolver um
instrumento próprio de pesquisa e sua escala de
mensuração, implantar uma avaliação piloto, apresentar os
resultados para posterior validação e incorporação como
um processo gerencial no SIBi/USP. Para a coleta de
dados, adotaram dois instrumentos: questionários e
entrevistas aplicadas nas bibliotecas. Foram elaborados
cinco questionários diferentes, um para cada dimensão do
modelo ServQual. A entrevista foi o segundo instrumento
utilizado pelo PAQ e teve como objetivo fornecer subsídios
à análise dos questionários e auxiliar na divulgação do
programa, por meio de convite formal ao usuário para que
participasse da avaliação via Web. Foi observado que o
método qualitativo de coleta de dados se revelou
extremamente adequado à captação da opinião do usuário
em relação aos serviços oferecidos, proporcionando o
ajuste dos serviços e melhoria da qualidade percebida
pelos clientes.
Marques e Pierre (2014) analisaram a aplicação do
ServQual em uma biblioteca universitária para aferir as
expectativas e percepções dos clientes em relação aos
serviços prestados.
Para isso, foi desenvolvido um questionário fundamentado
nas dimensões e itens do modelo ServQual, sendo
adaptado à natureza do serviço avaliado e composto por
duas partes com 22 itens cada. A primeira parte visou
captar as “Expectativas” dos usuários quanto ao serviço
prestado por uma biblioteca considerada “ideal” e, a
segunda parte, as “Percepções” destes usuários quanto ao
desempenho da biblioteca da instituição. Pela análise foram
classificados os itens de acordo com o grau de prioridade
de ações corretivas e preventivas, pretendendo a melhoria
da qualidade do serviço prestado pela biblioteca, segundo

�Marques e Pierre (2014).
Importante ressaltar que ao usar o modelo ServQual na
avaliação das unidades de informação, as áreas
consideradas fracas podem ser localizadas e corrigidas. O
modelo aponta também as áreas fortes da Unidade de
informação, podendo ser usadas como vantagens
competitivas na estratégia de atuação.

2.5 BALANCED SCORECARD
O Balanced Scorecard(BSC) é uma prática gerencial
inicialmente criada para mensurar o desempenho
organizacional, passando a ser utilizada como ferramenta
na gestão e implementação de estratégias; originou-se nos
Estados Unidos e a metodologia rapidamente foi difundida,
sendo, atualmente, aplicada por empresas em todos os
continentes.
Em pesquisa conduzida pela consultoria Bain&amp;Company
(2003) sobre as práticas de gestão mais utilizadas no
Brasil e no mundo, o Balanced Scorecard parece sendo
utilizado por 51% das grandes empresas, um significativo
crescimento se comparado com a mesma pesquisa,
realizada no ano 2000, havendo30% de utilização.
Para que se compreenda o rápido avanço do Balanced
Scorecard enquanto prática de gestão, é importante
entender sua origem. Segundo Robert Kaplan, um dos
criadores, o método utilizado na sua concepção, chamado
de Innovation Action Management, é aquele em que o
pesquisador interage com o objeto pesquisado, não apenas
observando e documentando um fenômeno existente.
(KAPLAN; NORTON, 1997, p. 90). Para os autores:
O Balanced Scorecard traduz a missão e a estratégia em
objetivos e medidas, organizados segundo quatro
perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos
processos internos e do aprendizado e crescimento. O
“scorecard” cria uma estrutura, uma linguagem, para
comunicar a missão e a estratégia e indicadores para
informar os funcionários sobre os vetores do sucesso atual
e futuro. Ao articularem os resultados desejados pela

�empresa com os vetores desses resultados, os executivos
esperam canalizar as energias, as habilidades e os
conhecimentos específicos das pessoas na empresa inteira,
com o fim de alcançar as metas de longo prazo. (KAPLAN;
NORTON, 1997, p. 25).

Ochoa (2004) realizou uma análise sobre o impacto, nas
pessoas, dos modelos e das estratégias, assim como os
desafios de uma equipe frente à gestão da qualidade. A
autora destaca, como modelo de auto avaliação, o CAF1
(Estrutura Comum de Avaliação); metodologia, o Balanced
Scorecard, como norma que orienta as organizações na
implementação de sistemas gestão da qualidade, a ISO
9000.
No trabalho de Melo et al. (2007) foi utilizado o
instrumento benchmarking1com o objetivo de melhorar o
grau de qualidade dos serviços e produtos nas bibliotecas
estudadas. Tal instrumento foi implementado, sendo
associado a modelos de avaliação da qualidade, como a
CAF e o BSC, além de indicadores de desempenho.
Marques e Oliveira (2008) apresentam os processos
estratégicos que envolvem o Balanced Scorecard (BSC)
como
instrumento
de
vantagem
competitiva
às
organizações e sua aplicação às bibliotecas. Por meio de
uma pesquisa bibliográfica, as autoras demonstram que as
bibliotecas podem e devem utilizar o Balanced Scorecard
como ferramenta estratégica, preocupando-se também em
fazer uso das competências, tendo, assim um futuro
bastante promissor rumo ao sucesso.
Scardoelli e Souza (2013) também fizeram a aplicação da
ferramenta em uma biblioteca universitária para verificar
como o BSC pode auxiliar no planejamento e administração
de uma unidade de informação. Defendem que o BSC
agrega uma ferramenta gerencial que pode produzir
vantagem competitiva num ambiente organizacional.
Sugere-se
também
que
os
gestores/bibliotecários
aprimorem os seus conhecimentos sobre todas as
premissas da metodologia do Balanced Scorecard – BSC, a
fim de que seja percebido que essa ferramenta tem muito a

�oferecer como diferencial de gestão ao contexto da
biblioteca universitária, onde o objetivo é agregar valor aos
bibliotecários/gestores,
clientes/usuários
e
demais
stakeholders que interagem com os serviços e produtos
oferecidos pela biblioteca universitária. (SCARDOELLI;
SOUZA, 2013, p. 19).

As autoras explicam que o BSC tem pilares que podem
auxiliar os bibliotecários/administradores na gestão de uma
unidade de informação; a aplicabilidade da ferramenta BSC
(Balanced Scorecard) agrega o diferencial, pois detém
pilares auxiliadores às organizações que buscam a
excelência nas suas estratégias, para se firmarem no
segmento em que atuam e, paralelamente, buscando a
plena satisfação dos seus clientes.

3 CONSIDERAÇÕES
Ao analisar os modelos, verificou-se que a gestão de
qualidade colabora no planejamento e direção de unidades
de informação ao agregar significativo valor no que tange
aos serviços e produtos oferecidos aos interagentes.
Por meio da gestão da qualidade, buscam-se parâmetros
à melhoria das atividades e avanço das práticas gerenciais
implantadas nas unidades de informação.
É importante conhecer e usar metodologias e técnicas
para mensurar, avaliar e acompanhar a qualidade dos
serviços prestados em uma unidade de informação, desde
que sejam adaptadas a sua realidade e demandas. Desse
modo, torna-se necessário uma etapa fundamental em
todo processo, que é o planejamento em todas as fases
desenvolvidas desde o processo de implantação, de
avaliação e acompanhamento de sistemas automatizados.
Acredita-se que, assim, a unidade de informação será
beneficiada com a implementação de um programa de
gestão
da
qualidade.
Resultados
como
melhor
relacionamento no ambiente de trabalho, melhorias no
comportamento, comprometimento das pessoas, melhoria

�dos processos, satisfação, otimização de recursos em geral
e percepção do valor agregado aos serviços promovidos
pela unidade de informação poderão ser percebidos pelos
clientes e pelos funcionários da instituição.
As unidades de informação precisam se modificar
continuamente para acompanhar as transformações sociais
e inovações, sendo importante que a unidade de
informação consiga acompanhar os passos das teorias
administrativas aplicadas aos serviços de informação,
tendo em vista, sempre, a facilitação no atendimento ao
cliente.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.
História
da
normalização
brasileira.
Rio
de
Janeiro.2011.Disponível
em:
&lt;
http://www.abnt.org.br/images/pdf/historia-abnt.pdf&gt;.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR
ISO 9001:2000: Sistemas de gestão da qualidade –
requisitos. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.
Sistema de gestão da qualidade: requisitos. Rio de
Janeiro, set. 2008.
BAIN &amp; COMPANY. Management Tools.
Disponível em: &lt;http://www.bain.com&gt;..

Boston.

BARBALHO,
Célia
Regina
Simonetti.
Padrão
de
conformidade para unidade de informação: apresentação
do modelo inglês. Informação &amp; Informação. Londrina,
v. 2, n. 2, p. 47-54, jul./dez. 1997. Disponível em
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1
BEHR, Ariel; MORO, Eliane L. S.;Estabel, Lisandra Brasil.
Gestão da biblioteca escolar: metodologias, enfoques e
aplicação de ferramentas de gestão e serviços de
biblioteca. Ci. Inf., Brasília, v. 37, n. 2, p. 32-42,
maio/ago.
2008.
Disponível
em

�&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v37n2/a03v37n2.pdf&gt;
CARDOSO, F. A. R., NETO, A. C. Análise da qualidade no
setor de serviços segundo o método de avaliação
SERVQUAL. Tese de Doutorado. Curitiba: UFPR, 2004.
CARDOSO, Maria de Lourdes; MOREIRA, Paulo Roberto
Borghi; ROSA, Bruno Giordano. Gestão da qualidade em
serviços de informação. IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, Florianópolis, 2013. Anais eletrônico...
Disponível
em
&lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1624&gt;

CELERE, Milena; PIRANI, Rodrigo Bruneli. Indicadores de
desempenho: relato de experiência da Biblioteca da
Faculdade de Direito da USP, campus de Ribeirão Preto.
Bibl. Univ., Belo Horizonte, v.1, n.1, p. 81-90, jan./jun.
2011.
Disponível
em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/rbu/index.php/localhost/article/view/21/17
COLETTA, Teresinha das Graças; ROZENFELD, Henrique.
Indicadores de desempenho para bibliotecas universitárias:
definições e aplicações sob o ponto de vista da literatura.
Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte, v. 12, n. 3, Dez.
2007. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&amp;pid=S141399362007000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;.
CÖNSOLI, M. A.; MARTINELLI, D. P. Avaliação da qualidade
de
serviços:
um
caso.
In:
SEMINÁRIOS
EM
ADMINISTRAÇÃO FEA-USP, 5., 2001, São Paulo. Anais...
SEMEAD,
2001.
Disponível
em
&lt;www.ead.fea.usp.br/Semead/index.htm. Acesso em: 25
jul. 2016&gt;.
COSTA, R.M.C. et al. Como praticar o 5S na escola. 2
ed. Belo Horizonte: Líttera Maciel, 1996.
DAVOK, Delsi F.; SPUDEIT, Daniela. Relatório da
pesquisa Gestão da Qualidade em Unidades de
Informação. Florianópolis: UDESC, 2016. Material não

�publicado.
DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração.
São Paulo: Marques Saraiva, 1990.
DIB, Simone Faury; SILVA, Neusa Cardim. Competências
em unidades de informação: metodologia para o
desenvolvimento de equipes. Perspectivas em Ciência
da Informação, v.14, n.2 p. 17-29, maio. Ago. 2009.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v14n2/v14n2a03.pdf&gt;
FIGUEIREDO,
Coser; RUBI,

Rute

Aparecida;

MERGULHÃO,

Ricardo

FREITAS, André Luís Policani; BOLSANELLO, Franz Marx
Carvalho; VIANA, Nathália Ribeiro Nunes Gomes. Avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária:
um estudo de caso utilizando o modelo Servqual. Ci.
Inf.,Brasília, v. 37, n. 3, p. 88-102, set./dez. 2008.
Disponível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/ &gt;.
FREITAS, André Luís Policani; BOLSANELLO, Franz Marx
Carvalho; VIANA, Nathália Ribeiro Nunes Gomes. Avaliação
da qualidade de serviços de uma biblioteca universitária:
um estudo de caso utilizando o modelo Servqual. Ci. Inf.,
Brasília, v. 37, n. 3, p. 88-102, set./dez. 2008.
HARTMANN, Luiz Fernando. Gerenciamento total. 4. ed.
Lajeado: Grafocem, 1998.
JOÃO, Aline Cristina de ; AMARAL; Roniberto Morato do ;
PRADO, Ana Mara M. C. Abordagem da qualidade programa
5s aplicada a uma biblioteca: caso SBI-IFSC. IN:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO,
25,
Florianópolis
SC.
Anais
eletrônico...
Disponível
em
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1604&gt;.
KAPLAN, S R. NORTON P. D. A estratégia em
ação:balancedscorecard. 4 ed. Rio de Janeiro: Campus,
1997
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de

�marketing. 12.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
LEONEL, José Carlos Ribeiro da Rocha Pureza. O
programa 5S e Sua Aplicação em uma Fábrica de
Embalagens de Papel. Juiz de Fora: UFJF, 2011.
LONGO, Rose Mary Juliano. Gestão da Qualidade:
Evolução Histórica, conceitos básicos e aplicação na
educação. Brasília, 1996.

LONGO, R.M.J.; VERGUEIRO, W. Gestão da qualidade em
serviços de informação do setor público: características e
dificuldades para sua implantação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v.1, n.1,
p.39-59,
jul./dez.2003.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/28
Acesso em: 13 jul. 2016.
MARQUES, Daniel; PIERRE, Fernanda Cristina. qualidade
do serviço da biblioteca de uma instituição de aplicação do
modelo servqual para avaliar a ensino superior na região
de Botucatu. Tekhne e Logos, Botucatu, SP, v.5, n.2,
Dezembro, 2014
MARQUES, Edineide da Silva; OLIVEIRA, Maria Luiza
Alexandre de. Balancedscorecard: ferramenta estratégica e
competitiva aplicável às bibliotecas. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, Nova Série, São
Paulo, v.4, n.2, p. 105-115, jul./dez. 2008. Disponivel em
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/download/107/123&gt;
MELLO, Carlos Henrique et al. ISO 9001:2008: sistema
de gestão da qualidade para operações de produção e
serviços. São Paulo: Atlas, 2009.

MELO, Luiza Baptista [etall]. Reconhecer Boas Práticas
em Bibliotecas do Ensino Superior: projecto de
avaliação do desempenho de serviços de documentação
das Universidades do Porto, Lusíada.Disponível em:
&lt;http://bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/51
em: 08 ago. 2016.
OCHÔA, Paula. A redescoberta contínua da qualidade: uma

�reflexão sobre práticas e intervenção de uma equipa
(1996-2004). Cadernos BAD, 2004, vol. 2004, n. 2, pp.
19-32. Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/10404&gt;
OSADA, Takashi. Housekeeping, 5S’s: Seiri, Seiton,
Seiso, Seiketsu, Shitsuke. 3. ed. São Paulo: Instituto
IMAN, 1992.
PACHECO, Ana Paula Reusinget al. O ciclo PDCA na gestão
do conhecimento: uma abordagem sistêmica. IN:
CONGRESSO BRASILEIRO DE SISTEMAS, 10, São Paulo,
USP, out.2014. Anais eletrônico... Disponível em
&lt;http://www.isssbrasil.usp.br/isssbrasil/pdfs2/ana.pdf&gt;
PALADINI,Edson Pacheco. Gestão estratégica
qualidade.
Junho
2013.
Disponível
&lt;http://www.ngd.ufsc.br/files/2012/05/GEQ_TEXTO2013.pdf&gt;

da
em

PARASURAMAN, A; ZEITHAML, V.A.; BERRY, L.L. Problems
and
strategies
in
service
marketing.Journal
of
Marketing.,v. 49, n. 4, p.33-46, 1985.Disponível em
&lt;:http://areas.kenanlagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/Selected%20Publicati
Acesso em: 13 jul. 2016.
REBELLO, Maria Alice de França Rangel. Implantação do
Programa 5S para a conquista de um ambiente de
qualidade na biblioteca do Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo. Revista Digital de
Biblioteconomia &amp; Ciência da Informação ,v. 3, n. 1,
jul./dez. 2005.
ROZADOS, Helen Beatriz Frota. Uso de indicadores na
gestão de recursos de informação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação,Campinas,
v. 3, n. 1, p. 60-76, jul./dez. 2005.Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000007488HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000007488&amp;dd1=3f025"&amp;HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?

�dd0=0000007488&amp;dd1=3f025"dd1=3f025&gt;.
SAMPAIO, Maria Imaculada Cardoso et al. PAQ – Programa
de avaliação da qualidade de produtos e serviços de
informação: uma experiência no SIBi/USP. Ci. Inf.,
Brasília, v. 33, n. 1, p. 142-148, jan./abril 2004. Disponível
em:&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013&amp;dd1=8d067"&amp;HYPERLINK
"http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000001013&amp;dd1=8d067"dd1=8d067&gt;.

SCARDOELLI, LudmillaA. ; SOUZA, Marta Alves de. A
aplicabilidade da ferramenta Balanced Scorecard – BSC em
uma biblioteca universitária. Múltiplos Olhares em
Ciência da Informação, v.3, n.1, mar.2013. Disponível
em
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/viewFil
SILVA, Catarina de Fátima da. Melhoria da qualidade em
serviços: uma aplicação em hotéis. 1999. 121f.
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa
Catarina,
Florianópolis,
1999.Disponível
em
:
&lt;http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0135.PDF
Acesso em: 26 jul. 2016&gt;.
SPENDOLINI, M. J. Benchmarking. São Paulo: Makron
Books, 1994.
VALLS, Valéria Martin; VERGUEIRO, Waldomiro de Castro
Santos. A Gestão da Qualidade em Serviços de Informação
no Brasil: uma revisão de literatura, de 1997 a 2006.
Perspectivas em Ciência da Informação, v. 11, n. 1,
2006.
Disponível
em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000003783&amp;dd1=32f2f&gt;.
VANTI, Nadia. Ambiente de qualidade em uma Biblioteca
Universitária: aplicação do 5S e de um estilo participativo

�de administração. Perspect. cienc. inf., Belo Horizonte, v.
4, n. 2, p. 231 - 242, jul./dez.1999. Disponível em
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/570
VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação.
São Paulo: Arte e Ciência, 2002.
WALTER, Maria Tereza Machado Teles. Implantação da
Norma ISO 9001:2000 na Biblioteca Ministro Victor Nunes
Leal do Supremo Tribunal Federal. Ciência da
Informação, Brasília, v. 34, n. 1, 2005. Disponível em
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?
dd0=0000003148&amp;dd1=16e05&gt;

�4 - AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS
DE INFORMAÇÃO
Ana Maria Pereira

1. INTRODUÇÃO

Discorrer sobre o tema avaliação é uma “terra fértil”
para todas as áreas do conhecimento, seja abordando o
tema a partir da taxionomia da área, ou a partir de sua
trajetória prática que conduz à tomada de decisão em uma
Unidade de Informação (UI).
Segundo Kraemer (2005, p.3) o termo avaliação vem do
“latima + valere, e significa atribuir valor e mérito ao
objeto em estudo. Portanto, avaliar é atribuir um juízo de
valor sobre a propriedade de um processo para a aferição
da qualidade do seu resultado [...]”.
Assim, a avaliação tem como foco o valor e o mérito de
um determinado processo, sejam de serviços, produtos ou
outro objeto pesquisado, utilizado como um valioso
instrumento deste processo. O que não pode ser esquecido
é que avaliar é se propor a pensar sempre no próximo, em
lhe proporcionar o melhor atendimento com o máximo de
qualidade.
De acordo com o dicionário Houaiss (2009, p. 227) a
avaliação é “ato ou efeito de avaliar (-se). [...] verificação
que objetiva determinar a competência, o progresso etc.
de um profissional, aluno, etc.” Enquanto que a avaliar
pode ser definido como “estabelecer a valia, o valor ou o
preço [...] apreciar o mérito, o valor de; estimar o valor
[...]”.
Quando avaliamos, atribuímos juízo de valor, mérito,

�estabelecemos critérios que determinam nosso julgamento.
Destaca-se que a palavra critério tem sua origem na
palavra grega kritérione no latim critério, definida por
muitos autores como “um padrão que serve de base para
que coisas e pessoas possam ser comparadas e julgadas”
(DICIONÁRIO MICHAELIS, 2016). Assim, neste texto a
palavra critérios será utilizada com base nesta definição,
apresentando sempre como critérios/padrões, sem
distinção.
Para que uma avaliação tenha mérito, antes de qualquer
iniciativa, deve-se atribuir critérios/padrões, definir
indicadores e focar nos resultados esperados, que devem
contribuir para as mudanças e transformações do objeto
avaliado.
Segundo Almeida (2005, p. 11):
A principal função da avaliação é produzir conhecimentos
relativos à unidade de informação, à organização em que
esta se situa e a seu ambiente, para servir de subsídio ao
planejamento tanto na fase de elaboração do plano,
programa ou projeto, quanto na fase de implementação das
ações. [...] No final do processo, permite comparar
resultados esperados e conseguidos, conhecer o nível de
satisfação do público-alvo e os efeitos do planejamento na
unidade de informação, na organização e no ambiente.

Ao discorrer sobre a avaliação e sua prática em UI,
verificamos que esta tem seu foco nos serviços e produtos
oferecidos pela instituição aos seus clientes/usuários1 reais
e potenciais. Destacamos, porém, que nosso foco está na
avaliação dos serviços e não dos produtos.

2. UNIDADES DE INFORMAÇÃO: DEFINIÇÃO,
FUNÇÕES E TIPOS
No contexto de avaliação de UI, é imprescindível a
compreensão das terminologias adotadas em sua definição.
Afinal, o que é uma UI? Qual (ais) os tipos? Qual (ais) são

�sua função? Quais serviços e produtos oferece? Porque e
para quem avaliar?
Uma UI pode ser considerada como um sistema
complexo, que tem como função atender às diversas
necessidades dos seus clientes/usuários, de acordo com
suas características e objetivos. Ao considerar uma UI
como um sistema complexo, não estamos nos referindo
necessariamente aos sistemas de informação somente em
sua estrutura tecnológica, mas em toda sua abrangência
cultural e social.
Segundo Barbosa e Franklin (2011, p. 95):
Conforme propugna a TGA, as unidades documentárias e
de informação são sistemas integrados, constituídos com o
fim de cumprir a missão de prover a sociedade com
informação útil – científica, técnica, cultural, factual,
corporativa etc. – sempre priorizando a informação que
promove conhecimento, ou seja, aquela informação que
mobiliza a estrutura mental do sujeito e modifica seu
estado cognitivo – passando (o sujeito) de alguém que não
sabia sobre um determinado evento e, agora, passa a
sabê-lo.

Barbosa e Franklin (2011) se fundamentaram na Teoria
Geral da Administração (TGA) para apresentar a definição
sobre uma UI.
Compreendemos que, atualmente, uma UI que está
adequada às necessidades dos seus clientes/usuários deve
ser um sistema que possua interface com as Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC). No entanto, é
importante destacar que a UI existe desde a antiguidade,
cumprindo seu papel de atender às necessidades dos seus
clientes/usuários, nessa época as TIC ainda eram um
“sonho” possível somente para alguns estudiosos à frente
de seu tempo.
Romani e Borszcz (2006, p. 12) comparam a UI como
uma rede de informações e as consideram como “[...] um
conjunto de unidades de informações, que agrupam
pessoas e/ou organismos com as mesmas finalidades,

�onde a troca de informações é feita de maneira organizada
e regular, por meio de padronização e compartilhamento
de tarefas e recursos”.
As UI como “conjuntos de unidades de informação”
podem ser compreendidas como um complexo sistema
constituído de dados, informação disponíveis em diversos
suportes informacionais – tradicionais ou digitais, de
acordo com as características e tipos de cada instituição
onde está inserida. Devemos considerar sempre que a UI
precisa estar a serviço de seus clientes/usuários, voltada
sempre para atender às suas necessidades.
Segundo Tarapanoff, Araújo Júnior e Cormier (2000, p.
91):
As unidades de informação (bibliotecas, centros e sistemas
de informação e de documentação) foram e são,
tradicionalmente, organizações sociais sem fins lucrativos,
cuja característica como unidade de negócio é a prestação
de serviços, para os indivíduos e a sociedade, de forma
tangível (produtos impressos), ou intangível (prestação de
serviços personalizados, pessoais, e hoje, cada vez mais,
de forma virtual – em linha, pela Internet).

Normalmente, a literatura da área apresenta as
bibliotecas, os museus, e centros de documentação como
UI. Romani e Borszcz (2006, p. 14) acrescentam além das
bibliotecas as “[...] salas de leitura, e os Núcleos de
Informação Tecnológicos[...]”. No entanto, a partir do novo
contexto social e tecnológico, os tipos de UI tornam-se
mais abrangentes, visto que podem ser considerados como
UI todo e qualquer espaço físico ou um ambiente digital
e/ou virtual que constituem uma organização ou setor
desta, responsáveis por ofertar produtos e serviços de
informação, que agregue informações, itens documentários
(independentemente do tipo de suporte) com finalidade de
atender às necessidades dos seus clientes/usuários.
Assim, uma UI pode ser considerada como um complexo
sistema de informação, uma vez que possui características
diferentes e de grande complexidade. Essas características
e suas especificidades estão relacionadas ao seu tipo, pois

�uma UI como um sistema de informação consiste em um
complexo fluxo informacional com diferentes propósitos,
direcionados a diferentes públicos. Uma das diferenças das
UI está intrinsecamente relacionada ao serviço que ela
presta à comunidade, bem como seu papel social e sua
interação com o público real e em potencial.

3. SERVIÇOS E PRODUTOS DE INFORMAÇÃO
EM UI
Os serviços de informação compreendem as atividades
desenvolvidas pela UI, os benefícios que devem
proporcionar uma satisfação aos seus clientes/usuários e
são essencialmente intangíveis, tendo em vista que
materializar os serviços prestados é uma tarefa complexa.
A literatura apresenta algumas características que definem
os serviços de informação.
De acordo com N. Dholakia, Mundorf e R. Dholakia
(1997), os serviços de informação apresentam as
seguintes características: Intangibilidade – não apresenta
materialização; a Volatilidade – não “deixa vestígios” após
sua utilização; Uso intensivo da tecnologia – atual contexto
informacional, não há como as UI se isentarem do uso
destas
ferramentas;
Prestação
de
serviços
Inter
organizacionais– as organizações trabalham em parcerias
e/ou cooperatividade de forma interdisciplinar com vistas a
atender às necessidades dos seus clientes/usuários. Os
autores incluem a estas características a interatividade –
necessidade de interação entre os clientes/usuários e o
caráter externo da rede – útil na difusão e disseminação
dos serviços prestados pela UI.
Assim, ao se pensar os serviços de forma mais ampla,
voltados diretamente aos clientes/usuários, segundo
Gianesi e Corrêa (2009), Corrêa e Caon (2002), Santos
(2000) e Passos et. al. (2013) entre outros, identifica-se
que os serviços em toda e qualquer organização e/ou UI

�são produzidos e consumidos simultaneamente e não
necessitam da presença do cliente/usuário para serem
produzidos. Verifica-se, assim, o consenso de que os
serviços são intangíveis.
Para compreender a intangibilidade dos serviços de
informação faz-se necessária a distinção entre serviços e
produtos, pois ambos podem ser considerados resultados
de todo processo de gestão informacional.
Segundo Borges (2007, p.116):
Além de serem instrumentos para disseminação de
informação, os serviços e produtos em questão podem ser
considerados como o resultado de todo o processo de
gestão de informação, pois falar deles leva-nos a falar das
necessidades e do uso que o usuário faz da informação,
bem como das fontes disponíveis para o acesso à
informação.

O mesmo autor aborda essa diferença destacando ambos
como instrumentos de disseminação da informação, no
entanto, no atual contexto tecnológico e social os serviços
e produtos têm suas diferenças que vão além da sua
função de disseminar a informação, visto que os
clientes/usuários passaram também a interagir em todo o
processo de construção, tratamento, recuperação e uso da
informação.
Vergueiro (2002) apresenta as principais diferenças entre
serviços e produtos de forma sintetizada no Quadro 1,
exposto a seguir.
PRODUTO

SERVIÇO

O cliente recebe um produto tangível na forma de
bens que podem ser vistos e tocados.

O cliente recebe um serviço
intangível que pode satisfazê-lo ou
não.

Os bens permanecem com o cliente.

Os serviços são consumidos no
momento de seu fornecimento.

A produção e entrega de bens são normalmente
separados.

A produção, entrega e consumo
dos serviços ocorrem
frequentemente ao mesmo tempo.

Poucos produtores têm contato com os clientes.

A maioria dos produtores tem

�contato com os clientes.
O cliente raramente se envolve na produção.

O cliente é frequentemente
envolvido nos serviços.

Os bens podem ser objetos de serviço posterior de
conserto e reparação.

Os serviços já foram consumidos
e não podem ser reparados.

Os bens podem ser objetos de garantia, mas o
produtor tem maior oportunidade para atenuar os
efeitos no cliente e assim diminuir a penalidade
financeira.

É difícil desfazer os serviços que
não atendem aos requisitos – o
impacto financeiro é normalmente
total.

Os bens podem ser comprados para ser
armazenados de modo a satisfazer às necessidades
do cliente.

Os serviços não podem ser
armazenados, mas podem ainda
estar disponíveis para a demanda
do cliente.

Os bens podem ser transportados para o ponto de
vendas.

Alguns serviços são
transportados, mas a maioria
requer o transporte do provedor do
serviço.

É relativamente fácil para os clientes avaliar a
qualidade de bens.

A qualidade do serviço depende
mais da percepção subjetiva e da
expectativa.

Com frequência, os bens são tecnicamente
complexos – o cliente sente-se mais dependente do
produtor.

Os serviços parecem menos
complexos – o cliente sente-se
qualificado para argumentar com o
fornecedor.

Quadro 1 – Diferenças entre Produtos e Serviços.
Fonte: Vergueiro (2002, p. 38).

A diferença entre produtos e serviços apresentada por
Vergueiro
(2002)
possui
algumas
características
apresentadas por Milet (1997), abordadas a seguir, no
Quadro 2.
SERVIÇOS
Serviços têm um forte componente intangível. No entanto, todos os serviços têm
algum aspecto tangível, importante em seu custo final.

Serviços são heterogêneos – são prestados de maneiras diferentes por pessoas
diferentes.

A pessoa que presta serviço faz parte do próprio serviço.

�Não se pode separar a produção do consumo.

Serviços não são passíveis de uma inspeção final antes da entrega.

Serviços não são estocáveis.

Serviços não são “Devolvíeis”.

Serviços não são transportáveis.

Quadro 2 – Descrições que determinam as diferenças
entre Serviços e Produtos.
Fonte: Elaborado pela autora com base em Milet (1997,
p. 190-192).

Através da identificação destas diferenças, por Vergueiro
(2002) e Milet (1997), é possível compreender o papel dos
clientes/usuários como foco de todo o processo que
envolve os serviços de uma unidade de UI. Mais
precisamente quando Vergueiro (2002, p. 38) identifica
que: “o cliente é frequentemente envolvido nos serviços” e
que “[...] o cliente sente-se qualificado para argumentar
com o fornecedor”.
Essas são as características do novo perfil dos
clientes/usuários: se envolver nos serviços, argumentar e
exigir melhorias e mudanças na forma que os serviços são
prestados. Em toda e qualquer organização e nas UI tal
postura é similar. No entanto, verifica-se que essa postura
de exigências nas UI ainda estão acontecendo de forma
mais lenta e gradual, devido à própria natureza dos
serviços e produtos por elas oferecidos.
Para Milet (1997) o fornecedor de um serviço e seu
cliente/usuário são partes do mesmo ciclo de serviço, uma
vez que interagem entre si. A Figura 1, a seguir demonstra

�a visão desse autor, onde a letra C está relacionada ao
termo cliente e F ao fornecedor.

Figura 1 –Conceito de processo para Serviços.
Fonte: Milet (1997, p. 193).

Compreender os serviços de informação como um
processo nos possibilita vislumbrar possíveis mudanças na
caracterização dos serviços prestados, com base na
produção e recepção destes mesmos serviços. O
profissional da informação é produtor e receptor dos
serviços da UI em que está inserido, desta forma, colocarse no lugar do seu cliente/usuário determina a qualidade
dos serviços por ele prestados.
Mesmo com o foco nos serviços de diversos tipos de UI,
acreditamos ser importante apresentar alguns serviços
prestados pelas bibliotecas, para que tenhamos uma visão
mais ampla sobre os diferentes serviços prestados nas
mais distintas UI. Duarte et. al. (2015) após uma excelente
revisão de literatura, elencam os principais serviços de
informação prestados por uma biblioteca, os quais são
descritos no Quadro 3.
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
1. Disseminação Seletiva da Informação – DSI

�2. Comutação Bibliográfica – COMUT

3. Rich Site Summary – RSS (para serviços na internet)

4. Apresentação de mostruários e exposições

5. Realização de eventos e campanhas

6. Divulgação na web

7. Serviços de sinalização

8. Serviço de disponibilização de salas individuais

9. Serviço que primam por acessibilidade

10. Levantamento bibliográfico

11. Pesquisa de opinião (enquetes, estudos, outros)

12. Respostas técnicas

13. Acesso público à internet

14. Alertas bibliográficos

15. Análise de ambientes

�16. Uso das redes sociais para divulgar informações

17. Blogs com informações úteis

18. Serviços de referência digital

19. Serviço de referência virtual

20. Pergunta ao bibliotecário

21. Referência on-line

22. Perguntas frequentes

23. Formação de interagentes

24. Treinamentos específicos

25. Diretório de recursos eletrônicos

26. Base de dados

27. Assistência por telefone

28. Serviço de informação utilitária

29. Serviço de automação

�30. Serviço de atendimento aos deficientes visuais

31. Biblioterapia

Quadro 3 – Serviços de Informação em Bibliotecas.
Fonte: Duarte et. al. (2015, p. 613).

Verificamos que esses serviços fazem parte de uma
biblioteca híbrida, ou seja, conta com serviços realizados
no local físico em que está instalada (cidade, bairro,
estado, país de forma tradicional – localização geográfica),
bem como proporciona aos seus clientes/usuários serviços
que se utilizam da internet, em seus ambientes digitais e
virtuais. Segundo Garcez e Rados (2002, p. 47):
A biblioteca híbrida é designada para agregar diferentes
tecnologias, diferentes fontes, refletindo o estado que hoje
não é completamente digital, nem completamente
impresso, utilizando tecnologias disponíveis para unir, em
uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e
o digital).

Ao nos referirmos aos serviços prestados por uma UI que
ultrapassa os serviços prestados por uma biblioteca, um
museu ou centro de documentação, apresentamos uma
sistematização de alguns serviços de informação prestados
nas mais diversas UI, respeitando suas características e
público-alvo, utilizando para isso uma nuvem de tags,
exposta a seguir, na Figura 2.

�Figura 2– Serviços de Informação prestados em
Unidades de Informação.
Fonte: Elaborado pela autora (2016.)

A partir da identificação dessas diferenças entre os
produtos e serviços, destacamos que o foco está nos
serviços, assim é preciso que os profissionais da
informação compreendam que o processo de avaliação
destes serviços deve ser cíclico, sempre com foco no
cliente/usuário, identificando o que, por que, e para quem
devem avaliar a oferta de seus serviços.

4. AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE UI
Entre os vários questionamentos sobre a avaliação dos
serviços de informação de uma UI, estão: o que avaliar,
porque avaliar, para que avaliar, para quem avaliar e se
iniciamos a avaliação dos serviços a partir dos resultados
ou por meio dos problemas identificados em um
determinado serviço oferecido pela UI.

�Segundo Lancaster (2004, p. 8, grifo nosso), não há
consenso entre estudiosos e pesquisadores da área sobre a
definição de avaliação:
Para alguns, a avaliação é a aplicação do ‘método
científico’ para determinar, por exemplo, a qualidade do
desempenho de um programa. Outros já consideram a
avaliação como um processo que reúne dados
necessários para determinar a melhor estratégia para
obter, com mais probabilidade, um resultado almejado, e
como alocar os recursos de modo mais eficiente para esse
fim.

No entanto, é consenso na literatura que uma avaliação
seja denominada como mérito científico ou como processo,
que a avaliação deva ter mérito e valor, e que para isso é
necessário
atribuir
critérios/padrões,
atributos/características, definir indicadores e focar nos
resultados esperados, para que eles possam contribuir
para as mudanças e transformações do serviço avaliado,
proporcionando aos gestores a tomada de decisão. Para
que esse processo seja coeso, cíclico e contínuo, é
necessário proporcionar o feedback necessário aos seus
clientes/usuários e à sociedade em que atua.
Segundo o Dicionário Michaelis (2016) o termo atributo
pode ser definido como: “aquilo que é característica de
alguém ou alguma coisa”. No entanto, na literatura sobre
avaliação é comum encontrar os dois termos de forma
diferenciada. Porém, nesse estudo, o termo atributo será
sempre
apresentado
da
seguinte
forma:
atributos/características.
De acordo com o Joint Committee (1994, tradução e
adaptação nossa) avaliação é definida como um “processo
de deduzir a eficácia, eficiência, utilidade e relevância de
um serviço ou instalação”.
Assim, compreendemos que a avaliação é um processo
que
envolve
várias
etapas,
que,
em
conjunto,
proporcionam à UI o alcance dos resultados almejados, de
acordo com seu planejamento para auxiliar seus gestores e
colaboradores na tomada de decisão. Em concordância

�com Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), Slack (1993),
Milet (1997), Lancaster (2004), Almeida (2005), Davok
(2006), Gianesi e Corrêa (2009), Davok e Garcia (2014),
entre outros autores, identificamos na literatura que a
avaliação de serviços de uma UI deve abranger: mérito,
valor e a definição de indicadores que justifiquem seus
resultados e proporcionem a melhoria da qualidade dos
serviços prestados.
Segundo Davok e Garcia (2014, p. 20): “o valor está
relacionado ao quanto um objeto é necessário para seus
stakeholders, assim, quanto mais necessário for, maior
será o seu valor”. Para uma UI, o valor está relacionado à
necessidade de prestar serviços aos seus clientes/usuários
sempre visando à expectativa de direcionar suas atividades
com foco na satisfação deles.
Quanto ao mérito, segundo Davok (2006, p.95),“[...] diz
respeito ao uso eficaz e eficiente dos recursos para atender
a padrões de qualidade estabelecidos, isto é, um objeto é
meritório quando faz bem o que se propôs a fazer”. Nesse
contexto, os padrões de atendimento aos seus
clientes/usuários por meio da prestação de serviços são de
grande importância para a eficácia e eficiência dos serviços
prestados por uma UI.
Mas o que avaliar? Uma UI pode avaliar seus produtos,
bem como seus serviços, infraestrutura etc. No entanto,
reafirmamos que o foco deste estudo é a avaliação dos
serviços e não dos produtos. Assim, destacamos que a UI
deve responder às questões que envolvem o porquê e para
quem avaliar seus serviços prestados. Para isso é
necessário que a UI tenha dados e informações que
identifiquem os serviços prestados, o seu alcance e a
satisfação dos seus clientes/usuários.
A questão mais importante, muitas vezes, relegada em
último plano deve ser direcionada: para quem avaliar? A UI
deve avaliar seus serviços para a melhoria constante de
sua gestão (interna), assim como deve focar a avaliação
dos serviços para o atendimento às necessidades dos seus

�clientes/usuários (internos e externos), parafraseando a
máxima da Administração “o cliente/usuário tem sempre
razão”.
Para o processo de avaliação, a UI tanto pode partir da
proposição de um problema identificado em um dos seus
setores, bem como pode partir dos resultados dos serviços
oferecidos ou mesmo da necessidade de avaliar seus
produtos.
Assim, o processo de avaliação deve apresentar os
critérios/padrões, definir os indicadores reexaminando
constantemente a qualidade dos seus produtos e serviços,
adequando suas ofertas às expectativas da comunidade.
Para tanto, são vários os critérios/padrões definidos por
autores conceituados na literatura para a avaliação de
serviços de informação. O Quadro 4, a seguir, apresenta de
forma sistematizada os principais critérios/padrões
utilizados para avaliar um serviço de informação, definidos
por autores da área da Administração, e que podem ser
considerados adequados para avaliar os serviços de uma
UI.
CRITÉRIOS/PADRÕES

AUTORES

CRITÉRIOS
CONVERGENTES

Aspectos tangíveis
Confiabilidade
Presteza
Competência
Cortesia
Credibilidade

Milet (1997)

Segurança
Acessibilidade
Comunicação
Entendimento do cliente
Preço
Custo
Qualidade

Confiabilidade
Credibilidade

�Velocidade de entrega

Slack (1993)

Confiabilidade da entrega

Custo/preço

Flexibilidade

Acesso/acessibilidade

Confiabilidade

Tangíveis

Responsabilidade
Confiança

Velocidade de
atendimento do serviço

Parasuraman, Zeithaml e
Berry (1988)

Empatia
Tangíveis
Consistência
Velocidadede atendimento
Atendimento/atmosfera
Acesso
Custo

Gianesi e Corrêa (2009)

Tangíveis
Credibilidade/segurança
Competência
Flexibilidade

Quadro 4 – Critérios/Padrões para Avaliação de Serviços
de Informação.
Fonte: Elaborado pela autora (2016).

Identificamos
no
Quadro
4
que
há
alguns
critérios/padrões que são convergentes, ou seja, são
consenso entre os autores da área, entre eles podemos
citar a confiabilidade e a credibilidade que também
consideramos imprescindíveis no processo de avaliação de
uma UI.
De acordo com o Programa de Avaliação do Joint
Committee on Standards for Educational Evaluation (1994,
tradução e adaptação nossa), a avaliação deve conter
também como atributos/características fundamentais:
Identificação dos clientes/usuários: devem ser
identificados e envolvidos no processo de avaliação,
de acordo com suas necessidades.
Credibilidade do avaliador: o prestador de serviço

�que conduz a avaliação deve ser competente e
confiável, para que os resultados possam satisfazer
as necessidades dos seus clientes/usuários.
Abrangência e seleção da informação: a informação
coletada deve responder às questões da UI para
atender as diferentes necessidades e interesses dos
clientes/usuários.
Identificação
procedimentos
ser utilizados
avaliação para
de valor.

do
valor:
a
perspectiva,
os
e uso racional dos serviços devem
para interpretar os resultados da
que não haja dúvida no julgamento

Clareza do relatório: o relatório com os resultados
da avaliação deve descrever com precisão os
critérios/padrões adotados no processo de avaliação
considerando
seu
contexto,
propósitos,
procedimentos e resultados de modo que a
informação fornecida seja de fácil compreensão.
Disseminação dos resultados (relatórios): a
avaliação do relatório e seus resultados devem ser
divulgados se possível em tempo real aos seus
clientes/usuários.
Impacto da avaliação: a avaliação deve ser
planejada, bem conduzida. O avaliador deve dar
feedback aos seus clientes/usuários.
Após
definir
os
critérios/padrões
e
os
atributos/características, o prestador de serviços deve
definir os indicadores que, segundo Tocchetto e Pereira
(2004, p. 1), “[...] são medidas utilizadas para avaliar,
mostrar a situação e as tendências das condições de um
dado ambiente”. Ou seja, um indicador pode descrever e
representar um dado ou fenômeno, de acordo com o
ambiente e com as características da UI. De acordo com
Rodrigues, Pantaleão e Schuch ([200-?]):
Os indicadores são ferramentas centrais por permitirem um

�acompanhamento das principais variáveis de interesse da
empresa e por possibilitar o planejamento de ações visando
melhorias de desempenho. Medições são essenciais em
qualquer situação, pois explicitam problemas e facilitam a
tomada de ações de modo a resolvê-los. Muitas medições
são realizadas e decisões gerenciais são tomadas em
função destes elementos.

Ao realizar um estudo sistematizado sobre a definição do
termo indicador(es), verificamos que estes apresentam
como sinônimos: medidas de desempenho, padrões de
desempenho e medidas de performance.
Segundo Van Bellen (2002, p.5) o objetivo principal dos
indicadores “[...] é o de agregar e quantificar informações
de uma maneira que sua significância fique mais aparente.
Os indicadores simplificam as informações sobre
fenômenos complexos tentando melhorar com isso o
processo de comunicação”.
Destacamos que um indicador deve possibilitar a medição
sobre os critérios/padrões no processo de avaliação. Mas
antes esse indicador deve ser definido com clareza pelos
gestores da UI para que os resultados sejam confiáveis e
auxiliem a tomada de decisão sobre a melhoria dos seus
serviços prestados.
Segundo Rozados (2005, p. 62):
[...] indicadores nada mais são do que unidades que
permitem medir – caso de elementos quantitativos, ou
verificar – caso de elementos qualitativos, se estão sendo
alcançados os objetivos ou as mudanças previstas.
Também possibilitam conhecer melhor os avanços em
termos de resultados ou de impactos. Um indicador é,
portanto,
primordialmente,
uma
ferramenta
de
mensuração, utilizada para levantar aspectos quantitativos
e/ou qualitativos de um dado fenômeno, com vistas à
avaliação e a subsidiar a tomada de decisão.

Ao compreender a definição de indicadores proposta por
Rozados (2005), verificamos que são ferramentas
disponíveis para a UI avaliar seus serviços, pois a partir do
momento em que são definidos, direcionam os métodos e
metodologias que podem ser utilizados no processo de

�avaliação.
Entre os vários indicadores utilizados para a medição de
serviços e produtos podemos citar: “mensurabilidade;
operacionalidade;
inteligibilidade;
homogeneidade;
permissão para distinguir o que falta para melhorar; e
respeito às propriedades das escalas”(NASCIMENTO et. al.,
2011, p.376).
Para Nascimento et. al. (2011), um indicador é
mensurável quando representa o valor que o gestor deseja
monitorar e não a medida mais fácil associada ao nome do
indicador; e é operacional quando é possível mensurar sua
propriedade. Por ser intangível, deve permitir a todos os
clientes/usuários e gestores o entendimento dos níveis
estabelecidos. Sua homogeneidade deve proporcionar a
análise das possíveis ocorrências das mesmas propriedades
do contexto analisado. Permite distinguir o que é preciso
melhorar em todos os níveis, de acordo com o seu
contexto de serviços ofertados. Por fim, um indicador deve
respeitar as propriedades das escalas, seus níveis, a ordem
desses níveis e suas diferenças.
A partir das considerações abordadas sobre a necessidade
de definir indicadores para a medição dos serviços de
informação, destacamos que cada UI deve, a partir da
identificação de suas necessidades, estabelecer seus
indicadores com vistas a propor melhorias dos seus
serviços aos seus clientes/usuários, bem como a toda
comunidade e sociedade.
Ao estabelecer os indicadores deve-se considerar os
métodos e metodologias a serem utilizados para buscar os
resultados desejados.

5. MÉTODOS E METODOLOGIAS PARA
AVALIAÇÃO
A partir da decisão de iniciar um processo de avaliação de

�uma UI, o gestor deve considerar qual método ou
metodologia deverá adotar como ferramenta de auxílio na
aplicação dos indicadores que resultem na medição dos
seus serviços em prol da obtenção de resultados mais
confiáveis.
Quanto às metodologias, estas podem ser qualitativa,
quantitativa e pluralista. Segundo Almeida (2005, p. 28):
Quantitativa: utiliza metodologias baseadas na estatística e
na experimentação controlada, dá ênfase à mensuração e
quantifica metas e resultados, programa ou ação, mas que
também qualifique decisões, processos, resultados e
impactos sociais. Qualitativa: utiliza metodologias apoiadas
na sociologia, na antropologia ou na história oral e sua
ênfase recai nos agentes e nos processos. Pluralista: um
tipo
de
avaliação
que
não
apenas
mensure
quantitativamente benefícios ou malefícios de um programa
ou ação, mas que também qualifique decisões, processos,
resultados e impactos sociais.

Verifica-se que as metodologias utilizadas para a
avaliação de uma UI, são abrangentes e podem ser
aplicadas em qualquer tipo de UI, desde que respeite as
suas características e apresente dados confiáveis e
resultados precisos. De acordo com Almeida (2005), a
avaliação pluralista tem como foco a avaliação qualitativa e
a quantitativa, dessa forma, entendemos que essa
abordagem metodológica tem por finalidade ampliar os
resultados da avaliação proposta.
No entanto, é necessário compreender que as abordagens
das metodologias quantitativas e qualitativas podem
apresentar vantagens e desvantagens para o processo de
avaliação, conforme apresentadas nos Quadros 5 e 6.
ABORDAGEM
QUANTITATIVA

ABORDAGEM QUALITATIVA

Possibilita a análise direta
dos dados.
Tem força demonstrativa.
Permite generalização pela
representatividade.
Permite inferência para
outros contextos.

Permite interação.
Leva em conta a subjetividade dos
sujeitos.
Permite compreender a dinâmica interna
de programas e atividades.
Permite compreender múltiplos aspectos
de programas e serviços.

�Permite avaliar resultados difusos e não
específicos

Quadro 5 – Vantagens da Avaliação Quantitativa e da
Qualitativa.
Fonte: Adaptado de Almeida (2005,p. 20-30).
ABORDAGEM QUANTITATIVA
O significado é sempre
sacrificado em detrimento do
rigor matemático exigido pela
análise.
Não permite análise das
relações.

ABORDAGEM QUALITATIVA
Os resultados podem ser considerados
como verdade absoluta. Pode conduzir
a uma excessiva coleta de dados.
Depende de uma capacidade maior de
análise por parte do avaliador.
Exige maior uso do recurso tempo.

Quadro 6 – Desvantagens da Avaliação Quantitativa e da
Qualitativa.
Fonte: Adaptado de Almeida (2005, p. 20-30).

Ao identificar as vantagens e desvantagens da avaliação
quantitativa e da qualitativa, é preciso compreender que
um processo de avaliação só terá sucesso se envolver toda
a comunidade de clientes/usuários, e se o produtor se
colocar também como consumidor dos serviços prestados
na UI em que atua.
Quantos aos métodos, os mais utilizados são ServQual;
LibQual+; Método de Avaliação Contingencial (MAC);
Sensemaking; Balanced Scorecard (BSC); Benchmarking;
Plan-Do-Check-Act – PDCA; entre outros. O Quadro 7
apresenta os referidos métodos e suas características.
MÉTODOS

AUTORES

ServQua

Parasuraman,
Zeithaml e
Berry (1985;
1988)

OBJETIVOS DOS MÉTODOS PROPOSTOS
O ServQual é um instrumento de avaliação flexível,
abrangente e genérico orientado para uma avaliação
macro do desempenho da biblioteca, não para avaliar
serviços específicos (WHITE e ABELS, 1995).

Igami
Sampaio e
Vergueiro
(2004)
LibQual+®

Melo e

O LibQual+® surgiu em 1999 e foi desenvolvido por

�Sampaio
(2010)
Lubisco
(2011)
Brito e
Vergueiro
(2012)

uma parceria entre a AssociationofResearchLibraries e
a Texas A&amp;M University, baseada no modelo ServQual.
O método LibQual+® tem como principal enfoque
apoiar os bibliotecários e gestores de informação a
conhecer a percepção dos utilizadores. O parecer dos
utilizadores é um dado fundamental para melhorar a
qualidade dos serviços prestados e identificar as
necessidades de informação dos
utentes(PARASURAMAN; ZEITHAML; BERRY, 1985).

Kiran e Diljit
(2012)
Balanced
Scorecard
(BSC)

Melo e
Sampaio
(2010)
Norton
(2002)

Método de
Avaliação
Contingencial
(MAC)

Benchmarking

Sensemaking

Plan-DoCheck-Act –
PDCA

Oliveira e
Coelho (2007)
Melo e
Sampaio
(2010)
Spendolini
(1993)

“[...] a origem do atual Balanced Scorecard - BSC foi a
experiência da General Eletric (GE), na década de
1950, a partir de um sistema de gerenciamento
semelhante ao Balanced Scorecard. Esse sistema de
planejamento e controle se constituía de sete
indicadores de performance divididos em perspectivas
financeiras, de clientes, internas e de recursos
humanos. Enfocava a lucratividade e produtividade no
curto prazo e o crescimento e liderança no longo prazo”
(NORTON, 2002, p.1 apud SCARDOELLI; SOUZA, 2013,
p. 3).
Método de Avaliação Contingencial (MAC) tem como
objetivo estimar a razão do Custo/Benefício e o
Balanced Scorecard (BSC).

Benchmarking é um processo contínuo e sistemático
para avaliar produtos, serviços e processo de trabalho
de organizações que são reconhecidas como
representantes das melhores práticas, com a finalidade
de melhoria organizacional.

Behr, Moro e
Estabel (2010)

O método Sensemaking é ummodelo que dispõe sua
abordagem de maneira a criar um movimento no
usuário do sistema, transformando dúvida em ação.

Nascimento
et. al.(2011)

Também conhecido como método gerencial descrito
pelas letras: PDCA, que significa, em seu idioma de
origem, PLAN-DO-CHECK-ACT, conhecido também
como Método de Melhorias PDCA, ciclo PDCA, ciclo de
Shewhart ou ciclo de Deming.

Quadro 7 – Métodos de Avaliação de Serviços em UI.
Fonte: Elaborado pela autora (2016).

A literatura apresenta outros métodos utilizados para a
avaliação de serviços de avaliação, no entanto, neste texto
focamos nos mais conhecidos, uma vez que se aplicam a
todo tipo de UI, com suas características e necessidades.
Todo esforço de uma UI em realizar a avaliação dos

�serviços prestados deve ser considerado como um valioso
mérito para a melhoria de suas atividades. Neste capítulo,
não foi aprofundado a qualidade dos serviços prestados por
uma UI, pois esse tema será abordado por outro autor
neste livro.
Assim, foram relacionadas somente as principais
informações que devem constar no processo de avaliação
de serviços de uma UI, com o propósito de proporcionar ao
leitor orientações básicas sobre o tema abordado.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desafio de abordar um tema tão amplo nos leva a
considerá-lo como um vasto campo do conhecimento a ser
explorado, com suas vertentes fundamentadas na área da
Administração. Assim, o tema proposto – a avaliação dos
serviços de informação – pode ser considerado somente
uma pequena visão de tão importante atividade a ser
desenvolvida por uma UI.
Recomenda-se que a UI tenha seu planejamento
estruturado e bem definido, para que o processo de
avaliação seja profícuo; que o foco seja sempre seu
cliente/usuário para que sua existência seja justificada;
que os gestores e profissionais da informação tenham
consciência de que são produtores e consumidores dos
serviços ofertados, para que haja a interação entre os
mesmos; que se utilizem dos métodos, metodologias,
ferramentas tecnológicas e de todos os instrumentos
disponíveis para agilizar e facilitar o processo de avaliação,
com vistas a alcançar com mais clareza, credibilidade e
rapidez os resultados esperados; e que os resultados da
avaliação sejam disseminados e divulgados, aceitando as
críticas e propostas de melhorias.
Sugere-se também que as discussões apresentadas por
Lubisco (2014) sobre os indicadores apresentados pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) para a avaliação da UI (representada

�aqui pela biblioteca universitária – BU) sejam mais
aprofundadas e que bibliotecários destas UI participem
mais destas discussões.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ALMEIDA JUNIOR, O. F. de. Biblioteca pública: avaliação
de serviços. Londrina: Eduel, 2003.
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de Bibliotecas e
serviços de informação. 2 ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005.
BARBOSA, M. L. A.; FRANKLIN, S. Controle, avaliação e
qualidade de serviços em unidades de informação. In:
LUBISCO, N. M. L. (Org.) Biblioteca universitária:
elementos para o planejamento, avaliação e gestão.
Salvador: EDUFBA, 2011.

BEHR, A.; MORO, E. L. da S.; ESTABEL, L. B. Uma
proposta de atendimento às necessidades de informação
dos usuários da biblioteca escolar por meio do
benchmarking e do sensemarking. Inf. &amp; Inf., Londrina, v.
15, n. 1, p. 37-54, jun./jul. 2010. Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/4
BORGES, M. E. N. O essencial para a gestão de serviços e
produtos de informação. Pesq. Bras. Em Ci. da Inf. e
Bib.,Campinas, v.5, n. 1, p. 115-128, jul./dez. 2007.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pbcib/article/view/7080
BRITO, G. F. de; VERGUEIRO, W. de C. S. Avaliação da
qualidade
da
biblioteca
acadêmica:
a
metodologiaLIBQUAL+® e suas perspectivas de aplicação
no Brasil. In.: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,13., 2012, Rio de Janeiro.
Anais eletrônicos...Rio de Janeiro: ANCIB, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://eprints.rclis.org/17886/1/Artigo_Gisele_ENANCIB_anais.pdf
CORRÊA,

H.

L.;

CAON,

M.

Gestão

de

serviços:

�lucratividade por meio de operações e de satisfação dos
clientes. São Paulo: Atlas, 2002.

DAVOK, D. F. Modelo de meta-avaliação de processos
de avaliação da qualidade de cursos de graduação.
2006. 261 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção)
–Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
2006.
Disponível
em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/88899/231
sequence=1&amp;isAllowed=y&gt;.
DAVOK, D. F.; GARCIA, R. I. Modelo de avaliação de valor
e mérito de estoques de informação de bibliotecas
universitárias. Encontros Bibli, Florianópolis, v. 19, n. 39,
p.
19-42,
jan./abr.
2014.
Disponível
em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2014v19n39p19&gt;.
DHOLAKIA, N.; MUNDORF, N.; DHOLAKIA, R. R. Novos
serviços de informação e comunicação: um quadro de
referência estratégico. Ci. Inf., Brasília, v. 26, n. 3, p.
235-242,
set./dez.
1997.
Disponível
em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/763&gt;.
DUARTE, E. J.; VIEIRA, F. S.; SILVEIRA, J. da; LOPES, A.
F. Os serviços e os produtos de informação oferecidos pela
Biblioteca Pública de Santa Catarina. Rev. ACB,
Florianópolis, v. 20, n. 3, p. 606-620, set./dez. 2015.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1100&gt;.
GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um
novo enfoque no suporte à educação a distância. Ci. Inf.,
Brasília, v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002. Disponível
em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v31n2/12907.pdf&gt;.
GIANESI, I. G. N.; CORRÊA, H. L. Administração
estratégica de serviços: operações para a satisfação do
cliente. São Paulo: Atlas, 2009.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

�IGAMI, M. P. Z.; SAMPAIO, M. I. C.; VERGUEIRO, W. de C.
S. O uso do ServQual na verificação da qualidade dos
serviços de unidades de informação: o caso da biblioteca
do IPEN. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais… Natal, 2004.
CD-ROM.
INTERNATIONAL
ORGANIZATION
FOR
STANDARDIZATION.ISO 9004-2:1991 –Guidelines for
managing the quality of service activities.Genève, 1991.
______.ISO
11620/98:2003–
Information
and
documentation – library performance indicators.Genève,
2003.
______. ISO 2789:2003 – Information and documentation
– library performance.Genève, 2003.
JOINT COMMITTEE ON STANDARDS FOR EDUCATIONAL
EVALUATION.The program evaluation standards: how
to assess evaluations of educational programs. 2. ed.
Thousand Oaks, CA: Sage, 1994.
KIRAN, K.; DILJIT, S. Modeling web-based library service
quality.Library &amp;Information Science Research, v. 34,
n. 3, p. 184-196, 2012.
KRAEMER, M. E. P. Avaliação da aprendizagem como
construção do saber. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL
SOBRE GESTIÓNUNIVERSITARIA EM AMERICADELSUR, 5.,
2005, Mar Del Plata. Anais... Mar Del Plata, 2005. CDROM.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços
bibliotecas. Brasília: Brique de Lemos, 2004.

de

LEITÃO, B. J. M. Avaliação qualitativa e quantitativa
numa biblioteca universitária: grupos de foco. Rio de
Janeiro: Interciência, 2005.
LUBISCO, N. M. L. Biblioteca universitária: elementos
para o planejamento, avaliação e gestão. Salvador:
EDUFBA, 2011.

�_______. Bibliotecas universitárias, seus serviços e
produtos: transposição de um modelo teórico de avaliação
para um instrumento operacional. PontodeAcesso,
Salvador, v.8, n.3, p. 80-141, dez. 2014. Disponível em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/128
_______. Biblioteca universitária: elementos para o
planejamento, avaliação e gestão. In: SEMINÁRIO
AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA:
CONTEXTO, DINÂMICA E RESULTADOS, 20.,2011. Anais
... Salvador, 2011.CD-ROM.

MARTINS, S. G.; SANTOS, A.S. dos; CARVALHO, L. M. O
benchmarking e sua aplicabilidade em unidades de
informação: uma abordagem reflexiva, Interface, Natal,
v. 7, n. 1, p. 57-68, jan./jun. 2010. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/19021/1/Mar
Benchmarking-e-sua-aplicabil_6707.pdf&gt;.
MELO, E. de S; SCARVADA, A. J.; ALMEIDA, M. Gestão de
serviços em bibliotecas e unidades de informação da
literatura – 2010 a 2014. Polêmica, Rio de Janeiro, v. 15,
n. 1, p. 39-59, maio/jun. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/16001/12043

MELO, L. B.; SAMPAIO, M. I. C. Medição da Qualidade em
Bibliotecas e Centros de Informação: Novos Indicadores de
Desempenho. Actas, Portugal, n. 10, p. 1-10, 2010.
Disponível
em:
&lt;http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/vie
MICHAELIS. Dicionário online de língua portuguesa.
2016. Disponível em:&lt;http://michaelis.uol.com.br&gt;.
MILET, E. B. Qualidade em serviços: princípios para a
gestão contemporânea das organizações. Brasília: IBICT,
1997.
NASCIMENTO, S. do; BORTOLUZZI, S. C.; DUTRA, A.;
ENSSLIN, S. R. Mapeamento dos indicadores de
desempenho organizacional em pesquisas da área de

�Administração, Ciências Contábeis e Turismo no período de
2000 a 2008. R.Adm., São Paulo, v.46, n.4, p.373-391,
out./nov./dez.
2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/rausp/v46n4/a04v46n4.pdf&gt;.

OLIVEIRA, A., APARECIDA, C., ROMERO. G. M. Avaliação:
conceitos em diferentes olhares, uma experiência
vivenciada no curso de pedagogia. Disponível em:
&lt;http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/510_

OLIVEIRA, M. L.; COELHO, M. P. Valorização de bens e
serviços culturais: o método de avaliação contingencial
aplicado ao caso das bibliotecas. Actas,Portugal, n. 9,
2007.
Disponível
em:
&lt;http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/vie

PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L.
SEVQUAL: a multiple-item scale for measuring consumer
perceptions of service quality. Journal of Retailing, New
York, v. 64, n. 1, p. 12-37, 1988.Disponível em:
&lt;http://areas.kenanflagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/

PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L.A
conceptual model of service quality and its implications for
future research. Journal of Marketing, New York, v. 49,
n.
4,
p.
41-50,
1985.Disponível
em:
&lt;http://areas.kenanflagler.unc.edu/Marketing/FacultyStaff/zeithaml/

PASSOS, K. G. F. dos; MENEGATTI, Y; SILVA, J. M. da;
RADOS, G. J. V. Avaliação da qualidade dos serviços em
unidades de informação: proposição de uma metodologia.
Inf. &amp;Inf., Londrina, v. 18, n. 3, p. 154-174, set./dez.
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1
______. Ações de informação em ciência e tecnologia:
aspectos institucionais em um modelo sócio-técnico
emergente. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013. Florianópolis. Anais
eletrônicos... Florianópolis: ANCIB, 2013. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/24617/&gt;.

�ROCHA, E. C.; SOUSA, M. F. E. Metodologia para
avaliação de produtos e serviços de informação.
Brasília: IBICT, 2011.
RODRIGUES, L. H.; PANTALEÃO, L. H.; SCHUCH, C. Uma
Abordagem para Construção de Sistemas de
Indicadores Alinhando a Teoria das Restrições e o
Balanced
Scorecard.
[200?]
Disponível
em:
&lt;http://gmap.unisinos.br/recursosdidaticos/trensurb/mod1-gestao-publica/artigoenanpad%20Indicadores.pdf&gt;.
ROMANI, C.; BORSZCZ, I. (Orgs.). Unidades de
informação: conceitos e competências. Florianópolis:
Editora UFSC, 2006.

ROZADOS, H. B. F. Uso de indicadores na gestão de
recursos de informação. Rev. Dig. de Bib. e Ci. da Inf.,
São Paulo, v. 3, n. 1, p. 60-76, jul./dez. 2005. Disponível
em:
&lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/2

SANTOS, L. C. Projeto e análise de processos de
serviços: avaliação de técnicas e aplicação em uma
biblioteca. 2000. 145f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa
Catarina,
Florianópolis,
2000.
Disponível
em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/79217/174
sequence=1&gt;.

SCARDOELLI, L. A. SOUZA, M. A. de. A aplicabilidade da
ferramenta Balanced Scorecard – BSC em uma biblioteca
universitária. Múltiplos Olhares em Ciência da
Informação, v. 3, n. 1, p. 1-20, mar.2013. Disponível
em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/viewFil
SLACK,
N.
Vantagem
competitiva
em
manufatura: atingindo competividade nas operações
industriais. São Paulo: Atlas, 1993.
TARAPANOFF, K.; ARAÚJO JÚNIOR, R. H. de; CORMIER, P.

�M. J. Sociedade da informação e inteligência em unidades
de informação. Ci. da Inf., Brasília, v. 29, n. 3, p. 91-100,
dez.
2000.
Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a09v29n3.pdf&gt;.
TEIXEIRA, M. E. P. ; FARIAS FILHO, J. R. de. Avaliação dos
serviços de bibliotecas: estudo de caso UFF. In.
CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 4.,
2008, Rio de Janeiro .Anais...Rio de Janeiro, 2014.CDROM.
TOCCHETTO, M. R. L.; PEREIRA, L.C. Seleção de
indicadores ambientais para indústria com atividade
galvânica. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE
PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 28.,
2004, Paraná. Anais... Paraná: ANPAD, 2004. CD-ROM.
VAN
BELL
EN,
Hans
Michael.
Indicadores
de
desenvolvimento sustentável: um levantamento dos
principais sistemas de avaliação. In: ENCONTRO DA
ASSOCIAÇÃO
NACIONAL
DE
PÓS-GRADUAÇÃO
E
PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 26., 2002, Salvador.
Anais... Salvador, 2002. CD-ROM.
VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação.
São Paulo: Arte &amp;Ciência, 2002.
WHITE, M. D.; ABELS, E. G.Measuring service quality in
special libraries: lessons from service marketing.
SpecialLibr, v. 86, n. 1, p.36-45, 1995.
1 O termo cliente/usuário, nesse contexto, abrange a visão de vários
tipos de Unidades de Informação, visto que o foco não está voltado
somente para as bibliotecas, museus e centros de documentação.
Com exceção das citações contidas no texto e nas referências.

�5 - GESTÃO DE PROJETOS EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Daniela Spudeit

1 Introdução

Nesse

capítulo, tem como objetivo apresentar o
conceito, tipos, etapas e estrutura, ciclo de vida de um
projeto, a importância da gestão de projetos em uma
organização e o papel do gerente de projetos, as boas
práticas em projetos por meio do PMBOK, alguns
programas e metodologias para elaboração, planejamento
e acompanhamento de projetos nas unidades de
informação.
Na Biblioteconomia e Ciência da Informação há poucas
publicações a respeito do assunto que estejam voltadas,
exclusivamente, à gestão de projetos em unidades de
informação, conforme verificado por Spudeit e Ferenhof
(2016). Sendo assim, destaca-se a importância dos
projetos no processo e na criação de instrumentos, a fim
de tornar a gestão efetiva na organização. Nesse sentido,
apresenta-se algumas reflexões e diretrizes para suprir
parte dessa lacuna que precisa ser aprofundada na Ciência
da Informação.
As unidades de informação são cada vez mais vistas como
organizações prestadoras de serviços, cujo principal
insumo é a informação que agrega valor às instituições e
formação do capital intelectual. É preciso que haja um
planejamento para o atendimento das necessidades
informacionais dos clientes que buscam os serviços
oferecidos pelas unidades de informação.

�Antes de falar de projetos, é preciso entender que eles
são oriundos das necessidades, problemas ou mesmo
percepções sobre algo que precisa ser melhorado ou
solucionado, ou seja, é fruto de um planejamento. Às
vezes, são problemas do cotidiano, da rotina de trabalho
em uma instituição, pode ser algo verificado em alguma
pesquisa, detectado pelo próprio gestor ou por alguém de
sua equipe ou algo apontado pelo cliente.
Os projetos também podem se originar a partir de ideias
que nascem em momentos criados pelo ócio ou ao acaso.
De onde surgem as ideias para um projeto? É sobre isso
que Steven Johnson, pesquisador da Universidade de
Columbia e escritor norte-americano sobre cultura digital e
inovação organizacional, discute no vídeo “De onde vêm as
boas ideias”, no qual defende que as ideias surgem de
palpites, da colisão ou metade de outras ideias, da
interação com outras pessoas, sob diferentes formas de
conectividade; às vezes resultam de palpites alheios ou
imparciais; algumas vezes as ideias hibernam, nem
chegando a ser registradas formalmente, precisam ser
amadurecidas por um tempo de incubação ou melhoradas
a partir da troca de informações com outras pessoas que,
nem sempre têm relação com a ideia, mas podem
contribuir efetivamente com ela. Cher (2008, p. 39) explica
que as ideias são:
71% cópia ou modificação de uma ideia encontrada
em um emprego anterior.
20% descoberta por acaso.
5% descoberta na onda da revolução de TI
4% pesquisa sistemática em busca de oportunidade
É interessante perceber que, muitas vezes, na rotina de
trabalho, as pessoas estão tão envolvidas em cumprir
metas, envolvidas com a burocracia ou com processos que
não conseguem sair da dimensão espaço/tempo para

�encontrar soluções para determinados problemas ou
necessidades (não raramente percebem que as têm no
ambiente de trabalho). Entretanto, as ideias podem surgir
em momentos de ócio, como em uma caminhada, na hora
do banho, na leitura do café, assistindo televisão ou
mesmo em algum evento.

Figura 1 – Concepção da ideia para um projeto
Fonte: Criado pela autora (2016)

A partir da concepção de ideias é que se pensa em ações
práticas que podem solucionar o problema/necessidade da
unidade de informação. No entanto, essas ações precisam
ser planejadas para que realmente sejam instrumentos de
mudança e possam, efetivamente, atingir o objetivo
proposto por meio da elaboração e execução de um
projeto.
A preocupação com o planejamento surgiu no início do
século XX quando começou o foco no controle de métodos
e padrões nas empresas e indústrias. Fayol (1841-1925)
defendia que as funções administrativas estavam
centradas nos processos que envolvia: prever, organizar,

�comandar, coordenar e controlar. Nesse caso, prever
envolvia as funções do planejamento que consistia em
projetar os cenários futuros e traçar o programa de ação
no presente. O conceito variou bastante ao longo do século
XX devido às diversas mudanças causadas pelas guerras,
industrialização, globalização e todo desenvolvimento
econômico, social, político e tecnológico, evidenciando
ainda mais a importância do planejamento para as
organizações e profissionais enfrentarem a competitividade
e concorrência.
Almeida (2005) defende que o planejamento é um
processo cíclico, com funções relacionadas que estabelece
objetivos para todo grupo, otimizando tempo, recursos e
promovendo a efetividade dos objetivos propostos no
projeto. Dessa forma, o planejamento é um processo
contínuo, permanente, reduz incertezas, diminui riscos,
melhora a qualidade, garante a realização dos objetivos se
configurando como o oposto da improvisação (ALMEIDA,
2005).
Quando o projeto é bem planejado, com etapas e recursos
definidos, é muito mais fácil de concretizar as ideias.
Assim, diz-se que o projeto é formado por um conjunto de
atividades e tarefas temporárias, porque tem um início,
meio e fim, sendo realizado dentro de um período
delimitado por uma equipe.
Almeida (2005, p. 93) enfatiza que projeto “É a unidade
elementar do processo de planejamento, constituindo-se
em um conjunto de ações e recursos para a consecução
de objetivos concretos, perfeitamente especificados e
destinados a gerar benefícios”.
Maximiano (1997, p. 20) define como “empreendimentos
finitos com objetivos definidos em função de um
problema, oportunidade ou interesse da organização”. Do
mesmo modo, o PMI (2013) esclarece que projeto é um
esforço temporário empreendido para criar um produto,
serviço ou resultado único e exclusivo.

�Para isso precisa haver recursos, um escopo bem definido
para obter mais efetividade no alcance dos objetivos
propostos e, principalmente, o projeto precisa ser
gerenciado; daí entra a gestão de projetos. A gestão de
projetos aplica os conhecimentos, habilidades e técnicas
para executar o que foi proposto de maneira efetiva e
eficaz. Vargas (2003, p. 7) explica que a gestão de
projetos:
São atividades caracterizadas por uma sequência clara e
lógica de eventos para atingir objetivos dentro de um
tempo, custo e recursos prévios definidos, combinam
recursos organizacionais e necessitam de uma
coordenação ao controle de prazos, custos e desempenho,
pois atingem todos os âmbitos de uma organização e as
partes interessadas externas à instituição, assim como os
clientes, fornecedores, parceiros, governo, etc.

Dentro dessa perspectiva, os projetos apresentam como
características: recursos e prazos definidos de começo e
fim, pelo que deve ser planejado, executado e
constantemente avaliado para checar se os objetivos
propostos estão sendo encaminhados. Além disso, os
projetos têm a entrega de produtos e/ou serviços e são
desenvolvidos por etapas, envolvendo uma equipe
multidisciplinar.
Planejar um projeto é tomar decisões que permitam
implantá-lo. Sem planejamento, não se pode iniciar um
projeto, acompanhar seu desenvolvimento e avaliar seus
resultados. A gestão de projetos se estabelece a partir de
dois passos: do estabelecimento de etapas e da definição
do (s) gerente (s) que fará o acompanhamento das etapas.
As etapas passam por fases que abrangem o analisar,
melhorar, controlar, definir, medir como um ciclo que
permitirá o alcance dos objetivos, já que “projetos sem
foco não são projetos”. (MAXIMIANO, 2002, p. 47). Desse
modo, é necessário elencar as premissas básicas de cada
etapa: O que, quanto, para quem, como, para que, quais,
por que, quando. Após definir esses pontos, as etapas
precisam ser organizadas.

�Almeida (2005) explica que o projeto abarca a definição
do objeto e objetivos, o planejamento das ações e
atividades, planejamento da capacitação da equipe de
implantação, planejamento da avaliação, planejamento das
estratégias de disseminação e comunicação, planejamento
de recursos.
A partir disso, é possível vislumbrar como ocorre o ciclo
de vida do projeto: a) fase de iniciação, b) fase de
planejamento, c) fase de execução, monitoramento e
controle, d) fase de encerramento; por isso o projeto tem
caráter temporário com início, meio e fim. Em cada fase há
etapas, em cada etapa há diferentes tarefas que precisam
ser gerenciadas.
Vargas (2003) explica que as fases permitem ajustes,
monitoramento e controle dos recursos para alcançar
metas estabelecidas. As fases são divididas em estágios ou
etapas, as quais são subdivididas em atividades ou tarefas.
Monteiro e Valentim (2008) citam que cada fase detém
características próprias, com necessidades de informação e
aprendizagem diferenciadas das atividades rotineiras da
organização.
Na estrutura de elaboração do projeto é necessário haver
logo no início uma introdução ao escopo, objetivo, uma
justificativa com argumentos relevantes para convencer o
diretor/investidor/cliente da viabilidade e da importância
do projeto. Em seguida, precisa ter uma metodologia de
execução das etapas e estratégias, recursos (pessoas,
financeiros, materiais, tecnológicos, etc.) envolvidos,
sistema de avaliação com indicadores (qualitativos e
quantitativos) para monitorar o processo, custo total do
projeto e um cronograma de execução com início, meio e
fim.
A gestão de projetos pode favorecer muito a gestão de
unidades de informação no alcance dos objetivos
propostos, das metas, no alcance da satisfação das
necessidades dos clientes, do planejamento de produtos e
serviços de informação, da otimização de recursos e tempo

�e, principalmente, a valorização da profissão do
bibliotecário e reconhecimento do espaço enquanto
ambiente de construção do conhecimento, agregando valor
à unidade de informação.

2 Desafios e importância do gerente de
projetos
Em uma unidade de informação o bibliotecário exerce
papel fundamental porque precisa assumir a função de
gerente de projetos, o que demanda perfil diferenciado e
também características, habilidades e conhecimentos, que
precisam ser construídos e desenvolvidos de forma
contínua, considerando-se as diferentes metodologias, os
programas, as diretrizes e processos contidos na gestão de
projetos.
Além de fazer a gestão do projeto para que os objetivos
propostos sejam atingidos dentro do escopo, tempo,
recursos e prazos definidos, ele precisa garantir a
qualidade ao longo do projeto, gerenciar expectativas e
criar condições à equipe na motivação, monitoramento e
gerenciamento dos riscos, além de definir um roteiro e
controlar o avanço das etapas. Vargas (2003) enfatiza as
atribuições e principais habilidades requeridas:
Criar o produto final do projeto dentro dos custos,
prazos e desempenho exigido.
Desenvolver
habilidades
comportamentais.

técnicas

e

Atingir objetivos contratuais de lucro.
Adquirir recursos adequados
quantidade e qualidade.

ao

projeto

Contratar e motivar os integrantes do time.
Desenvolver canais de comunicação efetiva.

em

�Lidar com obstáculos e possibilidade de fracasso.
Gerir estrategicamente os riscos do projeto.
Desenvolver mecanismos de negociação
garantir o cumprimento do plano do projeto.

para

Na perspectiva de Keeling (2005, p. 85) “ao contrário dos
gerentes de trabalho contínuo e rotineiro, os gerentes de
projetos não podem contar com a boa sorte e recorrer a
“sentimentos”, pois não há atalhos na administração de
projetos”, daí a necessidade de desenvolver as
competências necessárias.
Bonfim, Nunes e Hastenreiter (2012) realizaram uma
pesquisa e explicam que o gerente de projetos, em sua
função, trabalha com as diversas áreas do PMBOK, porém
com mais ou com menos intensidade, variando de acordo
com o projeto e com a estrutura organizacional. Assim,
apresenta alto índice de participação em quase todas as
áreas.
Nessa pesquisa foi verificado que as áreas da qualidade,
riscos e custos são as que o gerente mais apresenta
dificuldades. Os autores explicam que a qualidade é
realmente difícil, pois às vezes não se consegue garanti-la,
uma vez que o escopo e o custo são alterados. O risco se
torna difícil quando não é identificado no começo; estando
em todas as fases do projeto, deve adequar a ideia aos
limites. O custo não é difícil de ser cumprido, quando já
tem a experiência em gerenciar projetos, pois é habitual,
já definido pela empresa e, geralmente, a diretoria
garante. O custo está em todas as áreas do projeto.
(BONFIM, NUNES, HASTENREITER, 2012).
Em geral, um projeto deve ter um início, meios claros e
deve representar um trabalho não rotineiro, conforme
PMBOK (PMI, 2013). O ambiente de projeto é propenso às
tensões de prazo, custo e qualidade, ao qual o gerente de
projetos precisa estar atento.
Há

diferentes

graus

de

interesses,

necessidades

e

�profissionais oriundos de diversos setores ou empresas. A
questão de autoridade fica comprometida e não raramente
conflituosa. Um grande desafio é a comunicação para que
todos tenham informações válidas, consistentes e no
tempo necessário. (PMI, 2013).
Nesse contexto, uma das principais habilidades está
relacionada aos fatores críticos de sucesso, por isso gerar
competências em projeto passa a ser fundamental às
instituições que buscam vantagem competitiva. Kerzner
(2011) cita alguns fatores críticos:
1. Fase de aceitação pela gerência executiva:
Considerar as recomendações dos funcionários;
Reconhecer que a mudança é necessária; Entender
a participação dos executivos na gestão de
projetos.
2. Fase de Aceitação pelos gerentes de área:
Disposição para colocar os interesses da empresa
acima dos interessas pessoais; Disposição de
aceitar responsabilidades; Disposição de aceitar o
progresso de colegas.
3. Fase de crescimento: Reconhecer a necessidade de
uma metodologia empresarial; Apoiar um padrão de
monitoramento e de relatório; Reconhecer a
importância do planejamento efetivo.
4. Fase
de
maturidade:
Reconhecer
que
a
programação e os custos são inseparáveis; Rastrear
os custos reais; Desenvolver treinamento em
gestão de projetos.
Em cada uma das etapas e fases do projeto, há fatores
críticos que o gerente de projetos precisa estar atento, a
fim de que os projetos sejam exequíveis e exitosos.
O gerente detém alta responsabilidade que exige
capacidade técnica, conhecimentos específicos no escopo
do projeto, conhecimento sobre o perfil e habilidades dos

�membros da equipe, assim como conhecimento em
gerenciamento de projetos. Assim, a elaboração unilateral
do projeto deve ser evitada, desconsiderando a
participação de outras partes interessadas e membros da
equipe para que se sintam importantes no processo.
Oferecer capacitação às pessoas da equipe envolvida,
assim como conhecer o perfil e competências de cada um,
ajudará muito o gerente na divisão das atividades e tarefas
em cada etapa do projeto.
Coletar informações dos diferentes stakeholders (partes
envolvidas, tais como fornecedores, clientes, comunidade,
equipe, governo, etc.) na fase de diagnóstico, também, é
um passo importante para delimitar o escopo e objeto
(problema/necessidade).
O objetivo do projeto precisa ser específico, mensurável,
atingível,
relevante
e
temporal,
oportunizando
o
acompanhamento e execução dentro de um prazo definido
e que permita a construção de metas com indicadores.
O projeto precisa ser muito bem fundamentado, contendo
justificativa
relevante
e
contextualizada;
bem
argumentado, considerando as necessidades locais para
atrair patrocinadores, doadores ou apoiadores.
Percebe-se, ainda a necessidade de um bom plano de
comunicação na captação desses recursos, que atraia os
investidores
e
auxilie
na
prestação
de
contas,
posteriormente, assim como avaliação do processo.
Outro fator bem importante é o plano de contingência que
consiste em um plano como parte da política de segurança
da organização. Deve descrever as medidas que uma
empresa deve tomar, incluindo a ativação de processos
manuais ou o recurso de contratos, para assegurar a
continuidade dos seus processos de negócio, essenciais no
caso de falha no sistema, conforme explica Freitas (2013);
sendo assim, as premissas, restrições e riscos devem ser
considerados.

�A atenção também deve ser voltada à gestão financeira,
já que custos e tempo são os principais fatores críticos no
alcance dos objetivos. A planilha de orçamentos do projeto
deve ser monitorada, compatível e coerente com o projeto,
tendo valores reais de mercado. Para isso, há ferramentas
e programas que podem auxiliar o gerente de projetos,
facilitando o trabalho do profissional- gerente.
Ainda em relação aos fatores críticos de sucesso que o
gerente de projetos precisa estar atento, Vargas (2003) e
Gido e Clemente (2007) esclarecem que um projeto bem
sucedido é aquele realizado conforme o planejado.
Segundo os autores, para obter sucesso num projeto é
preciso que seja concluído dentro do tempo e orçamento
previsto, ter utilizado os recursos eficientemente sem
desperdícios, ter atingido a qualidade e desempenho
desejado, ter sido concluído com o mínimo possível de
alterações em seu escopo, ter sido aceito sem restrições
pelo contratante ou cliente, terem sido empreendidos sem
que ocorresse interrupção ou prejuízo nas atividades
normais da organização, não ter agredido a cultura da
organização, entre outros.
Para resolver esses fatores e obstáculos que podem
prejudicar a execução de um projeto, o PMI1 desenvolveu
um guia de boas práticas para facilitar o trabalho dos
gerentes de projetos e efetivação da gestão nas
organizações. Dessa forma, nasceu o PMBOK® que é
conhecido como a bíblia da gestão de projetos, dividido
em: escopo, custo, tempo, qualidade, integração, recursos
humanos, comunicação, riscos, aquisição, conforme será
tratado a seguir.

3 Diretrizes e boas práticas por meio do
PMBOK® para gestão de projetos
É premente observar que, atualmente, as organizações

�enfrentam
demandas
no
ambiente
competitivo,
caracterizado pela valorização do capital intelectual,
trabalho colaborativo, inteligência competitiva e gestão do
conhecimento.
Spudeit e Ferenhof (2016) alertam que devido a isso,
torna-se indispensável às organizações o desenvolvimento
deum modelo de gestão de projetos com foco em
prioridades e objetivos estabelecidos bem claros,
baseando-se num processo estruturado e lógico para lidar
com eventos que se caracterizam por essa dinâmica
ambiental.
Deste modo, para pensar em diretrizes auxiliadoras no
desenvolvimento
dos
projetos
e
aplicação
de
conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às
atividades do projeto que atendesse seus requisitos, um
grupo de gestores de projetos se uniu e começou a
compartilhar informações pertinentes ao sucesso e
fracasso na gestão de projetos, surgindo, assim, o Project
Management Institute (PMI) e a primeira versão do Guia
de Melhores Práticas de Gerenciamento de Projetos
(Project Management Body of Knowledge - PMBOK®).
Spudeit e Ferenhof (2016) explicam que o PMBOK® é a
principal fonte de informação utilizada para embasar o
gerenciamento de projetos no mundo, desenvolvido pelo
Project Management Institute (PMI), uma das maiores
associações de/para profissionais de gerenciamento de
projetos. O trabalho deste instituto é auxiliar e evoluir a
área de gestão de projetos, bem como os profissionais em
suas carreiras, tornando a profissão mais consolidada.
De acordo com o PMI, o Guia é composto pelas melhores
práticas de gestão de projetos; isto significa que o
conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à
maioria dos projetos na maior parte do tempo, havendo
consenso em relação ao seu valor e sua utilidade. Ainda de
acordo com este guia, uma boa prática corresponde à
aplicação correta das habilidades, ferramentas e técnicas
já testadas, amplamente, por um grande grupo de

�gestores de projetos, podendo aumentar as chances de
sucesso em uma ampla gama de projetos (PMBOK, 2013).
Para o PMBOK®, o gerenciamento de projetos é
desempenhado por meio da aplicação e integração
apropriada de 47 processos, agrupados em 10 áreas de
conhecimento distintas: Gerenciamento de integração do
projeto, gerenciamento do escopo, gerenciamento do
tempo, gerenciamento do custo, gerenciamento da
qualidade,
gerenciamento
dos
recursos
humanos,
gerenciamento das comunicações, gerenciamento dos
riscos
do
projeto,
gerenciamento
de
aquisições,
gerenciamento das partes interessadas no projeto,
conforme na imagem a seguir:

Figura 2 – Áreas do PMBOK
Fonte: PMI (2013)

As dez áreas de conhecimento são logicamente agrupadas
em cinco processos: Iniciação; Planejamento; Execução;
Monitoramento e Controle e Encerramento, conforme
apresentadas e aplicadas em unidades de informação por
Spudeit e Ferenhof (2016). Abaixo é possível verificar

�como o PMI organiza o PMBOK:
Àreas do
Conhecimento

Integração

Grupos de Processos
Iniciação
4.1
Desenvolver
termo de
abertura de
projeto

Planejamento

Execução

Monitoramento
e Controle

4.2 Desenvolver
Plano de
Gerenciamento de
Projeto

4.3 Gerenciar e
Orientar a
Execução do
Projeto

4.4 Monitorar e
Controlar Trabalho
do Projeto

4.5 Ralizar
Controle Integrado
de Mudanças

Escopo

5.1 Planejar
Gerenciamento do
Escopo

5.5 Validar Escopo

5.2 Coletar
Requisitos

5.6 Controlar
Escopo

5.3 Definir Escopo

5.7 Controlar
Cronograma

5.4 Criar EAP
6.1 Planejar
Geranciamento de
Projeto

6.2 Definir
Atividades
6.3 Sequenciar
Atividades
Tempo

6.4 Estimar
Recursos de
Atividades
6.5 Estimar
durações de
Atividades
6.6
Desenvolver
Cronograma
7.1 Planejar

7.4 Controlar

�Gerenciamento
de Custo
Custo

Custos

7.2 Estimar
Custos
7.3 Criar
Orçamento

Qualidade

8.1 Planejar
8.2 Realizar 8.3 Realizar
Gerenciamento Gareantia de Controle de
de Qualidade Qualidade
Qualidade
9.1 Planejar
9.2 Mobilizar
Gerenciamento Equipe de
de Recursos
Projeto
Humanos
9.3
Desenvolver
Equipe do
Projeto

Recursos
Humanos

9.4 Gerenciar
Equipe do
Projeto

Comunicação

10.1 Planejar
10.2
10.3 Controlar
Gerenciamento Gerenciar
Comunicação
de
Comunicação
Comunicação
11.1 Planejar
Gerenciamento
de Riscos
11.2 Identificar
Riscos

Riscos

11.3 Realizar
Análise
Qualitativa dos
Riscos
11.4 Realizar

11.6 Monitorar
e Controlar os
Riscos

�Análise
Quantitativa
dos Riscos
11.5 Planejar
Respostas aos
Riscos
Aquisições

12.1 Planejar
12.2 Reduzir 12.3
Gerenciamento Aquisições
Administrar
das Aquisições
Aquisições

13.1
Partes
Identificar
Interessadas Partes
Interessadas

13.2 Planejar
Gerenciamento
das Partes
Inressadas

13.3
Gerenciar
Partes
Interessadas

13.4 Monitorar
Gerenciamento
das Partes
InteressadasS

Figura 3 – Áreas do conhecimento e grupos de processos
do PMBOK (2013)
Fonte: PMBOK (2013)

Destaca-se que uma boa prática não significa utilizar
uniformemente e sempre todas as áreas de conhecimento
expostas em todos os projetos. Deve ser levado em conta
o tipo de projeto, tamanho, tempo destinado, fatores
organizacionais e ambientais. Cabe ao gestor de projetos,
bem como a sua equipe e à empresa em que trabalha
determinar o que é apropriado a um projeto específico.
(PMBOK, 2013).
Igualmente deve ocorrer nas unidades de informação,
visto que a gestão de projetos facilitará e efetivará a
consecução dos resultados e objetivos propostos à
melhoria do ambiente. As unidades de informação estão
cada vez mais sendo vistas como organizações prestadoras
de serviços, cujo principal insumo é a informação que
agrega valor às instituições e formação do capital
intelectual. Esse contexto aponta a necessidade de
planejamento
no
atendimento
das
necessidades
informacionais dos seus clientes.
Spudeit e Ferenhof (2016) apresentam a gestão de

�projetos como uma das alternativas para promover a
eficácia no planejamento e execução em uma unidade de
informação, por meio de soluções que atendam às
necessidades. Para isso, foi feito um estudo bibliográfico e
exploratório, objetivando a verificação de como o uso das
melhores práticas de gerenciamento de projetos pode
ajudar a gestão de unidades de informação.
Conforme os resultados obtidos, aponta-se que todas as
dez áreas do PMBOK® são aplicáveis em unidades de
informação e, cabe ao bibliotecário, promover a execução,
acompanhamento e finalização desses processos. As
unidades de informação têm como missão promover o
acesso às fontes de informação, sendo importante que
sejam adotadas as boas práticas do PMBOK®, pois
aceleram o lançamento de produtos e serviços, reduzem
custos, melhoram os controles de qualidade e aperfeiçoam
recursos e esforços.
Para facilitar a gestão dos projetos e o desempenho do
gerente de projetos, além de conhecer as diretrizes e boas
práticas do PMBOK®, há ferramentas e programas para o
gerenciamento dos projetos e alcance dos objetivos.

4 Metodologias e programas para gestão de
projetos
Segundo Kerzner (2011), o alcance da excelência em
gerenciamento de projetos não é possível sem um
processo repetitivo que possa ser utilizado em cada
projeto, o qual é chamada de metodologia de
gerenciamento de projetos.
Pelo Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de
Projetos2 (2013), realizado no Brasil, 49% das empresas
consultadas informaram a pretensão de, nos próximos 12
meses, rever ou desenvolver uma metodologia de
gerenciamento de projetos, o que pode ser visto na figura

�2. Se houvesse uma metodologia universal, não seria
necessário esse esforço das Organizações.

Figura 4 - Iniciativas em gerenciamento de projetos
Fonte: PMI3 (2013)

Nesse contexto, Kerzner (2011) declara que
metodologia de gerenciamento de projetos deve ter:

uma

Um grau recomendado de detalhes;
Uso de modelos;
Técnicas
padronizadas
programação e controle;

de

planejamento,

Formato padronizado de relato de desempenho;
Flexibilidade na aplicação nos projetos;
Flexibilidade para melhorias, quando necessário;
Facilidade de entendimento e aplicação;
Ser aceita e aplicada em toda a Organização.
Dentro dessa perspectiva, uma metodologia é, portanto,
uma adaptação, à realidade da instituição de acordo com o
custo/benefício das práticas do mercado, das experiências

�dos profissionais e aquelas encontradas na literatura na
área de gestão da qualidade, como o próprio Ciclo de
Deming (PDCA), Programa 5S, Balanced Scorecard,
ServQual, entre outros abordados em outro capítulo nesse
livro.
Contudo, ainda não há uma metodologia que possa ser
utilizada em qualquer empresa ou projeto; as boas práticas
existem, conforme relatadas anteriormente por meio do
uso do PMBOK® Guide, que apresenta 47 processos de
gerenciamento de projetos, desde o planejamento até os
documentos
de
saída
desses
processos.
Outra
recomendação é a utilização de programas e aplicativos à
gestão de projetos, tais como:
DropboxServiço
para
armazenamento
e
compartilhamento de arquivos baseado no conceito
de "computação em nuvem" ("cloud computing"),
que permite criar uma pasta virtual no seu
computador, ficando armazenada na nuvem.
XMind - Ferramenta de código aberto para a
elaboração de mapas mentais, uma espécie de
diagrama usado na representação e relacionamento
dos aspectos distintos de uma ideia ou projeto a ser
executado. Assim, fica mais fácil visualizar o
“problema” ou memorizar algum conteúdo.
GanttProject - O programa permite a adição de
tarefas com data de início e fim. Além disso, aqui
também será possível cadastrar pessoas envolvidas
no desenvolvimento das tarefas, de modo a facilitar
o seu controle.
Prezi - Ferramenta online gratuita, totalmente
diferente dos programas para a criação de
apresentações em slide, a começar pelo simples
fato de que o aplicativo não se limita ao espaço
retangular daquele.
Trello - Ferramenta de gerenciamento de projetos

�em listas extremamente versátil, sendo possível
aplicar prazos e responsáveis na atividade,
individualmente, priorizando algumas tarefas mais
importantes. Pode ser ajustada de acordo com as
necessidades do usuário.
DeskAway – Aplicativo que oferece serviço de
gerenciamento de projetos online, em que podem
ser inseridos prazos e características de uma tarefa
a ser realizada, possibilitando acesso de todos os
colaboradores do projeto de qualquer lugar.
jxProject – Software de código aberto com
ferramentas simples e eficientes ao gerenciamento
de projetos. É possível inserir tarefas em cada
linha, definir características como porcentagem já
concluída do projeto, horas trabalhadas, dias totais
de duração e, inclusive, traçar no calendário, com o
mouse, uma linha que vinculará os projetos.
Além destes, tem MS Projetc, Project ModelCanvas, Open
Project, WBStool, DotProject, entre outros que permitem
organizar o cronograma, atividades, processos e atribuir
responsabilidades para visualizar as etapas do processo
torná-lo exequível. Há vários aplicativos e programas
online
disponíveis,
gratuitamente
ou
pagos,
que
proporcionam ao gerente de projetos o acompanhamento
de cada etapa do projeto, bem como o controle de
arquivos, pastas, prazos, recursos, entre outros aspectos
importantes e necessários ao sucesso daquele, conforme
ressaltado nesse capítulo.

5 CONSIDERAÇÕES
Na Biblioteconomia e Ciência da Informação há poucas
publicações a respeito do assunto direcionadas à gestão de
projetos em unidades de informação. Logo, nesse capítulo
destacamos a importância dos projetos no processo e na
criação de instrumentos, objetivando tornar a gestão

�efetiva por bibliotecários, assim também contribuindo com
algumas reflexões e diretrizes no suprimento de parte
dessa lacuna na formação e atuação desses profissionais.
Conceitos, tipos, etapas, estrutura e ciclo de vida de um
projeto foram discutidos para possibilitar a reflexão e a
percepção sobre a importância da gestão de projetos em
uma organização; os desafios e o papel do gerente de
projetos com destaque ao bibliotecário enquanto peçachave nesse processo, que exige o desenvolvimento de
determinadas competências, a fim deque este profissional
elabore, execute, acompanhe e monitore os projetos
voltados às necessidades das unidades de informação.
A partir da concepção de ideias é que são pensadas as
ações
práticas
que
podem
solucionar
o
problema/necessidade
da
unidade
de
informação.
Entretanto, essas ações precisam ser planejadas pelo
bibliotecário para que realmente sejam instrumentos de
mudança e possam, efetivamente, alcançar o objetivo
proposto por meio da elaboração e execução de um
projeto.
Essa empreitada deve ser balizada por recursos, por meio
de um escopo bem definido, a fim de ser obtida a
efetividade no alcance dos objetivos propostos e,
principalmente, o projeto precisa ser gerenciado. Aqui
entra a gestão de projetos e o papel do bibliotecário como
gerente de projetos na unidade de informação para
sedimentar essa importante iniciativa.
Em uma unidade de informação, o bibliotecário exerce
papel fundamental, porque precisa assumir a função de
gerente de projetos, o que demanda um perfil diferenciado
e também características, habilidades e conhecimentos, os
quais precisam ser construídos e desenvolvidos de forma
contínua, considerando-se a existência de metodologias,
programas, diretrizes e processos distintos e integrantes
da gestão de projetos.
Em cada uma das etapas e fases do projeto, há fatores

�críticos que o gerente de projetos precisa estar atento para
que os projetos sejam exequíveis e exitosos. O gerente
detém alta responsabilidade, exigindo-lhe capacidade
técnica, conhecimentos específicos no escopo do projeto,
conhecimento sobre o perfil e habilidades dos membros da
equipe, assim como conhecimento em gerenciamento de
projetos.
Para resolver esses fatores e obstáculos que podem
prejudicar a execução de um projeto, apresentaram-se as
áreas do PMBOK® que é um guia de boas práticas para
facilitar o trabalho dos gerentes de projetos e efetivação da
gestão nas organizações.
É importante ressaltar que todas as dez áreas do
PMBOK® são aplicáveis em unidades de informação,
cabendo
ao
bibliotecário
promover
a
execução,
acompanhamento e finalização desses processos. As
unidades de informação têm como missão promover o
acesso às fontes de informação, assim é importante que
sejam adotadas as boas práticas para acelerar o
lançamento de produtos e serviços, reduzir custos,
melhorar os controles de qualidade, otimizar recursos e
esforços.
Para facilitar a gestão dos projetos e o desempenho do
gerente de projetos, além de conhecer as diretrizes e boas
práticas do PMBOK®, há ferramentas e programas, tais
como Dropbox, Trello, xMind, GanttProject, jxProject
entre outros que podem auxiliar no gerenciamento dos
projetos e alcance dos objetivos apresentados nesse
capítulo. Espera-se que os bibliotecários busquem o
conhecimento de diferentes recursos, metodologias,
programas que podem ajudá-lo em seu ambiente de
trabalho e a interagir com profissionais de variadas áreas,
tendo
por
finalidade
a
formação
de
equipes
multidisciplinares, visando à melhoria dos serviços
prestados pelas unidades de informação.

�REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina. Planejamento de bibliotecas
e serviços de informação. 2.ed. Brasília: Briquet de
Lemos, 2005.
BOMFIN, David Ferreira; NUNES, Paula Cristine de Ávila;
HASTENREITER,Flávio. Gerenciamento de Projetos segundo
o Guia PMBOK: Desafios para os Gestores. Revista de
Gestão e Projetos - GeP, São Paulo, v. 3, n. 3, p 58-87,
set./dez.
2012.Disponível
em:
&lt;http://revistagep.org/ojs/index.php/gep/article/view/78/307
CHER, Rogério. Empreendedorismo na veia: um
aprendizado constante. Rio de Janeiro: SEBRAE, 2008.

FREITAS, Thiago Rodrigo de. Plano de contingência de
negócios e serviços. Monografia (Curso Superior de
Tecnologia
em
Sistemas
deTelecomunicações).
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba,
2013.
Disponível
em:
&lt;http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/3025/1/CT_CO
GIDO, J., CLEMENTS, J. P. Gestão de projetos. São
Paulo: Thomson Learning, 2007.
KEELING, R. Gestão de projetos: uma abordagem global.
São Paulo: Saraiva, 2005.
KERZNER, Harold. O que os gerentes precisam saber
sobre projetos.Rio de Janeiro: Bookman, 2011.
MAXIMINIANO, Antonio. Administração de projetos:
como transformar ideias em resultados. São Paulo: Atlas,
2002.
MONTEIRO, Nabor Alves; VALENTIM, Marta Lígia Pomim.
Necessidades informacionais e aprendizagem no ciclo de
vida de um projeto. Revista Digital de Biblioteconomia
&amp; Ciência da Informação, v. 5, n. 2, 2008.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um Guia do
Conhecimento em Gerenciamento de Projetos: Guia

�PMBOK®. 5. ed.[S.l.]: PMI, 2013.
SPUDEIT, Daniela. FERENHOF, Helio. A aplicação do
PMBOK® na gestão de projetos em unidades de
informação. Informação &amp; Informação, Londrina, 2016.
NO PRELO.
VARGAS,
Ricardo.
Gerenciamento
de
projetos:
estabelecendo diferenciais competitivos. 5. ed. Rio de
Janeiro: Brasport, 2003.
1 O Project Management Institute (PMI) é uma instituição
internacional sem fins lucrativos que associa profissionais de gestão
de projetos. No início de 2011 já era considerada a maior associação
do gênero no mundo, uma vez que conta com mais de 650.000
associados – em mais de 185 países. O escritório central localiza-se
em Newtown Square, na periferia da cidade da Filadélfia, em
Pensilvânia (Estados Unidos). Seus principias objetivos são: formular
padrões profissionais de gestão de projetos; gerar conhecimento por
intermédio da investigação; promover a gestão de projetos como
profissão através de seus programas de certificação.
2
Disponível
em
http://www.pmipe.org.br/site/noticia/visualizar/id/27/PM-SURVEY--Resultados-da-edicao-2013
3 Disponível em http://www.pmsurvey.org/

�6 - O PENSAMENTO ENXUTO
COMO FORMA DE OTIMIZAR O
USO DE RECURSOS E
SIMPLIFICAR OPERAÇÕES EM
UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Crislaine Silveira
Jordan Paulesky Juliani
Marcelo Cavaglieri

1. INTRODUÇÃO

As bibliotecas são organizações seculares e um tanto
quanto peculiares. A peculiaridade se configura por que
desde a sua origem, praticamente, os mesmos produtos e
serviços têm sido realizados e entregues aos seus
interagentes. Encontramos, mesmo em bibliotecas de
diferentes tipos, os mesmos processos sendo realizados: a
catalogação, o empréstimo e aquisição de obras, por
exemplo. Temos, portanto um "modus operandi" replicado
em diferentes bibliotecas.
Devido ao novo perfil de interagente, essencialmente
tecnológico, dotado de novas expectativas e demandas
vem ocorrendo mudanças na sua forma de funcionamento.
Barton (2007) confirma esse entendimento quando explica
que as bibliotecas estão enfrentando um período de
transformação. A ubiquidade eletrônica e a informação
disposta em rede têm mudado as expectativas dos clientes

�que esperam, cada vez mais, por uma ampla variedade de
materiais e serviços. Esta constatação é importante para
os departamentos de serviços técnicos que lidam com
aquisições, catalogação e manutenção, pois deverão
trabalhar de forma eficiente, fazendo ajustes para
assegurar o fluxo contínuo de materiais e potencializar a
eliminação dos desperdícios de recursos.
Entre as melhores práticas de gestão focadas na eficiência
organizacional está o pensamento enxuto ou Lean thinking.
Trata-se de uma filosofia de gestão que preconiza a
eliminação do desperdício de recursos e a maximização do
valor entregue aos clientes. O Lean pode ser definido como
uma filosofia de gestão que busca entregar valor sob a
ótica do cliente, otimizando a utilização dos recursos. O
objetivo é diminuir o lead time (tempo de espera) entre o
pedido do cliente e a entrega do produto ou serviço,
eliminando todos os desperdícios possíveis. (WOMACK;
JONES, 2004).
A biblioteca da Universidade de Chicago desde 2003tem
buscado o emprego de técnicas voltadas ao melhoramento
de diferentes aspectos da sua gestão. Ao aumentar a
rapidez das operações, as bibliotecas podem responder a
demanda dos seus interagentes, no sentido de terem os
materiais desejados à disposição no tempo de que
precisam e no tempo em que esperam encontrá-lo. As
experiências se iniciaram com o emprego da técnica de
mapeamento de processos e migraram para a incorporação
dos princípios do pensamento enxuto, focando na redução
do tempo de processamento de itens. Os resultados
alcançados foram expressivos, sendo que o tempo total de
processamento de itens diminuiu de 14 para 1 dia em
média. (KRESS, 2007).
Outro exemplo bem sucedido do emprego da filosofia
Lean em bibliotecas foi descrito por Tuai (2006),
envolvendo a biblioteca da Universidade de NotreDame.
Nesta biblioteca foram empregados os princípios do
pensamento enxuto com o intuito de implementar

�melhorias no processo de reservas eletrônicas1 de itens do
acervo. A autora relata que durante essa experiência foram
identificadas inúmeras atividades sem valor, atividades
realizadas desnecessariamente, existência de filas (fluxo
intermitente) e a geração de informações duplicadas
durante a execução do processo de reservas eletrônicas. O
emprego do Lean, neste caso, tornou o processo de
reservas eletrônicas ágil, mais simples e por consequência
mais eficiente.
O propósito deste estudo é apresentar e discutir as
possibilidades de emprego da filosofia Lean no espaço da
biblioteca. Busca-se provocar a reflexão do papel da
biblioteca e como ela entrega valor aos seus interagentes.
Esse é o ponto de partida para pensar numa biblioteca
enxuta: simples, ágil e que atenda aos anseios de seus
interagentes.

2. Lean THINKING
O Lean thinking, pensamento enxuto, também conhecido
como mentalidade enxuta, é uma filosofia de gestão que
visa à eliminação de desperdícios em todos os
procedimentos de uma organização. Nasceu com o Sistema
Toyota de Produção (STP); essa filosofia preconiza uma
avaliação cuidadosa, desde as atividades mais básicas até
as mais complexas, com a finalidade de identificar os
desperdícios e o valor a partir da ótica dos clientes e
interagentes.
Scuccuglia (2006, p. 12) define pensamento enxuto como
“[...] uma forma de especificar valor, alinhar na melhor
sequência as ações que criam valor, realizar essas
atividades sem interrupção toda vez que alguém a solicita
e realizá-las de forma cada vez mais eficaz.” O autor
afirma ainda que o “[...] pensamento enxuto é enxuto,
porque é a forma de se fazer cada vez mais com cada vez
menos.”
Na visão de Womack e Jones (2003), o ponto de partida

�para o pensamento enxuto é o valor final que o produto ou
serviço deve ter, sendo que o valor só pode ser definido
pelo cliente consumidor; assim sendo, é imprescindível às
organizações conhecerem seus clientes, a fim deque eles
recebam somente o desejado no momento e na quantidade
estipulada.

2.1 Origens
O desenvolvimento do pensamento enxuto teve como
base o STP. Sua história está intrinsecamente ligada ao
crescimento do sistema de produção de automóveis,
vivenciado no início dos anos de 1940 pela indústria
montadora de veículos Toyota e, também, à mudança de
modelos, à forma de gerenciar os processos, possibilitando
maior produtividade e redução de custos.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, o Japão
enfrentava um cenário de escassez de recursos de
produção e de capital à produção em massa. Para se
manter no mercado, o presidente da Toyota, na época, o
engenheiro EijiToyoda foi estudar o parque de produção
Rouge da Ford nos Estados Unidos, considerado o mais
eficiente do mundo na produção de automóveis da época.
No final de sua avaliação, retornou ao seu país junto ao
engenheiro de produção Taiichi Ohno, concluindo que a
produção em massa, em termos de desenvolvimento
econômico, não oferecia no Japão, os mesmos resultados
que nos Estados Unidos. Em vista disso, era preciso pensar
um novo sistema de produção mais eficiente à realidade do
país. (GREEF; FREITAS; ROMANEL, 2012).
Em 1945, com o Japão saindo derrotado da Guerra,
Kiichiro Toyoda, presidente da Toyota, disse ter de
alcançar a produtividade dos americanos em três anos, que
até aquele momento era 9 vezes mais eficiente, caso
contrário a indústria automobilística do Japão não
sobreviveria à crise que se alastrava pelo mundo (OHNO,
2006). Para alcançar essa meta que no início parecia quase
impossível, realizaram-se estudos no processo produtivo

�da Toyota, e o raciocínio dos engenheiros foi de que o
aumento da produtividade não bastaria para agregar valor
à produção. Já, a redução de custos na produção e o
alinhamento da oferta de produtos e demanda real de sua
comercialização (na quantidade exigida e no tempo certo
de distribuição) representariam os ganhos significativos à
sobrevivência da indústria automobilística no país (GREEF;
FREITAS; ROMANEL, 2012).
Não foi fácil, nem unânime aceitar e visualizar as falhas
de produção, pois era contrário àquilo que eles sempre
pregavam - o sistema de produção em massa -,
amplamente praticado no Ocidente, desenvolvido por
Frederick Taylor e Henry Ford no início do século XX e que
predominou no mundo por quase todo esse século. Em
consequência, durante o período pós-crise, a Toyota se
tornou muito mais competitiva comparada às indústrias
europeias e norte-americanas que mantinham os sistemas
de produção em massa inalterados. (OHNO, 2006;
SHIMOKAWA; FUJIMOTO, 2011; WOMACK; JONES; ROOS,
2004).
Com o auxílio dos próprios funcionários, novos modelos
de produção para facilitar as atividades rotineiras e
eliminação de desperdício foram implantados. Isso só foi
possível com a mudança da mentalidade das pessoas, que
passaram a ter maior participação e poder de decisão nos
processos e, consequentemente, tiveram mais aceitação e
interesse na adaptação ao novo sistema de produção mais
enxuto. Assim, a Toyota desenvolveu uma série de
técnicas de aperfeiçoamento da produção, consolidando o
Sistema Toyota de Produção e o Modelo Toyota, que deram
origem ao conceito de produção enxuta e pensamento
enxuto. (GREEF; FREITAS; ROMANEL, 2012).

2.2 Pensamento enxuto e seus Princípios
O pensamento enxuto, além de estar alinhado à
eliminação de desperdícios nas organizações, preconiza a
qualidade dos produtos e serviços, pois o fazer bem pela

�primeira vez elimina o desperdício de refazer determinada
tarefa, culminando numa perda de tempo muito menor e
na maior satisfação dos clientes.
No quadro 1, é possível visualizar uma comparação entre
o pensamento tradicional que, por algum tempo,
predominou nas empresas (sendo que algumas empresas
ainda seguem essa política conservadora por possuir
gestores tradicionalistas) com o pensamento enxuto, que
surge como uma nova forma de gestão e vem ganhando
constantemente novos adeptos.
Pensamento Tradicional
Divisão por áreas funcionais.

Os gestores emanam ordens/
diretrizes.
Foco na produção em massa sem
grande preocupação com a qualidade.
Culpabilidade das pessoas.

Pensamento Enxuto
Equipes multidisciplinares, capazes de
desempenhar várias funções quando necessário.
Os gestores ensinam/colaboram e buscam
sugestões da equipe.
Busca pela melhoria contínua com a ausência
de desperdício.
Análise das causas e das origens dos
problemas com a finalidade de resolvê-los.

A recompensa é atribuída ao
indivíduo.

A recompensa é atribuída à equipe.

O fornecedor é considerado como
adversário.

O fornecedor deve ser um parceiro comercial.

Esconder a informação e mantê-la
confidencial.

Compartilhar a Informação com a equipe.

A quantidade diminui os custos.

A qualidade e a eliminação do desperdício
diminuem o custo.

O foco é interno, na organização.

O foco está no cliente e em sua satisfação.

Atividade impulsionada pela
experiência.

Atividade impulsionada por processos que
devem fluir de maneira eficiente.

Quadro 1 - Pensamento Tradicional x Pensamento
Enxuto
Fonte: adaptado de Simões (2009).

O pensamento enxuto engloba grande variedade de
práticas, sistemas de qualidade e gestão da produção em

�um sistema integrado, que trabalha em sinergia para servir
o cliente com pouca ou nenhuma perda no processo. A
integração de tais práticas facilita os gestores a administrar
de forma eficiente os processos, culminando em uma nova
reengenharia das atividades, com participação efetiva das
pessoas que os executam. (SHAH; WARD, 2003).
O pensamento enxuto possui alguns princípios que dão
apoio ao seu conceito, embasados na identificação e
eliminação de desperdícios no decorrer de todo o processo
de fabricação de um produto ou mais recentemente de um
serviço. Tais princípios são discutidos por Womack e Jones
(2003):
a. determinar o que é valor para o cliente:
inicialmente, a empresa deve identificar e definir o
que realmente agregaria valor de determinado
produto sob o ponto de vista do cliente. Em
seguida, criar mecanismos que, efetivamente,
gerem resultados, pelos quais o cliente esteja
disposto a pagar;
b. identificar o fluxo de valor: neste processo devem
ser analisadas, minunciosamente, todas as etapas e
o fluxo que compõe a fabricação de um produto, a
fim de que seja possível a visualização de ações que
agreguem ou não valor na condução do produto,
identificando os desperdícios com a finalidade de
eliminá-los;
c. implantar fluxo contínuo: identificando o que gera
valor ao produto é possível eliminar os obstáculos
que dificultam e atrasam o processamento, gerando
um fluxo mais eficiente;
d. produção puxada: nessa etapa, o cliente deve puxar
a produção, ou seja, a produção deve ser efetuada
de acordo com a demanda (Just in time), evitando
superprodução e estoques;
e. perfeição: é enfatizada, por meio desse princípio,

�que sempre devem ser procurados elementos que
possam ser aperfeiçoados, pois as possibilidades de
melhoria são continuamente infinitas.
A aplicação dos princípios Lean é irrestrita ao modelo de
negócio e ao porte da empresa, pois trabalha com técnicas
que ajudam a mobilizar as pessoas na busca constante de
melhores resultados. Tem agregado valor também às
empresas que buscam maior comprometimento com a
qualidade de seus produtos e serviços, pois a
conscientização das pessoas em fazer bem para não
precisar refazer está, intrinsecamente, ligada ao modelo de
gestão.
Os princípios do pensamento enxuto permitem uma nova
abordagem às empresas que não estão mais baseadas,
exclusivamente, na aplicação de ferramentas isoladas na
solução dos problemas de gestão e produção, mas sim, no
conjunto de técnicas e ferramentas que possibilitam
entender o sistema como um todo e interligar todos os
processos num fluxo contínuo eficiente.

2.3 Técnicas e ferramentas
Os conceitos do pensamento enxuto extrapolam o campo
da teoria e expõem ferramentas práticas que auxiliam as
empresas e os gestores a transformá-las em enxutas. Esta
seção resume as principais técnicas e ferramentas
possíveis de utilização para tornar um ambiente enxuto e
mais organizado, conforme lista abaixo:
a. Os 5S: a filosofia de 5S surgiu no Japão com a
essência de mudar atitudes e condutas das pessoas
no ambiente de trabalho, cujo objetivo é
acrescentar eficiência à produção, motivando e
conscientizando as pessoas a manterem o ambiente
organizado, ordenado e acessível, gerando um
clima
organizacional
mais
saudável.
Essa
organização é a base para melhorias contínuas.

�b. Trabalho Padronizado: A padronização das
tarefas facilita a execução do processo, pois além
de ser escolhido o melhor método, permite que
outras pessoas executem a mesma atividade sem
depender de quem as criou. Para isso, a
padronização deve ser documentada e detalhada,
de modo a permitir sua fácil identificação e
implantação.
c. Células de Trabalho: a eficiência na execução de
tarefas também depende da forma como elas são
organizadas e da disposição das pessoas na linha de
produção. Para tal, antes da divisão, é preciso
avaliar as habilidades das pessoas, alinhando-as de
acordo com seu melhor desempenho, a fim de
evitar desperdícios de força humana e gerando um
produto com mais qualidade.
d. Gestão Visual: um sistema visual sendo usado de
mecanismo de comunicação, que possibilite aos
colaboradores
visão
ampla
dos
processos,
auxiliando-os na execução das tarefas e os
mantendo mais engajados nas atividades de
produção.
e. Mapeamento do Fluxo de Valor: é uma
ferramenta que possibilita revelar oportunidades de
melhoria. Mediante o mapeamento da situação
atual,é possível visualizar o que pode ser
melhorado, para assim desenhar a situação ideal ou
estado futuro. Assim, é possível visualizar melhor
as interlocuções indesejadas no caminho e eliminálas, para que o produto ou serviço seja entregue
com mais qualidade e valor agregado ao cliente
final.
f. Método FIFO (First in – First out): este método
consiste em estipular uma relação do fluxo
sistemático de produção e de informação, seguindo
uma ordem igualitária, em que os primeiros
processos a serem registrados na entrada, devem

�ser os primeiros também a serem finalizados.
g. Just In Time: é uma filosofia de gestão que
determina nada deve ser produzido, transportado
ou comprado em excesso ou no momento
inadequado. Tudo deve seguir um fluxo planejado
para evitar desperdícios, de acordo com as
perspectivas da demanda do cliente. Dessa
maneira, é possível entregar o que o cliente quer no
exato momento em que ele deseja.
h. Fluxo contínuo: é uma técnica que preconiza
movimentar um item ao longo do processo de
produção, continuamente, sem interrupções ou
estoques intermediários, em que pessoas, máquinas
ou estações de trabalho são dispostas na exata
sequência de processamento.
i. Fluxo puxado: por meio desse sistema é possível
inverter o fluxo produtivo, de modo que a
organização deixa de empurrar os produtos ao
consumidor e quem passa a puxar o fluxo de valor
e a produção é o cliente, ou seja, só será fabricado
um novo produto, havendo um pedido do cliente já
feito.
j. Kanban: é uma ferramenta visual com instruções
colocadas geralmente dentro de um envelope
transparente de vinil ou plástico que, num olhar
rápido, comunicam as informações necessárias na
estação de trabalho. Essas informações podem
estar relacionadas tanto ao fluxo de produção,
quanto ao controle de saídas e entradas de
produtos ou documentos.
k. Takt Time: é uma medida usada para projetar o
trabalho com a avaliação especificada no ritmo da
demanda do cliente.
A fórmula abaixo especifica como calcular o takt
time:

�Takt time = Tempo total disponível /
Demanda do cliente
Dependendo do resultado obtido da fórmula, é possível
ditar um ritmo menor ou maior na linha de produção.
l. Jidoka: consiste na automatização das tarefas com
um toque humano, isto é,realização automática de
tarefas somada à inteligência e ao conhecimento
humano.
m. Heijunka: serve para nivelar o planejamento da
produção, de modo que o mix (variedade de peças)
e o volume de peças sejam constantes ao longo do
tempo. Preconiza a produção de lotes pequenos
para que, no caso de alguma falha, seja mais fácil
corrigir o problema por completo.
n. Kaizen: com significado de melhoria contínua,
funciona como elemento cultural, a fim deque a
organização como um todo, sempre, busque
resultados melhores.
o. 5 Porquês: consiste numa sequencia de perguntas
do
“porquê”
está
acontecendo
determinado
problema. A finalidade é identificar a causa raiz do
problema e posterior atuação sobre ela, para que
não haja nova recorrência.
p. Qualidade da Fonte: uma técnica que reforça a
necessidade de buscar fontes confiáveis e
relevantes para o desenvolvimento de cada
atividade do processo e, também, na tomada de
decisões estratégicas da empresa.

2.3 Como aplicar o Lean
Para que possa ocorrer uma mudança organizacional em
qualquer modelo de instituição, é preciso a compreensão e
participação dos colaboradores. Sem esta participação

�dificilmente algum gestor conseguirá implantar um novo
sistema de trabalho com sucesso. Neste sentido, primeiro
passo à implantação do Lean em qualquer tipo de
organização é o treinamento e conscientização dos
colaboradores do pensamento Lean, para que eles possam
entender sua importância e participar de forma efetiva
neste processo.
Os passos seguintes devem se pautar inicialmente em
algum problema crítico, identificado pela organização, que
esteja gerando desperdício e que não esteja agregando
valor ao cliente. Identificado o problema, é possível saber
qual trabalho pode ser feito ou solução a ser adotada. Em
seguida, é preciso pensar nos recursos necessários e
desenhar um modelo de gestão futura, para que a empresa
possa otimizar os recursos e ter um desempenho melhor
ao atual, conforme ilustrado na figura abaixo. (ALBINO,
2011; MARTINS et al., 2012; TAPPING; SHUKER, 2010).

Figura 1 – Passos à implantação do Lean
Fonte: Cavaglieri (2015).

Na figura 1 estão sintetizados os passos que podem ser

�seguidos pelas organizações na implantação do Lean,
brevemente descritos a seguir:
Treinamento e conscientização dos colaboradores para o
pensamento Lean.
Mapeamento do estado atual: define como o fluxo de
valor está caracterizado na empresa, antes de qualquer
mudança. No mapeamento do estado atual, são
identificadas as tarefas realizadas pela empresa. É
levantado o tempo necessário para a sua execução e é
identificada se a tarefa acrescenta ou não valor ao fluxo.
(WOMACK; JONES, 2003).
Mapeamento do estado futuro: a partir do mapeamento
atual, deve-se excluir/adequar as tarefas, objetivando
eliminar o desperdício de recursos. O resultado desse
processo é o mapeamento do estado futuro.
Plano de ação: nesta etapa são descritas as ações (o que
fazer, quando fazer, por que fazer, quem irá fazer, como
irá fazer e quanto custará) para que o estado futuro seja
alcançado.
No entanto, dependendo da realidade da empresa, esses
passos podem sofrer alterações, pois dependerão do
ambiente, técnicas e ferramentas que forem escolhidas
para alcançar os resultados esperados e, principalmente,
quais são as necessidades dos clientes para, a partir delas
traçar metas que possam ser cumpridas com a melhoria
nos processos. Para que a empresa consiga resultados em
longo prazo, independente dos passos que forem adotados,
o ciclo deve ser contínuo, sempre avaliando e buscando
novas melhorias.

3. APLICAÇÃO DO Lean EM BIBLIOTECAS
Na literatura nacional, as publicações sobre Lean em
bibliotecas são exíguas. Numa busca na internet2 foram
encontrados dois artigos dos autores Moisés da Silva
Cabete, Nadja Polyana Felizola Cabete e Daniel Reis

�Armond de Melo. O primeiro artigo é do ano de 2014, no
qual os autores realizaram uma pesquisa com bibliotecários
gestores de bibliotecas em Manaus, tendo como objetivo a
verificação da percepção deles acerca da aplicação do Lean
Office nessas unidades de informação. Com base nesta
análise, foi constatada a concordância dos bibliotecários
em utilizar o Lean Office como uma estratégia para
aprimorar os serviços bibliotecários. O segundo artigo
desses autores é do ano de 2016, cujo objetivo foi a
discussão das possibilidades de utilização dos princípios
Lean Thinking no aprimoramento do processo de
desenvolvimento de coleções para o acervo de bibliotecas
escolares, a partir de uma análise bibliográfica.
No entanto, o que se observa com as publicações desses
artigos é que na literatura brasileira, além de escassas, as
publicações sobre o Lean em bibliotecas, não há
publicações de relatos práticos sobre a aplicação dessa
filosofia nessas unidades de informação. Dito isto, supõese que, nas bibliotecas brasileiras, essa filosofia gestão que
foca na eliminação dos desperdícios e maximização do uso
dos recursos, ainda seja desconhecida. Portanto, busca-se
com esta seção apresentar alguns relatos práticos de uso
do Lean em bibliotecas, encontrados na literatura
internacional.
Alexander e Williams (2005) relatam a aplicação do Lean
no Departamento de Processos Técnicos da Biblioteca da
Universidade do Estado de Wichita (WSU) nos Estados
Unidos. Eles descrevem que foi realizado um workshop
com duração de três dias, em que foram apresentados os
conceitos do Lean e discutidos entre os participantes os
motivos que mais causavam desperdícios nas atividades
diárias do setor. O layout dos móveis do setor e os
estoques de materiais prontos foram identificados como
causadores de desperdícios. Conforme os autores, a
melhoria nesses pontos observados contribuiu à diminuição
do tempo de processamento dos materiais, que passou de
25 para 15 dias.

�Barton, Wright e Roeder (2007) relatam que utilizaram o
evento Kaizen para melhorar o fluxo de trabalho no
Departamento Central de Serviços Técnicos da biblioteca
da Universidade de Iowa. O evento Kaizenaconteceu num
momento de modificações da estrutura organizacional da
biblioteca, onde alguns setores foram fundidos e outros
extintos. A aplicação dessa abordagem do Lean teve como
objetivo a identificação das tarefas redundantes e
trabalhos repetitivos naquele departamento. A experiência
relatada por esses autores demonstra que a filosofia Lean
também pode ser empregada para auxiliar a gestão na
reestruturação organizacional.
Murphy (2010) relata o uso do Lean Six Sigma3 na
melhoria do fluxo de informação no Serviço de Referência
Virtual da Biblioteca da Universidade do Estado de Ohio. A
autora afirma que o emprego dessa ferramenta pode
contribuir para que as bibliotecas fomentem cada vez mais
a progressão contínua de seus processos.
A Biblioteca Nacional do Reino Unido, a British Library,
também utilizou o Lean para diminuir os desperdícios. O
ex-engenheiro da Toyota, Andy Appleyard, quando passou
a fazer parte da equipe da biblioteca, usou várias formas
para engajar as pessoas a promoverem melhorias
contínuas na realização das suas atividades. (NORTH OF
ENGLAND EXCELLENCE, 2014).
Com base nos relatos apresentados, pode observar-se
que a filosofia Lean pode ser aplicada para auxiliar os
bibliotecários na gestão de bibliotecas, seja na redução do
tempo de processamento de materiais no Tratamento
Técnico, seja na reestruturação organizacional da
biblioteca ou para contribuir com o fluxo de informação no
Serviço de Referência. No entanto, para que tudo isso
funcione, são necessários alguns cuidados na implantação
dessa filosofia, conforme serão descritos na seção a seguir.

4. A IMPLANTAÇÃO DA FILOSOFIA Lean EM

�BIBLIOTECAS: alguns cuidados4
A implantação do Lean em bibliotecas requer alguns
cuidados, dentre eles, o mais importante é incentivar o
engajamento das pessoas na cultura da melhoria contínua.
Lean não é uma metodologia, cujas ferramentas são
implantadas conforme uma receita ou um passo a passo, é
uma filosofia de gestão que requer mudança no
comportamento e na forma de pensar das pessoas.
De acordo com Cervone (2015), para a implantação Lean
é necessário que o conhecimento na organização seja
amplamente compartilhado. Portanto, é necessário criar e
incentivar uma cultura organizacional voltada ao
compartilhamento. Além disso, é preciso que as pessoas
entendam claramente os objetivos da filosofia Lean,
evitando assim a criação de barreiras.
Cervone (2015) explica que os fatores de sucesso à
implantação do Lean em bibliotecas e serviços de
informação se baseiam em dois princípios: a) o esforço
para a melhoria contínua e b) as pessoas que estão
participando do processo devem ser sempre respeitadas. A
autora complementa, ainda, que os esforços para a
consecução do Lean devem ser sempre direcionados à
descoberta e resolução dos problemas que impedem a
organização de atingir seus objetivos.
Em relação ao respeito às pessoas que participam dos
processos, Kress (2007) relata que, em qualquer esforço
de melhoria de processos, as pessoas que trabalham
diretamente no processo devem ser parte da equipe focada
na mudança. Além disso, ela aponta a importância da
biblioteca na identificação das melhores práticas, a fim que
se possa ser estabelecida uma meta a ser atingida.
Murphy (2010) descreve que para a implantação do Lean
e obter sucesso, é essencial a participação da alta
administração para fornecer suporte na seleção e
fornecimento de recursos humanos e financeiros. Além do

�que, de acordo com a autora, é preciso que as iniciativas à
melhoria contínua estejam alinhadas às estratégias da
biblioteca.
Alexander e Williams (2005) afirmam que durante a
aplicação do Lean no Departamento de Processos Técnicos
da Biblioteca da Universidade do Estado de Wichita, eles
aprenderam que:
é importante definir um escopo para o projeto de
implantação do Lean com antecedência;
as pessoas pensam de forma mais eficiente, em conjunto,
do que individualmente;
uma pessoa com autoridade na tomada de decisão tem de
estar na equipe, sendo capaz de resolver problemas que
possam surgir.
há muitas ideias à melhoria que podem florescer se for
dada uma chance às pessoas de discutir e expor suas
opiniões.
Em suma, é possível afirmar que para a implementação
da filosofia Lean é necessário o planejamento de como
ocorrerão às ações, bem como a identificação dos pontos
críticos a serem melhorados. É imprescindível o
engajamento das pessoas e a formação de equipes, cujo
pensamento deve estar voltado à resolução dos problemas.
A maneira de contribuir à aplicação no Lean nas
bibliotecas está descrita no quadro 8, contendo alguns
princípios que podem ajudar os bibliotecários na obtenção
de melhores resultados.
Princípios do Lean Library
1

Conhecer o perfil dos interagentes.

2

Reconhecer o valor da informação passada.

3

Identificar desperdício de materiais e recursos humanos.

4

Eliminar atividades que não agregam valor.

5

Aumentar a efetividade nas buscas.

�6

Busca pela perfeição.

Quadro 8 - Princípios do Lean Library
Fonte: autores (2016).

a. conhecer o perfil dos interagentes: antes de
qualquer ação é indispensável saber quais são os
interagentes e suas necessidades, pois as ações da
biblioteca devem estar voltadas a este perfil;
b. reconhecer o valor da informação passada: é
preciso ter segurança da qualidade da informação
que será passada ao interagente, a fim deque não
haja desperdício de tempo de ambas as partes;
c. identificar desperdício de materiais e recursos: usar
apenas os materiais de consumo e recursos
essenciais no desenvolvimento das atividades;
d. eliminar atividades que não agregam valor: com a
visualização das atividades é agregado valor ao
interagente e ao processo ,eliminando as que não
apresentam valor;
e. aumentar a efetividade nas buscas: para isso, é
preciso ter maior eficácia no processamento técnico
das coleções, de modo a facilitar o seu acesso,
localização, utilização e intercâmbio.
f. busca pela perfeição: almejar a perfeição em todas
as atividades desenvolvidas. As técnicas e
ferramentas Lean auxiliam para transformar o
ambiente enxuto, porém o sucesso só se torna
sustentável se as pessoas e a organização
continuarem na busca constante por novas
melhorias.
Os princípios relatados acima tiveram como base os
originados do STP e suas adaptações para outros
segmentos - Lean Manufacturing, Lean Office, Lean
Construction; Lean Healthcare; Lean Service e Lean

�Archives; podendo ser úteis no direcionamento a outros
trabalhos no mesmo segmento e ajudar sua aplicação,
tendo em vista a dificuldade de encontrar trabalhos na
literatura, brasileira e estrangeira que proporcionem
melhor entendimento sobre o assunto.

5. CONSIDERAÇÕES
O levantamento feito das publicações sobre Lean na
literatura nacional apontam que o emprego dessa filosofia
de gestão nas bibliotecas brasileiras ainda está em fase
embrionária. Ao mesmo tempo que os resultados
significativos, no sentido da simplificação da operação de
bibliotecas estrangeiras, a partir do emprego das técnicas e
ferramentas Lean, evidenciam a importância de se
desenvolver o pensamento enxuto em unidades de
informação. (UIs).
Deve ser reforçado que o emprego do Lean em UIs
demanda inicialmente o apoio da alta gestão. O
desenvolvimento de uma cultura e clima organizacional
voltado ao Lean depende do suporte daqueles que pensam
a biblioteca sob a perspectiva estratégica. Os altos
gestores precisam estar convencidos da importância da
adoção do pensamento enxuto na biblioteca, para que
possam disseminar a filosofia pela unidade de informação.
Para tanto, a adoção do Lean precisa ser sistematizada,
partindo da realização de workshops com os colaboradores,
de modo a difundir o conceito e suas ferramentas até a
operacionalização do kaizen ou “melhoria contínua”, por
meio de programas institucionais que possibilitem o
aprimoramento diário e constante das atividades
organizacionais, focando no aumento da produtividade. Um
time motivado para o Lean é elemento chave de sucesso;
espaços precisam ser criados na organização para que a
interação e a colaboração ocorram entre a equipe. Deve
considerar-se que no pensamento tradicional os gestores
emanam ordens/diretrizes; no pensamento enxuto, os
gestores ensinam/colaboram e buscam sugestões da

�equipe.
Outro aspecto a ser destacado é a importância da Jidoka
(autonomação ou automação com toque humano) no
processo de emprego do Lean, especialmente no contexto
das UIs. O bibliotecário precisa estar cada vez mais atento
à possibilidade de uso das tecnologias da informação e
comunicação (TIC) nas bibliotecas, visualizando a criação
de facilidades e novos serviços para seus interagentes.
Faz-se necessário desmitificar o emprego de TIC em
unidades de informação. A implantação de muitas
tecnologias não demanda muito investimento, nem de
profissionais de TI para a sua operacionalização. QRCode,
realidade aumentada, apps voltados à Biblioteconomia, tais
como os aceleradores de leitura de documentos eletrônicos
e soluções para webconferências são exemplos de TIC, que
podem ser usadas pelas bibliotecas para facilitar ou
enriquecer a experiência dos interagentes. Neste cenário,
ainda citamos os sistemas open source(código aberto) à
gestão de acervos, construção de repositórios digitais e
bases de conhecimento.
A biblioteca precisa de inovação, sendo que a implantação
do
pensamento
enxuto
promove,
intrinsecamente,
inovação de processo. A ênfase no cliente sugere uma
biblioteca mais ágil, mais envolvente, mais simples no seu
funcionamento, cumprindo a sua missão de maneira
eficiente e eficaz, entregando informação de qualidade e no
tempo certo, de modo a atender as expectativas e anseios
dos seus interagentes.

REFERÊNCIAS
ALBINO, Maria de Fátima Vollet. A utilização do Lean
Office (escritório enxuto) em ambiente públicoadministrativo. 2011. 104f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Mecânica)- Universidade de Taubaté, Taubaté,
2011.
ALEXANDER,

G;

WILLIAMS,

J.

H.The

impact

of

an

�accelerated improvement workshop on ordering and
receiving.Library
Collections,
Acquisitions,
&amp;
Technical Services, v. 29, n.3, 2005.Disponível em:
&lt;http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14649055.2005.1076
BARTON, Hope; ROEDER, Randy; WRIGHT, Michael. It
never ends: Technical services and planning in a changing
environment. Against the Grain, v. 19, n. 5,
2007.Disponível
em:
&lt;http://docs.lib.purdue.edu/cgi/viewcontent.cgi?
article=5278&amp;context=atg&gt;. Acesso em: 23 jul. 2016.

CABETE, Moisés da Silva; MELO, Daniel Reis Armond;
CABETE, N. P. F. Lean office e cinco leis da
Biblioteconomia: possibilidades para gestão de Bibliotecas.
In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
(ENEGEP), 34., Curitiba, 2014. Anais.... Curitiba: ABEPRO,
2014.
Disponível
em:
&lt;http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2014_TN_STO_202_14
Acesso em: 20 jul. 2016.
CABETE, Moisés da Silva; CABETE, N. P. F.; MELO, Daniel
Reis Armond. Acervo enxuto para biblioteca escolar.
Biblionline, João Pessoa, v. 12, n. 2, p. 26-36, 2016.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/27702
CAVAGLIERI, Marcelo. Lean archives: o emprego do Lean
Office na gestão de arquivos. 202 p. Dissertação (Mestrado
Profissional em Gestão de Unidades de Informação) Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis,
2015.
CERVONE, H. Frank . Information organizations and the
Lean approach to service delivery. OCLC Systems &amp;
Services: International digital library perspectives, v. 31,
n.
4,
p.
158-162,
2015.
Disponível
em:
&lt;http://dx.doi.org/10.1108/OCLC-07-2015-0007&gt;.
GREEF, Ana Carolina; FREITAS, Maria do Carmo Duarte;
ROMANEL, Fabiano Barreto. Lean Office: operação,
gerenciamento e tecnologias. São Paulo: Atlas, 2012.

�KRESS, Nancy J. Lean Thinking in Libraries: a Case Study
on Improving Shelving. Turnaround. Journal of Access
Services, v. 5, n. 1/2, 2007.
MARTINS, Carlos Fernando et al. Implantação do Lean
Office: uma Aplicação de Caso no SENAI-SANTA
CATARINA. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA
EM GESTÃO, VIII, 2012, Rio de Janeiro. Anais...Rio de
Janeiro, 2012.
MURPHY, Sarah Anne. Leveraging Lean Six Sigma to
Culture, Nurture, and Sustain Assessment and Change in
the Academic Library Environment. College&amp;Research
Libraries, v. 70, n. 3, 2010. Disponível em:
&lt;http://crl.acrl.org/index.php/crl/article/view/16006/17452
Acesso em: 25 jul. 2016.
NORTH OF ENGLAND EXCELLENCE.Applying Lean to
libraries.2014.Disponível
em:
&lt;http://www.northofenglandexcellence.co.uk/news/applyinglean-to-libraries/137&gt;.
OHNO, Taiic. O Sistema Toyota de Produção: além da
produção em larga escala. Porto Alegre: Bookman, 2006.
SCUCCUGLIA, Marcelo. Aplicação da metodologia Lean
Manufacturing em processos administrativos. 2006.
116f. Dissertação (Mestrado Profissional em Engenharia
Mecânica)Faculdade
de
Engenharia
Mecânica,
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.
SHAH, Rachna; WARD, Peter T. Lean manufacturing:
context, practice bundles, and performance. Journal of
Operations Management, v. 21, p. 129-149, 2003.
SHIMOKAWA, Koichi; FUJIMOTO, Takahiro. O nascimento
do Lean: Conversas com TaiichiOhno, EijiToyoda e outras
pessoas que deram forma ao Modelo Toyota de Gestão.
Porto Alegre: Bookman, 2011.
SIMÕES, Miguel Coutinho do Amaral. Lean Healthcare: o
conceito Lean aplicado à realidade dos serviços de saúde.
Dissertação (Mestrado em Gestão da Tecnologia, Inovação

�e Conhecimento). Departamento de Economia, Gestão e
Engenharia Industrial - Universidade de Aveiro, 2009.
TAPPING,
Don;
SHUKER,
Tom.
Lean
Office:
gerenciamento do fluxo de valor para áreas administrativas
– 8 passos para planejar, mapear e sustentar melhorias
Lean nas áreas administrativas. São Paulo: Editora
Leopardo, 2010.
TUAI,
Cameron
K.
ImplementingProcessImprovementintoElectronic Reserves
- A Case Study. Journal of InterlibraryLoan,
DocumentDelivery&amp;Electronic Reserve, v. 16, n. 4,
2006.
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; ROOS, D. A máquina que
mudou o mundo. 10. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus
/ Elsevier, 2004.
WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. A mentalidade
enxuta nas empresas: Elimine o Desperdício e Crie
Riqueza. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
1 Reservas eletrônicas é um serviço oferecido pela Biblioteca da
Universidade de NotreDame, cujo objetivo é digitalizar obras e
desenvolver materiais didáticos que subsidiam o ensino nesta
universidade
2 Inicialmente a busca foi realizada na Biblioteca Digital Brasileira de
Teses e Dissertações, não houve resultados positivos para a aplicação
do Lean em bibliotecas. Posteriormente foi realizada uma busca no
Scielo e também não houve resultados. Por fim, busca foi realizada
no buscador Google, usando como estratégia: Lean e biblioteca e os
resultados na literatura nacional são estes descritos no texto.
3 O Lean Six Sigma (Lean Seis Sigma, tradução livre) tem como
objetivo eliminar os desperdícios a partir da padronização dos seus
produtos e serviços.
4 Os cuidados descritos nesta seção são baseados na experiência
dos autores que relataram na literatura a implantação do Lean.

�7 - CONTABILIDADE PARA
BIBLIOTECÁRIOS: NOÇÕES DE
RECEITAS, GASTOS E PERDAS
ÀS UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Eduardo Silveira
Daniele Feldman
Daniela Spudeit

1. INTRODUÇÃO

O

campo de atuação do bibliotecário está se
expandindo a diferentes espaços além das bibliotecas,
abrindo-se novas possibilidades ao exercício da profissão
por meio dos avanços das tecnologias e reformulação de
novas práticas profissionais em diversas áreas do
conhecimento, tais como editoras, imprensa, escolas,
escritórios de advocacia e contabilidade, portais,
provedores de bases de dados, sites, livrarias e nos mais
diversos ambientes, na gestão da informação (na busca,
tratamento e organização), seja na gestão eletrônica de
documentos, na gestão do conhecimento, na inteligência
competitiva e no planejamento estratégico de uma
empresa ou instituição.
Nesta perspectiva, é necessário que o bibliotecário tenha
cada vez mais visão interdisciplinar para agregar novas
competências de sua área profissional, consequentemente,
aproveitando novas oportunidades e garantir seu espaço
no mundo do trabalho. Nesse bojo, acredita-se que a busca

�de novos conhecimentos pode contribuir para que este
profissional repense a sua atuação, que pode ser na
abertura de seu próprio negócio ou mesmo como
empreendedor dentro de uma instituição.
Dornelas (2014), Fialho et al (2007), Hashimoto (2010)
utilizam
outros
termos
para
denominar
o
intraempreendedorismo, tais como empreendedorismo
coorporativo ou empreendedorismo interno, porém têm o
mesmo significado.
Pinchot (2004) explica que a busca pela inovação é cada
vez maior para ser diferenciado no mercado e se manter
atualizado em relação à produtividade e à concorrência.
Isso exige profissionais com perfis intraempreendedores
que busquem constantemente a inovação e estejam
atentos às necessidades do mercado, a fim de se tornarem
competitivos.
Intraempreendedores são profissionais com iniciativa,
visionários, destemidos, determinados, criativos, ousados e
capazes de mobilizar recursos e implantar novas ideias
dentro da instituição.
É
premente
observar
que
a
relação
entre
empreendedorismo
e
intraempreendedorismo
é
praticamente interdependente, relacionam-se. Pode ser
dito que a compreensão de uma prática permeia a outra. A
única diferença, conforme explica Pinchot (2004) é que o
intraempreendedorismo envolve a tomada de atribuição de
uma inovação por um empregado ou outro indivíduo que
trabalhe sob o controle da organização, enquanto o
empreendedorismo é a inovação feita por um indivíduo que
é dono de seu próprio negócio. Em outras palavras, o
intraempreendedor é o empreendedor que trabalha para
alguém.
O
bibliotecário
intraempreendedor
é
profissional
preparado e disposto, que observa as oportunidades ao
seu redor, a fim de criar novas possibilidades a sua área de
atuação, bem como para o desenvolvimento de

�alternativas à melhoria do que já existe. Em suma, o
bibliotecário com esse perfil é o profissional que
empreende, tanto na qualidade de seu próprio negócio
como em instituições de informação, onde viabiliza seus
serviços, seja pela contratação efetiva ou temporária.
Nessa conjectura, independente do ambiente em que o
bibliotecário
atue,
é
importante
que
ele
tenha
conhecimento sobre diferentes aspectos que envolvem a
gestão, seja de uma empresa ou de uma unidade de
informação. A partir do exposto, torna-se relevante ao
bibliotecário entender como a gestão dos recursos
financeiros se consolida. Lancaster (1993) menciona que a
existência de uma unidade de informação como, por
exemplo: uma biblioteca numa comunidade ou instituição
implica o fato de que algumas pessoas, em algum
momento, tomaram a decisão de que o custo de manter
esta instituição é justificado pelos benefícios que dela se
espera e pelo valor agregado que ela representa à
comunidade.
Partindo da premissa de que os bibliotecários devem atuar
ativamente na gestão financeira das unidades de
informação, tem-se, neste capítulo, a intenção de
apresentar noções básicas sobre contabilidade aplicadas à
Biblioteconomia. Neste sentido, expõem-se conceitos
básicos sobre: receitas, gastos (compreendidos em custos,
despesas e investimentos) e perdas, somados aos
exemplos presentes no cotidiano da atuação deste
profissional que contribuirá na sedimentação da gestão das
unidades de informação.

2. RECEITAS
A palavra receita é uma daquelas que detém vários
significados. Essa polissemia na palavra receita de nota
vários sentidos na sociedade, por exemplo: na indicação de
ingredientes no preparo de uma comida, na prescrição de
um medicamento - na área farmacêutica -, bem como no

�produto de resultados financeiros. (FERREIRA, 2009).
Na área da contabilidade, Szuster et. al. (2009, p.
39)atribui à palavra receita, “[...] geração de recursos
provenientes da venda de mercadorias (como no setor
varejista); da prestação de serviços (como em consultas
médicas) [...]. Que resulta em um aumento em caixa ou
em contas a receber”. Em outras palavras, Gonçalves e
Baptista (2007) definem as receitas como contas de
natureza credora, resultando em valores que afetam
positivamente o patrimônio de uma empresa, instituição.
Para tanto, Iudícibus (2010) salienta que as receitas
podem ser oriundas de dinheiro ou direitos a receber,
correspondendo normalmente a vendas de mercadorias ou
produtos e na prestação de serviços. Além disso, as
receitas podem se originar de juros sobre depósitos ou
títulos, de aluguéis e outras origens.
Em unidades de informação, as receitas são as entradas
positivas monetariamente, provenientes de vendas,
serviços, parcerias, títulos, dentre outras formas, estando
ligadas à informação ou não.
Ao analisar como uma unidade de informação pode gerar
receita, talvez a resposta mais eminente esteja direcionada
ao ganho de capital, oriundo de multas, referentes aos
atrasos na devolução de obras pelos interagentes1. Porém,
esta não é a única forma de gerar receita em uma unidade
de informação, outras possibilidades estão presentes, visto
que o bibliotecário é também um empreendedor.
Neste sentido, uma das formas de gerar receita em
unidades de informação está na organização de serviços ou
mesmo na venda de produtos, tais como: a venda de
livros, vídeos e outros recursos informacionais.
Independente de ser serviço ou produto, o bibliotecário
precisa entender a diferença entre essas duas maneiras de
gerar receita à unidade de informação. Na prestação de
serviços há o contato direto com o interagente, pode ser
algo personalizado, pode haver a participação do

�interessado no processo e se caracterizar como algo
intangível. Os produtos, para serem criados, não
necessariamente
exigem
o
contato/presença
do
interagente, já que podem ser produzidos e consumidos
em diferentes etapas, são tangíveis e mensuráveis,
podendo ser armazenados e até perder o prazo de
validade. (FITZSIMMONS, FITZSIMMONS, 2000; CORREA,
CAON, 2002; GIANESI, CORREA, 2007).
Como exemplos de produtos em uma unidade de
informação, tem-se a venda de livros que pode ser
efetuada em parceira com autores e editoras. Porém, vale
mencionar que para a execução desta ação, a unidade
informação deve obter permissão, conforme a legislação,
por causa do recolhimento de tributos vigentes.
As aplicações financeiras podem ser outro caminho às
unidades de informação de gerar receita. Em uma unidade
de informação, o bibliotecário pode vender alguns produtos
e com o lucro obtido planejar uma porcentagem dos
recursos
disponíveis
em
aplicações
financeiras,
resgatando-a no futuro e investindo-a na própria unidade
de informação, seja no planejamento de novos serviços,
promoção de produtos, melhoria da infraestrutura ou
mesmo no próprio estoque informacional2.
Além de produtos, podem ser planejados alguns serviços
para gerar receita, tais como participar do programa de
comutação bibliográfica e cobrar um valor a mais pela
prestação do serviço, além da cópia/envio do material
solicitado pelo interagente. Outros exemplos de serviços
que podem ser planejados e cobrados dentro das unidades
de informação é a elaboração de fichas catalográficas,
organização das informações acadêmicas no currículo
Lattes (plataforma do CNPq) ou mesmo normalização de
trabalhos acadêmicos/documentos, entre outros.
Oferecer cursos de capacitação em parceria com
profissionais da área de interesse (ministrantes), bem
como o aluguel de espaços da unidade de informação
àempresas e pessoas físicas promoverem cursos, palestras

�e eventos é, também, outra possibilidade à geração de
receita na instituição.
Atividades inovadoras é outra forma de capacitar recursos
e ao mesmo tempo gerar receita em unidades de
informação, como por exemplo: as mídias sociais. O bom
gerenciamento e divulgação nessas plataformas pode
acarretar grande número de seguidores; havendo,
também, grande alcance na web, em que a unidade de
informação
pode
oferecer
pacotes
de
postagens
promocionais gerando, assim, mais um canal de
arrecadação de receita.
Os exemplos supracitados, em alguns casos, já são
ofertados pela unidade de informação, porém de forma
gratuita à comunidade. Muitas vezes, o gestor da unidade
de informação não sabe precificar todos os recursos
envolvidos na prestação desse serviço, impossibilitando
melhorias e/ou justificativa à contratação de mais
profissionais para atuar na equipe.
Em geral, são serviços que apresentam expressiva
contribuição à comunidade, porém não valorizados pelo
diretor da instituição que, em alguns casos, não os percebe
como rentáveis, e nem o próprio bibliotecário que gerencia
esse espaço; no entanto, esses serviços agregam valor aos
interagentes no aspecto da formação do seu capital
intelectual.
Há gastos envolvidos em tudo na unidade de informação,
independente do serviço ser cobrado ou não; basta o
bibliotecário conhecer as estratégias para precificá-lo,
calcular os custos da sua execução, o que representam à
instituição, a fim de que haja um planejamento financeiro
na prestação desses serviços pela unidade de informação,
podendo, assim, ser gerada receita para ser revertida à
melhoria do próprio espaço.
É importante ressaltar dois aspectos intrínsecos
envolvidos que balizam esses pontos pouco debatidos na
Biblioteconomia. a) Um se relaciona a cobranças de

�serviços em unidade de informação, algo incomum no
Brasil e que precisa ser aprofundado dado às despesas e
altos custos envolvidos na implantação e atualização dos
estoques em uma unidade de informação, a fim de torná-la
sustentável financeiramente. b) O segundo ponto se
relaciona à cultura de cobrança do acesso à informação
que muitos países, empresas e editoras fazem atualmente.
É preciso esclarecer que o movimento de acesso aberto à
informação busca justamente facilitar o acesso às
informações privativas em bases de dados e revistas
pagas. Acredita-se que isso deve ser levado em
consideração pelo bibliotecário gestor no planejamento dos
serviços, visto o compromisso social que essa profissão
detém, facilitando e mediando o acesso aos diferentes
recursos informacionais.
Sendo assim, é importante esclarecer que ao se falar em
despesas, receitas, custos envolvidos na gestão da unidade
de informação aqui, referimo-nos à infraestrutura
necessária para a venda de produtos e/ou prestação de
serviços (pessoas qualificadas, equipamentos, espaço
físico, entre outros), porém não à cobrança de taxa direta
do interagente ao acessar qualquer tipo de informação
dentro/disponibilizado pela unidade de informação.
Além disso, há também as receitas ambientais que estão
ligadas diretamente ao favorecimento das causas
ambientais. Conforme Silva (2009), a receita ambiental
representa um ganho no faturamento total da entidade,
que
a
reconhece
como
sendo
devida
a
sua
responsabilidade com o meio ambiente. De maneira
simplificada, essas receitas decorrem da prestação de
serviços especializados em gestão ambiental como, por
exemplo: a venda de produtos elaborados de sobra de
insumos ou de reciclagens.
Nessa conjuntura, toma-se como exemplo de receitas
ambientais em unidades de informação o reaproveitamento
do papel, como a venda para a reciclagem, gerando,
assim, uma receita extra à instituição. Outro exemplo é a

�fabricação de camisetas e canetas feitas de garrafas pet
recicladas, que pode servir como produto personalizado,
tendo a marca da unidade de informação.
Conforme foi apresentado, é importante entender a
diferença entre os conceitos e implicações da criação de
produtos e prestação de serviços pelo bibliotecário, com a
finalidade de gerar valor e receita à unidade de
informação, pois há gastos envolvidos, conforme será
tratado a seguir.

3. GASTOS
O gasto é o sacrifício monetário que a entidade assume
para obter um produto ou serviço qualquer (BERTI, 2006;
GONÇALVES; BAPTISTA, 2007; CREPALDI, 2009; BRUNI,
2010). Neste raciocínio, Dutra (2009, p.17) infere que o
gasto é em outras palavras “[...] o valor pago ou assumido
para obter a propriedade de um bem, incluindo ou não a
elaboração e a comercialização, considerando as diversas
quantidades adquiridas, elaboradas ou comercializadas”.
Assim sendo, o gasto se aplica a todos os bens e serviços
adquiridos como, por exemplo: na compra de matériasprimas e mão-de-obra.
Para tanto, Crepaldi (2009) salienta que gasto é um
termo genérico e pode representar diferentes situações,
como custos, despesas ou investimentos. Para maior
entendimento sobre – gasto -,apresenta-se a seguir as
diferentes situações (custos, despesas e investimentos)
que o gasto representa.

3.1 CUSTOS
Em linhas gerais, o custo é um gasto que está relacionado
a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens
ou serviços. (BERTI, 2006; GONÇALVES; BAPTISTA, 2007;
MARTINS, 2008; CREPALDI, 2009). Complementando,
Martins (2008) define o custo como gasto financeiro que a
organização pretende arcar ao oferecer um serviço ou na

�obtenção de um produto.
Por sua vez, Bruni (2010) infere que o custo é a transição
de investimento, tendo como destino final o valor de base
do produto ou serviço. O autor ainda exemplifica que toda
matéria-prima, convertida em produto ou serviço, é
considerada custo.
Dutra (2009) salienta que o custo incide em duas
perspectivas: a primeira sob o olhar do fabricante e a
segunda sob o olhar do consumidor. De acordo com o
autor, na visão do fabricante o custo é “a parcela do gasto
que é aplicado na produção [...] é a soma de todos os
valores agregados ao bem, desde sua aquisição até que ele
atinja o estágio de comercialização”; já, na perspectiva do
consumidor, o custo é “o valor aceitado pelo comprador
para adquirir um bem” (DUTRA, 2009, p. 17).
Em unidades de informação, o custo é o gasto monetário
de origem da fabricação de um produto ou serviço, seja ele
de informação ou não. Em outras palavras, é toda a forma
de desembolso financeiro que a unidade de informação se
compromete arcar à obtenção de um serviço ou produto.
Uma unidade de informação disponibiliza ao seu público o
serviço de referência, o qual se consolida pela presença do
bibliotecário na busca e esclarecimento de informações aos
interagentes, ou seja, na solução de problemas
informacionais. O bibliotecário de referência está
diretamente ligado aos custos da instituição, pois sua
remuneração salarial faz parte de um serviço prestado pela
instituição.
Outro exemplo é o serviço de reprografia dentro de
unidades de informação que ao serem exercidos
apresentam
custos,
tais
como:
manutenção
do
equipamento, gasto de energia, bem como o custo unitário
de cada material de uso, como: a tintas e folhas para
impressão.
Por fim, algo muito comum que não se restringe somente
às unidades de informação, mas a vários segmentos que

�compõem a sociedade são as manifestações artísticas,
culturais e técnico-científicas. Ambas necessitam da
contratação de profissionais especializados, o que requer
custo. Assim, quando acionada a contratação desse tipo de
serviço, faz-se necessário analisar a sua viabilidade, isto é,
há de ter o mapeamento de todos os custos ligados direta
ou indiretamente ao serviço almejado.

3.2 DESPESAS
As despesas são os bens ou serviços consumidos de forma
direta ou indiretamente à obtenção de receitas (BERTI,
2006; MARTINS, 2009; IUDÍCIBUS, 2010). Nesta
conjuntura, alguns autores como Gonçalves e Baptista
(2007), Crepaldi (2009) e Dutra (2009) atribuem às
despesas uma definição mais específica, relacionando-a
aos gastos de bens e serviços não utilizados efetivamente
nas atividades produtivas, mas consumidos de maneira
direta ou indireta no esforço da entidade na produção de
receitas.
Para tanto, Dutra (2009, p. 17) intensifica que as
despesas são as parcelas do gasto “que ocorre desligada
das atividades de elaboração de bens e serviços”, isto é,
aquelas que não estão diretamente associadas à produção
do produto ou serviço prestado. Sendo assim, as despesas
são gastos que não estão relacionados ao processo
produtivo, mas às identificações dos demais fatores de
uma instituição, na administração, no financeiro, que
reduzem a receita. (BERTI, 2006; CREPALDI, 2009).
Em suma, em unidades de informação, as despesas são
os gastos monetários originados que não estão
diretamente relacionados à produção de um serviço ou
produto, seja ele de informação ou não.
Dentro de uma unidade de informação, por exemplo, há
os
diretores
responsáveis
pela
administração
e
funcionamento da instituição, os quais não estão ligados
diretamente à produção de um bem ou de um produto na
instituição (no serviço de referência); sendo assim, suas

�remunerações passam a ser despesas e não custos à
instituição.
Além do exposto, as despesas podem ser originadas de
compras de equipamentos, como nas de equipamentos de
informática. Uma unidade de informação que optou pela
compra de equipamentos de informática, por meio de
prestações ao invés de parcela única, ou seja, à vista,
certamente, cada parcela terá percentual de juros,
montante considerado de despesa com juros.
As despesas em unidades de informação podem também
estar relacionadas aos serviços indiretos como, por
exemplo: a manutenção do ambiente, a limpeza e a
segurança do espaço.

3.3 INVESTIMENTOS
Entende-se por investimento “o gasto que tem a
finalidade de obtenção de benefícios a curto, médio e longo
prazo” (BERTI, 2006, p. 21). O investimento é
contabilizado em função da sua vida útil, porém traduzido
em benefícios somente no futuro. (GONÇALVES;
BAPTISTA, 2007).
Crepaldi (2009) classifica os investimentos sob duas
perspectivas: investimentos circulantes e investimentos
permanentes. Segundo o autor, os investimentos
circulantes são representados por estoques de matériaprima ou produtos para revenda, isto é, são os produtos
armazenados em estoque para venda ou à criação de
produto;
já,
os
investimentos
permanentes
são
representados por máquinas, equipamentos e instalações;
são os gastos relacionados a bens permanentes à
fabricação do produto que, ao longo do tempo, desgasta-se
e se torna despesa com depreciação.
Em unidades de informação, os investimentos são os
gastos que terão possíveis benefícios no futuro, seja eles
de pequeno, médio, ou longo prazo, ligados à informação
ou não.

�Por exemplo, os investimentos circulantes em unidades de
informação, o serviço de reprografia. As folhas e a tinta de
reprografia quando estão sendo utilizadas na prestação de
serviço são custos, mas antes disso, elas são alocadas no
estoque, ou seja, uma matéria-prima nesse momento é um
investimento. Outro exemplo de investimentos circulantes
agora não restritos às unidades de informação, mas no
segmento de uma livraria em relação aos produtos para
revenda está no livro. Quando o livro está exposto na loja,
ele é um custo, mas se os demais exemplares da mesma
obra estiverem armazenados no estoque, passa a ser um
investimento.
Neste raciocínio, ainda podem ser citados como exemplo a
criação de alguns produtos que contenham a marca da
unidade de informação, visando ao marketing do espaço
como canecas, canetas, entre outros. Tais objetos em
estoque, sem uma arte e design definidos, faz desses
objetos armazenados um investimento.
Quanto aos investimentos permanentes em unidades de
informação, apresenta-se como exemplo: a compra de
equipamentos
(estantes,
mesas),
bem
como
o
melhoramento
das
instalações
(ar
condicionado,
iluminação, entre outros).

4. PERDAS
Entende-se por perdas os bens ou serviços consumidos de
forma anormal ou involuntária (BERTI, 2006; GONÇALVES;
BAPTISTA, 2007; MARTINS, 2008; CREPALDI, 2009;
BRUNI, 2010). As perdas podem decorrer da atividade
normal
produtiva
da
instituição
ou
por
fatores
extraordinários. (BRUNI, 2010).
Direcionadas às unidades de informação, as perdas são
ocasionadas pelo consumo anormal de um bem ou serviço,
seja ele de informação ou não. Para tanto, as perdas em
instituições detêm várias características, podendo estar
ligadas aos fatores intrínsecos da instituição, bem como às

�causas naturais.
Toda unidade de informação que possuir um quadro
expressivo de funcionários, afastados por greve ou com
problemas de saúde, por exemplo, terá uma perda, visto
que a ausência da mão de obra destes funcionários
acarretará em danos à instituição na forma expressiva de
valor tanto quanto na inferência das atividades técnicoadministrativas.
Um exemplo que condiz com as causas naturais que
podem gerar perdas são as enchentes ou incêndios, não só
em unidades de informação, em qualquer outro
empreendimento. Uma enchente causa danos à instituição,
materiais ou na forma expressiva de valor, refletindo em
perdas. Ainda sobre as causas naturais, os incêndios
também são causadores de perdas em grande proporção
em instituições, muitas vezes associados à falta de
manutenção das instalações elétricas, que estão precárias.
As perdas também podem ser acarretadas pelo prazo de
validade de alguns produtos e equipamentos. É importante
que o bibliotecário esteja atento à validade de produtos e
equipamentos (como produtos de limpeza e higiene), bem
como dos equipamentos condicionados ao ambiente (como,
por exemplo: o gás do ar condicionado), pois o contrário
acarretará em perdas à instituição.

5. CONSIDERAÇÕES
O atual fluxo do mundo do trabalho, caracterizado de
dinâmico, fluido e competitivo, devido às implicações de
fenômenos sociais causados pela globalização, abertura de
mercados, tecnologias da comunicação e informação,
implica nova forma de perceber e gerenciar os recursos ao
desempenho do trabalho em uma empresa, órgãos
públicos, organizações não governamentais e, inclusive,
em unidades de informação geralmente subordinadas às
instituições.

�Nessa conjuntura, é importante que o bibliotecário tenha
uma visão interdisciplinar e desenvolva competências
gerenciais,
garantindo
a
sustentabilidade
desses
importantes espaços de acesso aos diferentes recursos
informacionais, insumos necessários à promoção da
inovação, garantindo a competitividade das organizações e
também a contribuição do capital intelectual às pessoas
demarcadas pelo constante fluxo informacional existente
no século XXI.
Entre as competências requeridas do bibliotecário,
destaca-se a busca pelo perfil intraempreendedor para
agregar valor à atuação e se diferenciar no mundo do
trabalho, com a finalidade de novas oportunidades serem
vislumbradas, assim como determinados conhecimentos
necessários à otimização de recursos na unidade de
informação, que dizem respeito à gestão financeira.
É premente observar que o conhecimento na área de
contabilidade,
principalmente
conceitos
e
práticas
permeadas pelo controle de receitas, despesas, gastos,
investimentos, perdas, entre outros, contribuirão para
sedimentar a atuação desse importante profissional em
uma sociedade que necessita acessar a informação em
diferentes meios; assim como benefício à gestão das
unidades de informação. Dessa forma, apresenta-se o
infográfico para ilustrar esses conhecimentos de modo
mais didático:

�Figura 1: Exemplificação dos conceitos abordados
Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

Nesse contexto, acredita-se que o que foi dito nesse
capítulo pode ocasionar expressiva contribuição à
Biblioteconomia, no sentido de entendimento da diferença
entre os conceitos e implicações da criação de produtos e
prestação de serviços, geração de valor e receita à unidade
de informação, o conjunto de possíveis gastos, perdas e
despesas envolvidas na promoção de um serviço ou
produto, assim como investimentos necessários nesses
ambientes que desempenham uma função muito
importante no atual mundo do trabalho, oferecendo e
possibilitando recursos e insumos à inovação.

�REFERÊNCIAS
BARRETO, Aldo Albuquerque. Os Agregados de informação
- Memórias, esquecimento e estoques de informação.
DataGramaZero, Inf., v.1 n.3. jun./00.
BERTI, A. Contabilidade e análise de custos. Curitiba:
Juruá, 2006.
BRUNI, A. L. A administração de custos, preços e
lucros. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
CORREA, Elisa C. D. Usuário, não! Interagente. Proposta
de um novo termo para um novo tempo. Encontros Bibli:
revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da
informação, v. 19, n.41, p. 23-40, set./dez., 2014.
CORRÊA, H; CAON, M. Gestão de serviços: lucratividade
por meio de operações e de satisfação dos clientes. São
Paulo: Atlas, 2002.
CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de
custos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo:
transformando ideias em negócio. 5.ed. Rio de Janeiro:
LTC, 2014.
DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 6. ed. São
Paulo: Atlas, 2009
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio da
língua portuguesa. 4. ed. Curitiba: Ed. Positivo, 2009.
FIALHO,
Francisco
Antonio
Pereira
et
al.
Empreendedorismo na era do conhecimento.2.ed.
Florianópolis: Visual Books, 2007.
FITZSIMMONS,
James;
FITZSIMMONS,
Mona.
Administração de Serviços. Porto Alegre: Bookman,
2000.
GIANESI,
Irineu
G.N.;
CORREA,
Henrique
L.
Administração estratégica dos serviços: operações

�para satisfação do cliente. São Paulo: Atlas, 2007.
GONÇALVES, E. C.; BAPTISTA, A. E. Contabilidade geral.
6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
HASHIMOTO,
M.
Espírito
empreendedor
nas
organizações: aumentando a competitividade através do
intraempreendedorismo. São Paulo: Saraiva, 2010.
IUDÍCIBUS, S. de. Contabilidade introdutória. 11. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de
bibliotecas. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros,1993.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. Ed. São Paulo:
Atlas, 2008.
PINCHOT,
Gifford.
Intra-empreendedorismo
na
prática: um guia de inovação nos negócios. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2004.
SILVA, B. G. da.Contabilidade ambiental: sob a ótica da
contabilidade financeira. Curitiba: Juruá, 2009.
SZUSTER, N. et al. Contabilidade geral: introdução à
contabilidade societária. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2009.
1
Adota-se
esse
termo
para
designar
cliente/usuários/leitores/consumidores que usam o espaço e serviços
das unidades de informação. O termo foi cunhado por Correa (2014)
em que designa a comunidade de frequentadores de unidades de
informação e público-alvo dos estudos e pesquisas de comportamento
informacional em Biblioteconomia e Ciência da Informação
2 Para se referir a acervos e coleções das unidades de informação
será adotado o termo estoque informacional criado por Barreto
(2000) que significa “toda a reunião de estruturas de informação.
Estoques de informação representam, assim, um conjunto de itens de
informação organizados (ou não), segundo um critério técnico, dos
instrumentos de gestão da informação e com conteúdo que seja de
interesse de uma comunidade de receptores”.

�8 - MARKETING, BIBLIOTECAS
E BIBLIOTECONOMIA: REVISÃO
CONCEITUAL E PRÁTICA
Eliezer Mendes Lopes
Angelica C. D. Miranda

1. INTRODUÇÃO

A palavra marketing está presente no universo da
biblioteconomia há muito tempo. A forma como foi
conceituada trouxe a concepção da gestão e a visão sobre
produtos (bens e serviços) na área da informação. A partir
do marketing, um novo viés se estabeleceu e com ele a
necessidade de pensar na comunidade.
Numa época em que bibliotecas eram vistas como
santuários do saber, lugares calmos e tranquilos, a
abordagem do marketing propiciou uma revolução na
relação entre a informação e os usuários. Mas o que dizer
da atualidade? O conceito de marketing segue o mesmo
caminho? As bibliotecas, a biblioteconomia, apropriam-se
de tais prerrogativas?
Difícil ter respostas para tais perguntas. Somos da
geração que ia até a biblioteca da universidade acessar a
única revista da área. Usava-se a cópia dos artigos para
estudar. Passamos pela transição do analógico e
adentramos ao mundo digital. A cópia ficou no passado? O
acesso aos periódicos eletrônicos, repositórios digitais,
bancos de dados, redes sociais para pesquisadores
(academia.edu,
researchgate.net)
evidenciam
outro
caminho ao mundo da informação. Essencialmente, a

�realidade que trouxe o acesso aberto (open access) como
foco da produção científica e a possibilidade para promover
estudos quantitativos, como é feito o uso da informação ou
como se comportam os usuários em relação ao que é
disponibilizado, mais a opção de conhecer tais aspectos
pelo que os sistemas proporcionam, aí está.
O trabalho do profissional formado em Biblioteconomia
reside na buscada informação para disseminar; afirma-se
que para tal, o bibliotecário precisa ter noção dos conceitos
de marketing, a fim de melhor realizar essa função.
Promover, como dito por Amaral (2001), no sentido de
fazer conhecer e efetivar o uso, a adoção de um produto,
ideia, comportamento ou serviço. Diferente da obra citada,
que objetivou a análise das técnicas mercadológicas,
pretende-se, aqui, refletir sobre o que tem sido escrito
sobre marketing, relacionado a bibliotecas (todos os tipos)
e biblioteconomia, a partir de 2011. Abarca-se, portanto,
os últimos cinco anos visto que, numa reflexão inicial,
constatou-se haver trabalhos teóricos até 2011.
Para Kotler (2006), Marketing é ciência e a arte de
explorar, criar e entregar valor para satisfazer as
necessidades de um mercado-alvo com lucro. Esse foi o
conceito mais encontrado na literatura. O Marketing foi
exposto como tendo a finalidade de conhecer as
necessidades e desejos não realizados. Relacionado à
biblioteca, o foco passa a ser a necessidade de informação
que a pessoa tem na realização de alguma tarefa,
adquirindo conhecimento para mudar seu estado de
conhecimento. Ou seja, não é necessariamente ao lucro
financeiro que ele está relacionado. A finalidade é
promover o que se tem para maior alcance. Por vezes, na
visão de marketing, é encontrada a ideia de criar a
necessidade de algum produto. Ele busca passar uma ideia
de poder, de domínio. As propagandas mostram que o
melhor carro, um sapato bonito ou outro produto de valor
podem atribuir qualidades a quem o tem. Para a
informação, o marketing passa a ideia de completude, de

�conhecimento. Quem tem a informação de que precisa,
certamente conseguirá avistar mais longe do que aqueles
que não a tem.
Quando a referência é aquela que visa ao lucro, pode
parecer que fica mais simples essa promoção, mas e
quando o produto (conjunto de bens e serviços) não tem a
finalidade de obter lucro (financeiro), mas o fato de
beneficiar algo ou alguém? O marketing também pode se
aplicado ao trabalho que não visa a esse tipo de lucro.
Relaciona-se muito bem com benefício e satisfação. Assim,
naturalmente emergiram diversos tipos de marketing,
abrangendo essa finalidade com vista ao marketing sem
finalidade de lucro.
Na seção metodologia, explica-se como foi feita a busca.
A revisão de literatura buscou apresentar os trabalhos
realizados ao longo do tempo; por tal motivo não se usou a
seção resultados e discussões, já que se buscou relacionar
a abordagem sobre a temática. Nas considerações,
apresenta-se o fechamento do trabalho.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Considera-se que a metodologia visa à apresentação das
estratégias usadas ao leitor, delimitando o trabalho e seu
desenvolvimento. Deste modo foram feitas buscas, usando
o termo marketing em todos os campos. Num segundo
momento, para refinar os resultados, os trabalhos
recuperados foram analisados, a fim de verificar se
estabeleciam relação com biblioteca ou biblioteconomia.
(Quando se fala “em todos os campos”, quer-se dizer que
foram considerados assunto, palavras-chave, título ou
resumo). Em alguns trabalhos, a palavra marketing foi
encontrada apenas no resumo; nesses casos, observou-se
que faziam referência ao marketing, porém não era o foco
do estudo, sendo assim, não nos valemos deles. Numa
segunda etapa de refinamento, os trabalhos foram
analisados e os que tinham foco prático ou teórico na

�temática foram aproveitados.
Para fins da busca, foram usadas as seguintes fontes de
informação: a Biblioteca Eletrônica (scielo.br) , Anais do
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
(CBBD), Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU), Periódicos eletrônicos na área da
Biblioteconomia e Ciência da informação e a Brapci. Com
vistas ao tempo disponível à realização do trabalho e do
material encontrado, optou-se pelo enfoque nos Anais do
CBBD nos anos de 2013 e 2015; Anais do SNBU, anos de
2012 e 2014. Para fins de complementação da busca,
foram feitas pesquisas na Base de dados sobre Ciência da
Informação BRAPCI (http://www.brapci.ufpr.br/). Em todas
as fontes foram encontrados materiais sobre a temática.

3. REVISÃO DA LITERATURA
A biblioteca, considerada uma organização que não visa
ao lucro financeiro, não difere de outras organizações no
sentido de promover seus recursos. Nas fontes
consultadas, Espírito Santo (1973) foi a bibliografia mais
antiga encontrada (não se descarta que possam existir
outros trabalhos),seja na obra de Amaral (2001) ou na
Brapci. O autor expôs que “a biblioteca não é diferente de
nenhuma outra organização. Ela precisa estabelecer um
programa de relações públicas que apoie e divulgue seu
trabalho”. O sentido da afirmação é levar ao público o
conhecimento das suas atividades e do que pode oferecer.
Passados mais de quarenta anos, essa máxima continua
adequada ao contexto. Nesse sentido, o marketing não é
algo novo na caminhada dos profissionais da informação,
ele se desenvolveu, adaptou-se a outros contextos, mas
sua finalidade permanece.
Outros trabalhos da década de 1970, relacionados ao
tema marketing foram encontrados na base citada.
Embora, tratassem da temática sobre marketing,
continham outro foco e por tal motivo não foram

�destacados no presente trabalho.
Esta introdução serve para dizer que falar de marketing
não é algo novo. Nunes (2011) expõe que a missão das
bibliotecas, independente do público a qual se destina, é
oferecer o suporte informacional necessário, a fim de para
suprir as necessidades dos usuários, pois a informação
desempenha papel fundamental no desenvolvimento da
sociedade.
Cabe dizer que se a finalidade é realmente ser suporte,
havendo o acesso facilitado pelas tecnologias digitais, é
preciso discutir como fazer isso.
Em outro texto encontrado nas fontes consultadas, dentre
os mais antigos com o foco em marketing, observa-se em
Pimentel (1983), a visão sobre a "falta de chefias
integradas" e na "ausência de estratégias de direção e
desenvolvimento". O autor destaca que o “desafio à
dinamização das atividades da biblioteca é renovar o
bibliotecário e sua metodologia gerencial, porque antes da
biblioteca está o bibliotecário”. Segue-se a linha de
pensamento anterior, visto a lacuna entre o artigo citado
(1983) e o período atual (2016);vive-se outros tempos,
mas as mudanças residem no pensamento e atitude das
pessoas.
Compreende-se
que
atualmente
há
facilidades
inexistentes noutros tempos. Com certeza, são as
tecnologias digitais que proporcionam novas ações diante
de uma mesma realidade. O autor afirma “é preciso,
portanto, que cada bibliotecário faça um balanço da
situação atual da sua biblioteca para conhecer as áreas, de
"lucros e perdas”. A gestão de uma biblioteca é um
processo e, como tal, não pode ser algo estanque no
tempo/espaço. Deve ser dinâmico, direcionado a sua
realidade, pois, muitas vezes o que serve para uma
biblioteca pode não servir a outra. Nesse sentido, os
princípios de marketing serão elementos motivadores e
transformadores.

�Araújo, Silva e Silva (2011) ressaltam que as tecnologias
facilitaram o acesso à informação e que o foco deixa de ser
o domínio e passa a será cesso à informação nos mais
diversos suportes. Os autores discorrem sobre a
necessidade da aplicação de ações de marketing na
divulgação dos serviços oferecidos por unidades de
informação do tipo biblioteca, especialmente, aqueles
relacionados aos multimeios. Interessante, por que
explicam biblioteca como sendo um tipo de unidade de
informação.
Amaral (2011) trouxe à discussão como o marketing
poderia ser inovador na gestão da informação e do
conhecimento em unidades de informação. A autora relata
a dúvida com o termo unidade de informação desde 1998,
em outra obra referenciada e reforça o quanto o
profissional deve compreender “o mercado e o negócio da
informação”.
Considera-se
imprescindível
essa
compreensão, visto que marketing é um processo. Não
pode ser uma ação casual, desenvolvida uma única vez
com a ideia de buscar visibilidade institucional.
Angelo e Ziviani (2011) realizaram um diagnóstico do
ambiente externo e interno à Biblioteca, chamada de
unidade de informação. Interessante que para buscar uma
gestão voltada ao marketing, os autores buscaram base
teórica para tal.
O marketing deixou de ser a iniciativa pautada na teoria
dos livros e passou a se apoiar na tecnologia. Silva et al.
(2012), baseado na web 2.0 cita como ferramentas, entre
outros, o Facebook e o Twitter. Apresentou a forma como o
Twiter proporcionou novas atitudes em bibliotecas
universitárias. Neste contexto, Santos et al (2012), em seu
trabalho, discorre sobre a iniciativa de desenvolvimento
das redes sociais como forma de aproximação com os
usuários, além da divulgação de notícias e serviços
proporcionados pela instituição.
Silva, Lima e Nascimento (2012) trazem um trabalho no
qual apresentam o Twitter como ferramenta que, mesmo

�tendo caracteres limitados, consegue suprir eficientemente
os objetivos das instituições, referentes à disseminação da
informação através do marketing. Jovanovich e Torre
(2012) se utilizam destas ferramentas da Web 2.0 como
forma de conhecer a opinião de usuários de uma biblioteca
especializada, havendo a finalidade de traçar metas
através das respostas destes usuários, utilizando-se do
marketing à melhoria dos produtos e serviços prestados.
Na visão de que o marketing é um processo estruturado e
planejado, o qual visa, dentre outras coisas, à divulgação
deum bem ou serviço ao público alvo, Correa e Silva
(2012) buscaram implementar o projeto de marketing da
biblioteca da Divisão de Gestão do Conhecimento (Setor de
Bibliotecas) – Secretaria Municipal de Educação e Cultura
(SMEC), da cidade do Rio Grande/RS. Para as autoras, ele
é voltado ao contexto do atendimento ao público, pois se
trata de uma troca de experiências que busca a otimização
dos serviços e a satisfação do público.
Como forma de conhecer os serviços oferecidos pela
Seção de Multimeios da Biblioteca Central da Universidade
Federal da Paraíba, Araújo, Silva e Silva (2012) traçaram
um plano de marketing para apresentar este espaço à
comunidade;
assim,
foram
desenvolvidas
ações
envolvendo a comunicação através de e-mail, jornais, rádio
universitária e contato pessoal, havendo apresentações dos
serviços em semanas acadêmicas e visitas dirigidas.
Santos (2012), em sua fala, demonstra preocupação com
a preservação dos documentos e utiliza o marketing como
aliado, principalmente o marketing holístico que integra o
marketing interno, na atualização e integração dos
recursos humanos das instituições para poder incentivar os
usuários; marketing de relacionamento que faz a ligação
entre o prestador de serviço e o cliente, neste caso, a
biblioteca e o usuário; marketing integrado que foca
nesses usuários através de canais de comunicação e
produtos e serviços e marketing socialmente responsável,
evidenciando a importância das campanhas no meio social

�dos usuários.
Conforme demonstrado nas falas dos autores acima, as
Bibliotecas Universitárias têm crescido nas discussões
sobre o marketing e a possibilidade de melhoria e
expansão do alcance dos seus produtos e serviços. Assim,
Serafim et al. (2012) trazem um trabalho com revisão de
literatura focado na utilização do marketing nas bibliotecas
universitárias; expõem informações que caminham entre a
formação das bibliotecas universitárias até o atual
momento em que elas são vistas como um negócio,
pautadas na preocupação de satisfação de seus
clientes/usuários.
Evidencia-se a importância do marketing na prestação de
serviços pelas bibliotecas, no entanto, conforme Moraes,
Ferraz e Zeferino (2012), o Endomarketing, processo que
se utiliza dos princípios de marketing focando na empresa
e interação entre funcionários, também é crucial, pois
acarretará no conhecimento dos recursos humanos sobre a
missão, objetivos e valores da empresa em que estão
inseridos, além de auxiliar e motivar na concepção de
tarefas e metas da organização. Para isso, os autores
apresentam, ao longo do trabalho, proposta de informativo
na biblioteca na qual estão inseridos, e como essa ação
traz resultados afirmativos como forma de valorização do
trabalho desenvolvido.
As universidades são pautadas pela excelência dos seus
serviços e por cumprir a Constituição brasileira ao
proporcionarem indissociabilidade ao ensino, à pesquisa e
à extensão. (BRASIL, 1988). Em geral, as bibliotecas
universitárias são inovadoras na prestação de serviços aos
seus usuários, pois precisam acompanhar o crescimento
das instituições a qual fazem parte, promovendo seu
espaço para melhor aproveitamento. Deste modo, Ribeiro
(2012) apresenta projeto de trabalho que discute a
importância dessa renovação de prestação de serviços por
parte das bibliotecas universitárias, tendo o marketing
como ferramenta eficaz à melhoria destes espaços.

�Nesta mesma temática, Nascimento et al. (2012) discorre
sobre o marketing e a busca pela qualidade dos serviços
oferecidos em Unidades de Informação, em que tendo uma
boa aplicação das técnicas de marketing em conjunto com
a preocupação de refletir a qualidade dos serviços,
certamente haverá reflexos positivos nas instituições nas
quais estão inseridas.
Amaral (2013) uniu estudo de usuários e marketing.
Analisou duas dissertações de um Programa de PósGraduação em Ciência da Informação. A autora buscou
saber por que o enfoque centrado nos estudos de usuários
contribuíram para “estudar a gestão da oferta e demanda
de uma biblioteca digital e de um sistema de informação
gerencial na ótica do marketing da informação”. Esse foi o
único trabalho encontrado com esse viés dentre os
pesquisados. Percebeu-se que na ótica de Amaral, estudos
de usuários têm conexão com a temática do marketing.
Prado (2013)reforça que difundir os serviços e produtos
de uma biblioteca é uma atividade tradicional, importante,
devendo ser readequada às novas práticas de marketing. O
autor traz informações sobre Foursquare, conhecido como
uma rede geossocial e de microblogging que permite ao
utilizador indicar onde se encontra e procurar por seus
contatos, que estejam próximo desse local (FOURSQUARE,
2016).Para ele, a “necessidade de visibilidade das
bibliotecas em seus espaços de atuação (comunidade,
universidade, escola, empresa) é um item recorrente
dentro da atuação do bibliotecário.”
Cativelli (2013) buscou mapear a forma como as
bibliotecas têm aplicado às ações de marketing em suas
rotinas. Destacou a abordagem através de periódicos entre
200 e 2011. Mostrou que se destacaram o Marketing no
contexto Cultural, Marketing como filosofia gerencial,
Marketing na Internet, Composto de Marketing, Promoção
e comunicação e Marketing de relacionamento. Não
entraremos nos detalhes de cada um, pois se objetiva falar
dos trabalhos e suas visões no geral. Além do quantitativo

�encontrado, os autores apresentam a parte qualitativa, em
que discutem o conteúdo e a aplicação.
Entender como as bibliotecas são inseridas no cenário de
ampla utilização das redes sociais é crucial para vislumbrar
como está, na prática, a percepção de bibliotecários,
referente às vantagens dispostas por estas ferramentas.
Assim, Farias (2013) e Costa et al. (2013) desenvolveram
trabalhos para compreender como as bibliotecas
universitárias estavam utilizando as redes sociais, pois
permitem novos meios de relacionamento entre bibliotecausuário.
Farias (2013) compreende a mudança atual no tocante à
comunicação e disseminação da informação como alerta
aos bibliotecários, na visão de reinventar e aperfeiçoar os
produtos e serviços, utilizando-se das ferramentas
encontradas online para adequar-se à realidade atual,
surgindo assim, a Biblioteca 2.0. Já, Costa et al. (2013)
destacam que as redes sociais, na maioria, são utilizadas
com frequência insatisfatória, não podendo assim trazer
resultados totalmente satisfatórios, principalmente porque
as redes sociais permitem, também, monitorar os usuários
através dos seus comentários nas páginas das bibliotecas,
maiormente nas reclamações, na tentativa de resolvê-las
assim que surgirem. (COSTA et al., 2013).
Na fala de Aguiar e Silva (2013) é reforçado o uso de
redes sociais como ferramenta positiva e possível de ser
utilizada pelas bibliotecas universitárias, no entanto,
destacam a necessidade de entender o atual perfil da
maioria dos estudantes universitários, ditos de “Geração
Y”, vistos como consumidores ativos de ferramentas
online. Entender essa geração se torna importante no
desenvolvimento de proposições por parte das bibliotecas,
tendo em vista a adaptação de produtos e serviços que
contemplem esses “[...] espaços como ferramentas de
comunicação, acesso à produção de informações e
interação com os usuários da chamada Geração Y e,
também, de outras gerações.” (AGUIAR; SILVA, 2013, p.

�1).
Cruz-Riascos (2013) apresenta discussão referente à
inovação de produtos e serviços em bibliotecas
universitárias, vista numa perspectiva de Biblioteca 2.0,
inseridas na dinâmica de web 2.0, onde se formam “[...]
redes de usuários que compartilham documentos,
informações e conteúdos com o apoio dos bibliotecários.”
(CRUZ-RIASCOS, 2013, p. 7).
Anjos et al. (2013) apresentam relato de experiência
pautada no desenvolvimento de ações que integram o uso
de marketing em conjunto com a Web 2.0, afim de
proporcionar aproximações entre biblioteca e usuários
através de serviços oferecidos, como blogs de novidades e
dicas, além perfis em redes sociais, proporcionando “[...]
maior praticidade, interação e apoio aos usuários,
atendendo à 4ª Lei de Ranganathan: ‘Poupe o tempo do
leitor’.” (ANJOS, et al. 2013, p. 5).
Araújo, Soares e Pereira (2013) contribuem na discussão
das redes sociais como auxílio positivo, porém focados no
atual cenário de desenvolvimento científico estudantil,
apresentando trabalho com considerações de docentes,
vinculados a programas de pós-graduação sobre a
utilização do Facebook como ferramenta de aproximação
entre aluno-professor. Com a crescente utilização por parte
dos brasileiros desta ferramenta e tendo em vista que a
primeira finalidade da criação deste espaço era para
universitários norte-americanos, o Facebook pode ser uma
forma de auxílio no ensino e aprendizagem no ambiente
acadêmico, desde que se superem barreiras na
implantação e no entendimento de que seja ferramenta de
ensino. (ARAÚJO; SOARES; PEREIRA, 2013).
Em trabalho publicado, Girard e Pires (2014) novamente
ressaltaram o Foursquare. Os autores o destacam como
ferramenta eficiente ao desenvolvimento do plano de
marketing para bibliotecas. Os Creem também que o
aplicativo pode auxiliar na identificação dos problemas
enfrentados e contribuir como ferramenta de marketing.

�Cossich (2014) focalizou o serviço de referência,
qualidade em bibliotecas e marketing. Na visão da autora,
o “serviço de referência pode ser considerado como a alma
de uma unidade de informação, pois é através do
atendimento personalizado aos usuários que a biblioteca
constrói sua imagem perante à comunidade”.
Silva, Rocha e Simões (2014, p. 5) discutem acerca da
importância do bibliotecário entender o marketing como
forma de melhor atender as necessidades dos usuários,
assim, os profissionais “[...] devem dar maior atenção às
técnicas mercadológicas, tendo em vista que grande parte
dos profissionais limita-se a promoção por tratar-se da
parte mais visível do marketing.”
Barbosa, Teixeira e Varela (2014) trazem trabalho em que
averiguam os benefícios da utilização do marketing digital
através de redes sociais e sua pertinência na divulgação
dos serviços oferecidos. Já, Nascimento Júnior (2014)
apresenta trabalho pelo qual visa ao entendimento do
público que se vale dos e-books como forma de traçar
metas de ações, utilizando o marketing. Mostrando que se
deve entender o contexto onde os princípios de marketing
devem ser aplicados, com o fim de se angariar maior
eficácia no resultado final.
Dias e Paula (2014, p. 5) apresentam plano estratégico de
divulgação dos serviços, salientando que “A adoção de
marketing em organizações que não visam o lucro [...] tem
se ampliado devido à crescente necessidade que estas
organizações encontram com as mudanças e a
concorrência, e por isso buscam maior eficácia de seus
serviços.” Araújo e Silva (2014) em seu trabalho,
discorrem de pesquisa que visa apresentar resultados
sobre a visão dos bibliotecários gestores sobre a aplicação
do marketing como filosofia de gestão, para que este
espaço não fique aquém da realidade social encontrada
atualmente, frente ao avanço da utilização de redes sociais
por grande parte da população.
Silva Filho (2014, p. 4) expõe a construção de um espaço

�online da biblioteca, visando à inserção do espaço
tradicional de pesquisa no ambiente virtual, através de
marketing digital – webmarketing, para que se tenha maior
aproximação com os usuários, “[...] além disso possibilita
agregar usuários potenciais para a biblioteca, conhecê-los
e oferecer-lhes produtos que vão ao encontro das suas
necessidades.”
Coma intenção da valorização dos serviços, Santanna et
al. (2014) buscou demonstrar a necessidade de
planejamento, organização e divulgação da Seção Coleções
Especiais da BC-UFES. Os autores expressaram ter
conseguido seu objetivo e para tal, foi necessário delimitar
o marketing como instrumento de valor aos acervos
especiais.
Oliveira e Castro (2015) trazem uma discussão do
marketing profissional e como esta atividade pode
interferir na visão social acerca do bibliotecário. Para isso,
os autores buscaram na fala de jovens de uma escola a
sua percepção sobre a biblioteca e quais seriam as
atividades do bibliotecário, sendo forma de promoção
profissional através da elaboração de marketing, para
elucidar dúvidas e desmistificar visões errôneas da
profissão.
Numa visão relacionada à inovação e com a ideia de
aproximar colaboradores e usuários da Biblioteca da
Universidade do Estado de Santa Catarina (BU/UDESC,
Juliani, Cavaglieri e Machado (2015/16) falam pouco de
marketing em seu trabalho, mas apresentam o uso do
design thinking. Fascioni (2012) explica que o design
thinking é uma ferramenta de inovação; é uma abordagem
predominantemente de gestão, que se vale de técnicas que
os designers usam para resolver problemas.

4. CONSIDERAÇÕES
Compreender o dinamismo vivido no mundo da
informação passou a ser o princípio fundamental na prática

�do marketing. A Biblioteca precisa do marketing para se
fortalecer e contribuir com a sociedade; ela é vista como
um lugar em que há movimento, pessoas passam,
vivenciam, circulam e querem ter liberdade para o usufruir.
Ver o marketing como uma ferramenta gerencial e não
como atividade ocasional permite aos gestores conhecer o
meio em que atuam. A visão de que o marketing é
processo, no sentido de início, desenvolvimento e
retroalimentação. Não como uma atividade única e isolada
ou ocasional. Tais ações devem permear as ações
gerenciais, somente assim se conseguirá ter noção do
público interno e externo.
Vive-se uma infinidade de termos que não serão aqui
relatados; muitos com a mesma finalidade, tendo o
processo de implantação com outro foco. Ou seja, todos
buscam criar, desenvolver, promover, distribuir produtos
relativos à informação.
Com vista à pesquisa realizada, salienta-se que, dos
trabalhos apresentados em eventos, muitos discutem a
teoria, outros se focam na apresentação de trabalhos
práticos de análise das bibliotecas universitárias; utilizam
ferramentas vindas da web 2.0, assim como, também as
usam no processo de aproximação entre biblioteca/usuário
e divulgação de produtos e serviços.
Outra constatação visível é a busca, seja das bibliotecas
ou dos bibliotecários por ferramentas para promover o uso
da informação. Embora sejam encontradas denominações
diferentes, a maioria dos estudos teve como meta ampliar
e valorizar seus espaços. A criatividade está presente, bem
como a procura por novos métodos.
Verificou-se que muitos dos textos estudados se referem
à unidade de informação -biblioteca-;apalavra biblioteca,
por vezes, não é usada.
Verificou-se ainda que o termo “novas tecnologias “surgiu
em muitos trabalhos, mas o que seriam no mundo de
hoje? Será que - novas - não caiu? Estamos com uma

�infinidade de termos que surgem a cada dia, novidades em
todas as áreas. Entre 1990 até 2000 eram as NTIC, depois
novas tecnologias, mas hoje podemos simplesmente
denominá-las de tecnologias digitais, pois todas as
ferramentas vislumbram a disponibilização da informação
nesse formato.
Convém apontar que as tecnologias podem auxiliar na
divulgação dos produtos de uma biblioteca. O marketing é
um comportamento a ser adotado pelos profissionais e,
para tal, devem ser usados os recursos existentes. Nesse
sentido, temos bibliotecas sem aporte tecnológico. Na
atualidade, as ações da biblioteca devem ser no sentido de
proporcionar nova visão, novos valores. Quem sabe,
apontando o simples direito de usufruir da informação já
seria um bom começo. Finaliza-se, dizendo que muito há
por fazer na área das bibliotecas. O marketing é um aliado.
O conceito não é novo, mas a sua aplicação pode sempre
ser sinônimo de inovação. As ações dos profissionais
mostrarão os caminhos a serem percorridos que poderão
ser ativos ou proativos, buscando parcerias e novos
caminhos.

REFERÊNCIAS
AGUIAR, Gisele Adornato de; SILVA, José Fernando
Modesto da. Geração Y e as ferramentas de redes sociais:
novas perspectivas para as bibliotecas universitárias. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1403/1404&gt;.
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing da informação:
abordagem inovadora para entender o mercado e o
negócio da informação. Ci. Inf., Brasília , v. 40, n. 1, p.
85-98,
abr.
2011
.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?

�script=sci_arttext&amp;pid=S010019652011000100007&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;..
http://dx.doi.org/10.1590/S0100-19652011000100007.

AMARAL, S. A. L. Estudos de usuários e marketing da
informaçÃo. Brazilian Journal of Information Science,
v.
7,
n.
Esp.,
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/bjis/article/view/3
ANJOS, Cláudia Regina dos et al. Utilizando os recursos da
web 2.0 para inovar os serviços de biblioteca: um relato de
experiência da Biblioteca do IPPUR/UFRJ. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013,
Florianópolis.
Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1360&gt;.
ARAÚJO, Ana Catarina Cortêz; SOARES, Ana Paula;
PEREIRA, Rodrigo. Redes sociais: a percepção do uso do
Facebook no processo de ensino e aprendizagem pelos
docentes do Programa de Pós-Graduação em Gestão da
Informação, do Conhecimento e Novas Tecnologias. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1440&gt;.
ARAÚJO, Walqueline Silva; SILVA, Márcio Bezerra. O uso
das redes sociais como ferramenta para o marketing digital
em unidades de informação: o caso do sistemoteca da
UFCG. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/568-1978.pdf&gt;.
ARAÚJO, Walqueline da Silva; SILVA, Márcio Bezerra da;
SILVA, Alzira Karla Araújo da. O uso do marketing na
comunicação de produtos e serviços em unidades de

�informação: o caso da seção de multimeios da biblioteca
central da UFPB. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012,
Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012. Disponível
em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4Q66.pdf&gt;.
BARBOSA, Marilene Lobo Abreu; TEIXEIRA, Ana Paula
Santos Souza; VARELA, Aida Varela. O marketing digital
nas bibliotecas universitárias como estratégia de
aproximação com o usuário. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo
Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014.
Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/613-2007.pdf&gt;.
CATIVELLI, Adriana Stefani. Marketing aplicado em
bibliotecas: análise de conteúdo dos artigos publicados em
periódicos da ciência da informação. Rev. digit.
bibliotecon. cienc. inf., Campinas, SP, v.11, n.3, p.3045,
ago/nov.
2013.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci&gt;
CORRÊA, Tatiane Priscila Pinto; SILVA, Vanessa Brum da.
Divulgação da Biblioteca da Divisão de Gestão do
Conhecimento da Secretaria Municipal de Educação e
Cultura da cidade do Rio Grande/RS. BIBLOS, [S.l.], v.
26, n. 2, p. 139-152, jul. 2013. ISSN 2236-7594.
Disponível
em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/3711&gt;.
COSSICH, Marília. O papel da qualidade e do marketing no
serviço de referência.BIBLOS, [S.l.], v. 28, n. 2, p. 27-36,
ago.
2015.
ISSN
2236-7594.
Disponível
em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/4248&gt;.
COSTA, Luciana Ferreira da et al. Uso de redes sociais por
bibliotecas universitárias de instituições particulares de
ensino superior de João Pessoa.In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013,
Florianópolis.
Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.

�Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1449&gt;.
CRUZ-RIASCOS, Sonia. Inovação em serviços e produtos
de informação para a sustentabilidade das bibliotecas das
Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras: de
Gutenberg às redes virtuais. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO - CBBD, 25., 2013, Florianópolis. Anais...
Florianópolis:
Febab,
2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1629&gt;.
DAMASCENO, Andreia Cristina; MESQUITA, José Marcos
Carvalho de. Atributos determinantes da baixa utilização
de bibliotecas: estudo em uma instituição de ensino pública
federal. Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte , v. 19, n. 1,
p.
149-169,
Mar.
2014
.
Disponível
em
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&amp;pid=S1413DIAS, Rebecca dos Santos; PAULA, Roberta Pereira da
Silva de. O plano estratégico de marketing da biblioteca
Octávio Barbosa, do serviço geológico do Brasil. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte:
UFMG,
2014.
Disponível
em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/141-1755.pdf&gt;.
ESPÍRITO SANTO, A. do. Programa de relações públicas em
bibliotecas universitárias. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, v. 2, n. 1, p. 73-85, 1973.
Disponível
em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/2853&gt;.
FASCIONI,
L.
O
que
é
Design
Thinking?
&lt;
http://www.ideiademarketing.com.br/2012/02/06/o-quee-design-thinking-entrevista-com-ligia-fascioni/&gt;.
FOURSQUARE.
Site.
&lt;https://pt.foursquare.com/&gt;.

Disponível

em:

�GIRARDI, Carla Daniella Teixeira; PIRES, Erik André de
Nazaré. O Foursquare como ferramenta de marketing: uma
análise sobre a Biblioteca Central da Universidade Federal
do Pará (UFPA). Revista ACB: Biblioteconomia em Santa
Catarina, Florianópolis, v.19, n.1, p. 89-101, jan./jun.,
2014.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/viewFile/933/pdf_90
JOVANOVICH, Eliane Maria da Silva; TORRE, Angela Maria
Dalla. O marketing e as tecnologias de comunicação
(TICS): uma união estável de sucesso na biblioteca setorial
do escritório de aplicação de assuntos jurídicos (BSEAAJ)
da Universidade Estadual de Londrina (UEL). In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RCY.pdf&gt;.
Acesso em: 02 maio 2016.
JULIANI,
Jordan
Paulesky;
CAVAGLIERI,
Marcelo;
MACHADO, Raquel Bernadete. Design thinking como
ferramenta para geração de inovação: um estudo de caso
da Biblioteca Universitária da UDESC. InCID: Revista de
Ciência da Informação e Documentação, Brasil, v. 6,
n. 2, p. 66-83, oct. 2015. ISSN 2178-2075. Disponível em:
&lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/100887&gt;.
FARIAS,Marlucy Veleda. O uso das redes sociais para
comunicação e interação com o usuário: o caso das
bibliotecas universitárias do Rio Grande do Sul. In:
CONGRESSO
BRASILEIRO
DE
BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - CBBD, 25.,
2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Febab, 2013.
Disponível
em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1428&gt;.
Acesso em: 01 maio 2016.
MORAES, Thais Cristiane Campos de; FERRAZ, Kátia Maria
de Andrade; ZEFERINO, Vilma Sarto. Endomarketing: uma
ferramenta no processo do sistema de gestão da divisão de
biblioteca - ESALQ/USP. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE

�BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012,
Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012. Disponível
em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RFY.pdf&gt;.
NASCIMENTO, Bruna Laís Campos do et al. Como
promover o marketing através do gerenciamento da
qualidade nos serviços das unidades de informação. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
– SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QAQ.pdf&gt;.
NASCIMENTO JUNIOR, Carlos Alberto Souza do. Estudo de
uso da coleção de livros eletrônicos como base estratégica
de marketing. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/442-1910.pdf&gt;.
NUNES, Vanessa Ceiglinski. Marketing em bibliotecas: a
produção do conhecimento nos periódicos online na área
da ciência da informação e no banco de teses do portal da
Capes, no período de 1985 a 2011. 28 f. TCC (Graduação
em Biblioteconomia) – Instituto de Ciências Humanas e da
Informação, Universidade Federal do Rio Grande, Rio
Grande,
2011.
Disponível
em
&lt;http://repositorio.furg.br/handle/1/5960?show=full&gt;
OLIVEIRA, Alessandra Nunes de; CASTRO, Jetur Lima de.
Bibliotecário imagem social ou clichê: um estudo prático do
marketing informacional do curso de biblioteconomia/UFPA
na Escola Brigadeiro Fontenelle. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO –
CBBD, 26., 2015, São Paulo. Anais... São Paulo: FEBAB,
2015.
Disponível
em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/476/436&gt;.
PIMENTEL, C.D. P. Técnicas de marketing aplicadas à
biblioteca. Cadernos de Biblioteconomia, v. 6, n. 1, p.
69-78,
1983.
Disponível
em:

�&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/3444&gt;.
RIBEIRO, Rejane Maria Rosa. Marketing: ferramenta eficaz
na gestão de bibliotecas universitárias. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4NHM.pdf&gt;.
SANT'ANA, Giovanna Carvalho; KIRST, Marcos. O Sistema
Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo como política
pública
cultural.
RBBD.
Revista
Brasileira
de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 11, p.
582-594, maio 2016. ISSN 1980-6949. Disponível em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/535/452&gt;.
SANTA ANNA, Jorge et al. A importância do planejamento,
tratamento informacional e divulgação de acervos
especiais: o caso do setor de coleções especiais da
biblioteca central da UFES. BIBLOS, [S.l.], v. 28, n. 1, p.
47-70, jul. 2014. ISSN 2236-7594. Disponível em:
&lt;https://www.seer.furg.br/biblos/article/view/4076/3001&gt;.
SANTOS, Ana Rosa dos. Emarketing na preservação de
documentos. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RBN.pdf&gt;.
SANTOS, Cibele Araújo Camargo Marques dos. As redes
sociais como ferramenta de marketing e comunicação com
o usuário. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QVW.pdf&gt;.
SERAFIM, Lucas Almeida et al. Marketing em bibliotecas
universitárias: uma revisão da literatura. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4R6C.pdf&gt;.

�SILVA, Bruno Felipe de Melo; LIMA, Janaina Xisto de
Barros; NASCIMENTO, Lucia Lima do. Marketing de
promoção em 140 caracteres: apropriação e uso do twitter
pela biblioteca central da Universidade Federal de Alagoas.
In:
SEMINÁRIO
NACIONAL
DE
BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado:
UFRGS,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QEQ.pdf&gt;.
Acesso em: 02 maio 2016.

SILVA, K.R. et al Serviços oferecidos via Twitter em
bibliotecas
universitárias
federais
brasileiras.
PontodeAcesso, Salvador, V.6, n.3 ,p. 72-86, dez 2012.
Disponível
em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/615
SILVA, Lucikelly Oliveira; ROCHA, Maria Meriane Vieira;
SIMÕES, Angélica Clementino. Biblioteca do Ttribunal
Regional do Trabalho da Paraíba: proposta de um plano de
marketing para os usuários. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo
Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014.
Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/165-2390.pdf&gt;.
SILVA FILHO, Rubens da Costa. Webmarketing aplicado à
biblioteca universitária: o website como ferramenta de
promoção. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS – SNBU, 18., 2014, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/137-1751.pdf&gt;.

�9 - MÍDIAS SOCIAIS EM
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
Regina Fazioli

Redes

sempre
existiram,
bem
como
o
entrelaçamento de seus nodos e ligações no seu interior.
Desde sempre pessoas se reúnem, relacionam-se por meio
das redes. O que as difere é a tipologia, conforme as
ligações acontecem.
A forma de entrelaçamento evolui quando mudanças
acontecem, desde as mais pré-históricas ferramentas até
os dias de hoje, a disposição se transforma com as
tecnologias digitais. Assim, apesar de as redes sociais
serem tão antigas quanto a humanidade e mídias sociais
existirem desde as pinturas do tempo das cavernas, a
maneira com que as pessoas se estruturam em rede social
e o modo como trocam conhecimento e se comunicam,
vem passando por muitas variações ao longo dos tempos,
atingindo as maiores transformações nos últimos 10 anos,
devido à propagação e infiltração das tecnologias digitais
na sociedade. Atualmente, com as Ferramentas de Mídias
Sociais, as relações tomaram caminhos diferentes de
interação e esta interação social acontece também no
ciberespaço de maneira ativa e colaborativa.
Partindo do princípio que redes sociais são pessoas
conectadas por algum interesse em comum, essas redes
podem se organizar, segundo Baran (1964), de três formas
distintas: centralizadas, descentralizadas e distribuídas,
conforme é mostrado na figura a seguir:

�(Baran, 1964)

Nota-se que nas três figuras acima (Baran, 1964), os
nodos (pontos) estão dispostos sempre nos mesmos
lugares, o que muda é a forma como se unem.
A Rede Centralizada tem como foco a centralização das
tarefas e serviços de onde advém o nome - Centralizada.
Este modelo é indicado para locais onde se necessite uma
gestão centralizada de serviços.
Rede Descentralizada tem como ponto central a
independência das tarefas e dos serviços. Ao contrário da
Rede Centralizada, este modelo não exige a centralização
das tarefas, com isso a gestão se dá de forma limitada e
mais complexamente.
Já, na Rede Distribuída, que aparenta uma rede de pesca,

�onde cada nodo independe de outro, mas por outro lado é
diretamente ligado ao outro, completando-o. Neste tipo de
rede os processos acontecem interligados, mas ao mesmo
tempo independentes e em formato transparente.
De forma geral, os nodos se interligam a todos de uma
forma ou de outra. O que interfere são as camadas destas
interligações.
As principais características das Redes Sociais são a
Fruição, onde as oportunidades tendem a surgir (Redes de
Relacionamento), conter Nodos (pessoas) e Conexões
(links) e reunir pessoas, interagindo segundo um padrão
de organização de rede distribuída. Nestas interações
acontece o colapso do tempo e espaço.
Todas estas mudanças geram profunda transformação na
economia e com isso muitas profissões tendem a se
reinventar. Os corretores de imóveis, por exemplo, se não
desaparecerem, vão ter menos o que fazer. Aplicativos
farão o que hoje eles realizam. No caso dos jornalistas,
outro cenário se configura: a profissão sempre deverá
existir para apurar notícias e contar histórias, pois isso
exige tempo, dinheiro e profissionalismo, porém os jornais
passarão por muitas mudanças ainda. Editores de revistas
científicas desaparecerão. Cada um publicará seu artigo
científico num site pessoal ou coletivo e as avaliações
serão feitas depois. Isso já existe. O importante é a
circulação de ideias, não o controle prévio da publicação. É
mais democrático, aberto e gratuito. As bibliotecas
universitárias gastam fortunas para assinar publicações
que podem e deveriam propiciar acesso aberto a todos.
Inevitavelmente é o que deverá acontecer.
A internet ainda está na sua pré-história. Hoje, 50% das
pessoas estão conectadas. Em 2000, era 1%. Rapidamente
atingiremos 80 ou 90% de conectados. Então, a internet
passará por inovações de qualidade: tradução automática,
inteligência artificial, inteligência coletiva, reflexiva. Pierre
Levy (in SILVA, 2016).

O valor da Interdisciplinaridade para o profissional da

�informação, atualmente, é mais do que imprescindível.
O foco da realização dos serviços e produtos tende a se
transformar em ações e sentimentos bem mais próximos
aos clientes destes mesmos serviços e produtos e devem
se adaptar a esta nova economia. A realização deverá ter
outro olhar para sua execução, devendo obedecer este
novo formato da economia do conhecimento.
Esta mudança também nota é notada no novo cliente que,
na maioria das vezes, procura indicações e informações
nas Mídias Sociais para finalizar um negócio, indiferente do
campo deste serviço ou produto.
Abaixo, em gráficos sobre acesso às Redes Sociais, pode
observar-se onde a maioria das pessoas está referindo-se
a Redes Sociais. Independente dos gestores do negócio
gostarem ou não, preferirem ou não, devem atuar e estar
onde seus clientes estão, ou seja, se 83% das pessoas
acessam o Facebook; é lá que devem ser criadas as
possibilidades de negócios e serviços.

Fonte: Pesquisa Brasileira de Mídia,2015 (PBM)

�Fenômenos de Redes Sociais:
Ainda para entender as Redes Sociais, deve ser analisada
a fenomenologia que as envolve. As grandes descobertas
da nova ciência das redes foram os fenômenos associados
à interação: Clustering, Swarmming e a Teoria dos Seis
Graus, entre outros.
Clustering:
A primeira descoberta é: tudo que interage clusteriza ou
se aglomera, ilustrado abaixo.

Aglomerações (Clustering)

Swarmming:
Outra descoberta: tudo que interage pode enxamear. O
maior exemplo deste fenômeno é o da inteligência coletiva
no voo dos pássaros.

�Enxameamento (Swarmming)

Teoria dos seis Graus de Separação:
Esta teoria resulta de uma pesquisa realizada nos Estados
Unidos (WATTS, 1999) concluindo que no mundo são
necessários, no máximo, seis laços de amizade para que
duas pessoas quaisquer estejam ligadas. Com o advento
do Facebook, no entanto, essa medida caiu para nada
menos que 3,57 graus de separação – na média.
É importante enfatizar que as Redes Sociais vieram mudar
o relacionamento entre instituições e consumidores.
Terminou o período em que as marcas manipulavam a
informação. Atualmente, consumidores ajudam a criar,
opinam, comunicam-se e decidem baseados nos seus
próprios critérios. Uma coisa é correta: as redes sociais
vieram para ficar e quem não respeitar os consumidores
será definitivamente afastado do mercado.
Percebe-se o
seu perfil,
tendências e
asinformações

quanto é importante conhecer seu cliente,
suas preferências, necessidades, suas
habilidades e o quanto é importante
de serviços e produtos chegarem a este

�mesmo cliente.
Ao se delinear um negócio, faz-se necessário observar a
real identidade deste negócio. Esta identidade é
necessidade básica do ser humano. É tão necessária como
afeto ou comida. A identidade é uma necessidade afetiva
(sentimento), cognitiva (consciência de si próprio e do
outro como diferente) e ativa (o ser humano tem de tomar
decisões fazendo uso de sua liberdade de vontade). A
identidade é um selo de personalidade. É evolutiva e está
em mudança. É uma característica que se desenvolve e faz
parte da história de cada indivíduo.

Tipos de Ferramentas de Redes Sociais:
Até agora se enfatizou as Redes Sociais, mas há uma
diferença entre Redes Sociais e Ferramentas de Redes
Sociais.
As ferramentas são usadas para divulgar conteúdo, ao
mesmo tempo em que permitem relação entre as pessoas.
Como exemplo cita-se um blog que, ao mesmo tempo,
dissemina conteúdo e abre espaço para os leitores
interagirem. Estas são ferramentas que têm como objetivo
o compartilhamento de conteúdo, sendo as relações objeto
de estudo das Redes Sociais.
Abaixo, algumas das Ferramentas de Redes Sociais:
AdSense:
Um plano de publicidade do Google ou de qualquer outra
Ferramenta, que ajuda criadores de sites ou de negócios
entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com seu trabalho.
Tornou-se a mais importante fonte de receita às empresas
Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google
oferece anúncios relevantes ao conteúdo de um site,
gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for
clicado.

�Ajax (AsynchronousJavascriptAnd XML):
É um pacote amplo de tecnologias usado para criar
aplicativos interativos para a web. A Microsoft foi uma das
primeiras empresas a explorar a tecnologia; mas a adoção
da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line,
mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax uma das
ferramentas mais quentes entre os criadores de sites e
serviços na web.
Blogs:
De baixo custo para publicação na web, disponível a
milhões de usuários, os blogs estão entre as primeiras
ferramentas de Web 2.0 a serem usadas amplamente.
Mashups:
Serviços criados pela combinação de dois diferentes
aplicativos para a internet.
Por exemplo, misturar um site de mapas on-line com um
serviço de anúncios de imóveis, apresentando um recurso
unificado de localização de casas que estão à venda.
RSS
"Reallysimplesyndication"
realmente simples):

(distribuição

Distribui informação por meio da internet, utilizando a
combinação de tecnologias - "pull" -, com as quais o
usuário da web solicita as informações que deseja e
tecnologias - "push" -com as quais informações são
enviadas a um usuário automaticamente.
Conhecido como “assinando um feed” (alimentador).
Tagging (rotulação):
Oferece aos usuários uma maneira de vincular palavras-

�chave a palavras ou imagens que consideram interessantes
na internet (nuvens de Tags).
Ajuda a categorizar as palavras e compartilhar com outros
usuários.
O uso on-line de tagging é conhecido como "folksonomy";
cria uma distribuição classificada ou taxonomia de
conteúdo na web.
Wikis:
Páginas comunitárias na internet que podem ser alteradas
por todos os usuários que têm direitos de acesso.
Ex.: Wikipédia = &gt; enciclopédia on-line escrita por
leitores.
Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma
maneira fácil de trocar ideias comum grupo de
trabalhadores envolvidos em um projeto.

Escolhendo a Ferramenta:
Onde o cliente está, está a oferta de produtos e serviços.
Se a maioria das pessoas que frequenta Redes Sociais e
que deverá ser o público a ser atingido está no Facebook, é
onde se deve montar a estratégia e planejamento da
campanha de marketing digital, que será preparada à
divulgação dos serviços e produtos escolhidos ou mesmo
uma campanha mais abrangente para a divulgação da
instituição.

�REDES SOCIAIS MAIS UTILIZADAS (Brasil, 2014)·.

A não ser que este cliente esteja em outras ferramentas;
esta outra ferramenta deverá ser o foco mais importante
para ser criada uma campanha de divulgação,
conscientização ou o que for decidido pelo planejamento da
campanha de marketing.

Criação da Campanha de Marketing:
Mais tarde ou mais cedo, qualquer marca ou produto
presente no mercado necessita de publicidade, para
aumentar a procura e evitar perda de mercado ou para se
manter viva e saudável junto do consumidor. As técnicas
de comunicação constituem uma poderosa ferramenta e
podem influenciar a atitude dos consumidores face ao
produto/marca. As campanhas de publicidade servem,
sobretudo, para conquistar ou manter a posição de
liderança, assim como para diferenciar e aumentar o grau
de notoriedade de produtos ou serviços num mercado cada
vez mais competitivo. A publicidade constitui, assim, um
instrumento para ajudar as empresas a vender, ao mesmo

�tempo ,e permitira os consumidores aumentarem
conhecimento sobre os produtos, sabendo distingui-los.

o

Abaixo, os passos principais da Criação da Campanha de
Marketing:
Passo 1 - Conhecer os conceitos de publicidade.
A publicidade constitui um meio de promover vendas em
massa. Nesse sentido, deverá:
Interessar.
Persuadir.
Convencer.
Levar à ação.
A publicidade se baseia no conhecimento da natureza
humana e deve influenciar o comportamento do
consumidor. Quanto mais se conhecem as necessidades, os
desejos e os impulsos daquele, mais fácil colocar em
prática uma estratégia publicitária. Para que um anúncio
cumpra a sua missão, levando o consumidor a adquirir o
produto ou utilizar o serviço proposto e anunciado, é
necessário o apelo a uma necessidade, despertando ou
criando o desejo.
Passo 2 - Determinar os objetivos da publicidade
A publicidade permite atingir os seguintes objetivos:
Informar: a publicidade permite dar a
conhecer as características dos produtos,
assim
como
aumentar
os
graus
de
conhecimento que se tem sobre eles.
Conteúdo, formas de utilização, locais e
aquisição e de assistência técnica constituem
algumas das informações úteis para o

�consumidor, que a publicidade deve facultar.
Aumentar a notoriedade: o grau de
conhecimento sobre um produto/marca faz
aumentar significativamente as hipóteses de
aquisição. A divulgação das marcas permite
que os potenciais consumidores conheçam a
sua existência no mercado, aumentando-lhe a
notoriedade.
Diminuir o esforço de compra: quanto maior
forem os conhecimentos sobre uma marca,
mais fácil se torna perante as armaduras de
produtos existentes, tomarmos uma decisão.
Influenciar na decisão de compra: este
constitui certamente o objetivo máximo da
publicidade.
Passo 3 - Fazer o briefing da campanha
Briefing é um conjunto de informações, coleta de dados
no desenvolvimento de um trabalho de divulgação ou de
venda. É o documento que contém descrição da situação
de uma marca ou serviço, seus problemas, oportunidades,
objetivos e recursos para os atingir. É a base de um
processo de planejamento.
A implantação de uma campanha publicitária resulta de
um plano de marketing, do qual fazem parte outros
importantes instrumentos que englobam o mix da
comunicação:
Relações públicas
Força de vendas
Promoções
Marketing direto
A campanha tem como objetivo dar resposta aos objetivos

�inicialmente propostos no plano de marketing face ao
produto/serviço.
Como a maioria dos Serviços de Informação não dispõe
de departamentos voltados a levar a cabo todas as fases
de uma campanha, o primeiro passo é selecionar pessoas
capacitadas e responsáveis pela elaboração do briefing
publicitário.
Passo 4 - Estabelecer a estratégia criativa
Aprovado o briefing da campanha, as pessoas envolvidas
iniciam o processo criativo a partir da ideia definida e pelo
orçamento disponibilizado. Este processo envolve a
concepção e tratamento das mensagens e a seleção dos
respectivos suportes:
Filmes
Locução
Fotografia
Cartazes
Jingles
Ferramentas de Redes Sociais
No processo criativo intervêm várias pessoas que
possuam expertise e trabalhem em estreita ligação entre
si, concebendo, em conjunto, a mensagem publicitária.
Passo 5 - Selecionar os meios
A seleção dos meios a serem utilizados numa campanha
publicitária depende dos alvos que se pretende atingir e do
tipo de mensagem a transmitir. Não menos importante é o
orçamento que, muitas vezes, pode condicionar a utilização
de determinados meios, sobretudo os que exigem maior
investimento. Aqui ficam as principais vantagens e

�desvantagens dos diversos meios.
Passo 6 - Analisar os resultados
Os resultados de uma campanha publicitária podem ser
avaliados pelo impacto e pela eficácia. Entre outros, as
avaliações podem medir: Memorização, Atribuição,
Compreensão, Credibilidade, Aceitação, etc.

Etapas do Marketing em Mídias Sociais:
Planejamento do projeto
Nessa etapa são definidos os objetivos
da presença nas redes e avaliados e
mapeados os cenários da marca e seus
concorrentes diretos e indiretos nesses
ambientes.
Estruturação dos canais nas redes sociais
Durante essa fase são criados ou aperfeiçoados os perfis
das empresas nessas novas mídias.
Definição da brand persona (personificação dos
valores da marca) e construção de guidelines
(orientações) de conteúdo.
Nesse momento são delimitados os fatores que norteiam
a produção de conteúdo para as redes sociais. É o caso da
escolha da brand persona, ou seja, a definição da
linguagem a ser adotada na comunicação da empresa com
o seu público.
Planejamento das ações
Essa etapa envolve a definição das ações que orientarão o

�desenvolvimento de conteúdo institucional às redes sociais,
incluindo o planejamento para gestão de crise.
Todas as instituições estão sujeitas a passar por situações
de anormalidade e/ou tensão, de intensidade variável. O
gerenciamento de crise é uma atividade que visa
minimizar, reduzir ou se possível eliminar os impactos
causados por essas atribulações, a fim deque a
organização tenha o menor prejuízo financeiro possível,
como também na sua reputação.
É importante também desenhar as linhas básicas de
tratamento dos “detratores”: perfil de consumidor
realmente insatisfeito com a marca e que faz questão de
expor aos quatro ventos sua experiência negativa com um
produto, serviço ou empresa.
Todo cliente deverá ser tratado com todo o respeito e
atenção que merece, pois sem ele a instituição
simplesmente não existe, e as organizações devem
desenvolver as melhores práticas no que tange ao
atendimento do cliente, criando processos assertivos que
garantam a entrega do produto/serviço à altura de sua
expectativa e satisfação.
Entretanto, quando, ainda com todos estes cuidados,
houver casos de clientes detratores é importante que a
organização se posicione imediatamente e busque fazer
contato com eles (telefone, e-mail, redes sociais) para
resolver o mais rapidamente possível sua reclamação. Isso
é importante, não apenas para que a marca não fique
taxada negativamente, mas especialmente, para que o
cliente tenha seu problema resolvido de imediato e para
que não fique com má impressão da instituição e a espalhe
por aí.
Também é importante planejar objetivos
específicos, p.ex.: ao se referir a detratores:

gerais

e

Mapear detratores para realizar ações de relacionamento
e diminuir o volume de críticas. Mapear indicadores de
detratores: volume de detratores únicos e volume de posts

�negativos.
Planejar a meta: diminuir em 25% o volume de detratores
únicos em três meses.
Desenvolvimento de conteúdo especializado.
Nessa fase é planejada a produção dos conteúdos
especializados para a instituição – e relevantes ao cliente
–, abordando temas sobre a marca, seu negócio, serviços,
produtos e mercado.
É importante, de preferência, divulgar conteúdo exclusivo.
Não há vantagem em replicar conteúdos de sites de
notícias sem uma contextualização prévia. Qualquer notícia
poderá ser replicada se acompanhada de algum conteúdo
produzido pelo “agitador” da página. Ao se criar enquetes,
planeja-se e se incentiva a interação do usuário. É
importante destacar que a frequência de interação do
usuário é determinante à visibilidade de uma página. Se o
usuário não interage com a página, ela deixa de aparecer
na timeline dele. É significativa a utilização da rede social
como espaço de formação; para isso, podem ser
repassadas, p.ex.: dicas de utilidade pública, cursos
oferecidos pelo serviço de informação ou sites à
aprendizagem de idiomas. Enfim, informações úteis à
formação do cliente.
Conteúdo de qualidade combinado com boa estratégia de
distribuição é fundamental para que o processo funcione. E
isso independe do setor da instituição, não importando o
público-alvo com que trabalha.
Mais importante que a própria campanha, é a estratégia
integrada de longo prazo que objetive conquistar e fidelizar
consumidores através de conteúdo relevante.
É um erro, portanto, abrir caminhos sem planejamento,
cadastrar-se em muitas Mídias Sociais, publicar qualquer
tipo de conteúdo, que poderá ser interessante para alguns
clientes-alvo que fazem parte do público da marca. Abrir

�conta em várias Ferramentas de Mídias Sociais sem um
planejamento é alcançar menos da metade do potencial de
resultados.
É importante incluir, em qualquer estratégia, alinhar
conteúdo, perfis sociais e campanhas off-line às metas de
negócio, produto ou serviço a ser difundido. Desse ponto
de partida saem os objetivos com o conteúdo:
público-alvo (e preferências, personas, uma análise
completa);
canais a serem utilizados;
estratégias
linguagem;

de

conteúdo:

temas,

distribuição,

métricas a serem monitoradas e analisadas.
Obviamente que esta é uma lista muito simplificada de
uma estratégia de conteúdo completa, mas é um ponto de
partida para quem quer começar a se estruturar. Muito
importante conhecer e melhores horários de publicação da
Ferramenta de Rede Social que está utilizando e,
programar esta divulgação.

Monitoramento: objetivos e possibilidades
O monitoramento de Redes Sociais tem como principais
objetivos: mensurar, qualificar, quantificar, traçar perfis de
usuários, identificar possibilidades de ações dentro dos
ambientes virtuais e prever crises e danos às marcas. Este
campo ganhou destaque nos últimos anos e tem
expectativa de ser o carro chefe das ações do
Planejamento
das
Mídias
Sociais,
por
conseguir
compreender sonhos, desejos, insatisfações e problemas
dos clientes para o mundo real, além de propor e sugerir
formas de amenizar o impacto negativo de uma marca.
Ouvir o buzz (marketing boca a boca - o que se diz sobre
a marca entre os clientes) em torno de uma determinada

�marca não só é importante do ponto de vista da gestão de
reputação, mas também porque ela serve como maneira
de compreender e aperfeiçoar as formas de se trabalhar
com uma marca. Conforme afirmam Dambrós e Reis
(2008) "já não se trata de fazer os consumidores
comprarem a marca, mas de incentivar que eles se
organizem ao seu redor". Este trabalho possibilita às
organizações entender e conhecer melhor o seu público; é
possível mapeá-los, o que pensam e como agem os
internautas.
Há inúmeras ferramentas gratuitas (algumas ferramentas
sugeridas em ROCKCONTENT, 2015) para efetuar o
controle das Redes Sociais; numerosas métricas podem ser
utilizadas para medir o desempenho, não apenas para
auxiliar no atendimento ao cliente, também no
fornecimento de dados que sejam estratégicos ao negócio.
Estas ferramentas gratuitas para monitoramento de redes
sociais oferecem diferentes análises e podem auxiliar na
produção do relatório de monitoramento, nas tomadas de
decisão em relação aos concorrentes, na produção de
conteúdo e na criação de novas estratégias às redes
sociais.
Etapas do Monitoramento:
Planejamento: identificar onde, como,
quais redes sociais serão monitoradas,
período à obtenção de dados consistentes e
dimensão do público a ser ouvido.
Coleta de Dados: é iniciada com a
configuração das ferramentas (área de
atuação), tipos de post, foco das palavraschave – todas alinhadas à estruturação da
árvore de assuntos e ao universo de dados
já previamente definidos. Uma das maiores
dificuldades é trabalhar com a grande
quantidade de dados disponíveis e decidir a
que atribuir valor durante a classificação.

�Por
isso,
em
alguns
tipos
de
monitoramento, é aconselhável utilizar
amostras na coleta dos dados, a fim de
facilitar o trabalho e angariar resultados
satisfatórios. É importante ficar atento à
detecção de crises ao trabalhar com
amostras.
Classificação:
processamento,
categorização e segmentação dos dados de
acordo com a estrutura de categorias
definida e por sentimento (positivo, neutro,
negativo). Nesta fase é muito importante a
imparcialidade: desenvolver uma reputação
de precisão, respeitar a opinião alheia, ser
o mais transparente possível e evitar
polarizações, a não ser que se esteja
pronto para defender sua posição são
algumas delas.
Análise: identificar quais os conteúdos
relevantes à marca. Para a Investigação
dos dados e geração de descobertas e
insights (busca de recomendações e
conhecimento), aplicam-se metodologias
de estudos, coletam-se fontes externas,
olham-se
dados
de
concorrentes,
objetivando responder as perguntas iniciais
do planejamento.
Produção do relatório e Conclusão:
estruturar os dados obtidos segundo sua
classificação, transformar os números
obtidos
em
gráficos
para
a
sua
interpretação, estruturar o relatório final
para
a
entrega
ao
cliente.
O
monitoramento busca entender aquilo que
o consumidor diz, como diz, porque fala e
para quem fala.

�Após todas as etapas anteriores, é hora de apresentar os
resultados num relatório bem elaborado, para que todo o
projeto não seja prejudicado na parte final. Na preparação,
é necessário ter em mãos: os dados consolidados (para
poder explorar e manusear conforme necessário), os
indicadores-chave
de
desempenho,
mapeados
e
analisados, os principais motivos listados e a análise
qualitativa realizada. Com isso, inicia-se o processo,
apresentando a metodologia utilizada (qual foi à
amostragem aplicada, palavras-chave pesquisadas, redes
coletadas e categorias utilizadas), que deve ter sido
alinhada a sua configuração; no caso de campanha,
também é necessário apresentar claramente as várias
fases da inserção de mídia, uma vez que a mídia paga
influencia, consideravelmente, no desempenho da mídia
espontânea, merecendo um olhar diferenciado na hora da
análise.
Cada
cenário
deverá
ser
analisado
especificidades, cores, clientes e desejos.

com

suas

(da Autora)

O entendimento deverá advir da experiência e análise.
Apenas com a agregação de Dados, Informação e
Conhecimento, chegar-se-á à Inteligência do que deverá
ser feito e como agir.
Ainda sobre análise, é bom frisar que há alguns
indicadores para verificar a presença nas redes sociais e se
o caminho adotado é o mais acertado.
Em um post para Media Today Social, Thompson (2011)
cita cinco indicadores que aproximam os resultados aos
investimentos e como medir estes investimentos. É difícil
obter exatidão nessa área. Seguem os cinco itens:
a. Sites de referência: Entender de onde advém o
tráfego de um site é importante para poder
referenciar recursos de outro site. Se mais da
metade do tráfego vem do Facebook, enquanto

�apenas 15% vêm do Twitter, o foco deve ser na
primeira rede social. Neste caso, o Facebook
encaminhará mais cliques, contribuindo para
promover melhor o site da organização.
b. Comentários: Dedicar valor aos comentários que os
clientes fazem em determinadas publicações é
fundamental. Com base neste conhecimento,
obtém-se conhecimento de quais itens os clientes
têm mais interesse.
c. Influência: Um dos anseios habitual entre as
instituições com forte presença nas redes sociais é
medir a sua influência sobre eles. Thompson (2011)
propõe o uso do Klout (https://goo.gl/GHm3Sp)
para medir a robustez que um cliente de mídia
social pode suscitar sobre os outros. Klout usa
dados do Facebook, Twitter, Foursquare, Google +
e Likedin para realizar essas medições.
d. Análise dos sentimentos: Neste item se mede a
avaliação e quantificação em estatísticas, a opinião
de clientes de uma determinada marca, empresa ou
entidade. Há ferramentas que monitoram os
comentários ou determinadas palavras. Com estas
ferramentas pode-se, automaticamente, saber se o
que os clientes dizem é positivo ou negativo.
e. Menções: Controlar a citação das marcas em sites é
importante, pois pode prevenir crises. Compreender
o que se diz da organização é uma forma de
compreender e aperfeiçoar as maneiras de se
trabalhar com uma marca.
Redes Sociais são ricas em conhecimento sobre os
interesses dos clientes da web e quais são as suas
opiniões. Apesar dos desafios, a realidade cada vez mais
mostra que, as empresas que já aceitaram o
monitoramento como uma realidade estão conseguindo
minimizar danos, ao mesmo tempo que auxiliam empresas
nas diversas tomadas de decisão do cotidiano.

�Toda esta dinâmica é extremamente recente, mesmo
porque o ambiente onde está inserida a internet também é
muito recente. É um novo comportamento baseado em
algoritmos
e
dados.
Com
certeza
este
novo
comportamento influenciará uma nova forma de educação
e até mesmo de organizações. A colaboração e a interação,
tão presentes nestes novos tempos, influenciará nas
decisões coletivas, assim como a construção da inteligência
coletiva.
Sugestões de comportamento ao se lidar com o cliente
não podem faltar. São conhecimentos adquiridos pela
autora na prática de atendimento e interação nas Redes
Sociais.
O respeito ao público deverá ser uma constante e
nenhuma sugestão ou comentário deverá ser
eliminado.
Todas as perguntas deverão se respondidas sempre
no menor tempo possível, respeitando o tempo
máximo de 24h para a resposta. A fidelização do
cliente dependerá, em parte, deste comportamento.
A rotina de publicação deverá ser implantada por,
ao menos, um post por dia, respeitando os horários
mais acessados do público-alvo.
Com frases e posts de interesse de seu cliente
haverá
uma
possibilidade
maior
de
compartilhamento e recomendação a novos
curtidores da página.
A utilização de imagens é primordial. Ao divulgar
uma publicação, utilizar a foto da capa fará grande
diferença. Fotos de parte de livros de poemas,
quando da sua postagem, incentivará e cativará o
cliente mais fortemente.
O mesmo tipo de linguagem a ser utilizada nos
posts deverá ser constante, assim como o pronome
pessoal - primeira ou terceira pessoa - bem como a

�utilização de gírias ou de uma linguagem mais
formal, etc.
A comunicação com o cliente deverá acontecer
sempre que apareçam perguntas ou apenas
perguntas específicas? Qual o prazo para as
respostas? E nestas respostas serão utilizadas
imagens?
Qual a frequência de utilização da Rede escolhida?
Qual o tempo que a pessoa ou equipe responsável
ficará on-line por dia. Será equipe 24/7 e
funcionará em final de semana?
Quanto à estratégia
promoções?

haverá

a

realização

de

Mapeamento de oportunidades: Por onde conseguir
entrar na conversa e interagir com os clientes? Há
alguma oportunidade latente que pode ser
aproveitada? Algum usuário com grande influência
que já fala da marca espontaneamente?
Todo este cenário deverá ser utilizado nos serviços e
produtos de informação, conhecimento e inteligência, quer
seja de cunho privado ou público, lembrando que não
existe uma verdade, uma estratégia, um único efeito, um
jeito certo, pois os cenários são diferentes, as pessoas são
diferentes. O relacionamento com pessoas é extremamente
rico e o aprendizado deve acontecer todo o tempo.
Segundo Glasser, o indivíduo aprende 10% quando lemos,
20% quando escutamos, 30% quando observamos, 50%
quando vemos e ouvimos, 70% quando discutimos com os
outros, 80% quando fazemos e 95% quando ensinamos os
outros. É visível quanto esta interação faz diferença na
aprendizagem.

�Pirâmide de William Glasser

A capacitação acontece no dia a dia dentro das Redes
Sociais entre todos os seus participantes, e entre os
compromissos de um profissional de Serviço de Informação
está o letramento digital de cliente. Outras habilidades
também devem ser incorporadas como curadoria de
conteúdo, avaliação da informação e uso de várias
tecnologias apropriadas para transferir informações,
utilizando novas formas como infográficos, habilidades,
proporcionando a todos se envolverem com a informação
de forma diferente.

Considerações

�As redes sociais são um caminho sem volta. Não se pode
prever o que acontecerá no futuro, como acontecerá o
relacionamento da biblioteca com seus clientes. Quais
necessidades informacionais e culturais os clientes que
frequentam Serviços de Informação possuem, e como
serão estas bibliotecas?
Para ser previsto o futuro, para se plantar um futuro, ele
deve ser construído e inventado desde agora, desde o
presente.
Com a união das fronteiras físicas e virtuais, o
bibliotecário deverá ser tão cuidadoso com o seu cliente
presente tanto quanto com o virtual. Nada disso
acontecerá se o profissional não se renovar, saindo da
zona de conforto e partir para realizar tudo de uma forma
diferente.
Há três itens básicos para um novo caminho dentre os
serviços que deverão direcionar o bibliotecário e seus
clientes nas redes sociais:
Serviço
personalizado:
oferecer
tratamento
preferencial e direcionar as informações aos clientes
conforme sua necessidade.
Serviços on-demand: dispor de informativos
educacionais e culturais para nossos clientes.
Gamification
(objetivos
de
compensação):
recompensar os melhores usuários. Esta estratégia
de interação entre pessoas e empresas, baseada no
oferecimento de incentivos, estimula o engajamento
do cliente com as marcas de maneira lúdica.
Outra ferramenta a ser considerada é a realidade
aumentada ou realidade virtual. A biblioteca não é mais
apenas um espaço físico, agora ela deverá estar onde o
usuário necessite, sendo isto é possível graças à realidade
virtual e à possibilidade de montar estes espaços virtuais
ao alcance de qualquer cliente. O cliente é parte essencial

�e fundamental da biblioteca, podendo participar de um
desafio através de jogos, recebendo compensação por seu
trabalho ou utilização dos serviços.
O objetivo de todas estas ações é angariar clientes. Todos
são clientes em potencial da biblioteca e os que ainda não
o são, poderão vir a ser.
O caminho a ser percorrido para se chegar ao futuro
deverá seguir novos trajetos, com novos traçados por onde
ninguém se aventurou.

REFERÊNCIAS

BARAN, Paul. On distributed communications: I.
Introduction to distributed communications network.
1964.
Disponível
em:
&lt;http://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/research_memoranda
Brasil.
Presidência
da
República.
Secretaria
de
Comunicação Social. Pesquisa brasileira de mídia
2015: hábitos de consumo de mídia pela população
brasileira. – Brasília:Secom, 2014. &lt;http://goo.gl/V0iXHZ&gt;
DAMBRÓS, Joana e REIS, Clóvis. A marca nas redes
sociais virtuais: uma proposta de gestão colaborativa.
Trabalho apresentado no NP Publicidade e Propaganda do
VIII Nupecom - Encontro dos Núcleos de Pesquisa em
Comunicação, evento componente do XXXI Congresso
Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2008. Disponível
em:
http://www.scribd.com/doc/2711298/Brand-in-theSocial- Networking.
ORTA, Carlos Guadián. +100 herramientas para
elanálisis de redes sociales #sna #ars - 28 de junio de
2016. http://goo.gl/FS72jN
MORTAI, Elisangela Carlosso Machado, SANTOS, Suzana
Fernandes dos Monitoramento de redes sociais digitais
como
estratégia
organizacional.
http://www.scielo.br/pdf/interc/v39n1/1809-5844-interc39-1-0091.pdf

�ROCKCONTENT. As 46 melhores ferramentas gratuitas
para monitoramento de redes sociais. 2015. Disponível
em:
&lt;http://marketingdeconteudo.com/ferramentasgratuitas-para-monitoramento-de-redes-sociais/&gt;.
SALUSTINO, Sergio. Monitoramento de Redes Sociais:
muito
mais
que
uma
análise
de
sentimentos.
http://goo.gl/a4EuNX
STATISTA: The Statistics Portal. Statistics and Studies
from
more
than
18,000Sources.2016
&lt;http://www.statista.com/&gt;
SILVA, Juremir Machado da. Entrevista com Pierre
Lévy: A Internet ainda está na sua pré-história. 2016.
Entrevista.
Disponível
em:
&lt;http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?
p=8818&gt;. SOCIALBAKERS. Brazil Facebook page
statistics.&lt;http://goo.gl/P4ywmu&gt; THOMPSON, Heidi. 5
Social Media Metrics You Should Be Measuring. 2011.
Disponível
em:
&lt;http://www.socialmediatoday.com/content/5-socialmedia-metrics-you-should-be-measuring&gt;.
WATTS, Duncan (1999). Small Worlds: the dynamics of
networks between order and randomness. New Jersey:
Princeton University Press, 1999

�10 - SEGMENTAÇÃO DE
CLIENTES NA BIBLIOTECA:
COMO CONHECER MELHOR O
SEU PÚBLICO E CONTRIBUIR
PARA O MARKETING DE
RELACIONAMENTO COM O
CLIENTE
Denise Rodrigues So

1 Introdução

Muitos setores de mercado foram impactados pelas
crescentes inovações tecnológicas e pelo surgimento de um
novo consumidor mais consciente do seu papel, tendo
poderes de transformação social. A biblioteca não ficou
imune a esse impacto e para garantir o seu negócio,
precisa começar a conhecer melhor, entendendo mais
profundamente quem é o seu (novo) público. Somente
assim, poderá oferecer serviços realmente desejados por
essa demanda.
Neste cenário de mudanças tecnológicas, econômicas e
sociais, o marketing de massa não consegue mais
responder às expectativas do consumidor. A biblioteca
também não possui tantos recursos e esforços que possam
ser direcionados a todos sem uma análise segmentada do

�seu público. Condous (apud AMARAL, 1998) já admitia a
falha das bibliotecas, quando acham que trabalham para
100% de sua população durante 100% do tempo. Sem
falar nos bibliotecários, que não pensam na segmentação
de clientes como estratégia na entrega de serviços focados
no que o seu público deseja; na verdade, agem segundo o
que eles mesmos acreditam que os usuários precisam e
querem, ou seja, é o marketing sob a perspectiva do
bibliotecário e não do usuário/cliente. (OLIVEIRA Apud
AMARAL, 1998).
A segmentação de clientes é uma ferramenta para melhor
direcionar os recursos e adequar o serviço ao target que
realmente dele necessita, deseja e valoriza. Coletar e
analisar os dados dos clientes fornece à biblioteca inputs
relevantes, tanto sobre a demografia do usuário quanto
aos aspectos comportamentais que podem ajudar no
desenvolvimento e/ou aperfeiçoamento dos seus produtos
e serviços. Adicionalmente, contribui aos programas de
relacionamento com o cliente, mais fundamentados e
próximos da realidade do público real e potencial.
O objetivo não é esgotar nenhum dos temas –
segmentação de clientes e marketing de relacionamento,
mas apresentar o primeiro como uma estratégia
mercadológica, a fim de que a biblioteca possa usála como
vantagem competitiva frente a um cenário de mercado
mais exigente e em transformação.

2 Cenários do Marketing e da
Biblioteconomia
Em breve resumo, a linha evolutiva do marketing é um
reflexo das mudanças ocorridas nas esferas tecnológica,
econômica e social. Na figura abaixo, Kotler (2012)
compara as diferentes fases do marketing desde o
momento em que o foco era o produto (1.0) até o ponto
em que nos encontramos (3.0).

�Tabela: Comparação entre Marketing 1.0, 2.0 e 3.0
Marketing 1.0

Objetivo

Forças
propulsoras

Marketing 2.0

Marketing 3.0

Marketing
centrado no
produto

Marketing
voltado para o
consumidor

Marketing
voltado para os
valores

Vender produtos

Satisfazer e reter os
consumidores

Fazer do mundo um
lugar melhor

Revolução industrial

Tecnologia da
informação

Nova onda de
tecnologia

Como as
empresas
veem o
mercado

Compradores de
massa, com
necessidades físicas

Conceito de
marketing

Desenvolvimento de
produto

Consumidor
inteligente, dotado de
coração e mente

Ser humano pleno,
com coração, mente e
espírito

Diferenciação

Posicionamento do
produto e da empresa

Valores

Diretrizes de
marketing da
empresa

Especificação do
produto

Missão, visão e
valores da empresa

Proposição de
valor

Funcional

Funcional e
emocional

Funcional, emocional
e espiritual

Interação com
consumidores

Transação do tipo
um-para-um

Relacionamento umpara-um

Colaboração umpara-muitos

Quadro 1 Evolução do Marketing
Fonte: KOTLER (2012, p. 17)

Segundo os autores do livro Marketing 3.0, quando o
mesmo começou a ser escrito nos idos de 2005, as
empresas já se sentiam pressionadas por um novo perfil de
consumidor. Apoderado pelas mídias sociais e multitelas
(computador, celular, ipads e demais), esse indivíduo
passou a não mais aceitar passivamente os produtos e
serviços assim como eram oferecidos ao mercado. As
tecnologias ampliaram a sua voz e o seu poder de compra.
Sua opinião nas mídias sociais reverberou de forma
intensa, a ponto de influenciar cada vez mais os demais
consumidores sobre as suas escolhas. Fezse premente
sintetizar essa nova era do marketing para repensar como
trabalhar nesse contexto.

�Com um olhar mais atento ao Quadro 1, percebese que os
objetivos da fase 2.0 e 3.0 possuem em comum o
consumidor, ou seja, ele não foi suplantado na fase final.
Houve, na verdade, uma amplitude de análise. Na fase
anterior ele era estudado nas pesquisas de mercado de
forma passiva. Na nova fase, ele é coadjuvante de um
processo de colaboração e cocriação. Desse momento em
diante, ele colabora com a empresa, direta ou
indiretamente à melhoria, aperfeiçoamento, inovação e até
participa da detração de produtos e serviços. O consumidor
é estudado, considerando as suas crenças, atitudes
políticas, socioambientais, responsabilidades sociais e
espirituais. Diariamente, veemse casos na mídia onde o
poder de mobilização e colaboração dos consumidores é
tão intenso que levam a uma mudança de atitude das
instituições e seus stakeholders. Essas mesmas instituições
passaram a não somente monitorar espaços de
relacionamento desses consumidores (redes sociais, blogs,
microblogs, etc.) em busca de insights para o seu negócio,
como também a incluir esses indivíduos no processo de
inovação de P&amp;S, através de comunidades online,
experimentação de produtos em caráter de beta teste,
dentre outras iniciativas.
O consumidor do marketing 3.0 quer ser ouvido e
considerado em todas as suas necessidades e valores
sociais de justiça, econômicos, ambientais, espirituais. É
meio óbvio que o consumidor deve ser considerado em sua
integralidade como ser humano. Ninguém acorda pela
manhã como um consumidor de café, vai trabalhar como
um usuário de trem, almoça como cliente de restaurante
selfservice e volta para casa como um chefe de família.
Esses
vários
papéis
coexistem
ininterruptamente,
permeados pelos valores e crenças de cada indivíduo, e as
empresas precisavam acordar para esse novo olhar.
Por sua vez, a Biblioteconomia também vem sofrendo a
influência
das
mudanças
nos
contextos
citados,
adaptandose sempre às novas exigências mercadológicas.

�Em uma sistematização muito didática e informativa,
Araújo (2013) relaciona todas as correntes teóricas da
Biblioteconomia até o momento. Segundo ele, atualmente,
vivenciamos três perspectivas contemporâneas: mediação;
information literacy; bibliotecas eletrônicas e digitais. O
ponto em comum para todas elas é o foco no papel mais
dinâmico da biblioteca em detrimento da guarda do acervo
(produto). A preocupação agora é transformála num
organismo vivo, atuante, provocador de mudanças nas
instituições em que se situa. Além disso, essas correntes
teóricas procuram mudar a relação bibliotecapúblico,
permitindo que este último tenha participação mais ativa e
não apenas consuma, passivamente, a informação
disponível.
De imediato já se percebe uma semelhança no foco das
duas linhas de conhecimento. Resumidamente, poderseia
dizer que a Biblioteconomia está se encaminhando à era
3.0, também.
Esse caminho é inevitável e a biblioteca precisa responder
às expectativas do novo mercado consumidor. Entretanto,
oferecer os mesmos serviços massificados, desprovidos da
colaboração do consumidor na sua concepção, é
sentenciála ao passado, permitindo que outros serviços
tomem o seu lugar. Sendo assim, a segmentação de
clientes pode ser uma das saídas para garantir a sua
competitividade, contribuindo também para um marketing
de relacionamento duradouro.

3 A segmentação de mercado e sua tipologia
Segundo Kotler e Amstrong (1998, p.7), mercado “é o
grupo de compradores reais e potenciais de um produto”.
Entendese por compradores reais aqueles que já
compram/usam o produto/serviço, e potenciais, os que
ainda não os consomem, podendo vir a consumilos nalgum
momento. A partir disso,
As organizações podem dividir seu mercado total – os

�indivíduos ou organizações com o desejo e a capacidade de
comprar bens ou serviços – em segmentos relativamente
homogêneos.
Esse
processo
é
conhecido
como
segmentação de mercado. Com base nos resultados, a
empresa decide qual desses segmentos servir e como
servilo (CHURCHILL; PETER, 2003, p.204) (grifo do autor).

Primeiramente, a partir da pesquisa de marketing,
realizada pelos profissionais de marketing, identificandose
o seu mercado real e potencial.
Segundamente,
agrupamse
esses
segmentos
de
consumidores, conforme as suas semelhanças, em dois
grupos principais. O primeiro grupo é o das variáveis
físicas, abrangendo a localização geográfica (região,
estado, cidade/município, vizinhança) e as características
demográficas (idade, sexo, estado civil/tamanho da
família, escolaridade, ocupação, renda, grupo étnico). O
segundo grupo é o das variáveis comportamentais,
abrangendo as características de uso (volume de uso, uso
de produto e categoria de produto), estilo de vida
(psicografia)
e
benefícios
procurados.
(SEMENIK,
BAMOSSY, 1995).
Na prática, o que acontece é um cruzamento de variáveis
para garantir maior efetividade na busca por perfis de
segmentos mais próximos à realidade. Esse cruzamento
depende do negócio, do produto ou serviço em questão ou,
mais especificamente, das necessidades e particularidades
envolvidas. Semenik e Bamossy (1995) pontuam muito
bem porque as variáveis físicas (descritivas) são, muitas
vezes, usadas em combinação com as variáveis de
comportamento. Segundo esses autores, é necessário que,
primeiramente, os mercados sejam descritos de acordo
comas suas características físicas (idade, sexo, região
geográfica, etc.) para poder definir o seu Mix de Marketing
(planos de mídia, de distribuição, etc.). Contudo, este
descritivo não agrega informações que possam ajudar os
profissionais de Marketing a compreender os hábitos de
uso, benefícios buscados ao usar o produto, serviço, etc.
Sendo assim, na maioria dos casos, uma combinação entre

�estes dois tipos de variáveis se faz necessária.
Em seguida, segundo Kotler (KOTLER; AMSTRONG,
1998), após a definição dos segmentos, verificase se os
mesmos atendem a alguns critérios estratégicos que os
justifiquem. São eles:
Mensurabilidade: tamanho, poder aquisitivo e os
perfis dos segmentos devem ser medidos;
Acessibilidade:
é
preciso
que
se
possa,
efetivamente, alcançar e atender os segmentos;
Substancialidade: os segmentos precisam ser
amplos ou lucrativos o bastante para justificar a sua
ativação;
Operacionalidade:
devepoderse
planejar
programas eficazes para atrair e atender aos
segmentos.
Segundo Berrigan e Finkbeiner (1994), o marketing ganha
com a aplicação dessa estratégia, pois a partir dela é
possível obter respostas a quatro perguntas básicas para o
negócio, também conhecidas por 4Q’s. Estas perguntas
identificam o problema e indicam, inclusive, quais
atividades serão afetadas se não forem respondidas. São
elas:
O quê? &gt; Que produtos e serviços oferecer &gt;
Afetados:
planejamento
estratégico,
desenvolvimento de produto, Marketing, política de
preços;
Quem? &gt; A quem destinar os produtos/serviços &gt;
Afetados: Vendas, Propaganda, Marketing;
Onde? &gt; Onde anunciar e comercializar
Afetados: Propaganda, Marketing;

&gt;

Por quê? &gt; Por que os clientes fazem o que fazem
&gt; Afetados: Todas as áreas.

�4 Explicando a segmentação na biblioteca
A estratégia de segmentação já é discutida há um bom
tempo por alguns autores da Biblioteconomia. Weingand
(1998) definiu segmentação de mercado como o processo
de divisão de consumidores em grupos com características
e necessidades únicas. A autora acrescenta que este é um
ponto importante à definição precisa do mercado, pois
todos os clientes de uma biblioteca (reais e potenciais)
podem ser divididos em categorias, cada uma exigindo
diferentes tipos de serviço e suporte.
Muitos outros autores contribuíram para o tema. O quadro
2 ilustra, não exaustivamente, os tipos de segmentação
que podem ser usados pela biblioteca, independente do
tipo (pública, escolar, corporativa, híbrida, etc.). As
variáveis a serem selecionadas dependerão de cada
unidade de informação, seus objetivos e metas a atingir.
AUTOR

TIPO

CARACTERÍSTICA

geográfica
Descritivas
Massey
(1976)
Preditivas

demográfica

idade, renda, ocupação, raça,
sexo, etc.

volume de uso

heavy user, etc

benefícios

benefícios procurados ao usar
produtos e serviços

demográfica

idade, sexo, renda, ocupação

atitudes pessoais

personalidade, estilo de vida e
autoconceito

geográfica
taxa de uso de serviço

localização do usuário

status do usuário

estudante, membro do staff

disciplina cursada

Halperin
(1981)

Em
Bibliotecas
acadêmicas

tempo esperado para
entrega do serviço

�residência

no campus/fora do campus

volume de uso
rentabilidade

lucrativo/não lucrativo

privado/governamental
Segmentação
de serviços de
informação

tipo de produto

tangível/intangível

consumidor final

individual ou outro tipo

organização

independente ou parte de outra
organização

geográfica
demográfica
Saez
(1993

behaviorista

volume de uso, percepção dos
benefícios

psicográfica e estilo de
vida

Lima
(1994)

geográfica

local onde se vive, tipo de
habitação

demográfica

idade, ocupação, educação

psicográfica

atitudes, estilos de vida,
personalidade, classe social

comportamental

usuário, não-usuário, ex-usuário

por produto
geográfica
demográfica
Dimick
(1995)

psicográfica

Baseada em
fatores
pessoais

atitudes, personalidade,
interesses, estilo de vida, opiniões

benefícios

benefício percebido no produto

demográfica

sexo, idade, raça, etc.

situacionais
(circunstância externa

demitidos, com falta de
alimentação

grau de envolvimento

tempo gasto na procura de
produto

Fatores psicológicos

seleção, organização,

�interpretação dos inputs de
informação para produzir
significado e como é atingido
motivos e motivação

Fatores
psicológicos
habilidade e
conhecimento

Rowley
(1997)

habilidade em relação ao
processamento da informação
relacionada a um produto
específico; familiaridade e
expertise com o produto

atitude

conhecimento positivo ou
negativo a respeito de um objeto
ou atividade

papéis desempenhados
e família

série de ações e atividades
desempenhadas por uma pessoa
em uma determinada posição. Ex:
mulher no papel de mãe, esposa,
estudante

grupos de referência

grupo no qual o indivíduo se
espelha para adotar seus valores,
atitudes e comportamentos

classe social

um grupo de indivíduos que
possui um ranking social similar

cultura

cultura determina o que a pessoa
veste e come, aonde mora e outras
características de estilo de vida

demográfica

características socioeconômicas
(idade, raça, renda, religião, ano
cursado, etc.)

psicográfica

personalidade, estilo de vida, uso
de computador, hábitos de leitura

uso do produto

ocasião de uso, situação e
contexto de uso

branding (preferências
de marca)

conhecimento dos recursos e
serviços disponíveis, graude
preferência ou lealdade aos
serviços

processo decisório

tamanho e frequência de compra,
propensão e risco à compra. (Ex.:
ao receber uma tarefa escolar o
aluno vai procura a biblioteca
ouconsultao

Fatores
sociais

Lee
(2003)

forças internas de energia que
direcionam a pessoa a satisfazer
suas necessidades; mecanismos de
controle dos movimentos em
direção às metas

Google ?)

�Quadro 2 Tipos de segmentação e variáveis consideradas
Fonte: Elaborado pela autora com base nos textos dos
autores acima citados.

Seguindo a lógica usada no Marketing, surge a dúvida: a
biblioteca deve utilizar o estudo de usuários e de usos ou a
pesquisa de marketing? Ambos. Os estudos de usuários
são um ferramental importantíssimo para identificar e
conhecer o seu target, entender o processo de busca e uso
da informação. O estudo de usos identificará razões de uso
e não uso da biblioteca, seus pontos de uso, frequência,
etc. A pesquisa de marketing, dentre outras funções,
dimensiona o mercado, identifica a concorrência, auxilia a
identificação das forças e fraquezas do serviço.
A estratégia não está apenas na aplicação de estudos de
usuários e/ou de uso ao público real e potencial, mas a
partir dos resultados obtidos, verificar se determinados
grupos
(previamente
identificados
pelas
variáveis
demográficas) apresentam preferências ímpares que
atendam aos critérios de viabilidade à aplicação da
segmentação
(mensurabilidade;
acessibilidade;
substancialidade; operacionalidade).
Sendo assim, não há como ignorar as vantagens na
aplicação da segmentação. Alguns exemplos:
As necessidades do usuário são conhecidas e o
planejamento e implantação do portfolio de
produtos e serviços são realizados, segundo a
perspectiva do público e não do bibliotecário;
Direciona e maximiza os benefícios das campanhas
de propaganda e promoção dos produtos e serviços,
pois são atingidos aqueles que realmente precisam
e valorizam determinado serviço;
Racionaliza os esforços da biblioteca, não
desperdiçando energias em atividades que não
atingem o mercadoalvo;

�Economiza
recursos
financeiros,
geralmente
escassos em unidades de informação, pois os
mesmos são direcionados para ações mais efetivas.
Sendo assim, segmentação não é dividir para excluir, mas
segmentar para incluir eficientemente.

5 Contribuindo para o Relacionamento com o
Cliente
Segundo Kotler (2006, p. 16), o marketing de
relacionamento objetiva “construir relacionamentos de
longo prazo mutuamente satisfatórios com parteschave –
clientes, fornecedores, distribuidores e outros parceiros de
marketing, a fim de conquistar ou manter negócios com
elas.” Ou seja, relações são construídas com todos os elos
da cadeia, sejam eles clientes ou parceiros.
Gronroos (2007 apud BROADYPRESTON, 2013) sugere
ainda que, no setor de serviços onde a biblioteca está
inserida, o foco principal está no desenvolvimento de um
relacionamento entre o provedor de serviços e o seu
cliente. Isto garantiria que o cliente não faria apenas uma
transação ou visita ao serviço, mas poderia retornar
inúmeras vezes, construindo assim um relacionamento de
lealdade em longo prazo com o prestador de serviços.
Complementando
a
análise,
BroadyPreston
(Ibid.)
acrescenta que o prestador de serviços deve identificar
consumidores em potencial para estabelecer um
relacionamento com eles, pois para que relacionamentos
de sucesso aconteçam devem existir meios de obtenção de
dados e informações sobre: as necessidades dos clientes,
seus desejos, (dislikes) e preferências. Utilizando esses
dados, o prestador de serviços poderia informar e
desenvolver serviços mais adequados e processos de
prestação de serviços ao seu público.
A biblioteca possui todos os meios e ferramentas para

�fazer isso. Enquanto muitas empresas do mercado de bens
de consumo e serviços pagam fortunas por base de dados
de clientes, a biblioteca tem o privilégio de têlas na sua
mão. Basta trabalhar os dados adequadamente e, sem
nem considerar complexos sistemas de CRM para tal, já
que não é o volume de dados e a sofisticação de softwares
de análise que fazem a diferença, mas a interpretação e
uso que se faz dos dados.
Investigar o seu público e considerar as suas
particularidades na concepção e desenvolvimento de
serviços mais desejados é o ponto de partida. Parece
complicado, mas não se deve esquecer o que foi dito no
início: a era do marketing unilateral, de fornecedor para
cliente, acabou. O consumidor está sendo considerado e
provocado pelas instituições para sugerir, colaborar e criar
em conjunto. Também há grupos de bibliotecários se
reunindo em processos de inovação com design thinking,
trazendo o público da biblioteca para o meio da discussão
do que faz sentido aos serviços. Então, porque não
envolver esse público, ouvindoo, a fim de saber aquilo que
o deixaria satisfeito em termos de relacionamento com a
sua biblioteca?

6 Considerações
Há na literatura de Marketing e Biblioteconomia um
grande material referencial com teorias e frameworks ao
desenvolvimento da segmentação de clientes e programas
de relacionamento. O objetivo não foi uma revisão de
literatura sobre os temas ou ditar receitas prontas. Na
verdade, a intenção foi muito mais para revelar algumas
das contribuições que a gestão de Marketing pode trazer à
biblioteca, apresentando os benefícios na sua utilização.
O uso estratégico de uma segmentação de clientes não
resolve todos os problemas, mas ajuda a dar foco aos
serviços da biblioteca. Apresentar essa estratégia à luz do
Marketing também contribui para que a mesma seja

�considerada um negócio como tantos outros segmentos de
mercado sujeitos à competição e às redefinições
estratégicas. A biblioteca possui competidores. O filósofo e
pesquisador da ciberculturaPierre Lévy (INTELIGENCIA...,
2015),durante a sua palestra sobre inteligência coletiva,
prenunciou que na hiperesfera de dados todo mundo tem
poderes de leitor, autor, crítico, curador, analista de dados
e bibliotecário.
Se todo mundo tem um pouco de catalogador, indexador,
classificador, taxonomista, vamos identificar esses clientes,
caracterizálos segundo essas qualificações, conhecer os
seus desejos de informação e, por que não, trazêlos para
colaborar e cocriar junto à biblioteca para novas entregas
de serviços, novas formas de relacionamento. A biblioteca
precisa cada vez mais trabalhar com o seu público e não
para ela (grifo nosso).

REFERÊNCIAS
AMARAL, Sueli Angélica. Marketing: abordagem
unidades de informação. Brasília: Thesaurus, 1998.

em

ARAUJO, CAA. Correntes teóricas da Biblioteconomia.
Revista
Brasileira
de
Biblioteconomia
e
Documentação, São Paulo, v. 9, n.1, p. 4158, jan./dez.
2013.
Disponível
em:
&lt;https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/247&gt;.
BERRIGAN. John; FINKBEINER, Carl. Marketing
segmentação. São Paulo: Makron, 1994.

de

BROADYPRESTON, Judith. Changing marketing concepts:
contemporary
theories
and
paradigms
in
service
marketing. In: GUPTA, Dinesh K.; KOONTZ, Christie;
MASSISIMO, Angels. Marketing library and information
services II. Berlin: De Gruyter Saur, 2013. p. 2342.
CHURCHILL, Gilbert; PETER, Paul. Marketing: criando
valor para os clientes. 2.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
DIMICK,

Barbara.

Marketing

youth

services.

Library

�Trends, v.43, n.3, p.463478, Winter, 1995.
HALPERIN, Michael. Market segmentation for information
services. Drexel Library Quarterly, Philadelphia, v.17,
n.2, Spring, 1981.
INTELIGENCIA
COLECTIVA
PARA
EDUCADORES:
CONFERENCIA
DE
PIERRE
LÉVY.
Buenos
Aires:
Organización de Estados Iberoamericanos, 15 maio2015.
Disponível
em:&lt;https://www.youtube.com/watch?
v=OiQ6MtHM4eM&gt;.
KOTLER, Philip; AMSTRONG, Gary. Princípios
marketing. 7.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1998.

de

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin. Administração de
marketing. 12.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
KOTLER, Philip. Marketing 3.0: as forças que estão
definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2012.
LEE, Deborah. Marketing research: laying the marketing
foundation. Library Administration &amp; Management,
Chicago, v.17, n.4, p.186188, Fall 2003.
LIMA, Regina Célia M. Marketing de produtos de
informação. Ciência da Informação, v.23, n.3, p.373376,
set./dez. 1994.
MASSEY, Morris. Market analysis and audience research for
libraries. Library Trends, v.24, n.3, p.473496, 1976.
ROWLEY, Jennifer. Focusing on
Review, v.46, n.2, p.8189, 1997.

customers.Library

SÁEZ, Eileen Elliott. Marketing concepts for libraries
and information services. London: Library Association
Publishing, 1993.
SEMENIK, R.; BAMOSSY, G. Princípios de marketing:
uma perspectiva global. São Paulo: Makron, 1995.
WEINGAND, Darlene. Future-driven library marketing.
Chicago: American Library Association, 1998.

�11 - GESTÃO DA CARREIRA E
MARKETING PESSOAL DO
BIBLIOTECÁRIO
Helen Beatriz Frota Rozados

1 A GESTÃO DA CARREIRA E
EMPREGABILIDADE

O

advento das TIC, a globalização da produção, a
abertura das economias, a internacionalização do capital e
as constantes mudanças que vem afetando os ambientes
das organizações, surge, leva à necessidade de adaptação
dos profissionais a tais fatores e, principalmente, à
descoberta da necessidade de gerenciar sua carreira para
obter um espaço neste conturbado mercado de trabalho e
nele se manter.
Gerenciar uma carreira envolve tomar decisões que visem
o futuro profissional, baseadas em objetivos que se almeja
alcançar. Para que isto aconteça, o profissional precisa ter
em mente que assumirá novos desafios e buscará
desenvolver competências alinhadas a estes objetivos e ao
foco de posicionamento em um mercado cada vez mais
competitivo.
É sabido que o bibliotecário sofre preconceitos em relação
a sua profissão há muito tempo, uma vez que é visto como
profissional passivo, sem ambição, pouco criativo, que não
consegue manter uma relação estável com seus pares,
principalmente no que tange à participação e ao apoio às
entidades de classe (SOUTO, 2005). Este estereótipo

�consolidado deve ser o grande motivador do bibliotecário
rumo à obtenção do seu sucesso profissional, por meio da
gestão da carreira.
O estabelecimento de uma carreira é um processo lento
que exige determinação, perseverança e confiança em si
mesmo para saber o momento certo de agir e ser proativo.
O profissional tem de estar ciente de que, no atual cenário,
o
perfil
desejado
inclui
criatividade,
motivação,
proatividade (entendido como antecipar situações),
capacidade de criar estratégias para vencer desafios e de
transformar ameaças em oportunidades. Portanto, o
processo de gestão da carreira precisa ser amparado por
um planejamento concreto e bem delineado, baseado em
estratégias, entre as quais o Marketing Pessoal.

1.1 EMPREGO E CARREIRA
Contrariamente ao que se imagina, carreira e emprego
não são sinônimos, uma vez que aportam diferenças
fundamentais. Carreira vincula-se a um processo individual
que abarca fatores como planejamento, dedicação e
adequação aos pilares da empregabilidade, propostos
por vinculadas ações e decisões pessoais voltadas ao
futuro, que permitam garantir a entrada de um profissional
no mercado de trabalho e sua permanência. Já, emprego
está sujeito a decisões atreladas às organizações. Um
emprego é uma situação temporária, subordinada à
obediência de ordens dadas pela organização.
Para Chiavenato (2010), carreira é uma sequência de
posições e atividades desenvolvidas por uma pessoa numa
organização, ao longo do tempo. O autor sinaliza que a
tendência da carreira baseada em cargos seja substituída
pela carreira baseada em competências.
Hall e Moss (1998) aprofundam o tema, especificando
quatro tipos de carreira aceitas tanto no senso comum
quanto no meio científico: carreira como avanço; carreira
como profissão; carreira como sequência de trabalhos
durante a vida; carreira como sequência de experiências

�relativas às funções ao longo da vida. Os três primeiros
tipos relacionam-se à carreira organizacional e o quarto, à
carreira subjetiva que transcende à organização. Este
último tipo propiciou diversos estudos que geraram
diferentes terminologias: carreiras sem fronteiras (ARTHUR
et al., 1995); carreiras inteligentes (ARTHUR et al., 1995);
âncoras de carreira (SCHEIN, 1993); carreira proteana
(HALL; MOSS, 1998); carreira multidirecional (BARUCH,
2004). Os estudos se concentram em dois eixos teóricos; o
primeiro relacionado ao entendimento da carreira como
uma sequência de experiências profissionais para além das
fronteiras das organizações; o segundo voltado à
necessidade do indivíduo em se adaptar a mudanças, ser
mais maleável, proativo, responsável por sua carreira e
cada vez menos dependente das fronteiras das
organizações. (ARTHUR, 1994; BARUCH, 2004; HALL;
MOSS, 1998; DUTRA, 1992).
A carreira se forma ao longo da vida por meio da
atividade, da experiência e do desenvolvimento de
competências
do
profissional,
mostrando-se
como
preparação contínua ao próximo emprego. Neste sentido, a
carreira está ligada à ideia de empregabilidade, ou seja, a
capacidade de adequação do profissional às novas
tendências do mercado.
O termo empregabilidade (employability) teve sua origem
nos Estados Unidos, significando ter capacidade de obter
trabalho e renda. Carvalho (2009) define empregabilidade
como um conceito dinâmico referente ao mundo do
trabalho, expressando tudo quanto o indivíduo necessita
para se ajustar e se enquadrar no mercado globalizado.
Almeida (2006) a entende como a capacidade de
adequação do profissional ao mercado de trabalho, isto é,
quanto mais adaptado, maior sua empregabilidade.
Atualmente, o termo remete a um conjunto de
competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) que
tornam o profissional importante não só para a sua, mas
para toda e qualquer organização que necessite de seu

�trabalho. Assim, os estudos na área conceituam
empregabilidade (ou ocupabilidade) como a capacidade
do profissional de se ajustar às necessidades de um
mercado em contínua mudança, prestando serviços que
satisfaçam os clientes, tendo uma remuneração adequada,
mantendo-se empregável.
Quanto ao tema das transformações ocorridas no mercado
de trabalho, Veloso et al. (2008, p.2) comentam que “[...]
hoje trabalhar pode significar algo mais que ter um
emprego, pois o fator segurança pode estar mais
relacionado a qualificações pessoais e a atitudes sobre a
própria carreira que as possibilidades atreladas ao
empregador”. Neste sentido, Hall e Moss (1998) indicam
que o ponto central é o processo de aprendizagem
contínua, que exige do profissional a capacidade de
aprender a aprender e a reaprender, de se adaptar às
mudanças e, acima de tudo, de autoconhecimento. Este
processo de autoconhecimento forma-se ao longo de um
tempo, baseado em talentos e habilidades, competências
adquiridas, valores e necessidades relacionadas à carreira
do indivíduo.
Ao tratar de autoconceito, Schein (1993) propõe o que
denominou de ‘âncoras de carreira’, que orientarão o
indivíduo
nas
suas
escolhas,
satisfazendo
suas
necessidades de realização profissional. Destaca oito
categorias
de
âncoras:
autonomia/independência;
segurança/estabilidade; competência técnica-funcional;
competência gerência geral; criatividade empresarial;
serviço ou dedicação a uma causa; desafio puro; estilo de
vida. Para o autor, as oito âncoras funcionam como
referenciais estabelecidos pelas pessoas ao fazerem
escolhas e são baseadas em seus talentos, habilidades,
competências, motivos, necessidades e valores associados
à carreira.
As colocações feitas permitem perceber que carreira e
empregabilidade são duas condições intimamente ligadas
uma vez que a empregabilidade está diretamente

�vinculada à gestão da carreira. Contribuindo com esse
tema, Minarelli (1995) estabeleceram seis pilares
fundamentais, visando à garantia da segurança profissional
do indivíduo. São eles:
a. adequação da profissão à vocação (trabalhar no e
com o que gosta – a ocupação profissional deve
corresponder às aptidões, facilidades, gostos e
interesses da pessoa);
b. competências
(conhecimentos
adquiridos,
habilidades físicas e mentais, experiências, atitudes
adequadas);
c. idoneidade
(parâmetros
legais
e
éticos,
honestidade, responsabilidades individuais);
d. saúde física e mental (equilíbrio entre o trabalho e o
lazer – corpo e mente saudáveis faz a pessoa
desenvolver melhor suas atividades);
e. reserva financeira e fontes alternativas de aquisição
de renda (poder utilizar recursos financeiros
próprios em caso de necessidade, fazer reservas
que o sustente em casos de contratempos);
f. relacionamentos – networking (pilar de grande
importância, pois abarca a possibilidade de
surgimento de oportunidades profissionais).
Araújo (2006) contribui com a orientação à carreira,
estabelecendo os seguintes passos a serem seguidos:
a. avalie constantemente – é fundamental que as
escolhas sejam questionadas;
b. busque informações
substanciais;

–

selecione

informações

c. envolva outras pessoas na hora de planejar a sua
carreira – procure pessoas mais experientes (tutor,
mentor, consultor);

�d. intuição e ousadia – não negue seus sentimentos e
saiba assumir riscos calculados;
e. comprometa-se – sem comprometimento com o
que se está planejando, a possibilidade de sucesso
é remota.
Complementando, o autor citado define seis etapas no
desenvolvimento da carreira, indicadas no Quadro 1.
Etapa

Ação

1

Exploração

Estabelecer o cenário das aspirações pessoais, pensar no nosso
futuro, definindo com clareza o objetivo.

2

Preparação

Assegurar que o objetivo será alcançado.
Observar as pessoas:
- indecisas sobre o desenvolvimento do processo (detentores de
pouca experiência e de posse de informações escassas);
- indecisos crônicos (por conta de angústias e temores não
conseguem tomar decisões cabíveis a determinado momento).

3

4

Entrada

No mercado de trabalho – testar diferentes caminhos (buscar
informações em revistas técnicas e não técnicas, programas de
televisão, filmes que tratam do tema);

Estabelecimento Confrontar os reais desafios da profissão.
Ter consciência das regras e expectativas sociais e
organizacionais;

5

Avanço

Atualização contínua, considerando a experiência anterior uma
boa experiência, avaliando seus aspectos positivos e os
negativos;

6

Estabilização

Quando as oportunidades de avanço se esgotam. Momento em
que a pessoa, embora estável, deve definir qual será a próxima
etapa da sua vida profissional.
Três alternativas existem: aposentar-se; mudar de empresa ou
de cargo; renovar-se ( retorno à 1ª etapa).

Quadro 1: Etapas para o desenvolvimento de carreira
Fonte: adaptado de Araújo (2006)

É oportuno discorrer brevemente sobre estudos
relacionados à carreira que envolve a chamada Geração Y,
na qual se enquadram aquelas pessoas que nasceram a
partir de 1978 (VELOSO et al., 2008). Seus integrantes são
considerados os filhos da tecnologia por fazerem parte da

�primeira geração da história “[...] totalmente imersa na
interatividade, hiper-estimulação e ambiente digital”
(TAPSCOTT, 2008, p.1). A geração Y agrega características
relacionadas ao ritmo de mudança, à necessidade e ao
grau de interatividade, ao acesso à informação e ao
entendimento do mundo. Todas estas características, em
conjunto, definem uma nova forma de ser e de agir na
sociedade, com significativos reflexos no mundo do
trabalho. (LOMBARDIA et al.,2008; TAPSCOTT, 2008;
COIMBRA; SCHIKMANN, 2001).
Tendo a seu favor o fato de se ajustarem facilmente às
constantes e rápidas mudanças dos meios de comunicação
e da tecnologia. Os autores que descreveram esta geração
destacam ser ela mais bem informada e possuir grau de
educação mais alto que suas antecessoras (LOMBARDIA et
al., 2008; TAPSCOTT, 2008), encaram o trabalho como
desafio e diversão e prezam o ambiente informal com
transparência e liberdade. Buscam aprendizado constante e
não têm medo da rotatividade de empregos (LOMBARDIA
et al., 2008; VELOSO et al., 2008; COIMBRA; SCHIKMANN,
2001). Para este grupo, o trabalho, mais do que uma fonte
econômica, é fonte de aprendizado e satisfação. Esta forma
de encarar o mundo do trabalho altera o entendimento de
carreira, promoção, estabilidade e vínculo profissional,
diferenciando-os da forma como as gerações anteriores
tratavam estas questões.
Nesses estudos também é possível identificar dois eixos
teóricos relacionados à gestão da careira: o entendimento
de carreira como uma sequência de experiências pessoais
e profissionais para além das fronteiras das organizações;
a necessidade do indivíduo de buscar novas formas para se
adaptar à mudança, de ser mais maleável, proativo,
responsável por sua carreira e menos dependente das
fronteiras das organizações (ARTHUR et al., 1995;
BARUCH, 1992; HALL; MOSS, 1998; DUTRA, 1992).
Entender as características e aspirações da Geração Y é
importante, pois como afirmam Veloso et al. (2008, p.1)

�“[...] os estudos relacionados à carreira devem considerar
não somente a estrutura oferecida pela organização à
ascensão profissional, mas também as diversas ambições,
que são específicas da faixa etária do trabalhador”.
A Geração Y tem consciência de que preparo para
continuar ou evoluir em um cargo é fundamental e a
condição para tal é o estudo, que deve ser contínuo,
baseado em conhecimento não apenas adquirido em
cursos, mas também através de experiências práticas.
Ainda, este estudo contínuo deve ser planejado e estar em
consonância com as competências pessoais e as exigências
do mercado de trabalho.
Como se pode constatar, a formação da carreira não é um
processo longo, exigindo projetos, definição de metas,
compromissos. Gerenciar uma carreira implica planejá-la
estrategicamente.

1.2 PLANEJAMENTO DA CARREIRA
De forma bem simplista, pode afirmar-se que planejar é o
ato de definir metas para se alcançar um objetivo. Para
Chiavenato (2003), seis são os passos do ato de planejar:
definir os objetivos; verificar qual é a situação atual em
relação aos objetivos; desenvolver premissas relativas às
condições; analisar as alternativas de ação; escolher a
melhor entre as várias alternativas; implementar o plano e
avaliar os resultados.
White (2012) entende que não basta ter um bom
planejamento ou um projeto bem elaborado e estruturado
para se alcançar a meta. Os elementos necessários à
obtenção da eficácia podem ser observados no Quadro 2.
Ação

Caracterização

Projeto
Um registro escrito tem maior valor e o executor passa a dar maior
documentado relevância ao projeto;
Dedicação

Fundamentalao sucesso do projeto;

Assertividade

As premissas incluídas são realmente relevantes e essenciais àexecução
de cada meta?

�Medidas de assertividade evitam a realização de metas errôneas.
Prazos

Sua existência: sinaliza o tempo certo para a execução de cada meta; faz
com que o executor se torne mais dedicado; a cada prazo cumprido é
possível visualizar quanto maispróximo se está de alcançar o objetivo;

Organização

Facilita a realização das atividades;

Obstáculos

De suma importância buscara prevenção de situações inesperadas e
reservar recursos para vencer dificuldades;

Recursos

Pilares da execução de um projeto;
Podem ser a diferença entre seu sucesso e seu insucesso;

Avaliação

O acompanhamento do projeto passo a passopermite visualizar se o
caminho é o correto, que medidas ou etapas devem ser substituídas ou
mantidas (medidas de assertividade).

Quadro 2: elementos para a eficácia de um planejamento
Fonte: adaptado de White (2012)

Um projeto que vise à gestão da carreira é construído a
partir de elementos básicos do planejamento. Outros irão
mesclar-se, relacionados a questões pessoais e ao mercado
de trabalho. Apresentam-se dez aspectos que devem ser
considerados pelo profissional em busca de colocação e
permanência no atual mercado de trabalho, pinçados a
partir de consenso entre autores e consultores que
discutem e publicam sobre o tema (Quadro 3).
Elemento
Objetivos
traçados

Descrição
A gestão da carreira é organizada e fundamentada em metas a
curto (1 ano), médio (3 anos ) e longo prazo (5 – 10 anos),
definidas de acordo com os objetivos (pessoais, profissionais e
financeiros). Para sua definição, o profissional deve se perguntar
onde quer estar e o que quer estar fazendo em cada um destes
períodos. Suas respostas definirão as metas e o caminho a ser
traçado para alcançá-las.

Autoconhecimento Não é possível gerenciar sua carreira sem se autoconhecer. O
autoconhecimento está atrelado à análise pessoal intensa, aberta e
sincera sobre si mesmo, buscando identificar quais são suas forças
e fraquezas e também as ameaças e oportunidades existentes em
seu mercado de atuação. A partir desta reflexão, deve combater-se
as fraquezas e aprimorar as forças, com foco nos objetivos
traçados.
Metas e sonhos
realistas

Os objetivos estratégicos devem ser definidos de forma realista.
Não estabelecer metas que não serão cumpridas no tempo
determinado (o não atingimento poderá ocasionar frustração,
desmotivação e insatisfação com a carreira). As metas e prazos

�estabelecidos devem ser condizentes com o esforço, a qualificação e
o mercado. Sonhar é preciso, pois a realização da grande maioria
dos sonhos depende da dedicação, do empenho e do
comprometimento com os objetivos estabelecidos. Mas só sonhar
não basta. É preciso executar o planejamento para que o sonho vire
realidade.
Informação do
mercado

Estudar as tendências de mercado, ler e perceber o direcionamento
que o mercado está dando a sua atividade profissional é de suma
importância. Novos mercados, novas tendências e novas
tecnologias podem transformar totalmente o rumo de uma atividade
profissional, sinalizando mudanças a serem feitas no planejamento
da carreira para ser adaptada às exigências. O profissional deve
estar atento a uma necessidade repentina de atualização, ao
desenvolvimento de novas competências e habilidades.

Atualização

Manter-se atualizado com os temas relevantes à profissão em que
se insere é condição si nequa non para obter sucesso na gestão de
sua carreira. Algumas áreas exigem atualização quase diária. A
partir de uma visão generalista da sua atuação, o profissional deve
se aprimorar em áreas específicas dentro de sua formação,
identificando aquela com a qual tem mais interesse, afinidade,
oportunidade, cujas competências e habilidades estejam mais
alinhadas.

Networking

Uma rede de relacionamentos deve ser desenvolvida e cultivada.
Ela é uma ferramenta muito influente à gestão de carreira em
qualquer área de atuação. Muito além dos contatos, o
fortalecimento da construção de uma carreira é feita de ‘conexões’.
A filosofia aqui é construir alianças, ou seja, estreitar laços e
crescer em conjunto, dar antes de receber, dentro da ideia de que
tudo é cíclico: um dia quem dá pode, no outro, pode precisar. O
advento da Web trouxe o surgimento das redes sociais virtuais, que
permitem o compartilhamento de informações, conhecimentos e
saberes em tempo real, num ambiente sem fronteiras, ampliando
as possibilidades de visibilidade pessoal e profissional. Estas redes
são fundamentais em uma gestão de carreira.

Marketing Pessoal

Persistência

A construção de uma identidade a ser apresentada ao mercado,
valorizando o conjunto de ações, habilidades e competências do
profissional é propiciada pelo Marketing Pessoal. O objetivo é
promover a carreira, focando os resultados e o desempenho
profissional, mostrando os valores, as competências e os
diferenciais competitivos, garantindo uma maior visibilidade. O
mercado precisa saber o profissional que ele é.
Receios, empecilhos e medos surgirão no decorrer de todo percurso
profissional que poderão causar desânimo e sensação de que o
objetivo almejado não será alcançado. Só com muita determinação,
dedicação, habilidade se consegue contornar os problemas, não
desistindo do planejamento estabelecido.

Foco

Um objetivo bem definido e muita energia nele focado traz um
resultado satisfatório a esta dedicação. Se o profissional dirige sua
energia a vários objetivos de carreiras divergentes ao mesmo
tempo, haverá uma dispersão de esforços que prejudicará o
sucesso do atingimento de suas metas e seus objetivos.

Gerenciamento

O profissional deverá ficar atento a tudo que pode contribuir para o
alcance dos seus objetivos, analisando sua trajetória profissional

�com um olhar crítico, o que lhe proporcionará uma visão mais
ampla ao alcance dos seus objetivos. A avaliação e revisão
constante das metas, identificando os motivos de não ter
conseguido conquistá-las, são preocupações que não devem ser
descuidadas. Se as metas foram conquistadas é o momento de se
certificar que as próximas também serão possíveis de serem
realizadas. Uma boa gestão da carreira contribui para que o
profissional chegue às suas aspirações de forma mais assertiva,
evitando investimentos de tempo, energia, dinheiro e
consequências prejudiciais ao alcancedos seus objetivos de carreira.

Quadro 3: elementos para a gestão da carreira
Fonte: autora (2016)

No Quadro 3 é possível constatar que um dos elementos
ressaltados à gestão da carreira é Marketing Pessoal,
importante instrumento que permite dar visibilidade ao
indivíduo e ao profissional e fundamental em carreiras, nas
quais a profissão vem acompanhada de um estereótipo
negativo, como no caso do bibliotecário.

2 ESTEREÓTIPO E IMAGEM DO
BIBLIOTECÁRIO
Os estereótipos surgem como formas de representação
social para categorizar um determinado grupo, de acordo
com a sua conduta na sociedade; estão relacionados às
imagens positivas ou negativas, formadas pela sociedade,
distinguindo uma categoria de outra. Para Walter e
Baptista (2007, p. 36):
O estereótipo existe e se constitui de formadores de opinião
e de atitudes, tanto no interior dos grupos, quanto no olhar
externo dos bibliotecários; o estereótipo tem acompanhado
essa profissão desde seus primórdios, geralmente de forma
negativa: intelectuais com aspecto doentio, homens
efeminados e, a mais duradoura - das mulheres velhas e
seus adereços indissociáveis.

Brown e Turner (2002, p. 70) destacam que “Uma vez
que um grupo é associado a um dado comportamento, isto
se transforma numa categoria significativa ao percebedor e
pode guiar futuras percepções do grupo.” Batista (2004)

�entende que o estereótipo detentor de fatores negativos é
aquele desenvolvido por um determinado grupo para
demonstrar o seu poder, com a intenção de diminuir o
outro.
A profissão de bibliotecário é uma das que tem
estereótipo negativo, prejudicando o modo como a
sociedade percebe esses profissionais, tendo como
resultado a desvalorização da profissão. Walter e Baptista
(2007, p. 27) veem o estereótipo como um item
importante à imagem deste profissional.
Não é desconhecido da maioria das pessoas e dos próprios
profissionais que os bibliotecários estão comumente
vinculados a diversos tipos de estereótipos como o de
gênero, o de comportamento e o de imagem física. Essas
associações, mesmo quando compreendidas sob o aspecto
positivo de mediação e facilitação de comunicação interna
nos grupos e externamente com a sociedade podem,
igualmente, ser limitantes para uma profissão como a dos
bibliotecários, que ainda lutam pelos espaços de trabalho,
pelo reconhecimento social e pela modernização de sua
imagem.

Para Fraga, Mattos e Cassa (2008, p. 152), a formação do
profissional é um fator que contribui para o seu
estereótipo:
A própria formação do bibliotecário, baseada no paradigma
acervo num passado recente, pode ter contribuído para a
construção desse estereótipo. Isso porque, até a década de
80, o bibliotecário contava com uma formação altamente
tecnicista, em que levava à prática, concorria comas
maiores preocupações centradas na organização, guarda e
preservação do acervo, características muito salientes no
seu perfil atual. (FRAGA, MATTOS, CASSA, 2008, p.152).

Contrariamente, mais de 10 anos depois, Santos e
Mannes (2009), a partir de dados coletados em sua
pesquisa sobre estereótipo entre os cientistas da
informação (bibliotecários, arquivistas e museólogos),
concluem que, em parte, o estereótipo negativo desses
profissionais ocorre pela falta de informação da população
sobre suas atribuições e pela estagnação destas profissões

�que não se atualizaram através do currículo acadêmico,
para formar agentes de informação, capazes de disseminar
informação e não se prenderem a acervos e se isolarem de
sua comunidade usuária. Estas conclusões reforçam as de
Roggau (2006) ao discorrer que o baixo prestígio social dos
bibliotecários remonta à Antiguidade, quando a profissão
apareceu em resposta a uma necessidade social
(organizar,
guardar
e
preservar
os
manuscritos
produzidos) e não como uma atividade de cunho científico,
a exemplo da Medicina e da Biologia. O ofício era então
exercido por filósofos, astrônomos, que precisavam
organizar as informações com as quais trabalhavam, além
dos monges, responsáveis por salvaguardar os manuscritos
eclesiásticos na Idade Média. Fraga, Mattos e Cassa (2008)
entendem que o desconhecimento, a imagem distorcida
que a sociedade tem do fazer bibliotecário pode estar
calcada no fato de que, no Brasil, grande parte da
população é privada de um direito inalienável que á a
informação. Se a população não está preocupada com
aspectos informacionais, como dará valor à biblioteca e ao
bibliotecário?
A Revolução Industrial e a produção em massa de
documentos iniciaram uma mudança na profissão, na
medida em que esses profissionais vislumbraram a
importância de facilitar o acesso à informação. O
surgimento das Tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC), no século XX, sinalizou a necessidade de
processamento rápido da informação, sua transmissão e
disseminação e reforçou o conceito de mediação,
salientando o importante papel social deste profissional. No
entanto, Santos e Mannes (2009, p.134) fazem algumas
colocações preocupantes em artigo recente:
É notório que os profissionais desatualizados e
desamparados, não só das novíssimas tecnologias, mas
prioritariamente das questões e inter-relações humanas,
estão
seriamente
correndo
riscos
de
ficarem
desempregados, com pouquíssimas chances de recolocação
no mercado a não ser por um concurso. Atualmente, pesa
mais numa escolha de vaga ou mesmo ascensão de

�carreira a capacidade de relacionar-se em grupo, lidar com
as necessidades intrínsecas ao todo.

Rosa (2004) retoma a questão da imagem negativa ao
comentar que ela pode limitar as oportunidades da pessoa.
“É preciso ter cuidado para com a imagem e buscar
eliminar dela qualquer item que possa trazer impacto
desfavorável”. É possível perceber que o estereótipo
negativo é um problema a ser contornado, caso contrário o
mercado de trabalho do bibliotecário fica ameaçado.
Lucena e Silva (2006, documento não paginado) colocam
que:
Temos que procurar meios de mudar a visão equivocada
sobre o perfil do bibliotecário, pois muitas vezes ele ainda é
visto por muitos como organizador e guardião de livros e,
além disso, ainda relacionam o curso de Biblioteconomia a
pessoas intelectualmente pobres, que optam pelo curso por
não terem “capacidade” intelectual de concorrer a outros
onde há um número maior de concorrentes.

Lima e Silva
esclarecem:

(2007,

documento

não

paginado)

Para se destacar no mercado de trabalho é preciso
identificar os seus pontos fortes e se empenhar em
fortalecê-los ainda mais. Os talentos identificados,
desenvolvidos e construídos tendem a aumentar em valor,
à medida que se adquire mais experiência. É importante
saber trabalhar em equipe, valorizar os que contribuem ao
sucesso do seu trabalho e, fundamentalmente, manter-se
atualizado com os aspectos culturais e sociais para o
desenvolvimento da carreira em longo prazo. O profissional
bibliotecário precisa desenvolver um perfil que explore suas
habilidades, mas também e, sobretudo, criar e consolidar
uma imagem positiva para o mercado, sendo reconhecida
por ele.

É consenso na literatura que uma das formas de se
vencer um estereótipo negativo é trabalhando de forma
positiva a autoimagem. Oliveira (1983) associa seis
atitudes que abrangem a autoimagem do bibliotecário e
que são passadas às ociedade: remuneração, requisitos
intelectuais (conhecimento, capacidade de análise,
julgamento e decisão) e mecânicos (como a atividade de

�empréstimo), condições de trabalho (fatores ambientais,
layout da biblioteca, recursos humanos, materiais e
financeiros relacionados ao desempenho profissional),
status profissional (respeito e reconhecimento da
comunidade, autonomia de decisão), estereótipo (profissão
calcada em valores femininos, relacionados à submissão,
dependência, baixo grau de expectativas, resistência à
mudança, grau de sociabilidade) e consciência social
(crítica na aplicação da Biblioteconomia à realidade
nacional). O Marketing Pessoal, aliado ao Marketing
Profissional, aportam ferramentas que possibilitam
trabalhar estas atitudes, com vistas à melhoria da
autoimagem e, consequentemente, da imagem profissional
do bibliotecário, aportando visibilidade e credibilidade à
profissão.

3 O MARKETING PESSOAL E O
BIBLIOTECÁRIO
O bibliotecário deve estabelecer e cultivar uma imagem
positiva sobre si mesmo, perante as pessoas com as quais
convive. Esta imagem precisa ser compreendida e aceita,
principalmente pelos usuários atendidos por ele, pelas
pessoas e pela instituição com as quais trabalha, assim
estará fazendo seu Marketing Pessoal e favorecendo o
desenvolvimento do Marketing Profissionall.

3.1 MARKETING PESSOAL
Considerada uma das vertentes do Marketing, o Marketing
Pessoal surgiu com o propósito de promover a imagem de
pessoas públicas, em especial de políticos em fase de
campanha eleitoral ou profissionais da mídia, visando
ressaltar qualidades e competências e se destinando a criar
imagens e comportamentos favoráveis em relação a
pessoas. Silva (2012, p.116) comenta que a primeira
manifestação deste tipo de Marketing ocorreu em 1952,

�nos Estados Unidos, na campanha presidencial de Dwight
Eisenhower (1890-1969), que contratou uma agência de
publicidade para promover sua imagem nos meios de
comunicação (rádio e televisão). A partir de então, este
tipo de estratégia passou a ser utilizada por diferentes
tipos de profissionais.
Para Kotler (2003, p. 23) o Marketing Pessoal é “[...] uma
nova disciplina que utiliza os conceitos e instrumentos do
Marketing em benefício da carreira e das vivências
pessoais dos indivíduos, valorizando o ser humano em
todos os seus atributos, características e complexa
estrutura”. Ritossa (2009) entende o Marketing Pessoal
como um conjunto de ações planejadas que facilitam a
obtenção de sucesso profissional e pessoal, seja para
conquistar uma nova posição no mercado de trabalho, seja
para manter sua posição atual. Penteado Filho (1990)
postula que o Marketing de sucesso começa pelo Marketing
Pessoal e através dele o profissional deverá equacionar
suas dificuldades particulares na busca do caminho mais
adequado para se organizar e só então se dedicar ao
planejamento estratégico. Vieira (2003) complementa:
“[...] o profissional deve construir uma marca pessoal no
universo onde atua, sendo essa a sua principal ferramenta
para se posicionar diante dos desafios”. Complementando,
o autor adverte que para ser eficaz no Marketing Pessoal, o
conhecimento da dimensão humana e seu aprimoramento
pessoal são fundamentais, pois, acima de tudo, o
Marketing Pessoal é um processo de desenvolvimento
pessoal. “Portanto, quem decide polir e dar unidade à
imagem profissional que projeta precisa investir,
submeter-se a avaliações periódicas de um orientador e
aceitar os sacrifícios de eventuais mudanças de rumo na
carreira e nos hábitos da vida pessoal.” (ROGAR, 2007).
Fraga e Mattos (2008), além de citarem a importância do
Marketing Pessoal e profissional, aludem à necessidade de
união entre a classe profissional e a academia, visando ao
desenvolvimento de projetos que divulguem efetivamente

�a profissão, indo além das ações isoladas feitas por parte
dos profissionais.
Oliveira Neto (1999) entende que o Marketing Pessoal não
tem o intuito de transformar as pessoas em objeto perante
os outros, mas de valorizar o ser humano em seus
diferentes requisitos. Cada pessoa tem o direito de
demonstrar suas capacidades, não só profissionais, mas
também suas características pessoais. Tascin e Servodoni
(2005, documento não paginado) concluem:
Atualmente, para se destacar no mercado de trabalho, a
tendência é cada vez mais as pessoas utilizarem o
Marketing Pessoal que, além de ajudar a identificar os
pontos fortes, pode fortalecê-los, à medida que agrega
valor à imagem da pessoa, ajudando a identificar e
desenvolver talentos, habilidades e competências. Hoje,
além de criar e consolidar uma imagem positiva no
mercado, é fundamental ser reconhecido por ela.

Lima e Silva (2007, documento não paginado) creem que:
“O Marketing Pessoal vem fortalecendo o crescimento
pessoal e profissional, as redes de relacionamento e o
status profissional, podendo favorecer a conquista e a
consolidação de espaços no mundo do trabalho competitivo
[…].”.
Para
implementar
uma
carreira
profissional,
é
imprescindível a adoção do Marketing Pessoal, a ser
utilizado como recurso para mudar a imagem constituída
da profissão do bibliotecário (estereótipo negativo) e
firmar, no mercado de trabalho, a postura do profissional
seguro e qualificado ao exercício de suas atividades.
A sociedade não conhece o verdadeiro potencial do
profissional da informação bibliotecário e por consequência
não valoriza e não se utiliza dele. O Marketing Pessoal e
profissional é algo cultivável, em que é preciso mostrar
suas vantagens com ações, semear com persistências e
argumentos, regar com qualidade para colher frutos
merecidamente
engrandecidos
e
valiosos.
(RUBI;
EUCLIDES; SANTOS, 2006, p. 87).

Pinheiro, Sales Neto e Barbosa (2005) enumeram nove

�pontos a serem observados como técnicas de Marketing
Pessoal. São eles:
a. convívio fora do ambiente de trabalho
envolvimento social afeta a imagem;

-

o

b. participação em eventos e publicação de artigos e
livros – comunicar-se bem é essencial ao sucesso
profissional;
c. aparência dos pertences - elaborar um bom
currículo e cartão de visitas dão uma boa
impressão;
d. habilidades em lidar com outras pessoas – manter
bons relacionamentos, saber trabalhar em equipe;
e. aparência física e postura – uso de roupas
adequadas, higiene pessoal, postura correta
(embalagem da pessoa-produto);
f. projeção do próprio valor financeiro – o profissional
que realiza um bom trabalho precisa saber cobrar
por ele;
g. autopromoção – difundir ao maior número de
pessoas o que o profissional faz;
h. aprimoramento educacional – aprender a aprender
e reaprender;
i. planejamento de carreira – estabelecimento de um
plano de Marketing Pessoal.
Também é senso comum entre os autores que a
comunicação é uma aliada essencial ao Marketing Pessoal,
valorizando a rede de relacionamentos e sua manutenção
para a construção de um bom entendimento com o
público-alvo.
Para Uchoa e Silva (2006), o bibliotecário deve fazer uso
de suas habilidades de ‘marketeiro’ e de disseminador de
informações também em prol de sua atuação no mercado,

�usando ferramentas do Marketing Pessoal.
Por outro lado, acreditamos que é necessário ampliar as
possibilidades de atuação, transformando o que seria risco
em oportunidade. Não estamos “pregando” que o
Bibliotecário abandone as bibliotecas, mas sugerindo que
ele atue nas diversas áreas que lhe compete e seja capaz
de escolher uma vertente do campo de atuação, sendo
inovador e empreendedor; pois entendemos que se o
mesmo continuar com uma visão limitada do mercado e
vice-versa, fatalmente perderá espaço no mercado
competitivo. (UCHOA; SILVA, 2006, p. 9).

O Marketing Pessoal e o Profissional se baseiam na
construção de uma marca, na criação e no estabelecimento
de uma imagem perante à sociedade. A fim de que esta
imagem seja positiva e a marca percebida, é mister que o
profissional apresente as competências demandadas pelo
mercado de trabalho.

3.2 PLANO DE MARKETING PESSOAL
VERSUS COMPETÊNCIAS
O desenvolvimento de um plano de Marketing Pessoal
exige que o bibliotecário conheça as competências
demandadas pelo seu mercado de trabalho. Com base
nisto, fará uma análise crítica de si e de suas
potencialidades, verificando pontos fortes e fracos de sua
atuação profissional. Esta análise ressaltará competências
e habilidades que deverão ser mais bem desenvolvidas ou
mesmo adquiridas, para garantir o espaço de trabalho em
que o profissional deseja se inserir.
Com relação às competências, diversos estudiosos da área
da Ciência da Informação se dedicaram a traçar as que
consideram mais importantes a serem aportadas pelo
Moderno Profissional da Informação (MPI), com vistas à
garantia do sucesso de seu desempenho.
Valentim (2002, p.127) relaciona os novos paradigmas a
serem assumidos por este profissional:

�ter a informação como objeto de trabalho e
pesquisa;
aceitar e entender a inter-disciplinaridade teóricometodológicada área;
considerar as tecnologias de informação
telecomunicação, estrutura básica do trabalho;
elaborar novas tecnologias de tratamento
informação, buscando futuros cenários;

e
da

saber trabalhar com equipes multidisciplinares, uma
vez que trabalhar com informação é uma atividade
complexa;
implementar
informação;

novas

formas

de

mediação

da

reestruturar os canais de distribuição, disseminação
e transferência da informação, visando otimizar o
uso da telecomunicação e das tecnologias da
informação;
participar ativamente do planejamento de políticas
de informação para o país;
ter consciência do papel estratégico da informação
para o desenvolvimento socioeconômico das
empresas e do país;
compreender o universo informacional existente e
sua relação com a globalização econômica;
ser e agir como agente de transformação social;
conhecer realmente as necessidades informacionais
dos indivíduos ou grupos que fazem parte da
comunidade usuária de determinada unidade de
informação;
ser um profissional aberto e crítico, com grande
capacidade de se adaptar às mudanças.
Silveira (2008, p. 90) lista como principais competências

�do bibliotecário:
1. Entender, de maneira ampla, a informação como
objeto de seu fazer profissional, tendo-se em vista
estabelecer um quadro de referências acerca de
suas teorias, paradigmas e aspectos legais;
2. Trabalhar de forma integrada e com equipes
multidisciplinares com o objetivo de acompanhar as
tendências mundiais em torno do desenvolvimento
dos suportes e produtos de informação, conjugando
formatos eletrônicos e digitais às tecnologias de
telecomunicações, de modo a possibilitar acesso
local ou remoto aos documentos informacionais;
3. Conhecer e utilizar as tecnologias da informação e
da comunicação – TICs – como ferramentas de
trabalho
para
a
seleção,
armazenamento,
processamento
e
disseminação
seletiva
da
informação;
4. Organizar o conhecimento por meio de ferramentas
linguísticas e conceituais adequadas, visando a sua
rápida recuperação;
5. Criar pontos de acesso físico e intelectual à
informação, independentemente se alocadas em
bases físicas ou on-line;
6. Interpretar criticamente o lugar assumido pela
informação no processo de edificação das várias
esferas sociais, econômicas, políticas e culturais
contemporâneas, bem como elemento estratégico
para a democratização dos recursos oriundos da
práxis humana.
Santos (2000, p.113) complementa, relacionando
competências necessárias ao profissional que lida com
informação especializada.
Para o desempenho nas áreas especializadas, quer

�em unidades de informação de universidades,
institutos
de
pesquisaouem
organizações
governamentais, empresariais, outras são as
exigências:
ser
um
especialista
na
conhecimento onde atua;

área

de

ser um profundo conhecedor dos recursos
informacionais disponíveis e das técnicas
de tratamento da documentação, com o
domínio das tecnologias mais avançadas;
ser um gerente efetivo;
ser um líder para enfrentar as mudanças
e suas consequências.
Os autores citados mostram que, questões como uso e
domínio das TIC, o trabalho com equipes multidisciplinares,
informação como acesso e não como acervo e cuidado com
a diversidade de usuários, são pontos comuns e
recorrentes quando se trata de competências esperadas do
profissional da informação. Neste viés, Borges (2004)
aborda o papel do bibliotecário no contexto da realidade
atual, no qual o avanço tecnológico mudou a noção de
espaço e tempo, e a tecnologia se tornou, ao mesmo
tempo, oportunidade e risco.
Um profissional que seja capaz de utilizar novos processos
e instrumentos tecnológicos, estar inserido nessa sociedade
da informação e do conhecimento, que faz uso intensivo e
em larga escala do computador no processamento de
dados, redes de informação e comunicação, automação de
processos produtivos, que esteja inserido no contexto da
informação, do conhecimento e das tecnologias de
informação disponíveis. (BORGES, 2004, p. 57).

Outro aspecto de essencial importância, ressaltado por
diversos autores, é o quesito de atualização profissional. A
educação continuada como complemento do curso de
graduação, seja através de cursos de extensão,
especialização ou pós-graduação é, cada vez mais, o

�diferencial para o profissional ingressar e se manter no
mercado de trabalho.
Todas as oportunidades do mercado de trabalho estarão
abertas ao bibliotecário que possuir um projeto de vida
profissional, onde a educação continuada seja meta
permanente. Nenhum currículo universitário fornece tudo
que é necessário saber, assim como nenhum curso de pósgraduação conterá todo o saber e atualização necessários
para uma carreira bem sucedida em tempos de mudanças
rápidas e irreversíveis. O perfil ideal do profissional
bibliotecário é contingencial ao ambiente e à sociedade
onde atua, significando que, traçar um perfil é delinear as
possibilidades de desempenho e crescimento pessoais e
profissionais. (SANTOS, 2000, p.116).

Um plano de Marketing Pessoal conterá os mesmos
elementos de um planejamento estratégico: missão, visão,
valores, objetivos pessoais, metas, plano de ação
(incluindo a(s) ação(ões) com seu(s) objetivo(s) e
metas(s)), avaliação. A avaliação é muito importante,
porque permite visualizar se os objetivos foram atingidos,
como foram realizados e se foram realizados no tempo
previsto. Ela também permite que se façam correções na
rota, ou seja, que os objetivos sejam readequados às
metas e às ações, quando algum imprevisto altera o Plano.
No mercado de trabalho, o Marketing Pessoal será muito
mais efetivo se amparado pelo Marketing Profissional. O
Marketing Profissional foca sua atenção na valorização da
profissão e do mercado de trabalho do profissional, sendo
uma tática para promover os serviços disponíveis pelos
diferentes profissionais. É um aliado à ascensão dos nichos
profissionais no mercado de trabalho, em especial daquelas
profissões que a sociedade tem pouco conhecimento da
sua função, como é o caso da profissão de bibliotecário.
Insere-se neste contexto o alerta de Fraga, Mattos e Cassa
(2008) sobre a importância da união entre a classe
profissional e a academia, no desenvolvimento de projetos
que objetivem divulgar a profissão, uma vez que apenas as
ações isoladas dos profissionais não são suficientes. Rubi,
Euclides e Santos (2006) reforçam esta colocação,

�indicando que o Marketing Pessoal e Profissional é algo
cultivável, sendo necessário revelar seus benefícios através
de ações, disseminar com insistência e argumentos.
No campo do Marketing Profissional, o bibliotecário tem a
seu favor os órgãos de classe, tanto nacionais como
internacionais, que vem buscando divulgar e consolidar, de
modo positivo, sua imagem e atuação, mostrando sua
importância social à coletividade.
Em âmbito nacional, salientam-se as várias ações
realizadas pelo Sistema CFB/CRB, coordenado pelo
Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), juntamente
com os Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB),
como campanhas relativas ao Dia do Bibliotecário feitas
através de vídeos, propaganda veicular, anúncios na mídia
escrita e televisionada, outdoors, cartazes, realização ou
apoio a eventos da área ou de áreas afins, bem como
lobby nas três esferas governamentais (municipal, estadual
e federal), no sentido de propor e acompanhar a
implantação de políticas de interesse da classe. Cita-se
aqui a Lei nº 12.244/2010, conhecida como a lei de
universalização das bibliotecas em instituições de ensino do
Brasil que, em seu Art. 1º, define: “As instituições de
ensino público e privadas de todos os sistemas de ensino
do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei”.
(BRASIL, 2010, documento não paginado).
Outros órgãos de classe também ressaltam o valor das
bibliotecas e dos bibliotecários ao crescimento da Nação;
tal como ocorre na Associação Brasileira de Educação em
Ciência da Informação (ABECIN), que congrega escolas e
cursos da área de Ciência da Informação com foco no
ensino, propiciando eventos, publicações e espaços de
discussão para docentes e discentes. A Associação Nacional
de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação
(ANCIB) propicia foro privilegiado à divulgação e discussão
sobre pesquisas na área de Ciência da Informação. A
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários
(FEBAB) a grupa os profissionais e entidades de classe,

�promovendo eventos, publicações, divulgando notícias e
promovendo campanhas relacionadas à profissão e aos
profissionais.
Em âmbito internacional, vale ressaltar, entre outras, a
International Federation of Library Associations and
Intitutions (IFLA) que se empenha em transmitir uma
imagem positiva dos bibliotecários e das bibliotecas, em
esfera global, a partir de eventos regionais, nacionais e
internacionais, publicações, campanhas publicitárias e
oportunidades de formação continuada. A campanha
mundial do uso e valorização da biblioteca, por ela
patrocinada, teve o apoio de organizações nacionais do
mundo todo.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Marketing Pessoal e o Profissional se baseiam na
construção de uma marca, na criação e no estabelecimento
de uma imagem perante à sociedade, tanto no âmbito
pessoal como profissional. O bibliotecário sofre com o
estereótipo negativo e com o desconhecimento da
população sobre a real importância de seu papel na
sociedade da informação e do conhecimento. Na busca da
reversão destes aspectos negativos, o Marketing Pessoal
vem ganhando espaço entre os bibliotecários, colaborando
para seu autoconhecimento, crescimento pessoal e
profissional no mercado de trabalho.
É sabido que o Marketing Pessoal efetivo deve estar
amparado pela gestão da carreira, a qual se faz baseada
num planejamento sólido, com objetivos, metas e ações
bem definidas. Para implantar um planejamento de
Marketing Pessoal e consolidar o gerenciamento da
carreira, alguns fatores são reconhecidos como basilares
por pesquisadores autores e consultores. Pontuamos os
mais citados:
a. domínio de mais de um idioma (ressaltando-se aqui

�o inglês);
b. facilidade de comunicação;
c. manter-se atualizado nas questões profissionais e
nas tecnologias a elas inerentes;
d. participação sistemática em eventos da área e
áreas afins;
e. pertencimento a entidades representativas da
profissão
(com
efetiva
participação
e
comprometimento com as atividades por elas
propostas);
f. uso de redes sociais virtuais (como Facebook,
LinkedIn);
g. manter bom
profissão;

relacionamento

com

colegas

de

h. criar e executar um plano de Marketing Pessoal;
i. buscar constante aprimoramento, não descuidando
da formação continuada;
j. ser flexível a mudanças e criar uma imagem
positiva de si mesmo.
Mário Persona, conhecido consultor brasileiro na área de
Gestão da Carreira e Marketing Pessoal, acrescenta um
item importante a essa relação. Para ele, um trabalho de
relações públicas na construção da marca é fundamental,
uma vez que as Relações Públicas contribuem no
reconhecimento e na estratégia desenvolvidas para os
públicos de interesse. Afirma ainda, que a questão não
está na frequência da exposição da imagem do profissional
ou em sua ousadia na conquista de novos mercados ou
oportunidades, mas no estilo que usa para isto. (PERSONA,
2005).
Complementando, salienta-se que o profissional deve ter
em mente que a inércia leva as pessoas ao insucesso e que
a trajetória profissional deve ser encarada como patrimônio

�individual a ser administrado. Assim, o principal intuito em
se realizar a gestão da carreira é a obtenção e manutenção
deum espaço no mercado de trabalho que esteja de acordo
com as pretensões e os desejos individuais. O Marketing
Pessoal e o Profissional, utilizados, de maneira correta, são
essenciais para proporcionar visibilidade à profissão e
alavancar a carreira profissional de uma pessoa. Manter-se
atualizado sobre técnicas de Marketing Pessoal e
Profissional e ações implementadas ou em vias de
implementação é de extrema relevância para uma carreira
bem-sucedida.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marcus Garcia de. Pedagogia empresarial:
saberes, práticas e referências. Rio de Janeiro: Brasport,
2006.
ARAÚJO, Luis César G. de. Gestão de pessoas. São
Paulo: Atlas, 2006.
ARTHUR, Michael B. The Boundaryless Career: a new
perspective for organizational inquiry. Journal of
Organizational Behavior, v. 15, n. 4, p. 295-306, 1994.
ARTHUR, Michael B.; CLAMAN, Priscilla H.; ADAMS,
Jerome. Intelligent Enterprise, Intelligent Career. The
Academy of Management Executive. v. 9, n. 4, p. 7-22,
nov. 1995.
BARUCH, Y. Transforming careers: from linear to
multidirectional career paths: organizational and individual
perspectives. Career Development International, v. 9,
n. 1, p.58-73, 2004.
BATISTA, Cristina Abranches Mota. Inclusão: construção
na diversidade. Belo Horizonte: Armazém de Ideias, 2004.
BORGES, Maria Alice Guimarães. O profissional da
informação: somatório de formações, competências e
habilidades. In: BAPTISTA, Sofia. G.; MUELLER, Suzana. P.
M. Profissional da informação: o espaço de trabalho.

�Brasília: Thesaurus, 2004. (Estudos avançados em ciência
da informação). P. 55-69. BRASIL. Lei n. 12.244, de 24 de
maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das
bibliotecas nas instituições de ensino do País. Portal da
Legislação.
Disponível
em:
&lt;www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2010/lei/l12244.htm&gt;. Acesso em: 30 maio 2016.
BROWN, Patricia M.; TURNER, John C.The role of theories
in the formation of stereotype content. In: MCGARTY,
Craig;
YZERBYT,
Vincent
Y.;
SPEARS,
Russell.
Stereotypes as explanations: the formation of
meaningful beliefs about social groups. Cambridge:
Cambridge University Press, 2002. P. 67-89.
CARVALHO, Pedro Carlos de. Empregabilidade. 6. ed.
São Paulo: Alínea, 2009.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas:o novo papel
dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010.
COIMBRA, Rosângela G.C.; SCHIKMANN, Rosane. A
Geração Net. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 15, 2001;
Campinas. Anais ... Campinas: ANPAD, 2001.
DUTRA, Joel S. Carreiras paralelas: uma proposta de
revisão da administração de carreiras. Revista de
Administração, São Paulo, v. 27, n. 4, p. 65-73, 1992.
Disponível
em:
&lt;http://www.rausp.usp.br/busca/artigo.asp?
num_artigo=375&gt;. Acesso em: 30 de julho de 2016.
FRAGA, Nádia Elôina Barcelos; MATTOS, Carla Erler;
CASSA, Gabriela de Almeida. O Marketing Profissionall e
suas interfaces: a valorização do bibliotecário em questão.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 13, n. 2, p.148-166, maio/ago. 2008.
GUIMARÃES, José Augusto C. Moderno profissional da
informação: elementos para sua formação no Brasil.

�Transinformação,
jan./abril 1997.

Campinas,

v.9,

n.1,

p.

124-137,

HALL, Douglas T.; MOSS, Jonathan E. The New Protean
Career Contract: helping organizations and employees
adapt. Organizational Dynamics, v. 26, n. 3, p. 22-37,
1998.
KOTLER, Philip. Marketing de A a Z: 80 conceitos que
todo profissional precisa saber. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.

LIMA, Suely Pedrosa da S.; SILVA, Alzira Karla A. da. O
bibliotecário e o Marketing Pessoal na Biblioteca do UNIPÊ:
instrumento de promoção profissional no mercado de
trabalho. Biblionline, João Pessoa, v.3, n.1, 2007.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/1501/116
Acesso em: 30 maio 2016.
LOMBARDIA, Pilar G.; STEIN, Guido; PIN, José R. Politicas
para dirigir a los nuevos profesionales – motivaciones y
valores de la generación Y. Documento de investigación
DI-753. Barcelona, Universidad de Navarra, Mayo 2008.
Disponível
em:
&lt;http://econpapers.repec.org/paper/ebgiesewp/d0753.htm&gt;. Acesso em: 10 junho 2017.
LUCENA, Gertha M. C. de; SILVA, Alzira Karla A. da.
Expansão do mercado de trabalho para o bibliotecário: um
caso para o Marketing. Biblionline, João Pessoa, v.2, n.1,
jan./jun.
2006.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/593
Acesso em:25 jun. 2016.
MINARELLI, José Augusto. Empregabilidade: o caminho
das pedras. 17 ed. São Paulo: Gente, 1995.
OLIVEIRA NETO, Pedro Carvalho de. Marketing Pessoal: o
posicionamento pessoal através do Marketing. 6.ed.
Fortaleza [s. ed.],1999.
OLIVEIRA, Zita M. O bibliotecário e sua auto-imagem.

�São Paulo, Pioneira, 1983.
PENTEADO FILHO, José Roberto W. Marketing no Brasil
não é fácil. Rio de janeiro: Livro Técnico e científico,
1990.
PERSONA, Mário. Marketing de gente: o Marketing
Pessoal como suporte para o principal ativo das empresas.
São Paulo: Futura, 2005.
PINHEIRO, Aline; SALLES NETO, Francisco Leal; BARBOSA,
Mairla. A utilização do marketing pessoal pelos
advogados
de
Salvador.
2005.
Monografia
(Especialização em Administração) - Núcleo de PósGraduação em Administração, Universidade Federal da
Bahia, Salvador, 2005.
RITOSSA, Cláudia Mônica. Marketing pessoal: quando o
produto é você. Curitiba: Ibpex, 2009.
ROGAR, Sílvia. Sucesso sob Medida. Veja, São Paulo, SP,
n. 2014, 27 jun. 2007.
ROGGAU, Zunilda. Los bibliotecários, el estereotipo y la
comunidad. Información, Cultura y Sociedad, Buenos
Aires, n.15, 2006.
ROSA,
José
Antonio.
Trabalhe
sua
imagem.
[200?].Disponível em: &lt;www.mulherdeclasse.com.br&gt;.
Acesso em: 24 maio 2016.
RUBI, Milena Polsinelli; EUCLIDES, Maria Luzinete;
SANTOS, Juliana Cardoso dos. Profissional da informação:
aspectos da formação, atuação profissional e Marketing
para o mercado de trabalho. Informação e Sociedade,
João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 79-89, jan./jun., 2006.
SANTOS, Jussara Pereira. O perfil do profissional
bibliotecários. In: VALENTIM, Marta L. P. (org).
Profissionais da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000. Cap. 5.
SANTOS, Marcus Vinicius Machado dos; MANNES, Cleiton
José. O estereótipo e o cientista da informação: quebras ou

�fortalecimentos. Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, Campinas, v.7, n.1, jul./dez.
2009.
Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/42
Acesso em: 17 junho 2017.
SCHEIN, Edgar H. Identidade profissional: como ajustar
suas inclinações a suas opções de trabalho. São Paulo:
Nobel, 1993.
SILVA, Silmara Carneiro e. Marketing político e
comportamento eleitoral: reflexões sobre as estratégias de
Marketing político em campanhas eleitorais. Remark:
revista brasileira de Marketing, São Paulo, v.11, v.1,
p.113-136, jan./abr. 2012.
SILVEIRA, Fabricio José N. da. O bibliotecário como agente
histórico: do “humanista” ao “Moderno Profissional da
Informação”. Informação &amp; Sociedade, João Pessoa,
v.18,
n.3,
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1873&gt;.
Acesso Em: 18 jul.2016.
SOUTO, Leonardo Fernandes. Biblioteconomia em reflexão:
cenários, práticas e perspectivas. In:____. O profissional
da informação em tempos de mudança. São Paulo:
Alínea, 2005. P. 29-53.
TAPSCOTT, D. Geração Y vai dominar força de
trabalho.
ITFORUM
365.
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.itforum365.com.br/noticias/detalhe/2960/geracaoy-vai-dominar-forca-de-trabalho &gt;. Acesso em: 20 jul.
2016.

TASCIN, Joselane C.; SERVIDONI, Renato. Marketing
Pessoal: uma ferramenta para o sucesso. Revista
Científica Eletrônica de Administração, Garça, v.5, n.9,
dez.
2005.
Disponível
em:
&lt;http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/c2JL
4-26-12-33-15.pdf &gt;. Acesso em: 20 jul. 2016.
UCHOA, Adriana Helena Souza; SILVA, Alzira Karla Araújo

�da. O profissional da informação e o Marketing Pessoal:
conquistando espaços nas bibliotecas da cidade de João
Pessoa - PB. Biblionline, João Pessoa, v.2, n.1, 2006.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/589/
Acesso em: 18 jul. 2016.
VALENTIM, Marta L. P. Formação: competências e
habilidades do profissional da informação. In: _____.
Formação do profissional da informação. São Paulo:
Polis, 2002.
VELOSO, Elza F. R.; DUTRA, Joel S.; NAKATA, L. E.
Percepção sobre carreiras inteligentes: diferenças entre as
gerações Y, X e baby boomers. In: ENCONTRO DA
ASSOCIAÇÃO
NACIONAL
DE
PÓSGRADUAÇÃO
EM
ADMINISTRAÇÃO, 32., 2008, Rio de Janeiro. Anais... Rio
de Janeiro: ANPAD, 2008.
VIEIRA, Eliane Doin. O marketing pessoal na sua
trajetória profissional dos advogados. Dissertação
(Mestrado em Engenharia da Produção) - Programa de Pósgraduação em Engenharia da Produção, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.
WALTER, Maria Tereza M.; BAPTISTA, Sofia Galvão. A força
dos estereótipos na construção da imagem profissional dos
bibliotecários. Informação &amp; Informação, João Pessoa,
v.17, n.3, set./dez. 2007.
WHITE, Aggie. Planejamento de carreira e networking.
São Paulo: Cengage Learning Brasil/ Rio de Janeiro: Senac,
2012

�12 - CONSULTORIA NA ÁREA
DE GESTÃO SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO
Valéria Martin Valls

Introdução

O

bibliotecário,
enquanto
profissional
da
informação, é identificado da seguinte forma na
Classificação
Brasileira
de
Ocupações
(CBO):
“Biblioteconomista, Bibliógrafo, Cientista de informação,
Consultor de informação, Especialista de informação,
Gerente de informação, Gestor de informação”. Esse
mesmo documento apresenta a descrição das suas
possibilidades de atuação:
Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam
unidades como bibliotecas, centros de documentação,
centros de informação e correlatos, além de redes e
sistemas
de
informação.
Tratam
tecnicamente
e
desenvolvem
recursos
informacionais;
disseminam
informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração
do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas;
realizam difusão cultural; desenvolvem ações educativas.
Podem prestar serviços de assessoria e consultoria
(BRASIL, 2007).

Sua atuação como prestador de serviços de consultoria,
portanto, pode ser considerada natural, especialmente
porque, sendo profissional liberal, favorece e viabiliza o
apoio informacional às instituições de qualquer natureza,
por meio de implantação e gestão de projetos ligados à
gestão da informação e do conhecimento, além de
processos relacionados.

�Este capítulo tem como objetivo delimitar como o
bibliotecário pode atuar como consultor e, principalmente,
diferenciar alguns tipos de atuação correlatos, como a
prestação de serviços terceirizados, que muitas vezes são
confundidas com a consultoria propriamente dita. Entender
as semelhanças e diferenças das modalidades de atuação
do bibliotecário certamente ajudará os profissionais
interessados em atuar como consultores a qualificar o seu
trabalho e a demonstrar, com ética e profissionalismo, a
atuação do bibliotecário-consultor.

O que é consultoria?
De maneira geral, entende-se por “consultoria” a
prestação de serviços por profissional especializado em
determinada área do conhecimento, com vasta experiência
e reconhecimento no mercado. A consultoria pode ser
realizada por um profissional (o consultor) ou por uma
empresa especializada, que agrega especialistas ou
consultores em sua equipe (a empresa de consultoria).
A empresa de consultoria ou o consultor isolado são
designados como “Pessoa Jurídica”, e sua relação com os
clientes é normalmente formalizada via contrato de
prestação de serviços, no qual o escopo do trabalho,
prazos, equipe e valores envolvidos são claramente
definidos para favorecer uma relação transparente entre o
contratante (cliente) e o contratado (consultor ou
consultoria). A prestação de serviços envolve etapas e o
resultado normalmente é um produto (por exemplo, um
projeto).
Consultoria, portanto, tem relação direta com experiência
e especialização. Reforçando essa afirmação:
Consultoria é um tipo de prestação de serviço que um
profissional qualificado e conhecedor do assunto oferece ao
mercado, realizando diagnósticos e elaborando processos
com o propósito de levantar as necessidades do cliente,
identificar soluções e recomendar ações. Com as
informações levantadas o consultor desenvolve, implanta e

�viabiliza o projeto de acordo com a necessidade específica
de cada cliente. A Consultoria Empresarial é uma atividade
que tem como objetivo básico responder ou atender às
necessidades das empresas ou pessoas físicas quando
assim solicitada por meio de aconselhamento ou sugestões
de melhorias, embasado em firme e estruturado
conhecimento. O consultor trabalha com o conhecimento,
com a capacidade de análise a proposição e implantação de
soluções para um conjunto de problemas apresentados
pelos seus clientes (SEBRAE, [200-?]).

A consultoria oferecida ao cliente acontece normalmente
por meio de diagnósticos, em que o consultor (utilizando
seus conhecimentos técnicos e experiência) levanta
elementos com o objetivo de identificar claramente as
necessidades
do
cliente,
propondo
soluções
e
recomendando ações. De posse dessas informações, o
consultor elabora, implanta e viabiliza projetos de acordo
com a necessidade específica de cada cliente. Nesse
sentido, ele atua diretamente com os funcionários e
dirigentes da instituição, e, em muitos casos, o êxito da
atividade depende dessa boa relação, principalmente na
fase de coleta de dados e informações para a realização do
diagnóstico.
O consultor normalmente é contratado pela alta direção
da instituição, não sendo incomum os gestores ou os
funcionários se sentirem incomodados e até mesmo
ameaçados com a presença de um profissional
externoanalisando suas atividades. A experiência do
consultor é imprescindível para administrar esse tipo de
situação, garantindo o sucesso de suas atividades e o
cumprimento dos prazos estabelecidos.
Em alguns casos (e de acordo com o que foi contratado),
as ações previstas no projeto elaborado são desenvolvidas
pelo próprio cliente (com sua equipe) ou a consultoria é
contratada também com esse objetivo, ou seja, implantar
as ações previstas, estendendo-se o escopo da consultoria
para prestação de serviços de maneira mais ampla. Esse
escopo mais operacional pode ser entendido como
prestação de serviços terceirizados, ou seja, quando a

�instituição contrata a mão de obra especializada de pessoal
externo para realizar certas atividades. É importante
diferenciar
consultoria
e
prestação
de
serviços
terceirizados, ou seja, toda consultoria envolve prestação
de serviços, porém, quando a empresa terceiriza atividades
operacionais, não se deve nomear essas atividades de
consultoria, já que o foco da consultoria é o
estabelecimento de soluções.
Para facilitar o entendimento, o foco de cada uma dessas
atividades é diferente: na consultoria ele é estratégico e
tático; já na prestação de serviços terceirizados, o foco
pode ser tático, mas na maioria das vezes é operacional
(realização de ações). Algumas empresas de consultoria
atuam somente em projetos de consultoria tradicionais,
outras ampliam a sua área de atuação e contam também
com equipe operacional para apoiar os clientes na
implantação de ações, nesse caso atuando também como
empresas de prestação de serviços terceirizados.
No primeiro caso, normalmente, a consultoria tem um
prazo determinado, ou seja, escopos e prazos bem
definidos, e o resultado esperado é a entrega de um
projeto para o cliente. No segundo caso, pode ser por
tempo indeterminado, já que envolve a realização de
atividades operacionais, algumas vezes contínuas (por
exemplo, manutenção de um acervo digital atualizado). O
quadro a seguir resume essa diferenciação:
Processos

Tipos
Consultoria

Diagnóstico

X

Estudo de alternativas

X

Proposição de soluções

X

Elaboração de projeto

X

Treinamento / capacitação

X

Prestação de serviços
terceirizados

�Implantação das ações previstas
no projeto

X

Manutenção das atividades
previstas

X

Quadro 1 – Escopo da consultoria X prestação de
serviços terceirizados.
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Ainda
tentando
estabelecer
com
clareza
essa
diferenciação, é relevante comentar que, no mercado de
trabalho, não é incomum perceberem-se alguns desvios:
algumas instituições optam por terceirizar áreas e funções
especializadas (por exemplo, contabilidade) e esses
profissionais são nomeados de consultores; em outros
casos, gestores são contratados “via pessoa jurídica”, ou
seja, recebem remuneração mediante Nota Fiscal de
Serviços (e não mediante contratação formal via CLT) e
são nomeados como consultores. Nesse sentido, é
importante diferenciar a prestação de serviços da
modalidade de contratação. São relações de trabalho
diferentes e devem ser entendidas como tal. A seguir são
apresentadas algumas modalidades de contratação:
“CLT” (carteira de trabalho assinada pela empresa,
com todos os direitos trabalhistas assegurados);
Prestação de serviço:
via Empresa: emissão de Nota Fiscal de
Prestação de Serviços, por pessoa jurídica
ou Microempreendedor Individual (MEI);
via Pessoa Física: emissão de Recibo de
Pagamento Autônomo (RPA);
Cooperativas.
Ou seja, não é a modalidade de contratação que qualifica
uma atividade como consultoria, e sim o seu escopo e seu
modus operandi. Essa é uma questão importante que deve
ser considerada com atenção, já que no mercado de

�trabalho há uma série de distorções.
Ampliando-se a discussão para além dos pontos já
abordados, é interessante discutir também o que leva uma
instituição a contratar uma consultoria: em alguns casos
parte-se da premissa de que “santo de casa não faz
milagres”, ou seja, um olhar externo é importante para
propor soluções e alternativas que muitas vezes não são
visíveis para quem está envolvido com o processo que se
quer aprimorar. Outra questão é a necessidade de contar
com um especialista sem onerar a folha de pagamentos, ou
seja, sem a contratação de um novo funcionário. Além
disso, uma instituição pode recorrer também a uma
consultoria quando necessita de conhecimento de que não
dispõe, contratando o consultor para agregar valor a seus
processos.
Um último aspecto a ser considerado é a ideia (muitas
vezes falsa) de que atuar como consultor é um trabalho
em que não há rotina e, pelo contrário, há sempre algo
novo a fazer, repleto de desafios e com alta remuneração.
É claro que existem (como em qualquer outra atuação)
fatores favoráveis e desfavoráveis, cabendo a cada
profissional, de acordo com seu foco e momento de vida,
definir o seu caminho.
O quadro a seguir apresenta um panorama comparativo
entre a atuação como funcionário e como consultor:
CLT (funcionário
registrado)

Consultor (prestador de serviço)

Estabilidade

Instabilidade, principalmente financeira.
É importante gerenciar o fluxo financeiro para provisionar
eventuais períodos sem projetos.

Rotina e horário de
trabalho definidos

Não há rotina, sua agenda depende das demandas, às vezes
comprometendo finais de semana e horas de lazer, é preciso
auto planejamento.
Você consegue se organizar e priorizar outras atividades em
paralelo, o que pode ser ótimo em determinadas etapas da
vida pessoal.

Vínculo afetivo com
colegas de trabalho e
com a empresa

Distanciamento, atividades pontuais com começo, meio e fim.

�Foco interno

Foco externo.

Apego (sala, mobiliário,
telefone, vaga na
garagem)

Completo desapego, seu escritório é a sua pasta.

Quadro 2 – Comparação entre atuação como funcionário
X consultor:
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Por fim, a consultoria é uma atividade de prestação de
serviços na qual, embora exista usualmente um produto
envolvido na entrega ao cliente (por exemplo, um relatório
contendo o diagnóstico, uma apresentação formal dos
resultados do projeto ou o projeto em si), a relação entre o
consultor e o cliente é intangível, dada a natureza da
própria prestação de serviços:
Sendo uma prestação de serviço, devemos lembrar que o
mesmo é um ato ou desempenho essencialmente
intangível, que vai ser oferecido para satisfazer um desejo
ou necessidade sem a posse de um bem físico, sendo difícil
de medir antes de se comprar. Por isso, devemos fazer com
que o consumidor perceba os seus serviços como algo que
irá contribuir de forma real para a solução de seus
problemas, oferecendo-lhe qualidade no serviço prestado
(SEBRAE, [200-?]).

Nesse contexto – e retomando a questão central a ser
discutida –, serão apresentadas e discutidas, a seguir,
questões referentes à consultoria na área de gestão de
serviços de informação.

Consultoria na área de gestão de serviços de
informação
As primeiras empresas de consultoria da área de gestão
da informação no Brasil foram fundadas por bibliotecários
empreendedores que perceberam oportunidades de atuar
de maneira diferenciada: além de serem contratados como
funcionários, eles poderiam também abrir suas próprias

�empresas e prestar serviços de consultoria, visando levar
ao cliente soluções inteligentes referentes à sua área de
atuação. Como afirmam Conti et al (2009, p. 34): “Para se
tornar um empreendedor, o bibliotecário deve estar
preparado e disposto a enfrentar as mudanças que vêm
ocorrendo no mercado de trabalho”.
O bibliotecário, portanto, deve estar em constante
adaptação ao seu ambiente profissional, em especial
acompanhando as tendências e necessidades emergentes.
Nesse sentido, Fernandes e Pires (2012, p. 68)
complementam:
No atual mercado de trabalho fazem-se necessários um
melhor desenvolvimento profissional e uma tendência para
expor
a
criatividade,
conhecimento
e
atitude,
características estas essenciais para estabilidade financeira
e profissional. Para isso os bibliotecários devem buscar
atualização e melhor aperfeiçoamento de suas habilidades
com o intuito de crescimento profissional de forma
inovadora e capaz de atender o atual modelo da sociedade
da informação.

Nesse
contexto,
o
perfil
dos
bibliotecários
empreendedores que optam por atuar como consultores
tem competências peculiares, como, por exemplo:
Amplo conhecimento e experiência em sua área de
atuação;
Predisposição para se atualizar constantemente;
Inovadores e criativos;
Bom relacionamento interpessoal;
Perfil de liderança;
Flexibilidade e “jogo de cintura”;
Resiliência;
Rigor na qualidade dos serviços prestados;
Foco e capacidade de auto planejamento;
Automotivação.

�Como reforçam Conti et al. (2009, p. 35): “Além do
conhecimento técnico o bibliotecário, na atual conjuntura
da sociedade da informação e do conhecimento, precisa de
habilidades e competências empreendedoras”. Ou seja,
esse tipo de prestação de serviços evoluiu com as
exigências do mercado e com as tecnologias de informação
e o impacto das mídias digitais, havendo, atualmente, uma
gama variada de produtos e serviços de informação
oferecidos pelas consultorias da área. Mas essa atuação
exige mais do que conhecimento técnico, como já foi
apontado. O bibliotecário consultor é antes de tudo um
gestor de projetos, agregando competências não
tradicionais à sua formação básica:
O campo de trabalho nas áreas da biblioteconomia e da
gestão da informação é vasto e oferece inúmeras
oportunidades para os bibliotecários empreenderem.
Entretanto, são necessárias mudanças no perfil desse
profissional, que precisa cada vez mais ter visão
interdisciplinar,
agregando
continuamente
novas
competências e habilidades para poder abraçar essas
oportunidades e garantir sua competitividade no mercado
de trabalho (CONTI et al., 2009, p. 42).

Para ilustrar essas novas possibilidades, no Quadro 3 são
apresentados alguns exemplos. Nessa relação encontramos
prestação de serviços de consultoria e também prestação
de serviços terceirizados, com a ressalva conceitual que foi
estabelecida anteriormente:
Tipo
Diagnóstico, planejamento,
organização e instalação de
Serviços de Informação
(físicos e digitais).
Gestão de projetos
referentes à gestão da
informação.
Gerenciamento de
unidades, redes e sistemas
de informação.

Descrição
Tipologia bem genérica. Pode envolver atividades de
implantação ou mesmo de modernização de Serviços de
Informação.
Processos mais frequentes:
- tratamento técnico de recursos informacionais, incluindo
automação e desenvolvimento de banco de dados e
sistemas;
- desenvolvimento de recursos informacionais, incluindo
coleções;
- conservação e preservação de acervos;
- capacitação e treinamento, incluindo ações educativas;
- realização de difusão cultural;

�- disseminação da informação, incluindo clipping de
informações.
Estabelecimento de
políticas referentes à
gestão da informação.

A partir de diagnósticos e análise de boas práticas, apoiar o
cliente no estabelecimento de políticas para coleta,
tratamento, análise e disseminação da informação (pode
incluir também Política de Segurança).

Mapeamento de processos
e definição de
procedimentos e fluxos
informacionais.

Identificar os fluxos formais e informais de informação para
apoiar o seu gerenciamento e, com base nos processos
documentados e políticas da instituição, auditar os
processos de gestão da informação.

Auditorias referentes aos
processos de gestão da
informação.
Desenvolvimento de
estudos e pesquisas.
Disponibilização da
informação em qualquer
suporte.

Assessoria a profissionais de outras áreas (pesquisadores,
advogados, empresários etc.), realizando tarefas de busca
de informações especializadas.
Atuação via internet (organização de conteúdo e
recuperação de informação).

Normalização de
documentos técnicos e
científicos.

Normalização em geral, com base nas normas ABNT e
outras.

Desenvolvimento de
metodologias para geração
de documentos digitais ou
eletrônicos.

Com base em boas práticas, normas e legislação
relacionada, estabelecer processos e metodologias.

Quadro 3 – Possibilidades de atuação do bibliotecário
consultor ou prestador de serviços.
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016, a partir de
CONTI et al, 2009, p. 45, e MILANO; DAVOK, 2009, p. 260.

As áreas de atuação, portanto, variam de acordo com a
qualificação dos consultores e aspectos regionais, além da
própria tradição da consultoria, que normalmente vai
delineando o seu foco de atuação com base nos clientes e
na experiência adquirida ao longo dos anos.
Uma consultoria normalmente atua em segmentos
específicos da área, o que garante inclusive sua expertise.
Assim, um fator a ser considerado também são suas áreas
de atuação: a falta de foco pode indicar que a consultoria
não tem a experiência esperada. É claro que, se for uma
consultoria de grande porte, pode contar com uma equipe
ampla de consultores que garantam essa amplitude, mas

�dificilmente
uma
empresa
de
pequeno
porte
e
especialmente um único consultor irá conseguir dominar as
várias nuances da área. Esse é também um aspecto a ser
considerado.
Além das questões discutidas, outro ponto relevante é
saber como as empresas contratam uma consultoria na
área. Por onde começam? Elas podem basear-se nos
seguintes critérios preliminares, que ajudam a garantir a
identificação de consultores qualificados:
Verificar a inscrição da empresa ou do consultor no
Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB) da sua
região: algumas empresas inclusive indicam o seu
número de registro no CRB como forma de
diferenciação e “selo de qualidade”, já que há um
profissional registrado responsável pelas atividades;
Verificar trabalhos realizados e carteira de clientes:
os cases de sucesso normalmente são divulgados,
mas é importante o contratante ter certeza de que
a consultoria tem domínio técnico na área em que
está inserida;
Entrar em contato com os clientes para obter
informações: sempre que possível, realizando
visitas in loco para conhecer a qualidade do
trabalho prestado.
Esses cuidados podem minimizar o risco de escolha de um
consultor não qualificado, fato que pode gerar danos não
somente às atividades a serem desempenhadas, mas
especialmente à visão que o mercado forma em relação ao
bibliotecário consultor. Entende-se que a profissionalização
dessa atuação é imprescindível, já que a consultoria é, sem
dúvida nenhuma, um caminho viável para o bibliotecário,
mas é necessário que o profissional esteja preparado para
direcionar sua carreira nesse sentido, entendendo que não
se trata somente de uma modalidade de contratação, mas
sim de uma forma de atuação diferenciada, que exigirá um

�planejamento de carreira sólido, com riscos e desafios
constantes.

Considerações finais
Elucidar alguns conceitos básicos sobre o tema
“consultoria” certamente poderá apoiar bibliotecários
empreendedores a entender com mais clareza essa forma
de atuação, incentivando-os a buscar apoio técnico em
entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE), que fornece apoio para que
os profissionais não se lancem a uma aventura desastrosa.
Existem bibliotecários criativos, mas que nem sempre
conseguem empreender e manter um negócio a longo
prazo.
Além disso, não é incomum vermos no mercado
bibliotecários
recém-formados
nomeando-se
como
consultores e lançando-se em projetos sem muita
experiência e qualidade técnica, muitas vezes levando ao
mercado uma visão distorcida da capacidade profissional
dos bibliotecários. É importante reforçar que a atuação em
consultoria exige um sólido alicerce, e a capacidade
empreendedora do bibliotecário pode apoiá-lo nesse
sentido.
A consultoria na área de gestão de serviços de informação
é uma realidade no mercado brasileiro e é muito
importante que mais profissionais estejam preparados para
enfrentar os desafios de atuar nesse segmento, com ética,
profissionalismo e, acima de tudo, compromisso com o
cliente.

Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação
Brasileira de Ocupações. Brasília, DF, 2007. Disponível
em: &lt;http://www.mtecbo.gov.br&gt;. Acesso em: 29 ago.
2016.

�CONTI, D. L.; PINTO, M. C. C.; DAVOK, D. F. O perfil do
bibliotecário empreendedor. Revista ACB, v. 14, n. 1, p.
27-46,
mar.
2009.
Disponível
em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/650&gt;.
Acesso em: 29 ago. 2016.

FERNANDES, E. N. N. C.; PIRES, É. A. N. O bibliotecário
consultor: perfil profissional. Biblionline, João Pessoa, v.
8,
n.
1,
2012.
Disponível
em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/12285/86
Acesso em: 29 ago. 2016.
MILANO, M. C. D.; DAVOK, D. F. Consultor de informação:
serviços prestados por empresas de consultoria nas áreas
de biblioteconomia e gestão da informação. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.
14, n. 1, p. 253-278, jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/658&gt;.
Acesso em: 29 ago. 2016.
SEBRAE. Ideias de Negócios: Como montar um escritório
de consultoria. Disponível em: &lt;http://migre.me/usZQz&gt;.
Acesso em: Acesso em: 29 ago. 2016.

�AUTORES
Ana Maria Pereira
Contato: anamariapere@gmail.com

Bacharel em biblioteconomia pela Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquista Filho" - UNESP/Marília/SP.
Mestrado em Educação pela Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquista Filho" - UNESP/Marília/SP.
Doutorado em Tecnologia e Sistemas de Informação Universidade do Minho - Escola de Engenharia Guimarães
Portugal.
Professora
no
Departamento
de
Biblioteconomia e Gestão da Informação e do Programa
de Pós-Graduação em Gestão da Informação/PPGInfo do
Centro
de
Ciências
Humanas
e
da
Educação/FAED/UDESC, Florianópolis/SC. Possui interesse
nas seguintes áreas: Biblioteconomia - Organização e
Tratamento da Informação - Catalogação e Tecnologias
da Informação. Gestão da informação. Inteligência
competitiva. Gestão do Conhecimento.
..

Angélica Conceição Dias Miranda
Contato: angelicacdm@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia (Universidade Federal do

�Rio Grande - FURG), Mestrado em Engenharia de
Produção, Doutorado em Engenharia e Gestão do
Conhecimento (ambos pela Universidade Federal de Santa
Catarina - UFSC). Professora no Instituto de Ciências
Humanas e da Informação (ICHI), no Programa de PósGraduação em Educação em Ciências : química da vida e
da saúde (PPGEC), no Programa de Pós-Graduação em
Administração (PPGA).Áreas de interesse: Repositórios,
Editoração
Eletrônica
de
Revistas,
Gestão
do
conhecimento, Avaliação da ciência, Marketing, Estudos
de uso e usuários da informação.
.

Crislaine Zurilda Silveira
Contato: crislaine.bibliotecaria@gmail.com

Formada em Biblioteconomia com habilitação em Gestão
da Informação pela Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC). Especialista em Gestão Pública pela
Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão da
Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). Atua como Bibliotecária na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC). Áreas de interesse: Gestão de
Bibliotecas Universitárias.
..

Daniela Spudeit
Contato: danielaspudeit@gmail.com

�Graduação em Biblioteconomia (UFSC, 2001) e
Pedagogia (UDESC, 2006). Possui especialização em
Gestão de Bibliotecas (UDESC, 2006) e Didática do Ensino
Superior (SENAC, 2012), Mestrado em Ciência da
Informação (UFSC, 2010). Atua como professora no curso
de Biblioteconomia e na pós-graduação em Gestão da
Informação na Universidade do estado de Santa Catarina
(UDESC). Atualmente coordena o Grupo de Bibliotecários
da Área Escolar em Santa Catarina (Gestão 2016/2017)
vinculado a Associação Catarinense de Bibliotecários
(ACB) e está como vice-presidente da Associação
Brasileira de Educação em Ciência da Informação
(ABECIN) na gestão 2016/2018. Áreas de interesse:
gestão de unidades de informação, empreendedorismo,
gestão da qualidade, gestão de processos e projetos em
Biblioteconomia, planejamento e marketing, competência
em informação, bibliotecas escolares e universitárias,
atuação, ensino e formação em Biblioteconomia.
..

Daniele Feldman
Contato: danyih@hotmail.com

Graduação em Biblioteconomia com Hab. em Gestão da
Informação pela Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC) em 2013.Mestrado em Gestão de
Unidades de Informação pela UDESC em 2016. Atua como
pesquisadora e possui interesse nas seguintes áreas:

�Memória
e
Informação,
Patrimônio
e
Bibliotecas Escolares e Fontes de Informação.

Cultura,

.

Denise Rodrigues So
Contato: denise.r.so@terra.com.br

Mestre em Ciência da Informação e Bacharel em
Biblioteconomia pela Escola de Comunicações e Artes
(USP). Nas áreas de Pesquisa e Inteligência de Mercado,
trabalhou na implementação de unidades de informação e
análise de informações de mercado, com passagem pelas
empresas Ogilvy &amp; Mather, Unilever Bestfoods, Vivo e,
Telefonica. Ministrou a disciplina Marketing para Unidades
de Informação no curso Gerência de Sistemas e Serviços
de Informação da FESPSP. Atualmente, é docente no
curso de pós-graduação na mesma instituição e, é
bibliotecária do CEU (Centro Educacional Unificado) da
Prefeitura da Cidade de São Paulo..
.

Eduardo Silveira
Contato: edusilveira1985@gmail.com

Doutorando e Mestre em Ciência da Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal de Santa Catarina PGCIN/UFSC Graduação em Biblioteconomia - Habilitação em Gestão

�da Informação UDESC e Ciência Contábeis UFSC.
Pesquisador na área de Webometria no grupo de pesquisa
Inteligência, Tecnologia e Informação; Tesoureiro da
Associação Catarinense de Bibliotecários - ACB Gestão
2016/2017. Possui interesse nas áreas: Estudos Métricos
da Informação, com ênfase na Webometria (Análise de
links e citações web); Tecnologias da Informação e
Comunicação; Gestão de Custos em Unidades de
Informação.
.

Eliezer Mendes Lopes
Contato: eliezerbiblio@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal
do Rio Grande (FURG) em 2015. Mestrando no Programa
de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da
Vida e Saúde. Áreas de Interesse: Comunicação
Científica, Estudos Métricos, Repositórios, Marketing em
Bibliotecas.
..

Helen Beatriz Frota Rozados
Contato: hrozados@gmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Faculdade de
Biblioteconomia e comunicação da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (FABICO/UFRGS). Mestre e doutora

�em Comunicação e Informação pelo Programa de Pósgraduação
em
Comunicação
e
Informação
(PPGCOM/UFRGS). Professora do Departamento de
Ciências da Informação da FABICO/UFRGS. Coordenadora
do Núcleo de Estudos em Imagem, Tecnologia e
Informação (NEITI). Membro da Comissão de Educação a
Distância da Associação
Brasileira de Educação em
Ciência da Informação (ABECIN). Áreas de interesse:
Marketing. Educação a distância. Imagem como fonte de
informação. Informação em mídias digitais. Gestão da
informação. Gestão do conhecimento.
.
.
.

Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva
Contato: ilaydiany18@hotmail.com

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN), mestra em Engenharia
de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN) e doutoranda em Ciência da Informação
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(UFRJ/IBICT). Atua como professora assistente do Curso
de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás
(UFG). Tem interesse nas seguintes áreas: Estudos
Métricos de Informação, Comunicação Cientifica, Gestão
da Informação e Gestão de Pessoas.
..

Jordan Paulesky Juliani

�Contato: jordanjuliani@gmail.com

Graduado em Ciências da Computação pela Universidade
do Vale do Itajaí (1999), Mestre em Engenharia de
Produção
pela
Universidade
Federal
de
Santa
Catarina(2002), Graduado em Administração pela
Universidade Federal de Santa Catarina (2005), Doutor
em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela
Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Professor
do Depto de Biblioteconomia e Gestão da Informação e no
Programa de Pós-graduação em Gestão da Informação
(PPGInfo) na Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). Professor no curso de Graduação em Sistemas
de Informação na Faculdade Energia e empreendedor na
área de tecnologia da informação. Tem interesse nas
seguintes
áreas:
Tecnologias
de
Informação
e
Comunicação Aplicadas a Unidades de Informação;
Empreendedorismo; Inovação Tecnológica; Governança
de TI; Gestão de Unidades de Informação; Gestão da
Informação e do conhecimento.
.

Marcelo Cavaglieri
Contato: marceloglieri@yahoo.com.br

Bacharel em Biblioteconomia e Mestre em Gestão
Unidades de Informação pela Universidade do Estado
Santa Catarina (UDESC). Atua como Bibliotecário
Senac Saúde e Beleza. Possui interesse nas áreas

de
de
no
de

�Biblioteconomia e Arquivologia.
..

Marcia Silveira Kroeff
Contato: marcia.kroeff@udesc.br

Possui Graduação em Biblioteconomia Universidade
Federal de Santa Catarina (1993), Mestrado em Ciência
da Informação pela Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, PUC Campinas (1995), Doutorado em Ciência
da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2000),
pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina
(2007), Especialização em Gestão de Arquivos Públicos e
Empresariais pela Universidade Federal de Santa Catarina
(2009). Atua como professora no curso de graduação de
Biblioteconomia e no Programa de Pós-Graduação em
Gestão da Informação na Universidade do Estado de
Santa Catarina. Tem interesse nas seguintes áreas:
Análise da produção científica, Bibliometria, Gestão de
arquivos, Gestão de unidades de informação, Estudos de
usuários.
..

Marta Lígia Pomim Valentim
Contato: valentim@valentim.pro.br

Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca, Espanha.
Livre Docente pela Unesp. Doutora em Ciências da

�Comunicação pela (USP). Mestre pela PUC-Campinas.
Professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Está como presidente da Associação Brasileira de
Educação em Ciência da Informação (ABECIN) na gestão
2016/2018. Possui interesse nas áreas: Gestão da
Informação.
Gestão
do
Conhecimento.
Cultura
Informacional. Inteligência Organizacional. Competência
em Informação.
..

Noeli Viapiana
Contato: noeli_viapiana@yahoo.com.br

Bacharel em Biblioteconomia pela UFSC, com pós em
Didática do Ensino Superior, SENAC/SC, Especialização
em formação de leitores pela FIJ/ RJ. Mestranda em
Gestão de Unidades de Informação. Atua como
bibliotecária e pesquisadora na área de Biblioteconomia
e
da
Ciência
da
Informação. Possui
interesse nas áreas: Gestão
de
unidades
de
informação, gestão da qualidade, Metodologias para
controle de qualidade em serviços de unidades
de informação, bibliotecas públicas e universitárias,
Biblioteconomia.
.

Regina Fazioli
Contato refazioli@gmail.com

�Mestre em Tecnologia: Gestão e Desenvolvimento da
Formação Tecnológica pelo Centro Paula Souza CEETEPS. Possui graduação em Biblioteconomia e
Especialização em Gerência de Sistemas e Serviços de
Informação pela FespSP. Idealizadora e coordenadora da
Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo
- www.bv.sp.gov.br. Membro da Associação Brasileira de
Profissionais
de
Informação
(ABRAINFO)
e
da Egrégora Inteligência, empresa de consultoria em
Governança de Informação.Professora convidada de Pós
Graduação - Redes Sociais - Curso Gestão da Informação
Digital (GID) – FESPSP.Professora Assistente - Graduação
em Biblioteconomia e Pós Graduação - Perspectivas
Tecnológicas - Curso de Gestão de Arquivos e Bibliotecas
Escolares - UNIFAI.Integra a Comissão de Avaliação e
Seleção Prêmio Boas Práticas e Inovação em Bibliotecas
Públicas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) 2014 e é
Jurada do Prêmio São Paulo de LiteraturaSecretaria da
Cultura do Governo SP, 2015.Possui experiência na área
de Ciência da Informação, com ênfase em Gestão de
Conhecimento,
Tecnologia
Mobile,
Redes
Sociais,
Informação Pública e Formação do Cidadão.
..

Tatiana Brandão Fernandes
Contato: tatybrafer@gmail.com

Graduada em Biblioteconomia/ UFAM, Especialista em

�Monitoramento e Inteligência Compettiva/ UFAM,e em
Gestão de Projetos/ GAMA FILHO, Mestre em Ciências da
Comunicação/
UFAM.
Professora
Assistente
no
Departamento de Arquivologia e Biblioteconomia da
Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Possui
interesse nas seguintes áreas: Comunicação científica,
acesso livre, acesso aberto, proteção do conhecimento,
propriedade intelectual, armazenamento, uso e busca de
informação em ferramentas eletrônicas nestas áreas.
.

Valéria Martin Valls
Contato: valls@uol.com.br

Doutorado em Ciências da Comunicação (2005),
Mestrado em Ciências da Comunicação (1998) e
Graduação em Biblioteconomia e Documentação (1990)
pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo - ECA/USP, além de extensão universitária em
Docência pela Fundação Getúlio Vargas - FGV (2008).
Coordenadora e docente do curso de graduação em
Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação
Escola de Sociologia e Política de São Paulo
(FaBCI/FESPSP) e Coordenadora de curso e docente de
pós-graduação da Escola Pós-Graduada da FESPSP
(Núcleo de Ciência da Informação). Docente do MBA em
Gestão Empresarial e Coaching (parceria FESPSP e SLAC).
Coordenadora Região São Paulo (Gestão 2016-2018) da
Associação Brasileira de Educação em Ciência da
Informação (ABECIN). Consultora associada em projetos
ligados
à
gestão
da
qualidade,
informação
e
conhecimento, além de atuar como palestrante nesses
temas. Tem interesse nas seguintes áreas: Gestão em

�geral; Docência; Tendências contemporâneas da Ciência
da Informação.
.

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
      <file fileId="998">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.1.mobi</src>
        <authentication>5f5a1c8180dc3d477923a6ee201092da</authentication>
      </file>
      <file fileId="999">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/1534/Gestao_de_unidades_de_informacao_-_Spudeit-D_Kroeff-MS_2017.2.epub</src>
        <authentication>b2996ef0cdb2cf0967001cf3a64967e7</authentication>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20012">
                <text>Gestão de unidades de informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20013">
                <text>Serviços de informação – Administração&#13;
Unidades de informação – Planejamento &#13;
Bibliotecários – Competências</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20014">
                <text>Drucker já dizia que o maior problema das instituições é a falta de gestão. Dadas as constantes mudanças sociais e mercadológicas, pensar em gestão é sempre um desafio quando se trata de mobilizar recursos para atingir resultados em prol de objetivos comuns. Se em grandes empresas e organizações isso é fundamental, imaginem pensar a gestão em unidades de informação que exige o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para oferta de serviços voltados para a formação de capital&#13;
intelectual, social e humano. Foi a partir dessa demanda que surgiu a ideia em convidar profissionais e professores especialistas da área para refletir e discutir sobre temáticas relacionadas à gestão de unidades de informação. Sendo assim, essa obra versa sobre gestão financeira, avaliação, planejamento, gestão de processos, marketing, gestão de pessoas, controle de qualidade, gestão de projetos, segmentação de cliente, marketing de relacionamento, mídias sociais, entre outros pontos que abarcam as demandas de ensino na formação de bibliotecários gestores. A obra busca oportunizar um aprofundamento em diferentes temáticas que convergem para a formação de competências gerenciais do bibliotecário que são demandadas pela sociedade e pelo mercado no século XXI. Acredita-se que seja necessário que os bibliotecários tenham esses conhecimentos tratados nessa obra, desenvolvam as habilidades necessárias, saibam usar diferentes recursos, inovem em suas unidades de informação e promovam um diferencial para esses ambientes a fim de agregar valor às organizações no qual estão inseridas e, principalmente, à comunidade atendida por elas. David Lankes defende que “bibliotecas ruins fazemcoleções, bibliotecas boas realizam serviços, bibliotecas excelentes criam comunidades”. É pensando nessa contribuição social, que essa obra vem instrumentalizar os bibliotecários para que usem técnicas e metodologias gerenciais, transformando as unidades de informação importantes espaços de busca e construção do conhecimento em ambientes vivos que atendam às demandas das comunidades em que estão inseridas. Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff (Organizadoras)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20015">
                <text>Spudeit, Daniela (org.)&#13;
Kroeff, Marcia Silveira (org.)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20016">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20017">
                <text>2017</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20018">
                <text>Ana Maria Pereira&#13;
Angélica Conceição Dias Miranda&#13;
Crislaine Zurilda Silveira&#13;
Daniela Spudeit&#13;
Daniele Feldman&#13;
Denise Rodrigues So&#13;
Eduardo Silveira&#13;
Eliezer Mendes Lopes&#13;
Helen Beatriz Frota Rozados&#13;
Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva&#13;
Jordan Paulesky Juliani&#13;
Marcelo Cavaglieri&#13;
Marcia Silveira Kroeff&#13;
Marta Lígia Pomim Valentim&#13;
Noeli Viapiana&#13;
Regina Fazioli&#13;
Tatiana Brandão Fernandes&#13;
Valéria Martin Valls</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20019">
                <text>© 2017 Daniela Spudeit e Marcia Silveira Kroeff</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20020">
                <text>Recurso Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20022">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="20023">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="65901">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6214" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5276">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/43/6214/Guia_direitos_autorais_e_bibliotecas.pdf</src>
        <authentication>b942097f6f98d60ac30c675267d25fec</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="70724">
                    <text>Walter Eler do Couto
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Allan Rocha de Souza
Mariana G. Valente

para bibliotecas
Direitos autorais e Acesso ao
Conhecimento, Informação e Cultura

São Paulo, FEBAB
Março de 2022

�Guia para bibliotecas: Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura
Versão 1.0 - Publicada em 12 de março de 2022 em comemoração ao Dia do Bibliotecário.
AUTORES
Walter Eler do Couto (Doutorando em Ciência da Informação/USP)
Profa. Dra. Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (USP - FEBAB/CBDA3)
Prof. Dr. Allan Rocha de Souza (UFRJ/PPED - UFFRJ/ITR - PUC/RJ - IBDAutorais)
Profa. Dra. Mariana G. Valente (Universidade de St. Gallen - INTERNETLAB)
REVISÃO TÉCNICA
Alice de Perdigão Lana (Mestra em Direito/UFPR - INTERNETLAB)
Marina Pita (Mestranda em comunicação/UnB - INTERVOZES)
REALIZAÇÃO

PARCEIROS

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
Hiperativa Comunicação Integrada
ISBN: 978-85-85024-16-1
Esta obra está sob uma licença Creative
Commons Atribuição 4.0 Internacional

*Partes das ideias e conteúdo aqui contidos foram produzidas pelos próprios autores,
individualmente ou não, em outras comunicações sobre o mesmo tema.
Catalogação na Publicação (CIP)
Maria Imaculada da Conceição – CRB-8/6409

C871 Couto, Walter Eler do.
Guia para bibliotecas [recurso eletrônico]:
direitos autorais e acesso ao conhecimento,
informação e cultura / Walter Eler do Couto, Sueli
Mara Soares Pinto Ferreira, Allan Rocha de Souza,
Mariana Giorgetti Valente. -- São Paulo : FEBAB/
CBDA3, 2022.
1.008 Kb; PDF
ISBN 978-85-85024-16-1
1. Direito autoral – Brasil. 2. Bibliotecas. 3.
Guias. I. Título. II. Ferreira, Sueli Mara Soares
Pinto. III. Souza, Allan Rocha de. IV. Valente,
Mariana Giorgetti.

�Walter Eler do Couto
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Allan Rocha de Souza
Mariana G. Valente

para bibliotecas
Direitos autorais e Acesso ao
Conhecimento, Informação e Cultura

São Paulo, FEBAB
Março de 2022

�APRESENTAÇÃO
Em agosto de 2020, a Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto
da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação
e Instituições (CBDA3/FEBAB) realizou o webinar “Direitos de autor, ensino online e
bibliotecas na pandemia”. O evento online ocorreu em meio à migração para o ambiente
digital do ensino brasileiro (em muitos casos, a tentativa disso) e demonstrou que os
profissionais do campo têm muitas dúvidas quanto ao equilíbrio entre a missão das
bibliotecas e a garantia do direito de autor.
Motivada por perseguir sua missão - trabalhar por mais e melhores bibliotecas, bem
como promover a formação continuada dos profissionais - há mais de 63 anos, a FEBAB
passou então a trabalhar na construção deste Guia para bibliotecas: direitos autorais e
acesso ao conhecimento, informação e cultura. Trata-se de um esforço de construção
coletiva. As respostas aqui apresentadas surgiram no webinar com participação dos
profissionais do campo, bibliotecários(as) de escolas, públicas e universitárias.
O trabalho cuidadoso de Walter Eler do Couto (doutorando em Ciência da
Informação pela Universidade de São Paulo), da Profa. Dra. Sueli Mara Soares Pinto
Ferreira (docente na Universidade de São Paulo e presidente da CBDA3), do Prof. Dr.
Allan Rocha de Souza (docente e pesquisador na Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro e na Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Profa. Dra. Mariana G.
Valente (docente na Universidade de St. Gallen e diretora do InternetLab) apresenta
conceitos introdutórios para quem está iniciando no tema e oferece olhares sob a
perspectiva da gestão, ensino, pesquisa e uso (tanto privado como nas bibliotecas) de
obras protegidas por direitos de autor; tudo de maneira muito didática.
Desde suas origens as bibliotecas têm sido fundamentais para garantir e preservar
o acesso à produção intelectual, técnica e cultural, indiferente do suporte dos conteúdos.
Ante os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, esta essência ganhou
maior representatividade, em especial com a meta 16.10 do ODS 16, “Assegurar o acesso
público à informação e proteger as liberdades fundamentais em conformidade com a
legislação nacional e os acordos internacionais”. Logo, é fundamental que tenhamos a
informação e atuação adequadas diante deste panorama em constante discussão.
Por fim, em nome da FEBAB, agradeço o apoio do InternetLab, Intervozes
e IBDAutoral, que cooperaram para a construção deste guia. Parcerias como essas
somente fortalecem a pauta em comum e sempre são muito bem-vindas.
Dr. Jorge Moisés Kroll do Prado
Presidente da FEBAB (2020-2023)

�SUMÁRIO
Apresentação....................................................................................................................................................... 3
Introdução............................................................................................................................................................. 8
1 Questões iniciais........................................................................................................................................... 10
1.1 O que são os Direitos Autorais?..................................................................................................... 10
1.2 Quais são as bases legais dos direitos autorais e do direito de acesso à
informação, conhecimento e cultura?...................................................................................... 11
1.3 O que são Limitações aos Direitos Autorais?........................................................................... 12
1.4 Existem limitações expressas em favor das bibliotecas na legislação nacional?... 12
1.5 Por que equipamentos culturais e informacionais (como bibliotecas, arquivos 		
e museus) precisam de limitações em seu benefício para a boa execução de 		
suas atividades?................................................................................................................................... 13
1.6 As limitações aos direitos autorais se aplicam a qualquer tipo de obra ou 		
apenas aos livros?............................................................................................................................... 13
1.7 Qual é a adequada interpretação das limitações e exceções aos direitos
autorais no Brasil?............................................................................................................................... 14
1.8 O que é uma obra em Domínio Público?.................................................................................. 15
1.9 O que é uma Licença Pública?........................................................................................................ 16
1.10 O que é uma reprografia?.............................................................................................................. 16
1.11 O que é uma infração aos direitos autorais?........................................................................ 17
1.12 O que é um abuso de direito ou uma “copyfraud”?......................................................... 17
2 Empréstimo bibliotecário........................................................................................................................18
2.1 Os direitos autorais influenciam o empréstimo de documentos físicos pelas 		
bibliotecas no Brasil?......................................................................................................................... 18
2.2 O que é o “Empréstimo Digital Controlado” e como a minha biblioteca
poderia implementá-lo?.................................................................................................................. 19
2.3 Os direitos autorais influenciam de alguma maneira o empréstimo entre as 		
bibliotecas do país?........................................................................................................................... 20
3 Digitalização para Fins de Preservação........................................................................................... 21
3.1 O que é uma “digitalização para fins de preservação”? Existem barreiras
impostas pelos direitos autorais a esta digitalização?...................................................... 21
3.2 Quais são as melhores práticas para se executar uma política de digitalização 		
para fins de preservação do ponto de vista da interação entre os direitos 		
autorais e os direitos de acesso?................................................................................................. 22
3.3 Qual é a diferença entre digitalizar documentos em domínio público e em 		
domínio privado?................................................................................................................................ 22
3.4 O controle do manuseio das obras faz parte do cotidiano de conservação de 		
documentos. Uma vez digitalizados, a biblioteca pode conceder acesso
digital a eles como forma de evitar o desgaste do exemplar original?................... 23
3.5 Se a biblioteca digitalizar uma obra para fins de preservação, ela será a nova 		
titular dos direitos autorais do documento digital?.......................................................... 23
3.6 Como a biblioteca deve lidar com a preservação das obras órfãs?............................. 24

�4 Uso de obras da biblioteca para ensino e pesquisa.............................................................. 25
4.1 Muitas bibliotecas realizam programas de leitura mediada, especialmente
no contexto da educação infantil. Nesses casos, é comum a leitura do livro
na íntegra. Esta prática pode ser transmitida pelos perfis das bibliotecas em
redes sociais?....................................................................................................................................... 25
4.2 A biblioteca pode auxiliar professores e estudantes no acesso às obras que
fazem parte do currículo educacional de sua instituição?............................................ 26
4.3 A biblioteca pode permitir que pesquisadores acessem e digitalizem grande
quantidade de documentos para a realização de pesquisas empíricas a partir
desses documentos?....................................................................................................................... 26
5 Acessibilidade.............................................................................................................................................. 27
5.1 Quais são as limitações, em benefício das pessoas com deficiência, previstas
em nossa legislação de direitos autorais?............................................................................. 27
5.2 Como a biblioteca deve aplicar a limitação aos direitos autorais para os
deficientes visuais prevista na LDA? Ela se aplica apenas às pessoas cegas?..... 28
5.3 O que é o Tratado de Marraqueche?........................................................................................ 28
5.4 Quem são os beneficiários do Tratado de Marraqueche?.............................................. 29
5.5 O que é uma “entidade autorizada” no âmbito do Tratado de Marraqueche?
As bibliotecas podem ser entidades autorizadas?............................................................ 29
5.6 O que é o “intercâmbio transfronteiriço” previsto pelo Tratado?............................... 29
5.7 Quais são os benefícios de uma biblioteca fazer parte de uma rede de
entidades autorizadas?.................................................................................................................. 30
6 Cópia para uso privado........................................................................................................................... 31
6.1 O que é a cópia para uso privado e qual é a sua função?.............................................. 31
6.2 No que se refere à cópia parcial para uso privado do usuário, no contexto das
bibliotecas, quanto da obra protegida pode ser copiada e por quem?................ 32
6.3 E a cópia integral, é legalmente possível?............................................................................... 33
6.4 De quem é a responsabilidade de averiguar e satisfazer os requisitos legais?.... 33
6.5 Quem pode realizar cópias para fins privados em benefício dos usuários?.......... 34
6.6 A biblioteca pode permitir que os usuários realizem a cópia de pequeno
trecho do documento com aparelhos de telefone celular?......................................... 34
6.7 As bibliotecas podem ter uma copiadora (“xerox”) no interior de suas
dependências?................................................................................................................................... 34
6.8 Como uma biblioteca deve regular a cópia para uso privado considerando
as interpretações mais benéficas para os seus usuários?........................................ 35
6.9 A biblioteca pode oferecer algum serviço de envio de cópias digitais sob
demanda para os seus usuários?.............................................................................................. 35
7 Limitações aos direitos autorais em obras licenciadas...................................................... 36
7.1 Uma parte significativa do acervo das bibliotecas atualmente é composta
por obras licenciadas, como é o caso das obras científicas (especialmente
ebooks e periódicos científicos). As limitações aos direitos autorais se
aplicam também a elas?................................................................................................................ 36
7.2 A biblioteca pode contornar as tecnologias de controle, como as DRM
(Digital Rights Management), para garantir os direitos dos seus usuários?....... 36
8 Direitos autorais como competência informacional.......................................................... 37
8.1 Por que a biblioteca deve pensar nos direitos autorais como um tópico de
Competência Informacional?...................................................................................................... 37
8.2 A biblioteca pode realizar treinamentos com os funcionários e com os
usuários sobre os direitos autorais das obras de seu acervo?................................... 38

�8.3 Quais materiais, além deste guia, a biblioteca pode utilizar para promover
esse tipo de treinamento?....................................................................................................... 38
9 Gestão informacional dos direitos autorais...........................................................................39
9.1 O que é um mandado de acesso aberto?.......................................................................... 39
9.2 Por que no Brasil a maior parte dos trabalhos acadêmicos, como Teses e
Dissertações, são depositadas em acesso aberto?...................................................... 40
9.3 O que é um período de embargo?........................................................................................ 40
9.4 Como a biblioteca deve fazer a gestão dos documentos acadêmicos
depositados em seu acervo em relação aos Direitos Autorais?............................ 41
9.5 Quem pode autorizar a disponibilização gratuita de documentos dessa
natureza?......................................................................................................................................... 41
10 Políticas Institucionais.................................................................................................................... 42
10.1 O que seria uma política institucional de direitos autorais para bibliotecas?
10.2 Quem deve elaborar a política institucional?........................................................... 42
10.3 O que deve conter uma política institucional?........................................................ 42
10.4 De quem é a responsabilidade pelas ações da biblioteca, de seus
funcionários e de seus usuários no contexto dos usos livres?........................ 42
10.5 Existe algum precedente, no Brasil, de política institucional que busque
harmonizar estes direitos?....................................................................................................... 43
10.6 Como a biblioteca deve divulgar sua política institucional de acesso para
seus usuários?................................................................................................................................ 44
10.7 Quais são os passos para a criação de uma política institucional de acesso
aos diferentes tipos de bibliotecas (bibliotecas públicas, escolares,
universitárias, especializadas etc.)?...................................................................................... 44
11 E agora, quais os limites jurídicos dos usos livres das obras protegidas
por direitos autorais?............................................................................................................. 46
11.1 O que uma biblioteca não pode fazer com relação às limitações
aos direitos autorais?............................................................................................................ 46
11.2 No caso de uma ação importante, mas que não se enquadra nas 		
hipóteses extensivas de uso livre, o que é recomendável fazer?................ 48
11.3 O que a biblioteca deve fazer caso ela receba alguma notificação dos
detentores dos direitos autorais?.................................................................................. 48
11.4 O que a biblioteca deve fazer caso ela receba alguma notificação dos
detentores dos direitos autorais?................................................................................... 48
11.5 De que maneira os titulares podem reagir?............................................................. 49
11.6 É possível negociar com as editoras, gravadoras ou demais detentores de
direitos autorais? Como proceder?.....................................................................................50
11.7 Quais os canais e os fóruns disponíveis para que profissionais da
informação participem do debate legislativo em matéria de limitações
aos direitos autorais?............................................................................................................. 50
Considerações Finais ............................................................................................................................... 52
Dez princípios para a legislação de direitos autorais do ponto de vista
das bibliotecas............................................................................................................................................ 54
Sugestão de Leituras Complementares........................................................................................ 56
ANEXOS............................................................................................................................................................ 58
1 USP - RESOLUÇÃO Nº 5213, DE 02 DE JUNHO DE 2005.............................................. 59
2 UFRJ - RESOLUÇÃO Nº 19/2010................................................................................................ 60

�INTRODUÇÃO
As bibliotecas cumprem um papel histórico na trajetória das civilizações.
Como parte da infraestrutura do conhecimento, elas têm participação ativa no
desenvolvimento da cultura e dos saberes. São essenciais e necessárias à construção
e sustentação de sociedades culturalmente ricas e dinâmicas. Das tabuinhas dos
Pinakes aos modernos acervos digitais, é permanente a missão das bibliotecas
em guardar, organizar, disponibilizar e disseminar o conhecimento, a informação
e a cultura. Organizadas em rede, as bibliotecas contemporâneas estão presentes
em todo o território nacional, servindo à comunidade e atendendo os usuários
em suas necessidades informacionais.
A continuidade dessa missão, bem como sua atualização e ampliação, é
uma responsabilidade de todos. É verdade que uma parte desse desafio depende
de uma atuação mais cuidadosa do Poder Público, que não pode se furtar de suas
obrigações. Porém, também é verdade que algumas escolhas estão nas mãos das
próprias instituições que, com o devido embasamento jurídico, podem e devem
ampliar a sua atuação. Como disse Michel Melot: “Toda biblioteca é uma escolha;
ao fazer essa escolha, o bibliotecário é o primeiro autor de sua biblioteca.”1
Os direitos autorais impactam inúmeras das atividades das bibliotecas, em
uma relação complexa, porém não antagônica. Por um lado, os direitos autorais
visam estabelecer uma exclusividade em favor dos titulares e dar poder (substancial,
mas não absoluto) de decidirem sobre a utilização de suas obras, de acordo com
seus interesses particulares, enquanto a missão das bibliotecas é garantir que as
obras sejam amplamente usadas por todos, da maneira mais democrática possível.
Ao mesmo tempo, as bibliotecas e a proteção oferecida pelos direitos autorais
compartilham de um mesmo objetivo: estimular o progresso e engrandecimento
cultural da sociedade, por meio da disponibilização e acesso às obras literárias,
artísticas e científicas. Ou seja, em determinada medida as duas instituições são
parceiras em uma das missões mais nobres que existem: estimular a literatura,
as artes, o conhecimento e as ciências. A satisfação desta missão, porém, só se
realizará plenamente quando os espaços de atuação das bibliotecas e de incidência
dos direitos autorais estiverem em harmonia e equilíbrio.
A harmonia no relacionamento desses dois campos não está, no entanto,
pré-definida e depende de inúmeros fatores, dentre os quais as políticas públicas
e institucionais estabelecidas e praticadas em determinado momento e lugar.
Se haviam já atritos entre as instituições no passado, diante do atual contexto
de profundas mudanças tecnológicas, é ainda mais importante rever as normas
1 MELOT, M. O Saber do Bibliotecário. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. Cotia: Ateliê
Editorial, 2019. p.22

8

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�jurídicas e políticas nacionais (e internacionais), assegurando que as bibliotecas
possam cumprir suas missões, tão essenciais à sociedade, em especial em um país
carente de educação e com sede de conhecimento e cultura, como o Brasil.
Embora a Lei de Direitos Autorais (LDA) brasileira não preveja textual e
expressamente nenhuma limitação aos direitos autorais que contemple diretamente
as bibliotecas, as teorias contemporâneas sobre os direitos autorais, respaldadas
em uma análise sistemática e axiológica do ordenamento jurídico nacional,
compreendem que essas limitações existem. O ponto de partida para entender o
real alcance das limitações aos direitos autorais é a compreensão, em sintonia com
os tribunais nacionais, de que o Direito de Acesso à Informação, Conhecimento e
Cultura é direito fundamental, constitucional e internacionalmente consolidado.
E as bibliotecas são instituições de efetivação e concretização deste Direito
de Acesso. São instrumentais e essenciais à educação e pesquisa, contribuem para
o desenvolvimento dos nossos talentos artísticos e intelectuais e para a instigação
e consolidação do desejo e amor pelas artes, cultura e saber. São formadoras
tanto de autores como de público. São, portanto, instituições fundamentais a
uma sociedade cultural e intelectualmente rica, diversa e dinâmica, como é o
projeto constitucional.
Neste sentido, identificar e explicitar, a partir de uma perspectiva
contemporânea e bases jurídicas sólidas, as ações e atividades das bibliotecas
que podem ser executadas, de acordo com o ordenamento e marcos jurídicos em
vigor não é simples, porém fundamental. Apresentar quais usos e práticas podem
ou não devem ser feitos pelas bibliotecas, a fim de que, de forma consciente
e segura, respeitando e compatibilizando o respeito aos direitos autorais e a
concreção dos direitos de acesso dos usuários, possam cumprir plenamente sua
nobre missão de promover o saber e a cultura.
As bases para este trabalho são questões da comunidade brasileira de
bibliotecários que foram enviadas à Comissão Brasileira de Direitos Autorais e
Acesso Aberto (CBDA3) da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários,
Cientistas de Informação e Instituições (FEBAB). Organizamos as questões e
respostas em formato de um Guia a fim de facilitar sua compreensão e absorção
pelas bibliotecas e bibliotecários do país.
Juridicamente, os pontos de partida são, em primeiro plano, o
reconhecimento do Direito de Acesso à Informação, Conhecimento e Cultura
como direito fundamental, constitucional e internacionalmente ancorados, com
os quais os direitos autorais devem necessariamente ser harmonizados - aspecto
sobre o qual a legislação de direitos autorais, ordinária e infraconstitucional,
é insatisfatória, ultrapassada e incompleta. E também as decisões judiciais
proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na última década, a partir da decisão
paradigmática proferida no Recurso Especial 964.404/11, consolidadas no
Enunciado 115 da III Jornada de Direito Comercial do Conselho da Justiça Federal.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

9

�1.
Questões
iniciais
1.1 O que são Direitos Autorais?
Os direitos autorais são uma espécie do gênero conhecido como propriedade intelectual, que inclui
também a propriedade industrial (patentes, marcas, etc.), cultivares e outras formas de proteção
da criação, invenção ou inovação. Especificamente quanto aos direitos autorais, são dedicados a
proteger as expressões, as obras artísticas, literárias e científicas.

Os direitos autorais – e suas categorias estruturantes: autor e obra – são
atribuídos automaticamente, pois surgem imediatamente com a criação de uma
obra protegida por direitos autorais. Ou seja, o seu exercício independe de registro.
O autor é protegido em seus aspectos pessoais e econômicos, denominados
respectivamente de direitos morais e patrimoniais. Estes direitos são historicamente
justificados enquanto estímulo à criação de novas obras, que, em tese, resultaria
no engrandecimento cultural (e civilizatório) de determinada sociedade. Sua
realização e efeitos são imediatos e, praticamente, no mundo todo, pois os países
estão vinculados aos Tratados Internacionais que harmonizam, em algum grau, sua
normatização no plano nacional. Os direitos autorais são direitos fundamentais,
constitucional e internacionalmente reconhecidos. Porém, isso não quer dizer que
sejam absolutos, ilimitados ou eternos, pois, como qualquer direito fundamental,
precisam ser harmonizados, coadunados e compatibilizados com outros direitos
igualmente fundamentais e de igual estatura jurídica, como, no caso, os direitos de
acesso à informação, ao conhecimento e à cultura ou à educação e à pesquisa, e
mesmo à liberdade de expressão, por exemplo.
Por isso mesmo, estes direitos sofrem restrições, em todas legislações, seja quanto
(i) ao seu objeto e ao que é ou não protegido, pois o que se protege é a expressão criativa
nos campos da literatura, artes, ciências (atualmente também a tecnologia) e não a ideia
ou abstração que lhe antecedem; (ii) ao tempo de duração da proteção, pois não são
perpétuos, e sim temporários; e (iii) quanto ao exercício dos direitos e suas limitações,
pois alguns usos são livres e independem de autorização prévia ou remuneração do
autor ou titular, mesmo enquanto vigora a exclusividade e proteção da obra.

10

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�1.2 Quais são as bases legais
dos direitos autorais e do direito de acesso
à informação, conhecimento e cultura?
Os direitos autorais são regulados tanto pela Constituição Federal, como por Tratados
Internacionais e Leis Ordinárias. Este conjunto regulatório deve dialogar entre si e
com as demais normas do ordenamento jurídico. E o ponto de partida para a análise
e interpretação das normas incidentes sobre os direitos autorais é a Constituição
Federal, que nos incisos XXVII e XXVIII do artigo 5º, que elenca alguns dos direitos
fundamentais (individuais) constitucionalmente protegidos.
No mesmo artigo são protegidos a liberdade de expressão (IX) - (literária,
artística e científica, inclusive), privacidade, o direito de acesso à informação,
conhecimento e cultura, além de outros, como privacidade (art. 5º, X, XI e XII);
educação e pesquisa (Art. 6º, 205 e §§); cultura (art. 215, 216, 216a) etc. - com os
quais a proteção dos direitos autorais deverão conviver.
O que fica transparente a partir da perspectiva constitucional é a imposição
de composição entre os interesses privados e os interesses coletivos no que tange
à sua proteção. E é deste ponto de vista que devem ser interpretadas tanto os
Tratados, a Lei de Direitos Autorais e demais normas eventualmente aplicáveis.
No plano internacional os principais Tratados ratificados pelo Brasil e aplicáveis
são o Acordo TRIPS (em inglês: Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual
Property Rights, em português: Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade
Intelectual Relacionados ao Comércio), a Convenção de Berna e o Tratado de
Marraqueche. Este último trata especificamente do direito de acesso das pessoas com
deficiência visual, e sua aprovação no plano internacional e internalização enquanto
Emenda Constitucional consolida, para além de quaisquer dúvidas, o direito de acesso
à informação, conhecimento e cultura como direito fundamental de idêntico status
jurídico que os direitos autorais. Além destes que tratam especificamente dos direitos
autorais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos também traz a questão no
seu artigo 27 e, na mesma linha de composição entre estes direitos, assegura tanto o
direito de fruição das artes como de proteção dos autores.
No plano infraconstitucional, a Lei de Direitos Autorais (LDA - Lei 9.610/98)
os regula em maiores detalhes. Contudo, no que concerne à composição entre os
direitos patrimoniais dos autores e titulares e o direito de acesso da sociedade e de
terceiros é extremamente desequilibrada e seu texto, escasso de limitações e exceções
que permitam efetiva harmonização de direitos, não coaduna com os ditames
constitucionais. E, também por isso, desde o julgamento pelo Superior Tribunal
de Justiça do Recurso Especial 964.404, em 2011, consolidou-se, judicialmente,
que os limites e exceções aos direitos autorais inseridos na Lei específica devem
ser interpretados extensivamente. Ou seja, os casos expressos na legislação não
representam o total de usos livres de obras protegidas legalmente permitidos.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

11

�1.3. O que são Limitações aos Direitos Autorais?
As limitações e exceções aos direitos autorais são instrumentos jurídicos usados
para harmonizar os direitos do autor com outros direitos igualmente fundamentais,
como o direito de acesso à informação, conhecimento e cultura, além da liberdade de
expressão e do direito à educação e à pesquisa, por exemplo. Por meio das limitações
e exceções são assegurados os usos livres de obras protegidas em proveito da
sociedade, que independem de autorização ou remuneração aos titulares.
As limitações podem ser consideradas como “direitos dos usuários” porque,
na prática, consolidam, dentro da legislação autoralista, espaços de usos livres de
obras protegidas. Esses usos livres são parcialmente estabelecidos na LDA nos artigos
46, 47 e 48, em um rol exemplificativo. Alguns exemplos são conhecidos, como o
direito de citação (Inciso III, art. 46), uso privado (Inciso II, art. 46), paródia (Art. 47), etc.
Este rol, apenas exemplificativo, indicativo, demonstrativo, deve ser visto
como o mínimo, o piso, o ponto de partida a partir dos quais novos usos podem
ser identificados. Deve ser interpretado extensivamente, conforme entendimento
consolidado do Judiciário. Isso quer dizer que outros usos que não estão
expressos na lei são legais, legítimos e podem ser feitos – desde que seguidos
alguns critérios, que assegurem o desejado equilíbrio e a harmonia.

1.4. Existem limitações expressas em favor
das bibliotecas na legislação nacional?
Infelizmente o texto da LDA não prevê em seu rol de limitações nenhuma hipótese
expressa de utilização em benefício específico das bibliotecas, arquivos e museus, sendo
uma das legislações mais omissas do mundo em relação a essas instituições culturais.
No entanto, isso não significa que nenhum dos usos necessários e
essenciais possam ser feitos pelas bibliotecas. Como informado, os usos livres
não são somente aqueles previstos na legislação, por serem reconhecidamente
(pelo STJ) insuficientes diante das demandas sociais.
As bibliotecas, enquanto equipamentos culturais e centros de informação
e referência, são instrumentos essenciais e necessários de efetivação do direito
fundamental de acesso à informação, conhecimento e cultura, motivo pelo qual
suas atividades são constitucionalmente amparadas.

12

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�1.5. Por que equipamentos culturais e
informacionais (bibliotecas, arquivos e museus)
precisam de limitações em seu benefício para a
boa execução de suas atividades?
Instituições como bibliotecas, arquivos e museus trabalham para o fim
cultural e atuam na guarda, organização, preservação e acesso de bens culturais,
que podem ser protegidos por direitos autorais. Como essas instituições agem
em benefício da coletividade, é o interesse público que guia a sua atuação.
Por este motivo, sua atuação se guia não só pelo respeito e proteção dos
direitos autorais, mas principalmente pela busca da harmonia e equilíbrio entre
a exclusividade patrimonial dos titulares dos direitos sobre as obras autorais e o
direito coletivo, geral, público, de acesso.
Bibliotecas, arquivos e museus são instrumentais na efetivação do direito de
acesso (como vimos, constitucional e internacionalmente amparado) e precisam
das limitações aos direitos autorais para que a sua atuação possa ser plena, para
que possam garantir que seus usuários tenham acesso, tomem conhecimento
e possam usar e fruir das obras das quais dispõem. Um exemplo de limitação
ao direito autoral importante para bibliotecas, arquivos e museus é o direito de
preservar e tornar acessível ao público o seu acervo.

1.6. As limitações aos direitos autorais se
aplicam a qualquer tipo de obra ou apenas
aos livros?
Os tipos de obras protegidas variam muito, assim como os tipos de
uso que também são diversos. Por consequência, a aplicação das limitações
pode ter amplitudes diferentes de um tipo de obra e/ou uso para outro. Então
algumas limitações são específicas para algumas obras, outras estão centradas
no usuário e outras ainda no tipo de uso. Em síntese, devemos considerar
tanto o tipo de obra, como qual é o uso, como por quem é usado.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

13

�1.7 Qual é a adequada
interpretação das limitações e
exceções aos direitos autorais
no Brasil?

As limitações são resultado da harmonização, compatibilização,
composição, coadunação e ponderação entre a proteção aos direitos autorais
e outros direitos fundamentais, como liberdade de expressão, direito de acesso,
direito à educação e equivalentes.
Existem duas fontes de Limitações aos Direitos Autorais: (1) as limitações
que fazem parte da própria LDA, de maneira exemplificativa, nos artigos 46, 47
e 48, e (2) as que limitam os direitos autorais de fora para dentro, em função do
relacionamento da LDA com outras leis.
Embora o nome “limitação” dê a entender que se trata de uma exceção
diante de um direito alheio, quando falamos de limitações aos direitos autorais
estamos falando de direito de acesso e fruição por parte da sociedade, dos
cidadãos, dos usuários. Não é uma exceção ao exercício do direito do autor, pois
a extensão e limites à proteção é parte integrante e essencial da própria proteção
por direitos autorais. Por isso, por esta necessária composição e integração entre
direitos fundamentais em potencial conflito, que:
“II - Necessidade de interpretação sistemática e teleológica do enunciado
normativo do art. 46 da Lei n. 9610⁄98 à luz das limitações estabelecidas
pela própria lei especial, assegurando a tutela de direitos fundamentais
e princípios constitucionais em colisão com os direitos do autor, como a
intimidade, a vida privada, a cultura, a educação e a religião.
III - O âmbito efetivo de proteção do direito à propriedade autoral (art.
5º, XXVII, da CF) surge somente após a consideração das restrições
e limitações a ele opostas, devendo ser consideradas, como tais, as
resultantes do rol exemplificativo extraído dos enunciados dos artigos
46, 47 e 48 da Lei 9.610⁄98, interpretadas e aplicadas de acordo com
os direitos fundamentais.” (STJ. Agravo em Recurso Especial: Aresp
725233 SP 2015/0136036-5).
O que isso quer dizer? Quer dizer que não podemos interpretar as limitações
aos direitos autorais literalmente, de maneira restritiva, e que devemos adaptá-las

14

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�à realidade, extensivamente, utilizando, por exemplo, analogias. Isso garante uma
maior flexibilidade na interpretação da legislação, permitindo que as hipóteses de
limitação aos direitos autorais sejam melhor adequadas à realidade dos usuários,
inclusive diante das novas tecnologias.
Para além da Lei de Direitos Autorais, outras leis infraconstitucionais, como
o Código Civil e o Estatuto das Pessoas com Deficiência, garantem às bibliotecas
e instituições equivalentes e aos seus usuários alguns direitos de uso.
Isso tudo quer dizer que o rol das limitações aos direitos autorais previsto
na LDA é uma lista apenas exemplificativa de casos, e que existem outras
situações possíveis que não estão lá listadas, como por exemplo, o empréstimo
de livros e as atividades necessárias à sua preservação, inclusive digitalização.

1.8. O que é uma obra em Domínio Público?
Enquanto a obra for protegida, dentro do prazo estabelecido pela lei, ela estará
em “domínio privado” e serão os titulares (que nem sempre são os autores ou seus
herdeiros) os capazes de exercer o direito de exclusividade na disponibilização
da obra e controle (sempre relativo) de seu uso. Embora, como já reiteradamente
apontado, nem todos os usos estejam sujeitos à exclusividade e controle por
parte dos titulares.
Mas quando o prazo de proteção de uma obra se esvai, acabam os efeitos
jurídicos e econômicos da exclusividade. A obra entra em domínio público. Isso
significa que todos os usos desta obra passam a ser livres e toda a sociedade
pode fazer qualquer uso da obra sem qualquer oposição por quem quer que
seja – ressalvado o dever de atribuir adequada autoria à obra. Então, quando
em domínio público, a obra passa a ser um bem comum e pode ser livremente
reproduzida, publicada, adaptada, enfim, plenamente utilizada.
A proteção possui um prazo determinado pela lei, diferente de país para país,
mas as obras de quaisquer autores ou titulares, independente da origem ou domicílio
dos autores ou titulares, estão sujeitas às mesmas normas nacionais. Ou seja, aqui, no
Brasil, vale o prazo estabelecido na LDA para obras de quaisquer origens.
Assim, no Brasil, como regra geral, a obra é protegida por 70 anos, contados
após 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Se em coautoria,
após o falecimento do último dos autores. No caso de obras fotográficas e
de obras cinematográficas (e coletivas), o prazo também é de 70 anos, mas é
contado de maneira diferente: a partir da divulgação das obras, e não da morte
dos autores. No caso de fonogramas ou de outros direitos conexos, 70 anos da
fixação. Esses prazos foram justificados para que não apenas os autores, mas
também seus herdeiros, pudessem explorar comercialmente as obras.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

15

�1.9. O que é uma Licença Pública?
A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1998) permite que os autores ou
titulares de direitos autorais decidam a maneira como suas obras serão usadas,
fruídas ou dispostas – obviamente sem prejuízo das Limitações e Exceções, que não
estão sob o domínio e controle dos titulares das obras.
Quando um titular de direitos autorais autoriza que terceiros usem a sua
obra, essa autorização pode assumir a forma de licença ou cessão, dependendo
se é temporária ou permanente, e pode ser tanto gratuita quanto onerosa.
Atualmente, além dos contratos particulares de cessão ou licença, também
existem licenças direcionadas ao público em geral, chamadas de “Licenças Públicas”.
Ante a massificação da internet, juristas e ativistas viram nas licenças públicas
um caminho para ampliar o compartilhamento e o uso público das obras de forma
legítima. Como os direitos autorais incidem automaticamente sobre as obras,
independentemente da vontade dos titulares, as licenças públicas desempenham
um papel importante: permitir que os autores autorizem algumas utilizações. O
exemplo mais famoso de uma licença pública é a Creative Commons: nesta, os
criadores escolhem uma das seis licenças, de acordo com os usos que querem
permitir a qualquer pessoa. Em resumo, uma Licença Pública é uma forma de os
autores comunicarem publicamente que (e como) uma obra pode ser utilizada,
em benefício do interesse público.
Uma Licença Pública é uma forma de aumentar a dinâmica cultural e, por
consequência, a quantidade de usos e obras de uso disponíveis à sociedade, sem
necessidade de aguardar o prazo fixado pela lei, e obviamente sem necessidade
de autorização prévia ou remuneração pelos autores. Detalhe: apenas os autores
podem fornecer uma licença pública para suas obras.

1.10. O que é uma reprografia?
Reprografia é o nome técnico-jurídico usado no campo dos direitos autorais
para se referir ao ato de reprodução, à cópia em si ou aos meios empregados
para se realizar cópia de obras, como a fotocópia (“xerox”), microfilmagem,
mimeografia, escaneamento etc.
Nunca é demais relembrar que a reprografia é, apenas, em condições
específicas, uma das utilizações essenciais às bibliotecas. E a extensão da
possibilidade jurídica de se fazer uma cópia de obras protegidas, ou disponibilizálas, depende principalmente da finalidade que se busca, a quantidade de cópias,
o alcance da disponibilização e seus eventuais impactos econômicos.

16

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�1.11. O que é uma infração aos direitos autorais?
Uma infração aos direitos autorais pode ocorrer sempre que o uso de uma
obra protegida, cujo prazo de proteção não escorreu ainda, não se enquadra
dentre as limitações e exceções (que não são só as expressas na legislação),
tampouco é objeto de uma licença pública como as Creative Commons e também
não há licença ou cessão por meio de uma autorização do titular.
Teoricamente, qualquer direito do autor pode ser objeto de uma infração. O tipo
de infração mais comum é a contrafação, ou seja, uma reprodução e disponibilização
nem legalmente permitida, nem autorizada, popularmente chamada de “pirataria”.
A violação de direitos autorais é punida, no Brasil, tanto do ponto de vista
civil quanto do ponto de vista penal. Do primeiro, as sanções são regidas pela
própria LDA, que estabelece mecanismos para retirada dos exemplares infratores
de circulação e a possibilidade de multa por perdas e danos (art. 101 a art. 110). Do
ponto de vista criminal, é tipificada pelo Artigo 184 do Código Penal.
No entanto, é essencial não confundir usos livres – plenamente legais –
com usos ilícitos, aqueles que ultrapassam as possibilidades jurídicas de usos que
independem de autorização prévia ou remuneração dos autores-titulares.

1.12. O que é um abuso de direito ou uma
“copyfraud”?
Informalmente considerado, “copyfraud” são as situações em que autores
reivindicam direitos autorais que excedem os limites da exclusividade atribuída
pelos direitos autorais ou violem outros direitos fundamentais, como o de acesso.
Um exemplo comum e bastante fácil de ser percebido: quase todos os livros
publicados no Brasil possuem um aviso na contracapa que diz que a cópia parcial
ou total da obra é proibida e que depende de autorização dos titulares. Esse tipo
de aviso configura um abuso de direito, porque, no mínimo, a LDA, no Art. 46, II,
garante o direito de cópia parcial para uso privado do usuário, e cujo exercício
independe de autorização dos titulares. Ele pode ocorrer também quando
titulares ameaçam instituições e usuários, por meio ou não de notificações, por
usos que são juridicamente permitidos. O Abuso de Direito, conforme o artigo
187 do Código Civil, ocorre sempre que o titular de algum direito exceder os
limites impostos pelos fins econômicos e sociais de seus direitos.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

17

�2.
Empréstimo
Bibliotecário
2.1 Os direitos autorais influenciam o
empréstimo de documentos físicos pelas
bibliotecas no Brasil?
A “exaustão dos direitos autorais”, também conhecida como “doutrina da
primeira venda”, é o dispositivo jurídico que permite o empréstimo dos exemplares
na maioria das jurisdições de direitos autorais do mundo. Segundo essa doutrina,
após a primeira venda de determinado exemplar, os direitos de distribuição daquele
exemplar se esgotam e os titulares não podem mais controlar a sua destinação.
Dessa forma, o proprietário do exemplar possui o direito de emprestá-lo para
terceiros ou de vendê-lo no mercado secundário (como em sebos, por exemplo).
Excepcionalmente, e em alguns poucos países, como a França, no lugar
da doutrina da exaustão existe um direito de autor adicional chamado “direito
de empréstimo” ou, ainda, “direito de destinação”, que inclui o empréstimo
dos exemplares como um direito de uso reservado ao autor. Nesse caso, o
empréstimo bibliotecário depende de pagamento de royalties que são pagos
para escritórios de gestão coletiva (similares, por exemplo, ao Ecad). Esse direito
de destinação, contudo, está sendo contestado até nos poucos países em que
existe (atualmente apenas França, Bélgica e Luxemburgo), sendo a exaustão e o
livre empréstimo a tendência mundial.

18

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�No Brasil, a LDA não reserva aos autores o direito de empréstimo, nem
trata do empréstimo de exemplares pelo adquirente, nem enfrenta o tema do
empréstimo bibliotecário. Também é omissa com relação à exaustão de direitos
autorais. Esta ausência de norma pode seduzir alguns à esdrúxula interpretação
de que as bibliotecas estariam agindo ilicitamente ao realizarem simples
empréstimos, uma de suas funções e razões de existir mais básicas e históricas.
Interpretações absurdas não têm espaço no ordenamento jurídico
nacional. E além de estar ancorada solidamente no direito fundamental de
acesso, extensamente abordado neste Guia, é também previsto em outras
leis, como a Lei do Livro. Afinal, emprestar livros é a atividade bibliotecária
por excelência. Não há sequer controvérsia jurídica sobre este tema no Brasil,
o que só confirma o efetivo e real direito de a biblioteca emprestar livros.
Ou seja, emprestar seus exemplares é um direito de qualquer adquirente de
qualquer exemplar de qualquer obra, ainda mais quando uma das finalidade
da própria aquisição é justamente a de emprestar o acervo.
No caso das obras digitais, a questão do empréstimo pode ser um pouco
diferente. Geralmente, quando a biblioteca adquire obras digitais ela não está,
de fato, adquirindo essas obras, mas apenas assinando contrato de licença para
poder acessá-las. Nesse caso, a doutrina da exaustão que permite o empréstimo
dos exemplares não se aplica tão diretamente, já que não houve a primeira venda
do exemplar - uma vez que não há exemplares. Assim, os empréstimos das obras
digitais, licenciadas e não vendidas, dependerão também dos acordos que a
biblioteca firmou com a editora no momento em que adquiriu o serviço, ressalvadas
as cláusulas abusivas, o abuso de direito e as ofensas em potencial ao exercício e
efetivação do direito fundamental de acesso à informação, conhecimento e cultura.

2.2 O que é o “Empréstimo Digital Controlado”
e como a minha biblioteca poderia
implementá-lo?
As bibliotecas norte-americanas estão trabalhando com um conceito
chamado Controlled Digital Lending (CDL), ou Empréstimo Digital Controlado,
há algum tempo. Esta é uma modalidade de empréstimo bibliotecário que permite
à biblioteca emprestar as obras digitalizadas ou nato-digitais de seu acervo de
maneira virtual. Para a IFLA, “[...]há um forte argumento socioeconômico para
permitir o Empréstimo Digital Controlado em bibliotecas em todo o mundo.”
No caso de obras que tenham sido adquiridas fisicamente e digitalizadas,
o Empréstimo Digital Controlado exige que a biblioteca restrinja o número de

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

19

�acessos simultâneos ao número de exemplares físicos que possui. Se a biblioteca
possui apenas um exemplar de determinada obra, então poderá emprestar
virtualmente aquela obra apenas para uma pessoa por vez. Se mais pessoas
quiserem acessá-la, precisarão entrar em uma fila.
Este empréstimo digital precisa ser controlado por Digital Rights
Management (DRM), um sistema que impede que o usuário possa reproduzir a
obra ou compartilhar no atacado. Ou seja, é preciso criar um modelo de controle
para o empréstimo do arquivo da obra, como o realizado pelo projeto Open Library.
A ideia central deste modelo de empréstimo é criar uma equivalência entre
o empréstimo tradicional e o empréstimo digital, fazendo que ambas as
modalidades causem o mesmo impacto em termos de mercado, o que garante a
atuação da biblioteca no ambiente digital sem causar prejuízos aos titulares. Esse
é um conceito inovador e que poderia ser pensado e implementado no Brasil,
com as devidas adaptações e adequações.
No EUA, o CDL se baseia na exaustão dos direitos autorais e na
doutrina do fair use, termo cuja tradução literal é “uso justo’’. No Brasil, o
procedimento pode ser realizado com base nos mesmos princípios legais
que garantem a digitalização para fins de preservação e o empréstimo
tradicional: direito fundamental de acesso à informação, conhecimento e
cultura constitucionalmente tutelado, a interpretação extensiva das limitações
e função social da propriedade e dos direitos autorais.

2.3 Os direitos autorais influenciam de
alguma maneira o empréstimo entre as
bibliotecas do país?
O empréstimo entre bibliotecas de um mesmo país é uma modalidade de
empréstimo bibliotecário que segue as mesmas regras do empréstimo tradicional.
Portanto, é uma modalidade lícita de acesso às obras, que ajuda a efetivar os direitos
da coletividade de usuários. Uma vez acessada por meio do empréstimo entre
bibliotecas, as obras podem ser amplamente utilizadas, incluindo o uso a partir de
outras limitações aos direitos autorais, como a cópia de pequenos trechos para uso
privado ou a conversão para o formato acessível a pessoas com deficiência.

20

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�3.
Digitalização
para fins de
preservação
3.1 O que é uma “digitalização para fins de
preservação”? Existem barreiras impostas
pelos direitos autorais a esta digitalização?
A digitalização para fins de preservação é uma modalidade de conservação
de documentos. A preservação ocorre porque o conteúdo da obra, ao ser
digitalizado, fica armazenado independentemente do suporte original; assim, caso
as demais técnicas de preservação falhem, ainda teremos acesso ao conteúdo da
obra por meio de sua cópia digital. Isso se aplica também à mudança de formato,
cuja finalidade é justamente preservar e manter o conteúdo original acessível.
Além disso, a digitalização favorece a conservação/preservação quando o
exemplar original é muito frágil para ser manuseado; nesse caso, o usuário pode
acessar a obra por meio de sua versão digital, evitando que o manuseio constante
danifique o exemplar original. A digitalização, no entanto, não substitui os demais
métodos de preservação, mas complementa-os.
Em várias legislações do mundo existe um dispositivo no rol de limitações
para assegurar o trabalho dos centros de informação e memória, que possuem
entre suas prerrogativas a obrigação de preservar a memória cultural da sociedade.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

21

�Para variar, esta possibilidade também não está expressa dentre o rol de limitações
na LDA. Mas ainda que a lei brasileira não preveja textualmente uma limitação
específica em benefício das bibliotecas, arquivos e museus que permita a cópia
necessária à preservação da obra, a preservação do patrimônio cultural é um dever
constitucional de instituições como estas, além de não haver qualquer prejuízo ao
interesse dos autores e demais titulares de direitos. Estamos portanto diante de
mais um caso em que o interesse público primário, da coletividade, fundado em
direitos constitucionais, sobrepõe-se aos interesses privados dos titulares. Portanto,
bibliotecas, arquivos e museus podem (e devem!) digitalizar as obras de seu acervo
sempre que essa ação for necessária à preservação do conteúdo.
O que não pode ser feito é a disponibilização ampla e indiscriminada
do material digitalizado. A obra reproduzida para fins de preservação pode ser
disponibilizada para uso do público da biblioteca, segundo critérios de adequação
(saiba mais na pergunta 2.2 sobre CDL).

3.2 Quais são as melhores práticas para se
executar uma política de digitalização para
fins de preservação do ponto de vista da
interação entre os direitos autorais e os
direitos de acesso?
A criação de uma política institucional, com diretrizes claras sobre o
processo de digitalização, armazenamento, difusão e uso é a melhor forma de
executar um programa de digitalização para fins de arquivo e memória.

3.3 Qual é a diferença entre digitalizar
documentos em domínio público e em
domínio privado?
As obras em domínio público não estão mais sob a proteção dos direitos
autorais e, portanto, não há qualquer questão a ser sequer discutida, pois não só
podem e devem ser preservadas, digitalizadas, como amplamente disponibilizadas
para todos os fins.

22

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�A digitalização das obras que ainda estão no prazo de proteção do direito
de autor também é possível, mas apenas em casos especiais, como por exemplo
para preservação (ver item 3.1). E sua difusão deve se dar de maneira controlada
(ver 2.2) para não prejudicar a exploração normal da obra.

3.4 O controle do manuseio das obras faz
parte do cotidiano de conservação de
documentos. Uma vez digitalizados, a
biblioteca pode conceder acesso digital a
eles como forma de evitar o desgaste do
exemplar original?
Sim. A obra, uma vez digitalizada, pode ser disponibilizada de maneira
controlada ao público da biblioteca. Uma opção interessante é a disponibilização
em canais internos, via intranet, só acessíveis nos computadores da própria
instituição. O Empréstimo Digital Controlado (ver 2.2) também é possível, mas,
nesse caso, a biblioteca precisa empregar as tecnologias necessárias para garantir
o controle do material emprestado digitalmente e agir com razoabilidade.

3.5 Se a biblioteca digitalizar uma obra para
fins de preservação, ela será a nova titular
dos direitos autorais do documento digital?
Não. A digitalização de uma obra não cria uma obra nova, cria apenas um
arquivo novo, o documento no formato digital. Esse documento novo é apenas
a reprodução do documento original e, portanto, não gera direitos autorais
independentes. Se a obra original estiver em domínio público, o documento
digital também estará em domínio público. Se a obra original estiver protegida
por direitos autorais, o titular dos direitos autorais sobre o documento digital será
o mesmo do documento original – no entanto, as limitações aos direitos autorais
continuam valendo e é por isso que a biblioteca pode conceder acesso controlado
ao exemplar digitalizado, assim como poderia conceder acesso ao exemplar físico.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

23

�3.6 Como a biblioteca deve lidar com a
preservação das obras órfãs?
As obras órfãs são aquelas cuja titularidade é desconhecida e, por isso,
em muitos casos, é impossível saber se está ainda protegida por direitos autorais
ou se em domínio público. É também o caso daquelas obras cujos autores são
conhecidos, mas não se sabe do paradeiro deles, de seus herdeiros e do titular.
Como a digitalização para fins de preservação é uma limitação ao direito autoral,
ela não depende de autorização ou licença por parte dos titulares, então tal
procedimento pode ser aplicado também às obras órfãs com segurança.
No entanto, se a biblioteca quiser fazer outro uso da obra, como a sua
disponibilização online indiscriminada, ficará em uma posição de insegurança.
Por isso, as obras órfãs são um grande problema para as bibliotecas: na
impossibilidade de obter autorizações para utilizar as obras, elas ficam incapazes
de cumprir sua missão – e as obras ficam encerradas, sem acesso.
Em alguns países, existe uma regulamentação para bibliotecas, arquivos
e museus poderem usar obras órfãs com segurança, depois de seguir um
procedimento chamado “busca diligente”. Como ainda não existe uma previsão
expressa na LDA, algumas instituições têm incluído, em suas políticas institucionais,
regras próprias para determinar que uma obra é órfã – e assumir o risco de utilizálas. Essas regras costumam incluir procedimentos razoavelmente detalhados de
busca dos autores ou titulares de direitos, prazos para se refazer as buscas, e um
canal para solicitação de remoção, caso titulares de direitos apareçam. Isso não
elimina os riscos, mas os reduz substancialmente pois demonstra boa fé e busca
de equilíbrio e razoabilidade na ponderação entre os direitos em jogo (Sobre
obras esgotadas ou sem interesse comercial, ver pergunta 6.2).

24

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�4.
Uso de obras da
biblioteca para
ensino e pesquisa
4.1 . Muitas bibliotecas realizam programas de
leitura mediada, especialmente no contexto
da educação infantil. Nesses casos, é comum
a leitura do livro na íntegra. Esta prática pode
ser transmitida pelos perfis das bibliotecas
em redes sociais?
A partir da interpretação do Inciso VI do Art. 46 da LDA, a utilização de
obras com finalidade educacional é permitida nos estabelecimentos de ensino; e,
por analogia e extensão, entende-se que tal reprodução também seja permitida
em ambientes virtuais de ensino. No entanto, uma característica importante
desses ambientes é o acesso controlado apenas aos estudantes matriculados.
Portanto, a leitura mediada da obra integral pode ser realizada em canais
fechados e de acesso controlado, equivalentes virtuais de um “estabelecimento de
ensino”. Isso é necessário para que a disponibilização não atrapalhe a exploração
normal da obra. Assim, as leituras mediadas que reproduzem a obra inteira que
ainda não esteja em domínio público não devem ser disponibilizadas pelos perfis
da biblioteca em redes sociais sem a autorização dos titulares. A leitura mediada
da obra completa deve ser realizada em canais fechados da instituição (e.g.,
moodle) ou na própria instituição.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

25

�4.2 A biblioteca pode auxiliar professores e
estudantes no acesso às obras que fazem parte do
currículo educacional de sua instituição?
Sim. A biblioteca pode prestar auxílio aos estudantes e aos professores.
Por exemplo, caso as obras do currículo façam parte do seu acervo, a biblioteca
pode exercer seu papel instrumental de suporte à educação e fornecer o material
solicitado ao docente e seus estudantes. Esta disponibilização precisa ser
controlada, em pastas ad hoc de acesso restrito ou por meio dos canais oficiais
da instituição (e.g., moodle). Também é possível que a biblioteca forneça cópias
físicas dos documentos (como, por exemplo, fotocópias). Em qualquer caso, é
preciso observar a razoabilidade, baseando-se nas regras aplicáveis à cópia para
uso privado de pequenos trechos (ver o item 6.2), e as de reprodução integral
(ver item 6.3). E neste sentido, considerando que a biblioteca institucional está
apenas sendo um veículo para viabilização do direito à educação, é importante
considerar as possibilidades de uso educacional de obras protegidas e, para tal,
nos referimos ao Guia de Direitos Autorais e Educação.

4.3 A biblioteca pode permitir que pesquisadores
acessem e digitalizem grande quantidade de
documentos para a realização de pesquisas
empíricas a partir desses documentos?
Sim. O Machine Learning e outras tecnologias de reconhecimento digital
de elementos gráficos trabalham com grande quantidade de obras digitalizadas
para realizar pesquisas. O uso de obras para fins científicos é análogo à cópia
para educação e também ao uso privado (porque o conteúdo não será tornado
público). É importante ressaltar, ainda, que as atividades de pesquisa são também
constitucionalmente tuteladas no Brasil. A liberdade científica está prevista no
Inciso IX do Art. 5º e no Inciso II do Art. 206 da Constituição Federal de 1988. Além
disso, considerando que a pesquisa científica é feita em ambiente universitário,
também atrai a proximidade do direito à educação.
O uso das obras digitalizadas para finalidade de pesquisa em nada atrapalha
a sua exploração comercial ou causa prejuízos aos titulares, motivo pelo qual se
enquadra dentre os usos possíveis em razão do interesse público. Contudo, assim
como ocorre com a digitalização para fins de preservação, é preciso assegurar que
os arquivos sejam usados para fins permitidos, restritos à finalidade de pesquisa,
e não disponibilizados publicamente.

26

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�5.
Acessibilidade
5.1 Quais são as limitações, em benefício das
pessoas com deficiência, previstas em nossa
legislação de direitos autorais?
A LDA, em seu artigo 46, prevê uma limitação ao direito autoral em
benefício de pessoas deficientes visuais, garantindo a conversão das obras para
o formato acessível. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, o
Estatuto da Pessoa Com Deficiência (EPD, Lei nº 13.146/2015), também cria uma
limitação aos direitos autorais (e à propriedade intelectual como um todo) para
garantir que todas as pessoas com quaisquer deficiências tenham assegurado o
direito de acesso a material em formato adequado a sua necessidade. O EPD (§ 1º
Art. 42) veda expressamente a recusa da oferta das obras em formato acessível
mesmo que sob a alegação de proteção dos direitos autorais.
Além da LDA e do EPD, recentemente o Brasil aderiu ao Tratado de
Marraqueche, que tornou o acesso ao texto impresso um direito das pessoas
cegas e com dificuldade de acesso a textos (como pessoas com dislexia ou pessoas
tetraplégicas), um direito constitucional, independentemente da autorização dos
titulares dos direitos autorais. O Tratado de Marraqueche foi internalizado no Brasil
pelo Decreto nº 9.522/2018 e regulamentado pelo Decreto nº 10.882/2021 e pela
Portaria nº 505, de 21 de fevereiro de 2022 do Ministério da Mulher, da Família e
dos Direitos Humanos Anteriormente, o Brasil já havia aderido à Convenção dos
Direitos da Pessoa com Deficiência (CDPD), que foi o primeiro Tratado de Direitos
Humanos a ser incorporado como Emenda Constitucional, e que deu o impulso e
as bases legais necessárias à conclusão do Tratado de Marraqueche.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

27

�5.2. Como a biblioteca deve aplicar a limitação
aos direitos autorais para os deficientes
visuais prevista na LDA? Ela se aplica apenas
às pessoas cegas?
Não. O direito de acesso a material em formato adequado às suas
deficiências se aplica igualmente a todas as pessoas com quaisquer deficiências.
A interpretação dessa limitação, aqui também, é extensiva. Então, não apenas os
deficientes visuais possuem o direito de converter obras para o formato acessível,
mas qualquer pessoa com deficiência, sempre que a conversão da obra para o
formato acessível favorecer não só a leitura, mas a apreensão da obra – e aí se
incluem a audiodescrição, a utilização de libras, e assim por diante.

5.3. O que é o Tratado de Marraqueche?
O Tratado de Marraqueche é o primeiro tratado internacional da
Organização Mundial de Propriedade Intelectual criado para limitar os direitos
autorais em razão do direito de acesso, um direito do usuário. É um Tratado
incorporado na legislação brasileira com status de Emenda à Constituição.
O Tratado inova em três pontos: (1) cria uma categoria ampliada de
beneficiário, (2) cria o conceito de “entidade autorizada”, uma intermediária do
beneficiário; e (3) cria a possibilidade de intercâmbio transfronteiriço das obras
convertidas para o formato acessível.
O Brasil já aderiu ao Tratado e ele já faz parte de nosso bloco de
constitucionalidade, além de já ter sido regulamentado por meio de decreto. O texto
para essa regulamentação foi debatido na Secretaria Nacional de Direitos Autorais e
Propriedade Intelectual com a participação da Comissão de Direitos Autorais e Acesso
Aberto da FEBAB. Posteriormente, o texto de regulamentação e implementação foi
colocado em Consulta Pública, com grande participação da comunidade bibliotecária
brasileira, e publicado por meio do Decreto Nº 10.882/2021.

5.4. Quem são os beneficiários do Tratado
de Marraqueche?
O Tratado de Marraqueche possui uma definição ampla de beneficiário,
garantindo o direito de acesso não apenas às pessoas cegas, mas também a
todos os deficientes visuais (como as pessoas com baixa visão), e demais pessoas
que possuem alguma dificuldade para acessar o texto pela leitura. Essa “outra

28

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�dificuldade” pode ser de natureza cognitiva (como no caso das pessoas com
dislexia), ou motora (como no caso das pessoas com tetraplegia ou outra condição
que a impeça de manusear os livros físicos). Enquanto a LDA cita expressamente
apenas os deficientes visuais (os demais precisam ser incluídos pela interpretação
extensiva), o Tratado de Marraqueche já introduz no texto legal um entendimento
ampliado de beneficiário (art 3, Decreto nº 9.522/2018).

5.5. O que é uma “entidade autorizada” no
âmbito do Tratado de Marraqueche? As
bibliotecas podem ser entidades autorizadas?
As Entidades Autorizadas no Tratado de Marraqueche são instituições sem
fins lucrativos que atuam como intermediárias dos beneficiários na efetivação de seus
direitos. Essas entidades são “autorizadas” porque precisam estar credenciadas pelo
poder público para atuarem de forma legítima, nos termos da Portaria nº 505, de 21
de fevereiro de 2022, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Exemplos de entidades autorizadas são as bibliotecas e as instituições de ensino.
No caso do Brasil, como a legislação já previa uma limitação aos direitos
autorais para que tais instituições realizassem a conversão das obras para o formato
acessível, sem necessidade de autorização, essas instituições ainda podem atuar
sem realizar cadastro. O cadastro só é necessário para as atividades previstas no
Tratado de Marraqueche não contempladas pela limitação ao direito autoral da
LDA. Este é o caso do intercâmbio transfronteiriço (questão 5.6, a seguir).
Ainda que o cadastro no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos
Humanos como entidade autorizada não seja obrigatório para o trabalho de
adaptação de obras, este é recomendado e esperado. As instituições que atuam
em conversão de obras para o formato acessível poderão, quando credenciadas, se
beneficiar pela implementação do Tratado no Brasil. O credenciamento permitirá
a participação das bibliotecas em uma rede nacional e internacional de entidades
autorizadas, ampliando a oferta de obras acessíveis para as pessoas com deficiência.
Instruções para credenciamento constam na Portaria nº 505, de 21 de fevereiro de
2022 do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

5.6. O que é o “intercâmbio transfronteiriço”
previsto pelo Tratado?
Como já mencionado, a principal inovação do Tratado de Marraqueche,
do ponto de vista brasileiro, é a autorização para o compartilhamento das obras
adaptadas entre bibliotecas de distintos países. Havia uma demanda para esta

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

29

�previsão legal pois o fato de que cada país possui uma legislação dificultava a
criação de uma rede internacional de instituições que convertessem obras para
o formato acessível. Isso foi, historicamente, uma barreira para a circulação e
disponibilização de obras em formatos acessíveis.
Exatamente para sanar essa dificuldade, da circulação internacional das
obras em formatos acessíveis, que o Tratado de Marraqueche prevê o intercâmbio
transfronteiriço. Assim, beneficiários e entidades autorizadas poderão receber e/
ou enviar a outros países as obras já convertidas. Isso possibilitará a criação de
uma rede internacional de entidades autorizadas que atuarão conjuntamente
para a criação de uma grande base com obras em formatos acessíveis, um apoio
significativo para as pessoas com deficiência, especialmente em países em que o
investimento na conversão das obras é pequeno.

5.7. Quais são os benefícios de uma
biblioteca fazer parte de uma rede de
entidades autorizadas?
Existem três principais benefícios para uma biblioteca fazer parte de uma
rede de entidades autorizadas:
(1) ampliação de seu catálogo: a biblioteca poderá solicitar que outras
entidades autorizadas enviem para ela as suas obras em formatos acessíveis,
ampliando o seu catálogo de obras acessíveis para o público leitor. Mesmo que
uma biblioteca não tenha condições de converter obras para o formato acessível,
ela poderá fazer parte da rede na condição de entidade autorizada para receber
as obras já convertidas por outras instituições;
(2) ampliação dos usuários: fazendo parte de uma rede de entidades
autorizadas, a biblioteca irá ampliar o número de usuários potenciais, porque
poderá enviar para outras entidades autorizadas as obras que converte para
seus usuários locais;
(3) troca de experiências: ao formarem uma rede, as entidades autorizadas
do mundo inteiro deverão manter contato profissional, trocando experiências
que podem ser enriquecedoras para uma biblioteca. No caso de uma biblioteca
que ainda não atue na conversão de obras para o formato acessível, essa troca de
experiências pode ser importante para possibilitar que ela passe a atuar também
como produtora de material acessível.

30

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�6.
Cópia
para uso
privado
6.1. O que é a cópia para uso privado e qual é
a sua função?
A cópia para uso privado é o direito de reproduzir uma obra para fins pessoais,
próprios, particulares. A função da cópia privada é justamente assegurar no âmbito
do espaço privado, como o próprio nome indica, que os usuários possam reproduzir
uma obra, especialmente às quais obteve acesso legítimo, para fins particulares.
A LDA, expressamente, apenas assegura ao usuário o direito à cópia
parcial, de pequenos trechos. No entanto, nem sempre é simples compreender
os limites do uso privado de uma obra. Parte dessa dificuldade vem do fato de
que a nossa LDA foi sancionada em 1998 e está, portanto, bastante defasada
em relação às tecnologias digitais (e mesmo às mais antigas…). Caso o uso
da obra esteja em contexto de processo ensino-aprendizagem, vale conferir
o Guia de Direitos Autorais na Educação. Outros aspectos também devem ser
considerados, pois nem sempre é possível uma cópia parcial e também em
outros casos a cópia integral se justifica.
As bibliotecas oferecem aos usuários um acervo de obras que estão sob
sua guarda, para o empréstimo, ou para a consulta. Em geral, estão inseridas em
um cont exto educacional ou de pesquisa, como apoio na oferta de recursos para
estudantes nas escolas e universidades, o que facilita as discussões sobre cópias.
Não é dever – e em algumas situações nem mesmo direito – das bibliotecas
controlar o modo como os usuários irão usufruir desse serviço, mas é importante

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

31

�que a biblioteca informe aquilo que o usuário legalmente pode ou não fazer.
Esse informe deve levar em consideração ao menos estes dois fatores: (1) a
biblioteca não pode restringir injustificadamente os direitos dos usuários, criando
empecilhos desnecessários e que não condizem com o ordenamento jurídico; (2)
a biblioteca precisa solicitar que o usuário observe os direitos autorais das obras
e os limites dos usos permitidos, até para que o usuário esteja ciente de sua
responsabilidade ante o uso da obra.
Há de se alertar, ainda, que é inverídica a afirmação, impressa em diversos
livros, de que reproduções totais ou parciais são proibidas e dependem de
autorização da editora. A reprodução parcial, para uso privado, de qualquer obra é
legal e expressamente permitida e não depende de autorização de ninguém, pois
é um direito do cidadão. Além disso, há as obras em domínio público, em que não
mais incidem quaisquer dos direitos patrimoniais (reprodução integral inclusive)
ou as disponibilizadas sob licenças públicas e abertas. Mas não somente, pois
ainda em outras circunstâncias ou determinados contextos, a própria reprodução
integral é possível, como veremos à frente.

6.2. No que se refere à cópia parcial para
uso privado do usuário, no contexto das
bibliotecas, quanto da obra protegida pode
ser copiada e por quem?
Começando com o termo “pequeno trecho”, utilizado na LDA brasileira
para definir a quantidade de cópia considerada razoável, deve ser lido como um
valor relativo, e não absoluto. Quanto significa “pequeno trecho” vai depender
da natureza da obra. O pequeno trecho de um livro é um capítulo; de uma revista
científica é um artigo inteiro. O trecho não pode ser tão extenso a ponto de
substituir a obra inteira e nem pequeno demais a ponto de ser inútil ao copista.
Estamos falando de “cópia para uso privado” e não apenas de “xérox para
uso privado”. Ou seja: as regras valem para qualquer forma de reprodução da obra,
inclusive sua digitalização. Caso o usuário opte por digitalizar a obra com o seu
celular ou outro dispositivo eletrônico disponível, não há qualquer impedimento.
E, no entanto, dever-se-á observar que a regra da cópia para uso privado
não permite que o usuário compartilhe o documento digitalizado de maneira
pública na internet. Há de se ressaltar que o compartilhamento indiscriminado
do documento configura “uso público” que pode ser visto como uma violação
perpetrada pelo usuário. O acesso controlado, a depender do contexto, é possível,
como no caso dos compartilhamentos interpessoais ou compartilhamentos em
pastas privadas ad hoc (e.g. versão digital da “pasta do professor”). Vale observar
ainda a necessidade e disponibilidade da obra naquelas circunstâncias específicas.

32

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�6.3. E a cópia integral, é legalmente possível?
A reprodução integral de uma obra traz outras questões que devem ser
consideradas, como sua disponibilidade e acessibilidade no mercado nacional,
finalidade privada do uso, necessidade, contexto da biblioteca, extensão e
relevância da obra.
Por exemplo, conforme atestam os precedentes da Universidade de São
Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (anexos), são
casos especiais a questão das obras fora de catálogo há mais de 10 anos ou
obras estrangeiras, que não são regularmente vendidas no mercado nacional.
Nestes casos, o usuário teria uma dificuldade extraordinária para adquirir a obra.
Por isso, sua reprodução integral não representa qualquer prejuízo ao titular e
nem muito menos interfere na exploração normal da obra. A reprodução integral
dessas obras é, portanto, possível, e deve ser permitida.
Outras situações são os casos de obras de artes visuais (esculturas, desenhos,
pinturas, fotografias, etc.) ou em qualquer tipologia em tamanho reduzido.
A questão, contudo, da cópia integral é mais sensível, sujeita a critérios mais
rigorosos que a reprodução parcial. Mas em qualquer dos casos, estamos falando
aqui de reprodução para fins privados somente, pois as finalidades educacionais,
de pesquisa, para adaptação às necessidades de pessoas com deficiência trazem
questões próprias e foram tratadas em seus próprios capítulos (ver as questões
do tópico 4, sobre o uso de obras da biblioteca para ensino e pesquisa).

6.4. De quem é a responsabilidade de averiguar
e satisfazer os requisitos legais?
A responsabilidade é do usuário que faz a reprodução. A responsabilidade
de averiguar as possibilidades legais e cada um dos requisitos necessários é do
copista. Caso o usuário do serviço da biblioteca ultrapasse, por conta própria, os
limites do legalmente permitido, a responsabilidade é do próprio usuário.
Se quem pratica a cópia é o usuário, a função da biblioteca é apenas
informar as suas políticas e regras institucionais, que podem ser fixadas em local
visível ou nas obras do acervo.
Sempre haverá a possibilidade de pressão por parte dos titulares de
direitos autorais, que tentam impor, às práticas das bibliotecas, restrições
irrazoáveis e injustificáveis. Notem que algumas destas atitudes podem inclusive
ultrapassar os limites da legalidade e configurar abuso de direito (ver questão
1.11). Controvérsias dessa natureza precisam ser tratadas em nível institucional.
E as instituições devem redigir e publicar suas diretrizes que coadunem com sua
missão de promover o direito de acesso (em equilíbrio com os direitos autorais),

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

33

�evitando, assim, que eventuais pressões recaiam sobre os seus funcionários. As
resoluções da USP e da UFRJ sobre cópia privada são bons exemplos e bons
precedentes de diretrizes institucionais (Ver Anexos).

6.5. Quem pode realizar cópias para fins
privados em benefício dos usuários?
A cópia de pequenos trechos não precisa ser realizada mecanicamente
pelo próprio copista (uma exigência absurda), mas precisa ser em benefício dele,
sob demanda dele, e sem fins lucrativos. Ou seja, intermediários podem agir
em nome do usuário, desde que seja para o seu uso privado e a seu pedido.
Assim, a biblioteca pode realizar a cópia em nome do usuário, caso ofereça
algum serviço dessa natureza e caso seja solicitada a assim proceder pelo próprio
usuário. Nesse caso, o beneficiário final será o usuário, mas a responsabilidade de
averiguar as condições para a realização da cópia será da biblioteca – mas não é
responsabilidade da biblioteca fiscalizar os usuários.

6.6. A biblioteca pode permitir que os usuários
realizem a cópia de pequeno trecho do
documento com aparelhos de telefone celular?
Sim. O direito de cópia para uso privado de pequeno trecho inclui qualquer
forma de reprodução da obra, inclusive as fotografias ou o escaneamento
realizado com telefones celulares.

6.7. As bibliotecas podem ter uma copiadora
(“xerox”) no interior de suas dependências?
Sim podem, a fim de viabilizar a reprodução de pequenos trechos para
seu uso privado. Proibir que existam “xerox” no interior das bibliotecas sob a
justificativa de que isso supostamente seria uma infração aos direitos autorais é
um entendimento que ofende a própria LDA e os princípios constitucionais que
pautam a interpretação e aplicação das normas infraconstitucionais.

34

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�6.8. Como uma biblioteca deve regular a cópia
para uso privado considerando as interpretações
mais benéficas para os seus usuários?
A exemplo das bibliotecas da USP e UFRJ (um exemplo que pode e deve ser
melhorado), é importante que qualquer biblioteca possua uma política institucional
com diretrizes para a realização de reprodução de obras protegidas por direitos
autorais, inclusive cópia para uso privado, seja de pequeno trecho ou integral.
As bases destas diretrizes, que em última instância irão elaborar e adotar
critérios para sua atuação, devem incluir o reconhecimento do seu papel
institucional como veículo para a realização e efetivação do direito de acesso à
informação, conhecimento e cultura e seu objetivo de harmonizar, dentro de seu
âmbito de atuação, os direitos de acesso com a proteção aos direitos autorais.
Sem esquecer que as limitações e exceções são interpretadas extensivamente,
que estes usos livres são representações diretas de direitos fundamentais, mas
também que seu alcance não deve prejudicar a exploração regular da obra.

6.9. A biblioteca pode oferecer algum serviço de
envio de cópias digitais sob demanda para
os seus usuários?
Sim, seguindo os critérios indicados neste capítulo, a biblioteca pode, em
nome de seus usuários, realizar a reprodução (certamente de pequeno trecho) para
o uso privado desses usuários. Inclusive, pode oferecer um serviço formal para
solicitação de cópias dessa natureza, preferencialmente amparado por diretrizes
institucionais de acesso. A biblioteca não pode oferecer um serviço com fins
lucrativos, embora possa cobrar do usuário os custos da cópia da reprodução.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

35

�7. Limitações aos
direitos autorais em
obras licenciadas
7.1. Uma parte significativa do acervo das bibliotecas
atualmente é composta por obras licenciadas, como é
o caso das obras científicas (especialmente ebooks e
periódicos científicos). As limitações aos direitos
autorais se aplicam também a elas?
Sim. As limitações aos direitos autorais, inclusive a limitação que permite a
cópia para uso privado de pequeno trecho, se aplicam a qualquer obra protegida
pela LDA, independentemente dessa obra ter sido comprada, alugada, emprestada
ou licenciada. Isso porque estas limitações são ancoradas em direitos fundamentais
constitucionalmente protegidos e expressam justamente a compatibilização com os
direitos autorais.
Se um contrato de licença prevê a proibição de cópia para uso privado em alguma
de suas cláusulas ou de adaptação para fornecimento às pessoas com deficiência, tal
cláusula é abusiva e ilícita, portanto, nula em seus efeitos. Um contrato não pode
afastar ou impedir o exercício de direitos essenciais dos usuários. Tampouco pode um
contrato ignorar a existência das limitações aos direitos autorais, sob o risco de incorrer
em ilicitude e, dependendo de suas ações, seus titulares em abuso de direito. Além
disso, ressalta-se que, mesmo quando a editora for estrangeira, é a legislação nacional
que vale para analisar os direitos dos usuários de bibliotecas brasileiras.

7.2. A biblioteca pode contornar as tecnologias de
controle, como as DRM (Digital Rights Management),
para garantir os direitos dos seus usuários?
Se uma tecnologia de controle, como as DRM, estiver impedindo alguma
utilização legal da obra, então a biblioteca pode solicitar uma chave de acesso para a
editora. Tecnologias de DRM não podem impedir os usuários de exercerem os seus
direitos previstos nas limitações aos direitos autorais. Se o titular se recusar a fornecer
chave de acesso para alguma ação necessária da biblioteca, então estará o titular
incorrendo em ato ilícito por abuso de direito. Nesse contexto, o contorno às DRM
pela biblioteca não é ilícito se for realizado para a efetivação de um direito do usuário.
Por exemplo, se uma DRM estiver impedindo a conversão de uma obra para o formato
acessível, a biblioteca possui todo o direito de contornar essa tecnologia de controle
para a efetivação do direito dos deficientes visuais.

36

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�8.

Direitos autorais
como competência
informacional
8.1. Por que a biblioteca deve pensar nos
direitos autorais como um tópico de
Competência Informacional?
A competência informacional é um tópico central em toda biblioteca,
que realiza treinamento com seus usuários para que eles entendam a lógica
de funcionamento de um centro de informação e referência. No contexto da
competência informacional, as bibliotecas ensinam seus usuários a utilizar o seu
acervo físico e as bases de dados. Uma vez que o uso das obras dos acervos e bases
de dados pode ser impactado pelos direitos autorais, o tema automaticamente se
torna um tópico de competência informacional. Entender o que podemos ou não
fazer com uma obra protegida por direitos autorais é crucial para o bibliotecário e
para o usuário da biblioteca. Por isso, defendemos que os direitos autorais sejam
tratados como parte das demais competências informacionais.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

37

�8.2. A biblioteca pode realizar treinamentos
com os funcionários e com os usuários sobre
os direitos autorais das obras de seu acervo?
Pode e deve. Quando os usuários e os funcionários da biblioteca não
entendem a lógica de funcionamento dos direitos autorais e dos direitos dos
usuários podem ocorrer injustiças. De um lado, pode ser que a biblioteca deixe de
respeitar os direitos dos autores, o que vai contra o princípio de valorização dos
autores e das obras, algo que deve orientar a ação dessas entidades. Por outro
lado, pode ser que, na ânsia por respeitar os direitos dos autores, a biblioteca
acabe desrespeitando os direitos de seus usuários, que também é parte de suas
funções, desconsiderando a existência das limitações aos direitos autorais.
É ainda recomendável que uma formação para usuários e funcionários das
bibliotecas inclua o desenvolvimento e apresentação de uma política institucional
da biblioteca quanto aos direitos autorais.

8.3. Quais materiais, além deste guia, a
biblioteca pode utilizar para promover esse
tipo de treinamento?
Existem alguns manuais e livros importantes que a biblioteca pode
usar para se guiar. Uma parte desse material é em língua portuguesa e foi
desenvolvido por especialistas nacionais, que tiveram como referência a
legislação pátria. Outra parte do material disponível vem de pesquisadores
internacionais, cuja leitura exige compreender as diferenças existentes entre as
legislações brasileira e estrangeira. A lista de obras está disponível no final do
guia, em “sugestão de leitura complementar”.

38

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�9.

Gestão
informacional dos
direitos autorais
9.1. O que é um mandado de acesso aberto?
Um mandado de acesso aberto é uma regra institucional que vincula
as obras criadas com o apoio de determinada instituição à necessidade de
publicação em acesso aberto, com licenças públicas. Um exemplo disso são as
normas da CAPES para a publicação de teses e dissertações e a Portaria CTA
nº 01/2019, da FAPESP, que cria a obrigação de realização do depósito, em
repositórios institucionais, dos artigos científicos resultantes de projetos que
tenham sido realizados com seu apoio. Outro exemplo de política institucional de
Acesso Aberto foi a desenvolvida e adotada pela FIOCRUZ, que deu consistência
e segurança para as ações de efetivação do Acesso Aberto na Instituição.
Em geral, conceder ou não licença de disponibilização de obras é algo que
somente o titular do direito autoral tem prerrogativa de fazer. Então, se escrevemos
um poema, a decisão de disponibilizá-lo online é apenas nossa. Mas, quando uma
pesquisa é realizada em um contexto institucional, é preciso seguir as regras da
instituição. Por exemplo, se uma pesquisa é financiada por uma agência de fomento,
o pesquisador, atualmente, concorda em divulgar os resultados em canais de
acesso aberto, porque essa é uma exigência da agência de fomento para conceder
o financiamento. O mesmo ocorre quando alguém se matricula em um programa
de pós-graduação: precisa seguir as normas do programa, que podem incluir a
obrigação de divulgação da tese ou dissertação em canais de acesso aberto.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

39

�Em resumo, os mandados de acesso aberto são regras que determinam
que estudantes, professores e pesquisadores publiquem os seus trabalhos em
canais de acesso aberto, com objetivo de garantir ampla disponibilidade das
obras e o compartilhamento do conhecimento produzido.

9.2. Por que no Brasil a maior parte dos
trabalhos acadêmicos, como Teses e Dissertações, são depositadas em acesso aberto?
A CAPES possui regras que tornam obrigatória a divulgação da tese ou
dissertação. A tese e a dissertação são, além de obras protegidas por direitos
autorais, documentos oficiais de obtenção de títulos de mestre ou doutor. Se a
condição para obter o título for a publicização da obra, então o autor precisará
conceder essa licença para obter o título.
Idealmente, a lei de direitos autorais precisaria ser reformada em relação
às obras científicas, porque entendemos que há especificidades neste campo
não observadas pela norma vigente. Enquanto isso não acontecer, as licenças
públicas colocadas como condição para obtenção de títulos ou para obtenção de
financiamentos de pesquisa são necessárias.

9.3. O que é um período de embargo?
O período de embargo é um prazo, determinado pelas instituições, no qual
a obra não será disponibilizada ao público, permitindo que o autor realize a sua
publicação por outros meios antes de sua disponibilização online. Geralmente, o
embargo incide apenas à disponibilização digital do documento em bancos de
teses e dissertações. Se este for o caso, então a biblioteca pode disponibilizar
para consulta a versão impressa que foi depositada, sem nenhum problema.
É importante ressaltar que o direito à cópia privada de pequeno trecho não
depende de autorização do titular e não pode ser objeto de embargo. Portanto,
o usuário pode fotografar ou xerocar pequenos trechos de obras da biblioteca,
mesmo daquelas com regras de embargo vigentes.

40

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�9.4. Como a biblioteca deve fazer a gestão
dos documentos acadêmicos depositados em
seu acervo em relação aos Direitos Autorais?
O depósito do exemplar, por si só, permite que a biblioteca disponibilize o
documento na estante para consulta dos usuários. Para realizar a disponibilização
no banco de teses e dissertações da instituição, ou em qualquer outro canal online,
é preciso solicitar um termo de autorização para o estudante. Geralmente, o termo
inclui menção a alguma licença pública para a sua posterior disponibilização
online e pode incluir um período de embargo.

9.5. Quem pode autorizar a disponibilização
gratuita de documentos dessa natureza?
Somente o autor (e titular) da obra pode autorizar a disponibilização
gratuita do documento nos bancos de teses e dissertações da instituição e demais
canais online. É comum que a conclusão do curso esteja atrelada a um “mandado
de acesso aberto” que obrigue o estudante a publicar a sua tese ou dissertação
em acesso aberto. É importante salientar que, uma vez publicada a obra com
alguma licença pública, como a Creative Commons, a biblioteca fica livre para
realizar a sua disponibilização online em qualquer canal, contanto que os termos
da licença em questão sejam respeitados.
Os mandados de acesso aberto são uma vitória do Movimento pelo
Acesso Aberto e se fundamentam na ideia de que, se a ciência é produzida com
investimentos públicos, o acesso aos seus resultados é de interesse público.
O acadêmico/cientista mantém todos os direitos morais sob sua obra, mas ao
ser financiado com dinheiro público, concorda em renunciar a alguns direitos
patrimoniais (via licença pública), permitindo que toda a sociedade acesse e
usufrua do conhecimento que produziu. Mantendo os créditos sobre o trabalho,
o pesquisador incrementa a sua reputação no meio científico, ao mesmo tempo
em que contribui para o desenvolvimento do país.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

41

�10.
Políticas
Institucionais
10.1. O que seria uma política institucional
de direitos autorais para bibliotecas?
É uma série de diretrizes que irão guiar as ações e atividades nestas
instituições no que tange à preservação e disponibilização de seu acervo. Estas
diretrizes refletirão a necessidade de harmonização, no âmbito institucional, do
direito de acesso à informação, conhecimento e cultura com a proteção dos
direitos autorais, ambos direitos fundamentais e constitucionais. A existência
de uma política institucional protege os servidores e usuários contra eventuais
abusos e distorções normativas por parte de terceiros.

10.2. Quem deve elaborar a política institucional?
Estas políticas devem ser elaboradas pelas próprias instituições, com
participação ativa dos bibliotecários sobre as melhores formas de compor estes
direitos diante de suas demandas, atividades e serviços.

42

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�10.3. O que deve conter uma política institucional?
Cada instituição tem um contexto próprio de atuação, por isso é improvável
existir um modelo único que atenda a todas. No entanto, o ponto central de uma
política institucional é justamente explicitar as normas para uso de seu acervo,
tanto para fins internos (preservação), como em sua relação com o público (acesso
ao acervo). Esta divulgação permitirá inclusive o seu contínuo melhoramento, a
partir de comentários e críticas.
Juridicamente o ponto de partida é a interpretação das limitações e exceções,
cujo paradigma, exaustivamente reiterado, é sua extensividade. Isso significa que
além dos usos expressamente previstos na LDA, outros usos podem ser feitos
livremente, desde que, principalmente, não conflitem com a exploração comercial
e regular da obra. É justamente sobre quais são estes usos e os critérios para sua
utilização no contexto das bibliotecas que as políticas institucionais devem tratar.

10.4. De quem é a responsabilidade pelas
ações da biblioteca, de seus funcionários e
de seus usuários no contexto dos usos livres?
A partir do momento em que uma Política Institucional de acesso for
estabelecida e divulgada pela biblioteca, então a instituição é a responsável
por responder pela ação dos seus funcionários que atuarem nos limites dessa
Política Institucional.

10.5. Existe algum precedente, no Brasil, de
política institucional que busque harmonizar
estes direitos?
Sim. O Brasil possui um precedente importante como caminho para
garantir os direitos dos usuários das bibliotecas.
Por volta de 2004, a ABDR (Associação Brasileira de Direito Reprográfico),
que defende os interesses dos titulares de direitos autorais que lhe são associados,
realizou fiscalização nas bibliotecas da USP, com o objetivo de denunciar suposta
prática de violação de direitos autorais. Segundo a visão da ABDR na época,
apenas três páginas de cada livro eram liberadas para fotocópia, o que colocava
as “xerox” da instituição em uma posição delicada. No entanto, a USP, em decisão

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

43

�do Conselho Universitário, resolveu adotar uma posição diferente, mais razoável,
equilibrada e responsiva à sua comunidade, e que respeitasse também os direitos
dos usuários das obras. Na diretrizes da USP, estão permitidas a reprodução de
um capítulo de qualquer livro e artigos científicos inteiros; além disso, a cópia
integral estaria autorizada em certos casos, como no caso de livro estrangeiro ou
que estivesse fora de catálogo em editoras nacionais há mais de 10 anos.
Alguns anos mais tarde, a UFRJ seguiu caminho similar, adotando diretrizes
mais amplas da cópia para uso privado.
Esses episódios e cujas diretrizes ainda estão vigentes, demonstram a
necessidade de um posicionamento institucional, para inclusive impedir abusos e
propostas absurdas de interpretação, como indicado.

10.6. Como a biblioteca deve divulgar sua
política institucional de acesso para seus
usuários?
Uma vez redigida e aprovada, a política institucional de acesso da biblioteca
pode ser divulgada de muitas maneiras diferentes, tais como: (a) no site da
instituição; (b) afixada na forma de cartaz em local visível no interior da biblioteca;
(c) afixada nas próprias obras; (d) em uma versão animada disponível no site e em
plataformas digitais; (e) em formato de áudio; e, claro, em formatos acessíveis.

10.7. Quais são os passos para a criação de
uma política institucional de acesso aos
diferentes tipos de bibliotecas (bibliotecas
públicas, escolares, universitárias,
especializadas etc.)?
Cada biblioteca tem suas peculiaridades e contextos, por isso mesmo
a construção de uma política institucional deve ser resultado de um diálogo
interno amplo. Não é objetivo deste guia propor um modelo a ser seguido, mas
principalmente trazer as questões e as possibilidades jurídicas de harmonização
e satisfação tanto do direito de acesso como da proteção aos direitos autorais,
sem esquecer que a missão central das bibliotecas é, na essência, preservar e
disponibilizar seu acervo. Neste sentido, este guia pode ser usado como ponto
de partida para a construção de uma política institucional.

44

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�O primeiro passo na elaboração de qualquer política institucional é
identificar quais são as suas necessidades, a partir de um diagnóstico de seus
acervos e suas atividades com as diferentes áreas internas. É importante, neste
momento, que dialogue com funcionários das diferentes áreas em busca das
dúvidas, demandas e práticas cotidianas em relação aos direitos autorais;
Identificadas as necessidades e as dúvidas, é possível buscar neste
documento algumas soluções para compor as diretrizes, com base em paradigmas
contemporâneos adotados pelas altas Cortes para interpretação e aplicação das
limitações aos direitos autorais no contexto bibliotecário;
A depender das normas de cada instituição haverá um modelo de discussão
e aprovação. A decisão final pode, portanto, ser responsabilidade da diretoria da
biblioteca, do conselho universitário, da direção da escola ou da secretaria de
cultura ou de educação. Como este é um tópico de gestão interna, nem sempre
tanta formalidade será necessária. Pode ser o caso de que uma mera declaração
pública, mas devidamente documentada, cumpra tal papel.
Em qualquer situação, porém, é importante que o bibliotecário verifique
as normas que regem o funcionamento da entidade para compreender a melhor
forma de encaminhar o processo de análise e aprovação da política institucional.
Pode ser necessário e importante a atuação do bibliotecário na instrução de
superiores e colegas acerca das limitações e exceções aos direitos autorais
e da interpretação do judiciário. É bem provável que seja necessário algum
tipo de aconselhamento ou acompanhamento jurídico, que deve ser capaz de
compreender os paradigmas contemporâneos e juridicamente consolidados
sobre as limitações e usos livres das obras protegidas por direitos autorais, e
também a missão e atividades da biblioteca em questão.
Sanadas as dúvidas e concluído o processo de debate e aprovação,
a redação das diretrizes deve ser específica quanto às questões que os seus
funcionários e usuários enfrentam, e amplamente divulgadas.
O ponto mais importante desse documento será sinalizar que a diretriz
adotada é uma diretriz da instituição e que a responsabilidade pela ação dos
funcionários é, portanto, da instituição.
Infelizmente, por muitas vezes ainda, é o bibliotecário que precisa atuar para que
as instâncias responsáveis conheçam essa demanda, entendam os conceitos e tomem
as decisões necessárias para que as instituições criem as suas políticas institucionais de
acesso baseadas na interpretação extensiva das limitações aos direitos autorais.
Quanto mais bibliotecas agirem nesse sentido, mais socialmente e
politicamente fortes estarão para promover o direito de acesso e sua harmonização
com os direitos autorais.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

45

�11.
E agora, quais são
os limites jurídicos dos
usos livres das obras
protegidas pelos
direitos autorais?
11.1. O que uma biblioteca não pode fazer com
relação às limitações aos direitos autorais?
Compreender que os usuários possuem direitos constitucionalmente
garantidos e que as limitações e exceções previstas aos direitos autorais são
interpretadas extensivamente não significa ignorar que os autores têm direitos
sobre as suas obras. Tanto como os direitos autorais não são ilimitados, o
direito de acesso também não o é. Precisamos ter consciência dos limites
aos direitos dos usuários e da aplicação dos direitos autorais. Encontrar um
equilíbrio é fundamental: deve-se buscar harmonização entre o direito do
autor e o direito de acesso do usuário.
No plano internacional é necessário observar a Regra ou Teste dos Três
Passos da Convenção de Berna e do Acordo TRIPS, que estabelece o parâmetro
geral para encontrarmos os limites dos usos livres. O Teste dos Três Passos diz
que um uso livre só é legítimo (1) em casos especiais, (2) desde que não cause
prejuízos injustificáveis aos legítimos interesses dos autores e (3) desde que

46

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�não atrapalhe a exploração normal da obra. Sua inclusão nos tratados teve por
objetivo permitir maleabilidade às legislações nacionais para que incluíssem as
limitações que identificassem como mais adequadas à sua realidade – trabalho
este não feito pelo Legislativo Nacional até agora.
Tendo isso em consideração, entendemos que as bibliotecas não devem,
sem autorização dos titulares, realizar as seguintes ações:
(I) no âmbito da reprodução de obras
a. realizar cópias integrais para uso privado de obras que ainda estão
sendo exploradas comercialmente ou que ainda não atingiram um prazo
razoável fora de catálogo, a não ser nas condições indicadas anteriormente
neste documento. Nestes casos, a cópia feita para biblioteca para uso
privado deve estar limitada ao pequeno trecho;
b. incorporar ao seu acervo digital as obras em formato digital que
estejam disponibilizadas online de maneira irregular (obras “pirateadas”);
c. disponibilizar publicamente, sem controle, as cópias realizadas para o
usos específicos e restritos;
d. oferecer serviços de cópia para os usuários de biblioteca com o intuito
de lucro;
(II) no âmbito da digitalização para fins de preservação, utilizar a
justificativa de preservação para digitalizar obras protegidas para fins de
disponibilização pública indiscriminada;
(III) no âmbito do Empréstimo Digital Controlado:
a. desconsiderar a relação entre número de exemplares e número de
empréstimos simultâneos;
b. permitir que os usuários façam cópias da obra em formato digital por
meio do empréstimo digital controlado.
(IV) no âmbito das obras em formatos acessíveis:
a. permitir a sua utilização por pessoas sem deficiência e/ou sem condições
que justifiquem o uso da obra em formato acessível;
b. realizar a disponibilização online das obras em formato acessível sem
aplicar mecanismos de controle que garantam que apenas as pessoas
com deficiência acessem essas obras;
c. oferecer serviços de acessibilidade com o intuito de lucro.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

47

�11.2. No caso de uma ação importante, mas
que não se enquadra nas hipóteses extensivas
de uso livre, o que é recomendável fazer?
Se a ação for relevante e de importância, mas não se enquadrar em uma
hipótese de uso livre, a biblioteca deve pedir autorização para o titular dos direitos
autorais ou se abster de realizar tal ação.

11.3. O que a biblioteca deve fazer caso ela
receba alguma notificação dos detentores
dos direitos autorais?
Se a biblioteca receber uma notificação para remoção de conteúdo por
parte dos detentores dos direitos autorais ela deve seguir alguns passos: (1)
primeiro, deve analisar o caso para verificar se ele, na verdade, se enquadra em
uma hipótese de uso livre permitido; (2) verificar se tal uso está previamente
determinado pela biblioteca em sua Política Institucional ou se houve um
equívoco; (3) caso a ação esteja claramente dentre os usos livres permitidos e
prevista na Política Institucional, a biblioteca pode, ao responder, encaminhar
ao titular a justificativa e a norma interna que a orienta – é importante ser muito
didático aqui, porque nem todo mundo conhece a legislação de Direitos Autorais,
especialmente as suas limitações e os direitos dos usuários; (4) caso a ação
ou atividade esteja entre os usos livres permitidos mas não esteja claramente
prevista na Política Institucional, a biblioteca deve avaliar se é o caso de incluí-la,
considerando as limitações aos direitos de autor. (5) Mas, se a ação ou uso não
se enquadra dentre os usos livres conforme os paradigmas contemporâneos e/
ou justificada dentre as suas diretrizes, deve atender ao pedido do titular. Uma
alternativa é negociar a manutenção da disponibilidade da obra por meio de uma
autorização expressa do titular que, é bom lembrar, nem sempre é o autor.

11.4. O que fazer se o titular dos direitos autorais
contestar a Política Institucional da biblioteca e
ameaçar processá-la?
Esta sempre é uma possibilidade real. Independente de terem ou não
direito de fato, ações e ameaças de ações judiciais são sempre possíveis. Como
praticamente qualquer questão jurídica, as ações relacionadas ao uso livre
dependem de interpretação; no caso das bibliotecas, em especial, da interpretação
extensiva das limitações aos direitos autorais e os usos livres das obras protegidas.

48

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�Por isso, pode ocorrer de o titular querer disputar com um entendimento diferente
da questão. É direito do titular defender o seu ponto de vista, mas enquanto não
houver jurisprudência clara e inequívoca sobre a questão, a biblioteca também
deve defender sua posição, que é lastreada juridicamente, e o ponto de vista mais
benéfico aos seus usuários.
No Brasil, litígios envolvendo bibliotecas são extremamente raros. Isso
porque, historicamente, as nossas bibliotecas são mais reticentes na promoção
do direito de acesso pela via da política institucional, apesar de esta ser uma
de suas principais funções e razão de ser. Todavia, como já mostramos, existem
alguns precedentes importantes para sustentar essa estratégia, como os casos da
USP e da UFRJ, cujas políticas se sustentam até hoje.
Mas não há garantias de que será possível evitar todo e qualquer conflito.
Talvez alguns questionamentos sejam até pedagógicos para bibliotecas e titulares
de direitos autorais acerca da possível harmonização de interesses conflitantes.
Por isso, acreditamos que as bibliotecas podem e devem buscar a efetivação dos
direitos de seus usuários e realização de sua missão.

11.5. De que maneira os titulares podem reagir?
A reação dos titulares pode ocorrer de duas maneiras principais. A mais
comum é na forma de notificação extrajudicial, geralmente com tons ameaçadores
e conotações persecutórias. Nestes casos, a biblioteca deve defender o seu
ponto de vista, elegantemente explicando as suas ações com base em sua Política
Institucional, previamente publicada, na qual já devem constar os embasamentos
legais. No caso da notificação ser abusiva ou extrapolar os limites de razoabilidade
na busca de seus direitos, a biblioteca pode decidir contra-notificar os titulares,
expondo eventual abuso de direito identificado.
Uma segunda forma de reação – menos comum pois mais cara e com
maiores riscos para os titulares – que pode decorrer da primeira ou ocorrer
sem aviso prévio, é um litígio. Ou seja, a abertura de um processo na justiça. O
titular processa a biblioteca por infração de direitos autorais. Qualquer um pode
processar uma biblioteca por infração de direitos autorais ou por qualquer outra
coisa, inclusive restrição injustificada de acesso, mas isso não significa que essa
pessoa esteja correta e que a biblioteca esteja errada.
Se algo assim ocorrer (e até mesmo na primeira hipótese de reação), é
importante que a biblioteca torne a questão pública, para promoção do debate
amplo, com envolvimento de usuários e especialistas – tanto em biblioteconomia
como em direitos autorais. A biblioteca precisará de uma representação legal para
defesa no sistema de Justiça, e poderá indicar um profissional já da instituição, buscálo no mercado ou até encontrar apoio em entidades e defensores dos usos livres
legítimos, como as instituições que apoiaram a produção deste guia. A publicização
da questão também ajudará a biblioteca a encontrar apoio na representação legal.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

49

�Caso um processo ocorra e o judiciário decida em benefício dos titulares, a
biblioteca deve cumprir imediatamente a decisão judicial. Neste caso, será preciso
repensar a estratégia em relação àquela ação específica objeto do litígio. Se este
for o caso, é fundamental dialogar com a comunidade de bibliotecas, tanto para
desenvolver uma nova política quanto para evitar que outras possam ser processadas.
Caso o judiciário decida a favor da biblioteca, toda a estratégia de
fortalecimento dos direitos dos usuários e o desenvolvimento de políticas
institucionais pelas bibliotecas serão fortalecidos.
Vale lembrar, porém, que existem várias instâncias no judiciário brasileiro
e que uma decisão a favor ou contra a biblioteca, em primeira instância, pode não
ser definitiva. De qualquer forma, o setor de bibliotecas do país precisa debater
publicamente a questão, apoiando-se mutuamente.

11.6. É possível negociar com as editoras,
gravadoras ou demais detentores de direitos
autorais? Como proceder?
Sim, é possível. As bibliotecas são relevantes clientes das maiores editoras
do país e podem, nesta condição, negociar para obter direito a algum uso
específico que seja necessário, caso este uso esteja fora do escopo de hipóteses
de usos livres. Em geral, quando o uso da obra em questão não tem fins lucrativos,
os titulares dos direitos autorais são mais propícios a conceder autorização. Mas,
é claro, a posição dos titulares varia de caso a caso. Não existe um caminho único
para solicitar esse tipo de autorização, mas a biblioteca deve buscar o contato
com os titulares de maneira formal e, preferencialmente, por escrito.

11.7. Quais os canais e os fóruns disponíveis
para que profissionais da informação participem
do debate legislativo em matéria de
limitações aos direitos autorais?
Quando uma ação for necessária para a biblioteca perseguir sua missão,
mas não for possível enquadrá-la nas hipóteses de limitações aos direitos autorais
e nem for possível negociar com os titulares a sua autorização, é essencial trazer
a questão a público.

50

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�No entanto, independentemente destas circunstâncias é essencial e já
passa da hora das bibliotecas e dos bibliotecários participarem com maior afinco
e intensidade do debate legislativo do país e nos órgãos internacionais.
Para isso, os bibliotecários precisam se instruir nos temas como direito autoral,
direito de acesso à informação, conhecimento e cultura e do processo legislativo, o
que vai garantir uma participação mais efetiva no debate público. As ações podem
ser tanto individuais ou coletivas, sendo que, em geral, as que ocorrem pela soma de
forças de entidades, instituições e pessoas têm maior chance de sucesso.
Os sites da Câmara dos Deputados e do Senado Federal possuem canais
para que os cidadãos acompanhem e participem do debate legislativo sobre
projetos de lei, de forma que os bibliotecários podem se inteirar sobre proposições
que potencialmente afetem a sua atividade e a missão das bibliotecas. É possível
acompanhar cada etapa do processo legislativo por meio de cadastro, recebendo
notificações via e-mail sobre determinado projeto de lei.
Frequentemente, o site Participa.br, do Governo Federal, abre consultas
públicas para que os cidadãos deem a sua opinião sobre leis e decretos. É importante
que os bibliotecários se inteirem sobre consultas de temas envolvendo a atividade
das bibliotecas, já que esse tipo de consulta pode influenciar a legislação do setor.
Além disso, muitas entidades nacionais e internacionais atuam,
politicamente, de maneira organizada, ou seja, de forma sistemática e, em geral,
coletiva na defesa de uma causa comum. É um processo de reivindicação de direitos
que tem por objetivo influir na formulação e implementação de políticas públicas.
As maneiras de atuar são várias e incluem desde campanhas de sensibilização,
comunicação, litigância, diálogo com tomadores de decisão e coordenação (ou
oposição) aos atos dos representantes dos poderes executivo e legislativo nas
três esferas: municipal, estadual e federal.
Os bibliotecários interessados em participar do debate sobre políticas
públicas que os afetem podem buscar diálogo, parceria e até participação em uma
ou mais delas. Podem também passar a integrá-las. São exemplos de entidades
que atuam no debate sobre políticas públicas de acesso:
1) FEBAB: https://febab.org/
2) CBDA3/FEBAB: https://www.acoesfebab.com/direitos
3) IFLA: https://www.ifla.org/
4) CLM/IFLA: https://www.ifla.org/units/clm/
5) Eifl: https://www.eifl.net/
6) InternetLab: https://internetlab.org.br/pt/
7) Intervozes: https://intervozes.org.br/
8) IBDAutorais: https://ibdautoral.org.br/

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

51

�Considerações finais
A proteção dos direitos autorais e a efetivação do direito de acesso
à informação, conhecimento e cultura não são incompatíveis. Até porque o
enriquecimento intelectual da sociedade é uma de suas finalidades comuns. No
entanto, seu convívio, no cotidiano, nem sempre é suave. Conciliá-los diante de
fatos e realidades concretas é desafio de todos.
E, por serem direitos fundamentais constitucional e internacionalmente
estabelecidos, os direitos autorais e de acesso precisam, necessariamente,
ser continuamente harmonizados, considerando o contexto socioeconômico
em que ocorrem. Esta ponderação deve ser feita pelos poderes constituídos
(executivo, legislativo e judiciário) e também pelas instituições e agentes cujas
atividades entrelaçam-se com os universos da informação, conhecimento ou
cultura, de dimensão infinita.
Os direitos de acesso, além de seus próprios valores intrínsecos à
formação dos cidadãos, são também instrumentais e essenciais ao exercício de
outros direitos fundamentais, como à educação, pesquisa e a própria liberdade
de expressão. O acesso é condição necessária para o próprio desenvolvimento
dos talentos criativos e expressivos, vitais para se tornar autor. Não só isso, mas
as experiências culturais que viabilizam as novas criações dependem do acesso
e fruição de obras preexistentes, pois nada criamos sem referências. E, ainda, o
desejo pela arte e pelo saber, pela prática cultural e científica, só é despertado pela
própria experiência cultural. Enfim, só o acesso permite a existência de autores,
novas obras e público pagante.
Sem a criação de ambientes onde o acesso livre e desimpedido possa
existir e seja central e, com isso, permitir o florescimento de criadores, criações e
cidadãos apaixonados por cultura e saber, jamais construiremos um ecossistema
no qual conviva uma multiplicidade de autores, que possam ser conhecidos e
reconhecidos, que suas obras queiram ser lidas, ouvidas, vistas ou sentidas, por
um público suficiente para ser capaz de sustentar indústrias culturais robustas e
diversas. Estes são espaços de fomento de autoria, da criação, do desejo de fruir,
participar e compartilhar experiências culturais e intelectuais.
		
Estes espaços de formação devem ser fomentados e incentivados
e não estrangulados. Tais espaços são publicamente ocupados, principalmente,

52

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�por instituições como as bibliotecas e museus ou de ensino e pesquisa. Uma das
formas de asfixiá-los é implementar regras e impedimentos ao exercício de suas
atividades primárias e satisfação de suas funções fulcrais. E normas de proteção
aos direitos autorais que não reservam estes espaços de acesso e fruição livres
têm por efeito impedir ou dificultar substancialmente o exercício dos direitos
de acesso. Este tipo de situação ameaça diretamente o exercício das atividades
das bibliotecas e museus – quando não a sua própria existência, que, além de
tudo, impactam inescapavelmente o ensino e a pesquisa e, em última instância, a
construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
É justamente com a preocupação de preservar e defender este espaço
necessário, público e institucional das bibliotecas e assegurar o exercício de suas
atividades e funções essenciais pelos bibliotecários e bibliotecárias que este Guia
foi elaborado e está sendo disponibilizado.
Conscientemente, preferimos não incluir, neste material, as questões sobre
o Acesso Aberto e, mais recentemente, Dados Abertos e Ciência Aberta, que
trazem outras questões, muitas das quais muito específicas ou pertinentes quase
exclusivamente às instituições de pesquisa. Fugiria do nosso objetivo central, de
alcançar o universo mais amplo de bibliotecas e agentes.
Assim, o caminho escolhido foi, a partir de uma cuidadosa análise das
questões trazidas e que impactam esta diversa comunidade de bibliotecas, gestores,
bibliotecários e seus usuários, desfazer alguns mitos, responder algumas dúvidas,
superar algumas barreiras, informar decisões e inspirar ações a fim de, no âmbito
de suas competências, compatibilizar, harmonizar e equilibrar o direito de acesso à
informação, conhecimento e cultura com a proteção aos direitos autorais.
No entanto, precisamos e desejamos mais! Pretendemos que este material
sirva para inspirar as instituições, gestores e profissionais a discutirem e elaborarem
políticas institucionais de preservação e acesso ao seu acervo. Esperamos que os
poderes executivo e legislativo se imbuam do necessário senso de urgência e,
finalmente, atualizem a Lei de Direitos Autorais, expandindo substancialmente
as limitações e exceções, de forma a assegurar a continuidade destes espaços
de formação. Torcemos para que o poder judiciário siga garantido o papel
fundamental dos direitos de acesso no ordenamento jurídico. Aspiramos, enfim,
pela participação ativa de toda a comunidade no esforço coletivo de assegurar,
impelir e exigir sólidas ações sociais, políticas e normativas que assegurem formal
e expressamente às bibliotecas seus direitos de preservação e disponibilização de
seu acervo à sua comunidade de usuários.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

53

�PARA IMPRIMIR E TER SEMPRE À MÃO

Dez princípios para interpretar a
legislação de direitos autorais do
ponto de vista das bibliotecas
PRINCÍPIO 1 São importantes funções das bibliotecas promover
a concretização do direito de acesso à informação, conhecimento
e cultura, assim como observar os direitos autorais.
PRINCÍPIO 2 O rol expresso de limitações aos direitos
autorais é meramente exemplificativo e, portanto, sua
interpretação é extensiva e inclui outras situações em que
outros direitos fundamentais assumem protagonismo
frente aos direitos autorais.
PRINCÍPIO 3 As limitações aos direitos autorais são expressões
de sua função social e resultados da ponderação entre direitos
fundamentais de igual estatura. Estabelecem os usos livres
e sem necessidade de autorização prévia ou remuneração,
perfazendo, portanto, direitos dos usuários. Restrições a estes
direitos são indevidas e podem configurar abuso de direito.
PRINCÍPIO 4 A tecnologia evolui tanto em benefício da
exploração comercial da obra como da concretização do
direito de acesso à informação, conhecimento e cultura.
PRINCÍPIO 5 Na ausência de jurisprudência clara e/ou de
interpretação inequívoca das normas aplicáveis, a biblioteca
sempre deve adotar a interpretação mais benéfica aos seus
usuários.
PRINCÍPIO 6 Nem tudo que desejamos ou entendemos ser
preciso fazer podemos fazer livremente, sem autorização ou
remuneração dos titulares. Na identificação de atividades e usos
livres de obras protegidas por direitos autorais, deve-se sempre
ser razoável, considerar as circunstâncias particulares do caso e

54

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�PARA IMPRIMIR E TER SEMPRE À MÃO

os efeitos sobre a exploração comercial regular da obra, sempre
em busca do equilíbrio entre a proteção e o direito de acesso.
PRINCÍPIO 7 Como os direitos autorais, as bibliotecas também
possuem uma função social a cumprir, de preservação e
promoção da literatura, artes, saber, e, portanto, da educação,
da pesquisa e da cultura em geral. A restrição exacerbada
ou injustificada de suas atividades pelos direitos autorais, de
forma que impeça ou substancialmente dificulte sua atuação
e a satisfação de suas missões, dilacera o direito de acesso
constitucionalmente assegurado, tornando-se, portanto,
inconstitucional em si.
PRINCÍPIO 8 Quando as limitações não tiverem alcance
suficiente para viabilizar determinada ação, atividade ou uso,
a biblioteca deverá solicitar autorização para os titulares ou se
abster de executá-la.
PRINCÍPIO 9 As bibliotecas e as instituições onde estão
inseridas devem desenvolver uma política institucional de
preservação e acesso ao acervo. Sempre que uma atividade,
ação ou regulamentação gerar contestação injustificada, a
biblioteca deve optar por, na medida do possível, assumir
o risco em nome de sua missão institucional. No entanto,
o risco nunca deve ser assumido pelos funcionários das
bibliotecas de maneira pessoal, e sim pela instituição da
qual fazem parte.
PRINCÍPIO 10 Independente do paradigma judicial vigente,
instituições, bibliotecários, usuários e suas associações
devem e precisam, com urgência, advogar a mudança da lei
de direitos autorais, para inclusão de limitações expressas
em favor das bibliotecas, frente aos poderes (legislativo,
executivo e judiciários) e aos gestores, presentes e
futuros, em todas as esferas, em nível nacional, regional
e internacional. Idealmente coletivamente e criando um
advocacy bibliotecário.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

55

�SUGESTÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR
APLIN, T; BENTLY, L. Global mandatory fair use: The nature and scope of the right to quote copyright
works. Cambridge University Press, 2020.
ASCENSÃO, J. O. As “exceções e limites” ao direito de autor e direitos conexos no ambiente digital.
Revista da ESMAPE, v. 13, n. 28, p. 315-351, 2008.
AUFDERHEIDE, P.; JASZI, P. Reclaiming fair use: how to put balance back in copyright. Chicago: The
University of Chicago Press, 2011.
BALGANESH, S.; LOON, N. W.; SUN, H (org.). The Cambridge Handbook of Copyright Limitations and
Exceptions. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.
BRANCO, S. V. O domínio público no direito autoral brasileiro: estrutura e função. 2011.
Tese (Doutorado) - Faculdade de Direito, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.
BURRELL, R.; COLEMAN, A. Copyright Exceptions: The Digital Impact. Cambridge: Cambridge
University Press, 2005.
CARBONI, G. Função social do direito de autor. Curitiba: Juruá Editora, 2006.
CHAPDELAINE, P. Copyright user rights: contracts and the erosion of property. Oxford: Oxford
University Press, 2017.
COATES, J. F.; HACKETT, C.; KENINGER, T.; CALVO, K, M.; OWEN, F.; TAYLOR, V.; PEREYASLAVSKA,
A.; BERG, K. CAMINHANDO - Implementação do Tratado de Marraqueche para pessoas cegas, com
deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso: um guia prático para
bibliotecários. Tradução e adaptação de Sueli Mara Soares Pinto Ferreira. São Paulo, FEBAB/CBDA3,
2020. Com comentários a partir da proposta brasileira de Implementação do Tratado de Marraqueche
disponível para Consulta Pública no período de maio a julho de 2020. Disponível em: https://repository.
ifla.org/handle/123456789/1744 e http://repositorio.febab.org.br/items/show/4608. Acesso em 15 de
fevereiro de 2022.
COUTO, W. E.; FERREIRA S. M. S. P. (2020). Empréstimo Digital Controlado e direitos autorais no Brasil:
algumas reflexões iniciais. Liinc Em Revista, 16(2), e5378. https://doi.org/10.18617/liinc.v16i2.5378
CREWS, K. D. Copyright Law for Libraries and Educators: Creative Strategies and Practical Solutions.
Chicago: American Library Association, 2006.
EIFL. O Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso às obras publicadas por pessoas cegas, com
deficiência visual, ou com outras dificuldades para acessar o texto impresso: Guia EIFL para Bibliotecas.
Tradução de Walter Eler do Couto. São Paulo, FEBAB/CBDA3, 2020. Disponível em: https://www.
eifl.net/resources/marrakesh-treaty-eifl-guide-libraries-portuguese e http://repositorio.febab.org.br/items/
show/6193. Acesso em 15 de fevereiro de 2022.

56

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�GEIGER, C.; HILTY, R.; GRIFFITHS , J.; SUTHERSANEN, U. Declaration: A Balanced Interpretation Of The
“Three-Step Test” In Copyright Law, 1 (2010) JIPITEC 119 https://www.jipitec.eu/issues/jipitec-1-2-2010/2621
HIRTLE, P. B.; HUDSON, E.; KENYON, A. Copyright and Cultural Institutions: Guidelines for Digitization
for U.S. Libraries, Archives, and Museums. Ithaca: Cornell University Press, 2009.
IFLA, IFLAPosition on Controlled Digital Lending, disponível em: &lt;https://www.ifla.org/wp-content/uploads/2019/05/
assets/clm/statements/ifla_position_-_en-_controlled_digital_lending.pdf&gt;, acesso em: 25 fev. 2022.
LEWICKI, B. Limitações aos direitos do autor: releitura na perspectiva do direito civil contemporâneo.
2007. Tese (Doutorado) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
MAZZONE, J. Copyfraud and other abuses of intellectual property law. Stanford: Stanford University
Press, 2011.
MEZEI, P. Copyright Exhaustion: Law and Policy in the United States and the European Union.
Cambridge: Cambridge University Press, 2018.
MIZUKAMI, P. N. Função social da propriedade intelectual: compartilhamento de arquivos e direitos
autorais na CF/88. 2007. 551 f. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, São Paulo, 2007.
OKEDIJI, R. L (org.). Copyright Law in an Age of Limitations and Exceptions. New York: Cambridge
University Press, 2017.
PEREIRA DE SOUZA, C. A. O Abuso do direito autoral. 2009. Tese (Doutorado). Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
PONTIER, J-M.; RICCI, J-C.; BOURDON, J. Droit de la Culture. Paris: Dalloz, 1990.
ROCHA DE SOUZA, A. A Função Social dos Direitos Autorais: uma interpretação civil-constitucional
dos limites da proteção jurídica: Brasil: 1988-2005. Campos dos Goytacazes: Ed. Faculdade de Direito
de Campos, 2006.
ROCHA DE SOUZA, A. Direitos Culturais no Brasil. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2012.
ROCHA DE SOUZA, A.; AMIEL, T. Guia direito autoral e educação aberta e a distância: perguntas
e respostas. 2021. Disponível em: &lt;http://remix.internetlab.org.br/GuiaEAD-PerguntasRespostas.pdf&gt;,
Acesso em: 15 fev. 2022.
SANTOS, M. J. P. As Limitações aos Direitos Autorais. in: SANTOS, M. J. P.; JABUR, W. P (org.).
Direito Autoral. São Paulo: Saraiva, 2014.
VALENTE, M. G.; FREITAS, B. C. Manual de direito autoral para museus, arquivos e bibliotecas. Rio
de Janeiro: FGV Editora, 2017.
VALENTE, M. G. A construção do direito autoral no Brasil: cultura e indústria em debate legislativo.
Belo Horizonte: Letramento, 2019.

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

57

�ANEXOS
2. UFRJ - RESOLUÇÃO Nº 19/2010
Regulamenta a reprodução em cópias reprográficas de livros, revistas científicas
e periódicos na Universidade Federal do Rio de Janeiro
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em
sua sessão de 23 de setembro de 2010, com fundamento no Artigo 207 da
Constituição Federal, e tendo em vista o direito à informação de estudantes,
professores e pesquisadores da UFRJ, indispensável à formação discente e ao
desenvolvimento científico, tecnológico, artístico e cultural da Instituição, bem
como a necessidade de proteger os direitos relativos à propriedade intelectual
de autores de obras escritas, resolve:
Art. 1º Permitir a reprodução, sem finalidade lucrativa, em cópias reprográficas
de trechos, como capítulos de livros e artigos de periódicos e revistas científicas
mediante solicitação individual e para uso próprio do solicitante.
Art. 2º Permitir a reprodução integral, em cópias reprográficas, de exemplares
de livros que integrem o acervo das bibliotecas da UFRJ, classificados em uma
das seguintes categorias:
I – Obras esgotadas sem republicação há mais de dez (10) anos;
II – Obras publicadas no exterior e não disponíveis no mercado nacional;
III – Obras de domínio público;
IV – Obras nas quais conste expressa autorização para reprodução.
Parágrafo único. As bibliotecas da UFRJ deverão marcar os exemplares das
obras de seu acervo, incluídas nas categorias acima, com um sinal distintivo de
cada uma delas.
Art. 3º Autorizar os docentes da UFRJ a disponibilizar para reprodução material
destinado às disciplinas que ministram.
Art. 4º As normas constantes desta Resolução deverão ser observadas em todas
as dependências e órgãos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, quer
sejam vinculados diretamente à autarquia, quer se trate de permissionários ou
concessionários de serviços.
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Boletim da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Aloisio Teixeira
Reitor

58

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

�1. USP - RESOLUÇÃO Nº 5213, DE 02 DE JUNHO DE 2005
Regula a extração de cópias reprográficas de livros, revistas científicas ou
periódicos no âmbito da Universidade de São Paulo.
O Reitor da Universidade de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, com
fundamento no art 207 da Constituição Federal e no art 42, IX, do Estatuto,
baixado pela Resolução nº 3461, de 07.10.88, e de acordo com o deliberado
pelo Conselho Universitário, em Sessão de 31 de maio de 2005, baixa a seguinte
RESOLUÇÃO:
Artigo 1º – As normas constantes desse ato deverão ser observadas em todas
as instalações e órgãos da Universidade de São Paulo, quer sejam vinculados
diretamente à autarquia, quer se trate de permissionários ou concessionários de
serviços.
Artigo 2º – Visando garantir as atividades-fins da Universidade, será permitida
a extração de cópias de pequenos trechos, como capítulos de livros e artigos
de periódicos ou revistas científicas, mediante solicitação individualizada, sem
finalidade de lucro, para uso próprio do solicitante.
Artigo 3º – As bibliotecas deverão marcar seu acervo com sinais distintivos
diferenciando as seguintes categorias de obras:
I – esgotadas sem republicação há mais de 10 anos;
II – estrangeiras indisponíveis no mercado nacional;
III – de domínio público;
IV – nas quais conste expressa autorização para reprodução.
Parágrafo único – De qualquer obra que contenha o sinal distintivo de uma
dessas categorias, será permitida a reprodução reprográfica integral.
Artigo 4º – É permitido, por parte de docentes, o fornecimento de material
destinado estritamente ao ministério de disciplina constante do programa da
universidade, sendo autorizada sua reprodução para os alunos regularmente
inscritos, observado o disposto nos artigos precedentes.
Artigo 5º – Fica garantido o livre exercício das atividades desenvolvidas pelas
bibliotecas de intercâmbio de material entre instituições de ensino e pesquisa
nos limites desta Resolução.
Artigo 6º – Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. (Proc.
2005.1.13361.1.1)
Reitoria da Universidade de São Paulo, 02 de junho de 2005.
ADOLPHO JOSÉ MELFI
Reitor			

NINA BEATRIZ STOCCO RANIERI
Secretária Geral

GUIA PARA BIBLIOTECAS
Direitos autorais e Acesso ao Conhecimento, Informação e Cultura

59

�FEBAB – Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições
Rua Avanhandava, 40 – Conj. 110
Bela Vista – CEP 01306-000 – São Paulo/SP, Brasil
E-mail: secretaria@febab.org.br
Site: febab.org.br
CNPJ: 44.075.687/0001-08

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="43">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51262">
                  <text>CBDA³ - Comissão Brasileira de Direitos Autorais e&#13;
Acesso Aberto</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="7">
          <name>Original Format</name>
          <description>The type of object, such as painting, sculpture, paper, photo, and additional data</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="70737">
              <text>Digital (pdf)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70725">
                <text>Guia para bibliotecas: direitos autorais e acesso ao conhecimento, informação e cultura</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70726">
                <text>Direito autoral – Brasil&#13;
Bibliotecas&#13;
Guias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70727">
                <text>As bibliotecas cumprem um papel histórico na trajetória das civilizações. Como parte da infraestrutura do conhecimento, elas têm participação ativa no desenvolvimento da cultura e dos saberes. São essenciais e necessárias à construção e sustentação de sociedades culturalmente ricas e dinâmicas. Das tabuinhas dos Pinakes aos modernos acervos digitais, é permanente a missão das bibliotecas em guardar, organizar, disponibilizar e disseminar o conhecimento, a informação e a cultura. Organizadas em rede, as bibliotecas contemporâneas estão presentes em todo o território nacional, servindo à comunidade e atendendo os usuários em suas necessidades informacionais.&#13;
A continuidade dessa missão, bem como sua atualização e ampliação, é uma responsabilidade de todos. É verdade que uma parte desse desafio depende de uma atuação mais cuidadosa do Poder Público, que não pode se furtar de suas obrigações. Porém, também é verdade que algumas escolhas estão nas mãos das próprias instituições que, com o devido embasamento jurídico, podem e devem ampliar a sua atuação. Como disse Michel Melot: “Toda biblioteca é uma escolha; ao fazer essa escolha, o bibliotecário é o primeiro autor de sua biblioteca.”1&#13;
Os direitos autorais impactam inúmeras das atividades das bibliotecas, em uma relação complexa, porém não antagônica. Por um lado, os direitos autorais visam estabelecer uma exclusividade em favor dos titulares e dar poder (substancial, mas não absoluto) de decidirem sobre a utilização de suas obras, de acordo com seus interesses particulares, enquanto a missão das bibliotecas é garantir que as obras sejam amplamente usadas por todos, da maneira mais democrática possível. Ao mesmo tempo, as bibliotecas e a proteção oferecida pelos direitos autorais compartilham de um mesmo objetivo: estimular o progresso e engrandecimento cultural da sociedade, por meio da disponibilização e acesso às obras literárias, artísticas e científicas. Ou seja, em determinada medida as duas instituições são parceiras em uma das missões mais nobres que existem: estimular a literatura, as artes, o conhecimento e as ciências. A satisfação desta missão, porém, só se realizará plenamente quando os espaços de atuação das bibliotecas e de incidência dos direitos autorais estiverem em harmonia e equilíbrio.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70728">
                <text>Walter Eler do Couto&#13;
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira&#13;
Allan Rocha de Souza&#13;
Mariana G. Valente</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70729">
                <text>FEBAB/CBDA3</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70730">
                <text>2022</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70731">
                <text>Alice de Perdigão Lana (Mestra em Direito/UFPR - INTERNETLAB)&#13;
Marina Pita (Mestranda em comunicação/UnB - INTERVOZES)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70732">
                <text>Esta obra está sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70733">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70734">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70735">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70736">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="59">
        <name>CDBA3</name>
      </tag>
      <tag tagId="31">
        <name>DireitosAutorais</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="2" public="1" featured="0">
    <fileContainer>
      <file fileId="2">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/2/Ideias-Emergentes-Em-Biblioteconomia.pdf</src>
        <authentication>166538c82936988252d774b7d3a6f577</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="12239">
                    <text>�|2

organizador

JORGE DO PRADO

AUTORES DESTE VOLUME
Ana Marysa de Souza Santos
Ariel Morán
Catia Lindemann
Daniela Spudeit
Elisa Cristina Delfini Correa
Fabíola Bezerra
Katia Costa
Liliana Giusti Serra
Marielle Barros de Moraes
Michelângelo Viana
Moisés Lima Dutra

Moreno Barros
Oswaldo F. de Almeida Jr.
Paula Azevedo Macedo
Rosangela Madella
Silvana Toriani
Soraia Magalhães
Tânia Piacentini
Tanira Piacentini
Ronaldo Ferreira de Araújo
Vagner Amaro

2016
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�|3

Ideias Emergentes em Biblioteconomia está licenciado com uma Licença Creative Commons –
Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Copyright© 2016 by Jorge Moisés Kroll do Prado
É permitida, a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio eletrônico, inclusive
por processos reprográficos. A citação de trechos não requer autorização, desde que seja dado o
devido crédito à fonte.
É vetada a reprodução integral ou parcial dessa obra para fins de distribuição comercial,
editorial ou republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES
INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES
Rua Avanhandava, 40 – Conj. 108/110
Bela Vista – São Paulo, SP
CEP 01306-000
(11) 3257 9979
febab@febab.org.br

DE

BIBLIOTECÁRIOS,

CIENTISTAS

DA

ISBN: 978-85-85024-07-9

I19

Ideias emergentes em Biblioteconomia / Jorge do Prado (Org.). – São Paulo:
FEBAB, 2016.
116 p.
Disponível para download em: www.ideiasemergentes.wordpress.com
ISBN: 978-85-85024-07-9
1. Biblioteconomia. 2. Bibliotecários – atuação profissional. I. Prado, Jorge
Moisés Kroll do (Org.). II. Título.
CDD 020

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�|4

SUMÁRIO
Apresentação
Jorge do Prado

Primeira parte: FORMAÇÃO
Formação dos mediadores informativo-culturais.......................................................09
Marielle Barros de Moraes e Ariel Morán
Informação e conhecimento. E os dados?................................................................15
Oswaldo Francisco de Almeida Jr.
Licenciatura em Biblioteconomia: história, formação, atuação e
desafios para uma nova profissão.............................................................................20
Daniela Spudeit

Segunda parte: ATUAÇÃO
A biblioteca pública: entre o ser e o ter.....................................................................27
Katia Costa
Biblioteca escolar: modos de usar.............................................................................34
Vagner Amaro
Biblioteconomia social: as leis de Ranganathan numa
biblioteca prisional.....................................................................................................41
Catia Lindemann
Barca dos Livros: uma biblioteca com alma..............................................................47
Rosangela Madella, Tânia Piacentini e Tanira Piacentini

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�|5

Terceira parte: ATITUDES
Bibliotecários: é necessário queimar pontes.............................................................55
Fabíola Bezerra
Consumidor de informação 3.0..................................................................................60
Elisa Cristina Delfini Correa
Design thinking para bibliotecas................................................................................69
Paula Azevedo Macedo e Ana Marysa de Souza Santos
Dias de luta: ativismo bibliotecário e o caso
Movimento Abre Bibliotecas......................................................................................78
Soraia Magalhães

Quarta parte: TECNOLOGIAS
A internet das coisas na prática.................................................................................86
Moisés Lima Dutra e Silvana Toriani
As bibliotecas e os serviços de aluguel de livros digitais..........................................93
Liliana Giusti Serra
Faça a biblioteca acontecer fora da biblioteca..........................................................99
Michelângelo Viana
O periódico científico 350 anos depois....................................................................107
Moreno Barros
Quem lê, cita? Ensaio comparativo entre dados do
Mendeley e do Google Acadêmico..........................................................................111
Ronaldo Ferreira de Araújo

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�|6

APRESENTAÇÃO
Jorge do Prado
O Ideias Emergentes em Biblioteconomia nasceu de dois aspectos: o
primeiro, em uma tarde, ao ler comentários efervescentes em um dos mais
volumosos grupos de Biblioteconomia que temos no Facebook. Embora muito do
que ali esteja seja bastante curioso, pertinente, mas também peculiar, foi
interessante observar as desenvolturas daquelas discussões nas próprias timelines
de alguns amigos.
O segundo aspecto vem também do Facebook, mas de discussões mais
limitadas, de determinados círculos de amigos em comum, que propõem discussões
geniais, mas que dificilmente estarão presentes num artigo de periódico científico,
muito menos em um livro dedicado somente ao debate. Ideias tão bacanas que
chega a ser um desperdício não as registrar e disseminá-las.
Juntando estes dois aspectos chegamos ao seguinte questionamento:
como, num futuro próximo (daqui uma semana), faremos para resgatar estas
discussões? Você até pode salvar os links, tirar prints de tela, mas ainda assim não
será a melhor opção. A produção cultural e intelectual nas mídias sociais é um
assunto de suma importância e que perceba, poderá se perder aos poucos com o
decorrer do tempo por conta da dificuldade em resgatá-la posteriormente.
Numa tentativa, principalmente de compartilhar estas ideias, é que resolvi
organizar o Ideias Emergentes. Não espere textos rigorosamente acadêmicos,
repletos de uma fundamentação teórica. Também não espere respostas às
perguntas que ficaram abertas pelos autores, pois o intuito disso é que você reflita,
se achar pertinente e, se quiser, contribua com o assunto numa página online
dedicada exclusivamente ao capítulo.
Dividido em quatro partes – Formação, Atuação, Atitudes e Tecnologias –
há capítulos escritos ou por pessoas que estudam muito determinado assunto ou
porque atuam diretamente com o tema. Não são exclusivamente todos doutores,

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�|7

professores ou autores proeminentes, mas profissionais que merecem destaque por
participar de muitos debates acalorados, por levantar questões que permitam a
qualquer bibliotecário se questionar sobre o que faz. Tudo sem querer nada em
troca, de forma livre e espontânea, um belo exemplo da estonteante cultura da
participação de Clay Shirky.
Ao final de cada capítulo, você encontrará um link para uma página dentro
do blog deste livro, podendo dar continuidade à discussão levantada no texto com
outros leitores. Já está na hora de tornar nossas publicações mais transmídia para a
construção de um conhecimento mais coletivo, focado em resultados mais evoluídos
para nossas bibliotecas. A sociedade é em rede, mas nossa Biblioteconomia...
Há vários temas que poderiam ser abordados, por conta desta profissão
com identidade tão líquida. Quem sabe, para os próximos anos, outros capítulos
com outros autores convidados, com novas ideias emergentes para discussão num
novo volume.

Boa leitura!

http://ideiasemergentes.wordpress.com
Florianópolis, março de 2016.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA

�Formação dos mediadores informativos culturais |8

PRIMEIRA PARTE

FORMAÇÃO

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�Formação dos mediadores informativos culturais |9

Formação dos mediadores
informativo-culturais:
em que pontos se intersectam?
Marielle Barros de Moraes
Ariel Morán

El que cree conocer al lector
no hace ya nada por el lector.1
Friedrich Nietzsche,
Así hablaba Zaratustra

Muito já se falou que a formação dos mediadores da informação e da cultura
- especificamente arquivistas, bibliotecários e museólogos - requer ser revisada,
uma vez que ainda não cumpre com as novas exigências da sociedade e do
mercado de trabalho. As conferências, simpósios, fascículos de revistas são os
meios privilegiados para fazer circular a informação especializada, por mais que os
especialistas não cheguem, todavia, a um consenso sobre qual tipo de formação é a
mais adequada para os mediadores da informação e da cultura dentro das
universidades.
Uma boa parte dos artigos da área da Biblioteconomia e da Arquivologia
fala da necessidade de formar seus alunos de acordo com as regras de um
mercado de trabalho flutuante; outros falam de reconhecer as necessidades reais da
sociedade, as quais vão, muitas vezes, na direção oposta a do mercado de trabalho,
e outros dizem ainda que esta formação deve levar em conta os aspectos

Friedrich Wilhelm Nietzsche, Así hablaba Zaratustra: Un libro para todos y para nadie. México:
Época, 1986, p. 35.
1

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�F o r m a ç ã o d o s m e d i a d o r e s i n f o r m a t i v o s c u l t u r a i s | 10

epistemológicos das três áreas de conhecimentos mencionadas: Biblioteconomia,
Arquivologia e Museologia.
Ademais as várias opiniões acerca desse tema, é certo que, em muitos
sistemas econômicos da América Latina, ocorre que, ao concluir os estudos de
graduação e de pós-graduação, os alunos encontram um mercado de trabalho
contraído, no qual existe uma competição cada vez maior e mais difícil pelos postos
de trabalho, ao invés de os profissionais competirem por melhores salários. Esta
situação nos faz questionar a problemática da Educação, pois, muitas vezes, esta é
vista como gasto e não como investimento por parte do poder público, e assim, ao
invés de termos indivíduos altamente qualificados para diversos empregos, o que
ocorre é que esses sujeitos altamente qualificados são escassos. A solução para
este problema pode ser encontrada na educação, mas não nela por si mesma, mas
sim, contemplada como uma política econômica de investimento social
impulsionada pelo Estado. Todavia, isso não quer dizer que os perfis de formação
dos estudantes, nas instituições de ensino superior, devam estar determinados (em
uma relação diretamente proporcional) pelas regras do mercado.
Neste contexto de incerteza, na qual os indivíduos devem se formar em
escolas, onde os cursos relacionados com as áreas das ciências da informação
começam apenas a investigar algumas destas questões, é necessário falar de uma
visão mais ampla, por exemplo, falar de uma relação “trialética” entre a sociedade, o
mercado e a epistemologia. Ou seja, perguntar-se, também, se há mais peso de
algum desses fatores sobre os outros.
A Teoria do Capital Humano analisa, por exemplo, a heterogeneidade do
fator trabalho, assinalando a importância da educação/capacitação - no sistema
educativo, ou no trabalho formal ou mediante a experiência, formação geral ou
específica - na maior produtividade de dito fator, sendo concebida a educação como
um investimento a ser retribuído no futuro mediante maiores salários, melhores
empregos e/ou um emprego. Este aspecto se acentuou na atualidade pelos
acelerados processos de geração e obsolescência do conhecimento.
Vejamos. Nem sempre um maior nível educacional se relaciona com
maiores taxas de ocupação ou melhores salários, ao mesmo tempo, muitas vezes,
as necessidades da sociedade não são as mesmas necessidades que tem o
mercado de trabalho. Hoje, no Brasil, se necessita de bibliotecários para ocupar os
postos de trabalho nas Bibliotecas Escolares. No entanto, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2010, a realidade brasileira nos
mostra que mais de 90% da população sabe ler e escrever, porém o País ainda
possui, mais ou menos, 18 milhões de brasileiros que não sabem nem ler e nem
escrever. Além disso, atualmente, no Brasil, 72% das escolas não possuem
bibliotecas e o País necessita formar bibliotecários para as Bibliotecas Escolares em
mais de 180 mil. Os nossos currículos de formação de bibliotecários estão se
voltando para esse nicho do mercado? Ou estão apenas inserindo disciplinas

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�F o r m a ç ã o d o s m e d i a d o r e s i n f o r m a t i v o s c u l t u r a i s | 11

denominadas de “bibliotecas escolares” nos currículos, mas esquecendo-se que o
profissional a ser formado para atuar nesse campo necessita de conhecimentos do
campo da Educação e da Pedagogia? Os currículos das escolas de Biblioteconomia
nos propiciam a desenvolver bibliotecas para alunos - crianças, jovens, adultos,
anciãos - do século XXI? Estamos aptos a desenvolver projetos nesses ambientes
tanto para os nativos, quanto para os imigrantes digitais? Estamos discutindo essas
questões nos currículos? Ou estamos pensando em inserir bibliotecas do século
XIX, em escolas do século XX, para crianças, jovens, adultos e anciãos do século
XXI? Ainda nesse contexto das bibliotecas escolares, muito se fala que esse
profissional deve atuar como um “infoeducador”, um “alfabetizador informacional”,
ou outro sinônimo para este que-fazer, porém, quais disciplinas do currículo estão
se voltando para discutir essas questões?
Por outro lado, temos as necessidades do mercado laboral, que requerem
profissionais com determinados perfis para gerenciar grandes volumes de dados e
informações, a fim de melhorar o conhecimento e a tomada de decisões, o chamado
Big Data. Por sua vez, os cidadãos requerem informações para exercer sua
racionalidade e autonomia, por exemplo, para avaliar suas decisões, as quais estão
sujeitas a incertezas consideráveis. Diante deste contexto nos surgem as seguintes
questões:
❖ Quem analisará e fará a gestão de enormes volumes de dados que
não podem ser tratados de maneira convencional, e que também superam os
limites e capacidades das ferramentas de software habitualmente utilizadas
para a captura, gestão e processamento de dados?
❖ Estamos preparados para essa nova realidade?
❖ Estamos, como mediadores informativo-culturais, preparados para
analisar as enormes quantidades de dados e de informações que estão nas
redes sociais e que são úteis para as empresas, principalmente, em um
momento em que estas possuem um grande número de clientes em potencial
nas redes sociais?
❖ Quais disciplinas do currículo de formação dos profissionais da
informação que se voltam para o estudo mais amplo da sociedade na qual
esse profissional irá atuar?
❖ Quais disciplinas se voltam para questões de processamento de
grandes volumes de dados não somente analógicos, mas também digitais?
❖ As disciplinas que se voltam para a análise da informação vislumbram
apenas as análises de objetos tradicionais dos campos dos arquivos, das
bibliotecas e dos museus, ou se voltam para análises de informações que
estão em formato de fluxos na rede e que são estratégicos para diferentes
organizações?

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�F o r m a ç ã o d o s m e d i a d o r e s i n f o r m a t i v o s c u l t u r a i s | 12

Para isso, é importante um profissional que saiba analisar as informações
para uso estratégico das empresas, das organizações, dos governos, frente a seus
clientes, usuários, cidadãos. Aqui é percebido um ponto forte de intersecção das
áreas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia.
No México, por exemplo, a recém promulgada Ley General de
Transparencia y Acceso a la Información Pública, de 11 de junho de 2002, pugna de
maneira implícita por profissionais que participem - como o indica o artigo 2°,
parágrafo VII - na promoção, fomento e difusão da cultura da transparência através
do acesso à informação, mediante mecanismos que garantam a publicidade da
informação oportuna e completa, em formatos adequados segundo as condições
sociais, econômicas e culturais de cada região do país. Os arquivos são parte
fundamental no exercício do acesso à informação, uma vez que são a fonte que
documenta o agir dos governos. A Ley Federal de Archivos está constituída com
uma forte carga da teoria arquivística (se explica, por exemplo, o que é o valor
documental). Nesta lei, se estabelecem disposições que permitem a adequada
organização e conservação de arquivos governamentais, através da incorporação
de ferramentas arquivísticas reconhecidas a nível internacional e a designação de
responsabilidades em matéria de arquivos.
Já no Brasil, a Lei n°12.527, de 18 de novembro de 2011, mais conhecida
como Lei de Acesso à Informação (LAI), a qual regula o acesso às informações
públicas, está constituída com uma linguagem fortemente voltada para a
Arquivologia, a Biblioteconomia e a Museologia, uma vez que trata de termos
relativos aos três campos de conhecimentos, tais como: informação, documento,
informação pessoal, informação sigilosa, tratamento da informação, disponibilidade,
autenticidade, integridade e primariedade. Este fato nos faz perceber que não se
trata somente do tratamento das informações em fluxo, mas, sobretudo, das
informações que já foram produzidas e que precisam ser tratadas, armazenadas e
disponibilizadas para a sociedade em geral.
Desta feita, percebemos que o manejo dos documentos públicos é outra
área que, tanto no Brasil, quanto no México também vai necessitar de muitos
profissionais “de fronteira” para manejar a Lei de Acesso à Informação, pois será
necessário saber classificar os documentos para sua disponibilização aos cidadãos.
Tanto arquivistas, quanto bibliotecários e museólogos são profissionais aptos a
atuar com a referida Lei, no âmbito dos arquivos, das bibliotecas e dos museus
públicos, uma vez que sua missão não é mais ser o guardião dos tesouros da
humanidade, mas, sobretudo, facilitar o acesso às informações desses ambientes,
tanto em seu paradigma custodial, quanto no paradigma pós-custodial.
Assim sendo, diante desta realidade digital, perguntamos: estamos
preparados para sobreviver como bibliotecários, arquivistas ou museólogos diante
dessa ambiência digital/online? No entanto, antes de qualquer outra coisa, temos
que dimensionar que a apropriação responde a contextos culturais e sociais

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�F o r m a ç ã o d o s m e d i a d o r e s i n f o r m a t i v o s c u l t u r a i s | 13

específicos. Esta relação entre desenvolvimento e capacidade humana num
contexto tecnológico-digital, onde a informação, o conhecimento e a tecnologia são
elementos definidores do mesmo, permite afirmar que o estágio de desenvolvimento
dos grupos sociais, depende dos processos de criação, produção, distribuição, uso
e reuso de informação, conhecimento e tecnologia. Assim sendo, o processo de
desenvolvimento e difusão da tecnologia no espaço educativo se comporta como
um vetor, quer dizer, como uma força com direção. Esta magnitude depende tanto
da especificidade do uso tecnológico, quanto do entorno social no qual se adapta.
Na efervescência da denominada Sociedade da Informação, o papel do bibliotecário
tomou um rumo distinto do tradicional, devido ao fato de que as exigências
profissionais se foram transformando com o passar do tempo. O que é evidente é o
aumento na multiplicidade em que se apresentam as necessidades de informação, e
existe, além disso, uma grande coexistência de meios eletrônicos e físicos, desde
os quais, é possível consultar um documento. Por esse motivo, se requer uma
permanente atualização por parte dos profissionais, assim como um número cada
vez maior de responsabilidades, às vezes, as resolvendo em breves períodos de
tempo. Isto promove o uso de tecnologias que não somente facilitam o acesso aos
documentos, mas também funcionam como ferramentas para a implementação de
serviços de maneira remota. Sua proliferação ajuda a gerar, armazenar, transmitir e
acessar à informação.
A profissão bibliotecária enfrenta constantes desafios, as Tecnologias de
Informação e de Comunicação requerem um conhecimento de sua aplicação e de
seu funcionamento, os usuários da informação demandam serviços e produtos
especializados, a gestão de um ambiente de mediação da informação funciona de
maneira complexa e atende a uma grande variedade de solicitações. Os
profissionais requerem uma formação na qual os conhecimentos (processos
inteligentes da informação, que servem como base para o agir), habilidades (o
conhecimento em ação) e atitudes (estímulo e empatia com a qual afrontamos uma
situação, assim como a pré-disposição para fazer algo de uma determinada
maneira) estejam em função de diversos aspectos, tais como o desenho dos
sistemas de informação, operação, divulgação e avaliação; o que adverte um
aumento no valor da informação, tanto para as empresas como para as instituições
educacionais.
A sociedade na qual vivemos gera informação, no entanto, esta informação
só é útil quando é processada, armazenada e difundida de maneira eficaz e
oportuna. As tecnologias têm um papel importante em seu processamento. Sem
deixar de lado uma visão humanística, atualmente, o profissional está em um
ambiente competitivo e globalizado. Não se descarta a informação impressa, se
trata de interagir com ambas, pois sabe como estruturá-la, organizá-la, manipulá-la
contextualizá-la e, o mais importante, tudo isso desenvolvido dentro dos níveis mais
excelentes de detalhes, normas e exatidão.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�F o r m a ç ã o d o s m e d i a d o r e s i n f o r m a t i v o s c u l t u r a i s | 14

As competências profissionais nos entornos digitais assumem um elemento
significativo. Sua utilidade consiste na capacidade de adaptar-se a contextos fluidos,
em constantes mudanças, uma questão fundamental hoje em dia. Os
conhecimentos adquiridos são utilizados em um contexto determinado, uma vez que
seja uma empresa ou uma instituição, suas características e condições estarão
vinculadas diretamente com a práxis profissional. As Tecnologias da Informação e
de Comunicação devem cada vez mais estar presentes nas salas de aulas,
independentemente do nível de ensino, mas, principalmente, deve estar no ensino
das profissões “da informação”, tais como a Arquivologia, a Biblioteconomia e a
Museologia. Por qual motivo? Porque hoje em dia a informação não se apresenta
tão somente em seu formato analógico, mas também se apresenta em um formato
digital. Como saber realizar o tratamento das informações digitais se as mesmas
não estão presentes como conteúdos programáticos dos currículos de formação dos
profissionais da informação, ou quando estão é para dar um “ar” moderno para os
fazeres tradicionais desses profissionais?

CONTINUE A DISCUSSÃO: http://wp.me/P7k4jO-t
__________________________________________
Marielle Barros de Moraes é doutoranda e mestre em Ciência da Informação pela
Universidade de São Paulo, com período sanduíche na Universidad Autónoma de México.
Pela Universidade Federal do Ceará, bacharelou-se em Biblioteconomia.
Ariel Morán é mestrando em Bibliotecología y Estudios de la Información pela Universidade
Autónoma de México, onde é licenciado em Bibliotecología y Estudios de la Información.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�I n f o r m a ç ã o e c o n h e c i m e n t o . E o s d a d o s ? | 15

Informação e conhecimento. E os dados?
Oswaldo Francisco de Almeida Júnior
Os termos “dados, informação e conhecimento” fazem parte do cotidiano
acadêmico dos que atuam na Ciência da Informação e em outras áreas do
conhecimento humano. No segmento da gestão da informação e da gestão do
conhecimento, esses termos são considerados essenciais e dão suporte e base a
muitas reflexões, estudos e pesquisas.
Ao analisarmos a literatura especializada, defrontamo-nos com esses termos
com frequência. São eles entendidos, na maioria das vezes, como uma sequência:
quando aos dados é acrescentado um ou mais significados, eles se transformam em
informação que, por sua vez, possibilitarão a criação de conhecimento.
Rafael Semidão (2014), em sua dissertação de mestrado, analisa os três
termos em dois segmentos, ou núcleos como emprega o autor, da Ciência da
Informação: organização do conhecimento e gestão da informação e do
conhecimento. O autor se pergunta se há outras formas de entendimento para os
três termos que não a sequência, ou seja, dados, informação e conhecimento darse-iam de maneira concomitante ou teríamos outras formas para a concretude
desses termos?
Acompanhando a literatura – e extraindo dela o que nos interessa para esta
discussão – podemos identificar dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito.
O conhecimento tácito pode ser entendido como aquele conhecimento que
possuímos, mas não sabemos que o possuímos. Outra corrente aponta o
conhecimento tácito como aquele que sabemos que o possuímos, mas que não é
necessário tê-lo de forma consciente para emprega-lo. No primeiro caso, podemos
exemplificar com ações inconscientes que utilizamos para produzir alguma coisa. Já
como exemplo para o segundo caso, podemos eleger o conhecimento para dirigir
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�I n f o r m a ç ã o e c o n h e c i m e n t o . E o s d a d o s ? | 16

um carro: passamos por um aprendizado de condução de um veículo, sabemos que
possuímos esse conhecimento, mas, quando estamos efetivamente dirigindo um
carro, não precisamos pensar sobre cada etapa do processo de direção; ele,
processo, é executado automática e inconscientemente.
O conhecimento explícito é apresentado pela literatura especializada como
sendo aquele sobre o qual temos um domínio, sobre o qual temos plena consciência
de que o possuímos.
Poderíamos iniciar aqui uma discussão sobre esses dois conhecimentos,
especulando, de início, se não haveria outras formas de conhecimentos além
desses dois aceitos. Como resumo sobre o que é tido como consolidado nesse
âmbito, teríamos a certeza de que os dois conhecimentos pertencem, de fato, ao
sujeito e existem em algum espaço dentro dele; a informação tem a tarefa de alterar
o conhecimento, existindo necessariamente fora do sujeito; a partir do segundo
sentido do conhecimento tácito – aquele que defende que sabemos possuir tal
conhecimento, mas não o utilizamos de maneira consciente – podemos entender
que a maior parte dos estudiosos advoga uma consciência do sujeito do
conhecimento possuído por ele; entendemos também que os pesquisadores
entendem a tríade “dados, informação e conhecimento” como um processo que se
dá de maneira necessariamente sequencial, até porque, como vimos, nesse pensar
a informação está fora e o conhecimento está dentro do sujeito.
Partimos aqui, ao contrário desse pensamento hegemônico, da ideia de que
o conhecimento não tem apenas um lugar, um espaço, um compartimento dentro do
cérebro do sujeito, uma vez que ele se realiza na relação, no diálogo. Além disso,
ele não deve ser dividido em dois, o tácito e o explícito. Defendemos que o
conhecimento se concretiza na relação do sujeito com o mundo, com os outros.
Defendemos também que o conhecimento é único e sua análise deve levar em
conta várias “nuances” entre a consciência ou não consciência dele por parte do
sujeito. Mais uma defesa: talvez a informação não exista apenas fora do sujeito,
desaparecendo quando apropriada; é possível que ela permaneça latente no sujeito,
não influenciando olhares e entendimentos diferenciados apenas no momento em
que é apropriada.
Será que o esquecimento, tão discutido e estudado no âmbito da memória,
não existiria também no caso do conhecimento (e da informação, se aceitarmos que
ela permaneça latente no sujeito)? Não há um “esquecimento” próprio do
conhecimento; não há um “esquecimento” próprio e específico da informação? Não
precisam, tanto o conhecimento como a informação, de um esquecimento para se
constituírem, para se realizarem?
Há muitas questões que estamos formulando, mas que não temos espaço
para desenvolvê-las neste texto.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�I n f o r m a ç ã o e c o n h e c i m e n t o . E o s d a d o s ? | 17

Ainda seguindo a literatura especializada: o conhecimento explícito, quando
exteriorizado, transforma-se em informação. O sujeito possui um conhecimento
sobre o qual tem consciência – o conhecimento explícito – e, de alguma forma,
manifesta uma pequena ou pequenas quantidades, seja registrando em suportes
físicos (livros, periódicos, filmes, CDs, DVDs, reálias, etc.) ou disseminando a partir
de formas de sustentação efêmeras (a oralidade, em especial).
A informação assim criada, ou melhor, o suporte da informação será
armazenado, organizado e disseminado nos equipamentos informacionais. Os
suportes poderão ter várias formas, mas, essencialmente, serão divididos em
suportes físicos, tangíveis e suportes eletrônicos, virtuais.
O equipamento informacional, a partir dos interesses, necessidades, desejos
e demandas informacionais da comunidade atendida por ele, selecionará suportes
que contenham informações adequadas para satisfazer aquelas demandas. Não
nos esqueçamos que essas são as principais e mais aceitas ideias presentes nas
pesquisas e estudos da área.
As informações selecionadas serão organizadas seguindo critérios e
padrões normalizados, de forma a permitir o compartilhamento delas entre os
inúmeros equipamentos informacionais existentes.
Disponíveis nos acervos, as informações contidas nos suportes serão
disseminadas através de serviços, atividades ou produtos informacionais.
Cabe, claro, uma série de questionamentos nessas afirmações. O primeiro
deles está voltado para a informação gerada a partir do conhecimento explícito
exteriorizado. Não carregaria tal informação um significado aposto pelo sujeito
produtor dessa informação? Dessa forma, a informação traria já no seu nascedouro
um subjetivismo que lhe é próprio e uma carga de conceitos, ideias, interesses,
intenções. A informação não é vazia, a informação não possui um único significado.
A nossa defesa aponta para uma informação que vai sendo construída a
cada passo de seu ciclo de vida (lembrando que, talvez, ela permaneça viva dentro
do sujeito). A cada momento ela recebe interferências de todos os que com ela
entram em contato. E isso não se refere apenas a pessoas, mas também a objetos.
Vejamos: ela nasce do sujeito produtor; recebe influência do suporte escolhido pelo
produtor, uma vez que cada suporte tem uma linguagem própria e específica; há
mais influência na forma como ela será distribuída, disseminada; passará pelo crivo
da política de seleção do equipamento informacional; fará parte de um acervo, físico
ou virtual; terá a interferência dos agentes que atuam no equipamento; o dia, tempo,
espaço, mobiliário, humor, etc. de todos os que estiverem participando da mediação
explícita também, de alguma forma, interferirão; por fim, a influência do usuário.
A informação, assim, por se construir durante o processo – e não cessar de
se construir –, nunca será, de fato, uma informação. Em textos passados,

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�I n f o r m a ç ã o e c o n h e c i m e n t o . E o s d a d o s ? | 18

empregamos a palavra protoinformação para designar a matéria prima dos
equipamentos informacionais. Protoinformação significa uma “quase informação”,
uma “possível informação”, uma “talvez informação”, uma “quem sabe informação”.
A informação vai recebendo significados e interferências ao longo de seu ciclo de
vida.
Retornando e chegando ao âmago da questão: se o conhecimento explícito,
quando exteriorizado se transforma em informação (no entendimento da maioria dos
autores da área, mas diferentemente de nosso entendimento, uma vez que
empregamos o conceito, por nós idealizado, de protoinformação) e se a informação,
quando apropriada pelo sujeito se transforma em conhecimento (também no
entendimento da maioria dos autores da área, mas não sob o nosso entendimento),
nos perguntamos onde estão os “dados”?
Conversando com pessoas que atuam na área, tanto na academia como no
mercado, muitos entendem a informação como algo produzido pelo produtor, mas
passível de ser manipulada, uma vez que pode ser “coisa”. A organização do
conhecimento lida com esse entendimento e, mais, precisa dele para poder justificar
as ações técnicas aplicadas na informação para que possa ela ser recuperada.
Outros advogam que o significado é atribuído à informação – ou ao dado que se
transformará em informação – pelo usuário. Outros ainda afirmam que existe o
“dado” a cada momento que antecede a atribuição de significado à informação, ou
seja, a informação recebe um significado em um dado momento e volta a ser dado
perante o próximo sujeito ou elemento que fará contato com ela no ciclo de vida do
equipamento informacional.
As concepções que consideram a existência dos “dados”, mesmo essas
afirmam que o conhecimento explícito, quando exteriorizado, transforma-se em
informação. Dessa maneira, a informação tem origem no conhecimento explícito e
não nos dados. A ideia da tríade “dados, informação e conhecimento”,
independentemente da existência do elemento “dados”, tem sua estrutura
sequencial quebrada. O início da tríade dá-se no conhecimento e não nos dados.
As ideias aqui expostas são de caráter pessoal e, claro, carecem de
discussões e aprofundamentos. São oriundas de estranhezas, de incômodos, de
inquietações acadêmicas. Todo pesquisador deve ser curioso, deve ser
questionador, deve provocar aquilo que é entendido como sedimentado,
consolidado, aceito, assumido, assimilado.
Aceitem as questões apresentadas como interrogações e não como
verdades ou certezas. Estas destroem qualquer possibilidade de avanço, ao
contrário, sustentam a consolidação de alguns poucos olhares, de algumas poucas
concepções, de algumas poucas posições, de algumas poucas explicações de
mundo.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�I n f o r m a ç ã o e c o n h e c i m e n t o . E o s d a d o s ? | 19

Entendam os questionamentos abordados como uma proposta de conversa,
de discussão.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Espaços e equipamentos informacionais. In:
BARBALHO, Célia Regina Simonetti et al. (Orgs.). Espaços e ambientes para leitura e
informação. Londrina: ABECIN, 2012. 238p. p.11-32.
________. Leitura, informação e mediação. In: VALENTIM, Marta Ligia Pomim (Org.).
Ambientes e fluxos de informação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 282p.
________. Mediação da informação: um conceito atualizado. In: BORTOLIN, Sueli;
SANTOS NETO, João Arlindo dos; SILVA, Rovilson José da (Orgs.). Mediação oral da
informação e da leitura. Londrina: ABECIN, 2015. 278 p. p. 9-32.
________. Mediação da informação e múltiplas linguagens. Tendências da Pesquisa
Brasileira em Ciência da Informação, v.2, n.1, jan./dez. 2009.
________. Sociedade e biblioteconomia. São Paulo: Polis/APB, 1997.
SEMIDÃO, Rafael Aparecido Moron. Dados, informação e conhecimento enquanto
elementos de compreensão do universo conceitual da Ciência da Informação:
contribuições teóricas. Marília: UNESP, 2014. 198 p. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) – Universidade Estadual Paulista – UNESP.
VALENTIM, M. L. P. Inteligência competitiva em organizações: dado, informação e
conhecimento. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação. Rio de Janeiro, v.3,
n.4, ago. 2002.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-B
_______________________________________________

Oswaldo Francisco de Almeida Júnior é Doutor e Mestre em Ciências da
Comunicação, pela ECA/USP. Professor Associado do Departamento de Ciência da
Informação do CECA/Universidade Estadual de Londrina. Professor permanente do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. É
mantenedor do site “Infohome” (www.ofaj.com.br). Presidente da ABECIN Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (2014-2016).

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 20

Licenciatura em Biblioteconomia:
história, formação, atuação e desafios para
uma nova profissão
Daniela Spudeit
Falar nesse curso sempre gera muita curiosidade dos ouvintes e desperta
questionamentos, ora provenientes de dúvidas, ora de preconceitos em relação a
uma nova área que emerge dentro da Biblioteconomia.
Alguns criticam: Mas para que especializar ainda mais uma área já tão
enfraquecida? Outros mais ponderantes antes de criticar perguntam: Qual a
necessidade e relevância desse curso? Aqueles com olhar mais apocalíptico já
largam: Para que mais um curso se o bibliotecário pode fazer isso que o licenciado
fará?
Mas será que pode? O bacharel tem formação para o ensino? Para mediar
e contribuir efetivamente com o processo de ensino e aprendizagem? Para dialogar
com professores no mesmo nível de conhecimento e prática? A atual quantidade de
bacharéis sustenta a demanda de profissionais de Biblioteconomia exigida para a
formação de auxiliares, técnicos, tecnólogos? O bacharel tem formação pedagógica
para atuar no ensino de cursos de bacharéis em Biblioteconomia no Brasil?
Enfim, ao longo desse tempo que me dediquei ao Curso de Licenciatura
sempre me deparei com os mesmos questionamentos e olhares desconfiados, daí a
necessidade de falar mais ainda sobre a proposta dessa nova formação. É
importante pesquisar, publicar, socializar informações sobre a Licenciatura em
Biblioteconomia, pois essa é uma das formas de solidificar uma profissão e
fortalecer abrindo para discussões e amadurecimento de uma nova profissão que
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 21

emerge num contexto social, educacional, político diferente de tantos outros quando
foi criado o bacharelado em Biblioteconomia no início do século XX na Biblioteca
Nacional no Brasil.
Falar o que a Licenciatura se propõe trará algumas respostas para as
perguntas acima, mas principalmente esclarecerá as polêmicas geradas e apontará
a relevância da atuação desse profissional junto aos bibliotecários, técnicos,
tecnólogos e tantos outros que podem colaborar com a valorização, visibilidade,
fortalecimento da Biblioteconomia brasileira, mas principalmente, para melhorar a
educação do nosso país por meio de um trabalho colaborativo que deverá envolver
profissionais da Biblioteconomia, da Educação e de outras áreas afins.
A Biblioteconomia no Brasil é polêmica. Vemos isso em discussões
acirradas via mídias sociais e listas de discussão em grupos específicos da área,
assistimos debates acalorados em eventos ou mesmo em artigos publicados em
revistas e livros. Sempre terá aquele grupo que vai relativizar tudo, aqueles prontos
para a Batalha do Armagedom2, aqueles que tem a síndrome de Pollyanna3 ou os
profissionais que estarão em dúvidas permanentes sobre a área e que ficarão em
cima do mundo, assim como Alice4 quando encontra o gato e não sabe que rumo
tomar. Quanto a isso posso afirmar duas coisas: Isso existe em qualquer área (não
estamos sozinhos) e é saudável ter essas discussões para fortalecer nossa
identidade profissional.
Entretanto, cabe aos profissionais da Biblioteconomia abrir seus horizontes
para enxergar não somente outras possibilidades de atuação, mas também novas
frentes de trabalho (as vagas de emprego de carteira assinada é que estão
chegando ao fim) e buscar parcerias com diferentes profissionais por meio de
equipes interdisciplinares para agregar sua formação e expertise a uma nova ordem
mundial pautada pela fluidez de comportamentos e de informações.
A Biblioteconomia apesar de ter sido criada por meio de decreto em 1911 na
Biblioteca Nacional (BN), só abriu a primeira turma em 1915, no qual esse ano
completou 100 anos de curso no Brasil e atualmente funciona na Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Foi o terceiro do mundo e o primeiro da América Latina pautado na École
Nationale de Chartes da França5. Porém, o curso foi extinto em 1922 e reaberto
somente em 1931 após várias mudanças curriculares. Na época o curso originado
por uma demanda específica para formar pessoas para atuar na BN, teve como
professores Cecília Meireles, Afrânio Coutinho e Sérgio Buarque de

2

Ver Bíblia - Apocalipse 16
Publicado pela romancista norte-americana Eleanor Hodgman Porter em 1913.
4
Literatura infanto-juvenil Alice no País das Maravilhas de autoria de Lewis Carroll (1832-1898)
publicada em 1865.
5
Ver “O ensino da Biblioteconomia no contexto brasileiro: século XX” publicado em 2009.
3

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 22

Hollanda6, porém, também não tinha professores suficientes para formar esses
profissionais, havia pouca demanda e escassos recursos destinados à Biblioteca
Nacional. Alguma relação com o que ocorre hoje nas escolas de Biblioteconomia
pelo país?
Ao longo do século XX, não somente o curso de Biblioteconomia foi sendo
reformulado pautando-se pelas exigências legais, necessidades do mercado,
demandas sociais tanto na formação quanto no fazer profissional do bibliotecário,
mas também a identidade desses profissionais que se forma a partir de experiências
adquiridas e das influências que contribuem para a formação de características
próprias, seja de pessoas, instituições ou mesmo novas propostas profissionais
visto que o meio em que esse sujeito se insere tem forte implicação na sua
identidade.
Em 1944, a Biblioteca Nacional sofreu novas reformas em sua estrutura e,
no mesmo ano o curso de Biblioteconomia foi reformulado, pois não mais se
limitaria a formar profissionais para a Biblioteca Nacional, mas oferecendo formação
básica, estaria preparando pessoas para qualquer tipo de biblioteca. A partir da
reforma a formação passa a acontecer em três diferentes níveis: a) Curso
Fundamental de Biblioteconomia que atendia a formação de auxiliares; b) Curso
Superior em Biblioteconomia, direcionado para a formação de Bibliotecários; c)
Cursos chamados “avulsos” para atualização profissional e formação continuada. O
que convém analisar sob uma perspectiva histórica é: Quem eram as pessoas que
estavam formando esses profissionais?
Historicamente quem forma são os próprios bibliotecários, alguns inclusive
de fora do país que influenciaram no currículo da Biblioteconomia no Brasil.
Entretanto, pensando na formação é que a Universidade Federal do Estado do Rio
de Janeiro (UNIRIO), no final da década de 1970, retomou as discussões do Curso
Fundamental de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional destinado a preparar
candidatos aos serviços auxiliares de biblioteca e criou o Curso de Licenciatura em
Biblioteconomia7.
A primeira turma começou em 1981, houve algumas mudanças curriculares
e até integração com o curso de bacharelado funcionando normalmente até 1991,
depois não houve oferta em função da falta de professores da área de Educação
conforme explicado no projeto pedagógico do curso da UNIRIO.
Entretanto, nos anos 2000 houve novamente o interesse em reabrir o curso,
porém a partir de outros interesses. É fundamental a compreensão de que a
necessidade da retomada do curso de Licenciatura em Biblioteconomia se dá
essencialmente por demandas sociais concretas no estado do Rio de Janeiro, que
6

Blog da Biblioteca Nacional https://blogdabn.wordpress.com/2012/03/12/dia-do-bibliotecario/
Conforme Resolução nº 187, de 26 de dezembro de 1979 reconhecido pelo Parecer Ministerial nº.
502, de 20 de dezembro de 1983, publicado no DOU de 22/12/1983 na página 21.611.
7

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 23

carecem de um profissional capacitado para a formação de pessoas qualificadas
para servir as comunidades através da mediação da informação e do conhecimento,
que é direito de todo ser humano.
Entre as motivações para criação do novo curso pode-se citar a tramitação
da Lei 12.244 (mais tarde aprovada em 2010) que aborda a universalização das
bibliotecas escolares no Brasil onde o licenciado poderia contribuir com sua
formação visto que os bacharéis em Biblioteconomia não tem formação pedagógica,
o “Programa Escolas do Amanhã” da Secretaria Municipal de Educação do Rio de
Janeiro que visava melhorar o desempenho dos alunos de 150 Escolas com baixo
índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB), havia também a demanda
por técnicos em Biblioteconomia e inclusão do curso técnico no Catálogo Nacional
de Cursos Técnicos do MEC. Também foi nessa época que o Sistema Conselho
Federal de Biblioteconomia lançou no ano de 2009 o “Programa Mobilizador
Biblioteca Escolar Construção de uma Rede de Informação para o Ensino Público”
com o objetivo de contribuir efetivamente para a qualidade do ensino, se
estabelecendo mais uma motivação para a criação de um novo projeto pedagógico
para a Licenciatura em Biblioteconomia adequado a essas demandas explicadas no
projeto pedagógico do curso aprovado em 20098.
Em 2010, o curso iniciou sua primeira turma na UNIRIO, atualmente o único
do Brasil, apesar de que o curso já existe em outros países como México 9,
Espanha10, Portugal11, entre outros. No projeto pedagógico do curso da UNIRIO cita
que o curso já existiu em outra universidade no Brasil, porém, não se obteve
nenhuma informação oficial sobre isso e o curso também não consta em situação de
ativo/desativado no Catálogo de cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação
(MEC).
Na época que o curso foi criado na UNIRIO teve como objetivo “a formação
de qualidade por meio de habilidades humanas conceituais, técnicas e profissionais,
com vistas ao ensino da Biblioteconomia para o âmbito técnico profissional”12.
O atual projeto pedagógico da Licenciatura em Biblioteconomia da UNIRIO
contempla 3.405 horas, onde o aluno deve concluir o curso noturno entre 8 e 12
semestres no qual são ofertadas 40 vagas por semestre via seleção do SISU/MEC.
Além de disciplinas da área de Biblioteconomia, tais como representação temática e
descritiva, formação e desenvolvimento de coleções, organização e administração
8

Disponível em
http://www2.unirio.br/unirio/cchs/eb/ProjetoPedagogicodoCursodeLicenciaturaemBiblioteconomia.pdf.
9
Disponível em: &lt;http://fcd.ugr.es/static/GestorDocencia/*/LD.&gt; Acesso em: 02. Nov. 2015.
10
Disponível em: &lt; http://www.enba.sep.gob.mx/codes/licenciatura_biblio.html &gt;. Acesso em: 25 Set.
2015.
11
Disponível em: &lt;https://sigarra.up.pt/flup/pt/cur_geral.cur_view?pv_curso_id=454&gt;. Acesso em: 15
Out. 2015.
12
Informação tirada do projeto pedagógico do curso (2009, p. 29) disponível em
http://www2.unirio.br/unirio/cchs/eb/ProjetoPedagogicodoCursodeLicenciaturaemBiblioteconomia.pdf.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 24

de bibliotecas, história do livro e das bibliotecas, fundamentos de Biblioteconomia,
redes e sistemas de informação; entre outras, o aluno tem no currículo disciplinas
de psicologia, sociologia, didática, dinâmica e organização escolar, metodologias e
práticas de ensino, avaliação, libras, entre outras da área de ciências sociais e
humanas além da realização de cinco tipos de estágios curriculares que vão desde
o ensino infantil, até ensino Médio e EJA.
Entretanto, novas mudanças tecnológicas, mercadológicas, sociais e
políticas estão motivando a revisão curricular, ainda mais agora que o curso foi
reconhecido pelo MEC em março de 2014. A possibilidade de aprovação do Projeto
de Lei 2245/200713 que trata sobre a inserção do tecnólogo em Biblioteconomia no
país, a aprovação do projeto de lei 6038/1314 que discorre sobre a formação e
atuação do técnico em Biblioteconomia, a evolução cada vez maior da educação à
distância e o movimento Information Literacy (competência em informação no Brasil)
são exemplos de outras demandas e frentes de trabalho que estão surgindo para o
licenciado em Biblioteconomia, que tem a formação pedagógica para atuar com
ensino e capacitação de auxiliares e técnicos de bibliotecas, formação de
tecnólogos, bacharéis em Biblioteconomia, formação continuada em cursos de curta
extensão, além de terem a oportunidade de empreender com iniciativas voltadas
para a pesquisa e consultoria educacional; são exemplos de algumas frentes de
trabalho para o licenciado.
Existem alguns desafios pela frente em relação a Licenciatura em
Biblioteconomia e é isso que deve mover a classe profissional. A divulgação e
valorização do curso nas próprias universidades, pela sociedade e pela classe
bibliotecária, regulamentação da profissão (credenciamento profissional), registro e
reconhecimento pelo Conselho Federal de Biblioteconomia, sindicatos e
associações de classe, a formação continuada, abertura de concursos para os
licenciados e a reserva de mercado são alguns dos obstáculos a serem vencidos.
Assim como ocorre com o bacharelado em Biblioteconomia e tantas outras
profissões que há décadas buscam por reconhecimento, fortalecimento, valorização,
regulamentação e espaços no mercado, o mesmo deverá ocorrer com a
Licenciatura em Biblioteconomia (só esperamos que não demore tanto) que denota
uma responsabilidade social grande na formação de profissionais que tem muita
relevância para a sociedade em rede que deseja priorizar a aprendizagem
continuada, significativa, formação de pessoas reflexivas com uma consciência
crítica que possam exercer de forma igualitária sua cidadania em prol de uma
sociedade mais justa e democrática.
13

Além do texto da Lei disponível online, recomenda-se a leitura do artigo “Tecnólogo em
Biblioteconomia: reflexões acerca da realidade brasileira” publicado em 2014 no XVIII Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias, disponível online na íntegra.
14
Disponível em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-EPREVIDENCIA/470331-PROPOSTA-REGULAMENTA-A-PROFISSAO-DE-TECNICO-EMBIBLIOTECONOMIA.html.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�L i c e n c i a t u r a e m B i b l i o t e c o n o m i a | 25

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-D
______________________________________
Daniela Spudeit é mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Santa Catarina, além de graduada em Biblioteconomia, pela mesma instituição, e
em Pedagogia pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Atua como
professora no Departamento de Biblioteconomia e Gestão da Informação
(graduação e mestrado) desta universidade. Coordenou entre 2014 e 2015 a
Licenciatura em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: FORMAÇÃO

�| 26

SEGUNDA PARTE

ATUAÇÃO

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 27

A biblioteca pública entre o ser e o ter
Katia Costa
Gostaria de escrever sobre o “mar de rosas” que devem ser as bibliotecas
públicas, mas penso que estamos muito longe de sairmos das mazelas, diante do
que temos de concreto, de colegas de profissão leio e ouço relatos que me fazem
pensar o quanto vivemos na utopia do discurso, pelo menos no que tange o assunto
relacionado às Bibliotecas Públicas no Brasil.
Mesmo tendo um Ministério da Cultura onde funciona o Sistema Nacional de
Bibliotecas Públicas (SNBP), com suas regionais nos Estado, podemos dizer que
ainda estamos muito aquém do que devem ser as bibliotecas públicas em nosso
país. Obviamente que temos exceções, algumas bibliotecas com suas
potencialidades alcançadas, seus serviços de atendimento em pleno funcionamento,
mas infelizmente são exceções. Mas, mesmo com o movimento contrário, vou
discorrer um pouco sobre este espaço que é ou deveria ser o lugar do cidadão.
No Brasil desde 1992 contamos com o Sistema Nacional de Bibliotecas
Públicas, anteriormente a este sistema existiram outras nomenclaturas responsáveis
por gerir o segmento livro e biblioteca. O SNBP teoricamente faz o controle de como
estão as bibliotecas públicas em todo o Brasil, atualmente temos registradas,
conforme informação do site15, 6.102 bibliotecas públicas municipais, distritais,
15

http://snbp.culturadigital.br/informacao/dados-das-bibliotecas-publicas/ Acesso em: 25 nov. 2015.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 28

estaduais e federais, nos 26 estados e no Distrito Federal. Este levantamento é
realizado através de formulários que os Sistemas Estaduais enviam por e-mail aos
municípios, forma mais rápida, mas não eficaz, de verificar os vários produtos e
serviços destas bibliotecas, assim como seu funcionamento estrutural. Quando me
refiro ao não eficaz, afirmo empiricamente, por conta de contatos diretamente com
representantes de vários Estados e Municípios que relatam suas realidades,
demasiadamente diferentes do que dizem relatórios com números. Quantas destas
6 mil bibliotecas existem de verdade? Quantas estão em condições de atender ao
seu público com qualidade de acervo, tecnologia, recursos humanos, ações
culturais, entre outras possibilidades que podemos enumerar no trabalho de uma
biblioteca pública?
O SNBP tem em seus objetivos o fortalecimento das bibliotecas públicas em
nosso país, será que isso tem acontecido? Durante os seis anos de trabalho em
biblioteca pública somente recebemos chamada para capacitação no primeiro ano,
nos outros a capacitação foi por interesse próprio, buscando nas entidades ou
programas que promovam eventos importantes para a reciclagem, aprimoramento e
disseminação de novos conhecimentos no que tange a área. Para um melhor
entendimento de como funciona o Sistema Nacional, suas diretrizes, funções e
recomendações para as bibliotecas públicas, indico a leitura muito pertinente de
Farias16 (2013) que fez análise explicativa, em que deixa claro as muitas
deficiências observadas dentro das recomendações do Sistema para o
funcionamento de bibliotecas públicas.
Penso que a função maior da biblioteca pública é atender o cidadão,
encontrar o que o consulente, usuário, cliente, interagente, não importa o termo
utilizado para chamar a pessoa que entra no espaço e muitas vezes sem saber o
que quer, necessitado de algo ou alguma coisa, mas ali na biblioteca obtém a
resposta. Este cidadão só encontra o que precisa se tiver sido orientado a procurar
ou pedir ajuda quando houver necessidade, pois o interagente deve sentir que
aquelas portas estão abertas por um motivo, que é ajudá-lo. Anos se passaram,
aliás, atravessamos um século e o Brasil patina na implantação correta, coerente e
apropriada de montar suas bibliotecas, no século XXI ainda encontramos
governantes que mais parecem não ter ultrapassado as mudanças ocorridas
durante anos e anos da história. Novas tecnologias, novos espaços de convivência,
acessibilidade, locais alternativos, cores, aromas, sentidos, assim tem que ser as
bibliotecas públicas: prazerosas.
Mas ao invés disso encontramos muitas cidades sem bibliotecas, quando a
tem estão abertas para o cumprimento de leis que regem o sistema, a população
por sua vez deixa a mercê dos políticos o comando de suas vidas, e esquecem de
apropriar-se, exigir e utilizar os espaços destinados a uso coletivo. Algumas ações
16

Farias, Fabíola Ribeiro. A leitura e a biblioteca pública compreendidas pelo sistema nacional
de bibliotecas públicas. Belo Horizonte: UFMG, 2013.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 29

do poder público têm sido articuladas em favor das bibliotecas, não vamos aqui
generalizar. Os poucos políticos engajados na verdadeira política pública veem a
biblioteca não como um ser ameaçador, mas sim como um agregador de
informação e conhecimento para os seus eleitores ou futuros eleitores, estes poucos
políticos sabem o quanto é importante ter sua comunidade bem informada.
No cenário da biblioteca aberta e funcionando temos funcionários, nem
sempre bibliotecários, porque encontramos todo o tipo de profissional nas
bibliotecas públicas: servidores encostados, a ponto de se aposentar, funcionários
contratados por tempo determinado, estagiários, comissionados, professores, mas
para o público em geral todos são “bibliotecários” e o mais problemático na troca de
gestão é sempre o refazer, como nos mais diversos setores do funcionalismo
público, trocou gestão e o lema é “vamos mostrar para que chegamos”, então se
troca funcionário, chefe, estagiário, comissionado e o processo tem que ser refeito
ou reiniciado.
Temos que cuidar com estes atropelos políticos, algo que ouvimos sempre
quando estamos em eventos e palestras é que quem utiliza a biblioteca tem que ser
no mínimo amigo da biblioteca ou seu aliado. Sendo parte da instituição ele vai
defendê-la, engajar-se em campanhas, disseminar boas ações, interagir nas novas
formas de divulgação dos serviços. A biblioteca pública tem que ser da comunidade
e não para a comunidade; poderia eu estar parafraseando autores atuais, mas não,
isto foi escrito por Flusser17 (1980). Mas o que tem sido feito para que a biblioteca
pertença à comunidade?
As bibliotecas públicas devem ser abertas, culturais, vivas, interativas,
variadas, convidativas, motivadoras, inspiradoras, oferecer boas condições
ambientais, e parece uma ideia contemporânea, mas vários autores citaram isso no
século passado. Estes espaços devem trabalhar de forma integrada, as bibliotecas
devem ser paiol de pensamentos lúdicos e críticos, não podemos mais pensar na
biblioteca como uma vertente somente literária, ela deve ampliar suas atividades,
ser um centro e instrumento principalmente de libertação para os seus utilizadores.
Miranda18 na década de 70 do século passado, pergunta com muita
propriedade qual a missão da biblioteca pública num país de dimensões
continentais e de desnivelamentos regionais tão marcantes como o Brasil?
Em 1994 a International Federation of Library Associations (IFLA/UNESCO)
responde parcialmente esta pergunta, as bibliotecas públicas têm como missãochave relacionada à informação, a alfabetização, a educação, a cultura e
complemento com lazer e atuante como preservação do patrimônio, podendo fazer
isso através de seus vários objetivos:
17

Flusser, Victor. Uma biblioteca verdadeiramente pública. Belo Horizonte: UFMG, 1980.
Miranda, Antônio. A missão da biblioteca pública no Brasil. Brasília: Revista de Biblioteconomia
de Brasília, 1978. Vol. 6, n. 1, jan./jun. p. 69-75.
18

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 30

● Criar e fortalecer o prazer da leitura;
● Apoiar a educação individual e a educação formal;
● Estimular a imaginação, a criatividade do indivíduo;
● Propiciar acesso às expressões culturais das artes em geral;
● Promover o conhecimento da herança cultural;
● Favorecer a diversidade cultural;
● Apoiar a tradição oral;
● Garantir acesso aos cidadãos a todo tipo de informação comunitária;
● Proporcionar serviços de informação para as empresas e associações locais;
● Facilitar o desenvolvimento e uso das tecnologias;
● Apoiar a participação de atividade e programas de alfabetização para todas
as idades.
Quando digo que a IFLA responde parcialmente à pergunta é porque após
observarmos cada item relacionado às bibliotecas públicas temos que verificar o
nosso entorno, cada região do país é diferente, com necessidades únicas e o gestor
da biblioteca, seja ele bibliotecário ou não vai ter que adequar o seu trabalho a estas
necessidades.
A biblioteca pública tem funções diferentes em cada segmento que atende o
cidadão que a procura, por isso é bom sempre lembrar separadamente de cada
uma destas funções.
Em sua função informacional devemos lembrar que a informação é o que
movimenta o mundo, vivemos na tão falada sociedade da informação, podemos
ficar estáticos diante dos acontecimentos no planeta, mas não sairemos da inércia
se não nos informarmos e entendermos o que está diante dos nossos olhos. As
bibliotecas públicas devem ter este poder, de dar a informação correta e precisa,
seja ela de cunho simplista (simples para nós que sabemos como informar, mas
complexa para aquele que a procura), como também informações mais elaboradas
sobre projetos, pesquisas, trabalhos e tudo o que possa auxiliar o interagente a
captar a sua necessidade imediata. Os bibliotecários destes espaços devem estar
conectados às várias possibilidades de resgatar informações. Como centro de
informação a biblioteca pode montar painel com informações importantes para a
comunidade em todos os segmentos: empregos, cursos, eventos entre tantos
outros.
Como função cultural e de lazer, as bibliotecas públicas devem agregar
ações, programas e projetos culturais buscando apoio entre os diversos parceiros
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 31

de cultura: dança, teatro, artes visuais, música, capoeira, tudo que envolve as
pessoas, que está ligado intrínseco ou extrinsecamente com a leitura deve ser
agregado às atividades realizadas nas bibliotecas. O interagente deve perceber a
ligação entre todos os segmentos da cultura, a leitura é importante em todos estes
movimentos culturais. Dentre as várias atividades podemos oferecer conferências,
debates, exposições que podem ser locais e itinerantes, mostrando a herança
cultural da comunidade, feiras culturais, mesas redondas, feira de livro, mural de
poesias, varal cultural e ainda apresentações musicais, exibição de filmes,
audiovisuais ou multimídia e tudo que a equipe possa organizar e coordenar.
Rubem Alves sugeriu em um de seus textos de fazermos concertos de leitura nas
escolas, que tal usarmos também nas bibliotecas públicas, assim como a música a
leitura deve encher os ouvidos, olhos e coração de prazer. O mesmo autor em O
Prazer da Leitura diz, e concordo plenamente com ele (sim sou fã de seus escritos),
que acontece com a leitura o mesmo que acontece com a música, quando somos
tocados por sua beleza é impossível esquecer e que a leitura é uma droga perigosa
que vicia. O que seria se todos os cidadãos se viciassem em leitura e em
bibliotecas?
Como função educacional nas bibliotecas, devemos lembrar que os livros
são a porta de entrada para a leitura, em um primeiro momento na fase infantil o
lúdico aparece em forma de desenhos e gravuras, após este período quando temos
o contato na adolescência à aventura por mundos desconhecidos fica mais
excitante e a garotada viaja pelo mundo, adultos intensificam suas leituras
procurando textos maduros e marcantes, assim também como os idosos. Quem
está à frente das bibliotecas deve preocupar-se com as questões relacionadas à
educação, com letramento dos indivíduos que vai muito além do ler e escrever,
também é preciso que o indivíduo aprenda a interagir com a leitura e a escrita,
entender os diferentes contextos. A dificuldade de leitura eleva o abandono escolar
e como consequência, a delinquência juvenil, o contato com as drogas, os riscos de
gravidez entre adolescentes e estes fatores podem ter sucessão em ciclos de
pobreza e dependência. Não precisamos de autores para nos dizer, percebemos em
nossa sociedade.
O papel social abrange a parte socioeconômica, a biblioteca pode fazer
atendimento aos vários segmentos de necessidades especiais como, por exemplo,
o ensino e a leitura em Braille, Libras, auxiliar os que necessitam de informação
dentro e fora da biblioteca, orientação em currículos e busca de emprego, sim
somos responsáveis por isso também, o bibliotecário é um ser social e não deve
deixar-se absorver pelo acúmulo de técnicas e esquecer seu lado humanista.
Suaiden19 (1995) observou que entre todos os tipos de bibliotecas, as públicas são
as únicas que possuem características reais de instituição social, por todo seu
campo de ação e amplitude diante da diversidade de seus interagentes.

19

SUAIDEN, Emir. Biblioteca pública e informação à comunidade. São Paulo: Global, 1995.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 32

O bibliotecário para trabalhar em biblioteca pública tem que se ater não só a
parte técnica da profissão, ele deve saber antes de tudo que sua função será
multidisciplinar, com exceção de espaços que tenham uma equipe completa e seus
setores direcionados (o que é raro, em maioria conseguimos alguns estagiários,
com sorte servidor contratado), o bibliotecário terá que se desdobrar na parte
técnica, administrativa, referência, captação de recursos, elaboração de projetos
entre as várias atividades que fazem parte do espaço de trabalho em que vai atuar.
Temos que ir do planejamento ao operacional e sempre há as barreiras burocráticas
e financeiras. Em verdade o “jogo de cintura” é o termo correto que podemos
direcionar ao profissional que embarca nesta maravilhosa viagem, por que digo
isso? Trabalhar em uma biblioteca pública, quando ela é realmente voltada para a
comunidade é ter acesso a várias pessoas, diferentes perfis, inúmeras histórias,
para quem pensa que há uma monotonia, digo que está enganado, é uma novidade
atrás da outra, todo dia um novo dia.
O perfil do bibliotecário neste segmento deve ser inter e multidisciplinar,
polivalente, mediador da informação, gostar de leitura, ter senso de organização,
extrovertido. Encontraremos situações inusitadas que só rindo para podermos não
nos estressarmos com o acúmulo de trabalho. Criatividade é ponto chave, sem
dinheiro não se faz nada, mas com criatividade se consegue muita coisa.
Crianças que crescem e observamos sua evolução na leitura, jovens
amadurecendo, adultos e seus problemas cotidianos, idosos e suas lindas histórias
de vida, estudantes que não estudam, outros dedicados, trabalhadores à procura de
emprego, migrantes à procura de casa, projetos indeferidos e os que são
aprovados, novos amigos, todos os dias são emoções diferentes que temos nas
bibliotecas públicas.
Sobre as expectativas que se vai encontrar em uma biblioteca pública,
Suaiden20 (2000) escreveu que é diferente para os diversos atores que compõem o
seu universo: editoras pensam ser a formação de leitores, educadores que é um
alicerce no processo de ensino-aprendizagem, intelectuais um espaço enriquecido
com literatura e o cidadão comum que iremos solucionar todos os problemas
cotidianos. O mais interessante de se trabalhar neste ambiente e sinto isso não só a
partir do meu trabalho, mas também do relato de outros colegas na mesma
situação, é que as bibliotecas públicas não são vistas como um órgão
governamental, ela aparece sempre como um local de todos, não que todos saibam
que podem se apropriar, mas quando descobrem que podem e devem utilizá-la
gratuitamente, há um empoderamento automático, quase um “sim, é nossa!”. Talvez
isso seja o diferencial de outros setores como a saúde, assistência social, são
setores que o cidadão associa normalmente à prefeitura, ao estado, mas a

20

SUAIDEN, E. J. A biblioteca pública no contexto da sociedade da informação. Ci. Inf., Brasília, v.
29, n. 2, p. 52-60, maio/ago. 2000.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�A b i b l i o t e c a p ú b l i c a e n t r e o s e r e o t e r | 33

biblioteca pública ao contrário destes está vinculada a um espaço de lazer, mesmo
quando é procurada para pesquisa.
A Biblioteca Pública deve estar inserida em seu verdadeiro sentido de
atuação: livre, aberta, democrática, socializadora, ao mesmo tempo poder cuidar da
preservação da memória (é importante), investir na construção do conhecimento e
somar esforços para que transforme e seja transformadora para e pelo interagente,
e que em razão deste, possa ser um ambiente vivo e efervescente de cultura,
informação, educação e lazer.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-F
____________________________________
Katia Costa é bibliotecária da Biblioteca Municipal Ary Cabral, em Brusque (SC).
Tem pós-graduação em Gestão de Bibliotecas Públicas pela Universidad Alberto
Hurtado (Chile). Engajada no associativismo bibliotecário via Associação
Catarinense de Bibliotecários, onde foi Presidente na gestão 2014/2015.

.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 34

Biblioteca escolar: modos de usar
Vagner Amaro

Acolho com muito prazer o convite para abrir este diálogo sobre bibliotecas
escolares, primeiro por ter dedicado boa parte da minha experiência profissional à
implantação, manutenção e desenvolvimento de uma biblioteca escolar e
principalmente por ter alcançado, a partir dessa experiência, a compreensão sobre a
importância deste tipo de biblioteca para o desenvolvimento integral de qualquer
indivíduo.
As bibliotecas escolares surgiram no Brasil no século XVI, dentro de
instituições religiosas e absorvendo delas características que moldavam seu uso e
acervos. Posteriormente, uma circular de 1835, proibiu o noviciado no Brasil,
levando a decadência dos conventos e, em consequência, destas bibliotecas. Após
este período, destacam-se como marcos importantes na história das bibliotecas
escolares a fundação das escolas normais, pois de 1880 a 1915, implantaram
espaços mais próximos do que hoje entendemos como bibliotecas escolares. Outro
momento relevante ocorreu na década de 1930, com a criação das bibliotecas nos
ginásios estaduais. Há também na década de 1930 um movimento chamado Escola
Nova, do qual fazia parte Anísio Teixeira e que defendia a importância das
bibliotecas escolares. A reforma do ensino médio no país, em 1969, fazia referência
à biblioteca, através dos documentos do programa de expansão e melhoria do
ensino médio (PREMEM).
Na década de 1990, embora a biblioteca não apareça na Lei de diretrizes e
bases – LDB, de 1996, no ano seguinte, a biblioteca foi incluída nos Parâmetros
Curriculares Nacionais, com a informação sobre sua importância para o
desenvolvimento do gosto pela leitura e para a formação de leitores competentes. É
também de 1997 o Programa Nacional Biblioteca na Escola - PNBE, que propõe
implantar, ampliar e atualizar o acervo das bibliotecas de escolas públicas
brasileiras. Destaco, em 2010, a lei 12.224 que dispõe sobre a universalização das
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 35

bibliotecas nas instituições de ensino no país e estabelece o prazo de 10 anos para
a efetivação do que a lei determina.
Em relação ao PNBE, questiona-se o foco de sua ação, prioritariamente em
relação à distribuição de livros, sem conformar também em seus objetivos a criação
e manutenção de bibliotecas escolares para receberem estas coleções e a
formação de mediadores para disseminá-las. Neste sentido, a lei 12.224 de 2010,
apresenta-se como um avanço, embora os desafios sejam grandes para que ela se
efetive. Um levantamento feito pelo portal Qedu, da fundação Lemann, a pedido da
Agência Brasil, baseado nos dados do Censo Escolar de 2014 teve como resultado
que 53% das 120,5 mil escolas públicas brasileiras não possuem bibliotecas ou
salas de leitura.
Estes dados nos mostram que o grande desafio encontrado para as
bibliotecas escolares brasileiras é que elas sejam universalizadas e passem a existir
com maior visibilidade nas políticas públicas, e que também, no campo das
abstrações, estejam nas aspirações de pais, gestores, professores e alunos como
um direito a ser alcançado. Fato marcante na nossa cultura é que as bibliotecas
escolares não são vistas pelo senso comum como importantes. Pais, professores e
alunos não lutam por sua existência e mesmo em escolas particulares a ausência
de bibliotecas é vista com naturalidade.
Proponho neste texto que a biblioteca desvalorizada no imaginário social e
nas práticas da sociedade civil está muito distante das potencialidades atuais
existentes para a biblioteca escolar. Embora ainda persista em grande parcela da
população brasileira uma ideia da biblioteca escolar como o espaço do castigo, do
silêncio extremo, do excesso de regras e normas, dos livros antigos e empoeirados,
dos funcionários inflexíveis e entediados, enfim, das impossibilidades, apenas a
mudança das práticas profissionais poderá fazer com que a biblioteca escolar entre
na pauta de desejos da sociedade, de forma que seja um desejo fazer uso pleno da
biblioteca, assim como o é ir à praia ou ao cinema. Pesquisa organizada pela
ESPM-SP e pela FGV, Panorama Setorial da Cultura Brasileira 2013-2014,
identificou que de 1.620 pessoas entrevistadas, de 16 a 75 anos, apenas 5% havia
frequentado bibliotecas públicas no último ano.
Se existem atores sociais lutando para que as bibliotecas sejam
universalizadas, torna-se necessário pensar que modelo de biblioteca surgirá a
partir destas leis, decretos e planos e se este modelo estará moldado para os
interesses atuais de crianças e jovens.
Vejo surgir algumas poucas novas experiências em biblioteconomia escolar
que se apropriam dos conhecimentos produzidos durante anos por bibliotecários e
outros educadores sobre planejamentos, processos técnicos e mediações e aliam a
este conhecimento as possibilidades de atuação que a atualidade apresenta. Um
fator a ser destacado é que, sanada a questão do déficit de bibliotecas e,

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 36

principalmente, em relação às bibliotecas que já existem, os desafios da biblioteca
escolar são os mesmos desafios da escola, não podendo ser dissociados, conforme
atesta Sílvia Castrillon (2013) quando afirma que as funções da biblioteca escolar
são de caráter político, ético e educacional, que elas não estão separadas do papel
geral da escola e que seu cumprimento não pode acontecer em um trabalho isolado
da sala de aula, embora tenham tarefas específicas que lhe conferem uma
identidade própria e uma razão para existir dentro da escola e do sistema
educacional.
Neste sentido, cabe refletirmos sobre os desafios atuais da educação
básica, em que a biblioteca escolar está inserida. Diversos estudos apontam que a
evasão escolar, o desinteresse de crianças e jovens pelos conteúdos privilegiados
pela escola e as dificuldades de integrar a tecnologia às práticas de ensino são os
grandes desafios da educação contemporânea. Incluo nestes, questões trazidas
pelo estágio da globalização que vivemos, que estimula nos jovens a formação de
identidades multiculturais. Em 1998, Edgar Morin produziu um texto para a Unesco
em que apontava os 7 saberes necessários à educação no futuro, sendo eles: As
cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão - trata do dever da educação de
armar cada um para o combate vital para a lucidez; Os princípios do
conhecimento pertinente – trata de entender o pensamento, valorizando a visão e
a reflexão a longo prazo, conjugando o conhecimento das partes com o
conhecimento das totalidades, conjugando a análise com a síntese; Ensinar a
condição humana – uma das vocações essenciais da educação do futuro será
exame e o estudo da complexidade humana, conduzida à tomada de conhecimento,
por conseguinte, de consciência, da condição comum a todos os humanos e da
diversidade dos indivíduos, dos povos e das culturas; Ensinar a identidade terrena
– É preciso ensinar a história da era planetária e mostrar como todas as partes do
mundo se tornaram solidárias, sem ocultar opressões e a dominação que devastam
a humanidade e ainda não desapareceram. Mostrar que todos os seres humanos,
confrontados de agora em diante aos mesmos problemas de vida e de morte,
partilham de um destino comum; Enfrentar as incertezas – ensinar princípios de
estratégias que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e
modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo do
tempo; Ensinar a compreensão – estudar a incompreensão a partir de suas raízes,
suas modalidades e seus efeitos. Enfocar nas causas do racismo, da xenofobia e
do desprezo, seria uma base segura para educação para a paz, a qual estamos
ligados em essência e vocação; A ética do gênero humano – todo
desenvolvimento humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das
autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de
pertencer à espécie humana.
Diante das asserções apresentadas, pensemos nas ações em que os
bibliotecários escolares tradicionalmente atuam em um entendimento de
colaboração com os objetivos da escola. Neste campo destacam-se o incentivo à

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 37

leitura e a orientação à pesquisa. Vemos timidamente algumas práticas de
competência em informação serem desenvolvidas. Da mesma forma que a escola
questiona qual modelo seguir para cumprir sua missão, devemos nos questionar se
as práticas de fato correspondem às necessidades dos nossos usuários, sejam eles
alunos, professores e outros membros da comunidade escolar. Até que ponto
estamos promovendo os saberes necessários à educação do presente e do futuro?
Em 1996, um grupo de pesquisadores dos letramentos se reuniu em Nova Londres,
em Connecticut, para pensar uma pedagogia que incluísse os novos letramentos
emergentes na sociedade contemporânea. Dois fatores marcantes destacavam-se
nos jovens observados por estes educadores, o uso de novas ferramentas de
acesso à comunicação e à informação e de rede social, que acarretava novos
letramentos de caráter multimodal e multissemiótico e os conflitos culturais que
estes alunos viviam. Deste encontro surgiu a Pedagogia dos multiletramentos, que
ROJO (2012) descreve como uma pedagogia que pode não envolver (normalmente
envolverá) uso das novas tecnologias de comunicação e de informação, mas que
caracteriza-se como um trabalho partindo das culturas de referência do alunado e
de gêneros, mídias e linguagens por eles conhecidos, para buscar um enfoque
crítico, pluralista, ético e democrático, que ampliem o repertório cultural, na direção
de outros letramentos valorizados, ou desvalorizados.
Cito também como proposta educacional que merece estudo mais
aprofundado e que por ser transversal, também dialoga com as vocações da
biblioteca escolar, o conceito de educação 3.0, do qual Jim Lengel é especialista.
Na educação 3.0 os alunos trabalham em problemas estimulantes com senso
prático e funcional, alunos e professores produzem em conjunto, os alunos
desenvolvem pesquisas auto direcionadas, os alunos aprendem como contar uma
boa história, estudantes empregam ferramentas apropriadas para a tarefa e os
alunos aprendem a ser curiosos e criativos. Por fim, destaco a literatura sobre o
letramento informacional, que para Campelo (2009) constitui uma capacidade
necessária aos cidadãos para se adaptarem à cultura digital, à globalização e à
emergente sociedade baseada no conhecimento
Existem diálogos e ressonâncias nestes pensadores que se dedicaram a
atualizar as práticas educacionais ao nosso tempo de mudanças constantes. A
partir dos textos citados e da minha experiência ouso elaborar, em síntese, alguns
apontamentos, que descrevem os modos de usar a biblioteca escolar, citado no
título deste texto:
- Da dinamização da leitura à uma pedagogia dos multiletramentos
Que as
multissemióticos
multiletramentos,
privilegiados pela

ações de dinamização da leitura contemplem os textos
e multimodais, adequando-as aos princípios da prática de
sendo sistemáticas e considerando os letramentos não
escola, mas de uso comum dos alunos. Que as leituras nestas

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 38

mediações deixem de ser eventuais e tornem-se uma prática social, de preferência
valorizando também a escrita e em projetos que prevejam a produção de conteúdo.
- Do apoio à pesquisa ao letramento informacional
Tradicionalmente no fazer bibliotecário apoiar a pesquisa esteve relacionado
a indicar ao usuário como encontrar no acervo da biblioteca as informações
solicitadas.
Atualmente, mais que isso, espera-se da biblioteca escolar a
elaboração de programas de competência em informação e comunicação, que ao
longo do tempo da criança e do jovem na escola desenvolvam neles a autonomia na
busca, produção e uso da informação.
- Do silêncio ao estudo colaborativo
As práticas de estudo estarão relacionadas a projetos que os alunos,
distribuídos em grupos, irão desenvolver, propostos pelos professores e também
pelos bibliotecários, e o trabalho de pesquisa e produção de conhecimento se dará
na biblioteca, em grupos de estudos, reuniões, trocas de informação, resolvendo
problemas com foco em soluções para um mundo melhor.
- Da biblioteca escolar a “Biblioteca escolar comunitária”
Consiste na abertura da biblioteca escolar para atender também aos
funcionários e familiares, além disso, que desenvolva projetos com a comunidade
do seu entorno, relacionados à área de promoção da leitura e da literatura e de
letramento informacional. Projetos elaborados pelos bibliotecários, com apoio dos
professores, e realizados com os alunos. (Atividades de mediação da leitura, de
alfabetização digital, de colaboração com bibliotecas comunitárias, de melhoria de
acesso à leitura para deficientes, de letramento digital...). Com isso, desenvolver
nos alunos o senso crítico e o compromisso social.
- A biblioteca escolar como espaço de interdisciplinaridade
A biblioteca é o grande espaço de interdisciplinaridade na escola e também
é o espaço do estudo coletivo. Aproveitar-se dessa vocação e propor projetos que
promovam diálogos entre os conteúdos e resultem em produtos que possam
oferecer à sociedade respostas para problemas ainda não estudados. Adaptar seus
espaços com mobiliário e equipamentos tecnológicos que deem suporte para os
grupos de estudo. Conectar-se com outras instituições e grupos de pesquisa.
Estes são objetivos de uma biblioteca escolar de acordo com as demandas culturais
e informacionais da atualidade.
Os apontamentos que apresento a partir da minha perspectiva de
bibliotecário escolar, de acordo minha experiência, indagações e leituras, levam-me
a concluir que vivemos não apenas o tempo da explosão de informação, mas
também o apogeu da valorização da cultura escrita como um bem público, o que

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 39

torna a biblioteca escolar uma dimensão da escola essencial para a formação de
cidadãos mais autônomos, críticos, lúcidos e livres.

REFERÊNCIAS
BAUMAN, Zygmunt. Sobre educação e juventude. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
BELUZZO, Regina Célia Baptista. Construção de Mapas: desenvolvendo competências
em informação e comunicação. Bauru: Cá entre nós, 2007.
BRASIL. Decreto nº 63.914, de 26 de Dezembro de 1968. Diário Oficial da União, Poder
executivo. Brasília, DF, 26 dez. 1968. Seção 1. p. 11204.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE):
leitura e bibliotecas nas escolas públicas brasileiras. Brasília: Ministério da Educação, 2008.
BRASIL. LEI Nº 12.244, de 24 DE MAIO DE 2010. Diário Oficial da União, Poder
executivo. Brasília, DF, 24 mai. 2010.
CAMPELLO, Bernadette Santos. Letramento informacional: função educativa do
bibliotecário na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
CASTRILLON, Sílvia. Biblioteca escolar e comunidade. Palestra realizada no III Encontro
Escola Sesc de Bibliotecas Escolares. 25 set. 2013.
LENGEL, James. 7 steps to better schools. New York: Teachers College Press, 2012.
MAROTO, Lúcia Helena. Biblioteca escolar, eis a questão! do espaço do castigo ao
centro do fazer educativo. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
MORIN, Edgard. Os sete saberes necessário necessários à educação do futuro. São
Paulo: Cortez, 2005.
PETIT, Michele. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. São Paulo: Editora 34,
2008.
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola
Editorial, 2009.
ROJO, Roxane. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
SILVA, Jhonatan Carvalho. Perspectivas históricas da biblioteca escolar no Brasil: análise
da Lei 12.244/10 que dispõe sobre a universalização das bibliotecas escolares. Revista
ACB, Florianópolis. V. 16, n. 2. 2011.
VALIO, Else Benítio Marques. Biblioteca escolar: uma visão histórica. Trans-in-formação,
Campinas. V.2, n.1, janeiro/abril. 1990.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c a e s c o l a r | 40

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-H
________________________________________
Vagner Amaro é bibliotecário na Escola SESC de Ensino Médio (RJ). Mestrando
em Biblioteconomia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. É
graduado em Biblioteconomia por esta mesma instituição e em Jornalismo pela
Universidade Estácio de Sá, onde também se especializou em Gestão da Cultura.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 41

Biblioteconomia Social:
as leis de Ranganathan numa
biblioteca prisional
Catia Lindemann
Obter o título de bacharel em Biblioteconomia dentro de uma Ciência Social
Aplicada, área de respaldo técnico, e aceitar esta verdade como única sempre me
causou inquietude ao longo do curso. Ora, para o senso comum, a biblioteconomia
forma profissionais aptos a lidarem com a técnica de organização, gestão e
representação das obras do conhecimento, ficando sempre a imagem de uma
profissão estereotipada em bibliotecas. Aliás, a maioria das escolas de
Biblioteconomia ainda segue nessa diretriz de bibliotecário versus biblioteca formal
(universitária, escolar, pública, etc.).
No entanto, dentro da atualidade, o bibliotecário vive sua
multidisciplinaridade, atuando além das fronteiras das bibliotecas tradicionais, ouso
dizer que a Biblioteconomia é em verdade o bibliotecário, acompanhando-o onde
quer que ele esteja, não dependendo da técnica para existir, mas do usuário,
agregando informação e conhecimento em comunidades, sendo fator ativo nas
discussões sociais. Exemplo disso são as bibliotecas prisionais, espaços em que
por experiência própria eu posso lhes dizer que a técnica precisa ser totalmente
readaptada e quase sempre reinventada.
Quando fui implantar a atual biblioteca da Penitenciária do Estado aqui na
minha cidade (Rio Grande - RS), cheguei cheia de expectativas e visando colocar
na prática o que havia aprendido enquanto teoria em sala de aula. Busquei respaldo
na cadeira de “Planejamento de Bibliotecas” e depois de medir espaço físico,
analisar posição das estantes, priorizar cuidados de preservação do acervo, pronto,

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 42

eu fui e fiz tudo como roga a “técnica”, me sentindo a tal bibliotecária que havia
aprendido a lição perfeitamente e só precisava transformá-la em ação. Depois de
tudo pronto em seu devido lugar, entra o chefe de segurança da prisão, olha com
atenção cada mobiliário da biblioteca e passa pelas estantes observando
calmamente os detalhes. Alguns minutos depois, ele me olha sério e num tom
enfático me diz:
- “Ora Dona Catia, isso tá tudo errado. As estantes não podem ficar assim
nestas colunas horizontais”.
Eu pensei cá comigo: “O que ele sabe de Biblioteconomia? Vou explicar que
tudo deve ficar assim porque eu estudei para isso e sei como deve ser feito”.
Respirei fundo e apenas argumentei o porquê do local de cada mobiliário dentro da
biblioteca. Ele me ouviu atentamente e passando a mão na cabeça, já rindo de
minha ingenuidade, me disse:
- “As regras são muito bonitas Dona Catia, mas isso a senhora faz numa
biblioteca lá fora. Aqui nossa prioridade é a segurança, portanto, melhor seus livros
aqui pegarem o sol que vem dessas grades (a biblioteca foi montada numa cela
desativada) do que a senhora ficar mantida refém de algum preso. Isso aqui não
tem sequer linha de tiro Dona. Como vamos visualizar um preso atrás das estantes?
Não pode né? Linha de tiro é prioridade”.
No cárcere, foi preciso adequar a Biblioteconomia para que a biblioteca de
fato pudesse existir. Tudo que aprendemos como teoria é contraposto quando se
trata de biblioteca prisional. Olhar aquele espaço e lembrar-se de “Planejamento de
Acervo”, mas lembrar de que lá dentro a priori é não é o que roga a Biblioteconomia
e sim a segurança.
Como se tratava de leitores com suas especificidades, averiguei que somente
os procedimentos bibliotecários não surtiriam os resultados desejados, ou seja, não
bastava catalogar e classificar as obras literárias, mas apresentar os livros aos
usuários apenados, buscar alternativas para a sua compreensão em torno da
localização das obras nas estantes. Seguir o método de classificação dentro da
técnica bibliotecária não proporcionou que os apenados tivessem autonomia na
hora de buscar a leitura. A biblioteca enquanto espaço destinado às obras e a
leitura, deve seguir a técnica da biblioteconomia e colocar em prática tudo que nos
foi e é ensinado em sala de aula, porém a biblioteca enquanto ferramenta social
destinada ao apenado, não tem como seguir sozinha sem estar respaldada pelo
respeito às regras do cárcere e principalmente respeito à cultura do preso.
Todas estas questões me fizeram rever as leis de Ranganathan,
consideradas como fundamentais para a Biblioteconomia. Mas como seguir tais
diretrizes dentro do cárcere?

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 43

Os livros são escritos para serem lidos – Os apenados são em sua maioria
virgens na leitura, sem contar que uma grande massa deles possui dificuldade em
ler. Então como lhes dizer: “Leiam, afinal, os livros foram escritos para serem lidos”.
Foi preciso fazer uma mediação de leitura entre o apenado e o livro, contando-lhes
parte das histórias, buscando títulos que viessem a cativar os presos e chegar até
eles fazendo-os acreditar que aquela obra haveria de lhes trazer algum alento
dentro do cárcere, apontar que livros são pontes no caminho da Educação e que
esta pode servir como redução de pena.
Todo leitor tem seu livro – Sim, todo leitor tem algo peculiar que lhe chama
atenção. Mas como saber disso dentro do cárcere, onde há mais de mil apenados?
Não há como chegar até todos, uma vez que apenas poucos frequentam a
biblioteca, os demais recebem obras direto nas galerias. Mas descobri que no
cárcere existe o efeito “dominó”, que basta você atingir um e terá conseguido
acertar os demais. Exemplo disso foram os presos das celas do seguro (celas de
segurança para presos ameaçados por outros presos), que de modo direto, sem
meias palavras foram logo salientando que “detestavam livros”, mas observei que
um deles desenhava num papel e levei livros sobre desenhos e saí antes que ele
pudesse rejeita-los. O resultado deu-se em poucos dias, quando o mesmo preso
solicitou mais obras sobre o mesmo assunto e diante daquele quadro, outros
apenados, da mesma cela do seguro, também fizeram o mesmo. Os que gostavam
de escrever poesias queriam livros apenas de poesias, os que faziam artesanato,
queriam obras sobre este assunto e apenas deste modo se fez valer a segunda lei
da biblioteconomia.
Todo livro tem seu leitor – Por muitas vezes fiquei estática olhando as
estantes e tentando assimilar quais obras eu deveria levar para as galerias. Como
saber qual daquelas obras teria o seu leitor? Hoje tenho ciência exata de que esta
terceira lei só é e pode ser compreendida depois que você passa a conhecer as
regras exatas do local em que está inserida a sua biblioteca, pois no caso do
cárcere, nem todo o livro tem o seu leitor, apenas os livros que o sistema permite
chegar ao seu leitor, caso das obras de direitos humanos, censuradas pelo sistema.
Poupe o tempo do leitor – Poupar o tempo do leitor na cadeia? Infelizmente
isso vai contra o que mais existe para o preso no cárcere: o tempo. O leitor apenado
não quer seu tempo poupado, por isso os intitulo como “usuários especiais”, pois
para eles, ler é sentir que o tempo vai passar mais depressa, não que tenham
pressa, mas que o tempo da procura da obra e da leitura propriamente dita seja tão
longo que os faça desaperceber que lá dentro a hora não passa.
Uma biblioteca é um organismo em crescimento – Esta última lei da
Biblioteconomia é exatamente o que acontece na biblioteca prisional. Começamos
com meras centenas de obras e em pouco ultrapassamos a casa dos milhares. Mas
eu somo nesta lei a realidade do cárcere, onde infelizmente, para cada cinco leitores
que ganham a liberdade, entram mais dez ou vinte. Ou seja, sempre temos cada

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 44

vez mais usuários e o crescimento do acervo da biblioteca não consegue atingir
esta velocidade criminal, onde o cárcere, ao contrário da biblioteca, é o grande
organismo em crescimento.
Depois de fazer esta analogia das leis de Ranganathan aplicadas a uma
unidade de informação prisional, finalmente compreendi que o fazer bibliotecário
não está centrado nas regras, na teoria aprendida e tão pouco naquilo que “deve ser
feito”, mas primordialmente dentro do que “pode ser feito”, ainda que tenhamos de
rever conceitos e modificar preceitos.
Portanto, foi exatamente esta interação entre a técnica e o social foi que me
fez conceber o que intitulo de Biblioteconomia Social, lembrando que dentro da
contemporaneidade, talvez seja preciso idealizar a técnica bibliotecária
mencionando também a responsabilidade social que a cerca, pois não classificamos
e catalogamos apenas os livros, mas saberes acima de tudo.
Temos então uma grande dissensão dentro da Biblioteconomia, de um lado a
tradição humanista, pragmática, a qual o bibliotecário tem relação erudita e filosofal
no desempenho de suas atividades e grande crítico cultural, tornando o seu usuário
como o centro de tudo, ou seja, uma Biblioteconomia Social. Por outro lado, temos
também a biblioteconomia tecnicista, baseada na teoria da representatividade, onde
o bibliotecário passa a ser especialista documental, um classificador que reconhece,
identifica e representa a informação. Suas ferramentas são a CDD, CDU, etc., além
do uso das tecnologias produzidas pelo homem. Mas lembremo-nos que esta
Biblioteconomia pode não funcionar quando nosso espaço é composto por leitores
em que a maioria não concluiu o ensino fundamental e tecnologia em um lugar que
sequer possuí livros é luxo, embora necessário. Contudo, numa prisão, na periferia,
área rural ou locais que nem tem acesso às obras do conhecimento, o sistema
“www” é inexistente.
Relembro o nosso juramento de Biblioteconomia, que carrega o peso da
responsabilidade social Bibliotecária quando cita: “Prometo tudo fazer para
preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado
na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana”. (CFB,
1966).
Considero como palavras-chaves juramentadas pela profissão exatamente o
que tange: Humanidade, Liberdade e Dignidade da Pessoa Humana. É esse o papel
do bibliotecário hodiernamente, ou seja, facilitar o acesso, mediar informação para
os cidadãos, como ferramenta para exercer sua cidadania e quando o bibliotecário
consegue utilizar o seu fazer profissional de maneira pragmática e humanista, temos
então a representatividade da Biblioteconomia Social, somando e fazendo a
diferença nas comunidades com diferenças tão distintas dentro da sociedade.
Mas e o que se tem discutido sobre Biblioteconomia Social dentro da Ciência
da Informação? Minhas ações me levaram a crer, durante um bom tempo, que eu
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 45

sempre pratiquei uma Biblioteconomia Social, mas e o que de fato vem a ser esta
temática dentro da área enquanto cientificidade? O social biblioteconômico já é uma
realidade dentro da Ciência da Informação?
Dentro da minha percepção, implantar unidades de informação em presídios,
espaços de leitura em hospitais, salas comunitárias da periferia da cidade, casa de
tratamento e recuperação de dependentes químicos, era isso o que até então eu
rotulava como Biblioteconomia Social. Mas quando fui colocar estas ações dentro
da teoria, compreendi que havia lacunas, dúvidas e muito a ser pesquisado,
analisado e assimilado sobre este assunto. Fui à busca destas e outras tantas
inquietudes sobre o tema em minha monografia, investiguei respostas, delineei o
termo Biblioteconomia Social em nível de Brasil, almejando conceber onde de fato
encontrar-se à ligação do Social dentro do Aplicado nesta Ciência denominada
Biblioteconomia. Digo-lhes, que em minha concepção, a Biblioteconomia Social
pode ser encarada como elo entre a técnica tradicional da Biblioteconomia e o social
contemporâneo.
Hoje os tempos são outros, em pleno século XXI, com uma sociedade que
luta por igualdade, isso inclui o acesso à informação, os direitos humanos buscando
consciência cidadã por parte dos profissionais de todas as áreas, não há mais razão
em querer nivelar a Biblioteconomia atual da Biblioteconomia Deweyniana de quase
200 anos atrás.
Talvez esteja na hora de dar uma nova roupagem para as Leis de
Ranganathan e assim trazê-las para a realidade da Biblioteconomia Social, tendo
como objetos centrais a cultura e as deficiências de comunidades em que a
biblioteca ainda não está presente.
Teríamos então Leis da Biblioteconomia atuando em prol de Bibliotecas +
Sociedade = Igualdade Social, compreendendo que:
- Os livros são escritos para serem lidos por todos;
- Todo leitor tem seu livro, desde que você conheça o seu leitor;
- Todo livro tem seu leitor, se o princípio em que o leitor estiver permitir
que assim seja;
- Poupe o tempo do leitor, se o leitor assim desejar;
- Uma biblioteca é um organismo em crescimento, deve sempre
acompanhar o crescimento da comunidade em que está inserida.
Compreendo que não pode haver menosprezo ao tecnicismo bibliotecário,
pois sua existência é essencial para dar funcionalidade à biblioteca como prestadora
de serviços. Sem uma boa técnica, qualquer outro caminho galgado pela biblioteca
fica disperso. É preciso dar fundamentação no tratamento técnico da informação

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B i b l i o t e c o n o m i a s o c i a l | 46

para que deste modo a finalidade social da biblioteca possa atingir seu objetivo.
Entretanto, deve-se ressaltar que no caso de bibliotecas prisionais, o usuário vem
atribuído de outras facetas que o tornam mais do que um número estatístico de
serviços prestados e atendimentos realizados, mas sim um usuário-interesse,
usuário-indivíduo com existência social e psicológica, atribuindo deste modo um
contexto maior dentro do “usuário-cartão de empréstimo”.
Dentro do cárcere, a Biblioteca é um agente institucional, porém temos o
Bibliotecário que em contrapartida é um agente humano. Nenhuma instituição pode
ser agente de transformação sem o senso de seu próprio valor, especialmente a
biblioteca prisional.
Será que já não está na hora da nossa Biblioteconomia sair da sua zona de
conforto da cientificidade e perceber que os tempos são outros, que urge a
necessidade de uma Biblioteconomia Social e voltada única e exclusivamente para
o seu usuário?
Concluo minhas percepções assumindo que estou longe de ser uma expert
da academia e tão pouco tenho bagagem científica. Mas tenho legado e ele está
nos guetos, nas salas de leitura e nas bibliotecas que já montei. Lugares em que
antes os livros jamais estiveram... Espaços em que as regras bibliotecárias
precisaram dar espaço às regras do local.
Mas este é o meu jeito de fazer Biblioteconomia, como sempre digo, sou uma
mistura das palavras do Edson Nery da Fonseca com as menções do Fernando
Pessoa, tipo isso: “Eu não tenho sequer pós-graduação, não tenho mestrado,
doutorado, tenho apenas um bacharelado em uma ciência que ninguém leva a sério
chamada Biblioteconomia... À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do
mundo”.
E você, tem praticado a “Humanidade, Liberdade e Dignidade da Pessoa
Humana” ao do seu fazer bibliotecário na comunidade em que está inserido?

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-J
_________________________________________
Catia Lindemann é bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio
Grande. Vem refletindo sobre a atuação do bibliotecário em unidades prisionais e
sobre o papel social da Biblioteconomia.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 47

Barca dos Livros: uma biblioteca com alma
Rosangela Madella
Tânia Piacentini
Tanira Piacentini
A Biblioteca Comunitária Barca dos Livros foi idealizada pela Sociedade
Amantes da Leitura, cujo objetivo, em dez anos de existência, tem sido difundir a
leitura como instrumento de afirmação cultural e de cidadania. Conta com um
acervo catalogado de mais de 15.000 livros, atualizado anualmente com livros
novos, recebidos das editoras em decorrência do trabalho profissional do Núcleo de
Estudos e Pesquisas (NEP) como votante junto à Fundação Nacional do Livro
Infantil e Juvenil – FNLIJ.
A cidade de Florianópolis é carente de bibliotecas públicas: há uma no centro
da cidade e outra no bairro do Estreito. A Lagoa da Conceição, onde se localiza a
sede-porto da Biblioteca, reúne cerca de 40 mil pessoas, das quais 5.000 crianças e
jovens escolares. A Lagoa, como é conhecida, é um bairro de confluência de várias
localidades tradicionais do seu entorno, e ao mesmo tempo atrai turistas de todos os
lugares, não só pelas belezas naturais como por sintetizar o apelo ao lado "mágico"
da chamada Ilha da Magia. Rica em atrativos turísticos, a região "esqueceu-se" de
seus moradores nativos, restringindo-lhes (devido aos preços muitas vezes
impeditivos) o acesso aos bens culturais a que todo o cidadão tem direito - e a
leitura certamente é direito inalienável e fundamental para a formação da cidadania.
A formação do leitor exige um permanente e renovado contato com textos
escritos disponíveis sob a forma de livros, revistas, jornais, em lugares e contextos
motivadores da leitura. É a biblioteca o lugar mais adequado para que o direito a
essa convivência seja incentivado e exercido por todo cidadão de qualquer classe
social e de qualquer idade. Para a sua formação como leitor, então, o acesso à
leitura literária é fundamental e decisivo desde cedo, pois a literatura auxilia no
desenvolvimento e enriquecimento ético, estético e afetivo de todas as pessoas. Por
comungar totalmente com essa premissa, nos definimos como uma biblioteca de

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 48

literatura e artes, sendo nosso acervo especializado em literatura infantil, juvenil e
para adultos, em língua portuguesa e línguas estrangeiras (inglês, francês, alemão,
italiano).
A relevância das bibliotecas públicas ou comunitárias, através de sua função
de difusora e facilitadora do acesso ao conhecimento da cultura escrita, precisa ser
resgatada como um dos elos mais democráticos da reivindicada igualdade social.
Um dos maiores fatores de inclusão social é, necessariamente, o acesso aos
bens culturais impressos, a inclusão cultural. Com o objetivo de formar leitores, a
leitura não pode ser um trabalho esporádico; é prática cultural, experiência, prazer,
identificação, alimento para o imaginário, compreensão da realidade, conhecimento
de novas culturas, forma de interação com o outro, descoberta de novos mundos e,
portanto, de contato com as diferenças culturais, étnicas, linguísticas, sexuais,
propiciando o aprendizado do respeito e a convivência com essa diversidade de que
se compõem a humanidade e o mundo grande que se apequena e se aproxima com
as novas tecnologias.
A Barca dos Livros, portanto, tem como proposta a realização de ações
educacionais e culturais, direcionadas à formação de um público leitor, voltadas
preferencialmente para crianças e adolescentes, sem descuidar da necessária
capacitação dos mediadores de leitura (professores, arte-educadores, agentes
culturais comunitários). Suas ações facilitam o acesso ao livro e à leitura,
promovendo uma política de leitura e cultura, lazer e entretenimento que mobiliza
cerca de mil e quatrocentas pessoas mensalmente. Espaço privilegiado para o
encontro entre o livro e o leitor, com espaços especiais para diferentes faixas etárias
e atividades específicas, a Biblioteca Comunitária Barca dos Livros cumpre seu
papel a) na formação do leitor através do atendimento diário e especializado ao
leitor de todas as idades e o incentivo à leitura, com a realização de atividades como
narração de histórias, leitura em voz alta, teatro infantil, espetáculos musicais,
cursos e oficinas, etc; b) na formação do mediador através de cursos e oficinas; c) e
a inclusão social se consolida com a participação ativa e constante dos membros
das várias esferas da sociedade: as visitas das escolas, a doação de livros para
outras instituições (Biblioteca Bilica, escolas públicas de Florianópolis e Grande
Florianópolis, instituições de educação não formal), a participação gratuita ou a
preços simbólicos nas diversas atividades culturais realizadas na Biblioteca ou na
comunidade, para que a leitura se torne parte de cada um, e cada um desses
leitores possa replicar seu amor aos livros e transformar sua capacidade leitora em
participação consciente e cidadã na vida pessoal e comunitária. É este o papel de
uma biblioteca: investir, de forma lúdica e atrativa, na valorização social da cultura
letrada e na formação de leitores (crianças, jovens e adultos). Sabemos que essa
tarefa não é fácil, principalmente num país sem tradição de leitura, cuja população
atinge como índice de leitura apenas quatro livros por ano – e se considerada
apenas a leitura espontânea, chega-se a pouco mais de um livro por ano (Retratos
da Leitura no Brasil).
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 49

Objetivo Geral: ampliar as oportunidades de acesso ao livro e à leitura,
garantindo o atendimento especializado aos leitores e a realização de atividades de
fomento e incentivo à leitura, visando à inclusão cultural e social.
Objetivos específicos:
1- Estimular o hábito de leitura em crianças, jovens e adultos da região da
Lagoa e adjacências, contribuindo para a formação de uma sociedade leitora;
2- Possibilitar o encontro prazeroso entre o leitor, o autor e o livro, através
de atividades que lhes permitam interagir em diferentes contextos;
3- Capacitar os leitores para a fruição da leitura como resultado de uma
construção permanente e cumulativa;
4- Oportunizar a criação e o desenvolvimento de um olhar plural diante do
mundo, através do conhecimento de diferentes culturas e formas de viver,
ampliando a capacidade de convivência com a diversidade cultural, linguística e
social;
5- Contribuir para a democratização do acesso ao conhecimento e ao
desenvolvimento da imaginação e da sensibilidade;
6- Promover a leitura do livro de literatura através dos eventos literários,
enfatizando as atividades dirigidas a crianças e adolescentes e atingindo leitores de
todas as idades;
7- Oferecer uma atualização contínua na formação de mediadores de leitura
através de oficinas e cursos nas áreas de leitura, literatura, história do livro,
ilustração, arte gráfica, entre outros;
8- Ampliar as oportunidades de inclusão cultural para crianças, jovens e
adultos.

AÇÕES DESENVOLVIDAS
AÇÕES DIÁRIAS
a) Biblioteca: empréstimo gratuito de livros - de terça a sábado/14h-20h.
b) Registro fotográfico e ou filmagem das atividades desenvolvidas.

AÇÕES SEMANAIS
a) Terça Encontros: formação permanente em narração de histórias;

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 50

b) A Escola Vai à Barca: visita de escolas à biblioteca, com acesso livre aos
livros e sessão de leitura em voz alta e narração de histórias.
c) Leitura Literária – Grupo Aberto de Discussão. Encontros semanais para
discutir questões pertinentes a vários aspectos da leitura e da literatura para
crianças;
d) Quartas de Babel – Grupos de conversação na Biblioteca: inglês, francês,
espanhol, italiano, alemão e português para estrangeiros;
d) Quintas Literárias: leitura compartilhada em voz alta de títulos variados, à
escolha dos participantes;
e) Divulgação: newsletter com programação (8.000 e-mails), resenhas de
livros e notícias semanais. Atualizações do site.
f) Núcleo de Estudos e Pesquisas em Literatura: análise do acervo, crítica
de livros, produção de resenhas, comentários e textos sobre as obras literárias.
Compõe a comissão avaliadora da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil,
que estabelece 17 premiações anuais em nível nacional. Além disso, o NEP é
responsável pela apresentação das obras dos vestibulares na atividade específica.

AÇÕES MENSAIS
a) Histórias na Barca dos Livros: 2º sábado de cada mês, dois passeios de
barco na Lagoa da Conceição, às 15h e 16h, com livros, leituras, narração de
histórias e música.
b) Sarau de Histórias: narração de histórias para jovens e adultos; sempre
no último sábado do mês;
c) Encontro com Autores/Ilustradores/artistas diversos: conversa sobre o
processo criativo, obras, relação texto/ilustração, leitura de trechos de obras,
lançamento de livros, etc.
d) Literatura no Vestibular: apresentação e debate de obras para
vestibulares UFSC/UDESC.
e) Além dessas atividades, também são realizados eventos de música,
literatura, teatro, recitais de poesia comemorando datas e escritores (por exemplo:
mês da criança, centenário de Carlos Drummond de Andrade, sesquicentenário do
poeta Cruz e Souza, Dia Nacional do Surdo, etc.).

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 51

AÇÕES BIMESTRAIS
a) Cursos e oficinas na área do livro e da leitura: escrita criativa, e-textos,
conservação de livros, narração de histórias, leitura em voz alta, leitura de poemas,
poesia, literatura infanto-juvenil, confecção de personagens (bonecos), etc.

AÇÕES TRIMESTRAIS
a) Exposição/Galeria: exposições de artes plásticas (pintura, fotografia,
gravuras, gravuras digitais, cerâmica etc.), obras/registros de atividades de grupos
culturais (Grupo Sul, por exemplo) - exposições de curta duração com visitação
monitorada e ou conversas com os autores para grupos agendados.
b) Gastronomia e literatura / A Poesia Põe a Mesa – eventos reunindo jantar
ou lanche com poesia, leitura de trechos de obras literárias, preços variados.

AÇÕES ANUAIS
a) Abril com Livros: evento para troca de saberes/experiências e encontro
entre leitores e cultura escrita. Exposição dos resultados das ações anuais e
celebração do Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil (02/04), Dia Nacional do
Livro Infantil (18/04) e Dia Mundial do Autor e do Direito Autoral (23/04), com
atividades específicas durante todo o mês. Ministração de cursos e atividades
lúdicas em escolas e bairros da cidade e do estado de Santa Catarina, etc.
Profissionais envolvidos: Equipe da Biblioteca e voluntários.
b) Participação na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, realizada nos
meses de junho/julho, com a montagem de uma sala de leitura desde 2007.
c) Participação na Semana Municipal do Livro Infantil de Florianópolis, com
programação especial para as escolas, em todas as edições da Semana.

AÇÕES ESPECIAIS
a) A Sociedade Amantes da Leitura já editou dois livros infantis: O Patinho
Feio, em parceria com o SESC/SC, e O Perseverante Soldadinho de Chumbo, em
parceria com a Editora Peirópolis. Traduções do dinamarquês por Tabajara Ruas,
ilustrações do primeiro por Fernando Lindote e do segundo por Jandira Lorenz.
b) Projeto Bebelê: Gestando Leitores – Em 2013, a Biblioteca Comunitária
Barca dos Livros candidatou-se ao Prêmio de apoio à modernização de
bibliotecas comunitárias e pontos de leitura, da Biblioteca Nacional e foi
contemplada. De fevereiro a agosto de 2014, desenvolvemos, como projeto – piloto,

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 52

o “Bebelê: Gestando leitores”, junto a gestantes, pais e bebês, tendo como objetivo
final o desenvolvimento do hábito de leitura literária na família desde antes do
nascimento do bebê, assim como o desenvolvimento do imaginário infantil.
A promoção da leitura na infância se faz também através da voz dos pais e
que a história do ser humano como sujeito de linguagem se inicia ainda no útero. O
projeto trabalhou no sentido de orientar o grupo familiar, cuidadores, professores,
agentes de saúde e mediadores de leitura a oferecer aos bebês uma base simbólica
através de cantigas e histórias contadas e cantadas, que são as primeiras espécies
literárias com as quais a criança tem contato antes e depois do nascimento. Ao
realizar atividades com livros e leituras, a inserção do bebê e da família no mundo
da leitura literária ocorre de maneira prazerosa.
A Sociedade Amantes da Leitura implantou o projeto Biblioteca Barca dos
Livros como uma alternativa no campo informacional, agregando valor para a
comunidade, em especial da Lagoa da Conceição. Analisando o lado cultural do
projeto, onde o fluxo das informações está acontecendo e o reconhecimento pela
comunidade é significativo, evidenciado na frequência e nas visitas das escolas,
torna-se de fato um espaço para a cultura, a informação e a leitura de literatura,
contribuindo para a formação de cidadãos capazes de trilhar seus próprios
caminhos com acesso à leitura com qualidade. A proposta da Biblioteca Barca dos
Livros é estimular a leitura para a criatividade, desenvolver a compreensão e
interferir no desenvolvimento do ser humano, possibilitando a tomada de atitude
crítica e intelectual, preparando o indivíduo para as diversidades da sociedade da
informação. A leitura estimula a imaginação, distrai, informa e contribui para o
conhecimento.
Não basta, pois, ser alfabetizado e ter vontade de ler. É preciso que
existam livros, revistas e jornais para que sejam lidos. Há, enfim, um
caminho longo entre o homem e as circunstâncias de onde vive. Se o meio
for generoso e oferecer oportunidades, o indivíduo poderá, com a educação
formal, com as leituras e demais fontes de informação ter mais autonomia
para pensar e agir. (MILANESI, 2002, p. 35).

É possível afirmar que a Biblioteca Barco dos Livros é uma biblioteca viva,
que além de possuir um riquíssimo acervo de literatura, desenvolve oficinas,
palestras, minicursos para seus frequentadores. Um espaço aberto, dinâmico,
agradável, que proporciona, além de entretenimento, um espaço de interação
sociocultural para a comunidade da Lagoa da Conceição e adjacências. A alma da
Barca dos Livros se expressa nos sorrisos dos leitores, na alegria das crianças, na
emoção das pessoas de todas as idades que participam de nossas atividades e vêm
à Barca para buscar livros, trocar impressões, enfim, participar do encantamento e
afetividade que o mundo dos livros empresta à vida cotidiana.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�B a r c a d o s L i v r o s | 53

REFERÊNCIA
MILANESI, Luís. Biblioteca. Cotia: Ateliê, 2002. 116 p.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-14
_____________________________________

Rosangela Madella é mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal
de Santa Catarina e bibliotecária pela Universidade do Estado de Santa Catarina.
Tânia Piacentini é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas,
diretora geral da Sociedade Amantes da Leitura e coordenadora da Biblioteca
Comunitária Barca dos Livros.
Tanira Piacentini é especialista em Teoria da Literatura e voluntária na Biblioteca
Comunitária Barca dos Livros.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATUAÇÃO

�| 54

TERCEIRA PARTE

ATITUDES

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�B i b l i o t e c á r i o s : é n e c e s s á r i o q u e i m a r p o n t e s | 55

Bibliotecários: é necessário queimar pontes
Fabíola Bezerra

Conta a lenda que um general chinês foi para a guerra e o campo de
batalha acontecia em uma ilha. Para ter acesso a essa ilha era necessário
atravessar uma ponte, e lá se foi o general com seus soldados. Embora com medo,
os soldados não tiveram outra opção e atravessaram a ponte. Ao passar o último
soldado pela ponte, o general ateou fogo à ponte e nenhum deles teve como recuar.
Observando os soldados cheios de medo e diante da ponte em chamas, o general
olhou para eles e disse: “só existem duas únicas alternativas que são: lutar e ganhar
a guerra, ou perder a guerra e morrerem todos, desistir não é uma opção”.
A metáfora contida na história acima retrata muito bem as situações em que
nos deparamos e nas quais não temos como voltar atrás, a única opção é seguir em
frente e aceitar novos desafios. Associados à história acima nos veio à mente
alguns discursos desanimados, de um bibliotecário ou outro, diante do mercado de
trabalho, ou mesmo diante da profissão. Observamos um movimento no campo de
atuação do bibliotecário voltado quase que exclusivamente para o trabalho no
serviço público, como se este fosse o único caminho a percorrer profissionalmente,
ou a única ponte possível a atravessar.
Fala-se muito de uma Biblioteconomia renovada com as múltiplas
possibilidades advindas das tecnologias da informação e comunicação. No entanto,
caminhou-se muito pouco em busca de novos horizontes. O trabalho moroso do
processo técnico foi substituído pela agilidade de poderosos sistemas de automação
e gestão de bibliotecas, o sistema foi agilizado, mas alguns “operadores” parecem
ainda estar na época da máquina de pedal.
Por onde andam os “generais chineses” que farão os bibliotecários
atravessarem suas pontes? Qual guerra precisará vir para que atravessem a velha
ponte e nunca mais pensem em voltar?

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�B i b l i o t e c á r i o s : é n e c e s s á r i o q u e i m a r p o n t e s | 56

Empreendedorismo, uma ponte possível para atravessar
O campo de atuação dos Bibliotecários está diretamente relacionado com a
ideia que cada profissional tem acerca da sua profissão. Parafraseando a ideia de
David Lankes, ressalto que muitos bibliotecários estão apenas sobrevivendo na
profissão ao invés de inovar. Algumas vezes, o bibliotecário vê a Biblioteconomia
numa perspectiva errada e encontra dificuldades de vislumbrar novas pontes.
Reconheço que nem todo bibliotecário tem o perfil inovador ou “revolucionário”,
dificultando assim seguir em frente em busca de novos desafios. Porém, os que se
“aventuraram” conseguiram queimar suas próprias pontes, e com certeza foram
bem-sucedidos.
O empreendedorismo voltado para Biblioteconomia, ou, dito de outra forma:
a Biblioteconomia voltada para o empreendedorismo é um tema que tem despertado
interesse e estudos de alguns profissionais na área. Particularmente, vejo com
simpatia o assunto e vislumbro como uma ponte possível a se atravessar.
Entendo o empreendedorismo, acima de tudo, como uma postura, uma
decisão, um comportamento motivado por uma disposição interior, uma maneira de
ser e estar no mundo, uma questão de atitude.
A disposição interior ou a motivação que nos leva à tomada de decisões
está diretamente relacionada à maneira pela qual vemos o mundo, é como um
mapa formado pelas nossas crenças e valores; a isso se chama de mindset (jargão
corporativo da língua inglesa), a maneira como percebemos o mundo. A aplicação
do seu mindset voltado para ações inovadoras e empreendedoras irá definir o tipo
de bibliotecário que você será, uma vez que, traduzindo ao pé da letra, mindset
significa mente configurada, ou configuração da mente.
Pensar o empreendedorismo na Biblioteconomia é, antes de tudo, mudar o
padrão de pensamentos dos bibliotecários. A criação desse novo mindset será uma
ferramenta essencial no processo de construção do bibliotecário empreendedor.
Aprender a dar os comandos certos para o cérebro, redefinindo-o para identificar
aonde você quer chegar, alinhando a sua mente e aumentando as próprias
expectativas de atuação profissional.
Nesse sentido, pergunto: Como anda o mindset dos bibliotecários?
Acredito que tudo isso está relacionado com o modelo mental que temos
acerca da nossa profissão, ou seja, a percepção sobre o universo biblioteconômico
será o principal responsável por essa mudança. Dessa forma, é importante uma
abertura de conhecimentos que vai além da Biblioteconomia. Assim como é
importante entender a Biblioteconomia afora os conhecimentos adquiridos nos
bancos da faculdade, uma Biblioteconomia multi, inter e transdisciplinar, atenta a
tudo e a todos. Cada um de nós, enquanto bibliotecários, podemos mudar o nosso
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�B i b l i o t e c á r i o s : é n e c e s s á r i o q u e i m a r p o n t e s | 57

futuro profissional a partir da nossa percepção. Nesse sentido, é importante criar
novas expectativas na mente, não ter medo de atravessar pontes e depois queimálas, atitudes assim serão capazes de mudar a nossa realidade profissional.
Não é raro ouvirmos de colegas bibliotecários queixas ou relatos de
insatisfações sobre situações pontuais, ou mesmo sobre a própria profissão.
Algumas vezes fico a pensar se essa insatisfação não foi motivada pela
incompatibilidade com a profissão, ou, em última hipótese, pela falta de atitude em
mudar a regra do jogo.
E você, já avaliou se está precisando buscar um novo mindset para a sua
vida profissional? Está precisando de um oficial chinês na sua vida? Ou será capaz
de atravessar a ponte sozinho?

Para quem “serve” a informação que eu domino?
Diz a frase: “quem tem informação tem poder”. Isso posto, pergunto:
enquanto bibliotecário, o que faço com a informação que domino? Existe um
sentimento de satisfação como profissional toda vez que consigo prestar um serviço
de qualidade ao meu usuário. Muitas vezes, estudamos um assunto para dar uma
informação precisa, ou uma resposta que agregue valor à vida do usuário. Mas
efetivamente, o que fazemos com o conhecimento que vamos acumulando?
Analisando o lado prático da profissão, podemos dizer que teoricamente
somos um dos poucos profissionais que temos o privilégio de poder estar sempre
atualizados sobre os assuntos do mundo, uma vez que a nossa ferramenta de
trabalho é a informação. Por que esse conhecimento adquirido não é retido e
aplicado em benefício próprio? E que tal “estocar” o conhecimento adquirido e
construir novas possibilidades de trabalho e de negócio? Não gosto de pensar na
atuação do bibliotecário apenas como ser subserviente em prol do outro, nem
tampouco achar que o campo de atuação profissional limita-se ao serviço público.
Alvin Toffler preconizou na década de 1980: “que a geração de riqueza
passou das mãos da produção para as mãos da informação”. A economia da
informação muda totalmente o conceito de valor, o “dinheiro está nas ideias, na
informação”. A agilidade do profissional bibliotecário em transformar esse
conhecimento em negócio será imperativo para ele, profissionalmente, pois lhe
permitirá uma mobilidade social e profissional.
Tenho tido a oportunidade nos últimos tempos de adentrar um pouco no
mundo do empreendedorismo e do marketing digital. Observo um aumento
exponencial de infoprodutos comercializados por diferentes profissionais, a partir de
suas habilidades únicas, sendo atualmente um dos principais produtos de
empreendedores digitais. Infoprodutos são produtos de informação em formato
digital, um dos mais vendidos na Internet. O objetivo de um infoproduto é resolver
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�B i b l i o t e c á r i o s : é n e c e s s á r i o q u e i m a r p o n t e s | 58

um problema de um cliente ou facilitar de alguma forma a vida dele com relação a
um tema abordado.
Muitos são os profissionais que por motivações ou necessidades diversas
apostaram no mundo digital e mudaram radicalmente suas vidas. Sendo os
bibliotecários profissionais que possuem domínio e técnicas em pesquisa,
naturalmente são potenciais produtores de infoprodutos, uma vez que a criação de
um produto digital envolve basicamente pesquisa, planejamento e confecção do
produto.
Entendo que, a partir da criação de infoprodutos, os bibliotecários poderão
criar seu próprio infonegócio. A grande vantagem é que, após a criação e a
divulgação de maneira correta, a Internet faz o restante do trabalho sozinha durante
24h por dia, sete dias por semana. Como sugestão, citamos alguns tipos de
infoprodutos:
∙

Uns mais populares, como os e-books;

∙

Vídeo-aulas/palestras;

∙

Ou mesmo, screencasts, que são vídeos filmados a partir da tela do
computador, têm se tornado cada vez mais comuns na Internet; podem ser
usados para criação de cursos;

∙

Audiobooks, que são livros narrados e compactos, geralmente em formato
MP3;

∙

Incluímos finalmente na lista os Podcasts, que são gravações em áudio que
simulam programas de rádio; podem ser usados para entrevistas ou
discussões entre um pequeno grupo de pessoas.

A Internet criou um mundo de possibilidades, inclusive a de criarmos o
próprio negócio. Vejo os infonegócios como uma possibilidade real de tornar os
bibliotecários independentes, empreendedores e realizados profissionalmente.
Todas as pessoas possuem habilidades únicas, que são capacidades e ou
agilidades de fazer algo com maestria. Algumas pessoas passam a vida toda sem
descobrir suas próprias habilidades. Um segundo grupo de pessoas, embora
conhecendo suas aptidões, não conseguem ou desconhecem a possibilidade de se
beneficiar de suas próprias habilidades. Um terceiro grupo de pessoas consegue
identificar desde cedo suas aptidões e criam ações de transformações em suas
vidas a partir dessas habilidades únicas. A estas, chamamos de empreendedores.
No dicionário, a palavra “empreendedor” remete ao sinônimo de
“arrojado”, e este remete a “valente, arriscado, aventureiro”. Associado a essas
definições, acrescento o que julgo ser o grande diferencial do empreendedorismo: a
possibilidade de emancipação de indivíduos. Dentro desse contexto, a ideia de

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�B i b l i o t e c á r i o s : é n e c e s s á r i o q u e i m a r p o n t e s | 59

emancipação está além da questão financeira, principalmente pela liberdade que ela
dá ao indivíduo de decidir e controlar o próprio destino.
Ao empoderar-se do conceito de empreendedorismo, o indivíduo cria novas
expectativas e será capaz de mudar a própria realidade e a das pessoas à sua
volta; se ele muda, tudo muda em seu entorno.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-L
________________________________________

Fabíola Bezerra é doutora em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais
pela Universidade do Porto e mestre em Gestão da Informação pela mesma
instituição. Bacharelou-se em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará,
onde exerce a profissão atualmente. É idealizadora do Mural Interativo do
Bibliotecário, no Facebook.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 60

Consumidor de informação 3.0
Elisa Cristina Delfini Corrêa
Estamos na era digital e boa parte da vida contemporânea acontece por lá.
No ciberespaço nos comunicamos, estudamos, trabalhamos, nos divertimos,
pagamos nossas contas, compramos ou vendemos e muito mais. Temos perfis
pessoais e profissionais nas mídias sociais, usamos aplicativos para saber o horário
do ônibus ou chamar um táxi, controlar as calorias da nossa alimentação, saber a
previsão do tempo.
A conexão em rede 24/7 está se tornando muito comum, uma vez que a
noção de tempo e espaço foi alterada na sociedade contemporânea a partir da
Internet. Assim como ‘estamos’ na era digital, a era digital começa a ‘estar em nós’
igualmente. Quando não procuramos a tecnologia, ela mesma nos procura dando
alertas sobre o e-mail que chegou, as interações em seus perfis de mídias sociais, a
hora certa de beber água/almoçar/jantar e por aí vai.
O smartphone nos avisa se temos reunião: com quem, onde e a que horas.
Ele, sempre conectado à rede e aos humanos, nos faz alertas sobre o livro novo da
biblioteca, o artigo quentinho que acaba de ser publicado e que muito nos interessa.
Se, por acaso, consultamos preços de automóveis ou imóveis, ficamos recebendo
e-mails com ofertas por meses, mesmo depois de fechado o negócio. A rede te
‘conta’ as novidades no showbusiness, na economia, na política, na vizinhança...
Enfim, nós, os cidadãos da era digital, somos ávidos consumidores de informação
de (quase) todo o tipo e em (quase) todo o tempo.
Em tempos digitais, os consumidores de produtos e serviços passaram não
apenas a ser mais exigentes, mas também, pela facilidade de acesso e diversidade
de opções, são mais autônomos e críticos em relação a seus direitos. A web social,
ou web 2.0, abriu as portas que separavam consumidores e produtores permitindo o
diálogo direto. Ficou muito mais simples e fácil pesquisar diferentes opções de
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 61

fornecedores e as plataformas para solucionar problemas eventuais nos processos
de comunicação são bastante amplas e eficientes na maioria dos casos.
Dessa forma, as empresas e instituições presentes na Internet procuram ser
muito cuidadosos com sua imagem e esforçam-se para resolver conflitos de forma
rápida e educada, a fim de conquistar uma boa reputação no mercado online.
Quem nunca usou o Twitter, por exemplo, para dizer ao mundo que foi mal
atendido, que o produto está atrasado na entrega ou chegou com defeito? Por outro
lado, também são comuns recomendações de produtores e fornecedores que
atenderam bem o consumidor dessa nova geração que foi “batizada” com o título de
consumidor 3.0.

Consumidor 3.0
O consumidor 3.0 surge a partir do uso intenso das tecnologias de
informação e comunicação e trata-se de um indivíduo conectado que interage no
ciberespaço em diferentes plataformas e mídias sociais realizando suas atividades e
tarefas cotidianas nesse ambiente.
Para o SEBRAE21, o consumidor 3.0 é:
Mais comunicativo e reivindicativo [...] realiza compras pela web e faz
pesquisas em diversos sites antes de efetuar a transação, além disso utiliza
ambiente multicanal para se informar sobre o produto e as condições de
pagamento. Esse consumidor realiza suas compras e pesquisas sobre os
produtos através da internet por meio de seus diversos ambientes de
interação – redes sociais, blog, sites. Ele também é mais interativo,
comunicativo, reivindicativo e opinativo, buscando maior comunicação com a
empresa.

O infográfico abaixo, disponibilizado pelo blog Midiaria e publicado também
por Lira (2012), apresenta o perfil do consumidor 3.0, também chamado como
neoconsumidor:

21

http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Consumidor-3.0
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 62

Fonte: Publicitários Social Clube (2012)

Esse consumidor chega a ambientes como restaurantes e lojas e logo realiza
seu check-in em ferramentas de comunicação digital. Quer ser bem atendido e, se
não for, imediatamente publica notas depreciativas em suas redes sociais da
internet. Fotografa e compartilha suas experiências nesses ambientes e, assim,
influencia novos e potenciais consumidores em sua rede de relacionamentos – ele
deseja ser ouvido. (IMMAGIO, 20--).
Segundo Tocha (2014):
o consumidor 3.0 usa o celular dentro da loja para comparar preços. Curte
e descurte produtos e empresas. Compra direto de fábricas na China. O
consumidor 3.0 sai de casa com a decisão praticamente tomada. Muitas
vezes ele chega na loja sabendo mais sobre o produto que o vendedor,
querendo apenas ver o produto. E as vezes ele volta pra casa e compra
online, por um preço melhor.

Além de percorrer sites de produtores e fornecedores, ele também valoriza a
experiência de outras pessoas em suas compras. Assim é que decidir a respeito de
qual hotel se hospedar em uma viagem, por exemplo, pode ter uma influência muito
forte vinda dos depoimentos de pessoas que já estiveram por lá. Esse consumidor,
portanto, tem como característica marcante uma forte autonomia advinda de um
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 63

processo decisório baseado em muita pesquisa: “lembre-se que quanto mais
informado, mais exigente é o consumidor” (TOCHA, 2014).
Ferreira (2014) afirma que “as infinitas possibilidades de acesso a
informações, serviços, entretenimento e relacionamentos, induzem qualquer um que
esteja conectado a novos padrões na maneira como se expressa, consome e,
também, na maneira como adquire conhecimento.”
Lima e Faria (2014) colocam como contexto e pano de fundo para o
surgimento desse novo consumidor a chamada cultura da convergência a partir das
ideias de Jenkins (2012), e afirmam que:
A convergência permite que os conteúdos e as informações circulem em
vários meios ao mesmo tempo diferentemente do que ocorria quando eram
utilizados apenas meios de comunicação de massa para disseminar os
conteúdos, esta mudança cultural leva os consumidores a procurar novas
informações em diversos meios levando o público a criar um comportamento
migratório nos meios de comunicação, buscando experiências e conexões
que agregam valor a esse consumidor e mais informações.

Nepomuceno (2015) discute que as mídias sociais descentralizaram a renda
e empoderaram o consumidor oportunizando o livre mercado ou, melhor ainda, o
liberalismo 3.0: “precisamos entender que vivemos no início de uma revolução
cognitiva e temos hoje uma nova forma de “reputacionar” produtos e serviços, sejam
eles estatais ou privados. Por isso, acredito que temos que falar hoje de liberalismo
3.0.” Nesse ‘liberalismo 3.0’, o consumidor tem o poder e encontra nas plataformas
colaborativas digitais a possibilidade de participar ativamente com suas opiniões e
avaliações.
De qualquer maneira fica patente o valor da informação para o consumidor
3.0 e a pergunta que me vem à cabeça é: será que existe um consumidor 3.0 de
informação também?
Consumidores de informação 3.0
Nesse cenário de informação superabundante e ultrarrápida percebe-se a
formação de um novo perfil de consumidores de informação, com características
diferenciadas que valem a pena discutir.
Em primeiro lugar, este consumidor se utiliza de dispositivos eletrônicos para
resolver suas questões de informação, fazendo buscas a partir de smartphones ou
tablets conectados à Internet, independentemente de estar presencialmente em seu
local de trabalho ou de estudos. Usa motores de busca como o Google para baixar
textos e documentos de seu interesse.
Um dos fatores decisivos para essa mudança de comportamento foi a criação
e popularização dos smartphones. O uso cada vez maior desses aparelhos

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 64

pessoais desbancou o uso de computadores e desktops em 2015 (IERVOLINO,
2015). Segundo o Google Mobile Day (2015, p.9):
o mobile formou novos comportamentos e hábitos que alteram como as
pessoas passam por toda a jornada de consumo. Hoje, as batalhas pelos
corações, mentes – e carteiras – são ganhas ou perdidas em micromomentos, momentos de tomada de decisão e formação de preferências que
acontecem ao longo dessa jornada [de consumo].

A grande estratégia de conquista aos fornecedores de produtos e serviços
gerais mas também de informação, ainda segundo o Google, está em voltar a
atenção ao seu público: “para entender esse momento e ter sucesso, precisamos
entender primeiro as pessoas, depois a tecnologia” (op.cit,, p.10). Por isso é tão
importante delinear o perfil desse novo consumidor de informação 3.0.
Outra característica do consumidor de informação 3.0 é sua preferência pelo
acesso rápido a textos mais curtos. O excesso de informação acabou criando uma
escassez de atenção que, segundo Davenport e Beck (2001) deve ser gerenciada
no mercado de informações da atualidade. Os autores definem atenção como o
“envolvimento mental concentrado com determinado item de informação. Os itens
entram em nosso campo de percepção, atentamos para um deles e, então,
decidimos quanto à ação pertinente” (op.cit., p.25)
Nesta sociedade onde a informação é superabundante, verifica-se também
uma “superabundância de informações concorrentes” exigindo o trabalho de
estabelecer prioridades em relação a quais delas deve-se dar a devida atenção
(op.cit.,p.24). Isso significa que quanto mais direta, pertinente e atraente for a
informação, maiores serão as chances de que os interagentes22 a elejam como
prioridade e dediquem seu envolvimento mental, ou seja, sua atenção.
Outra característica marcante do consumidor de informação 3.0 é que ele é
‘multitarefa’: “Uma pessoa multitarefa seria aquela capaz de responder a um amigo
no WhatsApp, estudar matemática e ver uma partida de futebol na TV
simultaneamente.” (RODRIGUES; ROSA, 2015). Dessa forma, capturar a atenção
desse consumidor representa um desafio ainda maior, já que está pulverizada em
diferentes ações praticamente simultâneas.
Esse consumidor é capaz de usar várias ‘telas’ ao mesmo tempo: enquanto
assiste a um programa de TV, por exemplo, pode interessar-se em aprofundar seu
conhecimento sobre um dos temas apresentados e buscar em seu tablet uma
imagem ou texto referente a ele, muitas vezes postando em seguida em uma mídia
social qualquer. Isso enquanto fala ao celular ou se comunica por WhatsApp, como
visto acima.

22

O termo ‘interagente’ é uma proposta de substituição ao termo ‘usuário’. Para saber mais, acesse o
artigo de CORRÊA, 2014 (https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2014v19n41p23)
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 65

Informação personalizada também é uma exigência do consumidor de
informação 3.0: “O cliente quer ser servido pessoalmente [...] Personalização
significa, por exemplo, elaborar o conteúdo de uma homepage de modo a que
atenda às expectativas do usuário, independentemente da infraestrutura ou do
equipamento de acesso que ele utiliza” (INFORMAÇÃO, 2002). Por isso, os
fornecedores digitais esforçam-se por individualizar o atendimento e criar
estratégias de marketing personalizadas.
Esse é o grande negócio do chamado ‘big data’: reunir dados de pesquisas
na Internet e assim moldar ofertas de acordo com perfis e interesses de cada
consumidor. Além do atendimento personalizado, o big data proporciona também
relacionamento próximo entre consumidor e produtor, promoções ajustadas ao
bolso de cada um, rápida solução de crises no processo de venda (FABULOSA
IDEIA, 2013). Assim, ao alcance de um click os interagentes têm acesso à
informação formatada de acordo com suas necessidades e interesses.
Por último, porém não menos importante, destacam-se as características a
seguir, apresentadas por Helio Basso (2015) em palestra sobre OmniChannel23:
● O novo consumidor quer ter o poder de se conectar com a marca nos mais
variados canais (em qualquer horário, em qualquer local);
● Ele espera que toda tela ou espaço físico sejam interativo;
● Quer que cada desejo seja percebido e atendido prontamente, mesmo que
não tenha havido uma comunicação prévia (interação consumidor-marca);
● Quer conveniência ao extremo, sem ter que falar com ninguém
É bom lembrar que, quando esse perfil é traçado, não estamos falando de
uma realidade distante, mas estamos nos referindo a pessoas como eu e você,
hoje, aqui e agora. A questão final proposta nesta reflexão volta-se agora ao
universo das unidades de informação da atualidade, mais especificamente, das
bibliotecas. Estariam elas preparadas para atender esse tipo de público conectado
com perfil 3.0?

Consumidor 3.0 X bibliotecas 1.0
O subtítulo acima automaticamente responde à questão colocada ao final da
seção anterior: não, nossas bibliotecas estão bem longe de atender ao consumidor
de informação 3.0. Ainda há muito o que fazer para sairmos do contexto de
biblioteca essencialmente analógica e 1.0. As bibliotecas precisam reinventar-se a
fim de acompanhar as transformações da sociedade digital, e isso exige muita mais
uma revolução de atitude do que uma revolução tecnológica.
Modelo de vendas que estabelece sincronia entre diferentes canais de uma mesma empresa,
sejam físicos ou digitais
23

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 66

Colocando em termos bem simples, para que as bibliotecas 1.0 avancem em
direção ao mundo 3.0, seria saudável que:
● Mudassem o foco do documento/informação para o foco das
pessoas/comunicação: A organização documental é apenas um meio para
atingir o propósito de prover acesso à informação e ao conhecimento, não o
objetivo final de uma biblioteca.
● Ouvissem com mais atenção o que diz, sente e deseja sua comunidade: as
pessoas que buscam as bibliotecas são muito mais do que simples ‘usuários’,
são interagentes que desejam relacionar-se com a biblioteca e sentir-se parte
dela. Dessa comunicação e interação é que vem o engajamento que, antes
de mais nada, é resultado do sentimento de pertencimento de cada um;
● Dessem voz ao seu interagente: ainda sob a perspectiva de entender sua
comunidade como mais do que simples usuários, envolve-los nos processos
da biblioteca significa quebrar paradigmas e torna-los parceiros para, por
exemplo, novas formas de indexação mais adequadas por meio da
folksonomia, facilitando o acesso a informações mais pertinentes e
‘empacotadas’ de forma mais personalizada;
● Investissem em uma efetiva presença digital: por meio de um planejamento
eficiente, as bibliotecas podem e devem criar perfis em diferentes mídias
sociais e oferecer postagens com conteúdo relevante e de interesse de seus
grupos de interagentes. Além disso, em suas páginas web, podem também
criar e oferecer serviços e produtos de informação e de atendimento
personalizados e de relacionamento a partir da web 3.0, chamada web
semântica. Importante ressaltar a necessidade de uma sincronia entre o
espaço físico e o digital, tornando a biblioteca um ambiente seguro com
atendimento coerente em ambos os espaços.
● Inovassem, saíssem do lugar comum: Bibliotecas são muito mais do que
emprestar livros e essa ideia precisa ser melhor explorada, a fim de
transformá-las em lugares de aprendizado ativo, experimental, com espaço
para o diálogo e a criatividade coletivas. Experiências como as de coworking
e makerspaces24 já são realidade em muitos lugares mundo afora e estão
apenas começando a ser consideradas no Brasil.
Para que isso aconteça, no entanto, precisamos de bibliotecários 3.0, com
visão de mundo diferenciada, atitude inovadora e mente inquieta. Por mais que se
esforcem, os cursos universitários não dão conta de formar profissionais com esse

Coworking: “trabalhar de forma colaborativa, mas independente de projetos ou objetivos”
(https://2000caracteres.wordpress.com/2014/04/16/bibliotecas-como-espacos-de-coworking-epropulsoras-de-projetos/).
Makerspace:
espaços
de
criação
(http://portaldobibliotecario.com/2015/07/20/bibliotecas-como-makerspaces/).
24

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 67

calibre. É preciso ir além, ‘ranganatheando’25 estudando continuamente e buscando
conhecer o que está acontecendo nas bibliotecas ao redor do mundo, tarefa muito
mais fácil nos dias atuais por conta da Internet.
É possível criar uma biblioteca que supere as expectativas dos interagentes e
da própria Biblioteconomia, como afirma Lankes (2012), mas isso depende do
trabalho de cada um. Porque a sociedade precisa e merece uma biblioteca
adaptada aos tempos 3.0.

REFERÊNCIAS
BASSO, H. Omni-Channel: o desafio da gestão de canais. Slides. The UP Day,
Florianópolis, 2015.
DAVENPORT, T.H.; BECK, J.C. A economia da atenção. Rio de Janeiro: Campus, 2001.
FABULOSA IDEIA. Big data: seu cliente precisa de informação personalizada. 02 jun. 2013.
Disponível em: http://www.fabulosaideia.com.br/blog/2013/big-data-o-seu-cliente-precisa-deinformacao-personalizada/ Acesso em 23 dez. 2015.
GOOGLE MOBILE DAY. 2015. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=19n9u5fo-zc Acesso em 23 dez. 2015.
IMMAGIO. O consumidor 3.0. Disponível em:
http://www.immagio.com.br/noticia/16/o_consumidor_30/ Acesso em 22 out. 2015.
INFORMAÇÃO personalizada vincula clientes. Deutsche Welle, Economia, 04 mar. 2002.
Disponível em: http://www.dw.com/pt/informa%C3%A7%C3%A3o-personalizada-vinculaclientes/a-466399 Acesso em: 23 dez. 2015.
LANKES, R.D. Expect more. E-book. 2012 Disponível em:
http://quartz.syr.edu/blog/?page_id=4598 Acesso em: 23 dez 2015.
LIMA, R.K. da S.; FARIA, M.S. Estratégias de marketing e comunicação para
publicidade na cultura digital: formas de relacionamento com o consumidor 3.0 que
causam engajamento. Disponível em:
http://www.fapcom.edu.br/comfilotec/images/RAIANE-Estrategias-de-marketing.pdf Acesso
em: 22 out. 2015.
LIRA, S. Consumidor 3.0 Disponível em:
http://www.publicitariossc.com/2012/05/consumidor-3-0/ Acesso em: 22 out. 2015.
NEPOMUCENO, C. Consumidor 3.0. In: NEPÔSTS. Disponível em:
http://nepo.com.br/2015/03/18/consumidor-3-0/. Acesso em: 22 out. 2015.
RODRIGUES, A.; ROSA, J.L. Os novos consumidores de informação. Observatório da
Imprensa, ed. 856, 23 jun. 2015. Disponível em:
Inventei o termo agora, mas o que quero dizer é que cada bibliotecário deve ser curioso e
investigativo, sair por aí estudando diversos modelos de bibliotecas através da observação e pensar
além do seu tempo, assim como Ranganathan fez com sua biblioteca em Madras, Índia, nos anos 30
do século passado. Ele foi um inovador!
25

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�C o n s u m i d o r d e i n f o r m a ç ã o 3 . 0 | 68
http://observatoriodaimprensa.com.br/grande-pequena-imprensa/os-novos-consumidoresde-informacao/ Acesso em 23. dez. 2015.
SEBRAE Consumidor 3.0 Disponível em:
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Consumidor-3.0 Acesso em: 22 out.
2015.
TOCHA, R. O comportamento do consumidor na era da colaboração. Disponível em:
http://www.blogdaqualidade.com.br/o-comportamento-consumidor-na-era-da-colaboracao/
Acesso em 22 out. 2015.
TOCHA, R. Características do consumidor e aluno 3.0 (Geração Y). In: PORTAL
EDUCAÇÃO. Disponível em:
http://www.portaleducacao.com.br/marketing/artigos/57187/caracteristicas-do-consumidor-ealuno-30-geracao-y#ixzz3pJj6rRdm Acesso em 22 out. 2015.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-N

________________________________________

Elisa Cristina Delfini Corrêa é docente no Departamento de Biblioteconomia e
Gestão da Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina, tanto na
graduação como no mestrado. É doutora e mestre em Sociologia Política pela
Universidade Federal de Santa Catarina e bacharel em Biblioteconomia pela
Universidade do Estado de Santa Catarina.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 69

Design Thinking para Bibliotecas
Paula Azevedo Macedo
Ana Marysa de Souza Santos
E se... reinventássemos as bibliotecas?
“Por que ainda temos bibliotecas? Por que precisamos de bibliotecários? Por
que bibliotecários fazem as coisas que fazem?”
David Lankes começou assim um congresso de biblioteconomia
recentemente26. Ele critica a posição de ficarmos às voltas no “como” — Como
podemos fazer as nossas atividades de sempre de um jeito melhor e inovador? —
enquanto deveríamos nos focar nos “porquês”. Segundo o professor, é dessa forma
que devemos começar os questionamentos acerca das problemáticas das
bibliotecas.
Ainda que reformulemos essas questões, o fato é que a biblioteca como
instituição precisa se reinventar. Entendemos bibliotecas como instituições que
possuem um propósito de salvaguarda do patrimônio informacional e cultural já
produzido, com o compromisso social de ser catalizadoras da apropriação,
produção e compartilhamento desse conhecimento.
Mas, para que possamos pensar na reinvenção das bibliotecas talvez seja
necessário ultrapassar os pré-conceitos que cada um de nós tem sobre seu
significado e papel - e é aqui que acreditamos que no flerte do design thinking
com a biblioteconomia - que pode trazer novos insights e soluções para tantas
questões e problemas que temos atualmente.
O Design Thinking é um processo que trabalha com o modo de pensar e a
forma de abordar problemas dos designers para encontrar soluções inovadoras e
26

Vamos pensar juntos uma nova Biblioteconomia? Disponível em:
http://quartz.syr.edu/blog/?page_id=8274. Acesso em 20/11/2015
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 70

centradas nas pessoas. Popularizado pela IDEO, consultoria internacional de
inovação, o processo foi desenvolvido por várias escolas de design, centradas em
resolver problemas de pessoas reais.
A Chicago Public Library e a Aarhus Public Library, ambas bibliotecas
públicas dos Estados Unidos, trabalharam junto com IDEO e o Instituto Melinda &amp;
Bill Gates para desenvolver uma metodologia de design thinking aplicada às
bibliotecas. O resultado final é o Design Thinking for Libraries (Design Thinking
para Bibliotecas)27, um guia que conta o passo-a-passo de como desenvolver um
projeto nesses moldes, mostrando exemplos reais de aplicação em mais de 40
bibliotecas de 10 países diferentes, como, além das já citadas, a Bucharest
Metropolitan Library, os projetos READ Nepal, Jamaica Library Service, Vinnytsia
Regional Universal Research Library, entre outros. O toolkit ou “guia de
ferramentas” pode ser adquirido gratuitamente pelo site do projeto.
As bibliotecas que precisam inovar
O guia é baseado em trabalhos realizados com bibliotecas reais, e levou
processo do Design Thinking - que pode ser resumido nos conceitos de Entender,
Idear e Prototipar - de forma facilitada para quem atua em bibliotecas. Segundo o
guia, por meio de uma investigação profunda das necessidades das pessoas, a
biblioteca pode inovar no atendimento à sua comunidade, tanto para aquela que já
atende como para a que poderia atender. Para eles, uma biblioteca pode inovar em
diversos aspectos como:
● Atividades e Eventos: Os bibliotecários já estão acostumados a
desenvolver atividades de promoção de leitura e uso dos recursos da
biblioteca, mas há muito espaço para chacoalhar essas atividades, por
meio de um melhor entendimento das pessoas e a dinâmica do
entorno da biblioteca.
● Serviços: Remodelação dos serviços oferecidos — na maneira como
ela articula as tecnologias disponíveis e as necessidades das pessoas.
● Espaços: O ambiente físico influencia a maneira como as pessoas se
sentem e se comportam. Criar novas experiências nos espaços da
biblioteca não referem-se apenas às cores de paredes, é possível ir
além e pensar em vários tipos de interações e fluxos nos diversos
ambientes da biblioteca, às vezes indo além do espaço dela.
● Sistemas: Emergir o desenvolvimento de um sistema diferente para a
própria biblioteca ou integrar serviços interdependentes que atendam
aos diversos interesses e necessidades tanto do público quanto dos
funcionários.

27

Design Thinking for Libraries. Disponível em &lt;http://designthinkingforlibraries.com/&gt;. Acesso em:
21 nov 2015.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 71

Há outros exemplos que podem nos inspirar além dos citados pelo material,
que também realizam práticas nessa linha. Um deles é o do sistema de Bibliotecas
Públicas de Deschutes28, em Oregon nos EUA, inspirados no entendimento da
comunidade e de sua dinâmica inovaram na maneira de oferecer serviços para seus
usuários. Os funcionários viraram “bibliotecários comunitários” saíram para ruas e
começaram a participar das atividades civis.

Deschutes Public Library — Summer Reading29

A biblioteca se espalhou e ocupou outros ambientes da cidade e foi
diversificando seus serviços pensando nas necessidades das pessoas como, por
exemplo:
● Criando exposições de artes, clubes de leitura com autores, aulas de
computação espalhadas pela cidade;
● Programa de serviços em assuntos como segurança no trânsito, autodefesa
e prevenção de incêndios;
● Segunda-feira Criativa - encontro onde as pessoas se reúnem para fazer de
tudo, desde artesanato até produtos tecnológicos sofisticados com
equipamentos de impressão 3D;

28

Disponível em: http://www.deschuteslibrary.org/. Acesso em 20/11/2015
Deschutes Public Library — Summer Reading. Disponível em:
https://www.facebook.com/deschuteslibrary/ Acesso em 20/11/2015
29

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 72

● Caixas com livro nos pontos de ônibus escolares para aquietar a criançada
na volta para casa;
● Abrindo as portas das bibliotecas mais cedo para os mais velhos que tanto
apreciam aquele impagável silêncio que só uma biblioteca vazia e bem
comportada pode prover;
● Entrega de livros para estudantes diretamente em suas escolas.
Se há essa tendência da biblioteca sair do prédio, assistimos também a
tendência de o prédio da biblioteca ser mais que o conceito tradicional de
biblioteca. São as bibliotecas como “makerspaces” 30 - espaços usados para as
mais diversas atividades, cursos e serviços relacionados à informação, cultura e
desenvolvimento de habilidades de pesquisa e uso de novas tecnologias. Há quem
diga que elas serão o centro de criação de novas tecnologias ao se equiparem com
impressoras 3D e outras ferramentas.31
Outro movimento que chama atenção nos últimos tempos, especialmente no
nosso país, são as bibliotecas comunitárias e populares construídas a partir de um
desejo individual. São diversos exemplos, desde o funcionário de em açougue que
resolve criar uma biblioteca popular32, da “menina que doa livros”33 em São Paulo
até a garota de 7 anos que quis criar a própria biblioteca comunitária no interior de
Alagoas, a Biblioteca da Mell34.
Percebemos nesses casos, um interesse genuíno da comunidade por seus
bens simbólicos - o que as bibliotecas e livros representam para elas para que
eles mesmos queiram construir os seus espaços?
Aplicando o design thinking em uma biblioteca brasileira: a Biblioteca do
Poeta
Com o intuito de desenvolver esse projeto em uma biblioteca brasileira,
reunimos um grupo de interessados em discutir o processo de design thinking e
aplicação em uma biblioteca.
Um dos pontos chaves do processo de design thinking é a
multidisciplinaridade das pessoas que participam das atividades. Trabalhando
alguns anos com design thinking, percebemos exatamente isso — todos temos
30

Bibliotecas como ‘makerspaces’. Disponível em:
http://portaldobibliotecario.com/2015/07/20/bibliotecas-como-makerspaces/ Acesso em 20/11/2015
31
Libraries Are the Future of Manufacturing in the United States. Disponível em:
http://www.psmag.com/nature-and-technology/libraries-are-the-future-of-manufacturing-in-the-unitedstates. Acesso em 20/11/2015
32
http://www.t-bone.com.br/index.php/t-bone-cultural/biblioteca-popular/ Acesso em 20/11/2015
33
http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/08/11/menina-de-nove-anos-doa-livros-no-minhocao-emsp-educacao-muda-vidas.htm Acesso em 20/11/2015
34
https://www.facebook.com/Biblioteca-da-Mell-1430077123959504/ Acesso em 20/11/2015

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 73

habilidades e conhecimentos valiosos e que podem ser aprimorados - mas é
exatamente juntando pessoas com habilidades e interesses diferentes que as ideias
e soluções evoluem.
Por isso, procuramos trazer pessoas de fora da biblioteconomia para pensar
conosco e, como vocês verão mais à frente, as próprias pessoas que fazem parte
da biblioteca na qual estamos trabalhando.
Visto que o time é multidisciplinar e todos nós trabalhamos em locais
totalmente diferentes, tínhamos que adotar uma biblioteca que fosse do interesse de
todos. Para isso, visitamos três bibliotecas bem diferentes - uma pública, uma
escolar e uma biblioteca comunitária. Aplicando a pesquisa com inspiração
etnográfica, analisamos quais delas teriam mais espaço para nossa atuação.
Quando fomos escolher nossa biblioteca ponderamos: se a biblioteca tinha um
problema a ser resolvido, se estava aberta para o nosso projeto, se seria
possível de criar um case escalonável para outros contextos, se teria impacto
social e potencial de inovação e se era um desafio pessoal interessante para
cada um.

Visita às bibliotecas candidatas, Luciana e Gilberto conversando com Juninho do Cicas

O grupo escolheu a biblioteca comunitária do CICAS - Centro Independente
de Cultura Alternativa e Social, um espaço ocupado por diversos coletivos que
buscam fomentar a cultura na periferia da Zona Norte de São Paulo.
O CICAS por si só é um caso de sucesso, pois busca fazer atividades
culturais das pessoas para as pessoas e por meio do empoderamento e da

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 74

apropriação cultural perpetuar exemplos individuais que busquem transformar
o coletivo. Conversamos com Juninho Sendro, Rafael Alves e Jesus dos Santos,
gestores e colaboradores do espaço, e o acordo estava feito - eles nos adotaram e
nós passamos a ser parceiros e apoiadores da causa.
Em troca, eles nos dariam um propósito pelo qual poderíamos implementar o
design thinking e desenvolver um projeto de inovação social. A criação dos desafios,
uma das etapas importantes das primeiras fases do processo de design thinking, foi
feita diretamente no CICAS, e pudemos nos aproximar das pessoas ao mesmo
tempo em que começávamos a entender um pouco de sua realidade.

Criação dos Desafios para a Biblioteca do CICAS

Neste encontro apresentamos nossas percepções e conclusões da visita que
havíamos realizado anteriormente e, juntamente com os colaboradores do CICAS,
conseguimos confirmar nossas hipóteses e mapear novas questões a serem
trabalhadas. Durante a apresentação, anotamos nos post-its questões relativas às
pessoas envolvidas com o espaço e a comunidade, os problemas do local e
algumas ideias.
Depois, divididos em grupos, separamos os post-its em categorias temáticas
- os clusters. O mapeamento nos dava uma ideia da quantidade de coisas que

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 75

poderíamos explorar. Por fim, formulamos os desafios, selecionando os temas que
tinham mais recorrência e sobre os quais pudéssemos formular propostas diversas.
Refinamos os desafios por meio de uma estrutura própria da metodologia,
assim definimos o público-alvo, como mediríamos o sucesso da implementação das
soluções (métricas), quais as atividades estavam relacionadas a ele e uma
visualização.
Entre uma reunião de trabalho e outra, participamos de um mutirão proposto
pelos idealizadores e colaboradores do CICAS, ajudando na limpeza e organização
básica da biblioteca. Foi um momento muito importante para nos aproximarmos
ainda mais das pessoas que cuidam do espaço e entender a relação delas
com a biblioteca e também para conhecermos o acervo com mais profundidade.
Limpamos todos os livros, definimos coletivamente quais livros deveriam ser
descartados, organizamos por temas e sinalizamos os locais com plaquinhas
identificadoras dos temas. O dia começou com um punhado de livros e acabou
com uma biblioteca. Essa era a nossa sensação e o que enxergávamos nos olhos
dos nossos parceiros do CICAS, que haviam nos acolhido e ainda tinham dúvidas
do que iríamos fazer por lá.

Dia de Mutirão no CICAS

A Biblioteca do Poeta finalmente tinha forma aos nossos olhos e ganhou um
fôlego com os coletivos que gerem o espaço, todos passaram a ficar mais

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 76

esperançosos e acreditar que o projeto realmente pode causar um impacto na
comunidade.
Nosso projeto encontra-se na fase de criação de um plano de prototipação nós vamos implementar um piloto das ideias que foram geradas no último encontro
a fim de entender o que dá certo e o que dá errado na comunidade. Quais caminhos
deveríamos focar e como podemos ajudar a comunidade a se apropriar do que é
deles.
A ideação foi feita utilizando a metodologia do design thinking e técnicas para
gerar soluções por meio da colaboração. Focando nos nossos dois principais
desafios que eram:
● Como poderíamos criar maior envolvimento da comunidade com
o acervo?
● Como poderíamos melhorar a comunicação entre os coletivos?
Primeiro geramos uma série de atividades para que as equipes se
acostumassem com as mecânicas e para que buscassem inspirações em atividades
análogas, como por exemplo “Como poderíamos atrair consumidores para comprar
um nova bebida no supermercado?”. A técnica escolhida foi a do brainwriting pool,
que permite a geração de muitas ideias em pouco tempo e que um construa na ideia
do outro.
Ao final, ficamos com 4 conceitos bem definidos sobre nossa atuação no
CICAS, alguns voltados para organização dos coletivos e outros para aproximação
do centro cultural com a comunidade. Sempre utilizando o espaço e buscando os
elementos simbólicos da própria comunidade para que ela se aproprie e construa a
nova biblioteca junto conosco.
A implementação e nossos testes junto ao CICAS são cenas de um capítulo
próximo. No entanto, fica aqui o registro de nossos pequenos passos em busca de
uma nova biblioteconomia.
O ponto é que não adianta ficarmos no âmbito da reflexão. Temos que
colocar a mão na massa. Design thinking é o nosso instrumento de ação com
propósito.
E você, também acredita nesse encontro da biblioteconomia com o design?

Para acompanhar nosso grupo:
Reunião dos artigos publicados que inspiraram a criação deste:
https://medium.com/design-thinking-para-bibliotecas

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D e s i g n T h i n k i n g p a r a B i b l i o t e c a s | 77

Nossa página no Facebook:
https://www.facebook.com/designthinkingparabibliotecas

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-P
__________________________________________
Paula Azevedo Macedo é bibliotecária especialista em Comunicação Digital pela Escola de
Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Líder de projetos de inovação e
especialista em Arquitetura de Informação e UX Design na INSITUM Brasil.

Ana Marysa é de Souza Santos é formada em Biblioteconomia pela Escola de
Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e especialista em Gestão da
Comunicação em Mídias Digitais pelo SENAC. É UX Designer no Walmar.com.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 78

Dias de luta: ativismo bibliotecário e o caso
do Movimento Abre Biblioteca
Soraia Magalhães

Periodicamente tenho relatado sobre os acontecimentos que culminaram na
criação do Movimento Abre Biblioteca, iniciado em Manaus em abril de 2012. Dessa
vez, porém atendendo ao convite do colega Jorge do Prado, novamente apresento
dados sobre o tema, contudo objetivando propor uma reflexão sobre a necessidade
de se discutir o papel do bibliotecário frente aos desafios e lutas por espaços de
cultura, não só com visão voltada para questões sobre reservas de mercado ou
postos de trabalho, mas como cidadãos que juraram “tudo fazer para preservar o
cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade
de investigação científica e na dignidade da pessoa humana".
O objetivo desse artigo é tratar sobre o que foi realizado em Manaus em prol
da Biblioteca Pública Estadual do Amazonas, contudo apontando também a
importância de despertarmos o debate em torno da necessidade de uma frente de
luta ativa, voltada para o segmento das bibliotecas no Brasil, tendo em vista que
sabendo do descaso do poder público com esse segmento cultural, seguimos sem
nada fazer e nos contentando com tão pouco.
O Movimento Abre Biblioteca, nasceu em um período em que Manaus,
capital do Amazonas, amargava mais de cinco anos sem dispor dos serviços de sua
Biblioteca Pública Estadual, fechada para reforma. A população em sua maioria
seguia resignada, representações sociais como, por exemplo, a Universidade
Federal do Amazonas, não se manifestava e mesmo os meios de comunicação
pareciam não apresentar indignação, apenas e periodicamente anunciavam
possíveis datas para a abertura da Biblioteca que não se cumpriam.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 79

Diante de situações como essas e extensivas a outras cidades do país,
pergunto: Por que nós, bibliotecários, não nos mobilizamos para criar um conjunto
de vozes que possam ser ouvidas pelos dirigentes públicos em prol das nossas
bibliotecas? Por que somos tão pouco participativos diante de tomadas de decisão
em políticas públicas que envolvem o acesso ao conhecimento e a informação? E
por fim quero instigar a reflexão sobre o juramento citado acima, ao qual aproveito
para perguntar em que momento estamos fazendo TUDO para assegurar a
dignidade da pessoa humana no tocante aos espaços e serviços de bibliotecas?

Antecedentes do Movimento Abre Biblioteca
Minhas inquietações sobre o fechamento da Biblioteca Estadual do
Amazonas começaram em 2009 quanto regressei a Manaus após cinco anos
morando em outras cidades. Sentia falta do ambiente da Biblioteca, fora ali que
havia tido acesso aos primeiros bons livros, bem como sentia o desejo de percorrer
o ambiente aonde havia vivido minha primeira experiência profissional.
Em 2009 era triste passar pelo centro histórico de Manaus e ver o belo
edifício envolvo em tapumes. Em 2010, eu já escrevia no Blog Caçadores de
Bibliotecas e havia registrado anúncios de reabertura que não se cumpriam. Esse
incômodo suscitou em 2011 uma pequena pesquisa realizada em parceria com a
Bibliotecária Katty Anne Nunes e o Jornalista Sebastião Alves. Queríamos saber o
quanto ainda era latente no ideário dos habitantes de Manaus a relação deles com o
ambiente da biblioteca. Queríamos saber se o espaço ainda era visto como
elemento essencial da cidade. Para tal, abordávamos os transeuntes e apontando
para o edifício perguntávamos: Você sabe que lugar é esse? Houve quem não
soubesse responder (mesmo sendo morador da cidade), outros não souberam dizer
por quanto tempo estava fechado em obras, alguns acreditavam que estava fechado
por mais anos do que era o real. Mas algumas pessoas se lembravam com saudade
de terem feito trabalhos escolares naquele espaço. Apesar disso, a pesquisa
demonstrou que para a grande maioria, o edifício repercutia como espaço de
esquecimento, local onde poucos demonstravam dispor de intimidade.
Em 2012, durante a realização da Primeira Bienal do Livro do Amazonas, ao
constatar o incrível número de pessoas que buscavam acesso ao local (era preciso
suportar filas e pagar uma taxa para entrar), passei a refletir mais sobre as perdas
que a população do Amazonas, especificamente de Manaus estava sofrendo. Sem
acesso ao espaço físico da Biblioteca, sem acesso a ações culturais no ambiente da
Biblioteca, sem a possibilidade de emprestar livros para ler em casa...e mais.
Percorrendo os corredores da Bienal, ao encontrar Thiago Giordano Siqueira
e Katty Nunes comentamos o quão surpreendente era ver tantas pessoas
mobilizadas em torno de livros e leituras e que parte significativa devia se sentir
prejudicada por não dispor de uma biblioteca pública efetiva. Foi na sequência

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 80

desse pensamento e neste mesmo dia que o Movimento Abre Biblioteca começou,
haja vista que ao chegar a casa criei o texto da Petição Pública e pedi ao Professor
Raimundo Martins que ajudasse na revisão, enquanto isso Thiago criava a imagem
visual da campanha e no dia seguinte publicava a Petição Online. Durante os dias
que seguiram da Bienal começamos a colher assinaturas em folhas impressas
pedindo a reabertura da Biblioteca.
A organização do Movimento Abre Biblioteca teve origem a partir de uma
reunião que envolveu além de mim, os colegas Katty Anne Nunes, Evany
Nascimento, Thiago Siqueira, Gutemberg Praia e José Bustamante que juntos
demos os primeiros passos. A luta foi longa e muitas pessoas foram se engajando
em determinados períodos, contudo não posso deixar de referendar a contribuição
da Professora de Arte Evany Nascimento que foi uma das mais entusiasmadas e
atuou no planejamento e execução de todas as etapas.

O Movimento Abre Biblioteca
Antes de avançar por sobre a ação do Movimento em si, vale a pena
contextualizar Manaus, tendo em vista que a capital do Amazonas se apresenta nas
listas econômicas como a primeira da região norte e a sexta mais rica cidade do
país. O segmento cultural da cidade está a cargo da Secretaria de Cultura do
Estado, sob a administração do senhor Robério Braga que permanece a frente do
cargo há mais de vinte anos. Mais de vinte anos é muito tempo e durante esse
período foi latente a cultura do medo em Manaus. Quem teria a coragem de
contrariar esse administrador?
Um grupo pequeno, formado por bibliotecários, estudantes e uma
profissional de Artes que partiram para a ação criando uma série de atividades que
exigiam a definição de uma data efetiva para a reabertura da Biblioteca. Nós não
estávamos reivindicando postos de trabalho, estávamos lutando por democracia
informacional. Alguns jornalistas chegaram a perguntar se a luta era por que
queríamos trabalho, a ideia não era essa e se fosse ainda assim seria justa, mas a
grande adesão veio do fato de que queríamos uma cidade com acesso a biblioteca
pública para o povo. As atividades duraram dez meses e era preciso instigar a
visibilidade para o problema, para isso, dentre as mobilizações de rua realizadas
podemos destacar quatro momentos significativos:
O Abraço: Inspirado em uma ação do Movimento Marea Amarilla, ocorrido
na Espanha, quando um abraço foi dado à Casa de las Conchas, Biblioteca Pública
de Salamanca. No nosso caso, em Manaus, foi o momento que mais repercutiu na
imprensa local e nas redes sociais. Iniciada com uma pequena passeata que
percorreu as ruas do centro histórico da cidade, pedíamos por meio de cartazes e
faixas a reabertura da Biblioteca. O abraço foi uma ação simbólica. Uma corrente,
de mãos dadas onde tentávamos demonstrar o nosso carinho por aquele espaço

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 81

público que nos estava sendo negado. A manifestação ocorreu no dia 16 de julho de
2012 e contou com a participação de professores da Universidade Federal do
Amazonas (alguns do Curso de Biblioteconomia), integrantes do Conselho Regional
de Biblioteconomia – CRB-11, políticos, amigos, familiares e o povo que parou para
nos ouvir.
Biblioteca na rua: O objetivo de cada ação era não deixar que a luta caísse
no esquecimento e por isso tentávamos nos mostrar sempre presentes. O Biblioteca
na Rua foi realizado em frente ao prédio da Biblioteca. Queríamos que as pessoas
sentissem o que era ter acesso a livros, jornais, revistas e atividades culturais. O
evento foi um sucesso, apesar do forte sol amazônico que fazia com que se
refletisse o quão bom seria se estivéssemos do lado de dentro e não fora da
Biblioteca.
Mural Abre Biblioteca: Essa foi a mais fácil de todas as ações, pois
convidamos dois artistas de rua para criar uma arte instigando a proposta sobre a
causa, ou seja, sobre o pedido de reabertura da Biblioteca. A arte ficou por vários
dias estampada nos tapumes e chamava a atenção daqueles que passavam.
O Grito: foi a última ação de rua e considero, assim como O Abraço, uma
das mais importantes. Realizada no dia 2 de dezembro de 2012, diante da presença
de Omar Aziz, o governador do Estado, que iria reinaugurar uma praça. Dois dias
antes, conclamamos as pessoas a irem para o local com suas camisas para juntos
gritarmos Abre Biblioteca. Foi um momento tenso por que havia policiamento e até
cordão de isolamento, mas gritamos e gritamos tanto que o governador saiu do seu
lugar de honra para pedir uma trégua e prometeu nos receber em seu gabinete para
tratar sobre a data da reabertura da Biblioteca, que de acordo com a nova promessa
seria em janeiro de 2013.
Após O Grito, nada mais foi publicado sobre uma nova data e o espaço foi
reaberto às escondidas no dia 31 de janeiro de 2013. Por sorte, tenho fotos,
inclusive do senhor Robério Braga saindo do espaço após a abertura das portas.
Sobre o assunto, os meios de comunicações (jornais e TV) criaram matérias
fabulosas contando sobre as melhorias do espaço e deram ênfase a algumas
personalidades da casa. Em nenhum momento comentaram sobre as ações que
envolveram as reinvindicações para a reabertura.
Mas o Movimento Abre Biblioteca ganhou visibilidade, inclusive fora do
Brasil. Por indicação de colegas bibliotecários, estive entre os 50 profissionais que
agitaram a profissão no ano de 2012 e figurei no Movers &amp; Shakers 2013, do Library
Journal, nos Estados Unidos. Ganhei também o prêmio Genesino Braga pelo
reconhecimento à luta pela reabertura da Biblioteca. Mas tudo isso aconteceu em
meio a muitas horas de trabalho, bem como as parcerias firmadas com muitas
pessoas que acreditaram e se dedicaram à causa.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 82

Quanto a Biblioteca Pública Estadual do Amazonas, logo nos primeiros
meses funcionou relativamente bem, inclusive com horário de segunda à sexta, das
8h às 20h, e aos sábados, de 8h às 14h. Mas desde o início de 2015, foram
reduzidos os quadros de horários e em termos de serviços, somente o trivial:
consulta local e empréstimo domiciliar. Talvez seja a hora de começarmos a lutar
por melhoria em termos de recursos humanos, equipamentos, acervos, serviços.
Abaixo, deixo uma síntese em imagens de alguns momentos marcantes do
Movimento.

A situação das Bibliotecas Públicas no Brasil
O surgimento das maiores e mais bem equipadas bibliotecas do país, salvo
algumas exceções datam dos primeiros anos do século XX. É interessante constatar
o quão pouco avançamos e me pergunto quais foram as bibliotecas construídas nos
últimos anos que se firmaram como efetivamente representativas no Brasil? Nas
cidades do interior, creio que nenhuma. Em algumas capitais temos o exemplo da
Biblioteca Pública Estadual de Rio Branco, no Acre, ou da Biblioteca de São Paulo e
as Bibliotecas Parque no Rio de Janeiro inspiradas no modelo Bibliotecas Parque da
Colômbia.35
Em pleno século XXI é desanimador afirmar que o Brasil sofre com
bibliotecas fechadas ou também com bibliotecas de “fachadas”. O Ministério da
Cultura, juntamente com o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, no âmbito
35

Ao exaltar o feito, tive que fazer uma reformulação nesta parte do texto tendo em vista a
informação publicada pela Revista Biblioo (em 24/11/2015) que alertava sobre o possível fechamento
das quatro Bibliotecas Parques do Rio de Janeiro por falta de recursos para pagamentos de
funcionários e manutenção dos equipamentos culturais em funcionamento.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 83

federal pouco ou quase nada se manifestam diante de ações que têm ocorrido de
forma espontânea produzida pela sociedade civil em lutas de resistência pela
manutenção das bibliotecas existentes.
O problema vinculado ao fechamento de bibliotecas ou mesmo a
inexistência desses espaços devem ser encarados com seriedade, pois envolvem
perdas, seja para os profissionais e seus postos de trabalho, mas também para a
sociedade que tem que se resignar a falta de acesso aos espaços, acervos e
serviços.
Quando utilizei a frase do juramento no início desse texto, usada nas
cerimônias de colação de grau dos bibliotecários brasileiros, tinha por objetivo
instigar o pensamento sobre até que ponto temos consciência sobre aquilo que
juramos defender. Não creio que temos honrado muito bem essa fala, mas creio
também que não fomos preparados sobre os aspectos que envolvem ações de luta
em prol dos movimentos culturais do país. A grande maioria dos bibliotecários sabe
o quanto uma biblioteca bem-dotada com infraestrutura, pessoal capacitado e
dispondo de serviços pode representar para o avanço da qualidade de vida das
populações ao qual estão inseridas, contudo por que não temos a capacidade de
lutar para que tenhamos essas garantias?

Considerações Finais
Quando o Jorge do Prado me convidou para escrever sobre o Movimento
Abre Bibliotecas e as ações realizadas na cidade de Manaus visando à reabertura
daquele espaço em 2012, ele acabou me instigando a empreender uma reflexão
sobre o nosso papel frente às conquistas no campo informacional, haja vista que
mesmo dispondo de uma profissão regulamentada, ainda temos pouca
representatividade diante das decisões políticas em nosso segmento de atuação.
Enquanto escrevia essas linhas e relembrava acontecimentos, também refletia
sobre o quanto a essência humana está envolvida em ações de luta e na busca por
conquistas, contudo não são muito comuns ações de lutas por espaços de cultura
no Brasil, em especial, bibliotecas, entretanto vejo o Movimento Abre Biblioteca
como uma expressão dos movimentos populares que tem nas redes sociais
possibilidades de alcance significativo.
As ideias do Movimento Abre Biblioteca passaram a ser encampadas por
outras cidades com problemas semelhantes aos que vivemos em Manaus. No Rio
de Janeiro, bibliotecários deram início ao Movimento Abre Biblioteca Rio que
questiona, entre outras coisas, as possibilidades de fechamento de quatro
bibliotecas públicas. Em João Pessoa, um grupo de bibliotecários criou o Movimento
Abre Biblioteca Paraíba que se mobiliza em prol da construção de uma biblioteca
pública municipal. A cidade de Custódia, no interior do Recife criou o Movimento

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�D i a s d e l u t a | 84

Abre Biblioteca Custódia, a iniciativa, neste caso, não foi de uma bibliotecária, mas
tem mobilizado a juventude e alguns bibliotecários estão apoiando a causa.
O tema sobre a luta por bibliotecas é instigante, contudo não é possível aqui
avançarmos tanto, se faz necessário, porém propor outras reflexões envolvendo o
ativismo bibliotecário em diversas frentes. Buscando apoio para referendar meus
pensamentos, deixo como sugestão de leitura o texto Prática profissional e ética: o
juramento do bibliotecário serve a que? do professor Francisco das Chagas de
Souza. Concluo por fim dizendo o óbvio: biblioteca é coisa séria e deveria ser um
equipamento cultural encarado como essencial para a educação do país. Creio que
nós bibliotecários podemos nos organizar para lutar por mais recursos para criação
e manutenção de bibliotecas para que assim possamos efetivamente acreditar no
Brasil como pátria educadora.

REFERÊNCIAS
Quatro bibliotecas-parque podem fechar as portas por falta de recursos: 150 funcionários
das unidades já vão entrar em aviso prévio. Disponível em: &lt;http://biblioo.info/bibliotecasparque-podem-fechar/&gt;. Acesso em: 24 de nov. 2015.
SOUZA, Francisco das Chagas de. Prática profissional e ética, o juramento do bibliotecário
serve a que?. Disponível em: http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=679.
Acesso: 10 de nov. 2015.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-R

________________________________________

Soraia Magalhães é doutoranda em Formación em la Sociedad del Conocimiento
pela Universidade de Salamanca, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e
bacharelado em Biblioteconomia, ambos pela Universidade Federal do Amazonas.
Idealizadora do blog Caçadores de Bibliotecas, onde relata experiências de viagem
ao
redor
do
mundo
visitando
unidades
de
informação.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: ATITUDES

�| 85

QUARTA PARTE

TECNOLOGIAS

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 86

A Internet das Coisas na prática:
desafios e oportunidades
Moisés Lima Dutra
Silvana Toriani
Dentre as novas tecnologias surgidas nos últimos anos, poucas têm o
potencial para mudar tanto e tão profundamente nosso mundo e nosso modo de
viver como a Internet das Coisas. A Internet das Coisas – ou IoT, como é conhecida
a partir do seu acrônimo em inglês (Internet of Things) –, é um conceito que propõe
literalmente a interconexão via Internet de todos os objetos existentes, as chamadas
“coisas”. Esta interconexão possibilitaria que os objetos “conversassem” entre si e
“tomassem decisões” sem a intervenção humana. O que se espera com este tipo de
abordagem é se obter, principalmente, automação de tarefas repetitivas e agilidade
na tomada de decisões em situações onde pessoas não estejam presentes. Apesar
do tom um tanto futurista da proposta, já existem aplicações IoT em funcionamento,
em ambientes domésticos, industriais, logísticos, entre outros. Talvez estejamos
mais perto de concretizar alguns cenários de filmes de ficção científica como “De
Volta Para o Futuro” do que imaginemos. No entanto, como toda proposta dotada de
tamanho potencial de impactar decisivamente em nossas vidas, nem tudo são
flores. Há alguns questionamentos que se fazem necessários, os quais discutiremos
a seguir.
A ideia de se conectar objetos em rede não é recente. Em setembro de
1991, o então cientista-chefe da Xerox PARC norte-americana, Mark Weiser, já
propunha esta ideia36. Para Weiser, uma tecnologia só poderia ser considerada
efetivamente integrada ao nosso dia-a-dia quando ela desaparecesse, ou seja,
quando passássemos a utilizá-la em nossas tarefas diárias sem nos darmos conta
de que ela está presente. Esta afirmação ainda permanece atual, vinte e quatro
anos depois. O autor afirmava que os esforços deveriam ir na direção de se tentar
conceber novas formas de integrar os computadores no mundo, de tal forma que as
36

http://www.ubiq.com/hypertext/weiser/SciAmDraft3.html
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 87

máquinas passassem a fazer parte do ambiente humano de maneira
completamente desapercebida por nós. Além disso, declarava que a computação
ubíqua (aquela que está presente em toda parte) é uma aliada na resolução de
questões relacionadas ao excesso de informação no mundo moderno, e que
deveríamos procurar, cada vez mais, inserir as máquinas no ambiente humano ao
invés de forçarmos as pessoas a se adaptar ao ambiente das máquinas.
O termo computação ubíqua ou pervasiva, cunhado pelo próprio Weiser, em
possui estreita relação com o termo computação vestível 38, também
proposto no mesmo ano, por Steve Mann. Este último propõe que os gadgets - ou
dispositivos eletrônicos - estejam diretamente em contato com o usuário, como se
este os estivesse “vestindo”. Após alguns anos de hiato, a computação vestível
voltou a estar em voga nos últimos tempos. Para se ter uma ideia, a consultoria
Juniper Research39 crê que o mercado de computação vestível deverá alcançar US$
19 bilhões em 2018. Diversas startups brasileiras têm investido neste mercado,
como a catarinense ATAR40, que produz gadgets vestíveis.
198837,

O termo “Internet das Coisas” propriamente dito foi apresentado pela
primeira vez em 1999, por Kevin Ashton, numa palestra da Proctor &amp; Gamble 41.
Naquele momento, já haviam sido implementados alguns projetos que
representaram avanços na área da computação ubíqua e vestível, entre os quais
pode-se citar: a Trojan Room Coffee Pot42, uma cafeteira monitorada à distância; a
WearCam43, que transmitia em tempo-real as imagens captadas por óculos
conectados à Internet; e o projeto InTouch 44, desenvolvido pelo Massachusetts
Institute of Technology (MIT), com o objetivo de criar um “telefone tangível” a longas
distâncias.
O que fez, no entanto, com que ideias propostas há duas décadas ou mais
retomassem tal impulso nos últimos anos? A respostas a esta questão reside no
fato de basicamente termos resolvido três antigos gargalos tecnológicos: (i) a
velocidade de processamento das máquinas; (ii) a capacidade de armazenamento
de dados; e (iii) a largura da banda disponível na Internet comercial.
Desde que Gordon Moore, cofundador da Intel, cunhou em 1965 sua
célebre frase “a cada 18 meses a capacidade de processamento dos computadores
irá dobrar, enquanto os custos permanecerão constantes”, que viria a ser conhecida
como “Lei de Moore”, esta previsão continua válida. Em relação ao armazenamento
http://www.ubiq.com/hypertext/weiser/UbiHome.html
http://wearcomp.org/wearcompdef.html
39 http://www.redorbit.com/news/technology/1112976153/smart-wearable-devices-report-juniperresearch-101613/
40 http://www.atartech.com.br/
41 http://www.rfidjournal.com/articles/view?4986
42 http://www.cl.cam.ac.uk/coffee/qsf/coffee.html
43 http://wearcam.org/myview.html
44 http://tmg-trackr.media.mit.edu:8020/SuperContainer/RawData/Papers/315Tangible%20Interfaces%20for%20Remote/Published/PDF
37
38

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 88

de dados, com as tecnologias de estocagem em nuvens e os dispositivos externos
de armazenamento (como pen drives e discos externos) oferecendo espaço na casa
dos gigabytes e terabytes, o problema de se guardar grandes volumes de dados
praticamente desapareceu. No entanto, a característica que de fato possibilitou a
retomada de projetos de computação ubíqua e vestível, e deu grande impulso à
concretização da IoT tal como a conhecemos hoje, foi o aumento da taxa de
transmissão de dados via Internet, a chamada largura de banda. Com a progressiva
implantação da Internet de quarta geração (4G) que possibilita taxas de transmissão
de até 1 gigabit por segundo, as aplicações voltadas para a comunicação e a
mobilidade finalmente encontraram terreno fértil para se proliferarem. Os testes
recentes que têm sido feitos com a transmissão 5G45, e as propostas ainda
preliminares que delineiam a transmissão 6G, nos permitem imaginar um mundo
onde aplicações à distância e que exijam enorme largura de banda se tornem
corriqueiras, tais como cirurgias à distância.
Neste contexto, o que a IoT pode nos oferecer hoje de concreto? Podemos
considerar primeiramente aquelas aplicações às quais já estamos acostumados e
que talvez ainda não nos demos conta se tratarem de ambientes IoT, tais como as
cancelas eletrônicas das cabines sem operadores das rodovias, que identificam
automaticamente o veículo que passa por elas e debitam o valor do pedágio
diretamente no cartão de crédito do condutor, sem que este precise parar. Outro
exemplo são dispositivos vestíveis, tais como anéis ou pulseiras, que identificam o
dono e podem ser usados para dar acesso a ambientes controlados (salas de
reuniões ou até mesmo a própria casa), autenticar operações bancárias, comprar
passagens, pagar estacionamentos, fazer saques em caixas eletrônicos, bater
cartão de ponto, etc. Os aparelhos celulares que possuem a tecnologia NFC
(comunicação de campo próximo) também podem ser usados neste contexto. A
grande vantagem desta abordagem é a automação da tarefa, pois o usuário do
gadget só terá o trabalho de aproximá-lo de outro dispositivo IoT, para que os dois
“se comuniquem”, “compreendam” o contexto da tarefa e a executem
automaticamente.
A IoT também já é utilizada na manufatura, na logística, na gestão de
mercadorias e encomendas por transportadoras, na segurança e monitoramento de
ambientes públicos e privados, na gestão da cadeia produtiva, no controle
“inteligente” de maquinário industrial, em prédios e cidades “inteligentes”, entre
outros. Para exemplificar, existem propostas em desenvolvimento de rodovias
“inteligentes”, nas quais todos os veículos estarão conectados uns com os outros e
com a própria estrada. Qual é a vantagem disso? A própria estrada poderia gerir
seu tráfego, os carros poderiam andar na maior velocidade possível, desde que
mantivessem determinada distância de segurança uns dos outros. Além disso, o
monitoramento se estenderia a todo o trajeto, que poderia ser programado
http://www.latinone.com/articles/25335/20151012/5g-network-speed-test-peaks-at-3-6-gbps-howfaster-internet-speed-can-affect-the-future-of-technology.htm
45

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 89

automaticamente. Isso significaria, num cenário ideal, que os motoristas apenas
precisariam entrar nos seus carros e programar o destino, para que os mesmos se
encarregassem de chegar lá no menor tempo e com a maior segurança possíveis.
Além das estradas, é possível imaginarmos aplicações IoT dentro das
cidades. Tomemos a questão dos estacionamentos nos grandes centros, um
problema que se torna cada vez mais complexo devido à quantidade da frota de
veículos, que não para de aumentar. Segundo uma pesquisa feita pela Cisco, 30%
de todos os engarrafamentos são causados por motoristas que procuram um lugar
para estacionar46. Neste contexto, podemos imaginar que veículos que pudessem
se comunicar diretamente com as vagas de estacionamento livres nas ruas e nos
estabelecimentos privados, com as próprias vias de acesso ao redor e com os
outros veículos, poderiam contribuir para que motoristas à procura de vagas
estacionassem mais rapidamente e, desta forma, aliviassem o tráfego.
Prédios e casas inteligentes são outra vertente de aplicação da IoT.
Imaginemos o cenário no qual uma geladeira inteligente poderia identificar que
determinados produtos estão chegando ao fim e automaticamente solicitar novas
unidades a supermercados e fornecedores em geral. Desta forma, poderíamos
chegar em casa ao fim do dia e encontrarmos um pacote de caixas de leite longa
vida entregue, por exemplo, e apenas depois percebemos que a última caixa de
leite na geladeira está no fim.
A IoT permitirá também o monitoramento remoto de crianças e idosos.
Pessoas portadoras do Mal de Alzheimer, por exemplo, poderiam ter sua locomoção
e ações durante o dia monitoradas, de maneira que se pudesse verificar se tal
medicamento foi tomado, se a mesma fez suas necessidades básicas, por onde
andou e o que fez. Pacientes cardíacos poderiam ter seus marca-passos
monitorados à distância pelo seu cardiologista, que poderia inclusive, fazer ajustes
nos mesmos sem a interferência dos doentes.
Analogamente, a IoT possui um grande potencial para ser aplicada às
organizações em geral. Desde a operação e otimização de maquinário industrial,
passando pela cadeia produtiva como um todo, logística, transporte, varejo, setor de
energia, saúde pública, segurança e governança eletrônica. Segundo McKinsey
Global Institute (2015)47, a IoT tem potencial para gerar um impacto econômico no
montante de cerca de 11 trilhões de dólares ao ano em 2025, em diversos
segmentos de aplicação.

http://www.cisco.com/c/dam/en/us/products/collateral/se/internet-of-everything/last-traffic-jamaag.pdf
47http://www.mckinsey.com/insights/business_technology/the_internet_of_things_the_value_of_digitizi
ng_the_physical_world
46

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 90

Para Kellmereit e Obodovski (2013)48, três fatores capitanearão este
processo:
●
Miniaturização: dispositivos eletrônicos cada vez menores e detentores
de fontes de energia potentes e eficientes;
●
Custos:
consistentemente;

o

preço

dos

componentes

eletrônicos

vem

caindo

●
Aceleração da adoção tecnologia sem fio: cada vez mais os
dispositivos tendem a ser wireless ou sem fio. O último a desaparecer deverá ser o
próprio fio de alimentação elétrica.
E o profissional da informação, onde entra nessa história? Há alguns
indícios que nos fazem refletir o papel deste profissional. Por exemplo, a biblioteca
da Universidade de Chicago49, inaugurada em 2011, foi totalmente planejada para
funcionar diariamente sem bibliotecários, desde que a maior parte das suas funções
essenciais são automatizadas ou no estilo self-service. Outro exemplo é a empresa
Netflix, que contratou bibliotecários para trabalharem com folksonomia 50 e, desta
forma, organizarem seus catálogos personalizados a partir de gírias e expressões
do público mais jovem. O que restou então a um bibliotecário do século XXI?
Acreditamos que o profissional da informação do futuro deverá estar capacitado
para organizar a informação virtual, não importando onde esta se encontre. Além
disso, deverá ser alguém adaptado e atualizado com relação às novas tecnologias
que surgem todos os anos, que possua conhecimentos que o permitam expandir a
sua visão além de um único repositório digital e se tornar um verdadeiro facilitador
da construção do conhecimento pela sociedade. Deve ser também capacitado para
trabalhar na vigilância tecnológica, na recuperação proativa da informação e na
análise preditiva de dados, herdeiras dos antigos serviços de referência das
bibliotecas. Este profissional deverá monitorar diversas áreas do conhecimento. O
centro de vigilância tecnológica irá disponibilizar informações de orientação que
ajudarão no desenvolvimento de produtos, serviços, parcerias, entre outros. O
profissional da informação será o pensador que utilizará a IoT para facilitar seu
trabalho. Temos clareza de que este profissional precisa avançar em outras áreas
para estar preparado para o futuro.
Entretanto, alguns desafios persistem até que este futuro esteja plenamente
operacional. Chega a ser um paradoxo, mas assim como a IoT interconecta todas
as coisas, da mesma forma pode gerar uma desconexão entre pessoas,
sentimentos, emoções, noções de comunidade, entre outros. Se por um lado a IoT
vai conectar demandas de informações que podem otimizar e facilitar a vida
humana, por outro, ela poderá criar rupturas de relacionamentos e de cooperação
KELLMEREIT, D.; OBODOVSKI, D. The Silent Intelligence - The Internet of Things, Amazon
Digital Services, Inc., 2013
49 https://www.youtube.com/watch?v=HK7E0ang48w
50 http://bsf.org.br/2015/04/07/vaga-para-bibliotecarios-netflix-brasil/
48

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 91

mútua. É estranho como algumas tecnologias que se propõem a resolver e
aproximar as pessoas acabam por criar abismos entre seres humanos. Pensemos
nas mídias sociais, que tinham objetivo inicial da aproximação das pessoas, de
socialização, e que aumentaram a violência, a xenofobia e o racismo. Será que a
IoT vai aumentar o individualismo? Que sociedade formaremos a partir da IoT?
Gostaríamos de ter as respostas de que a sociedade necessita para usar esta
tecnologia para otimizar seu dia-a-dia e ampliar sua perspectiva de vida em
comunidade. No entanto, para ficarmos apenas na questão financeira, temos
dificuldade de usarmos o dinheiro e não sermos escravo dele. A busca pelo lucro a
qualquer preço geralmente substitui a busca pela paz, pela sabedoria, pela
felicidade. Precisamos ter cuidado para que o mesmo não aconteça com a IoT.
Além disso, alguns questionamentos éticos podem ser evocados aqui.
Imaginemos por um momento que nossa vida estará imersa quase que por
completo na IoT. Será que o fator humano deve ser completamente excluído desta
equação? Os sistemas computacionais estão preparados para tomarem todas as
decisões por nós? Inclusive as mais importantes? E como ficam as questões de
segurança? E se crackers invadirem o nosso sistema e tiverem acesso aos nossos
objetos do dia a dia e puderem controlá-los à distância? E se o nosso carro, em vez
de ir parra o destino inicialmente planejado, nos levar a algum lugar indesejado? E
se os marca-passos puderem ser alterados por vândalos digitais e isso custar a vida
de pessoas? Os crimes digitais têm aumentado ano-a-ano no Brasil51 e ainda não
exploramos um décimo do potencial da IoT (MCKINSEY, 2015)52. Estamos
preparados, enquanto sociedade, para um mundo ainda mais interconectado e
online?
Problemas de conexão também podem ser um entrave. Se a IoT estiver
gerenciando serviços essenciais, como hospitais, enfermarias, asilos, escolas e
acontecerem interrupções no fornecimento de energia elétrica ou algum servidor
falhar, como fica? Haverá um plano B? Todas essas questões precisam ser
pensadas, pois os sistemas deverão estar preparados para rodar sem falhas 24
horas por dia, 7 dias por semana, 365 por ano.
Para finalizar, cremos que entre os desafios que teremos em relação a IoT,
é não usá-la como substituta do contato humano. Precisamos avaliar
cuidadosamente o impacto da IoT na sociedade como um todo. Acreditamos que
uma sociedade mais saudável é aquela onde as pessoas pudessem ter e aproveitar
mais tempo livre para lazer, família, amigos, esporte, arte, desenvolvimento
científico, entre outros, pois essas são coisas que complementam e dão valor à
vida. No entanto, a tendência atual não é esta. A progressiva digitalização e
virtualização do trabalho nos últimos anos, aliada à miniaturização dos gadgets
(smartphones, tablets e ultrabooks), teve o efeito oposto, qual seja, o de nos deixar
51

http://www.cgi.br/

52http://www.mckinsey.com/insights/business_technology/the_internet_of_things_the_value_of_digitizi

ng_the_physical_world
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�A i n t e r n e t d a s c o i s a s n a p r á t i c a | 92

cada vez mais “conectados”. Some-se a isso a diminuição do contato social entre as
pessoas e o aumento da violência virtual. Para o filósofo italiano Umberto Eco 53, “as
redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”, que antes falavam apenas “em
um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. Eco diz ainda
que, “normalmente eles eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo
direito à palavra de um Prêmio Nobel”. Para finalizar, acrescenta que “o drama da
Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Desta forma
nos questionamos, será que a IoT poderá potencializar ainda mais esta situação?
De uma coisa, no entanto, podemos ter certeza: a IoT é uma realidade com
a qual, mais cedo ou mais tarde, tomaremos contato. Quanto mais preparados
estivermos, melhores escolhas poderemos fazer. A evolução tecnológica dissociada
da evolução da sociedade dificilmente fará do mundo um lugar melhor. Enquanto
não evoluirmos enquanto indivíduos, a IoT ou qualquer outra nova tecnologia
poderá muito bem ser utilizada negativamente e de maneira prejudicial, sem ética e
sem moral.
De acordo com Fell (2014)54, em 2003 havia 6,3 bilhões de pessoas vivendo
no planeta e 500 milhões de dispositivos conectados à Internet. Ainda segundo o
mesmo autor, até 2020 haverá 7,6 bilhões de pessoas no planeta e 50 bilhões de
dispositivos online. Algumas estimativas elevam este número para cerca de 1 trilhão
de dispositivos conectados à Internet em 2025. Qualquer que seja o prognóstico, o
fato é que a chamada Internet das Coisas irá gerar impactos profundos na
sociedade.
QUER COMPLEMENTAR? VISTE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-T

____________________________________
Moisés Lima Dutra é professor adjunto no Departamento de Ciência da Informação
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutor em Computação pela
Universidade de Lyon 1, mestre em Engenharia Elétrica e bacharel em
Computação, ambos pela UFSC.
Silvana Toriani é doutoranda em Engenharia de Produção e Sistemas pela UFSC,
mestre em Administração pela Universidade do Sul de Santa Catarina e bacharel
em Administração de Empresas pela Universidade do Oeste de Santa Catarina.
Administra a Veliti Tecnologia Assistiva, além atuar como professora em cursos de
pós-graduação.
http://noticias.terra.com.br/educacao/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umbertoeco,6fc187c948a383255d784b70cab16129m6t0RCRD.html
54 FELL, M. Roadmap for the Emerging Internet of Things - Its Impact, Architecture and Future
Governance. Carré &amp; Strauss, United Kingdom. 2014.
53

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 93

As bibliotecas e os serviços de aluguel
de livros digitais
Liliana Giusti Serra
Com o aumento da oferta de produtos digitais estamos observando novos
modelos de negócios. Algumas áreas voltadas ao entretenimento já lutam pela
sobrevivência nesta nova economia. Os segmentos da música, cinema e televisão
experimentam os desafios da digitalização de seus produtos há mais tempo que o
mercado editorial, encontrando nos modelos de assinaturas ou aluguel uma
alternativa para oferecimento de produtos a preços competitivos, combatendo a
pirataria. Estes serviços passaram a oferecer aos usuários a opção de licenciar e ter
acesso aos conteúdos protegidos por direitos autorais, pagando um custo baixo e
acessível, proporcionando oferta de músicas, filmes ou seriados. Embora não tenha
eliminado a pirataria, a partir do momento em que os consumidores possuem uma
alternativa legal para ter acesso aos produtos de seu interesse, a tendência é que
ocorra queda na distribuição descontrolada dos objetos digitais, como ocorreu no
início da digitalização da música e com os serviços de troca ou compartilhamento de
arquivos. Afinal, ao apreciar as músicas de um cantor ou conjunto musical, ou o
trabalho de atores e diretores, ao licenciar o conteúdo e ter acesso ao mesmo de
forma muito rápida ou quase imediata, o consumidor estimula a continuidade da
produção, com os envolvidos sendo remunerados pelos trabalhos realizados. Este
modelo de negócios tem sido uma alternativa na economia digital, proporcionando
ganhos a estúdios, gravadoras ou artistas independentes. Era uma questão de
tempo até surgir uma alternativa semelhante ao mercado editorial.
Em 2013 surgiram serviços de aluguel de livros, com foco no mercado de
leitores, e não das bibliotecas. As startups centravam-se em fornecer aplicativos
para permitir a leitura de livros digitais por meio de uma assinatura mensal. Este
serviço é calcado na leitura por meio de tablets, e-readers ou celulares, com a leitura
mediada por plataformas proprietárias. Em pouco tempo diversos serviços foram
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 94

lançados, com pequenas variações entre eles, porém com algumas características
em comum:
Os leitores tinham acesso a grandes quantidades de títulos, fruto da
parceria das empresas com editores e autores, estes normalmente optantes
de serviços de auto-publicações;
Os leitores podiam ter planos com faixa de livros que podiam ser lidos
ao mês, ou ainda contratar acesso ilimitado a todos os títulos disponíveis;
As plataformas possuem características de redes sociais,
proporcionando a troca de sugestões, indicações ou recomendações entre
leitores, em semelhança aos clubes de leitura;
A remuneração a editores e autores era realizada após constatada a
leitura de mais de 10% da obra. Após este período, o fornecedor do livro
recebia a remuneração da totalidade da obra, de acordo com seu valor de
varejo;
A receita das empresas era calcada nos leitores que não realizavam a
leitura – parcial ou completa -, mas limitavam-se a consultar trechos ou
capítulos de publicações, ou seja, as empresas lucravam quando os leitores
não liam a totalidade de suas cotas mensais;
Os editores não apostaram no negócio e, nitidamente, era um modelo
arriscado, com a empresa contratante remunerando as editoras mesmo sem o
consumo total dos livros digitais;
Os editores nem sempre disponibilizavam lançamentos nos serviços de
assinatura, por receio de pulverizar as vendas da obra completa em sua
forma digital ou impressa nas livrarias.
A experiência da leitura digital ainda é nova, mesmo considerando que o livro
digital já exista há bastante tempo. Os custos estão acima dos valores imaginados
pelos consumidores, pois havia o entendimento que representariam um
barateamento consistente dos preços praticados. Este cenário, porém, não se
confirmou até o momento. Embora os livros digitais dispensem os custos de papel,
gráfica, logística para distribuição e armazenamento, outros custos foram agregados
ao produto, como a diagramação, o uso de formatos apropriados aos livros digitais,
principalmente o ePub, as ferramentas de DRM (Digital Rights Management) e as
indefinições sobre os impostos sobre os livros, visto que as discussões sobre o tema
ainda estão em curso.
Na Europa, por exemplo, existe o VAT (Value-Added Tax) ou o GST (Goods
&amp; Services Tax). Em pesquisa realizada pela International Publishers Association

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 95

(IPA) e pela Federation of European Publishers55, em 2015, foi constatado que a
média de imposto recolhido para livros impressos é de 5,75%, enquanto para livros
digitais é de 12,25%, representando impostos dobrados ao segundo conjunto. Dos
79 países pesquisados, 53 (69%) recolhem impostos sobre os livros digitais. Os
livros impressos apresentam isenção ou baixos impostos na maioria dos países,
visto que são produtos culturais e educacionais, cujo acesso deve ser favorecido
pelos governos, que os consideram ferramentas para aquisição e transferência de
conhecimento. Esta situação, porém, ainda não foi amplamente estendida aos livros
digitais, que ainda recolhem impostos superiores em relação ao papel.
Nos Estados Unidos as taxas sobre os livros digitais são definidas pelos
estados, com parte deles optando pela isenção de impostos, enquanto outros
consideram a cobrança na comercialização de quaisquer produtos digitais e não
somente para livros.
No Brasil um projeto de lei encontra-se em tramitação na Câmara dos
Deputados visando atualizar a Lei no. 10.753, de 30 de outubro de 2003, que institui
a Política Nacional do Livro, alterando a definição de livro e equiparando-o ao livro
impresso, que acarretaria em isenção tributária.
Em pouco tempo diversas empresas passaram a oferecer os serviços de
aluguel ou assinatura, porém, alguns destes movimentos resistiram por curtos
períodos e já encerraram suas atividades.
Dentre os desafios observados pelas empresas que oferecem os serviços de
aluguel ou assinatura de livros digitais, além dos altos preços praticados, apresentase a forte concorrência da Amazon, que subsidia os custos e promove em muitos
casos a gratuidade no acesso de publicações lançadas por autores que utilizam a
ferramenta de auto-publicação disponibilizada pela empresa, ou ainda, com o intuito
de favorecer a venda do dispositivo de leitura Kindle. Indefinições relacionadas à
comercialização em âmbito global, com revendedores impedidos de vender títulos
fora dos países onde foram definidos os contratos com autores e editores
contribuem com estas dificuldades. Destaca-se também a pouca flexibilidade dos
editores, que desejam receber a remuneração total de suas obras, sem fracionar os
ganhos de acordo com as proporções lidas de seus títulos, além da não oferta de
lançamentos ao conjunto de títulos oferecidos. Recentemente, um dos serviços viuse obrigado a aumentar os custos a seus assinantes que consumiam obras de ficção
e outros gêneros populares, como autoajuda por exemplo, devido dificuldades em
subsidiar a leitura dos consumidores que são leitores vorazes.
Mas será que este modelo de assinatura realmente aplica-se para livros?
Pode ser que não. Primeiramente porque o consumo de música, filmes e seriados –
os primeiros atendidos por estes modelos - é diferente do de livros. Os produtos
INTERNATIONAL PUBLISHERS ASSOCIATION; FEDERATION OF EUROPEAN PUBLISHERS.
VAT/GST on books &amp; e-books: an IPA/FEP global special report. 2015. Disponível em:
http://www.internationalpublishers.org/images/VAT2015.pdf. Acesso em: 4 Out. 2015.
55

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 96

destes segmentos são curtos, com canções possuindo, em média, quatro minutos,
seriados variando de trinta minutos a uma hora e filmes com duas a até quatro horas
de duração. Portanto, o consumo destes produtos é rápido, permitindo que o usuário
possa usufruir de diversos itens durante a vigência do serviço. Outro fator a ser
considerado é o esforço necessário. A leitura, mesmo que a de lazer, exige maior
concentração que escutar canções ou assistir filmes. Normalmente a leitura exige
um ambiente apropriado, com poucas interrupções ou ruídos, embora existam
leitores que não necessitam de silêncio absoluto. O ato de ler é, em sua maioria,
solitário e não coletivo, afinal diversas pessoas podem sentar-se para assistir a um
filme juntas, porém a velocidade de leitura não é igual entre todos, assim como seu
grau de envolvimento e concentração. Escutar música ou assistir programas e filmes
na televisão são ações passivas, que exigem pouco esforço dos usuários,
diferentemente do que ocorre com livros.
A música e o mercado televisivo passaram a receber remuneração por
fragmentos de produtos, com o licenciamento ocorrendo sobre as canções ou
episódios adquiridos de forma avulsa, sem a obrigatoriedade de comprar álbuns ou
temporadas completas.
Existem livros que podem ter sua comercialização realizada de forma
fragmentada, principalmente nos meios acadêmicos e corporativos. Em faculdades e
universidades é comum os professores criarem pastas e disponibiliza-las em
copiadoras, facilitando o acesso aos estudantes ao reunir em um único local a
literatura recomendada a cada disciplina; mas observa-se que o mercado editorial
ainda não está efetivamente considerando o pagamento da leitura parcial, embora
alguns movimentos de licenciamento de capítulos venham sendo implementados por
agregadores de conteúdo, nitidamente testando outras formas de remuneração.
Ainda não é claro a atuação dos serviços de aluguel ou assinaturas em
relação às bibliotecas. Diversas instituições já possuem livros digitais em seus
acervos e a tendência é a ampliação da oferta dos títulos disponíveis, principalmente
do material protegido por direitos autorais.
A inclusão de livros digitais iniciou-se nas bibliotecas universitárias e foi,
paulatinamente, expandindo às corporativas, públicas e escolares. Este movimento
também é observado no Brasil, embora a quantidade de títulos disponíveis em
português para bibliotecas ainda não seja tão extensa quanto a oferta em livrarias
virtuais. O modelo de negócio de Assinatura permite a inclusão de pacotes de
publicações, nem sempre com a biblioteca tendo autonomia para selecionar os
títulos desejados. Independentemente de quem seja o fornecedor da obra, sua
leitura será realizada por meio de plataforma, podendo exigir ou não o acesso à
Internet durante a leitura, ou ainda controlando a quantidade de acessos simultâneos
que podem ser praticados pelos usuários de acordo com a forma de licenciamento
que foi definida na contratação.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 97

As bibliotecas possuem a missão de preservar seu acervo e disponibiliza-lo
para consulta, garantindo o acesso à informação, sem custos aos usuários.
Bibliotecas não alugam livros, mas os emprestam, sem cobrança de taxas ou
impondo limite de quantidade de obras que podem ser consultadas. Algumas
instituições realizam cobrança de multas caso a entrega de publicações seja
realizada com atraso, mas esse fato é inexistente com livros digitais, uma vez que
eles não são entregues com atrasos, com o título sendo excluído do dispositivo do
usuário ao finalizar o prazo de circulação. As bibliotecas podem limitar a quantidade
de livros que são emprestados ao mesmo usuário simultaneamente, mas seu
objetivo é que os itens presentes no acervo sejam utilizados, favorecendo a maior
quantidade possível de leitores.
Os serviços de assinatura ou aluguel podem ser mais uma oferta de
fornecedores às bibliotecas, porém devem permitir algumas flexibilidades como:
Incluir os registros contratados no catálogo online, consolidando o
OPAC (Online Public Access Catalogue) como o ponto de descoberta das
obras digitais licenciadas. Para que ocorra a inclusão dos títulos, os mesmos
devem ser fornecidos no formato MARC (Machine-Readable Cataloguing),
facilitando a importação de metadados;
Respeitar e dar autonomia à biblioteca para regular os períodos de
circulação, de acordo com sua política;
-

Praticar preços competitivos;

Facilitar o acesso ao conteúdo aos usuários, com plataformas que não
exijam a leitura conectada;
-

Ter condições acessíveis para o uso simultâneo dos títulos licenciados;

Permitir aos usuários a consulta e leitura dos livros digitais fora do
espaço da biblioteca, com validação do usuário por meio de integração com
sistemas de gestão de acervos ou uso de VPN (Virtual Private Network), por
exemplo;
Ter opção de alterar o modelo de negócio dos títulos que a biblioteca
deseja manter no acervo por tempo indeterminado aplicando, por exemplo, a
Aquisição perpétua;
Poder oferecer aos usuários a possibilidade de aquisição dos títulos
digitais, preferencialmente comissionando a biblioteca por transações
comerciais realizadas pelos usuários, resultando em melhores condições no
momento de renovação do serviço ou expansão da oferta de títulos.
Os serviços de aluguel de livros digitais não precisam ser encarados como
uma concorrência às bibliotecas, mas podem vir a ser mais uma opção de
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 98

licenciamento de publicações e ampliação da oferta de leitura. Os custos pelo
serviço não devem ser repassados aos usuários finais, afinal isto fere a missão das
bibliotecas, onde as informações estão disponíveis de forma gratuita, favorecendo a
circulação do conhecimento.
É preciso aguardar o amadurecimento deste modelo de negócio para poder
analisar se o aluguel para livros digitais será uma opção interessante em termos de
quantidade de títulos e investimento, ou se este modelo tornar-se-á apropriado
somente aos produtos digitais de consumo rápido e passivo, como músicas, filmes e
programas de televisão.
A única certeza que temos é que o cenário dos livros digitais está em
estabelecimento, com possibilidades de licenciamento sendo testadas, assim como
as opções e formas de acesso. A biblioteca não pode aguardar silenciosa este
processo e deve posicionar-se na forma de garantir sua autonomia para formar
coleções e emprestar seus títulos a seus usuários e a outras instituições
(empréstimos entre bibliotecas), preservando seu papel de disseminação e
preservação da informação. Deve lutar pela oferta de títulos para licenciamento a
preços acessíveis e justos, permitindo, assim, a formação e ampliação dos acervos
híbridos, onde as obras digitais podem conviver com as impressas, atendendo
demandas variadas dos usuários.
Pode ser que este serviço seja apropriado para segmentos de bibliotecas
como as universitárias e as corporativas, cujo consumo de capítulos pode mostrar-se
interessante, desde que a remuneração pelo uso seja feita de forma proporcional,
não repassando os custos da leitura da obra completa, mas pagando somente pelo
material que foi utilizado.
É necessário aguardar a acomodação dos fornecedores e as possibilidades
de contratação que existem e as que e vão surgir na economia digital, com a
biblioteca posicionando-se perante os fornecedores, ocupando sua área de atuação
e mantendo seu papel social, cultural e educacional perante a sociedade.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-V
____________________________________________

Liliana Giusti Serra é doutoranda em Ciência da Informação na Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho, mestre em Ciência da Informação pela
Universidade de São Paulo e graduada em Biblioteconomia pela Fundação Escola
Sociologia e Política de São Paulo. É profissional da informação na Prima.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 99

Faça a biblioteca acontecer
fora da biblioteca
Michelângelo Mazzardo Marques Viana
Mobilidade, conforme definição no dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
(MOBILIDADE, 2009) é a “característica do que é móvel ou do que é capaz de se
movimentar”, ou seja, de mudar de posição no espaço. Partindo desse conceito,
prover a mobilidade em bibliotecas significa permitir ao usuário acessar informações,
obter ajuda do bibliotecário ou utilizar os seus diferentes serviços mesmo quando
está fora da biblioteca ou quando está em movimento.
Pensemos em três situações que podem tranquilamente ocorrer nos dias de
hoje. Na primeira delas, um estudante de uma universidade está realizando o seu
curso a distância, em uma localidade diferente da que a biblioteca se encontra e
precisa ler um artigo indicado na aula. Na segunda, um pesquisador da área de
botânica está realizando uma pesquisa de campo em uma floresta e precisa de
orientação urgente de um bibliotecário para pesquisar em um livro sobre plantas
silvestres. E na terceira, uma pessoa da comunidade está dentro da biblioteca e
deseja ler um livro eletrônico com o seu tablet, sentado em um dos sofás. O que
essas três pessoas têm em comum? As três são usuários legítimos, que precisam
de informações e orientações providas por bibliotecas. Quando uma biblioteca é
capaz de atender esses tipos de demandas ela está aplicando o conceito de
mobilidade.
No passado distante, as bibliotecas mantinham seus acervos e ofereciam
serviços somente dentro de suas paredes. As pessoas precisavam ir até a biblioteca
para obter qualquer tipo de informação ou assistência. E foi assim por muito tempo.
Somente há algumas décadas que surgiram as primeiras ações no sentido de
permitir que as necessidades do usuário fossem atendidas fora das bibliotecas. A
principal foi permitir o empréstimo domiciliar, quando o mercado editorial surgiu e
permitiu às bibliotecas comprarem diversos exemplares de uma mesma obra. Uma
outra, muito importante, foi quando as bibliotecas começaram a ter aparelhos
telefônicos, que permitiam – e permitem até hoje – que o usuário recebesse ajuda “a
distância”.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 100

Para citar outro exemplo: no SNBU de 2014 Briquet de Lemos mencionou
que, durante a Guerra do Vietnã a Biblioteca do Exército americano (atual Biblioteca
Nacional de Medicina, conhecida pela sigla NLM em inglês) enviava cópias de
artigos em microfilme, por solicitação dos médicos que estavam no campo de
batalha, para manterem-se atualizados e atender os pacientes feridos.
Antes da chegada dos microcomputadores e da Internet aberta na década de
1980, a mobilidade estava restrita, basicamente, ao uso de documentos – livros em
sua maior parte, fora da biblioteca e à assistência por telefone.

As revoluções que permitiram ampliar a mobilidade em bibliotecas
Com o início da utilização de microcomputadores pessoais e em seguida da
Internet, no início dos anos 1990, é que ocorreu a primeira grande revolução, que
está permitindo que um número cada vez maior de informações – textos, imagens,
vídeos – possam ser acessadas fora da biblioteca, além da possibilidade de contato
mais rápido com os bibliotecários. Isso está trazendo de fato a mudança de
paradigma tão suscitada nas escolas de Biblioteconomia na década de 1990: do
“acervo para o acesso” e “da presença física para a presença virtual”.
Hoje estamos vivenciando nas bibliotecas a segunda grande revolução,
possibilitada por duas invenções: a primeira delas foi o acesso à Internet através de
telefones celulares, desde quando foi criado em 1993 o sistema de transmissão de
dados “TDMA” (Time Division Multiple Access, ou "Acesso Múltiplo por Divisão de
Tempo"), conhecido também como “2G”, que passou a permitir download e upload
de dados, não apenas de voz através de telefones celulares; e a segunda delas foi o
acesso à Internet sem fios, ou “Wi-Fi” (Wireless Fidelity ou “Fidelidade Sem Fios”),
quando foi criado em 1997 o sistema IEEE 802.11. Essas duas invenções
definitivamente libertaram as pessoas de lugares “fixos” para acessar a Internet,
permitindo o seu uso estando em movimento: caminhando, andando em veículos e
mais recentemente até em aviões. Tudo bem, há quem diga que com notebooks que
acessam a Internet via 3G ou Wi-Fi já era possível acessar a Internet em movimento,
mas convenhamos: ninguém fica caminhando e usando o notebook ao mesmo
tempo.
A terceira revolução foi a popularização de aparelhos conhecidos como
“dispositivos pessoais móveis” com tela sensível ao toque (touchscreen): os
smartphones (2007) e os tablets (2010). Agora sim podemos caminhar e
intercambiar informações ao mesmo tempo.
A mobilidade também pode ser percebida sob outro aspecto: quando os
serviços da biblioteca são prestados fora dela, como por exemplo a instrução dada
por um bibliotecário para alunos dentro da sala de aula de um colégio ou faculdade,
ou mesmo quando parte de uma coleção física é “transportada” em veículos (ou
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 101

mesmo animais) para consulta ou empréstimo pela comunidade ou colocada à sua
disposição na rua, em pontos de ônibus, dentro de ônibus, em estações de trem ou
mesmo táxis, como recentemente começou a ser feito na cidade onde eu moro,
Porto Alegre-RS (LUCCHESE, 2015).
A mobilidade em bibliotecas, no seu sentido mais amplo, permite atender de
forma qualificada a quarta Lei do pensador indiano Shiyali Ramamritam
Ranganathan (1892-1972): “poupe o tempo do leitor”, pois permite que ele use a
biblioteca sem perder seu tempo em ter que se deslocar até ela. Eu me arriscaria a
dizer que, dada a evolução atual da mobilidade, poderia haver uma “sexta lei”: a
biblioteca é um organismo onipresente. Essa forma de pensar muda, sobremaneira,
a visão que as pessoas têm das bibliotecas e do papel que os bibliotecários,
gestores e seus funcionários de maneira geral exercem (ou deveriam exercer) junto
aos seus usuários.

E agora, bibliotecário?
Sim, promover a mobilidade é importante, mas o que é preciso? O principal
para o bibliotecário é ter a capacidade de perceber as potenciais e reais
necessidades dos usuários e discernimento para desenhar a solução mais adequada
dentre todas as disponíveis, sempre com total consciência da sua aplicabilidade ao
público atendido, da capacidade de investimento de recursos humanos e financeiros
da instituição a que a biblioteca pertence, dos possíveis parceiros para cada projeto
e da sua relação custo-benefício. Digo isso porque nem todas as soluções servem
para todas as pessoas. Algumas soluções são muito caras comparadas com o
benefício que representam e outras não são adequadas à cultura do seu público.
Pense, por exemplo, na situação de disponibilizar uma coleção de livros eletrônicos
acadêmicos de acesso on-line para uma comunidade carente que não possui nem
os equipamentos necessários nem acesso rápido à Internet (quando existe). Será
um investimento caro e com baixíssimo uso. Nesse caso seria muito mais adequado
levar uma caixa-estante ou mesmo promover uma hora do conto para as crianças.

Fazendo a mobilidade acontecer
“Sou bibliotecário e quero aplicar a mobilidade na minha biblioteca. Como eu
posso fazer isso?”. Elencarei a seguir algumas das iniciativas que eu conheço,
categorizando-as entre mobilidade fora da biblioteca e mobilidade dentro da
biblioteca. Como você perceberá, nem toda as soluções de mobilidade necessitam
de algum tipo de tecnologia eletrônica, pelo contrário, a maioria delas não precisa.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 102

Mobilidade fora da biblioteca:
●

Empréstimo domiciliar de todos os materiais do acervo;

●

Empréstimo entre bibliotecas;

●

Serviço de comutação bibliográfica;

●

Caixa-estante itinerante;

●

Biblioteca na praia;

●

Caixas-biblioteca (pontos de leitura) espalhados pela cidade;

●

Estantes nos ônibus urbanos da cidade;

●

Ônibus-biblioteca com computadores, livros e mesas para leitura;

●

Estante em ponto de ônibus, estação do metrô ou trem;

●

Cabine de Leitura;

●

Livros avulsos em locais públicos (Book Crossing);

●

Carro-biblioteca;

●

Bicicloteca;

●

Bambucicloteca;

●

Poste-estante;

●

Biblio-jegue ou jegue-livro;

●

Biblio-táxi;

●

Hora do conto junto à comunidade;

●
Publicar um website que indique como chegar na biblioteca, telefone,
e-mail, liste serviços e forneça instruções completas de como utilizá-los.
Atualmente com a diversidade de serviços on-line gratuitos e fáceis de usar para
publicar um website, não existe mais desculpa para não o ter;
●
Serviço de “acesso remoto” (proxy IP), para o usuário acessar os
conteúdos eletrônicos on-line assinados pela biblioteca (livros, periódicos, vídeos,
bases de dados...) a partir de conexões fora da instituição através da Internet;
●
Acesso ao catálogo (ou ferramenta de descoberta) de forma on-line
através da WWW;

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 103

●
Gravar em vídeo uma visita guiada à Biblioteca e também
treinamentos. Depois disponibilizá-los em plataformas públicas na WWW
(YouTube, Vimeo...);
●

Prestar o serviço de referência através de chat (texto e/ou vídeo);

●
Enviar boletim com novidades sobre recursos, espaços, serviços...
através de e-mail marketing;
●

Enviar notícias curtas com avisos/situação do usuário através de SMS;

●
Ativar um smartphone para receber mensagens dos usuários através
do WhatsApp;
●
Criar uma fanpage no Facebook para divulgar novidades, recursos,
serviços e espaços da biblioteca, além de ser um canal adicional para comunicarse diretamente com os usuários;
●
Prestar instrução de pesquisa bibliográfica, normalização etc. para
alunos em sala de aula (colégios ou faculdades);
●
Participar de grupos de pesquisa em programas de pós-graduação em
faculdades, para auxílio em suas pesquisas científicas;

Mobilidade dentro da Biblioteca:
●
Disponibilizar microcomputadores para uso da Internet e produção de
trabalhos acadêmicos em diversas áreas dentro da biblioteca, não apenas em
uma sala ou espaço único;
●
Prover pontos de acesso à Internet sem fio (Wi-Fi) nas áreas de estudo
e leitura;
●
Adquirir e permitir empréstimo de notebooks, tablets e leitores de livros
eletrônicos (e-readers) para uso dentro da biblioteca – ou mesmo fora dela;
●
Prover website e catálogo/ferramenta de descoberta com “design
responsivo”, para que o usuário os acesse através de seu smartphone ou tablet.
“Design responsivo” é uma técnica moderna de construção de interfaces para a
WWW (baseada principalmente no Bootstrap criado pela equipe do Twitter) que
permite que o website automaticamente ajuste-se à tela do dispositivo que o
acessa, seja um monitor de computador ou notebook, uma tela de um tablet ou a
pequena tela de um smartphone. Ao adotar essa técnica a biblioteca otimiza a
criação e manutenção de interfaces: atualmente não é mais necessário criar uma
versão para computador e outra para celular, como era feito antes, nem mesmo
criar um “aplicativo” para smartphone/tablet, desde que o webiste seja
“responsivo”;
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 104

●
Se for desejado criar um aplicativo da biblioteca para smartphone ou
tablet (ver item anterior), crie pelo menos para dispositivos com sistema Android e
IOS (iPad/iPhone) e tente colocar o mesmo tipo de serviços que colocaria no
website, para criar uma experiência única;
●
Divulgar aos usuários aplicativos para smartphones/tablets. Tanto os
“apps” para acesso à informação (exemplo: bases de dados, mapas) e
produtividade (exemplo: gerenciamento de referências);
●
Prover estantes pequenas com rodas e chaves, para os pesquisadores
temporários guardarem documentos durante o período em que estiverem
realizando seus estudos (um semestre, por exemplo). Assim, essas estantes
podem ser levadas pelo pesquisador para qualquer sala de estudo quando vierem
à biblioteca;
●
Prover bancos acionados via RFID (“take a seat” robotic chair) que
“seguem” o usuário pela biblioteca, para que ele possa sentar-se no lugar que
desejar (OK, esse banco é apenas um conceito e não está à venda, mas existe
sim).
A mobilidade das bibliotecas está sendo muito percebida pelo público em
geral principalmente porque há cada vez mais livros on-line, os e-books. Mas apesar
de estar ocorrendo um aumento na publicação de livros em formato eletrônico a sua
adoção ainda não está difundida em todas as bibliotecas do país. Atualmente o
mercado dos editores que trabalham com bibliotecas no Brasil está muito
concentrado nas universitárias e com pouca oferta de conteúdo em língua
portuguesa (a maior parte dos títulos é em inglês). Acredito que em breve os
editores passarão a oferecer mais e-books em língua portuguesa e também para
outros tipos de bibliotecas, como às escolares e mesmo às públicas. Nos Estados
Unidos já há algumas iniciativas nesse sentido, como a OverDrive, ou a 3M Cloud
Library. Uma ideia seria a assinatura (ou compra) em lote de uma coleção de ebooks em português de literatura por um sistema estadual de bibliotecas, para uso
por todas as escolas públicas do estado. Dessa forma o preço será menor e a sua
utilização será ampla.

Como eu vislumbro a mobilidade em bibliotecas no futuro?
O constante avanço das tecnologias telepresença permitirá ter a presença
holográfica de um bibliotecário em qualquer lugar para prestar assistência em tempo
real, simulando a experiência real de atendimento pessoal; ou quem sabe algum
software com inteligência artificial fará esse papel no lugar do bibliotecário? Quem já
viu o filme “Eu, Robô” sabe do que estou falando.
Com o aumento de capacidade de interpretação da linguagem natural e da
interoperabilidade entre dispositivos móveis e sistemas de bibliotecas, os usuários
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 105

passarão a ter verdadeiros assistentes de biblioteca pessoais “no seu bolso”.
Poderão, de qualquer lugar do planeta: pedir ao dispositivo para renovar seus livros
da biblioteca, fazer buscas no catálogo e baixar o texto completo, verificar se
existem reservas etc.; e dentro da biblioteca, com a geolocalização cada vez mais
precisa (com margem de erro em centímetros em vez de metros), poderão descobrir
onde está na estante um livro localizado no catálogo, onde fica a sala de estudos
livre mais próxima, onde fica o banheiro... com uma indicação visual do caminho na
tela do dispositivo usando setas sobrepostas aos espaços de circulação, através da
realidade aumentada. Será algo semelhante ao que é feito com aparelhos de “GPS”
usados em automóveis, mas muito mais preciso.
Com base na experiência do usuário ao realizar pesquisa bibliográfica na
Internet e nos catálogos ou ferramentas de descoberta e leituras on-line, os sistemas
perceberão cada vez melhor os gostos e interesses das pessoas. Assim passarão a
enviar pró-ativamente os links para acesso aos textos e vídeos que precisam para
suas pesquisas, antecipando as suas necessidades ou desejos de informação, como
hoje já ocorre no comércio de mercadorias e serviços (você duvida? Então comece a
pesquisar no Google sobre um determinado tipo de eletrodoméstico e em alguns
dias você passará a ver anúncios dele nos sites que visita e também passará a
receber ofertas por e-mail).
Será também cada vez mais fácil mudar uma biblioteca completa e inteira de
lugar – com livros, mesas, cadeiras, sofás, computadores, acesso rápido à Internet –
para atender de forma itinerante e temporária, diversas comunidades de uma cidade
ou região.
Essas são apenas algumas ideias. Quantas mais você tem?

REFERÊNCIAS
LUCCHESE, Alexandre. Bibliotáxi: projeto transforma táxis da Capital em bibliotecas
sobre rodas. Zero Hora, Porto Alegre, 23 set. 2015. Disponível em:
&lt;http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/09/projeto-transforma-taxis-dacapital-em-bibliotecas-sobre-rodas-4854435.html&gt;. Acesso em: 15 out. 2015.
MOBILIDADE. In: DICIONÁRIO Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva,
2009.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�F a ç a a b i b l i o t e c a a c o n t e c e r f o r a d a b i b l i o t e c a | 106

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-X
______________________________________________

Michelângelo Mazzardo Marques Viana é bibliotecário pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul e administrador de empresas com ênfase em
Análise de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul,
onde atualmente é Coordenador de Sistemas da Biblioteca Central.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�O p e r i ó d i c o c i e n t í f i c o 3 5 0 a n o s d e p o i s e s e u s p r o b l e m a s | 107

O periódico científico 350 anos depois
Moreno Barros
Em meados do século XVII, o surgimento dos primeiros periódicos científicos
tentava resolver deficiências na troca de cartas manuscritas, prática comum entre os
cientistas e pensadores da época. Embora as cartas fossem a tecnologia mais
avançada disponível então para divulgar descobertas e novidades, elas
normalmente só circulavam entre remetente e destinatário, exigiam esforço
permanente para a reprodução e distribuição e, sobretudo, eram transações lentas.
Os primeiros periódicos científicos nada mais eram do que compilações
dessas cartas dispersas, mas elaborados por uma nova tecnologia disponível, a
prensa de tipos móveis. A partir deste advento, a forma de comunicação escrita
podia ser conduzida em escala industrial, e assim, em substituição às cartas
manuscritas que circulavam de ponto a ponto e que não eram abertas ao público,
nasce o artigo científico homogêneo e padronizado, com formato de apresentação
em um número de páginas que atendia as exigências do novo modelo de produção
editorial.
O periódico científico se aprimorou rapidamente, incorporando ao longo dos
anos características fundamentais da ciência moderna, como o processo de
submissão, de avaliação por pares e o calendário de publicação, representando uma
dramática transformação no modo como os cientistas se comunicavam uns com os
outros. Mas pulando para o nosso tempo, 350 anos desde a primeira edição do
Journal des sçavans, ainda existem dois problemas que os periódicos científicos não
conseguiram resolver.
O primeiro é o intervalo de tempo desde a submissão do artigo até sua
publicação, pelo menos na medida em que se trata de uma consequência do
desequilíbrio entre o volume de trabalhos científicos produzidos e os canais
disponíveis para publicação: há mais cientistas escrevendo artigos do que revistas
capazes de escoar esta produção. Esse funil cria um processo de comunicação lento
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�O p e r i ó d i c o c i e n t í f i c o 3 5 0 a n o s d e p o i s e s e u s p r o b l e m a s | 108

entre editores, revisores e autores. No caso dos periódicos impressos, adicione
também o tempo despendido nos processos tradicionais de impressão e distribuição.
Pesquisadores trabalhando com tópicos emergentes e que se desatualizam
com rapidez não podem se dar ao luxo de esperar por meses ou anos até que o
resultado de seus trabalhos seja tornado público em um periódico importante de
suas áreas de pesquisa. Um artigo publicado com tanto atraso pode perder o
potencial de ineditismo e originalidade, uma vez que todos os demais sistemas de
mídia estão atualizando descobertas e novidades em tempo real. Isso sem
mencionar o risco de soluções reais para problemas prementes estarem sendo
brecadas pelo processo editorial tradicional.
Nesse sentido, a publicação eletrônica online deveria ser um alento,
tornando desnecessário o conceito de edição: artigos agrupados e enviados para os
leitores em intervalos sistemáticos. Nosek e Bar-Anan (2012) explicam que as
edições são disfuncionais para a comunicação digital, porque elas introduzem um
atraso de publicação irrelevante entre a aceitação e disponibilidade do artigo.
Independente do volume de submissões, o número de artigos publicados é
praticamente o mesmo na maior parte das revistas científicas. Ou seja, poderíamos
ter fascículos com poucos artigos seguidos por outros com muitos, repletos de
páginas, ou vice-versa, dependendo da quantidade de submissões. Mas a decisão
editorial atual, enquadrada no modelo de edição tradicional, observa que a revista
recebe tantos pedidos que mesmo artigos considerados bons precisam ser
rejeitados.
Em algumas áreas, como a Física, trabalhos já são oferecidos digitalmente
tão logo sejam aceitos para publicação, levando-os, assim, a estarem disponíveis
para bibliotecas e assinantes dos serviços de bases de dados meses antes de
aparecer na versão em papel ou na edição eletrônica.
O segundo problema, menos óbvio, mas importante para a manutenção da
estrutura da ciência, é a pressão das revistas sobre os autores para condensar o
trabalho de pesquisa em um artigo de quinze ou vinte laudas. Limites de página são
uma restrição despercebida na comunicação científica e a publicação eletrônica
deveria ter eliminado para sempre este padrão estabelecido de apresentação e
leitura de artigos científicos.
O número de artigos que podem ser aceitos em um periódico é limitado pelo
número de páginas que a editora está disposta a imprimir. Essa é uma premissa dos
primeiros periódicos científicos concebidos para distribuição em larga escala. Como
a impressão é cara, os editores racionalmente mantêm restrições sobre o número de
artigos publicados para obter uma margem de lucro ou se ater aos custos de
produção.
Pound (2013) argumenta que sistemas científicos baseados na lógica das
revistas impressas utilizam uma forma rigorosa de filtragem para garantir qualidade e
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�O p e r i ó d i c o c i e n t í f i c o 3 5 0 a n o s d e p o i s e s e u s p r o b l e m a s | 109

retorno sobre o investimento. O conhecimento impresso é, por definição, seletivo e
escasso. Isso torna o processo de comunicação científica um gargalo intelectual,
considerando o volume do que é publicado todos os anos. Obviamente, a internet
não é gargalo, é o oposto, então deveríamos tomar proveito dela.
A web foi criada como uma ferramenta para comunicação acadêmica, e
embora tenha mudado dramaticamente muitas indústrias, ainda não revolucionou a
publicação científica como poderia. O periódico científico foi construído sobre uma
base logística de cavalos e barcos, em torno do fornecimento de tinta e papel. O
problema é que os editores, e, em certa medida, os autores, estão tratando a
internet como uma espécie de melhor tinta de impressão ou cavalo mais rápido
(PRIEM, HEMMINGER, 2012) e não estão realmente explorando as possibilidades
que ela oferece para alterar a forma como a comunicação científica é realizada.
O periódico de revisão por pares é o produto de quase 350 anos de
reprodução seletiva, primorosamente ajustada para oferecer o melhor desempenho
possível do mundo baseado em papel (PRIEM, 2013). Mas a web tem mudado
nosso ambiente de informação e já não é o habitat onde o periódico evoluiu. As
estratégias adotadas pelo processo de publicação científica remetem ao período de
sua criação e refletem as limitações do veículo impresso, tradicionalmente utilizado
para a preservação e comunicação do conhecimento.
A implicação direta de um modelo baseado em abundância, e não escassez,
é que em vez de procurar razões para rejeitar um artigo ou passar o tempo
comparando trabalhos, o papel dos revisores científicos passaria a ser avaliar se
cada submissão é razoavelmente capaz de atender os critérios da veiculação
pública, agregando o julgamento de especialistas, sem a responsabilidade de tornálo definitivo. Uma espécie de selo de autoridade leve, ou apenas um primeiro selo.
Esta proposta de publicar primeiro, filtrar depois, é passível de críticas e
requer ajustes, mas a transformação essencial é que em um modelo onde a
publicação precede a filtragem, a classificação dos periódicos científicos e
competição por publicar perde sentido, derrubando toda a dinâmica de autoridade e
recompensas que o sistema de publicação hoje engloba. Em consequência, estará
aberta uma oportunidade para repensar modalidades de certificação e impacto, e o
potencial de envolver ainda mais pessoas, especialistas e leigos, no processo de
decisão qualitativa dos produtos de pesquisa.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�O p e r i ó d i c o c i e n t í f i c o 3 5 0 a n o s d e p o i s e s e u s p r o b l e m a s | 110

REFERÊNCIAS

NOSEK, Brian, BAR-ANAN, Yoav. Scientific utopia: I. Opening scientific communication.
Psychological Inquiry, v. 23, n. 3. 2012. Disponível:
&lt;http://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1205/1205.1055.pdf&gt;. Acesso em: 10 jun. 2014.
POUND, Scott. Amodern 1: The Future of the Scholarly Journal. Amodern, 2013. Disponível
em: &lt;http://amodern.net/article/the-future-of-the-scholarly-journal/&gt;. Acesso em: 10 jun.
2014.
PRIEM, Jason; HEMMINHER, Bradely. Decoupling the scholarly journal. Frontiers in
computational neuroscience, v. 6, April 2012. Disponível em:
&lt;http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3319915/&gt;. Acesso em: 10 jun. 2014.
PRIEM, Jason. Scholarship: Beyond the paper. Nature v. 495. 2013. Disponível em: &lt;
http://www.nature.com/nature/journal/v495/n7442/full/495437a.html&gt;. Acesso em: 14 jun.
2014.

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-Z
________________________________________

Moreno Barros é doutor em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Ciência da Informação pelo
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal Fluminense. Atua como bibliotecário na
biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 111

Quem lê, cita? Ensaio comparativo entre os
dados do Mendeley e do Google Acadêmico
Ronaldo Ferreira de Araújo
Depois do alívio de concluirmos uma etapa de nossa formação ao
entregarmos o destemido trabalho de conclusão de curso, monografia, dissertação,
tese ou mesmo após o envio de um artigo científico para publicação em determinada
revista é comum pensarmos: “será que alguém vai ler?”.
Assim como a leitura foi a base para as reflexões que tivemos – pelo acúmulo
de conhecimento produzido sobre o assunto que estudávamos – dado o caráter
“comunitário” da construção do saber, quem é que não espera, assim como
consultou várias fontes, se tornar uma a ser consultada para trabalhos futuros.
A lista de obras consultadas, que geralmente se localiza no final dos nossos
textos materializa o reconhecimento do pensamento que nos antecederam e são
ricas fontes para estudos métricos tradicionais da ciência e da comunicação
científica, como os estudos bibliométricos e as análises de citação.
Os atuais recursos da web social que possibilitam a produção e o
compartilhamento de conteúdos de maneira fácil e dinâmica constituem-se fortes
aliados ao processo de comunicação e divulgação da ciência. O novo cenário que se
apresenta demanda um olhar sobre os impactos sociais de resultados de pesquisa
que antecedem as medidas tradicionais dessa produção.
Assim, é possível perceber que resultados de pesquisas recém-publicadas
têm atraído à atenção online dos mais diversos públicos e são mencionados,
comentados e avaliados em ambientes digitais como blogs e outras mídias sociais
bem antes de serem citados ou mesmo que não sejam.
Os dados gerados por essa prática têm sido chamados de altmétricos e passam a
ser considerados como métricas alternativas, no campo da altmetria. Em Outro
momento escrevi sobre como os bibliotecários, que sempre auxiliaram profissionais,
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 112

professores e pesquisadores em atividade de pesquisa e indicação de fontes, podem
dar suporte a esse mesmo público manejo dessas novas métricas (ARAÚJO,
2015a).
O questionamento quanto à correlação entre as métricas alternativas e as
tradicionais como as de citação é recorrente entre os estudiosos desse novo campo
(PRIEM; PIWOWAR; HEMMINGER, 2012; THELWALL, 2014; ARAÚJO, 2015b) e
dentre as várias mídias sociais que fornecem novas métricas para artigos científicos,
como o Facebook, o Twitter, a acadêmica e de gerenciamento de referências
Mendeley56 tem ganhado destaque (MAFLAHI; THELWALL, 2015; ARAÚJO,
2015c).
Para Mohammadi, Thelwal e Kousha (2015) salvar itens na biblioteca do
Mendeley conta como uma indicação de leitura, uma vez que segundo os autores a
maioria dos usuários desse dispositivo informacional tinha lido ou pretendia ler pelo
menos metade de suas publicações marcadas.
Em minha opinião, a novidade de considerá-lo na análise da comunicação
científica, seja de forma comparativa ou não com métricas tradicionais é que ele
aproxima destas, dados de leitura, que são geralmente desconsiderados em estudos
de citação. Embora se saiba que citamos textos previamente lidos, dados de leitura
nunca foram considerados como indicador de impacto, alcance e possíveis citações
para os estudos bibliométricos.
Com base nessas breves considerações, para este ensaio, eu procurei
levantar alguns “dados de leitura” e verificar possíveis correlações destes com dados
de citação na análise desse conjunto de dados.
Assim como outra mídia social, o Mendeley permite ao usuário (leitor) criar
seu perfil e adicionar informações básicas, que no caso desse dispositivo em
questão se refere a sua caracterização quanto à área de atuação, perfil acadêmico e
país de origem. Quanto ao item, a publicação marcada, é possível saber o título, a
autoria, o periódico, volume, número e o ano da publicação, resumo, palavras-chave
e o tipo de acesso (restrito ou aberto). O usuário pode adicionar etiquetagem social
ao artigo “qualificando” melhor o item na biblioteca.
Busquei o mínimo de rigor metodológico para trilhar o percurso de uma
pesquisa exploratória de abordagem quantitativa e descritiva pautada nos estudos
da altmetria e da análise de citações. Para a coleta de dados sobre os leitores recorri
à busca manual do Mendeley57 por artigos sobre “bibliometria”, termo considerado
como descritor para a consulta realizada em novembro de 2015. A Figura 1
exemplifica um item no resultado de busca que atende o critério da pesquisa.

56
57

Disponível em: &lt; https://www.mendeley.com/ &gt;.
Disponível em: &lt; https://www.mendeley.com/research-papers/ &gt;
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 113

Figura 1. Exemplo de resultado de busca para “bibliometria” no Mendeley

Quando o item é clicado o sistema expande suas informações e complementa os
dados da obra e de leituras que a mesma registra na mídia social. A Figura 2
exemplifica o item expandido.

Figura 2. Exemplo de resultado de busca para “bibliometria” no Mendeley (expandido)

O Mendeley registrou 35 páginas de resultado de busca com 694 artigos
sobre o tema pesquisado e considerei para análise os artigos que obtiveram mais de
100 leituras (n=42). Para compará-los com dados de citação, os mesmos artigos
foram consultados junto ao Google Acadêmico. Só foram contabilizadas citações
obtidas a partir de 2008, quando o Mendeley ficou disponível para acesso público.
O artigo mais antigo data o ano de 1965 e os mais recentes de 2013. A
maioria (n=30) tem menos de 10 anos de publicação. Os dados sobre as citações
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 114

desses artigos foram obtidos junto ao Google Acadêmico. Em conjunto os artigos
estão marcados com 9.031 leitores e somam 13.599 citações.
A análise do conjunto das obras marcadas foi bastante interessante, pois
relevou os traços característicos dos leitores, ou seja, indicou quais as áreas de
formação dos leitores que “taguearam” obras sobre bibliometria. A área de atuação
de maior representatividade é Computer and Information Science (28%), seguida de
Biological Sciences (25%), Social Sciences (17%) e de Business Administration
(12%).
Segundo um estudo recente (MOHAMMADI; THELWAL; KOUSHA, 2015) a
maioria dos usuários salvam artigos no Mendeley para citá-los em suas publicações
futuras, mas alguns artigos também são marcados para uso profissional, ensino e
atividades de educação. O perfil acadêmico dos usuários que apresentou uma
predominância foi o de Ph.D. Student - Doctoral Student (45%), seguido de Master
Student (24%) e de Librarians (9,9%) como destaque profissional. O país de origem
também foi verificado e os mais representativos foram United States (30%), Brazil
(24%), United Kingdom (16%), Germany (9%) e Spain (6%). Nenhum dos demais 11
países alcançou mais de 2%.
As revistas International Journal of Operations &amp; Production Management e
Scientometrics se destacaram com cinco artigos cada, seguidas da Journal of the
American Society for Information Science e da Nature, que com quatro e três artigos,
respectivamente. A revista Ciência da Informação é a única nacional com destaque
com dois artigos. Em um estudo anterior (ARAÚJO, 2015c) eu já havia verificado o
destaque da revista Ciência da Informação no Mendeley entre os periódicos
nacionais.
Publicações de acesso aberto tendem a fornecer mais dados altmétricos e
de citação que os de acesso restrito (MOUNCE, 2013). Embora na presente análise
a maioria fosse de Restricted Access (RA=29) contra OpenAccess (OA=13), o artigo
de J. E. Hirsch (2005) com o maior número de leitores (n=1.420) e de citações
(4.440) é um dos poucos de acesso aberto.
Além do mais, sobre o alto número de artigos de acesso restrito, eu tenho
que considerar que o Mendeley pode não ser uma mídia muito adequada para
analisar a diferença entre AO e RA devido ao perfil de seus usuários que, em sua
maioria é composto por acadêmicos (mestrandos e doutorandos) cujo vínculo
institucional possibilita acesso mesmo aos non-OA. Embora os artigos mais lidos
estejam entre os mais citados, no conjunto dos dados não foi possível aferir essa
correlação.
Finalizo pensando que buscar um traço identificador como uma orientação
temática para análise de correlação entre métricas alternativas e dados de citação
pode contribuir para a qualificação desse tipo de análise. No entanto, tal prática não
fornece elementos suficientes para afirmar o tipo de relação que se estabelece,
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 115

sendo necessário estudos mais aprofundados com coeficientes de correlação
matemática e estatística.
As métricas tradicionais foram construídas a partir de critérios objetivos,
quantitativos, e acabam fornecendo dados da ‘ciência para a ciência’ só sendo
contabilizadas no momento em que um autor tem seu trabalho reconhecido por outro
expresso no ato de citação (análise de citação).
As métricas alternativas apresentam uma forma mais democrática de se
pensar a contribuição do trabalho científico, mas dessa vez, pautada em uma ciência
mais aberta que em sua relação com a sociedade compreende os impactos sociais
obtidos, no alcance (audiência) e engajamento que geram, mesmo que não resultem
em citação.
Se eu fosse responder a pergunta que deu título a este ensaio o óbvio seria
dizer que “quem cita, lê, mas nem todos que lêem, citam”, até mesmo porque, a
citação é apenas um aspecto da apropriação de uma determinada leitura, sendo um
indicador parcial desta. Considero que a altmetria pode e muito nos auxiliar a abrir
os olhos para outros indicadores mais condizentes com o momento conectado e
imerso a tantos dispositivos informacionais em que vivemos.

REFERÊNCIAS
ARAUJO, R. F.. Estudos métricos da informação na web e o papel dos profissionais da
informação. Bibliotecas Universitárias: Pesquisas, Experiencias e Perspectivas, v. 2, p.
42-64, 2015a.
ARAÚJO, R. F.. Da altmetria à análise de citações: uma análise da revista Datagramazero.
DataGramaZero - Revista de Informação, v.16, n.1, fev., 2015b.
ARAUJO, R. F.. Mídias sociais e comunicação científica: análise altmétrica em artigos de
periódicos da ciência da informação. Em Questão, v. 21, p. 96-109, 2015c.
HIRSCH, J. E. An Index to Quantify an Individual’s Scientific Research Output. Proceedings
of the National Academy of Sciences of the United States of America (102:46), pp.
16569-16572, 2005.
PRIEM, Jason; PIWOWAR, Heather A.; HEMMINGER, Bradley M. Altmetrics in the wild:
using social media to explore scholarly impact. CoRR, p. 1-17, 20 mar 2012.
THEWALL, M. A brief history of altmetrics. Research Trends. n.37, jun., 2014.
MAFLAHI, N; THELWALL, M.. When Are Readership Counts as Useful as Citation Counts?
Scopus Versus Mendeley for LIS Journals. Journal of the Association for Information
Science and Technology. 8 jan., 2015. DOI: 10.1002/asi.23369
MOUNCE, Ross. Open access and altmetrics: distinct but complementary. Bulletin of the
American Society for Information Science and Technology, v. 39, n. 4, p. 14-17,
Apr./May 2013.
IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�Q u e m l ê , c i t a ? | 116

QUER COMPLEMENTAR? VISITE A PÁGINA DESTE CAPÍTULO:
http://wp.me/P7k4jO-11
__________________________________________

Ronaldo Ferreira de Araújo é doutor e mestre em Ciência da Informação pela
Universidade Federal de Minas Gerais e graduado em Ciência da Informação pela
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atua como professor na
Universidade Federal de Alagoas.

IDEIAS EMERGENTES EM BIBLIOTECONOMIA: TECNOLOGIAS

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="4">
                <text>Ideias emergentes em Biblioteconomia</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="5">
                <text>Jorge do Prado (Org.).</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="6">
                <text>FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7">
                <text>2016</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8">
                <text>por</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6168" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5234">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/6168/Manual-das-pessoas-que-advogam-pelas-bibliotecas.pdf</src>
        <authentication>34f18bcba3e43e4f77b18cc287ffe2a1</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="70134">
                    <text>MANUAL
DAS
PESSOAS
QUE
ADVOGAM
PELAS
BIBLIOTECAS

�Manual das
Pessoas que
Advogam pela Biblioteca
Quem são as pessoas que advogam pela biblioteca?
Construindo uma Rede de Advocacy1 para as Bibliotecas
O Plano de Ação
Falando Claramente
Lidando com a Mídia
Lidando com os Legisladores
Maneiras de comunicar-se
Checklist em defesa das bibliotecas
Recursos

ALA American Library Association
1

Advocacy - optamos por usar o termo em inglês pois ainda não há um correspondente direto em língua
portuguesa. Seu significado pode ser traduzido como defesa ou engajamento ativo em relação a uma
causa ou proposta. Advocacy envolve ação, isto é, “não se trata simplesmente de ser ou mostrar-se
favorável a uma ideia ou causa, mas sim de atuar de modo planejado e estratégico para alcançar os
resultados almejados” (http://www.amucc.com.br/conteudo/o-que-quer-dizer-advocacy/). Neste
sentido, optamos por traduzir Library Advocates como “pessoas que advogam em causa da biblioteca”
ou, por vezes, mantivemos a expressão no idioma original(N.T).

�Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca
3 ª Edição © 2008
American Library Association
Office for Library Advocacy

50 East Huron Street
Chicago, Illinois 60611
Telefone: 800.545.2433, ext. 2431
Fax: 312.280.3255
Email: advocacy@ala.org
www.ala.org/issues&amp;advocacy
Agradecimentos:
A American Library Association beneficiou-se da perícia e da experiência de muitos e
excelentes treinadores e formadores de mídia e library advocates, incluindo o falecido Charles
Beard, da State University of West Georgia, e do falecido Gerald Hodges, da American Library
Association. Este manual inclui muito de sua sabedoria.
Editor:
Marci Merola, Diretora Interina do ALA Office for Library Advocacy
Contribuintes:
Carol A. Brey-Casiano
Diretor, Biblioteca Pública, El Paso, Texas;
Presidente ALA 2004-2005
Andy Bridges
Diretor de Comunicações, ALA Washington Office
Susan J. Schmidt
Ex-Presidente da Friends of Libraries USA; Ex-Presidente da
Friends of the Library, Montgomery County, Maryland
Patricia Glass Schuman
Presidente, Neal-Schuman Publishers, Inc.;
1991-1992 ALA Passado President1Tradução da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições- FEBAB
2012
Rua Avanhandava, 40- Conj.108/110
01306-000 São Paulo-SP-

�Conteúdo
4
5
6

Introdução
Quem são as pessoas que advogam pela biblioteca?
Construindo uma Rede de Advocacy para as Bibliotecas

9
9
10
17

O Plano de Ação
Organizado-se
Transmitindo mensagem
Desenvolvendo sua planilha do Plano de Ação

18
18
19
20

Falando Claramente
Contando histórias da biblioteca
Falando com sucesso
Checklist de Palestrantes

21
22
24
25
26

Lidando com a mídia
Ficando no controle
Como lidar com perguntas difíceis
Lidando com más notícias
Meios de comunicação

27
28
29
29
30

Lidando com os legisladores
Conheça o seu legislador
Criando a mensagem
Quem pode ser mais eficaz?
Conheça a agenda de seu Legislador

31
31
33
34
34

Maneiras de comunicar
Dicas para correspondências eficazes
Dicas para visitas eficazes
Qual é a melhor hora de falar?
Programa da Agenda de Ações junto aos Legisladores

36
39

Checklist dos Defensores da Biblioteca
Recursos disponíveis da ALA

�Introdução
"Não é Amazon.com que vai colocar bibliotecas públicas fora do negócio?"
"Por que as bibliotecas escolares precisam de dinheiro para livros, quando tudo está online?"
"Por que precisamos de uma biblioteca no campus, quando os alunos podem fazer suas
pesquisas na Internet?"

A tecnologia tem mudado muito a forma de como a maioria de nós acessamos a informação, e
tem reforçado os serviços de informação da biblioteca. Isso levantou também algumas
questões inquietantes.
Os defensores da Biblioteca têm um papel fundamental a desempenhar para responder a
essas perguntas. Nas entidades de classe, escolas, nas universidades, nos bairros e no
Congresso dos Estados Unidos, os defensores da biblioteca são as vozes das bibliotecas dos
Estados Unidos.
Os treinamentos em Advocacy da American Library Association, incluindo o Library Advocacy
Now! (Em Defesa das Bibliotecas Agora!) e os Institutos de Advocacy, estão projetados para
apoiar os bibliotecários, o pessoal das bibliotecas, e os defensores da biblioteca estão
enviando mensagens das bibliotecas para os legisladores, a mídia, o campus, a comunidade e
funcionários das escolas que formam a opinião pública e controlam o apoio para os serviços
das bibliotecas.
O Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca abrange técnicas básicas que funcionam,
se você está procurando levantar um financiamento, fazendo campanha para um novo edifício
ou lidando com a controvérsia sobre as redes sociais ou a Lei Patriótica dos EUA.
Usado em conjunto com o treinamento no Estado, em eventos de bibliotecas regionais e
nacionais, o Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca atingiu milhares de pessoas,
permitindo-lhes aumentar a conscientização pública e apoio para os serviços das biblioteca.
Mas nossos esforços estão longe de acabar. Na era da informação, os library advocates
continuarão a ter um papel crucial a desempenhar na educação de nossas comunidades, sobre
por que as bibliotecas e os bibliotecários são essenciais em uma sociedade da informação.
Para serem eficazes, eles devem falar alto, claramente e com uma só voz. A democracia
necessita de bibliotecas. E as bibliotecas precisam de defensores.
Para mais informações, contatar:
American Library Association
Office for Library Advocacy

50 East Huron Street
Chicago, Illinois 60611
Telefone: 800.545.2433, ext. 2431
Email: advocacy@ala.org
www.ala.org/issues&amp;advocacy

�Quem são as pessoas que advogam pela Biblioteca?
As pessoas que advogam pela Biblioteca acreditam na importância do acesso livre e equitativo
à informação em uma sociedade democrática. Estas pessoas acreditam que bibliotecas e
bibliotecários são vitais para o futuro de uma nação letrada e informada. Elas falam em defesa
das bibliotecas. As pessoas que advogam pela Biblioteca estão em toda parte, embora nem
sempre eles mesmos se nomeiem assim. Eles são:
Curadores de Bibliotecas
Se eleitos ou nomeados, os curadores geralmente têm conexões políticas e na comunidade
que podem beneficiar a biblioteca. Eles também têm influência sobre os funcionários
encarregados de representar o melhor interesse da biblioteca e sua comunidade.
Amigos de bibliotecas
Como "embaixadores" da biblioteca na comunidade, os amigos desempenham um papel
valioso, sendo os olhos e ouvidos da biblioteca, bem como a sua voz. Eles também ajudam a
fornecer os indicadores que podem fazer os legisladores darem atenção às bibliotecas.
Usuários da biblioteca (Stakeholders)
Alunos, professores, pais, idosos, empresários e outros usuários de bibliotecas são vitais para
qualquer esforço de advocacy. Sua defesa de como a biblioteca tem ajudado e quanto eles
precisam de bibliotecas fornecem fortes evidências que chamam a atenção dos tomadores de
decisão.
Lideres institucionais e comunitários
Diretores de escolas, representantes de universidades, líderes sindicais, presidentes de
empresas e funcionários de fundações devem ser parte de sua rede de advocacy. O apoio de
tais líderes ajuda a garantir que sua mensagem será ouvida nos níveis mais altos.
Bibliotecários e funcionários de bibliotecas
No trabalho ou fora, todos os funcionários da biblioteca têm inúmeras oportunidades para
construir tanto a compreensão quanto o apoio do público. Administradores da biblioteca são
responsáveis por desenvolver e coordenar um esforço contínuo de advocacy, com papéis bem
definidos para os funcionários, administradores e amigos.
Estudantes de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Estudantes de pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação têm dedicado,
obviamente, suas carreiras às bibliotecas. Frequentemente, este é um grupo inexplorado de
pessoas que poderia tornar-se defensores efetivos.
Library advocates potenciais
Cada biblioteca tem simpatizantes que podem não pertencer a um grupo de apoio à biblioteca
ou até mesmo usar a biblioteca. Mas eles podem ter boas lembranças no uso da biblioteca,
quando crianças, têm membros da família que se beneficiam do uso da biblioteca ou
simplesmente acreditam que as bibliotecas são importantes. Alguns podem ter altos cargos
em suas instituições ou comunidades. Esses library advocates potenciais ficam muitas vezes
felizes de falar sobre a biblioteca quando são convidados.

�Construindo uma Rede de Advocacy para as
Bibliotecas
Enquanto a crise pode exigir medidas urgentes, a construção de uma rede de advocacy para as
bibliotecas requer um esforço sustentado. Deve ter recrutamento contínuo, estrutura clara e
comunicação regular para manter as pessoas que advogam pela biblioteca, informadas e
envolvidas. Em muitos casos, a Associação de Amigos da Biblioteca é o núcleo de uma rede
deste tipo. Eles podem não ter a necessidade de reuniões formais, devem ter contato pessoal
em uma base regular com as pessoas que advogam pela biblioteca.
Para ser mais eficaz, a sua rede de advocacy deve representar uma seção transversal de seu
campus, escola ou comunidade, por idade, renda e etnia. Ela deve incluir membros da
comunidade, empresários, ex-alunos ilustres, editores de jornais e legisladores, assim como
usuários de bibliotecas e funcionários. Quanto maior e diversificada for a sua rede – e mais
poderosos forem os seus membros – mais forte será a influência exercida.

Dicas
•
Designar um coordenador de advocacy responsável pela coordenação e comunicação
das atividades de advocacy junto aos funcionários, membros da direção, amigos e outros.
Grupos de cidadãos deveriam trabalhar em estreita colaboração com o conselho da biblioteca
e sua administração para garantir a consistência na mensagem da biblioteca e evitar a
duplicação de esforços.
•
Estabeleça sua mensagem com clareza. Fornecer treinamento em como transmitir a
mensagem, como parte de orientação para todos os funcionários da biblioteca,
administradores, voluntários e defensores.
•
Pesquise os curadores das bibliotecas, amigos, usuários e apoiadores. A quais
organizações cívicas ou profissionais eles pertencem? Eles estão dispostos a escrever cartas,
telefonar aos legisladores e recrutar outras pessoas que possam advogar em causa da
biblioteca? Será que eles têm contatos úteis com os meios de comunicação, administração,
conselho escolar ou a comunidade? Eles são palestrantes experientes e qualificados?
•
Criar um banco de dados com nomes das pessoas que advogam em causa da
biblioteca, suas informações de contato, nomes de seus representantes eleitos e outras
informações pertinentes. Manter o banco de dados atualizado.
Certifique-se que os library advocates recebam o boletim da biblioteca e o relatório anual,
bem como atualizações sobre a legislação, financiamento e outras preocupações. Configurar
uma agenda de telefones e lista de endereços eletrônicos para disseminar rapidamente alertas
de ação.

O que você pode fazer
Bibliotecários e funcionários da biblioteca
•
Pense em quem você conhece e como podem ajudá-lo a apoiar a biblioteca. Library
advocates podem aparecer nos lugares menos prováveis, desde seu vizinho ao lado até um
colega de trabalho!

�•
Recrute library advocates sempre que puder. Distribua informações sobre advocacy
disponíveis no Office for Library Advocacy e no Association for Library Trustees and Advocates
(nos EUA).
•
Ligue e escreva aos membros de sua rede de advocacy pelo menos duas vezes por ano,
para dar-lhes informações atualizadas.
•
Convide sua rede de advocacy para se inscrever em uma lista de discussão eletrônica
para receber atualizações e alertas sobre questões das bibliotecas.
•
Seja entusiasta e positivo. Deixe os usuários da biblioteca e apoiadores saberem que
podem fazer a diferença. Tenha como ponto de honra agradecer-lhes por suas contribuições.
•
Reúna-se com os líderes do campus, comunidade e escola regularmente para instruílos sobre suas atividades e preocupações e para recrutar seu apoio.
•
Mantenha-se informado sobre as atividades de advocacy da American Library
Association (nos EUA) e sua associação estadual. Preste atenção para alertas legislativos,
programas e ferramentas que podem beneficiar sua biblioteca e sua comunidade.
•
Mantenha os usuários da biblioteca informados sobre questões da biblioteca e
atividades de advocacy. Publique alertas de ações na biblioteca. Dedique uma parte do
boletim informativo online da sua biblioteca para notícias legislativas locais, estaduais ou
nacionais e outros assuntos.
•
Incentive os usuários da biblioteca para compartilharem suas "histórias da biblioteca”.
Convide-os a testemunhar suas reuniões sobre orçamento, participe de entrevistas com a
mídia e visite os legisladores com os funcionários da biblioteca.
•
Participe na comunidade, com empresários influentes ou grupos do campus e
aproveite isso como uma oportunidade para contar a história da biblioteca e recrutar
defensores da biblioteca.
Curadores
•
Mantenha seus administradores bem informados sobre as questões da biblioteca, tais
como financiamento, censura, políticas de filtragem da Internet e informação sobre
alfabetização.
•
Tenha como meta conhecer os funcionários com poder de decisão em relação à
biblioteca.
•
Use sua habilidade política e relações em nome da biblioteca.
•
Participe dos dias comemorativos em seu Estado e na Semana Nacional da Biblioteca
para garantir que sua voz seja ouvida junto aos apoiadores da biblioteca.
•
Mantenha a comunicação com os dirigentes e seus funcionários, mesmo quando você
não esteja buscando o seu apoio. Mantenha-os informados das preocupações da biblioteca.
•
Realize um evento anual de reconhecimento para as pessoas que advogam em causa
da biblioteca, incluindo líderes da comunidade, do campus, empresários e legisladores que
tem lhe apoiado. Pense em datas de incentivo à leitura, ao livro e ao uso da biblioteca.
Amigos
• Verifique se o seu grupo de amigos entende o que é a advocacy, qual o seu papel e da
necessidade de agir em cooperação com a administração da biblioteca e seus curadores.

�• Trabalhe com o seu Conselho de Curadores em eventos e durante o ano todo.
• Inicie uma comissão de advocacy para controlar os assuntos de biblioteca e informação a
nível local, estadual e nacional.
• Publique regularmente uma coluna no boletim de amigos com atualizações sobre os
assuntos relacionados com a biblioteca a níveis local, estadual e nacional. A ALA Washington
Office fornece atualizações legislativas federais através do ALAWON boletim on-line e no seu
site: www.ala.org/washoff/
• Inclua itens de notícias sobre os legisladores locais estaduais e nacionais e suas posições
sobre as bibliotecas e assuntos informativos. A ALA Washington Office fornece atualizações
legislativas em seus boletins online e impressos (consulte Recursos de Advocacy na página 36).
• Convide “pessoas-chave” - vereadores, administradores universitários, empresários, líderes
de organizações - para serem “amigos honorários”. Convide-os para uma recepção e visita e
inclua-os na lista de discussão de amigos.
• Escreva cartas para o editores de jornais em apoio à biblioteca. Ligue para um programa de
rádio para que ouçam suas preocupações.
• Convide os legisladores locais para falar com o grupo de amigos. Agradeça ou mostre seu
reconhecimento pelo seu apoio.

�O Plano de Ação
A Rede de Advocacy da biblioteca deve estar ligada a metas globais da biblioteca e programas
de conscientização pública em andamento. Para montar uma campanha de defesa eficaz, você
deve ter um plano de ação com uma meta clara e objetiva. Você deve ter uma mensagem clara
e falar com uma só voz. Use a planilha na página 11 para criar seu plano de ação
personalizado.
O uso de materiais da Campanha Nacional da ALA pode tornar o seu trabalho mais fácil e
fortalecer a voz das bibliotecas e dos bibliotecários em todo o país em questões de direitos
autorais, educação e outras políticas que vão moldar o futuro das bibliotecas e serviços de
informação. Estes materiais podem ser facilmente adaptados para o uso de diferentes tipos de
bibliotecas em nível estadual ou municipal.
Ter um plano de ação de advocacy vai poupar tempo e energia. Ele também dará maior
retorno para seus investimentos ajudando você a usar seus recursos de forma mais eficiente.
Você vai naturalmente precisar preparar um orçamento que identifique quanto dinheiro será
necessário para realizar seus objetivos e de onde o dinheiro virá.
Mas antes de colocar seu plano no papel, você deve saber exatamente o que é que você quer
realizar: Você quer passar um referendo? Aumentar o orçamento da biblioteca? Ou você quer
aprovar uma nova lei ou política a nível estadual ou local? Você está tentando derrotar uma
determinada peça de legislação? O que será preciso para que isso aconteça? Depois de ter
identificado seus objetivos, você está pronto para organizar-se.

Organizado-se
1. Definir metas e objetivos. Identifique os resultados que deseja, tais como: nova legislação,
mais financiamento, maior visibilidade.
2. Avaliar a situação em áreas específicas com base em seus objetivos. Identificar barreiras,
oposição, forças e apoiadores potenciais.
3. Identificar tarefas críticas.
As áreas importantes incluem:
• Estabelecimento de um comitê de direção
• Desenvolver um orçamento
• Recrutamento de voluntários
• Coordenação de atividades com a American Library Association e sua associação estadual
• Captação de Recursos
4. Desenvolver um plano de comunicação.
Os elementos essenciais incluem:
• Definir a mensagem-chave
• Selecionar os principais públicos
• Identificar estratégias de comunicação e recursos necessários
5. Desenvolver um plano de trabalho com as tarefas, atribuições e prazos. Monitorar seu
progresso regularmente.
6. Documentar e avaliar os resultados. Isto é, como aprender a fazer melhor da próxima vez.

�Transmitindo a mensagem
O Plano de Comunicação
Um elemento básico de qualquer conscientização pública e campanha de advocacy é um plano
de comunicação com mensagens-chave, públicos e estratégias claramente definidos para
alcançar estas audiências. É importante que todos os funcionários da biblioteca e seus library
advocates entendam o plano, a sua lógica e seu papel para apoiá-lo.
Passo 1. Definir a mensagem-chave.
Sua mensagem central ou chave deve ser aquela que é comunicada simples e
consistentemente, seja em uma entrevista de rádio ou por cima do muro do quintal. Pode ser
tão simples como: "Não há uma boa educação sem boas bibliotecas". A mensagem-chave
deve ser facilmente adaptada para vários públicos: pais, empresários, educadores ou
legisladores. Para cada grupo, você vai querer falar sobre itens, histórias e exemplos que
atendem as necessidades e interesses específicos de cada um deles. Este conjunto de
mensagens centrais servirão de base para as apresentações a grupos, artigos em boletins
informativos, comunicados à imprensa, cartas ao editor e outras comunicações. Você também
deve ter um claro apelo à ação. O que você quer que cada grupo faça? Esteja preparado para
dar formas concretas a cada grupo que possa demonstrar o seu apoio.
Passo 2. Público-alvo.
Quem pode ajudá-lo a conseguir o que você quer? Uma vez que você sabe qual é seu objetivo
e tenha identificada a mensagem-chave, promova um brainstorm com o público potencial. Por
exemplo, se sua biblioteca goza de forte apoio entre os idosos, eles podem ser um público
preliminar para um plebiscito sobre financiamento. Professores e pais são vitais para ganhar o
apoio para maiores orçamentos da biblioteca escolar. Estudantes de graduação podem ser um
público óbvio para as bibliotecas universitárias. Se você não tem um bom relacionamento com
estes grupos, mas tem tempo disponível, você pode começar a construir esses
relacionamentos agora. Se o tempo é curto, seu financiamento está apertado ou se há
oposição por parte de alguns grupos, você pode atingir aqueles que são mais suscetíveis a
serem solidários. Não se esqueça de incluir as crianças, que podem ser especialmente eficazes
quando entregam uma mensagem aos pais, avós e aos meios de comunicação.
Potenciais Públicos-Alvo
Externos:
•
Usuários da biblioteca
•
Doadores e potenciais doadores
•
Funcionários eleitos
•
Jornalistas
•
Outros bibliotecários
•
Membros do conselho da escola
•
Associações civis de bairro
•
Estudantes universitários
•
Associações profissionais
•
Professores e administradores escolares
•
Crianças e adolescentes
•
Administradores de faculdades
•
Terceira idade
•
Empresários

�Internos:

Funcionários

Curadores

Voluntários

Amigos

Pessoas que advogam pela biblioteca
Passo 3. Identificar estratégias de comunicação.
Existem três tipos principais de estratégias de comunicação:
•
Divulgação a grupos específicos
•
Contatos pessoais
•
Mídia
No desenvolvimento de seu plano de comunicação, pense com cuidado sobre a melhor forma
de chegar aos seus públicos-alvo. Pensar estrategicamente pode economizar tempo e dinheiro,
bem como aumentar o alcance e a eficácia de sua mensagem. Embora todos os três tipos de
estratégias tenham vantagens, a mais eficaz é comunicar-se pessoalmente. Uma visita a um
legislador é provavelmente mais lembrada do que uma correspondência.
A carta pessoal tem mais peso do que um folheto de mala direta. Você está mais propenso a se
lembrar do que o seu vizinho lhe diz do que de algo em um anúncio de jornal ou rádio. A
comunicação pessoal é também a que consome mais tempo, por isso ter uma rede de
advocacy com membros prontos e dispostos a falar é inestimável. Divulgação a grupos
específicos - por meio de palestras dirigidas, visitas à biblioteca ou exposições - pode ser uma
maneira eficaz de atingir públicos que compartilhem interesses e preocupações particulares.
Os meios de comunicação são mais eficazes para alcançar grandes públicos.
Para que qualquer uma dessas estratégias funcione, você deve ter uma mensagem bem
definida com pontos de apoio que são significativos para o seu público. Você deve estar pronto
para responder a quaisquer perguntas que possam surgir. Ter porta-vozes eficazes é
fundamental para programas de rádio e TV, onde a aparência pessoal e habilidades de falar
são importantes para transmitir a mensagem com sucesso.
Além de identificar estratégias, seu plano de comunicação deve incluir metas para
quantidades e datas de chamadas telefônicas aos líderes-alvo, comunicados à imprensa e
anúncios, publicação de op-ed (artigos de opinião), entrevistas no rádio e na TV e palestras
dirigidas.
Considere o seguinte ao decidir que estratégias usar:
QUEM é o público e qual é a mensagem chave para esse público?
QUAL é a melhor forma de transmitir a informação para o público-alvo de rádio, TV, mala
direta ou outro? Que tipo de imagem você quer projetar? Será uma parte efetiva de seu plano
de comunicação?
QUANDO termina o prazo? Será que a mensagem foi distribuída em tempo de ser eficaz?
QUANTO vai custar? Seria esse o uso mais eficaz dos recursos disponíveis?
POR QUE essa é a melhor estratégia para esse público?

�Estratégias de divulgação
Considere o seguinte quando decidir identificar as oportunidades de divulgação:
Publicidade
Se os recursos permitirem, faça o que os anunciantes comerciais fazem: compre espaço ou
tempo nos meios de comunicação locais. A maioria das estações jornais, rádio e TV oferecem
descontos para entidades sem fins lucrativos. Além de atingir o seu público, a publicidade paga
permite que você controle o posicionamento e o momento da sua mensagem, que pode ser
fundamental em alguns casos, como no de uma eleição. A Associação de Amigos da Biblioteca,
uma empresa ou organização ou outro parceiro podem estar dispostos a assumir os custos.
Conselho Editorial
Você pode agendar uma reunião com o conselho editorial do jornal local para buscar apoio
(algumas estações de rádio e TV também podem oferecer isto). O conselho editorial
geralmente consiste de um editor-chefe e de uma equipe editorial. Às vezes, os jornalistas com
experiência em uma determinada área são convidados. Estas reuniões – que geralmente
duram cerca de uma hora - são oportunidades para você transmitir sua mensagem solicitando
apoio e respondendo a perguntas.
Você pode ter dois ou três de seus library advocates mais experientes e articulados, bem
como panfletos e outros materiais informativos. Prepare-os com antecedência para fazer uma
apresentação de 15 minutos e para responder a perguntas difíceis.
Coletiva de Imprensa
Você pode realizar uma coletiva de imprensa, mas apenas se a notícia é de tal magnitude e
urgência que seja melhor transmiti-la de uma só vez para um grande grupo. Esse raramente é
o caso. Exceções podem ser o fechamento imediato e inesperado de uma biblioteca ou o
anúncio de uma mudança de política com impacto importante. Tenha uma apostila e esteja
preparado para responder às perguntas que você não gostaria que fossem feitas.
Passo 4. Selecione os mecanismos de comunicação
Comunicados à Imprensa ou Assessoria De Imprensa
Envie comunicados à imprensa ou alerte editores de notícias sobre anúncios, eventos ou
desenvolvimentos de interesse geral da comunidade. Ambos os tipos de comunicados à mídia
devem incluir: Quem, Qual, Quando, Por que e Como. Um comunicado deve ter a informação
mais importante no primeiro parágrafo e fatos de menor importância em ordem decrescente.
Inclua uma declaração ou trecho de uma entrevista de um porta-voz da biblioteca. A assessoria
de imprensa pode ser uma simples descrição destacando informações importantes,
disponibilidade de porta-vozes e espaço para fotos. Sempre inclua um contato e o endereço do
site para maiores informações. Faça o acompanhamento com um telefonema para garantir
que a peça foi recebida, para articular a cobertura do evento e para responder a quaisquer
perguntas.
Publicações Não-bibliotecárias
Considere onde estão seus grupos-alvo, incluindo as organizações parceiras e obtenha suas
informações. Pergunte se eles estariam dispostos a publicar notícias ou artigos sobre a
biblioteca em seus boletins ou revistas. Ofereça-lhes fornecer artigos para boletins de

�legisladores distritais, o jornal do campus, a revista de ex-alunos, boletim de organizações de
pais e professores e outras publicações.
Artigos de Opinião (Op-ed) e Cartas ao Editor
Artigos de opinião e cartas-para-o editor proporcionam um fórum para que os leitores
expressem suas opiniões. Op-eds são colunas de opinião de convidados que podem inclusive
opor-se aos próprios editoriais. Converse com o editor da página editorial e exponha
brevemente a sua idéia. Explique a afiliação de sua biblioteca. Pergunte também sobre o
tamanho deste texto, que em geral tem cerca de 750 palavras. Quando submeter a sua cópia,
inclua uma proposta de título para que o editor saiba qual é o tema, mas não se surpreenda se
o jornal mudar o título ou editar o seu artigo de opinião no estilo ou tamanho. Envie uma cópia
de quaisquer peças que sejam publicadas para outros grupos que você deseja influenciar,
como representantes eleitos, o conselho de administração da faculdade ou o conselho escolar.
Algumas estações de rádio e TV colocam no ar opiniões de convidados. Ligue para o diretor de
relações públicas para enteirar-se.
Parcerias e Coligações
Recrutar outras organizações com preocupações comuns que endossem sua posição para
divulgar sua causa é uma das formas mais eficazes para transmitir sua mensagem. A
construção de uma coalizão de grupos focados em uma iniciativa conjunta pode ser
particularmente eficaz para ganhar credibilidade e influência com os legisladores.
Publicações
A comunicação impressa continuará a ser a principal fonte de informação. Hoje, por causa da
concorrência com outros meios e períodos de atenção mais curtos é mais importante do que
nunca que as suas publicações sejam graficamente atraentes e diretas. A maioria das
bibliotecas tem um conjunto de publicações, tais como um folheto introdutório, calendário de
atividades, o relatório anual e boletins informativos para os funcionários e para o público.
Certifique-se de incluí-los, bem como quaisquer novas fichas, folhetos ou brochuras em sua
estratégia de comunicação.
Anúncios de Serviços Públicos
A maioria das estações de rádio e TV têm calendários da comunidade ou anúncios de serviços
públicos que oferecem gratuitamente a grupos comunitários sem fins lucrativos. Essas
mensagens devem se concentrar em eventos ou notícias de interesse da comunidade.
Informações de contato devem ser incluídas. As inserções costumam ter aproximadamente 30
segundos (75 palavras), mas podem ser menores. Elas são colocadas a critério da estação
quando o tempo de transmissão está disponível, o que geralmente não acontece durante o
horário nobre. Seus pontos devem ser escritos e apresentados com base no tipo de público
que você espera atingir. Não perca seu tempo enviando um anúncio voltado para a terceira
idade para a estação de rock.
Talk Shows de Rádio e Televisão
Os produtores de talk shows frequentemente procuram oradores convidados. Envie uma carta
propondo o seu tema, a sua relevância para o público do programa e as qualificações do
convidado que você está propondo. Acompanhe o assunto ligando para o produtor. Verifique
se o seu porta-voz entende e está confortável com as necessidades dos meios de transmissão
e está preparado para adaptar a mensagem para um público específico e para responder a
quaisquer perguntas difíceis.
Palestras dirigidas
Muitos grupos procuram por palestrantes para tratar de temas pontuais e como eles se
relacionam com as suas comunidades ou campus. Buscar palestras com parceiros, como

�grupos do campus, escola ou comunidade, pode ser uma forma particularmente eficaz de
transmitir a sua mensagem. A maioria das bibliotecas tem uma lista de organizações
comunitárias. Basta enviar uma carta ou fazer uma ligação para o diretor do programa ou os
grupos que você deseja atingir. Os library advocates podem ser especialmente úteis, tanto por
atingir aos grupos aos quais pertencem e, também, por serem conhecidos por suas palestras
empolgantes. Uma minuta deve ser fornecida para os palestrantes para serem personalizadas
com suas próprias experiências e exemplos. As palestras devem ter um claro apelo à ação,
quer seja para chamar autoridades públicas, compartilhar a mensagem da biblioteca com três
amigos ou doadores de fundos. Apostilas devem ser providenciadas.
Eventos e promoções especiais
Eventos especiais podem ser organizados para levar a mensagem da biblioteca fora da
biblioteca ou para trazer públicos específicos, tais como legisladores ou não usuários, para a
biblioteca. Atividades como uma exposição em um Shopping Center, um concurso "Porque eu
amo minha biblioteca", uma campanha de postais ou uma passeata pode fornecer um gancho
para chamar a atenção da mídia e ajudar para instruir o público. Um evento pode ser
programado para focar a atenção no treinamento para as crianças na internet, festejar um
aniversário ou lançar uma campanha de angariação de fundos para um novo prédio. Verifique
se o evento apóia a sua mensagem-chave e atinge um ou mais públicos segmentados. O
agendamento de um evento durante a Semana Nacional da Biblioteca, Campanha Mensal do
Cartão da Biblioteca, Semana dos Livros Proibidos, Semana de Leitura dos Jovens ou outros
eventos nacionais podem ajudar a atrair o interesse da mídia.
Divulgando histórias da biblioteca
Envie uma carta a um determinado editor, produtor ou repórter. Explique brevemente sua
idéia sobre a história e por que ela é importante. Inclua exemplos relevantes, os nomes dos
possíveis porta-vozes e possibilidades de fotos. Ligue dias mais tarde para verificar a posição
da sua história e ofereça sua ajuda.
Árvore de Telefones
Ter uma rede estabelecida de library advocates que estão dispostos a pegar o telefone e ligar
para três amigos é uma das maneiras mais rápidas, fáceis e baratas para transmitir sua
mensagem, especialmente quando há uma votação essencial no dia seguinte.
Internet
A mídia eletrônica oferece muitas novas oportunidades para transmitir a mensagem da
biblioteca para um público mais amplo. Certifique-se que o site de sua biblioteca tem uma
seção de advocacy com atualizações periódicas sobre assuntos da biblioteca, bem como
alertas de advocacy, dicas sobre como ser um library advocate e informações de contato com
os funcionários locais. Peça a grupos parceiros para publicar artigos ou banners com links para
o site da biblioteca. Crie uma lista de endereços eletrônicos para aqueles que desejam receber
alertas de ação e outras notícias online. Quando publicar alertas de ação, incentive os
destinatários com a mensagem: "Por favor, compartilhe esta mensagem com um amigo".
E- Advocacy e Web 2.0
Nos últimos anos, uma nova tendência mais colaborativa, de informações multimídia e
extremamente atuais foi desenvolvida na Internet. Apelidada de "Web 2.0", esta é por muitas
razões o futuro da Internet.
Por sua natureza colaborativa, a Web 2.0 oferece inúmeras possibilidades para aproximar
pessoas usando a web, e isso tem sido uma grande notícia para os library advocates, que
podem agora apoiar-se e promover as suas causas de maneiras que não eram possíveis antes.
O que se segue é uma breve lista dos recursos web 2.0 para e-advocacy.

�- Websites: A fonte original de informação sobre a Internet, os sites são as fontes mais precisas
e confiáveis disponíveis. Eles são tipicamente criados por fontes oficiais, e, para os sites que
tenham alcançado uma reputação de excelência, eles são muitas vezes as melhores fontes de
informação sobre a advocacy: para onde ir, o que fazer, e como fazê-lo.
A única desvantagem é que muitos sites não são capazes de atualizar o seu conteúdo sempre
que a notícia o exigir. Isso pode acontecer porque apenas um punhado de pessoas, ou às vezes
até mesmo apenas uma pessoa tem o controle do conteúdo de um site, e muitas vezes essa
pessoa tem responsabilidade por muitas outras páginas da web também.
Com isso em mente, muitos se voltaram para os blogs, para as informações mais recentes.
- Blogs: O que atrai a maioria das pessoas para os blogs é a sua relevância e atualização
precisa. Verificar certos blogs de hora em hora se tornou a norma para os interessados em
advocacy, porque os administradores desses blogs seguem uma ampla gama de fontes de
notícias e são muito hábeis em compilá-los. Por exemplo: alguém interessado em notícias
sobre tecnologia provavelmente lerá TechCrunch.com, que compila notícias de todo o mundo
da tecnologia em uma página fácil de digerir.
O que muitas pessoas não gostam a respeito dos blogs é que há muitos deles por aí. Na
verdade, muitas vezes é observado que "todo mundo tem um blog." A única maneira de
escolher entre os muitos blogs disponíveis é fazer uma pequena pesquisa para determinar os
blogs que têm desenvolvido as melhores reputações na "blogosfera". Ou, como alternativa, só
seguir blogs que estão sob o guarda-chuva de uma fonte estabelecida, como a ALA, que tem
uma grande variedade de blogs em praticamente todos os tópicos da biblioteca.
- Wikis: O elemento fundamental dos wikis é a colaboração; é o que faz um wiki um wiki, é a
sua força primária. Para começar, um wiki é um tipo de página da web que permite a qualquer
um editar. Você não precisa ter experiência com web design ou código, tudo que você tem a
fazer é clicar no botão "editar" e teclar à distância.
Os wikis são ideais para projetos em que seja necessária a entrada de múltiplas partes. Por
exemplo: o escritório da ALA em Washington recentemente teve um problema como as
informações mais precisas e atualizadas sobre as bibliotecas federais. Há bibliotecas federais
em todo o país, e reunir e postar notícias sobre todas elas estava criando um gargalo no site do
escritório de Washington. Para aliviar isso, o escritório criou o Federal Libraries Wiki
(http://wikis.ala.org/fedlib). Agora, qualquer uma das partes interessadas em qualquer lugar
do país pode ir para a página e atualizar as informações.
A única ressalva é que a maior força de um wiki é também sua maior fraqueza: como qualquer
pessoa pode editar um wiki, as chances de serem publicadas informações falsas têm
significativamente aumentado. Na maioria dos casos, é necessário um editor primário ou
administrador para monitorar o wiki e evitar conteúdos impróprios ou ataques de spam.
- Podcasts: relativamente novos na internet, podcasts são simplesmente arquivos de áudio
atualizados regularmente que são postados em um blog ou site, projetados para atrair as
pessoas em movimento. Podcasts oferecem várias oportunidades únicas. Primeiro, eles dão
aos usuários uma nova maneira de se conectar uns com os outros, especialmente os mais
jovens que querem as suas informações de uma maneira nova, usando iPods ou outros
tocadores de MP3. Eles também apelam para aqueles que não têm tempo durante o dia para
ler páginas web, mas são capazes de baixar um podcast e ouvir no caminho para o trabalho,
por exemplo.

�Com tudo o que Web 2.0 tem para oferecer, há sempre uma maneira para qualquer library
advocate obter a informação que ele ou ela precisa, para se conectar com outras pessoas que
acreditam em interesses semelhantes e promovem essas idéias no mundo todo.
Passo 5. Avaliar
Uma série de métodos podem ser utilizados para avaliar a sua campanha de advocacy. Você
pode considerar grupos focados ou pesquisas de membros da comunidade para examinar suas
atitudes. Você pode coletar dados quantitativos, como o número e tipo de mídias colocadas,
número de cartas para os editores e número de legisladores constituintes contactados.
Os indicadores podem incluir:

O financiamento tem melhorado?

A lei passou?

Será que a demanda por um determinado serviço aumentou?

A biblioteca desfruta de maior prestígio?

Você recebeu apoio editorial?

Você teve requisições após itens terem aparecido na mídia?

Que tipo de comentários você recebeu ou ouviu?

Você conseguiu construir sua rede de advocacy?

Se o seu objetivo é a aprovação de legislação ou de uma emissão de políticas para a biblioteca,
é fácil saber quando você teve uma campanha bem sucedida. Certifique-se de acompanhar
com muita publicidade e agradecer a todas as pessoas envolvidas em realizar plenamente o
seu objetivo. Se a campanha ou algum aspecto não foi bem sucedido, analise o processo.
Pergunte aos tomadores de decisão o que aconteceu. Quais são os elementos essenciais que
estão faltando? Você foi incapaz de mobilizar os grupos de apoio importantes? Que apoio você
vai precisar para a próxima vez? Você não agiu em tempo? Lembre-se de que a advocacy é um
processo contínuo. As respostas a estas perguntas podem fazer a diferença em futuros
esforços de advocacy.

�Desenvolvendo sua planilha de Plano de Ação
Qual é o objetivo da sua campanha?
Quais são seus objetivos?
Quais são as mensagens-chave? (10-15 palavras)
Quem é o público?
Por que isso é importante para eles?
1.
2.
3.
O que nós queremos que o público:
1.Pense?
2. Sinta?
3.Faça?
Três pontos de apoio:
1.
2.
3.
Exemplos, histórias e fatos que apoiam esta mensagem:
1.
2.
3.
Como vamos determinar o sucesso da nossa campanha?

�Falando Claramente
Para qualquer campanha de advocacy funcionar, precisa ter porta-vozes que tenham
conhecimento e sejam hábeis em transmitir a mensagem da biblioteca. O porta-voz pode
variar conforme o público ou a mídia. Cada biblioteca deve ter uma política que defina quem
fala pela biblioteca e quando. O porta-voz-chefe da biblioteca em questões de política é
geralmente o diretor da biblioteca ou o presidente do conselho. Chefes de departamentos tais
como os do serviço de jovens ou de referência, podem ser designados como porta-vozes em
suas áreas de especialização. Bibliotecários e outros funcionários são geralmente mais eficazes
quando falam como autoridades na biblioteca e serviços de informação e como testemunhas
especialistas que conhecem e entendem as necessidades dos usuários da biblioteca.
Curadores, amigos e usuários da biblioteca podem ser especialmente úteis ao dar testemunho
perante os funcionários públicos. O presidente da Associação dos Amigos ou a rede de
advocacy podem ser solicitados para resolver problemas específicos. No sentido mais amplo,
todos os library advocates são porta-vozes, se estão falando com os seus vizinhos, colegas ou
professores ou grupos religiosos. Muitas pessoas são naturalmente dotadas para falar com a
mídia ou com grupos. Nem todo mundo é bom em ambos. Tente utilizar os seus porta-vozes
onde eles se sentem mais confortáveis e podem ser mais eficazes. Treinamento de mídia e
porta-vozes pode ajudar a construir a sua confiança e habilidades e polir sua apresentação.
Quem fala pela biblioteca deve se sentir preparado e entusiasmado em fazê-lo.

Contando histórias da biblioteca
Algumas estatísticas cuidadosamente escolhidas podem ser impressionantes, mas as histórias
levam a mensagem da biblioteca para a vida. As histórias mais valiosas não são sobre o que a
biblioteca faz. Elas são sobre as pessoas que usam e se beneficiam de nossas bibliotecas. Elas
são sobre o inventor que fez sua pesquisa na biblioteca da universidade, ou sobre estudante
que fala online com um cientista no Pólo Norte ou a avó que vê seu novo neto pela primeira
vez online na sua biblioteca.
Os library advocates têm suas próprias histórias sobre como a biblioteca tem feito a diferença
em suas vidas. Cartas de agradecimento podem ser uma boa fonte de histórias da biblioteca.
Amigos e usuários também podem ajudar. Uma biblioteca pode pedir a estudantes da
biblioteca escolar para passar um sábado entrevistando aos usuários da biblioteca. Cada
biblioteca deve ter cartões colocados estrategicamente para tornar mais fácil para os usuários
compartilharem suas "histórias de sucesso". Algumas pessoas agradeceram a ALA por
patrocinar seu concurso "Bibliotecas Mudam Vidas" dando-lhes a oportunidade de
compartilhar suas histórias. Compartilhar estas histórias em depoimento junto aos órgãos do
governo, entrevistas com repórteres ou conversas com o presidente da faculdade, diretor de
escola e outros líderes são os meios mais poderosos para expor os temas para apoiar a
biblioteca. As histórias podem ser também uma forma dramática para abrir ou fechar um
discurso.
Dicas





Mantenha-o simples, breve e pessoal
Tenha um começo, meio e fim
Tenha uma boa "piada"
Não use nomes reais a menos que tenha sido dada autorização

Exemplo

�O livro infantil “O Divórcio dos Dinossauros” foi questionado em uma biblioteca por um pai
que sentiu que poderia ser angustiante para as crianças. No entanto, uma menina escreveu
uma carta para sua biblioteca dizendo que o livro a ajudou a parar de chorar porque a fez
perceber que ela não era responsável por seus pais estarem divorciando. Que teria acontecido
se essa menina não fosse capaz de ler esse livro?!

Falando com sucesso
Falar aos grupos é uma das maneiras mais eficazes de ajudar aos outros, compartilhar suas
preocupações e solicitar o seu apoio. Os melhores oradores conhecem a mensagem da
biblioteca e podem transmiti-la de uma forma que atenda às necessidades e interesses dos
diferentes públicos e meios de comunicação. Mais importante ainda, eles não têm medo de
mostrar seu entusiasmo. Mesmo que um script possa ser fornecido é imperativo que os
oradores se preparem para adicionar as suas próprias histórias e exemplos e fazer as
alterações apropriadas para o grupo a que se dirigem. Treinamento especial em técnicas de
apresentação deve ser providenciado a todos os membros da rede de advocacy da biblioteca.
Esta formação deve incluir o uso de apostilas e outras ferramentas, como um vídeo ou uma
apresentação em PowerPoint, mas deve se concentrar em falar apaixonada e persuasivamente
sobre advocacy. Ainda que os auxílios visuais possam melhorar a mensagem, eles não são
substitutos para um palestrante dinâmico.

Dicas
•
Personalize suas observações. Informe-se sobre o seu público - quem vai estar lá,
quantos e de que idades - bem como sobre sua renda, educação e interesses especiais ou
preocupações que possam ter sobre a biblioteca.


Esteja preparado para responder a possíveis perguntas, especialmente as que prefere
não responder.

•
Fale em termos de benefícios para o seu público: por que eles deveriam preocupar-se
se o orçamento da sua biblioteca será cortado?
•
Siga a "regra de ouro" de falar em público: Informe ao seu público o que você vai
dizer;em seguida, diga-lhes, e, em sua conclusão, diga-lhes o que disse.
•
Pratique um estilo de conversação que permitirá que você olhe para a platéia a maior
parte do tempo. É uma boa idéia ter um script (em letras grandes) ou notas. Não é uma boa
idéia ler suas observações. Corte o jargão - o usuário da biblioteca não o entenderia!
•
Ter uma mensagem clara e chamar à ação. Atenha-se a três pontos principais. Diga ao
público porque a sua mensagem é importante para eles e o que é exatamente você quer que
eles façam.
•
Conte histórias suas e de outros. Leia uma carta de agradecimento comovente para a
biblioteca ou compartilhe sua história sobre como a biblioteca tem profundamente afetado
sua própria vida, explicando como você se tornou um library advocate.
• Use recursos visuais quando for o caso. Desenhos, recortes de jornais e gráficos podem
ajudar a contar a história, mas não exagere o visual. Teste o uso de vídeos, transparências ou
apresentações de PowerPoint com antecedência. Chegue cedo para verificar o equipamento.

�• Mostre seu entusiasmo. Isso é o que "vende" a mensagem.
• Faça uma exposição breve, cerca de 20 minutos mais perguntas.
• Agradeça a audiência pela oportunidade de falar, por serem bons ouvintes, e por seu apoio.

Checklist do Palestrante
Preparando a Apresentação
Eu:
•
Analisarei o meu público e prepararei minhas mensagens-chave.
•
Irei a minha introdução e conclusão.
•
Preparei um esboço com pontos de apoio e benefícios, histórias e exemplos.
•
Planejarei apostilas e recursos visuais.
Lidando com a Ansiedade
Eu:
•
Escreverei o meu discurso.
•
Farei anotações nas margens.
•
Ensaiarei o discurso.
•
Me visualizarei fazendo uma apresentação de sucesso.

Chegarei cedo, verificarei o espaço e testarei os equipamentos.
•
Vou respirar profundamente antes de falar.
•
Anteciparei perguntas e prepararei respostas.
Fazendo a Apresentação
Eu:
•
Estarei ciente do que estou dizendo e de como isso soará.
•
Estarei entusiasmado, animado e conversador
•
Usarei uma voz clara e forte.
•
Compassarei a minha apresentação.
•
Falarei - não lerei.
•
Repetirei as perguntas para esclarecê-las e responderei a todo o grupo.
Olhando seu visual

Vista-se de forma adequada para causar uma impressão favorável.

Lembre-se de:
•
Ficar em pé.
•
Olhar as pessoas nos olhos.
•
Sorrir
Saiba quando parar:
•
Marque o tempo de seu discurso quando o ensaiar.
•
Não ultrapasse o seu tempo disponível.
•
Seu objetivo é fazer com que o público queira ouvir mais, não menos.

�Lidando com a Mídia
É importante que cada biblioteca tenha uma política sobre como lidar com as chamadas da
mídia, se elas vêm através do escritório de informação pública da biblioteca ou diretamente de
um membro da equipe, curador amigo, ou um library advocate. Deve haver uma compreensão
clara de quem fala pela biblioteca e quando. Porta-vozes designados devem saber ou ter
cópias de mensagens-chave da biblioteca em vários tópicos. Eles devem estar preparados para
responder a perguntas difíceis e dar curtas e incisivas citações, conhecidas como sound bites
(clip curtos gravados), que os repórteres precisam para suas histórias, tanto impressas quanto
ao vivo. "Crianças que lêem tem sucesso", "Bibliotecas mudam vidas" e "Em um mundo que é
rico em informação, os bibliotecários são informação inteligente" são exemplos de sound bites
que os porta vozes ALA têm usado com sucesso com a mídia.
Se você está sendo entrevistado, lembre-se que você é o especialista. Você está sendo
entrevistado porque você tem uma história importante para contar. Esta seção contém
técnicas úteis que podem ajudá-lo a transmitir a mensagem com sucesso em uma variedade
de configurações.
Sinta-se a vontade para contatar o ALA Public Information Office ou o Office for Library
Advocacy (EUA) se você tem perguntas, precisa material de informação adicional ou se você
tem questões que mereçam comentário da ALA.

Dicas
•
Seja claro sobre quem você representa, a sua biblioteca ou associação da biblioteca.
Se um apresentador erra seu nome ou filiação, suavemente, mas com firmeza, corrija-o
imediatamente.
•
Conheça a sua mensagem-chave. Não pense que você tem que reinventar a
mensagem para cada entrevista. Você pode ter ouvido a mensagem muitas vezes antes, mas
há chance de que o seu público nunca as tenha ouvido. O objetivo é dar uma mensagem
consistente.
•
Insista para transmitir a mensagem-chave pelo menos três vezes para ajudar a
garantir que o seu público vai ouvi-la e se lembrará.
•
Conheça o seu público. Descubra o nome e o tipo da publicação da estação ou
programa e o tipo de leitores ou ouvintes que eles têm. Pergunte ao repórter ou produtor o
"enfoque". Adeque-se, coloque suas observações em conformidade.
•
Esteja preparado para responder a perguntas difíceis e desenvolver respostas em
tempo. Também esteja preparado para responder as perguntas padrões, "Que-Qual-OndeQuando-Porque e Como". Identificar três pontos de discussão, uma estatística pertinente da
história ou exemplos para apoiar a sua mensagem. Use estatísticas com moderação.
•
Escreva suas mensagens-chave, tenha em mão fichas com os pontos de discussão e
perguntas difíceis. Revise-os antes de fazer uma entrevista. Mantenha-os a sua frente ao fazer
entrevistas de rádio ou por telefone.

�•
Fale como nos sound bites. Isto é especialmente importante com meios de
transmissão, quando você pode ter apenas cerca de 12 segundos para responder. Sua
mensagem-chave deve ser curta e concisa. Pratique limitar suas respostas para 25 palavras ou
menos. Se os repórteres querem mais, eles vão fazer mais perguntas.
•
Mantenha-se no controle. Mantenha suas respostas focadas e dentro da mensagem.
Aprenda a usar as técnicas logo abaixo na seção “Ficando no Controle”.
•
Não tenha medo de dizer "eu não sei". Não deixe informações imprecisas. Se você não
tem certeza, é melhor simplesmente dizer: "Me desculpe, eu não sei. Vou verificar e lhe
responderei oportunamente."
•
Ajude o repórter ou seu entrevistador para que sua audiência entenda. Forneça fichas
e outros materiais. Sugerira outros porta-vozes para contato.
•
Pratique. Pratique. Pratique. Pratique falar com sound bites e fique no controle em
reuniões de equipe e reuniões de direção e na conversação diária. Quanto mais você fizer isso,
melhor e mais confortável você estará.
•
Lembre-se de sorrir. É importante parecer amigável e simpático, bem como
profissional.
•
Mantenha-se focado. Uma entrevista não é uma conversa. Ela é uma conversação. O
entrevistador tem um trabalho a fazer. Não baixe a guarda.

Ficando no Controle
A melhor maneira de certificar-se que sua mensagem seja ouvida é mantendo o controle. Seu
objetivo deve ser o de transmitir a sua mensagem chave pelo menos três vezes para que o seu
público a entenda e se lembre. Porta-vozes qualificados podem responder quase qualquer
pergunta e fazer uma ponte para voltar à mensagem-chave central em 25 palavras ou menos.
As seguintes técnicas são particularmente úteis em programas de rádio e TV. Também podem
ser utilizadas de forma eficaz com os repórteres de imprensa e em outras perguntas e
respostas. A melhor maneira de ficar no controle é praticar essas técnicas sempre que
possível, até que venham naturalmente.

Dicas
•
Faça perguntas antes de respondê-las. Esclareça antecipadamente os temas a serem
discutidos e o tipo de público. Pergunte se há questões específicas que o entrevistador quer
ver respondidas. Se você não se sente qualificado para resolver o problema ou se sente
desconfortável com a abordagem, fale sobre isso. Sugira outras abordagens. Encaminhe-os
para o ALA Public Information Office, o ALA Office for Library Advocacy ou outras fontes.
•
Tome um tempo para se preparar. Diga ao repórter que ligará de volta em breve (até
cinco minutos, se o repórter está no prazo). Use esse tempo para rever a mensagem-chave e
antecipar questões. Certifique-se de ligar de volta no tempo acordado.
•
Nunca responda a uma pergunta que você não entenda completamente. Diga: "Não
tenho certeza se entendi a pergunta. Você está perguntando ...? " Pense antes de responder.

�Não se apresse. Uma pausa pode fazer você parecer mais pensativo. Você também pode
ganhar tempo, dizendo: "Isso é uma boa pergunta.", Ou "Deixe-me pensar sobre isso e voltarei
a ela.”
•
Cuidado com as questões principais. Alguns repórteres podem tentar influenciar sua
resposta perguntando algo como "você não diria ...", seguido de uma idéia para que você
concorde. Responda as perguntas brevemente segundo sua própria intenção. Por exemplo:
P.
Não é verdade que muitas faculdades estão fechando os prédios da biblioteca em
favor das coleções digitais?
R:
Eu não acho que seja provável. As Bibliotecas são parte da vida no campus, assim
como a associação de estudantes. Uma das coisas mais importantes que bibliotecários fazem é
ensinar aos alunos a serem consumidores críticos de informação.
•

Nunca repita uma negativa. Mantenha suas respostas positivas. Por exemplo:

P.

Por que os bibliotecários permitem que as crianças assistam a pornografia?

R.
Nós não permitimos. Nosso trabalho é ajudar as crianças a aprender a usar a Internet
de forma sensata e orientá-los em todos os grandes sites.
•
Evite responder somente com "sim" ou "não". Use todas as oportunidades para
transmitir sua mensagem. Por exemplo:
P.
É verdade que os bibliotecários gastam dinheiro em DVDs que poderiam ser gastos em
livros?
R.
Isso depende de como você enfoca o assunto. Em alguns casos, os DVDs podem ser
mais úteis do que os livros. Muitas coisas, como a aprendizagem de uma língua ou como
reparar o seu carro são mais fáceis de aprender a partir de um DVD do que um livro. Os
bibliotecários acreditam que as pessoas precisam de informação em todas as formas.
•
Mantenha o foco do repórter ou de seu ouvinte por assinalar idéias principais com
frases como "Isso é uma excelente pergunta" ou "A coisa importante a lembrar é " ou "A
verdadeira questão aqui é." ou “Aqui estão três pontos importantes"
•
Mantenha-se "na mensagem". Use cada questão como uma oportunidade de "ponte"
para a sua mensagem. Por exemplo:
P.

Como estava o clima quando você saiu de Chicago?

R.
O tempo estava terrível. Mas eu não estou tão preocupado com isso quanto eu estou
por algumas ameaças muito graves à nossa liberdade de ler.
•
Prenda o entrevistador aos pontos mais importantes, dizendo: "Há três coisas que seus
ouvintes devem saber" ou "Há duas maneiras de responder a essa pergunta. Primeiro ...". O
entrevistador não pode cortá-lo fora sem frustrar sua audiência.

�Como lidar com Perguntas Difíceis
Em geral os meios de comunicação são nossos amigos, especialmente quando se trata de
Primeira Emenda e questões de liberdade de informação. Mas seu trabalho é fazer as
perguntas que seu público quer ver respondidas. Estas questões podem às vezes ser difíceis,
mas os repórteres raramente são hostis ou mesquinhos. As exceções são alguns
apresentadores de talk show que dependem de confronto e argumentos para abastecer seus
shows. As técnicas descritas acima na seção “Ficando no Controle” são úteis para lidar com
perguntas difíceis ou hostis, seja em uma situação de entrevista ou de grupo.

Dicas
•
Antecipe questões difíceis e desenvolva respostas antes do tempo. Se você sabe que
vai enfrentar questionamento hostil, ensaie-as de antemão com um colega. Responda as
piores perguntas que você pode imaginar. Também pratique algumas mais fáceis, para que
você não seja pego de surpresa.
•
Ouça. Realmente ouvir. Não julgue. Tente identificar o fundo da preocupação ou
problema que está sendo exposto.
•
Reconheça. Faça uma pausa para mostrar que você considera seriamente a questão.
Emoldure sua resposta positivamente. Por exemplo, "Você evidentemente tem fortes
sentimentos sobre isso", ou "Eu respeito a sua opinião, mas deixe-me dar-lhe uma outra
perspectiva", ou "Nós compartilhamos d sua preocupação com as crianças, mas a nossa
abordagem é. . . . "
•
Não repita palavras negativas ou inflamatórias. Se perguntado, "Por que os
bibliotecários deixam as crianças assistir a obscenidades?" Não repita a palavra "obscenidade"
em sua resposta.
•
Reformule a pergunta de uma forma mais positiva. Descarte as palavras carregadas.
Por exemplo:
P.
A Internet não coloca a biblioteca fora do negócio?
R.
Eu acho que o que você está realmente perguntando é: "Será que as pessoas ainda
precisam de bibliotecas? A resposta é, obviamente, nós vamos precisar delas mais do que
nunca ... "
•

Mantenha suas respostas curtas. Não dê mais informações do que lhe é perguntado.

•
Seja verdadeiro. Fale de sua própria experiência. "Na nossa biblioteca, nós não temos
..." Ou "Minha experiência é ..." Se você recebe uma pergunta que não pode responder ou é
surpreendido com uma estatística desfavorável ou reclamação, simplesmente diga "Eu não
tinha ouvido que. O que eu sei é ... "(ponte para uma declaração positiva).


Não assuma que nada do que você diz seja "extra-oficial". Isso pode ser usado
contra você.

•
Nunca diga "Sem comentários". Mantenha uma atitude aberta e positiva. Se você está
esperando por uma orientação de sua diretoria ou precisa de tempo para estudar a questão,
diga-o assim.

�
Sinta-se livre para dizer: "Eu gostaria de terminar de responder sua última pergunta"
se você for interrompido.

•

Corrija eventuais distorções factuais que você sinta serem fundamentais na discussão.

•
Lembre-se, não é apenas o que você diz, mas como você o expressa. Mantenha sua
voz calma e linguagem corporal aberta (sem os braços cruzados, batendo o pé).
Pode ser apropriado parecer indignado ou preocupado. Você não quer aparecer na defensiva
ou fora de controle. Um sorriso no momento certo pode ser desarmante.

Lidando com más notícias
As negociações falham. Um pai vai direto para a mídia depois que seu filho vê "pornografia" na
biblioteca. Moradores do bairro protestam pedindo o seu fechamento
Más notícias, embora nunca agradáveis, criam oportunidades para transmitir uma mensagem
positiva e apoiar a instituição. Por exemplo, quando um hacker adolescente detonou o Sistema
da biblioteca do Condado de King (Washington) , a biblioteca foi fechada durante três dias. A
história precisa ser focada sobre as maravilhas da tecnologia, em vez de seu fracasso, graças a
pronta resposta da biblioteca para consertar o sistema.
Algumas crises potenciais, como tentativas organizadas para forçar o uso de filtros de Internet
ou um fechamento de uma filial podem ser antecipadas e planejadas com antecedência.
Outros, como o desastre natural ou crime, não podem. Cada biblioteca deve ter um plano de
comunicação básico de crise para lidar com situações potencialmente negativas. Antecipar e
preparar mensagens-chave com antecedência, sempre que possível. Embora seja importante
mobilizar-se rapidamente, preste atenção para não exagerar. Se apenas um pequeno jornal
traz a história sobre uma mãe chateada, vale responder apenas ao jornal, em vez de emitir um
comunicado de imprensa a todos os jornais, rádio e emissora de TV na cidade. Por outro lado,
você deve estar preparado com uma declaração e materiais informativos se você receber
chamadas da mídia.
Seja estratégico no seu uso da mídia. Se houve um grande desastre, você pode realizar uma
coletiva de imprensa para comunicar os fatos, quaisquer novos desenvolvimentos e dar
respostas sobre a biblioteca o mais rapidamente possível a um grande número de meios de
comunicação. Uma carta para o editor ou um op-ed esclarecendo a posição da biblioteca pode
ser útil, especialmente se for para corrigir imprecisões de fatos.
Engajar-se em uma batalha longa e defensiva de cartas provavelmente não é produtivo ou um
bom uso de energias dos library advocates.
Antes de aceitar uma aparição em um programa de rádio ou TV, certifique-se de compreender
a natureza e formato do programa.
Considere o tamanho e a natureza da audiência e como esta é receptiva à sua mensagem.
Haverá alguém da oposição lá? Haverá chamadas do público? Qual é a posição do anfitrião? O

�anfitrião ou produtor está disposto a garantir um fórum justo e igualitário? Se você acha que
não terá uma audiência justa, pode não ser do interesse da biblioteca aceitá-lo. A crise não é o
momento de construir boas relações de mídia. Sua biblioteca deveria ter estabelecido relações
com os membros influentes da mídia para fazerem ligações nessas oportunidades. Se a
biblioteca tem uma reputação de comunicação aberta e honesta, os jornalistas são mais
propensos a serem receptivos e úteis para comunicar a mensagem da biblioteca.
Todas as comunicações e técnicas básicas advocacy são necessárias quando se lida com uma
crise ou publicidade negativa. Estes incluem:
•
•
•
•
•
•
•
•

Falar com uma só voz.
Ter claramente identificados porta-vozes altamente qualificados.
Fornecimento de materiais informativos para todos os library advocates.
Identificar o público interno e externo.
Desenvolver as mensagens-chave.
Antecipar perguntas difíceis.
Implementar estratégias de comunicação.
Identificação de formadores de opinião que podem apoiar a sua posição.

Dicas
•
Concentrar o foco na solução, não no problema. Explique o que a biblioteca está
fazendo para resolver a situação ou diga que a biblioteca está à procura de uma solução
rápida.
•
Pedir desculpas se for o caso. "Pedimos desculpas por qualquer inconveniente para
nossos usuários. Estamos empreendendo nossos esforços para corrigir isso o mais rápido
possível".
•
Certificar-se de ter todos os fatos antes de emitir uma resposta. Enfatize para a equipe
e defenda a importância de estar próximo com informações relevantes.
•
Preparar materiais informativos tão prontamente quanto possível. Apresentar os
fatos, como você os conhece. Se o fechamento de uma biblioteca filial foi forçado por um
déficit potencial, diga-o assim.
•
Deixe os advogados revisarem qualquer declaração pública sobre questões com
implicações legais, mas evite termos jurídicos e jargões.
•
Evitar ler declarações oficiais, que podem soar frias. Tenha porta-vozes que
memorizem e transmitam as mensagens-chave e pontos de discussão.
•
Preparar mensagens de uma página, que incluam a mensagens-chave, pontos de
discussão e respostas para as perguntas mais difíceis.
•
Oferecer sessões de informação e meios especiais de formação para os porta-vozes,
que ficarão na linha de frente para lidar com esta questão.
•
Mantenha-se na linha. Não critique ou tenha discussões pessoais com o seu adversário.
Não seja defensivo. Mantenha-se focado em sua mensagem chave.

Meios de comunicação
Para serem eficazes no rádio ou na TV, os library advocates devem entender as necessidades
específicas de cada meio. Para entrevistas de rádio, a qualidade da voz e expressão são
importantes. Use sua voz para projetar entusiasmo, até mesmo um sorriso. Tente imaginar a
platéia e fale diretamente com eles.

�Os espectadores têm grandes expectativas de como os convidados se apresentam na televisão
Uma boa aparência e apresentação somam sua credibilidade. Gestos fazem você parecer mais
dinâmico e ajudam a reforçar os pontos principais.
Mantendo suas sobrancelhas levantadas, você parecerá mais aberto e honesto. Evite o corpo
fechado, e não apareça com os braços ou as pernas cruzadas. Mantenha as mãos em seu colo,
com as palmas para cima para que você possa facilmente gesticular.
Tanto as mulheres como os homens devem evitar impressões espalhafatosas em blusas,
camisas ou gravatas. Adereços como um livro, cartaz ou foto grande pode somar o interesse.
Certifique-se de olhar para o entrevistador e não para o público ou a câmera, a menos que
você esteja fazendo uma entrevista à distância.

Resumindo: Um library advocate eficaz. . .
•
É informado e articulado.
•
Está disponível a qualquer momento.
•
Não tem medo de falar.
•
Está bem conectado.
•
Conhece a mensagem e público-alvo.
•
Fala com sound bites.
•
Mantém o controle.
•
Conta histórias.

Lidando com os Legisladores
Quer o faça pessoalmente, por e-mail, telefone ou carta, a comunicação é necessária para
manter boas relações com os poderes públicos, e não apenas quando o financiamento da sua
biblioteca está para votação, mas em uma base regular, de forma que o legislador pode
familiarizar-se com questões da biblioteca e tendências. O primeiro passo deve ser um
encontro, se possível pessoal. Manter os legisladores informados sobre as preocupações da
biblioteca, tendências e sucessos é a melhor maneira de transformá-los em torcedores e até
mesmo campeões de bibliotecas. Convide-os a participar na Semana Nacional da Biblioteca e
outros eventos especiais que mostrem os muitos recursos e serviços disponíveis nas
bibliotecas de hoje. Envie cartas ou e-mails para alertá-los sobre as questões da biblioteca que
lhe preocupam. Envie a newsletter da biblioteca e outros materiais publicitários. Mande uma
carta destacando os recursos da biblioteca de especial interesse para um legislador e
expressando seu desejo de estar a sua disposição. Inclua um cartão de visita com o endereço
da biblioteca e o número de telefone, site e e-mail. Certifique-se de agradecer aos legisladores
por seu apoio contínuo.
Embora muitas pessoas se sintam intimidadas ou desconsideradas por terem de competir pelo
tempo e atenção dos legisladores, o lobby ou defesa de uma causa particular é a maneira
americana. Os políticos são pessoas ocupadas, mas são receptivos com as preocupações de
seus eleitores, tanto como uma forma de avaliar a opinião da comunidade e aprendendo sobre
questões com as quais eles podem não estar familiarizados.

�A American Library Association mantém um Gabinete de Relações Governamentais e Escritório
de Política de Informática, em Washington, DC, para ajudar a instruir os legisladores e para
monitorar as questões relacionadas com bibliotecas e acesso à informação, como direitos
autorais informações do governo, e publicações, a censura e a Internet e informação
eletrônica. Para ficar atualizado com as questões nacionais, você pode se inscrever para
ALAWON ALA Washington Instituto boletim eletrônico ou clique no botão “Take Action” em
www.ala.org (ver Recursos de Advocacy mais adiante).

Dicas
•
Comece com os legisladores que você sabe que apoiam as biblioteca. Mantenha-os
informados como sua causa ou legislações estão andando.
•
Reconheça que as autoridades públicas não podem ser especialistas em tudo. Esteja
preparado para fornecer-lhes fontes de informação ou de referência.
•
Atenha-se uma questão. Os tomadores de decisão não querem ouvir uma longa lista
de questões.
•
Faça o seu dever de casa. Descubra o que você puder sobre uma autoridade. Vincular
a mensagem da biblioteca para algo que você sabe que se relaciona com seu especial interesse
ou causa.
•
Desenvolva relações com os parlamentares federais, estaduais e locais. Um número
crescente de questões políticas federais tem um impacto direto sobre as bibliotecas e seus
usuários.
•
Conheça a equipe. Funcionários dos legisladores podem ser muito poderosos. Se
convencidos sobre o problema, eles podem se tornar aliados importantes. Os funcionários
mudam com frequência. Certifique-se de manter sua agenda atualizada. Ofereça-se para
informar aos novos funcionários sobre os assuntos das bibliotecas.
•
Não dê informações erradas. Se você não sabe a resposta ou não tem a informação na
ponta na língua, prometa voltar a falar com o legislador o mais breve possível.
•

Seja pessoal. Comartilhe as suas próprias histórias sobre a sua biblioteca.

•

“Feche o negócio”. Seja direto sobre o que quer e tente obter um compromisso.

Conheça o Seu Legislador
Quanto mais você sabe sobre um legislador ou funcionário, mais eficaz você pode ser na
comunicação da mensagem da biblioteca e garantir um bom resultado de seus esforços de
advocacy.
Alguns legisladores são mais importantes que os outros, porque eles controlam mais votos,
participam de comissões importantes, são membros da estrutura do órgão de poder ou
lideranças ou são considerados especialistas em uma determinada área. Quando decidir quais

�os legisladores que deve abordar, sempre pergunte a si mesmo o que pode fazer ou quebrar
esta peça de legislação.
Os formuladores de políticas que possuem compromissos em comitês críticos devem ser
orientados em primeiro lugar. Afinal, se a sua lei não sai do comitê, ela nunca vai ser votada.
Comitês que muitas vezes consideram questões que afetam as bibliotecas incluem:
•
•
•
•
•
•

Formas e Meios
Dotações
Educação
Assuntos Urbanos
Judicial
Comércio

Criando a Mensagem
Para ser eficaz, a mensagem deve mostrar como a legislação ou política proposta beneficia ou
prejudica os eleitores do legislador. Seja claro sobre o que você está pedindo (votar a favor ou
contra uma determinada medida, persuadir outros membros da comissão para apoiar seu
lado, co-patrocinar um projeto de lei, ou assinar uma carta do tipo “Caros colegas”).

Quem pode ser mais eficaz?
Selecionar a melhor pessoa para entregar a sua mensagem pode fazer a diferença para saber
se você foi bem sucedido. Library advocates inteligentes sabem quais os legisladores mais
influentes em qualquer questão. Eles também sabem os nomes das pessoas que estão em
posição de influenciar o legislador. A pessoa mais importante para qualquer funcionário eleito
é seu eleitor.
Outras pessoas importantes são:
•
Os doadores de campanha
•
Líderes locais civis e empresariais
•
Editores de mídia locais que formam opiniões editoriais e cobertura de notícias
•
Os candidatos potenciais que podem se opor aos legisladores em futuras eleições
•
Indivíduos que tiveram um impacto positivo na sua vida
As bibliotecas têm todo tipo de pessoa imaginável como usuários e apoiadores. Assim como os
políticos classificam a importância de certos grupos constituintes em termos de valor, nós
precisamos fazer o mesmo, a fim de saber quem pode ser o melhor apoiador de nossa causa.

�Conheça a agenda do seu Legislador
Nome do funcionário:
Distrito:
Partido político:
Filosofia política (liberal, conservador, moderado):
Data quando foi eleito pela primeira vez:
Principais patrocinadores (terceira idade, trabalho, negócios, educação, etc):
Principais áreas de preocupação:
Posição em relação às bibliotecas:
Relações da biblioteca (família, amigos, advogados):
Cargos ocupados (presidências das comissões, associações):
Quem deve entregar a mensagem? Como?:
A questão:
A mensagem é: (25 palavras ou menos)
Três pontos-chave:
1
2
3
Isso é importante para seus eleitores porque:
Precisamos de você para: (chamada para a ação)

�Maneiras de se comunicar
Há muitas formas de comunicar-se com os legisladores. Estas incluem:
Visitas pessoais
Uma visita pessoal ao parlamentar é o meio mais eficaz de comunicação. É essencial
estabelecer uma relação confortável trabalhando com seus funcionários eleitos. Agende uma
reunião quando o parlamento não estiver em sessão, deste modo há menos competição por
tempo e atenção do legislador. Ligue para o escritório local para marcar um horário, se
possível na biblioteca, para que você possa destacar o que está acontecendo em sua operação.
Sempre ligue com antecedência para reconfirmar a sua nomeação. (Veja “Dicas para visitas
bem sucedidas” à frente).
Telefonemas
Depois de ter estabelecido uma relação, as chamadas telefônicas são adequadas e fáceis. O
contato regular com o pessoal é possível e desejável. Quando você deve ligar? Telefone para
pedir apoio antes de uma audiência ou votação. Você também pode fazer uma chamada ou
visita anual para manter o legislador e seus funcionários informados sobre tendências e
problemas que vieram à tona durante o ano.
Cartas
As cartas são o combustível que alimenta o processo legislativo. Elas são lidas. Cartas
provocam respostas. Elas representam votos. Cada autor de uma carta representa várias
opiniões para os constituintes menos motivados. As cartas podem ser formais ou informais,
digitadas ou manuscritas. Devem ser redigidas por você, dando razões para a sua posição e
como ela vai fazer a diferença para os eleitores do legislador. Agora é preferível enviar as
cartas por fax aos escritórios do Congresso, em vez de enviá-las pelo correio porque as novas
normas de segurança não asseguram que o serviço de correio dos Estado Unidos as distribua
em tempo hábil.
E-mail
O e-mail é uma boa opção, principalmente para ganhar tempo.
Em geral, a melhor opção é ligar para o escritório do funcionário e perguntar qual o método de
comunicação preferido. É uma boa idéia ligar com antecedência e manter uma lista de nomes
e números úteis para uma ação rápida.

Dicas para correspondências eficazes
Se você quer enviar uma carta ou e-mail, os legisladores querem ouvir de seus eleitores. Uma
carta bem escrita permite que eles saibam que você se importa e pode fornecer dados valiosos
e comentários que ajudem o funcionário tomar uma posição bem fundamentada.
•
Use a forma correta de endereço, (consulte “Formas de Endereço”).
•
Identifique-se. Se você está escrevendo como um membro do conselho de
administração da sua biblioteca, como um bibliotecário da escola, diretor da Associação de
Amigos da faculdade ou administrador, apresente-se assim.

�•
Esclareça porque você está comunicando-se. Deixe saber aos funcionários eleitos que
você acredita que todos os tipos de bibliotecas são fundamentais para a nossa democracia e
que você está contando com eles para se certificar de que todas as bibliotecas públicas,
escolares e acadêmicas tenham fundos e recursos adequados.
•
Seja específico. Cite um número de conta ou outras informações de identificação. Dê
exemplos. Se os cortes no orçamento forçaram sua biblioteca a cortar orçamentos para livros e
revistas ou os estudantes estão se graduando sem a necessária informação literária, diga-o
assim.
•
Escreva com seu coração. Evite clichês. Cartas que parecem que são parte de uma
campanha de pressão organizada não têm tanto impacto quanto uma carta pessoal.
•
Concentre-se nas pessoas que dependem dos serviços da biblioteca. Inclua histórias
reais ou exemplos de como a biblioteca faz a diferença na vida dos eleitores.
•
lida.

Seja breve. A comunicação de uma página é mais fácil de ler e tem mais chances de ser

•
Certifique-se de incluir o seu nome, endereço e número de telefone na carta, não
apenas no envelope. Se a carta é separada do envelope, o legislador pode não saber a quem
responder.
•
Amplie o impacto da sua comunicação, enviando cópias aos vereadores, outros
membros do Congresso e autoridades relevantes em nível estadual e local. Certifique-se de
enviar uma cópia ao coordenador de advocacy de sua biblioteca , o ALA Office for Library
Advocacy e o ALA’s Washington Office se for o caso. Faça-os saber também sobre qualquer
resposta que você receber.
•
Seja estratégico. Conheça os ciclos orçamentários para vários órgãos de governo.
Envie suas cartas com antecedência para maximizar seu impacto. A ALA e associações
estaduais emitirão ações de alerta em questões pontuais.

Formas de Endereço
Certifique-se de endereçar devidamente ao legislador que você está contatando.
United States Executive Branch
The President of the United States
The White House
Washington, DC 20500
Email: president@whitehouse.gov
The Vice President of the United States
Executive Office
Washington, DC 20500
Email: vice.president@whitehouse.govUnidos

�Congresso
Nota: Para os endereços de e-mail, consulte o site do legislador ou o ALA Centro de Ação
Legislativa em www.capwiz.com/ala/home
Senators
The Honorable__________________________
United States Senate
Washington,D.C. 20510
Representatives:
The Honorable__________________________
United States House of Representatives
Washington, DC 20515
State
Governors and Lieutenant Governors
The Honorable__________________________
Governor (Lt. Governor) of the State
State Capital
City/State/ZIP

Dicas para visitas eficazes
Preparação e planejamento são necessários para uma visita bem sucedida ao legislativo. Isso
significa ter a mensagem correta para entregar ao legislador e defensor certo, na hora certa.
Muitas das técnicas descritas no item “Ficando no Controle” podem ser úteis para lidar com o
público. Embora simpáticos, eles ainda podem fazer perguntas difíceis.
•
Mantenha a delegação - bibliotecários, curadores da biblioteca, amigos ou outros
apoiadores - pequena o suficiente para uma fácil troca de pontos de vista. Cada membro da
delegação deve ser, se possível, um eleitor na votação. Designar um porta-voz chefe e decidir
com antecedência quem vai falar quando e o que ele ou ela vão dizer.
•
Seja pontual. Horários dos legisladores são agitados. Se você atrasar, pode perder sua
janela de oportunidade.
•

Certifique-se de dar exemplos e contar histórias da biblioteca do distrito do legislador.

•
Vista-se confortável e profissionalmente. Pode ser um longo dia de visitas, mas você
precisa estar pronto para cada contato.
•
Seja positivo. A maioria dos legisladores e seus funcionários são comprometidos,
conscientes servidores públicos, se eles concordam com você sobre uma causa particular. Não
transmita atitudes negativas sobre outros funcionários do governo, o processo político ou
outros tipos de bibliotecas.
•
Conheça a sua mensagem. Consulte a biblioteca local e as necessidades dos eleitores.
Uma conversa informal é boa, mas não se deixe distrair para falar sobre o tempo ou
conhecimentos mútuos. Mantenha-se focado.
•

Seja assertivo, mas educado. Pergunte, não ameace ou exija. Pareça sempre grato.

�•
Mantenha a calma, não importa o que aconteça. Se um legislador faz uma pergunta
difícil, que não é relevante para a questão legislativa a ser discutida, tente dizer: "Esta é uma
questão importante. Eu poderia rapidamente falar sobre esse projeto de lei e, em seguida,
voltar para a sua pergunta, porque nós realmente gostaríamos de obter a sua perspectiva". A
maioria dos legisladores aceita esta abordagem. Se ele ou ela insiste em técnicas de processo,
pratique para lidar com perguntas difíceis ou hostis.
•
Não desanime. Se o legislador é requisitado ou não está disponível e você acaba de
terminar uma reunião com um membro da equipe, aproveite a oportunidade para conhecê-lo
melhor. Os funcionários muitas vezes determinam como um legislador votará em uma
determinada lei, então passe sua mensagem para eles.
•
Seja grato. Expresse seu agradecimento pelo apoio recebido, bem como peça ajuda
para os problemas atuais.
•
Não ultrapasse os limites. Fique na sua mensagem e responda de forma sucinta as
perguntas. Não esqueça de deixar seu cartão de visita e uma declaração coletiva concisa.
•
Acompanhe com uma carta de agradecimento que reitere os pontos importantes
relacionados ao tema. Se for o caso, informe a ALA Washington Office ou à associação estadual
de sua biblioteca o resultado de sua visita e se eles também precisam comunicar-se com esse
legislador.

Quando é a melhor hora de falar?
Como acontece com a maioria das coisas, tempo é tudo. Para ser eficaz, você deve
familiarizar-se com os vários estágios do processo legislativo, o que pode ser demorado.

Programa da Agenda de Ação junto aos Legisladores
De seis a oito meses antes das Sessões:

•
•
•
•
•
•

Reunir-se em seu distrito.
Compilar dados locais pertinentes.
Oferecer linguagem modelo / legislação concisa.
Treinar os defensores.
Convidar potenciais apoiadores da biblioteca.
Identificar aliados e colaboradores.

Quando a Sessão ou ciclo do Orçamento Começa:
•
Procurar as disposições da biblioteca na legislação proposta.
•
Lobby para alterar ou excluir linguagem inaceitável e conceitos.
•
Visitar gabinetes legislativos quando você precisar fornecer informações ou instruir.
•
Monitorar a legislação de bibliotecas e manter os defensores informados.
•
Saber quando comitês específicos estão reunindo- se e tempo para a visita dos
defensores e de meios de divulgação, (por exemplo, op-eds, reuniões do conselho editorial,
cartas ao editor) em conformidade.
•
O presidente geralmente submete a sua proposta de orçamento federal para o
Congresso no início de fevereiro. Assista ALAWON para atualizações e ações necessárias.
Ao Longo da Sessão:
•
Indicar as suas preferências sobre a legislação que lhe preocupa.
•
Aprenda com seus erros e ajuste a sua estratégia.

�•

Peça retorno.

Após o Término da Sessão:
•
Participar da captação de recursos.
•
Agradecer aos legisladores que se encontraram ou comunicaram com você.
•
Convidar os parlamentares para visitar a biblioteca.
•
Dar prêmios de reconhecimento e prepare-se para o momento da reeleição.
Antes da Hora da Reeleição
•
Identificar os legisladores e formuladores de políticas que apoiaram você.
•
Convidar os candidatos para a biblioteca para atender funcionários, usuários e
defensores.
•
Organizar e divulgar a agenda biblioteca.
•
Estimular os candidatos a incluir bibliotecas em sua "plataforma".
•
Cultivar relacionamentos estratégicos com os políticos e eleitores.
Durante as eleições primárias e gerais:
•
Trabalhar nos bastidores.
•
Concentre-se nos comitês mais úteis e conheça os interesses dos seus membros e
prioridades.
•
Mantenha contato permanente informal como os funcionários públicos.
•
Continuamente apresentar-se e identificar seus problemas.

Resumindo, um Library Advocate Legislativo eficaz:
•
Mantém contato com os legisladores.
•
Sabe como moldar a mensagem para os legisladores.
•
Sabe que pode chegar aos que decidem.
•
Compreende a importância do momento.
•
Grava comunicações eficazes.
•
Informa e instrui.
•
Sempre agradece.

�Checklist dos Library Advocates
A seguir destacamos diversas maneiras para você poder apoiar a sua biblioteca. Como um
membro do pessoal da biblioteca, como um amigo, como um administrador de biblioteca,
professor ou administrador, cada dia é uma oportunidade para confirmar e comunicar o quão
importante é a sua biblioteca para toda a comunidade, escola ou campus.
Falar, falar, falar! Olhe ao seu redor.Há pessoas em todos os lugares que poderiam usar a sua
biblioteca, e que não sabem sobre os recursos valiosos que estão apenas esperando por elas.
Na mercearia, na união dos estudantes, no banco, na Associação de Pais e Professores ou
reuniões de pessoal, nos Correios, em dormitórios, enquanto você da uma caminhada com o
seu cão, converse com as pessoas e diga-lhes por que você ama e valoriza a biblioteca. Ajudeos a ver o que eles poderiam aprender lá, e como eles podem ajudar a reforçar o apoio para
esta pedra angular de sua comunidade, do campus ou da escola. Não é preciso ter muito mais
do que uma conversa amigável para você ser um herói para sua biblioteca!
Mantenha-se informado. Mantenha-se atualizado sobre a atividade estadual e nacional.
Contacte o ALA Office for Library Advocacy e visite o Centro de Recursos de Advocacy em
www.ala.org/issues&amp;advocacy para ver os últimos recursos, publicações e informações sobre a
advocacy de bibliotecas, bem como se inscreva em listas de discussão de advocacy. Contacte a
sua associação estadual para obter informações sobre questões importantes que afetam o seu
estado. (Você pode ligar para o seu estado através do Centro de Recursos de Advocacy).
Conheça seus representantes (e seus funcionários). Você já os elegeu, mas como você pode
levá-los a ajudar a sua causa? Conhecê-los primeiro, a eles e suas equipes. Visite os sites de
seus representantes para aprender os seus problemas e prioridades. Convide-os para as suas
bibliotecas e deixe-os ver em primeira mão o quão importante é a sua biblioteca para a
comunidade e para a excelência acadêmica. Deixe-os saber que você precisa deles para apoiar
todo tipo de bibliotecas, e políticas favoráveis as bibliotecas e descreva formas específicas nas
quais podem envolver-se. Você pode agendar uma reunião ligando para o escritório de seu
legislador, ou melhor ainda, convide seus representantes para visitar a biblioteca para um
evento especial que você planejou. Deixe-os ver como os seus constituintes estão usando os
serviços valiosos fornecidos pela biblioteca, e você vai ganhar um aliado importante.
Trabalhar na impressão do boletim (newsletter) de sua biblioteca ou online. Muitas
bibliotecas têm agora um boletim periódico para usuários, alunos e professores. Ofereça-se
para escrever uma coluna de advocacy no boletim, destacando as maneiras que os usuários e
library advocates podem ajudar a biblioteca: participando de uma campanha de cartas,
voluntariado-se em eventos, chamando seus legisladores, ou outros meios. Coletar todas as
informações valiosas em um lugar ajuda as partes interessadas a escolher entre as muitas
maneiras de ajudar.
Faça e distribua folhetos.
Informações importantes sobre a biblioteca, seus serviços e necessidades podem ser
distribuídas por escrito para as pessoas lerem e mais tarde passar para outras. Se você tem
habilidades de editoração eletrônica, ou conhece alguém que tenha, trabalhe para construir
materiais escritos que podem ser repassados para os outros. Estes podem incluir horários e
serviços da biblioteca, uma lista de coisas que a biblioteca necessita, informações sobre os
próximos eventos, ou qualquer outra informação pertinente da biblioteca. Essas idéias devem
ser colocadas no boletim dos gestores da biblioteca para que todos o leiam. A ALA oferece
uma riqueza de materiais para ajudar você a começar através do “@your library”, a Campanha

�de Bibliotecas da América. Visite: www.ala.org /@yourlibrary e clique em PR Ferramentas e
Recursos PR.
Planeje um evento na biblioteca. Qualquer evento durante o ano é uma oportunidade para
mostrar a sua biblioteca. Criar um evento ou promoção que irá receber os seus amigos,
curadores ou outros voluntários envolvidos. Você pode hospedar o evento na biblioteca ou em
um centro comercial local, feira do município, parque, ou em qualquer local do campus e
convidar a imprensa a participar. Visite www.ala.org/pio e clique em iniciativas para obter
informações sobre iniciativas comemorando em todo o país, incluindo: Semanas dos Livros
Proibidos; Cartão de inscrição mensal da Biblioteca; Semana de leitura dos Jovens e Semana
Nacional da Biblioteca. Sempre convide funcionários eleitos para seus eventos!
Você tem o seu exército integrado de library advocates. Use-os! Muitas pessoas que
trabalham em bibliotecas esquecem que eles têm um exército integrado: o pessoal da
biblioteca. Do diretor de biblioteca até os guardas, ninguém conhece e aprecia o
funcionamento interno de sua biblioteca mais do que eles. Ensine-lhes as noções básicas de
advocacy para as bibliotecas, compartilhe os recursos que a ALA tem para oferecer e
mantenha-os a par dos acontecimentos atuais.
Lobby. Assista ao Dia da Biblioteca Estadual e, se possível, ao Dia Nacional Biblioteca
Legislativa da ALA. Traga amigos, curadores e outros apoiadores. Para saber mais sobre
questões federais, visite o Centro de Recursos de Advocacy da ALA
www.ala.org/issues&amp;advocacy. Clique em "Agir" para entrar em contato com seu legislador.
Para saber mais sobre as questões de estado, visite o site de sua associação estadual de sua
biblioteca.
Ofereçam passeios na Internet. Para aqueles sem um computador em casa, a biblioteca é o
número em termos de acesso à internet. Sua biblioteca pode ser a janela para a internet para
muitas pessoas em sua comunidade. Ofereça-se para mostrar aos usuários como usá-la, e
caminhar com eles por meio de políticas de sua biblioteca na Internet. Você pode até convidar
políticos locais e líderes comunitários para um evento de orientação em toda a comunidade
Internet, e mostrar-lhes como a biblioteca oferece a todos o acesso igual à tecnologia.
Atinja a imprensa. Fale publicamente sobre o valor específico em sua biblioteca. Você é bom
para falar em público? Ligue para o seu talk show local ou rádio do campus, ou programa de
notícias da TV. Gosta de escrever? Escreva uma carta para o editor ou um artigo de opinião
para o jornal local, ou peça aos alunos e professores para escrever editoriais para o jornal do
campus. No entanto, ao entrar em contato com a imprensa local ou do campus, certifique-se
que você desenvolveu suas mensagens-chave e antecipe as perguntas difíceis com
antecedência; tenha em mãos estatísticas e informações que você pode expor no local. Para
construir sua visita consulte: www.ala.org/issues&amp;advocacy e clique em Ferramentas e
Publicações.

�Seja embaixador de sua biblioteca para a comunidade pública ou acadêmica.
Apareça em sua comunidade e faça aparições públicas para defender a sua biblioteca. Visite
seus clubes Lions ou Rotary Club, reuniões de estudantes e professores, reuniões de pais nas
escolas do bairro, reuniões de sindicatos e grupos de vigilância de bairro, onde quer que as
pessoas se reúnam. Ofereça-se para falar sobre o que a biblioteca oferece, e quantas pessoas
são atendidas lá. Pinte um retrato de sua escola e comunidade sem esse maravilhoso recurso
e, em seguida, recrute a ajuda desses grupos poderosos no apoio às pessoas e edifícios por
trás da biblioteca!
Construa a sua rede. Você é um poderoso agente de mudança no seu próprio país, mas
envolvendo mais pessoas faz com que sua mensagem seja ainda mais forte. O
desenvolvimento de uma rede de advocacy em sua comunidade ou no campus é uma ótima
maneira de somar vozes ao coro de apoio. Quando você encontrar pessoas que estão
dispostas e capazes de ajudar, mantenha o controle de suas informações de contato e
disponibilidade. Inicie uma “árvore de telefones” ou uma lista de e-mails para manter contato
com todos para que quando surgir um problema, você saiba exatamente quem contatar para
obter a palavra de ajuda.
Adicione a sua idéia aqui. Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Quando você
avançar em seus esforços de advocacy, por favor, faça a ALA saber sobre os seus sucessos e
novas idéias. Envie um e-mail para advocacy@ala.org para compartilhar suas experiências e
dicas. Suas novas idéias e energia vão fazer a library advocacy avançar!

�Recursos disponíveis da ALA
Eventos
Dia Nacional da Biblioteca Legislativa. Apoiadores da biblioteca de todo o país se reúnem na
capital toda primavera em Washington, DC Para mais informações, visite:
www.ala.org/nationallegday

On-line
Centro de Recursos de Advocacy da ALA
Receba as últimas notícias sobre o financiamento da biblioteca, estatísticas para ajudá-lo a
defender a bibliotecas, recursos e materiais, bem como links para iniciativas de advocacy em
toda a ALA: www.ala.org/issues&amp;advocacy

Centro de Ação Legislativa da ALA
Confira esta página web abrangente para atualizações sobre biblioteca atual e questões de
informação, alertas, informações de contato e links para os membros do Congresso:
www.ala.org/takeaction
Lista de Discussão de Advocacy para Bibliotecas
Compartilhe idéias, atualidades e histórias sobre a advocacy da biblioteca em via Advocacy da
Biblioteca Agora! Lista de discussão eletrônica. Para se inscrever, acesse http://lists.ala.org
.Clique em Login. (Pela primeira vez os usuários terão de obter uma senha.) Ver todas as listas.
Clique em ALADWON e Assine.
Washington Newsline (ALAWON)
Boletim on-line a partir do Escritório de Washington ALA com atualizações e alertas sobre a
legislação federal e as políticas sobre bibliotecas e questões de informação. Para se inscrever,
acesse http://lists.ala.org Clique em Login. (Pela primeira vez os usuários terão de obter uma
senha.) Ver todas as listas. Clique em ALADWON e Assine.
ilovelibraries.org
Site da ALA para os artigos públicos, as características de interesse para o público em geral,
além de resenhas de livros e muito mais. Ele conta a história da biblioteca 24/7 e dessa forma
serve como uma ferramenta de defesa para aqueles na comunidade de bibliotecas. Visite
www.ilovelibraries.org e inscreva-se para a e-newsletter.
ALA Gráficos
Cartazes coloridos, marcadores, alfinetes e outros itens promocionais promoção de bibliotecas
e de alfabetização podem ser comprados a partir do Catálogo Gráficos ALA ou a partir da loja
online ALA em: www.alastore.ala.org Produtos adquiridos de ALA Gráficos apoiam o trabalho
da ALA. Para solicitar um catálogo gratuito, ligue para 800.545.2433 e aperte o 7

�Publicações
Bibliotecas e kit de ferramentas de Internet
Dicas e orientações para o desenvolvimento de políticas e comunicação da Internet. Contatar o
Gabinete de ALA para a Advocacy da Biblioteca. Disponível online em:
www.ala.org/issues&amp;advocacy
Fatos Citáveis sobre Bibliotecas da América
Dê estes cartões de bolso para curadores, amigos e advogados para citar a anúncio do
momento. Imprimir cópias disponíveis em embalagens de 100 para US $ 25, ou fazer o
download gratuitamente em: www.ala.org/issues&amp;advocacy (clique em Ferramentas e
Publicações).
Treinamentos
Institutos de Advocacy e Treinamentos
As oficinas estão sendo disponibilizadas para grupos da biblioteca local, regional e estadual
sem custo ou mínimo (para viagens). Tópicos incluem dicas e técnicas para a construção de
uma rede de advocacy, sendo um porta-voz da biblioteca eficaz e lidar com os legisladores e os
meios de comunicação. Os programas podem ser estruturados para se concentrar em
informação sobre alfabetização, a Internet e advocacy legislativa ou para públicos especiais
(por exemplo, administradores, Amigos da Biblioteca). Contatar o Gabinete de ALA para a
Advocacy da Biblioteca.

Contatos
ALA Office for Library Advocacy

50 East Huron Street
Chicago, Illinois 60611
Telefone: 800.545.2433, ext. 2431
Fax: 312.280.3255
Email: advocacy@ala.org
www.ala.org/issues&amp;advocacy
ALA Public Information Office

50 East Huron Street
Chicago, Illinois 60611
Telefone: 800.545.2433, ext. 5041
Fax: 312.280.5274
Email: pio@ala.org
www.ala.org / pio
ALA Washington Office

1615 New Hampshire Avenue NW
Primeiro Andar
Washington, DC 20009-2520
Telefone: 800.941.8478
Fax: 202.628.8419

�Email: alawash@alawash.org - www.ala.org / washoff
Associations for Libraries Trustees and Advocates

50 East Huron Street
Chicago, Illinois 60611
Telefone: 312.280.2160
Fax: 312 280.3257
Email: alta@ala.org
www.ala.org / alta
Esta publicação foi possível graças à Library Champions, o mais alto nível dos membros
corporativos da ALA, que apoiam a consciência pública e da defesa para Bibliotecas da
América: www.ala.org/librarychampions
Para saber mais, entre em contato com o Escritório de Desenvolvimento ALA em
1.800.545.2433 ou por e-mail: development@ala.org

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="1">
          <name>Text</name>
          <description>Any textual data included in the document</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="70148">
              <text>Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca&#13;
3 ª Edição © 2008&#13;
American Library Association&#13;
Office for Library Advocacy&#13;
50 East Huron Street&#13;
Chicago, Illinois 60611&#13;
Telefone: 800.545.2433, ext. 2431&#13;
Fax: 312.280.3255&#13;
Email: advocacy@ala.org&#13;
www.ala.org/issues&amp;advocacy</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="7">
          <name>Original Format</name>
          <description>The type of object, such as painting, sculpture, paper, photo, and additional data</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="70149">
              <text>Eletrônico</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70135">
                <text>Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70136">
                <text>Advocacy&#13;
Bibliotecas</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70137">
                <text>A tecnologia tem mudado muito a forma de como a maioria de nós acessamos a informação, e tem reforçado os serviços de informação da biblioteca. Isso levantou também algumas questões inquietantes.&#13;
Os defensores da Biblioteca têm um papel fundamental a desempenhar para responder a essas perguntas. Nas entidades de classe, escolas, nas universidades, nos bairros e no Congresso dos Estados Unidos, os defensores da biblioteca são as vozes das bibliotecas dos Estados Unidos.&#13;
Os treinamentos em Advocacy da American Library Association, incluindo o Library Advocacy Now! (Em Defesa das Bibliotecas Agora!) e os Institutos de Advocacy, estão projetados para apoiar os bibliotecários, o pessoal das bibliotecas, e os defensores da biblioteca estão enviando mensagens das bibliotecas para os legisladores, a mídia, o campus, a comunidade e funcionários das escolas que formam a opinião pública e controlam o apoio para os serviços das bibliotecas.&#13;
O Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca abrange técnicas básicas que funcionam, se você está procurando levantar um financiamento, fazendo campanha para um novo edifício ou lidando com a controvérsia sobre as redes sociais ou a Lei Patriótica dos EUA.&#13;
Usado em conjunto com o treinamento no Estado, em eventos de bibliotecas regionais e nacionais, o Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca atingiu milhares de pessoas, permitindo-lhes aumentar a conscientização pública e apoio para os serviços das biblioteca.&#13;
Mas nossos esforços estão longe de acabar. Na era da informação, os library advocates continuarão a ter um papel crucial a desempenhar na educação de nossas comunidades, sobre por que as bibliotecas e os bibliotecários são essenciais em uma sociedade da informação. Para serem eficazes, eles devem falar alto, claramente e com uma só voz. A democracia necessita de bibliotecas. E as bibliotecas precisam de defensores.&#13;
&#13;
SUMÁRIO:&#13;
4 Introdução &#13;
5 Quem são as pessoas que advogam pela biblioteca? &#13;
6 Construindo uma Rede de Advocacy para as Bibliotecas &#13;
9 O Plano de Ação &#13;
9 Organizado-se &#13;
10 Transmitindo mensagem &#13;
17 Desenvolvendo sua planilha do Plano de Ação &#13;
18 Falando Claramente &#13;
18 Contando histórias da biblioteca &#13;
19 Falando com sucesso &#13;
20 Checklist de Palestrantes &#13;
21 Lidando com a mídia &#13;
22 Ficando no controle &#13;
24 Como lidar com perguntas difíceis &#13;
25 Lidando com más notícias &#13;
26 Meios de comunicação &#13;
27 Lidando com os legisladores &#13;
28 Conheça o seu legislador &#13;
29 Criando a mensagem &#13;
29 Quem pode ser mais eficaz? &#13;
30 Conheça a agenda de seu Legislador &#13;
31 Maneiras de comunicar &#13;
31 Dicas para correspondências eficazes &#13;
33 Dicas para visitas eficazes &#13;
34 Qual é a melhor hora de falar? &#13;
34 Programa da Agenda de Ações junto aos Legisladores &#13;
36 Checklist dos Defensores da Biblioteca &#13;
39 Recursos disponíveis da ALA </text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70138">
                <text>American Library Association. Office for Library Advocacy</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70139">
                <text>Marci Merola</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70140">
                <text>2012</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70141">
                <text>Traduzido pela FEBAB - Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições&#13;
Carol A. Brey-Casiano&#13;
Andy Bridges&#13;
Susan J. Schmidt&#13;
Patricia Glass Schuman&#13;
</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70142">
                <text>American Library Association - Office for Library Advocacy</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70143">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70144">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70145">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70146">
                <text>http://www.ala.org/issues&amp;advocacy</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70147">
                <text>Brasil</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="24">
        <name>Advocavy</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
      <tag tagId="49">
        <name>Tradução</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6996" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="6058">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/2/6996/advocacy.pdf</src>
        <authentication>61eba56bd30a4819841d380479ab3b1f</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="77975">
                    <text>�2

�Quando nos deparamos em 2019 com a iniciativa do “Advocacy de 10 minutos da biblioteca”
da Federação Internacional de Bibliotecas (IFLA) tivemos o desejo de disseminá-la entre as
equipes de bibliotecas do Brasil. Isso porque desde 2012, esse é um tema importante e então
promovemos em iniciativa conjunta entre a FEBAB e SP Leituras, um curso presencial
sobre “advocacy” com Marci Merola da Associação Americana de Bibliotecários (ALA) na
Biblioteca de São Paulo.
Naquele momento o termo “advocacy” era desconhecido pela área de bibliotecas e para
contribuirmos nesta discussão traduzimos o “Manual das pessoas que advogam pela
biblioteca”(*) de autoria da Associação de Bibliotecários Americana (ALA) e alinhamos
várias ações para a promoção dos conceitos, visando estimular o engajamento das bibliotecas.
Nossa intenção era sensibilizar as equipes para a preparação de planos locais de advocacy,
sintonizados com as associações filiadas à FEBAB e com os Sistemas Estaduais de Bibliotecas
Públicas.
Mas somente em 2021 é que conseguimos estabelecer uma nova parceria para traduzir e
adaptar “o advocacy de 10 minutos da biblioteca” que, da mesma forma como lançado pela
IFLA, idealizamos uma campanha de promoção de postagens com os conteúdos veiculados
nas redes sociais da FEBAB e Sistema Estadual de Bibliotecas do Estado de São Paulo –
SISEB.
Ao final da campanha decidimos compilar todas as dicas e transformá-las neste livro de modo
a facilitar o uso pelas equipes bibliotecárias e contribuir para termos mais materiais sobre o
tema aplicado às bibliotecas. Então é com muita emoção que laçamos esse livro esperando
que ele alcance ainda mais pessoas.
Essa iniciativa não se esgota aqui, a partir desse livro queremos promover oficinas para
ampliarmos a corrente em defesa das bibliotecas brasileiras.
Assim, convidamos você a ler ou reler esse conteúdo e se engajar , lembrando que ninguém
está só nesta “missão” . É importante se juntar às redes, sistemas estaduais e, claro, ao
movimento associativo nacional.
Então, vamos começar? Seja você também um(a) ativista pelas bibliotecas!
Boa leitura!
Adriana Cybele Ferrari
Coordenadora do Grupo de Trabalho em Bibliotecas Públicas e Vice Presidenta da Federação
Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições – FEBAB
Jorge Moisés Kroll do Prado
Presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições – FEBAB
(*) American Library Association. Office for Library Advocacy, “Manual das Pessoas que Advogam pela
Biblioteca”. http://repositorio.febab.org.br/items/show/6168.

3

�Copyright © Federação Internacional de Associações e Instituições
Bibliotecárias (IFLA)
Todos os direitos reservados. Não é permitida a reprodução total ou parcial
desta edição - em qualquer meio ou forma - sem a expressa autorização.
Tradução e adaptação das postagens The 10 Minute Library Advocate, do
blog Library Policy and Advocacy da International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA).
Capa e diagramação de ebook: Henrique Morais

Catalogação na fonte
Ficha catalográfica elaborada pela SP Leituras
F293
O advocacy de 10 minutos da biblioteca / Federação Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias (IFLA) ; organizado por SP Leituras ; tradução por One
Translations; revisado e adaptado por SP Leituras e Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições - São Paulo : Secretaria de Cultura e
Economia Criativa do Estado de São Paulo, 2023.
ePub
4.750 kbytes
ISBN 978-65-89169-30-7
1. Advocacy 2. Biblioteca 3. Federação Internacional de Associações e Instituições
Bibliotecárias (IFLA) I. Federação Internacional de Associações e Instituições
Bibliotecárias (IFLA). II. SP Leituras. III. Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições.
CDD-020
Índices para o catálogo sistemático 1. Biblioteca e ciência da informação 020 2. Bibliotecas
Públicas 027

2023
Todos os direitos desta edição reservados à SP Leituras

4

�SUMÁRIO
#1 Apresentando............................................................................................................07
#2 Formas de pensar.....................................................................................................09
#3 Ambiente virtual.......................................................................................................10
#4 Os números contam..................................................................................................11
#5 Ferramentas poderosas.............................................................................................12
#6 Respostas às necessidades........................................................................................13
#7 Decisão de impacto..................................................................................................14
#8 Olhar para o futuro...................................................................................................15
#9 Sintonia com a comunidade.....................................................................................16
#10 O poder da imagem................................................................................................17
#11 Ambiente digital.....................................................................................................18
#12 Direitos autorais.....................................................................................................19
#13 Importância do diálogo..........................................................................................21
#14 Imprensa e Biblioteca............................................................................................22
#15 Valorize a objetividade...........................................................................................23
#16 Escolha suas prioridades........................................................................................24
#17 Frases de impacto...................................................................................................25
#18 Encontre seu público..............................................................................................26
#19 Participe do debate.................................................................................................27
#20 Fortaleça suas parcerias.........................................................................................28
#21 Teste seus argumentos............................................................................................29
#22 Ferramenta poderosa..............................................................................................30
#23 Amplie seu contexto...............................................................................................31
#24 Personalize a mensagem........................................................................................32
#25 Comunique sua paixão...........................................................................................33

5

�#26 Atenção às oportunidades......................................................................................34
#27 Fortaleça sua presença...........................................................................................35
#28 Use datas comemorativas.......................................................................................36
#29 Foque na comunidade............................................................................................37
#30 Seja objetivo...........................................................................................................38
#31 Registre seu progresso...........................................................................................39
#32 Invista na colaboração............................................................................................40
#33 Deixe sua marca.....................................................................................................41
#34 Aprenda com seus erros.........................................................................................42
#35 Clareza na mensagem............................................................................................43
#36 Divulgue sua atuação.............................................................................................44
#37 Crie conexões.........................................................................................................45
#38 Mostre o que está fazendo......................................................................................46
#39 Forma e conteúdo...................................................................................................47
#40 Desperte empatia....................................................................................................48
#41 Abra canais de contato...........................................................................................49
#42 Vença a resistência.................................................................................................50
#43 Fortaleça os apoios.................................................................................................51
#44 Estruture seu trabalho............................................................................................52
#45 Seja memorável......................................................................................................53
#46 Estabeleça metas....................................................................................................54
#47 Torne-se mais convincente.....................................................................................55
#48 Continue sendo notado...........................................................................................56
#49 Construa seu apoio.................................................................................................57
#50 Pense, planeje, faça!...............................................................................................58

6

�Bibliotecas não existem no vácuo – elas estão lá para servir.
Ao proporcionar acesso ao conhecimento, bem como um espaço público aberto e
acolhedor, elas ajudam as pessoas a se ajudarem.
Mas também dependem do apoio externo. Isso não é só sobre políticos, funcionários
ou sobre a alta gerência, que tomam decisões sobre leis, contratações ou orçamentos. É
também sobre aqueles que influenciam os tomadores de decisão sobre a opinião pública.
Para prosperar, bibliotecas e bibliotecários precisam trabalhar para moldar o ambiente
ao seu redor e construir uma comunidade que não tenha apenas simpatia pela biblioteca,
mas esteja pronta para agir por ela.
E a melhor forma de fazer isso é realizar o advocacy1.
O advocacy é para você!
Muitas vezes, o advocacy é visto como algo para poucos, para a alta gerência, para
os extrovertidos. No entanto, como o Resumo da Visão Global da IFLA destaca, todo
bibliotecário deveria fazer advocacy.
Isso não significa que todo bibliotecário deveria tentar organizar uma reunião com o
prefeito, ou dar uma entrevista à TV. Há muitas maneiras diferentes de se envolver com o
advocacy.
Também não requer necessariamente que você faça um curso, ou receba outro
treinamento, mesmo que isso certamente faça diferença. Há muitas coisas que você pode
fazer –mesmo em dez minutos– para pensar e agir como realizar o advocacy pela biblioteca.
E é para isso que esta série serve. Todas as semanas, apresentaremos uma ideia de
atividade que contribuirá para fortalecer o advocacy pelas bibliotecas.
Nem todas serão adequadas a todas as situações, ou para todas as personalidades.
Algumas serão sobre planejamento, pensamento, preparação de argumentos. Outras serão
7

�práticas, e te colocarão em contato direto com usuários e outras pessoas. Você não será
capaz de fazer tudo, mas nós certamente esperamos que todos possam fazer algumas delas.
Cada ideia vai incluir uma breve descrição e, muitas vezes, sugestões de lugares que
você pode buscar se quiser (e puder) ir mais fundo. E, claro, encorajamos qualquer pessoa
interessada a encontrar oportunidades para aprender mais sobre advocacy e se envolver
mais com o assunto.
Esperamos que você esteja ansioso para começar. Se você usar dez minutos, dez horas,
ou dez dias, estará apoiando o futuro das nossas instituições e da nossa área.
[1] Advocacy – Ainda não há um termo correspondente direto em língua portuguesa. Seu
significado pode ser traduzido como defesa e/ou engajamento ativo em relação a uma
causa ou proposta. Advocacy envolve ação, isto é, identificar, adotar e promover uma
causa no âmbito da sociedade como um todo. Tem como objetivo “chamar a atenção do
público
e de seus representantes para um assunto com o qual é necessário lidar”.
Fontes: Manual das Pessoas que Advogam pelas Bibliotecas, da American
Library Association (http://siseb.sp.gov.br/wpcontent/
uploads/2017/01/Manual-das-pessoas-que-advogam-pelasbibliotecas.
pdf) e Notas de Biblioteca 7 – Bibliotecas públicas e seus
desafios para a construção de uma sociedade leitora: Diálogos do 6º
Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias
(http://siseb.sp.gov.br/arqs/Notas_7_web.pdf).

8

�Pense em cinco palavras que usuários e usuárias utilizariam
para descrever a biblioteca onde você atua.
Realizar o advocacy tem tudo a ver com mudar a forma de pensar.
Você precisa que as pessoas que tomam decisões sobre sua biblioteca – e as pessoas que as
influenciam– entendam e apoiem o que você faz, e estejam prontas para agir em interesse
das bibliotecas.
É claro que falar sobre mudança implica em ter um ponto de partida. O que você acha
que as pessoas diriam sobre sua biblioteca se você as questionasse agora?
Então, nosso segundo exercício é escrever cinco palavras que sua comunidade usaria
para descrever a biblioteca. Coloque-se no lugar deles e delas e tente pensar realisticamente:
o que diriam?
Só podemos melhorar se soubermos o que há de errado. Portanto, nesse exercício você
também deve ser crítico / crítica! Inclua palavras positivas e negativas.
Entender do que as pessoas gostam lhe dará ideia das fortalezas da sua atuação.
Compreender do que elas não gostam tanto te ajudará a pensar sobre quais pontos é
necessário trabalhar para mudar essa percepção.

9

�Verifique como sua biblioteca aparece on-line.
Um advocacy bem-sucedido começa com a construção de percepções positivas.
Como foi discutido no último exercício, é importante saber o que usuários e usuárias
pensam sobre a biblioteca onde você atua. O mesmo se aplica a não usuários, que podem,
naturalmente, incluir pessoas com cargos políticos, da gestão governamental e outros
tomadores de decisão.
Uma das principais coisas que moldam a forma como sua biblioteca é percebida, é a
aparência que ela tem no ambiente virtual. É cada vez mais normal que usuários, usuárias
e demais interessados procurem informações sobre a biblioteca na internet antes de visitála.
O que encontram lá molda suas opiniões e pode fazer diferença na decisão de realizar
uma visita ou não. Informações erradas, especialmente sobre horários de funcionamento,
serviços e programação cultural, podem gerar decepção.
É óbvio que a construção de um site ou mesmo de um bom perfil nas redes sociais leva
mais do que 10 minutos, mas ao buscar por sua biblioteca através de uma ferramenta de
pesquisa, você pode ter uma ideia do que as pessoas estão vendo.
Então, nosso terceiro exercício é procurar virtualmente por sua biblioteca e anotar
quais sites a mencionam e o que dizem sobre a equipe, os serviços e os programas.
Você pode entrar em contato com páginas que tenham informações desatualizadas, para
corrigi-las. Também pode pensar sobre quais sites deveriam mencionar sua biblioteca,
mas não estão.

10

�Aprenda algumas estatísticas importantes sobre bibliotecas.
Os números contam.
Quando estiver fazendo advocacy para sua biblioteca, ou bibliotecas em geral, sua
mensagem deve buscar tocar o coração, bem como levar a pessoa com que você está
dialogando a refletir.
Estar preparado / preparada para fornecer números também vai lhe dar mais credibilidade
e, assim, tornar seus argumentos mais poderosos.
Você deve ser inteligente quanto às estatísticas que usa.
Certamente, as melhores são os medidores de impacto da biblioteca.
Quantas pessoas encontraram emprego, melhoraram suas notas, ou aprenderam uma nova
habilidade graças à biblioteca?
Mas as mais simples também podem ser úteis – quantas pessoas visitam bibliotecas,
quantos livros são emprestados?
Então, nosso quarto exercício é este: escreva três estatísticas poderosas sobre sua
biblioteca, ou bibliotecas de sua região ou país, e memorize.
Se precisar de ajuda, você pode olhar o que estiver disponível no Mapa Mundial de
Bibliotecas e aprender sobre algumas delas. Boa sorte!
Há muitas coisas que você pode fazer –mesmo em dez minutos– para
pensar e agir como realizar o advocacy pela biblioteca.

11

�Pense em três coisas que sua biblioteca faz que melhoram a vida
das pessoas.
Políticos e publicitários sabem que a promessa de uma vida melhor é uma das
ferramentas mais poderosas para chamar a atenção das pessoas e fazê-las mudar de ideia.
As bibliotecas oferecem isso, mas nem sempre deixam isso claro de maneira
convincente. Para fazer um bom advocacy, você precisa ser capaz de dizer rapidamente e
claramente como as bibliotecas fazem diferença na vida diária das pessoas.
Um primeiro passo fundamental é organizar seus próprios argumentos.
Então, pegue um pedaço de papel (ou seu celular, ou computador), e pense em três
coisas diferentes que sua biblioteca faz que beneficiam pessoas comuns. Certifique-se
de que sejam coisas que realmente importam para os indivíduos. Pense: o que torna sua
biblioteca especial ou útil para eles?
Depois de escrever suas ideias, lembre-se delas! Se quiser, você pode
testá-las com um amigo ou colega, ou compartilhá-las nas redes sociais
usando a hashtag #TodoBibliotecárioFazAdovacy.

12

�Pense em três coisas com as quais sua comunidade se preocupa.
As bibliotecas sempre tiveram a missão de responder às necessidades de seus usuários
e suas usuárias.
No entanto, para ganhar o apoio de sua comunidade, é importante deixar evidente que
você se importa com as coisas que têm valor e significado para eles e para elas.
Essa é uma lição que alguns políticos entendem há muito tempo. As pessoas votarão
em candidatos e candidatas que afirmem compartilhar suas prioridades e prometam agir
sobre elas.
É claro que as bibliotecas já estão trabalhando em prol das comunidades!
Mas a forma como você fala sobre seu trabalho e como o divulga, seja por meio de cartazes,
artigos e redes sociais, pode fazer diferença.
Para entender como fazer isso de forma mais eficaz, você precisa ter uma ideia do
que importa. Então, nosso quinto exercício é pensar em três coisas com as quais sua
comunidade se preocupa.
Quais são os assuntos e as problemáticas que os(as) motivam? Com o que eles e elas
se preocupam? Pense sobre o que as pessoas falam nas ruas, o que os políticos dizem, o
que você ouve na sua vida pessoal e profissional.
Depois, escreva isso e use como referência no seu trabalho com as bibliotecas, para
garantir que seu advocacy realmente repercuta nas pessoas.

13

�Descubra quem está no comando.
O objetivo final do advocacy é impactar a tomada de decisões.
Você precisa encorajar aqueles e aquelas que têm poder e/ou recursos
para apoiar sua biblioteca, o seu sistema de bibliotecas ou as bibliotecas em geral.
Realizar advocacy é preparar o terreno, construir entendimento, mudar atitudes, criar a
motivação para agir. Também é importante lembrar que sempre haverá certas pessoas que
direta ou indiretamente você precisa influenciar.
Mas quem é o alvo?
Nosso sexto exercício é descobrir quem é a pessoa –ou quem são as pessoas– tomando
decisões importantes sobre o financiamento e as leis que afetam você e a sua biblioteca.
Você pode começar focando em um nível do governo.
No nível local, há alguém responsável pelos assuntos da biblioteca?
Podem ser funcionários públicos, pessoas designadas ou eleitas para ocuparem cargos na
estrutura administrativa, entre outros.
No nível regional ou nacional, você deverá pensar sobre quais ministérios, secretarias,
departamentos e organizações têm algo a dizer sobre a forma como as bibliotecas são
geridas, financiadas ou como podem atender suas comunidades.
Escreva suas respostas – você precisará delas para exercícios futuros.

14

�Defina um objetivo a longo prazo para a sua biblioteca.
Se você quiser seguir em frente, precisa antes saber onde fica “em frente”.
A fim de garantir que o tempo e o esforço que você coloca ao realizar o advocacy de
sua biblioteca sejam bem usados, é importante ter uma ideia de seus objetivos a longo
prazo.
Eles devem servir como guia para o seu trabalho e ajudar na reflexão se o que você está
fazendo vem funcionando ou não. Pode ser um bom motivo para mudar e parar de fazer
coisas quando elas não estiverem contribuindo para suas metas.
Então, nosso sétimo exercício é pensar em um objetivo a longo prazo para o seu
trabalho de advocacy em sua biblioteca.
Sua escolha dependerá, naturalmente, do seu contexto. Já que você está concentrando
esse exercício em sua própria biblioteca, pode ser sobre mudar regulamentos que decidem
o que você pode ou não pode fazer, sobre o financiamento, ou mesmo sobre conseguir
apoio para os serviços e os programas dentro de sua comunidade.
Deve ser ambicioso (você quer melhorar a situação atual), mas também realista (você
não quer que o fracasso seja inevitável). Se preferir, você pode usar o método SMART2.
É crucial que seja algo que você possa facilmente lembrar e usar em seu trabalho.
[2] SMART, sigla com as iniciais das palavras Specific (específico),
Measurable (mensurável), Achievable (alcançável), Relevant (relevante) e
Time Bound (temporal).↩

15

�Pense em parceiros e parceiras com quem possa trabalhar.
Nenhuma biblioteca e uma ilha.
Sua biblioteca e uma parte importante da comunidade a qual você atende. E dentro
dessa comunidade deve haver outras pessoas e grupos que entendam e apoiam o que você
faz.
Esse e o caso, quer seja uma biblioteca pública ou comunitaria, quer seja uma biblioteca
universitaria, ou uma biblioteca a serviço de uma organização, todas têm pessoas ao
redor que podem ser aliadas.
Uma forma de demonstrarem apoio e ajudando você em suas atividades de advocacy.
Parceiros e parceiras podem ecoar suas mensagens, deixar que outros saibam por que
seu trabalho e importante, ou mesmo oferecer feedback sincero que te ajudara a
aprimorar seus serviços.
Então, para o nosso oitavo exercício, pense em parceiros e parceiras com quem possa
trabalhar.
Podem ser indivíduos (como educadores, escritores locais ou jornalistas), organizações
(como escolas, ONGs, ou mesmo departamentos municipais), ou grupos (como clubes que
usam a biblioteca, ou grupos de pesquisa).
Se você lembrar de mais gente será ótimo! Escreva quem são, juntamente com algumas
palavras para descrevê-los(as) e como podem colaborar com o seu advocacy.

16

�Tire uma foto bem bacana de sua biblioteca em funcionamento.
Imagens são poderosas.
Elas podem ilustrar e apoiar textos, mas também ajudar a tornar as coisas
reais.
Isso certamente se aplica a bibliotecas. Elas podem mostrar as
atividades, os recursos disponíveis e as instalações e, com isso, ajudar as
pessoas com quem você estiver falando a se imaginarem lá.
São uma ferramenta importante para realizar o advocacy, principalmente
nas redes sociais e em outros meios de comunicação on-line.
Então, para o nosso décimo exercício, tire uma foto bem bacana de sua
biblioteca em funcionamento, quando as atividades estiverem acontecendo.
Procure mostrar algo positivo e atraente que vá apoiar o seu advocacy.
Se possível, inclua as pessoas que usam a biblioteca, caso elas concordem
em serem fotografadas.
Se você não tiver essa habilidade, encontre um/uma colega que saiba
tirar uma boa foto. Como sugestão, você também pode promover uma ação
nas redes onde as pessoas possam se fotografar, postar e autorizar que a
biblioteca use as imagens.
Você pode encontrar algumas dicas sobre fotografia no Manual de Contação de
Histórias do Mapa Mundial de Bibliotecas (em espanhol).
Assim que tiver as fotos, você pode começar a tornar seu site, sua
presença nas redes sociais e outras ferramentas de advocacy mais vivas.

17

�Inscreva-se num blog ou assine uma newsletter sobre questões
relacionadas às bibliotecas.
Quando falamos de advocacy precisamos conhecer o panorama geral
onde a biblioteca está inserida.
Para convencer os outros do valor e da importância do seu trabalho, você
precisa entender o contexto em que eles trabalham.
Quais são as principais questões, as principais tendências, os tópicos
polêmicos?
Se você os conhece, você pode tornar os seus argumentos mais
relevantes. As pessoas estão preocupadas com as fake news? Você pode falar
sobre como as bibliotecas fornecem informações confiáveis. As pessoas
estão preocupadas com os custos para se capacitarem? Você pode falar sobre
como as bibliotecas tornam isso acessível para todos.
Mas como abordar as questões?
Para o nosso décimo primeiro exercício, chamamos a atenção para você
acompanhar o ambiente. Inscreva-se num blog ou numa newsletter sobre
questões relacionadas às bibliotecas. Incentive a equipe que trabalha com
você a fazer o mesmo!
Acompanhe os sites da FEBAB e do SisEB e também encorajamos você
a ler o Blog de Política e Advocacy da IFLA (em inglês) quando puder.
Se tiver algum favorito, compartilhe com toda a equipe da biblioteca e
conversem sobre isso.
18

�Cuidado com os direitos autorais.
De maneira geral, as leis são importantes para as bibliotecas. Elas podem garantir que
os governos locais tenham a obrigação de administrar bibliotecas, bem como definir os
serviços a serem oferecidos às comunidades, como acesso gratuito à internet, atendimento
especial conforme demanda, desenvolvimento de coleções, dentre outros.
A Lei de Direitos Autorais (LDA) tem papel e importância fundamentais para o bom
desempenho da biblioteca e de um atendimento de qualidade aos cidadãos. É por meio
dela que as bibliotecas poderão definir suas diretrizes de apoio à pesquisa e à educação,
preservação e digitalização de acervos, empréstimos, acessibilidade, etc.
Entender os direitos autorais certamente leva mais de 10 minutos. Mas como se trata
de um tema importante de advocacy, é útil saber onde recorrer para resgatar informações
iniciais – especialmente no caso brasileiro, cuja LDA que atualmente se encontra ainda mais
defasada por conta do ambiente eletrônico e digital e que já era carente de regulamentação
específica para os equipamentos culturais.
Assim, para uma visão das LDAs em diversos países, sugere-se uma visita ao Comitê
Permanente da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) sobre Direitos
Autorais e Direitos Relacionados.
Especificamente sobre o Tratado de Marraqueche, acesse: (1) a versão em português
do documento O Tratado de Marraqueche: Guia EIFL para Bibliotecas, publicado pela
EIFL e traduzido pela Comissão Brasileira de Direitos Autorais e Acesso Aberto (CBDA3)
da FEBAB; (2) a obra Caminhando – Implementação do Tratado de Marraqueche para
pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao
texto impresso: Um guia prático para bibliotecários, produzida pela IFLA, traduzida e
com comentários feitos CBDA3/FEBAB, a partir da proposta brasileira de implementação
19

�do Tratado de Marraqueche disponível para consulta pública no período de maio a julho
de 2020.
Referente à LDA no Brasil, visite o canal do YouTube da CBDA3/FEBAB e o webinar
Bibliotecas digitais: acervos, plataformas e direitos autorais, realizado pelo SisEB.
Algo se destaca para você? Vê algum problema? Alguma oportunidade?

20

�Use um broche ou um crachá.
Realizar o advocacy é saber conversar, dialogar.
Você precisa engajar os tomadores de decisão e as pessoas que os influenciam, e
construir com eles a compreensão sobre a importância das bibliotecas. Desta forma, você
pode encorajá-los a agir!
Mas, como começar essa conversa? Uma ótima maneira de fazer isso é criar um tópico
de discussão, algo que as pessoas podem perguntar sobre.
Então, para o nosso exercício, use um broche ou um crachá com alguma frase, palavra
ou marca relacionada às bibliotecas. Você pode usá-los no trabalho, mas também fora dele,
como, por exemplo, quando assiste a reuniões públicas ou até mesmo no seu dia a dia.
A FEBAB desenvolveu algumas campanhas e marcas, como Biblioteca Eu Amo Eu
Quero e Bibliotecas por um mundo melhor, que podem ser utilizadas ou te inspirar. Para
saber mais, acesse: https://www.acoesfebab.com/advocacy.
Você pode criar o seu material, mas não se esqueça de torná-lo atraente e interessante,
algo que estimule a curiosidade e que encoraje as pessoas com quem você está falando a
fazerem perguntas.
Você pode compartilhar suas fotos e a de seus broches e crachás
favoritos nas redes sociais com a hashtag #TodoBibliotecárioFazAdvocacy.

21

�Encontre um/uma jornalista que possa escrever sobre bibliotecas.
Quando você faz advocacy, não precisa exercer esse papel sozinho.
Às vezes, é ainda mais poderoso quando temos outra pessoa falando por nós. E há
poucas vozes mais poderosas do que as da mídia.
Quando um/uma jornalista fala de bibliotecas e do grande trabalho que estão fazendo,
ele/ela pode alcançar milhares, até milhões de pessoas.
Então, para o nosso décimo quarto exercício, encontre um/uma jornalista que possa
escrever sobre bibliotecas. Eles podem trabalhar para um jornal local ou noticiário, na
mídia impressa, no rádio ou na TV, o que for mais apropriado a sua cidade, seu Estado ou
país.
Você pode fazer uma pesquisa usando um agregador de notícias como o Google News
ou similares para descobrir quem já está escrevendo sobre bibliotecas. Ou ainda, você
pode identificar quem poderia ser estimulado(a) para escrever sobre bibliotecas.
Em ambos os casos, envie informações e histórias a essas pessoas. Esses dados podem
virar pautas para os profissionais da comunicação. Faça isso rotineiramente.

22

�Desenvolva o seu discurso de elevador.
Às vezes, você precisa ser rapidamente convincente.
Uma vez que realizar o advocacy envolve esforço e paciência ao longo do tempo,
você pode ter uma oportunidade de passar um minuto com um(a) tomador(a) de decisõeschave, como um(a) prefeito(a), um(a) ministro(a), ou um(a) financiador(a).
É muito provável que estejam ocupados, com muitas outras coisas em mente. Mas
se você conseguir a atenção deles quando estiverem ao seu lado, poderá obter grandes
progressos.
Esses momentos podem acontecer a qualquer instante – em uma recepção, em um
evento público, em um elevador – e você precisa estar preparado.
Então, para o décimo quinto exercício, prepare o seu “discurso de elevador”.
Esse é o termo para um discurso muito curto que convence outra pessoa do seu ponto
de vista – e, nesse caso, da importância das bibliotecas, algo que se possa dizer num
elevador entre um andar e outro.
Você precisa focar em seus argumentos, se livrar de informações desnecessárias e
garantir o que precisa ser dito, da forma mais simples e convincente possível.
Tente escrever o seu discurso e depois editá-lo, palavra por palavra, até que seja o mais
curto possível. E tenha sempre seu “discurso de elevador” na ponta da língua para usá-lo
sempre que tiver a oportunidade.

23

�Escolha um ODS e pense como sua biblioteca ajuda a alcançálo.
Realizar o advocacy pode nos exigir rápida adaptação.
Se você quer que a pessoa com quem está falando concorde com você e apoie
bibliotecas, você precisa responder às suas prioridades.
Você precisa de argumentos que mexam com eles/elas, e que mostrem como as
bibliotecas ajudam a alcançar as coisas que lhes interessam.
Mas as pessoas se preocupam com coisas diferentes, certo? Um médico se preocupa
com a saúde, um professor com a educação, um agricultor com as mudanças climáticas.
Como você pode estar pronto? Uma boa maneira é preparar as suas ideias sobre uma série
de questões.
Então, para o nosso décimo sexto exercício, escolha um dos 17 Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) e reflita como as bibliotecas ajudam a alcançá-lo.
Os ODS proporcionam boa estrutura para pensar em quase todas as
políticas públicas. Você não precisa fazer tudo de uma vez, comece com um
e faça os outros se tiver tempo.
Você pode encontrar ideias na publicação Acesso e oportunidade para todos: Como as
bibliotecas contribuem para a agenda de 2030 das Nações Unidas e nas Histórias dos ODS
no Mapa Mundial de Bibliotecas da IFLA. Há também grandes exemplos de bibliotecários
e bibliotecárias no Brasil e ao redor do mundo.

24

�Encontre e memorize uma boa citação sobre bibliotecas.
Quando você realiza advocacy, é importante escolher suas palavras.
Encontrar uma ótima maneira de expressar a importância das bibliotecas pode fazer a
diferença quando você está tentando convencer alguém. Mas às vezes não é fácil encontrálas e nem todos nós somos poetas.
Nem sempre você precisa escolher suas próprias palavras. Muitas pessoas famosas
têm apoiado bibliotecas.
Então, para o nosso décimo sétimo exercício, encontre uma boa citação sobre bibliotecas
e a memorize.
Você pode usá-la quando estiver falando com as pessoas, publicá-la nas redes sociais,
ou até mesmo imprimi-la em um pedaço de papel (ou, se você estiver se sentindo corajoso/
corajosa, em uma camiseta).
Há diversos sites com citações na internet e você pode procurar por uma
ou mais que você se sinta confortável em usar.
Compartilhe suas favoritas com a equipe da biblioteca.

25

�Use hashtags e identificadores nas redes sociais.
Realizar advocacy é chamar a atenção.
Você pode ter grandes ideias, mensagens e materiais, mas como garantir que você seja
ouvido?
Especialmente nas redes sociais, muitas contas têm poucos seguidores.
Mesmo os populares nem sempre chegam às pessoas que importam. Ainda assim, é
possível ter um propósito no que é feito nas redes sociais.
Você também pode garantir que sua mensagem seja exibida quando as pessoas estiverem
acompanhando debates importantes. Então, para o nosso décimo oitavo exercício, encontre
e use hashtags e identificadores relevantes.
Procure nas principais redes sociais o que você está buscando e anote seus
identificadores, como, por exemplo, @sisebsp, @febab, @culturasp, ou as hashtags
usadas em discussões importantes, como #AGENDA2030PARAVENCERACOVID e
#TodoBibliotecárioFazAdvocacy.
Ao usá-los, você pode garantir que seu público-alvo –políticos, gestores municipais,
influenciadores, jornalistas– sejam notificados sobre suas mensagens.
Você também pode fazer com que suas publicações sejam incluídas nos principais
resultados de pesquisa de identificadores e hashtags populares.

26

�Escreva uma carta ou publique um comentário.
Você não precisa usar apenas as suas próprias plataformas para falar sobre bibliotecas.
Ao usar outras redes você tem a oportunidade de chegar a novas pessoas,
incluindo aquelas que, diferentemente de você, não pensariam em bibliotecas.
Você também pode engajar jornalistas, comentaristas políticos ou outros(as)
influenciadores sociais iniciando uma conversa com eles(as).
Sabemos que as bibliotecas podem fazer a diferença em diversas áreas e há muitos
assuntos que você pode dizer algo que mostra o que as nossas organizações já fazem e
podem fazer.
Então, para o nosso exercício, escreva uma carta ou publique um comentário em
resposta a um artigo, ou a uma matéria. Você pode pensar onde focar – é um jornal local
ou nacional? É especializado numa determinada comunidade ou é mais geral? É lido por
pessoas que você quer influenciar?
Na sua resposta, mantenha-se positivo(a) e focado(a) nas bibliotecas. Você pode usar
alguns números e histórias que mencionamos em exercícios anteriores do informativo. Basta
acessar https://siseb.sp.gov.br/publicacoes/o-advocacy-de-10-minutos-da-biblioteca.
Você não precisa publicar coisas o tempo todo, mas quando o fizer, terá feito com que
as pessoas pensem mais sobre bibliotecas.

27

�Pesquise o histórico dos potenciais apoiadores da biblioteca.
Realizar advocacy é chamar a atenção.
Você pode ter grandes ideias, mensagens e materiais, mas como garantir
que você seja ouvido?
Especialmente nas redes sociais, muitas contas têm poucos seguidores.
Mesmo os populares nem sempre chegam às pessoas que importam. Ainda
assim, é possível ter um propósito no que é feito nas redes sociais.
Você também pode garantir que sua mensagem seja exibida quando as
pessoas estiverem acompanhando debates importantes. Então, para o nosso
décimo oitavo exercício, encontre e use hashtags e identificadores
relevantes.
Procure nas principais redes sociais o que você está buscando e anote
seus identificadores, como, por exemplo, @sisebsp, @febab, @culturasp, ou
as hashtags usadas em discussões importantes, como
#AGENDA2030PARAVENCERACOVID e #TodoBibliotecárioFazAdvocacy.
Ao usá-los, você pode garantir que seu público-alvo –políticos, gestores
municipais, influenciadores, jornalistas– sejam notificados sobre suas
mensagens.
Você também pode fazer com que suas publicações sejam incluídas nos
principais resultados de pesquisa de identificadores e hashtags populares.

28

�Teste seus argumentos com um amigo ou uma amiga.
Nem sempre é fácil preparar bons argumentos. É preciso ter conteúdo e estilo certos.
Encontrar a maneira correta para mostrar seu ponto de vista, da forma mais simples e
convincente possível, pode levar tempo. Mas você não precisa fazer isso sozinho(a).
Para ter certeza de que você está no caminho certo, pedir a opinião de outra pessoa
pode ser uma boa ideia.
Então, para o nosso vigésimo primeiro exercício, teste seus argumentos de advocacy
da biblioteca com um amigo ou com uma amiga.
Observe se você consegue convencê-lo(a) sobre o valor das bibliotecas, ou sobre como
é possível, através disso, lidar com questões sociais e culturais.
Eles e elas podem oferecer-lhe feedbacks ou sugestões, apontar onde você deveria ser
mais claro(a), ou mais assertivo(a), assim como elogiá-lo(a) pelos pontos de acerto.
Certifique-se de que seus amigos e suas amigas saibam ser objetivos e, se necessário,
críticos. Seus argumentos serão melhores assim!

29

�Comece a estruturar seu plano de advocacy.
O caminho de sucesso do advocacy nem sempre é simples.
Para gerar mudanças políticas e comportamentais de forma organizada, estratégica e
contínua, é importante estruturar um plano de advocacy.
Para planejar a melhor forma de usar seu tempo, é preciso encontrar maneiras de
concentrar os seus esforços.
Então, para o exercício de hoje, comece a estruturar seu plano de advocacy. Antes,
você pode se inspirar conhecendo mais sobre experiências nacionais e internacionais de
advocacy em bibliotecas.
A Associação Brasileira das Organizações Sociais de Cultura desenvolveu o curso
on-line “Advocacy: estratégias para o futuro da Cultura”, que conta com aulas, painéis e
publicação sobre o tema. A formação aborda elementos essenciais para a estruturação do
plano de advocacy, desde o diagnóstico e os objetivos, até o mapeamento e a articulação
com as partes interessadas.
Também recomendamos a leitura do Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca,
produzido pela American Library Association e traduzido pela FEBAB.
Essa poderosa ferramenta auxilia na decisão de onde e como realizar o advocacy. Você
encontrará mais conteúdos sobre o assunto nos canais da FEBAB e da Impacta Advocacy
no YouTube.

30

�Encontre e use palavras e expressões de efeito.
Escolher as palavras certas pode fazer a diferença.
Elas podem ajudar as pessoas a fazer conexões com outras questões, inserindo as
bibliotecas em um contexto maior. Podem tornar a sua mensagem mais relevante dentro
de um debate público mais amplo.
Por exemplo, veja a série Palavras dos ODS do blog Política e Advocacy da Biblioteca
da IFLA, que explica algumas palavras e expressões mais utilizadas na Organização
das Nações Unidas, como: sustentabilidade, não deixe ninguém para trás, participação,
resiliência. O conteúdo está em inglês, mas é possível traduzi-lo facilmente instalando uma
extensão/plugin no navegador de sua preferência, ou utilizando plataformas de serviços
gratuitos de tradução, como o DeepL Tradutor e o Google Tradutor.
Agora, para o nosso exercício, encontre e use palavras, frases e expressões que estão
em voga nesse momento. Considere os contextos locais e informações importantes para
potencializar sua mensagem.
Pense em palavras que jornalistas e políticos usam de forma recorrente em artigos e
discursos, tendo cuidado para não utilizar expressões que já viraram clichê.

31

�Pense no que seus públicos querem escutar.
Realizar advocacy envolve fazer com que as pessoas compreendam suas causas e seu
discurso.
Quando você fala com alguém quer que eles/elas entendam que vocês compartilham
dos mesmos objetivos e que você pode ajudá-los(as).
Especialmente para os(as) tomadores(as) de decisão que, muitas vezes, têm de lidar
com problemas, as bibliotecas deveriam apresentar-se como uma solução.
Para isso, você precisa adaptar e selecionar, ou priorizar seus argumentos. Mas como
fazer isso?
Para o nosso exercício, pense no que os seus públicos querem escutar.
Você pode fazer isso olhando para os problemas com os quais eles se importam.
Por exemplo, um profissional da educação básica quer que crianças tenham uma
educação qualificada que colabore para seu desenvolvimento pleno.
Um profissional da área da saúde quer que as pessoas tenham a oportunidade de
aprender sobre como ter estilos de vida mais saudáveis.
Pais podem querer simplesmente ajuda para entreter seus filhos e auxiliá-los no
desenvolvimento de suas habilidades.
Então, escolha alguém – ou um grupo de pessoas – com quem você queira conversar e
pense sobre o que eles gostariam de escutar.

32

�Demonstre sua paixão pelo seu trabalho.
O sucesso de realizar o advocacy não está relacionado apenas com o falar, mas também
com o fazer.
Grandes discursos, apresentações ou publicações em mídias sociais podem,
naturalmente, ajudar a garantir apoio para o seu trabalho. Porém, a menos que isso seja
pautado por pessoas comprometidas, as mensagens não funcionarão para sempre.
Poucas coisas são mais convincentes que alguém focado em prover um serviço de
excelência, seja para as comunidades locais ou para os funcionários e alunos de uma
organização social, universidade ou escola.
Então, para o nosso exercício, demonstre sua paixão pelo seu trabalho!
Trata-se, claramente, de uma tarefa de tempo integral. Mas, reservando apenas
10 minutos, é possível pensar sobre como você pode mostrar seu entusiasmo e
comprometimento aos usuários e parceiros da biblioteca.
Faça um pouco a mais e as pessoas ao seu redor verão que, ao apoiar bibliotecas, elas
estarão apoiando pessoas que estão fazendo o melhor que podem pelos públicos e pela
comunidade.

33

�Junte-se ao debate!
Realizar o advocacy significa engajar pessoas.
Uma boa maneira de conseguir isso é participar de discussões (presenciais ou virtuais)
de outros assuntos que sejam de interesse da comunidade.
Fique atento, pois isso pode acontecer em uma grande reunião, em uma consulta ou em
muita conversa on-line após uma grande notícia veiculada nas mídias. Esses momentos
podem ser uma oportunidade para você incluir a biblioteca e conversar sobre como ela
pode ajudar.
Por isso, para o nosso exercício, propomos que você se junte ao debate!
Caso tenha pouco tempo, faça uma publicação – (re)veja o 19º informativo (Participe
do debate) para saber mais – e estabeleça a ligação entre a biblioteca e o assunto da
discussão.
Se você quiser, escreva num blog ou num jornal explicando o ponto de vista da
biblioteca, responda a uma consulta, ou até mesmo vá a um evento público.

34

�Faça um acompanhamento.
Realizar o advocacy é construir relacionamentos.
Embora seja um primeiro passo importante falar com um(a) político(a), financiador(a)
ou influenciador(a), e obter o seu cartão de visita com os contatos, você não pode parar por
aí.
Na verdade, quanto mais importantes forem essas pessoas, mais ocupadas serão. Elas
precisam ser lembradas desse encontro para que você inicie um relacionamento e possa
estar em contato contínuo.
Então, para o nosso exercício, continue acompanhando alguém que você conheceu
recentemente em um evento, em uma visita, ou em outra ocasião, que seja importante para
seu advocacy local.
Envie-lhes um e-mail, ou mesmo uma carta/cartão (isto pode ser marcante, dado que
as cartas físicas são muito raras agora). Lembre-os de sua conversa e envie algumas, mas
não muitas, informações adicionais.
Pode ser uma oportunidade para mostrar seus argumentos de maneira
mais eficaz do que pessoalmente.

35

�Comemore um dia internacional.
Realizar o advocacy envolve mostrar a sua relevância.
Em informativos anteriores, falamos sobre como identificar assuntos pertinentes para
a comunidade e como reagir a eles. Mas, a biblioteca pode também promover alguns
debates em torno de efemérides internacionais.
As Nações Unidas e as suas agências identificaram uma série de dias importantes em
que se concentra uma questão específica – Dia Internacional da Mulher, por exemplo,
celebrado em 8 de março.
Nessas datas, muitos governos e outras pessoas irão falar sobre essas questões. E, as
bibliotecas também podem entrar na discussão!
Assim, a proposta para o nosso exercício é comemorar um dia internacional. Claro que
no contexto das bibliotecas alguns são mais relevantes do que outros. Por exemplo, o Dia
Internacional da Alfabetização (10 de setembro), o Dia Internacional do Desenvolvimento
da Informação (24 de outubro) e o Dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro), são
particularmente ótimos para fazer conexões com o trabalho das bibliotecas.
Você pode fazer isso baixando um pôster ou folheto, publicando nas redes sociais, ou
até mesmo escrevendo um artigo para um jornal ou blog.
Fazer isso mostra que você e sua biblioteca fazem parte de uma conversa global e
podem fazer as pessoas pensarem em bibliotecas de um novo jeito.

36

�Imagine uma pessoa de sua comunidade e pense em três
maneiras de ajudá-la.
Ao realizar o advocacy da biblioteca é preciso, antes de tudo, considerar as pessoas.
Para convencer alguém é importante ser capaz de mostrar por que a biblioteca é
relevante para eles/elas e para as pessoas com quem se preocupam.
Quando os indivíduos estão criando sites ou outros serviços, eles muitas vezes pensam
em “personas” – tipos de pessoas que buscam atender. Os partidos políticos também fazem
assim, identificando grupos-alvo e adaptando as suas mensagens de acordo com eles.
Não precisa ser uma pessoa específica, mas sim um “tipo” como, por exemplo,
pesquisadores, estudantes, pais, jovens, idosos, etc.
Você pode fazer o mesmo!
Dessa forma, a sugestão de exercício é imaginar um integrante “típico” de sua
comunidade e pensar nas formas como você o(a) ajuda.
Se preferir, você pode fazer isso com a ajuda de seus/suas colegas e construir uma
“persona” mais complexa. Então, discutam juntos e juntas sobre o que fazer por esse
grupo.
Você pode elaborar uma lista de ideias para realizar o advocacy com grupos específicos,
ou, claro, com integrantes do governo (executivos e parlamentares) que se preocupam
com essas comunidades.

37

�Acerte na primeira frase!
Um bom advocacy pode ocorrer em segundos.
Isso pode ser porque você só tem um curto período de tempo para falar com alguém.
Mas também pode ser porque a pessoa com quem você está falando começa a se
distrair muito rapidamente. Para alguém ocupado, isto é natural.
Você precisa ter certeza de que eles/elas fiquem com a melhor impressão de você e das
bibliotecas desde o início.
Então, acerte na primeira frase.
Pratique, definindo quem você é, o que quer falar e por que isso é importante. É bom
decorar, uma vez que nem sempre os encontros são planejados.
Essa preparação também pode ajudar a construir a sua confiança para o resto da
conversa.

38

�Lembre-se de tirar uma selfie.
O advocacy bem realizado deixa rastros e evidências.
Se você quer ser capaz de construir bons relacionamentos, é importante mostrar o que
já fez e alcançou.
Ter registros de que você se encontrou com um(a) político(a), por exemplo, facilita a
continuação do acompanhamento. E é ótimo ter evidências ao falar sobre seu advocacy
para seus colegas, amigos e amigas.
Para o nosso exercício propomos que quando você se encontrar com um(a) tomador(a)
de decisões, lembre-se de tirar uma selfie!
Claro que, dependendo da pessoa com quem você está falando, uma foto tradicional
também será boa. E é uma ótima maneira de criar um senso de cumplicidade e até mesmo
um senso de diversão, desde que a pessoa que você está encontrando esteja de acordo com
o registro.
Normalmente as pessoas que estão no poder gostam que tirem fotos delas no trabalho.
Você também pode compartilhar a foto com esse alguém que conheceu – ele/ela pode
querer mostrar que está se reunindo com as partes interessadas.

39

�Compare anotações e compartilhe ideias.
Você não precisa realizar o advocacy sozinho(a)!
Um dos pontos fortes na área das bibliotecas é que existem organizações e profissionais
em milhares de cidades ao redor do mundo.
E lá há pessoas que exercem o advocacy, cada uma com seus próprios pontos fortes e
questionamentos. Isso significa que existe bastante potencial para aprender e discutir o que
você está fazendo.
Então, para o nosso exercício, compare as anotações e compartilhe ideias!
Encontre outras pessoas que estejam se envolvendo com o advocacy das bibliotecas,
veja o que tem funcionado para elas e que lições aprenderam. No seu cotidiano, aproveite
as conversas informais onde você pode realmente se aprofundar e fazer as perguntas que
deseja.
Os eventos nacionais são uma ótima oportunidade para isso, como o Seminário
Internacional Biblioteca Viva e o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação,
que acontecerá de 26 a 30 de setembro de 2022.
Se tiver oportunidade de viajar para o exterior, o Congresso Mundial de
Biblioteca e Informação da IFLA também é um ótimo momento para ter
esses encontros.

40

�Bibliotecas não existem no vácuo – elas estão lá para servir.
Tenha sempre um item com a marca da biblioteca para apoiar seu advocacy.
Realizar o advocacy não precisa ser necessariamente apenas conversar com seus
potenciais aliados.
Para as pessoas que têm muitas reuniões pode ser difícil lembrar o que aconteceu
em uma conversa específica. Você precisa dar à pessoa com quem está falando algo para
lembrar de você e de sua mensagem.
Uma boa conversa e um bom item de apoio são essenciais para tornar a sua reunião
diferente. A proposta é que você tenha sempre um suporte por perto.
Pode ser algo simples como uma foto ou um cartão postal. Se você tiver um folheto ou
algo mais detalhado da biblioteca, é ainda melhor.
Mesmo uma “lembrancinha” pode ajudar, desde que tenha o nome da biblioteca ou da
organização a que está vinculada, ou alguma nota de sua reunião.
Isso não só acrescenta à sua apresentação, mas também, quando o(a) seu(sua)
interlocutor(a) estiver tirando as coisas da bolsa ou do paletó no fim do dia ou da semana,
eles/elas vão ver a lembrança e pensar nas bibliotecas.

41

�Pare e pense.
Realizar o advocacy nem sempre funciona na primeira vez.
Seu propósito, sua mensagem e suas ferramentas podem não ser imediatamente
eficazes. Isto é normal e não é razão para desistir. Na verdade, essa é uma experiência
realmente útil que você pode usar para melhorar as coisas.
Então, pare e pense.
Dedique um momento para refletir sobre o que deu certo e o que não deu, no contexto
em que você está atuando. Lembre-se de seus objetivos e pense se os alcançou.
Quais mensagens pareciam engajar as pessoas e quais você precisava explicar
novamente?
Você pode fazer isso sozinho(a) ou em grupo – diferentes perspectivas podem ser
úteis. Os resultados irão ajudá-lo(a) a desenvolver ainda mais o seu advocacy no futuro.

42

�Acerte na sua entrega!
Às vezes, realizar o advocacy não é sobre o que se diz, mas sobre a maneira/forma que
falamos.
Mesmo os melhores argumentos e as evidências mais fortes ainda precisam ser bem
apresentados para ter o impacto desejado. Preste atenção no vocabulário que você utiliza,
no seu tom e na velocidade que fala.
Então, para o nosso exercício de hoje, acerte na sua entrega!
Lembre-se que você é um pouco como um ator/uma atriz, que adapta a forma como
fala e age para ter um efeito maior. Por exemplo, certifique-se de que não está usando
jargão de biblioteca que outros podem não entender.
Certifique-se também de falar claramente, manter suas frases curtas e se concentrar na
mensagem que quer enviar.
E, claro, sorria e seja amável – isso fará com que as pessoas pensem mais positivamente
sobre sua mensagem.

43

�Torne seu trabalho reconhecido.
O advocacy fica mais forte quando você pode mostrar o apoio dos outros.
Ser capaz de apontar sites ou fontes que falem sobre o seu trabalho ajuda a construir
credibilidade. Isso evidencia que outras pessoas também demonstram que sua biblioteca é
importante!
Mas, como fazer isso acontecer?
Tente conseguir que um jornal escreva sobre o que você está fazendo, ou viabilize algo
na TV, ou no rádio. Mas também podemos fazer as coisas diretamente.
Então, para o nosso exercício, faça com que o seu trabalho seja reconhecido.
Encontre um site ou uma plataforma onde possa divulgar sua atuação.
Especialmente, a Semana dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS),
promovida pela Organização das Nações Unidas, oferece a possibilidade de colocar suas
ações em um mapa. Acesse o site e adicione o que sua biblioteca está fazendo, por exemplo,
para aumentar a conscientização ou ajudar a alcançar os ODS.
Ou ainda, busque em sua cidade grupos e/ou instituições que estejam realizando ações
alinhadas aos ODS e mostre o seu trabalho.
Mantenha as redes sociais atualizadas divulgando suas ações diariamente.

44

�Memorize nomes e rostos.
Uma forma de fazer um bom advocacy é se aproximar de tomadores/tomadoras de
decisão ou influenciadores/influenciadoras.
Se vocês têm uma conexão próxima, é mais fácil compartilhar seus argumentos. Mas,
como construir essa conexão quando se deparar com eles/elas pela primeira vez?
Uma boa maneira de criar familiaridade é evitar perguntas desconfortáveis sobre quem
são eles e elas, sendo capaz de abordá-los imediatamente pelo nome.
Ocupantes de cargos políticos (em todas as instâncias) tendem a apreciar quando as
pessoas sabem quem eles/elas são desde o primeiro momento. Contudo, isso nem sempre
é fácil em uma reunião pública.
Assim, para o nosso exercício, memorize alguns nomes e rostos.
Se você sabe que pode vê-los/vê-las em um encontro ou compromisso, procure por
eles/elas on-line e veja se há imagens disponíveis. Tente lembrar-se dessas pessoas para
que, caso as encontre, possa dizer “olá” imediatamente e ir direto aos seus argumentos.

45

�Envie um convite para visitar sua biblioteca.
Uma parte muito poderosa de realizar o advocacy é mostrar o que você está fazendo, e
não apenas falar sobre isso. É natural que as pessoas acreditem mais no que experimentam
por si próprias do que naquilo que outra pessoa diz. Eles e elas também se lembrarão
melhor da experiência!
Isto é verdade tanto para pessoas em posição de poder como para qualquer outra. Além
disso, é possível que elas não tenham visitado uma biblioteca há anos.
Para o nosso exercício de hoje, prepare e envie um convite para visitar a sua biblioteca!
Encontre alguém a quem queira influenciar (veja o informativo #7 – Descubra quem
está no comando) e, em seguida, escreva um convite que seja interessante. Pense no que
ele/ela pode querer ver ou dizer e adapte a isso (reveja o número #25 – Demonstre sua
paixão pelo seu trabalho).
Poderia haver uma oportunidade de geração de mídia para essa pessoa?
Certamente a visita – e sua preparação – levará mais do que 10 minutos, mas o convite
não precisa ser longo. Na verdade, algo mais curto pode ter mais poder.

46

�Pense em um problema e apresente as bibliotecas como a solução.
O advocacy é poderoso quando estamos oferecendo soluções.
As pessoas que você provavelmente está visando – políticos, patrocinadores e outros
– passam muito tempo tentando resolver problemas.
E existem muitos por aí, sociais, políticos e econômicos.
É claro que as bibliotecas também precisam dos/das tomadores/as de decisão para
várias coisas, como para financiamentos, leis e outros tipos de apoio. Mas, legisladores/as
podem ser mais propensos/as a ouvir com atenção quando você foca em como isso poderia
ajudá-los/as a resolver outros desafios.
Então, para o nosso exercício, pense em um problema, e então pense em como você
pode apresentar bibliotecas como a solução.
Certifique-se de que é um problema com o qual um/a tomador/a de decisão se importaria.
Você pode tentar mais do que um, é claro. Por exemplo, desemprego, falta de capacitação,
falta de integração, entre outros.
Se você praticar seus argumentos, estará em uma posição melhor para influenciar e
encorajar outras pessoas.

47

�Descreva um cenário positivo (ou negativo).
Realizar advocacy é criar empatia.
É importante fazer com que a pessoa com quem você está falando imagine o que
significa apoiar a biblioteca. Não só em termos estatísticos ou específicos, mas também
em termos de como a vida das comunidades e seus membros vai mudar, ou, claro, imagine
as consequências de não agir.
Isso permitirá que pensem sobre como eles, elas, suas comunidades e seus eleitores
seriam afetados.
Para o nosso exercício, descreva um cenário positivo ou negativo.
Tente criar uma imagem na cabeça deles e delas. Tente torná-la o mais real possível,
para que possam realmente imaginar o impacto das próprias ações.
O que significará para os indivíduos, para as sociedades como um todo?
No geral, tente ser positivo/a! Em alguns casos, um cenário negativo –
do que se perde quando as bibliotecas não recebem apoio – também pode chamar a atenção.

48

�Peça e use feedbacks.
Quando alguém faz um julgamento, tende a se importar com o que os outros pensam.
É por isso que, quando você compra um livro, geralmente há citações e referências
de outras obras. Ou, quando você procura por produtos on-line, as avaliações de outros
clientes são disponibilizadas.
Nós naturalmente tendemos a querer concordar com outras pessoas. E se elas têm uma
opinião positiva, é mais provável que você também tenha.
Você pode usar a mesma técnica com sua biblioteca.
O exercício de hoje é para que você peça e use feedbacks.
Você pode fazer isso por meio de uma simples caixa de comentários nas redes sociais
da biblioteca, ou por um formulário físico ou virtual.
Isso mostra que você está ouvindo seus usuários e suas usuárias e, contanto que peça
permissão, também pode usar esses exemplos positivos para fazer o advocacy da biblioteca.
Isso ajudará a mostrar o quanto a comunidade se preocupa com o trabalho realizado e
porque os/as tomadores/as de decisão também deveriam.

49

�Pense em um contra-argumento.
O advocacy é sobre fazer as pessoas mudarem de ideia, quando você quer que pensem
e ajam de formas diferentes em relação às bibliotecas.
Às vezes, o único problema é que elas apenas não tiveram tempo para pensar sobre
isso antes. Ocasionalmente pode haver alguma resistência.
Você precisa ser capaz de explicar por que elas deveriam gastar tempo ou esforço em
bibliotecas, em vez de outra coisa.
E se você quiser mudar uma lei ou um regulamento, pode ser que exista oposição. Seu
advocacy será mais forte se você conseguir entender isto.
Então, para o nosso exercício, pense em um contra-argumento.
Tente imaginar por que alguém não apoiaria bibliotecas em geral, ou sua solicitação
em particular.
Escreva suas ideias e tente respondê-las. Isso deixará você mais convincente!

50

�Diga a um/a amigo/a para dizer a um/a amigo/a.
O advocacy é sobre ser convincente.
Como foi mencionado algumas vezes em nossa série, sua mensagem pode ser mais
poderosa quando vem de outra pessoa.
Você pode tentar fazer com que uma celebridade fale em seu nome, por exemplo. Mas
não precisa focar somente em figuras públicas, os próprios visitantes da biblioteca podem
te ajudar muito!
Nossa proposta de exercício é que você diga a um/a amigo/a para dizer a um/a amigo/a.
Encoraje alguém que visita a sua biblioteca a compartilhar com seus/suas conhecidos/
as o motivo de ele/ela gostar tanto do local.
Na verdade, ouvir isso de um/a amigo/a pode ser mais convincente do que de uma
celebridade que não se conhece pessoalmente.
Você pode fazer isso conversando com os/as usuários/as, mas também por meio de um
cartaz, ou outro lembrete na biblioteca.

51

�Defina marcos importantes.
O advocacy pode levar tempo para alcançar o sucesso.
Uma combinação de ações pode ser necessária para atingir seus objetivos, como por
exemplo realizar várias reuniões e eventos, contatar parceiras e parceiros, jornalistas ou
outros influenciadores mais de uma vez.
Para estruturar seu trabalho, você precisa pensar tanto em um objetivo de longo prazo
(veja o informativo nº 8 – Olhar para o futuro), quanto em objetivos de curto prazo.
Então, para o nosso exercício de hoje, defina marcos para realizar seu trabalho de
advocacy.
Você pode fazer isso atuando em função de seu propósito geral. Que passos, em qual
ordem, o levarão a esse objetivo? Quem você precisa convencer a apoiá-lo/apoiá-la? Quais
materiais você precisa para convencêlos/ convencê-las?
Definir essas etapas não só ajudará a manter o impulso, mas também a identificar os
sucessos ao longo do caminho e se manter motivado/motivada.

52

�Aprenda um fato notável sobre bibliotecas.
Para ter impacto em seu advocacy, você precisa ser memorável.
Há muitas pessoas indo em busca de tomadores e tomadoras de decisão e demandando
coisas deles/delas.
É necessário garantir que o que você diz e faz permaneça na mente das pessoas, para
que pensem em você quando tomarem decisões sobre legislação ou financiamento.
Existem várias maneiras de fazer isso – usando um apoio ou suporte (informativo nº
33 – Deixe sua marca), planejando uma ótima primeira frase (informativo nº 30 – seja
objetivo), ou descrevendo um cenário positivo ou negativo (informativo nº 40 – Desperte
empatia).
Uma maneira é oferecer informações que eles e elas possam usar em suas próprias
conversas – algo interessante (ou mesmo divertido!) em nível pessoal.
Essa pode ser uma ótima maneira de conseguir e manter a atenção das pessoas. Então,
para o nosso exercício, aprenda um fato notável sobre bibliotecas.
Exemplos incluem o fato de que mais pessoas vão a bibliotecas do que ao cinema, ou
às dez melhores atrações turísticas da sua cidade.
Veja o que você pode descobrir sobre as bibliotecas do Brasil e de outros países. Use
histórias e dados do Mapa Mundial de Bibliotecas da IFLA para procurar inspiração.

53

�Pense em como avaliar o sucesso.
A necessidade de realizar o advocacy da biblioteca é clara, mas nem sempre é fácil
dizer o quão eficaz está sendo.
Mudanças de opinião, ou de intensidade de apoio nem sempre são simples de medir.
Mas está longe de ser impossível!
Quando você estabelece metas, vale a pena tomar pelo menos alguns minutos para
avaliar se você está indo na direção certa.
Para o nosso exercício, pense em como avaliar o sucesso.
Quais indicadores demonstram se você atingiu seu objetivo de longo prazo ou seus
marcos?
Você pode usar estatísticas de redes sociais ou contar citações na mídia. Você também
pode perguntar às pessoas, ou usar evidências anedóticas.
Você ainda pode descobrir mais sobre medidores de avaliação no manual da IFLA
Bibliotecas e as Metas de Desenvolvimento Sustentável: Um Manual de Contação de
Histórias.

54

�Salve sites e recursos úteis.
Realizar o advocacy é mais forte quando traz referências!
Ser capaz de confirmar o que está você está dizendo com histórias, estatísticas ou
estudos torna você mais convincente.
Já falamos sobre elementos individuais – um exemplo (informativo nº 4 – Os números
contam), ou uma citação (informativo nº 17 – Frases de impacto) –, mas, dado que você
pode precisar usar referências diferentes em situações diferentes, é melhor ter algumas.
Assim, nossa sugestão é que você salve sites e recursos úteis.
Quando vir algo que possa usar, salve em seu navegador ou mantenha em uma lista
pessoal. Existem várias ferramentas on-line gratuitas para isso: Start.me, Raindrop.io,
Google Bookmarks, são apenas algumas.
Se você tiver uma coletânea, pode começar a organizá-la, por exemplo, por cada um
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A seção Histórias dos ODS do
Mapa Mundial de Bibliotecas da IFLA é um bom lugar para começar, e aqui está um
exemplo de como coletar e organizar essas referências.
Você pode então usá-las quando estiver preparando cartas, blogs ou apresentações.

55

�Bibliotecas não existem no vácuo – elas estão lá para servir.
Realizar o advocacy é sobre ser notado e continuar sendo notado.
Você precisa de algo que fique na cabeça das pessoas com quem está falando.
Já discorremos sobre fatos surpreendentes e estatísticas, mas você também precisa que
sua mensagem “grude”.
Publicitários, publicitárias, políticos e políticas sabem disso há muito tempo ao planejar
campanhas.
Uma frase curta e atraente para resumir o que você faz pode ser realmente poderosa.
Então, para o nosso exercício, crie um slogan. Tente torná-lo breve e cativante – algo
que caberia até mesmo em um crachá ou broche.
Você também pode testá-lo com colegas e amigos.

56

�Agradeça.
Realizar o advocacy trata-se de construção de apoio.
Se baseia em convencer outras pessoas da necessidade de falar e agir pelas bibliotecas.
Essas pessoas podem fazer a diferença para você em seu trabalho.
Um advocacy bem-sucedido pode depender de toda uma rede – desde aqueles que
estão no poder (informativo nº 7 – Decisão de impacto), até jornalistas (informativo nº 14
– Imprensa e biblioteca) e outros parceiros e parceiras (informativo nº 9 – Sintonia com a
comunidade).
Pode até envolver seus amigos e suas amigas, que o/a ajudaram a refinar sua mensagem
ou a ecoá-la. Essas pessoas fazem diferença e é importante reconhecer isso.
Para o nosso exercício de hoje, agradeça!
Você pode enviar um cartão ou nota – escrever à mão torna ainda mais pessoal –, ou
apenas se certificar de mostrar sua gratidão quando os/as ver.
Você pode até fazer uma parede da fama para amigos e amigas da biblioteca!

57

�Celebre o sucesso.
Realizar o advocacy nem sempre é fácil.
Por meio desta série, compartilhamos 50 ideias do que você pode fazer em 10 minutos
para realizar um advocacy mais eficiente.
Juntos, os informativos totalizam mais de oito horas de atividade.
É claro que, na realidade, você pode gastar mais tempo para pensar, planejar e fazer
coisas, e para alcançar objetivos de médio ou de longo prazo que definiu para si mesmo,
usando seus indicadores de sucesso.
Com todo esse trabalho, você merece um momento para descansar e se parabenizar.
Portanto, para o nosso 50º e último exercício, celebre o sucesso!
Pense em como as coisas mudaram e em como você fez parte disso. Reflita também
sobre o que mais você quer fazer no futuro.

58

�Tradução e adaptação das postagens The 10 Minute Library Advocate,
do blog Library Policy and Advocacy da International Federation of
Library Associations and Institutions (IFLA).
59

�60

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="2">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="3">
                  <text>Livros</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77976">
                <text>O advocacy de 10 minutos da biblioteca</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77977">
                <text>Advocacy&#13;
Biblioteca&#13;
Federação Internacional de Associações e Instituições&#13;
Bibliotecárias (IFLA)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77978">
                <text>Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="48">
            <name>Source</name>
            <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77979">
                <text>Origina: The 10 Minute Library Advocate, do blog Library Policy and Advocacy</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77980">
                <text>Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77981">
                <text>2023</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77982">
                <text>Organizado por: SP Leituras&#13;
Tradução por: One Translations&#13;
Revisão e adaptado por: SP Leituras e Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições (FEBAB)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77983">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77984">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77985">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77986">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="77987">
                <text>Quando nos deparamos em 2019 com a iniciativa do “Advocacy de 10 minutos da biblioteca” da Federação Internacional de Bibliotecas (IFLA) tivemos o desejo de disseminá-la entre as equipes de bibliotecas do Brasil. Isso porque desde 2012, esse é um tema importante e então promovemos em iniciativa conjunta entre a FEBAB e SP Leituras, um curso presencial sobre “advocacy” com Marci Merola da Associação Americana de Bibliotecários (ALA) na Biblioteca de São Paulo. Naquele momento o termo “advocacy” era desconhecido pela área de bibliotecas e para contribuirmos nesta discussão traduzimos o “Manual das pessoas que advogam pela biblioteca”(*) de autoria da Associação de Bibliotecários Americana (ALA) e alinhamos várias ações para a promoção dos conceitos, visando estimular o engajamento das bibliotecas. Nossa intenção era sensibilizar as equipes para a preparação de planos locais de advocacy, sintonizados com as associações filiadas à FEBAB e com os Sistemas Estaduais de Bibliotecas Públicas. Mas somente em 2021 é que conseguimos estabelecer uma nova parceria para traduzir e adaptar “o advocacy de 10 minutos da biblioteca” que, da mesma forma como lançado pela IFLA, idealizamos uma campanha de promoção de postagens com os conteúdos veiculados nas redes sociais da FEBAB e Sistema Estadual de Bibliotecas do Estado de São Paulo – SISEB. Ao final da campanha decidimos compilar todas as dicas e transformá-las neste livro de modo a facilitar o uso pelas equipes bibliotecárias e contribuir para termos mais materiais sobre o tema aplicado às bibliotecas. Então é com muita emoção que laçamos esse livro esperando que ele alcance ainda mais pessoas. Essa iniciativa não se esgota aqui, a partir desse livro queremos promover oficinas para ampliarmos a corrente em defesa das bibliotecas brasileiras. Assim, convidamos você a ler ou reler esse conteúdo e se engajar , lembrando que ninguém está só nesta “missão” . É importante se juntar às redes, sistemas estaduais e, claro, ao movimento associativo nacional. Então, vamos começar? Seja você também um(a) ativista pelas bibliotecas! Boa leitura!</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="57">
        <name>Advocacy</name>
      </tag>
      <tag tagId="3">
        <name>ifla</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
  <item itemId="6193" public="1" featured="1">
    <fileContainer>
      <file fileId="5254">
        <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/43/6193/marrakesh_treaty_pt_lowres.pdf</src>
        <authentication>2a11964aac9db3596fddf6d16bd8af6a</authentication>
        <elementSetContainer>
          <elementSet elementSetId="4">
            <name>PDF Text</name>
            <description/>
            <elementContainer>
              <element elementId="92">
                <name>Text</name>
                <description/>
                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="70484">
                    <text>o
Tratado de
Marraqueche
guia eifl para bibliotecas

Outubro 2015, versão 2
(versão em português, FEBAB, julho 2020)

�EIFL trabalha em colaboração com
bibliotecas em mais de 60 países em
transição ou em desenvolvimento.
áfrica Angola, Botsuana, Burkina Faso, Camarões,
Congo, Etiópia, Gana, Quênia, Lesoto, Malawi,
Mali, Namíbia, Nigéria, Senegal, África do Sul,
Suazilândia, Tanzânia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue
ásia pacífico Camboja, China, Fiji, Cazaquistão,
Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Myanmar,
Nepal, Tailândia, Usbequistão america latina
Chile, Colômbia medio oriente e áfrica
do norte Argélia, Egito, Palestina, Sudão, Síria
europa Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Bósnia
e Herzegovina, Bulgária, Croácia, República
Tcheca, Estônia, Geórgia, Hungria, Kosovo, Letônia,
Lituânia, Macedônia, Moldávia, Polônia, Romênia,
Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Ucrânia.

�O
Tratado de
Marraqueche

para facilitar o acesso às obras publicadas
por pessoas cegas, com deficiência
visual, ou com outras dificuldades
para acessar o texto impresso
GUIA EIFL PARA BIBLIOTECAS

Outubro 2015 v2

�SOBRE A EIFL
A EIFL (Informação Eletrônica para Bibliotecas) é uma organização sem fins lucrativos
que trabalha com bibliotecas para permitir o acesso ao conhecimento nos países em
transição ou em desenvolvimento na África, Ásia-Pacífico, Europa e América Latina. Em
um mundo digital altamente conectado, nossas atividades ajudam as pessoas a acessar e
usar a informação para educação, aprendizagem, pesquisa e desenvolvimento sustentável
da comunidade. Criamos capacidade, defendemos o acesso ao conhecimento em nível
nacional e internacional, promovemos o intercâmbio de conhecimentos e iniciamos
projetos-piloto para serviços inovadores de bibliotecas por meio dos programas de
Licenciamento (Licensing), Direitos Autorais e Bibliotecas (Copyright and Libraries),
Acesso Aberto e Inovação em Bibliotecas Públicas (Open Access and Public Library
Innovation).

SOBRE DIREITOS AUTORAIS E BIBLIOTECAS (EIFL-IP)
O objetivo do programa Copyright and Libraries (EIFL-IP) é proteger e promover os
interesses das bibliotecas sobre questões de direitos autorais nos países parceiros do
EIFL. Nossa visão é que os bibliotecários são os defensores de um sistema justo de
direitos de autor e líderes na promoção do acesso ao conhecimento na era digital. Nós
estabelecemos uma rede de bibliotecários especializados em direitos autorais nos países
parceiros, defendemos a reforma das leis nacionais e internacionais de direitos autorais e
desenvolvemos recursos úteis sobre questões de direitos autorais.

www.eifl.net

LICENÇA
Exceto quando indicado em contrário, o conteúdo é licenciado sob uma licença Creative
Commons 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Mas recomenda-se que bibliotecários e público
em geral que venham a usar, distribuir, traduzir, modificar e desenvolver esses materiais,
atribuam a EIFL os devidos créditos.

COMENTÁRIOS
Comentários e opiniões são sempre bem-vindos. Por favor envie um email para info@eifl.
net.

�Prefácio
Em junho de 2013, os Estados membros da Organização Mundial da Propriedade
Intelectual (OMPI) adotaram o “Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras
Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter
Acesso ao Texto Impresso”.
O objetivo do Tratado é acabar com a escassez de livros – o fato de que apenas cerca
de 7% dos livros publicados são disponibilizados globalmente em formatos acessíveis,
como Braille, áudio, impressão com letras grandes, e formato DAISY1 . No mundo em
desenvolvimento, o número é inferior a 1%. Esta situação ocorre, em parte, por causa das
barreiras criadas pelas leis de direitos autorais, barreiras que o Tratado procura remover.
Por isso, a EIFL apoiou as negociações durante cinco anos na OMPI e participou na
conferência diplomática que levou à adoção do Tratado em Marraqueche. Com exemplos
de países parceiros da EIFL (Lesoto, Lituânia e Mongólia), os delegados ouviram como um
Tratado da OMPI para as pessoas com dificuldade para ter acesso ao texto impresso pode
realmente mudar vidas.
Para completar o trabalho na OMPI e cumprir a promessa do direito universal de leitura
das pessoas com dificuldade de ter acesso ao texto impresso, a EIFL está apoiando a
ratificação do Tratado nos países parceiros e sua implementação na lei nacional de direitos
autorais.
O Tratado de Marraqueche representa um avanço significativo no direito autoral
internacional porque é o primeiro Tratado dedicado exclusivamente à criação de normas
mínimas internacionais em benefício dos usuários de obras protegidas por direitos
autorais. Ele tem o potencial de aumentar significativamente a disponibilidade global de
materiais em formatos acessíveis. A capacidade de compartilhar esses formatos acessíveis
através das fronteiras irá beneficiar as pessoas com dificuldade de acesso a obras impressas
em todo o mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.
Este guia está organizado em duas partes. A Parte 1 fornece uma introdução direta ao
Tratado, as suas disposições-chave, e o papel de contribuição das bibliotecas com os
objetivos do Tratado2.
A Parte 2 fornece uma interpretação prática das principais provisões técnicas em
consonância com os objetivos de interesse público em permitir acesso ao conhecimento.
Ele também contém recomendações para a implementação, a fim de realizar a
oportunidade que o Tratado oferece às bibliotecas para aumentar os materiais de leitura
disponíveis para as pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso. Por conseguinte,
os bibliotecários devem estar envolvidos no desenvolvimento da aplicação da legislação
nacional para garantir o máximo benefício possível e para cumprir eficazmente o objetivo
do Tratado – que é acabar com a escassez do livro.

1.
Digital Accessible Information System (DAISY)
2.
Para uma discussão mais detalhada do tratado veja A User Guide to the Marrakesh Treaty,
www.librarycopyrightalliance.org/bm~doc/user-guide-marrakesh-treaty-1013final.pdf

3

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�FOTO: BIBLIOTECA FERNANDO GOMEZ MARTINEZ

As bibliotecas são fundamentais para o sucesso do Tratado por duas razões principais:
Em todo o mundo, as bibliotecas são uma das principais fontes de Braille, áudio,
impressões com letras grandes e materiais de formato digital para cegos e deficientes
visuais .3
As organizações de pessoas cegas, bibliotecas e outras organizações chamadas de
“entidades autorizadas” podem enviar cópias de formatos acessíveis para outros países.
Embora o guia seja destinado a bibliotecas, ele pode ser facilmente adaptado para uso por
outras instituições que satisfaçam a definição do Tratado de “entidade autorizada”. O guia
também está disponível em outras línguas (e.g. francês, sérvio, russo e inglês).
Esperamos que você ache o guia útil. Comentários e feedback são bem-vindos.
Este guia é uma versão redesenhada do guia EIFL do Tratado de Marraqueche, publicado
pela primeira vez em dezembro de 2014. O texto completo do Tratado nos formatos
impresso, áudio, DAISY e Braille pode ser acessado em: www.wipo.int/treaties/en/ip/
marrakesh.
A edição em português, traduzida por Walter Couto e revisada por membros da
Comissão Brasileira de Direitos de Autor e Acesso Aberto, é de responsabilidade da
FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecas, Cientistas da Informação e
Instituições4 . .

3.
Bibliotecas em todos os países têm uma longa história de serviço às pessoas com dificuldade de acesso ao texto
impresso. Bibliotecas de todos os tipos, sejam bibliotecas especiais para pessoas cegas ou bibliotecas gerais que fornecem acesso
igualitário aos serviços de informação a todos os seus usuários, independentemente da deficiência, são instrumentais no
fornecimento de materiais de leitura acessíveis para fins de educação, trabalho e lazer.
4.
O Tratado de Marraqueche foi introjetado na legislação brasileira pelo Decreto Nº 9.522, de 8 de outubro de 2018 e pode
ser acessado em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9522.htm

4

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�Conteúdo
1 INTRODUÇÃO AO TRATADO DE MARRAQUECHE  	
I Contexto

6

6

II Ratificação e implementação no direito nacional 7
III As principais disposições do Tratado 7
A Definições: bibliotecas e o Tratado de Marraqueche 7
B Outras definições importantes 8
C Obrigações substantivas relativas ao direito nacional, ao intercâmbio transfronteiriço e às
medidas tecnológicas 9
D Princípios gerais relativos à aplicação nacional 12
E Outras disposições: respeito à privacidade e cooperação para o intercâmbio
transfronteiriço 12

IV Próximos passos

13

2 RECOMENDAÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO NACIONAL DO
TRATADO DE MARRAQUECHE  	

14

1 Beneficiários do Tratado 14
II Tipo de obras e outros assuntos sujeitos às exceções e limitações 15
III Tipos de direitos cobertos pelas limitações e exceções fornecidas (direitos de autor e
direitos conexos) 15
IV Usos das obras a serem permitidas pelas limitações e exceções 16
V Bibliotecas como entidades autorizadas 17
VI Condições de aplicação das limitações e exceções no direito nacional 18
VII Condições para o intercâmbio transfronteiriço de cópias em formatos acessíveis 19
VIII Medidas de proteção tecnológica 19
IX Proteção das pessoas com deficiência não obrigatórias pelo Tratado de
Marraqueche 20
X Acesso a obras não incluídas no Tratado de Marraqueche 21

		 EIFL RECOMENDAÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO:UM RESUMO

5

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

22

�1

Introdução ao Tratado de
Marraqueche
I CONTEXTO
Na maioria dos países, a lei de direitos autorais apresenta
uma barreira legal para a realização e distribuição de cópias
de obras em formatos acessíveis a pessoas com dificuldade
de acesso ao texto impresso. Por exemplo, fazer uma cópia
de um trabalho em um formato acessível, como Braille,
sem a autorização do detentor dos direitos, pode constituir
uma violação do direito de reprodução. A distribuição não
autorizada da cópia em formato acessível pode infringir o
direito de distribuição ou disponibilização para o público.
Da mesma forma, o intercâmbio transfronteiriço de cópias
em formato acessível poderia suscitar a responsabilização por
infração de direitos autorais.
Por esta razão, mais de 50 países (principalmente
desenvolvidos) adotaram limitações aos direitos autorais que
permitem a produção e distribuição de cópias em formatos
acessíveis. No entanto, mais de 130 Estados membros da OMPI, onde vivem a maioria das
pessoas com dificuldade para ter acesso ao texto impresso, ainda não têm tais limitações.
Além disso, as limitações existentes geralmente não permitem explicitamente o envio ou
recebimento de cópias em formatos acessíveis entre os países5 .
O Tratado de Marraqueche procura suprimir as barreiras de duas formas principais:
• Pela exigência de que os países que ratificarem o Tratado possuam limitações na legislação
doméstica de direito autoral em benefício de pessoas com dificuldade de acesso ao texto
impresso. Isso significa que os países que ratificam o Tratado devem garantir que suas leis
permitam que pessoas cegas, bibliotecas e outras organizações façam cópias em formatos
acessíveis sem ter que pedir permissão do detentor de direitos autorais (geralmente o autor
ou editor) e distribuam essas cópias acessíveis pelo país.
• Pela legalização do envio e do recebimento de versões acessíveis de livros e outros
trabalhos impressos de um país para outro. Em outras palavras, fica permitido o envio de
obras em formato acessível para além das fronteiras nacionais, ajudando a evitar esforços
dispendiosos de duplicação em diferentes países por várias instituições (que muitas vezes
são financiados publicamente ou de modo beneficente). Isso permitirá que as instituições
com coleções maiores de livros acessíveis as compartilhem com pessoas com incapacidade
visual em países com menos recursos, atendendo melhor as pessoas com dificuldade
5.
N.T.: No caso do Brasil, há uma limitação específica para pessoas com deficiência visual na Lei de Direitos Autorais (Lei Nº
9.610/1998), que pode ser aplicada para outras pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso por meio de interpretação
extensiva ou analogia. No entanto, inexiste em nossa legislação uma limitação que permita o trânsito transfronteiriço de obras em
formato acessível, o que significa que o Brasil irá se beneficiar do Tratado especialmente neste particular, se enquadrando no
segundo tipo de países mencionados no texto.

6

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�de acesso a textos impressos em cada país e fornecendo material de leitura em qualquer
idioma que seja necessário.
As “entidades autorizadas” são fundamentais para a arquitetura do Tratado6. As
bibliotecas são centrais para o conceito de entidades autorizadas. Conforme definido,
o termo “entidade autorizada” engloba a maioria das bibliotecas. Bibliotecas, e outras
entidades autorizadas, podem realizar a produção e distribuição nacional de materiais
acessíveis. É importante salientar que as entidades autorizadas podem enviar cópias de
obras em formatos acessíveis para outros países.

II RATIFICAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO NO DIREITO NACIONAL
Após a sua adoção em junho de 2013, o Tratado foi aberto aos Estados membros da OMPI
para assinatura durante um ano. É encorajador que 80 países tenham assinado dentro
do ano, incluindo 22 países membros do EIFL. Sob o direito internacional, assinar um
Tratado indica o apoio político de um país. No entanto, para um Tratado entrar em vigor,
ele deve ser ratificado. O Tratado terá efeito quando for ratificado por 20 países e, em
seguida, é vinculativo para esses países. A Índia tornou-se a primeira a ratificar o Tratado
de Marraqueche em 24 de junho de 2014. Quando é ratificado, as disposições do Tratado
se aplicam ao direito nacional, por exemplo, por meio de alterações na lei de direitos
autorais e outras leis pertinentes.
		 Para checar o status atual de retificações, visite:
www.wipo.int/treaties/en/ShowResults.jsp?lang=en&amp;treaty_id=843.

III DISPOSIÇÕES-CHAVE DO TRATADO
A Definições: bibliotecas e o Tratado de
Marraqueche
De um ponto de vista prático, a mais importante disposição
do Tratado para bibliotecas é a definição de “entidade
autorizada” porque define as condições e a organização que
produz e distribui as cópias em formatos acessíveis. O artigo
2º (c) define uma entidade autorizada como “uma entidade
que é autorizada ou reconhecida pelo governo para prover
aos beneficiários, sem intuito de lucro, educação, formação
pedagógica, leitura adaptada ou acesso à informação. Inclui,
também, instituição governamental ou organização sem fins
lucrativos que preste os mesmos serviços aos beneficiários
como uma de suas atividades principais ou obrigações
institucionais.”7

FOTO: BIBLIOTECA DA LITUÂNIA PARA
CEGOS

6.
Artigo 2 (c) “entidade autorizada” significa uma entidade que é autorizada ou
reconhecida pelo governo para prover aos beneficiários, sem intuito de lucro, educação, formação pedagógica, leitura adaptada
ou acesso à informação. Inclui, também, instituição governamental ou organização sem fins lucrativos que preste os mesmos
serviços aos beneficiários como uma de suas atividades principais ou obrigações institucionais.
7.
Nota de rodapé 2 a declaração acordada relativa ao Artigo 2 (c) elabora que a expressão “entidades reconhecidas pelo
governo” pode incluir entidades que recebem apoio financeiro do governo com a finalidade de prestar serviços a pessoas
beneficiárias.

7

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�Assim, tanto uma agência especializada que presta serviços para pessoas cegas, como
uma biblioteca de audiolivros, ou uma biblioteca de serviços gerais, ou ainda uma
biblioteca acadêmica ou pública que fornece os mesmos serviços a todos os seus usuários,
independentemente da deficiência, constituiria uma entidade autorizada.
Além disso, uma biblioteca ou outra entidade autorizada “estabelecerá suas próprias
práticas e as aplicará”8 para verificar se os destinatários são pessoas beneficiárias
de boa-fé, limitando a distribuição de cópias em formatos acessíveis para as pessoas
beneficiárias ou outras autorizadas entidades, desencorajando a reprodução e distribuição
de cópias não autorizadas, mantendo o devido cuidado, assim como os registros do
manuseio de cópias acessíveis.
Assim, qualquer biblioteca ou instituição que satisfaça os critérios gerais estabelecidos
na Alínea C do Artigo 2º se qualifica como entidade autorizada. Para garantir que as
cópias acessíveis sejam utilizadas para fins de boa-fé, a entidade autorizada estabelece suas
próprias práticas a esse respeito. É importante destacar que o Tratado não contempla as
regras que estão sendo estabelecidas pelo governo, nem um processo ou mecanismo de
aprovação.
Note-se que a definição de entidade autorizada também inclui entidades com fins
lucrativos que usem fundos públicos para fornecer serviços sem fins lucrativos para
pessoas com dificuldade para ter acesso ao texto impresso.

B Outras definições importantes
Beneficiários O Tratado inclui uma ampla
definição de “beneficiários” – O tipo de pessoa que o
Tratado pretende beneficiar. Existem três grupos de
beneficiários:9
1 As pessoas que são cegas;
2 Pessoas que têm uma deficiência visual que as
impede de ler obras impressas e as que possuem uma
incapacidade perceptiva, como a dislexia, que torna
difícil aprender a ler, escrever e soletrar corretamente;
3 Pessoas com deficiência física que as impede de
segurar ou virar as páginas de um livro.

REPRODUTOR DE AUDIOLIVRO DAISY NA BIBLIOTECA
PÚBLICA DE HELSINKI FOTO: MACE

		 Embora o Tratado seja dirigido a pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso, o
Artigo 12 (2) confirma o importante ponto de que não impede a adoção de limitações de
direitos autorais em benefício de pessoas com outras deficiências.
Tipos de obras O Tratado aplica-se a obras literárias e artísticas publicadas sob a forma
de texto, notação ou ilustrações, incluindo em forma de áudio, como audiolivros 1011’ .
8.
Artigo 2(c) Definições
9.
Artigo 3 Beneficiários
10.
Nota de rodapé 1 Declaração acordada sobre o Artigo2(a)
11.
Em alguns países, os audiolivros e outras gravações sonoras são protegidas não por direitos autorais, mas por direitos
conexos. Nota de rodapé 13 do Tratado: ”Declaração acordada relativa ao Artigo 10(2): Fica entendido que quando uma obra se
qualifica como uma obra nos termos do Artigo 2º(a), incluindo as obras em formato de áudio, as limitações e as exceções previstas
pelo presente Tratado se aplicam mutatis mutandis aos direitos conexos, conforme necessário para fazer o exemplar em formato
acessível, para distribuí-lo e para colocá-lo à disposição dos beneficiários.”.

8

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�Significativamente, as obras audiovisuais, como os filmes, não se enquadram na definição
de obras, embora obras textuais embutidas em obras audiovisuais, por exemplo, DVDs
multimídia educacionais, parecem ser cobertas.
Exemplar em formato acessível O Artigo 2º (b) descreve um “exemplar em formato
acessível” como uma cópia de um trabalho em uma forma que dá a uma pessoa
beneficiária “acesso à obra, inclusive para permitir que a pessoa tenha acesso de maneira
tão prática e cômoda como uma pessoa sem deficiência visual ou sem outras dificuldades
para ter acesso ao texto impresso”.

C Obrigações materiais relativas ao direito nacional, intercâmbio
transfronteiriço e medidas tecnológicas
O núcleo substantivo do Tratado está contido nos Artigos que vão do 4º ao 7º.

Limitações e exceções na legislação nacional
Exceções obrigatórias
Artigo 4 (I) Exige que os países forneçam em sua lei nacional uma exceção ao direito de
reprodução, distribuição e disponibilização ao público “para facilitar a disponibilidade
de obras em formatos acessíveis aos beneficiários”. A limitação ou exceção deve permitir
as alterações que são necessárias para tornar o trabalho acessível no formato alternativo.
Além disso, os países podem prever uma exceção ao direito de execução pública, como
para a leitura pública de um poema ou uma peça.
Os países têm uma flexibilidade significativa na forma como podem cumprir a obrigação
prevista no Artigo 4(I). Uma maneira de cumprir está prevista no Artigo 4(2), que permite
a uma entidade autorizada realizar uma cópia em formato acessível ou obter uma cópia em
formato acessível de outra entidade autorizada e, ainda, fornecer a cópia diretamente para
uma pessoa beneficiária por qualquer meio sob as seguintes condições:
• A entidade autorizada tem acesso legítimo ao trabalho;
• A conversão não introduz alterações diferentes daquelas necessárias para tornar o trabalho
acessível;
• As cópias são fornecidas para a utilização exclusiva das pessoas beneficiárias;
• A atividade se realiza sem o intuito de lucro .12

Além disso, a pessoa beneficiária ou alguém que atue em seu nome, como um membro
da família ou um bibliotecário, pode fazer uma cópia de formato acessível para o uso da
pessoa beneficiária.
Alternativamente, o Artigo 4(3) estabelece que um país também pode cumprir o disposto
no artigo 4(I), fornecendo outras limitações ou excepções na legislação nacional de direitos
autorais.
Restrições opcionais: disponibilidade comercial e remuneração
Os Artigos 4(4) e 4(5) são disposições facultativas que, se aplicadas ao direito nacional,
restringirão as liberdades permitidas em virtude do Tratado.

12. Observe que a base não lucrativa não impede a cobrança de taxas com base na recuperação de custos dos serviços
prestados.

9

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�O Artigo 4(4) permite que um país
restrinja as exceções13 a obras que
não estão disponíveis no mercado
comercial em condições razoáveis
para as pessoas beneficiárias nesse
mercado. Para uma biblioteca,
isso significa que, primeiro, teria
que se realizar uma pesquisa
para verificar se o trabalho está
disponível comercialmente em
um formato acessível antes que
se pudesse fazer uma cópia
MARRAKESH NEGOTIATIONS. © WIPO 2013. PHOTO:
acessível. Como seria difícil
EMMANUEL BERROD
verificar com certeza se um trabalho
está disponível em um determinado formato e a um custo razoável para as pessoas
beneficiárias, especialmente em situações transfronteiriças, o efeito prático seria tornar a
exceção quase inviável. Por conseguinte, atrasaria a realização da cópia acessível e muitas
bibliotecas não têm o pessoal ou os recursos para empreender tais verificações caso a
caso. O nível de risco – uma avaliação da probabilidade da instituição ser processada pelo
titular de direitos autorais no caso de uma cópia em formato acessível de um trabalho
comercialmente disponível ser feita – pode significar que a biblioteca prefira se recusar a
oferecer o serviço14. Naturalmente, se uma cópia acessível estiver disponível no mercado
comercial, uma biblioteca pode sempre em qualquer caso decidir comprar tal cópia.
O Artigo 4(5) fornece a opção de submeter as exceções à remuneração: o pagamento de
uma taxa ao detentor (para trabalhos publicados em coleções da biblioteca, o detentor é
geralmente o editor). Em outras palavras, um país poderia adotar uma licença legal, em
vez de uma exceção absoluta. Esta disposição, tal como o artigo 4(4) discutido acima,
também teria um efeito inibidor na realização de cópias acessíveis, especialmente para
bibliotecas em países de baixa renda com orçamentos de livros muito limitados. É
importante notar que se o trabalho já foi adquirido, a cópia de formato acessível é feita
com o único propósito de proporcionar igual acesso ao trabalho, e a atividade é realizada
sem fins lucrativos.
Os Artigos 4(4) e 4(5) satisfazem um pequeno número de países que já têm essas
disposições no seu direito nacional. A fim de maximizar a disponibilidade de materiais
acessíveis para os usuários da biblioteca com dificuldade de acesso ao texto impresso,
eles não devem ser usados como um modelo para outros países, especialmente países
de baixa renda. Como o trabalho original já foi pago, um cenário de pagamento duplo
deve ser evitado. Por estas razões, as bibliotecas devem opor-se à inclusão destas
disposições facultativas na aplicação do direito nacional.

Trânsito transfronteiriço de cópias em formato acessível: exportação
O Artigo 5(1) prevê que um país deve permitir a uma entidade autorizada o envio
(exportação) de uma cópia em formato acessível feita sob uma exceção a uma entidade
13.
Descrito acima nos Artigos 4(1), 4(2) e 4(3)
14.
Durante as negociações, a World Blind Union se opôs à exigência de uma verificação de disponibilidade comercial: www.
worldblindunion.org/English/news/Pages/WIPO-Treaty-Commercial-Availability.aspx. No texto final do tratado que foi adotado, a
disponibilidade comercial é uma provisão opcional.

10

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�autorizada de outro país, ou diretamente a uma pessoa beneficiária em outro país. Tal
como no Artigo 4º, o Artigo 5º fornece aos países flexibilidade para a aplicação desta
obrigação.
Uma forma de cumprir o disposto no Artigo 5(1) se estabelece no Artigo 5(2), que prevê
que a legislação nacional de direitos autorais do país de envio deve permitir que uma
entidade autorizada distribua a cópia em formato acessível a uma pessoa beneficiária e
a uma entidade autorizada em outro país , sob a condição de que a entidade autorizada
atenda ao teste de boa-fé (por meio da qual a entidade autorizada não sabe ou tem motivos
razoáveis para saber que a cópia em formato acessível seria usada para outras pessoas
que não os beneficiários). A entidade autorizada pode decidir se irá “aplicar medidas
adicionais”, para além das que emprega no contexto interno, para confirmar a condição de
beneficiário de uma pessoa que está atendendo em outro país. 15

Troca transfronteiriça de cópias em formato acessível: importação
O Artigo 6 º é o suporte de texto correspondente ao Artigo 5º16 . Assim como o Artigo 5º
obriga os países a permitir que entidades autorizadas enviem cópias em formato acessíveis
a outras entidades autorizadas ou beneficiários em outros países, o Artigo 6º obriga os
países a permitir que entidades autorizadas ou beneficiários recebam (importação) cópias
em formatos acessíveis de outros países.
É importante ressaltar que o Artigo 6º estipula que esta obrigação de importação só se
aplica na medida em que a lei nacional de um país permita que uma entidade autorizada
ou uma pessoa beneficiária faça uma cópia em formato acessível. Consequentemente,
se a lei nacional de um país permitir às entidades autorizadas a realização de cópias
em formatos acessíveis, mas não permitir isso a pessoas beneficiárias, esse país só seria
obrigado a permitir que as entidades autorizadas pudessem importar cópias em formatos
acessíveis17. Por conseguinte, para assegurar que uma entidade autorizada em um país
possa fornecer cópias acessíveis diretamente a uma pessoa beneficiária em outro país, a
lei de direitos autorais no segundo país deve ter uma exceção que permita que as pessoas
beneficiárias (e não apenas as entidades autorizadas) realizem cópias em formatos
acessíveis.

Obrigações relativas a medidas tecnológicas
O Artigo 7 º prevê que uma medida de proteção tecnológica, tal como um controle de
cópia ou de acesso, não pode impedir uma pessoa beneficiária de usufruir das exceções
fornecidas pelo Tratado, mesmo quando um país proíbe que se contorne as medidas de
proteção tecnológica em sua legislação geral de Direitos Autorais. Assim, nesses casos, o
país deve adotar um mecanismo, como uma exceção à proibição de contorno das medidas
de proteção, para permitir que uma entidade autorizada, por exemplo, faça uma cópia
de formato acessível. Outros mecanismos (por exemplo, exigir que o detentor forneça à
entidade autorizada uma chave para abrir o bloqueio digital) também pareceria satisfazer
o Artigo 7º.

15.
Nota de rodapé 7 Declaração acordada relativa ao Artigo 5(2)
16.
Observe que entidades autorizadas podem enviar cópias acessíveis para outros países.
17.
Note-se que um país tem o poder discricionário de impor restrições às importações, como no nº 4 do Artigo 4º requisito
de disponibilidade comercial e / ou como no nº 5 do Artigo 4º uma condição de remuneração, ver nota 10 do Tratado de
Marraqueche.

11

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�D Princípios gerais relativos à implementação nacional
Os Artigos 10 e 11 articulam princípios gerais relativos à aplicação nacional.
O Artigo 10 “Princípios Gerais sobre Implementação” sublinham as flexibilidades que os
países têm na forma como implementam o Tratado. O Artigo 11 “Obrigações Gerais sobre
Limitações e Exceções” salientam, por outro lado, que esta flexibilidade é limitada por
obrigações de tratado existentes, nomeadamente o chamado “teste dos três passos”. Assim,
o Tratado deve ser compreendido como a criação de normas mínimas para exceções, no
contexto do teste dos três passos.18
Como alguns países não estão vinculados pelo teste dos três passos no que diz respeito
a exceções a alguns ou a todos os direitos, porque eles não são membros da Convenção
de Berna, do Tratado de direitos autorais da OMPI, ou do acordo TRIPS 19, alguns países
desenvolvidos queriam garantir que esses países não usassem mal as disposições do
Tratado em situações transfronteiriças.
O Artigo 5(4) prevê salvaguardas que um país receptor que não tenha obrigações do teste
dos três passos assegurará que a entidade autorizada não possa reexportar a cópia acessível
para outro país, ou que a produção da cópia acessível esteja sujeita ao teste dos três passos
antes que possa ser enviado para o país receptor20.

E Outras disposições: respeito à privacidade e cooperação para o
intercâmbio transfronteiriço
O Artigo 8 º “Respeito à Privacidade” prevê que os países “empenhar-se-ão para proteger
a privacidade dos beneficiários em condições de igualdade com as demais pessoas”.
As bibliotecas acreditam firmemente na proteção da privacidade de todos aqueles que
utilizam seus serviços, o que inclui o direito de ler anonimamente. Em muitos países, as
bibliotecas estão sujeitas a leis sobre proteção de dados. A aplicação do Tratado não deve
interferir com a privacidade das pessoas beneficiárias, por exemplo, nos mecanismos de
distribuição para formatos acessíveis.
O Artigo 9 º “Cooperação para Facilitar o Intercâmbio Transfronteiriço” contém
disposições destinadas a facilitar as trocas transfronteiriças, como a partilha voluntária
de informações para ajudar as entidades autorizadas a identificarem-se mutuamente. Nos
termos do Artigo 9(2), os países concordam em ajudar as suas entidades autorizadas a
disponibilizar informações relativas às suas práticas de cópias em formatos acessíveis; mas
entidades autorizadas não são obrigadas a divulgar essas informações21. Presumivelmente,
a assistência poderia assumir a forma de site hospedado por um país ou a prestação de
financiamento adicional para entidades autorizadas.

18.
Artigo 9 (2) Convenção de Berna para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas. Caberá à legislação dos países da União
permitir a reprodução de tais obras em determinados casos especiais, desde que tal reprodução não conflite com a exploração
normal da obra e não prejudique injustificadamente os legítimos interesses do autor.
19.
Os países menos desenvolvidos que são membros da OMC receberam uma isenção do TRIPS até 1º de julho de 2021.
www.wto.org/english/tratop_e/trips_e/ldc_e.htm
20.
Para mais detalhes, veja A User Guide to the Marrakesh Treaty, www.librarycopyrightalliance.org/bm~doc/user-guidemarrakesh-treaty-1013final.pdf
21.
Nota de rodapé 12 A Declaração Acordada relativa ao Artigo 9 declara: “Fica entendido que o Artigo 9º não implica um
registro obrigatório para as entidades autorizadas nem constitui uma condição prévia para que as entidades autorizadas exerçam
atividades reconhecidas pelo presente Tratado; confere, contudo, a possibilidade de compartilhamento de informações para
facilitar o intercâmbio transfronteiriço de exemplares em formato acessível.

12

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�IV PRÓXIMOS PASSOS
O Tratado de Marraqueche tem potencial para aumentar significativamente a
disponibilidade de cópias em formatos acessíveis a pessoas com dificuldades de acesso
aos textos impressos. Para maximizar esse potencial, as bibliotecas e outras instituições
que atuam junto às pessoas com dificuldades para ter acesso ao texto impresso devem
incentivar seus governos a ratificar o Tratado. Então, devem exortar os seus governos a
tomar as medidas necessárias para implementar o Tratado no direito interno. Como o
Tratado fornece aos países importantes opções sobre como o implementar, as bibliotecas
e outras entidades autorizadas devem defender a segurança de uma implementação que
melhor sirva aos interesses das pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso22.
A parte dois deste guia fornece sugestões e
recomendações sobre como isso pode ser
ENDING THE BOOK FAMINE
IN SENEGAL
alcançado.
EIFL, em cooperação com a União Mundial
das Cegos, apoia as bibliotecas dos países
parceiros a defenderem a ratificação. Quando
o Tratado é implementado no direito interno,
as bibliotecas podem então realizar o leque de
serviços permitidos pelo Tratado: a criação e
distribuição de cópias em formatos acessíveis para
as pessoas com deficiência. E as bibliotecas podem
desempenhar o seu papel para pôr fim a escassez
de livros acessíveis.

Project Manager: Awa Diouf Cissé &lt;cisseawa@yahoo.fr&gt;
THE GOAL OF THE MARRAKESH TREATY IS
TO HELP END THE BOOK FAMINE – THE FACT
THAT ONLY 7% OF PUBLISHED BOOKS ARE
MADE AVAILABLE GLOBALLY IN
ACCESSIBLE FORMATS. IN THE DEVELOPING
WORLD, WHERE MOST BLIND AND VISUALLY
IMPAIRED PEOPLE LIVE, THE FIGURE IS LESS
THAN 1%*
*This situation is caused in the first instance by barriers created by
copyright law, barriers that the Marrakesh Treaty seeks to remove.

Senegal signs the Marrakesh Treaty following its adoption on 28 June 2013 © WIPO
2013. Photo: Emmanuel Berrod.

OBJECTIVES
COBESS to lead the campaign for ratification of the
Marrakesh Treaty in Senegal in partnership with Amitiés
des Aveugles du Sénégal (AAS), and Sightsavers West
African Regional Office, Senegal

RESULTS SO FAR
Partner meeting held to plan activities and promotion

Ensure that libraries play a key role in the development of
implementing national copyright legislation

Information meetings held with high level officials at the
Senegalese Copyright Office (DG), Ministry of Culture &amp;
Communications to discuss the treaty implementation
process

Organize an advocacy campaign with partners to achieve
the most favourable result for persons with print
disabilities

Selection of an opinion leader e.g. Pape Niang, a blind
jazzman or musician Youssou Ndour to support
communication and advocacy efforts

Meet policy-makers and government officials
(primary target group), translate advocacy materials,
obtain library-friendly legal advice, raise awareness in mass
media and social media

Expected outcomes: ratification of the Marrakesh Treaty
is on the agenda of key Ministries and policy-makers.
The library community is following the process and
timetable for ratification
Local copyright experts have knowledge of the Treaty’s
major provisions, and the interpretation that best supports
public interest goals of access to knowledge

This project is supported by a grant from EIFL-IP. It runs from August – December 2014.

WWW.EIFL.NET

22.
Veja um possível modelo de estatuto para implementação em http://infojustice.org/wp-content/uploads/2013/09/
model-statute-for-marrakesh-implementation.pdf

13

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�2

Recomendações para a
implementação nacional do
Tratado de Marraqueche
		Luis V I LL AR RO E L V I LL ALO N 2 3
Este conjunto de recomendações para a execução do Tratado de Marraqueche está
dirigido principalmente aos bibliotecários dos países parceiros da EIFL que defendem
que seus governos ratifiquem o Tratado. Pode também ser utilizado como ferramenta por
criadores de políticas públicas quando da aplicação do Tratado na legislação nacional.
As recomendações constituem uma interpretação prática das principais disposições
técnicas do Tratado, de acordo com os objetivos de amplo interesse público do acesso
ao conhecimento. Elas oferecem orientação e sugestões, a fim de ajudar a perceber a
oportunidade que o Tratado oferece às bibliotecas para aumentar os materiais de leitura
disponíveis para as pessoas com dificuldade de acesso ao texto impresso e, assim, cumprir
eficazmente o objetivo do Tratado de acabar com a escassez do livro. Estas recomendações
devem ser lidas em conjunto com a Parte 1 do Tratado de Marraqueche: um Guia EIFL
para Bibliotecas. Comentários e feedback são bem-vindos.

1 Beneficiários do Tratado
O Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso a obras publicadas24 protege o acesso de
pessoas que são cegas, têm uma deficiência visual, ou que possuam outra dificuldade de
acesso ao texto impresso; por exemplo, que são disléxicas ou são incapazes de sustentar
fisicamente um livro. Por conseguinte, as disposições do Tratado não se aplicam a pessoas
com outros tipos de deficiência.
RECOMENDAÇÃO

1.1 Para cumprir as obrigações do Tratado de Marraqueche, os países devem fornecer
limitações e exceções para beneficiar as pessoas que são cegas, têm uma deficiência
visual, ou possuem dificuldade de acesso ao texto impresso. Portanto, é importante
garantir que as exceções fornecidas se aplicam não apenas às pessoas cegas ou
deficientes visuais, mas também incluem outras deficiências que prejudicam o acesso às
obras impressas. Para facilitar isso, é recomendável, portanto, incluir exemplos de outras
deficiências de acesso ao texto impresso, de forma não taxativa.

23. Advogado, LL.M. American University Washington. Diretor da Innovarte, Professor de Propriedade Intelectual da Universidad
Mayor (Chile), negociador do Tratado de Marrakesh, ex-Assessor de Propriedade Intelectual do Ministério da Educação do Chile,
Assessor do Instituto de Propriedade Intelectual do Equador, consultor internacional de propriedade intelectual. Essas
recomendações são a opinião pessoal do autor, sujeitas a revisão, e não refletem necessariamente as opiniões de empregadores,
instituições ou países com os quais ele é ou foi afiliado.
24.
www.wipo.int/treaties/en/ip/marrakesh.

14

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�Para recomendações sobre pessoas com deficiência fora do âmbito do Tratado de
Marraqueche, consulte a seção IX abaixo.

II Tipo de obras e outros assuntos sujeitos às exceções e limitações
O Tratado de Marraqueche exige que as exceções sejam aplicáveis às obras literárias,
artísticas e científicas, tal como compreendidas na Convenção de Berna, que sejam
expressas na “forma de texto, notação e/ou ilustrações conexas, que tenham sido
publicadas ou tornadas disponíveis publicamente por qualquer meio”25. Isso significa que
os livros predominantemente textuais veiculados em papel e em formato digital, como
jornais, revistas, quadrinhos, audiolivros, E-books, páginas da Web, gravações de som etc.
são incluídos junto com obras que combinam texto e ilustrações, como quadrinhos e livros
de imagem (sempre que contenham texto ou anotações em qualquer forma).
No entanto, está implícito que obras como performances artísticas, gravações sonoras
(fonogramas), ou sinais de transmissão que não se enquadram na definição de “obra” na
maioria das jurisdições também estão sujeitos às exceções no Tratado de Marraqueche,
desde que essas obras sejam incorporadas ou relacionadas a uma obra, conforme definido
no Tratado.
RECOMENDAÇÃO

2.1 Os países devem assegurar que as limitações e exceções que implementam o Tratado
de Marraqueche cubram todas as obras literárias, artísticas e científicas expressas através
de texto, notação e/ou ilustrações conexas. Para facilitar isso, recomenda-se, portanto,
incluir exemplos de tipos de trabalhos, de forma não taxativa.
Para recomendações sobre obras fora do âmbito do Tratado de Marraqueche, consulte a
seção X abaixo.

III Tipo de direitos abrangidos pelas limitações e exceções fornecidas
(direitos de autor e direitos conexos)
As exceções e limitações previstas no Tratado são aplicáveis não só aos direitos de autor,
mas também aos direitos conexos26, como o direito dos artistas, os direitos dos produtores
de fonogramas ou das emissoras. Este elemento importante é expressamente reconhecido
na declaração acordada relativa ao Artigo 10(2): “Fica entendido que quando uma obra
se qualifica como uma obra nos termos do Artigo 2º(a), incluindo as obras em formato
de áudio, as limitações e as exceções previstas pelo presente Tratado se aplicam mutatis
mutandis aos direitos conexos, conforme necessário para fazer o exemplar em formato
acessível, para distribuí-lo e para colocá-lo à disposição dos beneficiários”27.
Esta disposição é crítica porque as obras textuais sujeitas aos direitos autorais podem
conter material incorporado, tais como gravações sonoras feitas para livros de áudio ou
performances artísticas, que em muitas jurisdições estão sujeitas a direitos conexos, em
vez de direitos de autor. Exemplos de outros tipos de direitos dependerão de cada país, e
25.
www.wipo.int/treaties/en/text.jsp?file_id=301016#art2
26.
Também chamado de direitos vizinhos:
http://cyber.law.harvard.edu/copyrightforlibrarians/Module_4:_Rights,_Exceptions,_and_Limitations
#Neighboring_and_.22Sui_Generis.22_Rights
27.
Nota de rodapé 13 Declaração acordada relativa ao Artigo 10(2) www.wipo.int/treaties/en/text.jsp?file_id=301036

15

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�podem incluir obras no domínio público, por exemplo, que em algumas jurisdições são
concedidos direitos conexos em determinadas circunstâncias.

RECOMENDAÇÃO

3.1 Os países devem assegurar que as limitações e exceções previstas no Tratado de
Marraqueche se apliquem tanto aos direitos de autor quanto aos direitos conexos28,
conforme necessário, a fim de tornar as obras literárias e artísticas acessíveis em
cumprimento do objetivo do tratado.

IV Usos de obras a serem permitidas sob as limitações e exceções
O Tratado de Marraqueche prevê certas limitações e exceções obrigatórias aos
seguintes direitos: o direito de reprodução, o direito
de distribuição, o direito de disponibilizar ao público,
(tal como previsto pelo Tratado de direitos de autor da
OMPI), bem como o direito de fazer as transformações
necessárias, a fim de tornar a obra acessível em um
formato alternativo, como a audiodescrição de uma
imagem relacionada ao texto, por exemplo, para
descrever uma pintura incluída em um livro de história
da arte29.
No entanto, o Tratado prevê também a possibilidade de
incluir dentro das exceções outras utilizações necessárias
para criar formatos acessíveis ou para disponibilizálos, como o direito de execução pública 30, a tradução
ou outros direitos, conforme permitido pelo direito
internacional 31.

ALFABETO LITUANO EM BRAILLE. FOTO:
BIBLIOTECA LITUÂNIA PARA CEGOS.

Quanto mais usos forem permitidos sob as limitações
e exceções, mais conforto será fornecido para aqueles
que produzem e distribuem formatos acessíveis: em essência, capacitando aqueles que
fornecem acesso a pessoas com dificuldades para ter acesso ao texto impresso. Isto é
particularmente importante porque uma condição para receber uma cópia em formato
acessível em uma fronteira nacional (importação) é que a lei do país receptor permita a
produção desse formato enquanto uma exceção32. Consequentemente, quanto mais tipos de
formatos acessíveis estão permitidos pela lei nacional, mais segurança legal existe para um
país que importa cópias em formatos acessíveis realizadas em um outro país.

28.
É importante ressaltar que o Tratado da OMPI sobre Prestações e Fonogramas (WPPT), a Convenção de Roma e o Acordo
TRIPS expressamente dizem que quando uma limitação ou exceção é permitida para direitos autorais, ela também pode ser
permitida para direitos conexos. Por exemplo, o Artigo 16 do WPPT estabelece que “(1) as Partes Contratantes podem, em suas
legislações nacionais, prever os mesmos tipos de limitações ou exceções com respeito à proteção de executores e produtores de
fonogramas que eles estabeleçam em suas legislações nacionais. legislação, em conexão com a proteção de direitos autorais em
obras literárias e artísticas”. www.wipo.int/treaties/en/text.jsp?file_id=295578#P133_18440
29.
Artigo 4 Limitações e Exceções na Legislação Nacional sobre Exemplares em Formato Acessível.
30.
Artigo 4(1)(b)
31.
Nota de rodapé 4 Declaração acordada relativa ao Artigo 4(3) www.wipo.int/treaties/en/text.jsp?file_id=301036
32.
Artigo 6 Importação de Cópias Formatáveis Acessíveis.

16

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�RECOMENDAÇÃO

4.1 A legislação nacional deve incluir uma limitação ou exceção a todos os direitos
expressamente mencionados no Tratado de Marraqueche e as suas declarações
acordadas: o direito de reprodução, distribuição, disponibilização (tal como previsto no
Artigo 8 do Tratado da OMPI), execução pública, e transformações necessárias para fazer
um formato acessível, importação e exportação quando aplicável, e tradução.

V Bibliotecas como entidades autorizadas
De acordo com o Tratado de Marraqueche, “entidades autorizadas”33 são as entidades
que podem enviar cópias em formatos acessíveis para outro país que é parte do Tratado.
As entidades autorizadas podem enviar tais cópias para outra entidade autorizada
ou diretamente para um beneficiário do outro país34. Por conseguinte, as entidades
autorizadas têm um papel crucial na implementação efetiva do intercâmbio internacional
de cópias em formatos acessíveis. Além disso, as entidades autorizadas têm uma função
chave na criação e distribuição de obras acessíveis dentro de um país.
Como provedores sem fins lucrativos de informação às pessoas beneficiárias, as
bibliotecas qualificam-se como entidades autorizadas. Para cumprir o propósito do
Tratado, é importante que todos os tipos de bibliotecas – desde as bibliotecas especiais
que servem às pessoas cegas e deficientes visuais até bibliotecas acadêmicas e públicas;
desde as bibliotecas com muitos recursos nas principais cidades até pequenas bibliotecas
comunitárias nas áreas rurais – sejam incentivadas a assumir o papel de entidades
autorizadas sendo habilitadas a fornecer aos usuários com dificuldade de acesso ao texto
impresso o acesso oportuno a materiais acessíveis.
A fim de satisfazer a definição do Tratado, uma biblioteca deve estabelecer e seguir
as suas próprias práticas para assegurar que as pessoas que atendem são pessoas
beneficiárias, limitando a distribuição de cópias em formatos acessíveis aos beneficiários,
desencorajando a utilização de cópias não autorizadas, garantindo o devido cuidado na
manipulação de cópias das obras, mantendo os registros e respeitando a privacidade dos
usuários da biblioteca 35.

RECOMENDAÇÕES

5.1 A legislação ou o decreto de implementação no que diz respeito às bibliotecas como
entidades autorizadas deve assegurar que a biblioteca possa estabelecer e seguir as suas
próprias práticas no que diz respeito ao fornecimento de cópias em formatos acessíveis,
sempre que isso ocorra com boa fé e seja razoável de acordo com circunstâncias e
condições locais.
33.
Para uma organização ou instituição ser considerada uma “entidade autorizada” que pode produzir, intercambiar e
distribuir internacionalmente formatos acessíveis sob o Tratado de Marraqueche, ela deve atender a dois requisitos. Em primeiro
lugar, existe um requisito geral relativo à natureza da instituição e ao tipo de atividades que desenvolve, tais como a prestação de
serviços educativos, formação instrucional, leitura adaptativa ou acesso à informação das pessoas beneficiárias, em conformidade
com as políticas e obrigações legais nacionais. As atividades também devem ser realizadas sem fins lucrativos (ver Artigo 2 (c)). Em
segundo lugar, para garantir que cópias em formato acessível não sejam mal utilizadas, a entidade estabelece e segue as suas
próprias práticas e procedimentos (ver Artigo 2.º, alínea c)).
34.
Artigo 5 (1) “entidades autorizadas” estão expressamente autorizadas a enviar formatos acessíveis para outros países
dentro do sistema de Marraqueche.
35.
Artigo 2(c)

17

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�5.2 Se a legislação nacional que aplica o Tratado de Marraqueche incluir uma lista de tipos
de entidades que possam qualificar-se como entidades autorizadas, é muito importante
assegurar que as bibliotecas que prestam serviços sem fins lucrativos estejam incluídas.
5.3 As diretrizes governamentais ou as melhores práticas no que diz respeito ao
fornecimento de formatos acessíveis a pessoas beneficiárias nos termos do Tratado
devem ser elaboradas em consulta com grupos representativos, como associações de
bibliotecas e consórcios de bibliotecas, juntamente com outros produtores autorizados
de formatos acessíveis.
5.4 Os estatutos da biblioteca ou os regulamentos internos devem incluir expressamente
uma disposição que reconheça que o acesso às informações para pessoas com
deficiência faz parte do seu mandato institucional (sujeito aos recursos disponíveis,
quando apropriado).
5.5 As bibliotecas devem estabelecer procedimentos e práticas para o devido cuidado na
produção e distribuição de materiais em formato acessível para pessoas com deficiência.

VI Condições de aplicação das limitações e exceções no direito nacional
Qualquer pessoa, incluindo os beneficiários e entidades autorizadas, pode ter o direito de
fazer cópias em formatos acessíveis, desde que estas sejam feitas exclusivamente para a
utilização de uma pessoa beneficiária. Entende-se que as pessoas que atuam em nome dos
beneficiários, tais como bibliotecários, cuidadores, familiares ou amigos, estão incluídas.
As atividades realizadas pela entidade autorizada ou pela pessoa que produza ou que
disponibiliza o formato acessível devem ser sem fins lucrativos36. É importante notar que
o status “sem fins lucrativos” não impede uma entidade autorizada de cobrar taxas em
uma base de recuperação de custos ou de receber fundos, por exemplo, para financiar a
produção ou distribuição de obras em formatos acessíveis37.
As exceções não devem ser limitadas a um formato específico: qualquer formato pode ser
feito desde que ele sirva para a superação da deficiência que prejudica o acesso38, e não
introduz alterações diferentes daquelas necessárias para tornar o trabalho acessível39.
As excepções específicas em benefício das pessoas com deficiências para o texto impresso
não prejudicam outras exceções gerais previstas na legislação nacional40, como aquelas
para fins educacionais, bem como quaisquer disposições especiais que levem em conta
a situação econômica de um país ou necessidades sociais e culturais. Além disso, as
entidades autorizadas devem respeitar a privacidade dos beneficiários em igualdade de
condições com as demais, por exemplo, no que diz respeito à proteção dos dados pessoais
ou dos hábitos de leitura41.
As entidades autorizadas podem enviar cópias em formato acessível a outras entidades
autorizadas ou diretamente a pessoas beneficiárias localizadas em outro país42.

36.
Artigo 4(2)(a)(iv)
37.
Nota de rodapé 2 Declaração acordada relativa ao Artigo 2(c) www.wipo.int/treaties/en/text.jsp?file_id=301036
38.
Artigo 4(1)(a)
39.
Artigo 4(2)(a)(ii)
40.
Artigo 12 Outras Limitações e Exceções, e Artigo 4 (3) Limitações e Exceções ao Direito Nacional em Relação a Cópias de
Formatos Acessíveis
41.
Artigo 8 Respeito pela privacidade.
42.
Artigo 5(1)

18

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�RECOMENDAÇÕES

6.1 Todas as pessoas e entidades autorizadas devem ser habilitadas a produzir e distribuir
formatos acessíveis dentro do país para a utilização exclusiva das pessoas beneficiárias e
de acordo com os requisitos estabelecidos pela legislação nacional.
6.2 Para as atividades efetuadas sem fins lucrativos, é muito importante que o exercício
das exceções não seja sujeito ao pagamento de uma taxa43, nem a um teste de
disponibilidade comercial para o formato acessível específico (quer para utilização
dentro do país produtor ou para uso em outro país)44.
6.3 A lei ou o decreto de implementação deve deixar claro que (1) a natureza sem fins
lucrativos da atividade se aplica à pessoa ou entidade que controla a produção ou
distribuição do formato acessível (em vez de um prestador de serviços que faz parte da
cadeia produção), e (2) não exclui o pagamento a tais entidades comerciais para os seus
serviços.
6.4 Está implícito no tratado que os países têm a liberdade de regular a relação com os
contratos quanto às limitações e exceções para o benefício das pessoas com dificuldade
de acesso ao texto impresso, desde que o propósito do Tratado seja cumprido. Como
o acesso a recursos digitais é regido por licenças, é altamente recomendável que a lei
de direitos autorais proteja as exceções, de modo que quaisquer termos de licença não
possam anular o exercício das limitações e exceções previstas no Tratado.

VII Condições para o intercâmbio transfronteiriço de cópias em formatos
acessíveis
As entidades autorizadas têm o direito expresso de distribuir e disponibilizar cópias em
formatos acessíveis a outra entidade autorizada ou diretamente a uma pessoa beneficiária
de outro país que seja parte no Tratado45. Ao estabelecer as condições para o envio da cópia
em formato acessível, a entidade autorizada originária está sujeita ao princípio da “boafé”46. É importante salientar que o Tratado permite que a entidade autorizada estabeleça as
suas próprias práticas47. Ele não estabelece procedimentos ou sistemas específicos a serem
seguidos que normalmente refletem as circunstâncias sociais e econômicas em todo o
mundo em que as entidades autorizadas operam, e as pessoas com dificuldade de acesso ao
texto impresso vivem.
Quando a entidade autorizada receptora está localizada num país que não tem obrigações
relativamente ao teste dos três passos no direito internacional48, deve assegurar que a cópia
de formato acessível seja utilizada apenas em benefício das pessoas beneficiárias no país49.

43.
Artigo 4(5)
44.
Artigo 4 (4) Um país que escolher incluir um requisito de disponibilidade comercial deve depositar uma notificação com
o Diretor Geral da OMPI.
45.
Artigo 5(1)
46.
O Artigo 5º, nº 2, em que “a entidade autorizada originária não saiba ou tenha motivos razoáveis para saber que o
exemplar em formato acessível seria utilizado por outras pessoas que não os beneficiários”.
47.
Conforme discutido na Parte II, Seção V acima. Ver também Artigo 2(c) do Tratado de Marraqueche.
48.
Como discutido na Parte Um, Seção D. Princípios Gerais Relativos à Implementação Nacional.
49.
Artigo 5(4)

19

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�FOTO: BIBLIOTECA NACIONAL DA SÉRVIA

RECOMENDAÇÕES

7.1 Uma vez que o Tratado não prejudica outras exceções para pessoas com deficiências
previstas no direito nacional50, os beneficiários não devem ser impedidos do trânsito
transfronteiriço de materiais no contexto de outras exceções, tais como a utilização
privada, que estão dentro do limites do que é permitido ao abrigo do direito nacional.
7.2 Mesmo que um país opte por estabelecer uma condição de disponibilidade não
comercial na fabricação e distribuição de formatos acessíveis51, tal condição não deve ser
aplicada a cópias em formatos acessíveis feitas para uso transfronteiriço, pois isso seria
muito oneroso ou mesmo impossível para se verificar por parte da entidade autorizada
de origem.

VIII Medidas de proteção tecnológica
Quando um país fornece proteção jurídica para medidas de proteção tecnológica (MPT),
tais como controles de cópia ou de acesso, deverá tomar medidas para garantir que isso
não impeça os beneficiários de usufruir das limitações e exceções previstas no Tratado.
A medida mais simples é permitir contornar as MPT para garantir que os formatos
acessíveis52 sejam feitos ou distribuídos, bem como permitir as ferramentas e serviços
necessários para contornar essas proteções tecnológicas. Se a lei só permite contornar as
MPT, mas não permite que as ferramentas e serviços necessários sejam utilizados por
entidades autorizadas ou beneficiários para empreender a evasão, a norma terá utilidade
limitada.
RECOMENDAÇÃO

8.1 Para além da possibilidade de se contornar as medidas de proteção tecnológica para
efeitos de produzir ou distribuir as obras em formatos acessíveis, a legislação nacional
deve permitir as ferramentas e serviços, quer comerciais quer não comerciais, que
permitam tal evasão, conforme o caso.
50.
51.
52.

20

Artigo 12(2)
Conforme discutido na Parte Um, C. Obrigações Substantivas, Artigo 4 Limitações e Exceções às Leis Nacionais.
Artigo 7

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�IX Proteção das pessoas com deficiência não previstas pelo Tratado de
Marraqueche
O Tratado de Marraqueche diz expressamente que as suas disposições são sem prejuízo de
outras exceções para pessoas com deficiências previstas no direito nacional53. Em outras
palavras, o Tratado não limita a concessão de direitos a pessoas com outras deficiências
que necessitem de formatos alternativos, a fim de acessar informações. Por exemplo,
uma pessoa surda pode depender de legendas para comunicação e interação. Portanto,
um país que forneça exceções no direito nacional para pessoas com outras deficiências
pode reter tais exceções ou adicionar novas, mesmo quando eles são parte do Tratado de
Marraqueche.
RECOMENDAÇÃO

9.1 Recorde-se que o Tratado de Marraqueche permite a um país membro conservar
e alargar as limitações e as exceções que protegem as pessoas com deficiências
além daquelas impostas pelo Tratado, que também são impedidas de acessar obras
substancialmente no mesmo grau como uma pessoa sem a incapacidade. Os países são,
portanto, incentivados a aproveitar esta flexibilidade.

X Acesso a obras não incluídas no Tratado de Marraqueche
Nada no Tratado impede que os países membros forneçam limitações e exceções para
permitir que os beneficiários acessem obras não incluídas no Tratado, desde que tais
exceções cumpram as obrigações internacionais do país54. Seguindo este princípio, um país
pode fornecer exceções que cobrem outros tipos de obras, como uma imagem autônoma
que não é combinada com texto e ilustrações. O único efeito será que a produção e
a distribuição de tais obras acessíveis não se baseiam nas disposições do Tratado de
Marraqueche.
RECOMENDAÇÃO

10.1 Incluir todas as obras e assuntos abrangidos pelos direitos de autor e direitos conexos
no âmbito das obras e outro material que possa ser disponibilizado, certificando-se de
distinguir entre obras que se beneficiam das disposições do Tratado de Marraqueche e
as que não se enquadram no seu âmbito.

53.
54.

21

Artigo 12(2)
Artigo 12 Outras limitações e exceções

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�Recomendações EIFL para
implementação: um resumo
1.1 Para cumprir as obrigações do Tratado de Marraqueche, os países devem fornecer
limitações e exceções para beneficiar as pessoas que são cegas, têm uma deficiência
visual, ou possuem dificuldade de acesso ao texto impresso. Portanto, é importante
garantir que as exceções fornecidas se aplicam não apenas às pessoas cegas ou
deficientes visuais, mas também incluem outras deficiências que prejudicam o acesso às
obras impressas. Para facilitar isso, é recomendável, portanto, incluir exemplos de outras
deficiências de acesso ao texto impresso, de forma não taxativa.
2.1 Os países devem assegurar que as limitações e exceções que implementam o Tratado
de Marraqueche cubram todas as obras literárias, artísticas e científicas expressas através
de texto, notação e/ou ilustrações conexas. Para facilitar isso, recomenda-se, portanto,
incluir exemplos de tipos de trabalhos, de forma não taxativa.
3.1 Os países devem assegurar que as limitações e exceções previstas no Tratado de
Marraqueche se apliquem tanto aos direitos de autor quanto aos direitos conexos
, conforme necessário, a fim de tornar as obras literárias e artísticas acessíveis em
cumprimento do objetivo do tratado.
4.1 A legislação nacional deve incluir uma limitação ou exceção a todos os direitos
expressamente mencionados no Tratado de Marraqueche e as suas declarações
acordadas: o direito de reprodução, distribuição, disponibilização (tal como previsto no
Artigo 8 do Tratado da OMPI), execução pública, e transformações necessárias para fazer
um formato acessível, importação e exportação quando aplicável, e tradução.
5.1 A legislação ou o decreto de implementação no que diz respeito às bibliotecas como
entidades autorizadas deve assegurar que a biblioteca possa estabelecer e seguir as suas
próprias práticas no que diz respeito ao fornecimento de cópias em formatos acessíveis,
sempre que isso ocorra com boa fé e seja razoável de acordo com circunstâncias e
condições locais.
5.2 Se a legislação nacional que aplica o Tratado de Marraqueche incluir uma lista de tipos
de entidades que possam qualificar-se como entidades autorizadas, é muito importante
assegurar que as bibliotecas que prestam serviços sem fins lucrativos estejam incluídas.
5.3 As diretrizes governamentais ou as melhores práticas no que diz respeito ao
fornecimento de formatos acessíveis a pessoas beneficiárias nos termos do Tratado
devem ser elaboradas em consulta com grupos representativos, como associações de
bibliotecas e consórcios de bibliotecas, juntamente com outros produtores autorizados
de formatos acessíveis.
5.4 Os estatutos da biblioteca ou os regulamentos internos devem incluir expressamente
uma disposição que reconheça que o acesso às informações para pessoas com
deficiência faz parte do seu mandato institucional (sujeito aos recursos disponíveis,
quando apropriado).

22

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�5.5 As bibliotecas devem estabelecer procedimentos e práticas para o devido cuidado na
produção e distribuição de materiais em formato acessível para pessoas com deficiência.
6.1 Todas as pessoas e entidades autorizadas devem ser habilitadas a produzir e distribuir
formatos acessíveis dentro do país para a utilização exclusiva das pessoas beneficiárias e
de acordo com os requisitos estabelecidos pela legislação nacional.
6.2 Para as atividades efetuadas sem fins lucrativos, é muito importante que o exercício
das exceções não seja sujeito ao pagamento de uma taxa , nem a um teste de
disponibilidade comercial para o formato acessível específico (quer para utilização
dentro do país produtor ou para uso em outro país).
6.3 A lei ou o decreto de implementação deve deixar claro que (1) a natureza sem fins
lucrativos da atividade se aplica à pessoa ou entidade que controla a produção ou
distribuição do formato acessível (em vez de um prestador de serviços que faz parte da
cadeia produção), e (2) não exclui o pagamento a tais entidades comerciais para os seus
serviços.
6.4 Está implícito no tratado que os países têm a liberdade de regular a relação com os
contratos quanto às limitações e exceções para o benefício das pessoas com dificuldade
de acesso ao texto impresso, desde que o propósito do Tratado seja cumprido. Como
o acesso a recursos digitais é regido por licenças, é altamente recomendável que a lei
de direitos autorais proteja as exceções, de modo que quaisquer termos de licença não
possam anular o exercício das limitações e exceções previstas no Tratado.
7.1 Uma vez que o Tratado não prejudica outras exceções para pessoas com deficiências
previstas no direito nacional , os beneficiários não devem ser impedidos do trânsito
transfronteiriço de materiais no contexto de outras exceções, tais como a utilização
privada, que estão dentro do limites do que é permitido ao abrigo do direito nacional.
7.2 Mesmo que um país opte por estabelecer uma condição de disponibilidade não
comercial na fabricação e distribuição de formatos acessíveis , tal condição não deve ser
aplicada a cópias em formatos acessíveis feitas para uso transfronteiriço, pois isso seria
muito oneroso ou mesmo impossível para se verificar por parte da entidade autorizada
de origem.
8.1 Para além da possibilidade de se contornar as medidas de proteção tecnológica para
efeitos de produzir ou distribuir as obras em formatos acessíveis, a legislação nacional
deve permitir as ferramentas e serviços, quer comerciais quer não comerciais, que
permitam tal evasão, conforme o caso.
9.1 Recorde-se que o Tratado de Marraqueche permite a um país membro conservar
e alargar as limitações e as exceções que protegem as pessoas com deficiências
além daquelas impostas pelo Tratado, que também são impedidas de acessar obras
substancialmente no mesmo grau como uma pessoa sem a incapacidade. Os países são,
portanto, incentivados a aproveitar esta flexibilidade.
10.1 Incluir todas as obras e assuntos abrangidos pelos direitos de autor e direitos conexos
no âmbito das obras e outro material que possa ser disponibilizado, certificando-se de
distinguir entre obras que se beneficiam das disposições do Tratado de Marraqueche e
as que não se enquadram no seu âmbito.

23

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

�OS ESTADOS MEMBROS DA OMPI ADOTAM O TRATADO DE MARRAQUECHE.
© OMPI 2013. FOTO: EMMANUEL BERROD

24

o t r ata d o d e m a r r aq u e c h e : u m g u i a da e i fl pa r a b i b l i ot e c a s

��www.eifl.net

�</text>
                  </elementText>
                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="43">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51262">
                  <text>CBDA³ - Comissão Brasileira de Direitos Autorais e&#13;
Acesso Aberto</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </collection>
    <itemType itemTypeId="1">
      <name>Text</name>
      <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
    </itemType>
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70485">
                <text>O Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso às obras publicadas por pessoas cegas, com deficiência visual, ou com outras dificuldades para acessar o texto impresso - Guia EIFL para Bibliotecas</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70486">
                <text>Acessibilidade ao meio físico</text>
              </elementText>
              <elementText elementTextId="70487">
                <text>Tratado de Marraqueche Acessibilidade Deficiência Visual Acesso a informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70488">
                <text>O Tratado de Marraqueche: um Guia EIFL para Bibliotecas fornece uma introdução ao Tratado de Marraqueche para pessoas com deficiência impressa, suas principais disposições e recomendações para implementação nacional, a fim de maximizar as oportunidades que oferece às bibliotecas para aumentar os materiais de leitura disponíveis para pessoas com impressão deficiências.&#13;
O guia está dividido em duas partes. A Parte Um é uma introdução direta ao tratado, suas principais disposições e o papel das bibliotecas em contribuir para os objetivos do tratado. A Parte Dois fornece uma interpretação prática das principais disposições técnicas, com recomendações, em linha com os objetivos de interesse público de permitir o acesso ao conhecimento.&#13;
O EIFL gostaria de agradecer a equipe que produziu a edição em português: tradução de Walter Couto e revisões feitas por membros da Comissão Brasileira de Direitos Autorais e Acesso Aberto sob a direção da FEBAB, a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições. A versão original em inglês do guia foi publicada em outubro de 2015. A edição em português foi produzida em julho de 2020.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70489">
                <text>EIFL&#13;
FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70490">
                <text>EIFL</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70491">
                <text>2020</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="37">
            <name>Contributor</name>
            <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70492">
                <text>Walter Couto&#13;
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira&#13;
Jandira Reis Vasconcelos&#13;
Marcelo Cunha de Andrade&#13;
Sigrid Karin Weiss Dutra&#13;
Telma de Carvalho&#13;
CBDA3/FEBAB</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="47">
            <name>Rights</name>
            <description>Information about rights held in and over the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70493">
                <text>&lt;a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/"&gt;CREATIVE COMMONS ATTRIBUTION 4.0 INTERNATIONAL (CC BY 4.0)&lt;/a&gt;</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="42">
            <name>Format</name>
            <description>The file format, physical medium, or dimensions of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70494">
                <text>Eletrônico</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70495">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70496">
                <text>Livro</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="43">
            <name>Identifier</name>
            <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70497">
                <text>https://www.eifl.net/resources/marrakesh-treaty-eifl-guide-libraries-portuguese</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70498">
                <text>Brasil</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
    <tagContainer>
      <tag tagId="33">
        <name>Acessibilidade</name>
      </tag>
      <tag tagId="34">
        <name>CBDA3</name>
      </tag>
      <tag tagId="31">
        <name>DireitosAutorais</name>
      </tag>
      <tag tagId="27">
        <name>Livros</name>
      </tag>
    </tagContainer>
  </item>
</itemContainer>
